Última atualização: 12/07/2018

Prólogo


sempre teve uma queda pelo perigo. Talvez fosse a euforia trazida pela adrenalina ou até aquela viciante sensação de um “quase”, que na verdade nunca se concretiza. Ela não tinha certeza do porque, muito menos se preocupava em investigar os motivos de sua distinta personalidade. A mulher simplesmente era o que era e ponto. Não era dada a floreios, quem dirá à falsidade.
Com Ollie não havia meios termos e para ela, sua forma de agir sempre era a correta. Sempre. Isso costumava deixar à sua irmã, Katherine , completamente maluca. Ainda mais sendo a responsável por cuidar de sua maninha após a morte de seus pais. Kat era tudo para Ollie, e a mais velha fez o máximo que pode para cria-la.
E como agradecia? Sendo malcriada e metida a dona de seu próprio nariz. Mesmo quando era um pingo de gente, a mulher se recusava a largar mão de suas vontades e argumentações, por mais incoerentes que estas fossem. Mas no fim das contas, os traços insubordinados da pequena rebelde vieram a calhar.
Ela era a escolha perfeita para Tom Horton, diretor do FBI, em sua busca por uma face nova, recém-formada de Quantico que pudesse integrar seu projeto. Ele não usaria qualquer figurão para conduzir sua nova operação, ultrassecreta. De nada lhe adiantaria a fama, muito pelo contrário, holofotes somente deturpariam o objetivo de tudo aquilo. Quem ele necessitava era de uma pessoa determinada e teimosa o suficiente para topar a operação impraticável que tinha a propor.
E isso nos traz de volta a e suas características peculiares. Não havia nenhum formando daquele ano de 2018 que saltasse mais aos olhos de Tom. O maior problema seria convencê-la a aceitar embarcar naquela missão impossível, mas ele tinha certeza de que uma vez que a fizesse se envolver de verdade com o caso, ela nunca desistiria.
Não fazia o tipo de largar o osso, nem mesmo dar o braço a torcer. E era com isso que o diretor Horton estava contando. Sua prioridade era encontrar o segundo criminoso mais procurado do país e trazê-lo a justiça. Porém, não era com o ideal de buscar o que é justo que ele estava realmente preocupado. Com seu cargo chegando ao fim e sua reputação manchada por escândalo atrás de escândalo, aquela era sua cartada final antes que se aposentasse.
A escolha de alguém para ser caçado, tampouco fora aleatória - como nada é na realidade. Por mais que o homem - que atendia pelo codinome Blackwell - fosse o segundo da lista de mais procurados, ele ainda era uma grande interrogação, não só para o FBI, como também para as demais agências de inteligência.
Tudo o que haviam conseguido após anos de pesquisa, gasto de verbas e de pessoal, era saber que Blackwell atendia por esse mesmo codinome e que era um homem caucasiano, no máximo em seus trinta anos.
Esses dados desanimadores não lhes trariam a lugar algum, e as buscas foram sendo reduzidas mais e mais até que outros criminosos desviassem por completo o foco investigativo.
Mesmo quando parecia que absolutamente todos haviam desistido, o pobre do Tom Horton ainda possuía alguma esperança. E que bom que ainda o fazia. Nesse ponto, ele se identificava com . Se acreditasse em algo, levaria suas crenças para o túmulo, imaculadas por qualquer influência externa.
Engraçado como a vida se trata de um emaranhado de escolhas e de caminhos que se bifurcam em novos resultados e novas possibilidades. Se não fosse por alguém insignificante como Tom Horton e seus desejos de glória e poder, ainda estaria trabalhando na sede do FBI na Califórnia, como era seu plano original. Não fosse pela garra e teimosia da mulher, Blackwell ainda estaria na cobertura de seu edifício, se banhando em uísque e conduzindo seus negócios como o habitual.
Mas o mais importante de tudo, é que se os caminhos de e Blackwell nunca houvessem se cruzado, eu nem mesmo estaria contando essa estória.


Capítulo 1



Kate olhou para mim com os olhos marejados, mas com um sorriso amplo de orgulho. Corri até minha irmã e abracei-a forte, suspirando em seus cabelos ricos com aquele cheiro amadeirado que tanto me lembrava de nossa casa de infância. Sentiria muita falta dela quando me mudasse, mas ao mesmo tempo, estava muito animada para começar a fazer o que amava.
Sou impulsiva que nem o inferno, uma teimosa do caralho, e mandona pra cacete. Mas parece que esses são os ingredientes para uma boa agente do FBI. Vai entender, talvez seja por isso que o país tá um caos. Se enchessem as ruas de ’s, estou certa de que teríamos algum tipo de catástrofe em escala global.
Ao nosso redor, famílias e mais famílias cumprimentavam os formandos de Quântico, em nossa pequena cerimônia não oficial. Obviamente uma ideia minha. Pensei que seria importante reunir a todos mais uma vez, antes que nós nos espalhássemos pelas unidades do FBI, Estados Unidos afora. Alguns estavam insatisfeitos com os lugares para onde seriam mandados, mas não eu.
Primeira da turma em todas as provas, seria mandada para uma das grandes unidades na Califórnia. Alguns de meus amigos também não haviam se saído tão mal, conseguindo postos nas filiais de Nova York, Boston e ali mesmo na Virginia, em Washington D.C., uma das mais concorridas.
Após meses de treinamento, confesso que sentiria falta de cada um daqueles rostinhos que fora obrigada a aturar, colaborar e conviver. Mas eu sentia que nos reencontraríamos logo. Minha intuição nunca falha e afinal, o mundo não é tão grande quanto parece.
Kate atenciosamente trouxera minhas malas, já que eu iria direto para o aeroporto após a comemoração.
- Tem certeza, ? – Perguntou pela milésima vez, com a expressão preocupada.
Eu não poderia culpa-la - muito - pela indecisão. Eu sempre fora uma pessoa muito instintiva. Agia pelo mero impulso e sempre seguindo minha intuição, não importando quais eram as chances de estar errada.
Não lamentava por esses traços, que apesar de dificultarem meu convívio com os seres humanos que gostam de seguir regras, foram responsáveis por me trazer até ali. Após uma série de buscas profissionais sem sentido, eu conseguira encontrar meu lugar e minha vocação.
- Não precisa ficar assim, Kate. – Sorri, me afastando de seu segundo abraço consecutivo. – Eu vou ficar bem. A Califórnia está só a um passo de Rhode Island!
- Ah, sim. Exceto pelo fato de que nossa cidade natal dá para o Atlântico e a Califórnia para o Pacífico. Mas hey, "pertinho", só atravessar os Estados Unidos de uma ponta à outra. – Disse, com uma careta irônica.
- Não seja tão dramática, Kate! Nada que um jatinho não resolva. – Pisquei, com um meio sorriso.
O taxi que me aguardava buzinou, chamando minha atenção mais uma vez.
- Está na hora, eu suponho. – Murmurei, limpando a garganta, emocionada. Não que fosse admitir. – Diga ao Phill que visitarei vocês no natal e que estou louca para conhecer minha sobrinha.
Minha irmã assentiu, acariciando sua barriga, e inspirando fundo. Abriu a boca em algumas tentativas de falar algo. Porém, coloquei minha mão sobre a sua em seu ventre e beijei sua testa.
- Vou ficar bem. – Repeti, olhando no fundo de seus olhos. – O tempo vai passar rapidinho, vai ver.
Ela assentiu e acenou para mim, enquanto eu entrava no carro o qual meus colegas haviam ajudado a encher com minhas tralhas. O motorista resmungou algo para si, que eu só pude interpretar como um “finalmente”, e trocou a marcha, olhando-me pelo retrovisor.
- Para onde, moça?
- Aeroporto Ronald Reagan.


Suspirei dramaticamente pensando em tudo que estava arriscando. Tudo que estava deixando para trás. Mas a nostalgia não era a única que me abatia. Também estava extremamente excitada para começar uma nova vida. Ter um novo começo, e em uma profissão completamente diferente das que já havia experimentado.
Porém, não consegui nem mesmo terminar minha longa reflexão sobre o mundo e acerca dos mistérios que o destino nos reserva. Ou para aqueles não creem em predestinação, minha viagem nas bifurcadas consequências de cada escolha que fazemos no dia a dia, não importando o quão insignificantes pudessem parecer.
Não tive nem a oportunidade de observar a paisagem de Quantico se desvanecendo em uma palheta borrada através do vidro do carro. Não consegui ter tempo de puxar um papo cabeça com o taxista apressadinho.
Nada disso foi possível graças ao veículo que saiu - não se sabe de onde - para fechar o taxi em que eu estava. Quase bati minha cara no estofado do banco da frente com a freada brusca. Mas agradeci ao universo somente pelo fato do motorista ter conseguido frear em primeiro lugar.
Segundos se passaram, e quatro homens e duas mulheres de terno saíram do veículo - que agora eu percebera se tratar de uma van preta – e começaram a se aproximar. Peguei minha bolsa à meus pés e comecei a vasculha-la freneticamente.
- Cacete, o que foi isso?! Moça, o que diabos está fazendo?! – Perguntou o taxista, me olhando como se eu fosse doida.
Ignorei-o, retirando as pencas de maquiagem, mudas de roupa, lencinhos e outras coisas aleatórias, até conseguir achar o que estava procurando.
AHÁ! - Sorri, retirando minha arma da maleta no fundo da bolsa. – Mal saí de Quântico... – Gargalhei, encaixando o pente e colocando-a na parte de trás de minha calça.
Só então saí do carro, cruzando os braços para os homens que nos cercavam. Eu estaria morta antes que deizar alguém me intimidar, ou ao menos saber que estava conseguindo fazê-lo.
- Senhorita ? – Perguntou o mais alto deles.
- Ela mesma. – Repliquei, com um olhar incisivo para qualquer movimento suspeito.
- Precisamos que venha conosco.
- Ô queridinho... – Comecei, limpando minha garganta. - Vai com calma, tudo bem?! Primeiro vai se apresentando e me diz que merda vocês querem comigo, porque eu posso não ter tido uma mãe, mas minha irmã me ensinou que não se fala com estranhos.
- E você está falando mesmo assim, não está?! – Levantou uma sobrancelha, fazendo um gesto para que seus colegas - irritadinhos com minha recusa - aguardassem.
- Claro, é o que eu sempre digo! Regras estão aí para serem quebradas. Mas nem fudendo que vou entrar em uma van com vocês. Essa porra parece ter insufilm nas janelas!
- Entregue a pasta para ela, Patterson. – Revirou os olhos, acenando.
Peguei o envelope, me recostando no taxi parado, e comecei a vasculhar os documentos que tinham ali dentro. Surpreendentemente eu os reconhecia.
- Blackwell? – Indaguei, confusa. – O que tem ele? Achei que tivessem desistido de caçá-lo.
- Sim e a senhorita deixou bem claro suas reticências quanto a isso. E enquanto a maioria de seus instrutores de Quântico podem ter sido bem céticos nesse quesito, a senhorita impressionou uma em especial...
- Zia Penhallow. – Assenti. – Ela foi a única que aceitou ouvir minhas teorias sobre o caso.
- Não sei se sabe, senhorita , porém a senhora Penhallow tem contato direto com o Diretor Geral do FBI.
- “Contato direto”? É assim que estão chamando fuder hoje em dia? Bom saber. – Pisquei, arrancando alguns risos dos agentes. Ao menos dos dois que tinham senso de humor.
- Colabore, senhorita , temos um cronograma a cumprir. – Rebateu, mas segurando o riso, que eu vi!
- Tá, tá bem. O que tem isso?
- Tom Horton está para se aposentar. Mas antes que o faça, pretende fazer um último grande ato em nome da segurança nacional.
- Ou seja, quer terminar o mandato cheio de glória. – Gargalhei. – E deixe-me adivinhar, pretende apreender o segundo criminoso mais procurado dos Estados Unidos?!
- Exatamente.
- Que ótimo para o Tom. Muito bom para ele, agora o que tenho a ver?! E quem diabos são vocês, cacete?!
- Não podemos responder à segunda pergunta agora, já que está abaixo de seu nível de confidencialidade no momento. Mas o Diretor quer que seja você a comandar a força tarefa. Uma vez que aceite, lhe diremos tudo o que precisa saber.
- Ok. Qual é o truque? – Perguntei, provavelmente não tão animada quanto ele esperava. Ao menos por fora. Já minha mente estava à mil com todas as possibilidades que aquilo representava.
- O que quer dizer?
- Acabei de me formar. Mesmo sendo a primeira da turma e o caralho a quatro, esse criminoso está sendo caçado há anos, por mais de uma agência. Não temos nem uma descrição dele ainda. Só sabemos seu codinome. – Aproximei-me do homem que discutia comigo. – Me diga, qual é o seu nome. – Repliquei, apontando para ele.
- Patrick.
- Pois então, Patrick. Não acha esquisito, tudo isso? Só quero que me diga como vocês pretendem me fuder.
- Não sei nada quanto às motivações do senhor Horton, . – Disse, deixando implícito que ele mesmo tinha outras motivações. - Mas do modo como eu vejo, você tem duas escolhas. Vá para a Califórnia, cresça na sede de lá, faça contatos e quando empacar daqui há uns dez anos, sempre fique se perguntando o que poderia ter acontecido se tivesse aceitado. OU, aceite essa chance, arrisque. Demonstre seu verdadeiro potencial, e mesmo que ele tente ferrá-la de alguma forma, ou que a esteja usando, você também estará fazendo uso disso para alavancar sua carreira.
Perdi o ar quando ele avançou mais em minha direção, olhando para o fundo de meus olhos e sussurrando as palavras que saberia que seriam irresistíveis para mim:
- Agora me diga. No jogo da vida, quem você é? Aquela que se arrisca e faz grandes apostas ou a que se acomoda e contenta-se com o que lhe vêm facilmente?
- Porra, você sabe que tipo de pessoa eu sou, ou não estaria aqui em primeiro lugar.
- Então está resolvido. – Piscou, afastando-se como se estivesse um pouco desorientado. – Larson, Parrish, tragam as malas dela. – E voltou seu olhar novamente para mim, gesticulando para a porta aberta da van. – Temos muito o que conversar.

Blackwell




- Porra, Fibonacci! – Xinguei, dando a volta em minha mesa e pousando nela meu copo de uísque.
- Signori , estou fazendo o máximo que posso, mas muito disso está fora de meu alcance. Nossos diamantes são os melhores do campo, mas somente o fato de termos um competidor que vende a preços de banana, isso desvaloriz...
- Não quero saber, cacete! O seu trabalho é justamente estar a par de tudo e tomar providências antes que essas merdas aconteçam! Está me entendendo, farabutto?
- Perdão . Gostaria mesmo de ter boas notícias, mas a realidade é outra.
- Odeio ter que misturar a parte ilegal de minha empresa com a lícita! Você, mais do que ninguém sabe o quanto isso chama atenção, Fibo! – Voltei para trás de minha mesa no escritório, dando um soco no mogno, já quase afundado com anos de negócios. Frustrantes sim, mas também lucrativos. – Sabe o que aconteceu da última vez...
- Têm notícias dela? – Perguntou, olhando para baixo enquanto eu observava minhas tatuagens surgirem, ao dobrar as mangas da blusa social.
-Saia. Irei tomar conta disso. – Suspirei, enquanto o homem atendia a meu pedido prontamente.
Estar perto de mim quando estava irritado não era nada bonito. Normalmente eu puniria alguém que falhou comigo, como Fibonacci. Porém, em respeito à sua dedicação de anos à parte legítima de minha empresa, tentei me acalmar com respirações fundas. Ênfase no tentando. Se Nicolle soubesse há quanto tempo eu não vou à Doutora Hope...
Ela não liga. Alguma parte de meu interior dizia que na verdade ligava sim, apesar de meus pensamentos obscuros. Nosso último encontro ainda estava cravado em minha mente, como um lembrete de que meu anjo finalmente havia desistido de mim.
Por mais que nunca fosse admitir para mim mesmo, suas palavras haviam me machucado. Alguma parte de minha alma- que eu nem possuía consciência da existência – quebrou-se, provavelmente de maneira irreversível naquele dia.
Um toque na porta de meu escritório lembrou-me de não pensar mais sobre isso. Era inútil remoer o passado. Esperava que onde quer que estivesse, Nicolle fosse feliz. Mais do que ninguém, ela merecia isso.
- Entre. – Revirei os olhos com a batida insistente.
- Como está ? – Perguntou Eloise Langford, com um sorriso irritante.
- Ah, melhor impossível. – Ri seco, preenchendo meu copo de uísque até quase transbordar. – Quer um pouco?
- Não, obrigada. – Replicou, piscando e acomodando-se na poltrona em frente a minha mesa.
- E então?! – Levantei a sobrancelha aguardando seu relatório mensal. – E me diga que são boas notícias, porque já tem tanta merda acontecendo, que eu juro qu...
- Blackwell. – Cortou, balançando a cabeça em negativa. – Por quanto tempo nos conhecemos?
- Uns dez anos? – Respondi, mordendo o lábio inferior e acomodando-me em minha cadeira.
- Quinze. – Replicou, torcendo os lábios em desgosto. Revirou os olhos com minha risada. – E nesse tempo todo eu nunca te trouxe más notícias. Não é hoje que vou começar.
- Como está a produção?
- Excelente, mas estava querendo contrat...
- Contrate. E quanto às vendas?
- Tivemos uns problemas com os malditos Leppards... – Assenti, concordando. Os novos no negócio sempre enchiam a porra do saco. – Os Chauncey-Gallaways cuidaram disso, contudo. – Gargalhou. – Malditos Cartéis de Armas.
- Ainda não acredito que as famílias se juntaram. Isso parece a porra de um filme.
- Só se for Romeu e Julieta, prevejo muitas mortes pela frente.
- Uma Gallaway e um Chauncey unidos pelo Matrimônio. Porra, nunca pensei que viveria para ver iss...
O som de batidas na madeira desviaram nossa atenção para a figura de meu segurança à porta. Quando percebi que trazia um pacote em suas mãos, congelei no lugar. Mantive o olhar fixo no envelope, como se a qualquer momento pudesse sair alguém armado de dentro dele.
Já fazia um tempo que eu passara pela tensão de receber uma foto ensanguentada de Nicolle - minha ex-namorada, mas eterno amor de minha existência. Sequestrada por uma de minhas próprias seguranças pessoais em busca de vingança, a mulher sofrera nas mãos da traidora infiltrada, durante meses até que conseguíssemos resgatá-la. Somente consegui relaxar no momento que captei a identificação no remetente de um de meus centros de investigação, soltando o ar que estava segurando.
- Chefe, sinto muito interromper, mas nossos olhos na inteligência mandaram notícias urgentes.
- Eloise, infelizmente terei que...
- Porra, Blackwell. Sempre durante a merda minha reunião. – Levantou-se com uma careta.
- Olhe a boca. – Disse, no automático, pensando no que Nicolle diria naquele momento.
- Hipócrita! – Riu, balançando a cabeça e pegando sua bolsa. – Mais trilhões sendo perdidos, a cada uma dessas remarcações, não se esqueça disso!
Gargalhei, acostumado com o drama que ela sempre fazia, apesar de estar coberta de razão.
- Peça para Julliet colocar Eloise... – Ordenei, sendo cortado por meu segurança experiente.
- Na lista de urgência, sei. – Replicou, Rorik, assentindo.
- Tá vendo, até ele sabe! – Berrou a mulher, do corredor.
Fui deixado sozinho na sala, com aquela bomba em meu colo. Da última vez que eu recebera um pacote assim, acabara com a descoberta de que a pessoa que eu mais amava no mundo havia sido sequestrada debaixo de meu nariz, então pode entender minha hesitação. Saquei meu canivete, cortando o lacre e pescando um pen drive do fundo do envelope.
Rapidamente o pluguei em meu notebook e comecei a ler o que dizia a mensagem da carta que o acompanhava, ao passo que as informações carregavam.

Blackwell,
Tom Horton, diretor adjunto geral do Federal Bureau of Investigation (F.B.I.) está criando uma força tarefa para caçá-lo. As imagens dos possíveis líderes estão no pen-drive. A C.I.A. ainda está preocupada com um vazamento de informações internas por dois de seus integrantes, a aviadora Jane Sanchez e o sniper John Asher. Também parecem ignorar que eles chegaram ao senhor no ano passado.
A N.S.A. continua acompanhando Nicolle, mas não fazem ideia de sua ligação com o Senhor. O passado da senhorita Winters está relacionado a o porquê da vigilância, mas não acreditamos que esta se estenderá por muito tempo.
Já a Agência Iniciativa está muito ocupada lidando perseguindo com dois fugitivos, a hacker Sadie Townsand e o agente ex-agente Daniel Collins. Ainda não fazem ideia do real envolvimento do senhor na tragédia em Sacramento.
E enfim, quanto ao F.B.I. com a força tarefa de Tom Horton, é pouco provável que tenham êxito, mas pensei que gostaria de saber.
Também soubemos de informações sobre a senhorita Nicolle como nos pediu. Ela está morando com sua irmã, Sara Winters. Também obtivemos outras informações que podem lhe interessar. Como o senhor foi enfático quanto à manter certa privacidade da moça, os dados extras estão contidos em uma pasta em separado no pen-drive. Ela é protegida por uma senha: seu codinome.
Dessa forma, se assim desejar, basta apaga-la imediatamente. Porém, lhe advirto chefe, que o que descobrimos - embora não forneça risco à vida de Nicolle – é de grande valia para o senhor.



Passei meu olhar pela tela do computador, analisando as fotos atentamente. Quando me deparei com a pasta criptografada, pousei o mouse acima dela, pensando se a abriria ou não. Por que se a vida de Nicolle e sua segurança não estavam em jogo, o que realmente estava?! O que valia desafiarem minha ordem expressa de nem pensar em investigar informações além de seu bem-estar?! Que ousassem proferir recomendações a mim para que violasse sua privacidade?!
Poderia eu, depois de tudo que lhe infligi, deliberar sobre algo em sua vida?! Eu não era nada para ela, afinal. Ela mesma me dissera isso, não foi? No mesmo dia em que, de uma hora para a outra, passou de querer construir uma vida comigo, a me considerar como o monstro que eu sabia que era, mas que ela sempre negara a existência.



- E então meu amor? – Indaguei, dando alguns passos em sua direção.
- Fique aí. – Falou, com a voz fria. – Preciso que vá embora.
- Quer que eu fique ou que vá?! Decida-se baby, você é de câncer e não de libra. – Brinquei, sentindo meu coração martelando dolorosamente em meu peito.
- Não quero mais que fique em minha vida. – Disse automaticamente. – Não entende?! Quer que eu desenhe?! Você não faz ideia do quanto me faz mal?
- Mas você diss...
- Acha que eu estava falando sério? – Riu sarcasticamente. – Eu poderia ter morrido. Tudo por sua culpa. Eu SÓ disse tudo aquilo para... Para ver se você embarcava mesmo naquela baboseira de que você, uma praga na minha vida, não teria culpa nenhuma do que aconteceu.
- Por favor, Nicolle... – Dei um passo para perto de sua cama e ela virou-se para não encarar meu rosto.
- Já pedi para ir embora. – Murmurou.



Não. Se em um piscar, ela me cortara de sua vida, eu não tinha mais nenhum direito de violar sua privacidade. Nunca abriria mão de ter ciência de seu bem-estar. Porém, quando coloquei dois contratados atrás dela, prometi a mim mesmo que não mexeria com o que não é da minha conta.
Ela já não ficara muito feliz com minha intromissão e dissecação de sua vida antes que começássemos a nos envolver. O que nos rendera nossa brincadeira de apelidos. Enquanto eu a chamava de Carente, por seu jeitinho carinhoso e preocupado, ela me chamava de Stalker. Não sei como não antevimos o quanto nossa relação daria errado. Claramente eu sempre fui o degenerado.
Desliguei as luzes, e deixei o escritório, escoltado por Rorik. Saímos do Bunker e caminhamos até o carro. Tinha muito a fazer, e não ficaria horas ruminando sobre abrir ou não o documento, quando sabia muito bem o que deveria ser feito. Se aquela coisa de curiosidade não dera muito certo para Pandora ao abrir sua caixa, imagine para alguém com metade de sua índole.
Afinal, enquanto muitos viviam somente uma vida, eu tinha um alter-ego perigoso sempre tentando me dominar. Sempre estimulando aquela besta dentro de mim, sedenta pelo pior do que há na humanidade. Aquele era um jogo constante que eu fazia, na luta para obter ao menos um pouco de equilíbrio. Mas digamos que meu lado empresário bilionário não parecia ser forte o suficiente para combater meu monstro interior. E se ele conseguisse realmente escapar, com todo o poder e influência que tenho, a situação não ficaria nada bonita.


Capítulo 2



- Nem ferrando. – Repliquei, dando a volta na mesa enquanto apontava para Patrick.
- Ah, vamos lá, ! Se você parasse de discutir só um minuto sobre tudo o que eu falo, ia ser tudo um pouco mais fácil, não acha?! – Rebateu o homem com uma carranca, se jogando na poltrona do recinto.
Estávamos em uma espécie de mansão isolada, e eu não conseguia parar de me perguntar se Tom Horton acreditava que éramos uma espécie de X-men, trabalhando nas sombras para combater o mal encarnado na figura de Blackwell.
- SE VOCÊ ME ESCUTASSE POR UM SÓ MINUTINHO VERIA QUE TENHO RAZÃO!
- Pessoal...
- RAZÃO?! VOCÊ ESTÁ LOUCA SE PENSA QUE...
- Pessoal!
- O que é, Patterson?! – Perguntamos simultaneamente, fazendo-a revirar os olhos em irritação.
Não estávamos sendo muito justos com a pobre da Patterson, que tivera que ouvir nossa discussão durante todo o percurso. Havíamos acabado de chegar a tal “Mansão X-men” - ou talvez devesse dizer “Torre dos Vingadores”, com a iminência da Guerra Civil, que estava para acontecer entre mim e “Patrick chato”.
- Primeiro, parem de gritar. Vamos ficar aqui durante muito tempo, e eu juro que se eu ouvir mais um berro de algum de vocês dois, vou ser obrigada a atirar em alguma parte não-letal, mas muito dolorosa do corpo de ambos, estão entendendo?
Assentimos para a mulher, que se deslocou do canto da sala em que estava recostada para apoiar as mãos à mesa longa de madeira. Aquela devia ser uma sala de jantar, grande o suficiente para abrigar toda a equipe.
- Segundo... – Continuou, com uma carranca. – Temos dez lugares para o resto da força-tarefa permanente. Cinco integrantes a escolherá e os outros cinco serão do Patrick. Está bem? – Perguntou, suspirando, já esperando discordâncias. Porém, nenhum de nós poderia discutir muito com sua lógica.
Mais uma vez assentimos, com olhares de desgosto. Éramos dois teimosos sob o mesmo teto. Deus nos ajude. Sentamos à mesa, vendo Patterson discar os últimos dígitos para a central de operações e aguardamos os bipes, até que o encarregado atendesse.
- Quem é para buscarmos? – Perguntou, indo direto ao ponto.
- Primeiro as damas. – Sussurrou Patrick, fazendo com a mão um gesto teatral de reverência, que me fez querer macular aquela face absolutamente perfeita dos infernos.


Mais tarde, minhas habilidades de oratória foram postas em prova ao ter de fazer um belo de um discurso motivador para aquela inútil busca.
- Estamos em uma caçada perigosa. – Afirmei, limpando minha garganta. – Blackwell não é exatamente um criminoso fácil de ser encontrado.
- Imagina, só demoraram cinco anos para descobrirem seu codinome! – Brincou Robbie, recebendo um tapa bem dado em sua cabeça por .
- Mas nossa equipe vai tentar o impossível, certo?! Temos aqui a nata da nata de Quântico. Não me decepcionem. – Terminei, olhando firmemente nos olhos de cada um dos presentes.
- Vocês ouviram a moça. – Disse Patrick, com um meio sorriso. – Se alguém vai desistir, que o faça agora!
Um silêncio tenso abateu a sala de jantar, enquanto todos se entreolhavam esperando para ver quem seria o maricas a desistir. Pelo menos era isso que eu pensava, enquanto tentava disfarçar o nervosismo, torcendo meus dedos por debaixo da mesa.
Uma mão tranquilizadora pousou sobre a minha, e apesar de seu dono ser ninguém menos do que Patrick, aproveitei de seu calor relaxante.
- Infernos! – Berrou um dos amigos de Patrick, que acreditava se chamar Colin. – Estou dentro. – Piscou para mim.
- Não é como se eu tivesse algo para fazer nos próximos anos... – Disse , minha maior adversária em nossa época de treinamento em Quantico, dando de ombros.
- Eu, Robbie e Trev estamos dentro. – Sorriu Ethan.
Mais alguns integrantes do grupo de Patrick acenaram em concordância, me tranquilizando ainda mais sobre a possibilidade da operação fracassar antes mesmo de começar.
- Eu não sei, ... – Comentou Katie, balançando a cabeça em indecisão. – Eu ia para Washington D.C. Arriscar isso por...
- Olha, Kitty, eu sei que nada é garantido aqui. E seu sonho sempre foi a sede de Washington. Não se engane, eu entenderei completamente se escolher sair por aquela porta, ninguém aqui vai te julgar por isso. Mas eu preciso de você... Não chamaria se não precisasse.
A mulher torceu os lábios em um biquinho pensativo, e quando finalmente abriu a boca para dar o veredicto, apertei a mão de Patrick, nervosa. Realmente precisávamos dela, eu não havia dito aquilo para convencê-la simplesmente. Katie sabia fazer uma análise comportamental do criminoso como ninguém, traçando perfis que poderiam ser a chave para nossa busca.
Ainda mais quando sabíamos tão pouco do criminoso em questão. Até onde eu sabia Blackwell podia ser uma mulher e “tudo” o que a CIA descobriu estava errado.
- Tudo bem. – Replicou. – Eu fico. Mas tem que me prometer que isso não é mais uma de suas ideias malucas. Que acredita haver realmente alguma chance disso ser feito.
- Eu prometo. – Assenti, firmemente.
- Acho que só falta eu, então... – Suspirou um dos homens de Patrick. – Por que acha que em tantos anos de buscas sem sucesso, logo nós iremos encontra-lo?
- Eu... – Limpei minha garganta, olhando para meu colo, brincando com os dedos de Patrick. E por mais sujo que isso possa parecer, não. Não foi do jeito divertido. – Minha resposta provavelmente não vai ser o que esperam. Não vai reconforta-los. Mas eu simplesmente sinto, cada fibra de meus ossos sente... Que vamos encontra-lo. Nunca deixei de seguir minha intuição, e hoje não vai ser o dia que começarei.
Levantei os olhos, esperando que o homem já estivesse a meio caminho de seja lá de onde tinha vindo. Porém, encontrei todos me encarando como se o que disse fizesse sentido. Menos , claro. Ela me olhava como se eu fosse maluca, mas aquilo não era muita novidade da parte dela.
- Então estou dentro. Somos todos agentes, não somos?! Com o que poderíamos contar mais do que nossa intuição. – Falou, abrindo um meio sorriso. – A propósito, chefa, meu nome é Powers. – Piscou, em um claro flerte que me fez corar internamente.
Por fora, somente abri um sorrisinho malicioso. Mas assim que o fiz, senti a mão tranquilizante de Patrick sendo arrancada da minha, e desviei o olhar para vê-lo direcionando uma carranca ao amigo. Aquilo seria muito divertido... Pensou meu demoniozinho interno.
- Bem, quem está no comando? – Disse Robbie, com uma sobrancelha levantada.
- Eu estou. – Respondemos eu e Patrick simultaneamente.
Olhei feio para o agente secreto, puxando-o para a cozinha com um sorriso forçado e um murmúrio baixo de “Patrick, querido, posso falar com você um minuto?”.
- O que foi, agora, ? – Indagou, cruzando os braços.
- Você pode tirar seu cavalinho da chuva. Meus amigos estão arriscando muito para estar aqui e o inferno vai congelar antes que eu deixe você dar alguma ordem, tá entendendo?
- Hmm. – Ronronou, alcançando uma mecha solta de meu cabelo e conseguindo me desconcertar de tal forma que me perdi em minha argumentação.
- O que foi? Tira essa mão do meu cabelo. – Dei um tapinha leve em sua mão, irritada.
- Ahn? Ah, é só que você fica muito linda quando está brava. – Falou, me pegando tanto de surpresa, que arfei ao observá-lo se aproximar com as duas mãos sobre a bancada ladeando minha cintura recostada. - E sabe...? O melhor é que você parece nem perceber.
- Cretino, não me venha com esses elogios enrustidos. – Tagarelei, não conseguindo conter a vermelhidão em minhas bochechas. Aproximei-me de seu ouvido sensualmente.
- Cretino? – Arfou, deitando a cabeça de lado, como que tentando me desvendar.
- Queridinho... – Comecei com um meio sorriso. - Isso aqui é para você aprender o que é espaço pessoal. – Sussurrei, dando uma joelhada em suas partes íntimas e caminhando tranquila e satisfeita, de volta para a sala de estar.
- Ok, acredito que possamos começar amanhã, pessoal. Estão liberados.
- E o Patrick? – Perguntou , desconfiado.
- Ah, ele já foi descansar. Sabe como é, viagens assim exigem muito de um homem da idade dele.
franziu a testa, começando a gargalhar quando um Patrick – muito nervoso, diga-se de passagem – penetrou o recinto, parando a meu lado.
- Você sabe que temos a mesma idade, né? – Perguntou, com uma careta.
- Vai sonhando, vovô. – Repliquei, prevendo que esse seria meu mais novo hobbie. Se eu não morreria de tédio na mansão X-men eu precisaria de alguma atividade além de procurar por alguém inalcançável, que atormentava meus pesadelos. E pode apostar que irritar o Patrick serviria como uma ótima distração.


Blackwell


Deslizei para fora de Portia, derrubando-me a seu lado na cama. A ruiva certamente sabia como se divertir, mas não importava o quanto fosse escroto, ou o quanto eu tentasse, não conseguia transar com ela sem pensar nisso como uma espécie de traição.
Fora Nicolle que resolvera me largar. Com razão, mas ainda sim fora algo extremamente doloroso para mim. A mulher que eu jurara amar para sempre, e que ainda não superara, parecia assombrar meus dias com seu rosto angelical e sua boca inteligente e audaciosa, a única pessoa no mundo que conseguia me dominar por completo.
- ... – Suspirou Portia, me trazendo de volta ao presente. – Fiquei um pouco surpresa quando me ligou.
- Bem, eu precisei de um tempo para colocar a cabeça no lugar. – Bufei, controlando-me para ser gentil. Eu não sabia com sê-lo senão com Nick. Parecia fora de minha natureza ser algo diferente de direto, curto e grosso. Claro que no sentido sexual eu já não era tão assim.
- Na verdade fiquei surpresa que não ligou antes. – Se espreguiçou, ronronando.
- Mas eu estava com Nicolle. – Disse, com a voz áspera, não gostando da direção que a conversa estava tomando.
- Sim, a sem sal. Não sei como aturou ela por tanto tempo, quer dizer... – Começou a tagarelar, me fazendo tremer de raiva.
- Saia. – Rugi.
- O que? – Perguntou, não acostumada a ver meu lado sério. Em todos os anos em que fiquei com ela, a filha de um amigo próximo de meu pai.
- Você me ouviu, só sai. Não posso admitir que fale assim dela.
- Credo, ela ainda envenena você, mesmo não estando aqui! – Revirou os olhos, catando suas roupas e caminhando até a porta.
- Quando cansar de ser trouxa por aquela mulher, me procura. – Terminou, deixando-me com os pensamentos turbulentos.
Ainda tinha muito a resolver sobre minha ex em meu coração, mas não seria ali, nem naquele momento pós-sexo com outra mulher. Não era certo. Tomei um banho e vesti meu terno, saindo com meu segurança a reboque.
- Lance, prepare o carro, vou fazer uma ligação.
- Sim, chefe. – Replicou, assim que saímos do elevador do arranha céu.
Andei pela garagem até ter certeza de que era distância suficiente de qualquer um que pudesse ousar me interromper.
- Instituto Reminiscência, boa tarde. – Falou uma voz enjoadamente doce.
- Priscila. – Grunhi. – Diga o relatório.
- Senhor Black, não sei do que está falando.
- Cacete! Toda santa vez eu tenho que te assegurar da porra da propina? Eu sei sua conta, nunca deixei de te pagar, agora deixa de se fazer de desentendida e me diz como está a paciente 11.410!
- Ela... – Pela primeira vez desde que liguei, a atendente hesitou, fazendo com que alarmes soassem em minha mente.
- Não adoce pra mim, te pago pra dizer a verdade. – Cortei apreensivo.
- Ela piorou desde a última vez. Mas já esteve pior, senhor Black. Nada além do esperado.
- E as tulipas...
- Azuis, sim. Estão sendo repostas regularmente. Tenho certeza que ela as aprecia.
- Preciso que envie a prova como o habitual. Receberá seu dinheiro assim que cumpri-lo.
- Estou encaminhando a imag...
Desliguei, sem conseguir conter minha ansiedade. Abri meu e-mail criptografado e abri a fotografia, analisando-a por um segundos. Sim, ainda estava viva. Transferi o dinheiro instantaneamente, reforçando a necessidade de destruir o celular pré-pago que um de meus capangas havia lhe fornecido naquela manhã.
- Para onde, chefe? – Perguntou Lance, abrindo o separador entre o banco traseiro e o frontal.
- Só dirige, logo eu devo te dar um endereço. – Afirmei, buscando em minha maleta meu notebook e o pen drive ao qual estava hesitante em abrir.
- Perdoe-me Nicolle... – Sussurrei, não me contendo em digitar a senha da pasta trancada e acessar o que quer que meus informantes pareciam querer tanto que eu soubesse que se arriscaram a contrariar minhas ordens.
Imediatamente uma imagem e um documento abriram em minha tela. Analisei a imagem, sorrindo ao ver o rosto sorridente de Nick, enquanto olhava para baixo. Entrei em choque ao perceber no que seu olhar se centrava.
Suas mãos suaves estavam pousadas em seu ventre que estava muito mais inchado que o normal. Aquela barriga que despontava era inconfundível. Tremi, ao clicar no documento em pdf que acompanhava a imagem. Tratava-se de um relatório médico claro como o dia. Pela data da concepção, não havia nenhuma chance de que aquela criança não fosse minha.
Se antes de saber disso eu já era super-protetor com Nicolle, imagine agora que eu sabia que ela carregava um bebê. Nosso bebê. Joguei o computador no banco a meu lado de qualquer jeito e abri novamente o separador.
- Lance, ative o plano de extração. Estamos indo buscar Nicolle.


Continua...



Nota da autora:Gentee, já comecei com bomba, porque sou dessas ushuahsu. Essa fic tem muitas surpresas, então acredito que não terão taantos capítulos de transição assim. Para a nossa querida pp teve de ser, mas nosso pp levou um baita de um susto, hein?! Já estou ansiosa para ver sua personalidade carrancuda misturada com a fofura de uma criança. Amarei ler seus comentários <3 Quem desejar entrar para a família no facebook para acompanhar melhor a fic será mais do que bem vindo! Somente clicar no link abaixo! Beijinhos de Luz e até a próxima!





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