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Como Se Esconder de Uma Garota Em Três Passos



Última atualização: 14/07/2017

Prólogo


Escolher entre três universidades, nenhuma das opções me deixava perto de casa e dos amigos.
Yale, Harvard e Stanford. Como eu consegui passar nessas três faculdades, consideradas melhores de direito dos Estados Unidos?
Yale fica em Connecticut, Harvard em Massachusetts e Stanford na Califórnia.
Enquanto não decidia em qual ingressar, resolvi passar o máximo de tempo com meus amigos. Fui para várias festas, churrascos, entrei de penetra em baladas e até festas familiares!
Quando resolvi parar de só me divertir e pensar no futuro, escolhi estudar em Stanford, porque venhamos e convenhamos, Califórnia é símbolo de praia pra mim! E estudar perto do mar, não tenha dúvidas que vai ser ótimo!


Capítulo 1


Assim que cheguei com meus pais no campus de Stanford, quis imediatamente voltar para casa, não sabia ao certo se estava preparada para morar sozinha. Mas mesmo assim segui em frente. Se para que eu me torne uma advogada de respeito eu tenha que morar longe dos pais e dos amigos, assim vai ser!
Peguei a chave do meu apartamento e me despedi de meus pais, fui para minha nova casa e lá estava uma menina que aparentava ter a mesma idade da minha, sentada no sofá da sala, mexendo no celular. Assim que me viu, sorriu abertamente e se levantou caminhando na minha direção.
- Você deve ser minha companheira de apartamento! – disse me olhando esperando uma resposta. Percebi por seu sotaque que ela não era americana.
- Sim, ! – disse estendendo a mão para ela, mas ao invés de apertar a mão ela me abraçou. Arregalei os olhos, mas cedi ao abraço.
- Sou !
- Você não é daqui, estou certa?! – disse arqueando uma sobrancelha. Ela assentiu com a cabeça.
- Sou francesa!
Conversei com ela por algum tempo, até termos nos conhecido um pouco. Então alguém bateu na porta, assim que abri vi um garoto lindo, ele sorriu para mim e me analisou de cima a baixo.
- Hoje às oito horas, no estádio de futebol americano do campus! – olhou em meus olhos e saiu andando.
Fiquei paralisada.
- O que ele queria? – perguntou.
- Ele só falou, para estarmos às oito no estádio de futebol americano do campus! – Vi quase soltar fogos.
- Tomara que tenha muitos garotos bonitos! – ela disse juntando as mãos como quem estava rezando e olhando para o teto.
Finalmente, depois de mais algum tempo conhecendo a minha nova compaheira de apartamento, pude conhecer minha nova moradia. Era um lugar grande, tinham dois quartos, um banheiro, uma sala de tevê, uma área de serviço e a cozinha. O apartamento era todo equipado. Tomei banho e arrumei minhas roupas no guarda-roupas. Assim que saiu do banho, nos dirigimos até o estádio.
Na verdade tentamos.
- Aonde é esse estádio!? – perguntei olhando para todos os lados, estávamos perdidas. – Vamos seguir a galera, provavelmente eles devem estar indo pra lá. – disse apontando para um grupo animado que estava andando e gritando ou cantando, seja lá o que aquilo fosse.
Seguimos eles até chegarmos no estádio, um lugar enorme. Passamos pela entrada e assim que pisei na grama, vi que estava superlotado, pude ver várias garotas que provavelmente são de irmandades e vários garotos que são jogadores do time. Me senti literalmente dentro de um filme.
Uma música alta estava tomando conta do lugar, olhei para e o olhar que ela me deu dizia o mesmo que eu estava pensando. Nós estávamos sozinhas naquele lugar, não conhecíamos ninguém a não ser uma a outra.
- Precisamos nos enturmar! – sussurrei perto de seu ouvido.
- E aí, garotas?! – um menino chegou atrás de nós colocando suas mãos em nossas cinturas e nos levando para o meio do estádio, onde se aglomeravam mais pessoas, presumi que eram todos calouros.
- Bem vindos, calouros! – um garoto disse em cima de um palco improvisado. – Nós que estamos aqui, - e apontou para trás do palco, com muitos estudantes – seremos seus veteranos por esse ano, e esta noite vocês serão batizados estudantes de Stanford!
- O que ele quis dizer com batizados? Eles vão jogar água benta em nós?! – perguntei para , que por sua vez gargalhou alto até ficar mais vermelha que a insígnia da escola.
- Bem vindos e boa sorte! – ele finalizou e então eu ouvi vários gritos.
- Meu Deus, vamos sair correndo! – disse pegando o braço dela e a puxando. Antes de dar dois passos senti algo cair sobre a minha cabeça, coloquei a mão e senti um líquido gelado, olhei para ela e vi tinta verde.
- Bem vinda caloura! - um garoto disse sorrindo amigavelmente. Sorri de volta, porém assustada. Olhei para o lado e estava toda suja de tinta, parecia que cem pessoas tinham a atacado.
- TEM UMA AQUI LIMPA GALERA! – ouvi uma voz grossa gritar e fiquei assustada, vi pelo menos umas dez pessoas chegarem perto de mim, só deu tempo de fechar os olhos e abaixar a cabeça.
Comecei a sentir o líquido gelado no meu corpo todo, devia ter tinta até no meu dedão do pé. Não demorou mais que três minutos até terem terminado o serviço, olhei ao redor e todos, sem exceção, estavam coloridos.
- Hey caloura! – ouvi alguém falar comigo e me jogar uma lata de spray. – Sabe usar? – perguntou olhando a lata. Ri baixo revirando os olhos.
- Claro, é uma lata de spray! – ele sorriu abertamente e estendeu a mão.
- ! – eu estiquei a mão a apertando.
- ! – sorri e ele me puxou para perto dele, em seguida espirrando a espuma em mim. – Traidor! – disse passando a mão no meu cabelo e jogando nele.
Comecei a ser atingida por espuma até perceber que estava com uma lata na mão também. Não demorou muito para que eu fizesse "contato" com algumas pessoas. Estava andando e tentando tirar a tinta misturada com espuma do meu cabelo, senti que esbarrei em alguém.
- Desculpa! – disse olhando para a pessoa na minha frente, e novamente fiquei cara a cara com o garoto que bateu na minha porta, ele estava sujo, mas não tanto quanto os outros veteranos, ele usava uma blusa cinza que, por estar molhada de tinta ficou grudada no corpo, belo corpo diga-se de passagem.
- Cuidado, caloura! – disse rindo e despejando no meu cabelo alguma coisa, não era líquida pelo menos. Peguei a coisa e olhei.
- Glitter? – ri e assoprei nele, que fechou os olhos. O vi abrir a boca, ele ia falar algo, mas senti alguém me puxar. Olhei para a pessoa que me puxava e vi , no mesmo estado em que me encontrava. Olhei novamente para o garoto, que estava parado no mesmo lugar me olhando enquanto eu estava sendo carregada.
- Meu celular ficou rosa! – ela praticamente gritou, assustei me lembrando que o meu estava no bolso, tirei ele e por sorte ele só tinha alguns respingos de tinta. Então novamente fui atacada por veteranos, que por sinal eram lindos. Fui bombardeada por glitter de todas as cores, senti entrar até no meu nariz.
- O que mais vão tacar agora? Ursos de pelúcia? – questionei para , olhei para o lado e ela não estava lá, mas sim um garoto que riu com o meu comentário.
- Pelo que vi no estoque, não tinham ursos de pelúcia, desculpa te decepcionar! – fiz um bico e depois sorri.
- Isso realmente acabou com o meu dia! – disse o olhando. – Sou ! E você?
- ! – disse sorrindo e poucos segundos depois foi bombardeado por mais tinta, assim como eu.
- Meu cabelo tá tão duro que acho que nem com vinte jatos de água ele volta ao normal! – disse mexendo, ou tentando mexer no cabelo, enquanto tirava o resto de tinta do rosto.
- Acho que vou jogar essa roupa fora! – ele disse e o vi, completamente pintado, não muito mais do que eu, mas ainda sim bastante colorido. Ouvi uma gritaria e voltei minha atenção a eles, tentei descobrir o que era e então ouvi uma contagem regressiva.
DEZ! NOVE! OITO! SETE!
- O que é isso? – perguntei para ele, que não me respondeu e continuou a contagem.
TRÊS! DOIS...! UM!
Ouvi todos gritarem em comemoração e muitos confetes foram estourados, assustei, mas me senti em uma festa.
- Você é agora, oficialmente uma estudante de Stanford! – se virou para mim, sorri com o que ele disse e o vi jogar alguma coisa em mim. Tinta vermelha, a mesma cor da escola. Peguei um pouco de tinta que escorria por meus cabelos e joguei nele.
- , cadê você?! – uma voz que já tinha ouvido antes falou atrás de mim, me virei para ver e reconheci aquele rosto, tentei lembrar seu nome. Quando me viu ele abriu um sorriso. – Caloura! – disse jogando mais tinta em mim. – não é! – disse esperando que eu respondesse, assenti com a cabeça, mas meu rosto deve ter mostrado que eu não lembrava quem ele era. – Lembra de mim né?! ! – abri a boca e soltei um AH! Ele riu baixo.
- Só não lembrava o seu nome! – sorri envergonhada, - não fica bravo, por favor! – disse praticamente suplicando.
- Com você fazendo essa cara pra mim?! Nunca! – ele disse sorrindo.
Quando voltei para o apartamento, já estava de banho tomado e secando os cabelos com uma toalha. Ela me olhou e arregalou os olhos.
- O que fizeram com você? – perguntou boquiaberta.
- Saí da terceira guerra mundial!
- Jogaram tinta vermelha em todos?
- Sim, foi como uma iniciação na escola... Saiu de lá que horas?
- Meia hora atrás... – disse simples.
- Por que? – arqueei uma sobrancelha.
- Estava com um garoto! – ela disse mordendo o lábio inferior e ficando vermelha. Ri baixo assentindo com a cabeça e indo até meu quarto.
No outro dia, era dia de conhecer a faculdade. Fui até o refeitório e vi muita gente. Respirei fundo. No começo é sempre mais difícil de fazer amizade, ainda mais quando se está sozinha. Depois de pegar meu café, rodei o lugar com os olhos e senti alguém tossir perto de mim. Olhei para o lado e sorri.
- Foi uma tosse falsa, ok?! Não precisa ficar preocupada, você não vai pegar gripe! – disse sorrindo e com uma bandeja na mão também.
- Posso me sentar com você? – perguntei fazendo a mesma cara de ontem. Ele suspirou e assentiu com a cabeça.
- Já disse que não dá pra recusar com você fazendo essa cara! – fomos para uma mesa perto da janela e vi sentado nela concentrado na maçã.
- O que você tá fazendo? – perguntei franzindo o cenho e ele assustou.
- Oi , que susto! – ele disse colocando a mão no coração.
- Pode me chamar de , por favor! – disse arqueando as sobrancelhas e ele assentiu. – Pra você também vale ! – o olhei rapidamente.
Não demorou muito para mais dois garotos se sentarem à mesa.
- Vocês são rápidos hein! – um deles disse olhando para os dois e depois olhando para mim, ri baixo e senti que fiquei vermelha.
- Cala a boca ! – disse. – Essa é a ! – disse e olhei para o garoto, chamado . Sorri e ele sorriu de volta.
- Sou o ! – o outro garoto disse. Sorri para ele também. – Você é caloura não é?! – assenti. – Qual curso?
- Direito! – disse e eles se entreolharam, achei meio estranho, mas deixei passar.
- Eu também faço direito! – me olhou sorrindo abertamente. – Estou no segundo ano!
- Você não devia estar no tour com os outros calouros?! – perguntou olhando para o celular.
- Que horas são? – perguntei assustada.
- Dez e meia! – ele disse simples. Arregalei os olhos.
Droga, o tour começava as dez.
- Não tem problema! – disse. – Nós te mostramos o campus! – ele disse piscando. Fiquei sem reação.
- Qual é , o que é melhor do que um tour pelo campus, com estudantes que moram aqui há um ano e conhecem o local melhor que ninguém?! – continuou.
- Além de sermos gatos demais! – completou fazendo uma cara afetada. Ri do seu comentário.
- Tudo bem então! – disse cedendo.
Assim que terminamos nosso café da manhã, voltei para o quarto para escovar os dentes e vi que meu celular tinha uma chamada perdida.
- Mãe? – perguntei.
- Até que enfim você atendeu! – revirei os olhos. – Como está ai?
- Ontem teve a iniciação - falei rindo.
- Que iniciação?
- A iniciação pra entrar pro grupo de esqui, mãe! – falei irônica e ela riu me xingando. – Iniciação dos veteranos com os calouros. Fiquei parecendo um arco-íris de tão colorida!
- É bom você ter jogado fora essa sua roupa, porque se me trouxer pra lavar, eu esfrego ela na sua cara! – gargalhei, minha mãe sempre foi do tipo maluca, sempre fala o que pensa sem se importar se está magoando ou não, além de falar palavrão com frequência, metade dos palavrões que aprendi foi com ela.
Enquanto conversava com a minha mãe, ouvi alguém bater na porta.
- Mãe, vou desligar porque tenho que ir pro tour da faculdade! – ela falou algumas coisas que quase me fez chorar. Coisas típicas de mãe. Abri a porta e um frustrado estava encostado no batente dela.
- Achei que tinha morrido ai!
- Como sabia onde era o meu apartamento? – arqueei uma sobrancelha.
- Você é minha vizinha de porta! – ele disse apontando para o quarto da frente. Peguei minha bolsa e sai com até a entrada do prédio, os quatro estavam lá. Nos sentamos embaixo de uma árvore, coloquei meus óculos de sol e vi fazer o mesmo.
- , o que você faz? – perguntei.
- Eu sou do time de futebol americano! – ele disse sorrindo.
- E você ?
- Faço Fisioterapia! – disse alegre.
- Só falta você , qual o seu curso?
- Jornalismo!
- Eu sempre quis fazer jornalismo, mas direito falou mais alto! – disse fazendo uma careta. – Como é morar por aqui?
- É bem legal, você não tem pais pra te dizer o que fazer ou não! – falou sorrindo.
- Você vai a várias festas de irmandades toda semana! – comentou sorrindo malicioso.
- Sem contar os campeonatos de esporte que a faculdade participa! – completou.
- Acho que a pior parte mesmo é o período de provas e os trabalhos de final de semestre, é o único momento do ano que você vê todo mundo concentrado em tirar nota acima da média! – fez uma cara de dor.
- Tirando isso, é só diversão? – questionei franzindo a testa.
- Sim! – os quatro responderam sorrindo.
- Você não tentou entrar em nenhuma fraternidade? – perguntou arqueando uma sobrancelha. Fiz um não com a cabeça. – Por quê?
- Acho que não ia gostar de morar em uma casa com mais duzentas meninas! – revirei os olhos. – De verdade, eu devia ter nascido homem, eu já me comporto como um mesmo! – sorri rindo e eles me acompanharam.
- E aí, ?! – um garoto gritou chegando perto de nós. Olhei para ele e sorri discretamente, alto, forte, olhos verdes e com um cabelo castanho perfeitamente arrumado em um topete e com certeza devia ter um corpo maravilhoso por baixo daquela jaqueta do time. – Como estão os calouros? – ele disse fazendo um toque com todos, acho que ele nem percebeu que eu estava ali.
- Não somos mais calouros! – revirou os olhos. – Ano passado nós éramos! Não vem com essa só porque você é quase um formando!
- Aqui só tem um calouro! – disse e eu arregalei os olhos. – Na verdade é UMA caloura! – ele disse apontando para mim, o olhar dele se direcionou para mim e ele sorriu me olhando de cima a baixo, apesar de não ter sido tão difícil já que eu estava sentada. Dei uma cotovelada em e ele deu uma pequena contorcida.
- Prazer, sou Cody Christian! – disse piscando pra mim. Quase suspirei.
- ! – disse colocando uma mexa do cabelo atrás da orelha e sorrindo.
- O que vocês acham de irmos? – perguntou arqueando a sobrancelha e olhando para Cody e eu.
- O que vocês vão fazer? – Cody perguntou enquanto nós nos levantávamos.
- Como a mocinha acordou atrasada, ela perdeu o horário de ir visitar o campus! – disse e eu revirei os olhos. – Nós vamos fazer um tour particular! – ele sorriu vitorioso.
- Adoraria ir junto, - ele olhou diretamente para mim – mas tenho que começar a planejar a festa de semana que vem!
- Festa semana que vem?! – praticamente gritou, e fez um toque com e depois com Cody.
Não demorou muito para que ele fosse embora. E eu com certeza gostaria de conhecer ele a fundo.
- Quem é ele? – perguntei assim que ele estava bem longe.
- O Cody é Quarterback do time, eu o conheci e apresentei aos meninos ano passado. – disse simples. – E ele também faz parte de uma fraternidade! - começamos a andar. Passamos em frente a várias irmandades, fraternidades e outros prédios de dormitórios.
Já estávamos andando por meia hora e eu já tinha conhecido o hospital, a reitoria, dormitórios, entradas principais e agora estávamos indo em direção ao centro de esportes. Quando estávamos perto da entrada uma voz chamou os meninos:
- O que vocês playboys estão fazendo aqui? – eles se viraram, mas eu observei a entrada, o lugar era enorme, mal via a hora de entrar lá. – Vocês não estão abusando sexualmente da garota não é?! – ouvi essa parte e arregalei os olhos. Eles riram.
- Não, estamos fazendo um tour particular com a dama, já que ela perdeu o horário do tour com os outros calouros. – algum deles comentou, mas eu prestava mais atenção no lugar.
- Pera ai! – ele disse e ouvi-o atendendo o celular. Me virei e ele estava de costas.
- Isso aqui é deve ser demais por dentro! – disse e eles assentiram com a cabeça.
- Espera até você conhecer o Frost Amphitheatre! – disse. Olhei novamente para trás e tentei olhar dentro da porta de vidro, aproximando meu rosto da mesma.
- , por que você não vem com a gente? – disse.
- Eu nem conheço ela! – ele disse rindo. – A propósito, quem é a tal dama que vocês falam? – me virei e olhei para a pessoa na minha frente. Arregalei os olhos e fiquei um pouco assustada. – Você?! – ele disse parecendo tão surpreso quanto eu. Apenas sorri afirmando com a cabeça.
- Bom pelo menos você não pode dizer que não me conhece! Você já sabe até qual é o meu apartamento! – sorri fraco e ele sorriu de volta olhando para baixo e passando a mão na nuca desarrumando o cabelo.
- Já é a terceira vez que eu encontro você por acaso!
- O que tá acontecendo aqui? – perguntou arregalando os olhos. – Garota, você flerta mais que eu! – ele disse olhando para mim. Arregalei os olhos e abri a boca.
- Cala a boca ! Eu não flerto com ninguém, você que vê coisas que não existem! – disse meio nervosa. O que só fez ele rir.
- Tudo bem, já é a terceira vez que te vejo, mas ainda não sei seu nome! – ele disse se aproximando.
- ! – sorri. – E o seu é?
- , mas pode me chamar só de ! – ele disse com um meio sorriso sacana no rosto. O que acontece com esses garotos de faculdade? Parecem cadelas no cio.
- Se é assim, sou , mas pode me chamar de senhorita ! – disse arqueando uma sobrancelha e depois rindo e eles riram juntos.
- ! – uma garota gritou saindo de um carro. – Até que enfim te encontrei! – ela disse o pegando pela mão e o arrastando em direção ao carro. Eles pararam na frente do carro e ela o agarrou, dando um beijo que mais parecia cena de filme. Depois disso eles meio que discutiram alguma coisa e ela ficou nervosa, bufando e fazendo uma cara de tédio, em seguida entrou novamente no carro, arrancando com tudo, o que me fez assustar rapidamente.
Espera, ele estava flertando comigo e tem uma namorada? Que tipo de pessoa horrível ele é?! Afastei esses pensamentos com me cutucando.
- Caralho , tá me dedando por acaso? – ouvi-o gargalhar.
- Eu só tava te chamando, você parecia em transe! – ele disse passando o braço em cima dos meus ombros, ele não era muito mais alto que eu. Revirei os olhos voltando a pensar naquelas coisas, mas tão rápido como vieram, os pensamentos foram embora.
- Vamos lá galera, temos um campus pra mostrar para a senhorita ! – disse voltando perto de nós e sorrindo para mim. Sorri fraco e voltei a prestar atenção no prédio que estava na minha frente.
O problema do ser que estava ao meu lado e tinha o nome de , era que: ele é lindo demais para não ser notado e cobiçado por várias garotas.
Mas que droga.
se soltou de mim e foi conversar com os meninos, suspirou e percebi que ele queria perguntar algo.
- Nem acredito que te encontrei de novo! – ele disse e eu travei. – Ontem eu tentei te procurar, mas você tinha sumido! Fico feliz que agora eu sei que pelo menos amiga dos meus melhores amigos você é! – Sorri envergonhada. – Não vou mais te deixar em paz! – disse e eu congelei novamente.
Droga, !


Capítulo 2


"Aquele garoto vai me perseguir pra sempre". Nem no meu quarto eu consigo para de ver aqueles olhos quando se fixaram em mim dizendo “não vou mais te deixar em paz!”, o pior é saber que ele tem namorada.
- O que você tem? – perguntou. Claro que ela ia perguntar, eu estava deitada olhando para o teto e pensando no ocorrido do dia. – E por que eu não te vi no tour com os outros calouros? – ela arqueou uma sobrancelha.
- Perdi o horário! – me sentei na cama fazendo uma careta. Não ia falar que os meninos me mostraram o campus, vai lá saber se ela é dedo duro.
No outro dia, os pais podiam nos visitar, mas isso não aconteceu comigo, depois de tomar café, fui até um lugar calmo para que eu pudesse conversar com meus amigos. Liguei para Wesley e ele atendeu animado.
- ! – ele gritou. – O que uma universitária de Stanford quer conosco, pobres surfistas do interior?
- Cala a boca, por favor! - falei rindo. – Passa pro Andrew!
- Já disse que meu nome não é Andrew! – ouvi-o gritar mais ao fundo.
- Tudo bem Andrew, desculpa! – sabia que nesse exato momento ele estaria bufando e revirando os olhos.
- Ai é grande? – Wesley perguntou. – Tá no viva a voz, mas eu não sei porque disse isso, só tá o Drew aqui.
- Aqui é enorme, tem um centro de esportes maravilhoso e um estádio enorme! Além dos garotos gatos.
- Até parece que você não ia ficar de olho neles... – Wesley resmungou, mas não baixo o suficiente para que eu não ouvisse.
- ELES TÊM O PRÓPRIO ESTÁDIO? – Drew gritou.
- Sim, e eles também tem um time maravilhoso, os meninos estavam me falando dos jogos do ano passado! Quando tiver algum importante eu aviso vocês! Ai vocês vem para ver a melhor amiga de vocês! – sorri como uma criança, apesar de saber que eles não conseguiam ver.
- Como se nós fossemos gastar quase sete horas de viagem pra ver SÓ ela! – Wesley disse como se eu não estivesse ouvindo. Fechei a cara.
- Vai se foder, Wesley! – grunhi.
- Só se você for comigo!
- Eu sei que você sonha com esse dia, mas eu não! – ouvi-o bufar e bater em alguma coisa.
- Não sei onde vocês pretendem chegar com essa conversa, mas eu não quero presenciar! – Drew disse.
- Drew, aqui tem várias fraternidades, cada uma melhor que a outra! Tem até competições entre elas! – mesmo sem ver eu podia jurar que os olhos dele estavam brilhando.
- Não fala isso pra mim ... – ele disse suplicando.
- Se você tivesse estudado como eu falei, esse ano você podia ser o Quarterback do time de Stanford, não do time da escola porque reprovou o último ano! – disse nervosa.
- Joga na cara mesmo! – Wesley resmungou o que só me fez ficar mais nervosa ainda.
- Você não se intrometa na conversa alheia, Wesley! Daqui a pouco eu toco no assunto "você"!
- Esse ano eu prometo que vou estudar e ano que vem... infelizmente vou ser calouro!
- NÓS vamos ser calouros! – Wesley gritou. Franzi a testa e fiquei em silêcio. – O que? Você acha que eu não vou conseguir passar esse ano também? – Foi como se ele tivesse adivinhado que eu estava em dúvida. – Ano passado eu posso ter reprovado, mas esse ano eu vou ser o primeiro da classe! – isso me fez gargalhar e tenho certeza de que ele ficou bravo.
- Desculpa, mas se for por notas, você não entra aqui! Só se conseguir como jogador! – ele sabia que teria que estudar muito esse ano e ficar com notas acima da média pra conseguir entrar em qualquer faculdade. Coisa que ele não fez ano passado.
- E as paqueras? – Drew perguntou.
- Nossa! Várias, não cabe nem em uma mão a quantidade de garotos que deram em cima de mim! – falei ironicamente.
- Já tá desse jeito?! Eu sabia que não devia ter deixado você ir pra Stanford sem mim! – Wesley disse.
- Eu fui irônica ok?! – falei assustada. – E eu viria pra cá com seu consentimento ou sem, você não é meu pai! – mostrei a língua mesmo sabendo que novamente, eles não estavam vendo.
- Menina com quem você tá falando? – uma voz atrás de mim me faz assustar e dar um grito alto.
- O que aconteceu? Você tá sendo assaltada? – ouvi Wesley gritar do outro lado da linha e Drew gargalhar.
- Caralho , você não pode chegar de fininho e dar susto nas pessoas, e se eu tivesse um ataque do coração aqui? – disse respirando alto pela boca e colocando a mão no coração.
- Quem é ? – Drew perguntou com um tom de voz malicioso.
- É o meu amante! – disse e arregalou os olhos.
- Seu namorado sabe disso? – perguntou rindo.
- Agora sei! – Wesley disse.
- Nem nos seus sonhos mais maravilhosos eu seria sua namorada! – gargalhei e ouvi-o bufar e xingar alguma coisa em outra língua.
- Ele é seu namorado? – sussurrou. Fiz um não com a cabeça;
- , temos que desligar a gente tá indo pra praia! – Drew disse. – Se cuida pirralha. – Bufei ao ouvir o apelido que ele me chama desde que tínhamos treze anos.
- Pode ir marombeiro! – revirei os olhos.
- Wesley tá muito bravo por você ter rejeitado ele de novo e não quer se despedir, mas se ele dissesse alguma coisa seria: casa comigo? – Drew disse e eu gargalhei, seguida por ele e depois ao fundo ouvi Wesley gritar “desliga esse celular, porque eu não quero ouvir ela dizer não também!” e depois gargalhar.
Depois que desliguei, fiquei conversando com sobre minha cidade, sobre meus amigos e ele falou um pouco sobre onde ele veio e essas coisas. Começamos a andar, pois já era quase hora do almoço, enquanto estávamos a caminho do refeitório, perguntou se eu era namorada do Wesley – novamente. Tive então que explicar toda a relação que existia entre Wesley e eu, mas preferi explicar enquanto comia, enquanto isso podia resumir na minha mente só os principais fatos entre nós.
- Agora que você já fez seu prato de pedreiro, me explica isso! – ele disse tomando um gole de suco.
- Eu conheço o Wesley desde quando eu me mudei pra Huntington Beach, ele era o meu amor platônico do colégio, mas eu conheci o Drew, que é primo dele, e nós ficamos amigos, ele me ensinou a surfar e pra compensar eu o ajudava em algumas matérias que ele tinha dificuldade. – Parei pra dar uma beliscada na comida. – Quando o Drew me apresentou pro Wesley, eu percebi que ele não era tudo aquilo que eu venerava, e do nada parei de gostar dele, mas quando a gente entrou no ensino médio, ele começou a me paquerar.
- Esse menino não perde tempo mesmo! – ele comentou e ri concordando.
- Diz ele, que sempre me observou quando eu ficava no intervalo com meus amigos, eu nunca fui uma nerd, eu era até que popular, nunca ficava sozinha no intervalo e tinha vários “amigos” ao meu redor. – Disse colocando entre aspas e ele sorriu concordando. – Voltando ao assunto, ele disse que começou a me olhar com outros olhos numa festa na casa dele, porque eu estava de biquíni. – arregalou os olhos e eu assenti com a cabeça. – Vê se eu mereço uma coisa dessas!
- E você fez o que?
- Dei um murro na cara dele quando ele disse isso, mas depois fiquei com peso na consciência e dei um beijo no rosto dele, já que a cara dele tava roxa! Se por acaso você ouvir ele me chamar de Tyson, é pelo murro que eu dei nele! – ele gargalhou e todos olharam para nós.
- Mike Tyson? – concordei, o que só fez ele gargalhar mais ainda ficando vermelho. – Eu queria muito ver a cara dele! – sorri.
- Acho que adoraria te ver de biquíni então pra ver se eu começo a te ver com outros olhos! – uma voz disse do meu lado, franzi o cenho e olhei para o ser do meu lado. . e ele fizeram um hi-five e eu cerrei os olhos para ambos, mostrando o dedo do meio em seguida.
- Cuida da sua vida ! Ninguém te disse que ouvir conversa alheia é feio?
- Nunca! – ele disse fazendo uma cara de desentendido.
- Qual é o assunto? – disse se sentando do lado de e do lado dele, revirei os olhos.
- de biquíni! – sorriu sapeca e dei um soco em seu ombro.
- Cuidado! – falou, - você está lidando com Mike Tyson, ! – gargalhei assim como e os outros ficaram com cara de quem não entendia nada.
Após dar outra breve explicação sobre Wesley e Drew, que levou o resto do almoço, pois eles me interrompiam de cinco em cinco minutos para fazer algum comentário idiota, fomos nos sentar num banco e tomar sorvete.
- Seus pais não vieram? – perguntei a todos.
- Os meus sim, mas eles tiveram que voltar para casa porque meu irmão estava chorando demais e me irritando! – disse revirando os olhos.
- Meus pais vêm praticamente uma vez por semestre só! – disse e os outros concordaram.
Depois de um tempo falando sobre pais e como eles reagiram quando souberam que estudaríamos aqui, os garotos entraram numa discussão sobre baseball, coisa que eu não entendia direito, então enquanto fingia prestar atenção na conversa, comecei a pensar como seriam as aulas amanhã, já que o curso começaria amanhã, e me dei conta de que passei em frente à quase todos os prédios menos o de direito e fiquei desesperada.
- , eu não sei onde é o prédio de direito! – falei para que ele só ouvisse.
- Amanhã se você quiser eu te levo! Faço faculdade no mesmo lugar que você, lembra? – sorri assentindo com a cabeça.
- Tá tendo churrasco na fraternidade do Cody, vamos? – disse mexendo no celular e depois olhando para nós com cara de cão sem dono, ri baixo olhando para baixo.
- Por mim tanto faz! – disse e os meninos sorriram se levantando num salto, o que me assustou.
- Anda ! – disse puxando minha mão para que eu me levantasse, limpei a bunda rapidinho e segui eles, que corriam que nem gatas no cio.
- Por acaso essa fraternidade é longe? – perguntei já com medo da distância que teria que percorrer.
- Não vamos a pé! – disse sorrindo.
- Vamos de jato? – arqueei uma sobrancelha.
- Não, vamos com isso! – disse quando paramos em frente a um conversível vermelho, quase babei no capô. – Não baba no meu carro ! – ele disse apertando minhas bochechas com uma mão.
- Desculpa! – observei o carro, cinco lugares, nós éramos cinco também, quatro homens e UMA mulher, de jeito nenhum eu ia atrás com mais dois homens! – EU VOU NA FRENTE! – gritei assustando eles.
- Droga! – revirou os olhos. – Ela falou primeiro, não posso fazer nada! – disse olhando para os meninos, que estavam com cara de tacho.
- Bem feito! – ri abrindo a porta do carro e me sentando.
Em menos de dez minutos estávamos na fraternidade, fiquei pensando em quanto tempo levaria esse trajeto a pé.
- Os que não têm carro fazem como pra comer e tal? – questionei enquanto estacionava o carro.
- Ônibus! – ele disse apontando para um ponto de ônibus do outro lado da rua.
Entramos na casa e ela estava cheia, garotas metidas juntas de um lado, garotos metidos do outro, jogadores e os outros estavam espalhados, assim que entramos, senti muitos olhares sobre mim, fiquei até com vergonha. Na verdade acho que todos se conhecem, e ter uma caloura na festa é uma novidade. A música estava alta, fomos até um quintal e lá estavam mais cheio. Por onde passávamos os meninos cumprimentavam todos, fiquei tentada a voltar para o carro e esperar a festa terminar, ou voltar a pé mesmo, já que se tentasse pegar um ônibus, provavelmente eu ficaria perdida.
- Ah, vocês receberam minha mensagem então! – uma voz familiar disse atrás de nós, me virei e vi sorrindo, e quando nossos olhares se cruzaram ele sorriu mais ainda, eu mantinha minha feição normal, com um sorriso fraco. Olhei para o lado e ele segurava a cintura de uma garota, diferente da que vi no outro dia, acho que seu nome era Lauren, ouvi algumas pessoas a chamarem assim. – Trouxeram a caloura junto! – assenti com a cabeça, acho que ele percebeu que eu não estava muito feliz em vê-lo, pois minha cara mostrava claramente isso.
- na festa da minha fraternidade? – uma voz gritou me assustando, quem mais me conhecia aqui? Olhei para trás e Cody estava sorrindo de um modo galanteador, ele foi para o meu lado e passou um braço por meus ombros. Não to entendendo que intimidade é essa. – Achei que fosse o tipo de garota que só saísse pra ir à biblioteca! – disse fazendo um bico e pressionando os olhos pra mim, achei a cara dele tão fofa que sorri.
- Isso quer dizer que você precisa me conhecer melhor! – arqueei uma sobrancelha e olhei de relance para , que estava de cara fechada.
- Credo, eu é que vou dar o fora daqui! – disse com cara de nojo e saiu conversando com algumas garotas. Cody me puxou para uma mesa com mais alguns meninos do time, sorri cumprimentando todos e me sentei.
- O que te trouxe até aqui?
- O carro do ! – suspirei olhando ao redor, tentando achar os outros. Ouvi-o gargalhar.
- Eu sei que foi o carro, mas por que quis vir? – olhei para ele, que estava sentado do meu lado, mas com a cadeira virada de frente para mim.
- Eu estava com eles, então eles resolveram vir aqui e eu aceitei! – dei de ombros e ele concordou com a cabeça.
Ele se virou para trás gritando alguma coisa para alguém, enquanto isso eu observava o local e as pessoas presentes. Num canto vi se atracando com uma menina, arregalei os olhos e ri baixo, perto dele estava cercado de garotas e ao seu lado também estava , por outro lado falava com os jogadores do time. Enquanto varria o lugar com os olhos vi se agarrando com a mesma garota que estava abraçando quando veio me cumprimentar. Revirei os olhos e olhei para o homem maravilhoso que estava na minha frente e o vi com dois copos na mão, ele me ofereceu um e cheirei rapidamente para tentar descobrir o que era.
- É só tequila com morangos! – disse sorrindo, provavelmente ele percebeu minha desconfiança. – Pode confiar em mim! Mas nunca aceite bebidas oferecidas por Zack e Alex! – disse apontando para dois meninos idênticos, loiros, olhos castanhos, bonitos, gêmeos. Assenti com a cabeça, mas é claro que eu vou guardar essa informação para sempre, vai lá saber o que eles colocam nas bebidas!
Tomei e o líquido desceu rasgando minha garganta. Terminei a bebida em um só gole e quando bati o copo na mesa, Cody olhou pra mim com os olhos arregalados.
- Quem é você? – riu olhando para ver se o copo estava mesmo vazio. – SCOT! Traz mais tequila pra mim, por favor!
- Você está falando com a campeã dos shots de tequila da Califórnia! – levantei meus braços. – Não pera, Califórnia não - franzi a testa e ele riu - da minha cidade, talvez, entre os meus amigos. ISSO! Entre os meus amigos! – gargalhei e ele me acompanhou.
- Quero ver então! – Ele disse me estendendo outro copo e pegando também um copo novo para ele.
- Ele é o campeão dos shots de tequila da fraternidade! – o tal de Scot disse sorrindo e sentando-se na cadeira vaga em nossa mesa.
- Vamos ver então! – fingi estralar o pescoço e uma contagem até três foi feita, quando ouvi um “Já!”, agarrei o copo, respirei fundo virando a bebida e sentindo minha garganta pegar fogo, daqui eu iria direto para um banho gelado, isso sim. Bati o copo na mesa e coloquei minha mão na barriga, se controla estômago, não vá fazer feio na frente de garotos bonitos. Não demorou nem três segundos e ouvi-o bater o copo também, olhei para ele e seus olhos estavam arregalados. Scot conferiu os dois copos e começou a rir.
- Eu não acredito - fez uma pausa para rir. – CODY CHRISTIAN PERDEU NO DESAFIO DA TEQUILA PARA A CALOURA! – ele gritou e eu coloquei uma mão na boca, assustada. Muitas pessoas ficaram em silêncio, para depois irromperem em gritos, algumas pessoas foram até a mesa tirar sarro do Cody e me cumprimentar, já vi que não vou passar despercebida esse ano por aqui.

- Parem de me zoar, por favor? – ele disse enquanto se levantava da mesa com as mãos para cima como quem se rendia, mas as pessoas ao redor dele davam tapas em sua cabeça e costas, eu apenas observava a cena. – Mereço pelo menos um abraço por ter perdido de lavada pra você? – ele me olhou como um cachorro perdido e eu assenti me levantando da cadeira, coloquei meus braços ao redor de seu pescoço e senti os braços dele envolverem minha cintura. Senti ele me apertar mais forte e me levantar do chão, tudo bem ele não era muito mais alto que eu, mas ele me jogou mais para cima e antes que eu conseguisse processar a informação, ele começou a correr. – Prende a respiração!
- O QUE?! – gritei assustada dando tapas nele, olhei para trás e vi que em questão de segundos estaríamos dentro da água, prendi a respiração e senti aquela água gelada no meu corpo todo. Subi para a superfície e encontrei Cody rindo, dei um tapa nele em seguida joguei água no seu rosto.
- ! – me chamou do lado de fora da piscina, - você não volta no meu carro molhada não! – gargalhou. Olhei para Cody com uma cara nada amigável, assim que viu minha feição, o sorriso sacana que estava estampado na sua cara sumiu.
- Desculpa - ele disse olhando para baixo, provavelmente segurando o riso.
- Idiota! – revirei os olhos e fui até a beirada da piscina, dando impulso e saindo da água.
- Espera ! – me virei e o vi correr e sair da água. – Você quer me matar não é? – assenti com a cabeça, - você já ta molhada, não custa ficar mais um pouco! – disse e me empurrou novamente para a piscina. Mergulhei e tossi um pouco quando voltei á superfície.
- Vá se foder Christian! – gritei o chamando pelo sobrenome, ele apenas deu um de seus sorrisos que me faria derreter, se eu não estivesse a ponto de degolar ele. – Mas primeiro você pode me ajudar a sair da piscina? – sorri estendendo minha mão para ele, que a segurou e quando fez força para me puxar, prendi meus pés na piscina e o puxei para baixo, o fazendo dar uma cambalhota e cair. – Chupa essa! – disse e quando coloquei minhas mãos na borda da piscina, senti duas mãos segurarem minha cintura me puxando para baixo.
- Pode ficar na piscina, eu te empresto uma roupa! – ri ironicamente. – O que?
- Você vai me emprestar uma roupa? – arqueei as sobrancelhas e ele assentiu. – Desculpa acabar com seus planos, mas você é um garoto e eu uma garota, suas roupas não servem em mim! – sorri irônica.
- Eu te empresto uma blusa então! – ele dizia enquanto eu saia da piscina, - ai você fica sentadinha no sol com a minha blusa e vê se seu short que mais parece uma calcinha seca! – olhei para baixo e meu short estava agarrado na minha perna, o desci um pouco e olhei novamente com uma cara feia para ele.
- Vá se foder! – mostrei o dedo do meio para ele. – E meu short não parece uma calcinha! Você que deve estar morrendo de vontade de ver ela! – sorri e sai procurando .
Desisti de falar com assim que o vi beijando uma menina, avistei uma cadeira vazia e me sentei no sol, mentalizando para que Deus ajudasse minha roupa a secar mais rápido. Procurei meus óculos de sol que estavam na minha cabeça e os vi na água. Gritei para que alguém o jogasse para mim e assim fizeram, por sorte, assim que me sentei para tomar a tequila, deixei meu celular em cima da mesa, por isso ele não molhou. Coloquei o óculos no rosto e fechei os olhos tentando relaxar e parar de sentir frio já que o vento parecia três vezes mais gelado. Estava quase pegando no sono quando alguém me interrompeu.
- ? – abri os olhos assustada dando de cara com Cody, olhei para suas mãos e ele estava segurando uma camiseta. – Sua camiseta! – disse me entregando, peguei-a me levantando.
- Onde é o banheiro? – disse fazendo um bico. Ele sorriu e começou a andar, o segui entrando na casa e depois de passar por aquele monte de pessoas entramos num corredor e quando ele parou em frente a uma porta eu agradeci entrando no cômodo e tirando a blusa, torci rapidamente na pia e coloquei a outra, me olhei no espelho e ri. Abri a porta e ele estava escorado na parede da frente, com os braços cruzados e olhando para o teto. – Jura que essa era a única blusa que você podia me emprestar? – ri novamente olhando para baixo, a blusa era enorme e cobria o short, tinha o símbolo de Stanford e o número 18 na frente, atrás tinha novamente o número e o sobrenome dele mais acima, ou seja, a camiseta do time de futebol.
- Pode ficar pra você! Essa camiseta é da temporada passada, esse ano eu ganho uma nova! – ele disse se aproximando de mim sorrindo, quando bati as costas na parede ele colocou os braços de cada lado do meu corpo, minha respiração estava descompassada. Apenas o vi se aproximar de mim e quando já sentia sua respiração batendo no meu rosto me dei conta de que apenas o conhecia á um dia e ele é conhecido na faculdade inteira.
- Cody... – sussurrei. – Desculpa, - coloquei minhas mãos em seu peito e o afastei, olhei seu rosto e ele estava com a testa franzida, acho que nunca foi dispensado antes, mas sempre tem uma primeira vez. – Talvez você esteja precipitado, porque eu realmente não sou uma dessas garotas que você provavelmnte esteja acostumado a lidar! – Como essas palavras saíram da minha boca eu não sei, só sei que foi ótimo desabafar isso.
Ele passou a língua pelos lábios e se afastou mais, sorriu sem mostrar os dentes e assentiu com a cabeça para mim.
- Acho que por você, vale a pena esperar! – disse piscando e me dando um beijo estalado na bochecha.
Voltamos para o quintal e as pessoas olharam para mim e depois gritaram alguma coisa, deve ser algo relacionado ao time de futebol. Cody sorriu e colocou seu braço nos meus ombros. Rodei o local com os olhos e meu olhar se encontrou com o de , que nos olhava com a mesma cara que olhei para ele quando havia chegado.
Arqueei uma sobrancelha e ele respirou fundo, olhou diretamente para mim e depois para Cody e se virou, voltando sua atenção para alguma garota. Balancei minha cabeça negativamente e fui puxada por Cody para algum lugar. Nos sentamos numa mesa com várias pessoas.
- Você é boa em mais alguma coisa além de tequila? – ele perguntou. Assenti com a cabeça.
- Sei dar mais de cinco mortais seguidos! – disse e ele arregalou os olhos e abriu a boca em um perfeito “o”. Ri de sua cara. – É mentira! – ele respirou fundo e me olhou sorrindo meio assustado.
- Eu já ia falar pra você sair da minha festa!
- Mau perdedor?
- Com certeza, - ele afirmou. - Três meses atrás perdi num jogo de Pôquer e soquei a cara do moleque que ganhou!
- Isso é verdade, eu tive que fazer tratamento no dente por um mês! – um garoto falou e olhei para ele.
- Você bateu nele? – meu semblante era de surpresa, não tenha dúvidas disso. Ele apenas concordou.
- Não me honro muito disso, mas as vezes minha decepção em perder é tão grande que eu não me controlo!
- Sua decepção em perder pra mim te deixou com vontade de me agredir?
- Não bato em mulheres, principalmente mulheres bonitas! – ele piscou com um olho e por pouco não me derreti, mas não sou esse tipo de pessoa que se abala com umas cantadas como essa.
- ! – ume pessoa me cutucou e me virei dando de cara com . – Vamos embora? – ele disse apontando para a saída da casa. Assenti com a cabeça me levantando da cadeira. Na realidade não sabia nem que horas eram. Me despedi de todos que estavam na mesa com um simples “tchau gente!” e segui . Mas antes que alcançasse a porta que dava para casa uma mão segurou meu braço, me virei e Cody sorriu e sussurrou:
- Vou te ver de novo? - ri baixo o fazendo franzir o cenho.
- Nós estudamos na mesma universidade, não sei se você lembra disso? – ele concordou com a cabeça e sorriu meio envergonhado, achava que pessoas como Cody não tinham a palavra vergonha no seu vocabulário. – Sem contar que estou com a sua camiseta, não quero ficar com ela se por acaso esbarrar com um garoto gato de outro time! – pisquei e me virei entrando na casa, de longe ouvi-o gargalhar.
Entramos no carro juntos praticamente, todos exaustos porém felizes. O céu já estava escuro, o que me fez pensar que eram mais de sete horas já.
- Já vi que ficou amiguinha do Cody! – comentou.
- Já vi que você é mulherengo! – provoquei e em troca recebi apenas risadas.
- Que truque é aquele de beber tequila tão rápido? – perguntou ansioso.
- Não é truque, é só você respirar fundo e pensar que é água! – dei de ombros.
Assim que paramos em frente ao meu prédio, me despedi de todos, menos de que morava no apartamento em frente ao meu. Outro carro estacionou onde o carro de estava a poucos segundos e dele desceu a pessoa que eu menos queria ver hoje.
- E aí, ? – o cumprimentou com um toque. Estava prestes a entrar quando lembrei que amanhã começariam as aulas e que não tinha o número de e não sabia que horas ele passaria aqui. Droga!
- ... – o cutuquei enquanto conversava e ele se virou para mim. – Me passa o número do ? – fiz aquela tal cara que ele não resistia e ele sorriu.
- Essa cara... – disse fazendo um movimento negativo com a cabeça e pegando o celular. Ele me passou o número e o agradeci. – Pra que você quer o número dele? – perguntou fazendo cara maliciosa.
- Não sei se você se lembra, mas vocês não me mostraram o prédio de Direito, então ele vai me mostrar onde é já que ele também estuda lá. – Disse como se fosse óbvio. – Vocês são uns guias bem ruins se quer saber!
- Mal agradecida! – ele disse me empurrando. – Não preciso da sua opinião!
- Ela é de graça, quanto mais tempo você passar comigo, mais você vai perceber isso! – me virei atravessando a rua e entrando no prédio sendo seguida por ele.
- Costumo ter o dedo podre pra escolher de quem vou ser amigo, a prova viva disso tá aqui do meu lado! – olhei de soslaio e me lembrei que estava aqui também.
Entramos no elevador e paramos no quinto andar, parei em frente ao meu quarto e quando me virei para me despedir de , vi abrindo a porta do apartamento. Então quer dizer que ele é meu vizinho de porta?
Assim que tomei banho e me joguei na cama, ouvi alguém limpar a garganta e olhei para , provavelmente entediada.
- Aonde você passou o dia?
- Com meus pais, eles voltam hoje para a França, provavelmente só vou vê-los novamente no Natal... – ela disse meio triste. – E você?
- Fui em uma festa! – dei de ombros.
- Jogadores do time de futebol? – ela sorriu sapeca, concordei com a cabeça. – Isso explica o porquê da camiseta do Cody! - ela apontou para a mesma, que estava jogada no chão.

No outro dia, acordei um pouco cedo. Eu demorava pelo menos uma hora para ficar totalmente acordada e disposta para estudar, então se eu levantasse meia hora antes de começar as aulas, além de chegar atrasada, eu dormiria nos primeiros dez minutos.
Encontrei com ainda quando tomava café e ele me levou para o prédio de Direito. Um lugar lindo e grande. O primeiro dia de faculdade na verdade não é muito diferente de um primeiro dia na escola, professores novos, alunos novos e ambos se conhecendo e consequentemente conhecendo a matéria.
Quando o primeiro período de aulas acabou, senti meu celular vibrar na calça, olhei no visor e vi a foto de Wesley, corri até um lugar calmo e atendia a chamada.
- O que foi?
- É assim que você me atende? – ele resmungou. Conversei com ele rapidamente e expliquei mais ou menos meus horários, quando encerrei a chamada ouvi alguém rir.
- , já é a segunda vez que você escuta minha conversa com o Wesley. – Me virei e o vi rir. Já conseguia reconhecer a risada dele á quilômetros.
Andamos até um lugar para almoçarmos, estávamos conversando sobre os professores.
- ! – uma pessoa se sentou ao seu lado, o que fez meu humor ir de bom para horrível.
- O que faz aqui? Normalmente você estaria por ai paquerando as calouras! – revirei os olhos e acho que eles não perceberam.
- Boa tarde ! – ele disse direcionando seu olhar para mim. Acho que alguém percebeu que eu estava lá.
- Boa tarde ! – falei cínica. – O que te traz aqui?
- A faculdade de medicina é aqui perto! – ele sorriu e eu franzi a testa.
- Você? Medicina? – acho que ele entendeu o que eu quis dizer, pois riu. – Achei que era do time!
- Errada! Eu amo medicina, espero poder salvar muitas vidas por ai! – ele sorriu de uma forma tão fofa que eu quis apertá-lo, mas me controlei. – Se me conhecer melhor, você vai ver que eu não sou como a maioria dos garotos da faculdade!
Isso era o que? Um convite pra passar mais tempo com ele? Por acaso ele tá me paquerando?
- Vou pensar no seu caso! – disse sorrindo sem mostrar os dentes e ele mordeu o lábio inferior.
Pronto, agora além de me perturbar, ser meu vizinho de porta, ser melhor amigo dos únicos amigos que eu tenho aqui, ele ainda faz medicina, que por acaso fica perto do prédio de direito! O que mais eu posso pedir? Por favor, eu adoraria ganhar na loteria também!


Capítulo 3


A primeira semana de aula tem sido normal, conheci mais pessoas, o que me fez ficar um pouco mais afastada de e dos outros, mesmo assim, sempre que vejo tento evitá-lo, nem eu sei ao certo o porquê de estar fazendo isso, mas parece que está funcionando. Apesar de ter que vê-lo quase todos os dias enquanto entro ou saio do meu apartamento.
Normalmente de tarde eu fico na biblioteca lendo algum livro sobre leis.
- Sabia que podia te achar aqui! – uma pessoa sussurrou e sorri.
- Como? – sussurrei também.
- Você faz Direito, deve ler muito sobre leis! – disse apontando para o livro que estava em minhas mãos.
- Você até que é inteligente, Cody! – ele fez uma careta.
- Você se surpreenderia com a minha inteligência! – disse se gabando.
- Eu adoraria ficar aqui batendo papo com você, mas eu preciso estudar e tenho certeza que se falarmos mais alguma coisa, alguém vai nos xingar! – disse apontando para um grupo que tentava ler, mas prestava mais atenção na nossa conversa.
- Tudo bem, eu vou! – ele disse levantando as mãos num gesto como quem se rendia.
Assim que ele saiu, respirei fundo e voltei a ler meu livro. Eu realmente não tinha interesse em conversar com o Cody, ele parecia ser o tipo de pessoa que só falava sobre si mesmo, e eu não estava nem um pouco a fim de ficar ouvindo gente com muito amor próprio se gabar pra mim.
Levantei o livro até que ele ficasse na altura dos meus olhos, ou seja, ele tampou meu rosto e toda a visão que eu tinha para o resto do mundo. Pelo menos eu não seria tão facilmente reconhecida pelos indesejados.
- Com licença, posso me sentar aqui? – alguém perguntou, revirei os olhos e abaixei o livro dando de cara com , que assim que me viu fez uma cara de surpresa. Assenti com a cabeça e o vi colocar três livros grossos sobre a mesa e se sentar.
- Você pretende ler todos esses livros? – olhei para ele boquiaberta.
- Eu não queria, mas... – disse fazendo uma careta e eu ri baixo – se eu quiser passar nas matérias, vou ter que ler muitos outros além desses!
- Não vou falar que os livros de direito não são menores que esse, porque não são!
- Shh! – ouvimos vozes fazendo isso e assustamos. Rimos baixo e voltamos nossa atenção aos livros.
Depois de mais ou menos uma hora lendo, meus olhos já estavam pesados e tudo que eu lia parecia não fazer sentido. Sabe quando você lê uma coisa, mas está pensando em outra e quando termina de ler, não faz ideia do que tinha acabado de ler? Isso aconteceu pelo menos umas cinco vezes só na ultima meia hora.
- Não aguenta mais ler? – sussurrou para mim. Suspirei assentindo com a cabeça. – Você tá aqui desde que horas?
- Acho que uma e meia da tarde! – disse caçando meu celular na bolsa para ver as horas. Sem sucesso, não sei por que eu jogo ele na bolsa se depois eu demoro meia hora pra achar.
- Tá difícil aí? – ele perguntou rindo. Ri também bufando e desistindo de tentar acha-lo. – São cinco horas agora! – arregalei os olhos e fechei o livro, fazendo um barulho enorme.
- Vou ser linchada! – sussurrei tentando me esconder do grupo da mesa atrás de nós, que já me odiavam e provavelmente me odiariam mais ainda pelo que veio a seguir.
gargalhou alto demais pra quem está numa biblioteca, o que me fez assustar e pensar se ele não tinha algum tipo de problema.
- Garoto qual o seu problema? – falei pulando em cima da mesa e tampando a boca dele.
- Desculpa, - ele disse parando de rir e olhando nos meus olhos, me causando um arrepio.
- Vocês podem, por favor, ficar quietos? – uma pessoa da mesa falou olhando nervosa em nossa direção. Assentimos juntos e depois que voltei para minha cadeira, peguei minha bolsa e livros e sai da biblioteca.
- Foi mal pela risada! – ele disse logo atrás de mim.
- Você me fez um favor isso sim! – disse mexendo o pescoço, que doía devido ao tempo que fiquei na mesma posição lendo.
- Tá com dor no pescoço? – falei um sim baixo. – Senta aqui – ele disse apontando para um banco. Fiz o que ele pediu e o vi dar a volta e ficar atrás de mim. Senti ele colocar as mãos no meu pescoço o deixando reto e massagear rapidamente o local e descer um pouco para as costas e depois pelos ombros, senti meus músculos relaxarem na hora e soltei um suspiro de aprovação misturado com alívio. Ouvi-o rir baixo.
Depois que ele terminou, abri os olhos desaprovando a ação e quase pedindo para que ele continuasse.
- Onde você aprendeu a fazer isso? – perguntei o olhando e mexendo um pouco a cabeça.
- Minha mãe costumava fazer em mim, por passar muito tempo lendo! – ele disse sorrindo. Sorri concordando.
Voltamos a andar em direção ao apartamento, quando chegamos na frente do prédio, estava tão entretida numa conversa que nem percebi que já estava na frente do meu apartamento.
- Sabe você não é tão metido e arrogante quanto eu pensava! – sorri me encostando na porta e o vi fazer o mesmo na porta do apartamento dele e sorrir.
- Obrigado! E você não é tão... – ele arqueou uma sobrancelha e me olhou – não, eu não pensei nada sobre você! – ri baixo e ele me acompanhou. – Você quer que eu te chame quando o descer pra jantar?
- Adoraria! – suspirei sorrindo e depois abrindo a porta e indo para o meu quarto.
Apesar de morar num apartamento, com dois quartos, banheiro, cozinha e até uma varanda. Nem nem eu nos atrevíamos a cozinhar. A não ser que fosse um pão com ovo, o que aconteceu uma vez só, e porque eu estava morrendo de fome e não ia aguentar até a janta.
Depois da janta, a única coisa que tive forças para fazer, além de assistir um pouco de TV, foi dormir.
Senti alguém me cutucar e xinguei mentalmente essa pessoa, quem em sã consciência acorda uma pessoa em plena manhã de sábado? Me virei de barriga para cima e abri os olhos com um pouco de dificuldade, deviam ser umas oito e quinze da manhã. Quando realmente, verdadeiramente abri os olhos, me deparei com sorrindo, e soltei um grito de susto, que o fez pular e depois coçar os ouvidos.
- Que diabo você tá fazendo aqui no meu quarto? – me controlei pra não berrar e chamar ajuda.
- Eu vim te acordar! – ele disse dando de ombros. – Sua amiga tava saindo e ela falou que eu podia entrar aqui e te acordar!
- E por que você veio tão cedo? - choraminguei me enfiando embaixo da coberta.
- São dez e meia já, moribunda! – outra voz me fez sair de onde estava.
- O que você tá fazendo aqui ? – revirei os olhos e voltei para onde estava.
- Eu to esperando o , e eu to morrendo de fome, mas ele disse que só vai tomar café da manhã quando te tirasse do sono de mil anos! - ele se sentou na minha cadeira que ficava na escrivaninha. Concordei com a cabeça e os expulsei do quarto, me troquei e fui tomar café.
- Você parece um pedreiro! – disse olhando meu prato.
- Cuida da sua vida! – falei mastigando de boca aberta, de propósito.
Estava encostada no ombro de e prestes a babar, mas graças ao bom Deus, alguém veio interromper meu sono.
- Vocês vão à festa do time hoje? – assustei.
- Claro! – disse, - sou do time lembra? – o garoto assentiu com a cabeça e se virou para ir embora.
- Você vai né ? – perguntou olhando para mim. – Nossa, acorda garota! – disse me sacudindo.
- Acho que não vou não! – me espreguicei, bocejando, - não sou do time e não conheço o time! Além do mais, parece que para entrar na festa você tem que comprar convite ou ganhá-los, não é? E como eu não ganhei, não vou gastar o dinheiro que eu nem tenho com isso! – eles concordaram.
- E se eu te falasse que você está errada? – surgiu atrás de nós. Dei um grito que foi contido pela mão do na minha boca.
- Você se materializa nos lugares, ou você faz algum tipo de macumba?
- Meus passos são silenciosos, por isso eu sempre caço aos finais de semana! – concordei sorrindo ironicamente.
- Me explica, por que eu estou errada? – o vi segurar um papel vermelho e depois me entregá-lo, era um envelope, abri e dentro estavam dois convites para a festa do time, fiquei boquiaberta. Dentro do envelope continha também um papel escrito: “Leve sua colega de quarto com você! C.C.”. ia surtar. – , você sabe me dizer quantas pessoas são convidadas pelos jogadores para a festa?
- Normalmente cada jogador tem direito a cinco convites, contando com o do jogador! – Então ele podia convidar quatro pessoas, e desses quatro convites, dois ele deu para mim, agora me diz, tudo isso é vontade de me beijar?
- Você tá bem? – no mínimo eles iam achar que eu era doente, ao invés de agradecer pelos convites, rasgar ou até mesmo surtar, não, eu estava olhando para o nada e pensando.
- Claro que sim!
- Então você vai hoje? – concordei com a cabeça.
Como era de se esperar, surtou, ela quase se jogou em cima de mim e me sufocou. Tudo isso no meio tempo que encontrei ela antes de ir almoçar.
- O que acontece entre você e o Cody? – perguntou.
- Por que? – franzi a testa.
- Desde quando ele saiu do carro ele não para de te olhar, parece que ele acha que algum de nós vai te agarrar aqui! – completou apontando discretamente para onde ele estava. Não tinha percebido que ele estava aqui.
- Tenho quase certeza de que ele quer me beijar! – ri olhando para .
- Você ainda duvida disso? – chegou e sentou-se na grama conosco. – Até eu que não faço parte do grupinho “amamos o Cody” percebi isso.
- Grupinho “amamos o Cody”? – perguntei olhando para ele.
- O não vai com a cara do Cody – falou.
- E por que não?
- Longa história... – disse revirando os olhos e mudando de assunto. – Vai na festa então? – concordei com a cabeça.
- Acho que... O Cody tá mais pro grupo “amamos a ” do que eu pro dele. – Disse com um sorriso completamente irônico e olhei diretamente para , que por sua vez soltou um riso e olhou para frente.
- Acho que você tem razão! – disse apontando com a cabeça para frente onde Cody caminhava em nossa direção.
- ! – ele disse mordendo o lábio inferior. Olhei para , que bufava e revirava os olhos, ele estava prestes a se levantar e dar o fora dali, mas acho que Cody seguiu meu olhar. – Não precisa ir embora ! – disse se dirigindo a ele sem mesmo olha-lo nos olhos. – Eu só passei pra dar um ‘oi’ pra ela e perguntar se você recebeu meus convites? – dessa vez ele me encarava.
- Recebi sim! – sorri sem mostrar os dentes.
- Posso esperar você lá?
- Com certeza! – concordei com a cabeça e ele sorriu e me deu um beijo estalado na bochecha, logo em seguida voltando para o mesmo lugar que se encontrava.
- Se me dessem dez dólares pra cada vez que já me perguntaram se eu ia na festa, eu tava rica! – comentei rindo.
- Você ainda tem dúvidas de que o Christian quer te beijar? – comentou gargalhando.
- Se ele quer tanto assim, ele pode esperar mais um pouco! – disse sorrindo sapeca para e ele concordou sorrindo do mesmo jeito.
Depois de passar horas jogando conversa fora com os meninos, resolvi voltar “ao lar” e me arrumar para a festa. Normalmente, se minha mãe soubesse que eu ando frequentando festas de fraternidade, ela me mataria por telefone e viria até aqui buscar meu corpo. Mas isso eu posso deixar em off para ela.
Tomei banho e coloquei uma saia que marcava bem minha cintura e era mais solta até o meio da coxa e uma blusa regata cropped, depois coloquei um salto, mesmo sem querer colocá-lo, mas me obrigou. Passei uma sombra básica que combinava com a roupa e caprichei mais na boca, batom vermelho fosco.
- Não sei por que você vai passar batom, tenho certeza que depois do que você me contou do desafio da tequila, mais da metade do time quer te pegar! – gritou do quarto dela, ri me olhando no espelho e sentei na cama esperando a donzela terminar de se arrumar.
Escutei batidas na porta e quando abri, estava encostado no batente. Olhei rapidamente para ele e quase respirei alto. Calça jeans, tênis, blusa polo branca e um casaco de couro. O cabelo um pouco bagunçado, a definição da perfeição.
- Sim? – cruzei os braços e repeli qualquer pensamento relacionado ao ser que estava na minha porta. Percebi que ele me analisava de cima a baixo. Tossi falso e ele pareceu despertar, quase sorri.
- Vamos? – franzi a testa. – O tá lá embaixo! – disse simples. Concordei com a cabeça e chamei e ela veio correndo. Tranquei porta do quarto e quando me virei tinha um sorriso de canto.
- O que?
- Você tá demais! – ele disse mexendo nos cabelos. – O Cody vai até babar!
- Se você quer saber a verdade, eu não tenho interesse no Cody, pra mim ele é um cara normal, não tem nada de especial. – O vi sorrir.
- Você deve ser a única da faculdade que pensa assim então! – disse enquanto andávamos até a saída do prédio, o que levou uns cinco minutos.
Assim que saímos do prédio, estava encostado no carro, junto com e . mexia no celular.
- Até que enfim! Achei que tinha te agarrado lá no apartamento! – comentou e entrou no carro. Sorri meio envergonhada e entrei no carro.
Assim que chegamos na festa, fui cumprimentada por todos por quem eu passava. Será que de repente eu fiquei conhecida só por ter ganhado aquele desafio?
- Não é que essa moribunda tá ficando popular? – chegou do meu lado e me abraçou.
- Eu to de olho ! – ouvi uma voz e olhei na direção de onde vinha e Cody estava com os olhos cerrados, mas não estava bravo, apenas brincando.
- Eu não mereço esse tipo de coisa! – sorri falsa comentando discretamente com o .
- Você é a escolhida do ano pra ser perseguida pelo Cody, boa sorte! – disse irônico.
- Vai lá pegar umas vadiazinhas vai! – disse fazendo um movimento com a mão para que ele saísse de perto de mim.
- Ciúmes querida? – perguntou arqueando uma sobrancelha.
- Never in a million years! – disse piscando com um olho e sorrindo e o vi revirar os olhos e sorrir também.
- Você e o são amigos? – Cody parou na minha frente enquanto eu andava.
- Por que a pergunta, posso saber? – ele apenas sorriu e me olhou de cima a baixo.
- Você está absolutamente linda! – senti minhas bochechas queimarem um pouco.
- Obrigada! – sorri e voltei a andar. Ele me segurou pelo braço e me puxou, fazendo com que eu batesse meu corpo no dele, em seguida colocou uma de suas mãos na minha cintura.
- Adoraria tirar o seu batom vermelho aqui mesmo! – ele sussurrou no meu ouvido, senti meu corpo todo arrepiar.
Tudo bem. Cody Christian sabe como flertar com uma garota.
- Então por que não o faz? – sussurrei para ele.
- Não me provoca, não! – ele disse rindo. Apenas sai andando em direção à , que estava parada no bar, observando o movimento dos garotos.
- Você tá parecendo uma boba aqui!
- Eu não tenho um Cody Christian pra me agarrar pelos cantos! – ela disse maliciosamente.
- ! – uma pessoa disse beijando minha bochecha, olhei para ele e vi que era o Andrew.
- Andrew! – sorri para ele e depois olhei para , que o secava descaradamente. – Conhece a ? – ele direcionou seu olhar para ela e sorriu mais.
- Você pode me chamar de ! – ela disse descaradamente. Ri baixo e sai de perto deles. A noite ia ser longa para os dois.
- Tá bancando o cupido? – perguntou parando do meu lado.
- Sempre fui o cupido dos outros, mas nunca tinha ninguém pra ser o meu! As terríveis aventuras de ! – fiz uma careta pra ele.
- Bom, se qualquer dia você quiser ficar com alguém sem compromisso, - ele disse colocando as mãos nos bolsos da calça, – pode me chamar! – assenti rindo e ele se virou e andou até o bar.
Andei até uns pufes que tinham perto da piscina e me sentei neles dando graças a Deus, saltos me incomodam tanto que eu preferia estar descalça.
- Já ta morrendo? – se sentou no pufe do lado do meu.
- Você é rápido! – disse passando a mão no queixo dele, onde continha um pouco de batom. Ele sorriu tímido.
- Alguns são mais rápidos que outros! – ele disse e colocou um dedo na minha boca e tirando um pouco de batom dela. – Tá tudo ai ainda!
- Não venho nas festas pra tirar atraso ! – sorri convencida e ele apenas rolou os olhos e bufou.
- Quer anunciar no rádio? – gargalhei sendo seguida por ele.
- , posso falar com você? – olhei para cima e ninguém mais ninguém menos do que Cody estava do meu lado, olhando minhas pernas descaradamente, tive vontade de rir, mas me controlei.
Me levantei com a ajuda dele e o segui para um lugar mais calmo. Ele parou perto de um muro e quando se virou para mim, percebi que seus olhos alternavam entre olhar meus lábios e olhar nos meus olhos. Já sabia o que estava por vir.
- E... O que você... tá achando da festa? – ele disse passando a mão pelos cabelos e os bagunçando.
- Isso é sério!? – ri mordendo o lábio inferior e olhando para baixo. – Por que você não faz o que quer tanto fazer e depois voltamos para a festa e fazemos outro desafio da tequila? – ele ficou boquiaberto, mas depois de poucos segundos sorriu e soltou o ar que parecia estar preso por muito tempo.
- Direta! Acho que gostei disso! – dito isso, ele me puxou pela cintura e se encostou na parede atrás dele. Eu não era baixa, nem muito alta, tinha uma estatura média, então fiquei da altura dele, e bem perto de sua boca.
Ele passou uma das mãos pelo pescoço e deu um beijo na minha bochecha, coloquei minhas mãos ao redor do seu pescoço e o puxei para um beijo de verdade. O impacto de nossas bocas foi tão rápido que ele até assustou, mais uma vez tive vontade de rir, mas não quis estragar o clima. Parávamos algumas vezes por falta de ar e quando minha boca já estava completamente ressecada, parei a agarração, pois queria beber algo. E isso incluía álcool com certeza.
Arrumei rapidamente o batom que estava ao redor da minha boca e tirei o que estava ao redor da dele também. Voltamos para a festa e ele foi á frente preparar as coisas para o desafio.
- Beijou? – surgiu do nada do meu lado enquanto eu me olhava na câmera do celular vendo em que estado eu me encontrava.
- Caralho ! – coloquei a mão no coração e ele estava disparado. Ele riu se aproximando, assustei com a proximidade e ele apenas passou o dedo no contorno dos meus lábios inferiores.
- Tava borrado! – ele se justificou.
- Obrigada! – sorri agradecendo.
- Ele beija bem pelo menos? – arqueei a sobrancelha e ele riu baixo. – Eu não sou gay se é isso que você está pensando.
- Temo que sim! – disse fazendo uma careta. Ouvi alguém me chamar e supus que era Cody. – Tenho que ir!
- Tudo bem! – ele disse assentindo.
- A não ser que você queira participar de uma competição de tequila! – os olhos dele ameaçaram brilhar.
- Você está falando com o "cara da Tequila"! – ele disse passando um braço ao redor das minhas costas e começou a andar.
- E você com a campeã do desafio da tequila da fraternidade que eu nem faço parte! – sorri como quem tinha ganhado e ele apenas sorriu.
Assim que chegamos no bar, tinham algumas pessoas lá e em cima do balcão cinco copos pequenos. O olhar de Cody foi de mim ao braço de e encarou ele, meio nervoso, revirei os olhos e andei até ele.
- O senhor aqui! – disse apontando para ele. – Quer tentar ganhar o desafio da tequila! – ouvi algumas pessoas gritarem em aprovação.
Vi Cody bufar e olhei para ele o repreendendo, ele apenas suspirou e concordou com a cabeça. Cody, , Andrew, uma garota que eu não fazia a menor ideia de quem era, e eu nos posicionamos na frente dos copos. Respirei fundo e quando ouvi um “já!” virei o copo sem nem pensar no que estava tomando. Depois de poucos segundos o bati na mesa, sendo seguida por outras quatro batidas. O Silêncio que antes tomava conta do local se irrompeu em gritos, a maioria de homens, isso quer dizer que:
Mais uma vez ganhei o desafio da tequila.
Quase me levantaram, mas como estava de saia, apenas me abraçaram todos juntos e me fizeram de recheio de sanduíche com tanta gente se abraçando ao mesmo tempo. Depois de me soltar e respirar olhei para Cody e mandei um beijinho daqueles que apenas pessoas bem convencidas mandam quando conseguem algo e ele revirou os olhos, mas não conteve o sorriso. Depois olhei para e pisquei tão convencida quanto havia acabado de fazer com Cody. Sua resposta foi um sorriso tão galanteador que minhas pernas tremeram rapidamente e voltaram ao seu estado normal em questão de segundos.
Senti uma mão na minha cintura e fui virada dando de cara com Cody, que fez questão de me beijar na frente de todos e arrancar mais gritos. Enquanto Cody apertava cada vez mais minha cintura para ficar perto dele e eu passava minhas mãos por seu cabelo, ora os puxando, ora os afagando.
Assim que parei o beijo, tomei uma bebida com gosto doce e me sentei em uma cadeira.
- Tá bêbada já? – perguntou sentando-se do meu lado. Fiz um negativo com a cabeça.
- Você viu a ? – perguntei olhando para todos os lados.
- Eu vi ela agarrada com um menino lá atrás! – ele se virou apontando para o local e a cena me fez rir. estava quase no colo do Andrew e pelo que parecia, eles estavam gostando do que estava acontecendo lá e acho que ninguém ia incomodar eles por um bom tempo.
- Meu Deus. – Disse boquiaberta e gargalhou. - Acho que vou tomar outro drink, - falei me levantando e pedindo no bar saquê com morangos e limão.
Quando voltei para a cadeira, ao invés do estar lá, no seu lugar estava Cody me olhando e sorrindo.
- Por que você tá sorrindo? – questionei me sentando, ele se levantou rapidamente e me deu um selinho.
- Só observando você! – revirei os olhos com a resposta e sorri sem mostrar os dentes.
Depois de ficar um bom tempo na festa, decidi voltar para o apartamento. estava comigo, mas infelizmente não tão sóbria quanto eu desejava.
Estava andando com ela apoiada em mim e em , que por sorte também foi embora junto conosco e me ajudou a carregar a mocinha. Quando chegamos na frente do apartamento, agradeci a pela ajuda e depois arrumei para que ela não ficasse com a mesma roupa da festa.
- , - sussurrei perto dela, que apenas se mexeu e falou alguma coisa em sei lá que língua, - se você quiser vomitar, a porta do seu banheiro tá aberta! – passei a mão na cabeça dela e saí do quarto dela indo para o meu.
No outro dia acordei quase meio dia, enquanto me arrumava escutei batidas na porta do apartamento e quando abri arregalei os olhos com a visão que tive.
- ? – arqueei a sobrancelha e ele sorriu de uma forma fofa.
- Desculpa te incomodar! Mas se não fosse tão sério, eu não apelaria pra você!
- Tá... Eu acho! – dei passagem para ele entrar, mas ele fez um negativo com a cabeça e apontou para a porta da frente. – Vai me dizer que tem um rato no seu apartamento e você quer que eu tire ele de lá? – ouvi-o gargalhar e andar até a porta aberta e depois entrar em seu apartamento, o segui.
O apartamento dele era igual ao meu, a única diferença era os móveis e a disposição deles pelo local.
- Qual o problema?
- Qual desses dois é melhor? – ele disse entrando no quarto e voltando com duas combinações de roupas diferentes. Fiz uma cara de interrogação e ele apenas sorriu. – Eu tenho um encontro! – abri a boca soltando um “Ah!” e ele riu assentindo.
- Esse aqui! – apontei para uma combinação de camiseta polo azul clara e calça jeans branca.
- Obrigado ! – me abraçou, no começo fiquei surpresa com o ato, mas me rendi e o abracei também.
Sai do apartamento dele e voltei para o meu, me encostei na porta pensei no que tinha acabado de acontecer.
- Que coisa estranha.
Felizmente minha querida e bêbada amiga estava viva e respirando, porém com uma ressaca daquelas. Depois da pequena ajuda que dei a pela manhã, fiquei livre pelas próximas duas horas, até me chamar para jogar videogame em seu apartamento.
- Head shot! – comemorei enquanto ainda jogávamos pela décima vez aquele dia a mesma fase, tudo isso porque achou que eu estava roubando.
- Como você faz isso?
- Simples, tenha dois irmãos e seja amigo de garotos viciados em jogos! – ouvi-o rir baixo, então finalmente mudamos de fase.
Estava concentrada tentando atirar na cabeça de alguns caras, escutei a porta abrir e fechar rapidamente e um vulto passar correndo.
- Oi , oi ! – disse enquanto corria. Respondi baixo porque não podia perder a concentração. - ? – ouvi um tom de surpresa e alegria na voz dele. Cinco segundos depois disso ele entrou na frente da televisão e novamente me intimou para que eu o ajudasse.
- O que você quer agora? – respirei fundo me levantando e indo até seu quarto.
- Me ajuda a escolher outra roupa!
- Você realmente quer impressionar essa menina! – comentei abrindo seu guarda roupas e olhando as opções. Ouvi-o gargalhar do banheiro.
- É outro encontro! – ele disse num tom normal de quem pede um pão na padaria. Fiquei boquiaberta.
- Tudo bem! – escolhi um conjunto e voltei para a sala.


Capítulo 4


- Como foram os encontros ontem? – perguntei enquanto esperava sair do banho. Estava sentada, quase deitada no sofá, enquanto acabara de sair do quarto e estava com a cara toda amassada de quem tinha acabado de acordar. Ele arregalou os olhos, provavelmente de susto.
- Acho que bem! – ele disse indo até a cozinha e mexendo em alguma coisa. – O que faz aqui tão cedo? – ele disse voltando com um copo de suco.
- Vou sair com o – revirei os olhos.
- E com o ! – falou do quarto dele. Vi rir com a minha cara de desespero.
- Vocês vão para onde? – antes que eu pudesse responder o celular de começou a tocar. Assim que ele viu o nome no visor, sua feição mudou de feliz para assustado.
- Você tá bem?
- Preciso que você me faça um favor! – ele disse estendendo o celular para mim. – Atende e fala que esse número não é do meu celular.
- Nem a pau que eu vou me intrometer na sua relação com as garotas! – disse devolvendo o celular para ele.
- Por favor! – ele disse fazendo uma cara de cachorro perdido. Suspirei e peguei o celular o atendendo.
- ? Ah, pensei que não fosse atender! – uma garota do outro lado da linha disse desesperada.
- Quem fala? – perguntei ao invés de apenas informar que esse não era o numero dele. A menina hesitou antes de responder, ou seja, ela estava achando que o já estava com outra.
- Beatrice! E você é?
- A dona desse número.
- Ah meu Deus! Me desculpa! É que... É que eu pensei que fosse de um cara que eu conheci, ele me passou esse número e... Ai meu Deus eu to falando da minha vida pra uma desconhecida! – ela pareceu mais desesperada ainda. Fiquei indecisa entre ficar com dó dela ou rir por ela estar contando a vida dela pra mim.
- Eu acho que esse garoto com quem você saiu, é um grande pilantra! – falei e olhei para que estava assustado pela minha reação. – Ele não foi nada legal com você em te passar o número errado. – Olhei novamente para ele, que estava boquiaberto.
- Eu não acredito que ele fez isso! Se eu vê-lo de novo, eu mato ele! – ela parecia muito nervosa agora.
- Se você ver ele novamente, me liga que eu ajudo a matar ele! - sorri olhando para .
- Obrigada! Eu nem sei seu nome! – ela estava agora com a voz mais calma.
Respondi para ela e quando desliguei, estava perplexo com o que tinha acabado de acontecer.
- Você fez um complô contra mim?
- Você esperava o que? Desculpa querido, mas você foi um tremendo cafajeste por não atender essa menina! – joguei o celular na direção dele e bateu em sua testa.
- Desculpa senhora certinha! – ele disse passando a mão no local onde o celular acertou.
- Eu só me coloco no lugar da garota! – revirei os olhos e fui até o quarto do . – Tá pronto já princesa? – falei na porta.
- Pode entrar príncipe! – ele disse. Abri a porta e ele estava de cueca olhando para o guarda roupa. Arregalei os olhos e dei um grito.
- !! – disse me virando de costas pra ele. – Que porra de princesa biscate você é? – gargalhei e ele me acompanhou. O único problema do era a risada dele, normalmente nós não ríamos por qualquer motivo que fosse, mas sim pela risada dele.
- Sou do século XXI bebê! – ele disse colocando uma calça. Percebi pelo barulho. Me virei e respirei aliviada. – Aposto que se fosse o Cody você tinha gritado de felicidade!
- O que? – gargalhei me sentando na cama dele. – Nunca! Ele se acha tanto que o brinquedo dele deve ser desse tamanho! – com o polegar e o indicador fiz um gesto de pequeno e riu.
- Cadê a barata? – apareceu na porta do quarto com uma vassoura. Franzi a testa e observei aquela cena. Olhei para e explodimos em uma risada que durou pelo menos uns três minutos. – Não to entendendo nada! – falou encostado na porta com cara de tédio.
- Não foi nada ! – disse indo em direção a ele e o abraçando.
Passamos todos pela sala, onde se encontrava estirado no sofá mudando de canal descontroladamente.
- Voltamos mais tarde! – falou enquanto fechava a porta.
Estávamos indo para a casa de uma tia do , que morava na Califórnia. Assim que saímos do Campus, a viagem não durou nem meia hora até a praia.
- Por que os outros não vieram também? – questionei.
- Minha tia disse que não quer os outros aqui! – ele disse estacionando na frente de uma casa (lê-se mansão). – O único que ela permite é o , e como eu não queria trazer só ele, decidi convidar você! Quem sabe ela não te ama e me deixa trazer os meninos aqui quando você estiver junta! – ele disse sorrindo feito uma criança.
- Vou pensar no seu caso! – saí do carro já sentido a areia. Passei minha infância e adolescência na praia, pois morava no litoral, e quando ficava muito tempo longe do meu “ponto de paz” é como se meu corpo pedisse que eu voltasse para casa.
Quando saímos do carro, subimos as escadas da varanda e entramos na casa.
- Tia! Cheguei! – gritou da entrada da casa. Observei aquele lugar, por fora parecia rústico, mas por dentro totalmente moderno, com direito até a um videogame.
- Vai me dizer que sua tia usa o Playstation? – apontei para ele e riu.
- Não, eu uso quando venho pra cá e está chovendo. – Ele disse andando e eu o segui, assim como . Entramos na cozinha e lá estava ela. – Tia! – a abraçou forte. – Esse é o , você já conhece.
- Oi querido! – ela disse abraçando ele.
- E essa é a ! - disse apontando pra mim.
- Sua namorada? – ela perguntou sorridente, abaixei a cabeça envergonhada e passou a mão pelos cabelos.
- Não tia, ela é minha amiga! – ele riu e eu sorri para ela.
- Ah desculpe, querida! – ela disse rindo envergonhada e me abraçando. – Sou Johanna! Fique a vontade, vocês vão ficar só hoje ou amanhã também?
- Ainda não decidimos! – deu de ombros e se sentou numa cadeira.
- Esses adolescentes! – ela disse revirando os olhos.
Observei Johanna, loira com os cabelos curtos, na altura do pescoço, estatura baixa, parecia ter uns quarenta e cinco anos.
- Vocês estão com fome? Eu tenho certeza que o está, por que me diz , é mais fácil perguntar quando ele não tem fome! – ela disse empurrando ele.
- Eu conheço uma pessoa que come bastante também! – gargalhou. Ai vem bomba. – A come demais! – arregalei os olhos.
- Eu como bastante, só que no almoço e na janta, porque pra mim são as principais refeições do dia! Além do café da manhã! – riu baixo.
- Deem o fora da minha cozinha, a praia está lá fora! – ela disse nos expulsando. – Voltem só na hora do almoço!
- Hora do almoço é toda hora pra mim, tia! – gargalhou junto com Johanna.
Subimos algumas escadas e saímos num corredor.
- Meu quarto é esse - apontou para uma porta -, vai ficar aqui comigo, então , você fica...
- No meu quarto, ! Nem pense que ela vai dormir com vocês! – Johanna gritou da ponta da escada. Gargalhei.
- Obrigada, Johanna! – respondi em agradecimento.
Assim que nos instalamos nos quartos, nos encontramos na varanda e fomos para a praia. Felizmente o sol estava alto, ou seja, momento bom para entrar na água.
Estávamos sentados na areia com a água indo e voltando até nossas coxas.
- Se você pudesse viajar ou morar em qualquer lugar do mundo, aonde seria? – perguntou para mim.
- Acho que Austrália! – sorri abertamente. – Lá é lindo! Além do mais, eles respeitam as leis e as praias são lindas, e eu amaria conhecer a barreira de corais! – disse suspirando.
- Essa menina é louca! – disse.
- Invejoso! – disse com um olhar furioso.
Depois de passar à tarde na praia, de noite saímos para jantar num lugar. Tudo pago pela tia do .
- Por que os meninos não podem mais dormir na casa da sua tia? – perguntei enquanto esperávamos a comida ser servida. Johanna riu rapidamente.
- Da última vez que eles foram lá pra casa, eu não estava. Assim que cheguei no dia seguinte, encontrei jogado no sofá e uma poça de vomito no tapete, tinha quebrado três pratos da minha louça, o tal do , estava dormindo na minha cama e pra melhorar, nem em casa estava! – Arregalei os olhos e olhei para que concordava com a cabeça. Gargalhei junto com .
- E aonde você tava ?
- No campus! – ele disse sorrindo fraco. – Nessa época eu namorava, um namoro tão bom que durou dois dias e meio! – me forcei a não rir.
No domingo por volta das seis horas saímos da praia e voltamos para o campus. Acho que eu tava tão cansada por ter passado o dia todo nadando que nem percebi quando dormi no banco traseiro do carro.
- Mas que droga é essa? – ouvi uma voz falar assustada e ascender à luz do quarto. Abri os olhos tentando enxergar alguma coisa, quem raios estava invadindo meu local de descanso e que dia é hoje? Eu não tava na praia? Olhei bem para o quarto e percebi que aquela decoração não era a minha. Arregalei os olhos e vi parado ao lado da cama com os braços cruzados.
- Mas que caralho tá acontecendo? – levantei o tronco da cama dele e, espera, eu to deitada na cama dele?
- Eu é que te pergunto, eu saio por dez minutos e uma intrusa se apossa da minha cama?! – sai da cama tentando procurar palavras pra explicar o que diabos estava acontecendo, mas a única coisa que saiu da minha boca foi:
- VEM AQUI AGORA! – não demorou nem cinco segundos e ele estava parado na porta, primeiro olhou para mim e depois para e fez uma cara de culpado. – Você pode me explicar o que eu tava fazendo dormindo na cama do ?
- Você dormiu no carro, quando nós chegamos aqui não me deixou acordar você, então ele te pegou no colo e eu pedi pra ele colocar você em algum lugar! – ele disse sorrindo cúmplice. Respirei fundo ainda em choque pelo ocorrido.
- Você tem dois segundos pra sair da minha vista. – Disse séria e ele saiu correndo. Me virei para respirando fundo novamente, - desculpa por isso! – apontei para a cama. – Deu pra perceber que não foi culpa minha! – ele concordou sentando-se na cama.
- Tudo bem eu só assustei, vocês chegaram de repente e, a propósito, onde vocês estavam? Ontem vocês falaram que voltariam mais tarde, e eu não esperava que esse mais tarde seria no outro dia!
- Na casa da tia do !- dei de ombros e ele assentiu.
- Ela me odeia ainda? – perguntou fazendo uma careta. Ri assentindo com a cabeça, o que só fez a careta ficar pior.
Voltei para o meu apartamento, supus que era quase hora da janta, felizmente criamos vergonha na cara e compramos mantimentos para preparar a janta, já que no almoço nós comíamos em qualquer lugar. Fui até a cozinha e comecei a pensar no que fazer. Tinha que ser algo rápido e que eu gostasse.
- Pão com ovo! – falei abrindo a geladeira e comecei a preparar meu jantar. Assim que terminei, peguei meu prato e me sentei no sofá da sala. Foi só eu tentar dar a primeira mordida que ouço a campainha tocar, reviro os olhos e bufo de raiva indo em direção a porta. Olhei pelo olho mágico e vi com cara de desesperado. Abri a porta e antes de pronunciar qualquer palavra ele foi mais rápido.
- Me esconde, por favor! – ele disse juntando as mãos como quem implorava. Franzi a testa e abri espaço para que ele entrasse.
- Me explica o que está acontecendo! – fechei a porta e voltei para o sofá, ele respirou pesadamente e sentou-se não muito perto de mim, dei uma mordida no lanche, - vai demorar pra falar ou o que?
- Ontem eu sai, fui numa festa e paquerei uma garota. Só que tinha um problema! – ele disse fazendo uma careta. Revirei os olhos já esperando pelo que vinha. – Ela tem namorado! E ele me caçou hoje o dia todo e não sei como ele me viu entrando aqui no prédio e tá me caçando por todos os andares! – ele parecia realmente desesperado, não sabia se ria ou se ficava com dó, no final das contas optei pela primeira opção e comecei a rir. – Pode rir, eu mereço isso e muito mais! – ele disse revirando os olhos, depois cruzando os braços e se acomodando no sofá.
Estava tentando me acalmar, mas sempre que olhava para a cara de , a cena dele correndo de um cara que queria espancá-lo vinha em minha mente e a crise de risos voltava. Quando me dei por vencida e a risada não tinha nem força para sair, a campainha tocou novamente, o que fez pular do sofá e me assustar.
- Deve ser ele! – ele disse sussurrando. – Pelo amor de Deus , não deixa ele me achar! – ele disse fazendo novamente com as mãos o gesto de quem implorava e fazendo uma cara de choro. Assenti com a cabeça e fiz um gesto para que ele saísse de perto da sala. Corri até a porta e a abri, dando de cara com um homem grande e forte.
- Pois não? – perguntei cruzando os braços e me encostando no batente da porta. Arqueei uma sobrancelha e fiz a melhor cara possível de garota arrogante.
- Por acaso você conhece algum ? – sim, era ele mesmo. Minha vontade era de dizer: “Sim! Ele está aqui dentro, por favor, tire ele daqui e dê a surra dele lá fora, mas antes disso, pegue meu celular e peça para alguém filmar que eu quero postar no YouTube!”
Ao invés disso, franzi a testa e fingi pensar.
- Não conheço não, desculpa! – falei me fingindo de desentendida. Ele apenas assentiu com a cabeça.
- Desculpa pelo incômodo, tenha uma boa noite! – ele sorriu e eu sorri de volta acenando como um tchau. Fechei a porta e cinco segundos depois a cabeça de apareceu da parede que separa a sala da cozinha.
- Eu devia ter falado que você estava aqui! – ele arregalou os olhos e eu ri sem mostrar os dentes. – Esse moço é mais gentil que você! – revirou os olhos e depois de algum tempo agradeceu e foi para seu apartamento.
No outro dia tive aula de Direito Penal I e História do Direito. Mal acreditei quando o período de aulas acabou, mas felizmente era hora do almoço.
Enquanto procurava , senti duas mãos na minha cintura e fui virada bruscamente batendo contra o tórax de Cody, que sorria com aqueles olhos verdes para mim.
- Bom dia! – ele disse sorrindo e me dando um selinho, estranhei um pouco sua atitude, mas acho que ele faz isso com todas as que ele fica, apenas me deixei levar.
- Bom dia! – sorri sem mostrar os dentes e olhei ao redor para ver se via .
- Aonde você tava no final de semana? – ele disse arqueando uma sobrancelha. – Te procurei por toda parte... – ele disse fazendo um biquinho. Sorri com o canto dos lábios.
- Eu tava na praia! – ele soltou um "ah".
- ! – ouvi alguém me chamar, procurei por onde a voz vinha e vi acenando de perto do refeitório. Sorri e sinalizei que estava indo.
- Preciso ir! – disse me afastando um pouco dele, mas antes que me afastasse mais, ele me puxou novamente e me deu um beijo. Será possível que esse homem é carente ou quer só se aparecer?
- Hoje tem jogo, você vai né?! – ele sorriu meigo. Assenti com a cabeça.
- Me aguarde lá! – pisquei para ele e saí de lá. Assim que encontrei , bufei e ele entendeu na hora sobre o que eu “falava”. – Ele deve ser carente! – disse fazendo uma careta e finalmente indo comer.

- Eu tive aula de Direito Penal I, é maravilhoso! – disse para enquanto nós saíamos do refeitório.
- Mas que bebê! Eu tenho Direito Penal III já! – ele disse debochado.
- Ninguém te perguntou! – olhei para ele brava e depois meu olhar foi direcionado a uma barraquinha de sorvete. – ! – o senti assustar do meu lado, - compra um sorvete pra mim! – apontei para o local e ele riu fazendo um não com a cabeça. Fiz uma cara de brava e encarei-o. – Ontem eu comprei três sorvetes pra você, você me deve um! – ele concordou e foi em direção à barraquinha.
Estava observando enquanto ele parecia um trouxa na fila, olhando toda hora para as garotas que passavam e as vezes conversando com uma pessoa ou outra. Senti alguém parar do meu lado e quando olhei parecia ainda desesperado olhando por todos os lados. Ri baixo só de lembrar a cena de ontem de noite, o que o fez me encarar com os olhos cerrados.
- Vai me dizer que ainda tá com medo do namorado da menina que você paquerou?
- Pior que sim! – revirei os olhos e novamente olhei para o na fila do sorvete. Finalmente ele é o próximo. – Socorro. – disse do meu lado baixo. – Me ajuda !
- Você quer que eu faça o que? Dê um murro na cara do menino e fale pra ele que você pode paquerar quem quiser? – me exaltei um pouco.
- Você faria isso por mim!? – ele disse sorrindo sapeca. Fechei a cara automaticamente e ele percebeu. – Só preciso que você me esconda! – ele disse olhando ao redor, - mas tem que ser rápido.
- Você quer o que? Que eu te esconda no meu casaco?
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele me puxou pela cintura e me colou no corpo dele, passou os dois braços pela minha cintura e eu passei os braços por seu pescoço, já tinha entendido qual era a intenção dele. Se esconder na volta do meu pescoço. Senti os lábios dele roçarem no meu pescoço e um arrepio surgiu não sei de onde. Eu já estava quase na ponta dos pés, meu rosto encostado também em seu pescoço, pude sentir o perfume dele misturado com seu cheiro e por impulso inspirei daquele aroma tão bom.
Acho que já faziam alguns minutos que estávamos assim, tão embriagados que nem percebemos o tempo passar.
- Que diabos tá acontecendo aqui? – falou atrás de mim.
- Ele tá aqui ? – praticamente sussurrou, ele hesitou um pouco, talvez olhando ao redor pra ver se ele estava ainda aqui.
- Não, ! – ele disse calmo e nós nos soltamos. Respirei um pouco de ar puro. O que aconteceu comigo no meio daquele abraço? Não pode acontecer nada entre e eu, pelo simples fato de que: eu não podia me envolver com ninguém na faculdade. Por mais que eu esteja sendo perseguida pelo Cody, ele não era meu namorado, então eu não devia satisfações da minha vida pra ele. Se eu o visse, legal. Se eu não o visse, melhor ainda.
Olhei para , que conversava sobre algo com e então me lembrei do meu sorvete.
- SORVETE! – gritei fazendo assustar. – Obrigada ! – disse o abraçando e ele apenas sorriu.
- Você tem compromisso hoje à noite? – perguntou quando eu estava já terminando a casquinha.
- Cody me convidou pro jogo, por quê? – dei a última mordida.
- Por nada, eu ia te chamar pro jogo também, - ele disse meio decepcionado. Olhei para e percebi que ele me encarava descaradamente. O encarei também e ele desviou o olhar.
No final da tarde voltei para o apartamento e na porta tinha um envelope escrito meu nome, quando o abri tinham dois ingressos para o jogo e no fundo uma cartinha.
“Ingresso do jogo de hoje, leve sua amiga também!
Obs: me encontre no corredor do vestiário antes do jogo começar!
C. C.”

Sorri não sei por qual motivo, e entrei no apartamento. Fui até a cozinha caçar alguma coisa pra beber e enquanto lavava um copo, já que e eu somos preguiçosas a ponto de acumular louça de três dias na pia, ouvi a própria entrar no apartamento.
- !
- OI! – ela disse respondendo desesperada. – Que susto você me deu idiota! – ela se aproximou de mim com a mão no peito.
- Tenho uma surpresa pra você! – disse sorrindo e os olhos dela brilharam só com a palavra surpresa. Fui até o envelope e peguei os ingressos e mostrei a ela. Assim que a ficha dela caiu, ela gritou bem alto de animação e me deu um beijo na bochecha. Depois saiu correndo para o quarto. Assisti aquela cena toda boquiaberta.
Depois de tomar banho e colocar qualquer roupa, e quando digo qualquer roupa é qualquer roupa mesmo, não ia me arrumar pra ir num jogo de futebol. Calça jeans, blusa regata, blusa de moletom e tênis.
Fomos de carona com para o estádio. Apesar de não ser uma distância grande, tinha uma boa distância, e eu não iria a pé pra lá. Assim que nos acomodamos em nossos assentos e compramos comida suficiente para um batalhão, ao invés de cinco pessoas, me lembrei do bilhete de Cody, e que ele pedia para que eu o encontrasse no corredor do vestiário.
- Já volto! – falei levantando e seguindo para a saída das arquibancadas, caminhei por um corredor até ver um guarda. Perguntei onde era o vestiário e ele me explicou rapidamente, agradeci e voltei a andar até achar uma placa escrito vestiários. Agradeci mentalmente aquele guarda, mas antes de entrar vi no canto meio escondido duas pessoas se beijando, voltei um pouco e ao observar bem, arregalei os olhos. Era com uma garota. Foi nesse momento que eles se separaram e pude observar o rosto dela.
- Desgraçado! – disse ao ver quem era. A menina que namorava. A menina que o namorado estava atrás de . A menina cujo namorado é educado e eu acreditando na bondade existente do menti para ele achando que a garota tinha um pouco de integridade e não ficaria com outro. Mas acho que eu não falei tão baixo assim, pois segundos depois ela olhou para mim e virou o rosto e me encontrou com uma cara provavelmente muito brava, porque ele ficou de repente boquiaberto, revirei os olhos e voltei a andar pelo local indo para o corredor do vestiário. Tinha mais o que fazer.
podia ser um idiota e mentiroso, mas agora eu tinha uma coisa mais importante pra fazer. Assim que entrei no corredor, alguns jogadores estavam lá, uns me olhavam estranhando minha presença, outros só faltavam me comer com os olhos. Avistei conversando com outro jogador e o abracei de lado, o assustando levemente, quando olhou para mim, sorriu abertamente.
- Veio me desejar boa sorte? – ele disse passando seu braço pela minha cintura. Assenti com a cabeça, mas antes que falasse qualquer coisa fui interrompida:
- Não , ela veio ME desejar boa sorte! – Cody disse ao fundo sério, mas depois riu. Por um momento senti meu coração parar, pensando que ele queria arrumar briga com .
- Convencidos! Na verdade eu vim desejar boa sorte ao Andrew! – sorri indo em direção a ele.
- Se foderam! – ele disse sorrindo convencido e me abraçando.
- Mente que eu gosto ! – Cody falou se encostando na parede perto de nós, só então percebi o quão sexy ele estava com aquele uniforme. Camiseta número 18 igual a que eu tinha, que na verdade era dele. Sorri com o canto dos lábios e me aproximei dele. Quando ficamos cara a cara, encarei aqueles olhos verdes e simplesmente o abracei.
- Boa sorte, Quarterback! – sussurrei em seu ouvido e vi ele arrepiar.
- Assim não vale! – ele disse passando as mãos pela minha cintura e depois colocando uma na minha nuca e aproximando meu rosto do dele. – Eu prefiro beijos de boa sorte, não abraços! – ele sorriu completamente malicioso e então colou seus lábios nos meus. Passei minhas mãos livremente por seus cabelos, e acho que ele gostou porque apertou minha cintura e me aproximou mais dele.
Quando o ar se fez necessário nos separamos e olhei em seus olhos, cheios de desejo e segundas intenções e prendi o riso. Ele não valia nada mesmo. O abracei e depois dei um selinho, antes de sair dei um abraço em o desejando boa sorte, e quando estava quase no fim do corredor, olhei para trás e Cody ainda me olhava. Pisquei com um olho e ele sorriu de uma maneira maravilhosa e sibilou:
“Você me deve mais beijos como esse!”
Sorri para ele e voltei para o meu caminho.


Capítulo 5



Assim que saí do vestiário, voltei para a arquibancada. Por sorte, ser alguém que andava com Cody tinha suas vantagens, ele descolou, para mim, assentos bem na frente do campo, não era primeira fileira, mas eu estava tão perto dos jogadores que conseguiria ver até o suor deles através do capacete de proteção. também arrumou para os meninos, então, estávamos todos na mesma fileira. Quando cheguei na fileira, não sei por que, mas meu olhar foi diretamente para o de , e um olhar meu que era de felicidade passou a ser de puro ódio. Desviei o olhar e me sentei entre e .
- Onde você tava? – questionou. Olhei para ele e depois novamente para , que fingia mexer no celular.
- Provavelmente se agarrando com o Cody por ai! – disse me olhando com um sorriso malicioso, ri rapidamente e concordei.
- Depois você diz que não gosta dele! – falou. Arqueei uma sobrancelha para ele.
- E não gosto, mas ficar com ele tem lá seus privilégios, tipo isso! – apontei para a arquibancada e o vi concordar.
Assim que os jogadores entraram em campo, esqueci completamente que existia e prestei o máximo de atenção em e Cody jogando e em me explicando o que estava acontecendo. Não que eu não soubesse um pouco, mas futebol americano nunca foi meu forte, prefiria ainda basebol.
- Não quero ver! – me escondi na blusa do , que riu. Nos minutos finais, o jogo estava praticamente ganho para o time de Stanford, mas mesmo assim o outro time sempre se aproximava.
- Tudo bem, eu te falo o que aconteceu! – ele disse, afofando meu cabelo, mas não me contive e deixei meia face fora da blusa e meia dentro. – Pensei que não fosse assistir!
- Não aguento.
Finalmente o jogo acabou e nós ganhamos, nunca vi uma comemoração tão grande pelo primeiro jogo da temporada. Ouvi algumas pessoas falando que ia ter festa de comemoração, respirei fundo já sabendo que confirmaria presença não por mim, mas por Cody.
Quando estávamos fora do estádio esperando os jogadores saírem, senti alguém parar do meu lado, não tinha nem como saber quem era essa pessoa, pois no mesmo dia já tinha respirado por minutos do perfume dela.
- O que você quer, ? – cruzei os braços e olhei para ele, nervosa.
- Eu sei que você quer me matar, eu deixo você fazer isso, mas só depois de explicar algumas coisas... - ele disse, passando a mão nos cabelos e fazendo uma cara de dor. Neguei com a cabeça e o ouvi bufar. – Por favor, ! – ele disse, implorando.
- Pra você é de agora em diante! – disse, virando de costas para ele. O ouvi suspirar.
- Uma hora você vai ter que saber!
- Enquanto eu conseguir adiar isso, eu vou adiar! – falei, revirando os olhos e vendo bem lá na frente um grupo de pessoas saindo de dentro do estádio. – Até que enfim! – sussurrei.
- Vai lá com seu namoradinho! – ele disse meio bravo.
- Algum problema?! Pelo menos quando eu falo que fico com ele, eu não minto! – me virei rapidamente apontando o dedo na cara dele.
- A gente conversa mais tarde! – ele disse, me olhando nos olhos.
- Não mesmo! – disse, fazendo um sinal negativo com o indicador. No segundo seguinte, ele segurou meu pulso e me puxou forte para bem perto dele, estava praticamente cara a cara com ele.
- Ah, a gente conversa sim! – ele disse meio sensual e bravo ao mesmo tempo. Puxei meu braço forte e me afastei dele, revirando os olhos e bufando, logo depois dei as costas a ele e segui meu caminho até .
Assim que cheguei perto da grande aglomeração que estava em volta do time, segurei no braço de , e ele olhou assustado para mim e depois sorriu aliviado.
- Mandou muito hoje, hein, bro?! – disse, fazendo uma espécie de toque com , que era só sorrisos.
- Parabéns, zinho! – disse, sorrindo e depois o abraçando. – Eu tava brincando, esse apelido é uma droga! – gargalhei e ele me acompanhou. – Você arrasou!
- Não ouve ela, não! Ela ficou mais da metade do jogo escondida no meu braço, porque ela não queria ver vocês se machucarem tão de perto! – ele disse, rindo baixo, e eu dei um soco no braço dele.
- ! Você vai perder o braço agora! – fingiu desespero e ambos começaram a gargalhar. Entendi na hora que eles se referiam ao meu apelido de Mike Tyson.
- Nossa, reis da comédia! – disse, mostrando a língua para ambos e saindo de lá.
- Quem mostra a língua pede beijo, ! – gritou enquanto eu me afastava.
- Quer dizer que você tá pedindo beijos por ai? – senti alguém me segurar pela cintura e me virar, Cody. Sorri um pouco maliciosa.
- Quem sabe? – falei, dando dois tapinhas fracos no rosto dele.
- Eu adoraria ser beijado por você, você parece beijar bem! – ele disse, arqueando uma sobrancelha e dando um sorriso de canto.
- É o que eles falam! – dei de ombros e o ouvi rir. De repente, ele ficou sério, apenas me observando, e se me falassem que ser observada por Cody e aquele par de olhos verdes era ruim, essa pessoa estava claramente mentindo. – Você vai me beijar ou vai demorar mais um pouco? – ele riu baixo e com uma mão segurou meu rosto e outra permaneceu na cintura, passei os dois braços por seu pescoço e selei nossos lábios. Depois de algum tempo, uma voz nos incomodou.
- Ô, casal vinte? Desculpa incomodar, mas eu preciso falar com a ! – olhei para a voz e estava sorrindo sem mostrar os dentes, parecia até santo daquele jeito. Me soltei dele, mas uma de suas mãos permaneceu na minha cintura.
- Pode falar, ! – voltei minha atenção a ele.
- Vai querer carona pra ir na lanchonete? – pensei alguns segundos e assenti com a cabeça. – Você tem cinco minutos estourando pra se despedir do bofe e ir pra lá! – apontou para onde eu estava antes. Ri com o que ele tinha falando.
- Você escolheu as pessoas certas pra ser amiga! – Cody disse enquanto eu observava se distanciar, suspirei concordando.
Depois de me despedir dele, fui para o carro, chegando lá os meninos me olhavam com cara maliciosa.
- Quantos anos vocês têm mesmo? – eles gargalharam. Antes de entrar no carro, meu braço foi puxado e eu quase gritei de susto.
- Desculpa, gente, mas ela não vai com vocês! – disse me puxando novamente, olhei furiosa para ele e depois para os meninos, que estavam com uma cara de interrogação. – Você vem comigo!
- Não mesmo! Vai ter que me carregar porque eu me recuso a sair daqui! – disse firme e cruzei os braços. deu de ombros, respirando fundo, e segundos depois me pegando no colo. – O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? ME PÕE NO CHÃO AGORA MESMO!
- Se decide, ou você desce e anda sozinha, ou eu te carrego como você havia falado! – ele disse, fazendo uma cara que, se eu não estivesse furiosa com ele, cairia na gargalhada.
- Eu ando sozinha. – Desci de seu ombro e me arrumei. Em seguida, dei um passo para trás e sai correndo na direção oposta.
- O que você tá fazendo? - ouvi gritar e logo em seguida começou a correr atrás de mim.
No meio do caminho, uma crise de risos surgiu do nada e eu parei pra poder rir.
- Que tipo de fugitiva você é? - disse, me analisando e ameaçando rir também.
- Eu to morrendo de fome, se você quiser falar qualquer coisa comigo, é bom que seja na presença de comida!
- Tudo bem! – ele disse, revirando os olhos e andando na direção de um carro.
Assim que chegamos na lanchonete, olhei pela parede de vidro e vi alguns jogadores e líderes de torcida. Entramos e vi uma mesa bem no fundo onde os meninos estavam sentados. Cheguei perto deles e a recepção não podia ter sido melhor:
- Achei que você ia pro motel com o ! O que aconteceu, ele broxou? - falou e eu ri.
- Ela saiu correndo antes mesmo de entrar no carro! – disse, puxando uma cadeira e se sentando.
- Se você fosse um por cento parecido com o Justin Timberlake, uma hora dessas eu estaria num motel com você! – os meninos fizeram uma espécie de coral uivando e mostrou a língua e revirou os olhos.
- Falando em Justin Timberlake, adivinha quem conseguiu dois ingressos pro show dele em Las Vegas?! – falou como quem pedia um quilo de mussarela na padaria, olhando para mim. Mal deu tempo de eu raciocinar e já comecei a gritar, atraindo a atenção de várias pessoas. Mas quem se importava? Era o Justin Timberlake!
- , CACETE! – vi todos da mesa arregalarem os olhos pelo fato de eu ter gritado isso tão alto. – Você vai me levar, né? - falei mais baixo e ele gargalhou.
- O QUÊ? , VOCÊ DISSE QUE IA ME LEVAR! – gritou do lado dele e eu assustei ao mesmo tempo em que tive vontade de rir e socar a cara do .
- Qualé! Vocês vão brigar mesmo por ingressos do show do Justin Bieber? - falou debochado.
- Primeiro, é Timberlake, não Bieber! – eu disse nervosa.
- Segundo, não é qualquer show, é O SHOW! – disse, o que me fez ficar espantada por saber que ele gostava dele. Fiz um high-five rápido com e voltei minha atenção para a mesa.
- Já sei o que vou fazer! – disse, fazendo uma cara de quem tinha descoberto a oitava maravilha do mundo. – Vai ganhar esse ingresso quem fizer por merecer!
- Eu mereço porque eu sou lindo! – disse rápido e sorrindo. Todos da mesa olharam para ele e, como se tivesse sido combinado, explodimos numa gargalhada juntos.
- , , e eu vamos escolher um desafio e quem conseguir cumprir leva o ingresso! – disse dando de ombros.
- É só isso? Aquela sua cara de tarado era pra falar disso? - gargalhou quando eu disse.
- Quer ir no show ou não? - ele disse arqueando uma sobrancelha e eu levantei os braços como quem se rendia.
Depois de esperar quase dez minutos até eles decidirem qual era o desafio, vi quatro idiotas andando de volta para a mesa.
- E então, boiolas, qual o desafio? - perguntou.
- É um desafio simples - começou a falar -, mas que a pessoa deve ter muito poder de persuasão!
- Vejam como aqui está cheio hoje! Sorte de vocês! Vocês tem dez minutos pra conseguir beijar o máximo de pessoas que vocês conseguirem aqui de dentro! – fodeu, pensei comigo.
- E, ah, , seu namoradinho não vale! – disse sorrindo sarcástico. Revirei os olhos.
- Como aqui é grande, vamos dividir assim: e vão com a , cronometram o tempo e contam quantos ela beijou, e eu vamos com o .
- Pode ser selinho ou tem que ser beijo mesmo? - perguntou e eu o agradeci mentalmente por isso.
- Pode ser selinho, contanto que ele dure mais de três segundos, o que os meninos que vão acompanhar vão contar pra vocês – respirei fundo e pensei em como ia conseguir isso, ainda mais com Cody na lanchonete também.
- Um, dois, três... VALENDO!
Pensei rápido e o primeiro lugar que meus olhos pararam foi na mesa dos jogadores, respirei fundo e fui.
- O que a gente não faz pelo Justin Timberlake! – andei mais rápido e parei na mesa dos meninos, atraindo vários olhares para mim. – Oi, gente! – sorri e todos me cumprimentaram, ouvi uns gritos, olhei pro lado e vi beijando a primeira garota. Como assim? – Então, gente, eu preciso muito de um favor de vocês! Eu to participando de um desafio pra ganhar uma coisa que eu quero desde os dezesseis anos!
- Que seria?
- Um ingresso pra um show! E nesse desafio eu tenho que beijar o máximo de garotos que eu conseguir! – disse, mordendo o lábio inferior e olhando para eles esperando que eles não rissem da minha cara.
- Não mesmo! – ouvi uma voz dizer ao fundo e olhei para a pessoa, vulgo Cody, fazendo um não com a cabeça.
- Eu não preciso da sua aprovação! – eu disse erguendo uma sobrancelha e todos da mesa ficaram em silêncio profundo.
- Nossa, tudo bem então! Pode ir em frente! – ele disse simples, - eu posso pelo menos te beijar também?
- Não! – disse atrás de mim. Cody bufou e se afundou na cadeira.
- E então, alguém se habilita? - perguntei fechando os olhos e fazendo a cara mais fofa que eu conseguia. Após poucos segundos ouvi um coro dizendo:
- EU! – abri os olhos e me deparei com todo o time e mais algumas pessoas ao redor que eu nem conhecia e que provavelmente não eram da escola, mas ouviram meu monólogo falarem. assoviou baixo atrás de mim, tão chocado quanto a minha pessoa. Olhei para o lado e me encarava, assim como , sorri com o canto do lábio, aquele sorriso de vilã quando conseguia algo e silabei um “ops!”.
- Eu amo todos vocês! – disse gargalhando, sendo acompanhada por todos e em seguida indo em direção ao primeiro.
Após alguns minutos, já estava meio embriagada por ter sentido tantos perfumes diferentes e queria muito saber quantos eu tinha beijado.
- Quantos já foram e quanto tempo eu ainda tenho?
- Você beijou vinte e nove e ainda tem dois minutos! – disse.
Após beijar mais uns três, selinho claro - até parece que eu ia ficar deixando trocentos meninos enfiarem a língua na minha boca – ouvi falar que estávamos empatados.
- Agora ferrou! – não tinha mais nenhum menino do time e o resto estava com acompanhante, percebi que estava na mesma situação. O jeito seria apelar! Enquanto segurava o celular, olhei para e, em seguida, puxei seu rosto na minha direção e tasquei um beijo nele. E ele, é claro, levou um susto, mas foi o tempo de ele colocar uma mão na minha cintura, para eu separar nossos rostos.
- Woah! – ele disse um pouco envergonhado, ri rapidamente e fui em direção a outra pessoa. Cheguei perto de , que assistia a cena toda, e sorri meio maliciosa pra ele, cheguei perto dele e sussurrei:
- Você não, querido! – pisquei um olho e me virei para , - isso acaba aqui! – ele me olhou sem entender, mas após eu passar uma mão em volta de seu pescoço, ele me olhou arqueando uma sobrancelha e passando uma mão por minha cintura. Não demorou nem três segundos e eu já estava beijando , não um selinho, um beijo digno de cinema. Ouvi o alarme dos dois celulares tocando e sabia que esse desafio já tinha terminado.
- Ok, já pode parar com a agarração, ! – ouvi Cody gritar mais ao fundo. – Quem ganhou?
- conseguiu beijar, contando com a , trinta e uma meninas. – disse feliz, vi pelo seu olhar que ele acreditava que eu perderia.
- Contando com o , a conseguiu beijar trinta e três meninos! – disse lentamente como quem queria se vingar de .
- Temos uma ganhadora, senhoras e senhores! – disse. – VAI COMIGO PRO SHOW! – ele gritou a última frase e a maioria dos meninos que estavam presentes na lanchonete - ou todos que me beijaram – começaram a gritar em comemoração.
- Valeu a pena beijar todos esses caras pra ir ao show de sei-lá-quem? - Cody meio que gritou enquanto eu estava sendo sufocada por trinta meninos (literalmente falando) que me abraçavam ao mesmo tempo.
- Você não sabe o quanto! – gargalhei.
- E meu beijo? Eu sei que você beijou o , que deve ter baba dele na sua boca ainda, mas é uma comemoração não é mesmo? - ele disse, sorrindo de lado. Sorri fraco e o puxei para fora daquela aglomeração.
Depois de dar alguns beijos, decidi que precisava ir ao banheiro fazer um bochecho. Assim que passei em frente a uma área para fumantes, ouvi algumas vozes conhecidas, não liguei muito e fui para o banheiro, fiz o que tinha que fazer e quando voltei, fui obrigada a parar porque ouvi meu nome no meio da conversa.
Tudo bem que não existia só eu de no mundo, mas naquela lanchonete acho que sim.
- Você ainda não falou com ela? Você conhece a !
- Eu conheço um pouco dela só, ela me odeia, você que é o melhor amigo dela, ! – vi o garoto coçar a cabeça.
- Se você quer a ajuda da , você vai ter que pedir sozinho! – nesse momento não pude evitar e entrei naquela área, totalmente curiosa para saber do que se tratava.
- Pedir ajuda para o quê? - arqueei uma sobrancelha e me encostei no batente da porta, cruzando os braços.




Capítulo 6



Já faziam quase cinco minutos que a garota estava rindo e encarando , que a propósito estava super desconfortável.
- Vai parar de rir agora? – o garoto perguntou já impaciente.
- Tá, to parando! – ela disse respirando. Assim que se acalmou, seu semblante ficou sério, , que estava na frente dela, arregalou os olhos um pouco e engoliu seco. – Que ideia idiota é essa, ? Pode me explicar direito?
Foi muito simples o que aconteceu, assim que se pronunciou, pediu sua ajuda para uma coisa inusitada. Queria que ela o ensinasse alguns truques com garotas, mas não para conquistá-las. Para fugir delas.
- Você é a única garota da Universidade que é próxima de mim e que não tem nenhum desejo por mim ainda! – espera, ele disse ainda? pensou, arqueando uma sobrancelha.
- Não tenho desejo e nem vou ter, né, querido? – ela disse, ainda o encarando e colocando uma parte da franja – que nem parecia uma franja de tão grande – atrás da orelha. – Você prestou atenção no que me pediu? Quer que eu te ajude a fugir das garotas? O que mais você quer? Que eu te esconda no meu apartamento quando você estiver em perigo? Que eu atenda seu celular quando você passar seu número para essas pobres coitadas que caem nas suas cantadas baratas?
- Você já tá me ofendendo! – ele se pronunciou baixo, e lhe lançou um olhar mortífero o fazendo “tremer”.
- Preciso de pelo menos um dia pra pensar nisso e ver o que quero ganhar em troca! – ela disse e ele a olhou, assustado. – O quê? Achou que eu ia fazer por puro prazer de ter alguma utilidade nos dias de festa? Já acabou a minha cota de ajuda para o no mesmo momento que eu te ajudei com aquele menino e mesmo assim você continuou pegando a namorada dele! – ele arregalou os olhos e continuou em silêncio, era melhor assim. – Não sei quem é mais filho da puta, você ou ela! – abriu a boca para rebater essa ofensa, mas pensou bem antes de ser xingado mais. - E se prepara, se eu te ajudar, você vai ouvir muita coisa que não quer!
- Quer dizer que eu ainda tenho chances de ganhar sua ajuda? – questionou surpreso.
- Estou em processo de avaliação ainda! – disse, o olhando por cima do ombro e saindo daquela área em seguida.
Assim que viu a garota dobrando a direita e voltando para o salão, suspirou e esfregou as duas mãos.
- Tomara que ela aceite!
- É a sua única opção! entende sobre as mulheres, afinal ela é uma! – disse saindo do canto onde estava observando toda a conversa, ou discussão. não acreditava que essas brigas e “raiva” que eles sentiam ia muito longe, sempre ouvira dizer que quem muito briga acaba se apaixonando. Isso soava tão clichê que , às vezes, achava que devia ser escritor ao invés de advogado. Mas assim como vinham, esses pensamentos se esvaiam – rapidamente.
Assim que chegou no apartamento, uma onda de pensamentos sobre a proposta de invadiu sua mente. Que droga de proposta era aquela afinal? Enquanto tomava banho para (tentar) tirar toda aquela inhaca de garotos do corpo, analisava e pensava no que podia pedir em troca.
não era um garoto que passava despercebido e, com certeza, usava a simples frase “faço medicina” para conquistar as garotas, e com certeza funcionava, não com ela, pois era muito mais que qualquer garota, assim pensava ela. E também tinha outro ponto, se o estava pedindo sua ajuda com garotas, queria dizer o quê? Que ele estava sendo assediado por muitas garotas? E se, por acaso, ela resolvesse ajudar e as pobres coitadas (vulgo, garotas que o pegar) descobrissem que ela estava por trás de tudo isso e resolvessem ter uma “conversinha” com ela? Tudo bem que não era de fugir de briga, apesar de nunca ter saído no tapa com nenhuma garota. “Eu não me rebaixo a esse nível”, era o que ela sempre falava.
No outro dia, enquanto estava indo para o prédio de Direito, foi barrada por uma pessoa eufórica. Após o susto por ter sido parada enquanto estava indo para sala, até mesmo porque já estava atrasada, a garota olhou para a pessoa em sua frente e se deparou com um sorrindo (maravilhosamente, diga-se de passagem, mas é claro que não ia reparar nisso) e de jaleco.
- Cacete – a garota disse não só pelo susto, mas por ver aquele menino tão bonito de manhã, como era possível?
- E então?
- Primeiro, são sete horas da manhã, eu mal acabei de acordar, segundo, preciso de mais tempo pra pensar! Me deixa em paz! – falou, bufando.
- Então que horas eu posso te procurar? - o olhou com os olhos cerrados e ele hesitou antes de falar alguma coisa. – Tudo bem, calei a boca, eu deixo você me procurar quando estiver pronta! Adios, muchacha! – ele disse, se virando e indo para seu prédio. Ela revirou os olhos e foi para sua aula.
***

Final de semana de visita dos pais e adivinha quem não viria? Meus pais, com certeza. Estava sentada na grama na frente da biblioteca quando ouvi alguém correr atrás de mim e se sentar do meu lado. Estava pronta para encarar a pessoa desconhecida, e quando tirei o livro da minha cara, vi suado e respirando rapidamente.
- O que aconteceu?
- É VOCÊ! – ele disse, gritando e me abraçando desajeitadamente.
- QUE FOI, MENINO? - disse quando ele me soltou.
- Cody... tá “brigando” – ele disse entre aspas e fazendo pausas pra respirar.
- Grande coisa, deixa ele se meter em encrenca, ele é menino! – dei de ombros e quando voltei, ou pelo menos tentei voltar, minha atenção para o livro, ele me interrompeu de novo. <
- ELE TA BRIGANDO COM O ! – ele disse desesperado, o que me assustou, não pelo fato dele ter berrado no meu ouvido, mas sim por estar brigando com Cody. Deus sabe o que aconteceu pra esses meninos se odiarem. Dei um pulo do banco e também.
- Por que raios você não tá lá separando a briga? - questionei.
- Porque já tem muita gente lá fazendo isso por mim! Sem contar que eu ouvi seu nome no meio da discussão pré-briga. – Assustei. Gelei. Parei de andar. Como assim meu nome na discussão?
Assim que chegamos no lugar, olhei em volta e não tinha ninguém. Comecei a procurar ao redor com os olhos quando ouvi uma voz. Muito conhecida.
- Valeu, ! – ele disse, e quando me virei não acreditei na cena.
- DESGRAÇADO! – gritei em choque e dei um tapa no braço de . – Como você pode fazer isso comigo?
- Quer dizer que só ele existe? E que eu viajei quase OITO HORAS pra nada? - Wesley disse com aquele ar de brincadeira. Sorri automaticamente e saí correndo em sua direção.
- Idiota! – falei, pulando – literalmente- nos braços dele enquanto ele me apertava.
- Que saudade, Tyson! – ele disse enquanto afagava meu cabelo e me apertava.
- Quanto tempo eu não via esse casal?! – Drew disse mais ao fundo e me soltei de Wesley para abraçá-lo.
- Cadê o outro? – perguntei, olhando ao redor.
- Tá em casa com as paranoias gays dele. – Wesley disse.
- Gay é você, seu otário. – Outra voz disse e me virei sorrindo, nunca tinha sorrido tanto na minha vida. – Oi, pirralha! – ele disse calmo me abraçando.
- A pirralha aqui tá na faculdade enquanto você ainda tá no ensino médio, Keaton! – disse com dificuldades, pois estava com a cabeça em seu pescoço.
- Parou com a palhaçada de universitária agora! – Drew disse batendo palma.
- O que vocês estão fazendo aqui? Esqueci de perguntar.
- Ah, a gente veio pra ver as árvores, fiquei sabendo que elas são bem bonitas e iguais as lá de casa. A GENTE VEIO PRA TE VER NÉ, ! – Wesley disse gritando a última parte, e levei um pequeno – bem pequeno mesmo, quase nada- susto.
- É por isso que eu amo vocês! – disse tentando dar um abraço nos três ao mesmo tempo. Wesley, Drew e Keaton eram praticamente inseparáveis. Wesley e Keaton eram irmãos e Drew era melhor amigo deles, apesar deles falarem pra todos que eram primos, até eu esquecia de vez em quando que era mentira.
- O que tá acontecendo aqui? - ouvi uma voz masculina perguntar para e ri mentalmente, fiquei imaginando o quão idiota estava a cena de quatro pessoas tentando se abraçar ao mesmo tempo.
- Reencontro de família! – ele disse, rindo um pouco. Nos separamos e vi que era Cody, e ele sorria – para a minha infelicidade – maravilhosamente.
- Oi, Cody – disse simples e meio envergonhada, não sabia realmente o motivo, mas eu estava.
- Esse é o tal Cody que você me falou? - Drew sussurrou no meu ouvido. Apenas assenti com a cabeça bem fraco enquanto olhava para Wesley. Drew tentava prender o riso, mas escutei uma pequena gargalhada dele.
Depois de apresentá-los, achei que Wesley fosse degolar Cody pela maneira que ele me olhava.
- Quem é aquele cara? - ele me perguntou depois que Cody já tinha ido embora.
- Ele é um menino... – disse dando de ombros.
- E? - ele esperava que eu completasse.
- É um menino! – disse olhando para ele como se não fosse nada de mais. – Um menino que eu to ficando. – Disse o mais baixo possível, mas tinha certeza que ele ouviu porque parou no meio do caminho.
- Achei a sorveteria! – Keaton gritou e saiu correndo que nem uma moça. Fiquei olhando abismada, sendo que, na verdade, o que eu mais era acostumada a ver eram essas atitudes ridículas deles. Drew correu atrás dele gritando também, chamando a atenção de muitas pessoas.
- Você tá ficando com ele mesmo? - Wesley perguntou baixo. Me virei e o olhei, ele parecia decepcionado. Suspirei concordando.
- Eu falei que não ia dar certo entre a gente, Wes. – Olhei para baixo pensando no dia em que ele se declarou pra mim. – Você veio falar o que realmente sentia por mim uma semana antes de eu me mudar pra cá. E não pense que eu não sei que você tá ficando com a Cindy, aquela vaca. – Falei brava e ele riu.
- Eu não sabia que você não gostava dela! – ele disse sorrindo irônico. Olhei para ele furiosa.
- Sabia sim, seu idiota! É por isso que você tá ficando com ela, não é?! Seu ridículo! – cruzei os braços e comecei a andar em direção à sorveteria.
- Eu não podia ficar quieto sofrendo enquanto você estava aqui com um monte de médicos, jogadores e advogados, ou seja, um monte de homens! – ele disse me seguindo.
Quando entramos na sorveteria, esbarrei com a última pessoa que eu gostaria de ver.
- . – Disse respirando fundo. Ele me olhou sorrindo e depois olhou para trás de mim e fechou um pouco a cara.
- ! – ele disse e depois saiu.
- Você é um imã de homens ou o quê? - Wesley comentou me tirando do transe.
- Cala a boca, Wesley! – falei indo me sentar.
Aquele era o dia da festa da irmandade das meninas sei lá do quê. Não me ligava muito naqueles nomes. Aquela festa sempre era dada antes das semanas de provas, já que eram as piores semanas do semestre. E era claro que eu ia levar três moças comigo, já que eles estavam tão atônitos porque iam a uma festa oficial e diretamente de Stanford.
- Vocês podem, por favor, parar de saltitar como meninas de quinze anos? - disse impaciente enquanto terminava de fazer a maquiagem.
- Não dá!
- Você já foi a um monte de festas aqui, a gente não! – respirei fundo e voltei minha atenção para a maquiagem.
Quando chegamos à irmandade, só faltou eles babarem.
- Divirtam-se, crianças! – falei acenando e saindo para procurar alguém que não fosse babar nas universitárias. Eu sabia realmente quem eu iria procurar.
- Philippe? - chamei um dos amigos do Cody. Ele se virou e sorriu pra mim. – Cadê o Cody?
- Ele tá lá dentro! – falou apontando para dentro da casa. Sorri e agradeci.
Enquanto procurava ele, vi Wesley conversar com uma menina e sorri.
- Ah quer saber, tá muito cedo pra procurar o Cody! – falei pra mim mesma. Fui na direção da cozinha, pelo menos eu achava que era a cozinha, e peguei um copo e enchi de cerveja.
Estava conversando com Keaton, e depois de quase uma hora e meia, nós fomos dar uma volta pela irmandade pra ele ver. É claro que eu nem me atrevi a ir para os quartos porque seria muita burrice fazer isso.
- Aqui é normal ver casais se pegando por todos os cantos, isso me lembra um pouco as festas do time da escola. – Comentei assim que entramos na cozinha e observei num dos cantos da cozinha um casal se pegando. Achei normal até ouvir a menina sussurrar um nome.
Parei no meio do caminho e, ao invés de voltar, fiquei observando-os. Keaton ao meu lado ficou sem entender nada, apenas acenei para ele ficar em silêncio. Andei em direção ao balcão e peguei um copo de cerveja para o Keaton. Se tinha uma coisa que festas de time me ensinaram foi que: a cerveja que estava na cozinha era a mais segura pra se tomar, porque ainda não tinha sido batizada com nada, como de costume quando estava “por ai” na festa. Peguei outro copo pra mim, comecei a tomar encostada no balcão com Keaton ao meu lado – ainda não entendendo nada – e observávamos a cena.
Limpei a garganta propositalmente fazendo um barulho razoavelmente alto e Keaton, ao meu lado, gelou e segurou meu braço.
- O que você tá fazendo? - ele estava com os olhos arregalados e quase rindo.
- Fica calmo, neném! – disse dando dois tapinhas no braço dele.
Assim que falei isso, me virei pra eles novamente e quando ambos se desgrudaram, vi aquela pessoa me olhar e ficar assustado.
- ... – ele disse se soltando da garota e se arrumando enquanto vinha na minha direção.
- Oi, Cody! – disse super simpática. – Não precisa me olhar com essa cara, querido! – falei arrumando a gola da camiseta dele e aproveitei pra chegar perto de seu ouvido. – Afinal, não temos nada, não é?! – sussurrei o mais sexy que consegui e senti-o arrepiar. Voltei a ficar de frente para ele e sorri. Quando me virei pra ir embora, ele me segurou.
- Espera ai! – ele quase suplicou. – Você não tá entendendo!
- Eu não to entendendo por quê? Eu nem pedi explicações! – eu falava tão calma e simpática que nem me reconhecia. – Mas eu só acho que não é legal você ficar bancando de namoradinho da na frente dos amigos dela, que nem você faz todos os dias, e agora fazer isso! – sorri ironicamente e ele estava ficando cada vez mais assustado, ao passo que Keaton atrás de mim segurava a risada. – Então eu to indo! Se cuida e usa camisinha, viu?! – gritei enquanto saía pela porta da cozinha.
- Espera ai, ! – ele disse gritando. Enquanto Keaton ao meu lado gargalhava.
- Você é foda! – ele disse me abraçando de lado.
- Você não vai querer perder a parte dois, não é?! Então observa. – Falei me soltando dele e indo em direção ao Drew. – Preciso de um favor!
- Faço qualquer coisa! – ele disse se virando pra mim.
- Preciso que me beije! – ri enquanto falava isso e a cara dele era de pura confusão.
- Menos isso! – ele disse. – Você sabe que eu não faria isso com o Wesley!
- Wesley! Cadê ele? - Drew apontou para o outro lado da piscina e o vi conversando com uma menina. – Valeu! – sai quase correndo na direção dele.
Assim que cheguei atrás dele, o cutuquei, mas ele não deu atenção.
- Wesley!
- Agora não, ! – ele disse meio bravo.
- É urgente! – quase implorei. Ele não mexeu um músculo. Olhei para o lado e vi Cody saindo de dentro da casa. Droga. – Por favor, Wesley! – supliquei e ele se virou. Finalmente.
- O quê?
- Preciso de um imenso favor! – olhei de novo e vi Cody indo em direção aos amigos dele.
- Que seria? - ele arqueou uma sobrancelha.
- Me beija. – Disse olhando nos olhos dele. Ele ficou meio pasmo, mas isso não demorou muito.
- Isso vai ser um prazer! – ele disse sorrindo daquele jeito galanteador e passando a mão pelo meu pescoço e tirando os cabelos que estavam ali. A outra mão ele colou na minha cintura e me puxou bem perto dele, quando nossos rostos estavam a centímetros de distância ele sussurrou: – Até que enfim! – e me beijou.
A única coisa que eu conseguia pensar era: como Wesley beijava bem!
Depois que nos separamos, olhei para trás dele e vi que a garota não estava mais lá, percebi que ele seguiu meu olhar e riu.
- Ela era chata mesmo! – ele disse dando de ombros enquanto suas mãos estavam em minha cintura e as minhas em seu pescoço.
- Sonho realizado? – perguntei rindo um pouco. – Isso meio que realizou o meu sonho também então...
- Não tenha dúvidas! E que mal lhe pergunte, quem você queria deixar puto pra você vir me procurar pra me beijar? – era impressionante como ele me conhecia e vise e versa.
- Cody Christian.
- Aquele idiota de hoje? – assenti com a cabeça. – Então eu fico mais do que feliz por isso! Podia até te beijar de novo!
- Você não precisa ficar nas hipóteses, Wes! – disse olhando nos olhos dele e ele sorriu abertamente. Olhou atrás de mim e quando acompanhei seu olhar, vi que Cody nos fuzilava com os olhos, sorri para ele e depois pisquei. Ele saiu andando (vulgo: quase marchando) de volta para casa e Wesley me puxou de novo para outro beijo.
Assim que voltamos para o apartamento, deixei Keaton com já que ele tinha mais habilidade pra cuidar de bêbados.
- Valeu, ! – disse o abraçando. Ele sorriu cansando segurando Keaton.
Estava na cozinha esquentando uma sobra de pizza que tinha na geladeira, apoiada com os braços no balcão e minha cabeça apoiada nas mãos. Estava quase dormindo quando um barulho na porta me acordou.
- Quem é o infeliz que bate na casa dos outros esse horário? – olhei pelo olho mágico e vi ninguém mais ninguém menos que com cara de assustado. Abri a porta e vi um sorriso escapar dos lábios dele. – O quê?
- Lembra daquela proposta que eu te fiz? Então agora seria uma hora perfeita pra você aceitá-la e me ajudar! - fiquei boquiaberta. Deixei-o entrar e ele soltou um suspiro.
- No que você se meteu agora, ? – sentei no sofá e ele me acompanhou sorrindo envergonhado.
- Então é que tem uma pessoa dando em cima de mim! – ele disse coçando a cabeça. O olhei arqueando uma sobrancelha e ele respirou. – Essa pessoa sabe onde é o meu apartamento. – Fechei os olhos e fiz um sinal de não com a cabeça.
- Você é um idiota! Fala pra menina que você vai se mudar, pediu pra ir pra outro apartamento, não sei, to com sono demais pra pensar agora.
- Então, é que não é uma menina, é um menino, e só Deus sabe como ele sabe tanta coisa sobre mim! – ele disse desesperado. Olhei para ele e comecei a gargalhar um pouco alto. – Fica quieta, ! – ele disse implorando.
- O que tá acontecendo? – Wesley e Drew apareceram na sala cada um com um pedaço de pizza.
- Wesley e Drew, esse é o menino mais idiota de Stanford, !
- Esse não é o cara que você tava beijando na festa? – apontou para Wesley, que sorriu concordando e eu também.
- O que ele tá fazendo aqui essa hora? – Drew perguntou.
- Pedindo ajuda aos universitários! – sorri convencida e eles ergueram as sobrancelhas.



Capítulo 7



Estava sentindo alguma coisa coçar meu nariz de manhã, logo supus que fosse um dos meninos querendo me acordar ou apenas implicar comigo. Crianças. Abri meus olhos devagar e assim que constatei o que era a tal coisa, quase gritei, quer dizer, eu gritei:
- WESLEY!! - vi um vulto levantando o tronco assustado. - Tira esse pé da minha cara! – disse, estapeando a perna dele.
- O que tá acontecendo? Cadê a barata? - um Drew com um chinelo na mão entrou no quarto. Fui obrigada a rir interiormente.
- Não é nada, Drew! Só esse ridículo que tava com o pé na minha cara. – Disse, me levantando e saindo de perto de Wesley.
- Que escândalo é esse? - apareceu na porta do quarto com cara de quem acordou naquele exato momento, ele nem conseguia abrir os olhos.
Vou explicar o que aconteceu depois que o querido apareceu na porta do meu apartamento de madrugada. Deixei que ele dormisse lá, só que como não queria acordar a , fiz com que e Drew dormissem nos sofás da sala, enquanto Wesley e eu dividíamos a cama, só que ele dormiu do lado contrário da cama, isso explica o porquê de o dedão do pé dele estar dentro do meu nariz. Eca.
- ? - ouvi alguém me chamar de longe. - Tá tudo bem? - assim que chegou mais perto e viu várias pessoas, automaticamente ela me olhou com um olhar meio assustado e matador.
- Tá tudo bem, sim! Só um exagero do pessoal aqui! – comentei, saindo do quarto e a puxando comigo para seu quarto. - É uma longa história!
- Resuma então, por que tem um monte de meninos aqui? - ela cruzou os braços, aguardando uma explicação. Após explicar bem por cima, me deixou cuidar das crianças.
- Saiam do quarto, eu preciso me trocar! – disse, entrando no meu local de descanso enquanto as moças faziam um chá das cinco.
- Eu não ligo de te ver trocar de roupa! - Wesley disse com uma cara de safado, o que fez os meninos rirem. Olhei diretamente nos olhos dele, desejando que ele sentisse toda a minha paciência não existente, e acredito que ele sentiu, porque alguns segundos depois, ele levantou e saiu do quarto, sendo seguido pelos outros dois.
- Até que enfim, donzela! - Drew disse quando apareci na cozinha. Mostrei o dedo do meio enquanto ia até a geladeira pegar um suco. Infelizmente lembrei que nem , nem eu abastecemos a geladeira há umas duas semanas.
- Vamos comer fora, aqui tá uma pobreza! – disse, fechando a porta da geladeira e indo pegar minha bolsa.
Assim que saímos, bati na porta do apartamento do . Não demorou muito pra ele atender com uma cara de ressaca.
- Tá tudo bem, cara? - se pronunciou, entrando no apartamento. - Seu irmão tá aqui, Wesley! - ouvi-o gritar. E isso acabou sendo um convite pra todo mundo entrar no apartamento.
Depois de meia hora fazendo as flores de maracujá (com isso me refiro a e Keaton) criarem coragem pra se arrumar, saímos de vez do prédio, mas certamente eu preferia ficar lá, participando do chá da Dona Marocas, do que ver o que eu vi quando olhei para o outro lado da rua.
- Puta merda! - sussurrou, começando a rir.
- O que esse ser quer de mim? – falei, olhando para os meninos e fingindo não ver Cody, parado na frente de seu carro, segurando uma rosa vermelha. Continuei olhando para frente, como se ninguém estivesse lá, e segui meu caminho até o restaurante.
- Talvez alguma outra garota more no mesmo prédio! - disse, gargalhando. Se eu não estivesse tão nervosa, com certeza estaria gargalhando com ele.
- Tomara! – disse, andando, praticamente me agarrando no Wesley. Mas isso não ia ficar assim.
- ! , espera! – ouvi-o gritar.
- Ou talvez a garota seja você mesmo! - Drew completou. No mesmo instante, senti alguém me segurar, me virei e olhei para aquele par de olhos verdes e quis morrer.
- Agora eu quero ver! - Keaton sussurrou, mas eu ouvi.
- O que você quer, Cody? – perguntei, me soltando dele.
- Quero pedir desculpas por ontem! – ele disse, estendendo a rosa para mim. Olhei para ela e depois para ele, então peguei a rosa e falei a primeira coisa que me veio à mente:
- Ok! Desculpas aceitas, agora me deixa! - me virei e puxei Wesley pela mão. Pelo canto dos olhos, consegui vê-lo olhando para trás e fazendo alguma coisa que provavelmente deixaria Cody muito, mas muito puto.
***

A semana de provas estava só começando, depois de fazer a segunda prova do dia, era hora do almoço. Enquanto fazia meu caminho de rotina até a saída do prédio de Direito, afim de encontrar , encontrei algo muito pior. Cody, encostado no carro, e dessa vez com um buquê de flores, e tinha a impressão que ele me viu, porque tirou os óculos escuros do rosto e sorriu. Instintivamente voltei para dentro do prédio, e felizmente esbarrei em .
- VOCÊ! - ele assustou. - , EU TE AMO! – abracei-o, que ainda não entendia lhufas do que acontecia. - O Cody tá ai fora, com a porra de um buquê de flores e eu não sei o que fazer! - despejei tudo tão rápido que ele demorou alguns segundos para assimilar tudo, rindo muito depois.
- Tem uma saída lateral, que fica sempre fechada, mas a porta sempre tá aberta! - ele disse, segurando minha mão e me guiando até a tal porta, que a propósito eu nunca tinha reparado, e que, como ele disse, estava fechada, porém não trancada.
Assim que saímos na lateral, atravessei uma rua que tinha lá e fui para o outro lado, dando a volta por fora. Olhei ao redor e vi Cody ainda na frente da faculdade, olhando para os lados provavelmente à minha procura. Ri fraco e olhou pra mim, curioso.
- CODY! - gritei e segurou meu braço. – Calma, neném! - disse a mesma coisa que disse a Keaton na festa. - CODY! - gritei novamente e o vi olhar para mim, bem longe dele. Sorri, acenei e continuei meu caminho.
- Caralho, hein, garota! - ele disse, gargalhando e olhando discretamente para Cody. Fiz a mesma coisa, e sua cara de indignação era totalmente visível, sorri novamente e não olhei mais para ele.

- Ele fez o que?! - Wesley perguntou, começando a rir. Era terça-feira, faltavam três semanas para o Natal, e uma e meia para acabar o primeiro semestre. Wesley estava voltando para Huntington Beach e estávamos esperando Drew arrumar as malas de princesa e pegar o carro.
- Eu não vou aguentar! – falei, rindo.
- É claro que vai! Você é , a caloura mais cobiçada de Stanford! - olhei para ele, assustada. - Sim, eu ouvi falarem isso. Tenho certeza que você vai mandar esse Cody Christian se foder, mais cedo ou mais tarde! - ele disse, chegando perto do meu rosto. - E você sabe que, qualquer coisa, eu estou sempre disponível pra vir te ajudar! – completou, me dando um selinho demorado, então coloquei minha mão em seu rosto e aprofundei o beijo.
Estávamos tão imersos naquela troca de sentimentos que levamos um susto quando ouvimos uma buzina na nossa orelha. Drew.
- Já disse adeus para sua amada então entra no carro, Wesley!
- Você ouviu, não é, Wesley? - sussurrei ainda com os rostos próximos.
- Prefiro muito mais meu nome saindo da sua boca do que da do otário no carro! - ele disse, sorrindo, e dei outro beijo nele, ouvi Drew bufar.
- Ela vai voltar pro Natal, Wesley! Não precisa chorar! - Keaton disse.
No momento que eles saíram do meu campo de visão, já consegui sentir saudades deles, mas nem isso eu podia sentir em paz, já que eu ouvi alguém limpar a garganta atrás de mim.
- Triste? - disse, sentando ao meu lado no banco.
- Não, só com saudades já! – ri fraco. – Isso parece idiota, mas é verdade, é como se eles fossem minha família. – Completei, olhando para ele, que sorria.
- Eu sei o que você sente, mas tenho certeza que existe uma pessoa que pode fazer esse sentimento diminuir. – Ele disse mais baixo, chegando perto de mim. – Cody Christian! – completou, gargalhando. Revirei os olhos, rindo fraco e dando um tapa no braço dele.
- Vá se foder, ! – o xinguei, me levantando e entrando no prédio.
***

Já era sexta-feira, última prova da semana e último dia de aula antes das semanas de festas. Na verdade, eu já tinha terminado a prova e estava conversando com e , planejando o que fazer depois do último jogo do ano.
- Acho que a gente devia ir num bar. – falou. - Tô precisando beber um pouco depois de quase duas semanas de prova!
- Eu tô dentro! Não aguento mais ficar com a cara enfiada nos livros!
- Não paro de pensar se fiquei com dp¹ em alguma matéria! Minha mãe vai comer meu fígado com palitinho! – disse, fazendo os três concordarem com a cabeça.
Enquanto estava arrumando minhas malas na expectativa de não ter pegado nenhuma dp, ouvi pedir para eu atender a porta.
- O que foi agora? – resmunguei, abrindo a porta para , que já era praticamente de casa.
- Hoje eu preciso da sua ajuda. – Ele disse, sentando no sofá, como se eu tivesse até dado permissão. Deixei-o sentado lá e fui para o meu quarto. – Hey! – gritou e ouvi seus passos me seguindo. Assim que entrou no cômodo, soltou um:
- Ah, você tá arrumando as malas.
- É, continua... o que você tava falando mesmo? - voltei minha atenção para as roupas.
- Hoje eu vou em uma festa, e eu vou precisar daquela sua ajuda antes que eu faça, você sabe...
- Alguma idiotice, comum de . – Completei sem nem pensar no que tinha falado.
- Ér... isso! – riu com o que eu tinha dito. Suspirei, pensando em qual outra roupa eu tinha que levar.
- Essa ou essa? - mostrei dois vestidos. ficou um pouco assustado, no entanto começou a analisar as roupas.
- O vermelho – disse, apontando para o que estava na minha mão direita. Assenti, dobrando e colocando na mala.
- A primeira coisa que você tem que fazer quando for falar com uma garota, no intuito de ficar, ou fazer sexo, e nunca mais vê-la é, - fiz uma pausa dramática propositalmente – não dê informações sobre sua vida pessoal, nada que ela possa te procurar, seja em redes sociais ou no campus.
- Como assim?
- Se ela perguntar seu nome, você tem duas opções, mentir ou falar a verdade. Se a garota for da universidade, minta, porque você não vai querer ela caçando um em todos os cursos e por toda a universidade. Já se ela for desconhecida, você pode falar a verdade, mas nunca dê informações do tipo: onde você estuda, qual curso, seu nome completo e dados bancários. – riu com o que eu disse. – É sério, , você tem cara de quem faz isso.
- Ei! Eu só não me ligo aos detalhes, eu não penso que elas vão atrás de mim, eu só quero curtir!
- Esse é o seu erro! A parte feminina inteira do campus deve achar você bonito, se você der mole pra essas garotas, elas vão criar expectativas, por exemplo, que você vai ligar pra elas; que você vai aparecer no outro dia com um buquê de flores, como se ela fosse única e especial, e nós sabemos que não é isso que vai acontecer! – ele estava boquiaberto.
- Você se inclui nessa parte feminina do campus que me acha um gato? – questionou, sorrindo maliciosamente.
- Não. Eu me incluo na parte masculina do campus, aquela que não te suporta! – sorri amigavelmente e comecei a fechar a mala, o ouvi rir.
- Escolhi a pessoa certa pra me ajudar então!
- Não tenha dúvidas! – falei baixo.
- Então hoje na festa...
- Se for da universidade, você vai mentir sobre quem é você. Fala qualquer nome que não seja o seu, minta o seu curso, fala que você cursa biologia. Se ela pedir seu número de celular, não passe, em hipótese alguma, o número verdadeiro, e se for o caso, inventa um na hora, porém, a coisa mais sensata a se fazer é falar pra ela passar o número, que você liga. Ai quando vocês se distanciarem, joga o papel fora, eu sei lá, queima. – Ele gargalhou enquanto eu dava de ombros.
- Então tá, mentir o nome, curso, número de telefone... mais alguma coisa?
- Hum, deixa eu pensar... Pra primeira lição, isso tá ótimo. É só seguir as dicas direitinho que vai ser sucesso!
- Muito obrigado, ! – ele disse sorrindo (e que sorriso lindo, não é?) e me dando um beijo estalado na bochecha. Logo depois se levantando e indo para a saída do apartamento. Eu estava imóvel e assustada com sua atitude.
- Eca. – Sussurrei, limpando onde ele havia beijado. A última pessoa de quem eu queria receber um beijo era , fala a verdade. - Só não me apareça aqui de madrugada, tá ouvindo? - comuniquei meio brava.
- Tudo bem! Isso não vai acontecer mais! – falou todo sorridente enquanto eu fechava a porta.
- Quero só ver mesmo! – falei mais para mim do que para ele.
Estava chegando no estádio, junto com , os outros já estavam lá.
- Finalmente! Vocês estavam se pegando? - comentou, rindo. Mostrei o dedo do meio para ele e me sentei.
- Vocês não tem imaginação, não? O Harry tava fazendo a minha unha! - Harry riu concordando.

- E CODY CHRISTIAN MARCA TOUCHDOWN! – o locutor gritava enquanto a torcida ia ao delírio.
- Ele pode ser um desgraçado, mas joga muito, ! – falava comigo enquanto eu aplaudia o feito.
- Você acha que eu não sei? – suspirei, me sentando.
- Eles estão marcando muito o ! – disse, indignado.
- Deve ser porque ele é o running back², não é, querido?! – afirmei meio irônica.
- Desde quando você entende de futebol? – comentou, sentando-se conosco.
- Fui obrigada a aprender... – respondi.
- Puta merda! – falou alto, chamando nossa atenção. Olhamos para o campo e vimos caído no chão, respirando fundo enquanto o resto do time o ajudava a levantar.
- Olha o placar! Falta um minuto pra acabar o jogo!
- Vai, , levanta... – sussurrei, desejando que ele levantasse. E então, ele levantou enquanto nós gritávamos o incentivando, tudo bem, ele não ouviria, mas o que valia era a intenção.
- ISSO, CARALHO! – gritava enquanto Cody posicionava a bola no chão e se preparava para chutar.
- Ô dona sabe-tudo, qual é o nome dessa jogada então? - perguntou.
- Field Goal! – falei, sorrindo e voltando a encarar correndo para chutar a bola.
Foi como se tudo tivesse parado e só ele correndo.
E quando a bola atravessou as traves amarelas atrás da linha final, tudo virou uma explosão de alegria. Todos gritando, cantando, comemorando e uns até chorando de emoção.
Mas a noite não ia acabar ai.
Vimos uma pessoa que estava no banco de reserva levar uma coisa para Cody, segundos depois pode-se ouvir a voz dele ecoando por todo o estádio.
- Gente! Gente! Eu queria falar com uma pessoa! – todos começaram a voltar sua atenção novamente para o campo. – ? ? Onde você tá?
- Era só o que me faltava! – falei me sentando e me encolhendo no banco, aterrorizada enquanto Cody me procurava no meio de uma multidão.
- AQUI! AQUI! – gritava, gargalhando. Logo depois me puxando e tentando me colocar em seus ombros.
- , NÃO! – mas isso não adiantou de nada, porque segundos depois, eu estava apoiada na metade do ombro de e outra metade de .
- Achei ela! – ele disse, rindo e apontando para mim. – ! Eu sei que você quer me matar agora, mas eu precisava fazer isso! – ele disse, sorrindo como se estivesse envergonhado.
Nesse momento, tudo o que eu conseguia pensar, era o que aconteceria se eu pulasse do ombro dos meninos. Quais partes do mu corpo eu corria risco de fraturar?
- Me desculpa, por aquele erro que eu cometi - Cody continuou falando-, e se você aceitar isso, eu prometo não cometê-lo de novo. – Mesmo à distância, olhar nos olhos do Cody trazia uma sensação... estranha. - Então, , você quer namorar comigo? - ele disse, mostrando um buquê de flores que estava escondendo atrás do corpo, com um sorriso que parecia que ia rasgar seu rosto. E foi nesse momento que os outros jogadores apareceram do lado dele, segurando também mais flores.
- Que porra é essa? - Foi tudo o que saiu da minha boca naquele instante.


¹dp – dp significa dependência, que é a mesma coisa que recuperação da matéria, no entanto você tem que fazer essa matéria ovamente durante um semestre inteiro.
²Running back – pessoa cuja missão é transportar a bola para a linha do gol, que lhe é passada através do quarterback.



Capítulo 8



- Tá bom! – disse, gargalhando, tirando com a minha cara. O encarei e mostrei o dedo do meio.
“Apavorada, muito apavorada. Era assim que eu estava quando Cody saiu do campo e começou a caminhar na minha direção na arquibancada, parando em minha frente e entregando o buquê. Ele sorria como nunca e esperava minha resposta.
- E então, , quer namorar comigo?
Eu não sabia o que fazer. Todos aguardavam a minha resposta. E quando digo todos, eram todos mesmo, os meninos, Cody, o time, Cody de novo, o estádio inteiro e... eu já mencionei o Cody?
- Tá bom! – disse a primeira coisa que passou por minha mente. – Quer dizer... SIM! – fingi animação. Modo atriz ativado.
Cody sorriu e me abraçou, o que acabou por mostrar a todos qual foi minha decisão. E o estádio entrou em loucura mais uma vez, já que ele era o queridinho de todos. Quem não babaria ovo dele?!”

- Você queria que eu fizesse o quê? - perguntei meio louca.
- Você diz pra todos em alto e bom som que não gosta dele, mas aceita namorar com ele do nada! – soltou.
- Eu não sou idiota de recusar um pedido na frente de tanta gente! – falei como se fosse óbvio. – Sabe quantas pessoas tinham lá? Quantas estavam filmando? Nem fodendo eu ia recusar e depois passar vergonha pelo campus!
- Pensando por esse lado. Você tem razão, ! – disse, sentando-se ao meu lado no capô do carro.
- Só vou esperar o time sair do vestiário pra conversar com ele! – falei decidida.
Estávamos na frente do estádio com toda aquela multidão, esperando a saída triunfal do time.
- Parabéns, ! – um grupo de meninas passou por nós me cumprimentando.
- Garota de sorte! – outra disse.
- Eu não mereço isso! – disse com raiva já.
- Eles estão saindo! – disse, rindo e apontando para a aglomeração. - E olha quem tá vindo pra cá! – olhei e vi sorrindo e abraçando todos que o parabenizavam. Não pensei, só agi. Pulei do capô e corri em sua direção.
- ! – gritei, chamando sua atenção, e quando percebeu, soltou sua mochila e me abraçou, melhor dizer, me segurou porque eu pulei no colo dele. – Nunca mais, tá me ouvindo? NUNCA MAIS me faça gritar como uma louca pra você levantar! Senão, da próxima, eu vou ter que descer até o campo e puxar você pelo cabelo e te arrastar até o meio do campo! Entendeu?! – começamos a rir.
- A agarração tá boa aí ou eu posso desejar parabéns pro meu amigo? - falou atrás de nós, e só por sua voz ele parecia entediado e brincando.
- Todo seu, ! – me soltei de e fiquei do lado dele.
- Jogou demais hoje, cara! – ele disse, fazendo uma espécie de toque e depois abraçando.
- Você é um desgraçado! – disse, bravo, caminhando em direção a ele. Todos assustamos. – Da próxima vez que você demorar mais de dez minutos pra levantar, eu vou ao campo e chuto sua bunda branca! – começou a rir e o abraçou.
- Não se preocupa, não, eu já dei o recado pra ele! Não é, ? – sorri amigavelmente e olhei para ele.
- Ô se deu! – ele disse com os olhos arregalados como se estivesse com medo. – E eu tenho mais medo dela do que de você, ! – ele gargalhou, sendo seguido pelos outros, me abraçando de lado.
- Jogou pra caralho hoje, ! – ouvimos uma voz atrás de nós e eu arregalei os olhos.
- Olha se não é o namorado da ! – fez questão falar bem alto. Olhei para ele com aquele olhar de quem vai matar alguém mais tarde. Virei-me e dei de cara com Cody.
“Esse homem vai me matar algum dia.” – pensei.
- Cody! – sorri abertamente para ele e o abracei.
- O amor é lindo mesmo! – disse e senti na sua voz que queria rir. Mataria todos eles depois.
- Valeu, cara, mas você marcou a maioria dos Touchdowns! – comentou sorrindo.
- Mas você marcou o ponto da vitória! – essa foi a minha vez de falar. Chega de babar ovo só do Cody.
- É, bro! – falou. De onde ele surgiu? Todos concordaram, assim como , com o que eu tinha dito.
- Onde você tava? - perguntou, tirando a dúvida de todos, menos do Cody, é claro, que estava de cara fechada. Minha vontade era de rir, claro. Mas fingi ser a namorada perfeita e me posicionei do seu lado, o abraçando, sendo abraçada em seguida.
- Tava ali com uma pessoa! – ele disse, coçando a cabeça em sinal de desconforto, só que em seguida ele se atreveu a olhar nos meus olhos e piscar. Na frente de todos. Ouvi Cody tossir, como se estivesse engasgado.
- , seu idiota. – Sussurrei para que apenas eu e meu interior ouvíssemos.
- Ah, parabéns pelo jogo, Cody! – ele disse quando ouviu Cody tossir. Olhei para ele e o vi sorrir em agradecimento. Cody olhou um pouco para baixo (quer dizer, para mim) e já pressenti que vinha bomba.
- Por que ele piscou pra você? - ele estava com cara de confuso e curioso.
Ah, porque ele me pediu umas dicas de como se esconder das garotas pra elas não encherem o saco dele!
Pensei em dizer isso enquanto o olhava, mas...
- É que ele tá gostando de uma garota e me pediu alguns conselhos de como puxar assunto com ela! Sabe como é, né, as mulheres se conhecem! – sorri. De onde saiu isso eu não sabia, mas foi per-fei-to.
- Ah, entendi! – ele sorriu. E que sorriso, fala a verdade. – E por falar em garota, o que acha da minha garota me dar um beijo, ainda não recebi nenhum pela vitória! – ele me virou de frente para ele e colocou as duas mãos no meu quadril.
- Com todo o prazer! – ok, confesso, dessa vez não precisei ser nem um pouco atriz, beijar o Cody não era nenhum esforço. Pousei minhas mãos em seu pescoço e nos aproximei.
- Namoradinhooos! – disse, nos interrompendo. – Vocês vão pra comemoração? - ele disse, apontando para todos do time que estavam entrando em seus respectivos carros e indo para algum lugar. Olhei para o gato mais gato que estava me segurando, assim como ele me olhou, nos encaramos por alguns segundos e afirmamos com a cabeça para o que iríamos.
- Vou pegar o carro, quem vai querer carona? - ele disse. E foi o suficiente para começar uma discussão. Cody se afastou e todos ficaram em silêncio quando fiquei de frente para eles, com aquele olhar mortal.
- Eu pensei que vocês fossem meus amigos, seus desgraçados! – todos riram, inclusive eu.
- E eu pensei que você fosse terminar com ele.
- Eu preciso fazer isso! Mas não consigo! – disse nervosa. – O único jeito... – comecei a pensar – é fazer ele terminar comigo! – sorri.
- Você tá com um sorriso de gênia do mal. – disse, me olhando com medo.
- Ótimo plano, querida! – sorriu comigo e fizemos um hi-5.
Ouvimos a buzina de um carro, era ele.
- Vocês calem a porcaria da boca, entendido?! – encarei todos enquanto caminhava até o conversível. e me seguiram.
- Conseguiram decidir finalmente depois daquela briga de menininhas! – Cody comentou assim que entramos no carro.
- Hey! Meninas brigam muito mais feio que homens, tá! – o encarei com uma sobrancelha levantada. Cody sorriu, olhando para frente e voltando a dirigir.
- Feminista! – ele disse rápido.
- Sim! – os dois que estavam no banco de trás concordaram juntos.
- Vocês perderam o amor por suas vidas?! – olhei para eles, que riram baixo.
- Esqueceu que ela é a substituta do Mike Tyson, ? - comentou como quem havia se lembrado de um fato importante.
- Meu Deus! Esqueci completamente! – ele gargalhou. Ri fraco.
- Não to entendendo nada! – Cody disse ao meu lado.
- Longa história! – fiz um movimento com a mão para que ele deixasse quieto esse assunto.
Assim que chegamos no lugar, Cody foi falar com uns contatos dele (de acordo com o próprio) para que assim todos entrássemos na boate.
- Tá dando bem certo esse seu plano, hein! – falou, sorrindo muito feliz e mostrando os dois polegares em sinal de positivo.
- Ele me chamou de minha garota! Eu quero morrer com isso! – bufei. – Mas ele vai terminar comigo, eu vou ser a pessoa mais insuportável da face da terra!
- Então seja você mesma! – disse, rindo. Sorri cinicamente e mostrei o dedo do meio.
- Voltei! E adivinha? Todos liberados, e o melhor, open bar! – Cody soltou as boas novas e foi o bastante para os meninos urrarem de felicidade.
- E o que a gente tá esperando pra entrar? - começou a andar em direção à entrada. Cody segurou minha mão e me guiou.
A festa estava cheia, bom, tirando que metade das pessoas eram do time e da faculdade. Escolhemos uma mesa.
- Quer beber alguma coisa? - ele perguntou, falando bem perto do meu ouvido. Assenti com a cabeça.
- Alguma coisa doce! – sorri. – Confio em você, pode escolher! – pisquei um olho e sorri. Ele estava saindo, mas antes o segurei. – Sua carteira tá ai? Eu queria colocar minha identidade nela, já que eu estou sem minha carteira e com medo de perder!
- Ta aqui! – me entregou. No exato momento, o chamou perguntando algo, então coloquei o documento e devolvi para ele, o puxando e dando um selinho demorado. Ele sorriu e se retirou.
- Belo plano! – disse, sentado no pufe que formava meia lua na mesa.
- Aguarde minhas novidades! – sorri com aquele sorriso que vilãs costumam fazer.
- Você tá de novo com essa cara? - questionou pasmo do meu lado, em pé.
- Oi, querido, sente-se. – Dei dois tapinhas no pufe e assim ele fez. - Tenho algo em mente!
- Mas você mal começou a namorar e já tá querendo o fim?
- Você já arrumou sua mala, ? – questionei, levantando uma sobrancelha. – Amanhã a gente vai cedo!
- Vocês vão aonde? - perguntou, nos olhando desconfiado. – Sabia que essa proximidade de vocês ia dar em alguma coisa!
- Ele vai pra minha casa, , e cala a boca!
- Meus pais me abandonaram esse fim de ano! Estão renovando seus votos de casamento num cruzeiro pela Europa! – ele disse, revirando os olhos. – Pelo menos alguém vai me abrigar.
- Que bonitinho, vai ser o penetra! – apertou as bochechas dele.
- A gente volta antes das aulas começarem! Não esquece que o show do Justin Timberlake é em janeiro! – ele disse animado, o que me fez sorrir, eu já tinha me esquecido!
- Já decorei o CD todo! – disse orgulhoso!
- Você também vai? - Franzi a testa.
- Mas é claro! Eu já tinha esse ingresso antes mesmo do !
- Em compensação, eu fui obrigado a comprar já que alguém subornou meninos para ganhar um desafio! – revirou os olhos, ri dele.
- Uns tem o ferrão, outros tem o mel! Eu tenho o mel! – sorri, piscando um olho e todos urraram.
- Aqui está! – Cody chegou segurando dois copos e me entregando um.
- Obrigada! – peguei e dei meu melhor sorriso pra ele.
- Sua sorte é que as doses de tequila aqui são caras, senão eu ia ganhar de você, e pegar meu título de volta! – ele falou alto para que todos ouvíssemos. Ri o olhando.
- Você já esqueceu do que acabou de falar? - ergui uma sobrancelha. – Aqui é open bar! Você tá com medo de perder! – sorri, rindo.
- Duvido muito! Mas o que você acha de dançar? - Apontou para a pista com a cabeça. Levantei-me, indo na frente.
- Eu sou muito boa dançando, viu, cuidado pra não babar! – falei, me aproximando dele.
- Não vou prometer nada! – ele disse meio sensual colocando suas mãos em minha cintura.
E que comecem os jogos!
De um lado para o outro, era assim que nossos corpos estavam dançando. Ele com uma mão na minha cintura e a outra solta e eu com as duas mãos soltas perto da cabeça, movimentando-as para um lado e para o outro. Cada vez me aproximando mais e mais.
- Não tá dando mais! – ele falou de forma implorativa. Sua mão apertou minha cintura e me puxou para seu corpo. Nossos rostos estavam a centímetros de distância, que foi quebrada por mim quando o beijei, em seguida segurando seu rosto.
Não sei se era o ambiente, a música, as luzes, a bebida ou nós mesmos, mas aquele beijo foi diferente, eu senti que havia algo a mais, ou estaria por vir.
- To sem ar! – falei, separando nossos rostos e segurando sua mão, o puxando de volta para a mesa. Nos sentamos e bebi o resto do drink. Cody me olhava de um jeito diferente, eu estava até me sentindo meio... envergonhada.
- Quer ir pra outro lugar? – perguntou, me encarando.
- Quero! – assenti também com a cabeça. Ele sorriu e me puxou pela mão. Passamos pela pista de dança e quando esbarrei em , não pude deixar de ser eu.
- Não se atrasa amanhã, ! – falei meio brava, mas pisquei no final. Recebi de volta um olhar e sorriso malicioso.
Entramos no carro de Cody e não falamos nada, apenas escutávamos as músicas que tocavam no rádio. Cantava uma ou outra que eu gostava, mas não em voz alta, não queria assustar o pobrezinho. Não agora!
Quando dei por mim, estávamos na frente da fraternidade dele.
- Vamos entrar! – ele sorriu, abrindo a porta do carro e saindo.
-Você tá doido? Tem um monte de gente ai! – falei, desesperada, saindo também do carro. E isso fez ele parar de abrir a porta da frente e se virar para mim, sorrindo sem mostrar os dentes.
- Todos são do time, ou seja, todos estão na festa que a gente acabou de sair, lembra? - olhei para baixo, rindo e pensando em como eu era uma anta.
- Lembro sim. – Em seguida, ele abriu a porta e deu espaço para que eu entrasse, no entanto foram coisas de segundo, eu mal consegui raciocinar quando Cody me empurrou para a porta com certa violência, mas não permitindo que eu batesse a cabeça na mesma porque colocou sua mão em minha nuca, e me beijou de surpresa. Um beijo voraz, rápido, com desejo e muitas intenções.
Eu falei que algo estava por vir!
Estava prestes a tirar seu casaco, só que fui interrompida por ele, que fez um não com a voz e agarrou minha coxa, a levantando. Entendi o recado, dando impulso, me joguei em seu colo, e enquanto ele ficava praticamente com as mãos na minha bunda, eu passava a minha, ou melhor, alisava minha mão por suas costas.
Cody começou a andar, certamente para seu quarto, e ao mesmo tempo intercalava seus beijos entre minha boca e meu pescoço, e eu, pobre garota sob os encantos dele, apenas gostava e queria cada vez mais daquela sensação.
Se controla.
Senti um baque estranho e olhei para trás, vendo a porta de seu quarto aberta, provavelmente por um chute que fora dado. Em questão de segundos, estava deitada em sua cama com ele em cima de mim. Então ele não queria roupas espalhadas pela casa. Depois de o encarar por um tempo, tirei seu casaco do time e em seguida a camisa que ele usava. Era a visão dos Deuses, não falaria que Cody não tinha um corpo bonito, bem bonito, senão estaria mentindo, e pela primeira vez o via de perto, e bota perto nisso!
Passei minhas mãos por seu tórax e sua barriga semi definida e senti que ele me olhava, então o fitei também, deixando que ele tirasse minha blusa. Sorte que eu coloquei um sutiã mais apresentável, imagina só que desanimador se eu estivesse com um bege de florzinhas!
Quando estávamos só de roupas íntimas, tentei me controlar o máximo para não surtar. Ele era realmente bom no que fazia, não sei como ele conseguiu se controlar por praticamente cinco meses estando comigo numa relação só de pegação - e de vez em quando ainda -, sem tentar me levar pra cama.
- Você tem camisinha, né?! – perguntei um pouco sem ar. Ele assentiu com a cabeça e se levantou rapidamente indo até sua carteira. Olhou numa repartição e fez uma cara de dúvida, olhou em outra e em outra, até revirar praticamente sua carteira inteira e fazer uma cara de pura indignação. – Que foi?
- Não tenho camisinha. – Falou meio constrangido.
- Nada? Nem no quarto? - ele fez um negativo com a cabeça. - Gavetas? Bolsas? Banheiro? - permaneceu fazendo o mesmo sinal. – Quarto dos outros meninos?
- Nós não invadimos o quarto dos outros! Regra da casa. – ele disse totalmente desapontado. – Mas a gente ainda pode fazer! – ele disse, sorrindo galanteador e se deitando em cima de mim, me beijando. - Eu só...
- Nem pense em terminar essa frase! – o cortei. – Sem camisinha eu não faço! Eu não tô afim de engravidar!
- Mas eu não ia deixar...
- Você não ia deixar aquilo lá, pra acontecer isso! Eu sei, mas quem garante? Não é você que ficaria gorda, barriguda e com um feto por nove meses. – Respirei fundo e me sentei. – Não vai rolar! – fechei os olhos, não querendo ver sua cara, ou melhor, sua reação.
- Tudo bem. – Ele disse meio bravo, respirando fundo. Levantei, colocando minhas roupas novamente, ele fez o mesmo. – Tá com fome? Quer comer alguma coisa? - o olhei fazendo um negativo com a cabeça.
- Só quero ir pro meu apartamento, você me leva? - olhei no fundo dos seus olhos e ele concordou com a cabeça.
- Você vai viajar amanhã? - assenti. – Posso te ver antes de você ir?
- Claro. – Disse simples enquanto saía da fraternidade.
Fui deixada na porta do meu apartamento, na porta mesmo, só que a de entrada do prédio. Subi até meu lar e fui impedida por uma voz masculina.
- Deixada na entrada do prédio? O que aconteceu com o cavalheirismo do querido e amado príncipe Cody Christian? - perguntou sarcástico.
- Quem sabe algum dia eu te conto! – sorri cínica e entrei pela porta.

- Você não fez isso! – me olhava abismado enquanto e não paravam de rir.
- Eu sou seu fã, ! – dizia, rindo e olhando pelo retrovisor interno para minha mão, já que eu segurava as camisinhas que roubei da carteira de Cody na noite anterior.
- Isso não se faz de jeito nenhum! – falou, praticamente gritando.
- Ai, não me venha com todo aquele blá blá blá de que homens não conseguem ficar sem fazer sexo, eu já sei! Vocês são todos uns tarados no cio.
- Você não pode simplesmente se recusar a fazer depois de tirar toda a roupa!
- Claro que posso! Não é você que engravida, então, querido, sem útero, sem opinar!
- É por isso que ele tava puto de manhã quando foi se despedir de você! – falou como se agora aquela atitude fizesse sentido.
- Como é que você fez isso? - perguntou curioso.
- Ontem quando eu pedi a carteira dele pra colocar minha identidade, o nosso amado apareceu pra falar alguma coisa com ele, então foi o momento perfeito, a tacada de mestre! Peguei e escondi no bolso do meu short! – sorri abertamente.
- Eu não gostaria de não ser seu amigo! – ele disse com medo.
- Quero ver quanto tempo ele vai aguentar, ficar num relacionamento sem sexo! Vocês homens são ridículos mesmo! – falei, guardando os preservativos na minha mochila.
- Você não vai fazer? E pretende arrumar uma desculpa ou roubar as camisinhas dele toda vez que pintar um clima? - perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Desculpa é o que mais existe nesse mundo! E vocês, mais do que ninguém, já viram de perto meu dom artístico teatral!
- Chegamos! – se pronunciou quando estacionou na frente do aeroporto, olhei pela janela e vi o enorme letreiro no vidro, escrito: San Francisco International. – A gente não pode ficar estacionado aqui por muito tempo, então, adeus aos dois e boa viagem! – ele disse, sorrindo.
Desci do carro junto com e e peguei minha mala no porta-malas. Esperei pegar a dele também. Então fui até a janela do motorista e dei um beijo na bochecha dele, o agradecendo pela carona. Em seguida abracei por alguns minutos enquanto ele ria.
- Se cuida, , não vá matar ninguém! – ele dizia.
- O vai estar comigo, ele não deixa, esse menino é muito certinho! – fiz uma cara de nojo, mas sorri ao final.
- Eu to ouvindo! – ele disse do meu lado. – E vamos logo! – disse, fazendo um toque com e pegando sua mala.
- LAX, AI VAMOS NÓS! – gritei, entrando no aeroporto.
Depois de fazer todo o procedimento padrão até entrarmos na sala de embarque, finalmente entramos no avião e nos sentamos em nossos lugares.
- Pack your bags, baby. We have to go back, let's go! (Faça as suas malas, baby. Temos de voltar, vamos lá!) – cantei baixo para que apenas ouvisse. O que o fez rir e olhar também pela janela quando o avião se estabilizou.
- Huntington Beach, estamos chegando! – ele disse animado.



Capítulo 9



- Achei que você tinha me esquecido! – falei meio brava, mas ri no final.
- Você acha que eu, Drew Chadwick, esqueceria minha melhor amiga? - falou tirando a mala da minha mão e levou-a.
- Acho.
- Pois é, eu quase esqueci mesmo! – ele disse fazendo uma cara afetada. – Por sorte, seu futuro marido me lembrou a tempo! – piscou um olho e sorriu e com seu braço livre me abraçou de lado.
- não traz boas notícias de Stanford para o Wesley... – falou baixo atrás de nós quase rindo.
- Eu disse pra você calar a boca, !
Por sorte ou azar, não sei, assim que mandei ficar quieto, nós chegamos no desembarque fora do aeroporto de Los Angeles. Wesley parecia impaciente fora do carro me esperando, quer dizer, nos esperando.
- Até que enfim, hein! – ele disse parecendo aliviado. – Aquele guarda já ‘tava vindo aqui pra me expulsar! Tenho certeza que você demorou porque teve que tirar aquela maldita foto na escultura do LAX, não é?!
- Oi, Wesley, tudo bem com você? Eu ‘tô bem também, obrigada por perguntar, ah, o voo? Foi ótimo! – ironizei colocando minha mala no porta malas e indo em direção ao banco do passageiro. – E a propósito, eu tirei a foto sim! Eu tirei beijando o co-piloto do avião, um gato, você não faz ideia.
- Você mal chegou e já ‘tá roubando meu lugar? - Drew disse desacreditado.
- É querido, você sabe que eu sempre fui dona desse assento.
- PERAI! – Wesley gritou vindo na minha direção, em questão de segundos ele segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou. Não fiz nada além de corresponder.
- Uuuh – ouvi falar bem baixo. Entrei no carro e tentei não pensar em Cody.
Assim que cheguei em casa, Wesley, que dirigia, começou a buzinar desesperadamente. Vi minha mãe saindo de dentro de casa assim como meu pai e meus irmãos.
- Que família grande, hein! – comentou.
- Pois é! – disse sorrindo e olhando para eles, seus rostos mostravam felicidade, assim como o meu, provavelmente.
Saí do carro praticamente correndo e abracei meus pais. Minha mãe só faltou me sufocar de tanta saudade, enquanto meu pai perguntava quem era aquele menino saindo do carro.
- Não é meu namorado, pai, pode ficar tranquilo – disse o acalmando.
- Melhor que não seja mesmo, não consigo nem me acostumar com o Wesley! – disse olhando para ele, que sorriu com medo e deu uma acenada discreta.
- E aí cara, fiquei sabendo que você é o namorado da , bem-vindo a família! Ah, e a propósito, eu sou o Fred e esse é o Jorge.
- Só que antes de entrar de vez na família, você vai ter que passar pelo nosso ritual de entrada na família!
- Pelo amor de Deus, calem a boca, vocês dois! – disse puxando do meio dos meus irmãos (gêmeos para falar a verdade).
- A gente ‘tá só zoando !
- É, fica de boa! – todos riram.
- Mas eu quero saber a real, conseguiu conquistar o coração de pedra da pirralha, Wesley? - um deles perguntou fazendo cara de afetado e os dois me abraçaram ao mesmo tempo. Fechei a cara para não rir.
- Ah, ainda ‘tô na mesma! – disse envergonhado olhando para o meu pai.
- Agora , conta a verdade pro público, já que você estuda com ela.
- Um menino pediu pra namorar com ela na frente de um estádio inteiro! – arregalei os olhos.
- ESSA É A MINHA PIRRALHA! – Fred gritou.
- CODY!? – Wesley praticamente gritou.
- Cody Christian!? – Jorge exclamou.
- Você conhece!? - perguntei estupefata.
- Mas é óbvio! A gente acompanha todos os possíveis selecionados pra NFL¹! – Fred se pronunciou.
- Minha irmã, - fingiu choro – namorada do futuro quarterback de um time da NFL! Vou chorar!
- Eu vou entrar. – Me virei e entrei em casa. – VEM ! – ele levou um pequeno susto e me seguiu.
- Seus irmãos são bem...
- Idiotas, eu sei!
- NÃO! Eu ia falar engraçados.
- São dois idiotas que estudam em Harvard.
- Woa! – revirei os olhos.
- Você vai ficar no quarto deles, já que gostou tanto! – disse abrindo a porta e quase chutando ele pra dentro do cômodo.
- Sentiu saudades? - Fred me esperava sentado na minha cama.
- Você sabe que não. Mas não custa relembrar! – sorri ironicamente.
- Você realmente tem um coração de pedra! – Jorge apareceu atrás da porta do quarto.
- Vocês vão me deixar em paz quando?
- Quando você colocar a gente na linha com seu namorado! – os olhei tentando ver onde estava a piada, mas eles estavam com sorrisos meio sacanas.
- Não creio. – Bufei revirando os olhos e pegando meu celular, busquei o contato de Cody e liguei.
- ! A que devo a honra da sua ligação?! – a voz grossa dele ecoou e suspeitei que tinha acabado de acordar.
- Ainda dormindo, Christian? - o ouvi rir em confirmação.
- Como ‘tá aí em Huntington?
- É sobre isso mesmo que eu quero falar! – olhei para os gêmeos na minha frente que sorriam.
- Aquele cara que gosta de você não tá aí, né?!
- Wesley?! Ele mora aqui! – o ouvi bufar. Ciúmes. – Mas não é sobre ele que eu quero falar!
- Sou todo ouvidos!
- Eu tenho dois idiotas, quer dizer irmãos! E parece que lá em Harvard você é bem famoso! Eles querem falar com você! – passei o celular para eles, que seguraram o telefone no meio dos dois, sem colocar no viva voz.
- Cody! Aqui é o Fred
- E o Jorge ! Lembra de nós?
- É, desde aquele dia a gente não se fala!
- Que dia? - perguntei arregalando os olhos. Mas o que recebi foi apenas um “cala a boca” em conjunto.
Depois de alguns minutos ouvindo e não entendendo lhufas da conversa do trio, meu celular foi devolvido.
- ?
- Hum.
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ É IRMÃ DO FRED E DO JORGE! – ele dizia animado e feliz.
- Nem eu.
- Eles são demais! Eu falei que depois você ia passar meu número pra eles...
- Tá bom, a gente conversa depois! – o interrompi e desliguei a chamada, comecei então a desfazer as malas.
- Falando com o namoradinho? - ouvi uma voz na porta.
- Não me olha desse jeito! Eu não tive outra opção a não sei aceitar! – me defendi.
- Tudo bem, mas você não deveria ter me beijado hoje, então! – Wesley falou meio nervoso. Apesar de ser todo galanteador, Wes ainda sim era uma pessoa que não gostava das coisas erradas.
- Me desculpa, tá! A culpa não é minha que eu não seja apaixonada pelo menino que me pediu em namoro na frente de um estádio lotado, mas sinta alguma coisa pelo mesmo menino desde o colegial! – parei de encará-lo e voltei minha atenção ao guarda-roupas.
- Pelo amor! – ele disse parecendo nervoso. Mas segundos depois, como se estivesse correndo, atravessou o quarto até chegar no guarda-roupas, fechou a porta dele e me abraçou. Fiquei estática. Ele se separou e olhou no fundo dos meus olhos.
- Posso beijar você? - arregalei os olhos.
- Mas que pergunta é essa, menino?! Você já foi melhor em relação à...
Parei de falar instantaneamente quando ele me impediu porque me beijou. Passei meus braços por seu pescoço e ele colocou os dele em minha cintura.
Ao passo que ficávamos sem ar, o beijo ficava melhor. No exato momento em que nos separamos para respirar, Wes me empurrou para o guarda roupa, batendo minhas costas nele.
- Wesley! – reclamei.
- Shhh – ele disse e voltou a me beijar.
Nada além do beijo iria acontecer, eu sabia, mesmo porque estávamos no meu quarto e minha família inteira estava em casa. Ainda mais porque ouvimos Drew gritar do andar de baixo.
- Caralho! – me soltei do Wesley – minha boca tá muito vermelha? - ele perguntou. Assenti com a cabeça enquanto me recompunha.
- Eu odeio você! – disse rindo enquanto terminava de jogar minhas roupas no armário.
- Eu sei! – ele disse me puxando pela cintura e me dando um selinho. Em seguida saiu do quarto.
Agora, imagine a cena: nove pessoas numa mesma mesa almoçando. Nove, pelo simples fato de Keaton aparecer bem na hora da comida.
- Você é um morto de fome mesmo, hein! – falei enquanto bagunçava seu cabelo.
- Eu sinto o cheiro da comida do seu pai de longe!
- PAI! Seu fã tá aqui! – Fred gritou.
- Cala a boca, Jorge!
- Eu sou o Fred!
- Foi o que eu disse! – ele fez uma cara de confuso, se virou e saiu.
Enfim, a mesa estava pequena pra tanta gente.
- Assim que eu gosto, a casa cheia! Quando vocês estão na faculdade, eu fico tão triste, a casa fica tão vazia!
- Eu sei mãe, mas... pensa comigo: você vai ter três advogados na família!
- Todo mundo faz direito?! – quase engasgou. Olhei para ele assustada e dei três tapinhas em suas costas.
- Vamos ter três advogados e nem um médico! – meu pai resmungou.
- De médico já basta você! – rebati. olhou pra mim sorrindo estranho. – Que foi? - franzi a testa.
- Tá falando isso por causa do ?
- ? - Drew perguntou enquanto colocava mais uma garfada na boca.
- Esse é seu namorado?
- NÃO! Esse é um menino que me atormenta... e faz medicina.
- Quando eu vou conhecer seu namorado?
- Um dia, quem sabe, mãe.
- Ah, mas ele é maravilhoso mãe! Um arraso! – Jorge falou fingindo animação.
- E a sua namorada Jorge?
- QUE NAMORADA?! – minha mãe praticamente gritou.
Olhei para ele e sussurrei: “vingança realizada com sucesso”. começou a rir observando toda aquela cena.

- Eu gostei muito da sua família! – ele disse enquanto estávamos sentados na orla observando o pôr do sol.
- Você se acostuma.
- Vocês são tão unidos e em grande quantidade! Eu sou filho único de pais que na frente dos outros são um casal perfeito, mas estão quase pra se divorciar. Não sei como é isso! – ele me olhou de uma maneira diferente.
- Não se preocupa, você ganhou seis irmãos agora! – sorri o abraçando de lado enquanto o sol se deitava e a noite acordava.

- O que se usa pra ir num luau? - questionou entrando no meu quarto mostrando algumas roupas.
- Você tá até parecendo seu amigo – bufei. – Você usa uma roupa florida, tipo essa que tá na sua mão esquerda.
- Eu não tenho culpa se em Las Vegas eu só vou em cassinos! – disse se gabando e saindo.
- Eu não te perguntei nada, só pra constar!
A saudade que senti daquele lugar não era expressada em palavras. Rever todos e abraçar todos foi uma das melhores coisas que aconteceu. Aquele era nosso espaço, sempre foi. Mas aí, cada um seguiu seu caminho e nosso refúgio ficou abandonado. Só não tão abandonado, porque o trio parada dura não deixou.
- Fiquei sabendo que vocês deram algumas festas aqui! – olhei ao redor vendo a decoração.
- Pois é, mas posso te garantir que não teve nenhuma orgia aqui!
- Você é nojento Andrew! – o olhei com cara de nojo.
- É só Drew!
- Que lugar é esse?! – falou olhando ao redor, encantado.
- Meus irmãos com os amigos acharam isso aqui abandonado, e aí mobilizaram todo mundo e a gente reformou. Cada um fez sua parte, e isso aqui é o resultado!
Aquele terreno que tinha o nome de “Refúgio”, tinha uma casa pequena, mas com cômodos o suficiente para se fazer uma festa, tinha um campo de grama e um espaço não muito grande de areia, já que ficava perto da praia, e a melhor parte, a nascente de um riacho, água cristalina e gelada.
- Eu quero começar esse luau dando as boas vindas de novo para os irmãos , que nos abandonaram mais um semestre, e principalmente para , primeiro semestre fora, estávamos morrendo de saudades das suas festas organizadas! – Phill disse para que todos prestássemos atenção e assim todos aplaudiram.
- Quero dar boas-vindas também ao amigo dela, Bill! Quer dizer, ! Seja bem-vindo e desculpa o erro! E olha, não é sempre não, só hoje porque é o primeiro dia! – todos riram.
- E que comece a festa! – Wesley gritou interrompendo Phill, o fazendo olhá-lo com cara de bravo.
- Você ainda não se acostumou com o Wes? - falei arqueando a sobrancelha.
- Eu acho que ele não aceitou ainda que eu fui seu primeiro namorado, e o único que você jamais esquecerá! – ele sorriu. Phill não era forte, não era do time de basebol ou futebol, mas tinha algo dele, cabelos pretos e meio enrolados, grandes por sinal, barba por fazer, ele tinha um jeito meio hippie de ser, mas era uma pessoa maravilhosa, ainda mais quando sorria.
- Nossa, eu nunca vou te esquecer! – falei fingindo choro.
- Sabe, eu to com uma vontade de cantar, por que você não me acompanha? - me desafiou.
- Porque não estamos no The Voice!
- Eu ‘tava morrendo de saudades de você, pirralha!
- Vocês estão tendo um momento ex casal feliz? - Keaton nada discreto falou.
- É Keaton, por que você não aproveita e vai lá rever as suas, opa, você não tem nenhuma! – apertei as bochechas dele - isso mesmo, meu neném!
- Saí de perto de mim, sua grossa! – ele disse se afastando. Ri olhando ele sair.
- Desse jeito eu não vou te apresentar minhas amiguinhas!
- Apresenta algumas pra mim, então! – Phill falou.
- Pra você não! Senão eu vou ficar com ciúmes! - sorri para ele, que me abraçou.
Depois de quase trinta dias em casa, passados Natal e Ano Novo, estávamos com as malas prontas para voltar para Stanford. Infelizmente.
- Se cuidem! Vocês estão me ouvindo? - minha mãe dizia pela décima vez.
- Sim, mãe! Logo, logo as férias mais longas estarão ai! – disse abraçando ela.
- Muito obrigada por tudo senhora ! Foi muito bom passar um tempo aqui!
- Já disse que pode me chamar pelo meu nome ! E foi um prazer receber você aqui! Volte mais vezes!
- Volte mesmo, ! Mas, se eu descobrir que você tem alguma coisa com a minha filha, eu mato você! – meu pai disse, fazendo arregalar os olhos. Ri internamente.
- Vamos, ! Tchau gente, amo vocês!
- Não posso dizer o mesmo de você! – Fred disse. Mostrei o dedo do meio pra ele, que riu, me abraçou e deu um beijo na minha testa.
- Fala pro seu namorado que logo menos estaremos lá! – Jorge disse.
- Vou pensar no caso de vocês!
Wesley e Drew nos levaram novamente até o aeroporto.
- Eu vou tentar não surtar lembrando que você namora o Cody agora! – Wesley disse sorrindo.
- Eu vou tentar não surtar lembrando que aquela vaca ‘tá te paquerando!
Depois da despedida, fizemos nosso check-in e fomos para a sala de espera.
- Por que mesmo a gente ‘tá voltando pra Stanford? Era muito mais fácil pegar um avião direto pra Las Vegas!
- Seus amigos queridos vão junto, se esqueceu?
- Não! Infelizmente, não!
Depois das horas de voo, tomamos um táxi até a faculdade e chegando lá, advinha quem estava sentado na praça na frente do meu apartamento? Isso mesmo! Cody Christian!
- Você falou pra ele que eu chegava hoje? - olhei com um olhar mortal para o , que assustou e falou rapidamente:
- Não! Vai ver foram os seus irmãos!
- Aqueles demônios! – sai do carro e fui pegar minhas malas, sentia o olhar dele sobre mim, mas me mantive calma. Assim que coloquei-as no chão, uma mão pousou-se em cima da minha e assustei.
- Eu levo pra você! – ele disse sorrindo. Apenas concordei sorrindo. Coloquei minha mochila nas costas e olhei pro pedindo socorro.
Assim que entramos no meu apartamento, pedi que ele deixasse a mala em qualquer lugar.
- Seus irmãos me avisaram que você ia chegar hoje!
- Suspeitei que eles tivessem falado!
- Por quê? Você não gostou? - fiquei sem saber o que falar. Por sorte, meu lado mentiroso é mais forte na presença dele.
- É claro que gostei! É que eu queria ter feito uma surpresa pra você! – ufa, pensei comigo assim que ele sorriu e caminhou na minha direção.
- Você é demais! – depois disso ele me beijou. Se tinha uma coisa que eu senti falta, foi do beijo. – Quer sair comigo hoje à noite?
- Onde você vai me levar? - sorri curiosa.
- Surpresa!
- E como eu vou saber como me vestir então?!
- Você é linda de qualquer jeito! – meu Deus, eu não posso cair na lábia dele, por favor, não! – Passo aqui às oito horas!
Depois dessa conversa, desfiz minha mala, tirando algumas roupas e acrescentando outras, já que amanhã eu viajaria para Las Vegas. Finalmente, show do Justin Timberlake! Quando deram sete horas, comecei a me arrumar. Pensei em mil lugares onde ele poderia me levar, mas acabei optando por usar o clássico. Vestido. Era um vestido azul escuro que tinha um degrade bem no final. Escutei a campainha, peguei minha bolsa e abri a porta, dando de cara com... .
- O que foi agora? Eu mal acabei de chegar!
- Mas já vai sair! Ah, é verdade, você tem um namorado!
- Inveja? Porque eu tenho e você não?!
- Nem um pouco! Eu só vim trazer um recado do ! Ele disse que amanhã vocês vão sair às nove horas da manhã! E a propósito... você ‘tá muito bonita!
- Pois é, , mas é comigo que ela vai sair! – Cody disse enquanto andava pelo corredor vindo em nossa direção.
- É uma pena que ela nunca tenha saído com um homem de verdade, então! – vi Cody fechar as mãos e já me precipitei.
- Tá bom, tá bom! – entrei no meio dos dois e fiquei de frente para , coloquei minhas mãos em seu tórax e comecei a empurrá-lo bem levemente, para seu apartamento. – Obrigada pela informação e... pelo elogio também, ! Boa noite! – assim que terminei ele estava em seu apartamento, então só fechou a porta.
Olhei para o Cody, que apenas respirava fundo, olhando para dentro do meu apartamento.
- Vocês dois são impossíveis! – disse trancando a porta do apartamento e olhando para Cody.
- Eu sei! Desculpa! Você está linda! – disse sorrindo e passando uma de suas mãos por meu braço.
- Obrigada! – dei a mão pra ele e então saímos do prédio. Não sei porque fiz isso, mas senti que deveria defender Cody, ao invés de , não só porque ele é meu namorado, mas porque não merecia mais ser defendido por mim, na verdade, nunca mereceu.
Assim que chegamos no tal lugar, que na verdade dei graças a mim porque fui de vestido, já que era um restaurante na beira da praia.
- Meu Deus, aqui deve ser o olho da cara.
- O que? - Cody disse olhando para mim.
- Eu disse que você é uma peça rara. – O que? Nem eu sei mais o que to falando.
- Por que você diz isso? - perguntou rindo.
- Fazer um pedido de namoro na frente do estádio lotado, me trazer em um restaurante desse porte... Tá querendo me conquistar?
- Na verdade... ‘tô sim! Você é a pessoa mais difícil de se entregar que eu já vi! Não no sentido sexual, na verdade nisso também, mas, se eu fizesse o que fiz pra qualquer outra menina, elas estariam grudadas em mim completamente. Deve ser por isso que eu quis você. Diferentona.
- Agradeço pelo... elogio! – ri enquanto saíamos do carro.
- Vamos, a reserva não dura pra sempre! – ele disse pegando minha mão. Fiz uma careta interna. É o que falta agora, andar de mãos dadas.
- Meus Deus do céu! Que restaurante maravilhoso! – disse olhando ao redor. Ele tinha uma decoração que lembrava o mar. Ao olhar para o teto, você via o céu, em uma pintura, é claro. Fomos guiados até a nossa mesa, que ficava no deck. – Você tem certeza que é aqui? Só tem uma mesa!
- É aqui mesmo, senhorita! – o maître² disse.
- Não se preocupa! Meu tio é dono do restaurante! – Cody disse rindo envergonhado.
- Ah, explicado agora!
Depois de pedir os pratos, começamos a conversar, e pela primeira vez conseguir um pouco do Cody de verdade, não aquele com os amigos, o que quer impressionar todos, mas sim aquele que ama jogar futebol e sonha em ser alguém da vida.
Meia noite e eu mal sabia meu nome, afinal, quem não fica no mesmo estado depois de tomar várias bebidas enquanto se entretêm em uma boa conversa?
- Quero só ver se eu vou acordar amanhã.
- Você quis dizer, hoje?
- Pra mim só vai ser hoje depois que eu dormir, enquanto isso ainda é amanhã!
- Você vai fazer o que amanhã?
- Vou viajar!
- De novo?
- É! Depois de amanhã, no caso amanhã... você entendeu né?! Enfim, show do Justin.
- Bieber? - ele fez uma cara de desgosto.
- Timberlake! – ele arqueou uma sobrancelha e depois fez uma cara de quem havia se lembrado de algo.
- É finalmente o show daquela aposta ridícula que você fez na lanchonete? - sorri lembrando. 30 meninos em uma noite.
- Exatamente!
- Vai ser aonde? Para você sair amanhã, quer dizer hoje, às nove?
- Las Vegas! – fiz uma cara de esnobe.
- Quem vai?
- Nossa, mãe! Quais informações você quer saber? Nem minha mãe real fez tanta pergunta assim.
- Ele vai? - no mesmo instante já sabia de quem ele falava.
- Não! – ele deu um sorriso de alívio. - Não que eu saiba pelo, menos! – sua cara fechou. – Fica sossegado! O que eu mais tenho é repúdio por .
- Minha garota! – ele disse me abraçando enquanto saíamos do restaurante. – Mas então, o que acha de...
- O que? - olhei para ele curiosa.
- Você lembra né, aquele dia da festa, você foi lá pra fraternidade e a coisa começou a esquentar... você não acha que seria um bom momento pra terminar o que começamos? - arregalei os olhos.
- O-oi? É... Então, acho que hoje não vai dar! Sabe o que é... eu ‘tô naqueles dias. – Olhei para a cara dele e mais parecia um ponto de interrogação. - Dias vermelhos, o mar vermelho, MENSTRUAÇÃO! – falei logo de uma vez.
- Eu já entendi!!
- Não é legal, nem agradável fazer essas coisas, quando a mulher está nesses dias horripilantes. Desculpa. De novo.
- Não... quer dizer, tudo bem, eu acho... fazer o que não é? Vamos, vou te deixar em casa!

- dois, Cody zero! – disse rindo e fazendo um hi-five comigo.
- Eu sou seu fã! Já disse isso? - falou.
- Já! Até eu lembro! – disse. – E eu já disse que isso não se faz!
- Me poupem vocês! A gente tava vestido dessa vez. E eu falei a verdade! Quer ver?
- Eu hein! Que nojo! – fez cara de nojo.
- É só sangue! – falei revirando os olhos. – Vai dizer que você não sangra também?
- Não pelo mesmo lugar que você, muito menos todo o mês! Eca!
- Tudo bem nojento, dá pra alguém me ajudar a fechar essa mala agora? - estávamos todos no meu apartamento, para ser mais específica, no meu quarto, advinha quem não conseguiu acordar cedo pra arrumar a mala? Exato. Eles tiveram que batucar na minha porta por dez minutos, ligar no meu celular, pedir pra ligarem no telefone do apartamento, tudo só pra me acordar.
- Por que você tá levando tanta roupa assim?
- Porque não tem roupa só minha! Tem roupa do e do aqui também! Olha o que eu sou obrigada a passar!
- Não reclama, não! To deixando você ir pra minha residência!! – falou.
- Você estava na dela até dois dias atrás, lembra?
- Não sou obrigado a nada! - ele disse fazendo uma pose bem gay e saindo do cômodo.
Assim que trancamos tudo e colocamos todas as malas dentro do carro, estava lá conosco, só observando.
- Não deixa o panaca do dirigir, não, hein! Ele vai bater o carro!
- Se toca, ! Aqui é piloto profissional!
- Sei, sei...
- Vamos meu povo? Eu quero dormir!
- Você tá pronta ? - perguntou.
- Para o que exatamente?
- Para ficar oito horas com a gente, na estrada! – falou!
- Que meus nervos me ajudem! – disse entrando no carro. No mesmo instante olhei pela janela e vi Cody olhando para nós, de longe, e quando nossos olhares se cruzaram ele sorriu de lado e acenou. Sorri abertamente e fiz o mesmo. E assim nós partimos.
Ele estava triste.
Com o quê eu não sabia. Seria por que eu ‘tava indo viajar de novo? Por que ele não estava junto? Por que eu não dava tanta atenção pra ele? Eram tantas possibilidades que eu nem sabia.
- O que acontece em Vegas, fica em Vegas, todos de acordo? - falou como se fosse uma galã.
- Quem sabe a gente não deixa você em um daqueles shows de Drag Queen e você não fica por lá? - disse e todos rimos concordando.
- Vocês são tão engraçados! – ele disse ironicamente. Abracei ele de lado e deitei no seu ombro. – A outra aqui já vai babar em mim! Para o carro, eu quero descer!
- Cala a boca! Você foi o escolhido para ser meu travesseiro!
- Na volta eu dirijo!
E assim nós fomos, rumo a Las Vegas, rumo ao maravilhoso Justin Timberlake.

¹NFL: National Football League, ou traduzido para o português, Liga Nacional de Futebol (Americano no caso). É a maior liga de futebol americano do mundo, conta com trinta e dois times nos Estados Unidos. É considerada a maior liga de esportes na América do Norte e uma das maiores do mundo.
²Maître: Palavra de origem francesa que originalmente significa "Mestre". Em português é o nome dado ao responsável por agendar os clientes em restaurantes, coordenar quem vai servir qual mesa e ainda lidar com as reclamações dos clientes.


Capítulo 10


Quanto mais as horas se passavam, mais minha cabeça parecia que ia explodir, mesmo porque, tinham quatro seres que só falavam, no mesmo carro que eu.
- Vocês, pelo amor de Deus; observem só, eu apelei para Deus, podem parar de falar? Estão parecendo umas gralhas!
- Qual é! A gente só está animado! – disse.
- Animado para receber um soco na cara! – falei meio brava.
- Para de graça e vai dormir, vai! – disse puxando minha cabeça e a colocando em seu ombro. E o que mais eu poderia fazer a não ser, dormir?
Quando acordei, se era que se podia chamar aquilo de dormir, já que toda hora que eu pegava no sono alguém gritava e me fazia assustar, estávamos em Bakersfield, ou seja, metade do trajeto. me cutucava para que eu acordasse:
- Hey! Para de babar e acorda! Você tá com fome? – assenti com a cabeça.
- Então chegou sua hora de ser feliz! – disse apontando para o shopping que dizia “Valley Plaza”.
- Pelo menos uma coisa de útil vocês fizeram! – fiz o comentário enquanto saia do carro e me recompunha.
Começamos a andar pelo shopping em busca de um lugar para comer, e que não fosse muito caro. Estávamos andando todos juntos, quando repentinamente parou e ficou imóvel.
- Ah não! Qual é a probabilidade de isso acontecer na minha vida? – disse em um tom de voz desesperador.
- O quê? – perguntou.
- Aquela vaca! – ele disse bravo.
- Vish... – soltou.
- O quê? Alguém me explica, por favor? Quem é vaca? – questionei olhando ao redor.
- Minha ex-namorada.
- Aquela do namoro que durou dois dias e meio? – perguntei arregalando os olhos.
- Não. – disse – a anterior.
- Continuo não compreendendo nada!
- Ela traiu ele, com um menino do time! – sussurrou para mim.
- Cody? – perguntei assustada.
- Não! - por um segundo eu quase tive um ataque do coração.
- Olha lá, que legal! Ela ainda está com ele. – comentou mais nervoso ainda.
- Vamos mudar o caminho então! – falei o puxando e o virando de costas para eles.
- Não! – ele relutou e continuou olhando fixamente para ela. – Vou fazê-la pagar na mesma moeda, sentir o que eu senti quando vi os dois juntos.
- Você não precisa disso! Você é superior! – puxei o rosto dele e o fiz olhar para mim.
- Tira o moletom! – ele disse, na verdade ordenou.
- O quê? – perguntei assim como os meninos.
- Vai, ! Por favor! – suplicou.
- Por quê?
- Eu quero causar ciúmes nela!
- Eu não vou participar dos seus joguinhos! – dei alguns passos para trás, mas ele me puxou.
- Você é a única menina aqui! Se eu fingir que sou namorado de um deles, ela não vai sentir nada! E... Vamos falar a real, você é muito gata! Se eu não tivesse virado seu amigo eu ia querer algo mais! – nada. Eu não conseguia falar nada depois dessa... Confissão?
- Pois é.... – fez um comentário baixo, como se o clima estivesse pesado.
- Por favor! Eu nunca te pedi nada!
Eu estava começando a ficar com dó dele. E me pus em seu lugar. Se fosse meu ex-namorado, eu faria pior.
- Tudo bem! – tirei o moletom, estava com uma blusa regata colada por baixo.
- Perfeito! Agora a gente vai passar lá perto dos dois, fingindo que somos namorados e que nós nos gostamos muito! Consegue fazer isso?
- Meu querido, você está falando com uma atriz profissional! – arrumei meu cabelo e o puxei para perto de mim, o abraçando de lado.
- Eu não estou acreditando! – começou a rir.
- Vou ter que filmar isso! – comentou baixo pegando seu celular.
- Se você fizer isso, eu degolo você! – disse simples, porém, ameaçadora. Ele voltou seu celular para o bolso da calça.
Começamos a andar em direção a eles e começamos a rir. Sim, feito dois idiotas. Paramos próximos deles e voltamos a conversar.
- Ela está olhando para cá! - sussurrei sorrindo para ele – e olhando muito, pra falar a verdade. Acho que ela se lembra de você!
- ? Posso beijar você?
- O QUÊ? – confesso que gritei, e isso só chamou mais a atenção do outro casal, ri rapidamente para não mostrar que estava brava. – Não, ! – sussurrei nervosa.
- Eu compro o M&G do show do Justin! – ele disse rápido.
- Fechado! – falei sem ao menos pensar, o puxei pelo pescoço e o beijei.
Enquanto o beijava, algo veio em minha mente e então eu acabei com o beijo.
- Espera aí! Justin Timberlake não faz M&G! – ele apenas riu. Desgraçado. Estava pronta para surtar com ele, mas fui interrompida.
- ? ? – olhamos para a voz, juntos.
& 1. Vaca 0.
Assim que ela foi embora, olhei para o e dei um tapa em sua cabeça.
- Escuta o que eu vou te dizer! Da próxima vez, vê se beija um deles e não eu! Eu tenho namorado! – disse apontando o dedo em sua cara.
- Aí! Não precisa ficar nervosa! Eu falei sério quando disse que ia te dar um M&G!
- E como você pretende fazer isso?
- Minha tia é assessora de imprensa dele! – parei com tudo o que estava fazendo. Ele riu. – Obrigado ! Nem sei como te agradecer! – ele veio em minha direção para me abraçar, mas eu me desviei, dizendo:
- Me dá o M&G e tá tudo certo!
- E o Oscar vai para... vocês! Que atuação impecável! – disse aplaudindo.
- Até briga de casal tá tendo! – disse.
- Eu ‘tô com fome! Vamos! – disse e saí andando.
Após mais algumas horas de viagem, finalmente eu pude ver a tão maravilhosa placa escrita: “Welcome to Fabulous Las Vegas – Nevada”.
- Finalmente! – disse – cansei de dirigir já!
- Você dirigiu por dez minutos! O tá babando aqui atrás, coitado! – comentei. – Você quer que eu dirija?
- NÃO! – todos falaram em uníssono.
- Então vão se ferrar! – mostrei o dedo do meio.
- , nos guie até sua mansão! – falou e riu.
Assim que chegamos na casa de [pois é, estava mais para mansão mesmo], saí correndo em busca de um quarto só meu.
- EI! Espera aí, que você não vai pegar o melhor quarto para você, não! – gritou e começou a correr atrás de mim.
- Me pega, otário! – gritei o desafiando e entrei em um quarto, trancando a porta. Só o ouvi batendo em um objeto e um barulho de algo se quebrando e em seguida a voz de berrando com ele.
- ! EU VOU TE MATAR! – berrou.
Assim que me virei para observar o quarto, fiquei boquiaberta. E que quarto era aquele. Tinha uma cama de casal, um closet e um banheiro. Abri a porta procurando por e o encontrei pegando cacos de vidro no chão, com .
- , eu acho que entrei no quarto dos seus pais! – o ouvi rir.
- Esse quarto é o de hóspedes! O dos meus pais fica no final do corredor!
- Meu Deus! Esse quarto é gigante!
- Por isso que você vai dividir ele comigo! – falou entrando e esbarrando em mim e jogando sua mochila na cama.
- A cama é minha! – falei esnobe.
- A cama é nossa! – ele corrigiu.
- A cama é dela! – o corrigiu – você fica no colchão que está no chão! – olhei para a cara do e sibilei “perdedor”.
- Tudo bem galera! Nós temos até onze e meia para dormir, descansar, tomar banho ou comer! Porque a gente vai sair! – disse enquanto estávamos na sala conversando.
- Cassinos me aguardem! – gritou e saiu correndo.
- SE VOCÊ QUEBRAR ALGUMA COISA EU TE MATO! – deu um pequeno surto.
Estava olhando para aquele celular a pelo menos dez minutos e não sabia o que fazer.
- O que você tem? Tá com essa mesma cara desde o momento em que eu fui tomar banho, e olha que já faz uma meia hora! – disse.
- Dez minutos! – o corrigi – eu cronometrei!
- Nossa! Que desânimo!
- O nome disso é preocupação!
- Com o que? Não sabia nem que existia essa palavra no seu vocabulário!
- C.C.
- Sério? O que deu em você? Amor não é, porque nem ir pra cama com ele você vai!
- Como se um relacionamento se baseasse somente em sexo! – revirei os olhos.
- Tá bom! Me conta, então! Sou todo ouvidos!
- Eu só... – e neste momento me veio em mente o modo como ele me olhou quando eu estava saindo de Stanford e um aperto no coração surgiu. – Eu só não sei se devo ligar para ele, avisando que eu cheguei!
- Só isso? Nossa, como você é dramática! – disse fazendo uma cara de nojo.
- Não é só por isso! – vi um brilho na cara dele, como quem queria saber mais. – Mas não vou te contar, você não merece!
- Afe! – disse saindo.
O número dele já estava nos contatos mais frequentes, apenas suspirei e liguei para ele, mas quando a ligação foi atendida, a voz que eu queria ouvir não era a mesma.
- Alô? – Uma voz feminina atendeu o telefone. Fiquei estática, quieta e surtando por dentro.
Ele mal esperou eu sair pra ficar com outra.
- O que você tá fazendo atendendo meu celular? – ouvi outra voz de fundo e essa eu reconheci.
- Ele começou a tocar e quando eu vi estava escrito “ anjo” no contato! Eu queria saber se era sua namorada!
- Mãe! Dá aqui o telefone! ? – sorri automaticamente, parte aliviada por ser a mãe dele, e a outra pelo nome que estava salvo em seu celular.
- Anjo, é? – disse sorrindo e ouvi o riso dele fraco, provavelmente com vergonha.
- Como você ‘tá? Chegou bem?
- Só cansada! Imagina, oito horas com aqueles quatro imbecis! – ouvi ele rir alto dessa vez. Ficamos um pouco em silêncio, até ele quebrar.
- Eu já estou com saudades... eu mal fiquei perto de você!
- Quando você menos esperar, eu vou estar te ligando, pra você ir me ver!
- Estou esperando!
- Sua mãe tá em Stanford? – questionei curiosa.
- Eu ‘tô em casa! Não ia ter graça ficar lá sem você!
- Você ‘tá fazendo eu me sentir péssima por estar aqui! – falei chateada.
- Não se sinta! Você já tinha esse show marcado antes de nós começarmos a namorar!
- Ô SENHORITA, VOCÊ JÁ TOMOU BANHO? – entrou no quarto gritando e eu o olhei como se fosse matá-lo.
- ‘Tá me vendo de cabelo molhado por acaso? – fiz uma pergunta retórica.
- ‘Tá levando bronca de quem?
- Do , esse idiota!
- Para de me difamar pro seu namorado! – falou pegando o celular da minha mão. – Fala aí, Cody! – o olhei nervosa. – Calma! Tá comigo tá com Deus!
Depois de alguns minutos conversando com Cody, tive que desligar, senão iam me linchar. Tomei banho e coloquei uma roupa mais descolada, afinal de contas, estávamos em Vegas, baby!
- Até que enfim, eu achei que você tinha morrido! – comentou.
- O não tá pronto ainda! Então nem vem com essa!
- Ele até parece uma mulher! – completou.
- Quem parece uma mulher? – disse entrando na sala.
- Nossa senhora! Eu achei que você estivesse se maquiando! – falou de modo impaciente.
- A gente pode ir ou as moças querem conversar ainda? – questionei.
- Vamos! – se levantou e começou a ir em direção a porta.
Lá vamos nós, Vegas.
- Você tem certeza que sabe onde fica esse cassino, não é? – perguntei a .
- Eu conheço Vegas como a palma da minha mão! – respondeu se gabando.
- Mesmo porque, o cassino que estamos indo é o mais famoso daqui! – completou.
- Espero não torrar toda a minha poupança! – comentou.
Assim que chegamos ao Cassino, parecia cena de filme. Vários jogos de azar, máquinas caça níqueis, seguranças por toda a parte, bem como pessoas bonitas e elegantes. Esses sim chamaram a nossa atenção.
- Acho que eu vou morar aqui pra sempre! – disse, o olhei e seus olhos brilhavam. Ri rapidamente o abraçando de lado.
- Que comece a diversão, então! – disse e foi direto para uma mesa de Blackjack. foi atrás dele. Já foi em algum caça níquel. Ficamos só e eu.
- No que você é boa? – perguntou curioso.
- Beber. Mas infelizmente aqui a gente não recebe dinheiro pra isso! – disse simples. Ele riu e completou.
- Vamos beber, então. Vai que de repente resolvem nos pagar! – E assim nós fomos para o bar.
Mal sabia eu, que a nossa noite só estava começando.

Sabe aquele sensação de quando você fecha o olho, dorme e parece que dois minutos se passaram e alguém te acorda e então você descobre que na verdade dormiu por umas sete horas? Foi exatamente isso que aconteceu. Chegamos à casa do sete e meia da manhã, às duas horas em ponto, o despertador do começou a fazer um escândalo dentro do quarto.
- Desliga essa merda! – resmunguei.
- A gente tem que acordar! – ele disse quase dormindo.
- Não tem, não! – falei enfiando a cara mais fundo no travesseiro.
- Hoje é o show! – só bastou ele dizer isso para meu coração começar a palpitar e eu me levantar em dois segundos.
- Então se troca, que eu quero pegar um lugar bom! – tirei a coberta dele e joguei no outro canto do quarto.
Às duas e cinco, estávamos os cinco sentados no sofá da sala. Não sabia dizer ao certo quem estava com a pior cara.
- Eu não lembro de nada do que aconteceu ontem! – disse arregalando meus olhos.
- Eu lembro de tudo! – disse fazendo o mesmo.
- Por que é que eu estou de sutiã? – perguntou curioso enquanto olhava dentro da blusa. – ALGUÉM TIRA ISSO DE MIM! - disse desesperado.
- Espero que não seja meu! – falei.
- Foi o que eu disse... eu lembro de tudo! – falou de modo sombrio.
- Eu acho que a gente bebeu demais! – disse enquanto tomava um remédio para dor de cabeça.
- Eu não acho, tenho certeza disso! – fez um comentário.
- Gente, onde é que tá a minha bolsa? – questionei.
- Acho que na cozinha! – falou e assim eu me levantei para procura-la. Apenas ouvia a conversa deles.
- Eu não acredito que perdi dois mil dólares ontem! Que noite horrível! – disse triste e ao mesmo tempo arrependido.
Assim que entrei na cozinha, comecei a olhar em todos os lugares, mas não vi minha bolsa. Passei então a procurar em lugares que normalmente pessoas sóbrias não colocariam suas coisas, e foi quando eu abri o forno e a encontrei lá. Abri então, para ver se meus documentos estavam todos dentro dela. Mas uma coisa eu não esperava encontrar.
- Bem feito! – disse rindo. – Isso é pra você parar de se achar o maioral!
- AI, MEU DEUS! – gritei da cozinha. Se passaram então cinco segundos e todos já estavam na cozinha também, querendo saber o que houve.
- Que foi, ?
- Eu encontrei... um chumaço de... oito mil dólares na minha bolsa! – a cara de todos foi de puro tédio a completamente felizes.
- Caralho! Eu esqueci completamente que você tinha ganhado esse dinheiro! – disse atônito.
- EU?
- Sim! Por incrível que pareça, você é muito boa em vinte-e-um, e depois que você ficou um pouco alterada por causa da bebida, decidiu jogar. E ganhou todo esse dinheiro! Que doideira!
- Eu sou seu fã! – disse me abraçando.
- E depois disso, o que aconteceu? – perguntei curiosa.
- Os seguranças estavam de olho em nós. Então decidimos ir embora, aí entramos em uma boate e todo mundo começou a encher a cara! Você dançou em cima do palco, com as dançarinas! tentou beijar um travesti! quase foi agredido porque estava paquerando uma menina que estava com o namorado. subiu no balcão do bar e começou a tirar a roupa.
- Eu não ‘tô acreditando nisso! – disse perplexo. Na verdade, estávamos todos dessa mesma maneira.
- E você? Não fez nada? – perguntou.
- Eu só observei tudo, tirei algumas fotos e gravei alguns vídeos!
- EU QUERO VER! – todos disseram juntos.
- O que acontece em Vegas, fica em Vegas! – falei após olhar todos os micos que pagamos. – Agora... vamos nos trocar e tentar esquecer tudo o que aconteceu!
Às cinco e meia em ponto estávamos todos sentados na sala, só esperando o ânimo chegar e se juntar a nós.
- Vamos galera, o Bellagio não fica tão longe daqui! – disse se levantando.
- Por que esses assentos não podem ser marcados? Eu quero pegar um lugar na frente! – falei.
- Você já tá indo de plateia VIP com o ! Não reclama! Eu vou ficar lá o balcão!
- Não interessa, eu quero estar perto o suficiente pra ver o suor dele escorrendo! – completei.
- Você é ridícula! – disse rindo.
Assim que chegamos no Bellagio, dei a minha intimação a .
- Eu quero o M&G!
- Vem comigo – ele disse confiante me puxando e me guiando para a área restrita do teatro.
- Posso ajudar, senhor? – uma moça disse nos parando.
- Eu queria falar com a May! – ele disse calmo e ainda mais confiante. – Ela trabalha aqui!
- Me desculpe, mas não tem nenhuma May aqui!
- Como não? Ela é a assessora de imprensa do Justin Timberlake! – começou a ficar irritado.
- May ? – a mulher questionou curiosa.
- Ela mesmo!
- Ela se demitiu há uns oito meses atrás! – disse meio risonha.
- O QUÊ?
- Não surta – sussurrei para ele.
- Ela se demitiu? – ele estava desesperado, comecei a rir de sua cara.
- Infelizmente, sim. Bom, eu não posso ajudar, só gostaria de pedir que os dois voltassem para seus assentos! – disse nos expulsando de forma educada.
- Você é um inútil! – disse rindo e voltando a andar.
- ? – ouvimos uma voz grossa e olhamos para trás, dando de cara com um segurança alto e bem forte.
- Joe? JOE! Quanto tempo! – disse o cumprimentando. – Eu preciso da sua ajuda, cara!
- Qual é o problema agora?
- Você consegue passe VIP para nós? Eu prometi pra ela que ela ia conhecer “O cara”! – disse apontando pra mim.
- Sua tia se demitiu e agora você vem pedir essas coisas pra mim? – ele disse sorrindo.
- Pois é.... – estava envergonhado.
- Dez minutos no máximo! – assim que ele proferiu essas palavras e fez um sinal com a mão para que o seguíssemos, meu coração parou.
Eu ia conhecer Justin Timberlake.
Entrei na parte interna do teatro e pude ver várias pessoas trabalhando, dançarinos se aquecendo, backing vocals conversando e os músicos afinando seus instrumentos e lendo partituras.
- Eu acho que vou enfartar – comentei baixo olhando tudo aquilo.
- Espero que não! – disse Joe, o segurança. – Porque a gente acabou de chegar ao camarim dele.
Joe bateu na porta e em seguida a abriu.
- E ai, cara! – ouvi uma voz de dentro.
- Cara, eu ‘tô com dois jovens aqui que querem muito te conhecer, um deles você sabe quem é já! – disse isso e abriu a porta para que nós entrássemos.
- ! Quanto tempo! – Justin disse o abraçando. Como assim, quanto tempo? Eles são amigos?
- Cara, essa aqui é a minha amiga, ! – disse me apresentando, sorri e ele me olhou sorrindo também. – Ela foi a ganhadora da aposta! – parei de sorrir na hora.
O quê?
- Como assim, ele sabe da aposta? – perguntei horrorizada. Os dois riram.
- Sou seu fã! – ele disse rindo.
- Não, não! EU sou sua fã! - as palavras sairam de repente da minha boca - Que merda, garota, calada! - falei para mim mesmo. Justin riu e me abraçou.
Meu Deus! Justin Timberlake estava me abraçando.
Depois de bater um papo rápido com ele, tirar mil fotos e pedir um autógrafo, tivemos que voltar para os assentos, porque o show ia começar. Mas antes de sairmos completamente do camarim, sussurrou alguma coisa para Justin, que apenas sorriu, concordando e olhou para mim.
- Como você se sente? – me perguntou.
- A pessoa mais feliz do universo!
Assim que as luzes do teatro se apagaram, a primeira música que começou a tocar foi Only When I Walk Away. Eu não podia estar mais feliz. A cada música que ele cantava e dançava, eu só conseguia agradecer o por ter me proporcionado tudo aquilo. E quando os primeiros acordes de Not A Bad Thing começaram a tocar, tive que segurar o choro. Só que isso não foi possível, pois segundos após, Justin falou algo no microfone:
- Essa música eu queria dedicar a uma pessoa muito legal que eu conheci hoje! Me disseram que ela ama essa música demais! E o mais interessante é que ela participou de uma aposta pra assistir esse show! Então, essa vai pra você!
Então foi isso que cochichou com ele! Enfim, depois disso eu não segurei o choro mesmo. me abraçou e eu o abracei também.
Depois que o show acabou, nem acreditei. Foi um dos melhores dias da minha vida, sem sombra de dúvidas.
- Que moral que você tá, hein! – comentou. – Tem até música dedicada pra você!
- Obrigada ! De verdade! – o abracei de novo, já era a milésima vez que eu fazia isso.
- O que nós vamos fazer agora? Temos oito mil dólares e cinco pessoas! Dá pra gastar bastante! – disse.
- TEMOS? O dinheiro é meu! Sai fora!
- Egoísta! Jesus mandou dividir o pão!
- Exatamente! Isso aqui é dinheiro e não pão! Então é tudo meu até que EU decida o que vamos fazer com isso.
- Acalmem-se moças! Um amigo meu mora aqui em Las Vegas e tá dando uma festa hoje! O que vocês acham? – disse.
- Por mim, tudo bem! – disse dando de ombros.
- Moças? – perguntou olhando para e eu. Eu concordei com a cabeça, assim como . – Pois bem, ele mora um pouco longe daqui, é melhor vocês se alimentarem antes de irmos...
- Eu não quero ter que cuidar de bêbado! Já vou avisando! – falei.
- Prometo que não vou dar trabalho! – disse.
E então, após comermos um McDonald’s, seguimos rumo a festa do tal amigo.
Quando disse que ele morava um pouco longe, não imaginei que era TÃO LONGE!
- Você vai me matar, me esquartejar e me enterrar nesse deserto, por acaso ? Porque olha, QUE LUGARZINHO MAIS LONGE HEIN! – todos começaram a rir.
- Acalme seu coração, querida ! Estamos chegando! Mais dois minutinhos! – bufei olhando pela janela novamente e observando aquela “linda” paisagem desértica.
- Chegamos? – disse animado, ouvindo uma música alta. assentiu com a cabeça.
- Finalmente! – comentei revirando os olhos.
Após cumprimentar a todos os amigos do , tentei encontrar algum lugar da casa que fosse um pouco silencioso, para que eu pudesse fazer uma ligação.
- ?
- Oi, Cody! – disse, sorrindo.
- Como foi o show?
- Foi o melhor show da minha vida! – sorri, lembrando de tudo o que aconteceu.
- Eu quero saber tudo quando você voltar! Mas... que música é essa?
- Festa – disse bufando – na casa de um amigo do !
- Não deixa os meninos dirigirem se eles estiverem bêbados, tá? – falou de modo preocupado.
- Pode deixar!
- Boa viagem de volta
- Obrigada! Pode ficar tranquilo que na minha próxima ligação, vai ser pra avisar que eu cheguei a Stanford!
- ‘Tô esperando então!
Depois de algumas (lê-se muitas) horas naquela festa, eu queria ir pra casa. Os meninos estavam relativamente alterados, mas muito, muito cansados. Assim que estávamos todos no carro, era quem estava dirigindo, percebi que seu semblante estava desanimado e cansado:
- , deixa que eu dirijo! – me ofereci, afinal de contas eu não tinha bebido nada.
- Não precisa, ! Eu dou conta! – ele disse calmamente.
- Você ter certeza? – persisti.
- Absoluta, ! Me deixa dirigir agora! – respondeu risonho.
Já faziam uns vinte minutos que estávamos no carro voltando para a casa de , os meninos estavam dormindo no banco de trás e eu estava no banco do carona, apenas olhando a paisagem noturna.
Pela milésima vez observei de canto de olho bocejar. Minha preocupação só aumentava.
- Você realmente não quer que eu dirija? – não custava insistir mais uma vez.
- Não, .
- Você tá cansado ! E ainda por cima alterado por causa da bebida! Eu não vou matar vocês, sabia? Eu fui aprovada, eu tenho carteira de motorista também! – já estava ficando nervosa.
- Eu não preciso! Tá tranquilo aqui! Juro por Deus que se eu precisar, eu te chamo! – respondeu de modo impaciente.
Resolvi deixar quieto e apenas torcer para que eu não morresse.
Após cinco minutos percebi que o carro aumentou de forma repentina a velocidade, olhei para o lado e vi de olhos fechados e a cabeça pendendo para o lado direito.
- ! – gritei assustada. Ele acordou abruptamente e assustado também. – O QUE EU TE DISSE? VOCÊ QUER MATAR A GENTE?
- ME DESCULPA! FOI SÓ UM COCHILO! – gritou com raiva de volta.
- SÓ UM COCHILO? VOCÊ É UM SEM NOÇÃO MESMO!
- O que ‘tá acontecendo? – perguntou despertando no banco de trás.
- O seu amigo é um sem noção que acabou de “só dar um cochilo” enquanto dirigia! – estava furiosa e percebi que também estava ficando, pois cada vez mais o carro acelerava.
- COMO ASSIM, ? – também deu um berro. – DEIXA A DIRIGIR!
- NÃO! Eu já disse que estou tranquilo!
- De verdade, eu não sei qual é o seu conceito de tranquilo! Mas isso aqui não é! – falei e ele continuava a dirigir na mesma velocidade - alta por sinal. – ! PARA ESSE CARRO AGORA! – tentei ser o mais firme possível, mas ele parecia até uma criança fazendo birra.
- VOCÊ NÃO MANDA EM MIM, PORRA! – ele berrou. Neste momento estavam todos acordados no carro já.
- ! Para com isso! O que você bebeu, cara? – tentou nos acalmar.
- , dá o carro pra ! – disse em desespero. ficava cada vez mais irritado e a velocidade do carro aumentava a cada segundo.
- O QUE VOCÊ ACHA QUE ‘TÁ FAZENDO INDO NESSA VELOCIDADE, ? DIMINUI! – estávamos dizendo todos ao mesmo tempo.
- PARA DE ME ENCHER, VOCÊS! – falou olhando para trás para encara-los.
Sabe aquele momento nos filmes, em que a pessoa vê um farol muito claro e de repente sua vida inteira passa como um filme na sua mente e depois fica tudo escuro?
Pois é, foi exatamente isso que aconteceu. Mas a diferença foi que ao invés de apenas ficar parada observando todo o filme da vida de “ ”, eu gritei o mais alto e desesperada que pude pra chamar a atenção de .
- !
O garoto assustou e a única coisa que conseguiu, ou melhor, que deu tempo de fazer foi virar o volante para tentar desviar do outro carro. Não funcionou. Poucos segundos após a colisão, senti um baque forte em minha cabeça e minhas pernas, assim como meus braços começaram a arder. Senti tudo girando, como se eu estivesse saindo de dentro do meu corpo e voltando.
Assim que recuperei o mínimo que fosse de sentido, a primeira coisa que vi foi desmaiado no banco do motorista e pessoas gemendo atrás de mim. Tateei em meu bolso meu celular e assim que o desbloqueei, liguei para qualquer número que fosse de emergência. Assim que ouvi uma voz na linha, tentei ao máximo falar.
- Eu... acabei de... sofrer um aci..dente de... carro... – não tinha forças para falar.
- Senhora, sabe me dizer onde a senhora está?
- Eu... eu... – na verdade eu não sabia ao certo onde estava. – Eu não...
- Senhora? – a moça parecia preocupada do outro lado da linha.
- Eu não... – a cada segundo que passava, eu sentia algo quente escorrer no meu rosto e meus olhos se abriam e fechavam lentamente. Cada vez mais eu estava distante do meu corpo. – Sei.
Foi a última coisa que consegui dizer antes de tudo ficar escuro.


Capítulo 11



- Três passageiros com ferimentos leves, um passageiro com ferimentos medianos e dois passageiros com ferimentos graves.
Assim que ouvi essas informações meu coração disparou. Não sabia ao certo se estava acordada, dormindo ou se estava no meio termo dos dois. Pelo menos sabia que morta eu não estava, afinal de contas, se eu estava ouvindo o que diziam, eu estava viva.
- Ele está perdendo muito sangue! – ouvi uma outra voz dizer.
- Foi ela quem ligou para a emergência – a primeira voz que ouvi comentou perto de mim, pousando uma de suas mãos em minha testa, estava sentindo uma dor latejante no local.
E então, um repentino ataque de tosses me atingiu. Abri os olhos assustada e a cena que vi não podia ser mais assustadora. Estava deitada na rua, com uma maca embaixo de mim, assim que olhei para o lado, pude ver outros corpos em macas também. A primeira pessoa que vi em meu lado foi , que estava respirando de forma descompassada e tremendo.
Levantei o quanto pude da minha cabeça e observei ao redor. O nosso carro estava tombado e completamente destruído, assim como o outro automóvel, procurei ver quem eram as pessoas na maca e constatei apenas três pessoas, , e , menos .
- Ele está tendo uma parada! – ouvi uma voz gritar de dentro de uma das ambulâncias e me assustei na hora, tentei olhar atrás, mas um estalo em meu pescoço me impediu e deitei no chão novamente, gemendo de dor, o que chamou a atenção de alguém.
- Ela acordou! – o homem que estava perto de mim se apresentou – fique calma, meu nome é Thomas! Você consegue falar seu nome? Se lembra do seu nome?
Meu coração começou a disparar e minha visão voltou a ficar turva, eu estava desmaiando de novo.
- Fique comigo! Consegue dizer o seu nome? – ele dizia um tanto quanto desesperado, mas também tentando me acalmar.
Assim que abri minha boca e puxei o máximo de ar que consegui, meu corpo enfraqueceu e minha visão escureceu de novo.
- Fique calma querida, tudo vai ficar bem! – uma voz feminina disse depois de algum tempo.
A dor que eu sentia em todo o meu corpo aumentou repentinamente, talvez porque eu estava acordando novamente. Assim que abri meus olhos e observei ao redor, vi que não estava mais deitada na rua em cima de uma maca, mas que estava em um quarto, em um hospital.
- Que bom que você acordou! – uma mulher negra de cabelos preso em um coque bem apertado me disse, apertando minhas mãos como um gesto de carinho. – Se lembra do seu nome?
- , – disse baixo.
- As pessoas te chamam por algum apelido, ?
- – ainda estava muito assustada com tudo. – Onde eu estou?
- Você está no Centro Médico Hospitalar Centennial Hills.
- Onde estão meus amigos? – me levantei em desespero, mas senti uma pontada muito forte em todo o meu corpo e voltei a deitar.
- Eles estão bem! Se acalme!
Só então percebi o quanto meu corpo doía. Sentia uma dor latejante na cabeça, na perna e no braço direito, as duas mãos doíam também, e meu pescoço estava travado, assim como o resto do meu corpo estava tencionado.
- O que aconteceu comigo?
- Você está com um corte profundo na testa, por isso suponho que sua cabeça doa tanto. Seu braço e perna direitos também estão com cortes fundos, pois com o impacto da batida, os vidros se quebraram e todo esse lado que estava virado para a janela foi cortado e arranhado. Mas as suas duas mãos foram cortadas. Você perdeu bastante sangue querida!
- Ah, meu Deus... – disse tentando me acalmar.
- Você já está medicada e seus ferimentos já estão limpos! Seus pertences estão no balcão da recepção! E seus amigos estão lá no corredor, esperando você sair! – assim que ela proferiu essas palavras, meu coração disparou. Me levantei da maca o mais calma que pude e sai do quarto.
Ao pisar no corredor, avistei sentados no banco, e , que ao mesmo tempo olharam para a porta do quarto e me viram. Ambos estavam com arranhões no rosto e olhos inchados, provavelmente estavam chorando. estava com uma faixa na cabeça e com uma gaze no braço. Comecei a andar em direção a eles, segurando o choro e eles se levantaram. Assim que estávamos a centímetros de distância nos abraçamos o mais forte que conseguimos, uma lágrima escorreu em meu rosto e então me afundei mais ainda no abraço.
- Como você está? – perguntou preocupado.
- Meu Deus! Você tá toda cortada! – falou olhando meu braço e minha testa.
- Eu estou bem! – falei enxugando meu rosto. – Cadê o resto do pessoal? – olhei pelo corredor, mas não vi ninguém.
- está lá fora, conversando com a polícia e o ... – parou de falar.
- O que? – o medo começou a me atingir aos poucos.
- Eu... não sei! – falou pausadamente, seus olhos se encheram de água, mas ele os limpou antes que escorressem pelo rosto.
- Ah não! – comecei a respirar descompassadamente, me sentando no banco que estava atrás de mim.
Eles se sentaram ao meu lado e poucos segundos depois ouvimos passos se aproximando de onde estávamos. Olhamos ao mesmo tempo para o local e um médico se aproximava.
- Vocês são os amigos do senhor ? – assentimos com a cabeça, levantando ao mesmo tempo, desesperados por uma notícia. – Infelizmente as notícias não são boas...
Ao ouvir estas palavras, era como se meu coração começasse a se partir em mil pedaços. Coloquei uma de minhas mãos na boca a tampando, para que eu tentasse me controlar.
- Com o impacto da batida, dos cinco passageiros, ele foi o que mais se machucou. Ele quebrou a perna esquerda, pois uma parte da porta do carro entrou na perna dele, fazendo com que ele perdesse muito sangue. Ele teve uma parada cardíaca no local do acidente, a qual conseguimos parar e traze-lo para cá o mais rápido possível! Ele está medicado, mas está em coma. Estamos monitorando para qualquer mudança ou melhora!
Assim que o médico saiu, foi como se meu corpo pesasse mais do que eu poderia aguentar. Me sentei abruptamente no banco e abaixei minha cabeça, apoiando-a nas mãos. Os meninos sentaram-se logo em seguida, fazendo o mesmo.
Nada podia ficar pior.
- O que foi? – ouvi uma voz tão conhecida por mim que fez o que antes era tristeza se transformar em raiva. Movi minha cabeça rapidamente para ver a figura parada perto de nós, o que me causou uma dor muito forte.
- O que foi?! – disse como se não acreditasse, me levantando do banco e ficando de frente para . – O que foi, é que o SEU AMIGO está péssimo!! – falei muito nervosa andando na direção dele.
- Calma, disse se levantando.
- Ia cair a sua mão, ou melhor, a sua dignidade, se você tivesse deixado eu dirigir aquela merda de carro?! – eu já estava gritando. Todos pararam para prestar atenção na gritaria. – OLHA O QUE VOCÊ FEZ!! TÁ TODO MUNDO MACHUCADO! A GENTE PODIA TER MORRIDO!!
- ! Calma! – disse me segurando pois cada vez mais eu me aproximava de .
- Não, !! Se a gente tá nessa situação é por culpa dele!
- Não é culpa dele! – falou.
- É sério que vocês estão protegendo ele?! – falei desacreditando, meus olhos se encheram de lágrimas novamente. – ELE PODIA TER NOS MATADO!! – pela primeira vez olhei nos olhos de e vi que ele chorava. Me acalmei um pouco para terminar de dizer – o tá em coma, e não tem nada que eu possa fazer, se isso não é culpa sua, eu não sei de quem é!
Sai em direção à parte externa do hospital. Já era manhã. Sabe-se lá quantas horas eu fiquei dormindo. Me sentei em um banco na frente do hospital e voltei a chorar. O medo havia me consumido por completo agora. O que aconteceria com o era algo que eu não sabia e não podia prever, e isso me deixava mais apavorada.
Estava tão imersa em meus pensamentos, que não ouvi quando sentou-se ao meu lado e em seguida me abraçou. Assustei, olhado para o lado e o vendo. O abracei e ficamos ambos sentados, observando o sol.
Já não sabia ao certo quanto tempo havia se passado, talvez uma ou duas horas, pois o sol já estava mais forte e começava a me incomodar. Não saímos do banco por um minuto sequer, e nenhuma notícia nova nos era dada. Voltamos para dentro do hospital, pois queria comer alguma coisa.
- Você tem certeza que não quer comer nada? – perguntou. Apenas acenei com a cabeça negativamente.
- Uma hora você vai ter que comer, não se esqueça. Não deixe pra fazer isso quando você desmaiar de fome! – disse, saindo pelo corredor com e .
Fui até o banheiro e pela primeira vez me olhei no espelho. Eu estava péssima. Mas quem ligava para aparência depois de sofrer um acidente? Testa cortada, enfaixada e com pontos. Braço e mãos cortados e enfaixados, perna cortada e enfaixada, calça rasgada e cheia de sangue, assim como a blusa. Coloquei meu moletom, que também estava sujo de sangue, fui até a recepção do hospital e peguei meus documentos e minha bolsa, para então voltar para o mesmo banco, na esperança de que alguém me desse alguma notícia.
Peguei meu celular dentro da bolsa e vi vinte chamadas não atendidas da minha mãe. Uma hora eu teria que ligar pra ela, mas até então, eu não tinha coragem para fazê-lo.
Foi quando vi novamente o médico, meu coração faltou saltar pela boca de tanto nervosismo.
- Infelizmente ele ainda não teve nenhuma melhora, mas continuamos monitorando!
Me sentei novamente, bufando por não poder fazer nada, nem vê-lo eu podia. Estava com a cabeça abaixada, os braços apoiados nas pernas e a cabeça apoiada nas mãos.
- Ah meu Deus! – ouvi uma voz perto de mim, uma voz assustada e conhecida. Olhei para o lado com o canto do olho e vi Cody, parado na porta de entrada, me olhando assustado, ele estava descabelado e com olheiras. Levantei meu rosto e quando percebi ele já corria em minha direção.
Assim que ele se aproximou de mim, me levantei e ele me abraçou como nunca. Me abraçou como se não quisesse me perder. Me abraçou como se quisesse me proteger de todo o mal que o mundo podia me causar. Me afundei em seu abraço. Eu estava agoniada há horas, e pela primeira vez eu estava me sentindo segura. Agora eu sentia que queria que ele estivesse ali, comigo. Assim que nos separamos, ele me olhou bem, me analisando.
- O que aconteceu com você? – disse, sua voz chorosa. – Você sabe o quão assustado eu fiquei?
- Acho que posso imaginar...
- Antes de tudo acontecer você me disse que eu podia ficar tranquilo, que assim que você me ligasse, ia ser pra avisar que tinha chegado em Stanford. E de repente, eu recebo uma ligação no meio da madrugada e vejo seu número... mas não era você! – ele disse passando a mão pelo meu rosto, parando em cima do corte na testa.
- Desculpa! – sussurrei, respirando forte, para não voltar a chorar.
- Não é culpa sua! – ele falou voltando a me abraçar.
- Fica comigo! – o abracei o mais forte que pude. Soltei um gemido de dor, pois tinha apertado bem em cima do corte.
- Eu não vou sair daqui! Eu não vou te deixar! Nunca!
E então estávamos nós dois, uma garota machucada e vestindo uma roupa cheia de sangue, e um garoto descabelado e preocupado, abraçados no meio do corredor de um hospital em Las Vegas.
- Cody! – ouvi uma voz atrás de nós e então nos separamos. Era .
Os dois se abraçaram e Cody fez o mesmo com os outros dois, voltando depois para mim, me abraçando de lado.
- Acho que é interessante você saber, Cody, que sua namorada não quis comer nada desde que chegamos aqui! – falou em tom de repreensão e Cody me olhou desacreditado. Apenas revirei os olhos.
- Você quer desmaiar? – ele disse pegando minha mão, soltei um gemido de dor um tanto quanto alto e ele arregalou os olhos, soltando-a rapidamente – desculpa!
- Eu só não estou com fome!
- Mas vai comer alguma coisa! Vamos! – ele disse passando um braço por trás de meu corpo e me guiando para o final do corredor, em que via-se uma placa escrito: Lanchonete.
Assim que nos sentamos em uma mesa, um de frente para o outro e fizemos nosso pedido, o questionei:
- Quem ligou pra você?
- Um dos policiais que estava no local. Como foi você quem fez a ligação para a emergência, eles pegaram seu celular e ligaram para o último número discado por você. Que no caso, era o meu número.
- Entendi... – ficamos em silêncio.
- Você não ia me ligar, não é?! – ele disse, sua frase saiu mais como uma afirmação do que pergunta. Franzi a testa e ele completou sua frase – não ia me ligar avisando que sofreu um acidente, se não tivessem me ligado antes.
Respirei fundo e balancei a cabeça negativamente.
- Não.
- Por que? – ele disse um tanto quanto... ofendido.
- Eu... eu... eu não queria preocupar você!
- E então você ia deixar que eu soubesse do que aconteceu, através de outros?!
Comecei a ficar desesperada novamente.
- Talvez eu arrumasse coragem o suficiente para ligar pra você e dizer! Eu sei o quanto isso ia te assustar e não ia adiantar nada eu te ligar, sendo que você estava em outro estado!
- Isso não é desculpa, ! – ele dizia decepcionado.
- Eu não sei!! Tá bom!? Eu não sei como reagir quando estou com você!! – falei o que guardava comigo há um tempo. Ele se espantou. – Você é tão bom pra mim!! E eu... não mereço você, e tudo o que você faz por mim! Caramba! Você viajou sabe-se lá quantas horas pra vir me ver!! E eu não tive a capacidade e a coragem de te ligar pra falar com você!! Com medo que ficasse decepcionado comigo, do jeito que você tá agora!
Ficamos um tempo em silencio, até ele se levantar e arrastar sua cadeira e coloca-la ao meu lado, para em seguida pousar suas mãos em meu rosto e puxá-lo para que eu o olhasse, e então soltou o ar que estava em seu pulmão, aliviado.
- Isso explica muita coisa! – Ele disse sorrindo, sorri fraco, esperando que ele terminasse de falar. – Sabe por quê eu não me importei em sair de casa no meio da madrugada e dirigir que nem um louco até aqui? – Balancei a cabeça negativamente. – Porque você faz loucuras quando está apaixonado!
Se alguns meses atrás eu tivesse ouvido isso que ele me falou, provavelmente eu teria dado um meio sorriso e o abraçado. Mas a minha reação foi uma surpresa até para mim.
Eu chorei.
Chorei de felicidade, meu sorriso ia de um canto a outro do meu rosto. Então o abracei, o mais forte que pude.
- Obrigada! – disse em meio ao choro e meio abafado por estar com a cara enfiada em seu pescoço. - Obrigada por sempre estar comigo quando eu preciso! Obrigada por ser a melhor pessoa que eu conheço! Obrigada por não desistir de mim, mesmo eu parecendo uma sem coração! – soltei um riso, assim como ele.
- Eu ganho um beijo? – perguntou me olhando, sorrindo.
- Não. Eu tô com bafo! – falei manhosa e ele riu.
- Tudo bem, mas depois eu cobro! – sorrimos um para o outro.
Foi neste instante que o nosso pedido chegou e nos separamos. Ele limpou as lágrimas que escorriam do meu rosto.
Pela primeira vez, eu senti que estava namorando Cody, que podia contar com ele para qualquer coisa.
Após terminarmos de comer, nos juntamos aos outros novamente, mas desta vez haviam mais pessoas lá. De longe pude ver um casal abraçado, conversando com , supus então que fossem os pais de . Atrás deles vi um homem de costas, observei um pouco mais, mas não reconheci de imediato a pessoa.
- Será que são os pais do ? – questionei Cody, enquanto nos aproximávamos de todos.
- Acredito que sim e, ah! Por falar em pais, eu liguei para os seus pais!
- O que?!
- Foi bem na hora em que eu recebi a ligação, imediatamente eu liguei pra um dos seus irmãos e ele me deu o número dos seus pais.
- Ai, eles vão me matar!
- Sua mãe ficou bem desesperada, mas eu disse que já estava a caminho daqui, e ela pediu para que eu sempre ligasse pra ela, para mantê-la informada! Eu liguei de novo a hora que cheguei em Vegas. Então... liga pra sua mãe!
- Sim, senhor! – assim que disse isso, estava próxima o suficiente dos outros, e então o homem que estava de costas se virou e pude ver sua cara de surpresa e alívio ao me ver.
- !? – falei surpresa também. Ele sorriu e me abraçou.
- Caramba, ! Que bom que você tá bem! – ele disse no meio do abraço. – Afinal de contas, quem mais ia me ensinar a como me esconder de garotas? – ele disse risonho.
- Babaca! – ri também, me separando dele, que não me soltou por completo. Continuou com uma mão segurando meu braço e outra minha cintura.
- Que corte feio hein! – olhou para a minha testa. – Vai ficar uma cicatriz legal!
- Você bem que podia transferir essa cicatriz pra mim né, ? Mulheres amam cicatrizes! – disse rindo, rimos também, o que fez com que apertasse um pouco meu braço.
- Ai, ai, ai! – gemi de dor. O que o assustou e olhou para o meu braço, confuso. Levantei a manga do moletom e mostrei o braço enfaixado.
- Puta merda! – ele assustou. – Desculpa! – ele disse, acariciando meu machucado. Ouvi um pigarro atrás de mim e era Cody, com certeza desconfortável com a cena. Afinal de contas eu estava conversando com a pessoa que ele mais odiava na face da terra. Sai de perto de e voltei a ficar do lado de Cody, que olhou para o meu braço, triste.
- Outro corte? – questionou. Assenti com a cabeça – aonde mais cortou?
Mostrei então corte nas mãos, no braço e na perna.
- Esses são os cortes fundos. Ainda tem os outros, que não são tão graves. – Expliquei, ele assentiu com a cabeça e suspirou.
- Vai ficar tudo bem, você sabe, né?! – concordei me aconchegando nele.
Fomos interrompidos pela chegada do médico, que fez com todos o olhassem apavorados, almejando saber quais eram as novidades.
- Vocês são os pais do senhor ? – perguntou, como eu já havia suspeitado, para o casal que estava abraçado, a mulher chorava e o homem aparentava estar calmo. Ele explicou para todos, o que já havia nos falado mais cedo. – O único problema é que ele precisa receber sangue, e o nosso banco de sangue está em falta. Eu já entrei em contato com outros hospitais e a previsão para que chegue bolsas de sangue é de duas horas.
- Ah meu Deus! – a mulher colocou o rosto no corpo do marido.
- Esperar esse tempo é inviável, além de um risco. Por isso, eu gostaria de saber o tipo sanguíneo de cada um.
- Qual o tipo sanguíneo do ? – questionou.
- “O” positivo! – disse o pai dele. – Eu doaria sangue sem problemas, mas como tenho problemas de coração, eu não posso! – ele disse decepcionado, secando uma lágrima que escorria em seu rosto.
Ficamos em silêncio.
- Eu doo! – Cody se manifestou do meu lado. Olhei para ele, assustada. – Sou “O” positivo! – ele disse me olhando e sorrindo de lado.
- Nós vamos ter que fazer um teste e algumas perguntas, me acompanhe por favor! – o doutor disse e apontou para uma sala. Cody assentiu com a cabeça e me olhou.
- Eu já volto! – disse dando um beijo em minha testa.
Voltei a me sentar no banco que havia sentado ao longo do dia. Uma pessoa sentou-se ao meu lado e suspirou. Era a mãe de .
- Querida, você está bem? – concordei com a cabeça, pois ela me olhava de cima a baixo, as roupas rasgadas e manchadas, o cabelo bagunçado, os cortes na pele. – Sabe, apesar de nunca termos nos visto antes, o me falava bastante de você! – sorri com a informação – ele vai ficar bem, tenha fé em Deus!
- Eu sei que vai! Obrigada! – ela sorriu e se levantou, indo para fora com seu marido.
- Posso conversar com você? – parou do meu lado e perguntou.
- Tá... – disse meio desconfiada. Ele indicou com a cabeça para fora do hospital, me levantei o seguindo.
- Sabe, quando vocês estavam vindo para Las Vegas, eu disse para vocês:
“- Não deixa o panaca do dirigir, não, hein! Ele vai bater o carro!
- Se toca, ! Aqui é piloto profissional! – respondeu
- Sei, sei...”

Foi como se viesse um flashback em minha mente, quando tocou no assunto. Me lembrei perfeitamente de cada palavra que ele disse, até parecia que ele sabia o que ia acontecer.
- Até parece que você sabia que isso ia acontecer!
- Pois é... eu sempre brinco com o , dizendo essas coisas, mas eu nunca ia imaginar que isso fosse acontecer...
Ficamos em silencio, apenas ouvindo a respiração um do outro.
- Sabe, - suspirou – quando eu cheguei aqui, estava com a cara vermelha, os olhos inchados, chorando e tremendo de nervosismo. Eu assustei, confesso. Pensei que alguém tinha morrido, mas quando eu falei com ele, a primeira coisa que ele me disse, soluçando foi:
“- Ela me odeia! , ela me odeia!
- Quem te odeia?!
- Tudo o que ela disse tá certo! Se o está no estado que está, é culpa minha!
- , quem te disse isso?
- Eu devia, eu devia ter deixado ela dirigir o carro, que nem ela tinha mandado! Agora a me odeia! – ele disse desesperado e voltou a chorar.”

No momento em que me disse isso, meu coração se apertou. Quando eu disse aquelas coisas à , foi em um momento de raiva, eu nunca tive a intenção de magoá-lo. , vendo o estado em que me encontrava, logo falou.
- Eu sei, eu sei que você disse em um momento de nervosismo, eu te conheço! Você nunca diria isso se estivesse com a sua cabeça cem por cento normal! Você pode dizer muitas coisas que magoam as pessoas, mas só diz a verdade!
Estava um tanto quanto impressionada com o que ele havia dito.
- Mas eu acho que você devia conversar com ele! Vocês são melhores amigos! Vocês deveriam estar dando forças um para o outro, e não brigando! – completou se levantando e saindo de lá. Estava sem fala, não sabia o que dizer.
Fiquei um tempo em silêncio, apenas pensado em tudo, já faziam horas que estávamos lá e eu não sabia nada sobre o que estava acontecendo. Não sabia se os passageiros do outro carro estavam bem, se estavam vivos, não sabia se estava bem, se tinha se cortado ou quebrado algo. Foi quando, em meio à toda essa neblina de pensamentos, eu ouvi alguém fungando ao meu lado.
- Oi. – disse em pé, do lado do banco em que eu me encontrava.
- Oi – respondi. Ficamos nos encarando por algum tempo, até que de repente, me levantei e o abracei. Quase que instantaneamente se pôs a chorar em meu ombro. – Me desculpa! – o abracei mais forte – eu nunca quis ter dito nada daquilo pra você! Não foi culpa sua!
- Foi sim, ! Eu devia ter ouvido você! Deixado você dirigir! Agora o está lá! E a gente não pode fazer nada! – nos separamos, mas continuamos nos olhando, frente a frente.
- Podemos sim! Nós podemos mandar energias positivas para ele! Ninguém sara com pessoas ao redor choramingando! Enxuga esse rosto, para de chorar e ao invés de pensar no que você deveria ou não ter feito para que aquele acidente não acontecesse, pense no que você pode fazer para ajudar o seu amigo a acordar e se recuperar!
assentiu com a cabeça e enxugou as lágrimas que ainda caiam em seu rosto.
- Me desculpa, – ele disse – por não ter dado ouvidos, por ter gritado e por ter brigado com você! Eu não sei o que me aconteceu àquela hora!
- Isso são águas passadas! – o abracei novamente, ficamos assim por um longo tempo. – O que aconteceu com você? – disse olhando para seu braço enfaixado.
- Quebrei o braço, cortes nas pernas, só isso! – disse simples.
- E o que aconteceu com o outro carro?
- O motorista está na UTI, ele bateu a cabeça muito forte. Bom, pelo que eu sei, só tinha ele no carro.
- Caramba... e o carro?
- Eu acionei a seguradora. Mas, bom, quem estava errado não éramos nós...
- Como assim? – franzi a testa.
- Por mais que eu estivesse correndo mais que o permitido, quem ultrapassou o sinal vermelho foi ele, que também estava correndo acima do permitido!
- Fizeram teste de álcool no sangue com você?
- Sim, mas só quando cheguei no hospital, porque eu estava desmaiado quando a ajuda chegou.
- E...?
- Taxa de álcool baixa, mas mesmo assim, tinha álcool no organismo. Então é multa! – suspirei em parte triste e em parte brava. Ele devia ter me ouvido. – Meus pais vão me matar! – ele disse triste e decepcionado.
- Não vão não! Eu não deixo! – sorri e o abracei novamente.
Entramos novamente no hospital, para junto de todos, foi quando vimos uma cena um tanto quanto assustadora. Uma mulher estava descabelada e um pouco descontrolada, eu diria, gritando com todos, os pais de estavam apavorados e os meninos assustados.
- Eu quero saber quem é!! – ela dizia repetidamente. Foi quando nossos olhares se cruzaram e até eu fiquei com medo. – Foi ele ou foi ela?
- Foi ele ou foi ela o que? – perguntei, meio grossa.
- Quero saber quem foi que bateu no carro do meu marido!! Qual dos dois queridinhos foi que causou aquele acidente!! – ela dizia alto, ouvi engolir seco atrás de mim e segurar meu braço.
- Primeiramente, eu não sou sua queridinha! E depois, não foi culpa nossa! O seu marido passou no sinal vermelho e ainda por cima, acima da velocidade permitida! – comecei a falar mais alto.
- Calma... – sussurrou.
- Se o seu marido tá na UTI a culpa não é minha!! Afinal de contas, eu não sei se você sabe, mas meu amigo também está! E ainda por cima em coma! Então... – respirei fundo – queridinha, não banque a louca comigo!
- Isso não vai ficar assim! – ela disse nervosa e saiu. No momento que ela entrou em outro corredor, soltei a respiração que estava presa. Foi então que senti uma dor muito forte. Olhei para as minhas mãos e elas estavam fechadas com toda a minha força. Abri elas aos poucos e a dor só aumentou.
- O que foi? – me olhou com os olhos arregalados.
- Minha mão! – disse olhando para ela. As faixas estavam se encharcando de sangue. assustou instantaneamente.
- Sua testa! – ele disse vendo que a faixa começara a ficar vermelha.
- ! – disse correndo na minha direção! Senti minha respiração ficar fraca e descompassada, e meus olhos se abriam e fechavam lentamente, estava tonta. me segurou como pôde, com o braço que não estava quebrado e estava do outro lado.
- Alguém chama uma enfermeira! – gritou.
- O que tá acontecendo? – Ouvi Cody saindo de um quarto – ! – disse desesperado. – Deixa comigo gente! – em seguida me pegou no colo.
- Ela tá vindo! – disse também desesperado.
Fui levada para um quarto e Cody me colocou na maca.
- Fica comigo, ! – sussurrou segurando meu braço.
Senti uma picada forte no braço e supus que estavam me medicando com uma injeção. Poucos minutos depois, voltei a respirar normal e a ficar sã.
- Essa foi por pouco, hein meu bem! – a mesma enfermeira que vi quando despertei me disse. Li no seu crachá que seu nome era Marissa.
- O que aconteceu? – Cody perguntou exasperado.
- Uma mulher apareceu e começou a gritar com todo mundo e...
- E você não podia ficar de fora né?! – ele completou revirando os olhos, soltei um riso fraco.
- Eu não podia deixar ela falar daquele jeito com meus amigos!
- Você ficou bem nervosa querida! Olha a sua mão! – Marissa disse após retirar a faixa da minha mão direita, estava encharcada de sangue, assim como minha mão.
- Olha o que você fez, ! Estourou seus pontos! – Cody me repreendeu, bravo.
- Desculpa... – disse baixo, brava também, virando o rosto para o outro lado, o lado em que eu não veria Cody nem Marissa e nem a minha mão cortada, dolorida e sangrando. Marissa riu.
- Você pode nos deixar a sós, meu bem? – Marissa perguntou calmamente para Cody, que assentiu com a cabeça, mas antes de sair me deu um beijo na testa. – O amor! – ela riu, uma risada gostosa de se ouvir.
- O que?! – questionei curiosa, dando um riso fraco.
- Vai por mim, se ele não te amasse, não teria ficado tão bravo por isso! – completou, sorrindo.
- Eu sei! – sorri também e olhei pela janela, o dia estava lindo.
- Como se chama? Eu sei que já perguntei antes, mas são tantos pacientes que esqueço rápido!
- ! – disse simples.
- Minha querida , vou dar uma ordem! – ela dizia sorrindo – você conseguiu abrir os pontos que demos em você, quando ficou nervosa e fechou as mãos! Além de estourar alguns da sua testa!
- Desculpa! – ri envergonhada – não foi por querer!
- Eu sei! Mas, a partir de agora, você vai se manter calma todo o tempo, não faz bem ficar tão nervosa e nem preocupada! Seu amigo vai ficar bem! Seu namorado doou sangue pra ele e não pense que foi pouco! Foi bastante! Assim que eu terminar aqui, vou te dar um remédio para dor, porque eu sei que está doendo de novo! Mas você tem que me prometer que vai se manter calma!
- Eu prometo! – disse firme! Sorrimos uma para a outra.
Após conversar sobre diversos assuntos com Marissa, ela terminou tudo o que tinha que fazer e me acompanhou até o corredor.
- Obrigada por tudo, Marissa! – agradeci a abraçando.
- Não foi nada! – e seguiu para outro lado.
- Ufa! Até que enfim você saiu! – disse aliviado me abraçando.
- Fica calma! – me repreendeu, mas depois riu.
- Eu não posso fazer nada se eu gosto de uma briga, ainda mais se for pra defender meus amigos! – me justifiquei.
- Mike Tyson na área! – completou risonho.
- Eu já tinha até esquecido dessa! – riu.
Procurei Cody ao redor e o vi conversando com a mãe de , quando me viu deu um daqueles sorrisos lindos que só ele sabe dar e me chamou com a mão. Assim que me juntei a eles, recebi um abraço da mãe de .
- Como está se sentindo?
- Melhor!
- Eu estava aqui, agradecendo ao seu namorado, por ter doado sangue pro ! Queria aproveitar para te agradecer também! Por se preocupar tanto com ele!
- O é muito mais que um amigo pra mim! Não foi esforço algum!
- Agora a única coisa que me deixaria mais feliz, neste momento, seria receber boas notícias do ... – ela disse triste.
- Ele vai ficar bem! Eu sei que vai!
Sorrimos e ela saiu para conversar com , deixando apenas Cody e eu. Me virei para ele, o abraçando de leve, pois meus braços estavam doendo.
- Não faz isso! – ele disse preocupado se soltando um pouco. – Vai se machucar de novo!
- Eu não vou! Você não deixaria, eu sei! – ele sorriu. Ficamos nos olhando por alguns instantes, então pousei minhas mãos em seus cabelos e tentei os arrumar. Ele fechou os olhos.
- Eu poderia ficar assim o dia inteiro! – ele suspirou, sorrindo fraco. Parei de arrumar os cabelos para então passar minhas mãos por seu rosto. Ele abriu seus olhos e me olhou fixamente.
- Por que tão lindo? – sussurrei sorrindo de lado. Ele riu. Então puxei seu rosto para perto do meu e colei nossos lábios, ele segurou um pouco mais forte minha cintura, me puxando para mais perto dele. Então senti uma dor e tive parar nosso beijo.
- Ai. – falei colocando um dedo no um lábio inferior, e em seguida vendo sangue em meu dedo. – Até meu lábio tá cortado? Que saco! – falei nervosa. Ele riu me abraçando e dando um beijo em meu pescoço.
- Não faz mal, tem outros lugares do corpo que eu posso beijar! – ele sussurrou e eu me arrepiei instantaneamente.
Ia dizer alguma coisa, mas fomos todos interrompidos pela aparição do médico. Todos ficaram em silêncio, aguardando que ele se pronunciasse:
- Ele acordou!


Capítulo 12



Havia uma fila pra ver o , infelizmente só os pais dele conseguiram entrar, afinal de contas ele estava na UTI, e a entrada de todos ao mesmo tempo não era permitido.
- Que alívio! – disse soltando todo o ar de seus pulmões.
- Nem me fale! – disse fazendo o mesmo.
- Parece que tirou umas cem toneladas de culpa dos meus ombros... – comentou baixo.
- Ele acordou! Agora está tudo bem! – Falei o abraçando de lado.
- E você? Como está!? A propósito... obrigado por me defender! Eu fiquei sem reação!
- Você é meu melhor amigo, esqueceu!? Eu defenderia você não importasse o que!
- Você tá parecendo uma mendiga, sabia? – falou pra mim.
- Você também não tá lá essas coisas! – respondi ofendida.
- Você tá pior, vai por mim! – mostrei o dedo do meio pra ele e fui para o lado de Cody, que falava ao telefone.
- Ela acabou de chegar aqui! – disse me entregando o telefone. Arqueei uma sobrancelha em dúvida. – Sua mãe!
Meu coração parou de bater por uns instantes. Só tinha uma coisa tão ruim quanto à possibilidade de ter morrido no acidente: ouvir minha mãe gritar comigo por não ter ligado pra ela depois de quase morrer num acidente. Peguei o celular e tomei coragem.
- Oi mãe! – tentei dizer o mais normal possível. Cody riu ao meu lado.
- “Oi mãe?”. É isso que você fala pra mim, !? VOCÊ SOFREU UM ACIDENTE!! – afastei o telefone do ouvido assim que ela berrou.
- Desculpa, não ter te avisado! Eu ainda tô meio desnorteada! Não sei o que eu faço! Tô toda cortada e suja de sangue!
- Eu sei! Não graças a você! Graças ao seu namorado que me ligou e me manteve informada!
E assim seguiu por mais alguns minutos até ela se dar por satisfeita e parar de brigar comigo e desligar o telefone. Respirei fundo. Olhei para Cody que falava novamente ao telefone. Estranhei e olhei para o celular que estava em minhas mãos, era o meu.
- Ok! Obrigado!
- Vai dizer que era outro parente meu?
- Só se alguma prima sua, for recepcionista de hotel! – ele disse risonho. Pensei alguns segundos e fiz um não com a cabeça.
- Não! Nenhuma prima trabalha em hotel!
- Mas a gente vai pra um! – disse sério. – Você precisa tomar um banho!
- Até você!? – disse um pouco ofendida, ele riu.
- Pra mim você é linda de qualquer jeito! Mas o problema é que sua roupa está rasgada e cheia de sangue!
Olhei para as minhas vestes e concordei com a cabeça.
- Mesmo porque a gente não vai conseguir ver o hoje mesmo!
- Você tem razão!
- Tenho!? – ele disse surpreso. – Acho que essa é a primeira vez que ouço isso vindo de alguma mulher! – ri e ele me abraçou.
- Engraçadinho!
- Vamos!
- Aonde nós vamos!? – se intrometeu na nossa conversa.
- Nós – Cody apontou para ele e para mim – vamos para um hotel! A precisa tomar um banho e descansar um pouco! Eu aconselho vocês a fazerem o mesmo!
- Como assim!? E a nossa relação, Cody? Você me disse que ia largar a pra ficar comigo!! – revirei os olhos e começamos a rir.
- Coisa invejosa.
- Me respeita, !
- O já está ligando pra um hotel! Vocês vão querer carona? – Cody disse.
- Não vai ser necessário, Christian! Eu levo eles até o hotel! – apareceu de repente. – Mas obrigado pela oferta!
Eu simplesmente fiquei estática, com medo do que poderia acontecer.
- Se cuidem!! – disse me abraçando.
Após nos despedirmos de todos, entrei no carro e seguimos rumo à um hotel.
- Não é o melhor hotel dos Estados Unidos, mas é o melhor que eu consegui de última hora.
- Nem se preocupa com isso! Contanto que eu esteja de banho tomado e com você, eu já fico mais que feliz! – Ele sorriu, segurou minha mão e depositou um beijo nela.
Seguimos o caminho do hospital até o hotel em silêncio. Sempre que eu fechava meus olhos, a lembrança do acidente vinha em minha mente. Por mais que o estivesse acordado, foi tudo tão recente que ainda não tinha dado tempo de cair a ficha de tudo o que havia acontecido. E se o não tivesse acordado? E se ao invés de ele ter entrado em coma, fosse eu em seu lugar? E se algum de nós tivesse morrido? O que será que estaríamos fazendo agora? O que estaria passando em nossas mentes?
- Pensando em que? – Cody me tirou do transe em que me encontrava.
- Possibilidades.
- Você ainda está pensando no acidente? – concordei com a cabeça. – Esquece isso, já passou! Estão todos bem! Não adianta você se martelar com o que poderia ter acontecido ou não!
- Eu sei, o pior é que eu sei!
Assim que chegamos ao hotel, Cody cuidou de fazer o Check-in e então subimos para o quarto. Era um quarto simples, tinha um banheiro, um closet, uma varanda com algumas cadeiras e uma mesa, um frigobar, um raque com televisão e bem no centro do quarto uma cama de casal.
Me sentei na cama, alisando o cobertor macio que estava a cobrindo.
- Como estão os seus machucados? – Cody sentou-se do meu lado, passando uma de suas mãos na minha testa, em cima de um dos cortes que estava com faixa e gaze.
- Um pouco doloridos ainda!
E então de repente algo me veio em mente, arregalei os olhos e Cody franziu a testa.
- O que?
- Eu não tenho roupas! Minha mala com as trocas de roupa estão na casa do ! Nós estávamos voltando pra lá depois da festa!
Cody ficou um tempo em silêncio, pensando. Assim como eu.
- Eu vi um Walmart aqui na frente do hotel! A gente dá uma passada lá e compra pelo menos uma troca de roupas pra você! Pode ser?
- Pode! – concordei com a cabeça.
Peguei minha carteira, descemos de elevador para o saguão e só atravessamos duas ruas.
- Roupas... roupas... – ele dizia enquanto olhava para as placas que ficavam no alto dos corredores. – Ali! – apontou para um lugar.
- Até que tem umas coisas bonitas aqui! – disse olhando para as araras com roupas.
- Você vai precisar do que?
- Uma blusa, uma calça, um moletom e... – parei de falar.
- E o que?
- Uma calcinha! – ri fraco e ele sorriu.
- Pode deixar que essa eu escolho pessoalmente! – ele disse rindo. Dei um tapa no braço dele e ele me segurou pela manga da blusa que eu estava, nos aproximando até ficarmos cara a cara, me dando um selinho demorado. – Você não vai precisar de moletom! Usa o meu!
- E você usa o que?
- Por favor, olha pra mim! Eu sou puro músculo! Não sinto frio! – disse se gabando e mostrando o muque. Ri fraco e revirei os olhos.
- Patético.
- Falando sério agora, eu tenho outro moletom no carro.
- Então tudo bem!
- Sem contar que você deve ficar extremamente sexy com o meu moletom! – Sorri envergonhada e comecei a procurar alguma blusa.
Enquanto passávamos pelos corredor do supermercado, as pessoas me olhavam de modo estranho.
- Parece que nunca viram uma pessoa que acabou de sofrer um acidente! – bufei.
- É que eles estão admirando a sua beleza!
- Obrigada, meu amor! – sorri falsamente e ele sorriu.
- Disponha! – ele respondeu cordial. Ri baixo.
Após ser olhada de cima à baixo enquanto passava as compras no caixa, enquanto saia do Walmart, enquanto entrava no hotel e enquanto subia até o quinto andar pelo elevador, entrei no quarto e dei graças a Deus por estar lá de novo, sem ninguém me julgando. Como é que as pessoas conseguem julgar tanto as outras só com o olhar, sem mesmo saber pelo o que a pessoa passou ou está passando?
Pois é, todos fazem isso.
- Vai tomar banho? – Cody disse deitando na cama.
- Pra falar a verdade, eu tô com medo de tomar banho...
- Por que?
Suspirei e tirei a blusa de frio, deixando à mostra meus braços todo cortados. Olhei bem para cada corte que eu consegui ver. Cody respirou fundo e se sentou do meu lado na cama. Passou a mão em cada ferimento, beijando cada um em seguida. Seus beijos subiram dos braços para o pescoço, e do pescoço para o meu rosto.
- Você não precisa tomar banho agora se não quiser! – sussurrou quando nossas bocas estavam à centímetros de distância. Em seguida me beijou, não como aqueles beijos comuns que dávamos, mas beijos cheios de desejo e paixão.
Sem parar o beijo tirei meu tênis com o pé. Em seguida o encarei, olhei no fundo daqueles olhos verdes e sorri com o canto dos lábios. Estávamos sentados um do lado do outro, o que fiz no segundo seguinte foi algo totalmente lúcido e acima de tudo, algo que eu queria.

Me levantei da cama e em seguida me sentei no colo de Cody, que ficou quase sem reação com o que eu fiz. Deixei meus braços sob seus ombros e pescoço, e voltei a beijá-lo. Ele desceu suas mãos por minhas costas, para então tocar minha pele por baixo da blusa. Senti-o alisar os ferimentos que estavam com faixa e também os que não estavam. Ele deslizou suas mãos pela minha cintura e tocou minha barriga, subindo até meu sutiã e passando as mãos no local. Eu já estava respirando com um pouco de dificuldade. Parei de beijá-lo e o encarei, tirando minhas mãos de seu corpo e as esticando para o alto. Ele olhou nos meus olhos, como se pedisse permissão para fazer isso, e eu apenas mordi o lábio inferior. Em questão de segundos eu já não estava mais com minha blusa.

Seus olhos percorreram todo o meu tronco, agora ele tinha a visão completa de todos os arranhões e machucados. Mas ao invés de parar o que estávamos fazendo, ele começou a distribuir beijos pelo local. Pousei minhas mãos na barra de sua camisa e comecei a puxar para cima, a tirando em seguida. Então estavam os dois, ambos sem blusa e com muito, mas muito desejo.

A cada momento que passava, mais feroz ficava o beijo, de repente ele parou de me beijar e me olhou. Ainda comigo em seu colo ele se levantou, o que me fez cruzar as pernas em torno de seu quadril. Ele girou e subiu na cama novamente, mas desta vez me colocando deitada. Então voltou a me beijar, um beijo calmo, apaixonado. Senti suas mãos deslizarem pelas laterais do meu corpo e pararem na barra da minha calça jeans, sem pensar muito, minhas mãos foram até os botões da calça e eu a desabotoei, para ele então, começar a puxá-la para baixo, até tirar completamente do meu corpo.

Fiz o mesmo com a calça que ele estava, desabotoei e comecei a puxá-la para baixo, deixando que ele terminasse de tirar. Uma de suas mãos estava alisando minha coxa e a outra minha cintura. Sem perceber direito o que estava fazendo, minhas mãos deslizaram as costas de Cody, as arranhando, o que o fez apertar não só minha coxa, como minhas costa, e isso fez com que eu soltasse um gemido de dor.
- Te machuquei? – ele perguntou ofegante, me olhando assustado.
- Doeu um pouco...
- Eu acho melhor a gente parar!
- Não. – Ele arqueou uma sobrancelha – não!
- Eu não quero correr o risco de te machucar! – ele disse desviando o olhar, ele ainda estava em cima de mim, porém apoiado nos braços.
- Você não vai me machucar! – disse e virei o rosto dele para me olhar. – Você é a última pessoa que me machucaria! – dito isso, puxei seu rosto e o beijei. O senti ficar mais relaxado.
- Você tem certeza? – ele disse no meio do beijo.
- Absoluta! – parei o beijo – mas se você não quiser... – disse o empurrando de cima de mim e me levantando da cama.
- HEY! – protestou – aonde pensa que vai? – ele se levantou e me puxou pelo braço colando nossos corpos, fiz uma cara de dor rápida, mas ele percebeu.
- Você tá com medo! – afirmei.
- Nunca! – e então ele me beijou, passou suas mãos em minhas pernas e as apertou, para que eu desse impulso e subisse em seu colo. – Ainda mais porque eu tenho duas coisas! – ele me encarou.
- Que seria?
- Desejo... e camisinha! – o encarei por alguns segundos e então comecei a rir. Em questão de segundos fui jogada novamente na cama, eu ria e observava Cody. Ele sorria tão abertamente que eu era capaz de congelar aquele momento para sempre.
Ficamos nos encarando por alguns segundos até que senti o fecho do meu sutiã ser aberto. Arregalei os olhos e Cody riu me beijando. Não demorou muito para que o resto de roupa que nos restava fosse arremessado para algum canto do quarto, e aquilo que por um tempo eu evitava, aconteceu por uma iniciativa minha.
***

Já fazia algum tempo que estávamos deitados, aquela típica cena de filme. Cody estava deitado de barriga para cima e eu estava deitada nele, não por completo, apenas meu tronco. Não se ouvia nenhuma palavra, apenas o som da nossa respiração.
- Acho que vou tomar banho – disse baixo.
- Tudo bem! – ele disse tirando os braços de mim para que eu me levantasse, e assim o fiz, ficando de costas para ele, ainda sentada na cama, procurando por minha calcinha. O quarto estava uma zona.
- Ah não! – o ouvi falar baixo em tom de voz preocupado.
- O que? – o encarei. Ele se levantou e passou um dedo na palma da minha mão direita e me mostrou.
Sangue.
- Isso é culpa minha...
- O que? – fiquei de frente para ele – nem pense nisso, Cody!
- Talvez se eu não tivesse te apertado, você...
- Você não me machucou! Eu juro! A minha mão só ‘tá tão feliz, que até chorou um pouco! – sorri para ele, que riu fraco.
- Engraçadinha! – o sorriso dele de repente desapareceu. Suspirei e peguei sua mão que estava segurando meu braço, apertei e depois a beijei. Ele observava tudo o que acontecia. Me levantei da cama e o puxei, fazendo ele se levantar também. – O que você está fazendo?
- Indo tomar banho com o meu namorado, assim ele pode aproveitar pra pedir desculpas para os machucados enquanto lava eles! – ele sorriu e entramos no banheiro, ele ligou o chuveiro e eu tirei alguns esparadrapos e bandagens que estavam espalhados pelo corpo.
No tempo que se passou, não houve nada. Cody pegou uma esponja que tínhamos comprado no Walmart e começou a passa-la nos ferimentos, o mais cuidadoso possível, esfregando para tirar as marcas de sangue que já estavam secas e algumas sujeiras causadas pelo acidente. Fiz o mesmo com ele e depois disso, apenas nos abraçamos e ficamos embaixo do chuveiro, um sentindo a respiração do outro.
- Sabe... – ele disse.
- Hum...
- Eu acho que te amo! – ele disse de repente, suavemente. Não me movi, suas palavras causaram um efeito em mim que há anos eu não sentia. Sorri, sem olha-lo. Fechei os olhos para ter certeza de que havia mesmo ouvido aquilo e sim, foi real.
- Sabe... – respirei fundo. – Eu também acho que te amo! – e finalmente o olhei. Estávamos sorrindo um para o outro, novamente. O puxei e nos beijamos, pela milésima vez naquele dia.
- Caramba, que bom que você não disse um “obrigada!”, eu não saberia aonde enfiar a cara! – ele riu fraco desligando o chuveiro e pegando uma toalha para mim e outra para ele.
- Eu estudo Direito, portanto, a verdade deve ser dita! – ri me enrolando na toalha e ele fez o mesmo.
Voltamos para o quarto, que por sinal estava uma bagunça, coloquei minha calcinha e meu sutiã e ele a cueca dele. E... bem, mais sexy que isso é impossível.
- Acho que... você poderia ficar assim, não é? Só de cueca! A visão está perfeita!!
- Engraçadinha! – ele riu envergonhado.
- Você? Com vergonha? Por essa eu não esperava...
- Só você consegue me deixar assim! – ele disse se aproximando de forma sedutora – agora vamos, vou cuidar dos seus machucados!
Me sentei na cama e ele se sentou atrás de mim, passou uma pomada em todos os cortes que estavam localizados nas costas e nos braços, em seguida enfaixando aqueles que estava cortados mais profundamente. Me virei de frente para ele, assim ele podia passar a pomada no corte da testa.
- Esse aqui tá entre um dos piores! – disse olhando para a testa.
- Eu discordo, minha perna direita tem um horrível! – mostrei para ele, que fez uma careta – e os cortes nas mãos... – virei as mãos com a palma para cima e ele as observou. Os cortes estavam vermelhos.
- Tá doendo? – ele passou um dedo por cima dos pontos.
- Um pouco – suspirei. A cara de Cody se fechou de repente – o que? Você não tá se culpando de novo, não é?!
- Eu não gosto de ver você sofrer!
- Por acaso, eu estou com cara de quem está sofrendo? – perguntei, mas não obtive resposta – me responde!! – ele me encarou.
- Não!
- Pois é! Eu não estou!! Você me fez parar de pensar em algo que vem martelando a minha mente desde a madrugada! Eu só tenho que te agradecer!!
- O que?
- Obrigada! Obrigada por estar lá quando eu precisava, obrigada por falar com a minha família porque eu não tive coragem, obrigada por quase desmaiar depois de doar sangue porque você tinha que resgatar essa descompensada que estava desmaiando no corredor! Obrigada principalmente, por ser meu porto seguro!
Percebi no mesmo instante em que disse isso, que ele tinha ficado sem reação.
- Acho que eu despejei tudo muito rápido, não é?
Ele concordou com a cabeça, respirado fundo. Me levantei da cama e comecei a vestir minha calça jeans. Parabéns, . Você fala tudo o que tinha pra falar e não recebe nem um “de nada”.
Enquanto martelava essas coisas na minha cabeça, uma mão me segurou por trás e me virou. Estava cara a cara com Cody, sua respiração estava pesada e seu semblante estava sério.
- O que...
- Shh! – fui interrompida bruscamente. – Você me agradeceu, mas na verdade, quem tem que te falar umas coisas sou eu!
Neste exato momento, arregalei os olhos e só aguardei o que viria a seguir:
- Desde o momento em que eu te vi lá em Stanford, você... sentada no meio dos meninos, como se pertencesse ao grupo deles há anos, toda jogada e largada na grama... – ele riu fraco – assim que olhei pra você, e você retribuiu o olhar pra mim, alguma coisa me disse que você era a garota que eu estava esperando aparecer na Universidade.
“E de repente, eu me vi te procurando pela faculdade sem ao menos saber se você namorava, era noiva ou casada! Eu só queria te ver... e foi quando eu te encontrei na biblioteca, estudando. E depois eu te vi com o , naquele momento eu queria matar ele... então teve a primeira festa que nos encontramos, eu te joguei na piscina e você queria me matar! Mas isso tudo foi só porque eu queria de alguma forma chamar a sua atenção... e depois eu vi você vestindo a minha camiseta do time... – ele sorriu abertamente. – E depois daquilo você me disse que não era como as outras garotas e o que eu já tinha certeza antes, foi confirmado naquela frase! Depois dessa festa, teve aquele dia em que eu te convidei pra outra festa, eu não esperava que você fosse, mas você foi e me deu o melhor presente que você poderia me dar...”
- Um beijo! – eu disse sorrindo fraco.
- Um beijo – ele concordou – e aquele dia no vestiário antes do jogo também, mas então teve aquele dia... o dia da cozinha da irmandade...
- O dia em que eu quis matar você...
- O dia que eu fiz uma besteira enorme... eu pensei que você não quisesse nada comigo, você me tratava de forma indiferente e eu decidi que não ia mais tentar nada com você... foi quando você me viu...
- Eu fiquei puta com você!
- Eu percebi naquele momento que tinha feito uma merda enorme, porque se você não gostasse nem um pouco de mim, você não ia se importar, mas o que você fez? Foi lá para os braços daquele seu amigo... – disse bravo.
- Wesley...
- Esse mesmo – disse de cara fechada – e eu percebi que o que nós sentíamos um pelo outro era recíproco e tomei a decisão de te pedir em namoro...
- Da maneira mais constrangedora possível... - revirei os olhos e ele riu.
- E agora aqui estamos nós! Nesse quarto de hotel, namorando há quase três meses já!
- Três meses? – arregalei os olhos – passou muito rápido!
- E eu não podia ficar sem agradecer você, por tudo o que fez por mim! Já tinha um tempo que eu não era o mesmo... minhas notas só decaiam cada vez mais, eu ia para as aulas bêbado... e de repente veio você, e você me fez querer mudar, mudar pra te impressionar... eu sou muito grato por isso!
Nós nos abraçamos, ficamos um longo tempo desse jeito.
- O que você acha de uma segunda rodada? – Cody perguntou enquanto nos abraçávamos, desceu sua mão até minha bunda e a apertou e depois começou a rir.
- Cara de pau! – o observei rindo – mas respondendo à sua pergunta: nem pensar!! Eu tô morrendo de fome!! Eu quero jantar! Vamos, coloca a sua roupa!
- Tudo bem, mãe! – ele bufou frustrado começou a vestir suas roupas.
***

O dia seguinte começou da maneira mais agradável possível. Cody distribuindo beijos pelo meu rosto.
- Bom dia! – ele dizia enquanto me sufocava de beijos.
- Bom dia! – eu disse bocejado.
- Mas será possível que essa pessoa fica linda até bocejando, de cabelos desajeitado e com a cara amassada!?
- Falso! – ele gargalhou.
- O que nós vamos fazer hoje?
- Eu quero ver o ... – ele concordou com a cabeça – e eu também preciso ir até a casa do buscar minha mala.
- Tudo bem! Agora nós vamos tomar um bom café da manhã e vamos depois para o hospital! Mais tarde nós vamos até a casa do e amanhã a gente volta pra Stanford, pode ser?
- Sim! – disse me levantando. Os olhos de Cody seguiram todos os meus movimentos – o que?
- Eu falei que você ficaria sexy com meu moletom! – ele me olhou de uma cara de safado e eu ri. Eu estava com uma calça e uma camisa moletom dele. – Na verdade você fica sexy de qualquer jeito, ainda mais usando toda a minha roupa...
- Vantagens de se ser namorada de um homem muito gato, muito cheiroso e muito estiloso! – disse cheirando a camisa dele e sorrindo, o vi fazer o mesmo.
- Dá um sorriso! – ele falou apontando o celular pra mim. Sorri e em seguida ouvi o barulho da câmera do celular. – Essa vai ficar guardada pra sempre! – ele sorriu e depois virou o celular de frente, tirando uma selfie nossa.
- Nós somos um casal muito lindo – disse beijando o rosto dele – mas temos que ir!

A chegada no hospital foi normal. Assim que entramos no corredor que passamos o dia anterior aos prantos, todos já estavam lá, com roupas novas, limpos e com uma cara melhor que antes.
- Bom dia, casal! – disse sorrindo – vejo que a tomou banho! Que beleza!
- Vem cheirar meu sovaco!
- Agradeço, porém não.
- E ai, ? – disse me abraçando.
- Como você está? – Cody perguntou.
- Bem melhor que ontem, pode ter certeza!
- E o ? – perguntei curiosa.
- Daqui a pouco vão liberar as visitas! – uma voz disse atrás de mim. Me virei dando de cara com , ele sorriu e eu sorri de volta. – Como você está? – perguntou me abraçando.
- Bem... e você? – retribui o abraço.
- Melhor agora! – ele sussurrou no meu ouvido, o que me deixou surpresa. Nos separamos e ele encarou Cody, os dois meio que se cumprimentaram com um aceno de cabeça.
- Ele está na UTI ainda?
- Não! Ele foi transferido para o quarto hoje mais cedo! – falou.
- Que alívio! – suspirei e Cody me abraçou de lado.
- Bom dia! Quem vai ser o primeiro a entrar? – uma enfermeira disse saindo do elevador que dava para os quarto.
- Vai você e o ! – Cody disse nos olhando.
- Por mim tudo bem! – disse e concordou com a cabeça.
- Então vamos! – dei um selinho em Cody e fui com para o elevador.
estava no sexto andar, apertei o número seis do elevador e esperamos ele parar no nosso andar. A enfermeira ainda estava conosco. Ela nos entregou dois crachás. Assim que o elevador se abriu e nós saímos dele, ela nos orientou.
- Apresentem estes crachás ali na frente para o segurança e depois vocês podem ir até a recepção e perguntar sobre o amigo de vocês! – ele disse sorrindo e bem calma.
- Obrigada!
Nós seguimos o que ela falou, apresentamos o crachá e assim que passamos pelo detector de metais, vimos um balcão com uma placa suspensa escrito “Recepção”. Andamos até lá e fomos atendidos por um homem que aparentava ter seus quarenta anos.
- Bom dia! – disse – eu gostaria de saber o quarto de um paciente!
- Qual o nome dele?
- , ! – ele abaixou a cabeça e começou a procurar o nome dele em uma lista, assim que encontrou bateu a caneta em cima do nome e então olhou para nós.
- O senhor está no quarto doze! Fica a direita do corredor, perto da máquina de café!
- Obrigado! – respondeu.
Começamos a procurar o quarto do e assim que vimos a máquina de café sabíamos que estávamos perto já.
- Quarto doze! – disse lendo o número na porta. Bati na porta e esperei por uma resposta.
- Pode entrar! – uma voz disse um pouco baixo de dentro do quarto. Sorri para e abri a porta do quarto. Assim que entramos, vi que não estava sozinho, ele tinha um companheiro de quarto.
O olhar de estava meio sério, mas assim que ele nos viu, um sorriso de canto a canto de seu rosto se formou.
- Alguém estava com saudades?
- Vocês estão aqui!! – ele disse feliz. Fui em sua direção e o abracei forte, ele fez o mesmo.
- Você quase nos matou de preocupação! – meus olhos se encheram de água e quando o encarei ele estava chorando.
- Como você está? – ele perguntou limpando as lágrimas que escorriam de seu rosto.
- Eu estou ótimo também! – disse atrás de nós, falando como se não tivesse sido notado.
- Bro!! – o abraçou. É claro que não era um abraço dos melhores, ele tinha quebrado a perna esquerda e o braço direito. – E esse braço quebrado ai?
- Você viu!? Mas pelo menos só foi isso! E eu nem precisei fazer cirurgia!
- Minha perna tá fodida! – ele disse frustrado.
- Nada que uma fisioterapia não melhore, senhor ! – disse tentando o animar.
- E essa faixa na testa? O que você fez?
- Cortei! – disse passando a mão em cima e depois arregaçando as mangas da camiseta moletom, mostrando os outros cortes enfaixados.
- Caralho! – ele disse arregalando os olhos – cortou a mão também? – olhou para as minhas mãos que estavam enfaixadas, parecia que eu ia lutar.
- Pois é! – assenti com a cabeça – eu não quebrei nada, mas em compensação me cortei toda! – disse frustrada também.
- Mas continua bonita! – uma voz disse e eu franzi a testa, olhando para trás vi o outro “morador” do quarto. Ele sorriu e acenou com a mão, virei meu rosto para , estava com a sobrancelha arqueada, como se precisasse de uma resposta.
- Esse é o Arthur! Ele caiu de moto há uns dias atrás! – disse o apresentando – Arthur, esse é o e essa é a ! – cumprimentou Arthur com um aperto de mão, fui na direção dele e ele segurou minha mão.
- É um imenso prazer conhece-la, ! – dito isso ele beijou minha mão como um perfeito cavalheiro. Uma hora dessas eu estava boquiaberta já.
- O-o prazer é todo meu, Arthur! – falei rindo fraco e ainda um pouco assustada com tal atitude.
- Esse Arthur é um paquerador nato! – revirou os olhos e nós rimos.
Depois de ficar um tempo conversando com e seu mais novo amigo Arthur, era hora de descer e deixar que outra pessoa falasse com ele.
- Amanhã vocês voltam? – ele disse preocupado e curioso ao mesmo tempo.
- Mas é claro!! – o abracei sorrindo.
- Você acha que vai se livrar de nós tão cedo? – falou dando um aperto de mão em Arthur e depois em .
- Tchau, Arthur! – eu disse o abraçando e ele sorriu retribuindo.
- Até amanhã, ! – gritou da porta e eu pude ouvir Arthur gritar lá de dentro.
- Amanhã você me passa seu número, !?
- Não sei! – gargalhei e sai do quarto, indo em direção ao elevador.
- Não sei quanto à você, mas eu fiquei bem feliz em ver o bem! Ele pode estar todo estropiado, mas mesmo assim, ainda é o ! – comentou enquanto estávamos no elevador.
- Concordo plenamente! – assim que descemos no térreo, todos nos olharam e meus olhos foram direto para o Cody, que estava em pé, conversando com , que estava sentado. Assim que ele me viu sorriu abertamente e eu fiz o mesmo.
- Quem serão os próximos? – perguntou.
- Cody e eu! – disse se levantando do banco que estava sentado.
- Peguem seus crachás, mostrem para o segurança antes de passarem pelo detector de metais. O está no sexto andar, quarto doze! – disse para que os dois pudessem ouvir. Ambos assentiram com a cabeça e saíram, mas antes de Cody sair ele me deu um selinho demorado.
- Anda logo, Christian! – o advertiu.
- Sim, senhor! – ele fez uma careta para mim e eu ri. Vi Cody entrar no elevador e assim que as portas se fecharam me virei para os outros. Os pais de estavam lá, sorrindo e conversando com .
- Quer ir lá fora? – me perguntou. Concordei com a cabeça e ele começou a andar rumo à porta de saída. Passei pelos pais de e os cumprimentei.
- Bom dia Senhor e Senhora ! – eles me olharam sorrindo, me olhava de uma forma estranha.
- Bom dia minha querida! Como se sente? – a mãe de perguntou.
- Muito bem, e a senhora?
- Ótima!! – sorri concordando com a cabeça e me juntei a na frente do hospital. Fiquei de frente para ele e de costas para a rua. Ele observava o movimento e eu observava dentro do hospital.
Por que raios ele disse que estava se sentindo melhor depois que eu cheguei? Ele não seria louco de tentar alguma coisa comigo sabendo que Cody e eu estamos juntos! Ou... seria?
- Sabe... – disse me tirando dos devaneios – eu vi como você e o Cody chegaram hoje...
- E...?
- E que vocês estão agindo diferente um com o outro! Principalmente você!
- Aonde você quer chegar, ? – arqueei uma sobrancelha.
- Você deu pra ele!! – ele disse animado sorrindo. Arregalei os olhos e o olhei.
- O QUE!?
- , você deu pra ele!!! – ele estava quase gritando.
- Cala essa merda de boca! – dei um tapa no braço dele que não estava quebrado – e aproveita pra ver se me respeita também!!
- Qual é! Você vai mentir pra mim? Tá estampado na cara de vocês!! – arregalei os olhos.
- O que? – disse apavorada, será que todo mundo sabia o que tinha acontecido? – Como assim estampado?
- Arrá!! Peguei você! Eu só joguei um verde e você confirmou as minhas suspeitas!! – ele disse se gabando. Dei um tapa na minha testa, apoiado a cabeça na mão, frustrada. – Você não consegue me esconder nada!!
- Que merda... – falei baixo.
- Eu não ‘tô acreditando! Vocês realmente... – ele não completou, porém me olhou de uma forma como se nem precisasse falar.
- Sim! – concordei com a cabeça e então lembrei da noite passada.
- E então?
- Ele disse que me amava! – as palavras saíram da minha boca sem nem ao menos eu perceber. arregalou os olhos e abriu a boca em um “o”.
- O que!?
- Quer dizer, ele disse “acho que te amo” ... mas isso dá no mesmo, não é!? – balbuciou antes de falar.
- Acho... acho que sim! E... o que você fez? – ele riu fraco – qual foi a tática usada por você para sair dessa situação? – ele riu curioso.
- Eu... eu disse que também amava ele! – encarei , séria. Seu semblante ficou sério por alguns segundos e de repente ele sorriu.
- Você disse isso? – concordei com a cabeça – você gosta dele de verdade! – ele afirmou.
- Acho que sim! – dei de ombros, ainda apavorada por ter contado a . Nem em minha própria mente eu havia me dado conta do que houve.
- Eu fico muito feliz por vocês dois! – disse me abraçando.
Naquele momento, só se ouvia os pássaros e os carros passando na rua, até o momento em que ouviu-se um carro parando rapidamente, as portas se abrindo e depois se fechando.
- Oh, oh! – disse ainda abraçado comigo. Eu, que estava de costas para a rua, virei meu corpo, dando de cara com uma cena que estava prestes a se tornar um furacão. A família pesadelo estava na frente de um carro, carro que eu conhecia muito bem, afinal de contas era do meu pai. Minha mãe estava com a mão na cintura e olhava na minha direção através dos óculos de sol, os gêmeos olhavam ao redor, querendo conhecer o lugar e meu pai ainda estava dentro do carro, esperando que eles se afastassem para ele sair da entrada e ir para o estacionamento.
- Oh, oh! – eu falei quando eles começaram a andar na minha direção e olhei para pedindo socorro.

Continua...



Nota da autora: Finalmente saíram novos capítulos!! Obrigada à todas pela paciência e também MUITO OBRIGADA por lerem e comentarem, eu amo ver os comentários de incentivo! Que vontade de abraçar cada uma de vocês!!
Agora fica a questão: o que vai acontecer?




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