Última atualização: 29/05/2018

[Capítulo Um]

Abri os olhos, encarando o teto branco com pintura de cerejeiras em flor. Suspirei admirada, sempre apreciei essa linda visão quando estou deitada de barriga para cima. Mas logo me remexi na cama, apalpando o lado oposto e é claro que o meu marido não estaria ali, já que passa a maior parte do seu tempo no trabalho.

Me espreguiçando, tirei o edredom de cima de mim preguiçosamente e me levantei, já me deparando com o espelho. De blusinha branca com alças finas e calcinha box de mesma cor, observei meu corpo inteiro e pensei no quanto eu me odiaria se ainda estivesse no colegial; eu nunca gostei de não ser magra, nunca fui bem vista por ter curvas mais avantajadas que as meninas mais populares. Mas, com o passar dos anos, eu fui me libertando desse aprisionamento em que eu vivia, e hoje, depois de três filhos, não tenho o mesmo corpo de antes, que já não era pequeno, pois ele se alargou ainda mais. Porém, eu o amo tanto que isso não faz diferença, não mais.

Caminhei até o banheiro, e depois de fazer a minha higiene pessoal diária, retornei ao quarto e abri o meu guarda-roupa, num tom branco para combinar com as paredes vermelhas e brancas. Todo o quarto era nessa tonalidade, com algumas decorações de gostos pessoais nosso, mas que deixava tudo mais original, o que nós amávamos.
Não demorei muito para escolher o vestido rosa curto e florido, acompanhado da sandália rasteirinha de cor amarronzada. Amo estar com roupas confortáveis e eu para o dia que eu estava planejando, era a melhor opção, realmente.

Aproveitei que as crianças ficariam na casa da minha sogra, e saí um pouco para fazer o serviço completo, estava mesmo precisando cuidar de mim, como toda mulher merece.
É bem verdade que quando passamos a ter filhos não temos mais tanto tempo para nós mesmas, mas eu não reclamo, não. Pelo contrário, , e foram a melhor coisa que já me aconteceu e eu não os culpo pela minha indisponibilidade de sempre, meu tempo é basicamente para eles e nada mais, mas tudo bem. Só penso que cuidar de mim mesma pode não ser tão sacrificante quanto parece, digo, eu posso dividir o meu tempo. Talvez.

— Por favor, apareça em minha casa, preciso da sua ajuda! Quero fazer um jantar especial para o hoje à noite, então preciso de você e das suas sugestões! — Enquanto eu saía do SPA, liguei para , o meu melhor amigo desde a adolescência. Ele têm ótimos dotes culinários e sempre me ajuda quando mais preciso. Namoramos durante um curto tempo no colegial, mas foi o suficiente para percebermos que daríamos mais certos como amigos do que como namorados, e desde então estamos nessa irmandade. nunca quis confessar, mas sei que ele tem ciúmes de comigo, o que é loucura, já que meu amigo sempre me respeitou muito e nunca deu motivos para meu marido desconfiar dele.
Certo, eu vou agora buscar minha bebê na veterinária e já passo aí.
— Obrigada, . — Eu entrei no carro, jogando a minha bolsa no banco do carona — Te vejo mais tarde. — Finalizei a chamada, deixando o celular no também banco e dirigindo à caminho de casa.

Estacionei na garagem, pegando minha bolsa de sempre e mais algumas sacolas de roupas novas e saí do carro. Adentrei a casa, estranhando o barulho que vinha do meu quarto e a quantidade de malas que estava por cima da minha cama. Encontrei retirando as suas roupas do cabide com brutalidade e as jogando por cima da mala, sem cuidado algum.
Arqueei as sobrancelhas, incrédula e engoli o seco, não querendo acreditar no que eu estava imaginando que fosse.

— O que significa isso, ?
— Eu cansei — ele me olhou rápido, jogando mais uma de suas camisas na cama. Logo abriu as malas e começou a amarrotar as roupas por dentro delas. — Definitivamente, estou farto de tudo isso.
, espera — eu me aproximei dele, puxando o seu rosto para o olhar nos olhos. Ele bufou impaciente. — Por que você está pensando nisso logo agora?
— Você realmente não sabe o motivo? — Ele ergueu uma sobrancelha, me deixando confusa — Você não valoriza o nosso casamento, você nem mesmo se valoriza. — Eu abri a boca, arregalando os olhos, me afastando um pouco dele — Você não se importa com si própria, nem comigo, nem com nós dois como casal, você só visa os nossos filhos.
— Eles são a razão da minha vida — eu disse em um tom mais elevado. — E sempre serão.
— Eu também amo aquelas crianças mais que tudo, mas não deixo de viver a minha vida por isso. — Eu ri sem humor, não estava mesmo acreditando naquelas palavras — Eu trabalho, cuido deles, penso em você, penso em nós dois. E o que você faz além de sufocar aqueles meninos?
— Eu não os sufoco, só faço muito bem o meu papel de mãe, ao contrário de você que é um pai ausente.
— Alguém precisa trabalhar nesta casa, não acha? — Ele abriu os braços, como se esperasse pela resposta.
— O que você está querendo dizer? Eu sempre trabalhei e você sabe muito bem disso.
— E depois parou de viver para cuidar dos meninos. Ora, eles já estão grandinhos, não há desculpa para você viver dessa forma.
— Bem, você e nossos filhos são prioridade na minha vida.
— Errado. , e são a prioridade na sua vida. — Eu respirei fundo. — Eu não estou incluído nessa lista.
— O que você quer de mim, afinal?
— Acho que já é tarde para fazer essa pergunta. — Ele continuou arrumando as malas. — Você nunca nem se preocupou em cuidar de si mesma.
— Você nunca importou com a minha aparência.
— Eu não disse que não gosto de como você é, mas adoraria ver você tendo uma vida, se divertindo, saindo com as amigas, saindo comigo, tentando melhorar. A gente sempre pode melhorar. Mas não, você gosta de viver nessa mesmice e eu odeio essa rotina.
— E por qual razão você só está dizendo isso, agora?
— Porque em todas as nossas conversas, que ultimamente se tornaram raras, eu sempre expus os meus pensamentos, mas você sempre dormia no meio dos nossos diálogos, porque está sempre cansada por cuidar demais dos meninos e da casa.
— Não temos uma ajudadora para cuidar da casa e nem mesmo para as crianças.
— Porque você não quer, eu sempre sugeri que tivéssemos. — Ele parou para me olhar.
— Eu sempre gostei de acompanhar de perto a criação dos nossos filhos e de cuidar das nossas coisas de casa, isso não é segredo para ninguém.
— Sim, mas acabou abandonando o seu casamento e eu cansei de lutar sozinho por ele. — Ele fechou as malas, já as posicionando para a sua saída.
— Então é isso? Você vai me deixar aqui sozinha com as crianças?
— Não é como se isso já não acontecesse, e você sabe bem como lidar com isso. Aliás, essa será a sua vida perfeita.
— Por que você está fazendo isso comigo? — Ele suspirou, largando uma mala para cruzar os braços. Eu me aproximei dele, acariciando o seu rosto — Hoje eu saí, fui ao SPA, me cuidei, fiz compras, planejei um jantar para você — Ele ficou boquiaberto — Até pedi ajuda ao e…
aqui, ali… Esse cara sempre está entre nós, acho que o problema também é esse. — Ele me interrompeu, indignado, se afastando. — Você têm mais tempo para ele do que para mim.
— Isso não é verdade! — Eu respondi elevando o tom — é o meu melhor amigo, eu tenho por ele um carinho imenso. Ele é padrinho dos nossos filhos, ele é parte da família, .
— Você não percebe mesmo…
, eu não quero discutir sobre isso novamente. O que importa agora é que eu tirei o dia para me sentir bem e revigorada, e eu estava mesmo me sentindo assim. Deixei as crianças com a sua mãe, queria uma noite só para nós dois, e quando chego em caso, me deparo com o meu marido arrumando as malas.
— O que eu tenho a te dizer é que, eu pago pelos gastos que você teve hoje. Eu não vou te deixar desamparada, os meninos continuarão vivendo bem e você também. — Uma lágrima escapou no canto do meu olho esquerdo — Virei para vê-los toda semana, não quero perder nada sobre a vida dos nossos filhos.
— E quanto a nós dois, ? — Ele evitava olhar em meus olhos, mas eu segurei em seu rosto novamente e ele finalmente tomou coragem para me encarar. — Você vai mesmo me deixar? Você não sente mais nada por mim?
— É por sentir que eu estou te deixando, eu cansei de sofrer. — As minhas lágrimas caíram mais fortes — Eu te dei tantas chances, mas você ignorou todas elas.
— Por que está transferindo a culpa disso tudo para mim? Será que eu realmente sou a única culpada nessa história? — Pude perceber que ele não tivera resposta, ou evitava me responder — Por quantas noites eu te aguardei bem aqui no nosso quarto, mas você não chegava? Quantas vezes você foi nas reuniões de pais na escola dos meninos? Quantas vezes você assistiu os campeonatos de futebol que eles participaram? Por quantos dias eu e os meninos planejamos a sua festa de boas-vindas, quando voltou de viagem do trabalho, mas você só chegou depois que os convidados já haviam se retirado e os seus filhos já estavam dormindo? — Ele parecia afetado com as minhas palavras e eu andei um pouco pelo quarto. — Não coloque a culpa somente em mim, quando a falha ocorreu pelas duas partes.
— Essa é uma lavagem de roupa suja? — riu sem humor.
— Não, é a conversa que já devíamos ter tido, mas que só agora tivemos a coragem de pôr para fora. — Suspirei forte, secando as minhas lágrimas. — Parece que nós realmente precisamos melhorar, em um todo.
— Me responda a uma pergunta — ele parecia querer me testar, mas eu apenas o encarei, disposta a responder. — Como você imagina o nosso futuro?
— Imagino nós dois vivendo bem aqui em nossa casa, com nossos filhos crescendo e se formando, o nosso casamento mais sólido, a nossa família mais unida, e quem sabe, até mesmo aumentá-la. Eu adoraria que tivéssemos mais filhos.
— Já eu, gostaria de ter um casamento melhor e mais dinâmico, com nossos filhos se tornando mais fortes e mais inteligentes, com a nossa relação mais íntima, com minha carreira sendo alavancada, e sem mais filhos, já temos três e eu acho ótimo. Por que mais crianças? Vamos apenas aproveitar a nossa vida, com os nossos meninos.
— Poderíamos fazer tudo isso, mesmo tendo outros filhos.
— Não poderíamos não, mais crianças tomariam todo o nosso tempo e eu não quero isso, sinceramente. — Eu me afastei dele, tentando controlar os meus nervos — Entende agora por que não estamos mais em sintonia, eu não desejo o mesmo que você para o nosso futuro juntos.
— Eu já entendi tudo, . E não, não vou pedir para que você fique. Me sinto profundamente magoada pelas suas palavras, jamais imaginei que as ouviria, ainda mais vindas de você.
— Ficarei morando na casa da minha mãe por enquanto, até achar um apartamento para mim.
— Eu não quero saber. — Me virei para o olhar — A partir de agora a nossa relação será apenas como os pais de , e . Falaremos apenas de coisas relacionadas a eles, tudo que diz respeito a eles e nada mais.
— Se assim você prefere, eu respeito. — Eu assenti, o observando levar as malas até a entrada da casa — Eu preciso do carro para levar as minhas coisas, mas em breve eu te devol...
— O carro é seu, então não há razão para me devolvê-lo. — O interrompi, imediatamente.
— O carro também é para o uso das crianças, então sim, eu vou devolvê-lo.
— Não mais, eu darei o meu jeito. — Ele me olhou surpreso — Assim como todas as contas que eu fiz, não quero um centavo do seu dinheiro, a menos que seja para os meninos.
— Você não trabalha, deixa que eu te ajude até você conseguir um emprego.
— Eu já disse que não quero. — Eu disse firme e ele suspirou forte.
— Podemos ter essa conversa em outra hora? — Ele me olhou simples, sua expressão era de cansaço.
— Não terá uma próxima conversa, a menos que seja relacionada aos nossos filhos.
— Certo — respirou fundo, enquanto coçava a cabeça. — Eu realmente preciso ir.
— Na verdade, eu é que devo sair daqui, já que a casa é sua. — Eu retornei ao quarto, abrindo o armário e retirando as minhas roupas. — Peço ao para passar um tempo na casa dele com as crianças, tenho certeza que ele permitirá.
, não faça isso. A casa é nossa e quem está saindo sou eu, portanto fique. Você está no seu direito. — Eu o olhei, desinteressada e suspirando forte. — Por favor, fique, as crianças já estão acostumadas com a casa e eu faço questão que vocês continuem morando aqui.
— Eu só ficarei porque não vou forçar uma situação pior agora, os meninos já terão motivo suficiente para sofrerem, não quero aumentar isso. — Eu disse quase em um sussurro, mas conseguiu me ouvir.
— Bem — ele engoliu o seco e eu tentei me manter firme, já sabia o que viria depois — Eu vou indo. — Eu assenti, o vendo ajeitar as malas em. — Você nem mesmo irá pedir para que eu fique?
— Quem quer fazer isso é você, , eu jamais pensei que chegaríamos a este ponto. Mas é você quem não quer mais e eu não posso te prender aqui comigo. — Eu disse, sem o olhar — Além do mais, você já está decidido, não há mais nada que eu possa fazer a respeito.
— Mais uma vez, você abre mão do nosso casamento. — Eu respirei fundo, pigarreando, não aguentava mais segurar as lágrimas. — É disso que eu estou cansado, eu não aguento mais sofrer em vão. — Escorei as costas na parede, olhando para o teto. O desenho da cerejeira sempre significou tanto para nós. Meu coração se apertava ainda mais por lembrar disso.

Ele saiu caminhando pela casa, sem olhar para trás. Parou apenas para arrumar as malas e continuou a sua partida em direção à porta. Quando ouvi o barulho da mesma se fechando, eu me sentei na cama, sem forças, nem mesmo conseguia pensar em como seria dali para frente, eu não queria pensar em nada além de chorar.

As lágrimas que teimaram em descer, estavam tomando cada vez mais força e eu que antes parecia estar tentando ser forte, já não aguentava mais sentir a dor aguda no peito. Mas não, não é uma dor física, ela vai na alma. Eu não a vejo, apenas sinto, mas a sinto tanto quanto se pudesse vê-la.
Joguei todas as roupas que eu havia comprado pelo chão, os perfumes, os cremes, as jóias, os sapatos, tudo. Aquele monte de coisas só me causavam raiva e eu não queria lembrar da surpresa que faria a , apesar ter consciência que jamais esqueceria.

, eu vim o mais rápido que pude e trouxe is… Mas o que aconteceu? — correu em minha direção e levantou meu rosto com cuidado. — Aigo! Você não chora assim desde o nascimento dos trigêmeos. — Eu mantive os meus olhos fechados, não queria ter que encarar a realidade, não queria ter que explicar tudo que aconteceu. Só queria fugir dali, e por um instante, essa foi a sensação que eu tive, depois de ser envolvida pelo abraço do meu amigo. — Tudo bem, não diga nada agora, apenas se acalme. Não sei o que aconteceu, mas eu estou aqui contigo e sempre estarei. Se precisar, chore tudo que você tem para chorar durante esse tempo, vai aliviar a dor que você está sentindo. — me apertou em seu abraço e ali fiquei, durante a noite inteira, em seus braços.



[Capítulo Dois]

Acordei com a luz solar invadindo todo o meu quarto e sensibilizando as minhas vistas, notei que as janelas estavam escancaradas, fazendo um ventinho fresco tomar todo o lugar e balançar os meus fios de cabelo. Me encolhi um pouco no edredom, mas logo o mesmo me foi arrancado, segurava o objeto e com a outra mão sustentava uma xícara de café, me olhando com reprovação.

— Eu entendo que a sua situação não seja das melhores, mas a vida não termina só porque quer continuar a dele longe da sua. — Eu ergui as sobrancelhas, incrédula, não é hora para o meu amigo ser tão frio, ora, eu estou em um momento difícil. — E não me olhe assim, , você sabe como eu sou.
— Como você soube? — Eu me sentei na cama, pegando a minha xícara de porcelana chinesa, bebendo um gole do café, que estava forte e um tanto amargo.
— Depois de ligar para o e ele não atender, liguei para a sua sogra e ela me contou tudo. — se sentou ao meu lado, me entregando os pãezinhos que ele mesmo fez. — Eu ainda não consigo acreditar que ele tenha feito algo assim, mas talvez seja bom. — Eu arregalei os olhos, logo me engasgando com o café. — Eu digo no sentido de cada um pensar melhor no que quer. Quem sabe agora você se dedique mais para si mesma.
, eu…
— Veja bem, eu não estou dizendo para você deixar de se importar com as crianças — ele me interrompeu, sendo cuidadoso em suas palavras — Mas, você realmente anda muito atarefada, e sem tanta necessidade.
— Está defendendo o ? — Eu deixei a xícara em cima da bandeja e parei para o encarar.
— Você sabe que não — ele rolou os olhos, impaciente, como sempre. — Mas, é agora que você precisa se valorizar mais, faça ele enxergar a mulher que ele não via. Aliás, faça você mesma enxergar a que não está acostumada a ver. — Eu franzi a testa, confusa com tudo que ouvi — Oh, vamos lá, garota?! Eu sei do que você é capaz. Sei o quanto é destemida, não se deixe abalar agora.
— Está certo, — eu disse, me levantando da cama. — Você tem razão, eu vou melhorar sim, mas para mim mesma. Serei uma nova .
— É exatamente assim que se fala.
— Mas, pode ser amanhã? — Eu me joguei na cama — Ainda não me sinto com vontade de reagir.
— Eu não acredito que o meu breve discurso foi em vão! — reclamou, enquanto levava a bandeja de volta para a cozinha.

A tarde se aproximou e o meu amigo continuou me fazendo companhia, junto com sua pequena Sandara, a cachorrinha mais fofa que já teve. Ele ficou avaliando as roupas que eu havia comprado e disse que seria desperdício eu me livrar delas; segundo o meu amigo, as novas vestes valorizaram muito o meu corpo avantajado. E, as sandálias divinamente confortáveis e lindas, como eu teria coragem de me livrar tão fácil dessas belezuras?

— Eu preciso buscar os meus pequenos. — Eu disse, passando a mão pelo cabelo e arrumando a minha roupa.
— Vestida deste jeito? — Ele apontou para as minhas vestes e eu a olhei; blusão branco largo, short de moletom cinza e pantufas de coelhinhos azuis. — De jeito nenhum!
— Mas… — foi até o meu guarda-roupa e retirou um cropped azul e cinza, uma bermuda jeans escura de cintura alta.
— Eu preciso mesmo me vestir assim para ir à casa da minha sogra? Eu nem vou sair do carro, ela só irá descer as crianças.
— Não importa, sempre pode acontecer algum imprevisto e, eles podem te pedir para irem ao shopping, e você já estará preparada. — Ele deu uma piscadela. — Sei que você compra cropped, mas não usa, então está na hora de inaugurar um deles. Sei também que você não tem preconceito com o seu quadril de 120 centímetros, tudo bem, vamos dar uma valorizada nele. — Pensou um pouco e colocou a roupa por cima de mim, parecia analisar cada detalhe. Pegou meu tênis branco e me entregou. — Sei que você odeia salto alto, então use este tênis, é perfeito.

Eu amo o , mas o odiava toda vez que ele tentava mudar as minhas roupas. Sinceramente, não tenho problema em tentar melhorar, só acho que não tem necessidade. Não agora.
Contudo, me vesti como meu amigo me sugeriu e me encarei no espelho, tendo uma boa visão de como eu estava.

— E então, o que achou? — perguntou animado, desentortanto a bermuda em meu corpo.
— Bem, eu gosto do que vejo. — Confessei notando o volume da minha barriga saltando um pouco da bermuda. — Me sinto bem com essa roupa, apesar de parecer inapropriada para o meu manequim.
— Besteira, qualquer mulher pode vestir roupas que a valorizam e que se sentem confortáveis, independente de como é o formato de seu corpo.
— eu o olhei, um tanto derrotada.
— Eu já sei o que você quer perguntar, mas não se torture assim. jamais te deixaria por causa do seu corpo, ele já te conheceu assim e sempre te amou do jeito que você é.
— Eu não entendo, foi tão de repente. — Minhas lágrimas escorreram, involuntariamente, fazendo me abraçar.
só precisa de um tempo, e você também.
— Já sei, eu preciso mudar.
— Por você mesma. — Meu amigo me olhou nos olhos — Você é linda, sempre foi, apenas seja mais segurança.
— Obrigada pelo apoio. — Eu beijei sua bochecha e me afastei, arrumando o meu cabelo. — Seria exagero me maquiar um pouco?
— Huh, exagero? Contanto que você queira, você pode tudo. — Eu ri fraco ao ouví-lo.

Demorei um pouco para fazer a make, não estou habituada a produzir arrumações do tipo, mas olhei para o meu reflexo no espelho e realmente gostei do que vi. Não consegui esconder as olheiras da noite que passei em claro, chorando, mas ainda assim, me sentia bem comigo mesma. Não é como se apenas a maquiagem estivesse me dando este efeito, mas com certeza é o complemento para eu me sentir mais plena.

— Tem certeza que não quer sair do carro? — me perguntou, estacionando o veículo. — deve estar no trabalho a essa hora, então você não terá que o encarar, não agora.
— Eu acho que… — ergueu as sobrancelhas e eu respirei fundo — Posso sair e cumprimentar senhora Lin. — Eu disse, já saindo do carro.

Dei uma corridinha até chegar frente à casa, ouvi dar um gritinho ao me ver e eu soltei uma risada fraca pelo seu entusiasmo.

— Mamãe — ele correu em minha direção, sendo vigiado pela avó — Eu senti a sua falta.
— Eu também, meu amor. — O abracei forte, vendo e também vindo ao meu encontro. — E vocês dois, sentiram a minha falta?
— Muita, o até chorou querendo voltar para casa. — disse rindo, enquanto o irmão fazia uma carinha triste.
— Não queria chorar, mamãe, mas...
— Eu sei, meu amor, mas está tudo bem. — Eu sorri para ele — Eu também chorei ontem.
— Por que sentiu nossa falta? — perguntou curioso e eu olhei para senhora Lin, que arqueou as sobrancelhas.
— A mamãe só estava com dor de cabeça, mas já passou, não é mesmo?! — Ela disse, fazendo as crianças me olharem e eu assenti. — Você me parece muito bem, . — Ela me analisou, surpresa.
— Mas eu não estou. Sinceramente, o meu coração está quebrado em mil pedaços. — Eu disse em um tom mais baixo, para poupar as crianças.
— Minha querida, eu sei que esse assunto é seu e do meu filho, mas não posso deixar de te aconselhar — ela escorou uma mão no portão de madeira branca e a outra na cintura — Você precisa pensar mais em você, como mulher. — Já iria interrompê-la, porém ela foi mais rápida. — Não estou dizendo para você largar os meninos, seria irresponsabilidade, mas você pode ser uma mãe e ainda ter uma vida como mulher. Não precisa viver desarrumada em tempo integral, você pode passear com a família, pode também ter uma programação com o marido, você pode e deve dividir o seu tempo. Sei que pode soar meio egoísta, mas pense mais em você.
— Já entendi o que a senhora quis dizer e agradeço pelo conselho — ela sorriu desconfiada — Pretendo colocá-lo em prática o mais breve possível.
— Mas dê tempo ao tempo. Não seja tão apressada, mudanças levam tempo, deixe de ser ansiosa. — Disse num tom divertido e eu ri brevemente.
— Bem, a partir de agora eu não sei bem o que fazer, mas eu vou seguir com a minha vida.
— Te ajudarei em tudo que precisar, eu e Danah. — Eu sorri em agradecimento. É bem verdade que minha sogra e minha cunhada sempre me ajudaram muito, desde que eu soube que estava grávida de gêmeos e precisei de muito repouso durante toda a gravidez, senhora Lin e Danah foram as minhas maiores ajudadoras. — Você sabe que jamais irá te desamparar, ainda mais com as crianças.
— Eu sei, mas com todo respeito, eu não quero receber ajuda dele além do compromisso que ele tem com os meninos.
— Compreendo. — Senhora Lin assentiu e eu suspirei forte.
— Agora, eu vou indo — a abracei como um abraço de mãe e filha, sempre a considerei como a mãe que eu havia perdido. — Meninos, venham se despedir da vovó, rápido. — Eles, que estavam brincando no gramadinho em frente a casa de senhora Lin, vieram contrariados e abraçaram a avó.

Caminhamos até o carro de e os meninos já pularam no banco traseiro, me fazendo os colocar o cinto de segurança, imediatamente.

— Annyeong, tio . — disse tímido, ele é o mais quietinho e mais envergonhado com todos, mesmo que já conheça desde sempre.
— Annyeong -ah. — Respondeu sorridente, já dirigindo, não é dúvida para ninguém o quanto meu amigo ama as minhas crianças. — -ah, -yah, não irão falar com o tio ?
— Tio, a gente fala contigo todos os dias. — disse, dando de ombros e eu o olhei sem saber se ria ou se chamava a sua atenção.
— Yah! E só por isso vocês não podem falar comigo de novo? Assim eu fico magoado. — fez uma carinha de afetado e os meninos riram.
— Mamãe, queria tomar sorvete. — pediu, fazendo a vozinha manhosa de quando quer algo, mas já sabe que a resposta será não.
— Filho, hoje, não.
— E por que não? Você lembra quando eu falei sobre os imprevistos? Então, aí está um, mas você já está bem vestida para ele. — me olhou de relance e ergueu as sobrancelhas, sorrindo. — Faço questão de levá-los ao shopping.
— Eba! — Os meninos disseram em uma só voz e ficou cantarolando, como sempre faz quando fica animado.

Não demoramos muito até chegarmos ao WinWin Shopping, já havia estacionado o carro e eu terminei de tirar as crianças do veículo.

— Por que vocês não deixaram a mochila dentro do carro?
— Nós ficamos mais bonitos com as nossas mochilas. — respondeu tão confiante, que nos fez rir. — É verdade, mamãe.
— Eu sei, meu amor — beijei sua bochecha e segurei em sua mão. — Agora, iremos tomar sorvete bem rapidinho e…
chamou minha atenção, arqueando uma sobrancelha e segurando a mão de — Deixe os meninos se divertirem, tenho certeza que há tempos que eles não vem ao shopping, então deixe que eles aproveitem o dia. — Eu o encarei, o fulminando pelos olhos, até parece que eu sou uma mãe ruim. — Não seja uma mãe perversa!
— O que? — Eu fiquei boquiaberta e ele saiu rindo, andando na frente com . — Vamos crianças, vocês terão o melhor dia das suas vidas, porque eu sou uma ótima mãe! — Eu disse confiante a e , que se entreolharam, dando de ombros e logo depois me acompanhando.

Depois de assistirmos ao filme The Little Vampire, os meninos pediram para brincar um pouco no parquinho e nós os levamos. Segurei firme na mão de e , os dois mais bagunceiros e eu preciso ser sempre mais atenta com eles, apesar de ser o mais atrevido, já , que estava com , é o mais obediente e tranquilo. Mas apesar da loucura que é ser mãe de trigêmeos, eu não me arrependo de nada e faria tudo de novo.

Enquanto brincavam na piscina de bolinhas, eu, a mãe babona, tirava mil fotos de cada um deles. deu um salto, lançando a língua para fora e neste exato momento eu bati a foto. lançou algumas bolinhas no ar, enquanto sorria abobalhado e eu bati a foto dele, tão fofo. se jogou por cima dos irmãos, os derrubando e me olhou sorrindo, enquanto apoiava o seu queixo nas mãos e eu bati a foto, rindo da situação. Os outros se levantaram um tanto revoltados e começaram uma guerrinha com as bolinhas coloridas da piscina.

— Agora chega de fotos mamãe babona, eles ficarão bem sem você os vigiando por alguns minutos. — brincou e eu guardei o celular no bolso da bermuda, enquanto caminhava em sua direção, rindo. Me sentei junto a ele, que tomava um milk-shake de morango e eu suspirei. — Hey, moça linda, o que está perturbando os seus pensamentos?
— Sei lá — eu sorri de lado — Eu te confesso que ainda estou tão triste que o meu coração chega a pesar, mas ver os meus meninos se divertindo tanto me deixa mais alegre e aliviada de tanto estresse. Não sei explicar, mas estar aqui agora, com vocês, está me fazendo bem.
— Podemos fazer isso sempre e não só no shopping, mas na praia, no parque, em restaurantes, sorveteria… — Eu ri da empolgação de — Mas me diga, não é bom se divertir assim?
— Sim, e eu gostaria de fazer isso por mais vezes.
— Talvez fosse isso que queria de você, ter mais ânimo para fazer coisas legais. — Ele soltou com sinceridade e eu senti essas palavras como uma facada em meu peito. — Ah, me desculpe, eu não quis te magoar. — Ele segurou minhas mãos, mas eu as soltei dele.
— Tudo bem, , é só a verdade. — Eu me levantei, procurando pelos meninos — Acho melhor eu buscar as crianças.
— Ok, eu te ajudo — olhamos para a piscina de bolinhas, mas não os encontramos, então corremos em direção à outros brinquedos, mas não os avistamos. — , temos que pedir ajuda aos seguranças, caso contrário, será difícil de achar os três de uma só vez.
— Vocês estão procurando por ele? — Uma mulher de cabelo preto e curtíssimo, vestindo roupas de couro e bem justas, nos perguntou, segurando com ela. Entrei em um leve desespero, já que o menino é o mais inocente de todos e talvez não fizesse nada para se defender.
— Solte o meu filho!
— Tudo bem — ela disse, largando a camisa dele e o deixando cair no chão. — Mas, não digam que eu não ajudei!
— Onde estão os outros? — perguntou, enquanto pegava no colo e voltava a se aproximar de mim.
— Com o pai, já que a mãe é uma irresponsável — a mulher disse para me provocar, e eu confesso, ela conseguiu. — Deveria ter mais cuidado com as suas crianças, mamãe.
— Escute aqui...
— Ela tem razão, surgiu ao meu lado, caminhando até a mulher, com em seu colo e segurando pela mão. — Foi de muita irresponsabilidade da sua parte deixar os meninos pelo shopping, sozinhos.
— Eu não os deixei sozinhos, eles estavam na piscina de bolinhas, e eu fiquei os vigiando o tempo inteiro.
— Não, você provavelmente se entreteu com o seu amiguinho aí e esqueceu dos meninos por alguns minutos. — Ele apontou para , o fulminando com os olhos — Ora, você sabe que com crianças não pode haver descuido, ainda mais com os nossos.
, você não tem moral alguma para falar desta forma comigo, então freie a sua língua e me dê os meninos. — Já me aproximava dele para tirar de seu colo, quando a mulher de antes entrou em minha frente.
— Você não irá levar os garotos, são filhos dele também. — Ela envolveu em um de seus braços. — E como pai, tem direito de ficar com as crianças, você deveria saber disso.
— Te sugiro que saia da minha frente, e saia agora, caso contrário teremos um grande problema por aqui. — Ri um pouco, sem humor. — E não ouse em tocar em meus filhos, novamente. — Muito contrariada, ela tirou a mão de .
, mantenha a calma e a classe. — chamou minha atenção.
— Eu não tenho problema nenhum em me acalmar, eu só não entendo por que uma mulher, que nem me conhece, quer me dizer o que eu tenho que fazer com meus filhos e marido.
— Marido — ela olhou de mim para e eu engoli em seco a minha vontade de gritar naquele momento. — Você não disse que havia se separado?
— Ah, isso não vem ao caso agora — ele desviou do assunto — O que eu quero é que as crianças fiquem bem e seguras, e se não fosse eu que os encontrasse? Poderia ser algum estranho de má intenção. — A mulher me olhou superior e naquele momento, me senti péssima.
— Você tem razão, , vou levá-los para casa. — Tomei do colo dele e peguei delicadamente pela mão, os conduzindo até , que ainda estava com no colo.
— Ah, mamãe — reclamou — Ainda nem brincamos direito.
— Sem reclamações, vocês já ficaram aqui por tempo suficiente.
— Mas, ainda podemos tomar sorvete hoje? — Olhei para , que mantinha um sorrisinho esperto e suspirei fraco.
— Agora, só em casa — dei as costas para e para a mulher que o acompanhava, não queria ter que ver a face dela novamente.

Caminhei com e os meninos para o estacionamento, já os colocando o cinto de segurança, não fiz questão que os meninos falassem com o pai e muito menos eu queria me despedir de , não sinto que foi errado da minha parte.

— Chegamos — disse animado aos meninos, que já entraram correndo pela casa. — Sei que está furiosa e frustrada, mas não deixe que isso estrague o dia legal que tivemos hoje.
— Sim — eu o abracei e respirei forte — Obrigada por tudo.
— Conte sempre comigo. — Ele me apertou ainda mais no abraço. Meu amigo, que mais parece um irmão, soube como me acudir quando perdi minha mãe, e agora, literalmente perdendo o meu marido, não seria diferente.



[Capítulo Três]

Ouvi o barulho da campainha e olhei para relógio; 05h30. Corri para atender a porta, não queria que os meninos acordem no susto e me deparei com , vestindo o seu terno azul e calça de mesma cor, com sapatos escuros e o cabelo, levemente penteado para trás.
Eu notei que seu olhar não se desviou de mim em um só segundo e me lembrei que estava só de calcinha box verde e blusinha de alça rosa, calçando as minhas pantufas azuis de coelhinho.
— Bom dia — ele disse, ainda sem tirar sua atenção do meu corpo e eu me encolhi um pouco.
— Bom dia — eu respondi, dando passagem a ele e corri para o quarto, pegando um vestido qualquer para jogar por cima da roupa. Eu não gosto de roupão, nunca achei necessário, até agora.
— Não precisa se sentir desconfortável comigo, , não é como se eu já não tivesse te visto assim antes. — Disse simples, enquanto eu retornava, já coberta por mais panos. Colocando a sua pasta de trabalho sobre a mesa da cozinha, ele tentava conter o sorrisinho esperto. — E nós ainda somos…
, o que você veio fazer aqui e a essa hora? — Dispensei rodeios, eu queria mesmo saber o motivo.
— Você deixou a sua carteira cair ontem no estacionamento do shopping. — Me entregou o objeto — Eu corri atrás de você, mas não consegui te alcançar.
— Correu atrás de mim? — Franzi a testa e ele assentiu, coloquei a carteira em cima da geladeira e me virei para o olhar. — E por qual razão?
— Sei que você está pensando que àquela mulher é…
, eu não quero saber de nada, nenhum detalhe. — Eu cruzei os braços, enquanto ainda o encarava. — Você não me deve nenhuma explicação.
— Sei que está mentindo, por isso quero que saiba que Chee é só uma amiga e nós não temos nada além de amizade, aliás, eu nunca te traí. Isso jamais se passaria em minha mente.
, sinceramente, do que isso importa agora? — Ele ficou sem resposta e eu suspirei, desviando o olhar dele para a janela — Sério, você deve se preocupar em dizer isso a ela, já que a mesma estava tomando as suas dores, aliás, parece que é ela quem precisa saber que é só amizade, porque a mesma está achando que...

me interrompeu com um beijo longo e muito intenso, meu corpo inteiro se ouriçou e eu realmente temi por algo além das carícias e mais ainda pelas crianças verem algo indevido.
Eu me estremecia ao seu toque em meu corpo, seus beijos em meu pescoço me faziam ansiar por mais, e nós caminhamos da cozinha quase que em um só corpo até chegarmos à sala e cairmos, totalmente entregues um ao outro, no sofá, que serviu perfeitamente para uma manhã cheia de amor, desejo e prazer. Muito prazer.

— Mamãe, papai — eu abri os olhos, me deparando com deitado com a cabeça apoiada em meu estômago, sem camisa, com a calça jogada no chão e seu terno por cima de mim. nos olhava confuso, mas para nossa sorte, ele ainda estava sem os óculos, por isso não conseguia enxergar claramente a cena.
— Bom dia, meu amor — Dei um beliscão de leve , que acordou reclamando, até ver que nos observava. — Você dormiu bem?
— Oi, tudo bem, filhão? — Ele saiu de cima de mim, vestindo as suas roupas e eu apenas fechei o seu terno em meu corpo, tirando as minhas roupas de cima do sofá. assentiu, mas ainda tentava entender o que estava vendo, eu conseguia perceber em sua face.
— Papai, você está com calor? A mamãe também? Vocês estão doentes? — Deixei interrogando o pai e corri para o meu quarto e olhei para o relógio; 06h30, vesti uma calça jeans e um tênis preto, joguei minha camisa do That ‘70s Show por cima e corri para o banheiro, terminando de me arrumar para levar as crianças na escola.
Retornei à sala, me deparando com os outros dois ainda sonolentos e com já recomposto.
— Arrume os meninos enquanto eu faço o café da manhã, senão eles irão chegar atrasados na escola hoje.
— Eu tenho que fazer uma reportagem importante hoje, não posso me atrasar. — disse um tanto indignado e eu o encarei de braços cruzados. — Tudo bem, a culpa também é minha.

Depois de levar as crianças à escola, retornei para casa e lavei algumas roupas que os meninos sujaram na casa da avó, senhora Lin os mantém sempre em ordem, mas Danah é uma tia que adora fazer as vontades dos sobrinhos.
Deixei as roupas secando e fui para a cozinha fazer torta de côco, os meninos amam e eu gosto de cozinhar para relaxar um pouco.

Quando eu havia terminado de fazer o creme, a campainha tocou tirando toda a minha atenção do que eu estava fazendo, larguei tudo rapidamente e atendi a porta, era .

— Entre logo — dei passagem a ele e corri de volta à cozinha. — O que te traz aqui? Não conseguiu inspiração para suas pinturas hoje?
— Para falar a verdade, não consegui mesmo e estava entediado em casa, mas como sabia que você estaria aqui… — Ele riu fraco, deixando Sandara andar pela casa. — O creme ficou bem espesso, gostei. — Eu sorri ao ouvi-lo, sempre fico aliviada quando elogia a minha comida. — Tome cuidado ao despejar o creme sobre a massa, , quer desperdiçar tudo?
— Tudo bem, chefe , está melhor agora? — Eu suavizei o peso na mão e com lentidão, terminei de despejar o creme. Ele olhou para a massa e balançou a cabeça para lá e cá.
— Agora sim, não jogou tudo no chão, então está ótimo! — Eu ri fraco de seu perfeccionismo, é sempre assim quando ele ou eu cozinhamos, ainda mais juntos. — Me deixe fazer o merengue — eu ergui as sobrancelhas e ele juntou as mãos, fazendo biquinho — Por favor?
— Sim, mas só desta vez, hein. — Sorriu, lavando as mãos e eu me sentei à mesa, observando o seu cuidado ao cozinhar. — esteve aqui hoje cedo.
— Para fazer o quê? — elevou um pouco o tom de sua voz, mas eu o ignorei. — Achei que ele não quisesse mais te ver com tanta frequência.
— Ele veio trazer a minha carteira, eu tinha deixado cair no estacionamento do shopping.
— E por que você está com essa cara de quem têm mais a dizer? — Franzi a testa, fingindo estar confusa. — E não tente fingir que não sabe do que estou falando, te conheço muito bem.
— Que droga, ! — Ele riu alto e eu tentei encontrar coragem para falar, já imagino que a reação do meu amigo não será boa. — É que… Não nos controlamos e acabou rolando exatamente o que você está imaginando agora.
— Eu não estou imaginando nada, só acho que pela manhã tem que ter muita disposição. — fez uma expressão que eu estranhei e se não conhecesse bem o meu amigo, diria que estava com ciúmes. — Não devia ter cedido a ele.
, é o meu marido.
— Ontem ele te tratou como esposa? — Eu engoli em seco a falta de resposta, não sabia realmente o que dizer. — Não deveria ceder às investidas dele.
— Mas eu quis tanto quanto ele.
— Pois é, e nós vamos ver onde é que isso vai parar. — disse simples mas num tom meio amargurado, eu não tinha noção do quão irritado ele fica quando o assunto é . — Agora é só deixar ir dourando no forno. — Ele forçou um sorriso e deixou a torta de lado.

Na hora de ir buscar as crianças na escola, fui surpreendida por , que já estava com eles, não sabia o porquê dele ter buscado os meninos, mas estava agradecida.
, e almoçaram e depois foram para o quarto fazer algumas lições de casa, enquanto eu conversava com sobre a festa deles, que se aproximava com rapidez.

— O que você imaginou? — Ele perguntou curioso e eu peguei o meu caderno de anotações básicas. — Nossa, você fez um livro sobre a futura festa dos meninos?!
— Não engraçadinho, eu só não quis esquecer de nenhum detalhe, então escrevi tudo. E bem, acho que seria legal o tema dos Três Mosqueteiros, sua mãe poderia fazer as fantasias para eles e quanto ao buffet, a decoração e a comida estão inclusas, mas tenho certeza que Danah e nos ajudarão com a escolha de tudo. Eu sei que vai ficar tudo uma maravilha e os meninos ficarão incríveis. Ah, eu estou tão animada! — Eu notei um sorriso espontâneo em sua face e o estranhei — Que foi?
— A forma como você fala dos meninos, os seus olhos chegam a brilhar. É lindo de ver. — Contive o sorriso que quase saiu ao ouvi-lo. — Os meninos têm muita sorte em ter você como mãe.
— E você como pai. Eles te amam demais, , não duvide disso! E você é um pai dedicado quando não está no trabalho.
— Por favor, não comece com essa discussão, eu vim em paz. — Ele pediu e eu assenti, mostrando mais anotações no caderno e em algum momento, ficou me observando e parecia não me ouvir mais.
— Por que está me ignorando? — Ele pareceu retornar a realidade, depois que eu o dei uma cotovelada. — Essa é a parte mais chata, o orçamento, e você ainda quer me fazer repetir tudo o que eu já disse?
— Desculpe, eu só me perdi olhando para os seus lábios. — Ele confessou, ainda observando a minha boca e me surpreendendo com um beijo que seria longo, se eu não tivesse o encurtado, empurrando . — O que houve?
— Eu que te pergunto, o que houve? Em um dia, você sai de casa e até aparece com uma “amiga” que você nunca havia falado sobre antes, e no outro, você fica me desejando? — Ele parecia mais confuso que eu — O que você quer afinal, ? Nunca foi do seu feitio brincar com os meus sentimentos, então, por que fazer isso agora?
, eu jamais faria isso, não quero brincar com você, mas eu acho que me arrependi do que fiz. — Eu respirei fundo, desviando o olhar dele, porém o mesmo segurou levemente em meu rosto, fixando seus olhos nos meus — Só que eu tenho medo de voltar para casa e tudo continuar como era antes, eu preciso de mais tempo.
— Então enquanto você vive esse tempo, não me toque, por favor. — já me daria uma resposta porém fui mais rápida. — Preciso cuidar para que eu não me machuque, e você agindo assim não me ajuda em nada, pelo contrário, só me deixa mais confusa e chateada.
— Eu entendo — ele suspirou forte e se levantou do sofá — Vou me despedir dos meninos e sigo para a casa da minha mãe. — O observei ir ao quarto das crianças, caminhando a passos curtos.

Talvez esteja certo, eu não devo ceder aos encantos de , por mais que seja quase irresistível, eu preciso cuidar de mim, e isso inclui proteger os meus sentimentos.

No dia seguinte, eu já estava saindo da escola dos meninos, depois de os deixar um pouco mais cedo que de costume, a professora havia pedido para não atrasar. Visitei a dona da floricultura, que fica ao lado da escola, ela era a minha vizinha nos tempos que eu ainda morava com a minha mãe e desde que me casei, eu passei a visitá-la em seu estabelecimento, já que é mais próximo que a sua casa.

me chamou com Sandara no colo e eu franzi a testa confusa, como ele sabia que eu ainda estava na rua da escola dos meninos? — Eu passei para comprar um café, então te vi aqui e quero aproveitar para te contar a ideia que eu tive — ele estalou o dedo e sorriu ladino — Você vai voltar a trabalhar.
— Mas por que? Eu amo cuidar dos meus filhos em tempo integral. — Respondi, enquanto acariciava Sandara.
, você precisa ter a sua própria renda, uma mulher precisa de independência. — Ele me olhou indignado e eu dei de ombros — A mãe da minha namorada é dona de uma escola infantil aqui do bairro e está precisando de uma professora.
— Namorada — eu o encarei, surpresa — Por que não me contou que estava namorando?
— Porque não é nada sério, você sabe que eu não paro com nenhuma garota.
— Isso é verdade, você é o cara mais mulherengo que eu conheço!
— Enfim, eu tenho que ir para casa agora, tenho que dar uma limpeza no apartamento, está um lixo só. — Ele fez careta e eu ri fraco — Mas, de qualquer forma, falarei com a dona da escola, tenho um currículo seu lá em casa, o entregarei a ela.
— Obrigada — ele assentiu, colocando Sandara no chão e saiu caminhando em direção à sua casa.
Achei meio estranho e apressado, mas como ele parecia ocupado, não quis tomar seu tempo o incomodando com meu interrogatório.

Estava em casa com a cabeça quase explodindo de tanto latejar, me levantei apenas para tomar um analgésico e voltei a me deitar no sofá, precisava manter o corpo relaxado, talvez assim a enxaqueca me deixaria livre dela.
Despertei quando ouvi a campainha tocando, então me dei conta de que eu havia cochilado um pouco, me levantei devagar e passei as mãos pelo rosto, tentando aliviar a expressão de sono. Abri a porta e encontrei Danah, sorrindo ao me ver.

— Por que minha cunhada está com essa carinha de doente? — Ela ergueu as sobrancelhas e logo veio me abraçar. — Quero que saiba que independente do que aconteça, eu te quero sempre por perto.
— Você não sabe o quanto suas palavras me reconforta — eu a dei espaço para entrar e fechei a porta, novamente, e nos sentamos no sofá — O que te traz aqui a essa hora? Não está faltando o estágio, não é mesmo?!
— Bem, hoje eu não tive aula na faculdade e quando cheguei no estágio, disseram que era o meu dia de folga, mas foi estranho, eu jurava que minha folga é amanhã. — Ri de suas expressões faciais, Danah é muito espontânea e engraçada.
— E você, está gostando de estagiar como nutricionista?
— Sim, eu tenho gostado bastante dessa área, acho que não me sairia melhor em outra. — Ela sorriu satisfeita. — Estou no último período e a faculdade e o estágio tem sugado todas as minhas forças, mas apesar disso, eu tenho conseguido lidar com tudo.
— Quando eu terminei Pedagogia foi um alívio para mim, mas eu estava apaixonada pela minha profissão. Comecei dando aula para criancinhas e depois para pré-adolescentes, e assim se passaram alguns anos, então eu cheguei a ser diretora auxiliar nessa mesma escolinha, mas aí engravidei dos meninos e precisei parar de trabalhar.
— Você não pensou em voltar ao trabalho depois?
— Não, eu comecei a amar o meu trabalho como mãe e quis focar apenas nos meninos. — Ela assentiu compreensiva — Mas hoje vejo que isto está custando o meu casamento.
— Meu irmão está sendo um babaca, eu já disse isso a ele — ri da forma como ela se expressou — Mas, talvez você também possa entender o lado dele, agora que está mais esclarecida do motivo que levou vocês a esse afastamento.
— Sim, a venda só caiu dos meus olhos quando vi fazendo as malas e, sim, eu me arrependo de ter esquecido do meu marido e do meu casamento durante esses 4 anos de existência dos meninos. Eu não me arrependo de ter cuidado deles, eu não me arrependo de ter sido mãe, não me arrependo de ter dedicado a minha vida a eles, mas me arrependo de não ter dividido o meu tempo entre eles, , casa e trabalho. Hoje eu enxergo isso com mais clareza, porém estou pensando em voltar ao mercado de trabalho, vai entregar um currículo meu para a dona de uma escolinha, estou otimista.
— Sério?! — Perguntou empolgada e eu assenti, sorrindo de lado. — Isso é muito bom, , independência é tudo, assim penso eu.
— É sim, Danah, e você está no caminho certo. — Eu disse, a vendo mexer no cabelo — Faça o que te deixa feliz e à vontade, e se você deseja independência, foque nisso até conseguir.
— Ah , você é maravilhosa — ela me abraçou novamente — Mas você está se sentindo bem?
— Estou sim, não se preocupe — assentiu. — Quer comer ou beber algo?
— Suco — Danah seguiu para a cozinha e eu fiquei pensando que já está quase na hora de buscar os meninos na escola — , o está solteiro?
— Ele me contou que está namorando — ela se sentou ao meu lado, novamente, tentando disfarçar sua decepção ao me ouvir e eu ri fraco — Por que o interesse, hein?
— Por nada — ela deu uma grande golada no suco e me olhou — , é sério, só perguntei por curiosidade, ele está sempre tão colado com você.
— Nem me fale, eu… — arregalei os olhos e ela franziu a testa — Você está com ciúmes?
— Eu com ciúmes do ?! Claro que não, , isso não faz sentido. — Eu cruzei os braços e ela ria sem graça — Nunca tivemos nada que fosse fora das minhas imaginações. — Ela fez biquinho e eu suspirei, odiava vê-la sofrendo. Danah é como uma irmã mais nova para mim e eu sempre tento protegê-la.
— Por que nunca me contou sobre isso? — Eu perguntei de um jeito dramático.
— Para mim, ele sempre gostou de você.
— Você sabe que eu e somos apenas amigos, Danah, eu jamais daria alguma chance a ele novamente, eu amo o seu irmão.
— Como assim, novamente? Vocês já ficaram alguma vez?
— Tivemos um namorico no colegial e desde então somos amigos — ela ficou boquiaberta e eu ri — Mas não durou por muito tempo e foi há tanto tempo.
— Então agora está explicado, ele ainda gosta de você.
— O que? Não diga bobagens, Danah — eu ri de sua especulação, sem cabimento.
, não é bobagem, só você não repara no jeito como ele te olha, te trata… Meu irmão não sente ciúmes à toa. — Eu fiquei encarando o chão, tentando pensar em algo suspeito da parte de , mas não consegui lembrar de nada. — Me desculpe por estar te dizendo essas coisas, sei que você irá pensar que é porque eu tenho uma queda por , mas não é bem assim.
— Danah, por que não me contou nada? — Eu a indaguei, um tanto decepcionada. — Você é como uma irmãzinha para mim, pode me contar qualquer coisa.
— É complicado, , essas coisas não se dizem assim tão simples, sempre precisa vir acompanhado de alguma prova e nós não tínhamos. Nós só percebemos o quanto ele age com segundas intenções e você não enxerga isso.
— Porque é o meu melhor amigo e eu jam…
— Você está sendo ingênua, — ela me interrompeu, segurando em minha mão. — Você percebeu alguma aproximação estranha dele depois que saiu de casa?
— Bem, eu acho que não reparei em nada, ele só fica me dizendo para não ceder ao seu irmão e para eu me cuidar e tudo mais. — Danah arqueou as sobrancelhas como se tentasse me dizer algo através delas, mas eu me sentia confusa — Ele só está tentando…
— Te deixar em um ponto que você não se importe com mais nada, inclusive com o que o meu irmão pensa de você, que não são coisas ruins. Depois que você se transformar em uma outra , você vai perceber o quão especial foi nesse período que ele te ajudou e vai começar a olhá-lo com outros olhos e bingo, ele consegue o que quer.
— Eu só estou tentando mudar por mim mesma, Danah — eu disse num tom baixo — Não porque ou quer que eu mude.
— Eu sei, , as suas intenções são boas, mas as de não. É só isso que você precisa entender, ele está com segundas intenções. — Ela deixou seu copo em cima da mesa e segurou as minhas duas mãos — Meu irmão não quer que você mude a sua aparência e nem nada do tipo, ele te ama exatamente como você é, ele só quer te ver bem. Ele acha que você viver dedicada apenas a ser mãe não está te fazendo bem, e por isso, se afastou, porque você não enxerga isso e dialogar não adianta mais. — Eu deixei algumas lágrimas escaparem pelo meu rosto — Entenda, eu estou aqui para te ajudar no que for preciso, também quero o seu bem, e às vezes nós precisamos mesmo de transformação. É normal e saudável, mas somente você pode fazer uma auto-análise e dizer se está bom como está ou se precisa mudar, para melhor. Eu digo em relação ao seu estilo de vida, porque você é uma mulher linda, bem resolvida com sua aparência, seu corpo avantajado não é um problema para você, e realmente não é, não é isso que está em questão agora. Mas pense em sua relação com o seu marido, reflita se já foi melhor do que está agora, será que você está satisfeita com a vida que estavam levando, juntos? Será que estava satisfeito com a vida que vocês dois levavam, juntos? Será que vocês estão melhores agora, separados?
— Danah — eu a abracei, desabando em seus braços, comecei a chorar muito forte — Eu estou em um conflito constante comigo mesma, eu vivo me fazendo essas perguntas, eu penso em como estou levando a minha vida, penso em como quero que ela seja e, eu simplesmente não tenho respostas positivas, porque eu não estou feliz com os últimos acontecimentos. Eu quero mudar para melhor, mas a minha força para me levantar e lutar por isso está mínima.
— Eu estou aqui para te ajudar, para te dar força, para te apoiar, sempre. — Eu soltei do abraço, tentando me recompor — Não se esqueça que você também tem a minha mãe, ela te ama como filha, jamais te negaria ajuda. — Respirei fundo, secando as minhas lágrimas — Nós estamos dispostas a te dar todo suporte necessário para você se sentir melhor.
— Eu nem sei como agradecer a vocês — suspirei forte, ainda estava com a voz embargada — Mas obrigada, a sua visita me faz muito bem, como sempre.
— Eu amo estar com você, , isso não é nenhum sacrifício vir aqui. — Nós sorrimos fraco, ouvindo um barulho na porta e ela se abriu. — ? — Nós nos entreolhamos e os meninos vieram abraçar a tia, sorridentes.
— Danah? O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou, enquanto colocava a sua pasta sobre a mesa.
— Estou de folga do estágio hoje, então vim visitar , ela não estava se sentindo bem.
— Tia, você quer ver o desenho que eu fiz, hoje na escola? — perguntou, ajeitando os óculos que escorregava em seu rosto.
— Eu fiz o desenho mais bonito da sala. — Disse , sorrindo vitorioso e olhando para os irmãos.
— Mentira, ele fez um dragão muito feio — disse rindo, acompanhado de , que ria também.
— Tudo bem, eu vejo todos os desenhos, mas lá no quarto de vocês. — Eles saíram puxando Danah pelas mãos, que ria fraco olhando para mim e .
, o que você está sentindo? Eu posso te levar ao hospital, se você quiser, Danah fica com os meninos até voltarmos.
— Eu estou bem, , não se preocupe — ele se sentou no sofá e ficou me observando — O que é?
— Você está com os olhos vermelhos e inchados, estava chorando?
, não precisa mesmo se preocupar comigo. Eu estou bem — ouvi sua respiração ficar mais funda, mas não o encarei.
— Você não está bem, não adianta tentar esconder.
— Mas, eu vou ficar — eu o olhei firme — Eu sempre fico.
, eu preciso te contar uma coisa…
— Papai, você quer ver o meu desenho? — perguntou de um jeito tão meigo, que se recusasse eu daria uma tapa nele.
— Claro, filho! — Se levantou do sofá e me olhou novamente. — Depois terminamos nossa conversa.
disse que você vai gostar mais do desenho dele, mas eu duvido — disse irritado e o pegou no colo, logo caminhando para o quarto.
Fiquei um pouco intrigada com o que começou a falar, mas não terminou. Poderia ser qualquer coisa, eu sei, mas torcia para que não fosse a que eu mais temia.

Depois do almoço, levou Danah para casa e eu fiquei ajudando os meninos com seus novos exercícios da escola, e são muito bons em matemática, já precisa de uma ajuda maior e assim eu fiz.

À noite se aproximou e nós jantamos um pouco de macarrão, percebia que os meninos estavam muito cansados então os levei para a cama, depois da escovação de dentes.
Fiquei um tempo com cada um deles, até que dormissem e eu apaguei a luz. Os desenhos que eu e pintamos com tinta neon se destacam nas paredes verdes do quarto, sempre que apagamos a luz da luminária azul, com aviões coloridos pendurados.
Saí do quarto com cuidado para não fazer barulho e os acordar e fui para o meu, encarando a pintura de cerejeira no teto que o próprio fez, ele é um ótimo desenhista, dei um longo suspiro e me enfiei debaixo da coberta, apagando a luz do abajur.



[Continua...]



Nota da autora: Primeiramente, quero agradecer muito a cada um de vocês pelo apoio que estão me dando. Significa demais para mim e me faz querer continuar cada vez mais esta história. Obrigada, galera 💙
E agora, quero muito saber, o que vocês acharam desse novo capítulo? Espero que tenham gostado!
Até a próxima att, guys! BJoo 😽




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