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Última atualização: 08/10/2020

Capítulo 1

Era o início do ano; o garoto Black aloprava alguns novatos do primeiro ano e era perseguido por Peter, que também queria ganhar algum ego adicional por incomodar os mais novos. Era o quinto ano deles agora, e apesar já terem tanto tempo de vivência todos os cinco anos em Hogwarts e principalmente o fato de serem da grifinória parecia não ter ensinado absolutamente nada sobre decência para eles.
- Parem com isso, seus idiotas, nós vamos para a detenção no primeiro dia de aula por causa de vocês - James disse, bufando e tentando segurar o riso quando um garotinho saiu de perto deles com um bilhetinho colado nas costas. Sirius olhou para ele meio confuso.
- Qual é, você pedindo pra gente parar? Essa é nova.
- Eu não quero ir pra detenção!
- Desde quando se importa com isso? - Lupin tirou os olhos do livro parecendo meio confuso e surpreendendo a todos os seus amigos, apesar de já conhecerem sua habilidade de dividir sua concentração a duas tarefas naturalmente.
- Eu não me importo, mas é chato, é demorado... vocês sabem.
Sirius olhou para ele tombando o rosto. Desde que se entendia por gente, ele era como a sombra de James. Onde havia um James, havia logo atrás um Black, e assim eram desde pequenos; eles se conheciam melhor do que qualquer um ali, embora fossem igualmente próximos entre si, e ele reconheceria de longe que o amigo não dizia a verdade ali. Procurava o que ele escondia dentro de seus olhos e encontrou no fundo negro de sua pupila o reflexo ruivo que passava por eles naquele instante. Alguns passos em uníssono tiraram a atenção dos marotos de suas trapaças rotineiras, e então Sirius pôde ver: James não queria parecer um idiota na frente de Lilly. Ela passava por ali no momento, com seus livros nos braços. O cabelo ruivo preso em um rabo de cavalo alto balançava de um lado para o outro e sua boca não parava de se mover enquanto ela conversava com suas amigas que andavam ao seu lado. Marlene e Danna discutiam a receita de alguma poção com a garota, que parecia não ter dúvidas acerca do que afirmava ser a receita correta. Atrás das três, a última garota do grupinho que eles zombavam chamando de "as marotas" às vezes estava com o rosto focado no livro em suas mãos. Era , uma garota conhecida e diga-se de passagem que extremamente estonteante. Assim como Lilly, costumava chamar a atenção dos garotos de toda parte. Elas combinavam perfeitamente, o que acreditavam ser a razão pela qual se davam tão bem: eram igualmente petulantes, decididas e extremamente inteligentes. Ela andava atrás das amigas parecendo desinteressada na conversa delas, respondendo algo que lhe era perguntado de quando em vez.
James se levantou do murinho que dava do corredor para o campus imediatamente, enfiando as mãos nos bolsos e tentando parecer mais digno. Ele recebeu olhares engraçados e desaprovadores de seus amigos, e o olhar especial de , que fechou o seu livro parecendo tê-lo terminado. Ela olhou para a pose que ele tentava forçar e então para Lilly, o seu alvo, e riu baixo. Se virou para eles dizendo "desista" baixinho e gesticulando para que ele entendesse o que ela dizia sem chamar a atenção das amigas, e então se enfiou no trio a sua frente empurrando Danna para o canto e se intrometendo no assunto sobre a poção.
- Alguém sabe o que diz. - disse Lupin, rindo.
- Vocês não tem mesmo nada melhor pra fazer?

- x -

O salão comunal estava cheio e Dumbledore acabara de fazer seu típico discurso de início de ano, apresentar o novo corpo estudantil - que independente do ano, sempre tinha alguns ajustes. Ele parecia aguardar os ânimos se acalmarem antes de pedir silêncio.
Lilly e se sentavam lado a lado, de frente para Danna e um lugar vazio que pertencia à Marlene. Ela tinha sumido alguns minutos antes de todos os alunos invadirem o gigante salão comunal e ocuparem suas respectivas mesas, mas não era surpresa ou suspeita alguma para suas amigas: Marlene era a mais fujona delas. Sempre escorregava pelos cantos mais sombrios do colégio e conseguia chegar a qualquer lugar usando as passagens secretas que conhecia.
- O que está havendo? - Peter perguntou a que se sentava ao seu lado enquanto todos faziam silêncio.
- Bem, eu não sei. Acho que teremos de esperar. - ela sussurrou de volta e ele assentiu fazendo silêncio; um sorriso largo se formou no rosto doce de Dumbledore e ele por fim começou a falar.
- Neste ano, como todos sabemos, um evento memorável para a comunidade bruxa será sediado por Hogwarts pela primeira vez na história. O torneio tribruxo! - ele deu uma pausa para as palmas. - para àqueles que ainda não sabem do que se trata, o torneio tribruxo é a maior competição entre bruxos do mundo; três escolas escolhem através do cálice de fogo, um aparato mágico seletivo, o seu herói: um aluno apto para competir com os outros em três desafios perigosos, interessantes e também mortais. É uma honra receber em nosso colégio os poderosos alunos do Instituto Durmstrang e seu respectivo diretor, professor Solveig Delavec e as graciosas alunas da Academia de Magia Beauxbatons e sua respectiva diretora, Adeline Carpentier. Sejam bem vindos!
Todos pareciam deslumbrados quando as garotas vestidas em seda azul com chapéus tipicamente franceses deixaram um suspiro e fizeram uma apresentação repleta de borboletas e flores se posicionando à frente com sua diretora - uma mulher baixa e rechonchuda, cuja expressão poderia amedrontar até mesmo ao próprio Dumbledore.
Ela deu passos largos e cumprimentou o velho como se fossem velhos amigos, firmando um aperto de mãos caloroso após um abraço. Então, se posicionou ao seu lado e suas alunas se sentaram na ponta da mesa da grifinória a convite dos alunos, enquanto os garotos de Durmstrang entravam pela porta principal;
Eles usavam grossas roupas de frio com capas e um chapéu tipicamente russo, faziam acrobacias e batiam enormes tacos no chão. Então, alguns alunos vieram pulando e abrindo espaço para o homem alto, albino e esguio de expressão fechada e furiosa que vinha logo atrás. Ele cumprimentou Dumbledore ligeiramente e também à Adeline, e então sugeriu que seus alunos se sentassem na mesa da sonserina. O Instituto Durmstrang não aceitava alunos cujo sangue não fosse puro, e tendo isso em vista, era preferível que seus alunos se sentassem com a casa da serpente aos olhos de Solveig.
- Eu perdi a entrada dos gatinhos? - Marlene disse se sentando e bebendo um pouco do suco de uva que se serviu sozinho quando ela apareceu um pouco descabelada e apressada.
- Não perdeu nada. - disse com uma expressão entediada enquanto oferecia um pouco de seu pão de batata para a amiga. Os da travessa haviam acabado e só reapareceriam após algum tempo; Marlene aceitou de bom gosto e olhou para Lilly que parecia exclusivamente quieta.
- É raro ver você quietinha assim, Lilly.
- Só estou pensando em Severo. Ele parece meio sozinho do lado de lá.
- Ele tá bem. Até diria que ele tá com cara de quem quer se inscrever para o torneio. - Donna disse olhando para a mesa da sonserina e se voltando para as amigas.
- Me inscreveria se não tivesse tanta certeza de que não serei escolhida. - Lilly parecia triste por isso.
- Você não tem como ter certeza disso, tem, Lilly? - disse James que passava por trás dela naquele instante. Ele deu uma piscadela de um olho e ela o olhou furiosa com aquelas bochechas rosadas e sardentas que indicavam a raiva que sentia naquele instante;
- Como ele pode me chamar pelo nome? Quem ele pensa que é, afinal?
- James Potter, o mais babaca. - disse levantando uma sobrancelha. Marlene interveio:
- O quase mais babaca. Black ganha dele. - deu de ombros e elas riram; Donna parecia prestar muita atenção em algo e não dava atenção à conversa delas, e logo se levantou saindo da mesa. Apesar da confusão, nenhuma delas pareceu querer intervir.
A um Peter de distância delas, James que acabara de voltar e Sirius conversavam baixinho; fingia não notar os olhares sutis de Remo, mas podia perceber muito bem que os olhos dele não se desgrudavam dela.
- Ei, vamos nos increver.
- O que? - Remo desviou o olhar de para seu amigo Potter, que o olhava animado com Sirius. Ele arregalou os olhos como se não acreditasse. - sabe que eu não posso.
- Vamos nos inscrever. - os dois afirmaram.
- Sabem os perigos desse torneio? É coisa real, vocês correriam risco!
- "Vocês"? Você vai com a gente, Aluado, não se preocupe. - James riu. - que risco é páreo para os marotos?
- Não vou deixar você se matar só pra impressionar uma garota, nem que ela seja Lilly Evans!
- Não que eu esteja fazendo isso por ela, mas até mesmo você cairia de amores por mim depois de me ver com aquela taça na mão - James disse olhando com os olhos brilhantes para a enorme taça tribruxo, que cintilava azul reluzindo em seus detalhes perolados. Lupin revirou os olhos como se aquilo fosse a maior idiotice do mundo.
- Tá, até eu tô começando a achar ridículo. - Sirius disse enfiando um sonho na boca enquanto olhava para o amigo com uma sobrancelha levantada. - nós vamos nos increver mas já sabemos que nenhum de nós vai ser escolhido.
- E por que não?
- Porque Amos Diggory existe. - ele bufou olhando com certa irritação para a mesa da lufa-lufa.
Amos Diggory era um dos garotos mais populares dali. Não que os próprios marotos não tivessem lá sua fama dentre as garotas, mas não chegavam aos pés do famoso "Ammo", um dos mais geniais estudantes. Não podiam negar que ele era bonito também, mas eles negavam mesmo que discordassem. James sentia uma rixa inabalável contra ele, embora seu maior inimigo fosse Severo, e no fim das contas torcia para que Amos não recebesse atenção alguma em vista de que agora os garotos de Durmstrang eram uma novidade ali; ele desejava que Amos sofresse o esquecimento de suas fãs insuportáveis.
- Ele é um otário, não vai ser o campeão de Hogwarts nem por decreto. - disse decidido. - ouviram Dumbledore: o cálice fica disponível a qualquer instante durante os intervalos, tudo o que precisamos fazer é ir lá e jogar os nossos nomes.
- Não acha que é muito novo para ser o campeão, Pontas? - Lupin tentou uma última vez a convencer seu amigo de não fazer tal burrada.
- Não acho.

- x -

as garotas

A aula era de poções, dividida entre a grifinória e a sonserina. Os marotos voltavam direto do intervalo, após colocarem seus nomes no cálice de fogo; formaram duplas como solicitado. Lilly e também participavam daquela aula, diferentemente de Donna e Marlene, que aparentemente odiavam tanto o professor quanto a matéria e se negavam a participar. Elas estariam na aula de adivinhação naquele instante.
- Acha que vão ser escolhidos? - Lilly disse para enquanto lia a receita da poção em questão.
- Eu duvido. São rapazes fortes, mas se nem nós o levamos a sério, o que diria do cálice? - a amiga respondeu jogando uma folha de arruda dentro do caldeirão delas sendo seguida por alguns líquidos e bálsamos que Lilly derramava.
- Onde acha que Marlene estava mais cedo?
- Bem, ela estava desarrumada e por sinal chegou ao mesmo tempo que o Black. Realmente tá me perguntando o que eu acho? - ela riu olhando para a amiga.
era um pouco menor do que Lilly em questão de tamanho. Seus corpos se assemelhavam muito no formato; ela tinha olhos acinzentados, que podiam parecer mais claros ou negros dependendo da iluminação. Sua boca, avermelhada por natureza, contrastava com os cabelos compridos ondulados e completamente negros. Ela tinha um olhar sincero e inocente, coisa da qual Lilly compartilhava também; apesar da expressão constantemente petulante e teimosa, era muito quieta e reservada. Ela era extremamente estudiosa e dedicada e era considerada uma pessoa tranquila, gentil e bondosa por todos que a conheciam de fato. Era entretanto um pouco tímida, e para tanto parecia um tanto misteriosa para os de fora. Costumavam ser as melhores alunas de poções, adoradas e veneradas pelo professor Slughorn, as duas estrelas do Clube do Slug; sempre estavam em primeiro lugar na lista preferencial de Horácio, juntamente à Severo, o estranho porém genial amigo de Lilly que todos tanto odiavam. Era outro fator entretanto onde se diferia: ela não via porquê odiar o garoto, e em fato, não via porque odiar ninguém. Era muito compreensiva e apesar do comportamento por vezes arrogante e intolerante de Severo, ela podia compreender que o garoto não tinha uma vida fácil. Ela não perdoava, entretanto, injustiças, e era por isso que tinha receio quanto aos marotos. Sabia que eles eram os responsáveis pelo inferno de Snape assim como Lilly sabia e igualmente enojava.
Ela olhou de relance para a amiga que parecia observar algo ao longe. Viu que o livro de Lilly estava naquela página há um bom tempo, e aparentemente haviam minutos desde que fez a última alteração na poção, embora tivesse várias nozes para descascar e uma uva para dissecar corretamente. Seguiu o olhar da ruiva até James; ela parecia horrorizada, e ele parecia não ter a mínima ideia do que estava fazendo. Tanto ele quanto Black despejavam diversos ingredientes no caldeirão, mas nenhum deles estava sequer na receita.
- Eu sei que você quer muito ir lá ajudar seu amor - ela começou, amarrando seu cabelo em um rabo de cavalo alto enquanto olhava a página do livro que dava instruções sobre a poção. - mas a nossa poção vai cozinhar demais se você deixar as uvas encharcadas desse jeito.
Lilly pareceu cair em si e olhou assustada para o caldeirão e para , que tinha um sorrisinho engraçado no rosto; ela riu também enquanto começava a dissecar as uvas com sua faca - técnica que Severo a ensinara algum tempo atrás.
- , aquilo lá tá muito errado... - ela disse rindo baixo e sussurrando, referindo-se a James e Sirius.
- Eu sei. Sabe o melhor? - riu - eles jogaram figos; mais um pouquinho de baba de trasgo e o caldeirão vai decolar.
Elas caíram na risada enquanto pegou uma colher e mexeu um pouco o caldeirão, que borbulhou verde como o professor pedira; o mesmo se alarmou ao vê-las tão perto de atingir o objetivo, mas não chegou a se levantar ou surpreender. Afinal de contas, eram Lilly e .
A ruiva jogou um fio de cabelo no caldeirão, como o livro pedia; supostamente deveria dissolver-se em meio à poção, mas só se dissolveu pela metade. Elas concordaram então em duplicar os limões, pois eram o item mais corrosivo e certamente funcionaria. Começaram a rapidamente cortar os limões.
- Você viu que o querido aluado não para de olhar pra você, né? Me diz que viu!
- Ele só quer saber o que estamos fazendo, porque sabe que vamos acertar. - riu em resposta. - digo, ele é um cara inteligente, mas Peter...
- Não seja idiota, , eles já terminaram há muito tempo. - Lilly disse olhando para Lupin do outro lado da sala, que simplesmente deu um sorriso gentil e desviou o olhar delas imediatamente.
- E nós também já teríamos terminado se você não estivesse ocupada olhando pras belíssimas feições do seu querido Potter. - ela disse de um jeito engraçado arrancando risadas da ruiva e também um leve tapinha no ombro.
- Não ficaria com ele nem que fosse o último cara da Terra. E de toda forma, qual o problema em eu ter me distraído um pouquinho rindo do James que se ferrou? Fazemos isso desde sempre.
- Você é má.
- Ah, não me venha pagar a boazinha, !
Elas não paravam de rir quando finalmente o fio de cabelo se dissolveu e levantaram as mãos. O professor Slughorn veio avaliar a poção, deixando cair um fio do próprio cabelo, que ao cair se dissolveu imediatamente sem deixar rastros. Ele avaliou a mesa de trabalho delas vendo as inúmeras cascas de limão.
- Pelo que vejo, minhas queridas não seguiram arrisca a receita, seguiram? - ele disse com um sorriso gentil. Lilly balançou a cabeça negativamente.
- Mas sabemos onde erramos, professor. - disse olhando para Lilly com uma sobrancelha levantada e fazendo a ruiva rir novamente e erguer as mãos em forma de redenção.
- Tudo bem, foi minha culpa! Eu me distraí e deixamos cozinhar demais, foi isso.
- Bem, vocês chegaram lá, não chegaram? Aposto que alguns desses alunos não conseguiriam sequer pensar em consertar essa poção como vocês. - ele disse coçando o queixo, referindo-se a James e Sirius que pareciam extremamente entediados em seus devidos lugares. - parabéns, queridas, não esperava menos de vocês duas! Dez pontos para a grifinória pela criatividade, e estão dispensadas.
Elas pegaram seus materiais e se dirigiram para a porta, e então ouviram o professor gritar:
- Não se esqueçam dos deveres!
Asssentiram, e então finalmente saíram dali indo em direção aos campos ao encontro de Marlene e Donna, que já estavam ali há algum tempo. Gostavam de se deitar ali quando tinham tempo livre; se sentou escorada em uma das pedras cravadas no chão e tirou seu livro da mochila, colocando-se à sua tarefa habitual de leitura. Donna e Marlene tentavam ler a mão uma da outra, o que tinha sido a tarefa da aula de adivinhação, e Lilly gostava de observar o céu sempre que podia.
- Lilly, seu amigo seboso passou aqui mais cedo. Ele perguntou de você e disse que queria falar com você quando terminasse a tarefa de poções. - Donna disse em um tom de deboche. levantou os olhos do livro para Lilly por um minuto só para perceber o quão furiosa estava pela forma como Severo fora mencionado; Marlene parecia meio alheia à tudo, porque depois daquilo o clima pareceu ter ficado pesado, e a ruiva saiu de lá batendo os pés sem dizer mais nada. Aparentemente havia ido atrás do amigo.
Suspirou, olhando desaprovadoramente para Donna que tinha uma expressão de dúvida e um sorrisinho de escárnio no rosto. Olhou para Marlene levantando as mãos como se procurasse entender.
- O que eu disse?
- Você disse "seboso". - Marlene respondeu revirando os olhos.
- Há algo de errado nisso? Ele realmente é seboso.
- Às vezes você tem comentários tão infelizes, Donna, que eu tenho vontade de te bater até você sumir.
- Se desculpe com a Lilly e vai ficar tudo bem. - disse sem tirar os olhos do livro, e então Donna se levantou saindo de lá resmungando como se tivesse razão. Marlene balançou a cabeça negativamente, se deitando escorada na pedra onde a amiga estava também.
- Lilly não vai aceitar as desculpas dela tão fácil assim.
- Eu sei, mas eu precisava fazer ela parar de falar ou sair daqui. - riu - e afinal de contas, ela foi uma imbecil e deve mesmo desculpas.
Elas ficaram em silêncio por um tempinho, então notou que Marlene parecia extremamente ansiosa e feliz e parecia realmente querer dizer algo que a alegrava muito naquele momento; ela fechou o livro e se sentou em perninhas de índio de frente para Marlene, encarando-a com o rosto apoiado nas mãos.
- Disserta, Lene!
- Ah, eu não acredito, como você sabia?!
- Não existe ninguém mais indiscreta que você. - riu.
- Tá... Mas promete não dizer pra ninguém? Especialmente pra Lilly?
Aquela seria uma promessa especialmente difícil de cumprir, mas em prol da amiga assentiu aceitando o desafio.
- Eu e o Sirius... sabe? - ela disse corando um pouco e sorrindo feliz e satisfeita. Recebeu uma expressão extremamente feliz e ao mesmo tempo surpresa; a boca de virou um O. Apesar de desconfiar e viver fazendo brincadeiras acerca dos dois, ela não fazia ideia de que estavam realmente juntos.
- O quê?! Como assim você não disse nada Lene?! - ela disse sorrindo e parecendo feliz e revoltada por não ter sido alertada antes.
- Não era nada certo, mas agora meio que é! A gente se vê às vezes.
- Como é isso?
Marlene ficou um longo tempo descrevendo as vezes em que havia visto Sirius no fim do ano anterior, e como voltaram a ficar juntos no início daquele ano novamente. Disse que nenhum pedido havia sido feito, mas que ambos se sentiam como se estivessem de fato namorando; ele parecia gostar dela e apesar do jeito livre dele de ser, parecia satisfeito em se amarrar à ela. Estava incrivelmente feliz e exultante e cada palavra dela arrancava um sorriso satisfeito de . Viram os marotos descerem juntos o morro em direção ao ponto de encontro deles; Marlene e Sirius acenaram um para o outro e então todos os amigos dele passaram a azará-lo, e se deitou no chão olhando para o céu soltando um suspiro de felicidade.
- Eu tô tão feliz por você, Lene! - ela gritou, voltando a se sentar enquanto os garotos pareciam descer cada vez mais lentamente. Eles pareciam querer envergonhar Sirius, já que James gritava algumas vezes para Marlene sobre o quanto ele falava dela. A garota não tirava o sorriso do rosto e vez ou outra olhava para trás, para ouvir o que Potter tinha a dizer.
- Eu sei... - ela disse sendo interrompida pelo próprio Sirius, que apareceu ali. Ele cumprimentou com um aceno de cabeça que ela devolveu, e então se voltou para Marlene.
- Vamos sair daqui, por favor? Eles querem muito me fazer passar vergonha - eles riram e então Marlene se levantou, olhando para amiga como se pedisse a permissão dela. fez um leve aceno positivo para que a amiga fosse logo, e então eles andaram juntos para a direção contrária à e ao resto dos marotos, que agora desfalcados se sentaram em sua pedra.
se encostou novamente na pedra pegando seu livro de dentro de sua mochila e voltando a lê-lo, satisfeita por toda a felicidade que a cercava e ao mesmo tempo dividida entre se sentir bem e se sentir mal por ter sido deixada sozinha.

os marotos

- Você realmente me dá muita vergonha, aluado. - James o olhou balançando negativamente a cabeça, fazendo com que o alto Lupin o olhasse engraçadamente irritado.
- Cala a boca, Pontas. - suspirou pegando sua mochila e planejando terminar suas tarefas de poções.
- Cara, ela tá ali sozinha! Por que você não vai lá?!
- Eu não quero ir lá, James, já falei! - ele disse olhando para . - e fala baixo!
- O que, não quer que a saiba que você tá afinzão dela? - James disse elevando seu tom de voz e se levantando, e então Lupin bateu a mão na própria testa e fazendo com que o amigo se sentasse.
Ele aproveitou a distração que Peter arranjou e se envolveu em suas tarefas, começando a escrever. James o olhou dessa vez irritado e frustrado, parecendo realmente decepcionado.
- Sério, você me deixa exausto. Assim você vai perder toda chance mínima que tem com ela.
- Primeiro de tudo, não tenho chance alguma, e depois, você não é a melhor pessoa do mundo pra falar sobre chances e garotas, né? - ele o olhou com o rosto tombado.
- Eu vou bater em você.
- A culpa não é minha se a Evans te odeia. Na verdade, Pontas, ela tá cheia de razão.
- Eu tenho os melhores amigos do mundo - James disse ironicamente enquanto ria junto com o amigo. - sério, a força que vocês me dão supera mundos.
- Não podemos te dar força, é a Lilly e ela simplesmente te odeia. - foi a vez de Peter de rebaixar o amigo, recebendo um aceno de cabeça de Lupin que aparentemente concordava dele.
- Eu tô aqui tentando ajudar você e é assim que você me devolve?! - James fingiu estar revoltado.
Todos eles riram e então se aquietaram por alguns instantes, quando Remo reiniciou o assunto anterior acidentalmente.
- E pra ser sincero, a gente não combina muito.
- O quê?! - Peter e James disseram em uníssono, e depois somente Potter continuou: - vocês não poderiam combinar mais! Sério, olha pra ela!
- Exatamente! Olha pra ela! - ele suspirou olhando para , que passava a página de seu livro. Ela lia algum clássico inglês, ele podia identificar aquilo pela capa cravejada e azul escura. Algumas mechas rebeldes de seu cabelo caíam sob o rosto saindo do rabo de cavalo, fazendo com que ela tivesse que colocá-las atrás da orelha de vez em vez. Remo não negava nem por um instante que ela era com certeza uma das garotas mais bonitas que já havia visto em sua vida: ele era completamente atraído por ela, desde menores, mas nunca dera espaço para tal atração crescer a níveis maiores, tornarem-se um possível romance ou amor. Não podia dizer que gostava dela, mas podia dizer que seria o cara mais sortudo do mundo se ela fosse sua namorada.
- Ok, a gente sabe que ela tá entre as três garotas mais inatingíveis de Hogwarts em todos os aspectos possíveis. - James começou - e que você não chama lá muita atenção...
- Obrigado. - Lupin disse sarcasticamente.
- Mas ela também é meio tímida, assim que nem você... E mesmo ela sendo gata demais ela não parece ligar muito pros caras que ficam atrás dela, né?
- Ela conhece eles desde sempre, sabe exatamente quem é quem aqui. Mas e os alunos da Durmstrang?
James meneou a cabeça para um lado e para outro e então acabou negando.
- Duvido que eles chamarão a atenção dela. Mas não é parado aqui conversando comigo sobre o quão bonita genial e perfeitinha ela é que você vai chamar, né, Aluado?
- Desiste, Pontas. Vamos terminar essa tarefa e subir pra aula de DCAT logo. - ele suspirou, e então todos se focaram no caderno dele enquanto era o único deles que conseguia resolver as receitas que ali pediam por uma resposta.


Capítulo 2


Desde sempre a professora Minerva era a responsável por ensinar a tradição da dança do baile de inverno para os alunos da grifinória. Ao esvaziar sua sala de transfiguração, tinha-se um grande espaço semelhante a um salão, onde o sr. Filch colocava uma enorme vitrola quase sexagenária e tocava quase sempre músicas clássicas, o que se supõe que eles dançariam em um baile.
Já era a segunda semana de aula quando por fim o professor Dumbledore anunciou o baile, que introduzia o torneio tribruxo; antes de tudo, ele deu os nomes dos campeões que lutariam pela taça tribruxo: Amos Diggory, como esperado; uma garota chamada Celestia Donovan e um rapaz, Ivan Draÿkmova.
- Todos vocês têm, esse ano, a incrível oportunidade de permitir que o amor flua pelo coração de alguém próximo. Procurem pares para o baile de Inverno, e não percam a atenção das aulas!
Foi o que Dumbledore disse, logo após o jantar no salão comunal. As garotas de beauxbatons eram o alvo de grande parte dos garotos, apesar de todas parecerem extremamente desinteressadas neles.
Os marotos se entreolharam imediatamente e todos pareciam ter a mesma ideia estampada no rosto.
- É perfeito! Vou convidar a Lilly, finalmente! - James se vangloriava dando sorrisos e mais sorrisos, olhando seu querido lírio no fim da mesa, bem longe dele. Black olhava com superioridade, como quem já tinha seu par garantido; ele e Marlene eram cotidianos, embora sempre se encontrassem às escondidas, tanto dos professores quanto da própria Lilly. A única a saber sobre eles era , e era ótima em guardar segredos, então os mantinha escondidos como deviam ser.
Quando viu Lilly e se levantarem para ir embora, aparentemente cansadas e satisfeitas, James se preparou: aprumou o peito, se ajeitou todo, limpou seus óculos e colocou-se na pose perfeita para convidá-la. Os seus amigos pareciam na expectativa, enquanto Remo parecia meio cabisbaixo, reparando naquela que andava ao lado da ruiva - não podia negar a vontade de convidar , mas sabia que ela jamais aceitaria ir com ele. Black notou que o amigo estava diferente e deu um tapa na mão dele, fazendo com que se ajeitasse na mesa; as garotas passavam por trás dele, e então ele voltou seus olhos a quando elas pararam para ouvir James, que gritara o nome de Lilly de um jeito desesperado e descontrolado. Ele parecia mais nervoso do que o próprio Remo, que recebia os olhos cinzentos de perfurando os seus, e o sorrisinho gentil, tranquilo e estarrecedor dela fazendo com que ele se sentisse cada vez menor, até chegar ao ponto de sumir.
- Quer ir ao baile comigo, gatinha? Quer dizer, Lilly, me desculpa. Aliás, Evans. Quer ir ao baile comigo, Evans? - James disse constantemente tentando se corrigir. Remo parecia pronto para dizer algo, até mesmo chegou a abrir a boca quando foi interrompido por Lilly:
- Eu vou com a .
Ele se calou. Viu olhar para ela meio confusa e com uma expressão engraçada de confusão.
- Vai? - disse rindo de leve, como se não soubesse do que ela estava falando;
- Vou sim! - Lilly olhou para ela pressionando-a a fingir já saber daquilo. Não queria de forma alguma ter de ir ao baile com James, e não via outra alternativa sequer convidar a própria amiga; ela sabia que não queria ir com nenhum outro garoto, e ao mesmo tempo, nunca em sua vida iria com James. Sabia também que provavelmente rejeitaria todos os caras que tentassem convidá-la, então uniu o útil ao agradável.
- Então tudo bem. - levantou as mãos se rendendo.
Remo se encolheu um pouco, sem perder a postura porém claramente murcho; suas chances tinham ido para o ralo, e ele se sentia tão para baixo quanto o próprio James agora. Ele se preparou para ajeitar as coisas em sua mochila, vendo que todos ali estavam prontos para sair também; pegou seu livro em cima da mesa e estava prestes a colocá-lo na mochila.
que estava completamente alheia esperando que Lilly e James terminassem de discutir a respeito do convite e tão concentrada nos movimentos sutis e honestos de Lupin, acabou por ser derrotada pela sua curiosidade e leu o nome do livro.
- Ah, você também tá lendo O Morro! - ela disse parecendo animada e aparentemente calando sua amiga e o resto dos marotos, que agora olhavam com uma cara engraçada e maliciosa para Lupin, principalmente Sirius, que tinha essa expressão por natureza;
- Na verdade eu ainda nem comecei - ele riu de leve, colocando o livro na mochila e se levantando. Foi na direção dela e eles continuaram a andar, saindo do salão comunal, juntos; Lilly foi pêga de surpresa por Marlene e Donna e acabou indo logo atrás deles, seguida pelos marotos, formando então uma fila: e Lupin, Lilly, Donna e Marlene e os marotos.
- Acho melhor nem falar sobre, então. Vou acabar te contando o final sem querer.
- Tudo indica que eles vão morrer, mas por favor não me fala se eu estiver certo.
- Tá bem. - ela riu, colocando o cabelo atrás da orelha. Ele podia notar bem nisso, naquele tipo de movimento sutil que ela tão naturalmente fazia, mesmo sem saber que era extremamente atraente e de certa forma, apaixonante e provocativo; James e Sirius trocavam olhares entre si, olhando para os dois.
Eles conversavam sobre o livro, e Lupin parecia usar sua genialidade o tempo inteiro. Para seus amigos, ele tentava impressionar a garota em vão; se tratava de , ela não se impressionaria por qualquer coisa. Entretanto, aquilo já era um avanço para o garoto.
Subiram as escadas juntos enquanto Lilly e Donna conversavam sobre o acontecido da tarde; Donna parecia tentar se desculpar, e Lilly repetia pela milésima vez que estava tudo bem e não queria se lembrar daquilo. Por fim, ela deu graças por finalmente chegar na sala comunal onde todos faziam diversas atividades diferentes e Donna acabou por se distrair indo conversar com Alice Longbotton e ligar a vitrola. Ela tirou um disco de festa e foi prontamente aplaudida pelos alunos que começaram a dançar ou no mínimo balançarem no ritmo da música.
Eram as primeiras semanas de aula e os bruxos e bruxas ainda estavam em posições confortáveis quanto a suas notas e as aulas, então o momento era oportuno para aquele tipo de reunião. Lilly e não pensavam assim. Elas achavam melhor se garantirem no início, assim depois só precisariam revisar para ter suas perfeitas notas nas provas finais. Os marotos se reuniram no sofá do canto, perto da escada; aquele ponto praticamente pertencia à eles, visto que sempre estavam ali. Quando algum outro grupo ousava se sentar, eles os importunavam até que liberassem o lugar, mas não era usual qualquer um tentar se apossar do canto deles.
Enquanto Donna e Alice pareciam folhear algumas revistas que falavam sobre a introdução de uma cantora bruxa no mundo trouxa, Cyndi Lauper, e Marlene conversava com Almofadinhas, Lilly puxou sua fiel escudeira para a janela. Costumavam se sentar no parapeito e ficarem por ali conversando e trocando confidências.
- . - Lilly olhou nos olhos da amiga. - você pode me dizer, sabe disso, né?
- Do que tá falando?
- Você sabe...
levantou as sobrancelhas confusa. Não sabia se a ruiva se referia ao segredo de Marlene; talvez a própria loira lhe tivesse dito, ela não sabia. Preferiu não comentar sobre. Talvez estivesse voltando a bater na tecla anterior, falando sobre os olhares suspeitos de Remo... ela não compreendia, o que chegava a ser esquisito; geralmente, elas reconheciam o olhar uma da outra há milhas de distância.
- Na verdade eu não sei não, Lilly.
- Caramba, ! Draykmova e você, no baile?! Por que não me disse? pareceu engasgar com a própria saliva, pois não estava bebendo nada para se engasgar. Ela começou a rir um pouco e ficar vermelha pelo fato de ter se engasgado, e logo se recuperou, respirando fundo.
- É sério, , se eu soubesse que ele ia te convidar eu não teria falado aquilo lá na mesa... aliás, não precisamos ir juntas mesmo, você sabe, eu só queria fugir do Potter. - ela disse baixinho para que o garoto não as ouvisse.
- Lilly - sussurrava de volta. - eu mal sei quem é Draykmova. Ninguém me convidou para o baile!
Lilly tombou a cabeça como se fosse uma surpresa para ela. Era realmente curioso que tivesse ouvido Donna comentar sobre o novo campeão de Durmstrang almejando , e intencionando convidá-la para o baile; ela jurava ter estragado o par, mas pelo visto nada daquilo acontecera. O que mais a impressionva, entretanto, era que ninguém tivesse convidado a amiga; era uma das se não a garota mais bonita do colégio, de acordo com a ruiva e também com os garotos. Todos eles dariam tudo para ir ao baile com ela, então era de extrema esquisitice para Lilly que nenhum deles tenha tido a coragem para convidá-la.
Talvez pensassem que já tinha sido convidada, ela pensou.
- Bem, eu acho que estraguei a surpresa dele então. - riu.
- Eu não vou aceitar.
- Como é? - Lilly olhou para ela abismada, seus olhos arregalados fizeram rir um pouco e então voltar a olhá-la com seriedade ao ver que a amiga não mudara sua expressão de completa surpresa.
- Quero ir no baile com você.
- Comigo?! Jamais desistiria de ir no baile com o campeão de Durmstrang só porque sua amiga está indo sozinha!
- Indo sozinha por opção, vale ressaltar, né, srta. Evans? James te convidou, e mais uns três garotos da lufa-lufa e da corvinal também convidaram. Não fale como se estivesse indo sozinha porque ninguém te quis.
- Iria com Severo. - ela admitiu - mas ele não vai ao baile.
- É compreensível. Se pensar direito, ele não tem nada pra fazer lá; os marotos só o ridicularizariam mais, e Donna também...
Lilly revirou os olhos ouvindo o nome da amiga. Apesar de serem tão próximas de Donna, elas sabiam que a garota podia ser desagradável quando queria.
- Eu juro que não entendi.. mas espere, isso não importa agora. Não foi por mim que você desistiu de ir ao baile com Draykmov.
- Quantas vezes vou ter que dizer que ele não me convidou?! - ela disse olhando a amiga começar a rir.
- Mas vai, e você vai aceitar!
- Não vou, Lilly!
- E por quê?!
- Já disse, vou com você!
- Isso não pode ser verdade! Você é louca, louquinha! - ela olhou para com as mãos no rosto e desviou o rosto. Olhou para o lado dos marotos e de relance viu Lupin, concentrado em seu livro enquanto o resto de seus amigos parecia engajar em um assunto interessantíssimo com Marlene; ela viu os cabelos castanhos-claro quase loiros do garoto se erguerem junto a seus olhos. Ele deu um sorriso gentil para ela que devolveu e então se voltou ao seu livro novamente. Lilly olhou para , que parecia olhar para o lado contrário, mas ao vê-la olhando para si, retribuiu. - eu entendi agora.
- O que? - a olhou confusa se ajeitando no parapeito.
- Você quer que ele te convide, não é?! Se ele convidasse, você aceitaria! Ah, eu preciso dar um jeito nisso!
- Lilly, do que você tá falando?!
- Remo, garota, é claro! - ela disse baixo segurando a mão da amiga. suspirou olhando para cima e se voltando para a amiga com um sorriso engraçado.
- Lírio, entenda, por favor. Eu vou com você, ok? Última vez.
Lilly suspirou olhando para ela com certa dor e resmungando, aceitando o que disse. olhava para fora, onde o céu escuro parecia abrigar uma lua pela metade. Era linda e perfeitamente visível dali; ela amava ver os campos de Hogwarts dali, principalmente no inverno. A neve branquinha parecia uma grande cama onde a lua até mesmo refletia. Era o astro do qual mais gostava, a lua. Era tão pura, celestial e serena, que se sentia completamente apaixonada por ela toda santa vez que observava a luz azul que iluminava todo o colégio na lua cheia.
Perdida em seus sentimentos, pareceu não notar dizer:
- Ele não me convidaria, pra ser sincera.
Aquilo despertou a curiosidade de Lilly, que pareceu avaliar o rosto da amiga. Ela se sentou em perninhas de índio, segurando os próprios pés e olhando para os olhos cinzas de que refletiam um semicírculo perfeito. Ela sabia que Remo era tímido e reservado, e tinha lá seus motivos, por mais que desconhecidos. Acreditava talvez em uma criação difícil, mas como seu contato com ele era diminuto, não era capaz de dizer. Talvez pudesse pedir à James para convencê-lo? Não, não. Potter não. E quanto a Black, ou Peter?
- Podemos dar um jeito nisso, sabe?
- Não, Lilly. - ela sorriu sem graça. - não mesmo. Não costumamos dizer que nos completamos? Por que eu precisaria dele, ou você de algum outro cara? Vamos ao baile juntas.
A ruiva sorriu abraçando sua amiga.
- Se vai ao baile comigo, então precisa ir comprar vestidos comigo também. Precisamos combinar, garota!
- Eu ouvi comprar vestidos? - Donna gritou do outro lado da sala, chamando a atenção de todos presentes. e Lilly começaram a rir e desviaram o olhar; os garotos pareceram imediatamente animados ao ouvirem que se tratava das duas.
- Posso te ajudar a escolher o seu, ? - disse um garoto que jogava xadrez com Peter.
- Pergunte à minha namorada.
- Não pode. - Lilly adiantou a resposta fazendo todos os presentes rirem. Donna aumentou a música parecendo incrivelmente feliz por saber que iriam juntas comprar vestidos, e o disco surpreendentemente começou a tocar I Wanna Hold Your Hand, dos Beatles. Lilly olhou para como se pedisse desculpas infinitas por abandoná-la, mas foi dançar junto com as garotas que já o faziam. Não podia culpá-la, afinal, era a sua música preferida.
notou que todos ali pareciam se divertir naquele instante. Pareciam conectados com o fato de ser o início do ano, e a felicidade reinava por ali; mas não Lupin. Em fato, ele até parecia se divertir, mas era diferente demais dos outros para dançar ou cantar alto a música. Ela podia notar que ele fazia constantes anotações em seu caderno e dividia seu tempo entre elas e olhar para seus amigos que gritavam para ele, sorrindo rapidamente. Às vezes, ele ameaçava olhar para o lado dela e ela imediatamente desviava para a janela novamente. Sorriu sozinha vendo que ele batia seus pés no ritmo da música; era a única forma de identificar que ele de fato se divertia.
Ela deixou de olhá-lo quando viu que Black o puxava consigo para uma "dança". Eles imitavam um tipo de valsa, e agora todos ali presentes exceto por ela estavam contagiados pela música; ela não negava que até gostava de dançar, mas naquele instante se sentia indisposta e a confusão e a gritaria incomodavam seus ouvidos. Ela pegou sua mochila e subiu as escadas para os dormitórios, deixando que todos se divertissem e extremamente feliz por saber que eles estavam se divertindo. Abriu a porta de seu quarto, que dividia com Lilly, e jogou a mochila na cama. Deixou a porta aberta, pois apreciava a música e queria ouvi-la mesmo que um andar acima; olhou de relance para o seu violão, pensando que talvez pudesse tentar tirar aquela cifra, mas por ora desistiu. Decidiu pegar seu caderno e tentar estudar enquanto a música tocava.
Ela lia, lia, lia e não conseguia absorver informação alguma. Notou que a vitrola parou, porque aparentemente eles estavam trocando de disco. Tentou fazer algumas anotações que lhe fossem ser úteis mas ela sabia que naquele instante, sua distração era outra.
se culpava por ser meio introvertida às vezes. Ela gostava muito de se divertir assim como todos, apreciava música e também não tinha nada contra a dança ou aquele tipo de festinha adolescente, mas às vezes o isolamento era quase um impulso natural. Sentia a necessidade de se reservar, e agora era um desses momentos. Ela os odiava, pois sentia que não tinha absolutamente nada a ver consigo estar tão quieta e distante enquanto todos pareciam ligados. Ela parecia um satélite fora de órbita.
Deistiu de estudar quando notou que sua pena agora traçava desenhos ao invés de letras e nenhuma matéria estava sendo aprendida ali. Ela ouviu os acordes iniciais de Wish You Were Here, do Pink Floyd, tocando. Aquele foi o gatilho para que decidisse pegar o seu violão.
Era um aparato que todos acreditavam ser de origem trouxa, mas poucos sabiam que de fato havia sido inventado por um bruxo. Era uma curiosidade que sempre se lembrava ao pegá-lo.
Fazia um bom tempo desde que tocara pela última vez, mas ainda assim não parecia tão enferrujada. Wish You Were Here era uma música que ela amava com todas as forças, e sabia tocar desde que se entendia por gente. Ela se sentou em sua escrivaninha, acompanhando o toque inicial.

- x -

os marotos

Lupin se desvencilhou de Black assim que viu que trocavam o disco na vitrola; ele se ajeitou, rindo um pouco mas incomodado. Aquela multidão não era muito o seu tipo, para ser sincero. Ele viu que seus amigos tão envolvidos na multidão, Black e Marlene que dançavam juntos, James, que procurava se aproximar de Lilly, e Peter, envolvido no jogo de xadrez, não poderiam notá-lo se esgueirando para fora. Aproveitou sua chance e juntou suas coisas, subindo as escadas. Ele se arrependeu por um instante por ter decidido subir quando começavam a tocar uma de suas músicas preferidas, mas não desistiu da ideia de ir para o seu quarto. Andou um pouco até que começou a ouvir os acordes de violão vindo do dormitório de Lilly e .
Ele, por sinal, sabia que a garota não estava mais lá embaixo.
Lentamente se aproximou da porta, que estava aberta; via a garota tocar um violão, acompanhando a música que ele quase não podia ouvir mais. Ela estava de costas, sentada em sua cadeira, de frente para a janela e muito focada no violão para notá-lo. Ele não pôde segurar o pequeno sorriso que se formava em seu rosto quando se apoiou discretamente na porta com os braços cruzados, determinado a ouvir.
A garota começou a cantar os primeiros versos da música, acompanhando a vitrola. Os olhos dele estavam fixos em seus cabelos negros e ondulados mas pareciam poder atravessá-la, sem dúvida. Ele sabia que estava de olhos fechados e tão concentrada ali quanto podia, porque tudo o que vinha dela era intenso e tudo o que era intenso o afetava.
Assim que os primeiros versos acabaram, uma briga se iniciou no andar de baixo e a música repentinamente parou. Então, ela pôde ouvi-lo acidentalmente mexer a porta e se virou para trás parecendo assustada.
- Desculpa, eu não queria te assustar. - ele riu.
- Tá tudo bem, eu não assustei. É só que eu não esperava por isso. - riu de volta.
- Achei que eu fosse o único que não se dava tão bem em multidões por aqui. - ele disse, entrando com a permissão dela e se sentando na cama dela, olhando-a agora sentada de lado na cadeira com o violão na mão. O coração dele palpitava.
- Bem, não está sozinho, Remo. - ela riu de leve. - mas se quer saber, você parecia se divertir bastante lá embaixo.
- Eu me divirto - ele começou, olhando para a janela e tremendo ao se lembrar do luar. - mas não dura tanto quanto as noitadas do Almofadinhas ou qualquer bom humor de James.
- Eu te entendo. Não sou muito boa em lidar com as pessoas às vezes. - ela disse olhando para o céu através da janela.
- Elas não parecem se importar, na verdade, todos são tão.. apaixonados por você, eu diria...
- Bobagem - ela riu - só gostam do que vêem. O que tem aqui dentro é muito mais complicado do que um rostinho bonito, não concorda?
- Eu não saberia dizer. - ele disse sorrindo com a afirmação dela. Ela o olhou por um segundo devolvendo o sorriso, e então o silêncio se instaurou por talvez um minuto até que ele retomasse algum assunto. - eu não sabia que você tocava.
- Ah, muito mal. - ela riu. - mas eu tento. Meu pai é músico, todo ano ganho algum instrumento que não sei tocar de natal.
- Eu ganho meias. Quem acha que tá pior? - ele riu e ela acabou por rir também.
A música se restaurou no andar de baixo e voltou a encher os ouvidos deles, cada vez mais perto do refrão. Ele a olhou ansioso como se esperasse algo.
- Você não vai continuar?
- Só se você cantar comigo - ela riu um pouco envergonhada, porque nunca tocara para ninguém. Ele sorriu, pois nunca havia cantado para ninguém também, mas se a ouviria cantar novamente, aquilo valeria a pena.
- Tá bem.
Eles continuaram o refrão juntos, letra por letra; a voz dela se soprepunha quanto à dele, porque ele próprio não se achava um bom cantor e cantava baixo. Ela tampouco cantava tão melhor do que uma amadora, mas tinha uma voz bonita e ele sabia que tinha potencial para o canto; eles evitavam olhar um para o outro, e ambos riam entre as palavras, porque sabiam que a vergonha seria maior do que tudo no final; quando finalmente tirou as mãos do violão porque a música acabara, começou a rir e ele a acompanhou. Ela deixou o violão de lado porque não achava que sua dignidade a permitira cantar mais uma vez.
- Minha nossa - ele disse ouvindo alguém cantar a música que iniciara absurdamente mal no andar de baixo - pelo menos eu não tava cantando assim, por Merlin...
- Você canta bem, só que você me deixou fazer o trabalho todo sozinha, né? - ela respondeu rindo. - cantou tão baixinho que nem se eu parasse de tocar eu ouvia.
- Tá, foi mal - ele riu também.
o olhou enquanto ele se levantava. Era um garoto realmente alto e extremamente bonito; estava convencida de que as garotas não olhavam para ele por questões internas, ou talvez porque era tímido e retraído e por isso pensavam que ele seria uma má companhia. Não podia dizer que desde os outros anos não pensara nem por um segundo que Remo Lupin era muito estranho, mas sempre pôde notar que a professora McGonagall possuía extrema compaixão por ele, o que a convencia de que ele merecia mais credibilidade do que seu estranho costume de se trancar em seu quarto por dias a fio.
Ele pegou sua mochila e deu uma última olhada pela janela antes de começar a andar na direção da porta. Ela não queria deixá-lo ir, mas não podia convencê-lo a ficar, também, porque aquilo iria contra todos os seus princípios e também sua dignidade, amassada e destruída no chão naquele instante. Mas sabia que não podia deixá-lo sair sem dizer nada, nem sequer um "te vejo depois".
- Você começou a ler? - ela perguntou se virando para ele, ainda sentada. O olhava por cima do encosto da cadeira, e viu ele lentamente se virando com um sorriso culpado.
- Eu comecei, mas não li quase nada. - disse com uma cara de cachorro abandonado que fez ela rir e consequentemente, ele também.
- Eu te perdôo, mas é sério, precisa ler logo. É um clássico!
- Você é tão fã assim de romances, ?
- Na verdade, não costumo gostar muito deles. - ela disse pensativa. - acho que é por isso que recomendo tanto esse em específico. Porque gostei muito, o que é raro.
- Bom, ok. Eu vou pro meu dormitório antes que a Minerva pire com a gente. Te vejo depois, ?
- , por favor. Eu odeio esse sobrenome - ela riu de leve - sim, até amanhã.
- Até, . - ele sorriu e saiu fechando a porta atrás de si.
suspirou; sabia que talvez fosse bobagem, mas sua cabeça não a permitia pensar em nada além daquilo: talvez Lilly tivesse razão. Talvez Lupin realmente a olhasse diferente; ela queira saber até onde o interesse dele se extendia, e mesmo sabendo que a falta de atitude dele era consequência de sua timidez, sabia que havia alguma forma de forçá-lo a se mostrar por completo. Sabia que se esqueceria de tudo aquilo pela manhã, quando acordasse convencida de que ele na verdade só tinha parado por ali porque a ouviu cantar e decidiu cantar junto, mas ainda assim, o pensamento valia.
Ela caiu no sono antes que Lilly decidisse subir, porque sabia que seu olhar a entregaria e ela seria forçada a contar tudo aquilo para a amiga. Decidiu guardar segredo por enquanto, já que não sabia nada sobre as intenções dele.

- x -

- , acorda logo! - Donna dizia sacudindo o colchão da menor. Lilly estava sentada na cama junto com e tentava acordá-la balançando seu corpo; Marlena ajudava Donna a mexer o colchão com sua varinha.
se sentou na cama, fazendo com que todas parassem e começassem a rir. Seus cabelos, completamente bagunçados; seu rosto um pouco inchado e a cara de sono a tornavam uma ótima recém-acordada.
- Eu te odeio tanto, garota - Marlende disse olhando-a com um falso desgosto - mesmo acabando de acordar você é maravilhosa!
- O que vocês querem? - disse no mínimo ríspida, fazendo com que todas se entreolhassem com uma expressão de surpresa. Naquele dia, as aulas haviam sido suspendidas pois ajustes acerca do torneio tribruxo vinham sendo feitos. Elas sabiam que as aulas nunca seriam suspendidas por essa razão, e que Minerva havia convencido a Dumbledore de que as garotas precisavam de um dia livre para comprar suas roupas para o baile de Inverno;
Lilly olhou para elas falando baixo que sempre acordava com um péssimo humor. Disse para Donna controlar sua boca, ou ia provavelmente levar um soco; Marlene suspirou se sentando com um sorriso no rosto ao lado da amiga em sua cama.
- Vamos comprar vestidos. - ela sorriu exultante. - e você vai.
- Que loja vai estar aberta agora de manhã, suas otárias? - ela disse rindo e esfregando os olhos.
- São duas da tarde, toma vergonha na cara ! - Lilly disse caindo na risada, as outras a acompanharam. - levanta daí logo ou eu te forço.
- Eu não vou. - ela se deitou virada para o outro lado e então foi puxada por Marlene e forçada a se levantar; ela não parava de rir enquanto suas amigas a arrastavam para o andar de baixo, mesmo de pijama. Todos estavam distraídos com atividades rotineiras, e nenhum aluno estava de uniforme, mas o pijama de certamente chamou a atenção de todos; era uma regata preta e uma calça estampada, sem contar com sua pantufa. Sua cara era engraçada também, porque ao mesmo tempo que irritada, ela estava com sono;
- Olha, se não é a bela adormecida! Arrisco dizer que fica mais linda ainda com esse visual selvagem, - disse Jasper, o mesmo garoto do xadrez do dia anterior. O mais impressionante é que ele falava sério.
o ignorou e começou a andar em direção à cafeteira mágica - um item maravilhoso desenvolvido pelo próprio Dumbledore. Um barril aparentemente comum com uma torneira e uma pequena alavanca; nela, podia decidir se desejava café ou capuccino. Deixando Jasper para trás, pegou uma xícara de capuccino e se jogou sentada no sofá onde mais ninguém estava. Viu um prato na mesinha de centro que tinha alguns pãezinhos.
- O que é isso? - ela pareceu interessada.
- Nós trouxemos pra você - Marlene sorriu. - sabíamos que você ia virar canibal e comer a gente se saísse sem comer, então... - ela disse indo na direção dos marotos, que estavam sentados em bando em seu ponto usual como sempre. Eles assim como os outros observavam rindo a confusão com , e então Black se concentrou em sua garota.
- Come logo, a gente tem que sair rápido. - Donna disse alertando-a e indo para fora da sala comunal. Lilly se sentou ao lado de sua amiga.
- Ouvi os marotos glorificarem Remo por alguma coisa ontem - a ruiva disse olhando-a curiosa - algo sobre uma garota...
- Não era eu - ela disse de boca cheia - uma pena.
- Não minta pra mim, ! Você nunca dorme antes de eu chegar!
olhou para ela com uma cara meio fechada meio analítica, deu de ombros e engoliu seu pãozinho terminando de beber rápido seu capuccino.
- Eu tô pronta, vamos logo? - ela deu um sorriso forçado que convenceu a Lilly de que a garota era ela e ela não queria dizer, e então a ruiva sorriu para ela maliciosamente, ignorando o pedido.
- Claro. - ela disse, de um jeito engraçado. - Marlene, xispa daí.
- Meninas, sabe o que é? - Marlene sorriu sem jeito - o meu par é o Black. Seria legal se ele pudesse ir com a gente, né?
- Não, porque aí não ia ser segredo - disse coçando a cabeça.
- Essa é uma tradição de casamentos, garotas. Eles podem ir com a gente? - Marlene sorriu. Lilly parecia pronta para dizer não mas foi interrompida por uma indiferente:
- Podem, tanto faz. - ela se virou na direção da porta. Lilly a olhou revoltada fazendo com que ela risse.
- O que?! - a ruiva sussurrou - por que fez isso?
- Desculpa, foi automático, eu juro - ela riu e acabou fazendo a amiga rir também.
- Você é ridícula.
Os dois grupinhos andaram juntos para fora do colégio, na direção de Hogsmeade, onde a loja da madame Linton estava aberta e abarrotada de gente. Inúmeras garotas procuravam por vestidos naquele dia, aparentemente uma promoção havia sido instaurada graças ao recesso de Hogwarts. No fundo da loja havia uma linha cheia de provadores com opções mágicas: o espelho poderia dar ou não sua opinião acerca do vestido que provava. Donna foi a primeira a sair recolhendo o máximo de vestidos possível e entrando em um dos provadores, deixando a mágica do espelho ativa. Estava no último provador da direita, fazendo com que os marotos se sentassem em um dos bancos de aguardo que tinham por ali; Marlene olhava alguns dos vestidos que voavam de um lado para o outro da loja e os da vitrine mas não parecia tão interessada em nenhum. Era uma garota alta, um verdadeiro corpo de modelo, cabelos castanhos que refletiam um louro maravilhoso no sol; foi a primeira a agarrar um dos vestidos flutuantes e entregar para ela. Um vestido verde, comprido, com um bico de sereia no final; era tomara-que-caia e tinha algumas anáguas na cauda de sereia aberta e rodada, cravejadas com algumas pedras baratas porém encantadas para brilharem muito.
A escolha agradou a amiga e ela entrou no provador ao lado do de Donna. Lilly, a esse ponto, já tinha talvez três ou quatro vestidos em mãos e nenhum provador. Não queria ir ao lado de Marlene pois assim estaria perto também dos marotos, e tal ideia não lhe agradava.
- Tá bem, vamos pro outro lado então. - a arrastou consigo para longe deles. James pareceu fuzilá-la com o olhar, e ela notou.
- Sinto muito, Potter, mas não vai ser hoje que você vai ver o vestido do meu par antes de mim - ela riu e enfiou Lilly em um provador um pouco mais afastado. Eles ainda conseguiam vê-las, mas não tão bem. Enquanto Lilly experimentava os vestidos, continuava olhando as araras em busca de algo que julgava perfeito para a ruiva; encontrou um vestido de seda azul bebê que seria a combinação perfeita e entregou para ela por cima do provador, se sentando no banco à frente e esperando. Batia os pés no chão quando viu Marlene sair explêndida de seu provador. A loira a olhou sorrindo feliz e agradeceu pela escolha.
Donna, por outro lado, parecia ter mais dificuldades do que as outras para escolher seu vestido. Ela provava inúmeros mas não sentia que nenhum deles era perfeito; não queria se intrometer pois sabia que qualquer vestido que tocasse, a amiga não vestiria.
Lilly por fim saiu de seu provador, mais linda do que o próprio sol.
- Caramba, todos os garotos do colégio vão sentir tipo, muita, mas muita inveja de mim - riu - você tá maravilhosa Lilly!
A ruiva a abraçou feliz. James olhava para ela de longe e comentava o quanto podia com seus amigos, mas infelizmente não pôde dizer nada a ela pessoalmente.
- A realmente me dá muita raiva às vezes, mas ela tem um bom gosto... - James suspirou vendo sua amada vestir um dos vestidos mais bonitos da loja, sem dúvidas.
- Cuidado meu querido Pontas, nosso Aluado pode ficar bravo caso você a chame assim tão intimamente. Já esqueceu que é só pros mais chegados, tipo ele?
- Boa observação, Almofadinhas. - ele sorriu malicioso para o amigo que revirou os olhos e deu um tapinha neles.
- Ao menos posso chamá-la pelo primeiro nome...
- Não sei do que tá falando, só chamo minha Lene de Lene. - Black disse levantando as mãos em redenção. - James?
O garoto suspirou revirando os olhos e olhando para eles com uma raiva engraçada nos olhos. Potter insistia em chamar Lilly pelo primeiro nome, o que a irritava profundamente; ela, por outro lado, nunca em hipótese alguma se referiria a ele como James. Era uma questão tão constante que havia se tornado um tipo de brincadeira entre os amigos.
- Nós devíamos encontrar alguém pra convidar aqui. Não podemos ir no baile sozinhos, seria humilhante demais até pra nós. - James disse olhando ao redor.
- Mal vou ao baile. - Lupin bufou.
- Você vai sim, seu otário - Sirius o olhou revoltado - e não adianta dizer o contrário.
Naquele instante, era arrastada por Lilly e Marlene até algumas araras, mas ela parecia recusar todos os vestidos que lhe eram apresentados.
- Ih. - James coçou o queixo - sua gatinha é curiosa, Aluado.
- Talvez ela não queira experimentar nada justamente porque a gente tá aqui, né?
- Ela foi a primeira a concordar - Sirius pareceu analítico. - apesar de ter feito isso pela Lene.
- Acho que ela só não quer mesmo. - Peter disse se intrometendo na conversa e recebendo o olhar de desaprovação de todos, então, se retraíndo e voltando ao estado de silêncio inicial.
Lilly empurrou três vestidos nas mãos de e ela foi arrastada por Marlene ao provador onde começou a experimentá-los. Os garotos podiam ver um por um dos vestidos ser jogado por cima da cortina do provador. Então, Lilly pareceu extremamente chocada e chamou Lene, que concordou com ela; elas jogaram um vestido preto.
vestiu e ficou alguns instantes se olhando no espelho. Eles a ouviram dizer:
- Eu não sei...
- Sai daí - Lene disse, tentando subir nas paredes do provador - ou eu te tiro a força, ! Sai daí logo!
- Mas é que..
- Sai logo! - Malene e Lilly disseram em uníssono e então saiu.
Seu vestido era grande e rodado. Era preto, algumas penas em cima; descia com detalhes cravejados até a barra, no chão. Tomara que caia também.
Ela se olhou no grande espelho da loja enquanto Marlene e Lilly maravilhadas ergueram seus cabelos em um coque alto para ter uma noção do vestido com um penteado. Lupin suspirou.
- Isso nem devia ser permitido... - ele se levantou - alguém ser tão linda assim.
- Vimos uma declaração alegada, você ouviu isso querido Almofadinhas?!
- Mas é claro, Pontas! Ouvi muitíssimo bem!
- Parem com isso, eu tenho que ir - Lupin parecia confuso. Ele colocava as mãos na cabeça recorrentemente e estava levantado e pronto para ir embora. - e eu também não vou ao baile.
- Qual é, para com isso, cara - James o olhou confuso. - senta aí, por que tá querendo ir embora?! E por que não vai ao baile?
- Olha pra ela, James!
- E daí, cara? Ela vai com a amiga dela, não com outro cara!
- É quase lua cheia - ele engoliu em seco e então todos se calaram. - sabem que eu não sou muito bom em controlar... isso. - cuspiu a última palavra.
James olhou para Peter e depois para Sirius e eles suspiraram, enquanto o garoto de óculos tentava pensar em algo. Ele respirou fundo e segurou o ombro do amigo fazendo com que se sentasse novamente.
- É quase, mas não é lua cheia. Você consegue controlar, sabemos que mal pode se transformar antes da lua cheia. - James deu um sorriso amarelo - só precisa se acalmar. Esse baile é sua maior chance.
- Fala sério que você ainda acha que ela não tá afim de você mesmo depois de ontem. - Sirius disse, olhando-o com malícia. Lupin acabou por rir acerca das afirmações dos amigos e concordar com eles, como o usual.
Os garotos viriam a mais tarde comprar seus trajes também, com exceção do próprio James que já tinha sua roupa formal enviada pelos pais. No geral, eles não se encontraram mais com as meninas naquele dia em específico.

- x -

Lilly e se arrumavam em seu quarto. A ruiva havia prendido os cabelos da morena em um coque frouxo, com alguns fios de cabelo rebeldes que saíam para fora e duas mechas na frente; ela adicionava algumas pequenas presilhas brilhantes que acompanhavam o brilho da barra do longo vestido preto que compraram há alguns dias antes, na visita a Hogsmeade que fizeram com os marotos.
obsevava o pingente do colar que usaria naquela noite; era um pingente de lua, sua mãe havia enviado há muitos anos, em seu aniversário. Era cravejado com algumas pedrinhas, o que o tornava extremamente especial, usado apenas em ocasiões extremamente especiais. Elas podiam ouvir os sons vindos da escadaria onde diversas garotas desciam deslumbrantes aguardando por seus pares; colocou o colar enquanto Lilly adicionava brilhantes em seu cabelo e passou seu gloss transparente; sua boca extremamente marcante já era o suficiente como um batom.
- Você tá deslumbrante. - Lilly disse cheia de orgulho.
- Já se olhou? Você também tá incrível.
- Nós estamos prontas, certo? Pode só me ajudar a escolher uma cor?
olhou as opções de batom que a ruiva mostrava. Acabou por escolher um vermelho escuro, que contrastaria muito com seu vestido branco. Após terminar, Lilly deu o braço à amiga e elas riram, pois seriam o casal mais engraçado daquela noite, e se prontificaram a descer.
Bateram algumas vezes na porta de Donna e Marlene, e as duas saíram após grande insistência. Estavam igualmente maravilhosas: Marlene usava seu cabelo preso de lado, os fios lisos loiros desciam como uma cascata pelo seu ombro direito, e Donna usava os seus completamente soltos. Ela havia sido convidada por um garoto de Durmstrang e estava exultante para encontrá-lo.

os marotos

Os garotos estavam prontos em pé na ponta da escada. Sirius esperava Marlene, Peter também havia convidado uma lufa-lufana mais nova; James e Lupin acabaram por surpreendentemente irem sozinhos. Era lua minguante, um dos maiores motivos pelos quais os marotos precisaram forçar Remo a decidir ir ao baile; ele olhava com tremor para a lua pela metade no céu do salão comunal, encantado para replicar o céu lá fora.
- Não se preocupe. Você é maior que isso. - James deu um tapa em suas costas e o garoto assentiu ajeitando seu terno um pouco encolhido.
- Não fique tão tenso, é só um baile! - Sirius sorriu - sua garota vai tar maravilhosa, e você também tá gatão, então só relaxa!
Peter deu um tapa no moreno e fez com que ele se atentasse à escada. Marlene e Donna desciam sorridentes e deslumbrantes; Donna ia para o lado contrário, mas acenou para eles antes, e Marlene desceu direto nos braços de Sirius que segurou as mãos dela olhando-a como o maior bobo apaixonado do mundo, fazendo seus amigos revirarem os olhos.
James o olhou com desgosto até ver Lilly descendo as escadas. Seu vestido se arrastava por suas curvas a cada degrau que descia, e ele suspirou virando-se para o outro lado causando risos em seus amigos.
- Qual é, Potter, não vai apreciar o que é belo? - Marlene disse rindo.
- Não enche, McKinnan - ele suspirou - não enche!
- Por sinal, cadê a ? - Sirius disse olhando confuso para Lilly que descia sozinha. - Ei, Evans! Cadê seu par?! - ele gritou. Lilly se virou para trás igualmente confusa e começou a procurar com os olhos. Nenhum sinal de era visto;
Ela subiu alguns degraus e chamou pela amiga e logo uma apressada apareceu, segurando seu vestido e descendo as escadas descalça. Quando chegou perto da ruiva, ela soltou o vestido que até levantou poeira e ajeitou seu cabelo, dando o braço para a amiga.
Remo respirou fundo olhando para James, que estava igualmente vidrado. Era uma coincidência absurda que logo eles dois tenham ficado sozinhos, e logo elas duas tenham ficado juntas por falta de opção. Ele se sentia culpado por não ter convidado para o baile, porque ele jurava, ela era a garota mais linda que já havia visto na vida, e ele não conheceu uma sequer boca que fosse tão aproximada do escarlate por natureza quanto a dela; e ele também podia jurar que nunca havia sido tão provocado por alguém sem a pessoa nem sequer falar com ele. Nunca.
Seu amigo riu para ele vendo o estado em que se encontrava.
- Vocês tão muito Thelma e Louise! - Marlene gritou fazendo uma cara chocada para as amigas. riu dando um tapinha nela.
- Sinto muito Potter, pelo menos nessa noite eu roubei seu par - ela disse piscando para eles com um olho e seguindo em frente enquanto Lilly parava ao lado de Lupin e cochichava no ouvido dele:
- E, tecnicamente, eu roubei o seu, né? - ela sorriu e voltou ao lado de . Os garotos se entreolharam enquanto Sirius, Peter e Marlene riam alto. Assim que o menor se encontrou com sua lufa-lufana, eles seguiram para o salão.
As garotas de um lado e os garotos do outro, como qualquer clichê dita, foi premeditado: os marotos localizaram as meninas conversando em certo ponto da festa e se estabeleceram do outro lado, porém com um ângulo bom e uma plena vista delas. Lupin segurava o mesmo copo há um bom tempo embora James constantemente empurrasse algo para ele se acalmar. Sentia um calor descomunal e algo parecia forçar sua garganta às vezes, então constantemente ajeitava sua gravata em busca de ar; ele não podia deixar de olhar para nem por um segundo sequer, já que a garota, de costas, constantemente voltava seus olhos penetrantemente cinzas para o lado dele e sorria dizendo algo para suas amigas, que também o olhavam depois disso. Ele suspirava fechando seus olhos por alguns segundos tentando recompor sua consciência.
Quando estava próximo da lua cheia, seus sentidos aumentavam e cada centímetro de seu corpo era mais animal do que humano; ele quase não podia controlar sua vontade quase que instintiva de ir até sem pensar duas vezes. James notava as dificuldades do amigo, mas nã oparecia ter interesse algum em impedi-lo, caso o fizesse. Ele notava nos olhares das garotas.
se dispersou do grupo por um instante, já que Lilly havia sido convidada por um garoto para dançar, Marlene estava vindo até Sirius e Donna mal se mostrava por ali. Ela observou a amiga ruiva por uns instantes e então jogou mais um olhar para Remo, bebendo um pouco mais de seja lá o que fosse que estivesse em seu copo e saindo.
Sem dizer nada para ninguém ou avisar a algum de seus amigos, Lupin saiu dali. Ele acompanhava os passos dela do outro lado do salão, e não tirava seus olhos dos dela, assim como ela não tirava os seus do dele. Quando notou perdê-la no meio da multidão, só foi encontrá-la novamente mais a frente, saindo do salão e indo na direção do corredor aberto para o campus; ele foi atrás dela.
dava passos rápidos e às vezes corria rápido, tentando-o a ir atrás dela; ela sorria olhando para trás vendo que conseguia o que queria, e então na primeira encruzilhada, se escondeu atrás da parede. Ele novamente instintivamente ficou parado. A esse ponto, nem se esforçava para recobrar a consciência que se lembrava de ter tido um dia; quando ela saiu de trás da parede para procurá-lo, ele a puxou pela cintura e a prensou na parede. Seus rostos estavam agora mais colados do que nunca estiveram; a única fonte de luz ali era a própria lua, que influenciava o rapaz a se sentir cada vez mais tentado pelos lábios avermelhados de , que o olhava provocativa. Ela desceu os olhos para os lábios dele e mordeu os próprios, e ele sem mais poder esperar pela urgência que tinha em tê-la para si, a beijou intensamente. Era uma dança que eles aparentemente sabiam muito bem como fazer: subiu suas mãos para o pescoço do rapaz, onde ele se arrepiou imediatamente; ele a segurava forte pela cintura com uma mão, enquanto a outra se apoiava na parede atrás dela.
Ela arranhava seu pescoço lenta e levemente levando suas unhas para a altura do cabelo dele, se entrelaçando nos fios castanhos-claro que tanto ansiava por sentir tão próximos de si; o perfume dele invadia as narinas dela, e assim que ele desceu seus suaves porém ferozes beijos para o pescoço vulnerável dela, o perfume dela - que ele amava - se tornou completamente parte dele, e seu olfato aguçado fez com que ele se sentisse imediatamente hipnotizado pelos seus impulsos selvagens que quase não podia controlar.
Ouviram alguns risinhos e passos, ela o olhou com certo desespero e ele olhou de canto de olho para o corredor. Ao ver que um casal se aproximava, a puxou pela cintura para o outro lado do corredor, na desdobra da encruzilhada e fez sinal para que ela fizesse silêncio. A luz do luar não chegava ali e eles estavam no completo escuro; ela o olhava mordendo o lábio enquanto ele, vendo a intenção dela de descontrolá-lo, sorriu de canto com o olhar mais maldoso que já lançou para alguém, fechando os olhos e respirando fundo enquanto tentava se controlar. Ele a empurrou com força na parede quando ouviu que os garotos haviam saído dali e voltou a beijá-la, mas aquele beijo foi breve e interrompido rapidamente; ele viu que muita gente passava por ali e então segurou a mão dela e saiu dali. Eles corriam pelos corredores enquanto riam e procuravam um bom lugar para ficarem; viram que no corredor em frente pouquíssimos alunos passavam e então se sentou no murinho e ele ficou em pé na frente dela. Evitava olhar para a lua, mas era quase impossível; ele conversava com ela de uma forma quase automática, até que levou as mãos à cabeça, pois suas têmporas latejavam. Ele sabia que tinha relação com sua condição, precisava sair dali antes que fosse tarde.
- Mas no caso.. - ela se interrompeu - você tá bem?
- Eu tô - ele deu um sorriso amarelo. - só tinha um cisco no meu olho.
- Tá... acho que eu vou pegar alguma coisa pra beber, você quer?
- Sabe de uma coisa - ele disse como se tivesse tido uma ideia - deixa que eu pego, eu preciso fazer uma coisa de qualquer jeito...
- Uma coisa? - olhou para ele com um olhar suspeito.
- É, mas é rápido. Eu já volto, tá? Pode me esperar aqui.
Ela assentiu e ele saiu andando para o lado do salão. Respirava fundo pois sabia que era extremamente errado o que acabara de fazer, mas não havia outra opção: não havia nenhuma forma de sair dali sem magoá-la. Ele passou pelos seus amigos que conversavam entre si.
- Eu preciso ir pro quarto, tá? Vejo vocês mais tarde. - e continuou andando sem pestajenar. James foi atrás dele o parando.
- O que?! A festa nem começou direito!
- Eu sei, mas eu não tô legal, Pontas... aconteceu muita coisa que eu preciso contar pra vocês mas não dá pra ser agora...
- Dá sim, qual é?! Eu e o Sirius conseguimos convencer a Lene e a Lilly a irem com a gente lá pro campus, porque aqui mesmo tá chato demais.. vai peder isso mesmo? Você não vai perder isso de jeito nenhum.
Lupin tentou convencer o amigo a deixá-lo ir e principalmente tentou se desvencilhar dele, mas James sabia ser incômodo quando queria. Somente o fato de estar longe de ajudava o lobisomem a se sentir menos inclinado à selvageria, e aquilo salvava ela dele por ora. James o arrastou consigo para Sirius, que o aguardava no corredor com as garotas, e então os cinco foram andando pelo corredor até o campus. Ele se sentia culpado por ter deixado sozinha e principalmente pela confusão que causaria na cabeça dela, mas era a única forma de protegê-la de si mesmo. Ele precisava deixá-la longe, precisava convencê-la a se sentir mal e odiá-lo. Só assim poderia evitar machucá-la.

- x -

balançava as pernas e observava a lua. Já faziam meia hora desde que Lupin disse que já voltaria e não vira nem sinal dele, ou de seus amigos; ela procurou por Lilly com os olhos mas não encontrou a amiga também. Respirou fundo tentando evitar pensar que tinha sido largada plantada como imaginava ter sido.
- Que bobagem, , ele não faria isso. - ela respirou fundo colocando a mão na cabeça. - ele já deve tar voltando, só deve... ter se perdido! Deve ter se perdido, é isso.
Ela esperou por talvez mais vinte minutos antes de se convencer de que ele não voltaria e de que sim, havia sido largada plantada e que aquilo era o tipo mais doloroso de rejeição que já vira. Ela pulou para sair do murinho, soltando seus longos e ondulados cabelos que automaticamente caíram e se uniram ao preto de seu vestido. Ela respirou fundo segurando algumas insistentes lágrimas que desejava permitir caírem e passou a andar em direção ao banheiro. Soluçava um pouco e até chegou a esbarrar em alguém, que chegou a perguntar se estava tudo bem mas foi ignorado completamente. Ela correu para o banheiro e fechou a porta atrás de si, permitindo que algumas lágrimas caíssem.
Se olhou no espelho se perguntando o que é que tinha de errado nela. Estava linda, Lilly a havia arrumado com tanto entusiasmo e esforço para que seu cabelo ficasse único; ela não conseguia entender.
Não o odiava, mas também não o compreendia. Ela deu um soco na pia se arrependendo depois pela dor e então se retraíu, ajeitando seu cabelo, lavando seu rosto e respirando fundo. Precisava ser forte ao menos até chegar em seu dormitório. Era para onde ela ia agora, direto: a noite havia sido estragada, e agora não havia mais como se divertir. Tirou seus saltos e se determinou a ir ao quarto naturalmente.
Quando abriu a porta do banheiro, ela deu de cara com os seis: Lilly, Donna, que chegara agora, Marlene, Sirius, James e... Lupin.
Ele tinha uma expressão dolorosa mas ria de algo que James lhe havia dito. Lilly olhou para a amiga com um sorriso enorme que se desmanchou ao ver o desânimo de . Ela correu até ela olhando-a nos olhos.
- O que houve?! Você tá bem?
- Tô ótima, eu só tô meio cansada - ela riu de leve - sabe que eu preciso de umas cinquenta horas de sono por dia pra viver bem...
- Sei, sei.. Eu tava te procurando esse tempo todo, a gente acabou de voltar lá de fora, vamos voltar pro salão agora. Não quer mesmo vir com a gente?
- Não, eu realmente só quero dormir. Obrigada. - ela se desvencilhou da amiga e passou a andar para o lado contrário.
- , conta o que aconteceu! - Donna segurou a mão da amiga. - você tá bem?!
- Eu tô, só quero dormir.
parecia cada vez mais impaciente e as lágrimas insistiam em querer sair naquele instante, onde ela mais precisava segurá-las e não conseguia.
- Mas fica aqui, é só uma noite, você pode dormir até tarde amanhã...
- Eu só quero dormir, Donna...
- ...
- Por favor, me deixa sair - ela puxou o braço da mão da amiga e saiu andando sem pestanejar, ignorando-a e deixando-a para trás. Donna olhou para ela confusa e então voltou o olhar às outras, que a olhavam com desaprovação. Ela suspirou como se não tivesse feito nada de errado.
- Eu só quis ajudar!
- Donna, é sério... Precisa aprender a arte de calar a boca - James disse levantando a sobrancelha. Lupin parecia mais culpado do que tudo e a vontade de ir atrás de era quase sobrehumana, mas ele simplesmente não podia. Teria que lidar com a fúria ou a tristeza dela, embora nunca tivesse sido sua intenção largá-la para trás.
- Eu vou atrás dela. - Lilly disse subindo as escadas.
- Cuidado com o que fala, Lilly, pelo visto ela é mais sensível do que uma florzinha - Donna disse bufando.
- Você é que é mais estúpida do que um cavalo, sua escrota - Marlene deu um tapinha na cabeça da amiga.
- O que eu fiz agora?!

- x -

engoliu o choro se sentando na escadaria vazia em frente a porta de entrada para a sala comunal da grifinória. Havia se esquecido da senha, o que era um grande problema no momento; ela viu Lúcio Malfoy passar com seu par no andar de baixo, lançando-lhe um olhar maldoso ao ver que estava sozinha e parecia chorosa. Ignorou a afronta e deitou o rosto sob os joelhos, seus cabelos caíam e faziam seu visual ficar ainda mais deprimente; a ruiva chegou em silêncio sentando-se ao seu lado, sem emitir um som sequer, abraçando-a. Lilly tinha o poder secreto de ajudar aos outros. Ela era um dos seres mais bondosos que já existiram no mundo, e para tanto, sabia melhor do que ninguém que gostava de ser a primeira a dizer algo quando estava magoada.
Sabia que se ela mesma introduzisse o assunto, a morena se irritaria e acabaria deixando-a falar sozinha, como fez com Donna. Apesar da melhor amizade, era uma pessoa reservada às vezes e principalmente quanto aos seus problemas. Vez ou outra os compartilhava com Lilly e Marlene, mas no geral ela preferia lidar com eles sozinha ao invés de buscar a ajuda de terceiros.
Naquele dia, experienciou talvez pela primeira vez a sensação de ter seu coração esmagado. Era a primeira vez em que podia dizer que de fato sofria por amor, e essa era a razão pela qual Lilly, que a conhecia tão bem, não deixou o lado da amiga mesmo quando foi solicitada.
- Não tá com sono mesmo, tá? - Lilly resolveu ser a primeira a dizer algo, embora soubesse que não fosse a melhor decisão a se tomar. , que soluçava, negou com a cabeça. A ruiva respirou fundo esperando que começasse.
- Sei que espera algo de mim agora, mas eu não sei o que te dizer, Lilly...
- Eu posso não ser uma grande especialista em pessoa, mas eu sei identificar quando uma amiga minha tá com o coração partido. E você tá muito com o coração partido agora, .
- Eu...
- Sabe, não precisa me contar se não quiser, mas me falar que não é nada já vai ser demais.
- Tudo bem, é algo. Você tem razão, é um coração partido; só não sei se é algo que valha a pena dizer, digo, não tínhamos nada de qualquer forma...
- Quem é?
olhou para a amiga como se a resposta para a pergunta dela fosse óbvia, fez como quem diria algo mas então continuou em silêncio e suspirou.
- Podemos pelo menos entrar?
- Por que já não entrou, criatura? - Lilly se levantou ajudando-a a se erguer. deu uma risada triste.
- Eu esqueci a senha.
A ruiva riu e ditou "sangue e trovão", e então a porta se abriu; a morena entrou acompanhada pela amiga que fechou o quadro da mulher gorda atrás de si. Não havia uma sequer alma viva ali, mas o lugar parecia quentinho e aconchegante. A lareira acesa e alguns aperitivos aparentemente estrategicamente colocados em todas as salas comunais faziam tudo ainda melhor; Lilly olhou para si mesma e então de volta para .
- Sabe de uma coisa? Eu tô vendo que não quer me contar o que houve, e esse baile foi um saco, tá um saco e vai continuar um saco. Vamos colocar os nossos pijamas. Daí descemos, nos sentamos no melhor lugar do mundo e fazer o possível pra te distrair, sim?
assentiu; elas subiram, se trocaram e então voltaram para o andar de baixo onde se sentaram na janela que tanto amavam e trouxeram alguns dos pratinhos de aperitivos consigo. Lilly olhou com nojo para quando ela enfiou um olho de bode doce na boca, mas acabou cedendo à tentação de provar também e descobriu que era melhor do que parecia. Conversavam sobre o baile no geral. Lilly contou a que James tentou diversas vezes dar em cima dela, todas falhas, e que Marlene e Sirius estavam juntos; riu com a surpresa da amiga, e acabou por revelar que já sabia do fato. Após ficar brava com ela por aproximadamente cinco minutos, a ruiva acabou a perdoando e compreendendo a situação, e acabou por deixar pra lá. Com o tempo, os alunos foram aparecendo na sala comunal e lotando o lugar. Apesar de estar mais cheio, grande parte dos estudantes havia ido dormir; por fim, viram Marlene. Para Lilly foi um alívio, mas para foi sofrimento. Ela sabia que com Marlene, vinha Sirius, e com Sirius, todo o resto dos marotos o que incluía seu pretendente platônico. Evitou olhar no rosto de Lupin quando eles pararam ali para conversar com as garotas, olhando para a janela, concentrada no horizonte do lado de fora.
- Tá se sentindo melhor, ? - Black deu um sorriso gentil procurando confortá-la.
- Tô sim. Conhecem a Lilly, ela consegue fazer qualquer um se sentir melhor - ela sorriu de leve, ainda sem olhá-lo no rosto.
- Vocês perderam o resto, garotas! - James disse inconsequentemente. - o nosso Aluado aqui conseguiu beber mais do que todos nós juntos!
- Você empurrou as bebidas nele, Potter. Assim não conta. - Marlene saiu em defesa do garoto, que retraído, procurava não dizer nada. Lilly parecia ser a única a notar que o clima estava realmente pesado agora que eles chegaram.
- Não tá na hora de vocês dormirem, crianças? - a ruiva olhou para James com irritação. Ele pareceu confuso.
- Mas ainda nem deu o toque de recolher...
- Eu vou me deitar. - Lupin disse interrompendo o amigo. Olhou para com uma culpa absurda por alguns segundos e então deu as costas à todos. - boa noite.
- O que deu nele? - Marlene olhou para seu namorado.
- Ele bebeu demais, eu acho...
- Sirius, nem tinha álcool naquilo. Só fizemos ele acreditar que tinha. - James disse rindo.
- Vocês também deviam ir dormir. - Lilly disse pigarreando e indicando a expressão dolorosa no rosto de , fazendo com que todos ali saíssem e fossem para seus respectivos dormitórios. Ela viu Donna chegar e lançar um olhar para a amiga, mas a ignorou. Donna estava claramente furiosa pelo tratamento que lhe deu mais cedo, mas para todos aquilo não foi mais do que merecido.
A ruiva e a morena continuaram conversando sobre qualquer coisa que lhes vinha na cabeça o resto do tempo que tinham antes de subirem para o quarto, onde foi a primeira a deitar, mas definitivamente a última a dormir. Passou algum tempo pensando: não fazia sentido que ele a tivesse tratado daquela forma. Também tinha interesse nela, em fato, ele mesmo foi atrás dela; então por quê? Ela não conseguia entender, mas seu sono a impediu de continuar pensando.


Capítulo 3

música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=RBumgq5yVrA
(dê play quando vir a nota)


O sol raiava no horizonte quando acordou, antes de Lilly, antes de qualquer um. Ela não havia dormido bem, mas achava que aquilo nada tinha a ver com o fato da noite anterior. Embora estivesse realmente muito triste pelo ocorrido, ela não dava tanta credibilidade assim à Lupin, afinal, havia muito mais na sua vida além dele. Não queria olhá-lo por um bom e longo tempo, mas não atribuia sua insônia a ele também.
Respirou fundo vendo a amiga embriagada de sono na cama, sorrindo leve ao perceber que dormia tão bem. Esfregou os olhos, sentindo o cansaço embora não tivesse sono e começou a se preparar: vestiu a saia até os joelhos, olhou lá fora; era um dia frio. Colocou a meia-calça preta e calçou seus sapatos, vestiu sua blusa social, o suéter e a gravata da grifinória e então preparou sua capa para quando fosse sair do quarto. Aproveitou o tempo que tinha até os despertadores tocarem, pois ainda eram cinco da manhã, se sentando em sua escrivaninha e adiantando alguns deveres para aulas futuras. Quando notou que nem mesmo se distrair com o estudo funcionava em momentos como aquele, passou então a ler um de seus milhares de livros. Quando por fim Lilly acordou, olhando-a com estranheza, ela decidiu abrir a janela só para ouvir o som agudo e fofo do galo de Hagrid acordando a todos.
- Tony é um fofinho.
- Eu odeio esse galo. - Lilly suspirou. - desde quando passou a acordar de bom humor?
- Eu não acordei agora e muito menos tô de bom humor - suspirou olhando para a ruiva que se sentava na cama coçando a cabeça confusa. Os cabelos rebeldes pareciam ainda mais belos assim, pela manhã, em comparação a quando Lilly os prendia no rabo alto que sempre usava. A amiga olhou para bufando e então indo se trocar. Demorou algum tempo enquanto a morena enfiava todos os seus pergaminhos na mochila e então saíram juntas do quarto, descendo as escadas para a sala comunal da grifinória onde grande parte dos alunos da casa já estavam acordados e fazendo muito barulho. Para a infelicidade de , os marotos estavam bem acordados e infelizmente ignorá-los por completo seria impossível por ora. Ela olhou de relance para os garotos que conversavam e riam sobre algo, e então ao ver que Lupin a olhava com pesar, voltou seus olhos à Lilly e continuou a traçar o caminho até o sofá onde Marlene e Donna já estavam sentadas.
- Bom dia, florzinhas! Já melhorou aquele humor horroroso de ontem, ? - Donna disse olhando com um olhar desagradável para a amiga.
- Não muito, mas de toda forma foi mal por ter sido grossa com você. - suspirou passando a mão pela testa - eu só tava com sono.
- Sabem como ela fica com sono - Lilly reforçou. As duas assentiram.
- Tá tudo bem, garota, senta aí.
fez como quem iria sentar mas ao ver que Sirius se aproximava para falar com Marlene e consequentemente seu bando inteiro também, ela olhou para elas um pouco confusa; todas as garotas e consequentemente os marotos a encararam esperando o que tinha a dizer; ela pensou por alguns segundos e então deu um leve sorriso forçado.
- Na verdade, eu já tava de saída...
- Onde você vai? - Lilly levantou uma sobrancelha. Todos pareciam esperar a resposta. Ela pensou mais um pouco e tentou se controlar para não gaguejar: era uma péssima mentirosa.
- É que eu prometi pro Hagrid que ia lá ajudar com o... com o cão! Sim, o cão! - ela falava rindo de nervoso - e disse que faria isso antes das aulas, enfim... eu vejo vocês no salão comunal.
Ela não deu tempo para que respondessem e saiu de lá apressada. Hagrid nunca dissera nada sobre o cão, então ela foi para o banheiro. Esperou algum tempo fingindo que se ajeitava no espelho; algumas garotas entravam e então saíam comentando algo sobre as olheiras dela e como aquilo parecia ser um milagre, já que nunca tinha um sequer "erro" na aparência. Ignorava todos os comentários e quando finalmente sentiu ter dado tempo o suficiente, correu para o salão comunal onde todos já estavam sentados e Marlene guardava seu lugar.
- Finalmente! Achei até que você não vinha, eu hein...
- Ele é bem insistente com algumas coisas - disse como se se referisse a Hagrid - e tava me segurando lá até agora...
- O Hagrid tá bem ali - James apontou para a mesa dos professores onde o gigante comia um croissant com um olhar feliz. Ela gaguejou um pouco quando todos a encararam com uma expressão confusa.
- E-Eu quis dizer que ele tava me segurando lá até agora a pouco... antes dele vir pra cá, é claro, não teria como ele me segurar lá se estivesse aqui...
- Fala logo com quem você tava! - Lilly disse jogando um pedaço de pão nela. olhou para ela confusa.
- Com o Hagrid!
- Isso é a mentira mais descarada que eu já ouvi na vida - Marlene se intrometeu.
- Já sei, você tava com o cara do baile de ontem! - Donna disse, olhando-a surpresa. Todos se entreolharam exceto por Lupin, que só pôde baixar a cabeça e fechar os olhos torcendo para que nada pior acontecesse agora.
- Que cara do baile?! - olhou para ela confusa, furiosa e extremamente vermelha. Sabia que a culpa não era da amiga, mas ela não queria falar sobre aquilo ali, na frente de Lupin; ele claramente não havia dito nada aos seus amigos ainda e também parecia querer evitar tudo aquilo.
- Aquele mau humor, sua maquiagem borrada, você chorou, ! Quem era o cara?! Foi ele quem te magoou, não é? Fala pra gente, eu vou matar ele!
- Tá bom, chega. - se levantou batendo as mãos na mesa sem muita força. Todos se entreolharam em silêncio. - não tem nenhum cara do baile, ninguém me magoou, ok?
- Como não?! Você até chorou, eu nunca te vi chorando!
- Para de ser inconveniente, Donna, que saco! - Lilly gritou olhando para ela furiosa quando viu sair de lá com suas coisas sem dizer nem mesmo uma palavra. Donna parecia revoltada porém preocupada, e como Marlene também compartilhava do sentimento, as três se levantaram indo atrás da morena que dava passos largos e rápidos e procurava segurar as lágrimas pela humilhação.
Lupin segurava seu pão com tanta força que James podia jurar que o destruiria em migalhas. O amigo não era muito bom em segurar sua força ou seus instintos.
- Tá, fala logo o que rolou - Sirius disse apoiando os braços na mesa e o olhando sério.
- O que?
- Não se faça de bobo, tá na cara que o cara do baile era você. - James suspirou.
- Tá, tá bem. O cara do baile era eu, aliás, era isso que eu queria tanto contar pra vocês ontem, mas é claro que vocês não deixaram e me arrastaram lá pra fora, enfim...
- Isso não é o que eu tô pensando, é?
- Não sou vidente.
- Caralho, calma Aluado! - James suspirou olhando para ele frustrado. O lupino tinha os olhos fechados como se se concentrasse a cada instante para controlar qualquer emoção forte.
- Nós nos beijamos - engoliu em seco - algumas vezes, mas... vocês sabem. Tá muito perto da lua cheia e eu não quis que nada desse errado. Eu precisei ir embora [...]
- x -

- Eu já disse que não tem o que ser contado aqui! Nada aconteceu ontem, por favor, parem de perguntar! - suspirou.
- Se não quer falar, não fala, então - Donna bufou furiosa - eu não vou ficar aqui mil anos perguntando algo e tentando ajudar alguém que não quer minha ajuda, tenho coisas melhores pra fazer.
- Donna! - Lilly e Marlene gritaram em uníssono.
- Então por favor, vai fazer as coisas melhores que tem pra fazer e me deixa em paz um segundo! - olhou pra ela com o mesmo olhar furioso. Não suportava mais a inconveniência da amiga, embora gostasse muito dela; Donna abriu a boca e levantou o dedo mas acabou por não dizer nada e simplesmente saiu do banheiro, onde elas estavam reunidas.
Ao ver que fechou a porta, respirou fundo como se tivesse tirado um peso das costas e então recebeu um abraço amigável das suas duas amigas restantes.
- Ela merecia. - Lilly bufou.
- Ela merecia era um murro! - Marlene disse nervosa. - garota inconveniente...
- Eu devia me desculpar depois, ela é nossa amiga. - recebeu os olhares desaprovadores das duas. - mas por agora é ótimo saber que eu botei ela no lugar dela...
As três riram.
- Olha só, eu não sou burra, ok? Não somos. A gente sabe que tem algo rolando, mas você não precisa dizer se não quiser. Só saiba que a gente tá aqui o tempo todo! - Marlene sorriu abraçando-a mais uma vez.
Elas conversaram sobre aleatoriedades por alguns minutos antes de correrem para não perder a aula de transfiguração, e continuaram seu dia letivo normalmente até que as aulas terminaram.
Naquela tarde, se dividiram. decidiu ir para a biblioteca se distrair um pouco; Marlene disse ter assuntos a resolver com a professora McGonagall, e Lilly foi para o campus alegando querer tomar um ar e então prometeu que mais tarde iria para a biblioteca estudar com .
A morena respirou fundo tentando afastar algumas sensações de estar sendo observada que às vezes tinha. Passava pelo corredor com os livros nas mãos concentradíssima; ela atraía o olhar de todos os estudantes, independente do que fizesse, mas não conseguia olhar de volta pra ninguém naquele instante. Só se concentrou em achar o caminho para a biblioteca sem se perder por distrair seus pensamentos.
No corredor da biblioteca, Draykmova e sua trupe conversavam. Pareciam ansiosos pela estreia do amigo no Torneio Tribruxo, no primeiro desafio; estavam confiantes de que ele ganharia e encheria Durmstrang de orgulho, mas o próprio Ivan parecia concentrado em outra coisa: . Já desenvolvia certo interesse pelos lábios avermelhados dela há um bom tempo, e também havia o boato de que desejava convidá-la para o baile se não fosse por Lilly. O rapaz pareceu tirar sua atenção dos amigos imediatamente ao vê-la, e foi encorajado por eles a ir até ela, que entrava na biblioteca. Ao ver a dificuldade dela de abrir a porta segurando todos aqueles livros, se dispôs imediatamente: ele correu até lá e abriu a porta, por onde passou agradecendo. O sotaque russo dele encheu os ouvidos dela, então:
- De nada, linda . Quer ajuda para carregar esses livros? - sorriu entrando junto com ela. Apesar de notar o garoto ao seu lado, ela não parou de andar procurando uma mesa vazia. Localizou quase que imediatamente os marotos; "Que diabos?! Eles me perseguem agora, é isso?" pensou sozinha vendo o olhar de Lupin ser imediatamente desviado para o campeão de Durmstrang que a acompanhava.
- Não preciso de ajuda não, obrigada - ela sorriu e continuou andando para uma mesa afastada dos garotos embora completamente visível para eles. Viu que todos jogaram seus olhos nela assim que Lupin comentou algo baixo com eles.
- Ei, espere... eu estava pensando... - o alto rapaz se sentou na cadeira na frente da dela, olhando-a. Ela parou de mexer em sua mochila e o encarou. - não gostaria de sair comigo qualquer hora dessas?
- Você não tem que se focar no torneio? - ela disse gentilmente.
- Obrigado pela preocupação, mas me garanto.
- Certo - ela levantou as sobrancelhas respirando fundo - eu vou pensar, tá?
- Pense com carinho. - ele se levantou e contornou a mesa para sair por trás dela. - sabe onde me encontrar quando tomar sua decisão - passando por trás dela, ele puxou carinhosamente uma mecha dos cabelos ondulados dela, levando ao nariz lentamente e lançando um sorriso galanteador antes de sair da biblioteca.
suspirou olhando-o sair e ignorando completamente tudo o que acabara de acontecer e abrindo seu caderno de poções, tirando a pena da mochila e pronta para estudar.
Do outro lado, os garotos se contorciam.
- Que filho da puta! - Sirius parecia chocado e nervoso. Lupin mal podia se controlar de tanta raiva; ele tentava olhar para seu pergaminho mas era impossível, só conseguia sentir um ódio tão absurdo crescer dentro de si que mal queria estudar.
- Calma, vamos dar um jeito nisso..
- Não tem jeito a se dar nisso, James! - disse furioso. - ele tem vantagens e a gente sabe bem disso!
- Que vantagens ele tem?! É um machista ridículo e bombado, esse tipo de cara deve dar em cima dela o tempo todo! Já pensou que ela escolheu você no baile?!
- E daí? Eu larguei ela lá plantada. E mais, é um machista ridículo e bombado mas não é uma abominação! - ele começou gritando mas então abaixou seu tom de voz.
- Cara, ela tá magoada com você mas claramente ela gosta de você - Sirius suspirou - eu pedi pra Marlene adquirir informação pra gente mas não sei se vai rolar...
- Você o quê?! Achei que tivesse sido claro em pedir pra vocês não se meterem!
- Se a gente não se mete você fica aí assim! - James olhou bravo para ele. - quieto, calado, aceitando desaforo!
Lupin suspirou dando um soco na mesa, atraindo a atenção de todos mas então baixando sua bola e disfarçando. Suas bochechas estavam vermelhas de ódio e ele enfiou a cara no livro quando notou que estava sendo espalhafatoso e poderia chamar a atenção indesejada de naquele instante extremamente concentrada e ignorando os arredores, provavelmente magoada com ele e com muito ódio.
- Eu não tenho a opção de não aceitar esse desaforo. - ele disse baixo porém com ódio.
- Tem sim! Você pode ir até lá se desculpar.
- Eu não vou fazer isso. Não quero que ela se envolva com um cara como eu - suspirou, passando a mão pela cabeça - olha aquilo, Pontas! Aquela garota é insana, e eu sou... isso. Eu não posso passar por nenhuma emoção forte, ou eu fico assim; sempre quando a lua cheia chegar ela vai precisar fugir de mim, pensa nisso?
- Existem poções que controlam isso, Aluado, você é bom em poções!
- Não funcionaria. E se eu esquecesse?! Não sabem como é ter que carregar esse peso - engoliu em seco - e eu não quero que ela tenha que saber também.
- Mas e se ela quiser, seu imbecil?! E se ela aceitar toda essa condição pra ficar com você?
- Ela não merece isso! - ele disse cerrando os dentes e então bufando, liberando sua raiva e conseguindo por fim focar no livro a sua frente. Sirius e James se entreolharam e resolveram deixar aquilo pra lá no presente instante, focados no estudo também.

- x -
(dê play)

A partir daquela noite, faltava apenas um dia para a lua cheia. Lupin sabia bem como era aquele momento, difícil e extremo.
Ele estava sozinho em seu quarto, porque seus amigos estavam se divertindo no andar de baixo; pedira que o deixassem sozinho, porque era a forma mais fácil de lidar com sua "doença".
Ele viu sua coruja bicando a janela, fazendo um pouco de barulho no vidro. Foi até lá desanimado e a abriu, permitindo que o animal entregasse a carta sem nome ou qualquer indício de quem enviara.
Sei que provavelmente essa carta nunca vai ser respondida, mas vi muita necessidade em enviar assim mesmo. Eu sei que podia ter dito tudo isso pessoalmente, mas juro que não conseguiria dadas as circunstâncias, porque tem sido difícil até encarar você nos lugares que infelizmente temos de frequentar em comum. O caso é que eu realmente gosto muito de você, Remo, desde sei lá quanto tempo, porque eu estou convencida de que essa paixão repentina não pode ter sido tão repentina quanto parece. Talvez eu sempre tenha visto você com olhos diferentes mas nunca pude perceber porque nunca tive tanta matéria de comparação para saber como é olhar com afeto pra alguém.
Eu já tive alguns namorados mas isso nunca foi uma coisa que importou muito. Mas isso aqui, por algum motivo, importa. É ridículo, mas importa, e eu não saberia dizer porquê se você me perguntasse. Não sei qual é essa coisa insana que me liga a você, ou porque eu fico tão triste e magoada pensando que isso provavelmente não é correspondido, e me sinto ainda mais imbecil enviando isso me abrindo tando pra você, mesmo sabendo que foi você mesmo quem me deixou sozinha no baile esperando por você, bem, enfim...
É complicado dizer quando foi que eu quis tanto ver como seria fofo nós dois juntos, porque passou muito pouco tempo desde o início do ano e até mesmo desde que a gente começou a se falar direito, mas eu sei que cantar Wish You Were Here com você não foi qualquer coisa, e também sei que o baile não foi qualquer coisa pelo menos pra mim.
Você deve se perguntar o porquê disso tudo, e eu te respondo: eu não sou uma pessoa romântica ou hipervalorizadora do amor, mas eu sou do tipo que odeia deixar coisas inacabadas, e você é um dos assuntos inacabados que mais me incomodam na minha vida. Eu estou mandando isso para te deixar completamente ciente de que, se era o que você queria, você está livre de qualquer envolvimento comigo se é que tínhamos algum, e que não espero nem quero ter que te odiar ou evitar você todo dia só porque em algum momento houve alguma diferença entre nós. Sou completamente sincera em tudo o que eu digo, e não espero ter nenhuma resposta. Só queria esclarecer tudo o que parece tão escuro no momento.
Me desculpe por ter esperado muito de você.

Não havia assinatura, mas ele sabia a quem pertencia aquela letra. Respirou fundo tentando conter as lágrimas. Era uma mistura que ele não sabia controlar: também não sabia explicar como se apaixonara por ela tão rapidamente ou como de repente gostava tanto dela, e ao mesmo tempo não podia controlar o monstro dentro de si embora quisesse tanto, e não podia expor ela a qualquer tipo de perigo como aquele. Sabia que se deixasse para lá, ele não a teria nunca mais: era sua chance de mostrar a ela que se importava, que algo importava, sim, e que ele não a deixara propositalmente esperando-o.
Ele amassou a carta batendo na própria cabeça severas vezes, sentindo vontade de explodir por saber que não conseguiria conter a vontade de falar com ela. Era tarde e provavelmente dormia agora, então pensava em como se aproximaria dela no dia seguinte; logo, o monstro tentava borrar aquele sentimento e deixá-lo nulo novamente, completamente cheio de repressões e sentimentos ruins, tristezas, tentando fazer com que ele se afastasse de tudo novamente e consequentemente, dela.
Ele queria libertá-la, mas como poderia deixá-la ir se a amava tanto?
Ele sabia o que era melhor para ela, e aquilo naquele instante estava acima do que era melhor para ele. E então, pelo menos por aquele minuto, pelo menos por aquela noite, aquele dia, ele a deixou ir.

as garotas

respirou fundo vendo sua coruja retornar à janela. se esgueirou pelo parapeito de pulinho em pulinho cada vez mais próxima da dona, que também se apoiava ali observando o exterior; ela respirou fundo. Era aliviante a sensação de ter finalmente colocado um ponto final em algo que incomodava tanto. Não sabia dizer se se sentia mal, era um tipo de mistura; ao mesmo tempo que sentia que tudo aquilo poderia ter sido evitado, ela se sentia extremamente decepcionada. Era um alívio para a garota saber que sua mágoa com Lupin não era maior do que a decepção que sentia por ter esperado tanto dele. Era uma forma da própria acreditar que estava no caminho certo para superá-lo;
Ela acariciou o topo da cabeça do animal que se encolheu um pouco com o frio e com o carinho, e então levou os grandes e arregalados olhos à lua e crocitou.
- Tá bom, tá bom - riu de leve - eu sei que a noite tá bonita e lá do corujal você pode ver melhor, tá bem? Pode ir.
abriu vôo e desapareceu do campo de visão da dona, que resolveu deixar tudo aqui para lá o quanto antes e começar a se ajeitar para dormir; suas amigas estavam distraídas no andar de baixo, e ela não estava em um clima bom para fazer parte de tudo aquilo. Vestiu seus pijamas, ajeitou sua cama da forma que julgava ser mais confortável e se ajeitou ali permitindo que o ar frio entrasse de vez em quando pela janela; era reconfortante estar em meio a todas aquelas cobertas e travesseiros. Pegou seu livro pois sempre ajudou a apreciar seus momentos solitários.
leu talvez cinquenta páginas antes da porta de seu quarto se abrir e revelar uma Lilly exultante e animada, pulando sem parar e gritando o nome de sua amiga.
- O que foi?!
- Não vai acreditar em quem veio até aqui só pra mandar um recadinho pra você! - Lilly disse rindo enlouquecidamente, parecendo mais animada do que o normal.
- Recadinho pra mim? - sorriu saindo de sua cama animada, olhando para a carta na mão de Lilly; ela removeu de sua cabeça antes de qualquer coisa o fio de esperança de que aquela carta fosse dele, pois de certa forma sabia que não era. O papel nas mãos de Lilly era uma página rasgada de algum livro, e ela sabia que Lupin não cometeria aquele crime de forma alguma.
- E adivinha só quem foi que pediu pra entregar?
- Fala logo, garota! - Ela tentou puxar o papel das mãos da ruiva mas falhou. Lilly a olhou com um olhar suspeito e engraçado e então desatou a correr pelo quarto, ora pulava pela cama para o outro lado, ora corria; a perseguia tentando tirar o papel das mãos dela. Chegou a pular nela, e assim que estava agarrada de cavalinho nas costas da amiga e tentava desesperadamente tirar o papel das mãos dela, Marlene se esgueirou pela porta igualmente animada e a fechou atrás de si. Lilly entregou a carta a por fim e se sentou em perninhas de índio em sua cama ao lado de Marlene; as duas pareciam crianças prontas para ouvirem uma história que a mamãe contaria; a morena, por sua vez, as olhava risonha e envergonhada.
- Lê aí!
- Tá, tá... "Sei que prometi esperar você pensar, mas enquanto treinava hoje à tarde vi que algumas ramagens já floresciam no campus e me lembrei de você" - ela deu uma pausa pois de certa forma estava achando aquilo tudo muito brega. - "então, se você aceitar, amanhã virei buscá-la pela noite. Não revelarei onde iremos, será uma surpresa."
Lilly se jogou na cama com a mão na cabeça enquanto Marlene encarava os olhos de com uma sobrancelha levemente levantada.
- É... complicado.
- Complicado?! Qual é, Lene, ele foi super romântico! Tá na cara que ele quer muito você! - Lilly olhou para que parecia pensativa analisando o que estava escrito no papel.
- Foi meio brega...
- Foi totalmente brega - foi a vez de falar, e as três riram em uníssono. - tipo, horrivelmente brega... mas eu não tenho nenhum motivo pra recusar, tenho?
- Até onde eu te conheço, você recusaria sim - Marlene tombou a cabeça enquanto a observava - isso tudo é por causa do cara do baile?
- O misterioso filho da puta do baile... - Lilly suspirou. - mas se trata dele, , foi o Draykmova quem te mandou isso! Ele é...
- Ele é lindo. - Marlene olhou para a amiga cerrando os lábios como se fosse um fato imutável.
- Aliás, por que é que você rejeitou ele da primeira vez mesmo?
- Eu disse que ia pensar. - suspirou. - e eu tava pensando e ainda ia pensar mais um pouco, mas ele me mandou isso aqui... Foi meio desesperado, vocês não acham?
- Totalmente. - as duas repetiram como se devesse rejeitá-lo pelo fato de parecer tão desesperado, mas depois se entreolharam e jogaram olhares suspeitos para a amiga fazendo com que ela suspirasse e cedesse.
- Eu vou aceitar, mas é só porque não faz mesmo diferença pra mim, tá ok?
As duas gritaram e correram até ela imediatamente, observando-a escrever com sua pena logo abaixo do recado todo de Draykmova um simples e significativo "eu vou!". não tinha motivos especiais para aquilo, de fato; ela não queria dar o troco em Lupin, muito menos forçar ciúmes no garoto; ela queria seguir em frente, e achou que aquela seria a forma mais simples de começar a fazê-lo. Elas expulsaram Marlene do quarto e a mandaram dormir, e então se ajeitaram para fazer o mesmo enquanto entregava o bilhete de volta para Draykmova do outro lado do castelo; Lilly e finalmente caíram no sono, pois o dia seguinte seria cheio de paparicações e se não estivesse bem descansada, a morena surtaria sem dó nem piedade.


Capítulo 4

- Reducto! - Sirius lançou decididamente o feitiço em James, fazendo com que o amigo empunhasse a varinha desesperadamente se defendendo e, inclusive, tomando um tombo graças ao impacto. Era a terceira aula do dia - DCAT, e naquele dia, os alunos formavam duplas e testavam feitiços entre si; a professora Madga cerrava sua atenção aos feitiços lançados, dupla por dupla, para que nada de mal ocorresse. Ela notara há muito na falta de, especificamente, uma de suas alunas preferidas; não estava presente naquela aula. Graças a falta dela, Lilly fazia par com Marlene, e então Donna foi condenada a formar par com um garoto insuportável da corvinal que não parava de se desculpar por todo e cada feitiço.
Como o de costume, James e Sirius sempre juntos, quase irmãos, treinavam entre si; Peter perdia feio para Lupin, e era acertado em cheio quase todas as vezes. Remo era um garoto excepcional, sempre foi apreciado por todos os seus professores e também Dumbledore, que também sentia uma suprema empatia pela condição dele - o que parecia ser a única coisa que lhe impedia de suceder como com certeza o melhor bruxo de sua época. Era incrivelmente talentoso, com uma magia forte e poderosa, tinha um intelecto agudo e muito bom e seus conhecimentos eram acima do geral, também; era estudioso, esforçado e muito quieto, um garoto de ouro. Ele chamava a atenção, embora fosse o extremo oposto do que gostaria que acontecesse.
- Droga, almofadinhas, por que você tem que ser tão grosso comigo? - o garoto ajeitou seus óculos e se colocou de pé imediatamente ao observar as risadinhas ao seu redor. Se preparou, apontando a varinha para o amigo.
- Eu tô pegando leve - o moreno se exibiu, olhando para um James agora nervoso.
- Revide, Potter! - a professora lhe pressionou. Todos os alunos paravam suas atividades para observá-los, agora; eles acidentalmente chamaram a atenção de todos com o papo desafiador, e agora todos se focavam no duelo deles. A professora pareceu gostar da ideia de uma dupla por vez, pois assim facilitava seu trabalho de auxiliar os alunos e garantir a segurança de todos; Lilly revirou os olhos quando Marlene se animou a se aproximar dos garotos para observar seu namorado.
- Qual é, Lene, a gente tá concentrada aqui!
- É só um minuto, ruiva, que saco! - ela revirou os olhos puxando Lilly pelo braço. - por falar em minuto, cadê a nossa garota? Ela nunca se atrasa...
- Talvez ela esteja em algum canto desses corredores nesse mesmo instante, pegando o Draykmova.
- Nah, isso não combina com a . Ela nunca ia perder uma aula por causa de um cara. - Marlene suspirou. - as aulas são tipo a vida dela...
- Eu sei, eu sei. Eu não faço ideia, ela saiu cedo do quarto hoje; eu nem vi, pra ser sincera. Ei, seu namorado tá tomando uma surra - Lilly riu vendo Sirius cair diante o feitiço poderoso que James acabara de lançar. Marlene se atentou mas não foi até lá ajudá-lo, pois seria suspeito demais e eles não queriam espalhar o boato; já Lilly revirou os olhos quando James piscou para ela com um sorriso de canto, parecendo incrivelmente orgulhoso por ter destruído o amigo. Sirius o atingiu nas pernas sem nem se levantar, o que levou todos os alunos à loucura.
- Isso, acaba com ele! Arregaça! - Marlene gritou na torcida por Sirius. Lupin ria ao lado dela, achando o comportamento da garota engraçado; Lilly ria, mas por um motivo diferente: a cara de James ao se ver derrotado.
- Já chega! Silêncio, ordem! - a professora exigiu que todos se dispersassem enquanto ajudava James a se levantar. Sirius e ele não levaram cinco minutos para se desculparem e voltarem ao usual, o que não era um choque para ninguém.
Lupin se sentia culpado pela noite anterior e não conseguia tirar da cabeça todos os pensamentos que tinha acerca de . Ela ocupava 100% de sua mente agora, o que às vezes até mesmo desconcentrava o garoto; de certa forma, ajudava a esquecer que dia era e o que aquilo significava, mas de outra, era extremamente prejudicial para Aluado que sua lhe estivesse esquecendo por completo. Ele dubitava sozinho, pois a conhecia há pouco tempo; de vista, desde sempre, mas nunca havia falado com ela por mais de cinco minutos. Não levou nem sequer uma semana para que ela desgraçasse sua cabeça por completo, como aquilo era possível?
Ele balançou a cabeça retomando a concentração contra Peter, e então viu o amigo virado para a porta e também todo o resto da sala. estava ali, em pé, plantada; seu cabelo levemente bagunçado, a respiração ofegante e as bochechas e o nariz incrivelmente vermelhos indicavam o quanto a garota parecia ter corrido. Ela respirou fundo, se apoiando na porta;
- Me desculpe pelo atraso, professora! Mesmo! - ela tentou dizer deseseprada. Magda a olhou com compaixão e certa estranheza pelo fato de a garota estar completamente exausta.
- Onde estava, srta. ? Em uma maratona? - ela riu de leve permitindo que a aluna entrasse. - escolha uma dupla, estamos treinando duelos hoje. Feitiços de ataque e contra-ataque, sim?
Lilly e Marlene lançaram um olhar suspeito para a amiga do outro lado da sala e perguntaram algo que o garoto não pôde reconhecer; não era tão bom lendo lábios. gesticulou, como se dissesse "eu falo depois" e se dirigiu a um dos garotos sentados sem formar par. Ele se levantou e então estabeleceram o duelo, e a partir dali, o garoto Remo tentou limpar de sua cabeça qualquer sentimento que lembrasse ou talvez remetesse a ela. Era uma missão suicida, mas ele decidiu que aquela era a melhor opção.

as garotas

Elas subiam as escadas da sala em direção ao corredor principal, preparadas para seguirem a rota até o campus onde descansavam até a próxima aula, que faziam separadas.
- Onde tava? - Marlene olhou para que tirava uma garrafa d'água da bolsa e bebia um pouco, aparentemente muito cansada pela correria de mais cedo.
- Eu tive que voltar no dormitório e pegar umas coisas que esqueci.
- Mas demorou aquilo tudo e chegou exausta daquele jeito?! - a amiga a olhou confusa.
- Você saiu antes de mim do quarto, como isso é possível? - foi a vez de Lilly.
suspirou e revirou os olhos olhando para a grama que crescia tão verde quanto esmeraldas; cada vez mais bonita, ela parecia até mesmo reluzir com as pequenas gotículas de água espalhadas, possivelmente orvalhos. Ela respirou fundo olhando para as amigas de volta como se ponderasse algo e então decidiu falar:
- Eu tava conversando com a professora MacGonagall.
- Por que? O que aconteceu? - Marlene a olhou caridosa, pensando que a amiga se referisse a Minerva como a diretora da grifinória, e por consequência, como se algo houvesse ocorrido para que precisasse conversar com a mesma.
- Nada! Só tava tirando algumas dúvidas de transfiguração com ela, ué. E precisava ser agora, porque a minha próxima aula é dela e eu precisava terminar os deveres.
As amigas assentiram ainda que achando tudo aquilo muito estranho. Foi quase que o destino quando Ivan Draykmova passou andando por trás delas vindo da esquerda, e da direita, o grupo reunido dos marotos também passava naquele mesmo corredor; os garotos se cruzaram nas garotas, onde Ivan fez o gesto costumeiro que tinha de pegar uma mecha dos cabelos de e levá-los ao rosto, sentindo seu cheiro; ele sorriu para ela, que devolveu um sorriso fraco se virando para trás e testemunhando o olhar mortal de Lupin sobre ela e o garoto. Sentiu alguma raiva repentina, como se não quisesse de jeito nenhum ter nenhum tipo de contato com Draykmova perto do garoto, mas então ela se corrigiu mentalmente; não podia se reservar em nada por causa de alguém que não lhe valorizava.
O garoto cerrou os punhos. Era lua cheia, e embora o satélite ainda não se mostrasse redondo e perfeito aos céus, ele tinha um custo maior do que o normal para conter qualquer simples emoção. Suspirou enquanto James o segurou e pediu que Peter, ao seu lado, lhe ajudasse a levá-lo até seu quarto.
- Então, mais tarde tá de pé, né? - o russo sorriu.
- Tá sim. - ela respondeu simplesmente, fazendo-o sair dali logo após mais um sorriso tão largo que parecia forçado. Ela tinha certeza de que, das duas, uma: ou Draykmova gostava muito dela a ponto de ser um problema mais tarde, ou tentava enganá-la. Para Lilly e Marlene era muito simples: era uma das se não a garota mais bonita do colégio. Draykmova era o campeão de Durmstrang, e ele queria alguém a sua altura ao seu lado; coincidiram os fatos de ser maravilhosa e ter uma personalidade amável e diferente, e ele acabou se apaixonando pela garota.
Elas conversaram por mais alguns minutos antes que os horários batessem, e então cada uma delas foi para a sua sala; Marlene procurou Donna, que ainda estava brava com e não ficava perto delas, e elas foram juntas para a aula de adivinhação. Lilly foi para história da magia e direto para a sala de transfiguração.
Ela foi a primeira a chegar como o usual e se sentou na terceira carteira, deixando sua mochila nos pés e ajeitando a pena e o tinteiro como gostava deles. Cumprimentou a professora MacGonagall com cumplicidade, afinal, era o que elas eram. Ela se atentou ao seu livro enquanto a professora avisava algo aos alunos que acabavam de entrar, e logo a sala estava cheia; perdeu o alerta de que a aula seria em dupla e perdeu também o momento extremamente desagradável onde Sirius se sentou ao seu lado, tornando-se sua dupla. Ela não conseguia entender muito bem a situação, mas resolveu não reclamar. Talvez o garoto se sentisse como um cunhado e procurasse alguma conhecida naquela aula, já que James não estava presente.
- Ei, - ele disse abrindo seu próprio livro na página ordenada - você parece meio distante ultimamente.
- É... não é nada! - ela sorriu - só devaneios.
- Sei - o garoto a olhou e então se voltou ao seu livro. Alguns minutos se passaram em silêncio até que ele retomou, raspando a garganta - achei que talvez fosse alguém.
- Por que sempre tem de ser alguém? Não é meio ridículo? - ela riu de leve, o olhando com certa seriedade - um garoto distraído é só um garoto distraído, mas uma garota distraída é uma garota apaixonada? É meio...
- Antiquado. - ele completou - eu sei. É só que vi você e o campeão de Durmstrang várias vezes juntos e me deixou curioso, porque, você sabe, ninguém gosta muito desse cara.
- Por que não? - ela deu uma chance.
- Você sabe... Ele é meio toscão, sabe? Aquele tipo de pessoa que parece querer enganar todo mundo, sei lá. A questão é: o homem não presta! Você não combina com ele, se quer saber, e devia procurar alguém mais... não sei, alguém mais você?
- Tipo quem? - ela olhou para ele com uma expressão extremamente sarcástica, sabendo que todo aquele papo que ele jogava nela era a respeito de Lupin, e querendo forçá-lo a revelar esse fato.
- Eu não sei! Você é quem sabe, na verdade, mas ouça, Draykmova não é um bom sujeito. Dele, nada de bom pode vir.
- Você afirma com propriedade demais, Black... chega a ser estranho. Vocês se conhecem? - ela disse erguendo a varinha e transfigurando a caixa em um tipo de ornitorrinco e então voltando-a ao normal imediatamente. Sirius meneou a cabeça.
- Na verdade não, mas bem, todos ouvimos histórias e os amigos do cara são no mínimo muito imbecis.
- Seus amigos são imbecis. - ela riu e ele acabou por rir também.
- Eu desisto, você é muito difícil! Só se lembre do que eu disse e tome cuidado, tá bom?
assentiu. Embora não desistisse de sair com alguém pelo comentário de outro alguém, ela deu um voto de confiança a Sirius e prometeu tomar cuidado. O garoto terminou a lição e saiu da sala, e depois de alguns minutos ela fez o mesmo. Suas aulas diárias haviam acabado, então resolveu tirar um cochilo na sala comunal até a hora do jantar. Ela desceu juntamente com Lilly, Marlene e Donna, que de certa forma ainda a evitava - tal atrito gerou um silêncio constrangedor no grupo das garotas naquele momento.
- Tá passando da hora de vocês se resolverem! - Marlene iniciou, olhando para Donna e então para , que estava concentrada em sua comida e acabou desviando a atenção para a amiga.
- Manda ela parar de ficar brava comigo então! - Donna olhou para as duas com certa fúria.
- Mas eu não tô brava - se justificou, olhando para todas elas, recebendo um aceno de cabeça de Marlene e um de Lilly. Sabia que suas amigas concordavam com ela. - eu não tô mesmo, nunca tive. Só pedi pra você me deixar em paz outro dia porque realmente precisava de um pouco de paz, Donna, eu não quis ser grossa, se é que foi o caso...
- Foi sim o caso!
- Não é como se você pudesse falar muito, né? - Lilly disse bebendo um pouco de seu suco.
- Mas eu não fui grosseira na frente de todo mundo.
- Você sempre é grosseira na frente de todo mundo, Donna, eu sinto dizer - Marlene suspirou - mas tá bem, chega disso, ok? não tá brava, ninguém aqui tá! Tá tudo bem!
desviou o olhar para o canto da mesa onde geralmente se enfileiravam os marotos. Não era como se sua atenção sempre fosse sugada por ele, mas ela não podia deixar de perceber que Lupin não estava ali naquela noite; na verdade, ela mal o havia visto o dia todo depois da aula de DCAT. Ela respirou fundo, tentando evitar pensar nele. Se odiava por ter tanto dele em sua cabeça, imaginava que ele não tivesse muito dela na dele... pensava no quão estranhas eram as atitudes do garoto em relação a ela. Primeiro, ele dava indícios sutis de interesse; depois, se beijaram descontroladamente sem compreender como, por que ou desde quando; então, ele se sentia culpado sabe-se lá porquê, e para pôr um fim nisso, ele a deixava largada se sentindo a mais imbecil garota do universo.
E é claro, não podia excluir Ivan da equação. Agora, ela sairia com ele e tentaria depositar nele algum interesse, tentaria desviar sua atenção dos olhos penetrentemente castanhos e do mistério insano por trás de Remo Lupin, aquele que apesar das frustradas tentativas de esquecer, ela sabia que gostava. Sabia que independente dos rodeios, ele era o foco da cabeça dela naquele âmbito. O que havia de estranho com o garoto ela não sabia, mas apesar de se sentir inclinada a descobrir, sentia que não podia colocar a própria segurança em risco ao tentar descobrir mais sobre o garoto. Era uma situação mais que complicada.
Um gritinho de Donna chamou a sua atenção, varrendo completamente a imagem do rapaz de sua cabeça e fazendo-a desviar o olhar para a amiga imediatamente.
- E aí, garota? Draykmova, que tal? Vocês vão mesmo sair? - a garota sorriu pegando um pãozinho.
- Bem, sim... - ela franziu o cenho - mas eu não me lembro de ter te contado isso, Donna..
- As notícias voam, querida! Não sei de quem, não sei como, mas chegou até mim e agora eu tô tão ansiosa quanto você. - ela disse apoiando a cabeça nas palmas, olhando atentamente para os olhos confusos de que agora se instauraram nos dela de volta. Lilly e Marlene se entreolhavam com uma expressão engraçada.
- Ah, não é nada demais. Quer dizer, não vai ser. O cara só vai me levar pra sair, e eu não quero me envolver tanto com ele...
- Bom, se não quer tudo bem, mas que você tá perdendo uma oportunidade gigantesca... você tá! - ela enfiou o pão na boca e se levantou, reunindo sua mochila e subindo na frente.
- Também precisamos ir, seria bom adiantar as lições de poções... assim você pode sair com o Draykmova com tranquilidade - Lilly disse se levantando e revirou os olhos assim que olhou a expressão chorosa e os olhos implorantes de .
- Me desculpa, eu juro que não sabia que íamos fazer juntas... eu já adiantei tudo. - suspirou. - se quiser pode pegar o meu, eu sei que gosta de fazer, mas...
- Não precisa, hoje eu tô perdoando tudo que você fizer, minha florzinha - Lilly deu um beijo na testa da amiga. - porque você vai arrasar.

- x -

Remo respirava fundo. Sua respiração não era nada boa naquele momento; ele sabia que próximo às janelas, lá fora ou em qualquer lugar onde a luz do luar o atingisse, seria impossível se controlar. Suas mãos pareciam querer destruir, mas ele se controlava bem até aquele ponto; enquanto estivesse protegido, nada ruim poderia acontecer.
Ele agradecia por ter conseguido afastar de si, ao menos um pouco. Mas aquilo não lhe agradava em nada: ele pensava na garota, pensava nas lágrimas dela ao ver que ele não retornara no baile; pensava na carta. Ah, como ele pensava na carta! Como a odiava por ter deixado impregnado em cada linha daquele pergaminho o cheiro maravilhoso dela, que lembravam a ele a cada instante que passava como foi tê-la em suas mãos, como foi finalmente chegar tão perto, mas tão perto daqueles lábios incrivelmente escarlates, que funcionavam como um ímã sobre ele...
Fechou seus olhos, repensando tudo aquilo muito bem. Talvez ele devesse falar com ela; os boatos corriam a respeito dela de Draykmova, mas ele se recusava a acreditar neles. Pensou seriamente no que podia fazer. Daquela forma, quase nada, mas seus instintos primitivos e todo o pouco que restava dos seus pensamentos estáveis lhe levavam até a única conclusão possível: ela. .
Ela era sua resposta, independente da incógnita.
Havia recebido a recomendação da professora MacGonagall sobre ficar em seu quarto e só sair quando o sol aparecesse no horizonte, mas naquele momento se conhecia melhor do que a mulher. Sua necessidade em vê-la, em dizer a ela o quanto a carta machucava, o quanto ficar longe dela agora era difícil o fazia querer sair; ele sabia que não era a melhor escolha, mas a melhor escolha não era a escolha que ele queria tomar. E um filho da lua só faz aquilo que lhe convém.
Se levantou respirando fundo e jogando água em seu rosto, afastando as olheiras horríveis e tentando dar um jeito em sua palidez repentina. Abriu a porta determinado a cruzar o corredor até o dormitório feminino, onde finalmente poderia falar com e explicar a ela o que devia ser explicado, dizer o que não foi dito e tentar pontuar tudo o que até agora não tivera a chance. Ele precisava se redimir, por mais que reconhecesse que ainda assim ela poderia afastá-lo, sentia que só seria inteiro de novo se ao menos justificasse tudo de ruim que a havia causado em um período tão curto de tempo.
Eles tinham uma conexão que ele não sabia explicar. Se conheciam tão pouco, mas se gostavam tanto... ele a conhecia tão pouco, mas ao mesmo tempo gostava de tanto nela, qualidades que não teria como saber se ela possuía, defeitos que nunca pôde perceber... ele sentia tudo aquilo.
Virou o corredor andando em direção ao dormitório feminino. Ele viu Donna, Marlene e Lilly reúnidas; sua aparência não devia estar das melhores, já que recebeu o olhar caridoso e assustado da ruiva, que chegou a perguntar se tudo estava bem. Lançou o sorriso gentil de costume e agradeceu a preocupação, perguntou por .
- Ela está lá em baixo.
Desceu as escadas em espiral, agora na sala comunal; poucos alunos estavam ali naquele momento, mas seus amigos marcavam presença. James, Sirius e Peter estavam sentados no sofá de sempre, conversando, e pareceram imediatamente assustados por o verem. James lançou um olhar decepcionado suplicando mentalmente para que o amigo não fizesse aquilo, e então Remo gesticulou, pedindo que ele se acalmasse. Assim que viu a porta da sala comunal aberta, ele se esgueirou pelas molduras do quadro da mulher gorda, onde os corredores ainda acesos lhe levaram a olhar para a direita. Ele saiu, ainda olhando para o lado direito, mas nada; então se virou de relance para o esquerdo, onde as luzes revelaram e Ivan.
Eles conversavam, o garoto parecia ter uma necessidade absurda de segurá-la, mania que a própria tentava impedir o tempo todo. Não gostava. Ele segurava a mão dela e a encarava enquanto eles conversavam, e mesmo de tão longe, Lupin podia sentir os olhos dele mirados nos lábios dela, passavam grotescamente pelos seios e a observavam de cima a baixo. A garota não parecia notar e parecia tentar manter uma conversa saudável com ele, diferente do próprio Ivan, que parecia ter as segundas intenções mais explícitas já vistas. Lupin farejava os hormônios.
Ele respirou fundo sentindo seu coração bater e engoliu em seco quando viu os olhos cinzas dela perfurarem sua pele, olhando em sua direção. Ele desviou o olhar tentando se controlar, mas agora era tão tarde...
Ele colocou-se a andar, desesperadamente descendo as escadas. o encarava atentamente, ignorando tudo o que Draykmova falava, e agora ela tinha uma expressão abismada no rosto vendo a velocidade com a qual Lupin descia. Ela afastou Ivan dela quando viu que ele se aproximava.
- Sinto muito, mas eu preciso ir. - ele tentou dizer algo mas ela saiu antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, deixando-o para trás e seguindo Lupin escada abaixo; ele não a viu, e então ela continuou andando atrás dele. O observava desesperado, suando frio, ofegante e extremamente inquieto. Via algumas veias pulsarem.
Lupin estava desesperado, pois sabia o que aquilo significava. Ele precisava correr para a floresta negra o mais rápido que pudesse, e com sorte ainda conseguiria usar alguma passagem secreta antes que Filch rondasse os corredores; do contrário, aquilo tudo seria um grande, grande problema. Ele sentia seu coração batendo incrivelmente forte, quase perfurando seu peito, suas pupilas dilatavam e voltavam ao normal em questão de segundos e ele sentia sua visão começar a ficar turva e perder algumas das cores. Sentia seu sangue fluir, conseguia ouvir os sons da noite e até mesmo os sussurros de sempre; ele conseguia sentir o cheiro da cozinha a quilômetros de distância, sentia sua pele arder enquanto o pêlo parecia exigir por espaço para sair e libertar a fera.
Quando finalmente conseguiu entrar no armário de vassouras, ele se esgueirou pela passagem até encontrar o túnel que seguiu até o lado de fora. entrou logo atrás dele. Ela ergueu sua varinha e conjurou lumus, seguiu o caminhoa té encontrar a portinhola do final; ela abriu, subiu com alguma dificuldade.
Nada importava naquele momento. Ela precisava saber. Aquilo estava acima de qualquer regra, acima de qualquer garoto ou qualquer coisa naquele instante. A curiosidade poderia matá-la, mas era um risco que correria.
Ela não viu Lupin em nenhum lugar dali. Se encontrou de frente à floresta negra, a imagem não a assustava, mas arrepiava até o último de seus cabelos. A coragem falava mais alto. Grifinoriana nata, essa era sua maior qualidade. Seguiu lentamente cuidando de seus passos para dentro da floresta, procurando por um sinal sequer; não ouvia o rapaz, nem o via. A luz incrivelmente forte da lua parecia um farol que iluminava as árvores e fazia sombras absurdamente assustadoras no chão, mas não impediam a garota de seguir adentro, procurando por Remo.
Ela se assustou ao ouvir um som característico, incrivelmente alto e incrivelmente aterrorizante. Era um uivo.
A medida com que a garota se esgueirava pela floresta cuidando para que nenhum de seus pés fizesse barulho nos galhos caídos ou sequer nas folhas, ela segurava a varinha a sua frente e se sentia pronta para qualquer coisa. Sua atenção era redobrada, mas ainda assim não conseguia notar que a fera estava logo ao seu lado, dentre as árvores, a observando; não tinha consciência alguma quando naquele estado, e para Remo, tudo o que importava era se alimentar e destruir qualquer tipo de ameaça.
O lobisomem queria matá-la, e ele não pouparia esforços. Se esgueirava esperando o momento perfeito para que a presa fosse pronta para o abate, e quando descuidou o suficiente para pisar em um galho seco e destruí-lo, o lobo se assustou e imediatamente partiu para cima dela. Ele deu um salto enorme e foi muito próximo de atingi-la, mas no susto, ela conseguiu se defender.
- Estupefaça! - e ele caiu para trás, balançando a cabeça por um minuto enquanto ela aterrorizada e em choque se levantava, em pânico, e desatava a correr. corria dentre as árvores onde parecia ser mais difícil para ele encontrá-la. Ele colocou-se a correr, identificando-a facilmente e sendo atingido por pequenos feitiços que ela desferia a medida com que corria; pulou um galho e conseguiu passar por baixo de outro. Fez uma curva repentina e jogou uma pedra para o outro lado, chamando a atenção do animal enquanto corria; ele acabou por identificá-la e não lhe deu muito tempo antes de voltar a persegui-la.
tentava sair da floresta e ir em direção ao castelo, mas parecia impossível contorná-lo. Ela sabia que era um lobisomem, ela sabia dos perigos, e ainda assim se sentia preocupada com Remo. Ela não sabia que o lobisomem era ele, e pensava que ele estava em perigo dentro da floresta agora. Simplesmente não tinha tempo para ajudá-lo ou sequer ajudar a si mesma: ela lançou mais um feitiço no lobo e tornou a correr, até que suas pernas ficaram presas em alguns dos galhos e cipós deixados no chão e acabou caindo. Ela capotou em uma raíz e acabou caindo de costas, as costelas doíam e alguns arranhões se formaram em sua testa; ela respirou fundo tentando abrir os olhos, já que batera sua cabeça e doía tanto.
Ela viu a criatura acima de si. Os olhos eram negros como a noite, e não podia identificar nem sequer um fio de humanidade naquela besta. O animal a olhava instintivamente agressivo, e ela pensava em se defender ainda em um de seus últimos suspiros, tentando não sentir medo e pensando em suas amigas. Ela respirou ofegante mais uma vez mas sua consciência estava horrível e ela não tinha muita noção de suas ações naquele momento.
Foi quando ouviu um uivo, parecia mais forçado e mais agudo. Então, alguns latidos. O animal acima de si levantou as orelhas e uivou em seguida, e então saiu em disparada, deixando-a ali; ela tentou se sentar mas não conseguiu. Suas costas doíam demais e ela considerava as chances de ter quebrado algum osso, o que possivelmente tinha quebrado.
Estava pronta para enviar um pedido de socorro pelo céu quando viu um animal enorme parado em sua frente. Era um cervo. O animal a encarava assustado, os olhos focados; ela se afastou um pouco, com medo, e então fechou os olhos por alguns instantes pois sua cabeça latejava. Estava prestes a desmaiar. Tudo o que ela viu por último foi a imagem de alguém. O garoto estava ajoelhado e a cabeça dela estava sob seus joelhos, e então o ouviu dizer:
- Droga, Aluado... eu disse tantas vezes... eu só espero que o Almofadinhas esteja bem. - o garoto apontou a varinha para o rosto dela, e então tudo ficou escuro.

- x -

abriu os olhos com lentidão. A claridade entrava pela janela de seu quarto e fazia com que sentisse ardor, ameaçando imediatamente fechá-los em resposta; assim que por fim conseguiu terminar de abri-los, ela se colocou sentada, com a mão na cabeça. Doía, era algo latejante que ela geralmente sentia quando tinha enxaqueca. Levou a mão a testa sentindo um curativo leve e então desviou os olhos para os de Lilly, que a fitavam aparentemente há um bom tempo.
- O que é isso? O que aconteceu?
- Bem, foi Hagrid quem te trouxe. Aparentemente você bateu a cabeça e acabou desmaiando; deve ter caído. Está se sentindo bem?
- Sim, só uma dor de cabeça. - ela suspirou puxando seus cabelos para trás. Aquilo não fazia sentido algum em sua cabeça, mas agora doía pensar, e ela gostaria de pelo menos por um segundo deixar para lá e conseguir esquecer.
- Não se lembra de nada, ?
- Não. A última coisa da qual me lembro ter feito é comer no salão comunal, e só.
- Puta merda... - Lilly suspirou - bem, eu acho que é normal, certo? Já que você bateu a cabeça.
- Deve ser. Não me levaram para a enfermaria?
- Ele te trouxe direto pra cá e disse que você acordaria logo, então deixou uma pomada pra passar nesse machucado na sua testa e foi embora, então achei melhor não levar... você parecia bem!
- Eu tô bem! - ela disse rindo de leve - não quis dizer isso, fica tranquila. É só tão estranho...
- É sim, mas não pense nisso agora, sim? Descanse o quanto precisar, eu vou tar lá embaixo pra te dar um pouco de privacidade.
A morena assentiu vendo a ruiva desaparecer pela porta e fechá-la. Era manhã, aparentemente, e todos já estavam acordados àquele ponto. se forçava a lembrar de algo, qualquer coisa, mas ela realmente não conseguia. Nem sequer um flash, nem sequer uma imagem do que pudera ter acontecido. Ela logo desistiu, vencida pelo cansaço e pela dor, e acabou cedendo ao sono e a vontade de dormir mais um pouco para ver se sua dor de cabeça passava.

os marotos

- Não sei se é certo esconder dele...
- Nem pensa nisso, Sirius. Sério. Não conta. Ele vai ficar triste, vai querer se afastar, ele vai desistir completamente se você contar. E mais, a gente tava lá, tá tudo bem!
- Mas e se acontecer de novo? - Peter olhou para eles com medo.
- Bem, se acontecer de novo estaremos lá de novo. - James disse como se fosse óbvio ajeitando o próprio óculos e deu de ombros. - somos amigos dele, sempre o acompanhamos, seria tecnicamente impossível não estarmos.
Ele se ajeitou em seu assento vendo que Lilly descia as escadas agora, suspirando e indo diretamente à Marlene, que a aguardava sentada no tapete em frente a lareira. Ele a observou na esperança de que a garota retribuísse o olhar, mas o máximo que ela fez foi olhá-lo com certa confusão e ignorá-los completamente. Ele não podia culpá-la, estava preocupada com sua amiga e Marlene também; elas começaram a conversar e os marotos imediatamente se concentraram em Lupin, que não tinha dado nenhum sinal. Peter afirmou ter que sair, mas todos eles sabiam que era medroso demais para enfrentar Remo depois da transformação; eles não o impediram e tampouco tentaram convencê-lo a irem com eles. James e Sirius subiram calados em direção ao quarto do amigo, na esperança de que pudessem perder algumas aulas naquele dia em prol de ajudá-lo.
James bateu na porta, respirando fundo. Era preciso reunir certa coragem. Não que Remo significasse qualquer perigo a eles, mas era uma situação um tanto quanto aterrorizante. Toda vez, uma cicatriz nova aparecia em algum lugar de seu corpo e ele tinha os olhos avermelados por um longo tempo até que se recuperasse totalmente. O garoto não abriu a porta, mas eles puderam ouvi-lo se encostar nela do outro lado.
- Sabemos que você tá aí, Aluado. - Sirius disse, tentando abrir a maçaneta sem sucesso.
- Eu preciso descansar - o garoto disse do outro lado da porta - vão embora.
James era impaciente e assim que ouviu os passos do garoto do outro lado da porta, indicando que havia saído de sua posição inicial, ele abriu a porta empurrando seu amigo para dentro e fechando a porta atrás dos dois. Estava escuro, não havia nenhuma bagunça e nenhum sinal de destruição por ali; pelo visto, com sorte, Remo não tivera os efeitos pós-transformação daquela vez. Ele os encarou como se já esperasse por aquilo e então se sentou em sua cama cabisbaixo, com as mãos unidas no colo. Seu suéter estava intacto e aparentemente limpinho. Os garotos suspiraram cruzando os braços e se sentando um de cada lado, deixando que o lobo ficasse ao meio; eles apoiaram suas mãos nos ombros do amigo, oferecendo a força que tinham para oferecer. Era como se só aquele apoio já servisse de algo. Lupin respirou fundo e afundou a cabeça nas mãos, e embora não chorasse, era como se tentasse se acalmar e expulsar toda a ansiedade e melancolia que sentia por ter passado por aquilo - de novo.
Sirius deu um tapinha de leve nas costas dele antes de se afastar e cruzar os braços novamente.
- Pelo menos dessa vez chegou no quarto a salvo, né? - ele disse, tentando melhorar um pouco o clima. - lembra quando te achamos no meio da floresta...
- Pelado. - James complementou. - cara, eu só queria poder desver aquilo...
Eles riram e Lupin conseguiu dar uma fraca risada. Ele parecia melhor por ter ouvido aquilo e ficou claramente constrangido, se desculpando pela milésima vez.
- Eu sinto muito por tudo isso - ele disse respirando fundo. - temos aula de poções hoje. Não podemos faltar.
- Que droga - James olhou para ele nervoso - logo no dia mais provável pra você aceitar faltar com a gente, você quer ir na aula?! Vai te foder, Remo!
Sirius riu e deu mais um tapinha nas costas dele, como se o apoiasse naquela decisão. Para eles, era melhor ver o amigo entusiasmado e inclinado à ir nas aulas do que parado dentro de sua própria depressão. Era fato que ver por aí não faria bem a ele, mas aquilo já era impossível de ser consertado. Só o próprio Remo podia sair do poço imenso que criou quando deixou a garota sozinha no baile, e ele e sua timidez não estavam dispostos a dar tudo de si.
Eles desceram juntos, passaram pela sala comunal onde Lilly e Marlene conversavam no tapete e desceram. Remo observou as garotas e não disse nada, tentava quase inexistir. Se ele desse muita pinta, para ele, todos veriam sua nova cicatriz e ficariam cientes de sua situação precária; eles não saberiam do lobo, é claro, mas saberiam que ele teve problemas. Talvez precisasse ir até Dumbledore por isso! Passou pelo quadro da mulher gorda cabisbaixo e então se voltou para seus amigos enquanto o fluxo de alunos parecia comum no corredor.
- Cadê a ? - ele disse olhando especificamente para Sirius, que por namorar Marlene, parecia o mais apto a saber a resposta.
- Eu não sei. Talvez ela esteja meio cansada - ele deu de ombros e quando o garoto se virou, ele e James se entreolharam. Aquele era um segredo válido que precisavam guardar.
Eles andaram juntos até o primeiro andar, para o salão comunal; passaram algum tempo ali, conversando e é claro, comendo. As garotas apareceram ali depois de alguns minutos e até mesmo a própria havia descido; ele não pôde deixar de notar no curativo da cabeça dela. Graças a Marlene, ela e Lilly se sentaram próximas a ele; a garota parecia cansada e sua cabeça parecia dolorida, já que ela evitava falar muito. Ele conseguiu notar que as garotas trocavam papo o tempo inteiro, exceto por ela, que parecia muito mais concentrada em apenas existir por algum momento; quando Marlene mencionou algo sobre Draykmova e o dia anterior, ele tentou ouvir atentamente o que diziam. Era incapaz naquele instante com tantas vozes cruzando a dela.
Sentia raiva, por mais que soubesse estar sendo injusto; ele sentia vontade de esmagar o tal Ivan com as próprias mãos, mas se sentia injustiçado. Se sentia castigado por ter de estar na posição ruim da história graças a uma condição da qual não se orgulhava e tampouco era culpado. Respirou fundo olhando para seus amigos, que notavam o leve descontrole dele quanto àquela situação e então começou a falar:
- O que... - ele disse, mas acidentalmente saiu alto demais; todos os próximos desviaram suas atenções a ele, incluindo a própria , que falava algo e interrompeu a si mesma para encará-lo. Ele quis morrer ao perceber que acidentalmente olhava para ela ao invés de seus amigos, e que acabara de se colocar em uma situação incrivelmente constrangedora. Podia jurar que suas bochechas ardiam agora; ela o olhava sem compreender, talvez com um pingo de curiosidade e espanto por ter reagido daquela forma. Suas amigas se entreolharam quando ele pigarreou e a olhou diretamente, tentando disfarçar e continuando a frase: - aconteceu com a sua cabeça?
Dessa vez, ele terminou baixo e calmo, tentando retomar a serenidade de sua voz. Sirius e James começaram a rir entre si, tentando disfarçar para que não visse. Lilly e Marlene voltaram a conversar entre si, tentando forçá-los a conversarem e terem uma chance um pouco melhor de se darem bem.
- Ah, bem... - ela raspou a garganta e levou a mão levemente ao seu machucado. - eu realmente não sei ao certo. - riu de leve - as garota disseram que Hagrid me trouxe no meio da noite e aparentemente eu bati a cabeça e estava desmaiada no primeiro andar.
- Mas... ninguém te achou antes? - ele levantou as sobrancelhas curioso. - digo, depois do toque de recolher é no mínimo...
- Eu sei, não é? Muito difícil de sair dos dormitórios - ela riu. - eu não sei como aconteceu mesmo, mas bem, isso aqui não é nada. Só arde um pouco.
Ele assentiu dando um sorriso gentil e observando o machucado mais uma vez. Os olhos profundamente acinzentados dela ainda estavam fixos nos castanhos dele, que por uma fração de segundo encontraram as pupilas dilatadas da garota antes que ele pudesse desviar o olhar e abaixar sua cabeça. Queria evitar aquele contato que tanto lhe machucava naquele instante. Ele pensava no que seria dela se o visse no dia anterior;
Remo foi evitado pelos dias em sequência. Poucas eram as vezes em que eles realmente se falavam, e isso somente na presença de todo o resto do grupo. Ele vez ou outra a via na biblioteca, observava sua leitura tão concentrada e então percebia que ela começava a ficar incomodada com os olhares por mais que mal soubesse de onde é que eles vinham. Passou então a se reter a observá-la nos corredores, onde seus cabelos ondulados voavam enquanto ela passava a passos rápidos e decididos. Não a via faltar a uma sequer aula, e no resto de seu tempo livre, a via estudar e se esforçar em seus deveres.
parecia por outro lado incrivelmente incomodada com a semana que se passou enquanto estava totalmente afastada de Remo; ele parecia se recuperar eventualmente, mas tudo ainda parecia tão estranho... Sua testa melhorou, mas a sensação de vazio por não se lembrar de absolutamente nada nunca mudaria. Ela sempre sentiria a falha de sua memória como se alguém lhe tivesse enfeitiçado. Queria saber ao menos que era verdade sobre Hagrid, mas imaginava que o colégio não mentiria a respeito disso.
Quanto a isso, era suspeita para dizer. Ela escondia coisas deles também.

- x -

A aula de transfiguração acabara não há muito e todos os alunos saíram para o toque de recolher. Era a última aula do dia e logo depois só haveriam a janta e todos se recolheriam a seus dormitórios, como de costume. A figura conhecida se esgueirou pela porta, fechando-a e atraindo a atenção da professora MacGonagall que usando sua varinha, reunia todos os seus pergaminhos e livros no armário do canto da sala. Ela observou a figura por cima do óculos e deu um sorriso limpo e claro.
- A sra. está ocupada, professora MacGonagall?
- Não, não. - ela levantou a cabeça, segurando as mãos na frente do corpo. - o que deseja?
- Poderíamos continuar agora, se não é incômodo? - ela deu um sorriso torto com sua varinha em mãos. Tinha uma expressão amável e uma fome de conhecimento no olhar que fazia com que a professora sem dúvidas a nomeasse uma de suas mais brilhantes estudantes, sem dúvida.
- É claro, srta. .


Capítulo 5

O primeiro desafio do torneio tribruxo parou a escola mesmo dias antes. Quando anunciada a data, todos pareceram relaxar com relação aos estudos e se concentravam na animação, na torcida e no clima esportivo que a escola adquiria naquela situação. No grupo das garotas, Marlene e Donna pareciam incrivelmente interessadas nos jogos; elas gostavam daquele tipo de festividade, o extremo contrário de Lilly e que apesar de não terem nada contra, simplesmente não viam diversão alguma naquilo. Lilly julgava uma boa maneira de relacionar bem os colégios e formar parcerias, mas não gostava da violência e da alta periculosidade; não achava nada diplomata, achava as relações incrivelmente atritantes apesar da falácia de que formava parcerias e também era contra toda a violência. O torneio era famoso pela dificuldade e pelo perigo, é claro. Nada garantia a integridade do aluno.
No que dizia respeito aos garotos, nenhum deles realmente ligava para o torneio. A menos que um deles fosse campeão, não era do interesse de nenhum - James odiava Durmstrang e não queria vê-los exibindo músculos e habilidades em campo, Peter não tinha uma opinião formada o suficiente, Sirius acompanhava seus amigos em qualquer que fosse o lugar e Lupin odiava o torneio no geral. Tentava se afastar o máximo possível. Esse era o fator principal para serem um dos únicos grupinhos reunidos no campus, bem longe do campo de quadribol, onde os jogos começavam. O desafio era quase como um jogo, mas era um pouco diferente. Haviam diversos pomos de ouro espalhados pelo campo, todos mais rápido do que o próprio pomo original. Três deles possuiam uma mensagem dentro, uma dica para o próximo desafio, mas era extremamente veloz e havia um tempo máximo para que conseguissem pegar o pomo certo. Quem não conseguisse a tempo, logicamente, estava fora da competição.
Lilly, Donna, e Marlene andavam lado a lado e conversavam enquanto iam em direção ao grande estádio. andava silenciosa desde o dia em que bateu sua cabeça. Pediu ajuda ao professor Slughorn para talvez refrescar-lhe a memória, mas ele prontamente recusou explicando que seria um feitiço perigoso e poderia lhe trazer sequelas. Ela procurou também pela professora de DCAT, mas nem sequer a encontrou; havia tirado satisfações com Hagrid também, mas tudo o que o gigante disse foram informações mínimas e nem um pouco precisas. Ele a encontrou perto da portaria do colégio com uma grande ferida na testa, não sabia sequer o que acontecera, mas não foi atacada por outro aluno - isso, ele saberia. Ela sentia a necessidade de procurar pela memória vaga em sua mente, a única que faltava - a ideia de que algo lhe faltava em meio a várias outras memórias fazia com que ela ficasse louca.
- Acham que Ivan vai lançar beijinhos pra nossa hoje? - Marlene disse fazendo um biquinho engraçado que fez todas as garotas rirem. só deu um risinho e apertou um lábio contra o outro.
- Ei, relaxa. Só hoje tenta ficar calma! - Donna disse passando a mão pelo ombro da amiga. Era estranho como conseguiam brigar e no dia seguinte estarem normais de novo. - ele com certeza vai fazer alguma gracinha, mas literalmente todas as meninas do estádio vão querer tar no seu lugar.
- Eu sou a única que não quer tar nesse lugar, pelo visto. - bufou. Lilly a olhou de relance. Sabia que a amiga passava por algo difícil naquele momento, por mais que procurasse esconder. Ela sabia que Remo tinha algo a ver com aquilo; os dois andavam mais estranhos do que nunca. Quase nunca se falavam, eles evitavam sequer a presença um do outro e quando estavam por consequência no mesmo ambiente, não tiravam os olhos um do outro nem por um segundo sequer. Parecia uma batalha que ela não sabia ao certo por que ou quando começara.
- Você não precisa tar nesse lugar, - a ruiva sorriu segurando a mão da amiga. - ele é só um cara, você tem coisas mais importantes pra pensar no final das contas.
Lilly sussurrava indicando a ferida que agora quase desaparecia da testa da amiga. esboçou um sorriso e assentiu, e então aquela foi a conclusão. Elas entraram no estádio e se sentaram na arquibancada, parte da grifinória; quase todo o colégio estava ali, e o professor Dumbledore presidia a apresentação. Já haviam se passado todas as instruções, o jogo estava para começar quando se sentaram e se acalmaram junto com a multidão.
- Vai, Amos! Hogwarts, caralho! - Marlene gritou chamando a atenção de muita gente sentada na frente delas. Lilly e caíram na risada imediatamente vendo a situação constrangedora da amiga, que murchou completamente e acabou rindo também.
O jogo parecia correr bem, e Draykmova não parecia ter tempo o suficiente para se preocupar com , o que era um alívio para ela. A garota torcia para não ser vista, e ele parecia tão concentrado que mal observava os arredores e tampouco procurava por ela. Ele estava na frente, já havia pegado alguns pomos enquanto a garota de Beauxbatons pegara dois, e Amos, nenhum. Os alunos iam a loucura quando Diggory se aproximava de algum pomo e conseguia pegá-lo, toda a escola gritava em uníssono, mesmo a sonserina que não compactuava com outras casas; toda aquela gritaria parecia fazer a cabeça de explodir, mas suas amigas pareciam se divertir muito ali, então deixou para lá.
- Feijõezinhos, doces, guloseimas, jornal? - um aluno do segundo ano passou com uma bandeja oferecendo todo tipo de doce que existia e também segurava alguns jornais. o olhou confusa, pois parecia ter sido a única ali a sequer perceber a presença dele.
- Você tá vendendo jornal? - ela levantou a sobrancelha.
- É uma edição especial. Um aluno mesmo que fez - ele disse, com um sorriso suspeito. o olhou confusa observando os jornais; as imagens se mexiam. Ao contrário do que pensava, muitas pessoas na verdade compraram o jornal. Ela viu aquilo na mão de muitas pessoas que desviavam suas atenções do jogo para prestar atenção em algo bombástico na capa. Pegou um jornal um pouco assustada entregando algumas moedas para o garoto, e então abriu na primeira página.
Tudo foi rápido demais a partir dali. Ver todos rindo, desviando as atenções do jogo para elas - para Marlene, que acabara de voltar chorando e desesperada do banheiro - e segurando as folhas da manchete principal do jornal alto fez com que precisasse segurar seus nervos. A loira tinha os olhos vermelhos, o rosto afundado nas mãos e a vergonha batia severamente na cabeça dela naquele instante. Lilly se atentou e pareceu não entender de primeira, até que a própria Marlene entregou o jornal para a ruiva.
A manchete dizia "Filmagens de aluno misterioso causam tumulto em Hogwarts". O jornal claramente não era famoso, nem sequer parecia um jornal digno. Aquilo parecia ter sido feito por um próprio aluno e copiado trilhões de vezes; não tinha nem um nome. A imagem que se movia mostrava Sirius e Marlene, embora a manchete alegasse ser um aluno misterioso, a identidade de nenhum dos dois estava protegida. Muito pelo contrário, eram plenamente reconhecíveis. Eles estavam conversando e então de repente Sirius a puxava para perto de si, e rapidamente eles estavam...
- Quem foi o desgraçado?! - disse revoltada se levantando e berrando para o garoto que entregava o jornal. Ele estremeceu e se assustou e então saiu dali, tropeçando nas pessoas até ver que estava seguro. bufou e se colocou atrás de Lilly e Marlene, que saíam da arquibancada. Alguns alunos da sonserina gritavam coisas horrendas que elas preferiam esquecer terem ouvido. Donna veio logo atrás, assustada com todo o tumulto.
Assim que fora da arquibancada, Marlene andava chorosa e desolada na frente; Lilly e vinham logo atrás, segurando-a pelo ombro e tentando acalmá-la um pouco para que ao menos pudessem entender o que está acontecendo. Donna ainda corria para alcançá-las. Elas não pararam de andar enquanto conversavam, desciam o campus em direção à escola.
- Garotas, só pode ter sido ele. - Marlene disse soluçando. - A câmera tava no quarto dele, dá pra ver se analisarem o vídeo... Ele mesmo filmou. Ele mesmo espalhou. Um garoto no corredor me disse...
- Te disse o que? - Lilly a olhou horrorizada.
- Ele me mostrou o vídeo e disse que esse era o preço por se confiar no Black! - ela disse desmoronando no choro. Não muito distante dali, os marotos eram visíveis. Eles estavam encostados na pedra deles, reunidos; comiam algo juntos e riam. Não pareciam ter notado nas garotas até então.
olhou para sua amiga por um instante, andando a passos curtos, as mãos trêmulas, os olhos desesperançosos e a vergonha que aflingia sua alma por ter sido exposta daquela forma tão brusca e estúpida, a sensação da traição que provavelmente lentamente lhe batia no peito... Ela parou. As garotas a olharam com certa confusão enquanto ela se desviava do curso do grupinho, que ia em direção a escola. Ela pensava consigo. Ela implorava para si mesma que reconsiderasse suas atitudes e contasse até dez, mas ela não contou nem sequer até cinco antes de desistir de se acalmar.
Foi em direção aos marotos, que lentamente se viraram para ela confusos. A expressão que carregava não indicava nada de bom, ela viu os olhares de confusão enquanto ela andava a passos firmes na direção deles, as mãos abaixadas e os cabelos que voavam com o vento forte que batia contra seu rosto; Eles pareceram ligeiramente assustados ao ver que ela não pretendia parar, embora estivesse muito perto.
- Ahn, , por que você não... - James disse olhando para ela meio confuso e então se assustou imediatamente.
Ela inconsequentemente fechou o punho e reuniu toda a força e o ódio que tinha dentro de si. Desferiu o maior soco da sua vida em cheio bem na cara de Sirius, que caiu para trás com o impacto e o susto. Ele segurava o próprio nariz que agora sangrava e olhou para cima extremamente assustado e curioso, claramente não compreendia nada.
- Não se finja de idiota, Black! - ela gritou, claramente descontrolada. - o que você fez não tem perdão, nunca vai ter!
- Mas o que eu fiz?! - ele a olhou completamente confuso e chocado. Lupin se aproximou quando ela fez como quem iria pra cima dele de novo, e se colocou na frente dela; a mão dele segurou o pulso dela. O choque foi instantâneo, a força inexplicavelmente absurda dele a conteve mas ela o evitou puxando bruscamente sua mão e encarando os olhos castanhos dele.
- ...
- Que porra?! - James parecia assustado e alheio a tudo, dividia sua atenção entre Sirius que segurava seu nariz no chão e , que parecia uma entidade maligna que desejava a morte de cada um deles.
- Você destruiu a vida dela, cala a boca e para de ser um hipócrita filho de uma puta! - ela gritou, sendo segurada por Lupin novamente Imediatamente se soltou dele. - honestamente... isso foi o auge do pior que conseguiriam fazer.
James olhou para Sirius revoltado, mas seu amigo parecia tão assustado que imediatamente lhe deu certa credibilidade. Lupin parecia estar em um estado nervoso agora, mas ao invés de se conter, parecia querer se impor.
- , você tá sendo precipitada – ele começou a se explicar, imaginando saber do que se tratava o assunto, mas a garota parecia pronta para deixá-los para trás; - espera, não pode simplesmente ir embora assim!
- E você não tem muita moral pra falar sobre isso, tem, Remo? – ela o olhou com seus olhos desafiadoramente cinzentos, como um céu que agora trovejava faíscas e raios mortais; Lupin engoliu em seco calando-se imediatamente. Claro, ela ainda estava magoada. Ele não podia deixar de contar com aquilo, como pôde ser tão idiota? James bateu a mão na testa vendo a situação cada vez mais desagradável que aquilo acabava se tornando. Sirius, que já estava de pé, mantinha o rosto levantado para que o sangue não caísse tanto.
- Vocês são piores do que eu imaginei. – ela disse decididamente como se aquela fosse sua conclusão final. – por favor, nunca mais procure pela Lene.- disse diretamente a Sirius antes de virar-se pronta para deixá-los. Lupin segurou a mão dela, mas foi interrompido de imediato.
- E você nunca mais procure por mim! – ela disse com uma voz trêmula ao sair, os cabelos balançando, os pés batendo fortemente no chão e o coração claramente palpitante como se aquilo tivesse sido uma decisão difícil; ele a viu deixá-los, os olhos castanhos a acompanharam até dentro do colégio onde se encontrou novamente com suas amigas e agora todas pareciam confortar uma a outra, Lilly, e Marlene.
Lupin bufou sabendo o quão péssimo aquilo era, e sabendo também que como ser humano – e estupidamente apaixonado por aquela garota – seria incapaz de nunca mais procurá-la. Ele precisaria quebrar aquela regra.
- O que você fez, cachorro? – James olhou para Sirius confuso coçando o topo da cabeça. Agora que suas chances com Lilly tinham ido para o ralo e possivelmente as de Remo com também, tudo o que lhe restava era tentar restaurar o relacionamento perdido de Sirius e Marlene.

As garotas

Lilly entregou uma caixa de lenços nas mãos da amiga que agora desabava em lágrimas em meio à cama lotada de travesseiros de ; a dona da cama, sentada na janela do quarto, tentava pensar um pouco em tudo aquilo e no que podia ser feito. Abraçou os joelhos olhando para a amiga derrotada na cama.
- Lene, não se preocupe. Dumbledore vai tomar as medidas certas pra acabar com esse vídeo. – Lilly afirmou observando-a tentar argumentar algo, mas sendo incapaz. A garota balbuciava mas o choro era tanto que se tornava inaudível.
- Ele já sabe? – perguntou, mas Lilly abanou a cabeça negativamente como se também não soubesse a resposta. – eu espero que no mínimo expulsem aquele desgraçado.
- Eles vão. – Lilly assentiu cerrando as sobrancelhas. Todos estavam no desafio do Torneio Tribruxo, exceto por elas; conseguiram driblar Filch e voltarem naturalmente para o dormitório, mas sabiam que muito em breve a professora MacGonagall apareceria ali procurando por Marlene. Aquele assunto se espalhara pela escola inteira em questão de minutos, e agora provavelmente todos sabiam.
- Todo mundo já sabe – Marlene soluçou – todo mundo viu aquela porra de vídeo, agora eu sou assunto desse colégio inteiro! Aliás, dos três colégios inteiros. Droga, droga! – ela batia no próprio rosto. Lilly a segurou abraçando-a, a impedindo de continuar a se agredir.
- Lene, isso não é culpa sua! – desceu da janela olhando-a com uma expressão séria. – de jeito nenhum! Você confiou nele, ele foi um idiota, de quem parece ser a culpa?!
- É claro que a culpa foi dele, mas eu fui uma imbecil por confiar nele!
- Ele era seu namorado – Lilly a olhou com compaixão – seria estranho não confiar nele, não acha?
- Que droga! – praguejou mais uma vez. – Por que isso tinha que acontecer logo agora, logo esse ano?! Logo quando o torneio tribruxo tá sendo sediado pela nossa escola e literalmente todo mundo vai ficar sabendo?! As garotas de Beauxbatons devem tar rindo de mim até perderem o ar!
- Dumbledore já deve saber – afirmou dando um aperto amigo no ombro de Marlene. – e se ele sabe, o que certamente sabe, ele com certeza já deu um jeito de parar. Ninguém deve estar vendo isso mais, Lene, não se preocupe.
- Por favor, vocês podem me deixar sozinha por alguns minutos? – Marlene afundou a cabeça no travesseiro. suspirou segurando a mão de Lilly e andando com a ruiva até a porta; era o mínimo a se fazer, imaginava-se. Elas desceram as escadas e se jogaram no enorme sofá da sala comunal. A lareira sempre acesa dava uma impressão confortável do ambiente, mas naquele dia, todas as garotas do mundo sofreram uma perda. Uma delas foi exposta, humilhada; enganada. Marlene fora destruída, e suas amigas consequentemente também.
pegou um copo de café para si e um para a amiga e retornou ao seu lugar inicial.
- Só pra deixar bem marcado, o soco que você deu nele foi fantástico. – Lilly disse com uma risada baixa.
- Eu não sou muito agressiva, mas admito que foi maravilhoso arrancar sangue do babaca. – ela riu de volta, brindando com a amiga.
- Acha que ela vai ficar bem mesmo?
- Com certeza, eventualmente. Mas ainda assim... ele não pode sair impune, Lilly.
- Ele não vai.

Os garotos

- Aquela garota era importante pra mim, idiota! Eu já disse isso um trilhão de vezes! – Sirius berrava para Peter que tentava ininterruptamente convencê-lo de que devia seguir em frente e procurar outra garota. Era óbvio que agora Marlene não era sequer uma opção viável, mas Sirius já havia sido um garoto muito diferente; antes da loira, era excessivamente... galinha. Ele tinha tantas namoradas que não cabiam nas mãos dos amigos contarem, mas desde que Marlene surgira com uma fala tão doce, olhos serenos e um jeito que mexia com ele, as coisas mudaram de certa forma em sua cabeça. Era um cara diferente, bem mais maduro do que o moleque de antes.
Lupin parecia pensativo, afastado do grupo naquele instante. Por mais que sentado ao lado de James, ele não prestava atenção na conversa e seus pensamentos estavam distantes dali; mais precisamente em e talvez um pouco em Marlene. Tentava considerar que seu amigo dizia a verdade ao afirmar não ter sido ele quem mostrou aquela gravação a todos, mas até mesmo para ele aquilo era difícil de crer. Se Sirius estava sozinho com ela, quem mais, então?
Peter parecia ser o único a dar total credibilidade ao amigo e ainda assim pretendia apresentá-lo algumas das garotas dos anos anteriores, parecia imaginar realmente estar ajudando com toda aquela falácia.
- Cala a boca, Peter, você é babaca demais pra ter voz – James disse fechando a cara e empurrando ele para longe – eu não sei, cara, isso é complicado... Isso me complicou com a Lilly.
- Te complicou com a Lilly? – Lupin riu de nervoso – se eu já tava complicado com a , eu tô o quê agora então?!
- Destruído, colega, sinto muito. – ajeitou os óculos – vamos resolver essa parada, mas antes de tudo.. Foi você ou não, Sirius? É sério. Me vê como o seu advogado, você tem que me contar a verdade!
- É claro que não fui eu, babaca! – o moreno balançou a cabeça decepcionado – eu não sei quem ou como, mas não fui eu quem fiz essa merda sem tamanho.
- Vamos precisar achar um jeito de provar isso. – James disse apoiando o rosto na mão. – acho que um ponto bom pra começar é achar o culpado, né. Remo?
- O quê?
- Você é o único que pensa aqui, dá uma luz! – Peter se intrometeu.
- Deixa o cara, ele perdeu a garota dele também – James bufou.
- Você devia me agradecer, Aluado, eu te fiz um favor! – Sirius disse revoltado – a sua garota é uma louca psicopata!
- Vai falar que ela não tinha toda a razão? – Lupin levantou a sobrancelha.
- Ela quebrou o meu nariz! – ele gritou revoltado de um jeito engraçado.
- Para de ser fresco, isso aí foi no máximo um cortezinho – James disse resmungando. – você fez por merecer, cachorro.
- Mas eu nem sabia do que se tratava, eu não tinha como me explicar sem ela me dizer do que é que tava me acusando! Qual é, gente, não me digam que vocês vão ficar do lado delas...
- Não tem lado nessa história, almofadinhas, você só não percebeu ainda que não existe quase nenhuma forma viável da gente provar pra elas que você não fez nada – Lupin disse cruzando os braços – e que estamos completamente fodidos por causa de absolutamente nada. Tipo, pra sempre.
James deu um tapinha nas costas do amigo e então todos eles permitiram o silêncio reinar. Foi um momento solenemente engraçado, e então Sirius acabou sobrando como o único ainda sentado na grama. Lupin decidiu ir para seu quarto, Peter e James por outro lado decidiram assaltar a cozinha enquanto todos estavam prestando atenção no torneio.
Preso nos próprios sentimentos, o garoto Black limpou o último filete de sangue que secou logo abaixo sua narina; ainda sentia a dor no osso e o hematoma crescia, mas aquilo mal se comparava à tristeza que sentia no mesmo instante, não por ter perdido Marlene, mas por sentir ser sua culpa tê-la exposto. Sentia que os olhos ao seu redor lhe parabenizavam o tempo inteiro pelo feito, mas crucificavam Marlene; o que os diferenciava tanto assim, naquele instante? Eles estavam transando. E daí?
Marlene era uma garota, e isso aparentemente era um problema para as pessoas que o parabenizavam – porque, é claro, ele era um garoto, e aquilo lhe acrescentava status -. Ele bufou olhando o céu se fechar e as nuvens furiosas trovejarem com toda a força; o campo de força instalado ao redor da arquibancada impedia que as gotas caíssem sobre as pessoas no Torneio, mas não nele. Sentia seu rosto molhado por partes pela água gelada da chuva e por partes pelas suas lágrimas quentes. Não queria sofrer por aquilo, mas Black não fazia exatamente o tipo que fazia mal aos outros e se sentia bem com aquilo, e sentia que fazia muito mal a Marlene naquele momento.
Uma mão conhecida se esgueirou pelo ombro dele por trás. As duas mãos se instalaram na frente de seus olhos; mãos delicadas que ele certamente conhecia. Riu um pouco, parecendo incrédulo.
- Lene?!
Para sua decepção, a garota a se sentar ao seu lado não tinha os cabelos loiros e a expressão doce de Marlene; os cabelos negros e lisos – agora, molhados – de Donna estavam jogados para o lado, em seu ombro, e ela carregava uma expressão pesarosa e ao mesmo tempo gentil. A garota pousou as mãos sobre as pernas enquanto Sirius forçava um sorriso falso.
- Foi mal, mas não dessa vez. – ela riu um pouco. – isso no seu rosto são gotas de chuva, eu suponho.
- É claro que são.
- Não fique assim, Six. – ela suspirou apoiando a cabeça na mão esquerda enquanto o olhava com um biquinho imenso no rosto. – é de cortar o coração.
- Sabe que ela nunca mais vai olhar na minha cara, Donna. Aliás, sabe melhor que eu.
- Eu sei, sim. – suspirou – mas acho que a Lene é um pouco exagerada às vezes. Digo, o tempo todo. Sei lá, é uma coisa meio comum... só sexo. Ela não devia ficar tão puta por isso!
- Bem, ela foi exposta contra a vontade dela. – ele disse na defensiva – mas ela se recusa a acreditar em mim, isso me dá nos nervos...
- Eu sei. Não tiro sua razão. – Donna sorriu. – Digo... se ela não acredita em você, então porque são namorados?
- Sim, eu penso assim, eu... – Sirius se interrompeu naquele instante. Sua expressão mudou da maior revolta para a mais complexa suspeita e então ele a olhou com as sobrancelhas cerradas – você acredita em mim?
- É claro que sim! Por que não acreditaria?!
- Sei lá, aparentemente todas as garotas do mundo querem me dar um soco agora! – ele suspirou apontando para o próprio nariz. – fez isso!
- Ela é uma selvagem, todos nós sabemos disso. – Donna riu como se aquilo não fosse surpresa alguma – não se reprima tanto, Six. Algumas delas só querem te dar um pouco de carinho e um colo amigo – sorriu delicadamente removendo os fios selvagens do moreno da frente de seu rosto, agora molhado pela chuva; ele pareceu inicialmente confuso mas não soube reagir. Não abriu a boca para dizer nada, também. Ele assentiu.
- Eu devia me desculpar, talvez ela me entenda...
- Isso é literalmente a pior ideia pra esse momento. Você devia manter distância dela, de todas elas, pra ser sincera; ninguém daquele grupo vai fazer o mínimo esforço pra entender você agora, e como já viu, elas não sabem lidar com emoções fortes...
- Mas...
- Lene não te merece. – ela disse fazendo com que ele se calasse. Donna suspirou como se aquilo fosse incrivelmente frustrante. A cabeça de Sirius girava em círculos, pois anteriormente imaginava ter finalmente a ajuda de alguma das garotas, mas aparentemente, Donna não estava ali para ajudar em nada. As coisas que ela dizia entravam em seu cérebro como uma punhalada. Talvez aquilo tivesse algo a ver com o fato de se sentir tão culpado naquele instante mas, o ponto era: Donna conseguia fazê-lo se sentir melhor. Ela fez com que a ideia da não culpa entrasse em sua cabeça, por fim.
- Mas ela é tudo o que importa pra mim. – disse baixo, quase mudo.
- Por enquanto, porque você é cego. Quando começar a enxergar o quão egoísta ela tem sido... vai entender o que eu tô te dizendo – disse com um sorriso fraco – sinto muito que ela tenha sido tão péssima e evasiva com você, Six.
- Evasiva? – ele franziu o cenho observando a grama que lentamente se empoçava. Donna esboçou surpresa em seu rosto e tapou a própria boca, parecendo ter dito algo que não devia.
- Bem... na verdade eu não tenho nada a ver com isso, me desculpa. – riu – é só que... bom, eu e a Lene, as garotas, somos todas muito próximas. Eu acabo sabendo de coisas que talvez você não fique, mas... é sério, não é nada. Não ouviu nada de mim.
Sirius a olhou confuso e ao mesmo tempo um pouco nervoso. Ele parecia um pouco surpreso, também, e enquanto Donna se preparou para levantar, ele não permitiu.
- Por favor, do que você tá falando? Eu tô meio perdido...
- Você não sabe? – Donna o olhou com compaixão. – você não foi o único, Sirius. Mas é sério, finge que nunca ouviu isso de mim! Eu realmente sou leal as minhas amigas, mas você sabe, eu não posso deixar essa injustiça rolar assim...
- Não fui o único a transar com a Marlene? – ele disse bufando – não é como se isso fosse da minha conta, ela pode transar com quem ela quiser. Não tenho nada a ver com o que era da vida dela antes de mim...
- Não, não, querido. Você não entendeu. Isso não foi antes de você!
Sirius a olhou com toda a confusão e sinceridade que o mundo poderia concentrar em uma só pessoa. Sentiu seu coração esmigalhado chorar dentro do peito, mas engoliu forte o choro. Como Marlene poderia ter sido tão injusta?! Ele reconhecia que a gravação era a maior covardia do universo, e entendia que ela não quisesse ouvi-lo, até porque o boato era de que ele tinha espalhado; mas agora saber que ela o traiu?! Aquilo parecia no mínimo um ultraje, como ela pôde não confiar nele quando na verdade ela era a única que não merecia credibilidade?!
- O que?!
- Olha só, por favor... você não ouviu isso de mim, tá certo? – ela suspirou – não quero perder a minha amiga. Só quero que saiba que pelo menos nessa eu tô do seu lado, ok?
- Quem é? – ele disse nervoso, tentando contar as próprias palavras – o cara, quem é?!
- Ela não é tão boba assim, nunca chegou a me dizer. Talvez tenha dito pra ou pra Lilly, sei lá... Elas têm essa mania de me excluir um pouco às vezes – suspirou – mas bem, eu não sei, Six, sinto muito. Só... não se preocupe, ok? Marlene não te merece e agora você finalmente tá livre dela.
Donna se levantou, observando-o afundar a cabeça entre as mãos. Ela saiu dali assim que ele pediu para ficar sozinho por mais algum tempo, e então foi para a arquibancada, terminar de assistir o jogo interrompido pelas metades. Sirius passou mais algum tempo chorando na chuva, se revoltando mais até decidir procurar seus amigos e finalmente dizer algo a eles sobre Marlene.


Capítulo 6


- Você tem se tornado cada vez melhor, srta. ! – Minerva afirmou com um sorriso largo em seu rosto. Segurava os dois ombros da aluna por quem tinha tanto apreço e orgulho. – Não me surpreende que esteja se dedicando tanto, mas me deixa muitíssimo orgulhosa.
- Obrigada, professora MacGonagall – sorriu enquanto a professora tirava de suas coisas um livro; tinha uma cor vinho, sem capa ou sinopse. Sem nome, autor, qualquer mínima indicação sobre o que se tratava. Como apreciadora dos mistérios, aceitou de bom grado embora já pudesse imaginar exatamente sobre o que se tratava.
- Bem, por hoje é só. Não quero que se sobrecarregue. Aproveite o seu dia de folga, , suas amigas devem estar procurando por você.
“Elas são estabanadas demais para procurarem por mim” pensou consigo, “Devem estar no Caldeirão Furado tentando extorquir cervejas amanteigadas para Lene”. Assentiu para a professora agradecendo mais uma vez pelo livro e pelos elogios e se enfiou pelas grandes portas da sala de transfiguração onde somente as duas visitavam nos dias de folga. Todos espalhados pelos corredores conversavam sobre o dia anterior; não ouviu nenhum comentário sobre a gravação de Marlene, mas recebia todos os olhares possíveis quando passava a qualquer lugar. Por outro lado, a grande maioria dos alunos parecia concentrado demais no Torneio Tribruxo para sequer se lembrar de Marlene e Sirius. Comentavam que todos os participantes conseguiram passar do primeiro desafio. Bufou; não suportava os olhares galanteadores de Ivan todos os dias, o que será que ela precisaria fazer para tirá-lo de perto de si?!
Viu os marotos no corredor principal, reunidos em um canto. Todos eles pareciam fazer um círculo em volta de Sirius, ouviam alguma história que o moreno contava; ela não os olhou, e automaticamente franziu o cenho. “Quem ele pensa que é pra sair inventando qualquer coisa sobre a Lene? Pra se defender, ainda por cima?! Nem pros amigos ele diz a verdade?” suspirou; não acreditava que em algum momento tinha acreditado na integridade daquele cara.
Olhou de relance para Remo. O rapaz não a vira antes que Sirius a indicasse com a cabeça, e então ela desviou o olhar para qualquer quadro vivo que vira pela frente.
- Bom dia! – ela trovejou para o quadro. Não era boa controlando qualquer coisa nervosa. O quadro se assustou de início e então depois riu um pouco devolvendo um bondoso “olá, tenha um bom dia”. forçou um sorriso e continuou seus passos rápidos até a biblioteca. Estava ansiosa para ler aquele livro logo, e não tinha tempo para pensar nos marotos agora, é claro.
Os garotos

- Isso tá estranho. – Remo afirmou. – Donna te disse isso? Impossível. São amigas inseparáveis, elas dividem o mesmo quarto.
- É justamente por isso, Aluado! Donna é a única das três que saberia mais sobre a Lene. Ela sempre ficou mais perto!
- Não imagino que o nosso querido Aluado perderia a fé na preciosa pra acreditar na Donna, Almofadinhas, e eu também duvido que você perca a fé na Lene pra colocar credibilidade nessa menina. – James disse revirando os olhos.
- Eu já perdi a fé na Marlene há um bom tempo, acredite – o rapaz cruzou os braços e franziu o cenho. Agora estava com raiva. Remo suspirou, pois não via nem sequer um pingo de razão no que o amigo fazia, mas como o maior cabeça dura da história, Sirius jamais ouviria qualquer coisa que algum deles tivesse a dizer. Mesmo james, com a melhor lábia, não conseguiria convencê-lo do contrário.
Sirius queria confrontar Marlene e dizer para ela que já sabia sobre as saídas e traições. Por outro lado, gostaria de conversar com Donna novamente, ter mais argumentos e talvez até mesmo agradecer pela ajuda. Sua cabeça embaçada e complicada pela situação não conseguia enxergar a grade de problemas que tudo aquilo criava, mas agora, cego pelo ódio, se sentia agradecido por terem terminado.
- Não pode tar falando sério, Sirius... Você realmente considera isso? – James disse olhando confuso para ele quando viu o olhar focado do amigo.
- Eu vou falar com ela, independente do que vocês me disserem. Ei, Romeu, sua namorada já saiu da sala da MacGonagall. – ele apontou com a cabeça. Remo olhou para trás, vendo-a bater fortemente seus pés e seus cabelos enormes e negros balançarem conforme andava. A cabeça totalmente empinada sem dar nem sequer atenção para ele.
- Não pode falar com ela! – James disse nervoso para Sirius.
Remo se afastou do grupo dos amigos imediatamente sem se explicar. Nenhum deles precisava de explicação alguma, todos sabiam que agora entrava no corredor mais vazio do colégio, e era o ponto perfeito para a conversa que há muito Remo gostaria de ter com ela; ele fez a curva a passos rápidos até se aproximar um pouco dela.
- ! – ele disse, tentando chamar a atenção dela. A garota parecia nem sequer ouvi-lo. Continuou andando atrás dela. – ei, precisamos conversar...
- Nem perca seu tempo, Remo. – ela disse subindo rapidamente as escadas, deixando-o plantado no primeiro degrau. Ele abriu a boca para dizer algo mas suspirou balançando negativamente a cabeça, sabendo que nada daquilo adiantaria por ora.
- Dói mas passa. – uma voz chorosa disse detrás das escadarias; a silhueta de Lilly se formava gradualmente à medida com que seus passos faziam com que a luz atingisse seu corpo. Remo se endireitou tombando o rosto curioso pelo motivo capaz de trazer lágrimas aos olhos de Lilly Evans. – sério, passa mesmo.
- Por que está chorando, Evans? – ele se aproximou em um passo observando-a cautelosamente. Remo era um rapaz doce; ele não sabia se Marlene havia sido ou não injusta ou infiel com seu amigo, tampouco lhe importava. Gostava muito de e considerava Lilly um bocado para não dar-lhes credibilidade. Se as garotas estavam do lado da amiga, ele não seria o primeiro a discordar. Embora soubesse que James também pensava com ele, não sabia quanto a Peter e também não sabia de como seria a reação de Sirius se lhe dissesse aquilo naquele instante. Talvez em um momento mais oportuno.
- Não precisa se preocupar comigo, Remo! Acho que as pessoas choram às vezes, não? – riu de leve limpando as lágrimas. – pode me chamar de Lilly a propósito.
- É claro que choram, mas eu te conheço há um bom tempo – limpou a garganta – você não costuma chorar de graça, costuma?
- Não, não costumo. – ela suspirou fungando um pouco. – entenda, algumas pessoas simplesmente são idiotas. É a natureza delas, tipo um emprego sabe?! Acho que algumas pessoas trabalham sendo idiotas!
Ele não conteve o riso. A garota a sua frente parecia precisar desesperadamente de conforto e algumas risadas.
- Eu não sou a ou a Lene, mas eu posso ouvir se você quiser. – disse com toda a honestidade que conseguiu cultivar em sua vida.
A ruiva meneou o rosto parecendo considerar a ideia e se sentou no degrau logo atrás de si; Remo não percebeu logo de primeira que tinha sido convidado a se sentar, mas quando a mão da garota tateou a pedra, ele rapidamente se sentou a uma distância agradável.
- Não é nada alarmante, sabe? Severo é um pouco idiota às vezes...
- Severo? Severo Snape? – ele ergueu as sobrancelhas. – eu sei que você tem muita coragem pra enfrentar o olhar assassino dele...
- Seus amigos são cruéis com ele. Não me impressiona que olhe assim pra vocês. – ela deu de ombros. – mas ele sempre foi uma personalidade grande na minha vida. Severo é o meu melhor amigo, Remo. É claro que ninguém toma o lugar da ou da Lene, mas nós dois nos conhecemos... sei lá, desde que eu me entendo por gente.
- Ele é tipo o seu número dois.
- Tipo o seu James? – ela sorriu com gentileza. Remo devolveu o sorriso. Lilly era incrivelmente gentil; embora fosse totalmente contra todos os atos repudiosos de James ou Sirius quando se tratava de Severo, ele não compreendia como um cara tão frio e arrogante era amigo de alguém completamente oposta, alguém como Lilly.
- É, acho que sim.
- Bem... o fato é que o Severo pode ser muito duro às vezes. Discordamos em um bilhão de coisas, mas algumas simplesmente parecem ter um peso maior do que outras. Quando menciono a diferença entre as casas...
- Espera, você acredita que realmente existam diferenças entre a grifinória e a sonserina? Digo... qual é, somos todos bruxos e....
- Eu concordo com você! – ela exclamou surpresa por ter se expressado tão mal. – não existem diferenças, isso é verdade! Mas não pra ele. Embora seja meu amigo acho que ele não gosta muito do fato primordial.
- O fato de ser uma mestiça?
O silêncio reinou no ambiente enquanto Lilly engolia em seco. Ela não tinha vergonha de admitir seu sangue; ela tinha orgulho. Os cabelos de fogo da garota carregavam o vermelho do sangue humano ao mesmo tempo que o azul do sangue bruxo, ambos ao mesmo tempo; se sentia gloriosa por poder fazer parte de ambos os mundos, ter duas vidas e conciliá-las tão bem era seu maior orgulho. Ela não sentia vergonha de seu sangue mestiço. Era uma grifinória orgulhosa. Mas Severo não pensava da mesma forma, e a garota não fazia ideia dos escondidos e reprimidos sentimentos do garoto – tão sutis quanto a passagem das horas quando se faz algo que se gosta. James fazia com que Severo recuasse.
- É.
Remo respirou fundo pressionando um lábio contra o outro. Não sabia como era estar naquela posição. Embora fosse um mestiço também, ele não se lembrava de ter sido acusado pelo fato, exceto é claro por Lúcio.
- Sabe que não tem problema nenhum em ser uma mestiça, não sabe?
- Sei sim. Isso não me afeta. – ela respirou fundo. – mas perder um amigo tão importante por algo tão banal? Sim, afeta.
O garoto suspirou passando a mão pelos cabelos castanhos claros. Ele entendia a posição dela. As situações eram extremamente adversas, mas os motivos eram igualmente banais. Sentia compaixão pelo coração imenso que Lilly carregava e ódio de si mesmo, pela culpa enorme que guardava.
- Gosta mesmo dela, não é? – ela disse, interrompendo o silêncio que lentamente se instaurou entre os dois após sua última afirmação. Lilly riu ao ver o rosto do garoto se iluminar com um sorriso bobo e tímido. Ele não esperava por aquilo. Nem mesmo ela; simplesmente escorregou!
- Por quê diz isso?
- Porque, Remo... desde que nos sentamos aqui, ela não saiu da sua cabeça nem por um segundo. Enquanto eu falo sobre o Severo, ela é tudo o que ocupa a sua mente e por mais que você tente me ajudar, não consegue bolar uma frase direito porque algo nessa situação te lembra ela, e então ela ocupa esse espaço também...
- Desculpa! – ele riu – eu realmente tô tentando pensar em algo aqui agora, mas...
- Porque desde que se conheceram nos primeiros anos ela mencionou algo sobre talvez te conhecer de algum lugar e vice versa. – ela deu de ombros – mas eu sei que isso tudo era só um esforço maior pra criar um laço inexistente entre vocês...
- Do que você ta falando agora?! – ele a olhou extremamente confuso. Lilly suspirou balançando negativamente a cabeça e então ele cedeu, suspirando e olhando para a frente. Seu rosto balançava um pouco enquanto ele soltava um leve riso, quase como um suspiro. – Também existem coisas que pesam no meu relacionamento com ela.
- Por que gosta tanto dela?
- Porquê, Lilly, você vê... Aquela garota não pode ser desse mundo. – ele disse entre um sorriso e uma risada, passando a mão no rosto. – eu não me refiro à beleza dela, apesar de ser indiscutível; me refiro ao jeito como ela trata as pessoas, como ela trata a própria vida, como ela defende a amiga com unhas e dentes, como ela bate os pés desde que se entende por gente e tenta ter um trilhão de argumentos contra qualquer tese...
- Teimosa, independente... – ela nomeava adjetivos enquanto ele continuava falando.
- Como apesar de não falar tanto com ela saber com a plena certeza de que ela daria a própria vida por pessoas que nem sequer conhece. Por saber que ela quase não tem tempo pra pensar em si mesma porque geralmente tá pensando nos outros. Por saber que a genialidade dela transcende mundos, sem contar com toda a força e o resto...
- Forte, inteligente, altruísta...
- Não sei dar nomes assim a ela porque nenhum desses adjetivos parece ser uma palavra grande o suficiente pra definir o quão extraordinária ela é. Qual é, Lilly, eu conheço a desde o primeiro ano. Nunca na minha vida seria capaz de negar que eu tenho uma quedinha por ela desde sempre. Nós nunca nos falamos tanto assim e mesmo assim...
- Existe algo que une vocês. – ela disse completando a frase dele com um sorriso, arrancando dele um sorriso igual. Ele riu balançando a cabeça.
- Existe, sim. Mas ao mesmo tempo as forças superiores não parecem nos querer juntos.
- Isso não são as forças superiores, bobo. Isso são vocês. – ela disse se levantando e sorrindo. – eu preciso ir, mas sabe de uma coisa, Remo?
O garoto levantou os olhos a ela confuso.
- Peça desculpas. – ela deu de ombros. – não gosta de expor seus problemas ou sentimentos com frequência, ela nunca falou pra gente quem era o tal cara do baile. Mas uma voz interior me diz que ele é você. Se esse é o caso, um pedido de desculpas deve ser o suficiente.
- Eu não sei se posso...
- Ela fala de você dia e noite e quando não tá falando, ou ela tá comendo ou dormindo. – sorriu. – ela só não cita o seu nome.
Um sorriso resplandecente surgiu no rosto dele. Lilly sorriu dando as costas para o garoto e colocando-se a andar pelo corredor. Alguns passos a frente ela se interrompeu e parou completamente, falando sem se virar para ele:
- E mais uma coisa. – então, se virou. – da próxima vez, seja decente e não me diga que tem uma quedinha pela minha amiga que meio universo sabe que você ama.
Lupin respirou fundo contendo um pequeno sorriso que se formava no fim de seus lábios. Apesar de toda a situação, um formigamento estranho e familiar no pé de seu estômago fazia com que aquele antigo gostinho e incentivo a buscar algo surgisse lentamente em sua mente. Ele retornou ao grupo.
- Ainda tá falando da Marlene? – ele bufou olhando para Sirius que ainda tinha uma expressão fechada. O garoto ergueu as sobrancelhas em resposta.
- Você tá feliz demais pra alguém que acabou de tomar um pé na bunda...
- Pé na bunda? Quantos pés acha que a tem? – James ironizou fazendo com que os quatro rissem.
- Vamos sair daqui. Isso vai melhorar seu humor azedo – o lobo sugeriu, recebendo logo em seguida a confirmação dos outros amigos. Sirius apesar de relutante acabou concordando em ir com eles. Afinal, era o dia de folga!
- x -

- Onde você tava?! – Lilly olhou para que escrevia com tamanha força que quase perfurava o pergaminho. – e por que você tá estudando na folga?
- Porque não tenho nada melhor pra fazer. – suspirou. – e você, o que tava fazendo?
- Falei com o Severo hoje, mas não foi nada bom.
A morena interrompeu seus estudos se sentando ao contrário em sua cadeira, encarando a amiga e parecendo preparada para ouvir todo o desabafo; ao contrário do usual, a ruiva não parecia tão mal assim e aparentemente não havia muito a ser contado.
- Então...?
- Não foi nada. Ele sempre diz coisas idiotas e se arrepende depois. De toda forma, vamos, sai daí. – ela se levantou jogando uma blusa na amiga. Enquanto se recuperava do arremesso repentino, Lilly começava a mexer em suas coisas dentro de seu guarda roupas; procurava dentre os cabides alguma coisa que combinasse com a blusa azul de manga comprida que tirara dali.
- Garota, o que você quer aí?!
- Aqui, perfeito! – jogou uma saia preta em . – se veste, eu vou chamar a Lene. Não vou deixar você ficar escondida aqui no dia da folga, principalmente quando seu cabelo tá esse espetáculo!
ergueu as sobrancelhas cerrando os olhos com uma expressão de extrema suspeita. Ao perceber, Lilly riu, mas a ignorou indo até a porta.
- Muita calma aí, Lilly Evans! O que você tá planejando nas minhas costas?!
- Argh, nada! Eu só quero levar minhas amigas pra beber alguma coisa, poxa! – suspirou – hoje a Lene nem sequer saiu do quarto dela...
- Tá, é verdade – suspirou – eu não tiro a razão dela. Vamos. Chame a garota!
Lilly sorriu feliz saindo do quarto enquanto ia para o banheiro de seu quarto; tinha aquele estranho costume de se vestir de frente para o espelho, não sabia o motivo exato. Assim que tirou sua blusa lançou um estranho olhar para os arranhões em seu ombro. Aquelas marcas surgiram junto com a ferida em sua cabeça, mas lhe deixava extremamente desconcertada o fato de não saber o porquê. “Pelo menos já cicatrizou” pensou enquanto vestia sua blusa; era azul de mangas compridas, fina. Fina demais para o frio que fazia lá fora. Assim que terminou de vestir a saia preta, lisa e um pouco rodada que batia pouco acima de seus joelhos, calçou as meias-calça que lhe ajudariam contra o frio violento lá fora; tateou os cabideiros do banheiro até encontrar seu sobretudo preto. Era enorme, quase chegava aos seus pés; não era tão feminino, mas era quentinho. Igualmente preto, não chamava tanta atenção.
Ajeitou seus longos cabelos para fora da blusa e guardou sua varinha dentro da bolsa em estilo carteiro além de alguns livros que sabia que precisaria caso as amigas decidissem ir embora mais cedo e ela quisesse continuar – o que geralmente acontecia – e suas moedas. Assim que abriu a porta do banheiro, Lilly e Marlene já estavam plantadas à sua frente.
Achava engraçado a forma como Marlene não conseguia ficar feia nem mesmo com os olhos inchados e as olheiras fundas que tinha provavelmente graças ao fato de ter passado a noite chorando; apesar dos problemas, a loira abriu um largo sorriso ao vê-la.
- Você é linda demais! – ela disse abraçando , que riu um pouco abraçando-a de volta.
As garotas saíram entre conversas e cochichos. Naquela época, o colégio costumava permitir que os alunos saíssem sozinhos nos dias de folga, havia um requerimento assinado pelos pais no início do ano que autorizava as saídas. Não podiam passar de Hogsmeade, aparatar era proibido e resultaria em expulsão imediata. Marlene parecia conseguir se distrair bem; elas pretendiam ir até o Três Vassouras.
- Vocês viram a Donna?
- Não hoje. – disse distraída.
- Não vi... Achei que ela estivesse com você – Lilly ergueu as sobrancelhas.
- Não. Ela nem dormiu no quarto hoje! – olhou para elas confusa. – na verdade achei que ela tivesse me dando um tempinho pra pensar, mas não voltou.
- Sabem como a Donna é complicada – bufou – não liga pra isso, qualquer hora ela aparece.
Trilhavam o caminho do chão de pedra encolhidas enquanto o vento forte cortava as costas das três, embora muito bem agasalhadas. Quando viram as nuvens grandes e cinzentas, apressaram o passo entre risadas até conseguirem atingir a porta do Três Vassouras; pelo corredor da entrada podiam perceber que estava cheio, mas aquilo já era esperado nos dias livres. Deixaram seus casacos no cabideiro e receberam confortáveis e calorosas boas vindas da dona; ela abriu espaço para que entrassem e se ofereceu para encontrar uma mesa disponível, mas elas rapidamente recusaram a ajuda.
entrou antes delas com um sorriso no rosto da última frase de Lilly. Apertou seus próprios braços estremecendo um pouco pelo frio, mas então sentiu seu corpo lentamente se aquecer. Observou os arredores. Eram quase imperceptíveis, mas os cabelos negros de Sirius não enganariam nem a quilômetros de distância: ela percebeu que os marotos estavam nos fundos, ocupavam uma mesa inteira. Seu sorriso se desmanchou quando os quatro lançaram seus olhares para ela. Olhou para trás onde Lilly e Marlene acabavam de perceber o mesmo; a ruiva olhou para a loira.
- Vamos, a gente passa na Dedosdemel e volta pra escola...
- Não. – Marlene cortou as duas, passando entre elas e indo diretamente de cabeça erguida até uma mesa bem ali a frente. – vamos ficar. Não viemos até aqui pra ir embora por causa de um babaca e uma trupe de babacas!
sorriu de canto ignorando o olhar indiscreto de Remo e se sentando ao lado da amiga loira. Lilly se sentou de costas para a mesa dos rapazes. Ela tinha Remo em mente, se lembrava da conversa deles anteriormente; se lembrava de tê-lo aconselhado e sabia que naquele instante, ele observava os olhos cinzentos e desafiadores de , que apoiava seu rosto com a mão enquanto procurava por algo no cardápio.
- Sejam sinceras. – Marlene começou, colocando as duas mãos sobre a mesa. – acham que ele é inocente mesmo? Esse boato tá rolando em toda parte...
- Não sei, mas se for, a culpa não é sua e você não tem pelo quê se desculpar. – deu de ombros. Lilly concordou.
- Na verdade acho que preciso me desculpar por acusá-lo sem saber...
- Não seja tão boba, Lene. Fui eu quem dei o murro, se alguém precisar se desculpar aqui, serei eu. Você fica bem quietinha aí e espera o idiota vir te pedir desculpas. Se ele for mesmo inocente, ele é quem vai precisar se desculpar por ter te acusado sem saber.
- Ela tem um bom ponto. – Lilly deu de ombros. Marlene fez bico e acabou concordando. As duas sabiam que a saudade dele cortava o coração da amiga, mas Sirius tinha sido um babaca até então; podiam ouvir as risadas dele enquanto conversava com James e Remo, mas sabiam que provavelmente não se tratava de Marlene. A própria loira, entretanto, não parecia saber. Podiam perceber que ela tentava se ater a conversa deles desesperadoramente, tentava ouvir o que diziam; ela achava que estavam rindo dela.
- Ei, psiu! – estalou os dedos na frente dela. – não viemos aqui pra isso, lembra? – levantou as mãos chamando o garçom. Não demorou até que o estagiário chegasse. Todos sabiam que ele tinha uma queda nela.
- O que posso trazer para as três garotas mais bonitas do mundo bruxo? – sorriu gentilmente.
- Uma água de Gilly pra ruiva e duas sodas pra mim e pra Marlene, por favor. – sorriu de volta. O garoto anotou o pedido em sua pequena caderneta e se curvou. Conhecia bem o gosto das amigas, não precisava esperar que pedissem para adivinhar o que iam pedir. – se puder trazer alguns olhos de queijo...
- É cortesia. – ele piscou e saiu dali.
- Eu achava que eu não prestava, mas você... – Marlene disse entre risadas. – você bota esse seu charme em qualquer um, garota!
- Ganhamos olhos de queijo de cortesia! – riu dando de ombros – enquanto estivermos ganhando, eu continuo usando meu charme.
- E aliás não é só o garçom que tá de olho em você aqui hoje, né...? – Lilly disse levantando as sobrancelhas e indicando a mesa de trás com os ombros. olhou de relance encontrando os olhos castanhos de Lupin. O encontro o fez desviar o olhar envergonhado e entrar de supetão na conversa dos amigos.
O tempo passou rápido por ali enquanto elas conversavam. Uma hora parecia ter sido apenas um minuto, e ainda não estavam satisfeitas; determinadas a ficar ali até o último momento, elas já tinham pedido mais de duas porções de olhinhos de queijo e relembravam momentos antigos no colégio e as piores confusões nas quais já haviam se envolvido.
Marlene foi a primeira a ver Donna entrar pela porta principal. A morena carregava algumas sacolas consigo, usava uma roupa brilhante e extravagante, seus melhores brincos e o batom brilhava do outro lado do salão. A primeira reação da loira foi uma careta e então cutucou as duas amigas para olharem também. Marlene levantou a mão indicando a Donna onde estavam sentadas; recebeu o olhar de Donna e então um sorrisinho que desviou o rosto da garota.
As três observavam enquanto a morena trilhava um caminho complicado dentre as mesas e esbarravam suas sacolas em tudo. Quando se aproximou da mesa das amigas, entretanto, ela fez uma curva inesperada. Até então, não tinham percebido o lugar de sobre na mesa dos marotos. Donna se inflitrou ali com aquela pilha de sacolas e as deixou no chão; se abaixou, dando um beijo na bochecha de Sirius e se sentando ao lado dele.
- Foi mal pela demora, garotos, Six! – ela sorriu – eu precisei passar na Trapo Belo! Uma coleção nova acabou de chegar lá... foi mal mesmo, mas eu trouxe seus doces!
Os olhos de Marlene se encheram de lágrimas. Todo o salão foi capaz de ouvir o som alto e estridente que a mesa fez quando se levantou bruscamente, acidentalmente movendo a mesa. Todos os olhos pararam na morena que encarava Donna com uma fúria intensa; o sorriso debochado que recebeu de volta fez seu sangue ferver no mesmo instante, e Lilly a acompanhou tentando amenizar o que parecia ser um desastre natural.
A ruiva ajudou Marlene a se levantar sem ser notada pelo salão inteiro. Enquanto Lilly a guiava até a porta da saída, entregou o dinheiro ao garçom e agradeceu pela refeição sem tirar os olhos da mesa deles nem por um segundo. Ela olhou para Remo por um segundo como quem tentava compreender algo que acontecia ali; tudo o que recebeu foi uma desviada brusca, e então, o garoto engoliu em seco parecendo não entender ou não querer dizer. Suspirou balançando a cabeça negativamente enquanto a garota da sua vida, mais uma vez, saía do seu alcance graças aos seus amigos.
Batia os pés com força por mais que acidentalmente. Saiu da loja sentindo um frio absurdo nos braços, mas mal se lembrou de seu casaco; ela correu atrás das duas que já estavam um pouco a frente.
- Como ele pôde?!
- Como ela pôde! – Lilly suspirou extremamente nervosa. – , me ajuda aqui!
- Não sei o que tá acontecendo, eu não tenho condição nenhuma pra pensar nesse instante, mas se essa garota não tiver uma explicação muito muito boa pro que tá acontecendo...
- Eu transformo ela num troll sem pensar duas vezes. – a ruiva trovejou enquanto elas tentavam lutar contra a força da nevasca para fora dali.
- Droga! – bufou. – eu esqueci o meu casaco. Podem ir na frente, eu só vou buscar. É bem rápido.
Lilly assentiu ainda apoiando o ombro de Marlene para que conseguissem seguir em linha reta até o colégio; deu seus passos de volta lentamente tentando não escorregar ou ter algum problema com todo aquele vento. Viu a porta se abrir e revirou os olhos assim que viu Remo saindo de lá. Ele tinha um olhar perdido e seu casaco nas mãos. Veio até ela rapidamente.
- Você esqueceu isso... – ele disse envolvendo-a com o casaco. Tinha uma expressão preocupada.
- Eu sei, eu vinha buscar. – ela se explicou enquanto gentilmente se afastou das mãos dele, vestindo o próprio casaco. O frio era intenso ali naquele instante.
- .. – ele respirou fundo olhando-a. Ela balançou a cabeça negativamente como quem pedia que ele parasse de falar.
- Por quê ainda conversa com esse tipo de gente, Remo? – ela o olhou extremamente decepcionada – sei lá, você é o único do seu grupo que tem um cérebro e mesmo assim você não usa...
- Espera, isso se trata disso? – ele a olhou confuso com o cenho franzido. – Sirius é meu amigo. Eu sei que ele não tá tomando as melhores decisões ou tendo as melhores atitudes, mas ele ainda é meu amigo.
- Donna também era minha amiga! – ela disse furiosa.
- Eu sei! Eu não concordo com nada disso, , mas não se trata de mim, não se trata da minha vida. Não há nada que eu possa fazer a respeito!
- Podia tentar pelo menos conversar com ele e explicar o quão babaca ele têm sido! Sério, como você pode falar com alguém que espalha aquele tipo de coisa?! Marlene ama aquele garoto, imbecil!
- Eu sei que ela ama! – eles competiam no tom da voz; Remo tremia. Não queria brigar com ela, não sentia raiva alguma, mas não conseguia parar de trovejar. – caramba, como eu sei, ! Eu sei que acredita piamente no que a Marlene diz, mas isso é só o que disseram pra ela. Sirius não espalhou aquilo, ele não seria idiota a esse ponto; ele também ama ela...
Ela balançou a cabeça negativamente como se se negasse a acreditar em qualquer coisa que saía da boca dele naquele instante. Não era um fato desconhecido que era extremamente cabeça dura.
- Por quê ele tá com a Donna então?! Acha que ele faria isso se a amasse?
- Eu acho que as pessoas fazem coisas absurdas quando têm o risco de perder alguém que elas amam. – ele disse abaixando o tom no mesmo instante. levantou os olhos para ele. O céu cinzento dela se encontrou com as duas orbes castanhas dele. Remo tinha uma sinceridade fora do normal em seus olhos, tinha uma capacidade de prendê-la mesmo que estivesse tão brava com ele. Mesmo que não concordasse com uma palavra do que dizia, algo em sua cabeça pedia que ela repensasse. Repensasse desde o início: desde o baile, e então Marlene, e todas as outras mil coisas que aconteciam naquele momento. Pediam que ela desse mais uma chance ao garoto em sua frente, mas tudo no seu corpo negava aquela opção. Era cabeça dura demais pra aquilo.
- Isso não é amor.
- O que é, então? – ele a olhou com um sorriso desesperado. – como você pode saber a diferença, ?
Ela abriu a boca pra dizer algo mas desistiu imediatamente, o olhando extremamente nervosa. Seu cenho franzido, os punhos fechados... ela não queria ouvir nada daquilo, mas não tinha o poder de sair dali naquele instante. O garoto levantou lentamente suas mãos ainda aquecidas ao rosto gélido dela; o contato fez com que ela tomasse um breve susto, mas não reagiu. Ele a observava fixamente agora, seus olhos se colaram nos dela; a distância entre eles ainda era considerável, mas a conexão era óbvia.
- Essa é a diferença. – disse. Quando as sobrancelhas dele indicavam confusão, ela se aproximou rápido como um foguete; não foram nem segundos antes que os lábios dela estivessem completamente colados aos dele e não houvesse mais nenhum átomo separando-os naquele âmbito. Ele sentiu as mãos geladas dela contra o rosto quente dele enquanto suas próprias mãos desciam em rendição. se afastou dele bruscamente antes que pudessem aprofundar qualquer coisa. Ela não deu explicação alguma, se virou e desatou a andar; Remo segurou a mão dela, mas não funcionou. se soltou dele e não muito tempo depois, já havia desaparecido em meio ao horizonte.


Capítulo 7

- , o que foi que houve?! – Lilly dividia o olhar entre Marlene que chorava desesperadamente em sua cama e uma recém-chegada , que tinha algumas poucas e humildes lágrimas descendo pelo seu rosto gelado e pálido na porta. Segurou o próprio casaco forte contra o peito e balançou a cabeça negativamente, pedindo que a ignorasse por ora. Lilly tombou a cabeça como quem não queria, mas então assentiu ao ver a amiga indicar que Marlene era prioridade.
- Como eu vou dormir no mesmo quarto que ela agora? – ela fungou.
- Não vai. Chamei a professora MacGonagall, você conversa com ela e explica a situação. Ela é bem compreensiva, acho que vai aceitar mudar você de quarto – deu um sorriso fraco que Marlene não devolveu.
- Nem sei se tem algum quarto disponível...
- Ela pode trocar, se for o caso. – Lilly sorriu. – eu mesma troco, se for preciso! fica com você e a desgraçada da Donna fica aqui, comigo. Vai ser até engraçado...
Marlene riu um pouco e se aninhou no colo da ruiva que a acolhia naquele momento tão difícil. sorriu vendo sua família ali, logo na sua frente e em perfeito estado; antes, Donna fazia parte daquela família. Era estranho ter todo aquele peso nas costas, mas havia tanto em sua cabeça naquele instante que chegava a ser pesaroso ficar por perto das amigas. Não seria útil, não conseguiria aconselhar e muito menos servir para algo. Desistiu em pouco tempo; quando a loira pareceu ter se acalmado, se ajeitou na cama da ruiva e então Lilly foi até a porta para perto de .
- Não precisa ficar aqui, nós duas conseguimos dar um jeitinho... eu sei que você não tá muito bem.
- Foi mal, eu realmente preciso de um tempinho. – suspirou.
- Tá tranquilo, .
A menor assentiu um pouco triste. Desceu as escadas até a sala comunal da grifinória mas pensando por alguns segundos se lembrou que talvez não fosse a melhor escolha; logo os marotos chegariam e consequentemente Remo, quem ela definitivamente não queria ver agora. Naquele caso, deicidiu procurar o lugar do castelo onde mais ninguém iria atrás dela. A cabana de Hagrid, o guardião das chaves; os boatos sobre ele eram complicados, todos diziam que havia sido proibido de usar magia há muito tempo, mas ao mesmo tempo era um homem agradável e extremamente gentil. Sempre permitia que entrasse e tomasse um chá quando não se sentia bem.
- O que faz por aqui, pequena ?- disse o gigante com um sorriso fofo abrindo a porta de seu humilde chalé para que a garota entrasse. sorriu de volta e, pedindo sua licença, entrou. Acariciou uma estranha acromântula bebê que a olhava de uma forma estranha; o bicho se encolheu mas então aceitou as carícias, e então correu de volta para sua gaiola ao sinal de Hagrid.
- Não tenha medo. Aragogue é extremamente dócil com pessoas gentis. – ele sorriu observando o bichinho. – acho que você tem uma certa inclinação pra esses bichos, não, srta. ?
- Eu gosto muito. – ela sorriu. – achei que o comércio de acromântulas era proibido, Hagrid.
- É sim. – ele disse coçando a cabeça. – espera.. acho que eu não devia ter dito isso.
- Sabe que seu segredo vai morrer comigo. – ela riu – mas tenho uma curiosidade... esses animais não se alimentam de carne humana?!
- Ela é só um bebê, ainda não consegue distinguir muito bem o gosto. Nunca a alimentei com carne humana, então não pode saber que é tão melhor do ratos, por exemplo; pretendo libertá-la, talvez dar algum espaço a ela na floresta negra em um futuro próximo. Mas precisa crescer.
- Entendo. Todos merecemos uma casa espaçosa, não é? – ela disse sorrindo. O gigante assentiu, pois compartilhavam o mesmo ideal quando se dizia respeito a animais e criaturas. tinha um respeito imenso e jamais julgaria qualquer espécie, especialmente quando Hagrid era quem estava por trás da criação do animal. Acreditava que Aragogue era uma boa aranha, se era o que ele dizia.
Hagrid tirou alguns baldes de cima de seu sofá e bateu as mãos ali, para que a poeira sumisse; seu cão espirrou e acabou saindo de perto do lugar. Convidou gentilmente a se sentar ali, enquanto ele ia até o seu bule que já berrava a água quente e pronta para coar o chá.
- O que posso fazer por você? - ele disse servindo chá de camomila em uma xícara para ela.
- Obrigada. – levou até a boca mesmo quente. Amava o chá dele. – bem, eu vim discutir algumas coisas importantes com você, Hagrid. – o olhou por cima da xícara.
Hagrid suspirou parecendo já ter noção do que a garota se referia. Ele coçou a sobrancelha pedindo que continuasse.
- Eu acho que vou precisar do seu treinamento.
- Eu sei que ofereci e não posso retirar algo que disse há tanto tempo – Hagrid se justificava – mas realmente acha que precisa de mim? Digo... A srta. Minerva...
- Não temos tanto tempo assim. Por favor, Hagrid!
- Tudo bem! – ele disse se rendendo. – puxa, você é muito difícil de contrariar!
- Você é quem é muito gentil pra contrariar alguém – riu uma satisfeita.

- x –


- Acho que essa era a pior decisão possível. – Remo disse claramente alterado e furioso com Sirius. O rapaz o observava de uma forma não muito interessada, de cima a baixo; James analisava toda a situação tentando buscar um meio termo, mas não conseguia achar nem um motivo sequer para ficar do lado de Sirius. Peter, como de costume, não estava presente; naquele momento as prioridades do Rabicho eram outras: a comida.
- Quando é que vai acabar seu showzinho pra eu poder ir jantar? – Sirius levantou as sobrancelhas entre um bocejo, olhando para o lobo furioso à sua frente.
- Sirius, essa é tipo a milésima vez que eu sofro as consequências por causa de uma coisa imbecil que você fez! – Remo disse batendo as mãos nas pernas.
- Aluado – James disse se aproximando e passando as mãos pelos ombros de Remo, parecendo ver os nervos rígidos dele. – Pensa comigo... Sei que o Almofadinhas tá muito errado e não é pouco, ele fez merda, claro... mas não acha que a reagiu um pouco mal? Digo, quem fez a merda foi ele, por que ela ficou brava contigo?!
- Porque ela acha que eu compactuo com esse trouxa – ele suspirou passando a mão no rosto.
- E você não compactua, já tá bem na cara – Sirius disse dando de ombros – embora você devesse realmente apoiar seu grande amigão, né, mas... Já que não compactua, fala a real pra ela, ué!
- Obrigado por dizer o óbvio, Sirius. Isso ajuda! – ele disse com uma expressão ironicamente feliz que fez James rir alto e parar em questão de segundos vendo o quão exaltados todos os presentes estavam.
A porta do quarto de Remo se abriu atrás de James e Peter entrou com uma série de bolinhos de diferentes sabores e um copo que com certeza havia roubado de suco de morangos silvestres; o garoto engolia um pedaço de torta de maçã com os lábios lambuzados e olhou para todos que o observavam com um pouco de nojo no rosto.
- Vocês querem? Trouxe de morango, de maçã, tem suco também...
- Que nojo. – James suspirou. – dá o fora, Peter.
- Esse é meu quarto, você lembra?
- Foda-se. – Remo disse desviando dos braços de James e indo em direção a porta. – eu vou fazer qualquer coisa que me faça esquecer que eu sou amigo dos piores caras do colégio, até depois.
James, Sirius e Peter acenaram para ele.
- Você só não é o mais idiota que a gente conhece, Sirius, porque o Draykmova existe.
- x –

Hagrid se sentiu orgulhoso de naquele dia. Ela foi para o salão comunal, mas nenhuma de suas amigas estava lá; era hora da janta, então pegou algumas batatas e bebeu um copo de suco e subiu rapidamente. Evitou o olhar de Remo quando passou por ele. Sabia que o garoto devia estar confuso, se sentia envergonhada e culpada por ter feito o que fez, mas já havia sido feito.
Ela se jogou em sua cama. Do outro lado, Lilly dormia tranquilamente. Se perguntou como é que tinham feito a troca dos quartos, mas foi respondida imediatamente por um pequeno bilhete que a ruiva deixara em sua escrivaninha.
“ MacGonagall separou os quartos; trocou Alice, que agora dorme com a Lene, e a Donna foi pro quarto da Elena. Nem precisamos pedir.
Espero que esteja bem. Se não estiver, não hesite em me acordar. Beijinhos e boa noite.”

Sorriu ao ver o carinho esboçado em cada letra da amiga. Olhou para sua janela procurando por , mas a coruja já tinha ido para o corujal. Vendo que aparentemente todos os seus deveres já haviam sido cumpridos, se deitou e finalmente dormiu.
O dia seguinte foi complicado. Como o dia anterior era de folga, as aulas pareciam ter o dobro de matérias; sua aula de DCAT foi completamente prática, a primeira do dia. Diziam que era melhor para acordar os alunos dorminhocos que saíam quase mortos de seus quartos. Ela conseguiu conjurar todos os feitiços, mas se atrapalhava às vezes tentando não olhar ou pensar em Remo.
Lilly, e Marlene não se desgrudaram nem por um segundo no primeiro período do dia; as três foram juntas para suas três aulas e almoçaram juntas. Quando o almoço terminou, Lilly foi direto para o gramado com Marlene, já que as duas combinaram de fazer seus resumos da parte teórica de DCAT e ensaiarem juntas os movimentos das varinhas que Marlene ainda tinha dificuldades em realizar. precisava do seu tempo. Ela dispensou as amigas por aquele momento e foi direto para a biblioteca, onde tanto gostava.
Não havia quase ninguém, o que não era de tudo uma surpresa; em dias de aula, poucos alunos perdiam o pouco tempo livre na biblioteca. gostava daquilo. O silêncio, o único som que ouvia eram os cochichos daqueles que estudavam por ali. O sol entrava pelas janelas e batia no chão e nas prateleiras, fazia seus olhos cinzentos parecerem um mar de ressaca e seus cabelos negros se destacavam em meio aos livros celestiais sobre criaturas mágicas que pesquisava.
Jogou sua mochila na primeira mesa que viu estar vazia e respirou fundo entregando seu cartão da biblioteca para a bibliotecária, que lhe devolveu um sorriso e a permissão para entrar. Ela foi nos livros sobre as criaturas que tanto gostava.
Remo ergueu os olhos de seu livro. Estava próximo a algumas prateleiras do outro lado da sala, lia algo sobre uma poção na qual estava interessado; suas orbes castanhas varreram a sala enquanto passava seus dedos calmamente pelos livros à frente dela. Observava os pés, que se esforçavam para ficar nas pontas enquanto ela tentava alcançar alguns nas partes altas da prateleira; ele sorriu.
A garota desistiu por um segundo e se voltou para os livros abaixo. Estava concentrada nos títulos, nos números, nos gêneros enquanto procurava pelo título que gostava. “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, de Newt Scamander. Ela gostava muito daquele. Considerava aquele cara um de seus maiores ídolos e não percebeu quando o Lupino se aproximava por trás dela, e ainda que não a tocasse em momento algum, só o fato de ter se aproximado parecia ter feito os ouvidos dela pararem por alguns segundos, o rosto se avermelhar e a respiração classicamente se descompassar.
Remo ergueu seu braço sem dificuldade alguma, a diferença de tamanho entre eles era bem grande. Uma das mãos no bolso das calças, a outra tirava o livro dali. se virou imediatamente se assustando um pouco ao ver o rosto e o corpo dele tão próximos; ele tinha um sorriso gentil, mas ao mesmo tempo tão travesso que não sabia o que pensar. Ele era Remo, mas era um maroto.
Deu um passo atrás encostando suas costas na prateleira. O garoto tirou o livro de seu lugar e o ofereceu para logo em sua frente. Ela rapidamente pegou o livro das mãos dele e o abraçou contra o peito enquanto Remo ajeitava alguns fios de seu cabelo que insistiam em cair para a frente em momentos como aquele. Colocou a outra mão em seu bolso.
- Obrigada. – ela disse ligeiramente parecendo pronta para sair dali, mas Remo jogou uma de suas mãos contra a prateleira atrás dela, fazendo-a ficar parada onde estava.
- Fica... – ele disse um pouco tímido, olhando-a nos olhos. – eu queria ter a chance de te explicar...
- Não precisa me explicar nada, Remo. – ela disse balançando a cabeça um pouco aflita. – eu não quero que me explique...
- Qual é, , não pode ir embora sem me deixar explicar, não depois daquilo – ele disse com o indicador no queixo dela, virando o rosto dela para si. Seus olhos procuravam os dela, as pupilas pareciam diferir, hora olhavam para o esquerdo e hora para o direito. Ele tinha uma voz baixa, um tom calmo mas urgente; pareceu ter arfado olhando para o rosto dele, as maçãs remotamente vermelhas; ela respirou fundo com uma expressão de rendição mas então balançou a cabeça, parecendo cair em si e soltou uma pequena risada de nervoso.
- Não posso? – ela disse olhando nos olhos dele. – me observe. – saiu por baixo da mão dele na prateleira, andando rapidamente. Remo poupou seu tempo apesar de cogitar chamá-la. Aquilo não adiantaria.
não sabia se queria evitá-lo. O que podia dizer era que sentia muita culpa por deixá-lo para trás daquela maneira, mas que achava que sua culpa valia à pena. Ao mesmo tempo em que reconsiderava todas as opções, ela pensava se realmente estava reagindo tão bem quanto deveria; chegava a achar que suas conclusões eram extremamente precipitadas e que talvez estivesse evitando a pessoa errada, mas por ora, sentia que o primeiro passo era recolocar seu coração em seu devido lugar dentro de seu peito e reorganizar seu cérebro perdido. Ela tinha muito a se preocupar, e só depois de se resolver consigo mesma, se sentiria apta a se resolver com Remo.
O garoto, por outro lado, era feito de ferro e ouro fundidos: não quis e nem iria querer desistir tão cedo. Suspirou recobrando a consciência depois de tê-la em suas mãos e em questão de segundos, perdê-la. A garota conseguia mexer com cada um de seus instintos, conseguia levá-los ao mais baixo dos níveis: fazer com que Remo se sentisse uma pessoa completamente diferente. Talvez uma versão melhor de si mesmo. Se ao menos pudesse tocá-la ou mostrar a ela o quanto seu corpo pedia por ela... mas não. Jogou seu cabelo para trás e olhou para a janela que emanava o sol puro e límpido. O próximo horário era poções, e sabia que tinha um longo caminho a seguir naquela semana que vinha. Primeiro, precisaria aceitar o fato de que o evitaria independente do que fosse. Depois, teria de dar certo foco aos estudos por ora, para distrair sua cabeça. O próximo jogo do torneio tribruxo chegava, o que era mais uma preocupação.
- x –

A voz do professor Slughorn irritava levianamente os ouvidos de em junção ao barulho irritante da pena de Lilly se batendo repetidas vezes contra a mesa. A hiperatividade e animação da amiga em situações estressantes a fazia enlouquecer. Ela parou a mão da ruiva com sua própria mão e um sorrisinho engraçadamente sarcástico no rosto, sorriso este que Lilly imediatamente pegou no ar. A amiga deu uma risada leve e assentiu, como quem dizia ter entendido. Deixou sua pena sobre a mesa e continuou prestando atenção a explicação profunda do professor sobre a baba de unicórnio e suas propriedades curativas.
olhava um único ponto vazio naquela sala: a janela, no alto, atrás do professor. Enquanto o homem se movia e gesticulava, tudo o que lhe chamava a atenção era o clarão do sol que entrava e refletia em seus olhos suas tempestades cinzentas. Não piscava, tinha sua mente completamente vazia por alguns momentos, e em outros pensava em Remo. Quando conseguia evitar pensar nele, sua mente vazia a levava de alguma forma de volta à cabana de Hagrid, onde estivera no dia anterior. Ela se martirizava por ter se esquecido de perguntar sobre a noite do acidente do qual mal se recordava. Se lembrava de sentir sua cabeça doer um pouco toda vez em que passava por aquele lugar, na escada móvel; a última coisa que se lembrava era ter afirmado a Lilly que conversaria com Ivan, e então tudo desaparece e só reaparece em seu quarto, com uma ferida na testa e muita enxaqueca.
Apoiou o rosto em sua mão direita. Batia as unhas da outra mão contra a mesa de madeira de forma silenciosa e pensativa. Algo estranho lhe chamava a atenção de forma tão específica, quase como se a luz pudesse carregar alguma imagem...
“Droga, [...] eu só espero que [...] esteja bem.” Conseguiu ouvir perfeitamente os sons saírem do fundo de seus ouvidos. Foi alto, a assustou; se endireitou imediatamente em sua mesa, recebendo a atenção especial de todos presentes ali. Ela olhava para a janela como se algo estivesse ali, conseguia ver o clarão tomar espaço em toda a extensão de seus olhos e, de certa forma, lhe remeter a algo. Ela aparecia em um lugar completamente diferente, todo o clarão da janela era agora uma lua enorme e cheia dentro da floresta negra. Ela viu uma criatura estranha e monstruosa correr em sua direção e então o baque a fez cair em si.
- Srta. ! – o professor Slughorn disse mais alto, fazendo-a balançar sua cabeça. Ele pousou sua mão carinhosamente no ombro da garota. – está se sentindo bem? Há algo errado aqui?
- Não, eu... – ela raspou a garganta. – eu estou bem. Não há nada de errado, professor, me desculpe. Eu só tava... distraída.
Lilly olhou para ela com um olhar um pouco assustada assim que o professor saiu. Elas cochichavam enquanto ele conversava com um aluno.
- O que foi isso, ?!
- Eu não sei! – ela ergueu as sobrancelhas. – foi muito esquisito, de repente a janela sumiu, eu tava na floresta negra... De noite, Lilly! Na lua cheia! Vi um bicho muito estranho correndo atrás de mim e...
- Pera lá – Lilly disse respirando fundo. – vamos com calma, por favor.
- Não foi nada, acho que foi só uma dessas alucinações bem plausíveis de acontecerem depois de uma pessoa sofrer um traumatismo craniano.
- Não seja exagerada, era só um corte!
- Mas disseram que eu ia ficar zonza, né? – ela ergueu as sobrancelhas. – acho que talvez só seja isso.
- De toda forma é sempre válido averiguar – Lilly disse pensativa coçando a cabeça. – acha que existe alguma chance de isso ser um efeito colateral de um feitiço?
- Um feitiço? – deu toda a atenção a ela, parecendo imediatamente assustada e séria.
- Eu não sei. Estive pensando sobre isso... – ela disse olhando para os próprios dedos. – e se alguma coisa aconteceu com você e quiseram apagar por questões... sei lá, privativas do colégio? Digo... só te disseram o básico.
- Sim, só o básico. – concordou olhando para a mesa. – eu não sei...
- Mencionou ter visto a floresta negra. Vai ver... – suspirou – vai ver você foi lá com o Ivan e eles te encontraram.
- Por que esconderiam isso de mim, Lilly? Tenho quase certeza de que me puniriam por isso, na verdade.
- Eu não sei, só uma suposição. – a ruiva deu de ombros. – acho que devíamos cavar esse assunto. Já estamos entediadas de qualquer jeito mesmo...
riu junto com a amiga que lhe deu um semi abraço. Voltaram à aula, mas o assunto da noite anterior não saía de sua cabeça.
A morena não achava ter ido à floresta com Ivan. Tinha a mais plena certeza de que o russo ficara na escada com um olhar banal assim que se fora, disso se lembrava. Não se lembrava dos motivos exatos, mas também não conseguia explicar porquê sua intuição apontava para Remo o tempo inteiro. Seus olhos quase apitavam quando lançava o olhar a ele; tinha certeza de que estava envolvido em qualquer que fosse o problema, e aquilo ao mesmo tempo que a intrigava, também de certa forma assustava. Ela fez um acordo mental consigo de que iria cavar aquilo à fundo com Lilly, mas também cavaria sozinha. E cavaria nos lugares onde mais desconfiava, por mais que soubesse que a ruiva não pensava igual.
Os dias que se passavam eram simples e corridos. Toda a matéria puxada pelos tantos dias de folga disponíveis era passada de uma vez só, e todos os alunos pareciam estar correndo atrás de suas próprias dificuldades. Lilly estava metade de seu tempo estudando com e na outra metade, consolando Marlene. Donna tentava falhamente desenvolver seu relacionamento com Sirius, que apesar de um bom garoto, era um péssimo apenas-ficante e não sentia absolutamente nada por ela. Tudo o que faziam era se beijar na floresta até sentirem que suas bocas explodiriam, e então ele retornava ao seu grupo e reclamava do quão insatisfatória era sua vida. Todos os outros marotos automaticamente relacionavam aquele fator à falta de Marlene, mas nenhum deles ousava dizer a verdade tão nua e crua para o Almofadinhas.
Remo tentava evitar sequer pensar em . Durante o dia, seus esforços eram válidos: conseguia se contentar em apenas olhar para ela, mas à noite, quando sua cabeça finalmente se deitava em seu travesseiro e ele encarava o teto de seu quarto antes de conseguir pegar no sono, ela era a primeira coisa que vinha à tona. De tantas formas diferentes que ele nem gostaria de citar ou pensar em outras situações. Peter zombava dele por isso.
- x –

James respirava fundo colocando a mão no peito, graças ao cansaço. A lua cheia iluminava o rosto igualmente cansado de Sirius, mas nenhum dos dois tinha sequer a ideia de desistir. Sabiam que a partir dali não tinham tanto tempo: os uivos continuavam, o feitiço havia sido uma mera distração: Remo continuava atrás deles. Precisariam voltar a correr ou pensar em outra forma de distraí-lo. Pensavam em ao menos evitar que se ferisse ou ferisse qualquer animal que se arrependeria depois.
Potter ajeitou seus óculos e olhou para o amigo em sinal de apoio, segurou a mão dele ajudando-o a se levantar e se colocou em posição. Ele tinha um novo plano e Sirius podia ver isso graças à forma como suas mãos tremiam em gestos que rapidamente se moviam no ar enquanto James falava.
- Precisamos correr para o fundo. Ele espera que estejamos aqui, talvez consigamos ser bem sorrateiros, e...
- Você é sorrateiro, Pontas, eu sou um pouco estardalhoso. Posso ir pelo lado contrário, atraí-lo até os penhascos e então você faz algum barulho pra cá. Vamos tentar fazer esse ping pong com ele e talvez...
- Não vai funcionar, quando ele perceber a gente já era – suspirou.
- Ele é um selvagem, não acho que vá perceber algo a esse ponto! – dizia desesperado enquanto ambos ouviam os passos altos e abusadores de Lupin, que ecoavam junto com sua respiração ofegante e alguns rugidos. O lobisomem uivava sempre que se lembrava da existência da lua, mas quando seus ouvidos aguçados captaram as vozes dos dois próximos a ele na floresta, seu rumo mudou completamente. Ia atrás deles, com certeza.
James não teve tempo, se transformou rapidamente no cervo e foi para o lado direito enquanto Sirius, já em forma de cão, corria para o lado oposto e latia na esperança de atrair o lobo. O sucesso foi instantâneo, já que os passos antílopes de James eram sorrateiros e seus pulos, lisos e simples. Ele desatou a debandar para o outro lado da floresta e quando viu que a distância era boa e os berros de Sirius eram desesperados, ele se transformou de volta no humano; a primeira coisa da qual conseguiu pensar foi o feitiço.
- Bombarda! – apontou sua varinha para algumas rochas, estourando as menores que vinham por baixo e derrubando as outras, por cima. O pequeno morro caiu e o barulho foi absurdamente alto. Ouviu o uivo e sabia que a partir de agora, era o alvo do lobo.
Ele se escondeu por trás de algumas árvores enquanto tentava procurar os vestígios de Lupin. Se afastava lentamente do lugar onde a explosão ocorrera, para só então se transformar em antílope novamente. Um movimento em falso e alguns galhos se quebraram contra seus cascos, e então o lobisomem se virou enfurecido e extasiado para o lado dele, sentindo o cheiro da presa viva. Vinha em sua direção como uma bala. Sua corrida era rápida, mas foi de encontro a Sirius, que também corria para o lado oposto.
Eles se bateram e rolaram no chão destransformando-se imediatamente. Enquanto o lobo se aproximava, James tirava sua varinha do encalço e Sirius tentava segurá-lo.
- Não, James, vai machucá-lo!
- Não podemos morrer aqui, eu só vou deixá-lo tonto! – ele berrou tentando se soltar do amigo que desesperadamente impedia que erguesse sua varinha. A tensão aumentava a cada instante que Lupin corria e seus passos estavam cada vez mais próximos deles; quando a alguns metros James se deu por vencido e largou a varinha no chão com um soco de Sirius e a imagem do lobo se formava a frente deles desesperadoramente, Sirius se preparou para receber a pancada mas não a recebeu. Seus olhos se abriram inusitadamente percebendo a presença de uma grande coruja das neves; o animal chirriava e soltava um som agudo, voou de rasante próxima à cabeça de Lupin; o lobisomem tentou apanhá-la no ar, mas não conseguiu. O animal se movia rapidamente dentre as árvores e então, conseguiu atraí-lo para o outro lado da floresta. James, que teve um acesso de nervos e quase desmaiava foi arrastado por Sirius para fora da floresta negra.
- Precisamos entrar.
- Mas e o Aluado? – ele disse olhando para o amigo confuso. – ele pode se machucar...
- Acho que o próprio Remo teria nos pedido pra entrar, James. Na situação atual não vamos conseguir fazer nada pra ajudá-lo.
- Quem diria. – riu alto. – dois bruxos contra um lobisomem e quem derrrota ele é uma coruja. É mole?
Ouviram os sons agudos do animal mais uma vez antes de entrarem pela passagem secreta do armário de vassouras, que dava para dentro do castelo, e sorrateiramente irem até seus quartos despistadamente usando a capa da invisibilidade que James recebera especialmente há muitos anos. Antes de entrarem em cada quarto, eles conversaram seriamente sobre alguma possibilidade de cura ou tratamento para Lupin.
Era realmente perigoso tentar acompanhar a situação do amigo, e ainda mais perigoso deixá-lo sozinho mesmo depois de tudo.
- x –

A festa confraternizante entre bruxos e bruxas à partir dos dezesseis anos acontecia às escondidas, como todos da idade genuinamente sabiam. Quando as matérias estavam complicadas ou exigiam muito dos alunos, alguns alunos do sexto ano providenciavam uma festa na casa dos gritos que se expandia a compridas metragens graças a feitiços realizados pelos promotores da festa; as regulações eram simples: os convites eram minuciosamente espalhados, e você devia ter os contatos certos para consegui-los. Nem todos podiam comparecer à aquele evento pelo nível de perigo em sua execução: dependiam piamente na magia dos participantes. Era preciso que se deixasse um clone de si mesmo em seu quarto, independente dos meios para fazê-lo; além disso, se era preciso um com conhecimento em poções ou alguma outra área, para adquirir-se a capacidade de estar invisível por algum tempo e o principal de tudo: todos recebem um pouco de pó de flu para irem até a lareira da casa dos gritos. Mas o porte ilegal de pó de flu era punido com expulsão, então as ações eram de alta periculosidade.
mexia o pequeno caldeirão em miniatura em sua frente com uma colher de pau enquanto lia um livro. Olhou o relógio, respirando fundo; Marlene ainda não chegara, tampouco Lilly. Pensava sempre no pior. Ela odiava estar indo contra o colégio naquele nível, mas as amigas fariam de tudo para forçá-la a estar naquela festa e ela bem sabia daquilo.
A porta se abriu e dois vultos cochichantes entraram, a ruiva tirou a capa e a jogou na cama com um sorriso de fora a fora enquanto Marlene comia alguns sapos de chocolate. Aparentemente, estavam quebrando todas as regras possíveis naquele dia.
- Isso é tão... – ela respirou fundo, desistindo de completar a própria frase.
- Vai ser legal, ! – Marlene disse entregando um convite com o rosto de Amos se movendo com uma coroa como se fosse uma nota de cem euros. – sei que vocês não gostam disso, mas façam por mim.
- Eu já topei desde a hora em que disse que tem Gilly liberado! – Lilly sorriu tentando parecer positiva, embora estivesse tensa. Ela e eram o total oposto das pessoas que costumavam ir àquele tipo de festa, mas também sabiam que tinham seus motivos. Marlene desejava a companhia das amigas, e ela era quem mais precisava ter suas vontades respeitadas naquele momento; precisava esfriar a cabeça e deixar de lado seu jeito às vezes muito político. Ela mesma quebrava várias regras, e tinha certeza de que Dumbledore estava ciente, só não o suficiente para se importar.
- Eu também. – deu de ombros. – as poções estão prontas. Podemos testar um pouco se quiserem, mas eu me garanto muito – sorriu exibida enchendo três frascos e entregando um para cada amiga.
Elas se entreolharam. Marlene bebeu sua poção sem pestanejar e dentro de alguns minutos seu corpo começou a desaparecer; ela olhou para as próprias mãos um pouco extasiada e rindo.
- Quanto tempo isso dura?!
- Ahn, meia hora, talvez? – ela disse coçando a cabeça. – tem uma margem de erro, então deveríamos ir logo.
Incentivou Lilly a beber a própria poção e então foi a última a beber. As garotas já estavam prontas desde o toque de recolher; usava sua calça jeans boyfriend clara e de cintura alta com uma blusa branca com uma foto de uma garota impressa ao meio por dentro da calça, e seu allstar preto, surrado e amado. Os cabelos, apenas prendeu um pequeno rabo no topo e deixou todo o resto solto. Lilly usava sua saia vinho preferida, batia pouco acima do joelho; usava uma sapatilha que gostava muito e combinava com sua meia-calça preta e sua blusa de mangas compridas também preta. Prendeu o cabelo em um rabo alto com um laço preto que adorava. Marlene usava um vestido tubinho em vinil preto, seu salto a deixava incrivelmente magnânima perto das amigas e parecia altamente empoderada com seus fios loiros soltos pelos ombros, destacando a maquiagem forte preta.
juntou todo o seu kit de “primeiras-poções” e guardou em um malão, e então começaram sua pequena viagem. Eram garotas simples e que não chamavam atenção, então deixaram apenas travesseiros substituindo seus lugares na cama. Marlene conhecia um feitiço que posicionava uma réplica dela em uma posição específica, então se colocou dormindo. Alice não contaria, porque também ia a festa.
Elas andaram pelos corredores sem chamar nenhuma atenção e deram graças por nem os fantasmas saberem onde estavam. Quando chegaram próximas a sala de Filch, um garoto vestido com pijamas, pantufas de banana e uma touca engraçada lhes entregou um punhado de pó de flu assim que reapareceram em sua frente e recolheu seus convites. Ele parecia guardar a sala, e só poderiam ir uma de cada vez. Lilly foi a primeira, então , e por último Marlene.
Usar o pó de flu sempre era complicado, apesar de não ser pior do que aparatar. abriu os olhos um pouco confusa se levantando da lareira com a ajuda de Lilly e então vendo Marlene animada atrás de si. A loira estava acostumada, pois sempre comparecia àquele tipo de festa. A morena pensava consigo mesma na grande possibilidade de os marotos estarem ali e, consecutivamente, Remo, mas não podia se deixar abater todas as vezes em que houvesse possibilidade de ele estar presente.
Suspirou se lembrando do que acontecera. Por quê só Remo faltava naquele dia? Não, ela não queria pensar naquilo. Entrou para o meio da festa que acontecia de forma apertada; a música alta quase estourava as paredes da casa dos gritos, enquanto algumas luzes coloridas piscavam e faziam seus olhos doerem. Todo o tipo de bebida estava exposto em uma mesa central na recepção da casa, algo verde que nem sequer conhecia, bebidas trouxas que se lembrava de ter ouvido falar, o tão esperado Gilly de Lilly, e sua soda aos cantos. Pegou um dos copos e encheu com refrigerante e colocou uma cereja dentro. Lilly serviu sua gilly em um dos copos de concha engraçados que estavam por cima da mesa e Marlene já havia desaparecido em meio à todos.
- Por que você é sempre tão maravilhosa, né, Lilly? – James se aproximou com um sorriso intencional. riu quase cuspindo seu refrigerante, sabendo que ele precisaria estar muito bêbado para tentar chegar até Lilly com aquele papo fraco. A ruiva revirou os olhos tentando ignorá-lo.
- Oi, James. Quer dizer que toda a trupe veio, então? – ela disse com um sorriso incômodo.
- O que, os marotos? É claro! – ainda sorria pegando uma cereja de aperitivo. – não sabia que vocês viriam, digo... eu fico feliz, claro! Só não esperava, acho que...
- Amigo, você não tá legal da cabeça, né? – disse colocando a mão no ombro dele. – posso conversar com você bem rápido? – o puxou para um pouco longe de Lilly enquanto a ruiva parecia curtir a música. – rala daqui até ter algo melhor pra dizer, James. Falo sério.
- Nossa... – ele engoliu rapidamente sua cereja tossindo depois. – eu sei que você é bem dura mas precisava mesmo...?!
- Falo pelo seu bem, criatura! – ela suspirou. – acabou de chegar aqui e já tá nesse nível de chapado? Pelo amor, conversa com seus amigos e tira algum papo legal pra ir falar com a Lilly. Eu quero confiar que você é uma pessoa legal pra ela, mas assim não dá pra te defender.
- Tá bem. – ele assentiu concordando. – promete me emprestar ela quando eu tiver algo melhor para dizer?
- Prometo. – sorriu de leve vendo que o garoto saía de lá saltitante e feliz, indo atrás é claro de Sirius, que tinha como acompanhante ninguém mais ninguém menos que Donna.
Lilly olhou para com desgosto.
- Como ela tá tão satisfeita em ser a cachorra dele? Tipo, sério... ele nem olha na cara dela, ele larga ela pra lá como se fosse um bichinho que vai acompanhar ele de todo jeito... cara, a Donna tá se colocando numa posição tão baixa...
- Eu sei. – suspirou. – não há nada que nós possamos fazer, eu acho. Sirius é um babaca galinha do caralho e Donna não pensa em si mesma como um ser humano. Acho que eles são o casal perfeito.
Elas riram juntas. Lilly entrou no meio das pessoas dançando e arrastando , que não se dava tão bem naquele tipo de situação mas acabou se adequando; quando juntas, os passos saíam incríveis e ela quase não conseguia sentir vergonha da própria existência, por mais que soubesse que não muito longe dali Remo estava conversando com James e observando-a ao mesmo tempo. Ela via, mas tentava evitar olhar de volta. Sabia que aquilo lhe causaria um tumulto no coração do qual não gostaria de precisar lidar no momento.
- Lilly, eu realmente não aguento mais, meus pés tão mortos! – ela disse em tom de choro implorando para que a Ruiva aceitasse sua oferta de parar um pouco e respirar em uma das áreas mais caladas da festa. Com muita insistência, Lilly aceitou. Ela acompanhou a amiga até a cozinha, onde poucas pessoas conversavam e a música quase não chegava direito.
- Você tá bem, ? – sorriu um pouco caridosa a ruiva preocupada.
- Eu tô. Só não aguento tanto barulho assim – riu de leve se sentando na bancada da cozinha. A amiga se sentou ao seu lado, apoiando-a com os braços.
- Eu sei que não queria ter vindo. Foi mal por forçar. – ela suspirou. – a Lene faz muita questão da gente aqui. Apesar de não tar com a gente agora, acho que ela se sente mais segura.
- Eu tenho certeza de que sente. – sorriu. – somos tudo o que ela tem agora, eu imagino. Não se preocupe, ruiva, eu não tô triste por ter vindo. Só... pensativa.
- Sobre o clarão em sua mente?- Lilly pareceu imediatamente concentrada e preocupada.
- Na verdade eu acho que não cheguei a te dizer... – ela começou, mas antes que pudesse dizer algo, James apareceu ao lado de Remo. Aluado cruzou os braços com um sorriso que podia notar e com certeza dizer que gostava, mas desviou o olhar. Potter estava de frente para Lilly agora, e a morena só se deu conta de que a conversa entre eles rendia quando percebeu que Remo teve influência sobre ela.
- Você quer que eu te mostre? – ele riu de um jeito fofo. – sério, vai ser bem rápido. Na neve lá fora deve dar pra fazer.
- Acha mesmo que consegue formar um troll de neve inteiro com um feitiço só, Potter? – Lilly, curiosa e competitiva, cruzou os braços. O garoto ajeitou os óculos e assentiu com uma pose engraçada. A ruiva olhou para como quem pedia sua permissão e recebeu um aceno sutil de cabeça imediatamente. Ela e Remo observavam os dois saírem pela porta e irem para o lado de fora.
O silêncio só durou o pequeno intervalo de tempo em que foram embora. foi a primeira a surpreendentemente dizer algo.
- Então você conseguiu fazê-lo dizer algo decente, no fim das contas. – ela cruzou os braços se apoiando em um armário atrás de si. Remo olhou para ela, que estava quase em sua altura e riu.
- Acho que ele conseguia se virar sozinho sóbrio, mas bêbado? Sim, precisa de um empurrãozinho.
- Fez bem. Lilly não se interessaria por mais nada além de um feitiço que nem existe. – ela deu de ombros.
- Esse é o pretexto, mas ele vai ter que improvisar, claro – riu e a garota acabou por rir junto. A cozinha parecia ter ficado pequena, então.
Poucas pessoas estavam ali mas ela não sentia quase nenhuma ao seu redor. O pouco contato dela com Remo naquele momento era vital, parecia quase instantâneo. Seus olhos procuravam os dele, que estavam observando a festa. bebera um pouco e não podia dizer se aquilo contribuía no fator de estar completamente caída, tombada e destruída por Remo Lupin, tão bonito; o lupino evitou olhá-la por alguns poucos segundos pois a lua cheia acabara de sair do céu. Sabia que se olhasse mais uma vez para a boca escarlate dela, ele não iria mais se conter em tomá-la. Quando a olhou de novo, viu os olhos cinzentos dela focados impulsivamente nos seus. A boca entreaberta dela parecia querer dizer algo, mas não conseguia formular frase alguma. Sua mão que estava na bancada se apoiou levemente na coxa dela enquanto ele instintivamente se posicionava entre as pernas da garota; levou suas mãos geladas ao rosto dele, acariciando uma pequena cicatriz próxima ao pescoço. Ela se perguntava o quê no mundo poderia ter ferido uma criatura tão solitária.
Ele respirou fundo e fechou os olhos quando sentiu as mãos dela envolvidas em seu rosto, passando-se lentamente pelo seu cabelo; o rosto dela lentamente se aproximando do dele, suas respirações se tornando apenas uma enquanto todos os sons externos eram isolados por algum tipo de barreira que o calor dos dois emanava. A distância tão tênue e sutil entre os dois lábios que tanto se desejavam era violenta naquele momento. Tinham urgência um pelo outro. fechou seus olhos sentindo o rosto do garoto contra o seu.
- Marlene! – o berro alterado de Lilly entrou como uma bala nos ouvidos de ambos.
Remo se virou instintivamente e desesperada olhou para o meio da festa, onde Amos Diggory estava levando um soco cheio de Sirius. Marlene observava tudo horrorizada, mas a briga parecia ter sido por causa dela. se soltou de Remo e correu até o meio de todos, segurou Marlene e a afastou do núcleo da briga. Não queria que se ferisse. Sirius parecia descontrolado.
- Quem pensa que é pra tocar assim na minha garota?! Quem a foda é você, Amos, pra fazer isso?!
Amos tentava se justificar sem feri-lo de volta.
- Black, nem juntos vocês tão! – ele gritou.
Marlene chorava àquele ponto, a cabeça de latejava. Lilly tentava apoiar a amiga desamparada; ela olhava para sabendo que o monstro viria.
Seus ouvidos se enchiam, sua enxaqueca, Remo, seus pais, sua cabeça explodia. Ela tampou os olhos por um segundo e então toda a festa se tornou silenciosa quando o grito dela interrompeu a briga dos dois. passou por eles esbarrando em Amos e empurrando Sirius com a maior força que pôde usar – embora não fosse tanta.
- Você é desprezível. – ela disse para Sirius com o cenho franzido e então andou abrindo espaço entre todos para Lilly passar com Marlene. As garotas saíram. Sirius, sem graça pelo acontecido, largou Amos parado, foi procurar por Remo e James. Donna, revoltada por “seu Six” não lhe dar valor algum, foi atrás do cão para tentar reter sua atenção novamente.
- “Sua garota”? – Donna olhou para ele com lágrimas nos olhos. – sério?
- Donna, eu sei que você é afim de mim mas já tentei te explicar um monte de vezes que isso não tem funcionado...
- Ah é? – Remo olhou para ele furioso entrando no meio da discussão. – e agora depois disso tudo você diz pra ela que gosta mesmo é da Marlene? Depois de tudo isso? Sério, Sirius?
Sirius era briguento, mas não contra Remo. Talvez contra James, talvez contra Peter, mas não, jamais contra Remo. Ele era sensato demais para perder uma briga, forte demais para ser combatido e provavelmente descontrolado demais para fazerem as pazes depois. Conhecendo a situação do amigo como conhecia, Sirius apenas abaixou a cabeça e aceitou o que ele disse.
- Você precisa decidir o que é que você quer. Ou tira a Lene da cabeça ou vai atrás dela, porque Sirius... sinceramente? Você tá sendo um filho da puta, realmente desprezível.
Os dois levantaram os olhos para James que tinha um brilho descomunal no olhar e diante a briga, segurava um sorriso imenso no rosto. Ele respirou fundo olhando para eles animado quando Sirius deu um sinal com a mão dizendo que ele deveria prosseguir.
- Eu beijei a Lilly Evans!
- x –

- Desgraçado filho da puta do caralho! – Marlene gritava enquanto socava o travesseiro de . A morena passou a mão pelo rosto cansada apenas observando a atitude da amiga. Lilly estava sentada em sua própria cama com os olhos vidrados. Tinha muito a dizer, mas aparentemente os problemas de Marlene ultimamente vinham sobrepondo tudinho na vida das três amigas.
- Lene...
- Não, não! Ele não merece absolutamente nada, nem sequer meu choro! – ela disse jogando o travesseiro da amiga na cama. – vocês não entendem, eu só tava ficando com o Amos. Eu sou solteira, eu tenho meus direitos!
- Por favor, calma. – Lilly disse suspirando. – nós entendemos. Nós defendemos os seus direitos, Lene, a gente tá do seu lado desde o início.
- O tempo todo. – disse cruzando os braços e olhando-a com um olhar baixo, já que sua cabeça estava escorada na parede. Marlene assentiu como se de repente tivesse se sentido pra baixo. Não queria tomar toda a atenção das amigas para si, na verdade, sabia bem que Lilly tinha algo importante a dizer e que não estava bem há um bom tempo.
- Eu sei que eu arrastei vocês duas e que vocês não curtiram nem um pouco – ela suspirou limpando suas lágrimas. – me desculpem. Eu tenho sido...
- Você não tem sido nada, Lene. Tá agindo como o esperado de uma pessoa que foi vítima de uma situação horrível e uma traição fodida como a da Donna. – disse se sentando no chão. – você tem reagido da melhor forma possível tentando viver sua vida.
- Mas...? – Marlene disse como se já tivesse em mente que havia um porém.
- Mas nós também estamos tentando ajudar. – Lilly olhou para ela caridosa. – nós somos suas amigas, tudo o que queremos é ver você bem.
- Eu sei. Eu sei, me desculpem. Eu sou grata por isso, eu juro – Marlene disse abraçando Lilly e depois indo até , ajudando-a a se levantar e lhe dando um abraço apertado. – me desculpem mesmo. Acho que vocês precisam de algum espaço agora, né?
- Eu só tô realmente cansada e preciso dormir um pouco – disse bocejando e dando um beijo na bochecha da amiga. – fique bem, Lene. De verdade, Sirius não vale nem a sola do seu sapato mais velho e surrado.
- Você tem razão. – ela riu de leve fungando. – vou deixar vocês em paz, nós nos vemos amanhã?
- Na esquina! – Lilly disse com tom de combinado e ela assentiu, fechando sua porta. suspirou fechando os olhos virada para o teto, já sabendo que Lilly ia começar a contar absolutamente tudo. Ela se sentia grata por de certa forma todas as vezes em que as coisas terminavam mal, em um segundo elas conseguiam transformar e reverter a situação em algo minimamente bom. Lilly e James eram um novo assunto, um velho e enterrado, mas que faria algum sentido.
Ao contrário do que imaginava , Lilly não estava nem um pouco feliz pela situação. Parecia bem triste, em fato; seus olhos se encheram de lágrimas.
- Eu e o Potter...
- Eu sei, eu imaginei – ela riu de leve – mas Lilly, por quê o choro?
A ruiva respirou fundo deixando algumas lágrimas caírem.
- Por Severo, .
Severo. Então ele era o motivo pelo qual a ruiva nunca dera espaço a James. Era compreensível; Snape era um garoto diferente e os marotos gostavam de arranjar problemas com a personalidade frágil e tímida dele, em exclusividade Potter. Aquilo era um grande problema, sabia que uma das virtudes que com certeza o amigo de Lilly não tinha era a compreensão, e não saberia lidar com a situação senão mandando-a embora de sua vida.
- Oh, Lilly... – ela suspirou abraçando a amiga. – eu sinto muito por isso.
- Acha que ele vai entender se eu quiser dar uma chance pro James?
- Precisa da minha sinceridade agora? – deu um sorriso triste.
- Sempre.
- Não acho. Sinto muito. – ela ergueu o rosto da amiga. – acho que essa é uma escolha e tanto, e você vai precisar pensar muito antes de conseguir qualquer conclusão.
- De um lado tenho Severo, que esteve comigo desde a minha infância e é meu melhor amigo...
- E gosta de você.
O coração da ruiva pareceu ter gelado no mesmo instante. Ela desatou a chorar novamente assentindo como se não contasse com aquela opção desde antes. se sentiu culpada por ter citado, mas não podia ter deixado de dizer. Era muito óbvio e importante.
- E gosta de mim! Que droga, , eu nunca vou poder fazer isso com ele! – ela respirou fundo. – James precisa ir pro fundo, bem pro fundo da minha consciência pesada. Ele não pode existir mais. Não posso gostar do Potter de jeito nenhum!
E a partir daquele ponto, sabia de duas coisas.
Sua amiga estava perdidamente apaixonada por James Potter, e ela, por Remo Lupin.
- x –


Nenhum deles se viu no intervalo entre a festa e a aula dos dias seguintes. Uma semana se passou e todo o contato que teve com Remo foram as pequenas perseguições que, desconfiada, ela dava. Sentia que ele tinha relação com sua ferida e com a situação esquisita do dia anterior e queria tirar aquelas satisfações com ele, mas antes precisava de um motivo. Ivan estava concentrado no próximo jogo do torneio e a deixara em paz há tempos; às vezes ainda ia na biblioteca conversar com ela, mas o assunto era tão pouco que em questão de minutos ficava sem graça e desistia.
Lilly conversava com Snape pelos corredores e deixou suas amigas de lado por algum tempo, depois de se sentir tão culpada por tudo o que acontecera com James. Ela o evitava e preferia não falar com ele a ter que rejeitá-lo de cara. Marlene não olhava na cara de Sirius e vice versa, e Donna parecia ter um ódio especial por pelas várias vezes em que fora ofensiva com Sirius. Já o rapaz, em respeito a Remo, parecia não ter sequer o direito de odiá-la. Ele evitava Donna, mas era quase impossível tirá-la de perto de si; era uma garota grudenta e complicada, dependente dele – e aquele era um problema: não conseguiria rejeitá-la também. Marlene os observava com ódio, mas não desejava mal algum a eles, pois não tinha um coração ruim.
James tentava compreender o porquê de estar sendo evitado por Lilly e entristecido, acabou por fim compreendendo a situação complicada em que Remo estava com desde o início de toda a história. Sempre conversavam sobre aquilo, mas o assunto acabava antes que qualquer coisa pudesse acontecer. Tentava se distrair prestando atenção na vida dos outros, e foi daquela forma que ele ocasionou o “incidente”.
Sirius tapava a boca de Peter, que não parava de rir nem por um segundo; tinham receio de que os garotos os ouvissem, mas era de fato uma situação cômica. Remo se afundou para trás da árvore onde estava escondido ao lado de James, cada um deles observava por um lado da árvore. Na árvore ao lado, Peter tentava observar mas era impedido pelo moreno que quase lhe afundava no chão com as mãos.
- Cala a boca, rabicho, eles vão ouvir! – ele sussurrou bravo.
- Como foi que a gente veio parar aqui mesmo? – Remo disse baixo olhando para James que ergueu a sobrancelha.
James tinha um mau costume de prestar muita atenção na vida alheia. Procurando pelos contrabandistas de sapos de chocolate do colégio para fazer algumas compras, encontrou um garotinho do terceiro ano, Theo, falando sobre um tal de Mars, amigo dele. Dizia que Mars era um traidor e que estava fazendo “a parada do jeito errado”. O Potter achou incrivelmente engraçado que duas crianças estivessem envolvidas com o “tráfico” de sapos, e não pôde deixar de se interessar pela vida deles. Passou a andar atrás deles pelos corredores de uma forma nada discreta, mas impossível de ser percebido por duas crianças concentradas em outros assuntos.
Os dois conversavam e às vezes chegavam a brigar por algo chamado “Ally”, o que inicialmente, James supôs ser um ponto de encontro para os contrabandistas. Ficou chocado pensando que chegaram a esse ponto; Mars sempre dizia “Ally é meu território e você sabe, não entendo porque fica tentando ir lá e tomar!”. Depois de rir muito com seus amigos sobre isso, flagrou um dos garotos entrar na floresta negra depois do horário permitido. Aquilo fez suas orelhas coçarem de curiosidade.
Ele então reuniu toda a sua tropa e decidiu observar a rotina dos garotos até encontrar uma brecha onde pudessem segui-los para dentro da floresta. Naquele dia, Mars o tinha acompanhado; para a surpresa dos quatro marotos, os garotos não falavam de nenhum ponto de encontro: Ally era uma garota três anos mais velha do que eles, uma da qual os dois estavam afim. E estavam dispostos a brigar um duelo bruxo para conquistá-la.
É claro que aquilo fez com que todos eles perdessem os lados de tanto rir. Eram quase cinco da tarde, estava escuro mas não totalmente, e lá estavam eles: os quatro marotos escondidos atrás de árvores preparados para rir até chorar do duelo de duas crianças despreparadas e, talvez, testemunharem uma cena horrível. Remo não gostava da ideia, Peter ria como um idiota, Sirius não ligava e James fazia questão de ter aquela memória para se recordar.
Os dois garotos berravam enquanto Sirius afundou mais o rosto de Peter na terra na esperança de que o garoto calasse a boca; James chamou a atenção do lupino ao ver que os dois começavam a lançar faíscas por suas varinhas, faíscas bem pequenas. Mars se assustou com a varinha inimiga e isso causou uma crise de risos em James.
Os dois olharam com as varinhas apontadas para a direção dos marotos. Eles se esconderam atrás das árvores.
- Acha que eles nos viram? – Petrer perguntou assustado e risonho. Os garotos olhavam amedrontados e de repente desataram a correr. Remo foi o primeiro a perceber, desempunhou sua varinha e a ergueu para trás; seu lumus foi rápido o suficiente para iluminar um trasgo que respirava quente contra eles, preparado para jogar seu porrete contra James. O garoto não foi rápido o suficiente para lançar um feitiço, mas eles conseguiram desviar; o gigante fincou o punhete na árvore, derrubando-a de imediato. Os quatro se levantaram.
- Corram! – Sirius berrou e no mesmo instante, Peter se transformou em um rato e correu desesperadamente para o lado contrário. Sirius se transformou em seu cachorro depois de algum tempo correndo e percebendo que o trasgo seria rápido o suficiente para jantar os quatro;
James olhou para Remo em compreensão antes de se tornar um cervo.
- Você pode montar em mim! – ele gritou para o amigo e se transformou rapidamente. Corria como nunca; Remo era rápido, sua condição às vezes ajudava. Conseguiu desviar do trasgo enquanto ele corria atrás de James. A velocidade do cervo não seria o suficiente contra aquele bicho enorme que lançava seu porrete com força e velocidade.
- Não.. – Remo suspirou sabendo que aquilo daria muito errado. Ele correu na direção do trasgo, erguendo sua varinha.
- Bombarda! – gritou explodindo um feitiço no pé do gigante, mas só foi o suficiente para fazê-lo tombar um pouco. O trasgo, enfurecido, se voltou para ele lançando seu porrete. Remo se abaixou rolando para o lado enquanto Sirius, de novo em forma humana, lançava um “estupefaça” nas costas do animal. Ele parecia ter um escudo contra aqueles feitiços básicos, pois só cambaleava e nada mais;
James se transformou novamente em humano ajudando os amigos, e Peter àquela altura já devia ter corrido muito. O gigante bateu os pés no chão fazendo com que o mesmo tremesse e todos eles caíssem instantaneamente; enquanto James pegava sua varinha, o animal deu mais um pisão fazendo com que ela se afastasse dele.
- Reducto!
O animal foi atingido em cheio no pescoço e finalmente parecia ter sido afetado por algo; um grunhido agudo e longo assustou os aguçados ouvidos dos três, a adrenalina fez Remo pegar sua varinha no mesmo instante. A coruja das neves estava de volta.
O animal sobrevoava o trasgo, que tentava pegá-la; ela deu um rasante, bicando fortemente a cabeça do animal, chamando sua atenção. Quando o trasgo pareceu pronto para atingi-la em cheio, Remo lançou um “estupefaça” forte o suficiente para fazê-lo cair para trás, mas o gigante se levantou e conseguiu tapear a coruja; sua mão atingiu a asa do animal, que caiu no chão de imediato.
A luz branca quase cegou os três; o trasgo ainda se levantava com dificuldade enquanto a garota com a mão no braço esquerdo, agora machucado, vestida com um robe enorme e branco como a própria neve, os cabelos negros compridos selvagemente bagunçados se levantava com dificuldade. A garota olhou o sangue em seu braço e respirou fundo empunhando sua varinha e olhando para cima, para o grande trasgo à sua frente. Remo arregalou os olhos. Seu corpo parou completamente.
- ?!
Ela virou o rosto para o lado, levemente pousando o queixo no ombro. Ele podia ver o sorriso de canto no rosto dela.
- O que, vocês acharam que eram os únicos animagos de Hogwarts?


Capítulo 8

lançava um feitiço atrás do outro enquanto, unidos, os três marotos conseguiam fazer o trasgo levitar; Sirius parecia revoltado, não parecia se contentar em apenas atordoar o trasgo como a própria garota tentava. Quando o bicho estava zonzo o suficiente, ela pediu que eles cessassem os feitiços.
- Não vai levar muito tempo até ele se levantar – ela explicou correndo para perto deles. Remo e James se entreolharam e deram de ombros;
- Vamos explodi-lo, então, oras, o que você tá esperando?! – Sirius a olhou rindo de nervoso.
- Ele é uma criatura inocente tentando defender seu hábitat de gente chata como vocês. Acha justo bater nele?! – ela o olhou abismada, e Remo e James foram forçados a concordar. O garoto suspirou enquanto o trasgo se levantava e eles corriam para longe dali.
- Não podemos simplesmente correr. – James disse fazendo com que todos parassem. – ele vai nos seguir até o castelo.
No momento em que pareciam não ter o que fazer, a ruiva e a loira foram uma grande ajuda; Lilly segurava em mãos a capa da invisibilidade de James. O garoto sorriu apaixonado quando ela jogou a capa sem mais rodeios nas mãos dele, e ele a ergueu para cima, abrangendo a todos de forma apertada.
- Pera aí, como você soube da capa? – ele a olhou de cima a baixo.
- Peter me deu. – ela sorriu de leve. Eles se puseram a andar lentamente enquanto o trasgo parecia confuso e distante, indo para o fundo da floresta; saíram debaixo da capa por alguns segundos para respirar, todos eles pareciam em êxtase. Sirius evitava o contato com as garotas, mas James tinha óbvios motivos para conversar com Lilly naquele instante;
Remo se aproximou de segurando carinhosamente seu braço. Ela se assustou com o toque, mas o susto só gerou um pequeno suspiro do qual ambos acabaram rindo levemente. Ela olhou para o próprio ferimento e então para ele.
- Não se preocupe, é só um corte. – ela disse com um pequeno sorriso amigável.
- Se você diz... – ele sorriu, vendo que de fato era apenas um corte. – quais outros mistérios impressionantes você vem escondendo de todos, ? – ergueu as sobrancelhas surpreso e ela acabou rindo de seu comentário.
- Qual é... Não é como se fosse uma surpresa. – ela disse, andando. Ele a acompanhou, e os outros acabaram vindo atrás deles.
- O que? Acha que eu esperava por isso?! Você tá louca?
- Talvez não esperasse por isso, mas não é como se eu fosse a primeira animaga daqui! – ela disse se virando para os outros marotos atrás dela que imediatamente pararam de andar, observando-a como quem tentava compreender o motivo pelo qual empacara a fileira.
- Nós não... – Sirius começou mas ela o interrompeu.
- Um cervo, um cão, tenho certeza de ter visto Peter se transformar em um rato enquanto fugia daqui... – ela voltou seu olhar a Remo. – o que você é?
Remo olhou para James que parecia igualmente nervoso. O garoto abriu a boca mas não conseguiu encontrar palavra alguma, ou gaguejaria; como poderia explicar a ela que não era um animago, que sua transformação não era opcional como a dela? James pareceu ter uma ideia imediatamente.
- Eu não... – Remo começou a falar mas foi interrompido pelo Potter.
- Se abaixem! – o garoto exclamou em um sussurro e jogou a capa por cima de todos eles. – eu vi alguém ali... digo, estamos fora do colégio em uma hora super errada... a gente devia voltar.
- Você sendo sensato? – Lilly o olhou surpresa. Marlene suspirou rindo de canto; queria vomitar com aquele chato amor adolescente.
Eles andavam devagar para não levantar suspeitas ou aparecerem por fora da capa; conseguiram se enfiar na passagem secreta na pedra do lado de fora, se esgueirando pelo corredor ainda invisíveis até pararem em um dos corredores dentro de Hogwarts. As luzes já estavam apagadas, os quadros dormiam e o escuro dominava o corredor; eles andavam cautelosamente usando seu mapa e um lumus simples. Viraram o corredor.
- Oras, mas... – Minerva puxou a capa por trás dos pés deles imediatamente. Sua varinha estava acesa iluminando o corredor inteiro, ela tinha uma expressão furiosa e usava seus pijamas. – o que é que vocês estão fazendo aqui a essa hora?! Onde estavam, suas pestes?
- Eu posso explicar! – James foi o primeiro a dar um passo a frente e se dedicar a conversar com a professora. – tia Minerva...
- Professora, estávamos tentando ajudar dois garotos na floresta. – atropelou o garoto. Os marotos se entreolharam confusos.
- Na floresta negra fora do horário?!
- Nós os vimos saindo daqui, não tivemos tempo pra sequer chamá-la. Tudo o que pudemos fazer foi ir atrás, confiando que ajudaríamos. Eles queriam duelar por alguma garota mas deram de cara com um trasgo...
- Trasgo?! – Minerva os olhou assustada e nervosa ao mesmo tempo. – para os dormitórios. Já! – ela disse os empurrando. Todos eles andavam rapidamente na direção das escadas onde ela os escoltava.
Sussurrou a senha do salão comunal da grifinória e os indicou a escada para que subissem para seus respectivos dormitórios. Todos eles foram, e então a professora olhou para James, que ficou para trás.
- Não pense que se safaram, senhores e senhoritas! – ela disse cruzando os braços. – amanhã teremos uma conversa séria sobre isso!
As tochas rapidamente se apagaram e James suspirou indo até seu quarto. Sirius o olhava com uma cara de susto, provavelmente por tudo o que havia acontecido naquele dia, até então;
- Que porra foi essa?
- Eu sei lá...

- x -

foi convocada para a sala do diretor. James conversaria com Minerva. Lilly, Marlene, Sirius, Peter e Remo só precisariam cumprir detenções por três dias; qualquer um diria que aquela era uma punição extremamente rasa para pessoas que descumpriram regras tão claras e perigosas, mas querendo ou não, Minerva gostava muito de seus marotos e suas garotas para fazer mais do que aquilo; além do mais, detenção de história da magia por três dias parecia tê-los deixados desanimados o suficiente.
A passagem da fênix girava e todo o mundo se passava na frente de . Se lembrava das pouquíssimas vezes em que precisara conversar com Dumbledore. Sempre um homem agradável, sempre gentil e muito amigável. Não sabia se aquilo, entretanto, se repetiria agora que o velho tinha uma razão para puni-la.
Quando a porta se abriu, ele ergueu os olhos de alguns pergaminhos cuja pena escrevia sozinha e abriu um sorriso doce, erguendo suas mãos.
- Bom dia, srta. ! – ele sorriu. – se aproxime, por favor.
se aproximou em silêncio. Dumbledore juntou as mãos e a analisou por alguns segundos e então soltou um suspiro pensativo.
- Eu acredito, querida, que creia estar aqui para tomar mais um daqueles sermões que a professora McGonagall faz como ninguém. – ele disse rindo um pouco. – mas eu, por outro lado, não consigo!
Ela riu junto com ele ainda parecendo nervosa, mas um pouco mais tranquila agora. A fênix dele, Fawkes, abanava suas asas no poleiro ao seu lado; ele observou o olhar curioso de para o animal.
- Fawkes é uma fênix dócil. Mas você deve saber disso, creio ter recebido muitos elogios sobre a senhora em suas aulas de herbologia. Um conhecimento perfeito sobre as criaturas. – ele sorriu. – srta. , a chamei aqui porque chegou aos meus ouvidos que você tem uma habilidade que poucos dos meus alunos têm.
- Ah, é claro. – ela disse batendo na própria testa como se fosse óbvio o motivo pelo qual a chamava.
- A srta. certamente sabe que animagos são autorizados no ministério sob a condição de se registrarem.
assentia como se já esperasse por um intenso sermão.
- E também certamente sabe que checamos pelo seu nome na lista dos animagos autorizados e, claramente, não o encontramos;
Ela assentiu mais uma vez comprimindo os lábios em uma linha e erguendo as sobrancelhas como se já esperasse uma expulsão.
- Então, também certamente sabe que preferimos as coisas desta forma. – o velho se levantou se encostando em sua própria mesa e juntando as mãos na frente do corpo. – acho, como dizem? Mais interessante que te mantenhamos às escondidas, srta. .
- Eu entendo, professor Dumble... desculpa, como é? – ela olhou para ele piscando um pouco desacreditada, causando uma gargalhada contagiosa no velho. Ele a observou carinhosamente.
- Vem treinando seus dotes com a professora McGonagall há um bom tempo, estou certo?
- Bom... Fazem alguns meses. – ela tossiu. – eu pedi pra ela me ensinar. Sempre tive muito interesse e achei extremamente útil me tornar um animal que, bem... voasse.
- Uma coruja. – ele comentou observando a própria fênix e acariciando as penas avermelhadas de Fawkes. – é uma escolha interessante. Esse é o seu patrono, srta. ?
- É, sim. – ela sorriu. – uma coincidência, na verdade. Escolhi me tornar uma coruja antes mesmo de descobrir que era o meu patrono.
Dumbledore sorriu vendo a fantástica e especial garota que criava logo à sua frente.
- Sabe, – ele começou, chamando-a pelo nome pela primeira vez. – estamos muito próximos de tempos sombrios. Agora, mais do que nunca, preciso manter pessoas dedicadas e leais o mais próximas possível. Você e seus amigos às vezes nos dão trabalho – riu – não vou mentir. Mas são bruxos extremamente potentes, em especial você e sua amiga, srta. Evans.
- Lilly é a melhor bruxa e também a melhor pessoa que já conheci em minha vida. – ela comentou.
- Acho que você e a srta. Evans têm potenciais abstratos e estão desenhando suas linhas temporais com perfeição. – ele sorriu. – posso afirmar que possuem minha confiança. E quanto aos garotos, como é que eles se denominam... os Marotos?
riu.
- Bem, tenho minhas dúvidas acerca de alguns deles. – ele sorriu. – mas possuo total confiança em Minerva, e ela, bem... ama aqueles garotos.
- Por isso decidiu deixar de me expulsar dessa vez? – ela riu. – sei que nossa infração foi bem séria... a floresta negra é perigosa.
- Srta. – ele olhou para ela com um sorriso doce. – os maiores heróis bruxos da história foram descobertos em situações exasperadas. Espero encontrar todos vocês no futuro como grandes bruxos, e espero poder dizer que lutaram ao lado da luz todo o tempo. Tenho plena confiança de que usará sua capacidade de se transformar em uma belíssima coruja para os mais nobres motivos.
sorriu exultante. Ela parecia ansiosa para abraçá-lo, mas ao mesmo tempo se continha; talvez não quisesse parecer tão desesperada ou esquisita. O velho deu algumas batidas carinhosas no topo da cabeça dela enquanto se despedia. Abriu a porta para ela e então se voltou a sua mesa. Tinha trabalho a fazer ali;
A primeira pessoa a quem viu quando finalmente a passagem terminou de girar foi James. O garoto parecia atordoado mas ainda assim não parecia ser alguém que acabou de tomar um sermão; ela riu de leve vendo que a expressão dele se familiarizou assim que a viu.
- E aí, quantos xingamentos você tomou? – ele disse olhando-a de cima a baixo com as mãos na cintura. – na verdade, duvido que tenha tomado algum xingamento. Deu a sorte de cair com o Dumbledore.
- É, nessa você tá certo. – ela deu de ombros. – eu não tomei xingamento nenhum.
- Filha da puta.
Eles riram saindo dali e conversando. Todo o resto de ambos os grupos estava reunido do lado de fora da recepção da sala de Dumbledore; Remo e Sirius ainda comentavam sobre a suspensão, Peter tentava realizar algum feitiço na frente de Lilly e a própria ruiva se distraía imediatamente com a chegada da amiga.
- E aí?! – ela olhou para . – o que vai acontecer agora...?
- Absolutamente nada. – ela disse em tom de comemoração. – esse é um segredo que felizmente vai ficar só entre a gente, mesmo.
- Me diz um nome, Peter. – ela disse sacudindo o garoto feliz. – um nome, eu te peço! Uma única pessoa com quem a porra da tal da não tenha mexido com a cabeça ou convencido a deixar ela se safar! Me dá um nominho só!
riu dando um tapinha no ombro da amiga.
- Aparentemente nada de novo por aqui, então – Marlene deu um pulo amigável segurando os ombros da menor, olhando-a nos olhos e procurando pela expressão adorável que já sabia que apareceria. revirou os olhos sorrindo.
- O que vocês acham de ir no três vassouras? – Lilly olhou para os rapazes animada. Todos eles se entreolharam em concordância;
- Ei, vocês são um bando de otários – James disse cruzando os braços e revirando os olhos – eu e a srta. Convincente não estamos de detenção, chorumentos! A gente tem poções hoje o dia inteiro!
- É uma pena, meu caro pontas – Sirius deu de ombros cerrando as bocas em total decepção e então riu, claramente aceitando o convite da ruiva.
- Vocês dois vão ter bastante tempo pra discutir sobre félix felicis e outros itens interessantíssimos que vocês podem extrair das folhas de rúcula. – Marlene piscou rindo.
A loira segurou a mão da amiga a puxando na frente. Apesar de toda a confusão ter reaproximado os dois grupos anteriormente, ainda não sabia o que seu coração dizia a respeito de Sirius. Ele andava atrás com Peter, puxava o menor pelos ombros e esfregava a cabeça dele com os punhos fechados; ria e arrancava algumas risadas de James.
Potter olhou de relance para e Remo que se encararam por um ou dois segundos e respirou fundo soltando um suspiro junto com um assobio.
- É, eu vou pegar minhas coisas, né? – ele comentou enfiando as mãos no bolso e saindo, deixando os dois sozinhos por mais que apenas por ora. Sabia que cedo ou tarde o rato e o cão se virariam para requisitar a presença do lobo no bando.
deixou que seus lábios formassem um leve sorriso enquanto seus olhos se passavam pelos dele. Remo se aproximou dela, uma das mãos do rapaz segurou a abertura da blusa de frio fina dela, descendo-a até pouco abaixo do ombro esquerdo. Conseguiu ver o curativo bem feito posicionado ali, e o band-aid com flores e desenhos fofos – certamente autoria de Lilly. Sorriu de canto observando a garota, mas sua mão não deixou o braço dela nem por um segundo.
- Já parou de doer? – ele ergueu as sobrancelhas a observando com um sorriso. A forma suave como Remo andava, a forma como ele falava e as palavras pareciam sair em uma entonação perfeita, a forma como ele olhava para ela e até mesmo a serenidade com a qual ele piscava. Tudo aquilo fazia parte da lista que repassava mentalmente quando pensava nos seus motivos para se sentir tão atraída por ele.
Ela olhou para os lábios do garoto enquanto acompanhava a saída das palavras tranquilas e então se voltou para os olhos castanhos dele, que se dissuadiam entre os dois acinzentados dela.
- Não doeu. – disse em um sorriso. – foi só um corte, como eu disse...
- Bom, - ele segurou o rosto dela com as duas mãos. – acho que eu nem tive a oportunidade de te agradecer, né?
olhou para um lado e para o outro pensativa e então balançou a cabeça negativamente. Ele abriu a boca para dizer algo e então ouviu a voz de Sirius berrar seu nome ao longe, exigindo a presença dele; os dois riram um pouco e então ele se voltou para ela.
- Obrigado, srta. Convincente. – ele se aproximou do rosto dela, selando seus lábios em um beijo calmo. A soltou em um sorriso observando que ela abria um ainda maior, de orelha a orelha enquanto seus olhos fechados pareciam ainda senti-lo. Abriu os olhos o vendo começar a andar na direção de Sirius enquanto segurava a mão dela e a observava.
- Você vai me deixar pra trás mais uma vez, garoto Lupino? – ela deu um sorriso irresistível enquanto suas sobrancelhas se erguiam e ela o observava ansiosa por uma resposta.
- O que, isso significa que quer que eu fique? – ele retrucou no mesmo tom exibindo uma expressão um pouco debochada.
- Ou significa que quer ficar?
- Eu quero ficar. – ele sorriu. – eu também quis ficar no baile, é só que... – ele suspirou olhando para ela com certa dor. balançou a cabeça sorrindo e apoiando o rosto dele.
- Não, não vamos mais ligar pra isso. Acho que essa fase meio que passou, né? Tá tudo bem.
Sirius apareceu com as mãos na cintura no fim do corredor; riu e fez com que Lupin se virasse também. O rapaz revirou os olhos rindo de leve e se voltando à garota.
- Eu te vejo mais tarde?
- É claro. – ela piscou. – só não me dê mais um bolo, ou eu te mato. Sério!
Ele ergueu o dedinho e a garota uniu o seu ao dele; era um juramento.
Não sabia o que pensar sobre tudo aquilo, e nem se conseguiria processar toda a informação sozinha. Talvez precisasse de Marlene e seus conselhos sensuais ou Lilly e toda a sua facilidade quando lidava com o amor. Nem por um segundo sequer, Ivan se passou em sua mente; e então, ela viu Remo ali, no corredor, acenando pra ela e sendo quase que assediado por Sirius. Glorificado de pé pelo amigo por, certamente, ter conseguido ter a garota que sempre quis. Sorriu de leve e mordeu seu lábio o analisando. Remo não era exatamente o tipo forte, mas tinha músculos e um corpo bonito; seus ombros eram largos, era um garoto alto – ligeiramente mais alto do que Sirius – e seu jeito era uma queda para a garota. Ela balançou o rosto imaginando o que Marlene diria se estivesse ali e pudesse ler seus pensamentos. Riu consigo mesma até ser interrompida por James, que a observava com uma expressão assustada.
- Garota, você é louca?
- Para! – ela riu o empurrando na direção da sala enquanto o garoto também começava a rir.

- x -

- Aí, Aluado, eu duvido que vira esse. – Sirius disse erguendo as sobrancelhas e encarando o amigo que parecia hesitar ao copo à sua frente.
- Nós nem temos permissão pra comprar isso aqui, cachorro – ele riu – como você conseguiu?!
- Dotes. Eu sou bem convincente quando eu quero. – Sirius piscou pra ele observando Marlene que conversava com Lilly do outro lado do bar. Elas se sentaram um pouco afastadas, pareciam ter assuntos para colocar em dia. Os dois acabaram juntos em uma das mesas centrais, e agora, Sirius empurrava drinks para Remo o tempo todo e o lobo, pensativo, mal podia aguentar a ansiedade de ver novamente. Todo o tempo que gastou para reconquistá-la parecia valer à pena naquele momento, por tornar a trazê-lo a calorosa sensação das borboletas no estômago, pela ansiedade boa... se sentia exultante.
- Ei. Acorda. – Sirius bateu as mãos na frente dele. – você não me ouve, garoto! Suas pernas não param de mexer e a gente nem tá perto da lua cheia ainda, o que rolou mais cedo que você ainda não me contou?!
- quer me ver mais tarde. – ele deu de ombros sorrindo.
- Mentira. – riu. – não acredito que você vai pegar a de novo! Puta merda, Remo, que filho da puta felizardo do caralho! Há quanto tempo você é caído nessa garota?!
- Sei lá, desde o primário? Algo assim. – ele riu bebendo um pouco de seu copo. – acho que ela me perdoou sobre a festa.
- Que desculpa precisou dar? – ele disse cruzando os braços. – ou você...?
- Não, é claro que não. – bufou de leve. – eu não podia contar pra ela.
- Mas Aluado... a garota quer ficar com você. Se tiverem algo mais sério, como você acha que vai esconder isso dela?!
- Esconder o quê? – Lilly se aproximou se sentando do lado de Sirius. Ele e Remo se entreolharam um pouco sem jeito e então o moreno gaguejou por alguns segundos até que Remo risse.
- Que James tem sérios problemas intestinais. Eu não devia tar contando isso pra você, mas...
- Ah, meu Merlin. – Lilly revirou os olhos. – eu não quero saber, Remo, não quero! Guarda pra você!
Marlene passou seus olhos curiosa por Remo e então por Sirius. Analisando o rosto deles, ela pareceu notar certo desespero. Eles estavam mentindo; até onde conseguira ouvir, sabia que Remo escondia algo de alguém. se passou em sua cabeça por alguns momentos; ela se lembrava do baile, se lembrava da mancada do lobo e se lembrava do sofrimento da amiga, mas em contraposição se lembrava também do esforço fora do normal que Remo tivera para reconquistá-la. Não parecia valer à pena tudo o que fez por ela se não tivesse real intenção de ficar com ela.
A loira piscou pegando um dos copos que o garçom oferecia à mesa e bebendo distraída enquanto a ruiva e Remo discutiam algo sobre James e riam loucamente do fato de o garoto ter um intestino desregulado. Ela deixou que seus pensamentos se esvaíssem quando observou Sirius do outro lado da mesa. Pegou os olhos dele nos seus, e então eles divagaram pelo ambiente, tentando disfarçar o fato. Podia ser bom com todas as garotas, mas o cachorro nunca aprenderia a lidar com ela. Nunca aprenderia a disfarçar um olhar de Marlene McKinnon.
Ela sorriu de canto bebendo o resto de seu copo e se levantando, observando o papo acirrado que os dois restantes batiam à mesa.
- Eu quero dançar. – ela jogou, olhando para Sirius. Nunca foi nenhum segredo: das três garotas, Marlene sempre foi a mais ativa. – por quê, ao invés de olhar pra mim e fingir ser um garotinho de novo, não me acompanha, Almofadinhas? – ela sorriu em um tom meio sarcástico meio atraente.
Sirius raspou a garganta enquanto Lilly e Remo, agora em silêncio absoluto, o observavam com uma expressão engraçada no rosto.
- É claro, McKinnon. – ele disse se levantando. A loira riu diante o fato de ele recusar dizer o nome dela, e então eles foram para o centro do bar onde algumas poucas almas vivas dançavam. A música chata logo foi substituída por uma animada na jukebox, obra de Sirius, e as luzes começaram a piscar antes de escurecer graças a Marlene.
Eles eram o casal mais estiloso de Hogwarts. E aquilo, ninguém podia negar.
- Ei. – Lilly olhou para Remo atenta. – eu sei que é meio bobo perguntar, mas vocês estão mesmo bem?
- Acho que sim – sorriu. – disse que quer esquecer toda a parada do baile.
- Que ótimo. – sorriu. – Remo, por favor, seja cuidadoso com a minha amiga. Eu não ia me perdoar por ter acobertado você se qualquer coisa de ruim acontecesse com a ...
- Ei. – ele a olhou por baixo. – parece que você nem me conhece mais!
- Eu sei. – ela riu. – eu conheço, eu sei que você é bonzinho! Vocês vão se encontrar hoje?
Remo balançou um pouco seu copo, misturando a bebida largada por algum tempo ali e bebendo o resto.
- Sim, provavelmente quando as aulas de hoje terminarem.
- O que vão fazer? Sair? É um encontro?!
- Eu não sei, Lilly! – ele riu pedindo para que ela se acalmasse. – puta merda, calma! Só vamos... sei lá, talvez ela só queira conversar.
- Remo. Lupin. Aluado. Garoto! – Lilly disse aumentando o tom de sua voz a cada nome que chamava. – é ÓBVIO que ela não quer só conversar! A garota não parava de pensar em você nem por um segundinho sequer, pelo amor da santa Morgana!
- Lilly. – ele segurou as mãos dela. – muita calma, ok?

- x -

Os cinco chegaram tarde em Hogwarts. O dia já escurecia e correram para entrar antes que os portões se fechassem; Minerva os olhou em reprovação, mas acabou os deixando entrar. Sentiu pena ao pensar que dois de seus marotos queridos acabariam indo para a sala do diretor novamente.
Conversavam em grupo enquanto subiam as escadas que pareciam infinitas. Remo sentia seu corpo tremer de tempo em tempo, como se a ansiedade fosse consumi-lo a qualquer instante. Sirius andava ao lado dele, Peter ficava para trás e ainda atrás vinham Lilly e Marlene que discutiam qualquer coisa sobre a aula de poções que a ruiva perdera por causa da detenção.
Ao erguer os olhos para a porta da sala comunal da grifinória, Lupin encontrou uma um pouco confusa. Ela estava escorada no aro da porta, uma das mãos atrás do corpo e a outra recostada na boca. Ela conversava com James que estava sentado no muro que abria espaço para a escada que levava ao andar de baixo; a garota vestia uma saia preta solta que ia até a metade de suas coxas, uma blusa preta de alcinhas que deixariam seus ombros e braços à mostra, se não fosse pelo cardigã vinho, que cobria seus braços e uma pequena parcela de suas mãos. O sapato era um oxford feminino preto envernizado, que completava bem todo o resto. Ela usava os cabelos presos em um rabo alto com alguns fios sobressaentes, quase não usava maquiagem alguma, mas tinha os lábios avermelhados como sempre.
Ela desviou o olhar vendo eles se aproximarem e abriu um sorriso que o desmontou inteiro no mesmo lugar onde estava. James olhou pra ele com um sorriso orgulhoso e animado, e então foi de encontro com Sirius, que ficaria pra trás no mesmo instante. Remo via à sua frente, os olhos acinzentados o encaravam sorridentes. Ela olhava para cima alcançando o rosto dele, parecendo animada.
Lilly e Marlene passaram pelos dois sorrindo maliciosas. A ruiva acenou para , que acenou de volta e então as duas entraram na sala comunal.
- Só um minuto. Vou pegar minha varinha. – disse erguendo um dedo e então entrando atrás das amigas na sala.
James e Sirius o encaravam com expressões extremamente maliciosas.
- Juro solenemente não fazer nada de bom. – ele piscou para os dois que riram entre si enquanto saía da sala e se aproximava dele novamente, sorridente. Ela guardou a varinha em algum lugar em sua saia e então o puxou consigo na direção das escadas.
- Onde nós vamos? – Lupin a olhou rindo de leve. – o toque de recolher soa daqui a uns dez minutos...
- A gente liga? – ela fez um bico risonho. Os dois desapareceram dos corredores em alguns segundos; Remo segurava a capa de James nas mãos, a ergueu no ar.
- Certamente a gente não liga.
Eles caminharam casualmente conversando pelos corredores pelos próximos alguns minutos, até que ouviram o toque de recolher. A voz de Dumbledore ecoava por todos os corredores e ambientes, dando boa noite aos estudantes; viram alguns professores passarem para os andares de cima, para seus quartos. Remo sorriu.
- Acho que sei de um lugar pra onde podemos ir agora. – ela disse erguendo a capa que o garoto jogou sobre eles; segurou a varinha em mãos e acendeu um “lumus”, olhando para Remo. Ele a observava um pouco curioso mas ao mesmo tempo parecia extremamente fixo em seu rosto; realmente haviam esperado tempo demais por um momento como aquele. cerrou os olhos por um instante e então riu de leve.
- Que lugar?
- A primeira escada, lá no primeiro andar; primeiro que ninguém fica no primeiro andar e depois que de lá é bem fácil sair do colégio se for o caso. Claro, só se for o caso!
- se for o caso? – ele riu passando a mão pelo rosto. – , você tá saindo com o pior dos marotos. Achou mesmo que a gente ia ficar aqui dentro?!
- O pior dos marotos? Eu votava no Black. – ela deu de ombros.
- Você não conhece ele. Ele é um anjo!
- Você é um anjo! – ela disse cruzando os braços.
- É. Você também não me conhece, então. – deu de ombros. Ela ergueu as sobrancelhas parecendo surpresa por aquela nova faceta de Remo que aparecia; se encararam por alguns segundos e então ele tirou o famoso e útil mapa do maroto de um de seus bolsos, o ergueu na frente da garota e tirou sua varinha. – não se assuste. Juro solenemente não fazer nada de bom.
“Os senhores Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas apresentam o Mapa dos Marotos.”
- Ok. Vocês definitivamente são um clã com o objetivo secreto de dominar o mundo. Vocês têm um mapa!
- Ei, não é um mapa qualquer! – ele riu. – olha só. – acompanhou os dois sapatos que mostravam a posição exata deles, no corredor do terceiro andar dentro de Hogwarts. Remo apontou para Filch que andava no corredor de cima e soltou um riso abafado.
- Que psicopatas! – ela disse colocando as mãos na boca. – vocês podem mesmo ver qualquer um?!
- Até o Dumbledore... mas é engraçado, ele nunca para de andar pra um lado e pro outro.
- Talvez ele tenha invadido o mapa de vocês. Um contrafeitiço?
- Dumbledore não perderia tempo com quatro otários – riu. – bom, não sei quanto a você, mas eu quero sair daqui logo... talvez ouçam nossa voz e tal...
sorriu de canto se aproximando dele; aproximou seus rostos o suficiente para Remo sentir a respiração dela bater contra seus lábios. Os olhos dele subiam lentamente da boca escarlate da garota até seus olhos acinzentados que o observavam curiosos. Ela mordeu o lábio.
- É. Vamos sair daqui. – ela disse erguendo uma sobrancelha.
O rapaz segurou a mão dela com um sorriso confiante e eles começaram a andar cuidadosamente. A saída escondida era uma das estratégias dos marotos para dias como aqueles. Era bem perto de uma chave de portal já conhecida previamente; um cachecol que sempre ficou pendurado em uma árvore recurva logo na porção de trás do enorme castelo.
- Pra onde nós estamos indo?
- Confia em mim. – ele piscou a levando até o cachecol; deixou que ela fosse primeiro, e então foi logo em seguida. acabava de se levantar do tombo. Uma pequena vila bruxa que ficava há muitos quilômetros de Hogwarts; seguia uma rua enorme de pedras com muitas luzes e velas flutuando por toda parte, cheia de pessoas andando por toda parte. A música era alta e vinha de vários pubs que ficavam logo no fim da rua, e para baixo, a estrada seguia até algum outro vilarejo um pouco mais reservado.
olhou ao redor maravilhada com o lugar. Não conhecia nem metade daquilo, nunca sequer ouvira falar. Não muito perto, mas ao mesmo tempo tão possível, e ela nunca visitara aquela eterna festa maravilhosa; a floresta ocupava toda a área ao redor, exceto pelas estradas que eram largas e repletas de pedras cobertas por musgo. De um dos lados, alguns bruxos sopravam bolhas aromatizadas por toda a parte. De outro, algum tipo de circo se apresentava com um público consideravelmente grande; ela olhou para Remo com um sorriso que ele jurou ter valido todo o esforço.
- ...Puta merda! – ela riu de nervoso. – eu não sei por onde eu começo! Que lugar é esse?!
- É o povoado de Reine. – ele olhou ao redor. – nós encontramos por acaso há um bom tempo atrás. Eu e James encantamos a chave e decidimos visitar frequentemente.
- Mais ninguém sabe disso?
- Não, acho que não. – ele viu um homem que passava por eles vendendo pirulitos que se estouravam em sabores na boca e pediu alguns, entregando algumas moedas em troca. Agradeceu e entregou um para , que ainda maravilhada, aceitou o olhando chocada.
- Ok. Preciso admitir que você não é cotidiano. – riu mordendo uma parte de seu pirulito. Ele sorriu contente e olhou para os lados.
- Bem, ali temos o Hobbe’s, - colocou a mão no peito – particularmente o meu preferido. Mas se não gostar, temos a srta. Alias e seu marido logo do outro lado. É bem legal também, mas eles não gostam muito da gente.
- O que fizeram? – ela riu. – vamos no Hobbe’s, gosto de gente que gosta da gente.
Eles andaram até o PUB na rua de baixo. foi parada por talvez dois ambulantes que a elogiaram; sorria ininterruptamente. Quando chegaram no bar, Remo logo cumprimentou o bruxo que cuidava do local e pediu que o mesmo indicasse uma mesa; eles se sentaram e pediram algumas cervejas amanteigadas. comentou algo sobre ter preferido o drink da casa, com cerejas bravas. Remo apoiava o rosto em suas mãos e observava a garota enquanto sua boca se mexia quase que em uma dança. Ela comentava sobre sua própria família, sobre suas amigas e até mesmo sobre o dia em que ele acidentalmente a deixara no baile. Mesmo ele, sempre tímido e desastrado, não conseguia parar de falar. A conexão entre eles parecia ser tão boa que poderia gerar um bom livro, segundo a própria . A noite se fechava e eles entravam em um ciclo infinito, onde ele não conseguia parar de querer ouvi-la e ela não conseguia parar de querer contar a ele sobre suas aventuras. As horas passavam mais rápido do que passariam em qualquer outra situação onde estivessem sozinhos.
Remo se deu conta de que entardecia quando viu uma figura conhecida entrar pela porta da frente do bar; ele olhou atentamente para o professor de História da Magia, que conversava com uma moça que trazia consigo. Apontou com o rosto para a direção dele, onde olhou. Ela demonstrou certo choque; Remo deslizou para o canto da mesa se levantando rapidamente e segurando a mão dela. Ele deixou algumas moedas na mesa e piscou para Hobbes, que sorriu para os dois e abriu a porta dos fundos.
Eles ficaram calados ouvindo o professor conversar com a moça sobre duas figuras que parecia ter visto ali, lhe pareciam extremamente familiares. Quando finalmente passaram o aro da porta dos fundos, eles soltaram as próprias bocas rindo como nunca. olhou para o céu limpando uma pequena lágrima que descia de seus olhos, de tanto rir. Observou a rua agora vazia, as luzes quase apagadas e as estrelas que reluziam tanto. Atrás do PUB só havia um enorme beco que levava a outros restaurantes, agora fechados. Ela desceu a escada de três degraus até o chão de pedra observando o céu; seus olhos brilhavam quando via as estrelas. Girou em torno de si, observando toda a constelação de aquário que se estabelecia no centro do céu naquele instante, e então desceu seus olhos a Remo.
O rapaz tinha uma mistura que ela não saberia descrever em seu rosto. Seus olhos pareciam devorá-la de cima a baixo, em todos os sentidos que a palavra poderia trazer. Desde seus pés, subiu seu olhar por suas pernas, a barra de sua saia e suas mãos pendentes; seu cardigã caía pelos seus braços, ela o observava. Os olhos dele encontraram as orbes cinzentas dela.
Remo se aproximou dela, fazendo com que a garota desse alguns passos para trás; ela se encostou na parede logo atrás de si, olhando para o pescoço do rapaz e então fixando seu olhar nos olhos dele. O lupino apoiou uma de suas mãos na parede atrás dela, a olhava com tanto amor quanto certo desespero e certa insanidade. Todo o ambiente ao redor parecia ter sido instantaneamente excluído; ela envolveu sua mão pelo pescoço de Remo, o aproximando de si; deixou que suas unhas o arranhassem lentamente enquanto fechava os olhos e quase selava seus lábios;
As mãos dele instintivamente agarraram a cintura dela e se posicionaram ali, empurrando-a firmemente contra a parede atrás de si. Uniu seus corpos que exigiam o fim do espaço entre eles, e colou seus lábios aos dela, a envolvendo em um beijo intenso e quente; suas mãos pareciam dançar pelo quadril dela, enquanto o puxava para perto de si pelo pescoço. As mãos dela se entrelaçaram pelos cabelos castanhos já bagunçados dele. O olhar de desejo que ele a lançava tirava qualquer resquício de sanidade que restasse ali. Esperou tempo demais por aquilo, e àquele ponto, já desistira da imagem fofa e tímida que construíra de Remo durante todo o tempo. O garoto erguia suas mãos pelas coxas dela, apertava a região como se a proclamasse sua; sua boca desceu com beijos e mordidas pelo pescoço da garota, que se apoiou no pescoço dele quando o garoto pareceu pedir espaço. Ele a ergueu pelas pernas, envolvendo as coxas dela em volta de seu tórax; suspirou contra o ouvido dele quando pôde sentir sua excitação entre suas pernas. Apenas de saia e apesar do tecido da calça dele, o contato era bem mais direto contra sua calcinha; sentia o calor aumentar naquela área, sentia os beijos dele contra seu pescoço enquanto as mãos do rapaz desciam as alças de sua blusa até metade de seu braço. Seus seios já indicavam a própria excitação, e Remo sorriu de canto mordendo os lábios observando a situação.
Ele não parecia ser a mesma pessoa. Não tinha o pudor que demonstrava antes, seu olhar era completamente indiscreto e obsceno; observava os seios dela como se fossem uma obra prima que ele desejava devorar. sorriu de canto o puxando novamente para um beijo, removendo-o de seu transe; ele ergueu as mãos pelas pernas dela, erguendo junto sua saia. Agora, apalpava a bunda dela enquanto a prensava fortemente contra a parede; a garota beijava o pescoço dele, enquanto suas mãos subiam lentamente desde sua barriga até a nuca, as unhas arranhavam levemente sobre a camisa dele e causavam arrepios que ela mesma conseguia sentir no pescoço do mesmo. Arqueou seu corpo para trás, encostando a cabeça na parede enquanto puxava o quadril dele para mais perto com suas pernas; aumentava o contato entre as partes, fazendo com que ele soltasse alguns suspiros arriscados.
- ... – a voz rouca dele se aproximou do ouvido dela, fazendo com que ela se arrepiasse e soltasse um suspiro quente. – você é bem mais má do que eu imaginava.
Ela sorriu com uma risada abafada e então mordeu o lábio inferior fechando os olhos quando sentiu uma das mãos dele subir por todo o seu corpo; ele levantou a blusa dela com a ponta de seu dedo, deixando que a mesma caísse de volta em seu lugar na metade; subiu, envolvendo o mamilo excitado dela com o dedo indicador e o médio, sugando um gemido baixo dela, e continuou seu caminho. A observava malicioso. Seus dois dedos subiram pelo pescoço dela e a boca dela automaticamente abriu espaço para que eles entrassem. Não se esforçava, sua expressão era naturalmente indecente: aquilo o excitava ainda mais do que achavam ser possível. Ela sorriu contra a mão dele quando o rapaz iniciou alguns movimentos com os dedos. Ela os lambeu desde a base até o fim e então lambeu os lábios, o observando.
Abriu a boca para dizer algo, mas então ambos se alertaram ouvindo uma voz sair do bar. Remo revirou os olhos a puxando para uma área escondida e escura do beco; a garota de frente para ele tinha os olhos colados nos dele, a boca quase colada à dele e sentia a respiração quente dele – e vice versa. Ele segurava a cintura dela próxima a si com força. O dono do bar saiu, fumava um cigarro cheiroso.
Ela olhou para o céu rapidamente. Parecia estar quase amanhecendo, talvez umas três ou quatro da manhã. Olhou para ele com certo desespero e, depois de um biquinho triste, Remo concordou com ela. Segurou a mão da garota e depois de contar até três, correu junto com ela por toda a rua já apagada e escura. Eles chegaram até a chave de portal, onde voltaram juntos para o castelo.


Capítulo 9

abriu seus olhos encarando o teto baixo de sua cama com certa confusão mental. Sua cabeça lentamente foi rejuntando as peças de como foi fugir do castelo com “o pior dos marotos”, e encontrar uma vila completamente nova; somente a ideia adocicou seus lábios em um sorriso sutil e pitoresco. Ela admitia que vinha conhecendo mais Remo Lupin do que imaginava que conheceria há alguns dias ou semanas atrás. Ele era, definitivamente, mais do que apenas um garoto tímido e fofo; aquela faceta de sua personalidade era só a mais óbvia, a casca externa. Remo era atrevido em todos os sentidos possíveis.
Ela bocejou se sentando e empurrando suas cobertas para poder encarar a ruiva confusa do outro lado do quarto. Lilly já estava acordada há um bom tempo e, por sua vez, já tinha realizado toda a sua higiene matinal. Agora, ela estava em um estado imóvel com os braços cruzados e encarava a amiga analíticamente.
- Você fugiu com um maroto ontem. – ela afirmou cerrando os olhos. – e você dormiu cedo demais pra poder me contar como foi.
- Eu te conto como foi depois da gente comer! – garantiu se levantando e aquecendo suas mãos. Comprimiu os lábios como se estivesse faminta e pronta para receber sua dose diária de pãezinhos com requeijão. Abriu um sorriso engraçado quando viu o olhar mortal de Lilly que percebia sua intenção de postergar a conversa que inevitavelmente teriam sobre Remo mais tarde.
- ! – ela se levantou batendo os pés no chão de madeira e cruzando os braços.
- Eu juro! – um olhar suplicante tomou o rosto da morena. – por favorzinho, Lilly, vamos comer! Por favorrrrrr!
- Tá, tá. Pode ser, tanto faz. – ela revirou os olhos concordando e jogando as mãos para a frente e pegando sua capa da grifinória. Envoltou o corpo com a mesma e ajeitou seus fios ruivos com um arquinho.
vestiu sua camisa branca e a saia preta, colocou as meias na maior velocidade possível e enfiou os pés nos sapatos. Jogou a capa atrás do corpo e ajeitou seu cachecol, deixou o cabelo solto e pegou seus livros do dia acompanhando a ruiva até o fim do corredor onde Marlene aguardava com uma expressão entediada. A loira olhava as unhas apoiada na parede.
- E aí, otárias?
- acordou de bom humor. – Lilly se adiantou erguendo as sobrancelhas e abrindo um sorriso maldoso. Marlene soltou um suspiro sugestivo e olhou para a morena.
Revirou os olhos rindo.
- Eu tô com fome, anda logo! – começou a empurrar levemente a ruiva. – vamos, vamos!
Desceram as escadas até o andar de baixo rindo horrores dos comentários engraçados que Marlene fazia sobre o sono pesado de sua colega de quarto. Lilly cumprimentou o fantasma sem cabeça que passou por ela travessamente e revirou os olhos ajeitando seu cabelo enquanto entravam pelas portas enormes do salão comunal.
Andaram até seus devidos lugares. não sentia os olhares alheios, mas quando ela sorria e tinha uma aparência animada como aquela, atraía todos eles. Mesmo as garotas da sonserina que a detestavam fortemente e até mesmo Amos Diggory, que parecia tão ocupado com sua fascinação pelo troféu do torneio. Dos alunos de Durmstrang, ela nem pôde notar Draykmova naquele dia. Se sentou entre Lilly e Marlene e colocou logo alguns milhares de pães em seu prato.
- Aí. – Sirius disse jogando uma maçã verde para cima. – vamos matar DCAT hoje, né?
- Com toda a certeza. – James lambeu os dedos. – eu pretendia incomodar bastante a Evans, talvez chamar ela pra sair até que aceite...
- Ela não vai aceitar. É simples assim. – deu de ombros um Remo, que ria concentrado em um dever de casa atrasado que fazia rapidamente enquanto comia.
- Larga o caderno, Aluado, e vamos pra detenção! – Sirius disse jogando a cabeça para trás e mordendo uma parte de sua maçã. Fez uma careta.
- Sinto algo de bom no ar hoje. – Peter disse com um sorrisinho travesso. – por quê as marotas estão sorridentes?
- Bom, a Marlene não está sorridente. – James comentou evitando a expressão assassina de Sirius do outro lado da mesa. – na verdade, já faz um booom tempo que eu vejo essa cara de assassina toda vez que cruzo com ela no corredor. Será que é porquê eu sou o melhor amigo de um galinha babaca?! Oh, meu Merlin! Quem será que é esse otário?!
- Peter, é você? – Remo cruzou os braços entrando na brincadeira. – se for, diga logo!
- Desculpem garotos, mas... – Peter apontou para Sirius segurando uma risada. Remo balançou o rosto negativamente e se concentrou em seu caderno novamente com uma expressão risonha. James deu de ombros enquanto Sirius jogava pão nele.
- Argh. Só olhar pra cara dele me dá dor de estômago. – Marlene revirou os olhos.
- Até eu sinto dor de estômago quando olho pra ele, Lene. Você já viu o quilo que tem no prato do garoto?! – riu quase cuspindo o pão em sua boca. As três gargalharam juntas;
- Garota! – Lilly apontou para o prato dela. – você come mais que todos eles juntos!
- Aliás! – Lene se ergueu apoiando a cabeça nas duas mãos e os cotovelos na mesa. – quando é que você vai contar o que é que aconteceu?!
parou de mastigar por um segundo e olhou para elas de relance. Fez uma expressão pensativa e bateu no peito para a comida descer, pegou seu copo de suco e engoliu um pouco respirando fundo depois.
- Ok. A gente saiu.
Lilly e Marlene ficaram estáticas olhando para ela por talvez dois ou três minutos.
- E aí?!
- Nada, ué! – deu de ombros. – ele meio que me levou pra uma vila um pouco longe do castelo. Esses garotos conhecem literalmente todas as brechas. – balançou a cabeça. – literalmente todas! Eles até inventaram brechas! Eles têm um mapa!!!
- Eles têm... tá, tá bem, isso não vem ao caso nesse exato momento! – Lilly disse balançando a cabeça. – conta sobre vocês primeiro, depois quero saber mais sobre o mapa!
- Não, sério. – ela riu. – não foi nada demais. Nós dois fomos pra essa vila e ele me mostrou algo como uma festa local, algo que parecia ser costume do pessoal de lá. – mordeu um pedaço de seu pão e olhava para o teto enquanto falava. – e aí nós dois meio que... uhm, eu não sei como dizer? Atrás do bar... eu preciso pegar um frango. – ela se levantou vendo os frangos um pouco distantes dela na mesa. Marlene bateu suas duas mãos na mesa com certa leveza.
- Vocês transaram?! – ela gritou sem ter tanto controle sobre sua voz. segurou o riso para não cuspir literalmente tudo o que estava comendo, Lilly olhou para Marlene e quase engasgou. A loira parecia revoltada e, agora, toda a mesa tinha a atenção delas. passou a mão pelo rosto.
- Marlene... – ela disse baixo olhando com um sorriso engraçado pro resto das pessoas que lentamente se voltavam a seus afazeres. – não. – ela sussurou.
Remo, um pouco distante na mesa, não conteve um pequeno sorriso torto que se formou no canto de sua boca enquanto ele escrevia algo em seu pergaminho. James ergueu os olhos para Sirius e uma expressão maliciosa tomou conta de seu rosto.
- Aluado. – ele disse raspando a garganta. – parece que você tem muito pra nos dizer mais tarde, meu querido rapaz.
Remo não segurou uma risada enquanto olhava para eles.
- Mais tarde. – ele deixou a sombra da dúvida e fez os dois erguerem as sobrancelhas e parecerem imediatamente surpresos; até mesmo Peter, que geralmente não se importava muito, parecia chocado.
pegou um frango e o colocou em um prato que mais tarde comeria, levando consigo enquanto Lilly e Marlene se levantavam para acompanhá-la para fora do salão comunal. Enquanto andava, ela se pegou pensando em algumas maldades sutis, talvez até mesmo petulantes. Não que isso se diferisse tanto do jeito dela, como Lilly diria.
- Ei. – ela disse bagunçando levemente o cabelo de Remo quando passou por trás dele. Sentiu a nuca do rapaz se arrepiar levemente. – tem algo aqui, um inseto? – ela riu de leve voltando a acompanhar suas amigas para fora.
Remo passou a mão pelo pescoço procurando pelo inseto e então recebeu algumas risadas sutis de James.
- Isso, meu amigo, é um CHUPÃO!

- x -

Lilly e Marlene foram para a classe enquanto aproveitava seu horário livre. Ela se aconchegou em um das janelas principais da sala comunal e abriu seu livro recém adquirido; leu um bocado de páginas enquanto aguardava os sinais avisarem que seu horário começaria em alguns minutos. Ajeitou sua capa ao redor de seu pescoço e desceu as primeiras escadarias até o andar de baixo.
Lucius olhou para ela e ergueu seu olhar a maior parcela de arrogância que pôde reunir, e então deu as costas para a garota. Uma grande parte dos alunos ali fizeram o mesmo, o que a incomodou um pouco; o comportamento de Lucius era justificável, sua arrogância era natural e ela chegava a achá-lo nojento. Mas e quanto aos outros?
Fez uma expressão incomodada. As garotas da corvinal reunidas por ali olharam para ela e deram um pequeno risinho, e ela devolveu com um pequeno sorriso e aceno. Não sabia se conhecia aquelas garotas, na verdade.
- Ei, . - Marlene foi quem a empurrou levemente por um dos corredores. A pegou de surpresa e se encostou na parede ao lado da dela. - Precisamos conversar.
- Aconteceu alguma coisa...?
Ela meneou a cabeça para um lado e para o outro e respirou fundo. Abriu a boca mas pareceu repensar um pouco o que estava prestes a dizer.
- Eu não sei, é... - ela olhou ao redor. - Complicado.
- Você tá bem? - franziu o cenho, se endireitando imediatamente. Começou a se preocupar pelo comportamento da amiga. Se precisasse dar outro soco em Sirius, ela não pensaria duas vezes.
- Eu? Como assim? - olhou para ela. - Sim, sim! Não se preocupe comigo, é... só algo que...
As duas foram surpreendidas pela professora Minerva, que casualmente andava pelos corredores no formato de gato preto que tanto amava. Ela se transformou já com as mãos a frente do corpo e limpou a garganta.
- O que as senhoritas estão fazendo pelos corredores? - olhou para as duas. - A srta. não tem uma classe bem agora?
- Sim! - se adiantou e se descolou da parede, deu um beijo singelo no rosto de Marlene e cumprimentou a professora antes de agarrar seus livros e começar a andar. - Eu já estou indo, antes que eu me atrase. Falo com você depois, Lene!
Marlene assentiu sem demonstrar tanta felicidade. Estava preocupada com , e ela pôde notar isso, mas não sabia o que pensar sobre. Não havia um sequer motivo e, em fato, sua vida estava mais do que divertida agora que ela e Remo se ajeitaram. Deu de ombros correndo até o fim do corredor para sua primeira aula do dia.
A aula foi mais entediante do que o esperado, já que não tinha a companhia de nenhuma de suas amigas. colocou toda a ênfase que pôde para se concentrar na aula e absorver o máximo do conteúdo. Anotou todas as informações em seu pergaminho e então pegou a lição com o professor. Quando andava de volta para sua carteira, percebeu alguns alunos cochichando. Ela franziu o cenho olhando para a direção deles e fazendo com que ficassem imediatamente sem graça. Eles pararam, e então um deles bateu o cotovelo no outro ao seu lado.
bufou indo até sua carteira e jogando a tarefa sem muita paciência sobre a mesa. Não estava entendendo aquilo, e aquela era a parte que mais lhe irritava em toda a equação. Sentia que todos pareciam dizer algo por suas costas. Estava furiosa.
Um pequeno bilhetinho repousou em sua mesa no formato de um origami de papel. Olhou para o outro lado da sala, onde uma garota morena dos cabelos compridos lhe observava confusa.

"Você quer companhia? Parece meio triste. Se precisar de ajuda,
você pode me chamar. Eu sei que ele é meio... Enfim, não me surpreenderia
nada se me dissessem que ele é um babaca com você."

franziu o cenho olhando para a garota confusa e dando de ombros. A garota repetiu sua ação e se voltou a seu pergaminho. Ela não compreendia; estavam falando sobre Remo? Talvez algum boato sobre seu "relacionamento" com ele? Não estavam namorando, eles nem sequer tinham algo sério. Ela respirou fundo tentando relaxar seus olhos e sua cabeça e se concentrando em sua tarefa, ignorou todos os arredores. Se lembrou de agradecer a garota no fim da aula quando todos saíam dali.
- Eu não entendi, mas obrigada por oferecer ajuda de toda forma. Eu não tô triste, só... Confusa?
- Eu acho que é normal? - a garota coçou a cabeça. - Temos todo esse problema com o torneio, e... Seria ruim ficar longe do seu namorado? Só estou tentando te compreender.
ergueu as sobrancelhas ainda mais confusa. Abriu a boca para dizer algo mas foi interrompida por uma Lilly completamente desesperada no corredor. A ruiva corria ao passo que seus cabelos pegavam fogo no ar; ela puxou o braço da amiga sem muita delicadeza.
- Vem comigo, pelo amor de Merlin! - ela disse enquanto arrastava a garota consigo ao fim do corredor.
- Nem pensem nisso! - o professor de História da Magia esbravejou enquanto andava rapidamente na direção delas. - A senhorita já tirou a srta. da minha aula por dias demais neste ano, sra. Evans!
- Mas professor, é urgente!
olhava para um lado e para o outro extremamente confusa. Lilly argumentava com o professor até que todo o corredor prestava atenção nelas. A garota dos cabelos negros respirou fundo começando a se irritar com toda a situação.
- Nós duas conversamos depois, pode ser? - ergueu as sobrancelhas. Lilly entendeu imediatamente que argumentar com ele no presente momento seria inútil, e assentiu. Soltou o braço dela a vendo se afastar rapidamente pelo corredor. tinha uma expressão amedrontada. O que poderia ser urgente?
O que estava acontecendo, afinal de contas?
Terminar suas aulas estava sendo um parto naquele dia. Não conseguia conter a ansiedade. Os impulsos elétricos constantes faziam com que sua perna balançasse instintivamente por minutos consecutivos, mordia suas penas e bufava de cinco em cinco minutos. O relógio mal parecia marcar o tempo, mas alguma grandeza bem maior do que o próprio.
Ela quase arrombou a porta da classe quando terminou sua última aula do dia. Correu instintivamente por todos os corredores procurando por suas amigas; não as encontrava em lugar algum. Estava começando a se desesperar.
Ela virou a esquina no corredor que levava até o interior do colégio e estava prestes a fazer mais uma curva quando viu os cabelos fogo de Lilly chamarem sua atenção no fim do corredor, e correu rapidamente na direção da mesma.
- Finalmente. - respirou fundo tentando recuperar seu fôlego. - O que é isso?! Que porra tá acontecendo?
- ! - Lilly olhou para Marlene confusa e triste e de volta para a morena. Respirou fundo e pareceu procurar palavras. - A gente queria te falar antes que...
- Antes que o quê?!
- Antes que você soubesse através de outras pessoas, sabe...? - Marlene coçou a cabeça. franziu o cenho imediatamente e manteve sua posição defensiva de sempre. Não estava entendendo, mas ela realmente queria que alguém fosse sincero antes que sua cabeça se quebrasse mais do que já se quebrava sobre aquele assunto.
A ruiva abriu a boca para dizer algo mas foi instantaneamente interrompida pela voz descontrolada de Lupin atrás de . A garota se virou para ele flagrando o lupino ser segurado pelos seus dois marotos preferidos, um de cada lado. Haviam alguns arranhões espalhados pelo seu rosto e pescoço, ela se assustou um pouco com a imagem imediata dele. Deu um passo para trás confusa. Ele parecia ter corrido ou chorado bastante. Estava furioso, a lua minguante berrava aos céus enquanto ele respirava fundo e tentava se soltar dos braços do amigo.
- Eu disse pra você segurar ele antes que ele fizesse algo de que CLARAMENTE vai se arrepender!!! - Sirius quase berrou para James. O garoto deu de ombros.
- O que tá acontecendo?! - gritou. O grito dela superou todas as vozes no ambiente e fez com que todos se calassem. Lupin respirou fundo e passou o polegar pelo lábio.
- Ivan? Você jura, ? - ele parecia furioso. franziu o cenho.
- O quê...?
- Eu vacilei com você e eu entendo isso perfeitamente - ele começou, passando as mãos pelo cabelo e tentando se acalmar. Respirou fundo. - Mas eu não consigo entender você. Eu tentei. Tentei muito.
- Do que você tá falando, garoto?! - ela disse aumentando seu tom de voz.
- Do que TODOS estão falando pela escola, ! - ele tornou sua voz mais alta do que a dela. Deu um passo para trás passando a mão pelo cabelo. - Eu achei que tudo ia dar certo pelo menos uma vez...
- O que estão dizendo?! - ela se desesperou, sua voz saiu mais alta do que o esperado. Olhou para James. Ele olhou para Sirius buscando algum apoio, mas os dois estavam ocupados demais tentando acalmar Lupin antes que algo pior do que aquilo acontecesse. Lilly segurou o ombro da amiga em um símbolo de apoio.
- Estão dizendo que você e o Ivan estão juntos há um bom tempo, . - ela comentou baixo, para que só a amiga ouvisse. Ela piscou e pareceu cair em si.
Era daquilo que se tratava, então. Um boato sobre ela e o garoto estrela de Durmstrang.
fechou os olhos e viu Remo se abaixar levemente e apoiar as mãos nos joelhos. Ela se aproximou dele imediatamente afastando as mãos de James dos ombros do garoto e segurou o braço dele o fazendo se erguer. Parecia não se importar com a absurda diferença de tamanho entre eles ou o quão assustador ele parecia agora que mostrava outra face de sua persona.
- E você acredita nisso? - ela cuspiu as palavras com a maior repulsa que pôde forçar em sua voz. Remo se soltou dela ofegante e devolveu o olhar quase que imediatamente, balançou o rosto. Se recusava a sequer falar com ela.
não perdeu dois segundos antes de deixar para trás toda aquela situação. Sua silhueta se transformou na da coruja branca e deixou o colégio rapidamente. Voou para longe, para qualquer lugar onde pudesse fugir daquilo.
Fugir de Remo, assim como ele fugira dela.


Capítulo 10

Ivan apoiou seus dois cotovelos nas beiradas de mármore que separavam as seções do colégio e do gramado do campus. Olhou, ao longe, a imagem de passar reclusa e incomodada. Ele franziu o cenho, olhou para o outro lado do pátio; ela não estava na companhia de nenhuma de suas amigas: a loira alta e a garota dos cabelos cor de fogo. Viu Remo sentado ao longe, em uma das pedras abaixo que ficavam próximas à cabana de Hagrid – sozinho, também. Tinha seu caderno em mãos e escrevia algo, vorazmente, com sua pena. Nenhum dos dois parecia querer papo, e isso lhe rendeu um pequeno sorriso no canto do rosto. Sorriu para as garotas que passavam lhe dando tchauzinhos no corredor e ergueu seu corpo, ajeitou seu uniforme tão diferente daquelas capas pretas de Hogwarts. É, aquele lado do mundo tinha seu charme, pensou. Colocou as mãos para trás do corpo e começou a andar pelo corredor, em direção ao dormitório reservado aos alunos de outros colégios que marcavam estadia temporária para os jogos do Torneio. Precisava se preparar, afinal de contas. Viu a imagem de olhar relutante para a direção onde Remo estava sentado. Os dois pareceram queimar no mesmo instante em que se viram, e então a garota deu as costas e passou a andar em outra direção. “Ela conseguiu, então.” Pensou, vitorioso. Se os dois se evitavam, é porque tudo deu certo. Seu ego não o permitiria ser rejeitado, não. - x –
subiu no banquinho e colocou seus olhos no telescópio, irritada. Observar os astros sob a luz do dia era um pequeno capricho bruxo. As lentes especiais não queimariam seus olhos até derreterem, e ela poderia fazer anotações melhores sobre os ciclos que importavam para a matéria. Afundou sua pena no tinteiro e começou a escrever um pouco em seu pergaminho, tentando forçar toda sua concentração naquela atividade.
No dia anterior, voara. Deixara que sua decepção fosse embora naquele ar frio da noite escocesa, almejava acordar revigorada no dia seguinte. Evidentemente, impossível. Primeiro: ela dormiu no corujal, junto às outras corujas. Poleiros podiam ser incrivelmente incômodos para quem estava acostumado com camas normais. Segundo: acordar de mau humor era seu natural. E terceiro: ver a cara de Remo logo no início de seu dia fez com que seu sangue naturalmente, fervesse. Era um completo desastre.
Levou um cutucão e quase revidou um soco, até olhar para o lado e ver que se tratava de Alice. Ela ergueu as sobrancelhas, surpresa.
- Uh, ... Lilly meio que tá te procurando. – ela coçou a cabeça, olhando para o pergaminho da colega de classe. olhou para alguns rabiscos que fizera e se voltou ao rosto da Longbottom.
- Ah, é, sim. Claro. – assentiu. – Eu vou falar com ela depois, obrigada por me avisar.
- E... – ela abriu um sorriso gentil. – Parabéns! Soube sobre seu novo namorado.
franziu seu cenho na mesma velocidade com a qual tinha relaxado sua expressão. Era Remo? Era de Remo que ela falava? Bom, Remo não era mais seu namorado. Nem sequer havia sido. Remo não era mais nada, agora. Poderia se tratar do tal boato infortunado sobre Ivan, pensou.
- Namorado? – ela deu uma risada um pouco nervosa. – Eu não fiquei sabendo! – brincou. Alice pareceu levar muito a sério, já que levou uma mão ao rosto em surpresa e pareceu corar imediatamente. Afundou o rosto nas mãos.
- Me desculpe! Mil perdões! – ela balançou o rosto. – Você não está namorando, então?
- Com quem eu estaria?! – indagou, surpresa. Apoiou o ombro de Alice, pedindo que ela se acalmasse e não se constrangisse tanto. Aquele tipo de erro acontecia.
- Bom, as garotas estavam dizendo algo sobre Ivan... O campeão de Durmstrang, sabe?
- Que garotas?
- Uhm, nos corredores. Na verdade, é... – ela deu de ombros. – Isso é tudo o que dizem pelos corredores nos últimos dias, sabe? É uma novidade e tanto ter alguém namorando o campeão, e dizem que talvez você seja vítima de uma das provas do torneio porquê... é a provação dele, sei lá. Algo assim! Me desculpa, devo ter confundido os nomes!
É, é claro. Todos estavam ouvindo, já que aquele boato parecia ter chegado até Remo, também. Até Lilly, até Marlene. Todos deveriam estar sabendo, como o usual; nada naquele colégio era secreto, absolutamente nada.
estudava em Hogwarts desde que era uma criança, tão pequena que mal conseguia se colocar de pé. As fofocas se espalhavam mais rápido do que uma doença. Ela fechou os olhos resmungando algo.
- Não, você não errou. Deve ter ouvido meu nome. Mas ei, isso não é verdade. – comentou. – Ivan deve ter entendido tudo errado.
Alice não pareceu compreender a atitude da colega, agora que descia de seu banquinho e entregava seu rolo de pergaminho ao professor. Ela acenou para a Longbottom e saiu da sala rapidamente.
Seus pés quase faziam barulhos altos nos corredores do colégio enquanto andava rapidamente na direção do salão comunal. Passou pelo corredor principal e ignorou algumas garotas que faziam piadas gentis sobre seu novo namoro. Entrou no salão agradecendo por todos já estarem comendo e distraídos, ninguém com atenção o suficiente para nota-la por ali. Deu a volta na mesa e se sentou ao lado de Marlene, em silêncio.
A loira parou de comer e olhou para Lilly, que tinha uma expressão confusa no rosto. Nenhuma das duas sabia se devia dizer algo.
pegou algumas torradas e colocou em seu prato, claramente impaciente. Jogou ketchup e um pouco de farelo de ovo nelas, ainda em silêncio.
- Então... – Marlene raspou a garganta, olhando primeiro para o prato dela e depois para a amiga.
- Quem falou pra vocês? Quem falou que nós dois tínhamos alguma coisa? – ela perguntou, dando uma mordida sincera em sua torrada.
- Nós ouvimos pelos corredores. – Lilly respondeu rapidamente. – Queríamos te explicar desde cedo, mas... a gente achou que era uma idiotice, que ia parar logo. As pessoas comentam, você sabe, mas... – ela diminuiu seu tom de voz. – Não pensei que fosse chegar longe assim, era só um burburinho...
- Porra. – xingou, baixo. As duas seguraram uma risada respeitosa, e ela apoiou a mão na mesa. Balançou a cabeça. – Eu não sei o que deveria fazer. Eu tô puta da vida porquê ele acreditou em toda essa merda, mas também tô puta da vida porque alguém inventou toda essa merda.
Lilly olhou para o outro lado vendo que Remo não tinha descido para jantar. James e Sirius jogavam comida um no outro, e ela fez uma careta reparando no desperdício. Seu rosto se torceu e ela voltou ao assunto principal.
- Talvez falar com ele. – sugeriu. – Ele pode ter espalhado os boatos.
- Pode ser cultural, talvez ele tenha entendido tudo errado. – Marlene sugeriu, dando de ombros. meneou a cabeça considerando a opção.
- Vou procurar ele depois de tudo isso.
Sua fala, entretanto, não parecia segurar uma pequena alfinetada. Tanto Lilly quanto Marlene perceberam aquilo.
- Mas...?
- Mas isso não cancela a negligência do Lupin. – recitou o sobrenome dele como se quisesse queimar até o último antepassado que o levou consigo. Lilly mordeu o lábio.
- Se sentiu traído sem discutir com você. – Marlene disse, como quem compreendia. – Ele é inseguro, com toda certeza acha você areia demais pra ele, então... dá pra entender...?
- Não. – e Lilly recitaram juntas. – Quer dizer, eu posso entender isso, mas não posso aceitar que ele confie nos outros e não em mim toda vez que algo entrar no nosso caminho. – foi a única a continuar.
- Mas talvez não tenha sido uma solução tão boa só... brigarem e depois... sumirem... – ela disse pausadamente. Marlene olhou para ela como se dissesse que estava entrando em uma zona perigosa, e , por outro lado, parecia considerar muito o que ela dizia.
Eram suas melhores amigas e só podiam querer seu bem, mas ainda assim, seu orgulho era grande demais para querer conversar com ele. Ele se sentia traído e, bem, ela também.
- Vou procurar o cara e tentar cancelar esse boato. Não é que isso vai fazer algo voltar a existir entre eu e aquele... homem. – ela concluiu. – Mas, eu preciso que as pessoas saibam que não, eu não tô com o “campeão de Durmstrang” – fez uma voz fina e claramente debochada. As duas finalmente caíram na gargalhada, e também riu um pouco.
Pegou mais uma torrada e colocou na boca, pegou suas coisas e acenou para as duas. Ainda precisava falar com Ivan e tirar toda aquela história a limpo, ou não conseguiria dormir tranquila.
-x-

- Temos uma lua cheia chegando e um lobisomem preso em um quarto. O que devo fazer, por céus, Almofadinhas?
Sirius, que estava parado atrás de James na porta do quarto de Remo, abriu sua boca para responder ao amigo.
- Bater na porta...? – o próprio Remo respondeu, logo atrás do moreno dos cabelos compridos. Sirius olhou para ele chocado, apontou para a porta
- Espera, você não...?
- Tava na biblioteca, terminando o dever de casa de todos vocês. Inúteis. – ele resmungou entregando os livros para seus respectivos donos.
- Mas eu não...
- Eu preciso encher minha cabeça com poções e feitiços, ou vou ganhar mais uma dessa na cara na próxima lua cheia. – apontou para uma das várias cicatrizes em seu rosto. James deu um assobio incomodado como se o clima tivesse ficado levemente pesado.
- Uh. – apoiou a mão no peito. – O que o amor não faz com um membro da marotagem...
- Cala a boca, né? – Peter gargalhou. – Evans só sorriu pra você e você caiu todinho!
Remo olhou para os dois um pouco entediado e pediu passagem, enquanto começavam a discutir sobre o sorriso de Lilly Evans. Entrou em seu quarto, e fez com que os dois se calassem. Sirius bateu a mão no rosto e abriu a porta, e quando todos fizeram como se fossem entrar, ele ergueu uma mão barrando.
- Assunto pra quem acabou de perder a amada aqui, vocês dois vão procurar outras coisas pra fazer! Xispem!
Fechou a porta. Viu Remo com seu olhar derrotado de quem não queria falar sobre aquilo, apenas comer feijõezinhos de todos os sabores e rir. Rir muito.
- Qual é. – resmungou. – Você acredita mesmo que a tenha feito isso?
- Não sei. A Marlene acredita que você espalhou aquele vídeo pelo colégio. – deu de ombros.
- Sim, caro Aluado, mas eu sou um cuzão. E a por mais chata e insuportável que seja, não machucaria um mosquito propositalmente. Ela não faria isso com você também, qual é. – resmungou. – Te mandou aquela carta! Quando é que uma garota faria isso por um qualquer?!
Ele olhou para Sirius e se sentou. Passou a mão no rosto e olhou para a janela aberta e para a sombra que cobria sutilmente o finzinho da lua, os últimos dias que faltavam até sua temida transformação.
- Acho que o buraco é mais embaixo.
Sirius se sentou na frente dele, supondo que aquilo seria mais pessoal.
- Mais merda de lobisomem, pra ser sincero. – riu, coçando a cabeça. – Acho que acreditar no boato de todo mundo é só uma desculpa que eu tenho pra fazer ela sair de perto de mim, sabe? Ela ainda é especial demais, ainda tá em um pedestal distante demais na minha cabeça pra eu... achar que ela seria capaz de algo assim. Mas, - indicou a lua com a cabeça. – Gostar de alguém não faz o tempo parar de passar. Eu vou me transformar hora ou outra. Você sabe, Sirius. Lobisomens não podem se envolver com pessoas.
- Cara... Isso ainda é um problema? Mesmo? – ele passou a mão pelo rosto. – Se acha que vai ser um problema tão grande, por que não diz pra ela e espera sei lá, ela reagir? Deixe ela escolher, Remo. Eu sei que ela aceitaria passar por isso por você.
- Mas é essa a questão. Eu não quero que ela aceite. Não quero que ela passe por isso por mim. Não quero que a precise viver uma vida miserável por minha causa. – ele resmungou. – Não poderia me casar, muito menos ter filhos.
- Nem sabe se ela quer filhos. Nem sabe se ela quer se casar! Dá uma chance pro momento, caralho! – ele reclamou, franzindo o cenho. – Você não tem que pensar tanto assim no futuro, sabe? Você nem tá vivendo nada disso ainda.
- Eu posso mata-la acidentalmente, Sirius. Isso não é futuro. – ele falou baixo, balançando a cabeça. – Isso é mais presente do que você imagina.
Sirius ficou em silêncio, porquê era um bom amigo e porque aquele lugar, o de Remo, ele não conhecia. Ele sabia que as dores eram intensas no início de cada ciclo, na formação de cada cicatriz. Sabia que o perigo era grande quando se era próximo de um lobisomem. Fora toda a insegurança e medo de que algo desse errado.
James e Peter fizeram silêncio do outro lado. Eles ouviam através da porta e fizeram uma careta quase que juntos. Fecharam os olhos passando a mão pela testa incomodados.
- x –

olhou para o enorme relógio que se movimentava, indicando que o toque de recolher se aproximava. Ainda tinha algum tempo antes que o horário noturno fosse declarado, então se dirigiu rapidamente ao corredor principal que levava até o dormitório reservado aos alunos que vinham de passagem para o Torneio Tribruxo. Ela viu Filch olhá-la certamente incomodado pelo outro lado do corredor, e Madame Nora em seu colo. Deu um sorrisinho tolo como se adorasse o fato de que ela sofria com todos aqueles boatos agora, e principalmente como se observasse aguardando apenas o som do sino soar. Era como se estivesse pronto para enxotá-la, assim que o barulho enchesse os ouvidos de todos no colégio.
Revirou os olhos e procurou pela imagem de Ivan por ali. Via vários de seus colegas, quem sabia que eram amigos próximos dele, mas não o próprio – em lugar algum.
- Por favor, o Ivan...? – perguntou a um deles, cruzando os braços. Ele olhou para ela e para um amigo ao lado, era como se ela fosse uma celebridade por ali. Imaginou que os boatos fossem correr, mesmo por aquele lado do castelo. Afinal, era dali que Ivan vinha. Os boatos deviam vir, também.
- Um segundo, senhorita. Vou chama-lo. – entoou, com seu sotaque russo carregado. se apoiou na parede e desviou o olhar para o outro lado do corredor. Estava incomodada pelos vários pares de olhos a encará-la.
Em alguns segundos, o garoto alto e forte apareceu. Ele tinha um sorriso gentil no rosto e trajava suas vestes grossas e peludas. olhou de relance para a enorme camada de pelos em seu casaco e fez uma careta quase imperceptível para ele.
- Você está bem? Vir me procurar é novidade. – ele riu, errando a pronúncia de algumas palavras. Ela deu um sorriso forçado.
- Hm... Acho que nós precisamos conversar.
Ele olhou para ela como se pedisse que continuasse, e olhou ao redor vendo todos os olhares de expectativa que haviam alí, além dos dele. Mordeu o lábio.
- Longe daqui, eu quis dizer. – ela abaixou a cabeça, deixando que só ele ouvisse aquela parte da conversa. Ivan olhou ao redor repreensivo e passou um dos braços ao redor dos ombros dela, andaram poucos metros antes de virar em um dos corredores do campus. parou de braços cruzados enquanto ele se sentava no murinho, tentando ficar em um tamanho mais confortável para ela.
- Então...?
- Você acha que nós dois estamos namorando? – ela perguntou, sem querer parecer grossa. Ivan ergueu as sobrancelhas, confuso.
- Não, eu... Não. – deu de ombros. – Eu sei que gostaria, admito. Mas sei que nós não saímos ainda. Mas ei, eu estava pensando em te convidar.
balançou o rosto e passou a mão incomodada por suas bochechas. Ele não estava levando aquilo tão a sério quanto ela, pensou.
- Não, obrigada. Não agora. – ela respondeu, ainda respeitosa. – E na verdade, eu não sei. Pra ser sincera, já existe alguém na minha vida. – ela olhou para ele, incomodada. Os olhos um pouco marejados. Ivan não compreendia: eles nem se olhavam. Talvez tivessem feito as pazes e ele nunca ficou sabendo.
Não teria como ficar, teria?
- E eu acho que você confundiu as coisas, porquê... todo mundo acha que nós dois estamos juntos. E não é que eu me importe com esses boatos, esse colégio é cheio disso. – deu de ombros. – Mas você é tipo uma celebridade aqui dentro, então essas ideias malucas voam e todo mundo acaba acreditando. Preciso que você me ajude a desmentir tudo isso.
Ele franziu o cenho pensativo e engoliu tudo o que ela disse com muita facilidade. Seu ego estava ferido, mas ele se sentia furioso e culpado. Sim, era verdade que era uma garota absolutamente linda e esse era seu maior motivo para ter um interesse tão profundo por ela; mas, pelo pouco que pode ouvir e conhecer dela, ele soube que ela também era uma garota extremamente legal.
E aquilo tudo não parecia justo. Não parecia facilitar as coisas para ele, também. Se ela acreditasse que ele era péssimo, não teria interesse nenhum por ele, e aquilo era um fato.
- Me desculpe. Eu não sabia sobre os boatos, de verdade. Não se preocupe, não vou deixar que ninguém acredite nisso, está bem? Você não vai mais ter problemas por minha causa, senhorita.
- Não precisa ser tão formal, e muito obrigada. – ela assentiu. Sem sorrisos, sem quedas. Apenas formalidades. Ele se levantou.
- Você acha que podemos sair depois? Como amigos. – sugeriu. olhou para ele e para a mão que ele erguia em sua direção.
- Eu já tenho alguém.
- Eu achei que vocês dois estivessem separados, agora. – ele olhou para ela confuso, franziu o cenho. Ela se surpreendeu pela petulância. Ergueu uma das sobrancelhas.
- Não significa que eu queira outra pessoa, ainda assim. – ela assegurou, e olhando para o enorme relógio que já batia, fez uma reverência minúscula com a cabeça, formal, e então deu as costas para ele no corredor. Virou a primeira esquina e se encostou na parede, apoiou sua cabeça olhando para o lado.
- Desgraçada. – Ivan resmungou baixo, no corredor. Passou a mão pelo queixo. – Disse que daria certo. – ele bufou, e então começou a soltar alguns xingamentos em russo que não podia compreender. Ela franziu o cenho confusa.
Não sabia se aquilo se tratava dela. Não era possível.
Já que agora tudo se resolvia, ela deixou o corredor e correu imediatamente para o quadro da mulher gorda, entrou na sala comunal da grifinória e passou a mão pelos cabelos cheios, uma expressão farta. Os holofotes daquele colégio eram uma posição extremamente desconfortável.
Viu Lilly e Marlene lendo os jornais com alguns alunos ao redor, todos pareciam atentos as notícias. Ela se aproximou, tentando entender o que acontecia. Fazia um silêncio descomunal naquela sala.
- O que aconteceu...? – perguntou baixo, não querendo incomodá-los com sua voz. Lilly ergueu os olhos para .
- Ele está recrutando novos bruxos para o seu lado. O ministro alertou a todos os colégios... – balançou a cabeça, preocupada. respirou fundo e passou a mão pela boca, olhou para o fogo que subia pelas brasas na lareira.
- Dumbledore disse algo?
- Não, ainda não.
- Mas estamos protegidos, não estamos? – uma garota do segundo ano, amedrontada, comentou. trocou olhares com a ruiva.
- Enquanto estivermos aqui dentro, - Sirius saiu do meio da multidão, apertando a mão no ombro da garotinha e lhe passando segurança. – não há perigo. Dumbledore sabe o que faz.
pegou o jornal em mãos e se sentiu enjoada por permitir-se preocupar com uma situação idiota como seus boatos. Na primeira página, a manchete exibia a imagem móvel da cena de um crime. “VOCÊ-SABE-QUEM É CULPADO PELO ASSASSINATO DE MAIS TROUXAS – ATÉ QUANDO?” dizia a manchete.
Andou até o lado contrário, na janela enorme e padronizada que estava aberta. Se apoiou por ali vendo os garotos mais velhos acalmarem os mais novos.
Do outro lado da sala, viu de relance algum dos alunos abrir o quadro da mulher gorda. Não se importou, pois o pseudônimo sublinhado de Lord Voldemort na página principal do Profeta Diário parecia tomar toda sua atenção, e com toda a razão.
- x –

- Onde você estava? Se alguém vir isso... – resmungou.
- Ninguém vai saber. Posso dizer que me perdi, tanto faz. Não parece ser o foco de vocês por aqui, a organização. – repreendeu. – Você sabe que o plano foi por água, não sabe? Ela ficou contrariada.
- É claro que ficou contrariada. Aquele garoto vai ser difícil de tirar da jogada. Eu preciso saber de algum podre dele antes, mas... você conhece o suficiente pra saber que provavelmente não há nenhum. – disse, entredentes. – bom aluno, um garoto gentil e bonzinho.
- Coisa boa não pode ser, pode? – ele argumentou, erguendo as sobrancelhas. Parecia suspeito que Remo fosse, realmente, aquela versão tão perfeita que todos pintavam dele. Devia existir algo, ele sabia por certo.
- Se acha que há algo que eu possa usar, descubra. – deu de ombros.
Ele franziu o cenho com a petulância e deu um passo para trás. Seus braços se cruzaram.
- Eu sou mesmo a pessoa mais qualificada pra isso?! Você está aqui há anos, e eu, meses!
- Não importa, eu não tenho tempo pra isso. Não consegue ver? – mordeu o lábio. – E mais. Pra você é só mais um passeio pelas masmorras, mas pra mim...
Ergueu o olhar ao corredor vendo o lampejo da lanterna de Filch refletir nas paredes de pedra. Arregalou os olhos e fez um sinal, levando o dedo a boca. Pedia que ele fizesse silêncio. Deu alguns passos para trás e se envolveu em uma das cortinas por ali, torcendo para que Madame Nora não estivesse com o zelador.
- Alunos fora dos- Filch começou a gritar, mas interrompeu. Fechou a cara e deu uma boa olhada no garoto. – Senhor...?
- Me perdoe, Argo. – carregou o sotaque. – Eu me esqueci, mais uma vez, do caminho ao dormitório. Sempre acabo me perdendo com tantas, hm, como se diz... escadas?
- É um erro comum, sim, sim. – Filch assentiu e se aproximou do garoto com seus passos finos e cansados, tossiu brevemente e a gata que começava a desconfiar da cortina deixou para lá e começou a acompanhá-los. Ivan olhou para trás mais uma vez, mas já não havia mais ninguém ali.
- x-

estava distraída em sua habitual janela, terminava de escrever toda a lição de casa de poções que ainda faltava para o dia seguinte. Viu os alunos de sua casa sumirem um a um, subirem a seus respectivos dormitórios. Eventualmente, as vozes no andar de cima eram mais tumultuadas do que no de baixo. O silêncio fez com que ela caísse em si. Olhou para a lua que subia quase completa no céu, deixou a pena deitada sobre o pergaminho. Bufou forte, a pequena porção de seu cabelo que caía em seu rosto foi levada para cima sem maiores problemas. Deu uma olhada no relógio principal da casa e notou que já começava a ficar mais tarde;
Fechou seu caderno com o pergaminho dentro e se levantou, tirando sua capa e apoiando em seu ombro. Foi até o sofá recolhendo o jornal que Lilly tinha em mãos alguns minutos antes. Ela e Marlene tinham se amontoado em seu quarto, ela optara por se sentar perto da lareira e terminar suas tarefas. Ainda queria fugir da conversa enorme que as três precisavam ter.
Ela ajeitou o caderno em seus braços e subiu as escadas rapidamente. Seus olhos subiram para o corredor principal. Ainda haviam alunos conversando, incluindo os quatro focados pelos seus olhos de início: até mesmo Remo estava fora de seu quarto. Ela não torceu o rosto, mas internamente torceu. Olhou para o lado de seu corredor quando viu os olhos dele rapidamente encontrarem os seus. Precisava entrar na ala feminina dos dormitórios, e para isso precisaria passar por eles.
Resmungou algo mentalmente: “como é que eles nunca são vistos sozinhos?” e era um fato: nenhum maroto estava sozinho em momento algum. Sempre que visse um, logo os outros três apareceriam atrás. Peter resmungava algo com eles, Remo estava escorado na parede, a cabeça apoiada na mesma e as mãos nos bolsos. Ela resmungou mais uma vez sobre como aquela pose parecia fugir totalmente do feitio dele.
Passou por eles ignorando-os completamente. Ela parou um pouco depois de Sirius, seus olhos atingiram o chão rapidamente. Ela pensou por alguns segundos, ergueu a cabeça. Ergueu a mão segurando o braço dele calmamente, o rapaz se virou para ela.
- Onde está a Donna? – ela perguntou, fazendo com que os outros se calassem. Remo olhou para ela, mas ela deixou que seus olhos se focassem nos de Almofadinhas.
Ele pensou um pouco.
- Não sei. – balançou a cabeça. – Realmente não sei. Não tá no quarto dela...?
- Vou checar. – ela respondeu rapidamente e acenou para os quatro sem olhar para nenhum deles. Entrou pelo enorme vão que dava a ala feminina e abriu a porta de seu quarto. Ali estavam Marlene e Lilly, experimentando chicletes que faziam suas línguas mudarem de cor.
- Alguma de vocês viu a Donna hoje? – perguntou, se sentando em sua cama. Marlene fez um bico confuso e Lilly balançou a cabeça negativamente.
- Não. Eu não, pelo menos. – alegou.
- Por quê? – a loira se adiantou, curiosa. balançou a cabeça negativamente e coçou o queixo.
- Nada.


Capítulo 11


- Me desculpe, senhorita. Isso claramente não tem funcionado pra mim. - o garoto arrastou o sotaque, um indicativo de que estava insatisfeito. Ela respirou fundo e cruzou os braços olhando para ele.
- Isso é um não, então?
- Podemos fingir que nunca aconteceu. - sugeriu. - Eu não digo, você não diz. As coisas voltarão ao normal.
Ela mastigou o gosto amargo em sua boca e encheu o peito de ar, soltando logo em seguida. Assentiu positivamente, ainda que extremamente contrariada. - Você é um covarde. - assumiu, fazendo com que o rosto dele se contorcesse em
pouca alegria. Logo, soltou uma risadinha de escárnio e fingiu brincar. - Tudo bem, deixemos pra lá, então. Mas saiba que eles voltarão assim que um dos dois criar coragem pra pedir desculpas.
- Que seja. - deu de ombros, desinteressado. - O que é que eu posso fazer?
- Oh. - revirou os olhos. - Há muitas coisas que poderia ter feito, Ivan. Acho que, no final das contas, a realmente é areia demais pro seu caminhãozinho.
Ele não compreendeu a expressão naquele momento, e talvez nem sequer viesse a compreender.

🌕🌖🌗🌘🌑🌒🌓🌔

Lily jogou um pedaço de papel amassado em . A garota estava presa em devaneios do outro lado do tabuleiro de xadrez bruxo. Fez uma expressão de pouca compreensão e olhou de volta para o tabuleiro, pedindo para que ela finalizasse sua jogada.
- No que tá pensando? - resmungou.
- Nada. - abanou a mão e balançou a cabeça. Fez uma jogada pouco pensada. - Onde a Lene se enfiou?
- Nunca saberemos. - a ruiva respondeu, movendo sua rainha e encurralando as peças de . Ela, inconformada, olhou para o tabuleiro e para os olhos verdes da garota à sua frente, que cantarolava e comemorava.
- Você claramente se aproveitou da minha pouca atenção e roubou. Não conta! - brincou, cruzando os braços.
Já havia se passado uma semana desde que sua conversa com Ivan acontecera, e desde então, suas interações com Remo eram limitadas. Ela o via pelos corredores, ora sozinho e ora com seus amigos; o garoto baixava a cabeça ou desviava o olhar, e já ela, tratava de deixar bem claro que o estava ignorando.
Lily e Marlene estavam cansadas da má sorte dos dois, mas não podiam deixar de concordar com a amiga. Remo não tinha motivos para acreditar em terceiros, afinal, e jamais se envolveria com alguém como Ivan. Aquilo era um fato. Um fato que, pelo menos na linha de pensamento delas, ele deveria saber.
James e Sirius tentavam alegrar o garoto, já que a lua cheia se aproximava cada vez mais, e seu humor naturalmente baixava para um pouco mais melancólico e por vezes, até mais agressivo. Marlene e Sirius ainda se odiavam e pouco se olhavam, e por outro lado, James e Lily ao menos desenvolviam melhor seu próprio relacionamento. Podia-se dizer que se suportavam.
e a ruiva desceram para suas aulas depois que, por fim, a morena aceitou sua derrota no xadrez. Elas tiveram três aulas naquele dia, e a última do dia havia sido cancelada por um problema com o professor Slughorn. Elas se separaram à medida com que Lily pretendia subir à sala comunal e tirar um cochilo, e ainda queria passar pela biblioteca e pegar os livros necessários para as lições do dia seguinte.
Desceu talvez três lances de escada quando ouviu a voz serena de sua mãe pelos corredores. Seus olhos quase brilharam. Não sabia que a veria no meio do ano letivo, embora trabalhasse para o ministério; em poucos segundos, sua felicidade se transformou em má vontade e um grande sentimento ruim que se alastrava por suas veias. estava junto.
Ela deu as costas para voltar a subir as escadas que descera, mas foi lenta.
- . - ele chamou. As mãos atrás das costas, a postura perfeita e olhos que poderiam julgar a última de suas células. Um terno bem passado, um cachecol que parecia valer mais do que toda aquela sala. Ela limpou a garganta.
- . - respondeu, sem rodeios. Sua expressão neutra se manteve, mas queria desaparecer dali o mais rápido possível. Torcia para que uma de suas amigas aparecesse logo.
Ele olhou ao redor, dava alguns passos na direção da escada enquanto avaliava o perímetro do castelo que seus olhos podiam pegar. Escaneava, ele julgava. E não parecia ser um julgamento bom.
- Eu esperava mais. - respondeu. Seus lábios secos e finos se fecharam em uma linha. As sobrancelhas desceram um pouco. tinha o péssimo hábito de parecer furioso mesmo quando não estava.
- Me desculpe...?
- Sua mãe sempre fez uma promoção boa dessa escola. Disse que seria o melhor lugar para você. - passou a mão por uma das paredes, tirando um pouco de poeira com os dedos. Analisou, enojado. - Acho que se deixou levar pela opinião de seu pai.
engoliu em seco. Ela piscou forte e se apoiou no corrimão, segurando a frase que tinha na ponta da língua.
- É uma boa escola. - respondeu, simplesmente.
- Não se apresenta como uma. É um castelo deveras belo, mas... Não creio que seja o local mais adequado para você.
- Eu sinto em dizer - ela pausou, respirando fundo - Mas acho que você não é a pessoa mais adequada pra essa decisão, na verdade.
A linha em seu rosto se transformou em um sorriso torto, um que conhecia e podia dizer que temia. A verdade é que ela mal sabia como sua mãe conseguira ver algo de bom naquele homem. Talvez fosse a solidão, talvez a falta de . Talvez apenas pelo dinheiro, ela pensou. Precisava dar um bom futuro à filha, e não conseguiria sozinha.
Só o nome não era o suficiente. Dinheiro era necessário. E aquilo, com toda certeza, ele poderia oferecer. Em contramão, tinha um péssimo padrasto.
- com certeza não... - ele começou, mas foi interrompido.
- Por favor, não fale do meu pai. - argumentou, franzindo o cenho. Podia admitir qualquer coisa, menos críticas contra seus pais. Àquele ponto, parecia ter perdido a paciência, pois um de seus pés bateu no chão quando ele ergueu seu indicador para ela.
- Eu também sou seu pai.
- Você não é o meu pai! - ela tentava manter sua pose, tentava se manter tranquila. Não queria transformar aquilo em um problema ou chamar a atenção de sua mãe. A falta de conexão entre ela e o padrasto já era motivo o suficiente para que Astra se sentisse melancólica por dias, às vezes.
O homem estufou o peito e estava pronto para erguer seu tom de voz. Ele começou uma frase nova, qualquer crítica estúpida à forma como a direção se comportava.
- Tudo bem, ? - ela ouviu uma voz conhecida surgir por trás de si. Descendo as escadas, vinha o alto e tímido Remo. Exceto pelo fato de que não havia nada de tímido em sua expressão no presente momento.
Ele tinha os olhos fixos nos de , parecia extremamente incomodado, defensivo. Uma de suas mãos se apoiou ao lado de no corrimão, e a outra em seu ombro; não tirou os olhos do padrasto dela nem por um segundo, enquanto falava com ela.
- E quem é esse? - o homem desviou o olhar brevemente para a afilhada.
- E quem é você? - Remo retrucou, fazendo com que se arrepiasse. Ela não esperava por aquilo, e não sabia que tipo de reação aquilo poderia desencadear. era imprevisível.
O homem riu em escárnio.
- Eu sou o pai dela. - argumentou, ríspido.
- É estranho, então - riu, levemente - que eu tenha agora a pouco ouvido-a dizer que você não é pai dela.
- Sou o marido da mãe dela e com toda certeza, um homem mais honrado do que o sangue ruim que ela chama de pai. - ele disse entredentes. viu a mão de Remo se apertar contra o corrimão. Ele abriu a boca para dizer mais algo, e ela temeu por ele.
Se visse em Remo um motivo para odiá-lo, então estava feito. Ele nunca mais poderia vê-la em sua vida. Aquele era o nível de poder em que seu padrasto se colocava, principalmente na comunidade bruxa.
- Estamos atrasados. - ela argumentou, se virando para Remo e apoiando sua mão no peito dele, como se pedisse para se afastar de . O homem encarava os dois. - Devemos voltar para a sala. Até mais, . - respondeu séria. O homem não respondeu, e apenas os observou subirem as escadas em silêncio.
finalmente pôde soltar sua respiração. Passou a mão pelo rosto, não conseguia entender o que exatamente havia acontecido ali. O que acontecera com Remo? Aquele não era o rapaz doce e sereno que ela conhecia. Ele parecia diferente, mais agressivo, mais intenso. Parecia maleável, na opinião dela. Olhou para ele e sentiu que talvez dizer algo o deixaria mais furioso.
- Você tá bem? - ela apoiou a mão no braço do garoto, que ergueu seus olhos para ela. Havia um tom sombrio na forma como ele agia, agora.
- Quem é aquele cara? - perguntou, simplesmente.
- Ele é meu padrasto. - ela respondeu, estranhando. - Não é meu pai, mas é melhor você não se meter com ele. Ele é... Perigoso...?
- É mesmo? - ele perguntou, olhando para a escada novamente sem erguer seu rosto. Apoiou uma das mãos ao lado dela na parede, seus rostos passaram então a estarem próximos demais. Remo desceu os olhos pelos lábios dela, lambeu os próprios. - Deixemos assim, : se ele encher o seu saco de novo, eu quebro ele. Nem que isso custe a minha vida. Não é como se ela valesse muita coisa. - sorriu de canto. se encostou na parede e apoiou sua cabeça na superfície.
Ela desceu os olhos para os lábios dele, e então para seus olhos novamente. E então, se lembrou de que estavam brigados. E ali estava ele, novamente, querendo participar de sua vida. Prometendo defendê-la, ainda que soubesse que comprava uma briga que não podia ganhar. Visando ajudá-la sem sequer saber se podia. Comportando-se como alguém que realmente se importava com ela.
Mas se importasse, ela pensou, não duvidaria de uma idiotice como aquela. Não acreditaria em boatos imbecis como os que rolavam no colégio. O comportamento dele parecia, em um todo, muito estranho para ela agora. Era como se conhecesse um lado sombrio de uma pessoa que parecia ser totalmente composta por pureza.
Ela não podia dizer que detestou aquele lado, mas podia dizer que Remo não era daquele jeito, e que algo estranho estava acontecendo ali.
Seu coração se apertou ao pensar que poderia gostar de cada parte dele, ainda que fosse assustador como o Remo que ele mostrava à ela agora.
Ele se afastou dela e passou a mão pelo rosto. segurou o braço dele cautelosamente, preocupada, e para sua surpresa, o garoto bruscamente se soltou e se afastou dela. Ignorou a voz dela chamando-o uma vez e saiu de perto, indo em direção a um dos corredores que ela sequer sabia para onde levava.
Apoiou sua cabeça na parede novamente e fechou os olhos, e suspirou. Queria saber quem era aquele garoto que invadiu o corpo do garoto que ela gostava.
🌕🌖🌗🌘🌑🌒🌓🌔

- Ele te defendeu. - Marlene rosnou. - Você não devia estar agradecida?
- Não é essa a questão. - respondeu, dando uma mordida na maçã em sua mão; estava sentada em um dos galhos baixos de uma árvore que se dispunha pelo pátio, as amigas estavam encostadas logo abaixo de si. Comiam juntas algumas frutas que Hagrid oferecera mais cedo. O dia acabava de começar, e era dia de tarefa do torneio tribruxo; o dia anterior tinha sido cansativo e mal tivera a chance de conversar com suas amigas sobre o ocorrido com Remo e seu padrasto.
Aquela era a primeira chance.
Lily tombou a cabeça olhando para a própria maçã e deixando que as duas discutissem.
- Qual é, então? - Marlene ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços com a maçã em uma das mãos. Batia os pés. - Eu sei que você tá brava com ele, mas ali ele realmente te defendeu. Não existe um motivo pra você ficar brava, ele te salvou!
- Eu não sou dele pra ser salva! - aumentou o tom de voz, e as duas restantes trocaram olhares confusos. Marlene respirou fundo, pois agora compreendia de onde tudo aquilo surgia; ela olhou para os pés.
Era mais fácil do que reconhecer estar errada.
- Disse isso pra ele? - a ruiva perguntou, subindo na árvore ao lado da morena. balançou a cabeça, apoiando sua cabeça no tronco atrás de si.
- Não tive a chance ainda. Mas vou dizer. - ela resmungou, desviando o olhar das duas. Distraía suas pupilas com o belo horizonte. - Eu não entendo o que tá acontecendo. Ele sempre some, sempre. Sempre tem ao menos uma semana por mês em que ele não vai a nenhuma aula, desaparece, não fala com ninguém e não desce para comer. Os amigos dele levam comida pra ele! No quarto! - exclamou, incrédula.
- Talvez ele só seja.. - Marlene procurava a palavra certa. Gesticulava, seus olhos pediam ajuda à Lily.
- Deprimido? Doente...? O que a Lene quer dizer é que talvez ele tenha alguma condição, talvez tenha altos e baixos. Talvez seja só um costume. - deu de ombros. - Ele nunca precisou ir nas aulas, de qualquer jeito. As notas são incríveis.
resmungou algo, mas não tinha argumentos contra aquilo. As notas dele realmente eram incríveis, principalmente para um garoto que faltava tanto. Mas aquilo ainda não justificava suas atitudes anormais, às vezes.
- Ele nunca agiu assim antes. Não perto de mim. - Marlene argumentou.
- Vocês não ficam muito tempo juntos... - Lily se intrometeu, franzindo o cenho.
- Quando eu estava com o Black, às vezes precisava ficar bastante tempo com o resto dos marotos. - ela respondeu, olhando para o mesmo ponto do horizonte em que os olhos de haviam parado. - Ele nunca agiu assim. Sempre calmo, sempre tranquilo. Enquanto Sirius e James disputavam pra saber quem conseguia botar mais álcool pra dentro, ele bebia chá.
não conteve um pequeno sorriso no canto de seu rosto. Nada poderia descrever Remo Lupin mais do que aquilo. O cara que certamente preferiria o chá. Era daquele Remo que ela sentia falta, e era aquele rapaz que ela não via desde que os boatos sobre ela se espalharam.
- Acho que devemos ir ao lago, a próxima tarefa tá pra começar. - Lily alertou. As três se uniram para descer da árvore e pegaram suas coisas, indo em direção ao lago onde a próxima atividade começava a acontecer.
Os alunos dos três colégios ocupavam arquibancadas improvisadas, que vinham do campo de quadribol. Os três campeões se reuniam, ofereciam um ao outro boa sorte e entravam em barcos para o início da tarefa. Era como uma corrida com obstáculos e inimigos, e cada um deles precisava dar seu jeito para movimentar seu braco. Ivan enfeitiçou sua bengala típica para transformá-la em um tipo de remo mágico, Amos apostou em sua própria capacidade mágica e a garota de Beauxbatons conseguiu criar turbinas à partir de escamas de peixes no local.
Dumbledore segurava a varinha contra o pescoço e ditava a contagem regressiva para o início da prova, e todos gritavam seus urros de guerra e o nome de seus respectivos colégios.
Uma onda emotiva envolveu a todos os alunos de Hogwarts. Ver Amos na frente era quase um delírio, todos urravam. Nenhum deles acreditava na capacidade do lufano, colocavam todas as crenças em Ivan, que surpreendentemente, ficava para trás.
No final das contas, os gritos ultrapassaram os níveis normais e até mesmo Dumbledore comemorava com classe em seu devido lugar. Amos Diggory era o vencedor da prova, e estava classificado para a próxima. Ivan conseguira atingir o segundo lugar, e infelizmente, a garota foi desclassificada.
Amos ergueu a mão em um cumprimendo saudoso a Ivan, que mesmo contrariado aceitou. Parecia punir mais a si mesmo do que sentia qualquer ódio que pudesse sentir do inimigo. Seus barcos se aproximaram à medida com que a repórter do Profeta Diário corria por dentre os alunos, ansiosa para conseguir fotos e frases para a primeira página.
- Ivan, Ivan! - ela chamava a atenção do rapaz. - Todos pareciam bem preocupados com seu posicionamento no início da prova, mas aparentemente conseguiu se reerguer e voltar firme e forte para a terceira prova!
Ele abriu um sorriso amarelo enquanto tentava desviar das câmeras.
- A que atribui seu sucesso, querido?
- À habilidade, eu diria? - ele respondeu, convencido. Franzia o cenho. Aquela situação o estava irritando.
- Com toda certeza! Tirem uma foto dele, por favor! Ei, ei! - ela apontou para a garota que conversava com as amigas enquanto andavam na direção de Amos, para parabenizá-lo. desviou o olhar e viu a repórter conversar com Ivan. - Você não é a namorada dele? Venha aqui!
- Eu não sou a namorada dele. - respondeu, olhando para Ivan inconformada. Ele ergueu os braços confuso, como se tentasse explicar que não tinha nada a ver com aquela situação.
- Vamos, tire uma foto dos dois! - ela empurrou o fotógrafo na direção deles e tentou juntar com Ivan. À esse ponto, Lily e Marlene também tinham sua atenção voltada à confusão que a repórter criava. puxou seu braço do dela com força e passou a mão pela região. Pareceu furiosa.
Sem responder, ela desviou das amigas e saiu dali. Sua silhueta rapidamente desapareceu dentre os demais alunos e, aos poucos, ela também sumiu de vista da região do lago. Lily olhou para Marlene com urgência e as duas começaram a ir na direção em que a amiga antes ia. Ivan olhou para a repórter, nervoso.
- Está anotando bem o que digo? - ele dizia, seu sotaque mais carregado do que nunca, agora que furioso. - Ela não é minha namorada. Somos amigos, nada além disso. Não quero ler nada diferente disso na edição de amanhã, entendeu?!
O garoto pegou sua toalha e correu na direção em que as três iam. Quando notaram a presença dele, Marlene e Lily pararam de gritar pelo nome de . A garota se virou para trás, estavam no meio do campus, em um dos corredores. Ela tinha algumas lágrimas no rosto, parecia inconformada. Quando viu o garoto se aproximar dela, ela se virou e andou mais rapidamente para o fim do corredor, virou.
Quando Ivan virou o corredor, não conseguiu ver ninguém, nenhum sinal de vida, exceto por uma coruja branca que voava para fora do colégio. Ele passou a mão no rosto, exausto. Lily e Marlene, que se aproximavam, chamaram a atenção dele.
- O que foi dessa vez? - Lily resmungou, brava. Ele balançou a cabeça.
- Não, não. Senhoritas, vocês precisam compreender. Talvez consigam explicar melhor à sua amiga: eu não quis que nada disso acontecesse. Eu não queria causar mal!
- Mas você causou bastante, parceiro. - Marlene balançou a cabeça e cruzou os braços. - Por quê eu deveria tentar convencer minha amiga do contrário?
Ele suspirou.
- Escutem bem. Era um acordo. Nós tínhamos um acordo: eu tiraria seu namorado de você, e ela me ajudaria a tirar o garoto das cicatrizes dela. Mas eu fui enganado também. Eu cumpri a minha parte, ela não cumpriu a dela.
Marlene franziu o cenho e piscou confusa, deu um passo para trás e ergueu as mãos na frente do corpo. Ela desviou o olhar e voltou para ele em questão de segundos.
- Espera aí. Como é?
- é garota muito bonita. - ele respondeu, confuso em suas palavras. - Gostei dela quando cheguei. Não consegui atrair sua atenção. Ela me disse que o garoto da cicatriz a havia abandonado no baile, e eu me irritei. Fizemos um acordo, e se eu conseguisse tirar seu namorado de perto de você, ela me ajudaria a tirar o garoto de perto de .
- Ela quem?! - Lily se intrometeu. Não só seu cabelo, como também seu rosto agora tomava uma cor avermelhada.
- Donna. - foi sua resposta. Lily olhou para Marlene, que parecia ainda mais vermelha do que ela agora. A garota fechou os punhos, rangiu os dentes. Passou a mão no rosto furiosa e então respirou fundo.
- Está me dizendo que você espalhou aquele vídeo? Pra todo o colégio.
- Me desculpe. - ele respondeu, simplesmente. - Mas, era trato. Donna pediu, eu fiz. Quando precisei dela, ela..
- Não se faça de vítima, por favor. - Lily respondeu, fechando os olhos e respirando fundo. - Você não é vítima alguma. O que você fez... - ela balançou a cabeça.
O garoto abaixou a cabeça e passou a mão pelo pescoço, arrependido. Parecia não ter a menor noção do quão destruída Marlene ficara pelo ocorrido. Ainda não conseguia dormir direito.
Não se tratava de um vídeo explícito, mas a exposição, a injustiça e toda a aura da questão a deixavam para baixo desde o dia do acontecido. Ela sentia na pele todos os dias. Os olhares, os garotos, falas, cochichos. Ninguém confiava nela. Sirius havia se posicionado contra ela.
- Me perdoe, srta. - ele se ajoelhou perante Marlene. - Existe forma para compensar...?
- Não. - Marlene engoliu em seco, olhando para longe. A lágrima tênue descia pelo seu rosto, ela não podia acreditar nos absurdos que ouvia. - Não há. Discutiremos isso na sala do diretor. - ela segurou a mão de Lily com força e a puxou para longe dali. As duas tinham um novo assunto a tratar com , com os marotos, e principalmente com ela: Donna.
- 🌕🌖🌗🌘🌑🌒🌓🌔

, ainda em forma de coruja, voou para longe do colégio. Para longe do tumulto. Encontrou pouco acolhimento por parte do salgueiro lutador que parecia relutar em deixá-la passar. Um dos galhos da árvore bateu de raspão no corpo da coruja albina que guichou e caiu, transformando-se novamente em humana à medida com que seu corpo rolava. Estava ao lado do tronco da árvore, mas seus galhos se remexiam ao seu redor e pareciam perigosos, prestes a atacá-la novamente.
Ela se esgueirou pelas beiradas do tronco e encontrou uma espécie de buraco por ali. Sem ver outra alternativa, entrou. Ela engatinhou um pouco até cair em uma passagem secreta e então se colocou de pé. Olhou ao redor enquanto batia as mãos nas roupas tentando tirar a sujeira que a grama do lado de fora lhe causara. Sentiu um pouco de dor em seu pé esquerdo, mas por ora, ignorou - julgou ser graças à pancada que a árvore lhe dera.
Imaginando que não serviria de nada voltar pelo mesmo buraco em que entrou, seguiu o caminho até o outro lado. Dava em um cômodo estranhamente apertado e escuro. As janelas estavam fechadas por grandes pedaços de madeira, pregados. Havia uma única porta e parecia levar a um, igualmente estreito, corredor. tentou se localizar pela greta entre dois pedaços de madeira na janela, mas não pôde.
Ela se aproximou de uma das paredes onde o papel de parede havia sido removido pela metade. Arrancado, ela diria. Talvez por animais selvagens, talvez bruxos fugitivos. Talvez até mesmo alunos. Não saberia dizer.
Viu algumas marcas de garras espalhadas pela madeira detrás do papel de parede gasto. Eram marcas grandes, como as de um urso ou as de um lobo de grande porte. Abrangiam toda a grossura de seus dedos e arriscava dizer que até mais um pouco, e iam desde o alto até o rodapé da parede.
Uma sensação ruim invadiu seu corpo e ela sentiu um gosto amargo na boca, o flash da pancada em sua cabeça voltou. Ela quase sentiu a dor de novo. Passou a mão pela testa rapidamente e se afastou daquela parede, andando até a única porta que o quarto possuía e a abrindo.
A porta rangiu assim como todas as partes daquele lugar. Viu a escada estreita para o andar de baixo, haviam apenas algumas pinturas - a maioria delas, também rasgada. Desceu as escadas rapidamente e foi em direção a porta da frente. Com algum custo, conseguiu abri-la e sair, ligeira, daquele local.
Ela foi surpreendida por uma figura conhecida, sentada logo à frente das cercas que cobriam toda a propriedade. olhou para trás e reconheceu, um pouco assustada, A Casa Dos Gritos. Já havia algum tempo - talvez desde seu segundo ano - que boatos rondavam Hogwarts e Hogsmeade a respeito daquela específica casa. A consideravam mal assombrada, já que gritos ecoavam dali durante a noite todo mês.
- O que está fazendo aqui? - a voz ríspida de Severo interrompeu os pensamentos dela, e a fez virar-se rapidamente na direção dele. Ela raspou a garganta.
- Snape. - piscou, constatando. O garoto não respondeu, mantinha sua expressão de desagrado. Ele tinha um pergaminho em mãos e estava recolhido a uma árvore próxima da cerca. Parecia gostar do isolamento que tinha por ali. - Eu posso perguntar o mesmo...?
- O que acha que estou fazendo? - ele perguntou, ainda ríspido, como se fosse uma pergunta óbvia. não sentia que podia julgá-lo pelo seu comportamento, naquele caso.
Afinal de contas, passava muito tempo com os marotos e podia ser facilmente confundida com um deles, ou com alguém que compactuasse com o que eles faziam. Ela relaxou sua postura e expressão e respirou fundo, olhou para o céu. As nuvens cinzentas cobriam o sol, mas ainda assim, a luz as penetrava e ia fortemente contra seus olhos. Aparou a mão na testa, sem olhar para ele.
- Hm, eu vim parar aqui sem querer, na verdade.
- Como isso seria possível...?
- Fui atacada pelo salgueiro. - A garota começou a andar para fora da cerca, na direção dele. - Então, eu literalmente precisei entrar no primeiro buraco que eu encontrei. - deu de ombros, rindo de leve.
Snape parecia desconfiar dela. Ele não riu, parecia atento, defensivo. Era fato que não se sentia tão bem perto de seus colegas, principalmente aqueles que não pertenciam à sonsa.
- Atacada pelo salgueiro. - ele repetiu, como se constatasse. Tirou sua atenção do pergaminho. - Isso é algum tipo de brincadeira...?
- Não. - ela respondeu de imediato. - Veja bem, eu não viria sozinha até a casa mais mal assombrada da grã-bretanha por livre e espontânea vontade. - ela mancou um pouco até o tronco onde ele se sentava, e se sentou. Ainda que um pouco distante dele, Severo podia ver a garota tirando seu allstar surrado e deixando de lado. mexeu um pouco no pé, vendo que ainda podia movê-lo.
Um movimento errado e sentiu uma dor aguda. Ela resmungou e apoiou o pé no chão, as costas na árvore. Severo fingiu não ter visto.
- Você se importaria se eu ficasse mais um pouco? Eu realmente gostei da vista e não quero voltar pra aquele lugar tão cedo.
- Claramente não posso impedi-la de ficar.
sorriu, porquê soube de imediato que aquele era o máximo de uma gentileza que ela ouviria partindo dele. Querendo ou não, já significava muito.
🌕🌖🌗🌘🌑🌒🌓🌔

A noite começava a descer pelo horizonte na floresta negra.
- Lene, você precisa se acalmar. - Lily passou a mão na testa, ainda inconformada. As duas estavam no dormitório das garotas, no quarto de e Lily. A ruiva andava de um lado para o outro enquanto Marlene chorava descontroladamente, abraçada ao travesseiro de Lily.
- Eu sei que ela mentiu pra gente... Mas Lily, a esse ponto! - Marlene fungou, apoiando a cabeça nas mãos. - Não posso aceitar isso! Ela era nossa amiga até pouco tempo atrás!!!
- Isso é bem mais péssimo do que eu pensava... - Lily resmungou, odiava ver a amiga daquele jeito. Estava preocupada com suas duas melhores amigas e se sentia de mãos atadas.
Não sabia a quem chamar, mas pensou em Minerva. Fazia companhia à amiga enquanto uma das garotas da grifinória ia até a sala da professora chamá-la. Talvez ela pudesse orientá-las melhor; depois disso, ainda precisaria pensar em onde poderia ter se metido. Pior ainda, depois disso, precisaria lidar com marotos arrependidos - todos eles. E, como se não pudesse piorar, ainda havia Donna por fim. A pior parte, ela podia dizer com tranquilidade.
A professora entrou pela porta da frente, que estava aberta. Segurava o vestido. Olhou para Marlene um pouco assustada e então para Lily, como se perguntasse o que exatamente estava acontecendo por ali.
- Professora... Ainda bem que a senhora está aqui. - a ruiva se adiantou, agradecendo. - Marlene e eu descobrimos quem estava por trás daquele vídeo, quem o espalhou por todo o colégio. Não sabíamos bem a quem chamar primeiro, então...
- Oh, querida. - Minerva se aproximou em compaixão da cama onde Marlene chorava. Envolveu seu braço ao redor do corpo trêmulo da garota, e acariciou seus cabelos dourados. - E quem foi o sarnento a fazer isso?!
- O campeão de Durmstrang. Ele disse que está disposto a conversar com a senhora e com o professor Dumbledore sobre isso, disposto a corrigir os erros dele. - Lily falava por Marlene, que não estava em condições.
Minerva fechou os olhos e soltou um longo suspiro. Lily pôde notar pela expressão fechada e pela engolida em seco que estava extremamente furiosa. Ela se ergueu olhando para Lily, ainda segurando a mão de Marlene.
- Daremos um jeito nisso. Srta. McKinnon, devemos ir à sala do diretor. Urgentemente. Não devemos perder tempo. Srta. Evans, peço que envie também o menino Black à sala de Dumbledore. Creio que ele também tenha pleno envolvimento, deve ser contatado.
- Eu vou chamá-lo, senhora!
Assim que a professora saiu com Marlene do quarto, Lily saiu em seguida. Desceu as escadas para o andar de baixo rapidamente e passava, de corredor a corredor, por todos os cômodos que encontrava. Era tempo livre, então os marotos podiam estar envolvidos em qualquer atividade dentro do perímetro do castelo inteiro.
Perguntou a muitos dos alunos da grifinória onde estariam os rapazes até finalmente ser apontada para uma direção. Os quatro estavam juntos na biblioteca, o que lhe pareceu estranho a princípio. Assim que entrou no cômodo, notou que Lupin era realmente o único a ler algo. O garoto tinha uma aparência pálida, cansada. Diferente. Carregava uma aura perigosa que ela sequer sabia explicar. James e Sirius pareciam entediados, e Peter procurava por figuras interessantes em livros sobre mortos-vivos.
- Ei. - Chamou a atenção dos quatro de uma vez. - Você, diretoria. Dumbledore e Minerva estão chamando. - ela apontou para Sirius. O rapaz franziu o cenho olhando para todos eles confuso. - Agora!
Assim que a voz dela ecoou pela biblioteca, ele se levantou e saiu pela porta sem dizer mais nada. Deixou até mesmo sua mochila e seus itens espalhados pela mesa. James ergueu as sobrancelhas, surpreso. Lily tinha os braços cruzados, o olhar desviado e parecia pensativa.
- Mas o que aconteceu...?
- Veja bem o que aconteceu. - ela olhou para ele, furiosa. Seu rosto tinha uma cor parecida à de seu cabelo. - Ivan Draykmova montou uma cena pros dois, filmou tudo e depois espalhou pra todo o colégio. Ele foi o imbecil que espalhou os vídeos, e eu realmente espero que agora vocês todos tenham a decência de acreditar na minha amiga que é e sempre foi a vítima dessa situação nojenta! - ela exclamou. Os três restantes ficaram em silêncio profundo por bons segundos. Remo tinha fechado o livro, James olhava para ela atentamente e Peter engolia em seco e olhava para longe.
- Nós sempre acreditamos nela. - Lupin argumentou, a voz baixa.
- Me desculpe, Remo. Eu gosto muito de você, mesmo, mas não pode me convencer disso. Não acreditou na quando ela disse pra você que ela e Ivan não tinham nada!
- Você sabe perfeitamente que uma coisa não diz respeito à outra. Marlene foi vítima de uma situação absurda! - ele aumentou o tom de voz. Aquilo tudo era incomum. Evans nunca era ríspida, tampouco ele, e os dois compartilhavam uma amizade muito bonita. Lily tombou o rosto estranhando o comportamento dele. James segurou o braço do amigo quando ele fez como quem levantaria, e então Remo respirou fundo e pareceu voltar à si.
Lily olhou para eles, os olhos nos três. Olhos cheios d'água. Decepção.
- Era um pacto. - ela disse, baixo. - Donna e ele tinham um tipo de pacto. Se ele conseguisse tirar Marlene do Sirius, ela tiraria de você. E assim ela estaria disponível pra ele. - Lily olhou para Remo, triste. - É realmente triste perceber que se dependesse de você, teria dado certo.
Ela não era o tipo de pessoa que dava as costas e deixava uma situação em aberto. Lily queria uma resposta, ela afrontava os três marotos à sua frente. Remo engoliu em seco e ela pôde ver os olhos dele se avermelhando, as lágrimas querendo cair. Podia dizer que ele se sentia um imbecil. James sentiu compaixão pelo amigo, mas foi incapaz de segurá-lo quando ele se levantou e bradou para a porta da biblioteca sem dizer mais nada. Andava rápido, ele tinha algo urgente para fazer.
Passou pelos corredores de cima, não a encontrou. Andou de um lado para o outro, nada. Seus instintos estavam perfeitamente apurados, o sabor do ar, o cheiro dela. Nada além de vestígios, pequenos vestígios. Ele podia farejá-la, sentia a atração por ela crescer como se a garota fosse a própria lua. As pupilas dilatadas procuravam pelos corredores de baixo, desceu as escadas rapidamente. O cheiro de morangos subia, aumentava, embriagava suas narinas sagazes.
estava perto de Snape na entrada do colégio. Remo estava longe, mas assim que o céu escurecesse, seria lua cheia. Seus ouvidos podiam ouvir sons à distâncias inimagináveis.
- Obrigada, Severo. - ela disse, gentilmente. O garoto assentiu e rapidamente saiu dali pelos cantos, procurando a escadaria. virou seus olhos para o interior do colégio flagrando ele ali, parado.
Os olhos dela encontraram os dele, e ali estava. Andou rapidamente até ela, não havia ninguém ali fora. Segurou seu pulso e a empurrou contra a parede do castelo. Sua outra mão se apoiou na parede, os olhos a fitavam atentamente. Remo podia sentir o perfume dela tão forte dali que jurava estar realmente embriagado; fechou os olhos.
- Você precisa me perdoar... - Ele disse, aproximando seu rosto do dela. Apoiou sua testa no ombro da garota, sua boca colada no pescoço dela, o nariz que respirava quente contra o local. estranhou aquilo, mas ao mesmo tempo, não podia dizer que odiava. - Eu realmente me superei dessa vez. Eu não acreditei, eu jurei que...
- Eu não ligo. - disse, erguendo o rosto dele perto do seu. Sentia a respiração quente dele contra sua pele, os olhos que a olhavam como se não houvesse mundo além dela. Um pecador observando sua deusa.
Ele aproximou seu corpo do dela, suas mãos seguraram seu rosto. Os lábios dos dois instintivamente se colaram, algo quase sobrenatural. O beijo era intenso, caloroso; ela sentiu as mãos dele rapidamente agarrarem sua cintura e a trazerem para mais perto. Não havia força no mundo que pudesse separá-los naquele momento. Remo se atraía à ela como o lobo se atraía à lua. Ela era seu objeto de adoração, um símbolo da existência divina, ali. Uma musa.
Nenhum dos dois saberia explicar exatamente como conseguiram. Aparatar era uma tarefa difícil, enjoativa. Talvez em algum dia pudessem supor que todo o grau de excitação, toda a intensidade da ocasião e a necessidade dos dois um pelo outro os tivesse feito capazes - mas por ora, só sabiam que repentinamente haviam aparecido no quarto da garota. Não havia ninguém ali, as luzes estavam apagadas. O sol desaparecia no horizonte.
Remo a empurrou contra a parede novamente, desabotoava a capa do colégio. Caiu ao redor de seus pés, restando apenas o uniforme por baixo. O garoto a ergueu em seu colo, ela apertou as pernas ao redor da cintura dele; puxou o corpo dele para mais perto de si, apoiando suas costas na parede.
Ela sentiu os beijos dele descerem pelo seu pescoço - traçavam linhas imaginárias por ali, beijos suaves mas ainda assim intensos. Ela tombou a cabeça para trás, fechou os olhos; suas mãos se apoiaram na nuca dele, subiam dentre os fios selvagens dele. As mãos de Remo subiam atrevidas por baixo da blusa dela, delineavam a curva de sua cintura; soltou um suspiro, mordendo o lábio. Ambos pareciam sensíveis demais.
Ele abriu seus olhos que pareciam reluzir um tom amarelado em seu castanho. Observava as expressões dela, a devorava. Era como se precisasse de mais, mais daquilo. Mais dela. Mais daquele perfume, do toque, o corpo dela - nada parecia satisfazê-lo. Não enquanto não pudesse tê-la completamente para si.
Ainda com a garota em seu colo, se virou na direção da cama; depositou o corpo dela ali, apoiando suas mãos aos lados do pescoço dela. Os olhos dos dois se encontraram novamente. Ele viu um brilho intenso nos dela, a mesma necessidade, a mesma fome. Eram famintos um pelo outro.
A última linha do sol terminara de fechar o horizonte, a luz azulada podia começar a invadir o terreno do colégio. puxava o corpo dele para mais perto de si com as pernas, distribuía beijos sutis pelo pescoço dele.
- Eu preciso ir - Remo disse, distraído pela luz do luar que começaria a aparecer em poucos minutos por ali. parou o que estava fazendo.
Ela se apoiou na cama, olhando para ele, confusa. O cenho franzido, pouca paciência em seu rosto. Ela desviava o olhar de um olho para o outro, era uma situação perigosa.
- Como assim..?
- Eu preciso ir. Eu realmente preciso ir... - Ele se ergueu, olhando assustado para a janela. olhou também, mas não encontrou nada por ali. Ela se voltou para ele vendo-o ajeitar sua própria blusa.
- Remo...? - ela se sentou na ponta da cama, ainda incrédula. - Você não vai...
- Me desculpe. - se aproximou dela, segurando seu rosto com as duas mãos. - Eu te amo. Por favor, me desculpe.
- Não. Você não pode ir. - ela negou com a cabeça.
Ele deu um último beijo nela.
- Eu preciso ir, me desculpe. Eu te amo. Eu realmente te amo, . - ele parecia inconsolável. Deu alguns passos para trás, até encostar-se na porta. Olhava para a janela e então para ela, e aquilo soava como um adeus.
- Se você passar por essa porta - ela se levantou, lágrimas nos olhos. - Se for embora, você não vai me ver mais. Nunca mais. - alertou.
Remo tombou o rosto com algumas lágrimas nos olhos, ele fez uma expressão digna de pena e então fechou os olhos deixando que as lágrimas descessem.
- Me desculpe.
Ele saiu pela porta rapidamente, correndo. Era quase como se houvesse urgência, como se estivesse fugindo. passou a mão pelo rosto deixando o choro cair.
Mais uma vez. Ele a deixara ali mais uma vez. Ela se sentia abandonada, deixada, mais uma vez. Ela foi até a porta chamando pelo nome dele, mas sem resposta, evidentemente. Ela fechou o punho furiosa, as lágrimas desciam ferozmente pelo seu rosto.
Estava furiosa, mas confusa, curiosa. E igualmente determinada. Ela precisava de uma resposta, uma que fosse digna, plausível. Havia outra na vida dele? Ele precisava fugir de alguém? Ela queria saber a verdade, que tipo de mistéiro aquele garoto poderia guardar.
A garota desatou a correr. Correu até a porta da frente do colégio, onde sabia que logo o toque de recolher tocaria. Saiu pela porta da frente vendo apenas a silhueta de Remo correr rapidamente na direção do salgueiro.
Ela correu na mesma direção, ignorou um olhar curioso de Hagrid e com sorte, somente ele a vira. Ignorou os galhos violentos do salgueiro e viu Remo entrar no buraco. Ele não a havia visto;
Ela rapidamente entrou, alguns minutos depois dele. O corredor era enorme até a casa dos gritos, havia uma distância grande entre eles.
Houve um momento sutil em que não pôde mais ver Remo no corredor. Ela diminui seus passos e andou devagar, silenciosamente. Esperava vê-lo com alguém, talvez outra garota, talvez um amigo. Talvez só estivesse fugindo.
Ela apoiou as mãos ao redor de si nas paredes da enorme fissura, seus passos eram devagar, cautelosos. Chegou até a porta final onde apenas uma pequena greta possibilitava pouca visão. Colocou sua mão na maçaneta e se preparou para abri-la.
Um som.
Alto.
Um uivo.
Seu olho tocou a greta.
Remo Lupin, ajoelhado ao chão, encarava a lua cheia pela greta da janela fechada à pregos. Seu corpo adquiria pêlos, suas roupas se rasgavam e um uivo furioso rogava uma prece à lua.
Ela se afastou da porta, assustada. Seus olhos estavam fixos na porta, apenas uma piscada. Levou a mão à testa, ainda em choque.
Ele era um lobisomem.


Capítulo 12


Haviam falas, inúmeras vozes diferentes. De um lado, Marlene argumentava sobre algo que do outro, Sirius dizia. Os dois pareciam culpados. Ela, por ter confiado à ele sua vida pessoal, e ele, por ter ferido os sentimentos dela. Do lado de fora do aglomerado de pessoas dentro da discussão, observava aérea os vitrais da janela da sala do diretor; realmente, eram muito bonitos.
- Ah, eu imaginei que tivesse ouvido alguma confusão próxima de minha sala. – O diretor Dumbledore comentou de bom humor ao entrar no recinto. Os olhos de Lily se desviaram para ele, e ela deu uma cotovelada na amiga sentada ao lado.
olhou para ela e então para os dois sentados na frente da mesa do diretor. Lene estava inquieta. Se levantou, resmungou, voltou. Sirius manteve sua cabeça baixada.
- Sinto dizer que o assunto é um tanto quanto inquietante, professor. – a professora McGonagall iniciou a discussão. A luz do luar que iluminava aquela sala parecia deixar Sirius incrivelmente nervoso, e agora, principalmente, também.
Remo estava lá fora em algum lugar e em apuros. James não estava por ali, o que significava que poderia estar fazendo algo sobre o amigo aluado. pareceu juntar facilmente as peças: essa era a razão para serem animagos, então.
Muito curioso.
- Ouvi dizer sobre o sr. Draykmova. – Dumbledore começou, passando a mão pela barba. – E é claro, conversarei com Karkaroff para que possamos tomar as devidas providências.
- Ele será expulso do torneio? – Sirius perguntou, desviando sua atenção ao diretor. Minerva torceu a cara quando viu o cenho franzido dele. Muito petulante.
- O cálice de fogo é um objeto mágico extremamente poderoso. Naturalmente, não poderíamos negar suas escolhas... – ele pausou, pensativo. – Entretanto, temo que o sr. Draykmova não possa representar Durmstrang no torneio mais. Certamente não, se não for mais um estudante desse colégio. E em minha opinião, senhores e senhoritas, expulsão é a mais mínima consequência que ele deverá sofrer.
- Por favor, professor. – Lily se levantou, pedindo à palavra que lhe foi instantaneamente concedida. – Eu gostaria de lembra-lo sobre Donna. Ela também estava envolvida, Ivan mencionou o nome dela diretamente.
- Estou ciente, srta. Evans. Eu já convoquei os pais da srta. Foster e amanhã todos nós conversaremos melhor sobre as devidas punições. – colocou as mãos atrás das costas. Alvo olhou para Sirius, que mexia sua perna inquieto. – Mas agora é tarde e certamente devem voltar a seus dormitórios.
Marlene, ainda quieta, segurava algumas lágrimas. Lily segurou a mão dela ajudando-a a se levantar. , muito distraída com o céu noturno do lado de fora, só se levantou depois de todos. Antes que todos pudessem sair, a atenção do grupo foi chamada pelo diretor.
- Quero que a srta. McKinnon seja dispensada de sua próxima semana de aula. As srtas. Evans e podem ajuda-la a manter seus deveres em dia, e atualizá-la sobre o conteúdo das matérias. Se for de sua vontade, poderá voltar para casa essa semana, Marlene.
- Eu acho melhor ficar aqui, diretor. – ela respondeu, passando a mão pelo rosto e levando com ela algumas lágrimas que molhavam suas bochechas. – Muito obrigada.
Ele balançou sua cabeça em positiva. A professora Minerva ergueu seus braços indicando o corredor, e saiu da sala logo atrás dos alunos que ali estavam. Os acompanhou até seus dormitórios, e depois de dispensar Sirius, pediu para ter uma conversa à sós com Marlene.
As duas sumiram pelo retrato da Mulher Gorda.
Sirius se jogou no sofá à frente da lareira. Lily se dispersou, subiu para seu quarto. Não queria conversar com ele. ainda parecia meio aérea, observava o fogo crepitante da lareira.
- Então, é isso. – o Black começou. – Eu fui um babaca como sempre, e agora ela provavelmente nunca mais vai querer falar comigo.
- Eu não falaria, no lugar dela. – ela respondeu, por fim. Foi sua primeira frase desde a casa dos gritos. Sirius ergueu o olhar para a garota. Havia culpa estampada em todo o seu rosto.
- Você ignorou o Remo por mais de semanas por muito menos do que isso.
abriu a boca para responder, mas foi incapaz. Se sentia incrivelmente injusta. Existia uma razão por trás de todo e cada sumiço dele, a consequência e coincidência de seus desaparecimentos com a lua cheia. Primeiro no bale, e depois em seu quarto. Ele sempre desapareceria nas horas mais inconvenientes possível.
Praguejou algo para a lua, mentalmente.
- Sabe, ele não queria que fosse assim. Digo... as coisas entre vocês aconteceram do pior jeito possível, mas não era como ele queria que fosse. – coçou a cabeça. – Algumas coisas só fugiram do controle, e- ele foi interrompido.
- Ela vai falar com você de novo, Black. Mas você realmente precisa mudar. – se sentou na mesa de centro disposta à frente da lareira, tapando a visão dele do console. – Lene é completamente apaixonada por você, mas sendo sincera? O atual Sirius não merece minha amiga. E nem nenhuma garota que ame ele, se quer a verdade nua e crua.
- Ei, sabia que existe um conto sobre esse dito popular? Esse, da verdade nua e crua!
- Para. – disse, balançando a cabeça. – Eu sei que não é costume dos seus amigos falar sério com você, mas eu tô tentando te ajudar. E se você quer que eu te ajude, você precisa se ajudar primeiro.
Sirius respirou fundo e resmungou algo baixo.
- É, eu sei.
- Pois então. Quando você mudar alguma coisa, procure a Lene de volta. – ela apoiou o rosto em uma das mãos. – E, por tudo, Sirius, por favor: peça desculpas pra ela. De um jeito digno! Até agora não se desculpou, e ela merece bem mais do que só um pedido furreca.
Ele assentiu, cabisbaixo. Olhava para suas mãos abertas em suas pernas. respirou fundo e virou seu rosto para a janela. Andou até a mesma, encarando a vista da floresta negra que tinha dali.
- Cadê o James?
Sirius olhou para ela.
- Como é?
- James. Onde ele tá?
- No quarto, eu acho. Por quê?
Ela notou o momento exato em que ele coçou o nariz após terminar de falar. Aquilo claramente era uma mentira, mas ela não tinha razão em tentar refutar. Em fato, queria fugir daquele assunto. Se James assumira a forma de cervo e fora cuidar do amigo aluado, ela podia ter certeza de que ele ficaria bem. Aquilo era suficiente por ora.
- Curiosidade. Eu também devo ir dormir logo. – se levantou, ajeitando suas roupas. – Até depois.
- Boa noite, . – respondeu, simplesmente.
Ela subiu a escadaria em espiral e foi diretamente para seu quarto. Lily estava em sua cama, coberta e certamente furiosa. Seu rosto estava da cor de seu cabelo.
- Acha que vai dar tudo certo? Com o Ivan e a Donna?
- Eu não sei, ruiva. – respondeu sincera, se sentando na ponta da cama da amiga. – Ei, eu posso perguntar algo e você jura não me perguntar nada em troca?
- É claro.
- Existe alguma cura para licantropia?
Lily franziu o cenho pensativa e seus lábios se uniram em uma expressão torta. poderia sentir seu cérebro tostando enquanto pensava na resposta daquela questão; se deitou no colo da amiga, encarando a janela aberta do quarto das duas.
- Essa pergunta é pra nossa prova de defesa contra as artes das trevas?
- Lily!
- Tá bem, desculpa. – ela riu de leve. – Mas não, eu acho que não.
mordeu o lábio e sentiu um certo pavor invadir seu interior. Embora soubesse a resposta da pergunta, esperava que recebesse uma positiva da amiga. Esperava estar errada, pela primeira vez na vida. Como uma aluna exemplar, sempre fez questão de estar certa: mas não ali, naquele momento.
Naquele momento, desejou estar errada.
🌕🌖🌗🌘🌑🌒🌓🌔

O sol raiou no horizonte e iluminou o castelo por alguns segundos. Os pássaros cantavam e a felicidade que surgia do lado de fora não se parecia com o leve desespero que sentira ao acordar, ainda assustada, ouvindo os gritos de Remo se repetirem em sua cabeça. Ela olhou para Lily do outro lado, que dormia tranquila; a amiga não pareceu ter acordado. A morena, por outro lado, suava frio; ofegava. Ela se ergueu rapidamente e sem fazer barulho nenhum, foi até a janela e a abriu. Apoiou as duas mãos sobre a escrivaninha logo abaixo e tombou a cabeça, tomando um pouco de ar.
Estava cedo demais, pensou. Lily ainda demoraria a acordar, e possivelmente todo o resto do colégio também. Fez seu caminho até o banheiro, realizando sua higiene matinal e tomando um banho gelado que pareceu fazê-la acordar de seus devaneios matutinos. Resmungou algo quando a água caiu sobre seu pé, ainda dolorido. Talvez precisasse comunicar a madame Pomfrey sobre aquilo.
Se contentou, por ora, em vestir seu uniforme e ajeitar rapidamente seu cabelo da melhor forma que pôde. As ondulações negras caíam sobre suas costas completamente alvoroçadas, correr tanto no dia anterior não lhe fez bem. Ela amarrou um coque de qualquer jeito no topo da cabeça, apanhou os livros debaixo do braço e desceu as escadas ainda sem fazer barulho algum.
Pegou um de seus literários preferidos e se jogou no sofá à frente da lareira, agora apagada. Os fios de sol que entravam pelos vitrais da grifinória eram luz o suficiente para a leitura, mas ela não podia se focar no que lia. Seus olhos estavam parados na página do livro, estagnados. Não lia. Não absorvia a informação.
Ela queria ir até a biblioteca. Queria encontrar o máximo de informações que pudesse sobre licantropos, sobre a condição de Remo. Ela queria poder ajudar. Não sabia como lidaria com ele da próxima vez que o visse, e julgava que sequer o veria tão cedo.
— Caiu da cama, ? – O rosto de James parecia completamente cansado. deu as costas para a lareira, o observando.
— Eu devo te perguntar o mesmo? Você parece exausto. – franziu o cenho.
James piscou, pareceu ter estranhado a atitude dela. Comprimiu os lábios e desviou o olhar, servia um pouco de café para si mesmo enquanto negava a suposição dela.
— Dormi um pouco mal. – Deu de ombros. – Nada que não possa ser superado com um sucão de abóbora, e...
— Você bateu a cabeça? – Ela fez uma expressão incomodada, o cenho franzido. James se calou instantaneamente e soltou um assobio um pouco incomodado. Naturalmente, ele sabia que tinha um humor péssimo pela manhã, mas parecia mais ácida do que o normal naquela em específico.
— Tudo bem. Acho que também não tô isento do que aconteceu ontem. – bufou. – Eu tentei defende-la, . Você sabe que tentei.
— Não importa agora, importa? Se não tivesse tentado, Lene estaria exatamente onde ela está agora. Na verdade, nunca importa quantos homens tentam defender uma mulher que tá em uma situação como a dela. – deu de ombros. – Foi outro homem que a colocou nessa situação. Eu não te odeio, James, mas entenderei perfeitamente se Lene odiar.
James observou a garota fechar o livro em seu colo impacientemente e se levantar, saindo da sala comunal pelo quadro da mulher gorda. Ele se jogou em uma das poltronas por ali e bufou, resmungando alto. Que tipo de complô era aquele? Lily também estaria assim quando a visse? Seus planos com ela estariam realmente arruinados?
, por outro lado, tinha outros pensamentos em mente. A biblioteca, talvez a sessão restrita. Havia muito em sua cabeça. Muitas ideias, muitos pensamentos. Ela precisava se informar antes de confrontar Remo sobre sua condição, e talvez eventualmente ela sequer o confrontasse. Não seria justo com ele, assim como não era opção dele ter se transformado em um lobisomem. Não conseguia entender a princípio como permitiram a entrada de um no colégio, mas fez sentido em sua cabeça,
A passagem secreta logo abaixo o Salgueiro, certamente, pertencia a Remo. A casa dos gritos nada era além de seu refúgio, e talvez o próprio Dumbledore fosse responsável por aquilo. Aquecia o coração da garota pensar que mesmo em meio a uma condição paralisante, Remo ainda conseguia estudar e viver a vida de um adolescente normal. Em termos, ele podia desempenhar papéis comuns.
Desceu as escadarias até a biblioteca. Poucos alunos estavam acordados, e a bibliotecária carrancuda e de poucas palavras parecia incomodada por sua presença ali tão cedo. Não devia esperar alunos àquela hora.
— Eu gostaria de pegar alguns livros, se não for incômodo.
A mulher a olhou de cima abaixo e apontou com a cabeça para o interior da biblioteca. Antes que pudesse entrar, uma figura conhecida deixou alguns livros sobre a respectiva estante e se virou para ela. A professora McGonagall já estava acordada e mexia nos livros de transfiguração que haviam por ali.
— Srta. ? – perguntou, carinhosamente. – Você não costuma acordar tão cedo, querida. Algum problema?
— Ah, na verdade... – olhou para a estante restrita, logo atrás da professora. – Só um pouco de insônia. Ontem foi uma noite cheia.
— Oh, querida, tenho certeza que sim. – Minerva a envolveu em seus braços. – Você já comeu algo antes de vir para cá?
— Na verdade não, eu...
A mulher soltou um suspiro surpreso e então preencheu uma pequena ficha na biblioteca. Pegou debaixo dos braços os poucos livros de transfiguração que procurava, e então, voltou seus olhos a .
— Gostaria de tomar um chá comigo?
A garota pensou em recusar, mas quando seus olhos identificavam a cumplicidade da professora, percebeu que aquela não era uma opção agora. Ela apenas assentiu, deixando sua ficha de volta com a bibliotecária, e então saindo dali acompanhada pela professora.
A sala da professora McGonagall era um dos lugares favoritos de em Hogwarts. Das poucas vezes em que havia ido parar ali, notara nas inúmeras fotografias da mulher em sua época de colégio – no time de quadribol da grifinória. Haviam alguns troféus por ali e também uma estante repleta de livros sobre os mais diferenciados assuntos. Sobre a mesa, haviam duas pilhas de lição de casa que se corrigiam sozinhas com uma pena automática e um bule de chá que também se fervia sozinho, e ainda por cima, servia as xícaras.
— Sente-se, querida. – Minerva sorriu. se sentou em uma das poltronas por ali; a professora, logo em seguida, se sentou ao lado dela e ergueu uma xícara servida na direção dela.
— Eu não suponho que estejamos aqui pra falar de transfiguração. – brincou, dando um sorriso.
— De fato, não estamos. – bebericou um pouco e estalou os lábios. – Eu notei pelo seu rosto que não estava procurando por livros didáticos na biblioteca. – uma pausa seguida por um suspiro, e então continuou: - , você foi a única de suas amigas que não buscou apoio nenhum. Mesmo depois de toda a confusão. Sabe que eu me preocupo.
— Mas toda a confusão não dizia respeito à mim. Quero dizer... – cambaleou o rosto. – Lene foi a única realmente afetada, não quis me intrometer no caso dela como se também fosse uma vítima. Não sei se é compreensível, mas...
— É, sim. E é muito nobre da sua parte. – Minerva esticou seu braço, apoiando sua mão carinhosamente sobre a de sua aluna. – , eu espero que entenda o porquê da minha preocupação.
Um pequeno silêncio surgiu entre as duas. olhou para a professora confusa, não sabia exatamente o que aquilo significava. Sua mente brevemente pensou em Remo, talvez fosse o objetivo daquela conversa. Ela certamente sabia, não sabia? Minerva precisava saber.
— Eu não compreendo muito bem.
Minerva, que mexia o açúcar dentro de seu chá, parou. Bateu a colherinha algumas vezes contra a xícara e então bebericou um pouco; seus olhos contornavam os detalhes da sala, ela não queria ir direto ao ponto.
— Como vai o seu pai, querida?
— Muito bem, eu acho. Não pude vê-lo desde que aquilo aconteceu, mas acredito que o tratamento esteja dando certo. Dumbledore foi extremamente generoso cedendo um pouco do estoque de vocês pra ajudar no tratamento, professora. Eu realmente sou muito grata.
— Ora, é claro. Nós sempre faremos o que estiver ao nosso alcance. – sorriu, levemente. – Mas e quanto a você? Enfrentar isso não é necessariamente a situação ideal para uma estudante jovem.
— Certamente. – riu de leve, triste. – Não sei. Acho que tudo bem?
— É ótimo saber que sim. – Minerva não parecia ter realmente acreditado no que a jovem disse, mas tinha um sorriso compreensivo em seu rosto. Sabia que ela não queira estender tanto aquela conversa. – Mas e quanto a ele, querida?
— Meu pai? Ele... Eu não sei, ele vem realmente melhorando.
— Remo. – a mulher corrigiu, e ergueu os olhos para ela completamente confusa. A garota abriu a boca mas nenhuma palavra saiu. Olhou para baixo, para as próprias mãos que agora se juntavam em seu colo e criavam uma bela distração.
— Eu não sei do que está falando...
— Eu só quero ajudar. Não quero tomar muito seu tempo, então vou ser direta: Remo e você passaram por muita coisa na vida, e eu acredito que ambos mereçam felicidade e amor. – ela olhou para um porta-retratos em sua mesa, mas o mesmo estava de costas para as duas. – E se você está disposta a lidar com a condição dele, eu não vejo porquê não fazer isso...
Sua pena automática se ergueu um pouco e escreveu algo em um pedaço de pergaminho. observou o item ainda confusa e se virou para a professora, novamente.
— Professora, eu não entendo...
— Se seus olhos ainda não crêem no que viram, eu sugiro a sétima fileira da sessão restrita. Assim não terá problemas com a bibliotecária este ano, sim? – ela tomou o papel que levitava até ela em mãos e entregou para a aluna, carinhosamente. Era uma autorização para a sessão restrita da biblioteca válida até o fim daquele mesmo ano, assinada por ela. ergueu os olhos para a professora, havia um sorriso gentil por ali.
— Professora! – ela exclamou. – Eu não sei como agradecer, muito obrigada!
— Sabe que confio plenamente em você, não sabe? – Minerva apoiou uma de suas mãos em um dos ombros da garota. – E eu também não creio que você seja um grande perigo a este colégio, de toda forma. Mas se perder um livro sequer, eu a transformarei em um sapo. – brincou. As duas riram enquanto se levantava, por fim.
A aluna deu um abraço amigável na professora, e havia muito sendo expressado por ali. Primeiro, seu agradecimento pelo apoio; ninguém além dela e Dumbledore sabia sobre a condição de seu pai. Nem mesmo Lily ou Lene. Era a única pessoa em quem podia confiar para falar sobre sua vida pessoal por ora, e ter o apoio dela era mais do que significativo.
Os dias de se resumiram em um breve afastamento de todas as atividades grupais e rotineiras com suas amigas. Se encontrava com elas na sala comunal, e não havia conversado com nenhuma delas sobre Remo ainda. Lene estava devastada e furiosa, e Lily estava ocupada com outros assuntos.
No que dizia respeito a Lupin, a primeira semana foi fácil – já que ele raramente aparecia pelos corredores depois da lua cheia. Ainda que fizesse seus deveres e recebesse visitas de seus amigos, somente James e Sirius eram permitidos na ala hospitalar. Nem mesmo Peter poderia ir, tampouco ela. Pensou por várias vezes em deixar uma carta ou presente para ele, mas evitou. Ainda precisava organizar sua própria cabeça, colocar seus pensamentos em seus devidos lugares. Aquele era seu objetivo agora: compreender Lupin. Dissecá-lo.
Dissecar o lobisomem que tentava roubar dela o amor de sua vida.
🌕🌖🌗🌘🌑🌒🌓🌔

— Eu não entendo o que estamos fazendo aqui. – a ruiva disse, cruzando os braços.
Colocou uma mecha dos cabelos atrás da orelha e bufou, o garoto estava sentado na sombra da árvore, apoiado no tronco. Ele ergueu o rosto e aparou a mão na frente do mesmo, evitando os raios de sol que vinham em sua direção. Ele fez uma careta.
— Só... Conversando? – deu de ombros.
— Eu já disse que não quero conversar sobre isso. – Lily argumentou, olhando para o colégio que podia ser visto no horizonte dali. Estava desconfortável. Ele colocou os longos e lisos cabelos pretos atrás da orelha, analisou a expressão no rosto dela.
— Não somos mais crianças, Lily. Você precisa aceitar minhas escolhas. – Severo disse, com uma voz solene e desistente.
A garota olhou para ele, o cenho já franzido. Estava brava, ele poderia dizer. E aquilo cortava seu coração, por mais que precisasse ser duro naquele momento.
— Isso não é uma escolha. É uma sentença! – ela esbravejou, gesticulando. – Você está indo em direção à própria morte, Sev! E pior do que isso, ainda pode causar a morte de milhares de inocentes! Isso não é uma escolha...
— Lily. – se levantou, respirando fundo. – Estamos aqui pra conversar, sei lá, fazer o que a gente sempre fez. Não se lembra de só deitar na sombra dessas árvores e sei lá, comentar sobre o quão azul o céu estava? Eu só quero que você ignore isso!
— Eu não posso ignorar quando um dos meus melhores amigos decide apoiar um genocida! – ela deu um passo para trás, e sua voz estava carregada de acusação.
— Você não vai entender, né? – ele desviou o olhar dela, passou a mão pela boca. – Você realmente não vai entender nem que eu te explique mil vezes. Eu já devia esperar algo assim.
— Não, Severo. Não me diga que pode esperar falta de compreensão da minha parte. Sabe que eu apoiaria qualquer decisão que tomasse, mas isso não é uma decisão.
— Sabe o que eu acho? – ele se virou para ela, lambeu os dentes. Estava furioso, e embora não fosse a primeira vez que o via assim, Lily não gostava daquele tom de voz. – Eu acho que você é quem está se perdendo. Só porque agora eu me achei. Eu achei que nós dois nos encontraríamos juntos, mas aquele...
Lily franziu o cenho confusa, e cruzou os braços novamente. Ela balançou o rosto.
— Então é sobre isso? Sobre James? – ergueu suas sobrancelhas. – Isso tudo é ciúme dele?
— Não ouse, Lily. Não ouse! Você sabe como ele me trata, como ele é doentio comigo e com qualquer um meio diferente dele! Você sabe como ele é cruel e asqueroso!
— E você espera ser diferente dele assim? Fazendo o mesmo que ele, ou até pior?! James não apoiaria aquele doente, e você sabe disso! Não consigo entender, Severo, você é brilhante! Por que faria isso?! Por quê escolheria Voldemort?
— O povo dele me valoriza. – ele apontou para ela, e havia mágoa e rancor em cada palavra que dizia. Lily estava triste, seus olhos se enchiam de lágrimas.
— Mas eu te valorizo.
— Não é o que parece, não é?! – ele deu as costas para ela. Estalou a língua incomodado e fechou seus olhos, sua cabeça balançou em desaprovação. – Eu não podia esperar que uma sangue ruim como você entendesse como é estar no lugar em que eu estou. Ninguém nunca te odiou, não é, Lily? Ninguém nunca quis deixar você na mesma posição que um cachorro. Uma porra de um cachorro! – aumentou seu tom de voz, furioso. – Ninguém nunca tentou te lembrar do quão miserável você é todos os dias, até que você desistisse de virar alguém de fato. Lá é onde eu posso virar alguém. Aquelas são as pessoas que vão me ajudar a realmente virar alguém, a mostrar que sou alguém. E seu amiguinho não vai conseguir fugir do destino dele, Lily. Ele vai pagar pelo que ele fez.
Severo se virou para ela, havia uma careta furiosa em seu rosto. Para sua surpresa, Lily estava parada. As mãos largadas demonstravam desistência, toda sua linguagem corporal entregava aquela ideia. O ódio de Snape se desfez no mesmo instante, percebendo as vorazes lágrimas descerem pelo rosto da ruiva. Ela passou a mão pela boca e respirou fundo. Engoliu em seco.
— Eu não consigo acreditar no que você se tornou, Severo. – ela balançou o rosto. – Sangue ruim? Eu realmente espero que encontre o que procura.
Lily deu as costas para ele e rapidamente começou a descer o morro. Snape abriu a boca para protestar, mas não se sentiu no direito. Algumas lágrimas desciam pelo seu rosto também, estava machucado de todas as formas possíveis. Ele acabava de perder o amor de sua vida, e a única pessoa com quem de fato se importava.
E a culpa era inteiramente dele.
A garota desceu até o domínio do colégio novamente, entrou dentre os pilares que dividiam o corredor e correu evitando olhar os olhos de qualquer um que estivesse por ali. Viu os marotos em um dos cantos, Remo finalmente saíra da ala hospitalar; já se fazia praticamente um mês desde que ele sumira pela última vez, quando as três foram convocadas na sala do diretor. Ela evitou o corredor em que estavam, mesmo notando que a perceberam ali.
Correu rapidamente até a escadaria principal; não encontrara nenhuma de suas amigas ainda. Só parou quando por fim esbarrou em uma figura conhecida.
— Evans? Está tudo bem...? – A garota desviou o olhar para Alice, que parecia realmente preocupada. Assentiu brevemente.
— Você viu a ou a Lene em algum lugar? - passou a mão pelo rosto.
— Não sei da Marlene - adiantou. - está na biblioteca desde mais cedo. Eu e as meninas a chamamos pra subir conosco, mas ela estava entretida...
Lily assentiu rapidamente se retirando e agradecendo. As lágrimas ainda desciam pelo seu rosto quando passou pelo enorme batente da biblioteca e, ainda sem identificar-se à bibliotecária, foi até a mesa isolada onde se sentava. A morena ergueu sua atenção a ela quase imediatamente e fechou o livro enorme que lia.
— Por céus, , onde você esteve?! - a ruiva bufou, se sentando na frente da amiga; apoiava o rosto entre as mãos.
— Bem... Aqui. - deu de ombros. - Eu não cheguei a te dizer que viria?
— Nem uma palavra! Você não me disse nada! Na verdade, fazem alguns dias que você não tem dito absolutamente nada pra ninguém! - resmungou, incrédula. gaguejou.
— Eu não... Ei! - franziu o cenho. - O que exatamente tá acontecendo aqui?!
— Eu preciso da minha amiga e ela tá absorta em livros sem sentido, é isso! Eu é quem te pergunto o que tá acontecendo aqui!
— O que aconteceu, Lily? - perguntou, abaixando seu tom de voz e adquirindo uma expressão entristecida ao perceber que a amiga chorava. Lily mordeu o lábio e resmungou algo.
— Severo me chamou de sangue ruim. Sei que é bobagem, mas... Sangue ruim, . Isso é...
— Doentio. - ela deixou seu livro de canto, aproximando sua mão da de Lily. A segurou. - Ele simplesmente disse isso? Simplesmente te xingou? Não que justifique, eu só quero me situar.
— Não. Nós brigamos, ele veio com aquele papo estranho sobre seguir aquele maluco e deixar Hogwarts ano que vem. Disse que eu precisava compreender... - Embora falasse com ela, Lily tinha os olhos completamente focados na capa do livro que lia. Ela viu a marcação avermelhada na lombada, que indicava que pertencia à sessão restrita.
— Só não me diga que perdoou ele depois disso. Eu sei que ele é complicado e sei o quanto ele sofreu, mas ele não merece seu perdão!
— O que você está lendo? - Lily olhou para ela, mudando de assunto rapidamente. olhou para o livro de relance.
— O Culto Lunar. - recitou, como se fosse óbvio.
— É um livro restrito. Você...?
— Eu não roubei, acredite. Se tivesse roubado, não estaria lendo na cara da bibliotecária. - fez uma expressão engraçada, e Lily revirou os olhos. Pegou o livro em mãos.
pareceu brevemente tensa pela atitude da amiga. Não esperava que fosse pegá-lo ou tentar ler qualquer passagem. Não conseguia pensar em uma desculpa sequer para estar lendo aquilo. Em sua cabeça, também não conseguia pensar no porquê daquilo: sua consciência não estaria tranquila se ela contasse a verdade para Lily, mas também não estaria tranquila se escondesse a verdade dela. Precisaria escolher entre trair a confiança da amiga ou trair a confiança de um Remo que sequer sabia o que estava acontecendo.
— Lobisomens? Isso não é tipo... pro ano que vem?
— É, eu só quis adiantar algumas coisas. Nós estamos indo bem em defesa contra as artes das trevas, então... - deu de ombros.
Lily franziu o cenho.
— Por que você está mentindo pra mim?
gelou.
Seu corpo se contraiu e ela respirou fundo
— Eu não tô mentindo.
— Eu te conheço. Não consigo pensar em um motivo pra você mentir pra sua melhor amiga, mas sei que tá mentindo. - ela franziu o cenho, se levantando e largando o livro sobre a mesa. - Eu estava preocupada, ok? Você sumiu por semanas, não te encontro mais nas aulas, sempre nas nuvens... Enfim, se quer esconder de mim, esconda. Eu não me importo.
— Lily. - bufou, fechando os olhos. Aquele não era o momento mais oportuno para terem uma DR, mas pelo visto, era inevitável. - Sente-se.
— Eu tenho tarefas para terminar.
— Não seja teimosa, senta aí. Eu vou te explicar o que me deixou distante.
— Eu não quero saber!
— Remo é um lobisomem. - ela disse, baixo e rapidamente. Como tirar um curativo. Lily pareceu parar completamente. Ela gelou. Olhou para a amiga ainda confusa, piscou algumas vezes. Acreditava nela? não sabia.
O silêncio durou alguns difíceis minutos.
— Como é que é?
— Eu não quero repetir alto, então por favor, senta sua bunda na cadeira porque você vai me escutar.
A ruiva ergueu as sobrancelhas e os braços em desistência e se sentou, em silêncio. respirou fundo.
— No dia em que Dumbledore nos convocou até a sala dele. Com Lene, Sirius, enfim... Todo mundo! - ela bufou. - Aquela noite era de lua cheia, como você certamente se lembra. Logo quando cheguei no colégio naquela noite, ele estava vindo. Estava esperando por mim, praticamente. Nós nos beijamos e eventualmente fomos pro meu quarto, parecia inevitável pra nós dois. - pausou. - Mas a janela estava aberta e os olhos dele se focaram na lua; ele precisou sair de imediato, me deixar de novo.
— Espera aí, . Isso pode ser uma desculpa esfarrapada. Não seria surpresa nenhuma caso fosse, não é?
— Não é uma desculpa. Eu segui ele, decidi acabar com aquilo. Se ele tinha algum motivo pra não ficar comigo, eu queria saber qual era. Provavelmente fiz a coisa errada, mas... - deu de ombros. - Eu segui ele até a passagem do Salgueiro, que dá na...
— Casa dos gritos.
— É. Na casa dos gritos. Eu vi ele se transformar. Vi pela greta da porta, vi toda a transformação. Foi horrível, foi doloroso... - ela fechou os olhos e passou a mão pelo rosto. - É por isso que ele sempre desaparece por pelo menos uma semana ou aparece com cicatrizes novas na semana seguinte. É por isso que ele se torna uma pessoa completamente diferente quando a lua vem chegando, Lily...
— Por isso James, Sirius e Peter são animagos. - Lily pareceu realizar, imediatamente. - É o único jeito que encontraram...
— Pra proteger ele. - Assentiu, concordando. - Sim. Então, me desculpa se eu estou distante ou qualquer coisa do tipo. Eu de verdade só não sei mesmo o que fazer. - balançou sua cabeça, confusa. - Eu precisava entender isso direito antes de tomar qualquer decisão..
— Viver a vida ao lado de um lobisomem é uma tarefa complicada. - Lily disse com um tom amargo nos lábios.
— E que outra opção eu tenho? - soltou uma pequena risada triste. Fechou os olhos, uma lágrima singela desceu por ali. - Eu não posso evitar, Lily. Isso já fugiu do meu controle.
— Céus. Vocês realmente se amam. - A ruiva pareceu compadecida pela situação da amiga. Segurou as mãos de . - Vocês realmente não podem viver longe um do outro, podem?
— Já ouviu aquela velha citação que diz:
"Às vezes penso no sol e na lua como amantes que raramente se encontram, sempre se perseguem e quase sempre sentem a falta um do outro.
Mas às vezes, eles se encontram. E eles se beijam. E todo o mundo para para apreciar seu eclipse."

— É, eu acho que essa é a primeira vez. - Lily abriu um sorriso gentil, amigável e carinhoso. Parecia orgulhosa, feliz. sorriu de volta também. Era como se seus arredores ficassem mais fáceis agora.
— Tudo parece tão claro... - passou a mão pela boca. - Mas eu não posso simplesmente ir até ele e dizer tudo isso. Eu preciso realmente entender o que está acontecendo.
— Sua vida não vai ser fácil, como você naturalmente imagnia. - Lily argumentou. - Mas , você me parece disposta a lidar com tudo isso.
— Eu só preciso de mais um tempo. - afirmou, concluindo. Lily assentiu.
— Então... Passa um desses livros pra cá. Não é como se eu tivesse algo melhor pra fazer, de qualquer jeito.
sorriu agradecendo mentalmente por ter a melhor amiga de todo o mundo à sua frente. As duas permaneceram focadas em seu trabalho até que notaram o céu começar a escurecer, quando finalmente as tochas e velas começavam a se acender pelo colégio magicamente. Lily reuniu alguns livros e os pegou emprestado, saindo da biblioteca. vinha logo atrás dela.
A aparição dos marotos por ali naquele horário da noite parecia ter sido uma mera coincidência. James acenou para Lily que saía e tomou uma expressão confusa ao perceber que ela sequer lhe cumprimentou; Peter e Sirius implicavam um com o outro. passou por eles.
Seus movimentos foram interrompidos pela mão de Remo na sua. Ele a segurava, a puxou levemente. A garota abriu um pequeno sorriso, era engraçado como nenhum dos dois nunca sabia se estavam de bem ou não.
— Onde você vai? - ele perguntou, baixo. Mexia no cabelo dela, ajeitando uma mecha atrás de sua orelha.
— Pra sala comunal. Temos tarefa. - apontou com o polegar para a direção para onde Lily seguia. Remo viu a ruiva.
— Você não quer ficar mais um pouco...?
— Eu não posso. - seus olhos desceram para os lábios dele, brevemente. - Mas nós nos vemos depois. - Esticou seus pés para atingir a altura dele, depositou um beijo leve e demorado no canto de sua boca. Abriu um sorriso e deu as costas para ele; as mãos dos dois foram levemente se soltando, enquanto Remo se punia por apreciar a forma como ela andava. "Parece um coração de cabeça pra baixo", pensou, olhando diretamente para a bunda dela. Passou a mão pelo rosto, se xingando mentalmente. A lua cheia se aproximava, e ele já começava a agir como um verdadeiro lobo.
— Qual é, aluado? O cio chegou mais cedo? - Sirius deu um tapinha nas costas dele.
— Cala a boca, cachorro.
🌕🌖🌗🌘🌑🌒🌓🌔

A penúltima semana do mês passou tão rápido quanto chegara. e Lily estavam focadas em encontrar e reunir o máximo de informações possível sobre a situação de Remo; Lene ainda estava trabalhando para resolver seus assuntos com Sirius, e raramente se encontrava com as amigas. Severo e Lily não vinham se falando, mas tampouco James. Todos pareciam afastados pelo estado natural de desespero que as provas causavam por ali.
Embora estivesse indo muito bem em todas as suas provas, gastava a maior parte de seu tempo estudando a licantropia. Seus olhos estavam sempre lendo inúmeras páginas, repassando informações, criando esquemas. Naquela noite, em especial, estava completamente focada naquilo.
A garota apoiou o lampião sobre a mesa cuidadosamente, lambeu os lábios acompanhando o barulho que as tábuas de madeira faziam quando estalavam. Não havia ninguém ali, era tarde da noite. A srta. Kingsley, bibliotecária, estava de folga naquela noite, o que significava que a biblioteca era uma verdadeira terra de ninguém: não haviam outros funcionários disponíveis para vigiá-la por ora. O último ataque de Voldemort limpou grande parte dos professores de Hogwarts, e os elfos se recusavam a gastar seu tempo com aquilo.
Filch estava ocupado em outras áreas do castelo onde outros alunos criavam confusão, e ela não acreditava que houvesse motivo para que fossem busca-la ali. Confiava plenamente na própria capacidade de simplesmente transformar-se em coruja e sumir dali, caso precisasse. Aquele era o único horário que tinha para ler sem incômodos externos, e ela pretendia terminar seus estudos sobre Remo o quão antes possível.
Se sentia uma idiota fazendo aquilo. Obcecada, absolutamente estranha; o que ele diria se descobrisse que tudo aquilo era para ele? Sobre ele? O que diria se soubesse que ela visitava a biblioteca diariamente e exaustivamente lia artigos científicos sobre sua condição? Ela não conseguia imaginar. As variações de humor dele pareciam mais constantes ultimamente, e ao que antes ela juraria que ele apenas riria tímido e não faria comentários, agora jurava que podia se tornar um motivo para um sorriso de canto e um comentário absurdamente malicioso na boca dele.
Balançou a cabeça, tirando a imagem dele de sua mente. Algumas cicatrizes haviam aparecido em seu rosto da última vez, era verdade. E ela se lembrava perfeitamente de ter sentido algo aumentar ferozmente dentro de si quando o vira no dia anterior, quando não pôde explicar exatamente o que acontecera entre eles. Como animais, como se os instintos dele a buscassem. Ela sabia que ele poderia farejá-la a quilômetros, que seu perfume intensificava o mau humor dele – aquele que o fazia apertar seus pulsos com força, tomar seu pescoço e, por fim, seus lábios.
Passou a página do livro e piscou rapidamente, precisaria ler e rápido. Não queria que alguém aparecesse ali e atrapalhasse seu estudo. A lua já quase cheia iluminava o céu e entrava pela janela. O tempo passava rapidamente e ela quase não podia notar quando o astro se movia e o feixe de luz que trazia à biblioteca começava a varar a mesa.
era uma presa fácil. Ela era distraída, estava concentrada. Seus ouvidos não eram tão bons quanto os dele, seus olhos não brilhavam famintos como os dele e seus sentidos não poderiam identifica-los tão rapidamente. Ela se ergueu, o livro em mãos. Não havia nada ali que pudesse ajuda-la, realmente. Foi até a prateleira da sessão proibida, encaixou o livro novamente. O indicador foi até o lábio, passava os olhos pela estante em busca de algo que pudesse lhe dar mais informações. Novas, informações que ela não soubesse ainda.
Seus olhos se focaram na porta semiaberta, o barulho a fez mudar sua atenção imediatamente. Sua postura continuava a mesma, Remo parecia um predador. Seus olhos castanhos brilhavam mel, quase amarelados, e estavam focados nos dela; ele abriu um sorriso de canto, não parecia nem um pouco surpreso ao vê-la ali. chutaria que ele sabia. Que não estava ali por acaso, não havia decidido repentinamente visitar a biblioteca no meio da noite antes da lua cheia. Ele estava caçando.
Ela não pôde impedir um pequeno sorriso que surgia em seu próprio rosto, quase um convite. Era uma provocação, um teste dos limites dele. Remo ergueu sua cabeça levemente, a tombou para trás por alguns segundos. Ainda a encarava, um ar autoritário que não mais lhe estranhava. Aquele era Remo, de alguns tempos para cá.
O rapaz contornou a mesa, os olhos quase amarelos se focaram na placa que indicava a sessão restrita logo acima da cabeça dela.
— Eu me pergunto o que você poderia estar fazendo aqui a essa hora, . - ele comentou, um tom de voz baixo. Ela fez uma careta o ouvindo entoar o sobrenome dela.
— Eu acabo de me fazer a mesma pergunta. E quanto a você, Lupin? - ergueu as sobrancelhas, abraçando o livro em seu peito.
O garoto sorriu.
— Algo me disse que estaria aqui. - deu de ombros.
— Algo te disse? Esteve procurando por mim, Aluado? - ela perguntou despretensiosamente. Seus olhos afiados fitavam os dele.
— Esteve se escondendo de mim? - ele retrucou, bem humorado.
— Talvez. - brincou. Ela dava alguns passos para trás, e ele contornava lentamente a mesa que se colocava entre os dois. - Não sei até que ponto a biblioteca foi uma boa ideia.
— Oh, acredite em mim: não foi. - ele sorriu de canto. - Talvez quisesse se esconder em um lugar mais reservado. Algo me diz que você queria ser encontrada. Eu estou certo?
— Está ouvindo vozes, Remo Lupin. - ela respirou fundo e pausou. Ele pôde sentir o ar sair pelas narinas dela, as ondas que a ação causava pelo ar. - Talvez esteja ficando insano. - ela sussurrou.
— Você não respondeu a minha pergunta ainda, . - havia perigo na voz dele. Perigo na forma como ele agia. Perigo em tudo o que o rondava, mas a pior parte: aquele perigo era tentador. queria correr aquele risco. Não conseguiria evitar.
— Acredite, eu não queria ser encontrada. O jogo não fica fácil demais desse jeito? - tombou a cabeça na estante atrás de si.
Àquele ponto, ele já estava próximo demais. Apoiou as duas mãos na estante atrás dela, seus olhos desceram para os lábios da garota.
— Me diga, : você realmente acha que pode se esconder de mim? - seu rosto se apoiou no ombro dela, depositou um beijo sutil em seu pescoço. Ela sentiu seu corpo se arrepiar instantaneamente.
— Não acha que mereço uma chance mais válida?
Remo se endireitou e jogou a cabeça para trás, fechando os olhos. Estava dando a ela a oportunidade de se esconder. Era um jogo, uma perseguição; era uma caçada.
A garota andava a passos lentos, seus pés quase não faziam barulho no piso envernizado da biblioteca. Andava dentre as estantes, a luz do luar a entregava por vezes.
O lobo inalou forte com um sorriso no rosto. O perfume dela, o cheiro de sua presa – ele podia senti-lo a quilômetros dali, jurava. Poderia caçá-la, encontra-la, e devorá-la por fim. O cheiro o embriagava, fazia com que perdesse seus sentidos por poucos segundos. Sentia o controle se esvair à medida com que andava a passos lentos de estante em estante, buscando a garota.
— Eu posso ouvi-la, . – ele comentou, ainda baixo. Sabia que ela podia ouvi-lo, ele sabia que ela estava por perto. abriu um sorriso de canto, apoiou sua mão em um dos lados de uma prateleira. Seus olhos encontraram os dele, e ela sorriu. Mordeu o lábio, andando na direção oposta. Remo passara então a persegui-la, ainda a passos lentos; via os cabelos dela balançarem à luz do luar, dissuadirem-se ao ambiente, sumirem por detrás das prateleiras. O movimento da saia dela o atentava, era quase como uma provação – e ele sabia que se fosse, estava eternamente condenado ao inferno.
Ouviu a risada gentil dela do outro lado da sala, seus sentidos o haviam enganado quase como se pudesse ver versões espectrais dela por ali. Não estava levando aquilo a sério como devia, ela o levava consigo. Os suspiros de enquanto se escondia dele eram quase como o canto de uma sereia, que acalmava todos os marinheiros que passavam por ali.
Remo passou a língua pelos dentes, piscou e respirou fundo. Fechou seus olhos, a luz da lua iluminava seu corpo. Seus cabelos castanho-claro brilhavam, seus olhos amarelos se abriram voláteis. Feroz, selvagem.
se apoiou em uma das estantes, estava de costas para ele. Mordeu o lábio e segurou a respiração, ainda havia um sorriso em seu rosto. Havia algo em Remo que a fazia incapaz de afastar-se dele, de certa forma. Ela piscou e não pôde notar o momento exato em que as mãos do rapaz se apoiaram por ali. Ela fez como quem sairia, mas uma das mãos de Remo tomou o pulso dela enquanto a outra fortemente a empurrava contra uma das paredes livres perto daquela estante. Os olhos dele brilhavam, a encaravam com desejo.
— Te peguei. – praticamente suspirou contra o ouvido dela, seus rostos ainda próximos demais; imediatamente selou seus lábios no dela, não havia espaço entre os dois. Havia urgência nos atos dos dois, não queria resistir à ele e tampouco Remo. Sua presa estava logo a sua frente, e agora ela era sua.
O garoto segurou fortemente a cintura dela, a virou contra a parede; suspirou sentindo seu corpo pressionado contra a estrutura, ele colou seus corpos. Seu queixo se apoiava no encaixe do ombro dela, seus lábios se aproximaram de seus ouvidos e deixaram lambidas indecentes por ali. Suas mãos desceram de sua cintura ao seu quadril lentamente, por baixo de sua saia; sentiu a pele nua de suas coxas, mordeu o lábio. Ela ouviu ele ofegar por um instante, seus olhos se fecharam. Tudo nela parecia ter sido feito especialmente para provocá-lo.
inclinou seu corpo na direção dele, sentia o volume aumentar em suas calças; do outro lado, a mão dele segurava seu queixo, tombava o rosto da garota sobre seu peito. Apoiou a mesma no maxilar dela, apertava com pouca gentileza. Dois de seus dedos deslizaram pela língua dela, ele suspirou mais uma vez. Não conseguiria se controlar novamente, não daquela vez.
A virou novamente para si, suas mãos agarraram as coxas da garota a erguendo em seu colo; ofegava pela intensidade dos movimentos dos dois, pela violência na atitude dele. Com alguma sorte, ela não optara pela camiseta do colégio naquele dia. Tinha a sensação de que Remo estava pouco paciente para botões; suas mãos subiram pela cintura dela por baixo de sua blusa, os dois se envolveram em mais um beijo intenso e apaixonado. As mãos de subiram pela nuca de Remo e se apoiaram por ali, arranhavam levemente a região e se entrelaçavam em seus cabelos. Ele pareceu gostar daquilo.
Sentiu o corpo dela se arrepiar quando chegou a seu sutiã. Ergueu seus olhos para ela captando sua expressão prazerosa sentindo os dedos dele brincarem com seus mamilos ainda por cima do tecido. Ele sorriu, lambeu os lábios; suas mãos se atentaram à blusa dela: desceram até a barra e a puxaram para cima, a jogou para qualquer canto do lugar. Seus olhos desceram para o colo dela, acompanhou as linhas que compunham seu busto e o formato perfeito de seus seios. Soltou seu sutiã sem mais delongas por trás, e lentamente o removeu. Desceu sua cabeça depositando beijos por ali, por toda a região até se aproximar de um dos seios dela.
Sua mão envolveu o outro, seus olhos subiram para o rosto da garota. fechou os olhos e mordeu o lábio segurando um gemido sutil que desejava escorregar por seus lábios quando sentiu a língua quente dele desenhar seu mamilo. Sentia seu corpo pedir por mais dele, o contato entre as partes ainda que por baixo das roupas fazia com que ela ficasse cada vez mais molhada.
A mão de Remo que apertava um dos seios dela desceu para sua coxa, subiu sua saia até que ela se embolasse em sua cintura. Desceu por sua barriga lentamente, sua outra mão se apoiou no pescoço da garota, a prensando contra a parede. Ouviu um gemido sutil escapar quando sua mão livre finalmente chegou a calcinha dela, delineava a região com cautela. Seu dedão se movimentava por ali com maestria, fazia os músculos dela se contraírem e seu corpo se inclinar na direção dele. Sorriu de canto, mordiscando o mamilo dela gostando do som que emitia quando ele a excitava. A garota ofegava, as mãos se apoiavam atrás de si; ela sentia a tensão aumentar e seu corpo pedir por cada vez mais. Seus olhos se fecharam, alguns arfares não se continham.
— Você gosta disso? - ele sussurrou contra o ouvido dela. abriu um sorriso malicioso e arfou.
Remo interrompeu seus movimentos repentinamente, ergueu sua cabeça lambendo os lábios satisfeito. A expressão resmungona que ela adquiriu lhe fez abrir um sorriso vitorioso ainda mais largo. Suas mãos se apoiaram em sua coxa, a ergueu em seu colo e andou até uma das mesas por ali. Depositou o corpo de por ali e quase instintivamente, segurou seus pulsos e os prensou na mesa acima da cabeça dela.
— Eu quero ouvir você, . Mais uma vez: você gosta disso? - ameaçou parar novamente.
— Sim. - arfou, desesperada; um pequeno gemido surgiu dali. Não queria que ele parasse. Ele não podia parar. Remo deu uma pequena risada.
Ele tomou os lábios dela novamente, subia suas mãos pelo peito do rapaz por baixo de sua camisa; ela sentia as elevações de seus músculos, ainda que muito sutilmente. Puxou a camisa dele para cima e a jogou para longe, assim como Remo havia feito com a sua. Remo desceu seu olhar severo pelo corpo dela, apreciava sua visão como se observasse uma verdadeira deusa. Seu rosto se aproximou do ouvido dela.
— Você é uma boa menina, não é? - uma risada leve e abafada com sua voz rouca e excitada. - Faça esses dedos dançarem pra mim.
O tom autoritário dele causou um arrepio pelo corpo dela. Uma das mãos dela desceu pelo próprio corpo, desenhava linhas que ele atentamente enxergava em sua pele macia; seus dedos alcançaram o meio de suas pernas, começaram a se mover lentamente. Ela arqueou as costas pela mesa, se inclinando na direção dele enquanto se arrepiava completamente envolta pelo prazer que sentia. Remo lambeu os lábios, podia jurar que salivava ali. Que seu corpo se inclinava na direção dela quase automaticamente, que era impossível.
Ele lentamente deitou o corpo dela sobre a mesa, novamente. Sua mão desenhava as curvas dos seios dela, e logo em seguida seus lábios apreciavam o gosto da pele dela. Seus instintos eram assustadores naquele momento. Desceu alguns beijos e lambidas pela barriga dela, que instintivamente soltou um gemido abafado. Ele sorriu e mordeu o interior de uma de suas coxas, enquanto apoiava as pernas dela sobre seus próprios ombros.
Remo dava seu melhor para tentá-la. Queria ouvir mais dos gemidos dela, queria ouvi-la pedir por mais; começava com lambidas gentis, calmas e lentas o suficiente para que os gemidos dela soassem como resmungos. Ela pedia por mais, ainda que automaticamente: seu corpo se inclinava na direção dele, uma de suas mãos se apoiou na cabeça do rapaz, seus dedos se entrelaçaram em seus fios castanhos agora completamente bagunçados. Ele deu um sorrisinho malicioso e então começou um verdadeiro trabalho por ali.
Sua língua se movia a um ritmo calmo, podia sentir o frio subir por sua barriga; em contrapartida aos gemidos dela que ficavam mais intensos a cada lambida, Remo inseriu o indicador em sua intimidade. Não tirava seus olhos do rosto dela, queria fotografar e guardar mentalmente cada expressão facial que deixava para ele, o prazer estampado em seu rosto; os gemidos dela se tornavam cada vez mais altos, seus quadris rebolavam enquanto ela gemia seu nome; não conseguiu conter um orgasmo intenso que a fez agarrar os cantos da mesa e morder os lábios, em uma tentativa falha de conter gemidos mais altos.
O lobo levou os dedos até a boca e chupou o gosto único dela dali. se ergueu novamente, empurrando o rapaz contra uma das estantes por ali. Remo se sentou no chão e deixou que as mãos dela o guiassem. Ela engatinhou até ele, deixou que os olhos do garoto atentamente a gravassem; desabotoava a calça dele, não havia nada que pudesse impedi-la daquela vez. Agarrou seu membro por fim, se abaixou e deixou que sua boca fizesse um bom trabalho por ali. Movimentos lentos que se tornavam cada vez mais intensos, mais fortes e às vezes oscilavam para fracos novamente; estes, faziam o rapaz morder o lábio e passar a mão pelos fios castanhos, extremamente excitado. Ela o sentia pulsar em sua boca, e essa era a sensação que queria: ter toda a excitação dele para si.
Uma das mãos dele se apoiou na cabeça dela, agarrou certa porção dos cabelos negros da garota e começou a ajudá-la em seus movimentos. Apoiou sua cabeça atrás de si na estante, uma expressão extremamente prazerosa tomava seu rosto. Ele gemeu baixo algumas vezes, e ela gostou daquilo.
parou antes que ele pudesse chegar em seu ápice. Lambeu os lábios, se ajeitando sobre o colo dele novamente. Ergueu o rosto dele para o seu, tomando os lábios dele em um beijo intenso novamente; o rapaz apoiou uma das mãos nas costas dela, se levantando dali. A empurrou contra a estante atrás dos dois.
O gemido que ela soltou quando o sentiu penetrá-la foi o que, de fato, mais poderia tê-lo deixado louco naquela noite. Se sentia insano, completamente louco por ela. Mataria por ela, morreria por ela. agarrou as costas dele com suas mãos, suas unhas deixavam novas marcas por ali à medida com que os movimentos dele aumentavam.
A garota sentia o frio subir por sua barriga a cada vez que ele a penetrava, a cada vez que ia mais forte. Continuavam em um ritmo devagar, mas intenso. Forte, violento: ela não sentia dor, Remo parecia conseguir encontrar os pontos corretos. Sentia seu corpo inteiro se curvar a ele.
Repentinamente, estava espalmando a superfície da mesa com as duas mãos; seu corpo era pressionado contra a mesma, Remo a fodia por trás: uma de suas mãos se apoiava na cintura dela, e a outra se entrelaçava nos cabelos da garota e os puxava para perto de si. Ele metia com firmeza, deixava explícita sua vontade de estar ali.
— Não sabe quanto tempo eu esperei por isso - ele sussurrou no ouvido dela, dentre um gemido ou outro.
abriu um sorriso dissimulado ouvindo aquilo. Se sentia dormente, entorpecida. Remo não diminuiu a intensidade de seus movimentos, ela podia sentir o êxtase dele se aproximar. Interrompeu os movimentos rapidamente, se virou para ele o empurrando contra uma das cadeiras que havia por ali. O lobo a puxou pela cintura, e ela envolveu o corpo dele com suas coxas; começou seus próprios movimentos, sentava como gostaria desde o início: sentia que ele era apenas seu.
— Você vai precisar pedir, . - ele disse, lambendo os lábios. Suas mãos apertaram os quadris dela, um tapa forte ecoou pela sala. fechou os olhos, ofegava intensamente, seu corpo suava; ele fazia com que seus movimentos ficassem ora mais lentos, ora mais rápidos.
Ela sentia seu orgasmo se aproximar diversas vezes, e nunca era capaz de realmente atingi-lo. Ele a estava torturando, e ela amava aquilo.
— P-Por favor... - pediu, entre um gemido. - Mais.
— O quê, ? O que você quer? - ele deu um solitário beijo no colo dela.
— M-Mais! Mais forte, por favor, não pare! - ela dizia com dificuldade dentre alguns gemidos incessantes. Ele abriu um sorriso quando permitiu que ela sentasse como queria, forte e fundo, em seu membro.
Segurou a cintura dela com força sentindo seu próprio orgasmo chegar. A sincronia era quase perfeita, ela se apoiou no pescoço dele sentindo todo o seu corpo tremer. Suas pernas quase não funcionavam mais, e rapidamente perdia toda a força de seus músculos. Remo soltou um gemido alto, e então um branco total.
O momento entre o ato e o silêncio era uma linha tênue. Os dois ofegavam ali, juntos, sob a luz do luar. apoiou a cabeça no peito do rapaz, que a abraçava contra si.
Houve um silêncio intenso por alguns minutos, e o ar pareceu ter ficado mais frio de repente. Ambos sorriam como dois bobos. Ela se virou para ele, seus olhos cinzentos encaravam os castanhos amarelados dele com uma expressão fofa estampada no rosto.
— O que isso significa? - ela perguntou, despretensiosamente.
— Bem - ele ajeitou uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha - Que eu tenho a você, e você a mim.
— Eu não quero que isso dê errado. - ela murmurou, acariciando a nuca dele com a ponta de seus dedos. Remo encarou o céu estrelado por um instante.
— É claro que vai dar errado. Somos nós, afinal. - segurou o queixo dela, virando seu rosto para si. - Mas é exatamente por isso que vai dar certo. Não se preocupe, ok? Eu tô aqui agora... - deu um beijo carinhoso em sua testa.
— Isso basta.
Eles permaneceram ali, trocando carícias e leves murmúrios por longos minutos, quase horas. Os sons no jardim do colégio os fizeram se lembrar de onde estavam, e do perigo que corriam por estarem ali - nus.
Remo a ajudou a vestir sua blusa, já que não parecia ter mais forças para se levantar. Ele vestiu sua própria camisa e se ergueu, com sua garota no colo.
— E se alguém nos vir...?
— Você está namorando um maroto. Por favor, tenha algum respeito. - ele brincou, e ela deu um sorriso bobo ao ouvir a palavra "namorando".
O lobo sorrateiramente a levou escadaria acima, até chegar na sala comunal da grifinória. Não havia quase ninguém ali, e os presentes fingiram não percebe-los. Ele subiu as escadas até o dormitório das garotas e abriu a porta do quarto que e Lily compartilhavam. A ruiva já estava dormindo.
Ele a deitou sobre sua cama carinhosamente puxando a coberta para ela.
— Amanhã - ele segurou a mão dela, dando um beijo sutil. - Eu vou beijar você na frente de todo o salão comunal.
— Eu te desafio. - ela brincou, rindo de leve. Segurou o rosto dele e lhe deu um último beijo. - Boa noite, Aluado.
— Boa noite, . - ele se ergueu, soltando a mão dela por fim. Andou até a porta, mas parou por um breve segundo. Se virou para ela. A imagem do rosto dela ali ficaria gravada para sempre em sua mente, porquê ela disse:
— Eu amo você.
Ao que ele respondeu,
— Eu também amo você.




Continua...



Nota da autora: O QUE EU QUERO DIZER É: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA aa aA A A a aaa NÃO ACREDITO QUE: 1. SAIU 2. ELES FINALMENTE TRANSARAM MEU DEUS ELES EXPLODIRIAM O COLÉGIO SE DURASSE MAIS 4 MINUTOS ESSA TENSÃO SEXUAL EXPLOSIVA FODASEEEE Manas, tô muito feliz de ter terminado esse capítulo! Eu tenho muito a sensação de que não consegui cumprir as expectativas de todo mundo e entregar um capítulo realmente bom, mas dei minha alma aqui de verdade. Esse capítulo é totalmente dedicado a Zurc, por ter me incentivado a completá-lo mesmo quando eu achei que tava fazendo só merda atrás de merda! Mto obrigada, ami! Eu espero que gostem, de coração!

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