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Última atualização: 22/07/2021

Capítulo Um — De volta a Hogwarts

A família era bastante conhecida no mundo bruxo. Seu reconhecimento, no entanto, ia muito além das características físicas de cada um de seus integrantes. O sobrenome possuía também grande renome no Ministério da Magia por diversos motivos.
Ellaria , a matriarca, costumava se gabar quanto à pureza de seu sangue, embora nenhum de seus filhos dessem a isso o mesmo grau de importância que ela. Já Dimitri, seu marido, tinha grande representatividade no Departamento de Execução das Leis da Magia, como um dos membros da Suprema Corte dos Bruxos.
Com cerca de vinte e nove anos de casados, os possuíam três filhos. Jacob, o primogênito, teve um desempenho respeitável durante sua vida escolar, então se uniu ao pai no Ministério da Magia, em um cargo na Seção de Chaves de Portais. Já Nahla, a filha prodígio, deixou um legado considerado brilhante na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e não foi surpresa alguma para a família quando esta terminou os estudos e iniciou prontamente sua carreira como desfazedora de feitiços no Gringotts, o banco dos bruxos.
No expresso de Hogwarts, seguia rumo ao seu sexto ano na escola, mas, ao contrário dos outros membros de seu clã, não possuía grandes feitos nas costas. Para início de conversa, diferente de todos de sua linhagem, que eram Sonserinos, foi acolhida na casa Corvinal e por mais que alguns colegas questionassem aquela escolha do Chapéu Seletor, ela não poderia se identificar com nenhuma outra casa. Obviamente, seus pais não ficaram muito contentes com aquilo, mas não havia nada que eles pudessem fazer para mudar aquela decisão.
Aquele desgosto dos com a casa de sua filha caçula, no entanto, seria facilmente esquecido quando a garota atingisse o quinto ano e se tornasse monitora, assim como seus irmãos e seus pais haviam sido. Porém, não tinha jeito, havia nascido para quebrar aqueles padrões. Para seu desgosto e o de seus pais, ela não estava entre os selecionados como monitores naquele ano.
Por mais que a garota tentasse negar, ela se sentia frustrada com aquela situação. Não entendia os motivos de não ter sido escolhida, já que suas notas eram boas o suficiente, embora não tão brilhantes quanto as de Nahla e Jacob.
Viver à sombra de seus irmãos não era uma tarefa fácil, mas ela não perdia a esperança de que um dia seria capaz de surpreender e dar orgulho aos pais.
Um suspiro escapou dos lábios da garota enquanto ela encarava a imensidão verde dos campos por onde o trem passava. Odiava ficar pensando naquelas coisas, porque além da pontada de tristeza ela sentia raiva.
— Tudo bem, ? — a voz de Avallon a despertou dos pensamentos e ela olhou na direção da garota morena, notando que não apenas ela, mas seu irmão, Liam, a encarava com curiosidade. Era incrível como os Scarborough eram sensitivos. Todas as vezes em que ela se sentia para baixo, podia contar com um deles, ou os dois, para desabafar.
— Sim. Só estou um pouco ansiosa para esse ano. Não faço ideia do porquê — respondeu, e aquilo não era bem uma mentira. Semanas antes, quando foi comprar seus materiais no Beco Diagonal, sentiu-se inquieta, desejando de repente que voltasse logo para o castelo.
— Deixe-me adivinhar, tem alguma coisa a ver com quadribol ou alguma coisa que você viu nos livros de transfiguração? — Úrsula questionou, atraindo então a atenção de para ela. A loira cacheada nem fez questão de erguer seu olhar do livro que lia, mas quase podia sentir o sorriso que a amiga dava por trás do objeto.
— É verdade! Esse ano não aceito perder mais uma vez a taça para a Grifinória — Liam começou a falar, tomado por animação, e pelo brilho no olhar de Avallon, esta compartilhava o sentimento com o gêmeo.
A resposta de , no entanto, se perdeu quando a porta da cabine se abriu e um Cedrico Diggory lhe lançou um largo sorriso assim que a localizou.
— Aí está você, ! — a garota nem o esperou terminar de falar para se levantar e se lançar na direção do garoto, puxando-o para um abraço apertado.
— Ced! — exclamou, contente, ao afundar seu rosto na curva de seu pescoço, inalando aquele perfume dele que ela adorava.
— Também senti saudades, tampinha — brincou, acariciando a cintura da menina. — Empolgada com o sexto ano? — questionou, se desvencilhando o suficiente para encarar o rosto de .
— Provavelmente, não tanto quanto você — piscou para o rapaz, que sorriu um pouco mais, então ajeitou uma mecha dos cabelos dela que caíam sobre um de seus olhos. Instantaneamente, a garota sentiu as bochechas esquentarem por aquele gesto.
— Provavelmente, não mesmo — riu, junto a ela, então encarou-a nos olhos. — E a Nahla, como está? Diga a ela que faça o favor de me escrever antes que eu vá ao Gringotts apenas para puxá-la pelas orelhas.
O sorriso de estremeceu, enquanto a garota sentia seu estômago afundar. Por que ele sempre tinha que questioná-la sobre Nahla? Tudo bem que ele havia se tornado amigo de sua irmã mais velha um pouco antes dela, mas Cedrico não precisava mesmo fazer aquilo. Não quando sabia que se sentia incomodada todas as vezes em que era associada aos irmãos.
— Eu falaria para você dizer você mesmo, mas a Nahla deve estar ocupada com alguma coisa do trabalho. Tenho certeza que logo ela fala com você — respondeu, contendo a vontade de revirar os olhos.
— É, acho que você tem razão — deu de ombros, concordando com a garota. — Bom, preciso voltar à minha cabine. Eu só passei por aqui mesmo para te dar um beijo — sorriu carinhoso para e não havia mesmo como resistir àquele garoto.
— Pois eu não recebi beijo algum — brincou, fazendo bico e sentindo-o se aproximar e deixar um beijo em sua bochecha. — Assim está melhor — completou, sentindo mais uma vez sua bochecha esquentar.
— Até mais, — piscou para a menina, antes de se afastar, se despedindo de Avallon, Liam e Úrsula com um aceno de cabeça e seguindo para fora da cabine.
— Até mais, Diggory — respondeu, então voltou ao seu lugar e se sentou com um sorriso débil nos lábios.
— Você gosta dele — ouviu a voz de Úrsula afirmar, sentindo dessa vez que seu rosto pegava fogo.
— Claro que não gosto! Ele é meu amigo, Úrsula. Nada além disso — retrucou, rapidamente, fazendo com que seus três amigos se entreolhassem.
— Ela gosta dele sim — Avallon murmurou, para os dois, sem emitir som algum e eles trocaram risadinhas cúmplices.

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Assim que desceram das carruagens, o grupo de amigos seguiu correndo para dentro do castelo em meio às conversas animadas sobre quadribol, já que Liam resolveu retomar o assunto alguns minutos depois da saída de Diggory. Dessa vez, nem mesmo a chuva forte havia sido capaz de interrompê-los.
, no entanto, se permitiu lançar um breve olhar para o castelo e seu coração se aqueceu porque ali muitas vezes ela se sentia mais em casa do que no próprio lugar onde morava com a família. Seus pensamentos, no entanto, foram cortados rapidamente quando Liam chamou sua atenção ao lhe questionar sobre os treinos.
Ele era goleiro do time da Corvinal, enquanto e Úrsula eram as batedoras, então ele estava bastante interessado em saber sobre as táticas que as garotas haviam praticado durante as férias.
Depois disso, foi inevitável não comentarem mais uma vez sobre a Copa Mundial de Quadribol e os diversos acontecimentos marcantes da edição.
Só de pensar na marca negra projetada no céu, sentia arrepios percorrerem sua espinha.
— Não sei o que pensar sobre isso. É sério. Toda vez que lembro daquele dia, sinto meu corpo todinho tremer — Avallon externou o que havia acabado de pensar.
— É exatamente assim que eu me sinto também — admitiu, levando um susto no entanto, quando uma bexiga de água errou por pouco sua cabeça. Isso graças aos seus bons reflexos, que a fizeram se abaixar bem na hora.
Um grito ecoou dos lábios de Úrsula, já que ela não havia sido tão rápida, o que fez com que os outros três precisassem segurar o riso em solidariedade à amiga, que não tardou a fazer uma expressão de choro. Suas roupas estavam encharcadas e ela não poderia trocá-las até que chegassem ao salão comunal da Corvinal.
— PIRRAÇA! — reconheceram a voz de Minerva, zangada. — Desça já aqui, AGORA!
Imediatamente, os quatro trocaram olhares de quem havia entendido a confusão e logo localizaram o poltergeist se divertindo ao lançar bexigas nos alunos enquanto a professora tentava pará-lo.
Cômico se não fosse trágico.
— Não tô fazendo nada! — Pirraça gargalhou e Liam acabou não contendo uma risadinha baixa, o que atraiu uma atenção que eles não desejavam, já que no instante seguinte, mais uma bexiga voou em suas direções. O garoto quase conseguiu se virar a tempo, mas acabou sendo atingido no braço. — Já molharam as calças, foi? Que inconvenientes! — não perdeu tempo e já mirou outro grupo em seguida.
— Vamos sair logo daqui antes que ele resolva nos fazer de alvos principais — suplicou, puxando Avallon pela mão.
Assim que adentraram o salão principal, não se surpreendeu ao encontrá-lo magnífico, mas ainda assim seus olhos se arregalaram em admiração. Os pratos e taças de ouro em uma combinação com as luzes das centenas de velas flutuantes davam ao ambiente um ar especial que ela não encontrava em nenhum outro lugar.
Se acomodaram à mesa da Corvinal e logo engataram mais um assunto aleatório, como as meias engraçadas que Luna Lovegood estava usando. achava a garota a coisa mais fofa do mundo, mas não havia tido muitas oportunidades de conversar com ela. Talvez naquele ano devesse mudar aquilo.
Não tardou o momento em que a professora Minerva apareceu, colocando o banquinho de três pernas diante dos alunos e, em cima, o velho chapéu de bruxo remendado. Ansiosos, todos ouviram com atenção a canção que ele entoaria enquanto mais empolgados ainda esperavam a seleção que se iniciaria.
prestou atenção em cada uma das palavras da canção composta pelo Chapéu, imaginando como deveria ser entediante passar o ano inteiro apenas à espera de quando ocorreria uma nova seleção das casas. Então ela se sentiu estranha por estar preocupada com um chapéu e balançou a cabeça em negação, soltando uma risadinha baixa, que chamou a atenção de Liam.
— O quê? — o garoto questionou, curioso com a possível piada, mas apenas negou mais uma vez.
— Nada demais — viu-o responder com uma careta e logo em seguida a voz da Professora Minerva voltou a ecoar pelo Salão, dando início à seleção das casas.
não podia negar que todos os anos a acompanhava com a mesma sensação de nostalgia ao lembrar de quando havia sido a sua vez.

Ela havia se sentado naquele mesmo banquinho, com os olhos arregalados devido ao nervosismo, sentindo todos os olhares de alunos e professores em sua direção, mas só um deles realmente importava e este vinha da mesa da Sonserina.
Nahla tinha convicção de que a irmã seria posta na mesma casa que ela, não havia motivos para se preocupar. E por um fugaz momento, foi realmente no que a garota acreditou.
O primeiro sinal de que não pertencia à Sonserina foi a exclamação do Chapéu Seletor em sua cabeça e aquela a garota nunca esqueceria.
“Oh, o que temos aqui! Eu jamais imaginaria que se trata de uma se o sobrenome não tivesse sido chamado!”
Ter a certeza de que aquele chapéu estava certo foi o segundo sinal, o terceiro foi o cenho franzido de Nahla com a demora, mais do que o normal para um , em tomar a decisão.
— Corvinal!
Então a sentença ecoou da abertura do Chapéu e sabia que não teria volta. Uma parte de si se sentia levemente chateada por não ir para a mesma casa que sua irmã, por frustrar as expectativas dela e do resto de sua família. No entanto, havia uma outra parte que se sentia feliz e quando ela se sentou à mesa com seus novos colegas teve também uma sensação de pertencimento que nunca havia tido antes.


Respirou fundo, sentindo que aquelas lembranças mexiam com ela, então resolveu espantá-las para que pudesse acompanhar de fato a seleção que acontecia, o que ocorreu bem a tempo de ela se dar conta de que ganhara mais um colega na Corvinal: Stuart Ackerley.
Juntou-se à salva de palmas animada, sorrindo de forma simpática para o garoto assim que ele se aproximou da mesa e se acomodou próximo a alguns segundanistas.
— Baddock, Malcolm! — a professora seguiu com a chamada e observou mais uma garoto trêmulo caminhar na direção do banquinho.
Sonserina! — ouviu-se o anúncio do chapéu, então a mesa da respectiva casa irrompeu em vivas e aplausos. No entanto, o que realmente chamou a atenção não havia sido a comemoração e sim as vaias vindas da mesa da Grifinória, pois ela imediatamente reconheceu de quem eram aquelas vozes.
Abriu um sorrisinho de canto ao localizar os Weasley, que riam após o feito. Seu olhar parou por alguns segundos em Fred, avaliando-o de maneira rápida, para logo em seguida se demorarem mais do que o recomendado em George. Não sabia explicar bem o motivo, mas alguma coisa dentro da garota se revirou ao analisar os traços risonhos dele. E, num devaneio súbito, ela se imaginou enroscando os dedos nos cabelos ruivos dele enquanto o ouvia rir em seu ouvido, mas de uma forma bastante diferente daquela ali no Salão. Sentiu um calor engraçado em consequência daqueles pensamentos e por mais que tentasse, não conseguia parar de encará-lo.
Como se o olhar dela tivesse lhe chamado, George olhou em sua direção logo após comentar alguma coisa com o irmão. se sentiu levemente sem graça por ser pega em flagrante, mas quando o garoto lhe lançou um sorriso de canto, demonstrando interesse, ela acabou não se contendo e sorrindo para ele de volta.
Não podia negar, definitivamente, o garoto mexia com ela fazia algum tempo.
— Eu estou vendo isso, — escutou a voz de Avallon, tomando um leve susto e quebrando o contato visual com George para encará-la.
— Isso o que, Avallon Scarborough? — disse também o nome inteiro da amiga, apenas de birra. Lançou mais um olhar rápido na direção do rapaz, vendo que ele havia voltado a prestar atenção na seleção, então voltou-se mais uma vez para Avallon.
— Você trocando olhares com George Weasley. Pode me contar tudo! — pediu, só não atraindo a atenção de Úrsula e Liam, porque os dois ainda estavam entretidos comentando baixinho sobre a canção do chapéu seletor.
— Não há nada para contar, Ava. Nós apenas nos vimos lá na Copa Mundial de Quadribol — contou, dando de ombros, mas não foi o suficiente para Avallon, ela sabia que não havia sido só aquilo.
— Como é? Desembuche logo, garota! Você sabe que ser vaga não funciona comigo!
No entanto, , por hora, havia sido salva pela voz de Dumbledore dando início ao banquete.
— Depois, Ava. Depois — olhou para a amiga significativamente e Ava resolveu que não lhe questionaria mais por enquanto.
Porém, se achava que iria se safar daquela, estava completamente enganada

🐉


Assim que as últimas migalhas do banquete haviam sido consumidas, Dumbledore prontamente se levantou, cessando as conversas imediatamente, o que de certa forma ainda deixava impressionada. Toda vez que ela olhava para o diretor da escola, sentia-se inspirada a querer atingir nem que fosse o mínimo da genialidade que aquele homem possuía. A aura de poder que ele exalava era incomparável.
— Então! — exclamou, lançando um sorriso para todos os alunos. — Agora que já comemos e molhamos também a garganta, preciso mais uma vez pedir sua atenção para alguns avisos…
“O Sr. Filch, o zelador, pediu para avisá-los de que a lista dos objetos proibidos…”
manteve seu olhar fixo, como se estivesse prestando atenção às palavras seguintes do diretor, mas inevitavelmente seus pensamentos voltaram a se perder. De repente, ela imaginou como seria se a irmã mais velha ainda estudasse por ali.
Havia experimentado dois anos sendo a sombra de Nahla em Hogwarts e não desejaria jamais passar por aquilo novamente. Não era o caso de não amar a irmã, ela apenas queria que as pessoas parassem de comparar as duas, ela já tinha o suficiente daquilo em casa, com seus pais.
Nahla não era o tipo de pessoa irritante ou qualquer coisa do tipo. Na verdade, mesmo quando foi para uma casa diferente, ela manteve a relação das duas de uma forma tão natural que elas pareciam viver juntas e a garota sempre ajudou muito em tudo que fosse preciso. muitas vezes se sentia mal pelas comparações lhe chatearem, mas não havia muito que ela pudesse fazer.
— Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as casas.
Os pensamentos de foram cortados de repente por aquela frase e ela piscou os olhos rapidamente porque aquilo não fazia sentido algum.
Como era?
Só podia estar ficando louca a ponto de imaginar coisas.
Mas, pela indignação das pessoas ao seu redor, ela havia escutado muito bem.
— Não! — choramingou, vendo que Liam e Úrsula se encontravam tão indignados quanto.
Dumbledore então começou a falar sobre algum evento que aconteceria em outubro, mas tudo o que dizia acabou se perdendo em um borrão na mente da garota. Ela não podia acreditar que o quadribol, algo que amava profundamente, seria arrancado de si daquela forma durante aquele ano. Abriu a boca para protestar, quando uma trovoada ensurdecedora ecoou e as portas do Salão Principal se abriram, interrompendo tanto a fala de quanto a de Dumbledore. Um homem apareceu por ali, apoiado em um longo cajado e coberto por uma capa de viagem preta. Quando ele abaixou o capuz, conseguiu enxergar melhor suas feições.
Sua aparência era tão grotesca que várias pessoas ao redor soltaram exclamações e murmuraram entre si. Seu rosto tão coberto por cicatrizes que parecia algo talhado em madeira de uma forma bastante tosca, sua boca possuía um rasgo diagonal e lhe faltava um pedaço do nariz. No entanto, não eram essas características que causavam espanto e sim os seus olhos, já que um era miúdo, escuro e penetrante enquanto o outro era grande, redondo e azul-elétrico vivo. Este último se movia constantemente, esquadrinhando todo o salão.
— É o Olho-Tonto Moody! — escutou Avallon sibilar, ao seu lado, enquanto todos observavam o homem cumprimentar Dumbledore. Porém sabia de quem se tratava. Lembrava-se muito bem dos comentários de seu pai a respeito do auror, que era brilhante e havia sido responsável pela captura de diversos prisioneiros em Azkaban, mas em contrapartida ele parecia ser completamente pirado.
— Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Professor Moody — Dumbledore o apresentou, em um tom animado.
Todos permaneceram um tanto chocados, ao ponto de que apenas o diretor e Hagrid aplaudiram o professor. se sentiu mal por isso, mas estava tão espantada que não conseguia demonstrar muitas reações.
— Dá pra acreditar nisso? — mais uma vez, ouviu Ava murmurar, mas não sentiu vontade de retrucar nada porque sua surpresa era genuína. Sabia que aquela escolha era, no mínimo, excêntrica, mas no fundo confiava no diretor e tinha certeza de que ele tinha plena consciência do que fazia.
Dumbledore pigarreou outra vez e ela focou nele.
— Como eu ia dizendo — recomeçou. — Teremos a honra de sediar um evento muito excitante nos próximos meses, um evento que não é realizado há um século. Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos um Torneio Tribruxo em Hogwarts.
já havia ouvido falar sobre aqueles torneios. A animação foi bem maior que o choque, mas ela nem precisou demonstrar isso.
— O senhor está BRINCANDO! — a exclamação de Fred havia lhe representado muito bem, então ela apenas acabou rindo junto à grande maioria dos alunos.
— O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas européias de bruxaria: Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em tarefas mágicas. As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades, até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido — Dumbledore explicou.
Uma onda de animação se fez presente entre os estudantes, que começaram a murmurar entre si. ouviu comentários de seus amigos, mas ela mesma não conseguia interagir com ninguém porque só conseguia imaginar o quão perfeito seria se ela conseguisse ser escolhida para participar daquele torneio.
— Durante séculos, houve várias tentativas de reiniciar o torneio, nenhuma bem-sucedida. No entanto, os nossos Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de tentar novamente. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal.
A nem importavam mais os riscos mortais, ela até conseguia se imaginar vencendo o tal torneio e mal escutou as próximas explicações seguintes do diretor. Apenas se deu conta de que divagava em pensamentos novamente quando diversos protestos ecoaram pelo Salão Principal.
— O quê? — murmurou, confusa, então notou que Fred e George Weasley faziam parte dos alunos indignados.
— Cuidarei pessoalmente para que nenhum aluno menor de idade engane o nosso juiz imparcial e seja escolhido campeão de Hogwarts. Portanto, peço que não percam seu tempo apresentando suas candidaturas se ainda não tiverem completado dezessete anos — notou o olhar do diretor cintilar na direção dos gêmeos e abriu mais um sorrisinho de canto, imaginando que nem isso iria impedi-los de tentar.
Se os alunos menores de idade não estavam aptos a se candidatarem, suas chances eram maiores, certo?
A empolgação tomou conta de .
— As delegações de Beauxbatons e Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte do ano letivo. Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem acordados e descansados para começar as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir, vamos andando!
Aquela foi a deixa para que os alunos se levantassem e mais um burburinho de vozes ecoasse enquanto se dirigiam aos salões comunais.
— Ainda não estou acreditando que vão fazer mesmo esse torneio aqui em Hogwarts! Vocês ouviram o que o Dumbledore disse sobre riscos mortais? — Úrsula comentou, em um tom assustado, enquanto eles caminhavam pelos corredores.
— Ah, mas imagine só o quão maluco deve ser participar? Se eu fosse maior de idade, com certeza me inscreveria — Liam respondeu, em um tom empolgado.
— Mesmo se você corresse o risco de morrer? — Úrsula insistiu, como se ele não tivesse entendido da primeira vez.
— Qual é, amiga! Quem não quer ser o campeão de Hogwarts? — Ava se intrometeu, em concordância com o irmão.
— Eu não gostaria, não. Agora esses alunos estrangeiros que vão se hospedar por aqui me interessam muito mais — a garota retrucou, abrindo um sorrisinho malicioso que fez com que e Avallon rissem cúmplices, enquanto Liam apenas revirou os olhos.
— Você não presta, Úrsula Nesbitt — comentou, mordendo o canto da boca porque ela não podia negar, a ideia de alunos novos e estrangeiros por ali também lhe agradava bastante.
— E você também não que eu sei — sua resposta fez com que gargalhasse.
Elas se despediram de Liam e foram para seus dormitórios.
— Mas e você, ? — ouviu Avallon lhe questionar, então franziu o cenho, confusa.
— Eu o que, amiga?
— Você é a única maior de idade entre nós quatro. Vai se inscrever no torneio?
, por hora, apenas deu de ombros, mas quando finalmente deitou a cabeça no travesseiro, não conseguia parar de pensar que aquela podia ser sua chance de fazer algo grandioso. Algo que fizesse com que seus pais se orgulhassem dela.
Quando fechou os olhos, se rendendo ao sono, já tinha a resposta para aquela pergunta.
Sim, ela se inscreveria no Torneio Tribruxo.


Capítulo Dois — Não são só memórias

Ao contrário do que imaginava, os sonhos de haviam sido tranquilos na noite anterior. Normalmente, ela se via envolta em expectativas do que poderia acontecer nos próximos dias e a ideia de se inscrever no Torneio Tribruxo não deixaria de martelar em sua cabeça tão cedo. Isso quando Cedrico Diggory não resolvia fazer uma visitinha, o que deixava a jovem um tanto irritada na manhã seguinte. Ela precisava forçar seu coração a entender de uma vez por todas que a relação entre eles nunca passaria de uma amizade. O lufano era visivelmente apaixonado por Nahla desde o primeiro ano e, convenhamos, quem sairia perdendo nessa história era ele mesmo, insegurança não combinava nem um pouco com a garota.
Naquela manhã, acordou mais cedo do que era o costume. Seu sono não tivera sonhos e ela se encontrava bastante disposta. Havia folheado os livros do sexto ano assim que foram comprados no Beco Diagonal e não podia negar que estava empolgada para o que o ano letivo lhe reservava. Por outro lado, o fato de o campeonato de quadribol não acontecer a deixava chateada, sim, mas algo lhe dizia que o Torneio Tribruxo seria capaz de preencher aquele vazio com louvor.
Isso se ela conseguisse entrar, obviamente.
Negou com a cabeça, se recusando a deixar que más energias modificassem seu bom humor, porque negatividade fazia muito mal para sua pele, então se levantou rapidamente. Já que estava acordada desde cedo, poderia tomar seu café adiantada e seguir com mais tranquilidade para a aula de Feitiços, que seria a sua primeira naquele dia.
Avallon e Úrsula ainda dormiam pesadamente, o que fez com que hesitasse em acordar as amigas. Conhecia mais do que ninguém o mau humor de Úrsula quando era acordada e resolveu que um tempinho sozinha lhe faria bem. Ajudaria a colocar suas ideias no lugar.
Trocou o pijama por suas vestes da Corvinal, então seguiu para fora do dormitório. O salão comunal estava praticamente vazio e ela ignorou quando sentiu alguns olhares em sua direção, não demorando para se dirigir ao salão principal. Seus olhos varreram a mesa de sua casa e ela encontrou o lugar perfeito, mais afastado das outras pessoas porque queria comer em paz.
Serviu-se de um pouco de mingau e só percebeu o quanto estava faminta quando começou a devorá-lo. Seus pensamentos voltaram a trabalhar a mil por segundo e ela estudava todas as possibilidades de seu futuro.
Se os pais soubessem que ela teve a oportunidade de se inscrever no Torneio e não o tivesse feito, o julgamento viria. O mesmo aconteceria se ela não fosse a campeã de Hogwarts.
Só havia uma opção. Ela precisava ser a escolhida e vencer. Só assim conseguiria o respeito e admiração que tanto desejava.
— Impressão minha ou você está tentando alguma magia silenciosa para o mingau voar até sua boca? — Levou um susto ao ouvir a voz de Cedrico Diggory tão próxima, quase derrubando a colher dentro do prato e só então percebendo que ele havia se sentado ao seu lado.
— Cedrico! Será que vou ter que te azarar para você perder a mania de me dar esses sustos? — reclamou, dando um tapa forte em um dos braços do rapaz.
— Outch! E precisa de azaração quando você tem uns tapas ardidos desse jeito? Delicada como o Salgueiro Lutador. — Deu risada, fazendo uma careta enquanto esfregava o braço.
— O drama deve ser algo de vocês lufanos, né? — soltou com acidez e Diggory lhe ergueu uma sobrancelha.
— Seguindo a sua lógica, corvinos são brutos — replicou, fazendo a garota negar com a cabeça. Era incrível a capacidade que ele tinha de lhe deixar à vontade e ignorar tudo ao seu redor.
Encarou o rosto do amigo, vendo que ele deixava um sorriso brincando nos lábios e se xingou mentalmente porque era muito difícil não reparar no quanto era bonito. Cedrico não facilitava muito a vida de .
Naquele momento mesmo o rapaz levou uma de suas mãos ao rosto da garota, passando os dedos por seu queixo e fazendo com que ela se retesasse automaticamente.
— Tava sujo de mingau aí, tampinha — avisou, entendendo erroneamente a reação dela.
Seria tão insano assim se ela o puxasse para perto de si e lhe tascasse um beijo na boca? Realmente, não era fácil controlar os pensamentos nada comportados que tinha quando estava perto de Cedrico Diggory.
As bochechas dela esquentaram, mas não era exatamente de vergonha.
— Pois vá pegar um pra você — comentou apenas para disfarçar, então desviou o olhar de Cedrico para seu prato de mingau quase acabado, dando mais umas colheradas para terminar aquela refeição de uma vez.
— Então, . O que acha? — A voz do amigo chamou sua atenção e ela arqueou uma sobrancelha. Tinha certeza de que ele não havia dito nada antes disso, já que seus pensamentos não estavam tão distantes assim.
— Sobre o que, Diggory? — questionou, certificando-se que dessa vez não tinha vestígios de comida em seu rosto.
— Sobre o Torneio Tribruxo. — O tom de voz do amigo denunciava o quanto ele estava empolgado para aquilo.
— Ainda não consegui tirar uma conclusão sobre isso — confessou. — Mas acho que deve ser realmente perigoso ou não teria sido extinguido por tantos anos.
— Não é incrível? Eu mal acreditei! E ter a chance de participar de algo dessa grandeza em Hogwarts. Quero dizer, imagine só ser escolhido como campeão da escola. — Seus olhos brilhavam de uma forma que só poderia significar uma coisa.
— Você vai se inscrever, Ced? — questionou muito mais ansiosa do que imaginava.
— Mal vejo a hora! Escrevi ao meu pai ontem à noite e ele já me enviou a resposta. Tenho certeza de que, se pudesse, estaria fazendo as malas nesse momento para vir para cá.
O estômago de embrulhou no mesmo instante, ela podia jurar que as coisas estavam girando e ao mesmo tempo parecia que haviam lhe jogado um balde de água fria.
Aquela notícia lhe incomodava pelos seguintes motivos:
Primeiro, ela morria de medo do que poderia acontecer a Cedrico em um torneio perigoso como aquele.
Segundo, Diggory era o queridinho de Hogwarts, além de ser um excelente aluno. Que chances ela teria de ser escolhida se ele se inscrevesse?
Terceiro, ele estava tão empolgado com aquilo que ela certamente se sentiria mal sendo escolhida em vez dele.
Às vezes se odiava por ser assim. As coisas facilitariam muito se ela fosse mais como Nahla ou Jacob, que eram extremamente determinados e só descansavam ou paravam para olhar as consequências quando seus objetivos estavam alcançados.
Se Nahla estivesse em seu lugar, com certeza se inscreveria sem levar em consideração a grande amizade que tinha com Cedrico.
odiava ser comparada aos seus irmãos e, no entanto, ali estava ela fazendo exatamente isso.
— Você está distraída demais hoje, tampinha. Isso é sono? — Diggory até abanou a mão na frente do rosto da garota e ela se xingou mentalmente por divagar no meio de uma conversa.
— É, eu acho que sim. Desculpa, Ced. O Torneio Tribruxo, hein? Você tem certeza? Mesmo com os riscos e tudo mais? — Conteve uma careta.
— Absoluta — respondeu com convicção. — Desde o momento em que foi anunciado, eu senti que devia me inscrever, sabe?
Sim, ela sabia porque mesmo com toda a hesitação ela sentira o mesmo.
não queria competir pela vaga com o amigo, no entanto, não havia nada que ela pudesse fazer por hora, a não ser:
— Nesse caso, te desejo boa sorte. Tenho certeza de que você vai ser um grande campeão de Hogwarts. — Sorriu para o rapaz, que se aproximou novamente e a abraçou de lado, fazendo com que as borboletas fizessem a festa com a garota.
Ele precisava mesmo cheirar tão bem?
— Obrigado, . É muito importante para mim o seu apoio.
Aquilo fez ela se derreter toda por dentro.
— E você? — Diggory disse, observando-a com atenção, sem tirar os braços da volta de .
— Uma chance de sair da sombra de Jacob e Nahla ? Pode por o meu nome — respondeu em um tom mais baixo, como o de alguém que contava um segredo.
Ao contrário dela, o rapaz sequer demonstrou reações de choque ou receio. Cedrico imediatamente sorriu bem largo, aprovando o que tinha acabado de ouvir ao mesmo tempo em que tornava a apertá-la contra si.
— Pode ter certeza de que se você for escolhida a campeã da escola, eu serei o seu fã número um. — Piscou em seguida, fazendo perder o fio dos pensamentos.
— Ótimo, Diggory. Porque eu já sou a sua.
— E eu não sei disso? — Sorriu de canto para a garota, que se questionou por alguns segundos se aquilo teria algum outro significado.
O rapaz então a soltou e imaginou que estava maluca porque não era possível já sentir falta de uma sensação que havia acabado de experimentar. Resolveu parar de pensar besteiras e focar em seu café da manhã.
Os dois permaneceram alguns segundos em silêncio enquanto terminava de comer.
— Fiquei sabendo que os gêmeos Weasley vão tentar burlar as regras para conseguirem se inscrever — o lufano segredou quando a viu largar a colher no prato vazio, aproximando seu rosto dela para que esta conseguisse lhe ouvir.
— Eles vão? — arqueou uma sobrancelha. — Por que será que eu não estou surpresa com isso? — Acabou rindo.
— Seria surpreendente se eles não fossem se inscrever, certo? — Os dois riram cúmplices, mas disfarçou enquanto procurava algum sinal dos rapazes no salão principal. Não havia nem sinal deles, mas nem sempre ela os via durante o café da manhã.
— Não consigo nem imaginar como eles pretendem fazer isso. Quero dizer, com certeza Dumbledore vai cuidar pessoalmente disso — comentou, vendo que o lufano concordava com cada palavra.
— Agora você me fez pensar na cara do diretor caso um desses dois consiga burlar a restrição e ser escolhido — replicou pensativo, por mais que duvidasse que alguém conseguiria enganar um bruxo poderoso como Dumbledore, ainda mais sendo um aluno do sexto ano.
— Vou bater palmas para a genialidade dos dois, se isso acontecer. — abriu um sorriso travesso, porque ali estava algo interessante. Ela queria muito ser a escolhida, mas ainda assim admirava as pessoas com ousadia o suficiente para quebrar regras.
— Um menor de idade conseguindo entrar para o Torneio Tribruxo. O quão louco e absurdo isso seria? — Cedrico parecia realmente estar imaginando aquele cenário, o que fez a manter o sorriso nos lábios.
— Acho que isso eu nem preciso responder.
então percebeu que já estava quase na hora da aula de Feitiços e resolveu se adiantar para evitar chegar em cima da hora.
— Nenhum sinal daquelas cretinas, certo? — questionou a Ced, que riu pela forma como ela se referia às amigas.
— Não que eu tenha visto — negou.
— Espero que elas tenham conseguido acordar. Já tô até prevendo o quanto vão reclamar se perderem a hora porque não chamei ninguém antes de sair. — Levantou-se, ajeitando as vestes e Cedrico fez o mesmo, esperando pacientemente até que a garota começasse a caminhar em direção à sala do professor Flitwick.
— E por que você não chamou mesmo?
— Porque eu precisava de um tempo sozinha para pensar bem nessa história do Torneio. Carregar o meu sobrenome não é lá muito fácil. — Suspirou.
— Ah é? Espero que não tenha te atrapalhado muito. — Olhou-a um tanto sem jeito e negou com a cabeça, espantando ao mesmo tempo o pensamento de como ele ficava adorável assim.
— Não atrapalhou em nada, Ced. Fica tranquilo.
Adentraram a sala de Feitiços, cumprimentando o professor rapidamente. desviou seu olhar para os lugares onde ela e as amigas sempre sentavam e estreitou os olhos ao ver que Úrsula e Ava estavam ali.
Seguiu até lá com Diggory em seu encalço, deixando seu material em cima da mesa que costumava usar.
— Posso saber por que não encontrei as madames no salão principal? — Atraiu a atenção das duas amigas.
— Bom dia para você também, . — Úrsula riu. Avallon sorriu torto e imediatamente se arrependeu de ter dito alguma coisa a respeito.
— Não queríamos atrapalhar o momento de vocês dois.
Certamente, elas haviam visto o momento em que Cedrico abraçara .
— Err… Já que você achou as duas, eu vou até o meu lugar, ok? — O rosto do rapaz havia adquirido um tom avermelhado e imaginou que o seu não devia estar muito diferente.
— Ignore essas duas, Ced — acabou por dizer, morrendo de vergonha.
— Relaxa, tampinha. Até mais. — Beijou a bochecha da garota, como sempre fazia e por um segundo a moça jurou que ia se estabacar no chão.
— Vocês seriam uma gracinha juntos, amiga — Úrsula comentou assim que Diggory não estava mais por perto.
— Vocês duas são ridículas. — as fuzilou com o olhar.
— Te amamos também, neném — Avallon debochou.
— Estou falando sério, Ava. Parem com essas brincadeiras, vocês duas. Eu e o Ced somos amigos. Apenas isso. — Era muito difícil dizer aquilo sem o tom de frustração.
— Mas, se dependesse de você, não seria só isso né? — Por que ela iria negar? Avallon estava absolutamente certa.
— Ah, cala a boca. — Riu.
sentiu-se extremamente grata ao professor Flitwick por chamar a atenção de todos e dar início à aula poucos segundos depois. Tudo bem que não havia sido com nenhuma outra intenção além da pontualidade de sempre, mas ainda assim tinha contribuído para o fim daquela “sessão de tortura”.
Feitiços era a matéria favorita de , então ela sempre prestava bastante atenção e se esforçava ao máximo para executar todas as práticas com excelência.
Fazia uns cinco minutos que o professor tinha começado a explicar o feitiço cabeça-de-bolha, quando a entrada intempestiva dos gêmeos Weasley o interrompeu.
— Desculpe, professor Flitwick — George começou.
— O atraso foi por uma causa acadêmica — Fred explicou.
— Que isso não se repita, senhores Weasley. Podem ir aos seus lugares, sim? — O homenzinho disse, fazendo sinal para que eles fossem logo e o deixassem continuar sua aula.
Os gêmeos trocaram sorrisos cúmplices, então seguiram para seus lugares. Ironicamente, sentavam-se no lado da sala oposto ao de e suas amigas, bem de frente para elas.
A jovem usou de toda a determinação que possuía para manter-se focada na aula e não olhar na direção dos garotos, o que não deu muito certo quando ela se sentiu observada.
Não se surpreendeu em nada ao perceber que era George Weasley e, droga, será que ele não tinha nenhuma causa acadêmica para fazê-la se atrasar também?
O que é que estava pensando?
Desviou o olhar do garoto, mirando o quadro como se sua vida dependesse disso.
No entanto, a sensação de que lhe encaravam não foi embora tão cedo.
estava quase conseguindo focar somente nas palavras de Flitwick, quando um bilhete foi passado discretamente para ela em cima da mesa e imediatamente a garota reconheceu a caligrafia de Avallon.

George não para de te olhar. Você vai me contar tudo sobre essa Copa de Quadribol, . Nem que eu tenha que roubar Veritaserum do professor Snape para te obrigar.
Com amor, Ava.
Quase gargalhou da audácia da amiga, ainda mais por ter assinado o bilhete daquele jeito.

Ridícula.
Escreveu e passou o papel de volta para ela.
Mais uma vez, traiu a si mesma e olhou na direção do Weasley, vendo que dessa vez ele lhe lançava aquele sorriso de canto.

🐉


Flashback on

Assistir à final da Copa Mundial de Quadribol era realizar um grande sonho. estava tão empolgada para aquela partida que sairia saltitando pela arquibancada, se seus pais não fossem tão conservadores. Era um verdadeiro milagre que tivessem lhe permitido pintar o rosto, demonstrando sua torcida para a Irlanda, mas imaginava que tivesse algum dedo de Nahla naquilo, porque a irmã também estampava as cores nas bochechas.
Nahla e Jacob não eram tão fãs de quadribol quanto , que já havia até mesmo considerado seguir aquilo como profissão. Jacob estava ali a trabalho, então não foi uma grande surpresa quando sumiu minutos depois da família chegar. Nahla havia conseguido uma folga do Gringotts e embora tivesse prometido à irmã mais nova que as duas aproveitariam juntas aquele evento, já deveria saber que Ellaria não o permitiria, afinal, a matriarca não perdia sequer uma chance de exibir sua filhinha de ouro.
Devido à grande importância dos , eles haviam sido convidados ao camarote de honra e não foi surpresa alguma que Dimitri tenha iniciado uma conversa com os Malfoy, que encontraram no caminho até o local.
Definitivamente, não havia como se sentir menos como um peixe fora d’água. Ela olhou um pouco à sua volta, tentando se distrair com o mínimo que fosse e observou Draco com sutileza porque odiaria ser pega em flagrante. O garoto era bonito, não iria negar, mas o que tinha de beleza também esbanjava em arrogância, o que fazia com que a vontade de socá-lo vencesse qualquer outra coisa.
Assim que chegaram ao camarote de honra, foram muito bem recebidos por Cornélio Fudge, que sempre demonstrava cordialidade excessiva quando se direcionava a Dimitri e Ellaria . se perguntava se o tratamento seria o mesmo se o pai não tivesse um cargo tão importante e já sabia que a resposta seria negativa.
Percebeu várias cabeleiras ruivas características ali no camarote e reconheceu de imediato os Weasley, acompanhados de Harry Potter e Hermione Granger.
nunca havia sequer trocado palavras com o grupo e se arrependeu disso ao notar o quanto conversavam animados.
— Meu Deus, Arthur. O que foi que você precisou vender para comprar lugares no camarote de honra? Com certeza sua casa não teria rendido tudo isso, não? — Lúcio Malfoy havia murmurado para o patriarca dos Weasley e mesmo entre o burburinho a jovem havia conseguido ouvir.
Aquele homem não podia ser mais desprezível e atitudes como a dele faziam a garota questionar como seus pais conseguiam se relacionar com pessoas assim.
Talvez porque fossem farinha do mesmo saco.
Bufou, controlando-se para não socar de fato a cara de Draco ao pegá-lo encarando os Weasley com uma expressão de puro desprezo.
— Inacreditável — resmungou, consigo mesma, olhando para o extenso campo de quadribol cheia de expectativa. Não via a hora daquela partida começar.
Lançou um olhar rápido em direção à irmã, torcendo a boca porque Nahla sequer fez menção de a encarar de volta. Resolveu desencanar, não poderia contar com a companhia da mais velha naquela noite, então teria que aproveitar o jogo sozinha.
Não era de todo ruim, mas ela desejou que Úrsula e os irmãos Scarborough estivessem ali.
O lado direito de seu rosto formigou e conhecendo aquela sensação virou-se nessa direção, percebendo que um dos gêmeos Weasley havia desviado o olhar.
Estaria ele lhe encarando?
Ergueu uma sobrancelha, analisando o garoto e questionando como não havia percebido o quanto ele era atraente. Avallon tinha razão, às vezes a era muito cega com relação a algumas coisas.
não desviou o olhar dele até que voltasse a encará-la. Quando o fez, ela decidiu que não havia problema algum em tomar a iniciativa.
Deu alguns passos, afastando-se de sua família e se aproximando dele.
— Veio aprender como ser um batedor melhor, Weasley? — brincou, lembrando-se que no ano anterior ela havia jogado contra eles.
— Conseguir umas dicas para derrotar a batedora da Corvinal me parece um bom plano. — Aquele comentário fez a garota sorrir.
— Você parece bem interessado em derrotar essa batedora. Por acaso ela te derrubou da vassoura ou algo assim? — Ergueu uma sobrancelha para o garoto.
— Não eu. Na verdade, ela nocauteou Fred. Tenho certeza de que alguns parafusos se soltaram da cabeça dele nisso.
soltou uma risada, quase agradecendo-o por poupá-la de questionar com qual dos gêmeos estava falando.
— Por que não tenta pedir umas dicas a ela também? Tenho a impressão de que esse ano ela anda particularmente generosa — sugeriu, vendo-o sorrir torto.
— Está aí uma ótima ideia. — Se aproximou um pouco mais de , que sentiu um arrepio gostoso passar por seu corpo por mais que eles não tivessem se tocado e nem nada do tipo. — Me daria a honra de receber umas dicas suas, batedora implacável da Corvinal? — O tom galanteador mexeu com a , não iria negar.
— Será um prazer. — Piscou para o rapaz.
A voz de Ludo Bagman reboou, ecoando em cada canto das arquibancadas e a bolha invisível entre e George foi estourada para que suas atenções se voltassem à partida que começaria em poucos segundos.
— Senhoras e senhores, bem vindos! Bem vindos à final da quadricentésima vigésima segunda Copa Mundial de Quadribol!
Houve uma grande ovação e a bateu palmas, rindo ao ouvir o grito que George havia soltado a poucos metros dela.
Um quadro negro, onde antes passavam-se anúncios de todos os tipos, passou a informar a pontuação dos jogos e logo depois disso Bagman anunciou os mascotes.
Os búlgaros haviam trazido
Veelas e era realmente incrível o poder que elas tinham em enfeitiçar quem desejassem.
Trocou mais um olhar rápido com George assim que os mascotes da Irlanda chegaram.
Leprechauns havia sido uma ideia interessante.
— E agora, senhoras e senhores, vamos dar as boas-vindas… ao time nacional de quadribol da Bulgária! Apresentando, por ordem de entrada… Dimitrov!
O vulto vermelho montado em uma vassoura disparou pelo campo, recebendo aplausos de seus torcedores.
— Quem você acha que vai levar essa? — lançou um olhar de canto de olho para George ao ouvir sua pergunta.
— Ivanova! — Bagman anunciou o segundo jogador da Bulgária.
— Não costumo torcer para perdedores. Vai ser da Irlanda com certeza — respondeu convicta.
— Uh, confiante. Isso já me faz gostar de você. — Fred se meteu na conversa dos dois. — , não é?
— Em carne e osso — brincou sorrindo.
— Zograf! Levski! Vulchanov! Volkov! Eeeeee… Krum!
— É ele! É ele! — o irmão mais novo dos gêmeos, Rony, exclamava desesperadamente.
apertou seus olhos para tentar vê-lo melhor, mas não conseguiu muita coisa. Foi aí que lembrou de que segurava um onióculos nas mãos.
Focalizou rapidamente na direção de Krum e mesmo que soubesse exatamente quem ele era, não imaginava que pessoalmente o jogador era diferente de uma boa forma.
Vamos lá, como não reparar nos braços fortes do rapaz ou na postura confiante dele em cima daquela vassoura? Krum voava velozmente, dando uma volta enquanto erguia o punho no ar, cumprimentando a torcida da Bulgária.
Por alguns segundos, questionou por que havia escolhido torcer para a Irlanda mesmo.
Pôde jurar que os olhos do apanhador se fixaram por alguns segundos onde ela estava, mas talvez estivesse se iludindo demais, completamente tonta pelos efeitos que a entrada de Viktor Krum havia lhe causado.
Balançou a cabeça em negação enquanto mordia o lábio. Além de estar sonhando acordada com algo impossível, já que ele era famoso e estrangeiro, talvez tivesse batido a cabeça ou algo assim. Tinha certeza de que não havia achado o rapaz grande coisa quando o viu por fotos.
— Não me diga que já vai me trocar pelos búlgaros! — A voz de George a despertou dos pensamentos e o encarou surpresa, sentindo as bochechas esquentarem levemente.
Então ela desfez o espanto e abriu um sorriso de canto para o ruivo.
— Já com ciúmes, Weasley? — arqueou uma sobrancelha. — Não se preocupe. Você ainda vai ter as suas dicas. Apenas fiquei impressionada com a agilidade do Krum.
— Ele parece um pássaro cortando o vento, não é? Como é que a Irlanda vai superar isso? — Rony se intrometeu na conversa, completamente alheio ao clima de flerte entre e o irmão.
— Olhando pelo ângulo do pássaro, ele parece mesmo uma daquelas aves de rapina, não é não? — Fred zoou, fazendo rir, mesmo não concordando muito com aquela comparação. Desconfiava que ele havia soado aquilo para defender a ‘honra’ de George ou algo desse tipo.
— Eu nunca o vi jogando ao vivo, mas você tem um ponto… Rony, não é? — perguntou, vendo o garoto assentir freneticamente. — Só que o time da Bulgária vai depositar todas as fichas no apanhador. Levar tudo nas costas pode não ser lá muito vantajoso, ainda mais porque a Irlanda não se resume a apenas um jogador. Por isso eu continuo achando que a Irlanda leva essa — explicou seu raciocínio.
— Isso! — Fred trocou um ‘hi-five’ com George assim que a garota terminou sua fala. — Case com essa garota, mano! — murmurou em um tom mais baixo para que apenas George o ouvisse e os dois trocaram olhares cúmplices.
fingiu que não, mas ela havia percebido aquilo. Conteve um pequeno sorriso e resolveu que não comentaria.
De qualquer forma, tinha gostado.
— Você parece entender bastante de quadribol — Rony comentou, arrancando um sorriso da garota.
— É meu esporte favorito no mundo todo. Quem sabe um dia você não vá assistir a algum jogo meu, não é? — Piscou para o garoto, que pigarreou e ruborizou um pouco.
Percebendo que a partida finalmente iniciaria, todos voltaram suas atenções para o centro do campo, onde agora se encontrava um juiz miúdo e magro. Ouviu-se um silvo forte e curto vindo do apito e Ludo Bagman gritou o início da partida.


🐉


não podia discordar da colocação de Rony Weasley. Enquanto os olhos da garota acompanhavam o decorrer da partida, não conseguiu deixar de observar que Viktor Krum poderia mesmo ser comparado a um pássaro. Sua habilidade com o voo era tanta que em alguns momentos o rapaz nem parecia estar sobre uma vassoura. admirou aquilo, mas ao mesmo tempo se sentiu um tantinho irritada. Ele não podia ser o jogador perfeito, alguma coisa de errado devia existir com aquele garoto.
Mas, exatamente como ela havia dito, depositar todas as fichas em apenas um jogador talentoso poderia ser a morte do time da Bulgária. Os artilheiros irlandeses eram fantásticos e suas táticas realmente incríveis. Eles estavam dando um banho nos búlgaros, marcando gol atrás de gol e se continuasse naquele ritmo, pegar o pomo não salvaria a Bulgária da derrota.
Ouvindo exclamações do público, inclinou-se um pouco, afoita ao ver Krum e Lynch, o apanhador irlandês, mergulharem no meio dos artilheiros, tão absurdamente velozes que pareciam ter saltado de suas vassouras.
— Eles vão colidir! — ouviu-se o grito de Hermione Granger, ao lado de Harry Potter, mas não estava muito interessada neles, queria saber o que aconteceria ali no campo.
Krum teria visto o pomo de ouro? Com o placar atual, se ele o apanhasse, a vitória seria de seu time.
Os dois estavam cada vez mais próximos do chão, então o búlgaro se recuperou do mergulho no último segundo, voltando a voar em círculos enquanto Lynch colidia em um baque surdo. soltou uma exclamação de dor, assim como todas as pessoas ao seu redor.
— Inacreditável! — murmurou, impressionada.
— Idiota! Era uma finta de Krum! — O patriarca dos Weasley estava indignado, mas não podia dizer que se sentia da mesma forma.
Analisou os movimentos de Viktor e enquanto Lynch era examinado pelos medibruxos ele aproveitava para procurar pelo pomo sem interferências. Ela não ia negar, aquela estratégia havia sido genial. Era como se o rapaz soubesse exatamente tudo o que precisava fazer em campo.
A irritação voltou a lhe atingir, porque ela desejou ser como ele se um dia se tornasse jogadora de quadribol, mas a ideia de que Krum tinha que ter algum defeito voltou a incomodá-la.
A garota nem sabia o porquê daquilo, mas não estava conseguindo controlar.
Talvez fosse alguma desculpa para não ficar babando no apanhador do mesmo jeito que Rony Weasley fazia.
Mordeu o canto da boca, sentindo olhares sobre si e sorriu ao notar que era George ao seu lado.
— Ronald está apaixonado — comentou, indicando o irmão, que olhava com uma admiração boba para o búlgaro.
— Com uma jogada dessa, não dá pra culpá-lo, vamos combinar — admitiu, rindo da cara de choque que o rapaz fez.
— Assim, na minha cara?
— Sempre espere sinceridade de . — Deu de ombros, sendo totalmente honesta. Não era do feitio da garota mesmo controlar as coisas que pensava.
A única exceção era quando o assunto era a paixão platônica da jovem por Cedrico Diggory.
— Finalmente! — gritou, comemorando ao ver que o apanhador irlandês havia se levantado e retornava para o campo.
A enxurrada de gols que se seguiu depois disso deixou a garota de excelente humor. Ver o time pelo qual torcia estar praticamente vencendo a partida em meio a pessoas agradáveis como os Weasleys seria algo memorável para ela em um outro nível. ao menos pensou em sua família por vários e vários minutos e quando aquilo passou por sua mente, ela olhou rapidamente para onde havia os deixado, notando com uma pontada de frustração que nenhum deles havia dado falta dela. Nem mesmo Nahla.
— Não, você não vai fazer isso, — murmurou para si mesma.
— O quê? — George lhe questionou e a garota se xingou mentalmente por ter pensado alto demais.
— Nada não, estou falando do goleiro da Bulgária — mentiu, porque coincidentemente este seguia de encontro à artilheira da Irlanda, atingindo-a com brutalidade e recebendo gritos raivosos em resposta.
Um pandemônio se instalou logo depois disso, já que os mascotes de ambos os times travaram uma batalha que resultara em um juiz afetado pelas
veelas, que constrangido as repreendeu aos gritos. Os batedores búlgaros não pareceram gostar nada daquilo, discutiram furiosos com o homem e sua fúria refletiu-se em campo.
O jogo adquiriu um grande nível de ferocidade e simplesmente não conseguia desviar seu olhar do campo. Honestamente, ela não sabia o que estava lhe entretendo mais, se era o jogo em si ou as brigas entre os mascotes, já que foi necessário uma intervenção dos bruxos do Ministério para separá-los.
Mais uma exclamação de dor escapou dos lábios da quando viu um balaço ser lançado contra Krum, atingindo-o em cheio no rosto. No entanto, aquilo não o parou.
— Olha o Lynch! Ele viu o pomo! Ele viu! — Potter exclamou, apontando empolgado e Krum imediatamente voara ao encontro do irlandês.
Mais uma vez, os dois mergulharam implacáveis. Gotas do sangue de Krum espalhavam-se pelo ar, mas a expressão dele era de uma determinação que fez esquecer momentaneamente para quem torcia. Ela quis que ele pegasse o pomo.
E quando Lynch se estatelou novamente no chão e viu o pomo nas mãos de Viktor Krum, não conseguiu controlar o grito de comemoração que ecoou de seus lábios.
Ela deu alguns pulinhos, aplaudindo animada por mais aquela jogada fantástica.
— GANHAMOS! — Assustou-se com o grito em uníssono dos gêmeos e quando se deu conta estava sendo erguida no ar pelos ruivos.
— Eu sabia! — a garota celebrou, contagiando-se pela alegria deles.
— Nós formamos um time e tanto, — George soltou, assim que foi colocada no chão.
— Formamos? — Ergueu uma sobrancelha.
— Você disse que a Bulgária não tinha colhões o suficiente para vencer. E um pouco antes eu e Fred apostamos com Bagman que Krum pegaria o pomo, mas a Irlanda venceria — explicou a ela, que abriu a boca impressionada.
— Falando nisso, temos uma aposta ganha para receber. — Fred indicou Ludo com um aceno de cabeça.
— Não sai daqui, . — George piscou para a garota.
— Para onde mais eu iria, não é? — Retribuiu o gesto do rapaz.
observou os irlandeses darem a volta no campo, comemorando sua vitória e o sorriso não abandonava seu rosto de maneira nenhuma.
— Vamos aplaudir com vontade os galantes perdedores: Bulgária!
Sentiu até uma certa dor no pescoço por virar tão bruscamente, mas a esquecera completamente de que estava no camarote de honra dos ministros. Era meio óbvio que os times marcariam suas presenças ali para receberem as premiações.
Seus olhos passaram por cada um dos jogadores, que vieram das escadas e seguiam até Fudge. O último deles era Viktor Krum e por mais medonha que fosse sua aparência no momento, já que ele estava com o rosto e vestes ensanguentadas, e a garota tivesse notado que o andar dele sobre a terra não era tão coordenado assim, se sentiu bastante atraída por ele. Parecia que havia ficado momentaneamente cega para notar defeitos nele, embora estivesse lhes procurando durante toda a partida.
, papai está louco atrás de você. Ele quer ir para o acampamento antes que a multidão se aglomere nas saídas — Nahla chamou a atenção dela e a mais nova abriu um sorrisinho irônico.
Agora eles tinham lembrado que ela existia?
— Tudo bem, estou indo — acabou respondendo em vez disso.
Procurou George com o olhar e o encontrou ao lado do irmão, próximo a Ludo Bagman. Não conseguiria se despedir, mas talvez os dois pudessem se falar em Hogwarts. Era o que lhe restara mesmo.
Seguiu em direção às escadas, onde viu a cabeleira característica dos .
E passando pelo time da Bulgária, a garota não conseguiu evitar encarar mais uma vez seu veloz apanhador.
Para sua grande surpresa, o olhar de Krum foi de encontro a ela e a garota pôde jurar que este lhe lançara um sorriso de canto.
! — a voz da irmã ecoou novamente, fazendo ela desejar pela milésima vez não pertencer à família .
— Pelas barbas de Merlim, eu já estou indo! — resmungou, forçando-se a quebrar o contato visual com o rapaz.


🐉


— O que foi aquilo durante o jogo, ? — A pergunta de Nahla arrancou a garota de seus próprios pensamentos.
— Estou surpresa que você tenha me visto por lá, irmãzinha — ironizou, encarando o teto da barraca, enquanto permanecia deitada de barriga para cima.
— É claro que te vi. Não seja babaca — resmungou, fazendo virar o rosto em sua direção apenas para erguer uma sobrancelha para ela.
— Minha própria família sempre age como se eu não existisse em eventos públicos e eu que sou a babaca? — Seu tom de voz era ácido.
A mais velha suspirou.
— Desculpa — disse simplesmente. — Mamãe me deixou quase louca e depois eu acabei me entretendo ao saber de algumas coisas que vão acontecer em Hogwarts esse ano.
— O que vai acontecer em Hogwarts esse ano? — questionou curiosa.
— Não. Eu não posso te contar e também não quero estragar a surpresa. — Desviou o olhar da irmã porque sabia que ela lhe convenceria em dois tempos.
— Ah, por favor, Nahla. Não seja péssima! — insistiu, fazendo um bico que afetava a mais velha mesmo que não o visse.
— Péssimo vai ser se você ficar sabendo antes da hora. Falo sério, — soltou com o máximo de determinação que conseguia. — Mas adianto que você vai adorar.
Será que tinha algo a ver com quadribol?
Deixar alguém curiosa como ela era crueldade.
— E não pense que vai escapar de responder a minha pergunta, irmãzinha. Pode me contar tudo — Nahla voltou a insistir e bufou.
— Contar o quê? — Fez careta, imaginando mais ou menos o que era.
— Você e George Weasley. Espere só até eu contar ao Bill sobre isso! — Bateu palminhas empolgadas.
— Você está louca, Nahla. Nós somos amigos. — Riu do exagero da irmã, por mais que tivesse notado que George não queria exatamente ser amigo dela.
— Não tente me fazer de boba, . Te conheço como a palma de minha mão e conheço a sua cara de flerte. Não esqueça que fui eu que te ensinei a fazê-la. — Piscou para a mais nova, que mordeu o canto da boca e negou com a cabeça.
— Tudo bem. Talvez tenhamos trocado flertes, mas isso não quer dizer nada, garota! — Tampou o rosto com as mãos, sentindo-o esquentar quando Nahla soltou uns gritinhos empolgados. — Não é como se eu fosse casar com ele, então pare de ser assim!
Alguns segundos de silêncio se seguiram e de repente as duas irmãs trocaram olhares cúmplices.
— Imagine a cara da mamãe e do papai se você chegasse anunciando que vai casar com um Weasley? — Nahla disse, com um sorriso travesso.
— Consigo até ver dona Ellaria caindo dura como se levasse a maldição da morte.
As duas gargalharam até cansarem. Depois disso, a conversa seguiu para outra direção e durou horas, sendo interrompida apenas quando os murmúrios de Nahla se transformaram em sons de respiração pesada. A mais velha havia dormido e devia fazer o mesmo.
Aconchegou-se em seu travesseiro, fechando seus olhos e visualizando mentalmente o sorriso animado de George Weasley antes de se render ao sono.


🐉


Em algum momento de seus sonhos, a imagem de Viktor Krum a encarando e lançando aquele sorriso de canto se fez presente. No entanto, neste cenário, não precisava sair correndo e em vez disso podia retribuí-lo de forma travessa, lançando-lhe um olhar da cabeça aos pés. Ele também não estava todo ensanguentado ou com o nariz quebrado e ver o apanhador ceder ao convite mudo da garota e vir em sua direção havia feito o corpo dela aquecer.
Não conseguia nem pensar em desviar o olhar dos olhos dele.
! , por Merlim! — Uma voz surgiu distante, mas foi ganhando cada vez mais volume enquanto a garota passou a se revirar na cama, incomodada.
Ela não podia nem sonhar com apanhadores búlgaros gostosos em paz?
, acorde! Estamos sendo atacados! — A urgência de Nahla fez a mais nova abrir os olhos rapidamente, arregalando-os ao tentar assimilar as palavras da irmã.
— O quê? — questionou aturdida.
— Não há tempo para explicar. Precisamos sair daqui agora! — viu o medo estampado nas feições da irmã, então soube que realmente precisava entrar em estado de alerta.
Um pouco tonta, a garota se levantou, apanhando o primeiro casaco que encontrou e o vestindo desajeitadamente. Guardou a varinha em um dos bolsos e seguiu com a irmã para fora da barraca.
— Precisamos encontrar Jacob! — Dimitri anunciou, olhou nervoso à sua volta e saiu correndo. O irmão mais velho das não havia voltado à barraca com a família algumas horas antes, já que ia comemorar a vitória da Irlanda com alguns amigos.
— Nahla, venha! — Ellaria agarrou a mão da irmã de , que lhe lançou um olhar desesperado que dizia que a mais nova precisaria seguir correndo atrás delas.
E ela tentou se manter próxima às duas, mas a multidão seguia para todas as direções, o pânico deixava as pessoas enlouquecidas e de repente as perdeu de vista.
Estava completamente sozinha em meio a um acampamento sob ataque.
Pessoas eram erguidas pelos pés no ar, algumas tendas pegavam fogo e risadas malignas ecoavam pelo ambiente.
A garota parou de correr, não sabendo mais qual era a direção certa. Sentiu um nó na garganta, o medo absurdo de morrer nas mãos daquelas pessoas horríveis percorreu suas veias e ela não conseguiu mais dar nenhum passo.
Os lábios da tremeram, ela quis gritar, mas em vez disso as lágrimas verteram de seus olhos. Alguém passou esbarrando nela, fazendo com que a moça quase caísse de joelhos na grama e sinceramente ela não sabia como seu corpo havia permanecido firme.
Outras pessoas esbarraram em , apavoradas demais para tentar ajudar uma garota paralisada pelo pavor.
? , por favor, olha pra mim! — Piscou os olhos, pensando que imaginava coisas até o rosto preocupado de George pairar diante do seu.
O rapaz a segurou pelos ombros, sacudindo-a de leve.
— Graças a Merlim, você está bem? — simplesmente negou com a cabeça, incapaz de falar uma palavra que fosse. — Certo. Venha com a gente. Precisamos sair daqui.
Parte de sua consciência constatou o contato da mão do Weasley se entrelaçando à sua, então, mecanicamente, se deixou ser guiada por ele.
Eles correram em meio à multidão, com o garoto a apoiando quando as pernas de oscilavam. Adentraram uma floresta tão escura que foi preciso acender as varinhas para enxergarem e a garota quase sucumbiu mais uma vez.
Onde estava sua família? E se tivessem sido atacados?
Mesmo tendo lhe deixado para trás, ela temia pelas vidas de seus pais e irmãos. A crueldade daquelas pessoas mascaradas era sem precedentes.
O subconsciente de entendia quem eram e por que faziam coisas daquele tipo. Eram os seguidores de Você-Sabe-Quem.
— Só mais um pouco — George dizia, despertando a garota do transe que sua mente insistia em mergulhar.
Avistaram então a orla um pouco mais iluminada da floresta e as pessoas dali pareciam estar em segurança.
Foi apenas quando eles pararam ali que percebeu que Fred e Gina, a caçula dos Weasley, estavam com eles aquele tempo todo.
— O-onde estão seus pais? — Escutou a garota perguntar aflita.
— Eu não sei. — Os lábios de temeram e ela sentiu a mão de George apertar a sua.
— Fico com você até encontrá-los — ele disse, tentando lhe passar confiança.
Lágrimas escorreram pelas bochechas de e ela desejou agarrar-se ao pescoço dele e chorar audivelmente, mas acabou usando o mínimo de controle que lhe restava para não fazê-lo.
Sentiu o olhar do garoto sobre si e sem aviso ele a abraçou pelos ombros, como se acabasse de ouvir seus pensamentos.
Permaneceram então ali, sem trocar palavras porque não conseguia falar. George lhe passava o máximo de conforto que podia e os minutos pareceram horas em meio à aflição.
ofegou quando a marca negra projetou-se no céu, o medo lhe atingiu em níveis catastróficos e, para não sair correndo atrás de sua família, ela se lançou na direção do Weasley, afundando seu rosto na curva do pescoço do rapaz enquanto seu corpo inteiro tremia.
— Shh, vai ficar tudo bem. — A mão dele afagou seus cabelos.
— E… E se aconteceu alguma coisa a eles? — Inclinou-se, focando seus olhos brilhantes de lágrimas no rosto do rapaz.
— Sua família é durona, . Todos vocês vão ficar bem — assegurou.
Com certeza o rapaz também tinha suas próprias preocupações, já que apenas o gêmeo e a irmã mais nova estavam ali e pensar nisso fez o coração de se aquecer pela atitude dele.
Trocar flertes com ela era uma coisa, cuidar dela daquele jeito era algo totalmente diferente. Ela nunca esqueceria daquilo.
? — Ouviu a voz de Nahla e procurou-a com o olhar, localizando-a a alguns metros deles e sentindo George lhe soltar sutilmente.
— Nahla! — Abraçou a irmã firmemente quando a mais velha se aproximou correndo.
— Por Merlim, você está bem! Fiquei procurando você feito louca por aquele acampamento e imaginei as piores coisas quando não consegui te encontrar. — Nahla passou as mãos pelo rosto de , secando as lágrimas da mais nova.
A alguns metros, sem sequer fazer menção de se aproximar, os observavam a cena com uma expressão indecifrável.
— Obrigada por tomar conta dela, Weasley. Temos uma dívida com vocês — Nahla se dirigiu a George, que fez um gesto de que não precisava disso.
— Só quis mantê-la em segurança — respondeu.
se desvencilhou da irmã mais velha e se voltou para o rapaz, lhe lançando um sorriso fraco porque ainda estava abalada com os acontecimentos.
— Obrigada por tudo. — Encarou-o fixamente e Weasley retribuiu o sorriso.
— Nos vemos em Hogwarts. — Piscou para a garota, deixando-a seguir para o restante de sua família.

Flashback off


🐉


— Eu não acredito que você escondeu essa história da gente, ! — Úrsula reclamou, ameaçando dar um tapa na amiga.
— Não é o tipo de coisa que se conta por cartas, sabe? E nós não tivemos muitas chances de falar sobre isso com a vinda para Hogwarts e depois a história desse torneio tribruxo… — tentou se explicar.
— Pode parar com isso. Você sabe que nós não somos idiotas, garota. Você teve muitas chances de nos contar e só não fez isso porque não quis — Avallon acusou, estreitando os olhos.
— Tá bom. É errado eu querer manter as coisas só pra mim por alguns dias? — confessou, fazendo um bico.
— Não quando você tem uma história dessas! Parece coisa de livros, sabe? Tô shippando demais vocês dois! — Úrsula deu uns pulinhos, toda animada.
— Pare com isso. George me ajudou em um momento difícil, não tem nada para você shippar. — Fez aspas com as mãos ao dizer o termo.
— Claro que tem e você tanto sabe disso que vive trocando sorrisinhos com o garoto. Não vejo qual o problema em admitir que quer dar uns beijos nele. — Ava deu de ombros.
— Daqui a pouco você diz que não vê problema em eu agarrá-lo no meio do pátio, Avallon. — Soltou uma risada. — Onde seu irmão se enfiou, aliás?
— Por que falar em agarração te fez lembrar do Liam? Tem algo que eu precise saber? — Fez uma careta.
— Ew! Claro que não, sua maluca — negou imediatamente.
BANGUE!
Gritos atraíram as garotas, que apressaram seus passos em meio aos corredores até alcançar o saguão, de onde parecia vir a confusão.
— Ah, não vai fazer isso, não, garoto! — A voz furiosa do professor Moody se fez ouvir.
Ele descia a escadaria de mármore mancando enquanto apontava para algo bem próximo de Harry Potter.
— O que é aquilo? — Avallon questionou, apertando os olhos para tentar decifrar.
— Parece uma… Doninha? — Úrsula murmurou surpresa.
— Deixe-o! — Moody berrou, apontando para o garoto Crabbe, que havia feito menção de se abaixar para recolher o animal.
— Espera… Se aquele é o Crabbe e o Goyle está do lado… — Ava começou, olhando risonha para as outras duas.
— Aquele ali é Draco Malfoy — completou e as três precisaram sair dali às pressas para irromperem em gargalhadas, já que o local tinha adquirido um silêncio frente à punição do professor.
— Por Merlim, eu vou chorar! — Úrsula segurava a barriga com uma mão, se apoiando em Avallon com a outra, enquanto procurou a parede do corredor para fazer o mesmo.
— Até que Malfoy faz uma doninha charmosa, vocês não acham? — Ava comentou, fazendo as outras rirem mais.
Passaram bons minutos se deleitando com aquela cena e ouvindo outros colegas passarem rindo também.
Até que ergueu seu olhar, percebendo que os gêmeos Weasley passavam por elas naquele exato momento. A expressão em seus rostos era semelhante às delas, de quem rira até a barriga doer.
George sorriu para como ele sempre fazia quando seus olhares se encontraram e sentindo-se particularmente ousada naquele momento, a garota lançou uma piscadela em sua direção.
Weasley então cutucou o irmão, como se o avisasse de algo antes de voltar alguns passos e se aproximar das garotas.
— Pelas caras de vocês, suponho que tenham visto a nova doninha da escola — disse risonho.
— Estou feliz em não ter perdido a cena do século, é verdade — respondeu prontamente, sorrindo para o garoto.
— Mas não foi bem por isso que vim aqui — George lançou um olhar rápido para Avallon e Úrsula, fixando seu olhar em após isso.
— É mesmo? E por que veio então? — a garota ergueu uma sobrancelha.
— Pra dizer que devíamos nos encontrar em Hogsmeade qualquer hora dessas — convidou, deixando de lado qualquer vergonha ou hesitação.
umedeceu os lábios, ignorando qualquer coisa ao seu redor, bem como suas próprias reações, que pediam que ela gritasse e desse vários pulinhos.
— Claro. Eu adoraria isso, Weasley. Que tal na visita deste sábado? — Já que ele tomara a iniciativa, não custava a ela marcar logo um dia.
— Feito. Temos um encontro. — Piscou para ela, deixando claras suas intenções com aquele convite.
— Mal posso esperar — retrucou, sem desviar seus olhos dos dele.
— Então a gente se vê por aí.
— A gente se vê. — Sorriu novamente.
— Garotas — George se despediu das amigas de também e seguiu até onde Fred o aguardava.
— Você tem um encontro com George Weasley, é isso mesmo? — Úrsula comemorou. — Eu estava certa em shippar!
— Você é muito besta, garota. Já te disseram isso? — debochou, mas sabia que o sorriso em seus lábios não a deixaria tão cedo.


Capítulo Três — Durmstrang e Beauxbatons

Dizer que não estava ansiosa para o sábado seria uma tremenda mentira. Desde a breve interação com George Weasley, o rapaz parecia ter decidido marcar ainda mais presença nos pensamentos dela em quase todos os momentos e, sendo sincera consigo mesma, a jovem estava gostando daquilo.
Obviamente, Cedrico Diggory tinha o seu espaço quase permanente ali e toda vez que o belo sorriso dele aparecia em sua mente, soltava um grunhido de irritação consigo mesma, mas a ideia de sair com o Weasley não apenas a deixava ansiosa como inquieta também.
Adicione aí o fato de que, na manhã de quinta-feira, a jovem recebeu uma carta de ninguém mais, ninguém menos, do que Nahla e teremos aí uma dose triplicada de nervos à flor da pele.
havia olhado para a coruja da irmã com uma feição emburrada como se o animal a tivesse feito alguma coisa, mas ela sabia bem que não. Na verdade, nem mesmo Nahla havia feito algo além de existir e ser a filha perfeita.
Uma revirada de olhos denunciou o quanto a jovem estava farta de se sentir uma irmã caçula birrenta e invejosa, porque Nahla não era exatamente a culpada pelo tratamento diferenciado de seus pais e, no fim das contas, amava e muito a irmã mais velha. Não havia como não amá-la.
Sentindo os olhares dos irmãos Scarborough sobre si enquanto eles estavam sentados à mesa da Corvinal, a jovem abriu a carta e passou a ler seu conteúdo.

“Querida irmãzinha,
Tudo bem, você deve estar revirando os olhos ao receber uma carta minha sendo que não faz nem um mês que estamos sem nos ver, mas eu não poderia deixar de te escrever, já que finalmente você sabe da novidade.
Confesso que naquele dia eu estava morrendo para te contar e foi realmente difícil não fazer isso.
Caramba, um Torneio Tribruxo em Hogwarts! Você tem noção do quanto tem sorte, garota?
Sinceramente, eu daria tudo para ter deixado para me formar uns aninhos depois. Imagina a honra ao participar de um evento como esse? Ele é lendário!
E aí… Você vai se inscrever?
Mamãe e papai não param de falar sobre isso, se quer saber. Um como campeão de Hogwarts seria um sonho realizado para eles.
Mas, honestamente, se decidir que vai, irmãzinha, espero que faça por você e não por capricho deles, tudo bem?
Sei o que deve estar pensando. Que é muito fácil falar isso quando se é… como você diz? A filha perfeita, mas, acredite. Não é fácil e eu realmente não faço ideia de como é estar na sua pele.
Eles são duros com você, duros até demais, mas, no fim das contas, são seus pais e independente da sua escolha, tenho quase certeza de que continuarão te amando pelo que é, afinal, você é incrível, .
E se eles não fizerem isso, saiba que você sempre terá a mim. Sempre!
Por Merlim! Acho que perdi o foco da conversa!
Só espero que essa carta te ajude de alguma forma. Nessas horas, ter algum conselho de uma irmã mais velha pode vir a calhar, sabe?
E se você precisar de alguma coisa — qualquer coisa! —, não hesite em falar comigo, tudo bem? Me chame e estarei aí em um segundo. Falo sério.
Amo você, . Muito.

Nahla”.


— Tenho que admitir, para uma , minha irmã consegue ser bastante sentimental — murmurou, após terminar de ler a carta e ela precisou de alguns segundos para processar aquelas palavras antes de entregá-la na mão da Scarborough.
— Você diz isso como se não fosse uma manteiga derretida, garota — Ava debochou da cara da amiga, a arrancando uma careta e se esquivando quando um bacon foi lançado em sua direção. — Ei, eu estou tentando ler! — Riu, dando um tapa no ar e fixando seus olhos no papel, começando a leitura.
— Eu não sou uma manteiga derretida, Avallon — emburrou-se, arrancando mais risadas dela e de Liam. — Continue rindo e eu vou treinar sozinha, Scarborough. — Estreitou os olhos para o rapaz.
— Vou fingir que acredito na sua ameaça, . — Ele piscou na direção de , fazendo Ava olhar de um para o outro e estreitar seus olhos também.
— Tem algo aí que eu preciso saber? — A pergunta foi tão súbita e aleatória que os dois a encararam com a confusão estampada em suas feições. Não era a primeira vez que Avallon questionava algo do tipo, mas ela nunca tinha soltado aquilo naquele tom mais sério e desconfiado.
— Não faço ideia do que você quer dizer com isso, irmã — Liam foi quem se propôs a responder primeiro, enquanto a encarava chocada.
— Vocês dois andam muito grudados para o meu gosto.
O comentário fez com que e Liam imediatamente caíssem na gargalhada e Avallon fechou a cara ainda mais.
— Tenho cara de comediante, é?
precisou buscar fôlego para conseguir formular uma resposta.
— Você está mesmo insinuando que eu e o seu irmão estamos nos pegando, Ava? — A ideia daquilo fez os dois se entreolharem e rirem de novo.
— Qual é, ! Não é como se você nunca tivesse dito que achava o meu irmão uma gracinha — acusou, fazendo o rosto da esquentar, não de vergonha, mas do quanto ela estava achando a cena cômica.
— Acha, é? — Liam a olhou com sua melhor expressão maliciosa, mas não se aguentou muito e riu mais.
Eram amigos demais para se verem daquela forma, afinal.
Avallon, que realmente não estava vendo a graça daquilo, perdeu a paciência e se levantou.
— Vou deixar os dois bobões aí rindo. — E fez menção de se retirar.
— Você que é a boba aqui, Ava — chamou sua atenção, respirando fundo para conseguir falar em um tom mais sério. — Não tem nada acontecendo entre eu e o Liam. Se estivesse, você seria a primeira a saber.
A garota olhou de um para o outro, vendo Liam acenar afirmativamente, então voltou a se sentar ao lado dele, de frente para .
— Sinceramente, não acredito que insinuou isso, sendo que aceitei sair com George Weasley — comentou, negando com a cabeça, e ela realmente teria um ponto se não fosse por...
— Eu te conheço, . Não é como se você nunca tivesse saído com dois garotos ao mesmo tempo!
Ah! Tinha aquilo.
Um meio sorriso se formou nos lábios de Ava ao notar a cara de falsa indignação feita pela amiga.
— Que calúnia! Eu jamais faria isso! — Levou uma mão ao peito como se realmente estivesse ofendida.
— Você vai sair com o Weasley? Oh, ! Como você pôde fazer isso? Está tudo acabado entre nós! — Foi a vez de Liam se levantar, chamando atenção de algumas pessoas da mesa e fazendo Avallon e soltarem risadinhas.
— Deixe de ser bobo, garoto! Sabe que sempre será o primeiro no meu coração. — piscou para ele ao parar de rir.
— Ai, cadê a Úrsula, hein? Na frente dela, vocês não fazem essas palhaçadas. — Ava olhou em volta, realmente procurando pela amiga.
— Ela falou alguma coisa sobre algo que tinha que ver na biblioteca — respondeu distraída, lembrando vagamente de ter passado pela amiga a caminho do grande salão.
— Como sempre, ajudou muito, . — O comentário fez todos rirem ainda mais.
Os três continuaram conversando sobre coisas triviais, mas, mesmo com os momentos de distração, os pensamentos de continuavam a mil.
As palavras da irmã ecoavam em sua mente, fazendo-a questionar pela milésima vez sobre sua decisão de se inscrever no Torneio Tribruxo. Será que aquilo havia partido de um anseio seu ou seria um mero desejo de se provar aos seus pais?
E se fosse as duas coisas?
Melhor... Qual seria o problema se fosse a segunda opção?
Nahla havia crescido fazendo tudo para agradar os mais velhos. Por que não podia fazer o mesmo? Por que ela não podia mostrar que também conseguia ser a filha perfeita?
Aquela era a sua chance de ser vista, ela não podia deixar aquilo escapar.
, por Merlim! Você ainda está entre nós? — A voz de Avallon ficou mais nítida e a disfarçou o susto, assentindo rapidamente.
— Claro que sim. O que foi? — indagou, focando a atenção totalmente na amiga, que conteve a vontade de zoar dela porque tinha algo muito melhor para fazer naquele momento.
— Eu disse que seu novo crush está te olhando mais uma vez. — Indicou alguém com a cabeça e acompanhou com o olhar.
De fato, George Weasley a encarava da mesa da Grifinória e assim que notou a garota olhá-lo de volta, esboçou um sorriso torto. Ela não estava surpresa. Desde que havia a chamado para sair, o Weasley fazia questão de mostrar que estava encarando em todas as oportunidades possíveis. Ele até mesmo esbarrava nela de leve quando passava pela nos corredores do castelo.
não hesitou em retribuir o sorriso, se sentindo mais uma vez ansiosa, precisando controlar um impulso de ir até ele e comprovar se realmente os cabelos ruivos do rapaz eram macios como ela tanto imaginava.
Seria a boca dele tão macia quanto?
— O sábado podia chegar logo, né?


🐉


O quadribol havia sido suspenso naquele ano em Hogwarts devido ao Torneio Tribruxo, mas aquilo jamais impediria de continuar praticando seu esporte favorito. Sua conexão era tanta que só a ideia de ficar um tempo sem treinar já a deixava bastante incomodada.
Desde pequena já era assim. Ambos os seus irmãos foram apanhadores da Sonserina e os olhos da jovem brilharam no primeiro jogo assistido pela garota.
Diferente deles, no entanto, ela sentia uma vontade cada vez mais crescente de permanecer naquele meio. Já havia sonhado inúmeras vezes em ser uma jogadora profissional e a Copa Mundial apenas aumentou aquele desejo.
Subir em uma vassoura para ela era libertador. Era como se estivesse em seu lar e era inevitável não deixar um sorriso radiante rasgar sua face toda vez que sentia o vento bater em seu rosto, bagunçando seus cabelos.
poderia passar horas daquele jeito e não se sentia cansada. Era mágico, muito mais do que empunhar uma varinha.
O balaço veio firme e implacável em sua direção. Três segundos a mais de distração e acertaria a orelha da garota em cheio, mas possuía um instinto natural e não demorou a atingi-lo com o bastão, fazendo com que voltasse com ainda mais força na direção de Liam.
— Por um momento, achei que teria que passar a noite contigo na ala hospitalar, . — O comentário do rapaz fez com que uma sobrancelha dela se arqueasse.
— Se você quer dormir comigo, Scarborough, essa é uma péssima maneira de conseguir isso — retrucou, abrindo um sorrisinho de canto que teria feito Avallon questionar mais uma vez se havia algo entre eles, mas Ava não estava ali e os dois não haviam visto nem sinal de Úrsula enquanto seguiam para o pátio próximo à cabana de Hagrid, já que o campo de quadribol estava fechado.
— Ah, é? E como é que eu faço então? — Liam retrucou, rebatendo o balaço e fazendo uma careta ao quase se desequilibrar da vassoura. Nada gracioso, mas ele não se importava. Não era um batedor, afinal.
— Para começar, rebate esse balaço direito, garoto! — ralhou com ele, fazendo-o rir enquanto ela negava com a cabeça. — Continue falando assim e eu vou acreditar que realmente quer me dar uns pegas.
— Me diga quem não quer? — Passou a língua pelos lábios e embora aquilo tudo não passasse de uma brincadeira entre os dois, Liam não negava que existia um fundo de verdade.
— Cedrico Diggory — a respondeu prontamente, soltando uma gargalhada em seguida.
Rir da própria desgraça sempre era um bom remédio, pelo menos era isso que ela repetia para si mesma.
O balaço ia passar longe dela dessa vez, então se inclinou um pouco na vassoura, indo na direção dele e o acertando tão forte que se Liam não pensasse rápido, seria atingido com brutalidade.
Ele o fez e negou com a cabeça, virando-se para esperar o momento em que o balaço voltaria em sua direção.
— Ele é realmente um babaca se isso for verdade, .
O comentário fez a garota sorrir.
— Um babaca gostoso — resmungou, o que arrancou uma gargalhada de Scarborough.
— Quem sou eu pra discordar disso, não é? — Ergueu uma mão em rendição.
acabou rindo mais um pouco, então esperou atentamente pelo lance de Liam.
— Não quero te iludir, mas eu realmente acho que ele te olha de um jeito diferente. Você só não vê isso porque está apaixonada por ele. — O garoto deu de ombros.
bufou.
— Não estou apaixonada por ele, Liam — negou, sentindo o rosto esquentar absurdamente.
— Sei…
— E mesmo que esteja, isso não importa. Ele gosta da Nahla e me vê como uma tampinha. Não sei de onde você tirou isso de me olhar diferente — suspirou.
— Se você diz, não vou discordar. — Embora mentalmente ele estivesse, sim, discordando.
— De qualquer forma, isso realmente não importa mais. E sabe por quê?
— Por quê? — Liam assistiu o balaço seguir na direção dela.
— Porque eu vou sair com George Weasley. — Mais uma vez o sorriso malicioso se formou no canto de seus lábios.
— Você realmente está empolgada com esse encontro, não é? Não lembro de ter te visto assim antes. — O comentário teria feito franzir o cenho, mas ela estava distraída demais pensando no que poderia acontecer.
— Estou com um pressentimento bom, sabe? Acho que eu e ele vamos nos divertir bastante, e é disso que eu preciso. De um pouco de diversão — suspirou novamente, então se preparou para guardar o balaço. — Sua vez, goleiro.
também não era nada ruim na posição de artilheira. Na verdade, a garota havia ocupado aquela posição por um ano inteiro antes de descobrirem seu potencial como batedora, o que significava que treinar com ela sempre ajudava Liam a melhorar suas táticas de defesa.
— Você sabe que estou sempre torcendo por você, não é? Se Weasley te magoar, ele vai se ver comigo — Scarborough disse, após alguns minutos nos quais os dois permaneceram apenas praticando.
riu baixinho.
— Obrigada, Liam. Mas você sabe que eu sei muito bem me defender sozinha, né?
— Se eu sei que é mais fácil você me defender do que o contrário? Claro que sei. Só estou cumprindo meu papel de melhor amigo. — Riu.
— Melhor amigo, uh? — não podia negar que achava bastante adorável aquele tipo de atitude dele.
— Já que você me jogou na friendzone, nada mais justo.
O comentário fez a garota gargalhar.
— Não deixe sua irmã escutar isso. Ela vai me encher a paciência de novo.
Seguiram treinando até anoitecer. Era muito fácil para ambos perderem a noção do tempo quando praticavam quadribol, fora que as conversas entre eles sempre fluíam bem demais.
Apesar da brincadeira sobre o assunto, jamais negaria que Liam era mesmo seu melhor amigo e enquanto os dois voltavam para o salão comunal, ela se viu tentada a dividir com ele que as chances da garota se inscrever no Torneio Tribruxo estavam em noventa e cinco por cento naquele momento.
Pensando bem, a opinião dele viria muito a calhar.
A diminuiu a velocidade dos passos e automaticamente Scarborough fez o mesmo, parando para encará-la.
— Que foi, ?
— Eu preciso te contar uma coisa, mas quero que mantenha isso em segredo por enquanto. — Ela o puxou para trás de uma estátua e Liam ergueu uma sobrancelha.
— Tudo bem. Só me diga logo o que é. Você está me assustando. — E, de fato, sua expressão estava alarmada.
— Eu… — respirou fundo, achando graça por estar travando tanto.
Aquilo era sinal de que ela estava com medo ou que no fundo não queria participar do Torneio?
. — Liam levou uma mão ao rosto dela. — Seja o que for, eu vou te apoiar. Sabe disso.
Ela assentiu, respirando fundo mais uma vez.
— Eu acho que vou me inscrever no Torneio Tribruxo — confessou, enquanto uma onda de alívio se espalhava.
A reação de Liam, no entanto, foi cortada por uma segunda voz.
— Ah, aí estão vocês! — Úrsula havia parado no meio do corredor, mas o sorriso que esboçava se desfez quando o olhar da garota pousou na mão de Scarborough ainda no rosto da . — Desculpa interromper vocês dois, mas a Ava está louca atrás de você, .
estranhou a reação da garota, mas sabia que o melhor era não comentar sobre o assunto. Liam a lançou um olhar como quem dizia que eles voltariam a conversar depois, então retirou sua mão do rosto dela e voltou sua atenção para Úrsula, aparentemente sem perceber nada.
— Não interrompeu, amiga. Estávamos voltando para o salão comunal — explicou.
— Treinaram sem mim? — O tom de voz da garota era calmo, no entanto, percebeu uma nota de mágoa disfarçada.
— Só porque você estava na biblioteca. — Deu de ombros, vendo que Liam assentiu em concordância.
Úrsula mordeu o lábio inferior.
— Tudo bem. — Acabou concordando e seu olhar passeou entre os dois, como se ela estivesse tentando decifrar algo em suas expressões.
— Mas nós sentimos a sua falta lá. Não sei como vocês duas gostam tanto de bater naqueles balaços — Scarborough soltou em um tom descontraído e um sorriso se formou nos lábios de Nesbitt.
— Você que é um fracote, garoto. — Esbarrou no ombro dele. — Vamos logo ou a Ava manda um berrador atrás de nós.
Durante o trajeto de volta para o salão comunal, o clima era leve entre os três, mas ainda assim não conseguiu evitar prestar mais atenção nos gestos de Úrsula.
Tinha algo ali que a amiga escondia e o palpite pipocava na mente de , ela só precisava ter mais certeza antes de conversar com Nesbitt a respeito.


🐉


A primeira visita do ano a Hogsmeade finalmente havia chegado.
se esquivou a tempo de não levar um esbarrão de alguns alunos terceiranistas e negou com a cabeça, rindo baixinho com aquela afobação toda que exalavam.
Ao olhar para eles, era impossível não lembrar de quando saiu para conhecer o povoado pela primeira vez. Nahla havia contado a ela muitas coisas, mas ainda assim a sensação de ver tudo aquilo por si só era ainda melhor.
Sendo de família bruxa ou não, era impossível não se ver completamente encantada pelas casas e lojas como a Dedos de Mel e a Zonko’s.
Viu seus três amigos passarem por ela e trocou sorrisos cúmplices. sabia que em algum momento eles dariam um jeito de espiá-la simplesmente porque os conhecia bem até demais.
A moça caminhou até o pátio, vendo a cabeleira ruiva do Weasley. E talvez ele tivesse sentido o olhar dela sobre si, porque quase no mesmo instante se virou na direção de , abrindo um sorriso imediatamente retribuído por ela.
De repente, aquele sentimento de que os dois se divertiriam bastante voltou, fazendo a garota não hesitar em caminhar até o rapaz.
— Bem na hora, . — O sorriso dele se alargou ainda mais.
— Que bom que não te fiz esperar muito, Weasley. — O olhar da garota o percorreu de cima a baixo e ela tombou levemente a cabeça de lado com uma expressão de quem realmente havia gostado da visão.
— Ah, na verdade eu estou aqui desde bem cedo. — Coçou a nuca, fazendo a erguer uma sobrancelha.
— Por quê? Ansiedade em me ver? — soltou sem nenhuma vergonha.
— Muita — o Weasley admitiu e não conseguiu evitar morder o canto do lábio de leve.
Os dois trocaram olhares por alguns segundos, então um quarteto particularmente barulhento passou por eles, os olhando e cochichando entre si, fazendo com que ambos se dessem conta de que ainda estavam parados no pátio da escola.
— Vamos então? — foi a primeira a se pronunciar, sem se importar nem um pouco com o burburinho, e George fez sinal para que ela tomasse a frente.
— Depois de você.
lembrava muito bem daquele tom galanteador dele, era o mesmo usado com ela na Copa Mundial de Quadribol e fez a garota desejar tê-lo encontrado depois do jogo, enquanto as comemorações eram feitas.
Se não fosse a insistência de seus pais para que ela seguisse de volta à sua barraca...
Se não fossem aqueles momentos de terror com aqueles ataques dos Comensais da Morte...
Um arrepio percorreu o corpo da jovem enquanto eles seguiam em direção a Hogsmeade. Se George havia percebido, nada disse.
— Sabe, Weasley, acho que eu nunca te agradeci pelo que fez por mim naquele dia. — Ela não precisava explicar, ele entendeu muito bem do que se tratava.
— E nem precisa. — George deu de ombros. — Aquilo não foi nada.
— Claro que foi! — se sobressaltou, encarando-o incrédula ao passarem pelos portões. — Se não fosse por você, sabe-se lá o que teria acontecido.
— O importante é que você está aqui inteira, sã e salva, . E eu não fiz nada daquilo pra que você me agradeça — foi sincero.
— Ainda assim, obrigada, Weasley. Significou muito pra mim — ela insistiu em um tom levemente teimoso.
— Disponha. — O rapaz cedeu e lançou uma piscadela, arrancando-lhe um sorriso.
Seguiram por alguns minutos em um silêncio confortável, até que ele resolveu puxar assunto.
— Vi você treinando com o Scarborough outro dia.
O comentário fez erguer levemente a sobrancelha.
— Anda me espionando então — brincou, arrancando uma risadinha dele.
— Não acredito que me entreguei desse jeito! — Bateu na própria testa em uma falsa reação exagerada, o que fez a moça rir alto. — Mas, falando sério, eu pensei ter te visto perto da Cabana do Hagrid enquanto estava olhando pela janela da torre da Grifinória. Não é muito difícil te reconhecer e você sempre anda com um dos Scarborough.
Aquele último comentário só reforçou a ela que o ruivo andava sim a observando por aí, mas preferiu não provocá-lo mais com aquilo por enquanto.
— Pensou certo, eu e Liam estávamos treinando lá, sim, tivemos de improvisar. Não é porque não vamos ter a Copa das Casas que vou ficar fora de forma, sabe?
George sorriu.
— Tá certo — ele concordou, porém pareceu tentar conter seus pensamentos por poucos segundos e, por fim, acabou não conseguindo. — Só que ele é um péssimo batedor. Até que ponto isso te ajuda?
estreitou seus olhos para ele.
— É mesmo? E o que você acha que poderia realmente me ajudar? — questionou, umedecendo os lábios sutilmente, mas o gesto não passou despercebido pelo rapaz.
— Quem sabe treinar com um batedor de verdade? Um que esteja à sua altura.
— Está se oferecendo para treinar comigo, Weasley? — Dessa vez, ergueu uma sobrancelha, se divertindo com aquilo.
— Não falei de mim, mas é bom saber que me considera um batedor à sua altura. — Piscou.
Aquilo fez a garota gargalhar e ele manteve seus olhos nela em uma expressão risonha.
— Você dá para o gasto — provocou.
— Dou para o gasto, é? — Foi a vez de George estreitar seus olhos para a jovem, que deu de ombros.
— Sim — retrucou sem se intimidar.
— Assim você me obriga a te mostrar que dar para o gasto não é bem a expressão certa.
— Ah, não? — Se ela continuasse com aquilo, ficaria ainda mais difícil para ele responder por seus atos. — Eu quero mesmo que você me mostre.
Um suspiro bem audível escapou dos lábios dele. Aquela garota sabia muito bem como atingi-lo e não hesitava em fazer isso.
George não podia negar que essa era uma das coisas que gostava nela.
Ele estava prestes a ceder aos seus impulsos e jogar para o alto o que tinha planejado para o encontro dos dois, mas , por outro lado, ainda desejava provocá-lo um pouquinho mais.
Quebrou o contato visual com o rapaz, deixando um sorrisinho no canto de seus lábios, então indicou as primeiras ruas do povoado.
— Então, George Weasley, para onde vai me levar? — inquiriu, controlando seu tom de voz para não parecer tão ansiosa quanto realmente estava.
Não era a primeira vez dela em algum encontro em Hogsmeade, mas algo lhe dizia que ela se surpreenderia e muito com o Weasley.
— Pensei em começarmos pelo melhor lugar de Hogsmeade por enquanto. — Ele fez um pouco de mistério por alguns segundos, mas já sabia a resposta antes mesmo dela ecoar dos lábios dele. — A Zonko’s.
A garota ergueu uma sobrancelha sutilmente e acabou sorrindo de volta ao ver a empolgação dele.
Aquele era George Weasley, obviamente ela não estava esperando que o rapaz a levasse à casa de chá da Madame Pudifoot e internamente a garota agradeceu por isso.
— Uma tour pelo seu mundo, gostei. — Apressou um pouco o passo para que fossem logo em direção à loja.
— Gostou mesmo? — Ele pareceu ligeiramente surpreso, o que fez rir.
— Não era pra eu gostar? — Estreitou os olhos na direção dele antes de se voltar para a entrada do local. — Estou precisando mesmo reabastecer meu estoque de bombas de bosta.
— Claro que era pra gostar, . Só perguntei pra ter certeza mesmo. — Deu de ombros, abrindo a porta da loja para que ambos entrassem.
— Se eu não gostar de alguma coisa, pode apostar que você vai saber. — Piscou para ele e segundos depois qualquer resposta que George fosse lhe dar foi abafada por vozes vindas de todas as direções.
A Zonko’s era sempre muito movimentada, então aquilo também não havia sido uma grande surpresa para os dois.
Fizeram menção de seguir coincidentemente para a mesma direção, então um pequeno sorriso se formou nos lábios do Weasley e ele estendeu a mão para que a segurasse.
A encarou o gesto por alguns segundos com a surpresa nítida, mas não seria nem louca de não ceder. Fora que seria praticamente impossível passar por toda aquela gente sem que alguém acabasse os afastando um do outro.
sentiu um impulso de desviar seu olhar do rapaz no momento em que sentiu o toque da pele dele na sua, mas não o fez. A mão de George estava quente, embora a textura fosse um pouco mais áspera, certamente calejada por fosse lá qual o motivo.
O sorriso dele aumentou antes que ele a guiasse até a vitrine onde estavam alguns de seus artigos favoritos.
percebeu alguns olhares sobre os dois, mas não deu importância àquilo. Não ligava para o que talvez fossem falar, ela estava se divertindo com o garoto e honestamente havia adorado a ideia de irem a um lugar como aquele.
— Eu e Fred queremos abrir nossa própria loja de logros. — Ela se surpreendeu ao ouvi-lo dizer aquilo no exato momento em que miravam as penas de repetição rápida.
Uma risadinha escapou dos lábios de . Definitivamente ela conseguia imaginar os gêmeos fazendo aquele tipo de coisa.
— É mesmo? Me conta mais sobre isso — incentivou genuinamente curiosa.
— Passamos o verão trabalhando em algumas ideias e estamos prontos para começar a testar. O problema só é achar as cobaias — diminuiu um pouco o tom para confidenciar aquilo a ela.
— Tenho certeza de que vocês vão conseguir algumas rapidinho. É só oferecer algo em troca. — deu de ombros.
— Você se ofereceria? — A pergunta fez ela erguer uma sobrancelha.
— Depende do que quer testar, Weasley — provocou, umedecendo os lábios de leve e vendo-o estreitar os olhos.
Mais uma vez, ele estava quase entregue aos próprios impulsos, não ligando nem um pouco para o fato de estarem em uma loja super movimentada.
A garota desviou seu olhar brevemente, notando algo que captou sua atenção.
— Úrsula comprando amortentia? — Franziu o cenho, estranhando também o fato de que a amiga não estava com os irmãos Scarborough. Tinha certeza de tê-la visto acompanhada deles nos corredores de Hogwarts.
— Quem será que ela vai tentar amarrar? — A malícia se estampou nas feições de George.
— Eu não faço a menor ideia, mas convenhamos que ela nem precisa disso. — estava tentada a ir até a amiga questioná-la.
— Consigo ver a fumacinha saindo de suas orelhas pela vontade de falar com ela — o ruivo brincou, fazendo-a dar língua para ele.
— Vem, vamos até lá. — Dessa vez foi a garota que entrelaçou seus dedos aos do rapaz, puxando-o para o outro lado da loja.
Esbarraram no mínimo em umas três pessoas e talvez o olhar determinado da tenha chamado atenção até demais porque de repente Úrsula virou o rosto na direção do “casal”, arregalando os olhos em surpresa.
fez menção de gritar algo para a amiga, mas antes mesmo que pudesse fazer isso, Nesbitt abaixou a cabeça e desapareceu em meio aos alunos.
Aquilo deixou ainda mais intrigada.
— Não acredito que ela fugiu de mim. — Parou de caminhar subitamente, sentindo o peito de George bater contra suas costas.
Qualquer coisa que pensasse em dizer naquele momento escapou de seus pensamentos ao sentir o rapaz segurar sua cintura com firmeza ao mesmo tempo em que o cheiro do perfume dele invadiu as narinas da garota.
Por Merlim, se não fosse pela mão forte dele a apoiando, certamente teria caído ali mesmo.
— Aqui está movimentado demais. O que você acha da gente ir para outro lugar? — Ela só se deu conta do quanto os dois estavam próximos quando ouviu a voz dele bem próxima ao seu ouvido e precisou de muita força de vontade para não suspirar audivelmente.
— Ótimo. Achei que nunca ia oferecer isso, Weasley — conseguiu dizer, apertando seus dedos nos dele.
Lutaram contra a multidão para chegar até o caixa e vários minutos decorreram antes de finalmente conseguirem pagar por suas coisas e saírem de lá.
Resolveram caminhar pelo povoado sem um destino certo. A conversa entre eles era fácil, assim como as risadas e os flertes, então bastava apenas a companhia um do outro para que aquele encontro fosse incrível sem a necessidade de algum lugar especial.
A uma certa altura, George havia tornado a entrelaçar os dedos aos de , o que fez as bochechas da garota esquentarem ao mesmo tempo em que um sorriso se formou nos lábios dela.
— Não acredito ainda que seu irmão mais novo entrou na casa dos gritos e você não — comentou enquanto eles passavam pelo local.
Uma careta se formou nas feições do ruivo.
— Olha, em minha defesa… — Ficou pensativo, então adquiriu a costumeira expressão de travessura. — Não tenho defesa alguma. Eu e Fred mal conseguimos acreditar também quando ficamos sabendo disso. — Por fim, deu de ombros, arrancando mais risadas de .
— Ele tem uma cara de bonzinho, mas ouvi dizer que esses aí que são os piores mesmo. — Manteve um sorriso de canto nos lábios.
— Tá interessada, ? — O garoto se inclinou um pouco para estreitar os olhos em sua direção.
— Hmm, e se eu estiver, Weasley? Ciúmes? — provocou.
— Vamos ver se o Rony vai te levar pra conhecer um certo esconderijo que eu descobri aqui em Hogsmeade. — Aquele comentário fez com que ela risse ainda mais.
— Você só me promete ir até esse esconderijo. Já estou achando que é papo seu.
— Como ousa? — indignou-se, então apressou um pouco o passo, puxando pela mão. — Vem comigo.
— De novo? E para onde vamos agora? — Arqueou uma sobrancelha mesmo que já estivesse se deixando levar pelo ruivo.
— Você me desafiou, . Eu nunca recuso um bom desafio ou uma boa aposta. — Piscou para ela.
tinha quase certeza de que George a levava em direção à Dedos de mel, mas qualquer pensamento que cruzou sua mente de repente foi interrompido quando os dois passaram pela porta da casa de chá da Madame Pudifoot e deram de cara com ninguém mais, ninguém menos, do que Cedrico Diggory.
Acompanhado de Cho Chang.
O estômago de desabou no chão com aquela cena, sua respiração ficou até falha e ela não sabia nem como disfarçar o quanto ver o rapaz com alguém havia lhe abalado.
— Tampinha! — A voz dele estava até um pouco distante, porque, além de tudo, o coração de batia tão alto que a impressão era de que todos podiam ouvir.
Ela tratou de sacudir a cabeça e espantar qualquer pensamento que fosse simplesmente porque não podia ficar ali parada, olhando os dois feito uma idiota.
— Ei, Ced. — Abriu um sorrisinho sem graça, então seu olhar pousou em Cho e desejou que não fosse tão gélido quanto ela sentia. — Cho, como está?
— Ótima, realmente ótima. — A garota bateu palminhas empolgadas, o que exigiu de mais determinação para não revirar os olhos.
— Vocês vão entrar? — Cedrico indagou, oscilando seu olhar entre e George, pousando rapidamente nas mãos deles entrelaçadas. A garota podia jurar tê-lo visto engolir a seco, mas com certeza aquilo era imaginação sua, afinal, ele estava saindo com Cho Chang.
E ela achando que Diggory só tinha olhos para Nahla.
Pelo jeito, ele só não tinha para ela.
Torceu a boca, então de repente se deu conta de que não havia respondido à pergunta, mas não importava porque Cho disparou em comentários.
— Vocês precisam provar o strudel de maçã que eles fazem ali. É simplesmente maravilhoso! Eu e Ced acabamos de comer um e elas trazem quentinho! Recomendo tomar o chá de…
— Na verdade, nós estamos indo até a Dedos de mel — cortou a fala da colega. — George jura que vai me mostrar algo bem interessante por lá. — Sem que conseguisse evitar, seu olhar foi de Chang para Diggory, que ergueu uma sobrancelha.
— Fiquei até curioso. O que pode haver de tão surpreendente em uma loja de doces? — Não soube dizer se era implicância ou apenas curiosidade mesmo, mas a pergunta havia soado estranha aos ouvidos de .
— Ah, isso aí já é segredo nosso. — George lançou uma piscadela para a .
— Vai quebrar alguma regra, ? Isso não é muito corvino da sua parte — Ced provocou, fazendo a garota dar língua para ele.
— Quem disse que não, garoto? — Deu risada. — Além disso, eu sou uma no final das contas. Adoro uma travessura. — Lançou um olhar significativo para Diggory, que ela pôde jurar ter ficado levemente desconcertado.

— Não vamos mais atrapalhar o encontro de vocês, Ced. Nos vemos em Hogwarts? — ela o interrompeu, apertando mais os dedos contra os de George e o puxando para que voltassem a caminhar.
— Diggory. Chang — o Weasley se despediu com um aceno de cabeça e logo os dois chegaram diante da Dedos de mel.
lutou o caminho todo para não virar para trás a fim de ver a reação de Cedrico, mas por dentro ainda se sentia um tanto despedaçada.
O que era ridículo, porque ela estava saindo com uma pessoa realmente legal.
— Só pra você saber, Diggory é um babaca. — se surpreendeu ao ouvir o que o ruivo disse ao abrir a porta para que ambos entrassem em mais uma loja um tanto movimentada.
suspirou.
— Desculpe por isso. Eu não imaginava que encontraria os dois e...
— Você não precisa se desculpar ou explicar nada, . Na verdade, tudo o que precisa fazer agora é jurar que não vai contar a ninguém sobre o que eu vou te mostrar.
Ela não sabia se ria ou se o agarrava por ser daquele jeito.
— Está bem, eu juro — acabou concordando e com a curiosidade crescendo andou com George pelo ambiente.
Desviaram de alguns colegas e a garota fez uma nota mental de alguns doces que queria levar antes de saírem dali, até que o ruivo fez com que eles descessem escadas.
No instante seguinte, ela se deu conta de que estavam no porão da Dedos de mel e uma expressão de surpresa se formou no rosto da garota.
— Weasley, o que estamos fazendo aqui? — A voz dela ecoou alarmada.
— Achei que ia gostar mais daqui do que a casa cheia de frufrus. — Sorriu enviesado para ela.
— Mas… E se nos pegarem aqui? — Ela não queria nem pensar no que poderia acontecer.
— Não esquenta. Essa não é a primeira vez que eu venho aqui — George soltou a fim de tranquilizá-la.
ergueu uma sobrancelha.
— Quer dizer que você traz suas vítimas aqui, George Weasley? — perguntou, deixando-o momentaneamente desconcertado, mas então um sorriso enviesado se formou nos lábios dele.
— Ciúmes, ?
Aquilo fez a garota bufar e negar com a cabeça.
— Você não presta, garoto.
— Relaxa. Ninguém vai aparecer aqui, eu juro — prometeu e deu uns dois passos na direção dela, fazendo a garota engolir a seco.
Alguns minutos de silêncio passaram e por algum motivo ela sentiu que precisava mais uma vez explicar o que tinha sido aquilo com Diggory.
— Olha, Weasley, eu e o Ced nunca tivemos nada. Sei que não preciso realmente justificar, mas eu só queria deixar isso claro. — Pediu mentalmente que não estivesse soando tão tensa quanto se sentia.
— E algo me diz que isso seria diferente se dependesse de você, certo? — Ele acertou o palpite em cheio.
— É complicado. Desde o começo sempre esteve muito claro que ele não me vê de outra forma além da amizade. Na verdade, Diggory tem uma queda monstruosa pela minha irmã. — Odiava falar aquilo em voz alta e depois do ocorrido há poucos minutos ela nem sabia de mais nada.
— Bom, a Nahla realmente é uma garota incrível. Ela ajudou muito eu e o Fred no nosso primeiro ano em Hogwarts e tudo mais. — não conseguiu evitar a careta que se formou em seu rosto. — Mas, cá entre nós, eu prefiro mil vezes você.
não esperava que o rapaz seria tão direto e por isso não conseguiu conter o enorme sorriso que se formou em seus lábios ao mesmo tempo que ela ergueu seu olhar até encontrar o dele.
George a encarava como se dessa vez não tivesse a menor intenção de se controlar como vinha fazendo desde o início daquele encontro.
— Prefere mesmo, Weasley? — umedeceu os lábios, sentindo qualquer resquício de insegurança ir embora, dando lugar a um desejo súbito de vencer a pouca distância que os separava.
E foi isso que ela fez sem nem querer esperar a resposta dele, dando três passos na direção do ruivo, conseguindo sentir o calor emanar do corpo dele de tão próximos que estavam embora ainda não se tocassem.
— Foi você que eu trouxe para esse porão, não foi? — Arqueou uma sobrancelha, sugestivo.
— Verdade. — Ela sorriu mais uma vez. — E agora que me trouxe aqui… O que vai fazer? Não vai me dizer que há algum doce aqui para eu provar.
sabia muito bem qual doce ela desejava naquele momento.
Weasley também sabia.
E foi por isso que o rapaz não hesitou em envolver a cintura dela com suas duas mãos, puxando-a para que finalmente seus corpos se colassem um ao outro.
— Vou fazer isso.
Então ele a beijou.
Primeiro tocou os lábios dela de maneira sutil, esperando a permissão de para que sua língua procurasse a da garota e massageasse com vontade, o que não demorou muito a acontecer.
Um suspiro satisfeito ecoou da garota quando ela passou as mãos ao redor do pescoço dele, fazendo suas unhas arranharem a nuca dele de levinho para depois se apoiarem nos ombros de George. O beijo dele era gostoso demais e cada toque em sua língua fazia o corpo de se arrepiar mais.
As mãos dele pressionaram um pouco mais a cintura da garota conforme o ritmo foi aumentando e a sede que sentiam um do outro apenas aumentava. O ar foi ficando cada vez mais escasso, mas quem precisava de oxigênio quando a excitação ali presente aumentava a cada segundo?
Se pudesse, fundiria seu corpo ao dele. O cheiro do garoto era inebriante demais e ela podia simplesmente romper o beijo para afundar seu rosto no pescoço dele, encher sua pele de beijos e…
Uma claridade repentina denunciou que os dois não estavam mais sozinhos.
— George, aí está você! Eu estava aqui comentando com o Lino que com certeza você… — Fred olhou na direção do irmão, se dando conta tardiamente de que, ao contrário do que imaginava, estava ali com ele.
Olhou de um para outro, notando as mãos de George na cintura da garota e os lábios de ambos levemente inchados.
— Pelas barbas de Merlim, eu atrapalhei vocês dois, não é? — teria rido se não estivesse levemente irritada pela interrupção. — Continuem, continuem! Depois nós nos falamos, George. Nunca fiquei tão contente em perder uma apos…
— Sim, depois nós nos falamos, Fred — George tentou cortá-lo, mas o cenho de já havia se franzido enquanto ela sentia um verdadeiro balde de água fria.
Fred não havia completado sua fala, mas entendeu muito bem.
— Uma aposta, Weasley? Por que eu não deveria ficar surpresa? — A garota o soltou, encarando-o à espera de alguma explicação, porém George nada disse e a expressão culpada de Fred deixava tudo ainda mais claro.
… — ainda assim, tentou se pronunciar em defesa do irmão.
— Não importa — a garota dispensou, se desvencilhando finalmente. — Espero que tenha valido a pena.
E seguiu para as escadas, sentindo que espumava de tanta raiva que sentia naquele momento.
Talvez fosse exagero dela sair daquela forma intempestiva sem ao menos dar tempo para que o Weasley se explicasse, mas ela não conseguiria ouvi-lo, não naquele momento.
Ela precisava voltar para o castelo.
— Uou! Cuidado por onde anda… ? — A garota só se deu conta de que havia passado pelos irmãos Scarborough quando deu um encontrão em Ava na saída da Dedos de Mel.
— Eu sou tão idiota, Avallon — se lamentou, então a amiga tratou de puxá-la para que voltassem ao castelo o mais rápido possível.
Aquele passeio já tinha acabado de qualquer forma.


🐉


— Não acredito que George fez aquilo tudo por uma aposta com o irmão, . Ele parecia tão interessado em você, amiga — Avallon comentou, assistindo-a afundar a cabeça em um travesseiro.
Elas haviam chegado a Hogwarts há algum tempo e depois de um banho demorado, resolveram ficar nos dormitórios comendo algumas besteiras. Úrsula já estava lá.
— Ele fez, amiga. Não sei se tinha algum interesse real dele em algum momento, mas isso já não importa mais — suspirou, sem conseguir disfarçar o quanto estava desapontada com aquilo.
Ava e Úrsula se entreolharam rapidamente, não precisavam que palavras fossem ditas para expressar que compartilhavam da mesma opinião.
— De qualquer forma, pensa que ele não te merecia, . Um mulherão desses mesmo, tenho certeza de que ele já se arrependeu amargamente pelo que fez com você… Ele e o Cedrico por ter saído com a sem graça da Chang — Nesbitt disse, se aproximando da cama de e se sentando na ponta, bem próxima dos pés da garota.
— Ah, nem me fale no Ced, Úrsula. Tive vontade de azará-lo pelo resto da vida quando encontrei os dois — confessou, sentindo mais uma onda de raiva e decepção tomar conta de si.
— O que há de errado com esses garotos, afinal? É alguma disputa para ver qual deles é o mais babaca? — O comentário de Ava tinha o intuito de fazer rir, o que ela fez de forma fraca, mas logo em seguida bufou, erguendo a cabeça para encarar as amigas.
— Querem saber de uma coisa? Eu estou cansada desses garotos.
— Como assim? — Avallon ergueu uma sobrancelha e mais uma vez trocou um olhar com Úrsula.
— Esgotei minha paciência, Ava. A partir de hoje, não quer mais saber de garotos. É isso. — Sua voz soou determinada.
Scarborough não conseguiu conter a vontade de rir, sendo acompanhada imediatamente por Nesbitt.
— O quê? Vocês não acreditam em mim? — olhou de uma para a outra, expressando sua indignação.
— Não é que eu não acredite, , mas… Se você não quer mais saber de garotos, vai sair com garotas agora, é isso? — Avallon brincou, desviando de uma almofada que a amiga lançou em sua direção, o que só fez com que as duas rissem ainda mais.
não conseguiu evitar um sorriso.
— Vocês são duas ridículas, já falaram pra vocês? — resmungou.
— Você nos ama mesmo assim, querida — Úrsula desdenhou, desviando de um chute e negando com a cabeça.
— Eu odeio vocês — acabou rindo, então voltou a se deitar, pensando no que Ava havia acabado de dizer.
As três permaneceram em silêncio por alguns segundos, até que um sorriso enviesado se formou em sua boca.
— Ih, lá vem. — Nesbitt foi a primeira a comentar.
— Sabem que essa ideia de sair com garotas é interessante? Não é como se eu nunca tivesse beijado uma e eu sempre achei a Luna uma gracinha — comentou segundos depois.
— Você não presta nem um pouco, . Mas que história é essa de que já beijou uma garota? — Úrsula estreitou os olhos, surpresa com a informação.
olhou sugestiva para Avallon, o que fez Nesbitt levar uma mão à boca em choque.
— Vocês duas? Como assim? Desembuchem agora mesmo!
Foi a vez de Ava jogar uma almofada em .


🐉


Os dias haviam passado tão rápido que mal conseguia acreditar na quantidade de coisas que precisava praticar. A aula de Defesa Contra as Artes das Trevas na abordagem de Olho-Tonto Moody era diferente de tudo o que havia visto, o professor imprevisível a assustava na maior parte do tempo e exigia muito dos alunos, mas ainda assim a garota conseguia extrair o máximo dela e no fim das contas até que estava gostando.
Além das atividades dos dia-a-dia, aproveitava o tempo livre se dividindo entre buscar tudo o que poderia ajudá-la no Torneio Tribruxo, mesmo não fazendo ideia de quais seriam as tarefas, e praticar quadribol com Liam, já que Úrsula furava a maior parte dos treinos.
ainda não havia conseguido conversar com a amiga, mas sabia que precisava e decidiu que o faria assim que a seleção dos campeões acontecesse. Odiava adiar as coisas, mas era praticamente impossível para a garota se concentrar em qualquer outra coisa naquele momento.
Ela caminhava apressada pelos corredores da escola, certa de que conseguiria passar na biblioteca antes de ir para a aula de Poções e se sentiu genuinamente pega de surpresa quando viu uma certa aglomeração de alunos. No entanto, não precisou nem ver de fato do que se tratava porque o burburinho anunciou o que desejava saber. A grande notícia afixada no quadro de avisos era a de que as delegações de Durmstrang e Beauxbatons chegariam a Hogwarts na próxima sexta-feira, às seis horas, e uma festa de boas vindas lhes seria oferecida.
Dando alguns passos adiante para confirmar aquilo com os próprios olhos, não se surpreendeu com o friozinho que tomou conta de seu estômago. Quanto mais iminente era a seleção, mais crescente era a necessidade dela de se preparar.
— Obrigada. — Mordeu o canto dos lábios assim que uma segundanista deu passagem para que a garota parasse diante do quadro e seus olhos se fixaram nos nomes das duas escolas que se hospedariam no castelo.
Não podia negar que estava ansiosa para conhecer os colegas estrangeiros. Certamente não seria os primeiros com quem ela teve contato, mas a ideia de conviver com eles por alguns meses era no mínimo interessante. precisava conhecer gente nova e isso havia ficado muito claro depois das últimas experiências que teve.
George Weasley havia tentado falar com ela incontáveis vezes, porém em todas elas havia dado um jeito de dispensá-lo e a quantidade exorbitante de tarefas que a moça havia arrumado a ajudavam muito nisso. Talvez, no fundo, se encher de afazeres também fosse uma desculpa, porém ela não se arrependia. Não queria saber se era exagero de sua parte, mas a ideia de que o ruivo tinha lhe apostado com o irmão gêmeo fazia a garota se sentir como um objeto e ela não podia suportar isso, principalmente porque podia jurar que ele a trataria diferente.
Talvez o problema fosse ela tê-lo idealizado demais.
sempre fazia isso e essa era a sua ruína em todas as vezes.
As coisas com Cedrico Diggory também não estavam as melhores. Desde que havia o visto com Cho Chang em Hogsmeade, o rapaz agia de maneira um tanto estranha com ela. Não que estivesse a evitando, longe disso, mas ele parecia pisar em ovos toda vez que conversava com . Tudo só piorava porque Cho fazia questão de falar de Diggory quando estava com as amigas no dormitório e podia jurar que a garota aumentava o tom de voz sempre que a notava por perto. Avallon dizia que era pura implicância da , mas, honestamente, ela se recusava a acreditar.
Não bastasse esfregar isso para todo mundo, Chang também andava pelo dormitório dando risadinhas porque, aparentemente, Harry Potter era outro que andava caidinho por ela.
O que aquela garota tinha afinal? A falta de sal era a nova tendência, era isso?
Por Merlim, precisava conter o veneno ou acabaria soltando aquilo em voz alta uma hora ou outra.
Acabou rindo consigo mesma e se virou para sair do meio daquele mar de alunos. Se corresse, ainda daria tempo de passar na biblioteca como havia planejado.
! — Escutou uma voz conhecida chamá-la e uma careta se formou em seu rosto.
se virou na direção contrária, fingindo que não havia ouvido nada, mas dessa vez o dono da voz não parecia disposto a ceder.
, por favor. Me deixe falar com você!
A garota respirou fundo, então se virou na direção do ruivo.
— Agora não posso, Weasley. — Fez menção de continuar seu caminho, mas o rapaz a impediu, se colocando diante dela.
— Não vou demorar, prometo. — Buscou o olhar dela com o seu, suspirando quando a garota se manteve impassível. — Eu só queria pedir desculpas pelo que aconteceu, . Realmente sinto muito e vou entender se você realmente não quiser olhar na minha cara nunca mais.
Foi a vez dela de suspirar, finalmente encarando o rosto do ruivo e se xingando mentalmente porque ainda se sentia absurdamente atraída por ele.
— George… — Passou uma mão pelo rosto, focando no que importava. — Primeiro de tudo: pedir desculpas não é o suficiente — foi taxativa.
Weasley abriu a boca para responder, mas ela não deixou dessa vez.
— Segundo: eu realmente não posso falar com você agora e, de qualquer forma, talvez tenha sido melhor as coisas terem acabado antes mesmo de começarem. — reprimiu a vontade de torcer a boca em uma careta triste, então se afastou, deixando-o parado ali no meio do corredor.
— Não. Não foram, não — George murmurou, mas ela já não podia mais ouvi-lo.

apressou seus passos e soltou uma exclamação de dor ao sentir seu corpo colidir em alguém. Apesar de quase ter desabado no chão, a garota conseguiu se manter firme, porém o mesmo não podia ser dito da pessoa em quem havia dado o encontrão.
— Potter! Por Merlim, me desculpe! — exclamou, adiantando-se para ajudar o garoto a levantar e pegando os óculos dele que haviam caído ao seu lado. — Oh, que bom que não quebrei seus óculos. — Entregou o objeto.
— Tudo bem, . — Harry pareceu um tanto desconcertado, colocando-o no rosto e aceitando a mão dela para se levantar. — Eu também estava distraído. — Deu de ombros.
— Pois então. Minha cabeça anda uma loucura, mas não vou te atrapalhar mais, não. Desculpa mesmo! — Ajeitou uma mecha dos próprios cabelos.
— Que isso. Você não atrapalha em nada. — Soltou uma risadinha. — Eu só estava tentando chegar ali para saber o motivo de tanta agitação.
— Ah, aquilo? É só um aviso de que Durmstrang e Beauxbatons chegam na sexta-feira — contou a ele, porque imaginava que Potter ficaria aliviado em não precisar se esgueirar no meio dos alunos.
— Sexta-feira? — repetiu em tom de surpresa.
— Isso, às seis horas. E é claro que haverá uma festa de boas-vindas à noite. Vão nos liberar uma hora mais cedo.
— Ótimo. Minha última aula é Poções — Harry comemorou, o que fez rir.
— Você também não é fã do Snape, claro. Eu devia imaginar. — Um sorriso se formou nos lábios dela.
— E tem alguém que é? — O garoto retribuiu, então ambos se encararam cúmplices.
— Malfoy — disseram em uníssono, o que fez com que mais sorrisos fossem trocados.
— Ei, Harry! Aí está você! — A voz de Hermione Granger se fez ouvir e notou que Rony Weasley vinha em seu encalço. — Oi, !
— Granger. Weasley — cumprimentou os dois.
— George estava te procurando — Rony soltou um tanto nervoso e precisou de muita força de vontade para não suspirar ou revirar os olhos.
— É, ele encontrou — comentou, sem querer prolongar muito aquele assunto.
— Espero que vocês tenham conseguido se entender. E-ele… E-ele…
arqueou uma sobrancelha.
— Ele andou apostando com você também, Ronald? — Ela não tinha a intenção de soar irônica daquela forma, porém não conseguiu evitar.
Um silêncio pairou entre os quatro enquanto Rony a encarava desconcertado.
— Bom, eu preciso ir. Tenho Poções agora, me desejem sorte. — Voltou seu olhar para Harry, então sorriu. — A gente se vê por aí, Potter.
— Claro, a gente se vê — o garoto respondeu de imediato, então acenou um tchauzinho para os três e se afastou.
— Não acredito que você estava flertando com , Harry — Hermione comentou com um sorrisinho.
— Não estava flertando com ela — Potter imediatamente se defendeu.
— Ah, conta outra! — Mione riu.
— É verdade. Ela só estava sendo simpática comigo e contando qual foi o aviso que colocaram no quadro.
— Ótimo. Porque George gosta dela, Harry — Rony o alertou.
— Eu sei, Rony. Foi só isso mesmo.
Porém, enquanto os três seguiam pelo corredor, Hermione estreitou os olhos discretamente para Potter, sem comprar muito aquela conversa.


🐉


Durante as aulas de sexta-feira foi praticamente impossível para qualquer um dos alunos prestar atenção e não era para menos, todas as expectativas estavam voltadas para a chegada das delegações de Beauxbatons e Durmstrang.
Embora Transfiguração fosse uma de suas matérias favoritas, não se importou nem um pouco com a duração menor da aula naquele dia. A professora Minerva os liberou uma hora mais cedo para que pudessem se arrumar devidamente e praticamente correu para os dormitórios na companhia de seus amigos.
— Espero que eles tenham alunos mais interessantes que os daqui. Vai ser bom variar um pouquinho — Avallon comentou, arrancando um olhar malicioso de Úrsula.
— E depois sou eu que não presto, não é? — brincou, fazendo a amiga jogar uma meia em sua direção, já que Ava vasculhava seu malão naquele momento.
Não demoraram muito por ali e logo já estavam no saguão de entrada, vendo um professor Flitwick lutando para manter os alunos organizados em fila.
— Alunos do primeiro ano vão na frente. Mantenham-se em fila todos vocês! — instruiu e se endireitou atrás de Úrsula, lançando um olhar em volta e se praguejando mentalmente ao perceber que procurava por Diggory apenas quando seus olhos pousaram nele.
Notando que alguém o encarava, o rapaz ergueu a cabeça em direção a e um sorriso um tanto sem jeito se formou nos lábios dele, ao que ela correspondeu da mesma forma, colocando uma mecha atrás da orelha e desviando seu olhar.
— Aha! A não ser que eu esteja enganado, a delegação de Beauxbatons está chegando! — A voz do professor Dumbledore se fez ouvir.
— Onde? — alguns alunos perguntaram em ansiedade.
— Ali! — foi Liam que respondeu, apontando para o céu sobre a Floresta.
Os olhos de se arregalaram em um misto de surpresa e espanto quando uma sombra sobrevoou as copas das árvores e assim que as luzes do castelo a iluminaram foi possível identificar a enorme carruagem azul-clara sendo puxada por cavalos alados que mais pareciam elefantes de tão grandes.
Uma exclamação de dor escapou dos lábios de ao sentir Úrsula pisar seu pé quando as fileiras de alunos na sua frente recuaram.
— Desculpe, amiga — Nesbitt murmurou baixinho, ao que respondeu com um aceno de que não importava porque na verdade a cena que acontecia na frente delas era muito mais interessante.
notou que na porta da carruagem havia um brasão com duas varinhas cruzadas e de cada uma delas saíam estrelas, mas não teve muito tempo para formar uma opinião a respeito porque no instante seguinte a mesma porta se abriu e um garoto com vestes azul-claras saltou dela, dando passagem para que saísse do veículo a maior mulher que já tinha visto.
Algumas exclamações deixaram evidente que não era a única surpresa ali e poucos segundos depois Dumbledore começou a aplaudir, o que foi a deixa para que os alunos o acompanhassem.
Sorrindo de forma graciosa, a mulher estendeu uma mão para o professor, que beijou-a cordialmente.
— Minha cara Madame Maxime, seja bem vinda a Hogwarts.
— Dumbly-dorr, espero encontrá-lo em boa saúde. — Sua voz soou grave.
— Excelente, obrigado.
— Meus alunos. — Madame Maxime acenou com uma de suas mãos para trás, então os olhares se voltaram para uma dúzia de garotos e garotas parados atrás dela.
não deixou de reparar que todos eles pareciam estar congelando e não era para menos, certamente não estavam vestidos para enfrentar o frio típico daquela estação do ano em Hogwarts.
— Karkaroff já chegou? — tornou a olhar para Madame Maxime ao ouvi-la questionar.
— Deve estar aqui a qualquer momento — Dumbledore respondeu prontamente. — Gostaria de esperar aqui para recebê-lo ou prefere entrar para se aquecer?
— Me aquecer, acho. Mas os cavalos…
Como não voltar a encarar os enormes cavalos à menção deles? O olhar de só não estava tão fascinado quanto o de Avallon.
A Scarborough era absurdamente apaixonada por Criaturas Mágicas, não admirava que frequentemente fosse encontrada nos arredores da cabana de Hagrid.
Alguns burburinhos se formaram quando os alunos da Beauxbatons seguiram para dentro do castelo e seguiram-se mais minutos de espera onde notou que vários colegas encaravam o céu, esperançosos.
No entanto, algo dizia a que a chegada da Durmstrang seria diferente.
Minutos depois, ela soube que não estava enganada.
— O lago! — a voz de Lino Jordan se sobressaiu às outras. — Olhem para o lago.
Imediatamente todas as cabeças se voltaram para o local a tempo de notarem bolhas se formando em seu centro, enquanto suas ondas se quebravam nas margens. Um redemoinho apareceu de repente, arrancando mais exclamações de surpresa e se viu completamente fascinada ao notar que um mastro emergia de dentro do lago, erguendo-se lentamente até que um imponente navio estivesse sobre ele.
— Por Merlim! — a garota murmurou, sem conseguir nem piscar.
A aparência dele era esquelética e haviam luzes brilhando de forma fantasmagórica nas janelas. Honestamente, achou aquilo ainda mais bonito do que a carruagem de Beauxbatons e seu olhar estava tão vidrado no navio que ela mal notou os alunos que saíam por ele.
Quando chegaram à luz do saguão de entrada, no entanto, a garota por fim desviou seu olhar, focando o homem que guiava seus alunos. Ele usava peles sedosas em um tom prateado e logo se adiantou para cumprimentar o diretor de Hogwarts.
— Dumbledore! Como vai, meu caro, como vai?
— Ótimo, obrigado, professor Karkaroff!
O diretor da Durmstrang era alto e magro como Dumbledore e possuía cabelos brancos e curtos, além de uma barbicha que terminava em um cachinho.
Ele estendeu a mão para cumprimentar Alvo assim que estava próximo o suficiente e embora tivesse lançado um sorriso amarelado em direção ao castelo, sua expressão era fria e astuta, como se naquele momento ele já estivesse calculando a melhor estratégia para derrotar Hogwarts no Torneio.
Como acontecera com a diretora da Beauxbatons, não deu muita atenção ao que Karkaroff conversava com Dumbledore, achando muito mais interessante analisar os alunos que o acompanhavam.
Todos vestiam as mesmas capas de peles de fios longos, o que fez a garota pensar que eles, sim, estavam preparados para o frio.
No entanto, qualquer outra conjectura da garota foi pelos ares quando seus olhos pousaram em um aluno da Durmstrang em especial.
Caramba, é ele! É o Vítor Krum!
não precisava ouvir a exclamação bem próxima dela porque não havia como não reconhecê-lo.
Dessa vez, sua aparência estava um tanto melhor, já que o rosto do rapaz não se encontrava todo ensanguentado, porém o rubor concentrado no nariz dele denunciava que provavelmente estava resfriado ou algo do tipo.
E mesmo daquela forma ele conseguia ser absurdamente atraente para ela.
Embora estivesse de fato doente, aquilo não o impediu de fixar seus olhos em , exatamente da mesma forma que o búlgaro havia feito na Copa Mundial de Quadribol.
E, daquele mesmo jeito, sentiu arrepios percorrerem toda a extensão de sua espinha se espalhando pelo corpo dela porque Krum continuou a encarando enquanto passava por ela e seguia para dentro do castelo.
deixou um sorrisinho de canto se formar em seus lábios, erguendo uma sobrancelha para ele em desafio e precisou se controlar ao máximo para não soltar um gritinho quando Vítor, poucos segundos antes de ser forçado a quebrar o contato visual, retribuiu o sorriso dela.
— Minha nossa, o que foi isso? — Úrsula exclamou, se colocando ao lado da amiga.
— Isso o quê? — murmurou, ainda olhando na direção para onde o búlgaro havia seguido.
— Essa encarada que o Krum te deu. Até eu fiquei sem ar aqui, garota!
finalmente olhou para a amiga, então sorriu maliciosa.
— Você percebeu, é? — Riu baixinho.
— A pergunta é quem não percebeu, . — Nesbitt a encarou sugestiva.
— Ele é uma delícia, não acha? É uma pena que Durmstrang vá ficar com o pessoal da Sonserina. — fez um biquinho.
— Pensei que você não queria mais saber de garotos, — Avallon se meteu na conversa.
— Eu não queria mesmo. Porém algo me diz que Vítor Krum é mais do que apenas um garoto. E, sinceramente, eu vou adorar comprovar.


Continua...



Nota da autora: Gente do céu, eu me empolguei demais com esse capítulo! Aconteceu tanta coisa e eu tô louca pra saber o que vocês acharam aaaaaaaaa.
George sendo um fofo e depois a pp descobre que foi uma aposta, o que foi isso?
E a chegada do Krum. EU TO BERRANDO!
Venham comentar o que acharam, por favor!
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Beijos e até a próxima.
Ste.



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