Última atualização: 7/09/2018
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Capítulo I

Tudo seria mais fácil se eu pudesse ficar o dia todo na cama, era esse meu lugar preferido e um dos mais frequentados nos últimos dois meses. Com certeza o segundo lugar da lista era o banheiro, principalmente ás 3h40 da manhã, horário que sempre despertava de algum pesadelo - muitos envolvendo ele - corria até o banheiro e abraçando meu amigo vaso sanitário despejava nele tudo que havia comido durante o dia. O enjôo era constante demais, tentava me convencer que seria apenas uma virose, mas viroses duravam apenas três dias. Por sorte estava viajando durante o último mês e não me obrigou a ir ao médico, contudo ela voltou de viagem e começou a brigar falando que eu precisava encarar a situação como adulta que era e descobrir logo o real motivo dos enjoos.
Tudo parecia muito mais simples na teoria do que era de fato na prática. Estava com 20 anos e trabalhava a pouco tempo na revista, precisava mostrar serviço e um serviço de qualidade para crescer lá dentro, garantindo sucesso profissional. Sempre sonhei em ser mãe, mas sempre fui alertada por meu ginecologista que para realizar tal sonho deveria fazer tratamento hormonal, pois tinha síndrome dos ovários policísticos e com isso engravidar poderia não ser tão fácil. Mesmo sonhando em ser mãe, queria viver algo clichê, casar, ter sucesso profissional e mais tarde filhos, tendo uma estrutura para criar a criança.
Se de fato eu estivesse grávida, seria o oposto de tudo que sonhei e mais que isso, seria a prova de que fui fraca diante de algo que eu não poderia me permitir falhar. Fui fraca diante dele .


xXx

Acordei com uma sensação que me incomodava, era como se algo estivesse para acontecer e isso me deixava ansiosa, contudo não lembrava-me de nenhum compromisso - dentro dos próximos dias - que poderia causa ansiedade em mim. Fui até a cozinha e encontrei séria olhando para o celular.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei assim que minha amiga me encarou.
- O me enviou um texto e pediu pra te mostrar.
- Eu não quero ver, já pedi pra você bloquear ele. – Respondi tentando não demonstrar fraqueza.
- Ás vezes me pergunto o quanto você acha que realmente consegue me enganar. eu te conheço bem o suficiente para saber que você quer muito ler o que está escrito aqui.
- Eu realmente quero ler , mas não posso e não vou.
- Ele não vai saber que você leu.
- Eu preciso esquecer dele, custa você me ajudar nisso? – Falei um pouco irritada.
- Amiga, eu quero que você esqueça dele, quero muito, quero que esse filho da mãe se ferre, mas não consigo deixar de te contar as coisas que ele manda, porque jurei que jamais iria omitir algo de ti e me sentiria fazendo isso se não contasse.
- Tudo bem amiga, eu entendo. – Falei triste e com muita curiosidade. – O que ele fala ai?
- Bem... Em resumo ele diz que quer conversar com você, que ainda lembra de como você era quando se conheceram, que ele quer te mostrar que pode ser uma boa pessoa e que eles estão voltando essa semana para o Brasil.
Senti meu estomago revirar assim que ouvi a última parte do que ela dissera, era como se tivesse levado um soco, e logo corri para o banheiro, pois tudo era razão para vomitar e aquilo não seria diferente. Voltei um tempo depois encontrando na sala, sua expressão não era das melhores e sabia que ela não adiaria aquela conversa, mesmo que eu insistisse.
- Você trabalha hoje? - Perguntou sentando no sofá próximo a janela do apartamento que dividíamos.
- Só durante a tarde, troquei o turno por causa desses enjôos, eles são mais freqüentes pela manhã e durante a madrugada. – Expliquei.
- Então acho que já passou da hora de irmos até o hospital. – Afirmou.
- Acho que não quero ouvir o que o médico tem a dizer.
- , eu sei que é difícil, mas o está voltando pro Brasil, você já tem alguns problemas para pensar, melhor confirmar logo isso, do que ficar arrumando mais uma preocupação.
- Mas se eu confirmar sendo o que estou pensando, isso vai deixar de ser um possível problema, para ser de fato um problema sem solução.
- Não seja boba, tudo tem solução e você não está sozinha.
- Literalmente. – Falei apontando para barriga e sorrindo sem graça.
- Sua palhaça, meu plantão começa em menos de 1 hora, então corre que temos que sair. – disse levantando-se e colocando na cozinha o copo te leite que tomava. Ela era minha melhor amiga desde a pré-adolescência, nos conhecemos no extinto Orkut, através de gostos musicais em comum e nunca nos separamos, mesmo com a distancia inicial. Quando fiz intercambio, mantive contato apenas com ela, e nos vimos durante todas as férias, algumas eu passava em São Paulo, outras ela passava em Coimbra comigo. Ela foi a única que acompanhou minha mudança, desde os kg a menos, mais de 30... Até os cabelos, que agora eram mais curtos e escuros. Foi também quem me ensino a maquiar, pois as poucas noções que tinha, aprendi com minha babá, visto que minha mãe nunca teve tempo para nada em relação minha criação. Falando em meus pais, eles nunca aceitaram minha escolha por letras e jornalismo, deixando claro isso se afastando de mim.
Corri para terminar de me arrumar, por sorte morávamos perto do hospital onde ela fazia residência. estava se especializando em pediatria, filha de médicos, decidiu seguir a profissão dos pais, motivo de orgulho para ambos.
Chegamos e ela logo me chamou para acompanhá-la até uma salinha reservada. Quando a vi mexendo em algumas agulhas fiz careta, ouvindo minha amiga gargalhar.
- Não vai me dizer que está com medo de agulhas. – Ela riu.
- Estou com medo de ser sua cobaia, isso sim. – Falei esticando o braço para que retirasse um pouco de sangue.
- Pronto. - Ela disse já limpando o braço e colocando um pequeno curativo. Vou enviar para o laboratório e em uma hora já temos o resultado. Falou animada.
- Será que eu posso esperar aqui? – Perguntei aflita, pensando no resultado.
- Claro que pode. Vamos para minha sala, não tenho pacientes agora.
- Então por que veio tão cedo?
- Pra fazer logo esse exame em você e sabermos a novidade.
- Você parece feliz. – Respondi emburrada.
- Claro, posso ganhar uma nova cobaia. – Zombou.
- Não vou deixar meu filho nas mãos de uma maluca. – Brinquei, estranhando o fato de poder ter uma criança dentro de mim.

Nunca uma hora demorou tanto para passar, e sim eu já enfrentei filas de banco. Andei pelo hospital com e fiquei um bom tempo observando o berçário, me perguntei como seria ter um filho dele depois de tudo que aconteceu, pois se não fosse os últimos acontecimentos eu com certeza estaria amando o fato de estar grávida. Isso se realmente estivesse esperando um filho e não fosse um problema hormonal, como tentava acreditar ser possível. Ouvi a voz de ao longe, enquanto observava uma menininha dormir tranquilamente esperando sua mãe ir para o quarto após uma cesariana.
- ! Vamos para minha sala. – Ela disse se aproximando mais.
- Você já tem o resultado? – Perguntei sentindo minhas mãos suarem. Ela não respondeu, apenas me entregou o envelope que carregava.
- Calma. – Disse percebendo minha tremedeira.
- Acho que eu não consigo ficar calma, lê logo, estou curiosa. – Falei entrando em sua sala. Ela pegou abrindo-o em seguida e começando a ler em silêncio.

Pov

Em algum lugar no continente Europeu.

Minha cabeça doía e estava difícil abrir os olhos mesmo com o sol batendo em cheio meu rosto. A noite tinha sido de muita bebedeira e confesso não lembrar de quase nada que aconteceu depois das primeiras garrafas de vodka que tomei. Levantei, fiz minha higiene e tomei um banho relaxante, se é que me entendem... Depois peguei o celular stalkeando a melhor amiga dela, tentado achar alguma coisa de , diferente das outras vezes, dessa tinha algo novo, ela estava em uma foto acompanhada dessa amiga e mais duas, que estavam marcadas e eu stalkearia logo depois de conferir os comentários da foto. estava linda, com um vestido curto e aparentemente uma garrafa de água na mão, enquanto as outras mostravam seus drinks, pela cor deveria ser sexy on the beach, bebida de mulher.
Observei que sorria o que me fez sorrir junto, ela parecia feliz, estava em uma festa se divertindo, fiquei contente em pensar aquilo, mas senti meu coração doer ao perceber que ela poderia ter encontrado alguém naquela festa. Óbvio que eu não era digno de sentir ciúmes, afinal não tínhamos nada e provavelmente nunca teríamos, ela não queria saber de mim e com razão fazia isso. Eu a procurava, tentava contato, mas após excluir suas redes sociais e bloquear meu número, era difícil conseguir falar com aquela menina. era minha única saída, então enviava algumas mensagens e mesmo sempre ouvindo não como resposta, perguntava se poderia falar com sua amiga. Diferente de , era mais receptiva, me perguntava se ela sabia o monstro que havia sido com sua amiga, mas pelo demonstrar de pena que ela passava, acredito que sim.

Após perder alguns minutos stalkeando as amigas marcadas na foto, decidi terminar de me vestir e fui até o quarto de para uma reunião matinal. Estávamos nos últimos shows da tour e logo voltaríamos para o Brasil, minha única vontade era encontrar aquela garota e pedir mais uma vez perdão, dessa vez olhando em seus olhos. Queria merecer a chance de recomeçar ao seu lado e fazê-la feliz.


- Mas que porra, o que você quer! – Falei irritado assim que senti um travesseiro bater em minha cara, riu e voltou a falar, acho que estava tão distraído que não havia ouvido ele em sua primeira tentativa.
- Preparado para voltar?
- É tudo que quero.
- Engraçado que sonhamos com essa tour, lutamos pra caralho para conseguir isso e você foi quem mais lutou... Em compensação passou os últimos meses querendo estar em SP e completamente distraído.
- Você sabe o motivo.
- Sei e não entendo, ela sempre gostou de ti, você agora acordou pra ela e ela não te quer? – Disse incrédulo.
- Eu fiz uma merda grande. – Falei impaciente, queria voltar a dormir.
- O que você fez? Chamou ela de na hora da foda? – Riu debochado.
- Já disse pra não falar o nome dessa vadia! E não, isso não é nada perto do que eu fiz. – Falei ainda mais irritado, ele conseguia me tirar do sério.
- O que foi então? Por que não fala, desabafa, sei lá, pode te ajudar e talvez eu tenha alguma ideia pra ajudar também.
- Achei que tinha me acordado para falar da banda, não da minha vida amorosa. – Disse mal humorado.
- Estou esperando os malucos chegarem, e estava te contando da italiana que eu peguei na noite passada, mas você vive no mundinho paralelo.
- Falando neles... – Falei ouvindo o restante da banda chegar, gritando pelos corredores do hotel, fui até o banheiro fazer minha higiene e voltei para participar da tal reunião de equipe.

A reunião foi rápida, logo estávamos brigando pelo controle do play, teríamos passagem de som durante a tarde. Agradeci o fato do quarto de hotel ter uma sala privativa, assim deixei eles jogando vídeo game e voltei para minha amada cama, dormi um pouco e quando o celular despertou levantei me arrumando e desci em seguida, com o mesmo humor de sempre, atendi algumas fãs na porta do hotel e me juntei a equipe para irmos até o estádio onde aconteceria o show. Era um festival com várias bandas internacionais, os ingressos foram vendidos muito antes da data, teríamos um sold out que deixava todos animados.
Nós fomos a penúltima banda a se apresentar e podemos ver a recepção do público que mesmo após horas de shows ainda pulava e cantava todas as músicas. Acenei para algumas meninas na plateia e fui até o camarim a fim de tomar um banho rápido e aproveitar a festinha pós-show que rolaria.
Se uma banda sozinha consegue fazer uma festa legal, imagina várias?
Aquela after estava interessante, muitas groupies, bebidas e uma produção animada disposta a dar tudo que os “artistas” queriam. Durante toda a tour participamos de muitas festinhas, mas nenhuma parecia tão pesada como aquela seria.
Encaramos também como uma despedida, após aquele show teríamos apenas mais um e então voltaríamos ao Brasil para entrar em estúdio e gravar o novo cd.
- Hey cara, qual vai querer? – me perguntou apontando para um grupo de garotas que nos encarava.
- Nenhuma. – Disse segurando um copo absolut.
- Cara, você vai voltar a ser virgem. – Disse tirando o copo de minha mão.
- Foda-se. Respondi seco e peguei o copo de volta saindo do camarim e indo até uma área reservada acender meu cigarro de maconha para finalmente esquecer da vida. Preferia voltar a ser virgem do que cometer o erro de machucar outra garota.

Não sei quanto tempo se passou até ouvir nosso produtor nos chamando, já estava amanhecendo o dia e teríamos pouco tempo para tomarmos banho e voltarmos para o ônibus em direção nossa última parada.
Dormimos um bom tempo, até perceber que estávamos nos aproximando de Lisboa, foi impossível não lembrar da minha garota quando passei por uma placa falando sobre Universidade de Coimbra, que ficava a mais de 200km dali. Me perguntei se ela viria nos ver se ainda estivesse fazendo Intercambio e se tudo seria diferente. Talvez eu não estivesse mais na banda, pois antes de reencontrá-la, minha saída já era tida como única opção. Eu faltava ensaios, errava em quase todas as músicas, não tratava bem meus fãs e só sabia pensar em e nas merdas que ela tinha feito. Mas então ela voltou e mesmo tão diferente deu um novo sentindo a minha vida, mas eu fiz merda, e depois de me ligar que havia feito a pior de todos, decidi me tratar e comecei a sonhar em reencontrá-la.

Flashback onn

Eu estava animado, falaríamos sobre a tour e era a primeira entrevista que eu participaria, havia saído da reabilitação depois de quase dois meses, mas seguiria o tratamento. Claro que estava fumando maconha, mas parei com as drogas mais pesadas e sentia aliviado por isso. Não queria mais machucar ninguém, e tentava sem sucesso encontrar a garota que machuquei, para tentar me desculpar.
Pensei que não suportaria lidar com aquele erro, jamais poderia contar para os moleques o que eu fiz, então depois do choque inicial, liguei para pedindo ajuda e após uma longa conversa aceitei me internar em uma clínica afastada da cidade. Durante o processo de desintoxicação consegui repensar o que foi minha vida nos últimos anos e percebi que minha separação era a melhor coisa que poderia ter acontecido, só me culpo por ter caído nas mentiras de por tanto tempo e deixado minha banda e meus irmãos de lado. O estava no seu auge, era um sucesso internacional após ganhar o Grammy e ter música em alguns filmes sucessos de bilheteria, éramos vistos com uma das bandas mais influentes no exterior e não deixaríamos esse sucesso passar, teríamos que nos consolidar no mercado, com isso marcamos uma tour na Europa que mesmo antes de começar já era sucesso, sendo sold out em várias capitais.
Cheguei rindo de alguma besteira que disse, mas meu sorriso se desfez dando lugar a vários sentimentos indescritíveis. estava em minha frente com uma câmera na mão, havia lhe procurado tanto que não conseguia definir se era mesmo ela ou alguma miragem formada por minha mente. Fiquei parado em choque observando os garotos lhe cumprimentarem.


– Eu conheço você de algum lugar, mas minha memória está falha eu acho. – foi o primeiro a falar assim que se aproximou de .
– Talvez de algum show, miss simpatia. – Ela falou sorrindo, aquele sorriso lindo.
– Caralho , o que você fez? – Ele literalmente gritou, logo todos se aproximaram lhe abraçando e começaram a conversar, ao fundo eu observava a cena sem saber qual atitude tomar, minhas pernas simplesmente travaram e sentia o suor correr pelo meu corpo imóvel com um misto de adrenalina, medo e angústia.
- , você não reconheceu a ? Hey, acorda! – disse rindo, chamando minha atenção.
- Reconheci sim, oi , tudo bem? – Falei tímido me aproximando, mas ela não deixou que eu a tocasse.
– Bem, vou arrumar umas coisas aqui, enquanto vocês são entrevistados. – Disse pegando a câmera e saindo de perto.

Começamos a entrevista, onde e falavam coisas aleatórias, confesso que em nenhum momento conseguia prestar atenção, acredito que os meninos notaram isso, me poupando de responder perguntas, o que era ótimo, visto que provavelmente falaria alguma merda. Só conseguia encarar a menina ao fundo da sala, nossos olhares se cruzaram algumas vezes, mesmo ela tentando disfarçar pude perceber que não estava confortável com minha presença ali. Contudo não sabia se conseguiria a chance de conversar com ela novamente e estava disposto a não perder aquela oportunidade.

Mais algum tempo se afastou até irmos para um avião tirar as fotos de capa da revista, como sempre profissional não economizou nos cliques em grupo, contudo pareceu querer acabar logo com os individuais, onde eu fui o último a fotografar. Assim que o ensaio acabou me despedi dos meninos alegando que havia ido de carro e não voltaria com eles, se ofereceu para ir comigo, mas logo dei um jeito de dispensá-lo e voltei até o avião que fizemos as fotos. Ela estava saindo de lá, então sem pensar muito fui ao seu encontro.

- O que você ainda faz aqui? – Ela perguntou me encarando e dando alguns passos se distanciando de mim.
– Preciso falar com você, por favor, não foge! – Pedi segurando seu braço em um ato impensado.
– Não encosta em mim, por favor. – Falou tirando minha mão de seu braço.
, eu procurei você por muito tempo, você sempre esteve aqui? – Perguntei lhe olhando nos olhos, estava confuso demais, sabia que queria falar com ela, mas não conseguia formular uma frase.
- Tenho motivos para nunca mais querer olhar na tua cara, não? – Falou pegando sua mochila e novamente tentando se afastar.
- E eu tenho motivos pra querer morrer só em lembrar de tudo que fiz, mas por favor, eu preciso do teu perdão. – Disse sincero.
- , eu te odeio! – Ela respondeu com os olhos lacrimejando. – Nunca mais chega perto de mim, por favor. – Falou fazendo meu coração rachar por dentro.
- Eu, eu não estava em mim aquele dia, queria muito ter te tratado bem , jamais faria aquilo com mulher alguma, ainda mais com você, afinal sei o que significava pra ti e entendo que me odeie, mas a única coisa que queria agora, era ter teu amor. Acho que você foi a única pessoa que gostou de mim de verdade e consegui ser idiota o bastante pra não te reconhecer. – Soltei tudo que estava preso em minha garganta, aquela garota sempre foi especial.
- Depois de todas as mudanças ninguém me reconhece, não esperava nem queria ser reconhecida por ti, eu sempre gostei de você – suspirou morando o lábio, enquanto suas lágrimas caiam pelo rosto – e talvez por gostar tanto cometi o pior erro da minha vida, que foi entrar em sua casa aquela noite.
- Não. Você não cometeu erro nenhum! – Falei acariciando seu rosto na tentativa de conter as lágrimas que não paravam de cair – Eu fui um idiota, sou um idiota, você só é uma menina que se tornou uma mulher linda e jamais merecia ter tido alguém como eu na vida. Por favor, não chora, por favor. – Disse lhe abraçando desesperado, eu não aguentava mais ver minha menina chorando.
Dizem que em uma banda toda garota sempre vai ter seu preferido, mas entre elas – as fãs – nós também temos nossas preferidas, e me sentia orgulhoso em ser o preferido de uma menina tão querida por todos nós. Confesso que sentia ciúmes quando os meninos demonstravam mais intimidade com ela do que eu, mas talvez o fato de ter um carinho especial por mim lhe deixasse mais tímida ao meu lado e como bom idiota que sempre fui não pensava que seu sentimento pudesse ter algo carnal, sentia por ela um carinho quase fraterno, então acabava pegando groupies, mesmo com ela ali olhando tudo. Até que um dia ela foi embora e nunca mais enviou uma mensagem sequer, a procurei nas redes sociais, mas não tinha muita coisa e nunca teve uma nova foto dela, impedindo que acompanhasse sua mudança.
Não sei em qual momento eu deixei de conter as lágrimas e me juntei a ela chorando, me culpando e me sentindo destruído a cada nova lágrima de , ela me abraçava mais forte, fazendo com que o sentimento de proteção voltasse a tona, queria proteger minha menina, mesmo sabendo que eu era seu maior e provavelmente único vilão. direcionou a cabeça me olhando e então encarei seus lábios, com uma vontade súbita de tocá-los novamente. Percebendo o que eu estava prestes a fazer, ela se desvencilhou de mim, se afastando em seguida. Tomado pela adrenalina do momento, lhe puxei de volta.

– Você não quer isso? – Perguntei sentindo meu corpo tremer, ela tentou se afastar, mas novamente me aproximei mais, voltando a falar. – Me escuta e eu prometo que depois disso desapareço da sua vida se você quiser. – Falei com medo dela fugir novamente, mas diferente do que eu imaginei, ela voltou a entrar no avião fazendo sinal que lhe acompanhasse, nunca havia me sentindo tão inseguro como naquele momento.

Flashback Off



Capítulo II


Pov

Positivo, esse era o resultado do teste, esse era o motivo para caírem lágrimas de meus olhos a todo momento, essa era a minha nova realidade, estava grávida e um bebê não tinha culpa do meu passado, tampouco de ser filho daquele que eu mais tentava esquecer.
- Amiga, vai ficar tudo bem, temos que começar o pré-natal o quanto antes, posso te indicar um amigo meu. – ia falando enquanto apenas observava o papel com o resultado do exame e chorava sentindo medo, pavor, tantos sentimentos aleatórios que me destruíam por dentro.
- Acho que preciso caminhar um pouco, pensar em tudo isso que está acontecendo. – Respondi.
- Ok, eu não posso sair agora, mas precisando de algo, sabe onde me encontrar. – Ela disse me dando um abraço fraternal.
- Eu sei, obrigado por tudo.
- Você, digo, vocês. – Passou a mãe em minha barriga. – Vão ficar bem. Fica tranquila . – Falou enquanto sem prestar muita atenção eu concordava com a cabeça. Logo depois chegou algum paciente dela no hospital e sai indo caminhar antes de voltar para casa. Fui até o Ibirapuera, sempre gostei de lá e naquele momento ficar perto da natureza me faria bem.
Sentei próximo a uma árvore e fiquei encarando algumas pessoas caminhando. Estava um dia bonito ideal para passeios ao ar livre. Uma mulher provavelmente da minha idade, corria atrás de um gurizinho sorridente, a cena era bonita, ela parecia cansada, mas a cada gargalhada da criança suas energias se renovavam, aquilo me fez pensar em como seria ter uma criança, nas responsabilidades e também em todo amor e sentimentos bons que ela traria consigo. Pensei em e em sua reação ao saber que seria pai. Sim eu contaria, ele poderia ter todos os defeitos do mundo, mas precisava saber daquilo, contudo precisava de mais tempo para assimilar a situação e ter coragem de encará-lo novamente. Uma parte de mim dizia que ele não iria querer ser pai e isso me dividia entre ser bom e ruim, pois não querendo assumir teria que criar meu filho sozinha, crianças sempre sentem a falta do carinho paterno, contudo assim não o veria, o que seria bom. Mas naquele momento o que mais importava era o bem estar do meu filho, a pequena sementinha que crescia dentro de meu útero e pensando nele, rezava para ele aceitar o que acontecia e não decepcionar nosso pequeno anjo.

Voltei pra casa um tempo depois, o desejo de comer chocolate era tão grande que sentia meu corpo formigar só de pensar. Agradeci o fato de ser um desejo normal, embora engordasse, viraria uma melancia em breve, um chocolate não faria diferença, o problema foi chegar no mercado e encontrar uma infinidade de opções, queria levar todas para casa e fiz praticamente isso, acabando com a reserva do meu vale alimentação. ao saber disso com certeza iria esconder a maior parte dos chocolates, pois estava em uma fase “somos saudáveis” e agora com o bebê, segundo ela, toda mãe deve dar bom exemplo, mesmo estando com a criança dentro de sua barriga.

Pov

No outro lado do mundo

Em algumas – muitas – horas estaríamos de volta a São Paulo, já sabia qual seria minha primeira atitude e tentava mentalmente formular algo para falar assim que encontrasse ela.

- Vamos pra alguma festa hoje ainda? - perguntava enquanto entravamos no avião.
- Mano nós vamos chegar exaustos, sem chances de festas. – disse sentando-se ao meu lado.
- Ok, vou ter que deixar os contatinhos pra amanhã. – Ele riu sentando-se na fileira ao lado.

O vôo demorou horas, como era o esperado e depois de duas escalas que por sorte foram rápidas, chegamos ao Aeroporto de Guarulhos, dormi boa parte da viagem, apaguei literalmente, não pensando em nada.

Cheguei ao meu apartamento e tudo estava organizando, provavelmente Léia era a responsável por isso, ela sempre trabalhou com minha mãe e era como uma segunda mãe pra mim, pelo menos uma vez na semana passava em minha casa, organizando a pequena/grande bagunça que eu deixava e preparava meu bolo preferido. E claro sabendo que eu estava voltando da tour ela fez não apenas meu bolo preferido, como também algumas outras comidas, senti meu estomago roncar assim que vi um pote com etiqueta escrita “lasanha”. Minha mãe já havia me ligado e contado os quitutes que Léia havia preparado, mas chegar em casa e ver tudo ao meu alcance foi mágico. Não sei ao certo há quanto tempo não comia algo tão bom. Olhei no relógio e marcavam 3h40min, era madrugada, me perguntei o que estaria fazendo, provavelmente dormindo e então achei melhor deixar para procurá-la no dia seguinte. Graças a Deus e ao nosso produtor, que estava contente com a grana que ganhamos na tour, tínhamos ganhado uma semana para descansar, antes de esquecer da vida dentro de um estúdio.

Acordei cedo, estava ansioso e pouco consegui dormir, me arrumei pensando em qual roupa seria melhor para encontrar ela, coloquei meu melhor perfume e fui até o apartamento que dividia com .
Chegando lá verifiquei o relógio, marcava 9 horas e rezei mentalmente para encontrar a garota em casa. Ainda não sabia o que falar, mas precisava lhe ver. Toquei a campainha algumas vezes. E vi a porta ser aberta por uma com cara de sono e vestido um pijama curto. Ela estava linda, ela era linda. Senti minhas mãos suarem, meu coração acelerar e na ânsia de dizer alguma coisa minha voz sumiu.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou ainda me olhando com uma expressão de no mínimo choque.
- Quero conversar com você. – Respondi parecendo seguro.
- Acho que agora não temos nada para conversar. – Ela pareceu ponderar um pouco antes de falar.
- Não concordo, nós dois sabemos que precisamos conversar.
- Eu estou atrasada, preciso ir para revista, podemos marcar outro dia? – Perguntou mordendo o lábio. Meu Deus essa garota queria me pirar? Porque se fosse essa intenção ela estava fazendo isso completamente certo. Será que ela tinha noção do quão sexy ficava de pijama, cabelo bagunçado e mordendo o lábio?
- Outro dia quando? Eu não vou descansar enquanto não conseguir conversar contigo. – Falei convicto.
- No final de semana.
- Ainda faltam três dias para sábado. – Disse quase desesperado, não teria paz enquanto não falasse direito com a menina.
- Eu sei e serão três longos dias, sábado podemos... Almoçar, quem sabe? – Respondeu com medo da cara que eu fazia que com certeza não era das melhores.
- Ok, passo aqui sábado ás 11horas. – Falei e me dirigi até o elevador, sem ouvir sua resposta. Assim que a porta se fechou retomei o ar que faltava em meus pulmões. Estava com uma sorte tremenda, havia se mudado para esse prédio pouco antes de nossa tour, nunca havia encontrado com as meninas no elevador ou algo do tipo, mas tentaria dar essa sorte ao meu destino sempre que possível. Apertei o botão do 9° andar e fui até a casa de meu amigo.
- Dude, caiu da cama? – atendeu depois que quase quebrei sua campainha.
- Vou almoçar com a sábado! – Falei invadindo o apartamento dele, precisava tomar alguma coisa.
- Você vai o que? Vocês voltaram? Aliás, vocês nunca tiveram nada né? Ou tiveram? Ah cara, me explica porque com sono eu não penso direito.
- Você nunca pensa direito. – Ri da cara de sonso que ele fazia.
- Mano, olha que horas são.
- Foda-se o horário, preciso pensar em um presente pra ela.
- Por que se importa tanto com essa garota e ela foge tanto de você?
- Porque eu magoei ela, já disse. Não tem mais nada que você precise saber, só me ajuda a pensar em um presente.
- Mano, a é foda, certo que vai gostar de qualquer coisa que você der pra ela.
- Mas eu sou mais foda e não vou dar qualquer coisa.
- Tá ó te ajudo a procurar um presente pra uma garota que sempre teve afim de você e eu não entendo o motivo dessa demora para se pegarem, se você ir comigo na Hot hoje, estamos precisando beber um pouco. – Ele riu divertido.
- Acho que eu já falei mil vezes que não curto mais sair...
- Acho que eu não te contei que uma certa doutora vai ir e prometeu arrastar a melhor amiga consigo.
- Que doutora? – Perguntei curioso.
- A . Ah, nós nos encontramos algumas vezes no elevador, e bem... Ela é BEM legal. – Ele riu divertido.
- Como é que é? Tu está pegando a melhor amiga da minha garota e não me conta nada? – Falei o encarando curioso.
- Primeiro, TUA GAROTA? – Ele praticamente gritou antes de gargalhar. – Segundo, nós estamos nos conhecendo.
- Mas vocês já se conhecem, ela também era fã...
- Sim, mas agora eu estou conhecendo a versão mulher, não a fã. – Ele riu divertido.
- Galinha! Espero que não faça ela sofrer.
- Quem me faz sofrer é ela. – Ele disse com cara de cachorro sem dono.
- Vi a tua sofrencia nas festas. – Falei me jogando no sofá e ouvindo rir.
- Faz parte. – Ele me tocou uma almofada.

Não precisou de muito para ser convencido a ir em uma festa na Hot em plena terça-feira. estaria lá e queria poder me aproximar um pouco. Como sempre tomei um banho normal e outro de perfume, separei alguns cigarros prontos de maconha, e passei na casa de , seria o motorista da rodada... se juntou a nós, logo na entrada da festa.
Entrei naquele ambiente conhecido e avistei rindo de alguma coisa, ao seu lado tinha algumas amigas, mas nenhuma delas era a minha garota. Olhei para o lado e já estava indo em direção a ruiva, resolvi segui-lo e perguntar sobre .
- Oi , tudo bem? – disse simpática após fugir de um selinho de .
- Tudo e você? – Perguntei olhando melhor para as amigas que estavam com ela em uma mesa perto da pista.
- Tudo bem, ela está atrás de você. – disse percebendo que procurava sua amiga. Imediatamente virei meu corpo e olhei encontrei a pequena menina em minha frente.
- Oi. – Sorri indo ao seu encontro.
- Oi . – Ela respondeu tímida me encarando.
- Bom te ver aqui. – Falei feliz em conseguir manter um diálogo com ela.
- Fui arrastada pela . – Falou próxima a mim.
- E eu pelo . – Sorri. – Vamos sentar em algum lugar mais calmo? – Perguntei devido ao grande fluxo de pessoas.
- Acho melhor ir ali com as meninas. – Ela apontou para o grupo de garotas.
- Hum, vou com você então. – Falei e fui até a mesa delas, já estava dançando com na pista e devia estar paquerando qualquer uma por ali, pois sumiu assim que entramos no local.
- Você é o do ? – Uma garota loira perguntou sorridente.
- Sou sim. – Disse sem querer conversar muito, estava ali por causa de , não por suas amigas.
- Sua banda é foda, fui escalada para uma entrevista com vocês semana que vem. – Respondeu sentando-se ao meu lado. Ao seu lado estava uma morena muito bonita, e ponderou, mas acabou sentando junto comigo em um pequeno sofá.
- Hum, legal. – Respondi encarando .
- Vamos pra pista. – A morena puxou a loira saindo em seguida.
- Elas são suas amigas? – Perguntei tentando puxar assunto.
- Amigas da . Na verdade a Lola trabalha comigo na revista, mas veio junto com a Simmony, que é amiga da .
- Você não parece gostar muito delas. – Constatei.
- Não gosto, a Lola tem alguns meses a mais que eu na editora e se acha por isso e a Simmony não tenho contato, só sei que ficou amiga da enquanto eu estudava fora.
- E você sente ciúmes. – Ri da cara emburrada que ela fez ao ouvir a frase.
- Eu não sou ciumenta, .
- Ok. – Sorri ainda mais divertido.
- Do que você está rindo?
- Nada, só estava pensando em algumas coisas.
- Que coisas? – Perguntou curiosa.
- Em nosso almoço sábado.
- Hum, não sei se vou poder ir.
- Como não vai? Nós marcamos .
- Não é fácil . – Respondeu encarando o chão.
- Desculpa. – Falei verdadeiramente, queria pedir desculpas por tudo.
- Tudo bem. – Ela disse ainda encarando o chão.
- Você não tem noção do quanto eu queria poder voltar no tempo. – Falei segurando seu rosto.
- Acho que esse sentimento é recíproco. Eu também queria voltar no tempo. – Respondeu me encarando.
- Senti sua falta. – Me aproximei mais, e então ela se afastou.
- Como você sente falta de alguém que nem conhece direito.
- A gente sente falta de pessoas que nos fazem bem, queria poder te fazer bem como você me faz.
- Quem sabe um dia. – Respondeu sincera.
- Você me odeia? – Perguntei esperando ansiosamente pela resposta, mas fomos atrapalhados por um já bêbado se atirando por cima dela.
- , que saudade, quanto tempo! Finalmente vejo os dois juntos, quero que me conte o que está rolando, porque até sinto de castidade o está usando! – Ele debochou da minha cara, fazendo sorrir sem graça. Estava um pouco escuro, mas pude notar suas bochechas vermelhas com o comentário dele.
- Hey, ninguém te chamou aqui! – Falei antes que ela dissesse algo.
- Você vai inclusive me levar pra casa, então, sim eu sou bem-vindo. Né ?
- Claro, você é sempre bem-vindo. – Ela sorriu beijando sua bochecha e em seguida ele voltou com minha amiga para pista.
- Você está tão linda. – disse sentando-se na cadeira que antes era ocupada pela Lola.
- Obrigada. – Ela sorriu.
- Poxa, finalmente vai voltar a ir nos shows né? Agora a proporção está bem maior e pelo jeito tua amiga ali... Vai ser figura confirmada nos nossos camarins. – Ele apontou pra que beijava no meio da pista.
- Você nunca vai superar o toco que levou dela? – Zombei do meu amigo.
- Mano, ela nem tinha cara de modelo ainda. – Ele riu fingindo estar tocado com o assunto.
- Mas já curtia um japonês. – Minha disse.
- Mal gosto do caralho. – disse fazendo birra. – Pior que o dela só o teu né .
- Por quê? – Ela perguntou rindo.
- Porra, olha pro . – Disse se referindo a mim.
- Eu sou lindo! – Respondi convencido.
- Acho que minhas lentes estavam fracas na época da paixonite. – respondeu como se eu não estivesse ali.
- Ele era ridículo, você deveria ter preferido o mais lindo da banda. – Ele riu convencido pra ela.
- Fazer o que se o mais lindo era também meu melhor amigo. – Ela sorriu encarando ele.
- Minha maninha, aliás se afasta! - disse parecendo ciumento, ele sempre foi assim, rolou uma amizade entre ele e que ninguém entendia, questionamos se o garoto estava apaixonado e ele disse que não, que via em uma irmã caçula e amava ficar conversando com a garota, deixava inclusive de pegar meninas em shows que ela e iam.


Flashback onn

Nós já conhecíamos as meninas de outros shows, inclusive tinha um fã clube e ajudava nas redes sociais da banda, ela e estavam sempre juntas, mesmo morando em estados diferentes, então era comum ver em São Paulo, mesmo sendo gaúcha, ou no Rio Grande do Sul, mesmo sendo paulista. Elas pareciam inseparáveis.
Depois de um final de semana com tour pela região sul, finalizamos com Porto Alegre, confesso que estava cansado, havia brigado com uma antiga namorada na época e só queria poder descansar um pouco e ficar com alguma garota, pois briguei na madrugada de sábado para domingo e durante os dois primeiros shows fui fiel a minha até então namorada. Tocamos como sempre e depois atendemos alguns fãs que haviam ganho promoções para o camarim. Nós nunca vendemos ingressos camarim, por achar que abraços não se compram. Então eram feitas promoções malucas com objetivo de sortear os fãs mais presentes dando-lhes acesso ao nosso camarim e ás vezes alguns brindes. já tinha passo livre, a banda estava começando a crescer e como nos primeiros shows, ela estava presente. Foi nosso maior público até então, todos estavam contentes com isso.
- Hey , que saudade. – atravessou minha frente dando um abraço de urso na garota.
- Você está me apertando! – Ela respondeu rindo.
- Ah é tão bom te apertar. – Ele riu fazendo cócegas. Percebi que junto dela entrou um grupo de groupies, provavelmente eram as últimas.
- Cumprimentei , melhor amiga da garota que se dizia minha fã número um, e vi que logo saiu com ela, eles tinha uma relação de fã e ídolo com benefícios já fazia algum tempo, o engraçado era que não queria ter nada com ele, dizendo que levaria muitos chifres, pois morando na mesma cidade, se eles quisessem poderiam ter algum relacionamento, mas ela fazia questão de encontrá-lo apenas em shows e nos hotéis pós-show.

Percebi que ainda conversava com , queria agradecer a ela por um prêmio que ganhei como melhor instrumentista, vi que ela fez uma campanha enorme para que eu conquistasse o prêmio, então resolvi chamar atenção de .

- Mano, você não vai dar oi para as outras garotas? - Chamei a atenção dele.
- Tem fãs ainda? Achei que agora entravam os amigos e as groupies. – Ele riu olhando ao redor.
- Então... As meninas... – Disse tentando fazê-lo perceber que haviam garotas por ali.
- Eu levo tanto tempo pra ver a , não vou perder tempo com essas meninas, estou com saudade da minha amiga. – Ele disse me deixando incrédulo. Como ele podia deixar de transar pra ficar conversando? era estranho mesmo.
- Mas cara, ela é só uma fã... Nem dá pra comer ela. – Eu falei sem pensar, estava chapado como sempre.
- Ela não é só uma fã. – disse procurando , mas ela não estava mais no camarim. Por alguns segundos me perguntei se ela teria ouvido o que falei e me senti culpado. Só queria abrir os olhos do meu amigo, mostrando as garotas lindas que estavam afim da gente. Percebi que ele saiu em seguida e só voltou quando decidimos voltar para o hotel, ele estava com ela, me perguntei se ele estaria mesmo só tendo uma amizade com , essa pergunta teve resposta algum tempo depois.

Flashback Off

e estavam conversando sobre futebol, e se pegando em um canto, pelo jeito o romance entre os dois voltou com força total, depois de um tempo afastada dos shows, e ficaram um tempo sem se falar, o mesmo não aconteceu com e , eles sabia todos os passos dela, e mesmo assim chocou com a mudança de visual.
- Amanhã as 15horas no Ibirapuera! – Ela disse em tom ameaçador.
- Já disse que eu vou ir. – respondeu rindo.
- É sério! Se você não for eu te mato! Tenho médico então depois a tarde é livre, preciso respirar um pouco de ar puro. – Ela respondeu me fazendo lembrar que havia dito ter uma semana corrida, agora arrumou tempo para se encontrar com o filho da puta?
- Você não teria uma semana corrida? – Perguntei fazendo-os notar minha presença no local.
- Sempre existe tempo para um amigo. – sorriu convencido, ele amava se gabar que era amigo dela.
- Hum, ok. – Mostrei-me incomodado.
- Quer ir com a gente? – Ele me perguntou.
- Não, tenho compromisso. – Menti, óbvio que queria, mas queria ouvir isso de . – Não quero atrapalhar os amigos. – Falei encarando ela.
- Que bom. – Ela respondeu voltando a olhar a pista de dança.
- Vamos dançar? – convidou.
- Vamos. – Ela sorriu e foi com ele me deixando sozinho. Quanto mais os dois conversavam e riam na pista de dança, mais raiva eu sentia da cena que via. Ele parecia querer agarrar ela e ela gostar daquilo, que bela amizade. E que belo amigo eu havia arrumado, logo ! Minha vontade era arrancar o que ele tinha no meio das pernas.
- me traz tequila. – gritou sentando-se ao meu lado. – Você está parecendo o Carlos Alberto no banco da praça. – Ela debochou de mim.
- Eles vão se beijar? – Perguntei ignorando seu comentário.
- Óbvio que não, a Cher está aqui, ele quer fazer ciúmes nela. – Falou óbvio, pelo jeito a amizade com também não havia desaparecido, meu amigo gostava de esconder as amigas. sabia de Cher, então algum contato com ela tinha. Cher era sua ex namorada, ele a pegou transado com um cara depois de chegar mais cedo de um show, eu sei, história bem parecida com a minha.
- E aquele lá? – Falei me levantando assim que vi deixar dançar com um cara que nunca vi na vida.
- Não sei, algum paquera? – Ela riu e levantou indo em direção ao bar.
Não pensei muito, deixei-me guiar pelo impulso e fui até onde estava, assim que fiquei em sua frente, vi os lábios do cara encostar os seus. Eles estavam ficando na minha frente, o que aquela garota tinha na cabeça, queria poder socar o cara até ele pedir clemência, mas resolvi dar o troco na mesma forma. Virei e encarei uma menina que não sei de onde surgiu, apenas grudei meus lábios nos dela com força, tentando eliminar a raiva que estava sentindo. Seu beijo era doce, estava com gosto de sexy on the beath, lembrei de , senti falta do gosto de seus lábios. Me desvencilhei da garota que me olhava sem entender nada, quando ela fez menção em se aproximar para me dar outro beijo, me afastei pedindo desculpas e saindo da pista de dança. No outro lado da boate, vi e saindo do local, com um confuso seguindo-as. Fui atrás, levei certo tempo para pagar minha comanda, quando sai de lá, estava ajudando que parecia vomitar. Não lembro de tê-la visto bebendo, corri até perto das duas e as poucas coisas que ouvi me deixaram transtornado.

- Aquele idiota me agarrou e o invés de me ajudar se grudou em outra garota, que nojo, eu não aguento mais vomitar, eu não aguento mais isso .
- É normal no teu estado amiga. – respondeu para uma chorosa.
- Não sabia que gravidez era tão complicado. – Ela respondeu fazendo meu chão desaparecer.



Capítulo III

- O que você acabou de dizer? – Perguntei me aproximando. Assim que notou minha presença, ela e arregalaram os olhos demonstram susto.
- Nada que seja do seu interesse. – respondeu.
- Você está grávida? – Perguntei me aproximando dela, que estava pálida e parecia que cairia a qualquer momento.
- Esse não é um bom momento . – Ela respondeu.
- Vamos pra casa, você precisa descansar. – disse.
- Melhor irmos logo. – respondeu puxando a amiga.
- Eu levo você, precisamos conversar. – Pedi.
- Por que não volta pra essa merda e fica com aquela garota?
- Nem sei quem era a garota, eu, pensei que você estava ficando com outro cara.
- Você não me deve explicações e eu posso ficar com quem eu quiser. – Ela respondeu emburrada.
- Por favor, nós precisamos conversar. – Pedi novamente.
- Você está bêbado.
- Não, eu não estou bêbado e só quero falar contigo, vou te levar pra casa e assim a e o podem seguir curtindo a festa deles.
- Eu... Tudo bem, está cedo, vocês merecem aproveitar mais. – Ela disse virando para amiga. sorriu abraçando que a contra gosto acabou cedendo ao pedido de .
Entramos no carro e um silêncio perturbador nos atingiu. Sempre morei em São Paulo e isso faz com que eu conheça alguns lugares escondidos em meio a tanto concreto. Comecei a dirigir até um desses lugares.
- Você não está fazendo o caminho da minha casa e eu estou enjoada, então quanto menos voltas der, melhor. – Ela disse fechando os olhos.
- Queria levar você para um lugar calmo, precisamos conversar. – Falei e toquei sua coxa fazendo um carinho. Vi sua pele se arrepiar com meu toque, no segundo seguinte ela afastou minha mão e concordou com a cabeça, fechando os olhos e mantendo o silêncio durante o resto do caminho.

- Chegamos. – Falei desligando o carro.
- Bonito aqui. – Ela disse encarando a vista pela janela, estávamos em uma parte alta e com pouco movimento, dela conseguimos ver parte da cidade, durante a noite, a vista consegue ser ainda mais bonita, devido as luzes dos prédios.
- É calmo, bom pra pensar. – Respondi e segurei sua mão. Ela me encarou um pouco assustada, então levei sua mão até minha boca e dei um beijo nela, queria beijar seus lábios, queria poder lhe dar um abraço, mas com ela tudo seria diferente e teria que ter paciência para cada passo dado. – Aquilo que você falou... Os enjôos...
- Eu estou grávida. – Ela respondeu falha.
- Por que não me contou antes?
- Soube a pouco tempo, ia te contar, mas precisava me preparar melhor. – Ela respondeu, nunca teria coragem de perguntar se o filho era meu, sempre soube que ela não costumava ficar com qualquer cara e que provavelmente eu seria o único com quem ela dormiu.
- Hum. – Respondi tentando formular uma frase, mas não conseguia pensar em nada, porra, eu seria pai, nunca fui responsável com nada e agora seria pai.
- Você não precisa se preocupar, eu vou me virar... – Ela começou a falar mexendo as mãos agoniada.
- Eu vou ser o mais próximo que você me deixar, não quero forçar nada contigo, sei das merdas que fiz e me culpo todos os dias por aquilo, mas, meu Deus, eu vou ser pai, nós vamos ter um filho! – Sorri sentindo os olhos queimarem. Por favor, me diz que foi naquela vez do avião... – Perguntei falho.
- Sim, foi naquela vez. – Ela respondeu, fazendo meu coração doer menos, já havia feito tanta coisa ruim para ela, não queria que olhasse para o filho e lembrasse das merdas que eu fiz.
- Foi da vez que fui fraca e não conseguir resistir a você, mesmo depois de tudo. – Ela respondeu e vi uma lágrima cair em seu rosto.
- Você não foi fraca, você é forte, porra, você não tem noção do tamanho da sua força, você é uma mulher muito forte , é alguém que essa criança vai ter orgulho de chamar de mãe. – Disse e toquei sua barriga.
- Queria que tudo fosse mais fácil. – Ela disse baixinho.
- Você, você quer ter essa criança né? – Perguntei com medo de sua resposta.
- Eu nunca faria um aborto, é um filho seu, em outras circunstancias eu estaria vibrando com isso, mas agora me sinto confusa.
- Você já pensou que poderia ser bom ter o acompanhamento de um psicólogo?
- Você faz merda e manda eu me tratar? Eu não sou doida ou doente . – Ela respondeu com raiva.
- Eu não disse isso, eu só acho que ele te ajudaria a lidar melhor com tudo isso. – Respondi.
- Não preciso disso, só preciso da minha casa agora. – Ela falou cruzando os braços.
- Ok, eu levo você. – Falei ligando o carro. Dizem que grávidas mudam de opinião o tempo todo, se antes seria difícil reconquistar ela, agora a missão era quase que impossível.
- Nem beber eu posso. – Ela lamentou.
- Pra que você quer beber? – Perguntei dirigindo.
- Pra ter coragem de ir para uma festa e ficar com vários caras, dizem que é bom.
- Não é nada bom. – Eu respondi com raiva.
- Você sempre pareceu gostar disso, mas com garotas. – Ela disse mordendo os lábios.
- Mas você é melhor que eu, e por favor não faz isso.
- Isso o que?
- Ficar com outros caras e ficar mordendo o lábio.
- Quê? Por quê? – Ela perguntou intrigada.
- Porque minha vontade é quebrar a cara de quem se aproximar de ti.
- Mas você não fez nada quando aquele idiota me agarrou.
- Não fiz porque sabia que eu teria que te respeitar e pensei que você queria ele.
- Hum, então o que você vai fazer se me ver beijando outros caras?
- Não quero pensar nisso.
- Hum. – Respondeu mordendo o lábio novamente.
- , por favor, não faz isso. – Respondi a encarando.
- Por quê? – Ela me encarou e mordeu novamente.
- Porque sinto vontade de te agarrar. – Respondi tentando me controlar.
- Eu estou enjoada. – Ela mudou de assunto, ficando vermelha.
- Vamos passar em uma farmácia 24horas antes de ir para o apartamento.
- Não gosto de remédios. – Ela fez careta.
- Não gosto de te ver enjoada, e se for preciso, te faço tomar o remédio na marra. – Respondi sério. – Você comeu alguma coisa hoje?
- É complicado. – Ela disse encarando a janela.
- Amanhã vamos no médico. – Disse.
- Eu marquei para próxima semana.
- Não vamos esperar tudo isso, amanhã nós vamos.
- Eu sei da minha vida . – Ela disse brabinha.
- Sei que sabe, mas eu quero cuidar de vocês. – Respondi parando na farmácia.
- Não preciso... – Ela ia falando, mas sai do carro e fui comprar o remédio para ela.
A moça da farmácia me indicou dois tipos que grávidas podem tomar, comprei ambos, na versão em gotas e comprimido.
- Pronto. – Disse voltando para o carro e encontrando uma emburrada.
- Eu odeio você. – Respondeu pegando a sacola com os remédios.
- Eu sei. – Respondi me perguntando se algum dia ela deixaria de me odiar.
- Chegamos. – Anunciei assim que estacionei na vaga que o tinha sobrando.
- Você vai descer? – Ela perguntou abrindo a porta do carro.
- Quer que eu te acompanhe até lá? – Perguntei tirando o cinto de segurança.
- Não, eu estou bem, obrigada.
- Tem certeza?
- Uhum.
- Eu vou marcar o médico, ok?
- Tudo bem. – Ela respondeu e saiu do carro, me deixando sozinho com meus pensamentos.
- ? – Ela chamou um tempo depois.
- Oi, eu, desculpa. – Falei saindo do mundo paralelo que havia criado.
- Eu não odeio você. – Ela disse virando e caminhando até o elevador, sem dar tempo para assimilar o que havia ouvido, ou pensar em alguma resposta.

Não consegui dormir quando cheguei em casa, o dia tinha sido cheio de novidades e a ficha ainda não havia caindo com relação a principal delas. Eu seria pai, pai de um filho da única mulher que eu poderia querer isso, ela não me odiava, pelo menos foi o que ela disse, mas seus hormônios a fazem agir de maneira inesperada quase que o tempo todo. Eu teria que aprender a lidar com uma mulher grávida, teria que aprender a cuidar de uma criança, eu não sabia absolutamente nada de gravidez ou crianças e pensando nisso acabei ficando horas na internet pesquisando mais. Coloquei o celular para despertar perto as 8h da manhã e pulei da cama assim que o ouvi tocar, estava cansado e provavelmente com uma cara nada bem, mas precisava conseguir uma consulta médica, não queria esperar para saber o que poderia fazer com relação aos enjoos dela e ver como meu filho estava.
Após insistir, consegui um encaixe para as 14 horas. A assistente até me aconselhou a levá-la na emergência do hospital, visto que eu disse que não poderia esperar mais de 24 horas pela consulta, contudo, nunca aceitaria ir para uma emergência. Talvez eu devesse ser menos exagerado.
Liguei para ela, mas a mesma não me atendeu, então enviei algumas mensagens avisando do horário e perguntando onde eu deveria buscá-la, cerca de trinta longos minutos depois, ela respondeu pedindo que a buscasse em seu apartamento.

Tive que tomar dois banhos, pós após o primeiro coloquei muito perfume e fiquei com medo que ela enjoasse, passei também no mercado, comprei algumas coisas saudáveis que vi que faziam bem e achei legal levar para ela, precisava me certificar que sua alimentação estava bem. Cheguei no apartamento cerca de 20 minutos adiantado, saia apressada pela porta, então antes que tocasse a campainha ela permitiu que eu entrasse.

POV

- O chegou! – Ouvi gritar antes de bater a porta de nosso apartamento. Senti meu coração bater mais rápido, ele estava adiantado, mas como de costume eu já estava pronta, olhei mais uma vez o espelho, me certificando que a base havia cobrindo parte das minhas olheiras e fui até a sala.
- Oi. – Falei tímida ao encontrá-lo.
- Oi, trouxe algumas coisas para você. – Ele sorriu e apontou algumas sacolas em cima da mesa da cozinha.
- Hum, vou ver. – Disse indo até a cozinha, ele me acompanhou, mas parou na porta me observando.
- Eca , beterraba é muito ruim. – Fiz careta observando as comidas saudáveis que ele havia comprado. – A vai amar isso. – Falei por fim o observando.
- E você também, tem que comer , é muito bom.
- Você gosta?
- Gosto... Depois do susto inicial eu aprendi a gostar de beterraba.
- Que susto? – Perguntei curiosa.
- A, nada demais! – Ele deu de ombros um pouco tímido.
- ... – Eu sorri e em seguida fiquei tímida, me dando conta que havia lhe chamado pelo apelido, não pude deixar de notar o sorriso que surgiu em seus lábios após o chamar.
- Uma vez eu comi muita beterraba e bem... Ah é nojento . – Disse tímido.
- Eu estou curiosa e grávida, não se pode deixar uma mulher grávida curiosa . – Fingi estar brava.
- Ok, desculpa. – Ele sorriu.
- Então...
- Então, eu comi muita sabe... Daí fui no banheiro e bem, achei que tinha ficado menstruado, por causa da cor que saiu. – Ele respondeu me fazendo gargalhar.
- Tomara que nosso filho puxe o lado esperto da mãe... – Debochei pegando minha bolsa e entrando no carro.
- Tomara que ele puxe tudo da mãe, principalmente a beleza. – Ele sorriu e beijou minha bochecha antes de colocar o cinto de segurança.
- Está tudo bem? – Perguntei assim que o vi observar o movimento em frente ao prédio, mas não ligar o carro.
- Sim, só senti uma tontura, nada demais. – Respondeu ligando o carro.
- Tem certeza? Podemos ir de taxi. – Sugeri.
- Tenho, não devo ter dormido bem durante a noite. – Respondeu já dirigindo.

Seguimos mantendo uma conversa saudável até o hospital, o que me deixou feliz, afinal teríamos que nos entender e fazer nosso pequeno ou pequena crescer em um lar saudável. Ao chegar no hospital conversamos com a recepcionista, que nos indicou o caminho até o consultório médico, como havia tido uma desistência de última hora, ele já nos aguardava.

- Boa tarde. – Ele disse simpático. – Bom vamos preencher uma ficha e depois fazer alguns exames de rotina, ok?
- Tudo bem. – Respondemos juntos.
Respondi praticamente sozinha toda a entrevista que ele fez, eram perguntas em relação a minha menstruação e como me sentia desde a descoberta. Em seguida fomos até a sala de ecografia escutar o coração do bebê e ver se estava tudo bem. Minha barriga já estava levemente pontuda, observava tudo atento e não deixou de sorrir ao notar a barriga.
- Vamos ouvir o coração agora. – O médico disse aumentando o volume, ele parecia mexer tentando melhorar o áudio, mas estava confuso. Em seguida ele desligou e voltou a passar a maquininha em minha barriga prestando atenção no monitor.
- Acho que temos uma surpresa aqui. – Ele falou baixo encarando o pequeno monitor. Olhei para que parecia nervoso e segurou minha mão forte, tentando mostrar que estaria comigo naquele momento, senti medo de ter algo errado e me culpei pela demora em procurar um médico.
- Bom casal, realmente não estávamos esperando, mas...




Capítulo IV


- Vocês estão esperando dois bebês, são gêmeos bivitelinos.
- Como assim? – o encarou em choque.
- Vocês não vão ter apenas um bebê, são dois... São gêmeos. – Ele sorriu calmo.
- Mas e esse negócio que o senhor falou, eles estão bem? - perguntou apavorado.
- Gêmeos bivitelinos é quando eles são gerados a partir de dois óvulos e dois espermatozóides, eles não são idênticos. – Expliquei ainda em choque com a notícia.
- Mas eles estão bem? – Acho que era a terceira vez em poucos minutos que perguntava isso.
- Sim, estão, é uma gravidez com mais cuidados, mas vamos cuidar de tudo para que eles e a mãe fiquem bem. Sua barriga vai aumentar bastante. – O médico disse voltando a sorrir.
- Obrigado doutor. – Correspondi o sorriso sentindo uma lágrima no canto de meus olhos.
- Bom, aqui está a eco, caso queiram assistir novamente. – Ele entregou um cd. – Vamos marcar uma consulta para o próximo mês, vou pedir também alguns exames extras.
- Ok. Muito obrigada. – Sorri enquanto ele retirava o gel de minha barriga. pegou os papéis com os exames, dizendo que cuidaria daquilo, ele queria ajudar então achei melhor deixá-lo fazer isso. Nos despedimos do doutor e saímos de sua sala.

- Quero ver a , pode ir embora, depois pego um taxi.
- Claro que não, você não pode andar por ai sozinha, está esperando duas crianças, o cuidado é dobrado. – Ele respondeu.
- Mas preciso contar para... – Ia falando e logo vi minha amiga vindo em nossa direção.
- Finalmente, que demora essa consulta. – Ela disse me abraçando. – Oi . – O encarou e logo voltou atenção para mim. – Como foi? Está tudo bem?
- Tudo ótimo. – Sorri aliviada. – Temos uma novidade importante.
- Qual? Deu pra saber o sexo? É menina? Diz que é menina. – Ela começou a falar sem parar.
- Calma, você vai deixar a tonta e ela não pode se estressar! – a interrompeu.
- Hey, eu to falando com a minha amiga, não com você. – fez birra.
- Por favor, sem brigas no corredor do hospital, crianças. – Falei antes que começassem uma briga.
- Ele quem começou. – respondeu.
- Eu não, só estou protegendo a mãe dos meus filhos. – Disse dando ênfase ao plural das palavras.
- Filhos? Nem ganharam um e já querem fazer outro, espera, desde quando vocês... – disse confusa.
- Nós fizemos dois de uma só vez. – Eu a interrompi, antes que pensasse mais besteira.
- Dois? Meu Deus! Vou ter dois afilhados! – Ela disse pulando em meio ao corredor.
- Quem te convidou pra madrinha? – a provocou!
- Onde estão os seguranças? Eu vou chamar os seguranças pra você! – disse fingindo estar brava.
- Vai trabalhar, vai! – Ele disse rindo e bagunçou o cabelo dela.
- Vou, mas não porque você mandou. Quando chegar em casa conversamos, se cuida e qualquer coisa me liga. – Disse me abraçando antes de voltar ao seu consultório.

- Tua amiga é louca. – Ele falou assim que saímos do hospital.
- Tem gente que gosta...
- Eu sei, gosta não, ta apaixonado. – Ele riu.
- Isso é bom?
- O que? – Perguntou abrindo a porta do carro.
- Estar apaixonado.
- Quando você é correspondido deve ser bom... Queria ser correspondido.
- Você está apaixonado?
- Acho que é mais que paixão, mas ás vezes nós fizemos muita merda e não é possível ser recíproco.
- Hum. – Foi tudo que eu consegui responder.
- Você já pensou nos nomes? – Ele perguntou mudando de assunto.
- Gosto de Olivia, Anita... Meninos não pensei em nenhum, você tem algum em mente?
- Jr! – Disse convencido.
- Aff, você é muito convencido.
- Sou mesmo. – Ele sorriu me fazendo sorrir também.
- Você fica tão linda sorrindo. – Ele disse me encarando.
- Para . – Respondi sentindo meu rosto queimar.
- ? – Ele tocou meu rosto, fazendo-me virar novamente pra ele.
- O que foi? – Perguntei tremula com sua proximidade.
- Será que algum dia nós dois teremos uma chance?
- Chance do que . – Encarei o chão.
- De sermos felizes... Juntos.
- Quem sabe? Vamos com calma. – Respondi notando seu sorriso no canto dos lábios.
- Ta bom, vamos com calma. – Ele respondeu mais pra si mesmo, do que para que eu ouvisse, fiquei quieta observando a paisagem pela janela.
- Vamos sair hoje? Pra jantar? Sabe pode ser um restaurante legal, ou onde você não sentir enjoo. É melhor ir com calma né? Tá você tem razão, melhor não, eu to indo com pressa e você pediu calma, melhor eu...
- Respira! – Disse rindo e toquei seu braço chamando sua atenção. – Nós podemos sair hoje, jantar em algum restaurante italiano, estou com desejo de massa.
- Desejo? Então temos que ir agora. – Ele falou um pouco apavorado.
- Não, dá pra esperar para o jantar, calma, por favor, calma. – Falei rindo dele e de sua cara de assustado.
- Tá, mas promete que se ficar forte o desejo, você vai me avisar e vamos? Ou eu faço, eu aprendo a fazer pra você.
- Prometo. – Sorri e abri a porta de seu carro, assim que estacionou em frente ao meu prédio.
- Então até ás 20h? Pode ser? É muito cedo?
- Pode, pode ser, não se atrase. – Respondi tentando conter o riso.
- Ok, não vou! – Ele sorriu e ficou me observando entrar no prédio, depois que eu estava em segurança, deu partida no carro.

Não sei o que aconteceu comigo, mas senti que poderia ter algo, era verdade que nunca havia esquecido dele, que havia me magoado muito, mas só com ele meu coração batia mais acelerado, e conhecendo esse novo , livre das drogas, me fazia querer tentar algo novo, fazer diferente e dar uma chance dele mostrar como realmente é, mostrar que pode mudar e talvez me fazer feliz. Contudo tinha medo, não sabia o quanto agüentaria se ele me magoasse novamente e mais que isso, agora duas vidas dependiam de nós, precisava pensar não apenas em mim, mas nos meus pequenos.
Cheguei em casa e por telefone resolvi falar com , seria mais calmo e por via das dúvidas, poderia mentir que o sinal caiu, finalizando então a ligação. O que eu não esperava era que ela agiria bem com relação ao jantar, dizendo inclusive que poderíamos marcar mais vezes, mas dessa vez saindo entre casais. Pelo jeito tínhamos um casal apaixonado em nosso meio e não éramos eu e o .

POV

O dia estava sendo de muitas novidades, nunca me imaginaria pai e agora tive a notícia de que duas crianças estavam vindo ao mundo, não conseguia parar de sorrir, mesmo estando preocupado com tudo que havia acontecido, principalmente com . Se ter um filho já é uma mega responsabilidade e bem complicado para mulher, imagina carregar dois bebês em sua barriga?

Me perguntei qual seria a melhor roupa para ir em um encontro, pois sim, estava vendo aquele jantar como um encontro, o primeiro encontro certo com a mãe dos meus filhos. Optei por não colocar muito perfume e escolher um restaurante italiano, sempre soube que era apaixonada por massas, então seria um bom lugar, só teria que torcer para ela não enjoar. Me arrumei e 30 minutos antes do combinado fui até o apartamento dela. Ao entrar no elevador encontrei e .

- Nem avisa mais quando vai aparecer? – brincou assim que me viu.
- Não vou aparecer na sua casa. – Respondi.
- Se não vai aparecer na minha...
- Vou na casa dos meus filhos, satisfeito? – Ri respondendo sua curiosidade.
- Ah, na dos meus afilhados? – Disse convencido.
- Quem te convidou?
- Eu aturo tuas dores de cotovelo pela mãe deles, óbvio que mereço ser padrinho, levar eles na pracinha... Sabia que isso faz as mulheres te olharem com olhos mais bonitos?
- Interessante. – respondeu dando uma cotovelada em e me fazendo rir.
- Mas claro que vou ir junto com minha namorada fazer isso. – completou.
- Namorada? – e eu perguntamos juntos.
- Quando ela parar de falar não pra mim. – Ele fez cara de cachorro sem dono, bem vira-lata mesmo.
- Hum, boa sorte pra vocês dois. – riu debochada.
- Sua maluca. – Pude ouvir ele falando enquanto saia do elevador, acompanhado de .
- Ué, não vai entrar? – Ela disse me encarando.
- Marcamos as 20h, são 19h40 ainda, vou esperar.
- Que besteira, entra ai. – Ela fez sinal.
- Será que a não vai ficar braba? – Perguntei entrando.
- Provavelmente. – Ela respondeu rindo.
- Oi. – Falei um pouco tímido, assim que entrei no apartamento e encontrei vestindo um roupão rosa claro. Ela estava sentada no sofá comendo algo que parecia uma cenoura, com alguma coisa amarela em cima.
- Oi. – Ela respondeu tímida. – Quer? – Perguntou rindo.
- O que você está comendo? – Perguntei intrigado.
- Cenoura com calda de mostarda, está uma delícia. – Ela riu e deu mais uma mordida na tal cenoura.
- Acho que eu estou enjoado. – Respondi e ouvi o som de sua gargalhada. Em seguida ela fez uma careta.
- Acho que eu também. – Respondeu e correu para o banheiro, vomitando a cenoura o que mais ela deve ter comido.
- , por favor, abre essa porta. – Pedi desesperado na porta do banheiro, enquanto ouvia ela vomitando.
- Agora não... – Ela tentou falar, mas logo pude ouvir mais um barulho de vômito, resolvi correr até a cozinha e lhe trazer um copo de água.
- Por que você não me deixou te ajudar? – Perguntei segurando o copo, assim que ela saiu de dentro do banheiro.
- O que você poderia fazer? – Ela perguntou pálida, pegando o copo de minha mão e bebendo a água.
- Segurar teu cabelo? Não sei, mas qualquer coisa que não fosse ficar parado em frente uma porta fechada lhe ouvindo vomitar.
- Não é agradável ver uma pessoa vomitar, te poupei disso.
- Não é agradável não conseguir ajudar, poxa, não tranca mais a porta. – Pedi.
- Ok... – Ela revirou os olhos e foi até o sofá sentar.
- Você está melhor?
- Acho que sim, só um pouco enjoada, mas é normal.
- Esses pestinhas já estão mostrando que vão dar trabalho. – Sorri sentando ao seu lado.
- Pois é. Puxaram pelo pai. – Ela sorriu meiga.
- Tomara que puxem a beleza da mãe.
- Acho que tenho que me arrumar. – disse um pouco tímida, mudando de assunto.
- Você está linda assim.
- De roupão? – Ela riu.
- É, até de roupão fica linda.
- , por favor, menos. – Ela pediu manhosa e levantou.
- Quer ajuda?
- Pra que?
- Ué, se arrumar, tirar o roupão.
- Não me faz desistir do jantar. – Disse fingindo estar com raiva, mas sorrindo.
- Não está mais aqui quem se ofereceu para ajudar... Mas qualquer coisa, pode gritar que saio correndo. – Sorri.
- Ok, Sr ajudante. – Ela sorriu e foi em direção ao quarto.
Não demorou muito para aparecer novamente na sala, dessa vez vestia um vestido solto e sapatilhas. Estava linda.

- Estou pronta. – Ela sorriu tímida.
- Você está ainda mais linda.
- Sem o roupão?
- Ah, até de roupão você fica linda.
- Para , você está proibido de me elogiar, caso contrário eu volto pra casa.
- Ué, por quê?
- Porque eu fico vermelha e odeio ficar vermelha se recebo elogios.
- Eu te acho linda vermelhinha.
- Você já foi renovar essas lentes? Certo que está aumentando...
- Meus olhos são naturalmente lindos assim. – Fiz careta lhe dando o braço para sairmos do apartamento, para minha surpresa ela aceitou e saiu segurando firme meu braço. Meu coração parecia querer sair pela boca, sentir seu toque me causou um efeito tão bom, que queria senti-lo sempre, era um sentimento bom e viciante.
- Espero que a comida seja boa. – Ela disse entrando no elevador.
- Confie no melhor guia de SP.
Ela sorriu, mas não falou nada, sabia que confiança era algo difícil para ela, principalmente quando confiança e estavam na mesma frase.

Xx

- Acho que comi demais. – sorriu ao finalizar seu prato, durante o caminho até o jantar e o próprio jantar, pouco conversamos, ela aprecia mais pensativa e achei melhor não lhe incomodar.
- Eu ainda topo um sorvete! – Sorri também finalizando minha refeição.
- De flocos! – sorriu.
- Flocos não tem gosto de nada, melhor mesmo é chocolate.
- Olha, sou chocólatra assumida, mas sorvete de flocos é maravilhoso!
- Podemos ir em uma sorveteria que tem aqui em frente. – Sugeri.
- Acho ótimo! – Ela sorriu, mas parecia incomodada com algo.
- Está tudo bem ? – Perguntei preocupado.
- Estou com uma vontade absurda de comer uma coisa, que acho, que você não vai achar muito legal.
- O que?
- Sorvete de chocolate...
- Mas isso é normal, eu acabei de falar que amo e que é melhor... – Ia falando quando ela me interrompeu.
- Com calda de mostarda.
- O que?
- Isso que você ouviu. – Falou mordendo o lábio.
- Bem, você tem certeza? Você colocou mostarda na cenoura e...
- Tenho , chega a me dar uma agonia aqui no peito, só de pensar em comer, meu Deus, isso nunca aconteceu comigo... Na verdade não aconteceu nessa última hora, mas né...
- , dizem que é normal ter vontades estranha na gravidez, melhor matar esse desejo logo, não quero que meus filhos nasçam com cara de sorvete de chocolate com mostarda.
- Ta bom, mas quero um sorvete de chocolate com calda de mostarda e depois um de flocos.
- Só preciso achar algum lugar que venda mostarda.
- Passamos por uma banca de cachorro-quente aqui perto...
- Você é bem esperta hein. – Sorri, chamando o garçom para pedir a conta.
- Minha parte eu pago. – se atravessou em minha frente.
- Nem pensar, eu convidei, eu pago. – Falei, colocando o cartão na maquina e sem demora fazendo o pagamento.
- Mas .
- Menos teimosia dona . – Sorriu lhe dando a mão para sairmos.
- Eu nem sou teimosa. – Disse fingindo estar magoada.
- , eu só estou...
- Calma , estou brincando. – sorriu e apertou minha mão.
Sentir sua mão segurando a minha era algo tão bom, que não queria largá-la por nada. Acho que notou isso, nas não pareceu se importar, seguimos em direção a sorveteria, meu carro estava estacionado em frente, enquanto ela pediu seu sorvete, consegui alguns saches de mostarda, com o tio do cachorro-quente.
- Prontinho. – Disse mostrando a mostarda.
- Você é meu ídolo. – Ela sorriu me abraçando e em seguida abrindo um dos saches, despejando em cima do sorvete. Confesso que meu desejo por sorvete passou no exato momento que vi comendo aquilo, ela estava linda, parecia radiante, mas ao perceber que havia uma mistura de mostarda com sorvete, meu estomago deu sinal de vida, só de imaginar o gosto daquilo, minha vontade era vomitar.
- isso aqui é maravilhoso!
- Imagino! – Fiz careta.
- Para de fazer careta e prova. – Ela apontou para o sorvete.
- Melhor não...
- Aff, você vai mesmo recusar um... – Antes de completar a frase a expressão de mudou.
- O que aconteceu?
- Onde tem um banheiro?
- Você está bem?
- Acho que estou um pouco enjoada.
- Meu Deus! O que eu faço? – Perguntei um pouco assustado.
- Acha o banheiro. – Ela disse pálida.
- Moça eu preciso, eu preciso de um banheiro. – Pedi imediatamente para um atendente, ela prontamente apontou a direção, por sorte estava escrito “família” na porta e eu poderia entrar com .
- Não precisa, eu só... Eu me viro. – disse um pouco tonta.
- Claro que precisa, vem aqui. – Guiei ela até o banheiro, que correu alcançando o vazo e despejando dentro dele, tudo que havia comida durante nossa noite. Era horrível ver ela naquela situação, tentei ajudá-la, mesmo que apenas segurando seu cabelo, contudo me senti impotente diante da situação.
- Está tudo bem , faço isso todas as manhãs, enjôos são normais, você não precisava ter presenciado a cena... – disse me acalmando.
- Você tem certeza que não quer ir no médico? – Perguntei ainda abraçado nela, enquanto ela lavava o rosto.
- Tenho, só quero ir pra casa.
- Vamos, mas se você quiser, vamos no médico, acho que vou ligar para ...
- Nem pensar, esqueceu que ela saiu com o ? Não vamos atrapalhar eles, esse não é o primeiro e não vai ser o último enjoo, aliás, terei enjoos dobrados, provavelmente.
- Mas também terá cuidado dobrado, prometo me desdobrar em dois, três, posso ser um ótimo enfermeiro.
- Obrigado , você não precisa fazer isso.
- , eu não sou aquele monstro e quero muito ser alguém que te de orgulho e de orgulho para esses pequenos, vou te provar isso, só basta você continuar deixando.
- Vamos com calma. – Ela pediu encarando meus olhos.
- Tudo no seu tempo. – Sorri beijando sua testa e sentindo os braços de envolverem minha cintura, em um abraço termo e cheio de sentimentos.
Senti meu coração começar a cicatrizar e desejei mais que tudo, que o dela conseguisse se curar das feridas que lhe causei.


Capítulo V

Pov

Eram 3:40 da manhã quando acordei com meu telefone tocando, era , atendi preocupado e levantei da cama, me vestindo.
- , oi, o que aconteceu? Estou indo pra ai, fica calma que eu já estou chegando. – Falei preocupado.
- Calma , eu está tudo bem, eu só... Estou com desejo. – Falou manhosa, fazia em média um mês que estávamos nos permitindo conviver um com o outro, já dominava meus pensamentos e atitudes e com certeza ela tinha consciência disso.
- Desejo? Desejo de que? – Falei por fim, respirando aliviado.
- De açaí, mas não é um açaí qualquer... – Podia imaginar ela mordendo o lábio enquanto falava, nesse momento minha reza foi para não ser açaí com mostarda, pois ela estava com essa mania de colocar mostarda em tudo.
- É o que então?
- Calma, não é mostarda. – Ela riu, parecendo ler meus pensamentos. – É açaí com sorvete de flocos e cobertura de morango.
- Meu Deus, você tem tido as melhores combinações hein... Vou ao mercado e em seguida até ai. A já chegou de viagem?
- Não, o voo dela é amanhã cedo, estou sozinha.
- Interessante.
- Por quê?
- estava uma mala hoje, imaginei que fosse isso.
- Ela disse que ficaria cansada se voltasse no mesmo dia, preferiu passar em noite em um hotel e amanhã retorna.
- Podia ter me avisado, não é legal ficar sozinha. – Falei já dentro do carro, quando o assunto era a beleza dos meus filhos, eu era rápido, não queria ninguém com cara de açaí.
- Gosto de ficar em paz, você daqui a pouco vai querer que coloquem uma sonda nasogástrica para controlar minha alimentação.
- Não sei o que e isso, mas se for bom, eu quero.
- Você quer prestar atenção no trânsito, que barulho de buzina foi esse? – Disse brava.
- Tinha uma tartaruga na minha frente.
- E você fez o que com ela?
- Tartaruga no sentindo motorista lento... – Expliquei.
- Aff, pensei que fosse uma tartaruga de verdade, eu quero ter uma tartaruga.
- , acho que ter duas crianças na sua barriga, faz você querer coisas... – Ria divertido completando a frase quando ela me cortou.
- Não me chama de criança, .
- Não estou chamando, você é o amor da minha vida, sabe disso. – Cutuquei.
- Falta muito para chegar ao mercado? – Ela respondeu mudando de assunto.
- Uns 5min, nem isso.
- Então vou desligar, preciso fazer xixi, acho que tomei muita água hoje. – Disse parecendo estar brava novamente.
- Por que o tom bravo?
- Porque você disse pro Tommy que eu não estava tomando água e agora ele colocou o celular para despertar de hora em hora, me obrigando a tomar um copo de água por hora.
- Eu? Aquele filho da mãe te contou que foi eu quem falei?
- Sim, e eu quero saber o que você deu em troca desse favor.
- Ah, nada demais. – Ri me divertindo ao lembrar, Tommy é um amigo de , ele trabalha na revista com ela e é apaixonado pelo , conclusão? Ofereci um nude do em troca desse favor, agora vou ter que tirar foto dele, mas isso é fácil, sempre toma banho de porta aberta, no próximo show, divido quarto com ele e tudo certo.
- Fala .
- , você tem que fazer xixi, ou vai fazer nas calças.
- Eu já estou fazendo. – Ela disse óbvia.
- Porra, não faz isso comigo. – Falei imaginando a cena, sei que parece estranho, mas pensar em ver a tirando a calcinha, me pira.
- Isso o que? – Perguntou sem entender.
- Me fazer imaginar você mijando, aliás, tirando a calcinha pra mijar.
- ! Não é mijando, é fazendo xixi, não repete mais isso, principalmente perto dos meus filhos.
- Mulher eu te amo. – Falei rindo alto enquanto procurava os itens que ela havia pedido.
- Eu te odeio. – Disse manhosa.
- Ó, estou no mercado, quer mais alguma coisa?
- Não, só isso mesmo...
- Ok, já chego ai.
- ...
- Oi?
- Compra chocolate e pipoca?
- Compro moça. – Sorri indo pegar os demais itens.

- Meu Deus, você é o ? O do Gloria? - A moça do caixa perguntou, um pouco alto.
- Sou sim. – Sorri um pouco tímido.
- Caramba, pessoalmente você é ainda mais bonito. – Ela me cantou na cara dura.
- Obrigada.
- Posso te pedir uma coisa?
- Claro. – Respondi achando ser um autógrafo ou uma foto.
- Eu saio em alguns minutos, você não quer me esperar para fazermos algo juntos? – Ela respondeu me deixando sem reação.
- Não posso moça, eu tenho compromisso.
- Poxa, que pena, outra hora quem sabe? – Perguntou enquanto eu pagava as compras.
- Pode ficar com o troco, estou com um pouco de pressa. – Falei sem responder sua pergunta e ainda atônico me dirigi até o carro. havia desligado o telefone, provavelmente puta da cara com a ousadia da garota. Resolvi correr o mais rápido que pude. Logo cheguei em seu apartamento, não demorou para menina atender.

- Finalmente. – Ela disse abrindo a porta, arrancando as sacolas da minha mão e fechando em seguida.
- Hey, ? – Bati na porta.
- Vai lá com a garota do supermercado. – Gritou novamente.
- Isso não pode estar acontecendo. – Ri da crise de ciúmes.
- Ok. – Respondi e fui até o lado da porta, onde pelo olho mágico ela não poderia me ver. Segundos depois abriu a porta e eu entrei, lhe pegando de surpresa.
- Quem deixou? – Ela tentou me empurrar.
- Só vou embora quando ver você sorrir.
- Eu quero te matar.
- Eu sei, mas eu não fiz nada, sua ciumenta.
- Não tenho nada contigo, pra ter ciúmes de ti. – Respondeu, essa doeu.
- Vai ter dois filhos comigo. Era impossível não ficar convencido diante disso.
- Mas só isso.
- Você ainda acha pouco? – Falei indo até a cozinha e colocando as pipocas no microondas.
- Acho que eu estou um pouco bipolar. – Ela respondeu comendo a mistura, açaí, sorvete e cobertura.
- Estou notando, aconteceu algo?
- Eu estou com medo.
- Do que? Perguntei me aproximando dela, que estava sentada na bancada entre a sala e a cozinha de seu apartamento.
- Da eco de quinta-feira, tenho medo de sei lá, não estar tudo bem.
- Hey, vai estar tudo bem, nós vamos descobrir o sexo deles, ouvir o coração, vai ser muito bom.
- E se não der pra ver o sexo.
- Ué, esperaremos pela próxima. – Disse beijando sua testa.
- Você tem certeza que vai faltar a entrevista pra ir comigo? Os meninos vão ficar bravos contigo.
- Tenho total certeza. – Sorri e roubei um pouco de seu sorvete.
- É meu. É nosso. – Ela brigou e depois sorriu colocando a mão em sua barriga.
- Não vou te dar pipoca...
- Vai sim.
- Como sabe que eu vou?
- Você disse que me ama. – Ela sorriu marota e beijou meu pescoço.
- Não faz isso comigo. – Pedi já arrepiado, nós já havíamos trocado alguns beijos, mas nada além disso e o toque dela provocava algo sem explicação em mim.
- Faço sim, eu estou precisando ...
- Precisando do que? – Perguntei com medo da resposta.
- Disso. – Ela me puxou dando um beijo com tesão no ar.
- , você... – Não sabia o que fazer, qual atitude tomar.
- Eu preciso transar , mulheres grávidas ficam com a sexualidade muito mais... Enfim, eu preciso.
- Você tem certeza? Isso não está sendo muito romântico, eu... Você tem certeza? – Eu estava com medo, sei que já transamos uma vez depois do que aconteceu, sei que por meses eu estou limpo e livre das drogas e todos os alucinógenos que eu usava, mas mesmo assim, sentia medo de machucá-la.
- Você disse que atenderia todos os meus desejos.
- Mas isso significa que nós...
- Significa que você não quer que seus filhos nasçam com cara de sexo. – Ela tirou minha camisa.
- Eu não quero, não quero mesmo.
- Então... – Ela beijou meu peito e mordiscou meu mamilo, aquela foi a deixa, não ia conseguir me controlar mais e de fato não me controlei, desliguei o micro, não queria colocar fogo na casa. Peguei no colo e lhe dei um beijo como a tempos não dava, um beijo que explorava ela, que me fazia sentir um fogo que a tempos não sentia. Apalpei com vontade a bunda dela, levando-a para o quarto.
- Se for menina, ela não vai ver meu pinto né? Quando eu, colocar, você sabe? – Perguntei entre os beijos.
- Cala boca . – gargalhou e desceu do meu colo, me atirando na cama.
- Você fica mais bonito gemendo do que falando. – Ela disse abrindo minha bermuda, logo a ajudei com o objetivo de me deixar nu e sentindo meu membro rígido, ela sorriu e se ajoelhou diante da cama, fazendo movimentos circulares com a língua em meu membro. Após, começou a alisar meu pênis com a mão, enquanto chupava a ponta dele.
Eu estava indo a loucura, sentir a língua quente dela no meu pênis me dava vontade de penetrá-la logo, mas decidi que ela ditaria o ritmo, assim conseguiria respeitar suas vontades.
Ela oscilava entre movimentos circulares e um vai e vem e me levava a loucura. Já estava gemendo, quando segurei em seu cabelo e puxei, pedindo para que parasse ou não conseguiria resistir por muito mais tempo. Ela sorriu dizendo que gostaria de sentir meu gosto.
- Ainda é cedo. – Respondi, lhe puxando para um beijo. divertiu-se rebolando em cima do me pau ereto, vestindo apenas uma calcinha.
Desci meus beijos até seus seios, mordiscando seu mamilo. Ela pressionou seu quadril contra o meu, e começou um movimento de vai e vem, fazendo meu pau doer de tesão.
Agarrei com força sua nuca, beijando sua boca e explorando com a mão dentro de sua calcinha, em sua bunda, levando a mão até sua intimidade. Comecei assim a lhe alisar. mordeu meu lábio, abafando um gemido. Sorri convencido e troquei com ela, deitando-a na cama.
- Você não vai fazer isso. – Ela sorriu divertida, pressionando suas pernas contra mim, tentando me imobilizar.
- Eu vou sim. – Sorri e mordi sua coxa, lhe fazendo arrepiar, em seguida ela abriu as pernas e eu arranquei sua calcinha. Beijei novamente o local que havia dado a mordida, e comecei a beijar o restante da coxa, fazendo um caminho até sua virilha. Conseguia sentir o desejo dela naquele momento, seu corpo estava quente, suado e pedindo por mais. Parei observando o quão perfeita aquela mulher ela, tentei não pensar nas coisas idiotas que fiz e aproveitar o momento.
- Para de me torturar. – pediu manhosa.
- Foi você quem pediu. – Sorri e dei uma leve mordida em seu clitóris, em seguida comecei a massageá-lo com uma mão, enquanto desci os beijos e comecei a introduzir a língua na vagina dela. Ela gemia alto, sem se importar com nada e quase arrancava meus cabelos. Aquela era a deixa de que eu estava fazendo um bom trabalho.
Comecei a oscilar entre o clitóris e a entrada de sua vagina.
- Me fode . – Ela gritou me puxando pra cima, assim que senti um pouco de líquido quente em minha língua.
- Como você preferir. – Falei beijando seu pescoço e parando o membro na entrada de sua vagina.
Não me contive por muito tempo, logo já estava dentro dela, estocando meu pênis em movimentos rápidos, escutando gemer e sentindo suas unhas arranharem minhas costas.
Dei um beijo forte em seu pescoço e torci para que ele não lhe deixasse uma marca, caso contrário estaria ferrado.
Ela correspondeu com um gemido ainda mais forte e pediu para ficar por cima. Troquei de posição, segurando seus quadris e ajudando-a com os movimentos. Ver cavalgar em cima de mim, era como uma visão, nem nos melhores sonhos, sonharia com isso novamente. Puxei-a para perto, sentindo seus seios tocarem meu peito, sentia que poderia explodir a qualquer momento.
- De quatro ! Eu quero de quatro. – Ela disse ofegante.
- Seu desejo é uma ordem meu amor. – Falei sem pensar e no segundo seguinte, acatei seu pedido.
Comecei a beijar suas costas, enquanto a penetrava, depois desci as mãos para sua cintura e finalmente encontrei seu clitóris, estimulando-a ainda mais. gritou, um grito de prazer e arrisco dizer luxúria, logo senti que ela estava tendo um orgasmo e acabei gozando dentro dela. Retirei o membro de dentro dela, ainda sob o êxtase do momento, e a levei novamente para cama, ficamos um tempo quietos, observando o teto e tentando reunir energias para falar qualquer coisa. Quando fiz menção em falar algo, colocou o indicador em minha boca, me calando.
- Acho que não tenho energias nem para tomar banho. – Ela riu.
- Quer uma toalha? – Disse pronto para me levantar.
- Não precisa... Ela riu novamente e abriu a gaveta perto da cama, tirou de lá alguns lenços se limpando, tocou em um lixo que havia perto e deitou novamente em meus braços.
- Boa noite . – Falou bocejando.
- Boa noite minha menina. – Disse vendo-a ser vencida pelo sono e adormecer em meus braços.



Capítulo VI

Os primeiros raios de sol já estavam presentes quando acordei, dormia tranquilamente ainda me abraçando, desvencilhei dela levantando e tomando um banho rápido, no banheiro do corredor, para não fazer barulho e acordá-la, era sábado, eu teria show em Campinas e combinei de encontrar os moleques ás 14 horas, ainda era cedo, então teria bastante tempo para ficar com ela, resolvi lhe fazer uma surpresa e agradeci a Deus por aplicativos onde você consegue comprar absolutamente tudo, até uma cesta pronta de café da manhã, assim que chegou, pedi para não tocarem a campainha e desci pegando minha encomenda, voltei, organizei uma bandeja com tudo que gosta e deitei ao seu lado, com a bandeja em cima do criado mudo, esperando que ela acordasse.
acordou e ficou um bom tempo olhando para o teto, após, virou-se para minha direção e perguntou-me as horas.
- Já passa das 10, respondi prontamente, lhe dando um beijo na testa.
- Acho que você tem que ir. – Ela disse sentando-se na cama, logo após, olhou para o lado, onde encontrou a cesta de café da manhã.
- Espero que goste... – Falei a observando.
- Eu amo comer , mas você não deveria ter feito isso, eu não, bem, não deveria ter te chamado, é só que não tinha outra pessoa, e mulheres grávidas tem essa necessidade.
- Como assim?
- Não quero que você crie esperanças em relação a nós.
- Mas, . – Disse tentando manter a calma. – Você disse que tudo tinha seu tempo.
- E tem, e hoje não é tempo de termos uma relação, não quero que você romantize o que aconteceu.
- Mas, a nossa noite...
- Foi apenas sexo casual, espero poder te chamar mais vezes, não queria fazer com outra pessoa, mas não quero romance, não quero grude. – Ela disse sem me olhar.
- Eu não estou entendendo.
- , esse café da manhã é digno de namorados apaixonados e nós não somos isso, somos duas pessoas que teremos dois filhos e temos que ter boa convivência, nada de compromissos, pelo menos por enquanto.
- Eu amo você.
- Você sabe que eu não gosto quando fala assim.
- Eu sei que eu te magoei demais, mas, por favor, acredita em mim. – Pedi.
- Eu não quero falar disso, só quero que você vá embora e não se iluda com o que aconteceu, foi apenas sexo.
- Sem sentimento? O que aconteceu não teve sentimento pra você?
- Teve. Prazer. – Ela falou dura.
- Eu não acredito em você, nem na minha cara está olhando. – Falei bravo.
- Não preciso que acredite em mim, preciso que você me foda quando eu tiver vontade. – Disse grossa.
- Eu não quero foder você, eu quero fazer amor contigo. – Disse me colocando em sua frente.
- Não quero amor , não agora, e caso você se sinta incomodado com essa situação, quando eu sentir necessidade, posso chamar outra pessoa.
- Não, olha o que você está dizendo, não, claro que não, você, você está grávida. – Comecei a falar nervoso.
- Grávida, não doente.
- Mas deve se cuidar. , para de ser tão teimosa, meu Deus.
- Por favor, vai embora. – Ela disse levantando-se e indo até o banheiro. – Não quero encontrar você aqui quando eu sair daqui de dentro.
- Por que não?
- Porque eu não quero, caralho! – Falou em sua bipolaridade.
- Espero um dia ser digno de lhe dar mais que prazer sexual em uma foda casual, saiba que pra mim, foi muito mais que isso. – Falei me vestindo, estava decepcionado.
- Eu te ligo quinta-feira para combinarmos a ida no médico. – Ela disse fechando a porta do banheiro e me ignorando por completo.

Por sorte já estava em casa quando sai do quarto, expliquei um pouco do que aconteceu e pedi para ela cuidar de , ela me explicou que isso é comum em algumas mulheres, que na gravidez, é como se ela sofresse de TPM, e uma TPM forte durante todo período. Pedi a Deus que me desse forças para vencer aquilo e uma dica de como reconquistar minha garota, ela me falou que no fundo, sonhava com o clichê, casar, ter filhos e uma casa enorme, que eu deveria ser romântico para conquistá-la e assim meu projeto “Conquistar a ” começou.

Primeiro passo, melhor amigo: GOOGLE.

Pesquisei como conquistar uma mulher no Google, nas primeiras opções de pesquisa estava o Yahoo, lembrei que muito antigamente me divertia dando respostas sem pé nem cabeça por lá e achei melhor não confiar. Segui pesquisando, visto que falavam em conquistar adolescentes, e eu queria conquistar uma mulher. Perguntei-me se esse tipo de pesquisa era comum entre adolescentes, mas não me deixei abater, teria ela e meus filhos teriam orgulho do pai deles.

Primeira dica:
Vista-se bem.
Nunca tive dúvidas da minha aparência, eu me vestia bem, talvez um pouco despojado, pensei se seria bom comprar ternos, homens românticos usam terno, decidi que era a hora de comprar camisas sociais e ternos. Pretos, pois li que nos deixam mais magros. Resolvi pesquisar no Google o valor de ternos, mas minha pesquisa foi interrompida por um impaciente ao telefone, eu estava atrasado, a banda estava no ponto de encontro me esperando para irmos a Campinas e se não chegasse a tempo, arrancariam meu órgão reprodutor fora.

Pausa no projeto. Play na vida real.

Pov


andava sumido, desde o dia que mandei ele ir embora, não me ligava, mas ligava para perguntando sobre eu e as crianças, ela comentou que ele estava com um plano em mente e com esse plano me conquistaria, tentei descobrir mais, mas nem ela sabia ao certo. Meus dias estavam resumidos entre trabalho e sorveteria, por sorte Thommy ama sorvete, logo eu tinha uma companhia para as gordices da vida, ele só não entendia minhas combinações, mas isso nem eu mesmo entenderia se não tivesse com tantos desejos.

A quinta-feira chegou e enviei uma mensagem para , marcando de nos encontrar na clínica onde consultaria e faria a ecografia para sabermos o sexo dos bebês.

Ele já estava lá quando cheguei, quase não o reconheci, pois estava vestido com um terno preto, e sapatos da mesma cor. Agradeci por ele não estar usando gravatas, pois isso era o que faltava para completar o look, que em nada combinava com ele, já que estava visivelmente desconfortável.

- Aconteceu alguma coisa? Estava em alguma audiência ou participando do quadro “sonho de princesa”? – Ri beijando sua bochecha.
- Estou bonito? – Ela falou sorrindo.
- Esta... Estranho. – Respondi indo até a recepcionista fazer minha ficha de atendimento, ele me acompanhou sem falar nada, apenas sorria.
A recepcionista sorriu em resposta pra ele, ele ficou sem jeito, me olhou e ficou me olhando sorrindo, igual um idiota, acredito que nem ela, nem eu, conseguimos entender o que se passava, diante daquilo eu comecei a rir, gargalhar, sem saber dizer o motivo.

- O que está acontecendo com você? – Perguntei assim que sentamos para aguardarmos o médico chamar.
- Nada, por quê?
- Essa roupa, você está sorrindo estranho, não sei. – Respondi sincera.
- Esse é meu novo eu. – Ele disse sem mais detalhes. – Tem algo em você que eu gosto muito. – Ele disse encarando meus olhos e sorrindo.
- O que? – Perguntei sem entender, estava realmente confusa.
- Tudo, você é perfeita. – Ele disse e segurou minha mão, dando um beijo. Olhei para os lados, procurando alguma câmera escondida, mas não encontrei, aquilo parecia alguma pegadinha, desde quando ele se comportava assim, olhava para seu cabelo, ele estava usando GEL, sim GEL de cabelo, que não combinava nem um pouco com ele, não do jeito que arrumou os fios, metade para cada lado, ele estava parecendo o Zé Bonitinho, queria voltar a rir, mas então finalmente o médico nos chamou.
Xxx

- Preparados para saber o sexo desses bebês arteiros?
- Mais que preparado. – sorriu, um sorriso verdadeiro e não algo forçado.
Assim que o médico colocou o gel em minha barriga começou a mostrar nossos bebês, senti meus olhos marejarem, segurava com força minha mão, quando lhe encarei pude ver uma lágrima escorrendo em seus olhos.
- Como pode dois pedacinhos de gente significarem tanto? – Ele disse beijando minha testa.
- Os pedacinhos de vocês estão com as pernas fechadas, vão ter que esperar mais um tempo para saberem. – Médico disse.
- Acho que eles puxaram a mãe, são um pouco teimosos. – falou encarando o monitor a nossa frente.
- Eu não sou teimosa. – Reclamei.
- Mas eles vão ser. – O médico disse, enquanto ligava algo que nos fez ouvir o coração dos bebês.
- Eu nunca vou me cansar desse som, nem todas as músicas do mundo, vão ter esse significado, vão me emocionar dessa maneira. – disse encantado.
- É o som do nosso coração batendo em outros corpos. – Falei correspondendo um selinho que ele me deu.

Não sei se passou muito rápido o tempo, ou se por estar amando aquele momento, não vi os minutos passarem. Sai ainda emocionada da sala, de mãos dadas com o e carregando comigo um cd com o vídeo gravado, com certeza veria muitas vezes aquele momento.

- Quer comer algo, passar em algum lugar?
- Não, não, só quero ir para casa mesmo.
- Hum, ok. – Ele falou pensativo.
- Que lindos. – Disse ao passarmos por um casal na rua, o menino estava dando flores para menina e ela parecia emocionada. - Deve ser alguma data importante, ou ele fez alguma merda, homem sempre da flores para mulher depois de fazer merda.
- Eles se amam, o amor é assim...

é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
- Disse de forma decorada.

- Definitivamente você não está bem. – Falei assustada.
- Não posso nem ser romântico?
- Você não combina com romantismo ... – Falei rindo, mas logo fiquei quieta, pois aquilo pareceu magoar ele.
- Entregue. – Foi tudo que ele disse, não o convidei para subir, ele parecia estranho.

Cheguei no apartamento decidi tomar um banho, 30 minutos depois a campainha tocou, não esperava nenhuma visita, ao atender me surpreendi, era da floricultura com um boque de rosas brancas. No cartão estava escrita apenas a primeira frase do poema Amor é fogo que arde sem se ver... de Luís Vaz de Camões.
Nos outras 3 horas minha campainha tocou de 20 em 20 minutos, com outras flores, diversos tipos e cores, em cada cartão mais uma frase do verso. Resolvi correr para internet e contar quantas frases tinha o poema. Eram 14, pela lógica ele me entregaria 14 boques de flores. Resolvi postar uma foto no instagram.

“Acho que erraram o velório e mandaram as flores aqui para casa. SOS a Reniti já está pedindo passagem”.
30 minutos se passaram, vi que ele viu a story no instagram, mas nada comentou. Novamente a campainha tocou, era de uma loja de chocolates, com uma cesta linda, e um cartão, com o restante do poema.
Resolvi incomodar um pouco e postei outra foto, desta vez com a legenda:
“Já não entro em roupa nenhuma, com esse tanto de chocolate piorou minha situação”.

Novamente ele visualizou e nada respondeu. Já estava me organizando para dormir, passava das 22 horas quando a campainha tocou novamente. – Dessa vez foi quem atendeu, já rindo da minha cara. E pegou um embrulho, me entregando em seguida. Era um urso enorme, que segurava um coração gigante, escrito “eu amo você”.

- Ele conseguiu te dar todos os clichês possíveis. – Ela gargalhou enquanto eu mostrava o presente.
- Quando eu disse que romantismo não combinava com ele, eu não estava o criticando, meu Deus, qual o próximo clichê?
- Um pedido de casamento?
- Ele não seria doido. – Falei rindo e tirei uma foto do presente, postando em seguida, dessa vez com a legenda:
“Os ácaros agradecem e minhas alergias respiratórias também”.

Confesso que estava me divertindo com aquilo e também curiosa em saber até onde ele iria. Demorei a dormir, pois estava ansiosa com a sua reação e irritada com a falta de resposta dele, mas orgulhosa, achei melhor não ligar ou chamá-lo em alguma rede social.

Acordei com uma luz forte no rosto, era invadindo meu quarto e acendendo a luz.
- Porra, eu estou grávida, você podia me respeitar um pouquinho. – Disse reclamando da luz.
- Tem presente novo e eu quero saber o que é, antes de sair para o trabalho. – Ela falou empolgada me dando um pacote.
- O que será? – Sentei imediatamente na cama abrindo o embrulho.
Era uma camiseta, com os dizeres: “Cuidado, tenho todas as doenças respiratórias possíveis” e três caixas de sorine. Gargalhei junto com ao ver as caixinhas.
- E agora? Qual vai ser a reclamação?
- Não sei, não consigo pensar em como reclamar, foi o presente mais útil que ele me deu na vida. – Respondi rindo.
- Da uma chance pro moço. – Ela riu e beijou minha testa. – Vou lá , volto cedo hoje.
-Tudo bem, até depois então. – Respondi sonolenta e resolvi tomar um banho, antes de falar algo do presente. Senti uma saudade enorme dele, de seu abraço e seu cheiro.
Tirei uma foto vestido a camiseta e segurando uma das caixinhas de sorine na mão e na legenda escrevi: “Melhor presente da vida, obrigada ”.

Ele imediatamente me ligou.

- De nada meu bem. – Ele respondeu assim que falei oi.
- Será muito útil. – Não consegui deixar de sorrir ao ouvir sua voz.
- Estou com saudade.
- Nos vimos ontem. – Falei provocando.
- Continuo com saudade... – Respondeu fofo.
- Acho que você pode vir aqui em casa, trazendo um pote de sorvete, é claro.
- Opa, levo até a mostarda. – Pude notar que ele sorria.
- Ficaria agradecida. – Gargalhei lembrando das caretas que ele fazia ao me ver comendo essas misturas.
- Trabalha hoje?
- Não, já entreguei tudo ontem, estou de folga por três dias.
- Que notícia boa, também estou de folga.
- Desde quando?
- Desde agora, acabei de decidir. – Ele riu.
- Vou ao mercado e logo chego ai, tá bom? – Completou.
- Ok, não demora, estou com fome. – Disse e em seguida desliguei o telefone.


não demorou a chegar, trouxe consigo dois potes de sorvete e várias coberturas.

- Você é o máximo! – Respondi empolgada ao ver as sacolas.
- É eu sou. – Ele disse convencido. – Não, não sou, não faço nada demais. – Tentou ser humilde.
- Humildade não combina com você . – Sorri e lhe dei um beijo na bochecha.
- Combina sim, eu sou um novo agora.
- Hum, quero só ver... – Sorri me aproximando dele e lhe dando um selinho. Ele não perdeu tempo e prolongou o beijo.
- Estava pensando em ir no shopping, estou com vontade de comer panquecas.
- Claro, vamos, só vou guardar o sorvete pra mais tarde então.
- Ok, vou só me arrumar. – Falei percebendo que vestia apenas a camiseta que ele me deu.
- Você está linda assim.
- Posso ir assim para o shopping? – Disse puxando a camiseta e mostrando que estava apenas de calcinha.
- Não, até porque não conseguiria sair de casa com você assim... – Ele tarou.
- Te aquieta. – Joguei uma almofada nele e sai em direção ao quarto.

Xxx

- Ó chegamos. – Falou estacionando no shopping. Aproveitamos para além de comer panquecas maravilhosas, comprarmos algumas roupas.

- Acho que essa vai ficar pequena , ó, diz tamanho 3 aqui, 3 é algo pequeno.
- 3 anos , nossos filhos precisam de roupas pequenas, vem, essa é a parte dos bebês.
- , são meus filhos, eu sou grandão, eles vão ser grandão.
- Grandão, mas não tamanho três anos. Olha o meu tamanho, não tem espaço pra tudo isso. – Falei rindo.
- É, você precisa aumentar, tem que comer mais. – Ele disse pensativo.
- Te aquieta. – Falei segurando uma camisetinha do Batman.
- Vamos comprar duas. – Ele falou convencido, preciso ensinar meus filhos a gostarem dos melhores super-heróis.
- Então vamos comprar do arqueiro-verde, porque, ele é o melhor. – Falei segurando outra camiseta.
- Você gosta dele só porque ele é bonitinho. – Disse revirando os olhos.
- Falou o cara que se veste de morcego. – Debochei.
- Vai debochando, vai, ensino eles a gostarem da Marvel.
- Você não faria isso.
- Ah, eu faria. – Ele disse gargalhando.
- Você me deixaria triste? – Perguntei segurando o riso e fazendo cara de choro.
- Claro que não. Ó, vamos comprar três para garantir. – Ele disse colocando camisetinhas de Arrow.
- Tá bom, e duas do Batman.
- E da mulher-maravilha.
- E do Flash?
- Ele é divertido.
- E rápido. Vamos comprar do Flash. – Falou convencido.

- Meu Deus, estou morta! – Disse me atirando no sofá de casa.
- Quer massagem? – Ele perguntou se aproximando.
- Por favor. – Falei colocando as pernas em cima dele, que logo iniciou uma massagem em meus pés.
- A deu a ideia de fazermos um chá revelação. O que acha?
- disse que seria a fantasia. Eu quero! – Respondeu animado.
- Mas e se eles não mostrarem o que são?
- Ah, ai não sei. – Disse pensativa. Ver o realmente diferente, demonstrando mudar e querer ser alguém melhor mexia comigo de uma maneira que não conseguia traduzir em palavras. Era um sentimento bom, que tomava o lugar do medo.
- Podemos organizar para o próximo mês, daí o médico fala pra ela o que esses pequenos vão ser... Não, melhor não, ela vai se achar.
- Ela se acha por qualquer coisa. – Falei com sono.
- Eu estou em casa e estou ouvindo. – disse saindo do corredor.
- Tem que ser a fantasia, é muito mais divertido. – falou saindo de trás dela.
- Hey, o que vocês estavam fazendo?
- Nada que vocês nunca tenham feito. – respondeu rindo.
- Amor, eu tenho que brigar com eles, eles estavam me chamando de metida. – falou fingindo estar brava.
- Ah, é verdade amor. Ela vai brigar com vocês. – disse apontando para nós dois.
- Acho que quero dormir. – Respondi rindo e bocejando.
- Eu te levo pro quarto. – disse me pegando no colo.
- Eu só não vou te dar uns tapas, porque minha amiga e meus afilhados estão no teu colo. – disse se atirando no sofá ao lado de .
- Hey, que roupa é essa? – finalmente percebeu o novo estilo de .
- Esse é o novo . – respondeu convencido.
- Saudades antigo. – cantarolou.
- Vai se fuder. – respondeu para , mostrando também o dedo médio.
- Voltou. – disse gargalhando.
- Me leva para o quarto? – Fiz manha, antes dele responder a dupla.
- Claro, vamos, vamos. – disse me levando em direção ao quarto.
- Pronto moça, está entregue.
- Obrigada. – Falei cansada.
- Acho que já vou indo, qualquer coisa você me liga. – Ele disse em pé, frente minha cama.
- Fica mais um pouco... Pedi o puxando para um beijo.
- Melhor não .
- Você não quer? – Perguntei um pouco ofendida.
- Claro que quero, mas, amanhã de manhã? Você vai me mandar embora.
- Podemos negociar.
- Como? – Ele falou esperançoso.
- Se você voltar a ser o , aquele com cabelo bagunçado... O meu , eu posso deixar ficar até o horário do almoço.
- Gostei da ideia. Mas você não gostou do meu visual? – Indagou.
- Fico legal... – Fiquei com pena de falar a verdade. – Mas prefiro o outro.
- Hum, então vou arrumar outra... Nada esquece. – Falou um pouco mais alto.
- O que?
- O que eu estava falando. – Ele disse e me deu um selinho.
- Vem logo . – Falei o puxando para cama.
- Quer que eu pegue algo?
- Não, só quero dormir abraçada em ti. – Respondi sincera.
- Seu desejo é uma ordem. – Ele disse tirando os tênis e a roupa, ficando apenas de boxer azul marinho e se atirando na cama comigo.
- ?
- Hum?
- O que acha de passarmos um final de semana na praia?
- Acho que pode ser legal. – Respondi sonolenta.
- Então vamos... – Ele ia fazendo planos.
- Amanhã pensamos nisso. – Disse mais preguiçosa ainda.
- Tá bom. – Ele sorriu e beijou minha testa. – Amanhã pensamos nisso. – Respondeu com sono.




Capítulo VII

Acordei sentindo o corpo quente de envolta do meu, seus braços me abraçavam como se tivesse medo de me ver fugir, senti sua respiração calma em meu pescoço e me virei, encarando-o dormir. Beijei seus lábios em um selinho demorado e mexeu-se, acordando um pouco tonto. Ele encarou o teto por alguns instantes e após virou me abraçando mais e demonstrando surpresa em me ver acordada.
- Bom dia. – Disse preguiçoso e beijou minha testa.
- Bom dia. – Respondi preguiçosa.
- Faz tempo que está acordada? Por que não me chamou? – Perguntou afundando novamente seus braços em meu corpo.
- Faz pouco, você parecia calmo dormindo. – Sorri.
- Fazia tempo que não dormia tão bem.
- Você tem tido insônia?
- Um pouco, fico com medo de você me ligar e eu não ver. Dormindo com você isso não acontece, afinal, você pode me chamar e eu sempre vou ver. – Justificou me fazendo sentir culpada.
- Podemos negociar mais dias dormindo juntos, para melhorar sua insônia e tal... – Sorri lhe beijando.
- É tão bom ficar perto de você. – Ele disse correspondendo o beijo e iniciando outro. Subi em cima dele, com vontade de algo a mais, mas fomos interrompidos pelo barulho alto de algo caindo na cozinha. Levantamos e corremos em direção a ela, encontrando um no chão, reclamando de dor na bunda e uma rindo demais.
- O que aconteceu? – perguntou sem entender.
- Essa anta achou que um banquinho de plástico aguentaria o seu peso. – respondeu rindo.
- Mas aguenta. – respondeu sonolento.
- Ele subiu no banco... – Ela falou ainda tentando conter o riso.
- Minha bunda ta doendo. – disse quase chorando nos fazendo gargalhar.
- Pra que? Vocês estavam transando na cozinha? – perguntou parecendo alarmado, como se nunca tivesse feito isso antes.
- Não, ele estava trocando a lâmpada. – Ela respondeu ajudando a levantar e lhe dando um selinho, na tentativa de acalmar sua dor.
- É um fresco mesmo. – disse rindo e se posicionou para trocar finalmente a lâmpada.
- Então, o que vão fazer no final de semana? – perguntou.
- Vamos viajar. – respondeu animado.
- Eu disse... – Comecei a descordar.
- Poxa , merecemos um final de semana só para nós quatro.
- Quatro? – animou-se.
- Quatro, eu, a e nossos filhos. – respondeu o cortando.
- É assim, esquece dos amigos.
- Já tenho que te aturar quase todos os finais de semana, esse quero estar livre de você. – disse rindo.
- Preciso de uma médica, estou com dor na bunda. – Ele fez manha para que respondeu com uma risada e alguns selinhos.
- Sem pornografia na frente dos meus filhos. – disse.
- Até parece que vocês não fazem nada.
- Eu mando eles fecharem os olhos. – respondeu convencido, fazendo todos gargalharem.
Os meninos precisavam fazer algumas fotos para a banda, também tinham compromissos em uma emissora de televisão e aproveitei para ficar um pouco com minha amiga. Também marcamos uma ecografia, faria na volta do final de semana e estava ansiosa por aquilo. nos convenceu a fazer um chá revelação, para desespero de que saberia o sexo dos bebês depois de . Ela se acharia muito por conta disso, mas a ideia do chá era bem divertida e estava animada com aquilo.
Logo o final de semana chegou e me buscou para passarmos o final de semana em Campos do Jordão, em uma casa da família dele.
- Pronta? – Ele falou assim que abri a porta do apartamento.
- Com saudade. – Respondi lhe dando um selinho, estava com uma necessidade sem tamanho dele e não conseguia explicar aquilo.
- Eu pedi pra dormir aqui ontem... – Tentei justificar.
- Era uma noite das meninas. – Sorri me desculpando e apontando para uma pequena mala na sala.
- Você tomou café, quer algo? – Perguntou preocupado, pegando a mala.
- Estou um pouco enjoada, tomei aquele remédio que o médico receitou e estou com sono. – Sorri preguiçosa.
- Vamos pro carro então, você pode dormir durante a viagem. – Disse preocupado.
- Vamos, comprou chocolate?
- Muito, conheço bem os meus três amores, você está viciando eles também. – Sorriu divertindo e me animei em pensar que comeria muita besteira.
Fui com ele até o carro e e não demorei muito para pegar no sono, enquanto se concentrava na estrada.

- Preguicinha? – Ouvi falando calmo e abri os olhos.
- Já? – Perguntei preguiçosa.
- Sim, estamos chegando... – Ele disse sorrindo.
- Quero fazer xixi. – Falei sentindo minha bexiga dar sinal de vida.
- É ali. – Ele apontou para um chalé muito bonito.
- Que lindo, e esse jardim?
- Gostou?
- Sim, muito.
- Logo nossos pequenos vão correr por ele.
- Não vejo a hora. – Sorri animada em imaginar nossos pingos de gente correndo.
Descemos do carro e me mostrou toda casa.
- Está com fome? – Perguntou retirando do carro algumas compras que havia feito.
- Sim, bastante.
- Vou preparar algo.
- Você vai querer me matar. – Disse lembrando de um trabalho que precisava enviar.
- Por quê? – Perguntou me observando.
- Preciso enviar alguns e-mails, mas vou ser breve.
- Se depois disso sua atenção for exclusiva, prometo não ficar tão bravo.
- Eu prometo ser breve, muito breve. – Disse lhe dando vários selinhos.
- Ok, então vou para cozinha, enquanto você fica dando atenção pro trabalho. – Falou fingindo estar ofendido.
- Combinado! – Sorri e peguei computador na mala, tentando ser o mais breve possível.
Logo que comecei a trabalhar, percebi que estava com pouca bateria no notebook, procurei na mala e não encontrei o carregador, me fazendo entrar em desespero.
- Droga, droga, droga, mil vezes droga. – Disse irritada ao perceber minha falha.
- O que aconteceu? perguntou um pouco assustado.
- Esqueci meu carregador do notebook. – Falei manhosa.
- É muito importante?
- Sim, preciso enviar hoje ainda e falta pouca coisa.
- Pega o meu, mas só empresto se prometer esquecer do trabalho o resto do final de semana.
- Eu prometo, prometo! – Sorri e levantei lhe dando um beijo no rosto.
- Se for ganhar beijos assim sempre que emprestar o notebook, vou sumir com a bateria do teu. – Ele brincou e me deu um selinho.
- Quanto tempo tenho até a comida ficar pronta? – Perguntei pegando o computador dele.
- 30 minutos.
- , você precisa por a senha. – Disse ligando o computador.
- Ixi, deixa eu colocar. – Ele falou parecendo com vergonha.
- Por que? Qual tua senha ? – Falei fingindo estar brava.
- Nada demais. – Ele riu digitando no notebook, mas fui mais rápida que ele e apertei para revelar a senha, antes de iniciar o computador.
A senha era o número do meu telefone.
- Hey, meu telefone?
- Ah, eu não podia esquecer, sempre que quero decorar algo, coloco como senha no computador. – Falou fofo.
- Para de ser assim. – Pedi tímida.
- Assim como?
- Um fofo, eu, eu estou cada dia mais apaixonada por você.
- E isso não é bom? – Perguntou se aproximando.
- Está sendo ótimo, mas não quero que acabe.
- Não vai acabar, basta você querer. – Ele disse me beijando.
- Eu quero , eu quero. – Falei lhe dando mais um beijo, interrompendo-o ao sentir uma cutucada forte em minha costela.
- O que foi? – Ele perguntou assustado.
- Teus filhos resolveram jogar futebol e fizeram minha costela de bola. – Sorri acariciando minha barriga.
- Calma bebês, mamãe não é campo de futebol, espera um pouco que logo papai vai jogar com vocês. – Ele disse acariciando minha barriga e me dando um selinho.
- Estou com fome... – Disse sorrindo e decidi abrir logo o navegador para me livrar dos trabalhos da agencia e poder dar atenção exclusiva para ele.
- Já entendi o recado. – Ele falou rindo e foi para cozinha.
Logo que abri o navegador achei estranho o número de abas que iniciou junto, todas estavam na barra de favoritos e resolvi ver seu histórico. tinha uma imensidão de páginas de revistas adolescentes, todos com matérias semelhantes, dando dicas para conquistar o amado/a, entre essas páginas, uma falava sobre as vestimentas ideais para usar em um encontro. Não pude deixar de rir e ao mesmo tempo querer morder ele por essa atitude, agora sim entendi o motivo daquele gel em seu cabelo, das roupas e do comportamento mudado.
- ? – Chamei parada na porta da cozinha.
- Está quase. – Ele disse concentrado, mexendo em algo no fogão.
- Eu quero falar com você. – Disse me aproximando.
- O que aconteceu? – Perguntou parecendo preocupado, me encarando.
- Eu amo você do jeito que é, com barba pra fazer, cabeço bagunçado, calça rasgada... – Falei o encarando.
- Eu, como assim? – Ele disse desligando o fogão e me encarando sem entender.
- Vi seu histórico do navegador. – Confessei.
- Caralho , eu... Caralho que vergonha. – Ele disse rindo.
- Você é lindo. – Falei pulando nele lhe beijando.
- ! Eu, caralho, você deve estar me achando um idiota. – Ele disse sorrindo e me correspondendo os beijos.
- Eu estou achando você incrível, mas, por favor, não confie em revistas teens. – Disse rindo.
- Prometo confiar mais no meu charme. – Ele sorriu e me beijou com mais desejo que o normal.
- Acho que perdi a fome. – Disse lhe dando outro beijo e sentindo me segurar pela cintura, colocando-me sobre a mesa, apalpando com vontade minha bunda.
tirou meu vestido, apalpando meus seios, sem deixar de me beijar, coloquei minhas pernas em volta de sua cintura, aproximando nós dois o máximo que conseguia, ele então começou a beijar e lamber meu pescoço, apalpando meu corpo e fazendo meu corpo queimar, querendo por mais.
- Gosto de te ver assim. – Disse dando uma mordida em meu seio.
- Assim como? – Perguntei ofegante.
- Querendo o mesmo que eu. – Falou retirando sua camisa e puxando minha calcinha, então começou a tocar minha intimidade com uma mão e com a outra brigar com meu sutiã. Resolvi ajuda-lo tirando-o e deu um sorriso safado em minha direção. Pude sentir no centro de minhas pernas sua intimidade mais rígida, mostrando sinais que queria muito mais que apalpar meu corpo. Ele se ajoelhou e começou a brincar com minha vagina, dando beijos e passando lentamente a língua em minha intimidade, me fazendo puxar seu cabelo com força, tentando conter um gemido. parecia se divertir ainda mais quando eu puxava seu cabelo.
- Filho da mãe. – Disse com raiva por não aguentar mais segurar e gemendo mais alto, quando o mesmo penetrou a língua em minha vagina.
- Gostosa do caralho. – Ele disse me puxando e abrindo a calça, tirando seu membro ereto de dentro.
- Ainda não queridinho. – Sorri e desci da mesa me ajoelhando, resolvi que também queria lhe ver completamente nu e assim o fiz, tirando o que ainda havia de roupa naquele corpo, ele parecia ansioso, comecei beijando a extensão de seu pênis.
- Porra , não provoca. – Choramingou.
- Não estou provocando. – Disse dando uma mordida leve em seu testículo o fazendo gemer mais alto, enquanto ele tentava segurar meus cabelos.
- Gostoso. – Disse lambendo novamente o membro e dando uma atenção especial para a ponta, fazendo movimentos circulares e tocando-o com as mãos ao mesmo tempo.
- Chupa gostoso. – Ele disse gemendo.
- Assim? – Perguntei e comecei a chupar seu membro lentamente.
- Caralho , porra, caralho! – Ele dizia entre gemidos.
Segui com os movimentos, acelerando-os a medida que gemia mais alto e tentava sem sucesso comandar, enquanto segurava meu cabelo.
- Eu não vou aguentar e preciso me sentir dentro de você. – Ele anunciou tirando minha boca de seu pênis e levantando meu corpo, deixando-me de costas para ele a apoiada na mesa.
- Vai. – Disse erguendo meu bumbum em sua direção, facilitando sua entrada em minha vagina.
me segurou pela cintura e deu um chupão em meu pescoço, penetrando seu membro e iniciando os movimentos de vai e ver, me fazendo gemer sempre que sentia suas mãos apalpando meus seios, enquanto penetrava. Conseguia senti-lo se controlando, ele sempre se preocupava mais com o meu prazer do que o seu próprio e isso me fazia querer sempre mais dele. então puxou uma cadeia que estava perto de nós e sentou, me puxando para cima dele e chupando meus seios, enquanto com minha ajuda, voltava a me penetrar.
Comecei a me movimentar em cima dele, afundando o máximo que conseguia seu membro dentro de mim, por vezes sentia um pouco de ardência, por conta de seu tamanho, mas aquilo estava me levando a loucura. Sentia meu corpo suar quente, como se uma chama saísse de nós dois. Estávamos chegando ao nosso máximo, ele então chupou forte meu seio, me fazendo gemer mais algo e escorrer meu líquido sobre seu pau, sentindo o dele também invadir minha vagina.
Nossa respiração estava ofegante e precisávamos de alguns minutos até conseguir falar algo.
- Você está bem? – Ele perguntou preocupado.
- Acho que quero tomar banho. – Disse percebendo o quão suados estávamos.
- Vamos, depois jantamos. – Ele disse me pegando no colo e levando para o segundo andar da casa. Lá entramos no seu quarto e me sentou na cama indo até o banheiro ligar a banheira e prepara-la para nosso banho.
- Não precisa se preocupar com isso. – Disse preocupada com tudo que ele estava fazendo para me agradar, com medo de estar o explorando.
- Não vejo a hora de termos nossos pequenos tomando banho com a gente. – Ele disse ignorando minha frase e me fazendo derreter ainda mais.
- Também quero. – Sorri imaginando a cena e a folia que ele vai fazer com nossa dupla.
- Vem, acho que está boa. – Disse me guiando até a banheira, estava realmente ótima.
- Está ótima. – Sorri me afundando na água e logo senti o corpo de se juntar ao meu.
- Você acha muito cedo para tentarmos ser uma família? – Ele perguntou calmo e deu um beijo em meu ombro.
- Como assim, nós somos uma família. – Disse o olhando.
- Mas queria ser uma família onde eu te vejo acordar todos os dias...
- Acho que essa não é uma forma legal de pedir alguém em casamento. – Sorri com medo de seguir com o assunto.
- E em namoro? Relacionamento sério, noivado? – Ele disse divertido me dando selinhos.
- Em relacionamento sério é legal. – Sorri e lhe beijei, firmando um compromisso que já existia entre a gente e observando um tentar segurar o choro, por motivos que só cabiam a ele, mas já imaginava quais seriam. Merecíamos uma chance e esperava que aqueles bons momentos ao lado dele, se tornassem rotina.





Continua...



Nota da autora: Vencendo bloqueios e atualizando a história, penúltimo capítulo postado, espero que gostem desse casal fofo e logo volto com a atualização final. Obrigada pela paciência com relação a atualização dessa história, sei que faço vocês esperarem bastante e só não abandonei ainda, por ter retorno de algumas leitoras, enfim, ela está chegando ao fim, e preciso saber o que estão achando. Beijos e até a próxima.





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Indicação
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Ela se julgava incapaz de amar alguém a ponto de ter um relacionamento sério, contudo não gostava de sair com várias pessoas e sonhava em ter um filho. Após procurar por clinicas de inseminação artificial, decidiu que seu filho seria concebido pelo método convencional, mas que a segunda pessoa responsável pela criança, jamais saberia da existência dela. Ele viveu traumas do passado e hoje queria apenas sexo sem compromisso . Os dois se conheceram em uma rede de relacionamentos, mas não imaginariam que apenas um encontro seria capaz de mover sentimentos e mudar quereres.
Restritas – Em andamento – S



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