Última atualização: 04/08/2019

Prólogo

Uma vida completa nem sempre é aquela que almejamos aos quinze, quando a meta era terminar o ensino médio, se formar na faculdade dos sonhos, conhecer alguém e se apaixonar, casar, ter a casa própria e o carro, planejar os filhos, envelhecer ao lado da pessoa amada.
Tudo isso estava na minha lista de objetivos e eu tentei cumpri-los na ordem, mas mesmo que você planeje, a vida já tem seus próprios planos.
Ainda no ensino médio, eu conheci o Ralph. Ele era o capitão do time de futebol da escola - aquele clichê de toda história -, mas eu era uma garota comum. Não posso me considerar uma nerd, mas eu mantinha as minhas notas altas o suficiente para passar de série sem recuperações.
Nos demos bem logo de cara e não foi preciso mais do que alguns dias para ele me chamar para sair. Quatro encontros depois, éramos o casal 20 da escola.
Ainda mais clichê que isso, foi ele ter sido o primeiro da minha vida. Ficamos juntos até a faculdade, ele em Contabilidade, eu em Publicidade.
Quer mais?
No quarto período da faculdade, eu fiquei grávida.

Não posso dizer que Ralph foi um cretino porque, mesmo aos vinte anos, ele assumiu a paternidade do nosso filho e me ajudou com tudo o que pôde, mas a nossa relação tinha mudado com o fim do colegial e mesmo nos gostando e nos respeitando, aquilo precisava de um fim. Além de pais, nos tornamos amigos e a relação dele com nosso menino era a melhor das melhores e a vida era boa. Até ele receber uma proposta de emprego no exterior que cobria quatro vezes seu salário atual e ainda cobria o plano de saúde para ele e nosso menino.
E lá se foi Ralph para outro país. As ligações aconteciam duas vezes na semana, sempre para saber como Ryan estava e se precisava de mais dinheiro e, quando ele completou cinco anos, paramos de receber notícias dele.
Nas duas primeiras semanas achamos que o trabalho tinha ado seu tempo, na terceira seus pais iniciaram uma busca por ele. Na quarta, a notícia de que ele havia sido confundido com um policial e assassinado no meio da rua em plena luz do dia.
Desde aquele dia tem sido apenas Ryan e eu. A rotina cansativa do meu dia era derrubada toda vez que eu via meu menino sorrir. Hoje, três anos depois da morte de Ralph, nós dois vivíamos muito bem sozinhos.

📽💚🌸


O dia da faxina em casa era sempre o melhor. Eu levava Ryan para casa da minha mãe ou da mãe de Ralph e usava as vinte e quatro horas livres para tirar tudo do lugar e colocar de novo, com a música no último volume, os cabelos bagunçados e a roupa mais velha que eu tinha no guarda roupa.
Geralmente, eu a fazia sozinha ou com minha irmã Amber, mas desde o anúncio do noivado, ela mal tinha tempo de respirar, por isso precisei recrutar novas pessoas. A cada semana, um dos meus amigos da faculdade acabava vindo me ajudar depois de horas fazendo drama pelo telefone. Hoje era o dia de .
- , você tem certeza que vai tirar a TV do painel? - Resmungou.
- É claro, né. Tá cheio de poeira ai atrás. - Eu disse pegando a chave de fenda para ajudá-lo a soltar os parafusos. - É só segurar a TV bem firme que eu solto.
- Ah, você ficou com a parte fácil. Essa tv monstruosa é pesada, sabia? - Ele disse fazendo careta. Minha tv de oitenta e seis polegadas realmente era enorme e pesada. Gastei grande parte do meu aumento para comprá-la e foi um dos meus melhores investimentos.
- Pára de reclamar, até a Sylvie consegue segurar. - joguei o pano nele rindo e seu rosto mudou de impaciente para incrédulo.
- Não acredito nisso. Chama a Syl na próxima, então. - Emburrou a cara de novo me fazendo rir mais.
- Não fica assim, você me ajuda mais do que ela. - Disse de braços cruzados. - Mas se ela consegue segurar a tv, você também consegue.
me olhou e disse um tanto faz enquanto eu ria dele. Larguei um beijo em sua bochecha e avisei que ia começar a soltar os parafusos.
- Se essa tv cair, eu não me responsabilizo. - Disse rindo e segurou firme a parte debaixo do aparelho. - Sua maníaca por limpeza.
Gargalhei das reclamações do meu amigo. - Se você se comportar, eu vou esquentar aquela lasanha que você está há semanas dizendo que quer comer.
Ouvi um suspiro de e soube que ele tinha se convencido. Meu amigo era louco por lasanha e, quem fizesse uma travessa enorme conquistava seu coração e seu estômago.
- Você dá sorte que eu te adoro. - reclamou segurando firme o lado solto da tv.
- Pára de ser falso, você adora é a lasanha que eu faço. - Ri, batendo na barriga dele.
- Eu nunca mais venho te ajudar, sério. - Resmungou finalmente pegando a tv para colocar em cima da mesa. - Eu mais apanho do que recebo carinho e você ainda se diz minha amiga.
caminhou para perto do sofá e pegou o espanador.
- Tira logo o pó dessa droga pra gente colocar a tv no lugar.
Limpei o painel e a tv voltou para o suporte.
- Viu, nem demorou. - Sorri apertando as bochechas de e segui para a cozinha. - Vou esquentar a lasanha e enquanto isso, você podia arrumar aquelas coisas de jardinagem lá fora, né? - Fiz a melhor cara de cachorro pidão e ele riu.
- Como eu disse, tua sorte é eu gostar de tu. - passou por mim com um sorriso no rosto. - Tudo isso ai é meu. - apontou para a travessa e saiu da cozinha.


📽💚🌸



é, de todos, o meu amigo mais próximo e desde a morte do Ralph, a presença dele em minha casa tem sido cada vez mais frequente. Ele foi o último a entrar no nosso grupo na faculdade, mas foi a cola que faltava para nos manter unidos até hoje.
Coloquei a travessa no forno e abri a geladeira pegando a sacola com o alface e os complementos da salada. Lavei algumas folhas, separando as mais bonitas e cortei, fazendo o mesmo com os ates e a cebola. Arrumei tudo na mesa e apenas esperei que o timer do forno apitasse.
já estava terminando de organizar algumas pás de jardinagem no armário quando eu o chamei.
- Tem salada, arroz, batata-palha e farofa. - apontei os itens dispostos à mesa. - Se quiser, também tem feijão e queijo ralado. - Peguei o prato e comecei a me servir. continuou parado apenas me olhando.
- Quem em sã consciência coloca batata-palha, farofa e feijão junto com a lasanha? - Perguntou indignado.
- O Ralph colocava. - Dei de ombros. Ele comia de tudo e dizia que tudo combinava bem. - Acho que depois de cinco anos acabou se tornando normal pra mim. - Me sentei com a comida já no prato.
- Você herdou muitas manias dele, né? - Ele disse cortando um pedaço enorme de lasanha. - E antes que você reclame, esse é o tamanho de lasanha que vale aquela sua tv ridiculamente enorme.
- Eu nem ia falar nada. - Menti porque eu ia sim implicar com o tamanho de lasanha que ele pegou. - E sim, tenho muitas manias dele, Ryan também. Acredita que ele dobra os lençóis do mesmo jeito que o pai? - Ri lembrando do dia em que o peguei arrumando a cama pela primeira vez. - Parecia o Ralph mirim. - Suspirei dando a primeira garfada na comida.
sentou ao meu lado e então comemos em silêncio. Sempre falávamos do Ralph como se ele ainda estivesse entre nós, mas as vezes o clima ficava estranho. Ainda era difícil para todos nós acreditar que ele tinha morrido e ainda daquela forma tão cruel.
- , por que você não ficou com mais ninguém? - disparou me fazendo engasgar com o arroz. - Calma, foi só uma pergunta. - Riu constrangido.
- Bem... É que eu... - Tentei responder, mas a verdade é que eu não sabia o por quê. - Sei lá, . Acho que me acostumei a ter apenas Ryan e ele à mim. - Dei de ombros por que a resposta me parecia boa e, em parte era verdade.
- Tudo bem mas, você não acha justo dar um pai ao seu filho? - Ele disse e eu o olhei incrédula.
Larguei o garfo e o barulho que ele fez ao encontrar o prato ecoou por toda a cozinha.
- Como é que é? - Perguntei ainda sem acreditar naquilo.
- Não me leve à mal...
- Mas já levando. - Eu o cortei e suas bochechas assumiram um rosado.
- Mas eu não tive pai, , você sabe disso. E acredite em mim quando eu digo que ele vai sentir falta.
- Você acha que eu não dou conta? - Entrelacei meus dedos e apoiei meu queixo nelas esperando sua resposta. - Por que eu posso ser tão pai quanto eu sou mãe.
- Sei que pode, . - Virou-se para olhar em meus olhos. - Mas não é justo que você prive Ryan de uma presença paterna, que por sinal vai ser ótimo para ele, só porque você tem medo de se envolver com alguém de novo.
Olhei para indignada. Eu não tinha medo de me envolver com ninguém, só não queria.
- Privar Ryan? Ele tem à mim e meus pais, os pais de Ralph. Ele não está abandonado. - Disse exasperada. Qual era o problema dele?
- Não foi o que eu disse, . - Bufou, largando minhas mãos. - Ele tem avós incríveis e uma mãe espetacular. Ninguém pode dizer o contrário. Mas ele vai sentir falta, .
- Se ele tem tanta gente incrível, por que eu deveria colocar mais gente na vida dele? - Cruzei os braços e me senti com a idade de Ryan.
- , você já parou para pensar, por um segundo que seja, que nenhuma dessas pessoas pode verdadeiramente representar a figura paterna que ele pode precisar no futuro? - disse e eu permaneci em silêncio.
Por alguma razão, eu quase queria dizer que estava certo, mas meu feminismo enraizado gritava que não precisávamos de nenhum homem entre nós.
Olhei para que me observava pensar no assunto.
- Se você não quer deixar alguém entrar na sua vida e na de Ryan por medo de se apaixonar e perdê-lo, como aconteceu com Ralph... - Ele disse quando percebeu que eu não queria mais falar. - Preciso te dizer que está sendo egoísta. E não é só com seu filho.
- Eu não tenho medo de me apaixonar, .
- Uh, sei. - Ele disse rindo e me deixando furiosa.
- É verdade, , eu não tenho medo mesmo. - Bati a mão na mesa e ele riu ainda mais. - Quer saber? Eu te desafio.
- Me desafia? - Olhou-me prendendo o riso.
- Faça eu me apaixonar por você. - Disse simplesmente e vi o sorriso de morrer.
- É o quê?
- Foi o que você ouviu. - Levantei-me recolhendo nossos pratos vazios. - Vou te provar que não tenho medo de me apaixonar e Ryan finalmente vai ter um pai.
- ... Você endoidou? - levantou vindo até a pia. - Isso é uma péssima ideia.
- Não. - Comecei a lavar os pratos e sorri para ele. - Que foi? Está com medo?
Era o que eu precisava. dificilmente fugia de desafios e quando tentava fazê-lo, era só alguém insinuar que ele não tinha coragem ou era medroso e pronto, topava qualquer coisa.
- Tudo bem, senhorita não tenho medo de me apaixonar. Eu topo.
Empurrou-me com o ombro e sorriu. Ele realmente levaria aquilo à sério e eu provaria que não tinha medo de nada.

Primeira semana

Domingo


A faxina terminou com correndo atrás de mim pelo jardim com a mangueira e molhando tudo por onde passava. Limpamos toda a casa e logo ele estava se despedindo de mim.
- Mal posso esperar para te ver apaixonada por mim. - Piscou para mim e eu ri.
- Veremos quem vai vencer esse desafio. - Cruzei os braços.
- Querida... - Ele se aproximou e abraçou-me pela cintura. - Mesmo que você perca, ainda vai ganhar.
Gargalhei nos braços de e ele sorriu para mim.
- O que aconteceu com o acanhado? - Belisquei sua cintura e ele se afastou.
- Ele foi desafiado por você. - Tocou a ponta do meu nariz com o indicador. - E ele não está nem um pouco a fim de perder, espero que esteja preparada.
Sorriu e virou-se, indo para seu carro. Observei-o destravar o veículo, entrar e dar a partida pensando no que tinha acontecido hoje. Eu sabia que, mesmo sendo um cara extremamente apaixonante, eu não perderia esse desafio e por isso, o tinha feito. Entretanto, eu também sabia que não desistia de nada e tenho certeza que ele não descansaria enquanto não conseguisse aquilo e isso me fazia sorrir. E mesmo se eu perdesse, era um cara maravilhoso, atencioso com todas as pessoas ao qual se importa, gentil, engraçado. Seria quase um presente me apaixonar por ele.
Voltei para dentro ainda pensando na loucura que seria me apaixonar pelo meu amigo e dei de ombros. O que for para ser, será.

📽💚🌸


O dia seguinte à faxina passou voando. me mandou uma mensagem pela manhã quando eu me arrumava para almoçar com meus pais e Ryan.


Bom dia, flor do dia.
9:27am

Ainda posso tentar te conquistar ou você já desistiu da ideia?
9:27 am


Ri com as mensagens de e fui até a cozinha verificar se o pino do gás estava travado. Voltei para meu quarto, tirando o ar condicionado da tomada e parei ao pé da escada para respondé-lo.

É claro que ainda está de pé.
9:31am

A menos que
você desista.
9:32am



Busquei minha bolsa pendurada do cabideiro da porta, o carregador do meu celular em cima da cômoda e desci procurando a chave do carro, encontrando-a dentro do vaso no aparador. Tranquei a porta duas vezes e corri para o carro, o celular vibrou três vezes no meu bolso.


Sabe que eu não vou desistir.
9:34am

E já que você realmente falou sério, vou começar de novo.
9:34am

Bom dia, querida Bae. Espero que seu domingo seja tão bom quanto o meu vai ser, planejando todos os nossos encontros românticos do mês. 😘❤️
9:37am


Sorri ao ler a última mensagem imaginando para onde ele poderia me levar. Dei partida no carro ainda rindo das mensagens de e passei o dia pensando nele. Quando chegamos em casa, Ryan foi arrumar a mochila para o dia seguinte e eu corri para a cozinha, esquentando o que sobrou da lasanha de ontem.
A campainha tocou assim que fechei o forno e Ryan desceu correndo, gritando eu atendo. A porta fora aberta segundos depois e eu ouvi a voz de fazendo alguma brincadeira com Ryan. Larguei o pano de prato em cima da mesa e fui para a sala.
- Já sentiu minha falta? - Brinquei abraçando-o.
- É uma das minhas muitas maneiras de te vencer. - Beijou minha bochecha e sorriu. - Como foi o domingo? - Perguntou e se abaixou para pegar Ryan no colo. - E aí, campeão.
- Oi, tio . - Abraçou-o pelo pescoço, encolhendo-se com as cócegas de . - Pára. Mãe, me ajuda. - Pediu e eu ri.
e Ryan eram muito próximos e eu sabia que ele, verdadeiramente adorava meu filho.
- , por favor. - Toquei-lhe as mãos e ele sorriu para mim. - Ele vai fazer xixi. - Sussurrei para ela e Ryan resmungou. - Estou tentando te ajudar, filhote.
e eu rimos quando ele colocou Ryan no chão e o mesmo correu para o Xbox, iniciando um jogo de tiro. me abraçou longamente e deixou um beijo em minha testa.
- Você está linda, Bae. - Inspirou profundamente e sorriu. - E cheirosa também.
Sorri envergonhada. Eu estava acostumada a receber elogios e adorava, mas nunca havia sido tão explícito como hoje. Ele também pareceu tímido quando reparou a naturalidade dos seus elogios.
- Pensei em pedir pizza. O que acha?
- Estou esquentando a lasanha, mas acho que não vai dar para nós três. - Soltei-me de se abraço e caminhei para a cozinha percebendo em meu encalço. - Alguém comeu a metade da travessa sozinho ontem.
Arqueei a sobrancelha e ele gargalhou.
- Pensei que a lasanha tivesse sido feita especialmente para esse alguém. - Imitou meu gesto e sorrimos juntos.
Pegou um panfleto preso na porta da geladeira e discou. Alguns minutos no telefone e logo a chamada fora encerrada.
Desliguei o forno no mesmo instante que se aproximou.
- Sabe, eu fiquei com uma dúvida.
- Sobre?
- Eu vou poder te beijar? Ou a minha conquista não envolve toques? - Segurou o queixo de forma pensativa e eu ri.
- Você já saiu com alguma mulher e não a beijou?
parou um pouco, puxando na memória uma resposta que eu já sabia.
- Não. Mas você não é qualquer mulher. - Deu de ombros simplesmente. - Por que desligou o forno? Eu vou querer a lasanha também. - Empurrou-me com os ombros.
- Você é abusado.
- Não vou me desculpar por amar sua comida. - Deu de ombros. - Pode, por favorzinho, esquentar lasanha para mim? - Fez as mãos de criança pidona que ele ensinou para Ryan.
- Ta. Vai lá ficar com o Ryan enquanto a pizza não chega - Bati em seu braço com o pano de prato, empurrando-o para fora da cozinha. - Ele está viciado demais nesse jogo, graças a nós.
levantou as mãos e jogou um beijo no ar antes de ir jogar com Ryan.
Enquanto eu esquentava a lasanha, as palavras dele não saiam da minha cabeça. Ele queria me beijar.
Eu sempre me senti uma mulher sexy. Meu corpo nunca foi igual ao de uma modelo, minhas gordurinhas localizadas ficavam cada dia mais teimosas, mesmo quando eu decidia levantar mais cedo e correr um pouco, mas como eu nunca tive problemas por causa do meu corpo, não me preocupava em estar sarada ou magra. Gosto do meu corpo do jeitinho que ele é e que se dane os homens que não gostam.
Escorei-me na porta da cozinha observando Ryan e jogando. Os dois riam e se empurravam quando um atrapalhava o outro durante fugas da polícia ou tiroteios de outras gangues. Eu adorava jogar GTA e, graças à , Ryan também e quando ele vinha para cá, era uma disputa de quem era um Franklin melhor. É claro que eu sempre vencia, mas deixava se vangloriar disso.
Sorri quando abraçou Ryan de lado e estalou um beijo em sua cabeça. Eles tinham um ótimo relacionamento e fazia bem ter meu amigo na vida do meu filho.
Talvez o plano dele desse certo, afinal. Por que, para conquistar uma mãe, basta amar seu filho.
A pizza chegou alguns minutos depois e nos sentamos na sala para comer. Ryan e eu devoramos quase toda a pizza enquanto comia toda a sobra da lasanha. Joguei o guardanapo nele quando o mesmo arrotou alto depois de virar todo o copo de coca-cola.
- Seu porco. Olha o que você está ensinando ao meu filho. - Bati em seu braço e ele deu de ombros.
- Melhor para fora do que para dentro. - Piscou para mim e Ryan gritou.
- É o lema do Shrek. - Sorriu orgulhoso de ter se lembrado. - Eu nunca esqueço dele.
- Isso aí, garoto. - Levantou as mãos e fizeram um Hi-five.
- Se você repetir isso, eu te coloco de castigo. - Ameacei Ryan e ele gargalhou, arrotando alto logo em seguida. - Eu não sou mesmo respeitada neste lugar. - Balancei a cabeça e eles riram.
Ficamos mais um tempo rindo e conversando e logo Ryan dormiu, a cabeça apoiada no colo de e os pés jogados no meu. Levantei-me devagar para pegá-lo, mas foi mais rápido e já estava quase no quarto dele.
- Não precisava fazer isso, mas obrigada. - Recostei-me na porta do quarto observando-o ajeitar Ryan na cama.
- De nada, ele estava bem cansado. - Deu uma rápida olhada para ele e logo estava ao meu lado, puxando a porta e deixando-a encostada. - E, pela sua carinha, você também.
Sorri com sua observação, eu estava mesmo cansada. Depois da faxina de ontem, eu dormi pouquíssimas horas e de manhã já estava de pé para o compromisso com minha família. Caminhamos lado a lado e em silêncio até a porta da sala e recostei-me nela para me despedir de .
- Obrigada pela noite, foi bem divertido. - Sorri e ele retribuiu.
- Eu que agradeço a companhia de vocês dois. - Olhou-me por alguns segundos, decidindo se falaria o que queria ou não. - Bem, até mais. - Aproximou os lábios da minha bochecha e deixou ali um beijo casto.
- Pensei tê-lo ouvido dizer que ia me beijar. - Provoquei-o com um sorriso quando ele já se encaminhava para o carro.
- Mas eu não disse. - Virou-se para mim sorrindo também. - Só perguntei se poderia.
- E eu não neguei, não é? - Cruzei os braços esperando sua resposta.
- Não. - Coçou o queixo e sorriu de novo. - Mas não vai ser hoje que eu vou te beijar. - Piscou para mim e destravou o carro.
- Pode ser que eu não o deixe me beijar quando você quiser. - Apoiei as mãos na minha cintura e pisquei de volta. Ele riu.
- Vou ter que arriscar. - Entrou no carro e deu partida, me deixando com um sorriso bobo no rosto e um enorme frio na barriga.

Jantar à dois

Quarta-feira


Fazia dois dias desde o episódio da faxina e vinha cumprindo com sua palavra todas as manhãs quando eu recebia suas mensagens. Na segunda, enviou duas mensagens de bom dia. Na terça, me ligou apenas para desejar bom dia. Hoje, me enviou uma foto com a carinha triste e a legenda: Com saudades da cheirosa.
Ri alto ao ver a foto assustando Ryan quando saiu do banheiro.
- Bom dia, meu príncipe. - Depositei um beijo em seus cabelos e ele sorriu.
- Bom dia, mãe. - Bocejou alto esfregando os olhos. - Eu tenho mesmo que ir para a escola hoje?
- Sim, senhor. - Afirmei puxando-o até a escada e descemos.
- Que droga. - Reclamou emburrado me fazendo rir. - O tio podia me levar para trabalhar com ele. Eu ia ficar famosão. - Sorriu sapeca.
- Há, mas para ficar famosão tem que estudar. - Pisquei e ele fez outra careta. - Ou você acha que o deu sorte?
- Ele deu sim porque ele é bonitão. - Estirou a língua para mim e eu não pude segurar a risada. - Então eu também posso por que eu sou mais que bonitão. Eu sou lindão. - Piscou para mim fazendo pose de modelo e eu gargalhei outra vez.
- Você tem passado tempo demais com o . - Peguei sua mochila no sofá e as chaves de casa passando por ele e abrindo a porta. - Vamos ou você vai se atrasar.
Ryan bufou alto quando percebeu que eu não o deixaria faltar aula e cruzou os braços andando firme para fora. Estava trancando a porta quando ouvi a buzina atrás de mim e Ryan correr até o carro - agora estacionado - frente à nossa casa.
- Oi tio . - Abraçou as pernas de e ele se abaixou para beijar meu filho. - Fala para ela que eu posso por que eu sou bonitão.
Caminhei na direção dos dois e me encarou com o cenho franzido. Sorri por sua confusão e parei à seu lado depositando um beijo em sua bochecha.
- Quando foi que eu disse que você não era bonitão? - Cutuquei sua cintura e ele riu. - Mas você precisa estudar ainda assim.
- Do que vocês estão falando? - A confusão no olhar de me fez abrir um enorme sorriso.
- Ele quer trabalhar com você, mas eu disse que precisa estudar também. - Expliquei e ele sorriu. - Ele disse que é só ser bonitão como você que ele consegue. - Apoiei as mãos na cintura e sorriu olhando para Ryan.
- Você é bonitão mesmo, cara. Mas sua mãe tem razão. - Colocou-o no chão e pegou a mochila e a bolsa que eu carregava. - Como vai ler os roteiros sem estudar?
- Mas eu sei ler. - Ryan resmungou não gostando de ser contrariado.
- É verdade. - meneou a cabeça e olhou para mim antes de se abaixar para Ryan. - Se você guardar segredo, eu te levo numa gravação comigo. - Sussurrou fazendo Ryan pular e tapar a boca com as mãos.
- Eu ouvi isso. - Me pronunciei e me olhou. - O que está fazendo aqui?
- Carona. - Disse simplesmente abrindo a porta do carro ajudando Ryan a subir, prendeu o cinto de segurança e colocou a mochila no banco ao lado dele. Fechou a porta e veio até mim, pousando as mãos em minha cintura, depositando um beijo rápido no canto da minha boca. - Você está linda. Bom dia.
Sorri para e antes que eu pudesse responder, ele abriu a porta do carona e a segurou esperando que eu me acomodasse para me entregar minha bolsa e fechá-la.
Deu a volta no carro e entrou dando partida poucos segundos depois.
- Por que não disse que viria?
- Queria fazer uma surpresa. - Deu de ombros. - É um dos passos para te conquistar.
- Está se empenhando demais para isso. Sabe que se conseguir vai ter que carregar toda a minha bagagem, né? - Disse apontando para Ryan, distraído com a música que tocava na rádio. - E desde quando você gosta de Shawn Mendes?
- O Holland que gosta. Ele insistiu para que eu ouvisse e compartilhou a playlist dele comigo. Até que eu estou gostando. - Deu de ombros outra vez me fazendo rir. - E sua bagagem é um bônus. - Piscou para mim quando paramos no sinal fechado. - Eu sou ator, consegui ser o Loki por me empenhar demais à uma coisa. Não seria diferente para ter você.
- Não sei se fico ultrajada por ter sido comparada à um trabalho ou lisonjeada ao ver que o seu empenho por mim é o mesmo que te fez ganhar esse papel incrível. - Ri e ele me acompanhou.
- Você ser fã de super heróis foi um gatilho para eu fazer os testes. - Virou à esquerda e estacionou logo depois. - Chegamos, grandão. - Olhou para trás e Ryan sorriu.
destravou a porta e eu desci indo soltar o cinto de Ryan para acompanhá-lo até o portão. Senti nos acompanhar e sorri gostando cada vez mais daquele desafio. Paramos na calçada e eu me abaixei puxando Ryan para um abraço.
- Boa aula, filhote. - Beijei sua testa. - Sua tia Paige vai vir te buscar hoje.
- Vou para casa da vovó? - Assenti e ele pulou sorrindo. - Eba, ela vai fazer bolo de cenoura com chocolate para mim. - riu atrás de mim.
- Atores tem que cuidar da saúde. Muito chocolate faz mal. - Apertou a bochecha do meu filho e depositou um beijo ali. - Boa aula, campeão.
Levantou e estendeu a mão para que eu pudesse me levantar também. Observamos Ryan correr para dentro da escola e viramos para atravessar a rua.
entrelaçou seus dedos nos meus e me puxou levemente. Um arrepio percorreu meu corpo ao sentir seus dedos nos meus e senti meu coração parar pelos míseros segundos que levamos para alcançar o carro outra vez.
- Fica colocando ideia na cabeça dele que você vai me arrumar problema.
- Que problema? - Questionou fingindo inocência.
- Se ele ficar me pedindo para ser ator...
- Se ele pedir, eu arrumo um papel para ele. Eu sou o vilão mais amado do MCU.
- E convencido. - Bufei arrancando uma risada dele.
- O que eu posso fazer? Já viu quantas vezes eles me ressuscitaram?
- Pelo bem da história, . - Afirmei com desdém. - E o Loki é o Deus da trapaça, não se esqueça disso.
- Pense o que quiser, criatura adorável. - Sorriu e eu imitei seu gesto.
- Por um mísero segundo, eu pensei que você teria a audácia de me chamar de ridícula.
- Quando eu fizer isso, pode me internar. - Disse parando o carro. - É uma pena você trabalhar tão perto da escola do Ryan.
- Pena? É um alívio, mal preciso de ônibus para chegar lá.
- Vantagem para você, desvantagem para mim. - Fez uma carinha triste e eu ri. - Janta comigo hoje?
- Hoje?
- Sim. Você disse que Paige vai buscar o Ryan, se você pedir ela pode ficar mais um pouco e depois eu levo vocês para casa. - Segurou minha mão levando-a para o seu colo.
- Paige vai buscá-lo por que eu estarei em audiência hoje. Além do mais, se você tivesse me dito isso ontem, eu teria separado uma roupa melhor que essa. - Apontei para meu corpo.
Eu não estava mal vestida. Tinha separado uma calça social preta de cós médio, blazer de mesma cor com bolsos laterais e uma blusa rosa bebê Meu scarpin nude combinado com a bolsa de mesma cor fechavam minha escolha de roupas para o dia.
passou o olhar pelo meu corpo duas vezes antes de sorrir e jogar a cabeça para o lado.
- Uau, eu sou um filho da puta muito sortudo. - O sorriso bobo estampado no rosto. - Você está tão linda que a única coisa que eu vou saber fazer nesse jantar é te admirar a noite toda.
Deu um sorriso fofo, até apaixonado eu diria, e eu esqueci de respirar. era tão lindo e atencioso. Por que nunca reparei nele dessa forma? Qualquer coisa que ele me pedisse com esse sorriso eu diria sim.
- Tudo bem, depois da audiência eu vou mesmo precisar aliviar a tensão. - Sorri para e ajeitei o blazer antes de abrir a porta. Puxou minha mão depositando um beijo leve em meus dedos. - Obrigada pela carona. - Depositei um beijo em sua bochecha e sai.
- Disponha. - Disse e eu fechei a porta dando as costas para ele, adentrando o prédio da promotoria.
O dia seria longo mas a promessa de um jantar na companhia de me manteria firme para enfrentar mais um caso de abuso infantil.


📽💚🌸



Seis e quarenta e dois da noite marcava no relógio quando peguei minha bolsa e desliguei o computador. Caminhei para o elevador encontrando Amanda esperando-o parar no nosso andar.
- . Como foi a audiência?
- Conseguimos prender o réu.
- Finalmente. Pensei que a defesa tentaria recorrer outra vez! - Amanda exclamou.
- Eles tentaram, mas o júri foi unânime e não pareciam estar afim de mudar de ideia.
- Mas duas sessões atrás, eles estavam inclinados à inocenta-lo. - Lembrou-me quando finalmente entramos no elevador.
- Duas sessões atrás, a promotoria não tinha todas as provas. Foi uma sorte ter descoberto a peça chave para o caso. - Apertou o botão do térreo e as portas fecharam.
- Então, ele teria saído ileso se não encontrassem essa prova?
- Acho difícil, a testemunha ocular foi coerente nas quatro vezes que precisou repetir os detalhes. A juíza até chorou.
- Esses casos são tão complicados. Não sei como você consegue trabalhar nessa área, na maior parte dos casos, são sempre os pais que abusam e maltratam seus filhos.
O elevador parou no térreo e nós descemos.
- É difícil. Eu choro quase sempre por que não consigo acreditar que possam fazer isso à uma criança. - Suspirei triste. - Vejo meu filho e medo de alguém machucá-lo é tão grande. Como um pai pode fazer isso?
Casos como o que tive hoje eram recorrentes na promotoria. Casos de pais abusando de seus filhos, abandonando-os e maltratando-os, eram jogados em minha mesa todos os dias e, mesmo que eu dissesse à mim mesma que lutaria por essas crianças, ainda me doía o fato de alguém de fora ter que lutar por elas. A função dos pais é lutar e interceder por seus filhos sempre e em primeiro lugar, mas os que eu me deparava ao analisar denúncias me matavam por dentro.
Empurrei a porta do edifício ainda pensando naquela menina quando Amanda estancou ao meu lado.
- Meu Deus, é o Loki! - Exclamou e eu a olhei com o cenho franzido. Sua expressão de susto mesclava com admiração e eu acompanhei seu olhar, encontrando recostado no carro com um buquê de peônias nas mãos e o sorriso do tamanho do mundo.
Sorri para ele e puxei Amanda em sua direção.
- Pensei que o jantar fosse às oito. - Cruzei os braços e ele sorriu. - Essa é Amanda. Aparentemente, fã do Loki.
- Não tem nada de aparente aqui não. Eu sou muito fã do Loki. - Me corrigiu e eu ri percebendo seu nervosismo. - Posso tirar uma foto com você?
- É um prazer, Amanda. Mas o Loki ficou em Hollywood. - Se apresentou. - A foto vai ter que ser com o . - Amanda riu abanando o ar.
- Tudo bem, não dá para ser apenas fã do Loki, se é o que dá vida à ele. - Fez graça e nós rimos.
- Amanda tendo surto de fã... Eu vivi para ver isso. – Ri encarando uma Amanda eufórica à minha frente. – E não enche a bola dele, por favor. Sou eu que aguento depois.
- Nunca fiz isso na adolescência. Tenho muitos créditos na praça. E ele tem todo o direito de se achar, é o vilão mais amado do cinema. - Piscou para mim me fazendo gargalhar. deu aquele olhar de "eu te disse isso" e eu dei língua para ele, fazendo-o rir. Amanda puxou o celular e me entregou posicionando-se ao lado de , sorrindo. Bati três fotos, uma delas teria que ficar boa, e devolvi o celular à minha amiga. – Agora sim eu posso ir embora. Obrigada, .
Amanda agradeceu outra vez e me abraçou sussurrando um sortuda em meu ouvido e me fazendo rir.
- Gostei dela... – disse, ainda olhando na direção da loira. – Ela pode ser madrinha do nosso casamento? – Perguntou como quem não quer nada e eu gargalhei. – Ou dos nossos filhos, eu realmente não me importo, sabe?
- Primeiro... – Disse me aproximando de e passando minhas mãos por seus ombros. – Você precisa me conquistar. – Pisquei e ele sorriu, puxando-me de encontro ao seu corpo e me abraçando fortemente.
- Isso não vai ser um problema. – Pousou as mãos em minha cintura e eu o abracei pelo pescoço. – O jantar ainda vai ser às oito, mas eu não queria me atrasar. São para você. - Estendeu o buquê e eu sorri ao pegá-lo. – Eu já disse que está linda hoje?
- Pontualidade conta muitos pontos à seu favor. – Atestei com confiança e ele riu. - São lindas, obrigada. Disse de manhã, mas não me importo de ouvir de novo.
- De nada. Você está linda. Agora, vamos. – Depositou um selinho rápido em meus lábios, soltando-me em seguida para abrir a porta do carona. Virou-se para mim quando percebeu minha demora e eu ainda estava travada.
tinha me beijado, mesmo que subitamente. Não esperava que isso fosse acontecer tão cedo e também não esperava as reações do meu corpo.
me encarou erguendo uma das sobrancelhas e me aguardou sair do transe. Tentei, da melhor forma, fingir que não tinha ficado abalada – pelo beijo inesperado – e ansiosa – pela promessa de outros beijos como, ou melhores, que aquele. Sorri tentando demonstrar tranquilidade e ele soltou uma risadinha baixa. É claro que ele tinha percebido.
Assim que fechou a porta do carona e entrou do seu lado do carro dando a partida, mexi no rádio tentando encontrar qualquer coisa que cortasse o silêncio. Quando o liguei, ele se conectou ao Bluetooth do celular de e uma playlist começara a tocar.
I want it that way soou no carro e bufou alto, me fazendo gargalhar.
- Eu vou matar o Stanley. - Reclamou.
- Coitado do Holland. Por que você faria isso?
- Comentei que ia te levar para jantar hoje. - Deu de ombros como se não fosse nada demais. - Ele disse que esse momento precisava da playlist perfeita e me mandou essa.
Finalizou e eu gargalhei, imaginando quais outras músicas Holland poderia ter colocado naquela lista.
aproveitou o sinal vermelho e se inclinou para trocar a música, mas eu o impedi de fazê-lo.
- Eu gosto dessa, Hiddleston. - Sorri para ele e comecei a cantar, mirando seus olhos ainda fixos em mim. - You are my fire, the one desire, believe when I say, I want it that way. - Fiz minha melhor imitação dos Backstreet Boys com meu microfone imaginário e riu, colocando as mãos no rosto.
- Ah droga, agora você também. - Balançou a cabeça e voltou as mãos ao volante, novamente dando partida no carro. - Muda essa música, vai. - Pediu fazendo bico e eu ri, trocando de faixa. Shawn Mendes - como eu logo identifiquei - começou a tocar e bufou outra vez. - Ah, qual é... Esse garoto tem o gosto de uma garota de treze anos. - Gargalhei e me acompanhou.
- Ele quis ser romântico, ora. Já prestou atenção na letra dessa música? - Questionei rindo.
- Já e ela é, basicamente, um pornô romântico, . - Respondeu e virou à direita, parando em outro sinal. Virou-se na minha direção. - Mas, sinceramente, eu realmente quero te amar com as luzes acesas, descobrir seus segredos debaixo dos lençóis, sabe... - Piscou e sorriu, deixando-me envergonhada.
- Se você for cavalheiro, por mim tudo bem. - Rebati a fim de esconder minha vergonha. Vi seu sorriso aumentar e posso jurar que, se não fosse o sinal aberto e nosso cinto de segurança, ele teria me beijado.


📽💚🌸



Sendo a segunda maior cidade da Califórnia, San Diego é habitada por quase um milhão e meio de pessoas. Com várias atrações turísticas na cidade - Zoo Safari Park, SeaWorld San Diego e a Legoland California, as principais - o que mais me atraia na cidade eram os restaurantes. É claro que, em parte era por causa da comida por que, quem em sã consciencia não gosta de comer? Mas, nesse caso, era bem mais que isso. O lado oeste da cidade oferece cento e treze quilômetros de praia, onde acontecem os mais variados eventos. Os restaurantes da região, em sua maioria, preferiam abrir para o jantar, já que a maior parte dos casais da cidade escolhiam os estabelecimentos com vista para o Pacífico e para as estrelas como cenário de uma noite de muito amor e romance.
não era muito diferente dos outros habitantes da nossa cidade. Como já tinha dito algumas vezes, ele adorava jantar no George's, um dos restaurantes com a vista mais estonteante que eu já tinha visto na vida e que também abria no almoço, o que era muito difícil na região.
Composto por três áreas de refeição, o George's California Modern, na parte subterrânea, era exclusivo à jantares finos. Muitos executivos realizavam reuniões de negócios lá, saboreando a melhor culinária da costa oeste da Califórnia. Com sofás roxos que acomodavam duas pessoas cada, mesclavam-se mesas e cadeiras igualmente confortáveis, dando um tom diferente - mesmo elegante - ao espaço. No térreo havia um bar para drinks e coquetéis, visto que o andar era mais usado para eventos despojados, tinham mesas e cadeiras altas, para um público mais jovem. Já no George's Terrace Bar, o clima era totalmente diferente. O ambiente pouco informal era mais usado para jantares românticos à luz da lua e com a vista mais bonita que um restaurante pode oferecer. O som das ondas quebrando na beira e o cheiro da maresia davam o toque perfeito ao clima que predominava todo aquele andar. Inúmeros pedidos de casamento já aconteceram ali, com a benção da Lua e as estrelas de testemunha. Fiquei sem fôlego ao me deparar com tudo aquilo.
queria realmente me conquistar e tinha sido extremamente cuidadoso ao escolher o local perfeito para o nosso primeiro encontro.
Adentramos o local com as mãos entrelaçadas, atraindo o olhar de algumas pessoas. Ele ainda era um cara famoso, mas não se importava nem um pouco de ser visto com alguém. Subimos as escadas para o Terrace sendo recepcionados pelo maitre da casa, que nos acompanhou até a mesa reservada, uma das poucas que ficavam encostadas à sacada e nos entregou o menu, dando as costas em seguida.
- Você já veio aqui alguma vez? - questionou avaliando as opções do cardápio. Respondi que não e ele me olhou. - Podemos pedir uma entrada ou, se você preferir, pedimos logo o prato principal.
- Pode pedir a entrada. - Disse simplesmente e sua atenção voltou ao menu à sua frente. - E, supondo que já tenha provado todos os pratos, pode escolher o meu. É o seu desafio de hoje, acertar meu gosto para comida. - Provoquei e, novamente, eu tinha sua atenção. sorriu comedido e eu pisquei para ele, levando minhas mãos ao cabelo e imaginando a desgraça que ele deveria estar. - Vou ao banheiro.
Pedi licença e, mesmo sem olhar para trás, eu sabia que seu olhar me acompanhou até que eu sumisse restaurante à dentro para chegar ao meu destino. O ambiente parecia tão chique quanto o resto do estabelecimento. Um grande espelho acompanhava, de ponta à ponta, o grande mármore branco que acomodava as pias - cinco no total -, enquanto todo o azulejo do banheiro era preto, de forma a destacar o único ponto claro do cômodo. Os sanitários, de mesma quantidade de pias, eram brancos também e ficavam contra o grande espelho, dentro de suas divisórias. Havia também plantas distribuídas em cima da bancada e próximo à porta, deixando o ambiente mais harmônico e um pouco mais natural também. Não havia ninguém, por isso pude aproveitar minha visão no espelho. Os cabelos estavam um pouco desgrenhados, resultado de um dia muito estressante no fórum, e a maquiagem pouco borrada me deixava mais aliviada. Meu estado não era tão ruim, mas poderia melhorar. Graças a Deus eu sempre andava com minha bolsinha de maquiagem e uma escova. Removi o pouco de maquiagem que ainda tinha no rosto e a refiz, tão leve quanto a anterior mas, mais bonita. Escovei de leve os cabelos para trás e depois para os lados, me livrando dos pequenos nós que ele formava quando eu passava os dedos nervosos por eles. Guardei tudo dentro da bolsa e passei as mãos pela roupa tentando, inutilmente, arrumar o amarrotado da saia social que eu vestia.
Mesmo que eu quisesse ter ido em casa e me arrumar decentemente, ter saído mais cedo não valeu de nada, já que estava me esperando do outro lado da rua. Roupas de trabalho nunca combinam com jantares românticos à beira mar, mas ele nunca concordaria comigo se eu dissesse. Em sua opinião, eu sempre estava bonita.
Voltei à mesa e uma tigela com Ceviche já me esperava. A apresentação do prato era linda, ninguém poderia negar, mas o cheiro que subia e a água na boca que dava só de olhar, era indescritível. Peixe não era um dos meus alimentos preferidos e se eu pudesse escolher, sempre ia na pedida do frango, mas a escolha de tinha sido excelente. Assim que se dava a primeira garfada, se pode sentir o gosto do peixe com um toque cítrico - que eu não conseguia identificar se era limão, laranja ou uma mistura fascinante dos dois. Como complementos do prato, havia também uma porção pequena de batata doce, milho e algas, temperados com coentro, cebola e uma pimenta deliciosa que eu nunca tinha provado antes - outra coisa que eu dificilmente comeria por escolha.
- Uau, isso é realmente delicioso. - Disse depois - do que pareceu uma eternidade - da primeira garfada. - Não é o que eu teria escolhido por vontade própria, mas ainda assim, uma escolha muito boa. - Completei voltando a comer e riu.
- A namorada do Holland teve a mesma reação quando ele a trouxe aqui. - Contou rindo. - Se eu soubesse que vocês eram tão iguais no quesito comida, teria escolhido o mesmo que ele.
- O que ele escolheu para ela? - Questionei ainda distraída com meu peixe.
- Polvo grelhado acompanhado de batata assada, chouriço, aipo e outros condimentos. - Completou e riu, muito provavelmente da cara de nojo que eu fiz. - , dê uma chance ao polvo, é uma delícia.
- Ele pode ser uma delícia, mas não no meu estômago. - Finalizei bebericando a água de uma das minhas taças. - O que pediu para mim?
- Filé mignon com cenoura e batata assadas, couve e vinagrete. - Imitou meu gesto observando minha reação por cima da taça. - Pelo seu sorriso, eu imagino que acertei, uh?
- Em cheio. - Levantei minha taça de água e ele riu, fazendo o mesmo.
- Seria bom fazer isso quando o vinho chegar, né? - Arqueou uma das sobrancelhas e, por dois segundos, eu pude contemplar aquela imagem. Seria possível já estar mexida por ele? É nosso primeiro encontro e eu já queria suspirar como uma garotinha. - No que está pensando?
- Em como estou tendo uma noite extremamente agradável. Obrigada! - Sorri para . Estávamos sorridentes demais, só faltavam as malditas borboletas se manifestarem e os sinos da paixão podiam soar bem alto.
Que merda eu estou pensando?
ainda me observava quando o garçom chegou trazendo a garrafa de vinho tinto Taylor Fladgate 20 anos e duas taças limpas. Aquele vinho era bom, eu já tinha provado ele uma vez com Ralph, quando decidimos sair para comemorar nossa primeira noite sendo nós e não pais. Não nos levem à mal, amo ser mãe tanto quanto Ralph amava ser pai, mas todo pai e mãe precisa de um momento para si e, mesmo separados, nós dois merecíamos comemorar juntos. Levei um esporro do tamanho do mundo quando cheguei em casa e minha mãe sentiu o cheiro do vinho, alegando que eu ia embriagar meu filho, mesmo que eu afirmasse só ter bebido uma taça. E tinha sido uma mesmo! Ri dessa lembrança e me olhou.
- Que sorriso bobo é esse? - Perguntou quando o garçom nos deixou à sós outra vez.
- Me lembrei de quando tomei esse vinho pela primeira vez.
- E quando foi isso? - Perguntou dando a primeira golada no líquido vermelho.
- Um tempo depois do nascimento do Ryan. Saí para jantar e me permiti tomar meia taça. - Dei de ombros, não me alongando no assunto. aproximou o corpo sobre a mesa e me olhou, genuinamente curioso. Mas eu soube que ele não ia perguntar.
- Ralph e eu fomos comemorar um dia de adultos. - Ri e ele me acompanhou. Meu sorriso se desfez instantes depois.
- Ainda é difícil para você falar dele, não é?
- Sim, mesmo depois de três anos. - Suspirei fixando meu olhar na borda da taça. – Acho que vai ser sempre assim.
- Eu imagino, é o pai do seu filho e foi seu amor durante quase todo o período da faculdade.
- E eu ainda o amo, sabe? Ele foi uma das pessoas mais importantes da minha vida.
- Eu entendo. Também sinto falta dele. - Suspirou comigo e eu sorri. era um homem tão racional, diferentemente de tantos outros que encontramos por ai. - Nunca vai ter ninguém que me zoe mais que ele por ter feito Estudo Clássico, ele sempre dizia que meu talento era o Teatro. - Riu me fazendo lembrar do dia que o conhecemos. - Queria que ele visse onde eu cheguei. - Suspirou.
Ralph e haviam sido grandes amigos e, mesmo que não tivesse sido falado formalmente, era à ele que Ralph e eu confiaríamos nosso filho, se algo acontecesse conosco.
- Não sei por que ele fazia isso, ele amava antiguidades e a Grécia. - Disse com desdém. - Ele está orgulhoso de você, aonde quer que esteja.
- De nós!
sorriu me deixando observa-lo. Como era bonito. O sorriso leve e descontraído mostrava o quanto ele estava se divertindo ali comigo. Quando ele sorria, os olhos ficavam pequenos, dando-o um charme engraçado.
Existe uma coisa engraçada sobre relacionamentos.
Você nunca repara em algo quando é apenas amigo de alguém ou quando não há maldade entre um casal. Mas daí, à mera possibilidade de ter um romance com essa pessoa, é capaz de te fazer enxergar todas as pequenas coisas que existem nela. Se tem um sinal quase imperceptível no lábio, ou as pintinhas das mãos ficam mais evidentes, ou os olhos que clareiam ao menor contato com o sol e escurecem à medida que a noite vai caindo. Quando o sorriso da pessoa é mais comedido e quando ela realmente está achando graça daquilo. Os pequenos detalhes, aqueles bem pequeninos que só quem ama repara. Os menores deles que podem te fazer sorrir, apenas por tê-los percebido.
Ainda olhava fixamente para ele quando o garçom se aproximou, deixando nossos pratos à mesa. repôs o vinho da minha taça ainda falando algo que eu tinha parado de ouvir no segundo em que ele sorriu.
Droga. Por que ele tinha que despertar em mim aquele sentimento que eu já tinha escondido tão bem?
- ? - Perguntou, o cenho franzido, aguardando minha resposta. - ? Ouviu o que eu disse?
- Ahm, não, desculpe. Pode repetir? - Levei a taça aos lábios, escondendo os olhos no líquido vermelho do recipiente.
- Perguntei se gostaria de acampar comigo. Você e Ryan.
Franzi o cenho para ele. De onde havia surgido aquele assunto? Há quanto tempo eu estava perdida em pensamentos?
- Ahm, sim, claro. - Depositei a taça ao lado do prato inalando o cheiro do filé. O ronco que minha barriga deu foi tão alto que, provavelmente, todo o restaurante ouviu. - Que cheiro delicioso. Podemos comer?
- É claro. - sorriu mas ainda mantinha no rosto a expressão confusa de antes. - Está tudo bem?
Assenti colocando o primeiro pedaço de carne à boca e só pude fechar os olhos para apreciar o sabor. O gosto da carne, ainda mal passada, combinando com os temperos, batata e cenoura e o vinagrete traziam uma combinação quase divina.
Quase gemi ao encher a boca com os condimentos e riu outra vez. Desviei o olhar do prato um segundo, apenas para constatar que ele me observava.
Meu sorriso espelhou o dele e voltamos a comer em silêncio, parando de tempos em tempos para observar o outro.
Percebi naquele instante que não sorria por um homem desde Ralph, mas não senti nenhuma culpa por isso.
Ele estaria torcendo por nós e vibrando a cada sorriso que eu flagrava de meu admirador.


📽💚🌸



- Por que, exatamente, você aceitou esse desafio? - Perguntei depois de muito tempo de silêncio.
Depois do jantar, me convidou para caminhar um pouco na areia, para conversar. Ou não, já que o silêncio nos acompanhava desde o restaurante.
- Porque eu nunca recuso um desafio. - Deu de ombros, como se essa fosse a única resposta óbvia.
- Estou falando sério, . - Parei de andar e puxei sua mão, fazendo-o se virar em minha direção.
respirou fundo antes de responder.
- Por que você está há tempo demais sem deixar outra pessoa se aproximar de você.
- Talvez por que eu não precise de mais alguém. - Disse devagar, não querendo parecer grossa, e outra vez o sorriso de estava lá, esperando por aquela resposta como quem espera o Papai Noel na noite de Natal.
- Tem razão, não precisa. - Segurou minhas mãos e puxou meu corpo de encontro ao seu. - Mas, um pouquinho de amor não faz mal à ninguém. - Sorriu e eu me deixei ser abraçada por ele.
- E você gostaria de me dar esse amor? - Ri provocando-o.
me afastou o suficiente para olhar em meus olhos e me assustei com a transparência que eles se mostravam à mim.
- Só se você deixar. - Sorriu e aproximou-se lentamente.
Fechei meus olhos e esperei pacientemente pelo toque de seus lábios, mas ele não veio. Diferentemente do que eu imaginava, seus lábios tocaram minha testa, deixando um leve beijo ali e um formigamento que demoraria à passar.
Meu cérebro, meus lábios e todo o meu corpo esperavam por um beijo. Um beijo que, muito provavelmente, me deixaria sem ar e de pernas bambas, mas o que ele me deu fora apenas um gesto de carinho e respeito. E eu não podia admirá-lo mais por isso.
Continuamos caminhando por um período considerável de tempo, com apontando as estrelas e explicando sobre as constelações que eu pouco me importava. A única coisa que gritava em minha mente era um sonoro e animado: Se apaixone por ele! Se apaixone agora!
Ah, cérebro, não precisa pedir duas vezes.


O carro fora estacionado na minha porta e um apressado abria a porta do meu lado, ajudando-me a descer. Peguei minha bolsa e a mochila de Ryan, enquanto ele pegava o mesmo, adormecido no banco traseiro.
Quando chegamos à casa de minha ex sogra, e Ryan ficaram correndo pelo quintal, mesmo às dez da noite, fazendo a maior bagunça. Lucia me pegou suspirando ao observar a cena dos dois no quintal e sorriu, como se aprovasse aquilo. O tanto que eu amava a mãe de Ralph ninguém podia contestar, ela era incrível e me ajudava tanto. A segunda mãe que Deus me deu e que eu levaria para todo o sempre.

Abri a porta de casa dando passagem a , que já sabia o caminho para o quarto de Ryan. Deixei as coisas que carregava na mesa da cozinha e procurei uma jarra para colocar as flores. As lindas peonias ficariam lindas na mesa de centro da sala e todo dia eu poderia ver o carinho de alguém que realmente gostava de mim.
Não percebi a presença de na sala até que ele pigarreasse, me assustando.
- Ryan está apagado, literalmente. - riu, parando perto da porta.
- Culpa sua que ficou correndo atrás dele. - Apontei e ele deu de ombros.
- Seu filho me adora e quer sempre brincar comigo. Não vou negar isso à ele. - Cruzou os braços com um sorriso ladino no rosto e eu sorri também. - Mas agora eu preciso ir.
- Tudo bem, te levo até o carro. - Disse colocando o jarro com as flores na mesa. abriu a porta e a manteve assim até que eu passasse. - Você vai me acostumar mal com todo esse cavalheirismo.
- Eu farei isso por todos os dias das nossas vidas, . Não vai ser ruim. - Disse entrelaçando nossas mãos pelo curto caminho até o carro.
Recostou-se nele levando meu corpo consigo. Minhas mãos foram abraçaram-no pelo pescoço e as suas enlaçaram minha cintura, deixando nossos corpos mais colados do que nunca.
- Eu acho que é agora que você vai me beijar, não é? - Disse baixo.
- É o que você quer? - Questionou com os olhos cerrados.
- Estaria mentindo se dissesse que não. - Respondi com convicção e seu sorriso tímido foi a última coisa que vi antes que ele começasse a se aproximar.
Minhas pálpebras pesaram, como se uma bigorna os puxasse para baixo e eu suspirei. Todo o meu corpo estava reagindo à expectativa de ser beijada, depois de tanto tempo, pelo meu melhor amigo. E como eu queria que isso acontecesse.
Seu nariz tocou a ponta do meu, fazendo um leve carinho, criando uma intimidade necessária para o que estávamos prestes à compartilhar.
Seus lábios roçaram os meus, apenas para dizer que estavam ali, prontos para mim e eu suspirei. Encostei nossos lábios, sentindo a maciez de e o carinho tímido que sua destra agora fazia em minha bochecha. Senti sua língua pedir passagem e concedi, deixando-a explorar todo o território à sua frente, enquanto eu fazia o mesmo. Levei a mão esquerda à sua nuca, puxando levemente os fios do local e o aperto em minha cintura ficou mais forte, revelando que aquele era um ponto fraco dele. Eu o exploraria mais vezes.
findou o beijo, quando precisávamos respirar, e recomeçava quando a necessidade de me ter em seus lábios outra vez gritava. Nossos corpos estavam tão unidos que eu podia sentir partes de seu corpo pedirem para participar da brincadeira e, quando mudei a intensidade do beijo, o findou com selinhos e uma carícia leve em minha bochecha.
Levei um tempo para abrir os olhos, não queria ter que abandonar esse primeiro momento de intimidade que tivemos, mas quando o fiz, flagrei um sorriso que nunca tinha visto antes.
Talvez fosse de admiração, mas parecia algo como realização. Isso. Ele parecia extremamente realizado por aquele beijo e meu coração bateu de um jeito novo. Um que eu só experimentara na faculdade. Um que eu sentia falta.
- Preciso mesmo ir. - Disse, as testas coladas. - Mas não quero. - Fez bico e eu ri.
- Não podemos ter tudo o que queremos. - Constatei arqueando a sobrancelha e ele sorriu.
- Tem razão. - Afastou-se por alguns segundos e voltou logo depois, depositando um selinho em meus lábios. – Boa noite, .
- Boa noite, .
Soltou-me devagar e eu me afastei, dando o espaço necessário para que entrasse em seu carro e fiquei ali na calçada, mesmo depois de ele ter dado partida. Voltei para dentro quando ele sumiu no fim da rua, virando à esquerda. Suspirei recostada à porta.

Ele venceria esse desafio mais rápido do que eu imaginei. E eu nunca fiquei tão empolgada para perder.






Continua...



Nota da autora: Oi mobens... Desculpa a demora da att, eu fiquei toda atrapalhada na hora de mandar o arquivo pro ffobs e acabei perdendo tudo que eu já tinha. Dada essa minha trapalhada, tudo agora vai ser salvo no drive porque eu vou acabar ficando louca se tiver que reescrever os capítulos toda vez. E como compensação, trouxe 18 páginas fresquinhas de Crumbleston para vocês morrerem de amor. Obrigada a quem leu ate aqui e ate a proxima att,semana não esqueçam de comentar e deixar uma autora feliz 💚 Ah, não deixem de seguir a Layla no Instagram. Ela adora dar spoilers rs, só clicar aqui.





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