Última atualização: 20/06/2019

Prólogo

Uma vida completa nem sempre é aquela que almejamos aos quinze, quando a meta era terminar o ensino médio, se formar na faculdade dos sonhos, conhecer alguém e se apaixonar, casar, ter a casa própria e o carro, planejar os filhos, envelhecer ao lado da pessoa amada.
Tudo isso estava na minha lista de objetivos e eu tentei cumpri-los na ordem, mas mesmo que você planeje, a vida já tem seus próprios planos.
Ainda no ensino médio, eu conheci o Ralph. Ele era o capitão do time de futebol da escola - aquele clichê de toda história -, mas eu era uma garota comum. Não posso me considerar uma nerd, mas eu mantinha as minhas notas altas o suficiente para passar de série sem recuperações.
Nos demos bem logo de cara e não foi preciso mais do que alguns dias para ele me chamar para sair. Quatro encontros depois, éramos o casal 20 da escola.
Ainda mais clichê que isso, foi ele ter sido o primeiro da minha vida. Ficamos juntos até a faculdade, ele em Contabilidade, eu em Publicidade.
Quer mais?
No quarto período da faculdade, eu fiquei grávida.

Não posso dizer que Ralph foi um cretino porque, mesmo aos vinte anos, ele assumiu a paternidade do nosso filho e me ajudou com tudo o que pôde, mas a nossa relação tinha mudado com o fim do colegial e mesmo nos gostando e nos respeitando, aquilo precisava de um fim. Além de pais, nos tornamos amigos e a relação dele com nosso menino era a melhor das melhores e a vida era boa. Até ele receber uma proposta de emprego no exterior que cobria quatro vezes seu salário atual e ainda cobria o plano de saúde para ele e nosso menino.
E lá se foi Ralph para outro país. As ligações aconteciam duas vezes na semana, sempre para saber como Ryan estava e se precisava de mais dinheiro e, quando ele completou cinco anos, paramos de receber notícias dele.
Nas duas primeiras semanas achamos que o trabalho tinha ado seu tempo, na terceira seus pais iniciaram uma busca por ele. Na quarta, a notícia de que ele havia sido confundido com um policial e assassinado no meio da rua em plena luz do dia.
Desde aquele dia tem sido apenas Ryan e eu. A rotina cansativa do meu dia era derrubada toda vez que eu via meu menino sorrir. Hoje, três anos depois da morte de Ralph, nós dois vivíamos muito bem sozinhos.

...


O dia da faxina em casa era sempre o melhor. Eu levava Ryan para casa da minha mãe ou da mãe de Ralph e usava as vinte e quatro horas livres para tirar tudo do lugar e colocar de novo, com a música no último volume, os cabelos bagunçados e a roupa mais velha que eu tinha no guarda roupa.
Geralmente, eu a fazia sozinha ou com minha irmã Amber, mas desde o anúncio do noivado, ela mal tinha tempo de respirar, por isso precisei recrutar novas pessoas. A cada semana, um dos meus amigos da faculdade acabava vindo me ajudar depois de horas fazendo drama pelo telefone. Hoje era o dia de .
- , você tem certeza que vai tirar a TV do painel? - Resmungou.
- É claro, né. Tá cheio de poeira ai atrás. - Eu disse pegando a chave de fenda para ajudá-lo a soltar os parafusos. - É só segurar a TV bem firme que eu solto.
- Ah, você ficou com a parte fácil. Essa tv monstruosa é pesada, sabia? - Ele disse fazendo careta. Minha tv de oitenta e seis polegadas realmente era enorme e pesada. Gastei grande parte do meu aumento para comprá-la e foi um dos meus melhores investimentos.
- Pára de reclamar, até a Sylvie consegue segurar. - joguei o pano nele rindo e seu rosto mudou de impaciente para incrédulo.
- Não acredito nisso. Chama a Syl na próxima, então. - Emburrou a cara de novo me fazendo rir mais.
- Não fica assim, você me ajuda mais do que ela. - Disse de braços cruzados. - Mas se ela consegue segurar a tv, você também consegue.
me olhou e disse um tanto faz enquanto eu ria dele. Larguei um beijo em sua bochecha e avisei que ia começar a soltar os parafusos.
- Se essa tv cair, eu não me responsabilizo. - Disse rindo e segurou firme a parte debaixo do aparelho. - Sua maníaca por limpeza.
Gargalhei das reclamações do meu amigo. - Se você se comportar, eu vou esquentar aquela lasanha que você está há semanas dizendo que quer comer.
Ouvi um suspiro de e soube que ele tinha se convencido. Meu amigo era louco por lasanha e, quem fizesse uma travessa enorme conquistava seu coração e seu estômago.
- Você dá sorte que eu te adoro. - reclamou segurando firme o lado solto da tv.
- Pára de ser falso, você adora é a lasanha que eu faço. - Ri, batendo na barriga dele.
- Eu nunca mais venho te ajudar, sério. - Resmungou finalmente pegando a tv para colocar em cima da mesa. - Eu mais apanho do que recebo carinho e você ainda se diz minha amiga.
caminhou para perto do sofá e pegou o espanador.
- Tira logo o pó dessa droga pra gente colocar a tv no lugar.
Limpei o painel e a tv voltou para o suporte.
- Viu, nem demorou. - Sorri apertando as bochechas de e segui para a cozinha. - Vou esquentar a lasanha e enquanto isso, você podia arrumar aquelas coisas de jardinagem lá fora, né? - Fiz a melhor cara de cachorro pidão e ele riu.
- Como eu disse, tua sorte é eu gostar de tu. - passou por mim com um sorriso no rosto. - Tudo isso ai é meu. - apontou para a travessa e saiu da cozinha.
é, de todos, o meu amigo mais próximo e desde a morte do Ralph, a presença dele em minha casa tem sido cada vez mais frequente. Ele foi o último a entrar no nosso grupo na faculdade, mas foi a cola que faltava para nos manter unidos até hoje.
Coloquei a travessa no forno e abri a geladeira pegando a sacola com o alface e os complementos da salada. Lavei algumas folhas, separando as mais bonitas e cortei, fazendo o mesmo com os ates e a cebola. Arrumei tudo na mesa e apenas esperei que o timer do forno apitasse.
já estava terminando de organizar algumas pás de jardinagem no armário quando eu o chamei.
- Tem salada, arroz, batata-palha e farofa. - apontei os itens dispostos à mesa. - Se quiser, também tem feijão e queijo ralado. - Peguei o prato e comecei a me servir. continuou parado apenas me olhando.
- Quem em sã consciência coloca batata-palha, farofa e feijão junto com a lasanha? - Perguntou indignado.
- O Ralph colocava. - Dei de ombros. Ele comia de tudo e dizia que tudo combinava bem. - Acho que depois de cinco anos acabou se tornando normal pra mim. - Me sentei com a comida já no prato.
- Você herdou muitas manias dele, né? - Ele disse cortando um pedaço enorme de lasanha. - E antes que você reclame, esse é o tamanho de lasanha que vale aquela sua tv ridiculamente enorme.
- Eu nem ia falar nada. - Menti porque eu ia sim implicar com o tamanho de lasanha que ele pegou. - E sim, tenho muitas manias dele, Ryan também. Acredita que ele dobra os lençóis do mesmo jeito que o pai? - Ri lembrando do dia em que o peguei arrumando a cama pela primeira vez. - Parecia o Ralph mirim. - Suspirei dando a primeira garfada na comida.
sentou ao meu lado e então comemos em silêncio. Sempre falávamos do Ralph como se ele ainda estivesse entre nós, mas as vezes o clima ficava estranho. Ainda era difícil para todos nós acreditar que ele tinha morrido e ainda daquela forma tão cruel.
- , por que você não ficou com mais ninguém? - disparou me fazendo engasgar com o arroz. - Calma, foi só uma pergunta. - Riu constrangido.
- Bem... É que eu... - Tentei responder, mas a verdade é que eu não sabia o por quê. - Sei lá, . Acho que me acostumei a ter apenas Ryan e ele à mim. - Dei de ombros por que a resposta me parecia boa e, em parte era verdade.
- Tudo bem mas, você não acha justo dar um pai ao seu filho? - Ele disse e eu o olhei incrédula.
Larguei o garfo e o barulho que ele fez ao encontrar o prato ecoou por toda a cozinha.
- Como é que é? - Perguntei ainda sem acreditar naquilo.
- Não me leve à mal...
- Mas já levando. - Eu o cortei e suas bochechas assumiram um rosado.
- Mas eu não tive pai, , você sabe disso. E acredite em mim quando eu digo que ele vai sentir falta.
- Você acha que eu não dou conta? - Entrelacei meus dedos e apoiei meu queixo nelas esperando sua resposta. - Por que eu posso ser tão pai quanto eu sou mãe.
- Sei que pode, . - Virou-se para olhar em meus olhos. - Mas não é justo que você prive Ryan de uma presença paterna, que por sinal vai ser ótimo para ele, só porque você tem medo de se envolver com alguém de novo.
Olhei para indignada. Eu não tinha medo de me envolver com ninguém, só não queria.
- Privar Ryan? Ele tem à mim e meus pais, os pais de Ralph. Ele não está abandonado. - Disse exasperada. Qual era o problema dele?
- Não foi o que eu disse, . - Bufou, largando minhas mãos. - Ele tem avós incríveis e uma mãe espetacular. Ninguém pode dizer o contrário. Mas ele vai sentir falta, .
- Se ele tem tanta gente incrível, por que eu deveria colocar mais gente na vida dele? - Cruzei os braços e me senti com a idade de Ryan.
- , você já parou para pensar, por um segundo que seja, que nenhuma dessas pessoas pode verdadeiramente representar a figura paterna que ele pode precisar no futuro? - disse e eu permaneci em silêncio.
Por alguma razão, eu quase queria dizer que estava certo, mas meu feminismo enraizado gritava que não precisávamos de nenhum homem entre nós.
Olhei para que me observava pensar no assunto.
- Se você não quer deixar alguém entrar na sua vida e na de Ryan por medo de se apaixonar e perdê-lo, como aconteceu com Ralph... - Ele disse quando percebeu que eu não queria mais falar. - Preciso te dizer que está sendo egoísta. E não é só com seu filho.
- Eu não tenho medo de me apaixonar, .
- Uh, sei. - Ele disse rindo e me deixando furiosa.
- É verdade, , eu não tenho medo mesmo. - Bati a mão na mesa e ele riu ainda mais. - Quer saber? Eu te desafio.
- Me desafia? - Olhou-me prendendo o riso.
- Faça eu me apaixonar por você. - Disse simplesmente e vi o sorriso de morrer.
- É o quê?
- Foi o que você ouviu. - Levantei-me recolhendo nossos pratos vazios. - Vou te provar que não tenho medo de me apaixonar e Ryan finalmente vai ter um pai.
- ... Você endoidou? - levantou vindo até a pia. - Isso é uma péssima ideia.
- Não. - Comecei a lavar os pratos e sorri para ele. - Que foi? Está com medo?
Era o que eu precisava. dificilmente fugia de desafios e quando tentava fazê-lo, era só alguém insinuar que ele não tinha coragem ou era medroso e pronto, topava qualquer coisa.
- Tudo bem, senhorita não tenho medo de me apaixonar. Eu topo.
Empurrou-me com o ombro e sorriu. Ele realmente levaria aquilo à sério e eu provaria que não tinha medo de nada.

Primeira semana

Dia 1


A faxina terminou com correndo atrás de mim pelo jardim com a mangueira e molhando tudo por onde passava. Limpamos toda a casa e logo ele estava se despedindo de mim.
- Mal posso esperar para te ver apaixonada por mim. - Piscou para mim e eu ri.
- Veremos quem vai vencer esse desafio. - Cruzei os braços.
- Querida... - Ele se aproximou e abraçou-me pela cintura. - Mesmo que você perca, ainda vai ganhar.
Gargalhei nos braços de e ele sorriu para mim.
- O que aconteceu com o acanhado? - Belisquei sua cintura e ele se afastou.
- Ele foi desafiado por você, mocinha. - Tocou a ponta do meu nariz com o indicador. - E ele não está nem um pouco a fim de perder, espero que esteja preparada.
Sorriu e virou-se, indo para seu carro. Observei-o destravar o veículo, entrar e dar a partida pensando no que tinha acontecido hoje. Eu sabia que, mesmo sendo um cara extremamente apaixonante, eu não perderia esse desafio e por isso, o tinha feito. Entretanto, eu também sabia que não desistia de nada e tenho certeza que ele não descansaria enquanto não conseguisse aquilo e isso me fazia sorrir. E mesmo se eu perdesse, era um cara maravilhoso, atencioso com todas as pessoas ao qual se importa, gentil, engraçado. Seria quase um presente me apaixonar por ele.
Voltei para dentro ainda pensando na loucura que seria me apaixonar pelo meu amigo e dei de ombros. O que for para ser, será.

...
O dia seguinte à faxina passou voando. me mandou uma mensagem pela manhã quando eu me arrumava para almoçar com meus pais e Ryan.


Bom dia, flor do dia.
9:27am

Ainda posso tentar te conquistar ou você já desistiu da ideia?
9:27 am


Ri com as mensagens de e fui até a cozinha verificar se o pino do gás estava travado. Voltei para meu quarto, tirando o ar condicionado da tomada e parei ao pé da escada para respondé-lo.

É claro que ainda está de pé.
9:31am

A menos que
você desista.
9:32am



Busquei minha bolsa pendurada do cabideiro da porta, o carregador do meu celular em cima da cômoda e desci procurando a chave do carro, encontrando-a dentro do vaso no aparador. Tranquei a porta duas vezes e corri para o carro, o celular vibrou três vezes no meu bolso.


Sabe que eu não vou desistir.
9:34am

E já que você realmente falou sério, vou começar de novo.
9:34am

Bom dia, querida Bae. Espero que seu domingo seja tão bom quanto o meu vai ser, planejando todos os nossos encontros românticos do mês. 😘❤️
9:37am


Sorri ao ler a última mensagem imaginando para onde ele poderia me levar. Dei partida no carro ainda rindo das mensagens de e passei o dia pensando nele. Quando chegamos em casa, Ryan foi arrumar a mochila para o dia seguinte e eu corri para a cozinha, esquentando o que sobrou da lasanha de ontem.
A campainha tocou assim que fechei o forno e Ryan desceu correndo, gritando eu atendo. A porta fora aberta segundos depois e eu ouvi a voz de fazendo alguma brincadeira com Ryan. Larguei o pano de prato em cima da mesa e fui para a sala.
- Já sentiu minha falta? - Brinquei abraçando-o.
- É uma das minhas muitas maneiras de te vencer. - Beijou minha bochecha e sorriu. - Como foi o domingo? - Perguntou e se abaixou para pegar Ryan no colo. - E aí, campeão.
- Oi, tio . - Abraçou-o pelo pescoço, encolhendo-se com as cócegas de . - Pára. Mãe, me ajuda. - Pediu e eu ri.
e Ryan eram muito próximos e eu sabia que ele, verdadeiramente adorava meu filho.
- , por favor. - Toquei-lhe as mãos e ele sorriu para mim. - Ele vai fazer xixi. - Sussurrei para ela e Ryan resmungou. - Estou tentando te ajudar, filhote.
e eu rimos quando ele colocou Ryan no chão e o mesmo correu para o Xbox, iniciando um jogo de tiro. me abraçou longamente e deixou um beijo em minha testa.
- Você está linda, Bae. - Inspirou profundamente e sorriu. - E cheirosa também.
Sorri envergonhada. Eu estava acostumada a receber elogios e adorava, mas nunca havia sido tão explícito como hoje. Ele também pareceu tímido quando reparou a naturalidade dos seus elogios.
- Pensei em pedir pizza. O que acha?
- Estou esquentando a lasanha, mas acho que não vai dar para nós três. - Soltei-me de se abraço e caminhei para a cozinha percebendo em meu encalço. - Alguém comeu a metade da travessa sozinho ontem.
Arqueei a sobrancelha e ele gargalhou.
- Pensei que a lasanha tivesse sido feita especialmente para esse alguém. - Imitou meu gesto e sorrimos juntos.
Pegou um panfleto preso na porta da geladeira e discou. Alguns minutos no telefone e logo a chamada fora encerrada.
Desliguei o forno no mesmo instante que se aproximou.
- Sabe, eu fiquei com uma dúvida.
- Sobre?
- Eu vou poder te beijar? Ou a minha conquista não envolve toques? - Segurou o queixo de forma pensativa e eu ri.
- Você já saiu com alguma mulher e não a beijou?
parou um pouco, puxando na memória uma resposta que eu já sabia.
- Não. Mas você não é qualquer mulher. - Deu de ombros simplesmente. - Por que desligou o forno? Eu vou querer a lasanha também. - Empurrou-me com os ombros.
- Você é abusado.
- Não vou me desculpar por amar sua comida. - Deu de ombros. - Pode, por favorzinho, esquentar lasanha para mim? - Fez as mãos de criança pidona que ele ensinou para Ryan.
- Ta. Vai lá ficar com o Ryan enquanto a pizza não chega - Bati em seu braço com o pano de prato, empurrando-o para fora da cozinha. - Ele está viciado demais nesse jogo, graças a nós.
levantou as mãos e jogou um beijo no ar antes de ir jogar com Ryan.
Enquanto eu esquentava a lasanha, as palavras dele não saiam da minha cabeça. Ele queria me beijar.
Eu sempre me senti uma mulher sexy. Meu corpo nunca foi igual ao de uma modelo, minhas gordurinhas localizadas ficavam cada dia mais teimosas, mesmo quando eu decidia levantar mais cedo e correr um pouco, mas como eu nunca tive problemas por causa do meu corpo, não me preocupava em estar sarada ou magra. Gosto do meu corpo do jeitinho que ele é e que se dane os homens que não gostam.
Escorei-me na porta da cozinha observando Ryan e jogando. Os dois riam e se empurravam quando um atrapalhava o outro durante fugas da polícia ou tiroteios de outras gangues. Eu adorava jogar GTA e, graças à , Ryan também e quando ele vinha para cá, era uma disputa de quem era um Franklin melhor. É claro que eu sempre vencia, mas deixava se vangloriar disso.
Sorri quando abraçou Ryan de lado e estalou um beijo em sua cabeça. Eles tinham um ótimo relacionamento e fazia bem ter meu amigo na vida do meu filho.
Talvez o plano dele desse certo, afinal. Por que, para conquistar uma mãe, basta amar seu filho.
A pizza chegou alguns minutos depois e nos sentamos na sala para comer. Ryan e eu devoramos quase toda a pizza enquanto comia toda a sobra da lasanha. Joguei o guardanapo nele quando o mesmo arrotou alto depois de virar todo o copo de coca-cola.
- Seu porco. Olha o que você está ensinando ao meu filho. - Bati em seu braço e ele deu de ombros.
- Melhor para fora do que para dentro. - Piscou para mim e Ryan gritou.
- É o lema do Shrek. - Sorriu orgulhoso de ter se lembrado. - Eu nunca esqueço dele.
- Isso aí, garoto. - Levantou as mãos e fizeram um Hi-five.
- Se você repetir isso, eu te coloco de castigo. - Ameacei Ryan e ele gargalhou, arrotando alto logo em seguida. - Eu não sou mesmo respeitada neste lugar. - Balancei a cabeça e eles riram.
Ficamos mais um tempo rindo e conversando e logo Ryan dormiu, a cabeça apoiada no colo de e os pés jogados no meu. Levantei-me devagar para pegá-lo, mas foi mais rápido e já estava quase no quarto dele.
- Não precisava fazer isso, mas obrigada. - Recostei-me na porta do quarto observando-o ajeitar Ryan na cama.
- De nada, ele estava bem cansado. - Deu uma rápida olhada para ele e logo estava ao meu lado, puxando a porta e deixando-a encostada. - E, pela sua carinha, você também.
Sorri com sua observação, eu estava mesmo cansada. Depois da faxina de ontem, eu dormi pouquíssimas horas e de manhã já estava de pé para o compromisso com minha família. Caminhamos lado a lado e em silêncio até a porta da sala e recostei-me nela para me despedir de .
- Obrigada pela noite, foi bem divertido. - Sorri e ele retribuiu.
- Eu que agradeço a companhia de vocês dois. - Olhou-me por alguns segundos, decidindo se falaria o que queria ou não. - Bem, até mais. - Aproximou os lábios da minha bochecha e deixou ali um beijo casto.
- Pensei tê-lo ouvido dizer que ia me beijar. - Provoquei-o com um sorriso quando ele já se encaminhava para o carro.
- Mas eu não disse. - Virou-se para mim sorrindo também. - Apenas perguntei se poderia.
- E eu não neguei, não é? - Cruzei os braços esperando sua resposta.
- Não. - Coçou o queixo e sorriu de novo. - Mas não vai ser hoje que eu vou te beijar. - Piscou para mim e destravou o carro.
- Pode ser que eu não o deixe me beijar quando você quiser. - Apoiei as mãos na minha cintura e pisquei de volta. Ele riu.
- Vou ter que arriscar. - Entrou no carro e deu partida, me deixando com um sorriso bobo no rosto e um enorme frio na barriga. Expectativa no coração.








Continua...



Nota da autora: Hey, vim com essa att curtinha porque esse mês de Junho me trouxe muitos casamentos para trabalhar e eu quase não tive tempo para escrever. Porém, eu sabia que não podia deixar vocês sem o nosso quase novo casal. Prometo caprichar na próxima att e encher vocês de amor. Comentem o que estão achando do nosso casal e o que vocês acham que o Tom vai fazer para conquistar a mamãe do Ryan.





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