Última atualização: 23/06/2020

Capítulo 1 - Afogamento

Era, naturalmente, o fim do quarto ano. Meu pai não podia me encontrar naquele natal, tampouco minha mãe; eram muito ocupados, nada que eu não pudesse compreender. Era até uma união do útil ao agradável, já que pensara há muito passar o natal ao menos uma vez n’A Toca, com os Weasleys. O convite vinha inicialmente de Gina, quando de relance leu minha mãe dizer que não poderia me ver naquele ano e, em seguida, suas congratulações pelos meus bons resultados finais. Ela sempre apreciava o meu esforço e embora fosse difícil compreender o mundo bruxo, me recompensava sempre que possível. Neste ano, iria passar o natal na Nova Zelândia, com os nossos familiares por parte de meu padrasto – infelizmente, sem clima de festas. A mãe dele, a quem costumava me pedir para chamar de padravó estava muito doente e incapacitada de visitá-los. Ela chegou a me convidar, mas possivelmente já sabia qual seria a resposta. Preferia evitar qualquer ambiente triste como aquele potencialmente era. A minha mãe era trouxa e seu relacionamento com meu pai se deteriorara há anos, por partes graças à distância. Papai, assim como se espera de qualquer bruxo da família , é um auror. Se agarra ao ministério com todas as forças e faz o possível para reverter as ações das Trevas no mundo bruxo. Mamãe é uma obstetra no mundo trouxa, algo que eu quase nunca compreendi. Morei minha vida toda com o meu pai e nas poucas vezes em que passava as férias com minha mãe e Leo, procurávamos conversar sobre coisas mais interessantes do que o trabalho dela. Com mamãe, havia a minha meia irmãzinha, Tessa. Era uma garotinha linda, mas eu sempre odiei crianças e preferi mater distância. Com meu pai, éramos apenas eu e ele e nossa modesta casa. Quando a querida pousou no parapeito da janela eu terminava de escrever minha carta tranquilizando meu pai e dizendo que não havia problema algum em não podermos passar o natal juntos, pois provavelmente passaria com a mamãe ou, como dito anteriormente, n’A Toca. Eu terminei de assinar o meu nome e dobrei a carta. Acariciei um pouco antes de pegar a carta no bico dela e agradecer.

Querida ,
Tendo lido sua última carta, receio dizer que o natal em Boston com Leo e Tessa não lhe será agradável. Iremos a Dunedin visitar sua padravó, que não se sente bem há muito. Acreditamos que o caso é mais sério do que se pensava no último verão; sinto muito, querida, realmente sinto sua falta e gostaria de vê-la. Embora saiba que provavelmente recusará, nós queremos convidá-la a passar o natal conosco. O nosso avião parte semana que vem, e ainda há tempo para reservar uma passagem para você. Sinto mesmo, filhota, mas os dias estão ruins por aqui e está cada vez mais difícil encaixá-la. Sei o quanto ambientes pesados afetam você e não quero que isso atrapalhe nos seus estudos e desenvolvimento como bruxa – coisa que eu nunca vou conseguir entender! Aliás, até hoje não me acostumei muito bem às corujas. Não seria mais prático um correio? Peço que responda a minha carta o mais rápido possível, pois estamos com o tempo contado para os preparativos da viagem. Se decidir por não vir conosco, deixo claro e evidente que não há problema algum e você não será mal entendida pelos parentes. Transmitirei seu amor e sentimentos à vovó, e espero que seu natal seja fantástico e mágico como merece.

Com muito pesar, porém, muito amor
Mamãe, Abigail Jackson


Eu li a carta em silêncio e então a dobrei retirando imediatamente uma folha nova de pergaminho para a resposta. Fui imediatamente assustada por uma Gina enlouquecida atrás de mim.
- Sabe o que isso significa, né, ? - ela disse colocando suas mãos nos meus ombros. Eu ri com o susto.
- Sei, sei. Finalmente - demos, juntas, a ênfase ao "finalmente" - conhecerei o famoso natal n'A Toca!
- Finalmente!

- x -


Quando finalmente terminei de arrumar o meu malão com a gaiola de por cima e todas as outras malas menores que levavam meus livros e alguns outros pertences, Gina me ajudou a descer com toda aquela tranqueira para o salão comunal da Grifinória. Simas e Dino se prontificaram para nos ajudar a levar tudo para o trem, já que eram os únicos que ainda estavam ali atoa; assim que terminamos de colocar tudo nos porta-malas, entramos juntas e procuramos uma cabine para nós. Passamos pela cabine onde estavam acomodados Harry, Ron e Hermione; dei um toque no vidro para cumprimentá-los e Hermione saiu de lá, vindo atrás de nós. Nós três nos sentamos em uma cabine vazia.
- Vou sentir falta de vocês. - Hermione disse quando por fim o trem deu partida.
- O que? Qual é, logo quando vou passar o natal na casa dos Weasley você não vai? - eu disse meio revoltada, de um jeito cômico.
- Meus pais querem que eu passe o natal com a minha família. Festividades trouxas, você entende, .
Assenti. Gina abriu um livro sobre DCAT e começou a lê-lo, já que o assunto não lhe interessava. Enquanto isso, eu e Hermione discutíamos sua última aventura e as festividades trouxas das quais somente nós duas já estivemos envolvidas antes.
- Mas por que não passará o natal com seu pai esse ano, ? - ela disse curiosa.
- Está ocupado com assuntos privados do ministério, segundo ele. - suspirei. - De acordo com a carta dele, nem pisou em casa por um bom, bom tempo.
- E sua mãe?
Eu fiz que não com a cabeça.
- Minha mãe vai viajar com Leo e Tessa para a Nova Zelândia semana que vem. Vão ver a mãe do Leo que aparentemente está muito mal. Não é que eu não goste deles, mas eu prefiro aqui. - eu disse me levantando quando a moça passou no corredor vendendo guloseimas. Comprei alguns feijõezinhos de todos os sabores e apenas isso; eu e meu pai não podíamos desperdiçar muito dinheiro. Dividi meus feijõezinhos com elas e logo logo eu caí no sono no colo de Gina, porque o cansaço pós-viagem era grande quando não se dormia. Fui acordada bruscamente por uma Gina indignada xingando os ares gratuitamente. Vi, então, que Ron a apressava para pegar sua bagagem e não parava de importuná-la; não pude deixar de rir, e então notaram que eu estava acordada.
- Muito bem, você também precisa pegar suas coisas logo - ela disse empurrando algumas das minhas malas menores em mim. Eu peguei as duas e me levantei, sem tempo nem mesmo para espreguiçar. Peguei o malão e a gaiola vazia de que ainda não havia retornado e corri atrás de Gina e Ron. Aparentemente só havíamos nós no trem.
- , querida! - Ouvi a voz inconfundível de Molly me chamar e vir na minha direção após apertar as bochechas de todos os seus filhos. Ela me deu um abraço apertado do qual sentia falta há tempos. - Fiquei tão feliz quando Gina disse que você viria passar o natal conosco! Vai ser uma honra, querida, uma honra! - ela disse animada. Arthur veio atrás dela, com um sorriso um pouco mais tranquilo.
- Olá, srta. . - ele disse me dando um abraço.
- Oi, tio Arthur. - sorri. - Obrigada por me deixarem passar o natal com vocês.
- Não seja idiota, , você é família. - Ron disse com um sorriso engraçado.
- Certo, para a lareira agora. - Molly disse empurrando todas as malas que conseguia sendo seguida por George e Fred que se empurravam e formavam bolhas com as varinhas. Ron e Gina iam na frente, e eu, atrás de todos, tentava ao máximo carregar aquele monte de coisa. Na ordem, entramos todos na lareira e fomos parar n'A Toca com o pó de flu. Apareci imediatamente em uma sala aconchegante e cheia, MUITO cheia. Ficava de frente para a cozinha e acima de nós haviam muitos andares, mais do que poderia contar para dizer rapidamente. Só ver Fred e George subindo aquelas escadas me deu dor de cabeça; Gina conversava com sua mãe e Ronald tentava conjurar algum feitiço para levar automaticamente suas malas para o seu quarto, sem sucesso.
- Você fica no meu quarto. - Gina disse apontando a varinha para as malas. - Locomotor.
E então nossas malas foram voando até o quarto ou quinto andar, onde estava o quarto de Gina; ela esticou um colchão no chão para mim e o encheu de cobertas e travesseiros, então, nós descemos para a sala. Eu amei a Toca e achei tudo por lá muito a cara dos Weasley. A simplicidade não tornava nem por um segundo o ambiente desconfortável, e, na verdade, eu preferia assim: minha casa não era uma mansão também, e eu não me sentia adequada em ambientes onde tudo fosse... valioso. Me lembrava de uma vez ter estado na mansão de Cornélio, o ministro da magia, e não havia sido a mais agradável de minhas experiências. O natal foi repleto de surpresas e muito agradável por ali. Quando retornou, trouxe alguns presentes consigo. Mamãe me dera um colar que me lembro de ter dito achar lindo uma vez há algum tempo; ele continha um pingente de lua. Papai me deu um lembrol, pois sabia o quão valiosos eles eram para mim - poderia esquecer a cabeça se não fosse colada em mim. Harry e Hermione me mandaram presentes também, respectivamente um pomo de ouro, coisa que eu sempre tinha achado de um charme arrebatador, e um par de saltos maravilhosos que eu também almejava. Fred e George me deram em conjunto uma de suas Gemialidades, aparentemente feita especialmente para mim, segundo George, a mando de Fred. Gina me deu uma máscara de dormir, pois sabia dos meus recorrentes pesadelos. Molly e Arthur, por fim, me deram o clássico suéter dos Weasley, com um "C" estampado. A vontade era de nunca mais tirá-lo do corpo. Recebi também um presente da professora Juno, um chapéu que me caía muitíssimo bem, mas possivelmente só seria úlil no traje a rigor. E assim se passou o natal n'A Toca, com os Weasleys.

- x -


Eu, Hermione e Ron conversávamos no andar de cima enquanto os membros da Ordem tinham o que chamavam de uma importante reunião no andar de baixo. Os aurores, Olho Tonto Moody e Nymphadora estavam procurando por Harry.
- Eu acho que ele estava afim de você. - eu disse rindo enquanto Hermione corava. Ron parecia desconfortável com o assunto mas no fim acabou rindo. - E até hoje acho que Ron tem inveja por você ter saído com o Krum, e não ele.
- Devíamos estar preocupados com Harry. - ela disse, cortando o clima. Eu me calei por um instante; Harry havia sido atacado por dementadores na casa de seus tios e corria risco de ser expulso de Hogwarts. Uma audiência formal havia sido marcada. Eu e Hermione fizemos todas as pesquisas necessárias e já sabíamos, ele não podia ser expulso, mas Sirius e Remo não achavam que seria o suficiente ter argumentos válidos contra o ministro. Ouvimos a porta abrir e então Hermione abraçou Harry de imediato. Eu e Ron acenamos para ele que acenou de volta por trás da amiga, que finalmente, o soltara. Ela se afastou dele.
- Sentimos sua falta, Harry. - eu disse, me referindo ao natal. - E, bom... sinto muito pelos dementadores.
- Já pesquisei tudo e eles não podem te expulsar, Harry. Seria injustiça.
Ele entrou pela sala observando enquanto falava.
- Tem havido muita injustiça ultimamente. Que lugar é esse?
- É o esconderijo. Da Ordem da Fênix - Hermione começou. - É uma organização secreta. Dumbledore a criou quando lutaram contra você-sabe-quem.
- E não podiam ter me contado? Enviado uma carta? Eu fiquei sem notícias as férias todas. - Harry parecia furioso e inconformado.
- Nós íamos, Harry. Íamos mesmo. Mas Dumbledore nos fez prometer não dizer nada.
- Dumbledore disse isso? - ele olhou para mim, como se buscasse refúgio, mas eu assenti. - Até mesmo para você, ? O seu pai é do ministério..
- Acho que isso era um fator a mais para não quererem que eu lhe contasse, Harry. - eu coloquei as mãos em seus ombros. - Meu pai é da ordem também.
Nos assustamos com os gêmeos, que apareceram de repente com as mãos escoradas em Harry.
- Nós pensamos ter ouvido sua suave voz, Harry - disse Fred.
- Não se reprima, libere sua raiva- George completou.
- Agora que já terminou a bronca, quer ouvir algo muito mais legal?
Tentamos todos escutar o que estavam falando do outro lado da porta através de uma orelha que sabe-se lá como haviam arranjado, mas o Bichento logo começou a brincar com a orelha até arrancá-la e nos impossibilitar de ouvir. Finalmente descemos, ouvindo o chamado de Molly e nos reunimos na sala de jantar da mansão dos Black. Ali estavam Nymphadora, Moody, Remo, o próprio Sirius, Arthur, Molly e agora todos nós. Me sentei de frente para Gina, que ria ao lado de Tonks, se transformando em vários animais diferentes. Tentei prestar atenção na conversa de Fred e George mas logo todos se calaram enquanto passavam uma versão do Profeta Diário para Harry.
- ... Quem em juízo perfeito acreditaria numa maluquice dessas?
- É aí que está, Harry. Cornélio não está em juízo perfeito, ele foi corrompido pelo medo. - Remo disse, o olhando. - O medo faz as pessoas tomarem decisões inimagináveis.
- Eles acham - Sirius retomou. - Que o Lord das Trevas está tentando reunir um exército novamente. E nós também estamos tentando recrutar, é claro.
Eu me desatentei um pouco da conversa enquanto tentava pegar algumas batatas cozidas. Estava meio longe na mesa então Fred as passou pra mim. Eu fiz um "obrigado" como um sussurro, e ele piscou para mim e voltou a discutir sobre fogos de artifício com George.
- ...Mas eu quero entrar! Se ele quer nos machucar, eu quero lutar! - Harry disse, e Sirius pareceu satisfeito enquanto Molly parecia revoltada com o mesmo. Depois disso, todos começamos a jantar e deixamos esse assunto em específico pra lá. A ideia ricocheteou em minha cabeça. O que Sirius havia dito sobre você-sabe-quem querer retomar algo que era seu, e que há muito não conseguira retomar enchia minha cabeça. Sua fixação por Harry e a vontade de levá-lo era o que movimentava a cada um de nós, mas me parecia estranha a relação entre um e outro. Me isolei um pouco remexendo as batatas no meu prato sem prestar muita atenção; apesar de me sentir alheia ali, não era isso o que me movimentava tanto: era pensar que possivelmente, precisaríamos de muito mais do que apenas aquilo para derrotar o Lord das Trevas. E não seria algo simples. Meu pai temia pela minha vida, e só o fato de não estar ali na reunião da Ordem naquele instante me dava a ideia de que estava realizando algo grande, algo muito maior.
- Está tudo bem? - Hermione me perguntou, me olhando fraternalmente. Eu dei um sorriso fraco e assenti.
- Sim, eu só estou pensando. - disse, falando baixo. - Nossa vida vai mudar tanto daqui pra frente, não é?
- É, vai sim. - ela concordou. Notei o olhar dos gêmeos em nós, tentando decifrar o que saía de nossas bocas. Quase pude identificar um olhar preocupado de Fred. Então olhei fixamente para eles, o que fez com que rissem e voltassem a seus pratos, com vergonha. Nós duas também rimos; de repente, toda a mesa ficou em silêncio. Ouvimos alguns barulhos vindos do lado de fora e todos se posicionaram com suas varinhas prontos para o corredor principal. Nymphadora sentiu algo no ar e se levantou imediatamente. - Abaixem as varinhas! - ela disse, animada. Quando a porta se abriu, ela correu como uma louca e abraçou a baixa figura que aparecia ali. Notei o olhar espantado de todos do recinto e então Molly também foi para lá, abraçá-la; após tantos abraços e beijos pude reconhecer que a sombra que se formava era Juno Sparks.
- Pelas barbas de Merlin, Juno! - Molly dizia. - Achávamos que nunca viria! Que saudade, que prazer, oh, que alegria!
Juno riu e se virou para Tonks.
- Eu senti tanto a sua falta. - ela disse e elas se abraçaram de novo. Juno apontou a varinha para seu pescoço e vi um colar de coração saindo dali. - Olha, eu ainda tenho o meu.
- Tá brincando?! É claro que também tenho o meu! - Tonks respondeu entre risos. O único que se mantinha imóvel, desde a hora em que Juno chegara até agora era Sirius. Seus olhos pareciam de cera forma vidrados. Ele se levantou, fazendo com que a cadeira fizesse um barulho que chamou a atenção de todos. Harry olhou para mim com uma expressão de confusão, e eu devolvi com um "não faço ideia". Molly e Tonks abriram espaço e eu vi o sorriso se abrindo no rosto de Remo quando Juno correu desesperada e pulou abraçando Sirius. Eu senti mais amor vindo dali do que de qualquer outro lugar da minha vida.
- Fazem doze anos. - ele disse, ainda sem reação. - Doze anos! - ele a abraçou, por fim. Juno estava chorando.
- Pelas barbas do profeta, você está bem, Sirius! - ela disse entre lágrimas. - É mesmo verdade, está bem! - passou a mão pelo rosto dele. Vi os adultos alegremente se entreolhando. Depois de se olharem por talvez uns dez ou mais segundos, Juno balançou a cabeça e se voltou a nós. Eu acenei para ela. - Olá, ! Que surpresa vê-la aqui. - ela sorriu.
- Eu digo o mesmo, eu acho. - eu disse sem entender nada. Vi Harry perguntar a seu padrinho o que foi tudo aquilo e vi também Sirius dizer que responderia depois. Juno jogou revoltada o Profeta Diário sobre a mesa.
- Me desculpem pelo atraso. Tive pequenos problemas com Dumbledore enquanto vindo para cá, mas nada demais - ela suspirou. Juno era professora de DCAT, mas não exercia seu cargo em Hogwarts há muito tempo; por um favor e cortesia de Dumbledore, ela ainda morava lá e era autorizada a dar conselhos e aulas práticas a alguns alunos se lhe fosse a vontade. Eu aprendi muito com ela, e tínhamos aulas práticas quase sempre. Me ensinou feitiços acima dos meus anos, embora não conseguisse conjurá-los perfeitamente foi divertido tentar e mais divertido ainda vê-la se divertindo com aquilo. Além de tudo isso, era aurora da Ordem e confidente de Dumbledore. Não tanto quanto Snape, mas eles se comunicavam com bastante frequência. Imagino que ele tivesse solicitações acerca dos poderes dela. Fred me chutou por baixo da mesa de repente e eu além de levar um susto, quase levei a mesa junto comigo. Depois de arrancar gargalhadas dele mesmo e de todos os outros presentes, me desculpei constrangida e ele apontou para baixo; olhei e havia um bilhetinho no meu pé. "Precisamos da aprovação de alguém para o mais novo produto Weasley&Weasley. Você PRECISA vir ao nosso quarto depois que todo mundo dormir. De preferência, não traga ninguém, porque queremos que seja uma estreia estrondosa!" Assenti para ele de leve e voltamos a comer. Quando todos teminaram, Ron e Gina lavaram as vasilhas com as varinhas e todos nos recolhemos. Eu, Gina e Hermione ficamos no que parecia ser o quarto de uma moça. Tinha uma cama e um sofá, e Hermione dormia em um colchão que esticamos. No quarto ao lado, Ron e Harry dormiam juntos, e os gêmeos estavam no quarto de cima. Subi as escadas cuidadosamente para não fazer nem um pio e então verifiquei a tranca: trancada.
- Alohomora - susurrei, abrindo a porta delicadamente e fechando-a atrás de mim. Fred ou George me olharam assustados mas ao mesmo tempo animados.
- Se liga nisso - eles pegaram uma poção. - Joga no chão, George.
George jogou a poção no chão e ela formou uma fumaça estranha até se tornar uma réplica quase perfeita dele mesmo.
- Ah, não. Como se dois não bastassem. - eu disse tirando alguns risos deles. Era confidente dos gêmeos nesse quesito: sempre tive um grande atrativo por problemas, e desde pequena fazia tudo o que era me dito para que não fizesse. Desde que os ajudei a roubar o mapa do maroto na sala do Filch, eles confiavam a mim todas as suas descobertas e novos produtos Weasley&Weasley.
- Não é só isso. Saca só - ele se mexeu e a fumaça se mexia junto com ele. Agora, havia ficado realmente surpresa: aquilo seria incrivelmente útil para matar aulas sem perder a chamada!
- Não acredito. - eu tentei tocar a fumaça com as mãos mas a atravessei e então ela se dissipou totalmente no ar.
- Esse é o defeito - eles disseram juntos.
- Ainda está em fase de teste. Talvez possa nos mostrar alguns de seus nobres conhecimentos nas artes das poções que ajudem a consertar esse pequeno imprevisto.
- Qual é, sabe que eu sou horrível em poções - eu ri um pouco.
Enquanto um deles ajeitava as poções em uma caixa maior, o outro que identifiquei como Fred se aproximou.
- Posso falar com você por um instante, ? - ele perguntou caridoso. Eu fiz que sim e fomos para o corredor, fora do quarto deles.
- O que foi aquilo na mesa? - ele escorou na parede e eu me escorei no corrimão que ficava logo em frente. Cruzei os braços balançando a cabeça.
- Não foi nada, sério. Não precisa se preocupar, Fred. - eu ri de leve. - obrigada pela preocupação.
- É que você parecia tão aérea. - ele disse cruzando seus braços igual a mim e me fazendo rir como sempre.
- Eu sei, Mione também me fez essa pergunta. Está tudo bem, eu só estava.. Só estava pensando no quão difícil as coisas têm ficado para as pessoas que procuram o caminho do bem ultimamente.
Ele assentiu com uma expressão de tristeza e ao mesmo tempo compreensão.
- Não parece ter sido feito para fazer sentido, mas precisamos ser fortes. - ele colocou suas mãos nos meus ombros procurando meus olhos. Se abaixava um pouco, porque a diferença de tamanho entre nós era bem grande.
- Vai ficar tudo bem, eu sei. Só estava ponderando. - sorri.
- Eu sei. Só fiquei preocupado porque, bem... da última vez que vi você ponderar, você...
- Caí da mesa no meio do salão comunal e comecei a ter uma convulsão na frente da escola inteira. - eu ri porque de certa forma era cômico. - Eu sei, aliás, me desculpe por isso. Deve ter sido aterrorizante.
- E foi! Seu nariz sangrava, achei que era a própria encarnação de você-sabe-quem.
- Vira essa boca pra lá, Fred! - eu não segurei a risada e ele fez um sinal de "shh" pois estavam todos dormindo. - Ok, tem toda a razão em se preocupar, mas em minha defesa já está tudo bem e aquilo foi uma inconveniência, ok? Eu tô bem. E aliás estou com sono e já passou da hora das crianças aqui irem dormir, não? - eu disse cruzando os braços e ele assentiu.
- Até amanhã. - ele disse entrando em seu quarto e então, eu fui andando para o meu. Vi que Sirius estava sentado no sofá da sala acordado. Ele sorriu pra mim e eu sorri de volta.
- Sabe, isso me lembra bastante eu e ela quando tínhamos a idade de vocês. - ele disse, fechando os olhos. - Dormíamos em grupos na casa dos pais dela porque eu mesmo havia ido embora dessa casa há tempos, e vez ou outra fugíamos de nossos quartos para fugir de todo o resto também.
- Desculpa a ignorância, mas, de quem está falando, Sirius? - eu vi ele abrir um sorrisinho.
- Juno, é claro. - ele riu e não disse mais nada. Então, após soltar um sorriso sincero e feliz, voltei ao meu quarto onde Gina tinha acordado com os barulhos e me olhava com uma cara confusa e meio mau humorada, porém, curiosa. Me deitei para cima e fechei os olhos.
- Onde você estava?
- Trabalhando. - eu disse e ela assentiu. Claramente estava falando enquanto dormia.

-x-


O outro dia foi esmagador. Voltamos a Hogwarts, finalmente, e Harry voltou cansado do ministério e do julgamento. Teríamos uma nova professora de DCAT, srta. Umbridge, do ministério; ela aparentemente estava ali graças à desconfiança do próprio Cornélio para com Dumbledore e Hogwarts. Harry disse que Fudge não confiava em suas palavras e, durante a audição, fez o possível para convencer todos os presentes a apoiarem sua decisão de condenar Potter. De acordo com as más línguas, Dumbledore pretendia tomar o poder do ministro, e para tanto, Cornélio escalou Umbridge como professora sob novas medidas em Hogwarts e um novo método de aprendizado para que espionasse as ações do diretor. Vi o olhar que Juno lançava a mulher e entendi de imediato que coisa boa não era.
- Essa mulher é um traste - ouvi Hermione dizer. - Ouvi dizerem que quer fiscalizar todas as aulas. O ministério quer intervir em Hogwarts, isso não é bom.
- Não precisamos de ninguém além de Dumbledore - Harry respondeu. - Não compreendo o porquê dessa mulher ter sido escalada.
- É bem simples. - eu disse enquanto bebia meu suco de abóbora. - Por ódio, é claro. O ministro quer atingir você, Harry. Ele jura com todas as forças que o que faz é correto, e por isso trouxe essa berinjela andante até aqui.
Ele assentiu concordando comigo e deixando um risinho sair.
- Mudando de assunto - Hermione disse olhando para mim. - Como está com relação àquilo, ? Melhor?
- Sim! - eu disse imediatamente. - Me desculpem mesmo por ter assustado vocês com aquilo. Não foi nada. Foi meio estranho e nunca tinha acontecido antes, mas já tá tudo bem.
- O professor Snape aceitou a proposta de Dumbledore de produzir as poções para te ajudar a melhorar? - Harry perguntou passando manteiga em um donut. Eu assenti.
- Sim, de bom grado. Ele me dá um frasco por mês.
Eles assentiram. Não vi Fred e George na mesa naquele dia. Tive aula de DCAT logo depois do salão comunal. Dolores Umbridge era a mulher mais rançosa que eu já conheci na vida: carrasca, estúpida, e todos se recusavam a acreditar em Harry: ninguém acreditava que Ele havia voltado. Muito menos ela. Agora não praticávamos mais feitiços nas aulas e precisávamos estudar a teoria para as NOMS, Níveis Ordinários de Magia - os exames que definiriam nosso desempenho. Há muito não conversava ou recebia uma resposa de meu pai e isso me desesperava um pouco. Não sabia se o trabalho que ele desenvolvia era seguro ou não, não sabia comoe stava indo; isso me atormentava a cada dia mais. Era como um ponto que crescia dentro de mim. Logo quando acabaram minhas aulas do dia, por volta das dezoito, fui procurar por Minerva.
- Professora McGonagall? - disse batendo na porta aberta da sala dela. Ela me olhou sob o óculos e pediu que eu entrasse. - Posso conversar com a senhora por um minuto?
- É claro, srta. . - Querida, tentou falar com Arthur Weasley? Ele trabalha no ministério e seria a pessoa adequada a informá-la acerca das atividades de seu pai. Embora eu ache que, apesar de trabalharem no mesmo local, exercem funções totalmente diferentes... Espere aqui.
Ela convocou o professor Dumbledore para falar conosco mas ele não estava em sua sala, então a própria Umbridge foi contatada. Seu salto baixo me irritava com o som alto que fazia. Eu continha minhas lágrimas ao pensar que qualquer coisa pudesse ter acontecido ao meu pai.
- Procuram por mim? - ela disse com aquele sorriso falso.
- Sim, srta. Umbridge. A srta. está preocupada acerca do paradeiro de seu pai, que trabalha como a senhora deve saber no ministério da magia.
- Todo e qualquer assunto do ministério e secreto e vedado a alunos, srta. . - ela disse soltando uma risadinha. - Entretanto, posso garantir que, se sob os cuidados do ministério, com certeza seu pai está vivo e muito bem.
- Tem contato com ele, sra. Umbridge? - eu perguntei.
- Receio que não, querida, não. Somente o ministro em pessoa. - ela disse se retirando. Minerva a olhou com nojo e me deu um abraço reconfortante.
- Vá para a sua sala, querida, e descanse um pouco. Não queremos que outro incidente ocorra, certo? Procurarei saber o possível sobre seu pai assim que tiver contato com o professor Dumbledore. - ela me garantiu e eu então saí da sala dela. Assim que fechei a porta eu me escorei na parede, notando-me sozinha no corredor; desatei a chorar sob minhas mãos. As lágrimas escorriam dentre os dedos e eu procurava não fazer som algum. Tirei o frasco do meu bolso e pinguei algumas gotas em minha língua, afastando rapidamente as lágrimas com as mãos assim que ouvi passos. Eram Draco Malfoy e sua corja, Crabbe e Goyle.
- Olha só se não é a , a possuída do quarto ano! - o loiro disse entre risos se referindo à convulsão. Eu suspirei, ignorando-o.
- O que está acontecendo, sua mestiça nojenta? Por que está chorando? A mamãe trouxa não veio ficar com você esse ano? - ele disse ainda entre risadas.
- Isso não é da sua conta, Draco.
- Não ouse me chamar pelo primeiro nome, imunda! - ele disse me olhando de uma forma ameaçadora. Eu recuei um passo quando vi que a mão dele estava posicionada em sua cintura. Eu poderia pegar minha varinha, mas sabia que isso me traria problemas.
- Ela está com medo, rapazes! - ele disse me olhando com uma expressão chorona.
- Cara de lesma! - ouvi uma voz dizer e imediatamente Malfoy começou a vomitar uma enorme lesma, nojenta e viva. Ele e seus amigos se afastaram xingando o ar enquanto Gina e Hermione se aproximavam de mim.
- Você está bem? - Hermione disse vendo que eu chorava.
- Eu estou - eu disse mas não conseguia sentir muito bem minhas pernas ou meus braços. Eu me sentia fraca e quase desmaiava, mas não chegava a de fato adormecer; elas se juntaram me carregando até a sala comunal da Grifinória. Ron abriu espaço no sofá para que elas me deitassem. Parvati estava em desespero achando que eu teria outra convulsão, e subiu com Dino para o quarto deles. Ouvi a voz dos gêmeos também, e a de Angelina.
- Devemos chamar a madame Pomfrey! - disse Fred encabulado. George o segurava.
- Não é necessário, irmão, ela só precisa tomar um ar! Devemos todos sair daqui e deixá-la com Gina e Hermione!
- Acho que a madame Pomfrey é mesmo a melhor opção - disse Gina - Não queremos que ela convulsione de novo.
- Á-Á - eu tentava dizer enquanto meus olhos se reviravam e eu tossia um pouco. Hermione entendeu e me deu um pouco d'água, e então, eu não vi mais nada e adormeci.
Acordei exausta na enfermaria. Madame Pomfrey não estava lá, Hermione havia dormido ao meu lado com um livro aberto e havia uma cadeira vazia na frente também. Harry estava entrando na sala assim que despertei.
- O que aconteceu? - eu perguntei. Ele riu um pouco.
- Eu ia te perguntar exatamente a mesma coisa - disse se sentando na caderia na frente da cama. - Ouvi dizer que você tinha passado mal e vim direto pra cá. A Gina dormiu aqui mas pela manhã foi para o quarto dela, e está dormindo, então não pude perguntar a ela o que houve.
Hermione pareceu ouvir nossa conversa e acordou esfregando os olhos e fechando o livro. Harry deu um pequeno aceno de cabeça para ela e ela retribuiu, e então todos os olhos se focaram nela.
- Você teve um desmaio repentino. Eu e Gina a encontramos na porta da sala da Professora McGonagall enquanto íamos para a sala comunal, Malfoy estava te incomodando e apontava uma varinha para você. Gina lançou cara de lesma nele e então começou a se sentir fraca e mal, te levamos para cima e você desmaiou de repente. - ela disse bocejando. - Então resolvi ficar aqui e madame Pomfrey deixou que eu dormisse com você. Gina também dormiu mas ela acordou em plena madrugada e retornou aos dormitórios.
- Deve ter sido desconfortável dormir aí, desculpa. - eu disse dando um sorriso amarelo. Ela fez um sinal de "ah, quê isso".
- Não se preocupe. Estou acostumada a dormir na biblioteca às vezes, não é nada para essas colunas de leitora ávida. - ela disse deixando o livro de lado. - Está se sentindo melhor?
- Não sei dizer. Meu corpo dói um pouco e minha mente parece tão... vazia. - eu disse suspirando. Harry parecia meio aflito. - Está tudo bem, Harry?
- Sim, é... Sim.
- Onde estava ontem a noite? - Hermione coçou a cabeça.
- Eu estava dormindo. Cansado, sabe. - disse suspirando. - Umbridge não para de jogar livros e mais livros... E depois da aula de ontem, depois da detenção, não me senti a vontade nem mesmo para sair do dormitório.
Eu assenti e por um instante me desesperei com a ideia.
- Eu não fiz meus deveres! Droga - eu suspirei tentando me levantar mas fui impedida por uma madame Pomfrey extremamente carrasca. Ela enfiou um líquido bege na minha boca com uma colher e pediu que Hermione e Harry se retirassem. Mione segurou minha mão e juro tê-la visto murmurar "vai ficar tudo bem" - e só então foram embora, conversando e cochichando. Suspirei; possivelmente não viria a saber sobre o que era aquela conversa, e a curiosidade me matava. Depois de talvez meia hora deitada pensativa, Dumbledore apareceu na ponta de minha cama. Talvez tivesse entrado pela porta principal, eu estava distraída e não seria capaz de notá-lo se quisesse.
- Professor... - eu me sentei. - Precisava mesmo falar com o senhor!
- Eu sei, querida, eu compreendo. - ele disse com as mãos atrás das costas. - Está se sentindo melhor?
- Estou. Não sei o que foi aquilo, senhor...
- Aquilo, , foi uma falha da poção. Talvez precisemos de algo mais forte, eu suponho - ele disse olhando para a janela, focando o céu lá fora. Pareceu perdido em seus próprios pensamentos por alguns instantes e então voltou a si. - Sobre o que mesmo queria conversar, srta. ?
- Sobre o meu pai, professor. - eu arfei curiosa e ao mesmo tempo confusa. - enviei uma coruja a ele no natal e ela não foi respondida. Nenhuma outra carta chegou desde então, eu estou...
- Eu, no momento, não posso lhe dar uma resposta concreta, srta. , mas garanto que o ministro poderá assim que receber meu comunicado urgente. Enviarei a coruja a ele assim que chegar a meus aposentos ainda esta tarde. Tenho certeza de que tudo corre bem com o seu pai - ele me deu um fofo sorriso. Aquilo tranquilizou meu coração acima de qualquer dúvida que ainda corria no meu cérebro. Antes de sair da sala, ele deu um passo atrás.
- Não se esqueça de descer, minha querida. Hoje temos batatas doces no salão comunal e você não devia perdê-las, estão deliciosas. - disse saindo, por fim, me dando a alta. Eu saí zunindo na direção do salão comunal, sem pensar por um segundo em passar pelo dormitório e me ajeitar um pouco. Não ligava muito para isso, para ser sincera; passei por um banheiro antes e estava aceitável, apesar da palidez e das olheiras, e os lábios um pouco secos e avermelhados graças à febre. Fui feliz em direção ao salão comunal, evitando o olhar tenebroso de Malfoy e seus capachos na porta. Eram como seguranças que tinham como objetivo importunar a vida de qualquer um não-sonserino que passasse por ali. Os ignorei e passei despercebida entrando e me sentando ao lado de Gina. Ela não me notou por talvez cinco minutos e então me olhou assustada.
- Minha nossa...! Que susto! - ela disse rindo e colocando a mão no coração. Todos desviaram a atenção a mim.
- Obrigada, Gina - eu disse dando uma risada e suspirando. - Qual é, gente, não pode ser tão ruim assim.
- Nossa, você tá péssima, - Juno disse passando por trás do nosso banco e indo em direção a mesa dos professores fazendo com que todos ao meu redor caíssem na gargalhada. Não se engane: Juno era minha visão materna ali. Era como uma irmã mais velha; ela olhou para trás com um sorriso engraçado e murmurou "é mentira". Eu assenti ainda rindo. Vi Ron devorando as batatas e coloquei algumas em meu prato, comendo ainda que civilizadamente, com vontade. Hermione vez ou outra lançava um olhar repulsivo ao prato do amigo e ela e Harry o xingavam por estar sendo tão barulhento e nojento, além de guloso. Gina e eu conversávamos sobre Dino.
- Como é que vou saber se ele gosta de mim, ? - ela disse revirando os olhos.
- É simples dizer. Ele olha pra você grande parte do tempo e está falando sobre você com qualquer um ao redor dele.
- Isso não é verdade, é? - ela corou e eu assenti com uma cara séria, engolindo meu suco de abóbora.
Quando saímos do salão comunal, estávamos em grande parte liberados. Eu tinha uma aula de herbologia daqui a algumas horas mas decidi me entregar à rebeldia e faltar por estar me sentindo tão fraca. Fui com Harry, Ron e Hermione a Hogsmeade, em um lugar pré-selecionado por Hermione. Eles não explicaram do que se tratava pois era algo planejado previamente enquanto eu estava desmaiada, então, pediram que eu aguentasse a curiosidade até lá. Depois de uma hora de espera alguns outros alunos apareceram por lá também; um número extenso. Vi os gêmeos acenarem pra mim e acenei de volta.
- Estamos aqui porque precisamos aprender Defesa contra as artes das trevas real. - Hermione disse, parecendo meio tímida e confusa. - E temos um bom professor, o Harry.
- Por que precisaríamos aprender a conjurar feitiços? - ouvi Simas duvidando do discurso de Hermione.
- Não é óbvio? - eu disse, calma. - Porquê Ele voltou.
- Harry está mentindo. Não há porque acreditar nas palavras dele. Ele só diz que o Diggory morreu e espera que aceitemos.
- Não, não está mentindo - Hermione disse e foi interrompida pelo próprio Harry.
- Vamos embora, eles só estão aqui porque não acreditam em mim e acham que eu sou pirado.
- Olhem só... O perigo que... - ela hesitou - Voldemort representa é real e precisamos nos defender. Ele não mente sobre a morte de Diggory.
Todos pareciam conversar entre si e ninguém estava verdadeiramente certo acerca da veracidade de Harry. Depositei minha mão em seu ombro em um símbolo de confiança e ele agradeceu com a cabeça.
- É verdade que pode conjurar o feitiço do patrono? - Perguntou Luna Lovegood.
Ninguém respondeu, até que Hermione se manifestou.
- Ele sabe sim. Eu já vi. - disse cheia de razão. Me enchia de orgulho ver alguém tão bem decidida e esforçada como Hermione. Todos ficaram entusiasmados e apavorados.
- Puxa, Harry, não sabia que conjurava esse!
- No segundo ano ele matou um basilisco dentro da câmara secreta - disse Ron, e todos ficaram chocados. No fim das contas, pareciam se convencer; a certeza chegou quando ouvimos alguém dizer "ele voltou.".
Todos assinavam seus nomes na lista do que havíamos decidido chamar "A Armada de Dumbledore". Seria nossa organização secreta e treinaríamos, sob a tutela de Harry, os feitiços de DCAT que precisaríamos na luta contra Voldemort. As organizações estudantis estavam efetivamente proibidas por Umbridge e sua ditadura tola, então precisávamos nos esconder melhor do que nunca para que não houvessem problemas. Não sabíamos onde poderíamos treinar, porque qualquer lugar e movimento seria suspeito demais; por ora, só tínhamos uma certeza: treinaríamos o quanto pudéssemos.

- x -


A neve caía sobre os gramados de Hogwarts e cada vez mais de nossas aulas eram inspecionadas por Umbridge durante a ocorrência. Eu não vinha vendo Dumbledore com frequência, e raramente Fred ou George diziam tê-lo visto em sua sala no mapa do maroto. Todos pareciam desesperados estudando para as NOMS, e não parecia haver mais felicidade ali. O quadro de recados - a parede anterior ao salão comunal - já tinha quatro comunicados novos de Umbridge proibindo coisas novas e não me era uma surpresa todas as vezes em que estava quieta estudando e Gina vinha me dizer que não podia fazer algo. Andando naturalmente pelo palácio até a sala de poções, eu me deparei com uma enorme porta que nunca havia visto antes. Notei então com um estalo que a porta surgia ali naquele mesmo instante. "Mas que...?" eu pensei, e como se sua fome por informação fosse maior do que qualquer coisa, Hermione apareceu atrás de mim.
- Parabéns, ... Você encontrou a Sala Precisa! Também conhecida como sala Vai-Vém. Ela sempre está equipada com aquilo que mais se precisa. - disse dando um passo adentro. O próximo foi Ron.
- E se eu precisasse de um banheiro agora?
- Muito engraçado, Ron, mas é bem por aí. - ela disse rindo. - a sala se equipa de acordo com as necessidades do usuário.
- Nós poderíamos usar esse lugar para treinar. - eu sugeri. Ela assentiu como se já tivesse pensado nisso, e é claro que já tinha.
- Não aparece no mapa do maroto, é o lugar perfeito. - Hermione comentou. - Atualizaremos a Harry assim que o virmos na sala comunal hoje a noite. Por ora, devemos seguir em frente antes que o Filch ou a Umbridge nos vejam.
Segui o caminho para a minha aula de poções. Snape tirou cinco pontos da grifinória pelo meu atraso e, como o usual, mandou que estudássemos e fizéssemos novos exercícios acerca daquilo. Não podíamos produzir poções mais - ordens da Umbridge. Vi Draco Malfoy me encarando com um olhar mal intencionado de sempre do outro lado da sala. Até onde eu sabia, ele mesmo não era muito bom em poções, mas acreditava que o professor Snape era leviano com ele por ser diretor da sonserina. Raras vezes o vi fazendo algo. Ouvi eles conversarem sobre mim de longe. Diziam algo repudioso, qualquer coisa das que eles sempre diziam. Harry estava naquela aula. Eu notei depois, quando ele acenou para mim e pediu que eu fosse me sentar perto dele. Era curioso que não o tivesse visto ali antes;
- Encontramos um local - eu sussurrei pra ele enquanto escrevia sem parar com a minha pena. Ele me olhou animado.
- Certo, e onde é?
- É a sala precisa. Hermione disse que sempre está preparada e equipada com aquilo que o usuário mais precisa, então, podemos equipá-la com qualquer coisa só por pensamento - eu disse ainda sussurrando mas recebi uma reprovação de Snape e abaixei minha cabeça sem dizer nada. Harry me acompanhou no fim da aula e subimos para a sala comunal.
- Está certo, nos encontraremos amanhã as quinze na porta da sala precisa, com a e a Hermione. É o único jeito, rapazes, mas é totalmente seguro. v - Não aparece no mapa do maroto, né? - disse Ron. - Ouvi a Hermione comentar mais cedo.
- Não, mas isso é uma vantagem, certo? - comentei. - Apesar de que somos os portadores do mapa, sabemos que é bem escondido.
- É claro que é uma vantagem. - ele disse disse. Nós nos dirigimos a sala comunal da grifinória enquanto tentávamos não nos exasperar. Vi que George conversava com Angelina sugestivamente e ri. No canto, Simas e Dino jogavam uma partida de xadrez; Harry e Ron se encontraram com Hermione e a partir de então eles estudavam juntos, um copiando o dever do outro. Gina não estava ali porque havia ido à floresta negra conversar com Luna. Não vi Fred em lugar algum.
- George - eu me aproximei dele e Angelina - Desculpa a interrupção... cadê o Fred?
- Ele tá na detenção - disse entre risos. - Por incrível que pareça, nessa eu não me meti.
- Sala de troféus? - perguntei suspirando e quando recebi uma positiva, deixei a sala, indo para a sala dos troféus. Às vezes, todos pareciam aéreos e eu, alheia demais a todo o resto. Gostava nesses momentos de conversar com Fred e George, mas George estava ocupado cantando Angelina e então só me restava Fred. Entrei sem bater, Filch não estava lá; o ruivo levou um susto e vi a escada balançar. Tirei minha varinha preparada para lançar qualquer coisa que viesse a cabeça, mas não foi necessário.
- Puxa, , mais cinco segundos e seria a assassina de Fred Weasley - suspirou. - O que tá fazendo aqui? Você também tem que limpar estas belezinhas?
- Não, não tenho - eu ri - Mas vim te ajudar. - me sentei na mesa pegando os troféus que estavam ali em cima. - Tem um pano sobrando?
- É claro. - ele jogou lá de cima pra mim. Peguei o pano e comecei a limpar.
- Seu irmão estava pegando a Angelina quando saí da sala comunal. Achei que fosse gostar da informação.
- , eu tenho mais de três irmãos. - ele disse tombando o rosto.
- Sabe que era o George, não se faça de idiota - eu ri e ele também. Ele assentiu.
- É uma coisa bem estranha mas nós sentimos esse tipo de coisa. Sentiria se ele estivesse apaixonado; estranho!
- Sim, ele tá. - eu suspirei. - Saberia se George estivesse apaixonado?
- Saberia. Compartilhamos o frio na barriga.
- Então talvez esteja dando errado, porque até onde me lembro ter percebido, George parecia bem animadinho quando conversava com Angelina no canto da sala. - eu disse pegando outro troféu.
- Esse podia ser ele sentindo a minha barriga. - ele disse jogando alguns outros troféus lá pra baixo. Eu o olhei com um olhar engraçado. - Está apaixonado, Fred? - enviei um dos troféus limpos lá para cima com a minha varinha, ele pegou e colocou de volta no lugar. Ele balançou a cabeça.
- Não, eu estou com fome. - fez uma cara de tristeza e indicou sua barriga. Eu o imitei, porque também estava com fome. - Ei, vamos roubar comida na cozinha. Anda, joga esses aí pra cá. Duvido que o Filch vai conferir um por um.
Ele começou a descer e eu colocava os troféus em seus devidos lugares. Saímos de lá e ele pegou o mapa do maroto, nos escondemos atrás de uma pilastra enquanto madame Nora passava miando pelo corredor. Corríamos enquanto tropeçávamos e tropeçávamos enquanto ríamos daquilo tudo; vez ou outra, precisamos nos esconder ou correr para lados contrários. Embora ainda não houvesse tocado o toque de recolher, estava próximo, e de toda forma, Fred seria punido por fugir da detenção se descoberto. Chegando na cozinha, os centos de elfos domésticos cozinhando nos olharam com uma certa confusão, mas não fizeram som algum quando viram Fred. Pelo visto, alguém já era perito em roubar comida da cozinha.
- O que você quer, senhorita?
- Eu quero queijo assado e sorvete. - eu disse como se estivesse em um restaurante, me sentando ao redor do que parecia ser uma bancada muito antiga. Ele pegou o queijo na geladeira e com sua varinha o levou até o fogão, trazendo-o até mim em um prato; fez o sorvete a partir de um feitiço e entregou à minha frente também.
- Voilá. - ele sorriu e se sentou ao meu lado com alguns pãezinhos de cebola. - Servida.
Comemos e conversávamos sobre seus planos para os futuros truques ou balinhas Weasley&Weasley; Fred disse que se tornava cada vez mais impossível vender sua mercadoria a medida em que Umbridge estabelecia suas regras. Quando ouvimos o toque de recolher. Eu quase cuspi o sorvete quando ele saiu me puxando.
- Estamos tão ferrados se nos verem aqui agora - ele disse rindo, e eu não pude reagir melhor a não ser rindo. Quando nos escoramos em outra pilastra, esperando que o próprio Filch em pessoa passasse pelo corredor com seu lampião, eu senti minhas pernas bambearem. "Não, por favor... Não agora" eu me lembrava de dizer para mim mesma; "segure as pontas, por favor!" - F-Fred - eu disse, começando a sentir como se estivesse elevada no ar. Ele me olhou rindo mas quando viu minha expressão cansada e meus olhos pesados, adquiriu uma expressão séria e desesperada.
- Lumos! - conjurou, e me olhou de perto. - Precisamos sair daqui... Consegue andar, ? Droga, eu não posso te levar para a madame Pomfrey... Saberão que estivemos fora e te castigarão por isso..
Eu tentei dizer algo mas não consegui. Fred falava e parecia desesperado ao pensar, ele tentou me ajudar a andar envolvendo meu braço em seu pescoço, mas ele era alto demais em comparação à mim e eu tropeçava com frequência fazendo barulhos e mais barulhos. Nem cinco passos distantes dali, eu senti um enjôo absurdo e pude sentir o vômito vir a minha garganta, mas me determinei a não vomitar e me esforçava ao máximo para continuar andando. Comecei a cair de repente, perdendo toda a consciência e os sinais, e ele me segurou e me apoiou mas meus pés quase não se moviam; então, tudo o que me lembrava era de ter visto Fred me segurando no colo e correndo para a sala comunal da grifinória, berrando o nome de George, Gina e Hermione, e então, tudo ficou escuro.


Capítulo 2 - Superfície

Acordei com uma voz que dizia algo indecifrável; olhei ao meu redor, tentando encontrar ou identificar qualquer coisa no escuro. Não vi ninguém. Estava no sofá da sala comunal, deitada, e ainda era madrugada. Em uma das poltronas, Harry estava dormindo e não parecia ter sonhos agradáveis; ele suava e se retorcia às vezes, mas, para não assustá-lo, decidi que seria melhor não acordá-lo. Vi que no chão Fred e George haviam dormido sentados. Não quis acordar ninguém, mas apenas um pequeno movimento meu foi o suficiente para fazer com que George abrisse seus olhos, confuso, e em seguida os esfregasse bocejando e me encarando.
- O que aconteceu dessa vez? - eu disse, estática.
- Você desmaiou de novo ontem. Fred trouxe você desesperado, surtando e insano - ele começou a explicar - seu nariz estava sangrando também... mas não estava convulsionando.
- Pelo menos isso. - suspirei.
- Bem, não podíamos te levar para a Madame Pomfrey, então nós procuramos pela professora Sparks, que veio imediatamente, conjurou algum feitiço e te deu um bezoar. Seu nariz parou de sangrar imediatamente. Meu irmão não parava de berrar e queria te levar para a enfermaria mas, antes de ir embora, Juno deixou bem claro que não seria necessário e saiu daqui muito, muito nervosa.
- Juno estava nervosa? - o olhei um pouco assustada. Não é que isso fosse um comportamento raro vindo dela, mas para mim, ela era quem menos poderia ajudar com esse assunto. Era professora de DCAT e sua especialidade era exatamente essa - feitiços, magia branca. Ela nunca fora tão boa em poções e apesar de tudo parecia ter uma boa noção do que estava havendo comigo; não escondi meu espanto e ele concordou comigo por um segundo.
- Também achei estranho vindo dela. Quer dizer, saía daqui resmungando algo sobre Snape e poções, e quando perguntei o que havia com você, ela disse que isso não era assunto para os alunos e não me deu uma explicação.
- Isso é muito estranho - eu disse olhando para Harry, que agora dava pequenas arfadas de desespero e tinha uma expressão aterrorizada em seu rosto. Olhei para George como quem perguntava se era melhor acordá-lo, mas ele negou.
- Não se preocupe. Ron disse que toda noite é assim - ele disse se levantando - e você devia dormir e descansar um pouco. Quer ajuda para subir?
Eu me levantei mas minhas pernas ainda pareciam meio bambas, e meu estômago se revirava. Senti de imediato um arrependimento por ter comido tanto; aceitei o braço de George que me levou até o dormitório. Queria ter conseguido dormir, mas não consegui; o resto da noite eu passei em claro olhando para o teto de minha cama. Quando vi que não conseguiria descansar nem um pouco, desisti e me desvencilhei das cobertas. O sol ainda era uma marca desejável no horizonte; me sentei na escrivaninha ao lado da minha cama, de frente para a janela, e peguei um pedaço de pergaminho e minha pena.

Papai,
Sei que está muito ocupado e minha preocupação pode ser desnecessária, mas sabe que não posso deixar de me preocupar quando passa mais de dois meses sem me contatar. Sei que o presente de natal estava anteriormente programado com a sua coruja, por causa data.
Tudo está tão estranho! Não quero lhe preocupar, ainda mais sabendo que está tão ocupado, mas venho tendo alguns estranhos desmaios sem motivos e meu nariz voltou a sangrar, também. Até agora, nenhuma convulsão.
Já deve ter ficado sabendo através do professor Dumbledore que Snape está me ajudando com poções desde o incidente; apesar do esforço e preocupação dos dois, não parece estar funcionando e na verdade parece piorar. Não sei o que fazer.
Dolores Umbridge do ministério é a nova professora de Defesa contra as artes das trevas e ela aparentemente toma conta de todo o colégio como bem entende. Prevê regras e mais regras e não parece aceitar a autoridade de Dumbledore desde que se tornou primeira inquisidora de Hogwarts. Aqui está cada vez mais difícil, pai.
Apesar de querer com todas as forças lhe dizer que está tudo bem, não consigo me sentir bem pensando que corre riscos. Por favor, se for possível, me envie qualquer, repito, qualquer coisa de volta para que eu saiba que está bem. Apenas um pequeno recado ou bilhete basta.

Sua filha, .


Selei a carta e abri a janela. O ar frio entrava em contato direto com o meu rosto, de uma forma fresca e suave; a neve lá fora fazia o sol nascente cintilar, e o salgueiro lutador se chacoalhava como um cão que procurava secar-se. Jogava neve para todos os cantos e assustava o que me parecia ser Hagrid, indo na direção de sua casa ao lado de seu cão. Me estiquei para fora e dei um assobio com o dedo indicador. Dei graças a Merlin quando vi que Gina não acordou com isso e me sentei de volta, olhando para as minhas mãos. Alguns hematomas se formavam nas minhas juntas e eu podia notar que estava mais pálida do que o normal. Pensava que talvez estivesse doente; alguma doença trouxa, como anemia ou algo do tipo. Mas era impossível, eu sempre estivera muito bem de saúde: comia de tudo, não havia quase nada no mundo de que não gostasse. Me alimentava bem, tinha um físico ótimo e fazia exercícios dia sim dia não com Luna e Gina; na verdade, eu fazia os exercícios enquanto elas conversavam e procuravam novas flores para o caderninho de Luna.
Não era passível de estar doente de forma alguma, mas, de alguma forma, algo estava acontecendo comigo embora eu mesma não soubesse dizer o que era.
logo pousou no parapeito, vinha direto do corujal; ouvira meu assobio. Acariciei suas penas lentamente. Era uma grande amiga e confidente: minhas cartas diziam muito sobre mim, e ela sempre as levava para quem precisava ouvir meu desabafo. Coloquei a carta em seu bico.
- Entregue a meu pai, onde quer que ele esteja. - eu mal terminei a frase e ela já estava voando, livre como sempre pelos ares, indo pela direção da floresta negra. Bufei e passei as mãos pelo meu cabelo. Estava oleoso, hora de tomar um banho.
Peguei meu uniforme e não esperei Gina acordar: fui direto para o banheiro das meninas. Poucas eram as pessoas acordadas àquela hora, pois ainda eram seis da manhã, e a grande maioria acordava depois das sete. Melhor pra mim, pois o banheiro estaria vazio.
Enchi a banheira satisfeita e pude finalmente sentir meu corpo relaxar; por alguns segundos, me deixei afundar na água de olhos bem abertos. Assim, não sentia minhas lágrimas escorrerem, e elas se juntavam de imediato com a água e se dissipavam em meio ao calor e todo o resto do líquido ali despejado. Olhava para as minhas mãos, que pareciam exatamente as mesmas de alguns minutos atrás; hematomas na base dos dedos que desapareciam lentamente, assim como a tristeza que eu, continuamente, tentava varrer dali.
Quando terminei o banho me vesti de imediato sem fazer som algum, na esperança de que a Murta que Geme não me notasse. Não é que não gostasse dela, mas eu realmente não estava muito afim de falar com ela no momento. Vesti a saia, a blusa social e o suéter e amarrei minha gravata da Grifinória; em seguida, calcei as meias 7/8 e os meus sapatos e joguei a capa por cima de tudo. Por ser desastrada e totalmente esquecida, eu saí do banheiro com a toalha na cabeça.
- Estamos na Grã-Bretanha, não na Arábia, . - eu ouvi alguém zombando no corredor. Revirei os olhos batendo a mão na testa notando o quanto eu mesma conseguia me queimar com minha lerdeza. Tirei a toalha e a levei para o dormitório, junto com minhas roupas sujas. A esse ponto, grande maioria da Grifinória já estava acordada; quando entrei na sala comunal recebi todos os olhares diretamente para mim, o que me fez engolir em seco. Já faziam cinco anos e eu ainda não havia superado minha timidez.
Fiquei meio sem jeito e então após alguns segundos sem saber o que fazer, ignorei a todos e me dirigi direto para os dormitórios, correndo para o meu quarto. Joguei a toalha e as roupas em cima da cama e me deparei com Gina vestindo suas roupas.
- Minha nossa, me desculpa. - eu disse claramente corada e com uma expressão risonha, me dispondo a sair do quarto.
- Qual é, , já me viu pelada mais de mil vezes - ela revirou os olhos vestindo a blusa e dando o laço de sua gravata. - como é que passou a noite?
- Eu... bem. - eu raspei a garganta - desmaiei, você deve saber. Depois disso só me lembro de ter acordado bem tarde, conversado um pouco com o seu irmão e vindo pra cá. E eu não consegui dormir.
- Que péssimo. - ela disse me olhando desanimada. - vamos conseguir resolver tudo isso, sim? Prometo. - ela disse me dando um beijinho na testa que me animou um pouco. Sorri em troca e me levantei, sendo puxada pela ruiva de volta para a sala comunal.
- Que bom ver você acordada, . - Ron disse e levou uma cotovelada de Hermione pela sua inconveniência. Eu só dei um sorrisinho fraco e saí de lá. Ouvi Hermione reclamar um "viu o que você fez?" antes de eu fechar o quadro da mulher gorda atrás de mim, mas era insignificante; eu não saíra de lá pelo comentário de Rony, muito pelo contrário. Não era do meu feitio me importar com tudo aquilo. Só era tecnicamente impossível agradar a todos a todo instante. Nenhum deles sabia muito bem pelo que eu estava passando, e eu também não me sentia muito empenhada a compartilhar.
Fui direto para o salão comunal e me sentei no lugar de sempre. A maioria dos alunos ainda estavam para chegar, então o café da manhã não havia sido entregue ainda. Para a minha surpresa, Lilja chegou, trazendo minha edição do Profeta Diário e de patas vazias. Por um lado me senti aliviada pois ela teria encontrado o meu pai, e por outro, um pouco incomodada por não ter trazido consigo a resposta. Apesar de tudo, ele não poderia estar longe visto que chegara tão rápido.
Senti duas mãos carinhosas se apossarem dos meus ombros com uma propriedade que só uma pessoa tinha: Juno Sparks.
- Como está? - ela disse se sentando do meu lado, porém, virada de costas para a mesa.
- Eu estou bem agora, mas o que foi aquilo?
Ela me olhou com dor nos olhos.
- Não sei, . Eu queria mesmo poder dizer. - suspirou. - Dumbledore está ciente do desmaio de ontem e me garantiu que falaria com você mais tarde, então não se preocupe.
- Você usou um bezoar, certo? - recebi uma positiva. - então, acha que alguém está tentando me envenenar?
- Eu não sei. - disse parecendo evitar falar algo. Ela abria a boca, mas na hora desistia. - olhe só, , tudo o que sei é que Snape está fazendo o possível para ajudá-la com as poções. Sabe que não sou lá um grande exemplo em poções, mas tenho minhas dúvidas acerca dele.
- Mas, Dumbledore..
- Exatamente - ela me interrompeu - sei que ele não permitiria que nada de ruim lhe acontecesse. Por isso, não se preocupe. Provavelmente era só um efeito colateral daquela poção nojenta.
Umbridge passou por nós com aqueles saltos irritantes ricocheteando no chão, dando um aceno de cabeça para Juno do qual ela não correspondeu. Me olhou curiosa por uma última vez antes de segurar minha mão e dizer que tudo ficaria bem, e então se retirou. De qualquer forma, os meus amigos já estavam chegando; Ron se sentou à minha esquerda, e a esquerda dele, Gina. Do meu lado direito, Fred e George e na frente, Harry, Hermione e Neville.
- Então.. - Ron disse, chamando a minha atenção. Ele parecia procurar as palavras certas e Hermione tinha um olhar assassino focalizado nos olhos dele. Eu ri.
- Não se preocupe, Ron, você não me ofendeu.
- Ah, que ótimo! - ele disse animado mas logo abaixou a bola vendo que Hermione estava pronta para chutar-lhe por baixo da mesa. A comida apareceu de repente em nossa frente e eu peguei imediatamente uma das deliciosas rabanadas com merengue de morango. Fred olhava fixamente para a minha mão enquanto eu dava uma mordida na torrada.
- O que foi? - eu perguntei de boca cheia.
- Ah, sua mal educada - ele disse de um jeito engraçado - por que suas mãos estão assim? Socou demais seu joão bobão ontem?
Revirei os olhos fazendo ele rir. Assim que engoli, lambi os lábios procurando os restos de chantilly que com certeza estavam ali. Aparentemente falhei em tirar tudo, porque ele se aproximou olhando fixamente para o canto esquerdo de minha boca; limpou uma pequena porção de merengue que estava ali com seu dedão, e então o levou a boca de volta. Se voltou para George me deixando totalmente sem reação. Hermione me olhava confusa mas ao mesmo tempo curiosa, e eu dei de ombros.
- ...Mas não sei de onde surgem, eles simplesmente vêm de repente e agora eu mal consigo voltar a dormir - Ouvi de repente Harry, conversando com Rony.
- O que eles contêm?
- Você-sabe-quem, e ele torturava alguém. Não pude ver quem, mas... eu estava na pele dele. - ele repetia. - era eu, e eu conseguia sentir o gosto que ele tomava pela coisa. Era horrível.
- Devia contar a Dumbledore - disse Hermione - assim como devia contar à ele sobre sua mão.
- O que tem de errado com a mão? - eu perguntei curiosa. Harry me mostrou a cicatriz que se formava ali; "não devo contar mentiras", estava escrito. Umbridge o tinha castigado por ter dito, em sua primeira aula, que Voldemort havia voltado.
- Eu não acredito...
- Pois acredite. E não diga nada na aula dela, ou ela fará o mesmo com você. - ele suspirou.
- Pelo visto agora é proibido pensar em Hogwarts. - disse Hermione, com um tom de deboche e desprezo. Eu assenti, concordando com ela. Meu próximo horário era história da magia, logo depois, adivinhação e então, era a hora de encontrá-los na Sala Precisa.

- x -


Saí da sala exausta e com um tédio sem tamanho. A professora Trelawney viajava muito, mas eu gostava da aula dela. O horário de história da magia antes, entretanto, quebrava as minhas pernas: apesar de ser uma grande fã de história, o professor Binnis era incrivelmente chato e suas aulas incrivelmente tediosas. Conferir os corredores antes de qualquer outra coisa e fui em direção a porta enorme que se formou na minha frente assim que me dei de frente com a parede. Entrei e a fechei, atrás de mim, revelando o grande campo de batalha: haviam manequins com varinhas falsas equipadas e armaduras e a sala era totalmente recoberta em espelhos. Alguns alunos já estavam lá, e eu sabia que Harry vinha logo atrás de mim. Eles estavam esperando por ele;
O primeiro encontro da Armada foi simples, mas satisfatório. Feitiços comuns estavam sendo treinados, e eu dava sorte de ter uma boa habilidade na conjuração. Nada fora do normal, é claro, mas eu conseguia conjurar todos os feitiços que os alunos de minha idade deviam saber. Consegui desferir um expelliarmus mais do que satisfatório contra Harry, e quando contra Hermione, ambas desferimos o feitiço ao mesmo tempo e desarmamos uma a outra igualmente. Gina, por outro lado, parecia ter nascido para feitiços destrutivos: cada vez que empunhava a varinha eu sentia medo de explodir junto com alguma parte da sala que ela destruía. Seu estupefaça fez Harry voar metros de distância.
Eu não podia deixar de notar também que Harry parecia gostar de focar Chang, a ex namorada de Diggory. Sabia que Hermione notara no mesmo que eu.
- Ele ainda tá atrás dela... - ela comentou parando do meu lado.
- Bom, não quero ser ofensiva, mas agora ela tá livre... - eu disse. Hermione me olhou com pavor.
- !
- Mas é verdade! - eu disse dando um olhar engraçado para ela e ela riu.
- E quanto a você? Somos amigas há tanto tempo e nunca me disse quem era seu interesse amoroso - ela disse enquanto nós nos sentávamos em um dos cantos observando o resto dos alunos.
- Você também nunca comentou nada disso comigo.
- Mas isso é porque nunca tive um interesse amoroso, oras!
Eu a olhei abismada e rindo alto. Ela corou imediatamente e me deu um tapinha como se pedisse para que eu fizesse silêncio.
- Tá brincando, né, Mione? O que me diz sobre Krum?
- Ah, ér... Krum. - ela pigarreou. - certo, Krum. Era só um lance físico...
- Mas era um lance! - eu disse ainda ente risadas.
- Ok, acho que ele foi o único. - ela comentou. - e você, ?
- Bem... - dei uma olhada na sala ao nosso redor. Não podia pensar em ninguém em quem realmente tivesse interesse. - eu realmente não tenho interesse em ninguém.
- O quê?!
- Hermione! Estou dizendo a verdade! - eu ri. - uma vez tive um lance físico com um trouxa amigo de minha mãe e Leo, mas foi só isso. Nunca mais nos vimos, e espero que continue assim.
- Sabe que aquilo na mesa mais cedo foi extremamente estranho, não sabe? - Sei sim. - eu disse olhando para Fred. Ele tinha acabado de usar levicorpus em Nigel e o garoto pairava no ar sem saber o que fazer; os gêmeos gargalhavam como nunca antes, parecendo apreciar o sofrimento do garotinho.
- Talvez ele...
- Definitivamente não. - eu a interrompi. - não e não!
- Qual é, , tem que admitir que ele te olha diferente!
- Ron te olha diferente. - eu a olhei e ela corou imediatamente e não disse mais nenhuma palavra. Por ora, ficamos sentadas esperando até que nossa presença foi novamente requisitada. Hermione duelou com Rony;
- Pego leve com você, Hermione, eu juro. - ele disse a ela que agradeceu em um tom desdenhoso. Eu me posicionei entre os gêmeos que notei apostarem cinco galeões por trás de mim. Eles se posicionaram e, antes que Rony pudesse abrir a boca, Hermione lhe lançou estupefaça, fazendo com que ele caísse no chão. Logo após, ele se aproximou de seus irmãos enquanto eu ia para perto de Hermione e todas as outras meninas que a parabenizavam.
- Eu deixo ela ganhar, é cavalheirismo, não é? - Ouvi Ron dizer antes de chegar até Hermione. Transmiti sua frase a ela, que riu até não poder mais.
Quando o dia deu-se por encerrado, Harry pegou o mapa do maroto e observou Filch parado no lugar onde deveria estar a porta da sala precisa. Desejamos em união, então, que a porta se abrisse em outro local, e assim foi; fomos embora correndo dali para o salão comunal, para a janta, e então fomos para a sala da Grifinória.
- Parabéns, , você foi ótima lá! - disse Angelina parecendo tentar ser o máximo agradável possível. Aparentemente, todos se sentiam comovidos por eu ter desmaiado todas aquelas vezes. Assenti em agradecimento, por partes, irritada por ela ter se comovido pelo simples desmaio; logo George me livrou da situação desagradável, puxando-a para perto dele. Eu me joguei na poltrona ao lado de Simas.
- , me diz qual desses está mais legal. - ele me mostrou um caderno com dois desenhos, um do lado do outro. Um deles representava um patrono em formato de coelho, e se movia; o outro, apesar de imóvel, representava a floresta negra e um belo unicórnio.
- Hm, acho que esse. - apontei para o desenho do unicórnio. Ouvi ele comemorar e mostrar a Dino como quem se vangloriava por ter desenhado o melhor desenho; Dino me olhou com desânimo e eu ri um pouco me desculpando com ele.
Fred estava vendendo os produtos Weasley&Weasley e apresentando as novas vomitilhas para todos os alunos do primeiro ano que passavam ali. A diversão compartilhada entre os estudantes da Grifinória parecia imensa, mas eu mesma não estava feliz. Sem que ninguém percebesse, me esgueirei para fora me sentando na escadaria, segurando meu rosto com as mãos e as passando pelos meus cabelos. Soltei um longo suspiro, tentando me recuperar de qualquer coisa.
- Ei, sangue ruim. - ouvi uma voz conhecida. Não estava com paciência para ele agora, mas não podia simplesmente fugir.
- O que você quer, Malfoy?
Para minha surpresa, o loiro estava sozinho.
- Ouvi sua mamãezinha gritar que nem um trasgo nojento e imundo com o diretor da minha casa. O que é que você fez, hein?
- Eu não fiz nada. Nem sei do que está falando. - demorei alguns minutos para perceber que ele se referia a Juno.
- Para mim, você fez. - ele se aproximou e me olhou bem de perto com aqueles olhos arrogantes e venenosos, que me olhavam com suspeita e nojo.
- Deveria parar de falar sobre coisas das quais não entende. - eu disse me levantando e o encarando. Estava do tamanho dele, dois degraus acima. Ele subiu um degrau e me encarou de cima.
- E você deveria parar de se achar tanto mesmo sendo só uma mestiça nojenta como todo o resto do seu bando de traidores de sangue - ele me olhou - e aquele seu pai imundo.
- Já chega. - eu balancei a cabeça, subindo um degrau atrás. - eu não tô com saco pra ouvir suas reclamações mimadas, procure pelo seu pai, Malfoy. Talvez ele te ouça.
Eu estava pronta pra sair quando ele me puxou pelo braço. Aquela atitude embora comum partindo dele, me irritou profundamente.
- Quem pensa que é para me dizer o que fazer, sua doente? - ele disse me puxando com força. Eu puxei meu braço com força, mas foi inútil. - por que não chama os seus namoradinhos gêmeos, huh? Talvez eles te ajudem como a sangue ruim da Granger e a Weasley mais nova da última vez...
Eu sorri em escárnio.
- Por quanto tempo ficou vomitando aquelas lesmas? - ri na cara dele, e ele apertou meu braço com mais força.
- Por muito menos tempo do que vou levar para acabar com você, e olha que isso vai ser bem, bem rápido. - ele disse com um tom sério. Eu puxei meu braço de volta com força o suficiente dessa vez e me soltei dele.
- Corre agora, sua cachorrinha abandonada. Onde estão suas mesticinhas agora?
Eu apontei minha varinha para ele.
- Provavelmente em uma situação melhor do que a sua agora. - eu disse com a varinha no pescoço dele. Minhas mãos tremiam, porque eu não tinha sido feita para ameaçar ninguém. Era bem pelo contrário. Ele me olhou com desdém e um pouco de medo e deu um passo atrás.
- Guarde minhas palavras, . Você não dura mais um ano aqui.
Ele se virou e foi embora, e eu, caí sentada no degrau onde estava, respirando fundo e tentando digerir tudo o que acabara de acontecer.


Capítulo 3 - Tortura

Músicas do capítulo (os links estão aqui, abra e dê pause, quando ver a notinha dê play na respectiva música!)
música nº1
música nº2
música nº3

Pov. Narrador

Juno andava de um lado para o outro em seu quarto. Tinha as mãos às costas e seu pensamento ainda assim parecia borrado por algum tipo de percepção que não se lembrava de ter; ela se sentou em sua mesa e olhou mais uma vez para a janela; lá fora, nuvens de chuva tomavam conta do céu apesar da neve, e ameaçavam o time da sonserina que treinava quadribol no mesmo instante. Ela observou o bezoar em sua mão por alguns segundos antes de tirar uma conclusão que, para uma ex aluna da corvinal, demorou até demais.
Seus passos desesperados podiam ser ouvidos de qualquer lado do castelo. A mulher sempre usara uma bota que combinava com o resto de sua vestimenta totalmente preta e tapava o que ainda havia à mostra de seu corpo. Ela ignorou o fato de ser noite, e tecnicamnete, aproveitou-se disso. Sabia que Dumbledore estava em sua sala e foi até lá. Correu pela escadaria até o terceiro andar, e então até a torre do diretor; quando se deparou com a gárgula, ela não precisou dizer senha alguma, pois a porta se abriu automaticamente. Segundos depois ela veio a descobrir que isso se dava ao fato de Dumbledore tê-la visto correr pelo castelo.
Juno fechou a cara ao ver que não era a única presente.
- Boa noite, srta. Sparks. A que temos a honra? - Dumbledore perguntou com seu sorriso doce típico.
- Por que está permitindo isso? - ela disse quase cuspindo as palavras na direção de Severo, que estava parado ao seu lado. Ele a olhou com desgosto; sua rivalidade surgira anos antes, na época de escola de ambos. Juno pertencia ao bando de Lily Evans, e consequentemente, James Potter; Severo tinha seus motivos peculiares para odiá-los e consequentemente odiar a ela.
- Agressivamente - Snape começou - é claro. O jeito "Sparks" de resolver qualquer problema, não é mesmo?
- A garota precisa de ajuda. - Dumbledore disse, interrompendo uma possível resposta de Juno e apartando o que poderia ser o início de uma briga.
- Isso parece ser muito óbvio para que a rara perspicácia da srta. Sparks não tenha captado, senhor - Severo disse, debochando.
- Eu entendo perfeitamente e vejo o que me diz com clareza, mas, Alvo, vai morrer. Não compreendo o que tentam fazer aqui; Severo não deveria curá-la? Ajudá-la? Qualquer coisa que a impedisse?
- Se gastasse menos do seu tempo pensando na vida dos outros e se ocupasse um pouco mais com a sua própria, talvez tivesse tempo para estudar e descobrir misteriosamente que algumas poções possuem efeitos colaterais, srta. Sparks.
- Eu nunca viu um bezoar curar efeitos colaterais, Snape. Me lembro de vê-los curarem venenos.
O silêncio se instaurou na sala e o olhar raivoso de Juno parecia mais sincero do que o de Snape, que engolia em seco procurando abrigo em Dumbledore. Ele não parecia querer mentir a verdade mas ao mesmo tempo não sentia que o envolvimento de Juno no caso seria de tudo aproveitador.
- Jamais permitiria tal ato. - foi o ultimato de Dumbledore, igualmente doce. Ele não parecia preocupado e muito menos bravo pela alegação de Juno, que soou imediatamente como uma ofensa a seus ouvidos. Como se ela acusasse-os de envenenarem uma aula; quando, em sua vida, Dumbledore envenenaria um de seus alunos?
- Eu sei disso. - ela disse. - por isso imaginei que o senhor não tinha conhecimento desse ato, mas, aparentemente...
- Juno, o caso dela é bem pior do que lhe parece. - ele a interrompeu. - provavelmente e muito possivelmente sabe sobre e por que motivo ela representa perigo a si mesma.
- Eu já percebi. - ela alegou. - mas não imaginei que fosse um problema. Ela mesma não faz ideia!
- É o propósito. - Severo disse, por sua vez, calmo. - ela não deve saber, pois enquanto não souber, teremos a habilidade de controlar.
- Não percebem que só a estão ferindo? - ela disse, indignada. - não podem controlar uma pessoa como bem entendem e esconderem dela tudo o que lhe rodeia!
- Este peso não carregamos, srta. Sparks. Ela saberá. - Dumbledore argumentou. - mas na hora certa, a hora em que determinarmos.
Juno riu de desespero, como se o que ele acabava de dizer fosse completamente inútil.
- Não pode ser assim.
- Precisa ser assim, Juno. Se você preza por ela, permita que eu cuide do assunto. - ele disse, caridoso. - infelizmente não posso revelar mais além do que já lhe disse, e não digo isso por não confiar em você.
- Eu sei, Alvo. - ela respirou fundo procurando um apoio. - já há sofrimento demais por vir na vida dela.
Dumbledore parecia saber exatamente o que se passava na cabeça de Juno, e no fim das contas, ele de fato sabia. Sabia que grande parte do que acontecia com não precisava ser dito ou explicado: a professora já sabia.
E ela queria chegar até antes que eles, ou pior, ele chegasse.

- x -


Pov.

Já haviam se passado alguns dias desde que tive o último desmaio, mas até então, nada. Seguia tomando as medicações de Snape e passava a maior parte do meu tempo estudando para as NOMs; Hermione me acompanhava nessa jornada, ela também passava todo o seu tempo livre na biblioteca. Vez ou outra, Fred e George vinham nos visitar e perguntar quando é que "sairíamos da caverna". Eu e Hermione ríamos, pensando no mito de Platão, e dizíamos que eles eram os únicos presos. Harry estava ocupado e, quando não na biblioteca ou descansando na sala comunal, nós estávamos reunindo a A.D e avançando nos nossos estudos.
Durante todo esse tempo, senti a falta de Juno; desde o último desmaio não a via com frequência pelos corredores e ela quase nunca estava em sua sala. Gina dizia que a via o tempo todo, mas eu mesma não; me fez criar certa paranoia de que talvez ela estivesse me evitando. Tudo corria bem, mas é claro que isso não durou.
Eu e Hermione decidimos ficar acordadas após o toque de recolher, estudando na própria sala comunal. Ela se deitou no sofá debruçada e eu me sentei no chão; acendemos a lareira e deixamos que apenas ela ficasse acesa, para nos aquecer, enquanto líamos com nossas varinhas. Eu estava sem sono há dias e ela gostava de estudar e em qualquer momento em que não o estivesse fazendo, sentia que estava perdendo tempo. Também estava sem sono naquele dia.
Nós raramente trocávamos alguma palavra, mas ainda assim era mais agradável estudar em sua companhia do que sozinha. Quando surgia alguma dúvida, podia perguntar a ela e vice versa; procurávamos fazer o mínimo de barulho possível. Foi quando a agitação se iniciou: ouvimos vários passos descendo as escadas e vozes acompanhavam os passos em desespero. Reconheci Ron, Fred e George, Gina e Harry. Harry estava aflito, seu rosto totalmente suado assim como sua blusa logo abaixo o pescoço. Ele parecia desesperado e não queria conversar, eles andavam direto para a sala do diretor; notei o olhar de preocupação de todos eles e olhei para Hermione, que devolveu a mesma expressão. Pensei em perguntar a alguém o que estava havendo, mas senti que não era o momento para explicações.
- Devemos fazer algo? - Hermione perguntou tão confusa quanto eu.
- Acho que agora não é o momento. - eu respondi, mas ela parecia desesperada e ao mesmo tempo curiosa. Sabia que não tinha nada a ver com isso, mas a preocupação de Hermione para com nossos amigos superava o que era correto no momento.
- Eu acho que talvez devesse ir...
- Vá, Mione. Acredito que estejam sendo encaminhados pela professora McGonagall; se ela mandar você vir dormir, você volta.
Ela assentiu como quem agradecia pela compreensão e saiu, fechando atrás de si o quadro da mulher gorda, ou seja, a porta. Eu suspirei, fechando meu caderno e guardando em minha mochila. Fiz o mesmo com os dela. Provavelmente depois de tudo aquilo nenhuma de nós teria ânimo. Me levantei com as mochilas nas costas e dei uma olhada na janela uma última vez antes de me dirigir as escadas.
Quando começava a subir, ouvi mais passos descendo. Eu senti um calafrio e por um segundo, tive medo de subir as escadas; dei um passo atrás esperando que quem quer que estivesse descendo, se mostrasse. A silhueta se formava logo a minha frente. Tinha a altura de um estudante, provavelmente qualquer um de meus colegas, mas mesmo assim minhas mãos e pernas tremiam de medo. Eu sentia o bolo na garganta, o gosto de sangue e a vontade de chorar que quase se apoderava do meu corpo e me fazia querer fugir, mas a coragem fez com que meus pés se estabelecessem fixos no chão. Eu enxerguei os olhos castanhos antes de perder o controle.
- Imperio. - ouvi, e então todo o meu corpo se petrificou. Eu não tinha mais controle sob minhas ações, e em fato, via meu corpo se mover sozinho e nenhum grito saía quando tanto tentava gritar. Eu senti o sangue escorrer pelo meu nariz, mas, dessa vez, não sentia nenhuma fraqueza. Olivio Wood apareceu a minha frente, empunhando sua varinha. Ele a apontava para mim. Me virei para o lado da porta e ele, logo atrás de mim, me encaminhava controlando-me com a maldição; andava contra a minha vontade, como se estivesse presa dentro de mim mesma. Não ouvia vozes ou outras pessoas que pudessem ajudar no corredor e no momento em que mais precisava dele, o diabo do Filch não aparecia. Eu desisti de lutar, porque meus gritos eram abafados por uma boca intensamente fechada. Não compreendia: por que Olivio faria isso comigo? Ele sempre fora uma boa pessoa, um bom aluno, eu não compreendia.
Nós descemos até um lugar totalmente escuro onde eu não mais conseguia reconhecer. Sua varinha iluminou o caminho e eu vi, então, a porta da câmara secreta - um lugar onde Harry havia matado um basilisco no segundo ano, onde também supostamente havia sido criado por Salazar Sonserina há anos e anos atrás.
Olivio comunicou algo na língua das cobras que eu fui incapaz de compreender. Embora falasse, eu podia notar pela diferença entre ele e Harry que, ao contrário do próprio Potter, Olivio não sabia falar a língua das cobras - ele estava repetindo algo que ouvira antes. Era bem simples notar: era como ouvir um americano falando inglês britânico. Pude ver a marca negra em seu braço quando as estátuas de cobra começaram a se mover e a enorme porta se moveu de tal forma que meu corpo foi impulsionado a entrar, e então eu saí do transe quando ele me jogou no chão com sua varinha. Caí de joelhos apoiada com as mãos no chão. Me virei de costas para ele e então comecei a me afastar, amedrontada; eu peguei minha varinha mas antes que qualquer coisa pudesse acontecer, ele me desarmou. Minha varinha foi para muito, muito longe.
- Sabe, esse truque é tão antigo. - ele disse entre risadas. - e mesmo tendo sido usado antes, vocês ainda não conseguem identificar um disfarce?
Seu rosto começou a se deformar completamente e todo o resto de seu corpo, dando lugar a um Walden MacNair - o carrasco atribuído a degolar Bicuço no terceiro ano, e até onde sabia agora, um comensal da morte. Meus olhos seguiam fixos nos dele, tentando decifrar o que ele queria ali. Não sabia há quanto tempo Olivio Wood era na verdade MacNair, e muito menos o que ele queria comigo.
- O que você quer? - eu disse, ainda trêmula.
- Nada demais, . Só vamos fazer um pequeno joguinho, está bem? Quanto mais reclamar, pior fica pra você - ele andava de um lado para o outro com as mãos atrás das costas - e eu juro que vai ser muito, muito difícil não reclamar.
Parecia impossível ver aquilo se repetindo. No ano anterior, o comensal Bartô Crouch Jr havia tomado a forma do novo professor de DCAT, Alastor Moody, o olho-tonto. Após isso, jurava que ninguém mais seria capaz de infiltrar em Hogwarts; alguns pensavam o contrário: diziam que o castelo não era mais seguro, e que agora qualquer um facilmente se infiltraria. Eu gostava de pensar que criariam defesas maiores contra esse tipo de invasão, já que passaram por isso uma vez. E como sempre, eu estava errada.
- Logo vão sentir minha falta. - eu argumentei, sem abaixar a cabeça para o homem à minha frente. Apesar do medo, a coragem era importante em um momento como aquele.
- Acredite em mim, quando sentirem, já estaremos terminados. - ele disse dando um sorriso que eu não conseguia compreender e, ainda assim, temia.
- Diffindo. - ele disse. Eu senti um corte profundo surgir na minha perna direita, desde o joelho até o fim da coxa. Doía, mas me neguei a gemer. Apenas fechei os meus olhos e engoli em seco, pensando em como faria para pegar minha varinha de volta; meus pensamentos eram irrompidos pela dor e eu só conseguia me focar na minha perna, que sangrava e doía tanto. Apertei o local para ver se doía menos ou parava de sangrar, mas nenhum dos dois efeitos foi atingido. No fim das contas, respirei fundo e, desistindo de levantar, comecei a me arrastar lentamente para trás como quem me afastava dele; na verdade, tentava chegar até a minha varinha.
- Por que está fazendo isso? - perguntei quando ele fez com que a minha varinha voasse ainda mais longe percebendo minha intenção.
- Não preciso de motivo algum para açoitar uma mestiça suja como você. - ele disse, usando um feitiço de cura que fez com que a ferida se fechasse e parasse de sangrar, mas continuasse doendo. Por um instante, parou e começou a olhar para os arredores. Levou as mãos a cabeça como quem sentia uma dor absurda e começava a sussurrar coisas que eu não entendia. Aproveitei o momento para me arrastar até a minha varinha, mas a tentativa foi em vão. Ele pisou em minha mão com força. Aquilo doeu.
Suspirei me encolhendo e apertando minha mão contra meu corpo, tentando aliviar a dor.
- Crucio! - a dor agonizante e excruciante parecia ter dado o nome ao feitiço. Era como se milhões de agulhas flamejantes fossem inseridas ao mesmo tempo em cada pequena célula de meu corpo, e logo após tudo isso explodisse. Às vezes, a dor mudava para um tipo de carga elétrica. Eu me contorci no chão desesperada e não consegui conter os gritos. A dor era diferente de qualquer outra coisa que eu tenha sentido na vida. Aquilo durou por minutos a fio, até que, impossibilitada de respirar ou me manter acordada, senti meu corpo se desligar completamente.

- x -


Pov. Narrador

- ...Estava presente na cena ou observando de cima?
- Eu estava... Eu era... - Harry procurava as palavras corretas e não conseguia encontrá-las. - desculpe-me, pode me dizer o que está acontecendo?
Dumbledore pareceu imediatamente ignorá-lo. Ele falou com os quadros presentes em sua sala e pediu informações acerca de Arthur Weasley, que fazia a ronda noturna no ministério da magia e era também com quem Harry tinha sonhado naquela noite. Via-se no corpo e na visão de Voldemort, pedindo que Nagini ferisse Arthur.
- Senhor. - Harry o chamou diversas vezes e foi ignorado em todas. Ele engoliu em seco e sentiu algo estranho se apossar de seu corpo por algumas frações de segundo. - Olhe para mim! - ele gritou e chamou a atenção de todos na sala.
Dumbledore o olhou assustado e permaneceu fixo no rosto de Potter, que abaixou a cabeça ofegando e ajeitando seus óculos.
- Pode me dizer o que está acontecendo?
O silêncio reinou por alguns segundos até que Snape apareceu na porta, vestido em suas vestes usuais. Todos os presentes o olharam, então.
- Mandou me chamar?
- Severo! Não podemos esperar mais, nem um segundo, nem mesmo esta noite. - Dumbledore disse, fazendo com que Snape puxasse Harry para acompanhá-lo. Então, se voltou aos Weasley, que ainda estavam presentes.
- O seu pai já foi encontrado e está tudo bem com ele, apesar das feridas. Será muito bem tratado. Eu sugiro que voltem ao seu dormitório e não se preocupem, apesar dos apesares. - ele disse, concluindo. Eles assentiram e estavam preparados para sair, quando Hermione apareceu desesperada na porta. Ela ofegava como nunca e parecia ter corrido uma maratona inteira. Seus olhos, assustados.

(n/a: dê play na música nº1)

- S-Senhor! - ela disse entre gritos. - É ! Ela desapareceu! E no c-chão da sala comunal... Havia um pouco de... um pouco de... - ela engoliu em seco. - de sangue.
Foi o suficiente para enlouquecer todos os presentes na sala. Fred pôs-se a correr e George foi atrás dele, tentando segurá-lo ou impedi-lo. Gina acabou por segui-los, e Ron se aproximou para apoiar Hermione, que parecia realmente mal. Dumbledore olhou para Minerva, que também estava ali e ela compreendeu o olhar, saindo da sala.
- Vocês três devem ir aos seus dormitórios imediatamente, e não desviem o caminho sob hipótese alguma. - ele disse, os acompanhando até a porta e andando em direção a Minerva.
Gina, Ron e Hermione se dirigiam ao dormitório da grifinória, desesperados e desamparados. Quando estavam prestes a entrar pelo quadro, Gina ficou para trás por um segundo, fazendo com que Ron e Hermione se voltassem a ela.
- Não posso deixá-la. - ela disse, pensando em sua melhor amiga. - não posso mesmo.
- Mas Dumbledore disse...
- Eu sei o que Dumbledore disse - ela interrompeu Ron - mas também sei que ele vai compreender minha atitude. pode estar em qualquer lugar do castelo, desmaiada, ou até mesmo pior.. Não, eu não posso deixar.
- Eu vou com você. - Hermione se posicionou imediatamente, entrando com Ron na sala comunal e pegando sua bolsa e então se voltando para Gina.
- O que tem aí? - perguntou a ruiva.
- Achei que seria bom começarmos por algum lugar. - Hermione respondeu enquanto apontava sua varinha para o mapa do maroto. Elas ficaram por alguns minutos procurando por , mas não a encontraram em lugar algum.
- Isso significa que ela está fora de Hogwarts?!
- Eu duvido que tenha saído - Hermione disse com um olhar curioso. - até onde eu sei, só existem dois lugares nesse castelo que não aparecem no mapa do maroto.
- A Sala Precisa e...?
- A câmara secreta.

- x -


Hermione e Gina se separaram. A morena se dirigia para a sala precisa, e deixou o mapa com a ruiva, que ia direto para a câmara secreta. A ideia parecia sem pé nem cabeça, mas até então, não faziam a menor ideia de que estaria acompanhada e em maus lençóis. Na cabeça das duas, o máximo que podia ter acontecido era uma convulsão ou mais um desmaio repentino. Ela foi a primeira a chegar, e então, a primeira a notar que não estava lá. O desespero bateu quando parou para considerar todos os apesares, e percebeu que era impossível para a amiga entrar na câmara sozinha, já que ela não sabia a língua das cobras. Pensou em um trilhão de possibilidades enquanto trilhava seu caminho até Gina.
Gina, por outro lado, andava sozinha até a porta da câmara. Tinha fundo em suas memórias a fala decorada que precisaria recitar para abrir as portas, pois ela havia sido possuída pelo próprio Lord Voldemort quando Harry destruiu o diário e salvou sua vida. Quando frente a frente com as cobras que guardavam a câmara, tentou puxar do fundo de sua mente o que precisaria ser dito. Era incapaz, pois suas lembranças não eram tão longas assim. Ela continuava tentando e a cada vez que errava, sentia que a vida de sua amiga corria mais risco. Não sabia porquê, mas tinha essa impressão.
Quando Hermione chegou, ela se sentiu um pouco mais aliviada.
- Ela não está na sala precisa... Precisamos entrar. - disse, desesperada e ofegante.
- Eu não consigo...
Hermione não deu tempo a Gina.
- Legilimens! - entrou na mente da amiga, procurando por suas memórias profundas até encontrar a única da qual precisava. Gina ficou atordoada e extremamente irritada com a situação mas compreendia que a única chance de ajudar exigia alguns sacrifícios. Enquanto a porta se abria, Hermione assentiu para ela.
- Empunhe sua varinha. não conseguiria entrar aqui sozinha.
A ruiva assentiu e ambas se posicionaram. Quando por fim a porta abriu, não enxergaram nada ali dentro além do chão negro e a grande estátua. Elas se entreolharam. Hermione não deu-se por satisfeita, pois ainda se recusava a crer que teria saído do castelo sozinha.
- Homenum revelio - ela sussurrou, quando notou a presença de humanos naquela sala. Desconfiada de tudo, ela segurou Gina que colocava-se a andar. Virou-se para a amiga.
- Ela não está aqui. Vamos embora. - disse. Assim que se viraram de costas, Hermione fez um sinal para que Gina esperasse. No primeiro som que fizeram, a ruiva se voltou para trás.
- Reducto! - o feitiço atingiu o canto do homem que acabava de se revelar. estava no chão. Havia aparentemente acabado de acordar de um desmaio. Ele reverteu o feitiço e lançou crucio mais uma vez em , fazendo com que a garota se retorcesse ainda mais. A expressão dela causou dor nas amigas que estavam revoltadas demais para qualquer coisa. Hermione, pronta para lançar um feitiço naquele homem, foi impedida por ele mesmo, que aparatou para longe dali deixando no chão ofegante e suada.
- Você está bem?! - Gina se aproximou. - céus, o que foi isso?
- E-Eu não sei... - conseguiu dizer, ainda deitada.
- Vamos tirá-la daqui e chamar o professor Dumbledore.
(n/a: se a música não tiver acabado, pode tirar agora!)

- x -


estava deitada no pé de uma das escadarias quando Dumbledore, Minerva, Snape e Juno chegaram desesperados. O velho se aproximou dela olhando-a nos olhos.
- Filha, quem estava com você ali dentro?
- MacNair - ela disse respirando fundo. Juno olhou para Snape com desconfiança e ele a ignorou, olhando a ferida de .
- Vulnera sanetur - ele recitou, com sua varinha sob a perna dela três vezes. O machucado se fechou lentamente e o sangue desapareceu. Logo, a perna dela estava boa novamente; estava indisposta e seu corpo doía.
Dumbledore disse algo no ouvido dele e então, o homem se retirou. Minerva também se retirou, deixando que apenas Juno e ele mesmo continuassem acompanhando a garota, além de suas duas amigas e heroínas.
- O que fizeram foi incrível e nobre. - ele disse, agradecendo. - mas agora devem, seriamente, ir a seu dormitório. Atualizem Fred Weasley da situação dela, pois ele está à beira de um colapso; eu e a srta. Sparks cuidaremos de .
- Obrigada, professor. - elas disseram segurando a mão de uma última vez antes de se dirigirem para o dormitório.
- Senhor, o que foi aquilo? - perguntou confusa, se sentando e tomando cuidado pois ainda sentia dores. - ele...
- Srta. , infelizmente não tenho tempo para tais questionamentos, mas prometo saná-los quando possível. Agora, me responda; qual foi a última vez com que contatou o seu pai?
- Há alguns dias atrás...
- Obrigado. Juno, por favor, cuide dela. - ele disse se retirando. Juno se ajoelhou ajudando a garota a ficar em pé.
- Posso carregá-la, se quiser. - ela disse fazendo rir.
- Qual o problema em eu ter falado com o meu pai?
Juno pensou duas vezes antes de abrir a boca. Ela jogou os longos cabelos brancos para o lado e colocou o braço de em torno de seus ombros, ajudando-a a andar.
- Sua coruja foi interceptada.
- Por quem?
- Se soubesse, juro que lhe diria.
era boa em identificar mentiras seja lá onde fosse, e ali, ela identificava uma. Resolveu deixar isso para lá, pois no momento só sentia que precisava se deitar e tomar um chá quente e relaxante, e então, uma boa noite de sono. Juno a levou até a porta da sala comunal, onde insistiu em entrar sozinha.
- Tudo bem. Se precisar, sabe onde estou. - ela disse dando uma piscadela antes de sair de lá. abriu a porta e entrou, mancando um pouco.
Fred, que estava sentado com a cabeça apoiada nas mãos se levantou em desespero. George estava a seu lado, e Hermione e Gina ainda estavam acordadas também.
Todos pareciam esperar ouvir o que acontecera.
- Eu... ahn... - ela disse tímida por ter toda a atenção em si, mancando um pouco. Fred se dispôs no mesmo instante a ajudá-la. Ele a deitou-sentada no sofá e se sentou em sua frente, colocando os pés dela em seu colo.
explicou tudo do início ao fim. Todos ouviam atentamente e, ao mesmo tempo, preocupados.
- Acha que estava te torturando por algum motivo? - Hermione perguntou.
- Eu não sei. Ele não disse. Só consigo pensar que isso tem algo a ver com o meu pai.
- Por quê? - era a vez de Fred.
- Porque quando vinha para cá, Dumbledore me perguntou qual foi a última vez em que falei com ele, e Juno disse que minha coruja havia sido interceptada. Ela me escondeu quem interceptou e porquê. Não pode ter sido atoa.
- Com certeza não... - Gina andava de um lado para o outro.
- Acho melhor discutirmos isso em outra hora. precisa descansar e nós também. - Hermione disse entre um bocejo. Já haviam se passado horas desde que estavam ali, tão tranquilas apenas estudando. Todos assentiram e foram lentamente se dissipando. George olhou para Fred como quem o chamava, mas ele fez sinal para o irmão, como quem dizia que ia depois. não pôde deixar de notar na atitude do ruivo e se lembrar dos comentários de Hermione acerca dele na primeira aula da A.D.
- Me preocupei com você, sabia, garota? - ele disse rindo meio sem jeito. Ela sorriu.
- Me desculpa por ter te preocupado, Fred. - disse segurando a mão dele como um sinal de apoio. - eu sempre faço isso, na verdade...
Ele riu.
- É verdade. Sempre acaba comigo de um jeito ou de outro. - ele riu, olhando para os próprios pés em um tom misterioso que ela não decifrara. Fez uma cara de confusão e deitou a cabeça, olhando-o.
- O que quis dizer?
- Eu? Nada. Viu só? Você já está ficando piradinha da cabeça! - ele riu, pousando sua mão na bochecha avermelhada dela e limpando o que parecia ser poeira. Quando seus olhos encontraram os dela, Fred decidiu deixar sua mão ali por um pouco mais de tempo; eles não disseram nada, mas a mão que usava para segurar a dele era a única que se mantinha firme - todo o resto tremia. Depois de alguns segundos, ele balançou a cabeça caindo em si e se levantou bruscamente.
- Vou te levar ao seu dormitório e então vou zarpar para o mundo secreto dos Weasley. - ele definiu. se impulsionou a se levantar.
- Nada disso. - ele disse mexendo a cabeça negativamente. A pegou em um impulso no colo e se colocou a subir as escadas.
- Você ama um mico, né? - ela riu.
- Não posso ver um que já quero pagar. - ele respondeu rindo também. A deixou em pé na porta de seu dormitório. - durma bem, garota louca.
- Você também, Fred Weasley. - ela sorriu. Ele depositou um beijo em sua testa antes de se dirigir a seu dormitório. Antes de entrar, ele olhou para trás e viu que ela ainda o observava
- Fred?
Ele olhou para ela.
- Eu estou com medo.
- Eu sei. - ele disse, indo na direção dela e a abraçando. O abraço dele era reconfortante como sempre. Ela até podia identificar a compreensão, o medo, o pavor que ele sentia. Sentia pavor por milhares de motivos, mas principalmente por talvez ter que ver todos os seus amigos sofrerem. Era destrutivo vê-la assim, e também ver Harry sofrendo nas mãos de Umbridge e aqueles que não mereciam, como Draco Malfoy, recebendo condecorações por serem leais à ditadora.
- Não se preocupe, . - Fred fechou os olhos. - você é forte. Sei que é.
- Se Gina e Hermione não tivessem chegado a tempo, não sei o que seria de mim ali...
- Mas elas chegaram, e isso é o que importa. Tem seus amigos ao seu lado para o que precisar. O que mais poderia pedir?
- Que Voldemort morresse logo ou desistisse dessa ideia maluca.
Fred sentiu sua espinha congelar por completo.
- Acha que ele tem algo a ver com isso?
- Eu não sei, acho que tô só cansada. - ela disse, suspirando e separando o abraço deles por fim. Fred segurava os braços dela e a olhava nos olhos, procurando retirar alguma informação dali. Incapaz, ele desistiu desviando o olhar, porque lhe doía observá-la daquele jeito.
- Você deve ir dormir já. - ele disse, indicando a porta. - eu vou pro meu dormitório. Vejo você de manhã, ok?
- Boa noite, Fred Weasley.
Ele assentiu e bradou para o dormitório masculino, antes que, em um impulso qualquer que fosse, a puxasse para mais perto - o suficiente. Fred não dormiu bem naquela noite; olhou para o teto a noite inteira, revirou-se na cama mas não conseguiu dormir por mais de três horas. Ele pensava em Voldemort, pensava em sua família, e principalmente em , que corria riscos reais.

- x -


- Já disse, Mione, foi só isso. Eu já repassei a história com você mais de três vezes, por favor, não me faça falar mais uma - estava destruída; tudo em seu corpo doía, ela havia sido dispensada de suas aulas. Estava com seus amigos no salão comunal e dali iria direto para o seu quarto. Estava preocupada com seu pai, mas Dumbledore não podia atendê-la o tempo todo, e havia lhe pedido especificamente para que não enviasse mais corujas ao pai, então, ela deixou de lado como pôde. No fundo, o que restava de calma em seu corpo era a certeza que tentava manter de que seu pai estava vivo e bem, certeza essa que ela não podia ter, mas pretendia inventar como pôde.
- Eu sei, desculpa. - Hermione suspirou. - é que nada disso faz sentido... aquele homem aparecer de repente...
- Voldemort está a solta - Harry se intrometeu. - faz bastante sentido sim, Hermione.
- Não diga isso!
- Você acha mesmo que ele não tinha nada a ver com isso? Qual é, Hermione, você é a mais inteligente de todos nós! Devia saber melhor do que eu que ele na verdade é o único que pode ser responsável por isso!
- Não é verdade, Harry!
- Parem. - suspirou. - eu concordo com o Harry.
Hermione parecia hesitar. Ela também concordava com ele, mas não queria assustar a ; embora soubesse que a amiga era incrivelmente forte e suportaria a notícia, em solidariedade a ela, Hermione pensou que talvez fosse melhor deixá-la se preocupar integralmente com o pai sem atribuir mais preocupações a ela. Aquilo era visivelmente impossível.
- Tudo bem. Pensem o que quiserem, independente do que for, vamos proteger você.
- Eu não preciso disso tudo, Mione - disse com a mão no rosto. - é sério...
- Eu e Gina estaremos aqui.
- Eu sei, e sou muito grata por isso, mas eu realmente preciso ficar um pouco sozinha agora. - ela disse desviando dos dois e marchando em direção aos campos nevados. Hermione e Harry se entreolharam.
- Eu sei que tá tudo complicado demais com ela, mas temos outras preocupações também. - ele disse. Hermione concordou e eles subiram.
Nos campos nevados, se sentou em um dos troncos recobertos por neve, cuja qual ela removeu com as mãos abrindo espaço. Tirou o seu livro de dentro da mochila e então concentrou-se em lê-lo, tentando distrair a cabeça, como havia pedido a professora McGonagall. Miverva havia dito com toda a clareza que estaria suspensa de suas atividades por três dias e durante esse tempo devia focar-se na recuperação após a tortura, se ocupando com atividades simples e que não exigissem tanto de seu físico. Para tanto, ela leria os livros de Umbridge.
Após talvez meia hora de leitura e várias e várias páginas que ficavam para trás, o foco de foi totalmente destruído por uma imagem negra que se marcava à sua frente; o garoto, cujos cabelos loiros estavam sempre bem arrumados mas, impressionantemente agora estariam rebeldes, segurava seus livros e a olhava de cima a baixo. Ele tinha uma expressão de dor em seu rosto que não sabia ler. Ela sentia certa repulsa quando olhava para Malfoy, e agora não era diferente. Ele abriu a boca como quem diria algo mas então desistiu, tentando gesticular, e falhando novamente.
- O gato comeu a sua língua?
- Não seja insolente. - ele disse, adquirindo sua expressão de fúria. - eu só ia perguntar se... se... se viu o Goyle.
- Por que raios eu teria visto ele?
- Porque estudam no mesmo lixo de colégio!
- Bem, eu não vi seu amigo.
- Tá. - ele disse revoltado e colocou-se a andar, mas então virou-se de volta para ela. havia voltado os olhos ao livro que apoiava nas pernas, dobradas em perninha de índio.
- Ei, . - ele disse, dando um passo na direção dela. Ela se virou. - você está bem, né? É que todos estão comentando sobre o que aconteceu.
- Eu estou. - ela disse com um sorriso fraco, apreciando a preocupação dele. não considerava Malfoy um inimigo, ela no máximo encontrava nele um garoto perdido e mimado que apanharia da vida para aprender o que seu pai não lhe ensinara. Ela não o odiava, mas sentia certa repulsa por suas atitudes. Quando ele era agradável, entretanto, não tinha motivos para reprimi-lo. Malfoy assentiu ao ouvi-la dizer que estava bem e então afastou-se, aparentemente procurando por Goyle. voltou-se ao seu livro.
Estavam próximos do natal, e ela havia sido convidada por Sirius a passá-lo em sua casa, junto com os Weasley e Harry. Hermione por outro lado passaria a festividade com seus pais, como era previsto. pensava nos presentes. Não parecia ter passado tanto tempo desde o último natal, na Toca: para ela, parecia ter sido ontem. Se lembrava de ter escapado do horrendo natal na Nova Zelândia com a família de seu padrasto, e também lhe trouxe a percepção de que não falava com o pai há um longo tempo. Aquele tipo de coisa a assustava, mas era de certa forma comum. Não era a primeira vez que Albion precisava ausentar-se por um período grande sem poder dar detalhes maiores. Eram os ossos do ofício: ele era uma importante personalidade dentro da sessão de mistérios do Ministério da Magia, o que o tornava extremamente ocupado e de certa forma vítima de perseguição constante, também.
Com o retorno de Voldemort, o maior medo de era que seu pai estivesse sendo perseguido por ele. Nas mãos do Lord das Trevas, até ela mesma duvidava da lealdade do pai; e ainda que saísse vivo das mãos de você-sabe-quem, ele possivelmente morreria por ter revelado informações sobre o ministério. Aquilo tudo passava na cabeça dela como uma faca que cortava seu pescoço. Ela sentia o bolo na garganta característico a cada vez que se lembrava do rosto do pai. Não podia evitar pensar nele. Ela achava que acabaria se esquecendo do rosto dele se ficasse longe dele por tempo demais: era uma dependência infantil que carregou desde sempre. Sempre foram só ela e o pai, a casa comum deles em um vilarejo bruxo e as constantes cartas trouxas da mãe, que apesar de sentir saudades da filha, não sentia vontade alguma de criá-la: ela havia formado sua própria vida longe de tudo o que lhe era absurdo. Tinha um marido novo, uma filha criança e toda uma vida pela frente; achava injusto culpá-la por isso, então nunca o fez.
Albion, por outro lado, tinha certo ressentimento quando se tratava da ex-esposa. Ele sempre soube que a magia foi o verdadeiro motivo da separação deles, e embora sempre tenha sido um homem ausente, não conseguia admitir que sua ausência causaria danos irreversíveis ao relacionamento.
era, de tudo, a mais tranquila. Ela mediava o relacionamento dos pais, tentando fazer com que Abigail e Albion se entendessem, mas os pormenores eram mais frequentes do que as razões para se encontrarem. No fim das contas, precisou fazer uma escolha: a mãe ou o pai; e ela escolheu o pai. Era conveniente, pois estudante de Hogwarts, era mais simples viver com ele e também mais correto. Abigail não apresentou nenhuma contestação, o que para era uma vantagem, mas para Albion, uma grande desfeita. Desde então, eles mal se falavam caso não fosse extremamente necessário.
A falta do pai doía na pequena garota, que apesar dos quinze anos, sentia a tristeza e o desespero que um bebê recém-nascido sentia ao separar-se de sua mãe. Ela afastou as lágrimas do rosto rapidamente antes que escorressem e sujassem o livro. Logo, notou que seria inútil afastá-las, e aproveitando da escuridão que o céu começava a tomar e a solidão, afundou o rosto nos joelhos e chorou
desesperadamente como quisera durante tanto tempo. Não tardou muito até que um grupo de alunos passasse por ela, fazendo piadas e com risadas estrondosas a retirassem de seu pequeno poço, Se levantou, respirando fundo e foi em direção ao castelo, determinada a começar a arrumação de suas singelas malas para o natal.

- x -


Juno respirou fundo olhando sua imagem refletida no espelho. Os cabelos loiros, tão claros que pareciam neve - quase como uma Malfoy - jogados de lado, a estranha cicatriz em seu pescoço. Ela respirou fundo, olhando para o monte de coisas que ainda tinha que arrumar. Vinha procurando uma forma de contatar Sirius, mas sabia que o melhor a se fazer era evitar. Ela foi colocando seus itens dentro de sua mala usando sua varinha, até que estava totalmente feita; se dirigiu aos portões onde os alunos saíam desesperados pelo feriado. Não deixou de rir da situação precária enquanto Umbridge tentava controlar os ânimos. A mulher, carrancuda, observou-a de cima a baixo com um sorriso cínico.
- Indo visitar a família, srta. Sparks?
- Sim. - ela respondeu, simplesmente. Juno sabia que o ministério a olhava com maus olhos desde que Black escapara de Azkaban; e não era para menos, também.
- Espero que o sr. Black não esteja incluído no que considera família, querida. Não quero insinuar que tenha algo a ver com ele, mas acredito que um dia foram bem... próximos?
- Sim, nós fomos. - ela disse, começando a sentir-se irritada. - e ainda seríamos, se Black não tivesse se tornado um "notório assassino em série".
- Pois bem. - disse Umbridge, e então Juno a ignorou e apertou o passo, deixando a mulher totalmente coberta por rosa para trás. Ela procurou por algum tempo antes de decidir que não esperaria por , mas acabou encontrando-a em um vagão do trem. Abriu a portinha de vidro vendo que estava sentada, parecendo derrotada; estava na janela. Coberta com sua própria blusa de frio, estava pálida desde o dia do ataque, mas parecia ligeiramente melhor. O que lhe dava um ar tão triste era a própria expressão solitária porém compreensível. Seus pés estavam jogados no colo de Gina, que lia um livro.
- Vejo vocês duas quando desembarcarmos. - ela disse recebendo positivas de ambas e então dirigiu-se ao seu vagão, vazio, no fim do trem. Passou pelo vagão de Harry, Ron e Hermione antes e acenou de volta para eles, que acenaram para ela.
Após se sentar e se aconchegar, tirou o jornal de sua mala. Ela via mais e mais manchetes sobre o ministro e cada vez menos pessoas acreditando no que evidentemente era a verdade: Ele estava de volta. Não sabia como Dumbledore lidaria com Umbridge e sua corja, mas ela esperava que fosse possível.
Após alguns minutos de leitura, ela deitou a cabeça em seu casaco apoiado na janela de uma forma confortável - e adormeceu. Acordou quando o trem arrancou, freiando por fim. Se levantou pegando sua única mala e seu Profeta Diário e se dirigiu para fora do trem, onde os Weasley, Harry e esperavam. Eles conversavam sobre algo que ela, por si, não compreendia - algo relacionado a A.D. Eles entraram na rede de pó de flu e apareceram imediatamente na lareira principal dos Black, onde Molly e Arthur esperavam ansiosos. As crianças se espalharam após cada um dar um abraço e receber um apertão de bochecha de Molly - até mesmo Juno recebera. Viu subindo com Fred e George e supôs imediatamente que fosse algum produto Weasleys novo. Harry e Ron conversavam no sofá, e o próprio Sirius acabara de aparecer na divisória entre a cozinha e a sala. Ele deu um sorriso aberto quando viu o rosto de Harry e correu para abraçá-lo. Juno, que segurava seu casaco, deixou a mala no chão e então o casaco em cima da mala, que logo começou a movimentar-se sozinha pelo ar pelos corredores estabelecendo onde ela dormiria. Foi para a cozinha enquanto os dois tinham seu momento padrinho e afilhado, acompanhar , Gina e Molly que fazia a sopa.
- O que teremos no jantar? - ela se aproximou sentindo o cheiro delicioso de cebola que emanava da panela. Molly estendeu a mão com uma colher de pau com um pouco de sopa e Juno provou; - está maravilhoso, Molly.
- Trouxe o peru, eu imagino - ela disse olhando suspeitosamente para Juno e depois soltando uma gargalhada aconchegante. Ela fez com que o peru aparecesse no centro da mesa de jantar e então ajeitou a coxa que saía para fora da grande tigela.
E então, Harry entrou se sentando ao lado de , e logo em seguida, Sirius. Ele recebeu o olhar azul-acinzentado imediato de Juno, que abriu um sorriso quase que explicativo. A história deles não era recente e mesmo os jovens presentes conseguiam entender e enxergar isso; Harry via neles a família que lhe faltava. O animago se aproximou com os braços abertos convidando Juno para o abraço e ela, por sua vez, não esperou nem dois segundos para correr até seus braços e apertá-lo o quanto pôde. Eles já haviam se visto antes, é verdade, mas esse abraço parecia incrivelmente mais sincero do que qualquer outro. Ela pareceu ouvi-lo dizer que queria mostrar-lhe algo, e então a arrastou para fora dali onde todos riram com certa felicidade. Ele não andou muito: apenas a parede entre a cozinha e a sala bastava; embora Juno pensasse que todos eles podiam ouvi-los, não ousou reclamar. Estava tão curiosa quanto todos ali e achou que seria justo permitir que eles também ouvissem.
Sirius tirou do bolso de seu paletó vinho algo que a garota, agora com lágrimas nos olhos, não via há muitos e muitos anos. Faziam doze anos. O sorriso largo de orelha a orelha de Sirius contagiava e iluminava tudo o que para ela até agora estava completamente negro; ele pensou naquele momento duas, três, quatro mil vezes antes dela chegar. Planejou passo a passo, mas não conseguiu obedecer a si mesmo. Todos na cozinha arregalaram seus olhos quando o ouviram recitar:
- Quer se casar comigo?
E depois de anos, depois de mais de quinze anos esperando e ansiando pelo momento onde finalmente se encontrariam juntos novamente e agora, determinada a aceitar o pedido que há anos prontamente recusara e em arrependimento por tê-lo feito chorava, e também em alegria, por finalmente poder ouvir aquelas doces palavras de novo, Juno não pôde dizer "sim" em momento algum. Ela o abraçou imediatamente. Seus olhos derramavam as lágrimas mais sinceras que Sirius poderia ver; ele ria enquanto ela molhava acidentalmente sua blusa, e quando se desvencilhou dele, colocou o anel em seu dedo anelar. Ele tinha um em seu próprio dedo.
Ninguém na cozinha via a cena, mas eles podiam imaginar e certamente imaginavam pelo silêncio que se instaurava no momento que, após doze anos, Juno e Sirius finalmente se beijaram novamente.

- x -


- Remo ia querer ver isso. Ele ia! - berrava George que parecia exultante pelo compromisso. O assunto era esse desde que o pedido foi feito. O jantar de natal havia se iniciado há algum tempo e todos já estavam cheios e alguns - Ron - até arrotavam. Gina lançava seu usual olhar de desconforto para o irmão e depois se voltava a , com quem conversava constantemente sobre Dino. A amiga não parecia tão disposta quanto ela a prosseguir nesse assunto, todavia a própria ruiva não parecia disposta a mudar o assunto também. Harry, Sirius e Juno discutiam sobre Lord Voldemort e os gêmeos estavam infernizando a vida de Molly, que tentava retirar as panelas. Arthur estava na ponta da mesa, em uma cadeira de rodas e todo enfaixado; depois do ataque de Voldemort no ministério da magia e a visão de Harry, Dumbledore conseguira mandar alguns contatos procurarem por ele e o ajudarem a sair de lá vivo. Desde então, o patriarca Weasley jurava sua vida ao garoto de pouco em pouco tempo.
Os jovens se retiraram a pedido dos mais velhos quando Tonks apareceu na lareira, aparentemente convidada de última hora por Juno. Uma pequena reunião seria feita no momento; se concentraram na sala, então. e Gina estavam deitadas no sofá, uma de frente para a outra; em uma das poltronas, Harry, e no chão os gêmeos e Ron faziam rodízio em uma partida de ludo.
- Por que o desespero? - Ron dizia.
- Porque eles se amam. - foi a resposta de Harry.
- Mas não precisava ter sido assim, no segundo dia que eles se encontram... é meio bizarro.
- Eles já estavam juntos a mais tempo, seu lesado - George deu um tapa na cabeça do irmão fazendo com que ele acordasse de seus devaneios e prestasse atenção no jogo.
- Não seja tão coração de pedra, Ronald. - Fred disse. - eles se amam! Tava na cara desde outro dia.
- Você não sabe nada sobre isso? - Gina olhou para que deu de ombros em resposta.
- Ei, você está calada demais, gatinha. - George disse com uma expressão meio preocupada.
- É óbvio que está - Harry começou - nenhum de vocês foi levado a câmara e torturado sem nem saber o porquê.
- Isso já passou. - entrou na conversa. - sei que se preocupam comigo, mas eu estou bem. Madame Pomfrey cuidou bem dos machucados que aquele trasgo fez e eu já fiquei tempo demais me recuperando, também.
- Acha mesmo que isso tem algo a ver com você-sabe-quem, ? - perguntou Gina com um bolo na garganta. assentiu e todos pareceram interromper o que faziam para prestar atenção na conversa.
- Eu tenho certeza. Harry concorda comigo; só ele poderia ter mandado um comensal atrás de mim.
- Como tem certeza de que era um comensal?
- Ele era! Sabia como abrir a câmara, tinha a marca negra no braço... Ele era um comensal. Era MacNair, todos sabem sobre ele!
- E pensar que esse nojento foi quem Crouch mandou para matar Bicuço... - Harry disse com certo nojo na voz. Ele balançou o rosto voltando-se a si. - precisamos entender o que Voldemort queria quando mandou aquele homem atrás de você, ou então assumiremos que corre grande perigo.
- Todos nós corremos, Harry. - ela disse desesperançosa. - são tempos sombrios. Você, acima de mim e qualquer outro aqui, corre grande perigo. Precisamos continuar com a Armada, porque é tudo o que podemos fazer por agora.
Todos assentiram. bebeu um pouco de um chá que tinha deixado repousar sob o criado mudo. Acabou pegando no sono no sofá e foi acordada por Juno, quando foi para o seu quarto. Aquela noite foi difícil para Harry; seus pesadelos continuavam, mas dessa vez ele não conseguia enxergar nada de Voldemort. Todos eles dormiam sem saber o quão duro seria retornar no dia seguinte.

- x -


Harry organizou todos enfileirados. Era o primeiro dia de aula desde o natal mas ainda assim era dia de trabalho: a Armada não descansava, porque por sua vez, Lord Voldemort nunca descansava também. Ele respirou fundo antes de começar seu pequeno discurso incentivador diário.
- Todos os grandes bruxos começaram do nada. Se eles conseguiram, por que não nós? - ele disse, andando de um lado para o outro. Parou. - eu quero duplas, hoje vamos duelar. Se separem.
Duas plateias surgiram, uma do lado direito e a outra do lado esquerdo. Harry puxou Hermione e , quem considerava grandes bruxas e sabia que serviriam de exemplo para os outros. Ela riram um pouco quando viram que seriam adversárias, mas seguiram o pedido do garoto. Ele se afastou um pouco.
- Sei que essas duas não enganam ninguém, então vamos deixar que elas sirvam de exemplo e incentivo para vocês. , Mione, duelem.
Elas se abaixaram em reverência, como era costume de um duelo. Empunharam as varinhas e Harry deu o início; os feitiços em sua grande maioria eram falados, mas às vezes uma das duas deixava escapar um mudo que fazia com que todos - inclusive elas mesmas - se surpreendessem. Ora Hermione atacava , ora vice versa; as defesas eram quase impecáveis, e os feitiços, fortes e certeiros. Todos estavam ansiosos esperando por um resultado, mas elas mantinham a posição há um bom tempo: sem um vencedor. Em alguns minutos, exaustas, levantaram as mãos como se se entregassem e entre risos declararam empate. Harry gostou do que viu e pediu que todos formassem duplas e duelassem entre si.
Depois das longas horas treinando, saíram da Sala Precisa e quando viraram o corredor viram Umbridge brigar com um garotinho e Filch, a mando dela, colocar um novo recado na parede que dizia sobre a criação de uma procuradoria que visava controlar ações de grupos estudantis proibidos por regras do colégio. bufou recebendo um olhar abismado dela e então saiu de perto; teve sua aula de runas antigas com Hermione e então para a aula de poções, com a sonserina.
Se viu completamente entediada tentando fazer uma poção do sono. Hermione parecia ter facilidade na matéria. Harry, por outro lado, parecia igualmente entediado. O professor Snape fiscalizava bem a aula então não haviam conversas, exceto por aqueles que não se importavam em levar um tapa no pescoço. se importava, por isso se esforçava ao máximo para conseguir um bom efeito na poção. Snape saberia que aquela não prestava só pela cor, e ela temia perder pontos de sua casa por ter ido tão mal. Sua expressão ia de mal a pior - passou da tristeza por ser incompetente para a raiva por ser uma matéria tão miseravelmente difícil em questão de segundos. Hermione não segurou o riso ao vê-la furiosa jogando irritada ingredientes em seu caldeirão.
- Talvez precise de um incentivo a mais, srta. . - Snape disse, olhando-a com desprezo. - menos 10 pontos para a grifinória por não prestar atenção nas instruções do professor.
- Mas eu...
- Não discuta. - ele disse ignorando-a. Ela ficou calada, olhando emburrada para o seu caldeirão que borbulhava. Viu o olhar de Draco Malfoy perfurá-la por inteiro. Seus amigos, Crabbe e Goyle e a maldita Pansy Parkinson riam da situação de , mas não ele. Ele simplesmente a olhava. não sabia decifrar o que estava em seus profundos olhos cinza, mas não se sentiu confortável com a situação; logo Pansy pareceu tirá-lo de seu devaneio, fazendo com que voltasse seus olhos ao seu caldeirão. lançou um olhar a Hermione que já a olhava há tempos; elas trocaram mentalmente aquela informação e então ambas voltaram a seus afazeres.
A aula foi interrompida por Minerva, que ofegava na porta da sala. Todos desviaram seus olhares a ela.
- Srta. , professor Snape, a presença de vocês é requisitada.
sabia tanto quanto o seu professor que algo não estava certo. Eles marcharam com a professora pelos corredores. O olhar aflito de Minerva começava a afligir a garota também, mas não disse nada até se dar com o ministro da magia em pessoa, Cornélio, ao lado de Umbridge e Dumbledore. Eles se entreolhavam seriamente.
- Peço que se retire, sra. Umbridge. - Dumbledore disse quase expulsando a mulher de sua sala. Cornélio não pareceu se importar mesmo depois de recebe o olhar fuzilante dela, então, a rosada simplesmente se retirou sem dizer uma palavra sequer. Severo se posicionou como sempre, com respeito ao ministro e a Dumbledore, e também o fez Minerva. parecia estática.

(n/a:dê play na música nº2)

- Srta. , peço desculpas por ter sido tão inacessível pelos últimos dias. - Dumbledore começou rodeando sua mesa em busca de palavras. - eu estava visitando um velho amigo. Temo não trazer boas notícias. Gostaria de uma xícara de chá?
- Não, obrigada. - ela engoliu em seco olhando para ele atenta.
- Recebi não uma carta mas uma visita de Cornélio em pessoa para tratar de um assunto que há muito conversávamos. Seu pai, querida.
- O que tem ele?
- O perdemos de vista, srta. . - o ministro falou pela primeira vez com muita dor e dificuldade. - seu pai tinha o retorno programado para um mês atrás, e até então nem sequer ouvimos dele.
- O que isso significa? - seu tom de voz continuava baixo e tênue, embora seu coração praticamente saltasse para fora de seu peito.
- Significa que ele está desaparecido. Não sabemos onde está, a última vez em que foi visto foi há dois meses. O sr. é um homem forte e um grande bruxo, mas temo que ele esteja em apuros, srta.
- Vocês não vão procurar por ele?! Nem sabem se está vivo, diga a verdade! - gritou. Minerva colocou uma mão no ombro da garota tentando acalmá-la, enquanto as lágrimas tomavam conta do rosto vermelho dela.
- Não sabemos. - o ministro disse fazendo com que chorasse mais. - mas enviei duas tropas atrás dele. Os meus melhores aurores, srta. . Peço que por favor se acalme e aguarde.
- Como pode me dizer isso? - ela gritou. - como pode me pedir para me acalmar? Vocês só deram falta de um dos funcionários de vocês um mês depois do desaparecimento? O que está havendo aqui?!
- Acalme-se. - Dumbledore a olhou com solidariedade. - A verdade é uma coisa bela e terrível, e para tanto deve ser tratada com cautela. Não achei que fosse certo esconder da srta. o fato do desaparecimento de seu pai, mas apesar de parecer impossível sobretudo dadas as circunstâncias, peço que confie no ministro e no trabalho de seus funcionários. Permita que procurem pelo seu pai e por ora, tente focar-se nos estudos. Albion é um grande bruxo e tenho certeza de que apenas complicou um pouco mais seu próprio trabalho. Ele pode se defender se esse for o caso, certo?
hesitou, mas então assentiu cabisbaixa tentando afastar as lágrimas de seu rosto com as mãos trêmulas. Minerva a abraçou e Snape trocou um olhar suspeito com Dumbledore, que infelizmente nenhuma das duas foi capaz de captar.
- Severo, gostaria de falar-lhe por um minuto, e peço que a srta. seja dispensada de sua classe por hoje. Ela precisa de um tempo.
- É claro. - Snape olhou para ela com frieza e ela entendeu que deveria ir direto para o seu dormitório.
- Professora MacGonagall, pode acompanhá-la até o seu dormitório? Diga a srta. Sparks que a aguardo em minha sala. - Dumbledore disse por último, recebendo um aceno de cabeça positivo de Minerva que dispôs-se a andar com até o dormitório. No caminho, viu Umbridge destilar seu veneno contra um garotinho do segundo ano. Sentiu o sangue ferver, mas deixou de lado virando bruscamente o rosto quando a mulher a encarou; entregou que estava estática a seu dormitório e então dirigiu-se a torre onde ficava o quarto de Juno.
esperou que Minerva saísse para fechar a porta. O quarto estava vazio, exceto pela presença de na janela; a coruja bicava o vidro constantemente. A janela estava fechada e não podia negar a companhia de um bichinho no presente momento. Abriu e ouviu os piados de sua companheira, que se pudesse falar, estaria xingando agora por ter ficado tanto tempo trancada no frio.
- Ei, ei! Você podia ter ficado no corujal! - disse olhando para ela com certa revolta. A coruja continuava a piar desesperada, mas de repente parou ao pular no ombro da garota a sua frente. Ela tombou a cabeça e era como se estivessem conectadas. A única companhia que poderia querer em um momento como esse, pois todas as outras seriam desagradáveis; até mesmo Gina e Hermione, suas melhores amigas, ou Fred e George. Ela fixou seus olhos vidrados em um ponto no horizonte por talvez alguns minutos antes de sentir as lágrimas descerem lentamente pelo seu rosto, aquecendo o pequeno caminho que faziam e logo após resfriando-o. Ela sentia as bochechas rosadas pelo choro, o desespero e o frio; a ponta de seu nariz completamente avermelhada e os olhos inchados entregariam a qualquer um que entrasse ali todo o sofrimento pelo qual passava agora. Não sabia o que pensar. Naquele ponto, ela não sabia se acreditava na capacidade de seu pai de se defender, não sabia nem mesmo se acreditava na possibilidade de ele estar vivo. Ela tentava ser positiva do fundo de seu coração, pois sentia ser a única forma de sobreviver a tudo aquilo. Afundou o rosto nas mãos, chorando alto; qualquer um poderia ouvir seus soluços se quisesse, mas com sorte todos estavam em aula no momento. Ela derrubou todos os itens de sua mesa, soltando um grito mudo; se jogou enfurecida na cama, gritando no colchão tudo o que ainda havia preso em seus pulmões, soltando toda a sua tristeza preservada. Se debatia e forçava socos repetitivos contra o próprio travesseiro, enquanto sentia as lágrimas caírem fazendo sua cabeça latejar intensamente. Ela se virou para cima, exausta, respirando fundo e olhando desesperançosa para o teto por alguns momentos antes de se levantar trêmula e começar a juntar suas coisas espalhadas no chão e colocá-las novamente sob a mesa, ainda chorando. Se sentou em sua posição inicial e recebeu uma em seu colo novamente. Respirou fundo.

(n/a:se a música não tiver acabado, pode tirá-la!)

Após se acalmar um pouco, fungou uma última vez limpando o rosto. Ainda se sentia deprimida, mas resolveu libertar da sensação de que a dona estava mal. A coruja voou de volta para o corujal, e sua dona se levantou. Era tarde quando decidiu se deitar um pouco, pois dormir depois de chorar sempre ajudava. Ela acordou com os gritos e risadas dos alunos que vieram para a sala comunal. Conseguia identificar a voz de Hermione pedindo silêncio, e não deixou de rir quando a ouviu xingar Ron por copiar seu dever de casa. Ouviu a porta de seu quarto se abrir e uma Gina entre gargalhadas entrou, mas ao vê-la em seu estado deprimente, tirou o sorriso do rosto e entrou.
- O que aconteceu? Estávamos preocupados com você, mas não te encontramos em lugar nenhum! Eu disse que estaria aqui, mas Juno disse que seria melhor deixar você sozinha...
- Bem, eu precisava mesmo ficar sozinha.
- Mas o que houve? - Gina se sentou ao lado da amiga.
- Meu pai desapareceu. - fungou, passando a mão no rosto. Sua expressão abatida cortava o coração de Gina em milhões de pedacinhos.
- Como desapareceu?! Ele é um auror, eles não tem controle sobre isso?!
- Aparentemente não sentem a falta de alguém a menos que completem meses do desaparecimento. - disse sarcástica e com raiva. Gina bufou, igualmente revoltada. Ela abraçou sua amiga forte.
- O que mais disseram?
- Eles estão procurando por ele. Dumbledore disse que acredita que esteja bem, e me pediu para me distrair enquanto não temos mais notícias.
Gina a olhou pensativa e com dor.
- Bem, acho que ele está certo... mas , e se o desaparecimento dele tem algo a ver com MacNair e o que aconteceu na câmara?
cerrou as sobrancelhas como se estivesse pensando. Seus olhos iam de um lado para o outro e ela abriu a boca, mas não disse nada enquanto não completou seu pensamento.
- Você acha que estão perseguindo a minha família?
- Eu não sei. - Gina balançou a cabeça. - mas faria sentido, não faria? O seu pai não trabalha pra o ministério? Ele não é da ordem? E se querem matar vocês para afetar a ordem, para afetar o Harry?
- Mas MacNair não parecia querer me matar. Digo, se quisesse, ele teria matado. - disse com certo pesar. - ele me torturou sem dizer um A sobre o que estava acontecendo. Fez isso por tempo o suficiente para me matar se quisesse.
- E se ele planejava matá-la, mas foi interrompido quando eu e Hermione chegamos?
- Eu aprecio e agradeço muito pelo que fizeram, Gina, mas não acho que um comensal da morte teria sido parado por duas estudantes do quinto ano. Tudo pareceu premeditado.
Gina assentiu, como se tivesse caído em si. Elas pensavam juntas e suas mentes quase se conectavam, mas pensar agora doía em e a ruiva não queria piorar a situação que já não estava boa para a amiga. Ela se levantou determinada e puxou para se levantar também.
- Vamos pensar nisso quando você estiver mais calma.
Recebendo um aceno positivo da amiga, ela a puxou consigo até a porta e então pelas escadas.
- Olhem quem eu encontrei! - Gina gritou, fazendo com que a atenção de todos na sala comunal se voltasse para a amiga e então um pequeno sorriso se formou no rosto dela. Todos gritaram como se estivessem ansiosos por vê-la; viu o sorriso convidativo no rosto de Hermione e Ron, e a preocupação estampada nos olhos de Harry. Desceu e entrou no meio deles, enquanto todos voltavam a suas atividades usuais. Ouviu Ron perguntar o que aconteceu mas também o ouviu ser imediatamente interrompido por Hermione, que compreendia a situação dela e não queria que precisasse repetir tudo novamente. Harry permaneceu calado por um bom tempo, mas era um comportamento compreensível. Quando ficou falante, foi com que ele conversou mais, pois pareciam ter algo em comum agora que ela sentia na pele a perseguição que ele sempre havia sentido. Ela desejava que não compartilhassem do relacionamento cerrado com Voldemort, entretanto, e torcia com todas as forças para que seu desejo fosse real.

- x -


- Isso é desumano. - Juno disse olhando fixamente para o chão. - não posso fazer isso.
- Sinto muito, srta. Sparks, mas não é mais uma opção dizer "não". - Snape a olhou com desprezo e ódio.
- Sempre é uma opção dizer não. - ela o olhou inconformada, e então desviou o olhar a Dumbledore. O velho olhava pela janela, o horizonte onde a lua tocava o chão quase que intimamente.
- Não podemos esperar mais, Juno. Nós dois sabemos que ela corre sério risco de vida, principalmente aqui.
- E quanto a Harry Potter?
- Ele está sob minha proteção, e também sob proteção de Severo. Estou atento aos riscos que ele corre.
- E não está sob a proteção de vocês também?
- Srta. é um caso completamente isolado em relação ao Harry. - Dumbledore se virou para eles. - por entregá-la a você, estou protegendo-a do que há por vir.
- Isso não é proteção! - ela gritou. - isso é tortura!
- É necessário! - Snape disse, gritando de volta. - e você é a única que pode fazer!
- Por que sou a única?! - ela olhou revoltada para ambos.
- Porque ela confia em você, Juno, e irá entregar-se de corpo e alma ao que precisa. - disse Dumbledore, unindo suas mãos. Juno suspirou, o olhando com súplicas nos olhos.
- É perigoso...
- Extremamente perigoso. Entretanto, é mais perigoso continuar descontrolada. Ambos sabemos, srta. Sparks, que Albion não foi forte o suficiente contra a loucura dele. Por agora, já deve ter chegado a seu conhecimento, e é questão de tempo até que tente levá-la sob qualquer circunstância. Quando procurá-la aqui, então, será a hora de voltar - Dumbledore retirou uma memória e a colocou na penseira. - mas até lá, deixe-a bem longe de Hogwarts, e treine-a para resistir.
- E quanto aos outros alunos? Eles se preocuparão em vão com ela.
- O que sugere que façamos? - disse Snape, com um olhar duvidoso.
- Sugiro que algum aluno seja incluído às cegas no plano, e que ele nos acoberte e possa dizer aos outros amigos dela que ela está bem.
- É uma brilhante ideia, em fato. - Dumbledore a olhou com um sorriso pequeno. - em quem podemos confiar para tal?
Após pensar um pouco, Juno teve uma ideia ótima.
- Hermione Granger.

- x -


Dois dias haviam se passado desde que descobrira o desaparecimento de seu pai. A ideia de que era um homem forte o suficiente para se defender entrava em sua cabeça a medida que Hermione a confortava, e no fim das contas, conseguia focar-se bem em outras coisas e aguardar pelas notícias. A tristeza ainda existia, mas era uma ponta muito menor do que quando viera como uma bomba em sua direção. Fred e George eram o maior motivo dos sorrisos e risadas dela: a dupla era infalível nisso; com seus novos produtos, eles a faziam ter acessos de riso com as pegadinhas. Apesar de Umbridge pegar muito no pé deles por isso, não deixavam de pregar peças em qualquer um que fosse propício, mesmo que por baixo dos panos.
Os encontros da A.D. prosseguiam a todo vapor. Naquele dia, Harry pretendia ensinar o feitiço do Patrono. Era a primeira vez que tentava conjurá-lo; em fato, não sabia qual era o seu patrono e nem sequer fazia ideia. Harry começou a ensiná-los como o próprio Lupin lhe ensinara: dissera que pensassem em sua melhor memória. A melhor de todas: que reunissem bons sentimentos e boas lembranças em sua cabeça e tentassem canalizar através da varinha. Todos tentavam, inclusive , várias e várias vezes a fio; Hermione já havia conjurado o seu: era uma lontra, fofinha e luminosa, que "nadava" pelo ar em volta dela. Luna e sua lebre combinavam perfeitamente: a achava extremamente parecida com Alice, do país das Maravilhas. Hermione era a única que conhecia o livro além dela, por ser um livro trouxa, e concordava que eram bem parecidas. Para elas, a lebre louca parecia o patrono de Lovegood; Gina e seu cavalo foram os próximos: era uma combinação e tanta. Passava a ideia de força e determinação que a ruiva exalava. se surpreendeu quando finalmente conseguiu conjurar o seu e uma linda raposa passou a correr pela sala, se encontrando com a de Simas e então indo em uma direção oposta. Aparentemente, possuíam o mesmo patrono. Ela riu, e ele devolveu sua risada.

(n/a: dê play na música nº3)

Apesar das circunstâncias sob as quais a Armada se encontrava para existir e seguir com seus afazeres, o mais interessante ali era que todos pareciam felizes por estarem lá e sobretudo por aprenderem. Era um incentivo a mais para qualquer um. Quando finalmente finalizaram as tarefas diárias, Harry dispensou seus alunos e pediu que se dividissem em duplas e saíssem por corredores diferentes para que não levantassem suspeitas. Fred se colou em no mesmo instante, então Gina saiu ao lado de Hermione.
- Vem comigo. - ele disse simplesmente. não fazia ideia do que se tratava, mas ela já aprendera há muito tempo que não havia sentido em perguntar, e apenas o seguiu como ele pediu. Eles viraram o corredor e então ele tirou do bolso o que parecia ser uma bombinha, tipo um fogo de artifício; o jogou para cima e explodiu formando o rosto dela. Ela sorriu envergonhada.
- Calma. - ele disse como se ainda tivesse mais: jogou mais um para cima e ele formou o rosto de Umbridge fazendo uma careta. Ela caiu na garalhada e ele também; de repente, ouviram os saltos de Umbridge vindo desesperadoramente para o lado deles. Fred adquiriu certo desespero e diversão em seu olhar e a puxou com ele, correndo desesperadoramente até o primeiro armário de vassouras que viu. Ele a empurrou e entrou fechando a porta atrás de si; o espaço era curto e eles ficavam extremamente próximos. podia ouvir a respiração dele e vice versa. Ouviram os passos pararem do lado de fora.
olhava constantemente para a porta amedrontada com a ideia de que Umbridge podia abri-la a qualquer instante. Já Fred, em sua frente, olhava fixamente para o rosto dela; ele estava de costas para uma fina janela onde apenas um pequeno feixe de luz entrava, e ele podia vê-la rudimentarmente, enquanto ela não enxergava absolutamente nada mas podia sentir a presença dele e também ouvia o silêncio mais alto do que o normal. Fred respirou passando a mão pelo próprio cabelo, jogando-o para trás como quem repensava os próprios atos, por um segundo; nem ele e tampouco ela puderam perceber quando foi que seus lábios se uniram, com leveza e ao mesmo tempo certa urgência. Era um beijo simples, e a única coisa que ela conhecia no escuro naquele mesmo instante era a boca dele que combinava tão bem com a dela, embora não fossem tão capazes de expor isso outras vezes. Ele sabia e desde sempre soube que as mãos de foram feitas manualmente, perfeitamente costuradas para caberem dentro das dele - e ela sempre soube que o cabelo ruivo dele parecia melhor no sol se misturado com o dela, castanho claro, quase loiro. Os olhos fecharam-se, embora o escuro já fizesse o trabalho de manter o anonimato e a intimidade. Uma das mãos dele se apoiava na parede atrás dela, e a outra pousava calorosamente no rosto dela. O momento era perfeito e eles podiam jurar que infinito - e talvez durasse por mais tempo, caso Umbridge não abrisse a porta bruscamente.
Fred se afastou de com igual rapidez e rudez, mas a mulher já havia flagrado a cena e era tarde para eles. Foram arrastados pelo colarinho até a sala dela, onde receberam cada um uma pena e um pergaminho. Umbridge ficou de frente para as mesas deles, onde apoiavam os pergaminhos e escreviam severas vezes "Não devo fazer coisas erradas". As marcas na pele dos dois quase não incomodavam: a mente estava a mil. sentia uma vontade absurda de rir e ao mesmo tempo sorrir descontroladamente e superestimava o silêncio, enquanto Fred explodia por dentro e quase não conseguia controlar a boca. Haviam milhares de coisas que ele gostaria de dizer para ela agora, mas também sentia que seria inconveniente de sua parte fazer qualquer comentário e optou por não dizer nada mesmo quando saíssem dali. Umbridge tratou de pedir que Minerva os levasse a seus dormitórios e tivesse a certeza de que cada um entrou em seu quarto; MacGonagall, ainda que sem compreender os motivos do pedido, obedeceu e entregou primeiro a seu quarto, onde Gina estava deitada acordada.
- Onde você tava? - a ruiva perguntou com um olhar curioso. fechou a porta atrás de si e se apoiou nela, de olhos fechados e um sorriso largo no rosto. Lentamente se abaixou até estar sentada e com a mão na boca, parecendo surpresa e ao mesmo tempo incrivelmente feliz.
Gina olhou para ela com suspeita praticamente entendendo o porquê de tanta alegria - embora não soubesse quem era o felizardo. Ela sorriu e se sentou de braços cruzados.
- Me conta agora, , quem foi que você beijou!
- Eu não beijei ninguém! - fez o suspense que causou a indignação de Gina. Ambas começaram a rir.
- Me conta!
- Você vai acabar ficando sabendo...
Gina parou estática por alguns segundos processando a frase da amiga. Ela a olhou com os olhos arregalados.
- Você beijou meu irmão! - ela gritou, e tampou a boca dela rindo baixinho. Depois de tanta felicidade e abraços, cada uma foi para a sua cama e respirou fundo antes de fechar os olhos. Antes que pudesse dormir, ouviu Gina dizer:
- , eu tenho seis irmãos.
riu uma última vez.
- Fred.
E então seus olhos finalmente se fecharam com leveza, diferentemente dos outros dias onde tinha certo custo para pegar no sono, e quando finalmente conseguia, tinha pesadelos que não sabia explicar. dormiu como uma pena, tão feliz e com um sonho tão bom, que não podia imaginar nem por um segundo o que viria em seguida.
Acordou com pesar, assustada, com a voz de Juno sussurrando em seu ouvido. A professora pedia que ela fizesse silêncio e então a ajudou a se sentar rapidamente; Juno se sentou na beira da cama dela a olhando com tristeza e pesar.
- , preciso que confie em mim mais do que nunca, agora. - sussurrou.
- O que houve?
- Vou ser bem direta, pois nós não temos tempo o suficiente para debater isso agora. Você vai precisar fazer uma "viagem" comigo, por um tempinho. Precisaremos nos afastar de Hogwarts. Você é mais madura do que qualquer um, eu acredito, para compreender o que se passa agora.
- Isso tem algo a ver com o meu pai? - ela perguntou ignorando as tentativas de Juno de justificar-se.
- Eu não sei se com ele, mas tem algo a ver com você, e é muito sério. Não tenho tempo para explicar, mas você sabe que MacNair não veio atrás de você atoa.
- Eu sempre soube. - ela disse, olhando-a séria. sabia que no fundo, em algum ponto a partir dali, precisaria entender e reconsiderar tudo o que lhe havia acontecido. Pois tudo para ela tinha uma razão, e até agora não tinha sido capaz de encontrar a razão na perseguição de MacNair.
- Pois bem. Dumbledore acredita que Voldemort tenha motivos para desejar importuná-la, e quer que eu tome conta da sua segurança até então.
- Mas Juno, Hogwarts é o único lugar seguro. - perguntou simplesmente, achando que seria inútil perguntar qualquer coisa sobre você-sabe-quem no momento.
- Pode ser para os outros, mas não para você, Não acredito que vá entender tão facilmente o que estamos fazendo aqui, , mas sabe que pode confiar em mim, e eu estou dizendo que Hogwarts não é seguro no momento.
- Quando partimos? - ela olhou com seriedade para a professora, como se já entendesse que era impossível mudar seu destino a partir dali.
- Hoje. Preciso que arrume suas malas, somente o que considerar essencial. Não pode levar sua coruja, e não fale com ninguém, por favor.
- Mas... Gina, Harry, os meus amigos...?!
- Eles ficarão bem. - disse, se levantando.
- Eles ficarão preocupados! Eles sempre ficam. - disse respirando fundo. Juno a olhou com um suspiro.
- Eu sinto muito mesmo, . Sou a última pessoa no mundo a desejar que isso estivesse acontecendo, mas não posso mudar o curso das coisas. Não fale com ninguém, e me encontre na sala comunal. Tenho sua palavra?
hesitou antes de murmurar "sim". Quando Juno saiu, ela colocou sua varinha para funcionar, fazendo com que apenas algumas roupas fossem para o malão e alguns objetos pessoais que considerava de valor, como por exemplo seu lembrol e os presentes de natal. Ela parou observando Gina dormir tranquilamente sem saber do que aconteceria; pegou um pedaço de pergaminho, e mesmo sabendo que aquilo era contra o que Juno acabara de dizer, deixou em cima da escrivaninha escrito "eu estou bem. C.S." para que quando acordasse, Gina se tranquilizasse um pouco. Ela escreveu outro igual e saiu de seu quarto, indo em direção ao corredor. Deixou suas malas no final e foi até o quarto de Fred e George, onde passou o bilhete por baixo da porta. Para sua surpresa, quando ia andando, Fred saiu de lá.
- ? - ele pareceu curioso. - você também está acordada, então.
- É, eu... É. - Ela disse o olhando com certa tristeza. Ele mostrou o bilhete para ela. - O que é isso?
- Eu... - ela não sabia como explicar, então se aproximou dele, pedindo que se abaixasse. - não pode dizer para ninguém que me viu saindo, tudo bem, Fred?
- Para onde você vai?
- Eu... eu preciso ir. - ela o olhou com pesar.
- Não! Você vai embora?!
- Eu não posso falar sobre isso, Fred, mas preciso ir... Você não devia ter me visto, então...
- Não posso deixar você simplesmente ir embora, ! - ele segurou os dois braços dela a olhando desesperado. Ele parecia suspeitar que algo estava errado e estranho vendo as malas dela, e seus olhos suplicavam por uma explicação, mas ela não podia dizer nada; já havia feito algo que não devia, e não devia continuar nesse caminho. Ela o olhou calada por uns instantes e viu que ele se aproximava, como quem ia beijá-la de novo.
O autocontrole falou mais alto do que tudo e ela sabia que se permitisse esse beijo, não ia conseguir ir embora sem sentir um rancor infinito por si mesma. Ela então se soltou dele, fechando os olhos. Ele não pôde ver as lágrimas pois ela estava de costas para ele; tudo havia acontecido tão rápido...
- Eu vou voltar. - ela disse.
- , não! - ele tentou segurá-la, mas ela correu a pegar suas malas e desceu as escadas cambaleando um pouco. Juno entendeu o que tinha acontecido em uma fração de segundos ao ver Fred atrás dela, e apesar de compreender o que havia feito, não podia deixar que isso as impedisse. Ela segurou forte o braço de e aparatou, levando-a consigo.
Fred olhou confuso para toda a cena que acabara de ver. Ele sentia raiva, sentia medo, e sobretudo, sentia a tristeza de vê-la ir embora e não poder fazer absolutamente nada a respeito. Levou as mãos a cabeça, sem saber se devia ou não falar com alguém ou chamar algum professor; chegou a conclusão de que qualquer coisa que ele fizesse àquele ponto seria completamente inútil, e então se sentou no degrau desolado. Ele mal sabia quando a veria de novo, e isso o matava.

- x -


vomitou quando finalmente a viagem sem fim acabara. Elas estavam em uma sala luxuosa, com dois sofás um de frente para o outro e uma mesinha de centro - todos os adereços em tons de vinho, ou madeira - e uma lareira que acompanhava a mesinha. Em cima da lareira, uma grande pintura viva, era uma mulher; a julgar pela semelhança, a garota supôs ser a mãe de Juno, entretanto, a parte do quadro onde a boca da mulher ficava havia sido rasgada e ela aparentemente não conseguia falar. No Haviam duas janelas enormes simetricamente lado a lado com a lareira que eram cobertas por enormes cortinas luxuosas também vinho; o lustre de cristal estava aceso pois a própria Juno lhe acendera. A menor se desculpou e tratou de limpar logo o seu vômito usando sua varinha, enquanto Juno acendia a lareira pois o frio era grande e a casa não possuía um aquecedor funcional.
- Escute, eu entendo o que fez. Entendo mesmo. Mas tem de entender que a partir de agora, não pode me desobedecer nenhuma vez.
- Pode me explicar o que está acontecendo? - estava irritada por toda a situação.
- Sente-se. Norberto? - Juno disse um pouco mais alto e o elfo doméstico veio correndo; era um elfo livre, a julgar pelas vestimentas e sapatos, mas aparentemente trabalhava lá por gratidão. - pode nos fazer um chá, por favor?
- Sim senhora! - ele disse correndo animado para a cozinha, cantarolando "prepararei um chá para a patroa! Prepararei sim!". Juno se sentou em um sofá e no sofá a sua frente, e então a professora notou o olhar de sua aluna perplexa e confusa para o quadro que pousava acima da lareira. A mulher da pintura estava irritada, gritava e não podia ser ouvida; ela apontava para com ódio, e então para a própria Juno.
- É minha mãe. Ou era. Stella Fotter, comensal da morte - ela riu com desgosto - uma das mais leais, se quer saber. Tentou me expulsar de casa porque fui para a corvinal, e não para a sonserina como supostamente deveria ter sido. Não suportei ouvi-la gritar tanto e esbravejar depois de sua morte, então resolvi silenciá-la. Acredite em mim, não gostaria de ouvi-la agora.
- O seu elfo...?
- Ah, sim, Norberto. Ela também foi contra alforriá-lo, mas como pôde ver, eu sou contra a escravidão dessas criaturas. Ele decidiu trabalhar aqui, e desde então é o dono da casa já que eu mal mal venho aqui.
balançou a cabeça como se voltasse a si, curiosa. O elfo chegou com duas xícaras de chá e as colocou na mesinha, e então se retirou para o que parecia ser seu próprio quarto. Cada uma pegou sua xícara e então Juno foi forçada a começar, sendo pressionada pelos constantes olhares da aluna;
- Está aqui porque para Dumbledore, esse é o lugar mais seguro para você por ora. Precisa confiar nessas palavras, pois é tudo o que posso dizer.
- Algo me diz que não iremos simplesmente passar agradáveis férias por aqui. - ela disse, pigarreando. Juno assentiu.
- Eu lhe darei as aulas necessárias para que se saia bem nas NOMS, e teremos duas matérias diárias fixas. Preciso que se atente bem aqui, . - a olhou com seriedade - Dumbledore tem boas razões para crer que você é uma criatura interessante aos olhos de Voldemort; ele me fez um simples pedido: para que eu te treinasse. Você possui uma doença que deve reprimir, e eu estou aqui para ensinar. E precisa, obviamente, aprender oclumência.
- Tá, espera aí. - disse engolindo seu chá a seco. - o que é a minha "doença"? Se refere às convulsões e os desmaios?
Juno assentiu.
- As poções...
- Inúteis. Não poderia depender de poções para sempre.
- Por que devo aprender oclumência?
- Porque, , o Lord das Trevas não irá pensar duas vezes antes de invadir sua mente e enlouquecê-la a fim de forçá-la a trabalhar para ele. Se o interesse dele por você é real, então devemos lutar contra qualquer coisa que possa te puxar para o outro lado.
- Por que ele teria interesse em uma bruxa defeituosa? Acabou de me declarar doente.
Juno se calou frente a afirmação de . Ela tinha razão nesse ponto: por que Lord Voldemort se interessaria por ela, já que era doente? Ela sabia a resposta. Sabia o que havia na mente de Dumbledore quando o velho a pedira tal favor; mas era, ao mesmo tempo que incapaz, proibida de falar sobre isso com sua aluna. Respirou fundo.
- Dumbledore não é um homem falante. Ele não me deu todo e cada detalhe; o fato é que precisamos preparar você para qualquer coisa. Levará esses ensinamentos para a vida toda.
- Do que se trata?
- Sendo bem direta, precisarei torturar você, . - ela disse, com pesar nos olhos. A garota engoliu em seco e assentiu, como se já pudesse imaginar que essa era sua resposta. Ela parecia incomodada, mas o fato era que se aquele era seu destino, não havia como escapar: ela concordava com Dumbledore se ele pensava que ela precisava se preparar contra Voldemort. Apesar da curiosidade, aceitou a palavra de Juno como um ultimato a si mesma: conseguiria afastar a vontade de saber sobre tudo se aceitasse que a professora não possuía as respostas que procurava, embora no fundo soubesse que ela sim, possuía. No fim das contas, deixou sua xícara de chá sobre a mesa e respirou fundo prendendo o cabelo em um alto rabo de cavalo e olhando com determinação para Juno.
- Quando é que começamos?
- Norberto levará suas coisas para o seu quarto, e então podemos começar.
Juno parecia estarrecida pela coragem da garota. Ela entendia, agora, o sentido de o chapéu seletor tê-la colocado de primeira na grifinória: seu futuro era brilhante naquela casa; uma determinada raposa, que aceitara seu destino há muito. A impressionava que afastasse tanto os sentimentos ruins, como a saudade de seu pai e a preocupação com os seus amigos. A deixava orgulhosa, entretanto, a coragem com a qual a garota enfrentava seus problemas: como um adulto talvez tivesse dificuldade de agir. Aceitava a dor como aceitava uma risada, e compreendia no fundo, que nem sempre estaria sorrindo e que as vezes seria até mesmo difícil de acreditar na felicidade. Agora, era o teste da vida dela, e batia de frente com ele como quem tinha a coragem de um leão - um grifinório.
era assim.
Era corajosa, mas o seu coração doía. Ela sentia a dor que devia sentir, e a afastava como devia afastar.
Assim que seu malão foi levado para cima, Juno a levou para a sala de pintura onde a portinhola para o porão fora aberta; o espaço era grande e parecia propício para atividades ilícitas, quase como um calabouço. Afinal de contas, tratava-se da casa de uma ex comensal fiel ao Lord Voldemort, não esperava menos do lugar. Juno puxou duas cadeiras e as posicionou uma de frente para a outra; as luzes foram acesas e revelaram grandes pilastras que seguravam o ambiente, o chão e as paredes totalmente recobertos por pedras. Algumas coisas estavam encobertas no canto perto da escada, mas era um fato ignorável.
- Snape está treinando Harry para a oclumência também - disse Juno, analisando sua varinha. - é muito simples: eu tentarei entrar na sua mente, e você precisa me impedir como puder. Inicialmente, pode usar feitiços, mas para frente não permitirei que os use. Está preparada?
assentiu, respirando fundo e a encarando. E então, começaram,
- Legilimens!


Capítulo 4 - O Dom da Maldição

Música do capítulo: Aaryan Shah - Renegade (dê play quando ver a nota)


Depois de longas e árduas tentativas de impedir Juno de adentrar sua mente, finalmente conseguiu impedi-la uma vez. Uma única vez em um dia; isso chegava a ser trágico. Seria uma longa jornada até que conseguisse ao menos se aproximar da oclumência. Ela estava exausta, nunca estivera tão cansada em sua vida; sua cabeça doía como nenhuma enxaqueca doeu. Estirada no chão, após ter caído diversas vezes da cadeira, ofegava à medida com que a dor latejante fincava em seu cérebro; Juno se aproximou, ajudando-a a se levantar. Ela a guiou até a escada. tremia e sentia seus pés fracos e a vontade de resistir ao desmaio era mínima, mas ela sabia que se dormisse por tempo demais, estragaria o treinamento, então se esforçou ao máximo para subir e quando na sala, se sentou no sofá ao lado de Juno dessa vez. Viu Norberto trazer água para ela e um suco de couve, por cortesia, também. Recebeu ajuda para bebê-los e então finalmente pôde se deitar.
- Eu sei que é difícil. - Juno disse com um olhar triste, mas firme. - enquanto estivermos lá embaixo, acredito que tudo fique mais fácil se fingirmos não sermos amigas. Mas aqui ainda somos, então me perdoe, .
- Não se desculpe - Ela respondeu com muita dificuldade, com um grande intervalo entre cada palavra que saia de sua boca. Como Harry poderia aguentar aquilo, ela se perguntou; ainda por cima sendo tutelado por Snape... seria insuportável.
- Eu sei que estou seguindo ordens, mas você sabe melhor do que eu que nada disso vai ser fácil pra nenhuma de nós duas.
- Por quanto tempo?
- Eu não sei. Dumbledore disse que saberemos.
- Talvez ele mande uma coruja...
- Não teremos contato com o mundo externo a partir de hoje, .
- O-O que?! - a olhou chocada e irritada. Sua condição física lhe impedia de realizar qualquer ato bruto, mas no momento, gostaria de se sentar e poder gritar. Se soubesse que não falaria com ninguém a partir dali, teria no mínimo deixado uma carta digna para Gina e uma explicação para Fred. Se sentia injustiçada, o que era uma das únicas coisas no mundo que não suportava. - você não me disse!
- Eu disse, sim. Disse que não podia trazer sua coruja. - Juno desviou o olhar com culpa nos olhos ao perceber a mágoa e rancor nos olhos de sua aluna. - Droga, me desculpe, ! Não fui eu quem optei por isso, fiz tudo a pedido de Dumbledore!
- Eu não entendo por que Dumbledore está me tratando assim! - aumentou seu tom de voz imediatamente sentindo seus olhos latejarem e então recuou cansada e dolorida, gemendo baixo pela dor. Juno suspirou. Não queria estar envolvida naquilo e muito menos ter adquirido o papel de carrasca que adquiriu; era, na verdade, como uma irmã mais nova para ela. Era tão difícil torturá-la quanto era para a garota ser torturada. E isso porque elas mal haviam começado; mas Dumbledore tinha sido específico ao dizer que queria a garota uma especialista em resistir, no geral, a qualquer tentativa de possessão da mente. Norberto, a pedido da dona da casa, levou ao seu novo quarto. Colocou as roupas dela em seu armário e esvaziou uma escrivaninha para uso pessoal da garota, caso desejasse. Havia um espelho velho um pouco oxidado no canto esquerdo do quarto; a cama ficava de frente para o armário, e no lado direito, onde estava também a janela, havia a escrivaninha com tinta e pena, duas gavetas que guardavam agora os itens pessoais dela, e um criado-mudo vazio que portava um abajur. Tudo ali era tematizado com tons claros - desde o papel de parede, branco com alguns ornamentos em um tom azul bebê, até os móveis, pintados de branco e com um ar vintage. As cortinas eram de renda branca e voavam quando a janela foi aberta, permitindo que o ar fresco e frio da noite entrasse; durante o dia, aquele cômodo devia ser mais iluminado do que a sala, completamente negra. se deitou imediatamente.
Sua cabeça ainda explodia, mas agora conseguia pensar sem sentir estar morrendo. Seus pensamentos mudavam de foco com uma frequência absurda; pensava em seu pai, desaparecido e desesperado e pensava no fato de que agora, recolhida para muito longe, não poderia contatar ninguém e logo não saberia sobre qualquer informação nova sobre seu pai; pensava em Gina, que iria acordar no dia seguinte desesperada e se desesperar ainda mais ao falar com Fred, que a vira saindo e levando as malas e ouvira tão pouco dela em explicação. Harry entraria em pânico pensando que foi sequestrada, com suas teorias em comum sobre o Lord das Trevas e os motivos que ele tinha para atormentá-la levando MacNair a Hogwarts.
E pensava em Fred. Talvez nele mais do que todos os outros; e inclusive se culpava por pensar mais nele do que em seu pai, que precisava da presença dela agora. Ela pensou no beijo deles. Simples, mas significativo. Sabia que dentro de seu coração, desejava beijar Fred há muito tempo. Eram amigos desde o segundo ano, sempre se acompanharam e felizmente presenciaram a evolução um do outro. Ela era completamente apaixonada por ele e sua vontade de viver pelos outros, fazendo-os rir; apaixonada pela família dele, que um dia desejava ser sua também, e pelo sacrifício que sabia que ele poderia fazer por qualquer um que pensasse merecer. Era completamente apaixonada por Fred Weasley, e disso ela sempre foi ciente.
Pensava que o deixara confuso, plantado ali no corredor noturno da sala comunal da Grifinória, sem saber que rumo seguir; sem saber para onde ela ia ou o que faria, sem saber se longe deles estaria segura como alegavam que estaria; e se sentindo culpado por ela ter lhe afastado quando almejava beijá-la mais uma vez.
Fred, ao mesmo tempo que , pensava nela. Era fim de madrugada e quase amanhecia. Havia optado por não dizer a ninguém sobre o que aconteceu, a pedido dela; sentia que poderia sofer consequências pelos seus atos, e deixou a dor de perdê-la para si mesmo. Sem ter certeza de absolutamente nada, ele olhava para o teto enquanto milhões de cenários diferentes se passavam em sua cabeça. George sabia que algo aflingia o irmão, pois tinha pesadelos naquele mesmo instante e falava enquanto dormia. A conexão deles era mesmo maior do que qualquer outra coisa.
A vontade de chorar era grande mas ele não podia permitir-se tal fragilização, pois agora viria a tempestade e todos os amigos de descobririam que ela se foi, sem deixar para trás quase nada além de algumas de suas roupas, itens e dois míseros bilhetes que, ao invés de confortá-los, os desesperariam mais.

- x -


Gina acordou e deu uma boa olhada ao redor, em todo o quarto. Viu de imediato que não estava em sua cama e que o bilhete em cima da escrivaninha voava com o vento, que entrava pela janela aberta. Ela pegou antes que o papel fosse embora com o ar e então leu. Piscou algumas vezes antes de deixá-lo novamente na mesa e sair para a sala comunal, onde todos estavam acordados. Harry roía as unhas, Ron, parecia aflito e George estava andando de um lado para o outro acompanhado por Angelina. Até mesmo alguns alunos com quem não tinha tanto contato pareciam desesperados e aflitos; Hermione estava de braços cruzados de frente para a lareira, observando os rostos que cada vez mais se fechavam. O silêncio reinou, e todos pareciam estar esperando pela ruiva.
- Alguém pode explicar o que está acontecendo?
E antes que qualquer um pudesse dizer qualquer coisa, Harry se precipitou.
- desapareceu. Não está em lugar nenhum, nós procuramos por todo o castelo onde era acessível e não encontramos. Não estava na câmara secreta de novo e muito menos na Sala Precisa, e nós não encontramos Juno também.
- Onde... Onde está o Fred? - Gina disse confusa, como se não soubesse como reagir. Ela não sabia o que falar, não sabia por onde começar suas perguntas e estava tão perdida quanto todos eles. - ela deixou um bilhete...
- É, também vi um na cama do Fred. - George disse. - ele ficou no quarto. Não quis descer ainda, aparentemente ele ficou muito mal com a notícia...
- E você não tá? Ela fugiu. - Hermione disse engolindo em seco e olhando para todos. Ela sabia sobre o que acontecera: havia sido informada previamente por Dumbledore, como conversado com Juno e Snape; mas não podia revelar essa informação a absolutamente ninguém, e como lhe foi solicitado, guardou o segredo. Seu trabalho ali era evitar que os outros estudantes procurassem por ou tentassem entender o que estava acontecendo, pois tudo era suspeito. Ela precisava principalmente afastar esse assunto da mente de Harry, pois Voldemort tinha um bom controle sobre ele, e poderia saber sobre a fuga.
- Fugiu? - Gina a olhou horrorizada. - sem dizer nada a ninguém? Simplesmente fugiu?
- Dumbledore me chamou mais cedo. Disse que havia fugido pela madrugada. A professora Sparks foi enviada para procurá-la, aparentemente, ela foi em busca do pai.
- Sozinha? - George mudou sua expressão para uma tristeza e preocupação profundas. - ela corre grande perigo, então!
- Dumbledore pediu que não nos preocupássemos, porque a Juno confiaria sua vida à se preciso. Minerva se ofereceu para ir atrás dela também, mas ele disse que não era necessário.
- Poxa, então a srta. Sparks deve ser forte mesmo... - Simas comentou aleatoriamente. Gina assentiu olhando para ele com esperança.
- Então, deve estar segura. - Gina disse com certo alívio. - ela volta, não volta, Mione?
- Com certeza voltará. A professora Sparks vai trazê-la mesmo que precise arrastá-la de volta pelos cabelos. - disse dando uma pequena risada de desespero. Todos pareciam comprar o papo dela, exceto por Harry, quem mais precisava convencer. Ele olhava para o chão com desconfiança e parecia pensar sozinho enquanto todos conversavam e tentavam acalmar uns aos outros. O silêncio reinou quando Fred desceu as escadas engolindo em seco com uma expressão de quem escondia algo. George sabia dizer com facilidade que seu irmão omitia algo, mas decidiu não dizer nada. Pensou que, talvez, omitisse o fato de estar apaixonado por - outra coisa que ele conseguia sentir se o irmão sentisse.
- Que cara é essa, Fred, viu um morto? - Ron olhou para ele com os olhos confusos. O ruivo o olhou balançando a cabeça e saindo de seus devaneios, pensou um pouco antes de dizer qualquer coisa e engoliu em seco novamente.
- Nada, só estou com fome - ele disse desviando o olhar. Gina segurou seu ombro como se o apoiasse.
- Está tudo bem, ouviu Mione dizer? vai voltar logo. A professora Sparks foi atrás dela.
- Ah, foi? - ele disse ainda aéreo, sem prestar atenção no que eles diziam. Prestava atenção na barra da própria blusa. Era péssimo em disfarçar, de fato, seus sentimentos mais intensos.
- Foi sim. - Hermione concluiu saindo de sua pose inicial. - e agora chega. Estamos todos preocupados, mas ouviram o que Dumbledore me disse. Ele mandou a gente esperar, então vamos esperar!

- x -


Um mês e meio depois


se analisava no espelho, observando os hematomas que desapareciam de seu pescoço. Estava nua após o banho; tentava analisar se mais algum problema havia surgido além dos roxos explícitos, mas não. Já havia se curado dos cortes na barriga e as outras feridas. Completava-se um mês e meio desde que havia fugido de Hogwarts com Juno; desde então, vinham seguindo uma rotina cerrada: pelas manhãs, os treinos de oclumência. Durante a tarde, uma aula de cada disciplina que estudava em Hogwarts, e pelas noites, resistia à torturas físicas inflingidas por Juno com alguns feitiços específicos. Com sorte, Juno era uma aurora e não poderia usar nenhuma maldição imperdoável; como alguém que já sofrera os efeitos da maldição cruciatus, conhecia a dor insuportável e sabia que seria quase impossível sobreviver àquilo unido às outras situações nas quais estava envolvida. Ela se sentia extremamente aérea, a beira de um surto o tempo todo: a dor era suportável e até mesmo o cansaço mental após a oclumência e as aulas, mas a dúvida, a saudade e a desesperança eram maior do que qualquer dor que sofria.
Há um mês só tinha contato com Juno e Norberto. Às vezes, em seu tempo livre, se pegava apática no sofá da sala ponderando sobre a pintura de Ellen Fosloo, a mãe de Juno, que berrava tanto e não conseguia ser ouvida. Se sentia como ela às vezes; seus gritos eram surdos, nenhum de seus amigos podia ouvir. Ela sentia uma pontada em seu coração todas as vezes em que se lembrava de seu pai ou de Fred. Sentia agora mais do que nunca que se aproximaria dele sem pensar duas vezes. Se arrependia, entretanto, por seu último contato com ele ter sido o afastamento. Enchia sua cabeça o dia todo com o pensamento de que ele talvez tivesse seguido sua vida e encontrado alguém que realmente lhe proporcionasse bons momentos, ao invés dela, que desapareceu sem lhe dizer qualquer coisa a respeito. E pensava em Harry, que aparentemente passava pela mesma situação desagradável que ela agora. Sentia a tristeza por não estar participando da vida de nenhum deles e nem comparecendo as aulas da Armada de Dumbledore, mas se sentia igualmente preparada - por Juno, agora.
Vestiu sua roupa rapidamente quando ouviu as batidas na porta. Pela violência, julgou ser Juno - Norberto era extremamente delicado quando se tratava dela.
- , desça quando puder. - notou certo ânimo na voz da professora. Há um mês e meio, sorrir tornou-se raridade na vida de , e não conseguia entender o motivo de tanta felicidade até descer as escadas e ver a figura de Dumbledore na sala. Ele analisava a pintura muda, assim como ela fez quando chegou ali pela primeira vez.
- Senhor? - ela levantou uma sobrancelha analisando-o de cima a baixo. Fawkes, sua fênix, estava pousada em seu ombro.
- Ah, querida . - ele disse sorrindo e se voltando para ela. - vejo que tem ido bem em suas aulas particulares, sim? Peço perdão por exigir tanto de você sem explicação nenhuma em troca.
- Eu ainda aguardo minhas explicações, professor. - ela disse sem mudar sua expressão inicial. Estava feliz por vê-lo, é claro, mas sentia uma revolta imensa. Não por si mesma, mas pelos seus amigos que ficaram sem explicação alguma.
- É claro. - ele riu. - mas, srta. , eu sinto em dizer que não poderá tê-las por ora. Hogwarts precisa de você, receio que seja a hora de voltar.
Juno a olhou animada, e ela devolveu o olhar com certa pontinha de animação, mas não se permitindo a felicidade completa.
- O que houve?
- Ah, infelizmente a sra. Umbridge descobriu o que decidiram nomear como... como é mesmo? Armada de Dumbledore?
- Senhor?! - ela pareceu abismada, como se algo tivesse dado muito errado.
- Preciso dizer que os envolvidos estão em maus lençóis, srta. . Eu mesmo precisei procurar uma forma de escapar do ministério por ora. - ele disse observando alguns retratos em cima da lareira. - é o momento para que volte, querida , pois sem a minha presença, Lord Voldemort não procurará por você em Hogwarts. Sinto muito por entregá-la ao colégio dadas as circunstâncias, mas você está pronta.
assentiu olhando para Juno, que concordava com a cabeça. Norberto parecia atualizado do assunto e já descia com as malas dela prontas para a viagem, enquanto que a própria parecia não saber muito bem como reagir. Era complicado pois, pelo período de um mês e meio ela não se lembrava de ter sorrido nenhuma vez, e agora haviam tantos motivos para se sorrir ao mesmo tempo...
- Devo alertar-lhe de outros importantes detalhes, srta. . A sra. Umbridge não está ciente da sua viagem. Todos em Hogwarts imaginam que tenha fugido para procurar pelo seu pai, então como um último pedido, peço que mantenha esta aparência até que um momento mais oportuno chegue para a verdade.
- Uma brilhante ideia, a da fuga.
- Agradeça a srta. Granger por ela, querida . - ele sorriu com as mãos para trás das costas. - tome muito cuidado, e boa sorte.
Dumbledore desapareceu a partir de Fawkes e deixou o ambiente extremamente iluminado por algum tempo. Juno observava os arredores como quem se despedia.
- Obrigada, Juno.
- Talvez em algum futuro sinta que deve me agradecer, mas não agora, . O que eu fiz não merece agradecimentos.
- Somos vítimas, então. Você estava cumprindo ordens.
- Ordens que eu podia ter negado. - suspirou - mas sinto que esse não é o melhor momento pra isso. Bem, eu vou te levar de volta, mas não ficarei.
sorriu, pois sabia que agora a professora não moraria mais em Hogwarts. Sua nova casa era a residência dos Black, ao lado - por fim - de seu noivo. Às vezes, durante o tempo em que ficou fora, pegava Juno procurando uma ou outra música em seus vinis, e acreditava que estivesse tentando escolher qual seria a música do casamento. Se despediu de Norberto com um abraço e um sorriso doce que jamais esqueceria; um grande amigo, e é claro, uma ótima companhia. Cuidou dela em seus piores momentos, quando a magia de Juno sozinha era demorada demais para feridas tão grandes e abertas.
- Obrigada por ter cuidado de mim, Beto. - ela sorriu.
- Obrigado por ter ficado tanto tempo com Beto, patroa! Beto é um bom elfo, mas é tão ruim ficar sozinho aqui...
- Bem, você não vai mais ficar sozinho agora. - Juno disse o olhando com doçura. Norberto se mudaria para a casa dos Black junto com ela, onde sempre teria companhia e muito amor, o oposto completo de Monstro, o elfo doméstico de Sirius que sempre estava a reclamar e resmungar pelos corredores, guinchava contra todo e qualquer sangue ruim que entrasse.
- Vamos, antes que isso vire um filme de romance que tá pra acabar. - disse se recompondo antes que permitisse que as lágrimas descessem. Não sabia se eram lágrimas orgulhosas por ter aguentado tanto em prol de outros, ou se eram de tristeza, por ter sido uma cria tão amaldiçoada quanto era. Juno estendeu o braço para que o pegasse, e então, a menor se preparou para a viagem e agarrou seu malão. Aparataram para os campos de Hogwarts, próximo à casa de Hagrid e o salgueiro lutador; Juno se despediu com um abraço.
- Ainda estamos planejando é claro, mas quando tudo estiver pronto enviarei uma coruja. Você é convidada de honra. - deu seu último sorriso antes de desaparatar para longe dali. agora se encontrava sozinha novamente.

(n/a: dê play na música)

O vento era de certa forma forte e a chuva caía constantemente sob seus cabelos e seus ombros. Era uma das únicas vezes em que via chuva em Hogwarts, um evento decerto raro. Não se importava, era muito pelo contrário: fechou seus olhos sentindo perfeitamente a chuva molhá-la, o cheiro bom da grama molhada e o doce som das pequenas gotas caindo sob cada árvore ali perto; embora fosse entardecer, parecia mais escuro do que o esperado graças às nuvens cinzas que davam o aspecto frio ao local. Quando deu seus primeiros passos, viu não muito longe a figura de Fred. Aparentemente, ele havia sido informado da volta dela antes da ida de Dumbledore, e coincidentemente acertou o horário. Ele, plantado, olhava fixamente para os olhos azuis e profundos de e quase não podia diferenciar o que era chuva e o que eram lágrimas, mas sabia que ela estava chorando. Mesmo que sua expressão não mudasse um centímetro, ela adquiria aquela expressão de dor e ao mesmo tempo felicidade, uma mistura que só ela conseguia atingir - e causar em outras pessoas, também, pois agora, o que ele sentia era exatamente isso. Dor e felicidade. Queria vê-la, queria ouvi-la, haviam milhares de coisas que gostaria de dizer, mas ao mesmo tempo sentia a dor de ter sido deixado no escuro por todo aquele tempo, assim como todos os outros; ele acreditava ser especial, mas essa imagem foi destruída por completo quando se foi sem dizer uma palavra sequer. Para ele, ela havia fugido e aceitado toda a destruição, todo o perigo, todo o risco que corria, e ainda assim... Ainda assim ele a amava. Ele queria matá-la por tê-lo feito tão idiotamente apaixonado por ela.
andou lentamente em sua direção sem tirar os olhos dos dele por um segundo sequer; ela não se preocupou em correr, pois há muito não tinha pressa para o que ansiava. E toda a diferença fez a lentidão com que olhou para cima, procurando alcançá-lo como pôde, e puxou o pescoço dele para mais perto de si, beijando-o. Ela não poupou sentimentos, não poupou nada; e Fred se sentia tão absurdamente louco naquele instante que não pôde deixar de agarrar a cintura dela e aproximá-la dele, colando seus corpos o quanto pôde, sentindo-a como nunca sentira. Uma das mãos tomava a cintura dela fazendo-a sua, e a outra se entrelaçava nos cabelos quase loiros dela, aqueles cujo cheiro vinha em sua mente durante as noites mais difíceis e faziam com que a cama parecesse maior, e a falta dela significava a morte para ele.
Quando se separaram por fim, ele estava pronto para dizer algo e foi impedido por um dedo indicador de que pedia que fizesse silêncio. Ela olhou para o céu uma última vez, agradecendo pela liberdade que não tivera no último mês, e então foi a primeira a dizer algo.
- Me mate, se quiser, mas antes me deixe ver o interior do castelo por uma última vez.
Ele não foi capaz de fazer nada além de segurar a mão dela e puxá-la consigo para Hogwarts, onde ela sabia, era sua casa.

- x -


Fred entrou primeiro na sala comunal da grifinória, trazendo todas as atenções para si. Todos os alunos ali presentes o encararam naquele instante, já que seu olhar perdido e furioso era raridade. George levantou uma sobrancelha parecendo confuso quando o quadro da mulher gorda não se fechou atrás dele. A primeira a supor o que estava acontecendo foi Hermione, que se levantou em desespero quando viu a silhueta de aparecer pela porta. Não havia mudado muito: seu cabelo crescera um pouco, estava um pouco pálida e parecia ter emagrecido, mas além disso continuava , , a pequenina. Gina correu para abraçá-la com lágrimas nos olhos e foi imediatamente correspondida por uma claramente emocionada. Todos se levantaram e comemoraram indo abraçá-la, enquanto o próprio Fred não parecia nada feliz.
- Onde você estava?! Garota, eu te mato! - Gina a olhava com ódio e felicidade, tirando risadas e mais risadas da amiga.
- Eu prometo que conto tudo direitinho depois, mas por ora não é suficiente saber que eu tô viva e bem?
- É surpreendentemente suficiente. - disse Harry feliz abraçando-a. - sentimos sua falta, e como já sabe, ficamos preocupados.
- Obrigada Harry. - ela fechou os olhos. Embora seu relacionamento com Harry não fosse tão próximo, se sentiam incrivelmente conectados, como se fossem irmãos. Ela sabia que independente do tempo com que passasse sem conversar com ele, ele sempre estaria ali e era um bom ouvinte. O mesmo acontecia com Ron e Hermione. Eles a abraçaram juntos e todos pareciam aliviados por vê-la, mas como sempre, foram incentivados a não fazerem perguntas demais por Hermione. Todos acabaram se distraindo com suas atividades rotineiras e então se sentou na mesa de xadrez, onde a própria Mione a convidava para uma partida.
- Então... como foi?
- Bem, você sabe. - ela pigarreou. - doloroso, eu diria? Foi ruim, horrível, mas eu acho que foi necessário.
- Eu fiquei tão preocupada... - suspirou, olhando para o tabuleiro e prevendo sua próxima jogada. - Dumbledore me contou a verdade e pediu para que escondesse de todos. Acredite, não sabe o quanto foi difícil.
- Eu sei! Eu não pude mandar nem uma coruja sequer durante todo esse tempo, essa foi a maior tortura, Mione. A pior!
- Fred ficou louco durante os últimos dias. Ele perguntava por você para Minerva todos os dias, e sempre que recebia uma resposta incerta ele se aborrecia e ficava por um bom tempo trancado no quarto, e só George pra tirar ele de lá...
- Ele ainda não tá muito de boa comigo. - suspirou. - não sei como posso me explicar, mas talvez ele me entenda.
- Ele te ama, . Isso sempre foi muito claro.
- Mione, é tão bom saber que posso falar veradeiramente com alguém.. - ela suspirou em alívio, deitando o rosto nas próprias mãos. - É tão difícil ter que mentir para todos...
- Sei disso, mas seja paciente. Não vamos esconder isso pra sempre. - ela sorriu movendo o seu rei. - cheque.
- Ah, não brinca. - suspirou e ambas acabaram por rir. Gina estava brava demais para conversar naquele instante, e tentava adiar a conversa que teria com Fred, pois não sabia se estava pronta para encará-lo. Quando Hermione saiu de lá para conversar com Harry sobre algum problema que ele vinha tendo, o ruivo se aproximou e se sentou na barra da janela ao lado da cadeira onde estava. Ele olhava para a frente, evitando olhá-la no rosto por ora.

- Podemos conversar agora? - É claro. Mas... não aqui. - olhou ao redor e puxou Fred escada acima, para o seu quarto; suas coisas ainda estavam do jeito que havia deixado: a cama bagunçada, o armário aberto e algumas coisas sobre a escrivaninha. Fred fechou a porta atrás de si enquanto ela se sentava em sua cama. Deu dois tapinhas para que ele se sentasse ao lado dela, mas ele pareceu recusar seu convite, pois colocou-se a andar de um lado para o outro no quarto.
- Fred, eu sei que você tá nervoso agora, mas...
- Por favor, só me diz o que aconteceu. - ele a olhou com um olhar neutro que ela não sabia ler. Respirou fundo.
- Eu não conseguia suportar a ideia de que o meu pai estava fora, e...
- Sabe que eu não comprei essa, . Não precisa mentir pra mim.
Ela o olhou com certa irritação. Por que ele tinha que ser tão esperto? Ambos agora cultivavam uma raiva absurda um do outro, e a vontade que ela tinha de socá-lo batia de frente com a vontade de beijá-lo, e vice versa. Ela respirou fundo novamente e considerou inventar outra mentira, mas sentia no fundo que ele merecia uma resposta, e uma verdadeira. Se podia confiar em Hermione, podia confiar em Fred;
- Eu precisei fugir. Estive na casa da Juno esse tempo todo.
- Vocês duas na mansão Sparks? - ele disse olhando para a janela como se aquilo fosse difícil de engolir. - por que não disse nada?
- Porque foi o que me pediram para fazer, Fred.
- Então, se pedissem pra você ir embora e nunca mais ver nenhum de nós você faria?
- Não! Não é assim...
- Se sabia que voltaria, por que não disse nada? Acho que seria o mínimo justo com os seus amigos saberem que estava bem, e não em qualquer lugar correndo risco de vida!
- Eu não sabia. - ela disse baixinho, como se soubesse que aquela afirmação causaria uma revolta ainda maior. Ele a olhou com certa decepção; via dentro dos olhos de Fred que ele queria desculpá-la, mas sua preocupação lhe cegara quanto a isso.
- Não sabia que voltaria... - ele riu de nervoso. - o que estavam fazendo lá? Aliás, por que foi pra lá, pra início de conversa?
- Precisa prometer não dizer a ninguém, sobretudo Harry.
- Que seja.
- Dumbledore tem bons motivos para crer que você-sabe-quem tem interesse em mim. Acha que poderia tentar me perseguir, atrás de algo que não sei o que é ainda. Ele mandou Juno me buscar e me levar para um lugar seguro por um tempo, só por tempo o suficiente para ter a confirmação de que o Lord das Trevas não viria aqui me buscar, e caso viesse, então veria que não estou aqui e aí seria a hora de voltar.
- Eu não entendo, não há lugar mais seguro do que Hogwarts...
- Foi o que eu disse! Mas Juno especificou que esse fato não valia pra mim naquele momento, e tecnicamente agora não vale pra nenhum de nós, já que o diretor foi expulso.
- A professora Sparks só foi escalada para ser sua guarda-costas, então? - ele disse curioso com a mão no queixo, como se tentasse assimilar tudo o que acabara de dizer.
- Não. Na verdade, foi um pouco acima disso. - ela olhou para as próprias mãos, juntando os dedos polegares e mexendo-os constantemente um em volta do outro.
- Prossiga.
- Bem, inicialmente, ela precisou me dar aulas para que eu fosse bem nas NOMS e não perdesse muito tempo de matéria aqui. Depois, precisou me ensinar oclumência, porque achava que você-sabe-quem poderia tentar entrar na minha mente. E então, por último, ela precisou me torturar - disse de uma vez - física e psicologicamente para que eu estivesse preparada pra resistir a isso caso ele tentasse usar contra mim.
Fred ficou em silêncio por um tempo. Ele olhava para fora, os olhos castanhos indecifráveis procuravam uma resposta e claramente não conseguia achá-la. E claramente, em uma forma de tentar amenizar o que já parecia pesado demais, disse na esperança de que ele a seguisse:
- Então, não precisa me matar nem me dar vomitilhas no suco de abóbora por mil anos só porque sentiu minha falta. Eu já sofri o suficiente pra valer como a sua vingança. - ela disse se levantando e indo até ele, abraçando-o por trás. Afundou sua cabeça nas costas dele mas mesmo não o vendo poderia dizer que estava sorrindo; Fred era muito palhaço para ficar bravo por mais de cinco minutos com alguém, e felizmente, ela mexia com ele mais do que qualquer um. O ruivo cedeu.
- Droga, como você sabia? - riu se virando de frente para ela, sem tirar os braços dela do próprio redor. Ela olhou para cima sorrindo, encontrando os olhos dele que agora também eram sorridentes.
- Senti sua falta, FredFred. - ela disse segurando o rosto dele com ambas as mãos; Fred se abaixou um pouco, ficando próximo ao rosto dela e segurando-o pelo queixo com a mão, carinhosamente. Ele a beijou por fim com a liberdade que tinham e então se escorou na mesa atrás de si quando interromperam o beijo.
- Eu até que senti a sua falta também, gatinha - ele disse com uma cara engraçada, fazendo com que ela risse e o abraçasse, dessa vez frente a frente. Ela afundou a cabeça no peito dele quando ele a apertou, deitando seus cabelos ruivos sobre os castanhos dela e fechando os olhos.
Eles se interromperam bruscamente quando a porta se abriu; uma desesperada e traumatizada pela vez no armário das vassouras onde Umbridge lhes pegara colocou a mão no coração, impressionada com a velocidade com a qual o mesmo batia. Era Neville, que tinha errado de quarto.
- Neville, fazem cinco anos! - Fred disse olhando-o de um jeito hilário. ria que nem uma louca enquanto o garoto engolia em seco na porta.
- Desculpa! Foi sem querer!
- Esse não é sequer o dormitório dos meninos! - o ruivo disse começando a rir ele mesmo agora, e então até mesmo Neville foi contagiado pela risada dos dois. Eles acabaram por descer para a sala comunal onde todos estavam, porque o clima tinha mudado completamente depois da intromissão de Neville. se sentou com Hermione e Gina, por fim dizendo a verdade á ruiva. Não achava que a amiga deliberadamente diria algo a Harry, então explicou que devia manter segredo e explicou toda a história e o que passara. Todos os alunos paravam suas atividades ao ouvirem Gina gritando furiosa com Juno, e depois sendo acalmada por e Hermione. Fred se sentou em uma mesinha por ali e cruzou os braços, observando-a por fim se divertir; ele dava graças por tê-la de volta acima de qualquer coisa naquele instante.
Ron e George se aproximaram. O gêmeo simplesmente apareceu do lado dele, assustando ao irmão mais novo que não estava acostumado;
- Aposto que ela adorou essa nova beijotilha... - disse George recebendo a risada dos dois em resposta. Todos observavam que estava de costas sentada no chão de frente para a lareira, e ria como uma louca com Gina e Hermione.
- Qual é, é sério? - Ron disse olhando revoltado para Fred. - achei que não tinha a menor chance!
- Ela é quem não tinha a menor chance comigo. Sério mesmo. - Fred disse ironicamente com uma expressão engraçada e esnobe. - precisou implorar nos meus pés pra eu querer dar um beijinho nela.
- Fico feliz que por fim tenha aceitado, irmão. - George disse como se levasse o que ele dizia a serio. Ron tinha sua mente completamente vazia, como na maioria das outras vezes, e só deixou eles pra lá indo terminar seu dever de casa com Harry.

- x -


estava respirando algum ar puro sentada com Gina no gramado de Hogwarts em seu intervalo quando avisou se aproximando com uma carta e um envelope no bico. A coruja pousou na frente de sua dona e deixou a carta na mão dela juntamente com o envelope, e então levantou vôo voltando para o corujal - pois era hora do almoço, e não queria perder os deliciosos ratos do dia. Gina e se entreolharam sem entender muito bem, mas então viram no verso que era de Juno adereçada a própria , a Harry, Hermione e aos Weasleys estudantes do colégio. Elas abriram por curiosidade, e leram antes de mostrar aos outros.

,
Acredito que saiba para onde eu vim depois que tudo aquilo se passou. Não posso falar nessa carta, é claro, mas é uma garota esperta e perspicaz e não precisa de um endereço pra chegar fácil até mim. Essa carta, na verdade, é um convite.

Vou me casar, como você já sabe. Pretendo não ser tão formal porque me envergonha um pouco sabendo que somos amigas tão próximas, mas bem, é uma convidada de honra e sua presença é vital pra mim, assim como a de todos os nossos amigos a quem essa carta também foi adereçada. Enviei no envelope um convite oficial para que se retirem de Hogwarts no fim de semana que vem, já que aos fins de semana não têm aulas e podem sair sob circunstâncias específicas; bem, as autorizações precisam ser assinadas pelos responsáveis de vocês. Não acho que será um problema pois têm o período de uma semana para isso. Envie para a sua mãe com um beijo e grandes saudades minhas.

As autorizações dos Weasley já estão assinadas; tomei a liberdade de passá-las nas mãos de Molly e Arthur antes de enviá-las, e meu noivo também tratou de - shh, se me permite dizer - falsificar as assinaturas da autorização de Harry, por se sentir tão culpado por não poder assinar ele mesmo. Aguardo a presença de todos vocês.

Espero que esteja bem.

Com amor, Juno."


- Isso é tão fofo... - Gina afundou o rosto nas mãos.
- Isso é tão fofo! - repetiu, se levantando incrivelmente animada e segurando o envelope. - precisamos dizer aos outros logo!
Elas andaram pelos corredores procurando um por um de seus amigos e convidados da professora. Encontraram primeiro Ron e Harry, grudados como se fossem siameses desde sempre; eles estavam conversando sentados em uma das pilastras que davam para a praça central do castelo. Então, Fred e George não foram difíceis de encontrar graças aos rastros catastróficos que deixavam para trás, e Hermione foi a última a ser alcançada, pois estava em aula - a única deles que não perdia uma aula sequer -. Ela saiu arrastada da sala e então todos se reuniram em uma das pilastras. subiu na pilastra animadíssima como se fosse ler um anúncio geral, recebendo a atenção imediata de todos. Ela leu a carta em voz alta e distribuiu as autorizações nas mãos de cada um, recebendo um olhar surpreso de Harry ao ver que sua carta estava de fato assinada com uma assinatura idêntica à de sua tia Petúnia.
Hermione pareceu imediatamente desesperada com os prazos, pois não possuía uma coruja e os correios normais demorariam demais.
- Não se preocupe. vai ter que levar minha carta para a minha mãe, não será um problema levar a sua também. - disse puxando a amiga consigo para os dormitórios e então para o seu quarto. Ela puxou um pedaço de pergaminho para cada uma e então pegou sua pena;

Mamãe,
Estou enviando uma autorização para você. É um pedido para eu me afastar de Hogwarts por um fim de semana, para comparecer à festa de casamento de Juno; não sei se você se lembra dela, mas é uma grande amiga do papai. Chegaram a conversar uma vez quando ela pegou carona com a gente quando fomos visitar você e o Leo. Bem, aproveitando o pergaminho, gostaria de saber como está a mãe do Leo e como vocês estão, também. Você poderia escrever mais, sabia? Eu também me preocupo às vezes. Embora esteja sendo incrível por aqui, às vezes me sinto meio sozinha. É só isso.



Ela lacrou sua carta e Hermione a dela, e então, assobiou chamando por e colocando ambas as cartas no biquinho da coruja, que parecia cansada entretanto bem alimentada e feliz.
- Leve para a mamãe e para os sr. e sra. Granger, por favor. - Ela deu um beijinho na testa da coruja que abriu vôo indo para longe. As amigas se entreolharam parecendo incrivelmente felizes.
- Finalmente algo bom!
- Ugh, eu esperei por isso desde o dia em que ele fez o pedido - se jogou na cama. - Não acredito que finalmente vamos vê-la de branco!
Hermione se deitou ao lado dela e elas passaram um bom tempo naquela tarde conversando e tagarelando um pouco a respeito do casamento. Elas comentaram sobre as decorações, os vestidos, e todo o resto; um pouco mais tarde, Gina se juntou a elas e então passaram a noite juntas como se fossem elas as noivas.
A semana parecia incrivelmente lenta pela excitação de todos para o casamento. Fred e pareciam não fazer questão de esconder o que seria um possível relacionamento, mas Umbridge não permitia relacionamentos e o contato físico entre eles era raro, agora, abrindo mais uma necessidade para os dois; aquilo os incentivava às fugas noturnas e quebra das regras, mas pareciam estar lidando bem com a falta do outro. Segundo Fred, era gostosa a pontada que sentia no pé de seu estômago toda vez que olhava para ela e sabia que não podia tocá-la.
recebia alguns olhares estranhos e desagradáveis por tudo o que lhe havia acontecido até então, mas estava tão feliz no momento - exceto por aqueles onde ficava sozinha e então todos os problemas sobretudo seu pai vinha à tona - que não podia se dar ao luxo de se importar com o que os outros pensavam. Quando ela e Fred trocavam olhares pelos corredores, alguns se perguntavam o que seria aquilo e outros gastavam língua para criticá-los, como por exemplo Draco, que parecia se orgulhar por ter sido o mais brilhante integrante da brigada inquisitorial por ter denunciado Cho, quem infelizmente revelou tudo sobre a Armada de Dumbledore.
Certa vez, andando pelo corredor, estava acompanhada por Fred e George e viu o loiro logo à sua frente. Ele vinha acompanhado por Pansy, que parecia pegar no pé dele mais do que de fato lhe agradar com sua presença. Crabbe e Goyle não estavam, o que fazia sentido porque para ela, Pansy não era um incômodo apenas para o próprio Draco; no fim das contas, ela se agarrou ao braço dele vendo - pois parecia considerar qualquer pessoa do sexo feminino uma ameaça - e a olhou de cima a baixo parecendo ter alguma ofensa na ponta da língua, mas Malfoy foi mais rápido do que ela.
- Olha só, se não é a fugitiva e os capachos esfarrapados dela...
- Ora ora, George, acha que podemos deixar a madame ser ofendida de tal forma? - Fred disse com uma voz séria, forçando uma pose de mordomo. George o imitou imediatamente. Pareciam tentar desarmar Malfoy por fingirem de fato serem capachos de , que segurava o riso o tempo todo;
- De forma alguma, meu querido Fred. Madame, a senhora se sente ofendida?
- Claro que sim. Por favor, tirem esse homem daqui agora! - ela disse com um tom esnobe empinando o nariz. Malfoy fechou a cara e Pansy o seguiu, pareciam cada vez mais irritados.
- Senhora, não se preocupe. Não podemos nos distrair com o sr. Malfoy! - Fred gritou, olhando ao redor. - precisamos fugir!
- Oh, sim! Não há melhor fugitiva do que eu! - ela disse fazendo com que Malfoy se desmanchasse em ódio e desatasse a andar, seguido por Pansy que cuspira no chão as pés dela.
- Mestiça nojenta! - ela disse, antes de dar as costas e ir embora. A afirmação só fez rir, acompanhada pelos gêmeos que a arrastavam para longe dali igualmente risonhos.
Aquele tipo de coisa acontecia o tempo todo, mas com sorte, se safava sem problemas. O mesmo não podia ser dito de Harry, que diariamente se metia em confusão e acabava na detenção; sempre aparecia com a mão dolorida e ferida.


Capítulo 5 - O Amor e a Sequela

O fim de semana chegara, e após certo custo a convencer Umbridge de que suas autorizações eram verdadeiras, conseguiram por fim ir até a mansão dos Sparks, levados pela própria Juno. Não poderiam ir pelo pó de flu pois seria perigoso demais, e ainda não sabiam aparatar, então a professora trouxe consigo uma chave de portal e os trouxe em segurança para a sala. Quando esteve lá, tudo era meio negro e escuro, mas agora parecia ter sido reformado por anjos - tudo parecia celestial e incrivelmente claro. Norberto corria de um lado para o outro atrás de Molly, ajudando-a com a cozinha; a ruiva parou o que fazia para ir cumprimentar seus filhos e os amigos a quem amava como se fossem igualmente filhos. Deu um abraço especialmente apertado em Harry e , pois sabia pelo quanto estavam passando.
- Ainda bem que vieram cedo. Há muito para se arrumar! - ela disse, ocupando-se novamente com a cozinha; a própria Juno correu para cima, para o quarto onde Ninfadora a esperava para começar a ajudá-la. O quarto então seria fechado e não poderia se abrir até que o casamento começasse, pois o noivo não podia ver a noiva antes da hora do casamento - tradição trouxa.
Harry foi o primeiro a ir atrás de Sirius, e então foi informado sobre a divisão dos andares. As mulheres no segundo e os homens no primeiro; ordens, é claro, de Molly que queria organização. As meninas então cumprimentaram os marotos e subiram para o quarto antigo de , onde se arrumariam juntas; tinham a tarde toda para revezar. Gina foi a primeira a tomar banho, enquanto e Hermione jogavam xadrez.
- Mione, sei que é bobagem dizer isso agora, mas realmente acredita que o meu pai esteja bem? - ela moveu uma torre comendo uma peça da amiga. Hermione a olhou de forma analítica; parecia tentar prever quais seriam as reações para as suas duas prováveis respostas, mas não conseguia. era uma pessoa complexa ao mesmo tempo que muito simples: não queria manipulá-la a responder o que desejava ouvir, só queria uma resposta totalmente sincera e simples, que talvez tirasse dela suas dúvidas e seus medos. Ela não pedia pela Hermione Granger, a garota mais inteligente do colégio e a melhor bruxa de sua idade, mas sim pela sua amiga que poderia dizer facilmente uma verdade sem feri-la e deixá-la completamente fora de si.
- Bem, eu não sei mesmo, . Eu gostaria de saber mas realmente não faço ideia.
- Eu também não. Isso me mata. - ela disse deitando-se na cama de barriga para cima. Olhou para os olhos castanhos de Hermione e então fechou seus olhos tentando acalmar o seu coração; aquele não era o momento.
- Sabe, tudo bem se você chorar às vezes. - riu - eu também choro. Até mesmo Ron, se puder acreditar.
- Coração de pedra?
- Sim, ele chora!
riu.
- Eu não quero chorar. Quero esquecer tudo isso, confiar no ministério e esperar que meu pai reapareça. Enquanto isso, eu preciso ser uma boa convidada porque Juno parecia muito empenhada em nos convidar.
- É claro, é claro. Mas eu quis dizer que pode chorar quando quiser. Faz bem, e nós sempre vamos estar lá pra chorar junto e dar um jeito de fazer você rir.
- Eu sei, obrigada. - a menor sorriu segurando a mão de Hermione, que ofereceu o apoio físico para segurar o choro que insistia em descer. não sabia porque odiava chorar em público; talvez esse lado emocional não tivesse sido incentivado o suficiente por seus pais, ou talvez só se sentisse vulnerável. Ela não sabia: no geral, era uma pessoa extremamente equilibrada, mas aquele era o seu ponto de dificuldade. Onde ela falhava.
Gina chegou no quarto interrompendo qualquer pensamento ruim que elas tinham e enviou diretamente para o banheiro; tomou o seu banho, lavou o cabelo e então o amarrou na toalha como um turbante; vestiu o vestido que seu pai lhe dera quando era apenas uma criança. O vestido encantado, assim como ela, evoluía; a cada ano ele se ajustava à idade e às medidas dela, e então se ajustava dependendo da ocasião. Ali, era um lindo vestido comprido. Era branco e tinha uma manga curta com um véu que descia pelos braços, sentia-se uma elfa. Então foi direto para o quarto onde Gina vestia seu vestido rosa bebê, igualmente comprido, e um salto que a deixava um pouco maior do que Hermione.
- Você tá incrível. - disse sorrindo.
- Você tá linda demais! - Gina retrucou. Hermione olhava para o turbante na cabeça de rindo.
- E aproveitando que você tá aí rindo, me ajuda a fazer aqueles cachos que fez no torneio tribruxo? - ela desenrolou o cabelo molhado. Hermione tirou sua varinha e fez o cabelo dela ficar levemente ondulado, e então prendeu em um coque frouxo e adicionou alguns detalhes cintilantes que faziam parecer ouro descendo do coque. Combinara perfeitamente com os fios salientes que saíam para fora de sua franja, e com a maquiagem leve que Gina adicionou com sua varinha. A única que faltava agora era a própria Hermione; ela, depois de alguns minutos, apareceu com seu vestido de seda azul bebê - igualmente comprido - e tinha seu cabelo pronto, solto, com alguns detalhes parecidos com os de . Então, Gina a ajudou a se maquiar e estavam prontas.
Como não tinham absolutamente nada para fazer, decidiram ir para o quarto da noiva. Entraram sorrateiramente e viram uma Nymphadora arrumada com o cabelo azul solto, um longo vestido de renda igualmente azul e uma bolsa maravilhosa. A noiva, por outro lado, parecia um ser celestial: ela usava um vestido rendado e simples, até os pés; seu véu parecia se misturar aos fios brancos de seu cabelo e a maquiagem contrastou com tudo.
- Você tá parecendo um anjo. - disse olhando admirada. Recebeu um sorriso emocionado da professora e um abraço.
- Vejo que todas as moças já estão prontas.
- Os rapazes também. - Gina disse abrindo a porta e dando uma espiada. - na verdade, já até tão fazendo merda...
Todos presentes no recinto riram.
- Vocês podem descer. Já já tudo estará pronto e nós descemos. - Nymphadora deu a dica e elas saíram do ambiente. Receberam vários assobios dos rapazes que eram seus amigos. Os grupos se uniram e todos na sala agora conversavam, o barulho era grande com Fred e George estourando bolhas fedorentas e estragando o cheiro de flores ambiente - e Molly corria atrás deles com um pano de prato, já arrumada e desesperada por estarem estragando tudo. Ron não parava de olhar para Hermione e todos notaram nisso, exceto é claro pela mesma, que nunca percebia os olhares do ruivo. parecia meio alheia, como geralmente se sentia; ela olhava para a sua taça cheia de suco de lima e couve, feito especialmente para ela por Norberto - pois era o seu preferido. Ela passava o polegar pelas beiradas da taça quando sentiu as mãos enormes e aconchegantes de Fred se pousarem sob seus ombros e o queixo dele se apoiar em sua cabeça; dali, ele sentia bem o cheiro do cabelo dela, aquele do qual tanto gostava, e ao mesmo tempo podia abraçá-la.
e Fred juntos eram uma ideia que todos consequentemente tinham, mas não sabiam se era verdade ou não. Nem mesmo eles sabiam. Só sabiam que eram melhores juntos e daquilo eles de fato gostavam. preferia não ter de pensar naquilo com cobrança, que era como via os relacionamentos em geral, e Fred se sentia satisfeito em tê-la para si, e ele tinha. Como tinha.
Ela sorriu dando um beijinho na mão dele e olhando para cima, tentando encontrá-lo; logo George os interrompeu lançando uma almofada no irmão e o forçando a revidar, então, soltando a menor. Hermione a olhava com um sorriso gigante e Gina estava ocupada demais conversando com Harry e não podia dar atenção no momento. Ela estaria em uma situação comprometedora se não fosse por Sirius, que convidou todos a irem para o lado de fora, onde de fato ocorreria a cerimônia. Haviam outras pessoas lá também - aparentemente conhecidos dos Weasley, amigos da Ordem e também seus integrantes. Pessoas confiáveis.
não parava de pensar no quanto seu pai adoraria estar ali naquele instante. Ver Juno se casar, seu grande amigo Sirius... seria tudo para ele. Ela se sentou na terceira fileira pensativa enquanto o resto de seus amigos conversavam animados. Saiu de seus devaneios quando Lupin se sentou do lado dela, oferecendo uma taça com algo que parecia vinho, da qual ela prontamente recusou.
- Obrigada, eu não bebo.
- É uma garota esperta. - ele disse rindo. - e muito racional, também.
pensou que ele talvez tivesse o dito por estar tão quieta e pensativa enquanto seus amigos se divertiam.
- Eu só estava um pouco pensativa.
- Eu digo no geral. - ele bebeu um pouco de seu vinho e se encostou no banco, reajustando sua posição. - sei o quanto ele amaria estar aqui agora, .
- Acho que seria tudo pra ele ver o Sirius se casar. Não sei por que, Remo, mas quando penso demais nisso não consigo chegar a uma conclusão sequer onde meu pai esteja vivo agora.
Ele a olhou analítico e então para os próprios pés, procurando as palavras corretas. As pessoas faziam muito aquilo quando conversavam com ; chegava a pensar às vezes que todos escondiam um segredo em comum e a tratavam com carinho a fim de prepará-la para uma verdade dolorosa.
- Não vou mentir pra você. Também sou um grande pessimista e não consigo enxergar muitas soluções boas. Também já devem ter dito isso milhões de vezes, mas o seu pai é um grande bruxo, ; um verdadeiro trunfo.
- Não acho que isso faz dele o suficiente contra Voldemort.
- Não sabemos quanto a isso. - ele disse abrindo os braços e a acolhendo. - seu pai era um mestre das surpresas quando éramos menores. Às vezes fazia coisas das quais nem mesmo James, o mais louco de nós podia acreditar.
- Achei que esse fosse o Sirius. - ela riu.
- Não, não. James era insano; Sirius foi um garotinho chorão por um bom tempo. Depois, se tornou o cachorro que ele sempre foi, mas James? Ele sempre foi um capeta.
- Não duvido.
- Não duvide! E o seu pai? Ah, Albion sempre fez o impossível para infernizar a vida do professor Slughorn. Aquele homem o odeia, oh, como odeia.
- Jura?! Meu pai sempre se fez de santo pra mim!
- Mas é claro! - ele riu. - não poderia dizer as coisas mais arteiras que ele já fez, você ia querer seguir o exemplo.
- Na época dele não tinha nenhum Snape. Por isso, Remo, garanto que eu jamais poderia ser bagunceira. Nem ninguém aqui. Apesar de que o Harry sempre provocou confusão o suficiente por todos nós. - ela riu e ele acabou por rir também. Quando finalmente em silêncio, Lupin olhou para os arredores com explendor.
- Está lindo aqui, vai ser uma noite incrível. Sei que parece impossível agora, mas tente esquecer tudo isso. Tem a manhã toda para se preocupar. - ele disse olhando-a compreensivamente e ela assentiu como se concordasse com ele e bebeu um pouco de seu suco que ainda estava em sua mão. Todos começaram a se sentar e então o próprio Lupin foi para seu assento na frente, com Nymphadora, que acabara de chegar. O lugar era como um quintal, mas tão grande que parecia infinito; havia sido decorado com grandes tendas: todas haviam cachos e mais cachos de flores descendo e formando lindas paredes. No centro, o tapete vermelho e aos cantos os assentos, todos brancos; na frente, o altar um pouco diferente do trouxa mas ainda assim tão bonito quanto: a iluminação era feita por um único lustre enorme que se instalava no meio da tenda principal, e então, nas outras, luminárias estavam nas pilastras que seguravam as tendas. Anoitecia, então tudo estava aceso e incrivelmente lindo e celestial. O próprio Sirius havia se instalado em seu lugar, e então todos os convidados começaram a se ajeitar. Com um pouco de magia, a orquestra começou a tocar: os instrumentos se tocavam sozinhos.
A música parecia perfeita para a entrada. Todos olharam para trás e testemunharam a chegada de Juno, como uma aurora - na fumaça branca que brilhava e emanava a luz celestial da Ordem da Fênix. Ela apareceu de costas, se virando por fim de frente. Os olhos dela brilhavam e seu sorriso esplêndido quase saltava para fora; entraria sozinha. Seu bouquet era de orquídeas, todas brancas e rosa-claro, combinavam perfeitamente com o resto da cerimônia que parecia incrivelmente angelical. A música combinava perfeitamente com os passos serenos dela, e fazia com que todos se sentissem mágicos e emocionados por alguns instantes. Quando finalmente chegou aos braços de Sirius, um alívio geral correu - como se todos estivessem perdidamente apaixonados.
A cerimônia foi realizada por Kingsley, que sabia ser bom nas palavras quando queria. Ele disse tudo o que precisava ser dito e instruiu os dois a recitarem seus votos, um costume naturalmente trouxa que havia trazido por considerar incrivelmente bonito. No fim das contas, o beijo selou o casamento e deixou todos com o coração quentinho, como se a felicidade fosse a única coisa que existia naquele instante; nem mesmo o seu pai podia deixar triste ao ver Juno tão incrivelmente sorridente após tudo o que haviam passado.
Quando a cerimônia acabou, os assentos foram para longe e magicamente os buffets surgiram e a festa começou no mesmo lugar. A música era ao vivo e todos dançavam, inclusive a noiva, que parecia mais feliz do que nunca. dançou com suas amigas por algum tempo até decidir beber um pouco mais do suco maravilhoso de Molly. Ela pegou na mesa principal e enquanto servia seu copo, sentiu um leve toque em seu pescoço; era Fred: ele passou por trás dela, olhando-a e sorrindo. Entrou na casa pela porta dos fundos, que ficava bem na frente do lugar onde estava o tapete vermelho na hora da cerimônia. Sorriu, encarando aquilo como um convite: ela entrou também. Ele estava sentado no sofá.
- Ah, você me seguiu, mocinha.
Por impulso e talvez sem pensar muito, a música incomodava os ouvidos de e ela preferia um lugar mais silencioso - já que evidentemente eles estavam ali sozinhos por algum motivo. Então ela puxou ele pela mão.
- Faz muito tempo que eu não vou na minha casa. - ela disse, simplesmente, e ele a lançou um olhar confuso e repleto de segundas intenções.
- Eu nunca fui na sua casa.
- Eu sei.
Eles sentaram na lareira e ela jogou pó de flu recitando algo que ele não pôde ouvir. Em fato, eles não foram parar na casa dos , como esperado; nem mesmo sabiam onde estavam exceto pelo fato de estarem em algum povoado por aí. Os alarmes soavam, pois haviam misteriosamente aparecido em uma loja. olhou para ele desesperada causando uma crise de risos em Fred, ele a puxou para fora dali. Precisavam de mais pó para voltar para o lugar certo, mas logo alguns bruxos apareceriam por ali. Eles estavam no que parecia ser uma loja de vassouras, atrás do balcão; ouviam alguns latidos e passos do lado de fora.
não conseguia parar de rir e Fred, que se controlava, tentava segurá-la para que não fizesse barulho. Ele a puxou para perto de si, olhando-a nos olhos quando um homem entrou ali. Ele tinha uma lanterna e procurava por todo o lugar, mas a loja era grande e eles podiam mudar de posição e esconderijo;
Ela tirou a mão dele da boca dela puxando-o para perto e o beijando de surpresa. Fred não pôde ter outra reação senão corresponder. O homem apontou a lanterna para cima da mesa na qual estavam atrás, ela o puxou se deitando e fazendo com que ele continuasse beijando-a enquanto o homem desviava a luz da lanterna; ela o empurrou, então, sem interromper o beijo até a lareira. Ali, o homem acabou por vê-los mas com sorte ela tinha um punhado de pó de flu - que achara mais cedo - na mão, o jogou e então desapareceram. Eles voltaram a aparecer agora na lareira da sala da casa de , o destino inicial do casal;
Mal haviam chegado, ele a empurrou para fora da lareira, deitando-a no chão e a encarando sem o sorriso brincalhão que sempre teve. Ele não parecia sério, também: havia algo de diferente em seu olhar. levantou a cabeça dando um beijo simples nele, o que o incentivou a segui-la até o chão; estava agora por cima dela e eles seguiam se beijando intensamente, como se aquilo fosse uma necessidade. Como se precisassem um do outro, como se estivessem ansiosos por um momento a sós como aquele desde a primeira vez em que seus lábios se tocaram.
subiu suas mãos para o pescoço do ruivo, entrelaçando seus dedos nos fios alaranjados e os segurando. Fred, por sua vez, tinha suas mãos no chão apoiando-se para continuar erguido em cima dela; ele apoiou-se com uma das mãos enquanto a outra a segurava pela cintura, erguendo-a. Se sentaram então, enquanto o beijo continuava.
A necessidade entre eles era tanta que mal podiam controlar seus próprios atos: sentiam o ar quente, o calor na barriga que subia para o resto do corpo e faziam com que o toque alheio estremecesse ao tocar qualquer superfície corporal do outro, arrepiando até o último fio de cabelo. Ela o empurrou até a lateral da lareira, sem interromper os constantes beijos que mal terminavam e precediam outro. Assim que Fred se encostou na parede atrás de si ela se aproximou se sentando no colo dele, que se ocupou em depositar inúmeros beijos pelo pescoço dela, onde logo os cabelos voltaram a cair após seu penteado se desfazer em meio ao toque de Fred. Ele subia as mãos pelas costas dela fazendo com que arqueasse o corpo para trás às vezes, em meio ao frenesi no qual se encontravam no instante, incapazes de pararem. tirou seus sapatos que àquele ponto de nada serviam além de apertarem seus pés; o garoto pousou suas mãos hábeis nos tornozelos dela, lentamente elevando-as pelas pernas dela, e então suas coxas, fazendo com que a barra do vestido acompanhasse seus movimentos deixando o que estivesse atrás de suas mãos totalmente nu; sentia cada poro se levantar e arrepiar, enquanto ouvia a respiração e os suspiros que ela deixava escapar no pé de seu ouvido onde agora beijava. Sentiu as unhas dela se cravarem levemente no pescoço dele quando as mãos do ruivo pararam na cintura dela, e consequentemente seu vestido. Sentia-se completa, confortável e intensamente infinita.
Fred se sentia único, a tentação era maior do que qualquer outro instinto em seu corpo. estava ali, em sua frente, em seu colo; suas coxas nuas em suas mãos, seus lábios colados no ouvido dele gemiam baixo o seu nome, fazendo com que ele se esquecesse até mesmo de quem era. Permitia que suas mãos apertassem a cintura dela e a puxassem para si. Desejava mais do que tudo tirar de uma vez por todas o vestido que apesar de agora só esconder dele os seios de , incomodava por estar presente e no meio do caminho.
Estava pronto para despi-la quando foram bruscamente interrompidos por uma voz desconhecida.
- Céus, ! Se eu não fosse bom em guardar segredinhos sórdidos seu pai te mataria!
Ela pulou claramente assustada, e Fred começou a procurar em meio às sombras quem estava ali. Ela começou a rir colocando a mão no coração e se levantando do colo do ruivo, acendendo as luzes.
- Ander, Fred. Fred, Ander. - ela disse apontando para a pintura viva de um homem velho na parede da sala. Aparentava ter seus oitenta anos, cabelos brancos e compridos. Atrás do homem ficava uma porta com uma aparência medieval, de onde ele aparentemente havia vindo.
- Você é um safado, Fred, mas prazer.
- Eu? - Fred disse se recompondo, ajeitando seu terno e olhando para de um jeito engraçado como se ela fosse o grande x da questão. Ela o olhou indignada e ao mesmo tempo risonha pela situação no geral.
- Ah, pronto! Agora eu sou a safada! - ela disse batendo a mão na testa. - é um prazer te ver também, vovô And.
- Ah, é claro, que bom te ver, . Apesar das circunstâncias...
- Chega. - ela disse rindo cada vez mais.
- Você ficou tanto tempo longe, querida! - ele disse com um olhar triste.
- Eu sei, vovô. É tudo culpa do meu pai.
- É claro... Albion, sempre fazendo excursões impossíveis e infinitas - o velho riu. - não liguem para mim, crianças. Eu só saí do meu quarto porque ouvi os barulhos aqui e vocês sabem que faz um bom tempo que ninguém aparece, então...
- Bem, obrigada pela preocupação vovô. - disse claramente constrangida e puxou Fred. Ele só então pôde parar para reparar na casa dela no geral; era uma casa modesta e parecia um lar familiar e aconchegante. Haviam vários e vários quadrinhos em cima da lareira, fotos de com seu pai, sua mãe, e alguns outros membros da família também. A cozinha era ao lado, muito parecida com a dos Weasley; abarrotada de decorações incrivelmente bregas que os pais pareciam amar. Ao lado deles, uma escada em espiral subia para o andar de cima. Ela o puxou para cima, para o seu quarto.
Quando chegaram no andar de cima, um corredor levava a três quartos: um de cada lado e um no fim do corredor. Aquele era o de ; acompanhava a curva da frente da casa, sua cama ficava de frente para a janela. Ao lado, uma escrivaninha com vários livros e alguns materiais para escrita, e em cima vários desenhos colados na parede que aparentemente ela mesma havia feito. Do outro lado uma penteadeira com algumas prateleiras repletas de livros, porta-retratos e decorações que combinavam perfeitamente com a dona do quarto - como por exemplo um globo de neve. Dentro dele haviam e seu pai dançantes. Ela aparentava ter por volta de seus cinco anos;
O armário ficava do lado da penteadeira e havia uma porta que levava para um banheiro, o da suíte.
- Deita aí - ela disse, pedindo que ele ficasse a vontade. Fred acendeu o abajur no criado mudo ao lado da cama iluminando o quarto o suficiente, juntamente com algumas estrelinhas e luas que cintilavam no teto do quarto. Ela se sentou na penteadeira tentando ajeitar seu penteado.
- Tava pensando no quanto vão nos matar por termos feito isso. - ele disse se deitando na cama dela e a observando se arrumar.
- Eu acho que cheguei a dizer pra Gina que talvez viesse pra cá...
- Mas ainda assim minha mãe vai me matar.
- Qual é, eles sabem que você tá comigo. - ela riu tirando um fio de cabelo da frente de seu rosto e colocando atrás da orelha. O garoto sorriu.
- Você fica linda de qualquer jeito, .
- Obrigada, mas se meu cabelo estiver solto quando voltarmos vai ficar bem óbvio que a gente não tava fazendo boa coisa.
- Podemos dizer que acidentalmente fomos atropelados por uma van.
- Uma van cheia de metaleiros fãs da Madonna - ela completou o que ele dizia, fazendo com que ambos rissem. Fred a puxou pelas mãos, fazendo com que viesse se deitar; ela se deitou no braço dele e ambos olhavam para o teto enquanto conversavam.
- ... A Madonna é sim a melhor e eu posso provar. - ela disse apontando para uma de suas prateleiras; havia um disco vinil da Madonna ali.
- Tá, ela é boa.
- É revolucionária!
- Boa.
- Fred! - ela riu fazendo com que o garoto também risse.
Os dois conversavam sobre a vida, sobre os gostos e contavam antigas histórias sobre si mesmos; como por exemplo Ander, o vovô Ander da pintura. explicou à Fred que Ander era ancião na família. Vinha do fundo do fundo de sua árvore genealógica; sua pintura se passava de geração em geração, e ele havia conhecido todo e qualquer que existia. Fred explicou que sua barriga fazia um barulho engraçado quando comia muito feijão; eles riram horrores pensando em determinadas coisas, e até tiraram uma foto que se mexia. Era bem simples, somente os dois sorrindo para a câmera e depois dando um beijinho; e o cansaço tomou conta de ambos de tal forma que, sem que percebessem, estavam dormindo os dois abraçados como um casal deveria ser.


Capítulo 6 - Tormenta

- . - Fred calmamente acordou a garota, sacudindo-a delicadamente; ela abriu os olhos esfregando-os tentando se localizar. O primeiro impulso foi o de olhar para o relógio e ver que eram três e alguma coisa da manhã. Ela se sentou imediatamente entendendo que havia certa gravidade naquilo; todos estariam preocupados com eles, se não totalmente bêbados graças à festa.
- Devemos voltar.
- Sim, devemos. O seu avô disse que tem algo esquisito acontecendo.
- O homem na pintura não é meu avô. - ela disse se levantando e seguindo-o até a porta . - algo esquisito?
- É, ele não sabe bem... Não consegue ver muito bem. Pra ser sincero, nem sei como é que ele teve contato com a Sede.
- Se ele disse, deveríamos ir logo.
Eles desceram as escadas tão rápido quanto puderam e entraram na lareira, indo parar na casa dos Sparks, onde se surpreenderam com a confusão. Alguns deles corriam com pratos e copos nas mãos, trazendo-os para dentro; lá fora, uma tempestade intensa tomava conta do lugar inteiro. Raios e relâmpagos para todo lado;
foi capaz de identificar Molly, que com sua varinha fazia grande parte das mesas e cadeiras se ajeitarem na varanda, onde não se molhariam. Apesar das grandes tendas segurarem a chuva, o vento era intenso e parecia capaz de levar tudo para bem longe. As tendas não durariam muito.
O frio tomou conta da pele até então quente de e ela tremeu, sentindo um calafrio e uma sensação absurdamente ruim. Tudo parecia muito estranho; ela não havia sido a única a perceber. Juno estava atenta a algo, lá fora, junto ao próprio Sirius. Quando todos os itens foram retirados do ar livre e todos se ajeitaram bem, Molly foi dar um sermão em Fred por ter desaparecido e aproveitou a chance para correr lá para fora atrás de Juno e Sirius, que eram os únicos sobrando. Alguns os observavam com curiosidade.
O silêncio era curioso e ao mesmo tempo assustador. Juno olhava para os céus como se aguardasse algo, e empunhava sua varinha mesmo que discretamente.
- O que está havendo? - disse se aproximando com a mão na frente do rosto e com certo esforço para andar em meio à ventania; o véu de Juno já havia sido levado e os cabelos agora totalmente bagunçados em meio ao ar cobriam seu rosto e sua expressão preocupada.
- Coisa boa não é. - foi o que Sirius disse, olhando-a preocupado. - você devia entrar, .
- Mas...
Eles foram surpreendidos por um som. Algo que se assemelhava muito à uma risada; então, o inesperado surpreendeu a todos fazendo com que alguns dentro de casa se encolhessem e os Weasley, contando com Harry e Hermione saíssem imediatamente. Os rastros de fumaça preta se alastravam e a risada estridente de Bellatrix Lestrange invadiam os ouvidos de todos presentes. As fumaças passou através de Ron e Gina, fazendo com que caíssem no chão. Todos empunhavam suas varinhas; Juno foi quem iniciou tudo.
- Estupefaça! - ela acertou em cheio um comensal que ainda estava no ar, fazendo-o rolar pelo chão e perder sua aparência negra e sombria. O homem com o rosto coberto por uma máscara ficou parado por um tempo antes de se levantar, abrindo uma formação com alguns outros comensais atrás de si - talvez três ou quatro. Bellatrix, como a mais falante e debochada, foi a primeira a abrir a boca.
- Six, Six, Six... - ela ria. - vocês realmente se casaram? Juno Black, é isso? Chega a ser ridículo de se ouvir...
- Esses imponentes cabelos brancos podiam ficar mais bonitos na árvore de outra família, Sparks. - um outro homem desconhecido comentou. Juno engoliu em seco. Ela sabia o que queriam ali, e aparentemente mais ninguém sabia. Quando não respondida, Bellatrix abriu vôo em sua forma de fumaça indo na direção de . Ela foi atacada imediatamente pela fumaça celestial e cintilante - Lupin, que também se transformara e conseguira jogá-la ao chão. Quando a mulher totalmente vestida em preto finalmente se levantou e começou a duelar com ele, todos os outros comensais se moveram - eram minoria em questão numérica, e claramente os aurores eram quase o dobro, fazendo com que em grande maioria precisassem recuar. e Gina se uniram ajudando a própria Juno que continha dois ao mesmo tempo. O foco era grande nela, e Sirius parecia extremamente focado em proteger Harry; confiava na sua esposa o suficiente para que se defendesse sozinha.
Arthur trabalhava em conter as crianças, agora que os convidados haviam ido embora em desespero e medo. Sobraram apenas eles: a Ordem.
Um dos comensais que brigava com Juno se desprendeu da ligação de suas varinhas e foi atrás de ; ela desatou a correr enquanto lançava feitiços para trás, agilmente conseguindo estuporá-lo. Ele se levantou e tentou acertá-la com um feitiço de atordoamento, e algo estranho aconteceu: sentiu o choque por todo o seu corpo e sentiu desde a ponta de sua mão até o fim do último de seus dedos dos pés uma dor intensa, mas não se atordoou. O homem não pareceu tão surpreso quanto ela, mas ela não tinha condições de se preocupar naquele instante.
- Reducto! - ela lançou e o homem com sorte desviou; então começou a desferir diversos feitiços mudos, sem parar nem por um segundo para descansar ou pensar. Alguns, o homem conseguia defender, e outros ele acabava levando. Ela percebeu então que todos os comensais ao seu redor pareciam tentar chegar até ela, de alguma forma: as posições eram muito claras. Eles tentavam avançar em círculos, tomando todo o espaço que os aurores formavam para cercar , que de forma assimétrica estava tecnicamente no meio. Ela parecia ser defendida e isso a incomodava por completo; a dúvida do porquê de estarem ali veio no mesmo instante em sua cabeça, ao mesmo tempo que o desespero. Nunca havia visto um comensal da morte de verdade, exceto pelo quarto ano, quando os comensais invadiram o jogo de Quadribol que ela e seus amigos assistiam, e então depois, quando Bartô Crouch Jr. invadiu Hogwarts sob a pele de Alastor Moody.
Sua cabeça tentava desesperadamente se esvaziar enquanto ela se focava em se defender do homem que agora avançava sobre ela com total poder. Era cada vez mais difícil evitá-lo, e ele logo começou a falar.
- Me deixa muito curioso - ela reconheceu a voz dele. Era MacNair. Não respondeu. - que você, senhorita, não esteja igualmente curiosa sobre o paradeiro daquele... como é o nome dele mesmo? Albion?
parou estática por um segundo. O homem então a derrubou:
- Crucio!
conhecia a dor. Ela já havia sofrido aquilo antes, nas mãos dele: ela havia sido teinada por Juno. Mas nada daquilo servia naquele instante, contra aqueles choques constantes. Caiu no chão desesperadamente se debatendo, pois a dor era intensa e muito maior do que aquela que poderia suportar. Fred foi o primeiro a se voltar para ela, estuporando MacNair. O homem defendeu, tendo então que parar de torturá-la; ela se recompôs rapidamente e embora ainda sentisse os efeitos, se levantou sentindo uma dor absurda empunhando sua varinha contra ele que havia derrubado Fred.
- Nunca passou pela sua cabeça que seu pai pudesse estar conosco, ? - ela sentiu nojo ao ouvi-lo falar do pai, e mais nojo ao ouvi-lo pronunciar seu apelido como se fossem íntimos, mas a curiosidade falava mais alto do que tudo. Quando seu pai entrou em jogo, tudo parou de existir para ela; ela apontou a varinha para ele, mas então ele a desarmou.
- Não seja tão má, eu só quero contar uma historinha.
- O que você sabe sobre o meu pai? - ela olhou para ele com desespero, vendo que Fred havia sido bruscamente retirado de perto dela envolvendo-se em uma luta com outro comensal.
- Todos os pequenos detalhes sujos que vêm atrapalhando o seu sono ultimamente, querida. - ele disse rindo malignamente.
Juno ouviu o homem. Ela olhou para ele, que esticava a mão para e balbuciava algo; não podia ouvi-lo falar, mas ela sabia do que se tratava. Ela sentiu suas pernas bambearem quando viu o panorama geral; olhou ao seu redor, procurando alguém que pudesse ajudá-la, tentando encontrar o olhar de alguém e não conseguiu. Então se voltou para , que agora com lágrimas nos olhos encarava MacNair.
- Vocês o levaram, não levaram?! Onde ele está? - ela disse e então Bellatrix parou atrás de MacNair olhando-a com seu sorriso sujo e debochado.
- Posso te mostrar se vier comigo. - MacNair disse com uma expressão sombria. A mulher atrás dele soltou mais uma de suas gargalhadas olhando-a com desprezo de cima a baixo.
- Coitadinha, ela vai acreditar em você! - disse fazendo um bico forçado ridicularizando a garota a sua frente. - Garota tola, estúpida, fraca! Quer saber o que aconteceu com o seu pai, pobrezinha? Eu vou te mostrar!
- Oras, cale a boca já! - foi Sirius quem atingiu Bellatrix por trás fazendo com que a mesma voasse para longe dali. permanecia estática, as lágrimas desciam descontroladamente pelo rosto. Tinha certeza de que seu pai havia sido sequestrado; há quanto tempo mantido? Ela não sabia. Tudo aquilo tinha sido por tanto tempo tão óbvio e mesmo em um ano ela tinha alimentado a esperança de que Albion estava bem: não se podia culpá-la. Aquilo foi o que usou a seu favor para continuar seguindo em frente, para achar uma força que mal sabia que tinha. Ela correu para pegar sua varinha, mas MacNair a jogou longe; então a garota foi surpreendida por ele, ainda mais próximo e com a varinha apontada diretamente para ela.
- Se não vier com o titio, você vai ver bem, . - ele disse com um olhar repulsivo e nojento que ela temia mais do que tudo. - vai ver o que o seu pai viu... você quer saber sobre ele? Quer mesmo saber onde ele está? Pois eu vou te dizer..
Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Juno apareceu ali. Ela correu desesperadamente, e nem mesmo a chuva que caía e molhava seu cabelo, sua roupa e seu corpo ou o vento que carregava as tendas e tudo o que havia no caminho para longe dali e dificultava que se mantessem em pé foram capazes de impedi-la; ela segurou com um dos braços e com o outro ela defendeu um feitiço que MacNair tentou desferir na menor, e então antes que revidasse, ela aparatou.
Elas apareceram em Hogwarts. Era madrugada e o céu estava completamente escuro. caiu ajoelhada, cuspindo um pouco de sangue e vomitando no chão. Soluçava e sentia tanta dor que não podia explicar; ela sentiu sua cabeça latejar impedindo seus pensamentos e sua visão por alguns segundos. Parecia um efeito colateral, ela só não sabia dizer do quê.
- J-Juno, ele sabia do meu pai! Como você pôde?! - berrava, a raiva aparente em seus olhos desesperava o coração de Juno e sobretudo o de , que já estava acelerado o suficiente mesmo antes. Ela não conseguia se conter pois a dor era intensa e ela sofria cada vez mais.
- , segure firme. - a professora se ajoelhou ao lado dela. O vestido branco completamente imundo enchia os olhos de de desespero. Ela olhou para os olhos profundamente cinzas à sua frente, um pouco desesperada; em fato, Juno havia perdido a visão de um de seus olhos. Ela podia ver a cicatriz desde aicma de sua sobrancelha até sua bochecha e via que seu olho estava completamente branco.
Ela queria desmaiar. Sentia seu corpo fraco, e sentia que era o momento do descanso. Queria dormir, ela queria deixar a vontade de se desligar levá-la; seu pai havia sido sequestrado por Lord Voldemort, ela não sabia se podia contar mais com a vida dele e não via tantos motivos assim para continuar acordada.
- Não, ! Não agora! - Juno bateu no rosto dela, fazendo com que se esforçasse para manter seus olhos abertos. - você não pode dormir, entendeu?
- Algo aconteceu. - disse com a voz meio embriagada. - algo estranho... o feitiço dele... o feitiço...
- Eu sei que está curiosa, mas..
- O meu pai, Juno...
- Eu sei. - ela suspirou desesperada. - eu sei o que ele disse, mas acorde, ! Não durma! Não agora!
Ela viu outras figuras aparecendo atrás de Juno; aparentemente alguns de seus amigos conseguiram voltar, enquanto que os outros aurores aparentemente ficaram. Ela sentia a preocupação no rosto de Juno ao ver que Sirius não estava entre os que vieram. Nymphadora se ajoelhou ao lado dela e deitou no chão, colocando seu rosto sob seu colo.
- Vá, Juno. Sirius precisa da sua ajuda. - ela disse, olhando-a séria. Juno assentiu sem delongas e aparatou; agora, estava por conta da mulher de cabelos roxos. Todos estavam ao seu redor, preocupados, atordoados e com olhares pesarosos.
- O que eles queriam? - ela disse ainda embriagada olhando para todos e procurando de olho em olho uma solução. Harry engoliu em seco e pareceu ter sido o único capaz de dizer algo.
- Queriam você. - ele disse, se aproximando e segurando a mão dela.

- x -

Umbridge ficou extremamente furiosa com os garotos por terem aparecido repentinamente além de suados e feridos, e no meio da noite. Anseiava por interrogá-los com um pouco de veritaserum, mas o estoque havia acabado com Cho, quando descobrira sobre a Armada de Dumbledore, então se conteve e por ser madrugada, mandou os garotos diretamente para os dormitórios sem direito nem mesmo de ir à enfermaria. Alegou que se se feriram, foi porquê quiseram. Nymphadora àquela altura já havia ido embora e deixado a garota nas mãos de seus amigos.
Minerva acordou com a barulheira na sala comunal. Fred carregava e Gina segurava a mão da garota, que agora tinha um pano gelado em sua cabeça; eles a deitaram no sofá enquanto se debatia um pouco e gemia de dor às vezes. A vontade de desmaiar em grande parte das vezes se sobressaía e alguém precisava impedi-la; a preocupação da professora foi evidente e então ela se aproximou rapidamente com sua varinha iluminando o caminho.
- O que está havendo? Ela precisa ir para a enfermaria!
- Desista, Umbridge já disse que não. - Harry disse parecendo ser o mais preocupado com ela ali, depois de Fred. O desespero era intenso e ele sentia a ligação entre eles graças à tudo o que passavam nas mãos daquelas criaturas, era a única que entendia pelo que ele passava. Hermione estava desesperadamente procurando algo em um livro um pouco isolada deles, e parecia saber o que estava fazendo.
- Oras, dane-se Umbridge! - Minerva estava claramente furiosa. - do que precisam? Irei até a Madame Pomfrey.
- Um bezoar. - Hermione disse, fazendo com que todos se calassem. - um bezoar deve servir!
Minerva pareceu pensativa por alguns segundos antes de sair andando e falando sozinha.
- Devem ter um ou dois na enfermaria...
Harry olhou desconfiado para Hermione. Sabia para quê os bezoares serviam e não compreendia a que ponto da noite havia bebido algum veneno; ele estava confuso e tão curioso quanto qualquer um ali. Enquanto Fred estava concentrado em segurar as mãos da garota deitada e mantê-la acordada.
- Um bezoar?
- Ela está claramente reagindo a algum veneno. - Hermione contornou, olhando-o e mostrando para ele o que estava escrito em seu livro. Sintomas de envenenamento.
- Ela não está vomitando.
- Ela vomitou sangue lá fora, Harry! Eu vi!
- O que você tá escondendo da gente? Aliás, de mim? - ele olhou curioso.
- Nada! - Hermione segurou os braços dele, olhando-o nos olhos. - mas precisa de ajuda agora, e um bezoar é a ajuda que ela precisa.
Harry pareceu aceitar por ora porque a própria Hermione saiu de perto dele. Não muito depois, Minerva trouxe o bezoar consigo, e eles trataram de enfiá-lo goela abaixo em , que quase o vomitou mas conseguiu segurá-lo. Em questão de segundos a garota parou de vomitar, de suar e de tremer. Sua cabeça ainda doía e seu corpo estava indisposto, mas eram condições suportáveis; todos foram dormir, exceto por Fred e George, Hermione e Harry e Ron que se sentaram e se acomodaram perto da garota. Eles tinham muito a conversar.
- Como sabe que queriam a mim, Harry? - quebrou o silêncio. Ela chorava silenciosamente, olhando estática para cima.
- Eles tentavam de toda forma chegar até você.
- Ouvi Bellatrix Lestrange dizer que se não conseguissem levar você, eles tavam fodidos. - Ron disse, olhando para todos com um pouco de pesar e engolindo em seco.
- E Juno parecia atenta à você o tempo inteiro, não desgrudava os olhos. Quando viu que MacNair finalmente conseguiu falar com você, ela nem deu um segundo pra ele...
- Ela não deixou ele me dizer. Ele ia me dizer - ela afundou o rosto nas mãos. era extremamente sensata e equilibrada, facilmente se notava isso; mas o seu pai estava em jogo, a única pessoa com quem ainda se importava tanto estava em jogo. Ainda havia sua mãe, mas ela não morava com a garota e muito menos parecia se importar com ela como o pai; às vezes Abigail passava semanas sem enviar uma carta sequer, e nunca parecia fazer questão da presença da filha.
- ... - Hermione olhou para ela com lágrimas nos olhos. - eu sei que é difícil, mas eles queriam você... claramente estavam usando seu pai como isca.
- Como saberiam do meu pai?
- Todo mundo já sabe. Ele está desaparecido há quase um ano..,.
- E ninguém consegue achá-lo! Como ninguém ainda achou?! - ela gritava e então foi interrompida por Fred que a acalmou. Ela suspirou limpando as lágrimas e tentando retornar a seu estado normal de espírito.
- Precisa deixar nas mãos do ministro, . Ele disse que o encontraria.
- Fudge é completamente louco! - Harry disse revoltado como se aquilo não fosse ajudar em nada. Hermione o olhou com certo desconforto; ela sabia que no momento, o pior a se fazer era incentivar a pensar que o ministro por si só não daria conta do caso. Sabia que se ela fosse pessoalmente atrás do pai, estaria vulnerável o tempo todo. Ela resolveu não se intrometer na fala dele, porque por si só parecia negar a possibilidade de ir atrás do pai; por sorte, ela era a mais sensata dali e sabia que isso seria loucura.
- Nisso ele tem razão. - Ron olhou para os amigos que o desaprovaram imediatamente.
- Eu sei que tem. Faz sentido usarem isso de isca pra chegar até mim, mas a grande questão é: por quê?
tinha os olhos inchados e os lábios lutavam contra os movimentos intensos que faziam em razão de ela estar tão trêmula.
Ela olhava para eles como se implorasse por algo que lhe permitisse dormir bem aquela noite, fosse uma poção do sono ou uma simples afirmação de que seu pai estava bem e de que havia uma razão plausível para estar sendo insanamente perseguida pelo Lord das Trevas e seus comensais, como sugeriam seus amigos.
- Eu não sei. Talvez se interessem pela sua força, ou queiram te levar pro lado deles. - Fred supôs. Ela prontamente balançou a cabeça negativamente.
- Existem bruxos melhores se esse fosse o caso. Hermione é o exemplo perfeito.
- Mas eu sou mestiça.
- E eu também. - suspirou.
Harry parecia pronto para dizer algo mas uma estranha voz e a mudança no fogo da lareira fez com que todos se voltassem para o objeto. O fogo formava o rosto de Juno, e ela chamava a alguém. Ele se prontificou para ir até a lareira enquanto tentava se levantar e recebia a ajuda de Fred.
- Eu não tenho muito tempo aqui. A essa altura todos já devem ter me taxado como cúmplice do "notório assassino Sirius Black" e eu também tecnicamente estou foragida; preciso falar com a .
Harry assentiu e ajudou Fred a encaminhá-la para mais perto do fogo. Eles arrastaram uma poltrona para que ela se sentasse.
- Está melhor?
- Um pouco. - permanecia completamente apática.
- , preciso que preste muita atenção, ok? Entenda por favor que tudo o que eu fiz até agora foi pelo seu bem. Tudo mesmo. Você já sabia que isso aconteceria a partir do momento em que te trouxe pra cá e testei em você os mais dolorosos tipos de tortura.
Harry e Ron pareceram imediatamente surpresos. Eles eram os únicos presentes que não sabiam do motivo pelo qual desaparecera;
- Eu sei.
- Infelizmente não pude treinar você quanto ao âmbito psicológico. Não quero que me entenda mal, , mas MacNair não sabia nada sobre o seu pai além do nome. Ele queria dar um jeito de te levar com ele.
- A esse ponto, já pude perceber isso.
- Eu preciso que você seja forte agora, mais do que nunca, ok? Sei que os últimos meses tem sido os piores da sua vida inteira, mas por favor, continue resistindo. Você precisa se focar nos estudos e esquecer tudo isso da forma como puder. O ministro é um louco psicopata mas sei que quando se trata de seus funcionários, ele leva a coisa bem a sério, então...
- Meu pai está desaparecido a um ano. Se levasse a coisa a sério, provavelmente ao menos me atualizaria sobre a busca. Eu nem sei se eles estão mesmo procurando por ele, Juno... Sei que me pede pra ser positiva agora e que eu preciso ser positiva agora, mas você não faz ideia do quão impossível isso tá sendo...
- Eu faço sim. Eu sei que sua vontade agora é de sair atrás dele você mesma, mas não faça isso, por favor. Pense no seu próprio bem. Você precisa se preservar, porque aqueles comensais não brincam quando dizem que vão caçar você.
- Por que? - ela disse, revoltada. - por que estão atrás de mim?
Juno pareceu pensativa por algum tempo. Ela abriu a boca algumas vezes e não foi capaz de dizer nada; sua boca sempre voltava à curva perfeita anterior, calada e sem emitir um som sequer.
- Eu não sei.
- Não sabe...
- , me ouça bem. - Juno disse quando ouviu os passos que se alastravam dos dormitórios e a luz que se aproximava deles. - você nunca foi uma criança comum. Sempre teve algo que... algo que os outros não têm, me entende?
- Eu não...
- Você é diferente. Precisa se contentar com isso e seguir em frente. Eu preciso ir agora.
- Juno! - ela disse e então a professora a olhou como se desse a chance para que falasse uma última vez antes de desaparecer nas chamas. - eu sei que te odeio muito agora, mas você sabe que é minha mãe, certo?
Ela viu o sorriso mais doce que já tinha visto em resposta. Juno alargou os lábios de orelha a orelha.
- E você é minha filha. Sempre vou cuidar de você, garotinha.
E então ela desapareceu em meio as chamas; Minerva apareceu claramente irritada no corredor e expulsou todos eles para seus devidos quartos. Ajudou a chegar até o seu, onde Gina já dormia exausta. Ela se deitou sem mais delongas dando o tão esperado descanso que sua mente precisava.
Apesar de todas as perturbações, compreendia que existia uma dificuldade natural em superar aquele tipo de situação. E ela compreendia também que era mais do que seu direito receber notícias sobre o andamento da investigação, mas sabia que constitucionalmente não podia exigir aquilo do ministro. Ela permitiu que seus olhos se fechassem e sua mente se acalmasse por completo: era quase como uma habilidade. Esvaziava tudo, não deixava nem sequer felicidade tampouco preocupação; era a única técnica que servia em um momento como aqueles para fazê-la dormir. Quem ensinara foi a mãe, por incrível que pareça; era como meditar, mas relaxando mil vezes mais.
Era uma pena que durassse tão pouco.


Capítulo 7 - Perda

As NOMS funcionavam da seguinte forma: várias fileiras eram posicionadas lado a lado, como em um colégio normal. O salão comunal havia se tornado uma grande classe comum: Dolores Umbridge estava na frente, em pé de frente para um enorme relógio mágico que mostrava o tempo decorrido e quanto tempo faltava para o fim da prova. Todos os alunos pareciam incrivelmente entediados e a única pena que rabiscava sem parar nem por um segundo, não surpreendentemente, era a de Hermione. olhava com raiva para a sua prova. Ela sabia grande maioria das respostas, mas ainda não compreendia como aquilo poderia ser de alguma serventia se não usavam magia nenhuma vez. Quando via que a atenção de Umbridge estava em alguém específico - na maioria das vezes, Ron - ela aproveitava para varrer o ambiente com os olhos. Não se lembrava de ter visto Fred ou George entrarem ali.
Ela ouvira Harry dizer algo sobre aquilo, sim, mas não se lembrava o que era; desde que desmaiara na semana anterior ela parecia meio alheia e apática. Não se enturmava tanto quanto antes, preferia fazer suas atividades sozinha e por pedido de Juno, às vezes precisava isolar-se na sala comunal para tentar contatar a mulher dos cabelos brancos. Há muito, não havia resposta do outro lado; isso não preocupava tanto a jovem. Confiava nas habilidades de Juno e sabia que se algo acontecesse, ela saberia.
Não conseguia parar de pensar no acontecido do casamento. Os olhos e as olheiras profundas de MacNair encarando seus olhos amedrontados e suas mãos trêmulas tentando firmemente batalhar contra a varinha habilidosa dele eram o que enchia sua cabeça. Às vezes voltava a real e continuava escrevendo algo, pois sabia que seria um grande problema caso Umbridge decidisse encrencá-la. Ela foi tirada de seus pensamentos profundos quando ouviu o som do salto baixo da professora ricochetear pela sala toda. A mulher se dirigia á porta, onde todos os alunos encaravam. Ela abriu a enorme porta e ficou observando o corredor por alguns instantes quando o que parecia ser um fogo de artifício veio do lado esquerdo estourando bem em frente à velha.
Sua surpresa foi igual a de todos os alunos: Fred e George entraram em suas vassouras derrubando as provas e jogando-as no ar. Todos começaram a comemorar enquanto os dois despejavam fogos de artifício por toda parte, eles estouravam e entoavam bem com todos os gritos de felicidade. A professora parecia horrorizada e não sabia como agir, enquanto alguns foguetes perseguiam alunos indesejados.
se levantou com um pequeno sorriso no rosto - era o que conseguia por ora. Ela olhava para os dois e honestamente não conseguia diferenciar qual deles era Fred, mas amava os dois naquele instante por terem feito aquilo por eles. Não passou de imediato pela sua cabeça que seriam expulsos por àquilo, então se contentou com o fogo de artifício que se estourou em formato de coração que Fred jogou discretamente para ela. Hermione olhava aterrorizada porém feliz para tudo aquilo. No final das contas, os rapazes estouraram um enorme foguete que formou um dragão chinês, perseguindo Umbridge para fora da sala e destruindo todos os seus avisos nas paredes e causando um alvoroço que fez com que todos os alunos saíssem correndo atrás dos gêmeos que iam para o campus.
Todos se aglomeraram enquanto desenhavam o enorme "W" - sua marca - no céu e então desapareciam em meio às nuvens, sem dizer um A. comemorou com todos à medida com que pôde, mas sua alegria era limitada por ora. Como era a única não tão concentrada no evento ali, pôde ver antes até mesmo de Hermione Harry caindo no chão desesperado. Ele foi amparado por ela.
- Harry! - Hermione se aproximou;
- Eles pegaram ele. - ele disse simplesmente, fazendo com que Ron se aproximasse também. De repente, eles eram a D.A: Harry, Ron, Hermione, , Luna, Neville e Gina seguiam pelas escadarias movediças. Harry corria desesperado na frente explicando da forma como pôde.
- Ele pegou o Sirius, está com ele no ministério da magia, na ala dos mistérios. Nós precisamos ir até lá.
- Harry, mas e se for uma armadilha? - Hermione disse, parando-o. - ele pode ter tomado sua mente, quer te forçar a ir até ele!
- Juno desapareceu... - comentou concordando com Hermione. - ela teria dito algo.
- Por isso ela desapareceu! Ele deve tê-la levado também! Não podemos pagar pra ver, temos que ir até lá.
- Acho que talvez esteja exagerando, Harry.. - Neville olhou para o garoto que parou no topo da escada observando todos os seus amigos abaixo. Eles tinham expressões atentas e preocupadas.
- Olhem só, não estou obrigando vocês a virem comigo. Eu preciso salvar o meu padrinho, a única família que eu tenho; ele corre grande perigo. Se não quiserem vir, não venham, mas eu preciso mesmo de vocês agora.
- Nós vamos. - se impôs imediatamente, como se respondesse por todos; recebeu o assentimento de todos e então voltaram a correr, indo até a sala de Umbridge, o único lugar onde ainda tinham conhecimento sobre a Rede de Flu. Eles desejavam ir ao Ministério, onde Harry vira Sirius nas mãos de Voldemort. A cabeça da garota ia a milhão enquanto tentava reconsiderar tudo, mas seu foco agora estava em Sirius, assim como todos presentes; ela desejava do fundo de seu coração que Harry estivesse errado, pois assim o maroto estaria à salvo, mas não podia garantir que isso aconteceria. Tudo a partir dali era um mistério.
Eles entraram na lareira mas foram impedidos por uma Umbridge completamente revoltada na porta, com uma expressão unusual: esbanjava ódio e fúria, ao contrário da expressão serena e cínica que geralmente carregava.
A mulher vestida em rosa entrou empurrando Potter na poltrona usando sua varinha e então olhou para todos eles extremamente furiosa.
- Já chega. Vocês não vão a lugar algum! Me digam agora o que é que estão escondendo!
Harry a olhava confuso, e dividia seu olhar entre Umbridge, e Hermione. Ele pedia socorro mentalmente, como se soubesse que precisavam dar um jeito naquilo. e Hermione sabiam tanto quanto qualquer um ali que o próprio Harry morreria em prol de esconder o segredo de Sirius;
- Diga a ela, Harry! - Hermione disse, olhando-o aflita. Recebeu o olhar confuso de Harry que implorava para que ela não dissesse nada; olhou confusa, mas logo captou o que a amiga tinha em mente.
- Dizer o que?
- Diga a ela onde está ou eu mesma direi. - ela bateu o pé, olhando Dolores nos olhos. A mulher a confrontou imediatamente, parecendo tão certa sobre o que a garota dizia quanto estava certa do que aconteceria com eles a partir dali. O professor Snape apareceu na porta da sala, quebrando todo o clima mas ao mesmo tempo sendo a salvação para que Hermione bolasse um plano em poucos minutos.
- A sra. solicitou minha presença? - o homem disse com seu mau humor usual.
- Sim, Severo, sim! Eu gostaria que trouxesse mais um pouco de veritaserum... é extremamente necessário retirar algumas informações destes alunos...
- Seria um prazer trazer, sra. Umbridge, mas a sra deve ter se esquecido de que usou todo o nosso estoque na srta. Chang da última vez.
Harry olhou para Snape como se aquilo fosse um choque, e então ao receber o olhar de volta do professor, se aflingiu um pouco e atropelou Umbridge gritando:
- Ele o pegou - disse, aflito - pegou o Almofadinhas! Está com ele agora!
Snape o olhou com os olhos cerrados e então se voltou a Umbridge, que parecia extremamente curiosa.
- Do que ele está falando? Quem é Almofadinhas?!
- Eu não faço a menor ideia - Snape disse, se retirando e pedindo a licença imediatamente. Talvez tivesse captado o recado, foi o que o garoto entendeu, mas até então não conseguiriam se livrar da mulher tão facilmente e aquele era o principal problema. olhava os arredores pensando no que poderia fazer para fugir dali: era o pensamento dela naquele instante, quando Umbridge se voltou a Hermione:
- Onde está o que?!
- A arma secreta de Dumbledore!
Em uma questão de segundos, Harry e Hermione haviam saído dali acompanhados pela velha, e a própria havia recebido o sinal da garota: se preparariam e dariam um jeito de expulsar Filch dali enquanto eles resolviam aquele problema. Ela olhou para Gina, Neville, Luna e Ron que estavam parados á sua frente.
- Olhem só, não sabemos mesmo o que vamos encontrar por lá. Talvez o próprio você-sabe-quem... - respirou fundo. - então por favor, tomem cuidado e não hesitem em usar qualquer feitiço que seja para se defenderem.
- Vamos conseguir - Gina disse abraçando a amiga.
- Nós devemos ir na frente? - Luna olhou confusa.
- Não. Devemos encontrar onde a maldita ogra guarda o pó de flu dela - disse abrindo todas as gavetas que podia. - me ajudem a procurar. Ron, você fica na porta de vigia. Se vir alguém, nos avise, está bem?
- Certo.

- x -

Hermione e Harry correram o mais rápido que podiam de volta para o castelo; Umbridge havia sido levada até Grope, conhecera o gigante, então insultara um dos centauros que guardavam a floresta e arrastada por vários deles para os confins da floresta negra. A situação da mulher preocupava a Hermione, que às vezes era mais humana do que gostaria, mas toda a circunstância não lhe permitia se preocupar com outros no momento. Eles correram de volta para a sala da diretora onde os outros estavam preparados e sem mais delongas, um por um, eles apareceram em uma das lareiras do ministério da magia na ala dos mistérios. Os azulejos negros combinavam muito bem com o piso de cor igual que Harry conhecera no início daquele ano; tudo parecia estranho, muito quieto e calado.
Todos empunharam suas varinhas e andavam atrás de Harry, que os guiava até a sala das profecias. Andaram, passando de esquina em esquina por várias enormes prateleiras que continham mais de milhares de bolas de cristal, cada uma com uma profecia. Eles procuravam por Sirius, mas Harry ouvia baixo uma voz conhecida chamá-lo - a professora Trelawney. Ele a ouvia chamando-o, há algumas prateleiras, há algumas profecias.
Eles se aproximaram de uma das prateleiras onde Harry ouviu o som mais alto, e tocou a profecia a sua frente. Ele a removeu e então pareceu assustado para todos, mas somente ele conseguia ouvir.
Aquele com o poder de vencer o Lord das Trevas se aproxima. E o Lord das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá o poder que o Lord das Trevas desconhece, pois um não pode viver enquanto o outro for vivo.
- Harry!
Ele olhou para o lado onde os olhos de Hermione apontavam. As varinhas acesas iluminavam a máscara prateada do comensal que se aproximava deles; passo por passo, Harry começou a se incomodar com a presença do homem.
- Cadê o Sirius?
- Sabe, você precisa entender a diferença entre sonho e realidade. - o homem removeu sua máscara, revelando-se Lúcio Malfoy. - você viu só o que o Lord das Trevas queria que você visse. Agora me dê a profecia.
- Se fizer alguma coisa, eu quebro.
Hermione deu um pequeno salto ouvindo a risada estridente que conhecia pertencer à Bellatrix Lestrange. segurou a mão dela observando a mulher aparecer por trás de Lúcio.
- Ele sabe brincar! Tolo, tolo... bebezinho... Potter!
- Bellatrix Lestrange... - Neville olhou para ela e todos pareciam chocados.
- Neville Longbotton, não é? Como vão os seus pais?
- Melhor agora que vão ser vingados! - Neville em um ato de descontrole apontou sua varinha para a mulher, ato que Hermione tentou imediatamente impedir assim que viu que Bellatrix levantou sua varinha de volta, em defesa. Lúcio levantou as mãos em rendição.
- Vamos nos acalmar, por favor. Nós só queremos a profecia.
- Por que Voldemort precisou que eu viesse pegar? - Harry desafiou.
- Ousa dizer o nome dele?! Seu mestiço imundo! - Bellatrix gritou com uma expressão de puro ódio e repugnância. Lúcio tentou segurá-la levantando a mão.
- Está tudo bem, é só um rapaz curioso. - pensou um pouco. - profecias só podem ser retiradas por aqueles de quem elas falam.
Todos ali presentes notaram que agora, haviam mais comensais atrás. foi a primeira a ver que haviam três atrás deles, e pareciam todos prontos para atacá-los. Ela se virou de costas com Gina, Neville e Ron pareciam focados nos arredores. A cada instante, mais deles apareciam ali.
- É muita sorte sua, Potter. Mesmo. - Lúcio retomou. - Nunca se perguntou o motivo de uma conexão entre você e o Lord das Trevas? Por que ele não pode matá-lo quando era apenas um bebê? Você não quer saber o segredo da cicatriz? As respostas estão aí, Potter, na sua mão. É só você entregar para mim e eu lhe mostro tudo.
Embora Harry desejasse mais do que tudo saber sobre aquilo, ele se lembrava bem do casamento de Sirius. Ele se lembrava de como MacNair tentava de todas as formas convencer de que sabia algo sobre o pai dela; ele queria enganá-la, usar o pai dela de isca. E sentia que Lúcio tentava se aproveitar dele de forma igual ali: tentava enganá-lo, iscá-lo usando a cicatriz. Não estava disposto a entregar a profecia de mão beijada, muito menos para um comensal que claramente mal sabia mentir, tão deplorável quanto Lúcio Malfoy.
- Eu esperei quatorze anos...
- Ah, eu sei... - Lúcio parecia esperançoso de que Harry lhe entregasse a profecia.
- Posso esperar um pouco mais, então. Agora!
- Estupefaça! - eles gritaram em uníssono, cada um deles para um lado. Se dividiram em grupos e começaram a correr em direções opostas ; e Gina, Hermione, Harry e Ron, Neville e Luna. Eles fugiam dos comensais que agora vinham como grandes manchas negras atrás deles em cada prateleira, em cada corredor. lançava feitiços para trás tentando conter o homem que vinha atrás deles. Ela o ouvia berrar, gritar algo sobre o seu pai, mas tentava ignorar; Gina também lançava alguns estupefaça para trás, e continha o homem por derrubar as profecias das prateleiras.
Em algum ponto, eles se bateram em uma encruzilhada e foram cercados. Os comensais vinham de todos os quatro lados, principalmente de trás; havia uma porta bem na frente deles da qual não sabiam exatamente onde levaria, mas parecia ser a única opção. Quando o homem se aproximando por trás chegou perto do chão, ameaçando pousar, Gina gritou:
- Reducto!
O homem não só foi impedido como as prateleiras também começaram a imediatamente cair, uma por uma. Todas as profecias eram destruídas e os comensais deixados para trás, e então eles começaram a correr desesperadamente para a porta. Quando abriram e se jogaram, se depararam com uma sala enorme onde eles caíram da porta no alto: havia um portal no centro e a sala era enorme. Eles observaram o portal por poucos instantes antes que começassem a ouvir os comensais se aproximando, em suas formas esfumaçadas. Harry não pôde enxergar nada além de poeira e fumaça, não via nada, nem conseguia atingir seus amigos. Ele procurava as mãos de alguém, tentava segurá-los, mas no fim das contas se viu cercado: ele estava no centro, com o portal, enquanto ao seu redor todos os seus amigos estavam acompanhados de comensais apontando varinhas para seus pescoços. Ele olhou nos olhos de ao identificar que certamente o comensal a ameaçá-la era MacNair e sentiu a dor da garota.
Lúcio apareceu em sua frente novamente, olhando-o com desprezo.
- Teve mesmo a ingenuidade de pensar que crianças tinham chance contra nós? - ele olhou para Bellatrix que apontava a varinha no pescoço de Neville e sorria, com o sorriso mais escárnio que possuía. - me dê a profecia agora ou eles morrerão.
- Não entregue a eles, Harry! - Hermione gritou e o comensal a segurá-la mandou que calasse a boca.
Harry pensou duas vezes mas não parecia ter opção alguma. Ele precisava entregar, ou veria todos os seus amigos morrerem. o olhava com negação, implorava mentalmente para que não o fizesse, mas era necessário: ele o fez. Entregou a profecia nas mãos de Lúcio, O homem levantou a bola de cristal no alto, como se esperasse que algo fosse dito, mas foi imediatamente impedido por uma leve luz atrás de si. O portal se iluminou por alguns segundos e então se apagou, e Harry pôde ver que Sirius se aproximava do loiro.
- Fique longe do meu afilhado! - ele deu um soco no Malfoy, que deixou a profecia cair no chão e se quebrar. Enquanto isso, enormes flashes de luz branca apareceram e passaram a perseguir, cada um, um comensal, libertando então todos os que ainda estavam presos. Os aurores estavam ali.
reconheceu Juno por um segundo e se tornou imediatamente feliz por vê-la, depois de tanto tempo; a mulher não tinha tempo, voltou à forma celestial e passou a perseguir MacNair. Os outros aurores também perseguiam à todo e cada comensal ali presente.
Sirius e Harry duelavam com Lúcio enquanto parecia tentar ajudar Juno a fazer algo; Hermione também se colocou imediatamente em pé e passou a tentar acertar o máximo de comensais possível. Quando todos eles haviam por fim sumido, a mulher platinada parou ao lado da menor segurando o ombro dela. Ela pretendia fugir com a garota, como lhe havia sido solicitado, e então olhou para Sirius.
Foi o tempo que teve de olhá-lo uma última vez. Assim que seus olhos se encontraram, ele desarmou Lúcio e o derrubou, por fim. Juno sorriu, mas seu sorriso se desmanchou em um milésimo de segundo quando viu a imagem de Bellatrix Lestrange aparecer em cima de uma das pedras.
- Avada Kedavra!
Mal pôde derramar lágrimas a pobre Juno, ao ver Sirius, cair para trás e ser levado pelo portal. O último olhar dele havia sido aquele, sorridente, para ela e para Harry. Eles seriam uma família a partir dali. Estava estática, não sabia o que fazer; algo dentro de si havia sido destruído, deixado aos pedaços, e ela mal sabia como reagir. Não podia chorar, não podia sofrer. Só podia sentir o mais absurdo e puro ódio, cujo qual jamais havia sentido antes. Ela foi envenenada pela raiva naquele mesmo instante, e sem nem sequer abrir a boca, andou lentamente atrás de Bellatrix, contendo as lágrimas que anseiavam por cair enquanto Harry desatava a chorar e era segurado por Lupin.
- Juno, não! - ela ouviu Nymphadora dizer. segurou o braço da mulher e tentou segurá-la. Àquele ponto, Harry não estava mais ali, ele havia perseguido Bellatrix; Já havia se encontrado pessoalmente com Lord Voldemort, e por sinal, a própria Bellatrix, fugido.
Juno aparatou sem se importar com ao seu lado. Elas estavam em um salão enorme, uma grande casa. Parecia uma mansão, talvez a mansão dos Malfoy; Juno identificou os cabelos encaracolados da mulher à sua frente, lançando "estupefaça" nela imediatamente e a fazendo defender o feitiço. ainda estava ajoelhada no chão atrás da platinada, tentando identificar o que ocorria ali; as lágrimas desciam pelo rosto da mais nova enquanto ela observava as mãos trêmulas de Juno apontando sua varinha para a mulher à sua frente.
- Ah, é claro... Eu matei o seu querido, não matei? - ela riu - meu tolo priminho... Agora você quer sua vingança, eu imagino. Juno não respondeu.
- Deixe de ser uma imbecil, Sparks, você seria um gênio se pudesse agir para o lado certo! - a mulher berrou tentando atacá-la, feitiço que Juno defendeu. - todos sabem que você não tem coragem...
Juno não conseguia abrir a boca. Ela fechou os olhos respirando fundo e de repente sua varinha começou a descontroladamente lançar feitiços sobre Bellatrix, que mal podia se defender. A morena tentava evitar alguns deles mas era acertada inúmeras vezes, a força de Juno era quase inexplicável naquele instante;
a conhecia e sabia do enorme potencial da professora, mas não podia afirmar que algum dia a veria utilizando toda a sua força contra outro ser humano com tanta propriedade quanto fazia agora. Bellatrix gritou quando caiu no chão novamente, se arrastando pelos pés para trás desesperada. Juno a olhava estática, ainda sem dizer nada; uma expressão completamente vazia tomava conta de seu rosto naquele instante, e ela perdera momentaneamente ao menos o brilho que sempre teve.
observava os arredores se levantando enquanto as duas duelavam arduamente. Ela notava em cada pequeno mísero detalhe, cada móvel luxuoso e uma grande pintura no centro do ambiente que parecia de fato se tratar da sala. Sabia desde o início que aquela mansão pertencia a alguma família rica, e tinha até passado pela sua cabeça qual, mas não tivera a maldade.
Ela segurou o braço de Juno ainda atenta ao quadro, tentando chamar a atenção dela para os arredores. tentava avisá-la de que deveriam ir embora, mas a platinada era incapaz de parar naquele instante. Agia como um animal selvagem, não parecia pretender até que visse Bellatrix morta. A outra bruxa, por sinal, apenas a olhava assustada e com um sorrisinho de escárnio que aumentava a cada segundo o ódio que Juno cultivava.
Quando finalmente olhou para a mulher no chão, viu atrás dela a imagem que surgia segurando uma varinha apontada para elas; Juno não percebeu, é claro, e então mil coisas se passaram na cabeça de . Ela sabia que, como mãe, Narcisa Malfoy não parecia uma mulher de tudo má, e parecia plenamente incapaz de assassinar alguém de tal forma. O feitiço que ela lançava era magia branca, forte o suficiente para barrá-las para trás de Bellatrix por mais que a própria tenha usado sua varinha para defendê-lo. Juno, por outro lado, estava lado a lado com a adolescente.
Tudo aconteceu como um flash de segundo: Juno desatenta tossia e tentava recobrar a consciência quando Bellatrix empunhou sua varinha e gritou novamente o feitiço que usara para assassinar Sirius Black.
- Avada Kedavra!
correu para a frente da professora em um impulso. Não sabia se queria morrer ou se aquele era o momento perfeito para entregar sua vida à uma pessoa que, pelo menos por ora, não tinha mais propósito algum como Juno. Ela simplesmente foi, como se tivesse ouvido o vento soprar em seus ouvidos que aquela era a coisa certa a se fazer. Quando entrou na frente da professora, ela não pensou na morte nem por um segundo. Ela canalizou tudo o que tinha dentro de si, desde o ódio reprimido até a tristeza melancólica que carregava no peito desde que seu pai desaparecera ou desde que começara a sentir certo abandono por parte de sua mãe. Ela simplesmente reuniu tudo o que tinha de forte dentro de si e se jogou na frente do feitiço. Juno segurou o braço da garota como se em câmera lenta, e não foi rápida o suficiente para aparatar antes que absorvesse o feitiço em sua varinha.
Ela se desesperou.
A garota, deitada no chão do ministério da magia repleto de pessoas - agora, com a presença do ministro e de outros aurores - e sobretudo Harry, que sofria nos braços de Dumbledore e parecia tão estático quanto a própria Juno. estava em seus braços. Juno engoliu um suspiro e tentou segurá-la o mais forte possível.
convulsionava.
Ela não estava bem, mas Juno tinha certeza de que havia recebido o feitiço. Não o defendera, não o refletira; a platinada respirou fundo olhando para os olhos de que agora tinham suas pupilas concentradas no topo. Seu nariz sangrava e ela tremia como nunca antes; os olhos cinzas da professora desesperada encontraram os de Dumbledore, mas ao ver o garoto Potter nos braços do velho, passou então a procurar ajuda de outros. De olhar em olhar, viu uma trupe inteira correr desesperada em sua direção.
- Como posso ajudar? - Molly Weasley a olhou caridosa.
- Rápido, um bezoar! - ela olhou para os filhos dos Weasley que estáticos observavam a situação da garota em seus braços. Fred se ajoelhou segurando a mão da garota mas então foi puxado pelo irmão e desapareceram dali na lareira. Todos estavam em busca do bezoar.
- Oh, querida, eu sinto tanto... - Molly olhou para .
Juno não sentia suas mãos naquele instante. O desespero corroía seu corpo, pois após Sirius, era a única coisa que ainda importava em sua vida. Daria a própria pela da garota, sem sombra de dúvidas; a ideia de tê-la morta em seus braços a assombrava. Ela viu o olhar desesperado de Hermione mas a consolou com os olhos, pedindo que se concentrasse em Harry e deixasse nas mãos dos adultos.
- Não pode demorar tanto, eu não vou perdê-la... Não posso perdê-la... - Juno respirou fundo tentando acalmar seu próprio sufocamento. - , respire! Olhe para mim!
A garota parecia lutar contra a situação, tentava ajustar seus olhos. Quando Fred se aproximou desesperado com o bezoar em mãos, Juno o agarrou com força e colocou sob o peito de . Nenhum daqueles ao redor parecia compreender.
Lord Voldemort acabara de ser detido por Harry e Dumbledore, o ministro acabara de chegar ao local e tudo parecia confuso. Naquele instante, estava deitada no colo de Juno afastada da multidão que parecia preocupada com Harry. Todos desejavam uma notícia, algo para falar sobre no Profeta Diário: ele voltou.
Os olhos de lentamente se normalizavam e o sangue em seu nariz se secava na pele, e então ela perdeu a consciência por poucos segundos antes de vomitar e se sentar, respirando fundo e puxando o ar do fundo de seus pulmões. Molly a abraçou imediatamente sem esperar nem um segundo sequer.
Não sabia no que pensar quando viu o ministro se aproximar.
- Srta. , venha comigo.
Ela viu os olhares tristes e as lágrimas descendo pelo rosto de seus amigos que agora estavam de pé ao seu lado. Ela se levantou com a ajuda de Juno que assentiu positivamente para ela.
- Talvez não seja uma boa hora... - Arthur disse baixo.
- Não há outra hora.
acompanhava o ministro cabisbaixa observando todos ao seu redor encararem-na com dó e compaixão. Ela não sabia se sabia do que se tratava tudo aquilo. As lágrimas, a tristeza, a compaixão... ela olhou nos olhos de Fred, aqueles que procurava tanto, aqueles que tanto lhe ajudavam em momentos como aquele.. aqueles únicos que ela poderia querer naquele instante. Ele a olhava com dor, como se algo horrível lhe tivesse acontecido.
- Não vá... - ele passou a mão pela cabeça desesperado.
- O que está havendo? - levantou a cabeça olhando para todos ao seu redor que se mantinham em silêncio. Ela parou de andar no mesmo instante, fazendo com que o ministro também parasse e grande parte da atenção do recinto passasse para ela. Nada daquilo importava; quando sua resposta foi o silêncio, ela se desesperou ainda mais. - me digam logo, do que isso se trata?! O que está havendo?!
- ...
- Me poupe de tudo isso, por favor, ministro. Eu estou cansada de mentiras, de notícias amenizadas e de ter minha vida escondida de mim, então por favor, pelo menos uma vez esqueçam que existe alguém aqui dentro e digam a porra da verdade sem nenhuma enrolação! - ela já tinha lágrimas nos olhos quando terminou a frase. Todos respiraram fundo e Molly não conseguia segurar o choro.
- Eu sinto muito.
Foi tudo o que o ministro precisou dizer. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela pareceu estática por um instante. Sua cabeça dizia e repetia milhares de vezes que não, que aquilo era impossível e nada daquilo era real. Ela procurava compreender como era possível, e tentava ouvir algo dentro de si implorar para que não desse um fim à própria vida naquele mesmo instante. Ela engoliu em seco, deixando que as lágrimas descontroladamente caíssem e olhou para o ministro, dentro dos olhos daquele homem, e perguntou.
- Quem, onde... Por quê? - ela disse trêmula. Sua voz falhava.
- Precisa compreender, srta., que o Lord das Trevas nem sempre tem alguma razão para o que faz. - ele respirou fundo olhando-a com compaixão. - talvez fosse melhor esperar um tempo, digerir os fatos, e então voltaremos a falar disso..
- Me mostre - ela disse, ainda trêmula e estática. - vocês encontraram, não encontraram? Eu quero ver...
- Oras, não, por favor... - Fred chorava àquele ponto. O ministro parecia concordar com o jovem e também desejava esconder.
- Me mostre! - ela gritou, e o ministro se prontificou a levá-la. Ele ofereceu a mão envolta de luvas para , que agarrou sem pena. A luva era uma chave de portal.
Eles estavam em um tipo de caverna; era grande, haviam algumas pequenas pedras brilhantes e a luz do luar entrava pelo topo da caverna, onde algumas brechas permitiam que todo o lugar refletisse e se iluminasse. Havia um lago negro embaixo, e eles estavam parados sob uma pedra que dava uma visão completa do lugar. tremia e seus olhos fechados a levaram até a ponta da pedra, Até então, sua mente a segurava de um colapso, e ela tinha certeza de que tudo aquilo era apenas uma invenção para tentar justificar qualquer outra coisa a ela. Talvez uma peça? Lhe estariam pregando uma peça?
Como quis ela que estivessem lhe pregando uma peça quando finalmente abriu seus olhos, dando espaço para mais e mais lágrimas; ela caiu de joelhos na ponta da pedra, o ministro permanecia de pé atrás dela. O homem tinha dor em seu rosto e parecia mais culpado do que tudo.
berrava, ela segurava o chão com força. Agarrava a todas as pedras que podia e suas unhas se quebravam e arrastavam sangue pelo chão à medida com que arranhava e socava a pedra com força; o ministro pensou em interferir, mas não chegou a fazê-lo. Determinou que todos lidavam com o sofrimento de uma forma diferente e ela precisava lidar com o próprio.
A garota sentia o maior vazio possível dentro de si; tudo lhe fora agarrado quando viu a imagem horrenda do corpo morto e vazio de seu pai, que boiava na água negra. Os cabelos claros quase grisalhos, suas roupas do ministério... ele parecia em um estágio avançado de decomposição. Ela queria morrer com ele.
Sentia vontade de se jogar ali, de deitar por pelo menos uma ou duas horas ao lado de seu pai, por mais que seu corpo inanimado não fosse Albion e sim uma versão pútrida e assassinada dele. Ela sentia vontade de acabar com a própria vida, pois o que tinha de melhor havia sido tirado dela. Soluçava como um bebê quando o ministro a afastou com um dos braços. Ela lutava, tentava se aproximar do corpo mas ele não permitiu, a segurava para que não pulasse da pedra. Ela tentava arrancar seus cabelos loiros tão bonitos à força, ela segurava a cabeça e não sabia para onde fugir.
- O que aconteceu com ele?! O que fizeram com o meu pai?! - ela gritava sem parar. - meu papai!
- Srta. , se acalme... eu sinto muito...
- Eles mataram o meu pai! - ela berrava e então seu choro agudo tomou conta do recinto, os berros entravam pelo ouvido das paredes sólidas e geladas que assustavam e davam a impressão de que não havia mais nada ali além dela e o corpo do próprio pai, já em decomposição e flutuante.


Capítulo 8 - Fim da Linha


tinha os olhos inchados e seu corpo inteiro doía. Suas pupilas vidradas encaravam a pena na mesa de centro e a poltrona do outro lado, onde o ministro da magia agora se sentava; ao seu lado, Fred segurava sua mão. Ela quase a explodia de tanta força, mas ele aguentava firme cada segundo. Era torturante olhar para ela daquela forma.
Ela tinha um cobertor ao seu redor, seus cabelos molhados recém-lavados cheiravam bem e finalmente parecia limpa de toda a situação anterior. O ministro chamou a atenção dela.
- Eu me responsabilizo completamente pela fatalidade, srta. , e se me permitir, depositarei uma indenização generosa em sua conta em Gringotes.
- Miserável, como ousa oferecer dinheiro diante uma situação como essa?! - Harry gritou e foi imediatamente retirado do lugar. não parecia concordar ou discordar, ela mal parecia ter consciência.
- Além disso, é de minha responsabilidade entregá-la algumas cartas e objetos que seu pai deixara em seu nome. - ele entregou pela mesinha de centro várias cartas e alguns objetos embalados em pergaminhos.
- Pode explicar o que houve? - Juno, de braços cruzados atrás da garota perguntou.
- Indubitavelmente, Albion sabia muito mais do que qualquer outro funcionário do ministério a respeito de Sirius Black e outros assuntos confidenciais do interesse do Lord das Trevas. - ele pigarreou.
- Sirius Black?
- Albion trabalhava em um argumento de soltura para o rapaz Black há anos. Coletava informações aqui, ali... o dossiê estava completo quando lhe foi retirado à força. Alguns dias após sua viagem a Godric's Hollow, a trabalho, foi interceptado por alguns comensais identificados. Ele foi levado por eles até a caverna onde estávamos, onde foi mantido por alguns dias... - engoliu em seco.
- Foi torturado. - Juno disse quase cuspindo as palavras.
- Se permite que eu dê a minha opinião, srta. , saiba que o seu pai lhe amava muito. - ele disse, olhando-a nos olhos, vazios. - ele deu a vida por você.
- Por mim? - a voz frágil da garota saiu como um sopro. Seus olhos cheios de lágrimas agora pareciam tentar evitar chorar.
- Quando foi aprisionada por MacNair na câmara secreta, o seu pai assistiu cada segundo através dos olhos dele. Ele revelou as informações para que você fosse salva.
- A minha coruja...
- Foi interceptada, sim. Assim, o Lord das Trevas ouviu pela primeira vez o seu nome e encontrou o ponto fraco que precisava para conseguir induzir seu pai a falar algo. Sabe, Albion era o meu melhor funcionário de longe - ele disse olhando-a carinhosamente - era um homem incrível, um bruxo magnífico e realizava toda e cada tarefa com maestria. Ele nunca diria nada, mas disse por você.
- Não fale dele como se o conhecesse. - Juno disse com nojo. - e não fale como se a culpa não fosse sua. O controle que tem sobre seus funcionários é absurdamente baixo, você é nojento e repugnante e cada pedaço desse mundo está incrivelmente mais feliz por ouvir que você saiu do seu posto, finalmente, Cornélio. Sua ignorância ao duvidar do retorno de Voldemort levou seu "melhor funcionário" a morrer! Levou o pai dela à morte! - ela riu de nervoso - levou o meu marido à morte!
- Sparks...
- Por favor, não diga mais nada. Como ousa vir até aqui, até a casa de Albion e falar na frente das imagens, de tudo o que resta dele que o defendeu e sente muito pela morte dele? Como ousa oferecer ouro em troca de fazer calar a boca a respeito da sua falta de compromisso e da sua estupidez avançada? Vá embora!
- Eu sinto muito. - ele disse com olhos desesperados para - sinto muito mesmo.
- Vá embora, seu desgraçado! - Juno o acurraçou para fora. Recebeu o apoio de Molly, enquanto desabava no colo de Fred. Ela mal queria observar os itens à sua frente, pois lhe doía sequer ouvir o nome do pai, tampouco ler algo que ele mesmo escrevera. O ruivo tentava conter as próprias lágrimas ao ver sua garota tão destruída, completamente acabada. Ainda estavam ali Ron, Gina, Harry e Hermione; eles ofereciam todo o apoio possível à amiga, que passava por um momento que nenhum deles além de Harry conhecia.
Hermione segurava a mão da garota e Gina estava sentada respeitando o momento dela. chorava sem parar, e Harry parecia mais vazio do que o normal. Ela reconhecia a dor nos olhos dele, mas sabia que ele além de ninguém ali conhecia tão de perto quanto ela a dor da morte, principalmente de um ente querido. Para Hermione, por exemplo, tão racional, era completamente aceitável que a dor de fosse maior do que a de Harry, que nem mesmo chegou a conhecer os próprios pais. Mas para a própria , eles sofriam o mesmo tanto. Pois o vazio de perder um ente, pior, um pai ou mãe, era pior do que qualquer outro tipo de sofrimento que já experienciou em sua vida. Até mesmo a sensação de abandono de Abigail ou a própria ignorância quanto ao resto de sua vida. Sentia que estivera durante todo aquele tempo no escuro.
Molly e Juno conversavam sobre algo afastadas da sala.
- Acha que seria correto deixá-la sozinha aqui, nesse lugar cheio de lembranças dele?
- Não, mas que opção temos? - Juno suspirou. - ela não vai aceitar ficar comigo ou com você e muito menos com a mãe.
- Sobre isso, precisamos intervir de alguma forma. Aquela Abigail não vai aceitar que fique conosco ou sozinha, e sabemos que em um tribunal, ela teria razão.
- Convoque a ordem n'A Toca. Há muito para conversarmos...
- Juno - Molly colocou as mãos nos ombros da mulher á sua frente, a quem via tão carinhosamente como uma filha ou irmã. - eu admiro seu esforço e força de vontade ao máximo, sabe disso.
- Mas?
- Não pode evitar o luto, querida. - ela a olhou com olhos cheios de dor - tudo o que você tenta fazer aqui, com a , que agora tem tanto em comum com você... Tudo isso não vai te ajudar a esquecê-lo. Não pode preencher o vazio dele com ela, ou em pouco tempo isso vai se virar contra você.
- Não quero esquecê-lo, Molly. Não quero preencher o vazio dele com mais nada, eu quero vingá-lo.
- Isso também não vai ajudar!
- Não podemos falar sobre isso em uma outra hora? - a platinada suspirou olhando-a com pesar. Molly compreendia que inicialmente era impossível para Juno aceitar a morte de Sirius. Aquilo tudo se passara tão rápido, que ela ainda tentava digerir seu estado de negação; ela tentava deixar sua mente aceitar o fato de que nunca mais o veria, o tocaria ou sentiria a esperança de um dia chegar até ele e poder dizer o quanto o amava. O tempo deles era tão pouco...
Quando finalmente se reuniram, o destino o tirou dela. Uma das únicas coisas que lhe importavam; agora, restava , e Juno sentia que seu tempo com ela também estava próximo do fim. Sentia que a qualquer instante, a garota desmoronaria para fora de suas asas, onde podia protegê-la embora sentisse que mal conseguia proteger a si mesma, assim como não pôde proteger seu amor.
- Eu acho que devíamos ir.
- Deixá-la sozinha? - Molly a olhou com uma expressão absurda. - de forma alguma!
Elas andaram em conjunto para a sala, atraindo acidentalmente a atenção de todos presentes.
- , querida, por que não vem conosco? Não pode ficar aqui sozinha...
- Molly, não sabe o quão agradecida eu estou por tudo isso. - fungou esfregando seus olhos e tentando afastar algumas lágrimas. Ela forçou um sorriso e abraçou a ruiva. - mas eu não posso...
- Então vá com Juno!
- Eu realmente preciso de um tempo agora. - ela respirou fundo olhando tudo ao seu redor.
- Então eu ficarei. - Juno estabeleceu, olhando-a com certo pesar. - pelo menos por esta noite. A cerimônia em nome dele será amanhã, e eu ficarei aqui esta noite. Depois disso, decidimos depois, tudo bem?
assentiu. Os Weasleys se reuniram e Fred deu um último abraço apertado na garota, com um olhar vazio. Ele tentava dizer algo, carregava lágrimas o tempo todo e parecia muito querer dizer algo, mas ele não disse; ela viu que ele engoliu cada palavra junto com as lágrimas e se reteve. Harry e Hermione também se prontificaram a sair, pois precisavam retornar a suas casas trouxas. Ainda havia muito para resolver, e dentre tantos assuntos, o principal deles era sua mãe: era um problema que ela não queria ter de resolver, mas precisaria.
Quando todos saíam pela lareira, Juno foi até a cozinha adiantar algumas arrumações necessárias da casa enquanto se despedia de seus amigos.
- Nós estamos aqui, . Eu digo... sempre. - Hermione a abraçava forte. - por favor, não deixe de me escrever... qualquer coisa, está bem? Até mesmo um sinal de fumaça serve, só preciso saber que está bem.
- Eu vou escrever, não se preocupe. - forçava um sorriso fraco.
- , nós estamos juntos. - foi o único discurso de Harry. Pequeno, curto, pouco, mas significativo ao extremo. Ela sabia exatamente o que ele queria dizer, e deixou que aquilo entrasse em sua mente: sabia que não estava sozinha. Por mais que tivesse todas aquelas pessoas, ainda se sentia solitária e incompreendida, mas não por Harry. Ele sabia exatamente onde ela estava.
O último a sair foi Fred. Ele segurou as duas mãos da garota, que olhava para o chão. Não era costume dela abaixar a cabeça frente à nada, mas ele entendia que aquele momento exigia muito mais dela do que podia oferecer. Ele depositou um beijo carinhoso em sua testa, lançou um sorriso fraco e a abraçou. A cabeça dela afundou mais uma vez no peito dele, e as lágrimas tendiam a cair independente do que ela sentia no momento.
- Eu te amo, garota. - ele a olhou nos olhos, molhados e brilhantes. Ela sorriu. Aquele era verdadeiro.
No momento, não conseguiu corresponder os dizeres dele, mas ela assentiu e engoliu suas lágrimas. Fred não exigiu uma resposta e em fato não exigiu nada: ele desapareceu, como proposto, e prometeu escrever ainda naquele dia para ela. Pediu que ela não deixasse nenhuma carta sem resposta e que fosse visitá-lo quando estivesse disposta.
Ela respirou fundo, fechou os olhos e olhou pela janela. Lá fora fazia frio, a neve ainda cobria o chão e tudo parecia mais cinza do que o possível. Juno dormiu na residência dos naquela noite, e sentia cada vez mais o pesar do ambiente destruir seus pensamentos bons. Ela pensava em Sirius e não conseguia tirar a imagem dele de sua cabeça.
Pela primeira vez em anos, ela chorou.
não dormiu.

- x -


Todos faziam silêncio. Alguns choravam, suas lágrimas caíam e era possível se ouvir o som das fungadas de longe. O caixão, uma grande caixa retangular e branca, diferente dos caixões trouxas, ficava no nível ambiente. O nome "Albion " entalhado na tampa dava arrepios em , mas ao menos não se conseguia ver o rosto dele, ou qualquer parte de seu corpo; sua varinha, com a filha, foi colocada acima do caixão.
Dumbledore presidiu a cerimônia, inicialmente.
- Eu conheci Albion ainda pequeno, quando seus cabelos compridos lhe cobriam o rosto e faziam-no tropeçar; seus amigos caçoavam dele pelo visual e personalidade excêntricos. Soube desde o momento em que o vi que um grande futuro lhe esperava. Seu desempenho estrondoso, seu temperamento caridoso e uma alma tão pura quanto a leveza de uma pena: este era o pai, bruxo, auror, amigo e fantástico Albion. Uma das maiores honras é saber que fez tudo o que pôde para se tornar o melhor bruxo, a mais bela versão de si mesmo. Ele foi tudo o que fez, todos os seus feitos serão lembrados. Que seja eternamente feliz no lugar que lhe aguarda.
Alguns deles desataram a chorar quando viram abrir a boca. Fred a olhava fixamente, e também seus amigos.
- Eu nunca imaginei que, em todo o tempo de uma vida, precisaria enterrar o meu pai, mas aqui estou eu. Nunca fez sentido que coisa tal qual um pai ou uma mãe não sejam eternos; eu sempre estive envolta à ideia de que o meu pai era eterno, porque ele era o melhor bruxo que já conheci, e também um fantástico auror e homem. Ele era tudo o que eu tinha, e segue sendo tudo o que tenho. A única forma de vingá-lo é me tornar uma bruxa e uma pessoa igualmente bondosa, excepcional e extraordinária quanto era Albion ; carrego o nome, o sangue e um cabelo extremamente parecido com o dele, e espero algum dia poder me tornar mais próxima dele, assim. O paraíso o aguarda, papai. Eu te amo e sempre amarei.
Quando todos pareciam conversar entre si, Harry se aproximou de . Foi o primeiro a ter a coragem de dirigir a palavra a ela naquele dia.
- Algum dia vou me acostumar? - ela engoliu em seco.
- Não tenha dúvidas. - ele olhava para o caixão. - nunca vai esquecer, , mas vai conviver com isso.
Uma pausa silenciosa se instaurou por alguns instantes.
- Harry, há algo que eu preciso lhe perguntar.
Ele assentiu e então o olhou com olhos curiosos e uma expressão séria.
- Seria possível que, no mundo, algum outro bruxo tenha sobrevivido à maldição da morte além de você? Que tenha absorvido a maldição e mesmo assim não tenha sido o suficiente para matá-lo?
- Eu não saberia dizer... - ele a olhou curioso levantando a sobrancelha - por quê?
- Algo muito estranho aconteceu durante o duelo da Juno contra a Bellatrix, na mansão dos Malfoy... algo muito, muito estranho.
- Acha que resistiu à maldição da morte, ? - ele a olhou chocado. Ela parecia ficar cada vez mais nervosa com tantas vozes se misturando.
- Eu não sei o que aconteceu, ou o que deu em mim. Quando vi que Bellatrix Lestrange pretendia acertar Juno com a maldição, eu simplesmente me joguei na frente dela. Não pensei na possibilidade de morrer, não pensei em morte nem por um segundo: era como se eu não tivesse nada a perder, e então o feitiço pareceu... implodir?
- Você deve ter confundido o feitiço...
- Não, eu tenho certeza! - ela o olhou séria - tenho certeza, Harry...
- Pode ter ricocheteado de novo. Foi um ato bravo, você estava tentando entrar na frente dela!
- Não, não foi isso... - ela respirou fundo olhando para Juno do outro lado que a encarava atentamente. A mulher parecia ter o poder de sempre conseguir ler o que ela pensava; embora soubesse que não era verdade, imaginava que sobre aquele assunto, Juno sabia melhor do que ela.
- Eu prometo estudar isso com você, sim? Vamos descobrir algo sobre, e vai dar tudo certo. - ele a abraçou forte. Ela fechou os olhos por um segundo e então viu a platinada se aproximar; Juno envolveu os ombros dela carinhosamente e sorriu para Harry.
- Posso roubá-la só por um minutinho?
- É claro, professora.
Elas caminharam lentamente em silêncio por alguns minutos. Juno olhava para o chão como se ainda tentasse processar o que gostaria de dizer.
- Obrigada, .
A garota assentiu, sorrindo.
- Na minha cabeça, esse não é o momento mais propício para falarmos sobre isso - ela respirou fundo - mas acho que em algum momento eu precisarei começar de algum lugar, e sei que esse momento está cada vez mais próximo, já que agora você esboça essa expressão de dúvida sempre que olha pra mim... bem, venha comigo.
Elas andaram mais um pouco, na direção do que parecia ser a floresta negra - vista de um panorama completamente diferente daquele que se iniciava em Hogwarts. Juno entreolhou Dumbledore uma última vez antes de acompanhar a garota dentre as árvores. Era uma tarde nublada, aquela; os céus estavam incrivelmente escuros, as árvores faziam sombras esguias no chão, mas ainda assim podia-se ver o sol - como uma ostra no céu. Brilhava atrás das nuvens.
- Faz alguma ideia do porquê do nosso treinamento especial, ?
- Eu cheguei a pensar que talvez precisasse resistir a torturas piores do que as de MacNair em algum momento, ou que talvez o meu pai estivesse envolvido em problemas que não queriam me dizer. Não faz mais sentido agora que sei que quando estávamos treinando ele já... bem, ele...
- Você vai precisar resistir a torturas piores do que aquelas. - ela respirou fundo e olhou para o céu, as folhas das árvores se chocavam às vezes quando o vento batia. - infelizmente, é algo sobre o qual nem Dumbledore tampouco eu temos controle.
- Mas por quê?
- Queríamos treiná-la para resistir a qualquer tortura, , porque sabíamos sobre MacNair. Era muito claro para nós que através dele, você-sabe-quem enxergava tudo, e consequentemente o seu pai. Não haviam certezas, é claro, mas queríamos evitar a morte dele. - ela balançou a cabeça como se aquilo fosse doloroso. observou o olho da cicatriz de Juno, agora totalmente branco e provavelmente cego.
- Mas você não me trouxe aqui para falar sobre o meu pai. - ela completou, como se tivesse lido a mente da mulher ao seu lado, que assentiu olhando para o outro lado. Juno se concentrava nas árvores, como se tentasse encontrar uma forma de dizer o que queria.
- Sobre o que conversava com o Harry?
- Nada em especial, ele só estava me dando apoio.
- Isso não é verdade, é? - ela sorriu de canto. - , não me veja mal. Eu não sei sobre tudo o que se passa em sua cabeça e tampouco quero ser a mãe abusiva que tenta controlar sua vida por te fazer acreditar que sei tudo sobre você, mas eu também estava lá.
- Estava...
- Eu vi você receber aquele feitiço, eu te ajudei com a convulsão depois.
- Eu convulsionei?!
Juno riu de leve e se sentou em uma pedra. As roupas pretas da mulher eram um tom perfeito para aquela floresta no momento; também usava um de seus vestidos pretos, presente de seu próprio pai. Considerava isso uma das coisas mais tristes que fizera, usar um vestido que seu pai lhe deu no próprio enterro do pai era muito triste.
- , eu só quero que me ouça bem, ok? Eu não sou a pessoa certa para lhe dizer tudo isso que você é, mas preciso dizer que o seu pai gostaria que soubesse que é extremamente peculiar e especial.
- O meu pai...?
- Leia as cartas e tudo o que ele lhe deixou, está bem? Ele as escreveu porque queria lhe dizer ele mesmo.
- Mas...
- Eu realmente preciso ir agora, e sinto muito por isso, mas volte à multidão e não se esqueça do que eu disse: sua coragem é especial, assim como a de Harry, a de Hermione e até mesmo a de Ron.
- Juno, não me deixe aqui sem me dar uma explicação! - se agarrou ao braço dela, mas ela se soltou e então aparatou. - Juno! Droga, droga, droga!
Ela suspirou, se sentando na pedra e afundando o rosto nas próprias mãos. Era muito para se assimilar naquele momento, e ela sabia que todos a olhavam com pena; na cabeça dela, todos eles sabiam do que se passava dentro dela. Todos eles sabiam o porquê de ter sido tão torturada, o porquê de ter resistido ao feitiço, todos eles sabiam perfeitamente que sofria mais do que qualquer um ali pela morte do pai, e ela sabia que eles a enxergavam como um pequeno bebê, tão doce, mas em um mundo tão cheio e repleto de dor. O seu pai estava morto, ela não conhecia absolutamente nada sobre a própria vida e sobretudo sobre si mesma; era uma cidade fantasma, mas só havia uma solução para cada mistério daquele, e para a superação da falta de seu pai:
As Cartas.


Ato 2. O Príncipe Mestiço

Capítulo 9 - As Cartas

Algum tempo se passara desde a cerimônia de Albion. Naquela tarde, após todo o sofrimento e a dor inicialmente insuportáveis se cessarem, foi acompanhada até sua casa pelos Weasleys, que garantiram perguntar ao menos cinco vezes se ela não gostaria de passar suas férias n'A Toca, onde as memórias seriam menos massantes e ela poderia descansar os pensamentos. A garota prontamente recusou; queria absorver toda a dor, sofrê-la como devia. Sabia como o luto funcionava e sabia bem que se não fosse agora, talvez sofresse em um momento inoportuno. Ela queria ler a casa, sentia que tinha toda uma alma e que era importante estar presente naquele momento, por mais que soubesse que seria difícil. Ela tratou de despachá-los da forma mais gentil possível, agradecendo por toda a ajuda e tentando evitar contatos mais íntimos para que a "despedida" fosse mais fácil.
Inicialmente, ela respirou fundo permitindo que de seus pulmões sumisse o ar abafado e doloroso que carregava ao tentar segurar seu choro, que, por mais que insistentemente tenha tentado afastar, acabou caindo como a chuva que parecia acompanhá-la lá fora. Ela observou os arredores. Aquela sala era realmente bonita quando observada atentamente, apesar de simples. Seu pai não era um homem objetivo; ele gostava de decorações, gostava de exaltar sua família e sempre parecia disposto a adicionar um ou outro adorno que lhe agradasse a vista. Embora nenhum dos dois passasse tempo demais em casa, quando por fim nas férias podiam se encontrar, era o melhor tempo de todo o mundo: seus natáis eram pessoais, somente ela e ele, mas era incrível sentar-se na mesa com cadeiras para quatro, observar os cabelos grisalhos do pai presos em um coque alto enquanto ele usava um avental engraçado com um padrão de vassourinhas e cozinhava algo diferente, pois tinha a antiga tradição de nunca ceiar o mesmo prato, nunca.
se lembrava perfeitamente do sorriso e do dedo indicador do pai levantado quando tinha uma ideia e finalmente se aproximava dela com um papel e uma pena, onde tentava rascunhar tudo o que acabara de pensar. Às vezes, propunha uma viagem; outras, uma reforma caríssima na simples casa que, é claro, eles não poderiam bancar. Era incrível viver com ele, e somente ela sabia disso.
Suas lágrimas desciam incessantemente pelas mãos que apoiavam o rosto na testa, enquanto ela encarava o chão estática. Todo o silêncio enchia seus ouvidos como mais nada era capaz de encher; ela podia ouvir a chuva, podia ouvir o miado de alguns gatos que passavam por lá, mas nada daquilo parecia realmente importar. Seus ouvidos se fecharam completamente ao exterior.
Naquele dia e também nos próximos três, a garota se deitou no sofá agarrando o suéter de natal do pai e observou o teto. Contentou-se em aceitar as lágrimas e observar a textura diferente que o gesso tinha quando chegava nas quinas, ou quando fazia uma curva; ela não comeu ou bebeu nada, e quase não se levantou para ir ao banheiro também, salvaram-se poucas vezes.
Ela via o dia virar noite e passou a questionar lentamente se havia algum sentido na contagem das horas, dos minutos ou dos segundos. Para ela era tudo muito claro agora: o fim era o mesmo, então os meios não importavam. Não sentia a necessidade de continuar seus estudos ou ter algum futuro, ou algum objetivo; não havia mais nada disso em sua vida. Não havia nada exceto o sofá, o suéter, o teto e o gesso, o sol nas raras vezes em que entrava pela greta da janela e iluminava seu braço e a chuva, que parecia constante do lado de dentro embora nenhuma gota caísse do lado de fora. Suas lágrimas se secaram e ela não conseguia mais permiti-las. Suas olheiras, sua palidez; às vezes se pegava pensando no que todos os seus amigos diriam quando a vissem daquele jeito, mas não se importava. Era uma garota naturalmente baixinha e magra, mas conseguia notar ter emagrecido mais; sabia que se Albion estivesse ali, seria imediatamente reprovada, mas ele não estava.
Vez ou outra lançava um olhar cansado para as cartas na mesa. Ela precisava lê-las, mas ainda assim não sentia a mínima vontade de se sentar ou se levantar. Ela parecia ter criado raízes naquele sofá.
Comia às vezes, bebia às vezes, e se mantinha viva. Aquela era a sua vida.
O que lhe impulsionou a se levantar, logo no início do décimo quarto dia, quando a sede e a desidratação pelo pouquíssimo nível de água que bebera começou a atormentá-la foi . A coruja batia as asas desesperada em sua gaiola, e piava, piava alto... ela parecia reclamar. O barulho incomodava os ouvidos de o suficiente para a garota esbravejar infinitas vezes e se levantar furiosa, perdendo o equilíbrio e notando que estava realmente fora de si e provavelmente com a maior sorte do mundo por ter sobrevivido naquelas condições. Ela logo se acalmou ao ver que a coruja tinha toda a razão do mundo por reclamar: ela estava sem comida ou água, provavelmente há dias também.
- Eu posso morrer, mas você não tem culpa disso, tem? - a garota disse com a voz fraca enquanto abastecia o alpiste e a água na gaiola; bateu as asas, espirrando água e palha na garota e bicou o dedo dela com força, chegando a sangrar um pouco. gemeu deixando a água cair e se afastou no impulso, segurando seu dedo e levando-o à boca, tentando aliviar imediatamente. Ela olhou para o animal furiosa.
- O que está fazendo, mocinha?! Eu estou tentando ajudar! - ela suspirou abanando as mãos. Então olhou para a coruja novamente, que evitava a comida e parecia encará-la curiosamente. Não era ela quem tentava ajudar sua coruja, mas sim sua coruja que desesperadamente tentava salvar sua dona.
estava morrendo e parecia ser a única incapaz de perceber que sua vida havia sido reduzida a um sofá e um teto; ela respirou fundo e segurou o rosto. Sentiu imediatamente que precisava dar um jeito em tudo aquilo. Ela viu as cartas acumuladas em sua porta e não sabia bem o que pensar; não fazia tanto tempo, era pouco mais de duas semanas, mas todos já pareciam desesperados por notícias dela. Seu caso era sério, ela sabia, mas o que poderia fazer?!
E então uma série de providências foram tomadas. A garota decidiu antes de tudo tomar um banho, um longo e quase infinito banho que alegrou até a última gota de sua alma. Lavou os cabelos, que agora cheiravam a lavanda e tinham um brilho repentino quase nunca notado anteriormente. O castanho clarinho quase loiro parecia brilhar no sol, agora que decidira abrir algumas das janelas; ela desceu as escadas e preparou algo que aprendera com a mãe: um prato chamado lasanha. Era algo muito estranho para alguns bruxos, mas não para ela; e aliás, era uma das maiores delícias que conhecia. Preparou uma inteirinha só para ela, e a colocou no forno. O cheiro enchia suas narinas enquanto ela pegava as cartas no assoalho e as jogava sob a mesinha de centro, separando aquelas que eram de seu pai das outras.
Ela deu prioridade primeiro para sua mãe.

Filha,
Eu não poderia expressar meus sentimentos de forma alguma. Eu sinto tanto, mas tanto, querida! Molly me notificou, e então recebi também uma carta do ministério. Não se preocupe, pois entendo muito bem suas razões para não ter me contado. De toda forma, não quero me demorar: preciso encontrá-la urgentemente, com certeza, ainda mais depois dessa notícia. Estou preocupada e preciso saber como você está; há também algumas outras coisas que precisamos discutir. Me notifique quando estiver disponível para me encontrar, e por favor, não demore!


Ela riu de nervoso ao se lembrar da falta de consideração de sua mãe. A mulher parecia não notar a imensidão do que se instalava na vida da garota agora, e tratava com certo desprezo a morte do pai de tal forma que a vontade de respondê-la era mínima, ainda mais sabendo que possivelmente teria de enfrentar o longo assunto sobre morar com ela e Leo, e talvez tentar desenvolver-se no mundo humano, deixando para trás tudo o que era seu por direito e de costume, tudo o que vivera com o pai no mundo bruxo. Teria de ignorar o fato de que a mãe sempre fora ausente, a vida toda, desde sempre? Teria de encará-la todas as manhãs e dizer bom dia para a mulher que sequer lhe perguntava como estava, às vezes? Para , ser filha de Abigail às vezes era um fardo que ela não gostava de carregar. Ela amava a mãe, e aquela era a pior parte: sempre soube que seu amor era pouco recíproco, e que sua mãe era uma mulher extremamente fria e indiferente à ela. Enxergava mais maternidade em Juno do que na própria mãe, para ser sincera. Ela suspirou, pois não sabia bem como colocar palavras gentis na resposta. Gostaria de simplesmente poder não respondê-la, mas respondeu, curta como pôde ser que poderia encontrá-la na próxima semana.
Havia uma carta assinada por "Ordem da Fênix", provavelmente escrita por Molly - graças à belíssima caligrafia - e preocupada, um tipo de apoio que todos os membros da ordem tentavam oferecer mesmo que distantes. Uma pequena lágrima se alastrou pelo lado esquerdo do rosto de quando seu primeiro meio sorriso apareceu, ao ler tantas palavras bonitas que ela mal imaginava ouvir algum dia; eles realmente se preocupavam com ela, e fariam o papel da família que tanto precisava agora, que a própria havia sido desfalcada até a base.
Então, uma carta que ela não esperava apareceu dentre os montes. Alvo Dumbledore.

Minha querida ,
Eu gostaria muito que algumas coisas pudessem ter sido diferentes. Imagino que você também tenha isso em mente, principalmente agora, nesse momento fúnebre e doente; mas não se acanhe ao procurar a felicidade: seu pai era um dos maiores bruxos que já conheci, sem dúvidas um dos meus melhores alunos de todos os tempos e com certeza absoluta o melhor auror, e o mais dedicado pai que conheci. Ele era um homem incrível, extraordinário e excêntrico, e isso, minha querida, você herdou; você é forte como nunca imaginaria ser, e se tem a força suficiente para ler esta carta, tem a força para se reerguer e mostrar ao nosso velho e grande Albion que o que ele sempre sonhou ainda é uma realidade. Acredite, tudo o que o seu pai pediria a um gênio, se lhe concedessem três desejos, seria que se formasse, conquistasse tudo aquilo o que sonha e que se tornasse a melhor bruxa que pudesse ser.
Acredite também quando digo com toda a sabedoria que recolhi durante meus longos e centenários anos que a senhorita está no caminho certo para esse objetivo. Seu pai se orgulharia de você, , se a visse nesse mesmo instante, e por isso, não desista. A luz está presente mesmo nos mais fundos e aterrorizantes túneis, e nós somos os únicos responsáveis por trazerem-na à tona. Fique bem, e não hesite em solicitar minha ajuda se precisar de mim! Você tem o meu total apoio.


chorava aos soluços, a este ponto, e limpou logo o rosto antes que as lágrimas tornassem a tinta no papel ilegível; abraçou aquele pergaminho e permitiu que seu coração se acalmasse. Ela era muito grata por Dumbledore, pelo carinho absurdo e o amor que o diretor tinha por ela e por todos os seus alunos. Era um dos homens mais incríveis que conhecera, sem dúvidas, e se sentia honrada pelo apoio que recebia dele. Mesmo pela carta.
Ela a guardou dentre as outras e puxou a carta de Hermione.

,
Me desculpe se tiver demorado para escrever, a viagem foi longa e muito me aconteceu, mas não foquemos nisso agora. Sei pelo que está passando, minha amiga, e eu prometo estar aqui a todo instante que precisar de mim! Eu posso não estar disponível pessoalmente, mas eu sempre estarei escrevendo e me preocupando com você, e sempre vou pensar em você todas as noites antes de dormir, está bem?!
Se lembre da garota aí dentro, aquela forte que reside em você. É uma guerreira, , como nenhuma outra que eu tenha conhecido. Confio muito nas minhas habilidades e conhecimentos, e ainda assim reconheço você como um exemplo que devo seguir; você é uma das garotas mais incríveis que aquela escola já presenciou, e eles não seriam páreos para sua grandeza. Seja forte como sempre foi, e renasça das cinzas, assim como uma fênix. Sempre achei você extremamente parecida com elas, pra ser sincera. Me conte o que está havendo!
Não me deixe no escuro!


Ela sorriu e redigiu sua resposta imediatamente, deixou a carta resposta separada, pois ainda haveria mais respostas e ela gostaria que entregasse todas elas ao mesmo tempo. Passou para a próxima, que pertencia à Harry.

Querida ,

Foi complicado conseguir enviar isso graças aos meus tios, mas eu consegui, por fim. Admito estar um pouco preocupado com você, mas confio que saberá a decisão certa a se tomar; eu gostaria de dizer que a sensação horrível que te consome agora desaparecerá com o tempo, mas infelizmente ela nunca irá. Sempre irá conviver com uma falta que não saberá explicar, mas posso confirmar com toda a propriedade que nós, seus amigos, os Weasley, Hogwarts... Todos nós seremos a sua família, assim como sempre fomos. Família é quem sempre está, quem sempre cuida, e nós sempre estaremos lá para isso tudo e até mais um pouco. Sabe que para mim é complicado dar um jeito de sair daqui durante as férias, mesmo agora, mas sabe também que sempre que precisar deve me escrever, e eu farei o impossível para conseguir ir até você.
Sobre aquele assunto que tratávamos há algumas semanas atrás, precisamos conversar. Talvez Hermione tenha uma teoria funcional a respeito disso, e eu cheguei a pensar em algo, mas as cartas não são seguras como você certamente já sabe e precisamos conversar pessoalmente. Até que isso seja possível, reconsidere contar os fatos à Hermione também. Sei que ela não pensaria duas vezes antes de ajudar, e mesmo que ache perigoso, a curiosidade dela não vai permitir que deixe esse assunto inacabado. No quesito pesquisa, ela reina. Nós podemos pedir ajuda.
De toda forma, por favor, , seja forte. O mundo é muito maior do que qualquer dor. Existe beleza aqui também, lhe asseguro. Embora agora seja muito difícil enxergar, você vai encontrar a própria luz quando precisar em um momento de fraqueza. Não deixe de me escrever quando puder, está bem?
Harry Potter


Respirou fundo, pensando no que o amigo dissera. Desde que se deitara no sofá e decidira viver à base do mínimo necessário, ela se esquecera completamente de tudo o que viera antes da morte de seu pai. Ela não se lembrara de toda a teoria, de ter ricocheteado o feitiço, não se lembrava das cartas que Albion deixara e ela automaticamente jogara em cima da mesa na esperança de esquecer (com êxito); ela sentiu os pulmões se encherem do ar puro que sua casa tinha. Olhou para as cartas mais uma vez enquanto respondia à carta de Harry, e então andou até a janela que abriu pela primeira vez depois de tanto tempo. O sol entrou completamente, como se invadisse o local; suas lágrimas haviam secado, embora ela ainda sentisse tanta vontade de chorar. A larga extensão de campo verde e sadio, com uma grama maravilhosa e macia e muitas, muitas flores instigavam os sentidos de a sorrir; ela não conseguia, mas esboçava uma pequena linha entre seus lábios sempre que se lembrava dela mesma aprendendo a usar uma vassoura aos talvez cinco anos, naquele mesmo campo com o pai. Sua casa era isolada, mas ainda assim se conseguia ver a vila há alguns quilômetros dali.
Não era plausível andar até lá, já que era bem longe, mas ela sempre podia usar sua vassoura e era assim que seu pai lhe ensinava. Eles voavam até a vila para almoçar aos fins de semana, e ele pilotava a vassoura; na volta, ela pilotava. Esse era o grande motivo pelo qual a garota sempre fora uma boa aviadora. Nunca teve medo de altura.
Ela fechou os olhos abrindo todas as outras janelas e permitindo que o cheiro maravilhoso de sua lasanha entrasse em suas narinas. Enfim comeria algo.
Havia tanto a se fazer, e ela se focava na pequena atividade deliciosa e necessária de provar o gosto maravilhoso da lasanha, que parecia mais gostosa do que nunca já que passara tanto tempo comendo tão pouco. Ela se sentiu revitalizada, e embora a vontade de chorar fosse grande, voltou à sala.
Se lembrou por um segundo do vovô And, que não se mostrava em seu quadro desde que ela chegara. Talvez estivesse ocupado demais, mas era no mínimo estranho que mal tivesse vindo dar as condolências à jovem. Ela se sentou no sofá, encarando as cartas de seu pai. Haviam três delas. Uma, ou seja, a terceira, parecia ter sido escrita no desespero e correria de um homem à beira da morte; ela não sabia se era capaz de lê-las ainda. Aquilo parecia muito para a sua cabeça recém-recuperada.
Abriu a primeira.

,
Preciso que você entenda que há coisas que precisamos fazer por aqueles que amamos. Coisas que, nem sempre, gostaríamos de fazer. Eu tive que fazer muito por você, e dar muito de mim por tudo isso. Se está lendo isso agora, provavelmente estou morto agora, e por isso lhe devo um pedido de desculpas por não poder proteger você. Entretanto, eu sei que fiz o meu melhor, sendo você a coisa que eu mais amo em todo o mundo.
Eu estou morto, , e isso joga nas suas costas uma responsabilidade que eu gostaria que nunca precisasse ter. Você vai precisar lutar por nós dois. Sei que dividíamos esta tarefa, eu comigo e você com você, mas o mundo não é justo e te tirou de mim – e enquanto nós dois não nos encontrarmos novamente, em um lugar muito melhor e suponho que bem mais velhos, você precisará ter a força que nenhuma outra garota da sua idade precisa. Sei que tudo é confuso e sombrio sem a luz celeste de um pai por perto, ou alguém em quem se apoiar, mas também sei que ao longo desta vida, cativou muitas pessoas das quais vale à pena lutar por, e acredito que sirva de incentivo para você agora que não mais posso servir.
, sei que as coisas são difíceis de compreender agora que está cega, mas preciso que saiba que você não é uma bruxa comum. Você tem uma doença, filha. Uma anomalia. Um tipo de doença para a qual não se há cura ou tratamento, algo que cresce dentro de você. Algo que o Lord das Trevas daria muito para possuir. Não posso me delongar, já que agora nada sou além de um velho e orgulhoso pai falecido, mas preciso que compreenda que a sua situação é extremamente perigosa: e você precisa se atentar a tudo. Precisa avaliar todas as possibilidades, precisa ser cautelosa a cada passo, não pode confiar em ninguém além de si mesma e algumas ressalvas, e o mais importante: não pode duvidar da sua capacidade de desvendar seu próprio enigma como eu duvidei da minha.
Passei quase a minha vida inteira tentando ajudá-la, querida, mas eu receio não ter conseguido nada além de um pouco de avanço mínimo. Não é algo pelo quê o corpo físico morre, mas algo pelo quê sua alma vai lentamente se deteriorar enquanto puder, e enquanto restar algo da sua essência para devorar.
Nunca se esqueça, minha garota, de que amo tanto quanto confio em você.
Albion Stonehardt.


A garota respirou fundo passando as mãos pelas bochechas e afastando as intensas e vorazes lágrimas. Quase podia ouvir a voz do próprio pai, quase podia sentir o cheiro dele ou o toque de suas mãos em seus cabelos dourados como o próprio sol; sentir falta dele era a pior sensação que conhecera, mas um sentimento novo que se alastrava lentamente por sua espinha agora se assemelhava: o arrepio frio, temor, pavor. A afirmação que o pai a deu foi a de que estava doente e, eventualmente, morreria. Aquilo no mínimo a apavorava; não sabia o que fazer, o que Albion queria dizer quando se referia a ela como “anomalia”? O que ele queria que ela fizesse quando pedia que lutasse? Talvez tudo aquilo tivesse algo a ver com suas convulsões, ela imaginava.
Sem ter tempo sequer para respirar, segurou a outra carta e rasgou o envelope sem dó. O papel de pergaminho envelhecido, redobrado milhões de vezes e quase caindo aos pedaços tinha uma série de rabiscos e alguma linguagem que ela mal compreendia, mas não era capaz de sequer enxergar as letras. No centro, havia um símbolo. Algum tipo de letra A, mas com vários apetrechos e circulado por um círculo torto. As letras eram vermelhas o que estremecia até o último fio de cabelo da garota. Ela deixou de lado, sabendo que também não seria capaz de desvendar nada daquilo no momento.
Seu coração se quebrou em milhões de pedaços quando descobriu que a próxima e última carta também não tinha nenhum parágrafo de seu pai, nada além de uma humilde frase escrita à mão – de forma corrida, as letras trêmulas e as marcas de que o papel estava molhado indicavam que aquela carta havia sido tirada do paletó de seu pai morto e colocada em sua caixa de correio. Seus olhos se fecharam com força enquanto ela levava as mãos à cabeça com uma expressão dolorosa e lágrimas nos olhos. Deixou que o grito saísse, para só então se acalmar e agarrar a carta novamente, rasgando o envelope e vendo a frase no meio do papel uniformemente rasgado.
“Pergunte vovô And sobre A Ala”

Era tudo o que o papel dizia. Nem sequer um “eu te amo”. compreendia: o pai não tinha tanto tempo antes de morrer, não tempo o suficiente para escrever tanto em um papel. Talvez tivesse questão de segundos antes de seus pulmões respirarem uma última vez. Aquilo doía, e doía de uma forma que só ela conhecia. Ela observou a parede, mas Ander não estava em nenhum lugar de seu quadro; mesmo em um momento como aquele o velho ainda seria capaz de deixá-la sozinha? Aquilo a deixava curiosa.
Bateu algumas vezes no quadro.
- Vô And? – ela disse, voltando a bater algumas repetidas vezes, ignorada por completo; sabia que ele possivelmente podia escutá-la.
deu um salto assustada quando alguém bateu à porta da frente de sua casa. Seu impulso inicial foi o de começar a esconder todas as cartas no baú da sala, onde originalmente seu pai guardava livros. Tossiu algumas vezes com a poeira e o cheiro de mofo e afundou todas as cartas de forma que pudesse fechar o baú abarrotado de coisas e começou a ajeitar a sala, bagunçada e cheia de pergaminhos. Mais três batidas foram ouvidas na porta.
- Já vai! – ela disse cobrindo a lasanha com um pano e se ajeitando. Foi até a porta. Seus cabelos haviam crescido consideravelmente para pouco tempo, os prendia em um coque alto e deixava que o resto escorresse pelas suas costas; os olhos apesar de fundos tinham um brilho diferente agora, e Fred foi capaz de perceber assim que a observou pela primeira vez,
Ele tinha um olhar pesaroso como se se sentisse culpado por tudo o que houve com ela. Respirou fundo dando alguns passos à frente e abraçando-a fortemente contra seu peito. não hesitou em envolvê-lo com seus braços firmemente, e apesar de tentar conter as lágrimas, ela se sentia incapaz no momento. Deixou que tudo o que precisava que escorresse, escorresse, por mais que estivesse sujando o novo suéter por Molly Weasley do garoto. Ele apoiou sua boca no topo da cabeça dela e fechou os olhos se contentando em sentir o cheiro de lavanda que os cabelos da garota exalavam. Sorriu de canto.
- É bom ver você ,pequena .
- x -

Fred se sentou em uma das cadeiras da cozinha deixando três vasilhames enormes em cima da mesa dela.
- Você sabe como a minha mãe é.... Mandou tudo isso pra você. Torta de amora silvestre, essas tripas nojentas de cordeiro com ervas finas e um pedaço do pernil envelhecido que Carlinhos nos enviou da Romênia.
- Carlinhos ainda está na Romênia? – ela riu. – achei que ele viajava por todo o mundo.
Fred ergueu uma sobrancelha e a olhou analítico.
- O que é que você tá escondendo, ? – tombou a cabeça para o lado. – você nunca se interessou pelas viagens do Carlinhos...
- Eu sou tão péssima mentirosa assim? – riu. – desculpa, Fred. Eu só tô cheia demais.
- Eu sei. – ele a puxou para perto de si, abraçando-a. passava seus dedos delicadamente pelos cabelos alaranjados do rapaz que parecia crescer cada vez mais à sua frente; os olhos sorridentes do Weasley desapareceram quando ele afundou a cabeça em sua barriga, fazendo-a abraçá-lo contra si.
- Está tudo bem. Eu vou conseguir lidar com isso, eventualmente. – ela suspirou. – eu só sinto muita falta dele.
- Meus pais ainda não sabem o que fazer. – ele disse passando as mãos pela cabeça. – acho que todos concordamos que seria bem mais confortável pra você se eu viesse sozinho, mas estamos todos preocupados com você.
- Eu sei. Desculpa. – ela se afastou ligeiramente do rapaz se sentando na poltrona a frente. – eu nem sei como me desculpar com a tia Molly, eu sei que ela vai estar... poxa, ela deve estar morrendo de preocupação.
- Remo insistiu pra ela confiar em você, que não faria nada de errado e que ia conseguir sair dessa sozinha. Ele disse que essa era a parte principal. Já o meu pai sugeriu que a gente viesse mesmo que você fosse ficar meio contrariada.
riu de leve; Fred acabou cedendo ao sorriso aquecedor dela e riu também.
- Como sempre... – ela balançou a cabeça. – tio Arthur e suas tendências trouxas!
- Sim. – riu. – bem, no fim das contas, eles chegaram ao consenso de que só eu devia vir. Se quiser eu não fico, mas...
cruzou os braços erguendo as sobrancelhas.
- Eu quero que você fique, Fred. – se agachou indo até ele. Apoiou a cabeça no joelho do rapaz, sentado no sofá; ele sorriu quando ela fechou os olhos parecendo aliviada por alguns segundos; acariciou os cabelos claros dela e se ergueu um pouco na direção da garota, unindo suas testas. De olhos fechados ele soltou um suspiro leve. Era raro ver Fred tão sério quanto naquele momento, mas a garota duvidava que mesmo ele e o irmão pudessem agir diferente em uma situação como aquela.
Ele ergueu o rosto dela posicionando o indicador no queixo da garota; olhou para os olhos dela atento.
- Eu fico. – ele sorriu. – mas , eu preciso mesmo que você me diga o que está acontecendo... eu só posso te ajudar se eu realmente souber do que se trata.
Ela tentou insistir em sua expressão mais dura, mas não conseguia disfarçar. Seria incapaz de fingir estar tudo bem para Fred. Ela pensou por alguns segundos, divergia o olhar entre um olho e o outro do rapaz. Ele ergueu as sobrancelhas fazendo um biquinho suplicante e ela suspirou, cedendo a ele. Pensou que talvez fosse mais fácil desvendar tudo com a ajuda de um dos únicos a conseguirem roubar algo da sala de Filch, e manter o mapa do maroto em mãos por tantos anos sem sequer ser descoberto. Se havia alguém no mundo que pudesse ajudá-la com algum mistério, na falta de Harry, Hermione e Ron, esse era Fred.
- Tudo bem. – ela respirou fundo. – são coisas muito superficiais, por enquanto não consegui supor nada. – engoliu em seco abrindo o baú e tirando as cartas do pai; as estendeu na mesa de centro se sentando no tapete no chão, do outro lado da mesa. O ruivo se apoiou na mesa observando atento as cartas e então posicionando seus olhos castanhos e curiosos no rosto da garota. Queria ouvir o que ela tinha a dizer.
- Sim?
- O meu pai deixou algumas coisas pra mim. – ela empurrou as cartas para ele. – você não precisa ler se não quiser, mas basicamente disse algo sobre uma doença, algo que Voldemort desejaria muito possuir. Algo que eu supostamente tenho. Quando li isso, eu automaticamente relacionei ao incidente no salão comunal, com os blecautes e as convulsões... talvez ele não esteja errado.
- Espera. – ele a olhou. – por que acha que ele pode estar errado?
- Bem... o meu pai estava envolvido com um tipo de investigação extremamente exaustivo há um bom, bom tempo. Comentaram sobre ele trabalhar na soltura do Sirius antes de... – engoliu em seco olhando para as cartas. Suas mãos se uniram e ela fechou os olhos. – bem, antes de pegarem ele.
- ? – Fred a olhou parecendo preocupado. Segurou a mão da garota. – não precisa fazer isso se não se sentir bem...
- Não. – ela soltou a mão dele pegando o pequeno pergaminho escrito à mão. – o problema disso tudo é esse pequeno bilhete. Ele escreveu de última hora, parece até ter escrito logo antes de ir, se quer saber. Diz “pergunte vovô And sobre a Ala”, mas o vovô não aparece no quadro e... eu não faço ideia do que seja A Ala.
Fred olhou analítico para o quadro do avô de e então para a carta.
- Acha mesmo que tudo isso tenha a ver com sua suposta doença?
- Eu tenho certeza, Fred, mas agora entra outro problema. Eu preciso saber o quê exatamente isso tem a ver com que doença.


Capítulo 10 - Inocência

- Talvez eu e George possamos ajudar. Eu não sei. – ele disse coçando a cabeça e observando mais uma vez o papel em suas mãos. Sentiu algo apertar seu estômago quando finalmente notou o quão rabiscada era a caligrafia e o quão rápido aquilo parecia ter sido escrito. Pensou em Albion. Pensou em sua expressão gentil aos cafés da manhã. Suspirou, voltando a si quando observou a garota à sua frente se levantar. parecia impaciente desde a hora em que ele chegou.
Fred supôs que a namorada tivesse tentado contato com Ander milhões de vezes, mas o quadro nem sequer dava sinais de vida. O vovô desapareceu no pior momento possível. Conhecendo sua cria como conhecia, ele sabia que a paciência já não era um forte dela. Em tais circunstâncias seria impossível exigir.
- Ei. – ele se aproximou quando viu ela batendo no quadro algumas vezes, como se tentasse chamar a atenção do avô. Segurou os cotovelos dela carinhosamente encaixando seu rosto no ombro da garota; ela cruzou os braços aguardando uma resposta que não obteve.
- Droga. Ele precisa sumir assim?!
- Nas piores horas. – o ruivo complementou depositando um beijo no ombro dela. – é a lei, . Mas você precisa se acalmar, o que acha? Pode se deitar um pouco, eu trouxe uns sapos de chocolate e...
o interrompeu com uma risada entre um beijo; algo que começou de uma forma incrivelmente terna, suas mãos no rosto dele acariciavam-no enquanto ela se separava dele o observando. Os olhos castanhos e travessos dele estavam fixos nos oceanos dela. Fred se sentia abatido perto dela, mas aquilo não significava nada em um momento como aquele. fechou os olhos um pouco atônita.
As sobrancelhas dela se fecharam um pouco em uma expressão um pouco dolorosa e então rapidamente se transformaram em um risco malicioso. Fred não sabia em qual daquelas mudanças de humor repentinas acreditar, mas a última expressão que viu conseguiu trazer à tona o desejo que sempre escondeu sentir da garota. Agora sua garota, estava em sua frente; tinha olhos tempestuosos e exteriorizava cada pequena parte de seu temperamento em mudança constante. Em alguma vez, se lembrava de ter lido sobre os tais “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” em um dos livros trouxas que seu irmão, Carlinhos, trouxera do Brasil.
Aquela era sua agora. Uma representação fiel de Maria Capitolina.
Ele respirou fundo tentando obrigar seus impulsos a se interiorizarem novamente, mas foi incapaz quando a loira se aproximou do rosto dele novamente. Ela olhou para os lábios dele, então para os olhos, hipnotizados; soltou um leve riso cujo ar quente bateu contra o rosto dele. Sorriu de canto e se aproximou do ouvido do rapaz; suas mãos se apoiavam nos ombros dele, a garota se colocava na ponta de seus pés. Ela envolveu suas mãos no pescoço dele, as unindo atrás, na nuca.
- Eu preciso de você, Weasley. – ela disse apoiando seu rosto no dele. Os olhos fechados que causaram uma instantânea reação do corpo dele, além de um suspiro sutil e caloroso. Fred subiu suas mãos lentamente pelas coxas da garota até pousá-las em sua cintura, absorvendo cada parte que podia daquele momento.
- Eu estou aqui. – ele sussurrou de volta. sorriu.
- Não aqui.
O ruivo empurrou firmemente a cintura da garota contra a parede, fazendo com que o quadro de Ander balançasse um pouco e ameaçasse sair de sua posição. Os olhos famintos dela o observavam de cima a baixo enquanto a garota mordia seu lábio inferior; Fred sorriu malicioso a beijando intensamente, talvez como nunca antes. Suas mãos rapidamente se posicionaram nas coxas de , a erguendo ainda segurando-a contra a parede; a garota envolveu a cintura do rapaz com as pernas enquanto suas mãos se entrelaçavam em seus fios avermelhados. Sentia a excitação dele entre suas pernas, aquilo a fez perder a cabeça.
A loira o puxou para mais perto de si, eliminando qualquer espaço que existisse entre eles; Fred a apoiou em seu colo enquanto subia as escadas cautelosamente, procurando pelo quarto dela – que já conhecia. Abriu a porta com as costas sem interromper o beijo deles, que já parecia capaz de deixá-los sem fôlego dadas as circunstâncias. Ele fechou a porta atrás de si enquanto erguia suas mãos pelo pescoço dele, se enlaçando nos fios ruivos que tanto lhe fascinavam. O Weasley a carregou até sua cama onde a deitou. Acendeu o abajur ao lado deles que pouco podia iluminar, mas serviria melhor do que uma luz escandalosa; o ambiente rapidamente se tornou levemente amarelado e lhes pareceu servir bem.
parecia impaciente, mas ao mesmo tempo queria que tudo aquilo fosse tão lento quanto pudesse. Ela precisava de Fred, precisava do corpo dele naquele instante; precisava de algo que lhe lembrasse estar viva, de todas as formas possíveis. Ela observou o olhar dele sobre seu corpo, sentiu as mãos do ruivo lentamente subirem por baixo de sua blusa e então foi tomada por mais um beijo intenso e caloroso. Sentia o frio subir pela sua barriga acompanhado pelo calor da pele das mãos dele contra a dela. Fred acariciava o contorno de sua cintura com as pontas de seus dedos e subia sua blusa à medida com que suas mãos alcançavam a ponta dos seios da garota. Ele fechou os olhos com um sorriso satisfeito e mordeu o lábio ao notar que ela não usava sutiã.
Fred desceu seus beijos pelo alto do maxilar dela, iniciou a trilhar um rastro com sua boca até o queixo dela. , por sua vez, deixava que sua cabeça tombasse levemente para trás e leves suspiros acidentalmente surgiam de sua boca. Eles serviam para que o ruivo tivesse a melhor noção dos arrepios e sensações que causava em sua garota, ao mesmo tempo que tinham a capacidade e o poder de aumentar a excitação dele a níveis absurdos; sorriu de canto ao perceber a expressão dele se tornando cada vez mais descontrolada. Colou sua boca no ouvido dele enquanto sentia o cheiro de seus cabelos, o Weasley separou seus corpos por alguns segundos enquanto terminava de remover a blusa dela e jogá-la para trás.
Observou os olhos dela com urgência, e então suas orbes castanhas se concentraram na nova pele descoberta. Olhava para que tinha um olhar completamente entregue a ele, suas mãos apertaram sua cintura; ele mal podia conter sua vontade absurda de tê-la naquele mesmo momento, sem pensar duas vezes nas consequências.
aproveitou sua chance tendo noção de que Fred estava completamente hipnotizado pelo seu corpo e o envolveu com suas pernas; ele cedeu, se sentando apoiado na cabeceira da cama enquanto a garota se ajeitava no colo dele; suas mãos automaticamente seguraram os quadris dela fortemente a puxando para perto de si, olhou para os lábios dela por alguns segundos antes de tomá-los novamente. sentia as mãos dele subirem por baixo de sua saia e alcançarem o topo de sua calcinha. Ela tombou sua cabeça para trás deixando que seus fios loiros pendessem por ali, Fred apoiou as costas dela enquanto sua boca se concentrava nos seios da garota. Não queria passar despercebido por ali, admitia que estava completamente perdido por partes, mas os dois pareciam seguir uma sintonia absurdamente perfeita. Era quase como uma orquestra que trabalhava perfeitamente junta; sentia a respiração ofegante dela começar a tomar o ar quando a loira se apoiou em seu ombro, ele sentiu o contato entre suas partes e suspirou levemente. A segurou em seu colo a deitando à sua frente na cama e apoiando suas mãos ao lado do corpo dela enquanto começava a trilhar um caminho carinhoso por sua barriga. Ergueu a saia dela, suas mãos apertaram suas coxas e ele perdeu o fôlego por alguns segundos quando finalmente pôde observá-la completamente nua e entregue a sua frente. Todos os detalhes, jurava, todos eles eram perfeitos ali. Sua boca instintivamente procurou o meio das pernas dela, ainda por cima de sua calcinha; se agarrou aos lençóis ao seu lado e fechou os olhos, mordeu o lábio inferior evitando que alguns sons saíssem por ali. Fred sorriu de canto observando a reação dela e desde então, não tirou seus olhos do rosto dela. Suas expressões, o prazer escancarado em seu rosto, tudo aquilo o excitava ainda mais; tirou sua camisa a deixando de lado e suas mãos tomaram as extremidades da calcinha dela, lentamente removeu a peça pelos pés da garota e a deixou de lado. Retornou a sua posição inicial. Agora, sentia o contato de sua língua com perfeição. Cada movimento parecia mágico, seus olhos se fecharam instintivamente e ela se ergueu levemente, deixou que uma de suas mãos descesse até o cabelo do ruivo e se entrelaçasse por ali. Ele, por outro lado, deixou que seus dedos o ajudassem entre as pernas dela. A loira apertou seus fios ruivos e mordeu o lábio deixando soltar um gemido intenso quando sentiu seu orgasmo vir. Ela não lhe deu tempo algum antes de puxá-lo para seus lábios novamente; a garota parecia ainda mais intensamente provocante agora que seu corpo demonstrava certa sensibilidade. Ela sorriu contra o beijo dos dois, estava feliz por estarem ali. Por algo, ao menos, estar dando certo em sua vida no momento.
- ... – ele sussurrou contra o ouvido dela como se estivesse pronto para lhe fazer um pedido honroso. Ela abriu a boca para respondê-lo, mas foi interrompida pelos sons da lareira no andar de baixo e pela voz autoritária que ambos ouviram.
- ? – Juno se ergueu olhando ao redor. Perder a visão em um de seus olhos a estava enchendo de ódio ultimamente. Não conseguia enxergar o outro lado da sala sem virar seu rosto; procurou por vestígios da garota e se preocupou instintivamente ao ver alguns papéis revirados pela mesa de centro. A platinada tirou sua varinha olhando com certa suspeita para o resto do ambiente.
- Isso é a Sparks?! – Fred sussurrou um pouco incrédulo. Ele fez um bico enorme quando viu colocar o dedo na frente da boca pedindo que ele fizesse silêncio.
- , você está aqui? – ela insistiu. Podiam ouvir os passos dela pelo andar de baixo, então a loira suspirou desistindo de esperar que fosse embora.
- Se deixá-la assim, ela vai se preocupar. – ele afirmou, segurando o rosto dela. – não se preocupe, , sabe que eu posso desaparecer. – Fred piscou sorrindo. fez uma expressão um pouco entristecida por precisar vê-lo ir, mas de alguma forma, concordava com ele. Agradecia por ter um namorado tão perfeito.
- Você está certo. – ela confirmou dando um beijo carinhoso no nariz dele. Fred ergueu sua varinha e fez com que as roupas de voltassem ao seu corpo rapidamente enquanto ele se erguia um pouco. A garota o puxou pelo pescoço suavemente e deu um beijo caloroso em sua bochecha, se aproximando do ouvido dele.
- Eu vou te recompensar por isso. Prometo. – ela sorriu maliciosa piscando. Fred riu de leve assentindo no mesmo tom, embora agora ambos estivessem um pouco envergonhados.
- Eu te vejo depois. – ele confirmou enquanto erguia a varinha.
No mesmo exato segundo em que Juno abriu a porta do quarto da garota, Fred desapareceu do ambiente. A loira se pegou pensando em como ele conseguia fazer aquele tipo de coisa e deu um sorriso bobo.
- Ei, Juno! – ela se virou para a professora colocando o cabelo atrás da orelha. – desculpa, eu só estava ajeitando algumas coisas.
A mulher olhou ao redor e cruzou seus braços se encostando na parede. Há muito não a via, e ousava dizer que também não seria possível vê-la sorrir pelos próximos tempos, possivelmente. Sabia que a morte de Sirius era quase como uma própria morte para a própria Juno, e ela de um jeito ou de outro entendia a situação. Afinal, seu pai também havia ido.
- Eu só vim checar você. – ela comentou guardando sua varinha. – como vão as coisas?
- Eu... bem, estou indo? – disse confusa passando a mão pelo cabelo. – ainda sinto falta dele e não acho que me livrarei disso algum dia.
- Mas você consegue se levantar, não é? – ela disse entrando no banheiro pessoal do quarto da garota e checando se havia água quente em seu chuveiro e tudo funcionava bem. – está se alimentando bem?
- Eu estou fazendo tudo na medida do possível. – disse se levantando e estranhando as atitudes da professora. Franziu o cenho vendo ela sair do banheiro limpando as mãos na roupa.
- É poeira. – comentou, apontando para as prateleiras do banheiro. – há quanto tempo não sai daqui, ? – ela resumiu, olhando ao redor. sentiu seus olhos tremerem por alguns segundos e comprimiu seus lábios dando de ombros e unindo suas mãos nas costas.
- Um bom tempo, eu acho. – murmurou. – mas eu estou bem, Juno.
- Eu sei que está. – ela deu um breve sorriso que logo se desfez e então se aproximou da mais nova. Segurou as mãos dela. – eu me preocupo com você ainda assim. Sabe que eu não concordei em deixá-la sozinha nem por um segundo, certo?
- Eu não estou sozinha. Digo, tenho vovô And e esses móveis velhos que parecem falar as vezes... – ela riu boba passando a mão pela sua escrivaninha.
- Vovô And não estava no quadro, por sinal.
- Oh. Isso. – afirmou balançando a cabeça. – eu esperava poder falar com você sobre isso. Tem um problema, e...
- Você não considerou passar um tempo n’A Toca? – Juno disse enquanto se dirigia para a porta, a interrompendo. Ergueu sua mão oferecendo levá-la consigo e aceitou depois de hesitar um pouco. As duas começaram a descer as escadas.
- Bem, sim, mas não quero que eles precisem se preocupar com mais uma. – deu de ombros. – eu estou bem aqui, Juno. Ainda é a minha casa, eu não quero abandoná-la.
- É só que... – Juno olhou ao redor comprimindo os lábios mais uma vez e fechando os olhos. – todo esse lugar deve te remeter a ele o tempo todo, , não pode negar isso. Realmente acha saudável pra você ficar aqui? O que eu ouvi foi que você...
- Não importa. – a cortou sem intenção alguma de soar rude. Respirou fundo e pausou antes que começasse a chorar. – ninguém sabe o que diz em tempos como esse, Juno, e eu garanto que estou bem aqui. Sei que todo o ambiente me remete a ele, mas o que eu posso fazer? Absolutamente todo ambiente vai me remeter a ele. Ele é o meu pai.
Juno olhou para ela analisando sua expressão por alguns segundos e então quebrou, respirando fundo e assentindo. Não valeria de nada tentar arrastá-la dali. Sabia exatamente o que aquelas cartas sobre a mesa diziam, e sabia que não desistiria de procurar o sentido por trás delas. Sparks sabia, inclusive, que essa era a pergunta que a mais nova tinha a lhe fazer. Sobre as cartas. Vovô And não estava em seu devido lugar, e isso atrapalhava a investigação acirrada que desejava começar.
- Sabe algo sobre algum lugar chamado A Ala? – lançou a pergunta no ar e depois se calou, tentando encontrar respostas no olhar de Juno. A professora franziu o cenho e olhou para ela, mas então relaxou sua expressão.
- Não. – ela disse, simplesmente. – o que seria?
- Eu não sei. Achei que talvez você pudesse me explicar. – bufou, se sentando no sofá e passando a mão pelo rosto. – uma das cartas que ele me deixou pedia que procurasse Vovô And e perguntasse sobre esse lugar, sobre A Ala. – olhou para o quadro onde tudo o que podia ver era a porta medieval. – mas, como pode ver...
- O velhote desapareceu. – riu de leve observando a pintura. – bem, eu não sei o que é A Ala, . Mas se quer falar com o vovô And, talvez devesse começar procurando a outra ponta dessa pintura. Para onde ele pode ter ido?
- Eu não sei. Existem milhares de quadros espalhados por aí, talvez nem meu pai soubesse onde é que esse dá. – ela suspirou jogando a cabeça para trás e encarando o teto. Sentia saudades de seus amigos. Hermione seria perfeita naquele momento; não havia nada que a garota não pudesse desvendar.
Juno olhou para a cozinha e então de volta para a loira e fechou os olhos cansada. Ela não queria deixar sua garota sozinha ali, e não conseguia pensar em alguma forma melhor para que quisesse ir com ela. Não se sentia apta, em fato, para cuidar dela no momento, mas Molly tinha um coração maior do que sua própria família e além de abrigar Harry em seus braços, com certeza tinha um espaço guardado para a pequena também. Queria que a garota fosse ficar com os Weasley mesmo que por algum curto período de tempo, o suficiente para que melhorasse um pouco. O suficiente para que ficasse em segurança.
- Se fosse passar a temporada n’A Toca, você poderia ficar com o Fred o tempo todo. – Juno argumentou, olhando para a reação dela. As bochechas de se avermelharam e ela franziu o cenho olhando para Juno. – e aí não precisaria pedir pra ele sumir quando alguém aparecesse...
- Juno! – ela colocou as mãos na cintura. A platinada gargalhou.
- Você precisa entender, , que nenhum Weasley consegue sair sem deixar rastros. – ela riu. – principalmente os gêmeos. E também – ela apontou para a garota. – você tem um hematoma bem aqui – apontou para o pescoço. passou a mão pelo local um pouco envergonhada e evitou falar mais sobre o assunto, causando algumas risadas a mais na professora.
- . – ela chamou sua atenção mais uma vez, cruzando os braços. – por favor, me chame se algo acontecer. Sei que nada que eu fizer agora vai ser capaz de tirar você desse lugar, então... – ela segurou a mão da mais nova. – não hesite.
- Eu não hesitarei. – ela concordou, abrindo um sorriso ainda envergonhado. – obrigada pela preocupação, Juno. Acho que depois de tudo isso, me restaram pouquíssimas pessoas de confiança de verdade... eu fico feliz por ter você no meio delas.
Juno se sentiu pessoalmente afetada por aquelas palavras. Estava mentindo para ela desde que ela e Dumbledore conversaram sobre a situação da garota no início do quarto ano; precisou torturá-la, e embora quisesse muito poder fazer bem seu papel de mãe, era impossível ser perfeita nas circunstâncias atuais. A colocou em perigo indo atrás de Bellatrix e ajudou Alvo a implantar dúvidas na cabeça da garota e, embora sempre soubesse que Albion não tinha mais do que 2% de chances de estar vivo, alimentou as esperanças de à fim de que ela não desistisse de tudo ainda. Via potencial e futuro em sua aluna e afilhada, mas não sentia justiça em evitar que ela soubesse sobre si própria. Ela engoliu em seco assentindo.
- Eu preciso ir agora. – olhou para o lado de fora. – desde que... bem, você sabe. – limpou a garganta – o ministério tem estado uma loucura. Fui readmitida como auror, então sabe que agora tenho muito trabalho a fazer. – sorriu fraco. – se precisar, por favor, me chame. Está bem?
concordou com a cabeça vendo ela dar as costas e ir na direção da porta da frente.
- Ah, . Mais uma coisa. – ela virou o rosto por cima do ombro direito. podia ver perfeitamente o seu perfil. – fale com Remo sobre o velho da pintura. – se virou com as mãos à frente do corpo. – ele é o mais sábio de nós, talvez ele possa te explicar melhor do que eu.
- Você...?
Juno aparatou.

Capítulo 11 - Escuridão


passou a mão pelo rosto e se levantou. piava do lado de sua cama, tinha conseguido fugir de sua gaiola. Seu coração palpitava, ela tinha tido um pesadelo. Não conseguia tirar a imagem do pai da cabeça; seu corpo sem vida, a água escura, aquele lugar terrível e congelante. A garota prendeu os cabelos claros em um rabo de cavalo e se levantou, foi até o banheiro e por fim deixou que a água quente apagasse as últimas e aterrorizantes memórias do dia em que seu pai fora encontrado, pelo menos por ora. Pegou uma muda de roupas limpas em seu guarda-roupas e reabasteceu a gaiola de sua coruja faminta.
Precisaria sair eventualmente, e possivelmente comprar materiais novos também. Precisava tirar um tempo para responder as cartas de seus amigos preocupados e, odiava admitir, mas tinha cogitado a ideia de uma visita n’A Toca. Não só ver Fred a faria feliz novamente, como toda a família Weasley. Além disso, poderia deixar suas cartas a Harry e Hermione com Ron, e ele certamente se encarregaria de enviá-las.
Com aquela decisão tomada em mente, ela agarrou sua bolsa e colocou somente o necessário – a varinha, alguns galeões e moedas e suas cartas. Passaria pelo beco diagonal, compraria alguns presentes e então, direto para a Toca. Era um dia novo, o sol precisaria voltar a brilhar em algum momento.
Seus olhos perderam o brilho quando ela entrou na lareira e desapareceu no fogo verde, reaparecendo em uma das lareiras de uma loja de velharias do beco. Acenou para o vendedor, mas ele deu um passo para trás e fez uma reverência em direção a porta da frente. Após se jogar para fora do console da lareira e erguer seu corpo, tirando o resto de pó que ainda estava preso em suas vestes, olhou para o mesmo local. Draco e seu pai, é claro. Revirou os olhos.
- Ora ora, srta. ... – Lúcio abriu um sorriso cínico, fez uma pequena reverência. – Meus mais sinceros sentimentos. É claro que a morte de seu pai é um... desconforto. – raspou a garganta. – para todos do ministério.
- Obrigada. – respondeu sem dar atenção. O garoto ao lado do pai não disse nada, pela primeira vez. Draco ajeitou o smoking preto que geralmente trajava e olhou para ela por alguns instantes. O pai apoiou uma das mãos no ombro do filho.
- Agora, se me dão licença... – olhou para Draco como se pedisse que fizesse algo, e então se afastou. Foi em direção ao balcão, onde o atendente não parecia tão feliz em atendê-lo. Em fato, parecia amedrontado.
olhou para o balcão e ajeitou sua bolsa, começou a dirigir-se até a saída. Ignorou a presença de Draco até o momento em que o braço do rapaz envolveu o dela. Embora houvesse delicadeza no movimento, a atitude a assustou e ela rapidamente se desvencilhou dele. O olhou de cima a baixo, franziu o cenho.
- Me desculpe, eu... Eu sinto muito. – coçou a cabeça, claramente sem saber o que dizer. Viu sinceridade nos olhos do rapaz. – Pelo seu pai. Eu não saberia o que fazer sem o meu.
- É, isso é bem aparente. – ela respondeu, desconfiada. Draco franziu o cenho por alguns segundos e então respirou fundo, pareceu cansado, sincero demais. Ela relaxou. – Obrigada. – respondeu então, sinceramente.
- Escuta, eu... – ele começou a dizer, e então olhou para um relógio de bolso que estava pendurado como pingente em sua bolsa.
- Foi mal, Draco. Eu realmente preciso ir. Te vejo na escola. – disse rapidamente cortando o garoto e andando na direção da rua de pedras principal. Respirou fundo, porque conversar com Draco a deixava exausta. Ela fechou os olhos recuperando sua calma e recapitulando qual era seu plano. O dia não estava bom, claramente, e havia algo de errado com o céu. Ainda assim, decidiu continuar com suas ideias iniciais.
Ela comprou um pôster do time de quadribol preferido de Ron, uma linda blusa de uma banda bruxa que Gina amava, uma pequena miniatura de um táxi trouxa para Arthur e um conjunto ótimo de colheres de pau para Molly – era uma colecionadora – para Fred e George ela comprou toucas idênticas e por fim, um livro assustadoramente grande para Hermione e um pequeno adereço de vassoura para Harry. Deixou Juno para depois.
Ela empacotou seus presentes da melhor forma que pôde e os encaixou em sua bolsa sem fundo, que Hermione encantara previamente. Foi até a plataforma pegar um trem para o sul, onde chegaria aos campos enormes e verdes da Toca. A viagem durou apenas meia hora, como o planejado. Desceu do trem e pagou seu ticket, olhou ao redor procurando a placa que indicava o caminho certo.
Seus pés tocaram o chão gramado e ela sentiu o sol finalmente atingir seu rosto. Abriu um mísero sorriso, que era provavelmente um dos primeiros desde a morte de seu pai. Aquele lugar já lhe fazia bem, e ela sequer havia chegado.
- x –

Depois de alguns minutos de caminhada, viu a enorme estrutura retorcida e complicada da casa dos Weasley aparecer no horizonte. Uma vassoura passou por ela rapidamente, e ela se abaixou deixando que o vento bagunçasse seus cabelos. Apoiou a cabeça olhando para cima e tentando identificar quem era que cortava o céu.
- MEU MERLIM SAGRADO! – Ouviu o grito histérico e viu a vassoura vir na sua direção. A garota pulou da vassoura no chão e em questão de segundos, ambas rolavam pela grama. Ela recebeu milhares de beijos no rosto, não pôde contar quantos.
- Gina! – ria, enquanto recebia um abraço apertadíssimo.
- ! – Gina respondeu exultante, soltou mais um grito. Logo, os outros milhares de ruivos residentes daquela casa apareceram na porta confusos pelo barulho.
- O que é isso? – Molly resmungou, olhando pela janela. – O que Fred e George fizeram dessa vez?!
- Nós estamos aqui! – responderam em uníssono, atrás dela. A mãe se assustou.
- E tão confusos quanto você. – George admitiu.
Ron desceu as escadas e foi até a porta rapidamente, identificou o pequeno corpo que se levantava devagar da grama.
- ! – ele exclamou, fazendo com que todos se entreolhassem. Fred foi o primeiro a se esgueirar por todos eles até a porta, olhou para a garota que acabava de se levantar. Gina segurou o rosto dela para conferir que não tinha machucado nem um cantinho sequer, e deu um beijo estalado em sua bochecha. Fred abriu um sorriso e fechou os olhos. Ela viera.
Recebeu uma cotovelada de Arthur, que fazia uma expressão engraçada.
- Credo, pai. – ele fez uma cara engraçada.
- , querida! – Molly empurrou todos na porta e andou rapidamente a passos curtos na direção dela. – Você está bem?! Gina, já chega de treino! Vá guardar essa coisa agora mesmo!
- Molly! – sorriu, abraçou a mulher pouco mais baixa que si. – Eu estou ótima. É um prazer ver você de novo. – sorriu.
- Oras, não seja tão formal. – Arthur apoiou a mão nos ombros da esposa. – O prazer é todo nosso em receber você. Resolveu aceitar nossa oferta e passar a temporada?
- Uhm, ainda não. – ela coçou a cabeça. – É uma visita, por ora. Ainda preciso pensar um pouco!
- Oras, passe o dia ao menos. O almoço está quase pronto! – segurou a mão dela. – A bolsa, querida!
se abaixou no chão segurando sua bolsa, que tinha esquecido até o dado momento, e acompanhou os donos até o interior da casa.
Ela limpou os pés no tapete e entrou. Havia um Fred a esperando logo no batente.
- E por que motivo não fui comunicado dessa visita repentina?! – ele a puxou para um abraço, que ela aceitou imediatamente. riu.
- Porque é uma surpresa! – respondeu, revirando os olhos. Fred se aproximou dela, mas foram interrompidos por uma Gina voraz que queria todo o tempo todo mundo com a garota nos braços do irmão. Ele só conseguiu lhe dar um beijo no canto da boca, e foi puxada pela ruiva.
- Ei, ela é minha! – argumentou. Gina mostrou a língua para ele. – Mamãe, quando o Harry vem?
- Não ouse! – Gina apontou para ele. – Vamos, você pode deixar suas coisas no meu quarto.
- Ah, não, espere.
abriu a bolsa e começou a tirar dela uma série de sacolas de diferentes lojas. As deixou no chão e então entregou a bolsa para Gina, que a olhou desconfiada e começou a subir as escadas. se dirigiu até a cozinha, onde todos começavam a se ajeitar em volta da mesa para o almoço.
- Eu trouxe algumas coisinhas. – sorriu. Percy não estava mais em casa, então somente Ron, os gêmeos, Gina, Molly e Arthur estavam ali. Ela pegou o kit de colheres e entregou para Molly, que ficou vermelha pimenta e extremamente agradecida. Arthur amou sua miniatura e foi imediatamente até seu quarto de bugigangas, adicioná-la a coleção. Ron não parou de gritar sobre seu pôster por quase meia hora, Fred e George acharam os presentes um pouco sem personalidade, mas amaram dadas as circunstâncias. Gina, por último, quase desmaiou ao ver a blusa de sua banda preferida.
- Mas... Mas! – ela olhou para todos, felizes com seus presentes.
- O que nós fizemos? – riu George, confuso.
- É pela hospitalidade. Muito obrigada por terem me acolhido e por ficarem do meu lado. – ela sorriu fraco, se sentindo um pouco mais fraca em relação a antes. A falta de seu pai naquela sala...
- Querida... – os olhos de Molly estavam marejados ao observá-la.
- Eu tenho certeza de que seu pai estaria muito, muito orgulhoso agora. – uma última voz apareceu por ali. Encostado no aro da porta que dividia a sala da cozinha, de braços cruzados e com um sorriso no rosto, Lupin olhava satisfeito para ela. foi na direção dele, que abriu os braços pronto para um abraço. Nada havia sido dito ali ainda, mas todos sabiam a falta que Sirius fazia para o lobo. Ela podia contar as novas cicatrizes no rosto do amigo e antigo professor.
- Obrigada. – ela sorriu, passando os dedos pelos olhos e afastando as lágrimas que desciam pelo seu rosto. – Sei que iria.
- x –

Depois do almoço humilde, mas farto, haviam ruivos espalhados por toda a casa. Todos estavam lotados e cansados. Arthur se retirou para sua garagem de bugigangas, Molly imediatamente se deitou no sofá da sala para um cochilo e enquanto toda sua prole se diversificava em atividades. Ron entregava a carta e o presente de para Errol, pedindo que enviasse a Harry e Hermione. George precisou se distrair voando com Gina do lado de fora, já que Fred queria passar o maior tempo possível com .
- O que você conseguiu descobrir sobre as cartas estranhas até então? - ele perguntou enquanto deitava sua cabeça no colo da garota. Estavam no quarto que pertencia aos gêmeos, na cama cuja letra logo acima de suas cabeças indicava uma letra F.
- Nada, na verdade. - bufou um pouco inconformada. - Mas Juno foi bem específica da última vez em que esteve em casa. Queria que eu falasse com o Remo.
- Remo? - o garoto franziu o cenho, erguendo os olhos para os dela. abriu um sorriso satisfeito ao ver que ele continuava o mesmo fofo de sempre. - O que ele poderia saber sobre sua vida pessoal? Estamos falando do mesmo Remo?
- Tem mais um? - gargalhou.
- Nesse caso, acho que você deu sorte. Ele está passando a temporada, então... - pareceu animado. mordeu o lábio olhando para longe, pensativa. Será que deveria mesmo levar aquilo à tona? Lupin não já tinha muito para se preocupar com? - Ei, ei. Quando você faz isso fica meio difícil.
Ela olhou para ele um pouco envergonhada e deu um tapinha no braço do garoto. Em alguns segundos, sua expressão se desmanchou e se transformou em uma surpresa não agradável.
- Ei. - fez como quem se levantaria, e Fred se ergueu sentando-se. - Eu não mencionei isso antes, e... Na verdade, pra ser sincera, não tinha pensado sobre ainda. O que vocês vão fazer? Vão voltar ao colégio, né? - pareceu esperançosa de que não perderia Fred de vista durante o ano letivo.
Ele bufou e passou a mão pela nuca, e então pela boca. já pôde dizer por alto que sim, o perderia de vista durante o ano letivo, só por essa pequena atitude. Ele olhou para a janela, onde podia ver Georgie e Gina voando alegremente pelos campos.
- Achei que seria difícil explicar pra minha mãe - ele respondeu, ainda sem olhar para ela. - Não fazia ideia de que seria ainda mais difícil explicar pra você.
- Vocês não pretendem voltar, não é? - ela comprimiu os lábios em uma microexpressão de tristeza. Segurou as lágrimas por um instante.
Não é que não se veriam, e não era que a ideia de não tê-lo por perto era tão devastadora assim. sabia que não destruiria seu relacionamento com o Weasley, mas ao mesmo tempo, a falta de seu pai somada à falta do apoio de Fred presencialmente no colégio fazia seu coração querer parar de bater ali mesmo, enquanto ainda estavam de férias e juntos.
- Não. - ele respondeu, não parecendo mais tão feliz sobre.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Passou a mão pelo rosto, tentando superar sua tristeza ao menos por ora. Queria dar a ele liberdade para falar, liberdade em um geral. Estavam em um relacionamento, algum tipo de relacionamento; mas eram livres, ainda assim.
- Você quer explicar, ou...?
- Sim! Sim. - tossiu. - Quer dizer, sim. - repetiu com mais calma. - Bem. Nós dois não fomos necessariamente feitos pra vida acadêmica, você sabe bem...
- Mas Fred, suas notas eram as melhores do seu ano, você... Estava prestes a terminar!
- Eu sei. - segurou a mão dela. - Nós fomos expulsos. O processo pra tentar retornar ao colégio custaria caro demais, papai e mamãe não podem arcar com isso, e...
- Eu posso! Quer dizer, eu posso dar um jeito, eu...
- . - ele juntou as sobrancelhas em uma nota de tristeza e apertou a mão dela. parou de falar quando percebeu que nenhuma insistência seria funcional ali, e ainda mais quando percebeu que sua atitude não ajudava ou era decente na situação atual. Se sentiu mal por não conseguir apoiá-lo. Ela se inclinou rapidamente na direção dele e o abraçou, de um jeito amassado e desajeitado. - Eu sinto muito...
- Tudo bem. - respondeu, depois de algum tempo. - O que vocês querem fazer? Digo... Se não vão ao colégio, vocês...
- Bem, nós pensamos em algo. - ele se animou ao começar a falar sobre seus planos. Alguém deu três toques no batente da porta, e a atenção do casal foi instantaneamente desviada. Gina, furiosa e impaciente, pedia que saísse dali para interagir com ela.
- Ela já vai, sai daqui! - Fred jogou uma meia que foi violentamente arremessada para o outro lado da sala.
- ! Nós precisamos falar sobre algo seríssimo!
Fred revirou os olhos, pois sabia o quão lendária aquela tática era. não se negaria a atender a amiga caso o assunto fosse urgente, e por mais que soubesse que as chances eram baixas, o olhar sugestivo que lançou a Fred foi o suficiente para convencê-lo de que ela apareceria ali mais tarde eventualmente.
A garota se levantou e se abaixou na direção dele, dando-lhe um selinho demorado. Fred continuou olhando para cima quando ela se afastou e foi com a garota dos cabelos de fogo pela porta. Ele ainda estava repensando aquele beijo, e certamente, lidando com as consequências dele.
- Disse que encontrou o Draco, não disse? - Gina tentou forçar sua mente a se lembrar do que a amiga havia lhe dito anteriormente, no almoço.
- É, eu vi ele. Foi até gentil, se quer saber. - respondeu desinteressada.
- Gentil? - Gina franziu o cenho.
- É, digo.. Nada demais, realmente. Ele ofereceu as condolências pelo meu pai. Acho que isso é o mínimo?
- É, bem mínimo. - concordou, se jogando em sua cama. - Você comprou algo dos seus materiais? Poderíamos sair, fazer compras juntas amanhã. Nós e toda essa família, já que ninguém aqui dá um passo sem todo o resto ficar sabendo.
riu, pois sabia do quão verdadeira era aquela informação.
- Eu não devo demorar, Gina. Desculpa.
- Como é?! - Gina se levantou imediatamente, as mãos na cintura. - Você fica! Pelo menos hoje, !
- Eu não...
- Ei, nós estamos preocupados com você. Não quero que se sinta mal por isso, não digo no sentido ruim, mas sabe... estamos realmente preocupados. Minha mãe se pergunta se você tá comendo direito todos os dias, Fred não para um segundo, até Rony fica ansioso pra ver você logo! - ela resmungou, séria. - Você pode ficar um diazinho, vai!
- Mas e a ... - ela olhou para a janela, pensando em sua coruja que ficaria sozinha em casa.
- Se tinha água e comida, ela com certeza não vai se importar se a dona dela ficar feliz por um dia com a melhor amiga do mundo inteiro dela.
- Ok, qualquer um sabe que eu sou fácil demais de se convencer. - resmungou, se deitando. Passou a mão pelo rosto ainda pensando no assunto anterior. - O que seu irmão vai fazer?
- Eu tenho muitos irmãos.
- Gina!
- Ok, ok. - ela gargalhou. - Mamãe surtou com ele, sabia? Quando soube que foi expulso. "É uma desgraça pra essa família, vocês dois estão manchando o nome de todo esse legado!" e aí George argumentou "Que legado nós temos, mulher?!" E depois de relutar muito, ela e papai acabaram cedendo. Eles vão abrir uma loja.
- Uma loja? - estava aérea. Ouvia o que ela dizia, entretanto, incapaz de prestar atenção em algo do que ouvia. Ela não conseguia parar de se imaginar sozinha pelos corredores, não conseguia parar de sentir o medo que sentia desde que o incidente aconteceu pela primeira vez. A primeira convulsão.
- É, uma dessas de traquinagem. Eles querem vender aquelas coisas pra pregar peças nos outros, o clássico dos gêmeos Weasley. Ainda não sabem como vão bancar, é claro. Papai está tentando vender todas as trouxisses dele, e mamãe não quer olhar na cara dos dois...
pareceu sentir um alívio tomar conta de seu peito por ora. Se eles ainda não sabiam como bancar, existia uma chance de não acontecer. E isso talvez os levasse a querer voltar a Hogwarts.
Se sentia culpada por querer mais ficar perto de Fred do que vê-lo fazer o que queria. Ela concordava em partes com Molly sobre estudar e o futuro dele, o garoto realmente era brilhante - ambos os gêmeos eram. Por outro lado, sabia que estudar e realmente ter um diploma não faria tanta diferença para Fred e George. Eles não queriam aquilo. Eles queriam a parte divertida da coisa, faziam parte dos bastidores de bruxos incríveis que usavam seus poderes para alegrar as pessoas, inventar coisas que alegrassem as pessoas. Ela bufou, no entanto.
- Então talvez eles decidam voltar ao colégio. - arriscou dizer. Gina olhou para ela e balançou a cabeça.
- Você conhece as crias. Acho difícil tirar a loja da cabeça deles, e acho ainda mais difícil o ministério querer deixar eles voltarem depois de toda a coisa da Umbridge. Foi péssimo, fico surpresa por não terem sido banidos.
- Seria meio radical bani-los. Foram só fogos de artifício, já fizeram coisa muito pior naquelas masmorras e ninguém fez nada. Você sabe que fizeram! - apontou para Gina, gargalhando. - Seu adorado Potter quase destrói aquele castelo todo ano, e mesmo assim ele continua aluno!
- Ele é "O Escolhido" - gargalharam.
A noite não demorou a chegar com as duas tagarelando como sempre, e Gina foi a primeira a cair no sono. Em um instante, falava horrores e no outro, estava roncando alto.
não conseguia dormir. Podia dizer que não tinha medo de pesadelos, mas não depois de tudo o que vira. Não depois da morte de seu pai. Ela afastou os pensamentos que insistiam em chegar até ela e se levantou.
Andou a passos curtos e cautelosos pelas escadas, ia direto ao quarto de Fred e George, mas viu uma luz refletir pelas janelas. Na sala ainda havia alguém acordado.
Pensou que talvez fosse o próprio Fred, então desceu. Ainda cautelosamente se esgueirou pelo corrimão até estar no primeiro andar e encontrou a porta da frente aberta. Remo estava sentado na varanda da casa, observando o céu estrelado sem a presença de sua natural inimiga, a lua.
se aproximou devagar, procurando não assustá-lo.
- Lupin? - ela disse baixo para não acordar a casa.
- Oh. - ele se virou, calmo como sempre. Observou a figura da garota descalça se aproximar. - . - sorriu, gentilmente.
- Ainda acordado? - ela se sentou ao lado dele, abraçando os joelhos. O professor ofereceu um pouco do chocolate que comia para ela. Ainda se recuperava da lua cheia anterior.
- Bom... Acho que é comum entre os lobisomens. - brincou. riu de leve.
- Ok, é uma boa resposta. - ela aceitou o doce. - É uma coincidência. Parece que também é comum entre os órfãos.
Ele olhou para ela com um olhar compreensivo, e ao mesmo tempo triste. olhou para o chão, culpada por ter cortado o clima tranquilo da conversa.
- Perder o pai não é uma tarefa fácil. - ele respondeu, vendo a reação da garota. - Acho que nenhum de nós sabe bem como é estar no seu lugar, . Nenhum de nós exceto Harry. E como eu tive meu pai até uma idade avançada, eu não posso dizer que entendo. O que posso dizer que entendo... - virou seu corpo para ela. - É sobre estar recluso e se culpar por coisas que você não tem culpa. Então, saiba que você não é culpada pelo que aconteceu com o seu pai, e tampouco por se sentir triste por isso. É seu direito, . Eu acharia estranho se estivesse feliz.
Ela afundou o rosto entre os joelhos e deixou algumas lágrimas escorrerem. Falar sobre aquele assunto ainda era como jogar sal em uma ferida aberta, para ela.
- Talvez, se eu tivesse insistido, eu... - balançou o rosto. - Eu pudesse.
- Não havia nada que ninguém pudesse fazer a respeito disso. Exceto pelo ministério, o único culpado por tudo isso é Voldemort. - ele envolveu os ombros da garota com seu braço e a puxou para perto de si, oferecendo apoio. - Ele é cruel, todos sabemos disso. Você não pode se culpar pelas ações dele.
ficou em silêncio, e Remo respeitou. Ele ofereceu seu apoio da forma como pôde, enquanto ela deixou sua alma ser lavada pelo choro que descia incontrolavelmente por alguns bons minutos. Fungou, passou a mão pelos olhos afastando as lágrimas e finalmente ergueu o rosto, olhando ao longe.
- Juno disse que você é o mais sábio dentre "vocês". - comentou, procurando um jeito de chegar ao assunto chave. Remo ergueu uma sobrancelha.
- O mais sábio? - ele abriu um sorriso leve e balançou o rosto. - Se a conhecesse, você diria que Erin é a mais sábia entre nós, e Juno estava errada. - riu de leve. - O que Juno queria que me dissesse, ?
- Sobre um lugar... A Ala. - ela disse, e o nome instantaneamente fez com que o professor se virasse para ela. Franziu o cenho, mas não estava furioso: estava confuso.
- Quem falou sobre A Ala? - balançou a cabeça. - Esse nome... Não. Isso não pode ser boa coisa, .
- Eu li em uma carta. Meu pai deixou pra mim. Se quiser eu posso deixá-lo ler, eu ainda tenho a...
Lupin se levantou quase que imediatamente, tateando suas vestes remendadas em busca de sua varinha ou qualquer outra coisa.
- Albion não teria dito isso. Não pode ter sido. - ele passou a mão pela cabeça confuso e colocou as mãos na cintura. se levantou também, quando começou a estranhar a atitude dele. Ela franziu o cenho.
- O que é isso, Remo?
Ele olhou para ela como se avaliasse cautelosamente a situação. Questão número um: valia à pena que ela soubesse? Questão número dois: ele realmente precisaria explicar toda aquela história novamente? Questão número três: o local realmente existia?
não estava disposta a sair dali sem aquela informação.
- Olhe só, ...
- Remo, por favor. - ela olhou com os olhos cheios d'água para o professor. - Eu estou exausta disso, exausta de estar no escuro. Eu sou a única doente dentre nós, e ainda assim eu sou a única que não sabe sobre a própria doença. Todos sabem mais sobre mim do que eu mesma. O meu pai acabou de morrer, eu... Eu não tenho pra onde ir, com quem contar, o que fazer... Por favor. - ela balançou a cabeça e passou a mão pelo rosto. - Isso é a única coisa que eu ainda tenho. Foi a última coisa que ele me pediu, eu não posso negar.
Ele bufou, cedendo.
- Escute. Eu já tive que contar toda essa história antes, então... bem. Se Juno mandou você me procurar acerca disso, ela sabia a resposta sozinha. - ele balançou o rosto. - Não sei porquê ela jogaria a bola pra mim, mas bem... quando Alvo Dumbledore ofereceu me matricular em Hogwarts, e eu relutantemente aceitei - pausou. - Ele me assegurou que meus "surtos" não seriam um problema, e que o colégio tinha uma escapatória para evitar que eu ferisse meus colegas de classe e, claro, a mim mesmo. Foi assim que o diretor decidiu plantar o Salgueiro Lutador logo acima de uma passagem secreta. Se você conhece e é amiga do Fred, então certamente sabe que essa passagem secreta leva...
- À casa dos gritos. - ela assentiu, acompanhando cada palavra que ele dizia. Remo assentiu, concordando com ela. Estava nervoso, ela podia notar pela forma como ele andava de um lado para o outro enquanto falava.
- Isso mesmo, à casa dos gritos. Era por lá que eu ficava toda noite de lua cheia, e foi assim que as pessoas acabaram dando esse nome. O fato é que... Não existia muita mobília, exceto por algumas poltronas e talvez um móvel antigo. Entretanto, no meu quarto ou quinto ano, Dumbledore levou para lá um quadro. - ele olhou para novamente. - Um quadro enorme, vazio. Havia uma casa e uma paisagem bonita pintadas ali, e nenhum residente.
acompanhava atenta o que ele dizia, anotava cada palavra mentalmente.
- Por anos eu pensei que aquele quadro realmente fosse inabitado. Pensei que Dumbledore o colocara ali propositalmente para que eu tivesse uma distração vez ou outra, para ajudar nos surtos, eu não sei. O fato é que algum tempo depois, um velho apareceu no quadro e começou a cochichar sobre um lugar. Um lugar não muito agradável, dizia ser malcheiroso e coisa de gente maluca. - balançou a cabeça.
- A Ala. - concluiu, e Remo assentiu depois de alguns minutos de relutância. Ainda que lhe tivesse dito toda aquela história, ele ainda parecia ter deixado partes para trás. Partes que não queria que ela soubesse. - O quadro do Vovô And...
- Você tem o outro lado do quadro, então. - ele concluiu, pensativo.
- Remo. - se aproximou, olhando para ele confusa. - Quantas portas haviam no quadro? No da casa dos gritos? Apenas uma porta, o que...?
- Duas portas. - ele assegurou, tranquilamente. - Haviam duas portas. Posso me lembrar bem. Já que não havia muito a se fazer lá, cada detalhe contava.
passou a mão pelo rosto chegando sozinha à conclusão de que Vovô And devia ter acesso à sua casa, à Casa dos Gritos e ao mesmo tempo a um terceiro quadro - e este devia, por certo, ficar na tal Ala.
Ela tinha uma informação. Aquilo já era infinitamente melhor do que o estado inicial em que ela chegara ali. Não tinha ido até a Toca para encontrar informações, mas as informações insistiam em chegar até ela de alguma forma.
Remo ainda estava pensativo. Talvez Juno brigasse com ele depois, por ter sido tão direto com ela; talvez não fosse exatamente o que ela queria que fosse dito. Eram amigos, conhecidos, desde a época de o colégio. Desde que ela era só uma adolescente que vivia uma relação de amor e ódio com seu falecido amigo Sirius.
Sabia que ela era genial e que era uma bruxa fantástica, mas não poderia dizer que compreendia o que ela planejava com tudo aquilo. Com .
Pensou em Dumbledore, em seu ano como professor de Hogwarts.
- Sparks, Lupin. - ele andava de um lado ao outro em sua sala, pensativo. Tinha um ar caridoso como sempre, mas ao mesmo tempo, sua mente turbulenta parecia expor seus verdadeiros sentimentos daquela vez. Era certo repúdio. - Como por certo sabem, Black está foragido.
Nenhum dos dois mostrou mero espanto. As notícias já haviam coberto todo o mundo da magia, até mesmo o mundo trouxa. Já não era surpresa alguma para nenhum dos dois.
- Imagino que saibam o motivo para tê-los convocado. - olhou para os dois. Remo não ousou desviar seu olhar a Juno, mas abaixou sua cabeça diante Dumbledore ants que começasse o que considerava uma frase muito petulante:
- Se me permite dizer, Alvo, nenhum de nós tem sabido qualquer coisa que seja sobre o Black. - resmungou. - Eu não ouço sobre ele desde que... bem...
- Desde que ele traiu a todos nós e matou aquele rato? - Juno rosnou. - Oras, não me diga que realmente acredita nisso, Alvo!
Dumbledore olhou para os dois pensativo por alguns minutos por cima de seus óculos de meia lua. Ele apreciava o quanto Juno poderia dar de si para defender seu ex-noivo, mas não conseguia compreender por completo as evidências. Sirius sempre havia sido um aluno incrível, apesar da bagunça. Daria sua vida por James. Não fazia sentido para ele que traísse logo seu melhor amigo.
- Eu sinto muito, sra. Sparks. - foi sua única resposta.
Juno bufou e passou a mão pelo rosto, cansada. Remo ficou em silêncio. Ele sabia que discutir com ela era uma furada e tanto. Por vezes, era melhor apenas se calar. A própria Sparks notaria suas faltas, eventualmente.
- Como fica o Potter nisso? - ela colocou as mãos na cintura. Não acreditava que Sirius fosse culpado, mas e se fosse? E se ele realmente fosse um comensal? Foram doze anos em azkaban, tempo suficiente para mudar completamente uma pessoa. Harry realmente correria perigo?
- Perdido. - Alvo respondeu, avoado. - Nós precisamos oferecer apoio a ele, quando chegar ao castelo. Preciso saber que estarão de olho nele a cada passo e a cada segundo. O ministro enviou aqueles seres sombrios para cá... - olhou pela janela, de costas para os dois. Mais silêncio enquanto a cabeça de Dumbledore pensava. - E precisamos garantir que não cheguem até o garoto.
- Garanto a minha palavra, professor. - Remo se adiantou e recebeu um aceno de Dumbledore, que lhe pareceu uma deixa para sair daquela sala. Sabia que no segundo em que pisasse fora, Sirius se tornaria o assunto novamente. Ele não queria fazer parte daquilo.
Antes que pudesse sair de lá, Dumbledore se virou para o lado. Ele encarou o chão ainda pensativo, e começou a falar novamente. Remo parou.
- E quanto a ela - ele ergueu o olhar para Juno, as mãos apoiadas em sua mesa. - Deixem, digamos, dois olhos no Potter e um na srta. .
- ? - Remo perguntou, franzindo o cenho e deixando seu olhar desconfiado aguçar os sentidos de Dumbledore. - Qual é o problema com ela?
- Digamos, meu caro Remo, que nenhum de nós está realmente preparado para o beijo de um dementador - ele olhou para a janela. - Ela, muito menos. Há algo nos dementadores de que compartilha, e nós não queremos saber o que pode acontecer se eles tomarem conhecimento sobre.
Ele não respondeu. Seus olhos lupinos se focaram nos olhos do velho, que agora voltavam para a janela e dispensava automaticamente os dois. Juno não conseguiria voltar sua atenção para si o suficiente para falar sobre Sirius, e provavelmente nenhuma das perguntas de Remo podia ser respondida agora.
O que e os dementadores tinham em comum ele, de fato, não saberia responder. Se lembrava de sair daquela sala ouvindo Alvo dizer "é questão de tempo até ela começar a se manifestar..."

Ele saiu de seus devaneios quando notou a garota imediatamente entrando de volta na casa. Foi atrás dela, seu chamado impediu que subisse as escadas.
- , escute. Você precisa tomar cuidado. - ele alertou, e parecia soar sincero. - Algumas coisas realmente ficam enterradas no nosso passado. Às vezes, é melhor que não saibamos sobre elas.
- Eu não posso correr esse risco.
- Então eu preciso que saiba. - subiu um degrau, ficando mais próximo dela. Estavam falando muito baixo ali. - Se existe alguém no mundo que possa saber melhor sobre você, essa pessoa é a Juno. Esse é o natural dela: desde que me conheço por gente, tenho a sensação de que ela esconde alguma coisa. E sei que ela esconde algo de você também, .
se calou. Conhecia bem aquela sensação.
- Você acha que... que ela tenha algo a ver com tudo isso?
- Não, não diretamente. - ele bufou passando a mão pelo rosto. - Ela carrega segredos desde que nós éramos muito jovens... Me diga, por que acha que Juno foi quem Alvo designou para ensiná-la sobre defender-se, ? Acha que ela é uma bruxa qualquer?
- Juno é oclumente. - ela respondeu, franzindo o cenho. - Não é tão incomum assim, na verdade, e...
- E é por isso que Dumbledore confiou a ela o seu segredo. - ele ergueu o corpo, finalmente chegando à conclusão que queria. ficou em silêncio. - Ele não quer que isso chegue aos ouvidos das pessoas indevidas, e em quem mais confiar?
- A ordem, talvez?
- Não. Não é que não sejamos confiáveis. - ele argumentou. - Mas ela é oclumente. Ninguém conseguiria entrar em sua mente, Voldemort não conseguiria capturar suas memórias. Me escute bem quando digo, , que Juno sabe exatamente quem você é.
Aquelas palavras entraram como podiam na cabeça da garota. A simples ideia de que a mentora poderia saber algo sobre ela e não lhe ter dito, a incomodava. Profundamente.
Ela olhou para ele em silêncio por alguns poucos minutos e Lupin deu um passo na direção da porta, concluindo sua fala:
- Envie uma carta a ela. Use a coruja de Rony, se preciso. - balançou a cabeça. - Confronte-a.
- Vocês não são amigos...?
- Nós somos. - Remo olhou para ela novamente. - Entenda, eu não a estou acusando, . Eu sei que ela quer o melhor para você. Não é dela que eu desconfio. - olhou para a paisagem, como se tentasse encerrar a conversa por ali. Estava envolto nos próprios pensamentos.
estava cansada de estar nos bastidores da própria vida. Ela deu um passo decidido na direção dele, e aquela era sua última tentativa:
- Me diga no que está pensando. - pediu, solícita, embora bastante ríspida. O homem passou a mão pela boca.
- Meu palpite é muito mórbido e, se quer saber, não acho que seja cinco por cento verídico. - sorriu. - Procure Juno. Ela saberá o que fazer.
Ela bufou, cansada. Era como se fosse o centro de um jogo de tênis. Juno a mandara para Remo, que a mandara de volta à Juno. A estaca zero, novamente. Embora ela tivesse informações novas, não havia nada que pudesse confirmar o quanto da história ela já sabia. Provavelmente, estavam cavando um buraco bem maior por ali.
Ela subiu as escadas sorrateiramente e observou a porta fechada do quarto dos gêmeos. Mordeu o lábio, pensou em bater e chamar Fred. Talvez levar os dois fosse vantajoso para si. Ela se encostou na parede atrás e respirou fundo.
Foi até o quarto de Gina e pegou um pedaço de pergaminho, e redigiu:

Tia Molly e tio Arthur,
Juno passou pela madrugada e me buscou na Toca. Sendo um assunto importante a se tratar diretamente comigo, decidi não acordá-los. Eu sinto muito por ter saído em meio à madrugada, mas não se preocupem! Estou segura e bem acompanhada, e quando finalmente estiver em minha casa novamente, mando uma coruja para confirmar que cheguei.
Obrigada pela hospitalidade e pela preocupação de vocês, como sempre.


Desceu novamente as escadas e parou na frente da porta. Lupin estava ali, e parecia pronto para uma viagem. Ela franziu o cenho.
- Eu imaginei que essa fosse ser a decisão. - ele sorriu de leve e ergueu o braço para a garota. hesitou, mas envolveu seu braço no dele, e então, Remo aparatou.
Eles foram parar em um lugar familiar, um lugar que bem conhecia. Remo colocou as mãos nos bolsos encarando a fachada da casa dos . A falta de Albion pesou os ombros dos dois, já que aquele lugar, indubitavelmente, remetia diretamente à ele.
olhou confusa.
- Juno...?
- Você não vai encontrá-la, e isso posso garantir. - ele passou a mão pela cabeça dela carinhosamente, fraternamente. A pousou em seu ombro. - Envie uma coruja ou espere que ela venha. Eu vou avisar aos Weasley sobre seu sumiço.
abriu a poca para dizer algo, mas Remo olhou para a porta curioso. Ela estranhava a atitude do ex professor, mas não podia dizer que estava lhe sendo de pouca ajuda que ele finalmente tivesse se tornado um pouco intrometido.
- Agora, antes disso... - ele continuou. - Você pode me mostrar o quadro? O tal "Vovô And"?
- É claro, entre. - abriu a porta gentilmente e deu espaço para que o professor entrasse. Ele esperou que ela entrasse primeiro, e então parou no tapete de boas vindas. - Eu só não sei se vai adiantar. Ele não aparece aqui fazem dias.
Remo ouviu atentamente e se aproximou do quadro, passou as mãos pelas extremidades e analisou o retrato. Só podia ver uma porta; se tratava de um quadro antigo, tinha uma moldura bonita e envernizada. Não muito diferente do que estava na casa dos gritos, de fato. Exceto por alguns arranhões e, talvez, rasgos em algumas partes.
- É, sem dúvidas, o mesmo quadro. - ele garantiu. - Estão conectados. O tal And com toda certeza tem acesso à casa dos gritos. - confirmou.
- Então eu posso...?
- Eu não sei. - ele ergueu o quadro, tentando identificar qualquer fonte de magia por baixo. Nada. - Não acho que seja uma passagem secreta, mas as pinturas estão conectadas.
passou a mão pelo rosto sentindo sua paciência se esgotar a cada segundo que passava pensando naquele assunto. Ela resmungou algo e se sentou na ponta do sofá. Seu corpo se ergueu em um pulo assustado quando uma terceira voz invadiu a sala, do lado da janela, perto da cortina.
- Então já se encontraram. - a voz de Juno soou baixa, calma. Ela não parecia ter a autoridade de sempre. Seu olho bom estava cansado, fixo. O outro, ela cobria agora com um tapa-olho. A cicatriz ainda varava seu rosto, e era possível notá-la. se assustou pela presença dela, e principalmente pela sua atitude.
Remo segurou o braço da garota cautelosamente a colocando atrás de si.
- Sparks? - ele apertou o braço de com cuidado, como se a avisasse para tirar a própria varinha. - Dumbledore me alertou sobre você.
- Parece que desde que Sirius se foi, eu me tornei o próximo alvo. - ela disse, erguendo os olhos para ele. - Soltem as varinhas, por Merlin.
segurou o braço de Remo, acalmando-o. Não sabia a razão para aquela tensão, ela confiava plenamente nos dois.
- Juno? - ela se aproximou. A voz da menor pareceu ter feito Juno cair de seus delírios, ela finalmente balançou o rosto e fechou os olhos aliviada.
- Você sumiu, e eu realmente me preocupei. - ela bufou, levando a mão ao coração. Olhou um pouco inconformada para Remo, como se sentisse que foi traída.
Remo ainda segurava o que realmente queria dizer desde o início daquela noite, e as duas outras pessoas presentes ali podiam sentir isso. olhou para o quadro e então para Juno novamente. Pediu a permissão de Remo visualmente, e ele concedeu.
- Você sabe sobre isso, não sabe? - apontou para o quadro. - Isso, a casa dos gritos, a Ala, tudo isso. Você sempre soube. - não havia tom de acusação em suas falas, mas Juno tomou aquilo como um atrevimento pessoal. Ela sempre dera tudo de si para proteger a garota, mesmo de Dumbledore.
Ela olhou para Remo e mordeu o lábio em pura inconformidade.
- Vocês dois conversaram demais sobre mim, e eu dei tempo demais pra vocês. - ela respirou fundo. - Dei tempo demais pra todos na história acabarem desconfiando das pessoas erradas.
- Do que está falando...?
- Eu estou falando disso - a última palavra saiu mais alta, um grito que assustou a garota. Juno se aproximou do quadro e o ergueu, o bateu violentamente contra a parede e voltou a gritar: - Saia, Ander! Eu estou farta de ser parte disso!
estava assustada, e Remo parecia não compreender o que acontecia por ali. Ele esperou e nada aconteceu, o quadro sequer se moveu. Juno franziu o cenho furiosa e ergueu sua varinha. O homem instintivamente se colocou na frente de novamente, mas ela apontou a varinha na direção do quadro.
- Revelio!
O velho foi, aos poucos, aparecendo no quadro. Abraçava as próprias pernas e parecia assustado com a situação. franziu o cenho, não imaginaria aquilo. Juno virou o quadro na direção da garota e deu um pequeno empurrão com seu joelho.
- Diga a ela o que ela quer saber!
- Q-Querida... - ele respondeu, gaguejando. - Me perdoe, eu de fato estive, hm... como posso dizer...
- Esteve se escondendo. - resumiu, furiosa. - Vovô, você precisa me dizer o que é A Ala.
O homem se manteve em silêncio e abaixou a cabeça nos joelhos. Juno deu mais um chute considerável no quadro e o jogou no chão, se esticando em frente. Apontou a varinha para ele novamente.
- Eu já perdi a paciência há muito tempo. - ela alertou, e nenhum dos dois presentes pareceu ter a mínima vontade de impedi-la dessa vez. se aproximou do quadro novamente, se ajoelhou para que estivesse ao lado do homem agachado por ali.
- A Ala!
Ele se agarrou na moldura e se aproximou mais da tela, de . Seus olhos pareciam ter-se tornado vermelhos como o próprio sangue, o fundo do quadro se tornou escuro e um céu avermelhado começou a surgir. A porta desapareceu, os cabelos de vovô And caíam e revelavam um homem muito mais velho, praticamente esquelético.
Ele abriu uma expressão assustada, olhos fundos como um abismo.
- Você quer saber sobre a Ala, Amelie, ... . - ele sorriu, sua voz soava gaguejante, uma tonalidade diferente da usual. - Olhe para o seu interior e contemple seu abismo, garota rebelde... Seu nascimento é repleto de ódio, repleto de culpa. Seu coração é tomado pelas trevas que você bem conhece. A Ala está na ponta da sua língua, garota. Encontre a comuna antiga que tentava evitar bruxas como você... Céus, os sacrifícios que aquele homem fez por você...
- O meu pai?! Que homem? - ela se ergeu, assustada. - O que quer dizer, comuna... Que comuna? A Ala é uma sala de encontros? O que é isso?!
- O lobo não era o único a fazer jus o nome Casa dos Gritos...
olhou para Juno como se não compreendesse, mas nem ela nem Lupin pareciam entender melhor o que estava acontecendo. Os olhos de And voltaram ao normal e eventualmente sua aparência também. Ele tossiu algumas vezes e piscou, olhou para todos os presentes assustado.
Ele se encolheu mais, pareceu ter noção do que acabara de acontecer. Com alguns minutos, já havia desaparecido do quadro novamente. caiu no chão, suas pernas não funcionaram direito por um vacilo de segundo. Apoiou a cabeça no sofá enquanto Juno e Lupin se ajoelhavam ao seu lado, procurando apoiá-la.
- Você está bem? - Juno foi a primeira a perguntar, segurou o braço da garota. assentiu positivamente, olhava para o teto.
- Eu preciso dormir. - ela respondeu, imediatamente. - Eu preciso muito dormir. Eu preciso...
E então, o escuro.
- x -

Remo desceu as escadas. Tinha erguido a garota em seu colo, a levado até seu quarto e garantido que tudo ficaria bem por ali. Passou a mão pelo rosto vendo Juno acariciar as penas de fora da gaiola. A coruja parecia gostar dela.
A mulher dos cabelos brancos lançou seu olhar ao lupino e então de volta à coruja.
- Elas parecem gostar de você.
- E também de você. Eu me pergunto porquê optou por não ter uma.
- Você sabe bem. - ele respondeu, como se fosse óbvio. Juno revirou os olhos.
É claro. Ela.
- Bem. - ela raspou a garganta. - Vou passar a noite aqui, ao menos hoje. Se voltar à Toca, avise aos Weasley que ela voltou e que está comigo. Avise que a trouxe, também. Você conhece a Molly. Ela surtaria.
- Ela vai surtar de qualquer jeito. - ele resmungou. - Ei, eu te devo um pedido de desculpas. Eu não devia ter duvidado de você. - bufou. Juno ficou em silêncio.
- Pedido aceito. - brincou. Deixou a coruja em sua gaiola e esticou as pernas pela janela, se sentando no parapeito. - Eu faria o mesmo no seu lugar. Eu estou aqui por ela, Remo. É o único motivo, literalmente. Desde que ele se foi...
- Todos nós estamos tristes. - ele argumentou, balançando a cabeça. - Eu preciso ir. Preciso da poção e preciso acalmar a Molly desde este segundo.
Juno riu de leve acompanhando o homem se transformar em um vulto de luz e sumir pela janela onde estava sentada. Apoiou a cabeça no aro atrás de si, olhou para o céu que começaria a amanhecer em breve.
Conhecia bem aquelas frases.

A escuridão dentro dela a consumirá, com o tempo. Ela é uma arma poderosa, que Voldemort certamente teria prazer em obter. É questão de tempo até que a escuridão se exteriorize. É questão de tempo até que ela saiba, que entenda. Ela é a filha do mal.

Continua...



Nota da autora: Voltei novamente, meninas! Como prometido, voltando a atualizar Eclipse, DOE e Sweet Poison a todo vapor. <3 Tem algumas coisinhas pra avisar aqui: eu criei um instagram só pras minhas ficzinhas, pra avisar pra vocês quando tiver atualização, quando for enviada a att, previsões, uns trechinhos, artes bonitas e etc... Se vocês quiserem seguir, é @mthware.docx o insta. Também penso em criar um grupo no facebook, o que vocês acham? Eu tenho poucas fics, mas como sou péssima em manter horários, isso me ajudaria a atualizar com mais frequência! Me digam o que vocês acham nos comentários e caso seja um feedback legal, eu crio o facebook e mando aqui na próxima att. Espero que vocês tenham gostado e beijão!


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