Última atualização: 16/03/2019
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Prólogo

Abril de 2012, Charlotte, Carolina do Norte, Estados Unidos

A música alta soava pelo ambiente, misturando-se as luzes coloridas que brincavam pelo teto. A quantidade de pessoas que estavam dentro daquela casa com certeza extrapolava o número considerado seguro. Para alguém com claustrofobia, a festa seria um pesadelo. , porém, não sofria disso. Com certa facilidade, ela se locomoveu entre as pessoas, passando por alguns cômodos, até que chegou em seu destino: o bar - ou a cozinha, já que em house parties era onde ele geralmente ficava. Deu alguns passos em direção a um dos vários coolers que tinham por ali e pegou uma cerveja. Estava se preparando para abri-la, quando uma voz masculina soou ao seu lado.
- Deixa que eu abro pra você.
Ignorando o garoto, ela levou a garrafa até sua blusa, abrindo-a com a ajuda do tecido. Levantou seu rosto e virou-se para ele. Sorriu de maneira satisfeita e até um pouco convencida, já que não era sempre que conseguia fazer isso.
- Ou não. - O garoto disse novamente e ela o ouviu rir baixo.
- Quer dividir? - perguntou e o ele assentiu, virando-se para pegar um copo. A garota virou quantidade suficiente da long neck no copo dele e então levou-a até a boca, dando o primeiro gole. - Sou .
- . - Ele disse, apresentando-se. - Valeu pela cerveja. - Agradeceu, encostando-se no balcão. Ela sorriu. - Você também parece um pouco deslocada, é nova aqui?
balançou a cabeça em negação e permaneceu no mesmo local, em frente a ele. Só então pode prestar atenção em suas características: loiro, de olhos claros e um sorriso lindo - o qual fazia surgir covinhas adoráveis em suas bochechas.
- Na verdade, não. Tô no segundo ano, só não costumo frequentar muito essas festas. - Respondeu, bebendo mais um gole da cerveja.
- E o que te fez vir hoje? - perguntou, curioso.
- Sinceramente? - Ela riu, dando de ombros, enquanto ele mantinha seu olhar fixo nela. - Eu não sei. Minha amiga foi passar o fim de semana na casa do namorado em Boone, e eu resolvi sair um pouco, pra variar. - Sorriu, trocando o peso de seu corpo para a outra perna, cruzando os braços. - Você é novo aqui, então?
- Na verdade, não. - Repetiu a fala dela, fazendo-a rir baixo. - Vim passar a semana na casa de um primo e ele me arrastou pra cá. Moro na Carolina do Sul. - Ele respondeu, levando seu copo até a boca e bebendo um gole.
ia continuar a falar, mas um rapaz bateu seu corpo em , empurrando-a para frente, fazendo com que a garota derrubasse a garrafa que segurava. Para não cair, ela apoiou seus braços no corpo de , sendo prontamente segurada por ele.
- Garoto babaca. - xingou, bufando, um pouco irritada. Subiu seu olhar para , que a observava com atenção, tentando não se deixar afetar pela proximidade dos corpos dos dois. - , desculpa... - Ela pediu, dando um passo para trás e afastando-se dele.
- Que isso, não esquenta. - Ele disse, sorrindo brevemente. - O que acha de pegarmos algumas cervejas e irmos pra um lugar mais tranquilo e menos cheio de gente?
- Topo. Assim talvez eu não caia mais em cima de você. - disse, fazendo-o rir.
A garota foi em direção à mesa e pegou dois copos, enquanto tirou algumas cervejas de um dos coolers, deixando quantidade suficiente para ele e . Quando terminou, fechou a caixa e se virou, encontrando a menina já parada ao seu lado. Ela entrelaçou seu braço no dele e juntos, saíram da cozinha, caminhando pelo corredor, passando por algumas portas já fechadas. Quando estavam quase desistindo de encontrar um quarto, viu uma pequena porta no chão. , seguindo o olhar da garota, sorriu.
- Tá pensando no que eu tô pensando? - Perguntou, fazendo-a rir.
- Eu acho que sim! - respondeu. - Mas você vai primeiro, vai que eu desço e você me tranca aí dentro?
rolou os olhos, mas acabou rindo. Se abaixou e abriu a portinhola, revelando uma escada. Virou-se e colocou os pés nos degraus, descendo-os. Em certo ponto, pediu para lhe alcançar o cooler com as cervejas, coisa que ela prontamente fez. Assim que o pegou, encostou os pés no chão e soltou o cooler ao seu lado. Olhou ao redor do cômodo, satisfeito com o que viu.
- Pode descer. - Disse, chamando . - É bem melhor do que esperava.
A garota sorriu e colocou os pés nos degraus, descendo um de cada vez. Um pouco antes de alcançar o chão, ela puxou a porta e a fechou, a escuridão tomando conta do local.
- Ai, que burra. - Disse, virando-se, sem saber para onde ir. - Quer que eu abra a porta de n... - A luz se acendeu, revelando um ambiente extremamente aconchegante. Ela sorriu para o loiro. - Uau, realmente não esperava por isso.
O porão era completamente decorado e mobiliado. As paredes em tons claros, com alguns quadros. Também havia um grande puff que comportava quatro ou cinco pessoas, com uma televisão logo em frente. No outro canto, havia um fliperama e um bar vazio.
sorriu assim que terminou de observar os arredores e então, sem aviso prévio, correu em direção ao enorme puff, jogando-se nele. Ouviu a risada de e se virou a tempo de ver o garoto se aproximar. Ele sentou ao lado dela e abriu o cooler, abrindo uma cerveja em seguida. A menina pegou os dois copos e estendeu-os para ele. Quando os dois já estavam cheios, pegou um e levou até sua boca, dando o primeiro gole.
- Então... - Ele disse, fazendo-a tombar a cabeça para o lado, intrigada.
- E então o que? - Perguntou, bebendo sua cerveja.
- E agora, o que fazemos? - questionou, jogando seu corpo para trás. fez o mesmo.
- Acho que podemos jogar um jogo. - Ela disse e ele virou o rosto para ela novamente. - Só perguntas. Não, espera. Esse não envolve bebidas. Tem outro...
riu da confusão da menina, franzindo o cenho para ela. A noite estava extremamente agradável, a companhia de era ótima - além de ela ser linda - e ele não se importaria de passar o restante do tempo com ela.
- Ah! Eu nunca. Vamos jogar eu nunca! - Exclamou, animada. - Você sabe como funciona?
- Preciso falar algo que já fiz ou não, e se você já tiver feito, você bebe, né? - Perguntou, vendo a garota assentir. - Certo, eu começo. - Ele disse, ajeitando sua postura e aproximando-se dela. - Eu nunca desmaiei por beber demais.
- Sem graça. - revirou os olhos, dando um gole em sua cerveja. - Eu nunca fiz sexo na primeira noite. - Comentou, vendo beber sua cerveja em seguida. - Previsível.
Ele riu, arrancando risadas dela também. O jogo continuou por um tempo, as garrafas de cerveja foram se esvaziando, uma após a outra. Em certo momento da noite, sem perceber, os dois estavam sentados quase grudados. Em meio a risadas, proclamou:
- Eu nunca tive vontade de te beijar.
quase cuspiu sua cerveja, arregalando os olhos para ele. O garoto sorriu de lado, uma covinha se formando em sua bochecha. Os olhos de desceram para os lábios dele e, um pouco sem jeito, ela mordeu seu próprio lábio inferior. , percebendo o olhar da garota, pegou o seu copo e o dela, soltando-os no chão. Depois, aproximou-se dela, levando uma de suas mãos até seu rosto, acariciando-o levemente. Devagar, foi deitando por cima de , que passou seus braços ao redor do pescoço de . Ela fechou os olhos assim que ele o fez e, quando finalmente seus lábios se encostaram e os dedos dele entrelaçaram-se no cabelo dela, o garoto soube que não havia volta. Nunca esqueceria do toque quente de seus lábios, da maciez de seus cabelos e do cheiro de baunilha que ela exalava. Para , seria sempre a garota de Charlotte. Para , seria sempre uma boa, bonita e agradável lembrança.


Capítulo 01


Junho de 2018, Charlotte, Carolina do Norte, Estados Unidos

Há pouco o sol havia surgido no céu, anunciando o início de um novo dia. O som irritante do despertador começou a soar pelo quarto e uma cabeça surgiu no meio dos cobertores. esticou o braço para o lado, desligando o aparelho. Abriu os olhos, levando um tempo para habituar-se com a claridade. Quando o fez, sentou na cama. Seus cabelos estavam completamente bagunçados e seus olhos borrados por conta do rímel que ficou com preguiça de tirar na noite anterior. Lentamente, ela levantou os braços, esticando-os, de forma a se espreguiçar. Colocou as duas pernas para fora cama, quase derrubando Dobby, seu gato, que dormia na beirada do móvel. Finalmente se levantou e enquanto andava em direção ao banheiro, tirou a camiseta que usou como pijama e jogou no cesto de roupas sujas, indo tomar um banho em seguida. Alguns minutos depois e já estava terminando de secar seu cabelo. Passou uma leve maquiagem no rosto, como sempre fazia e então foi se vestir. Ao sair do quarto, bufou ao ver Dobby deitado em cima de sua saia preta.
- Poxa, Dobby! - Tirou-o de cima da saia e colocou-o no chão. - Eu vou vestir isso agora, preciso tirar todos os seus pelos, seu fedido!
O gato miou para a dona e se virou, empinando o rabo e saindo do quarto, como se disse que não estava nem aí. Camile quis rir, mas se conteve. Pegou o aparelho de tirar pelos e limpou sua saia antes de vestir. Uma saia preta na altura dos joelhos, um blazer da mesma cor e uma camisa branca, com um sapato preto de salto baixo. Depois de dar uma última olhada no espelho, Camile seguiu para a cozinha. Pegou a garrafa de suco de laranja na geladeira e serviu um copo. Depois, preparou iogurte com granola e morangos, seu café da manhã diário. Comeu enquanto verificava suas redes sociais, respondendo algumas mensagens. Em poucos minutos, já havia terminado. Antes de sair, foi ao banheiro para escovar os dentes e depois voltou, despedindo-se de Dobby - que agora se encontrava esparramado pelo sofá -, pegando seu notebook, sua pasta de projetos e sua bolsa antes de sair de seu apartamento, fechando a porta atrás de si. Quando saiu do elevador, caminhou pelo corredor até chegar na portaria, onde cumprimentou o porteiro e, milagrosamente, no dia de hoje, ela obteve resposta - coisa que nunca acontecia. O Sr. Louis era a pessoa mais antipática que ela conhecia.
- Bom dia, Srta . - Ele disse, um sorriso presunçoso em seus lábios, que fez a mulher franzir o cenho.
- Que bicho mordeu o senhor? - perguntou ainda o olhando torto quando se aproximou de sua caixinha de correios, abrindo-a.
- Recebi uma notícia muito boa ontem. - Sr. Louis respondeu, ainda com o mesmo sorriso em seu rosto. - Você a receberá também, mas acho que não será tão boa pra você...
pegou os envelopes de dentro de sua caixa e voltou a fechá-la. Guardou-os em sua bolsa e voltou a fitar o porteiro.
- O senhor é estranho. - Comentou, começando a se irritar com o sorriso debochado no rosto dele. - Prefiro quando não fala nada. Tenha um bom dia. - Despediu-se, virando as costas para ele e saindo do prédio.
Assim que o ar fresco bateu em seu rosto, ela sorriu. costumava ser muito bem-humorada pelas manhãs - raros eram os dias em que demorava a acordar e que estava de mau humor. Caminhando pela rua, ela sorriu para várias pessoas que cruzaram seu caminho até o metrô e, assim que entrou no vagão, sentou-se, permitindo relaxar o restante do trajeto até seu trabalho. A arquiteta sabia que quando chegasse lá, seu bom humor iria pelo ralo, uma vez que hoje teria uma reunião com o novo engenheiro da construtora - o qual ela já conhecia por nome e não gostava nem um pouco. Não entendia a necessidade - tudo bem, talvez fosse só uma infeliz coincidência - que seus chefes tinham de contratar somente engenheiros babacas, levando em conta também os anteriores, que, graças a uma força maior, foram demitidos.
Com a certeza de que teria que se impor para que o engenheiro a respeitasse e que talvez até tivesse que fazer algumas sessões de iôga para relaxar devido ao estresse que ele lhe faria passar, saiu do metrô, dando passos decididos até chegar no edifício onde a construtora ficava. Passou pelas grandes portas de vidro e caminhou até o elevador. Não teve que esperar muito, pois logo ele chegou ao térreo e ela entrou juntamente com outras pessoas que também esperavam. Apertou o botão do décimo segundo andar e aguardou, desejando bom dia às pessoas conforme elas saíam em seus andares. Quando finalmente as portas se abriram, revelando a recepção da construtora, se despediu de quem permaneceu no elevador e saiu, ajeitando sua bolsa em seu ombro e a pasta que carregava em suas mãos. Aproximou-se da mesa onde ficavam as três secretárias da empresa: Sadie, do setor de arquitetura, Lorena, do setor administrativo e Claire, do setor de engenharia. A primeira e eram praticamente melhores amigas, e foi a arquiteta quem conseguiu o emprego para ela. As outras duas também faziam parte do círculo de amizades, muitas vezes saíam até juntas para beber uma cerveja depois do expediente.
- Bom dia, meninas. - Cumprimentou as secretárias, aproximando-se da mesa e apoiando seu corpo no móvel.
- Bom dia, . - As três mulheres responderam, sorrindo para a arquiteta.
- Algo pra mim, Sadie? - questionou, virando-se para a melhor amiga.
- Por enquanto não, . Te aviso se surgir algo. - A mulher respondeu, sorrindo para a chefe.
- , espera só até você ver o engenheiro novo... - Lorena comentou, fazendo revirar os olhos.
- Eu já o conheço. É um dos maiores idiotas que já tive o desprazer de conhecer. - Respondeu, batucando suas unhas no balcão.
- Não, . Houve um imprevisto e contrataram outro de última hora... - Claire respondeu. – Ele já passou por aqui, eu fiquei de ir à sala dele em alguns minutos.
- E ele é um gato. Puta que pariu - Sadie comentou, abaixando sua voz e passando a cochichar - é um gostoso da p...
- Sadie! - a repreendeu e as outras duas começaram a rir, enquanto Sadie só deu de ombros.
- Você vai concordar comigo quando ver ele na reunião. - A secretária disse, abrindo um sorriso de canto.
- Vocês três são impossíveis. - comentou, começando a se afastar e acenando para as mulheres.
- E você nos ama. - Lorena falou, as outras duas concordando em seguida.
riu, balançando a cabeça. Tinha sorte por ter sua melhor amiga como sua secretária, o ambiente de trabalho se tornava descontraído, além da confiança que rolava entre as duas. Mais alguns passos e abriu a porta de seu escritório, entrando na sala. Guardou sua bolsa no armário e foi até sua mesa. Sentou-se na cadeira e abriu a pasta com seus projetos, assim como seu notebook. Abriu o projeto em que estava trabalhando e começou a alterar os detalhes necessários, torcendo para que o tempo passasse de maneira rápida até o horário da reunião. Ela não confessaria, mas estava curiosa para conhecer o novo engenheiro.
Há apenas algumas salas de distância da arquiteta, estava sentado em sua cadeira quase dormindo, apenas o barulho da caneta que ele apertava sem parar denunciando que não caíra no sono. Apesar de ser o seu primeiro dia na construtora e a ansiedade estar quase lhe consumindo, a dificuldade para acordar cedo ainda estava presente. Se pudesse, começaria a trabalhar só depois das 10h da manhã. Para que conseguisse acordar, era necessário que o despertador tocasse duas ou três vezes, e mesmo assim, às vezes ainda era difícil despertar.
Era seu primeiro dia na construtora, ele conseguira o emprego de última hora e ainda não estava acreditando. O engenheiro que estava designado para o cargo que ele agora ocupava, recebeu uma oferta melhor. Era perto das 21h da noite de sexta-feira quando recebeu o telefonema de um velho amigo de seu pai, um dos donos da construtora, oferecendo o trabalho para ele, com início imediato na segunda-feira. Sem pensar duas vezes, ele aceitou, arrumando apenas o que era estritamente necessário para a mudança. No domingo de madrugada, entrou em seu carro e fez o trajeto de Columbia, na Carolina do Sul até Charlotte, na Carolina do Norte. Mal teve tempo de arrumar suas coisas, o apartamento que conseguiu alugar ainda estando completamente bagunçado - o que o deixava maluco, não via a hora de arrumar todas as suas coisas.
Ter sido chamado para esse cargo significava muito para . Além de ser seu sonho se tornar engenheiro, também era o de seu pai. Ele concluiu a faculdade com honras um pouco antes de o mais velho falecer, então foi possível enxergar o brilho de orgulho nos olhos do Sr. todas as vezes que falou sobre isso durante seus últimos dias de vida. Depois da morte dele, e sua irmã, Victoria, se aproximaram ainda mais, uma vez que agora só tinham um ao outro, já que a mãe dos dois, Emma , morava no Canadá e não era sempre que eles conseguiam se ver. Apesar de ter que se afastar do irmão, Victoria insistiu para que ele se mudasse e não se preocupasse com ela. Mesmo sendo dois anos mais nova, ela já sabia se cuidar e morar sozinha certamente não seria um problema.
Algum tempo depois, olhou para o relógio na parede e constatou que já eram quase 10h da manhã. Levantou-se e ajeitou sua gravata, fazendo o mesmo com o colarinho de sua camisa. Pegou sua pasta em cima de sua nova mesa de trabalho e rumou para a porta. Abriu-a e logo saiu, começando a andar em direção à sala que previamente lhe fora apresentada como o local onde seria a reunião. As pessoas passavam por ele e lhe cumprimentavam com um aceno de cabeça, algumas desejando um bom dia. Um pouco a sua frente, enquanto andava pelo corredor, uma porta se abriu e dela saiu uma mulher, que vestia uma saia preta e um blazer da mesma cor.
tentou, mas não conseguiu não acompanhar o movimento do quadril dela a cada passo que dava, sua bunda se movendo de maneira deliciosa para lá e para cá. O cabelo que caía até um pouco abaixo dos ombros balançando levemente, acompanhando os passos da mulher. Soltou o ar pelo nariz, um pouco aliviado - sensação essa que não durou muito - quando ela se virou e entrou na mesma sala de reuniões para onde ele estava indo. Mais alguns passos e ele fez o mesmo, o dono da construtora vindo imediatamente em seu encontro, antes que ele pudesse procurar a mulher e verificar se seu rosto era tão bonito quanto seu traseiro.
- , filho! - Tony, o velho amigo de seu pai e seu mais novo chefe o cumprimentou, puxando-o para um abraço. - Esse é Leonard, meu sócio. - Apresentou o homem ao seu lado.
- Olá, é um prazer conhece-lo, Leonard. - estendeu a mão para o homem, que a pegou imediatamente.
- Estamos muito felizes e até um pouco aliviados por ter você aqui, . - Leonard disse, sorrindo para o engenheiro. - Precisamos de uma mente nova e moderna, sabe como é...
- Fale por você, Leonard. - Tony comentou, fazendo os outros dois rirem. - Bom, vamos começar? Vou te apresentar para a equipe e depois começaremos a discutir a obra que a prefeitura nos contratou para fazer.
- Certo, vamos lá. - concordou.
Os três se viraram e cada um tomou seu lugar na mesa, sentando-se ao lado de Tony. O engenheiro deixou sua pasta sob a mesa e ergueu seu olhar, passando-o por todos ali presentes rapidamente. Leonard começou a falar, apresentando e falando sobre à obra que tinham que fazer.
Sentada em sua cadeira, encarava o novo integrante da equipe com os olhos estreitados e o cenho franzido. Que ele não era o tal engenheiro que ela odiava, tinha certeza. E ele realmente era um gostoso, como Sadie dissera mais cedo. Mas a arquiteta parecia conhecê-lo de algum lugar, sua cabeça trabalhando para tentar se lembrar de onde. Aqueles olhos, ela já os tinha visto, tinha certeza...
- Bom dia. - Cumprimentou, levantando-se e apoiando as mãos na mesa. - Sou e sou o novo engenheiro...
arregalou os olhos ao ouvir o nome dele. Deus, era ele. Seis anos depois e o garoto - agora homem - que havia passado a noite com ela no porão de uma casa na época da faculdade, estava ali, em sua frente. O mesmo cabelo loiro, os olhos azuis e as tão adoráveis covinhas em suas bochechas. Como ela não o reconheceu antes? Sua mente voou para aquela noite, as lembranças a atingindo com tudo. Enquanto olhava para os olhos dele, lembrava-se de como o toque de seus lábios eram macios, das mãos dele passando por seu corpo, e...
- ? - Tony chamou.
A arquiteta mordia a ponta de sua caneta, o olhar fixo em . Só percebeu que fazia isso quando ouviu seu nome ser chamado, afastando a caneta da boca imediatamente e piscando várias vezes, tentando disfarçar, sem sucesso, o transe em que se encontrava milésimos de segundos atrás.
- Oi? - Respondeu, olhando para o chefe, que franziu o cenho. - Quero dizer, me desculpe. – Levantou, passando a mão por suas roupas antes de estender a mão para o engenheiro. - Sou ...
- . - completou, abrindo um sorriso para ela, fazendo com que a adorável covinha aparecesse em sua bochecha. - Me lembro de você.
Se soubesse que a dona da bunda tão deliciosa que vira antes era , não teria se preocupado em ver o rosto da mulher, porque já saberia que ele era tão lindo quanto a outra parte do corpo. Ah, como o tempo lhe fizera bem...
- Vocês já se conhecem? - Tony perguntou, olhando confuso para os dois.
- Nos conhecemos na faculdade. - respondeu, seu olhar ainda fixo em , que o retribuía com a mesma intensidade.
- Certo, acho melhor voltarmos ao que interessa. - Tony disse, voltando seu olhar para o restante dos profissionais sentados a mesa de reunião. e , porém, demoraram um pouco mais para quebrar o contato visual e só o fizeram quando Tony citou o nome deles, trazendo-os de volta à realidade. - Como eu ia dizendo, é a chefe dos arquitetos, portanto, tudo deverá ser discutido em conjunto com ela. O mesmo para , os demais engenheiros deverão se reportar a ele. Nada diferente do que vocês já estão acostumados. - Completou Tony, vendo o restante de seus funcionários concordar. - , por favor, apresente o projeto.
tomou a frente, abrindo sua pasta e repassando todas as informações que havia recebido de Tony. Estavam presentes na reunião somente uma parte das pessoas que ali trabalhavam. A equipe da construtora era excelente, contando com quatro arquitetos, além de e mais três engenheiros, além de . Tony e Leonard também eram engenheiros, mas quase não colocavam mais a mão na obra, ficando somente com os trâmites legais que envolviam todas as obras que a construtora fazia, contando com a ajuda de um administrador, um contador e um advogado. Além desses profissionais, também haviam alguns estagiários, e, é claro, as secretárias.
Cerca de uma hora depois, a reunião foi encerrada. Cada um dos profissionais seguiu para seu local de trabalho. se demorou um pouco mais, organizando seus papéis e guardando-os em sua pasta da maneira que sempre fazia. Pelo canto do olho, ele percebeu que ainda havia mais uma pessoa na sala com ele. Silenciosamente, torceu para que fosse , mas quando terminou o que fazia e levantou seu olhar, não encontrou mais ninguém. Acabou deixando um suspiro baixo escapar. Em seguida, pegou sua pasta e saiu da sala, apagando a luz e fechando a porta ao passar por ela. Alguns passos e já estava no setor de engenharia, de volta ao seu escritório. Apesar de ser seu primeiro dia, já tinha bastante trabalho a fazer.
, por sua vez, discava os números da recepção em seu telefone, enquanto sentada em sua cadeira no escritório.
- Arquitetura, Sadie. - A amiga atendeu.
- É o , Sadie. - contou, batucando as unhas em sua mesa de maneira ansiosa.
- Sim, o novo engenheiro é , o que ach... - Sadie disse, fazendo a amiga revirar os olhos, impaciente.
- Não, Sadie! É o ! - repetiu, interrompendo-a e aguardou que a secretária falasse algo, mas ao invés disso, a linha ficou muda.
A arquiteta afastou o telefone da orelha e franziu o cenho, colocando-o na base novamente. Ia começar a tentar organizar sua mesa quando a porta de seu escritório abriu em um rompante, revelando Sadie com os olhos arregalados em surpresa.
- Ele é o ? - Praticamente berrou e fechou a porta atrás de si.
- Sim. - respondeu calmamente. - Para de gritar, Sadie! - Pediu, cruzando as pernas.
A amiga riu, empolgada e deu alguns pulinhos antes de se sentar na poltrona em frente à mesa de . Sadie apoiou os braços na mesa e deitou o rosto sobre eles, olhando de maneira ansiosa para .
- O que foi, louca? - perguntou, segurando o riso diante a expressão da outra.
- Como o que foi?! - Exclamou, movimentando os braços. - Me conta! Que ele é um gostoso da porra eu já sei, te falei antes... Quero saber o que você sentiu, o que houve quando os olhos dos dois se encontraram e você suspirou apaixonadamente e...
- Sadie.
- ... E ele fez o mesmo, lembrando de como o seu beijo era bom e como queria rep...
- Sadie! - gritou, tirando a amiga de seu transe. - Você é retardada ou o quê?!
- Eu só quero um pouco de romance pra animar nossa vida, qual é? - Cruzou os braços, deitando o corpo para trás e apoiando as costas no encosto da poltrona, sem tirar os olhos da arquiteta. - Anda, desembucha!
- Meu Deus. - Revirou os olhos, ajeitando-se na cadeira. - Eu não reconheci ele de cara, foi só quando ele se apresentou que eu me dei conta. Ele tá igual, Sadie. Quer dizer, tá mais bonito e obviamente mais gostoso, mas os mesmos olhos, as covinhas... - abriu um sorriso ladino ao se lembrar.
- Ih. Já to vendo tudo! - Comemorou Sadie, batendo palmas animadas. - Vai rolar um remeeeember... - Cantarolou, sendo atingida por uma bolinha de papel que jogou.
- Cala a boca e sai daqui, vai. - riu ao ver a amiga mostrar a língua para ela antes de se levantar e andar até a porta.
- Ah, antes que eu me esqueça... - Sadie se virou, apoiando-se na porta já aberta. - O dono do seu apartamento, Paul, ligou enquanto você tava na reunião. Disse que passou no prédio e deixou um envelope pra você. É importante e pediu pra você ligar ele o mais rápido possível. - Finalizou e agradeceu a amiga.
Pegou seu celular e procurou o número de Paul, logo iniciando a chamada, mas não obteve resposta. Suspirou e virou-se, arrastando a cadeira de rodinhas até o armário para pegar sua bolsa. Tirou as cartas que pegara mais cedo e voltou para a mesa. Um por um, ela olhou todos os envelopes. Dois boletins com avisos de promoção, conta de luz, de internet e por último um envelope sem identificação. rasgou a lateral e tirou os papéis de dentro, desdobrando-os para ler.

,

Acho que à essa altura já conversamos por telefone e você já está ciente, mas vou explicar brevemente aqui também. É com infelicidade que preciso pedir que se retire do apartamento. Recebi uma proposta muito boa para vender e, na condição que estou, não posso negar. O comprador precisa do apartamento dentro de trinta dias, então preciso que saia em até vinte dias, para que eu possa ajeitar o imóvel. Me desculpe avisar em cima da hora, espero que entenda. Junto com esse bilhete, estou enviando a última fatura do aluguel. Espero seu telefonema. Se eu puder ajudar em algo, me avise. Mais uma vez, sinto muito.

Paul.”

encarava o papel em suas mãos, sem acreditar no que estava lendo. Vinte dias para sair de seu apartamento? Como encontraria outro com preço acessível e ótima localização em tão pouco tempo? Xingou-se mentalmente, arrependendo-se de não ter feito um contrato com validade legal quando alugou o apartamento. Ela entendia que a culpa não era exatamente de Paul, mas confiou e se apegou ao fato de que o homem não faria nada do tipo com ela, já que costumava ser amigo de seu pai antes de ele virar alcoólatra e parecia nutrir certo apreço por ela.
Suspirou, derrotada, descansando seu corpo no encosto da cadeira. Levou as mãos até sua cabeça e massageou as têmporas, fechando os olhos por alguns segundos. Vinte dias. Vinte dias para encaixotar todas as suas coisas. Vinte dias para esvaziar o apartamento que morou durante os últimos quatro anos. Vinte dias para encontrar outro lugar para morar. Vinte dias para praticar exercícios de relaxamento que a ajudariam a não matar Paul assim que o visse em sua frente.
Claro que Sadie ofereceria o quarto extra que tem em sua casa, mas morar com a amiga e seu namorado/quase-marido estava fora de cogitação. Pedir ajuda à seu pai muito menos, já que que era sempre o contrário que acontecia e ele provavelmente estava tão na merda quanto ela.
Conformada de que teria que procurar outro lugar para morar, abriu seu computador e iniciou a longa busca por apartamentos com boa localização e preço acessível. Só parou cerca de uma hora depois, quando sentiu seu estômago roncar e viu que já havia passado do meio dia. Suspirando, ela abaixou a tela de seu notebook e se levantou, pegando sua bolsa, desligando as luzes da sala e saindo de seu escritório. Passou pela recepção, mas encontrou só Lorena; as outra duas provavelmente haviam saído para o almoço. Apertou o botão do elevador e cruzou os braços, aguardando que ele chegasse.
- Ei. - Uma voz falou ao seu lado, fazendo com que ela se sobressaltasse.
- Oi. - respondeu, virando seu rosto para ver quem era. Não foi surpresa alguma quando viu que era .
- Indo almoçar? - Ele perguntou e no mesmo momento as portas do elevador se abriram. esticou seu braço para que as portas não se fechassem, dando espaço para entrar primeiro. - Não conheço nenhum restaurante por aqui.
- Obrigada. - Agradeceu, encostando-se na parede. - Tem um aqui perto, é um dos poucos por kg em Charlotte e é uma delícia.
- Já sei onde ir hoje, então. - O engenheiro disse, abrindo um sorriso simpático, o qual correspondeu da mesma forma. - Se importa se eu caminhar com você até lá pra aprender onde é?
- Não, claro que não. - A arquiteta respondeu.
Os dois saíram juntos do elevador, caminhando lado a lado em direção a saída do prédio. Logo andavam em pela calçada em direção ao restaurante que comentou, um silêncio até que agradável acompanhando-os durante o início do pequeno percurso.
- Não sabia que estava morando em Charlotte. - quebrou o silêncio enquanto atravessavam a rua.
- Eu me mudei ontem. - respondeu e a mulher o olhou, surpresa. - Fui contratado de última hora.
- Mas você já tinha onde morar? - Perguntou, um pouco curiosa.
- Não. Encontrei um apartamento para alugar no sábado a noite. Pura sorte. - Ele disse, sorrindo de lado para ela.
Os dois chegaram em frente ao restaurante e indicou o local com a cabeça. abriu a porta e os dois entraram, indo diretamente para a fila do buffet. A arquiteta só conseguia pensar em como ele realmente tivera sorte em encontrar um apartamento assim, tão rápido. Intimamente, começou a torcer para que o mesmo acontecesse com ela, caso contrário, estaria ferrada.
Depois de se servir, ela olhou ao redor à procura de uma mesa, encontrando uma vazia perto da janela, no canto do restaurante. Seguiu até lá, perguntando-se silenciosamente se sentaria com ela ou se comeria sozinho. Apostou na segunda, mas, para a surpresa dela, o que aconteceu foi a primeira opção.
- Se importa? - Ele questionou ao se aproximar da mesa em que ela estava sentada.
- Fique à vontade. - Respondeu , limpando sua boca com um guardanapo entre uma garfada e outra.
- Obrigado. - Agradeceu , começando a comer em seguida.
seguiu comendo, alternando sua atenção da comida em seu prato para o homem em sua frente, observando-o de tempos em tempos. fazia o mesmo, nenhum dos dois ousando quebrar o silêncio que os acompanhava. Minutos depois, o prato de já se encontrava vazio e ela se perguntava se seria estranho demais levantar e ir embora, mas acabou concluindo que seria falta de educação de sua parte.
- Isso é estranho. - A voz de soou, quebrando o silêncio, o que fez o olhar com o cenho franzido.
- O que é estranho? - Questionou, voltando seu olhar para seu celular.
- Nós dois, frente a frente, depois de...
- Seis anos. Não que eu tenha contado. - Ela completou, dando de ombros, fazendo-o o rir baixo.
- Seis anos desde a última vez que brinquei de eu nunca. - disse e rolou os olhos, mas acabou rindo, o que contagiou o homem. - Então, você se formou em arquitetura.
- E você se mudou pra Charlotte. - A arquiteta disse, ajeitando-se na cadeira. - Quem diria que nos reencontraríamos logo de cara?
- Pois é. - Concordou , ajeitando os talheres em seu prato e limpando a boca com um guardanapo. - Acho que podemos ir.
concordou e os dois se levantaram. Seguiram até o caixa, cada um pagou por sua refeição e saíram do restaurante, novamente caminhando lado a lado, dessa vez em direção à construtora. Foi só quando já estavam praticamente entrando no edifício que quebrou o silêncio novamente.
- Muito trabalho agora à tarde? - O engenheiro perguntou assim que os dois entraram no edifício.
- Dois projetos pra finalizar e alguns problemas pra resolver. E você? - respondeu, encolhendo os ombros.
- Bastante coisa pro primeiro dia. - Ele sorriu e apertou o botão para chamar o elevador, que não demorou a chegar. As portas se abriram e os dois entraram, parando lado a lado. - Mas, hm, problemas? Algo sério? - Questionou .
- Um pouco. Mas vou dar um jeito. - Respondeu, mais para si mesma. - Preciso dar um jeito.
- Se precisar de algo... - Ofereceu , deixando o restante da frase no ar.
- Na verdade... Como você encontrou um apartamento tão rápido? Eu aceito algumas dicas. - disse, virando o rosto para o loiro.
- Ah! Eu encontrei em um site. Conheço alguns, se quiser, te passo por mensagem mais tarde. - virou o rosto para ela e abriu um sorriso pequeno.
- Eu agradeceria muito. - Respondeu, agradecida. As portas se abriram e os dois saíram no décimo segundo andar. - Quer anotar ou...? - Ao ver ele assentir, continuou. - 894-546-34. - Terminou de passar seu número enquanto passavam em frente à recepção, as três secretárias observando-os com atenção.
- Certo. - disse, anotando os números em seu celular e salvando o contato. - Vou te dar um toque e você salva meu número. Hoje mesmo te mando os links.
- Pronto. - respondeu quando seu celular começou a tocar, encerrando a chamada e salvando o número do engenheiro. - Obrigada.
Ele sorriu, exibindo suas covinhas. Antes de se virar, ainda piscou para a mulher e desejou boa tarde para as secretárias, que estavam boquiabertas observando a cena que acabara de acontecer. Ao desviar seu olhar do homem, suspirou e voltou sua atenção para as amigas.
- O que foi isso? - Sadie questionou, seus olhos brilhando em expectativa, o que fez revirar os olhos.
- Tô sendo despejada do meu apartamento e ele vai me passar alguns sites de busca de imóveis. - Respondeu, encolhendo os ombros e cruzando os braços.
- Era isso que Paul queria? - Sadie questionou, vendo a amiga confirmar.
- Eu sinto muito, . - Lorena disse, sincera.
- Eu sei. Obrigada. - A arquiteta sorriu de maneira sem graça.
- Quanto tempo pra sair? - Claire perguntou.
- Vinte dias. - Disse, suspirando um pouco alto. - Eu preciso encontrar um apartamento bom e barato em menos de vinte dias. Como vou fazer isso?
- A gente te ajuda. - Lorena respondeu. - Em último caso, você pode dormir no sofá lá de casa, né, Claire?
- Claro que sim. - A secretária sorriu e retribuiu. - Pode contar conosco.
- E com o também, pelo visto. - Brincou Sadie, fazendo revirar os olhos novamente. - Já tenho até um nome pro ship...
- Não ouse, Sadie! - disse um pouco alto, mas acabou rindo. - Vou trabalhar. Vocês deviam experimentar, sabe? Ao invés de ficar criando histórias na cabeça de vocês.
- Assim você nos ofende. - Sadie comentou, fazendo um biquinho.
- Tchau, tchau! - ignorou-a e acenou para as três, rindo enquanto andava em direção ao seu escritório, onde passaria o restante da tarde trabalhando.


Eram quase sete horas da noite quando estacionou seu carro na garagem de seu prédio. Depois de pegar sua pasta e as demais coisas, ele trancou o veículo e caminhou em direção ao elevador. Ao entrar, pressionou o botão que indicava o sexto andar e se apoiou na parede assim que as portas se fecharam. Menos de um minuto depois, elas abriram novamente mostrando o corredor e duas portas, cada uma em um lado, sendo a do lado direito a do apartamento de . Pegou as chaves em seu bolso e destrancou a porta, empurrando-a levemente com o corpo conforme entrava em casa. Soltou sua pasta na mesa e suspirou alto e longamente, olhando ao redor do cômodo.
Deus, que bagunça. Como ainda não tivera tempo de organizar sua mudança, haviam caixas espalhadas por toda a sala. Algumas levara para seu quarto na noite anterior e outras para o cômodo que viria a ser seu home office, mas não havia tido coragem de abri-las ainda. Sabia que deveria o fazer o quanto antes, pois a bagunça logo começaria a tira-lo do sério, já que ele costumava sempre manter tudo organizado. E apesar da desorganização, ele sentiu falta de um pequeno ser que sempre o recebia de maneira saltitante em casa assim que abria a porta. Victoria usou da vantagem que possui por ser irmã mais nova e convenceu o irmão a deixar Loki com ela. Ele queria adotar outro cãozinho, mas não podia fazer isso enquanto não colocasse sua vida e seu apartamento em ordem.
Com o pensamento de que o quanto antes organizasse seu apartamento, mais rápido poderia adotar um cachorro, ele decidiu iniciar pelas caixas da cozinha, mas, antes de começar, foi até seu quarto e tirou a gravata e a camisa que vestia, assim como a calça social. Depois de colocar uma calça de moletom e um chinelo, voltou para a sala e pegou, uma por uma, as seis caixas que continham as coisas da cozinha. abriu cada caixa, passando um pano por cada prato, cada panela e cada talher antes de guarda-los em seus devidos lugares. Quando finalmente esvaziou toda a caixas, os armários, prateleiras e gavetas da cozinha estavam cheios. comemorou, pois ele finalmente poderia preparar algo e inaugurar sua cozinha. Antes de começar, porém, seu celular vibrou em seu bolso, indicando a chegada de uma nova mensagem.

: Ei, desculpa incomodar, mas, sobre os sites que você comentou mais cedo... Pode me passar, por favor?
: Ah, e boa noite.

riu, praticamente ouvindo a voz de ao ler a mensagem. Antes de responder, pegou um copo d’água e se sentou em um dos bancos da cozinha, apoiando os braços na mesa à sua frente e finalmente digitando a resposta em seu celular.

: Ei, claro, desculpa a demora, tava organizando o apartamento. São três sites, eu consegui no primeiro.
: E ah, boa noite também.

Sentada no sofá de sua sala, abriu um sorriso ao ler a resposta dele, digitou um “muito obrigada” e então pegou seu notebook para acessar os sites que lhe passara. Iniciou sua busca, encontrando poucos resultados que se encaixassem no que estava procurando. Quando o apartamento era bom, o preço era absurdo. Quando o preço era bom, a localização era muito afastada. Quando a localização era boa, o apartamento era velho. Ela suspirou alto, frustrada e deixou seu corpo cair para trás, deitando-se no sofá. Seu celular vibrou e ela esticou o braço, pegando-o na mesinha de centro.

: Não que seja da minha conta, mas, você pretende se mudar?
: Sim, preciso encontrar um lugar novo pra morar.
: Contra a minha vontade, mas, tô confiante de que vou encontrar.
: Vai sim. Se precisar de ajuda, só falar. ;)
: Boa noite, .
: Boa noite, .

Soltou seu celular novamente na mesinha e puxou a coberta que sempre costumava deixar no canto do sofá - qual a necessidade de guardar se ela seria usada novamente em breve? Não tinha sentido. Quase derrubou Dobby, que estava deitado sobre a coberta. Ele miou e andou até a dona. Esperou-a se cobrir para então deitar grudado em suas pernas, ainda ficando em cima da coberta. sorriu e afagou a cabeça do bichano, depois cobriu-se até o peitoral e colocou o notebook em seu colo, voltando a passear pelos sites, visitando diversos apartamentos e salvando os que mais lhe interessaram para mandar uma mensagem ao dono no dia seguinte.
Depois de uma ou duas horas naquela posição, começou a sentir desconforto nas costas e seu corpo pedia por sua cama. Fechou o computador e decidiu ir se deitar. Antes disso, porém, ainda passou na cozinha para comer algo. Ela queria mesmo um chocolate, mas preferiu deixar os doces para o fim de semana e optou por uma fruta. Depois de comer, preparou um chá, como fazia todas as noites, e só então pegou Dobby no colo e foi para o quarto, com sua caneca do Harry Potter em mãos e o gato em outra. Quase tropeçou em seu sapato logo na entrada do quarto e teve que desviar para não pisar no outro até chegar na cama. Deixou a caneca na mesinha de cabeceira e passou o olhar rapidamente pelo cômodo, encontrando a mesma bagunça de sempre. Um pouco a contragosto, guardou seus sapatos que estavam espalhados pelo chão e amontoou todas as suas roupas limpas em um canto para guardar de maneira organizada amanhã.
Quando finalmente se jogou na cama, sentou-se com as costas apoiadas na parede e pegou a caneca de chá, tomando um gole do líquido quente. O gato andou pela cama até se aninhar nas pernas dela, seu lugar preferido para dormir. ainda navegou pelas redes sociais, checando algumas fofocas e notícias do mundo antes de resolver dormir. Passou cerca de quinze minutos assim antes de finalmente soltar o celular e desligar as luzes, aconchegando-se na cama e enrolando-se nas cobertas de maneira confortável - e que não atrapalhasse seu gato, muito importante - permitindo que o sono levasse embora suas preocupações sobre encontrar um novo lugar para morar.


Capítulo 02

saiu com tanta pressa do elevador que mal teve tempo de desejar um bom dia às secretárias, parando de andar somente quando entrou em seu escritório e fechou a porta atrás de si.
- Mas que bosta. - Resmungou, soltando suas coisas em cima de sua mesa. - 17 minutos atrasado. Porcaria de sono. - Xingou, sentando-se em sua poltrona giratória.
Abriu seu notebook, pronto para começar a mexer nos projetos do dia, quando três batidas em sua porta foram ouvidas e Claire, sua secretária, entrou na sala.
- Com licença, Sr. . - Cumprimentou-o antes de entrar na sala e fechar a porta atrás de si.
- , Claire. Já te pedi pra não me chamar de senhor. - Pediu, abrindo um sorriso para a mulher em sua frente.
- Desculpa. - Ela sorriu um pouco sem jeito. - Você tem duas reuniões hoje a tarde, uma com novos clientes e outra com clientes antigos.
- Certo, e sobre os projetos da semana passada, tudo ok com as liberações?
- Sim, ficaram de me enviar os documentos hoje. Quando chegar trago pra você assinar. - Respondeu, abrindo a porta novamente. - Se precisar de algo, só me chamar.
- Obrigado, Claire. - Agradeceu e observou a secretária fechar a porta antes de voltar sua atenção para seus projetos em seu computador.
Antes que pudesse, porém, dedicar total atenção a seu trabalho, novamente batidas se fizeram ouvir em sua porta e Tony apareceu, sorrindo de maneira divertida.
- Atrapalho?
- De maneira alguma.
O mais velho fechou a porta e deu alguns passos até a mesa de , sentando-se em uma das poltronas vazias que haviam por ali.
- Já se adaptou a Carolina do Norte? - Tony questionou.
- Tá sendo melhor do que imaginava. - Sorriu . Apesar do pouquíssimo tempo na cidade, ele já tinha certeza de que a nova casa só lhe traria coisas boas.
- Ótimo, porque eu tenho grandes planos pra você, garoto. - Sorriu, empolgado. - Mas quero que você se adapte bem ao trabalho antes, pra poder jogar mais responsabilidades nas suas costas, porque sei que é capaz.
- Tony, não tenho palavras pra agradecer a oportunidade. - respondeu, sorrindo para o mais velho.
- Seu pai estaria muito orgulhoso de você, . - Ele sorriu paternalmente antes de se levantar e estender a mão para o engenheiro.
- Sei que sim. Muito obrigado.
- Bom, vou voltar ao trabalho. Tenho muita coisa pra fazer hoje. - Tony comentou, dando alguns passos e afastando-se da mesa. - Ah! Quase ia me esquecendo. Me agradou o fato de você e já se conhecerem. Ela é ótima. A melhor arquiteta que temos, trabalhar com ela é muito bom.
- Tenho certeza de que vamos trabalhar muito bem juntos. - E fazer outras coisas também, quem sabe...
- Ótimo, ótimo. Vou te deixar trabalhar agora. - Tony se despediu e finalmente se afastou, andando até a porta e saindo do escritório do engenheiro, deixando-o sozinho com seus pensamentos sobre a colega de trabalho.


Em sua sala, estava a ponto de arrancar seus cabelos, tamanha era a frustração que sentia por não encontrar um apartamento. Claro, ela sabia que não seria fácil assim encontrar um lugar para morar do dia para a noite. A verdade é que ela queria matar Paul. Como ele pode fazer isso? Resolveu, então, ligar para ele, afinal, só tinha recebido as notícias por carta. Pegou seu celular e procurou pelo nome dele na lista de contatos, rapidamente iniciando a ligação.
- Alô?
- Paul? É a .
- Ah... Oi.
- Paul, você não conseguiria ter me avisado antes? Você tem noção do quanto é difícil encontrar um apartamento assim, do nada, em Charlotte? - Ela cruzou as pernas, esticando-se em sua cadeira.
- Me desculpe, , eu realmente preciso do dinheiro da venda, e...
- Eu entendo isso. Mas você acha que não consegue falar com os compradores pra me darem um mês pra sair? - Perguntou, esperançosa.
- Não tem como, querida... Eu tentei de tudo. Eles precisam de um lugar pra morar e eu preciso do dinheiro, tudo muito rápido...
- Você tem pelo menos algum outro apartamento pra poder me alugar? - não conseguia parar de balançar as pernas, ansiosa.
- Não tenho nada. Me desculpa, de verdade...
- Tudo bem. - Ela bufou, irritada. - Muito obrigada de qualquer maneira. Tch...
- , espera. - Ele pareceu respirar fundo antes de continuar. - Você tem visto seu pai?
A arquiteta franziu o cenho, confusa pela pergunta repentina.
- Não, acho que já faz um ano... Por quê?
- Pra saber, também não vi mais. - Respondeu rapidamente, tossindo algumas vezes em seguida, como se quisesse disfarçar algo. - Enfim, eu preciso ir. Desculpa mais uma vez. Até mais.
A resposta não convenceu e a maneira como Paul desligou o celular deixou muito claro de que algo estava acontecendo. Ela ainda encarava o celular, confusa, quando a porta se abriu e Sadie entrou na sala.
- Amiga, você tem um... Credo, que cara é essa?
suspirou, ajeitando-se em sua cadeira e sentando de maneira reta.
- Acabei de falar com o Paul. Não tem jeito, preciso mesmo encontrar um lugar e eu já tô ficando maluca, Sadie! Já faz uma semana e ainda não encontrei na-da! - Ela quase bateu na mesa de tão irritada, mas fechou os punhos para se conter e não assustar a amiga.
- , eu já disse que você pode ir morar comig...
- Eu sei disso. - a interrompeu. - E se eu realmente não encontrar nada, eu não vou negar. Mas eu preciso de um lugar pra mim, você sabe como eu sou.
Sadie balançou a cabeça em confirmação, afinal, ela sabia mesmo. Amava sua melhor amiga, mas morar com ela não seria tão fácil, já que era uma bagunceira de primeira mão e as duas iriam se irritar muito uma com a outra. Aproximou-se da mesa e sentou-se em uma das cadeiras.
- Eu sei que parece que não, mas vai dar tudo certo. Tudo sempre dá certo. - Sadie tentou tranquiliza-la, mas não teve muito sucesso.
- Eu não tenho tanta certeza dessa vez... - suspirou, apoiando seus cotovelos na mesa e pendendo a cabeça em suas mãos. - Enfim, você ia falar o que, amiga?
- Eu só ia avisar que você tem dois projetos novos hoje. Um deles solicitou reunião com você e com o engenheiro, então...
- Hora de trabalhar com . - Abriu um sorriso pequeno. Não seria de todo ruim. - Que horas é a reunião?
- As 14h. Ainda dá tempo de almoçar antes, e de qualquer maneira, eu te ligo quando os clientes chegarem. - Sadie se levantou e sorriu para amiga. - Vai dar tudo certo, , confia!
- Tô tentando, Sadie, juro que tô. No momento, só espero um milagre. - deu de ombros, mas acabou sorrindo, um pouco esperançosa. - Até depois.
- Até.
Sadie se despediu e logo já não estava mais na sala. A arquiteta então aproveitou para abrir seu notebook e começar, novamente, a saga em busca por um apartamento.


estava atolado de trabalho em seu escritório. Mesmo estando minuciosamente organizada, para ele, sua mesa se encontrava bagunça devido a quantidade de papéis que tinham por ali. E o pior é que ele tinha perdido alguns, muito importantes, pois eram documentos que precisavam ser levados para a prefeitura. Na verdade, não sabia se tinha trazido os papéis para o escritório ou se os havia deixado em casa.
- Claire, dá tempo de ir pra casa, almoçar, e voltar a tempo da reunião? Preciso procurar uns papéis. - perguntou ao telefone assim que sua secretária atendeu.
- Sim, senh...
- Claire. - Ele a repreendeu, quase rindo.
- Desculpe. - Claire pigarreou. - Sim, dá tempo. A reunião é as 14h.
- Obrigado, volto mais tarde, então. - E desligou.
Levantou-se e guardou seu notebook em sua maleta, assim como alguns papéis que pudesse vir a precisar. Vestiu seu paletó e andou até a porta, desligando as luzes e saindo da sala.
Em poucos minutos já estava entrando em seu prédio. Passou pela portaria, cumprimentou o porteiro e quando estava quase chegando no elevador, pensou ter visto algo interessante no mural de avisos, então, deu dois passos para trás e parou para ler:

APARTAMENTO 702
Disponível para Aluguel
Valor: U$1000 mensais
Tratar com: 998-324-332

Imediatamente ele pegou seu celular e tirou uma foto do anúncio, enviando para . Talvez fosse um pouco caro para ela, mas não custaria tentar, né? Às vezes, negociando, seria possível conseguir um desconto, quem sabe? Pensando nisso, ele sorriu e bloqueou o celular, guardando-o em seu bolso novamente, seguindo então para o elevador e apertando o botão de seu andar. Assim que entrou em casa, enxergou os documentos que procurava em cima de sua mesa. Pegou-os e guardou em sua maleta. Ainda tinha uma hora e quinze minutos para almoçar e voltar para o escritório, então resolveu já sair novamente.
Caminhou pelas ruas, prestando atenção em algumas coisas que ainda não lhe eram familiares, até que parou em frente à um pet shop. Na calçada, na frente da loja, havia uma espécie de gaiola com três cachorrinhos dentro e uma placa: ADOÇÃO RESPONSÁVEL. largou sua maleta no chão e aproximou-se, abaixando-se para vê-los melhor. Tinham dois pretos e apenas um branco com manchas pretas pelo corpo inteiro. Eram peludinhos e muito fofos. Os dois pretinhos dormiam tranquilamente, mas o branquinho, ao sentir a aproximação, abriu os olhos, piscando algumas vezes e encarando enquanto esticava suas patinhas. Pronto, amor à primeira vista.
- Bom dia! - Uma voz falou, cumprimentando-o. - Tem interesse em adotar?
- Bom dia. - respondeu, sem tirar os olhos do cãozinho que agora praticamente pisava em cima de seus irmãos para ficar em pé na grade. - Oi, pulguento!
O cachorro latiu baixo algumas vezes até que não conseguiu mais ficar em pé e caiu sentado, o que fez com que risse baixo.
- Desculpe. - Ele disse, levantando-se e olhando para a atendente que sorria para ele. - Sim, tenho interesse em adotar. Mas eu tô indo almoçar e depois trabalhar, não tenho como levar ele agora...
- Não tem problema, senhor. - Ela prontamente respondeu. - Você mora aqui perto?
- Na outra quadra. Talvez eu possa busca-lo quando voltar do trabalho?
- Com certeza. Podemos esperar você no fim do dia.
- Perfeito! - comemorou, animado como uma criança que ganha seu doce preferido. - Até lá, você poderia dar um banho nele e separar coisas básicas como ração, potinhos pra ração e água e uma caminha? Me mudei há pouco tempo e não tenho nada.
- Claro que sim, vou deixar tudo separado pra você pegar quando vier busca-lo. - A atendente sorriu.
- Muito obrigado. Agora eu preciso mesmo ir. - Avisou, abaixando-se uma última vez para despedir-se do cãozinho, que estava novamente de pé, apoiando-se na grade. - Até a hora de te buscar, penso em um nome pra você, pulguento. - Ele riu, recebendo uma lambida do cachorro. Então, se levantou e pegou novamente sua maleta. - Obrigado, até depois.
- Eu que agradeço! - A atendente se despediu e voltou para dentro da loja.
sorriu de canto a canto todo o caminho até o restaurante que havia lhe ensinado. Não estava nos seus planos adotar um cachorro assim, logo na segunda semana, mas, quando é pra ser, não tem como recusar. Ele andou mais um pouco até entrar no restaurante, encontrando uma mesa vazia com facilidade. Deixou sua maleta para guardar a mesa e foi se servir. Quando retornou, já com seu prato em mãos, encontrou sentada também na mesma mesa.
- Ei. - Ele cumprimentou, deixando sua bandeja sobre a mesa.
- Oi. Desculpa, não tinha outra mesa vaga, e reconheci a maleta da empresa, então... - Ela deu de ombros. não pode deixar de notar o semblante abatido da colega. - Vou me servir, já volto.
Ele mal teve tempo de perguntar se estava tudo bem e ela saiu, indo em direção ao buffet. Resolveu então começar a comer, perguntaria quando ela voltasse, o que aconteceu em pouquíssimos minutos.
- E aí, tá tudo bem? - Questionou, encarando-a.
- Não consigo encontrar apartamentos. - Choramingou, mexendo com o garfo em sua comida.
- Ah, é isso... - se ajeitou na cadeira. - Acho que você não viu a mensagem que te mandei mais cedo, então?
franziu o cenho e soltou os talheres, procurando seu celular dentro de sua bolsa enorme e bagunçada. Quando achou, desbloqueou-o rapidamente e logo viu que havia uma mensagem não lida enviada por .
- Tem um apartamento vago no seu prédio? - Ela quase gritou, começando a ter esperanças novamente. Abriu um sorriso enorme, até ver o preço do aluguel, e então, fechou a cara. - Por U$1000 mensais? Ah, não...
- Muito caro pra você? - perguntou, imaginando o motivo do desânimo.
- Eu até tenho dinheiro pra pagar, mas teria que usar minhas economias pra poder passar o mês tranquila... - abaixou os ombros, derrotada.
- Tenta entrar em contato pelo telefone, às vezes você consegue um preço melhor. - sugeriu entre uma garfada e outra.
- Não custa tentar, né? - sorriu de canto, guardando o celular em sua bolsa novamente para voltar a comer. - Muito obrigada, de qualquer maneira.
Os dois continuaram a almoçar, trocando algumas palavras referentes ao trabalho e a reunião com os clientes que tinham daqui a pouco. Quando terminaram, voltaram para o edifício da empresa, caminhando lado a lado. Foi só quando chegaram ao andar do escritório que resolveu quebrar o silêncio novamente.
- Boa sorte com o apartamento. - Desejou quando os dois saíram do elevador. - Me conta depois se deu certo.
- Conto sim. - Ela sorriu, ajeitando sua bolsa em seu ombro. - Muito obrigada.
- Até daqui a pouco. - Ele se despediu e se afastou, cumprimentando as secretárias no caminho.
Claire levantou rapidamente e seguiu seu chefe, mas não sem antes lançar um olhar significativo para , que revirou os olhos. A arquiteta se aproximou da mesa onde suas amigas trabalhavam.
- Almoçaram juntos de novo? - Sadie questionou, arqueando a sobrancelha.
- Foi uma coincidência, tá? - retrucou, cruzando os braços. - Além do mais, ele pode ter encontrado um apartamento pra mim. Tem um apartamento livre no prédio dele pra alugar...
- Ahhhh, eles vão ser vizinhos! - Lorena cantarolou, praticamente assobiando.
- Calem a boca. - ralhou. - O problema é que o aluguel é muito caro, vou tentar conversar com o dono...
- Tomara que dê certo! - Comentou Sadie. - Hoje de manhã você mal tinha esperanças...
- Pois é, né? - A arquiteta deu de ombros, mas acabou sorrindo. - Tomara.
- Ei! - Lorena chamou a atenção das duas. - Vai rolar happy hour hoje no Humphrey’s!
- Ah, não... - Choramingou .
- Ah, sim! - Sadie respondeu. - Nós vamos e ponto final.
- Tenho escolha?
- Não. - Lorena e Sadie responderam ao mesmo tempo, fazendo-a revirar os olhos enquanto se afastava.
- Esperamos você na hora de ir embora. - Sadie avisou um pouco mais alto e recebeu apenas um polegar positivo da amiga como resposta antes de ela se afastar pelo corredor e ir trabalhar.


Depois de um dia inteiro de trabalho, com direito a duas reuniões e muitos projetos, estava feliz em ir para casa. Bom, talvez também tivesse outro motivo, levando em conta o fato de que ele estava agora a caminho do pet shop para buscar seu mais novo cãozinho. Quando chegou em frente à loja, as portas já estavam fechadas, então ele deu algumas para que soubessem que estava ali e logo a atendente que falou com ele mais cedo apareceu, acenando, parecendo feliz ao ve-lo.
- Você veio! - Ela comemorou ao abrir a porta, dando espaço para que ele entrasse na loja.
- Eu falei que viria. - sorriu. - Ele tá pronto?
- Uhum. Vou pegar ele, fique à vontade. - Ela sorriu antes de se afastar e entrar por uma porta.
riu sozinho, já imaginando como seriam divertidos os primeiros dias com seu mais novo amigo dentro do apartamento. Quer dizer, divertido dependendo do ponto de vista, né? Dificilmente ele acertaria de primeira o lugar de fazer xixi e cocô, sem contar no quanto choraria por ser deixado sozinho.
- Aqui está. - A moça voltou com a bola de pelos nas mãos e entregou-o para . - Cheiroso e muito, muito bonitinho!
Ela acariciou a cabeça dele, que mal lhe deu atenção, pois estava muito ocupado lambendo a barba rala de seu novo dono.
- Ei, pulguento, isso faz cócegas. - Vince reclamou, mas acabou rindo. - Muito obrigado.
- Eu que agradeço. Adotar é tudo de bom, não é? Os dois irmãos dele também foram pra um lar.
- Fico muito feliz em ouvir isso. - Ele respondeu, aconchegando o cãozinho em seus braços. - Certo, quanto te devo pela ração, pelos potinhos e pelo banho?
- O banho fica de cortesia. O restante podemos acertar ali no caixa, vem comigo.
Ela andou até o balcão e foi atrás, quase nem prestando atenção por onde andava, de tão distraído que estava com o filhote.
- Você é a coisa mais fofa do mundo, pulguento. - Comentou, observando o cachorro que não parava de se revirar em seu colo.
- O nome dele vai ser pulguento? - A atendente riu, computando os itens que levaria para casa.
- Não, eu só não pensei em um ainda. - Ele riu também. - Mas acho que vai ser algo relacionado a Marvel. Meu cachorro que ficou com minha irmã se chama Loki.
- Ah, um marvete! - Ela comemorou. - Se eu adotasse outro bichinho, eu daria o nome de Bucky. Já tenho o Tony, o Groot, a Gamora, o Peter Q...
- Bucky. - repetiu o primeiro nome que ela havia dito, interrompendo-a, então olhou para o cachorro, que latiu alto e colocou a língua para fora, como se aprovasse. - Ei, gostei da ideia. Acho que ele também.
- Muito bom. - Ela respondeu enquanto empacotava os produtos. - Você não quer levar algum brinquedo? Eu recomendo muito, ele é filhote...
- Por Deus, quero. Não quero que ele roa meus móveis. O que você tem por aqui? - Perguntou, olhando ao redor. - Ah meu Deus, olha, tenho certeza que ele gostaria disso! - disse ao se aproximar de uma prateleira. - E disso! Ei, Bucky! Não, para! - Repreendeu o cachorro, que mesmo estando em seu colo, estava próximo o suficiente e mordeu um brinquedo pendurado na gôndola. - Agora que você mordeu vamos ter que levar! - Ele riu e voltou até o caixa. - Pronto, ele já escolheu esses dois.
- Ótima escolha, Bucky. - Antes de computar os brinquedos, ela acariciou novamente a cabeça do cãozinho. - Aqui, pronto. Forma de pagamento?
- No débito, por favor. - avisou, entregando-a seu cartão.
- Prontinho. - Ela entregou as sacolas a ele, que conseguiu, com certa dificuldade, pegar todas, juntamente com sua Maleta e Bucky. - Muito obrigada, viu?
- Eu que agradeço, de verdade. - O engenheiro sorriu enquanto os dois andavam até a porta da loja. - Trarei ele pra tomar banho aqui mais vezes.
- Vamos adorar cuidar dele. - Ela disse assim que ele saiu da loja. - Boa noite. Tchau, Bucky!
sorriu ao mesmo tempo que o cachorro latiu, despedindo-se da moça simpática. O caminho até em casa foi tranquilo, já que era praticamente na mesma quadra. Em pouco mais de dois minutos ele já estava no elevador de seu prédio. Quando a porta se abriu, andou rapidamente até seu apartamento, tendo que soltar sua maleta e as sacolas no chão para poder abrir a porta. Uma vez dentro de casa, ele soltou Bucky no chão. Imediatamente o filhote começou a explorar o ambiente, cheirando e andando por todos os cantos.
O engenheiro aproveitou o momento para organizar as coisas de seu novo cachorro na área de serviço, local onde achou mais adequado. Espalhou alguns jornais pelo chão e abasteceu os potes de ração e água, deixando-os na cozinha. Depois, levou a caminha para a sala, colocando-a perto do sofá.
- Bucky? - Chamou pelo cãozinho, que logo apareceu em um pulo em cima do sofá. - Meu Deus, você é minúsculo, como conseguiu subir aí? - Bucky pendeu o rosto para o lado e mostrou a língua. - Você é muito rapidinho, garoto. Vem aqui. - pegou-o no colo e foi até a lavanderia, colocando-o em cima do jornal. - Aqui é o seu banheiro. Nada de fazer xixi e cocô pela casa, ouviu?
Claro que ele não ouviu. Bucky já estava na cozinha com a cabeça enterrada no pote de ração.
É, seriam longos - mas divertidos - dias de adaptação.


- Não acredito que deixei vocês me arrastarem pra esse lugar barulhento. - reclamou, sentada em uma das cadeiras da mesa que ocupava com Lorena, Sadie e Claire.
- Cala a boca, vai. - Claire disse. - Você adora vir aqui!
- Mas não hoje. - Ela deu um gole em sua long neck. - Tô estressada, frustrada, desesperada...
- Nossa, quantos adas. - Sadie riu, largando sua garrafa na mesa. - Olha, amiga, a gente sabe que não deu certo o apartamento no prédio do , mas, calma. Em último caso, você tem a gente. Se não quiser ir lá pra casa, tem as meninas.
- Tem mesmo! - Lorena disse e Claire concordou. - Você sabe que é muito bem-vinda.
- Eu sei, meninas. Muito obrigada, de coração. - Respondeu , dando outro gole em sua cerveja. - Eu nunca vou negar a ajuda de vocês, eu só queria ter o meu espaço, vocês sabem...
- A gente sabe. E sabe também que se você precisar ir ficar com a gente, não vai ser pra sempre. É só até você achar um apartamento pra você. - Claire comentou assim que deu o último gole em sua cerveja. - Acabou. Alguém quer mais?
- Ah, foda-se. Não vou achar um apartamento agora, então... - levantou sua garrafa e virou o restante do líquido de uma vez, soltando-a de uma vez na mesa. - Eu quero!
As três amigas comemoraram, fazendo-a rir. E assim se passaram as próximas quase quatro horas.


nem acreditava que tinha bebido tanto. Quando desceu do Uber em frente ao seu prédio, estava tão bêbada que quase se arrependeu pela quantidade de bebida que ingeriu - eu disse quase. Ao entrar no edifício, apressou os passos, pois estava a ponto de fazer xixi nas calças. Depois do que pareceu uma eternidade dentro do elevador, correu até a porta de seu apartamento e levou outra eternidade para conseguir encaixar a chave no buraco. Quando o fez, entrou como um furacão e largou sua bolsa em qualquer lugar, correndo direto para o banheiro, mal abrindo a tampa do vaso e já aliviando o que estava matando-a. Sabe aquele xixi eterno, de gente bêbada? Era o dela. Demorou tanto que ela quase cochilou com os cotovelos apoiados em suas pernas e a cabeça em suas mãos. Só não o fez porque Dobby apareceu e começou a miar, esfregando-se em suas pernas, pedindo carinho.
- Oi, nenê. - Cumprimentou-o enquanto afagava a cabeça cinza do gato. - Mamãe tá só um pouco bêbada. - Ela logo se levantou do vaso e foi lavar as mãos. O gato a encarava como se a repreendesse. - Não me olha com essa cara, eu tava precisand... Opa, alguém me mandou men-saaaa-geeem. - Cantarolou ao ouvir seu celular, pegando seu gato no colo e saindo do banheiro saltitando rumo a sala. Foi até a sua bolsa e nem precisou desbloquear o celular para ver de quem era. - Dobby, é o !
riu sem motivo aparente e se jogou em seu sofá, desbloqueando o celular para responde-lo.

: Oi.
: Eiiiiii
: Opa, alguém tá animada. Tudo bem?
: Tudo ótimoooo e você?
: Tudo certo. Conseguiu falar com o dono do aparmento?
: S
: Sim mas é m

O celular de caiu de suas mãos, batendo em sua testa.
- Aiii. - Reclamou no mesmo momento, pegando seu celular novamente e lendo a nova mensagem de .

: Não entendi?
: O celular caiu na mintesta
: Onde?

riu com o que acabou escrevendo e desistiu de digitar, iniciando uma ligação.
- ? - atendeu.
- Nossa, agora acho que vou conseguir conversar com você. - Ela disse, esticando-se no sofá. - O que você tinha perguntado mesmo?
- Hm... - Estranhou . - Se você conseguiu falar com o dono do apart...
- Ahhhhh, era isso! - respondeu um pouco alto. - Consegui, mas ele não quis me dar desconto. - Como se ele pudesse ver, os lábios dela se contraíram em um biquinho.
- Não acredito. E era sua única opção, né?
- Er... - Ao tentar se virar no sofá, acabou caindo. O estrondo foi grande e Dobby deu um pulo, indo para longe. - Porra.
- ? - soou preocupado. - , tá tudo bem?
Ela começou a rir, sem acreditar no que tinha acontecido. Em poucos segundos, estava gargalhando sozinha e Dobby a encarava com certo tédio.
- ?
Ouviu de longe a voz de , respirando algumas vezes até se acalmar antes de voltar a falar com ele.
- Caí do sofá. - Contou, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
- Você o quê? - Ele quase riu. - Você tá bêbada?
- Bingooooo! - Ela comemorou, encostando sua cabeça no móvel. - Acho que bebi um pouco a mais.
- Eu tenho certeza. - Dessa vez ele realmente riu. - Precisa de alguma coisa?
- Sim. Preciso de um banho com v... - Ela arregalou os olhos ao perceber o que estava prestes a falar. - Banho e dormir. Dormir muito. Tipo assim, muuuuuito.
- Acho que eu não posso te ajudar com isso. - respondeu.
Poder até pode, né?, pensou .
- É, acho que não. - Respondeu de uma vez. - Vou lá tomar meu banho e dormir.
- Cuidado com a ressaca amanhã.
- Caguei pra ressaca no momento. - Ela riu, dando de ombros. - Boa noite, .
- Boa noite, .
E desligou. afastou o celular da orelha e olhou a tela, que ainda estava aberta na conversa com ele. Clicou para ampliar a foto do perfil de e sorriu sem perceber quando o rosto dele apareceu na tela.
- Tão bonitinho o rosto. Tão gostosinho o corpo. - Comentou, rindo, antes de bloquear seu celular e joga-lo no sofá. Pegou Dobby no colo e caminhou em direção ao banheiro. - Vem, nenê, vamos tomar um banho.


Capítulo 03

- , calma... - Sadie pediu, sentando-se no sofá ao lado da amiga. Dobby a encarou, entediado, por ela ter praticamente sentado em cima dele e se afastou, esparramando-se no braço do sofá.
- Eu não tenho mais tempo pra ficar calma, amiga... - choramingou. - Já se passou mais uma semana e nada!
- Pra rua você não vai, e sabe disso. - Sadie avisou e ajeitou seu corpo, ficando de frente para a amiga.
- Eu preciso começar a encaixotar minhas coisas e ainda nem tenho lugar pra morar. - A arquiteta comentou, cruzando os braços, frustrada.
- Eu te ajudo. Quer começar já?
balançou a cabeça em negação e bufou, frustrada.
- Não peguei as caixas ainda... Vou pegar amanhã e aí começo a arrumar.
- Arrumar ou jogar tudo dentro das caixas de qualquer jeito? - Sadie arqueou uma sobrancelha, desconfiada, fazendo a amiga rir e dar de ombros.
- Eu acho que vou aceitar a oferta das meninas... Você vai ficar chateada se eu não for pra sua casa?
- Claro que não, idiota. - Sadie riu e rolou os olhos. - E mesmo com você lá nas meninas, não vamos parar de procurar por outro apartamento.
- Nós não podemos nem pensar em parar. Elas não vão me aguentar por muito tempo. - riu, deitando a cabeça para trás e deixando seus braços caírem ao lado de seu corpo. - Por que eu preciso ser tão bagunceira e desorganizada?
- Acredite, amiga, eu me pergunto isso quase todos os dias. - Sadie riu e recebeu um dedo do meio de como resposta. Se levantou do sofá e foi até a mesa, pegando sua bolsa. - Eu preciso ir. Logan tá me esperando pra irmos jantar na casa dos pais dele com os meus pais.
- Quando é que vocês vão oficializar esse noivado? - perguntou ao se levantar para acompanhar a amiga até a porta.
- Não sei. Acho que hoje. - Sadie deu de ombros, como se fosse a coisa mais trivial do mundo.
- É o que? E você não tá surtando? Nem um pouco nervosa?
- Ué, por quê? A gente só vai contar pros nossos pais... - Ela fez uma careta e riu, incrédula. - Os pais dele me amam, meus pais amam o Logan, vai todo mundo ficar super feliz. E além do mais, já faz meses que ele me pediu em casamento...
- Vocês dois são super estranhos. Esse tipo de coisa a gente conta na hora pros pais!
- E quantas vezes você já noivou mesmo, sra. Experiência? - Sadie ergueu as sobrancelhas e riu, recebendo uma careta de como resposta.
A amiga foi até a porta e abriu-a, saindo do apartamento. encostou-se no batente da porta para se despedir.
- Depois me conta, então. - pediu quando Sadie se aproximou para dar um beijo em sua bochecha.
- Nos vemos no fim de semana? - Sadie perguntou, já na frente do elevador.
- Acho que não. Tenho muita coisa pra organizar por aqui... - respondeu em um muxoxo, suspirando.
- Se precisar de ajuda, eu e Logan podemos ajudar. Você sabe.
- Obrigada. Bom jantar. - desejou assim que a porta do elevador se abriu e Sadie entrou.
Antes da porta se fechar, as duas ainda acenaram uma para a outra, para só então fechar a porta de seu apartamento e suspirar ao olhar para tudo que precisava começar a organizar. A parte boa era que ela não precisava se preocupar com os móveis, uma vez que já estavam no apartamento quando ela o alugou. Os utensílios de cozinha também eram poucos, havia comprado só o necessário. A maior parte eram suas decorações, seus pertences, roupas, sapatos, livros, coleções... Essas sim seriam chatas de arrumar.
Dobby se aproximou da dona, miando, e esfregou-se em suas pernas, pedindo carinho. se abaixou e afagou a cabeça dele. O gato se esticou e apoiou as patas da frente no aparador ao lado de , arranhando-o, sem dó alguma. Ela até pensou em repreende-lo, mas deu de ombros.
- Sorte que eu não preciso me preocupar com esses móveis.
Paul que se virasse.


- Dobby, sai daí! - esbravejou, tirando pela terceira vez o gato de dentro de uma das caixas que estava colocando suas coisas. - Vai brincar pra lá, por favor! Você tá me tirando do sério.
O gato miou antes de balançar o rabo e se virar, afastando-se da dona. suspirou, passando a mão por sua testa e afastando os cabelos de seu rosto. Olhou ao redor de seu quarto, observando as várias caixas já fechadas. Ela até tentou mantê-las organizadas e etiquetadas, mas desistiu quando não conseguiu encontrar a categoria correta para alguns de seus objetos. Então, acabou por misturar algumas coisas e algumas caixas estavam transbordando de tão cheias. Seu quarto estava quase vazio, ela deixou somente o que precisaria usar nesses últimos dias, como itens de higiene e maquiagens, roupas básicas para o dia a dia, toalhas e algumas outras coisas.
O estômago de roncou e ela resolveu ir até a cozinha para comer algo. Abriu a geladeira, mas não encontrou nada que lhe desse vontade de comer, então pegou seu celular, decidida a pedir uma pizza quando o aparelho apitou, anunciando uma mensagem de .

: Ei. Tá fazendo o que? Tô entendiado... Topa tomar uma cerveja?
: Arrumando a mudança :(

respondeu rapidamente, mordendo seu lábio. Pensando bem, uma cerveja não seria má ideia. Ou duas, ou três... Ainda mais com . Era fato que eles ainda tinham algo não resolvido, mas nada os impedia de criar uma amizade, né?

: Mas super queria uma cerveja!
: Não rola dar uma pausa pra gente ir em algum bar?
: Até rola, mas não tô muito afim de sair.
: Quer conhecer o meu apartamento? Tem que trazer cerveja.
compartilhou sua localização.
: Mais alguma coisa, senhora?
: Sim, você come pizza de quê?

Ela riu ao ler a resposta dele. “Literalmente qualquer sabor”, ele disse antes de avisar que logo sairia de casa. aproveitou para pedir a pizza: tamanho gigante, sabor marguerita e tomate seco, seus preferidos.
- Dobby, vamos receber visita que você ainda não conhece, então, por favor, comporte-se. - Dirigiu-se ao bichano, que se encontrava deitado no chão gelado da cozinha e se revirou quando passou por ele andando em direção ao banheiro. - Vem, mamãe vai tomar uma ducha rapidinho.
Bastou pronunciar a palavra ducha para Dobby se levantar e passar correndo por ela, entrando no banheiro e subindo em cima do vaso, sentando-se na tampa e acompanhando atentamente todos os movimentos de sua dona.
Cerca de quinze minutos depois, ela saiu do banheiro e foi para o quarto vestir uma roupa qualquer para ficar em casa. Escolheu um shorts, uma camiseta do Harry Potter e um chinelo. Não interessava quem estava vindo até sua casa, ela sempre iria preferir uma roupa que a deixasse confortável. Prendeu seus cabelos - que não havia lavado - em um rabo de cavalo e seguiu para a sala a tempo de ouvir o interfone tocando. Era o porteiro, anunciando a chegada de . Rapidamente ela tirou algumas coisas do meio da sala, organizando-as da melhor maneira que pôde.
era o que se podia chamar de bagunceira organizada. Sua casa não era um chiqueiro, pelo contrário, ela a mantinha bem limpa. Mas ela tinha mania de usar algo e não guardar em seguida, também chegava em casa e soltava suas coisas pelos cantos, pegando-as somente no dia seguinte. Às vezes, ela tirava um dia para organizar o apartamento inteiro, e o resultado era ótimo. Pena que ela não conseguia manter a organização por muito tempo.
A campainha tocou e ela foi atender. Ao abrir a porta, encontrou com um pack de cerveja e a pizza que ela havia pedido. Ele vestia uma calça de moletom, uma camiseta e um tênis. Totalmente despojado, e era assim que gostava. Sorriu antes de dar passagem para ele entrar.
- Encontrei o entregador lá em baixo. - Explicou quando entregou a pizza a ela. Ela pegou a pizza e soltou-a na mesa, pegando o dinheiro que havia separado para pagar a janta e entregando para ele. - O que é isso?
- Dinheiro da pizza, ué. - Deu de ombros e pegou as cervejas da mão dele, seguindo para a cozinha. Abriu o pack e começou a colocar as latinhas na geladeira.
- ... - a repreendeu e tentou devolver o dinheiro para ela, mas, sem sucesso.
- Nem vem. A pizza foi ideia minha. Você já pagou as cervejas, deixa eu pagar a pizza. - Argumentou, entregando uma latinha para ele e pegando uma para si. - Eu guardei todos os copos de cerveja nas caixas, tem problema?
- Nah, nem esquenta. - Respondeu, desistindo e guardando o dinheiro em seu bolso. abriu a latinha e levou a boca, tomando um gole e suspirando em seguida. - Tava com sede. - riu depois de fazer o mesmo, balançando a cabeça em concordância. - Então... Já tá encaixotando tudo?
- Preciso, né? - Deu de ombros antes de pegar um rolo de guardanapo e seguir para a sala com o engenheiro em seu encalço. - Acho que vou ter que morar com as meninas, mesmo. Não consegui encontrar nada até agora.
- Meninas? - estranhou, aproximando-se do sofá.
- Claire e Lorena. Elas moram juntas e disseram pra eu ficar lá até encontrar um lugar...
assentiu, sentando-se no sofá. Estava levando sua latinha a boca para tomar mais um pouco da cerveja quando Dobby surgiu ao seu lado, encarando-o desconfiadamente.
- Ah, você tem um gato! - Ele comentou, disfarçando uma careta receosa quando o bichano se aproximou para cheira-lo.
- Tenho. - riu, sentando-se ao lado dele e abrindo a pizza. - Ele não costuma ser sociável com visitas, então ou ele vai te atacar ou vai te amar. Das duas, uma. - Ela riu, observando o gato aproximar-se cada vez mais de . - Você tem algum problema com gatos?
- Não, nenhum. Eles é que costumam ter comigo. - Ele riu, estendendo o braço para pegar o guardanapo com o pedaço de pizza que ela lhe ofereceu. Quando estava aproximando o pedaço da boca, porém, Dobby levantou sua pata dianteira e encostou-a no braço de , encarou-o e miou baixo, como se pedisse um pedaço também.
- Dobby! - repreendeu o gato e foi completamente ignorada. - Não dá pra ele, por favor.
- Relaxa, também não dou comida pros meus cachorros. - comentou.
Com sua mão livre, ele colocou Dobby no chão - com certa dificuldade pelo tamanho do bichano -, apenas para o gato retornar no segundo seguinte, esfregando-se nas pernas do engenheiro e miando várias vezes.
- Acho que ele gostou de você. - comentou depois de morder seu pedaço de pizza, rindo baixo. - Dobby, vai pra lá, nenê, deixa a gente comer, por favor. Depois eu te dou patê.
Como se entendesse exatamente o que sua dona falou, ele miou longamente antes de se espreguiçar e deitar no chão, nos pés de , esparramando-se de qualquer jeito, fazendo rolar os olhos e o engenheiro rir.
- Dobby é o nome do duende em Harry Potter, não? - perguntou inocentemente e riu, negando com a cabeça.
- É o nome do elfo doméstico. - Ela disse, encolhendo os ombros.
- Ah, certo. São parecidos. - Ele deu de ombros, bebendo um gole de sua cerveja.
- Na verdade, eles não têm nada a ver, mas... - retrucou, dando uma última mordida em seu pedaço antes de pegar outro.
- Eu tenho dois cachorros. - contou, dando uma mordida em seu pedaço em seguida. - Um deles ficou com a minha irmã, e o outro eu adotei semana passada.
- Que amor. Quais os nomes?
- Loki é o nome do que ficou com Victoria, e Bucky é o nome do que eu adotei agora. - Ele contou, orgulhoso de sua habilidade com nomes.
- Marvel, né? - perguntou, um pouco em dúvida. - Prefiro Harry Potter.
- Não dá pra comparar os dois, são completamente diferentes! - argumentou, fazendo-a dar de ombros. - Mas, super heróis são melhores que bruxos.
estreitou os olhos, encarando-o como se ele tivesse chamado ela para uma briga.
- Bruxos são infinitamente mais poderosos. - Concluiu , abrindo um sorriso convencido que fez rir.
- Vamos discutir até amanhã, , e não vamos chegar a um acordo. - Ele comentou e a arquiteta acabou rindo, concordando com ele. - Quer mais cerveja?
- Meu Deus, e eu achando que eu bebia rápido. - Ela riu antes de pegar sua latinha e virar o resto do líquido. - Agora eu quero, por favor.
riu e seguiu para a cozinha para pegar mais bebida, voltando logo em seguida. Abriu as duas latinhas e entregou uma para , que lhe deu mais um pedaço de pizza. Ele voltou a se sentar ao lado dela, dessa vez mais à vontade.
- Então, tem muita coisa pra arrumar?
- Eu já terminei a cozinha, deixei só o básico. E meu quarto também. Falta o restante. - Ela suspirou, limpando a boca com um guardanapo.
- Se você quiser, posso te ajudar. Sou muito bom em organizar as coisas. - se gabou, fazendo-a sorrir divertida.
- Eu topo. Mas preciso beber um pouco mais antes pra criar coragem pra voltar a mexer na mudança. - riu, bebendo um pouco de sua cerveja.
- Só não pode ficar bêbada igual semana passada, se não você não vai conseguir arrumar nada e eu vou ter que fazer tudo sozinho. - Brincou , recebendo de um dedo do meio como resposta.
- Quer mais pizza? - perguntou quando terminou de comer, deixando seu guardanapo em cima da mesa. negou com a cabeça. - Vou levar pra cozinha, então, mas depois se quiser é só pegar.
se levantou e pegou a caixa de pizza, rumando para a cozinha. Aproveitou para pegar mais duas latinhas de cerveja e deixou-as em cima da mesa quando voltou para a sala. Sentou-se no sofá e Dobby subiu no móvel, aconchegando-se no colo de sua dona.
- Alguém tá carentinho. - Ela comentou enquanto acariciava a cabeça do gato. sorriu ao beber um gole de sua cerveja.
- Ele é sempre quieto assim? - Questionou, abrindo mais uma latinha e voltando sua atenção para o gato, que tinha seus olhos fechados.
- Geralmente sim, mas tem alguns dias que parece que ele tá com o capeta no corpo. - A arquiteta riu, finalizando sua latinha de cerveja e colocando-a na mesa, pegando a outra em seguida.
- Você realmente bebe rápido. - riu ao vê-la abrir a outra latinha. - Por onde você quer começar a arrumar?
- Acho que podemos guardar as coisas aqui da sala. - deu de ombros e espreguiçou-se, tirando Dobby de seu colo antes de se levantar com sua latinha em mãos. - Vou pegar algumas caixas!
concordou com a cabeça e finalizou sua latinha, abrindo a outra depois e logo bebendo um pouco do líquido, ao mesmo tempo que voltou com algumas caixas em seus braços.
- Pronto. - Soltou-as em cima da mesa de jantar e bebeu mais um gole de sua cerveja antes de começar. - Você tem certeza que quer passar o sábado a noite arrumando mudança que nem é sua?
- Eu não me importo, de verdade. - Ele deu de ombros, aproximando-se dela. - Posso ir guardando isso aqui?
- Pode, por favor. - sorriu antes de também começar a organizar as coisas nas caixas.
Passaram cerca de uma hora guardando todos os objetos da sala e não demorou para que não houvesse nenhuma decoração alegrando o ambiente. Claro que tiveram que tirar Dobby de dentro das caixas várias vezes, mas conseguiram adiantar bastante coisa. organizou - de sua maneira - suas coleções dentro das caixas, separando os livros, dvds e action figures, a maioria sendo de Harry Potter. Guardaram também porta retratos, álbuns e alguns itens da cozinha que ela ainda não havia guardado porque achou que pudesse vir a usar, mas acabou repensando e resolveu guardar. Depois de finalizar a sala, os dois seguiram para o escritório de - que não era um cômodo e sim um algo improvisado no canto da sala. Havia uma mesa, onde ela deixava seu computador, projetos e alguns livros, além de algumas pastas, documentos e outras coisas. Ao lado, tinha uma espécie de cristaleira com alguns copos e bebidas alcoólicas que pareceram muito interessantes para , a ponto de faze-la pausar a organização.
- Olha só o que tenho aqui. - Chamou a atenção de , que agora guardava os livros da arquiteta dentro de uma das caixas, mostrando a ele uma garrafa de vodka importada que havia ganho de Sadie e Logan há cerca de um ano.
- Parece boa. - comentou ao se aproximar.
- Quer provar? - A arquiteta ofereceu, já pegando dois copos para servir duas doses.
- Isso vai dar ruim, você sabe, né? - Ele riu, mas aceitou o copo. - Estávamos bebendo cerveja há uma hora.
deu de ombros e entregou o copo a ele. Amanhã era domingo, afinal. Não é como se eles tivessem muita coisa para fazer. E ficar bêbada com não seria uma má ideia, seria? Não era como se eles nunca tivessem feito isso, mesmo que tenha sido há alguns anos...
- Espera, tive uma ideia. Vamos dar uma pausa na arrumação? - perguntou, abrindo um sorriso. - Você já assistiu a algum filme da Marvel? - fez uma careta e balançou a cabeça em negação. - Tem um drinking game que sempre quis jogar e ninguém nunca topou. Pelo menos, ninguém que já tenha assistido a Infinity War.
- Mas é durante o filme? - Questionou, um pouco confusa.
- Isso. É um filme longo, mas é muito bom. Cada vez que falarem Thanos ou pedra, a gente precisa beber uma dose. - Explicou sob o olhar atento dela.
- É impossível falarem Thanos e pedra tantas vezes durante o filme, né? - Desconfiou . - Não acredito que você vai me fazer assistir a um filme da Marvel.
- Você vai me agradecer depois, porque o universo Marvel é muito foda! - se empolgou e abriu um sorriso convencido em seguida. - Além do mais, você me deve uma depois de eu te ajudar a organizar sua mudança.
fez uma careta, como se debochasse de , fazendo-o rir. Mesmo um pouco contrariada, ela seguiu caminho até sua bolsa e tirou seu notebook de dentro, entregando-o para e sentando-se no sofá.
- Tudo bem, eu topo. Procura aí o filme pra gente ver, então.
- Se eu soubesse, teria trazido, eu tenho o DVD.
- Claro que tem. - riu. - Eu também tenho todos de Harry Potter.
Ele sorriu enquanto mexia no notebook, rapidamente encontrando o filme em HD.
- É só conectar no cabo HDMI? – Aproximou-se da TV para conectar o aparelho.
- Isso. - confirmou e ligou a TV, iniciando a transmissão do filme. - Se for ruim, vou te obrigar a assistir Harry Potter comigo.
- Nem precisa me obrigar. - Ele disse e ela o olhou com a sobrancelha arqueada. - O quê? Nossa, é que assistir filme com você realmente deve ser péssimo. - Revirou os olhos, fazendo-a rir. - Vai começar, já prepara os shots porque não vai demorar pra gente começar a beber.
fez o que ele pediu e então pegou seu celular, abrindo seu instagram e tirando uma foto que aparecia os copos, a vodka e o filme ao fundo, escrevendo a legenda “Drinking game da Marvel. Mereço.”.
- Qual seu perfil no instagram? - Ela perguntou, para marca-lo em seu storie e começar a segui-lo na rede social.
- @. - Respondeu, pegando seu próprio celular para segui-la de volta. - Agora larga isso aí e vamos assistir antes que a gente deixe passar Thanos ou pedra.
Foi só falar isso, que as duas palavras foram ditas quase em seguida, fazendo os dois rirem. Eles pegaram os copos na mesinha de centro e beberam uma dose.
- Pera aí, falaram as duas palavras. Não tínhamos que beber duas? - questionou, estreitando os olhos. - Não pode roubar no seu próprio jogo!
- Meu Deus, a noite vai ser longa... - riu, estendendo o copo para que ela servisse mais uma dose.
E realmente, a noite foi longa, mas o filme não. Não havia chego nem na metade quando eles pausaram, os dois já tão bêbados que não conseguiam mais prestar atenção nas palavras para beber quando fossem ditas - e meu Deus, havia perdido a conta de quantas vezes eles tiveram que encher os copos. Agora eles estavam jogados no sofá, rindo de uma besteira que tinha dito. estava deitada, seus pés no colo do engenheiro enquanto ele mantinha sua cabeça deitada para trás, apoiada no sofá.
- Isso é engraçado, não acha? - perguntou, atraindo a atenção do engenheiro. - Nós dois, depois de anos, meio bêbados...
- Muito bêbados. - a interrompeu, fazendo uma careta. - EI! - Ele quase gritou. - Cadê o gato com nome de duende?
se levantou em um pulo, só agora se dando conta de que Dobby estava muito quieto já fazia algum tempo. Não havia perigo de ele ter saído de casa, uma vez que o apartamento inteiro era telado, mas haviam alguns lugares em que ele poderia estar escondido.
- Dobbyyyy - chamou, dando a volta no sofá para procura-lo. - E é um elfo! - Retrucou, fazendo rir. - Dobby, cadê você? - Continuou a andar ao redor do sofá.
- Hm, , se ele tivesse atrás do sofá você já teria visto. - Ele disse e ela parou, se dando conta de que ele tinha razão.
- Dobby! - Chamou mais uma vez, sua voz saindo alta. - Mas que saco, vou matar esse saco de b...
- Ali! - a interrompeu, abaixando-se e praticamente deitando no chão em frente a cristaleira, onde Dobby se encontrava dormindo pacificamente no canto do móvel.
logo se juntou a ele, deitando ao seu lado para ver o gato. Ela se esticou um pouco, praticamente enfiando sua cabeça dentro do móvel para vê-lo.
- Nem lembrei que ele gostava de ficar aí. - Ela riu, esticando a mão para acariciar o bichano, que se espreguiçou ao receber o carinho da dona.
virou o rosto, só então percebendo como os dois estavam próximos. Encarou , observando os traços dela, o sorriso que ela mantinha nos lábios e sua feição tranquila enquanto fazia carinho em Dobby. Ao perceber que estava sendo observada, se virou. Os dois se encararam por alguns segundos, os olhos fixos um no outro. Sem perceber, foram se aproximando. Seus lábios estavam há milímetros de distância quando fez uma careta, contorcendo seu nariz e desviando o rosto para espirrar.
levou um susto, batendo sua cabeça no móvel e acordando Dobby, que saiu correndo para qualquer lugar da casa longe dos dois. Eles se sentaram, ria sem parar, imersa em uma crise de risos que contagiou .
- Mais quebra clima que isso, impossível. - A arquiteta comentou entre as risadas, observando enquanto se levantava. Ele esticou a mão para ela, que a pegou e também se levantou.
- Eu acho que essa é minha deixa pra ir pra casa. - Ele riu e colocou as mãos nos bolsos da sua calça, dando de ombros. - Vou só te ajudar a limpar as coisas aqui. Mas primeiro preciso ir ao banheiro e tomar um copo d’água.
- Nah, não esquenta. Faço isso em um minuto. - balançou a mão exageradamente e sorriu. - O banheiro fica ali. Vou pegar água pra nós dois, também tô necessitando.
Ele riu antes de seguir até o banheiro. suspirou baixo e foi até a cozinha, pegando dois copos e enchendo-os de água. Pegou um dos copos e encostou-se na bancada, tomando um gole d’água.
Ela podia estar bêbada, mas ainda assim tinha noção do beijo que quase aconteceu há poucos minutos. Não sabia dizer se achava errado, mas não acharia ruim se acontecesse - de novo. O problema era que agora eles trabalhavam juntos. A construtora não tinha nenhum tipo de política que proibisse relacionamentos entre os empregados, mas não era exatamente o tipo de coisa que se sentiria confortável... Claro que seria muito bom ter os lábios de sobre os seus novamente, ela ainda se lembrava de como eles eram macios, e...
O barulho de um copo sendo colocado em cima da bancada tirou de seus pensamentos e ela se sobressaltou ao ver ao seu lado, o copo de água que ela havia lhe servido já vazio.
- Você tava tão imersa em pensamentos que eu não quis atrapalhar. - Ele riu e recebeu um sorriso de lado como resposta. - Eu já vou indo, então.
- Você não tá de carro, né? - Ela questionou ao terminar de beber sua água. Os dois seguiram para a sala.
- Já pedi um uber. - tranquilizou-a e ela sorriu antes de abrir a porta. - Foi divertido. Na próxima a gente assiste Harry Potter.
Ah, teria uma próxima, então?, pensou e não conteve um sorriso.
- Fechado. Mas vai ter que ser na sua casa, porque eu provavelmente não vou ter meu próprio canto. - Seus lábios se curvaram em um sorriso triste, mas ela logo o desfez ao perceber como soou oferecida. - Credo, vamos fingir que eu não acabei de me oferecer pra ir na sua casa? Obrigada.
gargalhou e deu ombros, como se dissesse que não tinha problema.
- Não achei ruim, relaxa. - Ele piscou e foi até o elevador, apertando no botão para chama-lo e voltou logo em seguida para se despedir. Ela sorriu, encostando-se no batente da porta.
- Muito obrigada pela ajuda com a mudança. - Agradeceu, cruzando os braços, ainda sorrindo para ele.
- Sempre que precisar. - Respondeu assim que o elevador chegou. Aproximou-se dela apenas para dar um beijo de despedida em sua bochecha. - Até segunda.
- Até. - respondeu ao vê-lo entrar no elevador e sorrir para ela antes das portas se fecharem.
Ela suspirou ao fechar a porta. Algo lhe dizia que essa amizade só estava começando - e que muito provavelmente os dois não ficariam só na amizade.


acordou com seu celular tocando sem parar. Deviam ser o que, 9h da manhã? Quem era o infeliz que a estava ligando a essa hora da madrugada? Revirou-se na cama, esticando o braço e tateando pelo criado mudo até encontrar o aparelho, arregalando os olhos quando viu que já se passava do 12h.
- Quê? - Atendeu ao telefone, nem se dando ao trabalho de ser simpática, já que era Sadie quem a ligava.
- Nossa, bom dia pra você também, linda! A noite foi boa? - A amiga perguntou, seu tom de voz transbordando ironia.
- Bebi demais. - resmungou, espreguiçando-se e praticamente chutando Dobby, que miou alto e encarou a dona, emburrado.
- Eu vi, pelos seus stories... - Sadie deixou a frase no ar.
- É O QUÊ? - A arquiteta se sentou rapidamente e colocou a ligação no viva-voz, abrindo o instagram em seguida. - Ai, não creio...
Ela nem se lembrava de ter postado tantas coisas. Além da foto do drinking game - que era a única que ela se lembrava - haviam duas selfies dela com e dois vídeos, onde ele estava na frente da TV, emocionado com a cena em que Steve Rogers aparece para salvar a pátria no metrô e outro dela, admitindo que estava gostando de assistir a um filme da Marvel.
- Que história é essa de beber com ? Como ele foi parar na sua casa? Porque tive que ficar sabendo pelo instagram? Aliás, que porr...
- Sadie...
- ...a de drinking game é esse? Quantos anos vocês têm? 18? E como assim você assistiu Infinity War? Você sabe há quanto tempo eu tento te convencer a cair nos encantos do Capitão Am...
- SADIE! - praticamente gritou, cortando a amiga. - Eu tô de ressaca, dá uma maneirada.
- Me conta logo, mulher! - Praticamente implorou, fazendo revirar os olhos.
- Ele mandou mensagem pedindo se eu queria tomar uma cerveja e eu devolvi o convite, chamando ele pra vir aqui. Comemos pizza, bebemos cerveja, ele me ajudou a arrumar a mudança... Bebemos vodka, jogamos o drinking game - que por sinal é super legal, bebemos mais vodka, perdemos o Dobby, quase nos beijamos e...
- Pera, pausa. Volta. - Sadie pediu, interrompendo o monólogo de . - Vocês quase se beijaram? Por que quase?
- Você parece uma adolescente fofoqueira. Já te disse isso?
- Toda vez. - Sadie riu e contagiou .
- Deixa eu acordar direito, depois eu te conto, mas não foi nada demais. Juro. - Mentiu. Não era como se ela não tivesse pensando no que poderia ter acontecido caso ele não tivesse espirrado. - Como foi o jantar com seus pais?
- , se você não me contar depois... - Ameaçou a amiga. - Foi ótimo, nossos pais ficaram super felizes e já querem começar a planejar o casamento. Só tivemos que fazer eles entenderem que não queremos algo muito grande.
- Conhecendo sua mãe, ela provavelmente queria dar uma festa enorme, né? - perguntou, levantando-se da cama e indo até o banheiro, com Dobby em seu encalço.
- Sim, mas já conversamos... Ela aceitou fazer algo pequeno. - Sadie riu. - Amiga, eu preciso desligar agora e você deve estar querendo me matar.
- Algo do tipo. - concordou em meio a sua higiene matinal.
- A gente se fala depois. E não pensa que você escapou de me contar tudo com detalhes, .
- Sei que não. - Ela revirou os olhos, mas acabou rindo. - Te amo, amiga, tchau.
A ligação foi encerrada e agradeceu. Sua cabeça estava explodindo e ela precisava urgentemente de um remédio caso quisesse passar o dia fazendo o que havia planejado: mudança, mudança e mais mudança.


- Claire, você pode ver pra mim se pode me receber? - perguntou a secretária pelo telefone.
O engenheiro precisava entregar alguns documentos referentes a um projeto para a arquiteta. Claro que ele podia pedir para que Claire ou até Sadie fizessem isso, porém, ele queria entrega-los em mãos. Claro que isso não tinha nada a ver com o fato de estar preocupado que o clima entre os dois pudesse estar estranho.
- Ela disse que você pode ir lá. - Claire avisou ao telefone e agradeceu antes de desligar.
Pegou a pasta com os documentos do projeto e se levantou, saindo rapidamente de sua sala e andando em direção a de , que ficava um pouco a frente da sua. Logo estava batendo na porta para anunciar sua chegada.
- Pode entrar. - Ela disse assim que ele abriu a porta e sorriu cumprimentando-o.
- Tudo bem? - questionou ao seu aproximar e sentar em uma das cadeiras em frente a mesa dela.
- Tirando o fato de que tenho cinco dias pra sair do apartamento, tá tudo ótimo. - Ela deu um sorriso falso e suspirou em seguida. - E você?
- Tudo bem... - Respondeu, sem saber o que falar para consola-la. - Eu trouxe os documentos do projeto do Condomínio Golden Lake. Fiquei responsável por pegar as assinaturas pro Tony poder levar na prefeitura.
Ele entregou os papéis para que a arquiteta assinasse. Ela abriu a pasta, rubricando todas as folhas e assinando as duas últimas, colocando também seus dados pessoais e profissionais. Os dois permaneceram em silêncio. não pôde deixar de notar o desânimo de , provavelmente por ainda não ter encontrado um lugar para morar. Ele não conseguia nem imaginar estar nessa situação, já que não demorou a encontrar um apartamento quando se mudou. De repente, ele teve uma ideia que podia beneficiar os dois. Mas ela não aceitaria, aceitaria? Quer dizer, ele precisava perguntar para saber, certo?
Será que isso seria uma boa ideia? Era fato que existia um clima entre os dois, e mesmo que estivessem construindo uma amizade - e gostava muito disso - as coisas poderiam ficar complicadas. Mas, bom, ele precisava tentar. O não ele já tinha.
- ? - Chamou quando ela fechou a pasta, atraindo sua atenção. - Eu tive uma ideia que pode parecer meio maluca, mas...
Ela se ajeitou em sua cadeira, sua atenção presa no engenheiro.
- O apartamento que eu moro é grande pra mim. Tem três quartos: o meu, o escritório e um livre. E eu pago U$1000 por mês...
- Não tô entendendo onde você quer chegar. - Ela franziu o cenho.
- Tem um quarto livre. - Ele repetiu, arqueando as sobrancelhas, esperando que ela entendesse.
- E...?
- Pode ser seu. Poderíamos dividir o apartamento. O que acha?


Capítulo 04


piscou várias vezes, assimilando o que acabara de dizer.
- Você tá falando sério? Eu, morar com você? Nós dois, morarmos juntos? - Ela perguntou, incrédula.
- É isso que dividir o apartamento significa, não? - arqueou uma sobrancelha, fazendo-a revirar os olhos. - Então, o que me diz?
- Eu digo que você tá louco, isso que eu digo. - riu nervosa e se levantou de sua cadeira. - Não tem como isso dar certo, e eu nunca te pediria isso, ...
- Mas eu que tô oferecendo! - Ele retrucou, fazendo-a olhar feio.
- Não, , de jeito nenhum. - Falou firmemente, voltando a se sentar. - Eu vou morar com as meninas, é melhor, e...
- Você vai ter seu próprio quarto?
- Não, vou ficar no sofá, mas...
- Seu próprio banheiro?
- Também não, mas eu...
- Então! Quanto você paga nesse apartamento que tá agora?
- U$650 por mês.
- Você pagaria U$500 se aceitasse. Os dois saem ganhando. - O engenheiro sorriu, confiante de que seus argumentos eram bons o suficiente.
- É tentador, mas acho melhor não. - encerrou o assunto. - Mas muito obrigada por oferecer.
suspirou e deu de ombros, desistindo de tentar convence-la. Pegou a pasta em cima da mesa da arquiteta e se levantou.
- Tudo bem. Mas a proposta ainda tá de pé. - Ele sorriu para ela antes de se virar e caminhar até a porta. - Ah! Quando vamos marcar de assistir o resto dos filmes da Marvel? São muitos, quanto antes a gente começar, melhor...
revirou os olhos, mas acabou rindo.
- Quando eu tiver um apartamento.
- Pelo visto vai demorar, então. - Ele riu divertido e ela lhe mostrou o dedo do meio.
- Sai daqui, . - Ela o xingou e ele saiu, fechando a porta atrás de si enquanto ainda ria.
apoiou as costas em sua cadeira e suspirou pesadamente. estava maluco, era a única explicação plausível. Claro que ela iria amar ter seu próprio quarto e banheiro, além de não precisar dormir em um sofá e se preocupar com Dobby fazendo bagunça na casa das amigas, mas, morar com ele? Não, péssima ideia. Fora de cogitação.
Voltou sua atenção para seu computador e checou as horas, vendo que já estava praticamente na hora de ir embora. A ideia de ir para casa e encontrar seu apartamento inteiro já arrumado para a mudança não lhe apetecia nem um pouco. Fechou seu notebook, guardando-o em sua bolsa. Juntou todos os papéis em um canto da mesa e pegou somente os que precisava levar para casa. Levantou e foi até a porta, apagando a luz antes de sair e seguir caminho até a recepção. Se despediu das meninas sem muito alarde, falaria com elas em outro momento. Não estava no clima de pegar o metrô, então chamou um Uber, que não demorou nada a chegar.
Quando abriu a porta do apartamento, seu coração se apertou ao ver todas as caixas já fechadas e etiquetadas. Não era exagero dizer que seus olhos se encheram de lágrimas. sabia que não moraria na rua, mas ter seu próprio espaço era tão importante para ela.
Dobby foi quem a tirou do transe, esfregando-se nas pernas da dona, pedindo carinho. Só então largou sua bolsa e tirou seus sapatos, abaixando-se para pegar o gato no colo. O afagou por alguns momentos, apertando-o de um jeito que sabia que ele não gostava muito, mas não se importou. Precisava daquilo no momento. Mesmo não tendo durado muito, o carinho lhe fez bem. Dobby já estava miando pedindo por ração, então antes de se jogar no sofá ela encheu o pote dele de ração.
Ficou alguns minutos encarando o nada, pensando em como sua vida tinha virado aquela bagunça. Encarou seu celular em cima da mesa, considerando a possibilidade de ligar para o seu pai. Faziam alguns meses que não se falavam e quase um ano que não se viam, mas se ele tivesse condições, talvez não negasse a ajuda. pegou o aparelho, desbloqueando-o e digitando o número de Christian. Quando foi apertar para iniciar a ligação, acabou desistindo. Não tinha como isso ser uma boa ideia. Decidiu, então, por tomar um banho e tentar relaxar. Ela realmente estava precisando.


cumprimentou o porteiro, sorrindo para ele. Caminhou em direção ao elevador e apertou o botão do seu andar. A porta já estava quase se fechando quando ele viu uma mulher correndo com certa pressa para tentar alcançar o elevador a tempo. Sem pensar duas vezes, ele colocou sua mão no vão da porta, impedindo que ela se fechasse. A mulher sorriu e entrou.
- Muito obrigada. - Agradeceu, apertando o botão referente ao seu andar.
- Não foi nada. - Ele disse, observando-a.
Ela era incrivelmente bonita. Seus cabelos eram escuros e longos e olhos tinham o mesmo tom do cabelo. Ao perceber que estava sendo observada, ela levantou o rosto, encarando . Ele não soube descrever o que sentiu no momento, era como se o olhar dela o instigasse, convidando-o a conhece-la melhor.
- Você mora aqui? - perguntou e ela sorriu, confirmando com a cabeça.
- Último andar. E você é novo aqui, né? Me lembraria se já tivesse te visto. - Ela sorriu de canto, arrancando um sorriso do engenheiro.
- Sexto andar. Sou . - Ele se apresentou.
- Melanie. - Sorriu novamente, ao mesmo tempo em que as portas do elevador se abriram no andar de .
- Então, boa noite, Melanie. - Ele se despediu, parando na porta apenas para olhá-la. - Prazer te conhecer.
- O prazer é todo meu. Nos encontramos por aí. - Ela piscou para ele antes das portas se fecharem e o elevador continuar o caminho.
riu baixo. Definitivamente esperava encontrá-la mais vezes. Caminhou até a porta seu apartamento, já começando a ouvir os latidos um pouco estridentes de Bucky. Assim que entrou, o cachorro começou a pular ao redor dele, feliz por não estar mais sozinho em casa. soltou sua maleta em cima da mesa e abaixou-se para fazer carinho no cão.
- E aí, pulguento? - Ele cumprimentou, rindo da agitação do cachorro. - Acho que preciso te levar passear pra você gastar toda essa energia, né?
Bucky parou de pular e encarou o dono, respirando com a língua para fora. O cão latiu e saiu correndo em direção a cozinha. o seguiu, encontrando-o em frente ao pote de ração. Imediatamente pegou o pote e o encheu, colocando-o no chão para que Bucky comesse - o que ele fez no mesmo momento.
aproveitou para voltar para a sala. Levou sua maleta até o escritório e foi até seu quarto, pegou uma cueca e uma calça de moletom antes de seguir até o banheiro. Ligou o chuveiro e, enquanto a água esquentava, tirou a roupa e aproveitou para fazer a barba.
Cerca de quinze minutos depois, já estava de banho tomado, andando pela casa usando apenas a calça de moletom. Depois, foi para a cozinha e pegou qualquer coisa para comer, voltando para a sala e sentando-se no sofá. Bucky logo apareceu, subindo no sofá e aconchegando-se perto do dono.
O pensamento de voou para . Ele queria ter insistido um pouco mais, para que a mulher percebesse que morar com ele seria a melhor opção, mas não quis ser inconveniente. Era uma decisão que precisava partir dela.
Esticou-se para pegar o controle da televisão, ligando-a. Zapeou pelos canais, tentando encontrar um programa que lhe chamasse atenção, mas, sem sucesso. Acabou deixando no canal de culinária e, antes que percebesse, havia caído no sono.
Acordou cerca de uma hora mais tarde com a campainha tocando. Franziu o cenho, sem nem conseguir imaginar quem poderia ser. Se levantou do sofá e aproximou-se da porta, abrindo-a logo em seguida, encontrando sua vizinha, Melanie. Ela o analisou de cima a baixo. nem tinha se dado conta de que estava só de calça, ficando um pouco constrangido com o jeito que ela o olhou. Levou sua mão até o cabelo, bagunçando-o, um pouco sem jeito.
- Boa noite. - Ele disse risonho.
- Oi! - Ela cumprimentou, finalmente voltando o olhar para o rosto dele.- Vim trazer um bolo de boas vindas.
Melanie estendeu o prato para ele, que o pegou. Ele sorriu em agradecimento.
- Muito obrigado. Mas você sabe que já estou aqui há algumas semanas, certo? Então não é exatamente boas vindas...
Ela deu de ombros e cruzou os braços, sem tirar seus olhos dos dele.
- Eu só te conheci hoje, então pra mim é. - Ela piscou.
riu, encostando-se na porta. Em qualquer outra situação, ele a convidaria para entrar, mas estava cansado e sonolento, afinal, há poucos minutos estava cochilando. Os dois se encararam por alguns segundos e de repente, Bucky apareceu na porta, colocando-se ao lado de seu dono, encarando curiosamente a mulher.
- Ah, que bonitinho! - Ela disse, abaixando-se para acariciar o cachorro, recebendo um rosnado como resposta. - Ele é bravo?
- Não costuma ser. - riu, olhando para ele, que ainda encarava a mulher de maneira desconfiada.
- Bom, eu já vou. - Melanie voltou seu olhar para . - Depois me diga o que achou do bolo.
- Claro. Obrigado. - Ele sorriu. - Eu te convidaria pra entrar, mas a casa tá uma bagunça e eu preciso terminar de resolver algumas coisas.
- Fica pra próxima. - Novamente ela piscou e se começou a se perguntar se ela tinha algum tipo de alergia no olho. - Boa noite então.
- Boa noite, Melanie. - Ele desejou quando ela se afastou, fechando a porta em seguida.
Bucky latiu baixo, chamando a atenção do dono. o olhou, mas seguiu para a cozinha. Abriu o prato rapidamente para ver do que era o bolo e fez uma careta ao constatar que era de cenoura, um dos poucos que ele não gostava nem um pouco. Levaria para o trabalho no dia seguinte e distribuiria pelo escritório. Guardou-o dentro do forno e voltou para a sala com Bucky em seu encalço. Sentou-se no sofá novamente e pegou seu celular, vendo que tinha uma ligação perdida. Franziu o cenho ao ver que era de . Rapidamente desbloqueou o aparelho e retornou a chamada, sendo atendido no terceiro toque.
- Ei. - Ela atendeu, sua voz ainda bastante desanimada. - Desculpa te ligar assim, do nada, mas...
- Tá tudo bem. - Ele a interrompeu, abrindo um sorriso como se a mulher pudesse vê-lo.
- Certo. - disse e a ouviu suspirar antes de voltar a falar. - Eu cheguei em casa e foi bem difícil, sabe? Me dei conta de que realmente não vou mais ter o meu espaço. Na verdade, não vou ter um banheiro só meu, nem um quarto... E eu preciso disso. - Ela hesitou por um segundo e sentiu uma pontinha de esperança se acender dentro de si. - E aí eu lembrei da sua proposta. Se ainda estiver de pé e se você me prometer que eu não vou, de maneira alguma, ser um incômodo, eu...
- . - Ele a interrompeu. - Se eu achasse que você seria um incômodo, eu não teria convidado. E é claro que a proposta ainda tá de pé. - Ele a ouviu suspirar aliviada do outro lado da linha e rir baixo em seguida. - Talvez o Bucky não goste muito da companhia do seu gato com nome de duende, mas...
- É um elfo! - Ela retrucou, rindo também. - Muito obrigada. Eu prometo que vou ser uma ótima colega de quarto.
- Tenho certeza que sim. - comentou. - Você quer vir pra cá quando?
- O quanto antes. Eu só preciso pedir pra Sadie me emprestar o carro pra levar todas as minhas coisas. - explicou, pensativa. - Se você quiser, eu posso ir aí pra já limpar o quarto em que eu vou ficar e...
- Não esquenta com isso. E também não precisa se preocupar com móveis, a não ser que você queira algo específico... Tem cama, guarda roupa, banheiro completo...
- Nossa, não precisa de mais nada. Perfeito. - agradeceu. - Desculpa por te tirar da sua tranquilidade, eu e Dobby faremos o possível pra que você nem perceba que estamos aí.
- Que graça teria isso? - riu. Até parece que ele não ia gostar de ter a companhia dela. - Então, amanhã você acha que já vem pra cá? Porque eu preciso avisar o porteiro e fazer uma cópia da chave pra você.
- Acho que sim, vou pedir pra Sadie fechar minha agenda a tarde, aí eu consigo organizar isso. - Explicou. - Nossa, nem acredito nisso. Vou avisar o dono do apartamento agora mesmo que já consegui outro local e que o apartamento vai estar livre depois de amanhã.
- Ótimo. - Ele sorriu, deitando-se no sofá com as pernas para cima. - Acho que vamos economizar em outros pontos além do aluguel, sabia?
- Sim. Mercado também, né? Depois precisamos resolver como vamos fazer isso...
- A gente vê quando você já estiver aqui. Aliás, agora vai ficar muito mais fácil pra fazermos as maratonas que planejamos, não?
As maratonas e outras coisas, não pode deixar de pensar.
- Vai mesmo. - riu, já imaginando os dois discutindo para decidir se o filme da vez seria Marvel ou Harry Potter. - , eu preciso desligar agora, tenho que terminar de organizar algumas coisas por aqui. - avisou. - Muito obrigada de novo, sério... Não sei nem como agradecer.
- É um prazer ajudar, . - Ele frisou o apelido dela. - Boa noite, até amanhã.
Os dois se despediram e rapidamente desligaram seus telefones. manteve um sorriso em seus lábios durante alguns segundos.
Realmente era um prazer ajuda-la e seria também seria um prazer tê-la como colega de quarto. Os dois poderiam estar se enfiando em uma roubada? Poderiam. Mas pagariam para ver.


- VOCÊ VAI O QUÊ? - Sadie praticamente berrou, levantando-se da cadeira e apoiando as mãos na mesa da arquiteta.
- Cala a boca, caramba, fala baixo! - pediu, revirando os olhos. Sadie suspirou e voltou a se sentar, ainda encarando a amiga ainda sem acreditar. - Vou dividir o apartamento com . - Repetiu, dessa vez mais calma.
- Você tá maluca? - Sadie perguntou, gesticulando com as mãos.
- No início eu também achei que era loucura, Sadie. - explicou, dando de ombros. - Mas depois eu pesei os pontos.
- O único ponto que eu vejo é que isso vai dar errado. - Sadie se aconchegou na cadeira e cruzou os braços.
- Dá pra esperar eu falar? - pediu, já perdendo a paciência. - Eu vou pagar menos do que eu pago no meu apartamento, vou ter um quarto e um banheiro só meus. Sem contar que o prédio é próximo daqui, posso vir a pé...
- Ok, esses pontos são realmente muito bons. - Sadie cedeu e se aproximou, apoiando seus braços na mesa. - Mas, , você e ele tem algo não resolvido, você sabe disso...
- Não vejo problema. Não é você que sempre fica torcendo pra algo rolar? - A arquiteta arqueou as sobrancelhas.
- Sim, mas...
- Então. E além do mãos, nós estamos construindo uma amizade, nada mais que isso. - afirmou, mesmo não acreditando muito em sua fala.
- Aham. Tá. - Sadie revirou os olhos e se levantou. - Você que sabe, de verdade, amiga. Eu espero que dê certo.
- Eu sei que sim. - sorriu e também se levantou, indo até Sadie para abraça-la. - Posso mesmo usar o carro hoje a tarde?
- Pode, pega a chave comigo a hora que for sair. - Sadie avisou quando quebraram o abraço. - Vou torcer pra dar certo, tá?
- Obrigada. - deu um beijo na bochecha de Sadie e ela fez uma careta, mas acabou rindo antes de sair do escritório e deixar sozinha com seus projetos.


: Tô indo pegar minhas coisas. Acho que vou ter que fazer duas viagens.

Era o que dizia a mensagem que enviou para antes de entrar no carro de Sadie e dar partida em direção ao seu quase antigo apartamento. Eram cerca de 17h, fim da tarde, um bom horário para carregar suas caixas para cima e para baixo, literalmente.
Entrou na garagem do edifício e estacionou na vaga reservada para o seu apartamento. Rapidamente saiu do carro e andou até o elevador. Não demorou para que estivesse na porta de casa, colocando todas as caixas para fora. Depois foi a vez de suas malas, e, por último, a vez de Dobby. teve um pouco de dificuldade para coloca-lo na caixinha de transporte. O gato tinha uma aversão ao objeto, já que sempre que precisava entrar nela, ia parar no veterinário. Depois de muitos petiscos, conseguiu fecha-lo dentro da caixa e finalmente havia terminado.
Conferiu todo o apartamento pela última vez, checando se não havia esquecido de nada. Depois, se despediu brevemente do local que foi sua casa nos últimos anos. Antes, ela estava triste por ter que deixar o prédio, mas agora que já tinha um lugar para morar, estava feliz. O prédio que moraria com era novo, o apartamento era maior e o condomínio parecia ser muito mais amigável que esse. Apesar disso, tinha vivido bons momentos ali. Sorriu uma última vez antes de finalmente fechar a porta, dando adeus a essa fase de sua vida.
teve que levar primeiro suas malas e depois as caixas para conseguir levar tudo para a garagem, tendo que usar o elevador três vezes. Já na garagem, mal havia começado a colocar suas coisas no carro e rapidamente já estava cheio. Suspirou ao constatar que, como previra, seria realmente necessário fazer duas viagens até sua nova casa. Avisou ao porteiro antipático que deixaria o restante de suas coisas na garagem e que logo voltaria pra buscá-las. Antes de sair, mandou uma mensagem para , avisando que já estava indo com a primeira leva da mudança.
Eram cerca de 18h30 quando estacionou o carro de Sadie na garagem do novo edifício. Mal tinha saído carro e viu escorado no pilar ao lado da vaga, esperando por ela.
- Vim ajudar. - Ele sorriu ao se aproximar. - Você quer que eu leve tudo pra cima enquanto você vai buscar o resto?
- Não precisa, eu levo com você. - comentou e abriu o porta malas, começando a tirar suas coisas de dentro.
- Então eu vou junto quando você for buscar o resto das coisas, porque olha, você é péssima em otimizar espaço. Poderia ter colocado muito mais coisas aqui dentro. - Ele disse e ela o olhou feio, fingindo estar indignada. - Desculpa.
riu, dando de ombros. Realmente, organização não era o forte dela, mas não sabia disso ainda.
- Cadê o duende? - deu falta de Dobby.
- É um elfo! Quer dizer, é um gato, mas você entendeu. - riu e deu a volta no carro, abrindo a porta do carona e tirando a caixa de transporte com Dobby de dentro. - Aqui. Ele tá muito bravo, veio miando o caminho inteiro.
- Acho que ele vai levar um tempo até se acostumar, né? - perguntou enquanto andavam lado a lado até o elevador.
- Vai. Mas antes que a gente perceba, Dobby vai estar se sentindo em casa. - sorriu, espiando o gato entre os espaços da caixa.
Os dois levaram alguns minutos para colocar tudo no elevador e depois levaram outros muitos minutos para levar tudo até o quarto que agora seria de . Bucky ficou maluco quando eles entraram em casa, sem saber se cheirava ou o gato. Acabou decidindo por cercar a caixinha que Dobby estava, latindo e pulando para ele, que permaneceu quieto, encarando-o. preferiu deixar Dobby dentro de seu quarto por enquanto, seria melhor para que já fosse se adaptando com o novo ambiente. Não perderam tempo organizando nada, fariam isso depois que voltassem com o restante das coisas.
Um tempo depois, já estavam carregando o carro novamente e dessa vez havia até sobrado um pouco de espaço, graças a organização de .
- Viu só? - Ele sorriu orgulhoso, apoiando-se no carro. - Otimização de espaço.
- Quanto você cobra pra organizar minha mudança? - perguntou e ele gargalhou.
- Eu te ajudo, relaxa. - sorriu e andou até a porta do carona. - Vamos?
- Eu preciso ir até a portaria pra entregar a chave ao porteiro e ver se não tem nada pra mim. - Explicou. - Já volto.
- Certo, vou te esperar dentro do carro. - Ele disse e entregou a chave do veículo a ele antes de sair andando em direção a portaria.
Ao chegar lá, cumprimentou o porteiro e foi direto até caixinha de correspondências. Haviam algumas cartas e propagandas, pegou somente o que era importante e jogou o restante no lixo. Depois se virou e voltou até a mesa do porteiro.
- Vou deixar a chave do apartamento com o senhor, tudo bem? - Ela avisou e ele apenas confirmou com a cabeça. - Aqui.
o entregou a chave e sorriu, pronta para se afastar e voltar para a garagem, porém, uma voz a fez virar o rosto. Franziu o cenho, observando as três pessoas que tinham acabado de entrar no condomínio.
Não era possível.
- Boa noite, Sr... - Um dos homens começou a falar, mas travou assim que viu o encarando. - ?
Imediatamente os olhares das outras duas pessoas que estavam com ele focaram nela.
- Filha? - O outro homem falou, tirando-a do transe.
- O que vocês estão fazendo aqui? - Foi a única coisa que conseguiu dizer ainda os observando com certo espanto.
- Eu achei que você já tinha saído. Nós... - Paul começou a falar, mas foi interrompido pelo pai de .
- Nós vamos morar aqui. Eu e Lily vamos casar, e ela está grávida. - Christian contou, abrindo um sorriso.
ainda estava assimilando a primeira notícia quando finalmente conseguiu entender a segunda, e então a ficha caiu. Como assim seu pai se casaria de novo e ela teria um irmão ou irmã?
- Fiquei muito feliz quando Paul disse que você tinha encontrado outro lugar e que nós poderíamos comprar o ap...
- Espera aí. - pediu, levantando a mão. - Muita informação ao mesmo tempo. - Ela riu de maneira nervosa. - Você me tirou do lugar em que eu morava? Você? - acusou seu pai e depois voltou-se para Paul, sua voz saindo um pouco alta. - É pra ele que você vai vender o apartamento?
Ela estava possessa.
- Eu não planejei isso, , me d...
- Uma ova que não planejou, Paul! Você me despejou pra poder vender o apartamento pro meu próprio pai!
- Como é que é? - Christian se meteu, confuso. - Você me disse que o apartamento já estava vazio há algum tempo!
Paul encolheu os ombros. Ele realmente precisava do dinheiro e não achou que as coisas fossem se desenrolar dessa maneira.
- Eu não sabia, filha, juro que n...
- Você não sabia disso? Você realmente acha que vou acreditar nessa baboseira? - Ela o interrompeu novamente, bufando em seguida. - Pelo amor de Deus, Christian!
- , querida... - Christian tentou argumentar, mas foi cortado novamente.
- Não. Não vem com querida. - disse, dando alguns passos para trás. - Eu não sei o que é pior nessa situação. Essa confusão toda com o apartamento ou você sumir por meses e ressurgir com essa história de que vai ser pai!
- Mas eu realmente vou ser pai, Lily está grávida, aliás, eu nem apresentei vocês duas, minha filha, por favor... - Ele passou as mãos pelo cabelo, um pouco nervoso. Depois se aproximou novamente da mulher e entrelaçou seus dedos nos dela. - Lily, essa é minha filha, . Filha, essa é Lily, minha noiva.
A mulher, que até então estava só observando a confusão, sorriu de maneira simpática para , que retribuiu com um sorriso um tanto quanto forçado. Foi só nesse momento que percebeu que Lily aparentava ter a mesma idade que ela, talvez um pouco mais. Ótimo, seu pai teria um filho com uma mulher que tem idade pra ser sua irmã. O quão estranho isso era?
A arquiteta respirou fundo, tentando se acalmar. Lily com certeza não tinha culpa de nada, trata-la mal não faria bem algum. Os verdadeiros culpados eram seu pai e Paul.
- Me desculpe por estarmos nos conhecendo no meio dessa confusão. - foi sincera e a mulher retribuiu. Depois, se voltou para seu pai. - Eu preciso ir. Conversamos outra hora. Não tô com cabeça pra isso. - Ela suspirou, balançando a cabeça em negação. - Tô no meio da mudança e estão me esperando pra ir embora.
- Querida, vamos conversar.
Ela daria chance para que Christian se explicasse, mas não agora. Conversaria com ele em outro momento, porque sabia que falaria muitas coisas que não deveria. Apesar de tudo e de toda a mágoa que sentia, ele ainda era seu pai. devia isso a ele, mesmo que no momento achasse que não.
- Agora não, Christian. - Ela foi enfática ao dizer o nome dele. - Você tem meu telefone. Conversamos.
lançou um olhar para Paul antes de se virar e se afastar, indo para a garagem. Entrou no carro e acabou batendo a porta sem querer, fazendo com que a olhasse espantado.
- O que aconteceu? - Ele perguntou ao notar a vermelhidão no rosto dela.
- Você acredita que fui despejada do apartamento pelo meu próprio pai? - Ela riu, ainda descrente.
- Você encontrou com ele?
- Encontrei. Ele, a noiva que tá grávida e o dono do apartamento. - ergueu as sobrancelhas, um pouco confuso. - Eu te explico outra hora. É uma longa história. - suspirou pesadamente. - Você se importa de dirigir? Eu não tô com cabeça.
- Claro que não. - sorriu e os dois saíram do carro, trocando de lugar. - E tenta se acalmar, tenho certeza que deve ter alguma explicação.
queria ter a certeza de . Ela realmente queria acreditar que tinha explicação, mas achava difícil. Conhecia seu pai como ninguém e, nos últimos anos a relação dos dois tinha sido bastante conturbada. Como Christian tinha um problema sério de alcoolismo, era bem comum que ele sumisse por meses, e era exatamente isso o que sempre acontecia. No último ano, não havia visto seu pai nenhuma vez. Talvez isso explicasse o fato de ele parecer estar tão sóbrio. Não tinha ideia de tudo que poderia ter acontecido com ele, mas de uma coisa ela sabia: a falta que ele fazia era imensa.
E realmente queria acreditar que seu pai estava bem.


Capítulo 05


sorriu satisfeita ao observar a organização de seu quarto. Juntamente com , haviam passado a tarde organizando o novo quarto dela. Roupas, enfeites, objetos pessoais, maquiagens, tudo devidamente guardado em seus lugares, assim como seus livros e projetos, que também estavam em seu novo escritório, no cômodo ao lado, junto com o de .
- Eu prometo tentar manter essa organização por um tempo. - Ela comentou depois de um tempo em silêncio e ele balançou a cabeça rindo. - Muito obrigada pela ajuda.
sorriu e depois se aproximou de sua cama, jogando-se deitada na mesma. sentou-se ao lado dela.
- Acho que terminamos, né? - Ele perguntou e levantou o olhar e balançou a cabeça em confirmação.
- Nós podíam... - A fala de foi interrompida por um barulho alto vindo da sala.
Os dois se levantaram rapidamente e saíram do quarto, procurando pela origem do barulho.
Dobby estava em cima de uma estante que havia na sala e Bucky estava no chão, encarando-o, balançando o rabinho animadamente. Dobby provavelmente derrubou alguns livros quando subiu, mas não havia estragado nada.
- Bucky! - chamou o cachorro, que respondeu com um latido ao olhar para o dono, desviando novamente o olhar para o gato.
- Justo agora que eu achei que vocês estavam se dando bem... - riu e pegou Dobby, aconchegando-o em seus braços com um pouco de dificuldade, apenas para o gato pular no momento seguinte e Bucky sair em disparada atrás dele pela casa.
e acompanharam os movimentos dos animais, girando conforme eles corriam ao redor dos dois. A correria só parou quando finalmente Bucky conseguiu pegar Dobby, jogando-se em cima do gato e enchendo seu rosto de lambidas, deixando-o completamente babado.
- É só amor reprimido. - comentou, fazendo rir ao observar a expressão relaxada no rosto de seu gato.
- Eu mereço essa pouca vergonha. - Ela riu, mas logo parou ao ouvir seu celular tocando ao longe.
Suspirou pesadamente. Já sabia quem estava ligando e definitivamente não queria atender.
Era a quarta ou quinta vez que seu pai a ligava somente naquele dia e ele ainda não havia desistido. negou a ligação e bufou, soltando seu celular na cabeceira da cama.
- Você realmente não vai falar com ele? - perguntou assim que retornou e ela o olhou com as sobrancelhas arqueadas. - Desculpa me meter.
- Não, tudo bem. - suspirou e se aproximou do sofá, se sentando em seguida. a acompanhou. - Meu pai é... Complicado.
- Espera. - pediu e levantou. - Vou pegar cerveja pra nós dois e aí você conta, pode ser?
sorriu em concordância e assistiu ele se afastar em direção a cozinha. Suspirou baixo antes de ajeitar seu corpo no sofá, sentando-se com as pernas dobradas. Não teria problema contar a , afinal, os dois agora eram roommates e, acima de tudo, amigos. A confiança ainda estava sendo construída, mas ela já se sentia segura para conversar com ele sobre seu passado.
- Aqui. - estendeu a garrafa de cerveja para ela e sorriu em agradecimento.
Ele se sentou ao lado dela e os dois aproximaram as garrafas para um brinde breve antes de começar a falar.
- Meu pai é alcoólatra, . - Ela contou e ele ergueu as sobrancelhas, surpreso. - Tudo começou quando eu ainda era uma criança. Minha mãe fugiu com um cara qualquer e nós nunca mais a vimos. Meu pai encontrou conforto na bebida e foi muito difícil crescer no meio disso. Quando eu entrei na faculdade e finalmente saí de casa, ele prometeu que ia procurar ajuda, mas isso só aconteceu alguns anos mais tarde.
- Eu não tinha ideia. - comentou e encolheu os ombros.
- Eu não falo muito sobre isso, você não tinha como saber. - Ela bebeu um gole de sua cerveja. - Fazia um ano que eu não o via, e de repente ele aparece, compra o apartamento que eu morava, e, aliás, eu não sei nem de onde ele tirou dinheiro pra isso, tem uma namorada e vai ser pai. - riu de maneira irônica, balançando a cabeça em negação. - É muito pra absorver e eu não quero conversar com ele no momento.
Ela virou o restante da cerveja que estava em suas mãos e suspirou pesadamente depois de colocar a garrafa na mesa de centro. a encarou por alguns segundos, pensando no que falar. Ele tinha alguns conselhos para dar, mas não queria parecer intrometido, e não sabia como a mulher os receberia.
- Eu... - Ele começou, chamando a atenção dela, que o encarou. - Meu pai faleceu há dois anos.
- Eu sinto muito. - Ela o interrompeu e ele sorriu, agradecido.
- Foi de repente, e eu faria de tudo pra poder ter mais alguns momentos com ele. - contou, bebendo mais um pouco de sua cerveja. - Ele foi incrível. Eu não consigo imaginar como é crescer com um pai como o seu, mas, ... - Ele hesitou por um momento, mas como ela permaneceu prestando atenção, decidiu seguir em frente. - Se eu tivesse a chance de conversar com meu pai, eu não deixaria isso passar.
Ela abaixou a cabeça, desviando seu olhar para seus dedos, que brincavam com a barra da blusa que vestia.
- Sei que você não pediu conselhos. Me desculpa. - pediu e ela o olhou, sorrindo brevemente.
- Tá tudo bem. Vou pensar nisso. Obrigada. - agradeceu, sincera.
E realmente ela estava grata. Era bom conversar sobre isso, mesmo que um pouco.
- Tem algo planejado pra agora a noite? - perguntou de repente, quebrando o silêncio que havia se instalado. Recebeu uma resposta negativa de . - Vamos ao mercado fazer as compras da semana? Aí podemos comprar mais cerveja e algo pra comer, também.
- Você já tá querendo me embebedar, ? - Ela perguntou, fazendo-o rir. - Tô brincando, eu topo. Mas sem drinking game hoje. - levantou, recebendo um olhar desanimado dele. Os dois acabaram rindo. - Vamos?


- Qual café você prefere? - apontou as opções para e ela fez uma careta.
- Não gosto de café.
- Você não gosta de café? - Ele estranhou, arqueando as sobrancelhas. - O que você toma no café da manhã?
- Suco. - deu de ombros. - Pode pegar qualquer um, eu pego suco de laranja.
- Estranha. - murmurou e riu, empurrando-o de lado.
- Creme de avelã! - deu um gritinho empolgado. - Ai, mas não vou comprar... Não vai durar mais de um dia.
- Prefiro doce de leite. - comentou depois de colocar os cafés no carrinho.
- Acho doce de leite muito doce... - torceu a boca e ele revirou os olhos.
- Você é super do contra.
- Pra mim o do contra é você! - retrucou e os dois riram, entrando no próximo corredor do mercado. - Você come iogurte?
- Sim. - confirmou e sorriu, aliviada. - Com frutas e granola.
- Finalmente concordamos em alguma coisa! - Ela riu, pegando alguns iogurtes e colocando-os no carrinho. - Você prefer...
- ? - Uma voz chamou, interrompendo-os, e os dois se viraram para ver quem era.
- Melanie! - Ele sorriu simpático e ela se aproximou para cumprimentá-lo com um beijo no rosto. - Tudo bem?
- Tudo ótimo, e você? - A mulher sorriu sugestivamente, levando sua mão até o ombro de , acariciando-o. Depois desviou seu olhar para , que observava a cena um pouco entediada. - Sua namorada?
- Não! - Ele prontamente negou e rolou os olhos ao ver o sorriso que se abriu nos lábios de Melanie. - Essa é minha amiga, . Trabalhamos juntos e dividimos o apartamento.
- Ah. - Melanie sorriu sem vontade. - Prazer, Melanie. Sou vizinha de vocês.
- Prazer. - a cumprimentou sem nem tentar esconder seu descontentamento.
Melanie a olhou de cima a baixo mais uma vez e voltou sua atenção para , tocando-o novamente nos ombros, sem tirar os olhos dele. Os dois engataram um assunto qualquer, e ela o tocava a todo o momento, rindo e mexendo excessivamente em seu cabelo, sem quebrar o contato com ele.
revirou os olhos mais uma vez e resolveu se afastar. Não tinha simpatizado nem um pouco com a mulher. Ela não costumava julgar sem conhecer, mas Melanie estava praticamente comendo com os olhos e não gostava disso - mas, claro que quem tinha que gostar ou não era , e como ele não estava reclamando, não cabia a ela fazer ou falar qualquer coisa. Por isso, preferiu continuar as compras sem ele.
Passou por outros corredores, pegando o que mais era necessário e depois seguiu até a área onde ficavam as frutas e os vegetais, colocando-as nos sacos que o mercado oferecia. bufou, um pouco impaciente. Estava sentindo dificuldade para carregar tudo e agradeceu mentalmente quando viu se aproximar com o carrinho.
- Já peguei frutas e verduras. - avisou, colocando cuidadosamente tudo que havia pego dentro do carrinho. - O que falta?
- Cerveja e algo para comermos hoje a noite. - Ele disse e o olho.
- Vamos cozinhar? - Perguntou.
- Prefere algo mais rápido?
- Não. Pode ser macarronada? Eu faço uma deliciosa. - sorriu orgulhosa e ele riu, balançando a cabeça em confirmação.
Depois de pagar por todas as mercadorias, os dois levaram as compras até o carro de e rapidamente já estavam indo em direção ao apartamento.
- O que achou de Melanie? - perguntou de repente e virou o rosto, fazendo uma careta.
- Meio blé. - Ela resmungou e ele gargalhou, desviando o olhar do trânsito para olhá-la. - Quer dizer, eu não a conheço. Mas...
- Ela é bem atirada, né? Eu sei. - Ele riu.
- Óbvio que você não se incomoda. - revirou os olhos e deu de ombros.
- Não gosto muito dessa atitude, pra ser sincero, não faz muito o meu tipo. - Esclareceu e o olhou, curiosa.
- E qual é seu tipo?
virou o rosto para ela e se limitou a apenas arquear as sobrancelhas, movimentando a cabeça lentamente em direção a , indicando que ela era seu tipo. A mulher reprimiu um sorriso e sustentou o olhar dele, mordendo internamente o lábio. riu baixo e piscou para ela antes de voltar sua atenção para o trânsito a sua frente.
Ok, ponto para você, , pensou, deixando um sorriso um pouco convencido escapar.
A verdade era que também era o tipo de , mas ele não precisava saber disso. Pelo menos, não ainda.


- Você não devia ter mostrado seus dotes culinários logo no primeiro final de semana morando aqui. - comentou entre uma garfada e outra. - Acho que é a melhor macarronada que já comi.
- Obrigada. - riu ao soltar seus talheres na mesa. Limpou sua boca com um guardanapo e depois bebeu um gole de sua cerveja. - Tenho certeza que você também deve ser bom na cozinha.
- Meu negócio são os doces. - disse ao terminar de comer. - Outro dia faço algo pra você provar.
- Vou adorar. - sorriu, levantando-se da mesa e pegando os pratos já vazios.
- Deixa a louça comigo, . – Ele pediu e ela o olhou, dando de ombros.
- Não me incomodo. - Explicou, já indo para a cozinha.
O engenheiro se levantou e foi atrás dela, colocando-se em frente a pia.
- Você cozinhou, então eu lavo. - Ele pegou os pratos da mão dela, colocando-os na pia para lavar.
riu e agradeceu. Não iria reclamar.
- Escolhe um filme pra gente ver. O que acha?
- Acho ótimo. Mas primeiro... Você não tá achando essa casa muito quieta, não? - arqueou as sobrancelhas e só então percebeu o silêncio envolvia o ambiente. - Vou procurar os dois.
voltou para a sala, procurando por Bucky e Dobby em todos os cantos do cômodo. Olhou em baixo da mesa, no sofá, nos cantos da sala, mas, sem sucesso. Resolveu checar os quartos. Ao entrar no seu, encontrou a porta do guarda roupa semiaberta. Aproximou-se lentamente e a abriu por completo. Seu coração quase derreteu com a cena que viu.
Os dois estavam no fundo do armário, Dobby dormia praticamente em cima de Bucky. ouviu um barulho e se virou, vendo entrar no quarto. Ela fez sinal para que ele não fizesse barulho ao se aproximar. A expressão no rosto de ao ver os dois juntos foi de puro amor. Em silêncio, encostou novamente a porta do guarda-roupa e os dois saíram do quarto.
- Nem acredito que já estão nesse amor todo. - Ela disse, jogando-se no sofá. - Não faz nem dois dias!
riu e, antes de se sentar no sofá, seguiu para a cozinha, voltando com duas cervejas. Entregou uma a e sentou-se ao lado dela.
- Melhor assim do que brigando o dia inteiro, né? - Perguntou, juntando sua cerveja com a dela para um breve brinde. - Pensou em algum filme?
- Nah. Pode escolher, qualquer um tá bom por mim. - deu de ombros.
- Até Marvel? - a olhou desconfiado.
- Até Marvel.
Ele comemorou, erguendo os braços para o alto antes de se levantar e andar até a estante de filmes. riu e balançou a cabeça em negação.
Seria uma noite divertida, assim como varias outras que os dois viriam a passar na companhia um do outro.


despertou mais cedo que o necessário naquela segunda-feira, era por isso que já se encontrava devidamente vestida e arrumada para o trabalho. Foi até a cozinha com Bucky e Dobby em seu encalço, ambos pedindo por comida. Antes de comer, encheu os dois potes de ração e os deu para os animais. Depois, preparou o seu café da manhã e sentou-se em um dos bancos ao redor da mesa da cozinha. ainda não havia dado sinal de vida, mas como faltavam cerca de trinta minutos para o horário em que deveriam sair de casa, ela não estava muito preocupada. Tomou seu suco e comeu seu iogurte com granola calmamente, enquanto verificava as notícias do dia. Estava distraída olhando para o seu celular, mas foi capaz de notar quando se aproximou antes mesmo de ele lhe dizer bom dia. desviou seu olhar para ele, interrompendo o movimento de sua mão que levava a colher até sua boca.
vestia apenas uma calça de moletom e um chinelo. Seu rosto denunciava que ele não estava nada feliz por ter acordado cedo. Os fios de seu cabelo estavam emaranhados, completamente bagunçados. Seu abdˆmen exposto era o que tornava aquela cena algo muito agradável de se ver as oito horas da manhã de uma segunda feira.
- ? - Ele chamou, segurando o riso.
Só então ela percebeu que o encarava sem pudor algum. Talvez não fosse exagero dizer que estava, literalmente, babando.
- Bom dia! - Ela desejou ao sair do transe em que se encontrava, sorrindo exageradamente para .
- Eu ia pedir desculpas por aparecer assim porque esqueci que não moro mais sozinho, mas acho que vou te oferecer uma foto, você quer? - riu e levou sua mão até seu cabelo, bagunçando-o ainda mais.
Esse simples movimento foi o suficiente para fazer se perder novamente em seus músculos. Ela queria se aproximar, tocar centímetro por centímetro da pele exposta dele, senti-la sobre seus dedos. Antes mesmo de perceber, já estava imaginando o momento em que ele se aproximaria e a puxaria pelos cabelos, envolvendo-a em um beijo intenso que terminaria com os dois nus, na mesa da cozinha.
Meu Deus, será que esse homem tem a mínima noção do quão gostoso ele é?
- ! - Ele chamou mais uma vez e ela balançou a cabeça, tomando todo o suco de laranja que havia servido em um só gole.
- Vamos ter que falar sobre isso. - Ela pontuou, encarando seu iogurte, que parecia incrivelmente interessante no momento. - Estabelecer algumas regras.
- Não vou poder andar de calça de moletom na minha própria casa? - questionou, divertido, aproximando-se e apoiando o corpo na mesa, bem em frente a ela.
- Não falei isso. - negou, levantando-se sem dirigir o olhar a ele.
- Então o que quer dizer? - Tomou um gole de seu café.
pensou por um momento, enquanto lavava rapidamente o que havia utilizado. Depois, virou-se para e abriu um sorriso convencido antes de dizer:
- Se você pode, eu também posso. Prepare-se. - Ela piscou, afastando-se dele e saindo da cozinha em seguida.
O engenheiro quase cuspiu o líquido que tomava, mas se conteve.
Ela queria brincar? Sem problemas.
Ah, isso seria muito interessante...


- A aprovação desse projeto já deve estar para sair, . - Tony fechou a pasta e entregou-a a . - Você e podem trabalhar juntos para que tudo saia do jeito que o cliente quer. Eles são muito exigentes, estão conosco há anos, então...
- Pode deixar. Não precisa se preocupar com isso, Tony. - Ele garantiu ao mais velho. - E quanto a liberação do projeto para o novo shopping?
- A prefeitura ficou de me responder até amanhã, mas acredito que não teremos surpresas. - Tony explicou.
- Ótimo. Vou entregar essa pasta pra e continuar a trabalhar nos outros projetos. - avisou e se despediu do chefe.
Andou rapidamente pelo corredor até a sala de , batendo na porta em em seguida. Quando entrou, caminhou até a mesa e lhe entregou a pasta que Tony havia lhe dado.
- Tony pediu pra já começarmos a trabalhar nesse projeto, a aprovação já tá quase saindo. - explicou e ela balançou a cabeça em confirmação.
- E a liberação pro projeto do shopping?
- Acho que até amanhã já temos uma resposta.
- Podemos começar a trabalhar nesse projeto hoje à tarde, o que acha?
- Ótimo. - O engenheiro sorriu. - Vou resolver algumas coisas pendentes agora de manhã e a tarde venho aqui para começarmos.
- Combinado. - sorriu para ele. - Até depois.
se despediu e saiu da sala, seguindo diretamente para a sua em seguida.
Uma vez sozinha, pegou o telefone e ligou para Sadie, pedindo para que a secretária viesse até sua sala. Não demorou para que ela aparecesse, entrando no escritório em um rompante, ansiosa para saber as novidades. Logo desatou a falar, fazendo revirar os olhos ao ouvir suas tagarelices.
- Conta tudo! Como passou o primeiro final de semana morando com o engenheiro mais gostoso do mundo?
- Oi, amiga! Bom dia, tudo bem? Como você tá? Eu também tô bem, muito obrigada. - debochou e Sadie fez uma careta. - Foi bom, normal. - Deu de ombros e abriu um sorriso ao se lembrar do que havia acontecido pela manhã. - Mas, eu achei que ia morrer hoje cedo. - Confessou e suspirou pesadamente ao lembrar de sem camisa. - Garota, que homem! Juro, eu acho que se não babei, cheguei bem perto.
relatou brevemente o ocorrido, recebendo vários comentários empolgados de Sadie.
- Acho que alguém não vai aguentar passar mais uma semana sem trocar uns beijinhos... - Sadie cantarolou, tamborilando os dedos na mesa de . - Como você pretende revidar?
- Revidar o que? - franziu o cenho, um pouco confusa.
- Como o quê? - Sadie revirou os olhos. - Você o provocou também!
- Ah! - riu e cruzou as pernas, mordendo seu lábio em seguida. - Digamos que ele vai ter uma surpresa bem agradável quando estivermos em casa...


Eram cerca de sete horas da noite quando os dois entraram em casa, sendo recebidos alegremente por seus animais de estimação. Depois de cumprimentá-los e enchê-los de carinho, foi para seu quarto. , por sua vez, deixou sua bolsa em cima da mesa de jantar e foi até o sofá. Bucky e Dobby logo se aproximaram, pedindo por mais carinho. Ela pegou os dois, colocando-os desajeitadamente em seu colo, afagando a cabeça de ambos.
- Fofurinhas da minha vida.
Dobby miou para a dona e Bucky latiu, aproximando o rosto da bochecha de , lambendo-a. A arquiteta sorriu e o segurou, levantando-o na altura de seus olhos.
- Eu achei que você ia demorar a se acostumar comigo, pulguentinho. - Ela riu ao vê-lo se revirar em suas mãos.
Dobby miou mais uma vez e levantou sua pata, tocando o braço da dona, chamando a atenção dela. abriu um sorriso, pois sabia que o gato estava com ciúmes. Soltou Bucky e depois pegou Dobby, aninhando-o em seu colo, do jeito que sabia que o gato gostava. Claro que não durou muito, mas foi o suficiente para deixá-la com um sorriso nos lábios.
Depois de soltar Dobby, ela se levantou e foi até seu quarto, decidida a tomar um banho. Pegou uma toalha e seguiu até o banheiro do corredor. No meio do caminho, ouviu o chuveiro do quarto de ligado.
Ótimo. Seria fácil colocar seu plano em prática.
Não demorou muito embaixo d’água, tomando um banho rápido. Enrolou seu corpo na toalha depois de se secar e manteve seu cabelo preso em um coque, já que não havia lavado. Antes de sair do banheiro, passou um creme no rosto e outro no corpo. Depois, abriu a porta e olhou para os lados. A porta do quarto de estava aberta e não havia mais barulho de chuveiro, o que significava que ele já devia estar na sala.
Perfeito. Barra limpa.
Checou, pela última vez, se a tolha ao redor de seu corpo estava presa firmemente. Não queria que visse mais que o necessário - pelo menos não agora. Depois de respirar fundo, vestiu sua melhor expressão debochada e entrou na sala.
O que quer que estivesse fazendo, parou no mesmo momento ao vê-la, escancarando a boca para a mulher.
Mesmo com a toalha, ele conseguiu ver as curvas de delineadas pelo tecido grosso. Seus seios eram o que mantinha a toalha presa ao corpo e ele não conseguiu evitar imaginar como estaria o corpo nu de depois de seis anos.
Ela, por sua vez, continuou a andar, como se não tivesse percebido a presença dele ali. Seguiu até a cozinha e pegou um copo d’água, sentindo os olhos dele sobre seu corpo o tempo todo. Sorriu convencida para si mesma antes de se virar e voltar para a sala. Fingiu espanto ao vê-lo, mas logo desmanchou a expressão e a substituiu por um sorriso ladino.
- Ah, não te vi aí. - Mentiu descaradamente e desprendeu a toalha de seu corpo, apenas para voltar a prendê-la no segundo seguinte.
O engenheiro engoliu em seco, seus olhos fixos em .
Ah, isso era jogo baixo.
Baixo e sujo.
- Eu ia pedir desculpas por aparecer assim porque esqueci que agora não moro mais sozinha, mas acho que vou te oferecer uma foto, você quer? - repetiu o que falara mais cedo, fazendo ele balançar a cabeça, incrédulo. - Eu avisei.
- ... - Ele sussurrou o nome dela.
Ouvi-lo falar seu nome daquela maneira soou como música para os ouvidos dela. Que pena seria se deixasse a toalha cair aos seus pés, revelando seu corpo para o engenheiro, não é? Porém, antes que agisse impulsivamente - mais do que já estava agindo - ela resolveu dar as costas a ele e ir para seu quarto.
soltou pela boca o ar que nem havia percebido que estava segurando, deitando seu corpo para trás no sofá.
Silenciosamente, os dois agradeceram, pois sabiam que o autocontrole que possuíam tinha um limite, que com certeza seria ultrapassado caso ficassem mais um segundo no mesmo ambiente.
Mais cedo, quando apareceu na cozinha sem camisa, ele realmente esquecera que a arquiteta estava ali - além de que tinha acordado atrasado, então nem estava pensando direito.
Mas, agora, ela o havia provocado apenas por puro prazer.
subestimou a capacidade de de brincar.
Ela era boa, ele admitia isso.
Mas ele era melhor ainda.
E não perdia por esperar.


Capítulo 06


- Sadie, por favor, verifique se eles podem vir na segunda feira pra mostrarmos o projeto. - pediu ao telefone. - Na parte da tarde, de preferência.
- Certo. Reservo a sala de reuniões?
- Sim, por favor. Vamos ter bastante a conversar, e vai apresentar o projeto comigo.
- Tudo bem. - Sadie fez uma pausa. - Topa tomar uma cerveja agora no fim do expediente? Tô precisando conversar.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou, um pouco preocupada com a melhor amiga.
- Nada muito sério. - Sadie garantiu.
- Certo. Só nós duas?
- Por que, quer chamar o ? - Ela perguntou e revirou os olhos. Ao não receber resposta, voltou a falar. - Tô brincando, amiga. Só nós duas. As meninas têm uma festa pra ir, não lembro de quem.
- Beleza, já passo aí pra irmos.
Logo a ligação foi encerrada e finalmente fechou seu notebook, respirando aliviada pelo fim de mais uma semana cheia de trabalho. Apesar de estar cansada, a arquiteta não tinha do que reclamar. Ela e o engenheiro haviam trabalhado juntos na sala de reuniões a semana inteira, contando com a ajuda de alguns estagiários - o que foi muito bom, pois o projeto em questão era enorme e cheio de detalhes.
O fato de os últimos dias terem sido cheios de projetos ajudou muito a amenizar um pouco o clima de tensão sexual que pairava sobre e . Depois da fatídica provocação por parte dela, as coisas haviam se tornado muito mais intensas. Um simples olhar era tido como provocador e a mulher estava cada vez mais imersa nesse joguinho entre eles. não ficava para trás, ele pensava em mais do que gostaria de admitir, desejava tocá-la apenas para ter certeza de que tê-la em seus braços seria tão bom quanto imaginava.
olhou para sentado do outro lado da mesa e sorriu ao observar o quão concentrado no projeto ele estava. Seus braços musculosos envolvidos pela camisa que vestia, o olhar compenetrado e alguns fios de cabelo caindo por seu rosto o deixavam incrivelmente lindo.
- . - Ela chamou e ele nem se mexeu. - ! - Foi só então que o engenheiro ergueu o olhar para ela, arqueando levemente a sobrancelha em questionamento. - Já terminei tudo por aqui. Vou sair com a Sadie. Nos vemos em casa?
- Ah, sim. - Ele sorriu e checou o horário em seu celular. - Nem vi o tempo passar.
- Eu percebi. - riu baixo e se levantou da cadeira. - Vamos apresentar o projeto na segunda feira à tarde, ok?
- Certo. Quer que eu prepare a apresentação? - já estava de pé, guardando suas coisas.
- Acho que podemos preparar juntos durante o fim de semana. - deu de ombros ao pegar sua bolsa. - Vantagens de morar junto com seu colega de trabalho. - riu baixo e concordou. - Até depois, então.
Os dois se despediram e seguiu até a recepção, onde encontrou Sadie. As duas entraram no elevador e rapidamente já estavam caminhando em direção ao bar que ficava na esquina do escritório. Assim que entraram, pegaram duas cervejas e sentaram-se em uma mesa próxima a janela. Depois de beber o primeiro gole de sua cerveja, suspirou, satisfeita.
- Tava precisando. - Ela sorriu, colocando a garrafa sobre a mesa.
- Se continuar nesse ritmo, você vai virar alcoólatra. - Sadie riu e fechou a cara para a amiga. - Me desculpa, , eu não quis...
- Tudo bem. - suspirou, aconchegando-se na cadeira. - Sei que foi brincadeira, mas não deixou de incomodar um pouco. - Deu de ombros, cruzando os braços e encarando a amiga. - Desembucha.
Sadie suspirou e desviou o olhar. De repente, sua postura ficou tensa e ela não sabia como começar a falar.
- Ah. Tem acontecido algo muito chato no trabalho... E hoje foi a gota d’água. - Sadie virou mais um pouco do líquido em sua garrafa.
- Fala logo, eu tô ficando preocupada, amiga. - disse, encarando-a nervosamente.
- Eu vou te contar isso porque preciso da sua ajuda. As meninas já toparam me ajudar, mas ...
- Por que elas já sabem e eu não? - quis saber, arqueando as sobrancelhas.
- Porque elas estavam junto quando aconteceu. Mais de uma vez. - Sadie cruzou os braços e mordeu seu lábio nervosamente. - O Leonard, ... Ele tem me assediado.
- O quê?! - perguntou, levantando a voz.
- Shh, fala baixo! - Sadie pediu, aproximando-se da amiga. - Antes eram só palavras, sabe? Mas hoje...
- Não acredito que ele encostou a mão em você. - A voz de estava carregada de raiva.
- Sim... - Sadie passou a mão pelos cabelos, um pouco nervosa, antes de virar o restante de sua cerveja. - Eu preciso de ajuda pra levar isso até o Tony.
- Conta comigo. Segunda feira, antes mesmo da reunião com os clientes, vamos falar com ele. - levou sua mão até a da amiga, apertando-a. - Sinto muito por isso, eu realmente sinto...
- Eu sei que sim. - Sadie sorriu levemente. - Eu não contei pro Logan.
- Não? - estranhou, encarando-a. - Acha melhor assim?
- Por enquanto. Se não der em nada na segunda, eu conto... - A secretária encolheu os ombros. - Mais cerveja?
- Depois disso, precisamos, né? - sorriu, bebendo o restante da sua e depois fazendo sinal para que um garçom trouxesse mais duas para elas. - Fica tranquila. Vamos dar um jeito nisso.
- Obrigada. Sabia que podia contar com você.
- Eu sou sua melhor amiga. Vou estar do seu lado até quando você estiver errada. - riu e Sadie a acompanhou, agradecendo ao garçom assim que ele entregou as cervejas.
Elas brindaram brevemente antes de continuar a conversar sobre os mais diversos assuntos.


Assim que saiu do carro, caminhou até a entrada do prédio e logo já estava no elevador. Apoiou-se na parede com um pouco de dificuldade, já tirando seus sapatos, pois seus pés estavam implorando por descanso. Apesar de um pouco alegre devido as cervejas que ingeriu, não estava nem perto de estar bêbada. Quando as portas se abriram, andou rapidamente até a porta do apartamento e logo entrou, torcendo os lábios ao encontrar e Melanie sentados no sofá, conversando. Ele estava sentado virado para frente e ela estava virada para ele, com a mão no ombro de , praticamente tocando em seus cabelos. Assim que ela entrou, os dois desviaram o olhar para ela. Melanie não fez questão de se afastar de , mas ele pareceu um pouco incomodado de repente.
- Ei. - Foi só o que disse, fechando a porta atrás de si.
- Tudo certo, ? - a cumprimentou e ela se limitou a sorrir em concordância para ele.
Bucky e Dobby logo apareceram, os dois cercando a arquiteta, pedindo por carinho. Ela riu e começou a andar em direção ao seu quarto com eles em seu encalço.
- Acho que é melhor eu ir... - ouviu Melane comentar e se virou para os dois, segurando seus sapatos em uma mão e a bolsa na outra.
- Imagina, Melanie. Não se incomode comigo. - Ela sorriu de forma sínica e passou seu olhar por rapidamente antes de voltar a fazer o caminho até o seu quarto.
Assim que entrou no cômodo, esperou que Bucky e Dobby entrassem também e fechou a porta, bufando em seguida.
- Acho que é melhor eu ir. - Debochou, fazendo uma careta ao repetir a frase da mulher. - Mulherzinha atirada. Como eu devo amar todas as mulheres do mundo se tem alguém como ela sentada na minha sala de estar, se jogando em cima do meu h..
arregalou os olhos ao perceber o que estava prestes a falar.
Ah, pronto. Era só o que faltava.
Ela estava com ciúmes?
Não, é claro que não.
Riu de maneira nervosa, sendo observada pelos dois animais. Isso era ridículo, ela e não tinham nada, por Deus. Nem ao menos haviam trocado um beijo.
- Você não é mais uma adolescente, . - Disse a si mesma, revirando os olhos.
Ela sabia que havia algo entre os dois, não estava maluca. A tensão que rodeava ambos era quase palpável, mas, ainda assim, não havia acontecido nada.
Ainda.
Então não havia motivo para isso.
Com essa certeza em mente, balançou a cabeça, espantando os pensamentos. Decidiu tomar um banho. Separou uma roupa, pegou sua caixinha de som e saiu do quarto, indo até o banheiro. Colocou a playlist que havia feito para ouvir especialmente enquanto tomava banho, tirou a roupa e entrou no chuveiro, relaxando pela primeira vez no dia ao sentir a água bater em sua pele.
Cerca de quinze ou vinte minutos depois ela saiu do banheiro, já vestida e com os cabelos ainda úmidos. Foi para o seu quarto apenas para deixar sua caixinha de som e depois voltou para a sala, espiando para ver se Melanie ainda estava lá antes de entrar. Não encontrou ninguém além de Bucky e Dobby esparramados no sofá, então seguiu até a cozinha.
Abriu a geladeira e procurou por algo para comer, encontrando os restos da comida que havia feito no dia anterior. Pegou um prato e colocou um pouco para esquentar no micro-ondas. Enquanto aguardava, aproveitou para guardar as louças que estavam no escorredor.
- O que vai comer? - A voz de soou e ela se sobressaltou, quase derrubando o copo que segurava.
- Puta merda, ! - Exclamou, respirando fundo para se acalmar depois do susto que levara. Ele riu e balançou a cabeça, se aproximando dela. - Sobra de ontem. Sua amiguinha já foi?
arqueou as sobrancelhas ao notar o tom de deboche na voz de .
- Já, sim. - Ele riu de maneira divertida e deu mais um passo, aproximando-se de dela. - , ... Se eu não te conhecesse...
- O quê?! - Ela franziu o cenho, não entendendo onde ele pretendia chegar com o comentário.
- Eu poderia jurar que você tá com ciúmes. - soltou e ela arregalou os olhos.
- Ah, claro! - gargalhou nervosa, dando um passo para trás ao ver dar outro em direção a ela. - Bem que você queria.
- Queria, quero... Não faz diferença. - Ele pontuou, avançando mais um pouco, fazendo-a se apoiar na bancada atrás de si. - Porque você não me engana, .
Ela sorriu de lado e balançou a cabeça levemente em negação. Cruzou os braços em frente ao seu corpo e o encarou, olhando diretamente nos olhos azuis do homem. Eles estavam muito próximos, mais do que gostaria de admitir.
- Você se acha muito esperto, né?
- Nah. É que você é péssima em esconder o que tá sentindo. - Ele riu, mudando de assunto.
- E você por acaso sabe o que eu tô sentindo nesse momento? - Ela o desafiou, arqueando as sobrancelhas.
O engenheiro sorriu lateralmente, fazendo com que suas covinhas aparecessem. Ele se aproximou, praticamente grudando seu corpo no dela. Apoiou suas mãos na bancada atrás de , não ousando quebrar o contato visual por nem um segundo sequer.
- Você quer o mesmo que eu. - Ele soprou contra os lábios dela.
imediatamente desviou o olhar para a boca de , e depois passou a língua por seus lábios lentamente, atraindo a atenção dele. Devagar ele pressionou seu quadril contra o dela e levou uma de suas mãos até a cintura da mulher, apertando-a levemente.
Ah, mas que porra, .
Ele não podia estar mais certo.
No segundo seguinte, grudou sua boca na dele e rapidamente pediu passagem, as línguas dos dois brincando em um beijo intenso. As mãos dela passearam pelas costas de até chegar em sua nuca, local onde ela acariciou com a ponta das unhas. Ele, por sua vez, embrenhou seus dedos nos longos cabelos da mulher, puxando-os levemente, fazendo com que um arrepio percorresse o corpo dela.
O barulho do micro-ondas soou ao fundo, mas nenhum dos dois se importou, imersos demais nas sensações que o beijo estava lhes proporcionando.
Separaram as bocas apenas por um momento para respirar fundo e depois grudarem-nas outra vez. levou suas mãos até as coxas de , deslizando-as até chegarem um pouco acima dos joelhos dela, para então puxá-la e fazê-la envolver seu quadril com as pernas. As mãos dele depois foram até a bunda dela, apertando-a firmemente. ofegou contra a boca de , mordendo o lábio dele levemente antes de descer suas mãos para as costas dele, mantendo-o bem junto a si. Com a ponta dos dedos, ela levantou a camiseta que ele vestia, tocando pela primeira vez a pele nua dele por baixo do tecido.
Havia muito desejo reprimido pelos dois, acumulado desde que se viram pela primeira vez depois de anos na sala de reuniões. Ali, nos braços de , soube que, assim como da primeira vez, as coisas nunca mais seriam as mesmas. Ela nunca mais seria capaz de olhá-lo sem esquecer a sensação de ter seus lábios nos dela.
E isso poderia vir a ser um problema agora que estavam morando sob o mesmo teto.
Ao sentir a boca de tocar seu pescoço, ela abriu os olhos.
- . - Ela chamou, mas ele não a ouviu ou simplesmente ignorou, e continuou a beijá-la, fazendo quase se arrepender do que estava prestes a fazer.
Não era possível que ela não conseguiria ter quantidade suficiente de auto controle para afastá-lo.
Vamos, , você é mais forte que isso.
- . - Ela chamou novamente ao vencer a discussão silenciosa contra si mesma, recebendo dessa vez um murmúrio em resposta. - Para.
Imediatamente ele se afastou, olhando-a nos olhos, estranhando a atitude dela.
- Nós não devíamos... - suspirou antes de continuar, desviando o olhar do dele. - Eu tô com fome.
Ele franziu o cenho, mas assentiu, afastando-se devagar. o encarou mais uma vez antes de se virar e andar rapidamente até o micro-ondas, pegando seu jantar e saindo da cozinha, deixando um muito confuso para trás.



encarava a cidade pela janela, sentada em uma poltrona, com um copo cheio de suco de laranja em mãos e Dobby deitado em seu colo. O sábado estava ensolarado, apenas algumas nuvens no céu, o tom azul predominava a paisagem. Ela bocejou brevemente antes de tomar mais um gole de seu suco. Levara um tempo para dormir na última noite, mas assim que o fez, só acordou na manhã seguinte, e imediatamente o acontecimento da noite anterior veio a sua mente.
Não se arrependeu, de maneira alguma, por ter beijado . Pelo contrário, queria beijá-lo de novo, e de novo, e mais uma vez, mas não podia negar que estava confusa e até um pouco apreensiva. O fato de morarem juntos era o principal agravante. Antes, quando tudo não passava de uma provocação divertida e muito gostosa, as coisas não pareciam tão sérias. Porém, no momento em que sentiu os lábios de nos seus, e as mãos dele percorrendo seu corpo, tudo se tornou físico, real até demais.
Ela suspirou. Sabia que teria que lidar com esse assunto em breve, mas, até decidir como faria isso, agiria como se nada tivesse acontecido, afinal, era muito boa nisso. O som de seu telefone tocando a tirou de seus pensamentos e ela revirou os olhos ao ver que era seu pai. Recusou a ligação e bloqueou o aparelho.
- Bom dia. - A voz de quebrou o silêncio e ela se virou para ele, abrindo um sorriso. - Seu pai?
- Bom dia! - Respondeu, soando animada até demais. - Sim. - Ela torceu a boca e se levantou, pegando Dobby no colo. - Mas eu neguei. De novo.
- ... - Ele a repreendeu. - Não acha que já tá na hora de ouvir o que ele tem pra dizer?
soltou Dobby no chão e depois encolheu os ombros, suspirando baixo em seguida. tinha razão. Não adiantava fugir, e quanto mais adiasse essa conversa, pior seria.
- Tá, você venceu. - Ela pegou o celular e o desbloqueou, enviando uma mensagem para seu pai, pedindo para que ele a encontrasse no final da tarde, sozinho, em um café perto do antigo prédio que morava. - Pronto.
- Vai te fazer bem.
- Eu espero que sim, . Eu espero que sim.


- , querida. - O mais velho a cumprimentou quando chegou ao lado da mesa em que ela estava sentada.
se levantou e deu um abraço desajeitado no pai, sorrindo levemente para ele. Os dois se sentaram frente a frente e encararam-se por alguns segundos.
- Então... - Foi quem quebrou o silêncio e o pai suspirou nervosamente.
- Tenho muita coisa pra explicar, né? - Ele perguntou e ela balançou a cabeça em confirmação. - Por onde começo?
- Do começo. Você tá sóbrio?
- Sim. Há quase um ano. - Christian sorriu orgulhosamente e retribuiu com um sorriso pequeno. - Lily é minha madrinha. Ela tem me ajudado muito.
- E ela tem minha idade. - pontuou, cruzando os braços. - E você vai ter um filho com ela.
- Na verdade, ela é seis anos mais velha que você, filha... - Ele a corrigiu e torceu a boca. - E sim, vamos ter um filho. Eu sei que é muita coisa pra absorver, mas...
- Muita coisa? - perguntou, rindo de maneira nervosa. - É coisa pra caramba, pai. Você sumiu, e quando apareceu...
- Eu sei, me desculpa, eu...
- Eu te liguei várias e várias vezes. Você nunca me atendia. - continuou a falar, ignorando-o. - E eu precisava de você. Eu não tenho ninguém além de você, lembra disso?
- Me desculpa, filha. - Ele pediu, praticamente implorando. - Eu estava passando por uma fase muito difícil, e...
- E eu precisava do meu pai, Christian. - Ela repetiu, frisando o nome dele.
- Não tenho o que falar a não se me desculpar e prometer que não vai acontecer de novo. - Christian garantiu e ela balançou a cabeça, desviando o olhar, sem acreditar nas palavras dele. - Filha. - Ele a chamou, fazendo olhá-lo novamente. - Eu tô bem. As coisas estão bem, muito melhores que antes. Já faz um ano, . Quando você me viu tão bem assim?
- Não sei dizer, já que fazia bastante tempo que não te via. - suspirou, ajeitando seu corpo na cadeira. - Mas você realmente parece muito bem.
- E eu estou. - Ele assegurou, levando sua mão até a mão dela. - Eu sei que é muita coisa, querida, mas, me deixa consertar os erros que cometi no passado. Por favor.
- Eu só preciso saber de uma coisa. - pediu e o pai assentiu, prestando atenção. - Você realmente não sabia sobre o apartamento?
- Eu juro, filha, juro que não sabia. - Christian garantiu. - Descobri naquele dia e quase desisti de comprar o apartamento, mas foi muito difícil de encontrar aq...
- Eu sei. - o interrompeu. - Eu mesma tive que procurar outro lugar pra morar e foi bem difícil.
- Você tá morando onde? - O pai quis saber.
- Com um colega do trabalho, estamos dividindo o apartamento.
- Colega? Homem? - Christian pareceu preocupado. - Namorado?
- Não! - negou prontamente, balançando a cabeça. - Só colega. Ele é engenheiro. Se não fosse por ele eu não estaria aqui conversando com você.
- Acho que devo agradecer a ele, então?
- Provável. - sorriu sincera e o pai riu baixo. - Bom, me conta mais sobre a Lily e meu irmão ou irmã.
Christian sorriu abertamente, feliz com o rumo que a conversa tomou. Ele não desejava nada mais que retomar sua relação com sua filha, assim como , que queria ter seu pai presente em sua vida, como sempre deveria ter sido.


- Como foi? - perguntou assim que entrou em casa. - Precisa de uma cerveja ou...?
riu e balançou a cabeça em negação. Foi até o sofá e se sentou, tirando suas sandálias. Deixou-as junto com sua bolsa na mesinha de centro recebendo um olhar feio de .
- O quê?
- Não solta suas coisas por aí. - Ele pediu e ela riu.
- Desculpa. Já levo pra lá, ok?
- Mas é pra levar mesmo, .
- Não vou esquecer. - Ela garantiu e estreitou os olhos, mas deu de ombros.
Ele sabia que ela esqueceria.
- Conta aí. - Ele se aconchegou no sofá, puxando Dobby para o seu colo.
riu e pegou Bucky, que estava deitado no chão, colocando-o deitado ao seu lado.
- A gente conversou bastante. Sobre tudo. - disse, abrindo um sorriso ao lembrar. - Faz quase um ano que ele tá sóbrio, .
- Isso é muito bom. - disse, sorrindo para ela. - E a namorada dele?
- Seis anos mais velha que eu, parece. - deu de ombros enquanto fazia carinho em Bucky, que dormia ao seu lado. - E a gravidez ainda tá bem no início...
- Você vai conhecer ela? - perguntou, genuinamente interessado.
- Vamos marcar algo. Meu pai insistiu em querer te conhecer também, mesmo eu dizendo que somos só amigos. - riu e arqueou a sobrancelha, tombando a cabeça para o lado ao ouví-la.
- Somos? - Ele questionou, encarando-a com atenção.
- O que?
havia entendido o que ele quis dizer, é claro que sim, mas honrando o que tinha decidido mais cedo, ela fingiria que não sabia do que ele estava falando.
- Só amigos. - Ele esclareceu e encolheu os ombros.
- Eu acho que sim...
- Nem amigos com benefícios? – Ele sorriu de lado, mas ela não esboçou reação. - Qual o problema, ? - se mexeu no sofá, aproximando-se um pouco dela. - Me diz.
- Eu... - Ela hesitou por alguns segundos, desviando seu olhar do dele. - Eu não sei.
- Você quer isso tanto quanto eu, não quer? - Ele se aproximou mais um pouco, apoiando o braço no encosto do sofá atrás dela.
o encarou e mordeu seu lábio internamente, tentando conter a vontade súbita que sentiu de agarrá-lo.
Claro que ela queria, oras.
O problema era que tinha o costume de pensar muito antes de agir. Às vezes ela precisava se permitir apenas aproveitar o momento, sem refletir muito sobre.
E foi isso que decidiu fazer. Deixaria para se preocupar quando e se precisasse. Pelo menos naquele segundo, não pensaria muito.
- Se você me disser que não quer, , tá tudo bem, e eu...
Ela interrompeu a fala dele puxando-o para um beijo. Rapidamente encaixou suas pernas uma de cada lado do corpo dele, sentando-se no colo de . Ele se surpreendeu positivamente e espalmou as mãos nas costas dela, mantendo-a junto a si. Mordiscou levemente os lábios da mulher e voltou a beija-lá no em seguida. Depois, entrelaçou seus dedos nos cabelos de , puxando-os levemente, fazendo com que ela inclinasse a cabeça para o lado. Quebrou o beijo apenas para deslizar os lábios pela bochecha, queixo, maxilar de , até chegar em seu pescoço, onde depositou pequenos beijos no local, fazendo-a se arrepiar. Ele sentiu quando forçou seu corpo contra o dele, foi por isso que levou os beijos até o ouvido de , mordendo levemente o lóbulo antes de sussurrar:
- Isso significa que você quer? - Perguntou e obteve como resposta apenas um murmúrio baixo. - O quê? Não entendi.
entendeu que ele precisava ouví-la dizer que sim, ela também queria. E muito.
- Sim. Eu quero. - Ela confirmou, passando a língua em seus lábios.
se afastou, encarando-a. Novamente ele acariciou a nuca dela, puxando levemente os cabelos de . Um arrepio percorreu o corpo da mulher e ela se encolheu, mordendo seu próprio lábio.
Ah, como ela gostava disso.
- O que você quer? - Questionou mais uma vez.
- Você. - Ela soprou contra os lábios dele. - Mas...
quase rolou os olhos, seu olhar fixo no dela. Claro que tinha algo mais a ser dito. Ele franziu levemente o cenho ao observá-la movimentar seu quadril contra o dele devagar antes de se afastar.
- Não agora.
- Nós não precisamos fazer nada agora. - Ele esclareceu e ela sorriu, balançando a cabeça em confirmação.
- Eu tô um pouco confusa. - confessou, levando sua mão até os cabelos dele, acariciando-os. - Vou tomar um banho, e quando eu voltar, a gente assiste um filme e bebe uma cerveja, pode ser?
- Pode. Como sempre. Nunca vou negar isso. - Ele riu e ela o acompanhou. - Não vamos falar sobre isso?
- Outro dia.
- Certo. - Ele deu de ombros, concordando.
Tudo bem, ele não insistiria. Preferia deixar que resolvesse o que quer que fosse que estava a deixando confusa a insistir em qualquer coisa. Entendia que, apesar de estar bem esclarecido quanto ao que ele queria, a situação podia não ser a mesma para , por qualquer motivo que fosse. Por isso, a respeitaria, e controlaria seus impulsos de agarrá-lá a todo e qualquer momento.
Porque, afinal, o beijo de não era algo fácil de ser superado ou esquecido. O toque de suas mãos, seu cheiro e o calor que o corpo dela emanava quando estavam juntos tornava tudo mais difícil de ser deixado de lado, mas ele o faria, porque sabia que seria incrível quando os dois se permitissem, na mesma intensidade.
- Não demoro. – avisou.
- É bom mesmo, vou colocar Guerra Infinita, você sabe que o filme é loooongo. - Ele exagerou, fazendo-a torcer a boca.
- De novo?
- De novo. - Ele sorriu, convencido.
- Tô achando isso muito injusto, a gente nunca assiste Harry Potter.
fez uma careta e acabou rindo levemente, franzindo o nariz de maneira fofa. Depois, juntou seus lábios aos dele mais uma vez antes de se levantar. Ela correu em direção ao seu quarto, parando apenas para gargalhar ao ouvir chamá-la.
- ! Suas coisas!
Certas coisas nunca mudariam.
E a bagunça de era uma delas.


Capítulo 07


O final de semana passou voando e antes que percebessem, já era segunda-feira novamente. Além da reunião com os clientes, tinha um assunto mais sério para resolver: o assédio que sua melhor amiga estava sofrendo dentro da empresa. Naquela manhã, as duas chegaram mais cedo, assim como , que acompanhou . Já a par de tudo que estava acontecendo, o engenheiro fez questão de ajudar da maneira que pôde, se oferecendo para conseguir as imagens das câmeras de monitoramento da construtora. Era por isso que agora estavam os três em frente a sala de Tony, aguardando para falar com o diretor.
- Pronta? - perguntou a Sadie, apertando levemente a mão da amiga de maneira a passar algum conforto.
- Sim.
então deu três batidinhas na porta e Tony logo pediu que eles entrassem. O mais velho estranhou ao ver os três ali e franziu o cenho. Ele fez menção de se levantar, mas avisou que não precisava.
- Temos uma situação bem chata pra reportar. - Foi quem disse ao se aproximar da mesa do chefe.
Ela e Sadie se sentaram, sendo observadas por ele.
- Nós não viríamos aqui, dessa maneira, caso não fosse algo sério... - explicou.
- Vocês estão me deixando nervosos. - Tony disse, cruzando os braços. - O que está acontecendo?
- Eu venho sido assediada aqui dentro da empresa... - Sadie contou e o homem franziu o cenho, atento ao que ela falava. - Pelo Leonard.
- O quê? - Tony perguntou, erguendo um pouco a voz. - Vocês estão brincando, né?
Sadie balançou a cabeça em negação e encolheu o corpo, cruzando seus braços. levou sua mão até a da amiga, segurando-a.
- Infelizmente não. - disse, entregando um pen drive ao chefe. - Temos imagens.
- Eu não sei se quero ver isso, vou passar pros advogados. - Tony respondeu e se levantou, apoiando as mãos em sua mesa, encarando Sadie. - Há quanto tempo isso têm acontecido?
- Não me lembro exatamente quando começou, mas no início eram só palavras, e agora...
- Ele tocou em você? - Tony questionou, parecendo um pouco enojado. Ela balançou a cabeça em confirmação. - Meu Deus, Sadie, me desculpe, eu não tinha ideia que isso estava acontecendo...
- Não precisa se desculpar. - Sadie disse, encolhendo os ombros. - Não é sua culpa...
- Eu vou tomar providências, prometo. - Ele garantiu e se aproximou dela, tocando o ombro da secretária. - Não interessa o tempo que Leonard trabalha aqui, eu continuo sendo o presidente da empresa e sócio majoritário, isso vai ser resolvido.
- Obrigada. – Sadie estava extremamente grata.
- Eu vou encaminhar as imagens pro setor jurídico e ver o que pode ser feito o mais rápido possível. Nunca toleramos esse tipo de comportamento aqui, não vai ser agora que o faremos. - Tony explicou, aproximando-se de para cumprimentá-lo. - Obrigado por trazerem isso a mim. Se você precisar de qualquer coisa, Sadie, qualquer tipo de apoio ou...
- Eu tô bem. - Sadie assegurou, levantando-se. - Muito obrigada, de verdade.
- Obrigada, Tony. - Foi a vez de agradecer.
- Aviso assim que tiver notícias.
Os três agradeceram mais uma vez ao chefe e saíram da sala dele, trocando olhares e sorriso aliviados, satisfeitos com o resultado que obtiveram.
- Obrigada, gente. À vocês dois, de coração. - Sadie disse, sendo envolvida em um abraço por . - Amo você! - Ela disse antes de se afastar e se voltar para , sendo abraçada por ele. - Obrigada, , de verdade.
- Me chama de , por favor. - Ele riu e ela acompanhou. - Bom, hora de trabalhar.
- Temos reunião hoje, né? - perguntou e os dois balançaram a cabeça em confirmação. - Certo, então, ao trabalho!
Ela bateu continência e Sadie revirou os olhos, mas riu da atitude exagerada da arquiteta. Cada um seguiu seu caminho, afinal, ainda era segunda feira e tinham uma semana inteira de muito trabalho pela frente.


- ! - gritou quando chegou em casa e a mulher respondeu algo, sem sair de seu quarto. - Pelo amor de Deus, que bagunça.
Ele reclamou assim que viu a bolsa dela e seus sapatos jogados pela sala.
- Desculpa, desculpa! - apareceu, toda atrapalhada.
A mulher vestia um short tão pequeno que mal cobria sua bunda e uma blusinha regata, que provavelmente estava colocando quando a chamou, já que estava toda torta, deixando parte de sua barriga à mostra.
Ela se aproximou e pegou seus sapatos, assim como a bolsa que estava em cima da mesa. engoliu em seco, não soube dizer se foi por ter tido uma visão privilegiada da bunda dela quando abaixou para pegar os sapatos ou de seus seios, quando se levantou virada para ele.
- Cheguei correndo, soltei tudo por aí, foi mal. - Ela explicou, ajeitando a blusa que vestia.
balançou a cabeça em negação e respirou fundo, tentando espantar os pensamentos impuros de sua mente.
- Você sempre faz isso. - Ele revirou os olhos, mas acabou rindo. - Achei que ia sair com as meninas.
- Nah, tô cansada. Um pouco estressada, pra falar a verdade, e com bastante dor de cabeça. - Ela revirou os olhos e se virou, andando de volta para seu quarto. - Vamos deixar pra sexta feira, aliás, você tá convidado, vamos todos em um barzinho.
- Certo? - Ele respondeu, um pouco confuso, mas deu de ombros, afinal, não seria de todo mal sair com o pessoal do trabalho. - As coisas realmente não são mais as mesmas... Nem meu cachorro me recebe mais! Bucky, cadê você?
Ao ouvir seu nome, o cachorro apareceu rapidamente, saindo do quarto de e correndo em direção ao dono, pulando para receber carinho.
- Oi, amigão. - Ele sorriu ao tocar a cabeça do cão, acariciando-a. - Tudo bem?
Bucky latiu e colocou a língua para fora, feliz com o carinho que recebeu.
- , você deu ração pra eles?
- Sim. - Ela respondeu de volta, sua voz saindo abafada.
franziu o cenho e decidiu checar se estava tudo bem. Deu alguns passos e andou até o quarto da mulher, encontrando-a praticamente enfiada dentro do guarda roupa, novamente tendo uma visão muito agradável das pernas e da bunda dela.
- O que você tá fazendo? - Ele quis saber, curioso.
- Tentando tirar o Dobby daqui. - Ela explicou e, ao se virar para sair, bateu a cabeça. - Ouch!
se virou, com a mão na cabeça, acariciando a área que tinha sido atingida e encontrou escorado na porta, com os braços cruzados, observando-a com um sorriso divertido. Bucky estava parado o lado dele, com a cabeça tombada levemente para o lado, como se quisesse entender o que estava acontecendo.
- Qual a dificuldade de tirar ele daí? - pediu e revirou os olhos.
- Ele tá muito no fundo. - Ela fez um biquinho fofo e ele riu, balançando a cabeça. - Deixa também, qualquer hora ele resolve dar o ar da graça. - se jogou em sua cama, encarando o teto. - Que porcaria de dia, nossa.
- Você disse que tá estressada. Foi a reunião?
- Sim. Aquele cara me tirou do sério, ! Que nojo! Ficou o tempo todo duvidando da minha capacidade. Se não fosse você, eu teria surtado lá mesmo. - Ela reclamou, revoltada, jogando a cabeça para trás na cama novamente.
O engenheiro riu baixo e se aproximou, sentando na beirada da cama.
- A atitude dele me incomodou bastante, também. Mas, vamos provar a ele o quão capacitada você é, sabe disso. - sorriu e retribuiu.
Depois, ela levou as mãos até as têmporas, massageando a região levemente, de modo a tentar aliviar um pouco da dor que sentia.
- Já tomou um remédio?
- O meu acabou. - Ela fez outro biquinho e revirou os olhos ao olhar para o engenheiro.
- Acho que eu tenho. Vou pegar.
observou quando se afastou e sorriu, feliz por ver que mesmo com o beijo e o clima que pairava entre eles, as coisas não mudaram. Mesmo assim, ainda tinha um pouco de receio e estava decidida a levar as coisas com muita calma, então, caso rolasse algo novamente, muito provavelmente aproveitaria até que sentisse que era o momento de parar.
Não demorou para que retornasse com um comprimido e um copo de água gelada. se sentou na cama e sorriu em agradecimento antes de engolir o comprimido, tomando um grande gole de água em seguida.
- Obrigada. - Ela verbalizou, apoiando as costas na parede e esticando as pernas, de modo a se alongar.
a observou, arqueando as sobrancelhas, enquanto ela esticava suas mãos em direção aos pés. Acompanhou quando as mãos dela roçaram pelas pernas até chegarem em seus pés, tocando-os como se quisesse fazer uma massagem. Ele desviou o olhar para o rosto dela, vendo as expressões relaxadas que ela fazia dependendo do ponto que era pressionado. Ele sorriu de canto e se remexeu na cama, aproximando-se um pouco dela.
- Posso?
olhou para , franzindo o cenho. Ele fez menção de tocar os pés dela com as próprias mãos e ela entendeu que ele estava se oferecendo para fazer uma massagem. Pensou por alguns segundos, mas acabou dando de ombros ao novamente encostar as costas na parede. se aproximou, sentando-se um pouco mais próximo a ela. Depois, colocou os pés de sob as pernas, envolvendo-os com suas mãos, iniciando uma massagem lenta.
sabia exatamente onde e como tocar, fazendo pressão com o dedão nos pontos certos, enquanto movimentava os outros dedos levemente, por toda a extensão dos pés dela. Ele sabia que era bom em massagens, aliás, não só nos pés e, caso permitisse, ele massagearia também outros lugares.
Suas costas, talvez?
, por sua vez, experimentava um misto de sensações, que percorria seu corpo dos pés a cabeça. tinha mãos firmes e o simples toque dos dedos dele em sua pele a fazia se arrepiar. Claro que a massagem estava surtindo o efeito principal, que era o relaxamento, mas, estava relaxando até demais.
Lentamente e ao perceber que a mulher não estava impedindo, começou a subir o toque, também massageando as pernas dela. Enquanto observava atentamente a expressão concentrada no rosto dele, mordeu seus lábios, alguns pensamentos impuros passando por sua mente.
Ela tentou, mas foi impossível evitar quando olhou para ela, seus olhos se fixando nos lábios da mulher. encolheu as pernas e passou a língua pela boca devagar.
- Faz nas minhas costas?
abriu um sorriso lateral, confirmando. Rapidamente se virou e prendeu seu cabelo em um coque, sentando de costas para ele. se aproximou, colocando as pernas atrás dela de maneira que o corpo de ficou entre suas pernas. Ela se encolheu ao senti-lo, mas tentou manter a calma, o que se mostrou impossível assim que a respiração quente de bateu em sua nuca.
Era óbvio que ele estava provocando, ela sabia disso, e não iria reclamar.
Segundos depois ela sentiu as mãos de tocarem seus ombros, iniciando mais uma vez uma massagem, fazendo-a ter certeza de que ele sabia o que estava fazendo. Ela fechou os olhos, permitindo-se aproveitar ao máximo as sensações que o carinho a proporcionava. Com a quantidade certa de pressão, tocou os pontos de tensão que identificou, lentamente sentindo eles se desfazerem sob seus dedos. soltou um gemido baixo, tamanha era a sensação de alívio e relaxamento que estava sentindo.
Estava difícil para controlar a urgência que sentia de aproximar seus lábios do pescoço da mulher e beijá-la. Antes de ouví-la gemer pela primeira, ele estava obtendo sucesso ao se manter afastado. Porém, assim que ele deslizou as mãos de volta para os ombros dela, apertando-os, e sentiu o corpo de se encolher com seu toque, ele não aguentou mais.
Devagar, aproximou os lábios da nuca exposta de e roçou-os pela região, fazendo-a se encolher ainda mais. Aproveitou, então, para levar uma de suas mãos até a cintura dela, deslizando seus dedos até a barriga, puxando o corpo de para si, grudando as costas dela em seu peitoral antes de finalmente começar a beijar o pescoço da mulher.
Ela fechou os olhos e soltou um gemido baixo ao mesmo tempo que um arrepio percorreu seu corpo por completo, fazendo-a deitar a cabeça para trás, apoiando-a no ombro de . Ele sorriu contra a pele dela, respirando fundo e soltando o ar, na intenção de provocá-la, sabendo que obteve sucesso assim que se virou por completo e se sentou no colo dele, encarando-o brevemente antes de grudar seus lábios, iniciando um beijo intenso.
O engenheiro envolveu o corpo dela com os braços, grudando seus corpos o máximo que conseguiu. Sentiu os seios de contra o seu peitoral e mordeu o lábio dela entre o beijo, fazendo uma pausa apenas para puxá-lo antes de retomar os movimentos. sentiu os dedos de em sua nuca, região onde ela passou as unhas, provocando-o, exatamente do jeito que gostava. Depois, com uma de suas mãos, ele tocou a pele dela por baixo da blusa que vestia, passando a ponta dos dedos levemente pelas costas da mulher, enquanto a outra mão desceu até sua bunda, apertando a região com certa força.
soltou um gemido baixo entre o beijo, separando sua boca da de para respirar fundo. Os dois se encararam, seus olhares transbordando desejo. Mal tinham encostado as bocas novamente quando, de repente, a porta do armário se abriu e Dobby saiu de lá, derrubando tudo o que estava em seu caminho, o que fez bastante barulho.
Os dois trocaram um olhar um pouco descrente, mas também divertido, antes de se afastarem. riu de maneira nervosa ao se levantar, bagunçando seu cabelo e saindo rapidamente do quarto. suspirou e ajeitou seu cabelo, assim como sua blusa, que estava levantada até seus seios. Depois, se levantou e começou a guardar a bagunça que seu gato havia feito.
Ao mesmo tempo que xingava Dobby de todos os palavrões possíveis, estava agradecida, pois sabia que continuassem, não seria possível parar.
Louvado seja Dobby.
Ou não.


havia recém saído do banho - que foi extremamente necessário para acalmar seu corpo - quando ouviu o interfone tocar. Ele gritou para que atendesse, mas como não obteve resposta, foi atender com a toalha enrolada na cintura e com os cabelos ainda molhados.
- Alô? - disse com o aparelho no ouvido.
- ? É Melanie. - Ele pode jurar que ela estava sorrindo ao ouvi-la.
- Oi Melanie. Tudo bem?
- Tudo bem, e você? Eu preciso de um favor.
- Um favor? - Ele franziu o cenho, já pensando que coisa boa não poderia ser.
- Tenho um aniversário pra ir, e eu disse pra minha amiga que levaria um acompanhante, e ela já tá contando com isso. - Ela fez uma pausa. - Você aceitaria ir comigo?
- Quando?
- Hoje. Agora, na verdade. Daqui a quinze minutos.
pensou por um momento, olhando para trás como se procurasse .
- A gente não vai precisar fingir, né?
- Fingir o que?
- Ser namorados ou algo do tipo.
- N... Não. - Melanie respondeu rapidamente.
- Tá, eu topo. Só preciso me arrumar.
- Nos encontramos em quinze minutos. - E desligou.
encarou o interfone, um pouco incerto do que havia acabado de acontecer.
Merda.
Ele realmente havia aceitado sair com Melanie logo após o que acabou de acontecer entre ele e ?
Levou as mãos até o cabelo, bagunçando-os enquanto andava de volta até seu quarto. Ao entrar, separou uma roupa e secou seus cabelos, para só depois se vestir. Passou um perfume e ajeitou o cabelo antes de sair do quarto. Ao entrar na sala, encontrou deitada no sofá, com Bucky e Dobby a fazendo companhia, enquanto assistia a um programa qualquer na televisão. Quando o viu, ela arqueou as sobrancelhas, um pouco surpresa.
- Vai sair?
- Vou. - Ele respondeu ao pegar sua chave. - Melanie precisa de companhia pra um evento e me pediu pra ir junto.
sentiu uma pontada estranha em seu estômago, mas disfarçou bem ao abrir um sorriso, mesmo que um pouco forçado.
- Ah, sim. - Foi o que ela respondeu antes de voltar sua atenção para a TV.
- Até depois? - Ele perguntou, um pouco apreensivo.
Tudo o que não queria era criar um clima estranho entre eles, mas, talvez fosse tarde demais.
o olhou novamente, encolhendo os ombros. então decidiu se aproximar para se despedir, fazendo carinho na cabeça de Bucky e depois na de Dobby, para só então se aproximar de . Ele fez menção de beijar a boca dela, mas ela foi mais rápida e virou o rosto, o que fez com que os lábios dele tocassem sua bochecha.
- Sim, até depois. Divirta-se. - Ela respondeu assim que ele se afastou.
sorriu um pouco sem jeito e finalmente se afastou, saindo de casa logo em seguida. A arquiteta suspirou pesadamente ao vê-lo fechar a porta e voltou sua atenção para os animais que estavam deitados ao seu lado.
- Vocês entenderam alguma coisa? - Ela perguntou, sob o olhar atento dos dois. - Porque eu não entendi porcaria nenhuma. E eu já falei que não gosto da Melanie? Porque eu não gosto.
Ela revirou os olhos, esticando os pés de modo a apoiá-los na mesinha de centro. Dobby se levantou, espreguiçando-se. Depois, subiu no colo de apenas para passar para o outro lado do sofá e deitar perto de Bucky. Ela sorriu ao observá-los, fazendo um carinho breve nos dois antes de se esticar e voltar a deitar no sofá. Até tentou, mas não conseguiu mais prestar atenção no programa que passava na televisão, já que em sua mente, ela apenas conseguia imaginar como seria a noite de e Melanie.


A única luz que iluminava a sala quando entrou em casa, já perto das onze horas da noite, era a luz vinda da televisão. Ele pendurou sua chave no porta-chaves perto da porta e seguiu até o sofá, encontrando , Dobby e Bucky adormecidos e sorriu ao observá-los. Apesar de estar em uma posição péssima, com o corpo todo torto, a expressão no rosto da arquiteta era serena. Pensou por alguns segundos e acabou decidindo que seria melhor acordá-la, para que ela não acordasse com dor no corpo no dia seguinte. Aproximou-se lentamente, tocando o ombro dela. Ao não receber reação alguma como resposta, ele tentou novamente, mas, sem sucesso. Decidiu, então, levá-la para o quarto. Afastou Dobby e Bucky e depois tirou a coberta que cobria o corpo de . Com cuidado, colocou seus braços embaixo do corpo dela, carregando-a em passos lentos até o quarto.
Não pode deixar de torcer o nariz ao entrar no cômodo e notar a bagunça que havia deixado. Ele riu baixo, sabendo que seria difícil alguma vez ele entrar ali e encontrar o local organizado. Assim que se aproximou da cama, deitou-a lentamente, colocando a cabeça dela sobre seu travesseiro. Estava prestes a puxar a coberta para cima dela quando a ouviu chamar.
- ? Que horas são?
- Onze e pouco. - Ele respondeu. - Te trouxe pra cá porque você tava dormindo toda torta.
- Obrigada. - Ela sorriu, piscando algumas vezes para se acostumar com a claridade. - Como foi o encontro?
- Não foi um encontro. - torceu a boca. - E foi bom.
- Hm. - resmungou, revirando-se na cama ao mesmo tempo que Dobby apareceu, deitando ao lado dela.
- É sério. - se defendeu, observando a mulher. - Não era um...
- Tudo bem. - Ela disse já de olhos fechados. - Eu não tenho nada a ver com is...
- Não, . - Ele se sentou na cama próximo a ela, e só então se virou, entreabrindo um de seus olhos para encará-lo com atenção. - Não aconteceu nada.
E era verdade. Apesar de Melanie ter tentado insinuar algumas coisas durante o aniversário, ele não lhe deu abertura, o que, claro, a deixou um pouco frustrada, mas não se importou nenhum pouco, afinal, ele não tinha interesse nela. Havia aceitado o convite apenas porque não lhe pareceu certo negar no momento, e, apesar de tudo, o evento não havia sido de todo ruim, já que ele havia comido e bebido de graça. Na verdade, ruim foi ter que imaginar se estava ou não chateada com ele, por isso estava fazendo tanta questão de explicar para ela, como estava fazendo no momento.
- Mas eu n... - Ela tentou argumentar, mas ele logo a interrompeu.
- Desculpa, foi ridículo ter aceitado sair com ela logo depois de...
- Não precisa se desculpar. Ficamos algumas vezes, não é como se tivéssemos algo sério, ou algo assim. - Ela explicou, mesmo que sentisse o contrário. - Ela é bonita, é compreensível que você sinta atração por ela ou qualquer coisa do tipo.
Ela sabia muito bem que não tinham nada sério, mas nem por isso deixou de sentir um pouco de ciúmes quando o engenheiro anunciou que sairía com a vizinha, afinal, eles haviam tido um momento bastante intenso pouco tempo antes. Talvez fosse só implicância com a mulher, ou talvez ela realmente tivesse motivo, não tinha certeza sobre isso, mas, sabia que, caso as coisas continuassem a acontecer no ritmo que estavam acontecendo, ela não demoraria a começar a sentir algo por .
E era disso que tinha medo.
Revirou-se na cama novamente, puxando a coberta para cima de si. Estava em um sono tão bom antes, e tudo que queria era voltar para a tranquilidade que sentia quando estava adormecida, imersa em um sonho que, apesar de não se lembrar no momento, sabia que era agradável.
- Certo. - respondeu após um momento em silêncio, um pouco incerto sobre o que falar. Observou quando ela bocejou e fechou os olhos. - Vou te deixar dormir. Boa noite, então.
- Boa noite. Obrigada por me trazer pra cá. - Ela sorriu, sonolenta, ainda de olhos fechados.
Ele se levantou e se afastou, andando até a porta do quarto. Parou por um momento, ao observar Bucky passar por ele e subir na cama da mulher, aconchegando-se ao lado de Dobby. Imaginou, por um segundo, como seria bom dormir ao lado dela, junto com os dois animais de estimação. Sorriu ao observar a cena. Mesmo que tivesse perdido Bucky para Dobby e - afinal, o cachorro quase não dormia mais com o dono durante a noite - estava feliz por saber que seu companheiro estava gostando de ter os dois morando ali, tanto quanto ele.
Encostado no batente da porta, observando os três dormirem, ele sentiu necessidade de falar, mais uma vez.
- ? - Ele chamou, recebendo um resmungo baixo como resposta. - Eu não sinto atração por Melanie.
Ele não obteve resposta. Talvez ela já tivesse adormecido, mas, decidiu terminar a frase de qualquer maneira:
- Ela é bonita, mas não é você.


Capítulo 08


“Eu não sinto atração por Melanie.’’
Aquela frase não saía de sua cabeça. Óbvio que ela tinha ouvido, óbvio. Havia passado a semana inteira fingindo que não. até tentou descobrir se ela tinha escutado, mas fez questão de mudar de assunto, fingindo que não sabia do que ele estava falando, e o engenheiro acreditou - quer dizer, pelo menos era isso que ela achava.
“Ela é bonita, mas não é você.’’
bufou, começando a ficar irritada com a frequência com que a fala de se repetia em sua mente. Precisava urgentemente de uma cerveja. Olhou para o relógio, apenas para confirmar que ainda faltavam duas horas para o fim do expediente. Por sorte, hoje era sexta-feira, e, como haviam combinado no início na semana, todos iriam até o bar próximo ao escritório para beber juntos. Com esse pensamento em mente, esticou os braços, de modo a se alongar e então voltou a focar no projeto que estava aberto em sua frente.
Algum tempo depois, ela ouviu batidas em sua porta e pediu para que a pessoa entrasse. Sadie rapidamente colocou a cabeça para dentro.
- Tá pronta?
- Mas já? Que horas são? - A arquiteta perguntou, estranhando.
- Já passou das seis. Tá todo mundo te esperando. Na verdade, só eu, o pessoal já foi pro bar. - Ela explicou rindo, e entrou no escritório, aproximando-se da mesa. - Nossa, você realmente não viu o tempo passar?
- Não vi. - suspirou e fechou o computador, guardando-o em sua bolsa. - Demorei um pouco pra focar no trabalho, e aí quando finalmente consegui, o tempo voou.
- Você realmente tá meio aérea hoje. Na verdade, passou a semana inteira assim, mas hoje tá demais. - Sadie riu, cruzando os braços enquanto observava a amiga guardar os projetos. - Tá tudo bem?
- Tudo ótimo. Por quê? - questionou, pendurando sua bolsa nos ombros. - Vamos?
A secretária estreitou os olhos para ela, mas deu de ombros. As duas saíram da sala e andaram até a recepção. Sadie desligou as luzes e trancou a porta que levava para os escritórios antes de se colocar ao lado de para aguardar o elevador.
- Como estão as coisas entre você e ? - Sadie perguntou.
Involuntariamente, sorriu de canto ao ouvir a pergunta, já que lhe trouxe algumas memórias.
- Vocês ficaram. - Sadie confirmou e a olhou, encolhendo os ombros. - Garota! Como você não me conta um babado desses?!
Antes que pudesse responder, porém, as portas do elevador se abriram e as duas entraram. Como não estavam sozinhas, permaneceram em silêncio até que chegaram ao térreo e saíram do edifício, começando a andar em direção ao bar.
- Eu ainda não sei como me sinto sobre isso. - confessou e Sadie a olhou, curiosa. - Nos beijamos mais de uma vez, mas aí ele saiu com a Melanie e as coisas ficaram um pouco estranhas.
- Quem diabos é Melanie? - Sadie quis saber, franzindo o cenho. - Ele te beijou e saiu com outra?
- É uma vizinha nossa. Bastante atirada, e você sabe que eu não falaria isso se não fosse verdade. - torceu a boca. - Ele me garantiu que não rolou nada, mas...
- Você ficou com ciúmes. - Novamente não foi uma pergunta.
- Algo do tipo. - riu baixo e revirou os olhos, nada satisfeita com sua atitude. - Mas já passou, acho que não vai rolar nada entre os dois.
- Por que diz isso? - Sadie perguntou e as duas pararam em frente ao bar para terminar a conversa antes de entrar.
- Depois eu conto. - A arquiteta balançou a mão, como se pedisse pra deixar pra lá. - Eu realmente preciso de uma cerveja agora.
Sadie balançou a cabeça e as duas entraram no bar, não demorando a avistar Lorena, Claire, Logan e sentados em uma mesa, todos com cervejas na mão, já bebendo.
- Finalmente! - Foi Logan quem disse, puxando a noiva para cumprimentá-la com um selinho. - Oi, .
- Oi, querido. Achei que o finalmente fosse pra mim. - Ela fez um biquinho e o amigo riu, puxando-a para um abraço. - Saudade de você!
Os dois sorriram e depois de cumprimentar rapidamente as outras duas amigas, ela pendurou sua bolsa em uma cadeira e se sentou ao lado de . O engenheiro tinha seu olhar grudado na mulher e sorriu assim que seus olhares se encontraram, oferecendo sua cerveja para ela.
- Tudo bem? - Ele perguntou e ela sorriu em confirmação depois de tomar um gole da cerveja que ele havia oferecido.
- Sim. E você? Não te vi durante a tarde. - disse, virando-se em sua cadeira para olhar diretamente para .
- Tive uma reunião com Tony e depois fomos visitar algumas obras. - Ele explicou, dando de ombros. - Semana cheia, não via a hora do relógio marcar seis horas.
riu e balançou a cabeça em confirmação, afinal, ela se sentia da mesma maneira. Ela bebeu mais um gole da cerveja que lhe deu e fez uma careta ao constatar que havia esvaziado a garrafa.
- Vou pedir mais, terminei com a sua cerveja. - Ela riu, soltando a garrafa na mesa. - Todo mundo quer cerveja?
Ao receber uma resposta positiva de todos na mesa, levantou a mão e fez sinal para um garçom, que logo confirmou e deu as costas para buscar as bebidas.
- E aí, o que achou do Logan? - perguntou a .
- Gente boa. - Ele comentou, sorrindo para a arquiteta. - E ele e Sadie formam um casal muito bonito.
- Eles são uns amores. - concordou. - Eu queria fazer uma janta pra eles qualquer dia desses lá em casa, você se importa?
- Claro que não, você também mora lá, . - Ele riu, balançando a cabeça para ela. - Só me avisa, que aí eu não atrapalho.
revirou os olhos, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.
- Você é nosso amigo, . - Ela riu, dando um tapa leve no ombro dele. - Até parece que atrapalha, por favor! Sua companhia é ótima e eu gostaria muito d...
- Eu esqueci de contar! - Lorena quase gritou, interrompendo a fala de , chamando a atenção dos amigos. - Tony me pediu hoje pra tirar o nome de Leonard de todas as redes da empresa. Acho que ele vai sair, mesmo.
- Graças a Deus! - Sadie comemorou, sendo abraçada pelo noivo.
- Eu tava um pouco preocupada, confesso. - Claire disse, bebendo um gole de sua cerveja.
- Eu sabia que Tony não ia decepcionar. - comentou.
- Eu tô é aliviado, isso sim. - Logan disse, rindo de maneira nervosa. - Quando a Sadie me contou, eu fiquei muito puto. Se eu visse aquele cara na minha frente, eu...
- Você nada, Logan. - Sadie riu, interrompendo-o. - Tá tudo bem, tudo se resolveu. Graças a vocês dois. - Ela apontou e com a cabeça, recebendo sorrisos como resposta.
- Só fizemos o correto, Sadie. - disse e concordou ao seu lado.
As cervejas chegaram e cada um pegou a sua.
- Acho que isso merece um brinde, né? - Claire comentou.
Todos concordaram e se levantaram, juntando brevemente as garrafas de cerveja para depois tomar, cada um, um gole da bebida.
- DARDOS! - gritou, apontando para o jogo no fundo do bar. - Tá vazio! Alguém joga comigo, por favor?
- Não. - Sadie e Logan disseram em uníssono.
- Nem a pau. - Claire disse e Lorena concordou com a amiga. - Você é maluca.
- Só porque eu sou muito boa? - abriu um sorriso convencido, levantando da cadeira.
- Boa? É impossível te vencer nesse jogo, isso sim! - Logan acusou, revirando os olhos. - E você tá sempre bêbada quando joga, e nunca perde. Não tem graça nenhuma.
- É sério isso? - perguntou curioso e a mulher arqueou as sobrancelhas para ele, como se o desafiasse.
- Vamos, ? Por favor!
O engenheiro pensou por alguns segundos. Ela não podia ser tão boa assim, podia?
- Não faz isso. Ela vai ficar insuportável. - Sadie pediu e os outros concordaram, mas já tinha se levantado, pronta para jogar.
- Ah, não. - Lorena reclamou, bebendo um gole de sua cerveja.
- Ah, qual é! - reclamou depois virar a garrafa em sua boca, tomando uma boa quantidade do líquido. - Vamos, !
- É impossível que você seja tão boa assim. - Ele cruzou os braços, encarando a mulher.
- Mas eu sou. - Ela se gabou, piscando para ele.
- Ela é. - Os outros quatro responderam ao mesmo tempo.
encarou a mulher, que olhava para ele em expectativa. Depois, ele se levantou e pegou sua cerveja, virando o restante do líquido que continha na garrafa. Soltou-a na mesa e se virou para .
- Aceito o desafio.
riu, animada, e pegou sua cerveja, andando em direção a parede no fundo do bar, onde ficava o jogo. Ela virou todo o conteúdo da garrafa e soltou-a em uma mesa vazia, olhando para .
- Vou pegar os dardos no bar, quer mais cerveja?
- Sim, por favor.
A mulher se virou e foi até o balcão, pedindo duas cervejas e os dardos para que pudessem jogar. Não demorou a retornar, encontrando escorado em uma mesa, mexendo em seu celular. Assim que a viu, ele abriu um sorriso, mostrando sua covinha. se aproximou, entregando a ele uma das cervejas. Os dois brindaram antes de tomar o primeiro gole e se posicionar para começar o jogo.
- Você vai perder, .
- Eu não teria tanta certeza assim, .
Eles se encararam por alguns segundos, até pegar o primeiro dardo. Depois de pouco tempo analisando o quadro, ela jogou o dardo com maestria, acertando exatamente no meio do tabuleiro. não pôde deixar de arquear as sobrancelhas, um pouco surpreso, principalmente quando viu o sorriso orgulhoso que abriu para ele.
Na mesa, puderam ouvir os amigos gritarem, empolgados, mesmo que já soubessem que ela acertaria sem nenhuma dificuldade.
sorriu mais uma vez e se afastou, colocando-se ao lado dele. balançou a cabeça, rindo baixo, e então se posicionou, analisando sua jogada. Não demorou muito para jogar e, para a surpresa de , o dardo de quase derrubou o que ela jogou, já que ele havia acertado exatamente ao lado do da mulher.
estreitou os olhos para , que gargalhou ao observar a expressão da mulher. Dessa vez, os gritos que foram ouvidos vindos da mesa foram de surpresa, e soaram ainda mais altos do que os de antes. Imediatamente os quatro se levantaram, aproximando-se dos amigos.
- Você... Como? - perguntou, cruzando os braços. - Deve ser sorte de principiante, só pode.
- , ... - Ele riu, balançando a cabeça em negação.
- Filho da puta, cara! - Logan exclamou, encarando os dois dardos, assim que chegou mais perto. - Você é bom!
- Meu Deus, por favor, ganha dela, eu nunca te pedi nada! - Lorena pediu e os amigos gargalharam.
- Ei! Eu ainda tô aqui! - cruzou os braços, fingindo estar indignada. - Ninguém vai tirar meu posto.
Ela bebeu um gole de sua cerveja e se posicionou novamente, dessa vez sob o olhar atento de todos, não só de . estava irritada, não adiantava mentir. Nunca ninguém ganhava dela nos dardos. Nunca. E não seria que faria isso pela primeira vez.
Mas foi.
Após muitas jogadas, errou apenas uma vez, enquanto acertou todas, com bastante facilidade, o que garantiu a vitória a ele.
- Filho da puta! - xingou assim que dois de seus dardos caíram no chão ao serem atingidos pelo último jogado por .
- Eu disse que eu era bom. - Ele riu, convencido. - Mais cerveja, ?
- Vai se foder. - Ela fechou a cara, terminando de beber o líquido que tinha em mãos antes de entregar a garrafa vazia a ele, dizendo que sim, ela aceitava mais álcool. - Eu quero revanche!
- Ah, não. - Sadie revirou os olhos, apoiando-se em seu noivo. - Isso vai até amanhã.
- Vai mesmo, vai até eu ganhar. - comentou, aproximando-se de . Ela parou na frente dele, tocando em seu peito. - Mais um. E eu vou ganhar dessa vez.
O engenheiro a encarou, estreitando um pouco os olhos. já estava um pouco bêbada, apesar de ser um pouco mais baixa que ele, conseguia sentir o hálito de bater contra seu rosto, já que a encarava do mesmo jeito que ela lhe olhava.
- O último.
- Yes! - Ela comemorou, abrindo um sorriso e virando-se para os amigos. - Já vou recuperar meu posto, idiotas!
- E começou. - Claire riu, revirando os olhos. - , querida, isso não é uma competição.
- Pra mim é. - Ela disse, aproximando-se da amiga e apoiando seus braços nos ombros dela. - Eu vou ganhar.
- Nunca vi alguém tão competitiva como você. - Foi Lorena quem disse, tendo sua cerveja roubada por , que bebeu um gole longo e depois devolveu a garrafa a amiga. - Ei!
- Galera, nós já vamos. - Sadie interrompeu as amigas. - Logan precisa trabalhar amanhã e pelo visto isso aqui vai longe.
- Mas que saco, eu perdi uma vez só! - reclamou. - Vou ganhar o próximo.
- Claro que vai. - Logan riu e deu um beijo na cabeça da arquiteta.
- Acho que vamos aproveitar a deixa. - Claire comentou e Lorena concordou. - Boa sorte aí, .
O engenheiro riu e piscou para a secretária.
- Ninguém mais torce pra mim, é isso? - perguntou.
- A gente nunca torceu. Não tem graça. - Sadie riu e abriu a boca, indignada. - Tô brincando, amiga. A gente te ama, viu?
- Hm, sei. - respondeu. - Bom fim de semana, amigos!
- Pra vocês dois também. - Sadie desejou e, ao se aproximar de para abraçá-la, completou, em um tom de voz mais baixo. - Juízo, . Usem camisinha!
abriu a boca, chocada com a fala de Sadie, mas acabou rindo de maneira safada e piscou. Sadie balançou a cabeça em negação, já imaginando que, na segunda feira, teria muitas novidades para ouvir sobre os dois.
- Tchau, gente. - disse ao se despedir do restante dos amigos.
fez o mesmo e depois os dois se encararam, como se estivessem se desafiando silenciosamente.
- Pronta pra perder mais uma vez?
balançou a cabeça em negação e riu de maneira irônica.
- Até parece.


Assim que o uber parou em frente ao prédio, os dois desceram. Claro que tropeçou, quase indo de encontro ao chão, mas foi mais rápido e segurou a mulher, gargalhando ao ver a expressão de assustada no rosto dela. Depois, ela acabou rindo, mas logo voltou a fechar a cara ao se lembrar dos acontecimentos anteriores.
- Ainda não te perdoei. - Ela declarou assim que passou na frente dele e seguiu caminho para dentro do prédio.
- Qual é! - Ele riu, seguindo-a. - Você é muito competitiva.
- Você não me contou que ganhou dois campeonatos de dardo! - argumentou depois de apertar no botão e chamar o elevador.
- Que diferença faria? Você ia querer jogar do mesmo jeito. - Ele argumentou e ela torceu a boca, afinal, era verdade.
Eles se encararam por alguns segundos.
- Vai ter revanche. Você sabe, né? - Ela se encostou na parede e ele ficou de frente para ela.
- Sei. - Ele riu, apoiando a mão na parede ao lado da cabeça de , encarando-a.
Os dois permaneceram se olhando e não aguentou, desviando o olhar para os lábios de que lhe pareciam muito convidativos no momento. Tudo que ela conseguia imaginar era como seria ter as mãos dele em seu corpo novamente, e, bem no fundo, sabia que ele também queria isso.
Estava prestes a abrir a boca para provocá-lo quando o elevador chegou e os dois entraram. apertou o botão, mas antes que a porta pudesse se fechar, uma mão impediu e novamente elas se abriram, revelando Melanie.
tentou, mas não conseguiu disfarçar uma careta, torcendo sua boca. Apoiou-se na parede do fundo do elevador e cruzou os braços, incomodada.
Essa mulher sempre aparecia nos momentos mais inoportunos, por Deus! Só porque ela estava planejando agarrar ali mesmo, no elevador, a bonita tinha de surgir do quinto dos infernos para atrapalhar o clima entre eles.
Melanie a cumprimentou e depois voltou sua atenção para .
- Já chegando em casa? - Ele perguntou a ela e, atrás do dois, revirou os olhos.
- Hoje eu tô afim de um programa mais caseiro. - Melanie comentou, arqueando as sobrancelhas para . - Topa fazer algo?
- Eu acabei de chegar, na verdade. - respondeu. - Também quero fazer algo caseiro, mas, na minha casa... - abriu a boca em descrença e Melanie abriu um sorriso esperançoso, porém, ele logo se desfez ao ouvir o restante da frase de . - Sozinho.
soltou uma risada baixa e imediatamente levou as mãos a boca para disfarçar, recebendo um olhar de canto de . Melanie sorriu forçadamente e, assim que as portas se abriram, saiu primeiro, mas foi capaz de ouvir quando Melanie perguntou:
- Quem sabe outro dia, então?
não respondeu, apenas deu de ombros e se virou, encarando , que olhava para ele com as sobrancelhas arqueadas.
- Quem sabe outro dia, então? - debochou, arrancando uma gargalhada dele. Como você aguenta? Sei que ela é bonita, mas...
- Mas ela não é você. - Ele repetiu a frase que havia falado no início da semana e mordeu os lábios, um pouco sem reação. - Eu sei que você ouviu, não adianta disfarçar.
riu de maneira nervosa e deu alguns passos para trás em direção a porta do apartamento dos dois. a acompanhou, praticamente fazendo a mulher se encostar na porta, colocando suas mãos ao lado da cabeça dela, sem desviar o olhar dos olhos de .
- Eu ouvi. - Ela confirmou, passando a língua pelos lábios, o que fez com que ele olhasse para a boca dela rapidamente antes de voltar a encará-la.
- Por que não me falou? - quis saber.
- Tava esperando o momento certo. - Ela confessou.
- E agora é o momento certo? - Ele soprou contra os lábios dela, agora tão próximo que pôde sentir o hálito de bater em seu rosto.
- É o momento perfeito, na verdade. - respondeu após alguns segundos em silêncio.
abriu um sorriso lateral e então pôde, pela primeira vez na noite, fazer o que vinha querendo repetir a semana inteira: beijá-la. Ele envolveu os cabelos de com uma de suas mãos, puxando-os lentamente para trás antes de grudar os lábios nos dela. Sua outra mão foi até o pescoço da mulher e deslizou por toda a extensão de seu corpo até chegar em sua cintura, local onde ele apertou levemente. , por sua vez, agarrou a camisa que vestia e começou a puxá-la, de modo a tirar a peça de dentro da calça que ele vestia. Assim que o fez, ela espalmou as mãos nas costas dele e passou as unhas por toda a extensão, o que certamente deixaria marcas.
Ele gemeu contra a boca dela e os dois se separaram apenas para que o engenheiro pegasse a chave de casa para abrir a porta. Assim que o fez, voltaram a juntar os corpos. , em um impulso, pulou e passou as pernas ao redor do quadril de e ele levou as mãos até as coxas dela, segurando-a e mantendo-a junto a si, dando alguns apertões vez ou outra.
Não ousaram quebrar o beijo nem para responder aos miados e latidos de Dobby e Bucky, andando diretamente para o quarto de , que era o mais próximo. a deitou na cama e se pôs em cima da mulher, suas bocas ainda grudadas. Lentamente ele quebrou o beijo, apenas para roçar seus lábios pelo queixo de em direção ao pescoço dela, dando pequenos selinhos no local antes de finalmente passar a língua, o que fez com que ela encolhesse o corpo tamanho foi o arrepio que sentiu. Depois, fez o caminho contrário e deslizou seus lábios até o ouvido dela. Mordiscou levemente o lóbulo de sua orelha e desceu novamente, passando a língua devagar pelo pescoço da mulher.
colocou suas mãos nas costas do homem, por baixo de suas roupas. Novamente ela passou as unhas, arranhando a pele dele, fazendo com que ele encolhesse seu corpo. Imediatamente, ele se afastou dela e os dois se encararam por alguns segundos. levou o tronco e se apoiou para poder observar a cena enquanto retirava a camisa que vestia. Ela lambeu os lábios ao ver o peitoral nu do homem, tocando-o levemente com os dedos.
abriu um sorriso lateral e levou suas mãos até a gola da camisa social que vestia, abrindo os botões com certa pressa. Juntos, eles retiraram a peça e encararam-se novamente. Os dois ficaram de joelhos, de frente um para o outro. As mãos de foram até as alças do sutiã de , abaixando-as lentamente. Depois, ele deslizou as mãos até as costas dela e abriu o sutiã, retirando a lingerie por completo. Afastou-se apenas para observar o colo nu de por alguns segundos antes de voltar a grudar suas bocas. Iniciaram um beijo intenso, suas línguas se tocavam, deslizando uma pela outra.
Dessa vez, deslizou seus dedos pela nuca de , entrelaçando os dedos nos cabelos dele, puxando alguns fios levemente. Seus seios agora roçavam contra o peito nu do homem. Ele, por sua vez, levou uma de suas mãos até a cintura dela, apertando-a levemente. Sua outra mão subiu por suas costas até chegar em sua nuca, região onde ele arranhou devagar, fazendo-a soltar um gemido baixo.
A mão de desceu até a bunda de , apertando-a com certa força, por cima da calça que ela vestia. Imediatamente ela tirou os braços do pescoço dele e começou a abrir sua calça. O homem, então, partiu o beijo e a ajudou a abaixar a peça de roupa. Depois, levou suas mãos até os seios dela, apertando-os. Seus dedos polegar e indicador brincavam com os mamilos da mulher, fazendo com que ela soltasse alguns gemidos. Em certo momento, apertou o seio dela com mais força e então desceu suas mãos novamente para a bunda dela, tocando o local pela primeira vez sem ter um tecido atrapalhando.
Ele mordeu o lábio dela e puxou-o para si, separando suas bocas. Depois, roçou novamente os lábios até o pescoço de , para então deslizar a boca até os ombros dela, local onde depositou alguns selinhos antes de direcionar as carícias para os seios de . Ele encarou-a brevemente antes de finalmente começar a beijar os seios dela.
soltou um gemido baixo ao sentir a carícia, deitando sua cabeça para trás. Enquanto beijava um, tinha o outro envolvido por sua mão, apertando-o com certa força, o que a deixava maluca. Era certo dizer que a calcinha de já estava completa e totalmente encharcada. Quando ele passou os dentes pelo mamilo, sem morder, ela soltou outro gemido e ele se afastou, encarando-a.
Imediatamente as mãos deles foram para suas calças, cada um abrindo a do outro. Um de cada vez, eles se livraram das peças, e então deitou na cama novamente, se colocando sobre ela. Com uma de suas mãos, segurou o rosto dela e roçou seus lábios antes de direcionar os beijos para os seios dela. Passou por eles rapidamente e depois seguiu beijando a barriga da mulher. Um arrepio percorreu o corpo de e ela encolheu as pernas. sorriu contra a pele dela, satisfeito ao sentir o corpo de respondendo as suas carícias em baixo de si. Quando chegou perto da calcinha que ela vestia, não fez menção de tirar, pelo contrário, deslizou seus dedos pelos lábios dela por cima do tecido mesmo, deixando-a maluca.
Devagar, ele foi intensificando os movimentos, estimulando-a cada vez mais. Mesmo sob o tecido, ele conseguiu sentir o quão excitada ela estava.
- Molhadinha. – Ele disse contra a pele do quadril dela, fazendo movimentos circulares em sua entrada por cima do tecido, deixando-o encharcado.
gemeu e murmurou algumas palavras desconexas.
Se ele continuasse a tocá-la dessa maneira, mesmo sem contato direto, seria capaz de fazê-la gozar.
Ela estava maluca, mas, ansiava pelo momento em que sentiria seus dedos tocarem-na diretamente.
, como se ouvisse as preces dela, retirou a calcinha da mulher e abriu suas pernas. Antes de tocá-la novamente, porém, ele observou seu corpo completamente nu, passando a língua por seus próprios lábios e abrindo um sorriso ladino. Depois, ele se aproximou novamente da intimidade de e finalmente tocou-a com os dedos.
gemeu com a carícia, e o som se intensificou quando ele abriu levemente a região, tocando pontos para estimulá-la, sem encostar diretamente em seu clitóris.
Deus, ele sabia muito bem o que estava fazendo.
Dois dedos foram até a entrada dela, fazendo pressão no local, sem penetrar. Ela deitou a cabeça para trás, mordendo seus lábios.
Caralho, , era só o que passava pela mente de .
Sem aviso prévio, ele aproximou a boca da virilha de , roçando os lábios pela região, tocando sua virilha para só depois finalmente começar a beijar a área que mais necessitava de atenção.
Novamente gemeu, mas dessa vez um pouco mais alto. Ela jogou sua cabeça para trás, sentindo os movimentos circulares que a língua dele fazia para estimulá-la. Hora mais rápido, hora mais devagar, com mais intensidade, com menos intensidade.
As mãos de imediatamente agarraram o lençol, puxando-o. Suas pernas se moviam, reagindo aos estímulos de Henry. Céus, como ele a chupava bem. Dois dedos a penetraram sem aviso, fazendo com que ela gritasse de prazer.
estava em êxtase, ver a expressão de prazer no rosto de , saber que era ele quem estava lhe proporcionando isso, o deixava maluco. Sua ereção, dentro de sua calça, já estava começando a incomodar. Ele acelerou um pouco os movimentos com sua língua e levou seu polegar até o clitóris de Kat, trocando a fonte do estímulo. A mulher curvou seu corpo para trás e mordeu seu lábio com força.
- ... - Ela chamou, ofegante.
Ele entendeu que era para parar e então se levantou, lambendo seus lábios. Encarou , que se levantou e passou as pernas pelo corpo dele, derrubando-o na cama. riu, encarando a mulher que se sentou sob seu membro extremamente duro dentro da boxer que vestia.
abaixou seu tronco, aproximando-se e tomando os lábios de para si, beijando-o brevemente. Depois, ela quebrou o beijo e desceu beijando o peitoral dele, passando por sua barriga, até chegar na barra da boxer que ele vestia. Ao ver o contorno do pênis de , ela mordeu seus lábios.
Era grande, e estava extremamente duro.
Exatamente do jeito que gostava.
Rapidamente retirou a boxer que ele vestia, com a ajuda do próprio. Ia aproximar seus lábios do membro, para retribuir o sexo oral incrível que havia recebido a pouco, mas ele a impediu.
- Não. Eu quero sentir você. - avisou e, ao ouvi-lo, sentiu um arrepio percorrer seu corpo por completo com o pedido do homem.
Ela sorriu de canto e segurou o membro dele com as mãos. Enquanto isso, esticou o braço e pegou uma camisinha no bolso de sua calça. Abriu-a e entregou o preservativo a , que colocou com certa facilidade. Depois, posicionou o membro de em sua entrada e fechou os olhos ao sentir, pela primeira vez, o contato tão íntimo. Ele a acompanhou, segurando-a pela cintura, mas, sem guiar os movimentos, deixando que controlasse a situação. Lentamente, ela foi permitindo que o pênis dele deslizasse para dentro de si, preenchendo-a cada vez mais.
Quando enfim foi capaz de sentí-lo por completo dentro de si, ela gemeu alto e começou a movimentar seu quadril devagar, para se acostumar com as novas sensações que a preenchiam. fechou seus olhos. Conforme os movimentos iam se intensificando, gemia mais e mais, permitindo-se relaxar por completo para aproveitar o momento ao máximo.
Uma das mãos de foi até um dos seios de , apertando-o. Ele sorriu safado ao observá-la deitar a cabeça para o lado conforme se movimentava, seu membro explorando cada canto de . Ele estava extremamente duro, não se lembrava da última vez que havia ficado tão excitado, mas, também pudera, já que a tensão sexual que existia entre os dois não era algo recente, e finalmente estar fodendo era excitante demais.
A cena estava incrível de se observar, com os olhos fechados, a cabeça inclinada para o lado enquanto gemia, uma de suas mãos tocando o peito dele e a outra acariciando seu próprio seio, enquanto rebolava em cima dele, proporcionando aos dois sensações incríveis.
Porém, por mais que excitante que fosse, queria ter o controle novamente. Por isso, ele levantou o tronco e envolveu os cabelos dela, puxando-os para trás brevemente apenas para distraí-la e virá-la, deitando-a na cama. Sob o olhar atento e cheio de desejo de , ele sorriu brevemente antes de abrir as pernas nela e penetrá-la de uma só vez.
gritou de prazer ao senti-lo dentro de si daquela maneira. Quando deitou seu corpo contra o dela, ela grudou o peitoral no dele, cravando suas unhas nas costas do homem. novamente levou uma de suas mãos até o cabelo dela, puxando-o, de maneira que ela o encarasse.
Ali, olhando dentro dos olhos dela, ouvindo-a gemer seu nome conforme se contorcia em baixo de si, teve certeza de que estava caminhando para algo que há muito tempo não sentia.
Ele estava fodido.
Total e completamente envolvido por - da maneira mais literal possível.
lambeu os lábios e ele aproximou a boca da dela, beijando-a de maneira intensa e única, como não tinha feito antes. Ela fechou suas pernas ao redor da cintura dele e quebrou o beijo para aproximar a boca do ouvido de , gemendo baixo para que ele ouvisse.
Estava muito difícil segurar, então, assim que a penetrou com um pouco mais de força e aproximou seu dedo polegar do clitóris de para estimulá-la, não levou muito tempo para que atingisse seu ápice. Ela gozou, sentindo seu corpo todo se contrair, inclusive seu interior, e foi isso que fez com que fechasse os olhos e estocasse um pouco mais rápido, gozando logo após ela.
Os dois se encararam por alguns segundos, ainda imersos nas incríveis sensações que há pouco haviam percorrido seus corpos. Depois de alguns segundos, já devidamente recuperados, se afastou e saiu do quarto para descartar a camisinha. Como havia deixado a porta aberta, dois animais de estimação entraram no quarto imediatamente, deitando ao pé da cama.
mal teve tempo de se ajeitar na cama e ele já estava de volta. sorriu ao observá-los e depois se deitou novamente ao lado de , puxando-a mulher para si. Ela puxou o lençol para cima do dois e encolheu o corpo, encaixando-o perfeitamente ao de .
- Já posso dizer que quero repetir? - Ele perguntou perto do ouvido dela e ela riu baixo, arrepiando-se.
- Eu também. - Concordou, virando-se de frente para ele. Tocou o nariz dele com os lábios e sorriu brevemente.
- Mas não agora, né? - Ele questionou, arqueando as sobrancelhas, fazendo-a rir e balançar a cabeça em negação.
- Não, não agora. - o tranquilizou. - O que é isso que estamos fazendo?
franziu o cenho, pensando por alguns momentos. Ele tinha uma ideia, mas não queria colocá-la em palavras ainda.
- Não sei. Mas eu gosto. - foi sincero e assim que a viu sorrir, soube que fez a escolha certa.
- Vamos com calma. Eu não quero estragar o que temos, e...
- Fica tranquila. Isso também não tá nos meus planos.
sorriu, olhando-o nos olhos. Depois, seu olhar desceu para os lábios de , tão convidativos. Antes mesmo que pudesse pensar em beijá-lo, sentiu a boca de encostar na sua, envolvendo-a em um beijo.
O último da noite, mas, apenas um dos muitos que ainda viriam a trocar.


Continua…



Nota da autora: Oi galéééura linda do meu coração! O que acharam dessa atualização dupla? Tá todo mundo vivo por aí? Heheheheh. Aguardo os surtos, por favor, SURTEM MUITO! HAHAHAHAHAH Assim o capítulo sai mais rápido.
Espero que tenham gostado muuuito!
Até!



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