Última atualização: 25/05/2018

Prólogo


sempre teve uma queda pelo perigo. Talvez fosse a euforia trazida pela adrenalina ou até aquela viciante sensação de um “quase”, que na verdade nunca se concretiza. Ela não tinha certeza do porque, muito menos se preocupava em investigar os motivos de sua distinta personalidade. A mulher simplesmente era o que era e ponto. Não era dada a floreios, quem dirá à falsidade.
Com Ollie não havia meios termos e para ela, sua forma de agir sempre era a correta. Sempre. Isso costumava deixar à sua irmã, Katherine , completamente maluca. Ainda mais sendo a responsável por cuidar de sua maninha após a morte de seus pais. Kat era tudo para Ollie, e a mais velha fez o máximo que pode para cria-la.
E como agradecia? Sendo malcriada e metida a dona de seu próprio nariz. Mesmo quando era um pingo de gente, a mulher se recusava a largar mão de suas vontades e argumentações, por mais incoerentes que estas fossem. Mas no fim das contas, os traços insubordinados da pequena rebelde vieram a calhar.
Ela era a escolha perfeita para Tom Horton, diretor do FBI, em sua busca por uma face nova, recém-formada de Quantico que pudesse integrar seu projeto. Ele não usaria qualquer figurão para conduzir sua nova operação, ultrassecreta. De nada lhe adiantaria a fama, muito pelo contrário, holofotes somente deturpariam o objetivo de tudo aquilo. Quem ele necessitava era de uma pessoa determinada e teimosa o suficiente para topar a operação impraticável que tinha a propor.
E isso nos traz de volta a e suas características peculiares. Não havia nenhum formando daquele ano de 2018 que saltasse mais aos olhos de Tom. O maior problema seria convencê-la a aceitar embarcar naquela missão impossível, mas ele tinha certeza de que uma vez que a fizesse se envolver de verdade com o caso, ela nunca desistiria.
Não fazia o tipo de largar o osso, nem mesmo dar o braço a torcer. E era com isso que o diretor Horton estava contando. Sua prioridade era encontrar o segundo criminoso mais procurado do país e trazê-lo a justiça. Porém, não era com o ideal de buscar o que é justo que ele estava realmente preocupado. Com seu cargo chegando ao fim e sua reputação manchada por escândalo atrás de escândalo, aquela era sua cartada final antes que se aposentasse.
A escolha de alguém para ser caçado, tampouco fora aleatória - como nada é na realidade. Por mais que o homem - que atendia pelo codinome Blackwell - fosse o segundo da lista de mais procurados, ele ainda era uma grande interrogação, não só para o FBI, como também para as demais agências de inteligência.
Tudo o que haviam conseguido após anos de pesquisa, gasto de verbas e de pessoal, era saber que Blackwell atendia por esse mesmo codinome e que era um homem caucasiano, no máximo em seus trinta anos.
Esses dados desanimadores não lhes trariam a lugar algum, e as buscas foram sendo reduzidas mais e mais até que outros criminosos desviassem por completo o foco investigativo.
Mesmo quando parecia que absolutamente todos haviam desistido, o pobre do Tom Horton ainda possuía alguma esperança. E que bom que ainda o fazia. Nesse ponto, ele se identificava com . Se acreditasse em algo, levaria suas crenças para o túmulo, imaculadas por qualquer influência externa.
Engraçado como a vida se trata de um emaranhado de escolhas e de caminhos que se bifurcam em novos resultados e novas possibilidades. Se não fosse por alguém insignificante como Tom Horton e seus desejos de glória e poder, ainda estaria trabalhando na sede do FBI na Califórnia, como era seu plano original. Não fosse pela garra e teimosia da mulher, Blackwell ainda estaria na cobertura de seu edifício, se banhando em uísque e conduzindo seus negócios como o habitual.
Mas o mais importante de tudo, é que se os caminhos de e Blackwell nunca houvessem se cruzado, eu nem mesmo estaria contando essa estória.


Capítulo 1



Kate olhou para mim com os olhos marejados, mas com um sorriso amplo de orgulho. Corri até minha irmã e abracei-a forte, suspirando em seus cabelos ricos com aquele cheiro amadeirado que tanto me lembrava de nossa casa de infância. Sentiria muita falta dela quando me mudasse, mas ao mesmo tempo, estava muito animada para começar a fazer o que amava.
Sou impulsiva que nem o inferno, uma teimosa do caralho, e mandona pra cacete. Mas parece que esses são os ingredientes para uma boa agente do FBI. Vai entender, talvez seja por isso que o país tá um caos. Se enchessem as ruas de ’s, estou certa de que teríamos algum tipo de catástrofe em escala global.
Ao nosso redor, famílias e mais famílias cumprimentavam os formandos de Quântico, em nossa pequena cerimônia não oficial. Obviamente uma ideia minha. Pensei que seria importante reunir a todos mais uma vez, antes que nós nos espalhássemos pelas unidades do FBI, Estados Unidos afora. Alguns estavam insatisfeitos com os lugares para onde seriam mandados, mas não eu.
Primeira da turma em todas as provas, seria mandada para uma das grandes unidades na Califórnia. Alguns de meus amigos também não haviam se saído tão mal, conseguindo postos nas filiais de Nova York, Boston e ali mesmo na Virginia, em Washington D.C., uma das mais concorridas.
Após meses de treinamento, confesso que sentiria falta de cada um daqueles rostinhos que fora obrigada a aturar, colaborar e conviver. Mas eu sentia que nos reencontraríamos logo. Minha intuição nunca falha e afinal, o mundo não é tão grande quanto parece.
Kate atenciosamente trouxera minhas malas, já que eu iria direto para o aeroporto após a comemoração.
- Tem certeza, ? – Perguntou pela milésima vez, com a expressão preocupada.
Eu não poderia culpa-la - muito - pela indecisão. Eu sempre fora uma pessoa muito instintiva. Agia pelo mero impulso e sempre seguindo minha intuição, não importando quais eram as chances de estar errada.
Não lamentava por esses traços, que apesar de dificultarem meu convívio com os seres humanos que gostam de seguir regras, foram responsáveis por me trazer até ali. Após uma série de buscas profissionais sem sentido, eu conseguira encontrar meu lugar e minha vocação.
- Não precisa ficar assim, Kate. – Sorri, me afastando de seu segundo abraço consecutivo. – Eu vou ficar bem. A Califórnia está só a um passo de Rhode Island!
- Ah, sim. Exceto pelo fato de que nossa cidade natal dá para o Atlântico e a Califórnia para o Pacífico. Mas hey, "pertinho", só atravessar os Estados Unidos de uma ponta à outra. – Disse, com uma careta irônica.
- Não seja tão dramática, Kate! Nada que um jatinho não resolva. – Pisquei, com um meio sorriso.
O taxi que me aguardava buzinou, chamando minha atenção mais uma vez.
- Está na hora, eu suponho. – Murmurei, limpando a garganta, emocionada. Não que fosse admitir. – Diga ao Phill que visitarei vocês no natal e que estou louca para conhecer minha sobrinha.
Minha irmã assentiu, acariciando sua barriga, e inspirando fundo. Abriu a boca em algumas tentativas de falar algo. Porém, coloquei minha mão sobre a sua em seu ventre e beijei sua testa.
- Vou ficar bem. – Repeti, olhando no fundo de seus olhos. – O tempo vai passar rapidinho, vai ver.
Ela assentiu e acenou para mim, enquanto eu entrava no carro o qual meus colegas haviam ajudado a encher com minhas tralhas. O motorista resmungou algo para si, que eu só pude interpretar como um “finalmente”, e trocou a marcha, olhando-me pelo retrovisor.
- Para onde, moça?
- Aeroporto Ronald Reagan.


Suspirei dramaticamente pensando em tudo que estava arriscando. Tudo que estava deixando para trás. Mas a nostalgia não era a única que me abatia. Também estava extremamente excitada para começar uma nova vida. Ter um novo começo, e em uma profissão completamente diferente das que já havia experimentado.
Porém, não consegui nem mesmo terminar minha longa reflexão sobre o mundo e acerca dos mistérios que o destino nos reserva. Ou para aqueles não creem em predestinação, minha viagem nas bifurcadas consequências de cada escolha que fazemos no dia a dia, não importando o quão insignificantes pudessem parecer.
Não tive nem a oportunidade de observar a paisagem de Quantico se desvanecendo em uma palheta borrada através do vidro do carro. Não consegui ter tempo de puxar um papo cabeça com o taxista apressadinho.
Nada disso foi possível graças ao veículo que saiu - não se sabe de onde - para fechar o taxi em que eu estava. Quase bati minha cara no estofado do banco da frente com a freada brusca. Mas agradeci ao universo somente pelo fato do motorista ter conseguido frear em primeiro lugar.
Segundos se passaram, e quatro homens e duas mulheres de terno saíram do veículo - que agora eu percebera se tratar de uma van preta – e começaram a se aproximar. Peguei minha bolsa à meus pés e comecei a vasculha-la freneticamente.
- Cacete, o que foi isso?! Moça, o que diabos está fazendo?! – Perguntou o taxista, me olhando como se eu fosse doida.
Ignorei-o, retirando as pencas de maquiagem, mudas de roupa, lencinhos e outras coisas aleatórias, até conseguir achar o que estava procurando.
AHÁ! - Sorri, retirando minha arma da maleta no fundo da bolsa. – Mal saí de Quântico... – Gargalhei, encaixando o pente e colocando-a na parte de trás de minha calça.
Só então saí do carro, cruzando os braços para os homens que nos cercavam. Eu estaria morta antes que deizar alguém me intimidar, ou ao menos saber que estava conseguindo fazê-lo.
- Senhorita ? – Perguntou o mais alto deles.
- Ela mesma. – Repliquei, com um olhar incisivo para qualquer movimento suspeito.
- Precisamos que venha conosco.
- Ô queridinho... – Comecei, limpando minha garganta. - Vai com calma, tudo bem?! Primeiro vai se apresentando e me diz que merda vocês querem comigo, porque eu posso não ter tido uma mãe, mas minha irmã me ensinou que não se fala com estranhos.
- E você está falando mesmo assim, não está?! – Levantou uma sobrancelha, fazendo um gesto para que seus colegas - irritadinhos com minha recusa - aguardassem.
- Claro, é o que eu sempre digo! Regras estão aí para serem quebradas. Mas nem fudendo que vou entrar em uma van com vocês. Essa porra parece ter insufilm nas janelas!
- Entregue a pasta para ela, Patterson. – Revirou os olhos, acenando.
Peguei o envelope, me recostando no taxi parado, e comecei a vasculhar os documentos que tinham ali dentro. Surpreendentemente eu os reconhecia.
- Blackwell? – Indaguei, confusa. – O que tem ele? Achei que tivessem desistido de caçá-lo.
- Sim e a senhorita deixou bem claro suas reticências quanto a isso. E enquanto a maioria de seus instrutores de Quântico podem ter sido bem céticos nesse quesito, a senhorita impressionou uma em especial...
- Zia Penhallow. – Assenti. – Ela foi a única que aceitou ouvir minhas teorias sobre o caso.
- Não sei se sabe, senhorita , porém a senhora Penhallow tem contato direto com o Diretor Geral do FBI.
- “Contato direto”? É assim que estão chamando fuder hoje em dia? Bom saber. – Pisquei, arrancando alguns risos dos agentes. Ao menos dos dois que tinham senso de humor.
- Colabore, senhorita , temos um cronograma a cumprir. – Rebateu, mas segurando o riso, que eu vi!
- Tá, tá bem. O que tem isso?
- Tom Horton está para se aposentar. Mas antes que o faça, pretende fazer um último grande ato em nome da segurança nacional.
- Ou seja, quer terminar o mandato cheio de glória. – Gargalhei. – E deixe-me adivinhar, pretende apreender o segundo criminoso mais procurado dos Estados Unidos?!
- Exatamente.
- Que ótimo para o Tom. Muito bom para ele, agora o que tenho a ver?! E quem diabos são vocês, cacete?!
- Não podemos responder à segunda pergunta agora, já que está abaixo de seu nível de confidencialidade no momento. Mas o Diretor quer que seja você a comandar a força tarefa. Uma vez que aceite, lhe diremos tudo o que precisa saber.
- Ok. Qual é o truque? – Perguntei, provavelmente não tão animada quanto ele esperava. Ao menos por fora. Já minha mente estava à mil com todas as possibilidades que aquilo representava.
- O que quer dizer?
- Acabei de me formar. Mesmo sendo a primeira da turma e o caralho a quatro, esse criminoso está sendo caçado há anos, por mais de uma agência. Não temos nem uma descrição dele ainda. Só sabemos seu codinome. – Aproximei-me do homem que discutia comigo. – Me diga, qual é o seu nome. – Repliquei, apontando para ele.
- Patrick.
- Pois então, Patrick. Não acha esquisito, tudo isso? Só quero que me diga como vocês pretendem me fuder.
- Não sei nada quanto às motivações do senhor Horton, . – Disse, deixando implícito que ele mesmo tinha outras motivações. - Mas do modo como eu vejo, você tem duas escolhas. Vá para a Califórnia, cresça na sede de lá, faça contatos e quando empacar daqui há uns dez anos, sempre fique se perguntando o que poderia ter acontecido se tivesse aceitado. OU, aceite essa chance, arrisque. Demonstre seu verdadeiro potencial, e mesmo que ele tente ferrá-la de alguma forma, ou que a esteja usando, você também estará fazendo uso disso para alavancar sua carreira.
Perdi o ar quando ele avançou mais em minha direção, olhando para o fundo de meus olhos e sussurrando as palavras que saberia que seriam irresistíveis para mim:
- Agora me diga. No jogo da vida, quem você é? Aquela que se arrisca e faz grandes apostas ou a que se acomoda e contenta-se com o que lhe vêm facilmente?
- Porra, você sabe que tipo de pessoa eu sou, ou não estaria aqui em primeiro lugar.
- Então está resolvido. – Piscou, afastando-se como se estivesse um pouco desorientado. – Larson, Parrish, tragam as malas dela. – E voltou seu olhar novamente para mim, gesticulando para a porta aberta da van. – Temos muito o que conversar.

Blackwell




- Porra, Fibonacci! – Xinguei, dando a volta em minha mesa e pousando nela meu copo de uísque.
- Signori , estou fazendo o máximo que posso, mas muito disso está fora de meu alcance. Nossos diamantes são os melhores do campo, mas somente o fato de termos um competidor que vende a preços de banana, isso desvaloriz...
- Não quero saber, cacete! O seu trabalho é justamente estar a par de tudo e tomar providências antes que essas merdas aconteçam! Está me entendendo, farabutto?
- Perdão . Gostaria mesmo de ter boas notícias, mas a realidade é outra.
- Odeio ter que misturar a parte ilegal de minha empresa com a lícita! Você, mais do que ninguém sabe o quanto isso chama atenção, Fibo! – Voltei para trás de minha mesa no escritório, dando um soco no mogno, já quase afundado com anos de negócios. Frustrantes sim, mas também lucrativos. – Sabe o que aconteceu da última vez...
- Têm notícias dela? – Perguntou, olhando para baixo enquanto eu observava minhas tatuagens surgirem, ao dobrar as mangas da blusa social.
-Saia. Irei tomar conta disso. – Suspirei, enquanto o homem atendia a meu pedido prontamente.
Estar perto de mim quando estava irritado não era nada bonito. Normalmente eu puniria alguém que falhou comigo, como Fibonacci. Porém, em respeito à sua dedicação de anos à parte legítima de minha empresa, tentei me acalmar com respirações fundas. Ênfase no tentando. Se Nicolle soubesse há quanto tempo eu não vou à Doutora Hope...
Ela não liga. Alguma parte de meu interior dizia que na verdade ligava sim, apesar de meus pensamentos obscuros. Nosso último encontro ainda estava cravado em minha mente, como um lembrete de que meu anjo finalmente havia desistido de mim.
Por mais que nunca fosse admitir para mim mesmo, suas palavras haviam me machucado. Alguma parte de minha alma- que eu nem possuía consciência da existência – quebrou-se, provavelmente de maneira irreversível naquele dia.
Um toque na porta de meu escritório lembrou-me de não pensar mais sobre isso. Era inútil remoer o passado. Esperava que onde quer que estivesse, Nicolle fosse feliz. Mais do que ninguém, ela merecia isso.
- Entre. – Revirei os olhos com a batida insistente.
- Como está ? – Perguntou Eloise Langford, com um sorriso irritante.
- Ah, melhor impossível. – Ri seco, preenchendo meu copo de uísque até quase transbordar. – Quer um pouco?
- Não, obrigada. – Replicou, piscando e acomodando-se na poltrona em frente a minha mesa.
- E então?! – Levantei a sobrancelha aguardando seu relatório mensal. – E me diga que são boas notícias, porque já tem tanta merda acontecendo, que eu juro qu...
- Blackwell. – Cortou, balançando a cabeça em negativa. – Por quanto tempo nos conhecemos?
- Uns dez anos? – Respondi, mordendo o lábio inferior e acomodando-me em minha cadeira.
- Quinze. – Replicou, torcendo os lábios em desgosto. Revirou os olhos com minha risada. – E nesse tempo todo eu nunca te trouxe más notícias. Não é hoje que vou começar.
- Como está a produção?
- Excelente, mas estava querendo contrat...
- Contrate. E quanto às vendas?
- Tivemos uns problemas com os malditos Leppards... – Assenti, concordando. Os novos no negócio sempre enchiam a porra do saco. – Os Chauncey-Gallaways cuidaram disso, contudo. – Gargalhou. – Malditos Cartéis de Armas.
- Ainda não acredito que as famílias se juntaram. Isso parece a porra de um filme.
- Só se for Romeu e Julieta, prevejo muitas mortes pela frente.
- Uma Gallaway e um Chauncey unidos pelo Matrimônio. Porra, nunca pensei que viveria para ver iss...
O som de batidas na madeira desviaram nossa atenção para a figura de meu segurança à porta. Quando percebi que trazia um pacote em suas mãos, congelei no lugar. Mantive o olhar fixo no envelope, como se a qualquer momento pudesse sair alguém armado de dentro dele.
Já fazia um tempo que eu passara pela tensão de receber uma foto ensanguentada de Nicolle - minha ex-namorada, mas eterno amor de minha existência. Sequestrada por uma de minhas próprias seguranças pessoais em busca de vingança, a mulher sofrera nas mãos da traidora infiltrada, durante meses até que conseguíssemos resgatá-la. Somente consegui relaxar no momento que captei a identificação no remetente de um de meus centros de investigação, soltando o ar que estava segurando.
- Chefe, sinto muito interromper, mas nossos olhos na inteligência mandaram notícias urgentes.
- Eloise, infelizmente terei que...
- Porra, Blackwell. Sempre durante a merda minha reunião. – Levantou-se com uma careta.
- Olhe a boca. – Disse, no automático, pensando no que Nicolle diria naquele momento.
- Hipócrita! – Riu, balançando a cabeça e pegando sua bolsa. – Mais trilhões sendo perdidos, a cada uma dessas remarcações, não se esqueça disso!
Gargalhei, acostumado com o drama que ela sempre fazia, apesar de estar coberta de razão.
- Peça para Julliet colocar Eloise... – Ordenei, sendo cortado por meu segurança experiente.
- Na lista de urgência, sei. – Replicou, Rorik, assentindo.
- Tá vendo, até ele sabe! – Berrou a mulher, do corredor.
Fui deixado sozinho na sala, com aquela bomba em meu colo. Da última vez que eu recebera um pacote assim, acabara com a descoberta de que a pessoa que eu mais amava no mundo havia sido sequestrada debaixo de meu nariz, então pode entender minha hesitação. Saquei meu canivete, cortando o lacre e pescando um pen drive do fundo do envelope.
Rapidamente o pluguei em meu notebook e comecei a ler o que dizia a mensagem da carta que o acompanhava, ao passo que as informações carregavam.

Blackwell,
Tom Horton, diretor adjunto geral do Federal Bureau of Investigation (F.B.I.) está criando uma força tarefa para caçá-lo. As imagens dos possíveis líderes estão no pen-drive. A C.I.A. ainda está preocupada com um vazamento de informações internas por dois de seus integrantes, a aviadora Jane Sanchez e o sniper John Asher. Também parecem ignorar que eles chegaram ao senhor no ano passado.
A N.S.A. continua acompanhando Nicolle, mas não fazem ideia de sua ligação com o Senhor. O passado da senhorita Winters está relacionado a o porquê da vigilância, mas não acreditamos que esta se estenderá por muito tempo.
Já a Agência Iniciativa está muito ocupada lidando perseguindo com dois fugitivos, a hacker Sadie Townsand e o agente ex-agente Daniel Collins. Ainda não fazem ideia do real envolvimento do senhor na tragédia em Sacramento.
E enfim, quanto ao F.B.I. com a força tarefa de Tom Horton, é pouco provável que tenham êxito, mas pensei que gostaria de saber.
Também soubemos de informações sobre a senhorita Nicolle como nos pediu. Ela está morando com sua irmã, Sara Winters. Também obtivemos outras informações que podem lhe interessar. Como o senhor foi enfático quanto à manter certa privacidade da moça, os dados extras estão contidos em uma pasta em separado no pen-drive. Ela é protegida por uma senha: seu codinome.
Dessa forma, se assim desejar, basta apaga-la imediatamente. Porém, lhe advirto chefe, que o que descobrimos - embora não forneça risco à vida de Nicolle – é de grande valia para o senhor.



Passei meu olhar pela tela do computador, analisando as fotos atentamente. Quando me deparei com a pasta criptografada, pousei o mouse acima dela, pensando se a abriria ou não. Por que se a vida de Nicolle e sua segurança não estavam em jogo, o que realmente estava?! O que valia desafiarem minha ordem expressa de nem pensar em investigar informações além de seu bem-estar?! Que ousassem proferir recomendações a mim para que violasse sua privacidade?!
Poderia eu, depois de tudo que lhe infligi, deliberar sobre algo em sua vida?! Eu não era nada para ela, afinal. Ela mesma me dissera isso, não foi? No mesmo dia em que, de uma hora para a outra, passou de querer construir uma vida comigo, a me considerar como o monstro que eu sabia que era, mas que ela sempre negara a existência.



- E então meu amor? – Indaguei, dando alguns passos em sua direção.
- Fique aí. – Falou, com a voz fria. – Preciso que vá embora.
- Quer que eu fique ou que vá?! Decida-se baby, você é de câncer e não de libra. – Brinquei, sentindo meu coração martelando dolorosamente em meu peito.
- Não quero mais que fique em minha vida. – Disse automaticamente. – Não entende?! Quer que eu desenhe?! Você não faz ideia do quanto me faz mal?
- Mas você diss...
- Acha que eu estava falando sério? – Riu sarcasticamente. – Eu poderia ter morrido. Tudo por sua culpa. Eu SÓ disse tudo aquilo para... Para ver se você embarcava mesmo naquela baboseira de que você, uma praga na minha vida, não teria culpa nenhuma do que aconteceu.
- Por favor, Nicolle... – Dei um passo para perto de sua cama e ela virou-se para não encarar meu rosto.
- Já pedi para ir embora. – Murmurou.



Não. Se em um piscar, ela me cortara de sua vida, eu não tinha mais nenhum direito de violar sua privacidade. Nunca abriria mão de ter ciência de seu bem-estar. Porém, quando coloquei dois contratados atrás dela, prometi a mim mesmo que não mexeria com o que não é da minha conta.
Ela já não ficara muito feliz com minha intromissão e dissecação de sua vida antes que começássemos a nos envolver. O que nos rendera nossa brincadeira de apelidos. Enquanto eu a chamava de Carente, por seu jeitinho carinhoso e preocupado, ela me chamava de Stalker. Não sei como não antevimos o quanto nossa relação daria errado. Claramente eu sempre fui o degenerado.
Desliguei as luzes, e deixei o escritório, escoltado por Rorik. Saímos do Bunker e caminhamos até o carro. Tinha muito a fazer, e não ficaria horas ruminando sobre abrir ou não o documento, quando sabia muito bem o que deveria ser feito. Se aquela coisa de curiosidade não dera muito certo para Pandora ao abrir sua caixa, imagine para alguém com metade de sua índole.
Afinal, enquanto muitos viviam somente uma vida, eu tinha um alter-ego perigoso sempre tentando me dominar. Sempre estimulando aquela besta dentro de mim, sedenta pelo pior do que há na humanidade. Aquele era um jogo constante que eu fazia, na luta para obter ao menos um pouco de equilíbrio. Mas digamos que meu lado empresário bilionário não parecia ser forte o suficiente para combater meu monstro interior. E se ele conseguisse realmente escapar, com todo o poder e influência que tenho, a situação não ficaria nada bonita.


Continua...



Nota da autora:Estou muito animada, gente! Essa fanfic é a união de vários plots de ficstapes meus em um. Tudo está interligado. Espero que gostem e embarquem nessa jornada maluca atrás do criminoso mais procurado comigo. Amarei ler seus comentários <3 Quem desejar entrar para a família no facebook será mais do que bem vindo! Somente clicar no link abaixo! Beijinhos de Luz e até a próxima!





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