Última atualização: 08/07/2018
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Prólogo

- ... – Justin se ajoelhou em frente a mim, seus olhos me encaravam com um brilho diferente – Quero você ao meu lado eternamente. – A música já havia parado, os casais da pista de dança fizeram um círculo em nossa volta, senti que tinham luzes mais fortes em cima de nós e todos do salão nos olhavam. – Agradeço imensamente a Deus por ter colocado você em minha vida... – acabei o interrompendo.
- Justin... Por favor, eu... – Ele colocou o seu dedo indicador delicadamente sobre os meus lábios, calando-me. Precisava de alguma forma contar para ele, eu não podia usurpar a vida daquela mulher, eu não tinha o direito.
- Você é incrível, e eu te amo cada dia mais por isso... – ele retirou do bolso de sua calça social com as mãos extremamente trêmulas um anel. Céus, aquele não era um simples anel, era o anel. Era tão brilhante, que chegava a doer os olhos... Seria um diamante? Eu não saberia dizer, mas a única certeza que tinha era que aquele objeto valia muito! – Você aceita se casar comigo?
O que eu temia aconteceu, Justin Timberlake havia me pedido em casamento. Ele me olhava em expectativa, queria que eu dissesse o tão esperado sim. O peso do olhar de todos estava em mim. E agora? O que eu faria? Minhas mãos estavam geladas, sentia que suava frio, e pelo jeito preocupado que Justin me olhava naquele momento, eu não deveria estar com uma cara muito boa.
- ACEITA! – para piorar ainda mais minha situação, ouvi um grito de uma mulher no fundo do salão. Como pólvora todos gritavam em conjunto a bendita palavra “aceita”, nunca pensei que ficaria numa situação como aquela.
Eu definitivamente não estava bem. Que sensação estranha era aquela? Parecia que minha cabeça explodiria, tudo de repente estava em câmera lenta.
- ? – minha boca estava extremamente seca, tentava falar, mas nada saia, senti minhas vistas escurecendo, estava extremamente fraca, não conseguia ter controle sobre mim. Meu corpo estava a caminho do chão. A última coisa que pensei antes de perder a consciência era que eu estava extremamente ferrada.



Capítulo 1

DOIS MESES ANTES

Eu realmente precisava de um descanso, trabalhar e depois ir para o cursinho não era uma tarefa fácil, queria ver quando ingressasse em uma universidade pública, com toda a certeza as coisas piorariam. O estranho daquele dia era que eu havia acordado sozinha, sem o meu despertador.
Espreguicei-me levemente e decidi por me levantar, fui descalça mesmo para a cozinha, - que minha mãe nunca visse essa cena – dei uma olhada pelo armário, mas percebi que não tinha cereal e nem bolachas salgadas, olhei a geladeira a mesma coisa, precisava fazer compras com urgência.
Que horas seriam? Fui em busca do meu celular na cama, ele estava desligado, provavelmente a bateria tinha acabado. Peguei o carregador, e o conectei a tomada, o liguei e tive uma baita surpresa, não era 07h30min como eu costumava acordar e sim 12h00min! Santo Deus, eu estava muito ferrada!
Corri para o meu quarto, vesti rapidamente meu uniforme do trabalho, que consistia em uma blusa preta com o logotipo da cafeteria do lado direito, calça bailarina e sapatilha da mesma cor. Peguei um chiclete e sai de casa, fiz um rabo de cavalo em meu cabelo enquanto corria loucamente, não queria nem me olhar no espelho naquele momento. Meu Deus, dessa vez eu havia extrapolado, quatro horas de atraso! Dei sorte que o ônibus estava chegando ao ponto e embarquei. Tateei meu bolso em busca de meu celular para escutar alguma música, mas vi que havia esquecido em casa, que saco, só para piorar mais ainda a situação.
Cheguei ao meu trabalho, tentei não fazer alarde, então peguei meu avental e o coloquei.
- ! - levei um baita susto, como imaginava o homem estava furioso. – Tira esse avental e vá embora!
- Seu Carlos, por favor, me perdoe, eu me atrasei porque aconteceu uns...
- Chega! Já estou de saco cheio de seus atrasos! Eu só tenho cara de idiota, mas eu não sou! – abaixei a cabeça, chateada.
Naquele dia, como a semana toda, eu não tinha atrasado porque queria, eu havia perdido a hora. Estava extremamente cansada, as provas dos vestibulares se aproximavam e justamente por isso eu tinha ido dormir tarde, estudando. Ele estava furioso.
- Seu Carlos, eu preciso desse emprego, por favor! Preciso estudar – lhe supliquei, era a mais pura verdade, sem trabalhar eu não conseguiria custear o cursinho e as despesas da quitinete. – Por favor, eu juro não atrasar mais!
- , estou farto! – há essa altura eu queria chorar - Olhe bem pra mim... – lhe olhei suplicante - Mais um atraso e eu te demito. Estamos entendidos?
- Sim, me desculpe! – sorri levemente. Senti que um peso foi retirado de minhas costas.
- Agora vá atender aqueles clientes, antes que eu me arrependa.
- Deixa comigo, chefe. Mais uma vez, obrigada. – lhe sorri sincera, ele me ignorou e foi para o caixa. Aproximei-me do casal, e comecei a atendê-los.

***


Esgotada, era essa a palavra que me definia naquele momento, e olha que eu não havia trabalhado o dia todo. Acho que deve ser o trabalho em si que me consome muito, não posso me sentar, tenho que ficar o dia todo em pé.
Suspirei fundo, olhando para a porta... Olhei no relógio, já era 17h30min, e nada dele. Desde que eu trabalhava aqui eu havia conhecido um rapaz, chamava-se Gustavo, ele trabalhava em frente à cafeteria. Era extremamente simpático, sempre conversava comigo, e eu, como era extremamente carente, estava gostando dele e imaginando como seria a cerimônia de casamento e quantos filhos teríamos. Se eu estava criando expectativas? Calúnia.
O fato é que viver em São Paulo, sozinha era triste, e você acaba se apegando a quem te dá um mísero afeto. Eu já disse que carência é meu sobrenome?
Eram 17h37min quando escutei a porta da cafeteria bater. Olhei naquela direção e o avistei. Ele era tão gato! Dei uma ajeitada no cabelo, e rapidamente fui atendê-lo.
- Oi, Gustavo, tudo bem? – sorri, lhe passando o cardápio, enquanto ele se sentava.
- ! Estou bem e você? – maneei a cabeça positivamente – Bom, hoje eu só quero um café bem forte e um misto quente. – me devolveu o cardápio sem nem folheá-lo.
- Certo, é pra já! – pedi para que a cozinheira preparasse o lanche dele. Com toda a rapidez e experiência dela o lanche ficou pronto em minutos. Com o melhor sorriso que eu tinha levei para ele – Prontinho, Gu!
- Valeu, ! – ele sorriu, e que sorriso! - Sei que seu expediente já está acabando, então senta aí. – sem pensar duas vezes me sentei ao seu lado – Como anda o cursinho?
- Ah, tá bem... Acho que agora vai, se tudo der certo. – lhe sorri tímida, ele tinha esse poder em mim.
- ... - ele parecia hesitar, eu o olhava, curiosa – Você é legal, e divertida, eu pensei se você não...
- Eu quero – o interrompi. Eu tinha um encontro. Eu. Tinha. Um. Encontro! Ele riu, talvez porque eu não tenha nem esperado ele terminar de falar para respondê-lo.
- Hoje às 22h00min, na estação do metrô Consolação, tudo bem pra você?
- Perfeito, é do lado do cursinho. Muito obrigada pelo convite! Como você sabe, eu não conheço ninguém aqui nessa cidade, esse gesto é muito significativo pra mim – era a mais pura verdade, tinha largado tudo para trás, minha família, meus amigos para vir para a capital, já que minha cidade não tinha faculdade e conseguir entrar numa universidade pública era meu sonho.
- Eu sei a barra que você passa todos os dias – ele acariciou minha mão, senti a região formigar – Te vejo mais tarde – levantou-se e deu um beijo na minha bochecha, e caminhou até o caixa, pagou e foi embora do local. Isso só podia ser um sonho. Eu sairia com ele!
Hoje eu descobriria como seria beijá-lo, sentiria o calor dos braços dele, como era a textura de seu cabelo e...
- – meu chefe me despertou de meus pensamentos – VEM AQUI AGORA! – levantei em um pulo. Céus, eu não podia vacilar com ele.
- Oi! – lhe sorri da forma mais fofa que eu conseguia.
- Você tem chegado atrasada todos os dias, mas hoje você extrapolou tudo com quase quatro horas de atraso! Para completar senta-se à mesa com os clientes em horário de expediente! Paciência tem limite – ele estava vermelho, e eu não conseguia entender porque ele tinha explodido comigo por fazer companhia a Gustavo, me certifiquei de olhar e não tinha mais ninguém na cafeteria.
- Eu sentei porque eu percebi que não tinha ninguém na cafeteria, e meu expediente já estava acabando. Não pensei que isso fosse aborrecê-lo.
- Aborreceu! – ele suspirou fundo – Esteja amanhã após às 12h00min para eu acertar suas contas.
- Não faça isso, por favor, seu Carlos! Eu não fiz por mal, eu...
- Chega, ! Não dá, você não têm responsabilidades! Eu preciso de funcionários comprometidos comigo – eu não queria, mas as lágrimas simplesmente desciam por meu rosto – Olha, você é uma boa pessoa, vai encontrar outra coisa.
Eu não queria o consolo dele, queria meu emprego e isso ele tinha deixado bem claro que eu não teria. Passei as mãos com força pelo meu rosto para limpar as lágrimas, joguei o avental nas mãos dele, peguei minha mochila e fui embora. Eu não saberia o que fazer, eu tinha contas que se acumulariam se eu não arrumasse um emprego rapidamente. Suspirei fundo, e fui para o cursinho.

Cheguei ao cursinho, hoje as aulas eram de exatas, para minha sorte, já que meu problema era as matérias de humanas! Juro que estava tentando prestar atenção na aula, mas estava impossível, tantas coisas passavam pela minha cabeça... Estava preocupada, como eu faria para arrumar um novo emprego? O meu sonho dependia disso, voltar para casa, ou ligar aos meus pais pedindo dinheiro estava fora de cogitação, eles eram contra minha estadia ali e mandariam que eu voltasse sem pensar.
Eu não tinha cabeça para ir aquele encontro com o Gustavo, mas eu não tinha o telefone dele para desmarcar. Pois é, gosto do menino, mas nem coragem para pedir o número dele eu tinha.

***

Finalmente tinha dado o horário da saída, decidi por fim encontrar Gustavo, ele me faria bem, a sua companhia era bem agradável e eu não podia dar um bolo no rapaz. Guardei os meus pertences, e sai do cursinho. Rapidamente cheguei ao metrô e o avistei com mais um rapaz. Cada vez que me aproximava, meu coração batia mais forte, eu gostava mesmo daquele menino. Ele me viu e sorriu ternamente para mim, e acenou para chamar minha atenção. Sem pestanejar, andei depressa para encontrá-lo.
- Oi, Gustavo! – sorri. Ele me abraçou fortemente e seu perfume havia ficado em minha roupa. Que cheiro bom! Não lavaria aquela roupa nunca.
- Quero que conheça o Bruno, meu namorado. Bruno, essa é a , a garota que eu falei pra você. – Ele sorriu abertamente. Não, eu não tinha escutado bem, não mesmo.
- Oi, – o garoto falou. Eu não podia acreditar no que tinha ouvido. Era mentira, só podia ser.
- Seu o quê? – sussurrei, se ele não estivesse bem perto, com toda certeza não me escutaria.
- Meu namorado, – Gu me olhou com uma cara estranha, com toda certeza minha face deveria estar uma droga. Eu estava gostando de um cara gay. Como eu não percebi que ele era gay? Céus, eu precisava respirar, contei até três mentalmente, e tentei disfarçar minha face. Bruno me olhava preocupado. Eu me xingava mentalmente.
- Hum... Certo... Prazer! – consegui dizer com um fio de voz.
- O prazer é todo meu. – O namorado de Gustavo respondeu. Deus, namorado! Quero chorar.
- – Gustavo chamou a minha atenção – Você está bem? Está com uma cara bem estranha. – Minha mãe sempre me dizia que eu era bem transparente e que isso sempre me colocava em problemas. Pois é, mãe, você esta certíssima, como sempre.
- É que eu... – precisava pensar em algo rapidamente - É que eu... Hãn... Tô com uma colicazinha chata, é só isso! – sorri, sem humor. Eu queria correr dali o mais rápido possível, me trancar no meu quarto e chorar pelo dia de merda que eu estava tendo.
- Gente, olha como esse céu tá perfeito – O namorado do Gu apontou pro céu e eu resolvi olhar, estava lindo mesmo, cheio de estrelas. O que era um milagre por aqui. Na minha cidade era comum, mas aqui em São Paulo devido à poluição era bem difícil de ver esse tipo de coisa.
- Tá tão lindo que dá vontade de chorar – ri sem humor, eles concordaram rindo, achando que era uma piadinha. Infelizmente, não era.
- , pensei dá gente ir para um barzinho pra tomar uma breja e jogar conversa fora, o que acha? – Gustavo entrelaçou a mão com a de Bruno e lhe deu um selinho. Senti uma facada em meu peito. Não achei que vê-lo beijando alguém iria me doer tanto.
- Eu adoraria, mas a cólica está me pegando, não estou aguentando. Acho que vou pra casa, me desculpem. – resolvi dar uma desculpa para ir embora. Não tinha mais clima pra mim.
- Poxa, não dá pra aguentar mesmo? – Bruno me perguntou - Está uma noite tão linda... – ele era um fofo, e os dois faziam um casal tão lindo. Por que eu fui gostar do namorado dele? Eu precisava de um tempo.
- Pois é, ser mulher nessas horas é triste, mas curtam por mim. – beijei o rosto dos dois, Gu me abraçou fortemente, e sussurrou no meu ouvido “um amanhã conversamos”. Mal sabe ele que não me veria mais na cafeteria. Gustavo não precisava saber da minha demissão, pelo menos não hoje.
- Melhoras, querida! – Bruno disse, sorri sem mostrar os dentes e sai. Tudo o que eu queria era voar pra longe dali.
Embarquei no ônibus, e em quinze minutos tinha chegado a minha quitinete.
- Lar, doce lar! – joguei as chaves na mesa e me joguei na cama. As lágrimas que eu tanto prendia resolveram descer como cachoeira de meus olhos. Desempregada e desiludida. Chorava tanto que perdia o fôlego.
O que seria de mim sem emprego? Eu não tinha pra quem pedir ajuda, céus! E para completar meu dia Gustavo namorava! Sem saber, ele acabou com o resto de felicidade que restava em mim. Eu queria apagar aquele dia da minha vida, aquilo só poderia ser um pesadelo. Chorei, chorei tudo o que eu precisava chorar, estava imensamente triste.
Resolvi tomar um banho e fiquei mais tempo do que esperava lá. Enrolei-me na toalha e sai. Passei em frente ao espelho e me olhei, estava horrível. Coloquei a calcinha, uma blusa e um short e fui pra cozinha, olhei a geladeira e lembrei que não tinha nada. Que saco!
Peguei meu celular e utilizei o aplicativo ifood e pedi temaki e rolinho primavera. Meu celular vibrou, era alguma notificação do facebook ou do whatsapp, lembrei que não via minhas redes sociais desde manhã. Respondi algumas pessoas no whats e entrei no face. Mandei felicitações de aniversário há duas pessoas e comecei a olhar o feed de notícias. Logo de inicio apareceram notificações da página do Justin Timberlake resolvi ir visitá-la para me distrair, fazia tanto tempo que eu não via nada do meu príncipe do pop. Deparei-me com uma notícia no qual mostrava sua nova namorada, cliquei para ler. Ri do título da manchete, essas meninas não tinha o que inventar:

Saiba um pouco mais sobre , o mais novo brinquedinho de Justin!*
Quem é ela?
(nascida em 04 de janeiro de 1992 em North Yorkshire, Inglaterra) Ganhou o Miss Inglaterra 2015 e a oportunidade de representar a Inglaterra no Miss Mundo 2016 concurso que se realizou em Sanya, China em 1 de dezembro daquele ano. Durante seu ano como Miss Inglaterra esteve disposta a ajudar a associação de surdos e instituições de caridade e câncer.
Sobre ela:
Ela tem um diploma de Anatomia e Fisiologia. Foi noticiado internacionalmente quando os representantes da comissão do concurso do Miss Inglaterra pediram a ela para "engordar" a fim de obter mais uma "figura feminina" e contribuir para a final da anorexia entre modelos.
Como supostamente a Miss England conheceu Justin Timberlake:
Vocês conhecem Lauren Coleman? Pra você que não conhece eu dou uma explicação rápida. Lauren foi namorada do nosso garanhão da madrugada e como se não bastasse ela foi eleita Miss England 2014. Sim, minhas lindas, se vocês usarem o raciocínio rápido vão chegar a tal conclusão: Laura além de ter adquirido uma bela “gaia” no seu relacionamento com Justin ela resolveu apresentar e unir a amiga (da onça) e seu ex boyfriend. Ok, que pessoa de bom coração essa Lauren, que coisa linda de meu Deus, que orgulho que eu tenho de você, queridinha. Eu não seria tão idiota ao ponto, mais tudo bem não me chamo Lauren, não fui Miss England e nem peguei o príncipe do pop. SHIT essa ultima parte até que não seria uma má ideia.
Do boato a confirmação.
Começaram a surgir boatos no twitter, facebook e afins de que Justin estaria de caso com uma suposta mulher. Não demorou muito pra descobrirem quem seria ela. E também não demorou muito para que o relacionamento fosse confirmado por ela mesma em seu Instagram.
E ai, meninas? Quanto tempo vocês acham que dura esse relacionamento? Façam suas apostas, garotas!

Li sobre aquela notícia e ri, as garotas eram fodas só elas para me fazerem rir num dia terrível como aquele! A campainha tocou, minha comida havia chegado, paguei o entregador e voltei para minha cama. Enquanto comia olhava as fotos dos dois, eles eram tão lindos juntos, que casalzão era aquele? Que mulher maravilhosa! Queria tanto ser ela...
Quase morri engasgada com o grito da minha vizinha falando que havia caído uma estrela cadente, corri para janela e contemplei aquele momento lindo. Lembrei-me dos tempos de quando era criança e torcia sempre para ver uma quando ela caísse para desejar algum brinquedo que meus pais não podiam pagar. Tempos bons aqueles...
Voltei para cama e terminei de comer e decidi deixar a vida do Timberlake e de sua namorada de lado e caminhei até o banheiro, escovei os dentes e me preparei para dormir, pois amanhã eu tinha um dia longo e precisava urgentemente procurar um novo emprego porque as contas iam chegar, e eu não estava disposta a engolir meu orgulho e pedir ajuda aos meus pais. Deixei o celular na mesinha e me arrumei na cama, minha mente estava fervendo em pensamentos, virei-me na cama e vencida pelo cansaço, eu dormi.

***


Senti a luz do sol invadir meus olhos, eu jurava que tinha fechado a janela antes de dormir. Mexi-me levemente na cama e senti dor, mas que dor era aquela no corpo? Parecia que eu tinha tomado uma surra, ou sei lá, que eu tivesse dançado a noite toda, eu não tinha feito nada demais ontem. Resolvi abrir meus olhos, e tomei um susto. Eu não reconhecia o quarto que eu estava, aquilo era muito luxuoso, lençóis de linho, cama de casal... E eu estava nua, céus!
- A bela adormecida resolveu acordar! Trouxe seu café da manhã! Tem morangos no meio – piscou, com um olhar malicioso. Ele trazia uma bandeja nas mãos.
Ai, meu Deus, não pode ser... O que o Justin Timberlake fazia naquele quarto, completamente nu? O que estava acontecendo!?

*Algumas partes da notícia são verdadeiras, e utilizei como fonte o site Hospício do Mcfly.


Capítulo 2

Justin Timberlake ainda me encarava em expectativa e eu não sabia o que fazer, ou como agir... Ele era muito lindo pessoalmente. Seus olhos eram a coisa mais linda que eu já havia visto na vida, aquela barriga sarada, e... Céus... Eu não conseguia parar de olhar para aquela região abaixo de sua virilha, eu nunca tinha visto algo assim pessoalmente!
Eu só posso estar sonhando... Não tinha como aquilo ser real. Belisquei meu braço, mas senti tudo, que espécie de sonho era aquele? Que coisa mais louca!
- ...? – ? Hãn? Por que ele me chamava assim? – Tá tudo bem? - Seu olhar era bem convidativo, suas sobrancelhas estavam arqueadas, e eu? Eu engoli seco.
Não, não podia ser possível o instrumento do rapaz estava dando sinais de vida, eu tinha que sair dali. Aquilo definitivamente não era um sonho!
Justin se jogou na cama e tentou se aproximar de mim, eu me afastei ao máximo até sentir que não tinha mais para aonde eu me locomover. Então minha única reação foi gritar, mas gritar muito, com certeza devo tê-lo deixado assustado, pois ele se afastou no mesmo momento.
Peguei o lençol para me cobrir, levantei correndo da cama e entrei na primeira porta que eu vi na minha frente e a tranquei. Encostei-me a ela, minha respiração estava descompassada e parecia que meu coração sairia a qualquer momento por minha boca. Eu não tinha ideia do que significava tudo aquilo.
Resolvi observar o local o qual eu havia me trancado, era um banheiro, aquele lugar era do tamanho da minha quitinete, sem nenhuma dúvida. Vi um espelho lindo que ocupava uma parede inteira e resolvi olhar minha imagem, com toda a certeza eu deveria estar com olheiras profundas. AI. MEU. DEUS! Esse reflexo definitivamente não sou eu. Olhei para aquela imagem tentando reconhecer de alguma forma, e como um click me lembrei de que era a , a namorada do Justin que eu havia visto na reportagem ontem! Aquilo estava acabando com minha sanidade.
Como isso era possível? Ontem eu me lembrava de ter deitado e dormido em minha cama, nada de estranho tinha acontecido ali. E hoje, me deparo com essa situação, eu estava no corpo de uma pessoa pública, que tinha um namorado lindo e era riquíssima! Uma unha dela resolveria minha situação financeira por pelo menos um ano.
Mexi-me bruscamente, tentando analisar aquele corpo, mas senti uma leve dor na região do pescoço, fui verificar o que poderia ser quando percebi que o pescoço e a região dos seios estavam cheios de marcas roxas. Isso eram chupões! Aquelas manchas estavam espalhadas por alguns lugares do corpo dela... Deus, eles tinham transado a noite inteira, e como transaram, porque o meu corpo estava todo dolorido. Justin deveria ser um furação na cama. Fui interrompida de meus devaneios por fortes batidas na porta:
- O que você tem? Você tá bem? Quase fiquei surdo com o seu grito! – como eu sairia daquela situação? – Responde! Tô preocupado! – eu estava apavorada. - , eu vou arrombar essa porta! – ele não podia arrombar a bendita porta. Respirei fundo, criei coragem e o respondi:
- Espera, Justin... Eu estou bem – apertei mais o lençol em meu corpo – Não arrombe nada.
- Só sai desse banheiro, por favor... – sua voz continha súplica.
- Então se veste que eu saio – Vê-lo nu me desconcentrava e tudo o que eu queria fazer era entender toda essa situação, de preferência sem distrações.
- Mas você cansou de me ver assim, e nunca reclamou – se eu dissesse que nunca o tinha visto pelado, e que não era a namorada dele, eu estaria em um sanatório no fim daquela conversa. Quem acreditaria? Se eu não estivesse vivenciando aquilo, eu sequer imaginaria algo assim.
- Só faça isso, por favor. – pude ouvi-lo respirar fundo. Eu fechei meus olhos – Ah, Justin, por favor, deixa minhas roupas na porta do banheiro.
- Farei o que está me pedindo, mas a gente definitivamente precisa conversar, . – eu suspirei em alívio. Eu só tinha que arranjar um jeito de sair da casa dele. – Suas roupas estão na porta. – abri a porta correndo, temendo ver o que não deveria, peguei a roupa e me tranquei no banheiro de novo.
Que roupa era aquela? Era um micro vestido na cor preta, que tampava apenas o necessário, com certeza as marcas do corpo não seriam escondidas. No meu dia a dia eu nunca usaria esse tipo de roupa, não fazia parte do meu estilo, mas eu não tinha escolha, então eu vesti.
Respirei fundo, contei mentalmente até três e abri a porta do banheiro. Justin estava sentado na cama, devidamente vestido e me olhava impassível.
- O que está acontecendo? – ele mexia com as mãos em sinal de preocupação e sua testa estava franzida.
- Nada, Justin– optei por responder o mais óbvio, já que eu não conseguia pensar em nada.
- Nada? Você grita feito louca, se tranca no banheiro, age como se fôssemos estranhos e acha que nada está acontecendo? – ele estava vermelho, gesticulava muito e aparentava estar bravo. – Tudo está acontecendo! – Eu precisava inventar uma desculpa plausível, caso não ele desconfiaria ainda mais.
- Eu me assustei com sua chegada repentina, estava sonolenta. Desculpe-me. – ele me olhou em dúvida – Me sinto diferente. – melhor resposta não havia, eu de fato, não estava mentindo.
- Muito diferente, diga-se de passagem! – ele suspirou. Eu tinha que sair dali, precisava ficar sozinha para entender melhor a situação toda. Aquilo estava mais para pesadelo, do que sonho.
- Vamos deixar esse assunto pra lá, não é? Já passou – sorri amarelo pra ele, que tinha a face descontente. – Eu... Preciso ir!
- Ir pra onde? – ele me questionou.
- Pra minha casa. – ele arqueou sua sobrancelha direita em deboche. Tentei consertar – Quero dizer, eu tenho uma casa, né? – será que eles já estavam morando juntos? Fiz figa com a mão direita e fechei meus olhos.
- Claro que tem uma casa, mas eu achei que você fosse passar esses dias comigo. – soltei a respiração que nem percebi que prendia, abri meus olhos e o encarei.
- Pois é, mas houve um pequeno imprevisto e eu preciso ir pra casa. Sinto muito. – avistei a bolsa da garota em cima da mesinha ao lado da cama, e fui em direção a ela.
- Que imprevisto? – ele segurou minha mão. Tinha que inventar uma bela desculpa e para ajudar eu não conhecia nada daquela mulher.
- Justin, hãn – ele me olhava confuso – Justin...
- Que imprevisto, ? – ele perguntou, curioso.
– É que... Minha mãe esta indo pra casa?! – inventei aquela desculpa, torcendo que ela tivesse uma mãe viva.
- Sua mãe? – senti meu coração parar - Mas ela mora em North Yorkshire, é muito longe da América, é na Inglaterra! – quase ajoelhei no chão agradecendo a Deus por ela ter uma mãe.
- Pois é, ela avisou ontem, esqueci de te falar. – ele passou a mão no queixo, parecia ponderar.
- Certo, te deixo em casa então. – ainda bem que ele acreditou – Mas eu vou querer conhecer sua mãe! – fiquei pálida.
- É que... – tentava pensar em algo plausível - Vamos com calma, ok? Primeiro me deixa em casa, e depois pensamos nisso, que tal? – sai pela tangente como estava fazendo desde sempre. Enquanto isso eu tinha tempo para inventar uma desculpa boa.
- Certo, amor! – aquilo era estranho de se escutar. Nunca em minha vida eu pensei que escutaria Justin Timberlake se referir a mim como amor, aliás, eu nunca achei que ele sequer olhasse para mim algum dia. Ele era tão lindo, eu tentava disfarçar, mas era impossível não olhar aqueles olhos azuis... – Vamos? – acordei do meu transe, sem graça. Ele me olhava de uma forma engraçada.
Eu me lembrei de que precisava de um celular, seria meu primeiro passo para voltar para casa. Dei uma checada na bolsa e vi que tinha um lá dentro, suspirei aliviada.
- Sim, vamos! – apertei o elevador, e aguardei já que ele morava naqueles prédios no qual os apartamentos são um por andar. Entramos no elevador, e ficamos calados.
Chegamos ao térreo, ele segurou a minha mão direita antes de descermos do elevador e a entrelaçou com a sua. Céus, aquilo era mágico, sua mão era quente e macia. Suspirei fundo, tentando me recuperar do choque que parecia que tinha tomado. Fomos caminhando até a garagem. Percebi que Justin estava bem calado, parecia chateado. Senti-me um pouco culpada, mesmo não sendo. Essa situação toda era bem complexa.
Ele avistou seu carro e o destravou. Resolvi puxar assunto com ele pra quebrar aquele silêncio chato:
- Tá frio, né? – o olhar que ele me direcionou continha certo deboche.
- Sério mesmo que você tá me perguntando sobre o tempo? – mordi os lábios, nervosa. Eu só estava tentando quebrar aquela tensão, mas acho que piorei tudo.
- Justin... – o impulsionei a falar. Ele me olhou, desfez o entrelace de mãos, respirou fundo e entrou no carro. Tinha me arrependido de ter tentado puxar assunto por conta daquele olhar. Eu sabia que tinha cutucado onça com vara curta. Olhei para o céu, contei mentalmente até três e entrei no veículo.
- Eu volto ontem de uma gravação intensa de um filme que durou uns bons meses, e você já me abandona hoje! Você não faz questão nenhuma da minha presença, – ele fez um biquinho adorável, senti uma vontade imensa de beijá-lo, aquele homem era a coisa mais linda que eu já tinha visto - Sabe quanto tempo à gente não passa um fim de semana juntos? – ele já ligava o carro, enquanto eu me posicionava para colocar o cinto de segurança.
- Faz muito tempo...? – perguntei cautelosamente, já prevendo sua resposta.
- Sim, quase três meses, ou seja, quase o tempo todo do nosso namoro.
- Uau! – arregalei os olhos, chocada. E eu pensando que namoro de famoso era tudo as mil maravilhas, ledo engano. – Justin, entenda que faz muito tempo que não vejo minha mãe... Tenho saudades dela - inventei aquilo, eu imaginava que esses artistas eram muito ocupados para terem tempo para família.
O veículo começou a se movimentar.
- Eu não entendo, isso foi tão de repente, você não me avisou nada.
- Pois é, ela me avisou ontem, não consegui falar com você sobre isso. – ele me olhou rapidamente, voltando sua atenção ao trânsito.
- Sem chances mesmo, ontem você estava insaciável. Três vezes seguidas!– senti que meu rosto pegava fogo naquele exato momento, ele sorriu enquanto parava o carro em um farol e me observava – Ontem você não parecia com vergonha – ele riu.
- Ah, é... – respondi com um fio de voz, sorri sem graça. Eu não queria saber os detalhes da noite louca que eles tinham tido. Céus!
- Justificável você não ter falado nada – ele deu partida no veículo e sorriu. Ainda bem que ele tinha mudado de assunto – É bom também que eu conheço a minha sogra.
- NÃO! – Eu gritei, desesperada. Ele me olhou de forma estranha.
- Ué, mas por que não? – eu empalideci, eu precisava inventar algo plausível.
- Bom, é que... – tentava pensar em algo, mas nada vinha em minha mente.
- É que... – ele me incentivou a falar.
- Olha, Justin, minha mãe ela é... Tem problemas depressivos. – quase pulei de euforia por pensar em algo bom – É isso! Ela veio me ver para passar um tempo comigo, não acho adequado que ela te conheça nessas circunstâncias... Quero que você a conheça quando ela estiver bem.
- Nossa, , por que nunca me contou algo assim? Isso é muito importante – ele me olhava magoado.
- Ei, me desculpe – me senti um pouco mal por mentir com algo tão grave, mas infelizmente tinha que ser algo assim, se não ele não acreditaria – Eu não contei porque tive medo...
- Medo de quê? – ele encostou o veículo em frente a uma casa, e virou-se totalmente para mim.
- Medo de tantas coisas, é uma coisa íntima, sabe?
- Sim, eu sei. Mas quero que saiba que pode sempre confiar em mim – ele segurou minha mão e sorriu de uma forma tão linda, deu vontade de apertar as bochechas dele. Essa mulher tinha uma sorte imensa, Justin era completamente apaixonado por ela. – Pra tudo mesmo.
Ele foi se aproximando devagar, eu o olhava encantada, era impossível desviar daquele olhar, era meu sonho de fã se realizando ali, eu o tinha tão perto de mim, eu nunca pensei que isso pudesse acontecer. Os nossos narizes quase se tocavam, ele já tinha fechado os olhos, aquela atmosfera era maravilhosa. Ele quase encostava seus lábios nos meus, quando eu virei de repente meu rosto e o beijo pegou em minha bochecha.
Era errado aproveitar de uma situação assim, ele queria beijar e não a mim, . Direcionei meu olhar para a janela, senti seu olhar queimar em mim, mas graças a Deus ele nada disse. Ele desceu do veículo, e eu percebi que aquela casa enorme no qual estávamos estacionados em frente era a minha. Justin foi em direção à guarita, conversou com o porteiro que abriu o portão social. Desci do veículo e fui em direção à entrada da casa, quando fui surpreendida por um leve puxão em meu braço.
- Eu vou descobrir porque você está estranha, . Pode apostar. - engoli em seco, me soltei dele e entrei no portão sob seu olhar inquisidor.
Virei para trás e pude ver quando ele entrou no carro e partiu. Respirei aliviada, por hora. Eu não sei o que faria caso essa situação se demorasse a estabilizar. Céus, eu tinha que descobrir um jeito de voltar para a minha vida.
Fiquei parada por um tempo, sem saber o que fazer. Resolvi, por fim, adentrar o lugar, passei pelo porteiro e o cumprimentei. Quando realmente olhei aquela área, quase cai pra trás, como uma pessoa sozinha poderia morar em um lugar daquele tamanho? Resolvi que para tentar conhecer melhor onde estava pisando exploraria o lugar e veria no que daria.

***


Já tinha conhecido aquela mansão inteira, depois de um tempo, a casa possuía onze quartos, e três eram suítes. Uma delas eu pude perceber que era o quarto de , pois tinha um closet enorme com roupas caríssimas e muito bonitas, uma cama de casal com dossel, um sofá e uma escrivaninha.
No restante da mansão, observei que tinham doze banheiros, vastos jardins, uma piscina coberta, uma biblioteca, cozinha comercial, uma academia, um monte de salas que eu não consegui entender quais eram as funções, e tinha uma garagem gigante para uns dez carros, ou mais e lá avistei quatro carros e uma moto estacionados.
Outra coisa que constatei era que havia muitos funcionários no local, mas também não teria como manter aquele lugar sem muita mão de obra. Aquilo tudo era um tremendo exagero!
Nesse momento, estava deitada na cama dela, enquanto vasculhava o Iphone 7 que ela possuía, que para a minha sorte, não precisava de senha, pois ele possuía leitor de digitais. As fotos dela eram maravilhosas, um photoshot mais lindo que o outro. Não encontrei nada relevante ou que eu pudesse usar para conhecer mais sobre a personalidade dela. Descobri fuçando o site Wikipédia apenas que ela era de capricórnio, e tudo o que eu pesquisava sobre o signo era que possuía um coração de gelo e só pensava em dinheiro...
Ouvi batidas na porta, respondi entra e vi que era uma funcionária da casa. Ela apenas colocou a cabeça para dentro do quarto.
- Oi, pode entrar – ela me olhou surpresa e finalmente entrou de corpo todo no quarto.
- Boa tarde, senhorita – quanta formalidade... Será que a Miss exigia este tipo de tratamento? – O que a senhorita gostaria de comer para o jantar? – estava tão entretida com o local que só fui perceber que estava com fome quando ela me perguntou. Eu comeria qualquer coisa, sem dúvidas. Será que eu poderia pedir qualquer coisa mesmo? Lembrei-me de algo que fazia muito tempo que eu não comia.
- Bom, eu quero lasanha – sorri largo pensando na possibilidade.
Percebi que a moça me olhava com os olhos arregalados. Fiquei pensando sobre qual era o problema com o alimento. Como um click, percebi o que acontecia: uma modelo como precisava ser magra, já que utilizava o corpo como instrumento de trabalho, ou seja, ela não comeria algo assim. Sinceramente? Eu pouco me importei, enquanto estivesse nesse corpo, não passaria vontade mesmo, sorry, honey, quando você voltar para o seu corpo, terá que malhar. Ri internamente.
- Certo, senhorita. – depois de um tempo ela conseguiu proferir. Ela nunca me olhava diretamente, sempre com a cabeça abaixada, achei aquilo tão estranho. Ela ia saindo do quarto, quando a chamei de volta.
- Ei, o jantar vai demorar muito? Estou faminta. – perguntei, senti que minha barriga tinha criado vida sozinha, tamanho era o ronco dela.
- Creio que sim, já que terei que comprar os ingredientes... Quer que eu traga algo? – ela perguntou, prestativa. Ela era tão fofinha, eu tinha gostado dela.
- Sim, por favor. Trás algumas frutas, de preferência uva, se tiver. – a moça franziu o cenho, confusa.
- Mas a senhorita detesta uva – fiquei extremamente surpresa. Ela não gostava de uva... Quem não gosta de uva? Eu simplesmente amava.
- Pois é, mas agora eu gosto – dei um sorrisinho amarelo, a moça me olhava incrédula. Eu não abandonaria minha fruta preferida porque não gostava. Por Deus, sabe se lá o quê mais essa mulher não gostava, suas manias, seu jeito... Eu precisava de ajuda, aquele fardo era muito grande para ser carregado sozinho, mas em quem eu poderia confiar?
- Certo – ela respondeu me despertando dos meus devaneios – Ah, o porteiro fez o que a senhorita lhe ordenou quando viu que o senhor Justin havia ido embora, como sempre. – Ela sussurrou a última parte. O que essa mulher havia pedido ao porteiro? Rezando aos céus e aos meus anjos protetores, caso eu tenha, que não seja algo ruim.
- Tudo bem, obrigada... Qual é o seu nome mesmo? – perguntei. Ela me olhou esquisito, provavelmente achando que eu era louca.
- Meu nome é – ela respondeu, olhando novamente para baixo – Com licença. – ela completou a fala e se retirou do local da forma mais silenciosa que conseguiu. Joguei-me na cama, de braços abertos e suspirei alto. Não fazia nem 24 horas que estava nessa vida e eu já queria sumir.

***


, depois de alguns minutos, veio trazer as uvas eram das verdes, minhas preferidas. Estavam maravilhosas, comi até a barriga parar de roncar. Acabei dormindo a tarde inteira e fui acordada próximo das 19h00min, pois o jantar estava servido.
Pulei da cama e fui até a sala de estar, no qual estava exposto um banquete, pude perceber que a lasanha estava ali, e mais um monte de outras coisas. Pelo que eu constatei, somente para mim, nem se eu estivesse sem comer o dia inteiro eu comeria aquilo tudo. Era extremamente exagerada uma mesa daquelas. O que aconteceria com aquela comida, caso eu não comesse? Iria para o lixo? Vi que os funcionários estavam prontos para qualquer coisa que eu pedisse, então tive uma brilhante ideia.

- Por que vocês, ao invés de me olharem enquanto eu como, não compartilham dessa refeição comigo? – Vi que todos os funcionários paralisaram no local, alguns tossiram desacreditados.
- A senhorita só pode estar brincando – o mordomo, ou sei lá o que era, tinha a face descrente.
- Não estou, agora sentem todos – eles pareciam não acreditar. Resolvi ordenar – Sentem, todos agora, é uma ordem! , traga os pratos e chame o restante dos funcionários da cozinha – assentiu, incrédula. Foi até a cozinha e trouxe mais pratos e talheres, e mais alguns funcionários, como ordenado. Em seguida todos pegaram um e sentaram-se e começaram a se servir da comida. Se eu não comesse tudo aquilo, grande parte com certeza iria para o lixo e era uma judiação, odiava desperdício. Sorri satisfeita com a cena, e resolvi começar a degustar da comida. E nossa... Aquela lasanha estava divina.
- Quem fez a lasanha? – perguntei. Uma senhora que aparentava ter seus cinquenta anos levantou a mão, estava trêmula – Está divina! Parabéns! – dei uma piscadela a ela.
- Obrigada, senhorita! – surpresa, ela acabou por sorrir alegremente.
Depois daquilo, mais nada havia sido proferido, comemos o jantar inteiro em silêncio, se tivesse uma faca era possível cortar a tensão ao meio, eles não estavam muito a vontade naquela situação, completamente compreensível. Das duas uma: ou nossa Miss tratava muito mal os seus funcionários, ou simplesmente fingia que eles não existiam, apostava muito na primeira opção.

***


Fui para uma das inúmeras salas assistir algo na tevê, pois todos os funcionários haviam se recolhido já que eu os dispensei. Vi que havia incontáveis ligações no celular dela, muitas de Justin, outras de uma mulher chamada Melissa e de alguns outros números. Já o whatsapp bombava com notificações de mensagens de nomes masculinos.
Fui surpreendida com o barulho da campainha, mas quem seria? Era alguém de confiança, já que o porteiro havia liberado a passagem da pessoa. Suspirei e rezei mentalmente que não fosse o Justin, se não estaria ferrada, ele descobria a farsa da história da mãe.
Encaminhei-me a porta, tremendo muito, respirei fundo e a abri. Para minha sorte não era Justin. Quem estava ali era um rapaz bonito, que possuía um sorriso esperto no rosto. O que seria dela? Um irmão? Amigo?
- Finalmente, ! Achei que você não fosse dispensar aquele mala do Justin nunca mais – ele foi entrando pelo local, como se fosse parte de lá. O olhei incrédula. – Estava com uma saudade de você, quando o porteiro me ligou, voltei o mais rápido possível para casa já que estava na academia, tomei um banho e não pensei duas vezes em vir pra cá. É bizarro, porque nem faz muito tempo que a gente se viu... – ele falava tudo aquilo muito rápido. Opa, opa, jogo perigoso, isso não podia ser o que eu estava pensando, era absurdo.
- Hãn? – fora tudo o que eu consegui proferir. Já ele tinha uma cara bem maliciosa. Inevitavelmente, me preocupei.
Foi tudo muito rápido, quando percebi estava deitada no sofá com ele por cima de mim, enquanto sentia sua boca pressionada na minha, sua língua pedindo passagem para de fato tornar aquilo um beijo com tudo o que se tem direito.
Ai, meu Deus, tinha um amante!



Capítulo 3

Ele ainda forçava a língua em meus lábios para que eu desse a passagem a ele, mas eu os tranquei. Eu tinha que tirar aquele rapaz de cima de mim. Com muito esforço eu consegui empurrá-lo e o joguei no chão. Rapidamente corri para longe dele, que me olhava sem entender.

- Você é completamente louco! – ele tentava se aproximar, eu corria para longe dele.
- Amor, eu te quero, você me quer... Qual é o problema nisso? – ele sorria descarado.
- Primeiro: não se aproxime de mim. Segundo: vai embora! – eu gritava. Estava muito assustada com toda a situação.
- Eu não entendo, você que teve a ideia dessa história entre nós, não poupava esforços para me seduzir na academia – eu o olhava chocada. Então era ela quem tinha seduzido ele... Que safada!
- Agora eu não quero mais – eu estava atrás de uma pilastra, tentando me distanciar ao máximo dele, que insistia em se aproximar.
- Isso não é tão simples assim. Eu não sou um brinquedo que você usa, e depois não quer mais, ! - eu precisava agir e rápido, se não aquilo tomaria proporções gigantescas. Ele se aproximava, corri para outra parede.
- Eu sei, e não estou dizendo que é... – estava encurralada entre a parede da sala e ele que, infelizmente, havia conseguido me alcançar.
- E então? – seu olhar tinha ternura e afeto? Ah, outro que estava completamente apaixonado por ela. O que essa mulher tinha para seduzir tantos homens?
- Bom, é que... – quase sorri por ter pensado nisso - O porteiro errou, o Justin foi comprar algumas coisas, mas ele já volta! Vai embora agora, ele não pode te ver! – ele pareceu compreender. Acho que no final disso tudo, vou largar a minha promissora faculdade de engenharia e vou ao domingão do Faustão pra me virar nos 30. Falou em improviso? É comigo mesmo.
- Ah, isso. Por que não disse antes? – mais uma vez fui pega de surpresa por um selinho dele, um sorriso esperto e um aceno de mãos apressado e logo pude ouvir a porta bater.

Suspirei fundo, encostei-me a parede, deslizei nela, e abaixei a cabeça. Que tipo de pessoa era? Quão baixo ela conseguia ser traindo Justin, que a amava tanto?! Eu estava indignada! Que situação mais deprimente eu me encontrava... Senti que algumas lágrimas desceram por meu rosto, eu só queria minha vida de volta.
Limpei-as rapidamente de minha face, tentando me recompor, abri a porta e sai decidida em direção a aquele enorme jardim. Subi a ladeirinha e cheguei próximo à guarita do porteiro. Bati ali três vezes e logo o porteiro abriu o local, com estranheza no olhar.

- Ei, boa noite! – o abordei, sorrindo forçadamente, tentando esconder que tinha chorado.
- Oi, dona ! – ele deu um meio sorriso, encabulado.
- Então, vou ser direta: sabe aquele rapaz? - ele franziu o cenho – Esse que saiu agora.
- Ah, sim... O que tem ele?
- Quando o Justin sair, não o chame mais. Aliás, não o deixe entrar mais aqui nessa casa – o rapaz assentiu rapidamente com a cabeça.
- O professor de pilates também? – Deus, ela tinha ainda mais homens na vida dela. Como conseguia?
- Sim, não deixe mais nenhum amante meu entrar aqui em casa, por favor.
- Sim, senhorita. Não vou mais ligar e não deixarei que entrem mais aqui.
- Obrigada, com licença. – estava quase voltando para casa, quando tive uma ideia que me pareceu perfeita e me ajudaria nessa loucura toda. – Ah, e quando chegar na segunda-feira mande-a me procurar, por favor. – o rapaz assentiu em compreensão e eu voltei para casa a passos lentos.

Parecia muito estranho, talvez eu me arrependesse, mas eu precisava confiar em alguém e parecia uma pessoa sensata, e ela, mais do que ninguém, deveria saber muitas coisas dessa mulher, e eu precisava de ajuda. Eu sabia que a cada minuto surgiria alguém me ditando coisas, ou me agarrando por ai, e com certeza no final daquele mês estaria internada em um manicômio. Se eu quisesse sobreviver, eu tinha que contar a alguém.

***

O domingo passou sem nenhuma novidade, e eu agradeci muito por isso. Justin ligou muitas vezes no celular dela, mas eu não tive coragem para atendê-lo, eu não saberia o que falar, e eu não queria mais mentir, então o evitaria.
Passei a noite de domingo para segunda em claro, estava preocupada, pois sabia que o momento de contar a alguém se aproximava. Eu pensei em várias formas diferentes de começar a tocar no assunto, mas nenhuma era boa o suficiente, então eu improvisaria.
Já se passava das 08h30min, e eu estava com o notebook aberto, vendo meu facebook, algumas menções da minha família, mas nada importante. Ninguém relativamente tinha sentido minha falta nesses dois dias, isso era bem triste no fim. Fui surpreendida por batidas na porta, deveria ser , então rapidamente eu autorizei a entrada.

- Bom dia, o James me avisou que a senhorita queria falar comigo. Não a acordei, né? – ela me questionou, preocupada.
- Bom dia, e não, não me acordou, – a tranquilizei – O que eu tenho para falar com você é bem importante, então sente-se, por favor. – senti meus lábios ficarem secos. tinha os olhos arregalados.
- Olha, senhorita , por favor, não me mande embora! Eu preciso mesmo desse emprego, seja lá o que eu tenha feito e que a senhorita não tenha gostado, eu prometo não fazer mais e... – fiz um gesto com as mãos para que ela parasse.
- Não vou te mandar embora, fique tranquila – apontei para o sofá para que ela se sentasse, ela o fez, relativamente mais aliviada, e com um leve sorriso no rosto. – Bom, eu tenho que te contar uma coisa, mas isso precisa ficar entre nós, está bem?
- Claro, senhorita. – aquela formalidade toda me incomodava, mas fiquei calada, aquela não era hora para falar daquilo.
- Você notou que eu estou estranha? – eu a questionei.
- Sim, desde que voltou do encontro com o senhor Justin – ela abaixou a cabeça – Me desculpe – ela colocou a mão na boca, como se tivesse dito algo errado.
- Está tudo bem, queria que me dissesse isso mesmo. – ela me olhou confusa – Bom, o que eu tenho para te contar é algo que pode parecer loucura, mas não é. Eu te peço para que não surte, ou nada do tipo, eu preciso mesmo da sua ajuda para isso. – ela me olhava em expectativa.
- Pode confiar em mim, prometo que não contarei a ninguém. – eu sorri. Ela parecia mesmo alguém de confiança.
- Eu pensei em um jeito delicado de te contar isso, mas descobri que não tem, então... – fechei os olhos e falei de uma vez – Eu não sou .

Primeiro, ela me olhou assustada, depois ela começou a rir e rir muito. Eu esperava todas as reações possíveis, menos aquela. Eu a olhava séria, e ela ria cada vez mais. Ela foi percebendo que aquilo não era brincadeira, e ajeitou-se no sofá, sem graça, parando de rir aos poucos.
- Me desculpe, senhorita – ela abaixou a cabeça, olhando para suas mãos.
- Infelizmente não é uma brincadeira. Eu não sou , meu nome é , eu tenho dezoito anos, sou brasileira e estou presa no corpo dessa mulher. – seu olhar tinha mistura de deboche e choque.
- A senhorita quer que eu chame o doutor Daniel? Pode ter batido a cabeça ou... – eu a interrompi, bruscamente.
- Não, eu não bati minha cabeça e não quero que chame ninguém! – eu me aproximei da garota, e segurei em suas mãos – Olha, é difícil de acreditar. Eu não sei como, mas aconteceu, eu não sou ela, e posso te provar isso. – ela balançava a cabeça negativamente.
- Isso é impossível, como alguém troca de corpo? – ela me olhava, descrente.
- Eu não sei... É por isso que eu preciso da sua ajuda para entender isso. Não sou louca. Eu juro – me ajoelhei sobre os pés da garota, eu estava mesmo desesperada. - Acredite em mim, por favor – sentia que lágrimas já desciam por minha face.
- Loucura! Isso é loucura! – ela se levantou do sofá – Loucura demais – ela andava pelo quarto, enquanto eu permanecia no chão, calada, sentindo que mais lágrimas desciam. Ela balançava a cabeça negativamente.
- ... – sussurrei seu nome, ela olhou em minha direção – Eu não tenho nenhum problema psiquiátrico, eu não sou ela mesmo. – ela fazia uma careta, como se aquilo que eu falasse fosse algo irreal, e realmente era.
- Só levanta desse chão, por favor. – ela me ajudou a ficar de pé – Se você não bateu a cabeça como diz...
- Não, pode perguntar para o Justin, eu tenho certeza que não bati a cabeça.
- Vou entrar na sua loucura, senhorita . Está sendo bem difícil pra eu assimilar isso, mas eu lhe darei um voto de confiança. Não é possível que alguém possa inventar algo assim, e eu não suporto ver alguém chorar desesperada assim – pude respirar mais aliviada, e minha única reação foi correr para abraçá-la - Não, você definitivamente não é a , ela nunca abraçaria a ralé dessa forma. – eu sorri, me separando de seus braços, enquanto ela ria levemente, ainda sem acreditar muito naquilo. Ela passou a mão pelo meu rosto, secando minhas lágrimas. Ela estava desconfiada, e eu entendia.
- Obrigada por me dar esse voto de confiança, ! Eu sei que você não está 100% convencida dessa loucura, mas eu vou te provar – eu a conduzi para a minha cama, no qual nos sentamos uma de frente para a outra. – Olha, , eu te contei tudo isso porque quero que me ajude a voltar para a minha vida no Brasil.
- Certo, eu te ajudo. O que você precisa especificamente? – ela me olhava atenta.
- Primeiro eu preciso conhecer essa mulher, seus hábitos, seu jeito, não posso de maneira alguma causar muita desconfiança nas pessoas.
- É verdade, foi muito estranho você perguntando meu nome, sendo que eu trabalho aqui há dois anos. – ela riu alto.
- Pois é, não posso cometer esses erros – eu sorri. Resolvi perguntar algo que me incomodava muito – Me responde uma coisa: quantos amantes possui?
- Muitos, mas os que mais vêm aqui é o gostosão da academia e o professor de pilates – Céus, ela o traia mesmo com vários homens – Ela aproveita que o senhor Justin viaja muito por conta dos filmes, turnês e o trai por onde passa.
- Eu achei que ela fosse apaixonada por ele, pelo menos é a mensagem que as fotos passam – eu a olhava, sem acreditar.
- As fotos dizem muitas coisas... – ela olhou para o chão – Eu a escutei conversando com a dona Melissa, e ela disse que precisava de Justin ao seu lado para que não tivesse a carreira acabada. – ela comentou, ressabiada.
- Que mulher baixa – eu a olhava, desacreditada – Espera, quem é Melissa? – me lembrei de ter visto esse nome no celular dela.
- É estranho falar mal dela, já que você está no corpo dela, isso é bizarro – ela riu, sem graça, balançando a cabeça – Melissa é a empresária e irmã dela. – assenti em compressão.
– Você não gosta muito dela, não é? – pisquei pra ela, com um sorriso esperto.
- Eu a odeio. – ela disse de repente - Ela é muito arrogante, me trata como lixo! Não só a mim, mas a todos os funcionários daqui. Sempre precisei manter a cabeça abaixada e fingir demência para que eu não voasse no pescoço dela. Sou imigrante e preciso desse emprego, se não tinha pedido as minhas contas.
- Eu imaginava que ela fosse grosseira, mas humilhar os funcionários é demais. – comentei, indignada - De qual país você é?
- Sou do México – ela sorriu distante, provavelmente alguma lembrança passou pela sua cabeça. - Temos algo em comum: somos latinas – sorri levemente para ela, que assentiu. - Você com essa aparência não tem nada de latina, mas ok. – ela fazia uma leve careta. Acabei rindo – Nossa! Todos os funcionários estavam achando loucura quando nos convidou para sentar a mesa e jantar. Quando houve o elogio à dona Jane então... Nossa aquilo foi demais, já que para nada do que Jane fazia era bom o suficiente para o seu paladar.
- Percebi que a senhorinha estava trêmula e... – fomos interrompidas bruscamente por uma mulher loira, que entrou esbaforida pelo quarto.
- ?! O que faz a criadagem sentada na sua cama? – uma mulher loira estava estagnada na porta enquanto olhava a cena boquiaberta.
Nina estava pálida enquanto encarava a loira. Rapidamente ela se levantou da cama, desesperada e saiu do quarto, provavelmente estava com medo. Pior, ela não tinha me dito quem era essa mulher! Resolvi tentar falar algo:
- Ela... hãn – ela me interrompeu.
- Isso não importa! Eu tentei falar com você o fim de semana inteiro, liguei até para o palerma do Justin atrás de você, e ele veio com uma história que mamãe estava aqui. Eu quis rir na cara dele, mas como sempre, acobertei sua mentira. Mana, você não toma jeito mesmo – fez uma breve pausa para respirar, mas logo retomou o assunto – Quem foi? O musculoso delicia, ou o professor tarado? Melhor, foi algum carinha novo?

Ah, essa era irmã dela. Melissa! Não posso me esquecer desse nome. Eu estava tentando processar tudo aquilo que ela tinha falado. Por fim, conclui que eram cúmplices. Por que isso não me surpreendia em nada!?

- , você está bem? – ela sentou-se ao meu lado na cama, me olhava preocupada. Provavelmente minha face deveria estar bem esquisita.
- Estou... – resolvi entrar no jogo, pelo menos por enquanto – E foi o gostoso da academia.
- Hum... Bela escolha. – ela sorriu maliciosamente – A desculpa da mamãe foi a melhor. Justin é um idiota mesmo por ter achado que ela sairia da Inglaterra pra vir pra cá.
- Pois é, não é? – forcei um sorriso.
- Chega de papo, vamos trabalhar! – ela bateu palmas se levantando e indo até o closet da miss.
- Trabalhar? – não pude evitar a pergunta.
- Claro, tá louca? Esqueceu-se do comercial da Crest? – eu não fazia ideia do que era – Você tá tão estranha... – engoli seco e mordi meu lábio inferior – Levanta dessa cama!
Levantei em um pulo com o susto pelo grito repentino que ela dera. Fui em sua direção, e a olhei atentamente.
- Vista isso – me entregou a roupa - Te espero em dez minutos lá embaixo. Não podemos nos atrasar – bateu a porta do quarto.
Coloquei a peça de roupa que ela havia pedido rapidamente, peguei uma sapatilha e a coloquei. No cabelo, fiz um rabo de cavalo firme. Tentei me acalmar, mas estava morrendo de medo. Sai do quarto e desci as escadas devagar. Cheguei à sala, procurei por , mas não a avistei. Percebi uma movimentação na sala de jantar e me direcionei para o local. Vi que havia um banquete de café da manhã, no qual Melissa já se encontrava sentada a mesa, degustando. Pude ver ao canto da sala, pronta para atender alguma coisa que a mulher solicitasse.
- Você já se arrumou? Que rápida, mana! – eu não pude evitar uma leve careta – Para de me olhar com essa cara e senta logo pra tomar café! – Rapidamente me sentei. Peguei um pãozinho francês, comecei a passar nutella nele. Recebi um tapa em minha mão, larguei o pão por reflexo.
- Ai, o que houve? – perguntei irritada. Aquele tapa tinha doido.
- Você está louca? Hoje não é o dia do lixo! Por Deus!

Respirei fundo, e me direcionei ao cesto de frutas e lá peguei uma maça, fiquei tentada a pegar uva, mas me lembrei de que havia dito que ela detestava.
Eu olhava Melissa com muita raiva, ela devorava aquele pãozinho francês com nutella com uma boca extremamente boa, enquanto eu tinha que me contentar com uma maçã, uma mísera maçã. Depois de um tempo, terminamos de tomar café sem nenhum acontecimento extraordinário.

- Vamos? – Melissa estava de pé, enquanto mexia em seu celular. Procurei , mas não a encontrei, eu precisava falar com ela.
- Vamos, pode ir indo pro carro eu já te sigo. Preciso conversar urgente com , deixar as ordens para o almoço.
- Não voltaremos para almoçar. – Melissa mexia no celular, concentrada.
- Eu sei, me confundi, quis dizer o jantar – ela assentiu e eu corri em direção à cozinha, vendo guardando algumas coisas que não tinham sido usadas no café da manhã. – , coisa rápida: O que é Crest?
- É um creme dental. É um dos mais vendidos na América. – ela sussurrou – Por quê?
- Vou gravar um comercial para eles. – coloquei o dedo na boca, tentada a roer a unha, uma mania que eu tinha quando ficava nervosa – Eu tô com medo.
- Vai dar tudo certo, é só mostrar seus dentes. Geralmente é assim que se gravam comerciais de cremes dentais. – ela tentava me passar segurança.
- Será mesmo? – perguntei, desconfiada.
- Pode apostar que é sim – ela me deu alguns afagos nas costas.
- ! – me assustei com o grito de Melissa.
- Vai logo antes que ela desconfie, e boa sorte – me empurrou para fora da cozinha delicadamente.

***


Chegamos ao local e fomos recepcionadas por uma moça chamada Emma, que informou ser a assistente do diretor. Ela me conduziu até o camarim. Dentro dele tinha o maquiador e o cabelereiro. Sentei-me na cadeira giratória, enquanto o cabelo era escovado e não demorou muito para que fosse terminada a escova. Fui orientada a ir ao banheiro para escovar muito bem os dentes, já que o instrumento do trabalho seria ele. Voltei do banheiro e entrou em ação o maquiador que fez um trabalho bem natural. Dispensada dali, me encaminhei ao estúdio que era grande, mas nada extravagante. Vi Melissa conversando com algumas pessoas, e me senti deslocada. Resolvi ficar longe, não queria atenção pra mim, mas minha paz logo se acabou quando um moço se aproximou.
- Minha estrela! – ele sorriu e me abraçou, fui pega de surpresa, mas tentei retribuir ao abraço dando tapinhas desajeitados nas costas dele. – Está lindíssima, como sempre – tentei sorrir o mais verdadeiro possível, tarefa difícil já que eu estava bem nervosa. – Ah, esse sorriso... – vi em seu colete que ele era o diretor de cena.
- Minha irmã é maravilhosa, não é, Tomas? – Melissa chegou repentinamente, intrometendo-se no assunto.
- Sim, é uma grande pena que namore – senti as bochechas esquentarem. Eu era uma droga com elogios, talvez porque minha autoestima nunca fora elevada, então quando eu era elogiada, eu sempre ficava com vergonha. Eu tinha que colocar na minha cabeça que aquele elogio não era pra mim.
- Isso nunca foi um empecilho pra ela, curte relações extra conjugais – engasguei com a saliva e comecei a tossir, eu não conseguia respirar – Alguém trás água pra ela. Rápido! – rapidamente apareceu uma moça e trouxe o copo, fui bebendo aos pouquinhos e voltando a respirar normalmente.
Melissa era nojenta demais, jogando o diretor de cena em cima da própria irmã, sem nenhum pudor!
- Está melhor? – Tomas perguntou e eu assenti. Percebi que quanto menos eu falasse melhor seria. – Julie, trás o texto pra ela dar uma olhada e decorar, por favor – uma moça apareceu com uma folha de sulfite na mão e me entregou.
E disse que eu teria que apenas sorrir, estava mesmo bom demais pra ser verdade.
Depois de uma hora decorando aquele texto e fazendo alguns ensaios, eu fui chamada para me preparar para a cena. Posicionaram-me no local adequado, tinham duas atrizes que participariam, e pelo o que percebi seriam “minhas amigas” durante a cena do comercial. Eu faria a propaganda dentro de um estúdio que tinha aspecto de um banheiro.
- Vamos lá, todos posicionados – a assistente afirmou positivamente, e todos que estavam em cena também – 3, 2, 1 e gravando!

- Aquele rapaz era maravilhoso! – entramos na porta enquanto uma das garotas falava sobre um rapaz fictício. Ela pegou o creme dental da bolsa, e percebi que era a minha vez de entrar em cena. Respirei bem fundo.
- Vocês já ouviram falar do creme dental Crest?
- Não – as duas disseram juntas. Peguei o creme dental e o posicionei na câmera, conforme o ensaio.
- O Creme dental Crest combate a cáries; proteção contra os danos de... Os danos... É – que danos eram mesmo? Eu não me lembrava de nada.

- CORTA! – o rapaz gritou – , atente-se ao texto! Se posicionem, vamos de novo! – revirei os olhos lentamente.

*


- O creme dental Crest* combate a cáries; proteção contra os danos causados por ácidos na placa dental; prevenção da deterioração dos dentes; fortalecimento das áreas danificadas pelo açúcar; combate a formação de tártaro; redução de manchas superficiais; e frescor do hálito sempre. E tem um delicioso gosto de canela hum... Crest, a marca mais vendida no mercado americano! – estiquei aquele sorriso forçadamente lindo para a câmera.

- Certo! Pela primeira vez depois de seis vezes você conseguiu decorar o texto – Melissa me fuzilava. – Mas cadê a emoção? De novo!
Eu não aguentava mais aquela tortura!

***


- O que está acontecendo com você, hein? – a empresária estava bem zangada. Estávamos a caminho do estacionamento onde Melissa havia guardado o carro.
- Nada – acabei respondendo obviamente.
- Você definitivamente não é a mesma! Catorze vezes! Catorze vezes o comercial teve que ser gravado! – arfei, surpresa. Tinham sido muitas vezes mesmo.
- Pois é, você está certa, eu não sou mais a mesma – passei minhas mãos pelo meu rosto. Entramos no carro, ela me encarou por um tempo, eu olhava para qualquer lugar do veículo, menos para os seus olhos. Ela a conhecia bem.
- Mana, – ela começou em um tom suave – o que te aflige? – resolvi por fim olhá-la e verifiquei que ela possuía um olhar materno. Deu para perceber ali que quem me encarava era a irmã, e não a empresária.
- Eu já disse que nada, vamos, por favor! – eu olhei para a janela, e cruzei os braços. Eu só queria deitar, dormir e acordar no meu corpo de novo.
Senti o celular vibrar, e logo começou um toque com a música señorita do Justin, como sempre eu ignorei a chamada. Eu estava fugindo dele, como o diabo foge da cruz.
- Hei, hei, hei! Era o Justin e você não atendeu. – ela desviou rapidamente os olhos da estrada e me fitou.
- C-como sabe? - gaguejei um pouco ao iniciar a frase.
- Você escolheu esse toque de celular quando estava comigo. Brincamos que era sinal de perigo. Você se esqueceu? – ela sorria se lembrando da cena.
- Ah, é verdade, que cabeça a minha – disfarcei, cautelosamente.
Novamente a música começou a tocar. Juro que se eu soubesse como colocar aquele aparelho no silencioso ele não estaria tocando tão estridentemente. Fiz menção em desligar, quando Melissa segurou minha mão.
- Atende ele! Deve ser importante. – e deveria mesmo, porque só hoje ele havia ligado vinte e três vezes.
- Eu não quero – olhei para a janela. Pressionava uma mão na outra, em sinal de nervosismo.
- Você não tem querer. Atenda imediatamente – sua voz aumentou alguns decibéis. Como ela era histérica, céus! Por fim, eu resolvi atendê-lo.

- Finalmente, ! Está mais fácil falar com o presidente da China do que com você.
- Desculpe, Justin!
- Por que não atendia as minhas ligações? – ele me questionou e para isso eu já tinha uma resposta pronta.
- Porque estava com minha mãe. Quando passo dias com ela minha atenção é inteiramente dela – Melissa começou a rir histericamente, tampei o bocal do telefone, temendo que ele escutasse algo.
- Entendo. E hoje? Por que não atendeu?
- Estava gravando o comercial da Crest, eu te contei você não se lembra?- resolvi jogar aquilo, torcendo para que ela tivesse comentado algo.
- Sinceramente? Não, mas tudo bem – ele suspirou profundamente – , vem me ver? Estou no estúdio gravando o álbum. – meu lado fã quis pular de alegria com a notícia. Vinha álbum novinho por ai.
- Um novo álbum? – tentei conter minha euforia, mas foi impossível. Melissa me deu uma rápida olhadela.
- Sim, quero que você veja algo. Só venha, – empalideci, somente agora tinha assimilado a parte do ver, e Deus sabia como eu estava evitando aquele momento.
- Ir te ver? – encostei minha cabeça no banco. Melissa sibilou um “você vai, sim.” Eu a ignorei – então, Justin, não... – senti meu celular sendo tomada de minhas mãos, não tinha percebido, mas nós estávamos paradas em frente a uma casa.
- Ela vai sim, Justin. No estúdio da RCA? Certo... Tchau. - Ela me devolveu o celular. Eu queria matá-la naquele exato momento.

- Por que fez isso? – senti minhas bochechas esquentarem e aquilo não era timidez, era muita raiva.
- Porque sim – ela me encarou. Recostei-me no banco, fechei meus olhos e contei mentalmente até dez, para que eu não estourasse com a mulher. Decidida e incomodada com aquela situação, decidi colocar um ponto final naquilo.
- Eu não posso continuar com isso – fechei meus olhos com mais força, e apertei as laterais do banco – Eu quero terminar com o Justin.
- Você o quê?

* Crest realmente existe, é um creme dental americano, as informações utilizadas na cena do comercial são reais.



Capítulo 4

- É isso mesmo que você escutou, Melissa! – eu abri meus olhos e a encarei. Ela parecia desnorteada com a notícia.
- Você não pode fazer isso! – ela arregalou os olhos.
- Por quê? Eu não o respeito mesmo, o traio com vários rapazes, só o magoo e ele a ama, quero dizer, ele me ama muito – soltei tudo de uma vez.
- Você só pode estar completamente louca! Presta atenção em uma coisinha, : Nós. Dependemos. Completamente. Do. Justin! – ela parafraseou - Terminar não é uma opção! Eu não posso e não vou deixar você terminar com ele.
- Ah, é? E vai fazer o quê? – a desafiei. Já tinha suportado muito daquela mulher.
- Eu... Só não faça isso, ok? Perderemos milhões de euros, contratos perdidos, anonimato... Pense bem, . – ela suplicou – Olha, eu sei que você não o ama, mas você nunca se importou com isso, sempre teve milhares de amantes para se distrair, e eu nunca te repreendi, até te apoio. O que mudou, mana?
- Percebi bem como apoia... - sussurrei.
- O que disse? – ela franziu o cenho.
- Eu disse que mudei. Estou muito diferente. Não quero mais fazer isso com ele.
- Por favor, , pense melhor – eu a olhei, ela quase chorava. Céus, tudo pelo dinheiro que aquele relacionamento trazia.
- Você já disse que íamos ao estúdio, certo? Vamos lá – resolvi sair daquele assunto. Eu já tinha tomado minha decisão, e com toda a certeza eu não voltaria atrás.
- Ah, certo. Só, por favor, me escute e pense melhor. – ela ligou o veículo novamente, e começamos a nos movimentar. Eu assenti, mexendo a cabeça positivamente, só para ela parar de falar daquilo.
Fomos o restante do caminho inteiro caladas, notei que Melissa estava com os dedos brancos de tanto pressionar o volante, ela estava apreensiva. Minha vontade naquele momento era expor essas traições e deixá-las sem nenhum tostão, mas infelizmente eu não podia fazer isso, porque quem receberia as consequências seria eu.
Chegamos ao estúdio e logo vimos uma recepcionista, que rapidamente liberou a nossa passagem, a agradeci rapidamente. Nos dirigimos para frente do elevador para esperarmos. Pegamos o transporte mais seguro do mundo e Melissa apertou o terceiro andar.
Assim que as portas do elevador se abriram Justin estava sorrindo para os caras enquanto falava algo. Seu sorriso era o mais lindo que já vi em toda a minha vida, suspirei bobamente. Ele estava na cabine do estúdio, com os fones de ouvido.
Assim que adentramos de fato o lugar, uma moça nos indicou uns puffs para que nos sentássemos. Observei tudo, achando uma graça o estúdio. O local tinha as paredes pintadas de vermelho, alguns retratos do aparente dono do lugar com celebridades famosas, inclusive havia uma foto do Justin com ele. Observei maravilhada.
Senti um olhar queimar minhas costas, procurei e achei quem era. Uma garota negra me fuzilava, ela estava espumando de raiva. Céus, se aquele olhar matasse eu estaria enterrada, acabei por engolir seco.
Vi Justin conversar com alguns rapazes. Senti um leve aperto em meu braço, era Melissa que tinha seu olhar direcionado a mim. Eu sabia o que aquele olhar significava e fingi demência.

- Amor! – Justin apareceu em minha frente e me pegou de surpresa quando por um triz não beijou meus lábios, para minha sorte, ou não, o beijo pegou no canto da boca. Ele me abraçou apertadamente – Senti sua falta. – que homem cheiroso, fechei meus olhos apreciando. Desfizemos o abraço e nos encaramos.
- Também senti a sua – aquilo não era mentira, Justin era adorável e meu ídolo. Melissa observava a cena calada.
- Oi, Melissa – ela acenou a cabeça positivamente - Pedi para que viesse porque queria te mostrar a música que fiz pra você. Ela não está pronta, mas quero mostrar mesmo assim porque estou bem ansioso. – ele sorriu, seus olhos tinham um brilho diferente.
- Música? – respondi num fio de voz. Céus, ele tinha feito uma música pra mim? Teoricamente não, mas vamos fingir que sim.
- Sim, vem – ele puxou minha mão e entramos na cabine de aparelhagem. O rapaz mostrou uma cadeira para que eu sentasse, eu me sentei. Encontrava-me em choque.
Justin saiu da pequena sala em que estávamos e entrou no estúdio no qual após o seu sinal uma música começou a tocar.

N/a: Girls, coloquem essa música para tocar.

Pude ouvir os acordes da música e me arrepiei, que instrumental era aquele...

Hey, little mama, ain't gotta ask me if I want to
(Hey, mamãezinha, não precisa perguntar se quero)
Just tell me can I get a light
(Só me diga onde arranjar um isqueiro)
Roll you up and let it run through my veins
(Te enrolar e deixar correr pelas minhas veias)
Cause I can always see the furthest stars
(Porque eu sempre vejo as estrelas mais distantes)
When I'm on you
(Quando estou em você)
And I don't wanna ever come down
(Não quero nunca descer)
Off this cloud of loving you
(Dessa nuvem de amar você)
Now you got me hopped up on that
(Agora você me pegou curtindo isso)

Eu estava chocada, só com o início da música ficava perceptível que mesmo com o pouco tempo de relacionamento, Justin estava intimamente ligado a ela. Ele estava irrevogavelmente apaixonado.

(Pusher love)
(Traficante de amor)
So high I'm on the ceiling, baby
(Tão alto que estou no teto, querida)
(You're my drug)
(Você é a minha droga)
So go on and be my dealer, babe
(Então seja minha traficante, querida)
(Roll me up)
(Me enrole)
Cause all I want is you, babe, yeah
(Porque tudo que eu quero é você, querida, yeah)
One more time
(Mais uma vez)
(Pusher love)
(Traficante de amor)

era uma droga na vida dele, nunca ouvi uma música que fosse tão realista como essa. A cada verso eu me encantava mais e mais pelo homem que Justin era. Declarava o seu amor para aquela mulher que infelizmente não o merecia.

So high I'm on the ceiling, baby
(Tão alto que estou no teto, querida)
(Be my drug)
(Você é a minha droga)
So go on and be my dealer, babe
(Então seja minha traficante, querida)
(Hook me up)
(Me capture)

Enquanto ele cantava, o sorriso não saia de seu rosto ele tinha um olhar tão apaixonado. A música tinha uma pegada tão inebriante, era maravilhosa. Enquanto a escutava, não conseguia parar de sorrir também, e a cada palavra Justin me encarava de uma forma tão íntima...

Cause all I want is you, babe, yeah
(Porque tudo que eu quero é você, querida, yeah)
You're my little pusher love girl, ain't ya?
(Você é minha pequena traficante de amor, não é?)
Just my little pusher love girl
(Você é minha pequena traficante de amor, não é?)

Justin, Justin, o que você está fazendo comigo? Sentia-me enfeitiçada com aquele olhar... Ele parecia ler minha alma. Arfei. Naquele momento eu só queria ser sua little pusher love girl.
A música parou, percebi que Justin só tinha até aquele trecho, tinha tudo para ser um single daqueles. Ele saiu do estúdio, e entrou na sala que eu estava, e se aproximou com aquele bendito sorriso. Os rapazes saíram, nos deixando a sós.
- E então? O que achou? – ele me olhava em expectativa.
- Maravilhosa – passei a mão nos meus cabelos, sem graça – Eu amei muito.
- Que bom que gostou – ele pegou na minha mão e entrelaçou com a sua – Falta algumas partes, mas eu não aguentei esperar, quis te mostrar logo – aproximou minha mão de seus lábios e deu um beijinho ali.
- Fez muito bem – sorri.
- Compus nesse fim de semana – arregalei os olhos, estava surpresa.
- Uaau – exclamei. Não consegui segurar minha mão que foi a caminho de seu rosto, fiz um singelo carinho em sua bochecha. Ele estava com sua barba aparada, estava bem macia.
Com sua mão livre ele colocou a mão na minha nuca, e me puxou para próximo de si. Dessa vez eu não tinha forças para empurrá-lo, eu queria mais do que tudo aquele beijo, mesmo sendo errado.
Minha respiração estava acelerada, eu desejava muito sentir os lábios dele nos meus. Ele finalmente terminou a distância e encostou sua boca na minha. Céus, aquilo era a melhor sensação que já experimentei na vida. Ele pediu passagem para aprofundar o beijo, e eu a concedi quando fomos interrompidos bruscamente pela mesma mulher que tinha me fuzilado com os olhos mais cedo.
- Hei, Hei! – nos separamos rapidamente – Justin, temos que voltar e ajustar algumas coisas. – ela me olhou dos pés a cabeça e sorriu falsamente - Sinto muito, querida.
Eu balancei a cabeça voltando a mim, estava confusa. Deveria ser algum sinal divino, me lembrando de que aquilo não era certo.
- Nãh, tudo bem – sorri sem mostrar os dentes. Olhei para ele – Justin, não quero te atrapalhar, então eu já vou.
- Fica mais um pouco... Eu te levo depois – ele segurou minha mão direita e fez um leve carinho ali.
- Estou cansada, passei o dia todo gravando aquele comercial – aquilo era bem verdade, estava morta de cansaço mesmo.
- Tudo bem, eu entendo – ele deu um sorriso triste. Minha vontade foi de colocar aquele homão no meu colo e enchê-lo de beijinhos.
- Bom trabalho – desfiz o contato, peguei a bolsa que estava apoiada na cadeira, pronta para sair daquela sala.
Repentinamente, senti minha mão sendo puxada com força para trás e em com o impulso bati minhas mãos no peitoral do rapaz. Ele subiu meu rosto e nos selou rapidamente. Foi rápido, mas muito intenso. Sai da sala depressa e me encostei à porta aguardando minha respiração voltar ao normal. Foi inevitável não escutar a conversa que se seguiu ali dentro.
- Justin! – a mulher o repreendia – Essa mulher não merece nada do que você faz pra ela! – fiquei mais atenta para escutar até onde chegaria àquilo.
- Para com isso, Patrícia! Eu a amo – ele aumentou levemente o tom de voz.
- Ela te trai, eu já te disse isso. Caso a mídia descubra essas traições não fará bem a sua imagem – coloquei a mão na boca, chocada.
- Não fale asneiras, ela não me trai.
- Justin... – ele a interrompeu bruscamente.
- Chega disso! – ele se exaltou - Você não tem provas de nada. Eu sei que ela me ama, isso ficou mais nítido ainda essa tarde.
- Eu não vou mais me meter nisso, você já tem trinta e três anos*, é bem grandinho. – ela suspirou fundo – Vamos, você precisa adiantar mais algumas coisas do álbum.
Arregalei os olhos, tinha que correr dali antes que aquela porta se abrisse, e foi o que eu fiz. Corri desesperada e encontrei Melissa na sala de espera folheando uma revista qualquer.
- Vamos embora! – cheguei até ela, com a respiração ofegante.
- O que houve? Parece que correu uma maratona.
- Hãn, é, pois é – dei um sorrisinho sem graça – Não foi nada. – Ela me olhou desconfiada, levantou-se da cadeira, pegando sua bolsa.
Caminhamos para o elevador, caladas. Entramos e Melissa pálida perguntou aquilo que tiraria quiçá seu sono aquela noite.
- Terminou com ele? – respirei profundamente, e me encostei à parede do elevador.
- Eu não consegui – respondi sincera – Ele me desarmou com aquela música.
- Graças a Deus! Céus, estou tão aliviada. – ela sorria lindamente.
- Pode ir tirando esse sorriso, eu não terminei hoje, mas terminarei em breve.
- Mas... – fiz um sinal com a mão para que ela parasse de falar.
- Estou decidida! – ela rapidamente tirou o sorriso da face e cruzou os braços como uma criança birrenta.
O elevador parou, descemos dele e saímos do prédio. Chegamos ao estacionamento e entramos rapidamente no carro, sem qualquer diálogo.
Quando me sentei, suspirei e passei a mão em meus lábios. Não conseguia parar de pensar que apenas aquele encostar de lábios tinha me deixado enfeitiçada, se eu tivesse concluído aquele beijo estaria completamente perdida. Justin era apaixonante. Eu tinha que ser muito forte para sobreviver a essa loucura.



Capítulo 5

- E ele me beijou, . Fui um selinho, mas seria um beijo se não fôssemos interrompidos – eu andava de um lado para o outro no quarto enquanto estava sentada em minha cama.
- E você? Como se sentiu? – ela perguntava ansiosa.
- Em êxtase, ter os lábios dele pressionados aos meus foi uma sensação incrível – eu suspirei me lembrando da cena nitidamente.
- E agora, o que pensa fazer? – eu lhe olhei, parei de andar e me sentei ao seu lado.
- Não posso viver essa fantasia, ! Essa vida não é minha, não posso viver nela como se fosse. Justin está incluído nisso, ele não me pertence – eu fechei meus olhos, suspirando fundo. Senti ela me abraçar de lado.
- Eu não sei como você vai conseguir terminar com ele, nunca vi uma pessoa tão devota à outra como ele é com você – ela balançou a cabeça, e acabou se corrigindo depois – Digo com a .
- Exato, hoje eu estava obstinada a terminar, mas ele pareceu sentir, e me desarmou com aquela música maravilhosa. – acabei sorrindo com a lembrança.
- Vamos pensar em algo para isso, viu? Minha cabeça está trabalhando a todo vapor – ela me acalentou. Ficamos um tempo mudas, cada uma imersa em seus próprios pensamentos – Tive uma ideia! – se levantou da cama com rapidez, tinha um sorriso no rosto.
- Pra eu terminar com o Justin? – perguntei aflita.
- Não, para resolver a situação da troca de corpos – ela tinha um sorriso de lado.
- Perfeito, o que pensou? – estava curiosa.
- Vamos procurar uma cartomante. Elas sempre conhecem dessas coisas místicas, pode nos dar um norte, sei lá. O que acha?
- Eu acho a ideia maravilhosa – abriu um largo sorriso, entusiasmada – Você conhece alguma?
- Podemos ver, com certeza encontrar alguma e... – ela pensou em algo – Eu conheço uma sim, ela é mexicana também.
- Certo, vamos lá amanhã mesmo. O quanto antes eu conseguir desenrolar essa situação é melhor pra mim. – eu estava feliz. Realmente a melhor coisa que eu fiz foi contar a . Ela estava me ajudando muito.
- Combinado, amanhã então – ela ainda sorria – Você era pobre no Brasil? – ela perguntou de repente.
- Eu era sim, contava as moedas para sobreviver e pagar o meu cursinho – me joguei na cama, me deitando – Antes da troca de corpos eu não tinha nada na geladeira ou no armário – se jogou do meu lado, deitando-se também.
- Meu Deus, a deve estar surtando, – ela me olhou com um sorrisinho diabólico. Eu acabei rindo.
- Provavelmente sim. Espero que ela não detone o meu corpo, ou sei lá. Quero que ele esteja em condições apresentáveis quando eu voltar pra ele.
- Ai nossa, por favor. É o mínimo que aquela megera pode fazer por você. – ela fez uma careta – Mas você também, hein? Deixa ela saber da lasanha que você comeu – caímos na gargalhada.

É, a agora parecia acreditar na loucura toda que estava a minha vida e aquilo me confortava muito, saber que eu tinha com quem contar para passar por aquilo. Acabamos conversando trivialidades por mais alguns minutos e ela se retirou, para que eu pudesse enfim descansar.
Depois de sua saída tomei um banho, troquei de roupa, e me deitei. Puxei o celular e acabei vendo uma notificação no instagram, era de Justin, cliquei sem nem pensar muito. Tinha uma foto dela com ele e a seguinte legenda:

“Que seja eterno enquanto dure, e que dure para sempre”.

Isso era tão lindo, quem me dera ser amada sim como ela era. Respirei fundo, ignorando as outras coisas que tinham subindo de notificação no celular dela. O coloquei no canto da cama. Fechei meus olhos, a cada dia mais as coisas se complicavam, eu estava sem total controle da situação e aquilo me assustava demais.

***

Pedi para que Arnold, o motorista particular de , nos deixasse no local no qual disse que a cartomante atendia. Não se passaram nem vinte minutos e estávamos em frente ao lugar. Engoli em seco quando o carro foi desligado, já foi descendo do veículo, enquanto eu hesitava. Fechei os olhos, e finalmente criei coragem para descer. Caminhamos e paramos em frente. Nina me puxou e adentramos a pequena sala.
O local impregnava a cheiro de incenso de lavanda, as paredes eram vermelhas, e tinha várias imagens religiosas penduradas por elas. Nunca tinha entrado em um lugar assim. Escutei um pigarro vindo de alguém dali. Olhei e vi sentada na frente de uma mesa uma senhora que tinha o olhar preso em nós.
- Sejam bem vindas, meninas – ela indicou duas cadeiras em frente a ela para que pudéssemos nos sentar ali.
- Obrigada – acabei usando a boa educação que minha mãe tinha me dado. olhava todo o local distraída.
- O que lhes trouxe aqui? Quer que eu traga a pessoa amada em sete dias? – arregalei os olhos com a indagação dela.
- Não! – acabei exclamando rapidamente – Não é nada disso... – fechei os olhos, não sabia como abordar o assunto, era complicado. tomou a frente.
- Bom, ela não é ela, entende? – a senhora franziu o cenho – Ela trocou de corpo com uma garota, queremos saber o que fazer para reverter isso?
- Troca de corpos, hun? Interessante... – ela arqueou a sobrancelha – Fazia anos que não via algo assim.
- Então isso já aconteceu com outras pessoas? – eu pisquei aturdida.
- Mas é claro que sim, jovem – ela respondeu com tom de obviedade, parecia que eu era uma tola para ela – No dia da troca dos corpos teve algum evento diferente?
- Bom, eu fui demitida e sofri uma grande decepção amorosa, isso conta? – ela balançou a cabeça negando.
- Quando digo evento, é algo cósmico, entende? Eclipse, estrela cadente...
- Estrela cadente – eu arregalei os olhos, me lembrando do grito da vizinha.
- Enquanto ela caia você desejou isso – aquilo não foi uma pergunta. Eu nunca desejaria algo assim, por Deus. arregalou os olhos, tão surpresa como eu.
- Eu jamais desejaria algo assim, eu... Isso é inconcebível – eu balançava a cabeça em negação.
- Então o que fazia enquanto a estrela caia?- ela tinha um sorriso pretensioso. Ela estava convicta que eu tinha mesmo desejado aquilo.
- Bom... – eu tentei puxar pela memória minha ultima noite como uma pessoa normal – Eu encomendei comida porque não tinha nada em casa... – lembra , lembra. Ofeguei me lembrando exatamente da cena:

Enquanto comia olhava as fotos dos dois, eles eram tão lindos juntos, que casalzão era aquele? Que mulher maravilhosa! Queria tanto ser ela...

Quase morri engasgada com o grito da minha vizinha falando que havia caído uma estrela cadente, corri para janela e contemplei aquele momento lindo. Lembrei-me dos tempos de quando era criança e torcia sempre para ver uma quando ela caísse para desejar algum brinquedo que meus pais não podiam pagar. Tempos bons aqueles...

- Eu não acredito – eu bati na minha testa incontáveis vezes – Burra, burra! – segurou minhas mãos, ela tinha a face assustada.
- Para com isso, , você vai se machucar – eu ofegava ainda – Olha pra mim e respira, ok? – eu fiz o que ela ordenou, tentando normalizar minha respiração – Agora, o que pensava quando caiu a estrela?
- Eu desejei ter a vida dela, foi coisa momentânea, mas eu desejei sim – suspirei derrotada.
- Meu Deus, - meu lábio inferior tremeu, aquilo era sinal de que eu queria chorar. Sacudi a cabeça, aquilo não era hora.
- Por que das outras vezes que eu desejei algo não aconteceu nada e agora aconteceu? – a indaguei, aquilo ainda não entrava na minha cabeça.
- Simples, esse ano é o ano da luz, um ano místico – ela mexeu as mãos em movimentos circulares – Juntando com a fragilidade em que você estava pela grande decepção que havia a abatido, seu subconsciente desejou aquilo arduamente e foi atendido. A outra parte de alguma forma também não estava satisfeita com a vida que estava levando. É a junção de vários fatores. – assenti. Ela tinha toda a razão, eu não estava satisfeita. Agora o que eu me perguntava era por que não estava satisfeita com sua vida de princesa?
- E como eu reverto isso, pelo amor de Deus, senhora? – indaguei de uma vez a pergunta de um milhão de dólares.
- Agora você terá que esperar outro evento assim, mas dessa vez quem tem que desejar algo assim será a outra pessoa envolvida nisso.
- Tudo bem, eu volto para o Brasil, falo com ela, ela deseja e fim. Obrigada, senhora. – respondi eufórica. Finalmente abri, mesmo que pequeno, um sorriso.
- Sim, mas essas coisas de troca de corpos podem ocasionar danos irreversíveis para os envolvidos, e um deles é a troca definitiva.
- Como assim a troca definitiva? – a questionou.
- Se ela não conseguir efetuar a troca em no máximo 90 dias ela ficará presa nesse corpo para sempre – arregalei os olhos.
- Isso não acontecerá, senhora. Eu vou encontrá-la e pronto. – juntei minhas mãos em forma de agradecimento. Tínhamos uma solução finalmente para aquele problema – Quanto eu lhe devo? – peguei a carteira.
- 200 dólares – arregalei os olhos, que velhinha oportunista... Tirei as notas de lá e lhe entreguei.
Puxei pelo braço e finalmente saímos daquele lugar que fedia a incenso, pude respirar ar puro, - mais ou menos, pois tinha muita poluição ali - entramos no carro, e me abordou.
- Como fará para ir ao Brasil? – eu já levava a unha a boca.
- Eu ainda não pensei nisso, mas você vai comigo. – ela abriu a boca surpresa.
- Eu? Você está louca, e a Melissa? Vai inventar o quê pra ela? E o Justin? Por Deus!
- Eu ainda não sei, ok? Eu vou pensar em algo, mas você tem que ir comigo. Eu preciso consertar a maior burrada da minha vida. – Céus, o que um desejo idiota havia feito com a minha vida?

***

Chegamos à residência, antes do horário do almoço. Entrei na casa, e prendi a respiração com quem estava sentado naquele sofá.
- Amor? – ele se virou, me flagrando entrando. escondeu o sorriso e passou pela sala a passos rápidos. Traíra, nem para me ajudar.
- Justin, o que faz aqui? – suspirei, me sentando na poltrona, o mais longe possível dele.
- Vim passar o dia com você. Tive uma folguinha na gravação do álbum – ele se aproximou de mim, sentando no braço da poltrona, alisando meus ombros em uma massagem bem gostosa. Mordi os lábios.
- Hoje eu tenho trabalho, não vai dar – ele arqueou a sobrancelha.
- Mas, que estranho. Quem deu a ideia de eu passar à tarde com você foi a Melissa, disse que você não tinha nada para hoje – Vaca! Minha vontade era a de matar aquela mulher.
- Quem sabe da minha agenda melhor do que eu? Melissa, né? – fingi demência – Me confundi.
- Hum... – ele continuou aquela gostosa massagem, mas eu me levantei incomodada da poltrona. – Você está muito estranha e eu não consigo compreender o que há. Parece até que você está me evitando.
- Não, mas que bobagem é essa – sorri amarelo. – Jamais te evitaria.
- Achei que ficaria mais feliz que passaríamos o dia juntos – ele fez um biquinho tristonho. Ele se aproximou, e eu não o afastei. Eu não conseguia mais o afastar, Justin estava me vencendo pelo cansaço.
- E eu estou, só fui pega de surpresa – sorri sem mostrar os dentes.
- Certo – ele me abraçou e fungou o meu pescoço. Aquele movimento me arrepiou dos pés a cabeça. Ele deu um beijinho ali. – Sabia que a cada dia que passa eu amo mais você? – acabei não conseguindo me segurar e levei minhas mãos para sua face.
- Você é tão lindo... Parece que foi esculpido por Deuses, nunca pensei que pessoalmente era tão mais lindo que nas fotos – comentei e o vi abrir um sorriso.
- Você ganha muito mais do que eu nisso, sua beleza é angelical – eu suspirei, desfazendo o abraço e finalmente caindo na real. era linda, parecia um anjo, não eu.
- Eu vou até a cozinha ver como anda o almoço – arrumei uma desculpa e segui em direção ao cômodo.
- Mas, ... – o deixei falando.

***

Durante a preparação do almoço fiquei na cozinha vendo as cozinheiras trabalharem, deixei Justin sozinho na sala principal, eu não tinha mais cabeça pra aquilo. Eu tinha que ir logo para o Brasil, encontrar aquela mulher e desfazer essa merda toda.
Almoçamos juntos, sem nenhuma palavra proferida por mim ou por ele. O ambiente era tenso, qualquer um conseguia perceber. Agora estávamos os dois, um de cada lado no sofá assistindo a algo que passava na tevê, eu pelo menos não prestava atenção em nada. Eu estava bem nervosa com tudo. Por fim, decidi interromper aquele silêncio desconfortável.
- Justin, me desculpa – eu o fitei – Eu estou agindo estranho esses dias, eu sei, mas logo eu voltarei a ser quem eu sempre fui, eu prometo.
- Por que você não me conta? Poxa, eu quero tanto te ajudar...
- É coisa minha, sabe? Eu não quero falar, espero que possa compreender.
- Não consigo compreender, isso está afetando nossa relação. – meu Deus, eu nunca havia namorado na vida, mas D.R. era o ó - Você não me ama mais? É isso?
- Justin não tem nada a ver, céus! São meus problemas, não envolve o que eu sinto, ou deixo de sentir. – ele se sentou de frente pra mim, e suspirou.
- Seja lá o que estiver acontecendo eu estou aqui, por você e pra você, tudo bem? – eu assenti. Que homem era aquele? Só podia ser invenção, não era real.
- Tudo bem, obrigada – me aproximei e lhe dei um beijo na bochecha. Ia me afastar, mas ele segurou meu braço.
O fitei, ele tinha aqueles olhos azuis sobre os meus. Agora ele alternava seu olhar para meus olhos e lábios. Ele diminuiu o mínimo espaço e nos selou. Um beijo calmo se iniciou após eu abrir minha boca e sua língua navegar pela minha. Seu beijo era a coisa mais maravilhosa que eu já havia experimentado. Agora que eu finalmente o tinha beijado de verdade saberia que minha perdição estava selada.
Continuamos a nos beijar como se não houvesse amanhã. Ele me colocou em seu colo, nos aproximando cada vez mais, suas mãos passeavam por todo meu corpo e pousaram em minha bunda, a apertando, arfei. Minhas mãos estavam em seus cabelos, eu os puxava com força a cada apertão que ele dava em minha bunda. Ele tentou tirar minha blusa, e eu me afastei. Eu não podia prosseguir com aquilo porque eu nunca havia feito algo nesse nível. É, eu era virgem ainda.
- Nossa, , - ele estava ofegante – Seu beijo, sua pegada, está tudo muito diferente – arregalei os olhos, apreensiva – Mas eu prefiro mil vezes assim. – não pude evitar abrir um sorriso largo. Ele me deu um selinho – Por que me parou, hun?
- Porque ... – eu olhei para baixo – Estou naqueles dias, sabe? Então não pode – ele fechou os olhos assentindo.
- Sim, eu sei – eu ainda estava no colo dele, me movimentei para sair e ele não deixou – Beijo pode, né? – eu ri da caretinha dele.
- Pode – lhe dei um selinho. Ele se aproximou e me beijou novamente.
Eu resolvi aproveitar, aquela situação. Era temporária, logo mais eu voltaria ao meu corpo, para a minha vida sem graça. Então que se foda, hoje eu beijaria Justin Timberlake até cansar.





Continua...



Nota da autora: Meu Deus, finalmente voltei! Me desculpem pela demora, faculdade + bloqueio acabaram comigo. Mas voltei para ficar hahaha! Tivemos uma explicação sobre o que ocasionou a troca de corpos, né? Na próxima atualização nossa pp voltará ao Brasil e ai? Como vocês acham que a estará? Coloquem suas apostas ai nos comentários, viu? <3 Beijos





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I Won't Forget You
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