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Última atualização:03/04/2021

Capítulo 1

Gaara encolheu-se embaixo da mesa de madeira ao ouvir passos próximos, fechando os olhos e cobrindo o rosto com os braços, esperava ouvir os gritos a qualquer segundo, mas surpreendeu-se ao ouvir uma voz perguntar-lhe gentilmente:
— Por que você está escondido?
Abriu os olhos esverdeados, virando-se minimamente para o lado, encontrando uma garotinha de longos cabelos , encarando-o com os olhos castanhos em expectativa:
— Por que você está escondido aqui? — Repetiu, ajoelhando-se ao seu lado.
O garoto permaneceu em silêncio por um instante, antes de respondê-la, mas interrompeu-se ao ouvir gritos dos garotos mais velhos ao redor, tornando a abaixar a cabeça contra seus joelhos. A menina o encarou confusa por um instante, antes de inclinar-se para o lado, vendo um grupo de meninos correndo pela rua, olhando atrás de cada canto, gritando uns para os outros.
Ficou em pé rapidamente, cruzando os braços por sobre a mesa de madeira, ajeitando a toalha branca para que o ruivo passasse despercebido. Instantes depois viu um dos meninos aproximando-se apressado, dando a volta rapidamente na mesa e ficando de frente a ele, com os braços cruzados:
— Quer alguma coisa? — Perguntou grosseiramente ao encará-lo.
O moreno a encarou por um instante, rolando os olhos ao empurrá-la para o lado:
— Saia da frente , está me atrapalhando.
— Se você encostar em qualquer coisa eu vou chamar meus pais! — Avisou rapidamente, empurrando-o para o lado — Vocês fizeram uma bagunça semana passada, ele vai falar com seu pai, Hiroshi!
O adolescente a encarou por um instante, pronto para empurrá-la e tirá-la de sua frente, mas viu a mãe da garota a poucos passos de distância, contentando-se a olhá-la com sua melhor expressão de desprezo, antes de se afastar correndo, reunindo-se aos amigos pouco depois.
esperou até ver todos os garotos sumirem de seu campo de visão, antes de tornar a abaixar-se e encarar o garoto ruivo, que ainda parecia um tanto assustado:
— Eles já foram embora, você pode sair agora — sorriu pequeno em sua direção, mas ele não se moveu —, esse é um péssimo lugar para se esconder, se quer saber. — Esperou que ele saísse dali, estranhando quando não o fez — Já vamos abrir o restaurante, se você ficar aqui, daqui a pouco vão te encontrar. — Alertou, vendo-o encará-la assustado. — Se quiser posso te ajudar a achar um lugar melhor…
Ele respirou fundo, concordando com um aceno, enquanto virava-se, arrastando-se pelo chão. A menina sorriu em sua direção, estendendo a mão para que ele, mas notou quando o garoto a encarou desconfiado, baixando a mão e começando a andar alguns passos mais à frente:
— Venha, é por aqui.
Gaara a encarou por um instante, virando-se para os lados e vendo apenas os trabalhadores que andavam pela rua, não parecendo se importarem com as duas crianças, tornou a olhá-la, seguindo-a a poucos passos de distância, caminhando com ela pela rua lateral do restaurante. Andaram em silêncio por quase dez minutos, para um terreno um pouco mais afastado do centro de Sunagakure, até que ela parou ao lado de uma casa, apontando para o portão lateral:
— Pode ficar aqui se quiser — avisou, mostrando um galpão aos fundos do terreno da casa — ninguém vem até aqui, então ninguém vai te ver aqui.
— É a sua casa? — O ouviu perguntar com a voz baixa, a loira concordou com um aceno.
— Aquele é meu quarto — apontou para a janela do segundo andar, que dava de frente para o pequeno galpão —, só eu posso ver essa parte do terreno, nem meus pais vão saber que você está aqui.
O garoto tornou a concordar com um aceno, passando pela porta e olhando ao redor, o galpão era iluminado apenas pela luz que entrava pelas frestas entreabertas, não era muito grande, e tinham várias caixas ao redor, mas aparentemente ele estaria momentaneamente seguro.
— Pode vir aqui quando quiser — virou-se quando ela tornou a falar, parada ao seu lado.
— Obrigado.
Ela sorriu pequeno em sua direção, antes de virar-se para sair:
— Preciso ajudar minha mãe, talvez te veja depois… — Então parou, olhando-o com curiosidade — Qual seu nome? — O garoto permaneceu em silêncio, encarando-a com os olhos verdes. — Eu sou .
Sorriu mais uma vez, antes de sair correndo em direção ao restaurante.
Gaara sentou-se no chão, cruzando as pernas e olhando para os cantos, esperando por mais um tempo antes de poder voltar em segurança para sua casa.

Já haviam se passado alguns dias desde que havia encontrado aquele garoto, e desde então ficou ansiosa para vê-lo novamente. Estava curiosa com o jeito dele, parecia um tanto desconfiado e, acima de tudo, triste. Ela gostaria de entender o motivo, talvez ele também fosse novo na cidade, e por isso as outras crianças não gostassem dele, assim como não gostavam dela. Imaginou que talvez eles pudessem brincar juntos, longe dos outros.
Abriu a janela de seu quarto assim que entrou no cômodo, incomodada com o calor do ambiente; aquilo era a coisa que menos gostava de Suna, era sempre muito quente, fosse dia ou noite.
Olhou para o céu claro por alguns instantes, uma careta presente em seu rosto, em desagrado ao ver o sol alto. Imaginou que morreria de calor com a roupa que usava, e internamente se questionava como as outras pessoas na cidade não se importavam com o calor. Virou o rosto, curiosa, ao ouvir um barulho, vendo um vulto passar correndo e entrar no galpão na parte de trás do terreno de sua casa. Estreitou o olhar por alguns instantes, sorrindo pequeno ao reconhecer os cabelos ruivos do garoto; ele havia seguido seu conselho e agora se escondia ali.
Saiu rápido do quarto, pegando dois dos bolinhos que sua mãe havia deixado em cima da mesa da cozinha, e passando pela porta, em direção ao quintal.
— Oi! — Sorriu assim que os olhos verdes do garoto a encaram, notando que ele relaxou um pouco ao reconhecê-la. — Tudo bem?
Ele apenas meneou a cabeça, sem nada responder. Sentando-se no chão e cruzando as pernas, olhando-a de longe. mordeu o lábio inferior, pensando em algo que pudesse fazer o ruivo conversar com ela.
— Quer um? — Ofereceu o doce, estendendo-o na direção dele.
O garotinho a olhou por alguns instantes, antes de esticar a mão, aceitando o bolinho e agradecendo em voz baixa. sentou-se a alguns centímetros de distância, mastigando devagar e olhando-o de soslaio, queria chamá-lo para brincar, mas achava que ele não aceitaria.
— Por que você precisa se esconder? — Perguntou quando os dois terminaram de comer, olhando-o curiosa.
Ele olhou para baixo, o cenho franzido e a expressão triste presente em seus olhos verdes. A garota suspirou, pensando se talvez fosse melhor voltar para sua casa e brincar sozinha, quando o escutou dizer com a voz baixa, quase num sussurro;
— Porque eu sou um monstro.
A resposta dele a pegou de surpresa, e o garoto notou quando ela o encarou sem entender, negando com um aceno pouco depois;
— Você não parece um monstro pra mim…
— Não? — Ele a encarou ansioso. — É o que todo mundo diz.
— Por que dizem isso? — Tornou curiosa, vendo-o baixar a cabeça, sem nada responder — Minha mãe sempre fala que a gente não pode acreditar em tudo o que nos dizem, — contou baixinho, atraindo a atenção do ruivo — eu não acho que você pareça um monstro. Você acha que é?
O garoto deu de ombros, parecendo incerto.
— Talvez você seja mais legal que os outros, e eles tenham ciúmes disso.
— Você acha?
— Tenho certeza!
Os dois se encararam por um momento, e o garotinho sorriu pequeno;
— Eu me chamo Gaara.
— Muito prazer! — Sorriu, estendendo a mão para ele.
Gaara reparou na luva que a garota usava, achando estranho por um segundo, mas não demorou a devolver o cumprimento, sorrindo timidamente em sua direção.
Tornaram a se encarar sem graça após soltarem as mãos, ambos tinham várias perguntas na cabeça, e o mesmo receio de fazer o outro se afastar, antes que pudessem, de fato, se aproximarem.
— Eu acabei de me mudar com meus pais — começou a contar, puxando conversa.
— Onde vocês moravam?
— Iwagakure, meu pai era um ninja de lá e minha mãe era daqui, e eles resolveram voltar pra cá.
— Por que?
— Não faço ideia — deu de ombros, seus pais nunca haviam explicado o motivo de precisarem sair da Vila Oculta da Pedra, apenas fizeram de um dia para outro.
tinha sido acordada no meio da noite por sua mãe, dizendo que precisavam sair dali. Pegou algumas coisas e saíram no meio da madrugada, ficaram dias andando, parando poucas vezes para descansarem, até chegarem em Sunagakure.
— Você gostava de lá? — Gaara perguntou curioso, nunca havia saído dali, não fazia ideia de como eram as outras cidades.
— Mais ou menos, gostava dos meus amigos, mas o pessoal não era muito legal — respondeu, achava as pessoas de Iwa muito grosseiras e antipáticas. Em Suna as coisas não eram muito melhores para ela, mas achava que era por ter se mudado recentemente e as outras crianças não a conhecerem, esperava que com o tempo as coisas mudassem. — Mas pelo menos não era tão quente… Você não liga para o calor?
Gaara sorriu, negando com um aceno.
— Já estou acostumado.
— Eu não sei se vou me acostumar — fez careta, negando com um aceno —, está sempre muito quente… E tem a areia também, sempre entra no meu olho!
Gaara riu baixo;
— Você mora na Aldeia da Areia, é claro que tem areia!
concordou, não parecendo muito animada.
— E você? Sempre morou aqui?
— Sim, toda minha família é de Suna… Meu pai é o Kazekage.
A garota abriu a boca, surpresa;
— Você é filho do Kazekage? — Repetiu chocada, vendo-o concordar — Deve ser legal, não é?
— Não muito — negou, suspirando.
— É por isso que os outros garotos não gostam de você? — Perguntou baixo, Gaara a encarou por um instante;
— Também…
estava curiosa, queria saber qual era o outro motivo e por quê o chamavam de monstro, mas percebeu que ele não parecia à vontade com o assunto, por isso resolveu falar de outra coisa;
— Você tem irmãos?
— Tenho dois mais velhos, Temari e Kankuro.
— Eles são legais?
— Às vezes…
Mais uma vez eles ficaram em silêncio, sem saber o que dizer, até que Gaara apontou para as mãos da garota;
— Por que você usa luvas se disse que está sempre com calor?
A garotinha deu de ombros, olhando para as próprias mãos;
— Eu ainda não consigo controlar bem minhas emoções, então se eu não usar a luva, posso sem querer encostar em alguém e ler a mente dessa pessoa… Minha mãe disse que nem todo mundo gosta, por isso eu preciso evitar até conseguir controlar…
Gaara arregalou os olhos, encarando-a com a boca aberta;
— Você pode ler minha mente?
— Às vezes — concordou, sem graça — já fiz algumas vezes, mas nunca de propósito — avisou rapidamente — mas não consigo controlar quando fazer isso, por isso não posso encostar muito nas pessoas, pra não machucar ninguém…
O ruivo concordou com um aceno, entendendo bem o que ela queria dizer;
— O que você pode fazer? — Ela perguntou curiosa. Gaara encolheu os ombros;
— Eu consigo controlar a areia, mas não sempre — contou, com medo que ela lhe pedisse para mostrar —, não sei bem como fazer ainda…
— Deve ser legal — ela sorriu ao encará-lo —, ainda mais que tem tanta areia aqui!
Os dois riram, e então franziu o cenho;
— Quantos anos você tem?
— Sete, e você?
— Seis, mas meu aniversário é em algumas semanas! — Contou sorridente — Você quer brincar?
Gaara pensou por um instante, concordando com a cabeça;
— Espera aqui, eu vou buscar um jogo pra gente! — Avisou sorridente, antes de se levantar e correr para dentro de casa, pegando seu jogo de tabuleiro favorito, e, antes de sair, mais dois bolinhos para dividir com seu novo amigo.


Capítulo 2

Nas semanas seguintes Kato percebeu que, por mais que Gaara parecesse se sentir mais à vontade próximo dela, ainda era bastante reservado. Por vezes parecia desconfiado, e não entendia muito bem suas brincadeiras ou piadas, de uma forma que ela precisasse explicar a maioria delas.
Ele também não parecia muito bom em entender quando ela estava falando sério ou não, como uma das vezes que eles tiveram uma pequena discussão e ela, emburrada, disse que o detestava. No mesmo instante percebeu nos olhos esverdeados dele a surpresa e, segundos depois, tristeza. A garota tratou de explicar-se, dizendo que aquilo não era verdade, apenas uma forma de falar. Contudo, após aquele dia, teve o cuidado de não repetir aquelas palavras.
Cerca de uma semana depois de começarem a conversar, conheceu Temari e Kankuro, os dois pareciam tão desconfiados quanto Gaara nos primeiros minutos, mas suavizaram suas expressões quando a mais nova ofereceu algumas tortinhas que sua mãe havia lhe dado. Kankuro gostou tanto do doce, que até mesmo sorriu em sua direção algumas vezes.
Temari, embora tivesse simpatizado com a garota, não demonstrava tanto quanto o irmão, mas aquilo passou despercebido por Kato, que pareceu maravilhada com tudo o que a loira já conseguia fazer, seu sonho era ser uma ninja e ver uma garota tão forte apenas alguns anos mais velha que ela, fez a expectativa crescer em seu peito.
Os três já frequentavam a Academia, diferente dela que só começaria em alguns meses, e por isso os encheu de perguntas, extremamente curiosa com todas as aulas, ficando maravilhada com tudo o que lhe contavam, mas após um tempo descobriu que Kankuro aumentava muito as informações que dava, o que fazia Temari rolar os olhos o tempo todo.
Gaara parecia mais tímido quando seus irmãos estavam por perto, e ela não entendia bem o motivo, mas também preferia quando estavam só os dois, porque o ruivo conversava mais com ela quando não tinha ninguém olhando.
Poucos dias depois descobriu sobre o Shukaku selado dentro do garoto, e entendeu o motivo das crianças e moradores da vila o temerem e, ao mesmo tempo, odiarem. Embora também tivesse ficado assustada, não achava justo que todos o chamassem de monstro; Não era culpa de Gaara que aquilo estivesse dentro dele.
Gaara parecia assustado e com raiva a maior parte do tempo, e haviam dias que ele não queria conversar, sendo monossilábico quando perguntava alguma coisa, porém não se importava de escutá-la falar sobre qualquer assunto que fosse. Por vezes parecia tão curioso quanto ela, querendo saber mais sobre sua família e como era sua vida na outra aldeia. Kato já havia contado sobre como seus pais se conheceram, embora não parecesse muito animada com aquele assunto, Gaara não demorou a perceber que ela não gostava de falar sobre o pai;
— Minha mãe era uma ninja da Areia, meu pai era da Pedra, eles se conheceram em uma missão que trabalharam juntos… — Passou a mão pelos cabelos, olhando para as mãos — Minha mãe pediu para ir para Iwagakure, o Kazekage permitiu… Nunca soube se ele deixou ou se ela o convenceu… Depois que eu nasci ela deixou de ser uma ninja, meu pai continuou trabalhando pra aldeia, e agora estamos aqui…
— Você acha que sua mãe controla as pessoas? — Gaara questionou em voz baixa, vendo-a negar com um aceno.
— Agora não, antes sim. Mas ela não usa mais o kekkei Genkai dela, sempre fica doente quando usa.
— Doente?
— Ela não consegue mais controlar todas as vozes — apontou para a própria cabeça, sem olhá-lo —, da última vez que ela usou quase morreu, agora ela não usa mais.
Permaneceram em silêncio por alguns instantes, até o ruivo virar-se para encará-la;
— Isso pode acontecer com você também?
Kato concordou com um aceno, fechando os olhos com força.
— Eu não controlo a areia — o garoto disse baixinho, quase em um sussurro — eu consigo fazer algumas coisas, mas eu não controlo. Eu não precisava correr daqueles garotos — confessou, vendo-a encará-lo nos olhos —, mas eu sei o que vai acontecer se eu…
A garota sorriu pequeno, concordando com um aceno;
— Tá vendo como você não é um monstro, Gaara? Se você fosse, não se importaria de machucar eles.
O garoto abriu a boca para contradizer aquela frase, mas apenas concordou com um aceno: sentiu-se bem em saber que, mesmo sabendo sobre o Bijū dentro dele, ainda estava ao seu lado. Pensou em contar-lhe o que aconteceu meses atrás com Yashamaru, mas então teve medo que ela se afastasse, Gaara não queria perdê-la tão rápido.

Com o passar dos meses, Gaara pegou-se rindo algumas vezes, mesmo que boa parte do tempo continuasse com aquela sensação estranha em seu peito. Achava que em algum momento as coisas dariam errado como sempre tinha sido; Kato acabaria se afastando dele e ele tornaria a ficar sozinho, aquele pensamento doía.
Sabia que seu pai não gostava da garota e, por vezes, o mandou se distanciar, por algum motivo que Gaara não compreendia, o Kazekage o queria sozinho, isolado de todos como ele esteve por meses antes de Kato aparecer;
Havia perdido a única pessoa que sempre esteve ao seu lado quando Yashamaru morreu, mas saber que o tio o odiava, assim como todos, fez crescer a raiva em seu ser.
Temari e Kankuro não gostavam de passar o tempo com ele, mas eram obrigados pelo pai, Gaara sabia que os dois também o temiam e o maior dilema que tinha em si era saber se gostava ou não daquilo: Se ninguém se importava com ele, não havia motivos para que ele ligasse para outras pessoas, estaria melhor sozinho.
Durante semanas aquilo funcionou, não precisava de mais ninguém ao seu lado, e eram nesses dias que algo parecia crescer em seu peito, a raiva tomava conta de si e, por vezes, não se importava com a ideia de machucar alguém, aquilo até o agradava.
Contudo, em alguns dias, algo parecia diferente e eram naqueles dias que Gaara preferia esconder-se, porque tinha uma parte de si que não queria machucar ninguém, que não queria ficar sozinho.
Foi em um desses dias que apareceu e, por um instante, ele lembrou-se de Yashamaru; Quando a garota lhe estendeu a mão, Gaara pensou no tio e nas vezes que o homem o ajudou. Pensar nele agora doía, porque sabia que Yashamaru não se importava com ele, mas por um momento esqueceu-se de tudo aquilo e apenas a seguiu.
Gaara não entendia porque gostava da companhia da garota, ela era um tanto irritante às vezes, parecia falar mais ainda quando notava que ele não estava de bom humor, e era extremamente curiosa, perguntava-lhe sobre tudo. Ao mesmo tempo, preferia quando ela estava lá para perguntar-lhe qualquer coisa e, no fundo, não se importava tanto com a conversa, até gostava. Mas não conseguia entender o motivo, e menos ainda o porquê de temer que ela se afastasse, era só uma questão de tempo para que Kato o deixasse e ele deveria estar preparado para aquilo;
Não podia cometer o mesmo erro duas vezes, era como Yashamaru, algum dia ela também tentaria machucá-lo, mas Gaara sabia que, quando esse dia chegasse, ela não o derrotaria. Pensar naquilo parecia apertar seu peito, ao mesmo tempo que sabia que ela não poderia machucá-lo, sentia dor ao imaginar que ele provavelmente a mataria e, nesse dia, ele a perderia para sempre, assim como havia perdido seu tio.
— Oi, Gaara!
Virou-se ao ouvir a voz animada da garota, em tempo de sentir os braços dela apertar-lhe gentilmente. O ruivo ficou sem reação por um instante, afastando-se assustado segundos depois;
— O que...?
— Feliz Aniversário! — Sorriu, ainda mantendo os braços próximos dele, não parecendo reparar na relutância do outro.
— O que está fazendo?
— Te dando parabéns, ué? — Franziu o cenho, confusa — Não é seu aniversário?
Gaara concordou com um aceno, afastando-a antes que ela o abraçasse uma segunda vez.
— Sabe que não gosto que encostem em mim. — Disse baixo, respirou fundo, concordando;
— Mas é seu aniversário, se eu não te dar um abraço, como vai saber que eu gosto de você e te desejo coisas boas?
Ele viu a garota encará-lo com a sobrancelha arqueada e as mãos na cintura, quase como se o desafiasse a contradizê-la.
— Não precisa me abraçar para me dar os parabéns, não quero que encostem em mim, Kato.
A garota cruzou os braços, fazendo um barulho com a boca ao olhar para baixo, parecendo chateada.
— Sei que não, mas achei que não fosse se importar no seu aniversário… — Disse triste, olhando os próprios pés. — Sinto muito.
Gaara a encarou por um instante, percebendo que ela estava realmente chateada com a situação. Fechou os olhos e respirou fundo antes de tornar a olhá-la;
— Tudo bem — falou baixo, atraindo sua atenção — só hoje.
abriu um sorriso animado, tornando a abraçá-lo com força, Gaara fechou os olhos, mas não moveu as mãos para retribuir;
— Feliz aniversário, Gaara! Espero que seu dia seja muito legal e que você só tenha coisas boas nos seus dias! — Disse, permanecendo mais alguns instantes abraçada ao amigo, antes de se afastar alguns centímetros. — Viu? Não foi tão difícil!
O ruivo olhou para o lado, não respondendo nada. Não admitiria em voz alta, mas parte de si havia sim gostado do pequeno contato, nem mesmo lembrava-se quando havia sido a última vez que alguém tinha o abraçado e Kato havia sido a única a lembrar-se do seu aniversário.
— Tudo bem se eu te abraçar mais vezes? — Perguntou, juntando as mãos e olhando-o animada. O garoto pensou por um instante, mas negou com a cabeça. — Pelo menos no seu aniversário? É só uma vez por ano, Gaara!
— Certo.
— Ótimo! Agora vem, eu pedi pra minha mãe fazer um bolo pra você! — Avisou sorridente, vendo-o abrir a boca surpreso.
— Por que?
— Porque não dá pra comemorar um aniversário sem bolo! Agora vem! — Disse, puxando-o apressada em direção à sua casa.
— Não precisa me segurar — resmungou, tentando evitar suas mãos.
A garota riu baixo, caminhando ao seu lado até que chegassem em sua casa, aproveitando que seus pais já haviam saído para trabalhar. Gaara olhou ao redor quando andaram até a cozinha, era a primeira vez que entrava na casa da garota. O local era bem mais simples que sua casa, mas lhe deu a sensação de bem-estar como há muito não sentia.
— Aqui! — Apontou para um bolo redondo em cima da mesa, virando-se para pegar os talheres e pratos, junto com o suco.
Comeram em silêncio por alguns minutos, Gaara mastigou devagar, olhando-a de canto;
— Por que fez isso?
Kato o encarou confusa, dando de ombros antes de tomar um gole de sua bebida;
— É seu aniversário e você é meu amigo.
O garoto concordou com um aceno, sorrindo pequeno em sua direção.
Após comerem, os dois subiram até o quarto da garota, passando o resto da tarde brincando com um jogo de tabuleiro e comendo mais alguns pedaços de bolo, enquanto conversavam sobre coisas diversas, incluindo as aulas na Academia, a qual a garota tinha começado há poucas semanas.
Quando começou a escurecer, Gaara espreguiçou-se, se levantando para ir embora, sendo acompanhado pela mais nova até à porta, virou-se para se despedir e logo foi surpreendido por outro abraço apertado;
— O que está fazendo?
— Você disse que eu posso te abraçar no seu aniversário! — Piscou divertida, vendo-o arregalar os olhos verdes.
— Uma vez!
Kato negou com a cabeça, sorrindo animada;
— Eu perguntei se poderia te abraçar mais vezes e você disse que posso te abraçar apenas no seu aniversário. Mas eu nunca disse que era uma vez no seu aniversário! — Explicou rindo, antes de tornar a passar os braços pelos ombros do amigo. Gaara suspirou, levantando um único braço, dando um tapinha em suas costas.
— Já está bom, Kato, pode me soltar agora!
— Espera! — Pediu baixo, apertando-o ainda mais, antes de soltá-lo, sorrindo largo — Pronto, acho que agora dá pra esperar até seu próximo aniversário!


Capítulo 3

Um ano depois.

O garoto olhou para o céu claro, suspirando ao notar que o sol estava alto, sabendo que aquilo significava que, de fato, ele estava esperando há muito tempo.
Colocou as mãos nos bolsos e desencostou da pedra em que estava escorado, começando a caminhar cabisbaixo em direção à sua casa.
Já fazia um tempo que se sentia estranho, por vezes preferia evitar encontrar com Kato, porque sentia que tinha algo errado ali: Gaara continuava a ser temido por todas as outras pessoas, inclusive seus irmãos, mas algo dentro dele não se importava mais com aquilo, parecia até mesmo gostar. Era como se ele ficasse mais forte com a raiva que crescia em si sempre que alguém se assustava com sua presença. Kato parecia ser a única que não se importava com aquilo, embora já tivesse dito um dia que às vezes via algo que a assustava em seus olhos, porque ele parecia diferente, principalmente quando haviam outras pessoas ao redor. Ela também sabia que Gaara estava mudando, mesmo que nenhum dos dois entendesse o motivo daquilo.
O ruivo sentia-se cada vez mais irritado, queria ficar sozinho a maior parte do tempo e, mesmo quando a amiga estava junto, algo parecia incomodá-lo. Ele só não entendia o porquê; sempre quis ter amigos, alguém que se importasse com ele de verdade, mas agora havia uma parte dentro dele que queria afastá-la.
Sabia que ela ficava chateada com aquilo, percebia o olhar triste sempre que ele dizia que não queria companhia, contudo, não desistia de sua amizade e continuava ao seu lado, mesmo quando passavam o dia todo sem conversar.
Parte dele era grato por aquilo, por saber que ela se importava, mas era cada vez maior a sua vontade de ficar sozinho, a sensação de não precisar de ninguém, nem mesmo dela.
Mesmo assim, quando não apareceu para darem uma volta como haviam combinado, sentiu algo apertar em seu peito. E se ela tivesse se cansado dele e agora não quisesse mais ser sua amiga?
Suspirou tristemente, continuando seu caminho pelas ruas de Sunagakure, considerou se voltava direto para sua casa ou se tentava falar com a mais nova; não era comum Kato não avisar que não poderia aparecer, ela sempre dava um jeito de dizer com antecedência.
Algo poderia ter acontecido.
Andou devagar em direção à casa da amiga, um pouco afastada do centro da cidade. Parou na porta e pensou se deveria ou não bater, sabia que o pai de não gostava muito dele, menos ainda que se aproximasse da garota, talvez a colocasse de castigo se Gaara batesse na porta.
Olhou ao redor, pensando se deveria, ou não, tentar chamar sua atenção jogando areia na janela de seu quarto e, foi durante esses segundos de devaneios que ouviu um barulho alto vindo de dentro da casa. Estreitou o olhar, aproximando-se da janela ao lado da porta.
Não conseguia ver muito, embora pudesse ouvir a voz grossa do Sr. Kato. Pouco depois viu descer correndo as escadas, com o pai a seguindo cambaleante.
Gaara prendeu a respiração quando aproximou-se da luz, e ele pode ver os machucados em seu rosto.
A loira segurou uma kunai quando o pai a alcançou, tentando, em vão, proteger-se.
Gaara fechou as mãos em punho quando viu o moreno acertar-lhe um tapa no rosto, puxando-a pelos cabelos.
O garoto sentiu a raiva dominá-lo, aquilo explicava os hematomas que volta e meia Kato tinha no rosto e braços, sempre dizendo que havia caído ou se machucado sozinha.
Como pode não ter reparado naquilo antes?
Abriu a porta da sala de supetão, vendo a expressão surpresa da amiga ao encontrá-lo ali, e a raiva nos olhos do pai dela.
— Você! — Cuspiu, puxando o braço da filha — Saia da minha casa, seu esquisitão. Já disse que não te quero aqui! — Gritou.
tentava soltar-se do aperto, mas seu pai era muito mais forte do que ela.
Entretanto, o mais velho não era mais forte que Gaara, ninguém era mais forte que o ruivo e sua areia.
Foi uma confusão de apenas alguns segundos, em um momento Gaara moveu o braço na direção do homem, a mão aberta, e sua areia avançou rapidamente, envolvendo-se por todo o corpo do moreno, levantando-o vários centímetros no ar. O ruivo então fechou a mão em punho e a areia apertou-se sobre o homem, pouco a pouco, ao passo que ele gritou em desespero, tentando soltar-se sem êxito.
deu passos para trás quando seu pai a soltou, caindo de joelhos no chão quando viu o que acontecia, piscou lentamente, surpresa com tudo o que via.
Viu o sangue começar a escorrer da boca de seu pai e, por um instante, achou que ele merecia o que estava por vir, porém, foi quando focou sua atenção na areia que lembrou-se de Gaara; olhando-o assustada, notando que ele nem mesmo piscava, a expressão de puro ódio presente em seus olhos;
— Gaara, não — pediu baixo, aproximando-se do amigo —, por favor.
O ruivo a encarou por poucos segundos, o cenho franzido.
— Não faça isso, não seja igual a ele.
— Ele merece — disse em voz baixa, olhando para o rosto machucado da garota.
concordou com um aceno;
— Mas você não merece.
O garoto demorou alguns segundos para entender, mas afrouxou o aperto, por fim concordando com um aceno. O soltou por completo, fazendo com que o homem caísse com força no chão, enquanto sua areia voltava devagar para a cabaça presa em suas costas.
Os dois notaram a pose estranha que o moreno estava caído, o sangue escorrendo de sua boca, os olhos abertos.
deu passos vacilantes em direção a seu pai, ajoelhando-se ao seu lado e encarando-o, antes de inclinar-se alguns centímetros, tentando ouvir as batidas de seu coração.
Virou-se para o amigo menos de um minuto depois, constatando que seu pai estava morto. Sabia que não tinha sido a areia, ele ainda se contorcia segundos antes, foi a queda que o matou, quebrando seu pescoço com a força do impacto.
Gaara não diria que estava arrependido, nem que sentia muito, mas pensou que agora, talvez, realmente quisesse ficar longe dele, afinal, independentemente de qualquer coisa, ele havia matado o pai dela.
— Eu preciso chamar alguém — disse baixo, pensando na história que diria para sua mãe e todos os outros, não poderia acusar o amigo que só tentava ajudá-la. — Você não pode ficar aqui — levantou-se andando até o ruivo —, vou dizer que ele caiu da escada, você não pode estar aqui, Gaara!
— Pode dizer que fui eu — respondeu no mesmo tom, vendo-a negar com um aceno —, não me importo que saibam.
— Mas eu sim, — tornou nervosa, segurando a vontade de chorar — não vou deixar que te culpem por isso, Gaara. Vai embora, eu preciso pedir ajuda!
O garoto hesitou, mas concordou com um aceno segundos depois, virando-se para sair da casa, mas parando na porta, ainda incerto.
— Eu não me importo…
— Eu sei — respirou fundo, sorrindo pequeno em sua direção —, mas agora é minha vez de te ajudar. É melhor você ir, rápido!
— Você está bem? — Perguntou, dando um passo em sua direção, prestando mais atenção em seus machucados, Kato concordou com um aceno. Gaara a encarou profundamente, dizendo tão baixo quanto um sussurro; — Eu sei que ele é seu pai, mas não me arrependo. Não vou deixar que te machuquem.
deu um passo em frente, abraçando-o apertado por alguns instantes, surpreendeu-se quando sentiu as mãos de Gaara em suas costas, retribuindo sem jeito aquele gesto. Soltou-o e deu dois passos para trás, fungando enquanto tentava evitar que lágrimas caíssem;
— Obrigada, Gaara, mas agora você precisa ir.
O ruivo concordou a contragosto, dando passos para fora da casa, antes de dizer por sobre o ombro;
— Eu te vejo amanhã, Kato.


Gaara esperou por horas, mas não apareceu naquele dia.
Nem no outro e nem no seguinte.
Uma parte de si começou a apertar seu peito, preocupado que ela talvez tivesse finalmente entendido o que aconteceu, do que ele era capaz e, por isso, resolveu ficar longe dele. Seria uma escolha inteligente, mas o ruivo não queria aquilo.
Pelo menos não completamente.
Aquela parte que queria afastá-la parecia comemorar, e ainda mais satisfeito ao saber que havia sido o responsável pela morte do homem.
O quão poderoso ele estava ficando para ter matado um adulto tão facilmente?
O quão mais poderoso ele poderia ficar?
Olhou a areia ao seu redor, repensando no que tinha acontecido há três noites e em como conseguiu controlá-la tão bem, foram apenas dois movimentos, ele nem mesmo precisou dizer nada, a areia veio naturalmente a ele, e daquela vez não foi para defendê-lo, foi para atacar.
Gaara não precisava se preocupar em se defender, sua areia fazia isso sem que ele nem mesmo precisasse pensar, mas não imaginou que teria tamanha facilidade para poder atacar outra pessoa.
E, ao pensar nisso, pegou-se tentando entender o motivo de ter sentido tanta raiva a ponto de considerar matar o homem; era claro que ele não queria Kato machucada, mas não sabia que se importava tanto assim para matar por ela.
Voltava para casa quando ouviu passos apressados em sua direção, virando-se em tempo de ver correndo até ele. A garota parou a pequenos passos de distância, colocando a mão sobre o peito para recuperar a respiração acelerada, antes de sorrir em sua direção;
— Desculpe o atraso, não consegui sair nos outros dias por causa do Conselho, e hoje minha mãe precisou de ajuda — explicou, passando a mão pelos cabelos compridos.
Gaara reparou que os machucados presentes em seu rosto já não estavam tão escuros quanto antes, embora ainda se destacassem com facilidade.
— O que você disse que aconteceu? — Perguntou curioso, colocando as mãos nos bolsos da calça. deu de ombros, não parecendo querer conversar sobre o assunto.
— Que ele estava correndo atrás de mim e caiu das escadas porque tinha bebido muito — contou em voz baixa, olhando ao redor para garantir que ninguém os escutasse —, acho que pensaram que eu quem tinha o empurrado. Começaram a me perguntar várias coisas repetidas — então tentou conter um sorriso, mas ele notou os olhos dela brilharem — e eu consegui usar meu kekkei genkai!
— O que? — Tornou surpreso, ficando frente a frente com ela — Como?
— Comecei a ficar nervosa, porque me perguntavam a mesma coisa de novo e de novo, acho que esperavam que eu falasse diferente — explicou-se apressada —, e o homem do Conselho que estava me interrogando, ele encostou na minha mão, achou que estava me confortando, eu sei lá — deu de ombros, sorrindo esperta segundos depois — e aí aconteceu, foi meio sem querer, mas eu falei umas coisas e ele acreditou em tudo, e saiu contando pra todos que foi apenas um acidente!
Gaara impressionou-se por alguns segundos, arregalando levemente os olhos.
— Então agora está tudo certo?
— Sim — confirmou com um aceno —, se eu soubesse que era só encostar nele teria feito isso no primeiro dia — suspirou, parecendo cansada.
— Sua mãe sabe o que aconteceu? — Tornou alguns segundos depois, vendo-a negar com um aceno.
— Não, disse a mesma coisa pra ela, não acho que ela tenha se importado tanto assim, quer dizer… Está triste, mas não parece tão triste, sabe?
— Você está bem? — Questionou ao encará-la nos olhos.
Kato sorriu pequeno;
— Sinceramente? Melhor impossível!


Capítulo 4

Três anos depois.

Gaara apoiou a mão sobre o punho fechado, olhando entediado para o restante dos alunos que estavam sendo separados em trios. Para ele não foi surpresa alguma ficar junto com Temari e Kankuro, seria estranho se os separassem, mas uma pequena parte ficou chateada por não ter por perto.
Olhou para a garota quando ouviu o nome dela ser chamado.
deu um passo à frente, esperando para saber quem seria o restante da sua equipe, até que ouviu a voz do sensei;
— Ryotaro — o homem dizia lendo um pedaço de pergaminho —, e para completar a equipe 8, Takashi.
Os dois garotos deram passos à frente e, juntos, seguiram até uma das mesas vazias. Gaara estreitou o olhar ao reparar neles, notando quando tentou puxar assunto, sendo ignorada. Fechou as mãos em punho quando a viu abaixar a cabeça, encolhendo os ombros.
O mais velho terminou de separar os grupos e, ao final, todos receberam horários e locais diferentes para encontrarem seus novos senseis.
olhou de canto para os dois parceiros, sabia que eles eram mais fortes do que ela, tinham mais controle de seus chakras e conseguiam fazer muito mais jutsos:
Ryotaro era um dos colegas que mais lhe causavam curiosidade, desde os primeiros dias de aula, ele era de uma família de ninjas da elite de Suna, mas não se sabia muito sobre seus poderes, eram bastante misteriosos, mas trabalhavam diretamente com o Kazekage. sabia que Ryo era muito bom com shurikens e kunais, mas também tinha bastante facilidade com qualquer arma que lhe fosse dada. Tinha uma mira excelente e era muito rápido: nos testes da semana anterior, para poderem se formar na academia, Ryo foi um dos melhores de toda a turma. Mas o que mais chamava sua atenção era sua aparência; não fazia ideia de como o moreno realmente se parecia. O colega tinha bandagens enroladas em todas as partes do corpo que não eram cobertas por suas roupas, incluindo em seu rosto, apenas seus olhos azuis eram visíveis. Pensou que, agora que faziam parte da mesma equipe e teriam missões juntos, a garota visse o rosto do colega em algum momento, ou pelo menos descobrisse o motivo para tudo aquilo.
Takashi parecia um pouco mais amistoso que o outro, a cumprimentava com a cabeça e, às vezes, até arriscava um sorriso de canto em sua direção, embora, assim como boa parte dos alunos, ele a evitasse devido sua proximidade com Gaara. A coisa mais legal que via no rapaz era a gata que sempre estava ao seu lado: Tora também tinha uma bandana com a marca de Suna e obedecia tudo o que o rapaz falava. Não sabia bem como funcionava, se ele realmente a controlava, ou se o felino fazia por vontade, mas estava sempre junto de Takashi.
— Vamos andando — Ryo foi o primeiro a falar, levantando-se assim que o sensei saiu da sala, e Takashi concordaram, também ficando em pé e o seguindo para fora da sala. olhou para trás, acenando com a mão para Gaara, o qual havia ficado com os irmãos, esperava poder encontrá-lo mais tarde para conversarem.

Com o passar das semanas, percebeu que teria cada vez menos tempo para ver o melhor amigo, pois estava sempre ocupada com seus treinamentos que, em sua opinião, pareciam intermináveis. Aikyo-Sensei era extremamente grosseiro e severo, não costumava dar muito tempo de descanso para os três alunos, além de ficar extremamente irritado quando um deles não conseguia cumprir rápido seus ensinamentos.
já sabia desde o primeiro dia que os companheiros de time eram mais fortes do que ela, mas ver aquilo na prática não facilitava as coisas. Aikyo também sabia daquilo e, por isso, sempre que falhava em alguma coisa a fazia lutar com Takashi ou Ryo até não ter mais forças. Embora não parecessem realmente quererem machucá-la, os dois garotos seguiam as ordens que lhes eram dadas, e não diminuíam a força de seus golpes, nem a velocidade em que a atingiam.
— Já chega! — O homem gritou, passando a mão pela testa, aproximando-se da mais nova, caída ao chão com a respiração falha e vários hematomas espalhados. — Como pode alguém como você ter um kekkei Genkai tão forte e, mesmo assim, ser tão fraca? Não consegue controlar seu chakra, nem o que faz. De que adiantou todos esses anos de academia e todas essas semanas de treino, se nem mesmo consegue controlar seu chakra? Sabe o que vai acontecer quando saírem em campo? Seus colegas vão precisar salvar sua vida ou morrerão sem esperanças, já você não poderá ajudá-los. Você é uma vergonha para Suna, . Nem mesmo deveria ter essa bandana. — Disse, acertando-a com as pontas de dois dedos na bandana — Você nunca será uma ninja de verdade se continuar assim. — Então virou-se para os rapazes, que estavam um pouco mais afastados — Estão dispensados hoje, mesmo horário amanhã.
Ryo colocou as mãos nos bolsos, olhando para o alaranjado do céu, antes de suspirar, negando com a cabeça;
— Você pensa demais — disse baixo, olhando para a garota ajoelhada no chão. — Se continuar com medo de nos machucar nos ataques, não vai melhorar nunca.
Takashi aproximou-se, estendendo a mão para a colega, já que havia sido ele quem a derrubou daquele jeito;
— Precisa melhorar seu Taijutsu para conseguir usar seu kekkei Genkai, como é que vai encostar no adversário se ele te derrubar antes de você usar sua técnica?
concordou com um aceno, levantando-se com a ajuda do colega;
— Mas vocês não são meus adversários, não de verdade — disse baixo, chamando a atenção deles — não sei o quanto isso interfere — olhou para as mãos —, não posso controlar, e se eu acabar machucando vocês pra sempre? — Encarou-os por um instante.
— É por isso que precisa controlar — Ryo deu de ombros —, não precisa usar força máxima conosco, mas precisa saber atacar, até agora você só se defende…
— E bem mal! — O outro acrescentou, vendo-a suspirar, concordando com um aceno.
— O sensei não vai mudar se você não melhorar, não vamos sair em missões se você continuar apanhando de nós.
— Eu sinto muito — tornou a baixar a cabeça, a voz saiu falha com a vontade de chorar crescendo.
— Não sinta, mas amanhã venha aqui e nos acerte um soco de verdade ou, ao menos, mire em nós quando for lançar sua shuriken.
A garota encarou os olhos azuis de Ryotaro, concordando com um aceno e sorrindo pequeno na direção dos colegas.
— Nos vemos amanhã, . Descanse um pouco e cuide desses machucados, estão ficando horríveis — Takashi apontou para os arroxeados ao redor do corpo dela, antes de acenar com a mão.
Tora, que até então estava sentada mais ao canto, olhando a movimentação dos três adolescentes, aproximou-se o suficiente para passar a cabeça pela perna da garota, em um pequeno carinho, antes de seguir correndo até o dono.
esperou os companheiros se afastarem antes de respirar fundo, olhando para os troncos de madeira ao redor, com marcações de alvos. Sabia que estavam certos, ela precisava melhorar seu ataque para poder usar sua técnica, ou nunca poderia ajudá-los em batalha, mas a simples ideia de machucar os colegas a assustava.
Não queria correr o risco de mexer com a cabeça dos dois e não conseguir controlar o resultado. Encarou as mãos por um momento, puxando as luvas em seus bolsos, colocando-as devagar antes de dar um passo à frente, tirando algumas kunais da bolsa em sua cintura.

Gaara aproximou-se minutos depois, quando viu parar para tomar um pouco de água, passando a mão pela testa suada.
— Nada mal — disse baixo, apontando com a cabeça para os alvos que ela havia acertado.
— Não adianta eu acertá-los apenas quando estão parados, Gaara.
O ruivo concordou com um aceno, olhando-a de canto;
— Sabe que eles estão certos, não vai conseguir melhorar se continuar com medo de machucá-los. — A garota o encarou por um instante, parecendo constrangida ao saber que ele havia visto tudo o que aconteceu. Gaara virou-se por completo em sua direção, os braços cruzados sobre o peito — Você evita lutas, , por que quer ser uma ninja se não consegue pensar em machucar alguém?
— Não quero machucar, Gaara, quero defender. — Respondeu, respirando fundo ao olhar em seus olhos verdes — Mas para defender as pessoas que gosto tenho que lutar.
O ruivo não disse nada por um momento, negando pouco depois;
— Você deveria considerar fazer outra coisa. Talvez tivesse mais sorte sendo uma médica ninja, assim não precisaria lutar.
A garota riu baixo, negando com um aceno;
— Sabe que não gosto de mexer com sangue, como é que seria uma médica?
— Então você deveria tentar outra coisa, não pode ser uma ninja se tem medo de machucar as pessoas, — Gaara respirou fundo, dando um passo em sua direção — Você se importa muito com as pessoas, é isso que te torna vulnerável. Se parasse de dar tanta atenção a quem pode machucar, seria a mais forte do seu time. Poderia obrigar qualquer um a fazer o que você mandasse, quando souber controlar isso — apontou para as mãos da garota — será uma das ninjas mais fortes de Suna.
— Do que adiantaria — começou, olhando-o com o cenho franzido —, se não for pelas razões certas, do que adiantaria todo esse poder, Gaara? Você acha que sou fraca por me importar com os outros, mas eu acho que você seria ainda mais forte se não lutasse só por você.
Ele a encarou, a boca ligeiramente aberta;
— É uma fraqueza, uma vulnerabilidade que não preciso. Luto por mim mesmo e isso me deixa mais forte. Deveria fazer o mesmo.
sorriu pequeno em sua direção, parecendo triste;
— Então você realmente não precisa de ninguém? — Questionou finalmente, sentindo o peito apertar ao ouvi-lo dizer aquilo.
Sempre soube que Gaara não gostava de se misturar com as pessoas e que, em geral, preferia ficar sozinho, mas achava que essa história de não precisar de ninguém era só conversa, afinal eles continuavam amigos após todos aqueles anos.
Haviam se distanciado bastante, porque Gaara queria passar a maior parte de seu tempo sozinho, fosse para treinar ou não. Ele dizia que aquilo era o certo, porque para ficar forte, ele precisava se afastar de todos, lutar apenas por ele e para ele. não dizia nada, mas sentia-se triste sempre que ouvia aquilo vindo dele.
O ruivo ficou em silêncio, sem saber o que responder. Deveria dizer que sim, que lutava apenas por si e não precisava de ninguém, nem mesmo dela. Contudo, ainda tinha uma parte, cada vez mais pequena, que continuava a querer sua companhia. Se viam cada vez menos, mas Gaara sabia que ainda estava perto e que, em algum momento, ela estaria ao seu lado de novo.
A garota respirou fundo, entendendo o silêncio dele como uma afirmativa para sua pergunta. Sentiu o peito doer ao confirmar o que já sabia, mas ignorou o sentimento e sorriu pequeno em sua direção;
— Por que não me ajuda a treinar? Nós dois sabemos que não serei rápida o suficiente para passar pela sua areia, mas pelo menos consigo melhorar meus movimentos, não é?
— Sabe que ainda não consigo controlar, não totalmente.
— Mas ela te defende, você não vai se machucar, Gaara.
O ruivo concordou após alguns segundos, embora não tivesse pensado em si mesmo quando disse que não controlava a areia; estava hesitante por saber que algo poderia sair do seu controle e, assim, atacá-la sem nem mesmo querer.
— Você tem uma hora. — Avisou, vendo-a sorrir em agradecimento, antes de se posicionar para atacá-lo.
começou um tanto hesitante, mas ao confirmar que a areia que Gaara carregava era rápida e forte para protegê-lo, perdeu o medo de machucá-lo, sabia que aquilo não aconteceria. Não importava o quão rápida fosse, não conseguiria transpassar a proteção do ruivo, e descobriu que aquela era uma ótima forma de treinar seu Taijutsu. Poderia socar e chutar o quanto fosse, a areia era densa o suficiente para dar-lhe o suporte necessário para não errar os golpes e, às vezes, voltava em sua direção, o que ajudava a treinar suas posições de defesa.
Gaara manteve-se parado, os braços cruzados, apenas virando-se o suficiente para acompanhar seus movimentos conforme a garota o rodeava. Sorriu levemente ao vê-la atacando-o sem medo, sabendo que ela só estava confiante daquela forma por ter certeza que não poderia machucá-lo. Após alguns minutos, ajoelhou-se por um instante, tentando controlar a respiração, olhando-o curiosa;
— Se importa se eu tentar mais do que Taijutsu?
— Fique à vontade.
A garota sorriu, retirando algumas kunais e shurikens da bolsa, respirou fundo mais uma vez antes de ficar em pé, correndo o mais rápido que podia ao redor de Gaara, atirando os objetos em direção aos seus pés, apenas para garantir. A areia, como esperado, defendeu todos os seus ataques, derrubando todas as suas armas no chão. tentou mais uma vez, mantendo um sorriso pequeno nos lábios, o que atraiu a atenção do amigo, que a encarou curioso. parou há alguns metros de distância, mexendo as mãos rapidamente para conseguir realizar seu jutsu.
Gaara sorriu ao notar, logo sentindo o vento vir em sua direção, erguendo o braço apenas o suficiente para cobrir seus olhos, com um segundo de atraso percebeu a linha que passava por todas as shurikens e kunais que estavam caídas próximo a ele, logo vendo-as serem puxadas em sua direção. Mais uma vez sua areia o defendeu por completo.
Gaara virou-se para dizer que ela deveria tentar aquilo na frente de seu sensei, quando notou uma mudança sutil na areia ao redor dos dois, a qual só percebeu quando sentiu algo tirá-la do chão, apertando seu corpo.
Aquele ataque havia sido diferente dos demais e a areia de Gaara, quase como se tivesse vida própria, a contra-atacou com rapidez, fechando-se com força sobre o corpo da garota.
O ruivo escutou o grito alto de , conforme o aperto aumentava;
— Não! — Gritou, dando passos apressados em sua direção, erguendo a mão em direção da areia, tentando controlá-la — Solte-a. Vamos, solte-a! AGORA!
Segundos depois o aperto da areia se desfez, caindo de uma única vez. Gaara correu na direção de , segurando-a antes que ela caísse desacordada no chão.
? — Chamou, colocando-a no chão e apertando seus ombros — , consegue me escutar? ? — Percebeu os vários cortes em seu corpo e roupas, o sangue saindo de alguns — ! !
Respirou aliviado quando a viu se mexer devagar, erguendo a mão até o rosto;
— O que…?
— Eu disse que não era uma boa ideia, — suspirou, passando a mão pelos cabelos curtos — não consigo controlar integralmente a areia.
A garota apoiou-se sobre os cotovelos, olhando-o com o cenho franzido ao notar o olhar preocupado em seus olhos verdes, sorrindo de canto para tentar amenizar a situação;
— Não me diga que ficou preocupado, Gaara? E a conversa de não se importar com ninguém?
O garoto a encarou por um momento, cruzando os braços e olhando para o lado;
— Não estava — negou com um aceno, sentindo o rosto esquentar ligeiramente —, não com você, apenas não queria ter mais um problema justificando o que te aconteceu…
riu nasalado, levantando-se com certa dificuldade.
— Desculpe por quase te dar essa dor de cabeça.
Gaara a encarou, rolando os olhos antes de negar com um aceno;
— Só não faça de novo.

Gaara ficou em pé quando notou que começava a escurecer, virando-se para quando a garota permaneceu sentada, olhando para o nada.
— Você não vem?
— Ahn? Ah, claro.
— Você está estranha, aconteceu alguma coisa? Mais alguma coisa?
— Não, só estava pensando… Quando vou sair em missão. — Disse a primeira coisa que veio à cabeça, o ruivo concordou com um aceno, colocando as mãos nos bolsos, antes de dar as costas.
— Então, até depois.
— Gaara — chamou antes que ele se afastasse, respirando fundo e dando alguns passos hesitantes em sua direção. O Sabaku esperou até que ela se aproximasse, olhando-a curioso, principalmente ao notar o olhar baixo dela, envergonhado. Imaginou se ela começaria a evitá-lo depois do incidente com a areia, sentindo o coração apertar ao pensar naquilo.
— O que foi? — Questionou em voz baixa, analisando os pequenos cortes em seu rosto.
— Eu só… — Começou, fechando os olhos por um instante, antes de dar mais um passo, parando a poucos centímetros do ruivo, erguendo os olhos em sua direção segundos depois. Gaara permaneceu parado, encarando-a com o cenho franzido ao notar a proximidade dos dois. Ela iria revidar o ataque?
Em um instante, deu um último passo à frente, segurando brevemente na camisa do garoto, antes de encostar seus lábios contra os de Gaara.
Nenhum dos dois soube exatamente o que fazer, instantes depois ela se afastou, encarando-o sem graça. O ruivo manteve o cenho franzido, olhando-a sem reação.
— O que…?
— Eu gosto de você, Gaara. — disse baixo, apreensiva, apertando as mãos, sem saber o que mais poderia dizer ou fazer. — Gosto muito…
O ruivo piscou devagar, a boca ligeiramente aberta, sem saber o que responder.
Permaneceram em silêncio, e ele viu o olhar triste e sem graça da mais nova, que logo virou-se de costas, totalmente constrangida.
— Desculpe, eu não… Não deveria…
... — Gaara começou, erguendo a mão para tocar-lhe o ombro, ainda incerto do que deveria fazer.
— Você!
O garoto virou-se ao ouvir um grito próximo, reconhecendo um shinobi com quem se desentendeu poucos dias antes, derrubando-o com facilidade quando o rapaz tentou enfrentá-lo.
— Eu disse que iria se arrepender! Seu esquisitão!
Gaara fechou as mãos em punho, sentindo a raiva predominar-lhe.
— Você tem cinco segundos para sair da minha frente, se não quiser se machucar. — Disse de forma feroz. O moreno riu debochado, mexendo as mãos rapidamente para atacar-lhe com um jutsu.
— Poderia dizer o mesmo, mas antes disso eu vou acabar com você! Jutsu vort…
Gaara esticou a mão na direção do outro, aprisionando-o em sua areia.
, que permanecia de costas, sem coragem de olhar para Gaara, virou-se assustada ao ouvir o grito desesperado do outro rapaz, enquanto o ruivo o olhava com raiva, o sinal de punho fechado, controlando a areia.
— Gaara, não! — Chamou assustada, encostando em seu ombro na intenção de fazê-lo parar com aquilo, mas Gaara estava distraído, focado em seu ataque, havia esquecido de ao seu lado. Assustou-se com o toque repentino, e com isso uma quantidade de areia a acertou, jogando-a longe, como se o protegesse de um ataque.
Sabaku virou-se rapidamente em sua direção, soltando o outro shinobi e correndo para , desacordada mais ao canto, após ter batido com força em uma pedra próxima.
! — Chamou chacoalhando-a — ! Diga alguma coisa, não precisamos repetir isso duas vezes no mesmo dia — Pediu, sentindo a voz soar desesperada, um aperto conhecido em seu peito — , vamos! — Viu o sangue escorrendo dos vários machucados em seu corpo, um profundo em seu abdômen. — !
Levantou-se apressado, correndo com a garota desacordada em seus braços até o hospital da aldeia, ignorando por completo o outro garoto caído. Correu o mais rápido que pode, vez ou outra olhando em sua direção, chamando-a em voz alta.
Minutos depois entrou no hospital, não demorando para um médico ninja se aproximar, pegando-a de seu colo e levando-a apressadamente para um dos quartos. Gaara o seguiu hesitando, notando os olhares ao redor quando alguém o reconhecia.
— O que aconteceu? — O homem perguntou, checando os sinais vitais dela.
— Foi um acidente — Disse em voz baixa, olhando para a garota desacordada.
— Precisamos da Sra. Chiyo — o médico gritou para uma enfermeira que se aproximava —, vá chamá-la, depressa!
Gaara afastou-se alguns passos quando outro médico entrou, perguntando o que tinha acontecido, dizendo apenas que foi um acidente, que sua areia a atacou sem que ele pudesse controlar.
Uma senhora baixinha entrou pouco depois, e Gaara a reconheceu pouco depois, já a tendo visto em alguma reunião com seu pai e o Conselho, falando sobre algum ninja patife que ele não lembrava o nome. A mulher o olhou por dois segundos, antes de aproximar-se de , esticando as mãos sobre o corpo da garota, checando seus ferimentos e sinais vitais.
— É melhor você esperar lá fora — uma enfermeira pediu, apontando para a porta —, não tem nada que você possa fazer agora.
— Eu quero ficar aqui.
— Nós avisaremos quando soubermos de algo.

Gaara entrou em seu quarto, seguindo para a sacada, olhando a pouca movimentação na cidade, devido ao horário tardio. Estava tudo silencioso, a maioria das luzes apagadas. Sentiu o vento fraco bater contra seu rosto, e logo um cheiro familiar veio de encontro às suas narinas. Olhou para baixo, notando as manchas de sangue seco em suas roupas e mãos. Algo dentro de si mexeu-se ao pensar que aquele era o sangue de , ao mesmo tempo que sentiu um aperto no peito, algo pareceu vibrar em seu interior.
Fechou os olhos, respirando lentamente, tentando acalmar os pensamentos agitados;
estava no hospital e ficaria lá por pelo menos mais dois dias, para garantirem que ela se recuperaria por completo nos machucados. Pensou no que poderia ter acontecido, já que havia machucado a garota duas vezes no mesmo dia. Em nenhuma das vezes pode controlar o que sua areia fazia, só notando o que acontecia quando já era tarde.
O aperto em seu peito parecia diminuir, estava preocupado com o que poderia fazer, mas, ao mesmo tempo, algo dentro de si o fez pensar que se ela não estivesse lá, ele não precisaria se preocupar. Talvez fosse melhor que ela não estivesse ao seu lado.
Então pensou no beijo de horas atrás, apenas um toque sutil em seus lábios.
Não sabia se tinha gostado ou não, estava apenas surpreso com o que a garota tinha feito.
“Eu gosto de você, Gaara”, havia dito.
O ruivo passou a mão pelos cabelos, frustrado com aquela mistura de sentimentos e emoções em seu peito e cabeça, não precisava de nada daquilo. Sabia que, enquanto ela estivesse por perto, aquilo não mudaria.
precisava se afastar, só assim ele seria forte o suficiente.
Não adiantava dizer que não precisava de ninguém e lutava por si mesmo, se ficasse preocupado sempre que a visse se machucar, independente de ser, ou não, a causa.
Respirou profundamente, notando que a parte de si que sentiu a dor daquele pensamento era mínima. Era melhor para os dois que estivesse longe;
Gaara ficaria mais forte e ela não se machucaria.


Duas semanas depois...

sorriu assim que viu o ruivo se aproximando depois de tantos dias: Gaara havia saído em missão no dia seguinte ao acidente, e não tinham se visto desde então.
O ruivo não sorriu para ela, mal a olhou, parando em pé a alguns passos de distância:
— Como está? — Perguntou em voz baixa.
— Bem melhor, voltei a treinar essa semana — contou, mantendo o sorriso tranquilo nos lábios — Como foi sua missão?
— Nada demais — deu de ombros, virando-se para encará-la, arrependendo-se no instante seguinte — Não quero mais te ver, .
A garota piscou com o cenho franzido, demorando mais do que gostaria para entender aquela frase.
— O que disse? — Tornou pouco depois, sentindo a verdade a atingir.
— O que você ouviu — falou com a voz firme —, não posso ter você ao meu lado. Você ter parado no hospital foi uma prova: você é fraca, não está no meu nível — disse devagar, vendo-a encará-lo desacreditada. — Não posso e não vou me preocupar com você, isso me atrasa. A partir de hoje, não quero mais te ver. — Virou-se de costas, pronto para ir embora.
sentiu o peito apertar, não estava apenas sendo rejeitada pelo garoto de quem gostava, mas também perdendo seu melhor amigo.
— Gaara — chamou com a voz falha, o ruivo parou de andar, para escutar o que ela tinha a dizer —, não foi nada demais. Você não precisa se preocupar comigo, o que aconteceu… Não foi…
— Você poderia ter morrido — ele disse, olhando-a por sobre o ombro — e, sinceramente, eu não sentiria sua falta. Só não queria ser responsabilizado por isso.
viu o rapaz se afastar sem dizer mais nada, encarando-o de longe enquanto sentia seu peito apertar cada vez mais e as lágrimas chegarem a seus olhos.

Maisha abriu a porta do quarto da filha quando a garota não desceu para o jantar, vendo-a sentada no canto, próximo à janela, a cabeça baixa, encostada nos joelhos. Seu corpo tremia levemente e, a mulher conseguia ouvir seu choro. A analisou por alguns instantes, esperando ver algum machucado novo em seu corpo, mas nada se sobressaiu. Aproximou-se devagar, sentando-se ao seu lado;
— O que aconteceu com você? — Perguntou em voz baixa.
A garota fungou, negando com a cabeça.
— Se machucou durante o treinamento? Seu sensei gritou com você? — Esperou por uma resposta que não veio, então passou a língua pelos lábios, respirando fundo ao colocar uma mão sobre as costas da filha — O que aconteceu, ?
— Eu sou fraca, mãe — respondeu segundos depois, em um cochicho.
— Você não é fraca, — a mulher negou, passando a mão por seus cabelos compridos —, mas deveria se dedicar mais aos treinamentos, mostrar isso para seu sensei e seus colegas de equipe.
— Não são eles — virou-se minimamente para olhá-la, os olhos vermelhos —, é o Gaara. Ele não quer ser meu amigo porque eu sou fraca.
Maisha respirou fundo, concordando com um aceno antes de puxar-lhe o rosto, segurando-o entre suas mãos, de forma que a filha a encarasse nos olhos;
— Eu sabia desde o começo que aquele garoto seria um problema, não pelos poderes dele, mas porque eu via o jeito que você olhava pra ele, o carinho e afeto. E, no último ano, eu vi como esse olhar mudou. — Viu as bochechas da filha avermelharem e ela tentar desviar o olhar, mas não deixou — Não é vergonha alguma gostar de alguém, . Mas você não deve deixar Gaara e nenhuma outra pessoa te chamar de fraca e acreditar nisso.
— Mas não é mentira, mamãe — a garota disse, sentindo o peito doer ainda mais por saber daquilo.
— Você não é fraca, filha, mas você é muito bondosa, muito boazinha, se importa muito com o bem estar dos outros. E isso acaba te tornando diferente dos seus colegas. Em Suna a prioridade dos ninjas são suas missões, não o bem-estar dos outros membros de sua equipe, é isso que nós aprendemos, foi isso que eu aprendi. — Falou, negando com um aceno em seguida — Você disse que quer lutar para defender quem você ama, para defender seus amigos e sua aldeia, então faça isso: treine bastante, domine seu chakra e seu kekkei genkai. Mas antes de mais nada, faça isso por você mesma, para você melhorar ao ponto de chegar no seu auge. Só assim você vai poder ajudar os outros, . Porém, lembre-se: você não vai poder salvar todo mundo. Em alguns momentos você precisará fazer escolhas difíceis, e é isso que define seu estilo ninja: saber escolher suas batalhas, saber a hora de perder. — Passou a mão pelo rosto da filha, limpando suas lágrimas — Chore hoje, mas amanhã você vai treinar e mostrar para todos o quão forte pode ser.


Capítulo 5

Três meses depois.

Gaara, Temari e Kankuro estavam saindo da sala do kazekage, após passarem o relatório da última missão que tiveram, quando o próximo trio de genin se aproximou. , Ryotaro e Takashi, o qual carregava sua gata nos ombros. Os irmãos notaram alguns cortes nos colegas, mas nada mencionaram, mas trocando olhares com eles antes de saírem por completo da sala.
— Vocês falharam na missão — puderam ouvir o kazekage dizer em voz alta para os recém-chegados, assim que passaram pela porta.
— Não é novidade nenhuma — Kankuro comentou com os irmãos, negando com um aceno — eles nem deveriam estar indo em missões, é um peso morto. — Suspirou, colocando as mãos nos bolsos da calça.
— Engano seu — Temari respondeu pouco depois, a voz calma —, soube que ela melhorou bastante e está usando o kekkei genkai. A última missão deles foi muito boa.
— Como você sabe? — Kankuro questionou com a sobrancelha arqueada, a loira deu de ombros — Eu converso com ela às vezes, mas escutei o Aikyo-sensei falando com um Jounin que eles podem ser inscritos nos próximos exames Chuunin.
— Está dizendo que eles também vão? — O moreno perguntou surpreso, vendo-a confirmar com um aceno — Não sei, não confio naquele Ryotaro.
— Por que não? — A garota tornou com o cenho franzido — Acho que ele é o melhor da equipe deles, foi um dos melhores da academia…
— Simplesmente não confio, tem algo estranho com ele. Ninguém nem sabe o que tem por baixo das bandagens que ele usa…
— Olha quem fala — Temari riu — podemos contar nos dedos de uma mão o número de pessoas que viram você sem essa roupa ridícula.
— Ah, cala boca — resmungou, socando-lhe o braço.
Gaara manteve-se em silêncio o tempo todo, afastando-se pouco depois sem dizer nada. Não via há várias semanas, mas sabia de uma coisa ou outra por ouvir comentários como os de Temari. Saber que o trio também estaria inscrito nas provas Chuunin em alguns meses pareceu surpreendê-lo, pois a última vez que viu , a garota mal se defendia. Contudo, se ela estivesse mesmo usando seu kekkei genkai, poderia ser a mais forte do grupo e, futuramente, uma ninja importante para Suna.

Escutaram todo o sermão do kazekage e do Conselho em silêncio, apenas acenando com a cabeça ao terminarem o relatório da última missão no país do Pássaro.
— Quem foi que errou? — Rasa perguntou irritado, encarando-os.
levantou o olhar para o homem, para assumir sua culpa, quanto Ryo falou rapidamente:
— Todos nós, senhor. Não irá acontecer novamente.
O kazekage o encarou desconfiado, mas meneou a cabeça.
— Para o bem de vocês, é bom que isso seja verdade. Não precisamos de ninjas inúteis em Suna. Agora vão, logo Aikyo irá passar a nova missão de vocês. — Abanou a mão no ar, para dispensá-los. O trio acenou com a cabeça, despedindo-se de Rasa antes de saírem da sala, em silêncio.
Estavam descendo as escadas para sair do prédio quando a garota pigarreou, chamando os dois colegas;
— Não foi erro de vocês, não precisavam…
— Nossos acertos e erros são em conjunto, . — Ryotaro avisou, colocando as mãos nos bolsos do casaco — Ninguém ganha nem perde sozinho, e é por isso que somos um time.
— Além do mais — Takashi sorriu, passando a mão na cabeça de Tora —, você mesmo disse ontem que não deixamos um parceiro para trás quando salvou minha gata. Isso também serve para resultados das missões.
— Exato, foi um erro em grupo. Não deveríamos ter subestimado aqueles ninjas — Ryo concordou, suspirando —, de qualquer forma, seu kekkei genkai foi bem útil para conseguirmos as informações que precisávamos.
— Mas não o suficiente para concluirmos a missão — apontou, vendo-os darem de ombros.
— Não o trouxemos a julgamento, mas ele nos deu os detalhes principais antes de morrer, para mim a missão está, em partes, completa.
— É, talvez não para o Kazekage — Takashi comentou, passando a língua pelos lábios —, mas acho que foi um ganho. E nós sabemos que aquele cara seria morto assim que chegasse em Suna — deu de ombros, vendo os dois concordarem. — O que acham de comer um pouco de lámen? Estou morrendo de fome!
Ryo concordou, voltando a andar ao lado do amigo, ambos viraram-se ao notarem que não os seguia, um tanto hesitante se aquele convite era, de fato, para ela também.
— Você não vem? — Takashi perguntou com o cenho franzido, vendo-a sorrir e concordar pouco depois, seguindo-os pela cidade.
Gaara assistiu de longe os três andarem rindo até desaparecerem de sua visão, conversando animados sobre qualquer assunto que achavam relevante. Passou a língua pelos lábios finos, antes de voltar para seu quarto, ignorando a pontada de ciúmes que o atingiu.

Quatro meses depois…

O trio jogava cartas distraidamente enquanto esperavam por Aikyo-sensei. Estavam ansiosos por terem confirmado suas inscrições para o Exame Chunin que aconteceria em algumas semanas na aldeia da folha. Com isso, entre uma missão e outra, passavam bastante tempo treinando para terem um bom resultado durantes as provas, afinal, para Sunagakure, o único resultado possível eram as vitórias vindas de seus ninjas. No total, 30 genin sairiam da cidade em direção a Konoha, desses, o Kazekage esperava que pelo menos 26 passassem para a segunda fase e, no mínimo, a metade para a terceira.
não sabia exatamente o que esperar, porém tinha noção de que acabaria lutando, mais de uma vez, contra genins de outras aldeias, sendo os da folha os que mais a preocupavam, pois todos sabiam que era a cidade mais forte, seguida de perto por Suna.
— Vocês, — ouviram a voz do sensei, assim que o homem abriu a porta da sala em que estavam, fechando-a pouco depois — temos ordens importantes vindas diretamente do kazekage.
— Outra missão? — Takashi perguntou confuso — Achei que ficaríamos treinando para as provas…
O homem meneou a cabeça, concordando com um aceno:
— O objetivo inicial é esse, mas temos algo maior e melhor do que as provas Chunin. — Disse, encarando-os por alguns instantes, antes de puxar a cadeira ao lado, sentando-se de frente a eles — Iremos atacar Konohagakure.
— Nós vamos… O que? — perguntou surpresa.
— Mas eles não são nossos aliados? — Takashi concordou.
Ryotaro manteve-se em silêncio, embora estivesse tão surpreso quanto os amigos.
— Eles pensam que sim — o sensei disse, em voz baixa —, mas chegou a hora de tomarmos a liderança, vamos acabar com a força militar deles, vamos acabar com a Folha.
— Por que? O que eles fizeram? — Os dois perguntaram novamente, Aikyo rolou os olhos, respirando fundo para não se exaltar.
— O kazekage e o Conselho decidiram, fizeram um acordo com a Aldeia do Som, vamos nos unir contra eles. As provas começarão normalmente, e vocês devem participar, fazer de tudo para ganhar. Não aceitaremos derrotas — avisou, apontando o dedo para cada um deles —, mas nosso objetivo final é a destruição da Folha. Se vocês desempenharem bem o papel de vocês, não precisarão se preocupar com nada, voltarão como Chunins da Areia, serão recebidos com toda a glória que irão merecer por essa missão bem-sucedida.
Os três adolescentes permaneceram em silêncio, em dúvida sobre o que escutavam. — Pensei que a Aldeia do Som fosse fraca — Ryotaro disse finalmente, atraindo a atenção de todos — vamos trocar a aliança com a Folha por eles?
— Não é você quem tem que se preocupar com isso — o homem respondeu raivoso — é uma ordem do Kazekage, e vocês irão cumpri-la.
— Como? — Takashi tornou confuso.
— Durante a terceira fase — explicou, retirando um pedaço de pergaminho do bolso e mostrando a eles — por isso vocês não podem falhar. Contamos com vocês para que tudo saia como o planejado e…
— Shukaku? — perguntou com a voz falha — Vocês querem liberar o Shukaku? Aikyo concordou, um sorriso maldoso em seus lábios:
— Nossa missão é destruir a Folha, o Shukaku é uma das nossas principais armas. Na hora certa, Gaara vai liberá-lo.
Os três se entreolharam, parecendo ainda mais hesitantes.
— Sensei — Takashi começou em tom baixo —, Gaara não consegue se controlar, tem dias que ele está instável. Atacou têm duas semanas um grupo de ninjas daqui… O homem abanou a mão no ar, sem importar-se:
— Gaara vai fazer o que for mandado, assim como vocês. Caso contrário, nem mesmo precisam ir a Konoha. — Tornou a se levantar, virando-se sobre o ombro para encerrar — Nenhuma palavra sai daqui. É bom se prepararem, mais próximo da viagem vocês receberão mais informações.
Quase cinco minutos se passaram antes que qualquer um deles pudesse dizer algo, ainda sem saber o que pensar de tudo aquilo. Por que atacariam uma aldeia aliada?
— Não faz sentido… — negou com um aceno.
— Não, não faz — Ryotaro concordou —, por que o Kazekage prefere apoiar a aldeia do Som? Konoha é um aliado muito melhor.
— Talvez seja por isso — Takashi se pronunciou, olhando de canto para Tora, que tirava um cochilo próxima a janela —, se a Folha cair, é muito mais fácil para Suna dominar outros países e aldeias…
— Mas será quase impossível atacarmos Konoha — replicou, apertando as mãos, ansiosa —, eles são mais numerosos e têm a maior força militar das cinco nações!
— Talvez, mas Suna tem o Shukaku, não é? — Ryo tornou, o olhar perdido em um canto da parede, o cenho franzido.
— E você acha isso uma vantagem? — Takashi replicou, rindo nervoso — E se Gaara perder o controle antes? E se ele resolver nos atacar? Gaara não pode controlar as ações do Shukaku, ele mal controla suas próprias ações! Vocês viram o que ele fez com aquele comboio? Matou a todos! Ele está cada vez mais perdido, cada vez mais descontrolado.
Ryotaro concordou, respirando fundo:
— A sede por sangue dele cresce a cada dia, é só uma questão de tempo até Gaara perder o controle por completo. Até mesmo Temari e Kankuro têm medo dele.
— O Kazekage tem medo dele — Takashi relembrou —, quer usá-lo agora, mas até pouco tempo atrás ainda torcia para que alguém conseguisse matá-lo.
levantou-se em silêncio, atraindo a atenção dos amigos;
— Desculpe, não quis dizer…
— Não, tudo bem, vocês estão certos — disse baixo — Gaara não consegue controlar o Shukaku, e Takashi têm razão, talvez seja ainda mais perigoso tê-lo em um ataque, não sabemos se ele vai se virar contra nós.
— De qualquer forma — Ryo suspirou, passando a mão pelos cabelos, levantando-se em seguida —, não é como se pudéssemos dizer qualquer coisa. Recebemos uma missão, não é?
— Claro, claro — Takashi ironizou —, destruir Konoha vai ser a coisa mais fácil que já fizemos! Daremos sorte se sairmos todos com vida disso… Não acredito que realmente pensávamos que estávamos nos inscrevendo para o Exame Chunin!

Sete semanas depois...

— Não acredito que eles estão arrumando briga com o Gaara assim tão rápido — Takashi comentou ao olhar de longe os irmãos de Suna junto de alguns genin da Folha, negou com um aceno, antes de darem as costas ao grupo, voltando a caminhar pela cidade, olhando ao redor. — Esses garotos não têm noção do que estão fazendo… Mas não seria nada mal se alguém batesse um pouco no Kankuro, quem sabe ele não fica menos insuportável…
— O que você disse, Takashi?
Viraram-se ao ouvir a voz conhecida de Kankuro, o qual estava apenas alguns passos de distância do trio, seguido por Temari e Gaara logo atrás.
— Ah, eu tenho dito várias coisas — o moreno deu de ombros, Tora miou ao seu lado — a qual delas você se refere?
— É, você fala demais mesmo — resmungou, encarando-o com raiva.
e Temari se entreolharam, ambas parecendo entediadas com a pequena discussão, sempre tão comum quando se esbarravam.
— Já chega — Ryotaro chamou o amigo, puxando-o pela camisa —, acabamos de chegar, vocês podem continuar isso mais tarde.
— Pois é — Temari riu —, vocês terão bastante tempo para se estapearem durante as provas, não comecem tão cedo.
— Como se eu fosse perder meu tempo com esse cara — Kankuro replicou, olhando com certo desgosto para Takashi.
— É claro, você deve estar muito ocupado brincando de bonecas — Takashi sorriu, dando-lhe as costas — Nos vemos por aí — Acenou, não vendo quando o outro virou-se com raiva, tentando acertá-lhe um soco forte nas costas, mas Ryo entrou na frente, segurando o pulso de Kankuro antes que o mesmo acertasse seu amigo.
— Já chega — ouviram a voz calma de Gaara, e logo todos viraram-se em sua direção, parado a poucos passos de distância, os braços cruzados sobre o peito — Não foi para isso que viemos até aqui, Kankuro.
— Mas, Gaara… — O moreno se calou ao ver o olhar do ruivo sobre si, engolindo em seco e acenando com a cabeça — Como quiser, você manda.
— Bom, nos vemos por aí! — Temari sorriu amarelo, acenando para o trio antes de afastar-se junto dos irmãos.
— Eu disse pra vocês, até eles têm medo do cara, como é que vamos usá-los para alguma coisa?
— Takashi, fica quieto! — Ryo resmungou, acertando-lhe um soco leve no braço — A última coisa que precisamos é todo mundo sabendo sobre isso antes da hora.
— Será que já podemos ir? — chamou finalmente, olhando de soslaio o trio de irmãos se afastar do lado contrário — Estou morrendo de fome, vamos procurar algum lugar para comer e…
— Vocês também são da Areia, é? — Ouviram uma voz alta e animada falar próximo a eles, virando-se para encarar o garoto loiro que parava ao lado, junto de uma garota de cabelos rosa e um outro garoto, com cara de poucos amigos. — São estranhos iguais aqueles três?
— Naruto! — A garota ralhou, acertando-lhe um soco na cabeça, antes de virar-se para os outros, sorrindo sem graça — Não liguem pra ele, o Naruto sempre fala demais!
— Hm, parece alguém que eu conheço — soltou uma risadinha, olhando para Takashi, o qual fez careta.
— E então, quem são vocês? — O outro garoto perguntou, com as mãos nos bolsos da bermuda, encarando-os desconfiados.
— Ryotaro, Takashi e — Ryo apontou dele para os colegas, apresentando-se — somos de Sunagakure. E vocês, quem são?
— Eu sou Naruto Uzumaki — o loiro apresentou-se sorridente, ajeitando a bandana em sua testa —, gravem bem meu nome, pois um dia eu serei Hokage!
— Eu sou a Sakura — a garota disse tímida, sorrindo para eles — e esse é o…
— Sasuke Uchiha — o moreno cortou a outra, passando a língua pelos lábios ao olhar de um para o outro —, qual o problema daquele outro cara?
Takashi riu, cruzando os braços ao olhar para os amigos;
— Está vendo? Acabamos de chegar e todo mundo já odeia o Kankuro, eu disse que ele é insuportável!
— Gaara, Kankuro e Temari — Ryo disse, olhando na direção em que eles tinham ido —, são filhos do Kazekage, três dos melhores ninjas que temos. Eu tomaria cuidado com eles se fosse vocês, Gaara e Kankuro são bem…
— Insuportáveis — Takashi completou, dando de ombros.
— Voláteis. — Ryo rolou os olhos para o amigo — Não é difícil os tirar do sério.
— Hm, achei eles estranhos mesmo — Naruto concordou, virando-se para — e você? É sempre tão quieta?
sorriu de canto, dando de ombros:
— Só quando não tenho o que acrescentar na conversa.
— Uma coisa que você poderia aprender, Naruto! — Sakura ralhou, antes de tornar a olhar para os três — Essa gatinha é de vocês? Ela é tão bonita! — Apontou para o felino, sentado no chão, ao lado de Takashi.
— Tora — o moreno disse, apontando para o ombro, segundos depois a gata deu um salto, sentando-se no local indicado — ela é minha.
— Uau — Naruto olhou impressionado — é tipo o Kiba e o Akamaru. Só que o Akamaru é um cachorro, é claro. Espere só até ele ver isso!
— Já que vocês estão por aqui — começou, sorrindo educada — poderiam nos indicar um bom restaurante?
— É claro, o Ichiraku — o loiro disse alegre — têm o melhor lamen de toda a aldeia! Vamos, agora que você falou, também estou morrendo de fome, posso mostrar onde é. Vocês dois vêm? — Virou-se para Sakura e Sasuke, a garota olhou ansiosa para o moreno, esperando pela resposta dele.
— Não, não estou com fome — Uchiha disse, acenando com a cabeça antes de dar as costas, afastando-se em silêncio.
— Ah, eu… — Sakura virou indecisa por um instante, e então sorriu amarelo, desculpando-se com o olhar — Quem sabe outra hora! Nos vemos por aí, foi um prazer conhecer vocês!
— Não que você não tenha razão quando disse que Kankuro e Gaara são estranhos — Takashi começou, seguindo Naruto em direção ao restaurante —, mas seu amigo também não parece muito melhor.
— Sasuke? — O loiro ficou vermelho, cruzando os braços e olhando para o lado — Ele não é meu amigo, talvez seja mais insuportável que aqueles outros caras da Areia. Muito metido, se acha o melhor só por ser um Uchiha!
— Uchiha? — franziu o cenho, confusa — Deveria significar algo?
Naruto parou de andar, virando-se de frente para a garota, começando a gargalhar em seguida;
— Pena que você não disse isso na frente dele! Deixaria o Sasuke no chão!
— Não são os Uchiha quem tem o sharingan? — Ryo perguntou incerto, lembrava-se de já ter ouvido os pais falando sobre o clã e como haviam morrido anos atrás.
— É, são eles sim — Naruto bufou, voltando a andar. — Todo mundo aqui acha que o Sasuke é tãaaao incrível porque tem o sharingan — rolou os olhos, negando com um aceno — eu não acho nada demais, se quer saber.
Os outros três se entreolharam, sorrindo de canto ao notar o ciúmes evidente, mas não disseram nada, apenas aceitando o garoto tagarela como guia.
Takashi foi o que mais se enturmou com o loiro, tendo vários pontos em comum com ele.
Ao chegarem no Ichiraku, aceitaram a sugestão de Naruto para o lámen, concordando que era, realmente, um dos mais gostosos que já haviam comido.
Conversaram por mais algum tempo, aceitando também a ajuda do garoto para encontrarem o prédio que deveriam ficar até os exames começarem. Despediram-se no final da tarde, agradecendo pela ajuda do genin, enquanto o garoto corria para falar com seu sensei sobre o Exame Chunin e como ele ainda não tinha sido avisado sobre aquilo, afinal, se pretendia ser um Hokage, teria que fazer a prova o mais cedo possível.
— Ele é engraçado — comentou ao tirar os sapatos, deixando suas coisas no canto do quarto. Os amigos concordaram com um aceno.
— Achei bem parecido com você, Kashi — Ryo apontou, vendo-o negar com um aceno, um sorriso leve nos lábios;
— Só se for no tanto que come, nunca achei que encontraria alguém que comesse mais lamen do que eu! — Os outros gargalharam ao concordar, Takashi sempre comia muito quando saiam para almoçar ou jantar, quase todo o dinheiro que ganhava em missões era gasto com comida. — Eu gostei daqui — ele disse pouco depois, olhando pela janela as ruas calmas da cidade, o pessoal andando sem qualquer preocupação — As pessoas também parecem legais…
— Sim, parecem mesmo — concordou, aproximando-se da janela e olhando ao redor — e a cidade é bonita, deve ser legal morar aqui…
— Você diz isso porque até hoje não se acostumou com o calor em Suna — O moreno apontou, rindo da careta que ela fez.
— Não se apeguem muito — Ryo suspirou, retirando a jaqueta e deixando-a de lado, antes de pegar suas coisas para ir tomar um banho —, vocês sabem o que viemos fazer aqui.
— É, nós sabemos... — Takashi disse baixo, voltando a olhar pela janela.
— Mas isso não quer dizer que concordamos — completou no mesmo tom, mas Ryotaro já havia saído, não vendo o olhar apreensivo que os dois amigos trocaram.

Prova Chunin, Parte Dois, dia 1.

O trio encarou a torre mais a frente, olhando a movimentação ao redor, garantindo que não teriam nenhuma emboscada, antes de entrarem no prédio, encerrando a primeira parte da prova. passou a mão na testa, limpando o pouco de suor presente. Achou que se saíram muito melhor do que tinha imaginado num primeiro momento, afinal, passaram apenas oito horas na floresta, sendo que se não tivessem parado para comer, talvez tivessem terminado com pelo menos uma hora de antecedência.
A luta contra um grupo de genins da Chuva não foi difícil, precisaram apenas de alguns minutos para vencê-los, infelizmente, não era o pergaminho do Céu, e sim outro da Terra. Foi necessário um bom tempo para conseguirem rastrear um grupo com o pergaminho que precisavam, e a luta contra o trio da Folha foi mais demorada do que imaginaram, mas acabaram ganhando e, assim que descansaram, seguiram direto para a torre.
— Quais as chances de sermos os primeiros? — Perguntou um tempo depois, quando finalmente puderam olhar ao redor do prédio, esperando pelo restante das equipes. — Nenhuma — Takashi suspirou, após ouvir o miado ao seu lado —, Tora já farejou pelo menos mais dois times.
— Bom, pelo menos não vamos precisar esperar muito — a garota deu de ombros, seguindo os dois amigos pelos corredores.
— Eu não contaria com isso — Ryo comentou, ajeitando a bandagem em suas mãos —, se a prova tem três dias, não deve ser tão fácil para todos…
Ficaram em silêncio quando ouviram passos se aproximando, logo escutando uma voz conhecida;
— Ora, ora, vejam só quem finalmente resolveu aparecer — Temari comentou rindo, quando entrou na sala em que eles estavam, seguida por Gaara e Kankuro.
— É claro que vocês já estariam aqui — rolou os olhos, cruzando os braços ao encarar a colega —, já viram quem é o outro grupo?
— Pirralhos da Folha — respondeu, dando de ombros —, estou surpresa que eles ganharam de vocês.
— Tivemos mais de uma luta para conseguir o pergaminho — explicou, olhando de canto para Gaara, confirmando que o ruivo não tinha nenhum arranhão no corpo, mas continuava com a expressão fechada dos últimos meses.
— Alguém já falou com vocês? — Takashi perguntou segundos depois, voltando a olhar ao redor.
— Não, ainda não. Provavelmente vão esperar todos chegarem para falarem sobre algo — Temari tornou, parecendo entediada. chegou a abrir a boca para respondê-la, mas Gaara deu as costas ao grupo, voltando pelo mesmo caminho que havia entrado. Kankuro e Temari se entreolharam, antes dela acenar com a cabeça para o trio, afastando-se junto dos irmãos segundos depois.
— É melhor descansarmos, não sabemos o que esperar da próxima prova — Ryo comentou, sentando-se em um banco próximo, retirando parte de suas bandagens para tomar um pouco d’água.
— Não é como se tivéssemos muita escolha — Takashi respondeu, sentando-se ao lado, batendo em seu colo para que Tora fosse até ele —, a alternativa seria começar uma briga com aqueles três, mas não estou afim de morrer tão cedo.
— Você sentiu aquele cheiro? — Ryo questionou, olhando diretamente para o amigo, vendo-o concordar com um aceno.
— Sangue. Gaara fez mais do que ter uma pequena luta pelo pergaminho…
— Como se ele precisasse de motivos — Ryotaro negou com um aceno, tornando a arrumar suas bandagens.
— Ele parece cada dia mais instável, não é? — Cochichou de volta, negando em seguida — Isso tudo é uma loucura, não acredito no que querem fazer…
— Takashi — Ryo tornou a ralhar, negando com um aceno — já falamos sobre isso.
— Eu sei, eu sei… — Concordou, olhando para o teto — Só não consigo acreditar, eles são nossos aliados…
— Quem sabe ainda não mudam de ideia — comentou de repente, atraindo a atenção dos dois —, da mesma forma que o Kazekage resolver repentinamente se aliar ao Som, poderia mudar de ideia mais uma vez…
— Não contaria com isso — Ryotaro negou, embora não parecesse feliz com a situação —, meus pais falaram que ele mal aparece nas reuniões, está afastado de todos, por isso agora temos uma proteção e não podemos vê-lo como antes. Estão dizendo que ele teme uma traição, por isso a proteção extra. Mas, de qualquer forma, ele está empolgado demais com a ideia de tornar a Areia a mais forte das cinco nações, não acho que vá mudar de ideia.
— Só mudaria se o plano desse errado — Takashi concordou, acariciando sua gata —, se Gaara não pudesse fazer a parte dele, por exemplo. Ele é a carta na manga, não é? Se não pudéssemos contar com o Shukaku, metade da luta estaria acabada.
negou com um aceno, suspirando;
— Com ou sem o Shukaku, a Folha não é tão grande apenas por nome, vocês também viram os ninjas deles, não? Mesmo os genin daqui são bons…
— É por isso que não pensaram em atacar antes — Ryo acrescentou, passando a língua pelos lábios —, meu pai também acha que é um erro querer a Folha como inimiga — disse, olhando para os amigos — não tem nada que o Som possa oferecer que Konoha não faria melhor…
— Exatamente, mas…
— Shiu, tem gente vindo — Takashi interrompeu, ao ver Tora erguer as orelhas, olhando para a entrada da sala em que estavam. Ficaram momentaneamente quietos, logo ouvindo os passos e vozes no corredor.
— Caramba, Shino, você é muito chato — o garoto dizia, antes de parar e encarar o trio da Areia.
— Ah, então você é o Kiba — Takashi comentou rindo ao ver o moreno com um cachorro branco — e esse deve ser o Akamaru…
— Como é que você sabe quem somos? — Kiba perguntou desconfiado, ouvindo Akamaru rosnar ao ver a gata mais ao canto.
— Naruto mencionou há alguns dias...
— Tinha que ser — o rapaz resmungou, olhando de soslaio para os outros dois. Tora miou para o cachorro, que começou a latir.
— Não me diga que mesmo tão treinados esses dois vão sair correndo um atrás do outro? — perguntou aos risos, fazendo os outros darem risadinhas. — A propósito, sou , esses são Ryotaro, Takashi e Tora. — Apontou para cada um, vendo-os acenarem para os recém-chegados.
— Kiba, Shino e Hinata — o primeiro respondeu —, então vocês são da Areia também, é?
— Lá vem mais um achando que somos amigos do Kankuro e Gaara — Takashi resmungou, rolando os olhos. notou as expressões dos genin da Folha mudarem ao ouvirem aquilo, parecendo aliviados. — Não é porque somos da mesma aldeia e estudamos juntos que somos amigos, ok? Ou vocês se dão bem com todo mundo de Konoha?
— É claro que não — Kiba devolveu de imediato, negando com um aceno, antes de aproximar-se, seguido pelos outros. — Então, na Areia, ao invés de cachorros, vocês usam gatos como ninjas, é?
Após essa pergunta, Takashi e Kiba entraram em uma conversa interminável sobre qual dos dois animais era mais fiel ou melhor para se usar em batalha, enquanto os demais apenas os encaravam, não demorando a puxar outros assuntos.


Capítulo 6

Prova Chunin, Parte 2, dia 3 - Rodadas Preliminares.

Três lutas já haviam terminado, mas ainda tinham 19 concorrentes com quem poderia lutar. No geral, torcia não precisar enfrentar seus amigos, se pudesse evitar Temari e Gaara, tanto melhor. Olhou de canto Kankuro conversando com a irmã, assim que retornou de sua luta, antes de voltar sua atenção para o telão no canto, no qual os nomes dos genins para a quarta luta apareceram segundos depois: Ryotaro vs Mubi.
— Areia vs Chuva — Takashi sorriu, dando um soquinho no ombro do amigo — Acaba com ele, Ryo!
— Tenta não apanhar muito — brincou, vendo-o negar com um aceno, antes de seguir devagar até o andar debaixo.
pode ouvir Kankuro comentar algo quando Ryo passou por eles, mas não conseguiu escutar o que era. Mordeu o lábio inferior, apoiando-se na grade ao encarar ansiosa o início da luta do amigo com o genin de Amegakure.
Felizmente, a luta não demorou mais do que alguns, poucos, minutos:
Mubi tentou usar um genjutsu, mas Ryotaro logo entendeu o que acontecia e conseguiu revidar com um ataque certeiro. Usando seu jutsu e suas kunais, Ryo conseguiu acertar o moreno e, ao notar que a única saída seria ainda mais dolorida, Mubi desistiu da luta, assim, garantindo a segunda vitória de Suna.
— Poxa, nem deixou a gente apreciar — Takashi negou com um aceno, dando um tapinha nas costas do amigo quando ele se aproximou — seu exibido!
— Espero que vocês dois tenham visto como se faz para também não demorarem com as suas lutas. — Aikyo disse em voz baixa, fazendo os dois alunos concordarem com um aceno, embora não parecessem muito motivados.
A próxima luta foi mais demorada do que esperavam, terminando em um empate entre Sakura e a garota loira com quem ela lutou. percebeu que, mesmo sem querer, Naruto foi bastante decisivo para aquele resultado, pois se não tivesse gritado tanto tentando incentivar a amiga, ela provavelmente teria perdido.
Temari foi tão rápida quanto Ryo em sua luta, não precisando nem de cinco minutos para vencer Tenten.
— É você, — a garota virou-se ao ouvir a voz de Takashi, olhando para o telão e vendo seu nome em destaque: vs Oboro. — Mais um da Chuva…
— Pelo menos já sabemos qual o tipo de genjutsu ele usa — Ryo comentou. A loira concordou com a cabeça, sorrindo confiante para os dois antes de andar em direção a arena.
— Boa sorte — Temari disse assim que a garota passou por ela e seus irmão, sorriu de lado, meneando a cabeça antes de descer as escadas.
— Vai lá, !
Sam virou-se ao ouvir a voz animada de Naruto, o qual acenava em sua direção, parecendo empolgado com a luta. Sorriu para ele por um instante, voltando sua atenção para o rapaz com macacão amarelo e uma máscara de respiração. Pensou no motivo dele usá-la e se seria alguma vantagem arrancá-la dele no meio do embate, talvez dificultasse a respiração dele.
— Comecem! — Hayate acenou com a mão, dando um passo para trás ao dizer.
deu um pulo para trás ao notar a kunai voando em sua direção, não esperava um ataque tão rápido, imaginou que seu adversário talvez esperasse um pouco. Desviou com facilidade das outras quatro lâminas que vieram em sua direção.
Precisava aproximar-se o suficiente para usar seu kekkei genkai, não querendo machucá-lo mais do que o necessário. Aproveitou quando Oboro lançou mais um tanto de kunais e shurikens em sua direção, para desviar-se fazendo seu sinal de mãos;
— Estilo Vento: Lâmina de Vento Cortante — disse, aproveitando o segundo de distração do moreno, que tentava se defender do número de kunais e shurikens que estavam espalhadas pelo chão e voaram em sua direção, para correr até Oboro.
Conseguiu acertar-lhe um chute, mas antes de virar-se o suficiente para encostar suas mãos nele, o rapaz virou-se, desviando de seu ataque e a acertando com força nas costas.
Foi quando ele virou-se para a acertar mais uma vez, que sorriu de lado, aproveitando a proximidade para cortar-lhe com uma kunai, caída no chão próxima a ela e, assim que rasgou um pedaço de sua roupa amarela, usou a outra mão para tocar-lhe na pele exposta.
Oboro caiu no chão segundos depois, curvando-se em agonia enquanto gritava.
— O que aconteceu? Ela nem encostou nele direito — conseguiu ouvir a voz de Naruto ali perto, confuso com os gritos do outro.
aproximou-se, ajoelhando-se ao lado de Oboro e dizendo pouco mais alto que em um sussurro;
— Você tem um minuto para desistir, caso contrário viverá com isso para sempre.
Oboro tentou resistir, mas a dor em seu corpo parecia demasiada grande para suportar: seu corpo parecia estar em chamas. Imaginando que era um genjutsu, tentou liberar-se da sensação, mas nada aconteceu.
— Você tem dez segundos — avisou, ouvindo os gritos angustiados do genin.
— Já chega — Oboro berrou instantes depois —, eu desisto! Eu desisto! Faça isso parar!
A loira esticou a mão, encostando-a na cabeça dele, antes de levantar-se.
Oboro caiu no chão, a respiração descompassada, enquanto tentava entender o que tinha acontecido com ele.
— Com a desistência de Oboro, quem venceu essa rodada foi . — Hayate disse, entre tossidas. A garota acenou com a cabeça para ele, antes de voltar para seu lugar, podendo escutar os gritos surpresos e animados de Naruto:
— Caramba, eu nem sei o que aconteceu, mas foi tão legal! Você viu isso, Sakura, ela só encostou nele! Uau!
— Nada mal — Temari elogiou quando tornaram a se encontrar no segundo piso.
— É, você também não foi das piores — respondeu, sorrindo de canto para a mais alta.
Gaara se manteve de braços cruzados, parecendo entediado enquanto esperava por sua rodada, mas virou-se para olhá-la quando passou por ele, não demorando mais de dois segundos para observá-la, antes de voltar sua atenção para o painel.
— Muito bom, ! — Takashi elogiou, enquanto a gata miava para a loira, que acariciou-lhe a cabeça.
— Na próxima — Aikyo resmungou atrás do trio —, não o deixe se aproximar tanto.
Takashi e se entreolharam, sentindo a mesma vontade de rebater o comentário, mas optaram por seguir o exemplo de Ryo e apenas tornaram a olhar para frente, aguardando a próxima luta.

Era difícil saber qual dos ninjas de Suna estava mais surpreso com a luta entre Gaara e Rock Lee: alguém ter chego tão perto de derrotar o ruivo era algo que nenhum deles imaginava que pudesse acontecer, menos ainda alguém que nem mesmo poderia usar um jutsu, como Lee.
— O sensei dele parou a luta — comentou junto dos dois amigos —, mesmo ele perdendo pro Gaara.
— Eu sei — Takashi respondeu baixo, ao seu lado —, fizeram a mesma coisa com a luta dos Hyuga — acrescentou, olhando de canto para Neji, que olhava do outro lado do salão para Lee caído.
— Sabiam que eles morreriam se não parassem — Ryotaro falou, vendo o ruivo voltar para perto dos irmãos —, mas Gaara acabou com ele do mesmo jeito, duvido que consiga voltar a lutar.
— Era melhor que tivesse morrido — Aikyo disse, também olhando para o grupo da Folha — se um ninja não pode seguir sua missão, ele é só um desperdício de tempo.
olhou para o outro lado, vendo o grupo de Konoha, todos juntos, conversando como bons amigos, mesmo que fossem de equipes separadas ou mesmo tivessem lutado uns contra os outros.
Como podia a Areia e a Folha serem tão opostas no tratamento de seus ninjas? Como Sunagakure preferia a morte do que falhar, enquanto Konohagakure se importava tanto com a vida de seus ninjas, mesmo quando não conseguiam cumprir suas missões?

A luta seguinte, entre Chouji e Dosu, durou menos de dois minutos, no qual o ninja do Som venceu com facilidade. Assim, a última batalha das preliminares foi entre Takashi e Kagari, outro genin da Aldeia da Chuva.
— Olha só, tá dois a zero pra nós contra eles, tenta manter a contagem a nosso favor — Ryo pediu, vendo o moreno rir ao concordar com um aceno.
— Faremos nosso melhor — avisou, apontando dele para Tora, a qual miou alto, parecendo tão animada quanto o rapaz.
— Boa sorte pra vocês — sorriu, dando um tapinha nas costas de Takashi.
O garoto andou até a parte debaixo, com a gata seguindo-o, miando durante o curto percurso.
— Prontos? — Hayate perguntou, vendo os dois rapazes concordarem com um aceno — Comecem.
achou que Takashi estava indo muito bem no começo, aproveitando para usar Tora a seu favor, impulsionando ataques e conseguindo acertar Kagari sem muito esforço. Foi então que ela percebeu uma similaridade com sua própria luta: O ninja da Chuva esperava os ataques vindos de Takashi, era quase como se ele pedisse por um ataque direto, frontal.
— Ele não pode ter o mesmo kekkei genkai, pode? — Perguntou para Ryo, que também olhava ansioso para a luta.
— Talvez algum parecido, como o da garota da Folha, mas não o mesmo. — Negou com um aceno — Se ele encostar no Kashi, a luta termina.
Minutos depois, um dos ataques combinado entre Takashi e Tora pareceram surtir efeito, derrubando Kagari, mas, com um instante de atraso, o moreno percebeu que tinha acertado apenas um clone, e foi nesse instante que sentiu algo tocar-lhe na perna. Virou-se rapidamente, pulando a uma distância segura. Pensou ainda estar em vantagem, quando ouviu o miado alto de sua gata, virando-se assustado para o lado, encontrando-a caída, uma poça de sangue ao redor do felino.
Takashi parou por um momento, sem saber como prosseguir: Havia uma grande chance de aquilo ser um truque, um genjutsu, por isso tentou uma liberação, mas não teve resultado, Tora continuava miando desesperada. Talvez não fosse um genjutsu, mas ainda podia ser alguma forma de ilusão, como a que produzia ao encostar nas pessoas, contudo, se fosse real, sua gata estava em sério risco, com todo aquele sangue perdido, ela estaria morta em minutos.
Não podia desistir da luta, sabia o que aquilo significava, mas a que custo continuaria?
Quais eram suas opções? Morrer ou deixar Tora sangrar até a morte?
— À SUA ESQUERDA, KASHI — ouviu o grito de em tempo de virar-se para o lado, desviando de uma kunai enrolada em um papel bomba que ele nem mesmo havia notado.
Precisava acabar com a luta para ajudar Tora, aquela era sua prioridade no momento, por isso aproveitou o segundo que teve para voltar seu ataque na direção de Kagari, usando seu jutsu para atacá-lo, enquanto corria até ele.
— O que ele está fazendo? — questionou alarmada, olhando para o amigo acertando o nada. Tora estava mais ao canto, presa por um dos clones de Kagari, se Takashi usasse seu jutsu combinado, conseguiriam se juntar para derrotá-lo, porém não era o que acontecia. Kagari estava apenas parado do lado contrário, mantendo um sinal de mãos enquanto Takashi acertava o nada.
— Ele não pode evitar — Ryotaro comentou, parecendo tão nervoso quanto a loira — é alguma técnica de enganação mental, Kashi não consegue acertá-lo, porque não pode focar sua atenção naquele cara.
— Vamos, Takashi — a garota gritou mais uma vez, tentando atrair a atenção do amigo, mas o rapaz não parecia mais capaz de ouvi-la.
Takashi sentiu uma dor começar a atingi-lo com força, mas ao olhar para baixo, nada parecia errado, Kagari não estava nem perto dele. A dor, aos poucos, foi aumentando, ao ponto dele parar seu ataque e cair de joelho, colocando as mãos sobre os pontos de dor extrema, não conseguindo entender o que acontecia; não via nenhum machucado, nenhum sangue. Escutava ainda os miados agudos de Tora, vendo sua gata caída mais ao canto. Tentou levantar-se para ir até ela, mas não conseguiu, a dor era grande demais.
— Faz alguma coisa — pediu desesperada, virando-se para Aikyo-Sensei —, pare a luta! Ele não pode continuar!
— Se Takashi está sendo derrotado por um jutsu tão óbvio quanto esse, não merece minha solidariedade. — O homem respondeu, mantendo os braços cruzados, olhando com desprezo para o aluno caído a alguns metros, ignorando por completo a quantidade de sangue e as kunais que o acertavam.
— Você não pode estar falando sério — gritou com raiva, apontando para o amigo caído — pare a luta, a Folha parou quando foi necessário!
— Nós não somos à Folha — rebateu, irritado —, tome isso como uma lição, para jamais falhar em uma missão, ou o resultado será parecido!
— Se você não parar essa luta — Ryo disse em voz baixa, olhando sério para o sensei, as mãos nos bolsos da jaqueta, tentando transparecer uma calma que ele não tinha —, vamos contar sobre o plano de vocês. Vamos deixar Konoha saber que Suna está traindo o acordo, que está usando esse exame para atacá-los.
Aikyo sorriu para o moreno, dando um passo em sua direção, inclinando-se o suficiente para que apenas os dois pudessem escutá-lo;
— Se vocês pensarem em abrir a boca, não vai ser só Takashi quem vai morrer. — Ameaçou — E, podem ter certeza, antes de acabarmos com vocês, seus pais e amigos também vão morrer. Não precisamos de ninjas traidores como vocês, se não for para servirem o Kazekage, é melhor que estejam mortos, assim como seu amiguinho.
— Você não pode — arfou, os olhos cheios de lágrimas. Ergueu a mão na direção do sensei, pronta para usar seu kekkei genkai, quando alguém a puxou para trás. Virou-se assustada, dando de cara com Baki.
— Se você não quiser ser morta por traição, é melhor se conter — disse no mesmo tom de Aikyo, encarando-a com seriedade —, vocês dois sabem a missão que têm, Takashi também sabia, não tem nada que possamos fazer neste momento.
— Takashi não precisa morrer por causa disso — Ryotaro rosnou, a raiva presente em seu olhar.
— Infelizmente não tem nada que possamos fazer a respeito.
— Nada? — tornou revoltada, apontando para o amigo e gritando a plenos pulmões, atraindo a atenção de boa parte dos ninjas — PARE A LUTA! PARE A LUTA AGORA!
— Já é tarde demais — Baki respondeu, apontando com a cabeça.
Ryotaro e olharam assustados para o amigo, caído no meio de seu próprio sangue. Tora, solta pelo clone de Kagari, miava ao seu lado, tentando acordá-lo.
Os dois pularam no mesmo instante para perto do amigo, ao tempo em que a equipe médica se aproximava, tentando ajudá-lo.
— Takashi — chamou baixo, ajoelhando-se ao lado do amigo, tocando-lhe o ombro —, acorde, vamos… Kashi…
Ryo olhou ansioso na direção da equipe médica, esperando um retorno sobre o estado do moreno, mas quando um dos homens suspirou, negando com um aceno, soube que não tinha mais nada que pudessem fazer para ajudá-lo.



Ryotaro e estavam sentados, lado a lado, no canto da escada, ao fim das preliminares da prova. Tora estava encolhida no colo da garota, miando baixinho, o pequeno corpo trêmulo, lamentando a morte de seu treinador. Os dois amigos choravam em silêncio, mãos e parte das roupas sujas com o sangue seco do amigo.
não sabia dizer qual o sentimento era maior naquele momento: a dor da perda de um de seus melhores amigos ou a raiva crescente em seu peito, a vontade enorme de vingar a morte de Takashi, a qual poderia ter sido evitada, assim como outras haviam sido.
Por que deveria ser fiel a um país que não se importava com seus ninjas? Por que defender um Kazekage que preferia a morte de Takashi do que a vergonha de uma derrota?
Ouviram alguns passos e, ao olhar para frente, viram Naruto, Sakura e mais um Jounin que sabiam ser o sensei dos dois, aproximando-se deles, parando a poucos centímetros de distância;
— Só queríamos dizer que sentimos muito pelo o que aconteceu — Sakura começou, as mãos atrás do corpo, parecendo sem jeito por puxar o assunto.
— Takashi parecia ser muito legal — Naruto concordou, negando com a cabeça — cara, não acredito que não interromperam a luta… Por que?
— Naruto… — o homem disse baixo, antes de suspirar virando-se, para os dois e agachando-se na frente deles — Eu sei como é perder um amigo em uma luta, — disse baixo, encarando-os nos olhos — mesmo quando é algo que achamos que poderia ser evitado. Sinto muito pela perda de vocês, tenho certeza que Takashi era um ótimo ninja. Se precisarem de alguma ajuda, bem… Vocês podem falar conosco. — Disse amigável, fazendo um carinho na cabeça de Tora, antes de voltar a se levantar.
— Eu ainda não entendi como o sensei de vocês não parou a luta — Naruto reclamou mais uma vez, colocando as mãos nos bolsos —, não precisava chegar a esse ponto. Por que ele não parou? Eu vi vocês pedindo para interromper…
— Naruto — Sakura apertou-lhe o braço —, não é da sua conta.
— Ah, qual é, Sakura? Você disse a mesma coisa fazem cinco minutos! — O loiro apontou, massageando o local que ela beliscou.
— Você está certo — disse baixo, encarando Kakashi —, Takashi era um ótimo ninja e não merecia ter terminado assim. Não aqui, não agora.
— Isso não vai ficar assim — Ryotaro concordou, embora olhasse para as próprias mãos, sujas com o sangue de seu amigo.
— Não, não vai — a garota concordou, voltando o olhar para o moreno — vamos seguir o que ele queria. Tudo o que Kashi queria e não queria fazer.
Ryo entendeu segundos depois o que a garota dizia, concordando com um aceno.
— Eu não entendi, o que isso quer dizer, Sakura? — Naruto perguntou para a outra garota, embora não tivesse sido tão baixo quanto havia sido sua intenção inicial.
— Quer dizer que temos alguns assuntos para resolver — respondeu para o loiro.
— Ah, bem — o garoto coçou a nuca, um tanto confuso — eu não sei o que é, mas posso ajudar se quiserem!
— Obrigado, Naruto, mas isso é algo que nós precisamos resolver sozinhos — Ryo falou, acenando para os três em agradecimento.
— Vamos indo, ainda precisamos ver o Sasuke, mas se precisarem de algo, podem contar conosco! — Kakashi avisou, antes de retirar-se junto dos outros dois.
Esperaram até eles se afastarem o suficiente, antes de Ryo sussurrar em sua direção;
— Tem certeza? Sabe o que vai acontecer se fizermos isso, não é?
— Tudo bem, eu tenho um plano. Isso se você quiser — virou-se para olhá-lo, o garoto riu fraco;
— Como se eu fosse confiar em deixar você resolver tudo sozinha…
— Eu só… — Interrompeu-se ao ouvir a voz de Temari, virando-se ao ver a loira junto dos dois irmãos, aproximando-se.
— Sentimos muito pelo Takashi — Temari começou, parecendo sincera nas palavras. — Não éramos muito próximos, mas sentimos muito, ele era legal…
— Legal é uma palavra forte — Kankuro resmungou, os braços cruzados, antes de olhar de canto para eles —, mas não precisava ser assim.
— Obrigado — Ryo acenou para os dois.
— Se precisarem de algo… — Temari deixou a frase no ar, antes de apontar com a cabeça para a saída da torre — Vocês não vem?
— Não, estamos esperando para vê-lo mais uma vez — disse baixinho, sentindo o aperto em seu peito ao pensar no amigo.
— Entendo… Vamos deixar vocês sozinhos, nos vemos depois — disse, sorrindo pequeno para eles, antes de virar-se junto a Kankuro. Gaara permaneceu parado, e só após alguns instantes que Ryo e perceberam ele ali, os encarando em silêncio.
— Precisa de alguma coisa, Gaara? — Ryotaro perguntou com a sobrancelha arqueada, curioso.
O ruivo deu dois passos na direção deles, virando-se diretamente para ao falar;
— Eu sei o que você vai fazer.
A loira o olhou surpresa, as sobrancelhas levantadas;
— Como é?
— Você quer vingança — tornou a dizer, a voz baixa. Ryo travou a mandíbula, enquanto respirou fundo — eu posso sentir.
— Eu estou com raiva — respondeu, encarando-o com a mesma intensidade — mas o que eu vou fazer ou não, não é problema seu, Gaara. — Levantou-se com Tora em seu colo, Ryo fez o mesmo movimento segundos depois. — Agora se você puder sair da frente, quero ver meu amigo.
Sabaku a encarou por mais um instante;
— Você não consegue, por mais que esteja com raiva — disse devagar, mantendo a expressão indiferente — sabe disso melhor do que eu. Você não tem força para isso.
fechou as mãos em punho, a raiva mais uma vez tomando o lugar da tristeza;
— Que diferença isso faz para você? — Tornou com a voz mais alta, dando um passo em sua direção — Por que não volta a me ignorar como têm feito? Vai cuidar da sua própria vida, afinal, você não precisa de ninguém, não é? Sabe se cuidar muito bem sozinho. — Finalizou, empurrando-o com força pelo ombro ao passar por ele.
Ryotaro andou atrás pouco depois, olhando por sobre o ombro para Gaara, vendo-o parado no mesmo lugar.
— Você só pode estar brincando comigo — disse assim que viraram o corredor — quer que ele nos mate também?
— Não se preocupe, com ele eu me entendo depois.
— Ah, claro que sim — Ryo ironizou — se até quando vocês eram amigos você acabou no hospital, imagine agora.
rolou os olhos, negando com um aceno antes de puxá-lo para o canto, falando apressada;
— Quer ouvir meu plano ou não?


Aikyo estava saindo da torre após ter recebido novas ordens de Baki para retornar a Suna e deixar alguns ninjas avisados sobre o ataque que aconteceria em um mês, quando a terceira fase do exame começaria.
Encontrou Ryotaro e sentados em um canto, conversando em voz baixa, rolou os olhos antes de andar até eles, a expressão fechada; não tinha paciência para todo aquele drama. Se Takashi estava morto era culpa dele mesmo por não ter sido forte o suficiente para ganhar a luta.
— Vocês dois — chamou grosseiro, cruzando os braços ao encará-los, vendo a gata de Takashi próxima a eles — está na hora de seguirmos em frente. Vocês ficarão em Konohagakure durante essas quatro semanas; treinem ou não treinem, é indiferente para nós. Apenas fiquem a postos, vocês receberão mais informações sobre a missão dias antes da próxima rodada começar. Estou retornando à Suna e volto em duas semanas com novas informações.
Aguardou que eles confirmassem, mas os dois adolescentes continuaram o encarando, não parecendo prestar atenção no que Aikyo havia dito.
— Qual o problema? Não entenderam o que devem fazer? — Perguntou irritado.
— Entendemos, sim — Ryo respondeu calmo, levantando-se e ficando de frente com o sensei —, mas ficamos com uma dúvida.
— Qual dúvida? Vamos logo, estamos com pressa.
levantou-se, ficando ao lado do sensei, o cenho franzido, mostrando sua confusão;
— O que vai acontecer agora que você falhou com sua missão, sensei?
— Do que está falando? — Tornou levemente confuso, negando com um aceno — Minha missão não era fazer vocês três passarem, se é isso que estão pensando. O péssimo desempenho de Takashi não tem nada a ver comigo.
— Claro, claro, mas não é essa a missão que estamos falando, sensei — Ryo continuou, baixando o tom de voz. — Sua missão inicial era nos treinar para sermos ninjas de Sunagakure. Darmos nossas vidas pela nossa aldeia e por nosso Kazekage, estou certo?
— O que…?
— O que acha que vai acontecer com você, agora que nós não nos importamos mais nem com Suna, nem com o senhor Rasa? — continuou, dando um passo para o lado do homem, o qual os olhos surpreso, negando com a cabeça;
— O que vocês estão dizendo? Não podem trair sua aldeia! Seu Kazekage!
— Nossa traição seria continuar seguindo vocês sem questionar, como fizemos em todas essas missões, por mais estranhas que fossem. — Ryo disse, sorrindo tristemente — Estaríamos traindo Kashi se fizéssemos isso.
aproximou-se sem que Aikyo notasse, segurando em seu pulso enquanto dizia baixo;
— Se vocês tivessem parado aquela luta, não teria nada que não fizéssemos por Suna, mesmo não concordando com as ordens do Kazekage. Mas o seu erro, sensei, o erro de Suna, foi preferir deixar Takashi morrer, por vergonha da derrota dele.
— Agora Sunagakure pode arder em chamas, não vamos levantar um dedo para ajudar. — Ryo adicionou, vendo o olhar assustado do mais velho, o qual não conseguia se mexer — Como se sente tendo falhado com a missão mais simples que tinha, sensei? A missão de manter a lealdade de seus ninjas com o Kazekage, com Suna.
— Não, vocês não podem… Não deixarei…
— E o que vai fazer, sensei? — recomeçou, sorrindo de canto, antes de aproximar-se mais uma vez, sussurrando em seu ouvido — Você vai entrar na Floresta da Morte, sem dizer nada a ninguém, sem deixar ninguém te ver. Vai andar até a metade dela e então vai ficar lá, parado, sangrando, esperando que algum animal apareça para te caçar.
— Se demorar mais de um dia para ser comido — Ryo continuou em voz baixa — você mesmo vai terminar sua missão, sensei. Vai usar sua kunai para cortar seu pescoço, entendeu?
Aikyo tremia, o olhar arregalado na direção dos dois, assustado. Tentando retomar o controle de seu próprio corpo, de suas vontades.
— Você vai cumprir sua missão, Aikyo-sensei? — perguntou mais uma vez, vendo-o concordar com um aceno.
— Ótimo, sabíamos que você não nos desapontaria — Ryo disse, retirando uma kunai de sua bolsa, acertando-o na cintura duas vezes, rápido — Quem sabe você não sangre até a morte, como Takashi? Assim nem precisará se preocupar com animais ou kunais.
soltou-se do homem, apontando para a saída;
— Já pode ir andando, você tem uma missão para cumprir.
Aikyo sentiu a dor o atingir, espalhando-se pelo corpo, queria retomar o controle, mas apenas concordou com um aceno antes de virar-se para a saída da torre, correndo em direção a Floresta da Morte.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.




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