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Última atualização: 16/10/2020

Capítulo 1


Escolher entre três universidades, nenhuma das opções a deixava perto de casa e dos amigos. Yale, Harvard e Stanford eram suas opções.
Enquanto não decidia em qual ingressar, resolveu passar o máximo de tempo com seus amigos. Foi para várias festas, churrascos, entrou de penetra em baladas e até festas familiares! Quando resolveu parar de só se divertir e pensar no futuro, ela escolheu estudar em Stanford, pois ficava perto da costa, o que a lembraria de sua casa e a faria sentir menos saudade do lar.
Assim que a família chegou no campus de Stanford, a garota quis imediatamente voltar para casa, não sabia ao certo se estava preparada para morar sozinha. Mesmo assim seguiu em frente. Se para se tornar uma advogada de respeito ela teria que morar longe dos pais e dos amigos, assim seria!
Após o almoço, pegou a chave do seu apartamento e se despediu de seus pais, um momento difícil e com direito a lágrimas de todos. Partiu rumo a nova casa e lá estava uma menina que aparentava ter a mesma idade que a dela, sentada no sofá da sala, mexendo no celular. Assim que a viu, sorriu abertamente e se levantou caminhando em sua direção.
- Você deve ser minha companheira de apartamento! – disse a olhando esperando uma resposta. Era perceptível em seu sotaque que ela não era americana.
- Sim, ! – disse estendendo a mão para ela, mas ao invés de apertar a mão ela a abraçou.
- Sou ! Mas sinta-se à vontade para me chamar de !
- Você não é daqui, estou certa?! – disse arqueando uma sobrancelha. Ela assentiu com a cabeça.
- Sou francesa!
nasceu na França, mas sempre quis sair de lá para conhecer o mundo, ela era filha adotiva de um casal homossexual, dois homens que ela amava mais do que qualquer coisa e era grata por tudo o que faziam para ela e por todo o apoio, em Stanford ela estudaria Psicologia. As duas conversaram por algum tempo, até que alguém bateu na porta, assim que abriu, viu um garoto lindo, ele sorriu para ela e a analisou de cima a baixo.
- Hoje às oito horas, no estádio de futebol americano do campus! Vá com uma roupa confortável! – olhou em seus olhos e saiu andando.
ficou paralisada.
- O que ele queria? – perguntou.
- Ele só falou, para estarmos às oito no estádio de futebol americano do campus e com uma roupa confortável! – quase soltou fogos.
- Tomara que tenham muitos garotos bonitos! – ela disse juntando as mãos como quem estava rezando e olhando para o teto.
Depois de mais algum tempo se conhecendo, era o momento de conhecer a nova moradia. Era um lugar grande, tinham dois quartos, um banheiro, uma sala de tevê, e a cozinha. O apartamento era todo equipado. As duas tomaram banho e desfizeram suas malas. Então era o momento de se dirigir até o estádio. Ou na verdade, tentar.
- Aonde é esse estádio!? – perguntou olhando para todos os lados, estavam perdidas. – Vamos seguir o pessoal, provavelmente eles devem estar indo para lá. – disse apontando para um grupo animado que estava andando, gritando e cantando.
Elas os seguiram até chegarem no estádio, um lugar enorme. Passaram pela entrada e assim que pisaram na grama, viram que estava superlotado, puderam ver várias garotas que provavelmente eram de irmandades e vários jogadores do time. Naquele momento, era como se estivessem dentro de um filme.
Uma música alta estava tomando conta do lugar, olhou para e o olhar que ela retribuiu dizia o mesmo que ela estava pensando. Elas estavam sozinhas naquele lugar, não conheciam ninguém a não ser uma a outra.
- Precisamos nos enturmar! – disse.
- E aí, garotas?! – um menino chegou atrás delas colocando suas mãos nas costas e as guiando para o meio do estádio, onde se aglomeravam mais pessoas, todos calouros.
- Bem-vindos, calouros! – um garoto disse em cima de um palco improvisado. – Nós que estamos aqui, - e apontou para trás do palco, com muitos estudantes – seremos seus veteranos por esse ano, e esta noite vocês serão batizados estudantes de Stanford!
- O que ele quis dizer com batizados? Eles vão jogar água benta em nós?! – a garota perguntou para , que por sua vez gargalhou alto até ficar mais vermelha que a insígnia da escola.
- Bem-vindos e boa sorte! – ele finalizou e então houve vários gritos.
- Vamos sair correndo! – disse pegando o braço de e a puxando. Antes de dar dois passos sentiram algo cair sobre suas cabeças, sentiram um líquido gelado, era tinta verde.
- Bem-vinda caloura! – Um garoto disse sorrindo amigavelmente. tentou sorrir de volta, porém estava um tanto quanto assustada e brava. Olhou para o lado e estava toda suja de tinta, parecia que cem pessoas tinham a atacado.
Ao olhar ao redor, todos os calouros estavam coloridos de tinta.
- Ei, caloura! – alguém a chamou e jogou uma lata de spray. – Sabe usar?
- Claro, é uma lata de spray! – ele sorriu abertamente e estendeu a mão.
- ! – a garota retribuiu esticando a mão e a apertando.
- ! – ela sorriu amigavelmente e ele a puxou para perto dele, em seguida espirrando a espuma nela. – Traidor! – disse passando a mão no cabelo e jogando nele.
Nesse momento, iniciou-se uma guerra de espuma. estava tentando desviar e não ser atingida com tanta frequência, mas esbarrou em alguém.
- Desculpa! – disse olhando para a pessoa em sua frente, e novamente ficou cara a cara com o garoto que bateu em sua minha porta, ele estava sujo, mas não tanto quanto os outros veteranos, ele usava uma blusa cinza que, por estar molhada de tinta ficou grudada no corpo, belo corpo, ela notou.
- Cuidado, caloura! – disse rindo e despejando no cabelo alguma coisa, não era líquida pelo menos. Ela tocou e olhou suas mãos.
- Glitter? – ela riu e assoprou nele, que fechou os olhos. Ele hesitou, queria falar algo, mas foi interrompido por , que puxou do meio da confusão.
- Meu celular ficou rosa! – ela praticamente gritou, assustada, pegou seu celular e viu que ele ainda estava em perfeitas condições.
- O que mais vão tacar agora? Ursos de pelúcia? – questionou para , mas ela não estava mais lá, mas sim um garoto que riu com o comentário.
- Pelo que vi no estoque, não tinham ursos de pelúcia, desculpa te decepcionar!
- Isso realmente acabou com o meu dia! – disse o olhando. – Sou ! E você?
- ! – disse sorrindo e segundos depois foi bombardeado por mais tinta, assim como ela. Os dois se limparam, rindo um pouco e tentando não ficar frustrados.
- Você é agora, oficialmente uma estudante de Stanford! – se virou para ela, que sorriu com o que ele disse, e então ele jogou um pouco de tinta vermelha, da mesma cor do símbolo de Stanford.
- , cadê você?! – uma voz que a garota já tinha ouvido antes falou atrás dela, ela se virou e tentou lembrar seu nome. Quando a viu ele abriu um sorriso. – Caloura! – disse jogando mais tinta. – , não é?! – disse esperando que ela respondesse, porém ela apenas concordou com a cabeça, mas seu rosto mostrou que ela não lembrava quem ele era. – Lembra de mim, né?! ! – e novamente ela deixou transparecer, porém que desta vez ela se lembrava. Ele riu.
Mais tarde, quando ela voltou para o apartamento, já estava de banho tomado e secando os cabelos com uma toalha. Ela a olhou e arregalou os olhos.
- O que fizeram com você? – perguntou boquiaberta.
- Saí da terceira guerra mundial!
- Jogaram tinta vermelha em todos?
- Sim, foi como uma iniciação na escola... Saiu de lá que horas?
- Meia hora atrás... – disse simples.
- Por quê? – arqueou uma sobrancelha.
- Estava com um garoto! – ela disse mordendo o lábio inferior e ficando vermelha. riu baixo assentindo com a cabeça e indo até seu quarto.
No outro dia, era dia de conhecer a faculdade, acordou e notou que não estava no apartamento, então sozinha foi até o refeitório tomar o café da manhã e viu muita gente, após pegar o que queria, deu uma olhada para ver algum lugar vazio, era hora de fazer amizade. Alguém atrás dela tossiu, chamando sua atenção.
- Foi uma tosse falsa, ok?! Não precisa ficar preocupada, você não vai pegar gripe! – disse sorrindo e com uma bandeja na mão também.
- Posso me sentar com você? – ela perguntou. Ele assentiu com a cabeça.
- Sem sombra de dúvidas! – eles foram para uma mesa perto da janela onde estava sentado concentrado em uma maçã.
- O que você está fazendo? – ela questionou franzindo o cenho e ele assustou.
- Oi, , que susto! – ele disse colocando a mão no coração.
- Sintam-se à vontade para me chamar de !!
Não demorou muito para mais dois garotos se sentarem à mesa.
- Vocês são rápidos, hein! – um deles disse olhando para os dois e depois olhando para ela, que riu baixo.
- Cala a boca, ! – disse. – Essa é a !! – disse e ela olhou para o garoto, chamado .
- Sou o ! – o outro garoto disse. – Você é caloura, não é?! – ela assentiu. – Qual curso?
- Direito! – ela disse e eles se entreolharam.
- Eu também faço direito! – comemorou sorrindo abertamente. – Estou no segundo ano!
- Você não devia estar no tour com os outros calouros?! – perguntou olhando para o celular.
- Que horas são? – ela perguntou assustada.
- Dez e meia! – ele disse simples.
O tour começava as dez.
- Não tem problema! – disse. – Nós te mostramos o campus! – ele disse piscando.
- Qual é , o que é melhor do que um tour pelo campus, com estudantes que moram aqui há um ano e conhecem o local melhor do que ninguém?! – continuou.
- Além de sermos gatos demais! – completou fazendo uma cara estranha.
- Tudo bem então! – ela disse cedendo.
Assim que terminaram o café da manhã, foi o tempo de saírem do restaurante e começarem a andar pelo campus.
- , o que você faz? – ela perguntou.
- Eu sou do time de futebol americano! – ele disse sorrindo. - Running Back!
- E você ?
- Faço Fisioterapia! – disse alegre.
- Só falta você , qual o seu curso?
- Jornalismo!
- Como é morar por aqui?
- É bem legal, você não tem pais para te dizer o que fazer ou não! – falou sorrindo.
- Você vai a várias festas de irmandades e fraternidades toda semana! – comentou sorrindo malicioso.
- Sem contar os campeonatos de esporte que a faculdade participa! – completou.
- Acho que a pior parte mesmo é o período de provas e os trabalhos de final de semestre, é o único momento do ano que você vê todo mundo concentrado em tirar nota acima da média! – fez uma cara de dor.
- Outro ponto é que suas roupas não aparecem lavadas e nem comida na geladeira! – completou.
- Tirando isso, é só diversão? – ela questionou risonha franzindo a testa.
- Sim! – os quatro responderam sorrindo.
- Você não tentou entrar em nenhuma irmandade? – perguntou arqueando uma sobrancelha. Ela fez um não com a cabeça. – Por quê?
- Acho que não ia gostar de morar em uma casa com mais duzentas meninas! – revirou os olhos. – De verdade, eu devia ter nascido homem, eu já me comporto como um mesmo! – eles riram, e de longe uma voz chamou por um deles.
- E aí, ?! – um garoto gritou chegando perto deles, todos pararam de andar. o analisou e sorriu discretamente, ele era alto, forte, olhos verdes e com um cabelo castanho perfeitamente arrumado em um topete e com certeza, ela pensou, devia ter um corpo maravilhoso por baixo daquela jaqueta do time. – Como estão os calouros? – ele disse fazendo um toque com todos, nem notando a presença dela.
- Não somos mais calouros! – revirou os olhos. – Ano passado nós éramos! Não vem com essa só porque você é quase, eu disse quase, um formando!
- Aqui só tem um calouro! – disse e se assustou. – Na verdade é UMA caloura! – ele disse apontando para ela, o olhar dele se direcionou para a garota e ele sorriu a olhando de cima a baixo. Discretamente a garota deu uma cotovelada em e ele deu uma pequena contorcida.
- Prazer, sou Cody Christian! – disse esticando sua mão para ela.
- ! – ela disse fazendo o mesmo, ele segurou sua mão e deu um beijo, como um perfeito cavalheiro. Ela riu baixo e os seus colegas reviraram os olhos, como se já esperassem algo como isso.
- O que vocês acham de irmos? – perguntou arqueando a sobrancelha e olhando para os dois.
- O que vocês vão fazer? – Cody perguntou.
- Como a mocinha acordou atrasada, ela perdeu o horário de visitar o campus! – disse. – Nós vamos fazer um tour particular! – ele sorriu vitorioso.
- Adoraria ir junto – ele olhou diretamente para ela –, mas tenho que começar a planejar a festa de semana que vem!
- Festa semana que vem?! – praticamente gritou, e fez um toque com e depois com Cody.
Após explicar brevemente como aconteceria a festa da próxima semana, o homem foi embora, deixando curiosa para saber mais sobre ele.
- Quem é ele? – ela perguntou assim que ele estava bem longe.
- O Cody é Quarterback do time, eu o conheci e apresentei aos meninos ano passado. – disse simples. Voltaram a andar.
- Por que você não é da fraternidade do time de futebol? – questionou .
- Não me dou bem morando com muitas pessoas, eu gosto de ter a minha privacidade, sabe? Eu decidi morar em um apartamento, pelo menos eu tenho só um colega de quarto.
- Faz sentido...
O campus era um lugar enorme, em uma manhã não seria possível conhecer tudo. Eles estavam parados em frente ao estádio, mais uma vez. Foi então que ouviram uma voz, chamando a atenção dos meninos. Ao invés de olhar para a pessoa, já que a mulher não conheceria mesmo, resolveu observar o estádio.
- O que vocês estão fazendo aqui? Ainda mais com uma garota, coisa boa não deve ser...
- Estamos fazendo um tour particular com a dama, já que ela perdeu o horário do tour com os outros calouros – explicou, mais uma vez.
- Espera, tem alguém me ligando! – ele disse virando de costas para o estádio para atender o celular, e como se fosse planejado, se virou para ver com quem eles estavam conversando, porém em vão, já que ele estava de costas para ela.
- Algum problema? – questionou seu colega que ainda estava de costas.
- Mulheres... – ele disse mexendo no celular.
- , por que você não vem com a gente? – perguntou.
- Eu nem conheço ela! – ele disse rindo. – A propósito, quem é a tal dama que vocês falam? – ele se virou e olhou para , a reconhecendo imediatamente. também se lembrou dele, afinal de contas, não foi fácil esquecer a pessoa que bateu na porta do apartamento dela a intimando para ir até o estádio. – Você?! – ele disse parecendo tão surpreso quanto ela.
- Bom pelo menos você não pode dizer que não me conhece! Você já sabe até qual é o meu apartamento! – sorriu fraco e ele sorriu de volta olhando para baixo e passando a mão na nuca desarrumando o cabelo.
- Já é a terceira vez que eu encontro você por acaso!
- O que está acontecendo aqui? – perguntou arregalando os olhos. – Garota, você flerta mais do que eu!
- Cala a boca, !
- Tudo bem, já é a terceira vez que te vejo, mas ainda não sei seu nome! – ele disse se aproximando.
- ! E o seu é?
- ! – ele disse com um meio sorriso sacana no rosto.
O momento entre os dois foi interrompido pelo barulho de um carro em alta velocidade, que estacionou na frente do estádio. Dentro dele estava uma garota. olhou para o carro e em seguida para .
- Pessoal, eu já volto!
Ele andou em direção ao carro, uma mulher abriu a porta do motorista e saiu, mostrando uma roupa curta e bem justa ao corpo. Foi rápido, eles deram um beijo que mais parecia de cinema, trocaram algumas palavras e então ela entrou novamente no carro, saindo a toda velocidade.
A primeira coisa que passou na mente de , é que ele era um aproveitador, estava flertando com ela e provavelmente com mais dez garotas. Ela sentiu alguém a cutucar.
- Caralho , está me dedando por acaso?
- Eu só estava te chamando, você parecia em transe! – ele disse passando o braço em cima dos ombros dela e virando de frente para o estádio novamente. Quando todos começaram a andar, de longe ouviram dizer:
- Vamos lá pessoal, temos um campus para mostrar para a senhorita ! – ele disse como se nada tivesse acontecido.
se soltou de e foi conversar com seus amigos, suspirou e era perceptível que ele queria perguntar algo.
- Nem acredito que te encontrei de novo! Ontem eu tentei te procurar, mas você tinha sumido! Fico feliz que agora eu sei que pelo menos amiga dos meus melhores amigos você é! – disse tentando se fazer de galanteador.
olhou bem para o rosto dele e suas palavras foram bem diretas:
- Limpa o canto da boca, porque ainda tem batom! – ela disse apontando para seu próprio rosto e deixando para trás.


Capítulo 2


Algo não saía da cabeça de , como aquele garoto teve coragem de falar aquelas coisas? Como conseguiu ser tão cara de pau?
- O que você tem? – perguntou. – E por que eu não te vi no tour com os outros calouros? – ela arqueou uma sobrancelha.
- Perdi o horário!
No outro dia, os pais podiam visitar o campus, mas isso não aconteceu com ela. saiu do seu apartamento e caminhou até a praça central da universidade, decidiu ligar para seus amigos que ficaram no interior da Califórnia. Discou o número de Drew e ouviu chamar.
- ! – quem atendeu foi Wesley. – O que uma universitária de Stanford quer conosco, pobres surfistas do interior?
- Cala a boca, por favor! – falou rindo. – Passa para o Andrew!
- Já disse que meu nome não é Andrew! – ela o ouviu gritar mais ao fundo.
- Tudo bem Andrew, desculpa! – ela sabia que nesse exato momento ele estaria bufando e revirando os olhos.
- Aí é grande? – Wesley perguntou. – Está no viva a voz, mas eu não sei por que disse isso, só está o Drew aqui.
- Aqui é enorme, tem um centro de esportes maravilhoso e um estádio enorme! Além dos garotos gatos.
- Até parece que você não ia ficar de olho neles... – Wesley resmungou, mas não baixo o suficiente para que ela não ouvisse.
- ELES TÊM O PRÓPRIO ESTÁDIO? – Drew gritou.
- Sim, e eles também tem um time maravilhoso, os meninos estavam me falando dos jogos do ano passado! Quando tiver algum importante eu aviso vocês! Aí vocês vêm para ver a melhor amiga de vocês!
- Como se nós fossemos gastar quase oito horas de viagem para ver SÓ ela! – Wesley respondeu.
- Vai se foder, Wesley!
- Só se você for comigo!
- Eu sei que você sonha com esse dia, mas eu não!
- Não sei onde vocês pretendem chegar com essa conversa, mas eu não quero presenciar! – Drew disse.
- Drew, aqui tem várias fraternidades, cada uma melhor que a outra! Tem até competições entre elas!
- Não fala isso para mim, ... – ele disse suplicando.
- Se você tivesse estudado como eu falei, esse ano você podia ser o Quarterback do time de Stanford, não do time da escola porque reprovou o último ano! – disse nervosa.
- Joga na cara mesmo! – Wesley resmungou o que só a fez ficar mais nervosa ainda.
- Você não se intrometa na conversa alheia, Wesley! Daqui a pouco eu toco no assunto "você"!
- Esse ano eu prometo que vou estudar e ano que vem... infelizmente vou ser calouro!
- NÓS vamos ser calouros! – Wesley gritou e ela ficou em silêncio. – O que? Você acha que eu não vou conseguir passar esse ano também? – Foi como se ele tivesse adivinhado que ela estava em dúvida. – Ano passado eu posso ter reprovado, mas esse ano eu vou ser o primeiro da classe! – ela gargalhou alto.
- Desculpa, mas se for por notas, você não entra aqui! Só se conseguir como jogador!
- E as paqueras? – Drew perguntou, provavelmente mudando de assunto.
- Nossa! Várias, não cabe nem em uma mão a quantidade de garotos que deram em cima de mim! – falou ironicamente.
- Já está desse jeito?! Eu sabia que não devia ter deixado você ir pra Stanford sem mim! – Wesley disse.
- Eu fui irônica! E eu viria para cá com ou sem seu consentimento, você não é meu pai! – disse séria, porém rindo ao mesmo tempo.
- Menina, com quem você está falando? – uma voz atrás de a fez assustar e dar um grito alto.
- O que aconteceu? Você está sendo assaltada? – Wesley perguntou rindo.
- Caralho , você não pode chegar de fininho e dar susto nas pessoas, e se eu tivesse um ataque do coração aqui?
- Quem é ? – Drew perguntou com um tom de voz malicioso.
- é o meu amante! – ela disse e arregalou os olhos.
- Se eu sou seu amante, seu namorado sabe disso? – perguntou rindo.
- Agora sei! – Wesley disse.
- Nem nos seus sonhos mais maravilhosos eu seria sua namorada! – fazia propositalmente, sempre atingindo o ponto fraco de Wesley.
- , temos que desligar, nós estamos indo para praia! – Drew disse. – Se cuida pirralha. – Ela bufou ao ouvir o apelido que ele a chamava desde que tinham treze anos.
- Pode ir marombeiro!
- Wesley está muito bravo por você ter rejeitado ele de novo e não quer se despedir, mas se ele dissesse alguma coisa ia ser: casa comigo? – Drew disse e ao fundo pôde Wesley gritar “desliga esse celular, porque eu não quero ouvir ela dizer não também!” e depois gargalhar.
Depois que desligou, e conversaram sobre suas cidades natal, amigos e família.
- Esse Wesley não é seu namorado?
- Não!
- Mas ele te trata como namorada?
- Quase isso...
- Me explica isso direito!
- Eu conheço o Wesley desde quando eu me mudei pra Huntington Beach, ele era o meu amor platônico do colégio, mas eu conheci o Drew, que é primo dele, e nós ficamos amigos, ele me ensinou a surfar e pra compensar eu o ajudava em algumas matérias que ele tinha dificuldade. Quando o Drew me apresentou para o Wesley, eu percebi que ele não era tudo aquilo que eu venerava, e do nada parei de gostar dele, mas quando a gente entrou no ensino médio, ele começou a me paquerar.
- Esse menino não perde tempo mesmo! – ele comentou.
- Diz ele, que sempre me observou quando eu ficava no intervalo com meus amigos, eu nunca fui uma nerd, eu era até que popular, nunca ficava sozinha no intervalo e tinha vários “amigos” ao meu redor. – Disse colocando entre aspas e ele sorriu concordando. – Voltando ao assunto, ele disse que começou a me olhar com outros olhos numa festa na casa dele, porque eu estava de biquíni. – arregalou os olhos e ela assentiu com a cabeça. – Vê se eu mereço uma coisa dessas!
- E você fez o que?
- Dei um murro na cara dele quando ele disse isso, mas depois fiquei com peso na consciência e dei um beijo no rosto dele, já que a cara dele estava vermelha! Se por acaso você ouvir ele me chamar de Tyson, é pelo murro que eu dei nele! – ele gargalhou e todos olharam para eles.
- Mike Tyson? – ele perguntou exasperado e ela concordou, o que só fez ele gargalhar mais ainda ficando vermelho. – Eu queria muito ver a cara dele!
- Temos uma lutadora no grupo? – uma voz disse e ao olhar para o lado, viram .
- Ninguém te disse que ouvir conversa alheia é feio?
- Nunca! – ele disse fazendo uma cara de desentendido.
- Qual é o assunto? – disse se sentando do lado de e do lado dele.
- Mike Tyson! – sorriu.
- Seus pais não vieram? – ela resolveu mudar de assunto, questionando a todos.
- Os meus, sim, mas eles tiveram que voltar para casa porque meu irmão estava chorando demais e me irritando! – disse revirando os olhos.
- Meus pais vêm praticamente uma vez por semestre só! – disse e os outros concordaram.
Depois de um tempo falando sobre pais e como eles reagiram quando souberam que estudariam em Stanford, longe de casa, os garotos entraram numa discussão sobre baseball, coisa que ela não entendia direito, então enquanto fingia prestar atenção na conversa, começou a pensar como seriam as aulas de amanhã, já que o curso começaria na segunda-feira de manhã.
- , eu não sei onde é o prédio de direito! – ela sussurrou para ele.
- Amanhã se você quiser eu te levo! Faço faculdade no mesmo lugar que você, lembra?
- Está tendo churrasco em uma irmandade, vamos? – disse mexendo no celular e depois olhando para eles com cara de cão sem dono.
- Por mim tanto faz! – disse e os meninos sorriram se levantando num salto.
- Anda, ! – disse a levantando pela mão.
- Por acaso essa fraternidade é longe? – ela perguntou já com medo da distância que teria que percorrer.
- Não vamos a pé! – disse sorrindo.
- Vamos de jato?
- Não, vamos com isso! – disse quando pararam em frente a um conversível vermelho, era a primeira vez que via um tão de perto. – Não baba no meu carro, ! – ele disse apertando as bochechas dela com uma mão.
- Desculpa! – observou o carro, eram cinco lugares, eles eram em cinco também, quatro homens e UMA mulher, de jeito nenhum ela ia atrás com mais dois homens! – EU VOU NA FRENTE! – ela gritou assustando-os.
- Droga! – revirou os olhos. – Ela falou primeiro, não posso fazer nada! – disse olhando para os meninos, que estavam com cara de tacho.
- Bem feito! – riu abrindo a porta do carro e se sentando.
Em menos de dez minutos eles já estavam na fraternidade, ela ficou pensando em quanto tempo levaria esse trajeto a pé.
- Os que não têm carro fazem como para comer e tal? – questionou enquanto estacionava o carro.
- Ônibus! – ele disse apontando para um ponto de ônibus do outro lado da rua.
Era uma casa grande, assim que entraram pela porta da frente, notaram que estava cheia, garotas metidas juntas de um lado, garotos metidos do outro, jogadores e os outros estavam espalhados. Alguns olhares pairaram sobre eles, e não sabia nem como reagir. Era como se todos já se conhecessem há anos e ela fosse a intrusa, pois parecia que era a única caloura lá.
- Posso voltar para o carro? – Sussurrou para , que riu baixo.
- Só porque você é a única caloura? – Ela concordou com a cabeça. – Não!
Eles seguiram andando até chegarem no quintal do fundo. Uma pessoa bem conhecida os recepcionou.
- Ah, vocês receberam minha mensagem então! – disse sorrindo.
Foi bem rápido, porém os olhares dele e de se cruzaram. Não durou muito pelo fato de ele estar segurando a cintura de uma garota, diferente da garota do outro dia.
- Trouxeram a caloura junto! Essa é uma novidade! – ele estava prestes a dizer mais alguma coisa, mas uma voz já conhecida o interrompeu.
- na festa da irmandade? – olhou para trás e Cody estava sorrindo de um modo galanteador, ele andou até o lado dela e cruzou o braço dele junto ao dela. – Achei que fosse o tipo de garota que só saísse para ir à biblioteca! – disse risonho e ela sorriu. Isso merecia uma resposta bem dada.
- Isso quer dizer que você precisa me conhecer melhor! – disse simples, porém desafiadora.
- Credo, eu é que vou dar o fora daqui! – disse com cara de nojo e saiu puxando conversa com algumas garotas. Cody a puxou para uma mesa com mais alguns meninos do time, ela sorriu cumprimentando todos e se sentou.
- O que te trouxe até aqui?
- O carro do ! – suspirou olhando ao redor, tentando localizar os outros. Ele riu abertamente.
- Eu sei que foi o carro, mas por que quis vir? – ela o encarou.
- Eu estava com eles, então eles resolveram vir aqui e eu aceitei! – ele movimentou a cabeça, concordando.
Ele se virou para trás gritando alguma coisa para alguém, enquanto isso ela aproveitou para observar a festa. Num canto viu se atracando com uma menina, perto dele estava cercado de garotas e ao seu lado também estava , por outro lado falava com os jogadores do time. Enquanto varria o lugar com os olhos viu se agarrando com a mesma garota que estava abraçando quando chegaram. Ela revirou os olhos e se voltou para o homem que estava em sua frente e o viu com dois copos na mão, ele ofereceu um e ela cheirou rapidamente para tentar descobrir o que era.
- É só tequila! – disse sorrindo, provavelmente ele percebeu a desconfiança. – Pode confiar em mim! Mas nunca aceite bebidas oferecidas por Zack e Alex! – disse apontando para dois meninos idênticos, loiros, olhos castanhos, bonitos e gêmeos. Essa informação foi bem-vinda.
Ela ingeriu o líquido, que desceu rasgando a garganta. A bebida foi finalizada em um só gole e quando ela bateu o copo na mesa, Cody olhou para ela com os olhos arregalados.
- Quem é você? – olhou dentro do copo para ver se estava mesmo vazio. – SCOT! Traz mais tequila para mim, por favor!
- Você está falando com a campeã dos shots de tequila da Califórnia! Não, Califórnia não, muito abrangente, talvez da minha cidade...
- Quero ver então! – Ele disse estendendo outro copo e pegando também um copo novo para ele.
- Ele é o campeão dos shots de tequila da fraternidade! – o tal de Scot disse sorrindo e sentando-se na cadeira vaga na mesa.
- Vamos ver então! – ela teatralmente fingiu estralar o pescoço e uma contagem até três foi feita; quando ouviu um “Já!”, agarrou o copo e respirou fundo virando a bebida, logo em seguida sentindo a garganta pegar fogo; “eu preciso de um banho gelado”, ela pensou, em seguida colocando o copo na mesa e uma mão na barriga, pensando em não vomitar na frente de garotos bonitos. Não demorou nem três segundos e Cody bateu seu copo na mesa. Scot conferiu os dois copos e começou a rir.
- Eu não acredito - fez uma pausa para rir. – CODY CHRISTIAN PERDEU NO DESAFIO DA TEQUILA PARA A CALOURA! – ele gritou e assustou, não entendeu o motivo do anúncio público. Muitas pessoas ficaram em silêncio, para depois irromperem em gritos, algumas pessoas foram até a mesa tirar sarro do Cody e a cumprimentar.
- Parem de me zoar, por favor? – ele disse enquanto se levantava da mesa com as mãos para cima como quem se rendia, mas as pessoas ao redor dele davam tapas em sua cabeça e costas, e apenas observava a cena. – Mereço pelo menos um abraço por ter perdido de lavada para você? – ele a olhou como um cachorro perdido, ela pensou e analisou as probabilidades por alguns segundos, mas deu seu consentimento; levantou-se da cadeira e o abraçou como se fossem velhos amigos. Segundos depois, ela sentiu o abraço ficando mais forte e seu corpo se elevar do chão; não demorou mais que dez segundos para Cody sair correndo com ela em seus braços em direção à piscina e ao se aproximarem, ouvi-o alertar: - prende a respiração!
- O QUE?! – não deu nem tempo de reagir. A primeira coisa que pensou, foi em seu celular, que por sorte tinha ficado na mesa que estavam instantes antes. Ambos estavam dentro da piscina, não acreditava no que ele tinha acabado de fazer.
- ! – a chamou do lado de fora da piscina, - você não volta no meu carro, molhada não! – gargalhou. olhou para Cody com uma cara nada amigável, assim que viu sua feição, o sorriso sacana que estava estampado em sua cara sumiu.
- Desculpa - ele disse olhando para baixo, provavelmente segurando o riso.
- Idiota! – ela revirou os olhos e foi até a beirada da piscina, dando impulso e saindo da água.
- Espera, ! – ele disse também saindo da piscina. - Você quer me matar, não é? – ela assentiu com a cabeça – você já está molhada, não custa ficar mais um pouco! – disse e a empurrou novamente para a água.
- Vá se foder, Christian! – a mulher disse o chamando pelo sobrenome, ele apenas deu um de seus sorrisos, que a faria derreter, se não estivesse a ponto de degolar ele. – Mas primeiro você pode me ajudar a sair da piscina? – sorriu estendendo a mão para ele, mas quando ele segurou, ela se prendeu na borda e o puxou para dentro da água. – Chupa essa! – disse e quando saia novamente da água, sentiu duas mãos na cintura a puxarem para baixo.
- Pode ficar na piscina, eu te empresto uma roupa!
- Você vai me emprestar uma roupa? – ela arqueou as sobrancelhas e ele assentiu. – Desculpa, mas eu não uso roupas das meninas com quem você dorme! Ou das meninas daqui que eu nem conheço!
- Uau! Eu não faria isso, mas é uma boa ideia, obrigado pela dica! – ele disse entrando na onda dela. - Eu só vou te emprestar uma blusa que trouxe comigo, que é masculina e não feminina, para provar como sou totalmente descente!
- Muito obrigada! Você é um tremendo cavalheiro! – ela disse sorrindo e saindo da piscina, precisava falar com .
Assim que o encontrou, percebeu que não seria possível, já que ele estava ocupado beijando uma menina. Precisava então, de uma toalha, ou de uma cadeira com vista panorâmica para o sol, assim podia torrar e sua roupa secava.
- Achei você! Você sumiu, de repente! – Cody a parou antes que ela chegasse na cadeira que tinha escolhido.
- Em que posso ajudar? – ela perguntou.
- Sua camiseta, masculina! – ele disse enfatizando a última palavra. se controlou para não rir. Cody estendeu a mão e entregou a ela.
- Obrigada! Onde é o banheiro?
Ele sorriu e começou a andar, entraram na casa e passaram por muitas pessoas que estavam na sala de estar, então entraram em um corredor que tinha no fundo um espelho, e duas portas, uma a direita e outra à esquerda.
- É a porta esquerda! Vai por mim, esse é o banheiro mais limpo da casa!
trocou de camiseta, e quando se olhou no espelho, ficou admirada.
- Sério mesmo? – ela perguntou para si mesmo.
A camiseta que Cody a entregou era do time de futebol, tinha o símbolo de Stanford e o número um na frente e provavelmente nas costas estava escrito o sobrenome dele. Assim que ela saiu do cômodo, ele estava escorado na parede em frente, a aguardando, de braços cruzados e olhando para o teto, sua atenção foi voltada para a mulher em sua frente, quando ele a viu, sorriu abertamente.
- Sério? Essa era a única camiseta masculina que você tinha?
- Eu gosto bastante de usar camisetas femininas, sabe como é... mas pode ficar com essa, de presente! É da temporada passada, nesta temporada temos camisetas novas!
- Se você insiste... E eu aposto que você deve ter pelo menos umas dez camisetas iguais a essa, uma a mais, uma a menos, não faz diferença.
- Bom, para mim vai fazer... porque eu vou saber que é você quem está usando! – ele disse de forma sedutora, se desencostando da parede e caminhando em direção a ela. , que não estava pronta para essa reação, deu alguns passos para trás e escorou na parede, sem querer.
- Você deve falar isso para todas! Eu tenho certeza! – ela disse rindo e tentando transformar aquele momento em algo descontraído.
- Pode apostar que não! Das dez camisetas que eu ganhei... – ele disse apoiando o braço direito na parede e em seguida o esquerdo, a deixando bem de cara com ele – eu tenho nove ainda! – ele sorriu e seu rosto se aproximou do rosto de . Ela não sabia o que fazer, ele tinha um cheiro que a deixava confortável e ao mesmo tempo tentada, mas não podia e não iria se entregar de primeira.
- Cody... – ela sussurrou – desculpa, - e em seguida colocou suas mãos no tórax dele e o afastou; olhou bem em seus olhos e ele estava confuso, talvez fosse a primeira vez que estava sendo dispensado. – Talvez você esteja precipitado, porque eu realmente não sou uma dessas garotas que você provavelmente esteja acostumado a lidar!
Ele passou a língua pelos lábios e se afastou mais, sorriu sem mostrar os dentes e assentiu com a cabeça.
- Acho que por você, vale a pena esperar! – disse piscando e dando um beijo estalado na bochecha dela. – Antes de mais nada, posso anotar seu número?
- Pode! – respirou fundo e digitou seu número no celular de Cody, poucos segundos depois ele mostrou a tela do celular. Ele tinha mandado uma mensagem para ela no WhatsApp.
Depois daquela cena, eles voltaram para a festa e muitos olhares pairaram sob eles. Inclusive o olhar de , que apesar de não encarar com tanta frequência, notou que Cody e sumiram e voltaram, juntos. O olhar de se encontrou por alguns segundos com o de , mas logo foi desviado, por ambos. Cody passou seu braço pelos ombros de e a puxou para uma mesa, para que se sentassem.
- Você é boa em mais alguma coisa além de tequila? – ele perguntou.
- Vinte-e-um! Sou excelente! – ela se referia ao jogo de cartas.
- Interessante, qualquer dia desses, podemos jogar! Isso é claro, se eu for merecedor da sua companhia!
- Se você não for um mau perdedor, talvez possamos!
- Sou um péssimo perdedor! – ele afirmou.
- ! – uma pessoa a cutucou e ela se virou, era o . – Vamos embora? – ele disse apontando para a saída da casa. Ela concordou com a cabeça e se levantou, Cody se sentiu desapontado, esperava passar mais tempo com ela.
- Foi uma ótima festa, Cody! Obrigada pela camiseta, mais uma vez! – ela disse sorrindo e seguindo e os demais, que estavam saindo já. Entretanto, antes que ela atravessasse o quintal, Cody a segurou e parou em sua frente sussurrando:
- Vou te ver de novo? – questionou esperançoso.
- Nós estudamos na mesma universidade, não sei se você lembra disso. Sem contar que estou com a sua camiseta, não quero ficar com ela se por acaso esbarrar com algum jogador maravilhoso de outro time! – ela piscou um olho e ele riu em aprovação.
Todos entraram no carro juntos, praticamente, todos exaustos, porém felizes. O céu já estava escuro, o que a fez pensar que eram mais de sete horas já.
- Já vi que ficou amiguinha do Cody! – comentou.
- Já vi que você é mulherengo! – provocou e recebeu risadas como respostas.
- Que truque é aquele de beber tequila tão rápido? – perguntou ansioso.
- Não é truque, é só você respirar fundo e pensar que é água!
parou em frente ao prédio e assim e ela se despediram do restante. morava no apartamento em frente ao dela. Outro carro estacionou no local em que o carro de estava a poucos segundos e dele desceu ninguém mais, ninguém menos que .
- E aí, ? – o cumprimentou com um toque. Ela não queria ficar na presença desagradável, então apenas fez uma pergunta para , antes de entrar no prédio e ir dormir.
- , que horas vocês costumam se encontrar para tomar café, ou sei-lá-o-que-vocês-fazem-de-manhã?
- Depende do dia...
- Me faz um favor, bate na minha porta amanhã cedo, assim que vocês forem sair?
- Sim, senhora!
- E se possível, pede para o vir mais cedo, não quero chegar atrasada no primeiro dia de aula, não me lembro bem a localização do prédio de direito!
- Como não?!
- Vocês são uns guias bem ruins se quer saber!
- Mal-agradecida!
- Eu sou muito bem-agradecida!
Eles decidiram entrar no prédio, não trocou uma só palavra com , tampouco se olharam, apenas estavam juntos no mesmo ambiente. Se estava lá, provavelmente morava naquele prédio; quando entraram no elevador, somente o botão do quinto andar foi acionado, ou seja, ele também morava naquele andar, ou estava visitando alguém. Mas era bem pior, quando chegaram em seus respectivos apartamentos, viu abrindo a porta que ficava de frente para a porta dela.
Eles eram vizinhos.
Assim que entrou no apartamento, a questionou sobre seu paradeiro, e contou que foi a uma festa. contou que passou o dia com seus pais, pois eles voltariam para França.
- Essa camiseta... – disse observando e franzindo o cenho – é do Quarterback do time?
- Como você sabe?
- Todos só sabem falar dele!
- Ele nem é tudo isso! É gato, sim! É gentil, sim! Mas também não perde tempo!
- Tentou te paquerar?
- O que você acha? – riu e assim a noite delas terminou.
No outro dia, assim como prometido, bateu em sua porta, a chamando para o café da manhã. O primeiro dia de faculdade, na verdade, não é muito diferente de um primeiro dia na escola, professores novos, alunos novos e ambos se conhecendo e consequentemente conhecendo a matéria.
Quando o primeiro período de aulas acabou, e foram juntos para o restaurante, almoçar. Pegaram suas bandejas e se serviram com o prato do dia, assim que se sentaram perto da janela, para observar a movimentação externa, uma pessoa se juntou a eles.
- !
- O que faz aqui? Normalmente você estaria por ai paquerando as calouras! – disse rindo.
- Boa tarde, ! – ele disse direcionando seu olhar para a garota, que fingia que ele nem estava lá.
- Boa tarde, ! O que te traz aqui? Não consegue ficar longe de mim?
- A faculdade de medicina é aqui perto! – ele sorriu e ela franziu a testa.
- Você? Medicina? Achei que era do time!
- Errada! Eu amo medicina, espero poder salvar muitas vidas por ai! – ele sorriu e seu olhar transmitia tanta verdade, que pela primeira vez, se simpatizou com ele. – Se me conhecer melhor, você vai ver que eu não sou como a maioria dos garotos da faculdade!
- Vou pensar no seu caso! – ela disse sentindo como se fosse um convite para que ela passasse mais tempo com ele.
A conversa se direcionou para outro assunto, mas algo que não saía da mente de , era que , além de ser o primeiro contato que ela teve com alguém de Stanford, fazia medicina, o que ia totalmente ao oposto do pré-conceito que ela havia criado sobre ele, e ainda por cima era seu vizinho. O que mais ia acontecer?


Capítulo 3


A primeira semana de aulas foi consideravelmente normal, teve a oportunidade de conhecer outros alunos, principalmente os que cursavam Direito, eles passavam muitos períodos dentro da biblioteca, lendo livros e fazendo resumos e trabalhos praticamente diários. Ninguém disse a ela que o curso seria fácil. Em uma quarta-feira de tarde, estava na biblioteca, lendo um livro sobre Direito Penal, quando foi surpreendida por uma pessoa que não via há alguns dias.
- Sabia que podia te achar aqui! – uma pessoa sussurrou, pegando a garota de surpresa. Ela se virou para descobrir quem era, e deu de cara com um Cody bem satisfeito.
- Como? – sussurrou também, observando-o se sentar na cadeira em frente a dela.
- Você faz Direito, deve ler muito sobre leis! – disse apontando para o livro que estava em cima da mesa.
- Você até que é inteligente, Cody! – ele fez uma careta.
- Você se surpreenderia com a minha inteligência! – disse se gabando.
- Eu adoraria ficar aqui conversando com você, mas eu preciso estudar e tenho certeza de que se falarmos mais alguma coisa, alguém vai nos xingar! – ela alarmou apontando para um grupo que tentava ler, mas prestava mais atenção na conversa.
- Tudo bem, eu vou! – ele disse levantando as mãos num gesto como quem se rendia.
- Se você quiser, pode ficar aqui e ler também!
- Eu bem que gostaria de ser mais intelectual, como você, mas daqui a pouco eu tenho treino, não posso desapontar meu treinador!
- Imagino que não... – ela sorriu e ele sorriu de volta.
- Gostei muito de te ver!
- Eu também! – ela respondeu e Cody se levantou e saiu da biblioteca.
Ela não entendia como Cody pudesse estar tão interessado nela, existiam tantas outras calouras na universidade, ele não precisaria ficar atrás dela o tempo todo. E com esse pensamento, foi como se uma luz a iluminasse. É claro, ele estava fazendo uma visita até ela, e depois visitaria alguma outra pobre coitada, que pensaria ser a única na vida de Cody. Isso fazia total sentido. podia então voltar a sua leitura; ela levantou o livro até a altura dos olhos, tampando assim seu rosto.
- Com licença, posso me sentar aqui? – alguém perguntou, e ela abaixou o livro, se deparando com , que assim que a viu fez uma cara de surpresa. A mulher concordou com a cabeça e o viu colocar três livros grossos sobre a mesa e se sentar.
- Você pretende ler todos esses livros? – ela o questionou, boquiaberta.
- Eu não queria, mas... – disse fazendo uma careta – se eu quiser passar nas matérias, vou ter que ler muitos outros além desses!
- Não vou falar que os livros de direito não são menores que esse, porque não são!
Depois de mais ou menos uma hora lendo, a visão de já estava pesada e tudo que lia parecia não fazer sentido. Era como se ela lesse a frase e não entendesse nem ao menos o significado das palavras.
- Não aguenta mais ler? – sussurrou para ela, que suspirou assentindo com a cabeça. – Você está aqui desde que horas?
- Acho que uma e meia da tarde! – disse caçando seu celular na bolsa para ver as horas. Sem sucesso, já que ela o jogou dentro da bolsa de qualquer jeito.
- Está difícil aí? – ele perguntou rindo, o que a fez rir também, porém bufando, e assim desistiu de tentar acha-lo. – São cinco horas agora! – o anúncio fez a garota entrar em pânico, arregalando os olhos e fechando o livro o mais veloz possível, fazendo um barulho enorme.
- Vou ser linchada! – sussurrou em pânico, tentando se esconder do grupo da mesa atrás deles, que não podiam aturar nem um pio sequer, muito menos o que viria a seguir:
gargalhou alto demais para uma pessoa que está dentro de uma biblioteca, o que a fez assustar e pensar se ele não tinha algum tipo de problema.
- Garoto, qual o seu problema? – falou pulando em cima da mesa e tampando a boca dele.
- Desculpa – ele disse parando de rir e olhando no fundo dos olhos dela, lhe causando um arrepio.
- Vocês podem, por favor, ficar quietos? – uma pessoa da mesa falou olhando nervosa em sua direção. Ambos concordaram ao mesmo tempo e assim recolheram seus pertences de cima da mesa, saindo da biblioteca.
- Foi mal pela risada! – ele disse logo atrás dela.
- Você me fez um favor, isso sim! – disse mexendo o pescoço, que doía devido ao tempo que ficou na mesma posição lendo.
- Está com dor no pescoço? – ela concordou. – Venha aqui – ele disse apontando para um banco. fez o que ele pediu e o viu dar a volta e ficar atrás dela. Sentiu ele colocar as mãos em seu pescoço o deixando reto e massageando rapidamente o local, descendo um pouco para as costas e depois pelos ombros, sentiu seus músculos relaxarem na hora e, involuntariamente soltou um suspiro de aprovação misturado com alívio. Ouviu-o rir baixo.
- Como você aprendeu a fazer isso? – questionou o olhando e mexendo um pouco a cabeça.
- Minha mãe costumava fazer em mim, por passar muito tempo lendo! – ele disse sorrindo.
Eles voltaram andando até o apartamento, e quando chegaram na frente do prédio, estavam tão entretidos numa conversa sobre dores musculares e como aliviá-las, que nem perceberam que já estavam na frente de seus apartamentos.
- Sabe, você não é tão metido e arrogante quanto eu pensava! – sorriu se encostando na porta e o viu fazer o mesmo na porta do apartamento dele e sorrir.
- Obrigado! E você não é tão... – ele arqueou uma sobrancelha e a olhou – não, eu não pensei nada sobre você! – ela riu baixo e ele a acompanhou. – Você quer que eu te chame quando o descer para tomar café da manhã?
- Adoraria! – suspirou sorrindo e depois abrindo a porta e indo para o quarto.
Apesar de morar num apartamento, com dois quartos, banheiro, cozinha e até uma varanda. Nem nem se atreviam a cozinhar. A não ser que fosse um pão com ovo, o que acontecia com muita frequência naquele apartamento. Depois da janta, a única coisa que teve forças para fazer, além de assistir um pouco de TV, foi dormir.
Pela manhã, sentiu alguém a cutucar e amaldiçoou mentalmente essa pessoa, quem em sã consciência acorda uma pessoa em plena manhã de sábado? Ela se virou de barriga para cima e abriu os olhos com um pouco de dificuldade, deviam ser umas oito e quinze da manhã. Quando realmente abriu os olhos, se deparou com sorrindo, e soltou um grito de susto, que o fez pular e depois coçar os ouvidos.
- Que merda você está fazendo aqui no meu quarto? – se controlou para não berrar e chamar ajuda.
- Eu vim te acordar! – ele disse dando de ombros. – Sua amiga estava saindo e ela falou que eu podia entrar aqui e te acordar!
- E por que você veio tão cedo? - choramingou se enfiando debaixo da coberta.
- São dez e meia já, moribunda! – outra voz a fez sair de onde estava.
- O que você está fazendo aqui, ? – revirou os olhos e voltou para onde estava.
- Eu estou esperando o , e estou morrendo de fome, mas ele disse que só vai tomar café da manhã quando te tirar do sono de mil anos! - ele se sentou na cadeira que ficava na escrivaninha. Com certa relutância, ela se levantou e os expulsou do quarto, para se trocar, e então foram tomar café da manhã.
- Você parece um pedreiro! – disse olhando para o prato de .
- Cuida da sua vida! – ela retrucou mastigando de boca aberta, de propósito.
Após o café, eles decidiram se sentar na sombra de alguma árvore, ao todo, estavam , , e , que estava quase pegando no sono novamente, mas foi interrompida por uma pergunta de :
- Vocês vão à festa do time hoje?
- Claro! – disse – sou do time, se lembra?
- Você vai né, ? – perguntou olhando para ela.
- A festa que comentaram no meu segundo dia de faculdade?
- Essa mesma! – disse empolgado.
- Acho que não vou, não!
- Como assim? – praticamente gritou ao seu lado, assustando a todos.
- Eu não sou do time e não conheço o time! Além do mais, se bem entendi, para entrar na festa você tem que comprar convite ou ganhá-los, não é? E como eu não ganhei, não vou gastar o dinheiro que eu nem tenho com isso!
- E se eu te falasse que você está errada? – surgiu de repente atrás deles e se jogou na grama.
- Me explica, por que eu estou errada?
Em sua mão, ele segurava um envelope vermelho, que entregou para . Ela não sabia ao certo o que era e teve uma certa desconfiança ao abrir, mas quando o fez, dentro do envelope continham dois convites para a festa do time, juntamente com um bilhete escrito: “Leve sua colega de quarto com você! C.C.”.
- A vai surtar! – Todos pareciam interessados em saber o que era e de quem veio.
- , você sabe me dizer quantas pessoas são convidadas pelos jogadores para a festa?
- Normalmente cada jogador tem direito a quatro convites!
A resposta de a fez pensar, Cody então podia convidar quatro pessoas, e desses quatro convites, dois ele deu para ela. Ele realmente queria algo com ela, mesmo que custasse dois convites.
- Então, parece você vai hoje? – questionou e afirmou.
- Vou ligar para .
Assim que avisou que elas foram convidadas para a primeira festa do time de futebol do semestre, foi como se ouvisse a colega gritar e urrar de dentro do apartamento. Após a ligação, ela retornou para a sombra com os demais, entretanto, mais alguém se juntou a eles. .
- Bom dia, ! – Ele disse simples, sorrindo para ela.
- Bom dia, ! – Ela retribuiu.
- O que acontece entre você e o Cody? – perguntou repentinamente quando ela se sentou.
- Por quê?
- Desde quando ele saiu do carro ele não para de te olhar, parece que ele acha que algum de nós vai te agarrar aqui! – completou apontando discretamente para onde ele estava. Ela não tinha percebido que ele estava lá.
- Tenho quase certeza de que ele quer me beijar!
- Você ainda tem dúvidas? Até eu que não faço parte do grupinho “amamos o Cody” percebi isso. – disse indiferente.
- Eu sabia que ele queria te pegar! – disse simples.
- Grupinho “amamos o Cody”? – perguntou olhando para .
- O e o Cody não se falam mais! – falou baixo para a amiga.
- E por que não?
- Longa história... – disse revirando os olhos e mudando de assunto. – Vai na festa então? – ela afirmou com a cabeça.
- Falando na figura... – disse bocejando e apontando discretamente para Cody, que caminhava, ou melhor, desfilava sua beleza, até o grupo.
- ! – ele disse mordendo o lábio inferior – posso dar uma palavrinha com você?
- Claro! – ela disse olhando para o restante que apenas observava. – O que vocês estão esperando? Vaza daqui!
- Ata! – disse cínico e ela riu, se levantando.
- Fala, pessoal! – Cody os cumprimentou de longe, e viu apenas olhá-lo.
- Diga, Cody Christian!
- Assim você me intimida!
- Acostume-se! – ela respondeu piscando um olho.
- Recebeu os convites?
- Recebi sim, muito obrigada! Mas você não precisava ter feito isso!
- Eu quero merecer a sua companhia, e isso não foi nada! Eu nem distribui os meus convites, o restante está jogado no meu quarto!
- Junto com suas outras nove camisetas?
- Exatamente! Então... posso esperar você lá?
- Se eu aparecer, é porque você talvez mereça a minha companhia!
- Vou te esperar! – ele sorriu, caminhou na direção dela e a beijou na bochecha. Acenou para os meninos, que estavam concentrados tentando prestar atenção na conversa deles, e saiu.
- Fofoqueiros! – os assustou se virando de repente, e os vendo parados feito estátuas.
- Você ainda tem dúvidas de que o Christian quer te beijar? – comentou gargalhando.
- Se ele quer tanto assim, ele pode esperar mais um pouco! – disse sorrindo sapeca para e ele concordou sorrindo do mesmo jeito.
Após o almoço, eles continuaram passeando pelo campus jogando conversa fora, mas já era hora de se arrumarem para a festa. Enquanto tomava banho, pensou em sua mãe, e que se ela soubesse que sua filha estava frequentando festas de fraternidade logo no primeiro mês, a mataria via telefone, então resolveu não comentar com ela sobre isso. Precisava se lembrar de não falar tão cedo também, nas festas de fim de ano.
- Não sei por que você vai passar batom, tenho certeza de que depois do que você me contou do desafio da tequila, mais da metade do time quer te pegar! – gritou do corredor, quando passou em frente ao quarto de e viu que esta estava se maquiando.
Algum tempo depois de estarem completamente prontas, escutou batidas na porta. Quando abriu, estava encostado no batente, era a primeira vez que o via tão descolado.
- Jaqueta de couro, é? Qual adolescente você pretende seduzir hoje? – cruzou os braços e se apoiou no batente interno.
- Eu queria seduzir você, mas pelo que parece eu teria um concorrente! – ele se referia a Cody. - Vamos? O já está com o carro lá embaixo!
chamou e os três se dirigiram para o térreo. Assim que o elevador se abriu, foi a primeira a sair, deixando os dois a sós.
- Sabe... – chamou atenção.
- O que?
- Você está demais! – ele disse mexendo nos cabelos.
- Você não está nada mal!
- Até que enfim! Achei que tinha te agarrado lá no apartamento! – comentou e entrou no carro.
apresentou para seus amigos, pois eles não se conheciam. Eles foram em dois carros, todos estavam juntos, inclusive , que não compareceu mais cedo para ajudar na montagem, porque não teve vontade. Assim que chegaram no local da festa, a fraternidade, tinha certeza de que era a maior mansão do campus, pois estava lotada. Ao entrar, para sua própria surpresa, ela foi cumprimentada por muitos por quem passava, ela não sabia o que tinha acontecido, e como todos de repente a conheciam, não sabia se era culpa de Cody, ou de qualquer outra coisa.
- Não é que essa moribunda está ficando popular? – chegou do lado, a abraçando.
- Agora é sua hora de brilhar! – disse fingindo animação e segurou o riso.
- Vai te catar! – Ela respondeu sincera.
- Vamos juntos! – Ele disse estendendo a mão.
- Não posso! Eu tenho que brilhar!
- Se beber, não dirija! E se for transar, use camisinha! – ele sussurrou no ouvido dela, que riu alto.
- O mesmo para você, !
se separou, assim como e . saiu de dentro da casa em direção ao jardim, que ficava no fundo. Tentava procurar discretamente Cody, para que ele visse que ela estava lá, mas ela não iria até ele, ela queria que ele viesse até ela.
- Quer dizer então, que eu mereço a sua companhia! – uma voz disse nas costas de , segurando seu ombro. Era Cody.
- Eu disse que talvez você merecesse! – ela sorriu.
- Isso já é um começo! Quer uma bebida?
- Eu posso me servir, fica tranquilo! – ouviram um barulho de vidro sendo quebrado dentro da casa.
- Que merda, hoje começou cedo! Eu já volto, não saia da minha vista, !
- Bem que eu queria um Cody Christian para me agarrar pelos cantos! – disse maliciosamente atrás de . Ela tinha visto toda a cena.
- Seu momento vai chegar!
- ! – uma pessoa disse beijando a bochecha de , a pegando de surpresa, Andrew.
- Andrew! – sorriu para ele e depois olhou para , que o secava descaradamente. – Conhece a ? – ele direcionou seu olhar para ela e sorriu mais.
- Você pode me chamar de ! – ela disse descaradamente.
- Prazer em conhecê-la, ! Quer uma bebida? – concordou discretamente e eles saíram de lá.
- Bancando o cupido? – perguntou parando ao lado dela, ele também estava observando as coisas.
- Sempre fui o cupido dos outros, mas nunca tinha ninguém para ser o meu! As terríveis aventuras de !
- Bom, se qualquer dia você quiser ficar com alguém sem compromisso, - ele disse colocando as mãos nos bolsos da calça, – pode me chamar! Mas não conta para ninguém! – ele sorriu piscando um olho e se dirigindo a outro cômodo da casa.
não queria continuar parada naquele local, mas também não avistava ninguém com quem pudesse conversar; de longe observou alguns pufes pertos da piscina e viu lá uma oportunidade. Assim que se acomodou, um amigo sentou-se ao seu lado.
- Já está cansada? Quer dormir? – era . Mas ele não estava igual há poucos minutos quando chegaram, sua roupa já estava um pouco amassada e tinha uma marca de batom no queixo dele.
- Mas já? Você é rápido, hein! – ela disse limpando a sujeira.
- Alguns são mais rápidos que outros!
- Não venho nas festas para tirar atraso, !
- Quer anunciar no rádio?
- Não sou tão má assim!
- Eu duvido...
- Eu jamais suspeitaria de um nenê desses! – uma voz se pronunciou defendendo , mas a pessoa não estava sentada, estava em pé. Quando olharam para cima ao mesmo tempo, Cody sorria para os dois.
- Muito obrigada por me defender, Cody! Senta aqui! – ela disse apontando para o outro pufe ao lado dela.
- Vou deixar os dois a sós, odeio ficar de vela... – disse se levantando ao mesmo tempo em que Cody se sentava. Os dois riram fraco.
- Você está muito bonita, não sei se já disse...
- Não disse, mas muito obrigada!
- Eu não sei o que você pensa sobre mim, mas hoje eu vou mostrar que não sou como dizem por aí, e vai por mim, eu sou muito legal! Não te trato assim só porque quero te beijar acima de tudo, é porque quero te conhecer!
Ele parecia nervoso e não era fingimento, era genuíno, ele desviou o olhar e coçou a nuca. sorriu e riu em compreensão.
- Fico feliz em saber isso! Não precisa ficar com vergonha! – os dois se encararam e sorriram ao mesmo tempo.
Conversaram por um tempo indeterminado, sobre os mais diversos assuntos, desde sua infância, até as razões pelas quais escolheram o curso e a profissão. Era como se já se conhecessem há anos devido aos fatos que foram contados, inclusive momentos constrangedores.
Cody contou que era de Los Angeles e que desde o ensino médio pertencia ao time de futebol, e foi em um dos jogos que ele foi selecionado para o time universitário, recebeu diversos pedidos de diversas universidades, mas acabou escolhendo Stanford pois seus pais tinham estudado no mesmo lugar. Ele também contou que se não tivesse seguido pelo esporte, teria feito fisioterapia, pois queria de alguma forma estar nesse meio. Estavam entretidos na conversa, quando foram interrompidos por um grito de alguém que parecia bêbado.
- Quem vai ser o primeiro a pular na piscina!?
Cody e se olharam estranhando e segundos depois sentiram alguma coisa os tirar do conforto de seus pufes, em seguida puderam ver o chão, pois não estavam mais apoiados nele e sim sendo carregados. Caíram na piscina um pouco depois, assim que voltou a superfície, a primeira coisa que passou na mente de foi seu celular, ao olhar para o lugar que estava sentada agora há pouco, o viu lá, respirou aliviada, e só então percebeu que todos estavam gritando e festejando em aprovação ao que tinha acontecido.
- Você está bem? – Cody questionou chegando perto dela, ficando frente a frente.
- Sim, eu só não esperava por isso – ela começou a rir, apoiando a cabeça no ombro dele, que sorria em aprovação.
Ninguém soube o que aconteceu, mas toda a energia da festa acabou e o breu tomou conta, e todos estavam sendo iluminados apenas pelo luar, que por sinal, fez uma bela iluminação. Todos se assustaram e emitiram silvos de indignação. levantou o rosto para ver o que tinha acontecido, mas se deparou com os olhos verdes de Cody a encarando, e ficou sem reação.
Ele passou seus dois braços ao redor dela, a abraçando, enquanto ela estava com seus dois braços apoiados no ombro dele; a respiração de ambos de repente pareceu mais pesada que o normal e Cody apenas aproximou o rosto dele até que seus lábios encontraram os lábios de . Eles estavam se beijando, no meio da piscina, em um momento de falta de energia, mas pareceu ideal e inigualável para os dois; infelizmente o beijo não ficou como um segredo apenas para eles, pois enquanto estavam aproveitando o momento, a energia voltou e todos puderam ver que Cody Christian e estavam se beijando na piscina. Isso causou mais estardalhaço entre todos e pareceu ser um convite para que todos que quisessem, pulassem na piscina. O casal se separou e sorriram ao mesmo tempo.
- Não foi bem assim que eu imaginei nosso primeiro beijo, mas foi perfeito! – Cody disse para que só a mulher em sua frente ouvisse.
- Não poderia ser melhor! – e assim, eles se beijaram novamente.
Naquele mesmo instante, alguns olhares desejosos observavam a cena que acontecia na piscina, era um deles.
- Eu sabia que devia ter ficado colado nela essa noite... – ele disse para si mesmo. No momento em que a viu na mesma noite, tinha ficado encantado com a moça, sentira algo estranho por ela desde o primeiro momento em que a vira, mas só teve certeza quando a viu aos beijos com Cody.
Ele sabia que competir contra Cody Christian era algo que não fazia há algum tempo, e tinha um bom motivo para isso, mas sentia que com pudesse ser diferente, ela não era como outras mulheres, ela tinha pensamento e vontades próprias e fazia questão de deixar isso bem claro.
Quando o casal saiu de dentro da piscina, Cody tratou de providenciar uma troca de roupas para ela. Enquanto esperava que ele trouxesse, ela saiu em busca de , mas encontrou apenas um e jogando conversa fora.
- Procurando alguém? – questionou.
- Você viu a ?
- Eu a vi agarrada com um menino lá atrás! – apontou para um muro escuro no jardim, foi difícil enxergar, porém conseguiram ver o reflexo de duas pessoas se beijando como se não houvesse amanhã.
- Meu Deus. – disse boquiaberta e os dois gargalharam. Ela se sentou com eles e esperou até Cody aparecer; assim que ele chegou, ela foi trocar de roupa, colocou um short e uma blusa, que por sinal não eram masculinos.
- Eu não vou nem perguntar de quem é, senão eu fico com nojo... – ela disse se olhando de cima a baixo, e Cody riu.
- Fica tranquila! É da irmã de um dos meninos.
- Melhor!
- Sua roupa já está na secadora, daqui a pouco você já pode colocar novamente!
- Muito obrigada, que cavalheiro!
- Agora, poderia me conceder mais um beijo por favor? – ele respondeu imitando um sotaque britânico e chegando cada vez mais perto dela.
- Oui, mounsier! sussurrou e eles se beijaram mais uma vez, porém no corredor do banheiro, o mesmo lugar em que quase deram o primeiro beijo, na primeira festa em que se conheceram, mas em outro local.
O dia já estava quase amanhecendo quando os sete amigos voltaram para suas casas; , , e ficaram no mesmo prédio, o restante se dividiu em locais diferentes. Souberam que a festa tinha sido muito bem aproveitada, quando tiveram que segurar por todo o caminho até chegarem ao apartamento das duas. Quem ajudava a carregá-la era .
- Valeu! – disse sorrindo para , e o abraçando quando se despediram. Por um instante, prendeu a respiração e seu coração se acelerou. Sim, cada minuto daquele dia tinha valido a pena, até após a festa.
Foram horas e mais horas de sono, mas quando o barulho de alguém batendo a porta acordou , ela percebeu que tinha dormido menos de cinco horas. Não sabia ao certo se era coisa de sua imaginação, se ainda estava alterada por causa da bebida, ou se era realmente alguém na porta; teve certeza quando ouviu o barulho novamente.
- !? – abriu a porta e o viu parado lá, aguardando.
- Desculpa te incomodar! Mas se não fosse tão sério, eu não apelaria para você!
- Tudo bem, eu acho... Vai me dizer que tem um rato no seu apartamento e você quer que eu o tire de lá? – ele riu e acenou com a mão para que eu fosse até o apartamento à frente. Ela nunca tinha entrado lá, mas era idêntico ao dela, a única diferença eram os móveis e a disposição deles pelo local.
- Qual o problema?
- Qual desses dois é melhor? – ele disse entrando no quarto e voltando com duas combinações de roupas diferentes. – Eu tenho um encontro e não sei qual usar...
- Esse aqui! – apontou para uma combinação de camiseta polo azul clara e calça jeans branca.
- Obrigado, !
- Arrase os corações, mas se for para a cama, use camisinha! – ela replicou o que ele tinha dito a ela na mesma noite.
Ela já estava acostumada com esse tipo de coisa, ela era trigêmea. apenas voltou para seu apartamento e assistiu televisão por algum tempo, até receber uma ligação de , a convidando para jogar videogame com ele. Antes de sair, conferiu se estava bem, mas ela ainda estava dormindo; deixou uma mensagem no celular dela e partiu.
- Head shot! – comemorou e deu uma garfada em seu Yakissoba.
- Como você faz isso?
- Simples, tenha dois irmãos e seja amigo de garotos viciados em jogos!
- Faz total sentido... você precisa me ensinar!!
- Claro, meu pupilo...
Os dois estavam concentrados em uma fase do jogo que já tinham perdido algumas vezes, quando a porta do apartamento se abriu e passou quase correndo por eles.
- Oi , oi !
- Fala, cara!
- Como foi o encontro?
- Foi legal, mas... preciso da sua ajuda! – os dois olharam para ele ao mesmo tempo; então apontou para e depois para o seu quarto.
- O que você quer agora? – ela se levantou enquanto pausava o jogo e seguiu .
- Me ajuda a escolher outra roupa!
- Você realmente quer impressionar essa menina! – comentou enquanto abria o guarda-roupas dele e observava as opções. estava dentro do banheiro, riu baixo com o comentário dela e saiu para fora, quando o olhou, ele estava sem camisa, ela não pôde deixar de observá-lo, mas voltou sua atenção rapidamente para as roupas.
- É outro encontro! – ele disse num tom normal.
- Outro!?
- Sim... foi você quem disse que eu podia arrasar os corações! É isso que eu faço!
- Tudo bem... você é quem manda! – ela respondeu rindo, mas por dentro estava pensativa.
A única coisa que , que a observava atentamente, queria saber, era o que se passava na mente de , estava fazendo aquilo para saber se ela sentia alguma coisa por ele, mas ela estava tão concentrada olhando suas roupas, que não conseguiu identificar. Mas não desistiria tão cedo, disso ele tinha certeza.


Capítulo 4


O fim do dia de foi como se estivesse de volta em sua casa, com seus irmãos. Ficou jogando videogame com até que em um certo momento e se juntaram a eles e houve uma pequena disputa em duplas.
- Acaba com esses otários! – gritava incentivando , sua dupla.
- Como você fez isso? – perguntou indignado quando e ele perderam.
- Ela sabe várias técnicas, que não conta para ninguém, só para mim!
- Foi por isso que você a escolheu como dupla, não é?
- Certamente.
Após jantarem, todos foram para seus respectivos apartamentos e dormiram como crianças, afinal, se divertiram como tais. No dia seguinte, ao sair do seu apartamento para tomar café da manhã, encontrou também fechando sua porta.
- Como foram os encontros ontem? – ela disse interessada em saber os desfechos, ou talvez só por cortesia, ela não tinha certeza.
- Acho que bem... pelo menos ninguém reclamou! – ele sorriu e ela riu consentindo.
- E vocês, como foi a noite ontem?
- Ganhei de todos no videogame!
- O me contou que você joga muito bem! – os dois estavam caminhando para a saída do prédio.
- Como disse, são as vantagens de se ter dois irmãos!
- E quais são seus planos para hoje?
- e me convidaram para um lugar, disse que era a casa da tia de algum deles, não lembro bem o nome dela.
- Johanna?
- Isso! – ela disse sorrindo ao entrarem no refeitório.
- Ela me odeia! – disse simples, dando de ombros.
- Por quê?
- Uma longa história, que provavelmente ela contará assim que você chegar na casa, ou melhor, mansão dela.
- Às vezes você me assusta!
- Eu sou um amor, com o tempo você verá!
Após pegarem seus respectivos desjejuns, os dois se sentaram em uma mesa mais afastada, pois era o único local vago. Estavam focados apenas em comer, quando um toque de celular os chamou a atenção. olhou para o visor de seu telefone e arregalou os olhos.
- Tudo bem? – perguntou.
- Preciso que você me faça um favor!
- Depende! Do que se trata?
- Atende e fala que esse número não é do meu celular.
- Como assim!?
- Eu prometo que te conto depois da ligação! – eles apenas se encararam, mas estava desesperado – por favor!
respirou fundo e tomou o celular das mãos dele, atendendo a chamada.
- Alô?
- ? – era uma voz feminina.
- Quem fala? – perguntou ao invés de apenas informar que esse não era o número dele. A menina hesitou antes de responder, ou seja, ela estava achando que o já estava com outra.
- Candice! E você é?
- , a dona desse número...
- Não acredito! Me desculpa, foi engano! É que... É que eu pensei que fosse de um rapaz que eu conheci, ele me passou esse número e... – Ela não completou a frase, nem precisava. Em sua mente ela sabia que o rapaz que tinha beijado, mentiu para ela.
- Eu acho que esse garoto com quem você saiu, é um grande pilantra! – respondeu enquanto encarava , que estava de repente assustado. – Ele não foi nada legal com você em te passar o número errado!
- Eu não acredito que ele fez isso! Se eu o vir de novo, eu o mato! – ela parecia muito nervosa.
- Se você ver ele novamente, me liga que eu ajudo a matar ele! – ela sorriu para .
- Obrigada! E desculpa novamente pelo engano!
- O que aconteceu nessa ligação? Um complô com uma garota que você nem conhece?
- Você esperava o que? Desculpa querido, mas você foi um tremendo cafajeste por não atender essa menina! – ela devolveu o celular para seu dono.
- Desculpa senhora certinha!
- Não sou certinha, mas não acho justo fazer isso com ela! Você disse que depois me contaria o que aconteceu... já é depois!
- Conheci ela em uma festa que fui há uns dias, nós nos beijamos, ela é uma pessoa legal, e então ela pediu meu número e eu acabei passando, mas ela ficou grudada em mim a festa toda e depois começou a me ligar sem parar. Entendeu?
- Entendi. Entendi que você ainda sim é um idiota, devia ter passado um número qualquer então, ou simplesmente ter dito que não queria.
- Realmente, não sei por que não pensei nisso.
Após terminarem de tomar o café da manhã, juntos os dois voltaram para o apartamento, e encontraram na porta do apartamento de .
- Até que enfim! Está pronta?
- Vou escovar os dentes e pegar minha mochila! Pode me esperar no carro! – ela disse entrando em seu apartamento e fez exatamente o que disse que faria. Eles entraram no carro de e buscaram no prédio dele. Após quinze minutos, já estavam próximos ao destino.
- Por que os outros não vieram? – perguntou.
- Minha tia disse que não quer os outros aqui! – ele disse estacionando na frente de uma casa, que na verdade parecia uma mansão, assim como falara. – O único que ela permite é o , e como eu não queria trazer só ele, decidi convidar você! Quem sabe ela não te ama e me deixa trazer os meninos aqui quando você estiver junto!
- Que mansão! – Ela disse baixo e os dois amigos riram. Após tirarem as mochilas do porta malas, eles subiram as escadas de entrada e tocaram a campainha, poucos segundos depois, uma mulher baixa, de cabelos loiro escuro e liso os atendeu.
- ! – ela sorriu e o abraçou, em seguida deu espaço para ele entrar na casa e abraçou . – Você é nova!
- E essa é a ! – comentou de dentro da mansão.
- Sua namorada!?
- Não tia, ela é minha amiga!
- Opa! Desculpe, querida! Me chamo Johanna! Fique à vontade! – Ela disse abraçando .
- Obrigada!
- O que teremos de almoço? – questionou e todos o olharam.
- Nós acabamos de tomar café da manhã!
- Mas eu gosto de pensar no futuro já!
- Eu odeio cozinhar, hoje teremos pizza. Assim como sempre! – Johanna riu e se sentou no sofá.
Os três trocaram de roupas e foram para o mar. Era uma sensação única, tocar a areia e entrar no mar, sentir a onda quebrar nas pernas e água gelada tocar o corpo quente.
- Se vocês pudessem viajar ou morar em qualquer lugar do mundo, qual lugar seria? – perguntou, enquanto estavam boiando no mar.
- Acho que Austrália! Lá eles respeitam as leis e as praias são lindas, e eu amaria conhecer a barreira de corais! – disse suspirando.
- Eu moraria no Caribe. Gosto das músicas latinas e de praia também, mas se conseguir alguma carreira no futebol, não teria uma casa só, estaria pelo mundo! – respondeu sonhador, seus amigos sorriram.
- E você, ?
- Moraria em Paris! Acho que é uma cidade linda!
- Por que os meninos não podem mais dormir na casa da sua tia? – questionou para .
- Da última vez que viemos para a casa dela, fomos para uma festa que durou a noite toda, eu acabei não voltando para a casa da minha tia, porque estava com uma garota, mas deixei a chave com eles, já que minha tia estava viajando eles podiam entrar e dormir. Assim que cheguei na tarde seguinte, encontrei jogado no sofá ao lado de uma poça de vômito, tinha quebrado três pratos da louça de casamento, estava desmaiado pelado na cama da minha tia, o único que parecia bem era o , que estava vestido e acordado, porém passando mal.
- Nossa...
- Até aí, tudo bem...
- Tudo bem!?
- O problema foi que, quando eu cheguei, minha tia chegou junto comigo, então eu não tive tempo de arrumar toda a bagunça, e nós descobrimos a situação da casa e dos inquilinos, juntos!
segurou o riso, olhou para os olhos dos amigos e percebeu que a história era real.
- EU NÃO ACREDITO! – e começou a gargalhar.
Os três continuaram nadando e conversando por um longo tempo, contando curiosidades sobre cada um, falando sobre assuntos diversos e esquisitos, até o momento em que a fome falou mais alto e eles voltaram para casa, para almoçar. Após o almoço, o sono os consumiu, mas ao invés de ficarem dentro da casa, decidiram sair e tomar um pouco de sol.
- Vitamina D, faz bem para a pele! – disse enquanto estendia uma toalha na areia. procurava um lugar na sombra, o que era difícil, já que o sol estava brilhando e eles não tinham um guarda-sol.
- Para de frescura! – resmungou enquanto passava protetor solar no próprio tronco.
- Se eu me queimar, a culpa é de vocês.
- É para isso que serve o protetor solar! Para passar antes de ir para o sol! Vê se passa, então! – jogou o frasco para ele.
Assim que já estavam bem acomodados, deixaram a conversa de lado e dormiram um pouco. Acordaram quando o sol já estava mais baixo, e mais uma vez entraram no mar, para se despedir.
- Foi ótimo, Johanna! Muito obrigada! – agradeceu a tia de , a abraçando. Os três já estavam secos e prontos para voltar a Stanford.
- Quando quiserem voltar, basta me ligar!
O caminho de volta foi rápido, após chegarem no campus, deixou em seu apartamento e depois rumaram para o prédio que moravam.
- Muito obrigada pelo convite de hoje, ! – disse quando pararam em frente as suas portas de entrada do apartamento.
- Gostou mesmo?
- Eu amei! – os dois se abraçaram.
- Boa noite, !
- Boa noite, !
Ao entrar no apartamento, estava assistindo televisão, as duas se cumprimentaram e contou sobre seu dia e a colega fez o mesmo. Enquanto colocavam os assuntos em dia, aproveitaram o momento para preparar a janta, optaram por macarrão, era o mais simples. Após jantarem e limparem toda a bagunça, foi para seu quarto, pois seus pais estavam ligando; tomou banho, para tirar todo o sal do corpo e do cabelo, mal deu tempo de se trocar e seu celular começou a tocar, o número do visor não estava salvo.
- Alô?
- Me ajuda! – uma voz masculina disse desesperado.
- Quem é!? – questionou já entrando em pânico.
- !
- ?
- Que outro você conhece?
- Eu sei lá! Por que você está me ligando? Aconteceu alguma coisa?
- Ainda não! Mas vai acontecer! Posso ir ao seu apartamento?
- É urgente assim?
- Muito!
- Tudo bem... – do outro lado da ligação, suspirou aliviado e desligou a chamada.
Minutos após a ligação ele saiu de seu apartamento, atravessou o corredor e bateu na porta à frente. atendeu de shorts de pijama e uma camiseta, que reconheceu como sendo a de Cody Christian, do time de futebol.
- O que você quer?
- Boa noite! – ele sorriu de forma amigável.
- Boa noite! – ela retribuiu, porém, sem demonstrar interesse.
- Posso entrar ou você vai me interrogar no corredor?
- Entra! – ela deu passagem no batente da porta e entrou no apartamento da vizinha.
- O que acontece é o seguinte: ontem eu fui em uma festa e beijei uma menina, ela pegou o meu contato e nós nos beijamos de novo!
- É isso?
- Espera! Hoje eu descobri que ela tem um namorado, e ele pegou o meu número no telefone dela e está me ligando há quase cinco horas!
- E eu com isso?
- Você bem que podia atender o meu celular de novo, não é?
- Por que você não me dá logo esse chip?
- Você não está brava comigo, né?
- Você é um idiota, quer que eu faça o que?
- Não pense que os outros homens são bem diferentes!
- Cody não fez isso comigo até hoje!
- Disse bem, até hoje!
estava pronta para retrucar, mas o celular de começou a tocar.
- Vai me ajudar? – ele perguntou olhando fixamente para ela.
- Me dá esse telefone aqui! – ela tirou o aparelho da mão dele e atendeu a chamada. – Alô?
- Quem fala?
- Eu é que pergunto: quem fala? Esse número está me ligando o dia todo!
- Patrick! E você é?
- !
- Esse número é seu, ?
- É sim! Posso te ajudar com alguma coisa, Patrick?
- Me desculpe pelas ligações! Foi um engano! Tenha uma excelente noite!
- Imagina! Igualmente!
desligou a ligação e praticamente jogou o celular em , que sorria abertamente.
- Eu devia ter falado que o telefone era seu! Esse moço é mais gentil que você!
- Vai dizer que ele é mais bonito que eu também? – mostrou a foto de perfil da garota que ele tinha beijado, o homem que estava com ela era Patrick.
- Eu pegava!
- Quer dizer que você me pegava também? – ele disse com a língua entre os dentes, provocativo.
- Não, você não me merece! – disse sorrindo e piscando um olho para ele.
- Pior que você tem razão...
- Posso dormir ou você quer que eu preste mais algum serviço para você?
- Sonhe com os anjos! – ele a abraçou.
- Tenha pesadelos! – ela respondeu saindo do abraço e abrindo a porta do apartamento para ele.
parou no corredor, respirou fundo e fechou os olhos. A primeira imagem que vinha em sua mente era sorrindo.
- Ela nunca vai se apaixonar por mim! – suspirou novamente e entrou em seu próprio apartamento.
O dia seguinte começou cedo para os estudantes de Direito, assim que a pausa para o almoço chegou, foi como se estivessem estudando há um ano incansavelmente. Ao adentrar o restaurante, o olhar de começou uma busca por qualquer um de seus amigos, e acabou encontrando Cody, que caminhava em sua direção.
- Olá! Como foi o seu final de semana? – ele deu um beijo rápido na bochecha dela.
- Eu conheci a tia do !
- A que mora na praia?
- Exatamente!
- Ela é incrível! – ele disse sorrindo.
- Eu a adorei!
- Quer almoçar comigo? – ele perguntou simples, enquanto pegavam a bandeja e iam para a fila que se formava para pegar comida.
- Almoçar com você?
- Só nós dois! Sem mais ninguém nos incomodando!
- Pode ser!
- Como foi seu primeiro período de hoje?
- Cansativo! Parecia que estava dentro daquela sala há um ano já! – Cody riu. – E a sua manhã?
- Bem, hoje eu tenho um jogo, então fui dispensado da aula para treinar e me preparar!
- Então com certeza foi melhor que a minha manhã!
- Na verdade, a melhor parte do meu dia está sendo agora! – ele disse a encarando.
- Você me deixa sem jeito às vezes!
- Você é quem me deixa! A propósito, você vai ao jogo de noite? – os dois se sentaram em uma mesa mais afastada.
- Eu não sabia que tinha jogo hoje, mas agora que eu sei, com certeza eu não vou!
- O que? – ele franziu o cenho.
- É brincadeira! Eu com certeza vou!
Após almoçarem, Cody a levou até a frente do prédio de direito, eles estavam se tornando próximos, já sabiam muitas informações um sobre a vida do outro.
- Boa aula! Espero te ver no jogo hoje!
- Eu juro que vou!
- Então eu vou te propor uma coisa, me encontra no corredor do vestiário antes de o jogo começar! Pode ser?
Uma sensação diferente invadiu o corpo de , um arrepio, um frio na barriga, uma excitação.
- Pode me esperar que eu vou! – ela sorriu e caminhou para dentro do prédio.
Assim que ela se afastou, Cody deu um soco no ar, fazia muito tempo que não se sentia tão feliz assim. Ele sabia que ela era diferente, ela despertava uma sensação dentro dele que era nova e muito convidativa.
Nada como um almoço com uma pessoa especial para animar o restante do dia. Tanto para como para Cody o período da tarde passou num piscar de olhos. Ao final da última aula, ao invés de ir para a biblioteca como fazia há três semanas, foi direto para seu apartamento se arrumar para o jogo.
- O Andrew me convidou para assistir ao jogo hoje! – disse animada saindo de seu quarto.
- Quer dizer que vocês se viram novamente?
- Sim, há quase uma semana a gente se vê todos os dias!
- Espero que dê certo! – disse a observando.
- Eu também!
A campainha tocou e quem estava no batente da porta era e ao seu lado .
- O que vocês estão fazendo aqui?
- Pensei que fossemos todos juntos para o jogo! – disse simples.
- Quem te falou que eu vou para o jogo?
- Seu “amigo” – se referiu a Cody entre aspas.
- Pelo menos vamos ter companhia! – apareceu na porta.
Antes de entrarem no estádio, começou a se perguntar qual o caminho para o vestiário, olhava ao redor atentamente para o menor indício de uma pista.
- Tudo bem? – perguntou a observando.
- Você sabe onde fica o vestiário?
- Alguém tem um encontro antes do jogo? – questionou em tom malicioso.
- Bem que eu queria também! – resmungou.
- ? – uma voz chamou o nome e ela olhou para trás.
- Eu mesma! – era um garoto magro, cabelos ruivos ondulados e o rosto cheio de sardas, estava com a camiseta do time e sorria abertamente.
- Cody pediu para eu vir te buscar! – um coral se formou ao mesmo tempo, eles diziam “huum”.
- Deixa esses babacas invejosos para lá! – e assim os dois seguiram por um caminho dentro do estádio.
O local já estava cheio, podiam ser vistos pessoas com camisetas de cor vermelha de Stanford. Antes de entrarem no corredor para o vestiário, havia um casal se beijando freneticamente, e no mesmo instante reconheceu o cabelo bem arrumado e a camiseta de banda de rock, pois ela mesmo a tinha visto dentro do guarda roupa de . Ao se separarem, viu que a garota que ele estava se atracando era a mesma garota da foto do perfil, a que o namorado passou o dia todo ligando para .
Enquanto mexia em seu celular, passou ao lado dele o cutucou. Assim que os olhares se encontraram, o homem arregalou os olhos e fechou a cara.
- Que merda! – ele disse alto, se desvencilhou da garota que beijava e segurou . – Podemos conversar?
- Claro que não! Eu tenho um compromisso agora.
levantou as sobrancelhas, como se duvidasse do que ela estava falando, cruzou os braços e continuou a encarando. se aproximou de , até ficarem cara a cara, os rostos a centímetros de distância. O coração de , de repente começou a bater acelerado e por incrível que parecesse, o de também. Ela sentiu o cheiro do perfume dele e uma sensação de que poderia passar o restante do dia sentindo aquele cheiro a invadiu, assim como , que mal piscava e não se lembrava de como respirar. Até falar o que ele menos queria ouvir.
- Eu tenho um encontro romântico no vestiário, com o quarterback de Stanford. Não posso me atrasar! – ela sussurrou perto dele e se virou andando até o vestiário.
sentiu como se tivesse levado um tapa na cara, ao voltar até onde estava, a garota a quem beijava estava confusa.
- Longa história... – ele disse se encostando na parede e observando a mulher mais linda de Stanford se distanciar para beijar outro.
- Tudo bem? – o garoto ruivo questionou olhando para ela de forma atenta.
- Tudo ótimo! – ela sorriu sem mostrar os dentes, estava pensativa e queria entender o motivo de seu coração ter disparado quando se aproximou de .
- Chegamos! – ele disse apontando para uma porta de vidro que tinha um adesivo escrito: “Vestiário”.
- Obrigada! - Assim que entrou no corredor, todos os jogadores olharam para ela. Foi como em uma cena de filme em que todos acompanhavam os passos da garota até seu destino, porém não se movimentou, olhou ao redor em busca de Cody e foi surpreendida com uma voz apenas.
- Pensei que não viesse mais! – A voz de Cody se sobressaiu e um espaço no corredor se abriu para ele passar.
- Eu não conheço o estádio, foi muito inteligente da sua parte mandar o garoto me buscar!
- Já que eu não podia te buscar, fiz o possível para que chegasse até mim!
- Cinco minutos! – gritou e todos deram um grito. O olhar de parou em e eles sorriram um para o outro.
- Veio nos desejar boa sorte? – ele questionou a abraçando.
- Claro! É o primeiro jogo do ano!
- E é óbvio que para o Cody tem alguns adicionais... – Andrew passou por eles e piscou para .
- Eu não sei do que vocês estão falando, somos apenas amigos! – Cody disse sorrindo e abraçando de lado.
- E nós temos que ir para o corredor! – disse animando o time, que começou a sair do vestiário.
- O que está acontecendo? – questionou observando.
- O jogo já vai começar e o time precisa se posicionar na entrada do campo, vem comigo! – Cody segurou a mão de e eles se tornaram os últimos da fila. Andaram por um corredor claro e com as paredes grafitadas, e quando já conseguiam ouvir nitidamente a multidão gritando, sabiam que estavam na entrada do campo.
- Aqui é muito legal! – disse olhando ao redor e sentindo um frio na barriga como se fosse ela quem entraria em campo. – Dá até um nervosismo!
- Eu prometo que o primeiro touchdown que eu marcar, vai ser para você! – ele disse se aproximando dela, os dois ficaram frente a frente e encarou os olhos verdes de Cody, as faixas branco e vermelho pintadas na bochecha, combinando com a camiseta número um.
- Isso está ficando cada vez mais interessante...
Ouviram então, uma gritaria alta no estádio, assim como tambores.
- Essa é a minha deixa, nosso time vai entrar em campo! – Cody passou uma mão pelo rosto de , acariciando o local e fixando sua mão na nuca dela. passou suas mãos ao redor do pescoço de Cody e fixou lá.
- Boa sorte, Quarterback! – sussurrou para ele, que se arrepiou e se aproximou da mulher em sua frente, a beijando. O restante do time gritou em comemoração.
Os dois se separaram e Cody a olhou sorrindo, foi até a frente do time, ficando cada vez mais próximo da entrada e juntos cantaram seu grito de guerra. Ao anunciarem o time de Stanford, Cody liderou o time, mas antes olhou para e piscou um olho.
De onde estava, viu o time passar pelo corredor de líderes de torcida, mascote do time e a fanfarra estudantil. Desejou mais do que nunca mais momentos como aquele, de agora em diante.


Capítulo 5


Ao voltar para a arquibancada, percurso que demorou quase dez minutos devido ao fato de ter se perdido duas vezes, o jogo já tinha começado e por sorte ninguém tinha marcado ponto algum. O lugar que seus amigos estavam era na oitava fileira, bem próximo ao campo, tinha a visão perfeita de Cody. Ao olhar a disposição de seus colegas, notou que o único lugar vago era entre e .
- Quando é o casamento? – perguntou assim que ela se acomodou. Ele estava sentado ao lado de .
- Mês que vem! Quem quer ser padrinho? – brincou.
- Nem brinca com uma coisa dessas, vai que acontece de verdade! – disse apavorada. Ela estava ao lado de .
- Dez jardas para o time de Stanford! – gritou em comemoração, assustando todos.
- Rapazes, vocês que já estão aqui há mais tempo, me respondam uma coisa: quantas vezes por jogo o Cody marca touchdown e dedica para alguém? – a atenção de todos se voltou para ela, inclusive de .
- Desde que eu estou matriculado em Stanford, eu assisti todos os jogos que foram no nosso estádio e até agora só vi ele homenageando a mãe dele... – disse a encarando.
- Eu lembro desse jogo! Foi na final do ano passado! A mãe dele estava na arquibancada, foi emocionante! – disse animado.
- Ele nunca fez isso para nenhuma garota, só para a família dele. – disse de uma vez, ríspido. Todos o encararam e ficaram em silêncio, como se soubessem de alguma coisa que ela não sabia. O silêncio permaneceu por mais alguns segundos, até quebrar.
- Por que a pergunta?
- Ele disse que o primeiro touchdown que ele fizer, vai ser para mim! – disse respirando e olhando rápido para ver a reação de todos.
- Acho que a gente vai poder confirmar agora! – disse chamando a atenção de todos para o campo. Cody tinha acabado de receber o passe e corria até o final do campo adversário.
- TOUCHDOWN!! – Muitas pessoas gritaram ao mesmo tempo. A comemoração na arquibancada estava frenética e em campo também, as líderes de torcida agitavam o público, os jogares reserva pulavam de alegria e comemoravam com os jogadores em campo. Cody corria de volta em direção ao time e antes de abraçar seus colegas, apontou o dedo indicador em direção a arquibancada, bem onde estava e depois colocou a mão no peito, em cima do coração.
- ELE FEZ!! – gritou agitada enquanto pulava mais ainda na arquibancada.
estava sem reação, apenas olhava para o campo e observava a comemoração. Não estava acreditando no que tinha acontecido. ao seu lado, sentou-se novamente na cadeira e revirou os olhos, cruzou os braços e voltou a assistir à partida. sentou-se logo em seguida e respirou fundo.
- Posso conversar com você depois? – perguntou sem olhar para ela, não aguentaria ver o olhar de felicidade dela.
- Talvez... – ela respondeu. Apesar de estar mais que feliz com a atitude de Cody, não tinha esquecido a cena de .
Após o jogo, todos saíram do estádio. A torcida de Stanford estava contente, já que o time tinha vencido a partida.
- Vamos esperar o time! – falou e se sentou em um banco.
- Provavelmente teremos comemoração! – comemorou.
se escorou na parede perto dos bancos e observou olhá-la diversas vezes, até tomar atitude e falar com ela.
- O que você quer, ?
- Eu sou um babaca! – ele desabafou. riu e eles se encararam.
- Eu não acredito que você estava beijando justamente aquela garota! Você sabe que ela namora!
- Foi ela quem me procurou! – se defendeu.
- Isso é um problema de caráter dela! Você gostaria que sua namorada fizesse isso com você?
- Eu não namoro! Você não aceitou meu pedido! – ele disse risonho e sentiu seu rosto ficar quente e sua respiração falhar.
- O nosso relacionamento não vem ao caso! – brincou também e dessa vez foi quem teve seu coração acelerado.
- Você tem razão! – ele admitiu – não é o certo a se fazer...
- Você tem que aprender uma coisa comigo, , eu sempre tenho razão! – sorriu e ele retribuiu.
- Já que você sempre tem razão, eu queria te perguntar uma coisa...
Antes que pudesse terminar sua frase, gritos de comemoração invadiram o ambiente e o olhar de ambos se direcionou para a saída do estádio, onde podiam ver o time saindo.
- A gente conversa mais tarde! – sussurrou no ouvido de , que se arrepiou e no mesmo instante o encarou. Seus rostos estavam a centímetros de distância, uma distância convidativa para um beijo, mas se afastou, antes de agir por impulso.
Ambos se separaram em se juntaram ao grupo de amigos, o primeiro a aparecer foi , estava nítido que ele estava exausto, mas o sorriso de felicidade atravessava todo seu rosto.
- Jogou demais hoje! - disse, fazendo uma espécie de toque.
- Sem você, esse time teria fracassado nesse primeiro jogo! – disse o abraçando.
- Que primeiro jogo incrível, cara!! – empurrou para se aproximar do outro amigo.
- Essa temporada vai ser foda! – disse.
- . Eu não sabia que você jogava tão bem!! – disse animada praticamente pulando nos braços dele, que riu e a apertou.
- Quer dizer que você gostou da minha performance?
- Eu amei! Foi indescritível!! Você tem muito talento, parabéns! – os olhos de brilhavam de tanta emoção.
- Na verdade, eu sei que a parte que você mais gostou foi o touchdown que o Cody dedicou a você... – ele falou como quem não queria nada.
- Na verdade, - ela o copiou – isso me surpreendeu muito, eu realmente não esperava por isso.
- Espero que não tenha te assustado! – Cody disse atrás de , que assustou e se virou, ficando frente a frente com ele. Cody estava com os cabelos molhados e uma roupa normal, seu rosto tinha marcas vermelhas e um pouco de tinta preta ainda.
- Acho melhor deixar o casal a sós! – falou e todos saíram rindo.
- Você pensou que eu não faria?
- Para ser sincera, eu pensei que você fazia isso para todas...
- Faz sentido, por eu ser um quarterback bonito e desejado... – ele se esnobou e riu.
- Exatamente por isso!
- Mas, fala a verdade... você gostou?
- Gostei, muito! – ela estava sendo sincera. Os dois se olharam e Cody se aproximou, abraçando , e em poucos segundos seus rostos estavam colados e seus lábios também. Podiam ficar ali por horas e horas, e ao certo não sabiam o tempo em que estavam se beijando, até serem interrompidos.
- Ô, casal lindo? Desculpa incomodar, mas eu preciso falar com a ! – os dois se separam, mas deram as mãos e observaram sorrindo sem mostrar os dentes.
- Pode falar, !
- Vai querer carona para ir à lanchonete?
- Em qual vocês vão? – Cody questionou.
- A mesma de sempre! É tradição de pós jogo!
- Se você quiser ir com ele, nos encontramos lá! – Cody falou a olhando, assentiu com a cabeça e deu seu último pronunciamento.
- Você tem cinco minutos estourando para se despedir do bofe, e ir para o carro! Você sabe onde estamos! – E assim, se retirou.
- Você escolheu as pessoas certas para ser amiga! – Cody disse ficando de frente para .
- Eu tenho muita sorte por isso!
Eles deram um beijo de despedida e tomaram caminhos diferentes. Ao invés de estarem todos dentro do carro, havia uma roda e uma espécie de discussão.
- O que está acontecendo?
- Não cabem todos no mesmo carro! Para vir, éramos em cinco, agora somos em sete!
- Quem não veio?
- e !
- Faremos o seguinte: vão cinco no mesmo carro e dois ficam e pedem um Uber! – deu a ideia.
- Tem certeza?
- Eu concordo com o ! Ou vocês preferem ir esmagados em um carro só? – disse.
- Quem fica?
- Eu! – e disseram ao mesmo tempo. O restante os encarou e por fim se convenceram de que era o ideal.
Assim que , , , e saíram, pediu um Uber pelo aplicativo.
- E se nós formos andando? – Ele deu a ideia.
- Não mesmo! Vai ter que me carregar porque eu me recuso a sair daqui! – deu de ombros, guardou o celular no bolso, se abaixou e pegou pelo colo, a colocando em seu ombro.
- O que é que você está fazendo!? Me coloca no chão agora, !!
- Se decide, ou você desce e anda sozinha, ou eu te carrego como você havia falado! – ele riu.
- Não que eu esteja concordando em ir andando, mas eu prefiro ir sozinha! Sabe como é, mantém meus órgãos inteiros... – riu e o carro que tinham pedido, chegou.
Assim que o carro estacionou em frente a lanchonete, era possível ver estudantes de Stanford, jogadores do time e líderes de torcida, todos comemorando. A lanchonete era enorme e tinha uma decoração que lembrava a década de 60. e entraram, procuraram com os olhos seus amigos e viram algumas mãos acenando para eles em duas mesas próximas ao vidro.
- Estão vivos? – questionou.
- Claro que sim! Por que não estaríamos? – respondeu com uma outra pergunta.
- Até que enfim vocês chegaram! – sentou-se aliviado.
- O que foi? – perguntou.
- quer propor um desafio, mas tinha que esperar vocês! Anda logo, eu estou curioso! – falou.
- Eu ganhei de presente dos meus pais uma experiência completa em Las Vegas! – começou.
- O que seria?
- Passagem de primeira classe para ida, hotel, ingressos para shows e entrada VIP em alguns cassinos!
- Como assim? Isso é demais!! – se exaltou.
- Sabe o que é melhor? Eu vou poder levar todos vocês comigo!
- É brincadeira? Porque se for, eu te mato! – falou.
- Não é brincadeira! É mais do que verdade!
- E como você conseguiu isso?
- Isso é história para outro momento...
- E qual é o desafio?
- Alguém aqui gosta do Justin Timberlake?
- Meu Deus... EU!! – disse rapidamente e animada.
- Esse cara é foda! Eu curto ele demais!! – falou logo em seguida.
- Bem, eu tenho dois ingressos para o show dele em Vegas!
- Você está de brincadeira? – questionou e seu coração começou a palpitar.
- Não!! Eu já sabia que o gostava, mas precisava saber se mais alguém sentia esse sentimento e, olha só! Temos dois candidatos para um ingresso!
- E o que você pretende fazer? – se manifestou.
- Pegar pesado! Só vai ganhar esse ingresso quem merecer!
- Eu mereço porque eu sou lindo! – disse rápido e sorrindo. Todos da mesa olharam para ele e, como se tivesse sido combinado, começaram a rir.
- , , e eu vamos escolher um desafio e quem conseguir cumprir leva o ingresso! – disse e eles se juntaram sussurrando.
Foi rápido, poucos minutos depois eles se separaram e todos tinham um enorme sorriso no rosto.
- E então, qual o desafio? - perguntou.
- É um desafio simples - começou a falar -, mas que a pessoa deve ter muito poder de persuasão e lábia.
- Vejam como aqui está cheio hoje! Sorte de vocês!
- O desafio é: Vocês têm dez minutos para conseguir beijar o máximo de pessoas que vocês conseguirem aqui dentro! – disse sorrindo abertamente.
Por um momento, foi como se o tempo tivesse parado. Ela teria que falar com vários desconhecidos e depois pedir para beijá-los. Se valia a pena, era algo que ela não tinha certeza, mas seria um desafio interessante.
- É beijo ou selinho? – questionou.
- É selinho, mas tem que durar três segundos!
- Como aqui é grande, vamos dividir assim: e vão com a , cronometram o tempo e contam quantos ela beijou, e eu vamos com o .
- Tem que ser somente homem ou eu também posso beijar mulheres? – perguntou sorrindo de lado.
- Agora isso está ficando mais interessante... – disse boquiaberto.
- Vale tudo e todos!
- Então é moleza! – disse confiante.
- Prontos? Um... dois... três... valendo!!
O primeiro local que tinha em mente era a mesa em que o time estava, ela se aproximou e chamou a atenção de Cody, que prontamente se levantou e foi até ela. e apenas observavam de perto.
- Eu nem vi você chegar! – ele disse se aproximando dela.
- Eu cheguei há pouco tempo..., mas preciso de uma ajuda sua.
- O que foi?
- Basicamente, entrei em uma competição contra o para ganhar um ingresso para um show do Justin Timberlake. Eu quero muito ganhar esse ingresso!
- E o que você precisa fazer?
- Beijar a maior quantidade de pessoas em dez minutos e... já se passou um minuto! – falou calmamente.
- Beijar? – Cody questionou abismado.
- Selinho! Três segundos só! – falou depressa.
- E você quer que...
- Você é o capitão do time! Precisa me ajudar!!
Cody respirou fundo, encarou nos olhos e se virou para a mesa cheia de jogadores.
- Pessoal! A precisa de um favor e eu preciso de vocês!
Todos prestaram atenção em Cody, que resumiu o desafio em poucos segundos.
- Quem aí vai ajudar? – Cody finalizou com a pergunta e todas as pessoas da mesa gritaram quase em conjunto “eu!”.
- Caralho! – disse impressionado.
- Posso começar então? – Cody perguntou e sorriu concordando. Ele se aproximou rapidamente e a beijou. Todo o time gritou de aprovação e sozinhos formaram uma fila atrás do casal que se beijava profundamente.
Do outro lado da lanchonete, beijava a terceira garota quando gritos altos chamaram sua atenção. Ele olhou para o local de onde vinha o barulho e viu uma enorme fila de homens esperando para dar um selinho em .
- Caralho! – disse.
- Ela apelou para o Cody! – disse birrento.
- Então você tem que correr mais! – disse e sentiu inveja por não estar naquela fila.
Enquanto isso, já estava em ação.
- Quantos já foram e quanto tempo eu ainda tenho?
- Você beijou dezoito e ainda tem quatro minutos! – disse.
Assim que todos os jogadores que se disponibilizaram a participar, tinham a beijado, uma ideia surgiu na mente de . Ela andava com cinco homens, ela tinha uma vantagem.
- , desculpa! – disse e segurou o rosto dele, dando um selinho.
- Eu não esperava por essa!
- , você é o próximo! – E assim ela repetiu o mesmo ato. Ainda tinham três amigos.
Enquanto caminhava em direção ao trio, passou bem ao lado da mesa de e Andrew.
- ! Eu preciso de um favor!
- A gente ouviu o discurso do Cody! – ela disse risonha. – Fique à vontade! – não sabia ao certo se ela se referia a ela ou Andrew, mas já que os dois estavam ali. se abaixou e segurou o rosto de , dando um selinho.
- Caralho... – Andrew disse e os meninos começaram a rir.
- Você é foda, ! – disse enquanto ela se separava de e fazia o mesmo com Andrew.
- Eu sei! – ela disse se afastando e caminhando até os meninos.
- Você tem um minuto! – alertou.
- !! – caminhou depressa até ele e o segurou pelo pescoço, selando seus lábios por três segundos.
- Isso não é justo! – disse.
- Experimenta! Tenta você beijar eles!
- Nem pense nisso! – disse o olhando firme.
- Para de drama, ! Vou te dar uma ajuda! – sorriu e eles se aproximaram, encostando os lábios.
- Ajudou muito! Valeu! – disse sorrindo.
- Dez segundos!! – disse e se tocou que ele seria a última pessoa, a chave final.
- Não pense que você se livrou dessa! – disse olhando nos olhos de e de repente seu coração disparou. Ao se aproximar, ela pôde sentir o perfume dele.
- Eu estava esperando por isso! – as mãos de suavam e ele mal sabia como respirar. Suas mãos foram direto para a cintura dela e as mãos de aproximaram puxando a jaqueta dele. O olhar dos dois se encontraram antes de fecharem e seus lábios se tocaram pela primeira vez.
Foi uma sensação diferente, uma sensação nova, mas que agradou aos dois. Era como se tivessem sintonia, mesmo sem aprofundar o beijo. Uma mão de pousou no rosto de e quando estava pronto para tornar o beijo realmente um beijo, eles foram interrompidos.
- Acabou!! – gritou enquanto o alarme do celular tocava.
Somente naquele momento, os seis amigos notaram que todos presentes na lanchonete prestavam atenção na competição, inclusive os funcionários.
- Quem ganhou? – perguntou. e se encararam e se separaram.
- conseguiu beijar vinte meninas. – disse. E o time aplaudiu a conquista de .
- Parabéns, !! É quase um beijoqueiro profissional!
- conseguiu beijar... vinte e oito meninos!! – disse lentamente como quem queria se vingar.
- Nossa vencedora é ! – disse levantando um braço de . A lanchonete foi enchida com gritos que vinham de diversas mesas, inclusive a dos jogares.
abraçou cada um dos meninos, principalmente , a quem agradeceu a competição, e ao abraçar , eles sentiram um sentimento diferente ao se tocarem. A garota foi parabenizada por diversas pessoas e sentia-se mais feliz do que nunca.
- Como se sente? – Cody perguntou se aproximando dela, quando conseguiu um espaço, ela era a nova estrela de Stanford.
- Eu me sinto nas nuvens! Fiquei muito feliz de ter conseguido! Muito obrigada, se não fosse por sua ajuda eu não conseguiria! – eles se abraçam carinhosamente, Cody passava a mão nos cabelos dela.
- Eu faria qualquer coisa para ver você sorrir assim sempre! – os dois se encararam e seus rostos se aproximaram, dando início a um beijo carinhoso e por incrível que fosse, afetuoso.
Enquanto isso, da bancada do bar um olhar cauteloso observava a cena e a aproximação do “quase-casal” e sua mente fervia com possibilidades.
- O que você está pensando? Não falou nada até agora... – se aproximou questionando a atitude de .
- Lembra que te falei que estava começando a curtir uma garota?
- Lembro! Até assustei, pensei que você nunca mais pudesse sentir isso!
- Pois é, a cada dia que passa eu sinto que posso perder ela da minha vida...
- Por que você acha isso?
- Porque a garota que eu tenho esses sentimentos é a .
- O que!? Isso é sério? – O olhar de foi até e Cody, que estavam tirando uma foto juntos.
- Infelizmente é mais sério do que eu imaginava. Quando a gente se beijou hoje, isso criou um sentimento de esperança em mim, mas ela gosta do Cody...
- Você tem certeza disso?
- Não... Eu quero me aproximar dela, tenho uma ideia de como posso fazer isso, mas não vai ser o método mais romântico e convencional do universo.
- E o que você tem em mente? Criar um triângulo amoroso e fazer ela se decidir com quem quer ficar?
- Se isso acontecer vai ser uma pena, mas o que quero mesmo é que ela nem chegue a namorar o Cody, que eu tenha uma chance antes!
- Você parece decidido, e quando coloca uma ideia na mente, ele não tira nunca!
- Posso contar com você? Ninguém pode saber dessa conversa que tivemos!
- Eu sou ou não sou seu parceiro? Pode contar comigo sempre que precisar!
Os dois amigos se abraçaram e olharam novamente para o mesmo local.


Capítulo 6


Assim que estavam em frente ao prédio que moravam, cutucou e perguntou se ela poderia falar com ele a sós, e assim ela o fez.
- Eu preciso pedir sua ajuda...
- Tudo bem!
- Você não pode rir, parece patético, mas é importante.
- Você está me deixando curiosa, ! Pode confiar em mim!
- Ultimamente eu ando me dando muito mal em algumas relações com o sexo oposto...
- O que você quer dizer?
- Não estou pedindo ajuda com isso que você está pensando! É que...
- Cara, se joga! Pode falar abertamente comigo! – colocou suas mãos nos ombros de e os dois se encararam.
- Eu queria que você me ensinasse alguns truques.
- Truques?
- Nessas últimas vezes que eu saí, eu fiquei com garotas que me perseguiram por todo o campus, me mandavam mensagem todo dia e toda hora, me ligavam o tempo todo, e eu não suporto fazer isso com elas, ignorar... entende?
- Sim! E você quer o que, exatamente?
- Quero fugir delas, não quero ser tão franco como eu sou, ser mais... mentiroso! Eu sei que parece péssimo, mas eu acho que você me entende...
- Você quer que eu te ajude a fugir das garotas? Isso inclui te esconder no meu apartamento se elas tentarem invadir o seu ou atender seu celular e fingir que o número é meu?
- Esse foi um excelente exemplo!! Eu não teria te pedido aquele favor, se eu não tivesse passado o meu número para aquela menina!
- Na verdade, você não deveria ter beijado ela novamente hoje, você sabe disso!
- Eu sei! É um problema de caráter dela e talvez meu também! – ele se referiu ao discurso que tinha feito mais cedo.
- Então, você quer lições de como se livrar de garotas grudentas? É basicamente isso?
- É exatamente isso!
- E por que não pediu ajuda dos seus amigos homens?
- Justamente porque são homens! Eles sabem apenas o lado masculino da relação, você sabe o lado feminino e é a única mulher em que eu tenho plena confiança em Stanford!
- Até que faz sentido...
- O que me diz?
- Eu não sei o que eu poderia te ajudar! Eu não sou nenhuma especialista nesse assunto!
- Você pode me dar dicas conforme as coisas forem acontecendo, o que acha?
- Eu preciso pensar... até quando posso te responder?
- Leve o tempo que precisar! Mas por favor, não pense que eu sou um babaca... eu só não quero me envolver e depois magoar alguém!
- Eu entendo perfeitamente! Mas não vai ser fácil, você vai ter que ouvir muitas coisas que não gosta! Desconstruir muitos pensamentos e atitudes babacas e machistas!
- Isso quer dizer que você aceita?
- Sim! Eu aceito que você seja minha cobaia para meus experimentos sobre relacionamentos!
Ao ouvir essas palavras, ficou feliz e entusiasmado ao mesmo tempo, não sabia se os drinks que tinha bebido mais cedo tinham contribuído para essa grande reação, mas abraçou o mais forte que pôde e a girou no ar.
- Você é demais! Incrível!
- Não precisa exagerar! – ria e assim que a colocou no chão, ele segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou, não foi um beijo profundo também não foi um selinho, foi algo entre os dois. Assim que se separaram, percebeu o que tinha feito e se assustou.
- Caralho! Me desculpa por isso! Não desiste de mim! – riu e o abraçou. Ela sabia que ele não estava em seu melhor estado.
- Fica calmo, eu não vou desistir de você!
- Você é a melhor coisa que já me aconteceu esse ano!
E assim, os dois subiram para seus apartamentos.
Quando o final de semana chegou, o clima na Universidade de Stanford mudou, não porque era simplesmente um final de semana, mas porque muitos alunos recebiam as visitas dos pais. estava sentada em um dos bancos que ficava em frente ao seu prédio, lendo um livro e apenas esperando as horas passarem até chegar o momento de almoçar. Ela ouviu alguns passos em sua direção e alguém a chamou, a pessoa parecia desesperada.
- ! Me ajuda!! Que bom que te encontrei! – estava desesperado.
- O que foi?
- Eu não sei o que eu fiz, mas eu fiz merda lá no meu apartamento! Me ajuda, se o ver, ele me mata! – começou a rir, fechou seu livro e entrou dentro do prédio.
- O que você fez? – ela questionou quando estavam se aproximando.
- Eu abriguei três desconhecidos na minha casa!
Assim que abriu a porta de seu apartamento, viu três homens sentados no sofá: Wesley, Drew e Keaton, seus melhores amigos de Huntington Beach. Wesley: alto, forte, cabelo liso castanho escuro e olhos castanhos, Keaton: mais baixo que seu irmão, cabelo liso e castanho claro e olhos verdes, Drew: alto, mais forte que Wesley, cabelo liso e castanho claro (quase loiro) e olhos verdes.
- O que vocês estão fazendo aqui?!
- É assim que você nos recebe? Eu viajo mais de oito horas para ver essa garota e ela fala isso para gente? – Wesley se levantou do sofá e a encarou.
- Eu não acredito nisso!! – praticamente correu em direção a eles e pulou no colo de Wesley.
- Nós estávamos morrendo de saudades de você! As festas não têm mais graça sem você para beber todas! – Keaton disse carinhoso.
- Eu nem sei dizer o que eu estou sentindo vendo vocês aqui em Stanford! Eu sinto tanta saudade de casa e de todos!
- Nós imaginamos! – Drew a consolou.
- Como vocês me encontraram?
- Na verdade, nós falamos com o , e ele nos passou o contato do ! Aí arquitetamos todo o plano surpresa!
- Vocês são demais! – ela abraçou os quatro ao mesmo tempo. Enquanto se abraçavam, a porta do apartamento abriu e entrou, se deparando com uma cena inusitada.
- Oi, ! Esses são meus amigos de Huntington Beach: Drew, Keaton e Wesley! Meninos, esse é o , ele divide apartamento com o ! – eles se cumprimentaram.
- Me conta, como são as festas por aqui? – Wesley questionou curioso.
- São como as nossas festas, porém um pouco mais ousadas em alguns sentidos, e sem pais para falar quando parar!
- E o time de futebol? – Drew perguntou.
- O faz parte do time, é o nosso running back! O pessoal é bem legal, sempre muito animados, me ajudaram demais ontem em um desafio!
- falou para nós sobre esse desafio... vinte e oito garotos!
- E quem é Cody Christian? – Wesley perguntou encarando nos olhos.
- Quem te falou do Cody?
- Eu já vi algumas fotos com ele e fiquei sabendo que um certo jogador fez uma homenagem para uma certa no jogo de ontem, supus que era você.
- Cody é o quarterback do time.
- E?
- E o que? A gente se conhece!
- Se conhece com a língua!! – Keaton disse rindo e todos riram. que estava presente riu fraco, não gostava de ouvir sobre o relacionamento dos dois.
- Vamos fazer uma coisa que interessa? Vamos comer!
Todos concordaram e saíram do apartamento em direção ao restaurante da universidade. Após comerem, colocarem assuntos em dia, contarem histórias sobre o passado e riram, eles saíram do restaurante, e encontraram com , finalmente eles puderam se conhecer e receberam uma notícia que foi ótima para todos.
- Hoje teremos festa!
- Festa? Onde?
- Irmandade das líderes de torcida!
- Eu curto líderes de torcida! – Drew disse animado.
- Por favor, não passem vergonha e não me façam carregar vocês para fora da festa! – suplicou, ela conhecia os amigos que tinha e eles não carregavam uma boa fama em festas.
- Desta vez seremos mais adultos! Pode confiar! – Keaton disse tentando passar confiança, apenas respirou fundo e desejou que fosse verdade.
Assim que chegaram em frente à irmandade, e os meninos não se surpreenderam, as fraternidades e irmandades eram praticamente iguais, entretanto, Drew, Keaton e Wesley estavam encantados.
- Não babem! – disse rindo. – Vocês vão se acostumar com isso em breve!
- A gente chegou atrasado? – perguntou observando ao redor, as pessoas já estavam embriagadas e fazendo coisas que somente fazem quando estão nesse estado.
- Acho que sim, demoramos um pouco no apartamento enquanto comíamos...
- Eu vou apresentar o Cody para vocês, eu sei que vocês vão querer tirar dúvidas sobre o time... – disse enquanto andava até o quintal em que tinha a piscina e todo o espaço aberto.
Foi como se alguém tivesse jogado uma bola e ela tivesse acertado bem no meio da cara de , a primeira cena que ela viu quando entrou no quintal foi Cody beijando uma garota qualquer. Seu coração bateu mais forte e acelerado, seu rosto queimava de vergonha e suas mãos começaram a suar. Seus amigos de infância não sabiam ao certo quem ele era, mas seus amigos da universidade sim.
- Puta que pariu! – disse baixo perto de , e pousou uma mão em seu ombro.
- Desgraçado – sussurrou para que somente ele ouvisse, instantaneamente fechou suas mãos com toda força. Ele não podia estar fazendo isso, não com a garota que ele gostava.
- O que foi? – Drew perguntou olhando para , que estava estática.
- Está vendo aquele babaca ali ao lado da piscina, se atracando com aquela garota de cabelo preso? Gostaria de apresentar vocês ao Cody Christian!
- Filha da... – Wesley começou a pronunciar, mas o cortou.
- Está tudo bem!
Na verdade, não tinha nada bem, ela sentia que todos os olhares estavam sobre ela, afinal de contas, ela já tinha beijado ele na entrada do campo de futebol, na saída do jogo, na lanchonete após o jogo e Cody já tinha dedicado um touchdown à ela, tudo isso em frente a todos os estudantes de Stanford.
respirava e se acalmava, tudo isso que aconteceu não significava que tinham um relacionamento, era normal que eles beijassem outras pessoas, mas ela não esperava que fosse tão rápido. De repente, a garota sentiu alguém segurar sua mão esquerda e olhou para o lado. piscou um olho para ela.
- Você é foda, não precisa dele! – ele sorriu e sorriu também. Isso foi motivador o suficiente para ela tomar coragem a atravessar o quintal até o local em que as bebidas estavam. Passaram ao lado do casal que se beijava sem parar.
- Você pode até ser superior e todo esse papo, mas eu não sou! – Wesley disse e com o braço esquerdo empurrou o casal, que caiu na piscina. arregalou os olhos assustada, mas começou a rir. Assim que Cody se levantou e abriu os olhos, a primeira pessoa que viu foi rindo, ele se assustou, pensou que fosse uma ilusão proporcionada pelo álcool.
- ... – ele disse estático.
- E aí, Cody! – ela respondeu acenando e se retirou.
Após atravessarem o local e comemorarem a atitude de Wesley, os amigos riam e pegavam suas bebidas no bar. se aproximou de para agradecê-lo.
- Você não merece ele, sinceramente! – ele a encarou se aproximando, com a intenção de que somente ela ouvisse.
- E eu mereço quem? – ela se aproximou mais.
- Alguém que não seja ele e nem eu!
- Por que você está dizendo isso? – ela praticamente sussurrava, o que deixava com seu coração acelerado.
- Porque você é boa demais para qualquer um de nós!
- Você me dá créditos que eu não mereço, ! – eles estavam mais próximos do que antes e isso agradava aos dois.
- O que você pensa que está fazendo?
- Eu não sei e você?
- Eu sei perfeitamente o que estou fazendo. E você? Quer causar ciúmes no Cody?
- Não é só por isso, eu também tenho meus motivos. Mas... e se eu quiser pagar na mesma moeda também?
- Eu ia falar que você pode contar comigo!
- Ótimo! – ela sussurrou.
- Ótimo! – ele repetiu. Suas duas mãos foram em direção ao rosto de e eles encostaram os lábios, as mãos de foram em direção a cintura dele e assim pela primeira vez eles aprofundaram o beijo. Suas mãos trocavam de lugar, em momentos as mãos de acariciavam os cabelos e o rosto de e as mãos dele passeavam pelo corpo e cabelos dela.
- O que caralhos está acontecendo aqui atrás? – perguntou pasmo e seus colegas se viraram e viram e se beijando.
- Porra, como eles são rápidos! – disse.
- Essa é a garota que eu conheço! – Drew disse praticamente brindando a atitude de .
- Uma pena que ela não me escolheu para dar esse beijo... – Wesley choramingou tomando um gole de sua cerveja.
- Cala a boca e bebe! – Keaton respondeu.
Após sair da piscina cuja água estava congelante, parecia que os neurônios de Cody tinham voltado ao normal, ele estava são de novo e só queria falar com uma pessoa. Após se secar e pegar uma troca de roupas em seu carro, que por sorte estava lá, ele voltou para festa a procura de .
- Como é que você está? – Andrew perguntou preocupado entrando em sua frente.
- Cadê ela?
- Quem?
- ! Ela me viu beijando aquela garota, não é?!
- Viu sim, todo mundo viu!
- Que merda! E cadê ela?
- Ali no bar... – antes que Andrew terminasse de falar, Cody começou a andar até o local.
- Valeu!
- Espera!! Eu acho melhor você não ir até lá...
- E por que não? Eu preciso me desculpar, me explicar e tudo o mais!
- Ela está com o !
- Como assim: ela está com o ?
- Bom... veja com seus próprios olhos!
Cody se aproximou mais do bar e de longe viu , , e conversando com três caras que ele não reconhecia e bem ao lado deles viu duas pessoas juntas em uma mesma cadeira. estava sentado e estava sentada no colo dele, ambos com copos na mão, Cody observou que uma mão de estava na cintura de e que uma mão dela estava nos ombros dele.
Ele viu toda a cena, enquanto o grupo ria, se virou para e se encararam, aproximaram seus rostos e se beijaram. O sangue de Cody ferveu e ele deu as costas para a cena e se afastou do local.
- Eu avisei! – Andrew disse dando de ombros e caminhando em direção a , que estava naquele grupo.
Assim que voltaram para o apartamento, precisou deixar Keaton sob os cuidados de , já que ele tinha misturado diversas bebidas e não estava nem um pouco bem. garantiu que ele ficaria melhor até o outro dia.
- Valeu, ! – Wesley disse dando um meio abraço nele.
- Qualquer coisa, não hesite em nos ligar! – Drew disse preocupado.
- Obrigada, ! – o abraçou carinhosamente e o viu entrando no apartamento e colocando Keaton sentado no sofá. Antes que pudesse entrar em seu apartamento, segurou sua mão e a puxou para perto.
- Boa noite! – ele disse a encarando. Ele não sabia explicar o que tinha sentido essa noite, era uma mistura de sentimentos, mesmo sabendo que havia uma grande chance de ter feito isso somente para causar ciúmes em Cody, ele não se importava.
- Boa noite! – ela sorriu da forma como somente ela sabia sorrir e deu um selinho nele. Ameaçou entrar em seu apartamento, mas algo a impediu, ela respirou fundo decidida e se virou novamente para , o beijando. Depois de se separarem entrou em seu apartamento e foi direto para a cozinha.
Estava esquentando uma sobra de pizza que tinha na geladeira, enquanto observava com o rosto apoiado nas mãos e os braços apoiados no balcão, Wesley, Drew e mexerem em seus celulares. A única coisa que tirou o foco deles foi a campainha que tocou.
- Será que é alguma coisa com o Keaton? – Wesley se levantou rapidamente do sofá.
- Deixa que eu abro... – disse. Assim que abriu a porta viu novamente .
- Olá, de novo! – ele disse sem jeito.
- O que foi agora?
- Nossa relação não mudou depois de hoje à noite, não é? – ele questionou receoso.
- Não...
- Ótimo! Porque eu preciso de uma ajuda...
- No que você se meteu agora, ?
- O que foi? – Wesley perguntou vendo .
- Nada! O Keaton está ótimo! – respondeu por cima de .
- Ótimo... O que você falava mesmo?
- É que... tem uma pessoa me paquerando, e com isso me refiro a praticamente uma perseguição! – ele disse coçando a cabeça.
- E o que tem essa pessoa?
- Essa pessoa descobriu aonde é meu apartamento e agora tem grandes chances dessa pessoa tentar invadir meu quarto!
queria rir, mas ao mesmo tempo queria estrangular ele. Como uma pessoa conseguia ser tão descuidada?
- Você é um idiota! Fala para a menina que você vai se mudar, pediu para ir a outro apartamento, não sei, estou com sono demais para pensar agora em uma desculpa plausível! Me desculpa...
- É que não é uma menina... é um menino! E só Deus sabe como ele sabe tanta coisa sobre mim! – ele disse desesperado, o que fez rir e deixar envergonhado.
- Eu não acredito nisso!
- Para de rir, ! Me ajuda!
- Entra aqui logo! Você já está de pijama? – perguntou vendo com uma calça moletom e uma camiseta qualquer.
- Foi só isso que deu tempo de vestir antes que eu ficasse sabendo dessa suposta invasão.
- Deixou as janelas do seu apartamento trancadas?
- Claro! Todas trancadas e cortinas fechadas!
- O que aconteceu? – Drew perguntou quando viu entrar no apartamento de vez.
- O veio pedir ajuda aos universitários!
sorriu satisfeita ao ver a reação de seus colegas, que não entendiam ainda o motivo pelo qual ele se encontrava no apartamento em frente ao apartamento dele, às cinco horas da manhã.


Capítulo 7


Pela manhã sentia alguma coisa coçar seu nariz, logo pensou que fosse algum de seus amigos tentando acordá-la, ao abrir os olhos lentamente constatou que ao invés de uma pessoa, a única coisa encostando em seu rosto era um dedo de um pé.
- Que é isso? – ela abriu os olhos completamente e deu um tapa no pé de Wesley, que dividia a cama com ela.
Enquanto ela dormia em um lado da cama (o convencional), Wesley dormia do lado contrário, já que eles não tinham espaço suficiente para todos no apartamento e ninguém se dispôs a dormir no sofá do apartamento de após o relato de uma possível perseguição.
- Que foi? – ele acordou assustado e quase bateu o pé inteiro na cara dela.
- Tira esse pé da minha cara!! Como é que ele foi parar aí?
- Eu é que vou saber?
- Grita mais!! – Drew disse rabugento do chão, em um colchão de ar que ele trouxe.
- Cala a boca! Eu quero dormir... – Wesley resmungou.
- Todos nós queremos, mas eu não quero mais ficar aqui com vocês, esse dedo nojento estava no meu nariz
se levantou e fez com que todos se levantassem também, ela já estava com fome e pelo andar da carruagem eles estavam atrasados para o almoço, já que dormiram tarde e acordaram tarde também. Ao olhar seu celular, constatou que tinha dez ligações não atendidas de Cody.
- Que demora dessas senhoras! – disse sentada no sofá da sala, esperando Wesley e Drew, que estavam enfurnados no quarto de se trocando. Ela foi a primeira a se trocar e foi acordar , que dormia no sofá. Ele se levantou e foi para seu apartamento se trocar, voltando poucos minutos depois e trazendo notícias:
- Keaton está bem! Eles estão se trocando e quando estiverem prontos, vão bater na porta...
- Que bom! – disse feliz, sorrindo sem mostrar os dentes.
- não vai?
- Ela está com uma ressaca horrível, não quer sair da cama.
- Que pena! – ele se sentou ao lado de , passou uma mão por seus ombros e a fez encostar sua cabeça nos ombros dele. Eles ficaram daquele jeito até seus amigos se juntarem a eles e todos saírem de dentro do prédio.
- Eu nunca mais misturo tudo o que misturei ontem! – Keaton dizia arrotando baixo.
- Bobagem... – se manifestou – a gente te conhece! Você é um fraco para bebidas, mesmo que sejam poucas.
- Está vendo! É por isso que a nunca sente frio! – Drew disse e ninguém entendeu o comentário dele.
- Que?
- É porque ela está sempre coberta de razão! – e então todos começaram a rir e concordou plenamente com o que seu amigo tinha dito.
Assim que todos entraram no restaurante, foi como se o olhar de tivesse um imã, que a direcionou diretamente para a mesa em que Cody estava. Ela se assustou e tentou se esconder entre seus amigos, não queria que ele a visse, porém foi tarde demais. Cody tinha visto entrar primeiro e suspeitava que estaria junto com ele, e assim foi. Ela estava lá.
Enquanto tirava sua comida e praticamente se escondia no próprio cabelo, observava sua atitude.
- O que você está fazendo?
- O Cody está aqui! Eu não quero que ele venha falar comigo! – ela sussurrou enquanto saía da baía de comida e ia pegar um suco.
Ao se sentarem em uma mesa mais afastada de Cody, já que fez questão de escolher em qual se sentariam, todos começaram a almoçar calmamente. Ao final do almoço, enquanto todos estavam absortos em uma conversa sobre as melhores praias da região, a conversa foi parada instantaneamente e , que prestava atenção em seu celular por um momento, não tinha entendido o motivo. Ao olhar para o lado para questionar o motivo do silêncio, ela viu Cody na ponta da mesa.
- E aí, Cody! – se pronunciou primeiro. – Tudo bem?
- Tudo mais ou menos...
- A gente pode te ajudar com alguma coisa? – questionou.
- Posso falar com você? – ele olhava para .
- Pode, ué!
- A sós!
- Eu não sei se é uma boa ideia! – disse baixo.
- Tudo bem, ! – se levantou, pegou sua bandeja e caminhou em direção ao local em que deveriam deixá-las, enquanto isso Cody a seguia e seus amigos a seguiam com os olhos apenas. Eles saíram de dentro do refeitório e pararam sob o sol, perto de alguns bancos. – Diga.
- Eu nem sei por onde começar...
- Comece do começo.
- Ontem... eu bebi demais, comi de menos e pensei que você não fosse aparecer...
- E então você beijou outra menina... eu entendo! Nós não somos um casal.
- Não é isso! Eu não queria beijar aquela garota, mas uma coisa levou a outra e aconteceu!
- Está bem, Cody! Você não precisa me dar explicações!
- Fala comigo, por favor!
- É só que eu não esperava chegar em uma festa e ver você beijando uma garota no meio de todo mundo! Eu ia te apresentar para uns amigos meus que estão me visitando e isso foi com toda certeza, humilhante!
- Me desculpa!
- Foda-se! Agora já passou!
- Pelo amor de Deus, me perdoa!
- Eu posso até te perdoar, Cody! Mas eu não quero mais falar com você!
- Como assim?
- Eu não quero mais ver você, nem falar com você, nem saber de você! Se eu pudesse, eu te mandaria para o inferno, mas além de eu não ter esse poder, eu não desejo isso nem para o meu pior inimigo!
Eles se encararam por alguns segundos e viu seus amigos saindo de dentro do restaurante, o que foi o momento exato para ela sair de perto dele.
- Tchau!
Ao ver ela se juntar aos seus amigos, Cody sentiu uma súbita ânsia de vômito e queria voltar para a fraternidade o quanto antes.
- Que merda! – ele disse nervoso e entrou caminhou até seu carro.
No final da tarde, Drew, Keaton e Wesley voltariam para Huntington Beach, pois eles teriam aula durante a semana, e apesar de o semestre estar acabando, as provas finais se aproximavam.
- Se aquele garoto te procurar, faça o que você faz de melhor: agrida as pessoas com seu vocabulário agressivo! – Keaton dizia para rindo.
- Eu sou ótima nisso!
- Você é uma ogra, isso sim! – Drew disse enquanto guardava as coisas no parta malas.
- Você é , a caloura mais cobiçada de Stanford! Tenho certeza de que você vai mandar esse Cody Christian se foder, mais cedo ou mais tarde! – Wesley disse a segurando pelos ombros com as duas mãos. – E você sabe que qualquer coisa eu estou sempre disponível para vir te ajudar!
- Já disse adeus para sua amada então entra no carro, Wesley! – Drew bufou enquanto se sentava no banco do motorista.
- Ela vai voltar para o Natal, Wesley! Não precisa chorar! - Keaton disse.
Wesley a abraçou novamente e entrou no carro. Eles saíram de Stanford e voltaram para casa. O único lugar que mais sentia falta no mundo.

A semana das primeiras provas do semestre tinha acabado de começar e isso tornava o clima em Stanford tenso. Os estudantes passavam mais tempo dentro da faculdade e biblioteca do que em bares, restaurantes e até a praia. As festas eram adiadas e a única distração que deixava os estudantes animados eram os jogos. Na sexta-feira, teria sua última prova um do semestre e só em pensar nisso, os ombros dela já relaxavam mais.
- Acho que preciso me embebedar hoje. – disse suspirando após almoçar.
- Eu topo! Não aguento mais essa dor nos ombros! – disse se massageando.
- Não paro de pensar se fiquei com DP em alguma matéria! Minha mãe vai comer meu fígado com palitinho! – disse preocupado.
- Será que eu posso falar com você mais tarde? – falou baixo para .
- Mais tarde, que horas?
- Depois da sua prova!
- Pode ser! O que se trata?
- Você vai descobrir...
O segundo período de aulas foi cheio de provas para todas as turmas e após seu fim, foi um alívio momentâneo. Ao chegar em seu apartamento, mal deu tempo de tirar os sapatos e a campainha tocou.
- Já?! – questionou olhando no corredor.
- Eu ouvi sua porta abrindo...
- Entra! – ela deu passagem para ele e ambos se sentaram no sofá. – O que foi? É algo sério?
- Eu preciso da sua ajuda, antes que eu faça alguma merda.
- Você está me deixando nervosa...
- Hoje eu vou em uma festa e... queria alguns conselhos.
- Conselhos?
- É! Para não ser um babaca e sofrer com isso depois!
- Esse foi um comentário bem babaca!
- Desculpa...
respirou fundo, fechou os olhos e buscou em sua mente algo que valesse a pena ser ensinado e algo que ela soubesse falar.
- O primeiro passo que você tem que seguir quando for falar com uma garota no intuito de beijar ou fazer sexo e nunca mais vê-la é: não dê informações sobre sua vida pessoal, nada que ela possa te procurar, seja em redes sociais ou no campus.
- Como assim?
- Se ela perguntar seu nome, você tem duas opções: mentir ou falar a verdade. Se a garota for da universidade, minta, porque você não vai querer ela caçando um em todos os cursos e por toda a universidade. Já se ela for desconhecida, você pode falar a verdade, mas nunca dê informações do tipo: onde você estuda, qual curso, seu nome completo e dados bancários. – riu. – É sério, , você tem cara de quem faz isso.
- Eu só não me ligo aos detalhes, eu não penso que elas vão atrás de mim, eu só quero curtir!
- Esse é o seu erro! A parte feminina inteira do campus deve achar você bonito, se você der mole para essas garotas, elas vão criar expectativas de que você vai ligar para elas; que você vai aparecer no outro dia com um buquê de flores, como se ela fosse única e especial, e nós sabemos que não é isso que vai acontecer!
- Então hoje na festa...
- Se for da universidade, você vai mentir sobre quem é você. Fale qualquer nome que não seja o seu, omita o seu curso, fala que você cursa biologia. Se ela pedir seu número de celular, não passe em hipótese alguma o número verdadeiro, e se for o caso, inventa um na hora, porém, a coisa mais sensata a se fazer é falar para ELA passar o número, e você liga. Então quando vocês se distanciarem, joga o papel fora, eu sei lá, queima...
- Então está bom, mentir o nome, curso, número de telefone... mais alguma coisa?
- Para a primeira lição, acho que isso está ótimo. É só seguir as dicas direitinho que vai ser sucesso!
- Muito obrigado, ! – ele disse sorrindo e a abraçando fortemente, em seguida deu um beijo em sua bochecha e se levantou do sofá.
- Só não apareça aqui de madrugada, está ouvindo? – ela se pronunciou antes dele sair.
- Tudo bem! Isso não vai acontecer mais! – e assim ele saiu do local.
Enquanto preparava algum lanche para comer, a campainha de seu apartamento tocou novamente, e esperando que fosse , bufou e abriu a porta, porém deu de cara com um buquê de flores.
- Entrega para a senhorita ! – a pessoa que estava atrás do enorme buquê de rosas vermelhas, brancas, amarelas, rosas e coloridas falou.
- De quem?
- Cody Christian! – isso a surpreendeu.
- Isso é sério? – perguntou, mas não obteve resposta. Segurou o buquê no colo, agradeceu o entregador e fechou a porta. Pousou o buquê dentro da pia da cozinha e observou pasma. Ao analisar direito, viu que tinha um cartão no meio dos ramos.
“Sei que não quer falar comigo e nem me ver, mas por favor, aceite as minhas rosas como mais um pedido de desculpas!”
- Quem te mandou essas flores? – disse e se assustou.
- Não pode chegar assim sorrateira! Quer me matar do coração?
- Desculpa! – ela disse rindo – essas flores são lindas! Quem te deu?
- Cody Christian!
- Você jura? Que idiota, ele está tentando te comprar...
- Uma pena que ele não me conhece!
Apesar de não querer ver a cara de Cody, as rosas eram bonitas demais para serem deixadas para morrer, então com muito custo encontrou algo que poderia servir como uma jarra para as flores. Posicionou-as dentro do seu quarto, perto de onde estava sua cama e foi tomar banho, afinal ela tinha um compromisso com o álcool naquela mesma noite.
- Vocês querem assistir ao jogo? – perguntou quando todos estavam na praça principal da universidade.
- Sinceramente, eu assistiria somente pelo ... – disse um pouco ranzinza.
- Ou nós simplesmente podemos ficar na frente do estádio, com essas garrafas de cerveja e ouvindo a multidão gritar, assim quando o sair, nós estaremos o esperando! – apareceu carregando um fardo de cerveja.
- Você é um gênio! – comemorou.

Ao término do jogo, os quatro amigos (, , e ) já estavam embriagados, pois um fardo de cerveja durou apenas para o caminho da praça até o estádio, e então eles se sentiram na obrigação de passar o tempo tomando mais cervejas. Eles já estavam no terceiro fardo e tinham disposição para muito mais.
Assim que as pessoas começaram a sair de dentro do estádio, foram abordadas por eles, para questionar quem tinha vencido e por quanto.
- Stanford venceu, por quanto eu já não sei! – voltou cambaleando. Os quatro começaram a rir e então um assunto levou a outro e eles estavam praticamente sentados no chão, quase chorando de tanto rir. A cena seria hilária, se não fosse quase trágica.
- O que aconteceu com vocês? – questionou ao se aproximar. Ele tinha saído do estádio e ninguém tinha percebido.
- !! – gritou e o abraçou.
- Vocês estão bêbados?
- Talvez.
- Vocês tomaram quantas cervejas?
- Acho que cada um tomou cinco!
- Eu sei que na teoria, não deveríamos estar assim, mas é que a gente não comeu nada, então o álcool subiu rápido! – explicou de forma embaralhada.
- Ela anda tendo aula de medicina com o ! – comentou de forma maliciosa.
- Aula particular! – complementou.
- Não, babacas! Meu pai é cirurgião!
- Ah, é verdade!
- E vocês querem sair ainda? – questionou.
- Com certeza!
- O pessoal do time vai naquela casa noturna que abriu recentemente... pode ser?
- Sim! – os quatro disseram juntos.
Antes de chegarem até o local, eles passaram em uma lanchonete e compraram lanches para amenizar o efeito do álcool e assim eles poderiam beber mais. Como ninguém estava em condições de dirigir, eles pediram dois Uber’s e foram até o local, que não era longe de Stanford.
O local parecia uma casa, tinha um espaço aberto na frente, que provavelmente seria um jardim em uma casa convencional, mas estava cheio de pessoas bebendo, fumando, conversando e se beijando. Dentro era realmente uma casa, porém sem cômodos e mobílias, apenas espaços grandes em que as pessoas bebiam perto do bar ou dançavam na pista perto do DJ.
Ao entrar no local, olhou ao redor para ver se reconhecia algum rosto, e de longe viu , ele conversava com uma moça, que não podia ser identificada, já que estava de costas. De longe um olhar pairou sob e acompanhou seus movimentos e suas atitudes. Cody observava a garota de longe, ele não falaria com ela, já que ela queria distância, ele respeitaria, pelo menos agora.
Conforme a noite foi passando e a madrugada adentrando, todos bebiam mais e mais e o local parecia mais cheio do que nunca, o que deixou um pouco sufocada, então ela decidiu sair para o falso jardim.
- É por isso que lá dentro está tão lotado! – ela disse para si mesma, ao observar que não tinham pessoas lá, e que todos estavam dentro da casa. Ela se escorou na parede, fechou os olhos e respirou fundo.
Dentro da casa, Cody revezava seu tempo em dançar e beber, com observar . Parecia um pouco estranho, mas ele desejava estar com ela em todos esses momentos, e não foi surpresa para ele quando ele parou de dançar e constatou que não estava mais lá, ele a tinha visto sair. Não sabia se ela estava bem ou não, já que tinha saído sozinha. Esperou um tempo antes de tomar atitude e ir atrás dela. Ela estava sozinha, escorada na parede com os olhos fechados e respirando fundo.
- Você está bem? – ele perguntou.
- Com sono, um pouco de tontura e lá dentro eu me sentia sufocada. – Ela deu o diagnóstico completo ainda de olhos fechados.
- Você quer um pouco de água? – abriu os olhos e viu Cody escorado na parede ao lado dela, segurando uma garrafa de água.
- Posso ajudar em alguma coisa, Cody? – ela disse arqueando a sobrancelha e Cody riu fraco.
- Você não deixa de implicar comigo mesmo quando está se sentindo mal! – ele estendeu a garrafa na direção dela e ela pegou e deu alguns goles.
- É mais forte do que eu! – ela se desencostou da parede e caminhou até o parapeito da escada, uma escada que dava para uma parte inferior do jardim, se apoiou no corrimão e olhou a rua vazia da madrugada.
Sua cabeça parecia estar pesada de sono, então ela apoiou os braços na barra da escada e a cabeça nas mãos, fechou os olhos e segundos depois sua cabeça tombou para o lado. Cody correu em sua direção.
- Ei! Para quem está com tontura, acho que não é o melhor ficar perto de uma escada alta. – Ele disse a abraçando de lado, com a única intenção de tirá-la de lá.
pousou sua cabeça no peito de Cody e passou seus braços ao redor dele, Cody ainda estava abraçando-a.
- Valeu! – ela agradeceu.
- Não precisa agradecer, vai que te dá uma vertigem...
- Vertigem? Parece meu pai falando! – riu e olhou para Cody, só então percebeu que estavam tão próximos.
sentiu uma sensação estranha, não sabia se era por causa da bebida, ou se era ela mesmo, mas ela sentiu saudade dos beijos de Cody e estar lá, sendo abraçada por ele, olhando nos olhos dele, a deixou sem reação. Cody sentia que podia ficar observando o rosto de por horas a fio, mas decidiu se aproximar mais e tentar algo; ele se aproximou o suficiente de e ela terminou com o mínimo espaço que estava entre os dois.
Era um beijo calmo, parecia que estavam se conhecendo novamente. Ao pararem, apenas encostou sua cabeça novamente no peito de Cody e fechou os olhos.
- Desde que horas você está bebendo? – Cody questionou enquanto passava uma mão nos cabelos de .
- Acho que desde às sete... – falou devagar, como quem estava quase dormindo. Cody olhou em seu celular para ver as horas; quatro horas da manhã.
- Você quer ir para a sua casa? – ele questionou segurando o rosto dela e a observando.
- Quero... – ela disse quase manhosa e ele sorriu, se aproximou dela e a beijou novamente.
- Vamos avisar seus amigos que você está indo para casa... – ele segurou a mão dela, respirou fundo acordando e entrou com ele dentro da casa.
De todos os amigos, parecia o mais sóbrio, e foi exatamente ele quem avisou.
- Eu estou indo para casa!
- Com quem?
- Cody vai me levar! – ela apontou com a cabeça para ele. assentiu.
- Qualquer coisa me liga! – ele sussurrou no ouvido dela e sorriu. Deu um beijo na bochecha dele e saiu de lá.
Cody estava sóbrio o suficiente para dirigir de volta para Stanford e com sono o suficiente para dormir o caminho todo.
- Não dorme! – ele disse rindo e sacodiu ela.
- Como é que seus amigos vão voltar? – questionou bocejando.
- Eu os avisei! Fica tranquila, eles são grandinhos já!
Quando chegaram na frente do prédio de , Cody fez questão de acompanhá-la até a porta de seu apartamento.
- Posso usar seu banheiro? Estou morrendo de vontade de fazer xixi! – Cody disse envergonhado e riu, deixando-o entrar.
Enquanto Cody usava o banheiro, ela se trocava, colocando o pijama, que na verdade era a primeira roupa que ela encontrou dentro do guarda-roupas. No momento em que Cody a viu com seu pijama, uma calça moletom e a camiseta que Cody tinha emprestado na primeira festa na fraternidade, ele riu e admirou como nunca .
- Você está incrível! – ele disse rindo e sorriu e foi até a cozinha.
- Você podia me fazer um favor? Prepara um copo de água gelada com limão para mim?
- Preparo! – ele disse com uma sensação de que eles estavam cada vez mais próximos e não no sentido de distância.
Ela se sentou no sofá e lá ficou quieta até ele terminar de preparar. Cody levou o copo de água com limão para ela, porém ela já estava dormindo.
- Ei! Vai querer sua água? – ele sussurrou e assentiu com a cabeça, abriu os olhos e bebeu praticamente tudo de uma só vez. Cody mais uma vez sorriu com ela e a ajudou a se levantar, para levá-la até a cama. Assim que ela se deitou, ele deu um beijo na testa dela e começou a se distanciar. Antes que tivesse se levantado por completo, segurou sua mão firme.
- Eu não quero ficar sozinha, Cody! – ela disse com os olhos bem abertos e encarando-o.
- Eu fico aqui até você dormir! – ele puxou a cadeira da escrivaninha dela e se sentou. se afastou do meio da cama e abriu um espaço, em seguida deu dois tapinhas no local vago. Cody não sabia se era o certo a se fazer ou não, afinal de contas ela estava bêbada.
- Eu não estou bêbada! – foi como se ela tivesse lido os pensamentos dele – eu sou mais forte para bebida do que você imagina! Eu só estou morrendo de sono! Eu até me lembro que você beijou aquela garota ridícula na frente de todo mundo na festa de semana passada, bem quando eu ia te apresentar para alguns amigos de infância, e que depois disso...
- Está bom, está bom! Eu fico! – ele disse rapidamente quando ela começou a falar sobre esse assunto e então a beijou para que ela ficasse quieta. Ele se deitou de barriga para cima e ela apoiou sua cabeça novamente no peito dele. Um dos braços de Cody estava por baixo do corpo dela, e ela o abraçava.
Eles estavam em silencio há pouco tempo, mas algo não saía da mente de Cody. Ele gostava demais de e não queria que ela fosse apenas um caso de amor, queria algo sério. Ela tinha acabado de falar que não estava bêbada, então teria consciência o suficiente para tomar uma decisão.
- O que você acha de namorar comigo? – ele perguntou baixo. Ouviu a respiração de mudar rapidamente e ela se mexeu. Mas permaneceu em silêncio. Por um momento ele pensou que ela não tinha ouvido o que ele perguntou, que ela já estivesse em um sono profundo. Pelo menos ele não teria uma recusa, ele não teria resposta alguma. Mas ele queria uma.
Ela tinha entendido perfeitamente o que ele tinha perguntando, mas algo dentro dela estava em confusão. Será que isso seria o ideal? Ela tinha acabado de entrar na universidade, tinha muito o que curtir ainda e um namorado talvez não fosse o ideal. Mas ela gostava de ficar com Cody e por incrível que fosse, ela conseguia se imaginar namorando-o. Conforme sua mente pensava, o sono chegava mais rápido e ela lutava para se manter acordada. Precisava falar algo para ele. Por fim acabou sussurrando:
- Sim...
Cody foi pego de surpresa por ter tido uma resposta, afinal ela estava acordada e tinha ouvido. Ele sorriu e a abraçou, e em poucos minutos também estava dormindo.


Capítulo 8


Quando acordou no dia seguinte, sentiu uma presença estranha na cama. Abriu os olhos e viu um braço.
- Que isso? – ela falou assustada e a pessoa ao seu lado despertou assustado.
Repentinamente ela se lembrou da noite passada, em que Cody a levou para casa e que ele tinha a pedido em namoro, e o desfecho: ela tinha dito sim.
- Que susto! Quer me matar do coração? – Cody perguntou. Nem ele tinha percebido que estava no apartamento dela ainda. – Que merda! Eu dormi aqui!
- Calma... – ela disse bocejando e tateando a procura de seu celular. Era meio dia.
- Como você está? – ele questionou deitado a observando.
- Um pouco de dor de cabeça...
- Eu acho que sei o que você precisa: banho e um bom almoço! – ele disse se levantando e a abraçando.
- Vou tomar banho, escovar os dentes e aí nós almoçamos! Vou deixar separado uma toalha, assim você pode tomar banho também! – ela disse se levantando e pegando suas coisas dentro do armário.
Eles estavam saindo do prédio e decidiram caminhar até o refeitório, faria bem a eles. estava com uma pergunta entalada em sua garganta:
- Você me pediu em namoro ontem, não é? – Cody riu e ficou envergonhado. O rosto dele ficou vermelho.
- Sim... não foi desse jeito que eu imaginei pedir uma pessoa como você em namoro, mas aconteceu...
- Uma pessoa como eu? – parou de andar.
- Eu sei que vai parecer a coisa mais idiota e clichê do universo, mas você é realmente especial para mim! Você consegue trazer à tona o melhor de mim e eu nem sei como te agradecer por isso! Eu nunca fui tanto na biblioteca como eu fiz quando eu te conheci, só para saber se você estava por lá.
estava sem reação, sua respiração estava mais pesada e suas mãos suavam.
- Eu vou entender se você me disser que precisa de um tempo para pensar, ou que não quer namorar comigo e disse sim só porque estava com muito sono! Vou entender, de verdade! – Ele estava de frente para ela e a olhava nos olhos. nem pensou, apenas colocou suas mãos no rosto de Cody e o beijou.

Era um sonho estranho, não fazia o menor sentido, mas ela despertou rapidamente. Cody estava deitado na cama, assistindo um filme.
- Eu não acredito que vim até aqui para assistir um filme e dormi mais da metade!
e Cody estavam na fraternidade, dentro do quarto de Cody, assistindo Netflix.
- Quer dizer que não moram todos os jogadores em uma mesma fraternidade?
- Não seria possível! Somos mais de cinquenta pessoas, praticamente noventa integrantes!
- Que horror, é muita gente para dividir uma casa!
e Cody, apesar de terem começado um namoro, ainda estavam se conhecendo. Cody contou que era filho único e que morava na Califórnia, não muito longe da Universidade, seus pais eram engenheiros.
- Então você foi uma criança mimada?
- Não, eu não fui uma criança mimada! Meus pais viajavam muito para ter tempo de me mimar...
- Mas quando eles voltavam, eles te davam tudo o que você quisesse...
- Sim, mas...
- Então era mimado!
- Mas era uma forma de compensar a ausência!
- Mimado!
- Há! E você não era?
- Com certeza não! Eu sou filha de um cirurgião e uma profissional de relações públicas, meu pai tinha horários malucos e minha mãe adorava fazer com que nos comunicássemos a toda hora...
- E por que você alega não ser mimada?
- Porque eu tive que dividir a atenção com meus dois irmãos.
- Eles são mais velhos?
- Mais ou menos... nós somos trigêmeos!
- O que?! Existem mais duas de você por aí?
- Não, existe dois babacas ridículos que me ensinaram tudo sobre Dragon Ball Z.
- Quem da sua família tem essa genética?
- Minha mãe é gêmea... Se um dia eu decidir ter filhos, preciso rezar para não serem gêmeos!
- Sua família deve ser incrível!
- Ela é... mesmo com todos os problemas, ela é! – pela primeira vez sentiu um aperto dentro do peito; era saudade. Cody percebeu que o humor dela mudou repentinamente e a abraçou forte.

Nas duas semanas seguintes, e Cody namoravam escondidos de todos, eles concordaram que seria melhor que por enquanto ninguém soubesse que estavam juntos. Eles não eram vistos dentro da universidade juntos, não se falavam pessoalmente na frente de todos, mas se encontravam escondidos no estádio, dentro de algumas salas de aula e sempre se falavam por mensagens.
- Você vai? – Cody sussurrou dentro de uma sala de estudos da biblioteca. Na quinta-feira o time de futebol de Stanford jogaria contra Berkeley. Cody insistia que fosse vê-lo jogar, e assim eles passariam um final de semana a sós em São Francisco.
- Eu vou ver se mais alguém vai! Se ninguém for, eu não vou sozinha! – ela respondeu sussurrando também.
- Justo! – ele concordou e puxou pela cintura e roubou um selinho dela.
- Está doido? Quer que alguém veja? – ela se separou rindo.
- Nem me importo mais! – ele confessou e sorriu para ele.
Cody saiu primeiro da sala e minutos depois saiu. Ninguém tinha percebido. Ao se encontrar com seus amigos no almoço, ela levantou a questão:
- Vocês vão assistir ao jogo quinta-feira?
- Eu gostaria de uma companhia para ir! – disse rapidamente.
- Se vocês forem, eu vou! Não me importo em faltar a aula sexta-feira! – se animou.
- Eu bem queria conhecer algumas alunas de Berkeley! – se pronunciou.
- Então, vamos? – finalizou. Todos se olharam e sorriram ao mesmo tempo.
- Combinado, então! – sorriu sem mostrar os dentes.

Quinta-feira após o almoço. Foi esse o horário combinado para partirem entre os cinco que iriam assistir ao jogo. Em um dos encontros casuais de Cody e , ela tinha o avisado que assistira o jogo e ele prometeu que passariam o final de semana se divertindo.
- Todos prontos? – perguntou do banco do motorista.
Eles partiram e a viagem não duraria mais do que uma hora, assim que eles chegaram, foram direto para a Universidade de Berkeley e encontraram um bar, lá ficaram até o horário do jogo.
- As alunas aqui são bonitas! – olhava de um lado para o outro dentro do estádio.
- As alunas aqui são iguais às de Stanford! – ironizou.
- Quanto rancor no seu coração! – disse baixo.
O jogo começou e foi uma disputa acirrada, os jogadores de Stanford estavam se machucando, mas também machucavam os jogadores de Berkeley.
- Eu fiquei sabendo que depois do jogo, vai ter uma festa no estacionamento, o pessoal faz uma fogueira e todo mundo bebe em volta dela – comentou animado.
- Todo mundo quem?
- Os torcedores e jogadores dos dois times!
- Vamos ficar?
- Por mim, pode ser! – concordou.
Stanford estava em uma série boa de jogos e assim como o último jogo, eles venceram essa partida também. Todos estavam saindo do estádio e se dirigindo ao local que acontecia a festa, ouviu comentar algo com .
- Você viu quem estava aí hoje?
- Quem?
- Cameron!
- A ex do Cody? – essa frase chamou a atenção de . Cody não tinha falado sobe isso, eles não tinham chegado nesse assunto.
- Ex do Cody? – se intrometeu.
- Sim!
- Ela estuda aqui?
- Ela é líder de torcida do time de Berkeley, eles namoraram por dois meses no ano passado, não foi nada sério...
apenas concordou com a cabeça e continuou o caminho até o estacionamento, ela estava com medo de chegar lá e ver a mesma cena que viu na festa pouco tempo atrás. Assim que chegaram, o local estava cheio, tinha uma fogueira, bebidas e música, uma pessoa falava no microfone, era uma líder de torcida do time de Berkeley. Da forma como e se olharam, teve certeza de que ela era Cameron, a ex namorada de seu namorado e, apesar de não a conhecer, já não gostava dela.
- Apesar de não termos ganhado hoje, o nosso time segue em frente, pronto para mais um jogo! – Cameron disse animada e as pessoas gritaram em aprovação – nós de Berkeley queremos dar parabéns ao time de Stanford e ao capitão do time, Cody Christian!
Cody caminhou em direção a ela e foi aplaudido por todos, inclusive , ele sorria, acenava em forma de agradecimento e comemorava, apontando para o time de Stanford.
- Obrigado! Foi um jogo limpo e um desafio em tanto! – Cody disse e todos aplaudiram – mas essa vitória não seria possível sem todo o time!
- Aplausos para o time de Stanford! E para o time de Berkeley também! – Cameron disse animada.
Os estudantes começaram a aplaudir e Cameron abraçou Cody, que ficou sem jeito, mas retribuiu. fez uma careta, mas a desfez rapidamente para que seus amigos não vissem. Ela estava praticamente a duzentos metros da fogueira e queria sair de lá o mais rápido possível. Antes que ela desse o primeiro passo para trás, um coro começou a gritar e foi como se seu coração congelasse. “Beija! Beija! Beija!”. O coro de alunos gritava para Cody e Cameron. Cameron sorriu de forma constrangida, porém era notável que era um sentimento falso, ela olhou de forma sugestiva para Cody, que a encarou espantado e olhou ao redor.
Cody tinha visto chegar ao estacionamento, pois estava esperando ser chamado para o “ritual”, e assim que o coro começou a falar em uníssono, ele entrou em pânico e tentou procurar . Ele não beijaria outra garota na frente , mas poderia beijar na frente de todas as garotas. Assim que ele localizou ela ao lado de seus amigos, ele sorriu com o canto do lábio e olhou para Cameron, piscou um olho, sorriu abertamente e colocou uma mão no braço da líder de torcida, deu dois tapinhas e correu em direção a sua namorada.
apenas viu Cody correndo em sua direção, conforme ele se aproximava, as pessoas ao redor davam mais espaço, querendo saber aonde ele estava indo, e segundos depois as duas mãos dele estavam no rosto dela, e os lábios deles estavam colados. A partir desse momento todos saberiam que eles estavam juntos. Cody aprofundou o beijo e passou seus braços pelo pescoço dele enquanto ele descia suas mãos pela cintura dela. As pessoas ao redor gritaram em aprovação e os amigos de estavam perplexos, eles não sabiam em que momento os dois tinham voltado a se falar.
- Que porra é essa? – falou vendo a cena de longe.
- Por que nós sempre somos os últimos a saber das coisas? – questionou.
O final de semana foi cheio de diversão; infelizmente o grupo não conseguiu encontrar um bom hotel que coubesse no orçamento deles e então tiveram que dividir quartos em um local mais barato, o que não foi agradável para o recém casal, que ansiava por um momento a sós. De volta a Stanford no domingo à tarde, parecia que toda a universidade sabia que Cody e estavam oficialmente namorando.
- Eu não sei se isso é bom ou ruim... – confessou.
- Pelo menos agora nós podemos ficar juntos em qualquer lugar! – Cody disse enquanto os dois estavam sentados em um banco que ficava em uma praça em frente a faculdade de Direito.
- Isso é bom, mas se agarrar escondido pelos cantos ainda é bem mais excitante!
- Olha só, mostrando sua verdadeira face!
Os dois meses que se seguiram passaram rápido demais na concepção de um estudante. Quase não tinham tempo de se verem para jogar conversa fora, pois ou estavam estudando, ou estavam fazendo trabalhos finais. No momento em que a última semana de provas passou, o ambiente de festas se instaurou dentro do campus, e não no sentido de festas universitárias, as faixas de irmandades e fraternidades, de palestras, apresentações e saraus deu lugar para a decoração natalina.
- Nem acredito que esse semestre acabou! – dizia enquanto escolhia roupas dentro de seu armário e colocava em cima da cama.
- Primeiro semestre concluído! Parabéns! – Cody disse sorrindo e dando um beijo em seu pescoço.
- Pronto! Aqui estão as roupas que eu vou levar para casa! – e Cody tinham feito uma aposta, quem faria a melhor mala, colocando o máximo de peças e ocupando o menor espaço. Cody faria a mala de e a garota a dele.
- Pode me deixar a sós com as suas roupas, eu vou cuidar bem delas! – ele praticamente a expulsou de seu próprio quarto.
- Não vale jogar nada dentro do guarda roupa novamente e nem esconder nada!
Enquanto Cody arrumava as roupas de , ela conversava com seus amigos de Huntington Beach, que a esperavam ansiosamente.
- Por que você tinha que chegar tão cedo? – Wesley questionou.
- Porque sim!
- A gente busca você então, fazer o que...
- Mal-agradecido!
- Terminei! – Cody gritou animado do quarto de , o que não somente a assustou, como a seus amigos também.
- Quem está aí? – Drew perguntou curioso.
- Ah, é... me esqueci de falar para vocês... Cody e eu estamos namorando! – disse o mais rápido e impassível possível.
- O que?!
- Cody... aquele cara?
– Wesley questionou.
- É, mas...
- Você não odiava ele com todas as suas forças?
- Odiava, mas...
- Desde quando vocês estão juntos?
- Vai fazer uns dois meses...
- Dois meses?!
- E quando você ia contar para os seus amigos?
– Foi a vez de Drew bancar o amigo magoado.
- Eu juro que ia contar quando chegasse aí!
- Com quem você está falando? – Cody apareceu na sala observando sua namorada.
- Wesley e Drew!
- Seus amigos de Huntington Beach?
- Eles mesmos!
- Os amigos que não gostam de mim?
- Eles mesmos!
- Você acha que é seguro que eu vá até aí?
- Sinceramente? – ela olhou para a tela, em que viu os dois olhando para ela e fazendo um sinal negativo com a cabeça. – Não!
- Estou voltando para o seu quarto então!
se despediu de seus amigos e prometeu que contaria tudo o que aconteceu e a razão pela qual começou um namoro com Cody. Ela também avisou que levaria um amigo com ela para casa.
- Por que ele vem?
- A família dele está viajando e eu não queria deixar o sozinho aqui! É muito triste!
- Pelo menos ele é legal!
Após a constatação de que Cody arrumava muito melhor uma mala do que , era hora de se despedirem. Eles ficariam longe por três semanas, então voltaria para Stanford e depois partiria novamente, mas desta vez para Las Vegas, onde ficaria por quinze dias com , , e .
- Vai com cuidado e me avisa assim que você chegar em Los Angeles! – Cody disse abraçando enquanto a deixava no aeroporto com .
- Tudo bem! Eu te ligo! Aproveite as festas com a sua família!
- Vou tentar!! Não faça nada que eu não faria!
- Sério?!
- Pensando bem... péssima ideia! Seja você mesmo, você é de longe mais sensata do que eu! – os dois riram e se beijaram.
- Então assim que vocês voltarem, eu também já estarei de volta e então nós vamos para Las Vegas, baby! – , que os acompanhou falou para enquanto o casal se despedia.
- Não esquece a data! A gente não pode perder o voo!
- Fica tranquilo, ! Confia em mim! Faça uma boa viagem e feliz natal para você! – os dois se abraçaram.
Após as despedidas, Cody e ficaram do lado de fora do aeroporto, enquanto e entravam na área de embarque, pois já tinham feito o check-in.
Era hora de voltar para casa, voltar para sua família, seus amigos, seu quarto, sua cama, sua praia e seu lugar. Era bom respirar o ar de casa e se sentir de volta em seu lar. Era hora de voltar.


Capítulo 9


- Achei que você tinha me esquecido! – falou nervosa.
- Você acha que eu, Drew, esqueceria minha melhor amiga? – ele falou pegando a mala da mão de . Deu um abraço nela e em .
- Acho!
- Pois é, eu quase esqueci mesmo! Por sorte Wesley me lembrou!
- Wesley salvando o dia pela primeira vez! O que aconteceu com vocês enquanto eu estive fora por seis meses?
- Você é o pilar desse grupo, sem você nós ficamos desestabilizados!
- Muito poético! – comentou.
Assim que eles chegaram no desembarque do aeroporto, Wesley parecia impaciente fora do carro os esperando.
- Até que enfim! – ele disse parecendo aliviado. – Aquele guarda já estava vindo aqui para me expulsar!
- Oi, Wesley! Tudo bem com você? Eu estou bem também, obrigada por perguntar, ah, o voo? Foi ótimo!
- Desculpa, minha flor do deserto! – Wesley riu enquanto colocava as malas no porta-malas.
- Flor do deserto? Que merda é isso? Vocês leram um livro de poesia antes de vir? – disse e abraçou Wesley, assim como .
A rota do aeroporto Internacional de Los Angeles até Huntington Beach era de aproximadamente uma hora. Tempo suficiente para saber algumas novidades dos amigos. Assim que eles chegaram na rua da casa de , Wesley que dirigia o carro começou a buzinar a fim de chamar a atenção da família . Assim que estacionaram na frente da casa, a mãe, o pai e os irmãos gêmeos de saíram de dentro da casa.
- Que família grande! – comentou.
saiu do carro praticamente correndo e abraçou seus pais. Sua mãe quase a sufocou em um abraço que durou mais de um minuto, enquanto isso seu pai questionava quem era .
- Não é meu namorado pai, pode ficar tranquilo, é só o !
- Melhor que não seja mesmo, não consigo nem me acostumar com o Wesley! – ele disse olhando para Wesley, que sorriu com medo e deu uma acenada discreta.
- A mamãe não te falou que ele vinha?
- Não... seja bem-vindo, ! Minha casa, é sua casa! – Os dois se cumprimentaram. recebeu um abraço da mãe de e assim que parou na frente dos irmãos dela, ele se assustou.
- Você tem irmãos gêmeos?
- Nunca te falei? Na verdade, nós somos trigêmeos...
- O que?
- Eu sou o Fred!
- Eu sou Jorge!
Os dois eram idênticos, mesmo nariz, mesmo sorriso, mesma cor e corte de cabelo, a única coisa que os diferenciava eram as roupas, mas nem tanto. não se parecia com eles, algumas coisas como o sorriso e os olhos sim, mas ela não passaria como a terceira irmã gêmea deles.
- Eu sou ! E provavelmente vou confundir os dois!
- Normal, ! Eu os confundo até hoje! – A mãe deles disse enquanto entrava na casa. – Entra, pessoal! O almoço está quase pronto!
, , Fred, Jorge, Wesley e Drew subiram as escadas rumo ao andar em que os quartos ficavam, antes de entrarem em seus respectivos quartos, os seis se sentaram na varanda, que tinha uma visão perfeita do mar.
- É verdade que você está namorando? – Fred perguntou incisivo.
- Sim.
- Quem é o coitado? – Jorge questionou.
- O quarterback do time de Stanford! – falou ironizando.
- Cody Christian?! – os gêmeos falaram o mesmo tempo.
- Vocês conhecem? – Drew perguntou.
- Mas é óbvio! A gente acompanha todos os possíveis selecionados pra NFL! – Fred se pronunciou.
- Eu não me surpreendo mais com vocês! – comentou.
- Minha irmã, namorada do futuro quarterback de um time da NFL. Vou chorar! – Jorge se fez de dramático.
- O Oscar vai para você ano que vem! – ela respondeu.
- Eu devia abandonar o direito e seguir carreira em artes cênicas! – Jorge disse.
- Espera, você cursa direito também? – questionou perplexo. Era muita informação em pouco tempo.
- Nós três! – Fred sorriu de forma elegante.
- E vocês estudam aonde?
- Harvard!
- Nossa!!
- Desculpa não ter te preparado para nada disso, ! – ria da face de .
- Sem problemas, eu adoro surpresas!
- , você se importa em dormir no quarto com os meninos? – A mãe de subiu as escadas e questionou.
- Não, senhora!
- Por favor, não me chame de senhora! Eu sou jovem ainda!!
- Desculpa! – ele disse rindo.
- Fred ou Jorge, leve ele até o quarto, para ele desfazer a mala, tomar banho, trocar de roupa ou qualquer coisa que ele queira fazer! – ela ordenou e desceu as escadas.
- Bora lá, ! – Fred se levantou e o seguiu.
- Sentiu nossa falta? – Jorge perguntou.
- Você sabe que não. Mas não custa relembrar!
- Você realmente tem um coração de pedra!
- Você realmente sabe disso há muito tempo!
- Eu quero um favor seu!
- Eu também quero um favor seu! Me deixa em paz, acabei de chegar em casa!
- Eu deixo, assim que você colocar a gente na linha com seu namorado!
- A gente?
- Voltei! Falou com ela? – Fred correu e se sentou ao lado do irmão.
- O que vocês querem com o Cody?
- Só coloca na chamada!
pegou seu celular, procurou o contato de Cody e ligou. O telefone chamou algumas vezes e ele atendeu.
- ! A que devo a honra da sua ligação?! – a voz grossa dele ecoou e certamente ele tinha acabado de acordar.
- Ainda dormindo, Christian?
- Como está aí em Huntington?
- É sobre isso mesmo que eu quero falar!
- Estou ouvindo!
- Lembra que eu te disse que tenho dois irmãos gêmeos e que somos trigêmeos?
- Claro que sim!
- Então... parece que lá em Harvard você é bem famoso! Eles querem falar com você! – passou o celular para eles, que seguraram o telefone no meio dos dois, e ativaram o viva a voz.
- Cody! Aqui é o Fred...
- E o Jorge ! Lembra de nós?
- Fred e Jorge ! Claro que lembro! Eu conheci vocês no último jogo!
- É, desde aquele dia a gente não se fala!
A conversa continuou por alguns minutos, decidiu sair de lá e ir até seu quarto. Ela colocou sua mala em cima da cama e a desmontou, arrumou algumas roupas dentro de seu armário e se deitou em sua cama. Ela conseguiu sentir falta até do seu colchão. Ela estava de olhos fechados, apenas ouvindo o som das ondas, mas foi surpreendida pela presença dos seus irmãos, que lhe devolveram o celular.
- Ele quer falar com você! – Fred se pronunciou e saiu do cômodo.
- E então? – disse colocando o telefone no ouvido.
- Eu não acredito que você é gêmea do Fred e do Jorge!
- Nem eu...
- Eles são demais! Eu já vi de onde você puxou essa disposição para lidar com moleques...
- Eu cresci sabendo mais sobre videogame e surfe do que você imagina!
- Se não for pedir muito, passa meu contato para eles depois?
- Sim, senhor!
- Preciso desligar, tenho que me arrumar e ir para a minha casa!
- Boa viagem! Me avisa quando você chegar!
- Aviso sim!

A cena era hilária: nove pessoas em uma mesma mesa almoçando. Um pouco antes do almoço ficar pronto, Keaton apareceu na casa dos :
- Você é um morto de fome mesmo, hein! – disse debochando.
- Eu sinto o cheiro da comida do seu pai de longe!
- PAI! Seu fã está aqui! – Fred gritou.
- Cala a boca, Jorge!
- Eu sou o Fred!
- Tanto faz!
- Almoço pronto, crianças! – o pai dos trigêmeos gritou da sala de jantar e todos se direcionaram até lá.
- Assim que eu gosto, a casa cheia! Quando vocês estão na faculdade, eu fico tão triste, a casa fica tão vazia... – a mãe falou enquanto se sentava, após ajudar a servir todos.
- Eu sei mãe, mas pensa comigo: você vai ter três advogados na família!
- Vamos ter três advogados e nenhum médico! – o pai resmungou.
- De médico já basta você!
- Acho que o se daria bem com seu pai! – comentou e assentiu.
- Ele estuda medicina?
- Sim!
- E você sabe qual área ele quer seguir?
- Pediatria...
- Esse tal que é seu namorado? – a mãe perguntou e franziu a testa. – Você acha que eu não acompanho as suas redes sociais, ?
- está namorando? – o pai se assustou.
- Nós já falamos sobre isso! – a mãe sussurrou e ele concordou com a cabeça.
- Não, o não é meu namorado! Ele mora no apartamento em frente ao meu!
- Quando eu vou conhecer seu namorado?
- Um dia, quem sabe, mãe.
- Mas você sabia que ele é o quarterback do time de Stanford? Ele é uma das promessas para a NFL! – Jorge se gabou.
- Sério? – o pai de se animou.
- Até parece que o namorado é seu, falando assim... – Wesley disse apontando para Jorge.
- Eu só me orgulho do meu cunhado! – ele se defendeu e todos riram.
Era costume de todos observar o pôr do sol na praia quando o dia estava bonito, e era isso que e estavam fazendo:
- Eu gostei muito da sua família! – comentou enquanto eles estavam sentados na orla.
- Você se acostuma...
- Vocês são tão unidos e são muitos! Eu sou filho único de pais que na frente dos outros são um casal perfeito, mas estão quase se divorciando. Não sei como é isso! – ele carregava tristeza em sua voz, uma tristeza que queria ser escondida, mas não conseguia.
- Não se preocupa, você ganhou seis irmãos agora! – sorriu o abraçando de lado enquanto o sol se deitava e a noite acordava.

- O que se usa para um luau? – questionou enquanto entrava no quarto dela com dois cabides.
- Ora, ora! Temos um aqui também! Você usa uma roupa florida, como essa que está na sua mão esquerda!
- Não me compara ao , por favor! Eu nunca nem te beijei! Apesar de você já ter me beijado... – ele disse se lembrando do dia da competição.
- Nunca é tarde, ! Eu já descobri isso da pior forma possível!
- Está me paquerando? Vou contar para o Cody! – saiu do quarto de enquanto ela ria calmamente.
teve a impressão de que ficou longe de casa por anos e não apenas meses, e rever seus amigos trouxe paz para seu coração e a deixou com a sensação de pertencimento. A festa aconteceria na casa Adam, o ex namorado de .
- Então você terminou com ele assim que saiu o resultado da universidade? – perguntou curioso quando chegaram no local.
- Nós decidimos terminar, ele está em Princeton e eu em Stanford, eu não acredito em relacionamento a distância!
- Eu não acredito! está de volta! – Adam disse enquanto se aproximava dos convidados recém-chegados, eles se abraçaram.
- Eu não fico longe de uma festa! Ainda mais as suas! – ela sorriu abertamente.
- A família veio completa! – Adam cumprimentou os irmãos e em seguida , Wesley, Drew e Keaton.
- Essa cidade é pequena para nós! – Fred disse e se afastou de todos.
- Fiquem à vontade! E... ! Quero conversar com você depois, saber as novidades, como está sua vida!
- A gente conversa, sim! Agora pode recepcionar seus convidados!
A festa mal tinha começado e Wesley já estava alterado, ele ria pelos cantos de qualquer palavra monossilábica, mas ainda sim tinha consciência suficiente para saber o que fazia. estava se divertindo, era bom estar novamente com seus amigos de infância, e ao caminhar até a cozinha, encontrou Wesley lá, escorado na mesa, refletindo sobre algo.
- Tudo bem? – ela perguntou.
- Na verdade, eu estou pensando a mesma coisa desde quando você me ligou há uma semana...
- O que?
- Por que o Cody? Por que o ?
- Do que você está falando?
- Naquela festa, quando você viu o Cody beijando aquela outra garota, pensei que finalmente você fosse ter olhos para outra pessoa, mas então você foi lá e beijou o tal de ...
- E que outra pessoa você queria que eu tivesse beijado? Keaton?
- Não!
- Drew!?
- Não!!
- Você!?
- Isso!! Eu! Eu sempre fui apaixonado por você!
- Como é que é? – se assustou pela forma como ele confessou isso a ela.
- Desde quando eu te conheci, eu me apaixonei por você, eu juro por tudo que é mais sagrado que no seu último ano eu estava decidido a pedir você em namoro, mas de repente surgiu o Adam e estragou tudo! – Wesley estava ficando exaltado.
- E você quer me falar isso agora, por quê?
- Porque me dói ver você com um cara que na primeira oportunidade que teve, beijou outra garota na frente de todo mundo! – Wesley se desencostou da mesa e caminhou em direção a .
- Ele não é quem você pensa! Mas agora é um pouco tarde para falar sobre sentimentos, não é mesmo!? Você já teve sua chance comigo, mas dispensou! – ela caminhou até Wesley, apontando o dedo indicador em sua cara.
- Eu não sei nem do que você está falando! – os dois estavam cara a cara.
- Segundo ano do ensino médio, festa da primavera, eu mandei o Corey te avisar que eu estaria te esperando atrás da barraca do beijo, e que se você quisesse, nós podíamos conversar lá, mas você não apareceu, me deixou esperando lá por meia hora!!
- O que?
- Vai dizer que não sabia também!
- Espera, era você quem estava lá?
- E quem mais estaria?
- Me disseram que era a Peggy, eu sabia que ela gostava de mim, mas eu não queria nada com ela! Por isso não fui! Mandei no meu lugar o...
- ...Adam! – completou a frase e os dois se encararam.
- Foi por minha causa que vocês começaram a namorar... Eu não acredito nisso! Você estava lá esperando por mim?
- Sim... – Wesley começou a andar de um lado para o outro, muitas informações passavam em sua mente ao mesmo tempo. – Se você tivesse ido até lá, hoje tudo podia ser diferente!
- Desgraçado!! – Wesley xingava Corey.
- O destino é impressionan... – antes que terminasse de falar a palavra, Wesley segurou seu rosto com as duas mãos e a beijou. Era a primeira vez que os dois se beijavam, um desejo guardado há oito anos e que finalmente aconteceu. Wesley desceu suas mãos pelo corpo da mulher em sua frente, ele almejava saber como era e ela queria mais que tudo ser tocada por ele; os dois se beijavam profundamente, seus lábios em sintonia e suas mãos descobrindo novos lugares, os dois experimentavam a sensação de um desejo saciado.
Os dois pararam de se beijar e se encararam, passava uma mão nos cabelos de Wesley e observava cada detalhe que podia guardar em sua memória de seu rosto, de seu gosto. Wesley passava uma mão pelo rosto de , seu polegar acariciava os lábios dela e ele fixava o olhar em cada detalhe e cada expressão facial dela.
- Quer ir embora daqui? – Wesley sussurrou e assentiu com a cabeça. Neste momento ela não se lembrava que tinha um namorado, e que gostava dele.
Os dois saíram de mãos dadas de dentro da cozinha, atravessaram a sala que tinha poucas pessoas e saíram despercebidos pela porta da frente. Entraram no carro de Wesley e em pouco tempo estavam na casa dele.
- Sua casa?
- Meus pais estão viajando! – ele disse enquanto abria a porta. Os dois caminharam até o quarto de Wesley e sorriu.
- Mudou bastante coisa por aqui! – ela olhava ao redor, se lembrando dos brinquedos, CDs, pôsteres e objetos que ele guardava pelo local.
- Sabe o que mais mudou? – ele disse se aproximando dela e olhando em seus olhos – eu, eu mudei! – ele a beijou e sentindo o calor do momento, os dois começaram a tirar suas peças de roupas, até se entregarem completamente ao desejo reprimido.
Ao acordarem no outro dia, estava apenas de calcinha e sutiã e o homem ao seu lado apenas de cueca. olhou ao redor e se lembrou da noite anterior com Wesley, ela ainda estava no quarto dele, na casa dele. Na casa dele e com ele.
- Puta que pariu! – Ela se levantou rapidamente.
- O que foi? – Wesley despertou assustado.
- O que foi que a gente fez ontem? – ela estava sentada na cama, se cobrindo com a coberta.
- O nome é sexo, muitas pessoas fazem e é por meio dele que as crianças nascem. – Ele respondeu bocejando e ao mesmo tempo passando uma das mãos no cabelo dela.
- Wesley, eu namoro! Eu não acredito que eu fiz isso! – se desesperou. Ela apoiou a cabeça em suas mãos e seus olhos encheram de lágrimas.
- Ei, ei, ei! Calma! Vai ficar tudo bem!! – Ele se aproximou a abraçando. – Você não fez de propósito, isso era uma coisa que a gente queria há muito tempo!
- Eu sei, Wesley! Mas eu não podia ter feito isso com o Cody!
- Você está arrependida? – ele perguntou e era notável que seu tom de voz era cheio de amargura.
- Eu não preciso de você me fazendo essa pergunta uma hora dessas!
- Eu só queria saber!
- Eu amei o que aconteceu ontem, mas eu não gosto da sensação que eu estou hoje...
- Vai ficar tudo bem! – ele a abraçou novamente.
Ela sabia que não ficaria tudo bem. Assim que os dois se trocaram e saíram do quarto, ouviram algumas vozes da cozinha e se depararam com Drew e Keaton tomando café da manhã.
- Eu não acredito nisso! – Drew disse eufórico.
- Vocês dormiram juntos? Quer saber, não me conta, eu não quero essa imagem na minha mente! – Keaton se pronunciou.
- Um dia isso aconteceria! – Wesley disse sorrindo enquanto acariciava os ombros de .

Após mais de vinte dias em casa, passados Natal e Ano Novo, era hora de voltar para Stanford, para depois ir até Las Vegas.
- Se cuidem! Vocês estão me ouvindo? – a mãe de dizia pela décima vez.
- Sim, mãe! Logo, logo as férias mais longas estarão ai! – disse a abraçando.
- Muito obrigada por tudo, senhora ! Foi muito bom passar um tempo aqui!
- Já disse que pode me chamar pelo meu nome, ! E foi um prazer receber você aqui! Volte mais vezes!
- Volte mesmo, ! Mas, se eu descobrir que você tem alguma coisa com a minha filha, eu mato você! – O pai de disse por fim.
Wesley, Drew e Keaton levaram e até o aeroporto. Se despediram apenas com abraços e beijos no rosto, promessas de muitas festas nas próximas férias e de manter contato sempre.
- Eu não acredito que nós vamos voltar para Stanford e depois ir para Las Vegas, isso não faz sentido! – comentou enquanto se sentava no avião.
- Pensa pelo lado bom, pelo menos não vamos ter nenhum custo com a viagem!
e foram recebidos no aeroporto pelo namorado, Cody Christian, que estava radiante por vê-la novamente. Os dois se abraçaram e se beijaram.
- Você veio sozinho? – perguntou.
- está comigo, mas ele está no carro, eu vim buscar vocês! – os dois deram as mãos e caminharam para fora do aeroporto.
Assim que entraram no apartamento de e , Cody, que ainda estava animado se sentou na cama de e a observou abrir a mala para arrumar suas roupas.
- Me conta tudo! Quero saber como foi a sua viagem! – ele perguntou animado.
- Foi muito bom! Me fez bem ver a minha família de novo, meus amigos, minha casa, minha cama...
- Alguma novidade por lá, além dos seus irmãos? – Os dois riram.
- Eu me esqueci que você conhece meus irmãos... eles são babacas demais!
- Eles não são babacas, eles são demais!
- Fica com eles então! – jogou uma blusa na cara de Cody, mas antes que o acertasse, ele pegou a roupa no ar.
- Quanto ciúmes dos seus irmãos! Eu senti muito a sua falta! – ele se levantou e se aproximou dela, colocou suas mãos em seu rosto e a beijou.
Ao fechar os olhos, se viu novamente no quarto com Wesley, memórias de uma noite que queria lembrar e ao mesmo tempo esquecer. Ela se separou de Cody e para não parecer estranho, perguntou:
- E como foi a sua volta para casa?
- A mesma coisa de sempre, eles ficaram alguns dias, mas já estão viajando de novo...
- Que merda! Na próxima vez que eu for para casa, eu te levo comigo!
- Quais são os nossos planos para a noite de hoje? – Cody perguntou e sorriu sem mostrar os dentes. – Acho que já entendi!
Na verdade o que aconteceu na última noite juntos, foi que eles finalmente terminaram de assistir uma das séries que tinham iniciado, faltavam apenas alguns episódios.
No outro dia, , , , e estavam de malas prontas e brigando dentro do aeroporto por conta da quantidade de malas para despachar. Foram necessários dois carros para levar todos e suas bagagens.
- Essa viagem nem começou e eu já quero voltar para casa! – sussurrou para Cody, que riu.
- Vai ficar tudo bem, vocês vão se divertir!
- Hora de embarcar, babacas e ! – se pronunciou e pela primeira vez todos prestaram atenção. Ele não iria para a viagem, pois seus pais estavam na Califórnia o visitando.
- Aproveite a viagem e o show! Faça valer aqueles vinte e oito beijos! – Cody disse a abraçando e a beijando.
- Boa viagem! E mais um recado: Não deixa o panaca do dirigir, não! Ele vai bater o carro! – disse em tom de brincadeira enquanto se despedia de com um abraço.
- Se toca, ! Aqui é piloto profissional! – respondeu indignado.
Os cinco amigos foram até a área de embarque e agora estava certo, era a viagem a Vegas.
- O que acontece em Vegas, fica em Vegas, todos de acordo? - perguntou quando estavam no corredor para entrar no avião.
- Quem sabe a gente não deixa você em um daqueles shows de Drag Queen e você não fica por lá? - disse e todos riram.
Cada vez mais o show se aproximava, cada vez mais Justin Timberlake estava ao seu alcance.


Capítulo 10


- Finalmente! – disse assim que saíram do avião.
- O voo não durou nem duas horas! – disse.
- Mas eu tenho pavor de avião!
- Como a gente vai fazer agora? – questionou.
- Agora nós pegamos as malas! – disse calmo.
- Eu sei disso! Quis dizer como vamos fazer para ir para a sua casa?
- Minha casa?
- Você não mora aqui?
- Moro! Mas não vamos para a minha casa, meus pais não querem ninguém lá, a única coisa que vamos usar deles é o carro!
- E como vamos pegar o carro?
- Vamos de táxi até minha casa, ela não fica longe daqui!
A casa de era enorme, parecia um palácio. Infelizmente eles não puderam entrar, viram apenas a entrada e os três carros na garagem.
- O é tão rico! – sussurrou enquanto se apoiava na mala.
- Jamais fale isso para ele! – comentou.
O carro que tirou da garagem tinha capacidade para sete pessoas, então todos ficaram bem acomodados, assim como suas malas. O hotel não era cinco estrelas, mas com certeza valia quatro estrelas.
- Acho justo que, como estamos em cinco pessoas, quatro dividem quarto e uma pessoa não! – se pronunciou.
- Eu posso ficar sozinho facilmente! – disse.
- Acho que como a é a única mulher, ela pode ficar sozinha! – disse simples e concordou.
- Ou a pode ficar com o quarto... – disse baixo.
- Tudo bem para vocês? – questionou. Todos concordaram e ela sorriu abertamente.
- Vamos desfazer as malas e dormir um pouco, depois nos encontramos no saguão para curtir Las Vegas! Pode ser? – sugeriu.
- Perfeito! – concordou.
Os quartos eram no mesmo andar e eram quartos vizinhos. Assim que entrou em seu quarto, colocou a mala em cima da cama e tirou de dentro algumas roupas que precisavam desamassar. Ligou para sua mãe, para avisar que já estava em Las Vegas e contou um pouco sobre o hotel e o que já tinham visto e o que fariam de noite. Após essa ligação, era vez de ligar para Cody.
- ! Já chegou em Vegas? – Cody atendeu já fazendo uma pergunta.
- Sim! Cheguei há algum tempo, mas só agora que estou dentro do meu quarto no hotel!
- E como é aí? Eu nunca fui para Las Vegas, sempre quis ir!
- Aqui é exatamente como nos filmes, uma perdição para uns, paraíso para outros... Eu tenho certeza de que um dia você vai vir! Você está em Stanford?
- Sim! Aproveitando para limpar alguns armários, doar algumas roupas, sabe, essas coisas que a gente faz quando não tem nada mais para fazer, mais tarde eu vou para casa de novo!
Mais uma vez, contou o que iam fazer pela noite e que talvez se ausentaria um pouco do celular, ela falou que precisava tomar banho e dormir um pouco e que antes de saírem o avisaria. Assim que ela desligou a ligação, dormiu por algumas horas e depois tomou banho. Os cinco se encontraram no corredor dos quartos para descerem até o restaurante.
- Até que enfim, achei que tinha morrido! – se pronunciou quando abriu a porta.
- O nem está aqui ainda, nem vem com essa! – Ela se defendeu.
- Ele parece um príncipe se arrumando! – riu.
- Quem parece um príncipe? – perguntou abrindo a porta de seu quarto.
- Já fez todo o seu ritual? – perguntou debochado.
- Que ritual? Eu só tirei a barba!
- A gente vai jantar hoje ou amanhã? Eu tenho fome! – falou impaciente e todos concordaram.
Após o jantar, eles voltaram para o seu quarto e combinaram de se encontrar em uma hora. Todos se arrumaram, decidiu usar uma roupa mais descolada, nem tão desleixada e nem tão elegante, achou que um vestido era uma boa pedida para um cassino. Quando se encontraram no corredor, todos estavam radiantes.
- Você sabe mesmo onde fica esse cassino, não é? – questionou .
- Eu conheço Vegas com a palma da minha mão! – ele respondeu.
- E esse cassino é o mais famoso daqui! – completou.
Assim que chegaram ao Cassino, parecia cena de filme, vários jogos de azar, máquinas caça níqueis, mesas de cartas, seguranças por toda a parte, pessoas bonitas e elegantes, o bar chamou a atenção de todos, mas eram tantas coisas para fazer, que eles estavam indecisos.
- Quero morar aqui! – disse com brilho nos olhos.
- Que comece a diversão, então? – questionou. Todos se olharam e decidiram se separar, combinaram de manter seus celulares ligados e se atentarem ao horário.
e foram para uma mesa de Blackjack, foi tentar a sorte em uma máquina caça níquel e e se olharam.
- Em que você é boa? – ele a questionou.
- Beber, mas acho que não recebemos dinheiro por isso aqui!
- Vamos beber, então! Vai que, de repente, resolvem nos pagar! – os dois caminharam até o bar e a noite só estava começando.
Após alguns drinques, e já estavam alterados, decidiram tentar a sorte em uma mesa de vinte-e-um e como já tinha dito, era ótima no jogo, começou a atrair atenção de muitas pessoas que estavam por lá e isso a deixou um pouco apreensiva, mas não deixava de jogar enquanto tivesse um copo de bebida nas mãos.
Em algum momento da noite, ela se cansou de jogar e pegou todas as fichas que ganhou e enfiou dentro da bolsa, mesmo não sabendo a quantidade em dinheiro que tinha. e voltaram a beber e muito tempo depois, eles voltaram para o hotel. Nenhum deles estava sóbrio para voltar dirigindo, então pediram Uber e assim cada qual se jogou em sua cama.
Ao acordarem no outro dia com uma ligação da recepção do hotel, os cinco se encontraram no corredor, mais uma vez.
- Por que a recepção ligou para nós?
- Porque eu pedi para eles nos acordarem meio dia! – falou bocejando.
- E por que você faria isso? – estava indignado.
- Porque o show do Timberlake é hoje! Nós temos que almoçar, nos trocar e se quisermos, dá até para pegar uma piscina!
- Eu não lembro nada do que aconteceu ontem! – confessou.
- Eu me lembro de tudo! – disse sombrio.
- Acho que bebi demais ontem! Minha cabeça está doendo! – fechou os olhos e respirou fundo quando entraram no elevador.
- Eu não acho, eu tenho certeza disso! – falou sombrio, mais uma vez.
- A última coisa que me lembro bem, foi de jogar vinte-e-um e arrasar! – bocejou após comentar.
- Você arrasou mesmo! Quando fomos trocar as suas fichas por dinheiro, o valor que você tinha naquela sua bolsinha era oito mil dólares! – se pronunciou animado.
- Oito mil?! Está de brincadeira? – se exaltou, assim como todos.
- Caralho, ! Amanhã nós precisamos ir novamente no Cassino! – se animou.
O grupo almoçou, tomou bastante água para se hidratarem e decidiram ir até a piscina, ficaram lá por algumas horas e voltaram para seus quartos. conversou mais uma vez com sua mãe e seu namorado.
- Oito mil dólares? Você é foda demais! – Cody disse rindo.
- Agora eu vou me arrumar para o show do Justin Timberlake! Aquele homem maravilhoso!
- Vocês já não tinham que estar lá uma hora dessas?
- Os lugares são marcados!
- Então vai se arrumar, aproveite o show e grava alguns vídeos para mim! – ele disse tão animado quanto ela.
Após se arrumarem, se encontrarem como de costume no corredor, descerem até o estacionamento do hotel e entraram no carro, perguntou:
- Onde vai ser o show mesmo?
- Centro de Convenções! – respondeu.
- Todos pegaram seus ingressos e documentos? – os intimou. Todos conferiram por precaução e quando tinham plena certeza, partiram para o local.
O Centro de Convenções de Las Vegas estava lotado, pessoas chegando a todo momento, pessoas tirando fotos. O grupo tirou uma foto em frente a um banner e então tiveram que se separar. O clima estava descontraído, com tantas pessoas felizes e ansiosas no mesmo local, não podia ser diferente.
Pontualmente às dez horas o show começou e não podia estar mais feliz, ela estava próxima ao palco e pôde ver Justin perfeitamente. Foi um momento único, de muita emoção, choro, riso, canto e uma sensação que ela não conseguia descrever.
Ao término do show, eles decidiram parar em um local para comer, estavam famintos. A noite tinha terminado por aí, uma vez que, não estavam recuperados da noite anterior e queriam descansar para a noite seguinte. Duas noites de cinco já tinham se passado, ainda tinham muito para aproveitar.
- E como foi o show ontem? – Cody perguntou por ligação na tarde seguinte.
Os cinco dormiram tanto que somente se encontraram para almoçar, eles estavam na área da piscina, aguardando , eles passeariam por Las Vegas.
- Foi perfeito! Ele é demais! Canta e dança como ninguém.
- E o que vocês vão fazer agora?
- Vamos ser turistas! Conhecer alguns lugares típicos daqui...
- Eu gostei das fotos que vocês me mandaram!
- Hoje te mando mais então! Agora eu preciso ir porque o já chegou!
- Aproveita o dia!
Mais dois dias se passaram e o que eles mais fizeram foi se divertir, todas as atrações que eles puderam entrar, não importando se era de graça ou pago, eles entraram. Todos os principais cassinos de Las Vegas eles entraram nem que fosse por alguns minutos.
- Amanhã nós vamos voltar com o carro dos seus pais mesmo? – perguntou para .
- Sim! Eles me deram o carro, agora esse projeto de caminhão vai ser meu!
- Olha esse motorista!
- E o que vamos fazer hoje?
- Acho que podíamos ir em alguma festa, dessas bem típicas de Las Vegas, afinal de contas, é a última noite aqui! O que acham? – deu a ideia.
- Concordo! – disse e todos concordaram.
O combinado foi: arrumar as malas, se trocar e ir para a festa, pois provavelmente não teriam tempo de fazer quando voltassem da festa. Antes de se encontrar com seus amigos no corredor, avisou Cody que estava indo em uma festa.
- Como você está linda! Aonde vão hoje? – ele dizia sorrindo, já que estavam se falando por vídeo.
- Obrigada! Vamos em uma festa em um lugar que eu não tenho ideia de onde é, quem ficou responsável por procurar foi o ...
- E quando vocês voltam mesmo?
- Amanhã! Eu te aviso assim que sairmos daqui!
- Perfeito! Eu já estou com saudades, por incrível que pareça!
- E por incrível que pareça também, eu estou com saudades!
- Vocês voltam de avião também?
- Não, os pais do pediram para ele levar o carro até Stanford, porque o carro vai ser dele a partir de agora!
- Que rico!
- Nem me fale!
- Vão com cuidado!
A última noite fechou com chave de ouro a viagem deles, todos beberam muito, comeram muito, tiraram centenas de fotos e gravaram muitos vídeos. Ao retornarem para o hotel, às cinco horas da manhã, eles apenas dormiram um pouco, até as nove horas da manhã, pois tinham que tomar café e ainda fazer o checkout no hotel. Todos estavam exaustos e de ressaca.
- Eu já estou me sentindo bem melhor! Tomei um remédio e bebi muita água desde que chegamos! – disse.
- Nós vamos fazer o seguinte, como eu bebi menos, eu vou dirigindo as primeiras horas! – disse de prontidão e todos concordaram.
- Eu vou no banco do carona com você, para fazer companhia! – falou.
Minutos antes de entrarem no carro, avisou seus pais por mensagem que estava voltando para Stanford e ligou para Cody.
- Estamos voltando!
- Boa viagem de volta!
- Obrigada! Pode ficar tranquilo, porque a minha próxima ligação vai ser para avisar que eu cheguei em Stanford!
- Vou esperar, então! Assim que você chegar, eu volto para Stanford para ficar com você!
A viagem de Las Vegas até Stanford, de carro, tinha duração de aproximadamente oito horas. As quatro primeiras horas passaram rápido, enquanto dirigia com a companhia de , os três colegas do banco de trás se revezavam entre dormir, conversar, comer e jogar conversa fora. Na última parada, trocaram-se os motoristas. ia dirigir o restante do caminho enquanto fazia companhia para ele, assim e podiam dormir um pouco.
Após sete horas de viagem, ninguém mais aguentava ficar dentro daquele carro, apesar de pararem algumas vezes em lojas de conveniência para esticarem as pernas, irem ao banheiro e respirar ar puro, não era mais suficiente. Em um momento, notou que estava com o semblante mais desanimado e cansado.
- , quer parar em algum lugar?
- Não precisa!
- Pode deixar que eu dirijo! – Ela se ofereceu, pois como tinha dormido algumas horas e não tinha dirigido ainda, ela tinha condições para pegar o carro.
- Não precisa, ! Eu dou conta! – ele disse calmamente.
- Você ter certeza? – persistiu.
- Absoluta, ! Me deixa dirigir agora! – respondeu risonho.
Já fazia pelo menos vinte minutos que e quase discutiram, os meninos dormiam no banco de trás e estava apenas olhando a paisagem noturna. Foi quando ela observou com o canto do olho bocejar pela terceira vez seguida, a deixando cada vez mais preocupada.
- Você realmente não quer que eu dirija?
- Não, .
- Você está cansado ! Não conseguiu dormir direito e ainda por cima está alterado por causa da bebida! Eu não vou matar vocês, sabia? Eu fui aprovada, eu tenho carteira de motorista também! Pode confiar em mim, não vou bater seu novo carro!
- Eu não preciso, está tranquilo aqui! Juro que se eu precisar, eu te chamo! – respondeu de modo impaciente.
A mulher apenas respirou fundo concordando com a cabeça. Após dez minutos, ela notou que o carro aumentou de forma repentina a velocidade, ao olhar para o lado viu de olhos fechados e a cabeça pendendo para o lado direito.
- !! – Ela gritou assustada. Ele acordou abruptamente e assustado também. – O que eu te disse?! Você quer matar todo mundo?!
- Me desculpa!! Foi só um cochilo! – Ele gritou com raiva de volta.
- Só um cochilo?! Você é um sem noção mesmo!!
- O que está acontecendo?! – perguntou desesperado no banco de trás.
- O seu amigo é um sem noção que acabou de “só dar um cochilo” enquanto dirigia! – estava furiosa e percebeu que também estava, pois cada vez mais o carro acelerava.
- Como assim, ?! – também deu um berro. – Deixa a dirigir!!
- NÃO! Eu já disse que estou tranquilo!
- De verdade, eu não sei qual é o seu conceito de tranquilo! Mas isso aqui não é!
Ela resmungou de forma impaciente enquanto ele continuava a dirigir na mesma velocidade.
- ! Para esse carro agora! – A mulher tentou ser o mais firme que conseguiu em sua voz e atitude, mas sem sucesso.
- VOCÊ NÃO MANDA EM MIM, PORRA! – ele berrou.
- ! Para com isso! – tentou os acalmar.
- , dá o carro para ! – disse em desespero. ficava cada vez mais irritado e a velocidade do carro aumentava a cada segundo.
- O que você acha que está fazendo nessa velocidade, ? Reduz!
Todos diziam ao mesmo tempo o que deveria fazer, e isso não o ajudava em nada.
- PAREM DE ME ENCHER, VOCÊS! – Falou olhando para trás para encará-los.
Foi como se estivessem dentro de um filme, naquelas cenas em que a pessoa vê um farol muito claro e de repente sua vida inteira passa como um filme em sua mente, e então tudo fica escuro. A única diferença, é que nenhum deles ficou em silêncio apenas vendo sua vida passar nos seus olhos.
- !! O carro!!
O homem assustou e a única coisa que conseguiu fazer foi virar o volante para tentar desviar do outro carro. O que não funcionou. Em poucos segundos os dois carros colidiram. sentiu algo a atingir e uma dor muito forte na cabeça, braços e pernas. Seus sentidos não eram os mesmos e ela não sentia como se estivesse em sã consciência, tinha a sensação de que a qualquer momento poderia sair de seu corpo, algo que ela não sabia como explicar ou evitar.
O pouco de razão que ainda tinha a fez agir rápido, ela tateou em seu bolso seu celular e assim que desbloqueou a tela, ligou para o primeiro número de emergência que lembrava, não sabia se tinha voz ou forças para falar, mas tentaria:
- 911. Qual a emergência?!
- Eu... acabei de... sofrer um aci..dente de... carro... – sua voz estava falhando, assim como sua respiração.
- Senhora, sabe me dizer onde a senhora está?
- Eu... eu... – na verdade ela não sabia ao certo onde estava. – Eu não...
- Senhora? – a moça parecia preocupada do outro lado da linha – Não desligue a ligação, nós vamos rastrear a chamada! Fique comigo!
- Eu não... – a cada segundo que passava, sentia algo quente escorrer em seu rosto e seus olhos se abriam e fechavam lentamente.
Foi a última coisa que ela conseguiu dizer antes de tudo ficar escuro.


Capítulo 11


- Três passageiros com ferimentos leves, um passageiro com ferimentos medianos e dois passageiros com ferimentos graves.
Ela não sabia ao certo se estava ouvindo ou se era apenas um sonho. Podia ser a junção de ambos, podia ser uma alucinação, podia ser verdade. A dor que sentia era real, a incomodava e quase não a deixava respirar.
- Ele está perdendo muito sangue! – Outra voz disse.
- Foi ela quem ligou para a emergência – a primeira voz que ouviu comentou perto dela, pousando uma de suas mãos em sua testa, estava sentindo uma dor latejante no local.
E então, um repentino ataque de tosses a atingiu. A mulher abriu os olhos assustada e a cena que viu não podia ser mais assustadora. Estava deitada na rua, com uma maca embaixo de seu corpo, assim que olhou para o lado, viu outros corpos em macas também. A primeira pessoa que viu em seu lado foi , que estava respirando de forma descompassada e tremendo.
levantou o quanto pôde a cabeça e observou ao redor. O carro em que estavam há pouco tempo atrás estava tombado e completamente destruído, assim como o outro automóvel. Ela não conseguia ver aonde estavam seus outros amigos.
- Ele está tendo uma parada! – ela ouviu uma voz gritar de dentro de uma das ambulâncias e se assustou, se esforçou para olhar de onde vinha a voz, mas sentiu uma forte dor no pescoço, o que a fez gritar de dor, chamando a atenção de um paramédico.
- Ela acordou! Fique calma, meu nome é Thomas! Você consegue falar seu nome? Se lembra do seu nome?
O pensamento de um de seus amigos morto fez o coração de disparar e a respiração falhar, sua visão voltou a ficar turva. Ela estava desmaiando novamente.
- Fique comigo! Consegue dizer o seu nome? – ele dizia um tanto quanto desesperado, mas também tentando a acalmar.
Assim que a mulher abriu a boca, puxou o máximo de ar que conseguiu, entretanto o corpo enfraqueceu e a visão escureceu de novo.
Ao começar a tomar consciência novamente, algumas perguntas começavam a se passar na mente de : Que dia era. Onde estava. Como estavam seus amigos. E assim ao despertar, começou a se mexer de forma impaciente.
- Fique calma querida, tudo vai ficar bem! – uma voz feminina disse assim que abriu os olhos. – Meu nome é Marissa, sou enfermeira!
A dor que sentia em todo o seu corpo aumentou repentinamente, pois ela estava acordando novamente. Assim que sua visão se estabeleceu, notou que não estava mais deitada na rua em cima de uma maca, mas que estava em um quarto, em um hospital.
- Que bom que você acordou! – uma mulher negra de cabelos presos disse, apertando as mãos dela como um gesto de carinho. – Se lembra do seu nome?
- , – disse baixo.
- As pessoas te chamam por algum apelido, ?
- ... Aonde eu estou?
- Você está no Hospital de Morgan Hill!
- Aonde estão meus amigos? – ela queria se levantar, mas não conseguia.
- Eles estão bem! Se acalme!
A mulher sentia uma dor latejante na cabeça, na perna e no braço direito, as duas mãos doíam também, seu pescoço estava travado, assim como o resto do corpo estava tencionado.
- O que aconteceu comigo?
- Você está com um corte profundo na testa, por isso suponho que sua cabeça doa tanto. Seu braço e perna direitos também estão com cortes fundos, pois com o impacto da batida, os vidros se quebraram e todo esse lado que estava virado para a janela foi cortado e arranhado. Mas as suas duas mãos foram cortadas. Você perdeu bastante sangue, !
- Ah, meu Deus... – ela disse tentando se acalmar.
- Você já está medicada e seus ferimentos já estão limpos! Seus pertences estão no balcão da recepção! E seus amigos estão lá no corredor, esperando você sair! Aconselho que coma alguma coisa e fique em repouso!
Assim que foi dispensada por Marissa, se levantou calmamente da maca, seu corpo todo doía, mas ela precisava ver seus amigos, saber como estavam. Ela respirou fundo e tomou coragem para sair de dentro daquele cômodo.
Ao pisar no corredor, ela avistou alguns de seus amigos sentados no banco. Por acaso, e olharam ao mesmo tempo para o local em que estava, ambos com arranhões no rosto e olhos inchados por chorarem. estava com uma faixa na cabeça e com uma gaze no braço. Os dois se levantaram de seus bancos e os três caminharam em encontro, e ao se aproximarem, os três se abraçaram o mais forte que conseguiram, deixando a emoção tomar conta do momento.
- Como você está? – perguntou preocupado.
- Meu Deus! Você está toda cortada! – falou olhando para ela.
- Eu estou bem! Cadê o resto do pessoal? – Ela olhou em volta e não viu mais nenhum rosto familiar.
- está lá fora, conversando com a polícia e o ... – parou de falar.
- O que? – o medo começou a deixar ela apavorada.
- Eu... não sei! – falou pausadamente, seus olhos se encheram de água, mas ele os limpou antes que escorressem pelo rosto.
- Calma... Nós não podemos ser pessimistas! – falou.
Os três se sentaram em silêncio e em poucos minutos um médico se aproximou calmamente.
- Vocês são os amigos do senhor ? – sem conseguir dizer uma palavra, eles concordaram com a cabeça. – Infelizmente as notícias não são tão boas...
Foi como se alguém tivesse dito para que eles tivessem aquela atitude. , e deram as mãos sem hesitar.
- Com o impacto da batida, dos cinco passageiros, ele foi o que mais se machucou. Ele quebrou a perna esquerda, pois uma parte da porta do carro entrou na perna dele, fazendo com que ele perdesse muito sangue. Ele teve uma parada cardíaca no local do acidente, a qual conseguimos parar e trazê-lo para cá o mais rápido possível! Ele está medicado, mas está em coma. Estamos monitorando para qualquer mudança ou melhora! Aconselho que vocês vão para casa ou algum hotel, pois pode ser que demore para ele acordar!
Aquilo não podia ser real, tinha que ser tudo um sonho mirabolante da mente de . Entretanto, os sentimentos e sensações eram tão reais, que ela sabia que não podia estar sonhando. Ainda em silêncio, eles estavam aceitando o fato de que seu amigo poderia ficar desacordado por algum tempo. Nada podia ficar pior.
- O que foi? – Era uma voz conhecida, tão conhecida por que naquele momento fez o que antes era tristeza se transformar em raiva. estava em pé ao lado de seus amigos, com uma expressão abatida e curiosa.
- O que foi?! O que foi, é que o SEU AMIGO está péssimo!! – se levantou de repente em direção a , o que a deixou com tontura.
- Calma, ! – disse se levantando.
- Ia cair a sua mão, ou melhor, a sua dignidade, se você tivesse deixado eu dirigir aquela merda de carro?! – Todos pararam para prestar atenção na gritaria. – OLHA O QUE VOCÊ FEZ!! ESTÁ TODO MUNDO MACHUCADO! A GENTE PODIA TER MORRIDO!!
- ! Calma! – disse a segurando, pois cada vez mais ela se aproximava de .
- Não, !! Se nós estamos nessa situação é por culpa dele!
- Não é culpa dele! – falou.
- É sério que vocês estão o protegendo?! – ela não acreditava no que estava ouvindo, seus olhos se encheram de lágrimas novamente. – ELE PODIA TER NOS MATADO!!
Ao olhar nos olhos de , ele chorava. Ela tentou se acalmar antes de terminar a conversa:
- O está em coma e não tem nada que eu possa fazer, se isso não é culpa sua, eu não sei de quem é!
caminhou em direção ao banheiro, era a primeira vez que estava se vendo no espelho. Testa cortada, enfaixada e com pontos. Braços e mãos cortados e enfaixados. Perna cortada e enfaixada. Calça, camiseta e moletom rasgados e cheios de sangue. abriu a torneira e jogou um pouco de água em seu rosto, o que ardeu momentaneamente, mas a deixou com uma falsa sensação de limpeza. Ela arrumou seus cabelos e saiu de lá.
Caminhou até o local em que seus pertences estavam, viu que seu celular tinha mais de quarenta chamadas perdidas entre seus pais, seus irmãos e Cody. Ela não sabia o que fazer, sabia que se ligasse para sua mãe, levaria a maior bronca do universo, mas sabia também que se não ligasse, essa seria sua sentença de morte. Em compensação, queria mais do que tudo falar com Cody, mas não sabia como dar a notícia para ele.
A mulher caminhou até a entrada do hospital, o sol estava forte e o clima quente, ela tinha dormido na maca do hospital, o ambiente hospitalar a deixava com uma sensação estranha, uma sensação ruim. Ela se sentou em um banco embaixo de uma árvore e respirou fundo, precisava ligar para alguém, e esse alguém seria seu namorado. Entretanto, antes mesmo de fazer a chamada, a mulher viu uma silhueta caminhando em direção a entrada do hospital, pela forma como caminhava, parecia estar com pressa, mas reconheceria seu namorado em qualquer ângulo. Ela se levantou rapidamente e chamou sua atenção:
- Cody!! – ela gritou e o homem parou repentinamente. Olhou ao redor para ver de onde vinha a voz e assim que a viu, correu em sua direção.
Assim que se aproximaram, se abraçaram o mais forte que conseguiram e o mais forte que as feridas de permitiram. Era um abraço de medo, um abraço de alívio, um abraço de saudade, mas principalmente, um abraço de amor.
- O que aconteceu com você? – ele perguntou a olhando por completo. – Você não imagina o quão assustado eu fiquei...
- Acho que não mesmo...
- Na nossa última ligação, você disse que me ligaria assim que chegassem em Stanford. De repente, recebo uma ligação sua, mas não era você. – Ele dizia enquanto passava a mão pelo rosto de sua namorada, em cada centímetro, em cada corte.
- Me desculpa! - respondeu sussurrando, quase chorando novamente.
- Não é sua culpa! – Ele disse rapidamente a abraçando.
- Fica comigo!
- Eu não vou sair daqui! Eu não vou te deixar! Nunca.
Os dois ficaram naquele abraço por mais alguns minutos, antes de Cody se pronunciar.
- E os seus amigos? Aonde estão? Como estão?
- , e estão no corredor, mas não está nada bem...
- Como assim?
explicou como pôde a situação de , o que deixou Cody preocupado. Os dois decidiram entrar no hospital e se juntarem aos outros três colegas.
- Cody! – falou um pouco animado ao ver o casal entrando no corredor. Após Cody abraçar todos, eles voltaram a conversar.
- Quem ligou para você? – questionou.
- Um dos policiais que estava no local. Como a ligou para a emergência, eles pegaram o celular dela e ligaram para último número que ela ligou, que no caso, era o meu número.
- Nossa, por essa eu não esperava! Tive que ligar para os meus pais e eles quase morreram do coração, minha mãe chorou demais... – comentou.
- É, eu liguei para os meus pais também, foi quase a mesma reação dos seus! – complementou.
- Eu ainda não liguei para os meus pais, eles vão me matar por telefone! – disse pensativa.
- Eu liguei! – Cody disse simples.
- Como assim?! – ficou surpresa.
- Assim que me ligaram, eu liguei para um dos seus irmãos e pedi o número dos seus pais. Então eu liguei para eles, os avisando! Sua mãe ficou desesperada e apesar de eu dizer que estava vindo para cá, ela disse que tentaria vir também!
- Vir até aqui?!
- Ela pediu para que eu a mantivesse informada, então... liga para ela!
- Você é perfeito, sabia?! – o abraçou.
- Não comecem com a agarração, por favor!
- Eu estou com um pouco de fome, vocês já comeram? – perguntou.
- Já sim! Enquanto você tirava um cochilo, nós nos revezamos! – disse brincalhão.
- Enquanto eu tirava um cochilo? Palhaço!
- Então, nós vamos comer! – Cody disse e os dois saíram de lá e seguiram para a lanchonete do hospital.
O curto caminho foi em silêncio.
- O que aconteceu com você e o ? – Cody questionou assim que se sentaram em uma mesa com seus lanches.
- Por que você acha que aconteceu alguma coisa entre nós?
- Porque eu nunca vejo vocês separados e ele não estava com você, então eu acho que deduzi que algo tinha acontecido entre vocês... – Cody disse observador.
- Nós brigamos! Na verdade, esse acidente aconteceu porque o estava com sono e não quis me deixar dirigir, aí ele desviou a atenção da estrada e os carros bateram.
- Vocês não deveriam estar brigados em um momento como esse, o amigo de vocês não está bem!
- Eu sei, senhor dono da verdade!
- Você ia ligar para mim? – Cody mudou de assunto repentinamente.
- Por que a pergunta?
- Você acabou de dizer que nem ligou para os seus pais. Você ia ligar para mim?
- Antes de você chegar, eu estava lá fora, a única pessoa que eu queria falar era você, então eu fui até lá te ligar, mas eu vi você chegando e mal pude acreditar!
- Eu saí o mais rápido que consegui de casa! Demorei quase uma hora para chegar aqui!
- Eu não acredito que você saiu da sua casa para vir até aqui!
- E o que mais eu faria? Eu tenho certeza de que você faria o mesmo por mim!
Os dois se olharam e não precisaram dizer mais nada, estava tudo muito claro para os dois naquele momento.
Após terminarem de comer, o casal se juntou novamente ao grupo, porém este estava maior, havia mais pessoas naquele corredor. De longe, viu um casal abraçado, conversando com , eles tinham suas feições preocupadas, pareciam ser os pais de .
- Será que são os pais do ? – questionou e Cody observou.
- Eu me lembro deles de uma final de temporada, são os pais dele! Será que eu deveria conversar com eles? Dar apoio?
- Acho que seria uma boa! – Cody se afastou e caminhou em direção ao trio que conversava.
Ao se aproximar do restante de seus amigos, percebeu que uma pessoa que não reconhecia estava conversando com eles. Era um homem e estava de costas para a mulher.
- Olha ela aí! – disse sorrindo de lado apontando para e o homem que estava em sua frente se virou. Era .
- !? – Ela disse surpresa. Ele sorriu e a abraçou.
- Caramba, ! Que bom que você está bem! Fiquei preocupado com vocês! me ligou e eu vim o mais rápido que pude!
- Não acredito que você está aqui!
- O é meu melhor amigo! E, precisava saber se a minha amiga que me ensina a como me esconder de garotas estaria bem!
- Como você é cara de pau!
franziu a testa e olhou diretamente para um dos cortes no rosto de .
- Que corte feio, hein!
- Espero que não fique uma cicatriz! – ela disse passando a mão por cima da faixa.
- Mulheres adoram ver cicatrizes em homens! Uma pena que eu não vou ter nenhuma! – risonho.
- Fique à vontade para ficar com todos os meus cortes! – levantou os braços mostrando seu estado físico.
- Puta merda! Você está toda cortada! – disse assustado. Era a primeira vez que ele reparava nela toda.
- Na sua opinião como um futuro médico, qual a probabilidade de eu chorar como um recém-nascido ao tomar banho hoje?
- Muito provável! Vai arder demais! Inclusive... se você precisar de ajuda para tomar banho hoje... - ele disse sorrindo de forma diferente.
- Uma proposta muito interessante, mas meu namorado está ali, acho que ele não vai gostar!
- Que merda. Fica para uma próxima!
A conversa de todos foi interrompida pela aproximação do médico, que fez com que todos se calassem rapidamente e o olhassem apavorados, almejando saber se havia novidades.
- Vocês são os pais do senhor ? – o casal concordou com a cabeça.
O médico explicou o que tinha acontecido com o filho deles, a mesma explicação que tinha dado para os amigos mais cedo naquele dia. A mãe de chorava enquanto abraçava seu marido, que por fora parecia calmo.
- O maior problema que temos agora, é que o precisa receber sangue, e o nosso banco de sangue está em falta! Nós já entramos em contato com outros hospitais e a previsão para que as bolsas de sangue cheguem aqui é de duas horas!
- E se nós doássemos sangue? – se pronunciou.
- É verdade! Qual o tipo sanguíneo do ? – Cody concordou com .
- “O” Positivo! – o médico respondeu.
- Eu doaria todo o meu sangue para ele, mas tenho problemas de coração e não posso! – o pai de disse decepcionado, enxugando uma lágrima que escorria por seu rosto.
- Eu posso doar! - Cody disse de repente. – Tenho o mesmo tipo sanguíneo dele! – sorriu para o homem, que a encarou sorrindo também.
- Nós teremos que fazer um teste e algumas perguntas, me acompanhe, por favor! – o médico apontou para uma sala e Cody começou a andar.
- Eu já volto! – ele sussurrou dando um beijo na testa de e saindo.
- Seu namorado é foda! – disse com orgulho.
- Posso conversar com você? – perguntou ao lado da mulher.
- Claro que sim! – os dois caminharam para os bancos, fora do hospital.
Os dois sentaram-se e apenas podiam ouvir o vento balançando os galhos e folhas das árvores, os pássaros cantando e as respirações deles.
- Sabe, quando eu cheguei aqui, o estava com o rosto todo vermelho e inchado, estava chorando e tremendo de nervosismo. Eu assustei, confesso. Pensei que alguém tinha morrido, mas quando eu conversei com ele, a primeira coisa que ele me disse era que a culpa era dele, que você tinha razão!
- O que!?
- Ele me disse que devia ter deixado você dirigir o carro dele e que tudo aconteceu porque ele não quis admitir que estava com sono! Bom, o final dessa história é que ele acha que você o odeia!
Naquele momento, o coração de bateu mais forte, sentiu uma culpa e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela sabia que quando disse aquelas coisas à , foi em um momento de raiva, ela não teve nenhuma intenção de magoá-lo.
- Eu sei que o que você disse não foi intencional! Com certeza estava em um acesso de raiva, eu te conheço. Você está sempre falando a verdade, mesmo que magoe as pessoas, mas vai por mim, às vezes é necessário. E é por isso que você devia conversar com ele! Vocês são amigos muito próximos, deviam estar dando forças um para o outro! – Era a mesma coisa que Cody tinha dito.
- Sabe, você e o Cody podem se odiar, mas são parecidos! – sorriu com o canto da boca e se levantou, saindo de lá deixando-a sozinha.
Foi um momento que pôde refletir. Já fazia algumas horas que estava lá e ela não sabia o que estava acontecendo além de . Não sabia se os passageiros do outro carro estavam vivos e bem, não sabia se estava com algum corte ou hematoma, pois não tinha reparado nele, apenas o viu e liberou toda a sua raiva nele. Um homem se aproximava da mulher e sentou-se ao seu lado. Os dois se olharam e deram as mãos, ficaram em silêncio alguns segundos.
- Oi! – disse.
- , me desculpa! Eu nunca quis ter dito nada daquilo para você! Não foi culpa sua! – começou a chorar e com os olhos cheios de lágrimas o abraçou.
- Eu devia ter te ouvido, deixado você dirigir! Agora o está naquela situação e nós não podemos fazer nada! – os dois se separaram e o encarou.
- Podemos sim! Nós podemos mandar energias positivas para ele! Ninguém consegue sarar rodeado de pessoas choramingando. Para de chorar, enxuga esse rosto e ao invés de pensar no que você deveria ou não ter feito para que o acidente não acontecesse, pense em que você pode fazer para ajudar o a se recuperar!
concordou com a cabeça e enxugou as lágrimas que ainda caiam em seu rosto.
- Me desculpa por não ter dado ouvidos, por ter gritado e brigado com você! Eu não sei o que me aconteceu àquela hora!
- Tudo bem, ! Mas me diz, o que aconteceu com você? – ela apontou para o braço engessado.
- Quebrei o braço e cortei um pouco as pernas.
- E o outro carro?
- O motorista está na UTI, porque ele bateu a cabeça muito forte. Pelo menos só tinha ele no carro...
- E os carros?
- Eu acionei a seguradora, mas a única coisa boa é que nós não estávamos errados.
- Como assim? – ficou curiosa.
- Por mais que eu estivesse correndo mais do que a velocidade permitida, quem ultrapassou o sinal vermelho foi ele, que além de estar acima da velocidade, estava embriagado.
- Caramba...
- Meu carro ficou detonado! Meus pais vão me matar! – ele disse triste.
- Não vão, não! Eu não deixo! – falou de forma protetora o abraçando. – E por falar em pais, você ligou para os seus?
- Sim... eles estão vindo para cá.
- Vai dar tudo certo, . Eu estou aqui com você!
Os dois entraram novamente no hospital e se juntaram a todos. No exato momento em que chegaram no corredor, presenciaram a metade de uma cena assustadora: uma mulher um tanto descabelada e descontrolada gritava com todos, tanto os pais de quanto os rapazes estavam assustados.
- Eu quero saber quem é!! – ela dizia repetidamente. Todos notaram a presença de ambos e olharam para eles, a mulher fez o mesmo. – Foi ele ou foi ela?
- Foi ele ou foi ela o que? – perguntou ríspida.
- Quero saber quem foi que bateu no carro do meu marido! Qual dos dois inconsequentes causou aquele acidente! – a mulher gritava. respirou de forma descompassada e deu um passo para trás, segurando no braço de .
- Quem a senhora está chamando de inconsequente? Que eu saiba pela polícia, o seu marido avançou o sinal vermelho, acima da velocidade e estava embriagado! – A garota se exaltava cada vez mais.
- Calma... – disse.
- Se o seu marido está na UTI, nós não temos nada com isso! Afinal de contas, eu não sei se a senhora sabe, mas meu amigo também está na UTI em coma! Então, não banque a louca comigo! – finalizou respirando fundo.
A mulher não respondeu, ela encarou nos olhos e depois cada uma das pessoas que estava naquele corredor, em seguida saiu de lá batendo os pés. soltou a respiração e logo em seguida sentiu uma dor muito forte nas mãos, olhou para o local e só então percebeu que estava com as mãos fechadas o mais forte que conseguiu. Aos poucos foi abrindo as mãos e a dor só aumentou.
- O que foi?! – questionou preocupado.
- Minhas mãos! – ela disse ainda olhando para as mãos, cujas faixas estavam cheias de sangue. se assustou instantaneamente.
- Meu Deus! – ele disse apavorado.
- ! – disse correndo em sua direção. A mulher sentiu sua respiração ficar fraca e descompassada, seus olhos abriam e fechavam lentamente e a visão ficava embaçada e turva. Ao seu lado, a segurou como pôde enquanto a segurava do outro lado. a soltou e a pegou nos braços.
- Alguém chama uma enfermeira! – pediu e correu em direção ao posto das enfermeiras.
- , fica comigo! – disse com seu rosto próximo ao rosto dela, enquanto caminhava o mais rápido que podia até a enfermeira chegar.
- O que está acontecendo? - uma enfermeira se aproximou e logo pediu para a levasse para um dos quartos.
passou carregando bem em frente ao local em que Cody tirava sangue. Assim que viu sua namorada sendo carregada, ele se desesperou.
- O que está acontecendo? ! – ele queria se levantar e correr na mesma direção, mas não o deixaram.
- O senhor não pode ir lá! – a enfermeira o repreendeu. se aproximou de Cody e contou o que tinha acontecido.
Dentro do quarto, colocou na maca e a enfermeira injetou um remédio para que acordasse. Em poucos segundos a respiração dela se normalizou e ela acordou.
- O que aconteceu? – ela questionou assustada.
- Você quase desmaiou! Suas mãos estão sangrando! – disse enquanto passava uma mão pelo braço de . – Você quer me matar do coração? – ele disse ofegante.
- Eu vou limpar seu ferimento e trocar a gaze e a faixa! – a enfermeira disse e assim o fez, enquanto isso, apenas ficou em silêncio, pensando no ocorrido e revezava entre olhar a mulher e a enfermeira trabalhar. – Agora você vai ficar um pouco deitada aqui, sua pressão caiu e o remédio que te dei vai ajudar!
- Tudo bem se eu te fizer companhia? – perguntou assim que a enfermeira saiu. concordou com a cabeça e ele sentou-se na cama, perto dela.
- Esse dia podia acabar logo!
- Tudo se ajeita, fica tranquila!
Aos poucos, foi pegando no sono e dormiu por algum tempo que não sabia ao certo, mas quando acordou, ainda estava lá, a mão dele segurava a mão dela e ele mexia no celular.
- Como está se sentindo?
- Muito bem, doutor! – riu e ele também.
- ? – Cody disse entrando no quarto. e soltaram as mãos rapidamente e Cody caminhou depressa até sua namorada. – Você está bem?
- Sim, foi o estresse do momento!
se levantou da maca e saiu de dentro do quarto, seu coração ficou apertado. Mais alguns minutos e saiu amparada por Cody de dentro do quarto.
- Olha a nossa defensora! – disse alto chamando a atenção. Ao mesmo tempo, todos caminharam até ela, querendo saber como estava. A mãe de conversou com ela.
- Como está?
- Melhor!
- Eu queria agradecer você, Cody, por ter doado sangue para o !!
- O é muito mais do que um amigo para mim! Não foi esforço algum!
- A única coisa que eu queria agora, é receber boas notícias da saúde do meu filho... – ela disse triste.
- Ele vai ficar bem, eu sei que vai! – disse de forma a consolar a senhora.
Cody e caminharam até um banco no corredor e os dois se sentaram. sentia como se cada músculo seu doesse, cada centímetro de seu corpo parecia ter vida própria, era um incomodo constante e ardia e doía.
- Está com dor?
- Um pouco, principalmente nos locais com ponto.
- Daqui a pouco nós vamos para um hotel, aí você pode tomar banho, trocar essa roupa suja e rasgada e dormir um pouco!
- Hotel?
- É, acho que você vai querer ficar aqui até o acordar, não é?
- Como sabia?
- Eu te conheço! – os dois se abraçaram e apesar da dor, não se importava, ela precisava de um pouco de afeto. E essa era a hora perfeita para ligar para sua mãe. pegou seu celular e discou o número, respirou fundo e tomou coragem.
- Oi, mãe! – tentou dizer o mais normal possível. Cody riu ao seu lado.
- “Oi, mãe?”. É isso que você fala para mim, !? VOCÊ SOFREU UM ACIDENTE!! – ela gritou e fez uma careta.
- Me desculpa por não ter te avisado! Eu ainda estou meio desnorteada! Estou toda cortada e suja de sangue!
- Eu sei disso, mas não graças a você! Graças ao seu namorado que me ligou e me manteve informada! – ela ainda estava muito brava e chateada, era notório. E assim se seguiu por mais alguns minutos até ela parar com a lição de moral e bons costumes, avisando que estava a caminho de lá e desligando o telefone.
- Pelo menos eu liguei para ela! – ela disse mais calma após desligar.
Algumas horas depois, o médico que estava cuidando de se aproximou de todos com uma feição promissora.
- Ele acordou!


Capítulo 12


Todos se amontoaram para ver o , entretanto apenas a família poderia entrar na UTI.
- Me desculpe, pessoal! Apenas os familiares podem entrar na UTI! - A enfermeira disse e repentinamente teve uma ideia, ela caminhou até a mulher e falou perto dela.
- Eu sou a namorada dele, será que posso vê-lo?
- É claro que sim! Pode entrar junto com os pais dele! – A enfermeira colocou uma mão nas costas de para direcioná-la ao local de se trocar. olhou para trás e piscou um olho para os demais, que ficaram sem entender.
estava um tanto quanto sonolento, ficou muito feliz em ver seus pais e muito surpreso em ver :
- O que você está fazendo aqui?!
- Eu falei para a enfermeira que era sua namorada, então ela me deixou te ver!
- E o pessoal, como estão?
- Quer saber a verdade? Todos estão bem melhores do que você! – riu. – está aqui e o Cody também!
- Sério? Eles saíram de Stanford para vir?
- Sim, senhor! E assim que você for transferido para um quarto, todos vão te visitar!
deixou que os pais de conversassem com ele e quando o tempo acabou, eles tiveram que se despedir. foi recebida na recepção com muitas perguntas.
- Como você conseguiu entrar lá?
- Como o está?
- Ele estava acordado?
- Ele se machucou muito?
- Você deu alguma propina para a enfermeira?
- Tinha alguém muito machucado do lado dele?
- Calma, gente! – se exaltou. – Vou responder uma pergunta de cada vez, ou pelo menos o que eu me lembrar: eu entrei lá porque falei que era namorada do e a enfermeira me deixou entrar, ou seja, sem propina. O estava um pouco sonolento, mas perguntou de vocês e está bem, está machucado porque quebrou a perna e tem vários cortes!
- Tinha alguém muito machucado do lado dele?
- Não sei! Não reparei!
- Agora que o acordou, todos podemos ir para o hotel e dormir! Amanhã voltamos, todos precisam tomar banho e dormir um pouco! – Cody disse superprotetor.
- Eu preciso saber aonde está a minha mala! – se desesperou.
- No meu carro! – Cody disse simples, e se assustou, o que o fez rir. – Estava guardado aqui no hospital, eu já peguei!
- Você é perfeito demais!
- Eu me esforço! Alguém precisa de carona?
- Pode deixar que eu levo o pessoal! – se pronunciou e todos concordaram.
Os amigos se despediram e entraram nos carros, rumo ao hotel. Durante o curto caminho, e Cody ficaram em silêncio, a única coisa que podiam ouvir era a música que tocava no rádio. A cada vez que fechava seus olhos a lembrança do acidente vinha em sua mente, foi algo tão recente que ainda não tinha se dado conta de tudo o que tinha acontecido, eram centenas de possibilidades diferentes: e se não tivesse acordado? E se ao invés de ele estar em estado grave, fosse ela? E se algum de seus amigos tivesse morrido? O que todos estariam fazendo naquele exato momento?
- Pensando em que? – Cody questionou observador.
- Possibilidades!
- Ainda pensando no acidente? Sabe que não poderia ter feito nada, não é? Temos apenas que agradecer que todos estão bem!
- Eu sei...
Assim que o casal chegou ao hotel, Cody fez o check-in e eles subiram para o quarto. Nono andar. Era um quarto simples, tinha um banheiro, um closet, uma varanda com algumas cadeiras e uma mesa, um frigobar, uma raque com televisão e bem ao centro do quarto uma cama de casal. sentou-se na cama, alisando o lençol macio.
- Como estão os seus machucados? – Cody sentou-se ao lado dela.
- Doem um pouco ainda!
- Vai tomar banho? – ele perguntou enquanto se deitava.
- Para falar a verdade, estou com um pouco de medo de tomar banho!
- Por quê?
- Eu só consigo sentir que tenho machucado espalhados pelo corpo, porque eles doem! Eu consigo ver alguns, mas não sei como vai ser quando cair água neles! – a mulher se levantou da cama.
- Posso ver? – Cody questionou e se levantou, ficando sentado na cama.
A mulher tirou o moletom e depois tirou a camiseta, ficando apenas de sutiã. Era possível ver os cortes espalhados por seu tronco, braços e barriga, ela tinha sangue seco em todos os machucados e isso a deixava desconfortável, se sentia suja. Cody se levantou da cama, se aproximou de sua namorada ficando a centímetros de distância, passou as mãos por alguns ferimentos, acariciando o local suavemente.
- Você não precisa tomar banho agora, se não quiser! – Logo em seguida os dois se beijaram, um beijo diferente, não como os beijos comuns que davam, esse em especial era cheio de desejo e paixão.
Sem parar o beijo, tirou seu tênis com o pé e encarou os olhos verdes de Cody, sorrindo com o canto dos lábios. A mulher apoiou suas mãos nos ombros de Cody, forçando para que ele se sentasse novamente na cama, e assim ela se sentou no colo dele, deixando ainda seus braços sob os ombros dele e suas mãos passeavam entre o rosto e o cabelo de seu namorado.
Cody desceu suas mãos pelas costas da mulher, tocando a pele dela, deslizou suas mãos pela cintura, tocando a barriga e depois subindo até o sutiã, passando as mãos pelo local. Ambos já respiravam com certa dificuldade. A mulher colocou as mãos na barra da camisa de Cody e começou a puxá-la para cima, tirando e jogando pelo quarto. Neste momento, os dois estavam sem suas camisetas. Em um movimento difícil, passou suas pernas ao redor do quadril de Cody, assim ficando mais confortável, a atitude deu abertura para que seu namorado se levantasse da cama e depois se deitasse novamente, mas desta vez ele estava por cima.
Eles voltaram a se beijar e a mulher sentiu as mãos dele descerem pelas laterais de seu corpo até o cós da calça e com rapidez ela mesmo desabotoou a calça e ele começou a puxar para baixo até retirar por completo. Ela fez o mesmo com ele, desabotoando com calma e abaixando a calça até certo ponto, o restante ele mesmo retirou. Uma das mãos de Cody alisava a coxa e a outra a cintura de enquanto ele beijava cada parte de seu corpo, e sem mesmo perceber ela arranhou com força as costas de seu namorado, que gemeu de dor.
- Te machuquei? – ela perguntou desesperada.
- Você é bem forte quando quer! – ele sussurrou sorrindo.
- Estou falando sério!
- Eu também! Mas você não me machucou, você jamais me machucaria! – ele disse a olhando profundamente.
Os dois ficaram se encarando por alguns segundos, até que sentiu o fecho de seu sutiã ser aberto. Ela arregalou os olhos e ele sorriu e a beijou. Em pouco tempo o resto de roupa que os cobria estava jogado em cada canto daquele quarto.
Ela estava quase dormindo quando sentiu uma pontada de dor e acordou. Respirou fundo e viu Cody a observando, os dois sorriram.
- Acho que vou tomar banho! – disse baixo enquanto se levantava.
- Tudo bem! – Cody disse e olhou de forma estranha para os machucados dela. - Estão doendo?
- Um pouco...
- Eles estão bem vermelhos!
- Eu não consigo ver direito todos!
- Acho que talvez nós não devêssemos ter feito sexo!
- Corta essa! São machucados, só isso! Eles são recentes ainda.
- Pode ser... – A feição de Cody não era das melhores, sabia que mais cedo ou mais tarde ele se sentiria culpado pelo ocorrido. Ela segurou uma das mãos dele e o puxou para se levantar. – O que você está fazendo?
- Levando meu namorado para tomar banho comigo, afinal de contas eu preciso que alguém lave meus machucados!
Cody se levantou e a acompanhou até o banheiro, ligou o chuveiro e tirou alguns esparadrapos e gazes que estavam espalhados pelo corpo de sua namorada. Com uma esponja que tinha levado para sua viagem, ele passou cuidadosamente pelas feridas, limpando-as e tirando as manchas de sangue secas.
- Sabe... – ele disse iniciando um pensamento. – Eu acho que te amo! – ele disse de repente.
se virou rapidamente e o olhou nos olhos. Ela não sabia se ele estava falando sério, mas parecia que sim, ela sorriu e respirou fundo.
- Sabe... eu também acho que te amo! – dessa vez foi ele quem sorriu, os dois se aproximaram e se beijaram.
- Caramba! Que bom que você não disse só “obrigada”, eu não saberia o que fazer! – ele disse aliviado enquanto pegava as toalhas e a entregava uma.
- Acho que nem eu sei o que faria...
- Vamos cuidar dos seus ferimentos agora! – ele disse sério quando ambos estavam secos. Ele passou uma pomada nas feridas e nas mais graves ele enfaixou. Cody fez isso em todos os ferimentos que não alcançava e até mesmo nos que ela conseguia. – Esse aqui está entre um dos piores! – ele disse enquanto passava pomada no corte da testa.
- Eu discordo! Minha perna direita está doendo demais! Assim como as minhas mãos!
- Eu não gosto de te ver sofrer!
- E por acaso eu estou com cara de quem está sofrendo?
- Não parece!
- Pois é! As mulheres suportam tudo!
- Lá vem você com esse papo de feminismo! – ele disse sínico.
- Babaca! – ela deu um tapa nele. – Mas sabe... eu estive pensando em uma coisa, eu preciso te agradecer!
- Agradecer o que?!
- Por você estar nesse momento difícil comigo, por avisar minha família sobre o acidente, por reservar o hotel, por pegar minha mala no hospital, por estar cuidando de mim agora, por me amar!
No mesmo instante, ela notou que ele estava sem reação.
- Tudo bem?
- Na verdade, está melhor agora! Mas eu queria te agradecer também!
- Eu nunca fiz nada por você, Cody! Vai agradecer o que? Minha existência? - Ela bufou decepcionada consigo mesmo.
- Você me mostrou que mesmo quando a vida te coloca para baixo, ela pode te colocar para cima também, basta você acreditar!
- Qual foi sua primeira impressão quando me conheceu? – questionou.
- Quando te vi pela primeira vez junto com os meninos, olhei para você e você me olhou também, alguma coisa dentro de mim me disse que você era a garota que eu estava esperando aparecer em Stanford! Quando dei por mim, estava te procurando pela universidade sem saber nada sobre você, só queria te ver! Acho que o dia em que você apareceu na minha festa e disse que não queria me beijar, foi o dia mais triste do meu ano...
- Eu queria saber se você só queria me usar e depois jogar fora!
- E eu só queria chamar a sua atenção! Mas juro que o melhor dia do meu ano também foi relacionado a você, foi quando nos beijamos na piscina, eu senti uma sensação diferente, queria mais daquilo, então eu dediquei aquele touchdown a você e não me arrependo, porque eu deixei claro para todos que eu gostava de você!
- Só que depois você pisou na bola, não é mesmo? – ela se lembrou da festa em que o viu com outra garota.
- Eu não vou falar nada, só sei que naquele dia eu percebi que não conseguia ficar sem você e quando te vi com o , eu juro que quase tentei me afogar na piscina!
- Isso mostra que: aqui se faz, aqui se paga!
- Essa sua atitude me mostrou que talvez você também gostasse de mim, mas não queria falar comigo ainda! E te ver sozinha naquela festa depois do jogo me deixou com medo, medo de levar mais um fora de você, só que naquela noite você aceitou ser minha namorada!
- Foi um pedido de namoro bem inesperado, eu nem sabia se estava sonhando ou não, mas eu sabia que queria ter algo com você, porque eu também sentia alguma coisa diferente quando estávamos juntos! – os dois se beijaram mais uma vez.
- Que tal uma segunda rodada? – Cody perguntou com um olhar diferente.
- Nem pensar! Eu estou com muita fome!
- É verdade! Eu também! – os dois se trocaram e pediram o jantar no quarto.
Na manhã seguinte, foi acordada por Cody, que distribuía beijos por seu rosto.
- Bom dia! – ele dizia em cada beijo.
- Bom dia, lindo! – ela respondeu bocejando.
- Dormiu bem? Está com dor?
- Dormi bem sim e sim estou com um pouco de dor!
- O que vamos fazer hoje?
- Acredito que só ver o ! Tem algo em mente?
- Nada em mente, apenas ver o mesmo! Então vamos tomar café da manhã e ir para o hospital!
- Quando vamos voltar para Stanford?
- Pode ser amanhã?
- Por mim tudo bem!
Os dois tomaram café da manhã no hotel e partiram para o hospital, ao entrarem no local, perguntaram por .
- Ele foi transferido para o quarto hoje mais cedo! – a recepcionista informou.
- Bom dia, casal! – disse ao entrar na recepção. – Vejo que a tomou banho! Quem diria!
- Era necessário!
- Como você está? – questionou sua amiga.
- Melhor e você?
- Melhor também!
- Alguém já sabe que horas começa a visita na UTI? – apareceu perguntando. e ele se olharam.
- Ele não está mais na UTI, foi transferido para o quarto mais cedo!
- Que alívio! – disse feliz.
- Quem vai primeiro? – Cody perguntou.
- Vai primeiro o e ! – disse e os outros concordaram.
Após fazer o cadastro de visitante e cada um receber um crachá, os dois entraram no elevador. estava no sexto andar e assim que saíram, procuraram pelo quarto seiscentos e dois. A porta estava aberta e ao entrarem viram que não estava sozinho, na primeira cama um jovem dormia profundamente.
- Alguém estava com saudades? – perguntou e , que assistia televisão sorriu abertamente.
- Vocês estão aqui! – ele disse feliz, logo sendo abraçado.
- Como você está? – perguntou abraçando seu amigo.
- Minha perna está quebrada! – ele apontou para a própria perna direita.
- Nada que uma fisioterapia não ajude! Logo você pode voltar a jogar! – disse tentando o animar.
- Eu sei! Mas o que aconteceu com vocês? Estão horríveis!
- Quebrei meu braço, isso acontece!
- Eu não quebrei nada, mas me cortei inteira! – ela disse mostrando as mãos enfaixadas.
- Mas continua bonita! – uma voz desconhecida pronunciou e os três olharam para cama ao lado. O colega de quarto de estava bem acordado e sorrindo, ele acenou com uma das mãos para eles e antes que falasse algo, se pronunciou:
- Esse é o Arthur! Ele caiu de moto há uns dias! Arthur, esses são e !
- É um prazer conhecer vocês, principalmente você, ! Sem ofensa, !
- Não ofendeu, fica tranquilo!
- Muito obrigada, Arthur! É um prazer te conhecer também! – respondeu segurando o riso.
e decidiram não ficar muito tempo no quarto, pois ainda havia quatro amigos para visitá-lo e eles queriam que os pais de ficassem com ele.
- Amanhã vocês voltam? – perguntou preocupado.
- Claro que sim!
Eles se abraçaram e os dois também se despediram de Arthur. Ao desceram no térreo, os quatro amigos os encararam curiosos.
- Quem serão os próximos? – perguntou.
- Cody e eu! – se levantou rapidamente e os dois se direcionaram até a recepção para se cadastrarem.
Os pais de já estavam lá, conversavam com . e caminharam para a entrada do hospital, local em que ficava o jardim, mas antes de saírem cumprimentaram os :
- Bom dia, senhor e senhora ! – disse sorrindo e eles se abraçaram.
- Como você está? – a mãe de perguntou.
- Muito bem, e a senhora?
- Ótima! – e com um sorriso ela se dirigiu para o jardim.
- Eu fiquei muito feliz em ver o tão bem! – comentou feliz enquanto sentavam-se no banco.
- Ele é muito forte! Todos nós somos!
Não disseram mais nada, só observavam a natureza, ouviam os pássaros cantarem, os carros passando pelas ruas. Às vezes algumas pessoas entravam no hospital, então ouviam-se vozes e passos. olhou para a porta de entrada do hospital e arregalou os olhos, estava assustado.
- Oh, oh!
- O que foi? – virou seu rosto para o mesmo local e seu coração disparou.
A família pesadelo estava parada na frente da entrada, sua mãe estava com as mãos na cintura e encarava profundamente sua filha através dos óculos de sol, os gêmeos olhavam ao redor e o pai dela estava mais ao fundo, sorrindo com o canto dos lábios, ele acenou para sua filha e ela retribuiu.
- Oh, oh! – ela sussurrou para o quando os quatro caminharam em sua direção. Aquilo era um pedido de socorro.


Capítulo 13


- Mãe! Pai! Vocês por aqui? – perguntou desesperada por dentro, mas por fora tentava ser normal.
- Eu por aqui? Acho que devo aproveitar a oportunidade que nós estamos em frente a um hospital e te dar um coro! Assim você já vai ser atendida rápido! – a mãe de disse séria. estava boquiaberto ao lado.
- Eu concordo! – Jorge disse risonho.
- Cala a boca! – ela os repreendeu e eles se aquietaram.
- Me desculpa por não ter te avisado, mãe! – disse decepcionada e a reação de sua mãe foi inesperada, ela simplesmente a abraçou.
- Ai, minha filha! Eu fiquei tão preocupada com você! – ela apertou o abraço e sua filha gemeu de dor.
- Está me sufocando! – ela disse com dificuldade e sua mãe a soltou, pegando o rosto de sua filha e analisando cada centímetro.
- Ela também é minha filha, também quero abraçá-la! – O pai de disse empurrando sua esposa e abraçando sua filha.
- Oi, pai!
Fred e Jorge também abraçaram a irmã, porém ao mesmo tempo. Quando notaram que esteve lá todo esse tempo, o abraçaram também.
- Quase nos matou de susto! – Fred disse.
- Por um instante eu pensei que o seu quarto seria meu. Não seria do jeito que eu gostaria de ganhar, mas aceitaria mesmo assim! – Jorge complementou.
- Eu não acredito nisso! Você é um péssimo irmão! – ela disse irritada.
- Não acredite mesmo, seus irmãos estavam quase chorando! – o pai deles os dedurou.
- Pai! Não acredito que você contou para ela! Ela nunca mais vai nos respeitar!
- Nunca respeitei! Agora muito menos!
- Sem você nós não somos a família ! – Jorge disse sorridente e os irmãos se abraçaram novamente.
- Bem que vocês poderiam ser assim tão carinhosos com mais frequência! – a mãe disse enquanto observava toda a cena.
- Como está o seu amigo? – o pai de perguntou.
- Ele quebrou a perna! Ficou em coma ontem, mas hoje já está bem!
- Será que eu consigo ver o prontuário dele?
- Pai! Não é para invadir o hospital! – deu um sermão.
- E você? O que aconteceu? – ele tentou mudar de assunto.
- Só me cortei mesmo!
- Que bom que não foi nada grave! – a mãe disse aliviada.
- Está tudo bem aí? – se aproximou do grupo estranhando a presença de tantas pessoas.
- , essa é minha família! – disse e apresentou cada um deles, mas seu amigo ficou confuso com os irmãos. – Esses são meus irmãos, Fred e Jorge!
- Você tem irmãos gêmeos! – ele disse impressionado.
- Na verdade, eles são trigêmeos! – Cody disse de repente ao lado de .
- CODY! – os gêmeos disseram animados e estava perplexo.
- Você é trigêmea deles? Vocês não se parecem! – questionou.
- Existem os gêmeos idênticos e os que não são! – o pai de explicou.
- Eu não acredito que você está aqui! – Fred disse cumprimentando Cody.
- Há quanto tempo não vejo vocês!
- E quem é o bonitão? – a mãe de perguntou baixo para sua filha.
- Cody Christian! – Ela respondeu o olhando.
- Que gato!
- Mãe! – a filha repreendeu a mãe, porém rindo.
- O que?! Olhar não tira pedaço! – ela sussurrou.
- E está sussurrando por quê? Não quer que o papai descubra que você está babando por um garoto mais novo? – A resposta imediata que ela teve foi um tapa no braço.
- Me respeita que eu sou sua mãe! De onde vocês se conhecem?
- Ele é meu namorado, mãe!
- Seu namorado?! E quando você pretendia apresentar o SEU namorado para a SUA mãe? – ela disse mais alto chamando a atenção de todos.
- Que discreta, mãe!
- Ele é lindo, minha filha! E além do mais, muito atencioso, me ligou e me manteve informada! Coisa que você não fez!
- Alguém falando de mim? – Cody apareceu na frente das duas, sorrindo.
- Cody, essa aqui é minha mãe!
- Cody, que prazer conhecer você pessoalmente! Só nos falamos por telefone ontem! Muito obrigada por cuidar da , se não fosse você, eu só saberia do acidente na próxima vez que ela me visitasse em Huntington Beach!
- O prazer é todo meu em conhecer a mãe dessa mulher incrível que eu namoro! – ele disse galanteador e os dois se abraçaram. estava perplexa.
- Eu ouvi, namorado? – o pai de se juntou na conversa. respirou fundo e Cody se assustou.
- Sim, pai! Esse é o Cody, meu namorado!
- É um prazer conhecer o senhor! – os dois se cumprimentaram.
- Senhor está no céu, pode me chamar de você!
- Pode deixar!
- O que foi? Não vai surtar? – perguntou assustada.
- Eu quero saber quais são as intenções com a minha filha! – ele perguntou logo em seguida.
- Estava demorando! Não responde, Cody! – a mãe interferiu.
- Me conta, Cody – era como um interrogatório. – O que você faz em Stanford?
Antes mesmo que ele pudesse responder, os gêmeos interferiram a conversa:
- Ele é só o maior jogador de futebol americano universitário dos Estados Unidos! – Fred disse.
- Quarterback do time de Stanford! – Jorge complementou.
- E futuro selecionado da NFL! – Fred finalizou.
- E vocês por acaso são fãs dele? – o pai questionou estranhando.
- Sim! – os dois disseram juntos.
- Namorar com ele, foi em anos a única coisa inteligente que a fez! – Jorge disse sorrindo.
- Cala a boca! – ela respondeu.
- E vocês pretendem se casar?
- CASAR?! Pai, calma! Eu duvido que você vá fazer a mesma quantidade de perguntas quando conhecer a namorada do Fred! – todos os olhares se viraram para um dos trigêmeos.
- O que? Fred está namorando? – a mãe perguntou perplexa.
- É mentira! Essa garota é uma falsa!
- E quando você ia me contar? – a mãe continuou perguntando.
- Mãe! Não é verdade! – ele estava desesperado.
- Não é o que as fotos dizem! – Jorge entrou na brincadeira.
- Até você?!
- Me manda depois! – o pai sussurrou piscando um olho.
- Pai! – Fred estava abismado. Ao redor todos riam da cena.
- Aonde fica a lanchonete? Estou com fome! – a mãe disse.
se ofereceu para mostrar e assim a família foi comer.
- Eu amei conhecer a sua família! – Cody disse ficando frente a frente com sua namorada.
- A tendência é a cada hora eles piorarem! Já vou até pedir desculpas...
- Se desculpar? A sua família é a sua essência, você e seus irmãos, seus pais!
- Eu namoro um poeta! – disse e os dois se beijaram.
- Sem demonstrações de afeto em público! – Fred gritou se aproximando.
- Vocês já voltaram?
- Nem chegamos lá! – disse.
- Daqui a pouco está no horário de almoço, pensei em comermos em um restaurante, o que acha?
- Eu topo! Estou com fome! – se exaltou.
- Quem está com o ? – perguntou.
- e !
- Esperamos eles, então! – Cody disse.
- Cadê o papai? – perguntou olhando ao redor.
- Acho que foi tentar ver o prontuário do seu amigo! – Jorge disse.
- Eu não acredito...
- Quer dizer então que vocês são trigêmeos... – comentou mais uma vez.
- Infelizmente! – replicou.
- Minha cara, deveria estar honrada por nos ter como seus gêmeos! – Fred disse.
- Foi com eles que você aprendeu a jogar videogame? – perguntou.
- Na verdade, eu praticamente os ensinei a jogar videogame!
- Isso é uma verdade! – Jorge disse.
- Quando ganhamos de presente os jogos, quem se empolgou primeiro foi ela! – Fred comentou.
- Nerd! – Cody disse e levou um tapa.
- Aí! – reclamou após bater.
- Que merda você fez nessa mão? – Jorge questionou.
- Não sabia que lutava boxe agora! – eles observavam as mãos enfaixadas.
- São cortes!
- Que maneiro! – disseram ao mesmo tempo, desenfaixando o local.
- Vocês dois! Cuidado com os cortes na mão da sua irmã! – o pai deles falou alto enquanto descia as escadas da entrada. Ao seu lado estava e atrás . – Você acredita, os irmãos dela parecem que estão em um zoológico.
- Eu mal sabia que ela tinha irmãos!
- Pois é, trigêmeos!
- Trigêmeos?! – se espantou e concordou freneticamente com a cabeça.
- Que genética! – comentou.
- O que você estuda em Stanford?
- Medicina!
- Medicina?! Não acredito! Sou médico! Qual será sua especialização?
- Pediatria!
já esperava por essa reação, quem não esperava era Cody, que estava de cara fechada observando a cena.
- Tudo bem? – notou a repentina mudança.
- Parece que seu pai gosta mais do do que de mim.
- Bobagem! Meu pai fica assim com qualquer pessoa que fala que estuda medicina, mesmo que seja veterinária!
- É mesmo?
- Sim! E o que importa é o que eu sinto! É só se lembrar da nossa conversa ontem!
- Vamos almoçar então? – Jorge perguntou animado e todos concordaram.
Eles se dividiram e foram em três carros. Ao chegar no restaurante tiveram que esperar por algum tempo até que conseguissem juntar algumas mesas para caber dez pessoas.
- Até quando vocês vão ficar por aqui? – perguntou a sua família.
- Até amanhã! – A mãe respondeu.
- Podemos tomar café da manhã juntos e então partimos. O que acha? – O pai questionou.
- Por mim, pode ser! Aí nós passamos para ver o e voltamos para Stanford! – concordou enquanto olhava para Cody que acenava positivamente com a cabeça.
- É, nós também vamos voltar amanhã! – disse no meio de uma garfada.
- E nós vamos pegar um avião e partir para Harvard!
- O que vocês estudam? – perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
- Direito! – os gêmeos disseram ao mesmo tempo.
- Os três?! – disse perplexo.
- Vocês vão abrir alguma sociedade ou algo do tipo? – perguntou interessado.
- Jamais! – Os trigêmeos disseram juntos e todos riram.
O almoço foi repleto de boas histórias de família, em que todos colaboraram com algum fato engraçado.
- Foi muito bom conhecer vocês e saber que a é amiga de pessoas tão boas! – A mãe de disse e todos se alegraram.
- Nós cuidamos da e ela cuida de nós! – disse de forma carinhosa e todos concordaram, inclusive Cody. e se encararam por alguns segundos e depois voltaram suas atenções para a sobremesa.
Como tinham almoçado tarde, eles decidiram que iriam para seus hotéis e se encontrariam mais tarde para jantarem juntos. O pai de estava cansado, pois tinha dirigido por muitas horas e precisava descansar um pouco.
Quando Cody e chegaram no hotel e entraram em seu quarto, a mulher sentiu sua cintura ser apertada e sua respiração falhou momentaneamente.
- O que você pensa que está fazendo? – ela questionou quando se virou e encarou seu namorado.
- Sexo! – ele sussurrou de forma sensual. A mulher jogou tudo o que estava segurando no chão e com a ajuda dele, subiu em seu colo.
Os dois tiraram seus sapatos e em seguida a mulher tirou seu moletom e sua camisa e seu namorado observava cada movimento com atenção, assim como cada parte dela. Ela tirou a camisa dele e passou a mão por seu tórax, arranhando de leve o local enquanto se beijavam. Cody os levou até a cama, mas algo veio à mente de :
- A gente não pode se atrasar para jantar com os meus pais! – ela disse sussurrando e Cody riu.
- Eu gosto de viver no perigo, mas não quando se trata da família! – ele disse a encarando e os dois se beijaram apaixonadamente.

- Eu estou exausto! – Cody disse.
- E eu estou com um pouco de dor!
- Sério? – ele levantou o tronco rapidamente e encarou sua namorada.
- Sim, mas eu preciso tomar banho, trocar as faixas e passar a pomada que o médico me deu!
- Então toma banho, depois eu passo a pomada e enfaixo os machucados! – ele disse atencioso.
Assim que saiu do banho, de calcinha e sutiã, ela pegou a pomada, faixa e gaze e jogou na cama, para Cody, que se levantou e ficou de pé em frente a ela. Ele abriu a tampa e colocou um pouco de pomada em seu dedo indicador, com sua mão livre ele segurou uma das mãos da mulher e passou o curativo em toda extensão do corte, fazendo uma leve massagem.
Após passar nas mãos, eles esperaram o produto secar e enfaixaram, então ele passou na testa e nos cortes mais profundos que estavam nos braços, sempre esperando secar para então enfaixar.
- Mais algum machucado dói? – ele perguntou.
- Os machucados das pernas!
Cody se sentou na cama e puxou uma das pernas, fazendo com que ela colocasse em cima da perna dele.
- Não é para você ter segundas intenções, está ouvindo? – disse e ele riu.
- Eu sou muito profissional, – ele fez uma pausa, olhando para a mulher – mas não vou falar que está fácil te ver desse jeito.
- Controle-se então!
- Eu duvido que o faça melhor do que eu! – Cody disse repentinamente.
- Por que estamos falando dele?
- Porque eu vejo como ele te olha e ainda mais o comentário que ele fez no almoço! Você acha que eu não sei que ele queria ser seu namorado?
- Você tem que parar com essa rivalidade entre vocês, mesmo porque eu não sei nem o que houve antes!
- Eu prometo que te conto, mas ainda não...
- Bom, agora que você terminou de cuidar de mim, inclusive obrigada, você é perfeito, vai tomar banho, nós descansamos um pouco e vamos para o restaurante jantar! Pode ser?
- Como quiser, Milady!
O jantar manteve o clima gostoso do almoço.
- Meus pais vão para Stanford me ver, em dois dias! – disse em tom desesperado. – Espero que eles não me matem!
- Meus pais mal falaram comigo ainda... – se pronunciou triste.
- Meus pais não dão a mínima para mim! – disse dando de ombros e todos o encararam, pois sabiam que era mentira, uma vez que, pelo menos uma vez por dia ele conversava por chamada de vídeo com eles. – Tudo bem, é mentira! Eles já me ligaram umas vinte vezes só no período da tarde! – ele confessou envergonhado e todos riram.
- Acabei de me lembrar de uma coisa interessante que aconteceu hoje! – Cody chamou atenção de todos.
- O que? – Fred perguntou.
- Mais cedo quando entrei no quarto do , o cara que está junto com ele falava muito animado sobre um assunto...
- AH! É verdade!! – disse empolgado.
- Nós perguntamos sobre o que eles falavam e ele disse que uma mulher maravilhosa tinha acabado de sair do quarto e que ele tinha certeza de que ela era a mulher da vida dele!
- Mentira. – disse segurando o riso.
- A mais pura verdade! – respondeu – e ele disse que não via a hora de vê-la novamente e pedir o número do celular dela!
- Não vai dizer que esse menino está falando da minha irmã? – Jorge perguntou desacreditado.
- Exatamente, a senhorita aqui ao meu lado! – Cody disse a encarando, enquanto ela ria.
- Mas essa minha filha arrasa corações por onde passa! Igualzinha a mãe dela!
- Mãe, o que é isso? – Fred perguntou abismado.
- O problema não é meu se a minha filha puxou mais os meus genes e vocês os do seu pai! – ela respondeu e todos riram.
No dia seguinte, e sua família se despediram após tomarem o café da manhã, pois, seus pais voltariam para Huntington Beach e seus irmãos pegariam um avião para Harvard.
- Nos mantenha informada sobre a sua saúde! – o pai disse e ela concordou.
- Cody, nos mantenha informados sobre a ! – a mãe disse para seu genro e ele concordou rindo.
- Eu amo demais vocês! Muito obrigada por terem vindo! – ela agradeceu enquanto os abraçava.
- Quero assistir um jogo seu! – o pai de disse enquanto abraçava o genro.
- Vou providenciar! Quando tivermos o melhor jogo da temporada, gostaria de tê-los na arquibancada!
- É só falar quando!
- Pirralha, nos vemos em breve! Se cuida! – Jorge disse e a abraçou.
- Pirralha, se cuida! Nos vemos em breve! – Fred disse exatamente a mesma coisa que seu irmão, porém invertido, também a abraçando.
- Idiotas, se cuidem! Nos vemos em breve! – foi a vez de ela falar e eles riram.
Após o café da manhã, o casal voltou para o hotel, arrumaram seus pertences e fizeram checkout. Em poucas horas estavam novamente no hospital de Morgan Hill.
- Bom dia! – disse para seus amigos que já estavam no local.
- Bom dia, casal! – disse.
- Como vocês foram os últimos a chegar, serão os últimos a ver o ! – disse simples.
- Tudo bem! – Cody disse sentando-se em um dos bancos da recepção.
- Então, vamos! – disse para e os dois foram vê-lo.
Cody puxou um assunto com e estava distraído na conversa, observou que estava perto da entrada, então caminhou até ele.
- Eu queria te perguntar uma coisa... – ela disse e ele se assustou, mas se virou para vê-la.
- Pode perguntar!
- Qual é a rixa entre Cody e você? – hesitou, os seus olhos que estavam fixos na mulher em sua frente foram para outro lugar. Ele respirou fundo tomando coragem, mas não diria tudo o que ela queria ouvir.
- Muita coisa aconteceu entre Cody e eu... – ele disse.
- Que coisas?
- Coisas que não podem acontecer de novo! – desta vez ele a encarou.
- Por que vocês insistem em não me contar? – ela disse um pouco revoltada.
- Porque você não vai gostar! - ele disse sincero e saiu de lá, voltando para os bancos.
ficou por alguns minutos refletindo. O que poderia ter acontecido de tão grave que custou a amizade deles?
- Tudo bem? – Cody apareceu de repente a tirando do transe.
- Sim! Já somos os próximos?
- Ainda não, e acabaram de subir!
Quando a vez dos dois chegou, eles fizeram o procedimento padrão para visitantes, entraram no elevador e depois se dirigiram para o quarto de . Ao entrarem, Arthur sorriu abertamente para , que retribuiu constrangida.
- Achei que não vinha hoje! – ele disse.
- Eu não poderia ir embora sem ver o mais uma vez! – ela respondeu enquanto abraçava seu amigo.
- Ainda bem! – disse irônico.
- Inclusive, vocês já foram apresentados? – perguntou para Arthur, se referindo a Cody. – Esse é o Cody, meu namorado!
- Seu namorado?
- Sim!
- Eu não sabia disso!
- Falha minha, perdão! – olhou para Cody, que segurava o riso, então piscou com um olho para ele.
Eles conversaram por um longo tempo, mas já era hora de partir. Todos se despediram e e Cody voltaram para a recepção. Juntos, eles almoçaram em um restaurante perto de lá e então voltaram para Stanford.


Capítulo 14


- Chegamos! – Cody disse estacionando em frente ao apartamento de .
- Se não quiser, não precisa descer!
- Mas é obvio que eu vou descer, vou te ajudar com a mala, vou garantir que você esteja em segurança dentro da sua casa, vou garantir a sua segurança dentro do seu quarto e garantir sua segurança na sua cama! – ele disse de uma vez só e sua namorada riu.
- Eu vou ficar muito segura, obrigada!
Os dois desceram do carro, Cody pegou a mala de e foram em direção ao apartamento. Ao entrarem, o apartamento continuava o mesmo, chamou por sua colega de quarto:
- ! Está em casa? Cheguei! – primeiro o silêncio e depois uma porta se abriu e passos correndo pelo corredor.
- ! Como você está? Como você teve a capacidade de sofrer um acidente e nem me mandar uma mensagem avisando que está viva? – ela dizia freneticamente e em seguida abraçou sua amiga.
- Me desculpa!
- Cody! Como você está?
- Tudo bem...
- Como você soube do acidente? – questionou.
- Andrew. – Ela disse sem esboçar reação.
- Andrew Stevenson? – fez uma cara de quem já sabia o que estava acontecendo.
- O Andrew é meu melhor amigo, eu tive que avisar a ele sobre o acidente! – Cody se defendeu.
- Bem... Andrew e eu estamos ficando, então ele me contou!
- Eu não acredito! Que bom! Ele beija bem? – ela disse contente.
- !! – ralhou.
- O que foi? Cody é o meu namorado!
- E pelo que parece o Andrew é o dela! – Cody acompanhou sua namorada na brincadeira e ficou vermelha de vergonha.
- Eu vou voltar para o meu quarto! Qualquer coisa que precisar, estou aqui! – ela disse envergonhada retornando pelo mesmo caminho que veio.
- Vamos para o meu quarto, preciso desmontar minha mala e lavar algumas roupas!
Eles foram até o quarto de , enquanto Cody estava deitado na cama observando cada gesto de sua namorada, ela abria a mala, avaliava peça por peça qual estava suja e qual não. Separou em dois montes de roupa e levou um deles para o banheiro, local em que ficava a máquina de lavar. Ao retornar, as roupas não estavam mais em cima da cama, Cody estava as guardando no guarda roupas.
- O que você está fazendo?
- Te ajudando! Assim agilizamos as coisas e podemos deitar um pouco e assistir alguma série!
- Você é incrível! – os dois se beijaram e se deitaram na cama.
- Eu escolho o que vamos ver! – Cody se pronunciou enquanto mexia no computador.
Enquanto ele escolhia a série ou o filme, pegou seu celular para olhar as mensagens, viu dezenas de ligações de Wesley, Drew, Keaton e inclusive de seu ex-namorado, Adam. Centenas de mensagens de amigos de Huntington Beach e Stanford. Ela não sabia por onde começar, e decidiu não o fazer naquele momento.
e Cody passaram um momento legal juntos, apenas os dois, assistindo uma série e discutindo a cada episódio.
- Tudo bem, agora você vai tomar banho e eu vou cuidar dos seus machucados!
E assim o fez, e ao sair do banho, Cody a esperava com a pomada, a faixa e a gaze. O processo foi mais rápido, pois Cody já tinha pegado o jeito.
- Você é quase um enfermeiro já! – ela disse o abraçando.
- Mas eu só quero cuidar de você!
Eles se beijaram e assim que a mulher se trocou, ela o acompanhou até seu carro.
- Descansa! Agora você pode dormir e não precisa se preocupar comigo, você já cuidou muito de mim esses dias!
- Descansa também! Amanhã voltamos a estudar e não vai ser fácil.
- Tenha bons sonhos, Cody! Sonhe comigo! – disse assim que ele estava em seu carro.
- Boa noite, ! Sonhe comigo você também!
Ao voltar para seu apartamento, ouviu seu telefone tocar. Era Wesley.
- A que devo a honra da ligação?
- Agora ela resolveu atender!! – ele dizia indignado.
- Calma, meu filho! Eu só cheguei agora em Stanford! – ela se defendeu.
- Você podia ao menos ter mandado uma mensagem! Quer que eu morra do coração? Eu quase peguei o carro e fui até você! Você não pode fazer isso comigo, ! Não pode! – a voz dele estava diferente, ele estava começando a chorar.
- Wes, calma! Eu juro que não fiz por mal, mas esses últimos dias foram difíceis para mim!
- Como você está?
- Machucada, com alguns cortes pelo corpo, mas bem!
- Quando eu vou poder te ver de novo?
- Podemos nos falar por vídeo, não hoje porque eu estou muito cansada, mas pessoalmente eu ainda não sei quando volto para casa!
- Eu estou com muita saudade! Se cuida, por favor!
- Wesley, eu também quero falar com ela!
– Drew disse mais ao fundo.
- Eu me cuido, prometo!
- Fala com esse idiota do Drew!
- Pirralha! Como você está?

- Me recuperando aos poucos!
- Espero que você melhore logo! Não deixa de dar notícias para a gente!!
- Pode deixar!
ficou feliz por ter recebido a ligação de seus amigos, em saber que eles se importavam com ela mesmo distante. E apesar da felicidade, o cansaço ainda a consumia, depois de jantar ela se deitou na cama e apagou.
No dia seguinte foi quase impossível acordar com o despertador do celular, assim como em todos os outros dias da primeira semana de volta as aulas. Praticamente, todos os dias acordava sua amiga.
- Atrasada de novo! – disse enquanto esperava terminar de se arrumar.
- Eu sei! Eu sei! – ela disse enquanto pegava sua mochila.
- Antes de me perguntar, não, não temos tempo de comer!
- Que merda! Eu preciso me acostumar de novo com a rotina!
- Você precisa aumentar o volume do seu despertador.
- Isso também!
comeu alguns biscoitos que seus colegas de classe ofereceram e assistiu as aulas do período da manhã, mas não via a hora de almoçar.
- Quer almoçar com a gente? – Leon Boyle perguntou a .
- Queria muito, mas combinei de almoçar com o Cody!
- Tudo bem, nos vemos no próximo período!
caminhava tão depressa que quase não viu Cody, mas ele barrou o caminho dela.
- Que pressa é essa? Tudo isso é fome? – ele perguntou curioso.
- Muita fome! Você nem faz ideia! – ela disse desesperada e os dois deram um selinho demorado.
- Você acordou atrasada de novo?
- Pois é, eu detesto acordar cedo!
Enquanto os dois tiravam a comida, Cody reparava na quantidade de alimento que sua namorada pegava, essa foi a primeira vez que ele a viu comer tanto.
- Você realmente vai comer tudo isso que pegou? – ele questionou impressionado.
- Certeza absoluta! – ela disse pegando a bandeja e caminhando em direção a uma mesa para duas pessoas.
- Em duas semanas temos o primeiro jogo do semestre! – Cody disse empolgado.
- É verdade! Eu me lembro que você disse! Como estão os treinos?
- Cada vez mais pesados, mas nós damos conta. O clima é diferente agora que o está fora, mas acho que ele volta a tempo de assistir esse primeiro jogo!
- Eu sinto muita falta dele, mas fiquei sabendo que semana que vem ele volta!
- Ainda bem!
- E em qual dia da semana vai ser o jogo?
- Sexta-feira...
- Perfeito!
- E vai ser no estádio de Stanford...
- Maravilha!
- E...
- O que?
- Eu queria que você fosse assistir!
- Cody, não era obvio que eu iria te assistir? Em qualquer lugar que você vá jogar, eu vou assistir!
- Você é perfeita, sabia? – ele disse apaixonado.
- Não, você que é perfeito, eu já deixei isso claro!
No mesmo instante, um pensamento tomou conta da mente de : se Cody era o melhor namorado do mundo, se eles tinham um relacionamento, forte, saudável e feliz, não era hora de contar para ele o que tinha acontecido em Huntington Beach, com Wesley?
- Está tudo bem? Você ficou quieta de repente.
- Tudo bem... Contra quem vocês vão jogar?
- Pittsburg.
- O time do Quarterback super gato? – ele parou de comer imediatamente para encarar sua namorada.
- Você não está falando do Spencer Steall, não é?
- Ele mesmo!!
- Sim, é o time dele.
- Esse jogo vai ser ótimo, então!
- Ah, é mesmo?
- Vai ser o jogo em que o Quarterback gato de Pittsburg vai levar uma surra do Quarterback maravilhoso de Stanford, meu namorado!
- Hum, soube contornar muito bem a situação!
- Eu só falei a verdade!
O restante do dia passou mais rápido do que imaginava, talvez pelo fato de estar de barriga cheia, o que a fez prestar atenção nas aulas.
- Os seminários acontecerão daqui um mês e meio, portanto, quero que se dividam em grupos com no máximo cinco pessoas e me passem a lista com os nomes na próxima aula! Agora, estão dispensados! Bom descanso! – a professora de Direito Constitucional disse ao finalizar a última aula do dia.
- Essa aula parecia que não ia acabar! – Annie Carter, uma colega de turma disse enquanto eles caminhavam para fora do prédio de Direito.
- Essa semana está demorando muito para acabar! Quero o final de semana logo! – Leon disse.
- O que vocês vão fazer agora? – Annie perguntou para e Leon.
- Eu vou para o meu apartamento, porque o Cody está me esperando lá! – disse lendo uma mensagem de seu namorado em seu celular.
- Quem me dera namorar Cody Christian! – Leon disse suspirando.
- Uma pena que ele é heterossexual! – Anne cortou os devaneios dele.
- Uma pena para mim, mas ótimo para , ela aproveita por todos nós, meros mortais!
Durante as duas semanas que antecederam o primeiro jogo do semestre, via Cody sempre que ele tinha uma noite livre de treinos, o que acontecia mais aos finais de semana, mas algumas noites de semana também. Normalmente Cody dormia no apartamento de e levava algumas trocas de roupa.
- Você bem que podia começar a ir até a fraternidade, não é? – Cody disse em uma noite após sair do banho e entrar no quarto de sua namorada.
- O que?! E ficar na presença de um milhão de homens? Nem pensar!
- Não moro com mais um milhão de homens!
- Se você quiser, eu posso abrir um espaço na minha gaveta e você coloca algumas roupas suas aqui! – ela disse simples e Cody ficou estático. – O que foi?
- Você vai abrir um espaço na sua gaveta, para mim?
- Sim, acabei de falar isso!
- O nosso relacionamento está ficando cada vez mais sério! Eu preciso MESMO te apresentar para os meus pais! – ele disse se aproximando de e a beijando apaixonadamente.
Para , cada momento com Cody era único e especial, ela gostava de ficar com ele, mas sentia que estava escondendo algo muito sério dele e esse sentimento por vezes a consumia e não a deixava dormir. Era uma angústia e medo que juntos a deixavam sem saber o que fazer.
- Eu vou contar para ele! – disse alguns dias antes do primeiro jogo do semestre, para Wesley em uma ligação rotineira.
- Você não quer contar agora, não é? Faltando menos de cinco dias para o jogo dele!
- Wesley, eu não consigo dormir à noite direito porque esse sentimento me consome!
- Espera passar o jogo e então você conta! Não desestabiliza ele agora!
- O que eu fiz é imperdoável...
- Não se martiriza, o que nós fizemos foi a reação de sentimentos que ficaram guardados por mais de oito anos e que não foram correspondidos na devida hora!
- Eu me odeio às vezes por isso, por que a vida faz essas coisas com a gente?
- Se fosse em outro cenário, um cenário no qual você não namorasse, você estaria arrependida? – Wesley perguntou e pensou por algum tempo.
- Não, eu não me arrependeria.
- Se você precisar de apoio, me liga quando quiser! Eu estou aqui com você sempre, não se esqueça!
- Eu sei!
- Boa sorte!
- Obrigada!
desligou a ligação e não se sentiu melhor, o mesmo sentimento tomava conta dela desde que voltou para Stanford.
- Com quem você estava falando? – perguntou saindo de seu quarto e assustando , que estava na sala.
- ! Eu não sabia que você estava em casa!
- Está tudo bem? Já tem alguns dias que eu vejo você com outro ânimo, sempre pensativa.
- Na verdade, não tem nada bem... – os olhos de se encheram de lágrimas.
- O que aconteceu? Não chora!
- Quando eu fui para Huntington Beach, eu traí o Cody... – ela dizia chorando já.
explicou no meio de alguns soluços o que tinha acontecido e como se sentia agora, contou também sobre o que Wesley tinha acabado de dizer.
- Eu tenho que concordar com o seu amigo! Agora não é a melhor hora!
- Eu não vou aguentar por mais muito tempo!
- Tenta não pensar nisso, eu sei que você se sente a pior pessoa do universo, mas isso não ajuda em nada, você podia esconder isso do Cody pelo resto da sua vida, mas não quer, porque você ama ele e não quer um relacionamento com mentiras! Você está fazendo o certo!
As duas se abraçaram e sentiu pela primeira vez que o que faria era o correto. Durante o restante dos dias que antecederam o jogo, ela quase não via Cody, o que por um lado era bom.
Na sexta-feira, todos os alunos que conseguiram matar as aulas do período da tarde, assim fizeram. O que foi o caso de .
- Eu já estou pronta há quase duas horas! – gritou no apartamento de , enquanto esperava ele se trocar.
- Você matou aula, eu não! – ele respondeu gritando.
- Isso é porque você não sabe viver a vida! – ela resmungou.
- Eu ouvi isso!
e chegaram no estádio alguns minutos antes dos times entrarem em campo, foi o tempo de encontrarem , , e , se acomodarem e os jogadores entraram em campo. O primeiro time a entrar foi Pittsburg, o primeiro jogador era o Quarterback do time, Spencer Steall, ele acenava para as pessoas e recebia aplausos e ovações.
- O Spencer é muito parecido com o Cody! Tirando o fato de ser ruivo! – comentou.
- Eles podiam ser parentes! – respondeu.
As meninas e as líderes de torcida gritavam animadas e histericamente para o Quarterback enquanto ele apenas sorria e piscava para algumas.
- Típico, não? – comentou observando a cena.
- Deixa as garotas, elas são pessoas carente de atenção e afeição! – respondeu.
- Parece que temos um psicólogo aqui! – disse debochando e todos riram.
A gritaria no estádio ficou mais alta quando o time de Stanford começou a entrar em campo, assim como Pittsburg, o primeiro a entrar foi o Quarterback, neste caso, Cody, mas ao invés de correrem pelo campo, os jogadores pararam em uma fila junto com as líderes de torcida e de dentro do acesso interno, apareceu, estava de muletas e com dificuldade para andar, mas sorria como nunca.
- É o ! – se exaltou ficando de pé, assim como seus amigos.
- Quando ele voltou? – perguntou feliz.
- Ele chegou hoje! – respondeu.
- Você sabia que ele estava aqui? – questionou indignado, .
- Mas é claro, nós dividimos apartamento!
Cody e o restante do time acompanharam até o banco de reservas enquanto o aplaudiam. Para sorte de , ela estava sentada próximo ao banco, então quando Cody a viu, ele sorriu para ela e piscou um olho.
- Boa sorte! – sussurrou e ele agradeceu.
- Típico, não? – imitou o que tinha falado há alguns minutos.
- Deixa ela, eles são namorados! – imitou e todos riram.
- Vocês são ridículos!
No intervalo do jogo, estava pensativa e notou.
- O que foi?
- Esses dias eu venho pensando muito sobre meu relacionamento com Cody, eu gosto muito dele, sou muito feliz com ele...
- Mas... – completou.
- Mas, eu não sei qual vai ser a reação dele quando eu contar o que aconteceu entre Wesley e eu. – já sabia do que tinha acontecido, pois no dia seguinte a festa de Adam, os dois foram obrigados a contar o que aconteceu e o motivo pelo qual nenhum dormiu em casa.
- Qual reação você acha que ele vai ter?
- Ele vai ficar decepcionado, bravo, vai se sentir... traído!
- Exato!
- E é exatamente por isso que eu preciso contar para ele! Ele é honesto comigo, nunca escondeu seus sentimentos e fez tanta coisa por mim que eu jamais saberia como retribuir! Eu não quero esconder isso dele, não me sinto bem!
- Seja qual for a decisão que você tomar e seja qual for a reação que ele tiver, eu vou te apoiar! – segurou a mão de e os dois sorriram.
A conversa foi interrompida pela volta do jogo. E a conclusão: Stanford ganhou a partida. Os seis saíram do estádio e esperaram que os jogadores saíssem, mas eles queriam ver o , acima de tudo.
- É o ! – disse empolgado apontando para a única pessoa no local com muletas.
Todos correram na direção do amigo, que ficou contente em vê-los.
- Eu não acredito que você voltou! – o abraçou e assim todos o fizeram.
- Nós estávamos com saudade já! – disse.
- Eu também! Tive que ficar um pouco mais em repouso, mas agora estou de volta!
- Vai ficar quanto tempo com o gesso?
- De seis a oito semanas, ainda não sei, vou começar um acompanhamento médico aqui em Stanford!
- Então logo, logo teremos você de volta no time! – Cody disse animado se aproximando do grupo.
- Ora, ora se não é o Quarterback do time vencedor? – disse cumprimentando Cody, assim como os demais. foi a última a fazer isso.
- Ih, agora nós os deixamos a sós! – disse se afastando.
- Você foi demais hoje! – disse o abraçando e recebendo um beijo no pescoço.
- Eu fiz tudo aquilo só para te impressionar! – os dois deram um beijo apaixonado.
- Eu não aguento mais vocês! – gritou e o casal parou para rir.
- Vamos comemorar a vitória? – Cody perguntou.
- Aonde vai ser?
- Na fraternidade!
- Eu topo!
- Então vamos! – Cody segurou na mão de e eles caminharam até o carro de Cody. – Alguém precisa de carona? – ele questionou para o restante.
- Eu preciso! – disse correndo seguindo o casal e foi junto.
Ao chegarem na fraternidade, que estava cheia já, e saíram do carro quase correndo, deixando e Cody a sós. A música da casa estava alta, o quarteirão estava cheio de carros e as pessoas riam e gritavam já, uma multidão chegou ao mesmo tempo e reconheceu como sendo o time de Pittsburg.
- O time de Pittsburg está aqui? – ela questionou.
- Sim! Nós somos colegas e afinal de contas é só um jogo, não é?
- Isso quer dizer que o Spencer está aqui também?
- Quais são as suas intenções com ele? – ele perguntou a desafiando.
- A única coisa que eu quero fazer com ele, é chegar bem pertinho dele para esfregar na cara que o meu Quarterback ganhou jogo.
- Já pensei que você tivesse outras intenções, mas essa está liberada e aprovada! – Cody disse se aproximando de e a beijando.
- Vamos, nós temos que entrar na festa! – ela disse parando o beijo e tirando o cinto de segurança, em seguida saindo do carro. Ele fez o mesmo.
- Aqui está lotado! – Cody disse cumprimentando algumas pessoas de longe.
- Eu quero beber alguma coisa!
- Boa ideia! – os dois entraram na casa e foram para a cozinha, o que demorou um tempo, pois por onde passavam, eram parados por pessoas que queria apenas cumprimentar e parabenizar Cody pela partida.
- Como você está? Ainda está muito machucada? – uma menina perguntou para , que se assustou, uma vez que, não a conhecia.
- Estou melhor! Obrigada por perguntar!
- Melhoras!! – ela disse e saiu. estava estática e Cody começou a rir.
- O que foi? – perguntou.
- Eu só estou observando a sua cara, de quem não sabia que era conhecida por todos.
- Eu não sou conhecida por todos. – Ela afirmou.
- Oi, ! Como você está? E a suas mãos, estão melhores? – dessa vez um garoto perguntou e a mulher teve certeza do que seu namorado tinha acabado de falar.
- Oi! Estou bem! Minhas mãos estão melhores, sim! – ela disse mostrando as mãos ainda enfaixadas, porém melhores já. – Obrigada por se preocupar! – ela sorriu e ele saiu. – Tudo bem, isso foi bizarro! Como ele sabe da minha mão?
- Talvez porque você esteja com faixas!
- Faz sentido, mas como eles sabem que eu sofri um acidente?
- Eles sabem por dois motivos, um deles é por causa do e o outro é porque nós namoramos, então infelizmente tudo o que acontece em nossas vidas, cai na rede rápido!
- Eu sou popular... – ela disse abismada. Cody riu e a abraçou, a guiando para a cozinha.
Assim que entraram no cômodo, alguns jogadores do time de Pittsburg estavam conversando e se servindo. Todos pararam o que estavam fazendo e comemoraram a chegada de Cody:
- Cody Christian! – um deles se animou e correu em direção a ele, o abraçando.
- Tony Reynald! – Cody disse.
- E não é que nos encontramos novamente, Christian! – Spencer disse saindo de seu lugar e o cumprimentando.
- Steall! Você me deve dez dólares pela aposta que fizemos! – Cody respondeu rindo.
- E esta dama dever ser ! – ele disse se virando para ela. – É um prazer conhecer a mulher que meu amigo de infância tem o prazer de namorar! – eles se abraçaram.
- Amigo de infância? – perguntou boquiaberta.
- Anos e anos de amizade! – Cody disse contendo o riso.
- Já que são anos de amizade, você bem que podia me contar algumas histórias do Cody! – ela disse.
- Mas com certeza! – Spencer disse animado.
- Mas não hoje! – Cody se desesperou e abraçou , a levando para perto de uma garrafa de bebida.
- Spencer, vamos marcar um dia então! – ela disse provocando Cody enquanto era servida.
Após saírem da cozinha, eles seguiram para o quintal e lá conversaram com muitas pessoas, pessoas que queriam saber como estava, o que tinha acontecido no acidente, como tinha sido a viagem até Las Vegas e até dicas de viagem.
- Mas eu pensei que você tivesse visitado seus pais! – uma menina disse e mais uma vez estava surpresa, por saberem tanto de sua vida.
- Sim, eu visitei meus pais e depois fui para Vegas! – ela disse simples. Mas um sentimento estranho a invadiu, era uma sensação já conhecida, que a perseguia desde Huntington Beach. Novamente ela se sentiu sufocada e impotente, a ansiedade e o medo tomaram conta dela mais uma vez e nem o álcool foi capaz de diminuir o sentimento. procurou com os olhos Cody por todo o local e o encontrou com alguns colegas de time, caminhou decidida até ele.
- Oi, meu amor! – ele disse sorridente a abraçando.
- Preciso conversar com você! – ela disse firme.
- Tudo bem, o que houve?
- Será que pode ser em um lugar menos barulhento e mais a sós?
- Está tudo bem? – ele estava preocupado.
- Sim, mas eu preciso conversar com você!
- Vamos para o meu quarto! – ele disse apontando para dentro da casa. foi na frente e Cody a seguiu por todo o percurso.
Ao entrarem no quarto, que estava bagunçado como sempre, respirou fundo e Cody a encarou.
- O que está acontecendo? – ele se sentou na cama.
se sentou em frente a ele, mas não sabia como falar o que precisava. Mil formas de dizer isso passavam em sua cabeça, mas ela não conseguia se expressar, ela respirava fundo e tentava se concentrar.
- Uma coisa ficou muito clara para mim depois do acidente, eu sempre gostei muito de você, mas quando você apareceu no hospital, eu tive certeza de que amo você, fortemente.
- Você está grávida?!
- O que? Não!
- Então, eu não estou entendendo!
- Acontece que... – se sentiu sufocada e seus olhos se encheram de lágrimas. Cody se espantou com o choro e foi como se uma voz falasse para Cody.
- Você ficou com outra pessoa, não é? – ele perguntou sério. começou a chorar desesperadamente e ele se levantou.
- Sim! – ela disse em meio a soluços. Ela esperava uma reação de Cody, mas ele não esboçou nenhuma.
- Quem? Quando? Onde? – foram as únicas coisas que ele perguntou.
- Foi em Huntington Beach, com o Wesley.
- Vocês transaram? – os olhos dele começavam a ficar vermelhos e cheios de lágrima.
- Sim.
- Quantas vezes?
- Foi só uma vez, no dia da festa do Adam!
Os dois ficaram em silêncio, Cody estava de costas para ela e a única coisa que podia ser ouvido era a respiração de .
- Fala alguma coisa, por favor! – implorou.
- O que você quer que eu fale? – ele perguntou grosso, era a primeira vez que ela ouvia a voz dele daquela maneira.
- Me xinga, grita comigo, fica bravo e quebra qualquer coisa, mas não me ignora!
- É isso que você quer?! Que eu jogue na sua cara que enquanto você estava se divertindo com o Wesley, eu estava pensando em você a toda hora? – era a primeira vez que ele olhava nos olhos dela, ambos estavam chorando.
- Eu juro por tudo, que no momento que isso aconteceu, eu me senti a pior pessoa do universo, eu queria te ligar e contar tudo para você!
- Eu sou um idiota mesmo! Saí de casa para ir até o hospital em Morgan Hill porque eu estava preocupado com uma pessoa que sequer gosta de mim...
- Isso não é verdade!
- Que na primeira oportunidade que teve, me traiu com um amigo! Isso se não tinha combinado já com ele! A transa das férias! Por acaso o Wesley correu até Morgan Hill? Ele te deu suporte? Cuidou dos seus machucados? Ligou para a sua família para manter informado do que estava acontecendo? Eu acho que não!
- É exatamente por isso que eu precisava contar o que tinha acontecido, eu não aguentava mais esse sentimento de farsa, eu não queria esconder nada de você, eu quero que você confie em mim da mesma forma como eu confio em você!
- É muito bom saber que você confia em mim, porque não confio em você mais! Eu não sei como não imaginei que algo poderia acontecer entre você e o amor da sua adolescência!
- Eu sei que você está triste...
- Eu não estou triste. – Ele a interrompeu. – Estou decepcionado, de todas as pessoas do mundo, eu não esperava uma atitude dessas vindo de você, a pessoa que eu mais amo.
As palavras de Cody foram o suficiente para que sentisse um soco no estômago, um tapa na cara, nojo e raiva de si.
- Dizem que o relacionamento está na mão de quem se importa menos, eu nunca acreditei nisso, mas acho que aprendi que é verdade.
- Não! – ela se aproximou dele.
- Eu não quero você perto de mim! – ele afastou. – Eu preciso ficar longe de você por um tempo.
- O que?
- Eu quero um tempo, preciso repensar tudo o que tivemos e tudo o que eu estou sentindo. Eu não sei se consigo confiar em você ainda, quem dirá ter um relacionamento.
- Você está falando sério?
- Eu nunca falei tão sério em toda minha vida. Agora, eu quero ficar sozinho! – ele disse praticamente a expulsando do quarto. não tinha palavras, ela apenas se virou, caminhou até a porta e em seguida saiu do quarto, sem olhar para ele e sem receber o olhar dele. Fechou a porta e ficou no corredor por algum tempo.
A ficha ainda não tinha caído, ela não namorava mais Cody. A música estava alta e as pessoas bêbadas demais para terem ouvido alguma coisa, mas não podia sair da casa chorando, ela enxugou as lágrimas e esperou um pouco até descer as escadas para a festa. Ela tentou não ser notada e não agir estranhamente, ela caminhava em passos largos até a entrada da casa e quando chegou, constatou que o local estava vazio.
- Como é que eu vou embora? – ela dizia olhando ao redor, já era tarde para o ônibus interno e ela não queria que ninguém a visse daquela forma. Ela sentou-se na guia da calçada e respirou fundo, pensando em possibilidades e segurando a vontade de chorar ao máximo. Apenas duas pessoas repararam que tinha saído da casa sozinha.
- Você está bem? – Spencer perguntou observando a garota encolhida no meio fio. se assustou olhando para trás. – Eu reparei que você saiu do quintal com o Cody e voltou sem ele.
- Foi tão nítido assim?
- Só para quem reparou.
- Ótimo! – Ela disse irônica.
- O que aconteceu entre vocês?
- Eu não quero falar sobre isso.
- Tudo bem, mas você precisa de alguma coisa?
- Eu só quero ir para casa!
- Eu te levo para sua casa! – ele respondeu prontamente e ela o encarou, não sabia o motivo pelo qual ele faria aquilo. – Não tem problema, eu já fui em muitas festas de comemoração após os jogos.
- Você conhece o campus? – questionou enquanto se levantava.
- Eu já vim aqui algumas vezes, o meu primo estuda aqui. Me fala o lugar em que você mora e eu te levo!
Spencer não foi a única pessoa que viu sair sozinha da festa.
- Pode deixar que eu a levo, Spencer! – disse se aproximando dos dois, enquanto tirava a chave do carro do bolso da calça.
- Pensei que você quisesse aproveitar a festa! – Spencer comentou.
- Não estou no clima, hoje! Pode deixar que eu levo a , ela é minha vizinha de porta.
- Tudo bem, deixo você nas mãos do ! – Spencer abraçou e .
- Obrigada por se preocupar!
- Se cuida! Nos vemos por aí! – ele respondeu e voltou para a casa.
caminhou na frente e o seguiu em direção ao carro, os dois entraram e foram rumo ao prédio em que moravam. Ele não ficava longe, de carro a distância percorrida durava praticamente cinco minutos. Ao saírem da frente da irmandade, toda a ficha de caiu, e ela entristeceu, queria chorar, mas não em frente a .
- De onde você conhece o Spencer? – perguntou.
- Ele é meu primo! – respondeu simples.
- Sério?!
- Sim! Apesar de não termos o mesmo sobrenome, somos uma família só!
- Não imaginava...
- O que aconteceu entre você e o Cody? – ele questionou curioso, não tinha reparado nos olhos vermelhos e na voz fanha, de quem tinha chorado.
- Cody terminou comigo... – ela disse repentinamente e se espantou.
- Você está falando sério? – ele queria uma resposta, mas não obteve. estava olhando para a janela e ficou em silêncio mais tempo do que o usual. – , olha para mim...
- É verdade... – ela disse após respirar profundamente e não conseguiu mais esconder o choro.
No mesmo instante, encostou o carro e tirou o cinto de segurança, abraçou a mulher ao seu lado enquanto ela chorava.
- Eu estou aqui com você, pode chorar o quanto quiser!
- Foi tudo culpa minha! – ela disse em meio a soluços.
- Quer me contar o que aconteceu? – ele perguntou enquanto afagava os cabelos dela.
- Eu traí o Cody, quando fui para Huntington Beach, traí com o Wesley, e eu não aguentava mais esconder isso dele!
estava surpreso, não sabia do acontecimento e não conseguia imaginar tendo uma atitude como essa.
- Eu me sinto a pior pessoa do universo!
- Não se martirize! Você falou a verdade para ele, pelo menos! Isso quer dizer que você se importa!
- Ele terminou comigo e não quer olhar na minha cara mais!
- Isso é besteira, ele estava nervoso, falou da boca para fora!
- E se for verdade?
- Se for verdade, bem... se ele parar de falar com você, isso significa que ele não te merecia!
- Eu é que não merecia ele... – disse parando e chorar.
Aos poucos ela se recuperou e voltou a dirigir para casa. Em poucos minutos os dois já estavam no elevador para o andar do apartamento.
- Você vai ficar bem? Quer companhia? – perguntou quando pararam em frente aos seus apartamentos.
- Vou ficar bem, mas preciso de um tempo sozinha... muito obrigada por tudo! – o abraçou, um abraço de gratidão, e entrou em seu apartamento.
A mulher foi até seu quarto, trocou a roupa e colocou o pijama, caminhou até o banheiro para desenfaixar os machucados e então lavou seu rosto para tirar a maquiagem. Ao se encarar no espelho, viu seus olhos vermelhos e inchados, o nariz escorrendo e uma dor na garganta e na cabeça por ter chorado tanto. Enquanto se encarava, pensava que quando contasse para Cody o que tinha acontecido, um peso sairia de seus ombros, mas não foi bem assim, ela se sentia mais culpada do que nunca. Então voltou a chorar. Andou até a sala e ligou a televisão, precisava distrair a cabeça com qualquer coisa, foi quando ouviu a porta abrir, mas antes alguém a chamou do lado de fora:
- ? – era . No momento em que ela abriu a porta, se virou para vê-la e encontrou todos os seus amigos lá, , , , e .
- O que vocês estão fazendo aqui? – ela questionou não compreendendo. Todos caminharam até ela, se juntando em volta.
- Você está bem? – ficou de frente para e a olhou nos olhos. Ele já sabia a resposta. Os olhos de se encheram de lágrimas e mais uma vez ela estava chorando.
- Ele terminou comigo! Eu contei para ele e ele terminou comigo... – ela disse desesperada. a abraçou instantaneamente.
- ... – foi a única coisa que ele conseguiu falar.
- Nós sabíamos que tinha alguma coisa estranha quando vimos o Cody e não vimos você, ele não quis falar conosco e agia de forma estranha, então mandou uma mensagem, falando que você estava mal e que tinha a trazido para casa. – disse.
- Vocês todos não precisavam ter vindo! – ela disse com a voz rouca.
- Nós precisávamos sim! – disse – porque amamos você e nos importamos com você!
Todos concordaram com e se aglomeraram perto de , a abraçando ao mesmo tempo, mostrando que estavam lá por ela e com ela, em qualquer situação.


Capítulo 15


tinha acabado de sair da última aula do período diurno e caminhou até o refeitório, ao entrar notou a grande quantidade de alunos juntos que riam e conversavam alto e bem no meio do grupo, Cody, como se nada tivesse acontecido há três dias. E foi como se inconscientemente ele soubesse que ela estava lá, pois no exato momento ele olhou diretamente para o local em que ela estava, mas não durou nem cinco segundos, pois ele fingiu que ela não existia e retornou a conversa.
Essa atitude foi suficiente para que a mulher ficasse extremamente magoada, porém ela estava decidida a superar e estava com fome, então não sairia de lá por causa dele.
- Você está bem? – perguntou parando ao lado dela.
- Sim, eu quase me arrependi por ter entrado aqui, mas já passou! – ela olhou novamente para o grupo e seguiu seu olhar.
- É assim que eu gosto! – ele sorriu aprovando tal atitude. – Posso te fazer companhia durante o almoço?
- Claro que sim! – ambos retiraram seu almoço e se dirigiram a uma mesa menor, com quatro lugares apenas.
Cody, que não conseguia parar de pensar em , soube no mesmo instante em que a viu no restaurante, que não poderia encará-la, estava chateado, mas ainda gostava dela, e ficou zangado ao vê-la com .
- Sabe... – começou a falar – aquela lição que você me ensinou, está funcionando até que muito bem!
- Sério?! – perguntou surpresa.
- Sim!
- Quero ver na prática! – disse de repente.
- Como assim? – ele se surpreendeu.
- Finge que você acabou de chegar aqui no restaurante e me viu, me achou maravilhosa e quer me paquerar.
- Você está falando sério?
- Nunca falei tão sério em toda a minha vida!
- Tudo bem então. – Ele se levantou e então chamou a atenção dela – com licença! Por acaso posso me sentar aqui com você? Percebi que você estava sozinha, e eu também, é claro, se não for muito incômodo...
- Pode se sentar sim! – ela respondeu simpática – como você se chama?
- Simon!
- Simon de que?
- De que? Você quer saber meu sobrenome? – ele perguntou um pouco nervoso.
- Sim!
- Simon Bray!
- Sou ! Você faz medicina, não é?
- O que, eu? Não!
- Eu tenho certeza de que já te vi no prédio de medicina!
- Talvez você esteja me confundindo!
- Então, qual curso você faz?
- Direito! – ele disse sem pensar.
- Eu também curso Direito!
- Que coincidência! – ele respondeu entrando em pânico.
- Você está em qual semestre?
- Segundo semestre.
- Espera, segundo semestre? Mas eu também estou no segundo semestre e nunca te vi na minha sala.
- Ah, me desculpa, eu me confundi! Estou no quarto semestre! – ele estava vermelho de vergonha.
- Você percebeu em qual momento errou? – perguntou enquanto dava uma garfada.
- No momento em que eu tentei fazer isso com você? – ele respondeu risonho e ela o acompanhou.
- No momento em que eu te perguntei qual curso fazia, você deveria tentar inverter a situação.
- Como assim?
- Pense um pouco... – ela disse e os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas comendo.
- Acho que entendi! – disse de repente.
- Então vamos tentar novamente! – ela respondeu e voltou a conversa anterior – então, qual curso você faz?
- Qual curso parece que eu faço?
- Acho que já te vi algumas vezes no prédio de medicina!
- Medicina? Você me viu dentro do prédio de medicina?
- Não, apenas fora!
- Então qual curso você faz?
- Faço Direito!
- Ah, está explicado o motivo pelo qual você “me vê” – ele disse entre aspas – mas eu não faço medicina, então talvez você esteja me confundindo!
- E qual curso você faz?
- Literatura! – ele disse rapidamente, pois foi o prédio mais afastado que ele se lembrou.
- Nossa! Então eu devo estar te confundindo mesmo!
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, até dar um pequeno grito de comemoração.
- Isso foi ótimo!! – ela o parabenizou alegremente.
Após terminarem de almoçar, os dois se dirigiram para fora do restaurante e procuraram uma parte do gramado que ficava em frente para sentar-se embaixo do sol por alguns minutos.
- Vitamina D! Faz muito bem! – comentou.
- Ora, ora, temos uma médica aqui!
- Eu só sei o que sei!
- E como você está? Quero que seja sincera comigo.
- Está sendo muito difícil, eu tinha uma rotina que incluía ele em sua maior parte, fosse conversar com ele, ver ele, pensar nele... E agora ele nem quis olhar na minha cara dentro do restaurante.
- Ainda está muito recente, você tem que dar tempo ao tempo! Mas também não pode sofrer por isso! Tente não pensar nele sempre, tente não ver fotos de vocês juntos, tente não procurar ele sempre que estiver em um ambiente comunal.
- É fácil falar.
- Eu sei que a professora aqui é você, mas agora é a minha vez de ajudar! Você me dá aulas sobre como me esconder de garotas, e eu vou te ajudar a como esquecer um garoto!
- E se eu não quiser esquecer?
- Então vou te dar aulas de como superar um garoto. Você quer minha ajuda? – ele estendeu a mão e levou algum tempo para chegar a uma conclusão.
- Eu quero a sua ajuda! – ela respondeu e apertou a mão dele.
- Como eu já disse, você tem que evitar pensar nele e no seu relacionamento! Vai ser difícil, mas você precisa se esforçar!
- E se eu não conseguir?
- Sempre que você se sentir mal, me liga, bate na minha porta ou me manda uma mensagem, eu prometo que vou conversar com você e te distrair! – ele disse sinceramente.
- Muito obrigada, de verdade! – disse sorrindo e o abraçou, retribuiu.
- Vamos para aula agora? – era quase uma afirmação.
- Precisamos mesmo? – ela perguntou com preguiça.
- Você quer se formar, não quer?
- Com certeza! – ela disse se levantando rapidamente e os dois começaram a caminhar juntos, uma vez que, os prédios de Direito e Medicina ficavam próximos.
Cody estava saindo de dentro do restaurante e automaticamente seus olhos começaram a procurar por , e encontrou. Ela caminhava com , os dois conversavam sobre algo sério, pois os semblantes estavam sérios, ele respirou fundo e se perguntou o que aconteceria com seu relacionamento.
Enquanto isso, por todo o campus o assunto do momento era a o término de Cody e . Aonde quer que passassem, as pessoas olhavam para os dois e cochichavam entre si.
- O que as pessoas sabem sobre o término do namoro? – perguntou para Leon e Annie.
- Apenas que vocês terminaram, o motivo real eles não sabem. – Leon respondeu.
- É impressionante, não é? Como a mulher sempre é julgada em qualquer relacionamento, se o homem trai a culpa é da mulher, se a mulher trai é culpa da mulher, se o relacionamento não deu certo a culpa é da mulher, isso é ridículo! – Annie revoltou-se.
- Eu cansei disso já! – já fazia uma semana que os dois estavam separados.
- Isso vai passar, querida! – Leon a abraçou.
Ao final do dia, durante o caminho de volta ao apartamento, passou em frente a principal praça de Stanford, várias pessoas estavam sentadas conversando, brincando ou tentando estudar, entre elas, o time e as líderes de torcida.
- Não procura ele! Não procura ele! – disse para si mesmo como uma ordem.
Mas foi impossível evitar, Cody estava sentado encostado em uma árvore e algumas garotas estavam ao seu redor, ele não parecia dar atenção para o que elas falavam, apenas balançava a cabeça. tentou fingir que não o tinha visto e seguiu seu caminho.
- Olha só quem está por aqui, ! – uma voz feminina chamou a atenção de , que se virou. Era Amber Johnson, a capitã das líderes de torcida do time de futebol, mas não sabia disso, e ao seu lado, mais duas companheiras.
- E você é? – perguntou.
- Amber Johnson! Eu queria te agradecer por uma coisa, muito obrigada por terminar com o Cody! Agora ele vai descobrir que existem mulheres muito melhores para ele!
A princípio, não soube se ela estava falando sério, mas como ninguém riu, supôs que sim.
- Mulheres muito melhores? Pergunta para ele aonde ele vai encontrar, aproveita e dá um pulinho lá, para aprender algumas coisas!
- Como é? – ela questionou ofendida.
- Além de burra não ouve direito? Por essa eu não esperava! – disse sarcástica. Ao longe, Cody que não prestava atenção em nada do que as garotas que o cercavam falavam, viu Amber conversando com e sabia que isso não era uma boa coisa.
- Você sabe com quem está falando?
- Deveria? Por acaso você ganhou algum prêmio Nobel?
- Escreve o que eu estou te falando, , eu ainda vou namorar o Cody!
- Eu vou ter que escrever? Ah... É porque você não foi alfabetizada?
- Olha como você fala comigo! – Amber disse dando um passo para frente, mas foi interrompida por Cody, que estava ouvindo a conversa há algum tempo.
- Amber! – ele disse firme assustando todos.
- Cody! – ela se virou para ele, mudando completamente a postura. – O que você está fazendo aqui? – ela perguntou desconfortável. Enquanto isso, apenas se virou e voltou para seu percurso.
- Fica longe da ! – Cody disse seco para Amber, a deixando de lado e seguindo .
- Eu não acredito que eu sou obrigada a ouvir esse tipo de coisa em plena quarta-feira! – dizia revoltada enquanto caminhava apressada.
- EI! – Cody a chamou e ao ouvir a voz dele, a mulher parou instantaneamente, seu coração disparou, mas ela não se virou, esperou ele caminhar até ela e parar em sua frente. Sua respiração estava falhando. – Você está bem? – Cody questionou a encarando de perto pela primeira vez depois de uma semana.
- Eu só não acredito que sou obrigada a ouvir o tipo de comentário que ela fez, Cody! – disse firme, mas seus olhos se encheram de lágrimas. Cody quase levou uma mão até o rosto da mulher em sua frente, mas se controlou.
- Ela é a capitã das líderes de torcida...
- Ela podia ser a capitã do time do inferno!
- Ela acha que pode fazer e falar qualquer coisa...
- Isso não é justificativa! Isso aqui não é um filme, que ela é a garota malvada e pisa em qualquer pessoa inferior!
- Você não é inferior a ninguém – Cody disse com certeza em sua voz.
- Eu sou. Não é você que recebe os olhares te julgando em qualquer lugar que passe... – disse triste.
Cody não teve reação, ele não imaginava que ela estava passando por isso, e então o motivo de não a ver mais nos ambientes comunais era esse, os olhares e comentários.
- Eu só quero ir para minha casa... – disse e saiu de lá. Cody apenas acompanhou com o olhar.
Estava parado no meio da praça, observando a mulher que amava se distanciar. Ela estava triste, mas ele também estava.
- O que aconteceu? – Andrew perguntou se aproximando de seu amigo.
- A Amber, estava provocando a por causa do nosso término.
- E a não deu um murro na cara dela? Isso que é autocontrole!
- Ela estava chorando...
- Chorando por quê?
- Porque ela também está magoada, Andrew! E a única coisa que eu queria fazer era abraçar ela e não soltar mais, mas não acho que eu consigo fazer isso, não agora.
chegou mais rápido do que o normal em seu prédio e bateu na porta de seu vizinho. abriu e a observou, notou sua expressão facial.
- Está tudo bem?
- O que você acha? Eu acabei de passar por uma situação ridícula!
- Entra, vamos conversar! – ele deu espaço e a mulher entrou. Explicou toda a situação e aguardava uma resposta. – Ela é uma idiota! Mas você tem que entender que existem pessoas que sempre vão cutucar uma ferida, que sempre vão querer o pior de uma pessoa, que só propagam aquilo que recebem e conhecem, se você conhece somente o amor, é ele que você vai propagar, se você só conhece o ódio, é o mesmo!
Aquilo ficou na mente de por muito tempo. Ela sabia que não seria fácil, mas decidiu parar de se esconder, ela tinha uma vida e precisava viver. Duas semanas tinham se passado desde o ocorrido na praça, cada vez que Amber via , ela espumava de raiva, cada vez que Cody via , ele sentia um aperto no coração e uma vontade imensa de conversar com ela.
- Conversa com ela, então! – disse em um almoço, enquanto Cody não tirava os olhos da mulher.
- Você acha?
- Já faz um mês que vocês estão sem se falar, acho que agora os ânimos já se acalmaram, faz sentido que vocês tenham uma conversa séria sobre o relacionamento!
- Até parece que você já namorou muitas vezes! – Andrew disse para , que riu. – Mas o que ele disse faz sentido!
Naquela mesma tarde após a última aula, Cody foi direto para o apartamento de , ele sabia que ela estaria lá, pois ainda se lembrava da grade de aulas dela. Tocou a campainha e esperou até que alguém fosse atender.
- Cody? – era , ela estava surpresa.
- Oi, ! Posso falar com a ?
- Ela não chegou ainda, deve estar na biblioteca estudando! – respondeu.
- Cody? – disse no começo do corredor, tinha acabado de sair do elevador.
- Olha, ela acabou de chegar! – disse e saiu da porta.
- Eu queria conversar com você, será que podemos?
- Sim... – ela disse passando por ele e entrando em seu apartamento. Os dois caminharam até o quarto de e se sentaram na cama.
- Como você está? – ele perguntou.
- Eu estou bem e você?
- Estou bem também... esse tempo que estamos separados, eu tenho pensado muito em várias coisas, a principal delas é o nosso relacionamento.
- Você tem? – ela estava surpresa, uma ponta de esperança surgiu.
- Eu percebi que ainda estou muito chateado com tudo o que aconteceu, isso me desestabilizou demais, pensar sobre o que você fez me magoa muito.
- Eu não espero outra reação sua a não ser essa...
- Mas... eu descobri que ficar sem te ver ou conversar com você, dói ainda mais – Cody disse desabafando.
- Eu sinto muito a sua falta! – a mulher desabafou também.
- Nós paramos de nos falar e nada foi resolvido, isso me deixou incomodado, então eu queria esclarecer algumas coisas com você – ele respirou fundo pensando nas palavras – eu não estou pronto para reatar o namoro ainda, mas eu queria voltar a poder conversar com você, como amigos.
escutava atenciosamente e ouvir que ele queria que os dois voltassem a ser amigos, foi doloroso.
- Eu não sei se consigo... – disse baixo.
- Nós podemos tentar voltar a nos falar aos poucos e ver aonde isso vai dar e se algum de nós sentir que não consegue, paramos. O que me diz? – Cody encarou a mulher e ela pensou por um tempo.
- Tudo bem! – aceitou pois pelo menos poderia ter contato com Cody novamente, mesmo que doesse.
- Perfeito! – ele disse sorrindo discretamente – no final de semana nós temos mais um jogo aqui em Stanford, eu queria muito que você fosse!
- Eu vou sim!
- Então, te vejo por aí e te vejo daqui quatro dias! – o homem se levantou da cama e o acompanhou pelo apartamento, até a porta do corredor. Eles não se abraçaram, apenas se despediram com acenos de mãos.
Enquanto Cody andava pelo corredor em direção ao elevador, de dentro dele saiu, os dois apenas se olharam, mas não trocaram nenhuma palavra. achou estranho Cody estar lá e seu olhar foi diretamente para , que estava encostada no batente da porta o encarando, esperando que ele fosse até ela.
- O que ele estava fazendo aqui?
- Veio me pedir para sermos amigos.
- Sem mais nenhuma justificativa?
- Ele disse que não está pronto para reatar nosso namoro, que ainda está muito magoado com o que aconteceu, mas que ficar sem falar comigo só machuca ele mais ainda.
- E você aceitou?
- Sim, mesmo sabendo que vai ser uma merda...
- Então por que aceitou?
- Porque eu gosto dele, !
- O amor é uma merda quando quer... – disse revoltado.
- Posso te pedir um favor? – ele concordou com a cabeça – vai comigo no jogo sábado? O Cody me pediu para ir, mas eu não quero ir sem você e o !
- O que você não me pede chorando que eu não faço chorando também? – respondeu e recebeu um abraço apertado da mulher, um hábito que tinha se tornado muito comum nas últimas semanas, desde que ambos criaram maior intimidade e amizade.
- Você é perfeito! Obrigada por todo apoio!
- Você sabe que pode sempre contar comigo!
Os quatro dias seguintes passaram lentamente devido ao tempo chuvoso, mas a manhã de sábado amanheceu ensolarada. e Cody ainda não tinham se falado por mensagens e muito menos pessoalmente, mas as poucas vezes que seus olhares se cruzavam, eram olhares gentis e amorosos.
Os estudantes de Stanford estavam agitados e começaram as festas antes do jogo bem mais cedo que o normal. Ao final da tarde, todos estavam na frente do estádio, aguardando a abertura dos portões, enquanto isso , e estavam no apartamento de , que ficava mais perto do estádio.
- Você tem certeza de que quer ir? – questionou a amiga pela milionésima vez naquela semana.
- Não, mas não custa nada! – ela se levantou do sofá e seus amigos fizeram o mesmo. Era hora de ir.
Assim que entrou no estádio algumas pessoas a encararam, mas ela não se importava mais com os olhares, tinha aprendido a lidar com eles. As líderes de torcida entraram em campo e revirou os olhos ao ver Amber e suas amigas.
- Vaca... – ela disse baixo e riu.
- Pega leve aí! – disse.
- Eu só falei a verdade.
O time de Stanford entrou em campo e como sempre foi ovacionado, Cody entrava na frente de seus colegas, mas desta vez ele não procurou na arquibancada, e isso a deixou decepcionada, mas não surpresa, afinal de contas, eles não eram mais namorados.
- Tem certeza de que foi uma boa ideia vir? – perguntou olhando a expressão da amiga.
- Não.
A partida já estava nos minutos finais e Stanford tinha uma vantagem pequena sob o adversário, foi somente quando Cody em conjunto com o jogador que substituía marcaram o touchdown que o tempo se esgotou. A torcida da universidade comemorava a vitória, pulavam, gritavam e se abraçavam.
Cody correu em direção aos jogadores e juntos comemoraram, gritando e se abraçando, os demais jogadores levantaram Cody e o substituto de em forma de celebração pelo desempenho. Foi só do alto que Cody viu sem querer que estava na arquibancada e isso o deixou mais alegre, ele sabia que ela sempre esperava sair do estádio, e estava decidido a conversar com ela.
Os companheiros de time o colocaram no chão novamente e não deu tempo de Cody entender o que estava acontecendo devido à grande quantidade de pessoas que os cercavam, ele apenas sentiu uma pessoa o puxar e beijar. Era Amber. A reação de Cody demorou mais do que o esperado, ele levou suas mãos até o rosto da mulher em sua frente e se separou.
Da arquibancada, não estava conseguindo enxergar o que acontecia dentro de campo, pois todos estavam de pé em sua frente e isso a incomodava. Ao se levantar, se arrependeu no mesmo instante, pois a visão que teve foi de Cody beijando Amber. A mulher estava sem reação, sentiu um arrepio correr todo o seu corpo e suas pernas fraquejaram, era como se tudo estivesse em câmera lenta. Então foi assim que Cody se sentiu quando soube que tinha o traído.
- Olha para mim! – as mãos de viraram o corpo da amiga para que eles ficassem de frente. Ela o encarou, não esboçava nenhuma reação. – Acho que já está na hora de você ser a vítima desse término e não mais a culpada!
disse rapidamente e antes que conseguisse entender o que aquilo significava, a abraçou apertado e nem mesmo ela sabia que precisava daquilo, até ser abraçada. Ela retribuiu o abraço e pouco tempo depois se separaram, segurou uma das mãos de e eles saíram de dentro do estádio.
- O que você está fazendo?! – Cody disse bravo depois de se separar de Amber.
- É só um beijo de comemoração! – ela se justificou.
- Nunca mais faça isso, me entendeu? – ele esbravejou.
Cody tentou procurar na arquibancada, mas não a encontrou em nenhum lugar, estava desesperado e não sabia se ela tinha visto. Os jogadores foram para o vestiário, ouviram as palavras de parabenização do treinador e então foram liberados para se arrumar, o que Cody fez o mais rápido que pôde.
- Mas você acha que ela viu? – Andrew perguntou.
- Eu não sei, não consegui encontrar ela na arquibancada, por isso quero ver se ela está lá fora!
- E se ela tiver visto?
- Se ela tiver visto, eu não sei o que fazer... – Cody confessou.
A frente do estádio estava cheia de alunos e Cody foi bem recebido, com aplausos e muitas pessoas conversando com ele e apesar de querer procurar , ele não podia simplesmente ignorá-los. Procurou por com os olhos e o viu conversando com algumas pessoas, pensou que poderia ser uma delas e caminhou até ele quando teve a oportunidade, mas ao chegar no grupo, ela não estava.
- Grande jogo, Cody! – disse o parabenizando e ele agradeceu. Continuou procurando a mulher com os olhos e não conseguia vê-la.
Ele pegou seu celular e estava começando a digitar uma mensagem para ela, perguntando se ela estava lá ainda, quando ouviu uma voz familiar:
- , estamos indo, quer carona? – questionou o amigo. Cody olhou ao redor e viu apenas .
- Pode ficar tranquilo, cara. Eu volto com algum dos meninos!
- Qualquer coisa me liga ou manda mensagem!
- Valeu!
Assim que virou as costas e começou a andar, Cody teve que tomar coragem para chamá-lo, mas estava desesperado e ansioso.
- ! – o homem se virou e ao constatar quem o chamava, fechou a cara.
- O que?
- Ela viu o que aconteceu? – Cody caminhou até , que respirou fundo, coçou o rosto e falou:
- Sim! – o coração de Cody começou a bater mais rápido.
- Que merda...
- Acho que é como falam: aqui se faz, aqui se paga! Você teve a sua vingança!
- Eu nunca quis que isso acontecesse! – Cody esbravejou.
- Não é o que parece! – disse e saiu de lá. estava em seu carro e não via a hora de chegar em casa e se enfiar debaixo das cobertas e tentar esquecer o que tinha acontecido.
Na segunda-feira dentro do campus ainda só se falava sobre o beijo entre Amber e Cody, e parecia que agora a vítima de tudo era .
- Pelo menos agora as pessoas param de te julgar! – Leon disse enquanto eles estavam sentados em alguns bancos em frente ao prédio de Direito, antes da aula do segundo período começar.
- Agora eles me olham com olhar de piedade, o que é tão ruim quanto!
- Eu ouvi algumas pessoas falaram que você merece mais do que Cody Christian, que você não merecia ter passado por aquilo, que ele foi um babaca... – Annie listou.
- Por incrível que pareça, o mocinho da história agora é , que acolheu você em seus braços no momento de tristeza! – Leon disse interpretando e tirando risadas das colegas.
- E por falar em mocinho, olha quem está caminhando diretamente para cá... – os três olharam para , que caminhava diretamente para eles.
- ? – achou estranho quando ele aproximou sorridente dela – o que está fazendo aqui?
- Eu precisava conversar com você! – ele disse feliz.
- Eu já volto, gente! – se levantou deixando o material no banco e indo para um lugar menos movimentado. – O que aconteceu?
- Bom, eu tenho um tio que mora em Las Vegas e tem um escritório de Direito, e ele está aqui na California para um caso que pegou e ele está procurando um estudante para ajudar ele e sua equipe até o caso se encerrar...
- Você está brincando?
- Eu vim perguntar se você gostaria de ajudar ele? Ele me pediu alguma indicação e eu só consegui pensar em você e no !
- Eu quero muito!
- Você tem currículo?
- É claro que sim!
- E você consegue me mandar?
- Acho que tenho no meu e-mail... posso ver e encaminho para você!
- Perfeito! Eu vou mandar o seu currículo e o do também, aí ele escolhe!
- Eu não acredito nisso, obrigada, ! – ela praticamente pulou nos braços dele.
- Não me agradeça ainda! – ele respondeu risonho.
- Se eu passar, prometo que pago uma bebida para você em qualquer bar da California!
- Eu vou cobrar então!
- ! Temos que entrar! – Leon gritou de longe e os dois olharam os amigos que já estavam de pé, prontos para entrar no prédio.
- Tenho que ir!
- Não esquece de me mandar o currículo!
- Não esqueço! Vou mandar agora! – ela disse se afastando e se juntando aos colegas – nos falamos mais tarde!
- Te vejo mais tarde! – ele acenou e saiu de lá, indo em direção ao prédio de medicina.
Era quarta-feira e não tinha obtido nenhuma resposta referente a vaga para ajudar o tio de , e como toda quarta-feira, o time todo de futebol estava espalhado pela praça principal, que era caminho para o apartamento de . Ela estava imaginando como seria trabalhar com um caso verdadeiro, como seria ajudar um processo e graças a isso, caminhou pela praça sem ao menos prestar atenção ao redor.
Cody, que estava deitado no sol de olhos fechados, pensava também, mas em e como ela estaria. Ele se sentia mal pelo que tinha acontecido e refletia sobre o que o tinha dito, que ele fez aquilo por vingança.
- Olha ela vindo ali! – Andrew deu um tapa em Cody, que assustou e levantou seu tronco, a viu passar e em questão de segundos já estava de pé. Correu em direção a mulher e parou em sua frente a assustando e a fazendo parar de andar.
- Oi – foi a única coisa que ele disse.
- Eu não quero falar com você – ela respondeu firme.
- Eu sei, mas se você puder me ouvir...
- Eu não quero te ouvir também, Cody. Eu sei muito bem que o que eu fiz foi errado, que se você não quiser me perdoar, não precisa perdoar, que se quiser me odiar para o resto da sua vida, você tem total liberdade para isso, mas ir até o meu apartamento para falar que sentia saudade e me pedir para ir até o jogo foi muito inteligente da sua parte, me fazer criar expectativa e depois tirar ela de mim...
- Não é nada disso, se você me deixar falar...
- E sabe o que é pior? Que eu não estou me justificando para você, justificando a atitude que eu tive, mas você conseguiu ser mais baixo do que eu, porque você me humilhou na frente de um estádio inteiro e eu não vou te perdoar por isso! Você me humilhou, de novo. – Os olhos de estavam cheios de lágrimas.
Cody pegou uma das mãos de , mas ela tirou rapidamente.
- Não me toca, você não tem esse direito! – ela disse tão firme como nunca e saiu de lá.
Era exatamente como tinha dito, pensava que o que Cody tinha feito era proposital e agora ele era o vilão do relacionamento. Cody caminhou perplexo até Andrew.
- O que aconteceu?
- Ela me disse que eu a humilhei na frente de todos e que não vai me perdoar...
- Puta merda... – foi a única coisa que amigo conseguiu expressar.
estava aliviada por ter dito a Cody o que pensava e ao chegar em seu apartamento, estava lá dentro, conversando com .
- O que você está fazendo aqui? Esqueceu a chave do seu apartamento?
- Por que seu olho está vermelho? – notou.
- Eu encontrei Cody no meio do caminho...
- Eu não acredito, aquele desgraçado... – ela falou nervosa.
- E o que ele disse? – perguntou.
- Eu não sei, não dei a chance de ele falar, eu falei tudo o que estava engasgado e vim para casa.
- Agiu muito bem! – a abraçou.
- Você ainda não me disse o que faz aqui.
- Você conseguiu! – ele disse simples e sorrindo.
- Eu consegui o que? – a mulher já tinha se esquecido sobre o assunto no qual passou metade do caminho pensando, até se dar conta – eu consegui?! – a expressão mudou, ela estava feliz e surpresa.
- A vaga é sua!
- , eu não acredito! – ela pulou de comemoração, abraçou e o abraçou também.
- Agora você me deve uma bebida em qualquer bar da Califórnia! – ele disse repetindo o que ela tinha falado na segunda-feira.
- Por que ele demorou tanto para decidir?
- Porque ele analisou o currículo e as notas de vocês, meu tio tem certa influência aqui em Stanford, então ele conseguiu suas notas do semestre passado!
- E por que ele me escolheu? O com certeza sabe muito mais do que eu!
- Porque você é inteligente e tem as melhores notas da sua turma, ele acredita no seu potencial!
- Eu estou muito feliz! – disse se jogando no sofá e sorrindo como não fazia há meses.
A vida voltava ao normal aos poucos. Bastava ter paciência e acreditar que aconteceria.


Capítulo 16


- Como você está se sentindo? – Wesley perguntou.
- Eu já estive pior, mas pelo menos aconteceu uma coisa muito boa, vou fazer um estágio com o tio do , ele tem um escritório de advocacia e precisa de uma pessoa para ajudar em um caso.
- Sério?! Parabéns!! – ele respondeu animado.
- Essa garota é foda! – Drew disse orgulhoso.
- Nós falamos que você ia arrasar aí!– Keaton falava como se fosse o dono da razão.
- E quando você vem para Huntington? – Wesley queria saber.
- Acho que nas férias de verão, mas tudo depende de como estará minha situação aqui!
- Estou com saudade! – era Drew.
- Eu também! – ela respondeu.
- Seus pais sabem que você e o Cody terminaram? – Keaton perguntou.
- Sabem, eles ficaram tristes.
- Eles sabem o real motivo? – Wesley perguntou preocupado.
- Sabem... eu não escondo as coisas da minha família.
- Até os seus irmãos sabem? – Wesley se desesperou.
- Sabem!
- É, Wesley, as reuniões de família nunca mais serão as mesmas! – Drew disse debochando.
- Meninos, preciso desligar, vou dormir pois amanhã meu dia será cheio!
Acordar cedo em uma segunda-feira nunca foi tão animador para uma pessoa como foi para naquele dia. Ela estava ansiosa, pois conheceria o tio de , Roger , seu chefe por duas semanas.
- Então depois da sua aula, você vai para o apartamento se arrumar e eu te levo até o lugar em que meu tio está! – combinou enquanto saiam do apartamento pela manhã.
- Tem certeza? Eu posso ir sozinha!
- Tenho certeza, além do mais, eu preciso ver meu tio, faz tempo que não o vejo!
teve a impressão de que o dia passou voando, talvez pois queria que passasse assim. Assim que saiu da aula, praticamente correu até seu apartamento, tomou banho e se arrumou, em pouco tempo estava batendo na porta de seu vizinho:
- Mas você já está pronta? – questionou a olhando de cima a baixo.
- Quando eu preciso eu sou rápida! Você é quem demora sempre!
- Mas hoje eu já estou pronto! Então vamos!
O hotel em que Roger , tio de estava hospedado com sua equipe ficava a trinta minutos de Stanford, mas devido ao trânsito, os dois demoraram quase uma hora para chegar.
- Você está nervosa? – perguntou enquanto esperavam o elevador, após estacionarem o carro.
- Um pouco! Apesar de não ser a primeira vez que eu trabalho, vai ser a primeira vez que vou ver seu tio! – ela confessou entrando no elevador.
- Você vai tirar de letra, como sempre faz! – em um ato sincero, segurou a mão de e apertou. A mulher se surpreendeu, e quando o elevador abriu, ela soltou a mão e mudou a postura.
Roger era parecido com , porém sua fisionomia era mais máscula e mais madura, seus cabelos eram grisalhos, porém sua barba ainda mantinha a cor original. Roger esperava os dois no saguão do hotel e assim que viu os dois saírem do elevador, ele se levantou e caminhou em sua direção.
- Oi, tio! – disse sorridente dando um abraço no tio.
- Há quanto tempo, moleque!
- Tio, essa é a . , esse é meu tio!
- É um prazer te conhecer, ! – ele disse estendendo a mão.
- O prazer é todo meu, senhor ! – ela retribuiu.
- Ah, por favor, me chame apenas de Roger! Senhor é meu pai! Agora vamos, estou com fome e acredito que vocês também! É por minha conta! – ele disse caminhando até o bar do hotel.
- Até quando você vai ficar aqui? – perguntou.
- Até o final do processo! Pode ser que demore duas semanas ou dois meses!
Após uma breve conversa entre e Roger, que envolveu perguntas sobre a família e a universidade, Roger se voltou para .
- Bom, , fiquei muito feliz com a indicação de e espero que você aproveite esse tempo que estará conosco!
- Eu tenho certeza de que vou aproveitar! – ela respondeu animada.
- Vou te apresentar para o meu braço direito, é a pessoa que eu mais confio e sempre que você precisar de alguma coisa, pode falar com ela, o nome dela é Sutton!
- Muito obrigada! – eles saíram do bar e voltaram para o saguão, onde uma mulher ruiva estava parada, mexendo no celular.
- Sutton, está é a ! – as duas se cumprimentaram.
- Eu vou te apresentar para o restante da equipe! – a mulher disse sorrindo e concordou, mas antes que saísse de lá, chamou sua atenção.
- Eu te espero, tudo bem? – ele afirmou.
- Você tem certeza?
- Absoluta! – ele disse sorrindo e teve um sorriso retribuído, logo em seguida foi deixado a sós com seu tio.
- Vocês estão namorando, não é? – ele perguntou observando a feição de seu sobrinho.
- Não. Por quê?
- Porque eu conheço essa sua cara, ! – Roger disse sério. Para , seu tio era um de seus melhores amigos, ele contava tudo o que acontecia para ele.
- Pode ser que eu goste dela...
- Você não gosta dela, você está apaixonado por ela!
- Eu não sou apaixonado por ela! Eu gosto bastante dela, só isso! Mas... parece que eu sou apaixonado por ela? – se desesperou.
- Só para quem te conhece de verdade! Mas cuidado, eu não quero te ver da mesma forma que eu já te vi uma vez!
- Pode deixar, tio!
Uma semana tinha se passado desde o dia em que começou a trabalhar com o tio de . Ela ia até o hotel, que era o escritório deles, duas vezes por semana, os dias em que ela saía mais cedo das aulas.
- Por que mesmo você está me trazendo para trabalhar de novo? – questionou .
- Porque eu preciso conversar com meu tio e porque quero que você vá em uma festa comigo hoje! – ele disse rapidamente.
- Festa? Hoje?
- É aniversário de um amigo, mas eu não quero ir sozinho e o não sabe se vai!
- E como você está me fazendo um favor, quer que eu te faça um também?
- Exatamente!
- Tudo bem! Que horas e qual o lugar?
- Eu te busco, é aqui perto!
Quando chegaram no hotel, foi direto para a sala de reuniões.
- Boa tarde, Roger! – ela disse e seguiu seu caminho.
- Boa tarde, ! – ele respondeu e virou-se para falar com – o que faz aqui?
esperou até que estivesse dentro da sala e garantiu que não tinham outras pessoas no corredor:
- Você tem razão, eu estou apaixonado por ela! – disse desesperado. Roger riu.
- Vamos comer alguma coisa... – ele disse e os dois foram para o bar.
Mais tarde naquele dia, foi buscar no trabalho e juntos foram até o bar, comemorar o aniversário de um amigo de . Porém, quando chegaram, se deparou com todos os seus amigos lá.
- O que está acontecendo? – ela perguntou estranhando.
- Surpresa!! – disse empolgado.
- Eu não estou entendendo nada! – ela confessou.
- Nós sabemos que você passou por momentos difíceis, mas como você é fenomenal, está se saindo muito bem! Mas qualquer ser humano precisa de algum momento de descontração longe do ambiente que está sempre acostumado! – explicou.
- Então nós planejamos esse happy hour! – disse.
- Na verdade, a ideia foi do , ele organizou tudo e nós só viemos! – deu o crédito ao amigo.
- Obrigada! – o abraçou de lado, já que estavam próximos.
- Conte comigo! – ele sussurrou.
- E o ? – ela notou a falta dele.
- Está no treino do time!
- Mas ele nem joga!
- Mas isso não significa que ele não deva participar, mesmo como espectador!
O que mais precisava era de distrações, apesar de ter bastante conteúdo de matérias na universidade e duas vezes por semana ajudar o tio de , muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Estar entre os amigos era como recarregar as energias, e sabia disso.
- O que vocês fariam se acontecesse um The Walking Dead?
- Tem que se proteger e atirar na cabeça! – disse como se fosse óbvio.
- E por acaso você é capaz de atirar na cabeça de alguém? – questionou zombando.
- É claro que sou!
- Você não é nem capaz de acertar uma bola na cesta! Quem dirá uma bala na cabeça de um zumbi!
- Acredito que na atual circunstância, a única pessoa que salvaria todos nós é a ! – disse orgulhoso.
- A melhor atiradora de todas! – admitiu.
- Agradeçam aos meus irmãos! Foi graças a incompetência deles no videogame que eu me tornei a melhor!
Em certo momento da conversa, se lembrou de um convite que tinha que fazer a e chamou sua atenção.
- Esqueci de te contar uma coisa!
- O que?
- O meu primo vai fazer uma festa de aniversário em duas semanas, e está convidando você!
- O seu primo? Eu conheço seu primo? – ela achou estranho.
- É claro que conhece, o Spencer!
- É verdade! O Spencer é seu primo! Eu me esqueci completamente disso.
- Pois então, ele está te convidando para a festa de aniversário dele!
- Você disse que vai ser em duas semanas?
- Exatamente!
- E aonde vai ser?
- Pittsburg! Fica a uma hora e meia daqui!
- Mais alguém aqui foi convidado?
- e !
- Será que o Cody foi convidado?
- É provável que sim, eles são amigos.
- Hum...
- Não deixa isso te abalar! Você não pode parar a sua vida por causa de um homem! – disse sério.
- Eu sei! Mas eu preciso pensar, pode ser?
- Leve o tempo que precisar, mas me dê uma resposta antes da festa! – ele disse risonho.
- Pode deixar!
Em outro canto da cidade, dentro das dependências da universidade de Stanford, o time de futebol estava treinando pois em duas semanas teriam um jogo contra a Universidade ao Sul da Califórnia. O último jogo tinha acontecido há uma semana, fora da casa de Stanford e Cody tinha percebido que seu desempenho não era o mesmo, ele não conseguia se concentrar e dar o seu melhor nos treinos e consequentemente nos jogos.
- Acabamos por hoje! Não se esqueçam de descansar e se alimentar bem, preciso de vocês preparados e concentrados em cada treino! – o treinador Newt disse os dispensando.
- Acho que a parte de concentração nós sabemos para quem foi! – um dos jogadores disse enquanto caminhava junto aos demais para o vestiário. Cody, que estava ao fundo ouviu e apenas respirou fundo.
- Cala a boca! – Andrew disse para Percy, que apenas levantou os ombros como se não se importasse.
- Não é novidade para ninguém que ele não está jogando bem ultimamente, e ele é o nosso capitão!
- Nós ganhamos, não é isso que importa? – disse defendendo seu amigo.
- Correção, nós quase perdemos por culpa de vocês sabem quem.
- Não é culpa de ninguém! – outro jogador disse.
- Se ele soubesse separar a vida pessoal da vida acadêmica, talvez estivéssemos melhor! – Percy disse enquanto se sentava no banco em frente ao seu armário.
Antes de Cody sentar-se no banco que ficava em outro corredor, ele sentia que algo ruim estava por vir, então caminhou devagar até Percy. Estava ficando cada vez mais furioso.
- Por que você não diz isso na minha cara? Ao invés de jogar ao ar. – Cody disse escorando em um armário.
Todos pararam o que estavam fazendo para acompanhar a discussão.
- Você é nosso capitão, é a nossa inspiração e tem que nos motivar a ser melhores sempre! – Percy começou dizendo como se fizesse um discurso eleitoral. – Mas como podemos ficar motivados a dar nosso melhor se você mesmo não consegue se concentrar porque não pode parar de pensar naquela vagabunda que terminou com você?
Mal deu tempo de Percy terminar de falar, pois Cody virou o corpo do jogador e deu um soco na cara dele. O garoto caiu no chão e Cody continuou apenas o acertando. Outros jogadores tentaram impedir a briga, mas Andrew e não deixaram.
- Deixa eles! – Andrew gritou impedindo a passagem enquanto apenas colocou uma das muletas no meio do caminho.
Para a surpresa de todos, o treinador Newt apareceu no vestiário, indignado com a gritaria e baixaria instalada no local.
- O que está acontecendo aqui? Separem essa briga agora! – o treinador ordenou e assim os jogadores fizeram.
- Da próxima vez que você falar assim você vai ter que acompanhar a temporada pela UTI! – Cody disse ameaçador, sendo segurado por Andrew.
Percy estava com o rosto sangrando e inchado, ele foi colocado no banco.
- Cody, quero falar com você lá fora. Sai daqui! – Newt disse firme. – Agora, Percy, vá para a enfermaria, está suspenso no próximo jogo!
- Como assim, suspenso?! Foi o Cody quem me bateu! – Percy disse com dificuldade.
- Cody é o seu capitão e eu sou seu treinador, se você desrespeita qualquer um de nós, desrespeita todos! – Newt disse e saiu de lá.
No campo, Cody estava furioso, com as mãos machucadas enquanto e Andrew falavam com ele:
- O que deu em você?! – perguntou desesperado. – Você vai ser suspenso, não vai poder jogar daqui duas semanas! – andava de um lado para o outro com as muletas, o que deixava Andrew preocupado, pois parecia que em qualquer momento ele fosse cair.
- Eu não ligo, ele tem que aprender que não pode falar assim de mim e da minha namorada!
- Ela não é sua namorada mais! – Andrew disse o corrigindo.
- Cody! – o treinador apareceu no campo e todos ficaram em silêncio.
- Treinador.
- Por que você não usa essa sua raiva no jogo em duas semanas para levar o time para as cinco primeiras posições?
Todos o encararam sem compreender.
- Vai para a casa, toma um banho e descansa! Você é o capitão do time e tem que estar bem. Eu não quero saber quais são os motivos que ocasionaram a briga e nem mesmo porque você não está desempenhando como sempre, mas você precisa se resolver, senão infelizmente vou te colocar no banco!
- Sim, senhor!
- E a propósito... belo soco!
- Obrigado, treinador! – ele disse rindo fraco.
- e Andrew pegam suas coisas no vestiário! – ele ordenou e os amigos concordaram com a cabeça.
Andrew e entraram novamente no vestiário e viram Percy se limpando enquanto outros jogadores estavam em volta dele, todos em silêncio. Pegaram as roupas e objetos de Cody, mas antes de saírem de lá, caminhou até Percy, dizendo calmamente:
- Da próxima vez que você abrir a boca, não vai ser o Cody quem vai te dar uma surra! Porque até eu com muletas consigo bater melhor que você! E a propósito, se cuida! – ele disse por fim e saiu de lá.
Do lado de fora do estádio, Cody e Andrew estavam voltando para a fraternidade, mas Cody daria uma carona para até seu apartamento.
- Essa foi por pouco! – Cody comentou limpando a mão suja de sangue em sua toalha.
- Vocês vão para a festa do Spencer daqui duas semanas? – questionou.
- Nem pensar, vai ser antes do jogo, eu preciso descansar! – Cody disse.
- Minha festa vai ser no apartamento da , espero que a não esteja lá! Faz tempo que eu quero um tempo a sós com a minha garota! – Andrew disse.
- Spencer me disse que convidou ela, mas não sei se ela vai!
- É, ela está trabalhando de sexta-feira, não é? – Andrew perguntou.
- Trabalhando? – Cody questionou curioso.
- Sim! É provisório, ela está ajudando em um caso em um escritório de advocacia! – disse animado.
- Caramba!
- Quem conseguiu para ela foi o ! – Andrew disse sem pensar.
- Hum... O , é?
- É o escritório do tio dele! – explicou.
- Eu fico feliz, deve significar muito para ela! – Cody disse sincero e entrou no carro, assim como os outros dois.
A semana que seguiu foi uma semana atípica, pois era um momento das primeiras provas do semestre, portanto o clima da universidade era outro, quase não se viam alunos brincando ou conversando, todo o tempo livre que tinham, passavam estudando. Para e seus amigos foi a mesma situação, eles mal se viam, a não ser para almoçar ou jantar.
- Essa semana eu vou trabalhar apenas um dia! Seu tio foi muito compreensivo e falou para eu estudar. – contou para na sexta-feira, no horário do almoço.
- Que bom! Você ainda tem muitas provas?
- Hoje eu tive uma, semana que vem tenho mais duas! – ela respondeu.
- E você, já sabe se vai querer ir à festa do Spencer? É sábado que vem! – ele cobrou.
- Acho que quero ir sim!
- Que bom! Nós vamos sair sábado bem cedo, porque vai ser no horário de almoço!
- Combinado!
Durante a outra semana o clima ainda era o mesmo, porém conforme o final da semana se aproximava, o clima de provas era trocado pelo clima de festa, uma vez que, o jogo do time de futebol era domingo e todos estavam ansiosos, pois ele marcaria o fim das semanas de prova.
No sábado de manhã, bateu na porta de , pontualmente.
- Todos prontos? – perguntou olhando para , e . Todos concordaram, mas já estavam uma hora e trinta minutos atrasados por causa de , que resolveu tomar banho de última hora.
- Primeiramente, gostaria de dizer que: quem beber álcool, não dirige na hora da volta! – os alarmou, mesmo sabendo que não dirigiria pois estava com a perna quebrada e nem , pois este estava com o braço ferido.
- Boa, ! – disse risonho e com vergonha.
- Se alguém passar mal, vamos nos avisar e assim nós voltamos, pode ser? – perguntou e todos concordaram.
- Lembrem-se – fez uma longa e dramática pausa – usar camisinha e se hidratar é extremamente importante! – todos bufaram e reviraram os olhos.
Os quatro se levantaram do sofá, com um pouco de dificuldade, e assim caminharam até o carro de .
- Quem vai ser meu copiloto? – perguntou e se ofereceu.
- Mas com uma condição – ela alarmou – eu escolho as músicas!
- Tudo bem! – respondeu.
A viagem de duas horas passou rápido, cuidou das músicas, que agradaram a todos que estavam no carro e ajudou com o percurso no GPS. Ao chegarem, a festa já tinha começado e ao entrarem na casa de Spencer, tinham a sensação de que todos os encaravam. Boa parte das pessoas conheciam pelo fato de ele ser parte do time de futebol de Stanford, e pois ela era a ex namorada de Cody Christian. E apesar disso, não conhecia um terço das pessoas que estavam lá.
Muitas pessoas se aproximaram de para cumprimentá-lo e perguntar sobre o acidente que tinha sofrido. também chamou atenção pelo braço, o que deixou e de canto.
- Parece que eles vão fazer mais sucesso que o próprio aniversariante! – disse para .
- É o que parece! E falando em aniversariante... – apontou para Spencer, que caminhava até eles.
- Vocês vieram! – Spencer disse alegre ao ver os dois. – Cicatriz feia essa aqui! – ele disse olhando para a testa de , que apesar de quase não ter mais a marca da cicatriz, ainda podia-se ver algo.
- É isso que acontece quando pessoas com sono dirigem!
- Eu tenho certeza de que o vai voltar dirigindo com segurança! – ele disse abraçando primo.
- Assim eu espero! – disse e os dois se abraçaram, o cumprimentou pelo aniversário e ao se separarem, era a vez de .
- Feliz aniversário! – ela disse o abraçando também.
- Quero que vocês se divirtam!
- Só uma pergunta... – estava receosa.
- Ele não vem! – Spencer disse antes de ela perguntar. – É do Cody que estamos falando, não é? Eu soube que vocês não estão mais juntos, ele disse que não viria porque amanhã tem jogo!
- Obrigada! – ela disse sorrindo e Spencer saiu de lá.
e se dirigiram para o quintal da casa de Spencer e pegaram uma mesa. Minutos depois e se juntaram.
- Vocês estão populares! – disse.
- Parece que machucados atraem mulheres! – disse convencido.
- Que nojo! – ela respondeu.
Os quatro entraram em uma conversa sobre homens e mulheres, que envolvia fetiches e preferências na cama e aparência.
- Então, – Spencer sentou-se na mesa com eles e puxou assunto com , cortando o assunto deles – esses cortes ainda doem? – ele apontou para a testa e as mãos.
- Como você sabe dos cortes da mão? – ela franziu a testa.
- Tenho meus contatos!
- Não dói mais, nenhum dos dois, mas eles coçam bastante ainda!
- Se cuida hein! Se precisar de qualquer ajuda, tenho certeza de que o , como o médico que é, pode te orientar! – ele falou e começou a rir, assim como todos.
- Se quiser consulta médica, vou ter que cobrar! – comentou.
- Querem um shot de Tequila? – Spencer perguntou e todos recusaram. – Até você, ? Fiquei sabendo da sua boa reputação com shots!
- Hoje eu passo! – a verdade é que ela se lembrou do dia em que Cody a tinha desafiado. E a lembrança não fez tão bem.
- Qualquer coisa, as bebidas estão na cozinha! – Spencer disse apontando para dentro da casa e saiu.
O tempo foi passando, estava feliz por estar se distraindo, mas não se sentia confortável estando lá, com tantas pessoas desconhecidas, que a conheciam apenas como ex namorada de Cody. notou que a mulher estava pensativa e imaginou que o que se passava em sua mente era algo relacionado a seu ex namorado.
- Alguém quer beber alguma coisa? – ela perguntou de repente. Seus amigos falaram que não, então ela se levantou, caminhou até a cozinha e pegou uma garrafa de cerveja.
Caminhou até a entrada da casa e como suspeitava, o local estava vazio e menos barulhento. A mulher se escorou no batente da porta de entrada e apenas observou o local, as folhas, as flores, os pássaros e os insetos. De dentro da casa, Spencer saiu da cozinha e viu uma figura parada na porta de entrada e reconheceu na hora a quem pertencia.
- Está tudo bem? – Spencer chamou atenção da mulher, que assustou.
- Quer me matar do coração?
- Jamais! Foi mal! – ele riu se desculpando.
- Está tudo bem sim! – ela respondeu bebendo um gole de cerveja.
- É assim que você mente? – Spencer perguntou.
- É que... não sei, não estou me sentindo tão confortável estando aqui, as pessoas me olham com pena, eu sei que todos sabem que não namoro mais o Cody, sei que sabem mais coisas, mas não se trata da vida deles, é a minha vida, parece que eu não tenho privacidade!
- Agora sim você disse a verdade!
- Estou cansada do ser humano!
- Você tem que aprender a viver com isso, senão esse sentimento te engole!
- Dentro de Stanford isso já passou, agora eu sou apenas mais uma estudante de novo, mas eu não sabia que pessoas que eu nem conheço me julgavam também!
- Isso vai passar, pode acreditar, eu já fiz muita coisa errada, muita merda que ficou sendo lembrado por um tempo, mas teve um momento que passou!
- É bom ouvir isso, ainda mais vindo de uma pessoa como você...
- Uma pessoa como eu?
- Você é o Quarterback do time de futebol de Pittsburg! Um astro, com certeza!
- Nem tanto!
- Às vezes você me lembra muito o Cody... – ela disse. – O jeito de ser, a aparência...
- Existem algumas coisas que eu sou bem melhor do que o Cody, pode ter certeza!
- Como o que? – ela perguntou rindo.
- Sou um melhor líder, isso é fato. Sou mais estudioso do que ele, minhas notas são ótimas. Sou mais engraçado... – ele fez uma pausa e encarou , que sorria. Foi nesse momento que ele soube o motivo pelo qual Cody tinha se apaixonado por ela, ele sentia uma vontade grande de beijá-la para saber qual era a sensação.
- E o que mais? – ela perguntou curiosa, o encarando.
- Eu beijo melhor, tenho quase certeza! – ele disse mais sério e baixo, se aproximando dela.
parou de sorrir, pois tinha ficado surpresa. Encarou Spencer e praticamente não notou a aproximação dele.
- Mas isso só você pode dizer... – ele sussurrou novamente e aproximou seu rosto do rosto da mulher, a beijando.
Dentro da festa, notou que a amiga não tinha voltado:
- Cadê a ?
- Ela foi buscar alguma coisa para beber e não voltou ainda, né? – perguntou se levantando e o seguiu.
Os dois foram até a cozinha e não a encontraram, começaram a caminhar para a entrada da casa quando a viram com Spencer.
- Que merda está acontecendo? – perguntou assustado.
- Por essa eu não esperava! – disse surpreso e triste ao mesmo tempo.
Algumas pessoas, mais do que o esperado, também viram a cena e em pouco tempo todos que estavam presentes na festa sabiam.
e Spencer se separaram e não sabia como reagir, não se sentiu confortável com aquilo, pois ainda gostava de Cody.
- Está tudo bem? – Spencer perguntou vendo a expressão da mulher.
- Não muito... não me leve a mal, é que eu terminei um namoro há pouco tempo e ainda não estava pronta para isso! – ela disse entrando em desespero.
- Mil desculpas! – ele disse desesperado.
- Tudo bem, Spencer! Não precisa ficar assim, eu sou uma mulher solteira, só que ainda complexada! Você não fez nada errado.
- Na verdade, eu beijei a ex namorada do meu amigo de infância, coisa que eu não deveria ter feito tão depois do término do namoro... – ele disse refletindo e riu.
- Mas respondendo a sua pergunta, você e o Cody estão empatados!
- Empatados?
- Os dois beijam muito bem! – ela disse risonha e ficando vermelha de vergonha. Spencer riu.
Spencer e continuaram por algum tempo lá, apenas conversando, sem se tocar, se abraçar ou se beijar, apenas conversando e rindo. Ao entrarem, todos os olhares dos convidados pairaram sobre eles.
- Foi bom? – perguntou segurando o riso.
- Foi bom o que? – ela se fez de desentendida.
- O beijo com Spencer! – complementou.
- Como vocês sabem?
- Todos sabem! E e eu vimos com nossos próprios olhos!
- Eu nem sei como isso aconteceu, mas foi uma vez só! Eu ainda não estou pronta para contato humano com o sexo oposto!
- Faz sentido! – falou e sentiu-se menos triste.
Mais algumas horas se passaram e já era o momento de voltar para Stanford. Os quatro amigos se despediram de Spencer e caminharam novamente para o carro de .
- Boa viajem de volta! – Spencer disse. – Se cuida, ! Cuida da também!
- Pode deixar, Spencer! – ele disse entrando no carro.
- – ele disse a chamando antes de ela entrar no carro – eu não vou contar nada para o Cody, pode ficar tranquila!
- Eu não namoro mais o Cody, Spencer! – ela disse revirando os olhos.
- Mas você sabe como as notícias correm rápido, só quero te avisar que se por acaso ele souber, não vai ser por mim!
- Tudo bem! – ela disse sorrindo – aproveite o restante da sua festa! – ela finalizou entrando no carro.
- Quem vai amanhã no jogo? – perguntou quando entraram na estrada.
- Eu com certeza não vou! – disse rapidamente.
- Eu também não! – respondeu em seguida.
- Vocês têm que torcer pelo time! – disse zangado.
- Eu torço pela sua recuperação, o time que se dane! – disse simples e riu.
- Eu sou obrigado a concordar com a ! – disse.
- É verdade que o Percy foi suspenso do jogo? – perguntou curioso.
- Sim! – respondeu.
- Por quê?
- Porque ele e o Cody brigaram.
- Só por isso? – perguntou.
- Na verdade os dois saíram no soco! Só que Cody só bateu e não apanhou! – se assustou e seu coração acelerou.
- Como assim saíram no soco? – perguntou curioso e agradeceu mentalmente.
- Percy falou que o Cody não estava com o desempenho bom e culpou o término do namoro de vocês! – disse e se revoltou.
- Esse garoto é um completo idiota e o Cody parece que é idiota também, ele podia ter sido suspenso! – disse revoltada.
- Homens não pensam direito quando estão com o ego ferido! – disse e entrou em um estado de reflexão.
Será que Cody ainda gostava dela? O que estava acontecendo com ele? Por que não estava com bom desempenho? Esses pensamentos e centenas de hipóteses rondaram a mente de em todo o percurso de retorno.


Capítulo 17


O domingo começou animado por todo o campus de Stanford, o jogo começaria às 15h, mas logo pela manhã muitos estudantes estavam vestidos com uniformes e camisetas da universidade, utilizavam bandanas e alguns já estavam os rostos pintados. Ao voltar do almoço, discutia mais uma vez sobre os motivos pelos quais não assistiria ao jogo:
- Não quero ver o Cody e correr o risco de ser humilhada mais uma vez na frente de centenas de pessoas!
- Tudo bem! E o que você vai fazer? – perguntou.
- Estudar!
- Mas já acabaram as provas!
- Não significa que eu não tenha trabalhos, o que eu tenho, e muitos! – ela se justificou.
- Se você precisar de alguma coisa, pode me ligar! – disse e se despediu.
- Qualquer coisa, se você quiser assistir algum filme ou série, estarei no meu apartamento também! – disse.
- Obrigada, ! Se precisar de alguma coisa, é só me chamar!
Os dois se despediram e entraram em seus respectivos apartamentos. ainda estava lá, mais curiosa do que nunca para saber como tinha sido a festa do dia anterior.
- Como foi?
- Eu não estava muito empolgada, sabe..., mas aconteceu uma coisa que me deixou pior...
- O que? Cody estava lá?
- Não, ele não foi. Mas teve uma hora que eu estava conversando com o Spencer, e ele simplesmente me beijou!
- Como assim?! – estava surpresa.
- Eu não entendi muito bem como isso aconteceu, mas aconteceu! Eu não fiquei muito feliz, porque eu ainda não me sinto preparada para ficar com outras pessoas!
- Alguém viu?
- Todos viram, mas foi só um beijo! Eu conversei com o Spencer e contei que não estava pronta para nada.
- Ele não é amigo de infância do Cody?
- Pelo que parece, sim.
- Bom, se serve de consolo, acredito que ninguém vai contar ao Cody e mesmo se contar, vocês não namoram mais!
- Eu sei! Isso não me preocupa tanto, o que me deixou intrigada foi a briga que o Cody se meteu, ficou sabendo?
- Com Percy, não é? Andrew me contou!
- Eu realmente não entendo o que está acontecendo nessas últimas semanas! Tudo está de pernas para o ar!
- Quando você menos perceber, tudo se ajeita! – a aconselhou. – Mas eu tenho que ir, daqui a pouco começa o jogo! Você não vai mesmo?
- Não! Bom jogo!
- Obrigada, qualquer coisa me manda mensagem! – disse e saiu do local. respirou fundo e foi para seu quarto estudar e fazer seus trabalhos.
No vestiário dentro do estádio de Stanford, os jogadores já tinham feito seu aquecimento e estavam se trocando.
- Como foi ontem a festa do Spencer? – Andrew perguntou para , que apenas acompanhava seus amigos.
- Foi divertida! Nós não bebemos muito, porque ainda estamos um pouco traumatizados pelo acidente, então ficamos sóbrios, mas nos divertimos do mesmo jeito! – escondeu a parte em que e Spencer se beijaram.
- A foi? – Cody perguntou curioso.
- Sim! Mas ela não estava muito animada, não me pergunte o motivo, eu só notei!
- Ela vai assistir ao jogo hoje? – Cody questionou novamente, esperançoso de talvez vê-la.
- Não, ela disse que não queria assistir...
- Entendi...
A partida daquele dia era decisiva tanto para Stanford quanto para a Universidade ao Sul da Califórnia. Stanford precisava ficar entre as cinco primeiras posições e o time rival precisava sair da área de perigo, se perdessem, estavam eliminados.
Cody estava decidido a dar seu melhor na partida e para isso precisava se concentrar, ele estava mexendo no celular, quando viu uma mensagem de Spencer, desejando boa sorte no jogo, Cody se desculpou por não ter comparecido à festa e deixou o celular de lado. Começou a se concentrar para obter um bom resultado naquele jogo.
Pouco antes de os times se posicionares no corredor que ficava na entrada do campo, Cody já estava lá, aguardando e ouvindo as torcidas festejarem. Uma presença inusitada parou ao lado do jogador, chamando sua atenção.
- Fala aí, Cody! – Aaron Green, Running Back da Universidade ao Sul da Califórnia o cumprimentou.
- Aaron! – os dois deram um aperto de mão.
- Como você está? – o rival perguntou.
- Estou ótimo! E você?
- Mesmo com o que aconteceu ontem? – Aaron alfinetou Cody.
- Como assim? Eu não entendi!
- Você não ficou sabendo do que aconteceu?
- Se eu soubesse não estaria perguntando! – Cody disse sério.
- Faz sentido, eu estou falando do que aconteceu ontem na festa do Spencer, eu pensei que vocês fossem amigos!
- Nós somos amigos! – ele o corrigiu.
- Amizade interessante, porque ele beijou a sua ex namorada ontem, como é o nome dela mesmo? , não é? Estão rolando alguns boatos inclusive sobre o que aconteceu depois...
Cody não respondeu nada, estava processando a informação recebida.
- Desculpa, cara! Eu não queria ter te dado essa informação! Vou te deixar aí se concentrando! – Aaron se retirou do local.
Cody sentia-se estranho, um ódio repentino o atingiu, ele tinha acabado de receber uma mensagem de Spencer, que fingia se solidarizar com ele, quando na verdade escondeu o que fez e o que possivelmente sentia por . Cody respirou fundo, tentando se concentrar novamente, porém em vão. Não conseguia parar de pensar no que Aaron disse.
O time da Universidade ao Sul da Califórnia foi anunciado e entraram em campo, com muitas pessoas gritando em aprovação e outras em reprova. Aaron Green conversava com Drake Evans, Quarterback do time.
- Contou para ele? – Drake questionou.
- Sim, ele não sabia mesmo! Ficou surpreso!
- Agora é só aguardar! Se Stanford perder, pelo menos nós não somos eliminados!
O time de Stanford foi anunciado e todos entraram em campo com muitos gritos da torcida. Cody não tinha contado a ninguém o que tinha acontecido, estava decidido a não pensar no assunto. Os dois times se posicionaram no campo e Cody gritou a jogada; foi rápido, assim que recebeu a bola, Cody passou adiante e viu seu time marcar os primeiros pontos na partida. Todos se posicionaram novamente e mal deu tempo de a bola deslizar para as mãos de Cody, em seguida ao menos seis jogadores saltaram em sua direção.
Cody ficou por baixo de todos, ouviu o apito soar e a torcida de Stanford gritar, sendo agitados pelas líderes de torcida. Não era a primeira vez que isso acontecia a Cody e nem última, e isso não o abalaria, pelo menos era o que ele pensava. Enquanto estava lá segurando firmemente a bola, deitado no chão de olhos fechados, viu a cena do corredor e imaginou Spencer e . Abriu os olhos rapidamente dispensando esses pensamentos e sendo levantado por seus amigos.
Na terceira jogada Cody não teve tempo de correr para alcançar um bom ângulo, pois foi atingido por quatro jogadores do time rival. Mais uma vez ele estava no chão, porém desta vez sem a bola.
- Você está bem? – Andrew questionou auxiliando o amigo a se levantar novamente.
- Eu acho que sim!
Não demorou muito até Stanford conseguir a posse de bola novamente, mas assim como antes, aconteceram mais três, quatro, cinco vezes. Sendo que na última, o time rival marcou um touchdown deixando Cody no chão, com dor e respirando com dificuldade, não sabia exatamente aonde doía, mas era forte.
Para sorte do time de Stanford, era hora do intervalo, todos se mobilizaram até Cody, para ver como ele estava. Todos os estudantes de Stanford estavam com medo, observando a cena.
- Cody! Cody! – ele ouvia uma voz chamar, mas não queria abrir os olhos, sabia que era o treinador Newt. – Consegue se levantar?
Cody não respondeu, pois, respirar já era difícil, não sabia se conseguiria falar. , que estava no banco, se levantou com dificuldade e se juntou a aglomeração. Por longos minutos o estádio ficou em silêncio.
- O que está acontecendo? Cody! Responde! – gritou.
- Eu... não sei... se consigo... – Cody disse com dificuldade.
- Aonde dói? – o médico do time perguntou e Cody apontou para as costelas. Com muito esforço e ajuda do time, trouxeram uma maca e o colocaram em cima, o tirando do campo, ainda em silêncio.
Já dentro das instalações, tiraram o uniforme e toda proteção de Cody, colocaram faixas para imobilizar em tronco.
- Não precisa entrar no segundo tempo, se você achar que não consegue jogar! – Newt disse e Cody não respondeu. O treinador saiu do local, assim como os demais.
Cody pensou que estivesse sozinho, ele não sabia o que faria, se entraria em campo, se ficaria lá deitado, apenas respirava e olhava para o teto, até seu amigo falar:
- Não vai voltar? – era , ele estava sentado.
- Pelo que parece não.
- O que aconteceu de repente? Já vi você se machucar muito mais!
- Por que não me contou o que aconteceu ontem? – demorou para responder.
- Porque eu não queria que você ficasse desconcentrado, mais cedo ou mais tarde você saberia, mas eu queria que fosse mais tarde.
- Eles fizeram de propósito, me contaram antes do jogo começar e me atacaram!
- Então volta lá e ataca eles! É simples! Eu já vi você acabar com times por muito menos! Pelo menos agora você tem um belo motivo! – falou sério e saiu de lá.
estava certo e Cody sabia, só precisava tomar coragem para voltar e acabar com a Universidade ao Sul da Califórnia. Com muita força de vontade ele se levantou e vestiu seu uniforme.
No campo, o treinador dava as diretrizes para o time, que estava preocupado com a saída do capitão.
- Entenderam? – Newt perguntou, mas foi interrompido pela torcida de Stanford que tinha começado a gritar de forma animada como nunca. O time olhou para a entrada do campo e viu Cody caminhando lentamente até eles.
A expressão que melhor condizia com ele, era sangue nos olhos. Assim que se juntou ao restante do time, ele usaria a raiva que estava dentro de si contra o time adversário.
- Que bom que voltou! – Newt disse orgulhoso. – O que você quer fazer?
- Ben, Phill, Ray! – ele disse para os Guards. – Quero que vocês acabem com todos, principalmente com Aaron Green e Drake Evans! Vamos mostrar quem manda aqui!
Os jogadores riram, finalmente seu capitão estava de volta. Assim que saíram de lá, não existia nada no campo de visão de Cody, que não fosse o time dele.
Quem começava com a bola era o time adversário. Assim que autorizado o começo da partida, os Guards do time de Stanford avançaram contra os rivais como nunca, até conseguirem a possa da bola. Ao receber a bola de Daniel, o Center, Cody correu como pôde pelo campo até passar a bola para o seu Running Back, que marcou um Touchdown.
Com muita dor nas costelas, Cody prosseguiu no jogo e nos minutos finais do jogo caminhou e se juntou com seu time em uma roda.
- É a última chance! – ele disse respirando com dificuldade. – Assim que eu receber a bola do Daniel, vou passar para o David e você marca o Touchdown! – Cody apontou para o Running Back.
- Não! Quem tem que marcar esse touchdown é você! – David disse e o time apoiou.
- Então vamos nessa, porque minhas costelas estão destruídas! – Cody disse e o time gritou seu grito de guerra e se posicionou. O primeiro passo que Cody deu foi dolorido, mas ele tinha um objetivo maior que incluía vencer a partida.
Daniel passou a bola para Cody, os Guards atacaram o time rival, foi o momento perfeito para Cody correr, e ele correu, passou pelo time da Universidade ao Sul da Califórnia como se não estivesse machucado, a cada passo respirava fundo e ouvia o apoio da torcida de Stanford. A linha final estava cada vez mais próxima, até que em um segundo, já estava atrás dele.
Touchdown. Stanford estava entre as cinco primeiras posições e a Universidade ao Sul da Califórnia estava eliminada.
Cody comemorou, jogou a bola no chão e gritou de felicidade, mas em seguida sentiu-se fraco e ele caiu no chão, estava com muita dor. Seu time percebeu que ele não estava bem e todos correram até ele. Cody prontamente foi colocado em uma maca e retirado do campo novamente, mas desta vez ele aplaudia o próprio time e agradecia como conseguia todos que estavam torcendo pelo time.
Em seu apartamento, tentava se concentrar ao máximo no que estava fazendo, mas seus pensamentos eram levados para o jogo e os acontecimentos recentes. Por volta das sete horas da noite, já estava escurecendo e o silêncio do campus foi tomado com som de fogos de artifício. Ela sabia que isso significava que Stanford tinha vencido e ficou feliz por um momento, queria que chegasse logo para ela perguntar como tinha sido a partida.
Enquanto isso, dentro das dependências do estádio a única coisa que se ouviam eram os gritos de dor, uma vez que, as comemorações cessaram por tempo indeterminado, pois, os jogadores estavam aflitos enquanto ouviam o capitão do time quase chorar de dor no corpo.
O uniforme de Cody foi retirado novamente, e outra faixa foi colocada no local de maior dor. O médico fazia uma massagem para relaxar os músculos de Cody, mas nada passava a dor que ele sentia.
- Vamos chamar uma ambulância e te levar para o hospital! – o médico disse e saiu do local, deixando Cody somente com e Andrew, o resto do time estava em outro ambiente.
- Liga para ela! – Cody disse desesperado.
- O que? – Andrew não entendeu.
- Para a ! Eu preciso dela aqui comigo! – Cody dizia com dificuldade e segurava o choro.
- Eu ligo! – disse e saiu de lá.
tinha acabado de sair do banho quando ouviu seu celular tocar. Era .
- ! Era com você mesmo que eu queria falar! Como foi o jogo?
- Posso te contar depois? É que agora tenho um assunto muito sério para te falar! estava sério.
- O que aconteceu? Assim você me deixa preocupada! – o coração de se acelerou.
- O Cody está muito machucado, feriram ele várias vezes no jogo de hoje. Vão levá-lo para o hospital, mas ele precisa de você, !
- Ele disse isso? – a voz da mulher já estava falhando.
- Disse, ele não quer mais ninguém aqui com ele, a não ser você! disse por fim.
- Eu já vou aí, não deixa levarem ele! – disse firme desligando a chamada e se trocando mais rápido que conseguiu. Minutos depois estava batendo na porta de .
- O que foi? – disse abrindo a porta e vendo desesperada.
- Preciso do seu carro!
- Por quê? O que aconteceu?
- Preciso ir até o estádio!
- Aconteceu alguma coisa com o ?
- Com o Cody! – ela disse por fim e entendeu.
Mesmo sabendo que estaria emprestando seu carro para ela ver o homem que ela gostava, não pôde deixar de ajudá-la, pois a amava.
- Eu prometo que vou tomar cuidado! Você é incrível! – ela o abraçou e saiu correndo.
Cody estava se vestindo com muita dificuldade enquanto esperava a ambulância chegar, se deitou novamente e seus olhos se encheram de lágrimas, pois a dor não diminuía. Ele estava de olhos fechados e em silêncio, assim como Andrew, não tinha voltado ainda da ligação e ele não sabia se tinha conseguido falar com ou não. Ouviu a porta se abrir e sabia que era hora de ir para o hospital, mas sentiu uma mão segurar a sua e abriu os olhos rapidamente, vendo com os olhos vermelhos.
- Oi! – ela disse baixo.
Ela nunca o tinha visto daquela forma, ele estava rígido, seu rosto estava vermelho e com cortes debaixo do olho e seus olhos estavam vermelhos como quem chorava há um tempo.
- Você veio! – ele disse sorrindo e chorando ao mesmo tempo.
- O que aconteceu com você?
- Eles fizeram de propósito... me contaram do que aconteceu na festa ontem e depois vieram com tudo para cima de mim!
- Eu não acredito! – começou a chorar. Cody levantou um braço com muita dificuldade e enxugou as lágrimas que caíram no rosto da mulher.
- Eu te amo demais, ! – ele disse a olhando nos olhos. Os dois se olharam por algum tempo e apenas o beijou.
- Eu também te amo! – ela respondeu se separando.
Eles não tiveram a oportunidade de conversar mais, pois o médico entrou no local.
- Vamos, Cody! – ele com ajuda começou a mover a maca.
- Mas eu quero que ela vá comigo!
- Eu te encontro no hospital! – disse rapidamente.
se juntou a ela.
- Que bom que você veio! Não acredito que o te emprestou o carro dele!
- Quem fez isso com o Cody? – perguntou séria.
- Foi o Aaron Green, o Running Back e Drake Evans, o Quarterback.
, e Andrew caminhavam juntos até o carro de , os três iriam para o hospital de Stanford. Enquanto se aproximavam do carro, viu os jogadores do time da Universidade ao Sul da Califórnia, eles estavam a poucos metros de distância.
- Olha eles ali! – apontou para dois homens que conversavam.
Ao invés de entrar no carro, caminhou na direção oposta.
- Aonde você vai? – Andrew perguntou.
- Já volto! – ela disse decidida e em passos rápidos chegou até os homens. Com o indicador deu algumas batidas nas costas de Aaron, a fim de chamar sua atenção. Ele se virou.
- Oi! Com licença, você é?
- Aaron Green! – ele disse sorrindo.
- Oi, Aaron! Sou a , prazer! – entretanto ao invés de dar a mão para ele, ela fechou o punho e levou em direção ao centro da cara de Aaron, acertando em cheio seu nariz. – Antes que eu me esqueça, vá à merda! – ela disse nervosa.
- Puta merda! – Andrew disse observando de longe a cena e saindo correndo.
- Você está louca, garota? – Aaron gritou com a mão no nariz, cheia de sangue.
- Eu sou louca! – ela disse se virando para quem supôs que fosse Drake Evans e levantou a perna direita com toda a força que tinha e com o joelho, bateu o mais forte que conseguiu nas partes íntimas de Drake.
- , já chega! – Andrew disse a segurando enquanto ela ameaçava os dois homens.
- Vão cuidar da vida de vocês! Aprendam a jogar melhor ao invés de jogar sujo! Seus bostas! – ela dizia sendo barrada por Andrew.
Voltaram para o carro de , ela abriu a porta e entrou.
- Você é incrível!! – disse e ela seguiu rumo ao hospital.
O percurso foi rápido. Os três entraram no hospital e tiveram que aguardar até que Cody fosse para um quarto. aproveitou para fazer um curativo na mão, pois estava machucada.
Quase duas horas depois, eles puderam entrar para ver Cody, o primeiro foi o treinador, ele ficou dez minutos e então foi embora. Em seguida foi Andrew e depois , por último, entrou no quarto.
- O que aconteceu? – foi a primeira coisa que Cody perguntou.
- O que eles te contaram?
- Que você é demais, só isso.
- Eu só soquei a cara do Aaron e dei um chute nas bolas do Drake! – ela disse mostrando a mão vermelha.
- Eu não acredito nisso! – ele disse rindo fraco e depois ficando em silêncio. – Me desculpa!
- Desculpar o que?
- Por ter te humilhado na frente das pessoas! Eu nunca quis fazer isso, muito menos duas vezes!
- Me desculpa por ter te traído! – ela disse triste.
- Assim que você me contou o que tinha acontecido, eu já tinha te perdoado, mas não sabia ainda. – Eles deram as mãos e se sentou em uma cadeira ao lado da cama.
- Quais exames você fez?
- Exame de sangue, raio x e tomografia. Daqui a pouco o médico aparece por aqui com o resultado. – Foi como uma premonição, a porta do quarto se abriu e a médica entrou.
- Cody Christian, não é?
- Sim! – ele respondeu.
- Os resultados dos seus exames saíram: você teve uma luxação na perna direita, por isso estava doendo, o procedimento que fizemos assim que você chegou, foi colocar o osso no lugar. Você teve também uma fratura na costela, que por sorte não afetou nenhum órgão, portanto sua recuperação vai de três a seis semanas, então, nada de futebol e exercícios, você precisa de repouso!
- Eu não acredito nisso! – ele ficou nervoso.
- Não reclama, Cody! Podia ser pior! Vamos pensar de forma positiva, se você se recuperar em três semanas você pode voltar a jogar! Mas para isso, você precisa repousar!
- Ela está correta! – a médica reforçou, receitou alguns remédios e analgésicos e disse que só daria alta para ele na manhã seguinte.
- Pode ir para casa! – Cody disse para .
- Nem pensar, eu vou ficar com você!
- Não precisa, pode voltar! – ele insistiu, não queria que ela dormisse em uma cadeira.
- Eu já disse que vou ficar! – ela se acomodou na cadeira e o encarou.
Cody apenas observou a mulher em sua frente com todo cuidado para não esquecer nenhum traço de seu rosto.
- Você é a melhor namorada que eu não tenho mais!
- Quem disse que você não tem mais? – ela disse sorrindo com o canto dos lábios e ele sorriu também.
- Deita aqui comigo! – ele disse abrindo espaço na cama e ela se juntou a ele, e assim ficaram durante a noite, juntos mais uma vez em um hospital.


Capítulo 18


O corpo de doía, afinal de contas ela tinha dormido em uma cama de hospital com Cody. Bem cedo ela saiu com Cody do hospital, ela estava decidindo se ele ficaria na fraternidade ou no apartamento dela.
- Conversei com o Andrew, você vai ficar comigo! – ela disse enquanto entrava no carro de .
- No seu apartamento? E a ?
- Vai ficar no apartamento também! Os meninos vão levar um colchão para o apartamento, porque dificilmente vamos caber na minha cama de forma confortável!
- Tem certeza disso?
- Absoluta! A fraternidade não é o melhor lugar para você agora!
- E esse carro é do mesmo? Ele te emprestou para você me ver no estádio?
- Sim, ele foi super gentil, por isso também não podemos demorar, daqui a pouco ele vai usar!
- Preciso agradecer ele depois... – Cody disse pensativo.
- Os meninos vão levar seu carro para o meu prédio também!
- Ótimo! Aí você pode usar para trabalhar também!
- Como sabe que estou trabalhando? – ela perguntou surpresa, quase chegando na fraternidade.
- e Andrew! Eu fiquei muito feliz, você merece essa oportunidade! Muito orgulho de você...
- Obrigada! Fiquei sabendo sobre o jogo ontem, que você arrasou também!
- Mas só no final...
- Não importa, você é quem você é, nasceu para ser o líder! E nós chegamos! – ela disse estacionando na frente da fraternidade.
- O que estamos fazendo aqui? – ele perguntou curioso.
- Pegando algumas trocas de roupa para você! – ela buzinou e então pelo menos vinte pessoas saíram de dentro da casa para ver Cody.
- Mais tarde eu te levo o restante das roupas e o colchão! – Andrew disse para , que agradeceu.
- Valeu!
- Obrigado, por cuidar dele! – os dois se abraçaram e entrou no carro novamente.
- Agora nós vamos para o apartamento!
Ao chegarem, os dois saíram do carro e por instante Cody se esqueceu de que precisaria usar muletas para auxiliar a andar, ele as pegou no banco de trás e com dificuldade caminhou até a entrada e entraram no elevador.
abriu a porta de seu apartamento e tocou a campainha do vizinho, abriu a porta rapidamente, vendo e Cody, com a cara cortada e de muletas.
- , muito obrigada mesmo por ter emprestado seu carro! – agradeceu o abraçando.
- Sempre que precisar, conta comigo! – ele disse carinhoso.
- É... muito obrigado por ter emprestado o carro, ! – Cody disse quando e se separaram.
- De nada! Melhoras para você! – disse e viu Cody entrar no apartamento, antes que o seguisse, ele a segurou. – Depois eu quero saber o que aconteceu!
- Pode deixar! – riu e entrou em seu apartamento.
sabia que só pelo fato de ter ido até o estádio na noite anterior existia uma grande chance de reatarem o namoro, mas quando o viu em seu apartamento, tinha certeza.
- A não está no apartamento! Então pode ficar tranquilo, você quer tomar banho?
- Você vai junto comigo?
- Só se você precisar de alguma ajuda, sem segundas ou terceiras intenções!
- Acho que consigo sozinho, mas qualquer coisa eu grito pedindo ajuda, pode ser? – ele disse caminhando até o cômodo.
- Estarei por aqui!
Cody com certa dificuldade conseguiu tomar banho sozinho, ao sair, apenas de toalha, foi até o quarto de e a viu deitada na cama e uma troca de roupa dele separada.
- Cadê o restante das roupas? – ele perguntou.
- Estão no guarda-roupas, no espaço que eu tinha separado para você colocar suas roupas... – ela disse e Cody ficou feliz.
- Você ainda tinha o espaço das minhas roupas?
- Por incrível que pareça, sim! – ela se levantou, ficando sentada na cama.
- Eu também tenho ainda o seu espaço no meu guarda-roupas! – ele disse se sentando na cama e se aproximando de , eles só tinham se beijado no vestiário do estádio, depois disso apenas estavam juntos.
- Acho que nós sabíamos que poderíamos usar ainda! – ela disse sussurrando e se aproximando. Os dois se beijaram como se fosse a primeira vez, pois era, após algum tempo separados.
- Você vai para aula hoje? – ele perguntou após se afastarem.
- Sim, mas só no período da tarde! Então eu preciso tirar um cochilo, senão não vou aguentar! – ela disse se levantando.
- E aonde você vai? – ele perguntou enquanto vestia com dificuldade uma camiseta que ela tinha separado.
- Vou para o quarto da , você pode tirar um cochilo na minha cama! Mais tarde vão trazer os colchões! – ela disse dando um selinho nele e saindo de lá.
No período da tarde, Cody ficou sozinho no apartamento, apenas mexendo no celular e assistindo televisão. Às cinco horas da tarde, voltou e ele ouviu mais vozes com ela, Cody reconheceu instantaneamente quem eram as pessoas e antes que ele pudesse se levantar da cama, abriram a porta do quarto:
- Chegamos com seu colchão! – Andrew disse entrando junto com e David, o Running Back.
- Arrastem um pouco a minha cama para o lado da parede e eu tenho certeza de que o colchão cabe aí! – ordenou e assim eles fizeram, arrastaram a cama mesmo com Cody deitado, colocaram o colchão no chão, colocaram o lençol e por último jogaram o travesseiro e uma coberta.
- Que colchão pesado! – Andrew reclamou.
- Como vocês trouxeram? – Cody perguntou.
- Nós estamos em quinze pessoas, trouxemos na mão! – David respondeu orgulhoso.
- Eu não acredito que vocês fizeram isso!
- Você é nosso capitão, faríamos muito mais! – David disse novamente.
- E o restante do pessoal?
- Eles estão lá embaixo! – Andrew disse e Cody se levantou e com ajuda desceu até a entrada do prédio, local em que foi recebido com muito carinho por seus colegas de time.
Todos o abraçaram e queriam saber como ele estava, contaram o que aconteceu após o jogo e contaram que alguém tinha batido em Aaron e Drake, mas não sabiam quem. Andrew e riram baixo.
- Vocês realmente não sabem quem foi? – Cody perguntou pasmo.
- Se nós soubéssemos, já teríamos dado uma medalha!
- Foi aquela garota ali! – Cody apontou com a cabeça para , que estava mais afastada do grupo.
- Você está brincando? – um deles perguntou animado.
- Mostra sua mão! – Cody pediu e mostrou a mão que estava vermelha por ter socado a cara de Drake.
- Você é nossa heroína! – outro jogador disse e todos aplaudiram a mulher e a abraçaram juntos.
- Vocês estão me esmagando! – ela disse rindo e eles a soltaram.
- Vocês são o melhor casal que eu conheço! – David disse.
- Vocês são um casal de novo, não é? Cody está indo morar com você por um tempo... – um dos jogadores perguntou e o silêncio se instalou, e Cody se olharam.
- Bom... não falamos sobre isso ainda... – começou a dizer e Cody a cortou.
- , como você já aceitou as minhas desculpas pelos motivos que não vou revelar e eu aceitei as suas por motivos que também não vou revelar, você aceita ser minha namorada novamente? – Cody perguntou alto para que até as pessoas que passavam ao redor ouvissem. o olhou e sentiu uma alegria em saber que voltaria a namorar Cody.
- Claro que sim! – ela disse sorrindo e caminhando até ele, os dois se beijaram e a parte do time que estava lá comemorou.
No dia seguinte, e Cody acordaram mais cedo, pois a mulher levaria o namorado para a aula. No dia anterior, os meninos levaram o carro de Cody até o prédio, dessa forma ela se locomoveria e daria uma carona para também.
- Dormiu bem? – Cody perguntou olhando para baixo, tinha dormido no colchão no chão e ele na cama dela.
- Maravilhosamente, seu colchão é bem melhor do que o meu!
- Eu queria mesmo era dormir abraçado com você! – ele resmungou.
- Quem sabe mais para frente? – ela se levantou e separou uma roupa para usar, caminhou até o banheiro e saiu após dez minutos, em seguida Cody fez o mesmo, porém demorou quase vinte minutos.
Antes de saírem para o café da manhã, foi até o apartamento de e o chamou.
- Você vai dar carona para ele hoje? – questionou após abrir a porta.
- Pois é, já que Cody e ele vão para o mesmo lugar, facilita para você! – ela disse simpática.
- Nós podemos revezar, assim não fica ruim para nenhum dos dois! – ofereceu.
- Tem certeza? – questionou.
- Absoluta! – disse, e por um momento percebeu que ele estava estranho.
- Tudo bem com você? – ela perguntou preocupada.
- Tudo sim, só recebi uma mensagem estranha e estou esperando a resposta!
- Você sabe que pode falar comigo, não é?
- É claro que eu sei!
- Então não fica sozinho, não! – disse o abraçando e então apareceu, bem como Cody, e os três juntos foram tomar café da manhã.
Após tomarem um café rápido, deixou Cody e na frente do prédio principal:
- Precisa de ajuda? – se ofereceu para os dois homens que estavam andando com auxílio de muletas.
- Não! Eu já peguei prática! – respondeu saindo do carro rapidamente e fechando a porta.
- E você? – questionou Cody.
- Preciso apenas de um beijo! – ele disse e o fez. Cody abriu a porta do carro e com ajuda de que lhe entregou as muletas, ele ficou em pé e fechou a porta do carro.
Ao chegar no prédio de Direito, viu em seu celular que tinha recebido uma mensagem de Cody, perguntando se almoçariam juntos e a mulher respondeu que sim. Antes de entrar na aula, ela foi parada por seus colegas, Leon e Anne, que queriam saber o que tinha acontecido com todos os detalhes.
- Bom, para começar, no sábado eu fui à festa de aniversário do Spencer e conversa vai, conversa vem, ele me beijou, mas eu disse que não estava preparada parar ficar com outra pessoa ainda, ele entendeu e não me beijou mais e nem me paquerou!
- Alguém viu vocês? – Leon questionou.
- Eu pensei que ninguém tivesse visto, mas pelo que parece muitos viram e em pouco tempo todos que estavam na festa sabiam e infelizmente quem não estava na festa também ficou sabendo!
- O Cody!
- Não. O Cody não ficou sabendo no sábado sobre isso, ele ficou sabendo no domingo, antes de entrar em campo!
- Como assim?! – Anne estava extasiada.
- Pelo que parece, os jogadores do time da Universidade ao Sul da Califórnia ficaram sabendo sobre o que tinha acontecido e sabiam que ninguém tinha contado ao Cody, então antes de o jogo começar, o Running Back foi até o Cody e contou o que tinha acontecido.
- Que desgraçado! – Leon estava indignado.
- E para piorar a situação, eles foram com tudo para cima do Cody, só dele. Queriam eliminá-lo a qualquer custo!
- E se rebaixaram desse jeito?
- Pois é. No final do primeiro tempo, o Cody ficou muito machucado e foi tirado de campo na maca, mas deu alguma coisa nesse menino que ele voltou para jogar no segundo tempo!
- E mesmo machucado ele ganhou o jogo, não é?! – Anne perguntou animada.
- Ganhou! Mesmo assim ele estava muito ferido ainda, tiraram ele de campo na maca novamente e iam levá-lo para o hospital da universidade, mas ele estava desesperado e pediu para o me ligar.
- Como assim?
- O me ligou e me contou o que tinha acontecido e falou que o Cody precisava de mim lá, e eu como a idiota que sou, saí correndo e fui para o estádio!
- Isso até parece um filme de romance!
- Assim que eu cheguei até onde o Cody estava, ele estava chorando de dor e chorou mais quando me viu, disse que me amava e eu o beijei, não aguentei! – confessou rindo e seus colegas acompanharam.
- Que lindo!
- Então ele foi levado de ambulância para o hospital e eu fui com o carro do .
- Do ? Ele emprestou o carro dele para você? – Leon estava chocado.
- Emprestou!
- Eu não esperava por isso!
- E por que não?
- Não é óbvio, ? – Anne disse.
- O que é óbvio?
- O é apaixonado por você!
- Como é que é? – estava assustada.
- Está na cara dele, ele te olha do mesmo jeito que o Cody te olha! – Leon disse.
- Olhar de gente apaixonada! – Anne complementou.
- É coisa da cabeça de vocês!
- Pensa um pouco, cabeça dura! Ele te levou no seu primeiro dia de trabalho, te esperou, organizou um Happy Hour para você se distrair, te emprestou o carro...
Tudo começou a fazer sentido na cabeça de e ela ficou assustada por não ter percebido antes.
- Ele gosta mesmo de você, porque até emprestou o carro dele para você ver seu ex!
- Nós voltamos a namorar! – disse o corrigindo, mas ainda estava pasma.
- Eu não acredito! Que bom, fico muito feliz por vocês! – Anne disse empolgada.
- Ele te pediu em namoro de novo?
- Ontem à tarde! – ela disse simples.
- E o que mais?
- Cody está ficando no meu apartamento, para eu cuidar dele!
- Já voltaram com tudo, então!
- É o que parece! – disse feliz, mas por dentro ela ainda pensava no que eles disseram sobre . Ela precisava conversar com ele, se sentia mal por agir tão amorosa com ele e com medo de que ele estivesse criando expectativas sobre os dois.
Para , era um homem incrível, que sempre esteve presente para ela, mas a mulher sempre esteve tão focada em Cody, que nunca viu com outros olhos e estava com medo de começar a mudar sua visão e atitude com ele.
- Vamos para a aula! – Leon chamou sua atenção e ela o seguiu.
Durante todo o período de aula, pensava uma vez ou outra nas atitudes de com ela, não podia evitar de pensar o que teria acontecido se ela tivesse levado adiante o que teve no dia em que beijou na fraternidade, como ela estaria neste exato momento, se estaria em um relacionamento com ele ou se estaria sem ele e sem Cody.
No horário do almoço, Cody e foram o assunto mais comentado do restaurante, pois após alguns meses sem ao menos se olharem, eles estavam juntos novamente namorando.
- Que bom que você chegou, Corey! – Cody disse para um menino que estava os esperando na porta do restaurante.
- Vai almoçar conosco? – perguntou simpática.
- Não, eu vim aqui para tirar o almoço do Cody! – ele disse simples entrando no restaurante, enquanto ficou parada, pasma.
- Tirar o almoço do Cody? – ela questionou olhando para os dois.
- Sim! – ele disse pegando uma bandeja e um prato enquanto Cody apenas observava.
- Não vai, não! Corey, deixa que eu tiro! – Corey parou o que estava fazendo e encarou o casal.
- Não, ! Ele vai tirar! Eu quero arroz, pode pegar!
- Por que você está fazendo isso? – perguntou baixo.
- Fica tranquila, ele é novo no time e precisa passar por coisas assim para aprender algumas lições! Eu também tive que fazer isso, e foi bem pior!
- Eu não entendo vocês...
- Como foi sua manhã? Pega mais desse aí! – Cody perguntou para e deu ordens para Corey ao mesmo tempo.
- Foi... normal! – ela respondeu superficialmente, pois não conseguia se concentrar vendo a cena.
- Só isso? Esse eu não quero!
- Você acha que o gosta de mim? – ela perguntou de repente.
- Na minha opinião como observador, acho que, Corey, eu não quero isso!
- Você acha o que?
- Eu acho que ele pode sentir alguma coisa por você, sim! Por quê?
- Porque eu fiquei pensando nas atitudes que ele teve comigo, de emprestar o carro para eu te ver, e não foi só você que ficou surpreso com a atitude, então me fez pensar nisso...
- Você pensou nisso ou te fizeram pensar nisso? – Cody disse caminhando até uma mesa, Corey colocou a bandeja e saiu de lá.
- Me fizeram pensar nisso, eu não fazia a menor ideia de que ele pudesse fazer essas coisas porque gostava de mim! – ela confessou sentando-se.
- Pode ser que ele tenha mudado, o que é muito provável, mas pode ser que ele goste de você!
Os dois almoçaram em silêncio, mais uma vez pensando em e Cody também, pensando que pudesse estar apaixonado pela mulher que ele é apaixonado e com medo do que isso pudesse fazer com , pois ele sempre percebeu o quão próximo os dois eram, o que não era um problema, apenas se atrapalhasse o relacionamento deles.
Cody tinha medo de que acontecesse a mesma coisa que já tinha acontecido uma vez, mas que não tinha a menor ideia. Os dois foram interrompidos de seus pensamentos profundos por , que estava com sua feição preocupada:
- Vocês viram o ?
- Só de manhã, quando fui buscar o , por quê?
- Porque nós combinamos de almoçar juntos, mas ele não responde as minhas mensagens e ele não apareceu na aula no período da manhã!
- Ele estava meio estranho de manhã também! Eu perguntei se estava tudo bem e ele disse que tinha recebido uma mensagem meio estranha, e que estava esperando a resposta...
se juntou ao casal e almoçou com eles, conversaram sobre alguns assuntos, incluindo a volta dos dois e ao acabarem, pegou uma carona com .
- Me avisa a hora que acabar sua aula! – disse para Cody enquanto ele saía do carro.
- Estou achando muito estranho, vou continuar ligando para o ... – disse de repente e ligou para o celular do amigo quatro vezes no caminho do prédio de Cody até a entrada do prédio de Direito.
- Me mantém informada? – pediu para o amigo e este afirmou.
Ela não pôde evitar em pensar no pior, que algo tinha acontecido a ele, então de meia em meia hora ela checava o celular para ver se alguma notícia vinda de surgia, até a hora em que decidiu ela mesmo mandar uma mensagem.
, está tudo bem? Estamos preocupados com você! Responde alguém!”
Mas ela não obteve nenhuma resposta até o final do período de aulas da tarde. Assim que suas aulas acabaram, ela tinha recebido uma mensagem de Cody avisando que já estava dispensado, então passou até o prédio dele e o buscou, como um perfeito chofer.
- Nada do ainda? – Cody perguntou de repente, observando a expressão preocupada de .
- Nada ainda... – ela disse.
- Vai ficar tudo bem, não se preocupa! Tenho certeza de que ele está no apartamento, dormindo ou fazendo qualquer outra coisa!
- Tomara...
Ao chegarem no prédio, o casal subiu de elevador e quando a porta se abriu para seu andar, eles viram uma pessoa sentada encolhida em frente a porta do apartamento de , com a cabeça baixa, e ao se aproximarem, notaram que essa pessoa era .
Ao escutar passos se aproximando dele, levantou a cabeça e viu praticamente correndo até ele, enquanto seu namorado ficava para trás. estava chorando e se levantou rapidamente, recebendo um abraço apertado de , que estava assustada, pois, nunca o tinha visto daquela maneira. Os olhos estavam inchados e vermelhos e ele mal conseguia falar.
- , o que foi?! – perguntou preocupada, enxugando as lágrimas que caiam no rosto dele.
- Eu preciso de você! Preciso conversar com você, aconteceu uma coisa horrível! – ele disse com dificuldade e sua voz quase não saia por causa do catarro.
- Mas é claro! Cody, entra aí, daqui a pouco eu volto! – ela disse sem nem pensar, abrindo a porta de seu apartamento e em seguida observando fazer o mesmo.
O homem tentou abrir a porta de seu próprio apartamento, mas suas mãos tremiam e suavam demais para acertar a chave na fechadura, tirou a chave de suas mãos e abriu a porta fazendo com que ele entrasse primeiro. Ele estava hesitante, não sabia o que fazer e o que falar, só conseguia chorar e se culpar.
- Me conta, o que aconteceu? – ela perguntou mais uma vez e ele voltou a chorar.
- Eu... – ele não conseguia terminar.
- Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa, não é? Sabe que eu estou com você no que der e vier?
- Sim.
- Então, não precisa ter medo de me contar, eu não vou te julgar, eu só quero entender a sua dor e te ajudar a passar por isso! – ela dizia de uma forma tão calma, que ele por um instante se sentiu calmo e desejou mais do que nunca que ela fosse sua namorada.
- Aconteceu a pior coisa que poderia ter me acontecido agora, !
- O que houve? É com a sua família?
- Não..., mas é quase isso...
- O que foi então?
- Eu... eu... eu vou ser pai! – ele disse de repente e começou a chorar.
o levou até o sofá e os dois se sentaram lá. Ela o abraçou apertado mais uma vez e ele chorou como nunca.


Capítulo 19


Já fazia dez minutos que não parava de chorar e não havia nada que pudesse fazer. A revelação que seu amigo tinha feito foi impactante, tanto que a mulher não consegui acreditar, parecia que ela estava em uma realidade alternativa durante todo o tempo que ficou deitado em seu colo enquanto ela acariciava seus cabelos.
- , me explica isso direito! – pediu assim que ele se acalmou.
- Eu nem sei o que explicar!
sabia que deveria consolar ele, apoiá-lo, ajudá-lo a lidar com a notícia, mas estava sem reação, queria saber como tinha acontecido, quem era a mulher. Sua cabeça estava cheia de perguntas.
- Vocês não usaram camisinha?
- Usamos! Mas você sabe que essas coisas não são seguras cem por cento! , eu não estou preparado para ser pai! Eu sempre quis ter filhos, mas não assim, de uma mulher qualquer com quem eu fiz sexo! Eu quero ser um pai presente, eu quero ter uma família com uma mulher que eu ame, não queria que tivesse acontecido desse jeito! Eu não entendo! – ele disse voltando a chorar.
- Eu sei! Vai ficar tudo bem, eu vou te dar todo o apoio e ajuda que precisar! Eu estou aqui com você, se lembra? Assim como você sempre esteve para mim! – ela disse e ele se levantou, ficando sentado no sofá e os dois se abraçaram.
- Eu preciso assoar meu nariz! – ele disse se levantando e caminhando até o banheiro.
- Vou lá em casa buscar um chá para você! – ela falou e saiu rapidamente do apartamento.
Respirou fundo e abriu a porta de seu apartamento, Cody estava sentado no sofá assistindo um vídeo em seu celular, mas assim que a porta se abriu ele largou o aparelho e olhou para a namorada.
- O que aconteceu? – ele questionou preocupado observando a feição da mulher em sua frente.
- O ... engravidou uma mulher!
O choque de Cody foi tão grande quanto o de , ele estava perplexo e aparentemente imóvel, sem reação alguma.
- Como assim? Você está falando sério? – a voz dele tinha mudado.
- Sim... eu nem brinco com uma coisa dessas!
- Eu não acredito nisso! – ele dizia inconformado.
- Por que você parece tão abalado?
- É que... – ele buscava as palavras, mas não sabia como dizer – o sempre foi cuidadoso, preocupado, consciente, sabe? Sempre nos dizia para tomar as devidas precauções, e sempre disse que queria construir uma família, mas queria se casar primeiro... Ele deve estar muito mal.
Naquele momento, se lembrou que houve uma época em que e Cody eram amigos próximos, mas algo na relação fez essa amizade se perder. Nenhum dos dois e nem seus amigos nunca contaram para ela o que tinha acontecido.
- Como ele está? – Cody perguntou preocupado.
- Abalado, decepcionado, chorando muito. Eu vim buscar um chá para ele se acalmar!
Os olhos de Cody percorreram todo o perímetro da sala, enquanto pensava sobre a situação de . Um dia eles foram amigos próximos, um compreendia o outro melhor do que ninguém, e Cody sabia que não podia deixar sofrer sozinho, precisava conversar com ele. Em um suspiro profundo, Cody tomou uma decisão, olhou para e disse:
- Eu vou falar com ele! – se espantou e ficou nítido em sua feição.
- Mas vocês nunca se falam!
- Hoje vou mudar um pouco as coisas, já está na hora!
- Você quer que eu vá junto?
- Não é necessário, se eu precisar de alguma coisa, eu te mando uma mensagem! – ele disse se levantando e dando um beijo em . Logo em seguida ele abriu a porta do apartamento e deixou sua namorada em pé, sem entender nada.
Assim que Cody saiu pela porta do apartamento ele sentiu uma enorme pressão, não sabia se o que estava fazendo era o certo, sabia apenas que deveria fazer, não sabia se seria bem recebido por , mas tentaria. Ao abrir a porta, ele viu sentado no sofá com a cara inchada, os olhos vermelhos e o nariz entupido, sua cabeça estava encostada no encosto traseiro do sofá e ele olhava para cima, respirando pesadamente pela boca e de vez em quando algumas lágrimas caíam.
- Pegou o chá? – perguntou com a voz rouca sem olhar para a porta.
- Não, mas a vai trazer daqui a pouco. – se assustou com a voz masculina e olhou para a porta, vendo Cody Christian parado.
- O que você está fazendo aqui?
- Eu nem sei o que dizer, não sei o que você está sentindo, sei só que paramos de nos falar há um tempo, mas sei que você queria ser pai, só que não dessa maneira!
Os olhos de estavam cheios de lágrimas e os olhos de Cody começaram a arder.
- Mas eu quero que você saiba que se precisar de mim, eu vou estar aqui com você! Eu não sou capaz de deixar você passar por esse momento sozinho.
Ambos se encaravam e Cody esperava por uma reação de , então o homem respirou fundo, tomando folego e coragem:
- Eu sei que você não deixaria!
E assim, as lágrimas que estava segurando caíram pelo rosto e Cody andou o mais rápido que conseguiu e os dois se abraçaram, um abraço que não acontecia há um longo tempo, um abraço entre amigos, entre quase irmãos. Minutos depois, os dois sentam-se no sofá e começaram a conversar.
No apartamento da frente, estava sentada no sofá esperando receber alguma mensagem de Cody ou ouvir algum grito ou briga. Passaram-se muitos minutos até que ela recebesse uma mensagem de Cody, pedindo que ela levasse o chá para eles; assim ela o fez, preparou um chá que pensou que o ajudaria a se acalmar e quando entrou no apartamento vizinho viu uma cena que nunca imaginou presenciar: e Cody sentados no mesmo sofá e rindo.
- Do que vocês estão rindo? – perguntou.
- Estava contando algumas coisas que aconteceram comigo, para o ! – Cody respondeu.
- Muito obrigado por me ajudarem e me apoiarem! – agradeceu pegando a xícara de chá.
- , eu vou usar a mesma frase sempre que você tiver alguma dúvida: eu estou aqui com você! Agora termina de tomar esse chá e vai tomar um banho para relaxar!
- Nós vamos fazer a janta aqui no seu apartamento hoje! – Cody disse animado se levantando e quase caindo.
- Eu nem sei o que temos para comer aqui! – respondeu terminando de tomar o chá.
- Eu devo ter algumas coisas no meu apartamento, nós trazemos para cá! – disse.
- Então eu vou tomar banho e mais tarde vocês voltam? – se levantou e entregou a xícara vazia para .
- Isso mesmo! – eles se abraçaram e saíram do apartamento.
Cody e voltaram para o apartamento e os dois estavam em silêncio.
- Você está bem? – Cody perguntou para a namorada.
- Eu estive pensando em uma coisa, o que aconteceu?
- O que aconteceu o que?
- Entre e você?
A expressão de Cody mudou, ele sabia que mais cedo ou mais tarde teria que falar sobre esse assunto com ela, e se surpreendeu pois, demorou para vir à tona.
- Até ontem você e o não se falavam, mas agora nós vamos fazer um jantar para ele no apartamento dele.
- Eu não sei como falar...
- É só falar, você está conversando comigo, sua namorada.
- É que, eu não sei se consigo falar...
- Lembra do que dissemos: sem mais mentiras entre nós! Eu sei que você consegue! – ela o incentivou.
- Eu não consigo ainda! – Cody disse mais uma vez. respirou fundo o encarando. Ela simplesmente saiu do cômodo, caminhando até seu quarto:
- Eu vou tomar banho.
Cody sabia que ela estava chateada e o que ela tinha dito fez Cody refletir durante todo o tempo em que ela ficou no banheiro. Ele estava guardando todos os acontecimentos para ele há tanto tempo, que notou que só fazia mal para ele mesmo e para , e ele sabia que essa seria a melhor hora para contar o que realmente tinha acontecido entre e ele, mesmo que a reação dela pudesse magoá-lo.
No momento em que saiu do banho e se dirigiu ao quarto, Cody estava sentado na cama, observando cada movimento que ela fazia:
- Você tem certeza de que quer ouvir o que eu tenho a dizer? – o encarou e respirou fundo.
- Se você estiver disposto a me contar, sim! Eu quero ouvir! – Cody fechou os olhos e esperou que a mulher se sentasse na cama também, e assim ela o fez.
- Quando e eu começamos a estudar aqui, nós dividíamos o apartamento, e assim nos tornamos praticamente melhores amigos, fazíamos quase tudo juntos, ele sempre ia nas festas comigo, sempre ia nos jogos, e eu sempre estava nos seminários de medicina, ou seja, sempre juntos. Até que um dia, no terceiro semestre da faculdade entrou uma caloura em Stanford, ela era linda, divertida, inteligente... – Cody fez uma pausa.
- Continua. – disse o incentivando.
- Foi quando aconteceu, os dois gostavam da mesma mulher, a princípio nós só brincávamos sobre isso, fazíamos apostas sobre quem conseguiria ficar com ela primeiro, mas com o passar do tempo isso só piorou, a disputa aumentou e a amizade começou a enfraquecer. Dia após dia, nós entrávamos em uma batalha para descobrir qual dos dois ela gostava mais, teve um dia em que nós brigamos em frente a todos por causa disso...
A feição de estava séria, ela prestava atenção em cada detalhe e imaginava as cenas em sua mente, queria saber o desfecho da história.
- O dia em que paramos de nos falar de uma vez por todas, foi no dia em que aconteceu um acidente. Ela já estava cansada de ouvir nós dois discutindo por causa dela e estava decidida que não ficaria com nenhum de nós. Estávamos os três na praia, alterados pelo álcool quando de repente voltamos à tona com as discussões de sempre, mas desta vez ela se cansou e pegou o carro para voltar para Stanford. Alguns minutos depois o celular de tocou, era a polícia... ela tinha sofrido um acidente e não sobreviveu. Então desde aquele dia, nós dois paramos de nos falar, a culpa era nossa, mas ninguém foi corajoso o suficiente para admitir!
estava perplexa, não sabia como reagir, ela não imaginava que o desfecho da história seria tão triste e trágico. Algumas coisas começaram a fazer sentido para ela, principalmente o papel dela como namorada de Cody e amiga de .
- Quer dizer que, eu poderia ser uma aposta entre vocês também? – ela perguntou repentinamente.
- O que?! Não!
- Eu também poderia ser a mulher que conquistou o coração de vocês dois, mas como estavam mais maduros e tinham aprendido alguma coisa, não me fizeram escolher um dos dois?
- Não! Não ouse falar uma coisa dessas, você nunca foi uma disputa entre nós! Se por acaso nós dois gostamos de você, não foi intencional!
- Eu não sei no que acreditar...
- Mas eu sei! O tempo que eu levei para concluir que sentia algo forte por você, foi diferente, foi rápido e certeiro!
- O que me leva a concluir que você estava carente! Desesperado por alguém que pudesse te confortar e preencher o vazio que ela tinha deixado!
- Você é a única mulher que eu sinto essa sensação, a única mulher que eu amei! A única por quem eu morreria, e eu quase morri... naquele dia em que a polícia me ligou falando que você tinha se envolvido em um acidente. Eu pensei que tinha acontecido de novo, mas com você... – Cody não conseguiu completar a frase, pois tinha começado a chorar. não conseguiu dizer nada, ela sabia que havia verdade na voz de Cody, então simplesmente o abraçou.
- Calma! Eu estou com você aqui!
- Me desculpa por ter demorado tanto tempo para contar! Me desculpa se eu estou fazendo você pensar que o nosso namoro não passa de uma competição entre o e eu!
- Se por acaso o destino tivesse me unido com ao invés de você, como ficaria nossa relação como pessoas?
- Eu nunca deixaria de falar com você! Jamais deixaria de te admirar pela mulher que você é! Me apaixonar por você me fez amadurecer e tomar conhecimento de coisas que eu não tinha noção. Você não é uma posse minha, você é livre para ir aonde quiser... sempre foi... e sempre vai ser!
tinha certeza de que amava Cody de coração, que ele era o que ela queria e precisava. Os dois se beijaram e depois Cody foi tomar banho. Uma hora e trinta minutos após saírem do apartamento de , eles já estavam lá novamente, mas desta vez estava também, e ele conversavam, se assustou com a presença do casal:
- Oi, pessoal! O que foi? – ele estava assustado e não sabia que o casal já sabia do fato.
- Tudo bem, ! Eles já sabem.
- Até o Cody?! – se espantou.
- Pois é! Nós viemos fazer a janta! – Cody disse andando até a cozinha e o seguiu segurando alguns ingredientes.
Os quatro amigos ficaram na cozinha, conversando e fazendo brincadeiras até a hora em que o jantar ficou pronto, então eles se direcionaram até a mesa e todos jantaram. Após limparem a cozinha e a sujeira, eles ficaram algumas horas conversando ainda, até o momento em que o casal voltou para seu apartamento.
- Muito obrigado por tudo! – disse abraçando .
- Conta comigo! Amanhã de manhã eu volto aqui! – ela disse e ele concordou.
- Até mais, cara! Qualquer coisa é só chamar! – Cody disse e assim os dois saíram de lá.
- Como você se sente com a volta do namoro da e do Cody? – perguntou para .
- Eu estou muito confuso, muitas coisas têm acontecido e eu não sei lidar com todos esses sentimentos.
- Isso vai passar, é só você dar tempo ao tempo!
Já cedo no outro dia foi até o apartamento de para vê-lo, abriu a porta e a mulher viu que o homem estava mexendo no celular, aparentemente normal.
- Bom dia, gata.
- Bom dia, gato. Como você está?
- Deprimido, e você?
- Preocupada!
parou de mexer no celular e encarou , olhando no fundo dos olhos dela. sentia coisas por que nunca sentiu por ninguém antes, e há tempos queria contá-la, estava esperando até que ela superasse o término com Cody, mas isso não aconteceu e ele sentia-se decepcionado sempre que pensava nisso, pois, uma esperança tinha nascido nele, mas foi tirada a força, mais uma vez.
- Obrigado!
- Hoje nós vamos fazer uma coisa diferente: vamos matar aula e ir para o bar, encher a cara, conversar, passar vergonha, o que acha?
- Quem é você e o que fez com a que eu conheço?
- Vai por mim, essa é tão legal quanto a outra!
- Você não vai trabalhar essa semana?
- Seu tio está no tribunal essa semana, ele me disse que não precisa de mim por enquanto!
- Que horas vamos então?
- Umas onze horas! Mas nós só vamos voltar às onze horas da noite, combinado?
- Perfeito!
- Quem mais vai? – questionou, ele prestava atenção na conversa toda.
- Cody, , e ! – disse sorridente.
- Você conseguiu convencer todos eles?
- Não foi tão difícil! Eles já devem estar chegando com a comida, inclusive! – disse e minutos depois a campainha tocou, eram eles.
- A comida chegou! – disse animado entrando segurando algumas sacolas.
- Você nem me esperou! – Cody disse se aproximando de e dando um selinho.
- Me desculpa, eu queria ver se o não estava na fossa! – ela disse risonha.
- Por que o estaria na fossa? – perguntou sentando-se no sofá junto com seu amigo.
- Você conta ou eu conto? – perguntou encarando .
- Eu conto.
A atenção de todos estava voltada para , ele respirou fundo encontrando as palavras para contar a história e assim que as encontrou, começou a contar a história, coisas que não tinha falado nem para .
- Quando vocês foram para Las Vegas, eu comecei a conversar com uma garota no Tinder, nós marcamos de nos encontrarmos em uma festa, nós nos beijamos e aconteceu, fomos para um motel e vocês já sabem o que significa. Depois disso nós ficamos nos falando por um tempo, até que ela me ligou ontem pedindo para me encontrar, porque precisava conversar comigo... ela me disse que está grávida e que o filho é meu.
Os colegas que não sabiam a história ficaram perplexos, não falaram nada, estavam apenas digerindo a informação.
- A garota é de Stanford? – perguntou quebrando o silêncio.
- Não...
- Ela pelo menos é maior de idade? – a mulher continuou e riu.
- Sim, !
- Qual o nome dela? – mais uma vez questionou.
- Por que você está fazendo tantas perguntas? – questionou a amiga.
- Não é óbvio? Perguntando tudo hoje, evitamos que ele fique repetindo e revivendo isso depois!
- Faz sentido! – concordou.
- Ela se chama Kim.
- Kardashian? – se pronunciou pela primeira vez, tirando risos de todos.
- Antes fosse!
- Hoje a nossa meta é distrair a cabeça do menino ! Ninguém quer vê-lo triste pelos cantos, então hoje ele vai beber! – disse chamando a atenção de todos. – Quem está comigo nessa?
- Eu com certeza! – disse e todos concordaram. Os amigos abraçaram , demonstrando apoio nesse momento.
- Antes, vamos tomar café da manhã! – disse.
- Quer dizer que vocês voltaram a se falar? – perguntou para Cody e que concordaram.
- Isso é demais! – comemorou.
Após o café da manhã, todos saíram do prédio e se dividiram em dois carros. estava com o carro de Cody, em que levaria seu namorado, e , e no carro de estava ele, e .
- Vamos para a praia, pode ser? – Cody perguntou e todos concordaram.
Assim que saíram pelos portões de Stanford, o caminho até a costa foi rápido, mas eles procuravam pelo local ideal para passar o dia. Por ser uma quarta-feira, a praia estava vazia, mas felizmente o dia estava aberto, sem nuvens e o sol estava radiante. Todos desceram dos carros com suas mochilas, que em sua grande maioria continham livros e não roupas de banho, já que não estavam preparados para ir à praia, portanto o que conseguiram pegar nos apartamentos de e tinha que lhes servir pelo resto do dia.
Começaram a beber quase imediatamente e uma hora e trinta minutos depois todos já estavam consideravelmente alterados. Fazia muito tempo que não bebiam juntos, então os ânimos estavam a flor da pele, principalmente para , que não parava de olhar a cada dois minutos.
- Vamos para o mar! – se levantou falando alto, tirou a camisa e saiu correndo pela areia em direção a água. Segundos depois e repetiram o que o amigo tinha feito.
- Cuidado com braço, ! – a amiga o alarmou.
e Cody ficaram apenas observando e pensando em como poderiam entrar na água, já que estavam se movendo com ajuda de muletas. Repentinamente, se levantou da cadeira, mas ao invés de caminha na direção da água, ele caminhou para trás do quiosque. Os três amigos apenas observaram e se encararam.
- Vou atrás dele, ele já está um pouco bêbado, tenho medo do que pode fazer! – disse se levantando.
- Eu vou para o mar, tentar me equilibrar! – se levantou com dificuldade pela areia.
- Acho que vou também! – Cody disse.
- Cuidado, vocês dois! – a mulher alertou mais uma vez e seguiu os passos de , o encontrou sentado na areia logo atrás do quiosque, em uma área que não batia tanto sol.
- O que houve?
- Eu estava apenas pensando na minha vida, como ela mudou de repente. Eu sei que estou meio alterado, mas eu queria te falar que, tudo o que eu sempre quis foi ter uma chance com você, e agora eu acho que isso não vai acontecer.
- Como assim? – a mulher perguntou e sentiu borboletas no estômago.
- Eu amo ficar com você, cada risada, cada piada, cada conversa, cada momento, desde o dia em que eu te conheci, eu pensei que você fosse... como falam... a pessoa que aparece para mudar nossas vidas.
Dito isso, segurou as mãos de e a olhou nos olhos, nunca tivera certeza de um sentimento por alguém, como o que tinha por ela. Seu coração batia mais rápido, sua respiração estava descompassada e não era por causa da bebida.
- Eu sei que você ama o Cody e eu respeito muito isso, vocês são um casal lindo e tudo o mais, mas eu cansei de esconder o que sinto por você!
- Você tem certeza de que está bem? – perguntou.
- Eu vou ficar melhor, mas só depois que fizer isso!
estava tão chocada com as declarações de que nem ao menos percebeu o quão próximos estavam um do outro, então foi fácil para apenas se aproximar dela e a beijar, logo em seguida colocando uma mão no rosto da mulher para aprofundar o beijo, um beijo roubado. A mulher não sabia o que estava fazendo, mas se entregou até que um pensamento a acordasse: Cody.
separou o beijo e os dois se encararam por alguns segundos, sorriu para ela e a mulher retribuiu, porém não tão feliz quanto ele.
- Acho melhor nós voltarmos para lá! – ela disse apontando para a frente do quiosque.
- Eu também acho.
Eles voltaram para a mesa, mas não havia ninguém lá, entretanto a última pessoa que saiu da mesa, antes de ir até a beira do mar, tinha ido ver como e estavam e acabou presenciando a cena de um beijo. Agora essa pessoa estava na beira do mar, molhando seus pés com certa dificuldade.
- Precisa de uma ajuda? – ele ouviu a voz de sua namorada e a olhou sorrindo.
- Você me aguenta? – Cody questionou.
- Você me aguenta? Então é óbvio que eu te aguento! – ela disse risonha.
Cody sorriu para ela e chamou por , que estava se aproximando do casal, jogou suas muletas para o amigo e com dificuldade se movimentou pela areia até a água estar em seus joelhos.
- Você está maluco? – disse desesperada correndo até ele.
- Eu só quero entrar no mar!
- Você quer piorar isso sim! – ela disse zangada e Cody se agachou com muita dificuldade e jogou água nela. – É guerra que você quer? – a mulher jogou água no namorado também e os dois começaram uma pequena briga com água.
- Você é muito fraca! – ele disse enquanto estava apenas molhado e sua namorada encharcada.
- Já chega de ficar forçando a sua perna! – ela disse andando até ele e o fazendo se escorar nela.
- Você se preocupa demais! – ele disse sussurrando e a puxando para um beijo.
Foi um beijo sem medos e receios, os dois estavam sempre entregues um ao outro, mas algo dentro de dizia que não era certo beijar Cody bem em frente à , que acabara de confessar seus sentimentos para ela, sentimentos que ela nem sabia se algum dia poderia corresponder.
Após o almoço, tanto quanto pararam de beber bebidas alcoólicas, pois, voltariam dirigindo. O dia foi se passando, entre risos e conversas, bebidas e comidas, água salgada e água doce, a noite foi caindo e os amigos precisavam voltar para Stanford. Durante o caminho de volta, estava pensando no que tinha acontecido entre e ela, não conseguia tirar da cabeça a lembrança e estava em dúvida se contaria ou não para seu namorado.
Cody, sabendo o que tinha acontecido e observando as atitudes de sua namorada, notou que ela estava abalada e se perguntava se ela o contaria o que tinha acontecido ou se seria melhor ele revelar que tinha visto. Mas algo dentro dele tinha receio de que ela tivesse sentido algo a mais com aquele beijo, e se sim, ele não podia fazer nada a respeito.
Como quatro pessoas moravam perto, e voltaram com e e voltaram com . Ao chegarem no apartamento, eles se despediram com abraços e entraram em seus apartamentos.
- Está tudo bem? – Cody perguntou após muito pensar, no momento em que eles entraram no quarto de .
- Para ser sincera, não! – ela disse se sentando na cama.
- O que aconteceu?
- Hoje na praia, sabe quando eu fui conversar com o , antes de vocês irem para o mar? – Cody acenou positivamente a cabeça. – Bem, o ... como eu posso explicar?
- Eu sei o que aconteceu! – ele disse simples. A feição de mudou completamente e seu estômago revirou.
- O que?! Como? O que você sabe?! – ela estava desesperada.
- Eu vi quando ele te beijou! – respirou fundo, precisava explicar o contexto. – E eu sei que ele tem sentimentos por você, não precisa se explicar!
- Como você sabe?
- Ele me contou ontem quando conversei com ele a sós.
- Ele te contou?
- e eu sempre fomos amigos, até acontecer... bem, aquilo que te contei. Então nós paramos de conversar e tudo ficou esquecido, só que ontem eu me dei conta de que não valia a pena perder uma amizade e quando conversamos ele desabafou comigo. Disse que tem sentimentos por você e que não conseguia guardar mais, mas que fazia isso por mim e para não deixar você confusa e magoada.
- Por que você não me contou?
- Eu queria que ele te contasse, mesmo que fosse assim, que ele não conseguisse suportar. Mas eu preciso te perguntar uma coisa ainda... – O coração de já estava batendo acelerado e isso só fez com que ficasse mais rápido.
- Você sente alguma coisa pelo ? Eu preciso que você seja franca comigo, não guarde isso para você. Você ama o ?
- Eu amo - ela disse sem pestanejar, mas completou a frase - mas não desse jeito, eu o amo como amigo, eu me preocupo com ele, considero ele uma pessoa muito importante para mim.
- É essa a sua resposta? Fala a verdade, por favor! A última coisa que eu quero, é que aconteça novamente o que já aconteceu uma vez.
- Eu tenho certeza! – Os dois se encararam e Cody sorriu para ela, caminhou em sua direção e a abraçou.
- Saiba que você pode contar tudo para mim! Eu te amo!
- Eu vou ser sempre verdadeira com você, se você for comigo também! Afinal de contas eu também te amo!
Cody apertou em seu abraço e os dois se olharam, em seguida se beijaram. Os beijos começaram a ficar mais rápidos e intensos e em poucos segundos já estava deitada na cama enquanto Cody passava a mão por seu corpo, de forma lenta e provocativa. De repente, se lembrou que estava no apartamento também.
- Espera! - ela disse ofegante e se sentando na cama – a !
- O que tem ela? – ele também se sentou.
- Ela também está no apartamento!
- Não... – ele disse e voltou a beijá-la.
- Não?
- Não! Andrew e ela saíram hoje, ele me mandou uma mensagem.
- Ainda bem! – ela disse aliviada. Cody a beijou lentamente e aos poucos foi acelerando, suas mãos estavam na cintura de e então desceu até a barra de sua blusa a puxando para cima.
A mulher estava com as mãos no rosto de Cody e desceu até seu tórax e até a barra da camiseta, puxando para cima também, então passou as mãos lentamente pelo local, arranhando de leve. Cody desabotoou o short jeans da mulher em sua frente e ela terminou de tirar, enquanto com certa dificuldade ele tirava a própria bermuda. Cody puxou a mulher para que ela se sentasse em seu colo e em um movimento rápido ele a deitou na cama e ficou por cima, os dois trocavam beijos por toda extensão de seus corpos.
- Se você sentir dor, nós paramos! – disse em certo momento.
- Eu aguentei um jogo inteiro, eu com certeza aguento fazer amor com a mulher que eu amo! – ele disse sorrindo e os dois se beijaram profundamente, consumando o amor.


Capítulo 20


Ela não sabia ao certo como estava, mas algo não a deixava confortável, tentou se mexer e não conseguiu, algo a estava prendendo. Em seu interior, ela não queria abrir os olhos, mas precisava. Bem devagar, abriu os olhos e viu que estava deitada de lado, Cody estava dormindo abraçado com ela, seu braço por cima dos braços dela, por isso estava presa. Estava pronta para sair, quando ouviu um barulho na porta de entrada e em seguida alguém tocar a campainha.
- Que merda! – Cody sussurrou assustado.
- Pode deixar que eu atendo! – ela se levantou, vestiu sua calcinha e sutiã e enquanto procurava alguma coisa para se cobrir o olhar de Cody a observava.
- Que mulher! – ele disse sorrindo e ela sorriu de volta, colocando uma blusa do moletom dele, que cobria até sua coxa.
- Que homem! - ela sussurrou e piscou para ele.
caminhou em direção à porta e abriu. a encarou de cima a baixo.
- Por que a demora?
- Porque eu estava dormindo!
- Julgando pelas roupas, ela estava fazendo sexo ontem! – surgiu do lado direito de .
- Para de julgar ela! – surgiu do lado esquerdo de .
- Quem já está aqui uma hora dessas? – Cody caminhou em direção às pessoas na porta, ele estava com uma calça de moletom e sem camisa, era possível ver os hematomas na costela e tórax.
- É, a julgar pela falta de calça dela e a falta de blusa dele, eles estavam fazendo sexo! – surgiu do lado de .
- A pele deles está radiante! – riu.
- E o sorriso estampado no rosto? – complementou.
- Vocês já cuidaram das suas próprias vidas hoje? – questionou risonha enquanto era abraçada por Cody.
- Sabe o que eu acho? Que quem muito questiona, na verdade quer ver! – Cody disse os encarando.
- Como assim? – o olhou.
- Eles querem ver a gente! – o casal se encarou e riu.
- O que!? – perguntou se assustando.
e Cody ficaram um de frente para o outro, sorriram ao mesmo tempo e começaram a se beijar, profundamente.
- Ah! Puta merda!
- Pornô uma hora dessas não!
- Que casal!!
- Assim que vocês pararem com esse show gratuito, estamos no apartamento da frente, esperando vocês para tomar café da manhã!
Assim que a porta do apartamento se fechou, os dois pararam de se beijar e se encararam rindo. observou as marcas no corpo de Cody.
- Está doendo? – ela passou as mãos pelo local e ele arrepiou.
- Ainda dói um pouco, mas ficar com você me deixa melhor!
- Você não cansa de falar coisas positivas sempre que eu pergunto algo negativo?
- Canso, mas sempre tem que ter alguém para pensar positivo no relacionamento!
riu e eles se abraçaram. Ficaram abraçados por algum tempo até se separarem e irem se trocar. Minutos depois saíram do apartamento e bateram na porta do vizinho, quem abriu foi .
- Eles chegaram! – ele disse sorrindo. O casal cumprimentou e todos entraram no apartamento.
A cozinha estava suja e tinham panquecas e frutas na bancada que dividia a cozinha da sala de estar. e estavam com avental e limpavam a pia e chão respectivamente, lavava a louça e enxugava e guardava.
- O que está acontecendo aqui? – questionou perplexa, olhando a cena.
- Nós resolvemos fazer um café da manhã em conjunto! – explicou.
- Eu gostei da ideia! - Cody disse.
- Agora vocês estão vestidos decentemente! – comentou.
- Eles me contaram o que viram mais cedo... – disse baixo para .
- Como você está se sentindo hoje?
- Bem melhor, apesar de ainda não ter caído minha ficha.
- Vai cair, e quando isso acontecer eu vou estar aqui com você! – os dois se abraçaram.
- Café da manhã pronto! – falou enquanto terminava de dividir duas panquecas em sete pratos. – Cada um coloca as frutas e a calda que quiser!
Ao passo que todos se serviam e se sentavam nos sofás, já que o apartamento não tinha uma grande mesa, a mente de fervia com a informação que precisava compartilhar com duas pessoas. Após todos terem terminado de comer, contava um fato interessante que tinha acontecido e todos riam, era o momento perfeito para falar, pensou.
- Eu preciso perguntar uma coisa para vocês – se pronunciou após ter finalizado seu discurso e apontou para Cody e .
Todos ficaram sérios de repente e encararam e depois o casal.
- Na verdade, eu preciso perguntar para a , mas Cody também precisa concordar, eu acho, não sei como funciona o relacionamento de vocês.
- Essa conversa está ficando estranha! – se levantou do sofá com certa dificuldade, porém mais rapidamente e , e o copiaram. Os quatro foram para a cozinha.
- Daqui duas semanas meu primo, Gillian, vai se casar, acho que o Cody recebeu o convite... – começou.
- Recebi sim! Nem me lembrava mais... seu primo é muito legal!
- Sim! Ele gosta muito de você e de todos os meninos, ele conheceu vocês por pouco tempo, pois se formou ano passado aqui em Stanford. Enfim, eu sou padrinho dele e quando ele anunciou que se casaria, e me convidou para ser padrinho dele, minha família questionou se eu iria sozinho, e eu senti essa pergunta como uma aposta.
- E é óbvio que você falou que não iria sozinho, eu te conheço... – interveio sorrindo e sorriu concordando.
- Me conhece mesmo... e foi exatamente isso que eu disse! Nesse um ano desde o convite eu esperava conhecer alguém que valesse a pena levar, mas isso não aconteceu.
- E a luz dos novos acontecimentos você quer levar a ? – Cody perguntou encarando , que ficou surpreso, assim como . – O que? Eu também te conheço, !
- Todo mundo me conhece tão bem, menos eu mesmo. Mas é isso mesmo, a única mulher que faria eu me sentir bem nessa situação, é você! – ele olhou para , que estava boquiaberta.
Na cozinha, todos pararam o que estavam fazendo e se concentraram na conversa do trio.
- Quando vai ser esse casamento? – perguntou.
- Daqui dois sábados!
- Você me levaria como sua...?
- Acompanhante! Não precisa ser minha namorada!
e Cody se olharam e encararam por alguns segundos. Cody deu de ombros e balançou a cabeça, dando a entender que a decisão era dela.
- Não é por nada não, ! – se manifestou da cozinha, todos o encararam e o trio notou que eles prestaram atenção em tudo. – Mas seu primo, o Spencer, não vai também?
A menção desse nome mexeu não somente com Cody, mas também com e .
- Spencer é meu primo por parte de mãe, o Gillian é por parte de pai!
- Melhor... – falou baixo e segurou a mão de Cody.
- Por quê?
- Se eu vou ser sua acompanhante, não pode ter ninguém para desmentir!
A feição de se iluminou e um sorriso que não via há algum tempo surgiu de repente. mal pensou, ele estava tão feliz por receber ajuda de seus amigos que apenas abraçou , a tirando do chão.
- Obrigado!! Sério, você é a pessoa mais incrível que eu já conheci!!
- Não precisa exagerar! – dizia rindo. Ela estava feliz em poder ajudar.
Enquanto isso, Cody observava a cena e sorria, ele sabia que precisava de apoio e era a pessoa mais adequada para isso, mesmo que isso custasse horas e mais horas vendo-a tão próxima a ele.
Assim que saíram do prédio, todos se separaram e rumaram para suas devidas aulas. No horário do almoço, Cody e combinaram de comer juntos, e assim que se encontraram, Cody confessou a :
- O Gillian me convidou para o noivado dele, eu já disse isso, mas quando eu disse que não lembrava do casamento, era mentira. Eu queria levar você desde o princípio, mas como estávamos em uma relação complicada eu nem toquei no assunto.
- Se você não se sentir confortável que eu vá com , pode me falar! Eu cancelo com ele e vou com você! Eu tenho certeza de que o vai entender.
- Eu não me importo que você vá com ele, desde que me prometa que não vai acontecer nada lá!
- Eu não vou deixar nada acontecer, prometo!
E assim, os dois mudaram de assunto e almoçaram como um típico casal, falando sobre problemas, histórias engraçadas, acontecimentos do dia. Voltaram para o segundo período de aulas, e marcaram de se ver no treino do time, Cody não jogaria, mas queria estar presente para dar apoio aos jogadores.
Assim que chegou ofegante em frente ao estádio, Cody sorriu para ela e eles deram um beijo, Cody se apoiou em e juntos entraram no estádio. Cody tinha ido de carona com seus amigos e foi com o carro. As líderes de torcida estavam saindo no exato momento em que eles entravam, o olhar delas recaiu sobre o casal, mas estes não se importaram.
- Nosso capitão chegou! – Andrew disse animado quando eles entraram no campo. – E a nossa capitã também veio!
- Vocês nem imaginam como foi difícil pedir para ela me acompanhar hoje!
- Deve ser porque ele não devia ficar andando tanto!
- Ela tem razão!
- Vocês estão aqui para jogar ou para falar sobre meu estado clínico?
- Jogar!! – o time disse uníssono.
Enquanto o time treinava, Cody ficou sentado no banco dos reservas, observando o jogo, conversando com o treinador, animando o time, se fazendo presente da forma como conseguia. estava na arquibancada, olhava para o jogo, olhava para seu livro e assim ficou até irem embora.
Na sexta feira, não trabalharia e tinha somente o período da manhã de aulas, assim que saiu do prédio de direito, um assobio chamou sua atenção, era . Ele estava encostado em seu carro, de óculos de sol, calça branca, camisa polo azul clara e com as mãos no bolso dianteiro da calça, certamente estava no hospital.
- Oi! – os dois se abraçaram – o que faz aqui?
- Eu decidi te levar para fazer compras!
- Compras? Eu tenho roupas!
- Mas acho que não tem um vestido que combine com a cor da gravata que os padrinhos devem usar!
- Eu pensei que somente as madrinhas usassem a mesma cor!
- Elas vão usar uma outra...
- Você quer que a gente combine as roupas, como se fosse a formatura do ensino médio? – zombou e começou a rir.
- Entra logo nesse carro! – ele disse a ignorando e entrando no carro.
dirigiu por alguns minutos até chegar em um outlet. Entraram em diversas lojas e procuraram por um vestido que fosse turquesa. vestiu alguns, porém nada a agradava, fez o papel de seu namorado ou de seu melhor amigo, dependia de como ela ficavam em alguns vestidos.
Na mente de aquilo significava muito para ele, era um momento em que apenas os dois compartilhavam e que ele pôde sentir como seria namorar com . Não que um relacionamento se tratasse somente de momentos como esse, mas para ele já era algo.
- Eu estou com fome! Cansei de experimentar esses vestidos! – falava exausta e pegando seu celular. Ela tinha duas chamadas perdidas de Cody.
- Tudo bem... não gostei de nenhum vestido mesmo. Vamos comer alguma coisa e depois voltamos para Stanford, pode ser? – a questionou.
- Tudo bem!
- Quais são seus planos para amanhã?
- Não sei ainda...
- E se nós formos para outro outlet? – arqueou as sobrancelhas e prontamente se explicou – é que quanto antes encontrarmos esse vestido, menos corrido fica!
- Está bem! A gente vai! – sorriu e a abraçou de lado, retribui ambos. Então desbloqueou seu celular e retornou à ligação de Cody.
- Oi, gato!
- Oi, gata! Tudo bem?
- Tudo bem e você?
- Tudo bem também! Eu fiquei preocupado, você não atendeu minhas ligações e não te vi no campus!
- É que... eu vim com o atrás de um vestido para o casamento do primo dele...
- Ah... – Era possível sentir uma mistura de decepção e ciúmes na voz de Cody, mas ele não queria demonstrar – e vocês encontraram alguma coisa?
- Ainda não, mas amanhã vamos procurar em outro lugar, quero que você vá com a gente, acho que você precisa de roupas novas também, não é?
- Acho que sim! Preciso dar uma olhada no meu armário...
- Assim que eu chegar em Stanford a gente vê isso, pode ser?
- Com certeza!
- Eu te amo, Cody! Fica tranquilo! – falar isso fez com que o coração de batesse mais forte, assim como o de Cody, que sorriu do outro lado da ligação e o de , que ouviu e teve mais uma vez suas esperanças despedaçadas.
- Eu também te amo!
Após comerem e saírem da praça de alimentação, os dois voltaram para Stanford e foram recebidos por uma turma no apartamento de e . O time de futebol, ou melhor, uma parte do time estava toda concentrada na sala e cozinha.
- O que está acontecendo?
- Vieram me fazer uma visita! - Cody se levantou do sofá o mais rápido que conseguiu, foi hilário, e foi até . – Me desculpa, é sério! Eu não sei por que todos eles vieram aqui! Eu só pedi as minhas roupas sociais! – Cody sussurrou assustado e sua namorada riu.
- Agora que a chegou, acho melhor deixarmos eles a sós, não queremos atrapalhar nenhum romance! – um dos meninos se pronunciou, como se tivesse lido a mente deles.
Assim que todos saíram do apartamento, e Cody viram algumas roupas trazidas pelo time, aprovando e desaprovando algumas peças.
- Uma samba-canção do Pateta, isso é sério?
- É bem sexy!
No dia seguinte, Cody, e saíram à procura de um vestido, e a maior barreira que tiveram era as opiniões divergentes entre os dois homens.
- Assim não dá! Vocês me deixam louca!
- Mas é que aquele não ficou bom! – Cody falou.
- Eu discordo! Ficou ótimo! – replicou.
- Que tal vocês levarem a minha opinião em consideração e... uau! – estava dentro do provador enquanto brigava com eles e se surpreendeu, pois pela primeira vez tinha experimentado um vestido que realmente tivesse ficado bom na opinião dela.
- O que? Aconteceu alguma coisa? – questionou.
A mulher saiu de dentro da cabine e causou um choque nos dois homens que a observavam. Era um vestido sem mangas, longo e que tinha uma fenda em seu lado direito, era justo em cima e se alargava aos poucos. Caiu perfeitamente no corpo dela.
- Caralho... – Cody disse baixo.
- Você está linda! – falou a olhando sem nem piscar. Cody olhou momentaneamente para a reação de seu amigo e chegou à conclusão de que esse casamento seria mais difícil do que ele imaginava.
Uma semana se passou desde a compra do vestido, e passavam grande parte do tempo juntos, ele explicava um pouco sobre sua família e escutava tudo atentamente. Ao mesmo tempo em que ela fazia isso porque pensava que estava o ajudando, ela gostava de ficar com ele, as horas passavam voando e as conversas sempre terminavam em risadas e piadas. Quem não gostava muito da aproximação era Cody, que sentia que a qualquer momento poderia perder .
- Ela não é sua posse! – ele disse para si mesmo, após ver sair de seu apartamento com , ela o acompanharia para a prova do terno.
- Por que você está tão rabugento? – estava no apartamento e viu a cara de Cody.
- Nada...
- Vai mentir para mim? Eu faço psicologia! Fui criada por dois pais e sei que homens mentem mal!
- Você tem dois pais?
- Nunca te contei? Sou adotada! Meus pais são gays e são maravilhosos! Vai por mim, eu sei quando algo está errado, me fala o que é? É a aproximação da e do , não é?
- Caraca, você é boa mesmo!
- Na verdade, eu ouvi você resmungando!
- Eu sei que não deveria ficar assim, eu confio cem por cento na , mas...
- Você tem medo de que de repente ela olhe para o e fale: nossa, eu me apaixonei por ele! É isso?
- É tão estranho assim?
- Não, não é estranho, você pode até confiar na , mas não confia no seu amigo, e nem em si mesmo!
- É claro que eu confio no !
- Tem certeza?
Cody ficou em silêncio, enquanto refletia sobre o que tinha perguntado. Ele não sabia se confiava ou não em .
- Seu silêncio é um sim! Sim para o e sim para Cody.
- E o que eu faço?
- Quando nós chegamos em Stanford, conhecemos um tal de Cody Christian que era sedutor e que fazia o coração de todas as meninas derreterem somente com uma piscada, agora eu te pergunto: aonde ele está? Aqui na minha frente eu só vejo um rapaz que tem preguiça de viver!
“Se ela está passando mais tempo sozinha com o do que com você, é porque você não quer fazer parte. Você está machucado, e não morto! Há quanto tempo não saem? Vocês ficam somente em casa e isso pode esfriar qualquer relacionamento! Não significa que a culpa é sua, vocês acabaram de reatar, mas parece que a chama não acendeu ainda!”
- Caralho, quem é você?
- , futura psicóloga! – ela disse sorrindo.
- Você é sensacional!
- Eu sei! – ela disse pegando sua bolsa e saindo do apartamento, deixando Cody sozinho com tudo o que ela tinha acabado de falar.
Foi como se algo despertasse dentro de Cody, ele tomou banho, fez a barba, se perfumou, vestiu uma roupa mais social e se sentou no sofá, esperando que sua namorada chegasse a qualquer momento. Não demorou quase nada para que a porta da frente se abrisse e entrasse, ela estava com uma aparência tranquila, e no momento que os olhos dela viram Cody ela se espantou.
- O que aconteceu? – Cody se levantou e assim ela pôde vê-lo por completo. Ele estava se apoiando nas duas muletas.
- Eu queria te convidar para jantar!
- Você está lindo!
- Obrigado! Eu te espero enquanto você se troca!
se aproximou de Cody e sentiu o aroma dele, ela o olhou nos olhos sorrindo, o beijou, e antes que o clima esquentasse, ela se afastou para se arrumar. vestiu uma roupa mais casual e não tão formal e o casal foi para um restaurante.
Era apenas um jantar, mas foi como se isso fosse o suficiente para que eles se aproximassem mais e Cody recuperasse a confiança que achava ter perdido.
- Quando vou conhecer pessoalmente seus pais? Você já conhece a minha família inteira... – disse enquanto comiam.
- Eu estava pensando nisso desde quando reatamos. Meus pais amariam te conhecer, e eu acho que você também ia gostar...
- Combinado!
- E eu quero conhecer também a sua casa, ir para Huntington Beach.
Assim, os dois faziam planos para o futuro, entretanto, o final de semana estava cada vez mais próximo e muitos sentimentos seriam postos a prova. Na sexta-feira, após o período de aulas, , Cody, , e se encontraram para ir ao casamento.
- Eu não sabia que vocês dois tinham sido convidados! – falou quando viu e se aproximarem.
- Pelo que parece, fazemos sucesso com as famílias! – se gabou.
- Na verdade, - o interrompeu – meu primo estudava aqui quando eles começaram a universidade, então ele conheceu essas figuras!
- Vamos com dois carros? – questionou.
- Sim! – Cody se pronunciou – e eu vamos com meu carro e vocês vão com , pode ser? – todos concordaram e após arrumarem suas bagagens, partiram rumo ao casamento da família .
A viagem durou quarenta minutos, todos os convidados ficariam hospedados em um hotel com as diárias pagas pela família de , e o cronograma do final de semana era sexta-feira comparecer ao coquetel de boas-vindas, sábado ao ensaio de casamento e domingo ao próprio casamento. estava mais ansiosa por hoje, já que seria esse o momento em que ela seria apresentada para a família de e se passaria por falsa namorada dele.
No momento em que estacionaram os carros, o coração de parecia que ia sair pela boca, ele não esperava ver tantas pessoas na casa de seu primo, pensou que somente os mais próximos estariam lá.
- Eu acho melhor abortar a missão! – disse desesperado após sair do carro. – Vamos para o hotel já, e amanhã voltamos para Stanford!
- Você é o padrinho! – disse.
- A gente só pode fazer o check-in no hotel a partir das sete horas! – disse.
- Então nós vamos para o bar do hotel e esperamos até o horário!
- Nós já estamos aqui! É só entrar! – comentou.
- Qual é o problema, ? – Cody perguntou.
- Eu não sabia que tantas pessoas estariam aqui! Pensei que no máximo minha avó, meus pais e os pais dele estariam aqui! E não toda a família e os amigos! – estava nitidamente desesperado, ele tinha medo de que todos descobrissem a mentira no momento em que eles entrassem na casa.
- , presta atenção, eu sei que você consegue fazer isso! Não vai ser fácil, mas nós estamos aqui para te ajudar! Se você ficar com medo, é só fingir que vai vomitar e sair de lá! – disse ficando de frente para ele. respirou fundo e balançou a cabeça positivamente.
- Vamos entrar lá e arrasar! – falou e todos sorriram.
Caminharam pela rua, passando por todos os carros que supuseram ser dos convidados de Gillian. Pararam em frente à casa e viram através da janela muitas pessoas rindo e conversando, andaram em direção a porta de entrada e um pouco antes de chegarem, o celular de tocou, era sua mãe.
- Preciso atender, podem entrar e eu encontro vocês lá dentro!
Os meninos concordaram e seguiram em frente e, após abrir a porta, deram alguns passos até a sala de estar. Os parentes de e amigos de Gillian estavam entretidos em conversas, rindo e bebendo champanhe, água ou suco; os quatro amigos teriam entrado despercebidos, se não fosse pelo tio de .
- Olha só quem chegou!! – a atenção e a cabeça de todos se viraram para olhá-los, e nesse momento teve certeza de que teria um infarto.
- !! – Gillian saiu do sofá em que estava sentado e correu para o abraçar – ! ! Cody! Não acredito, vocês todos vieram!! – Gillian abraçou um de cada vez, ele não conseguia se controlar de felicidade, significava muito tê-los por perto em um momento tão importante como esse.
- E agora a pergunta que todos querem uma resposta: com qual destes rapazes você veio acompanhado? – o tio de perguntou rindo e todos acompanharam, inclusive .
Era por esse e outros motivos que ele decidiu tomar a decisão de convidar para ir ao casamento com ele, famílias podem ser difíceis de lidar, podem ser irritantes, podem ser desafiadoras, podem ser companheiras e até amorosas, mas nesse momento, a família dele estava chegando bem próximo da linha do ódio mortal.
- Acho que o nosso caçula vai perder a aposta!
Era como se a mãe de soubesse que ela estava prestes a fazer algo errado, a ligação para saber como sua filha estava veio em um momento inoportuno.
- Tudo bem, mãe! Eu estou bem! Também te amo!
Era hora de entrar. Como se fosse a cena de um filme, no momento em que pisou dentro da sala de estar, todos que estavam rindo pararam e a encararam, era como se eles soubessem da farsa dos dois. a encarou agradecendo mentalmente por ela ter finalmente entrado, ele sabia que ela estava envergonhada, então era hora de agir, era hora de o show começar.
- Vocês nem me deixaram falar! Pessoal, essa é a , minha amiga! – ele caminhou até ela e a abraçou de lado.
- Oi! – disse envergonhada, mas todos responderam.
- É um prazer conhecê-la! – Gillian disse a abraçando. – Quem diria que existe uma pessoa que suporta o ! – riu e os outros a acompanharam.
foi apresentada para alguns membros importantes da família de e da família da noiva de Gillian, Dorothy.
- Parece que meu coração vai parar de bater a qualquer momento! – disse baixo para .
- Vai ficar tudo bem! Quer uma bebida? – perguntou.
- Sim! – os dois saíram da sala de estar e caminharam rumo a cozinha, que estava vazia, exceto por Cody e , que conversavam.
- E então? – Cody perguntou.
- Difícil! – respondeu, mas antes que ele pudesse continuar a falar, uma mulher entrou no cômodo e deixou mais nervoso.
- Crianças!! – era a mãe de . Eles se pareciam, tinham a mesma cor de cabelo e o mesmo sorriso.
- Mãe! – os dois se abraçaram por alguns segundos, e quando se separaram ela cumprimentou os demais.
- Agora eu quero saber uma coisa... – ela olhou para os lados, para garantir que não tinha mais ninguém no recinto – que ideia é essa de trazer a namorada do Cody como sua acompanhante!?
O coração de todos acelerou e a respiração falhou por algum tempo. Se a mãe de sabia sobre isso, quem mais podia saber?
- Como assim? – perguntou assustado, sua voz estava mais fina.
- Eu também tenho redes sociais! Eu sei que os dois namoram! – ela apontou para e Cody.
- Mãe, você não pode falar para ninguém! Mais alguém sabe?
- Eu acho que não! Eu espero que não! De qualquer forma, eu não aprovo essa ideia, e apesar de tudo, é um prazer conhecer você, querida!
- O prazer é meu, senhora !
- Eu vou ficar fora do caminho de vocês, mas rezem para ninguém me perguntar nada! Nem o seu pai sabe disso e não vai ser eu quem vai contar! – ela terminou a frase se direcionando a .
O momento após a saída da mãe de da cozinha foi estranha. Ninguém falou nada, apenas ouviam-se as respirações pesadas e descompassadas, os olhares se cruzavam e mudavam repetidamente de lugar.
- Vou deixar meu Instagram como conta privada! – disse rapidamente pegando seu celular e fazendo isso. Cody fez o mesmo.
- Acho melhor nós voltarmos para a sala! – falou e todos concordaram, voltando em silêncio para a grande sala barulhenta.
A conversa estava divertida e todos riam, o ambiente estava leve e isso deixava todos mais calmos em relação a mentira. estava sentada em um sofá e ao seu lado, estava escorado no braço do sofá, Cody e estava sentado em poltronas e estava escorado em uma parede perto da lareira. Conforme as horas foram passando, somente a família e amigos mais íntimos permaneceram na casa de Gillian, o que deu abertura para perguntas constrangedoras.
- O que você estuda em Stanford, ? – Gillian perguntou.
- Direito!
- E vocês, meninos, nenhum romance universitário? – o tio de , o mesmo que tinha o provocado quando chegaram perguntou para , e Cody. evitou ao máximo expressar alguma reação, olhou para Cody, mas seus olhares não se encontraram.
- Nada, por enquanto! – Cody disse rindo fraco.
- Eu nem acreditei quando vi que trouxe uma namorada! Parecia impossível!
- Nós não somos namorados! Ela é minha amiga!
- Amiga com benefícios?
- Para com isso... – estava envergonhado e isso deixou seu tio ainda mais interessado.
- Quem você quer enganar? Os dois estão grudados desde quando chegaram! Ou isso é um namoro ou vocês fizeram algum acordo para ela fingir ser sua namorada!
e pararam de respirar ao mesmo tempo, mas rapidamente mudaram suas feições e começaram a rir assim como o restante. É isso, eles foram descobertos.
- Ele não me pagou para vir! – disse descontraída.
- Isso quer dizer que vocês são um casal! – Dorothy se pronunciou alegre.
- Que tipo de casal é esse que não dá um beijinho? – Gillian perguntou.
- O nosso tipo de casal! Isso aqui não é um filme! – disse irônico.
- Até parece! Eu conheço vocês, jovens! Adoram ficar se agarrando em qualquer canto que caibam! Eu quero ver um beijo de vocês, para provar que não é mentira! – o tio, que estava nitidamente embriagado pediu e todos riram e gritaram em aprovação.
O tio bêbado começou a puxar um coro de “Beija! Beija!”, e todos no recinto começaram a acompanhá-lo. olhou para , ela estava com os olhos arregalados e estava pálido. Eles não esperavam por isso, não sabiam como reagir. Cody, observando a cena notou a feição de ambos e sentiu que se eles não fizessem alguma coisa, as pessoas desconfiariam; ele sabia que os dois estavam apenas travados esperando o aval dele, e para o bem de todos que estavam lá, ele daria.
- Qual é pessoal!! Beija logo!! – ele gritou sorrindo e quando se virou para ele, com o olhar assustado, ele apenas piscou um olho disfarçadamente.
voltou seu olhar para , ele estava escorado no sofá, um pouco mais alto que ela, respirou fundo e levou suas duas mãos até o rosto de , ao se aproximar, sussurrou:
- Me desculpa! – e então colou os lábios dos dois, segundos depois aprofundaram o beijo e todos comemoraram a atitude deles.
- Agora sim nós sabemos que vocês são um casal! – o tio bêbado disse e os dois se separaram, os lábios, nariz e bochechas vermelhos. passou um braço pelos ombros de e ela se apoiou nele.
A festa já tinha acabado para todos. Então os cinco decidiram ir para o hotel.
- Aqui estão as chaves! – disse enquanto caminhava em direção aos seus amigos. Ele carregava duas chaves, um quarto com três camas e um quarto com cama de casal.
Os cinco caminharam em silêncio até o elevador e quando saíram no corredor do oitavo andar precisava desabafar.
- Me desculpa por hoje! – ele disse e todos pararam de andar. – Eu não pensei que isso fosse acontecer!
- Gente bêbada é uma merda! – disse rindo.
- Nós sabíamos que isso podia acontecer, era um risco calculado! – Cody disse.
- Eu acho que amanhã não teremos nada disso, hoje eles estavam bebendo demais, amanhã será melhor!
- Não tem problema! – disse sorrindo para ele.
- Muito obrigado pelo apoio hoje! – disse olhando para seus amigos, agradecendo de coração a atitude deles.
Todos ouviram o barulho do elevador abrindo e uma voz conhecida. Era o tio bêbado de , que também estava no mesmo hotel e mesmo andar que eles. Cody nem pensou, praticamente jogou nos braços de , que a segurou assustado, os dois ficaram cara a cara.
- Olha só eles! Descansem, crianças! – e cambaleando, foi pelo lado contrário do quarto deles. Os cinco esperaram até que ele estivesse realmente dentro do quarto e se separaram.
- Foi por pouco! – disse ofegante.
- Acho melhor a gente entrar nesses quartos logo, antes que alguma merda aconteça! – disse e caminharam rapidamente até seus quartos, que eram um em frente ao outro.
- Boa noite, pessoal! – disse entrando.
- Boa noite! – os outros responderam.
e Cody entraram no quarto e puderam respirar de verdade pela primeira vez desde que chegaram.
- Que merda!! – passou as mãos pelo cabelo e se sentou na cama, Cody caminhou até ela e a abraçou.
- Está tudo bem!! Agora é só você e eu! – ele disse a acalmando. – Eu só não te beijo, porque você acabou de beijar o ! – ele falou e riu.
- Era tudo o que eu precisava! – ela disse baixo.
- Então eu posso fazer um esforço por você! – os dois se encararam e se beijaram de forma apaixonada, sem mentiras, sem pressão, somente os dois.

Jantar de ensaio: evento que ocorre após o ensaio na igreja, desde a entrada dos pais, padrinhos e madrinhas e organização de tudo o que vai acontecer na cerimônia. Após o ensaio, são convidados para o jantar alguns familiares mais próximos, as pessoas que participarão diretamente do casamento e amigos que vieram de longe.
Enquanto seus amigos dormiam, saiu cedo para o ensaio na igreja, afinal de contas ele era um dos padrinhos.
- Há quanto tempo vocês estão juntos? – Gillian perguntou para .
- O que? Quem?
- Você e ! Há quanto tempo estão juntos?
- Ela entrou há um ano em Stanford, eu a conheço desde quando ela entrou, mas estamos juntos há dois meses! – ele mentiu sobre a última parte, mas o começo era verdadeiro.
- Vocês formam um casal bonito! Parecem felizes!
- Sério!?
- Sim! Espero que dê certo para vocês, você merece ser feliz! E apesar de todos falarem tanto sobre você, no fim das contas todos têm inveja porque você conseguiu o que muitos não conseguiram.
ficou pensativo o restante do dia, ele sempre teve a impressão de que seus parentes não gostavam dele, mas ele sempre se destacou de todos, sempre foi diferente, sempre se voltou para os estudos e por isso entrou tão rápido na universidade de medicina. Talvez fosse por isso que eles tentavam o fazer se sentir mal.
e Cody ficaram dentro do quarto o dia todo, assistindo televisão e comendo besteiras. Seus amigos do quarto da frente fizeram o mesmo.
Às sete horas da noite, os cinco amigos estavam prontos e esperando os carros estacionados chegarem até a frente do hotel. Todos os homens estavam de calça social e camisetas sociais, sem terno, sem gravata, apenas casuais. estava com um vestido que ia até a altura dos joelhos de cor azul escuro.
- Faremos o seguinte: e vão em um carro e o restante de nós no outro! – disse.
- Nenhum de vocês pode dirigir ainda! – se pronunciou.
- É verdade, então esquece o que eu falei! – disse.
- Você está linda! – Cody sussurrou perto do ouvido de , a deixando arrepiada.
- Não faça isso! – ela sussurrou o encarando.
- Impossível, você desperta o pior de mim às vezes.
Os carros chegaram e todos partiram rumo ao ensaio de casamento, com a premissa de que não haveria mais beijos, pelo menos esta noite. A maioria dos convidados já estavam lá quando os cinco chegaram, e uma mesa tinha sido reservada para que todos ficassem juntos, ficaria na mesa de sua família; a mesa dos outros era mais ao fundo, local em que ninguém os notaria e não perceberiam os olhares entre e Cody, que apesar de terem passado o dia inteiro juntos, não tinham feito nada além de estarem juntos, mas algo estava os animando, os excitando durante a noite.
e estavam entretidos em uma conversa sobre o casamento ser uma instituição, enquanto e Cody apenas escutavam o que em breve poderia se tornar uma discussão. De forma discreta, Cody pousou uma de suas mãos na perna descoberta de , indo além do vestido, por baixo da mesa, atitude que a fez estremecer e olhá-lo de canto de olho, ela sorriu de forma discreta e eles se encararam. Seus amigos não notaram quando se levantou dizendo que iria ao banheiro e minutos depois ligou para o celular de Cody, que disse que era sua mãe na ligação.
- Eu já volto! Vou atender a chamada!
- Tranquilo, cara! – respondeu enquanto voltava a discutir com .
Cody entrou em um corredor que dava para cômodos da casa, ele sabia que estava no penúltimo cômodo e assim que chegou, bateu na porta, que foi aberta por sua namorada, ela estava dentro de um banheiro desativado.
- Que demora! – ela dizia ofegante.
- Me desculpa!
Cody fechou a porta e a trancou, o empurrou para a parede e os dois se beijaram de forma feroz, chutou seus sapatos para longe e Cody começou a desabotoar sua calça, a mulher em sua frente apenas abaixou a calcinha e a deixou em cima de pia, enquanto Cody abaixava sua cueca e agarrava sua namorada. Eles trocaram de lugar e ela foi colocada em cima da pia, segundos depois Cody a agarrou e os dois fizeram sexo.
- Nós somos loucos! Imagina se alguém ouve! – disse se arrumando.
- Vai dizer que não gostou?
- Eu não disse isso, mas agora nós temos que nos controlar!
- Vai ser difícil, mas o lado bom é que estamos no mesmo quarto de hotel, senão eu teria que invadir o seu quarto na madrugada!
- O que você vai falar quando voltar para lá?
- Que minha mãe precisava de ajuda com alguma coisa! Por isso fiquei fora por... quinze minutos! O sexo mais rápido da minha vida! – ele disse olhando o horário em seu celular.
saiu primeiro, olhando em volta para que ninguém percebesse que ela estava saindo de um corredor escuro e escondido. Quando voltou para o salão, estava sentado na cadeira dela, sorria e olhava ao redor, ela caminhou até ele, parando atrás dele e apoiando suas duas mãos em seus ombros, eles sorriram um para o outro.
- Tudo bem? – perguntou.
- Tudo certo!
Cody apareceu na mesa e sentou-se como se nada tivesse acontecido, mas sabia que tinha algo estranho entre os dois, ele sabia que os dois estavam juntos em algum cômodo, mas não os julgou, se ele fosse realmente o namorado de ele também estaria em algum quarto com ela, mas esses pensamentos ficavam somente na imaginação de .
- Aonde vocês estavam? – perguntou para os recém-chegados.
- Eu estava no banheiro, o Cody eu não sei! – disse naturalmente e sorriu sem mostrar os dentes. Ela tinha um dom para mentir e ele sabia reconhecer isso.
- Estava falando com a minha mãe no telefone! Ela queria que eu a ajudasse a recuperar a senha da Netflix! – Cody disse simples e isso foi o suficiente para convencê-los.
passou uma de suas mãos em um braço de e o apertou tentando chamar sua atenção. Quando ela percebeu, se abaixou até que seus rostos ficassem próximos.
- Em qual quarto vocês estavam? – ele sussurrou e riu baixo.
- Em um banheiro no final de um corredor! – ela respondeu e ele assentiu.
- Ótima escolha!
O jantar contou com depoimentos e histórias de amigos e familiares, pessoas se emocionaram, choraram, riram, se envergonharam, e no fim, todos estavam felizes, ansiosos pela cerimônia do dia seguinte e satisfeitos por terem comido e bebido à vontade. Todos voltaram para seus lares com a promessa de que o dia seguinte seria ainda melhor, de certa forma, para e Cody já estava começando bem na madrugada.

- Eu vou mais cedo para a igreja, fico lá com meu primo, e nós nos encontramos lá! Pode ser? – disse enquanto todos tomavam café da manhã.
- Tudo bem! – todos responderam ao seu tempo enquanto comiam.
O casamento aconteceria no horário de almoço, assim não ficaria tarde para os que precisavam voltar para suas cidades. e Cody voltaram para seu quarto.
- Você vai tomar banho? – ela o questionou.
- Sim...
- Então vai agora!! Depois eu vou ficar naquele banheiro por um longo tempo!
E realmente, ficou pelo menos uma hora e trinta minutos se arrumando no banheiro. Quando saiu de lá, estava deslumbrante, a maquiagem estava simples, porém muito bonita e seu cabelo estava solto, porém bem arrumado.
- Você está maravilhosa! – Cody a olhava de cima a baixo, seus olhos brilhavam.
- Você fica lindo demais em um terno, como pode!? – disse o olhando e mordendo o lábio.
Por onde passava, fazia cabeças virarem e pessoas a olharem de cima a baixo, ela estava de tirar o fôlego e sem fazer muito esforço. No momento em que a viu entrar no local do evento, que não era uma igreja, mas uma espécie de chácara seu coração disparou e suas mãos tremeram.
- Caramba! Sua namorada está linda! – a prima de disse enquanto esperavam para entrar efetivamente na igreja. Todos os olhares se voltavam para ela.
- Ela é linda mesmo! – ele sorriu de forma apaixonada sem perceber.
- É tão estranho te ver apaixonado! Você que sempre foi pegador!
- Apaixonado? – ele a olhou assustado.
- Está nos seus olhos, no seu sorriso, na sua postura, quando está com ela ou vendo ela!
- Sabe... às vezes acontece... se apaixonar!
Quando a cerimônia começou, ao invés de prestar atenção no que estava acontecendo, ele não conseguia tirar os olhos de . Houve um momento em que os olhares de ambos se cruzaram e eles sorriram ao mesmo tempo. Ao término da cerimônia todos os convidados foram para um gramado em que estavam dispostos mesas, cadeiras, e toda a decoração da festa. e se encontraram e eles formavam um casal deslumbrante.
- Você está sensacional! – disse a olhando por completo.
- Você está... divino! – foi a palavra que encontrou para defini-lo, ele estava de terno, gravata e colete azul marinho, assim que ele tirou o paletó a mulher notou que ele usava suspensórios e achou que ele estava completamente sexy.
Os dois se encararam por algum tempo e notou que a gravata de estava torta; se aproximou e arrumou. O coração de disparou e ele respirou forte. levantou sua cabeça e os dois rostos ficaram a centímetros de distância. Estavam tão imersos naquele momento que só repararam que estavam em uma pose romântica quando um flash de câmera os assustou. Era a fotografa.
- Vocês estão maravilhosos!! – ela disse sorrindo e saiu.
Os dois se separaram envergonhados e caminharam juntos até encontrarem a mesa em que estavam sentados. Desta vez, todos estavam juntos, inclusive os pais de .
- Há quanto tempo estão juntos? – o pai de perguntou e antes que falasse algo se pronunciou.
- Dois meses! – concordou com a cabeça.
- Um brinde ao novo casal! – o pai de propôs e todos brindaram, mesmo que por dentro estivem com um sentimento de remorso e medo.
Uma banda ao vivo tocava músicas de diversos estilos e divertia os convidados que alternavam entre comer, beber e dançar. Os noivos tiravam fotos só entre eles, com os convidados, com os padrinhos, com as madrinhas, crianças, amigos e com grupos diferentes de convidados. De um lado da festa Cody conversava com uma prima de , fingindo ser um homem solteiro, sorrindo e jogando seu charme. Do outro lado e apenas riam e se divertiam a sós na mesa.
- Você quer dançar? – a convidou e aceitou. Mas bastou chegarem na pista de dança que a banda resolveu tocar uma música lenta.
- Parece que foi só chegar! – disse e os dois se abraçaram e começaram a dançar. sentia o perfume de e uma das mãos do homem estava na cintura dela, enquanto a outra estava segurando a mão dela. sentia o perfume de e a respiração dela no seu pescoço, sentia o toque da pele dela tão próximo a ele e isso era satisfatório para ele.
No momento em que a música acabou, Dorothy pegou o microfone e agradeceu a presença de todos, em seguida avisando que jogaria o buquê e que as pessoas podiam se preparar.
- Estou fora! – disse assustada e puxou para fora da pista, enquanto mulheres se aglomeravam e alguns homens, entre eles, e .
- Por quê?! – perguntou rindo. – Não quer se casar comigo? Formamos um casal tão lindo!
- Eu sei disso! Mas acho melhor não!
- Fugiu, ? – Cody apareceu do lado de rindo.
- UM! DOIS! TRÊS! – Dorothy gritava no microfone.
Os três estavam de pé em frente à mesa deles, quando a mulher sentiu uma pontada bem forte em sua cabeça e viu o buquê cair na sua frente, em cima da mesa. Ela colocou uma mão na cabeça e olhou assustada para as flores em sua frente.
- Caralho! – ela disse assustada.
- Não acredito! – disse rindo. Mas ele não sabia o que isso significava. Cody sim.
Todos os olhares se voltaram para , que mesmo não desejando pegar o buquê, acabou ganhando-o, e isso significava que ela poderia se casar com , para quem acreditava nisso.
- e !! – Dorothy gritava do microfone e todos os aplaudiam.
- O que eu faço? – disse enquanto pegava o objeto e o analisava.
- Beija ela! – Cody disse no ouvido de .
- O que!?
- Beija logo ela!! – ele disse desesperado. Se as pessoas reparassem que ela estava com o buquê, mas ambos estavam reagindo de forma estranha, logo notariam que algo estava errado.
- Por quê!? – estava sem reação e não entendia o que estava acontecendo.
- Só escuta o que eu estou falando!!
segurou um braço de e a virou para ele, a outra mão foi diretamente para seu rosto e ele a beijou. A mulher se surpreendeu com a atitude, mas colocou sua mão livre no rosto de , aprofundando o beijo. De olhos fechados um clarão os assustou, era a fotografa, novamente.
Do lado dos dois, Cody sorria por fora enquanto aplaudia, mas internamente estava despedaçado. Os dois estavam se beijando novamente e desta vez, teriam registros fotográficos para que todos pudessem comprovar e se lembrar depois.


Capítulo 21


Após o beijo de e , Cody se afastou dos dois e dali em diante não conversava mais com eles, todas as vezes que a mulher tentava se aproximar de seu namorado, ele estava com algum parente ou alguma convidada da festa estava o paquerando. , Cody e sempre eram questionados sobre sua saúde, pois dois deles estavam andando com auxílio de muletas e o outro estava com o braço engessado.
- O que foi? Você está bem? – perguntou para o amigo.
- Eu estou triste por ver eles dois como um casal... – Cody disse sincero.
- Mas ela ama você, eles só estão fingindo! – o amigo disse e os dois olharam para o falso casal, que estava tirando foto com os noivos.
- Mas eu queria ter trazido ela como minha namorada, queria que as pessoas viessem até mim falando sobre como nós somos um lindo casal, que ela tivesse pegado o buquê e me beijado na frente de todos!
- Então por que concordou com isso? E do que tem tanto medo?
- Eu concordei porque queria ajudar o ...
- Do que você tem tanto medo?
- Eu tenho medo de que nem a própria saiba o que ela sente pelo e o que ela sente por mim!
- Você acha que ela pode gostar dele?
- Não sei. Mas tenho medo!
A festa de casamento já tinha acabado, restavam apenas a família, os membros mais íntimos, aqueles que ficavam até o final da festa para comer os doces e ajudar a organizar o que precisava.
- Vocês podem ir embora já, crianças! – a mãe de disse para o grupo de amigos que estava ajudando a carregar os presentes de casamento. – Amanhã vocês têm aula!
- Então, vamos? – perguntou.
- Vocês já fizeram o checkout no hotel? – a senhora os questionou.
- Não, vamos dormir lá mais uma noite e voltamos amanhã bem cedo! – Cody disse simples enquanto carregava mais alguns presentes. A mulher olhou para seu filho e para .
- Posso conversar com vocês dois? – ela perguntou e apontou para o filho e sua suposta namorada e ambos concordaram.
- Tudo bem? Alguém desconfiou de nós? – perguntou preocupado.
- Ninguém desconfiou, ainda mais porque vocês ficaram tão grudados que pareciam um casal de verdade!
- Menos mal...
- Eu não sei se isso é uma coisa para se orgulhar, ! Você mentiu para sua família...
- Eu sei, mãe! Mas você sabe como eles são, nunca se esqueceriam se eu viesse sozinho!
- , posso falar a sós com meu filho? – consentiu e saiu de lá, tentando conversar com Cody.
- Eu não gostei do seu tom de voz... – disse para a mãe.
- Você gosta dela, não é?
- É claro que sim! Ela é muito legal, inteligente...
- Você a ama, não é?
- Por que você acha isso?
- Porque eu te conheço! Está na sua cara, você nunca esteve tão feliz em uma festa de família como hoje, porque estava com ela!
- Eu sou apaixonado por ela... – ele confessou.
- E como vai seu amigo?
- Qual deles?
- Aquele que viu a namorada beijar outro homem na frente de centenas de pessoas um final de semana inteiro! – ela se referiu a Cody.
- Eu não sei, não conversei com ele ainda...
- E não acha que é uma boa ideia? – ela apontou para um local, Cody estava sentado mexendo no celular, sozinho.
- A senhora acha isso uma boa ideia?
- Eu acho que você tem que tomar cuidado, nessa história uma pessoa pode se machucar ou os três podem sair feridos!
respirou fundo tomando coragem e caminhou até o local em que seu amigo estava, limpou a garganta para chamar atenção e assim teve.
- Como você está? – perguntou.
- Cansado! E você?
- Cansado também... mas eu queria saber como você está em relação a tudo o que aconteceu nesse final de semana, eu imagino que não tenha sido fácil.
- E não foi mesmo, ver a se passar por sua namorada foi algo que a princípio eu pensei que fosse fácil, mas não foi.
- Eu prometo que nada aconteceu entre nós, tirando aquele beijo... nenhum sentimento, nada!
- Eu não sei, tenho medo de que a sinta alguma coisa por você... – Cody confessou e sentiu seu coração disparar.
- Você acha? – ele perguntou curioso, mas uma esperança crescia dentro dele.
- Eu não conversei com ela ainda!
- E você não acha que é hora de conversar? Apesar de ela ter se passado por minha namorada na festa, na vida ela é sua namorada! E ela te ama muito, eu tenho certeza! – disse e por fim se levantou, caminhou até e cochichou algo com ela, em pouco tempo ela estava ao lado de Cody.
- Me chamou? – ela perguntou.
- Na verdade, o acha que precisamos conversar.
- Eu também acho! Desde o beijo na hora do buquê você não conversa comigo! O que aconteceu? Eu sei que você não gostou, mas foi ideia sua!
- Eu sei! Mas ver a mulher que eu amo beijando outro homem dói! Eu só estou tentando esquecer essa cena e tentando expulsar da minha mente que talvez você tenha sentido alguma coisa com aquele beijo! – Cody disse e se levantou, deixando sozinha no banco.
Após se despedirem de Dorothy, Gillian, alguns parentes deles e dos pais de , o grupo de amigos entrou em seus carros e foram para o hotel.
- Eu estou com muita fome! – disse após estacionarem.
- Essa lanchonete aqui da frente parece que tem comida boa! – apontou para um estabelecimento em frente ao hotel. Do jeito que estavam, os homens de terno e com vestido, o grupo se direcionou ao local.
Ao entrarem, viram que não era uma simples lanchonete, na verdade era um bar e karaokê, algumas pessoas cantavam, outras apenas bebiam, outras comiam e bebiam.
- O que aconteceu com o Cody? – perguntou para sua melhor amiga.
- Ele está chateado com o que aconteceu hoje na festa, o beijo e todo o resto...
- E por isso ele não está falando com você?
- Ele acha que eu senti alguma coisa com o beijo do .
- E sentiu?
- Não, ! – ela respondeu prontamente, mas internamente estava pensativa.
- Vocês precisam conversar então! – disse simples.
- Ele não quer falar comigo...
- Então, você vai ter que inovar... – ele finalizou deixando-a sozinha enquanto ia até o bar pedir uma bebida.
Os cinco sentaram-se em uma mesa em que conseguiam ver perfeitamente as pessoas que estavam cantando no karaokê. Cody e se sentaram um ao lado do outro, mas em nenhum momento deram as mãos ou trocaram olhares, a mulher estava pensativa e não sabia o que fazer para provar para Cody que ela o amava. Em certo momento, as bebidas de todos chegaram e as porções de entrada.
- Vamos pedir os lanches já? – perguntou enquanto olhava o cardápio e todos concordaram. Cada qual demorou cerca de cinco minutos para se decidir e assim eles fizeram o pedido do lanche.
- Quando eu me casar, eu vou querer cantar uma música para a minha esposa! – disse enquanto aplaudiam a mulher que tinha acabado a canção.
- E você canta, por acaso? – o questionou.
- Canta! – respondeu pelo amigo.
- Por que você ia querer cantar? – perguntou para .
- Porque eu acho que é uma demonstração pura de amor!
Ao falar essas palavras, foi como se na mente de tivesse uma lâmpada, e nesse exato momento ela se acendeu como uma ideia.
- Eu vou ao banheiro! – ela disse de repente e se levantou de lá, mas ao invés de ir até o banheiro, ela foi até o bar e colocou seu nome na fila de pessoas para cantar.
- Assim que chegar a sua vez, nós vamos te chamar no palco! – o bartender disse – mas você já é uma das próximas, então fica atenta! – ele disse por fim e ela saiu de lá, voltando para a mesa e respirando fundo, pois já estava nervosa.
O grupo observava atentamente a performance de um homem de meia idade, cuja voz poderia muito bem estar em músicas e sendo ouvida por milhões de pessoas, e prestava atenção na forma como ele passava a mensagem através da canção, como ele se movimentava e até quando ele desceu do pequeno palco para a plateia, como encarava as pessoas.
- Esse homem foi sensacional! – disse animado o aplaudindo.
- Será que vai demorar muito para sair nosso lanche? – perguntou faminto.
- Nós acabamos de pedir, então acho que vai! – Cody respondeu.
não via a hora de ser chamada e seu nervosismo passar, ela encarava seu namorado, seus amigos, o público que estava no local e a pessoa se apresentando. Após um casal terminar de cantar, o bartender anunciou no microfone:
- Agora, pode subir ao palco! – ele disse e todos os que estavam na mesa viraram sua cabeça instantaneamente para a mulher. Ela apenas se levantou da cadeira e caminhou até o palco, de lá ela podia ver todos os rostos das pessoas que estavam no local e em uma mesa, quatro pessoas que não estavam compreendendo o que estava acontecendo.
- Eu queria dedicar essa música para uma pessoa muito especial, meu namorado Cody! – ela disse no microfone, com toda confiança que ela não sabia de onde vinha.
Acenando com a cabeça para o bartender, a música que começou a tocar foi “Like a Virgin” da Madonna. Seus amigos começaram a rir enquanto Cody estava boquiaberto, ele não acreditava no que via: sua namorada em cima de um palco, com um vestido de festa, linda como nunca, cantando uma música para ele, e não era qualquer música.

I made it through the wilderness (Eu passei por maus momentos)
Somehow I made it through (Não sei como sobrevivi)
Didn't know how lost I was (Não sabia quão perdida eu estava)
Until I found you (Até que encontrei você)

I was beat, incomplete (Eu estava derrotada, incompleta)
I'd been had, I was sad and blue (Fui usada. Estava triste e melancólica)
But you made me feel (Mas você me faz sentir)
Yeah, you made me feel (Você me fez sentir)
Shiny and new (Nova em folha)

Like a virgin (Como uma virgem)
Touched for the very first time (Tocada pela primeira vez)
Like a virgin (Como uma virgem)
When your heart beats (Quando seu coração bate)
Next to mine (Junto ao meu)

Gonna give you all my love, boy (Vou te dar todo meu amor, garoto)
My fear is fading fast (Meu medo está passando rápido)
Been saving it all for you (Estive guardando isso tudo pra você)
'Cause only love can last (Porque só o amor pode durar)

You're so fine and you're mine (Você é tão gentil, e é somente meu)
Make me strong, yeah you make me bold (Me fez mais forte. Você me deu coragem)
Oh your love thawed out (Seu amor tirou de mim)
Yeah, your love thawed out (Sim, o seu amor tirou de mim)
What was scared and cold (O que estava assustado e frio)

Like a virgin (Como uma virgem)
Touched for the very first time (Tocada pela primeira vez)
Like a virgin (Como uma virgem)
With your heartbeat (Quando seu coração bate)
Next to mine (Junto ao meu)


queria se aproximar de Cody, então lembrou do homem de meia idade que tinha descido do palco, ela caminhou até a escada e lentamente se aproximou da mesa em que estava, olhou no fundo dos olhos de Cody, que mal piscava. Ela se sentou no colo dele e cantava bem próximo a ele, de maneira sensual.

You're so fine and you're mine (Você é tão gentil, e é somente meu)
I'll be yours ‘til the end of time (Serei sua até o fim)
'Cause you made me feel (Porque você me fez sentir)
Yeah, you made me feel (Você me fez sentir)
I've nothing to hide (Que eu não tenho nada para esconder)

Like a virgin (Como uma virgem)
Touched for the very first time (Tocada pela primeira vez)
Like a virgin (Como uma virgem)
With your heartbeat (Quando seu coração bate)
Next to mine (Junto ao meu)

Like a virgin (Como uma virgem)
Like a virgin (Como uma virgem)
Feels so good inside (Me sinto tão bem por dentro)
When you hold me (Quando você me abraça)
And your heart beats (E seu coração bate)
And you love me (E você me ama)


Ela se levantou do colo de Cody e caminhou para o palco, finalizando a música.

Can't you hear my heart beat (Não pode ouvir meu coração)
For the very first time? (Pela primeira vez?)


Assim que a música acabou, todos que estavam no local aplaudiram , mas seus amigos a aplaudiram de pé, enquanto ainda era aplaudida, ela voltou para a mesa e para sua surpresa, Cody a puxou para um beijo, o que fez as pessoas aplaudirem ainda mais. estava feliz e triste ao mesmo tempo, feliz por ver seu amigo feliz, mas triste por saber que amava Cody demais para sentir qualquer coisa por ele.
Após o beijo, Cody e se abraçaram e o homem sussurrou para sua namorada:
- Eu não vejo a hora de chegar no quarto e tirar esse seu vestido! – se arrepiou e apenas sorriu para ele, piscando um olho.
Todos se sentaram novamente e em poucos minutos seus lanches chegaram.
- Eu não acredito que você roubou a minha ideia! – disse.
- Por acaso eu cantei no meu casamento? Não, eu cantei em um karaokê! – disse simples enquanto mordia seu lanche. – Você só foi a minha inspiração, obrigada!
- Amanhã vamos sair daqui às seis horas e trinta minutos! – disse falando de forma pontual, antes de todos entrarem em seus quartos.
- Sim, senhor! – Cody bateu continência e assim o casal se despediu dos amigos.
Assim que e Cody entraram no quarto, Cody jogou suas muletas de lado e puxou pela cintura até que ela ficasse com seu corpo colado ao corpo de Cody, eles se beijaram profundamente e então se separaram. tirou o paletó de Cody e viu que assim como , ele estava de colete e suspensório e a visão do homem daquele jeito a fez perder o ar. Eles tiraram seus sapatos e um a um, desabotoou o colete de seu namorado e depois o jogou em um canto do quarto, ela desfez o nó da gravata e com muito cuidado tirou dele e jogou em outro lugar.
Antes que ela começasse a desabotoar a camisa social que ele estava, Cody desmanchou o penteado do cabelo de sua namorada, tirando os grampos de cabelo e os jogando pelo quarto, suavemente ele deslizou as mãos pelo corpo dela, até sentir o zíper do vestido e lentamente ele abriu e tirou a peça de roupa do corpo da mulher enquanto dava beijos por seu pescoço e tronco, ela estava apenas de calcinha e sutiã. Os dois se encaravam e observavam atentamente cada movimento que faziam e cada detalhe de seus corpos.
desabotoou a camisa social de Cody e deixou exposto o tronco dele, ela distribuiu beijos pelo local, o fazendo se arrepiar e respirar com dificuldade, ela desabotoou a calça social do homem e em pouco segundos ele estava apenas de cueca. Eles voltaram se beijar e Cody pegou no colo, a levando até a cama, deitou-a e beijou cada parte exposta de seu corpo, ele tirou o sutiã da mulher e beijou o local recém exposto, por fim tirou a calcinha dela e sua própria cueca.
Ele beijou a mulher ao mesmo tempo em que a penetrou, ambos gemeram de prazer e felicidade.
- O que deu em você de subir no palco e cantar uma música para mim? – Cody perguntou para enquanto eles tomavam banho.
- Você estava com um pensamento de que eu poderia ter sentido alguma coisa pelo , mas eu queria fazer você entender que eu não senti, então quando o falou sobre cantar ser algo romântico, eu me lembrei de todas as vezes que você já fez alguma coisa para mim em frente à várias pessoas, mas só as coisas positivas, e tomei coragem!
- Você é incrível demais! Eu te amo muito! – Cody disse dando um selinho em .
- Eu também! – ela respondeu feliz por estarem juntos, por estarem bem.
No outro dia, bem cedo o grupo se juntou no hall do hotel e fizeram o checkout, após carregarem os carros com as bagagens, o grupo partiu rumo a Stanford e após quarenta minutos já estavam em seus respectivos apartamentos. deixou no apartamento dele e voltou com Cody para seu apartamento.
Assim que chegaram, deixaram suas malas no quarto e foram para o apartamento vizinho, de e , pois tomariam café da manhã juntos antes de irem para a aula.
- Muito obrigado, novamente pela ajuda que me deram esse final de semana! – agradeceu Cody e .
- Você contou para alguém sobre sua paternidade? – perguntou curioso.
- Não...
- Nem mesmo para sua mãe?
- Nem para ela!
- E por que não?
- Porque não era o momento certo, no meio do casamento do meu primo, não queria ser o centro das atenções.
- Faz sentido!
- E quando você vai contar? – questionou.
- Ainda não sei...
- Se precisar que eu vá com você, eu vou! – Cody disse e agradeceu.
Enquanto comiam panquecas, recebeu algumas mensagens de seus irmãos, achou estranho, mas não as viu e nem respondeu. Minutos depois seu celular tocou, era Fred.
- Seu irmão está te ligando! – Cody disse olhando o visor e vendo uma foto dos dois irmãos.
- O que será que aconteceu? Ele nunca me liga! – ela se levantou da mesa e atendeu a chamada.
- Bom dia, minha criança! – Fred disse animado.
- Tudo bem? Você nunca me liga!
- Tudo ótimo! Só queria te perguntar uma coisa: você vem para casa nas férias, não é?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Como assim: “Que eu saiba sim”? É nosso aniversário, esqueceu?
Sim. Ela tinha se esquecido completamente de seu próprio aniversário. Todos os anos os trigêmeos davam uma festa de aniversário, cada ano com uma temática diferente, e como neste ano em questão eles não estavam em Huntington Beach, precisavam coordenar tudo à distância.
- Caralho, sim! Eu esqueci completamente! É daqui um mês!
- Eu sei! Por isso temos que começar a planejar tudo!
- Vocês já têm alguma ideia de tema?
- Jorge e eu vamos te ligar hoje depois da aula, pode ser?
- Pode!
- Então, nos falamos mais tarde! – Fred desligou e voltou para a mesa.
- O que aconteceu? – perguntou.
- Gente, eu me esqueci de que meu aniversário é mês que vem! E meus irmãos e eu sempre fazemos uma festa, o Fred me ligou porque precisamos começar a planejar!
- Vai convidar a gente? – questionou.
- Vocês estão dispostos a ir para Huntington Beach nas férias?
- Nossa, mês que vem é férias já! – disse perplexo.
- , já vai fazer um ano que você está aqui! – Cody disse sorridente.
- O tempo passou muito rápido! – ela respondeu.
- Eu topo ir pra Huntington Beach nas férias, para o seu aniversário! – disse de repente.
- Eu também! – concordou.
- Eu vou ver na minha agenda! – Cody disse sério e depois riu.
- Muito engraçado! Depois eu vou convidar mais algumas pessoas também!
- Quem?
- , , , , Andrew e algumas pessoas da minha turma!
- Nós podemos ir em vários carros ou ir de avião! – começava a planejar.
- Daqui até minha casa são seis horas de viagem!
- Até que não é tão longe!
- Vou ver o que vai acontecer na minha ligação com os meus irmãos e aviso vocês para nos planejarmos!
Assim que tomaram o desjejum, todos partiram para suas aulas, se encontraram novamente no almoço e mais uma vez se separaram no período da tarde. Após as aulas, Cody e estavam fazendo fisioterapia e estava em seu apartamento conversando com seus irmãos.
A organização da festa de aniversário sempre rendia discussões, pois os três sempre tinham opiniões muito diferentes, mas rendia risadas e piadas. Eles decidiram fazer no segundo sábado do mês de junho, pois cairia exatamente na data de aniversário deles.
- Então você consegue chegar logo nos primeiros dias de junho? – Jorge perguntou para a irmã.
- Consigo!
- Perfeito! Aí nós temos alguns dias para comprar o que precisa!
- E o tema? – Fred perguntou.
- Vocês têm alguma ideia? – ela perguntou.
- E se nós fizéssemos estilo Game Of Thrones? – Jorge sugeriu e nenhum dos irmãos se pronunciou. – Estilo medieval, gente!
- Nem pensar! – disse.
- Não mesmo... Péssima ideia! – Fred concordou com a irmã.
- Vocês têm alguma ideia melhor?
- Festa havaiana? – Fred disse.
- De novo, não! – Jorge cortou.
- Baile de máscaras?
- Muito formal...
- Festa neon?
- Muito adolescente...
- Festa retrô? – Fred disse.
- Nem sei o que é isso! – Jorge replicou.
- É pegar temas antigos! – Fred rebateu.
- Pegar temas antigos e jogar tudo em uma festa? Não faz sentido! – Jorge disse.
- É claro que faz! – Fred respondeu. Eles estavam prestes a iniciar mais uma discussão, quando deu uma ideia!
- Espera aí! E se nós fizéssemos com tema anos 80?
- Como assim?
- As pessoas vão fantasiadas de qualquer coisa que fazia sucesso ou que pertencia aos anos 80! Cantores, bandas, atores e atrizes, videogame, filmes, séries, a moda daquela época, ou seja, qualquer coisa que fazia sucesso ou que pertencia aos anos 80! – os dois ficaram em silêncio por um tempo.
- Caralho!! Eu gostei desse tema!
- Eu também!
- Ainda bem que um de nós tem ideia descentes! – comemorou.
Após decidirem o dia da festa e o tema, começaram a pensar no local e decidiram que fariam no mesmo lugar em que faziam todos os anos, na casa de um dos tios deles.
- Quem vai falar com ele? – perguntou.
- Eu posso falar! – Fred se voluntariou.
- Em relação aos convites online, eu tenho um amigo que pode fazer, vou pedir para ele! – Jorge disse.
- Então sobra apenas a lista de convidados! Cada um faz a sua lista e manda no grupo do WhatsApp, aí nós vemos quantos convidados no total e se vamos precisar cortar alguns da lista!
- E quando estiver chegando mais perto da data nós vemos o que precisa comprar!
Após mais de uma hora de ligação, os três desligaram e recebeu uma mensagem de Cody, perguntando se ela podia buscar e ele na fisioterapia. E assim ela o fez.
- Como foi a fisioterapia, meninos?
- É possível que eu volte a jogar no próximo jogo já! Sem ser esse dessa semana, o próximo, se ganharmos é claro! Ela me disse que minha recuperação está sendo ótima! – Cody comemorou.
- Eu falei que você precisava repousar!
- É claro, você ficou cuidando de mim! Devo a você! – ele disse colocando uma mão na perna dela.
- E você, ?
- Já consigo mexer muito bem minha perna! Agora eu vou começar a pegar mais pesado em fortalecimento e exercícios! É possível que no último jogo eu já possa jogar, isso é, se chegarmos na final!
- Mas é óbvio que vocês vão chegar na final!
- Como foi a ligação com seus irmãos? – Cody perguntou.
- Nós decidimos a data, local e temática!
- E qual vai ser o tema?
- Anos 80!
explicou o conceito do tema e Cody e gostaram tanto da ideia que passaram o restante do percurso pensando qual fantasia usariam.
No dia seguinte após as aulas, foi até o hotel em que Roger estava, o caso em que estavam trabalhando estava quase encerrado, mas algumas burocracias precisavam ser feitas de última hora e a mulher estava pronta e disposta para isso.
- Muito obrigado por ter aceitado de última hora! E para uma coisa tão chata! – Roger agradeceu assim que ela chegou no local que já estava acostumada.
- Para mim isso é uma experiência e aprendizado também! – ela respondeu animada e passou boa parte da tarde e noite os auxiliando.
Ao voltar para seu apartamento, todos estavam reunidos lá, então ela aproveitou para contar para , , , e Andrew sobre sua festa e os amigos ficaram animados também, e discutiram sobre possíveis fantasias que poderiam usar em grupo.
notou que estava calado e pensativo, ela não sabia se deveria conversar com ele, mas optou por saber o que estava acontecendo:
- , tudo bem? – ela disse sentando-se ao lado dele.
- Kim me ligou hoje – ele se referia a mulher que estava grávida.
- O que ela disse?
- Ela quer que eu vá amanhã no ginecologista com ela, ela vai fazer ultrassom!
- Isso é bom, não é? Ela quer que você participe desse momento!
- Isso é bom, mas eu não quero ir sozinho... – ele disse passando a mão no rosto desesperadamente.
- Eu vou com você! – ela disse decidida e a encarou espantado.
- Você faria isso?
- Com certeza!
- ... você é a melhor mulher que eu já conheci em toda a minha vida! – ele disse extasiado e a abraçou. se sentiu bem no abraço com , teve a mesma sensação de conforto e paz que sentia quando estava com Cody e isso a fez estranhar.
- Não precisa me agradecer! Que horas vamos?
- A consulta é as quatro horas da tarde, tudo bem para você?
- Sim! Nos encontramos aonde?
- Eu te busco na sua faculdade, pode ser?
- Claro que sim!
- Você é perfeita! – ele disse a olhando dentro dos olhos, falando com tanta verdade que não teve reação, apenas sorriu.
No dia seguinte após as aulas, estacionou o carro na frente da faculdade de Direito e entrou.
- Como você está? – ela questionou o homem.
- Um pouco nervoso... e você?
- Tudo bem!
- Contou para o Cody que você viria comigo?
- Contei sim! E antes que você me pergunte a reação dele, ele aceitou bem!
O caminho até o consultório ginecológico foi curto, em pouco tempo estava estacionando e os dois caminharam até a entrada do local. parou na porta antes de entrar e respirou fundo, ele estava tremendo de nervoso, apenas pegou uma das mãos dele e entrelaçou os dedos, os dois se encararam e entraram no consultório. Além das atendentes que estavam uniformizadas e atrás do balcão de atendimento, viu dois casais e sozinha uma mulher ruiva de cabelos cacheados, os olhos eram azuis claros e a pele branca como se fosse albina, ela era muito magra e baixa, assim que ela viu sorriu abertamente e o cumprimentou com um abraço.
- Como você está? – Kim perguntou.
- Tudo bem! E você e o bebê? – perguntou.
- Estamos bem! – ela sorriu e olhou para .
- Kim, essa aqui é a minha amiga, ! – as duas se cumprimentaram com um abraço rápido.
- Eu já sou a próxima! – ela disse e segundos depois foi chamada para a sala.
- Você fica aqui? – ficou frente a frente com e ela apenas concordou com a cabeça.
entrou na sala com Kim e escutou atentamente a conversa entre a médica e ela, então ela se deitou na maca e enquanto aguardava a médica se preparar, Kim tirou uma dúvida que estava em sua mente:
- E você e a... , não é?! Qual a relação entre vocês?
- Ela é minha amiga!
- Não sei se acredito muito nisso!
- Mas acredite, ela é minha amiga!
- Amigos que estavam andando de mãos dadas? Amigos que ficam tão próximos um do outro? Conta outra para mim, !
- Se você não quer acreditar, não posso fazer nada! – ele disse simples e a médica retornou. Os dois puderam ver através do ultrassom o feto, que na verdade já tinha deixado de ser um feto e era um bebê.
- Vocês querem saber o sexo da criança? – a médica perguntou e os dois concordaram com a cabeça. – É uma menina! – ela disse e os dois sorriram abertamente.
Após alguns conselhos da médica, os dois voltaram para a recepção para marcarem a consulta de retorno.
- Antes de você ir, eu preciso te contar uma coisa! – Kim disse assim que os três saíram de dentro do consultório. Ela encarou , que estava pronta para deixar os dois a sós, mas não permitiu.
- A fica, ela pode ouvir! – segurou a mão de e ela tentou não se aproximar tanto dos dois.
- Eu não sei se você é pai do bebê! – Kim disse rapidamente e e ficaram sem reação.
- Como é?! Você não sabe?
- Na mesma semana que eu saí com você, eu me encontrei com meu ex namorado e nós também fizemos sexo!
- Quer dizer que eu posso não ser o pai dessa criança? E você não pensou em me contar isso antes? – estava começando a se exaltar. apertou a mão dele e colocou sua outra mão sob o ombro dele, e assim ele recuou.
- Eu queria te contar antes, mas não tive coragem e não soube como fazer isso!
- Seu ex namorado sabe disso? – questionou.
- Sabe, ele viria hoje também, mas não pôde...
- Na sua próxima consulta, nós vamos fazer um teste de paternidade! Espero que seu ex namorado venha!
- Eu pensei que não fosse possível fazer enquanto eu estivesse grávida!
- Dá sim! Eu não posso suportar mais quatro meses sem saber se eu sou o pai ou não!
- Tudo bem... – ela disse descontente.
Eles se despediram e e caminharam ainda de mãos dadas até o carro.
- Eu não acredito nisso! Existe uma chance de cinquenta por cento de eu não ser o pai dessa criança e ela não me fala nada! – disse revoltado.
- , você não pode se precipitar também! Assim como você mesmo disse, ainda existe uma chance de cinquenta por cento de você ser o pai!
- Mas isso é uma esperança! Eu sei que eu não posso contar com isso, mas já é um alívio em tanto!
- Eu imagino que seja mesmo! E fico feliz por isso!
- Muito obrigada por estar comigo hoje! – ele disse pegando a mão de mais uma vez naquele dia. – Eu não sei o que seria de mim sem você na minha vida!
- Você não precisa me agradecer!
- É claro que eu preciso! E vou fazer isso quantas vezes achar necessário! – ele a encarou nos olhos e assim ficaram por algum tempo, até que se virou para o volante e ligou o carro.
Uma semana tinha se passado desde a consulta e mais uma vez e estavam no mesmo carro, desta vez indo visitar o tio de , Roger, pela última vez. O caso tinha sido encerrado e felizmente eles saíram com a vitória. se despediu de seu chefe temporário e o agradeceu por todo o aprendizado e principalmente pela oportunidade:
- Eu é que agradeço, ! Espero poder contar com você em outras oportunidades que surgirem na Califórnia!
- Com certeza! Eu vou adorar! – ela respondeu sorridente.
- Mais uma coisa: cuide bem do meu afilhado! Ele é tudo para mim! – se referiu a .
- Pode deixar comigo! – ela respondeu sincera e os dois se abraçaram. Ela se retirou de lá e foi até o restante do time.
- Ela é realmente uma mulher em tanto! – Roger disse para .
- É uma pena que ela não goste de mim do jeito que eu gosto dela...
- Isso eu já duvido!
- Como assim?
- Ela sempre falava de você nas nossas conversas e quando fazia isso, eu via um brilho nos olhos dela, a mesma coisa que eu vejo em você quando falamos de !
- Tio, não fica colocando essas coisas na minha cabeça! Ela namora e eu possivelmente vou ser pai de uma menina, que a mãe eu praticamente não conheço! – Roger era o único parente de que sabia da história.
- Ninguém disse que a vida é perfeita! Mas se eu fosse você, ficaria com os olhos abertos! – os dois se abraçaram e se despediram com a promessa de manter contato para novidades.
Mais três semanas se passaram e duas coisas deixavam nervoso, a segunda consulta de Kim no ginecologista e o aniversário de que se aproximava. Quanto a viagem até Huntington Beach, tudo estava certo, , e iriam com seus carros e todos dividiriam suas bagagens e os amigos em todos os carros; estava decidindo o que daria de presente para a mulher, queria agradece-la por toda a ajuda que ela sempre dava para ele e queria presenteá-la com algo que a fizesse se lembrar dele.
- Tudo bem com você? – perguntou entrando no carro de , eles estavam indo para a segunda consulta no ginecologista.
- Eu estou ansioso! Quero saber se sou o pai dessa criança ou não!
- Como funciona esse teste de paternidade?
- Como ela já está no quinto mês de gestação, é feito pelo líquido amniótico! – ele disse simples, mas para a mulher não fez diferença.
- Desculpa, eu não sou estudante de medicina!
- Ah, verdade! Desculpe! A médica injeta uma agulha no abdome e coleta o líquido amniótico!
- Ai, que aflição! Eu não deixaria fazerem isso!
- Que bom que não é você quem está grávida! – ele disse rindo.
- Sabe... eu não sei o que eu faria se engravidasse... Eu não estou pronta para ter um filho e eu quero realizar tantas coisas ainda... não seria justo comigo que batalhei tanto e com a criança.
- Você abortaria? – perguntou.
- Acho que sim... O que você falaria para a Kim se ela quisesse abortar?
- É uma decisão dela! Eu não me intrometeria de forma alguma, o que ela decidisse fazer eu apoiaria! – ele respondeu sincero e ficou surpresa com a resposta.
Assim que chegaram no consultório, entraram na recepção e desta vez não estavam de mãos dadas. Os dois viram Kim ao lado de um homem negro, olhos castanhos claro, alto e musculoso, o oposto total de Kim em todos os sentidos.
- , este é o Eddie! Eddie, este é o e esta é a , amiga do ! – Kim disse enfatizando a palavra amiga.
- Prazer em te conhecer, ! – Eddie disse estendendo a mão e o cumprimentou de volta.
- O prazer é meu!
Os quatro aguardaram quase dez minutos até serem chamados, e Eddie colheram amostras de DNA enquanto Kim entrava na sala da médica. Quase quarenta minutos depois, os três saíram da sala e se despediram.
- E aí? – questionou .
- Amanhã sai o resultado, a Kim vai me ligar! – ele disse suspirando.
- Calma! Você já esperou tanto tempo, mais um dia você tira de letra! – ela o consolou sorrindo.
- Muito obrigado por ter vindo de novo!
Ao chegar no apartamento, Cody estava no quarto mexendo em seu notebook, finalizando um trabalho final.
- Como foi lá? – ele perguntou quando ela chegou e se jogou no colchão.
- O resultado só sai amanhã!
- deve estar à beira de um ataque de nervos!
- Ele com certeza já está em um ataque de nervos!
Os dois ficaram em silêncio, mas algo passava na mente de . Ela tinha ficado tão surpresa e feliz pela resposta de sobre aborto, sobre ser uma decisão da mulher, que queria saber se Cody pensava da mesma maneira.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro que sim!
- Se amanhã eu dissesse para você que estou grávida. O que você faria?
- Você não está grávida, não é?! – ele se assustou.
- Não! – ela disse risonha.
- Eu não sei o que eu faria... eu acho que te apoiaria e com certeza criaríamos essa criança!
- Mas e se você não quisesse ter essa criança?
- Você quer falar sobre aborto? – ele perguntou.
- Sim!
- Você faria?
- Sem sombra de dúvidas! Você não?
- Eu não posso abortar!
- Eu sei que não! Mas, você apoiaria a minha decisão?
- Eu... não sei! É tirar a vida de uma criança!
- Tecnicamente ainda não é uma criança formada! E outra coisa, eu tenho planos para a minha carreira, quero alcançar tantos objetivos e se ter um filho significa abrir mão disso, eu não sei como me sentiria!
- Existem formas de você conquistar seus objetivos!
- O que eu faria? Deixaria com meus pais? Com seus pais? Você abriria mão da sua carreira no futebol?
- Eu não acho que seria justo deixar com nossos pais e... não gostaria de abrir mão da minha carreira... – Cody respondeu sincero.
- Pois é, eu também não!
- Me desculpa se eu sou um completo ignorante nesse assunto! Eu nunca pensei nisso! – Cody disse um tanto triste.
- É por isso que temos nossos diálogos! Assim aprendemos um com o outro! – ela disse sorrindo.
No dia seguinte, e Cody estavam no apartamento de e , enquanto eles mostravam as opções de fantasias que fizeram com as próprias roupas que tinham no guarda-roupas.
- Eu já me decidi, a minha fantasia vai ser essa! – disse entrando na sala, ele estava de óculos de sol, camisa social branca, cueca e meia. começou a rir.
- Isso lá é fantasia? – Cody perguntou curioso.
- É Tom Cruise! – respondeu.
- Exatamente! – disse animado. – A conhece referências de filmes!
- E que filme é esse? – perguntou.
- Negócio Arriscado! – e disseram ao mesmo tempo.
- Eu sei até fazer a entrada dele na cena em que ele está vestido desse jeito! – se escondeu e saiu correndo e deslizando. O que não deu muito certo.
- Isso foi... péssimo! – Cody disse rindo. caminhou pela terceira vez até o corredor para tentar fazer novamente a cena, quando a campainha tocou. se levantou para atender e quando abriu a porta, Kim estava lá.
- Oi, ! Você por aqui?
- Oi, Kim! Eu moro no apartamento da frente! – ela disse simples.
- O está? – ela perguntou olhando para dentro do apartamento e vendo a cena de deslizando como Tom Cruise.
- Está sim, vou chamá-lo! – manteve a porta aberta e apenas caminhou até .
- Quem era?
- A Kim está aí! – ela disse e a feição dele mudou completamente. Do jeito que estava, ele correu até a porta e conversou com a mulher.
- Ela é a Kim? – perguntou e confirmou com a cabeça.
- O que será que ela está falando? – Cody perguntou.
- Coisa boa não deve ser, para ela ter vindo aqui ao invés de ligar... – disse prevendo.
Cerca de cinco minutos depois, abraçou Kim e observou a mulher caminhar pelo corredor até entrar no elevador e desaparecer de sua vista. Ele fechou a porta do apartamento e seu rosto entregava tudo.
- Eu sou o pai! – ele disse antes que o perguntassem. e Cody se olharam e então se virou e encarou . O olhar dele era de total decepção.



Capítulo 22


- Já colocou tudo no carro? – Cody perguntou para enquanto ela falava ao telefone com seus irmãos. Ela acenou positivamente com a cabeça.
- Eu estou saindo daqui agora! São dez horas da manhã! Nós provavelmente vamos parar para almoçar e vamos chegar em casa quase seis horas da tarde! – ela explicou seu cronograma para seus irmãos.
- Nós vamos chegar antes que você! – Fred disse orgulhoso.
- Não que isso seja uma competição!– Jorge finalizou.
- Vocês são insuportáveis e eu tenho que desligar! Vejo vocês em breve!
- Boa viagem!
- Vem com cuidado!
No carro de Cody, dirigiria e com ela iria: Cody, e Andrew. No carro de iria: e . E no carro de somente ele e . Anne e Leon iriam no final de semana da festa.
- Todos prontos? – perguntou para os amigos que estavam reunidos conversando perto de seus carros.
- Sim, senhora! – disse.
- Então, vamos! – ela praticamente ordenou.
- Nós seguimos você? – questionou.
- Pode ser! Assim nós paramos para almoçar juntos!
Os nove amigos entraram nos carros e juntos partiram para Huntington Beach. Após três horas de viagem, eles pararam para almoçar e descansar um pouco, tentaram ficar em pé por algum tempo e se alongar após almoçar, e quando estavam prontos, voltaram para a estrada novamente.
Ao chegarem na casa de , ela buzinou algumas vezes até que o grande comitê de recepção apareceu na porta de entrada, surpreendendo a mulher. Fred, Jorge, os pais deles, Keaton, Drew e até Wesley estavam lá. Cody olhou Wesley de longe e respirou fundo, ele sabia que não se sentiria confortável na presença dele.
desceu do carro e correu para sua família, abraçou cada um deles e então abraçou seus amigos. desceu do carro antes dos demais e abraçou a família e amigos de .
- parece ser mais membro da família da do que você! – caminhou até o carro de Cody e disse para ele, que riu baixo concordando.
- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou para seus amigos.
- Wesley quase foi membro da nossa família, ele merece estar aqui! – Fred disse se lembrando do ocorrido da última vez que esteve de férias.
- Você quase foi nosso cunhado! – Jorge disse – mas ainda bem que não foi, gosto mais do cunhado atual!
- CODY! – os gêmeos disseram ao mesmo tempo assim que Cody saiu do carro e se colocou em pé, eles praticamente correram até ele.
- Aí... eu já volto! – disse olhando a cena e caminhando até seus amigos.
- Climão... – Drew disse para Wesley.
- Eu sei... eu sei... – Wesley respondeu.
apresentou seus amigos para seus pais, mas eles já conheciam , e , pois quando visitaram no hospital, eles estavam lá. Pela primeira vez eles foram apresentados a Andrew, e :
- Que bom que você está bem! – a mãe de disse feliz ao ver em pé e bem de saúde.
- Seu prontuário me surpreendeu, não pensei que fosse melhorar tão rápido! – o pai dela completou.
- Senhor , queria tirar algumas dúvidas com você, sobre carreira e oportunidades de emprego! – disse e o pai de ficou com um brilho nos olhos que ela nunca tinha visto.
- Com certeza, ! Nós vamos ter um bom tempo para conversar! Posso até te levar no hospital em que eu trabalho e algumas clínicas que dou suporte! – ele se ofereceu e agradeceu muito feliz. Ele olhou para sorrindo e ela ficou feliz também.
Cada vez que Cody via e o pai de juntos, tinha mais certeza de que ele desejava que fosse seu genro e não ele.
- Cody, meu rapaz! Como você está? – o sogro disse e Cody sorriu o cumprimentando com um abraço. – E essa lesão? nos contou o que aconteceu!
- Já estou bem melhor! Graças a ela que cuidou de mim e não me deixou fazer nada que o médico não aprovasse!
- Essa é minha filha! – ele respondeu orgulhoso.
- Vamos entrar, pessoal! Daqui a pouco a janta está pronta! – a mãe de disse e todos entraram, mas antes apresentou Cody para seus amigos.
- Cody, esses são Keaton e Drew! – ela os apresentou e eles se cumprimentaram.
- Então você é o famoso Cody, Quarterback do time de Stanford! – Drew começou – eu gostaria de tirar algumas dúvidas com você, quero entrar em Stanford e tenho interesse no time de futebol!
- Poxa, cara! Que legal! Com certeza você pode perguntar o que quiser! – Cody disse simpático e Drew ficou animado.
- Voltei, pessoal! – Wesley disse se juntando novamente no grupo, mas sendo pego de surpresa.
- E esse aqui é o Wesley! Wesley, este é o Cody! – os dois se olharam firmes e se cumprimentaram com um aperto de mão.
- Muito bom te conhecer! – Wesley disse.
- Bom te conhecer também! – Cody respondeu e , Drew e Keaton estavam tensos.
- Vamos entrar! – se pronunciou e os cinco entraram na casa.
Todos estavam na sala de estar, alguns sentados nos sofás, outros nas poltronas, alguns jogados no chão, mas todos conversavam calorosamente.
- Minha filha – a mãe de apareceu ao lado dela, – como como vamos fazer para abrigar todos os seus amigos?
- Mãe, eu estava me perguntando isso agora mesmo!
- Eu posso ajudar! – Drew apareceu misteriosamente no meio das mulheres.
- Quantas pessoas?
- Duas!
- Perfeito!
- Quem vai ficar aqui em casa? – o pai de a questionou, se juntando a sua esposa e a Drew.
- Cody vai ficar no meu quarto... – começou a se pronunciar e seu pai resmungou.
- No seu quarto?
- Sem resmungar, pai! Ele é meu namorado e nós não temos colchões o suficiente para ficar colocando meninos e meninas separados em quartos diferentes!
- Ela tem razão! – a mãe de concordou.
- Como eu dizia antes, Cody vai ficar no meu quarto, pode ficar no quarto dos meninos...
- Quero que fique também! – o pai se pronunciou como uma ordem.
- ?! – Drew perguntou curioso.
- Ele quer tirar algumas dúvidas comigo, então acho justo que ele fique aqui! Pode ficar no quarto dos meninos também! – ele defendeu seu posicionamento e todos concordaram.
- O menino com as muletas pode ir para minha casa, é mais perto, ele não precisa se locomover tanto! – Drew falou sobre e mais uma vez todos concordaram.
- e podem ir para minha casa! – Wesley se juntou a conversa.
- Seus pais vão deixar? – questionou.
- Sim! Eu já os avisei que provavelmente alguém dormiria em casa por um tempo!
- Muito obrigada! – ela o agradeceu sorrindo e ele retribuiu.
- Ainda faltam dois! – a mãe disse contando a quantidade de pessoas na sala.
- Andrew e dormem na sala! – disse e todos a encararam. – O que?! Nós trouxemos quatro colchões nos carros! Eu tenho certeza de que eles vão ficar confortáveis!
- Não foi assim que eu te ensinei a ser... – A mãe de disse e se retirou de lá.
- Pessoal! – disse chamando a atenção de seus amigos. – Acabamos de fazer uma reunião para decidir onde vocês vão ficar!
Todos prestavam atenção em , mas o olhar de Cody passou de sua namorada até Wesley, que a encarava atenciosamente, os olhos dele mal piscavam enquanto ela falava. Cody revirou os olhos e voltou sua atenção para sua namorada.
- e vão ficar aqui em casa, dormindo no quarto do Fred e do Jorge! – os quatro se olharam sorrindo. – , você vai para casa do Drew! Mas fica tranquilo, vai estar em boas mãos! – disse abraçando Drew enquanto ele passava a mão no cabelo dela.
- É longe daqui? – perguntou.
- Não, eu moro praticamente a quatro casas daqui! – Drew respondeu e sorriu contente.
- e , vocês vão para a casa do Wesley! Eu não prometo que ele vai cuidar bem de vocês, talvez vocês fiquem com fome, não tenham um lugar decente para dormir, mas o irmão dele, Keaton, vai se esforçar para proporcionar um lugar bom para vocês! – os amigos riram e olhou para Wesley, que estava indignado.
- Você está me difamando! – ele disse empurrando de forma sutil a cabeça da mulher. – Vocês vão ter o melhor dos tratamentos!
- e Andrew, vocês vão ficar aqui em casa também, mas aqui na sala, pode ser?
- Sem problemas! – Andrew disse e concordou.
- E o senhor, Cody – o pai de disse – vamos colocar um colchão no nosso quarto, não quero você e dormindo juntos.
Todos ficaram em silêncio, e sua mãe seguravam o riso, ninguém sabia se o que ele falava era sério, portanto, estavam estáticos.
- Tudo bem! – Cody disse como se fosse algo normal o namorado dormir no quarto dos pais da namorada.
Antes que o pai de pudesse desmentir, Drew começou a rir e todos olharam para ele.
- Drew! Você estragou a minha pegadinha! – o pai de deu uma bronca no garoto e todos começaram a rir.
- Tem que ser o Drew! – Keaton disse.
- Cody, você vai dormir no quarto da minha filha, não abuse da minha boa vontade!
- Sim, senhor! – Cody disse rindo.
- Perfeito! Agora é hora de jantar! – a mãe de disse e todos comemoraram.
- Eu juro que pensei que seu pai fosse me deixar lá no quarto dele! – Cody disse para quando ela se aproximou dele.
- Ele bem que queria fazer isso mesmo, mas eu não deixei!
- O que seria da minha vida sem você? – Cody se aproximou do rosto de .
- Uma vida em que você não teria o privilégio de conhecer uma família tão peculiar como a minha! – ela respondeu o beijando.
- Sem amassos em público! – o pai de os interrompeu.
e Cody riram e foram para a cozinha, Wesley, que os observava de longe, não estava feliz por ver o casal tão unido. Drew parou ao seu lado e o distraiu, pois sabia que seu amigo estava triste naquele momento. Após o jantar, o grupo resolveu fazer alguma coisa para passar o tempo e para que assim, os que não se conheciam pudessem se conhecer.
- Eu preciso conversar com o Fred e o Jorge porque nós precisamos resolver alguns assuntos da festa - disse para Drew e Keaton.
- E qual é o problema? Você pode conversar com eles! - Drew respondeu.
- Vou te falar qual é o meu maior problema: Wesley, e Cody no mesmo ambiente!
- Já entendi o que você quer que nós façamos! Você quer que a gente os distraia, ou melhor, você quer que a gente puxe algum assunto com eles! - Keaton disse animado.
- É…, mas por favor, algum assunto que NÃO me envolva!
- Pode deixar comigo! — Keaton respondeu.
- Na verdade, pode deixar que eu me encarrego disso, . - Drew disse sabendo que as chances de Keaton fazer alguma coisa errada, eram grandes.
- Obrigada, meninos! Fico devendo uma para vocês!
Enquanto estava com seus irmãos em um canto do quintal da casa, seus amigos estavam espalhados pela casa. Drew e Keaton se aproximaram do grupo em que estavam , , Cody e conversando, convidaram Wesley para se juntar a eles, e o homem, um pouco relutante, se juntou a eles.
-Podemos nos juntar? - Drew perguntou e os meninos afirmaram.
Os sete homens estavam juntos em uma roda e como já havia um assunto em pauta, os demais apenas se juntaram ao tema. De dentro da casa, observava atentamente o grupo, estava com medo de que algo acontecesse.
-Por que está olhando tanto para lá? - Fred questionou sua irmã.
-Porque alí naquela rodinha existe uma grande chance de conflito a qualquer momento!
-Vai dar tudo certo, fica tranquila! - Jorge tentou acalmá-la.
, Fred e Jorge conversavam sobre os assuntos pendentes e decidiam quem seria responsável por cada uma. Enquanto isso, no grupo em que estavam os sete homens, quando o assunto se encerrou, um silêncio pairou sobre eles.
-É tão estranho pensar que cada um aqui veio de um lugar, mas estamos todos reunidos no interior da Califórnia! - Keaton refletiu para todos ouvirem.
- De onde você está tirando essas ideias? - Drew perguntou.
- É que todos estamos aqui porque temos uma coisa em comum…
Neste momento, todos tinham certeza sobre quem ele se referia: . E sem planejar, os sete homens olharam ao mesmo tempo para ela, que sentiu algo estranho pairando sobre ela e olhou para eles também, ficando preocupada.
-! - disse rindo fraco.
- Sim! Ela é amiga de todos! - disse feliz.
- É lógico que alguns tem mais coisas em comum do que outros… - Keaton disse se referindo a Cody, Wesley e . No mesmo instante Drew arregalou os olhos e o interrompeu.
-Quer saber? Eu acho que está na hora de voltar para a casa! - Drew disse fingindo que estava bocejando e se levantando rapidamente, chamando a atenção de sua amiga, que saiu correndo até eles.
-Tudo bem aí, pessoal?! - se aproximou cautelosamente.
-Eu acho que o pessoal está meio cansado, melhor ir para casa! - Drew disse olhando para ela de forma sugestiva.
-Eu acho uma boa ideia! - A mulher concordou entendendo que algo tinha acontecido. - Eu estou exausta!
Todos começaram a se despedir, Drew puxou para o canto e explicou o que tinha acontecido:
-Eu não acredito que o Keaton falou isso! - ela disse furiosa.
-Ainda bem que eu sabia que algo assim poderia acontecer!
- Muito obrigada! Eu não sei o que faria sem você! - abraçou seu amigo e se despediu daqueles que dormiriam na casa de terceiros. Ela acomodou e no quarto de Fred e Jorge, acomodou e Andrew na sala e só então foi para seu quarto. Cody estava a esperando, ele estava sentado na cama, observando a decoração do quarto e olhando atenciosamente todos os pertences de sua namorada, pertences da adolescência, pertences de quando ela era criança.
- Você demorou! - ele disse a encarando.
- Eu estou exausta! Não vejo a hora de dormir! - ela respondeu se jogando na cama e deitando sua cabeça no colo dele.
- Seu dia foi estressante hoje, não é? , Wesley e eu no mesmo ambiente, eu vi como você ficou preocupada.
- Eu só quero que tudo seja perfeito para todos! Sem nenhum atrito ou discussão!
- Vai ser perfeito! Eu prometo! Ainda mais porque, e Wesley podem sonhar com você, mas sou eu que estou dormindo ao seu lado! - ele disse rindo e se gabando.
- Você é um babaca! - ela disse sorrindo e ele a beijou.
No dia seguinte, todos os amigos se juntaram na praia às onze horas da manhã, todos tinham tomado café da manhã, estavam limpos e descansados e prontos para um dia na praia. Todos estavam juntos embaixo de uma tenda, jogando conversa fora, e foi surpreendida por uma visita especial:
- Os seus convidados já chegaram? - uma voz se intrometeu no meio da conversa, pegando todos de surpresa. Ainda mais Wesley e . Era Adam, ex namorado de .
- Adam!! - ela gritou animada dando a volta em todos e correndo até ele, pulando em seus braços. Wesley que estava bem atrás dos dois, revirou os olhos e fez uma cara de desgosto que todos viram.
- Quem é esse? - perguntou para Wesley, pois se ele tinha feito uma cara de desgosto, era provável que ele também não gostasse dessa nova companhia.
- Ex namorado da ! - Wesley disse amargurado. As palavras ex e namorado fizeram o estômago de Cody revirar, ele não sabia que existia qualquer possibilidade de encontrá-lo e sequer lembrava da existência dele.
- Ex namorado? Aquele de antes de ela entrar em Stanford? - Cody perguntou apavorado por dentro, mas tentando parecer normal por fora.
- Esse mesmo! - Adam respondeu à pergunta de Cody e todos olharam para ele. - e eu namoramos por alguns meses no último ano do ensino médio, até irmos para universidades diferentes! - ele disse sorrindo e olhando para ela, que sorria também.
Adam era certamente um grande concorrente se comparado a beleza de Wesley, e Cody. Ele era alto, musculoso, tinha olhos azuis e cabelo ruivo, pois era descendente direto de Escoceses, os quatro homens não eram nada parecidos em beleza ou qualquer outra coisa, mas tinham um elo em comum muito forte, o amor por . Adam fingia admitir que tudo o que tivera com estava no passado, mas ao receber o convite do aniversário dela, não pensou duas vezes antes de pegar o carro e voltar para sua cidade natal.
- Adam, eu pensei que seus pais tivessem voltado para Nova York! - Drew disse e foi pega de surpresa.
- O que?! Seus pais voltaram para Nova York?! E você nem me falou? Você vai ficar na casa de quem aqui?! - fez uma pergunta atrás da outra.
- Calma, eu posso te responder todas as suas perguntas, se você me der um tempo para explicar! - ele disse calmo e risonho.
- Você tem todo o tempo que precisar! Vamos sentar ali na areia! - apontou para um lugar na areia que estava a toalha dela e os dois caminharam até lá, deixando os demais para trás.
Cody, e Wesley observaram atentamente os dois caminhando, sentando-se sob a toalha e observaram mais atentamente ainda quando Adam se inclinou para frente ficando próximo de . Drew, que se desdobrava entre ver e Adam, e ver Wesley, Cody e , começou a rir sozinho.
- O que foi? - Wesley perguntou para seu amigo.
- Vocês três querem sentar ali perto dos dois? - ele perguntou chamando atenção de Cody e .
- Quero! - Cody caminhou rapidamente até os dois e após tomar uma distância segura, sentou-se na areia. Wesley, e Drew o seguiram.
- Vocês três são idiotas demais! - Drew comentou rindo.
- Você sabe que o Adam sempre foi uma ameaça para mim! - Wesley disse.
- Por quê? - o questionou.
- Desde quando eu o conheci no ensino médio, ele sempre acabava ficando com todas as garotas que eu gostava ou tinha interesse, porque ele é bonito, ele é inteligente, ele tem um castelo na Escócia…
- Ele tem o que?! - Cody perguntou abismado.
- A família dele tem um castelo na Escócia, quase todos os anos eles passam as férias lá.
e Cody absorveram a informação e respiraram fundo, prestando atenção na conversa a frente e tentando não imaginar se casando com ele e passando suas férias em um castelo lindo em uma linda montanha na Escócia, com seus lindos filhos ruivos de olhos azuis.
Enquanto isso, Adam explicava para o que tinha acontecido com sua família:
- Eles têm três filhos, . E nenhum deles fica mais em casa, então eles decidiram voltar para o apartamento em Nova York, porque lá eles podem assistir às peças e musicais na Broadway, passear na 5ª avenida, ir para o Times Square Garden, todo o tipo de coisa que pessoas desocupadas ou turistas fazem em Nova York!
- E a sua casa aqui?
- Continua aqui! É lá que eu vou ficar esses dias!
- Você não vai se sentir muito sozinho, não? - ela perguntou preocupada.
- Se você quiser, pode dormir lá comigo! - ele disse sorrindo sem mostrar os dentes, com um olhar que demonstrava outras intenções.
- Não vai acontecer, Adam! Eu namoro, amo meu namorado e você sabe disso!
- Eu sei que seu namorado e seu ex ficante estão sentados bem atrás de nós, com medo de que eu seduza você! - Adam disse rindo.
- Você continua muito engraçadinho! - disse dando um soco no braço dele e se levantando. - Se você quiser, pode almoçar lá em casa! - ela disse para Adam, que sorriu agradecendo.
- Já está na hora do almoço? - Keaton correu para perguntando.
- Quanto antes a gente for para casa fazer o almoço, mais cedo é a hora do almoço! - respondeu.
- Tudo bem mesmo se eu for para a sua casa almoçar? - Adam perguntou e todos olharam para ele.
- Adam, onde almoçam quinze pessoas, almoçam dezesseis também! - Fred disse batendo nas costas do ex cunhado.
- E acho que meu pai vai gostar de te ver! - Jorge completou.
por um momento refletiu o que significava Adam almoçar na casa de e o pai dela ficar feliz em ver o ex genro, talvez ele gostasse mesmo de Adam. Mas será que gostava tanto dele como gostava de ? Afinal de contas ele estudava medicina.
Cody também ficou refletindo no caminho de volta para casa. Pensava se o pai de o compara com Adam, as atitudes, a inteligência, a beleza, o carisma. Era impossível que após todo esse tempo, o pai de sua namorada gostasse ainda de seu ex genro.
E ficou provado para ambos, que só existia uma pessoa que o pai de gostava mais do que por fazer medicina e Cody por ser o Quarterback do time e namorado de . Adam.
- Não é possível que meu sogro goste tanto assim dele! - Cody disse indignado após ver Adam ser abraçado e recebido muito bem pelos pais de .
- Esse cara não brinca em serviço! - disse para Cody, , Wesley e Drew.
- O que você quer dizer? - questionou seu amigo.
- Ele era o Quarterback do time da escola no ensino médio…
- Babaca! - Wesley reprovou a lembrança.
- E passou na melhor universidade de medicina, Harvard! - completou e e Cody se encararam.
Adam era uma mistura de ambos, mas em uma única pessoa.






Continua...



Nota da autora: Nesse capítulo eu resolvi brincar com o coração de todo mundo, principalmente do Cody e do PP, mostrando que afinal de contas, eles são inseguros um em relação ao outro, mas agora perceberam que outra pessoa é tão querida como eles: Adam! Haja psicológico pra aguentar essa festa dos trigêmeos. O que vocês acharam?
Muito obrigada a todas que estão lendo e me chamando nas redes sociais! Eu fico feliz de verdade e muito realizada! Podem conversar comigo, eu não mordo!! E se vocês quiserem me adicionar em alguma rede social, só me chama pra falar que você é leitora, aí eu adiciono sem medo de ser feliz!!





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