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Prolog


Stuttgart, segunda-feira, 27 de maio de 2019

observava Rob sentado no sofá, entretido com Petros e um brinquedo de dinossauro. Faltava pouco mais de duas horas para o jogo que definiria a permanência do Stuttgart na série A do Campeonato Alemão. O jogo de volta contra o Union Berlin aconteceria na capital alemã, depois de um empate em 2 a 2 em Stuttgart na semana anterior.
O time da capital tinha a vantagem dos dois gols feitos fora de casa, mas o time do Stuttgart era melhor,
achava. Tudo bem, a campanha do time tinha sido fraca e de dar pena, mas eles eram melhores. Bom, ela esperava que fossem.
Na semana anterior, ela tinha sido convidada a ir à Allianz Arena para celebrar o hepta campeonato do Bayern, tinha sido ótimo, mas agora estava em Stuttgart e sofrendo pelo futuro do time do namorado. Uma mudança muito brusca de sentimentos e torcida.

- Rob, seu tio vai precisar de toda a nossa torcida. Vamos ter que torcer muito pra que o time dele não caia pra segunda divisão. –
falou para o bebê, que a olhou e deu um sorriso de dois dentes antes de voltar a atenção para o cachorro.

O pequeno garoto de oito meses (quase nove) estava entretido o suficiente e
dava graças aos céus por isso, porque se ele começasse a chorar pedindo pela mãe, o que ela faria? Não fazia ideia de onde Anna estava, o que ela tinha ido fazer e quando voltava. A amiga apenas disse que precisava que
cuidasse de Robert por algumas horas e saiu.
Deixou o pequeno com a alemã e se foi. Por sorte, Rob estava de bom humor, tinha apontado para várias coisas e engatinhado por toda a casa de
, balbuciado algumas palavras, resmungado e tentou subir nas costas de Petros. Ah, claro, uma soneca tinha sido tirada e agora ele estava ali, de banho tomado, com um body de dinossauro que
tinha comprado e brincando.

- Você podia aprender a falar meu nome. É fácil! Repete comigo: tia
. Tia.
. – falou para Robert, que deu uma gargalhada e escorregou pelo sofá, sentando-se no chão e logo engatinhando para a cozinha e
seguiu em seu encalço. – O que você quer? – perguntou, pegando-o no colo e ele apontou para o filtro de água. – Água? Hm. Entendi. Bom, você precisa comer também... o que eu vou te dar pra jantar? Eu vou ter que pesquisar, porque não faço ideia do que um bebê de nove meses come, mas, com certeza, eu consigo me virar.
- Mama?!
- Ela vem logo, Rob. Eu acho. Agora você vai ter que se contentar com sua titia
. E eu espero que você entenda mais de um idioma, porque eu estou falando com você em alemão e só agora parei pra pensar nisso... –
deu uma risada, enchendo o copo de plástico do garoto e lhe deu.
Rob já tinha a coordenação motora bem desenvolvida e conseguiu pegar pelas alças e tomar no bico do copo, não se demorando muito, e
observou o relógio na parede. Precisava mesmo dar algo para aquela criança comer.
- O que você acha de comer feijão e... – pareceu pensar. – e ficar um pouco no chão enquanto sua tia tenta descobrir o que te dar pra comer.


sentou o menino sobre a bancada e pegou o celular, digitando “o que come um bebê de nove meses?” e uma enxurrada de respostas apareceram. Faria um purê de legumes, ela tinha comprado alguns no dia anterior em uma feira de orgânicos e com certeza ele gostaria. E feijão. Será que deveria dar feijão pra uma criança de nove meses? Seria bom pesquisar aquilo também.
Talvez só o caldo.
É, faria isso.
Cozinharia batata, cenoura e beterraba e depois bateria tudo, faria um purê e daria a Robert.
Enviou uma mensagem desejando boa sorte para
e voltou a concentrar-se no jantar que daria para Robert. Colocou o bebê no chão e foi em busca da panela de pressão e dos legumes, lavou e colocou para cozinhar as batatas picadas e as cenouras. A beterraba precisaria ser cozida fora, pois o tempo de cozimento era diferente e, claro, não queria manchar os outros legumes, ainda que depois tudo fosse ficar misturado.
Voltou para a sala, acompanhando o menino que engatinhava ligeiro e os dois logo estavam brincando de novo, com as gargalhadas do pequeno Robert preenchendo o ambiente e fazendo o coração de
encher-se de amor. Anna era a primeira das amigas que tinha um filho e
estava empenhada em mimar aquela criança de todas as formas possíveis.

- Vamos jantar um bom purê de legumes, encheremos sua mamãe de orgulho da babá que ela escolheu. –
falou, quando finalmente a comida estava pronta e ela daria o jantar para o menino. – E eu piquei alguns pedaços de beterraba, talvez você queira provar depois.
- Mama?!
- Logo ela chega. –
assegurou, colocando o bebê novamente sobre a bancada e ficando de frente para ele, começando a servir o jantar, que ele aceitou de muito bom grado.
Ele comeu toda a comida que
lhe servira e ainda mordeu alguns bons pedaços de beterraba, deixando metade do rosto cor-de-rosa e, claro,
tirou diversas fotos.
- Agora vamos lavar esse rosto, trocar essa fralda e dormir. – falou e o menino balançou a cabeça em negativa. – Você nem faz ideia do que está negando, tenho certeza que você não entende alemão.

Ela o levou até o quarto, limpou o rosto dele com um lenço umedecido e foi até o banheiro, limpou o interior da boca dele com certa dificuldade, trocou a fralda e foi niná-lo na sala, pois o jogo já estava prestes a começar.
Enquanto o balançava devagar em seus braços e cantando uma musiquinha que seu pai costumava cantar para que ela dormisse,
observava a televisão e todas as chances perdidas pelo Stuttgart.
Aos nove minutos, Dennis Aogo, numa cobrança de falta muito bem batida, abriu o placar para o Stuttgart.
até queria gritar e comemorar, mas além de querer que Rob dormisse – ainda que ele não parecesse nem um pouco disposto a fazer isso naquele momento –, o VAR anulou o gol, alegando que Nicolas Gonzales estava em posição de impedimento e isso atrapalhou o goleiro do Union Berlin a defender.

- Merda. – reclamou baixo, voltando a cantar para o pequeno, que mantinha os olhos abertos e curiosos observando a expressão de
.

E, numa trombada dentro da área com o próprio companheiro de time, poucos minutos depois,
caiu estranho e sangrando muito. Os médicos logo entraram em campo. Um corte que parecia muito fundo no supercílio. Estava sendo enfaixado e os médicos conversavam com ele, tentando descobrir se ele conseguiria continuar no jogo, mas, aparentemente, a pancada não tinha sido tão forte a ponto de fazê-lo desmaiar ou perder as forças para continuar.
Mais lances de chegada boas de Stuttgart à área do Union Berlin, mas Gikiewicz não parecia disposto a deixar que o time visitante abrisse o placar. O time da casa estava pelo empate, tanto que mal se esforçava para passar do meio de campo e defendia-se como podia, aproveitando o nervosismo do Stuttgart e confiando excessivamente em Gikiewicz.
O primeiro tempo terminou sem gols e quando a câmera mostrou
, sua testa estava suja de sangue e vazando pela testa.
estava preocupada, mas não tinha muito o que fazer, infelizmente só poderia vê-lo quando ele chegasse em casa e isso seria de madrugada.
Batidas na porta fizeram com que ela seguisse até lá, depois de desistir de fazer Rob dormir, ele ainda estava em seu colo, mas ria das caretas que a alemã fazia,
abriu a porta e encontrou Anna.

- Ele te deu muito trabalho? – perguntou entrando na casa, deixando a bolsa no cabideiro.
- Que nada. Ele ficou super tranquilo, dormiu, brincou, tomou banho, jantou... Esse garoto é maravilhoso!
- Meus peitos estão doendo horrores! Não consegui tirar nada de leite e eles parecem prestes a explodir.
- Então deve ser isso que ele está esperando para dormir. –
deu uma risadinha, entregando o menino para a amiga e as duas foram para o sofá.
- E como está o jogo?
- Empatado sem gols. E isso é uma bosta pro Stuttgart, porque o Union Berlin fez dois gols fora e isso vai classificá-los.
- Vou fingir que entendi tudo que você disse. – Anna deu uma risadinha, ajeitando Rob no colo para amamentá-lo.
- Num breve resumo: precisamos de um gol.
- Gol de qual dos times?
- Do de preto. –
falou, fazendo Anna rir ao observar os jogadores voltando para o campo.
- E por que seu namorado está com a cabeça enfaixada?
- Bateu a cabeça com o companheiro de time e rasgou o supercílio.
- Coitadinho.
- Você fala alemão com Rob?
- Muito raramente, prefiro manter o inglês, porque é o idioma que nós usamos em casa.
- Ele é tão lindinho. Quase sinto vontade de ter um.
- Um filhinho
seria lindinho. – Anna sorriu. – E seu jogo está recomeçando. Vou torcer pro seu namorado fazer um gol.
- Não torça por algo tão difícil, meine Liebe, torça por um gol do time de preto e isso já ajuda muito.
- Tudo bem. – deu uma risadinha, observando o rosto do filho que mamava serenamente, mexendo com o colar de Anna com a mãozinha que estava para cima e olhava para a mãe quase admirado.


alternava seu olhar entre a televisão que insistia em mostrar o Union Berlin com uma postura bem mais agressiva naquele segundo tempo, e Rob, que estava sentado no colo de Anna e emitia vários sons que não faziam o menor sentido, mas tiravam sorrisos sinceros da mulher.
A bola estava prestes a entrar no gol do Stuttgart diversas vezes e
só conseguia agradecer aos céus por Zieler existir. Outras tantas tentativas do Stuttgart, que era atrapalhado pelo nervosismo, foram defendidas ou perdidas pela falta de efetividade.
Ao final do jogo,
estava com o rosto sangrando de novo, mas permanecia em campo e tentando ajudar o time a marcar.
pedia aos céus que o time ficasse na primeira divisão, por mais que não merecessem, porque uma queda era a pior coisa que podia acontecer. Podia atrapalhar e muito a vida de muitos atletas ali.
E quando o juiz apitou o fim do jogo, anunciando que o Union Berlin estava, pela primeira vez em sua história, classificado para a primeira divisão da Bundesliga na temporada 2019/2020,
quis chorar ao ver
desolado.
Desligou a televisão e estendeu os braços para Rob, que olhou incerto e deu uma risada antes de virar-se para Anna e abraçá-la.

- Sinto muito.
- Meu time foi campeão há menos de dez dias, então enquanto torcedora eu estou muito feliz. –
estalou os lábios. – Mas
deve estar destruído.
- Essas coisas acontecem. – Anna tentou consolar a amiga. – Rob, dê um beijo na tia
e vamos dormir.
- Vocês podiam ficar mais dias, foi ótimo ficar com o Rob e eu estou seriamente pensando em abandonar minha carreira e virar a babá desse anjinho!
- Precisamos ir pra Inglaterra, encontraremos Harry lá.
- E como estão as coisas entre vocês?
- Ótimas. Estamos realmente bem. Rob veio para melhorar as coisas e nos fazer enxergar o que estava na nossa cara, mas parecíamos cegos demais para enxergar.
- Que coisa mais linda. –
sorriu. – Espero que ele não seja um idiota de novo, ou serei obrigada a arrancar os olhos dele fora. E matá-lo.
- Não será necessário. – Anna riu.
- Assim espero.
- Rob, dê um beijo na titia. – Anna o sentou e estendeu para
, que pegou o menino no colo e ele lhe deu um beijo babado, deitando-se em seu peito em seguida e deu um sorriso arteiro para a mãe. – Sabe, você foi muito boa babá hoje.
- Estou encantada com essa criança perfeita!
- Preciso te contar uma coisa, você será a primeira a saber.
- Devo ter medo?
- Não.
- Então pode falar. –
olhou apreensiva para Anna, que deu um sorriso enorme.
- Você será madrinha.
- Madrinha de quê? – perguntou confusa.
- Do meu bebê.
- Mas essa é a Madu.
- Não estou falando do bebê que está no seu colo, mas do bebê que está na minha barriga e ninguém além de você sabe disso ainda. – Anna falou óbvia, fazendo
arregalar os olhos e receber um aceno de confirmação.
- Vocês são bem férteis, hein? – brincou, dando um sorriso enorme. – Parabéns, Ann! Que esse bebê seja tão maravilhoso quanto esse bebê aqui e que só nos traga alegria!
- E o que você acha de ser a madrinha?
- Acho perfeito! E estou muito honrada por ser a primeira a saber e por ser a madrinha dessa coisinha linda que nem nasceu e eu já amo pra caramba!
- Agora eu vou colocar essa criança pra dormir e vou dormir também. Tive um dia bem cheio e amanhã preciso sair cedo pra ir pra Inglaterra.
- Durmam bem. E qualquer coisa é só chamar.
- Vai esperar seu namorado acordada?
- Eles não devem demorar em Berlim, acho que ele chega hoje ainda.
- Bom, eu vou dormir. Além de cansada, estou grávida e dormindo só de pensar em dormir.
- Boa noite, Ann. E boa noite, coisinha mais linda do mundo. –
deu um beijo estalado na bochecha de Robert, que deu uma gargalhada.
-
! – falou e as duas o olharam surpresas.
- Ele falou meu nome!
- Não conte isso pro Shawn, ele vai ter um troço!
- Bom, isso só me incentiva a contar. –
riu, vendo Anna pegar Robert no colo e seguir pelo corredor.


escreveu uma mensagem breve num stories para
, enviando uma outra pelo WhatsApp, dizendo que o esperaria e ele respondeu que em breve estaria em casa. Queria poder fazer algo para mudar aquela situação, mas, infelizmente, estava fora de sua alçada.
Só lhe restava esperar
com as prometidas bandagens e todo amor que pudesse lhe destinar naquele momento.


Eins


Janeiro de 2020

- Anda logo, die Hurensohn! – esbravejou dentro do carro, buzinando sem parar para o carro que estava à sua frente.
- Amor, calma. – falou quase rindo.
- Calma?! – a voz dela soou uma oitava mais alta que o normal, até desafinando um pouco e soltou um risinho pelo nariz. – A Heidi está nascendo e esse babaca parece que morreu com o pé no freio!
- Agora eu entendo por que o Bob sempre dirige... – provocou e o olhou brava, fazendo gargalhar. – , o trânsito está péssimo, não é culpa dessa pessoa que está na nossa frente. E você nem poderia entrar na sala pro parto, você sabe disso.
- Cala a boca. – falou séria, dando seta e mudando de pista, que estava tão lenta quanto a que ela estava antes e já estavam parados há mais de quarenta minutos naquele mesmo lugar e no trânsito há mais de duas horas e quarenta minutos. – Que inferno! Está frio, por que todas essas pessoas precisam sair? Fiquem quietas no aquecedor das suas casas, inferno!
- Você me assusta um pouco. – deu uma risadinha ao falar. – Mude de faixa até estar totalmente na direita e ali na frente, depois do semáforo, corte pela direita, eu conheço um caminho até o hospital que vai evitar esse trânsito.
- E você não falou antes por quê?
- Porque se eu falasse, você teria surtado bem antes e provavelmente estaríamos mortos.
- , você é um idiota.
- Sou, mas você me ama e isso é o que você precisa se lembrar. E, em todo caso, não tinha como pegar essa saída antes. Agora, saia dessa pista e vá pra última faixa da direita, depois do sinal vire à direita e depois na segunda à esquerda.
- E por que o GPS não mostra esse caminho? – perguntou, fazendo a manobra no trânsito, demorando quase quinze minutos até conseguirem passar pelo semáforo e ela poder, finalmente, virar à direita e sair daquele trânsito. – Muito mais fácil andar por aqui do que naquela merda de via expressa. Via expressa meu rabo!
- Ainda bem que você não pode entrar na sala de parto. – riu. – Esquerda e depois a segunda à esquerda de novo.
- , fica na sua.
- Agora você segue essa direto e sairemos na rua atrás do hospital. – falou, ignorando a rabugice de , e o restante do caminho foi em silêncio, e numa velocidade bem acima da permitida, e logo o carro estava parado em uma vaga no estacionamento e os dois saíram na direção do interior do hospital.
E, claro, deu autógrafos, tirou fotos e foi apenas sorrisos com todos os fãs que a pararam e cumprimentaram e quando, finalmente, conseguiram chegar ao andar da maternidade, encontraram Harry parado à frente do vidro, contemplando a pequena Heidi.

- Titia! – Rob gritou e saiu correndo até , que se abaixou para pegar o menino no colo e abraçá-lo e encher as bochechas dele de beijos e receber uma gargalhada em resposta.
- Você chegou a tempo pra comemoração do primeiro mês da sua afilhada, parabéns . – Harry provocou e o xingou em alemão. – Não use outro idioma pra me xingar.
- Eu prefiro não falar em inglês, não quero que o Rob entenda e saiba que a tia fala esse tipo de coisa. – respondeu, fingindo estar brava, mas deu um sorriso. – E como foram as coisas? Elas estão bem? E já tão rápido?
- As coisas foram bem intensas, quase fizeram uma cesárea, mas no fim deu tudo certo e ela nasceu bem e as duas estão ótimas. Anna está descansando um pouco, Heidi está ali e você pode conhecer sua afilhada se olhar pelo vidro. – apontou. – Rob, vem cá, deixe sua tia ver sua irmãzinha.
- Tio. – Robert esticou-se, pedindo colo para , que aceitou de bom grado e logo estava colada no vidro e com os olhos cheios de lágrimas ao ver a pequena Heidi Schulte Styles deitada no leito, embrulhada numa manta e de olhinhos fechados.
- Sie ist perfekt! – falou chorosa, dando um sorriso e abraçou Harry. – Parabéns, Harry. Sua família é linda e eu fico muito feliz por você ter deixado de ser um panaca e se tornado um marido ótimo pra minha amiga, além de um excelente pai pro Rob e tenho certeza que Heidi vai ter a mesma coisa de você. Parabéns mesmo.
- Obrigado, . – Harry deu uma risada baixa, abraçando . – Você é uma excelente amiga, mesmo que tenha se unido à Madu pra ameaçar me matar, além de uma excelente tia pro Rob e será uma excelente madrinha pra minha pequena também.
- Farei o possível. – separou o abraço, fungando, e pegou Rob no colo de novo.
- Não chora, titia. – o menino a abraçou e ela deu uma risadinha.
- É choro de alegria, baby dinosaur. – falou. – Estou feliz por rever vocês e conhecer sua irmã.
- Ela é linda, Harry. Parabéns. – falou num inglês meio embolado, abraçando o britânico.
- Quando posso ver a Anna? – perguntou e Harry fez expressão de quem não sabia, passando os dedos pelos cabelos.
- Isso eu não sei te dizer, , como a gravidez foi um pouco complicada, os médicos querem monitorar algumas coisas, mas pelos exames preliminares estava tudo ótimo com as duas.
- Ela é linda, Harry. Linda. – sorriu ao olhar novamente pelo vidro.
- O que eu perdi? O que eu perdi? – uma voz masculina e cheia de sotaque britânico soou em um tom desesperado e quando e Harry se viraram, encontraram Zayn entrando apressado pelo corredor pelo qual tinha passado há poucos minutos.
- Chegou cedo pra festinha de um ano dela. – alfinetou.
- Eu não tenho culpa, , o trânsito nessa cidade é maluco e eu fiquei preso por umas três horas no congestionamento! E ninguém fala algo que eu entenda, então eu estava preso dentro do táxi e sem entender o que estavam falando no rádio e sem entender o que o motorista falava! – Zayn soltou de uma vez, abraçando a alemã, depois abraçou e Rob, indo até Harry para abraçá-lo. – E aí, cadê a Heidi? E a Anna? Como elas estão?
- Bem. – Harry respondeu, apontando para o vidro na direção do bercinho em que a pequena Heidi permanecia dormindo. – Anna está descansando e estão fazendo alguns exames, você sabe que a gravidez dela foi difícil, mas tudo correu bem e as duas estão saudáveis, vivas e bem.
- Ela é linda, mate. – Zayn sorriu ao falar. – Parabéns. Você, além de cantar e compor bem, sabe fazer filhos lindos.
- Ainda bem que eles puxaram a Anna, porque ela é perfeita. – implicou.
- É mesmo.
- Tio Z. – Rob chamou, fazendo Zayn virar em sua direção e o menino lhe pediu colo.
- Com licença. – a voz do médico soou e o pequeno grupo se virou para o homem. – Quem será o primeiro a entrar para ver Anna e Heidi? Vamos levar o bebê agora pra ela.
- O quê? Anna e Heidi o quê? – Harry perguntou preocupado sem entender nada do que o médico disse.
- Ele perguntou quem será o primeiro a entrar no quarto, vão levar a Heidi pra Anna agora e ele veio saber quem será primeiro. – traduziu.
- Não podemos ir todos?
- Podemos ir todos juntos? – perguntou e o homem observou o pequeno grupo de adultos e a criança no colo de Zayn. – Prometo que não faremos nenhuma bagunça ou causaremos problemas.
- Por favor, não façam mesmo. Essa é uma ala em que precisamos de toda a paz possível.
- O senhor tem a minha palavra. – deu um sorriso para o homem e os cinco seguiram para o quarto, pouco depois de uma enfermeira ter levado Heidi para Anna.
- Mamãe! – Rob falou sorrindo para Anna quando entrou no quarto e viu Heidi no bercinho ao lado da cama.
- Parabéns, Ann. – deu um beijo no rosto da amiga e olhou para a pequena Heidi.
- Obrigada. E pode pegá-la, . – Anna falou e se apressou para o banheiro, tirou as luvas, lavou as mãos e logo estava de volta ao quarto, pegando a menina no colo, que soltou um resmunguinho e quase explodiu de fofura.
- Ela é ainda mais perfeita de perto. – sussurrou. – Oi, Heidi, é a tia . Você tem muita sorte de ter pais tão maravilhosos, um irmão lindo e uma madrinha que te ama incondicionalmente e é a melhor de todas.
- O padrinho também. – Zayn falou, aproximando-se e deu um sorriso enorme ao ver a menina de perto. – Ela é linda. Eu serei o melhor padrinho de todos.
- Acho bom mesmo. – falou e Harry aproximou-se, pegando a filha no colo e sorriu ao ver a menina bocejar.
- está tão aficionada que quase dá medo dela roubar a criança. – Zayn riu baixo.
- Ei, Rob, venha dizer oi pra sua irmãzinha. – Harry, que já estava perto da cama onda Anna estava deitada.

Zayn deixou Rob no colchão, do outro lado de Anna e o menino observou a irmãzinha sem muito interesse, mas deu um sorriso quando ela voltou a bocejar.
Os outros três não se demoraram tanto no quarto, precisavam dar a chance de os familiares entrarem no quarto, prometeu voltar no dia seguinte para ajudar Anna a voltar pra casa e disse que se quisessem, poderiam deixar Rob com eles aquela noite.
Logo ela e estavam voltando para a casa dela, dando algumas voltas para evitar o trânsito intenso que ainda tomava conta da cidade. cantarolava a música que tocava no rádio, não fazia ideia do que era aquilo e quem cantava, mas ela estava tão entretida dirigindo e cantando que ele nem teria coragem de interrompê-la pra perguntar quem cantava aquilo.

- You say that everything changed, you’re right, we’re grown now. So won't you slide away back to the ocean? I'll go back to city lights...
- Quando você pretende voltar pro estúdio? – perguntou quando a música acabou.
deu de ombros, realmente não fazia ideia, e precisaria dar um tempo para que Anna se recuperasse do parto, se adaptasse à nova vida e que as últimas burocracias com as gravadoras fossem resolvidas.
- Eu preciso esperar um tempinho até Anna estar totalmente de volta, ainda faltam alguns detalhezinhos com a Universal e a troca de gravadora... tenho coisas escritas e tudo mais, mas ainda não posso dar certeza de quando voltarei.
- Você está bem com isso?
- Não, mas estou dirigindo e prefiro não falar disso agora. – respondeu e assentiu.

O restante do caminho foi feito em silêncio por parte dos dois, mas uma música tocava no rádio, num outro idioma que tampouco entendia e logo deixou o carro em sua garagem e os dois entraram na casa.
foi tomar banho e ficou responsável por esquentar o jantar enquanto isso. Petros continuava deitado na sala, aproveitando de toda a boa vida e mimos que lhe oferecia.

- Quer conversar? – perguntou quando entrou na cozinha, agasalhada de forma quase exagerada, e sentou-se à mesa, colocando os dois pés na cadeira e abraçando as pernas.
- Não.
- Então vou usar da mesma tática da Ute e vou falar, você não precisa responder e não será uma conversa. – falou, virando-se na direção de , que encostou a cabeça sobre os joelhos e o olhou. – Você está frustrada com todo esse tempo de pausa, mas foi você quem escolheu aumentar a pausa pra além do recomendado pelos médicos. Sua licença médica oficial acabou em julho, mas foi você quem resolveu se dar mais um tempo, compor mais e não colocar pressão pra fazer um retorno desesperado. Seus fãs entendem e não cobram um retorno, sua terapeuta também achou ótimo você dar mais um tempo, só que eu sei que você está triste e preocupada com esse seu “sumiço” do cenário musical. , ninguém vai te esquecer, suas músicas continuam tendo visualizações absurdas e sua música com Niall, que tem mais de um ano, estava no topo da Billboard esses dias... tem música em filme e o YouTube já mandou umas dez placas pra você por seus vídeos estarem aumentando e muito as visualizações. Eu sei que eu falar tudo isso pra você é diferente da forma como seu coração e sua mente entendem, de como a sua ansiedade lida com essas informações. Eu sei que eu te falar tudo isso não diminui sua preocupação e seu medo; mas você precisa lembrar que o seu fandom nunca te abandonou e nem abandonará. E eu sei que, lá no fundo, você sabe que é uma artista foda e que se resolver voltar a cantar agora ou daqui cinco anos, todos os charts serão seus, porque você é talentosa e as pessoas amam suas músicas. Então, depois de todo esse discurso que quase queimou nosso jantar, – desligou o fogão e se aproximou, sentando perto de , que tinha os olhos cheios de lágrimas prestes a serem derramadas. – quero que você saiba que pode aproveitar mais alguns meses de hiato, porque seus fãs, os fãs de verdade, estarão esperando quando você voltar. Os fãs do namorado da Charlie fizeram isso, não fizeram? E o hiato foi enorme, não é mesmo? Pois é. Você voltará no seu tempo, quando sentir-se confiante o suficiente pra isso e voltará pra fazer o que mais sabe: sucesso. Seus fãs continuarão te amando mesmo que você resolva parar de cantar agora mesmo e nunca mais subir num palco, . Os fãs da One Direction ainda amam a banda, mesmo depois daquela mentira sobre dezoito meses de pausa...
- Vou contar isso pro Niall e pro Harry. – soltou um risinho entre as lágrimas que caíam. – Obrigada por isso, , eu precisava ouvir essas palavras. Ando um pouco ansiosa esses dias e ouvir isso foi importante.
- Eu sei, tenho te visto demonstrar todos os sinais que precedem suas crises de ansiedade. Você comeu pipoca a semana toda, tocou piano, não tem dormido bem e correu tanto que se fosse em linha reta, você teria dado duas voltas ao mundo.
- Exagerado.
- Mas é a verdade, eu só entrei nesse assunto, porque você está prestes a surtar e eu não quero que isso aconteça. Então, como sou um namorado maravilhoso e que te ama demais, marquei um horário com sua terapeuta pra amanhã e vocês podem conversar melhor sobre tudo.
- Eu te amo. – fungou, limpou o rosto e saltou de sua cadeira, sentando-se no colo de e o abraçou. – Obrigada mesmo por isso.
- Sabe, hoje faz dois anos da nossa reunião... – fez um carinho no braço de e ela o olhou sem entender. – Da reunião do contrato, .
- Você é bom com datas. – deu uma risadinha e lhe deu um selinho demorado.
- Sou, eu sei. – brincou. – Agora vamos jantar, você tem a consulta de manhã e eu preciso voltar pra casa, tenho que treinar de tarde.
- Tudo bem. E eu vou encontrar Niall depois do almoço.
- Ele está vindo pra cá?
- Vem visitar a Heidi e ver a melhor amiga dele, claro.
- A Anna, no caso. – provocou , recebendo uma mordida no queixo como resposta. – Ai!
- Você está falando muito, beija minha boca. – falou, fazendo dar uma gargalhada e negar com um aceno.
- Vamos jantar.
- , você vai mesmo fazer isso? – perguntou, cruzando os braços e o olhando quase fazendo birra.
- Fazer o quê?
- Me negar um beijo.
- Vou, porque eu não quero só te beijar, mas eu estou com fome. – falou e rolou os olhos.
- Tudo bem, eu te beijo e depois você resolve seu problema com o jantar. – não deu tempo de respondeu, apenas juntou os lábios aos dele.

🎤 🇩🇪 ⚽️


, que passou boa parte da manhã no consultório da terapeuta, chorou, falou, chorou mais e logo estava saindo, posando para fotos dos paparazzi que pareciam ter aumentado consideravelmente na Alemanha, e logo estava a caminho do restaurante em que almoçaria com Niall.

- Tomem cuidado, . Estarei aqui fora.
- Pode vir sentar com a gente, Bob. – falou e Bob negou com um aceno.
- É um momento seu e do seu amigo, então eu vou apenas cumprir meu dever de funcionário hoje.
- Eu te amo muito, Bob. – inclinou-se e deu um beijo no rosto de Bob, saltando do carro pouco depois e entrando no restaurante.
Avistou Niall sentado ao fundo do local, tirando foto com uma adolescente, uma selfie, parou ao lado deles, aparecendo na foto e a garota demorou um milésimo de segundo para entender o que estava acontecendo.
- Meu. Deus. – falou, abraçando em seguida e a alemã deu uma risada, abraçando a garota de volta. – Eu te amo tanto! É muito bom te ver bem de novo, espero que você só volte no seu tempo, , por favor, não se force se ainda não se sentir totalmente bem. Nós te amamos e entendemos que você está tirando um tempo pra você e pra se cuidar.
- Obrigada. – agradeceu. – Qual seu nome?
- Lyanna.
- Obrigada, Lyanna. Suas palavras são importantes pra mim. De verdade. Eu voltarei logo, eu prometo. – falou e a garota sorriu.
- Podemos tirar uma selfie apenas nós?
- Claro! – falou e a garota tirou a foto, sorrindo e depois de um longo abraço, ela saiu e deixou e Niall sozinhos.
- Eu também quero um abraço. – Niall falou, ficando de pé e os dois se abraçaram demoradamente.
- Eu estava com saudades! – falou, sentando-se de frente para Niall, que assentiu.
- Eu também! E a Alemanha é fria pra caralho, eu não quero existir fora de casa!
- Você é fraco, te falta ódio. – brincou. – Poderíamos ter ido direto pra casa, eu sei cozinhar.
- Não tenho tanta certeza. – Niall provocou. – Mas eu queria experimentar a culinária local, sei que você não come coisas de origem animal, mas eu sou curioso.
- Você não vai comer nada, eu tenho certeza. – riu. – A comida é estranha.
- O quão estranha? – perguntou e tirou o celular do bolso, pesquisando por algumas coisas e logo estendeu o celular para Niall.
- Isso é Weisswurst. É uma salsicha típica aqui da Baviera, feita de vitela e toucinho fresco, mas é forte. E ela é branca assim sempre. Aposto cinco mil euros que você vai vomitar antes do fim do dia.
- Não me desafie, .
- Eu desafio.
- Eu sou irlandês!
- E eu sou da Baviera e passei mal diversas vezes quando comi isso.
- Você é fraca, te falta ódio.
- Blutwurst é outro tipo de salsicha daqui e é uma morcela de sangue. Tem, literalmente, sangue de porco aqui. – falou, apontando para o cardápio. – Tem a Mettwurst também. Ela é feita de carne de boi e de porco, é defumada, mas o gosto é muito forte e você tem que ter estômago pra já saber que a carne não é preparada antes de ser enfiada nisso e processada. É carne crua!
- Você é uma péssima guia turística. – Niall deu uma risada. – E, em todo caso, já provei chucrute e é uma delícia.
- É apenas repolho em conserva refogado. – deu de ombros. – Mas, se você insiste, aventure-se. E depois não reclame quando perder a aposta.
- Eu não apostei nada!
- Come o Veal Wiener Schnitzel. Não quero que você passe mal, o tempero das outras e o gosto são realmente fortes. E vamos visitar um bebê assim que sairmos daqui.
- E o que você vai comer?
- Salada e batatas fritas.
- Deveríamos ter ido a um restaurante vegano.
- Teremos tempo. – deu de ombros.
- O que é Veal Wiener Schnitzel? Pronunciei certo?
- Claro que não. – deu uma risada. – Veal Wiener Scnitzel. O “tzel” do final é pronunciado com a língua prendendo no céu da boca.
- Eu nunca vou aprender, então não ligo. – deu de ombros. – Mas o que é isso?
- Vitela empanada, batata frita e uma salada típica daqui da região, nada muito excepcional.
- Quero isso.
- Tudo bem.
- Nenhuma objeção?
- Eu tenho, mas não vou falar, vou apenas te julgar enquanto você come um bife de vitela que vem de um pequeno bezerro renegado por ser macho que foi separado da mãe e morto com poucos dias de vida pra alimentar a indústria da carne e do leite, ignorando totalmente o que eu tenho tentado te ensinar.
- Tudo bem, . Vamos comer em outro lugar.
- Obrigada por ser perfeito. – falou sorrindo. – Mas podemos comer opções sem coisas de origem animal aqui, já estamos sentados e as pessoas esperam que a gente consuma coisas.
- Você escolhe.
- Niall, você pode comer e vou mesmo te julgar, mas não posso te obrigar a não comer.
- Então eu quero esse da salada e batata frita.
- Vai beber alguma coisa?
- Uma boa e tradicional cerveja alemã, claro.
- Ótimo. – ergueu a mão e logo um garçom apareceu. – Boa tarde.
- Boa tarde.
- Vamos pedir. – falou e o homem, de prontidão, pegou um bloco de papel para anotar os pedidos. – Ele quer Veal Wiener Schnitzel e uma Löwenbräu Helles Mass. E eu quero Polenta & Funghi vegan e também quero uma Löwenbräu Helles Mass. As sobremesas deixaremos pra depois.
- Tudo bem, entregarei os pedidos ao chef. Querem a cerveja agora?
- Quer a cerveja agora? – perguntou e Niall negou. – Então melhor vir com o almoço.
- Certo. – o homem disse saindo de perto.
- Eu estou lendo certo? – Niall arregalou os olhos ao olhar o cardápio. – Você pediu uma cerveja de UM LITRO?
- Fala baixo! – riu. – Pedi, ué, você disse que queria uma cerveja tipicamente alemã.
- Vamos chegar bêbados numa maternidade, ?
- Você vai, eu estarei bem. – deu de ombros. – Você não precisa tomar toda a cerveja, Niall, pode tomar só um pouco.
- Cerveja alemã e eu não vou tomar tudo?
- Eu compro algumas cervejas pra você e levo pra casa.
- Você pode beber? Não vai afetar seu remédio?
- Não. – deu de ombros. – Quer dizer, eu acho que não, mas eu não tomei remédio hoje, então tudo bem.
- Não gosto disso. – Niall estalou os lábios. – Troque a cerveja por alguma coisa sem álcool.
- Niall, eu tomo vinho quase todos os dias e estou viva e bem.
- Se você passar mal, eu vou te matar. – falou preocupado.
- Relaxa. – falou e Niall rolou os olhos. – E então, quero outra música nossa.
- A outra nem saiu do Top 100 ainda e você já está nesse nível de desespero?
- Idiota. – riu.
- Podemos pensar nisso depois, . Vamos esperar a Anna voltar e gravaremos um álbum inteiro juntos.
- Não me prometa o que não pretende cumprir, Niall Horan.
- E como estão as coisas, kleine prinzessin?
- Acho tão bonitinho você falando coisinhas em alemão. – falou, apoiando o queixo em suas mãos e sorrindo para o amigo. – E estão indo bem, Niall, de verdade. Há dias ruins, claro, mas os dias bons são mais numerosos. E as coisas com estão ótimas, tenho escrito algumas coisas e devo lançar ainda esse ano. E você, tudo bem?
- Comigo sim, tudo tranquilo. No começo de fevereiro sai um clipe meu, pro meu novo álbum e estou começando a pensar na turnê também.
- Qual música?
- No Judgement.
- Adoro! – sorriu. – Estou ansiosa pro mundo conhecer a obra de arte que está seu álbum. Tenho escutado umas dez vezes por dia, sem mentira.

Niall não teve tempo de responder, o garçom estava se aproximando com as duas jarras de cerveja e logo em seguida voltou com os pratos. O irlandês deu uma risada baixa ao ver olhar torto para seu prato com carne.
Comeram devagar, aproveitando a refeição e as cervejas – que não foram inteiramente bebidas sob o argumento de que sairiam a noite e poderiam beber várias – e logo estavam a caminho do hospital.
Dessa vez estavam apenas Anna e Harry com a pequena Heidi, enquanto Rob estava com a família de Anna.

- Ela é tão linda. – Niall disse, segurando a pequena com todo cuidado do mundo e tinha os olhos vidrados na menina.
- Puxou a mãe. – Anna brincou e concordou efusivamente.
- Fico muito impressionado com seu carinho, . – Harry implicou e deu de ombros.
- Você também concorda com isso, Styles. – deu de ombros.
- Zayn vai ter uma síncope se souber que você veio de novo e ele não. – Harry falou rindo.
- Ele mudou de hotel e está em um que fica nessa rua, disse que você mora em Munique, tem as vantagens de falar alemão, de conhecer a cidade e transitar melhor, então pra não demorar mil horas pra ver a afilhada, ele prefere ficar praticamente do lado. – Anna deu uma risada baixa ao falar.
- Ele quase me fez colocá-lo como o acompanhante da Anna. – Harry soltou uma risada pelo nariz.
- Zayn é um doido. – estalou os lábios. – Pensei em marcar aquele almoço lá em casa esse fim de semana, vocês acham que é possível?
- Acho que sim. – Harry falou, mas olhou para Anna, esperando pela confirmação da esposa.
- Não é uma boa ideia. – Anna falou e olhou curiosa. – Heidi terá dias, bem pouquinhos, e é uma fase bem delicada, a saúde ainda é frágil, ela estará tomando as vacinas e o sistema imunológico ainda estará bem fraco pra ter muita gente por perto. E, pra fazer isso, teríamos que ir da minha casa pra sua, e tirar um bebê recém nascido de casa nesse inverno é implorar por uma doença, então prefiro que a gente espere um pouco mais pra isso. Sei que suas intenções são ótimas, , não me entenda mal, mas não acho que seja uma boa ideia.
- Você tem razão. – sorriu sincera. – Nem tinha pensado nisso e só com você falando é que me dei conta. Tudo bem, vamos adiar a festinha de boas vindas pra Heidi, mas assim que você autorizar, faremos a melhor festa de todas!
- Você é uma madrinha bem prestativa. – Niall implicou.
- Mas você pode fazer a festa de inauguração oficial da sua casa. – Harry sugeriu.
- É uma boa ideia. – sorriu. – Mas Ann não poderá ir e nem você. Ela ainda estará nos primeiros dias e também não seria bom vocês serem expostos ao clima e a um monte de gente assim, principalmente tendo duas crianças em casa.
- E cadê seu namorado? – perguntou curioso.
- Diferente de mim, tem o que fazer da vida e não pode ficar almoçando com cantores famosos e visitando amigas que acabaram de ganhar neném no meio da semana, do nada. – soltou uma risadinha, pegando Heidi no colo, bem quando a porta foi aberta e Zayn entrava no quarto.
- O que você já está fazendo aqui? – perguntou para , quase ofendido. – Eu mudei de hotel pra conseguir ser um padrinho presente e você já está aqui!
- E olha que eu fui pra terapia, almocei e bebi com Niall antes de chegar.
- Oi Zayn, tudo bem comigo e a viagem foi ótima. E você, como está? – Niall perguntou debochado, abraçando o amigo em seguida.
- Fico comovida com a atenção que ele dá aos pais da afilhada também. – Anna implicou, sendo abraçada logo em seguida.
- está pensando em promover oficialmente a inauguração da casa dela. – Niall sorriu travesso.
- Quando você está pensando em fazer isso, ? – Zayn perguntou. – Tenho que ver minha agenda.
- Zayn, se fizermos uma competição de quem está mais à toa entre você e eu, acaba empatada. – respondeu rindo fraco. – Seria pro fim de semana.
- Uma festa que duraria isso tudo?
- Esse garoto é idiota. – resmungou.
- Ei!
- É, ele é. – Niall implicou, rindo.
- Não, Zayn, não o fim de semana todo. Pensei em sábado à noite, dá pra curtir uma boa ressaca no domingo.
- E quem você pretende chamar? – Harry perguntou, bem quando Heidi começou a chorar e Anna a pegou, estava na hora de alimentar a filha.
- Todo mundo?! – falou em tom de dúvida, soltando uma risadinha. – Os de sempre, claro, mais outras pessoas. Adam e Behati estão por aqui, acho que Gwen e Blake também, além de alguns amigos meus daqui e outros que vocês não conhecem.
- Eu posso chamar a Gigi? – Zayn perguntou e assentiu.
- Você fica até que dia?
- Semana que vem, como você disse, estou um pouco sem o que fazer. – respondeu rindo.
- E a Gigi pode vir? Ela não está super ocupada?
- Provavelmente pode, vou ligar e perguntar.
- Não conheço e nem quero conhecer as Kardashian e as Jenner, então peça pra ela vir sozinha, se não for pedir muito.
- Claro. – Zayn deu uma risadinha da careta que Anna fez.
- Os outros detalhes dessa festa ficam pra depois, eu tenho que ver meus pais e tenho planos de sair pra balada com meu amiguinho irlandês.
- Estou convidado? – Zayn perguntou esperançoso.
- Sim, mas já sei que você não vai. Como sempre. – Niall riu. – Gigi está aqui com você?
- Não. – o britânico suspirou. – Ela está trabalhando nos Estados Unidos, infelizmente.
- Anna, eu volto amanhã pra buscar o Rob e fico com ele pra vocês se ajeitarem bem em casa.
- Ótimo. Vou precisar mesmo dessa ajuda. – riu cansada. – Te mando o endereço pelo WhatsApp.
- Niall, você vem agora ou quer ficar mais?
- Acho que vou ficar. Depois você me pede um Uber e eu vou pra sua casa.
- Preciso ver meus pais, então quando quiser ir pra casa me avisa e... espera... cadê suas malas?
- Bob me buscou no aeroporto, levou minhas malas pra sua casa, me deixou no restaurante, te buscou e nós estamos aqui agora.
- Que eficiente. – Zayn deu uma risadinha.
- Então vou ver meus pais e vejo você mais tarde. – falou, abraçando o amigo, e depois de uma rápida despedida dos demais, estava saindo do hospital e indo para a casa dos pais.


Zwei


- Essa cerveja alemã é realmente bem forte. Gostei. – Niall falou, enquanto estavam sentados no sofá da casa de
.

Os dois tinham preferido ficar em casa e evitar aglomerações e paparazzi. Cada um tinha uma cerveja em mãos, uma música baixa estava tocando e estavam no sofá, sentados, beliscando alguns aperitivos feitos por
.
Petros estava deitado do outro lado da sala e parecia muito pouco interessado na conversa que os dois estavam tendo.

- Eu sabia que gostaria, por isso comprei dessa. –
respondeu, dando um sorriso convencido de quem tinha feito um bom trabalho. – Eu queria muito te contar uma coisa, mas estou com um pouco de... medo.
- Medo? De quê? Aconteceu alguma coisa? – Niall perguntou preocupado e
negou com um aceno.
- Não aconteceu nada agora, mas antes...
-
, você está me assustando. – Niall deixou a garrafa sobre a mesa de centro e olhou bastante apreensivo para
, que apertava a própria garrafa entre as mãos e se tivesse força suficiente, quebraria o vidro em diversos pedaços.
-
e eu não namorávamos de verdade antes. – soltou de uma vez, fechando os olhos bem apertados.
- Como é que é?
- É uma longa e complexa história que envolve um contrato.
- Já tive várias namoradas assim em fanfics. – Niall deu uma risadinha ao falar, tentando amenizar o clima e
o olhou curiosa. – Qual é! Eu já li algumas e eram bem legais. Aposto que você já leu com você!
- Uma vez e foi mesmo bem legal.
- Você quer me contar toda a história e com bastante calma, certo?
- Sim.
- E o medo é o do julgamento?
- Um pouco...
-
, no judgement. – piscou, referindo-se à própria música que lançaria em alguns dias e a alemã sorriu. – Pode falar tudo que sentir vontade.
- Me sinto uma pessoa horrível por ter escondido isso de todas as pessoas que amo, mas não queria contar pra evitar os julgamentos e pra que não se espalhasse. Eu escondi até mesmo do Ian e do Davi.
- Então foi coisa bem séria. – Niall falou e ela assentiu.


contou sobre a reunião que tinha acontecido, porque Hugo e Leonard tinham realmente achado que valeria a pena para ambas as partes:
precisava voltar ao foco da mídia e ela precisava se livrar da péssima “fama” de fracassos amorosos seguidos, além da intensa procura da mídia por um namorado para ela. Seria unir o útil ao agradável e um contrato de dezoito meses foi feito entre as partes.
Não era pra ter evoluído, mas depois da viagem para Porto Rico, – feita sem que ela concordasse tanto assim, mas apenas aceitasse – os constantes encontros e necessidades de toques fizeram as coisas avançarem e logo estavam naquele relacionamento que não tinha o rótulo, exatamente, mas era o conteúdo completo de um namoro repleto de muito amor, carinho, amizade, compreensão e lealdade.
Niall ouvia atentamente o relato de
, que narrava com imensa nostalgia e os episódios de boas lembranças faziam um sorriso enorme brotar no rosto dela, além de, claro, o brilho no olhar se intensificar.

- Lembra da música que eu tinha feito em outro idioma? Aquela do ano novo em Nova York? –
perguntou e Niall assentiu.
- Vou tocar e cantar pra você, mesmo que você não vá entender nada do idioma, mas é como a Camila disse: não é preciso ser fluente no idioma pra entender o que a música quer dizer.
- Ela sabe?
- Não. – negou, ficando de pé e caminhando até o piano que estava no canto da enorme sala, mas que em breve iria para o estúdio que estava sendo construído na casa da piscina.
- Quem sabe?
-
, Davi, Ian e você. E a irmã dele. E Kelly. Leonard e Hugo, claro.
- Fico honrado em saber que eu estou no grupo dos amigos próximos. – Niall sorriu, acompanhando
até o piano.
- Você é um dos meus melhores amigos, irischer Prinz. – falou quase ofendida, tomando lugar no assento do piano.
- Essa foi a música que você compôs quando se deu conta que aquilo que você estava sentindo já tinha passado do status de paixão e se tornado amor? – perguntou e ela assentiu. – Mesmo que todo mundo já tivesse percebido isso?
- Isso mesmo. Agora silêncio e apenas escute. Você será a segunda pessoa a ouvir a música completa e a outra pessoa não é o
.
- Depois você traduz pro inglês?
- Claro.
- Então pode tocar. – falou e
deu uma risada baixa antes de começar a tocar a música que tinha intitulado como “Diciembre”.

Niall ouvia atentamente e apesar de não entender nada do que era cantado, ele sabia muito bem o que estava sendo dito naquela letra. Era uma confissão de um amor que quase não podia ser feita, dado o contexto, mas que estava ali, precisava ser dito e cantado, ainda que apenas para ela ou para outras pessoas que não fossem o destinatário final. E a música era linda, a melodia era perfeita e a voz de
era tão suave e ainda passava a emoção dolorida de quem tinha um sentimento por outra pessoa e não podia confessar.
Quando finalizou e aquele “te amo” foi dito – e isso foi a única coisa que Niall entendeu, afinal, recebe vários por dia e o falou diversas vezes durante shows pela América do Sul e Central –, ele estava com os olhos cheios de lágrimas e
também.
E ela terminou de contar a história depois da música, como se declararam pela primeira vez em uma entrevista dela no Japão, da volta pra casa por causa da lesão dele, das viagens, da música nova que tinha feito pra
e do término que aconteceu no dia seguinte ao lançamento daquela declaração que foi feita para que o mundo todo visse e ouvisse. Contou sobre depois, sobre os shows e como o cansaço quase a matou e ela não conseguiu terminar a turnê, sobre como
tinha ido até ela e como os dois tinham se resolvido e que há quase um ano e meio estavam juntos de verdade.

- Sinto muito por ter escondido isso de você, mas eu não podia contar e tive que fazer um esforço enorme pra não contar naquele ano novo. –
deu uma risadinha ao falar e Niall sorriu sincero.
- Tudo bem, o importante é que agora vocês estão bem e juntos de verdade, que é por amor e não por mentira que só buscava interesse e mais nada. Sei que no EMA’s vocês já estavam juntos por sentimento também, nunca pareceram não ser namorados. Quando esse tipo de namoro acontece, e nós sabemos que acontece muito, a maioria das vezes é perceptível, pelo menos no começo.
- Em Porto Rico foi nosso período de teste. Lá não tínhamos tantos olhos sobre nós e tivemos tempo de nos conhecer um pouco, depois, quando os paparazzi chegaram, nós já meio que estávamos mais íntimos e podíamos nos tocar sem ser tão constrangedor. Depois da festa e da primeira vez, as coisas ficaram estranhas, mas ficamos distantes por vários dias e isso ajudou um pouco também... no fim das contas, as coisas todas colaboraram para que ficássemos juntos e nos apaixonássemos. Até as coisas ruins pareceram acontecer no tempo certo.
- Fanfic. – Niall implicou, fazendo
rir. – Mas fico feliz por vocês terem se acertado, por terem resolvido tudo e dado uma chance pro sentimento.
- Eu também. Acho que eu não teria me recuperado tão rápido e tão bem sem ele comigo pra me dar um apoio moral, sabe?
- E por que você nunca mostrou essa música pra ele?
- Não sei. É muito pessoal... –
resmungou. – Sei que já mostrei pro Davi e pra você, mas... não sei. Eu acho que talvez seja um pouco pesada, não sei explicar.
- Agora traduza, preciso entender isso em inglês.
- Tudo bem, vá buscar mais cervejas e eu canto em inglês pra você lá no sofá.
- A casa é sua, vá você buscar!
- Niall, vá buscar a cerveja ou eu te coloco pra dormir na rua. E você vai congelar!
- Seu cachorro é seu fã. – Niall maneou a cabeça para o cachorro, que ainda estava atento à
sentada ao piano.
- Ele é mesmo. – riu. – Sempre que canto ele fica todo alerta e animado.
- Vou buscar a cerveja e você canta em inglês, mata minha curiosidade e deixa o cachorro animado e feliz.

🎤 🇩🇪 ⚽️


- Praia? –
perguntou quase perplexo ao ver
aprontar uma mala com algumas roupas de praia. – Você vai tentar matar o filho da Anna de hipotermia?
- Não seja exagerado. –
rolou os olhos. – Vamos até Palma e voltamos hoje ainda. É uma viagem bem rápida de avião.
- Você quer sair do país com o filho da sua amiga pra ir na praia? –
parecia ainda mais perplexo.
- Nós vamos. – respondeu tranquilamente. – Já olhei a previsão do tempo, Mark já consultou as condições de voo e está tudo perfeito. Anna e Harry estão arrumando as coisas pra irem com Heidi pra casa e Rob vai passar um tempo comigo.
-
, eu não posso fazer uma malinha e ir pra outro país com você do nada.
- Já pedi liberação e o Ray aceitou. – deu de ombros e
deu uma risada quase incrédula.
Quase.
Era

a responsável por aquele ato, então era algo que aconteceria. Não se podia duvidar de nada vindo dela.
- Quando for nosso filho, espero que você não surte se um dos padrinhos ou dos seus amigos, enfiar a criança num avião e sair do país pra ir na praia.
-
é absolutamente capaz de fazer isso. –
riu. – Ela e todos os outros.
- Eu amo uma mulher completamente doida. –
riu. – Preciso levar o quê?
- Bermuda, calça, um agasalho, toalha, cueca, sunga se preferir, protetor solar, escova de dentes, uma blusa pra usar agora, shampoo, condicionador, sabonete, hidratante, desodorante, gel de cabelo, tênis, meias, chinelo e óculos de sol. – respondeu. – Mas já coloquei tudo na mala, então você apenas veste a roupa que está separada.
- Já disse que te amo hoje?
- Sim, mas gosto de ouvir, então repita. – falou, erguendo o olhar para
, que riu e se aproximou para dar um beijo em
.
- Eu te amo.
- Obrigada. – respondeu, fazendo-o soltar uma risadinha pelo nariz e juntar os lábios aos dela num beijo rápido. – Vou vestir o Rob e nós temos que sair em... meia hora.
- Você precisa parar de me avisar dos planos em cima da hora.
- Gosto de emoção. –
respondeu. – E, se eu falar antes, você começa a arrumar desculpas e a encher o saco bem antes.
- E os pais da criança sabem?
- Saberão em momento oportuno. –
deu de ombros.
- Ah, minha mãe pediu pra você ir até lá antes do fim de semana, ela tem uma coisa pra te dar. –
falou, tirando a blusa de pijama que usava para vestir a que
tinha separado.
- Ela me ligou, vou passar lá depois de amanhã, já combinamos. – respondeu, fechando a mala com as roupas. – Vou trocar a roupa do Rob.
- Vai acordá-lo só pra isso?
- Se você estivesse prestando atenção nele, como disse que faria, teria visto que ele acordou e está na cama brincando com Petros há uns cinco minutos. –
falou, apontando para a babá eletrônica.
- Eu vou fingir que sabia e você vai lá, eu vou terminar de me trocar e depois você se troca e sairemos. – falou dando uma risadinha e
foi pegar Rob.
- Bom dia, raio de sol. – falou, acendendo a luz, e o menino sorriu ao vê-la.
- Tia
. – falou, sorrindo. – Mamãe? Papai?
- Nós vamos encontrá-los mais tarde, agora eu estava pensando... o que acha de irmos à praia?
- Paia! – o menino sorriu animado.
- Então vamos trocar de roupa. Depois o tio
vai cuidar de você rapidinho pra eu me trocar e sairemos.
- Tá! – falou, estendendo os bracinhos, e
o pegou no colo, levando para o quarto de
.

Trocou a fralda do menino, que não precisou de um banho matinal, e o vestiu de forma confortável e quentinha para que pudesse suportar as baixas temperaturas da Alemanha, até que chegassem à Espanha e ele pudesse se livrar daqueles moletons e se divertir na praia.
Sabia que Robert já tinha ido à praia com os pais, não estava roubando o momento de Anna ou Harry, então poderiam aproveitar. Assim que ele estava devidamente vestido,
entregou o pequeno a
, incumbindo-o da função de alimentar a criança e foi se vestir, além de conferir as mensagens, pois Mark os avisaria quando tivessem condições de voo, e quase quinze minutos depois,
estava devidamente vestida e caminhou vagarosamente até a cozinha enquanto ouvia
falar e conversar com Rob, que gargalhava.
Quando espiou, tentando não ser vista, encontrou
imitando bichos de forma bem caricata e fazendo o pequeno rir enquanto tomava sua mamadeira e comia as panquecas preparadas pra ele e que
tinha cortado em formato de bichinhos. O menino ria de
, que também ria bastante ao imitar os animais.
queria filmar, mas tinha deixado o celular no quarto e teria que ficar unicamente com a lembrança mental daquilo.
Sempre quis ser mãe, sempre, mesmo que não tivesse um filho biológico, mas nunca tinha encontrado o momento correto, ainda não acredita que seja esse o momento de ter filhos, mas observando aquela cena,
sabia que mesmo que não fosse o momento, se acontecesse, seria bem-vindo e daria certo. E que
era o pai perfeito para o filho que ela sempre quis.

- Tia! – Robert foi o primeiro a vê-la e a despertá-la de seu transe.
- Vejo que vocês estão se divertindo... –
entrou na cozinha, parando ao lado de
e lhe deu um beijo no rosto.
- Um pouco.
- E então, terminamos de tomar café? – perguntou em inglês e Rob negou com um aceno, antes de voltar a comer o penúltimo pedaço da panqueca.
- Sim! – o menino comemorou, terminando de mastigar, e sorriu.
- Então vamos escovar os dentes e ir pra praia.
- Primeira vez que te vejo de bom humor antes do meio-dia. –
provocou. – Não são nem oito da manhã e você está animada e sorridente.
- Tenho meus motivos. – deu de ombros, fazendo
dar um sorriso. – Cuide do tio
pra mim, Rob, vou ligar pro piloto pra saber se podemos ir pra praia.
- Sim!

🎤 🇩🇪 ⚽️


Robert corria pela areia da praia, animado com tamanha liberdade e com o sol que estava razoavelmente quente. A ida para Mallorca tinha sido redirecionada para Ibiza, a temperatura e as condições climáticas estavam melhores, então depois de um voo de quase três horas, chegaram à Ibiza e estavam na praia.

acompanhava Robert de perto, cuidando para que ele não fosse sozinho para o mar e o menino estava fascinado com a água clara e com a areia branca. Já tinha feito um castelo de areia com
e entrado na água turquesa da Praia Cala Bassa, que estava bem tranquila e quase vazia.

- Rob, deixe a tia
passar um protetor solar em você. –
chamou e o menino correu em sua direção, com um sorriso arteiro no rosto e logo estava perto dela.
- Anna mandou uma mensagem perguntando se está tudo bem. –
deu uma risadinha ao falar e
abriu o protetor solar e passou bastante no pequeno Schulte Styles.
O sol não estava forte, mas ela não daria sorte ao azar, então passaria todo protetor solar possível naquela criança e a protegeria de todo e qualquer raio solar que pudesse causar algum dano.
- Vamos tirar uma foto pra mamãe? –
perguntou, em inglês, fazendo Robert dar de ombros e
deu uma risada. – Vem, vamos perto do mar, pra ela ver como a tia
é uma tia maravilhosa que tem muitos programas interessantes para cuidar do sobrinho que mais ama.
- O quê? – Robert perguntou sem entender nada do que foi dito em alemão.
- Foto pra mamãe, meu amor. – falou, segurando-o no colo, de lado.

Ela posou para a foto, mas Rob pouco pareceu interessado, como tinha demonstrado. Seu chapéu de tubarão chamava atenção e
tirou a foto, enviando para Anna e escrevendo “por aqui está tudo bem. E com vocês?” e deixaria que a mulher surtasse um pouco por terem levado a criança pra outro país só para irem à praia.
O resto do dia foi de praia, almoçaram e era noite quando, finalmente, viajaram de volta, mas dessa vez para Munique, todos exaustos do dia na praia, cheio de brincadeiras e de muitas fotos de Rob e dos dois.
Anna ligou para saber se poderia buscar Robert, mas
foi pessoalmente deixá-lo na casa da amiga, junto com
, que estava tão cansado e só a ideia de ter que ir pra Stuttgart na manhã seguinte lhe dava vontade de chorar.

- Você foi pra Espanha com meu filho? – Anna deu uma risadinha cansada, pegando Rob no colo quando
chegou.
- Espero que você não tenha ficado mesmo brava. – falou, mordendo o próprio lábio.
- Nem um pouco. Confio em você,
. – piscou. – Só não achei que seria possível praia em pleno janeiro na Europa.
- Ibiza. – piscou. – E como estão as coisas?
- Ótimas. – sorriu. –
, sente-se, por favor.
- Paia! – Rob falou sorrindo, fazendo Anna apertá-lo num abraço.
- Então você foi pra praia com sua tia
? – perguntou, fazendo-o assentir. – E ainda comeu sorvete...
- Sim!
- E onde está Heidi?
- Com Zayn, Niall e Harry.
- Então ele veio ficar aqui? –
estreitou os olhos, fazendo Anna rir.
- Não era justo deixá-lo pagando diária de hotel,
. E você sabe disso, não fique com ciúmes.
- Tio. – Rob falou, estendendo os braços para
, que não demorou a pegá-lo e o menino apontou para o corredor, que levava ao quarto.
- Todo seu. –
e Anna falaram juntas, rindo em seguida, e
seguiu com Rob para onde quer que ele queria ir.
- É bonitinho a forma como você fica babando ao vê-lo com crianças. – Anna implicou, fazendo
rir fraco.
- Não acho que esse seja o momento de ter um filho, mas se acontecesse não seria de todo ruim, sabe? Vejo como ele gosta de crianças, como estamos bem...
- Seria uma criança linda,
. – Anna sorriu. – Mas a maternidade e a paternidade não são apenas as flores. Há momentos bem difíceis, complicados e cheios de vontade de desistir, de fazer as malas e sumir pra Sibéria e largar tudo pra trás.
- Não pretendo ter um filho agora, acho que não estamos nesse momento, ele mora em Stuttgart e eu aqui, estou planejando um novo álbum e uma nova turnê... não quero ter um filho pelas metades, então prefiro que a gente não tenha um ainda.
- É uma decisão bem difícil e morar distante vai causar um impacto muito grande na vida dos dois e das crianças, mas tenho certeza que se for pra acontecer, acontecerá e vocês darão o melhor jeito nisso. – Anna falou sincera. – E então, como estão as coisas?
- Ótimas. Estamos muito bem e eu estou feliz como não me sentia há tempos.
é um namorado maravilhoso e temos muita sorte de termos acontecido na vida um do outro. Nossas famílias se adoram, interagem e se dão muito bem, nós fazemos isso dar certo e estamos muito felizes, mesmo que vez ou outra role uma discussãozinha, mas estamos bem e é ótimo saber que o tenho ao meu lado.
- Vocês são lindos e eu espero que as coisas fiquem bem mesmo. Ainda que eu não o tenha perdoado totalmente por aquele término desnecessário e burro.
- Não foi por maldade, Ann, você sabe. Ele só achava que não correspondia ao meu sentimento do mesmo jeito. –
deu de ombros. – E ele é homem, homens tendem a ser burros na maior parte do tempo, então é normal tomar esse tipo de decisão.
- Então a sequestradora de crianças está entre nós. – a voz de Zayn interrompeu a conversa e
o viu entrar na sala carregando Heidi no colo.
- Zayn, se eu fosse você, eu cuidaria mais da própria vida ao invés de ficar cuidando da vida alheia e se intrometendo onde não é chamado. – falou em alemão, fazendo Anna rir e Zayn olhar confuso.
- Sabe, Anna, você devia ter escolhido uma madrinha menos maluca pra Heidi. Imagina um belo dia você acorda e sua filha não está em casa, porque a madrinha a sequestrou e a levou pra praia em pleno mês de janeiro! – frisou o final e
o olhou ameaçadora.
- Existe uma coisa que se chama “consulta à meteorologia”, caso você não saiba, que existe pra que a gente saiba as condições climáticas antes de sair de casa. Estava sol e calor em Ibiza, Malik, então cuide da sua vida.
- Então agora você fala inglês? – implicou.
- Você devia ter escolhido o
como padrinho. –
falou para Anna, que riu, fazendo Heidi resmungar no colo de Zayn. – Me dê ela um pouco.
- Você não vai tentar sequestrá-la?
- Zayn, por que você não vai se foder?
- Mal educada.
- Intrometido.
- A alemã mais linda de todas está entre nós. – Niall se anunciou, entrando na sala e
lhe sorriu. – Estou falando da Heidi.
- Ainda bem, porque ela é a alemã mais linda de todas. –
concordou. – Vai lá pra casa?
- Vou sim, se não for incomodar.
- Você não me incomoda em nada.
- Eu shipparia muito vocês dois, caso não existisse
. – Harry brincou.
-
é linda e eu a amo, mas não. Somos apenas amigos. – Niall falou e
assentiu em concordância.
- Vocês falam isso, porque é sem chance agora. – Anna implicou.
- Antes também era e nunca tivemos nada. Niall é meu filhinho e só. –
respondeu, recebendo a concordância de Niall.
- Dormiu. –
falou, voltando para a sala, e
olhou. – Ele queria brincar, mas acabou dormindo antes.
- Então podemos ir, meine Liebe, você tem que sair cedo amanhã.
- Posso ir no seu carro?
- Claro, eu não tenho planos pra amanhã.
- Tudo bem, então vamos mesmo. –
falou cansado. – Eu não tenho preparo físico pra uma viagem internacional, um dia inteiro de praia brincando com uma criança e poucas horas de sono.
- Não prometo voltar amanhã, Ann, mas tentarei.
-
, como você conseguiu ir pra outro país com o Rob? – Niall perguntou curioso, ficando em pé também.
- Harry me deu todos os documentos do Rob quando vim buscá-lo, lá tinha passaporte, seguro viagem, certidão de nascimento... e, bom, ser

também ajudou um pouco. – riu.
- Eu fiz isso? – Harry perguntou sem entender e
assentiu. – Eu estou tão cansado que nem prestei atenção, só te entreguei os documentos dele.
- Se precisarem de alguém pra ajudar com o Rob, só me falar.
-
estava realmente falando sério quando disse que ia largar a música e virar babá do Rob. – Niall falou rindo.
- Foi a melhor ideia que eu tive em anos. – riu. – E agora vamos embora, vocês precisam descansar e logo essa pequena lady vai acordar.
- Vai mesmo. – Anna deu uma risadinha cansada.
- Precisando, sirvo de babá também. – respondeu, abraçando a amiga.

Depois de uma despedida rápida, estavam os três no carro de
a caminho de casa para descansarem. Niall tinha passado o dia com Harry, Anna e Zayn, ajudou um pouco com Heidi e reclamou quase o caminho todo por ter sido esquecido e não convidado para a viagem que o casal tinha feito com Rob, mas, no final, assumiu que preferia ter ficado na Alemanha com os amigos e que Liam e Louis chegariam no dia seguinte.

e
tomaram banho sem muita demora e foram deitar, depois de um rápido jantar, e estavam sob os edredons e prestes a dormir. O dia tinha sido ótimo, mas bastante cansativo, apesar de divertido. Tinham aproveitado bastante, principalmente por ser quinta-feira e quase não ter ninguém na praia. Era ótimo.

- Vamos planejar para que nossos filhos não nasçam no inverno aqui, essa época é cruel e os bebês devem se sentir péssimos. –
falou baixo, quase dormindo, e
deu uma risadinha.
- Não dá pra controlar assim,
, mas um bebê nascendo no inverno alemão deve ser difícil mesmo.
- Obrigado pelo dia de hoje, foi ótimo ficar com vocês na praia e aproveitar um tempo só nosso, mesmo que dividido com o Rob.
- Foi ótimo mesmo. Agora vamos dormir, porque amanhã você acorda cedo.
- Será que teremos filhos tão bonitos quanto Rob e Heidi? – resmungou, abraçando
, que deu uma risadinha contra o pescoço dele. – Claro que sim, eles vão puxar seu sorriso e o seu nariz, o jeito de franzir a testa quando estão pensativos e vão ser geniosos feito você,
. Nossa filha vai ser uma miniatura sua. E eu vou amá-la por me lembrar todos os dias que eu sou um cara de sorte por ter vocês.


pensou em responder, mas não tinha o que dizer. Não depois daquela declaração de amor e tanto que tinha recebido de
. Então só podia aproveitar e agradecer aos céus por aquilo. Finalmente estava feliz, completamente feliz, e com alguém com quem podia ver um futuro bem desenhado.


Drei


estava parado, encostado ao batente da cozinha, observando cantar uma música em um idioma que ele não fazia ideia do que podia ser. E ela também não estava acertando bem todas as palavras enquanto cantava e preparava alguma coisa no fogão.

- Me passea que yo gosto de arepiar, sob sus digital es impossible callar. É feito suerte me abraza fuerte... – perdeu-se na canção, em um idioma que não domina, e começou apenas a cantarolar o ritmo da música.
- Eu não tenho muita certeza, mas acho que esse não é o idioma da música... – brincou, fazendo olhar em sua direção e mostrar a língua. – Você viaja hoje?
- Sim senhor. E você não vai mesmo me acompanhar?
- Sem chance. – respondeu, aproximando-se e suspirou.
- Acho que desde que eu voltei do hospital essa será a primeira vez que vamos ficar muitos dias longe um do outro. – constatou, voltando a prestar atenção no que estava cozinhando.
- O maior tempo que passamos longe foi quando você “fugiu” pra ficar aqui, mas depois foi pra Munique pra ir às suas consultas e passou mais de quinze dias lá e eu fiquei.
- Queria que você pudesse ir comigo pra Los Angeles.
- Dessa vez não tem como, amor. Mas você vai encontrar com a Ada. Eu a vi apenas no casamento da Anna, mas sei que ela é ótima e vocês vão passar ótimos dias juntas.
- Vou encontrar com a Demi também. E eu estou super curiosa pela música que ela vai estrear. De verdade.
- Shawn não vai?
- Vai. Ele e Madu, além da Camila, Blake, Gwen... – deu um sorrisinho ao enumerar os presentes.
- Estarei daqui vendo.
- Nada disso, vai ser bem de madrugada, você vai acordar cedo. Veja apenas os vídeos que te marcarem no dia seguinte.
- Tudo bem. – soltou uma risadinha. – Eu ainda te vejo antes de você viajar?
- Vê sim, bonitinho, vou viajar a noite.
- E o que é isso que você está fazendo?
- Garantindo que você não morra de fome essa semana. – riu. – Vou ficar mais de duas semanas longe, então vou garantir uma semana de boa alimentação e a semana que vem você terá que se virar.
- Eu já disse hoje que te amo?
- Já, mas nunca é demais ouvir. – respondeu, recebendo um beijo demorado na bochecha.
- Eu te amo. – falou, fazendo sorrir. – E espero que você passe ótimos dias em Los Angeles.
- Você acha que a Ada vai surtar muito quando souber que é minha acompanhante pro Grammy e pro Oscar?
- Sem a menor dúvida. – riu. – Agora preciso ir, nos vemos mais tarde.
- Boa fisioterapia, . – falou, virando-se para dar um selinho em e ele sorriu.
- Obrigado. E termine de fazer suas malas, elas não se farão sozinhas.
- Eu te amaria mais se você tivesse feito essas malas pra mim.
- Sou seu namorado e não seu empregado.
- Pra mim as duas palavras soam iguais. – respondeu, fazendo dar uma risada.
- Separe o que você quer levar, eu termino quando chegar. – respondeu e sorriu, abraçando-o.
- Se um dia eu disse que não te amava, eu menti.
- Eu sei.
- Ah, , antes de você ir... – falou, abaixando o fogo e olhou para um pouco incerta. – Acho que Hugo precisa de um ombro amigo. Não conheço a história dele, mas ele anda meio... abatido.
- É, eu percebi. – suspirou. – Vou chamá-lo pra vir amanhã, acho que ele vai se sentir mais confortável se estivermos apenas os dois.
- Ele não parece estar muito bem e acho que uma conversa com um bom amigo pode ajudar.
- Farei isso. Você é muito boa pra perceber as coisas.
- Agora vá, quanto antes você for, antes você volta. – o enxotou, fazendo rir e assentir.
- Eu te vejo mais tarde. – respondeu, dando um selinho rápido em e saiu da cozinha, rumando para a garagem, enquanto ela continuava na cozinha cantarolando e cozinhando para .

🎤 🇩🇪 ⚽️


abriu a porta quando ouviu a campainha e recebeu Hugo com um sorriso simpático e saudoso, afinal, não se viam pessoalmente há um bom tempo e ele realmente tinha sentido falta do amigo. Mas a cara de quem mal dormia há dias, de quem tinha chorado recentemente e que tinha um leve cheiro de álcool que Hugo tinha, lhe despertou um sentimento quase parecido com a pena.

- Aconteceu alguma coisa? – Hugo perguntou enquanto entrava. – Cadê a ?
- Viajou pra Los Angeles, vai pro Grammy e pro Oscar. – respondeu, fechando a porta e os dois foram para a sala. – E não aconteceu nada comigo, mas com você...
- Comigo? – Hugo deu uma risadinha nervosa, sentando-se no sofá. – Nada aconteceu comigo.
- Com você não aconteceu, mas algo envolvendo outra pessoa aconteceu, provavelmente.
- Não quero falar sobre isso, cara, por favor. – suspirou. – Estou tentando parar de pensar nisso, pra ser bem sincero.
- Tudo bem, só falaremos sobre o que está te atormentando se você quiser. – falou e o amigo assentiu grato. – E eu estava sentindo falta de sentarmos pra conversar, jogar videogame...
- Agora você faz isso com sua namorada e é ela quem te dá uma surra. – Hugo provocou.
- Dá mesmo. – admitiu. – E ent...
Antes que sua fala fosse concluída, ouviram batidas na porta e se deparou com um entregador de pizzas. Ele nem mesmo tinha pedido nada ainda.
- Acho que você errou o endereço. – falou dando um sorriso pequeno.
- Essas pizzas foram pedidas por . – o rapaz respondeu. – E ela também já pagou.
- Ah... tudo bem. – soltou uma risadinha pelo nariz e pegou as três caixas de pizza que o rapaz tinha em mãos.
Exagerada.
O entregador lhe deu as costas e voltou para a sala, após fechar a porta com um dos pés, recebendo um olhar curioso de Hugo, mas antes que pudesse responder, viu que havia um pequeno bilhete pregado na tampa de uma das caixas. “Tomei a liberdade de pedir pizzas pra vocês, espero que gostem, que elas estejam deliciosas e vocês tenham uma noite de bff’s bem agradável. Te amo, já estou com saudades e mande beijos pro Hugo, além de um imenso desejo de que ele fique bem logo, que isso que o atormenta passe e as coisas fiquem bem. .”
- Isso é obra da sua namorada, claro. – Hugo falou, fazendo soltar uma risadinha e assentir. – Ela é uma pessoa boa.
- Ela é. E pediu pra te mandar beijos e desejos de que você fique bem e feliz.
- Você contou pra ela?
- Não. – respondeu, deixando as pizzas sobre a mesa de centro e se servindo de um pedaço. – É um assunto seu, se você achar devido, você conta.
- Isso é pizza mesmo ou essas gororobas que vocês andam comendo? – Hugo estreitou os olhos, fazendo rolar os olhos.
- Não é gororoba, respeite nossa luta. – falou sério, fazendo Hugo rir. – Essa pizzaria é muito boa, faz as melhores pizzas que já comi e são todas veganas.
- realmente mudou sua vida. – Hugo deu um sorriso sincero, servindo-se de um pedaço da pizza e não demorou a mordê-lo para provar. – É, realmente muito boa.
- Ela rodou por toda a cidade pra encontrar uma boa pizzaria vegana. Minha namorada é completamente maluca.
- Fico muito feliz por você ter dado ouvidos ao seu coração e que vocês tenham se resolvido, porque seria uma merda se vocês não estivessem juntos por terem sido burros e não conversado antes.
- Acho que eu jamais me perdoaria se eu tivesse perdido essa mulher. – confessou e Hugo assentiu. – Ela mudou minha vida totalmente.
- É muito estranho quando a gente se sente assim, não é? Ficar totalmente rendido por uma mulher que não precisa fazer nada, apenas o fato de que ela existe faz toda a diferença, faz com que sua vida pareça ter um propósito, que te faz feliz só por estar ali, respirando. Sinto falta disso, de verdade.
- Você me deu um conselho que deveria ter usado em sua vida, Hugo. – falou sincero. – Quando me disse pra eu ir conversar com a e resolver toda a situação, você e a Alina deveriam fazer o mesmo. Ainda que não voltem a ficar juntos, precisam fechar essas feridas do jeito certo, porque se ficar assim, pelas metades, nunca vai sarar de verdade. Vocês tiveram algo lindo, mas acabou, você errou e sabe disso, mas vocês precisam conversar e acabar tudo direito. Vai doer, mas vai passar, tanto que depois de um tempo você nem vai sentir mais. Foi o que senti quando meu casamento acabou, foi péssimo perceber que meu amor pela Natascha tinha acabado e o dela por mim também, que nosso casamento tinha perdido o sentido, porque éramos muito mais amigos do que um casal. Doeu, mas cicatrizou. Com a , depois de toda aquela confusão eu apenas sentia doer, sentia piorar e só queria chorar e me torturar até o fim dos tempos, mas você me fez parar pra pensar e entender que estava doendo, porque estava mal acabado e que precisava ser resolvido. Mesmo que você e a Alina não voltem, é hora de parar de colocar panos quentes e resolver de uma vez. Se doer, que doa tudo de uma vez e vida que segue. Você merece recomeçar sua vida e colocar em prática o que aprendeu, a Lina também merece que a vida siga adiante de verdade.
- Ela tá grávida. – Hugo soltou de uma vez, tinha os olhos cheios de lágrimas e respirou fundo. – Ela está realizando o sonho dela, de ser mãe, e o pai não sou eu, porque eu fui um babaca que não soube ser fiel à mulher mais doce, linda e perfeita do mundo. Eu não sei se mereço uma segunda chance, cara, eu mereço esse sofrimento.
- Você já sofreu o suficiente, Hugo, você está sofrendo há três anos e uma hora a vida para de cobrar, mas pra isso, vocês precisam se perdoar e seguir suas vidas sem essa pendência.
- E será que ela aceitaria?
- Você só vai saber se perguntar. Se ela não aceitar conversar e te ouvir pedir desculpas de verdade, você pelo menos tentou fazer sua parte, pode seguir sua vida e parar de achar que precisa se torturar eternamente por um erro que não deveria ter cometido, mas cometeu. Chorar o leite derramado já não adianta de nada. Se ela aceitar, conversem e resolvam tudo, não deixem nada sem ser resolvido, pontas soltas acabam se virando pra nos machucar.
- Onde foi que você aprendeu essas coisas? – Hugo deu uma risadinha ao falar, tentando disfarçar o choro que estava prestes a reiniciar. – Bom, eu sei... mas, você sabe que as coisas são bem mais fáceis na teoria do que na prática.
- São. – concordou. – Mas você precisa resolver isso.
- Eu sei.

Hugo soltou um suspiro sentido, voltando a comer e os dois ficaram apenas comendo por um tempo, não precisavam falar nada naquele momento. Hugo sabia que tinha errado e precisava de uma última conversa com sua ex-namorada para seguir em frente, mas também sabia que não era algo fácil, pois tinha pisado feio na bola e magoado Alina de um jeito que jamais imaginou ser possível.
observava o amigo, desde a expressão de quem não dormia direito há dias, que gastava as noites bebendo e chorando; estava mais magro e abatido, parecia ter envelhecido dez anos naqueles últimos dias.

- Estou esperando você colocar o videogame pra funcionar, . Eu vim pra te dar uma surra e diminuir a falta que você já deve estar sentindo da sua namorada. – Hugo provocou e deu um sorriso.

De repente não eram mais os adultos se aconselhando por problemas em relacionamentos, mas os dois adolescentes que passavam as horas livres jogando videogame e sendo apenas bons amigos, como sempre.


🎤 🇩🇪 ⚽️


- Você não pode estar falando sério. – Ada olhou incrédula para , tinha a boca aberta e a mente funcionando a milhão.
- Sobre qual parte?
- Sobre todas! – a voz de Ada soou um pouco mais alta do que ela gostaria, subindo uma oitava e desafinando. – Grammy? Oscar? Uma música? Você ficou LOUCA?
- Sim. Sim. Sim. Sempre fui. – deu de ombros. – Esse sofá é muito gostoso.
- Você solta muitas informações de uma só vez em mim, eu não sei lidar com essas coisas.
- Então vamos por partes: Estou te convidando para ser minha acompanhante para ir ao Grammy. E para o Oscar. E para cantarmos juntas uma música que escrevi e consigo visualizar perfeitamente uma parceria nossa, mas quero que você leia, complete o que achar necessário e apague o que achar que não precisa estar lá.
- Às vezes eu acho que você não sabe a magnitude que seu nome tem. E nem do quanto eu sou sua fã! – Ada falou, quase numa lamúria.
- Às vezes eu acho que você ainda não entendeu que somos amigas. – respondeu, fazendo Ada soltar um gritinho. – Sério. É melhor você se acostumar, porque além disso, quero que você abra meus shows durante a turnê que vai acontecer em breve.
- Eu não faço ideia de como isso aconteceu, mas eu preciso agradecer ao Universo por me permitir uma coisa dessas. – Ada falou séria. – Porque... eu apenas comentava suas fotos e era sua fã e...
- Ada, você vai aceitar? – interrompeu, dando uma risada ao ver a cara de desespero da mulher. – Se sim, preciso ligar pra Stella pra pedir uma roupa pro Grammy e outra pro Oscar.
- Stella McCartney? – Ada perguntou, tentando conter o tom de surpresa.
- A própria.
- Você vai me matar do coração antes que eu consiga aceitar seu convite.
- Ótimo, vou ligar pra ela e podemos até ir na loja hoje. Ela está aqui em Los Angeles.
- Vou mandar uma mensagem pro Norman e pro Joe e pro Jimbo e esfregar na cara deles que vou ao Oscar e ao Grammy. E que vou cantar com fucking ! – Ada pegou o próprio telefone, digitando freneticamente.
- Deveria mandar pro fracassado do seu ex, mas deixe que eu me encarrego de deixar a internet saber que você é sensacional e ele perceberá sozinho que foi um otário que perdeu a melhor pessoa que ele poderia ter! – estalou os lábios, pegando o próprio celular para ligar pra Stella e marcar uma ida para resolver os últimos detalhes da própria roupa e para conseguir uma nova para Ada.

O caminho e a passagem pela loja foram animados, as duas seguiram pelas ruas de Los Angeles ouvindo música alta no carro e rindo bastante. A prova de roupas foi interessante e bem proveitosa, mas eram roupas para Stella McCartney, era de se esperar. Voltariam no dia seguinte para a prova final e tratou de reservar mais horários com a cabeleireira e com a equipe de maquiagem para os eventos e as duas voltaram para o apartamento de Ada.

- Preciso ir na casa da Demi. – falou e Ada a olhou apreensiva.
- Isso envolve minha pessoa também?
- Só se você quiser. – deu de ombros. – Vamos vê-la no Grammy, mas se você preferir não ir até lá, tudo bem.
- Ela não está ocupada, justamente, com essa véspera de Grammy?
- Hm... bem pensado. – respondeu. – E então, alguma ideia do que podemos fazer?
- Posso te perguntar uma coisa?
- Se for sobre o Maluma, eu vou levantar e ir embora agora mesmo. – falou e Ada a olhou sem entender.
- Eu nem sei quem é esse, .
- Não?
- Eu sei que ele canta, mas só pela música que vocês fizeram juntos, mas eu nem faço ideia de quem seja.
- Mas deve ter ouvido sobre a fofoca de termos ficado.
- Ouvi, mas realmente não me importo. – Ada deu de ombros. – O que eu quero saber mesmo é o motivo de você estar me convidando pra cantar com você e essas coisas.
- Porque gosto de você. – respondeu sincera. – Você é uma pessoa ótima, muito legal e acho sua voz incrível, as pessoas do mundo precisam te conhecer e te ouvir, porque é uma voz tão linda, tão profunda... você foi super elogiada quando cantou comigo aquela vez, então podemos fazer isso de novo e ainda poderemos gravar um EP. Quer dizer, você vai gravar um EP.
- Eu jamais achei que faria isso na minha vida. – Ada deu uma risadinha pelo nariz ao falar. – Mas obrigada. De verdade.
- Vamos comer pipoca e assistir algum filme interessante na Netflix, o que você acha?
- Algum dos indicados?
- Eu faço a pipoca, você escolhe o filme. – respondeu, levantando-se do sofá.

Assistiram a “Parasita” e depois passaram o resto do dia conversando sobre os eventos, ouvindo Ada falar animadamente sobre os filmes que estavam concorrendo ao Oscar e falava com tanta propriedade que era impossível não ficar deslumbrada; conversaram sobre a música que tinha escrito e já estava acordado que viajariam juntas para a Alemanha depois do Oscar, produziriam a música e daria um jeito de convencer a mulher a gravar o próprio EP.

🎤 🇩🇪 ⚽️


estava tão nervosa quanto Ada.
Era sua primeira aparição em um evento desde a ida para o hospital, em setembro de 2018, e ela não tinha certeza se estava mesmo pronta para lidar com todos aqueles flashes e perguntas invasivas. Tudo bem, vinha lidando com flashes e perguntas invasivas desde seu retorno para a Alemanha após a internação, mas era diferente...
Tinha sido uma péssima ideia estar ali, sem a menor dúvida, e ela tinha acabado de perceber isso. Mesmo tendo Layla por perto dizendo que ficaria tudo bem, sentia como se pudesse desintegrar-se em mil pedacinhos ali mesmo pelo tanto que sentia seu corpo tremer.
Seria possível pedir o motorista para seguir direto e ir para a casa de Ada? Queria fazer isso. Queria desaparecer daquele evento e...
E o quê?
Nunca tinha se sentido intimidada por câmeras, perguntas indevidas e eventos. Sempre gostou de cantar, de estar em evidência, de ser vista. Por que estava tão temerosa? Não fariam perguntas diferentes das que já vinham fazendo, em todo caso. Estava linda naquele vestido, com aquela maquiagem e com o cabelo bem feito, não tinha motivo para estar tão nervosa. Sua imagem estava ótima e ela sabia lidar com aquela situação. Afinal, ela é fucking !
Além disso, tinha Ada e Layla consigo. Estava bem amparada em caso de alguma necessidade, mas não seria necessário. voltaria com tudo. E o momento era aquele.

- Está tudo bem? – Layla perguntou incerta. – Você está fazendo umas caras estranhas e eu não sei se é só você sendo doida como sempre ou se está tendo, sei lá, um derrame.
- Tudo ótimo. – sorriu convicta. – O tapete vermelho me espera.
- Tem certeza? Podemos passar por dentro, se você quiser...
- Lay, eu não vou fugir. Não existe a menor chance de isso acontecer e nada do que berrarem de perguntas indiscretas pode ser diferente de tudo que eu tenho ouvido desde que sai do hospital. É hora de o mundo lembrar que ainda está aqui, viva e pronta pro que der e vier.
- fucking ! – Ada comemorou. – Mas eu não vou pra tapete vermelho nenhum.
- Você segue comigo, Ada. – Layla sorriu. – Então vamos, fucking precisa reaparecer e chocar o mundo com sua beleza.
- Liam vem?
- Ele está na Alemanha. – resmungou descontente. – Enfim, vamos logo.

Layla abriu a porta do carro e logo Ada estava acompanhando-a enquanto seguia para o tapete vermelho, caminhando com a determinação e confiança de sempre. E logo um burburinho começou a se formar, afinal, estava dando as caras em um evento oficial depois de mais de um ano! E estava maravilhosa naquele vestido, sentia-se incrível e sorriu para as fotos, fez poses e ouviu diversos elogios.

- Ei, , você está linda! Quando volta a cantar? – uma pergunta foi gritada enquanto ela estava prestes a sair do tapete vermelho.
virou-se, dando um sorriso confiante, sendo novamente fotografada por dezenas de câmeras.
- Logo vocês ouvirão falar sobre isso. – piscou, seguindo para o interior do evento.


Vier


- Achei que Ada viria com você. – Anna falou e negou com um aceno.
- Ela tem algumas coisas pra fazer em Los Angeles e quero que ela participe da composição daquela letra, que adicione ou tire coisas se achar necessário.
- Como anda o processo de escrita?
- Lento. – foi sincera. – Na verdade, tenho algumas músicas, mas não sei se quero que elas se tornem coisas públicas.
- Você já tem “Death of Me”, “What a Time” e “Love is Easy”, pelo menos.
- Não sei se tenho. – recostou-se no sofá e fechou os olhos. – Quer dizer, tenho, mas eu não queria usar nada de antes. Quer dizer, depende. Estou confusa.
- Férias. – Anna falou séria e a olhou sem entender. – Estou te obrigando a tirar férias de verdade. Vá viajar e aliviar essa cabeça, você tem que voltar totalmente focada pro estúdio, como bem sabe, então compre um caderno novo, deixe o antigo em casa e escreva o que vier do seu coração.
- Eu não quero viajar.
- Então tire férias na sua própria casa, . – Anna deu de ombros. – Você só precisa de um tempo pra você, pra buscar sua própria inspiração e se reencontrar.

Antes que pudesse responder, sentiu o celular vibrar em seu bolso por diversas vezes e, temendo ser algo sério, foi conferir o conteúdo, eram sucessivas mensagens de Ana Beatriz, sua cunhada.

Bea: , minha vida
Minha cunhada mais linda e favorita
O que acha de passar o Carnaval no Riooooo???
Por favooooooor, diga que aceita!
Seu irmão e eu vamos, conversei com e Ian, eles disseram que vão
Kelly e Matt também disseram que topam!
Então precisamos apenas de você e do seu digníssimo namorado!
Por favor
Por favooooooorrrrr!!!!!

- Minha cunhada é surtada. – deu uma risada.
- Qual delas?
- A Bea, claro, a Ute é normal.
- E qual a doideira da vez?
- Quer passar o carnaval no Rio.
- Ótimo. Faça suas malas e viaje!
- Anna! – repreendeu baixo, observando Rob dormir no outro sofá. – Não fique dando corda para as ideias loucas da Bea!
- Faça suas malas e vá. – Anna falou séria. – Você vai adorar e será ótimo pra sair desse ambiente engessado, não será o mesmo tipo de programação que você faria em uma viagem habitual e você precisa se divertir.
- não vai poder ir, ele já voltou a jogar.
- Vocês não são gêmeos siameses. – Anna falou séria, fazendo soltar uma risadinha. – Viaje. Sério.
- Tudo bem. – respondeu, pegando o celular e confirmando para Ana Beatriz que sim, passariam o carnaval no Rio de Janeiro.
- Sabe a ideia do caderno? Deixa pra lá, você nem vai ter tempo, mas vai voltar pra casa cheia de versos e inspiração. – Anna sorriu.

🎤 🇩🇪 ⚽️


- Let me photograph you in this light in case it is the last time that we might be exactly like we were bfore we realized we were sad of getting old. It made us restless, it was just like a movie, it was just like a song...

ouviu cantando quando entrou na cozinha, encontrando-a lendo uma receita em um livro e cortando legumes para fazer o que quer que fosse. Estava entretida e não percebeu a presença dele, enquanto continuava cantando distraída. Ela vinha fazendo muito isso desde que tinha voltado de Los Angeles, a viagem parecia ter dado uma virada na chavinha, tinha voltado bem mais cantante de lá. E isso era ótimo.
Tirou o celular do bolso e começou a gravar enquanto ela, distraída, cantava e picava alguns pedaços de cenoura. Precisava interromper e falar que queria levá-la para jantar, mas não queria parar de ouvir aquilo. Não era um cantarolar baixo como ela fazia antes, era cantar. Ela estava cantando.
Quando a música acabou, guardou o celular e bateu palmas, atraindo a atenção de , que rolou os olhos, mas deu um sorriso ao vê-lo.

- Você está fazendo o jantar?
- Sim.
- Desnecessariamente, vou te levar pra jantar.
- Você pode me levar pra jantar em outros dias do ano em que os restaurantes estão mais vazios, não precisamos nos enfiar em locais cheios e roubar a mesa de algum casal que só pode sair hoje pra comemorar.
- Roubar a mesa?
- Bonitinho, somos famosos, qualquer dono de restaurante nos colocaria pra dentro do estabelecimento e deixaria as pessoas anônimas fora. – falou em tom óbvio e assentiu. – Então resolvi fazer o jantar, comprei algumas velas, vou enfeitar bem a mesa e teremos um jantar bem romântico.
- Você é perfeita.
- Eu sei. – piscou, deixando a faca sobre a bancada, secou as mãos e foi até para abraçá-lo e lhe dar um beijo. – Obrigada pelas flores, adorei.
- Ainda bem. – sorriu e fez um carinho no rosto de . – Obrigado pelo drone com uma faixa dizendo que me ama, fui importunado o dia todo, mas não ligo, porque gostei muito.
- A ideia foi da . – riu, passando os braços ao redor do pescoço de , que a abraçou pela cintura. – Mas eu te comprei outros presentes. Vá lavar as mãos, se trocar e venha me ajudar a terminar o jantar.
- Claro.

deu um selinho em soltou o abraço para lavar as mãos e voltar para a cozinha, mas antes disso postou o vídeo de cantando e legendou com um “o melhor presente de dia dos namorados é saber que minha namorada é ”, trocou de roupa, deixou o celular de lado e voltou para a cozinha.
Ela estava picando os legumes e uma outra música tocava enquanto ela o fazia. Seguindo as dicas e o que ela estava fazendo, picou alguns legumes, fez um molho e um pouco depois estavam montando a lasanha que tinha aprendido em um canal vegano no YouTube.

- Tome um banho, vou terminar de arrumar tudo aqui pra podermos jantar.
- Pode ir, lindinha, eu coloco tudo em ordem aqui. – falou e pareceu pensar. – Prometo que não vou quebrar nada e que tudo ficará lindo.
- Tudo bem, você pode arrumar a mesa. – assentiu, dando uma risadinha. – E depois é sua vez de tomar banho, porquinho.
- Tomei banho depois do treino.
- Jogar apenas água no corpo não conta como tomar banho, .
- Então eu não tomei banho depois do treino. – riu. – Mas pode ir, bonitinha, você merece um momento de relaxamento na banheira.
- Eu te convidaria, mas alguém precisa cuidar do forno e da organização.
- Não fique me contando coisas que não vão acontecer, obrigado.
- Talvez a lasanha asse rapidinho e a organização também e você consiga aparecer por lá antes que eu saia do banho.
- Farei o possível. – sorriu e saiu da cozinha para tomar banho.

arrumou a mesa, colocou as velas, as flores, dispôs os pratos de forma correta e aguardou por mais de vinte e oito minutos até que a lasanha estivesse realmente pronta, desligou o forno, mas a deixou lá dentro para permanecer quente e seguiu para o quarto, precisava mesmo de um banho.
Encontrou já enrolada na toalha, saindo do banheiro e indo trocar de roupa. Não sabia o que vestir, talvez ela quisesse um traje completo como um jantar romântico fora de casa, mas talvez não... então apenas tomou banho e quando saiu do quarto, encontrou a namorada usando um belo vestido preto de mangas longas, um salto e os cabelos seriam penteados de forma simples, ele reparou, então precisava se arrumar também.
O jantar dos dois foi embalado por músicas que os dois gostavam, entre conversas sobre amenidades do dia e informando que viajaria para passar o Carnaval no Brasil com os amigos, precisava de um pouco de distração para começar a trabalhar no próprio álbum e essa viagem a ajudaria muito.
Passava das duas da manhã quando os dois foram dormir, enrolados em edredons grossos e em pijamas quentes, os dois – e Petros – dividiram a cama pelo resto da noite

🎤 🇩🇪 ⚽️


- São oito e meia da manhã! – falou exasperada e Bea deu de ombros.
- , só há uma regra no Carnaval: nunca está cedo demais pra ir pra rua. Ou pra beber.
- Eu não tenho forças pra isso. – falou, resmungando. – Vou voltar a dormir.
- Eu mando te matar. – falou séria. – Tem glitter até na minha alma, eu estou usando fantasia pra tampar até a minha alma e ninguém me reconhecer e com medo do conteúdo duvidoso das bebidas alcoólicas que a Bea comprou, então você vá logo vestir aquela roupa e vamos pra rua.
- Nem acredito que nós vamos pro meio da rua, com essa multidão de pessoas. – Ian falou sorrindo animado.
- Bom que todo mundo bem fantasiado vai disfarçar. – Kelly sorriu. – Agora anda, vamos tomar café da manhã e sair.
- Café da manhã. – Bea deu uma risadinha. – Carnaval raiz não existe café da manhã se não for álcool. E como vocês são alemães, não será um problema, eu acho.
- Nunca. – Davi sorriu, como se aceitasse o desafio.
- Eu sim preciso de um bom café da manhã. – falou séria, segurando um arco de cabelo e um tridente.
- Tudo bem, café da manhã de verdade pra essa lindíssima cantora alemã, depois vamos pra rua! – Matt falou, fazendo dar uma risadinha pelo nariz.
- Meu namorado está trabalhando e eu estou do outro lado do oceano me preparando para beber bebidas alcóolicas antes das dez da manhã. Isso é um absurdo. – falou num resmungo, colocando o arco e o ajustando.
- Ele que lute. – Bea falou, rindo. – Agora andem logo!

Um pequeno burburinho começou enquanto os sete andavam pelo pequeno apartamento se arrumando para saírem de casa e pularem carnaval. estava animada, nunca tinha feito algo parecido e aquela viagem tinha tudo pra ser uma das melhores coisas que aconteceria na vida dela em termos de viagens.
Estava fantasiada – ou tentando – de sereia, ou uma versão feminina do Aquaman, ainda não tinha se decidido sobre e tinha tanto glitter no rosto que ninguém a reconheceria nem que tentassem muito.
Tirou uma foto, mandou para e logo estava de volta à sala, tomaria um café da manhã rápido e desceriam para a folia, que já estava bem barulhenta e era audível desde bem mais cedo.
Chegaram no dia anterior e mal tiveram tempo de dormir, Bea fez todos apenas deixarem as coisas no apartamento alugado, tomaram banhos rápidos e logo estavam em um bar lotado de gente cantando, bebendo e dançando. Os alemães estavam se divertindo bastante, claro, gostavam daquela animação e felicidade dos brasileiros, que no Carnaval parecia ainda maior do que o habitual para os turistas.

- Se eu tiver que entrar nessa cozinha pra te buscar, , eu vou te tirar daí pelos cabelos! – foi a responsável pela ameaça, fazendo rir alto e dar o último gole no café que estava no copo e seguir para a sala antes de descerem.

🎤 🇩🇪 ⚽️


- Você está fazendo um jardim em pleno inverno? – Hugo perguntou sem entender, enquanto via , totalmente agasalhado, cavar um buraco no jardim.
- Não estou fazendo, estou mantendo. – respondeu, fazendo o amigo rir.
- Manter um jardim no inverno... – Hugo riu. – Você vai ficar doente, venha pra dentro!
- Calma, eu estou terminando. – respondeu, terminando o que estava fazendo e logo abandonou a pequena pá e as botas de jardim à porta e entrou em casa, sentindo o delicioso calor do aquecedor e foi sentar-se na sala com o amigo.
- E desde quando você gosta de jardins?
- Desde que prometi pra minha mãe que faria dessa casa um lar. – soltou uma risadinha pelo nariz. – Ela disse que eu precisava de algumas flores e plantas. Achei um tanto exagerado da parte dela, mas Ute e engrossaram o coro, então eu apenas obedeci e desde o verão passado eu tenho realmente tentado fazer isso aqui dar certo.
- O jogo ontem foi muito bom. – Hugo elogiou e deu um sorriso pequeno. – Mas...
- Se você for repetir o que eu ouvi por telefone, prefiro que não repita. – soltou uma risadinha e o amigo olhou sem entender. – me ligou, umas nove da manhã, disse que estava indo pra casa em algumas horas, mas tinha visto que eu tomei cartão amarelo bem cedo e que me matará em breve.
- Quando ela voltar, reclamarei que ela não me convidou pra passar o Carnaval no Rio com ela e os amigos.
- Pelas fotos que recebi, eles têm se divertido muito. – deu uma risada ao recordar das fotos do grupo de amigos.
Bêbados, fantasiados e muito, muito estranhos.
- E ela deve estar achando um máximo as notícias falando que ela vai pra folia, mas você fica trabalhando...
- Provavelmente ela nem viu. Pelo que ela me contou, eles têm chegado quando o dia está amanhecendo, apenas tomam banho, trocam de roupa e saem. Acho que ela nem dormiu direito esses dias.
- Isso não vai fazer mal?
- Não sei, mas ela disse que no Carnaval as coisas são assim. – deu uma risadinha ao falar. – E então, como estão as coisas?
- Acho que melhores. – Hugo suspirou. – Não conversei com ela ainda, mas faremos isso em breve. Eu acho.
- E qual sua dúvida?
- Queria perguntar pra sua namorada o que ela acha da situação. – Hugo soltou uma risadinha pelo nariz. – Sabe, ela é uma das poucas mulheres que eu conheço e convivo, além disso ela não sabe de nada.
- volta na quinta-feira de tarde, vai chegar de madrugada aqui, então só deve estar disponível pra uma conversa depois de descansar muito, ou seja, na outra semana ainda. Mas acho que ela teria essa conversa com você sem problema e ainda terá uma opinião imparcial pra te dar, mas aposto que vai te chamar de idiota, inconsequente e dizer que você mereceu.
- Com toda certeza. – Hugo riu. – Cadê seu cachorro?
- Aquele monte de preguiça está deitado na minha cama, tirando o cheiro da minha namorada de lá.
- Ouvi dizer que você quer ficar mais tempo por aqui...
- Claro. Amo morar aqui. – falou sincero. – E se o Stuttgart me quiser por mais tempo, ficarei com muito prazer.
- Ainda não temos uma proposta oficial, claro, falta um bom tempo até precisarmos pensar nisso, mas fico feliz que você tenha se reencontrado aqui.
- Foi a melhor escolha, sem dúvidas. Eu poderia ter ido pro Liverpool, ou, sei lá, pra Turquia, mas eu não seria tão feliz como sou em Stuttgart.
- Não consigo te imaginar em outro lugar que não seja aqui, cara. De verdade. Ainda que o Bayern sempre seja a sua casa, você se adaptou muito bem ao Stuttgart.
- Eu gosto de morar aqui, estou perto da minha mãe e da minha irmã, além de estar perto da , claro, então é ótimo ter ficado na Alemanha.
- Você evoluiu muito, , de verdade. Voltou a ter atuações muito boas e a ser importante para o time. E nesse momento eu só quero que você fique bem e feliz, porque é isso que tem te feito ir bem.
- Acho que nunca estive tão feliz em anos, Hugo. – falou sério. – E estar feliz me faz querer estar sempre bem, melhorar condicionamento e todas essas coisas.
- Você teve algumas lesões pequenas de recuperação rápida, então acho que é preciso ver bem essa parte de fortalecimento, para evitar que aconteça mais vezes. É inegável como o rendimento do time aumenta com você em campo.
- Eu estou focando muito nisso, faço treinamentos extras de fortalecimento e acho que agora as coisas melhorarão. E eu estou ficando velho, então preciso ficar bem pra encerrar minha carreira bem.
- Você já está pensando nisso?
- Eu vou fazer trinta e um esse ano, se eu me esforçar muito posso jogar até os trinta e cinco, trinta e seis, mas não posso garantir. – respondeu sincero e Hugo olhou o relógio de pulso.
- Liga a televisão, tá na hora do The Voice Kids. – falou e deu uma gargalhada.
- viajou, mas você veio fazer o papel dela. – falou rindo, pegando o controle da televisão.
- Eu gosto muito de The Voice Kids, a nova temporada começa hoje, então cala a boca e liga a televisão logo. – Hugo ralhou, fazendo voltar a rir.

Assistiam ao programa com bastante atenção, até porque Hugo não queria conversar enquanto ouvia as crianças cantando e vibrava quando os jurados viravam as cadeiras. Quando uma garotinha de oito anos apareceu de maria-chiquinha, óculos e um sorriso incompleto, se mexeu no sofá, dando um sorriso quando ela começou a cantar uma música de Frozen – que ele sabia que era do filme, porque cantava aquilo todos os dias em que nevava – e a garotinha era uma preciosidade. Os jurados viraram as cadeiras, pois a voz era uma das coisas mais fofas já ouvidas e estavam todos encantados.
A menina era uma das coisas mais fofas que ele já tinha visto e não conseguia conter a admiração e os pensamentos sobre a futura filha que e ele teriam. Torcia para que puxasse os dons artísticos da mãe. E a aparência. E tudo. Sabia o quanto ela ficaria encantada vendo aquilo, então aguardaria alguns minutos até que o canal disponibilizasse os vídeos no YouTube e enviaria para ela.

- Você está com cara de quem está prestes a ir sequestrar essa criança. – Hugo implicou, fazendo rir.
- Ela é fofinha.
- Sim, mas você estava assistindo feito um pai orgulhoso, como se fosse a sua filha ali.
- Ainda faltam alguns anos até que ela tenha idade pra isso.
- está grávida? – Hugo perguntou assustado, olhando para quase apavorado.
- Não! – riu. – Quer dizer, não que a gente saiba, mas nós raramente não usamos camisinha.
- Não quero saber disso. – Hugo fez uma careta, fazendo gargalhar.
- Enfim, não vamos ter filhos por enquanto. Pode ficar tranquilo.
- Quem vai pagar pelas fraldas não sou eu, então não estou nem um pouco preocupado com a chance de você ser pai. – Hugo riu. – Mas seria bem legal ver essa criança, mesmo que vá ter uma mãe e um pai totalmente malucos.
- é maluca mesmo, mas eu seria um pai bem legal.
- Cala a boca, o intervalo acabou e eu quero ver o programa sem interrupções. – Hugo falou quando a vinheta que indicava o retorno do programa tinha aparecido.

Quando o programa acabou, uma hora depois, Hugo resolveu sair para tomar uma cerveja, convite que elegantemente recusou, preferindo ficar em casa e tratou de se deitar um pouco depois. Conferiu o Youtube e enviou o vídeo para .

: Espero que sua comemoração esteja ótima, meu amor, aqui estamos sentindo saudades de você e esperando ansiosamente pelo seu retorno.
Ah, o TVK voltou hoje, Hugo estava aqui e estávamos assistindo, esse vídeo foi de uma das participantes, ela é uma fofura e me lembrou muito você... acho que nossa filha vai se parecer muito com ela, tirando os cabelos e os olhos escuros...
Enfim, o dia foi bem tranquilo e eu espero que o seu tenha sido bem agitado e cheio de diversão.
Não beba muito, não esqueça de tomar o remédio e durma, por favor.
Avise quando chegar em casa.
Eu te amo.

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estava dançando animadíssima a música que tocava. Ela conhecia aquela cantora, mas não fazia a menor ideia de onde, não entendia a maioria das músicas, mas estava dançando bastante.
Tinha tomado algumas cervejas e caipirinhas – mesmo que não devesse – e estava um pouco mais bêbada do que gostaria, mas estava se divertindo tanto que isso era apenas um mero detalhe. Os amigos dançavam juntos, rindo e conversando com seus pares e ela estava dançando sozinha uma batida de funk com uma cantoria muito mais rápida do que seu cérebro já bêbado conseguia acompanhar.
Precisava beber alguma coisa.
Água.
Seguiu pelo camarote até o bar e pediu uma água, escorando-se no balcão e quando o garçom trouxe a garrafa, sorveu quase todo o conteúdo de uma só vez.

- Já cansou? – ouviu em inglês e virou-se, encontrando uma mulher muito bonita de perguntou e ela negou com um aceno.
- Só precisava de um pouquinho de água.
- Sou uma grande fã sua. Meu nome é Carol.
- Obrigada. – sorriu. – .
- Veio sozinha?
- Estou com meu irmão e alguns amigos, viemos conhecer e aproveitar o tão famoso carnaval do Rio de Janeiro.
- Não vou ficar te incomodando muito, só queria pedir uma foto...
- Tudo bem. – sorriu. – Só preciso dar uma ajeitada nos cabelos, porque estou dançando feito uma louca, devo estar totalmente descabelada.
- É carnaval, então está tudo bem. – Carol respondeu, fazendo rir enquanto ajeitava os cabelos e logo a foto foi tirada, as duas se abraçaram rapidamente e cada uma seguiu em uma direção.
- Oi, está perdida? – ouviu um homem falar em português, mas não entendeu.
- Não falo português. – respondeu em um portunhol embolado.
- Mas não precisamos falar. – ele devolveu em um espanhol tão embolado quanto e ela fez uma careta, negando com um aceno.
- Gracias, mas não. – lhe deu as costas, procurando por algum dos amigos, mas não encontrou ninguém. Merda.
- Oi! – ouviu o cumprimento em inglês e se virou, encontrando a cantora que estava no palco há pouco. – Anitta!
- Oi! .
- Eu sei quem é você. – a mulher riu. – Quer cantar uma?
- Não, estou aqui apenas pra te ver cantar e dançar, você canta bem e dança demais.
- Sobe pra dançar pelo menos uma comigo, o que acha?
- Tudo bem. – sorriu. – Ah! Você é amiga do J Balvin! Sabia que eu te conhecia de algum lugar.
- Isso mesmo. – sorriu. – Vou buscar uma cerveja e vamos voltar pro palco, tudo bem?
- Ótimo. – sorriu.

Pouco depois Anitta estava de volta e as duas subiram ao palco e ao som de um funk que não entendia absolutamente nada, ela se juntou às bailarinas e à própria cantora e dançou bastante, errando alguns passos, mas acabou dançando pelo resto da noite, vendo , Ian, Kelly, Matthew, Bea e Davi animadíssimos com a dança que ela fazia.
O dia estava claro quando os sete foram embora e indo cada qual para seus quartos. já tinha avisado que precisava muito dormir, então eles poderiam ir para a folia e ela ficaria em casa, sairiam a noite e poderiam aproveitar bastante. Estava cansada, com sono, achava nem ser possível os pés doerem tanto quanto vinham doendo naqueles dias, mas estava amando.
E Anna tinha razão, afinal, estava com a cabeça cheia de purpurina e de ideias.


Fünf


- Eu voltei do Brasil tem uma semana e ainda estou tirando glitter do corpo, dos cabelos e das minhas roupas. – reclamou, fazendo Anna dar uma risadinha. – Como estão as coisas?
- Boas. – Anna sorriu. – Rob está com Harry na Inglaterra, então somos apenas Heidi e eu. E como foram os dias no Brasil?
- Animados, cansativos, cheios de glitter, poucas horas de sono, muito álcool, muita gente, muitas risadas e bagunça. Foi ótimo!
- Vi seus vídeos dançando com a Anitta.
- Foi bem legal. – sorriu. – Voltei renovada pra começarmos a trabalhar.
- Ótimo. – Anna sorriu. – Lay me ligou ontem e quer marcar uma reunião pra começarmos a definir algumas coisas pra você, pro álbum e pra esse seu retorno.
- Podem marcar pra qualquer dia e horário, eu estou sem o que fazer esses dias, está viajando e eu estou livre e sozinha. Inclusive, vou te fazer companhia e ajudar a cuidar da Heidi.
- Você é a pessoa que eu mais amo na vida depois dos meus filhos.
- E do Harry. – falou rindo, recebendo um rolar de olhos da amiga, que logo deu uma risada e assentiu. – Mas, sobre a reunião, não tenho muita coisa escrita que quero que vá a público.
- Não faz mal, não queremos definir essa parte, só planejarmos os primeiros passos da nova equipe, como será o processo de escrita e quanto tempo podemos estabelecer pra envolver escrita e produção.
- Poderíamos lançar no dia que faz dois anos. – sugeriu. – Um pouco simbólico, eu acho.
- Conversaremos sobre isso na reunião, mas a ideia é realmente interessante. Temos que definir outras coisas primeiro.
- Eu a... – começou a falar, mas o celular tocando em seu bolso a interrompeu. Atendeu rápido para que o toque não acordasse Heidi, mesmo que em outro cômodo, e nem se deu ao trabalho de ver quem poderia ser. – Alô.
- ?
- Depende de quem pergunta. – falou desconfiada e Anna a olhou de forma engraçada, e a risada do outro lado da linha entregou quem era o responsável pela pergunta.
- Pra mim, Maluma, você é a ?

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- Não consigo ir pra Munique hoje. respondeu e fez uma careta frustrada. – Acho que só... na outra semana.
- Tenho reunião essa semana com as meninas.
– sorriu. – Vamos decidir algumas coisas do álbum.
- Que ótimo. – sorriu sincero.
- , o Maluma me ligou hoje. falou e ergueu as sobrancelhas de forma surpresa. – Está em Munique e me chamou pra tomar alguma coisa.
- Tudo bem. – deu de ombros. – Vocês são amigos.
- Mesmo? – perguntou desconfiada. – Não que eu esteja pedindo autorização, mas você sabe dos rumores que criaram e...
- Eu sei, mas confio em você. – respondeu sincero. – E, em todo caso, esses boatos são de quando você estava solteira, então não me dizem respeito se são verdadeiros ou não. Vá se divertir, talvez até combinem mais uma parceria... aquela música é boa.
- Estou com saudades. cortou o assunto.
- Eu também, mas vamos nos ver logo, .
- Corta esse cabelo. – falou, apontando para a tela e riu. – Vamos às compras esse fim de semana.
- Se eu for jogar, não vamos.
- Pois eu vou mesmo assim. – sorriu. – Preciso muito de roupas novas.
- Você ganha roupas todos os dias, .
- Sim, mas eu separei muita coisa pra doar, além do que será vendido pra dar fundos pro Médicos Sem Fronteiras e pra Cruz Vermelha.
- Ah, minha mãe nos intimou a jantar lá essa semana.
- Ela me falou, bonitinho. Conversamos hoje cedo, passei por lá quando voltei da casa da Anna e ela me disse.
- Estou com ciúmes.
- Sua mãe é um amor. Agora, com sua licença, vou tomar um banho, porque malhei e não tive a decência de tomar um banho.
- Porquinha.
- Eu te ligo mais tarde.
- Tudo bem, bonitinha. Evite beber, já basta no carnaval e você tem que tomar seus remédios e combiná-los com álcool não é uma boa ideia. – falou em tom de cuidado e sorriu, assentindo.
- Eu te amo.
- Eu também te amo, bonitinha. Agora vá tomar banho. – falou, fazendo sorrir e mandar beijos para a câmera antes de desligar.

esticou-se na cama, deixando o celular de lado, encarou o teto por um breve segundo tentando decidir se iria para o banho ou se faria alguma coisa para comer – algo bem prático, ele não estava tão afim assim de cozinhar – e antes que pudesse usar a cabeça para decidir, seu estômago roncou alto e ele resolveu que era melhor jantar e depois tomaria o banho e dormiria ou procuraria algo para assistir na televisão.
Levantou da cama, sendo seguido de perto por Petros, e os dois foram para a cozinha. abriu a geladeira e observou as opções: meia pizza da noite anterior, uma vasilha de vidro com algumas folhas já lavadas e secas, um arroz que ele não fazia ideia de quando poderia ser e algumas coisas que não serviriam para o jantar.

- Acho que só me resta o macarrão mesmo. – falou, fazendo Petros soltar um latido e olhá-lo. – É, você tem que comer também. Então vou te alimentar, colocar o macarrão para cozinhar e tomar banho. Infelizmente só vamos pra Munique daqui muitos dias, guarde sua saudade e vamos aguardar enquanto jantamos sozinhos em Stuttgart.

pegou o celular e foi até a conversa com para tentar encontrar a receita do molho pesto que ela lhe ensinara, mas ele não lembrava fielmente todos os passos que precisava seguir, além de esperar profundamente que tivesse todos os ingredientes em casa, estava um pouco cansado do macarrão habitual e só faria se encontrasse a receita e os ingredientes.
Ou talvez devesse pedir comida.
Era uma boa ideia, mas ele precisava comer coisas mais saudáveis quando estava sozinho em casa, não viveria em Stuttgart, não era sua cozinheira e ele é um homem adulto que pode muito bem começar a cozinhar sozinho para si e para sua namorada. Então era isso. Faria a última comida preguiçosa de sua vida e se matricularia em um curso de culinária para iniciantes.
Petros voltou a latir, sentado perto da vasilha de comida, e o olhou, dando uma risada em seguida. Foi até onde a ração estava guardada, encheu a vasilha de comida do cachorro e voltou para o quarto enquanto pedia um delivery, não tinha manjericão em casa. Tomaria banho enquanto preparavam seu pedido e estaria de banho tomado para recebê-lo, comeria e dormiria sossegado.
Quando, finalmente, estava no sofá, comendo um belo yakissoba vegano – que tinha indicado antes de viajar para o Brasil – se inscreveu em um curso para iniciantes, tirou print da tela e enviou para , que respondeu quase que imediatamente com um “finalmente! Agora posso viajar para a turnê em paz, sem achar que você morreria de fome ou de tanto comer delivery...”.
tirou uma selfie segurando a caixinha de yakissoba e enviou, dando uma risada e falando para que ela fosse aproveitar sua noite, que ele estava ótimo na companhia de Petros, de yakissoba do delivery e da reprise do The Voice Kids. enviou um coração e a conversa acabou ali.
Ele já estava se preparando mentalmente pra quantidade de pessoas que encheriam sua paciência com posts, comentários e perguntas indiscretas e desnecessárias na rua. Tinha sido sincero quando disse que não era da sua conta se os dois tinham se envolvido antes (mesmo que sentisse uma pontadinha de ciúmes e uma leve tristeza ao apenas cogitar a ideia) e tinha absoluta certeza que nunca faria nada enquanto estivessem juntos, então não tinha nenhum problema com aquele encontro, mesmo que fossem importuná-lo com aquilo por muitos dias.
Mas só pensaria nisso depois, por ora aproveitaria seu yakissoba e a voz das crianças cantando no programa televisivo.

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- Você poderia cantar comigo amanhã. – Maluma falou animado.
Estavam em um pub, sentados em uma mesa aos fundos do local, mas já haviam sido reconhecidos por várias pessoas, tirado fotos e já tinha visto várias fotos sendo tiradas “escondidas” dos dois.
- Eu ainda não cantei em público desde que sai do hospital.
- Isso tem quase dois anos, . – falou assustado. – Você teve alguma sequela?
- Eu apenas estava respeitando meu tempo, processando bem todas as coisas novas que entraram na minha vida e mudando toda minha rotina e essas coisas. Vou começar a escrever um novo álbum em breve, o que vai trazer uma turnê à tiracolo, então isso também está sendo mentalmente trabalhado.
- Então acho que não terei sua companhia no palco. – Maluma fez um beicinho triste, fazendo rir baixo.
- Mas aceito ingressos pra ir ao show com minha melhor amiga, meu melhor amigo e meu namorado.
- está na cidade? Ele deveria ter vindo!
- Que nada, está em Stuttgart, mas se ele for treinar só na parte da tarde depois de amanhã, dá pra vir e ficar pra dormir.
- Estou ansioso por conhecê-lo. – Maluma sorriu sincero. – Imagine como os sites de fofoca entrariam em colapso.
- Os da Alemanha entrarão hoje, com certeza. – soltou uma risadinha pelo nariz, tomando um generoso gole da água com gás que tinha pedido. – Você está aqui em Munique, eu estou aqui com você e meu namorado está em Stuttgart e fotos nossas juntos não são tiradas há uma semana mais ou menos. O BILD entrará em colapso hoje.
- Ainda falam muito sobre nós.
- É a pior parte de sermos famosos, tudo toma proporções maiores do que deveria.
- Soube que você passou o carnaval no Brasil.
- Sim! Foi ótimo. Conheci a Anitta. – sorriu de forma sugestiva e Maluma deu uma risada.
- Você é péssima.
- Sou, mas ela é bem gata. – falou e Maluma concordou com um aceno. – Você ficou ótimo com esse cabelo descolorido.
- Sério? Ou você está debochando?
- Descubra. – falou, piscando um dos olhos, tomando outro gole da água, e o colombiano mostrou o dedo do meio. – Aqui na Alemanha isso é uma ofensa enorme, sabia?
- Ainda bem, eu queria mesmo te ofender, você está tirando uma com a minha cara.
- Precisamos fazer um feat pro seu próximo álbum.
- Algo tipo “Clandestino”. – sorriu malicioso. – Não sobrará um site de fofoca vivo pra especular nada.
- E depois eu que sou péssima. – riu. – Eu não gosto nem de imaginar.
- Foi a melhor forma que Shak e eu encontramos pra debochar das de fofocas que fazem sobre nós.
- Então escreva “Clandestino, parte 2” e nós cantaremos juntos. – riu e Maluma bebeu um gole da cerveja. – Você nem deveria estar bebendo, amanhã você tem um show a fazer.
- Fica aqui, de novo, o convite pra você cantar Clandestino comigo amanhã. – Maluma sugeriu, fazendo rir.
- Canto da plateia, acho que isso vai gerar especulação suficiente.
- Seu namorado não teve uma síncope hoje?
- Ele disse que confia em mim e que se algo aconteceu antes, não é da conta dele e ele não quer saber. – deu de ombros. – Mas não é como se ele mandasse em mim.
- Então ele não sabe se é verdade ou mentira o que dizem?
- nunca perguntou de verdade mesmo, mas é como ele disse: se aconteceu enquanto estávamos separados não é da conta dele. – estalou os lábios e Maluma riu.
- Me consiga uma camisa do Bayern.
- Farei o possível.
- Você é , faça acontecer.
- Folgado.
- Eu te consegui uma camisa da Colômbia com seu nome.
- Farei o possível. – repetiu. – Consiga meus ingressos e eu te consigo uma camisa com seu nome.
- Você é a melhor, .
- Eu sei. – sorriu. – Agora, se você não se importa, vamos pedir alguma coisa pra comer, eu estou faminta!

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- Bom dia! – falou animada, entrando na sala de reuniões do novo escritório, e os presentes olharam sem entender bem.
bem humorada antes do meio dia?
- A noite foi boa... – Kelly implicou.
- Excelente, dormi muito. – respondeu, sentando-se perto da amiga. – E então, podemos começar?
- Lay foi deixar o Liam no aeroporto, então talvez demore um pouquinho. – Anna respondeu. – Mas prometeu trazer o café da manhã.
- Ótimo! – sorriu.
- Qual o motivo dessa animação toda, ? – Kelly perguntou curiosa.
- Estou animada pra recomeçar! Vamos resolver muitas coisas hoje e eu quero voltar à ativa logo, já fiquei de licença médica tempo demais.
- Gosto disso. – Kelly sorriu. – Então temos que organizar algumas coisas, a parte da gravadora já está resolvida, você já é uma das vozes da Schulte Records, agora falta apenas resolver a questão de montagem de equipe.
- Então quando Lay chegar já teremos que resolver algumas coisinhas sobre isso, além de começar a programar o novo álbum e como seria uma possível turnê de retorno.
- Ou usamos aquela sua ideia. – Kelly sorriu. – Seria bem interessante.
- É verdade! – Anna sorriu animada. – Entã...
- Espera ai! – a voz de Layla soou, anunciando sua presença, e fazendo com que as três se virassem para a porta e a encontrassem segurando uma bandeja com quatro copos e um olhar quase assassino. – Vocês começaram a reunião sem mim?
- Jamais! – Anna sorriu. – Estávamos apenas passando tempo.
- Cadê o café? – perguntou e Layla rolou os olhos. – Eu estou com fome.
- Estranho seria se não estivesse. – Kelly implicou.
- Eu trouxe café. E só. – Layla respondeu, mostrando a bandeja com os copos. – Expressos e se vocês não gostarem, não posso fazer nada.
- Eu amo! – falou, estendendo a mão e Layla lhe entregou o copo, fazendo o mesmo com as outras e sentou-se ao lado de Anna.
- Quero começar essa reunião dizendo que a não precisa de uma equipe de marketing e nem de assessoria, porque ela mesma faz as coisas. – Layla falou, fazendo olhar sem entender. – Ontem à noite.
- Eu sei, quase atropelei uns vinte paparazzi quando sai de casa. – riu. – Eles se enfiaram na minha frente e eu acelerei pra vir logo.
- Ele está bem gato com aquele cabelo descolorido. – Anna falou sincera. – Sempre foi bem gato, mas nossa...
- Fomos apenas nos ver, sem nenhuma intenção além de conversar.
- Eu queria muito saber com certeza se vocês dois já se pegaram. – Layla olhou, dando um sorrisinho.
- Isso é algo que você deve decidir. – deu de ombros, tomando um gole do café e quase pulando de alegria por estar tão gostoso.
- Eu espero que tenha pegado e muito. Muito mesmo. – Layla disparou. – Ele é um baita gostoso, valia muito a pena chorar as pitangas enquanto dividia a cama com ele.
- Concordo. – Kelly riu. – Ele é muito gato, vi de perto, e posso dizer que se estivesse na mesma cama que ele, nem me prestaria ao papel de lembrar de fracassos amorosos do passado e me concentraria apenas naquele homem maravilhoso.
- Acho que eles não se pegaram, infelizmente. – Anna estalou os lábios frustrada. – repetido a dose várias vezes se tivesse pego o Maluma quando estava solteira.
- Ninguém garante que não repeti. – falou num tom de voz sereno, tomando outro gole do café e as amigas a olharam surpresas. – Mas viemos aqui falar da minha carreira e não das camas que posso ou não ter frequentado.
- Essa reunião só vai acontecer se você contar a verdade. – Layla fez chantagem e ficou de pé. – Eu estou brincando.
- Eu sei, ia apenas jogar meu copo fora. – riu. – Mas não quero falar disso, então vamos nos concentrar em trabalho.
- Claro. – Anna sorriu sincera e as quatro voltaram a sentar juntas.
Layla e Kelly se ocuparam de abrir agendas e ligar notebooks, Anna tinha um caderno à sua frente, assim como , e ambas trataram de pegar canetas para começar a anotar o que fosse de mais importante durante aquela reunião.
- Você tem alguma ideia? – Kelly perguntou, olhando-a com a seriedade de uma empresária.
- Bom, eu não tenho quase nada escrito que quero que vá a público, vou precisar escrever basicamente tudo pro álbum, óbvio, então eu vou escrever e posso conseguir fazer isso em seis dias ou em seis meses, depende da inspiração. Não gosto de coisas comerciais demais, ainda que já tenha gravado coisas do tipo. Esse álbum eu quero de forma limpa, que seja pura e simplesmente.
- Ótimo. – Anna sorriu animada. – Vamos produzir isso, dessa forma, eu quero que você produza algo de coração e não apenas para vender.
- Lay, quero que você me ajude a pensar em alguns bons nomes pra composição de equipe e do que mais precisaremos e se precisaremos. – falou e Layla anotou tudo depressa na agenda. – Quero que seja uma nova era, que as coisas mudem e não sejam aquela correria desenfreada por dinheiro.
- Ouvi vocês falando sobre uma ideia para marcar o lançamento... do que se trata?
- Eu queria fazer um festival de música para arrecadar fundos para uma fundação de proteção às mulheres que já sofreram violência doméstica aqui da Alemanha, o BFF, ou talvez pro Médicos Sem Fronteiras, pra Cruz Vermelha... convidaria alguns artistas, cantaríamos juntos uma música minha e uma do artista, venderíamos produtos com alguma logo e o dinheiro arrecadado seria para doar para uma das instituições ou para todas elas, não sei. Na época, pouco depois de ter entrado de licença médica, eu pensei que talvez pudéssemos fazer um DVD também para vender, além de um álbum, claro.
- Acho que tenho uma ideia. – Anna sorriu. – Os feats feitos nos shows e na turnê passada ainda estão batendo recordes de visualizações e stream, então vamos fazer um EP com eles, gravados em estúdio, e, quem sabe, alguma parceria nova e vender para arrecadar mais algum dinheiro pra essa campanha. Podemos lançar quando o álbum novo sair, alguns meses antes do festival... – Anna deu um sorriso. – Eu ficaria honrada de produzir isso também.
- Um EP e um álbum? – Layla deu um sorriso ao falar. – A ideia é ótima! Podemos lançar acessórios, roupas...
- Então temos que contratar um bom designer e uma boa equipe de marketing e publicidade pra começarmos a pensar nisso. – Kelly falou, anotando tudo na agenda.
- , quero te dar um prazo pra esse álbum estar pronto. – Layla falou séria e a olhou. – Sei que o processo de escrita é muito difícil e que nem sempre dá pra cumprir os prazos, como você mesma disse, mas estamos no começo de março agora, então quero te dar o prazo até a primeira semana de setembro pra que o álbum esteja pronto, escrito e gravado, para tudo ser revisado com calma, sei que você e Anna são perfeccionistas demais e vão querer tudo mais do que correto.
- Mas não vai dar tempo de ser lançado quando faz dois anos. – murchou.
- Lançaremos um single, algo pra dizer que mesmo depois desse tempo e depois de tudo, você está viva, firme e forte, afinal, as pessoas ouviram seu recado no Grammy e estão curiosas.
- está de volta. E não é de brincadeira. – Anna sorriu.
- Eu fiz um estúdio na casa da piscina, como vocês sabem, então vou me trancar lá e trabalhar pra que esse álbum saia perfeito e no prazo.
- Mas sem descuidar da sua saúde e do bem-estar mental e físico, . – Kelly alertou, fazendo assentir. – Ninguém aqui quer que você adoeça ou piore alguma coisa, o prazo inicial é esse, mas nós podemos dilatá-lo se as coisas não saírem conforme o planejado e você não precisa fazer um álbum de mil músicas.
- Tudo bem, vou fazer tudo com calma, pois quero tudo perfeito.
- Vamos deixar pra pensar no festival mais pra frente, agora não é o momento, agora vamos pensar em formação de equipe.

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cantava animada, tentava e conseguia cantar apenas algumas, Ian e observavam as duas totalmente animadas com Maluma, que cantava para uma arena cheia de fãs que cantavam as músicas em um idioma que passa muito longe do que o povo germânico fala. E usando a camisa do Bayern que a alemã tinha conseguido para ele.
Maluma já tinha cantado “La Respuesta” e mencionado o fato de estar no camarote acompanhada de seu namorado e dos dois melhores amigos, aquilo daria manchetes sensacionalistas para vários veículos de fofoca, afinal, o atual e um possível ex-affair? Daria manchetes para vários dias!
O colombiano dava um verdadeiro show, com um repertório bem conhecido e repleto de canções que alcançaram bons números nos charts, ele estava vivendo seu sonho ao apresentar-se na Europa para pessoas de culturas e idiomas tão diferentes do seu.

- Bem, agora eu quero cantar uma música que gosto muito e foi um prazer cantar com a grande cantora que é Shakira. Clan-clan-clandestino... – Maluma falou, arrancando ovações do público e uma gargalhada de , que recebeu olhares curiosos dos amigos.
- Maluma é um idiota. – riu.
- Sabes que no nos conviene que la gente sepa lo que ambos tenemos, que comemos de una fruta prohibida, nos encanta y lo sabemos... – Maluma cantou com o coro de presentes e cantou junto, dando uma gargalhada quando ele olhou para os camarotes e piscou.
- E vai render um colapso ao TMZ e ao BILD. – falou, virando-se para e ele a olhava curioso.
- Piada interna?
- Sim. – ela respondeu, abraçando-o pelo pescoço e dando um selinho rápido em seus lábios. – Você apenas precisa saber que o TMZ e o BILD vão entrar em colapso.
- Por quê?
- Porque essa música ele canta com a Shakira e fala sobre um relacionamento proibido e escondido, algo que especularam sobre os dois por muito tempo, mesmo que ambos tivessem relacionamentos, que nunca tenham apresentado provas do tal relacionamento e nem nada do tipo. Por isso ele disse que cantaria essa música hoje pra deixar os sites de fofoca bem loucos e criando teorias, afinal, estou aqui.
- E isso significa alguma coisa?
- No momento? Apenas que ele é idiota, mas que sabe provocar colapsos em fofoqueiros. Antes? Talvez sim, talvez não. Escolha a resposta que mais te agrada. – respondeu, virando-se de frente para o show e voltando a cantar.
- Clan-clan-clandestino, oh, no te olvides que somos amigos, yo busco problemas donde no los hay, los hay, los hay... – Maluma cantou animado junto com as milhares de vozes e no momento era filmada por várias pessoas enquanto cantava animada.
- Acho que estou com ciúmes. – resmungou em seu ouvido e ela deu uma gargalhada, virando-se e o envolvendo pelo pescoço.
- Não precisa, eu amo apenas você. – falou em tom sincero, dando um sorriso para .
- Eu também te amo, bonitinha. – falou, dando um selinho em . – Amo tanto que estou em um show em que não entendo nada do que é cantado e nem sou fã do cantor, amanhã tenho que acordar bem cedo pra chegar em casa a tempo de ir treinar, apenas para ficar um pouquinho perto de você, porque estava com muitas saudades.
- Eu também estava. – respondeu, fazendo um carinho no rosto de , que beijou sua mão e sorriu. – Logo vamos pra casa, ele deve terminar o show em uns vinte minutos, passamos rapidinho pra dar um oi, ele quer te conhecer, e vamos pra casa. Eu também tenho que acordar cedo amanhã.
- Casal, o show é pra lá! – Ian implicou, chamando a atenção dos dois.
- Então presta atenção lá e deixa os outros em paz. – respondeu desaforada, fazendo Ian rir, e a atenção voltou-se para o show.

Ainda que a pulguinha atrás de sua orelha o deixasse um pouquinho enciumado, sabia que jamais faria nada contra o relacionamento deles. Era perceptível em seu jeito de falar e de lhe olhar. E, como ela mesma já tinha cantado, o amor deles era fácil, sem complicações. E isso pra ele era tudo, não interessava o que especulassem.


Sechs


- Você deveria estar escrevendo músicas e não estar indo pra jogos de futebol. – Ian riu enquanto seguiam para a Allianz Arena.
- A vitória do Bayern hoje vai me inspirar a escrever o álbum do milênio, Ian. – o cutucou, fazendo o amigo rir e soltar fumaça pela boca, devido ao frio que fazia em Munique naquela noite.
- Fizemos três a zero lá em Londres, acho que é meio difícil não vencermos. – Davi deu um sorriso convencido.
- É o Bayern. – falou, olhando cética para o irmão. – E é contra o Chelsea. Na Allianz Arena. Não gosto muito das lembranças que me atingem quando penso que somos os favoritos...
- Pare de tocar nessas feridas. – reclamou.
- Estávamos aqui. – falou frustrada, encaminhando-se para o assento numerado de seu ingresso. – Foi horrível.
- Foi mesmo. – Davi e Ian falaram juntos.
- Hoje será diferente. Venceremos e nos classificaremos! – falou em tom convicto e os quatro tomaram seus lugares.

O jogo de volta pelas oitavas-de-final da Champions League já trazia a vantagem de um 3 a 0 construído em Londres, mas, claro, estavam apreensivos. Nenhuma vantagem é seguramente garantida, então não podiam mesmo acreditar que o Chelsea não seria capaz de fazer quatro gols em plena Allianz Arena, no frio bávaro e com o estádio lotado.
O jogo terminou empatado, um gol para cada lado, e o Bayern estava classificado para as quartas-de-final da competição. estava cantando animada, segurava sua scarff e gritava enlouquecida, acompanhada dos amigos e nem mesmo tinha se dado conta de que aquela sua atitude estava sendo transmitida para o mundo todo, claro.
Depois do show de Maluma, os sites de fofoca pareciam ainda mais interessados em sua vida e em seu relacionamento. E fazer um cover de “Falling”, do amigo Harry Styles, tinha criado ainda mais teorias loucas na cabeça dos redatores daqueles sites. Boatos de que ela e estavam juntos apenas para manter as aparências, por contratos que tinham a cumprir, além de inventarem uma fonte próxima ao casal que tinha inventado uma história muito mirabolante que envolvia uma traição, mas as obrigações contratuais deles os obrigavam a ficar juntos.
quis responder, mas Layla e Kelly conseguiram conter a raiva da cantora, afinal, quanto mais corda desse, mais comentariam. Era melhor focar na produção do álbum e em sua própria vida, as fofocas eram mentiras e sua vida pessoal, como ela bem costumava dizer, era privada e não a parte que as pessoas deveriam se importar, mas com sua arte.
Quando, bem mais tarde, estava em sua casa, sozinha e acompanhada de pouco sono e muita disposição, resolveu que era melhor tentar compor alguma coisa. Seu celular tinha sido esquecido quase o dia todo e tinha certeza absoluta que Layla a mataria em breve, mas tinha sido tão divertido passar o dia acompanhada dos pais e depois ir ao jogo com o irmão e os amigos, como nos velhos tempos.
Heidi.
deu um sorriso ao pensar na pequena afilhada e uma ideia surgiu. Saltou do sofá, atravessou o frio da madrugada bávara e se enfiou no estúdio. Escreveria alguma coisa para Heidi, nem que fosse a última coisa que faria na vida.

🎤 🇩🇪 ⚽️


abriu a porta de casa já sabendo que encontraria . O carro estava na porta e ele sentiu as pontas dos dedos formigarem, o estômago esfriar e girar e um sorriso começar a brotar em seu rosto.
Aquela era a sensação sempre que encontrava , sempre que abria os olhos e ela estava ao seu lado na cama, sempre que a via comprando sapatos pela internet ou quando estava tagarelando coisas em idiomas que ele não fazia ideia do que eram, mas pareciam absolutamente apaixonantes.
E a encontrou sentada no sofá, com as pernas cruzadas, fones de ouvido, olhos fechados e a cabeça inclinada para o teto. Processo de criação, ele sabia. Tinha presenciado aquilo algumas vezes e era assim que as coisas começavam. E isso significava que logo ela não apareceria com tanta frequência, estaria repleta de coisas para fazer e não teria tanto tempo de ir à Stuttgart.
E ele já estava com saudades.
fechou a porta com cuidado para não a alarmar, foi para o quarto deixar a mochila, trocou de roupa e voltou para a sala. não havia se movido nem meio milímetro e ele não sabia como se fazer presente sem a assustar. Petros estava ali, tinha reparado, estava deitado no outro sofá e o olhava curioso, quase que esperando o que ele faria para se anunciar sem que se assustasse.

- Eu sei que você chegou. – falou, fazendo se assustar. – Ouvi o carro parando.
- Os fones?
- Ligados bem alto ao som de Rammstein, mas eu não estava totalmente desligada. Estou apenas pensando, ainda não estou criando.
- Pensei que estava criando e já estava sentindo saudades de te ter por aqui com frequência pra namorar um pouquinho. – falou, sentando-se ao lado de e a puxou para um abraço.
- Essa parte já está chegando mesmo. – resmungou, encaixando o rosto na curva do pescoço de . – Infelizmente não vou conseguir vir com tanta frequência, mas estar em Munique é melhor do que em Nova York, como seria se a Anna não tivesse aberto a Schulte Records aqui.
- Pelo menos são apenas duas horas e meia, posso dar um jeito de ir todos os dias enquanto a temporada não termina e voltar pra cá.
- Terei dias de folga e você tem suas novas aulas de culinária, esqueceu?
- É verdade. – resmungou, apertando-a em seu abraço. – As aulas começam amanhã, inclusive.
- Eu vou embora pouco depois do almoço, tenho terapia.
- E como você está?
- Ótima. – sorriu sincera. – Bayern se classificou, estou animada e começando a compor... as coisas parecem estar voltando ao lugar. E você?
- Estou com você, então eu estou ótimo também. – respondeu, fazendo sorrir e erguer a cabeça para lhe dar um beijo.

Por um tempo nenhum dos dois falou nada, apenas trocavam beijos e carícias, aproveitando o tempo que teriam juntos e já sabendo que, provavelmente, demoraria um bom tempo até que pudessem repetir aquilo, aqueles momentos de casal sem nada a fazer além de ficar juntos.
Deitados no sofá, enroscados da forma como cabiam no móvel, os dois permaneceram por quase uma hora, até que o celular de soasse o alarme do remédio que ela precisava tomar, o que os levou para a cozinha e para um jantar improvisado que precederia o remédio e a ida para a cama.

- Quais as chances de tirarmos as roupas nesse frio de temperaturas negativas? – falou quando os dois foram para o quarto e deu uma risada baixa, aumentando a temperatura do aquecedor.
- Depende, bonitinha, o quanto você quer tirar a roupa?
- No momento? Muito. A sua principalmente. – sorriu de forma maliciosa e a olhou interessado.
- Gosto quando você fala essas coisas pra mim, mas hoje eu prefiro dormir.
- Tudo bem. – ela deu de ombros. – Mas espero que você deixe o aquecedor assim, eu estou com os dedos dos pés congelados, mesmo de meias.
- Escovar dentes e cama, senhorita . Vou te dar aquelas meias grossas que você gosta e sempre deixa aqui.
- Eu te amo.
- Sorte a minha. – sorriu. – E eu também te amo.
- Vá pegar as meias, mas isso não vai te livrar do fardo de ter que dormir muito perto de mim pra esquentar meus pés.
- Ainda bem, eu estava esperando por isso. – sorriu, caminhando até o closet enquanto ia escovar os dentes.

🎤 🇩🇪 ⚽️


Quando Hugo ligou mais cedo perguntando se poderiam conversar, achou estranho, mas disse que ele poderia ir até a casa dela e eles conversariam com mais privacidade; mas vê-lo ali, sentado em seu sofá, mexendo os dedos das mãos de forma nervosa e desviando o olhar de todas as coisas, a deixava apreensiva.

- Hugo, aconteceu alguma coisa?
- Você é a única mulher com quem eu meio que “convivo” – fez aspas com os dedos ao falar. – e queria muito uma opinião, mas acho que quero mesmo é conversar com alguém que não estava na minha vida naquela época e não conheceu aquela parte da minha vida...
- Fico feliz por você ter pensado em mim. – sorriu sincera. – Fale quando se sentir preparado, prometo tentar não julgar, mas dependendo do que for, eu julgarei e você vai saber.
- Você vai. – Hugo soltou uma risadinha pelo nariz e a olhou. – E estará certa.
- Quer beber algo?
- O que você tem?
- Café, chá, suco, água, vinho, cerveja e uma garrafa de vodca que não tenho muita certeza do motivo pelo qual tenho. – deu uma risadinha ao falar.
- Acho que vou aceitar uma cerveja. – falou e assentiu, ficando de pé e indo rapidamente até a cozinha, voltando com uma garrafa de cerveja para Hugo e trazendo um copo de suco para si mesma.
- Obrigado. – falou quando pegou a garrafa. – Então, conheço desde que nascemos, basicamente, nossos pais foram melhores amigos de infância e isso nos fez melhores amigos também. Quando começamos o ensino médio, ele tinha uma namoradinha chamada Rebecca e eu tinha uma quedinha pela Alina, uma das mulheres mais lindas que já vi em toda minha vida e que era a melhor amiga dessa Rebecca.
“Por um tempo foi apenas uma quedinha, mas um belo dia saímos com o casal e Alina e eu acabamos nos beijando. Não confessamos nenhum amor ou coisa do tipo, ainda que eu quisesse muito ter dito que gostava dela, então foi aquilo. Alguns dias depois, e Rebecca terminaram e eu perdi minhas esperanças de ficar com a Alina de novo, porque ela era a melhor amiga da ex-namorada do meu melhor amigo. E foi o que aconteceu, por um ano e meio ela nem olhava na minha cara, mesmo que e Rebecca até conversassem eventualmente quando se viam.”
“Nos encontramos na formatura, ela estava perfeita... eu ainda gostava dela, tinha ficado com outras e ela até tinha namorado um cara da minha turma, mas eu gostava dela, de verdade. E lá estava ela, com um vestido amarelo de seda que fazia os olhos dela parecerem ainda mais dourados, bem parecido com aqueles vampiros de Crepúsculo, e estava sozinha. Tomei coragem e a chamei pra dançar. E ela aceitou, sem titubear e sem me olhar com desprezo como tinha feito por muito tempo.”
“Naquela noite nós conversamos muito, ela me contou que tinha ouvido falar que eu tinha dito coisas horríveis depois que ficamos e isso tinha feito com que ela se afastasse, mas depois descobriu que era mentira, que o ex-namorado tinha inventado para que ela ficasse com ele, mas quando terminaram, ele soltou isso e ela ficou muito mal, porque gostava de mim e tinha me odiado por muito tempo a troco de nada. Nós nos beijamos de novo, foi ótimo, e eu acabei falando que gostava dela desde a época em que e Becca estavam juntos, que nunca tinha parado de gostar e ela acabou dizendo que sentia o mesmo.”
“Foi um dos dias mais felizes da minha vida, porque a garota de quem eu gostava também gostava de mim e isso parecia coisa de filme. E então vieram as férias, que passamos juntos, aproveitando enquanto teríamos tempo e o combinado era que eu me transferisse pra Berlim no segundo semestre, porque ela ia estudar lá e eu tinha passado na faculdade aqui, fiz administração com o Leo, como você sabe, e ela foi estudar veterinária lá. Mas eu não fui pra Berlim, porque um dos meus professores me ofereceu um emprego ótimo e eu também tinha algumas oficinas muito importantes, então nós combinamos que estava tudo bem, ela estava muito bem lá também e apenas uma hora de voo nos separava, nos víamos toda semana e estava dando certo.”
“Alina é uma das mulheres mais lindas que já conheci, por dentro e por fora, ela começou um estágio em um abrigo de animais de rua e morria de vontade de adotar um cachorro, mas como morava no campus, não podia ter um. Ou seja, eu adotei o cachorro e trouxe pra Munique, porque eu morava na minha própria casa. Namoramos até o último ano da faculdade, ficamos noivos antes da formatura. Eu não podia imaginar minha vida sem aquela mulher. Ela tinha planos e eu também fazia os meus pensando nela. Teríamos uma clínica para animais, ela atenderia e eu administraria, teríamos um abrigo e faríamos feiras de doações responsáveis, moraríamos em uma casa bonita, teríamos dois cachorros, quatro gatos e três filhos. A ideia era essa, mas, claro, eu fiz merda.”

O silêncio que se seguiu fez olhar apreensiva para Hugo. Queria que ele não tivesse dito aquela última parte, queria que eles tivessem apenas terminado sem motivos, porque estavam muito acomodados, mas, claramente, algo tinha acontecido. E ela tinha até medo de saber o que era. Hugo tinha os olhos cheios de lágrimas e parecia prestes a derramá-las, os dedos envolviam a garrafa de cerveja com força e ele parecia sentir tanto ódio da lembrança quanto poderia.

- Bom, nós tínhamos tudo planejado. E, então, nós nos formamos e começamos a pensar em como ganhar dinheiro suficiente para abrir nosso próprio negócio. Eu comecei a trabalhar com o e ela trabalhava numa clínica veterinária ótima, morávamos juntos e casaríamos quando as coisas ficassem mais estáveis, calculávamos que em seis meses estaríamos nos casando em uma cerimônia bem simples e poderíamos começar nossa vida de casados.
“Um dia eu fui a uma festa de um jogador que eu conhecia, também foi e lá ele conheceu a Natascha, os dois passaram a festa toda conversando e ali eu soube que eles teriam alguma coisa. Ele a olhava com uma adoração ímpar, mesmo que tivesse acabado de conhecê-la. Alina não quis ir comigo, estava cansada, e eu também não tinha planos de demorar por lá. Mas acabei demorando... demorei demais, bebi demais e cheguei em casa pela manhã encontrando-a desesperada, disse que estava me ligando há horas e meu celular só dava caixa postal, que tinha ficado preocupada e estava prestes a chamar a polícia e reportar meu desaparecimento, porque disse que tinha saído cedo de lá e eu tinha ficado.”
“Foi a primeira briga que tivemos e nem deveríamos, ela estava apenas preocupada e eu sendo um babaca. Dormi na sala e ela se arrumou para trabalhar e foi sem falar comigo. Ficamos quase cinco dias mal nos falando e o clima estava péssimo, no dia que resolvi que deveríamos conversar, eu fui até a clínica e a vi conversando com o ex-namorado. Aquele lá que mentiu. Eles estavam conversando bem amistosos, cheios de sorrisinhos e ela segurava um gatinho nos braços, ele falou que ela combinava com aquela profissão, lembrava dela amar os animais e que ficava feliz por ela ter realizado seu sonho, além de falar que poderiam sair qualquer hora pra colocar o papo em dia.”
“Ela disse que sim, claro, marcariam um dia. Eu fiquei furioso, mas não fiz uma cena, eu fui embora sem que ela me visse, mas tivemos uma briga enorme quando ela chegou. Ela chorou tanto... eu fui um babaca, um idiota, falei coisas horríveis e me arrependo demais de tê-las dito, mas não posso desfazer isso. Outros muitos dias sem conversarmos e eu tive que viajar a trabalho, nessa época eu estava trabalhando com o e com outros dois jogadores, um de Hamburgo e outro em Dortmund, fui a uma festa e, novamente, bebi demais. Acabei beijando uma mulher que não faço a menor ideia de quem era, transamos e eu acordei no dia seguinte me sentindo um lixo, como eu encararia a Lina depois de ter feito aquilo?”
“Então eu voltei pra Munique e não sabia o que fazer. Queria contar, precisava falar e dizer que eu não a merecia, mas não tive coragem, principalmente depois de vê-la almoçando com o ex-namorado. Não falei nada com ela, pedi desculpas pela briga, disse que eu era um babaca que não a merecia e prometi nunca mais fazer nada daquilo. Mas, claro, eu fiz.”
“Por meses nossa vida voltou a ser como era antes, como se eu não tivesse sido um babaca do caralho com a mulher que eu jurava amar. Estávamos em uma confraternização da clínica em que ela trabalhava, era meio que a despedida de Lina, já tínhamos dinheiro suficiente para abrir a clínica e o próprio abrigo. Eu já conhecia os funcionários e havia uma veterinária que era muito bonita, que flertava comigo e eu sempre evitava corresponder, mas não poderia fazer mal flertar um pouco, afinal, eu não estava casado... um pensamento idiota, claro. Então, um dia, eu cheguei na clínica pra buscar a Lina, iríamos jantar pra comemorar nosso aniversário de noivado, mas ela não estava. A outra médica estava, eu até quis ir embora, mas acabei ficando e nós conversamos um pouco, ela disse que era uma pena que a Alina estivesse saindo e eu, um imbecil que sou, disse que era mesmo, porque eu perderia a chance de vê-la sempre, como fazia há meses.”
“Naquele dia nós nos beijamos e transamos na sala dela. E a Lina viu. Ela voltou ao consultório, porque lembrou que tínhamos combinado de nos encontrar lá para o jantar, viu meu carro na porta e entrou, achando que me encontraria na recepção, mas eu estava na sala da colega dela, pelado, com outra. Aquilo foi a gota d’água. Eu ainda tentei justificar e disse que ela não podia falar nada, afinal, estava saindo com o ex-namorado pelas minhas costas, que, afinal, aquela vida de garotinho comprometido tinha enchido o saco e eu estava cansado.”
“Não culpo a bebida e nem a colega de trabalho dela, porque eu sou o responsável pelos meus atos, ainda que a última tenha uma parcela de culpa, afinal sabia que eu e Lina éramos comprometidos. Enfim, depois daquele dia, eu tentei falar com ela algumas vezes, mas sem sucesso, claro, ela arrumou um namorado um bom tempo depois e eles estão super bem e felizes, vivendo a vida que nós tínhamos planejado e eu não fui homem o suficiente para manter as coisas entre nós. E ela está grávida do primeiro filho deles. Isso já faz mais de três anos, mas eu não consigo parar de pensar em Alina desde então, acordo em camas diferentes quase todas as noites me arrependendo de tudo que fiz que me privou de acordar em uma cama só pelo resto da vida.”
“Conversei com há uns dias e ele me falou pra pedir perdão de verdade pra ela, suturar as coisas de forma correta e só assim eu vou conseguir seguir em frente de verdade. Eu mandei uma mensagem pra ela há alguns dias e ela disse que aceita conversar. E eu estou pirando.”

olhava para Hugo com os olhos num misto de decepção e pena. Torcia para que ele nunca tivesse feito nada daquilo, porque pelo relato ele conseguia perceber todo amor que ele tinha sentido – e vinha sentindo – pela ex-noiva. Tinha errado muito feio e perdido a chance de fazê-la feliz e de ser feliz, não podia voltar no tempo e consertar seus erros, mas podia pedir perdão de forma sincera, ainda que não mudasse o passado, e tentar seguir sua vida, afinal, ela estava fazendo o mesmo.

- Espero que você saiba que foi idiota, inconsequente e mereceu o término. E ela ainda deveria ter dado umas boas porradas na sua cara pra que você deixasse de ser um babaca do caralho que não pensou nela. – falou séria e Hugo soltou uma risadinha pelo nariz, assentindo em concordância. – E está rindo de quê?
- disse que você falaria exatamente isso. – Hugo respondeu e deu um sorriso pequeno. – Eu queria muito que você me desse uma opinião e uma ajuda...
- Hugo, eu senti, pelo seu relato, todo amor que você sentia por ela. Agora você só sente dor e culpa, isso nubla seu discernimento e faz com que você se penalize todos os dias por ter perdido a chance de ter uma família feliz como tinha planejado. Você traiu a confiança dela, suspeitou de coisas sem saber e fez um estardalhaço sem medir as consequências para ela e para você. Tenho certeza que a Alina também te amava muito e que os planos eram reais, consegui enxergar isso nos seus olhos ao contar, e tenho certeza que ela precisou de muita terapia pra colocar as coisas no lugar, além de muita força pra voltar a ter um relacionamento com alguém.
- O ex-namorado que voltou estava prestes a casar e queria que ela e eu fôssemos padrinhos. Por isso quis marcar o almoço, falaria com ela e depois marcaríamos algo em casa para o convite formal. – Hugo suspirou, tomando um gole da cerveja já morna. – E ela deve ter feito terapia mesmo, Lina é uma mulher sensata. Imagino que o relacionamento tenha sido bem difícil, porque eu fui um filho da puta e com toda certeza ela teve sérios problemas de confiança.
- Minha opinião mais do que sincera é que você também vá pra terapia, todo mundo precisa fazer terapia, e cuidar da sua mente e do seu coração. Converse com a Alina, peça perdão de verdade e deseje a ela o melhor, que a vida seja longa e próspera, que os sonhos se realizem e coloquem todos os pingos nos is. Vocês precisam disso, porque ciclos precisam ser encerrados. Você é um cara legal, Hugo, errou feio e espero que nunca mais faça isso, então merece que as coisas fiquem boas e colaborem. E você deve pedir perdão pelas traições e pelos danos colaterais que o término trouxe, por todos os problemas de confiança e autoestima que isso pode ter ocasionado, por todas as lágrimas derramadas e festas perdidas, por todas as noites em que ela não dormiu ou chorou até dormir se perguntando o que diabos tinha feito pra merecer ser traída, se perguntando onde tinha errado e se tinha dado algum motivo para aquilo. Peça perdão de verdade por tudo e abra seu coração como você o abriu pra mim, seja sincero e diga a ela que desde então não parou de pensar um segundo sequer nas merdas que fez e que se arrepende toda vez que acorda ao lado de uma mulher que não é a que você planejava acordar todos os dias da sua vida. Se ela não te perdoar, você pelo menos terá tentado e precisará de terapia pra lidar com isso, com essa negação, para seguir em frente. Se ela perdoar, você começa sua terapia pra seguir em frente, tocar sua vida sem se sentir culpado e se punir todos os dias.
- Você é boa com palavras. – Hugo soltou uma risadinha em meio às lágrimas.
- É assim que eu faço músicas. – sorriu, fazendo Hugo voltar a rir.
- Obrigado por isso, . De verdade. Eu precisava falar pra outra pessoa, mesmo que você e tenham dito basicamente as mesmas coisas.
- Espero que você encontre sua paz assim, Hugo. E se precisar conversar, estou aqui. E se precisar do telefone da terapeuta, me avisa e eu te mando.
- Terapia é bom mesmo?
- Muito. Tem me ajudado bastante com várias coisas e me ajudou muito antes, na época do Nicholas. Todo mundo precisa se conhecer de verdade e a terapia é o caminho.
- Então eu aceito o número. – ele deu uma risadinha. – Já vou marcar uma consulta e me preparar para conversar com a Alina.
- Vai dar tudo certo.
- Espero que sim. – falou, ficando de pé, e deixando a garrafa vazia sobre o móvel de centro. – Obrigado pela cerveja, por me ouvir e por me dar uma opinião sincera.
- Aposto que se eu tivesse conhecido a Alina, eu teria te matado logo que soubesse.
- E eu mereceria.
- Na verdade, estou pensando que deveria te matar agora mesmo. – brincou, estreitando os olhos, e Hugo riu. – E depois me dê o endereço do abrigo, vou passar por lá.
- Ela vai surtar, porque é sua fã. – Hugo riu, dando um abraço em . – Obrigado, de verdade.
- Sempre que precisar.
- Ah, liga pro , ele tá preocupado, você sumiu o dia todo...
- Estava escrevendo. – deu de ombros.
- Tome seus remédios e vá dormir, . – Hugo recomendou. – E eu vou pra casa, dormir e me preparar pra ligar pra terapeuta amanhã.
- Cuide-se. E me conte sobre a conversa depois.
- Claro. – Hugo sorriu.

o levou até a porta, voltou a sala para pegar a garrafa, deixou sobre a pia na cozinha, pegou um copo de água e foi para o próprio quarto. Tinha mesmo que tomar os remédios e ir dormir, acordaria cedo para malhar e depois se dedicaria a escrever. Tinha decidido usar três das músicas que tinha e estava começando a progredir com a música para Heidi.
Não demorou a dormir, mas antes respondeu dizendo que estava bem, tinha passado o dia compondo e por isso não respondeu e nem o atendeu, disse que conversariam melhor depois, e foi dormir. Torcendo para que nunca passasse pela situação em que Alina estivera. Não de novo.
Mas, recebendo a resposta quase imediata de , com um “cuide-se e nos vemos no fim de semana, estou com saudades. Eu te amo e estou ansioso pelo novo álbum. Chego pra assistirmos o TVK.”, ela sabia que ele não partiria seu coração deliberadamente. Não mesmo.


Sieben


Abril de 2020

estava no estúdio e tocando piano. Não estava criando nada, apenas tocando “Clair de Lune”, porque nunca tinha ouvido, e ele estava no sofá, de olhos fechados e apreciando a música. Parecia perfeita para dormir, mas estava alerta e prestava atenção a cada nota, ainda que não soubesse nomeá-las ou diferi-las. Petros estava deitado perto do piano e olhava para com uma adoração de fã.

- Espero que não tenha dormido. – falou ao finalizar, levantando-se do banco, fez um carinho no cachorro e foi deitar com no pequeno sofá do local.
- Claro que não. – sorriu, abraçando o corpo de e ela lhe deu um beijo demorado no rosto. – E como anda a criação?
- Tenho sete músicas e meia. A da Heidi não anda muito bem. – resmungou.
- É bastante coisa. Quantas faixas você está querendo colocar no álbum?
- Entre treze e quinze.
- E o EP?
- Cinco músicas. Os quatro feats da turnê e um inédito com o Maroon 5.
- Então você deve lançar entre dezoito e vinte músicas?
- Lançar entre aspas, porque os feats todo mundo já conhece, além de “Love is Easy” e “Death of Me”. Inclusive, queria saber se você se importa se eu colocar “In Case You Didn’t Know” no álbum.
- Me importar por quê? – perguntou confuso.
- Porque ela é meio que escrita por você...
- Não, ela foi escrita, musicada e produzida por você. – respondeu sincero. – Eu soltei várias palavras em uma carta e você fez uma música.
- Ouvi uma música esses dias que lembrei de você. Está em espanhol, mas me lembrou de você...
- Aguardo o dia em que você lembrará de mim com músicas em alemão. – falou em tom implicante.
- Uma vez eu escrevi uma música em espanhol sobre você. – confessou, mas sem olhá-lo nos olhos. – Só que mesmo que o momento tenha passado, não me sinto confortável em cantar pra você, porque ela é... triste.
- Já tínhamos terminado?
- Não. Eu a escrevi no ano novo de 2017, quando estava em Nova York.
- E ela te deixa triste quando canta?
- Um pouco.
- Então não quero ouvir. – respondeu sincero. – Não se te faz sentir isso.
- Eu a compus de uma só vez. A letra veio toda na minha cabeça. Em espanhol. E acompanhada de toda a melodia e da métrica. – soltou um risinho abafado, escondendo-se mais ainda no abraço do namorado. – Eu não sabia se estava mais assustada com essa rapidez ou pelo que estava escrito.
- Você está me deixando curioso. – fez um carinho nas costas de , dando um risinho. – Mas gosto de te ver feliz, então sem músicas que te deixam triste ou assustada.
- Então vamos deixar essa de lado por enquanto.
- Mas... lembrou de mim ouvindo uma música em espanhol? – perguntou, apertando o abraço ao redor de e ela ergueu os olhos para ele pela primeira vez durante aquela conversa.
- Sim. Posso até traduzir depois, se você quiser.
- Então encha meus ouvidos com sua voz, bonitinha. – sorriu, fazendo sorrir de volta e sair do sofá, indo até o canto em que tinha deixado o violão e aquele instrumento que não conhecia.
O violãozinho, como ele chamava, apesar de já ter dito mil vezes que aquilo não era um violãozinho, mas um ukelele.
foi em busca do celular, precisava das cifras e da letra para cantar. já estava sentado no sofá e ela estava no chão com as pernas cruzadas como criança, digitava algo no celular e logo estava segurando o ukelele e começando a tocar uma música que parecia ser realmente animada.

- No sé si te lo han dicho antes, pero después de haber comido en tantos restaurantes, los más caros, más ricos, más finos y más elegantes; después de viajar por los sitios más extravagantes, descubrí, yeh, que tu cuerpo es mi lugar favorito y tu boca, mi comida favorita, porque tú eres lo que yo necesito, porque yo soy lo que tú necesitas...

continuou cantando aquela música que não entendia nada, mas ao vê-la cantar olhando para ele com admiração e amor, ele sabia bem que a música dizia algo bem bonito. Petros estava, agora, deitado perto dela, olhando-a tão admirado quanto e ouvindo aquelas palavras estranhas e que em nada parecia com o que ouvia habitualmente.
Quando encerrou, aplaudiu, estendendo a mão para que ela voltasse para o sofá e eles ficassem abraçados por lá, apenas os dois, passando alguns minutos ali, na bolha, imersos no mundo particular deles, mas, claro, não conseguiram. Petros tratou de se empoleirar entre os dois, arrancando resmungos desaforados de e uma gargalhada sincera de .

- E então, traduza pra mim. – pediu, piscando repetidamente, fazendo rir de novo.
- É uma declaração de amor, bonitinho. Apenas pra dizer que você é meu favorito, em tudo. – respondeu e negou com um aceno insatisfeito.
- Você me prometeu uma tradução.
- Prometi. – falou, sorrindo. – Então, sem métrica, sem canto, apenas a tradução literal...
- Posso viver com isso. – respondeu e ajeitou-se como podia no sofá antes de começar a traduzir a letra da música.
- “Não sei se já te disseram antes, mas depois de ter comido em tantos restaurantes, os mais caros, mais gostosos, mais finos e mais elegantes, depois de viajar para os lugares mais extravagantes, descobri que seu corpo é meu lugar favorito e sua boca é a minha comida favorita, porque você é tudo que eu preciso e eu sou tudo que você precisa.” – começou traduzindo o começo da música e sorriu. – Há uma repetição de “você é o que eu preciso e eu sou tudo que você precisa” e então tem a segunda parte: “Você é perfeita, fora dos padrões de beleza, depois de dar a volta ao mundo, você estava ao meu lado e eu não tinha percebido como você é perfeita. E eu quero que me veja como eu te vejo, quando me vê lindo e quando me vê feio, quero que me ame como eu te amo, como eu te amo, como eu te amo. Quero que exagere como eu exagero, e não ria de mim, porque eu falo sério, quero que me ame como eu te amo, como eu te amo, como eu te amo”, repete o refrão e a repetição que falei antes por duas ou três vezes. E fim.
- É uma declaração de amor e tanto.
- Sim, exatamente uma que eu poderia fazer pra você.
- Então quer dizer que eu estou fora dos padrões de beleza? – fingiu um tom de ofensa. – Eu me esforço tanto...
- Não tanto, porque esse cabelo... – implicou, passando os dedos pelos fios já mais compridos, e que ela estava adorando, dos cabelos de .
- Vou cortar quando voltar pra Stuttgart.
- Não. Deixa assim, está ótimo.
- Sério?
- Sim. – sorriu. – Faz seus olhos parecerem maiores e deixa seu rosto mais simétrico.
- Você está me chamando de assimétrico?
- Quando raspa o cabelo? Com certeza! Você é cabeçudo, fica horrível. – falou sincera e deu uma gargalhada, abraçando de forma apertada e Petros latiu em protesto por estar sendo amassado junto.
- Tudo bem, sem abraços. Empata foda. – falou, fazendo um carinho no cachorro.
- Não vamos transar aqui.
- Uma pena, aposto que te renderia bastante inspiração pra escrever uma música. – brincou, recebendo um rolar de olhos de . – Então vamos pra casa, vou colocar em prática o que tenho aprendido nas aulas de culinária.
- Você teve umas quatro aulas só, deixe de ser exibido.
- Já sei mais do que apenas um molho de macarrão.
- Mentiroso.
- É mentira mesmo. – riu. – Tivemos algumas aulas teóricas e vamos começar as práticas na semana que vem.
- Então por enquanto eu continuo cozinhando e você apenas admira a namorada maravilhosa e versátil que você tem.
- Eu admiro mesmo. – foi o primeiro a sentar, recebendo um resmungo pouco satisfeito do cachorro. – Essa rolha de poço está cada dia mais sem vergonha por sua causa.
- Se houver um divórcio, sabemos que a guarda do filho é minha. – falou antes de abraçar Petros e lhe dar um beijo.
- Vou alegar que você viaja muito e não pode cuidar dele como ele merece.
- E eu vou alegar que você estará morto e não terá como voltar do inferno pra cuidar dele.
- Sou bonito demais pra ir pro inferno.
- Você é convencido demais pra ir pro céu, isso sim. – riu, sentando-se no sofá em seguida e ficou de pé, estendendo a mão para que ela também levantasse.
- Aprendi com você.
- Eu não sou convencida.
- Imagina... – riu, recebendo um tapa no braço. – Ai!
- Continue me ofendendo assim e o próximo vai ser na sua cara. – ameaçou e a olhou de forma sugestiva.
- Eu gosto de apanhar de mulheres bonitas. – falou, fazendo dar uma gargalhada.
- Você é idiota demais pra ser meu namorado.
- Vamos comer, eu estou com fome.
- Preciso ir na casa da Anna mais tarde, você topa?
- Claro. Faz tempo que não vejo Rob e Heidi. – deu de ombros.
- Então vou fazer algo rapidinho pra comermos e avisar a Anna que passaremos por lá. E depois vamos ao shopping.
- Você me odeia a troco de nada. – resmungou enquanto começava a puxá-lo pela mão para o exterior do estúdio e os dois caminhavam para o interior da casa.

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- Então vamos ficar deitados o dia todo? – perguntou e assentiu.
- Anna está com Harry em Holmes Chapel. – deu de ombros. – Então sem visitas aos bebês pra nós hoje.
- Deveríamos fazer um. – falou e o olhou, erguendo uma sobrancelha. Ele vinha falando muito sobre filhos ultimamente. – Porque ai teríamos um bebê sempre.
- Você sabe que criar uma criança é muito mais difícil do que apenas cuidar do filho de um amigo, não sabe?
- Eu imagino que seja mesmo, porque nesse caso não teríamos como devolver a criança pros pais e voltar a cuidar das nossas próprias vidas... – respondeu, dando uma risadinha. – Mas eu sei, não é hora também. Temos tempo pra pensar nisso depois.
- No momento você deveria estar pensando em fazer uma massagem nos meus pés.
- Você está ficando folgada.
- Ou podemos apenas ficar aqui sendo o casal bonitinho e fofo que somos.
- Bonitinho e fofo por minha causa, porque você é uma grossa.
- Você é sensível demais. – rolou os olhos, deitando-se ao lado de , que a abraçou.
- Eu acho que deveríamos comer doce e assistir Netflix.
- Voto por massagem nos pés. – falou, recebendo um resmungo de , que a apertou em seu abraço.
- Posso te perguntar uma coisa?
- Se for sob...
- Não, não é isso. – ele riu. – Lembra daquela lista dos cinquenta homens que você estava fazer quando ainda era um contrato?
- Sei.
- Por que você citou o André?
- Eu o acho bonito, de verdade, mas falei pra te provocar, achei que você sabia que ele e eu já tínhamos namorado.
- Eu não fazia ideia. Nem conhecia o nome dele, na verdade, então pra mim era apenas um famoso que eu não conhecia. E mesmo que eu tenha sentido um pouquinho de ciúmes, ainda que na época eu jamais admitisse isso, não achei que vocês tivessem namorado.
- Nem quando Ute endossou a lista e disse que concordava muito, porque eu tinha bom gosto?
- Achei que ela estava falando da lista de modo geral.
- Eu fiz aquela lista pra te provocar, na verdade, porque já naquela época não existia um homem que merecesse mais essa cama do que você.
- Ainda bem. – sorriu ao falar. – Mas com certeza você vai dizer que John Mayer cabe aqui.
- Não nesse sentido. – riu. – Ele é um amor de pessoa, mas não o quero aqui junto de mim nesse sentido. Ele pode apenas vir gravar o Current Mood. De resto, não, obrigada.
- Depois dessa, vou mesmo fazer massagem nos seus pés.
- Eu te amo tanto... – sorriu animada e riu, dando nela um selinho e sentando na cama.

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Era madrugada alta quando percebeu que não estava na cama. Quase cogitou a ideia de que ela podia ter ido ao banheiro, apenas, mas o lado da cama em que ela tinha dormido estava frio, o que só podia significar que ela estava acordada há bastante tempo.
Levantou-se da cama sem demora, indo primeiro ao banheiro e não a encontrou por lá, abriu todas as portas do corredor e nada, mas quando desceu as escadas, encontrou sentada no sofá, enrolada em uma coberta e chorando. não falou nada, apenas a abraçou, sentindo o corpo dela tremer contra o seu e o choro tornar-se um tanto mais alto, acompanhado de soluços.
Deixou que ela chorasse o quanto quisesse, chorar até estar rouca e as lágrimas pararem de sair. Chorar o suficiente para que aquilo que a incomodava saísse de seu peito e a deixasse em paz.
Aquela não era a primeira vez que ele presenciava uma crise de e não seria a última, ele sabia bem disso, mas odiava o sentimento de impotência quando acontecia, porque só podia abraçá-la e deixar que chorasse até que tudo ficasse menos caótico. Ainda que ela insista que seu abraço é tudo que ela precisa naqueles momentos, pra ele não parece ser a realidade.

- Vamos respirar juntos, talvez ajude a te acalmar um pouquinho. – ele sussurrou e , em meio aos cobertores, assentiu e os dois começaram o exercício de respiração que a psicóloga tinha ensinado.

A respiração era profunda, mas calma e depois de pouco mais de cinco minutos, parecia mais calma. tinha aprendido que nem sempre havia um motivo para uma crise, às vezes não havia gatilho ou um acontecimento fático, era apenas a mente dela trabalhando a milhão e criando pensamentos indevidos.
Tinham passado o dia bem, ela tinha tocado uma música em outro idioma, tinham comido, aproveitado momentos sozinhos para namorar em paz, transaram, comeram, assistiram filme e jantaram na sala há algumas horas. Ela parecia ótima, mas ele não podia garantir, porque era realmente boa em mascarar as coisas que aconteciam dentro de sua mente.
deitou-se no sofá quando estava um pouco mais calma, puxando para deitar-se junto e os dois ficaram ali, abraçados e em silêncio, envolvidos pelo enorme cobertor que ela tinha arrastado consigo. A respiração dos dois permanecia igual, mas conseguia ouvir o coração de bater agitado contra seu peito, porém, era melhor não falar nada, ela falaria quando se sentisse pronta.

- Desculpa ter te acordado. – ela falou baixo, quase num sussurro. – E por isso.
- Você nunca precisa me pedir desculpa por isso, . De verdade. Acontece e não é algo que você faz por querer, então não tem que pedir desculpas. E por que você não me chamou?
- Não queria te perturbar.
- Não é perturbação, bonitinha. Sou seu namorado e se eu não estiver do seu lado quando você precisa, não sirvo pra nada. – falou sério, erguendo o rosto de para que se olhassem nos olhos. – Se acontecer de novo, me chame, não importa a hora. Se eu puder fazer algo, mesmo que seja apenas dar um abraço e ficar com você, eu farei. Não se fecha, não deixa doer só ai, porque se eu quero estar contigo, precisa que doa aqui também, que eu saiba como e quando te ajudar. Eu te amo, , não é brincadeira quando falo isso, mas não te amo só nos momentos de alegria e felicidade, eu te amo em todos os momentos. Não é uma cobrança, por favor, não entenda assim, é apenas eu me colocando à disposição pra ficar com você nos bons e nos maus momentos.

não respondeu, ainda permanecia olhando para os grandes olhos azuis de e tentando não chorar. Ainda que seu coração soubesse que não era uma cobrança, aquela vozinha em sua cabeça insistia em dizer que sim, era, que ela estava sendo cobrada e as pessoas só são cobradas quando deixam de cumprir suas obrigações.
Queria chorar ainda mais, porque sua cabeça simplesmente não parava de funcionar e ela nem sabia o motivo exato, mesmo que imaginasse que toda a pressão de criação e divulgação de um álbum fossem bastante responsáveis por isso. já tinha pensado em desistir de tudo de novo. Abandonar a música e procurar outra coisa para fazer, era melhor.
Não, não era.

- Eu te amo. E não importa o que está fritando sua mente agora, eu vou continuar te amando e achando você uma das mulheres mais incríveis do mundo. Chorar e se preocupar não fazem de você menos forte, pelo contrário, então não esconda isso.
- Obrigada.
- Não me agradeça, eu não estou fazendo nada de excepcional. – sorriu, dando um beijo na ponta do nariz de . – Vou fazer um chá, tomamos e vamos dormir, o que acha?
- Tudo bem. – fungou. – Você se importa se eu ficar aqui?
- Sem problemas, não vou demorar. – respondeu, beijando na testa de forma demorada e ela soltou um ronronar baixo que quase o fez desistir da ideia de sair do lugar, mas ela precisava de um bom chá, quem sabe alguns biscoitos...

Enquanto colocava a água do chá para ferver, começava a anotar mentalmente algumas palavras para uma música. E colocaria pra fora aquilo que a incomodava há tempos.
Um pouco depois ele estava de volta com duas xícaras de chá de erva doce, sentado ao lado de e em silêncio. Nenhum dos dois queria falar, não precisavam, entretanto. Apenas tomavam o chá e deixavam que aquela nuvem carregada que trazia crises de ansiedade para se dissipasse e pudessem voltar para a cama.
E foi o que fizeram, quando os chás foram finalizados, deixou as xícaras na cozinha e os dois logo estavam sob o edredom, na cama de e abraçados.

- Você é minha parte favorita de mim. – sussurrou, fazendo sorrir e a apertar em seu abraço.


Acht


estava sozinha em casa, depois de uma despedida demorada e quase chorosa do namorado, estava na sala e ocupava-se de trabalhar em uma nova música que tinha começado há algumas semanas, mas estava incompleta e ainda não tinha mostrado para ninguém. Mais uma música sobre como se sentia sobre sua ansiedade e como aquilo fazia sua mente funcionar de um jeito estranho.
Talvez, quando chegasse aos ouvidos do público, parecesse outra coisa, mas ela sabia muito bem que aquilo era sobre ela e seus demônios interiores, sobre todo inferno de viver com sua ansiedade lhe fazendo companhia. Nunca estava sozinha. Não mais. Tinha aquela péssima acompanhante em todos os lugares e, mesmo quando não estava ativa, sabia que ela estava ali, à espreita, apenas esperando para entrar em ação e estragar tudo.
Quase uma hora depois de ter decidido ficar dentro de casa e usar a sala como local para trabalhar, ouviu o interfone tocar. Se tivesse que ir até a portaria, provavelmente choraria, não queria ter que andar toda aquela distância. Não mesmo.

- Alô.
- Senhorita ? – o porteiro perguntou e depois de um “sim”, continuou: – Há uma entrega para a senhorita, posso autorizar a entrada?
- O entregador disse quem é o remetente?
- Seu namorado, o senhor .
- Tudo bem, pode autorizar. Obrigada.
- Não há de quê. – o homem respondeu e foi esperar na porta, porque ninguém fazia entregas à pé, então haveria uma bicicleta, um carro ou uma moto.
E quando avistou a bicicleta em que uma entregadora vinha sorridente, viu o enorme buquê de rosas vermelhas na garupa e sorriu tanto quanto a mulher. Rosas vermelhas sempre foram a fraqueza de , que morria de vontade de cultivar rosas, mas nunca tinha conseguido.
- Se me permite um comentário – a moça começou a dizer, pegando com delicadeza o buquê e indo até . – é um amor e vocês dois formam um casal lindo, parecem se amar muito e eu espero que sejam muito, muito felizes.
- Obrigada. – agradeceu. – São lindas.
- Sou sua fã, você é incrível. E ainda torce pro Bayern! – a mulher falou sorrindo, recebendo um sorriso de . – Mas preciso ir. Espero que vocês dois se casem e sejam ainda mais felizes do que já são.
- Obrigada pelo carinho, de verdade. – agradeceu e a mulher voltou a subir na bicicleta e deu meia volta, seguindo para a portaria, enquanto ela entrava em casa e buscava o pequeno cartão entre as rosas.

“Você é minha parte favorita de mim e sou eu quem tem muita sorte de ter você. Eu te amo.”

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abriu os olhos com mais preguiça do que o habitual. Mal tinham chegado em Munique após uma viagem de duas horas e meia desde Stuttgart, e ele tinha ido dormir. Estava cansado e sabia que deveria ter feito a recuperação pós-jogo, mas um único dia sem fazê-la não causaria problemas, ele estava tão cansado que nem se atentou que precisava disso.
não estava mais ao lado dele, mas, dessa vez, havia um bilhete dizendo que ela estava no estúdio e que no fim do dia sairia de lá, o que basicamente dizia de forma educada que ele não deveria interrompê-la. Então esticou-se até que seu rosto estivesse sobre o travesseiro dela e pudesse sentir o perfume de . Tinha decidido parar de tentar entender como era possível amar uma pessoa a cada dia mais, como ama .
Podia aproveitar que ela estava em estúdio, produzindo, e fazer uma coisa que queria fazer há algum tempo, mas não tinha encontrado tempo e nem oportunidade, mesmo que já tivesse trocado diversas mensagens para resolver o assunto. E ainda poderia ir até a casa de Hugo, queria saber como tinha sido o dia anterior, já que o amigo não respondia suas mensagens desde então.
Colocou-se de pé e enviou uma última mensagem antes de saber se poderia ir ou não. Pegou o bilhete de e escreveu no verso que estava na casa de Hugo e voltaria em breve; vestiu uma calça jeans, a camisa do time com a qual tinha saído do estádio e calçou o par de tênis, deixou o bilhete preso do lado de fora da geladeira – porque a cozinha seria o primeiro lugar em que iria – e saiu.
Seguiu direto para a casa de Hugo, porque não podia fazer o que queria – de novo – e logo estava parando à porta do prédio, descendo e tocando o interfone para que o amigo o autorizasse a entrar.

- Achei que você tinha morrido. – falou quando Hugo abriu a porta para recebê-lo.
- Estou bem vivo, mesmo que eu precise de quinze vezes mais terapia do que me indicou. – soltou uma risadinha sofrida. – Entra, cara.
- Quer falar sobre isso? – perguntou, entrando no apartamento.
- Nós conversamos ontem. – Hugo se jogou no sofá quando entrou na sala, acompanhado de . – E foi, ao mesmo tempo, libertador e doloroso.
- Disserte...
- Ela está linda. Mais linda do que sempre foi. – Hugo deu um sorriso pequeno. – E nós conversamos, contei da festa... ela chorou um pouco, depois eu pedi perdão, disse que não há um dia que eu não pense sobre isso, porque me culpo por ter sido um imbecil e ter perdido a chance de ter a vida que planejamos e que agora eu sou obrigado a conviver com o resultado das minhas péssimas ações, conversamos sobre como tudo foi destruidor pra ambos e ela me perdoou, disse que ambos precisávamos do perdão, porque eu preciso seguir minha vida e ela já seguiu, mas precisa parar de ter o rancor que sentia por mim. Nem preciso dizer que passei a noite em casa, enchendo a cara e chorando por ter perdido aquela mulher, preciso?
- Não, não precisa.
- E já liguei pra terapeuta, marcamos dois horários na segunda-feira. – suspirou. – E preciso agradecer a pelo número, ajudou muito ir lá todos esses dias antes da conversa... e agora vai ajudar mais ainda. Estou me sentindo um merda, mas a culpa é só minha. Mas ela está tão linda, ... fiquei pensando em como eu estaria em êxtase se fôssemos ter um bebê...
- Eu imagino que tenha sido uma bosta, cara, mas pelo menos vocês se resolveram nessa questão e agora podem seguir suas vidas, principalmente você. E espero que a terapia ajude.
- Eu também espero. – Hugo suspirou. – Mas foi bom pedir perdão de verdade, sem ser no desespero pro relacionamento continuar. Foi bom vê-la feliz e ver como a vida dela está ótima, como as coisas estão dando certo. Ela merece.
- E você também. A parte profissional da sua vida está ótima, então cuide da parte pessoal e emocional, você merece ser feliz.
- Por falar em felicidade... cadê a sua namorada?
- Escrevendo.
- Vocês estão bem?
- Claro. – sorriu. – É impossível não estar bem com .
- Você tem visto as fofocas?
- Sobre o namoro por causa dos contratos? – deu uma risadinha, fazendo Hugo rir e assentir. – Claro. Ela queria postar aquela foto nossa malhando em Stuttgart com uma legenda bem provocativa, mas Layla e Kelly deram uma segurada no ímpeto dela.
- É?
- Ela queria escrever que estávamos malhando juntos para manter as aparências e conservar nosso patrocínio... – riu. – Mas as duas a fizeram pensar sobre.
- tem o sangue quente.
- Ela é completamente doida, isso sim. – deu uma risada. – Porém eu concordo com ela, enche o saco essa perseguição midiática e essa necessidade desmedida de tomar conta da vida alheia e de como eles falam do nosso namoro.
- No começo era tudo que queríamos...
- Não o que todos queríamos. – falou e Hugo rolou os olhos, mas acabou rindo e concordando.
- A melhor parte era que você sempre evitava toda a mídia e todas as perguntas sobre ela, sendo que o intuito era justamente o contrário.
- Nenhum de nós dois estava realmente confortável, mas depois de Porto Rico as coisas saíram do plano original e viraram um relacionamento de verdade. E eu fico muito feliz por isso, mesmo que primeiro a gente tenha se enfiado nisso sem a menor necessidade.
- E eu sou obrigado a concordar. – Hugo respondeu sincero. – Estávamos os dois desesperados, eu mais que você, achando que isso daria algum resultado.
- Deu. Eu recebi tantos produtos que nunca pedi, que acabei montando um ótimo guarda-roupa pra você. – respondeu rindo. – Mas eu não gostava muito da ideia de me aproveitar da fama dos outros, aceitei por ainda estar sem raciocinar bem depois do divórcio.
- Se a Natascha não tivesse perdido aquele bebê e tivesse contado sobre a gravidez, o que você faria?
- Assumiria a criança, claro. Nada mais do que minha obrigação. – respondeu em tom óbvio.
- Eu sei, idiota, estou perguntando a respeito da Natascha e da .
- Não sei, mas provavelmente teria continuado namorando a , mesmo que naquela época eu ainda não estivesse apaixonado.
- Claro que estava. – Hugo falou, dando uma gargalhada. – Você estava e muito!
- Não, eu não estava. – respondeu firme. – Acho que na véspera do aniversário dela foi que eu me dei conta de que eu sentia alguma coisa com certeza, mesmo que eu tentasse me desfazer da ideia a todo custo.
- Acho que ela já era apaixonada antes, lembro do Leo dizendo algo do tipo.
- E vocês têm conversado?
- Desde que a Allie foi embora, nunca mais. Ele me chamou um dia pra ir na casa dele uns dias depois que eles se separaram, queria ligar pra e fazer um show e dizer que era culpa dela, mas acabou apenas bebendo demais e chorando por ter perdido a esposa.
- Então ele acha que a culpa é da ? – deu uma risadinha. – Inacreditável. E nem falo do contrato, falo da turnê. Ela nem teve participação na montagem e o ritmo de shows, entrevistas e campanhas foi assustador. A culpa é dele.
- Sei que ele está trabalhando com um cantor que saiu do The Voice no ano passado, mas não tive mais notícias, ele resolveu colocar a culpa em mim também, eu acho.
- Eu nem sabia do divórcio...
- É meio recente, na verdade. Porque assim, não querendo fazer fofoca...
- Mas já fazendo. – riu, fazendo Hugo rir e concordar.
- A Allie ficou possessa quando a quase morreu e os dois tiveram uma briga colossal, ela o colocou pra fora de casa e ele dormiu aqui dois dias, depois eles conversaram e se acertaram, mas o relacionamento estava como andar na corda bamba... a ligação dele pra foi a gota d’água pra maior briga de todos os tempos! E ela nem ficou sabendo na época da ligação, só ficou sabendo quase um ano depois, numa briga deles... a Allie soltou os cachorros nele, sobrou até pra mim por causa do contrato, mas depois conversei com calma com ela e assumi mesmo que eu tinha muita culpa naquilo; enfim, ela falou que ele era um imbecil e que devia agradecer a por não ter jogado tudo no ventilador, o processado e por ainda ter pago muitos meses de salário sem trabalho, disse que ele deveria pedir desculpas pra ela de verdade, sem interesses, eles brigaram feio e Allie juntou as coisas e foi embora da casa, eles nem se falavam e nem nada do tipo, como ela é de Berlim, resolveu voltar pra lá e está terminando de transferir as coisas da empresa pra lá e pra oficializar o fim de sua vida em Munique, ela contratou uma advogada, que mandou os papéis do divórcio pra ele assinar. Ela não queria nada, só o divórcio, e falou que se ele não assinasse, ai sim ela entraria na justiça e arrancaria até o último fio de cabelo dele.
- E ele assinou numa boa? – perguntou interessado.
- Que nada! Ainda tentou ligar pra ela e pedir pra conversarem e voltarem, mas ela já estava decidida. Ele é muito avarento, então assinou e agora está solteiro e Allie está em Berlim.
- Você é um fofoqueiro do caralho. – deu uma risada ao falar.
- E você mais ainda por querer ouvir tudo. – Hugo respondeu de pronto, fazendo rir mais alto. – E já que vamos fofocar, vou abrir umas cervejas, vamos comer e falar da vida alheia.

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Passava das onze da noite quando chegou em casa, quase junto de , que chegado apenas alguns minutos antes. foi direto para a cozinha, estava com fome, encontrando quase dentro da geladeira também procurando algo para comer.

- Você vai acabar congelando ai dentro, . – falou, fazendo se assustar e bater a cabeça na geladeira. – Desculpa!
- Tudo bem. – falou, fechando a porta da geladeira e se aproximou de .
- Hugo está bem?
- Está. Conversamos bastante... você saiu?
- Fui ver e Ian, estava com saudades...
- Que bom. E como eles estão?
- Ótimos. E eu tenho uma fofoca pra te contar.
- Eu também tenho uma fofoca pra te contar.
- Eu começo! – pediu animada.
- Quer dizer, acho que deveríamos usar nosso tempo pra outras coisas...
- Como fofocar bastante, por exemplo. – falou, envolvendo os braços ao redor do pescoço de e ele deu uma risadinha.
- É, isso também pode ser...
- Conversar é muito importante, meine Liebe, você sabe...
- Na verdade, vamos falar da vida alheia, eu prefiro fazer outra coisa, na verdade.
- No quarto, porque eu já falei que sexo na cozinha é nojento.
- Mas você gosta.
- Muito, mas vamos evitar a fadiga e transar bastante na cama, melhor do que em cima do balcão e ainda ter que higienizar tudo depois.
- Tudo bem, , você venceu.
- Então vamos logo. – falou, soltando os braços do pescoço de e o puxando na direção da escada.
- E qual a fofoca?
- Allie chutou o Leonard oficialmente agora, depois de um barraco colossal!
- Era exatamente isso que eu ia te contar. – deu uma gargalhada e o olhou curiosa. – Hugo.
- Odiei que fomos os últimos a saber da fofoca.
- Culpa sua que anda ocupada demais trabalhando e minha que moro em outra cidade.
- Ah! Esse fim de semana, depois do seu jogo, poderíamos passear um pouquinho... o que acha?
- Parece uma boa ideia, amor.
- Lembra daquele parque que fomos em Stuttgart antes de eu lançar meu último álbum?
- Sim.
- Piquenique.
- Espero que tenhamos bastante privacidade.
- Não tenha esperanças tão facilmente destruíveis meu amor. – falou, virando-se na direção de , e apertou as bochechas dele antes de dar um selinho demorado em seus lábios.
- Eu te amo.
- Eu também te amo. Agora, cama.
- Gosto da sua forma de pensar.
- Vai gostar mais ainda quando eu te mostrar o que estou pensando. – piscou, andando rápido para o quarto e sendo seguida de perto por .

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- Você morreu dentro desse banheiro, ? – implicou, estava deitada na cama e esperava pelo namorado para irem jantar.
- Não, eu estou bem vivo e nós estamos indo jantar.
- Finalmente! – ficou de pé, observando a escolha de roupas de .
- O que foi?
- Nada, só estou vendo como você é estiloso e se veste bem. – respondeu, aproximando-se e pousou as mãos sobre os ombros dele. – E como é bonito.
- Aprendi com minha namorada, ela é estilosa, se veste bem e é a mulher mais linda do mundo. – falou, recebendo um sorriso de , que apoiou as mãos em seus ombros e o olhou demoradamente antes de mudar a mão direita de lugar e usá-la para fazer um carinho em seu rosto. – Eu poderia ficar pra sempre te olhando assim, sabia?
- Eu estou linda demais pra ficarmos dentro dessa casa, amor, então vamos sair pra jantar e aproveitar um pouquinho nosso tempo juntos.
- Você tem mesmo que voltar amanhã?
- Tenho. – soltou num resmungo. – Se eu não voltar amanhã, vou acabar ficando muitos dias sem trabalhar e quero muito começar as gravações.
- Pelo menos a temporada está perto de acabar, então eu posso ir passar férias em Munique e te ver todos os dias.
- Tenho outros planos pras nossas férias, bonitinho. – piscou, fazendo erguer as sobrancelhas curioso. – Mas agora vamos sair pra jantar. Quase nunca fazemos isso e você está me devendo um jantar de namorados.
- Então vamos estabelecer um novo dia pra jantarmos no dia dos namorados? – perguntou, fazendo dar um sorrisinho e assentir. – Vai variar conforme os anos ou vai ser um dia específico?
- Pra mim todos os dias com você é dia dos namorados. – falou, fazendo abraçá-la e lhe dar um selinho demorado.
- Eu te amo.
- Eu sei disso. E te amarei mais ainda se sairmos logo.
- Vamos. – deu uma risadinha, soltando-se do abraço.

Os dois seguiram para fora da casa, indo para o carro e dirigiu por quinze minutos até chegar ao restaurante vegano no qual tinha feito uma reserva mais cedo naquele dia. Tinha pedido uma mesa mais reservada, ainda que o local fosse pequeno, e que, caso pudessem, colocassem velas e flores na mesa.
E assim estava quando chegaram ao Körle und Adam, de forma simples, mas de forma intimista e romântica, da forma como tinha pedido. Afastou a cadeira para que sentasse e logo foi ele tomar seu lugar bem de frente a ela. O cardápio estava sobre a mesa e depois de realizarem seus pedidos, voltaram a ficar sozinhos no local.
O jantar foi tranquilo e nenhuma das pessoas presentes teve coragem de chegar à mesa do casal para pedir fotos ou autógrafos, mas cliques “escondidos” foram tirados e postados, consequentemente atraiu a atenção de paparazzi que esperavam do lado de fora do restaurante. Alguns tinham tentado entrar, mas foram barrados e tiveram que esperar do lado de fora para conferir se e estavam mesmo lá.
Quando os dois saíram do restaurante, depois de aproveitarem bastante a comida gostosa do restaurante, havia meia dúzia de fotógrafos esperando e prontos para fotografá-los. De mãos dadas os dois saíram sem dar muita atenção ao que era gritado ou para os flashes. Tiveram uma noite excelente, não perderiam tempo com aquele tipo de coisa.

- Obrigada pelo jantar. – agradeceu, fazendo dar um sorriso, mas sem desviar os olhos da rua.
- Eu é quem agradeço, bonitinha. Foi ótimo passar esse tempinho com você, mesmo que no final tenham ido nos bisbilhotar e ficar importunando.
- Gosto de sair assim, mas você está me devendo um excelente jantar feito a partir das suas aulas de culinária, meine Liebe. – implicou e deu uma risada.
- Eu sabia que você ia me cobrar esse jantar. – desviou rapidamente o olhar até encontrar o dela, voltando a olhar para a via enquanto dirigia. – Ainda tenho que aprender algumas coisas, mas preciso praticar... então, caso você queira uma amostra, pode ficar e jantamos amanhã algo que eu farei.
- Isso é extorsão, sabia?
- Não sabia, até porque extorsão pressupõe uma vantagem econômica.
- E onde você aprendeu isso?
- Assistindo séries e filmes, claro. – riu. – E não é extorsão porque estou oferecendo comida e não dinheiro.
- É estelionato então. – falou com certeza. – Você quer ter a vantagem de ficar comigo mais um tempo e eu terei a vantagem de ganhar comida.
- Bom, agora os termos estão corretos.
- Um dia a mais não faz mal, certo? – deu de ombros. – Mas eu vou embora depois de amanhã assim que você for treinar.
- Posso viver com isso. – deu um sorrisinho e terminaram o percurso até a casa dele em um silêncio agradável, ouvindo apenas uma música que tocava na rádio.

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- E qual é o cardápio do dia? – perguntou sentada sobre a ilha na cozinha, segurando uma taça de vinho e observando separar ingredientes sobre a pia.
- Segredo.
- Não gosto de segredos.
- Vou te dar uma pista: você gosta muito.
- Isso não é bem uma pista, eu gosto de comer coisas num geral.
- Como foi seu dia, bonitinha?
- Ótimo! Fiz compras hoje e estou muito feliz com os novos sapatos que comprei, além de ter passeado com nosso filho de quatro patas e tê-lo levado até o rio e ainda consegui conversar com Anna pelo FaceTime e conseguimos resolver algumas coisinhas pra amanhã. – respondeu animada, bebendo um gole do vinho em seguida. – E o seu?
- Não tão movimentado, só fui treinar e comprar os ingredientes necessários para o nosso jantar. – respondeu, virando-se para e se aproximando para tomar um gole do vinho em sua taça.
- Me conta o que vai ser... – pediu, envolvendo o tronco de com as duas pernas e ele deu uma risadinha, tomando um pouco mais do vinho.
- Não caio em chantagens, .
- Ah, cai sim. – afirmou, categórica.
- Não estrague a surpresa.
- Precisa de ajuda?
- Se você me ajudar deixa de ser o jantar que eu estou preparando para você. – riu. – E, em todo caso, sabemos que você não ajuda, você faz tudo e eu é quem acabaria sentado na ilha observando, Monica Geller.
- Tudo bem, tudo bem. – deu-se por vencida, mas não sem antes inclinar-se mais na direção de e lhe dar um beijo.

Passou os dedos pelos fios de cabelo dele, maiores do que ficavam habitualmente, deslizando as unhas pela nuca dele e arrancando de um resmungo, enquanto ele apertava os quadris de com vontade, enquanto sentia os lábios macios dela nos seus, como a língua dela com aquele delicioso gosto de vinho fazia com que ele perdesse totalmente o resto de sanidade que tentava preservar.
mordeu o lábio inferior de e o puxou devagar, arrancando dele um grunhido rouco antes que ele subisse as mãos e tirasse de a camisa que ela estava usando, sem nenhuma resistência por parte dela, pelo contrário. A camisa dele também não demorou a ser retirada e os dois voltaram a se beijar sem demora, com a mesma pressa e desejo de antes. Foi a vez de enfiar os dedos pelos cabelos de e puxar devagar, observando os lábios avermelhados e inchados da namorada se abrirem num sorriso provocativo.
Quando fez menção de voltar a beijá-lo, não deixou que os lábios se encontrassem, observando os olhos de ficarem escuros de desejo, e ela tratou de apertar mais ainda as pernas ao redor do corpo de numa tentativa de conseguir beijá-lo de novo, mas foi quem sorriu de forma provocativa, aproximando o rosto do de de forma que ficassem juntos, mas os lábios apenas roçavam um no outro, sem contato maior do que um mero atrito.

- Vou terminar nosso jantar, . – falou sério, olhando-a nos olhos.
- Prefiro que a gente termine isso aqui primeiro, . – respondeu no mesmo tom, fazendo voltar a sorrir de forma provocativa.
- Gosto da forma como você pensa, . – falou, com o rosto ainda próximo ao de e usando a mão livre para percorrer a lateral do corpo da namorada, sentindo a pele se arrepiar sob seu toque. – Mas sexo na cozinha é nojento...
- Eu te odeio.
- Mais tarde eu mudo esse seu sentimento, . Mais tarde. – respondeu, soltando-se das pernas de e virando-se para voltar ao trabalho de cozinhar o jantar, resistindo muito ao desejo de arrancar toda a roupa que os separavam.
- Você está aprendendo a ficar muito resistente a mim.
- Isso é o que você acha. – ele falou, começando a lavar os ingredientes que usaria. – Eu só finjo bem, mas quero muito cozinhar pra você.
- Você pode cozinhar mais tarde...
- Vamos fazer assim – começou a falar, virando-se para olhá-la, mas mantendo a distância. – eu vou montar o prato e enquanto assa, teremos tempo.
- Tudo bem, posso viver com isso.
- Então agora eu cozinho e você tente não ficar desviando minha atenção, ou ficaremos sem jantar.
- Sempre existe delivery, amor. – piscou, tomando um gole do vinho em sua taça e uma pequena gota escorreu por seu queixo, sendo devidamente acompanhada pelo olhar de , até se perder no sutiã que usava.
- Você sabia que isso é errado? – falou, encostado à pia e tombou a cabeça para o lado, mordendo o lábio inferior para segurar uma risadinha.
- Errado mesmo. – falou, descendo do balcão num pulo e aproximou-se de até que os corpos estivessem grudados, envolveu o pescoço dele com os braços e aproximou os lábios de seu ouvido antes de voltar a falar: – Então você fica aqui, cozinhando, e eu vou lá pro quarto.
a envolveu com os braços, mantendo-a perto de si, recebendo uma mordida leve no pescoço.
- Você joga sujo.
- Cada um usa as armas que tem, .
- E você usa as mais sujas, .
- Faz parte do meu charme, foi assim que eu conquistei seu coração. – brincou, piscando para . – Mas vou mesmo te deixar cozinhar, porque quanto mais rápido você colocar o jantar no forno, mais rápido podemos resolver essa questão.
- Você não conquistou meu coração com esse joguinho, . Não apenas com ele, claro.
- Bonitinho, você sabe bem que uma vez que sentiu o fogo, nunca mais você foi o mesmo.
- ...
- Vá cozinhar, eu vou sentar aqui e observar tudo com bastante atenção. – respondeu, tirando os braços do pescoço de , mas sem se soltar do abraço que ele lhe dava.
- Você precisa me incentivar a cozinhar, não ficar me distraindo...
- A primeira lição na cozinha, amor, é não se distrair.
- Impossível seguir essa lição com você na cozinha totalmente vestida, imagina sem a blusa e com esse sutiã tão bonito me dando uma bela visão...
- Se você me soltar, visto a blusa e fico sentadinha e caladinha.
- Ah, mas a última coisa que eu quero é que você fique caladinha... – sorriu em provocação e soltou um suspiro sentido.
- Se você não vai fazer nada, , não fique me atentando.
- Isso é pra você ver como é bom ficar provocando, . Não se brinca com fogo sem saber que há consequências muito sérias...
- Você tem cinco minutos pra fazer esse jantar e arrancar toda a sua roupa, . Ou eu farei isso por você. – falou em tom urgente e negou com um aceno, deslizando a mão até a bunda de e deu um aperto, fazendo-a arfar.
- Não.
- Eu te odeio.
- Já falei, daqui a pouco eu mudo essa sua opinião. – piscou, soltando e ela respirou fundo, voltando a sentar-se no balcão.
- Não fique sorrindo pra mim, , vou arrancar esse sorrisinho da sua cara já já.
- Assim espero, mas, por enquanto, eu cozinho e você observa.
- Idiota.
- É, mas você me ama mesmo assim.
- Esse é o meu castigo. – respondeu de forma dramática, tomando o resto do vinho em sua taça. – Te amar e você ser um idiota.
- Um idiota que cozinha pra você, amor, tenha um pouquinho de respeito.
- É, um idiota que cozinha pra mim. Acho que vale a pena.
- Agora, observe a magia acontecer.
- Hm, eu já volto. – falou, voltando para o chão e saindo da cozinha.

não perguntou o que ela faria, aproveitou para começar a cortar os legumes para começar a preparar a primeira parte do jantar. Enquanto isso, na sala, tinha uma caneta e um papel em mãos e anotava algumas palavras de forma desconexa, com setas e alguns rabiscos. Era melhor anotar aquilo antes que se esquecesse, porque daria mais uma música e uma das boas.


Neun


Junho de 2020

estava prestes a iniciar a gravação do álbum, finalmente tinha todas as faixas escritas e tudo bem definido para ambos os lançamentos: o álbum e o EP. E assim que voltasse das férias com , iniciaria o trabalho a todo vapor. Ela nem queria viajar, já queria começar as gravações, mas a ideia veio de Layla e Kelly, que fizeram questão que ela se desse um tempo e se preparasse de corpo e alma para voltar ao trabalho totalmente.
Estava acompanhada de e os dois estavam em Kuito, na Província de Bié, na Angola, fazendo um trabalho voluntário desprovido de qualquer conotação religiosa ou midiática, eram apenas os dois e um grande grupo de voluntários da UNICEF e dos Médicos Sem Fronteiras – apenas aceitou participar do mutirão sob a condição de que ninguém ficaria sabendo que ela estava por lá, queria apenas fazer o trabalho voluntário e usar de seu dinheiro para ajudar na construção de duas escolas, uma clínica/hospital, algumas casas e tentar ajudar na captura e canalização de água potável.
Ela estava animada com toda aquela situação, por poder usar seu dinheiro para ajudar pessoas mais necessitadas, além disso, vinha passando tempo de qualidade com seu namorado e conhecendo pessoas boas e até aprendendo muita coisa em português, porque as crianças falavam com ela o tempo todo e as palavras em um portunhol precário eram repetidas por .
E depois de vinte dias, a escola estava de pé, a clínica estava pronta e esperando apenas os equipamentos e a equipe médica chegar, outras cinco casas estavam prontas, além de uma análise de canalização e distribuição de água para a província estava sendo elaborada e já estava acordado que o restante do grupo ficaria para terminar a construção das outras casas que precisavam ser feitas.
Estavam os dois mais fortes e mais bronzeados dadas as horas de trabalho braçal no sol, mas estavam muito felizes.
sentia-se realizado de uma forma que não imaginava que fosse se sentir em toda sua vida; tinha passado seus dias ajudando a construir coisas e ele nem imaginava ter esse talento, nunca tinha imaginado que seria capaz de construir uma casa do chão ao teto, tampouco que conseguiria ter força para fazer tudo isso e ainda brincar com algumas das crianças da província.
estava da mesma forma. Tinha ajudado na construção, doado muitos alimentos e passava muitas horas brincando com as crianças, ouvia histórias e tinha sido muito bem tratada por todos, sentia-se orgulhosa de si mesma por ter conseguido sair da própria zona de conforto e ido encarar um país totalmente desconhecido e que fala outro idioma, na incerteza de ser bem recebida ou não, num local onde ninguém a conhecia, não faziam ideia que se tratava de uma estrela pop mundial acompanhada de seu namorado jogador, ex-integrante da seleção alemã. Ali ela era apenas tia e ele era o tio .
E pros dois aquilo era infinitamente melhor do que qualquer conhecimento midiático.

- Jamais achei que eu diria que não quero férias e descanso, mas que quero continuar aqui até chegar o dia em que seremos obrigados a voltar pra casa. – falou, abraçando quando já estavam deitados prestes a dormir.
- Somos dois. – soltou uma risadinha. – Foram ótimos dias, acho que além da mudança física externa perceptível, estamos diferentes por dentro também.
- Não tenho a menor dúvida, . Acho que isso vai ser ótimo pra gente daqui em diante.
- Queria poder fazer mais... acho que vou usar uma porcentagem das vendas pra ajudar na canalização de água e na construção de mais casas, além de doar uma parte ao Médicos Sem Fronteiras.
- Você é uma pessoa maravilhosa. – deu nela um beijo demorado no rosto.
- Mas eu sinto muita vontade de chorar só de pensar em como nós temos um privilégio enorme de ter dinheiro e condições de viver de uma forma mais cômoda que a maior parte da população do mundo... o que eu ganhei de arrecadação do último álbum, sem contar a turnê e as campanhas, provavelmente alimentaria toda essa província por um ano ou até mais! É triste pensar nisso.
- Amor, muito, mas você está fazendo o que pode e isso já é muita coisa. Tem muita gente muito mais rica que você e que não se importa em ajudar o próximo. Não se trata de quantidade, mas da vontade. Se você tem condições de fazer alguma coisa por pessoas mais necessitadas e faz, você já está ajudando. E não interessa se ajuda uma pessoa ou mil, porque faz o que está ao seu alcance.
- Já te falei hoje que te amo?
- Só quando fomos casados pela trigésima vez nesses vinte dias. – soltou uma risadinha pelo nariz. – Começo a achar que preciso mesmo te pedir em casamento...
- Eu não vou aceitar, porque já aceitei o pedido do Zaki de me casar com ele.
- Tudo bem, eu aceito te perder pra ele.

deu uma risadinha antes de juntar os lábios aos de num beijo calmo e com a privacidade e tempo que não tinham durante o dia, estavam sempre cercados de pessoas e trabalho, então as noites eram os momentos em paz para ficarem abraçados e trocando um ou outro beijo antes de caírem no sono depois de um extenuante dia de trabalho.

- Queria ter a plena certeza de que poderia tirar nossas roupas sem correr o risco de acabarmos sendo interrompidos ou filmados. – sussurrou ao ouvido de quando separou os lábios dos dele.
- Acho que é mais fácil sermos interrompidos do que filmados. E, em todo caso, anteontem não pensamos nisso...
- É, mas deveríamos. Imagina voltar pra casa e descobrir que tem um sex tape nosso rodando a internet. – respondeu, fazendo dar uma risada baixa.
- Em todo caso, será um bom sex tape. – ele respondeu baixo, falando ao ouvido de , que deu um tapa leve em seu braço, mas acabou dando uma risada baixa também.
- Já passou da nossa hora de dormir, bonitinho, estamos delirando de sono e amanhã temos que acordar bem cedo pra trabalhar.
- Eu te amo.
- Eu também te amo.

🎤 🇩🇪 ⚽️


- É muito fofo você falando francês, sabia? – implicou, quando os dois entraram na água do mar da Plages du Mourillon.
- Eu sei. – piscou e a abraçou pela cintura quando chegaram a parte em que a água já cobria mais da metade de seus corpos e o envolveu com os braços pelo pescoço.
- Você deveria me ensinar.
- Primeiro preciso te ensinar inglês de verdade, porque você é bem ruim...
- Obrigado. – deu uma risadinha debochada. – Então, quais os planos pra mais tarde?
- Não sei, vamos nos concentrar no agora. – respondeu num tom que beirava a malcriação e deu um beijo na bochecha de , fazendo-o rir.
- Um pouco difícil me concentrar quando estamos assim, na água, você com esse biquini tão bonito...
- Você consegue.
- Será?
- Bom, deveria ao menos tentar. – deu uma risadinha, envolvendo o tronco de com as pernas e ele a abraçou.
- Como você está hoje?
- Bem. Estou me sentindo ótima faz um tempinho e essas férias foram excelentes pra me ajudar com isso.
- Fico feliz.
- Agora, se não for pedir muito, cala a boca e me beija nas belas águas do Mediterrâneo, . – falou, fazendo rir antes de beijá-la.

O sol estava forte em Marselha naqueles dias, a praia estava um pouco cheia, mas ninguém parecia se preocupar com a presença deles, não houve pedidos de fotos ou autógrafos, mas fotos escondidas foram tiradas, os dois já tinham visto as marcações na internet e recebido ligações preocupadas de Bob sobre a segurança de ambos, mas, naquele momento queriam apenas aproveitar a viagem em casal e serem carinhosos um com o outro sem precisar pensar muito no que diriam.
foi o responsável por finalizar o beijo, recebendo um resmungo pouco satisfeito de , mas era melhor parar antes que as coisas acabassem ficando mais intensas num local público. Não era a favor da perturbação da ordem pública, então era melhor deixar aquilo pro conforto das quatro paredes do quarto de hotel.

- Sua mãe ia gostar muito daqui. – falou e assentiu.
- Acho que vou trazê-la aqui. Uma viagem em família, o que acha?
- Seria ótimo. Estou mesmo sentindo falta de Ute, ela anda sumida...
- Último ano da faculdade, ela está surtando um pouco.
- Preciso te contar uma coisa que eu nem podia contar pra ninguém até o anúncio oficial, mas eu não aguento mais ser a única pessoa que sabe disso. – falou num tom de quem faria a maior das fofocas do mundo. – Davi vai pedir a Bea em casamento!
- Sério?
- Sim! Eles já são basicamente casados, mas vão oficializar. Eu serei o padrinho do Davi e eu estou muito animada! Mas, pelo amor de Deus, não conte pra ninguém!
- Eu não vou contar pra ninguém, bonitinha. – soltou uma risadinha, dando nela um selinho breve. – E, com certeza, você já contou pra .
- Não! Você está sabendo em primeira mão.
- Um milagre... – respondeu, recebendo um rolar de olhos da namorada. – O que vamos fazer agora? Ficar parados feito dois postes dentro da água?
- Se eu falar que quero nadar você vai ter uma síncope?
- Voltar pro hotel então?
- Não, , nadar aqui.
- No mar?! – a voz dele se alterou uma oitava, fazendo dar uma gargalhada.
- Sim, no mar. Você nunca fez isso?
- Já, mas... isso não é lá uma coisa muito segura...
- Deixe de ser chato, vamos nadar um pouquinho.
- Alguém já te falou que você é completamente doida?
- Várias vezes, mas eu gosto de nadar. Fiz isso várias vezes em Porto Rico, caso você tenha esquecido.
- Você nadava muito na piscina, na praia você nadou bem pouco.
- Quando você foi embora eu nadei mais vezes.
- Então a culpa é minha por você não nadar muito?
- Isso mesmo. Agora vamos nadar! – soltou-se de e submergiu antes que ele pudesse contestar ou concordar.
E depois de uma risada desacreditada, mergulhou.

🎤 🇩🇪 ⚽️


O processo de gravação começou a todo vapor. estava presa no estúdio por horas cantando, refazendo letras, arranjos, gravações... passava mais tempo lá do que na própria casa, mas as três músicas que tinha finalizado até então eram ótimas e estavam muito bem feitas e produzidas.
Surpreendeu-se quando chegou em casa depois de um dia de gravações e encontrou Davi deitado em seu sofá – o benefício de ter o acesso liberado na portaria e as chaves da casa dela – e não demorou a pular no sofá e abraçá-lo. Estava sentindo muita falta do irmão e os dois vinham tendo desencontros maiores do que quando ela estava em turnê, mas lá estava ele, deitado no sofá assistindo televisão como se morasse na casa.

- Que surpresa ótima! – falou, apertando o irmão num abraço quase sufocante.
- Mas você vai me matar desse jeito, Felícia. – Davi soltou com a voz abafada pelo aperto que recebia.
- Nem acredito que você veio me ver! – sorriu, afrouxando o abraço, mas sem soltá-lo.
- Você sumiu, eu tinha que ver se já posso me mudar definitivamente pra cá e tomar minha parte na herança.
- Ainda não, pra sua imensa tristeza. – respondeu, recebendo um beijo na testa.
- Como você está, ?
- Cansada, mas bem, e você?
- Ótimo, cansado, mas ótimo.
- Estou gravando e consertando várias coisas nas letras, métricas e tudo mais, mas tem uma, que vai ser single, que eu preciso te mostrar antes de todo mundo, mas você não pode surtar.
- Devo ter medo?
- Não. É uma música bem sincera e foi a primeira que gravei e nós aperfeiçoamos tudo, vai ser o single que sai em setembro.
- Tudo bem... – falou desconfiado.
- Mas primeiro eu vou tomar banho, podemos ir pro estúdio depois e eu toco pra você lá.
- Tudo bem, mas primeiro você janta. Eu fiz um risoto pra você.
- Eu te amo tanto. – deu um beijo demorado na bochecha do irmão e ficou de pé, seguindo para o próprio quarto.

Precisava de um bom banho, de um jantar bem gostoso e boas horas acompanhada do irmão. Nada além disso. E foi o que fez, tomou banho, vestiu um pijama confortável e desceu as escadas de novo para jantar o risoto feito especialmente para ela, acompanhado de uma taça de vinho e conversas triviais sobre os dias, sobre possíveis novidades e coisas banais.
Quando estavam, finalmente, no estúdio, Davi acomodou-se no sofá e observou atentamente a irmã sentar-se ao piano, abrir a tampa que cobria as teclas e procurar a partitura com as notas, queria ter certeza de que não erraria nenhuma. E precisava mais ainda de concentração para tocar e cantar.

- Qual o nome dela? – Davi perguntou e se virou para olhá-lo antes de responder.
- Anxiety.
- Tudo bem... – falou num tom preocupado. – Quando se sentir pronta.
- Estou pronta, só não quero errar nada.
- E não vai. – Davi sorriu, como se a encorajasse.

virou-se novamente para o piano e começou a tocar a música. Tinha sido a primeira letra do novo álbum, das novas escritas. Depois de uma crise de ansiedade que foi passada sozinha, tinha a mente fervilhando e acabou escrevendo aquela música enquanto tentava se desfazer daquele maldito sentimento.
Enquanto ouvia a irmã cantar, tocando a música apenas no piano – e provavelmente algum arranjo mais complexo viria junto – e parecia ainda mais cru, mais puro. Ela cantava a letra que falava sobre o convívio com aquele transtorno que tinha começado a fazer parte de sua vida há um tempo e que tinha se tornado sua companhia fiel de todos os dias, em alguns, na maioria deles, era silencioso e não fazia questão de aparecer, em outros, era totalmente avassalador e não a deixava em paz. Fosse nos pensamentos acelerados, no coração batendo rápido, no suor excessivo sem motivos, nos tremores repentinos... mas ela estava conseguindo lidar, ou pelo menos era o que acreditava estar fazendo.
No começo, quando os dias variavam muito e os remédios a deixavam muito sonolenta e fraca, tinha momentos mais difíceis, mas agora estava se adaptando melhor, tinha acompanhamento médico e começara a tratar daquilo como deveria.
Ao final da música, Davi estava olhando preocupado e tentando descobrir o que se passava por trás dos olhos claros e límpidos da irmã. Ela parecia totalmente bem, mas como ela mesma tinha cantado, por fora tudo parece bem e é muito fácil fingir um sorriso. Queria descobrir o que se passava na mente dela, em seu coração, porque ainda que aquele olhar mostrasse serenidade, provavelmente tudo por dentro estava uma bagunça.

- O que achou?
- Que você está sendo muito sincera e corajosa ao fazer esse desabafo. – Davi respondeu sincero. – É uma música linda mesmo, schnucki, triste, mas linda.
- Que bom que gostou.
- Como você está hoje?
- Bem. De verdade. – respondeu, deixando o banco do piano e indo se empoleirar no sofá ao lado do irmão. – Hoje o dia foi ótimo, bem produtivo e eu fiquei bem o dia todo. E ter você aqui, agora, faz com que tudo fique ainda melhor. Senti sua falta.
- Me promete uma coisa?
- Se eu puder cumprir...
- Não mente pra mim, nunca, tá? Quando as coisas estiverem ruins, me fala. Eu sei que não posso fazer muito, que não tem nada que eu possa fazer que resolva essa situação e tire de você essa ansiedade, mas o mínimo que eu puder fazer, eu quero fazer. Então não esconde a verdade de mim por sorrisos e esse tipo de coisa, tá?
- Tudo bem. – sorriu, assentindo. – Mas eu estou realmente bem hoje.
- Promete?
- Prometo.
- Ótimo, promessa não pode ser quebrada. – ele estendeu o mindinho para , que riu antes de enganchar o mindinho ao do irmão. – Agora voltamos pro sofá mais confortável e vamos aproveitar a sexta-feira à noite como bons irmãos que somos.
- Onde está sua futura noiva?
- Gravando em Dortmund.
- Então eu te aceito aqui nessa sexta-feira à noite, porque meu namorado está em Stuttgart e somos apenas dois irmãos abandonados em Munique. – fingiu tristeza, ficando de pé e puxando o irmão consigo.
- Você precisa me contar sobre suas férias, . – Davi falou enquanto saíam do estúdio. – Quero saber se posso sugerir essa viagem como destino da lua-de-mel pra minha digníssima.


Zehn


Julho de 2020

- O que você quer, ? – Shawn atendeu, fingindo má vontade, mas sorria.
- Oi, Shawnie, tudo bem comigo e com você?
- Estaria melhor se você não estivesse ligando pra me importunar.
- Não estou ligando pra importunar, seu idiota. Eu quero te pedir uma ajuda, mas já que você é tão chato, vou ligar pro Niall.
- Eu não estou nem ai.
- E postarei uma foto com uma legenda enorme sobre como ele é a melhor pessoa da minha vida e como eu o amo muito. – provocou, arrancando um rolar de olhos de Shawn.
- Em que posso ser útil, ?
- Ah, então você agora quer me ajudar? Interesseiro!
- Fala logo, . – Shawn riu. – Daqui a pouco a casa estará cheia e...
- Ah, péssima hora então. Eu ligo depois.
- ! – ouviu a voz de Maria Eduarda e logo a brasileira estava com o celular de Shawn em mãos e sorria para a alemã.
- Madu! Que saudades! Faz tempo que não conversamos.
- Inclusive, precisamos mesmo conversar! – a brasileira falou, olhando séria para a tela do celular.
- Tudo bem... eu fiz alguma coisa?
- Sim! Eu ainda não aceitei aquele pagamento!
- Maria Eduarda, já se passaram dois anos. Você já deveria ter superado.
- Você me pagou por um trabalho que eu não fiz!
- Não fez, porque eu, exclusivamente eu, não cumpri o contrato. – deu de ombros. – Você não teve culpa.
- E nem você!
- Não vou discutir com você sobre isso de novo. – deu de ombros, ignorando os olhares mortais que recebia da brasileira. – E acho bom você estar preparada pra minha próxima turnê, você será minha e o Shawn que lute, como vocês costumam dizer.
- Ah, mas vai discutir isso sim!
- Shawn, por favor, me ajude. – pediu, fazendo o canadense rir. – Sério, Madu, pode esquecer disso. Eu não vou aceitar nada de volta, então se você ainda não gastou esse dinheiro, gaste. Já se passaram dois anos, já deu tempo de gastar aquilo umas dez vezes!
- Eu não gastaria aquilo tudo em dez anos, , tenha bom senso. – Maria Eduarda resmungou, fazendo rir. – Vou receber o pessoal, continue conversando com o Quilômetro Em Pé.
- Ei!
– Shawn protestou, recebendo um beijo no rosto e o celular foi devolvido.
- Madu é a melhor.
- Eu sei. – sorriu bobo. – Então, em que posso ajudar?
- Anna já te contou sobre o EP, certo? – perguntou e ele assentiu. – Ótimo, depois conversaremos exaustivamente sobre isso. Agora eu preciso de ajuda num arranjo... estou com um problema em uma música e não consigo encontrar um jeito de acertar uma parte e isso está me deixando maluca, porque essa música precisa ficar perfeita.
- Conte mais.
- Ela se chama “Favorite Part of Me” e eu estou em dúvida sobre algumas coisas...
- “Favorite Part of Me”? – perguntou dando um sorrisinho implicante.
- Não fique sorrindo assim, seu estranho. – falou, petulante. – Preciso de ajuda num arranjo...
- Você está no estúdio?
- No da minha casa. – deu de ombros. – Preciso ir pra Stuttgart daqui a pouco e segunda-feira tenho que estar com essa música totalmente pronta, mas estou com uma dúvida enorme...
- Em que parte? – Shawn sentou-se no sofá da varanda de seu apartamento, olhando para a tela do celular.
- Vou colocar o celular em cima do piano e você vai olhar pro teto enquanto escuta a parte em que estou em dúvida, porque não consigo tocar e segurar o celular.
- Melhor do que olhar pra sua cara, claro.
- É no refrão. Vou tocar pra você ouvir. – deixou o celular sobre o piano, tomando cuidado de deixar o celular posicionado de forma que não abafasse o som, e começou a tocar o refrão como tinha ajustado. – Cause some people make me bitter, smile and then squeeze a lime in my cut, and some people make me sweeter, cause they make me feel like I am enough; and that makes me a giver, but my mom says I tend to give too much, and some people make me better and that's how I know my favorite part of me is you, my favorite part of me is you, my favorite part of me is you, my favorite part of me is you...
- Não gostei da transição que você fez na parte do “and that’s how I know my favorite part of me” pra chegar ao “is you”. – Shawn falou sério, quando pegou o celular de novo e apoiou no suporte de partituras. – Acho que não combinou e deixou sua voz meio distorcida.
- Estou tendo dificuldades justamente nessa parte, porque não quero que fique tão... reto, sem... emoção, entende? Não quero manter só no Ebm, Db e Gbmaj6, mas não consigo encaixar bem esse pedaço.
- Já tentou Ebmin7? – Shawn sugeriu, pensando um pouco mais antes de voltar a sugerir os acordes a usar. – E passa pra...Db, depois Abmaj6 e Bbmin7 e repete até terminar o refrão?
- Vamos ver... – falou, anotando a sugestão antes de voltar a tocar o piano apenas naquela parte e deu um sorriso enorme ao ver como pareceria muito mais sonoro com o que ela estava cantando. – Você é perfeito!
- Eu sei disso. – Shawn deu uma risada. – Repete o refrão todo pra eu ouvir, por favor.
- Dá pra usar assim até se eu não aumentar o tom da voz nessa frase. – ponderou antes de voltar a tocar o refrão. E o resultado com sua voz pareceu ainda melhor do que antes. – Eu já disse q...
- Meu. Deus. Do. Céu. – ouviram uma voz feminina e Shawn virou o celular para Becca e Olivia, paradas à porta da varanda.
- Becca e Liv sabendo da música nova? Isso é pior que o TMZ! – Shawn provocou, recebendo um dedo do meio por parte de Becca, mas Olivia continuava estática olhando para a imagem na tela do celular de Shawn.
- Acho que vocês estragaram minha namorada. – Becca deu uma risadinha, acenando sem jeito para a imagem de .
- Esqueci de mencionar, Liv é um pouco sua fã.
- Um pouco?
– Becca deu uma gargalhada. – Sinceramente, Mendes, você não sabe de nada. Se a terminar com o namorado, Liv é capaz de me largar e ir pra Alemanha pedi-la em casamento.
- E como ela ouviu o refrão de uma música nova que nem mesmo foi gravada, acho que a estragou mesmo sua namorada.
- Eu? – fingiu-se de ofendida. – Eu não fiz nada! Bom, Liv, por favor, finja que não ouviu isso até quando o álbum sair, pode ser?
Sem resposta, pois a mulher continuava encarando o celular de Shawn e a imagem da alemã que lá aparecia.
- Queria encontrar alguém que fizesse a Becca calar a boca ass...ai! – Shawn começou a dizer e tomou um tapa na nuca de Becca.
- Bom, vamos deixar vocês trabalharem, aguardamos as parcerias. – Becca falou, pegando a mão de Olivia e a cutucou de leve. – Amor, você está bem?
- É a , Rebecca, claro que eu não estou bem!
- Você vê o Shawn sempre, qual a surpresa?
– Becca deu uma risadinha. – Se bem que a é bem mais interessante.
- Eu concordo! – falou rindo e recebeu um rolar de olhos do canadense. – Mas, agora, vou desligar e me arrumar, porque tenho que ir pra Stuttgart e estou atrasada.
- Boa sorte com a gravação de “
, the album”
– Shawn provocou.
- Não posso colocar esse nome no álbum, você sabe disso, mas as músicas são quase todas pra ele mesmo e eu darei um jeito de ter um nome que dará a entender quem foi minha maior inspiração. – deu de ombros. – Obrigada pela ajuda, Shawnie. Mande beijos pra todos e diga pra Madu gastar logo o dinheiro.
- Obrigado pela confiança, , aguardo a postagem com uma legenda enorme dizendo que me ama e eu sou foda.
- Leonino. – soltou uma risadinha antes de acenar em despedida e desligar.

Anotou as mudanças na partitura, executando toda a música para sentir a diferença da alteração feita e conseguiu mudar uma outra parte, tornando-a mais sonora e deixou um post-it preso com uma anotação de talvez inserir um violino ao fundo no final do refrão. Pensaria naquilo na segunda-feira, por enquanto precisava apenas tirar o pijama e pegar a estrada se quisesse chegar em Stuttgart antes do fim do dia.

🎤 🇩🇪 ⚽️


- ... tá tudo bem? – perguntou do lado de fora do banheiro, batendo levemente na porta.
- Sim, tudo bem. – ela respondeu com a voz fraca.
- ...
- Está tudo bem, . – respondeu, ainda debruçada sobre o vaso sanitário. – Comi algo que me fez mal, meu estômago está me matando desde a madrugada.
- Precisa de um remédio?
- Se você puder conseguir algo pra enjoo, algo pro fígado também seria bom.
- Fígado?
- É, pode ser que meu fígado teve algum problema com a parte da digestão e isso que está me deixando mal. – deu de ombros, mas depois se deu conta de que ele não veria nada.
- Vou na farmácia e já volto. Por favor, não faça nenhum esforço, tudo bem?
- Tudo bem. – respondeu sentindo-se ainda mais nauseada, mas nem forças para vomitar tinha mais.

Sentou-se no chão gelado, encostando-se na parede em frente ao vaso e respirou fundo, sentindo-se novamente nauseada e como se pudesse colocar todos os órgãos para fora. tentava recordar-se do que podia ter comido e que tivesse lhe feito tão mal. Provavelmente tinha sido o hamburguer que comeram no dia anterior, ela tinha sentido o gosto estranho e achado que estava tudo muito gorduroso, mas comeu mesmo assim.
O mero pensamento fazia com que ela sentisse vontade de vomitar mais. Resolveu tomar um banho e tentar relaxar um pouco. voltaria logo com o remédio e ela ficaria bem, ficou de pé bem devagar, deu descarga após abaixar a tampa do vaso e despiu-se sem muita pressa.
Queria tomar banho de banheira, mas muita água agitando-se ao seu redor não faria bem para as náuseas, então tomou um banho rápido no chuveiro mais frio, escovando os dentes para tirar aquele gosto horrível da boca e logo estava na cama, usando uma camisa dele e embaixo de um edredom.

- Amor, o que você está sentindo? – perguntou assim que entrou no quarto com os remédios e um copo de água.
- Meu estômago está revoltado. – resmungou, sentando-se. – Minha cabeça começou a doer um pouco também.
- Será que foi o hamburguer de ontem?
- Eu estou considerando essa hipótese. – respondeu, pegando os comprimidos e a água, tomando tudo e voltando a se deitar.
- Se você vomitar mais, eu vou te levar ao médico. Você está pálida.
- Só preciso dormir um pouquinho, , pode ficar tranquilo. Foi só o hamburguer.
- Pode ser... mas vou ficar por aqui, caso você precise de algo.
- Mas e se for uma virose? – se escondeu debaixo do edredom antes de falar.
- Na saúde e na doença...
- Não somos casados, queridinho. – ela soltou uma risadinha fraca.
- É um mero detalhe, resolveremos isso em breve.
- Ah é?
- Sim, mas eu estou falando sério sobre te levar ao médico.
- E eu estou falando sério, se for uma virose, você vai ficar doente. Vá tomar um banho e ficar longe de mim.
- E eu estou falando mais sério ainda sobre ficar te fazendo companhia.
- Tudo bem, mas se você ficar doente eu vou te deixar sozinho. – respondeu, tentando soar desaforada, e deu uma risadinha, deitando-se ao lado dela.
- Eu duvido.
- Eu também, mas era pra você fingir que acreditava. – resmungou, afundando-se ainda mais sob o edredom. – Agora eu vou dormir.

não respondeu, apenas ficou deitado na cama ao lado de , que pouco depois já estava dormindo. Ele a observou por um tempo antes de acabar dormindo também.

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- ... – ouviu a voz de e soltou um resmungo pouco satisfeito por ser acordada. – Você tem que comer.
- Não quero. – respondeu com a voz rouca e segurou o edredom quando ele tentou tirá-la da cama.
- Vou ligar pra sua mãe.
- Não ouse.
- Então come, por favor. – pediu e tirou o edredom do rosto e o olhou.
- Eu já estou melhor, mas estou sem fome.
- Então não está bem. – falou preocupado. – É uma salada, meine Liebe.
- Mas eu não quero... – falou num tom mimado e deu uma risadinha antes de sentar-se na beirada da cama e fazer um carinho em seu rosto.
- Só um pouquinho...
- O que você não me pede sorrindo que eu não faço chorando? – falou, fazendo sorrir.
- Ada chega amanhã, não é?
- Sim, mas acho que quem vai buscá-la no aeroporto é a Anna, ela fica lá em casa, mas acho que ela combinou com a Anna sobre isso de buscar no aeroporto.
- Vou te deixar em casa amanhã quando eu chegar do treino.
- Eu já estou bem,
, pode ficar tranquilo.
- Vamos ver... – respondeu, observando o rosto ainda pálido de . – Agora vem, vamos comer.
- Tudo bem. – resmungou, demorando-se propositalmente para sair da cama e a puxou para que ficasse de pé e a abraçou, sendo abraçado da mesma forma apertada e dando uma risada pelo nariz enquanto se aconchegava cada vez mais em seu abraço.
- Acho que vou te sequestrar e pedir um resgate alto demais pra qualquer pessoa pagar e você terá que ficar aqui pra sempre. – brincou, fazendo rir abafado por estar com o rosto escondido.
- Por mim tudo bem, mas vem me buscar e te dar uns socos.
- Certo, sem sequestros. Mas eu gostaria muito.
- Eu também, mas preciso trabalhar e você também.
- Primeiro preciso alimentar o alien que está na sua barriga. – falou quando o estômago dela roncou e arregalou os olhos, mas sem olhá-lo.

Será?
Sua cabeça tinha ficado mais confusa do que ela gostaria naquele momento e a noção de tempo lhe falhou, mas tudo podia dizer que sim. Sua menstruação nunca tinha sido muito regulada, então ela não poderia ter certeza de nada sem algo pra confirmar, um teste de farmácia ou um de sangue. Queria pedir um a , mas se estivesse mesmo grávida preferiria fazer uma surpresa, contar de um jeito fofo que estava grávida do alien deles.
Precisava ir pra casa e fazer tudo isso sozinha, ninguém além dela poderia saber, então sem chances de comprar um teste de farmácia, porque antes de chegar ao caixa já teria uma porção de fotos na internet. O mais seguro e sigiloso seria marcar uma consulta com sua médica e fazer um exame de sangue. Então teria que se segurar até o dia seguinte e precisaria mesmo ir embora. Antes até conseguiria negociar com Anna a gravação do dia, mas agora... agora precisava mesmo ir embora e ter certeza de que eles iam mesmo iniciar uma família.

- Você está me ouvindo? – perguntou, soltando-se do abraço e olhando para .
- Estou esperando você me deixar ir comer,
. – desconversou, fazendo rolar os olhos.
- É, já está melhor mesmo.

não comeu muito, primeiro por estar com o estômago estranho e, segundo, por estar pensando sobre a possibilidade de estar mesmo grávida. Queria não estar pesando os prós e contras daquilo, mas era mais forte que ela. Muito mais. E isso parecia fazer seu estômago ficar ainda pior e quase não teve tempo de correr da mesa até o banheiro do corredor.
, preocupado, seguiu logo após pelo mesmo caminho que tinha feito e ficou esperando do lado de fora, seria invasivo demais entrar no banheiro e sabia que ela preferia que ele não entrasse lá. Do lado de dentro, colocava pra fora todo o pouco almoço que tinha consumido, estava mesmo ficando fraca e constatou isso sentindo as mãos tremerem enquanto se apoiava no vaso. Outro bom indicador era o suor frio que brotava de sua pele.

- Bom, Reneesme, você tem que me deixar ter um pouquinho de força. – falou bem baixo, de olhos fechados, e cabeça apoiada na parede.
- ... está tudo bem?
- Na medida do possível. – respondeu e abriu uma fresta da porta, sem entrar no cômodo.
- Toma um banho, vou te levar no hospital.
- Não precisa. – fez uma careta, franzindo o nariz. – Eu já estou bem.
- Bem pálida e com cara de quem ainda vai ficar pior do que já está. – falou preocupado, abrindo mais a porta e parando no batente. – Se for uma intoxicação alimentar nós precisamos dar um jeito nisso logo.
- Se fosse intoxicação alimentar, você também estaria passando mal.
- Talvez eu demore um pouquinho mais pra ter os sintomas, nunca se sabe.
- Por ser um atleta? – perguntou, fingindo um tom debochado, e se aproximou, abaixando-se perto dela.
- É sério, , vamos ao médico. Estou preocupado, você está muito pálida e isso pode ser mais do que apenas um sanduíche que caiu mal.
- Não acho que seja. – respondeu, respirando fundo e tentando acreditar naquilo tanto quanto queria que ele acreditasse. – Mas se eu não melhorar até amanhã, vamos ao médico.
- , não dá pra passar mais de um dia inteiro com você assim. Tenho certeza que você não vai querer comer o resto do dia e isso não pode acontecer.
- Eu estou bem, acho que agora já acabou tudo que precisava sair. – respondeu, dando um sorriso se mostrar os dentes, e suspirou derrotado.
- Se você vomitar mais uma vez eu vou te levar ao hospital nem que seja amarrada.
- Prefiro ir de forma civilizada,
. Mas agora me ajude a levantar. – pediu e mais que depressa ficou de pé e a ajudou a se levantar.
- Você está fria.
- Você pode me deixar sozinha pra lavar a boca e dar um jeito na minha própria cara, por favor? – pediu e ele assentiu, mas ainda permaneceu por alguns segundos observando atentamente o rosto da namorada.

Quando saiu e fechou a porta, apoiou-se na pia e se olhou no espelho. Estava mesmo com uma cara péssima e pálida, mas tinha passado o dia sem comer, basicamente, então tinha mesmo que estar com aquela feição. Inevitavelmente seu olhar focou em sua barriga. Não parecia muito diferente do habitual, ainda que ela estivesse comendo bastante ultimamente, tinha adquirido uma “barriga de macarrão”, como sua mãe costumava dizer quando ela era menor e comia muita massa.
Mas ela teria percebido se estivesse grávida... não perceberia? Não sabia. Sempre tinha se perguntado isso, mas era algo bem difícil de saber assim. Ela precisaria de uma confirmação científica, o que ficaria para o dia seguinte, por enquanto apenas lavaria o rosto, a boca e tentaria comer algo que não lhe fizesse vomitar mais, ou seria mesmo capaz de amarrá-la e levá-la para o hospital.
tinha ajeitado a cozinha nesse meio tempo e estava no sofá, olhava um tanto preocupado na direção do banheiro e continuou olhando da mesma forma quando foi sentar-se a seu lado.

- Você precisa comer.
- Podemos deixar isso pra mais tarde? – perguntou, aconchegando-se ao lado dele.
- Claro. Vou te fazer uma sopa de legumes.
- Que amorzinho. – sorriu, recebendo um abraço desajeitado. – Vamos assistir alguma coisa.
- O que você quer ver?
- As Quatro Vidas de um Cachorro.
- Não quero chorar, . – falou sério, fazendo dar uma gargalhada e olhá-lo.
- Você não existe.
- Vamos assistir algo que não vá me fazer chorar, por favor.
- Então escolhe alguma coisa. – deu de ombros. – Aceito bons filmes sem problemas.
- De Volta Para o Futuro.
- Já falei que te amo hoje?
- Sim, mas pode repetir, eu amo ouvir. – piscou e deu um sorriso.
- Eu te amo. Muito.
- Eu também te amo, . – respondeu, abraçando-a novamente e aconchegando em seu abraço.

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- Eu estou bem melhor, amor, posso dirigir pra casa sem problema. – falou enquanto comia um pedaço do bolo que tinha feito no dia anterior.
- Não confio nisso, espere eu voltar do treino e eu te levo pra casa.
- Não precisa, você vai estar cansado e terá que acordar bem mais cedo pra vir de Munique pra cá, então você fica e eu vou dirigindo meu carro sem problemas.
- Amor...
- Sério, . – o envolveu com as pernas quando ele parou à sua frente. – Eu estou bem. Vou buscar Ada e passaremos um dia ótimo juntas em casa, qualquer coisa eu te ligo.
- Tudo bem. – resmungou, fazendo um carinho na bochecha de . – Você dormiu bem?
- Muito. Provavelmente foi só uma má digestão do hambúrguer mesmo, bonitinho, já está tudo sob controle.
- Assim espero. – resmungou. – Agora pare de comer e me deixe te beijar, porque vamos ficar muitos dias sem nos ver agora.
- Nem me lembre disso. – resmungou antes de deixar o pequeno pedaço que ainda restava do bolo sobre o prato e tomou um gole grande e generoso de suco. – Pronto, agora minha boca está menos cheia de comida.
- Você é muito estranha.
- Sou, mas você me ama mesmo assim e isso é o que importa. – respondeu num rompante, fazendo rir.
- É, realmente.
- Então você faça o favor de me beijar e ir treinar, não quero que você tome multa por atraso. – falou, envolvendo o pescoço de e ele sorriu antes de beijá-la.

O beijo não durou muito tempo e nem tinha uma conotação dúbia, apenas um beijo de “até daqui alguns dias” e depois de voltar a olhá-la de forma preocupada, depositou um beijo na ponta do nariz de , pegou as próprias coisas e saiu. E já tinha todo seu plano em mente: buscaria Ada e as duas iriam para o médico, mesmo que a amiga precisasse de boas horas de sono para descansar da viagem.
E foi o que aconteceu. dirigiu pelas duas horas e meia que a separavam de Munique e foi direto para o aeroporto. Bob a mataria se algo acontecesse, mas ela não queria ter que ir acompanhada de seguranças, então apenas tentou não ser vista, estava num canto, usando roupas normais, mas com óculos escuros e um boné virado pra trás e que fazia com que ela se parecesse uma pessoa comum e não uma artista.
Ada estava confusa enquanto arrastava o carrinho com as malas. Estava com sono e todas as letras formando aquelas palavras estranhas deixavam toda sua ansiedade e nervosismo ainda piores. Precisava de boas horas de sono e de um bom café. a viu rápido e se aproximou, de cabeça baixa, até que estivesse visível, e acenou.

- Como vocês conseguem ler esse monte de letras estranhas juntas? – Ada perguntou, abraçando .
- É bem fácil, na verdade. – deu de ombros, brincando. – Como foi a viagem?
- Longa, mas tranquila. Eu dormi boa parte do caminho, quando não estava surtando um pouco por estar vindo pra Alemanha te ver e cantar com você.
- Supere isso, por favor. – riu. – Você se importa de ir comigo ao médico?
- Você está bem? – Ada perguntou preocupada enquanto começavam a caminhar para o estacionamento.
- Sim, só uma consulta de rotina. – mentiu.
- Tudo bem. – Ada deu de ombros e olhou um pouco incrédula quando viu o carro em que estava. – Você está falando sério que não tem uma nave espacial? Ou, sei lá, uma Ferrari?
- Eu tenho, mas como eu estou tentando não ser vista, preferi vir nesse meu carro de situações que requerem discrição. – riu, abrindo o porta-malas e colocou a bagagem dentro e as duas logo estavam tomando seus assentos no carro.
- E como você está? – Ada perguntou, afivelando o cinto enquanto dava partida no carro.
- Estou bem. Tive um mal estar esse fim de semana por causa de um hambúrguer que comi, mas fora isso eu estou ótima.
- Tem certeza que foi um hambúrguer? – Ada perguntou, dando uma risadinha.
- Estamos indo confirmar isso, na verdade. – respondeu. – Marquei uma consulta de urgência pra saber.
- Você não pode estar falando sério! – Ada a olhou assustada. – Eu não posso ser a primeira pessoa a saber disso, ! Pelo amor de Deus! Eu nem sei se tenho roupa e emocional pra lidar com esse tipo de notícia!
- Tudo bem, você fica do lado de fora do consultório e só ficará sabendo quando eu contar pro .
- Espera, vamos conversar sobre isso primeiro e não tomar uma decisão tão precipitada assim. – Ada falou, fazendo gargalhar. – Eu estava brincando...
- Imaginei.
- E como você está com essa possibilidade?
- Um pouco apavorada e com medo, mas a maior parte de mim está muito feliz e ansiosa pra que seja verdade.
- Será que se eu morrer agora eu consigo reencarnar e ser esse bebê? Poxa, que criança de sorte!
- Primeiro que nem sabemos se tem mesmo um bebê. E, segundo, se você morrer e não cantar comigo, eu te proíbo de reencarnar sendo meu bebê.
- Tudo bem, tudo bem... – resmungou enquanto colocava o carro no estacionamento da clínica.

As duas saíram e as palavras em alemão que eram ditas deixavam Ada um pouco receosa sobre o conteúdo das conversas – e aquele tom de voz chegava a ser quase ofensivo! – e apenas tirou algumas fotos de com fãs que pediram, e logo as duas estavam num corredor, sentadas em um sofá confortável e esperavam pelo chamado. As mãos de suavam e ela estava tremendo de ansiedade. Seu estômago tinha voltado a dar voltas e mais voltas e ela queria se acalmar, mas não conseguia parar de pensar em todas as possibilidades daquele momento.
Quando seu nome foi chamado, ela ficou de pé num rompante que fez com que tudo escurecesse por um breve segundo e voltasse ao normal, odiava que sua pressão fizesse aquele tipo de coisa.

- E o que te traz nesse rompante até aqui hoje, ? – a médica perguntou quando estavam as três na sala.
- Uma suspeita. – soltou uma risadinha nervosa. – Eu até queria ter marcado uma consulta com minha ginecologista, mas a agenda dela está lotada e eu não posso usar da minha fama pra atrapalhar as consultas alheias, então marquei com você e espero que você não me odeie por ser minha segunda opção. Enfim, passei muito mal esse fim de semana, venho comendo mais do que o habitual e como nunca tive uma menstruação regulada, estou com dúvidas sobre estar ou não gerando um serzinho.
- Isso seria ótimo. – a mulher sorriu. – Vou pedir um exame de medição do hormônio beta-HCG e já que você está aqui, vou pedir outros só pra ter certeza de que está tudo bem.
- Ótimo. – respondeu sorrindo. – E, desculpa pela falta de educação, essa é minha amiga Ada. Ada, essa é a doutora Eva Bourroul, que me acompanha desde minha crise, há dois anos.
- É um prazer conhecê-la. – a médica falou num inglês carregado de sotaque e depois voltou a escrever o pedido de exame, entregando a folha para logo em seguida.
- O prazer é todo meu.
- Faça o exame, vai demorar duas horas pra ficar pronto, eu pedi prioridade com urgência, então talvez demore um pouco menos, você faz e espera que eles vão me mandar direto no computador e eu te chamo. – orientou e as duas ficaram de pé, saindo da sala.
- Vocês falam um idioma muito passivo-agressivo. – Ada falou baixo enquanto as duas seguiam pelos corredores até o local da coleta de sangue.
- Muito. – sorriu. – Mas não é tão difícil quanto parece.
- Pra mim parece muito difícil.

O exame de sangue foi feito sem demora e por ter um pedido de prioridade e urgência que o acompanhava, o resultado ficaria pronto em menos de duas horas. e Ada voltaram para a pequena sala de espera e, por sorte, as outras pessoas não pareciam tão interessadas na presença das duas.
Ada aproveitou para mandar mensagens assegurando todos de que tinha chegado bem e que estava com naquele momento e que as conversas ficariam para outro momento. Tudo bem, eles estavam todos indo dormir, mas não interessava, ela queria deixar claro.
Por uma hora e meia as duas conversaram sobre coisas banais e foi a forma mais rápida de fazer o tempo passar até que o nome da alemã foi chamado e as duas voltaram rapidamente para o consultório, tomando os lugares à frente da médica, que anotava alguma coisa e permaneceu em silêncio por breves segundos que mais pareceram horas para .

- Acho que não tenho uma boa notícia pra te dar. – a mulher falou séria. – Infelizmente você não está grávida, o hormônio está normal e não há nenhum indício de gravidez.
- Ah...
- E você está com uma alteração apontada no exame de sangue. Liguei pra ambulância e eles vêm te buscar daqui a pouco, vamos precisar acompanhar de perto e você vai precisar ficar internada.


Elf


- Davi, acho que você só esqueceu de ligar pro TMZ. – falou debochada, fazendo o irmão lhe mostrar o dedo do meio quando entrou no quarto. – O que você está fazendo aqui?
- Como você está, ? – ignorou a pergunta, aproximando-se e a olhando preocupado. – Eu sabia que tinha algo errado com você!
- É apenas uma alteração metabólica, , algo simples, mas querem que eu fique aqui pra acompanharem de perto. – deu de ombros.
- Isso parece sério pra mim. – falou preocupado. – Principalmente por você ter que ficar aqui.
- Apenas pra acompanharem com exames nessas primeiras horas de diagnóstico. – voltou a dar de ombros. – Você deveria ter ficado em Stuttgart.
- Lembra quando você viajou por um dia inteiro pra me ver quando eu estava no hospital?
- São coisas diferentes.
- Não são diferentes, . Eu daria uma volta inteira no universo pra estar com você, então não são duas horas e meia de estrada que me atrapalharão.
- Essa foi a coisa mais linda que eu já ouvi na vida. – Ana Beatriz falou, dando um suspiro apaixonado. – Amor, vamos comer alguma coisa?
- Eu não estou com fo... Ai! Tudo bem, vamos comer. – Davi concordou depois de tomar um beliscão pouco discreto da namorada.
- Vamos também. – Mia falou, dando um sorriso pequeno e puxando o marido pela mão para que a acompanhasse.
- Desculpa a falta de educação gente, boa noite. – falou com os outros quatro, que deram sorrisos e responderam o cumprimento antes de saírem do quarto e deixarem os dois a sós. – Ada está apagada?
- Você pode levá-la pra casa quando for embora?
- Eu não vou embora, . Vou ficar aqui com você.
- Nada disso. Você precisa treinar amanhã e não necessidade ficar aqui, eu estou bem.
- Você está num hospital, a última coisa que você está é bem. – deu uma risadinha.
- Deita aqui. – pediu, dando espaço para que ele deitasse ao seu lado.
- Não cabemos nessa cama. – deu uma risadinha, tirando os tênis antes de deitar ao lado de .
- Já ficamos assim em duas camas de hospital, meu amor, claro que cabemos. – ela deu uma risadinha, abraçando o corpo dele do jeito como podia. – E posso ficar bem pertinho de você, o que é melhor ainda.
- Não tem nem vinte e quatro horas desde a última vez que te vi e parece que faz um milênio.
- Quanto mais a gente se vê, com mais saudade ficamos quando temos que nos separar.
- Você fez algo hoje ou só hospital o dia todo?
- Só hospital o dia todo. E você, como foi seu dia?
- Pesado, treino muito intenso hoje, o Matarazzo não nos deu folga e estendeu o treino até quase o fim da tarde. Só vi a mensagem do Davi quando sai do banho e vim o mais rápido que consegui.
- Não precisava, mas eu agradeço que tenha vindo.
- Avisei que talvez eu atrase amanhã, expliquei a situação, ele disse que tudo bem, pra eu ligar e avisar se precisar me ausentar.
- Não precisa disso, , você pode treinar sem problemas. Amanhã devo receber alta.
- Duvido que te liberem com menos de quarenta e oito horas.
- Não faço ideia do que vocês estão falando, mas vocês são muito bonitinhos. – Ada falou, fazendo virar sua atenção para a amiga, que estava sentada no sofá e sorria para os dois.
- Parece uma briga falando baixo, não parece? – deu uma risadinha, fazendo Ada concordar.
- Oi , como você está?
- Oi Ada. – respondeu, sorrindo simpático. – Eu estou bem. E você?
- Eu também estou bem. Só um pouco preocupada com a , claro, jamais imaginei que seria eu quem estaria com ela num hospital, mas foi tão suave quando ela contou que eu quase não acreditei e achei que era brincadeira, mas estamos mesmo num hospital! E que hospital ótimo, parece aqueles de seriado, estou impressionada.
- Ele parou de entender no “eu também estou bem”. – falou rindo. – Enfim, eu estou bem, não precisa se preocupar. Inclusive, Davi vai deixá-la lá em casa hoj...
- Anna me mandou mensagem e disse pra eu ficar lá enquanto você estiver aqui. – Ada interrompeu e assentiu.
- Faz sentido. Você precisa descansar de verdade, aposto que o jet lag ainda está te matando e dormir nesse sofá não ajudou muito.
- Esse sofá é mais confortável que a minha cama, se você quer saber a verdade. – Ada deu uma risadinha. – Vou embora apenas porque vai ficar e eu não quero segurar vela.
- Devo sair amanhã, então nós poderemos começar a arrumar os arranjos da nossa música depois de amanhã.
- Tenho todo tempo do mundo pra você, .
- E pra cuidar do seu EP também. – deu um sorriso e Ada sorriu de volta.
- Vou ligar pra Anna e pedir pra ela me mandar um Uber.
- Eu peço aqui, mas suas malas estão no meu carro... Quer ir com ele?
- Não existe a menor possibilidade de eu dirigir seu carro em um país onde eu não entendo absolutamente nem meia palavra do que é dito.
- Certo, certo... Davi ou Bea podem te levar, porque esse daqui vai passar a noite aqui me atormentando e meus pais moram do outro lado da cidade.
- E onde estão todos?
- Resolveram ir comer pra deixar e eu a sós... quer dizer, não a sós né, porque você estava apagadíssima.
- Eu estava mesmo. – Ada deu um sorriso satisfeito, bem quando os outros quatro retornaram.
- E por que não veio ainda? – perguntou e Davi deu uma risadinha.
- Ela chegou, está lá embaixo com Ian e quer subir, mas somos muitos e estão impedindo.
- Então é hora de dar tchau, schnucki. – falou, fazendo Davi dar um sorriso e assentir. – Você pode dar uma carona pra Ada até a casa da Anna? No meu carro, claro.
- Claro. – Davi sorriu.
- , se precisar de alguma coisa, me ligue. – Bea falou, debruçando-se para dar um beijo demorado no rosto da cunhada.
- Ligo sim, obrigada por terem vindo.

O quarto se esvaziou após as despedidas dos pais, do irmão e de Ada, que prometeram ligar no dia seguinte e por alguns minutos foram apenas os dois.

- Como você ficou sabendo que estava com essa disfunção metabólica?
- Ontem, quando você falou que precisava alimentar o alien que estava na minha barriga me fez pensar que talvez tivesse mesmo alguma coisa crescendo aqui... – falou num tom cauteloso e a olhou um pouco surpreso.
- Você...
- Não. – suspirou. – Infelizmente não.
- Ah...
- Eu vim pra Munique cedo pra vir ao médico, porque eu queria confirmar. Podia ter ido a uma farmácia, mas teria fotos pela internet antes mesmo que eu chegasse ao caixa, então preferi vir ao médico, porque se eu estivesse mesmo grávida, poderia te dar a notícia em primeira mão. Minha ginecologista não tinha horário, então marquei com urgência no endocrinologista, porque um exame de sangue confirmaria a suspeita... eu fiz o exame e o resultado foi uma pequena disfunção metabólica, não sei explicar, mas ela me internou pra um acompanhamento bem de perto.
- Eu sinto muito, amor. – falou, olhando nos olhos de .
- Eu mais ainda. – suspirou. – Mas tudo bem, não é mesmo o momento de termos um filho, na hora certa isso vai acontecer.
- Vamos ter essa chance no tempo certo. – sorriu. – Você voltou a passar mal?
- Não, eu estou realmente bem. Consegui comer sem sentir enjoos, mas parece que eu estava comendo muito mais do que o normal por causa dessa disfunção e como nós comemos muita comida processada, não ajudou muito.
- Eu fiquei muito preocupado quando vi a mensagem do Davi, achei que tinha sido algo muito sério como daquela vez. – suspirou, fazendo um carinho no braço de . – Vim tão rápido que provavelmente tomei um monte de multas.
- Não tinha essa necessidade, amor.
- , entenda, tudo que envolve você, sua saúde e seu bem estar são de extrema necessidade e importância pra mim.
- Você não existe. – soltou uma risadinha, aninhando-se ao abraço de e ele lhe fez um carinho.
- Sei que você está triste, bonitinha, foi uma frustração não ser o que você queria e ter que ficar sob observação também não ajuda, mas ainda essa semana você volta pro estúdio pra terminar a gravação, tem amigas por perto e vai conseguir terminar tudo como quer. Ainda não era hora, teremos nosso momento e não precisamos ter pressa, as coisas têm seu próprio tempo.
- Você precisa parar de ser tão fofo e maravilhoso. Não aguento mais me apaixonar por você cada dia mais. – resmungou, escondendo o rosto no pescoço de , que deu uma risada nasalada e a abraçou.
- Eu não poderia ser nada diferente disso, . E posso dizer o mesmo, todos os dias eu me apaixono por você um pouco mais. E é ótimo.

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- Ficou simplesmente perfeito! – Anna falou animada no microfone, fazendo-se ouvir para e Ada. – Vocês foram feitas para cantar essa música juntas.
- Quero ouvir. – pediu, fazendo beicinho.
- Não caio nessas carinhas fofas, . – Anna respondeu rindo. – Mas, escutem.

Anna soltou a gravação para as duas ouvirem. Passaram uma semana inteira para conseguir fazer os arranjos na música, corrigir métrica e ajustar a sonoridade das vozes juntas. Todas as vezes em que pareciam estar chegando perto, achava um defeito, mínimo ou inexistente, e isso as levava novamente para o começo. E isso tinha acontecido em todas as outras músicas. Em todas elas. Inventava defeitos, achava coisas inexistentes para querer mudar e reiniciar as gravações.
E lá estava ela, de novo, com uma ruga entre as sobrancelhas, aquela ruga que já estava quase enlouquecendo Anna.

- , pare com isso. – Anna interrompeu a música e abriu os olhos, virando para olhar para a amiga sem entender. – Não há absolutamente nada de errado nessa música, então pare.
- Eu nem falei nada.
- A ruga na testa te entregou. – Ada apontou para o local e soltou uma risadinha nasalada, tirando os fones e saindo do estúdio.
- Desculpa. – pediu, sentando-se em uma das poltronas, e suspirou. – A culpa é do meu signo.
- Ser virginiana não te dá desculpas pra ser doida. – Anna falou em tom bem humorado.
- Mas ter lua e ascendente em gêmeos dá.
- É... é preciso concordar. – a teuto-brasileira respondeu, rindo. – Mas é sério, . O álbum está perfeito. Amo que você também seja perfeccionista e que goste de corrigir todos os detalhes, mas tá dando pra ver que você está fazendo isso pra adiar o fim das gravações e adiar a reunião pra definir datas. Não faça isso. Todo mundo sabe que você está louca pra voltar a cantar, seus fãs estão ansiosos por esse lançamento e você também está bastante animada pra isso, porque se não estivesse, não teria escrito essas coisas todas em tão pouco tempo.
- Confie em você, , você é fucking ! – Ada falou, já sentada perto de . – Eu ouvi as músicas e, sinceramente, não existe nenhum outro álbum que será páreo pra te tirar do primeiro lugar de todos os charts do mundo.
- E, por falar nisso, quero avisar que essa foi a última música do álbum e que vou encerrar a gravação e já mandar pra produção.
- Já? – perguntou quase sofrida.
- Sim. O EP já está basicamente resolvido, só precisamos do Shawn mesmo, falta só Never Be Alone, mas já avisei que ele está devendo uma visita ao afilhado e que pode aproveitar pra vir gravar com você.
- Zayn também precisa vir, porque temos que gravar Good Years.
- Têm? – Ada e Anna perguntaram ao mesmo tempo.
- Sim. Tenho certeza que falamos disso com você, Anna Schulte!
- Eu ignoro a maior parte das coisas que vocês dois falam comigo quando estão juntos.
- Pois é, ainda temos que gravar isso.
- Duas músicas com Zayn? – Anna deu uma risada. – Niall vai mandar te deserdar. E o Harry vai perguntar se você tem algum problema contra o resto da banda.
- Se ele quiser, podemos fazer um cover de Sweet Creature. Ou de Falling.
- Nem vou oferecer, já cansei de você. – Anna brincou. – Mas, então, nosso trabalho aqui está encerrado.
- Tem certeza? Não pod... – foi interrompida por Anna enviando as músicas e dando um sorriso como quem respondia que não, não poderiam mais nada. – Tudo bem.
- Então estou liberada e posso ir ver meu namorado que está me esperando em casa?
- Esse negócio de segurar vela é péssimo, mas se for pra eu gosto muito. – Ada falou, dando um sorriso.
- Também acho. – Anna concordou. – Eles são muito bonitinhos, acho uma graça a forma como se olham.
- E como conversam. – Ada piscou repetidamente, fazendo rir alto. – Ele sabe que esse álbum é todo pra ele?
- Não todo. Tem duas músicas que são sobre minha ansiedade e eu e tem a da Heidi.
- Sim, mas as outras dez são sobre ele.
- Ele deve imaginar. – deu de ombros. – Ou não, porque é meio tapado.
- Você já decidiu o nome do álbum?
- Já. – sorriu. – Geborgenheit.
- Agora em um idioma em que eu entenda. – Ada pediu, fazendo as outras duas rirem.
- Geborgenheit, numa tradução absolutamente literal seria apenas “segurança”, mas nós usamos como uma expressão aqui na Alemanha e diz respeito à sensação de segurança e bem-estar que uma pessoa ou lugar nos dá, como se nada no mundo pudesse nos atingir quando estamos com essa pessoa ou nesse lugar. E é exatamente como eu me sinto com ele, em segurança. Eu sei que se eu cair, se algo me acontecer, ele é meu lugar seguro, minha casa, meu geborgenheit.
- Posso ser filha de vocês? – Ada perguntou, olhando admirada para . – Sério. Vocês são fofos demais!
- A parte fofa sou eu, ele é um ogro. – riu. – E sim, pode.
- Agora é a hora em que vamos embora, porque amanhã a senhorita tem reunião de equipe de manhã, senhorita . – Anna falou, ficando de pé. – E eu tenho duas crianças me esperando em casa.
- Eu só tenho uma boa noite com minha amiga Adaline.
- Você não disse que estaria lá?
- Só queria ver você falando sobre segurar vela pra gente. – riu. – Nos veremos amanhã de manhã.

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deu um sorriso ao ver a mensagem de dizendo que a reunião tinha sido um sucesso, que as datas estavam definidas e que o EP seria finalizado em breve, porque Madu iria tirar as fotos do álbum e Shawn aproveitaria a viagem para gravar o dueto. Além disso, assegurou que ela e Ada estariam lá para o primeiro jogo da temporada, claro.
Ela parecia muito animada, mais do que tinha soado naqueles últimos dias antes da internação e depois de sair do hospital, setenta e duas horas depois. Ele mesmo tinha presenciado querer refazer músicas que estavam perfeitas, não apenas em sua opinião de fã, mas na opinião especialista de Anna. Saber que estava tudo finalizado e que datas estavam definidas era uma excelente notícia.

- E então, vai ficar olhando pro celular feito um idiota ou vamos jantar essa comida que você disse ter feito sozinho? – Ute perguntou, atrevida, fazendo rir.
- Claro, eu estava apenas esperando você sair do seu banho eterno pra podermos comer.
- Se isso estiver ruim, eu vou passar com meu carro por cima de você. – Ute ameaçou, fazendo rir.
- Não prometo que será a melhor comida que você já provou na vida, porque é impossível superar a Mama, mas é razoável. gosta.
- Ou ela mente pra não te magoar. – Ute implicou, tomando um lugar à mesa e deixou o celular sobre o balcão antes de tirar a travessa de lasanha do forno e colocar sobre a mesa, junto com a salada mediterrânea que aprendeu na ida à Marselha.
- Não é lá a refeição mais elaborada e mais deliciosa que você vai provar, mas é comestível, eu juro. ama essa lasanha de ragu e essa salada é realmente muito boa.
- Cheiroso está... – Ute falou. – Espero que tenha sobremesa.
- Eu fiz, mas não garanto que ficou bom... peguei a receita na internet e espero que tenha ficado comestível.
- Vou provar sua lasanha e só então saberemos como essa noite será...
- Não esqueça que eu ainda sou um iniciante e seja menos crítica, Maria Groß*. – implicou, fazendo Ute dar uma risadinha antes de se servir com um pedaço da lasanha e encarar com curiosidade a aparência.
- Você tem certeza que não tem carne nisso, ? – Ute olhou para o irmão, que estava se servindo, e ele assentiu.
- Não como carne mais, jüngste.
- Isso parece carne.
- Mas é ragu. Come e para de falar. – implicou, fazendo Ute rolar os olhos e dar a primeira garfada na lasanha e colocar na boca.
A expressão dela foi de total desconfiança à surpresa e ao leve deleite. Estava mesmo bom.
- Você ficou bom nesse negócio de cozinhar.
- Eu estou tentando. – soltou uma risada nasalada. – Preciso alimentar um furacão, então eu tive que começar a diversificar aquele macarrão.
- Gosto que ela te fez descobrir seu potencial.
- é ótima.
- Estou sentindo falta dela. – resmungou.
- Ela reclamou da mesma coisa esses dias...
- Essa lasanha está perfeita! – Ute falou em êxtase. – Você está de parabéns.
- Obrigado.
- Enfim, te fez tão bem... acho que nunca te vi tão feliz quanto nesses últimos anos em que vocês estão juntos, mesmo antes de ser de verdade. Ela te faz bem de um jeito muito bonito, sem te mudar, mas só fazendo você ser essa pessoa maravilhosa que você é e sempre foi.
- Eu concordo. – deu um sorriso ao falar. – Ela se tornou meu porto seguro, sabe? Como se com ela eu fosse capaz de fazer tudo, sem medo e sem nenhum problema. me ajudou a ver as coisas que eu sempre via, mas sob uma nova perspectiva. Eu a amo por isso, por me dar essa sensação de segurança e bem-estar, sabe? Se alguma coisa me acontecesse, eu sei que ela seria meu lugar seguro... me sinto à vontade, porque ela faz com que eu me sinta em casa, não tem cobranças e nem imposições, somos apenas nós dois tentando fazer tudo entre nós dar certo do nosso jeito. E está funcionando. veio pra me dar a força que eu precisava pra não desistir de fazer o que amo, além de me ajudar a enxergar novas coisas. Ela veio pra ser esse meu lugar seguro, essa pessoa que faz tudo parecer possível.
- Vivo pra amar vocês dois. – Ute falou sorrindo.

sorriu de volta e voltou a jantar, os dois trocaram algumas palavras mais durante o jantar e depois, quando os pratos já estavam limpos e eles estavam na sala conversando mais livremente, ele repetia mentalmente aquilo que tinha pensado assim que a irmã tinha dito que vivia para amar o casal que e ele formavam. Ele também vivia por isso, mas, principalmente, para amar .


Zwölf


Stuttgart, segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Dois anos depois da crise de ansiedade que tinha dado fim à última turnê, um novo single estava para sair. Apenas alguns minutos para o lançamento de “Anxiety” e ela mal podia conter o nervosismo.
Seu nome tinha sido comentado a semana inteira depois do anúncio do lançamento do primeiro single de seu novo álbum, que ainda não tinha nome divulgado, e só a menção de ter um lançamento vindo fez com que as vendas de suas músicas antigas aumentassem e que ela voltasse a figurar com músicas antigas no top 10 de vários charts.
estava feliz com o lançamento, esperava que seus fãs gostassem da música, mesmo que aquela seja uma música extremamente pessoal e que não precisa de aprovação externa, ela precisava apenas ser cantada. Estava sentada na cama de , que estava se divertindo bastante ao vê-la tão nervosa por um lançamento.
Ele tinha ouvido a música no dia anterior e, mesmo que já tivesse presenciado crises de ansiedade, aquela música tinha mexido com ele e a única coisa que desejava fazer era proteger de tudo, mesmo sabendo que não era possível. A música, absolutamente sincera sincera, com toda certeza faria muito sucesso, mas nenhum deles estava pensando nisso, afinal, era uma música pessoal que não seria lançada para vender ou coisas do tipo.

- , deita aqui. – chamou, fazendo desviar os olhos do celular para os dele.
- A música vai sair em dois minutos. – resmungou, deitando-se ao lado de , que a abraçou e lhe deu um beijo demorado na bochecha.
- E as pessoas vão ouvir e entender o que você quis dizer. – falou, convicto. – E eu espero que você tenha mesmo entendido quando eu disse que sinto muito orgulho de você por estar de volta, por não deixar seu medo te paralisar e por saber que, como a Ada disse, você é fucking e que o mundo é seu. Todo seu. E esse seu novo álbum, que ainda não sei o nome, será um sucesso.
- Geborgenheit. – falou e a olhou sem entender. – Esse é o nome do álbum, . Geborgenheit.
- Alguma música com esse nome?
- Não. – negou com um aceno e o olhou nos olhos. – É Geborgenheit, porque eu não poderia colocar “Músicas escritas para ”.
- Você está falando sério?
- Sim. – respondeu. – De treze músicas, dez são para e sobre você. Porque você foi muito importante pra mim nesse caminho de volta ao que eu amo fazer e por ter me ajudado em momentos de crise, por todos os abraços e respirações conjuntas, por me acalmar quando eu estava surtando, por todo carinho, por sair de Stuttgart várias vezes só pra passar algumas horas comigo em Munique, por ser meu fã, por ter me dado a sensação de segurança que eu tanto precisava, por ter me mostrado que eu posso fazer e ser o que eu quiser e por me dar a paz e a tranquilidade de estar em casa.

a olhou com carinho e a ternura de sempre, mas tinha um agradecimento mudo em seu olhar quando a beijou. Não saberia como expressar em palavras como estava agradecido ao ouvir aquilo. Sentia-se da mesma forma, afinal, tinha dito isso há alguns meses para a irmã e nunca tinha parado de pensar sobre a sensação de segurança que lhe passava e como ela o fazia querer ser sempre uma melhor versão de si, como tinha feito com que ele enxergasse além do que vinha fazendo. tinha se descoberto uma pessoa com múltiplos talentos, além de ter mesmo descoberto sua força.

- Você é tão bom nisso de me acalmar quando eu estou surtando, que os dois minutos e meio passaram e eu nem vi. – deu um sorriso pequeno quando encerrou o beijo.
- Faço o que posso. – respondeu quando voltou a sentar na cama e disparou a digitar freneticamente enquanto espalhava os links por suas redes sociais.

Ela tinha pedido para ser a responsável por aquela divulgação em específico e tinha recebido o aval de toda a equipe, então estava postando os rascunhos já previamente salvos. , como o bom namorado que era, estava compartilhando também nas redes sociais e tinha até resolvido escutar de novo.
Deitou-se novamente ao lado de e resolveu deixar para se preocupar com feedbacks no dia seguinte. Por enquanto queria apenas aproveitar a companhia de e mais nada.

🎤 🇩🇪 ⚽️


Munique, 17 de setembro de 2020

- SURPRESA! – o coro de vozes soou quando abriu a porta de casa, encontrando alguns amigos por lá, além da família.
- Agora eu entendi o motivo da reunião no dia do meu aniversário, senhora Layla Schneider Payne. – falou, olhando para a amiga, que vinha junto com ela.
- A reunião era necessária, você sabe, mas podia ter sido ontem ou amanhã... só que assim eu não conseguiria te tirar da sua própria casa e deixar que as pessoas viessem aqui pra te fazer uma surpresa.

foi abraçada e beijada por todos – os pais, o irmão, a sogra, as cunhadas, a família Schulte Styles, , Ian, Kelly, Matt, Bob e a família, os “Power Rangers”, Hugo, Liam, Ada e Niall, além de , claro –, ganhou presentes, muitas palavras de amor e afeto. fora o último, como sempre, esperando pacientemente por todos os abraços e conversinhas serem findos para que ele pudesse fazer o mesmo pela segunda vez naquele dia. Quando, finalmente, tinha abraçado a última pessoa, piscou e deu um sorriso pequeno para que ela se aproximasse e ele pudesse, finalmente, abraçá-la.

- Você é um mentiroso. – ela falou, abraçando e o olhando com um olhar quase ameaçador.
- Eu não menti, bonitinha, eu omiti. Você não me perguntou se dariam uma festa surpresa pra você hoje, você perguntou se eu daria uma. E eu não sou o responsável por isso. Culpe Bea, Mia, Anna e , elas são as culpadas. – riu. – Feliz aniversário, bonitinha. De novo. Não sei como colocar em palavras o quanto desejo que você tenha um excelente ano cheio de coisas maravilhosas, que seja esse o melhor ano da sua vida até agora, porque você merece. E eu só consigo torcer por seu sucesso e pra que possa acompanhar tudo do seu lado. Pra sempre.
- Tudo bem, eu te perdoo pela omissão sobre a festa, mas só por você ser tão lindo e perfeito. – resmungou, dando um selinho em . – Eu te amo.
- Eu também te amo.
- E eu te perdoo por platinar o cabelo do seu irmão, apenas porque ele ficou bem mais gato que o habitual. – Bea falou, rindo.
- Eu nem sei de onde tiramos a ideia de descolorir o cabelo dele. – riu. – Mas ficou lindo mesmo.
- Eu sempre fui lindo. – Davi respondeu, fazendo a irmã rir. – Enfim, eu tenho mais um presente pra você.
Davi tirou um envelope do bolso da cala, dobrado e meio amassado e desconfiava do teor daquilo, afinal, era o irmão, mas aceitou e abriu sem tirar os olhos dos de Davi até que o papel do interior estivesse todo fora do envelope. E seus olhos arregalaram ao ver o que era.
Um papel de charts.
E das dez primeiras posições, quatro eram suas. E a primeira, há três dias, era de “Anxiety”, que vinha sendo comentada com afinco nas redes sociais – para o bem e para o mal, como sempre – e os números de venda já tinham ultrapassado o esperado. Em três vezes.

- Feliz aniversário. – falou, dando um sorrisinho. – Nada nesse mundo me alegra mais do que seu sucesso, schnucki.
- Eu vou chorar, que inferno. – reclamou, abraçando o irmão e ele deu uma risada.
- Nada de choro, vamos comemorar esse seu aniversário, porque eu estou com muita fome e se você começar a chorar, vai ficar chorando por seis meses. – falou, fazendo os presentes rirem.
- Eu também estou com fome. Tenho trabalhado demais.
- Inclusive, eu queria saber quando vou receber uma cópia do novo álbum. – Davi falou e Anna estalou os lábios.
- Não vai, kumpel. Esse álbum é secreto e ninguém tem autorização pra ouvir nada antes da hora.
- me mostrou Anxiety antes do lançamento. – Davi respondeu, desaforado.
- E ligou pro Shawn pra falar sobre outra música. – Niall dedurou.
- E eu canto uma das músicas do álbum com ela. – Ada sorriu.
- E, eu conheço outra. – respondeu, dando um sorrisinho vencedor.
- Em algumas semanas vocês todos saberão todas as músicas, vamos parar de falar de trabalho e focar no aniversário. – Kelly interrompeu o assunto, recebendo um aceno de concordância de .
- Minha última pergunta sobre trabalho, eu prometo! Qual será o nome do álbum? – Davi arriscou, recebendo acenos negativos.
- Esse é um segredo de Estado. – Layla falou em tom sério e deu uma risada baixa, recebendo um beliscão de .
- Tire esse sorrisinho do rosto, é realmente segredo. – o abraçou, falando baixo em seu ouvido.
- É um segredo para quase todas as pessoas, porque é claro que a já contou ao sobre. – Kelly deu uma gargalhada. – Só esperamos que não seja tão ruim com segredos quanto você, .
- Temos esse tipo de segredo entre nós agora, ? – perguntou, fingindo um tom ofendido.
- Eu nem vou falar nada, estou magoado demais com ela até hoje. – Niall falou, fingindo estar mesmo decepcionado.
- Sim, vocês têm esse tipo de segredo e decepção. – Ian interviu. – Mas só porque agora vamos comer aqueles sanduíches que Mia fez com tanto amor e carinho.
- Ian, eu te amo. – falou rindo.

Durante muitas horas eles comeram, beberam e se divertiram, conversaram sobre várias coisas, brincaram com Robert e Heidi e até tentavam ensinar algumas palavras em alemão para Ada, Layla, Niall, Harry e Liam, que apenas observavam abismados como o idioma era estranho e pouco convencional.
Passava da meia noite quando estava em casa, deitada no sofá e comia um pedaço de bolo, tinha as pernas sobre o colo de , que também comia um pedaço de bolo. O silêncio entre eles era agradável, confortável. Os presentes ainda estavam na sala, assim como alguns balões e alguns confetes que surgiram de algum lugar, com certeza trazidos por Davi, e teria um trabalho do cão para limpar aquilo.

- Eu comi muito, mas não consigo parar de comer. – deu uma risada abafada.
- Minha mãe é muito boa, fala sério. – deu um sorriso, recebendo um aceno de concordância de .
- Espero que seu dia tenha sido ótimo, bonitinha.
- Foi! A reunião foi realmente ótima, resolvemos bastante coisa, ainda cheguei em casa e encontrei todos vocês aqui e foi muito bom passar esse tempo com vocês. Como sempre.
- Fiquei te devendo mais um presente. – deu um sorriso, pegando uma caixinha no bolso e entregou a .
Ela pegou rapidamente, dando um sorriso animado, e sorriu ainda mais abertamente quando viu o colar lindo que estava dentro da caixa. Tratou de colocá-la no pescoço e pegou o celular para olhar pela câmera, dando um sorriso satisfeito.
- É única.
- Obrigada. – falou, inclinando-se para dar um beijo no rosto de . – Eu recebi convites pra irmos à Oktoberfest...
- Claro. – sorriu. – Estaremos lá.
- Amanhã vamos juntos pra Stuttgart.
- Vamos?
- Sim, amanhã estou de folga, a reunião de hoje era pra ser amanhã... e como é sexta-feira, estarei lá pro fim de semana e volto na segunda.
- Certeza que não posso te sequestrar?
- Infelizmente não. O lançamento foi adiantado em duas semanas, porque o álbum foi finalizado antes do deadline, então vão precisar de mim aqui.
- Tudo bem, tudo bem... – resmungou. – Mas já é ótimo você estar em casa comigo no fim de semana.
- Passamos a maior parte da semana juntos. Ontem você veio pra cá, dormiu aqui e foi treinar hoje, voltou e ficaremos juntos até segunda-feira. Posso me acostumar com isso.
- Eu mais ainda. Achei que Ada e Niall ficariam aqui.
- Niall vai ficar na casa do Liam e da Lay, mas ele viaja de volta pra casa amanhã. Ada está compenetrada na criação do EP e ficar com Anna tem sido a melhor opção. E, em todo caso, ela ama passar os dias com Rob e Heidi.
- Acho que chegou a hora de parar de comer, escovar os dentes e dormir. Amanhã pegaremos a estrada cedo...
- Minha casa que aguarde até segunda-feira pra ser limpa. – deu uma risada abafada. – Mas concordo, hora de dormir.
- Vou ligar pro TMZ e informar que você é quem limpa sua própria casa. – brincou, tirando os pés de de seu colo e ficou de pé.
- Inclusive, está na hora de fazer a limpeza de fim de estação e doar as coisas que não usamos e nem usaremos pelos próximos seis meses.
- Estou muito feliz por isso. – soltou um resmungo. – Sábado depois do jogo.
- Ótimo. – ficou de pé quase num pulo. – Agora vou levar meus presentes pro quarto e o senhor, por favor, coloque esses pratos na cozinha e lave-os.
- Folgada.
- É meu aniversário.
- Correção: foi seu aniversário há algumas horas.
- Se eu ainda não dormi, ainda estamos no dia do meu aniversário. – respondeu desaforada. – E não demore, quero dormir.

nem se deu ao trabalho de responder, apenas soltou uma risadinha pelo nariz, pegando os pratos e seguindo para a cozinha.

🎤 🇩🇪 ⚽️


estava deitado em sua cama, com os fones de ouvido postos e ouvia uma coletânea de músicas que Ute tinha feito, de olhos fechados e respirando como tinha ensinado, respiração diafragmática para meditação. Ela estava em algum lugar da casa, ele desconfiava que na sala, enrolada em algum cobertor, com um livro e uma caneca de chá. E acompanhada de Petros.
O mero pensar em o fazia sorrir. Achava que àquela altura do relacionamento ele já não sentiria aquelas borboletas no estômago e a simples menção do nome de o faria sorrir bobo; tampouco achava ser possível como o sentimento parecia aumentar a cada dia mais sem cair numa zona de conforto. em sua vida tinha sido isso desde o primeiro dia: nada do esperado, nada comum. Amá-la era, sem sombra de dúvidas, a melhor coisa que ele podia fazer em sua vida.
Sentia-se grato por poder amar , por tê-la em sua vida e por nunca terem se acomodado, por nunca ter sido igual. E era por isso que ele sabia que era com ela que as coisas dariam certo por muito tempo, talvez para sempre, mas ele gostava de pensar que seria mais emocionante viver um dia de cada vez com ela, até porque todo dia era uma boa surpresa.

- No que você está pensando? – ouviu a voz de e sobressaltou-se.
- Que você se move feito um fantasma. – respondeu dando uma risada nasalada e deitou-se ao seu lado, abraçando-o. – E que eu te amo mesmo assim.
- É, você me ama mesmo. – respondeu sorrindo. – Mas, está me enrolado e precisamos separar as roupas para doação.
- Vamos. – respondeu, deixando os fones de lado, junto com o celular, mas não se soltou do abraço e tampouco o desfez.
- Podemos deixar pra mais tarde. – falou, aconchegando-se mais ao abraço e não discordou.
- Você está com um cheiro muito bom de chocolate, .
- Fiz bolo.
- Se você não existisse eu teria que te inventar.
- Ainda bem que Mia e Thomas fizeram isso por você. – respondeu num tom narcisista e riu, apertando-a em seu abraço e dando um beijo demorado em sua bochecha.
- Nem nos meus melhores sonhos eu conseguiria criar essa perfeição toda.
- É verdade.
- Deixe de ser convencida.
- Você sabe que eu estou falando a verdade.
- Sei.
- E o que você estava ouvindo? – perguntou, apanhando o celular de e os fones. – Bruno Mars?
- Sim. Algo contra?
- Não! Tudo a favor! – sorriu. – A voz dele é tão linda que eu sinto vontade de chorar só de pensar.
- Gosto dele, mas não nessa intensidade.
- ‘Cause there’ll be no sunlight if I lose you, baby. There’ll be no clear skies if I lose you, baby. Just like the clouds, my eyes will do the same, if you walk away everyday it will rain, rain rain... cantarolou o refrão da música que estava ouvindo antes e ele sorriu.
- Prefiro sua versão.
- Você vai preferir a minha versão de qualquer coisa, .
- A culpa é sua, se não fosse tão talentosa eu não preferiria as suas versões das músicas.
- E se eu não fosse sua namorada também, claro.
- Eu já preferia as suas versões antes mesmo de me apaixonar por você, , agora eu prefiro até jingles ridículos de supermercado se forem cantados por você. Você é minha cantora favorita.
- Infelizmente você não é meu jogador favorito. – franziu o nariz e deu um sorriso.
- Só aceito perder se for pro Bastian.
- E pro Beckenbauer, que no caso é meu favorito. Junto com o Lahm. E o Bastian.
- Mas eram as minhas fotos que tinham corações. – provocou e ela deu uma risada.
- Achei que você já tivesse esquecido disso.
- Nunca vou me esquecer da sua cara quando o Davi começou a falar tudo aquilo.
- Eu odeio vocês dois.
- Odeia nada.
- Não odeio mesmo, mas deveria.
- Nada disso. Você precisa me amar, eu sei que você estará mentindo se disser que pode viver sua vida sem mim. – parafraseou uma das músicas do novo álbum, a que ela tinha composto através de uma carta dele, e rolou os olhos, mas não conseguiu não sorrir.
- Você é ridículo, mas é exatamente por isso que eu sou louca por você.


Nachwort


Munique, 06 de novembro de 2020

estava ansiosa pelo pocket show surpresa que faria naquele dia e esperava que as coisas saíssem conforme o planejado. O álbum saíra no dia anterior e desde o momento em que as pré-vendas tinham sido liberadas, os números de vendas estavam altíssimos e quando o álbum foi liberado, foi direto para o primeiro lugar dos charts. Sabia que era bem improvável que os fãs tivessem gravado alguma música além das que já conheciam e que tinham sido divulgadas antes, mas aquilo era para eles.
Tinha entrevistas agendadas para as semanas seguintes com Ellen DeGeneres, Jimmy Fallon, James Corden, Jimmy Kimmel e Conan O’Brien, depois iria a dois talk-shows londrinos, um espanhol, um francês, um português e alguns alemães.
Estava ansiosa, muito feliz, mas ansiosa. Tinha ensaiado bastante em casa, ajeitado alguns arranjos para a primeira apresentação ao vivo de seu novo álbum, que marcava oficialmente seu retorno. Queria que fosse um show na Marienplatz, mas estava frio, chovendo e ela nunca sujeitaria os fãs àquele tipo de situação, então tinha feito parecer que era um documentário sobre seus dois últimos anos que seria exibido em um cinema de Munique, apenas uma apresentação e os ingressos esgotaram rapidamente, todo o valor – não muito alto – seria revertido para o Médicos Sem Fronteiras, junto com uma porcentagem das vendas do novo álbum e do EP com todas as colaborações feitas durante a antiga turnê. Quando estivessem todos acomodados, ela apareceria e faria um pequeno show com suas músicas novas. Não seria nada elaborado, apenas ela, um violão e a plateia.
Não tivera muito tempo para checar suas redes sociais e não viu que seu nome tinha sido comentado na internet o dia inteiro, muito menos que o nome de também era bastante comentado. Claro, associavam a ele o nome do álbum, muitos tinham gostado muito e outros tantos criticavam, mas naquele dia, os comentários sobre eram, também, por outro motivo. Fotos dele por Munique, claro, mas estava ocupada demais para ficar vagueando pela internet e lendo fofocas, então ela não saberia. E ele tinha sido muito inteligente por pensar nisso.
Quando, finalmente, a hora de ir para o cinema chegou, todo um esquema tinha sido montado: sairia em um carro totalmente diferente, até mesmo de seu carro de disfarçar situações extremas, e seu outro carro sairia na outra direção. Ela ficaria um bom tempo escondida no cinema e quando recebesse a confirmação do horário, cantaria. Seus pais, irmão, cunhadas e namorado estariam lá, além de , Ian, Kelly, Layla e Anna. Estava ansiosa e feliz. Estava de volta e do jeito que mais gostava. Tudo daria certo.
Passou mais de quarenta minutos escondida, estava acompanhada da equipe e via a sala se enchendo de alguns de seus fãs, que conversavam animados e pareciam realmente esperar por um documentário de sua vida nos últimos dois anos, sobre as preparações para o novo álbum... e quando as luzes se apagaram e a tela se iluminou, um trailer rápido começou a passar, ela tinha mesmo gravado um para parecer que estava mesmo divulgando um documentário, ouviu aplausos e ela entrou pela saída de emergência, as luzes se acenderam e por um breve segundo houve silêncio.
Nenhum dos fãs parecia ter uma reação e quando, finalmente perceberam que estava parada à frente da enorme tela e tinha um violão pendurado em seus ombros, ela já estava começando a tocar as músicas do novo álbum, um aviso pedindo que ficassem sentados em suas cadeiras e para que não filmassem aquilo estava na tela e fora devidamente obedecido. Enquanto ela cantava Anxiety, ouvia as vozes dos fãs consigo e até conseguia sorrir enquanto cantava aquela música.
E, por mais que não conhecessem todas as novas músicas, tentavam cantar junto e pareciam tão admirados ao vê-la ali, bem, fazendo o que mais amava. E por uma hora inteira cantou seu novo álbum e era alvo de diversos olhares admirados, tanto dos fãs quanto dos amigos e familiares.

- Eu quero agradecer a cada um de vocês por ter vindo aqui hoje, mesmo que fosse para assistir a um documentário. Obrigada por me amarem e por valorizarem minha arte e minha música, vocês são o motivo pelo qual eu não desisti. Perdão pela demora para regressar, mas eu não poderia voltar a cantar se não estivesse muito bem comigo mesma e esse tempo todo foi necessário para isso. Espero que tenham gostado desse mini show, tentei fazer os arranjos ficarem bons apenas no violão e a acústica talvez não tenha ajudado, mas foi de coração. Agora, vou abrir um espaço para algumas perguntas, depois vou tirar fotos com todos, cada um de vocês vai ganhar um kit especialmente preparado para a ocasião e eu espero que gostem. – falou ao final da apresentação, sendo aplaudida e ovacionada. – Quem quer começar? – várias mãos se ergueram, mas ela apontou para uma garota de gorro vermelho e ela ficou de pé.
- Qual sua música favorita nesse álbum?
- Favorite Part of Me. – respondeu, sorrindo. – Próxima?
- Eu! – pediu um garoto que estava razoavelmente perto da garota anterior. – Você continua tratando sua ansiedade?
- Sim. Eu continuo. É um tratamento bem longo e eu estou tratando tudo com bastante seriedade, porque não é uma frescura ou drama, é algo sério e que quase me matou, então eu quero ficar totalmente bem e tentar nunca mais ter isso. Se vocês tiverem algum transtorno psicológico, procurem ajuda, por favor.

As perguntas continuaram por mais de meia hora e então vieram as fotos. Selfies foram tiradas, abraços dados e várias palavras carinhosas que faziam com que quase chorasse de emoção. Era ótimo estar em contato com seus fãs e aquele tipo de contato direto era ainda melhor. Como tinha sentido falta daquilo!
Depois do pocket show, seguiram para um restaurante onde comemorariam o lançamento do novo álbum e o recomeço de com todos os responsáveis por aquele retorno. A cobertura de um prédio no centro de Munique era o local que os recebia – cerca de trinta pessoas – e a trilha sonora era o novo álbum, além de tocarem as parcerias do EP. Todos pareciam tão felizes quanto e ela apenas queria fazer um belo brinde antes de jantarem oficialmente, então, foi a primeira a bater levemente com o garfo em sua própria taça para chamar a atenção dos presentes e ficou de pé.

- Antes de jantarmos, quero fazer alguns agradecimentos a todos vocês que foram responsáveis por esse meu retorno estar sendo da forma como eu queria que fosse. Primeiro, vou agradecer à Kelly por ter ficado ao meu lado ainda nos tempos idos, com a outra equipe. Kells, você acreditou em mim quando ninguém quis, embarcou nos meus projetos e estava sempre disposta a me oferecer ajuda e um ombro amigo. Obrigada por não ter me deixado sozinha, você merece tudo de melhor do mundo e eu espero que eu consiga ser uma boa amiga pra você como você é pra mim. Outro componente desse primeiro é o Bob, que me manteve sã quando eu quase surtei, que foi meu piloto de fuga e a pessoa que sempre pensou em meu bem estar acima de tudo, mesmo que isso fosse custar alguma coisa. Bob, você salvou a minha vida e eu só posso agradecer por te conhecer desde que eu era uma criança que ia até sua casa para que Jas me contasse histórias e me desse alguns biscoitos. Eu te amo muito e você sabe disso, porque sempre falei e demonstrei. Obrigada por me amar de volta da mesma forma.
“Anna Schulte... você apareceu na minha vida por causa do Shawn e acabou se tornando minha amiga também. Você sempre acreditou em mim, cantou comigo, me deu uma música linda, dois sobrinhos emprestados muito perfeitos, tornou-se uma amiga tão especial e uma produtora tão exigente quanto eu, você me fez enxergar além do que sempre enxerguei, me ajudou a ver que eu sou mais do que minha ansiedade me faz pensar que sou. Esse álbum está perfeito, porque você estava comigo em todo processo e foi quem me colocou para escrever um novo álbum e sempre me incentivou. Você é a melhor, Schulte, eu te amo e espero que você nunca duvide disso.”
“À toda equipe da Schulte Records, todos vocês fizeram esse álbum acontecer, sonharam comigo e ainda sonharam mais alto, tiveram opiniões decisivas e me mostraram que uma equipe afiada é tudo! Vocês sempre me ouviram, deram suas opiniões e me incentivaram a realizar o que eu queria. Eu sou muito grata por todos os voos que vocês me ajudaram a alçar e como todas as palavras e conselhos foram absurdamente necessários durante esses meses de escrita e gravação, vocês fizeram a diferença e eu sei que não teria conseguido sem todos vocês.”
“Aos meus maiores incentivadores desde sempre: Mama, Papa, Davi, e Ian. Vocês sempre estiveram comigo e sei que estarão eternamente. Os primeiros que apoiaram meus sonhos, que me incentivaram e me fizeram ser quem sou hoje. Se eu cheguei ao local dos meus sonhos, tem muito – senão tudo – de vocês! Obrigada por abraços, beijos, conselhos, xingos, implicâncias, noites sem dormir, chás e bolos. Vocês são tudo pra mim e eu espero ser, pelo menos, um por cento do que vocês são, porque isso já me fará ser uma pessoa maravilhosa. Obrigada por tudo, por não terem me deixado desistir, por terem me feito companhia e me amado quando eu menos achava merecer.”
“O último agradecimento, mas não menos importante, fica para a inspiração desse álbum. , que entrou na minha vida de um jeito inusitado e permaneceu por ter se tornado o amor da minha vida. Talvez essa expressão seja um pouco séria demais, mas é como posso caracterizá-lo, . Tivemos altos e baixos, mas você nunca me deixou e quando eu estava caindo, você foi meu amparo, foi quem me segurou e não me deixou afundar. Você é meu porto seguro, é quem me dá essa sensação de segurança e bem estar, você é o responsável por me ajudar a ficar firme. O simples ato de respirar comigo até que eu me acalme é uma prova imensa de amor e só por isso eu tenho certeza que você merece cada uma das palavras que escrevi para você. Eu te amo e eu fico muito feliz por saber que você também me ama do mesmo jeito.”

Não havia uma só pessoa sem lágrimas nos olhos. Aplausos.
E então o jantar começou.
Divertiram-se, conversaram bastante e era madrugada alta quando e estavam indo para casa, ela dirigindo animada e cantarolando com a voz de Avril Lavigne, que saía dos autofalantes do carro. estava nervoso. Será que ela sabia? Esperava que não. não podia nem desconfiar daquilo. Então era melhor que ele parasse de ficar feito um idiota com aquela cara de quem estava escondendo algo.
Quando entraram em casa, sentou-se no sofá e foi, demoradamente, tirar os sapatos. sentou-se perto dela para fazer o mesmo e logo os dois estavam deitados no móvel, abraçados e trocando alguns carinhos, da forma como bem quiseram durante boa parte do dia, mas não tiveram a oportunidade.

- Você foi ótima hoje, .
- Obrigada, amor.
- E seu discurso... foi lindo. Obrigado.
- Nada que você já não saiba...
- É, eu sei, mas te ouvir dizendo tudo aquilo é sempre motivo para agradecer. Eu nunca vou ser capaz de colocar em palavras como eu te amo e sou grato por você ter entrado na minha vida com sua opinião forte sobre eu ter que melhorar em campo se quisesse ter o que estava querendo. Você é a grande responsável por eu ter me tornado um jogador tão importante para o meu time e pelo meu nome ter figurado na lista de convocados para a Copa. Você me induz a ser melhor todos os dias e eu sou muito feliz por isso, por ter vencido o medo de me apaixonar por você e por ter me apaixonado. Por me apaixonar todos os dias e por te amar cada dia mais. Quando você diz que sou seu porto seguro e te passo a sensação de segurança, posso te dizer que só consigo fazer isso, porque é você quem me mantém seguro e à salvo. Eu não quero viver o resto da minha vida se não for do seu lado, . – falou sério, olhando nos olhos.
- Eu...
- Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci e eu só quero passar o resto da minha vida do seu lado, . Eu acho que finalmente chegou a hora de te fazer essa pergunta e ter um anel pra te dar. – falou, enfiando a mão no bolso da própria calça e tirou uma pequena caixa de lá. tinha os olhos arregalados e sentou-se de uma só vez no sofá.
- ...
- , será que você aceita se casar comigo? – perguntou, abrindo a caixinha e um belo anel estava dentro, reluzia refletindo a luz do cômodo e tinha a boca aberta, quase incrédula.
- Bonitinho...
- Espero que tenha gostado do modelo, pedi a Zara pra fazer especialmente pra você, algo que combinasse com sua mão esquerda para sempre. Hoje eu fui assunto na internet por isso, caso você tenha visto, me viram saindo da loja dela e alguém tirou uma foto minha vendo o anel e isso rodou a internet com vários comentários. Fiquei surpreso que não tenham falado nada disso no show, mas eu só quero saber se você aceita se casar comigo e me dar a chance de continuar tentando te fazer feliz todos os dias. – tagarelou e o olhou nos olhos.
- Você me faz feliz todos os dias, . – respondeu. – E eu aceito. É claro que eu aceito!
- Por agora não vamos conseguir nos casar, você vai entrar em turnê e essas coisas, mas temos tempo pra pensar e planejar tudo com bastante calma pra fazer dar certo. Eu não vou a lugar nenhum. – falou, colocando o anel no dedo anelar direito de , substituindo o antigo, e beijou sua mão.
- Não posso fazer uma turnê grande e ficar fora de casa por muito tempo, em todo caso.
- Por quê? – perguntou sem entender.
- Não acho que seria muito legal te deixar perder o crescimento e desenvolvimento do seu filho...
- Como ass... – começou a falar, mas percebeu o que ela tinha acabado de dizer e arregalou os olhos. – Você tá falando sério?
- Muito sério. – sorriu. – Tive uma consulta de rotina e precisei fazer exames de sangue, a endocrinologista voltou a pedir o do hormônio e comprovamos que daqui sete meses teremos uma criança nossa.
- , se você estiver brincando comigo, eu vou pegar esse anel de volta.
- Sinto muito, meine Liebe, mas esse anel fica aqui. – sorriu. – E em sete meses seremos três pessoinhas. Eu queria te contar de um jeito bem fofo, mas acho que esse momento merecia essa revelação.
- E vamos morar onde?
- Em Stuttgart, claro. – deu de ombros. – Você joga lá. Quando aposentar podemos pensar em voltar pra Munique, mas, por enquanto, nossa casa é onde você estiver.
- Mas e seu álbum? Os shows?
- Nenhum fã vai surtar querendo turnê se eu estiver grávida, meu amor. E, em todo caso, quem decide isso sou eu e eu estou decidida a não viajar o mundo todo e te impedir de acompanhar cada fase dessa gestação, então você vai ter que me aguentar por perto.
- Você quer começar a empacotar a mudança amanhã?
- Não seja tão exagerado. – riu. – Primeiro temos que pensar em uma nova casa, porque por mais que eu ame a casa de Stuttgart, ela não vai caber você, eu, Petros, um bebê e alguns instrumentos musicais...
- Amanhã veremos isso com bastante calma. – falou animado. – E essa casa aqui?
- Podemos manter. – deu de ombros. – Ou posso mesmo deixar o Davi vir morar aqui com a Ana quando eles se casarem...
- Você ama essa casa demais pra isso. – riu.
- É, isso é... então vamos manter e quando eu quiser vir pra Munique visitar as pessoas, fico aqui. – deu de ombros.
- Quer casar logo? Damos um jeito nisso.
- Não se preocupe com isso, . Vamos pensar com calma, ainda teremos tempo e precisamos ver como as coisas vão evoluir nessa gravidez. Ainda é muito cedo e alguns períodos são bem complicados.
- Vai dar tudo certo, .
- Veremos. Estou pensando em contar pros nossos pais essa semana, o que acha?
- Quando é mais... seguro pra contar?
- Acho que depois do terceiro mês, mas não quero que a mídia fique sabendo tão cedo.
- E quando é o terceiro mês?
- Daqui uma semana, eu acho, que fecham doze semanas. Eu preciso começar a entender esse negócio de semanas, pra mim não faz muito sentido.
- Eu nem acredito que estamos mesmo planejando uma mudança e um filho!
- Estamos, mas agora você só se preocupe em falar oi com essa coisinha que estamos crescendo e de começar a criar conexões com ele. Ou ela. – pegou a mão de e colocou sobre sua barriga inalterada.
- Eu acho que é uma menininha e que ela vai ser uma cópia sua. E torço por isso. – falou, fazendo um carinho sobre a barriga de , que nem mesmo parecia estar protegendo um bebê. – Porque eu poderei me apaixonar por ela todos os dias, assim como me apaixono por você.




FIMMMM!!!!!!!!!



Nota da autora: Olá!
Nota da Autora: Essa é a última nota. A última atualização na história de Catherine e Holger (em forma de long, nunca se sabe quando eu vou resolver criar um spin-off, não é mesmo?) e meu coração está apertadinho, mas ao mesmo tempo, quentinho.
Catherine e Holger trouxeram muito amor pro meu coração, assim como Marina e Isco em LE, além de me darem o prazer de conhecer pessoas incríveis com quem fiz crossovers e amizades, conheci leitoras incríveis que sempre tiveram palavras de incentivo e críticas construtivas que me fizeram continuar a escrever e postar. Vocês não têm noção do quanto foram importantes pra mim nesses meses e como saber que algo que eu faço teve toda essa repercussão.
Somando o FFOBS e a outra plataforma em que as duas histórias foram publicadas, Trato Feito/Geborgenheit somam quase trinta mil leituras e isso é coisa demais quando se trata de um jogador pouco conhecido. Eu não ligo pra números, porque mesmo que fosse apenas 1 pessoa lendo, se me desse o apoio que vocês deram, eu também teria finalizado essa história.
Talvez vocês queiram me matar por causa do final, por acabar quando eles FINALMENTE estão prestes a se casar e a ter uma família. Talvez vocês vejam esse casamento em breve. E talvez conheçam a criança Catstuber que vai nascer, mas é apenas um talvez.
Obrigada pela companhia, por terem me dado tanto amor, carinho e apoio. Vocês são sensacionais. Catherine e Holger agradecem por isso, porque eles amaram compartilhar a história de amor deles com vocês e torcem para que vocês tenham gostado muito, assim como eles.
Em breve tem história nova, breve mesmo, conto com vocês! <3
Não esqueçam de vir fazer parte do grupo do zap pra colocar as fofocas em dia, falar de fanfic e conversar um pouquinho sobre tudo. Inclusive sobre os novos projetos que estão saindo do forno...
E, repetindo o que venho dizendo desde o começo desse isolamento, nesses dias de quarentena, nesse momento tão difícil pelo qual estamos passando, não vamos desistir, ok?! Lavem bem as mãozinhas, higienizem os ambientes com mais frequência, espirros e tosses não devem ser feitos nas mãos, evitem aglomerações e, se possível cumpram a orientação de ficar em casa, sair apenas se for estritamente necessário e inadiável, bebam bastante água, comam coisas saudáveis, estudem, vejam filmes, séries, leiam livros e fanfics, procurem notícias que aqueçam o coração, façam aquilo que vocês querem/consigam e não se comparem aos outros que estão sendo super produtivos nessa época, porque é um tempo muito complicado e é normal não sentir tanta vontade de ser fitness, estudioso, etc., e vamos ter fé de que logo as coisas voltam ao normal.
Beijos e não esqueçam de comentar, deixando o coraçãozinho dessa autora que vos fala mais alegre e quentinho nesses dias difíceis em que ela vai trabalhar de casa e tentar escrever um pouco mais <3





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