Última atualização: 17/09/2019
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Prólogo


Tinha bebido mais do que deveria, tinha certeza absoluta, e a cabeça pesada era a confirmação de que a bebedeira tinha extrapolado os limites do saudável. A cama embaixo de seu corpo estava confortável, não abriria os olhos de forma alguma. Talvez até voltasse a dormir se ficasse quieta. Não que ela pudesse mesmo fazer isso, mas era a sua maior vontade.
A noite tinha sido ótima, lembrava-se de boa parte das coisas. Saiu com alguns colegas de faculdade para comemorar que... comemorar o quê? Isso entrava na lista de coisas que ela tinha esquecido. E tinha ficado com um homem muito bonito. Não que ela se lembre, de fato, do rosto dele, mas sua lembrança do homem é a de que ele era muito bonito. E bom de cama.
Tinham saído juntos e ido para a casa dele, ignorando todas as instruções dos pais que sempre foram enfáticos sobre falar e sair com estranhos. O sexo tinha sido muito bom; não o melhor de sua vida, porque ambos estavam mais bêbados do que deveriam e as coisas foram meio descoordenadas, mas foi muito bom.
Passaria o sábado acompanhada de uma ressaca imensa e duas crianças. A cabeça doía muito mais só de pensar nisso. Ela abriu minimamente o olho direito e viu que o homem ainda dormia. Tinha o corpo espalhado na cama – porque espalhado é a palavra correta para a forma como ele estava –, com o rosto virado para ela. Uma expressão serena de um sono tranquilo pós-bebedeira.
Ela conhecia aquele rosto, e não apenas da noite anterior. Conhecia-o de antes, tinha certeza absoluta. Abriu o outro olho devagar e quase caiu da cama ao ver quem era o homem. Ela se sentou de uma vez, sentindo o corpo protestar e o cômodo girar. Não era possível que, com mais de três milhões de pessoas na cidade de Madrid, sem contar os turistas, ela acabaria transando com um dos melhores amigos do irmão.
– Sou uma mulher morta se ele ficar sabendo. – murmurou para si e se levantou devagar, enrolada ao lençol.
Acharia suas roupas e iria embora sem que ele a visse.
– Ei, aonde você vai? – ela ouviu a voz rouca dele e quis sair correndo, mas estava enrolada ao lençol, não sabia onde estavam suas próprias roupas e não tinha condições físicas de correr depois do porre que tinha tomado na noite anterior.
– Embora? – ela disse numa constatação óbvia.
– Tão cedo? – ele se espreguiçou e se sentou na cama, encarando a mulher que estava de pé procurando as próprias roupas.
– Preciso ir para casa. Cadê minhas roupas?
– Não faço ideia. – ele riu e passou uma das mãos pelos cabelos bagunçados e pelo próprio rosto para afastar o sono que ainda estava lá. – Não dá para repetirmos a dose da noite?
– Infelizmente não, eu tenho mesmo que ir.
– Acho que seu vestido ficou na sala, porque foi lá que começamos. Vou buscar. – ele se levantou completamente nu e ela quis desviar o olhar, mas isso não faria sentido, já tinha visto e usado daquele corpo inteiro na noite anterior.
E, se o fizesse, perderia a chance de admirar a vista espetacular. As costas do coitado estavam todas arranhadas, e ele tinha algumas marcas de chupão pelo abdome e pescoço também. Ele amarrou uma toalha na cintura e saiu do quarto.
Voltou para o quarto trazendo o vestido e a calcinha que tinha ficado pelo sofá, junto com as roupas que ele tinha usado na noite anterior. Ele mal entregou as peças e ela já as estava vestindo com pressa. Ele estava agora só de boxer e tinha a toalha nos ombros.
– Vamos tomar café, deixo-te em casa.
– Não me leve a mal, mas eu prefiro que não me vejam na rua com você.
– Posso saber o motivo? – ele perguntou num tom ofendido.
– Porque eu prefiro que meu irmão não seja preso por duplo homicídio.
– Como assim? – ele perguntou, encarando a garota, e de repente, ele a reconheceu.
Não era possível que, entre tantas pessoas em Madrid, ele tinha que acabar levando aquela para a cama.
– Pela sua cara, você entendeu. – ela deu um sorriso sem jeito. – E acho que nós dois sabemos que o Real Madrid precisa de você vivo, . E do capitão do time em campo, e não na cadeia.


Capítulo 1 – I want to drive you into the corner…


and kiss you without a sound. (Hot – Avril Lavigne)

– Pela cara de ressaca que nunca vai passar, sua noite foi muito boa, hein? – Sergio brincou quando apareceu.
Ela tinha ido em casa, tomado um banho e tentado ficar apresentável, mas não conseguiu um resultado muito consistente, apenas amenizou o máximo que conseguiu as marcas aparentes que tinha deixado em seu corpo.
– Só não foi melhor porque acabou. – respondeu e ele a abraçou, dando-a um beijo no rosto.
– Já tomou café da manhã? – perguntou, dando passagem para a irmã entrar.
– Sim, em casa.
– Na sua casa ou na casa em que você dormiu?
– Eu dormi na minha casa. – resmungou e ele deu um sorriso debochado.
– Você e mais quantos?
– Só eu, idiota. Cuida da sua vida. – ela respondeu e ele deu um sorriso debochado. – Cadê meus pipotinhos?
– Pilar está trocando a fralda do Marco, mi Nano está na sala vendo televisão. E eu estava esperando você chegar ou a Pilar terminar de trocar o Marco para sair, então agora eu vou para o treino, porque senão vou chegar atrasado. Nos vemos mais tarde.
– Bom treino. – ela o deu um beijo no rosto e ele saiu.
seguiu pelo corredor, encontrando o sobrinho mais velho sentado no sofá, assistindo desenho.
– TITIA!
Mi amor. – ela sorriu, apertando Sergio Junior num abraço.
– Posso deixar os dois com você e tomar banho? Estou quase atrasada. – Pilar fez uma careta quando chegou na sala, trazendo Marco no colo, e assentiu.
– Deve.
– A noite foi boa, hein? – repetiu o que o marido tinha dito e deu um sorriso sugestivo para a cunhada. – Eu recomendo passar uma base nesses roxos que estão no seu pescoço.
– E esses são os mais tranquilos. – ela resmungou e Pilar riu.
– Sergio não viu?
– Acho que ele estava com tanta pressa de sair que não viu, mas comentou sobre minha cara.
– Eu vou tomar banho, já volto. – Pilar disse, saindo da sala.
– Titia, vamos brincar lá fora? – Sergio sugeriu.
– Vamos. – ela sorriu, desligando a televisão, e os três saíram para o grande quintal da casa.

-x-


– Acho que o brigou com um leão essa noite. – Marco foi o primeiro a implicar com o amigo no vestiário.
– Nem um leão teria feito tanto estrago assim. – Sergio foi o próximo a implicar, e tratou de vestir a camisa o mais rápido que pode, quase como se o amigo estivesse tentando fazê-lo contar que tinha dormido com sua irmã. – Não adianta, o que está visto, está visto.
– E tem nos braços também. – Lucas acrescentou, rindo.
– E não foi só arranhado, está todo roxo de chupão também. – Morata provocou.
– A noite foi boa, hein, Magia? – Carvajal sorriu sugestivo.
– Excelente. – respondeu, sorrindo, e passou as mãos pelos cabelos. – Mas estou numa ressaca fodida.
– Vocês vão ficar fofocando ou vão treinar? – Bettoni entrou no vestiário e falou, sério.
– Vamos treinar. Até porque podemos fofocar enquanto fazemos isso. – Lucas falou num tom divertido e o homem riu.
Os atletas saíram do vestiário e seguiram até o campo onde treinariam.
Treinar de ressaca foi difícil. Não que ele já não tivesse feito isso algumas vezes, mas era sempre difícil correr enquanto seu corpo implorava por cama, ainda mais que as costas ardiam pelos arranhões conseguidos na noite anterior. Mas a pior parte era quando Sergio o olhava. Parecia que o amigo sabia o que tinha acontecido e estava só esperando o momento certo de picá-lo vivo por ter feito aquilo com sua irmãzinha.
Será que ele sabia? duvidava, afinal teria que ter contado, e pela forma como ela falou com ele pela manhã, estava claro que ela não faria aquilo nem sob tortura. E também não contaria, seria se entregar muito facilmente à morte. Ele tem um filho para criar e uma Copa do Mundo a ganhar, não pode se dar ao luxo de morrer assim tão facilmente.
– Ei, . Acorda! – Morata passou as mãos na frente dos olhos do amigo, que encarava o nada, e pareceu despertá-lo dos pensamentos. – Está pensando na sua noite?
– Mais ou menos.
– Foi tão bom assim?
– Estávamos os dois mais bêbados que o considerado saudável e acho que isso impediu de ser excelente. De zero a dez, sete e meio. Oito.
– Então foi muito bom!
– Foi, mas podia ter sido melhor.
– Liga e repete a dose, mas sem álcool envolvido.
– Eu não tenho o número dela.
– Nunca mais então.
– Aí que você se engana. – deu um sorriso de lado e voltou a correr.
– Como assim? – ele ouviu Morata perguntar, curioso, mas não correu atrás do amigo.
– Nos vemos amanhã. – disse, enquanto saía do vestiário após o treino.
– Não vai tomar banho? – Nacho perguntou e ele negou.
– Tomo banho em casa. E nem estou tão suado. – ele mentiu e deu de ombros.
Sem chance que tiraria aquela camisa ali de novo. E preferia tomar banho em casa, porque podia sentir a dor sozinho e fazer todas as caretas possíveis sem ser zoado.
– Passa uma pomadinha nas costas para não inflamar, Magia. – Sergio Ramos provocou e fez os outros rirem.
queria sair correndo, porque realmente parecia que o homem sabia quem tinha feito aquilo.
– Como assim? – Nacho perguntou sem entender.
Quando os outros implicaram com pelas marcas, o jogador já tinha saído do vestiário e estava no campo.
– Não faço ideia do que esse idiota está falando.
– Do que você me chamou? – Sergio Ramos perguntou num tom ofendido e, como um bom grupo de homens adultos e maduros, os outros soltaram um sonoro “uuuh”.
Sergio seguiu até onde Nacho e estavam, fazendo a feição mais ameaçadora que conseguiu, apesar de estar segurando-se para não rir da cara de pânico que fazia.
– De idiota. Eu ouvi bem. – Lucas respondeu antes que pudesse falar alguma coisa.
– Eu não deixaria barato. Tem que ensinar os subalternos a respeitarem o capitão. – foi a vez de Marco se pronunciar, rindo.
– Achei que tinha sido o Lucas que tinha falado isso, capi. Não precisa ficar bravo, eu estou só brincando. – disse, dando um sorriso de lado e tentando se desculpar.
Sergio parou bem em frente ao homem. Fazia cara de quem tinha realmente se ofendido e, no milésimo de segundo que sabia ter, começou a raciocinar quais eram suas saídas, porque alguma coisa aconteceria, ainda que ele não soubesse o que seria.
Podia correr, mas duvidava que conseguisse chegar até a porta sem que algum dos companheiros o segurasse ou fechasse a porta; podia pedir desculpas por ter transado com a irmã dele, mas não sem ter certeza de que Sergio já sabia e que, portanto, já era um homem morto; podia pedir desculpas pelo que disse, mas não adiantaria se Sergio estivesse mesmo ofendido; podia ficar ali e esperar para ver o que aconteceria.
Antes que tomasse uma decisão sobre o que fazer, Sergio o envolveu num abraço de urso, apertando-o com mais força do que seria necessário para segurá-lo, apenas para fazer os arranhões doerem.
– Ai, porra, me solta. – reclamou e saiu sendo carregado pelo capitão, que arrancava a risada dos demais companheiros, e o jogou na banheira de gelo.
não saberia dizer qual tinha sido a pior sensação: a do choque térmico ou a ardência dos arranhões.
– Isso é para você aprender a respeitar seu capitão. – Sergio disse em tom divertido e mantinha seu braço segurando na água fria. Não mencionou irmã. Não sabe. quase respirou aliviado. – Idiota aqui é só você.
– Você está ficando ofendido muito fácil, capi. Acho melhor você parar de andar com esses bundões. – provocou, mas arrancou uma gargalhada de Sergio, que o soltou e estendeu a mão, ajudando o amigo a sair. – Agora preciso tomar banho. Filho da mãe.
– Sua sorte é que te joguei no gelo, se eu te enfio debaixo do chuveiro quente, você estaria chorando por causa desses arranhões.
– Não é como se eu não estivesse fazendo isso internamente agora. – resmungou e mentalmente agradeceu a todas as entidades superiores das quais conseguia se lembrar, porque não queria nem imaginar o que Sergio Ramos faria com ele se descobrisse.
– Caralho, , você brigou com um leão ontem à noite? – Nacho perguntou, assustado, quando viu sem camisa.
– Só se, além de unhas, o leão também souber usar bem a boca. – Marco respondeu, provocando o amigo. – Porque além de arranhado, ele está todo marcado de chupão.
– Até a boca dele está inchada. – Morata apontou, rindo.
– Que noite para o Magia. – Lucas acrescentou, rindo.
– Tomem conta das vidas de vocês. – respondeu, enquanto se enfiava sob o chuveiro.
A água estava morna e o contato com os arranhões o fez arrepender quase que imediatamente de não ter apenas trocado de roupa e ido embora. Tomou um banho rápido, enquanto ainda ouvia os amigos fazendo piadas sobre as marcas que tinha no corpo e que não sairiam tão cedo. Secou-se de qualquer jeito e não demorou muito a sair e ir embora. Quanto menos tempo ficasse perto de Sergio Ramos, mais seguro se sentiria.

-x-


– O papai vai demorar? – Sergio Junior perguntou, pulando no sofá.
estava deitada no chão e Marco estava dormindo em seu quarto.
– Acho que seu pai deve chegar para o jantar, Nano.
– Estou com fome.
– O que você quer comer? – ela perguntou, olhando para o relógio.
Cinco da tarde.
estava com os dois desde cedo porque Sergio foi treinar; Pilar foi trabalhar, mas passou em casa para amamentar Marco, e os dois – Pilar e Sergio – tinham um evento. Chegariam perto das nove, pelo que disseram, mas disse que não precisavam ter pressa.
Os sobrinhos eram ótimas crianças para se cuidar, bagunceiros, mas obedientes e cheios de energia, e ela amava ficar com os dois, era sempre muito divertido brincar e cuidar deles. Ainda que um deles fosse um bebê que demandasse mais atenção do que diversão.
– Bolo de chocolate! – Sergio parou de pular e a olhou, esperançoso.
Os olhinhos brilhavam e, se não tivesse bolo de chocolate naquela casa, ela atravessaria o mundo por um para o menino.
– Então comeremos bolo de chocolate. – ela sorriu para o menino e se pôs de pé.
Sergio Junior pulou do sofá para o colo da tia e os dois seguiram até a cozinha.
O bolo estava na geladeira e o menino se agitou, animado. Aquele típico bolo de chocolate de vitrine de confeitaria, com calda e pedaços de chocolate. O motivo de um daqueles estar na geladeira daquela casa era um mistério, mas apenas agradecia por ter.
Partiu dois pedaços de bolo maiores do que Pilar e o irmão considerariam saudável e os dois se sentaram à mesa para aproveitar aquela delícia. Enquanto observava o menino comer, passava os olhos pelo Instagram. Talvez descobrisse o que estavam comemorando na noite anterior. Tinha sido marcada em duas fotos de colegas e a legenda fez se lembrar, era a despedida de uma das colegas que estava mudando-se para Portugal.
O Instagram também lhe mostrou uma solicitação nova de amizade. . Ela engasgou com o café que tomava e isso fez o sobrinho rir. Fechou o aplicativo. Se ele estava esperando que ela aceitasse, estava enganado. Ela já tinha infringido a própria regra de nunca sair com jogadores, e não se colocaria em tentação para quebrar a própria regra de novo.

-x-


– Tomara que alguém queira trocar de camisa com você. Vai ser muito engraçado ver essas imagens na televisão depois. – Lucas disse, rindo.
– Cale a boca.
– Convidou a leoa para vir? – provocou e lhe mostrou o dedo do meio.
– Cala a boca. – repetiu e Lucas deu uma gargalhada.
O time se alinhou para entrar em campo e ainda esperava que sua solicitação fosse aceita no Instagram. Se ela deixava que Lucas, Iker, Nacho e Modric a seguissem, ele podia também, certo? E era o único jeito de conseguir falar com , já que não tem o número do seu celular e ela não recebia mensagem de não seguidores, e ele queria desafiar o perigo e chamá-la para sair de novo.
Ele começaria na reserva. Zidane escalou o time misto contra o Sevilla, porque teriam outro jogo no meio da semana e a final da Champions estava próxima. O time venceu por quatro a um, com double de Cristiano, um gol de Nacho e outro de Toni. não saiu do banco naquele jogo, o que para ele era horrível, mas não tinha o que fazer sobre isso. Quando o jogo acabou, tratou de ir rápido para o vestiário, não queria mesmo correr o risco de alguém querer sua camisa.
Os jogadores saíram todos juntos depois de passarem pela área onde alguns concederam entrevistas e ele a viu. Estava encostada em um carro e estava com o celular em mãos, lendo alguma coisa que a fez rir.
– Vai precisar de carona? – a voz de Sergio o despertou e ele olhou para o amigo que vinha andando próximo a ele.
– Peço um táxi.
– Que nada, vamos comigo. Deixo-te em casa. – Sergio sorriu e abraçou o amigo pelos ombros.
– Mas não é seu caminho, não precisa.
– Relaxa. Deixo-te em casa.
– Então tudo bem.
– Me dá a chave. – Sergio disse para a irmã, que ergueu o olhar, e um leve pânico passou por seus olhos quando ela viu quem estava junto do irmão.
mudou de cor quatro vezes antes de assumir um tom meio esverdeado que dava a impressão de que ela vomitaria ou desmaiaria ali mesmo. Não podia ser sério que aquilo estivesse acontecendo. Será que Sergio sabia e estava levando os dois para matá-los num terreno baldio e largar os corpos incinerados por lá?
Não era possível que tivesse contado, porque Sergio estava todo amistoso com o companheiro, e duvidava muito que o irmão estaria assim com qualquer um que tivesse dormido com sua irmãzinha mais nova. Ele estaria com cara de bravo e tendendo ao homicida, e não rindo. E ela preferia nem olhar muito para , porque isso a fazia querer repetir a noite anterior, sem álcool. Lembra-se de cada detalhe daquele corpo, de cada toque, e isso é absurdamente errado e perigoso. Contra as regras. Não.
– Me dá a chave do carro, . – Sergio repetiu.
– Ahn? Ah. – ela despertou dos próprios pensamentos e o encarou confusa. – Por quê?
– Porque eu já te vi dirigindo e não quero morrer indo embora para casa. E esse carro é o meu, então eu vou dirigir. – ele provocou, rindo, e a abraçou, dando um beijo em seu rosto.
– Bom jogo, capi. – ela sorriu para o irmão.
– Oi. – a cumprimentou tentando usar um tom normal. Aquela voz. Ela se lembrava muito bem de como era gostoso ouvi-lo gemer seu nome em seu ouvido.
– Vocês já se conhecem, né? – ele perguntou num tom casual e quase saiu correndo antes de repetir mentalmente que ele não fazia ideia do que tinha acontecido e ela não tinha motivos para se preocupar. E que realmente conhecia de antes.
– Sim. Conhecemo-nos faz um tempo.
– Desde La Decima, se não me engano. Ou antes, não sei.
– É, algo assim. – ela deu de ombros.
– Podemos? – Sergio perguntou, tomando as chaves da irmã, que fez cara feia para o ato do irmão mais velho.
– Pode ir na frente. – disse sem olhá-la por muito tempo, porque se lembrava muito bem daquele corpo em sua cama e sem roupa.
Era melhor evitar.
– Você que sabe. – ela deu de ombros e deu a volta, sentando-se no banco do carona. Sergio tomou seu lugar como motorista e no banco de trás. – Por que Pilar não veio?
– Ela tinha umas coisas do trabalho para fazer.
– Deixe-me em casa primeiro? – pediu ao irmão.
– Na sua casa?
– É. Eu tenho que terminar um trabalho e, se eu for para sua casa, já sei que não vou terminar nada, e isso vai ser um problema enorme.
– Tudo bem. Você se importa, ?
– Sem problemas. – o homem respondeu e deu de ombros.
– Tenho que levar minha irmãzinha para dormir em casa pela primeira vez o fim de semana inteiro. – Sergio brincou.
e travaram em seus lugares. Não era possível que aquilo estava acontecendo.
– Cuida da sua vida. – disse num resmungo.
Ele não demorou a parar o carro à frente de um prédio de fachada simples. Os dois trocaram um abraço e um beijo no rosto antes dela descer do carro, despedindo-se por alto de .
– Quantos anos sua irmã tem?
– Vinte e dois. Por que o interesse? – Sergio perguntou, sério, enquanto passava para o banco do carona.
– Nenhum. – ergueu as mãos. – Só que ela é parece ser bem mais nova que você.
– Eu tinha nove anos quando ela nasceu.
– Vocês se dão bem?
– Muito. – ele sorriu. – Sempre fomos próximos e amigos. Menos quando ela era uma adolescente insuportável, alguns poucos anos atrás. Nós brigamos várias vezes nessa época, mas somos amigos e falamos sobre tudo um com o outro. E ela tem um dom sobrenatural de lidar com crianças. Raramente me preocupo com babás, porque ela sempre cuida bem dos meninos quando pode ficar com eles, e é como se não existissem crianças naquela casa quando ela está por lá.
– Depois me passa o contato então, porque eu tenho sérios problemas com isso de babás. Não acho uma babá que o Junior goste e se adapte. – disse, suspirando derrotado.
– Depois pergunta ao Luka e ao Nacho. Ela ganha um dinheiro extra sendo babá, e os dois devem ser os clientes mais fiéis que ela tem. – Sergio riu. – Ela consegue manter Ivano, Ema, Ale e mi Nano brincando juntos sem brigarem e sem fazerem bagunça. E cuidando de Nachito e Marco também.
– Ela é tipo uma bruxa? – perguntou, rindo.
– Um pouco Mary Poppins, mas sem a música. – Sergio riu. – Mas estou meio ferrado nas férias.
– Por quê?
– Ela vai passar dois meses em Munique fazendo um curso para acrescentar créditos na faculdade, pelo que entendi. No ano passado, ela estava estudando em Londres, e por isso ainda não formou.
– E o que ela estuda?
– Direito.
– Tomara que dê tudo certo para ela. – disse e Sergio parou o carro na entrada do condomínio. – E valeu pela carona, capi.
– Sempre que precisar, Magia. – Sergio sorriu. – Ah, toma aqui o número dela. Talvez seu filho seja o próximo membro da “Creche da Tia ”.
– Valeu, capitán. – agradeceu.
– Se eu te pegar de conversinha com minha irmã, eu quebro suas duas pernas. – Sergio disse, sério, e assentiu, dando um sorriso.
Anotou o número da mulher e seguiu caminhando até sua casa. Victoria estava de carro e tinha uma expressão de impaciente. Não falou com , apenas se despediu do filho e foi embora.


Capítulo 2 – I got only good intentions...


…So give me your attention. (Ruin the Friendship – Demi Lovato)

“Socorra-me, eles vão me deixar doida!”, dizia a mensagem que recebeu de Maria, esposa de Nacho. A mensagem veio acompanhada de uma foto de três crianças: Alejandra, Nachito e Junior. E eles não pareciam estar brincando.
“Chego aí em uma hora, mais ou menos. Vamos fazer um piquenique”, ela enviou de volta e tratou de se arrumar.
A melhor parte de ser uma boa estagiária era que podia trabalhar em casa ou pedir folga em momentos como aquele, porque o chefe sabia que, quando precisasse da ajuda dela, a ajuda viria rápido e de forma muito competente, por sinal. mandou uma mensagem, disse que precisava ajudar uma amiga, e o chefe a liberou, disse que ela tinha o dia livre, e ela, então, poderia sair com as crianças e Maria sem problemas.
Na noite anterior, ela tinha feito um bolo de chocolate, tinha a intenção de levar para os sobrinhos mais tarde naquele dia, contrariando toda a rotina fitness dos pais das crianças, mas Maria parecia precisar muito mais, então seria ela a contemplada com o bolo de chocolate. Fez alguns sanduíches pequenos e os embalou, colocando os pedaços de bolo em uma vasilha e os sanduíches embalados numa bolsa térmica que teve de procurar pela casa. Suco ela compraria quando estivessem saindo, era muito mais prático do que fazer, já que sabia que encontraria suco pronto no supermercado.
Tomou um banho rápido e vestiu-se com uma bermuda, camiseta e tênis, além de passar repelente e protetor solar e levá-los consigo. Ela deixou a bolsa sobre o balcão, enquanto pegava o telefone e ligava para a cunhada. Já que sairia com crianças, podia levar Sergio Junior junto para brincarem um pouco.
Alô. – o telefone foi atendido no segundo toque, e ela pode ouvir uma música de desenho animado ao fundo.
– Oi, Pilar. Sou eu, . Tudo bem?
Tudo, . E você?
– Tudo ótimo. Você vai sair com os meninos?
Não. Por quê?
– Me empresta o Sergio? Vou socorrer Maria com as crianças dela e Junior, vamos fazer um piquenique. Queria levar Nano também.
Claro. Você vem por agora?
– Passo aí em dez minutos. Nem preocupa com banho, porque ele vai voltar para casa imundo.
Eu sei. – ela riu. – Então estaremos esperando.
Ela tinha comprado uma cesta de piquenique há uns meses, ainda que não soubesse bem o motivo quando o fez, e não a tinha usado ainda, então aquela era a oportunidade perfeita de fazê-lo e ter um piquenique de filme pela primeira vez na vida. Pegou uma toalha de mesa grande e colocou tudo dentro da cesta. Seu telefone tocou, e o nome de Maria apareceu na tela.
– Chego daqui a pouco. – disse quando atendeu. – Vou buscar Sergio e vamos.
Pilar também vai?
– Não. Quer dizer, acho que não.
O que você vai levar?
– Bolo e uns sanduíches.
Aqui tem suco, frutas, biscoito e água.
– Vamos levar tudo isso.
Eles vão me deixar doida. – Maria resmungou e riu.
– Daqui a pouco eu chego.
Estou te esperando. – Maria disse e desligou.
saiu após conferir se levava tudo. Buscou o sobrinho e chegou na casa de Maria ainda dentro do prazo de uma hora prometido. Soltou o menino da cadeirinha e seguiram com as mãos dadas até a entrada da casa. Ela podia ouvir as crianças gritando e gargalhando. Maria devia estar prestes a ter um colapso nervoso com três crianças fazendo bagunça, e uma dessas crianças nem um ano tinha ainda. E quando tocou a campainha, Maria atendeu o mais rápido que conseguiu.
– Faça sua mágica, tia . – Maria disse, dando um sorriso nervoso, e riu, abraçando a mulher.
Ela cumprimentou Sergio Junior com um beijo no rosto e os dois entraram na casa.
– TIAAAAA! – Alejandra foi a primeira das crianças a vê-la e correu em sua direção, abraçando-a pelas pernas.
– ALEEEE! Opa. – Junior vinha correndo e parou no meio do caminho quando viu a desconhecida.
– Olha a minha tia! – a menina disse, exibindo como se ela fosse um brinquedo novo que tinha acabado de ganhar, e o menino arregalou os olhos com vergonha e deu meia volta antes que pudesse ser cumprimentado.
Sergio Junior e Ale se abraçaram e saíram juntos e conversando pelo caminho que Junior tinha feito segundos antes. e Maria também foram e chegaram até a sala, onde os quatro estavam.
– Oi, raiozinho de sol! – ela disse, dando um beijo demorado na bochecha de Nachito quando o pegou no colo, e o menino deu uma gargalhada, enquanto o apertava e o beijava.
, esse é o , amigo de Ale e do Nachito. – Maria disse e sorriu para o menino, que a olhava desconfiado.
– Ele é meu amigo também, tia! – Sergio Junior disse e Maria assentiu.
– Oi, . Você é muito mais lindo do que seu pai me falou. – disse, dando um sorriso.
– Você conhece meu pai? – ele perguntou, assustado.
– Conheço. – ela sorriu. – E ele me falou muito sobre você. Disse que você é lindo e que sabe jogar futebol muito bem.
– Ah, então oi! – ele deu um sorriso receptivo e sorriu de volta.
– Podemos ir? – perguntou e os três maiores comemoraram.
– E como faremos? Todos juntos?
– Pode ser. E é até melhor.
– E para onde iremos?
– Parque de Atracciones de Madrid. Que tal? – ofereceu. – Porque se um piquenique não for suficiente, temos opções.
– Ótimo. Então vamos. – Maria disse e estendeu a mão para Sergio Junior, que foi até ela e pegou sua mão, enquanto no outro braço ela carregava Nacho Junior; Ale e Junior deram as mãos para Maria.
Ajeitaram as crianças na minivan dos Fernández Córtes, tomou seu lugar no banco do carona e Maria no lado do motorista. As crianças estavam comportadas, porque Maria colocou um DVD com desenhos para que assistissem enquanto percorriam a distância da casa até o Parque e, claro, para que ficassem quietas pelo menos um pouco. E o principal: para que Alejandra ficasse calada por mais de quinze segundos.
– E por que você não trouxe o Marco? – Maria perguntou, sem desviar os olhos da pista.
– Imagina dois bebês e esses três. – respondeu, rindo.
– Marco e Nachito ficariam comigo, enquanto você daria um chá de cansaço nesses três.
– Marco é tipo a Ale, ligado em potência máxima o dia inteiro.
– Sério? – Maria desviou o olhar, rapidamente, da rua para e pareceu surpresa.
– Muito sério! Quando ele se junta com aqueles três cachorros da casa, é um Deus-nos-acuda. Principalmente se o Sergio Pai estiver junto. E Pilar disse que ia levá-lo ao médico também, em uma daquelas consultas de rotina.
– Entendi. Chegamos. Finalmente. – Maria disse, estacionando o carro, e desligou o DVD, ouvindo os resmungos das crianças. – Nós chegamos.
– EBA! – o coro animado de vozes infantil substituiu as lamúrias, e logo estavam todos fora do carro e caminhando até um bom local para um piquenique.
Sentaram-se sob a sombra de uma árvore e comiam algumas das coisas que tinham sido levadas. Maria tinha ficado preocupada que as crianças não comeriam as frutas, tendo em vista a quantidade de coisas atrativas que tinha levado, mas viu sua preocupação se esvair quando os convenceu a comer primeiro as frutas para que pudessem ir brincar. Parecia mesmo que fazia mágica, porque nenhum ser humano comum era capaz de convencer crianças a comerem frutas quando sanduíches e bolo de chocolate eram opções. Os quatro estavam sentados, quietos, comendo e observando os pássaros que voavam por ali.
– Você faz mágica, não é possível. – Maria falou e riu.
– Tia, você me dá água? – Junior pediu, deitado na toalha, e olhava para o alto.
Tinham comido as frutas e lhes pediu um tempo antes de comerem o bolo e os biscoitos.
– Claro, lindinho. – respondeu, pegando água, e o entregou. Ale e Sergio Junior seguiram a deixa e também pediram água, enquanto Junior se sentava para tomar sua água. – Vamos brincar? – ela sugeriu e as crianças sorriram, animadas.
Pularam, correram, suaram e riram muito, e um bom tempo se passou até que, finalmente, sentiram fome e quiseram comer mais um pouco. Maria tinha ficado sentada com Nachito, observando a brincadeira quase escandalosa de com as crianças, além de ver os pássaros que voavam por ali e deixavam o menino em estado de êxtase; foi a responsável por correr e brincar com os outros três, que pareciam incansáveis e davam gargalhadas aos montes enquanto corriam e brincavam.
As crianças estavam imundas de rolar na grama e suados pelo tanto que correram, mas estavam muito felizes com a atividade diferente da que sempre faziam. Sentaram-se para comer, enquanto as crianças contavam para e Maria o que tinham feito (e daí que as duas estavam lá e tinham visto?) nas brincadeiras.
– Vamos tirar uma foto para mandar para os papais? – Maria perguntou e as crianças comemoraram, animadas; até Sergio Junior, que não era lá um adepto de fotos.
Tiraram uma selfie sorridentes e ela enviou para Nacho, que, obviamente, repassaria aos outros dois pais das crianças presentes na foto. E postou no Instagram, marcando , Nacho, Pilar, Sergio e .
Depois de um tempo, Nachito estava deitado na toalha com e Maria; os maiores, Junior, Alejandra e Sergio Junior estavam na grama, jogando migalhas para os patos e passarinhos, e achavam isso a coisa mais divertida do mundo.
– Tia, nós vamos passear agora? – Alejandra perguntou, virando-se para .
– Vocês querem fazer alguma coisa? – ela perguntou e acariciou os cabelos de Nachito, que estava deitado ao seu lado.
– Zoo! – Junior deu um sorriso animado e os outros dois concordaram, animados.
– Então vamos passear no zoo. – respondeu, sorrindo, e Alejandra comemorou com palminhas. – Vamos juntar as coisas e guardar no carro, depois vamos para o zoo.
As duas mais velhas juntaram as coisas com “ajuda” das crianças, foram até o carro guardar as coisas e seguiram para o zoológico, dentro do próprio parque. As crianças estavam encantadas, e apesar de não apoiar a existência de zoológicos, considerava absurdamente fofo e encantador como as crianças ficavam felizes ao verem os animais tão de perto.
Não andaram por todo lugar, claro, viram alguns dos bichos, foram ao aquário, ao tanque de golfinhos, depois de Sergio Junior pedir insistentemente para irem até lá. e Maria tiraram algumas fotos e resolveram que era hora de ir embora com as crianças.
– Ainda são cinco horas, o jogo é só às oito. – Maria olhou o relógio enquanto caminhavam até o carro.
– Quer ir para sua casa? Eu te ajudo com eles.
– Se você for me ajudar mesmo, vamos. Apesar de achar que eles vão dormir antes de chegarmos lá.
– Não vão. – deu um sorriso. – Só mantê-los interessados em ficar acordados.
– Eu não sei até onde eles ficarem acordados é bom. – Maria riu, enquanto tinha Sergio Junior sobre os ombros e caminhava de mão dada com Junior.
– Se eles ficarem acordados agora à tarde, vão dormir cedo.
– Eu não vou dormir. Quero ver meu pai jogar. – Junior disse, cheio de opinião, fazendo e Maria rirem.
– Então vamos combinar o seguinte: vamos ficar acordados e brincar bastante quando chegarmos em casa, que aí ninguém perde o jogo, e vamos todos poder torcer para o Real. O que vocês acham?
– Sim! – Alejandra, Sergio Junior e Junior disseram, animados, enquanto caminhavam.
Nachito estava quase dormindo no colo da mãe, não daria trabalho algum para elas. Bom, talvez mais tarde.
As crianças foram colocadas em suas cadeirinhas, e para que não dormissem durante o percurso, foi cantando com eles e fazendo o máximo de gracinhas e brincadeiras que conseguia para que todos chegassem acordados na casa de Maria e Nacho. À exceção de Nachito, que foi o único que dormiu basicamente quando foi colocado em sua cadeirinha.

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– Maria recorreu à supertia . – Nacho falou, rindo, e mostrou a foto para Sergio Ramos e .
– Ela postou no Instagram. – Sergio Ramos disse e deu um sorriso ao rever a foto. – E pelo jeito a tia conseguiu mais um membro para o fã clube.
– Nunca vi o Junior assim com algum adulto que ele não conhece sem que eu ou a mãe dele estivéssemos perto. – soltou num muxoxo, enquanto observava a foto em que o filho estava nas costas de , abraçava-a pelo pescoço, tinha o rosto bem próximo ao dela e dava um sorriso imenso para a foto.
– É impossível explicar como ela faz essas coisas. Ale e Nachito a adoram desde que nasceram.
– Eu nem sabia que ela ia ficar com mi Nano hoje.
– Deve ter levado quando Maria pediu socorro. – Nacho presumiu. – E pela mensagem que Maria me mandou agora pouco, eles ainda estavam brincando lá em casa cheios de energia.
– Eles nem vão ver o jogo. Quer apostar? – Sergio Ramos falou, rindo.
Conhecia aquela tática da irmã.
– Aposto que não verão mesmo. está dando um chá de cansaço neles. Sua irmã é um anjo.
– Não é à toa que é minha irmã. – Sergio disse, convencido.
– É, mas ela é um anjo do bem, já você... – Nacho implicou e ganhou um tapa na nuca.
– E é claro que ela deixa as crianças quietas porque sabe lidar com elas, e não porque é assustadora igual a você. – falou, rindo, e Sergio Ramos acabou não conseguindo se conter e o acompanhou na risada.
– É melhor ser temido do que amado, . – Sergio disse, ainda rindo.
– Estamos saindo. – Álvaro Morata chamou, e seguiram até o ônibus que os levaria para o estádio.

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– Agora que as ferinhas estão de banho tomado e dormindo, e que isso vai durar até amanhã e o jogo já acabou, eu vou embora com essa criança que passou o dia fora e de quem a mãe deve estar sentindo muita falta. – sussurrou e Maria, meio sonolenta, assentiu.
– Eu nem sei o quanto lhe agradeço por toda a ajuda hoje, . toda hora perguntava do pai e até chorou quando percebeu que ele tinha ido embora e não voltaria tão cedo para buscá-lo, eu estava quase entrando em desespero de verdade, porque a Ale resolveu acordar totalmente ligada e bagunceira. E Nachito também – Maria falou em tom cansado e sorriu para a amiga.
– Sempre que precisar e eu puder ajudar, sabe que pode me chamar e eu venho correndo. – pegou Sergio no colo e Maria saiu com ela.
As duas trocaram um abraço de despedida depois de colocar o sobrinho, totalmente adormecido, em sua cadeirinha. Ela dirigiu até a casa dos Ramos Rúbio e mal bateu na porta, Pilar a atendeu. Sergio Junior foi colocado em seu quarto, e as duas se despediram rapidamente depois de Pilar agradecê-la pelo passeio com o menino. foi embora para casa sem se demorar com a cunhada, pois precisava vencer o cansaço e estudar para a prova que teria no dia seguinte, de manhã.
A marcação da foto que Maria tinha feito lhe rendeu diversas solicitações de amizade e marcações em fotos de perfis sobre famílias dos jogadores e fã-clubes do irmão, de Nacho, Maria e das crianças. Aquilo era tudo que vinha evitando durante sua vida quase inteira e, aparentemente, o “Ramos García” em seu sobrenome chamou a atenção.
Não que as pessoas não soubessem que Sergio tinha uma irmã mais nova, mas ninguém antes tinha se dado o trabalho de procurar pelo seu perfil no Instagram, já que tinha proibido, permanentemente, o irmão de marcá-la em qualquer coisa. A pessoa famosa é ele, não ela. preferia a discrição.

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– Obrigado mesmo por você ter cuidado dele, Maria. E desculpa pelo trabalho que ele deu. – agradeceu quando chegou junto com Nacho à casa deste.
– Ale e Nachito adoram brincar com ele. E foi ótimo ficar com ele aqui, . Ele ficou meio enjoadinho no começo, perguntou diversas vezes por você e quando você voltaria, mas depois esqueceu completamente que tinha um pai. – Maria disse em tom divertido.
– E ele adora brincar com os dois. – deu um sorriso. – Ele ainda está dormindo?
– Sim. Ainda é bem cedo, né, ? E eles estão bastante cansados de ontem, porque brincaram o dia inteiro e só pararam perto da hora do jogo, quando demos banho, e eles mal saíram do chuveiro e estavam dormindo o sono mais profundo que já vi crianças dormirem. – Maria falou, dando um sorriso para o amigo. – Venham tomar café, vocês devem estar famintos.

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PAPI! – Junior falou, animado, quando entrou na cozinha, acompanhado de Alejandra, e viu o pai ali.
A primeira coisa que fez foi correr até o mais velho e abraçar as pernas do pai. Nachito vinha no colo da mãe e esfregava os olhinhos, com uma expressão pouco humorada, num claro sinal de quem tinha acordado contra a própria vontade.
Mi campeón. – falou e ergueu o filho, dando-lhe um beijo no rosto, depois bagunçou os cabelos de Alejandra e Nacho Junior. – Como foi ontem?
– MUITO LEGAL! – o menino falou alto e sorriu, animado.
– Brincamos um tantão, tio. – Alejandra se pronunciou, dando um sorriso.
– Teve piquenique e a gente brincou com a tia !
– Tia ? – perguntou um tanto surpreso com a intimidade e o menino assentiu, sorrindo.
– A gente viu o leão, papai! E o urso! E um tantão de golfinho! Foi muito legal, a tia brincou muito com a gente.
– Sério? Que legal. – sorriu, enquanto o menino contava sobre o dia anterior, com a ajuda de Alejandra, que também falava e gesticulava animadíssima, como sempre.
Os dois – e Junior – ficaram por mais um tempo na casa dos Fernández Córtes, até que resolveu que era hora de irem embora para a própria casa, porque queria se trocar e descansar um pouco, recusando educadamente o convite de ficarem e almoçarem todos juntos ali. A casa de Nacho era relativamente perto, mas preferiu pedir um táxi a arriscar ir caminhando com o filho até seu condomínio.
O menino ainda contava animado sobre o dia anterior, repetindo tudo que já tinha dito e sendo bem enfático e animado ao falar sobre como tinha amado o passeio que tinham feito e o como tinha brincado bastante com Sergio Junior, Alejandra, Nachito e . Quer dizer, tia .
– Eu nem dei tchau para a tia , papi, ela vai ficar triste comigo. – Júnior disse quando chegaram em casa, sendo recebidos por um Bubu muito animado.
– Não vai, filho. Você estava dormindo, não tinha como dar tchau para ela.
– Você liga para ela para eu poder pedir ‘decupa? – o menino pediu, dando um sorriso quase irresistível.
– Ela deve estar na aula, filho. Falamos com ela depois, mas não precisa pedir desculpa, ela sabe que você não fez por mal.
– Depois você me deixa brincar com ela? – pediu e olhou, surpreso.
– Ahn... Claro. – disse, meio incerto, mas sorriu. – Só que agora vamos almoçar, mais tarde a gente pode brincar com Bubu ou nadar um pouco.
– EBA! – Junior comemorou a ideia do pai e os dois subiram as escadas da casa, sendo seguidos pelos passinhos apressados de Bubu, o pequeno Spitz Alemão de estimação de , que tinha sido adquirido quando era noivo de Victoria, que ainda latia satisfeito por ter o dono em casa finalmente.
– O que você quer almoçar?
– Não sei. – ele levantou as mãozinhas, fazendo uma expressão de quem não tinha ideia do que queria para o almoço, e deu uma risada enquanto tirava a camisa social que usava, deixando sobre a poltrona. – Ainda tá dodói papai.
– Mas já está sarando, filho. – ele deu um sorrisinho que o filho não viu.
Foi ao closet pegar uma bermuda e voltou com uma camiseta em mãos. Os dois desceram as escadas e foram para a cozinha. Ele precisava dar um jeito de aprender a cozinhar ou contratar alguém para ajudá-lo com isso. Ligou para um restaurante que vendia uma comida muito boa e pediu que entregassem uma boa, completa e saudável refeição. Enquanto esperava, pegou o celular para enviar uma mensagem a .
: Seu irmão me passou seu número no dia do jogo, quando falou que você ganhava um dinheiro extra sendo babá. Eu não tive coragem de te pedir para cuidar do Junior, mas queria te agradecer por ter ajudado Maria ontem.
Ele virou seu fã, não para de falar de você e perguntar quando vocês vão poder brincar de novo. E isso é muito raro, porque ele é tímido e te adorou de primeira.
Obrigado, de verdade.

enviou a mensagem com um pouco de dúvida se deveria mesmo ter feito isso, porque ela não tinha lhe passado o próprio número, então podia considerar aquilo invasivo ou ignorá-lo. Deixou o celular de lado por um tempo, enquanto esperavam pelo almoço pedido, que não demorou tanto a chegar, e ele tratou de dar comida ao filho e de comer também, porque estava com fome e tinha se arrependido de não ter aceitado o convite de Maria para que almoçassem por lá.
O celular alertou a chegada de uma mensagem, e ele viu que era de quando desbloqueou a tela do aparelho.
: Oi, , sem problemas. Bom que já fica salvo e você me fala quando precisar, porque ficar com ele será um prazer!
Ele é uma criança ótima, muito criativo, cheio de energia, muito fofo, carinhoso, educado e muito alegre. Adorei brincar com ele, e quando você quiser ou precisar, nesses dias de preparação para a final da Champions, fico com ele sem problemas. Mande um beijo enorme para ele e diga que eu também o adorei.

: Acho que vou querer, sim, ele volta comigo depois do último jogo da Liga, e eu vou passar meus dias todos treinando.
E aproveitando que estamos conversando, ele vai para Málaga antes de mim, você acha que podemos nos ver de novo? Com menos álcool, se você preferir. Você aceita?


Capítulo 3 – I can keep a secet...


... can you? (Cool For The Summer – Demi Lovato)

Ele leu aquele “não” uma porção de vezes, mas não sabia qual tom deveria usar na leitura. Imaginava que ela não tivesse sido grosseira na resposta, que não era como se ela tivesse arremessado um abajur em sua cara, mas ele sentia como se o abajur, daqueles enormes e pesados, tivesse sido atingido em cheio seu ego. E doeu. não estava acostumado a ser rejeitado.
Será que tinha feito alguma coisa errada? Para o sexo tinha sido muito bom, ainda que os dois estivessem bêbados e descoordenados. Seria pelo irmão? Era uma possibilidade, apesar de saber que Sergio não sabia de nada sobre o que tinha acontecido entre a irmã e o companheiro de time, mas ela podia estar tentando evitar que ele descobrisse alguma coisa.
Será que ela tinha se arrependido? não conseguia pensar em algo que pudesse fazê-la se arrepender do que aconteceu. Seria aquele não, na verdade, um sim, pois ela espera que ele insista em chamá-la para sair de novo? Ela não parecia ser desse tipo e, se fosse essa a intenção, teria dado alguma desculpa ridícula e dado brechas para que insistisse, ele conhecia aquele tipo.
Seu não foi escrito sozinho e acompanhado de um ponto final. “Não.”, e só.
queria ter coragem de perguntar se tinha feito algo errado, mas ela tinha sido bem direta. Aquele não, sem qualquer outra palavra que o acompanhasse, tinha deixado bem clara a intenção dela de não repetirem o que aconteceu, e se ela tinha um motivo para isso, não era da conta dele.
E com que cara ele pediria para que o ajudasse com o filho naqueles dias de preparação final? Não pediria, claro. Acabaria deixando o menino em Málaga e só o veria em Cardiff, no dia da final. Depois ele mesmo iria passar uns dias em Málaga, iria aos casamentos de Morata e Lucas, voltaria a Málaga e depois viajaria com o time em pré-temporada e ficaria longe do filho quase um mês.

– Acorda para a vida, . – Marco Asensio falou quando o empurrou com o ombro, e se deu conta de que estava em pé no meio do campo de treinamento e olhando para o nada, provavelmente com cara de idiota.
– Que é?
– Cadê seu filho? – Marco perguntou e olhou ao redor.
Não via o filho por perto e nem mesmo correndo com as crianças que estavam ali brincando. Zidane tinha resolvido promover um churrasco de confraternização para a equipe, em agradecimento à excelente temporada e buscando unir mais ainda o elenco. Algumas famílias já tinham chegado para o churrasco, outras chegariam em breve, porque o treino tinha acabado há pouco, então os atletas tomariam banho e se trocariam para passar algumas horas confraternizando com os companheiros e as próprias famílias, antes da viagem para Málaga, que definiria se o time era mesmo o campeão espanhol da temporada 2016/2017.
– Que merda. Cadê esse menino?
– Relaxa. – Marco falou, rindo, e segurou pelo braço, quando este fez menção de sair à procura do filho. – Ele está sentado com a irmã do Sergio faz um tempão.
– Com a irmã de quem? – perguntou, quase assustado.
– Do Sergio Ramos, o capitão do time... sabe quem é?
– Claro que eu sei quem é Sergio Ramos, idiota. – respondeu, mal-humorado, fazendo Marco rir. – É porque o Junior não é muito de ficar quieto e nem com outras pessoas assim.
– Mas ele está. E tem um tempão. Você já podia ter tomado banho e voltado, que eu duvido que ele teria saído dali. – Marco respondeu e se virou para olhar na direção dos dois. O filho estava deitado com a cabeça no colo de , enquanto ela falava e mexia nos cabelos do menino. – Para de encarar a irmã do capi desse jeito, porque está estranho.
– Não entendi o que ela está fazendo aqui, hoje é sexta-feira, ela não devia estar trabalhando ou estudando?
– Eu não faço ideia e não me importo, sinceramente. E, tem o fato de que é o churrasco de confraternização, é meio óbvio que ela estaria aqui. – Marco falou, dando de ombros. – Aonde você vai? – perguntou quando viu começar a se afastar.
– Pegar meu filho, a mãe dele deve vir buscá-lo daqui a pouco. – respondeu.
– Ele não vai ficar?
– Não. A Victoria vai embora daqui a pouco e vai levá-lo para Málaga esses dias até a final. Eu não consegui convencê-la a deixá-lo ficar.
– Entendi. – Marco respondeu e saiu na direção em que estava sentada com o filho.
– TIA ! – ele ouviu uma voz infantil e viu uma menina correndo na direção em que estava indo.
– Ema! – sorriu quando Ema Modric se aproximou e lhe deu um abraço desajeitado. – Quanto tempo!
– Você sumiu! – Ema falou, quase brava, e cruzou os braços, arrancando uma risada de .
– Verdade, mas só porque eu estava estudando muito. – fez uma careta, franzindo o nariz. – E o que você me conta de novidade?
– Papai me deu uma casa da Barbie nova! – Ema disse, sorrindo. – Você quer brincar comigo?
– Claro! Podemos fazer isso essa semana.
– EBA!
– E eu, tia? – Junior perguntou num tom ofendido por ter sido esquecido.
– Do que você quer brincar? – perguntou, acariciando os cabelos dele e o menino deu de ombros. – Então podemos brincar com a Ema.
– Essa semana eu duvido muito que vocês brinquem, você vai ficar com sua mãe, polito. – se pronunciou, atraindo os olhares de , Ema e do filho.
– Achei que ele fosse ficar em Madrid. – disse, surpresa.
– Ele vai para Málaga agora com a mãe, mas vai pra Cardiff e depois da final vamos para passar uns dias juntos em Málaga.
– Entendi. – disse e voltou seu olhar para o menino. – Quando eu voltar de Munique, a gente pode brincar muito.
– O que é Munique? – Junior perguntou, curioso.
– É o lugar para o qual eu vou viajar na semana que vem para poder estudar um pouco. Quando eu voltar a gente brinca.
– A gente pode brincar hoje. – Junior sugeriu, sorrindo.
– Não vamos demorar muito, porque só vim buscar uma coisa com meu irmão, não vou ficar para o churrasco.
– E sua mãe deve vir te buscar daqui a pouco também. – falou para o filho.
– Você sabe jogar futebol? – Junior perguntou, sorrindo, e assentiu.
– Creche da tia ? – a voz de Sergio soou enquanto ele se aproximava do pequeno grupo.
Ema estava sentada ao lado de , encostada em seu braço, Junior deitado com a cabeça em seu colo e estava de pé, de frente para os três.
– E acaba de chegar mais uma criança, que gracinha. – falou, zombando do irmão.
– Você dá sorte que tem crianças perto, . – Sergio disse, sério, mas acabou rindo da careta que a irmã fez. – E você, Magia, está azarando minha irmã?
– Azarando é anos noventa demais. Até para você. – falou, rindo, mas ficou tensa com o tom usado e pela sugestão do irmão.
– Eu ia falar flertando, mas achei muito anos oitenta. – Sergio disse, fazendo uma careta, franzindo o nariz de leve, que fez rir.
– Tio, sabia que a tia vai brincar de Barbie comigo? – Ema se pronunciou e Sergio Ramos se abaixou para ficar da altura dela e deu um sorriso.
– Sério? Que legal!
– Papai me deu uma casinha nova.
– Fica a dica do que me dar de presente de aniversário. – falou e piscou para o irmão, que riu do comentário.
– Eu já te dei uma dessas quando você era da idade da Ema.
– Quero outra. – falou em tom infantil e lhe mostrou a língua, fazendo com que Sergio assentisse positivamente e risse.
– Você quer brincar comigo também, tio? – Ema perguntou, sorrindo animada com a perspectiva de mais gente brincando de casinha com ela.
– Não levo tanto jeito quanto a , acho que vocês brincariam melhor sem mim, mas obrigado pelo convite. – Sergio Ramos respondeu e a menina deu de ombros.
– Tia, eu vou no meu pai agora. – Ema se virou para e lhe deu um beijo no rosto, saindo correndo em seguida para o lugar onde Luka Modric estava conversando com Marcelo e Mateo Kovacic.
– Se você estiver tentando... qual é a melhor palavra para usar: azarar, flertar ou paquerar? – Sergio se levantou e olhou para , que não conteve a risada ao ouvir aquilo. – Bom, não interessa qual das três, porque minha irmãzinha tem uma regra de nunca sair com jogadores de futebol, o que eu gosto muito. Acho que é a única coisa que ela segue fielmente na vida desregrada que ela leva. Ela te daria um pé na bunda e seria péssimo para o time que seu rendimento caísse por causa de um coração partido. E tem o fato de que eu não deixo.
– Você não é meu dono, eu posso sair com quem eu quiser. – o olhou quase entediada, mas o tom era muito mais petulante e desafiador do que aparentava. – Mas é, sem jogadores.
– Só vim descobrir a fórmula para manter essa criança deitada sem que isso envolva um celular ou uma televisão. – ergueu as mãos, tentando mostrar que era inocente de qualquer uma das “acusações” de Sergio Ramos.
Aquela informação esclarecia bastante a mensagem que tinha recebido. Era uma regra idiota, mas deixava claro que ele não tinha feito nada errado.
– Tento saber isso desde que mi Nano nasceu, mas ela não conta. – Sergio disse e deu um sorriso convencido. – Só sei que ela tem um dom para lidar com crianças.
– Um de nós tinha que sair com o carisma. – falou, dando de ombros, e mandou um beijo para o irmão para provocá-lo.
– Eu saí lindo, você teve que sair gente boa. Sei como é. – Sergio falou em tom convencido.
– Há as pessoas que te iludem falando que você é lindo e essas coisas, mas eu não levaria a sério se fosse você. – disse, debochada e olhando para o irmão. – Linda é a Pilar, você é, no máximo, organizado.
– Organizado?! Isso nem mesmo existe, ! – Sergio Ramos protestou em tom insultado e riu. – Eu devia te colocar de castigo.
– Eu tenho vinte e dois anos, você não é meu pai e muito menos manda em mim, queridinho. – enumerou, fazendo uma feição debochada, e riu.
– Vai embora logo. Você tem que trabalhar. – Sergio respondeu de má vontade e estendeu uma pequena bolsa de mão para a irmã e ela deu um sorriso imenso.
– Não tenho nada. Quer dizer, tenho, mas hoje vou trabalhar lá de casa.
– Você vai brincar comigo, tia? – Junior perguntou e virou o olhar para ele, ainda sorrindo.
– Claro. – respondeu, sorrindo. – Se seu pai não tiver nenhuma objeção.
– Por mim tudo bem. – sorriu para o filho, que ficou de pé o mais depressa que conseguiu e olhava animado para , que se levantou e entregou a chave do carro para o irmão.
– Você não está fazendo nada mesmo, guarda lá. – falou, atrevida, e saiu com Junior para o campo antes que Sergio pudesse responder.
– Ainda bem que a diferença de idade é grande, porque se tivéssemos a mesma faixa etária, eu teria matado minha irmã quando éramos crianças.
– Você ia apanhar calado, capi. – disse, rindo, e Sergio Ramos concordou, rindo também. – Se você vir Victoria por lá, me avisa para eu levar o .
– Agora eu virei seu empregado também? – Sergio Ramos perguntou num tom divertido e caminhou na direção do estacionamento.
se virou e voltou para o campo, onde e Junior brincavam. Era melhor tomar banho apenas depois de Victoria buscar o filho, porque se ela tivesse que esperá-lo, por um minuto que fosse, acabariam brigando, e a última coisa que queria era brigas com a ex. estava no gol e Júnior chutava na esperança de fazer gols e, claro, conseguia.
– Eu não quero ficar no gol. Tenho zero habilidades com as mãos. – falou, fingindo um tom derrotado, depois de tomar, propositalmente, outro gol de Júnior, que tinha os bracinhos erguidos e comemorava.
– Eu discordo. – falou e corou, fazendo o homem rir. – Você é uma boa goleira, mas mi bichito é um artilheiro nato.
– Ele é. – falou e sorriu para o menino.
– E sobre as mãos, discordo de qualquer forma.
...
– O que está feito, está feito, . Mas você podia ter sido um pouco mais clara quando me respondeu. Fiquei achando que eu tinha feito algo de errado. – disse, fazendo embaixadinhas com a bola que pegara do filho, e o menino tentava tomar a bola do pai, mas sem sucesso.
– Você não fez nada de errado. Só não pretendo quebrar minha regra.
– Não de novo.
– Estávamos muito bêbados para que eu me lembrasse de você. – disse, olhando séria, enquanto driblava o filho, mas sem sair do lugar. – Mas é, não de novo.
– É uma regra idiota.
Papi, joga a bola para o alto. – o menino ergueu os braços e deu um sorriso cheio de expectativa.
deu três passos para trás e chutou a bola para o alto, fazendo o menino gargalhar enquanto observava a bola subir e voltar, caindo longe de onde estavam. Júnior correu até onde a bola caiu para buscá-la e voltou para perto dos dois, na esperança de brincarem mais.
– Não é idiota.
– Se você tivesse se lembrado de mim, teria me dado um fora?
– Sim.
– E teria perdido a oportunidade de ter uma grande noite.
– Nah, seis. – falou em tom que beirava o pouco caso e deu de ombros, fazendo arquear uma das sobrancelhas.
– Se com um seis nós fomos daquele jeito, não quero imaginar como seria o dez então. – respondeu, sorrindo malicioso.
– Mas deveria imaginar, porque é só assim para acontecer de novo. – respondeu e piscou, fazendo rolar os olhos.
– Regra idiota.
– Não é.
– É.
– Não é.
– É.
– Não é.
– É.
– Não é. E cala a boca que meu irmão está vindo para cá. – falou quando avistou Sergio caminhando na direção dos dois.
Papi, água. – Junior pediu.
– Vem, vou te levar para beber água e vamos esperar sua mãe chegar. – falou com o menino bem quando Sergio chegou e jogou para a irmã as chaves do carro.
– Se precisar de alguém para ficar com ele na semana que vem, pode falar, , e eu fico sem problemas. – disfarçou e assentiu.
– Dá tchau para , filho. – disse para o filho, que sorriu sapeca e abraçou , dando-lhe um beijo demorado no rosto.
– Tchau, .
– Tchau lindinho, faça uma boa viagem. – falou, retribuindo o beijo que tinha recebido, e o menino foi até o pai, que o colocou sobre os ombros e caminhou para o outro lado.
– Agora você já pode ir embora. – Sergio disse, desaforado, e abraçou a irmã quando ela ficou de pé. – Não vai ficar mesmo?
– Não posso, tenho que fazer bastante coisa do trabalho hoje.
– E eu te vejo em Málaga?
– Não. Preciso terminar uma última coisa no meu trabalho.
– Você não está de férias?
– Não totalmente. Segunda preciso entregar o trabalho e apresentar a proposta ao meu orientador e ele me liberar totalmente para terminar tudo no intercâmbio.
– Boa sorte. – Sergio disse e lhe deu um beijo na testa.
– Eu verei de casa e estarei torcendo. Tenho muito orgulho de você.
– E eu, de você. – Sergio disse e deu um beijo na bochecha da irmã.
– Agora me solta, porque preciso muito ir embora dar um jeito na minha vida.
– Você viaja quando?
– Domingo, dia quatro. Nem volto para Madrid, viajo de Cardiff.
– Vamos jantar juntos essa semana?
– Só me falar o dia, porque o lugar eu já sei qual é. – falou, dando um sorriso e um beijo no rosto do irmão. – Bom jogo, capitán.
– Obrigado. – Sergio lhe retribuiu o sorriso antes de sair do campo em direção ao vestiário para tomar banho antes do churrasco. Pilar devia chegar dali a pouco com as crianças e ele queria estar pronto.
seguiu rapidamente até o estacionamento, cumprimentando com acenos algumas das pessoas que conhecia, pois precisava mesmo trabalhar e ainda tinha que dar um jeito de ir ao supermercado e lavar roupa, mal tinha água na geladeira de casa e estava com as últimas peças de roupa limpas no corpo. Limpas mais ou menos, na verdade, já tinha usado aquelas roupas uma vez, mas como não estavam fedorentas e nem pareciam usadas, ela resolveu reutilizá-las, não tinha sequer uma peça de roupa limpa. E precisava começar a fazer as malas, já que viajaria dali poucos dias para a Alemanha, então lavar as roupas ainda naquele dia tinha se tornado obrigatório.

– Ei. – ouviu a voz de , que agora estava sozinho e caminhava em sua direção. Um carro sumia pelo estacionamento e ela presumiu ser Victoria que tinha ido buscar Junior.
– Oi, . – respondeu.
– Um dez e eu paro de importunar.
– Não. – respondeu sem olhá-lo e abriu a porta do carro.
– É uma regra idiota.
– Não é uma regra idiota. E já falei, não vou quebrá-la de novo.
– Não precisamos sair. – falou e deu um sorriso convencido, pela genialidade da ideia que tivera.
– Isso não faz sentido. – se virou para olhá-lo totalmente confusa.
– Faz.
– Não consigo ver como.
– Teoricamente, nós nunca saímos quando aconteceu, então não é quebrar sua regra idiota de novo. Nós nunca a quebramos.
– Ah, não? – perguntou quase debochada, cruzando os braços e erguendo as sobrancelhas.
– Você foi com seus amigos, eu fui com os meus. Não começamos a noite juntos, nem sequer combinamos de nos encontrar, mas aconteceu e terminamos a noite juntos, mas isso é totalmente diferente de sair. E não precisamos sair dessa vez também, você pode escolher entre nos encontrarmos na sua casa ou na minha e aí mudamos o seu seis para dez. – falou, convicto, e abriu a boca para contestar aquela ideia, mas não conseguiu as palavras certas. tinha encontrado uma boa brecha naquela regra. – Eu levo um bom vinho.
– Achei que você tinha sugerido sem álcool.
– Eu disse com menos álcool, se você preferisse assim. – falou, dando um sorriso. – Segunda lá pelas oito?
– Eu não estou certa se deveria aceitar essa proposta.
– Foi tão ruim assim?
– Não foi ruim, só não tenho certeza se é uma boa ideia. Por todos os riscos que envolve, você sabe.
– Se mudar de ideia, você tem meu número. – falou, dando de ombros, e ela o olhou, ainda desconfiada e desconfortável por ele ter conseguido uma brecha em sua regra de ouro.
– Bom jogo.
– É o Real Madrid podendo confirmar o título do campeonato, , claro que é um bom jogo. – respondeu sorrindo e lhe deu as costas, caminhando na direção do vestiário para tomar um banho antes do churrasco.

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– Gostei da proposta. – o professor falou ao final da apresentação e deu um suspiro aliviado, sentindo como se o peso do mundo tivesse saído de suas costas. – Tenho certeza que seu intercâmbio vai engrandecer muito seu curso e será ótimo para o seu trabalho de conclusão.
– Eu espero que sim. – respondeu, sorrindo aliviada.
– Por mim você está liberada. E dê os parabéns ao seu irmão por ontem.
– Obrigada, de verdade, professor. E pode deixar, eu darei os parabéns quando falar com ele. – respondeu ainda sorrindo e pegou sua cópia do trabalho sobre a mesa e foi embora.
Precisava dormir um pouco, porque tinha passado o fim de semana quase inteiro terminando o trabalho, no dia anterior quase não assistiu ao jogo que confirmou o trigésimo terceiro título de La Liga para o Real Madrid por causa disso, e ainda virou a noite ajeitando a apresentação para que nada desse errado.

: Confirmado.
Minha casa, 20h
Vinho tinto.

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– Você vai na casa do Nacho hoje? – Álvaro Morata perguntou a . Estava deitado no sofá depois de pararem de jogar videogame.
– Tenho outro compromisso. – respondeu num tom banal e deu de ombros, mas o sorrisinho de lado que deu lhe entregou.
– Já podemos nos preparar para te ver todo arranhado amanhã de novo?
– Tomara que não tanto. – falou, rindo.
– Você está trocando seus amigos por sexo, ?
– Vocês não vão morrer se ficarem sem mim em um jantar.
– Então você conseguiu o telefone?
– Consegui.
– Com a ou com o capitão? – perguntou e se engasgou com a água que bebia, fazendo Álvaro gargalhar alto. – Calma, cara. Não morre ainda, nós precisamos de você no sábado. E tenho certeza absoluta que o Sergio ficará muito feliz em te matar com as próprias mãos do que se você morrer engasgado com água.
– Não sei do que você está falando.
– De você sair com a irmã do nosso amado capitão, Sergio Ramos. De novo.
– Não sei do que você está falando. – repetiu.
– Eu vi o jeito que você estava olhando para ela no sábado, , depois os vi no estacionamento e acabei fazendo a conexão com o que você disse daquela vez, sobre ver a garota da noite anterior mesmo sem ter o telefone dela. E sua reação agora só confirmou.
– Sergio vai me matar se ficar sabendo. – choramingou e Álvaro concordou, rindo.
– Claro que vai! Torce para que ele nem desconfie, porque você sabe como ele é.
– Sei. – voltou a resmungar.
– Se ele descobre, quebra suas pernas, te tortura por duas semanas, pica em mil pedaços e come no almoço, misturado na paella.
– Porra, Morata! Você não devia ficar me desanimando desse jeito, mostrando que eu sou quase um homem morto.
– Desculpa, cara, mas é a realidade, e você sabe. – Morata falou, rindo. – Só vou te dar um conselho: usa umas quinze camisinhas de uma vez, se for possível. E tentem não se apaixonar.
– Isso não vai acontecer, pode ficar tranquilo. Só vamos mudar o seis para dez.
– Não era sete e meio, quase oito? – Morata perguntou, curioso. Lembrava-se perfeitamente do que tinha dito.
– Ela falou seis. Eu, particularmente, fiquei ofendido.
– A não tem uma regra sobre nunca sair com jogadores de futebol? Antes de ir pra Turim, eu ouvi Sergio falar isso quando um dos meninos do Castilla tinha falado algo sobre ela.
– Ela tem essa regra idiota, sim, mas não vamos sair. Nós nunca saímos, na verdade. Nós nos encontramos por um acaso do destino, já que ela tinha ido com os amigos dela e eu, com os meus, sem pretensão nenhuma de nos vermos, e acabamos juntos no fim da noite. E não vamos a lugar nenhum, eu vou até a casa dela.
– Ela que sugeriu isso, não foi? Parece complexo demais para que você tenha elaborado esse pensamento todo sozinho. – Morata implicou.
– Ah, vai se foder. – xingou e o amigo riu. – A ideia foi minha.
– É, faz sentido que seja sua ideia, porque eu duvido que a , dando-lhe um seis pela noite, teria pensado em repetir a dose. – Morata debochou.
– Cala a boca.
– Mas, agora, se você me dá licença, eu vou para casa, porque falei com a digníssima senhora minha noiva que não ia demorar muito e já estou aqui há duas horas e meia. E você precisa se aprontar para seu encontro. Corta esse cabelo. – Morata sugeriu e lhe mostrou o dedo do meio.
Álvaro Morata se pôs de pé, rindo da reação mal-educada do amigo, que também ficou de pé, e os dois trocaram um cumprimento antes de irem até a porta da casa para que o atacante fosse embora.

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Quando o relógio marcou oito da noite, a campainha do apartamento tocou. Que pontualidade, pensou. tinha deixado avisado ao porteiro que receberia visita naquela noite, então não se surpreendeu por não ter sido avisada da chegada de . Ela caminhou até a porta e a abriu, tendo a visão que menos esperava naquele momento: o irmão, a cunhada e os sobrinhos.

– Oi! – disse, dando um sorriso, e abriu passagem para os quatro.
– Titia! – Sergio Junior se agarrou às pernas da tia num abraço.
– Você vai sair? – Sergio perguntou ao vê-la arrumada. Obviamente ele tinha outros planos para a noite dela: que ela fosse babá.
– Vou. – respondeu sem jeito.
– Mas vai jantar em casa? – Sergio perguntou quando sentiu o cheiro do que quer que fosse que a irmã estava cozinhando.
– Sentem aí, eu vou na cozinha desligar o forno. – falou e foi para a cozinha, onde o celular estava, e mandou uma mensagem para que ficasse longe do prédio até que ela lhe dissesse que podia ir, porque Sergio tivera a maravilhosa ideia de ir até lá naquele momento. Ele respondeu com um “ainda não sai de casa, avise-me quando eu puder ir”.
– E eu conheço seu novo namorado? – Sergio perguntou quando voltou para a sala.
– Ninguém te garante que é um homem, muito menos que isso era um jantar de casal. – respondeu, dando de ombros.
– Eu quero saber é se eu conheço, sua chata.
. – mentiu, voltando a dar de ombros. – Ele vem jantar aqui, depois vamos sair com a minha turma, despedida do semestre. Sempre fazemos isso. Esqueceu?
– Esqueci. – Sergio falou, fazendo cara de decepcionado. – Ia te pedir um favor, mas o jeito vai ser levá-los com a gente.
– Fico te devendo essa, hermanito, mas só porque já está marcado faz tempo.
– Tia, eu estou com fome. – Sergio Junior reclamou e sorriu.
– Vem, acabei de fazer lasanha.
– Não, . – Pilar falou antes que o menino se levantasse para ir até onde a tia estava. – Nós vamos jantar na casa do Nacho, daqui a pouco ele come.
– Deixa ele comer um pedacinho, Pilar. – falou e o menino sorriu.
– É mami, deixa. – Sergio Junior pediu, fazendo beicinho.
– Vem. – estendeu a mão para o menino. – Venham todos, vamos comer um pouco. Uma espécie de pré-jantar.
– Não precisa. – Sergio disse, mas seguiram para a cozinha.

Os adultos também acabaram comendo, enquanto ajudava o sobrinho mais velho a comer para que ele não sujasse a roupa e Pilar fazia o mesmo com Marco. Eles ficaram cerca de quarenta minutos no apartamento e foram embora a contragosto dos pequenos, que queriam ficar com a tia. Quando, seguramente, estavam longe, enviou uma mensagem para falando que estava liberado.
O interfone tocou pouco mais de quinze minutos depois, e dessa vez era realmente . Ela abriu o portão, já que não havia mais ninguém na portaria, e esperou na porta até que ele chegasse ao andar. Quando apareceu, tinha uma expressão sem graça e trazia o vinho em mãos. deu espaço para que ele entrasse e fechou a porta atrás de si.

– Oi. – disse sem jeito quando entrou.
– Oi. – respondeu, dando um sorriso. – Sinta-se à vontade.
– Obrigado.
– Eu até tinha feito o jantar, mas minhas visitas inesperadas comeram metade.
– Jantar? – ele deu um sorriso surpreso. – E qual o cardápio?
– Lasanha bolonhesa. As crianças adoram essa, e aparentemente meu irmão e minha cunhada também. Mas ainda tem. Vem. – chamou e seguiu pelo corredor até a cozinha, apontando a mesa e ele se sentou. Ela pegou pratos novos, duas taças e o abridor de garrafas no armário, colocando sobre a mesa.
– Eu gosto bastante de lasanha.
– Você não foi convidado para o jantar na casa de Nacho? – perguntou sem entender.
– Fui, mas disse que eu já tinha um compromisso e não sabia se daria tempo de passar por lá quando terminasse, mas que tentaria ir. – falou, dando de ombros, e recebeu um prato. – Seu irmão não foi para lá?
– Justamente por isso ele veio, queria deixar os meninos aqui. Eu detesto mentir para ele, mas não tinha outro jeito.
– E o que você disse?
– Que ia sair com um amigo depois de jantarmos. Nosso ritual de fim de semestre.
– E ele engoliu isso?
– Sim, porque sabe que e eu sempre fazemos esse tipo de coisa desde quando morávamos em Sevilla. – deu de ombros quando respondeu e abriu a garrafa de vinho, servindo-o nas taças.
– Esse mora aqui em Madrid?
– Mora, sim. – assentiu antes de tomar seu lugar na cadeira em frente a de , após se servir da lasanha, e o olhou. – Nós somos amigos desde crianças, estudamos juntos desde o jardim de infância e agora fazemos faculdade juntos.
– E vocês já se pegaram?
– Credo! – falou, fazendo uma careta de nojo. – é meu melhor amigo, o vejo como um irmão. Nossos pais são amigos há muito tempo, desde antes de Sergio nascer, então isso colaborou para que a nossa amizade acontecesse e durasse.
– Isso é legal. Tenho alguns amigos de infância também, mas todos moram em Málaga. – disse e tomou um gole do vinho. – E você só tem um irmão?
– Que vale por vinte. – respondeu e rolou os olhos, fazendo dar uma risada. – E você?
– Tenho um irmão também, Antônio, mas nós nos damos bem.
– Ah, Ses... Sergio e eu também nos damos bem. Só gosto de implicar com ele. E ele adora implicar comigo, mas nos damos muito bem desde sempre. – falou, dando um sorriso de lado, e os dois voltaram a comer em silêncio.
– Posso falar que isso é meio estranho? – se pronunciou, dando um sorriso sem graça, depois de um bom tempo em silêncio enquanto comiam. – Não que eu esteja reclamando, porque a lasanha está muito boa, mas é estranho estar num encontro escondido e com a irmã mais nova de um dos meus grandes amigos no time e na vida.
– Eu estou me sentindo em um filme adolescente, daqueles bem clichês, para ser sincera. – disse em tom divertido e sorriu, fazendo com que sorrisse de lado e concordasse com um aceno de cabeça. – Então, você achou uma brecha na minha regra, hein?!
– Essa regra existe por algum motivo específico?
– Sim.
– E eu posso saber qual? – perguntou curioso.
– Não acho que valha a pena o desgaste, tanto o de apenas sair com um jogador, quanto o de ter um relacionamento sério com um.
– Por quê?
– Vocês chamam muita atenção da mídia. Tudo que fazem vai parar em jornais, revistas e internet. Não podem ir ao supermercado sem saírem fotos. Vejo fotos do meu irmão e da minha cunhada simplesmente andando pela rua. Ser jogador é uma profissão perigosa também, vocês correm muitos riscos de lesão e coisas ruins, tipo aconteceu com o Bartra aquela vez, também sempre existe a chance de irem jogar do outro lado do mundo, num país completamente diferente e que nem todos se adaptam. Além de, claro, todo o assédio que sofrem. E para muitos, inclusive exemplos que você conhece, a carne e o caráter são realmente fracos.
– Então você não gosta de mídia?
– Prefiro me manter no anonimato.
– Você é irmã do capitão da seleção e do Real Madrid, . Isso é meio impossível. – disse, dando uma risada.
– As pessoas sabem que eu existo, mas minha vida pouco interessa a elas. Ninguém tira foto minha quando eu vou ao supermercado, ninguém comenta se eu sair com uma roupa estranha e descabelada. – falou, dando de ombros, e pareceu ponderar. – Sergio e Pilar não têm essa sorte. E nem você.
– É, isso é. – falou, dando um sorriso de lado.
– Eu prefiro ser uma pessoa comum e que não chama a atenção da mídia e nem de fãs, porque sou livre para fazer o que bem entendo, sem ter que ficar pensando no que vão publicar a meu respeito. Posso ir para a balada, passar a noite inteira por lá e encher a cara, que ninguém vai me cobrar por isso. Bom, talvez o Sergio, mas não vou ter problemas com boa parte da população mundial se eu viver minha vida, já vocês...
– Faz sentido. – concordou, dando um sorriso de lado. Quando terminaram de comer, pegaram a garrafa de vinho e foram se sentar na sala. – Seu irmão me disse que você estuda Direito.
– Sim, vou para o meu último ano. Eu deveria me formar agora, mas eu passei o ano letivo passado em Londres estudando inglês, com uma bolsa da faculdade, então tranquei o curso e voltei no começo desse ano letivo, em setembro passado, para terminar a faculdade. Esses dois meses em Munique vão servir para o meu trabalho de conclusão e para me dar mais alguns créditos.
– Que legal! Seus pais moram em Sevilla ainda?
– Moram. E minha mãe é louca para que eu volte a morar lá.
– E você voltaria?
– Não sei, acho que não. Gosto muito de morar aqui em Madrid, a cidade é ótima. Estou perto do meu irmão, dos meus sobrinhos e do meu time, meus pais vêm para cá frequentemente, tenho um bom emprego, estudo e me divirto por aqui. Amo muito Sevilla e tenho orgulho de ser de lá, mas sou muito feliz aqui em Madrid também, acho que não voltaria para lá se não tivesse um excelente motivo para isso. – respondeu e colocou a taça que tinha em mãos sobre a mesa de centro, passou a língua pelos próprios lábios para umedecê-los e se virou para falar com .
– Não me leve a mal por cortar o assunto, não é como se eu não me interessasse, mas eu quero muito te dar um beijo desde a hora que eu cheguei aqui. – disse e deu um sorriso cheio de segundas intenções, tomou o restante do vinho que tinha em sua taça e a colocou sobre a mesa de centro.
– E ainda não deu por quê? – perguntou, ainda ostentando o sorriso malicioso, e ele encerrou a distância entre os dois, juntando seus lábios aos dela e a colocou sentada em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo.

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A luz do sol atravessou uma fresta da cortina e atingiu em cheio o rosto de . Cedo demais. E percebeu isso quando viu que o relógio ao lado da cama marcava sete horas da manhã. estava deitada ao seu lado, mas de costas para ele e de frente para a janela. E não fazia ideia de como ela não tinha acordado com aquela faixa de claridade iluminando o quarto. Ela respirava calmamente imersa num sono deliciosamente invejável.
se levantou devagar para não acordar , pegou a cueca caída ao lado da cama e saiu do quarto. Não conseguiria dormir de novo, sabia disso, então não insistiria. Seguiu pelo corredor até o banheiro, lavou o rosto e ajeitou os cabelos da melhor forma possível. Realmente precisava de um corte, mas não faria isso antes das férias.
Estava menos marcado que da primeira vez, sem arranhões, mas a boca estava inchada e meio roxa e tinha um roxo novo no pescoço, mas apenas isso. Tinha sido um sexo sóbrio, bem menos agressivo e descoordenado do que o anterior.
E tinha sido um onze.
Tranquilamente podia dizer aquilo.
Saiu do banheiro e refez o caminho de volta ao quarto, parou à porta e observou que ela ainda dormia do mesmo jeito.
não sabia se iria embora antes que acordasse – porque parecia que ela não acordaria tão cedo –, ou se esperaria o máximo que pudesse, ainda que ela continuasse dormindo. O treino seria apenas na parte da tarde, então ele podia ficar até perto da hora do almoço. E pensando em almoço, sentiu seu estômago roncar e foi até a cozinha, podia se permitir fazer uma caneca de café ou procurar algo para comer? Podia. Ele encontrou um pote com biscoitos e colocou a cafeteira para fazer uma caneca de café.

– Assaltando minha cozinha? – estava prestes a lavar a caneca em que tinha tomado café quando ouviu a voz sonolenta de e se virou para a porta para olhá-la. Ela ainda ostentava a expressão sonolenta de quem tinha acabado de acordar, os cabelos bagunçados e usava apenas uma camiseta e calcinha.
– Achei que você demoraria a acordar e eu acordei com bastante fome. – respondeu, mostrando a caneca para .
– Não tem problema. – ela falou e sorriu de lado. – Faz uma para mim? Eu vou no banheiro dar um jeito na minha cara de sono.
– Faço. – falou, sorrindo, e se virou para sair da cozinha. O movimento foi acompanhado por , até que ela que ela saísse totalmente de seu campo de visão e ele não pudesse mais observar o corpo dela.
Ele colocou a cafeteira para funcionar de novo para fazer o café pedido e acabou fazendo outro para si. Poucos minutos depois estava de volta, os cabelos agora presos, a feição de sono afastada e ela se espreguiçou demoradamente ao entrar na cozinha.
– Você vai ficar desfilando só de cueca pela minha casa? – ela perguntou, abrindo a geladeira à procura de algo para comer.
– Posso desfilar pelado se você quiser.
– Eu não vou achar ruim, pode ter certeza. – respondeu, sorrindo, antes de se virar para olhá-lo. – Você comeu direito?
– Principalmente à noite. – respondeu, dando um sorriso malicioso.
– Não estou falando disso, idiota. – falou, rindo, colocando o pão sobre a mesa. – Eu quero saber sobre o café da manhã.
– Eu comi uns biscoitos que encontrei. E vou morrer de fazer abdominal para queimar toda essa gordura hidrogenada. – ele fez drama e passou a mão pela barriga. Gesto que foi devidamente acompanhado pelo olhar de . E ele percebeu.
– Então come direito. Senta, vou fazer um café da manhã decente.
– Eu prefiro que a gente queime o café da manhã que tomei antes de ter uma segunda rodada. – ele a puxou para perto e mordiscou seu lábio inferior. – Tenho até a hora do almoço para tomar café.
– Não pode ir muito cansado para o treino, Magia. – falou baixo, com os lábios próximos aos de , deslizando as unhas bem devagar pela nuca dele.
– Cacete, não faz isso.
– Achei seu ponto fraco? – perguntou, sorrindo maliciosa, e repetiu o gesto.
– Eu achei o seu ontem, não esquece. – murmurou no ouvido de e mordeu seu lóbulo, fazendo-a se arrepiar.
Ela envolveu o pescoço de com os braços e ele tinha uma das mãos nas costas dela e a outra em sua nuca. mordeu o lábio de e o puxou devagar, ouvindo um arfar leve e juntou os lábios aos dele, beijando-o com vontade. enfiou a mão sob a blusa de e a deslizou pelas costas da mulher, mas antes que conseguisse fazer alguma coisa efetiva, a cafeteira apitou em sinal e quebrou o beijo.
– Está pront...
– Ah, , me poupe. – falou e deu uma risada antes de arrancar dela a camiseta que usava, voltando a beijá-la.

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– Você tem algum programa para essa noite? – perguntou quando entrou no quarto após tomar banho e ela estava na cama apenas com o lençol cobrindo seu corpo e mexendo no celular.
– Dormir. – respondeu, rindo. – Por quê?
– Ia te convidar para repetirmos a noite.
– Eu vou dispensar. E não tem nada a ver com a regra, antes que você ache que é isso. Eu não dormi de domingo para segunda, porque estava terminando minha apresentação do projeto. E essa noite... bom, nós fizemos muitas coisas e nenhuma delas envolveu dormir o suficiente.
– Isso é.
– Vai ficar para outra hora. – falou e o observou desfilar apenas de toalha pelo cômodo. – Você vai com essa roupa de ontem para o treino?
– Não. Vou em casa antes de ir para Valdebebas. Preciso buscar algumas coisas também.
– Vai se atrasar.
– Dá tempo. – ele deu de ombros.
– São onze e meia.
– O treino só começa às duas e meia.
– Hoje você vai sem marcas.
– Que nada, minha boca está inchada e meu pescoço está roxo. – ele falou, rindo, e apontou para a marca.
– Posso dizer o mesmo. – riu.
– E você, não vai trabalhar? – perguntou.
– Hoje vou trabalhar de casa. – ela deu de ombros e se inclinou para que pudesse beijá-la nos lábios. – Cool for the summer.
– Quê? – ele perguntou, confuso, e ela sorriu.
– A música. Cool for the summer.
– Ah. – riu. – Mas ela não foi escrita para uma mulher?
– É, mas podemos aplicar nesse caso também. – ela o puxou pela toalha em sua cintura. – I can keep a secret. Can you?
– Claro. – respondeu, dando um sorrisinho.
Got my mind on your body. And your body on my mind... I just need to take a bite. falou as frases com pausas enquanto beijava o pescoço de , e ele arfou quando ela mordeu seu lóbulo.
– Agora sim eu vou me atrasar. – resmungou quando deitou seu corpo sobre o dela, livrando-se da toalha e do lençol que separavam o contato direto entre os corpos.
– E o principal – ela sussurrou em seu ouvido. – Don’t tell my brother.


Capítulo 4 – Vivamos la aventura...


... que no tiene mucha cincia bebé. (Sin Contrato – Maluma)

– Se você sair atrasado e perder o voo, não coloque a culpa em mim. – falou num resmungo enquanto sentia os lábios de em seu pescoço, distribuindo beijos demorados e provocativos. – , eles vão voar para Cardiff sem você!
– Ainda dá tempo. – respondeu com a voz abafada enquanto roçava os dentes pela pele do pescoço de , e ela precisou de muito autocontrole para não se deixar levar.
– Não dá não. – se pronunciou e o afastou com o mínimo de consciência que ainda não tinha sido devastada pelas carícias de , e ele suspirou frustrado. – E eu preciso sair também.
– Precisa?
– Sim. Tenho que comprar as últimas coisas antes de viajar.
– E quando você volta para Madrid?
– Cinco de agosto.
– Vai demorar. – resmungou, frustrado.
– Dois meses. – ela deu de ombros. – Agora vai tomar banho.
– Você também precisa tomar banho, vamos os dois juntos e nós economizamos tempo e água. – pôs-se de pé e a puxou pela mão, trazendo-a para mais perto e juntando seus corpos.
, para com isso e vai logo tomar seu banho. – falou, mas não se moveu e nem tentou se soltar dos braços dele.
– Vem comigo, . – pediu, mordendo o lábio inferior de , e ela rolou os olhos, tentando se fazer de difícil. – Eu sei que você quer.
– Agora você lê pensamentos?
– Não preciso, está escrito na sua testa que você quer aproveitar bastante os nossos últimos momentos juntos. – ele respondeu, convencido, e não deu tempo para que ela respondesse da forma desaforada que pretendia, apenas juntou seus lábios em um beijo e logo os dois estavam se beijando pelo corredor à caminho do banheiro.

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O jogo que definiria o campeão da Champions League da temporada 2016/2017 foi tenso, quase comeu todos os dedos das mãos enquanto assistia, ainda que o placar tenha sido tão elástico ao final.
Cristiano Ronaldo foi o responsável por abrir o placar aos vinte minutos do primeiro tempo, mas pouco menos de sete minutos depois veio o empate da Juventus, pelos pés de Mario Mandžukic. O empate persistiu pelo restante da primeira etapa, e a cada boa chance desperdiçada – fosse do Real Madrid, fosse da Juventus – era uma tensão a parte.
Aos dezesseis minutos do segundo tempo, Casemiro deu um belo chute fora da área e devolveu a vantagem ao time madrileno. Cristiano Ronaldo marcou de novo, aos dezenove minutos, após um cruzamento perfeito de Luka Modric. Três a um para o time espanhol. A conquista do décimo segundo título da Champions League parecia muito bem encaminhada àquela altura, ainda que o time italiano não tivesse desistido de tentar ser campeão.
O time merengue ainda perdeu algumas boas chances de ampliar o placar e levava os torcedores presentes no estádio à loucura, além de algumas boas chances que o time da Juventus teve de diminuir a diferença, mas sem sucesso nas conclusões.
foi substituído aos trinta e sete minutos do segundo tempo, sendo muito aplaudido pela partida que tinha feito, e deu lugar a Marco Asensio. E então, no último minuto do tempo regulamentar, Marcelo entrou na área e cruzou a bola para Marco Asensio fazer o último gol do time espanhol.
Quando o juiz encerrou a partida, os jogadores do Real Madrid se abraçavam em campo e comemoravam a conquista de La Duodécima, enquanto os jogadores da Juventus, desolados, davam espaço para a festa merengue. Um tempo depois, a entrada em campo das famílias foi permitida e o gramado se encheu de crianças correndo por todos os lados, em meio a papel picado e gritos da torcida.

– Não fez mais que sua obrigação de ganhar mais um título, Capi. – provocou o irmão quando o abraçou e ele deu uma risada alta, abraçando-a de volta. – Você é o meu orgulho! Parabéns pela conquista, por terem se superado e jogado como se a vida de vocês dependesse de cada jogo. Eu tenho muito orgulho desse time, principalmente de você, que é o capitão e quem ajuda Zidane a botar esses marmanjos todos na linha.
– Obrigado, princesa. – Sergio disse, apertando a irmã num abraço, e lhe deu um beijo no rosto. – O apoio de vocês é a coisa mais importante que eu tenho, e isso é o que faz a diferença.
– Vai monopolizar seu irmão ou vai nos deixar abraçá-lo também, ? – Paqui perguntou em tom implicante e deu uma risada, antes de dar um beijo demorado no rosto do irmão e soltá-lo de seu abraço para que a família pudesse fazer o mesmo.

Os pais o abraçaram demoradamente, assim como Pilar, Sergio Junior e Marco. Depois iniciou-se a sessão de fotos com a taça, claro. Primeiro com o capitão, que tirou foto com a taça da Champions League que acabava de ser conquistada e com a da Liga, que também estava com o time, o doblete seria devidamente comemorado em uma enorme festa no Santiago Bernabéu no dia seguinte.
Logo as crianças estavam correndo por todos os lados umas com as outras, as taças já estavam com os outros jogadores e a festa continuava.
A volta para o hotel foi barulhenta no ônibus, os jogadores estavam animados e mais barulhentos que o normal, enquanto as famílias voltavam em seus próprios carros ou de outras formas. Jantariam juntos, um jantar oferecido pelo time para as famílias e para os jogadores, em agradecimento pela fantástica temporada, e permaneceriam no hotel até a manhã do dia seguinte, quando retornariam para Madrid e comemorariam com a torcida.

: Estou esperando meus parabéns pela conquista de La Duodécima
: Parabéns, ??
Não fez mais que sua obrigação ??
: Qual o andar do seu quarto?
: Quinto
: A gente se encontra lá em cinco minutos
: E qual desculpa eu vou dar pra sair de perto da minha família assim?
: Improvise ??
Qual número?
: 502
: Te vejo daqui a pouco

encarou a tela do celular e reprimiu um sorriso pela ousadia e loucura de . Depois da primeira noite que passaram juntos em seu apartamento, naquela semana ele ainda apareceu outras três vezes e tinha sido realmente muito bom.
Onze, ela tinha de admitir. Ele era tão habilidoso entre quatro paredes quanto dentro das quatro linhas, e se ela o achava um craque em campo, descobriu que na cama ele também o é. Agora ela podia afirmar com certeza absoluta que tinha sido o melhor sexo de sua vida até então.

– Está rindo do quê? – Sergio perguntou e despertou de seus pensamentos.
. – mentiu, dando de ombros.
– Sei. – Sergio disse, desconfiado.
– E quando vocês dois vão assumir que são namorados? – Pilar provocou e fez uma careta.
– Deus me livre! Mais fácil eu virar freira do que namorar .
– Infelizmente você não preenche os requisitos para isso, irmãzinha. – Sergio disse, rindo. – Se preenchesse, eu já teria te mandado para um convento.
– Sua sorte é que seus dois filhos estão aqui, senão eu ia usar o palavreado adequado com você, idiota.
– Você não tem coragem de falar assim com seu irmãozinho querido que você ama e que acabou de conquistar La Duodécima. – Sergio provocou e ela olhou ao redor, vendo que os sobrinhos estavam distraídos com os avós, e lhe mostrou o dedo do meio, sussurrando um “vá se foder”. – Você está muito sem educação.
– E você está insuportável. Mais do que é normalmente. – respondeu, rolando os olhos. – Não sei como Pilar te aguenta.
– E por que o não veio? – Sergio perguntou e ela deu de ombros.
– Eu o chamei, ele disse que não poderia, mas estará lá no Bernabéu amanhã. Teve um problema com a namorada, uma coisa assim.
– Ah. E você vai?
– Saio junto com vocês, mas meu voo é direto para Munique. – respondeu num tom sentido. – E vou ligar e descobrir o que quer me contar que não pode ser escrito.
– Sei. – Sergio repetiu, desconfiado, e rolou os olhos.
– Vejo vocês no jantar. – falou e se levantou, saindo do quarto e indo para o andar em que estava hospedada. Quando o elevador abriu as portas, ela deu de cara com , que estava preparado para entrar. – Já vai?
– Achei que você não vinha, na verdade. – ele sorriu e a puxou para mais perto, juntando seus corpos, e juntou os lábios aos dela.
– Está doido? – o afastou, antes que o toque de lábios se tornasse um beijo de verdade, e olhou para os lados, procurando por alguém no corredor.
– Seu irmão não vai aparecer aqui. – sorriu e lhe roubou um selinho, dando uma risada da cara de espanto que ela fez.
– Ele não é o único que não pode nos ver, , porque qualquer outro jogador que passe aqui, ou qualquer outra pessoa que veja beijando uma mulher no corredor do hotel, vai fazer com que isso rode a internet inteira, e vão saber que sou eu. E Sergio mata os dois. – falou e se soltou dos braços de , caminhando pelo curto caminho que separava o elevador do quarto em que estava hospedada, por sorte, sem os pais.
Mal a porta foi fechada e a prendeu contra a mesma, indo desesperado de encontro aos lábios dela, dessa vez dando um beijo de verdade, que foi correspondido na mesma intensidade. o agarrou pelos cabelos e deixou que ele ditasse o ritmo daquele beijo afobado e intenso.
– Estou esperando os parabéns, Ramos. – ele disse quando se separaram, as bocas vermelhas e inchadas pela forma como se beijavam, e ela lhe tirou a blusa sem nenhuma demora, tirando a sua própria em seguida.
– Parabéns, . Você fez um grande jogo hoje. – falou e o empurrou até que ele se sentasse na cama, sentando-se em seu colo, voltando a passar os dedos pelos fios de cabelo do homem. – Mas me fala uma coisa?
– Falo até duas. – ele respondeu com a boca muito próxima à dela.
– Qual a graça de beijar meu irmão? – ela perguntou num tom divertido e deu um sorriso, fazendo rir.
– Ah, eu sabia. – ele riu. – Não beijei seu irmão. Nem hoje e nem em Málaga.
– Olha, não foi o que pareceu. – riu e roçou seus lábios nos dele.
– Da família Ramos eu só gosto de beijar você, .
– Que ótimo. – ela sorriu e o olhou nos olhos. – Eu vou te dar um presente pela conquista do doblete.
– Gostei disso.
– Eu espero que goste mesmo. – ela sussurrou em seu ouvido, dando-lhe uma mordida leve no lóbulo, e a apertou contra seu corpo antes de voltarem a se beijar.

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O apartamento em Munique era muito parecido com o seu em Madrid, notou quando chegou. As únicas diferenças que conseguia ver eram a existência de mais um quarto e a sala também era um pouco maior. Dividiria o local com uma tal de Andrea, que também iria estudar em Munique por dois meses, segundo as orientações recebidas há pouco.
Como chegou primeiro, foi quem recebeu todas as orientações sobre a conservação pelo tempo em que moraria ali. Ela teve a liberdade de escolher o quarto em que ficaria, não que houvesse diferença, porque eram exatamente iguais, mas ela escolheu o quarto mais próximo do banheiro, porque se tivesse que lutar pelo cômodo, que era o único do apartamento, ela teria vantagem. pegou a toalha dentro de uma das malas e foi tomar um banho para tirar o cheiro de avião e tentar amenizar um pouco o cansaço. Tinha dormido pouco, e viajar cedo não tinha ajudado muito.
Assim que saiu, deu de cara com um rapaz andando no corredor, caminhando em direção ao outro quarto do apartamento, e sua primeira reação foi voltar correndo e se trancar no banheiro.

– Eu não acredito que vou ser morta no intercâmbio e vão vender meus órgãos na internet. Puta que pariu! – resmungou, segurando a porta o mais forte que conseguia antes de gritar em inglês. – QUEM É VOCÊ?
– Andrea. – o rapaz respondeu em um tom bem humorado e continuou em um inglês cheio de sotaque. – É, eu imaginava que sua reação seria essa. Meu nome é Andrea Giandavide, sou de Turim, vou estudar aqui em um curso de férias de Engenharia e somos colegas de apartamento durante esses dois meses. Eu não vou te matar para vender seus órgãos na internet, pode ficar tranquila.
¿Hablas español?
– Não.
– Então como você entendeu o que eu disse?
– Não foi difícil deduzir o que você quis dizer quando falou “internet”, até porque eu imaginei que sua reação ao me ver seria essa. Você estava esperando por uma mulher chamada Andrea, e não um homem com esse nome, então é normal que pensar em sequestro e vendas de órgãos na internet. – ele respondeu em inglês, usando um tom divertido, tentando amenizar a tensão. – Desculpa te assustar, prometo que não vou te matar. Só se tivermos algum problema com relação a futebol.
– Para que time você torce?
– Juventus.
– Obrigada por La Duodecima. – respondeu, dando uma risadinha.
– Ah, não é possível. – ele disse em tom decepcionado e abriu a porta minimamente e encarou o rapaz pela pequena fresta. – Pode sair, eu não vou te matar, eu prometo.
– Eu sou . – ela sorriu e abriu mais a porta, saindo do banheiro para se apresentar ao rapaz. – Ramos García, sou de Sevilla, mas moro em Madrid há alguns anos, vim estudar Direito nessas férias e prometo que não sou tão estranha quanto pareço.
– Certeza? Porque você parece ser bastante estranha. – ele brincou e deu um sorriso. – Mas não tanto quanto eu ter nome de mulher.
– Talvez. – ela falou, dando um sorrisinho, e analisou o rapaz.

Era mais alto que ela, maior que Sergio e tinha mais de um metro e noventa fácil. Pelo porte, era adepto dos exercícios físicos, mas não se encaixaria no estereótipo de marombeiro, mas no de frequentador de academia para a conservação do provável tanquinho que estava sob a camisa preta e dos músculos dos braços que eram muito bem delineados para serem dádivas divinas. Os cabelos pretos pareciam ondulados, se crescessem, mas estavam cortados e penteados, os olhos castanhos quase amarelos dando um contraste maravilhoso em sua pele morena e junto com longos cílios e as sobrancelhas com o formato mais bonito que já tinha visto.
O rosto era másculo e ostentava uma barba por fazer, o queixo parecia ter sido esculpido demorada e detalhadamente a mão por alguma divindade, a boca carnuda e delicadamente desenhada, assim como o belo nariz, tinha um sorriso com dentes perfeitamente alinhados e tão brancos quanto poderiam ser. Não era possível que aquele homem fosse real, pensou, tampouco que fosse um ser humano, e não um anjo. Ou um deus grego que se perdeu a caminho do Olimpo e acabou parando na Alemanha.

– Você está me assustando. – ele falou, divertido, e a voz soava realmente como a voz de um anjo. Não que soubesse o som que a voz de um anjo tinha, mas se tivesse um som, era aquele com toda certeza.
– É que você é muito bonito, desculpa. – falou, tentando parar de encará-lo feito uma psicopata.
– Você também é. – ele disse, dando um sorriso de lado, parecendo mais ainda um ser celestial, e não um humano qualquer, e sentiu vontade de beijá-lo até o mundo acabar.
– Obrigada. – ela sorriu, agradecida. – Agora, se você me dá licença, vou trocar de roupa, porque ficar de toalha no meio do corredor nesse dia nublado e frio não é uma boa ideia.
– Tudo bem, mas fique à vontade para andar de toalha por este apartamento sempre que quiser.
– É, eu digo o mesmo para você. – ela respondeu baixo e em espanhol, enquanto caminhava para seu próprio quarto para se trocar.
Não ficaria ali, queria e precisava sair, porque estava morrendo de fome.

– Vai sair? – ela ouviu a voz de Andrea quando entrou na sala e o viu sentado no sofá, com a televisão ligada e parecia procurar alguma coisa para assistir.
– Não quero ficar nesse apartamento me lembrando que escolhi ser responsável ao invés de escolher estar bêbada no meu país.
– Vai chover. – ele advertiu e ela deu de ombros.
– Eu não sou de açúcar, Andrea.
– Você pode chamar de Gian, fica menos estranho. Todo mundo me chama assim, na verdade. – ele deu um sorriso de lado e ela assentiu, ainda hipnotizada pela beleza do sorriso que lhe foi oferecido, e o rapaz se colocou de pé. – Espera cinco minutos, vou trocar de roupa e a gente sai.
– Então vai logo. – respondeu e sentou no sofá para esperar, desligando a televisão em seguida.
Ouviu o barulho de notificação e, ao destravar a tela, deparou-se com mensagens de duas pessoas: tinha lhe encaminhado uma foto na comemoração, um copo enorme de cerveja em mãos, vários desconhecidos que estavam tão bêbados quanto ele estava prestes a ficar, camisas do Real Madrid por toda parte e sorrisos imensos no rosto. foi o responsável pela outra mensagem, uma foto beijando a taça da Champions League, em cima do ônibus do time, enquanto desfilavam pela cidade.

: Pena que não vamos poder estender nossa comemoração
Tô beijando a taça, mas queria estar te beijando ?
: Teremos outras oportunidades, vá comemorar o título, Magia!

– Podemos? – Gian perguntou, aparecendo alguns minutos depois, e ela assentiu, colocando o celular no bolso da calça, e os dois saíram do apartamento, desceram os três lances de escada até a saída do prédio.
– Sabe, nós precisamos nos conhecer de verdade, então pode começar se apresentando decentemente, Andrea Giandavide. – mudou de assunto e ele deu um sorriso de lado antes de começar a falar.
– Eu tenho vinte e três anos, sou o irmão mais velho de quatro filhos: tenho um irmão de dezenove, uma de quatorze e a menorzinha de três anos, que é minha pessoa favorita do mundo; faço Engenharia Química em Turim, torço para Juve e sempre vou aos jogos na cidade e em alguns fora quando tenho tempo. Gosto muito de rock, correr e malhar, mas nada excessivo, só para manter a forma. Bebo sempre que possível e oportuno, sou péssimo jogando futebol, até tentei ser jogador quando era criança, mas claro que não deu certo. – ele falou e deu uma risadinha antes de continuar. – Porém, sou ótimo dançando e jogando tênis, mediano jogando vôlei, apesar do tamanho. E sei cozinhar muito bem. Não sei mais o que falar sobre mim.
– Você não parece mais um assassino vendedor de órgãos de intercambistas inocentes que vieram estudar nas férias. – brincou.
– E o que há para saber sobre você?
– Eu tenho vinte e dois, sou a mais nova de dois filhos, meu irmão mais velho tem trinta e um, nos damos muito bem e ele é meu ser humano favorito do mundo. Tenho dois sobrinhos, eles são as coisinhas mais fofas do universo e eu amo muito aqueles dois! Eu sou muito boa jogando futebol, muito boa de verdade, mas nunca sonhei em ser profissional. Torço para o único time possível, sempre vou ao Bernabéu e às vezes vou a outros jogos pelo país ou fora de lá. Amo rock, mas adoro reggaeton e algumas coisas de indie rock e pop. Bebo mais do que meus pais consideram devido e menos do que eu gostaria, cozinho bem, me viro muito bem com crianças e uso isso para ganhar um dinheiro extra em Madrid. Eu não sei dançar e nem gosto, na verdade; joguei tênis só uma vez então não sei se sou boa. Vôlei e golfe são duas coisas que nunca tentei, sou organizada e limpinha, gosto de viajar, tirar fotos das coisas, de ver filmes, séries e ouvir música. Acho que é isso, não consigo pensar em mais nada para falar.
– Solteira?
– Sim, senhor. – respondeu, dando um sorriso. – Solteiro?
– Também. – ele sorriu. – E então, o que vamos fazer?
– Comer.
– Eu duvido que você vá comer a comida alemã.
– Não vou mentir, algumas coisas pareceram muito estranhas nas fotos que vi, só que não sei se são estranhas e ruins ou se são apenas estranhas, esqueci de perguntar a um amigo alemão do meu irmão, mas sempre existe um McDonald’s para salvar os necessitados.
– Gostei da quantidade de bares perto de casa.
– Eu mais ainda. – falou, animada. – Não que nós realmente teremos tempo para isso, mas temos agora, então vamos andar rápido, porque quero comer e afogar minha tristeza de não estar em Madrid comemorando.
– Parabéns pelo título. Pelos títulos. – Gian se corrigiu, dando um sorriso logo em seguida, enquanto caminhavam na direção de um restaurante.
– Obrigada. Você pode me pagar uma cerveja por isso. Ou doze. Uma para cada Champions. – falou, dando de ombros, e ele riu. – E então, qual é a do seu nome?
– Na Itália é um nome bem comum e serve para mulher e para homem.
– Só lá.
– Pirlo também se chama Andrea e ninguém comenta nada sobre. – ele disse, fingindo-se de ofendido, e deu uma risada.
– Ele é o Pirlo, ele poderia se chamar “Caixa de Sapato” que seria aceitável.
– O De Rossi se chama Daniele e ninguém fala nada também.
– E quem vai ser o doido de falar alguma coisa com ele? Abriu a boca, toma uma voadora na cara. – zombou e Gian concordou, rindo.
– Xabi Alonso é um nome muito aceitável, né? – ele debochou e ela levantou uma das sobrancelhas, tentando fazer um olhar ameaçador. Adorava Xabi, tanto em campo quanto fora dele, é um ser humano fantástico e muito amigo do irmão.
– Respeite este homem. E ele se chama Xabier, portanto é mais do que aceitável e permitido. E ele é outro que poderia chamar “Sacola Biodegradável” e estaria tudo bem. – deu de ombros, fazendo Gian rir, e os dois entraram no restaurante. – Agora vamos comer.

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se jogou em sua cama quando chegou ao apartamento, após um dia absolutamente exaustivo. Estava na Alemanha há duas semanas, trabalhando e estudando, mal tivera tempo de descansar e dormir de forma decente, virou algumas noites estudando, adiantando o trabalho de conclusão da faculdade e o projeto que estava desenvolvendo. Não era nada além do esperado, tinha sido muito difícil conseguir aquela bolsa de estudos na Alemanha e ela sabia que as coisas seriam disso para pior.
Passaria o fim de semana fazendo um trabalho do curso que deveria estar pronto há dias, mas ela não teve tempo hábil para fazer. Perderia os três casamentos: Álvaro Morata e Alice Campello, Mateo Kovacic e Izabel Andrijanic e Lucas Vázquez e Macarena Capilla, mas já tinha enviado os pedidos de desculpas e os presentes.
Mal tinha falado com durante aquela semana, esteve envolvida em um processo complicado no estágio, não entendia bem as leis e as regras do Direito alemão, então ficava até mais tarde sempre que podia para aprender mais sobre tudo e conseguir fazer bem seu trabalho.

– Ei, , eu vou sair com a turma do curso. Quer vir? – ela ouviu Gian falar, mas não se virou para olhá-lo. – Você está viva?
– Não e mais ou menos. Preciso descansar um pouco para conseguir terminar um trabalho que tenho que apresentar na segunda. – falou e se virou para olhá-lo.
– Você não ia viajar?
– Não tenho condições de estar em três casamentos em um fim de semana, em três países diferentes, e voltar a tempo de fazer e apresentar esse trabalho na segunda-feira. Além de ter que ir para o estágio.
– Seus amigos resolveram casar em datas muito próximas e em lugares muito distantes. Eles se conhecem?
– Conhecem, mas quiseram se casar nas férias e em seus próprios países.
– Fiz o jantar, tome um banho e coma, espero que você goste.
– Sempre gosto.
– Qualquer coisa que você precise é só me ligar.
– Divirta-se. E tente não ficar muito bêbado, você é grande demais para ser carregado. – brincou e Gian deu um daqueles sorrisos pelo qual se derretia e desconfiava que ele já tinha percebido e por isso o exibia com tanta frequência.
– Pode deixar. E não me espere acordada.
– Eu não esperaria nem que você pedisse. – falou, rindo, e Gian mandou beijos no ar, saindo logo em seguida do quarto dela e do apartamento.

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– Você já está bêbado o suficiente para pegar o celular? – Nacho perguntou, rindo, quando tirou o telefone do bolso e parecia prestes a enviar uma mensagem.
– Quero saber notícias do . Hoje mais cedo a Victoria disse que ele não estava muito bem. – suspirou e digitou a mensagem para Victoria.

: Como o está?
Victoria: Teve uma febre bem alta mais cedo, eu o levei ao médico e agora está medicado, a febre abaixou e ele está dormindo. A garganta inflamou muito e isso causou a febre, mas ele tá bem agora.
: Me avise sobre como ele vai acordar?
Qualquer coisa eu não vou ao casamento do Lucas e vou praí ficar com ele.
Victoria: Como se isso fosse resolver alguma coisa e fazer o melhorar
: Sou pai dele e não quero estar longe no momento em que ele precisa de um mínimo conforto que eu possa oferecer.
Apenas me avise sobre ele amanhã.

não entendia como sua boa relação com Victoria tinha virado aquilo. Os dois ficaram juntos por um bom tempo, conviviam muito bem e, quando a relação chegou ao fim, tinham decidido que seriam maduros, que se tratariam bem por respeito mútuo e também pelo filho, mas não era assim que as coisas estavam há tempos. Não havia cordialidade, não havia nem mesmo uma boa relação. Havia rancor, troca de farpas, obrigatoriedade e indiretas, apenas. Ambos querendo provar que eram melhores pais do que o outro.
Ele duvidava que Victoria fosse lhe dar alguma notícia do filho depois daquilo, então daria um jeito de ir embora o mais rápido que pudesse pela manhã e voltaria a Madrid para o casamento de Lucas, se conseguisse. Estava preocupado, e ainda que não pudesse fazer nada pelo filho, queria fazer alguma coisa.
Encarou a mensagem visualizada e não respondida e suspirou pesadamente em frustração. não visualizava as mensagens há muitas horas e pensou que, provavelmente, ela estava dormindo e não a incomodaria. Precisava beber alguma coisa forte, porque senão acabaria com sua noite bem antes do previsto e do devido.


Capítulo 5 – Tú me confundes, no sé qué hacer...


... yo lo que quiero es pasarla bien, yo tengo miedo de que me guste y que vaya a enlouquecer... (Perro Fiel – Shakira ft. Nicky Jam)

– O que nós estamos comemorando? – Gian falou quando viu chegar equilibrando a bolsa no ombro, duas caixas de cerveja, uma caixa de pizza nas mãos e ostentando um sorriso enorme.
– Que meu professor achou meu projeto fantástico, magistral, digno de utilização para inspirar novos alunos. Palavras dele. – disse em tom satisfeito e seu sorriso pareceu aumentar, fazendo Gian sorrir de volta, enquanto ela caminhava para sentar ao seu lado no sofá e deixava as caixas sobre a mesa de centro e largando a bolsa no chão.
– Parabéns! – Gian disse, dando-lhe um abraço.
– Estou me sentindo importantíssima e muito inteligente também.
– Você merece, tem se esforçado muito para as coisas darem certo. Menos que isso seria impensável.
– Obrigada. – disse e ouviu seu telefone tocar em sua bolsa. O nome de Sergio e uma foto do irmão lhe dando um beijo no rosto apareciam na tela e ela atendeu rápido. – Oi, mi amor.
– Quanto tempo não falo com você.

– Eu estava estudando muito, e isso me rendeu um elogio e tanto.
– E qual foi?
– Meu professor disse que meu projeto é fantástico, magistral, digno de utilização para inspirar novos alunos. – disse feliz e o ouviu dar aquela risada de irmão mais velho orgulhoso da irmã caçula.
– Você merece, porque eu tenho certeza absoluta que você tem batalhado muito para conseguir fazer tudo bem feito. E como as coisas estão aí?
– Ótimas! Corridas, mas ótimas. E as férias, como estão?
– Tranquilas. Estamos viajando.
– Eu vi as fotos e estou morrendo de inveja, não vou negar. Aqui mal faz sol!
– Pilar vai viajar de volta para Madrid para resolver umas coisas do trabalho, vou ficar com os meninos e eles não param de falar que estão sentindo sua falta, então vou passar uns dias aí.
– VEM! – ela disse, animada.
– Chego na quinta e volto para Madrid na segunda-feira.
– Vai ser ótimo ter vocês aqui uns dias. Não aqui exatamente, mas você entendeu o que eu quis dizer.
– Morata, Alice, Lucas, Maca, Mateo e Iza perguntaram por você.
– Eu falei com eles, pedi milhões de desculpas por não ter ido e enviei os presentes, eles entenderam. E você conseguiu ir a todos?
– Eu fui no do Morata e no do Lucas, ir para a Croácia ia ser um pouco mais difícil, porque você não estava aqui para me ajudar com as crianças. – Sergio disse, rindo, e o acompanhou na risada. – Mas eu já tinha comentado com eles que você talvez não conseguisse ir.
– Eu mal tenho dormido, estava terminando o que precisava. Amanhã só tenho que trabalhar, então posso dormir umas horas a mais.
– Espero que você reserve seu fim de semana para mim e para os seus sobrinhos.
– Pode ter certeza absoluta disso, eu estou com muita vontade de ver vocês.
– Eu te liguei só para lhe falar isso, nós vamos sair para jantar.
– Mande beijos para todos.
– Mando.
– E outro enorme para você.
– Obrigado. Nos vemos no fim de semana, pirralha. – Sergio disse e desligou o telefone após se despedirem.
– Meu irmão vem me ver no fim de semana! – falou, animada, batendo palminhas feito criança. – E vai trazer os meninos!
– Que legal. – Gian sorriu, pegando um pedaço da pizza, fez o mesmo, além de pegar uma das garrafas e abri-la, tomando um gole grande.
Os dois continuaram bebendo e comendo enquanto assistiam a um filme qualquer que passava, sem prestar atenção de verdade, e conversavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo. falou sobre algumas coisas do curso e sobre a Espanha, Gian fez o mesmo, falando sobre seu curso, sobre a Itália e os lugares que já tinha conhecido.
Não chegaram a ficar bêbados, estavam apenas mais espontâneos e alegres que o habitual, com riso um tanto mais solto e com algumas palavras escapando mais facilmente dos lábios.
– E então, você vai me deixar te dar um beijo? Venho esperando por essa chance há tempos! Achei que ia conseguir te convencer a sair comigo, mas você só sabe estudar. – Gian falou, fazendo um sorrisinho brotar no rosto de .
– Ainda bem que você falou, porque eu quero te beijar desde o primeiro dia aqui em Munique.
deixou sua garrafa vazia sobre a mesa de centro e se inclinou, juntando os lábios aos de Gian sem hesitar, entreabrindo sua boca para que as línguas se encontrassem e ele a segurou pela nuca, enquanto tinha as mãos nos ombros fortes dele, tanto para se apoiar quanto para aproveitar a oportunidade de tocar aquele corpo que ela vinha cobiçando há tempos.
– Eu acho que não quero te beijar, para ser bem sincero. – Gian disse quando pararam de se beijar para tomar fôlego.
– Que bom que você percebeu que não vamos ficar apenas nos beijos. – ela respondeu, voltando a beijá-lo, dessa vez de forma mais comedida, apenas para atiçá-lo um pouco mais, enquanto suas mãos deslizavam pelos ombros dele, ainda cobertos pela camisa que usava.
– No seu ou no meu?
– Tanto faz, o que aparecer primeiro. – ela disse e se pôs de pé, puxando Gian pela mão e os dois seguiram pelo corredor.

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: Meu filho virou seu fã e quer te ver! ??
E agora?
: Manda um beijo imensoooo pra ele!
Diz que logo volto pra casa e poderemos brincar
E deixa de ser ciumento ??
: Posso falar que o pai dele também virou seu fã e quer te ver?
: Pode
: O pai dele virou seu fã e quer te ver
: É, eu também quero vê-lo
: E quando poderia ser isso?
: Sergio vem pra cá hoje, então sem chance de ser esse fim de semana
Devo ter uma folga no fim de semana que vem
: Meio termo?
: Se eu viajar até aí, é mais discreto do que você vir pra cá
: Em Málaga ou você prefere outro lugar?
: Pode ser em Málaga mesmo, mas onde?
: Tenho um amigo que não está na cidade esse mês e a casa tá vazia
: Pode ser, mas combinamos isso durante a semana que vem, pode ser?
Preciso resolver umas coisas do trabalho agora
: Certo.

deixou o telefone de lado e voltou a concentrar-se no processo que tinha em mãos e precisava entregar para a chefe antes de sair do escritório, dali a pouco. Estava atrasada naquilo e ainda precisava buscar o irmão no aeroporto dali a duas horas.
Sergio podia ir sozinho até o apartamento, sabia disso, porque seria apenas alugar um carro e usar o GPS, que ele chegaria tranquilamente, mas ela também sabia que, dada a habilidade do homem com eletrônicos, ele acabaria perdido, então era melhor que fosse buscá-lo no aeroporto e evitassem transtornos, ainda que também não soubesse andar tanto por Munique assim, mas pelo menos sabia usar o GPS melhor que o irmão. Sergio Ramos perdido na Alemanha não era uma boa ideia.

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– TITIA! – Sergio Junior falou alto, enquanto corria em sua direção quando a viu na área de desembarque, e a abraçou apertado quando a alcançou.
– Amorzinho! – o apertou em seu abraço, recebendo um beijo demorado no rosto. – Como você está?
– Bem! Papa vem com Marco. – o menino se virou e apontou na direção em que o pai vinha arrastando um carrinho com duas malas pequenas e o filho mais novo sentado sobre elas. ficou de pé e Sergio Junior abraçou sua perna esquerda.
– Cheguei. – Sergio disse, aproximando-se da irmã, e Marco se agitou, esticando os bracinhos para a tia, que o pegou e deu um beijo estalado na bochecha, o menino a abraçou e lhe deu um beijo babado no rosto.
– Como foi a vinda?
– Achei que seria difícil, mas parece que seu nome também é mágico e faz as crianças ficarem quietas. – Sergio disse e abraçou a irmã de lado, dando-lhe um beijo na bochecha.
– Então vamos para casa. – ela disse e Sergio ergueu Sergio Junior no colo.
– Posso ficar na sua casa?
– Acho que sim, podemos descobrir se cabem todos por lá, mas se não couber, você procura um hotel para você e os dois ficam comigo. – respondeu e os quatro seguiram até o carro que tinha alugado para usar durante aqueles dois meses em Munique e partiram em direção ao apartamento.

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– Cheguei! Tem alguém em casa? – ela ouviu a voz de Gian chamando na sala.
– Cozinha. – falou mais alto enquanto terminava de fazer o jantar.
– Quem é? – Sergio perguntou, curioso, e só aí lembrou que o irmão não sabia que ela dividia o apartamento com um homem.
Sergio estava sentado em uma cadeira e de lado para a porta, Marco estava em seu colo, com um boneco do Olaf em mãos, e Sergio Jr estava sentado em outra cadeira ao lado do pai, brincando com Woody e Buzz Lightyear, e parecia muito entretido para se dar conta do que acontecia fora da sua brincadeira.
– Então esse é o fam... SERGIO RAMOS? – o rapaz disse assustado quando entrou na cozinha e se deparou com o homem que estava na cadeira.
– Não é possível que você não sabia. – rolou os olhos e Gian negou com um aceno de cabeça, ainda em choque, com a boca entreaberta pela surpresa e sem tirar os olhos do zagueiro espanhol que o olhava. – O sobrenome? Eu tenho duas fotos com ele no Instagram! E ele me segue!
– Eu nunca fui te stalkear para saber da sua vida, . – Gian disse e a olhou pela primeira vez naquela conversa. – E nunca me passou pela cabeça que o seu Ramos era o mesmo do dele! – ele disse quase exasperado e estendeu a mão para o homem que estava a sua frente. – Cara, é um prazer te conhecer. Você é foda! Sou seu fã.
– Obrigado. – Sergio disse, aceitando o cumprimento, mas ainda desconfiado e sem entender bem o que estava acontecendo. – E quem é você mesmo?
– Divido o apartamento com sua irmã. Meu nome é Andrea Giandavide, mas pode me chamar de Gian.
– Ah, achei que Andrea era uma mulher. – Sergio se virou para , olhando curioso por saber por que ele não sabia que Andrea era, na verdade, um homem, e ela deu de ombros.
– Ela também achou. – Gian falou, rindo. – É um mal comum do nome. Até mesmo na Itália.
– Por isso todo mundo chama o Pirlo só de Pirlo. – brincou e fez Gian rir. Sergio deu um sorriso de lado, mas totalmente sem humor. – Vai lavar essas mãos, Gian, nós já vamos jantar.
– Sim, senhora. – ele fez uma continência e saiu da cozinha.
Sergio se virou para a irmã e ergueu uma das sobrancelhas, como se questionasse sobre aquilo.
– O que foi?
– Por que você não me disse que divide o apartamento com um homem? – ele sussurrou, ultrajado.
– Não pensei que fosse relevante. – deu de ombros. – E vá lavar as mãos.
– Claro que é relevante! E se ele for um assassino que vende órgãos das pessoas na internet?
– Essas coisas não acontecem na vida real, hermanito, isso é coisa de filme e seriado. – disse, rindo, e Sergio rolou os olhos. – Tudo bem que eu pensei a mesma coisa no primeiro dia que o vi, mas fazem uma investigação social imensa antes de nos aceitarem nesse intercâmbio. Qualquer coisinha que ele tivesse feito, teria sido descoberta.
– Espero que sim. – Sergio disse, desconfiado. – Neños, vamos lavar as mãos para o jantar.
– Eu quero dormir com minha tia hoje. – Sergio Junior falou e deu um sorriso.
– Claro, mi Nano. – sorriu.
– Eu também vou dormir por aqui. – Sergio disse, colocando-se de pé. – Não estou gostando muito dessa história.
– Vai lavar essas mãos logo. – disse, rindo, e Sergio saiu da cozinha com os filhos, bem quando Gian retornou e se aproximou dela.
– Eu não consigo acreditar que você não me disse que é irmã de Sergio fucking Ramos! – foi a vez de Gian sussurrar ultrajado.
– Normalmente eu não falo sobre isso com ninguém. – falou, dando de ombros, segurando-se para não rir da expressão de Gian, que parecia perdida entre a descrença na realidade daquela situação, o ressentimento por não ter contado e a admiração pelo zagueiro espanhol. – E ele está um tanto quanto desconfiado da sua índole.
– Você é a irmãzinha mais nova dele, claro que ele está preocupado. Eu também estaria. – Gian deu uma risada baixa e se aproximou de , envolvendo-a pela cintura e deu um sorriso cheio de segundas intenções. – Mas é uma pena que ele esteja desconfiado, porque vai ficar aqui e atrapalhar todos os meus planos para o fim de semana.
– Nós temos outros fins de semana pela frente. – falou, sorrindo de volta e selou seus lábios aos dele em um beijo rápido. – Agora vá colocar a mesa, não quero que ele se mude permanentemente para cá.
– Sim, senhora. – Gian falou, rindo, e foi até o armário buscar o que tinha sido solicitado, antes de ouvirem os passos dos outros três de volta até a cozinha.

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– O que você acha de irmos a Dachau? – perguntou ao irmão. – Tem um local que é um memorial de um dos campos de concentração da época do nazismo e...
– Não. Nada contra a questão histórica, mas eu queria curtir um dia com meus filhos e minha irmã mais nova.
– Você é famoso, vai acabar me colocando em fanpages do Instagram. – implicou. – Podemos ir à Viktualienmarkt.
– Vik... O quê?
– É isso aí mesmo. – riu. – É uma feira, mas tem várias coisas lá perto, podemos ir com os meninos e passear.
– Tudo bem. O italiano vem?
– Não, ele tem coisas do curso para fazer. – deu de ombros. – Vou trocar de roupa e a gente sai.
– Vou te esperar aqui. – Sergio respondeu, enquanto assentia, dando-lhe as costas.
Os filhos estavam sentados no sofá, entretidos com os próprios brinquedos. não demorou muito a voltar, usando um short jeans e uma camiseta, e os dois logo saíram do apartamento com as duas crianças.
– Eu ofereceria a Allianz Arena, mas imagina as notícias: “Sergio Ramos é visto em tour pelo estádio do Bayern de Munique, seria este um indício de que o defensor espanhol está de mudança?”
– Você é idiota. – Sergio falou, rindo.
– Sou, mas você sabe que é verdade. E nem na Marienplatz, porque você pode ser morto por impedir os bávaros de comemorar títulos lá, ou podem mesmo cogitar sua transferência e você já está conhecendo o ponto em que o time comemora suas conquistas com a torcida.
– Você está muito entendida sobre o Bayern e suas coisas, hermanita, está mudando de lado? – Sergio provocou e o olhou feio.
– Cala a boca, senão eu te largo sozinho na cidade e volto para casa com os dois.
– Eu duvidaria da sua capacidade de fazer isso, mas te conheço o suficiente para saber que você faria isso sem pensar duas vezes. – Sergio falou, rindo. – E vamos logo. Posso até te levar no cinema mais tarde.
– Bom mesmo, para compensar sua chatice. – falou, desaforada.
– Vamos andando?
– Nós já estamos chegando, inclusive. – deu de ombros. – Eu te diria para ser discreto, mas essa sua roupa não ajuda em nada.
– O que tem de errado com a minha roupa?
– Tudo. – falou implicante.
Não estava assim tão ruim, mas era seu papel de irmã mais nova encher o saco do irmão mais velho.

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– Nem acredito que já preciso deixar vocês irem embora. – reclamou, segurando Sergio Junior no colo antes que eles se dirigissem para a área de embarque.
– Ainda vamos passar uns dias em Sevilla, então temos mesmo que ir. – Sergio Ramos disse e ela fez bico.
– Queria ir pra Sevilla também, mas preciso ir para a aula em vinte minutos.
– Eu aviso quando nós chegarmos.
apertou o sobrinho mais velho em um abraço e lhe deu um beijo demorado no rosto, recebendo o mesmo carinho do menino. Fez o mesmo com Marco, que soltou uma risadinha quando ela o apertou e lhe devolveu o beijo no rosto um pouco mais molhado que o que tinha recebido da tia. O abraço no irmão foi tão demorado quanto os dados nos sobrinhos, odiava ter que se despedir dele, sempre tinha sido assim e ela sabia que aquilo nunca mudaria.
– Não esquece de me avisar mesmo quando chegarem, por favor.
– E você, toma cuidado. – Sergio a advertiu, preocupado, e deu um sorriso, assentindo em seguida e dando um beijo no rosto do irmão, antes de correr para o estacionamento, tinha menos de quinze minutos para chegar à aula.

Sergio Ramos e os filhos tinham passado o fim de semana inteiro com , os dois adultos passearam pela cidade com as crianças, que se divertiram bastante com a tia e o pai, sem a inclusão de Gian, que estava ocupado com seu próprio projeto do intercâmbio e não os acompanhou. Os dois não tiveram oportunidade de se beijar outras vezes, porque tal qual em campo, a marcação de Sergio Ramos foi implacável.
A semana que seguiu ao retorno do irmão para a Espanha, foi tão intensa quanto as anteriores. O estágio estava cheio de coisas a serem feitas e rendeu algumas boas horas extras, cheio de casos e processos complicados e difíceis, nem mesmo parecia que estavam na época das férias de verão, além de muitas aulas, estudos, poucas noites de sono e muito estresse.
tinha certeza absoluta de que aquele curso a deixaria louca antes que conseguisse voltar para a Espanha, talvez enlouquecer os estudantes fosse a meta daquele intercâmbio, no fim das contas. Mas a parte boa é que ela já tinha aprendido uma boa quantidade de palavrões em italiano e alemão e os utilizava em uma frequência maior do que a mãe e o pai achariam devido.

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– Você parece tensa. – ouviu a voz de Gian enquanto ela lavava as vasilhas após o jantar.
– Porque eu estou tensa. – respondeu sem se virar para olhá-lo, ele se aproximou para lhe massagear os ombros, e soltou um suspiro aliviado ao sentir as mãos dele sobre seus músculos tensos. – Ah. Isso é bom.
– Claro que é bom, sou eu quem estou fazendo.
– Às vezes eu esqueço que você usa muito bem suas mãos. – ela disse num tom dúbio e soltou um suspiro de alívio quando ele voltou a lhe apertar os ombros em uma massagem. – Ai Gian, que delícia. Continua, vai.
– Se você gemer meu nome assim mais uma vez, eu vou ser obrigado a parar essa massagem.
– Por quê?
– Porque eu vou preferir te fazer gemer de outro jeito. – Gian respondeu, dando uma risada, e passou os nós dos dedos pelas costas de , que voltou a soltar um grunhido de alívio. – Você dormiu direito esses dias?
– Mais ou menos, eu estou muito cansada e tens... Ah, que delícia. Santo gol do meu irmão nos acréscimos do segundo tempo na final da Champions League! Você devia ter falado que era bom de massagem também.
– Deixa isso aí que eu termino de lavar e guardar mais tarde. Agora, eu vou te fazer uma massagem decente. Você merece. – Gian falou, tirando o prato ensaboado das mãos de e depois que ela secou as mãos, os dois seguiram até o quarto dela.
– Você devia mesmo ter me dito que essas mãos também são boas para fazer massagem.
– Tira a blusa, vou passar um óleo nas suas costas. – Gian falou enquanto saia do quarto e tirou a própria blusa, deitando-se na cama de bruços. – E eu tinha que manter uns segredos, senão você já teria me usado antes. – ele respondeu em tom de brincadeira quando voltou para o quarto.
– Teria mesmo. – ela deu uma risadinha enquanto sentia ele espalhar o óleo por suas costas e espalmar as mãos na região, pressionando devagar e fazendo círculos com os polegares para amenizar a tensão. – Ai, que delícia.
– Preocupe-se apenas em relaxar, você precisa descansar um pouco, . Vai ter um troço antes de conseguir terminar esse curso.
– Vou, mas pelo menos quando eu voltar pra Espanha, já volto com o trabalho de conclusão pronto. – falou e ele passou o polegar por sua nuca, pressionando de leve o lugar e ela soltou um gemido aliviado. – ¡Ay papi, eso és muy bueno!
– Eu não tenho muito controle quando você fala espanhol. – ele falou, depois de dar um suspiro pesado e tentando conter a vontade de terminar de arrancar as roupas dos dois.
– Digo o mesmo para quando você fala italiano.
– Eu conheço uma coisa que relaxa muito mais do que essa massagem. – ele falou no ouvido de e ela sentiu seu corpo se arrepiar.
– Ah, é? E o que seria? – ela se virou, sentando-se na cama e o encarou.
– Sexo. Muito sexo. – Gian respondeu e ela o puxou pela camisa, para que deitasse em sua cama também.

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estava deitado no sofá da casa dos pais. Messi deitado no chão aos seus pés, Bubu no sofá ao seu lado e Junior do outro lado, com os pés sobre o peito do pai e a mamadeira na boca. Na televisão, algum desenho que o menino já tinha visto mais vezes do que devem existir números capazes de contabilizar.
Com os dedos, ele deslizava o feed do Instagram, conferindo fotos e vídeos postados pelas pessoas que seguia, curtiu alguns antes de mudar para o aplicativo do Twitter e ler outras coisas na timeline e nas menções recebidas, não respondeu nada, estava com muita preguiça para interagir com as pessoas. E ainda tinha que arrumar as coisas para voltar a Madrid no dia seguinte.
O nome de apareceu em uma notificação, ela tinha enviado uma mensagem, algo que ela não fazia há dois ou três dias, ele não demorou a abrir.

: Fim de semana confirmado?

E então ele se lembrou. Tinham marcado de se ver no fim de semana, ali mesmo em Málaga, para evitar que os olhares dos fotógrafos os denunciassem, mas ele acabou se esquecendo e marcando outro compromisso, que já não podia mais ser adiado.

: Esse fim de semana?
: É o que combinamos...
: Esse fim de semana não vai dar
Tenho um compromisso
: Sem problemas
: Eu esqueci ?
E nem consigo desmarcar esse, desculpa mesmo,
: Sem problemas,
Fica pra próxima ??


Capítulo 6 – Oye baby, no sea mala...


... no me deje con las ganas. (Chantaje – Shakira ft Maluma)

– Está podendo falar? – a voz de saiu do fone do celular quando atendeu à chamada.
– Com você eu sempre posso.
– Está fazendo o quê?
– Compras, já que não pude vir antes, nem o Gian, e nós estamos muito perto de passar fome. – respondeu, rindo. – E você?
– Estou de férias em Sevilla. Vi sua mãe hoje, ela me perguntou se vou aproveitar que estou solteiro para você e eu começarmos a namorar de verdade.
– Você está o quê, ? – perguntou assustada e mais alto do que deveria e gostaria, atraindo a atenção das pessoas que estavam no mesmo corredor, afinal ela deu um grito em espanhol. Ninguém na Alemanha está acostumado com esse tipo de coisa.
– É pra isso que te liguei. Tomei um pé na bunda.
– E por que não me contou antes?
– Porque foi ontem à noite. respondeu, rindo.
– E você fala isso rindo? O que aconteceu? Por quê?
– Ela disse que era o melhor terminar, porque tinha caído na rotina. Eu concordo que realmente tínhamos caído na rotina e que não há nenhuma chance da gente se casar tão cedo, mas ela podia ter me falado isso antes de eu ter descoberto que ela já tinha outro. Há uns três meses.
– E por que você não me falou antes?
– Porque eu comecei a desconfiar, mas era apenas uma suspeita, então se eu desse alarde ela ia saber que eu sabia. Não que você fosse contar, mas você mudaria seu comportamento, e isso ia entregar que um de nós, ou os dois, já sabia que ela estava me traindo. Mas nem posso falar muito, depois que descobri a verdade, no mês passado, também andei ficando com outras pessoas. Enfim, sua mãe já quer que nós dois formemos um casal. Eu nem curti minha fase de solteiro ainda e ela já quer que eu arrume outra dor de cabeça.
– Só vamos ficar juntos se nada der certo nas nossas vidas até fazermos cinquenta anos. – falou, rindo, e ouviu a risada do amigo do outro lado da linha. – Precisa de um ombro amigo, carinho, sorvete e alguma outra coisa? Vem passar uns dias comigo.
– Não precisa, eu estou bem. Sério. Eu já imaginava que ia acontecer, mas eu esperava que ela tivesse a decência de respeitar nosso relacionamento e terminar comigo antes de arrumar outro.
– Se eu estivesse aí, bateria nela.
– Você é irmã do seu irmão, eu não esperaria uma reação diferente. respondeu, rindo do tom de . – E como estão as expectativas para os últimos vinte dias?
– Imensas! Estou sentindo muita falta de casa, apesar de saber que vai ser bem ruim deixar de conviver com meu coleguinha de apartamento.
– Duas horas e pouco de avião, vocês podem continuar nessa de sexo casual vez ou outra. E ainda de forma internacional.
– Eu não vou sugerir isso, e espero que ele também não sugira. Não vou pegar avião para isso. Ainda que valha bastante a pena, porque ele é realmente muito bom de cama. – falou, fazendo rir.
– Você volta quando?
– Eu ia no sábado de manhã, mas adiantei para sexta no final do dia, dia quatro.
– Vem para Sevilla, ao invés de ir para Madrid. Ainda temos um mês antes das aulas começarem e de você voltar ao estágio, podemos fazer alguma coisa.
– Trocar o destino talvez seja complicado, mas vou tentar e te aviso sobre isso.
– Tudo bem. Agora vou te deixar terminar de fazer compras e vou descer para jantar antes que minha mãe grite de novo.
– Qualquer coisa que você precisar, me liga.
– Ligo sim.
– Eu te amo, .
– Também te amo, Ramos. respondeu e desligaram.
voltou sua atenção aos molhos de tomate nas prateleiras, enquanto escolhia qual comprar.

-x-


Sergio voltara da Alemanha preocupado com a irmã, afinal ela estava dividindo o apartamento em Munique com um homem. Ele falava daquilo quase todos os dias durante os treinos, apesar de conhecer bem a irmã que tinha e de saber que ela não teria problema. Ele estava com medo de que o “fulano” pudesse fazer algo à sua irmã. Nunca tinha falado o nome do rapaz até aquele dia, em que parecia estar mais preocupado ainda com a situação, mesmo sem um motivo aparente. tinha o celular em mãos e observava a foto que tinha postado em seu Instagram e o tal “fulano” estava lá: chama-se Andrea e é italiano.
A foto tinha sido postada há algumas horas, estavam em turma e pareciam ter jogado futebol. Quer dizer, tinham jogado futebol. A foto era igual às que os jogadores costumam tirar do time vencedor do rachão pós-treino. Oito pessoas estavam presentes: e mais sete rapazes que deviam ser da idade dela. Ela usava uma camisa do Real Madrid e uma calça também do time madrileno, dobrada um pouco acima da metade da canela, meião e chuteira, os braços cruzados na frente do corpo, as pernas um pouco abertas e fazia a feição mais marrenta que conseguia, no maior estilo Cristiano Ronaldo possível.
Ela estava no meio, tinha dois dos rapazes à esquerda, dois à direita e os quatro copiavam a pose dela. Três estavam sentados, e o tal Andrea sorria para a foto com os olhos semicerrados pela claridade do sol, estava sentado em cima de uma bola, ao lado de , e parecia estar encostado nela.
A legenda era provocativa: “Real Madrid ganhando em Munique? ?? Tudo muito normal! ???? #oGianépernadepau”
Tinham comentários em alemão dos que estavam na foto e de alguns outros, provavelmente do time perdedor ou companheiros de curso, não se importava com aqueles comentários.
O tal Andrea comentou “Eu te avisei que sou péssimo jogando futebol, ainda bem que temos você para nos salvar, capi!”, em inglês. O amigo comentou “Real Madrid desde sempre mandando na Alemanha, sem novidades”, havia comentário de alguns parentes, o próprio Sergio Ramos havia comentado perguntando se aquela era a chuteira dele e implicando com a legenda que a irmã tinha feito, e Lucas Vázquez comentou um “Vai aquecendo que a temporada vai começar e precisamos de você”.
Ele tinha direito de se sentir daquele jeito ao saber que ela dividia apartamento com um homem e que os dois eram amigos e que talvez essa amizade tivesse alguns benefícios? Não. Ele não tinha. Afinal, e ele não eram nada. Ele vinha saindo com outra pessoa também, em todo caso. Era apenas ego ferido, não tinha cogitado a ideia de perder seu espaço como transa ocasional e podia haver uma ameaça.
Não era?

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Finalmente o dia de voltar para a Espanha tinha chegado, ela tinha até mesmo feito uma contagem regressiva, estava sentindo muita falta de casa. O tempo na Alemanha tinha sido ótimo, conseguiu pegar experiência em outro Direito, além de ter ampliado seu objeto de pesquisa e finalizado seu trabalho, também tinha feito alguns bons colegas, conhecido um pouco da cultura local e adorava conviver com Gian e com toda sua loucura italiana, toda a intensidade e as boas risadas que dava, mas sentia muita falta de Madrid e de como era estar em casa.
Foram dois meses intensos e cansativos, longe da família e dos amigos, falando outros dois idiomas (um bem mal e porcamente, mas ainda assim dois idiomas!), mas voltava para Madrid com o trabalho de conclusão do curso pronto, com a promessa de uma publicação internacional e a de um emprego, caso ela quisesse voltar para a Alemanha quando se formasse.
– Foram dois ótimos meses em sua companhia, . – Gian disse, abraçando em despedida.
– Foram mesmo. – falou e o abraçou de volta. Ele ainda ficaria mais uma semana antes de voltar a Turim. – Obrigada pela companhia durante esses dois meses e pelas risadas. Você é uma ótima pessoa.
– Achei que você ia agradecer, de novo, pela Champions. – Gian deu uma risada pelo nariz, fazendo dar um sorriso.
– Ah, obrigada por isso também. É sempre importante agradecer por essa grande conquista. – provocou e Gian soltou um resmungo, ainda apertando em seu abraço.
– E posso dizer o mesmo sobre você, , você é muito engraçada e divertida, além de ser uma boa companhia e uma pessoa muito fácil de se conviver. Obrigado por tudo e espero que a gente se encontre em outras oportunidades.
– Claro. – ela respondeu e se afastou um pouco para dar um sorriso ao rapaz.
– E eu queria te dar um beijo.
– Por favor. – ela sorriu e ele juntou os lábios aos dela para se beijarem.
Nada apaixonado, intenso ou qualquer coisa do tipo. Tinha sido um romance de verão, recheado de muito sexo e brincadeiras entre os dois, sem amor, sem apego, sem nada além de pura vontade. E tinham se tornado amigos, no fim das contas. – Preciso descer. O táxi deve chegar daqui a pouco.
– Nos falamos depois. E avise quando chegar. – ele sorriu e se soltou de seu abraço, pegando as duas malas, e saiu do apartamento para descer e esperar o táxi que a levaria ao aeroporto.
Iria para Madrid, a troca de destino ficaria mais cara que uma nova passagem de Madrid para Sevilla. E estava considerando ir no próprio carro, ou de trem, ela ainda não se decidira sobre como iria para Sevilla. E tinha o fato de estar sentindo muita falta do próprio apartamento, queria passar pelo menos algumas horas por lá depois de tanto tempo longe. Além dos pais, do irmão e de , ninguém mais sabia que ela iria para Madrid primeiro.
E ninguém, neste caso, é .
sabia que não tinha direito de sentir ciúmes, porque os dois não tinham nada, mas foi exatamente o que sentiu quando viu uma foto de com uma mulher, uma atriz, que tinha sido tirada por algum fã no fim de semana em que ele a dispensou dizendo que tinha outro compromisso.
Ela não gostava dele. Só tinha se sentido ameaçada. Ameaçaram seu posto de sexo casual. Era só isso. Nada mais do que isso.
O conceito de sexo casual estava um pouco distorcido em sua cabeça naquele momento, já que queria ser a única a ocupar o posto, ainda que negasse isso veementemente em sua cabeça ou se alguém perguntasse. Tinha considerado o sexo com um dos melhores que já tinha feito na vida, e não queria dividir aquilo com o restante das mulheres do mundo, mas não é bem assim que esse tipo de coisa funciona, ela sabe. Ele podia ter várias mulheres para transar e sem ter um relacionamento sério com nenhuma delas. Assim como ela podia muito bem arrumar uma boa quantidade de homens para ter sexo, sem envolvimento emocional.
Pelo menos ela tentava se convencer de que era apenas isso: o medo de perder o posto ou ter que dividir com outra, assim como também tentava se convencer de que foi isso o que sentiu ao saber que dividia apartamento com um homem e depois quando viu aquela foto e todos os comentários dele no Instagram dela. E dos comentários dela no Instagram dele. E de outra foto com ele que postou uns dias depois. E das fotos que ele tinha postado com em seu próprio perfil.
Não pensavam ser possível que fosse ciúme, afinal não tinham nada. Tinha sido só sexo. E mensagens. Mensagens diárias, nos momentos em que conseguiam se falar, e conversas sobre muitas coisas, não apenas sacanagem. Era impossível que fosse ciúmes. Definitivamente.
Ela sentiu falta dele, ele sentiu falta dela, dos toques, dos beijos, dos gemidos e das sensações que causavam um no outro. E não interessava com quem tivessem transado durante aqueles dias separados, quantas bocas tivessem beijado ou o que quer que fosse. Não era algo que fizesse sentido para os dois, afinal não tinham ficado juntos muitas vezes; contando com a primeira, em que estavam bêbados, tinham sido cinco vezes e nada mais. Cinco encontros muito intensos, mas apenas cinco.
O voo de foi tranquilo e ela chegou com duas horas e meia em Madrid, nunca pensou que sentiria tanta falta daquele lugar e nem que amava tanto aquela cidade. Nem mesmo passando um ano em Londres ela tinha sentido tanta falta de Madrid quanto descobriu estar sentindo assim que pôs os pés do lado de fora do aeroporto naquele momento. Definitivamente não se mudaria dali para lugar nenhum no mundo.
Seguiu rapidamente até seu prédio, de táxi, e encontrou quem menos esperava: . Ele estava sentado no corredor, com as costas apoiadas na porta do apartamento de , e pôs-se de pé tão rápido quando a viu que se perguntou se não estava de pé antes e ela apenas o imaginou sentado.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou, surpresa ao vê-lo.
– Oi, . Bom te ver também. – brincou, dando um sorriso.
Ela ergueu uma sobrancelha e tirou as chaves do bolso, indo abrir a porta.
– Oi, , bom te ver. O que você está fazendo aqui? Como sabia que eu ia chegar hoje? E como subiu até aqui?
– Seu irmão não sabe conter a própria felicidade em te ter de volta ao país. – respondeu e ela acenou para que ele entrasse no apartamento, quando abriu a porta e empurrou as próprias malas para dentro. – Só precisei checar se chegariam voos da Alemanha no aeroporto de Sevilla hoje e não tinha voos programados. Olhei no site do aeroporto de Madrid, descobri três horários de voos vindos da Alemanha, como você não atendeu ao interfone quando cheguei, eu eliminei um dos voos que chegaria pela manhã e só sobraram dois. Eu estou esperando aqui há um tempinho. E, como o porteiro não está lá embaixo, eu usei o interfone, como você não me atendeu, eu apertei o do apartamento ao lado, falei que era o e que queria te fazer uma surpresa.
– Ah.
– E como foi a viagem?
– Bem tranquila.
– E como foi a Alemanha?
– Intensa. – disse e deu um sorriso de lado, deixou as chaves sobre o aparador, arrastando as malas, deixando-as ao lado do sofá antes de voltar a falar. – Mas foi ótimo. Uma experiência e tanto. As aulas foram em inglês, então foram fáceis de entender, mas a vida fora da sala era em alemão, e isso era difícil. Fiz alguns amigos, diverti-me nos dias em que consegui sair e aproveitei bastante a minha experiência. Terminei meu projeto, posso fazer as disciplinas extras que queria, porque terei tempo. Meu orientador daqui adorou e me liberou.
– Que ótimo! – sorriu. – Eu trouxe comida.
– Ah, obrigada, eu realmente estou morrendo de fome. – disse e só então reparou que ele tinha dois sacos de papel em mãos. Comida chinesa. Como ele sabia que ela adorava comida chinesa?
– Podemos?
– Claro, mas antes...
– Lavar as mãos. Eu sei. – falou, dando um sorriso quase infantil, e deixou os sacos de papel sobre a mesa de centro antes de ir lavar as mãos. levou as malas e as deixou no canto do quarto e foi lavar as próprias mãos também.
sentou-se no chão, com as costas apoiadas no sofá, e estava deitada no sofá, os dois comiam enquanto conversavam sobre tudo que tinha acontecido durante aqueles dois meses. Bom, sobre quase tudo.
contou sobre as férias e os dias que passou com a família e os amigos em Málaga, sobre os casamentos dos companheiros aos quais compareceu, sobre a viagem para os Estados Unidos com o time, as saídas de alguns jogadores do elenco naquela temporada, principalmente as de James Rodriguez e Álvaro Morata, e a expectativa da viagem do dia seguinte para jogarem a decisão da Supercopa da Europa, contra o Manchester United, na Macedônia. Mas, claro, não mencionou a outra e nem que tinha ficado tão ansioso pela volta de ao país quanto o próprio Sergio Ramos e que pesquisar os voos para vê-la o mais rápido possível tinha sido uma forma de amenizar a falta de tê-la por perto.
contou sobre sua viagem, a estadia na Alemanha, os estudos, a visita de Sergio e os passeios que fez pelas cidades próximas e sobre as coisas estranhas que comeu e bebeu por lá durante aqueles dois meses. Obviamente ela não mencionou Gian e nem que tinha se sentido particularmente feliz em ver ali, sentado à sua porta.
Conversaram por horas sobre os acontecimentos, sobre o projeto de e, apesar do clima entre os dois parecer meio estranho, já era tarde quando juntaram a bagunça da sala e se preparou para ir embora.
– Descanse bastante em Sevilla, agora você está de férias. E aproveite o seu tempo com seus pais. – falou quando se despedia e a abraçou. – Faça uma boa viagem.
– Você também, não a parte do descanso, claro. – respondeu, dando uma risadinha. – Faça uma boa viagem e um bom jogo, você vai brilhar, eu tenho certeza. E obrigada pelo jantar. Como você sabia que eu gostava de comida chinesa?
– Sergio falou sobre isso outro dia, que estava cansado de comer comida chinesa e japonesa, mas como você gosta, ele sempre come para te agradar, mas prefere quando vocês comem outras coisas. Pensei que você chegaria com fome, ainda que a viagem seja curta. Não sabia em qual voo você viria, então preferi não arriscar trazer comida japonesa.
– Obrigada mesmo, . – sorriu e deu um beijo no rosto do homem.
– Podemos ser amigos, certo? Ou sua regra também envolve não ser amiga de jogadores?
– Podemos.
– Não precisamos viver de sexo, não que eu esteja dizendo que não quero mais, porque eu quero, mas você entendeu.
– Entendi. – respondeu, rindo da afobação de em consertar o que tinha dito. – E podemos ser amigos e passar tempo juntos sem precisar transar. Tipo hoje.
– Que bom. Enfim, boa noite. Dorme bem e até outra hora.
– Até outra hora. – ela sorriu e eles voltaram a abraçar-se antes de ir embora.

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– Não acredito que vocês não fizeram nada. – falou, rindo, enquanto dirigia até a casa dos pais de , após buscá-la no aeroporto. – Dois meses sem se ver e sem transar e vocês apenas sentaram, comeram e conversaram.
– Não podemos ser amigos?
– Claro que podem, mas achei que o lance entre vocês era apenas físico.
– Não precisa ficar preocupado, meu melhor amigo sempre será você. – provocou, apertando uma das bochechas dele.
– E agora também sou um potencial candidato a ser seu namorado. – falou, tirando a mão dela de seu rosto.
– Mas eu sempre fui sua namorada, agora a gente tem é que casar. – falou, rindo, e a acompanhou na risada.
– E então, algum plano para as nossas férias?
– Muitos. Hoje, por exemplo, vamos ver algum filme, comer alguma coisa e dormir bem cedo. Eu estou cansada.
– Ah, vai se foder, , com todo respeito. Eu não vou ficar em casa. E nem você.
– Podemos sair para algum lugar pacífico para colocar todas as fofocas em dia, se for importante para você ter minha companhia fora de casa.
– Você é bem esperta. – respondeu, sorrindo. – Está entregue e estarei aqui às oito.
– Vamos dormir na sua casa ou na minha?
– Espero que você na sua e eu na minha. – respondeu, rindo. – Não sei, fala para Paqui que provavelmente dormiremos na minha.
– Tudo bem. A gente se vê mais tarde. – falou, dando um beijo no rosto do amigo, e desceu do carro.
pegou as malas e foi até a porta da casa dos pais, vendo arrancar e buzinar em despedida. Foi amassada em um abraço da mãe, que alegou que a filha estava com uma aparência terrível e parecia muito cansada, que estava sumida e precisava ir a Sevilla mais vezes, pois mal aparecia por lá e ela sentia falta de ficar perto de sua filhinha.
O pai foi mais comedido em sua demonstração de alegria ao ver a filha depois de dois meses, mas também reclamou que sentia falta dela e que poderia visitá-los mais vezes, que não faria mal algum se ela fizesse isso. Almoçaram juntos e dormiu a tarde inteira, estava se sentindo cansada da rotina enlouquecedora da Alemanha e das viagens, e a perspectiva de sair à noite só tinha aumentado o cansaço, além do calor infernal que fazia naquele dia.
Ela se arrumou da melhor forma que conseguiu, estava muito quente para uma produção elaborada. Colocou um tubinho preto que ia até a metade da coxa, um scarpin preto, fez uma maquiagem simples e que não corria o risco de derreter naquele calor de quarenta e um graus de Sevilla, mas não dispensou passar um batom vermelho bem destacado nos lábios. Os cabelos soltos, pulseiras, anéis, um colar e estava pronta para sair.
Tirou uma foto, claro, uma roupa daquela merecia uma foto, e postou no Instagram: “¡Que empiece mi verano!”. Não demorou a receber algumas curtidas, a de foi a primeira e acompanhada de um comentário: “eres caliente ma’ ????”. Outros comentários vieram na foto, incluindo um do irmão: “o seu verão começa e a roupa termina? Vai sair só de camiseta? ??”.

: Estou concentrado, preciso de foco para o jogo de amanhã, e você posta essa foto.
Sabe como é difícil não imaginar o que poderíamos estar fazendo agora?
: Aqui está tão quente que eu aceitaria fazer qualquer coisa sem roupa.
: , ...
Não faz isso comigo, eu não mereço uma tortura dessa!
: Então tá bom, não vou falar mais nada.
Vou sair com e você vai descansar para trazer esse título para Madrid.
: Ganho uma premiação especial se isso acontecer?
: Faça por merecer ??
Bom jogo amanhã.
??

Ela guardou o celular na bolsa, despediu-se dos pais e saiu, encontrando esperando no carro.
– Tu tienes talento, ma’! sorriu, passando a língua pelos lábios, enquanto observava caminhar em sua direção e se debruçar em sua janela.
– Se você for agradável, posso te mostrar que tenho mesmo. – respondeu ao gracejo e piscou, fazendo rir.
– Eu prefiro não ser agradável. – falou, ainda rindo, quando ela deu a volta e sentou ao seu lado, fazendo com que ela risse também. – Mas você está bem gostosa.
– Eu sempre fui gostosa, e você sempre soube disso. – ela deu de ombros. – Mas é muita coisa para você.
– E eu prefiro evitar a dor de cabeça que você me daria. – respondeu, arrancando o carro.
– Em alguns anos, se tudo der errado, isso tudo é seu. Não esquece. – piscou e balançou a cabeça negativamente, mas rindo. – Seu amigo me mandou uma mensagem falando da foto.
– Eu vi que o italiano comentou, mas não entendi porra nenhuma. – falou, dando uma risada. – E o que meu grande amigo disse?
– Que precisa se concentrar e eu postei aquela foto, que estava imaginando muitas coisas que podíamos estar fazendo. Aí eu falei que aqui está muito quente e se fosse qualquer coisa sem roupa seria bem-vindo. – deu de ombros. – E o Gian comentou algo tipo o que você disse.
– Te chamou de gostosa também?
– Sim. Os comentários em alemão eu ignorei, porque não entendi e nem queria colocar no tradutor, mas acho que entendi um. Pelo que eu entendi, ele quis dizer que eu sou muito gostosa para ser tão grossa jogando bola. Ou pode ter sido outra coisa, aquele idioma é muito difícil.
– Só macho comentando, fiquei com ciúmes.
– Teve comentário da minha mãe. E da Maca. E da Pilar. E da Maria. E da Amelie.
– Sua mãe nem conta, ela sempre comenta suas fotos. E as minhas também. E ela é sua mãe, então não vale. – ele riu. – E para onde vamos?
– Ainda tenho contas a pagar, ou seja, vamos ao lugar de sempre.
– O que você acha de irmos a Ibiza essa semana?
– Sem chances, eu não tenho dinheiro para isso. O rico aqui é você.
– Meus pais têm casa lá, você esqueceu? Vamos pegar uma praia e aproveitar nossa juventude sem regras e sem pessoas vigiando nossos passos e atitudes impensadas. – falou, rindo. – E não vamos gastar tanto, conheço pessoas e podemos ir em festas e pagar pouco.
– Vamos perto do fim das férias, eu quero passar uns dias sossegada com meus pais aqui em Sevilla, se não for pedir muito, promoter.
– Sem problemas. E chegamos. – ele parou o carro e deu um sorriso.
Era o melhor bar de todos os bares de Sevilla, pelo menos para os dois. A cerveja era boa e barata, e o principal: conheciam o dono desde que eram crianças, e quem frequentava aquele lugar para beber eram seus pais, mas levavam os dois junto para comer batata frita e assistir aos jogos do time do coração, o Real Madrid, ainda que por algum bom tempo também tenham assistido aos jogos do Sevilla, para ver o Ramos mais velho em campo.
Os dois desceram do carro e seguiram até o bar, que estava relativamente cheio para um dia das férias de verão em Sevilla, e trataram de encontrar um lugar no balcão, como sempre faziam quando iam até ali, para se sentarem, beberem e conversarem sossegados.
? ? Quanto tempo! – Hermano, ou apenas Nano para os dois, disse quando os viu sentando.
– Estamos de férias na cidade, Naninho. – ela sorriu para o homem. – E como estão as coisas por aqui?
– Ótimas. Leonora foi para a faculdade, está fazendo medicina. – ele disse, todo orgulhoso sobre a filha mais nova. – E com vocês? Como estão as coisas em Madrid?
– Também estão ótimas. Estamos prestes a nos formar, finalmente. – sorriu para o homem.
– Vou cuidar que vocês tenham copos cheios a noite inteira. – ele sorriu. – E você, , quando falar com Sergio, mande os cumprimentos pela Champions e pelo título da Liga.
– Mando sim, Naninho. – ela sorriu e o homem saiu de perto, mas voltando logo em seguida com duas grandes canecas com cerveja. A noite seria muito boa.

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– Desde quando você segue minha irmã no Instagram? – Sergio perguntou a enquanto tomavam café da manhã no hotel.
– Desde quando Maria postou aquela foto no parque, acho. – deu de ombros e mentalmente agradeceu por não ter comentado a foto postada por no dia anterior. – Por quê?
– Nada. É que ela não costuma aceitar jogadores.
– Ela é coleguinha do meu filho, acho que isso ajudou. – riu. – Não aguento mais ouvi-lo falando da sua irmã.
– Mary Poppins, eu te falei. – Sergio riu. – E espero que seja só isso mesmo, ela está fora das suas jogadas, Magia.
– Sem problemas, capi.
– Até porque ela não vai te dar espaço para nada além de ser pai do amiguinho dela.
– Novamente, sem problemas. – repetiu, dando uma risadinha. – Não que ela não seja bonita, mas prefiro evitar um coração e uma cara partidos.
– E as pernas. – Sergio disse, sério.
– Tenho um filho para criar e sonhos a conquistar, preciso da minha vida intacta.
– Que bom que você sabe. – Sergio disse num tom ciumento e apenas assentiu, reprimindo a vontade de rir, afinal ela já tinha dado espaço a . E como tinha.
– Eu sei. E vou subir, nos falamos mais tarde. – se levantou e saiu, deixando Sergio sentado à mesa que dividia com Marco Asensio e Nacho. Ele subiu para o quarto e a primeira coisa que fez foi abrir o Whatsapp, onde uma mensagem dela o esperava.

: mandou um oi e disse que se você não jogar bem, ele vai contar tudo para o Sergio ??
Releve, dormimos poucos e já estamos no aquecimento para o jogo ??
: Seu irmão me perguntou desde quando eu te sigo no Instagram e ameaçou quebrar minhas pernas se eu tentar alguma coisa.
Falei que não quero um coração e uma cara quebrados.
: Sergio é insuportável quando quer.
Se eu quiser abandonar essa regra idiota para te dar uma chance e ter alguma coisa com você, ele não tem nada com isso.

encarou o telefone e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios. De alguma forma, tinha gostado de ler aquilo. tinha reconhecido que a regra era idiota e que poderia abandoná-la. Por ele. Estava bêbada, provavelmente usaria isso como desculpa, caso aquilo virasse assunto um dia, e diria que era papo de bêbado, mas estava dito. Ele tinha uma motivação a mais para jogar bem naquele dia.


Capítulo 7 – You’re my new obsession...


… Let go of any hesitation. (Sexy Dirty Love – Demi Lovato)

– Você está tentando desfalcar nosso time? – perguntou a enquanto estavam deitados em suas espreguiçadeiras na praia.
– Por quê? – ela perguntou, sem entender.
– Postando várias fotos de biquíni no Instagram e mandando fotos para o meu amigo Magia, no mínimo você está tentando matar o coitado do coração.
– Para de mexer no meu celular! – reclamou e riu.
– Não mexi, só vi as fotos que você postou e vi você mandando fotos para ele. E, se ele ficou desesperado com a foto do vestido, nem quero imaginar o que anda fazendo e falando sobre essas de biquíni. – deu de ombros, rindo da cara que fez. – Se seu irmão descobre...
– Ele mata o e me mata logo em seguida.
– Talvez torture os dois antes. E o time fica sem o capitão, sem o Magia, e eu fico sem minha melhor amiga.
– Sergio não vai descobrir nada sobre isso, porque nenhum dos dois vai contar. E nem você. – ela deu de ombros.
– Espero que não descubra mesmo, porque o time precisa muito dos dois.
– E você precisa muito de mim. – falou, convencida, e ele rolou os olhos.
– Não vou confirmar e nem negar.
– Eu nem acredito que amanhã, uma hora dessa, estaremos em Madrid. Sem férias, sem praia, sem descanso. – resmungou, mudando de assunto.
– O dever nos chama. Você principalmente, três meses longe de casa, uma hora você precisa pagar suas contas. – disse, rindo, e ela fez uma careta, assentindo em confirmação. – E quando você vai encontrar com ?
– Ele joga no sábado pela seleção, se voltar para casa, sábado à noite.
– Não o canse muito, ele precisa ter forças para jogar o outro jogo das eliminatórias com a seleção. – provocou, rindo.
– Eu não sei quando foi que minha vida sexual se tornou interessante para você, .
– Adoro comentar sua vida sexual com você. Principalmente porque você fica irritada e acaba se entregando sem eu precisar falar nada. – provocou e rolou os olhos. – E falando em vida sexual, você acaba de receber uma mensagem e eu prefiro não ficar aqui para ver como isso vai se desenrolar. Aproveitem.
riu, sugestivo, e se levantou da espreguiçadeira, indo para o mar e deixando para trás.

: Você chega antes que eu me junte à seleção?
: Eu volto amanhã de manhã
: Quero muito te ver
Não consigo mais passar vontade
: Podemos pensar nisso
: Eu vou depois de amanhã pra seleção
Amanhã eu estou em casa o dia todo
E o está em Málaga
: Vou chegar em casa e nós combinamos onde é melhor
: Vou passar o resto do dia olhando pra essas fotos
Você acaba comigo, .

Ela não respondeu, deixou o celular de lado e foi até o mar. Aproveitaria seu último dia ali, afinal é Ibiza.

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deixou suas malas pela sala e se deitou no sofá. Nunca tinha voado tão cedo de Sevilla para Madrid, mas era o único voo entre as cidades naquele dia e ela precisava voltar, não tinha outa opção. Sentia falta de curtir o silêncio e a paz de seu próprio apartamento, mas como tinha ido até lá quase todas as vezes em que se encontraram, com exceção do pós-balada, era a vez de ir até a casa dele. A única exigência, por assim dizer, era que ela usasse aquele tubinho da foto que tinha postado no Instagram. Ele queria vê-la pessoalmente usando aquilo.
Tomou um banho mais rápido do que gostaria, colocou o tal vestido, fez a mesma produção de maquiagem que tinha feito em Sevilla e saiu. Passariam o dia na casa de , então resolveu pedir um táxi, pois seria mais discreto do que usar o próprio carro.
E ela tinha sérias dúvidas sobre o funcionamento do veículo, dado o tempo que se encontrava parado na garagem.
Quando o táxi estacionou à frente do grande condomínio, demorando-se muito pouco no trajeto, pagou pela corrida e desceu do carro, caminhando pela curta distância até a guarita onde um homem uniformizado estava sentado.
– Bom dia. – cumprimentou o homem, sorrindo simpática.
– Bom dia. – ele respondeu educado. – Posso te ajudar em alguma coisa?
– Eu vim visitar um amigo que mora aqui, . Ele disse que deixaria minha entrada autorizada. Meu nome é . – ela respondeu e o homem deu um sorrisinho que demorou meio segundo para entender.
Ótimo, tinha falado que ia “visitar um amigo”, e pela roupa e a maquiagem que usava àquela hora da manhã, ele deve ter concluído que ela era uma prostituta e que estava chamando prostitutas para sua casa em plena manhã na véspera de se apresentar à seleção!
– E ele deixou. Ramos García. – o homem sorriu. – A senhorita Ramos sabe chegar lá?
– Sei sim. E, por favor, me chame de .
– Tudo bem. – o homem deu um sorriso educado. – Sua entrada está autorizada.
– Obrigada. – ela agradeceu e o homem abriu o portão para que ela passasse e adentrasse no condomínio.
Ela seguiu a pé da portaria até a casa de , arrependendo-se de não ter ido de carro ou pedido para o táxi entrar no local, já que teve que caminhar mais do que gostaria usando salto alto até uma das últimas casas do condomínio. Tocou a campainha, ajeitou o vestido no corpo e esperou que a porta fosse aberta.
E percebeu que era muito cedo quando apareceu usando apenas um short da seleção holandesa, com os cabelos – agora cortados – bagunçados, cara de sono e coçando os olhos pela claridade que o atingiu. apenas se arrumou e saiu antes que acabasse dormindo. Ainda não eram nove da manhã.
– Não pensei na hora, desculpa por vir tão cedo. – desculpou-se e deu um sorriso sonolento, espreguiçando-se logo em seguida.
– Sem problemas. Entra. – falou com a voz rouca e abriu espaço pra que ela passasse e fechou a porta, coçando os olhos e bocejando demoradamente em seguida, antes de voltar a falar. – Já tomou café?
– Já sim.
– E como foi a volta?
– Tranquila. Eu queria ficar mais tempo em casa, mas o dever chamava.
– Senta aí. Vou lavar o rosto. – apontou o sofá e seguiu pelo corredor antes que respondesse.
– Ei, coisinha fofa. – ela disse para o cachorro, que olhava meio desconfiado, mas se aproximou de , cheirando seus pés e deu um latido estridente. – Vem cá, lindinho.
sentou-se no sofá e bateu levemente a mão no móvel para que o cãozinho subisse, o que ele fez sem demora e voltou a cheirá-la, antes de subir em seu colo, fazendo rir quando ele colocou a cabeça sob sua mão, em um claro pedido de carinho, que ela fez sem demora, e correu os olhos pelo ambiente: alguns brinquedos de Júnior espalhados, uma camiseta de um time de basquete que ela não sabia o nome jogada sobre a mesa de centro, um par de chinelos e fotos de com a família e os amigos por todos os lados.
, eu vou comer alguma coisa, talvez você queira também. – ouviu a voz ainda sonolenta de e se virou, encontrando o homem já com a feição mais desperta, os cabelos ajeitados e um sorriso ainda um pouco preguiçoso no rosto. Levantou-se, deixando o cachorro sobre o sofá e foi até , antes de saírem para a cozinha, ele a pegou pela mão e a olhou, dos pés à cabeça, de forma demorada, com o olhar ardendo em desejo e mordeu o próprio lábio. – Pessoalmente é melhor que em foto. Muito melhor.
– É, eu digo o mesmo. – ela disse, passando os olhos pelo tronco nu do homem.
– Acho melhor a gente não perder muito tempo conversando ou comendo. O café da manhã, no caso. – falou num tom sugestivo e a puxou para mais perto, juntando os corpos, e ela sentiu o membro dele começando a ficar duro contra si.
– Alguém estava mesmo muito ansioso para me ver.
– Você não faz ideia, Ramos. – ele respondeu num resmungo e a apertou mais um pouco, beijando-lhe os lábios com vontade.
tinha as mãos na nuca de e deslizou as pontas das unhas por ali, e ele a apertava o máximo que podia contra si, ampliando o contato entre os corpos. a conduziu de volta ao sofá e se deitou, prendendo o corpo dela entre suas pernas, ainda beijando seus lábios e usando as mãos para tocar cada centímetro do corpo de , mesmo que parte dele ainda estivesse coberto pelo vestido.
– Vamos transar na sala de novo? – ela perguntou ofegante quando separaram os lábios para tomar fôlego.
Os lábios de eram convidativos demais para que ficassem separados por tanto tempo, mas ambos precisavam respirar um pouco antes de voltar a aproveitar daqueles beijos.
– Na sala, na cozinha, no banheiro, nos quartos, no corredor, na mesa, no chão, no carro e em qualquer lugar que você quiser. – enumerou e deu um beijo na curva do pescoço de , fazendo a mulher arfar ao sentir a barba do homem roçando em sua pele.
– Então pede seu cachorro para dar licença, eu não me sinto confortável com ele observando. – riu e se virou, encontrando o cachorro parado um pouco distante e encarando os dois.
– Sai daqui, Bubu. – ralhou e jogou uma almofada, mas sem que acertasse o cachorro. Deu certo e Bubu saiu correndo, depois de soltar um latido estridente como protesto. – Podemos voltar ao que estávamos fazendo?
– Claro. – ela deu um sorriso, preparada para voltar a beijar-lhe os lábios. a observava detalhadamente, a forma como os seios dela ficavam absurdamente deliciosos naquele decote, como as pernas dela estavam maravilhosas, como o bronzeado adquirido nos últimos dias estava perfeito e deixava o conjunto ainda melhor do que habitualmente. Se ele pudesse defini-la em uma palavra naquele momento, era estonteante. – O que foi?
– Você é linda. – ele disse, tocando as coxas de , e voltou a se inclinar, beijando seus lábios de um jeito um pouco menos agressivo. Suas mãos se moviam por todas as partes do corpo de , erguendo o vestido lentamente, enquanto seus dedos deslizavam pela pele, sentindo-a se eriçar sob seu toque. Logo o vestido estava fazendo companhia à blusa que estava sobre a mesa de centro. – Esse sutiã não é ótimo apenas em fotos. – ele sorriu sacana e mordeu o queixo de devagar, antes de deslizar os lábios até o ouvido dela e sussurrar o restante da frase. – Mas você fica muito melhor sem ele.
– Você vai ficar conversando ou vai fazer alguma coisa? – perguntou num tom sofrido, enquanto sentia os lábios de em seu maxilar e a respiração do homem batia em seu rosto.
– Pelo visto eu não sou o único ansioso aqui. – ele voltou a sussurrar, beijou o pescoço e o colo de , abrindo o sutiã de forma demorada propositalmente, arrastando os dedos pela pele exposta e a ouviu soltar um resmungo sofrido antes de tirar a peça completamente e deixá-la no chão. – Mas eu vou bem devagar, nós temos o dia inteiro.

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– Você fica ótima com a minha camisa. – deu um sorriso enquanto a observava, estava sentado à mesa e admirava a mulher. estava cozinhando, tinha resolvido fazer um almoço para os dois e usava apenas uma camisa do Real Madrid número 22 e a calcinha preta.
– Fico ótima com qualquer camisa do Real Madrid, não apenas com a sua. – ela respondeu sem olhá-lo e não o viu se aproximar.
– Fica ótima de qualquer jeito. – falou e a virou para si, voltando a beijá-la, colocando a mão direita por dentro da blusa, apenas para sentir a pele de se eriçar sob seu toque e um gemido baixo escapou pelos lábios dela enquanto se beijavam.
– Preciso prestar atenção aqui, . – falou, separando os lábios dos dele, mas sem se soltar dos braços do homem.
– É difícil te soltar. – ele falou, deslizando a mão pelas costas de e apertou sua bunda, voltando a beijá-la.

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– Eu preciso ir para casa. – falou sentando-se na cama e a olhou, permanecendo deitado.
– Já?
– São sete e meia da noite. Eu preciso descansar um pouco e você tem que arrumar suas coisas para se apresentar à seleção amanhã de manhã.
– Fica até de manhã? – pediu manhoso.
– Sem chance.
– Posso tentar te convencer? – ele se sentou na cama, virando-se de frente pra e sorriu sugestivo.
– Você pode tentar, mas não vai conseguir. Eu sou mais difícil que você. – ela respondeu e deu um sorriso de lado.
– Nada me impede de tentar.
– Você devia poupar forças para os treinos e para o jogo. É a Itália, sabe? É um jogo difícil.
– Você vai? – perguntou e ela assentiu. – E vem comemorar a vitória comigo?
– Ou te consolar pela derrota.
– Então quer dizer que independente do resultado você vem? – perguntou, dando um sorriso de lado, e sorriu de volta, sem responder.
se inclinou e a beijou nos lábios, empurrando seu corpo com cuidado até que ela se deitasse de novo e tirou o lençol que impedia o contato direto dos corpos.
– Você vai mesmo voltar para casa no sábado? – ela perguntou, com os braços envolvendo o pescoço do homem.
– Não. – ele resmungou. – Só depois do jogo contra Liechtenstein.
– Então nos vemos semana que vem. – ela lhe deu um selinho e o afastou, antes que voltassem a se beijar e sair dali se tornasse impossível. – Preciso ir embora.
– Eu te levo. – falou num tom frustrado.
– Não precisa, vou pedir ao . Você tem muita coisa para fazer.
, eu te levo. Não precisa incomodar seu amigo com isso.
– Já incomodei. – falou, pegando o próprio telefone no criado-mudo, e enviou uma mensagem a , que não demorou a responder pedindo a localização e informando que em dez minutos estaria lá.
– Chegamos dia seis pela manhã. – falou enquanto observava sair da cama e começar a se vestir. Ela ajeitou o vestido no corpo e fez um rabo de cavalo nos cabelos.
– Cadê meus sapatos?
– Acho que eles ficaram pela sala.
– Já volto. – falou saindo do quarto e foi até a sala, observava como ela caminhou provocativa, rebolando propositalmente. A campainha tocou e segundos depois estava de volta, mais branca do que papel. – É o Sergio.
– Você está falando sério? – perguntou quase tão assustado quanto .
Como ele tinha entrado sem que o porteiro informasse?
– Claro que sim! Esse filho da puta sente meu cheiro de longe. – ela falou num tom sofrido e a campainha soou de novo, mas dessa vez, acompanhada por batidas na porta. – E meus sapatos estão lá na sala. Vai logo.
– Puta merda. – falou nervoso e se pôs de pé, pegando a bermuda que estava caída ao lado da cama e a vestiu. – Fica aqui, ele não vai subir.
– Esconde os sapatos. Foi um presente dele, vai reconhecer na hora. – orientou e assentiu, saindo rápido do quarto e descendo as escadas, pegou os sapatos e os enfiou em uma das caixas de brinquedo do filho, pegou a blusa que estava sobre a mesa e a vestiu antes de abrir a porta.
Capi! Entra. – disse, dando um sorriso ao encontrar Sergio parado, deu espaço para que o homem entrasse e fechou a porta atrás de si.
– Ocupado? – Sergio perguntou quando entrou na casa do amigo.
– Vendo televisão no quarto, peguei no sono e achei que estava sonhando com o barulho. – deu de ombros. – A que devo a honra?
– Passei na minha irmã e ela não estava por lá, eu estava a caminho de casa, mas resolvi passar aqui. Perguntei seu porteiro se você estava e ele disse que sim, falei que era surpresa e ele me deixou entrar.
– Senta aí. Quer beber alguma coisa? – apontou o sofá e Sergio se sentou.
– Só água, ou suco. Estou de carro.
– Vou pegar um suco para você então. – falou antes de se levantar e ir até a cozinha buscar o suco para Sergio Ramos.
No banheiro do quarto de , enviou uma mensagem a pedindo para que ele esperasse pronto para arrancar, contou que Sergio tinha chegado ali e que ela faria uma fuga pela janela do quarto. Deixou um bilhete na cama dizendo que avisaria quando chegasse em casa e encarou a altura que teria que pular para sair dali.
Era alto e seria difícil, mas tinha alguma experiência depois de sair escondida tantas vezes enquanto morava em Sevilla. Claro que nem se compara, já que a janela da casa dos pais em Sevilla tinha como se apoiar no pequeno telhado e ela sabia como não se machucar, mas ali não tinha nada disso, era uma queda de alto risco.
se sentou na janela e observou. Seria difícil. Não tinha onde se apoiar para sair, era pular da janela e torcer para cair bem na grama, no máximo se apoiar na beirada e tentar não quebrar o pé quando aterrissasse. Por que ele tinha que morar numa porcaria de casa de dois andares tão altos? E numa casa com uma problemática gigantesca para se sair pela janela? E o pior: por que ela tinha que fazer aquilo usando o vestido mais apertado que tinha? Nem em filmes coisas como aquela aconteciam.
Depois de se segurar pela beirada da janela e fazer uma oração silenciosa, fechou os olhos e pulou, caindo num baque surdo na grama da frente da casa. Não parou tempo suficiente para analisar o feito e nem se tinha machucado alguma parte do corpo, apenas caminhou o mais rápido que conseguiu, afastando-se do carro do irmão enquanto agradecia mentalmente por não ter ido com o próprio carro. O que diria ao irmão, caso ele chegasse e a encontrasse ali?
Quando chegou à portaria, despediu-se do porteiro com um aceno e avistou o carro de parado um pouco mais a frente. Caminhou um pouco mais rápido até lá e abriu a porta, sendo recebida por uma risada alta e o carro foi arrancado.
– Eu não acredito que você saiu pela janela! – ele gargalhou.
– E vamos para sua casa, Sergio já passou na minha e, se ele quer mesmo me ver, vai até a sua casa em breve. E sim, eu saí pela janela.
– Ainda bem que você fazia isso em Sevilla.
– É, mas a casa dele é mais difícil. Porra de casa complicada! Não dava para sair pela cozinha, porque a escada dá bem na sala e eu ia acabar dando de cara com Sergio, dava para pular a janela do quarto do Junior, que tem um parapeito, mas as portas de vidro da cozinha são enormes e lá da sala eles me veriam passar. E o cachorro ia latir quando me visse. Eu não sei por que o Sergio inventa de sair de casa tem hora! Ele sente meu cheiro nos lugares, não é possível!
– Só você para me fazer de piloto de fuga numa situação dessa, . Esse tipo de coisa não acontece nem em filme! – gargalhava. – E cadê seus sapatos?
– Ficaram lá. Estavam na sala, deve ter escondido antes do meu amado irmão entrar. Bom, eu espero que tenha escondido, foi Sergio quem me deu e eu realmente gosto daquele par. E você não tem noção de como é difícil pular uma janela usando um tubinho!
– Você podia ter ficado no quarto esperado seu irmão ir embora.
– Ele vai demorar um tempo lá, eu tenho certeza. E dirige logo, preciso tomar um banho e comer alguma coisa antes que Sergio dê o ar da graça na sua casa.
– Precisa mesmo, você está fedendo a sexo.
– Cala a boca e dirige. – ela resmungou e ele riu enquanto ainda dirigia.
colocou seu carro na garagem do prédio e os dois subiram de elevador até o andar do apartamento. tomou um banho, vestiu uma camisa de e um short seu que estava ali, já deixado para situações de emergência, tanto dela, quanto dele. também tinha algumas roupas no apartamento de , principalmente para ocasiões em que os dois saíam a noite e ele não tinha condições de se locomover até o próprio apartamento.
Os dois estavam sentados no sofá vendo filme depois de jantarem, quando o interfone tocou e ambos se olharam, já sabendo quem era que estava prestes a subir, antes que se levantasse e fosse atender o interfone. O porteiro disse, num tom surpreso, que Sergio Ramos estava ali e tinha perguntado se podia subir, o que foi aceito e logo o homem estava no apartamento.
– Ah, então é aqui que você está! Fui na sua casa e o porteiro disse que você tinha saído de manhã e ainda não tinha voltado. – Sergio falou quando viu a irmã deitada no sofá.
– E você saberia se tivesse ligado para saber como e onde eu estava antes de sair de casa às cegas. – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e se pôs de pé, indo até o irmão e o abraçou da forma mais apertada que conseguiu. – Senti sua falta.
– Sentiu tanto que nem se deu ao trabalho de ir me ver. – Sergio respondeu, fingindo-se de ressentido pelo descaso da irmã, mas a apertando em seu abraço na mesma proporção, dando um beijo demorado em sua bochecha.
– Para de drama. – respondeu, rolando os olhos, ainda abraçada ao irmão. – Já cumprimentou o dono da casa?
– Já. – Sergio disse e se soltou do abraço, voltando a se deitar no sofá.
– Sente e sinta-se em casa. – falou, apontando para o outro sofá que estava livre. – E você – apontou para – pode voltar e continuar a massagear meus pés.
– Você é muito folgada. – Sergio disse e ela fez língua. – Precisa de carona?
– Preciso. – respondeu, sorrindo. – Você é muito fofo.
– Então vamos?
– Só preciso pegar um chinelo.
– Acho que seu chinelo está no meu quarto. – falou e reprimiu o desejo de xingá-lo com um palavrão pouco aceitável.
Vaffanculo*. – disse em um tom simpático e sorriu para o amigo, apertando-lhe as bochechas.
sabia que não era um elogio, tampouco um agradecimento, só não fazia ideia do significado, mas vindo de , sabia que, no mínimo, era um palavrão dos feios. Ela voltou uns minutos depois com um chinelo da ex-namorada de nos pés e ele, novamente, teve que se segurar para não rir.
– Vai embora com a blusa dele?
– Vou, a minha está suja de molho de macarrão, e como a culpa é toda dele, espero que me devolva a blusa lavada e sem manchas. – respondeu, dando de ombros. – Agora podemos ir.
– Eu não sei como você aguenta, . Realmente não sei.
– Nem eu sei como fui acabar amigo dessa encrenca. – disse, rindo, e lhe deu um tapa nas costas. – Ai! Filha da...
– Cuidado, o outro filho está aqui. – apontou para o irmão e riu.
Deu um abraço em , murmurando “obrigada” em seu ouvido e lhe deu um beijo no rosto. Sergio e ele se despediram também e os irmãos saíram do apartamento.
– Você vai se importar se eu te levar lá em casa antes?
– Sem problemas, quero ver meus pipotinhos. – ela deu um sorriso e abraçou o irmão pela cintura dentro do elevador. – Aconteceu alguma coisa?
– Não. – Sergio respondeu, passando um dos braços pelos ombros da irmã. – E como foi a Alemanha e as férias?
– A Alemanha foi ótima. Uma experiência fantástica, consegui me livrar do trabalho de conclusão e vou poder fazer uma matéria opcional que eu quero muito, eu aprendi muito por lá e sei xingar alguns palavrões em alemão. E em italiano. – respondeu, dando uma risada, enquanto caminhavam para fora do prédio de , após se despedirem do porteiro. – Foi bem legal, apesar de ter sentido muita falta de casa e de ter quase surtado em alguns momentos com aquele idioma difícil. E as férias foram maravilhosas! Descansei, me diverti muito e aproveitei. O pai e a mãe querem que você vá lá também. Eles reclamaram que nós dois estamos muito sumidos e precisamos visitá-los mais vezes do que eles vêm nos visitar.
– É, eu preciso mesmo. – Sergio falou pensativo e soltou-se do abraço da irmã quando chegaram ao carro. – Mas os feriados de fim de ano vamos passar lá, de qualquer forma.
– Eu quero ir ao mundial, por favor me leve. – ela pediu, entrando no carro.
– Levo. E sábado você vai ao Bernabéu?
– Claro! Ao contrário da Itália, eu não perco esse jogo por nada. – falou, dando um sorriso arteiro, e Sergio deu uma gargalhada. ligou o rádio do carro e tratou de conectar ao seu Spotify.
– Você vai mesmo ouvir isso? – perguntou, fazendo uma careta pela música escolhida, e ela assentiu.
– Já estamos ouvindo. – ela sorriu e se virou pra ele, que tinha dado partida no carro e começava a se mover pelas ruas de Madri. – The mirror's image, it tells me it's home time, but I'm not finished, cause you're not by my side…
– Eu não me importo de ouvir, mas você não pode cantar. – Sergio riu e lhe mostrou a língua. – A mãe me ligou, disse que você e estavam em Ibiza.
– E foi ótimo.
– E que ele está solteiro.
e eu não estamos namorando e nem temos nada além de uma boa amizade. Fomos para Ibiza, aproveitamos os dias por lá e foi só isso. Não nos beijamos, nem fizemos nada, nunca fizemos e nem faremos. Deus me livre!
– Ah, eu não ia falar isso. – Sergio disse visivelmente sem jeito, usando uma das mãos para coçar a própria nuca, e ela riu.
– Claro que ia.
– E desde quando você e se seguem no Instagram? – Sergio soltou a pergunta num tom casual e quis pular do carro em movimento, mas se conteve e tentou responder em um tom tão casual quanto o dele.
– Acho que desde o dia da foto que Maria postou. – deu de ombros, o que era mesmo verdade, de qualquer forma. – Por quê?
– Porque você não costuma fazer amizades com jogadores. Mal tem Lucas, Nacho e Modric por lá.
– Também tenho o Iker. E o Nando. E o Marcelo. E o Xabi. E o Keylor. E o Luca. E o Enzo. E o Arbeloa. Nossa, tem vários. – enumerou, rindo. – E tinha o Dani, mas ele excluiu o Instagram. Eu não tenho nada contra jogadores, vocês só não fazem parte da população com quem eu teria um relacionamento.
– Entendo.
– Você devia parar de ser ciumento. Isso não é legal.
– Você é minha irmãzinha, quero cuidar de você.
– Não precisa, mi amor. Eu tenho vinte e dois anos, eu sei me cuidar.
– Para mim você sempre será a pestinha de cinco anos que me infernizava, mas corria para o meu quarto quando tinha pesadelo.
– Eu sempre serei uma pestinha que te infernizará, mas com vinte e dois anos agora. E eu sei me cuidar, apesar de ainda querer correr para o seu quarto quando tenho pesadelos. – confessou, rindo, e Sergio a acompanhou na risada.
Um tempo depois, ele parou o carro na porta da própria casa e os dois seguiram até o interior do imóvel. Marco e Sergio Junior estavam com Pilar na sala.
– Olha quem eu trouxe. – Sergio falou e as crianças se viraram.
Sergio Junior se pôs de pé e correu até a tia, abraçando-a pelas pernas.
– Titia!
Mi Nanito! Como você está grande! – falou e se soltou do abraço, abaixando-se até ficar da altura do menino, e o abraçou, apertando-o, e fez o pequeno soltar uma gargalhada. Marco veio logo em seguida e abraçou os dois.
– Titia! – ele disse, sorrindo, e lhe deu um beijo.
– Estão tão grandes que mal cabem nos meus braços! – disse, envolvendo os dois em um abraço desajeitado. – Como senti falta de vocês!
– Acho bom esse abraço ter espaço para mais um, porque vai precisar. – Pilar disse do sofá e se virou para a cunhada, que tinha um sorriso imenso no rosto. – Você vai ficar para titia de novo.
– AI, MEU DEUS! – exclamou animada.
– Mas ainda é segredo. – Sergio disse e se pôs de pé, depois de soltar o abraço dos sobrinhos, e foi abraçar o irmão e a cunhada, parabenizando-os.
– Que coisa mais linda! – sorriu animada. – É menina ou menino? E desde quando vocês sabem?
– Não sabemos o sexo ainda. Tem duas semanas mais ou menos que estávamos desconfiando, o médico confirmou ontem. Era isso que eu queria te falar, mas não te encontrava de jeito nenhum. – Sergio disse, empurrando de leve a irmã com o ombro.
– Podia ter me ligado, eu teria falado que estava no e você não teria ido lá em casa à toa. – respondeu rolando os olhos. – E estou muito feliz! Já preparando para morder, apertar, amar, paparicar e encher de presentes e beijos mais uma criança linda. Estou muito feliz por vocês. De verdade.
– Por isso quisemos que você fosse a primeira a saber. – Pilar falou, sorrindo.
– Posso ser madrinha?
– Você já é madrinha do Junior, . Sossega. – Sergio rolou os olhos.
– E sou do Marco também. Pelo menos eu me considero e me comporto como se fosse a oficial. Eu estou pedindo, mas também estou afirmando que sou a madrinha do próximo bebê dessa casa. – ela deu de ombros e Pilar riu.
– Não consigo pensar em outra pessoa para ocupar esse cargo. – Pilar disse e sorriu para a cunhada.
– Colo. – Marco pediu para e ela o atendeu sem demora, apertando o menino num abraço e lhe deu um beijo no rosto.
Os cinco permaneceram na sala por um tempo, conversando sobre a viagem de nas férias para a Alemanha e como as coisas tinham sido, além de Sergio e Pilar contarem sobre as próprias férias e as crianças também tagarelarem sobre a viagem que fizeram. Já estava perto das dez da noite quando as crianças foram dormir e apenas os três adultos ficaram na sala.
– Você quer ficar?
– Vou para casa, preciso dormir lá pelo menos um dia. – riu e Sergio assentiu.
Ela se despediu de Pilar e foi embora com o irmão. Sem demora, ela estava de pijama e em sua cama. Assim que pegou o celular, percebeu que havia uma mensagem de , preocupado com ela.

: Você é doida?
Machucou?
Tá tudo bem?
Me dá um sinal de vida! ??
: Sou. Não. Está. E dando sinal
: Fiquei preocupado! Por que demorou a responder?
: Fui pra casa do , depois Sergio foi lá e eu fui pra casa dele
: Doida!!!
Isso é o que você é, Ramos García!
: Um pouco de loucura as vezes é bom ??
: Achei que você ficaria aqui e passaria a noite comigo ?
: Podemos deixar isso para o dia que você voltar pra casa
Fez sua mala?
: Sim, senhora
: Então vá dormir que amanhã precisa ir treinar cedo
A caminhada para o bicampeonato começa pelas eliminatórias
: Se seu irmão não tivesse aparecido, você teria dormido aqui?
: Talvez você conseguisse me convencer
: Posso ir dormir ai?
: Ai, , sossega ??
: Não dorme, chego em dez minutos


Capítulo 8 – Dame un señal...


...para perder el miedo. (Bailame Despacio – Xantos)

– E de quem o meu time vai ganhar hoje? – apareceu ao final do treino e Sergio rolou os olhos, enquanto Modric, Lucas e Nacho comemoraram.
– O que você está fazendo aqui? – Sergio perguntou. – Pode ir embora, os times estão completos.
– Meu amigo Lucas Vázquez me convidou. – respondeu em tom petulante e Sergio bufou. – E se você não sabe contar, hermanito, vocês estão em quinze. Isso não dá dois times iguais.
– Eu não disse iguais, eu disse completos.
– E dá na mesma, fofinho. – sorriu debochada.
– Pode ir embora. – Sergio Ramos repetiu, sério.
– Você está com medo de perder para mim de novo? voltou a debochar e os presentes riram.
Sergio fez a feição mais ameaçadora que conseguiu e os risos cessaram. É, ele realmente preferia o que Maquiavel ensinou em “O Príncipe”: era melhor ser temido do que amado.
– Nosso time é o do grupo combinado? – Lucas se pronunciou e ela assentiu.
– E o nosso colete é o azul. – falou e pegou um dos coletes.
Usava a camisa com o número 14 e o nome “Casemiro” estampado nas costas, e logo Keylor Navas, Nacho, Varane, , Luka Modric, Lucas Vázquez, Marco Asensio e Dani Ceballos estavam usando o colete azul e se preparavam para enfrentar o time adversário, que usava o colete laranja: Kiko Casilla, Sergio Ramos, Achraf Hakimi, Marcelo, Mateo Kovacic, Toni Kroos, Karim Benzema e .
O treinamento tinha sido intenso antes de permitirem que os familiares entrassem, mas aquele jogo já tinha sido combinado anteriormente e não seria cancelado pelo cansaço dos jogadores pós-treino. Pelo menos o time de já sabia o que aconteceria e estava preparado.
– E qual a estratégia de jogo, capi? – Lucas perguntou e deu um sorriso.
– Ganhar, Luqui. A estratégia sempre é ganhar.
– Não consigo entender o motivo da felicidade de vocês por tê-la no time. – Toni Kroos se pronunciou.
– Logo você vai descobrir, pode ficar tranquilo. – Nacho falou rindo.
– Quem começa com a bola? – perguntou e olhou para .
– Podem começar, bom que vão se acostumando, já que vão fazer isso outras quatro vezes antes desse jogo acabar. – sorriu debochada e pu para o irmão.
Sergio pegou a bola e colocou no meio do campo, iniciando a troca de passes com Toni. passou por ela e sorriu de lado.
– Vou pegar leve com você aqui.
– Eu duvido bastante que você consiga jogar, Magia. respondeu, dando um sorriso, e cortou o lançamento de Marcelo para , saindo de perto com a bola e a tocou para Modric, voltando logo em seguida. – Eu não gosto de muita conversa, prefiro quando jogam bola.
Apesar de Toni e Mateo terem tirado o pé em duas divididas com , o jogo era levado bastante a sério. Nem mesmo Sergio teve pena, fez duas faltas duras na irmã e se comportava como num jogo oficial, não apenas um rachão sem nenhuma importância ou validade. E ficou bravo ainda quando viu a irmã fazer o primeiro, no maior estilo Casemiro de fazer gols: um belo chute de fora da área, e sair comemorando com o time de colete azul. Sergio xingou meia dúzia de palavrões enquanto observava os rivais comemorarem animados o gol que os dava vantagem no placar.
O segundo gol do time de azul veio dos pés de Marco Asensio, depois de uma bela jogada que começou com tomando a bola de da forma mais limpa que ele já tinha visto em todos aqueles anos jogando futebol. O time de laranja descontou com Toni Kroos e isso os fez aumentar a intensidade dos ataques, mas não adiantou, porque Dani Ceballos marcou logo em seguida e Sergio Ramos estava prestes a bater em alguém.
mal deixou encostar na bola e ele estava ficando incomodado com aquilo, pois ela lhe tomava a bola sem fazer falta, de forma totalmente limpa. tentava sair de sua marcação, mas acaba marcado por Varane e anulado quase totalmente. O time azul marcou outra vez, agora com Lucas Vázquéz após uma belíssima assistência de Luka Modric. Quatro a um. O time laranja descontou com Sergio Ramos e ele passou olhando sério para a irmã, que reprimiu a vontade de rir.
Lucas e Marco deram a saída, mas perderam a bola para Mateo antes de conseguirem avançar e ele correu na direção de . Ela o olhou desafiadora e fez um sinal com as mãos, chamando para que ele tentasse passar, fazendo o croata sorrir de lado. Encararia a marcação e não tiraria o pé daquela vez. Ela tinha conseguido provocá-lo e ele perderia a bola, todos pareciam saber disso, menos ele. Quando Mateo tentou passar, lhe tomou a bola e saiu livre, ouvindo-o falar algo que ela não entendeu.
Sergio berrou para Achraf marcá-la, e quando o rapaz se aproximou, lhe deu um drible, passando a bola entre suas pernas e apenas ouviu as zoações dos outros ficando atrás de si. Sergio se lançou num carrinho que visava a bola, mas conseguiu desviar e estava cara-a-cara com Kiko, que foi fechar o lance, mas acabou encoberto.
A bola quicou duas vezes antes de morrer dentro do gol. Cinco a dois. Sergio estava bravo e saiu correndo para comemorar com o próprio time.
Verdammte Scheiße. – Toni xingou e deu uma gargalhada. – Você entendeu?
– Morei dois meses em Munique e aprendi poucas coisas em alemão nesse tempo. E foram palavrões.
– O que ele disse? – Lucas perguntou.
– Não te interessa. – Toni falou rápido e riu.
– E cadê a foto do time vencedor? – Nacho perguntou.
O fotógrafo tirou a habitual foto dos treinos quando um dos times vence. estava de pé no meio, braços cruzados e pose marrenta de sempre. Lucas, Nacho e Modric faziam continência, Marco estava abraçado pelos ombros com Varane e Ceballos, Keylor Navas estava sorrindo ao lado deles.
– Tudo normal em Valdebebas. – provocou o irmão. A foto foi postada mais tarde com aquela mesma legenda.
– Vou proibir sua entrada aqui. – Sergio disse, sério, e o abraçou, não sendo abraçada de volta.
Hau ab Du Arschloch. falou e foi a vez de Toni gargalhar.
– O que você disse? – Sergio perguntou, sério.
– Eu não falei nada. – respondeu, segurando-se para não rir, e Sergio olhou ameaçadoramente para o único alemão do time.
– Não me olha assim, capi. – Toni falou, erguendo as mãos. – O que é falado em alemão, em alemão permanece.
– Gostei. – sorriu.
– Eu vou te proibir de chegar perto do Bernabéu e de Valdebebas para sempre. – Sergio falou, sério, olhando para a irmã.
– Você não manda nem na sua casa, fica calado. – implicou.
, então você ficou dois meses na Alemanha e só aprendeu a falar os palavrões? – Lucas perguntou, rindo, e ela assentiu.
– Aprendi em italiano também. Luka e Mateo podem me ensinar uns em croata.
– Sem mais palavrões para você. – Sergio disse, sério.
– Não fica bravinho, mi amor. Prometo que na próxima eu pego leve e deixo o jogo durar mais de vinte minutos. – provocou, apertando as bochechas do irmão.
– Você – Sergio disse bravo e apontou pra Lucas, que estava rindo da cara que o capitão fazia –, leva isso embora, porque a culpa é toda sua dela estar aqui.
– Eu vim no meu próprio carro, lindinho. – sorriu debochada. – E temos que conversar, então você vai me levar para almoçar e resolveremos essa parte.
– Eu me recuso.
– Tenho quatorze testemunhas e a partir desse momento você não vai saber o que eu ia falar. – deu de ombros, na intenção de provocar o lado curioso do irmão. – Time, vocês são ótimos, jogam muito, são maravilhosos e espero que continuemos invictos. Já são quantos?
– Sete a um é o placar. – Lucas deu um sorriso provocando os colegas.
– Eu não gostei do sorriso. – Marcelo se pronunciou e riu.
– No próximo jogo, eu quero ser do seu time. – Achraf pediu e riu, assentindo positivamente.
– Nunca deixem meu irmão esquecer que ele só ganhou um jogo contra mim de oito disputados, por favor. – sorriu e o irmão lhe mostrou o dedo do meio, fazendo todos os que estavam próximos gargalharem. – Agora eu vou embora. Beijos para todos vocês.
– Eu estou arrependido de não ter implorado para ser do time azul. – Toni Kroos falou em tom sentido.
– Na próxima você pode vir para o meu time, Toni. – falou e o alemão sorriu animado. Ela acenou em despedida e começou a caminhar para fora do campo, enquanto as crianças que estavam ali começavam a correr por todos os lados.
– O que você quer falar comigo? – Sergio perguntou enquanto caminhavam para fora do campo, mas tinham destinos diferentes: ela para o estacionamento e ele para o vestiário. passou um dos braços pela cintura do irmão e ele a abraçou pelos ombros.
– Você se recusou, perdeu a chance. – provocou, dando um sorriso, e Sergio rolou os olhos. – Eu só quero saber se vamos fazer alguma coisa no aniversário da nossa mãe, porque já está chegando. Pensei de fazermos uma festinha surpresa para ela. O que acha?
– Podemos pensar. – Sergio passou as mãos pelos cabelos suados. – Passa lá em casa para combinarmos isso. A Pilar é melhor que eu para essas coisas.
– Passo. – sorriu e deu um beijo no rosto do irmão em despedida.
Ela tomou o caminho até o estacionamento e encontrou encostado no próprio carro, próximo ao carro dela.
– Oi.
– Oi, .
– Não sabia que você jogava tão bem.
– Claro que jogo. – sorriu. – Se o Zidane me colocar no time, talvez a nossa campanha fique mais regular e paremos de perder para times tipo o Real Betis e passar sufoco para ganhar de Getafe. Ou empatar em casa com o Levante.
Mi neña é uma torcedora chata. – falou e rolou os olhos, mas deu um sorriso. – E hoje, na sua ou na minha?
– Nenhum dos dois, hoje vou sair com . Esqueceu?
– É verdade, eu esqueci. Depois do jogo de amanhã? Eu levo o jantar.
– Japonês. Agora preciso ir. – caminhou até a porta do próprio carro e foi até ela, juntando seus lábios num selinho demorado e o olhou assustada. – Ficou doido?
– Um pouco de loucura às vezes é bom, . – pu e voltou a lhe dar um selinho. – Nos vemos amanhã depois do jogo.
– Doido. – murmurou, entrando no próprio carro, e foi embora.
e estavam numa espécie de relacionamento, ainda que nenhum dos dois admitisse. Viam-se quase todos os dias e um estava sempre dormindo na casa do outro desde a volta dela das férias. E não estavam apenas fazendo sexo, às vezes apenas aproveitavam a companhia um do outro, deitados vendo televisão, conversando, se beijando ou apenas sem fazer nada, apenas juntos.
Ele a chamava de “mi neña” e ela não se opunha, ela o chamava de “mi vida” e ele também não drdava. Mas não, eles não reconheciam estar num relacionamento.
Entretanto, não podiam estar em um relacionamento, pois apesar de as coisas estarem assim, mantinha a outra como opção, na reserva, como Morata tinha dito uns tempos antes. Tinha saído com ela outras vezes, ido nas casas um do outro nos dias em que não podia ficar com ele. não sabia nomear o que ele e tinham, não queria dispensar a outra opção antes de ter certeza que tinha mesmo algo com a primeira.
sabe que existe alguma coisa a mais entre os dois, que não se trata apenas algo físico, mas não podia aceitar e nem admitiria aquilo, porque era errado. Era ferir uma das regras que ela segue fielmente em sua vida. Bom, que costumava seguir antes de aparecer e bagunçar tudo. E, mesmo sabendo que havia algo a mais entre eles, ela saíra com outro por diversas vezes.
era uma exceção e isso a assustava, pois sempre soube e conseguiu falar não aos jogadores que surgiram em seu caminho, mas para esse em particular era quase impossível. Era difícil falar tchau, se soltar daqueles braços e ir embora, ou deixá-lo ir, quando na verdade queria que ele ficasse.
E ainda tinha Junior, que era uma preciosidade sem fim. tinha caído em uma armadilha e tanto. E não queria se soltar. Esse era o problema. Pelo menos ela acha que isso é um problema.

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O celular tocou em cima da cama, avisando que ago) tinha chegado e que a noite estava prestes a começar. ago) conhece um cara, que conhece um cara, que conhece um cara que é dono de uma das melhores boates de Madrid e, de alguma forma, tinha conseguido colocar os dois na lista permanente do lugar. não sabia se comemorava por conseguirem uma coisa daquela ou se sentia pena pelo dono do lugar. Ele não fazia ideia do tipo de pessoas que estavam entrando naquela lista.
ajeitou a roupa no corpo, deu uma última olhada no espelho, tirou uma foto e a enviou para , desejando uma excelente noite, e saiu do apartamento, depois de pegar tudo que precisava e jogar dentro da pequena bolsa tiracolo que levava. Encontrou ago) esperando do lado de fora do prédio.
– Você está tão bonito que eu quase sinto vontade de te dar um beijo. – brincou e o abraçou. – E cheiroso.
– Eu sempre sou lindo e cheiroso. – ago) respondeu dando uma risada.
– Cadê o carro?
– Nenhum de nós terá condições de dirigir, eu espero. Vamos de táxi.
– Amo que você sempre pensa em tudo.
– Seu namorado sabe que você está indo para balada comigo e usando essa roupa extremamente sexy? – ago) perguntou, sorrindo provocativo, sabia que ela ficaria brava e ele não perderia a chance de perturbá-la.
estava com uma camiseta branca de alças bem finas e solta no corpo, uma saia colada de couro preta até a metade da coxa, um scarpin preto, muito bem maquiada e com o clássico batom vermelho, os cabelos soltos e alguns acessórios.
– Primeiro, ele não é meu namorado, e eu já te falei isso um bilhão de vezes. Segundo, ainda que fosse, eu uso o que eu quiser, se ele não gostar, é só ele não vestir minhas roupas. Terceiro, eu saio com meu melhor amigo quando eu bem entender e ninguém tem nada com isso. E, quarto, ele não é meu namorado.
– Do jeito que vocês dois se comportam, só falta assumir.
– Cala a boca e vai procurar um táxi, ago). Não estrague minha noite antes mesmo dela começar. – disse séria e ele riu, piscando para a mulher.
– Nosso táxi está chegando, ma’, pedi quando te liguei.
– Que esperto, papi. pu em resposta.
Seu celular soou em alerta de mensagem e ela viu o nome de na tela.

: A mais linda de todas ?? ?? ?? ??
Divirtam-se, cariño ??
E nos vemos amanhã ??

O táxi não demorou a aparecer e os dois seguiram até a tal boate, entraram sem demora, usando as pulseirinhas douradas que deviam ser mais cobiçadas que qualquer coisa por ali, já que é um passe livre pelo lugar inteiro e pelos bares. Estava lotado, tanto do lado de dentro quanto do lado de fora, e os dois foram direto ao bar. Pediram duas tequilas, com sal e limão, e depois do ritual “arriba, abajo, al centro y adentro”, pediram duas cervejas e encararam a movimentação.
– Vamos dançar? – ago) gritou em seu ouvido e ela negou.
– Eu não danço. Não estando sóbria. – respondeu gritando e ago) rolou os olhos, dando um gole em sua cerveja e pôs a mão na cintura dela, conduzindo-a até uma das mesas livres.
– Nem eu, mas você se lembra da única regra da noite?
– Nós vamos encher a cara e nos divertir. E, teoricamente, são duas regras e não uma. – respondeu, tomando um gole da cerveja.
– Siga e teremos uma noite e tanto. – ago) pu, ignorando o que tinha dito depois de citar as regras da noite. – Tem um cara logo atrás de você que está quase arrancando sua roupa no olho. – apontou com o queixo e se virou discretamente e viu quem era o tal e como ele estava olhando.
– Grosseiro. – falou em tom enojado. – Homens.
– Não goste de homens, homens são péssimos.
– São mesmo. – disse, rindo. – Vem cá, deixa eu fazer uns stories com você.
– Vou cobrar direito de imagem. – ago) riu e pegou o próprio celular, fazendo uma selfie com ele e postando nos stories do Instagram, escrevendo um pedaço da música Vacaciones, do cantor Wisin: “solo me basta mis amigos y um traguito de cerveza ??”.
– Agora vamos ficar bêbados e dançar, porque eu quero sair daqui com o pessoal largando serviço e o dia amanhecendo.
– Eu gosto desse tipo de animação. – ago) sorriu e se pôs de pé. – Vou buscar mais.
– Você foi a pior coisa que aconteceu ao meu fígado, . – disse alto no ouvido dele e em resposta, ago) riu, saindo de perto e indo ao bar buscar mais o que pudessem beber.
Uma notificação fez a tela do celular se acender. Sergio. deu uma risada antes de abrir a mensagem e se deparar com uma foto dele totalmente sério, olhando-a com a cara mais inquisidora que conseguia fazer: “Tenham juízo, pelo amor de Deus, !”.
fez um boomerang mandando beijos e enviou para o irmão junto com um emoji de coração em resposta. Guardou o celular bem quando ago) voltou com dois copos em mãos e um sorriso enorme no rosto. Ela sabia que aqueles copos eram o início de uma bebedeira colossal, conhecia bem aquele sorriso de ago) quando era ligado a álcool. Não era como se ela achasse ruim, em todo caso, mas só esperava se lembrar de alguma coisa no dia seguinte.
– Acho que nem gasolina tem esse teor de álcool. – falou, fazendo careta depois do primeiro gole. – Vamos dançar. Adoro essa música que começou.
– E quem é que não gosta? – ago) sorriu e tomou outro gole, fazendo uma careta enquanto engolia.

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– Nós estamos sendo convidados a nos retirar. – ago) falou embolado, arrastando a pronúncia das palavras e riu.
Os dois estavam absurdamente bêbados, já passava das seis da manhã e todos estavam sendo gentilmente convidados a se retirar, pois o lugar precisava fechar.
– Eu quero uma última cerveja. – falou arrastado e saiu caminhando até o bar, tentando não cair dos saltos que usava. – Ei, papi, me dá uma última cerveja e eu vou embora.
– Eu vou te dar uma água e você vai para casa descansar, neña. – o homem disse simpático e lhe entregou duas garrafinhas de água gelada. – E leva essa para o seu namorado, vocês dois estão precisando.
– Ele não é meu namorado. – resmungou e pegou a outra garrafinha, andando cambaleante até ago) e o entregou. – Sem mais cervejas para nós.
– Tem cerveja na minha casa. – ago) disse e bocejou demoradamente enquanto abria a garrafa de água. – Vamos para lá beber mais.
– Vamos. – sorriu e os dois cambalearam para fora do lugar. – Vai chover.
– Então vamos correr. – ago) falou num tom arteiro e negou com um aceno de cabeça.
– Estou de salto, bêbada e não quero correr. Queria encontrar com e fo...
– Já entendi. – ago) a interrompeu. – Liga para ele.
– Ele está lá em Valdebebas, seu idiota.
– Ah, é verdade. – ago) disse, lembrando-se do jogo daquele dia. – E você vai ficar com vontade até a noite?
– Vou, porque não tem outro jeito de resolver isso. – deu de ombros e tomou um gole da água.
– Até tem, mas eu me recuso. – ago) respondeu, rindo.
– Eu quero ele e não você, então não adianta nada. – deu de ombros, fazendo ago) dar uma risada escandalosa. – Para de rir e vá procurar um táxi.
e ago) seguiram cambaleantes e de braços dados à procura de um táxi, mas depois de vinte minutos desistiram e resolveram ir de ônibus.
Uma aventura e tanto, considerando como estavam bêbados.
Desceram na rua atrás do prédio em que ago) mora e subiram o mais rápido que puderam até o apartamento. A primeira coisa que fez foi ir ao banheiro, precisava – e muito! – fazer xixi e tomar um bom banho, além de estar se sentindo prestes a vomitar, mas não o fez.
Assim que terminou seu banho, saiu a procura de uma roupa que pudesse usar, uma blusa de ago) e um short seu que estava ali. ago) foi até a cozinha, pegou o que tinha de cerveja na geladeira e os dois se sentaram na sala.
– A meta é passar o dia inteiro bêbados e morrer de ressaca amanhã? – perguntou e ago) assentiu, rindo.
– Eu comprei tequila esses dias. E tem uma garrafa inteira de whisky também.
– Depois de hoje, você só pode me embebedar depois da nossa formatura.
– Vamos precisar do tempo todo daqui até lá para nos recuperar.
– E tem mundial em dezembro. – falou, abrindo sua garrafa e tomando um gole. – Não vamos poder comemorar ou afogar a tristeza.
– Fale por você, Ramos. – ago) riu, abriu a própria cerveja e tomou um gole grande antes de voltar a falar. – Você não vai assumir mesmo que gosta do ?
– Não, porque eu não gosto. Quer dizer, eu gosto, mas não como você acha.
– Ah, , eu te conheço há muito tempo para você querer mentir para mim desse jeito. – ago) disse, rindo, e olhou para . Para as três que ele estava enxergando. – É muito óbvio que vocês se gostam.
– Mas não desse jeito, . E eu não quero falar disso, estou bêbada demais.
– Você sempre foge quando o assunto é este. Sóbria ou bêbada. – ago) falou, ainda rindo. – Mas tudo bem.
, precisamos dormir um pouco. – encostou a cabeça no ombro do amigo e tomou um gole da cerveja que tinha em mãos.
– Não acho. Eu estou ótimo.
– Tem alguma coisa pronta para comer?
– Acho que não.
– Nós vamos ao jogo?
– Vamos.
– Então eu vou dormir.
– Não! Vamos assim.
– Vamos dormir lá no Bernabéu! Sério, vamos dormir um pouquinho só. São sete e alguma coisa da manhã e nós estamos acordados faz quase vinte e quatro horas! E temos aula amanhã de manhã.
– Então espera eu guardar as cervejas, podemos tomar antes de ir para o jogo.
– Vou colocar o despertador para umas quatro da tarde. Eu estou com fome.
– Tem bito e pão.
– Comida não tem?
– São sete e alguma coisa da manhã!
– E daí? Eu estou com muita fome! E se eu comer, eu consigo ficar acordada.
– Você vai fazer alguma coisa agora?
– Vou. Você quer?
– Claro que quero. – ago) respondeu e foram os dois para a cozinha.

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, você pode me dar uma carona? – Marco pediu quando o jogo acabou e eles caminhavam até o estacionamento.
quis falar que não tinha como, mas demandaria muita explicação e era melhor evitar.
– Claro.
– Ih, vai atrapalhar o esquema? – Marco perguntou, rindo, enquanto caminhavam até onde o carro de estava no estacionamento do estádio.
– Não vou para casa, de qualquer forma. – respondeu, dando de ombros.
– E vai para casa da irmã do capi? – Marco perguntou e sentiu o corpo gelar. Não era possível que mais um sabia. destravou a porta e os dois entraram no carro, mas antes que saíssem e que conseguisse pensar numa resposta que não fosse mentira, Marco continuou: – Vi vocês no estacionamento ontem.
– Ela me mata se ficar sabendo que alguém sabe disso. E o Morata também sabe, porque viu.
– Vocês são péssimos em disfarçar, na verdade. Ontem vocês trocavam uns olhares que até o capi percebeu. Eu o ouvi falar com o Marcelo que ia quebrar suas pernas se você ficasse olhando para a irmã dele ao invés de jogar para ganhar dela. E depois que saí do campo, vi vocês dois no estacionamento. Vocês estão namorando?
– Não. Não sei. É só um lance. É complicado. – se embolou e suspirou, dando partida para que saíssem do estádio. – O importante é o capitão nunca descobrir.
– É só vocês pararem de dar bandeira em público. – Marco falou, rindo.
– Estou fazendo o possível, mas é meio difícil. – resmungou.
– Então a coisa entre vocês está séria?
– Sim e não. É complicado, como eu te disse. Ela tem aquela regra sobre não se envolver com jogadores, mas estamos bem mais do que envolvidos e faz tempo.
– E qual o problema de oficializar?
– Essa regra. E que, bom, como não estamos juntos oficialmente, eu tenho saído com outra.
– Aquela?
– É. – assentiu.
– Conversa com a irmã do capitão, pelo jeito como você falou, você gosta dela e ela de você. Vale a pena investir e oficializar.
– Eu vou pensar nisso. – disse e suspirou.
Os dois seguiram conversando sobre outras coisas, enquanto dirigia para deixar Marco em casa, antes de procurar um lugar em que pudesse comprar a comida que tinha ficado sob sua responsabilidade. Deixou Marco em casa e enviou uma mensagem a perguntando se já podia ir, mas a resposta demorou, quando ela disse que tinha acabado de sair do Bernabéu e que demoraria um pouco a chegar em casa por causa do trânsito, já tinha se encarregado de comprar o jantar.
Quando o avisou de sua chegada, quase meia hora depois, tinha quase desistido e ido para sua própria casa, mas seguiu, deixando o carro na rua lateral e caminhou para o prédio que vinha frequentando quase tanto quanto frequentava a própria casa. O porteiro já o conhecia, então subiu sem problemas e sem precisar avisar . Ele bateu na porta e ela não demorou a aparecer para abri-la. Deu espaço para que ele passasse e fechou a porta atrás de si.
– Você está bêbada? – perguntou, mas nem precisava, era visível.
– Talvez eu estivesse bebendo desde ontem. – deu um sorriso ébrio para . Para os dois que ela estava enxergando.
– E quando parou?
– Antes de abrir a porta.
– Você comeu alguma coisa hoje?
– Comi. E comida. – falou, erguendo um dedo para que ele não desse um sermão sobre a irresponsabilidade dela e de ago). – Macarrão na casa de ago) umas sete e alguma coisa da manhã, nós continuamos bebendo, almoçamos mais macarrão, fomos para o jogo, bebemos e eu cheguei agora pouco e ainda tinha duas cervejas comigo, então terminei de beber.
– Você e o ago) não dormiram?
– Não, nós só bebemos e conversamos bastante. E bebemos mais. – deu de ombros, como se aquela atitude fosse bastante saudável e recomendada, e cambaleou até o sofá. sentou-se ao lado dela e colocou a comida sobre a mesa de centro.
– Como você consegue?
– Eu queria ter te visto de manhã, quando saímos da boate, mas era muito cedo e você estava lá em Valdebebas. – ignorou a pergunta de e falou com a voz arrastada.
, você precisa de um banho frio urgentemente. Amanhã você vai ter uma ressaca enorme.
– Eu preciso urgentemente é de outra coisa. – falou e se sentou no colo de , olhou-o nos olhos antes de beijá-lo de forma descoordenada.
O gosto do álcool era perceptível e não fazia ideia de como ela tinha conseguido beber daquele jeito por quase vinte e quatro horas sem passar mal. Bom, pelo menos ele achava que ela não tinha passado mal.
Ainda que soubesse que aquilo era pura irresponsabilidade, ele estava, ao mesmo tempo, admirado e confuso com tudo. Como era possível que ela conseguisse beber tanto e por tanto tempo sem acontecer nada? Ele, mesmo gostando muito de beber, não conseguia beber mais do que algumas horas, pois logo estava sonolento, cambaleando, e se bebesse a mesma quantidade que ela parecia ter bebido, teria passado mal sem demora.
As mãos desajeitadas de tentavam tirar-lhe a blusa, mas ela estava alterada demais para conseguir alguma coisa que demandasse reflexos e habilidade de movimentos.
– Não. . – falou, parando de beijá-la e segurando suas mãos para que ela parasse de tentar despi-lo. – Você está muito bêbada e eu tenho certeza que amanhã você não vai lembrar de nada do que aconteceu hoje. E transar com você nesse estado, como você bem sabe, é crime.
, eu vou me lembrar muito bem de tudo que a gente fizer. – resmungou de forma arrastada, enquanto ele ainda a segurava. – Eu me lembro da primeira vez e nós estávamos bem bêbados!
– Estávamos os dois muito bêbados e agora só você está e isso não é certo.
– Eu estou consentindo, não é crime.
– Você está bêbada e suas ações e palavras não podem ser levadas em conta para fins de consentimento e vontade. É abuso sexual, você sabe.
– Que gracinha, você presta atenção nas coisas de Direito que eu falo. – deu um sorriso ébrio e um beijo na ponta do nariz dele.
– Eu sempre presto atenção no que você fala, cariño. Acho que você deveria prestar atenção nas que eu falo também.
– Não faz isso. – choramingou em tom infantil suplicante, mas permaneceu inflexível. Além de saber que era errado, ter um filho de três anos o ajudava a saber lidar com súplicas e pirraças. – Que saco!
se soltou e sentou-se emburrada ao lado dele no sofá. a puxou para mais perto e lhe deu um beijo na bochecha.
– Nós temos todo o tempo do mundo, mi neña. Vamos comer, você toma um banho frio e um analgésico para tentar amenizar sua ressaca de amanhã. – falou e não contestou, apenas obedeceu, e os dois jantaram em silêncio.
Quando terminaram, a conduziu até o banheiro para que tomasse um banho bem frio, na intenção de fazê-la reagir um pouco, já que estava começando a sofrer com os efeitos da bebedeira, deixou-a no banheiro e voltou para a sala, levou as bandejas vazias para a cozinha, onde as jogou no lixo.
tinha começado a sentir-se mal, o que era esperado e acabou vomitando tudo que tinha bebido e comido. Escovou os dentes demoradamente para tirar o gosto ruim da boca, além de ter usado enxaguante bucal para tentar melhorar a situação, e depois seguiu para o quarto, sentindo-se péssima.
deu um sorriso quando a viu entrar no cômodo arrastando os pés e soltando um resmungo de quem não estava se sentindo bem antes de se sentar na cama, ainda enrolada na toalha. Ele já tinha pegado água, analgésico e deixado uma lixeira ao lado da cama se ela precisasse vomitar, além do pijama para que ela dormisse.
– Eu estou péssima. Nunca mais eu vou beber. – reclamou.
– Vomitou?
– Sim.
– É bom, você está se livrando do álcool todo que bebeu. Eu trouxe muita água para cá, então bebe bastante.
– Eu não quero passar a noite fazendo xixi.
– Seu organismo está desidratado, mi amor, você tem que beber água para repor o que o álcool absorveu. – falou em um tom paternal, erguendo o rosto dela e lhe deu um selinho.
– Eca.
– Não tem nada além do gosto da pasta de dente e do enxaguante bucal. – falou, rindo, e pegou o short do pijama ao lado dela. – Consegue colocar sozinha?
– Sim. – resmungou pegando o short das mãos dele e o vestiu, de forma descoordenada, fazendo o mesmo com a blusa.
lhe estendeu a garrafa de água, que ela bebeu quase que em apenas um gole, tomando um pouco mais em seguida junto com o analgésico.
– Agora vamos dormir. – falou e se pôs de pé, fazendo sinal para que ele esperasse.
– Eu sabia que eu ia ao banheiro.
– Vai, mas não é por causa da água que você acabou de beber. – falou, rindo, enquanto já tinha saído do quarto.
ajeitou a cama e logo ela estava de volta e se deitou ao lado dele, que a trouxe para mais perto de si.
– Você não devia me fazer gostar de você desse tanto. – resmungou com o rosto escondido na curva do pescoço dele, enquanto estava aninhada ao seu abraço e ele lhe fazia um carinho no braço. – Não vai dar certo.
– Só não vai dar certo se você não quiser. – respondeu num murmuro e deu um beijo em seus cabelos. – Mas falaremos sobre isso outra hora, você está cansada e bêbada.
– Obrigada por cuidar de mim. – sussurrou já quase dormindo e depositou um beijo no ombro dele.
– Enquanto você deixar, cariño, vou fazer isso. – respondeu, mas não ouviu, já tinha dormido enquanto sentia o corpo de aninhando o seu.


Capítulo 09 – Your words cut deeper…

…than a knife. (Stitches – Shawn Mendes)

- Eu vou matar todos vocês. Sem exceção. – falou quando abriu a porta.
Ele tinha chegado de Londres pela manhã, com uma derrota na bagagem. Uma derrota feia. Mais uma para a conta do time.
O Real Madrid vinha de duas derrotas nos dois últimos jogos: uma pelo Campeonato Espanhol, contra o Girona – quebrando um tabu, em que o time madrileno não perdia para um time que estreante na primeira divisão do Campeonato Espanhol, desde 1990, e que fez com que a distância para os líderes do campeonato aumentasse – e outra contra o Tottenham, pela fase de grupos da Champions League. E isso ameaçava a classificação do Madrid em primeiro lugar no grupo, indicando um chaveamento bem mais complicado pela frente.
- Oi, mi amor, é bom te ver também. – implicou, mas dando um sorriso sem humor e fechou a porta quando entrou.
Ele a segurou pela mão e a puxou, dando um selinho demorado em seus lábios.
- É ótimo te ver também, mi vida, vou deixar minha raiva do Real Madrid do lado de fora da sua casa, mas só porque eu senti sua falta. – sorriu quando se separaram e passou os dedos pelos cabelos do homem para fazer um carinho e lhe deu outro selinho demorado. – Trouxe pizza. E um vinho bem gostoso.
- Você é um anjo. – disse sorrindo e deu um beijo na ponta do nariz dela, que o abraçou.
- Você está bem? Fiquei preocupada.
- Eu estou bem sim, , foi um choque normal de jogo. – sorriu e lhe fez um carinho no rosto.
Os dois se sentaram no sofá para poderem comer e tomarem o vinho.
- Não me pareceu um choque normal de jogo, amor. – falou e negou com um aceno de cabeça, dando uma risadinha.
- Já apanhei muito mais em campo, o choque de ontem foi bem normal. – deu de ombros e o olhou consternada.
- Coloca gelo. E toma cuidado pra não se machucar.
- Olha, não é tão fácil assim, mi amor. – falou dando uma risadinha. – Eu tento não me machucar, mas tem uns caras que não tentam tanto assim.
- Eu queria bater naquele nojento do Dele Alli. E no time do Tottenham inteiro. E em vocês! Pra ser bem sincera, eu pensei em ir ao aeroporto e espancar um por um de vocês por lá, mas eu tinha prova e não pretendo sem ser presa por enquanto. – resmungou fazendo uma careta e riu.
- E então, como foi o seu dia? – perguntou, mudando de assunto.
Enquanto comiam, os dois começaram a conversar sobre outros assuntos que não fossem as últimas péssimas atuações do Real Madrid, aquilo podia – e deveria – ser deixado de lado por enquanto, falaram apenas de assuntos que diziam respeito a eles mesmos e de acontecimentos em suas vidas, ainda que para falar sobre ele e seu dia tenha envolvido citar o retorno do time pra casa. Tomaram toda a garrafa de vinho e comeram quase a pizza inteira.

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- Agora a gente pode pular pra parte que queremos muito fazer? – perguntou, deixando sua taça sobre a mesa de centro e virando-se para .
- Fale por você, eu estou muito triste pra fazer sexo hoje. – fingiu um tom triste e Mariana soltou uma risada pelo nariz, antes de sentar-se em seu colo e passar as mãos pelo rosto de , fazendo carinho.
- Tem certeza? – perguntou e assentiu, fazendo bico e ela teve que se controlar para não rir e nem apertá-lo num abraço, por ter achado aquele gesto fofo. subiu a barra da camisa de e passou as unhas devagar pelo abdome dele, que se contraiu sob seu toque. – Certeza absoluta?
- Absoluta. – resmungou com dificuldade em manter seu fingimento.
- Ah, que pena. Hoje eu queria muito, muito mesmo. – sussurrou, usando um tom sentido para falar, dando um beijo no pescoço de antes de lhe mordiscar o lóbulo, enquanto ainda tocava seu abdome e ele soltou o ar com um resmungo sofrido. tinha as mãos nas coxas de sob o vestido que ela usava e as apertou.
- Uma pena mesmo.
- Será que eu não posso te fazer mudar de ideia?
- Você pode tentar, mas vai ter que ser bem convincente pra conseguir alguma coisa. – falou forçando uma expressão triste e assentiu, puxando o próprio vestido para tirá-lo e o jogou pelo chão da sala. Estava agora apenas de calcinha e ele deu um sorriso satisfeito. – É, você sabe ser convincente.
- Mas eu ainda nem comecei. – se debruçou e sussurrou no ouvido de , depositando um beijo em seu pescoço.
Ele soltou um resmungo quando sentiu os lábios de na curva do seu maxilar, num beijo macio, antes de terminar de erguer a camisa e tirá-la sem demora, selando os lábios aos dele num beijo lento e provocativo, mantendo as mãos em seus cabelos e movimentando-se no colo de , que agora tinha as mãos presas aos quadris de , querendo tornar aqueles movimentos mais rápidos e sem roupas entre eles. Não deu certo.
- Eu estou totalmente convencido. – falou ofegante, separando os lábios para respirar e acabar com toda aquela ladainha de convencimento.
Fez menção de deitá-la no sofá, mas o segurou sentado sob seu corpo e deu um sorriso.
- Que bom, mas estar convencido não significa que vai ser do seu jeito. E nem que eu tenha terminado mesmo de te convencer, mi amor. – sorriu de lado de forma provocativa e mordeu o lábio inferior de , puxando de leve, e recebendo um grunhido sofrido em resposta.
adorava quando não lhe permitia tomar as rédeas em se tratando de sexo e quando era ela quem estava no comando, dizendo o que e como queria. Era ótimo.

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- Eu queria transar na sua piscina um dia, porque nunca transei em uma piscina, mas seu filho nada lá e eu não vou me sentir confortável de fazer isso. – falou e deu uma gargalhada.
- Eu troquei a água na segunda-feira, na próxima vez, antes de trocar, eu te aviso e nós podemos usá-la sem problemas e sem culpa.
- Você é muito bom pra mim.
- Só porque você merece. – respondeu sorrindo e lhe deu um selinho demorado.
Antes que pudesse beijá-lo de verdade, como bem queria fazer, ouviu seu celular tocar, o nome do irmão e uma foto dele lhe dando um beijo no rosto apareciam na tela.
- Lá vem. – resmungou quando se esticou no sofá e pegou o aparelho que estava sobre a mesa de centro e o atendeu. – Mi amor, a que devo a honra desta ligação?
- Fui colocar os meninos pra dormir, acabei pegando no sono junto com eles e tive um sonho estranho com você, acordei preocupado. Como você está, irmãzinha?
- Eu estou bem, Sese. – o chamou pelo apelido que sempre usava e teve que se segurar para não rir alto do apelido que ele pensava ser usado apenas pelos companheiros para importunar o capitão. – O que você sonhou?
- Que você tinha sofrido um acidente e mais algumas coisas muito estranhas, eu fiquei preocupado. Você está em casa? Vai ficar sozinha? Vem dormir aqui em casa.
- Amanhã tenho que sair cedo, Sese, não vou incomodar vocês assim e à toa. Eu te dou notícias quando acordar, não precisa ficar preocupado, foi só um sonho.
- Estou acostumado a ser eu quem fala “foi só um sonho”, – Sergio resmungou e deu uma risadinha do tom usado pelo irmão. – mas me liga se precisar de qualquer coisa, ok? Eu dou um jeito de ir até você, não importa a hora e nem o lugar.
- Ligo sim. Pode ficar tranquilo, eu estou e continuarei perfeitamente bem.
- Amo você, caçula.
- Eu também te amo, Sese. – respondeu e a ligação se encerrou, permitindo que finalmente gargalhasse e o encarou sem entender. – E você está rindo de quê?
- Sese. – falou ainda rindo do apelido do capitão. – Nós usamos esse apelido quando queremos importuná-lo. Principalmente o Marcelo.
- Eu o chamo assim desde que eu era pequena. Na verdade, eu sempre o chamei de Sessy, mas não achei que seria legal fazer isso ao telefone do seu lado, – começou a falar e deu outra gargalhada espalhafatosa ao ouvir. – porque você ia rir descontroladamente e ele ia ouvir. E você está proibido de falar assim com ele! E parem de usar meu apelido fofinho pra caçoar do meu irmão.
- E ele sonhou com você? – perguntou quando se recuperou do ataque de risos, ainda sentindo a barriga doer pela quantidade de risadas dadas.
- Ele falou que teve um sonho estranho, um acidente e algumas outras coisas do tipo e acordou preocupado comigo. Até queria que eu fosse dormir lá.
- Sinto muito, mas hoje você é minha e eu não vou dividir com ninguém. Nem com seu irmão. – disse e lhe deu um selinho. – Mas você vai sair cedo mesmo?
- Depois das dez. – respondeu e sorriu.
- Então temos muito tempo.
- Temos. – falou e sentou no sofá. – Mas eu gosto muito mais da sua cama.
- Então vamos pra lá. – respondeu e se sentou também, olhando para de forma carinhosa e abriu um sorriso.
- Que foi?
- Você é linda. – colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e lhe fez um carinho no rosto.
- Você me deixa sem graça desse jeito, . – resmungou a resposta, sentindo as bochechas arderem de vergonha. – E você também é lindo.
- Eu sei. – piscou convencido, mas deu um sorriso sincero e fez outro carinho no rosto dela.

vestiu a camisa de e juntou a própria roupa que estava no chão, colocando o vestido sobre os ombros para que pudesse pegar a caixa com o resto da pizza que não tinham comido, vestiu a cueca, pegou as taças e a garrafa de vinho vazia e as os dois levaram tudo para a cozinha.
Ela colocou a pizza na geladeira, ele deixou as taças dentro da pia, a garrafa vazia sobre o balcão e os dois subiram as escadas, em direção ao quarto de para dormirem.

- Sua cama é muito gostosa. Não sei como você consegue sair dela todos os dias. – se jogou na cama e deu uma risada.
- É bem difícil mesmo, principalmente quando você está nela comigo. – respondeu, deitando-se sobre o corpo de , apoiou o peso em seus próprios braços e a beijou demoradamente, sentindo o gosto do vinho que ainda estava ali. Não era um beijo com segundas intenções, era um dos beijos que eles mais davam: um beijo lento, íntimo, demorado e detalhado, que explorava cada pedaço da boca um do outro e da forma como sabiam que o outro gostava. – Será que algum dia teremos a chance de passar um dia inteiro juntos? Vinte e quatro horas mesmo, só nós dois e mais ninguém, totalmente afastados do mundo?
- Talvez. – sorriu e se deitou ao lado dela, puxando-a pra um abraço carinhoso.
- Mas é muito complicado, você tem que estudar e trabalhar, eu tenho que treinar, viajar para alguns jogos e meu filho mora aqui.
- E falando nele, não era pra ele ter voltado de Málaga hoje?
- A mãe dele quis que ele ficasse mais uns dias, só devo vê-lo no fim de semana. Conversamos hoje mais cedo, mas é uma merda quando ele vai pra lá.
- Por que a Victoria não vem morar em Madrid? Ou não continuou aqui, no caso.
- Ela tem a vida dela em Málaga, não posso pedir pra que ela largue a família e os amigos e venha morar em Madrid, apenas pra que eu possa ficar perto do meu filho todos os dias.
- Pelo menos agora ele mora com você e só passa alguns dias longe.
- Minha mãe ia vir pra cá e o ia ficar aqui em Madrid esses dias, mesmo que eu estivesse na Inglaterra, mas Victoria quis que ele ficasse em Málaga mesmo. Ela não está errada, eu sei, mas às vezes acho que ela faz algumas coisas pra pirraçar.
- Achei que vocês se davam bem por causa do .
- No começo até que sim, quando nos separamos. Concluímos que era melhor ele ir pra Málaga, até porque ainda era um bebê e precisava muito mais da mãe do que de mim, porque ele ainda mamava no peito e essas coisas, além do fato de que eu estou sempre viajando e quase não fico em casa durante tempo suficiente, mas era horrível ficar longe, meu rendimento caiu demais e ele também sentia a distância, mesmo sendo muito novo, então Victoria e eu conversamos muito sobre tudo, ofereci comprar uma casa pra ela e conseguir alguma coisa pra ela trabalhar aqui em Madrid, mas ela preferiu continuar em Málaga, porque já tem a vida toda lá, além da família e dos amigos, mas concordou em deixá-lo voltar. Ela terminou comigo e ainda que estivesse errada pelos motivos que usou, eu não me opus, mesmo que eu ainda gostasse muito dela naquela época e até tenha tentado reatar. Nós realmente tentamos fazer com que nossa relação fosse boa por causa do , mas não deu certo por muito tempo. Tudo vira troca de farpas e nos tratarmos com frieza e indiferença. É péssimo que tudo que nós sentíamos um pelo outro tenha virado esse ressentimento todo. – desabafou. – E é uma merda pro Junior também, porque tem que ficar indo daqui pra Málaga e de Málaga pra cá o tempo todo.
- Ele está crescendo, então logo vai entender melhor como funciona o esquema de ter pais separados e vai ser mais fácil de lidar com tudo.
- Assim espero, . – disse num tom pensativo e ela lhe fez um carinho no rosto.
- Pode ter certeza que sim. O importante é que vocês dois o amam muito e que isso nunca vai mudar.
- Não mesmo. Ele é a melhor coisa que me aconteceu na vida.
- Eu imagino que seja mesmo, porque meus pipotinhos são as melhores coisas que me aconteceram e eu amo aqueles dois incondicionalmente, o que não é meio por cento do que pais e mães sentem pelos próprios filhos.
- Vamos parar de falar de coisas tristes, porque vou acabar chorando.
- Então vamos dormir. – falou e assentiu concordando. – Mas antes, escovar dentes, porquinho.
- Sim senhora. – se sentou na cama antes de se colocar de pé e puxar pela mão e os dois foram escovar os dentes para dormir.

-x-


- Eu tenho tanta coisa pra resolver hoje, que só de lembrar me dá vontade de nem sair de casa, apenas ficar deitadinha com você, totalmente escondida do mundo. – resmungou contra o pescoço de , depois de ouvir o celular despertar.
- Falando em coisas a serem resolvidas, quando é que nós vamos resolver essa questão implícita entre nós? – perguntou e a olhou.
- Que gracinha, você está citando “Guardiões da Galáxia: Volume 2” pra mim. Adorei. – sorriu e ergueu o rosto para lhe dar um selinho. – Mas não gostei muito desse filme, podia ser melhor se tivesse menos comédia e drama e um pouco mais de ação. E não sei que questão implícita temos a resolver.
- Nós dois. O que nós somos?
- Amigos. – respondeu num tom óbvio. – Com benefícios.
- Não, . Não somos amigos. E você sabe disso.
- Não sei não. – o olhou séria. – Somos amigos, . Amigos que fazem sexo. Apenas isso.
- Amiga você é do , . Nós temos alguma coisa a mais do que apenas amizade e você sabe perfeitamente disso. Eu gosto de você. E sei que você também gosta de mim.
- Claro que eu gosto de você, . – se soltou do abraço de e se sentou na cama para olhá-lo diretamente. – Se eu não gostasse, a gente nem mesmo conversaria. Mas não é desse jeito que você tá falando.
- Ah , para com isso. – falou sério.
- Eu estou falando sério.
- Eu quero que você fale isso olhando nos meus olhos, fala que não gosta de mim desse jeito e que nós dois não temos nada, que você não acha que já passamos, e muito, da fase de sermos apenas amigos que fazem sexo. Porque, sinceramente, eu não vejo o que nós somos como uma mera amizade colorida. Nós passamos bastante tempo juntos e nem sempre é fazendo sexo, estamos constantemente preocupados um com o outro, eu te chamo de mi neña, você me chama de mi vida ou de mi amor, nós ficamos em silêncio sem ser incômodo, tem roupa sua na minha casa e roupa minha na sua casa, a gente troca mensagens com coisas de casais, falando do que comprar ou o que fazer, pedindo notícias e essas coisas. A gente escova dente um na frente do outro, ! Não existe amizade colorida que seja desse jeito! Mas, tudo bem, se você conseguir me olhar nos olhos e falar com sinceridade que não somos nada além de amigos e que você não gosta de mim do jeito que eu gosto de você, de um jeito que não é apenas amizade, eu acredito em você e esse assunto estará encerrado pra sempre. – falou sério e o encarou um tempo antes de se pronunciar.
- , nós não temos nada além de uma amizade com benefícios e eu não gosto de você desse jeito. Somos apenas amigos e temos uma amizade colorida. – mentiu olhando para ele.
Ambos sabiam que aquela fala era uma mentira deslavada, mas também sabiam que não iria assumir que gostava dele muito além do gostar de apenas amigo, porque precisava manter a imagem de que sua regra ainda existia e que não era apenas uma lembrança de tempos há muito idos.
- Você não vai abrir mão dessa regra idiota mesmo? Sério?
- Ela não é idiota.
- É idiota sim e você mesma já disse isso.
- Não é idiota.
- É sim, , principalmente porque eu gosto de você, sei que você gosta de mim e nós não vamos ficar juntos por causa dessa idiotice.
- Não é idiota, .
- É idiota sim.
- Não é suficiente pra você que nós sejamos apenas amigos com benefícios? – perguntou tentando não soar grosseira.
- Não, não é. Porque não somos apenas amigos faz bastante tempo, . – falou quase exasperado.
- Nós não vamos cruzar essa linha, . Ou ficaremos com isso que temos agora ou com nada. – falou séria e assentiu, voltando a se deitar e encarando o teto.
- Seu irmão tinha razão quando falou que eu ia acabar com a cara e o coração quebrados se me apaixonasse por você. – falou em tom decepcionado, ainda olhando para o teto e sem coragem de virar-se para olhá-la. – É melhor você ir, , vai se atrasar e tem uma quantidade enorme de coisas que precisa resolver hoje.

não se opôs e nem falou mais nada, apenas pegou suas roupas e se vestiu o mais rápido que conseguiu, as palavras de martelando em sua cabeça durante o processo. Ela não se despediu quando terminou de se vestir e caminhou para fora do quarto. também não falou, nem ao menos olhou para o lado e mal se mexeu quando ouviu a porta se fechando no andar debaixo e o carro dela arrancando.

-x-


- Ih , que cara é essa? – Sergio perguntou quando chegou ao vestiário, já com o uniforme de treino.
Estava de cara fechada, com o pior humor possível.
- A única que eu tenho. – respondeu de má vontade e jogou suas coisas em seu armário, saindo sem olhar pra trás.

A cara fechada de afastou todos os curiosos e ninguém perguntou mais nada durante o período de treino, até porque se ele tinha respondido Sergio Ramos daquele jeito a troco de nada, não pouparia ninguém de seu mau humor e grosseria naquele dia. imaginava que fosse defender aquela regra idiota que já tinha ido por água abaixo há tempos, mas não pensou que ela mentiria daquele jeito. De forma tão descarada.
gosta de , sabe que também gosta dele, da mesma forma e na mesma intensidade, mas não ficaria esperando que ela mudasse de ideia, se é que mudaria, porque ela tinha sido muito firme ao dizer que os dois não cruzariam aquela linha – que já haviam cruzado há muito tempo! – e não se achava com vontade de jogos de interesse. Se ela tinha dito que não, ele não insistiria.
O treino pareceu durar uma eternidade, apesar de ter sido apenas na parte da tarde, fez um péssimo treinamento, foi repreendido diversas vezes pelos assistentes técnicos e pelo próprio Zidane, e saiu sem falar com ninguém e sem parar para tirar foto com fãs que esperavam por uma foto ou um autógrafo. Ele já tinha deixado as coisas de todas juntas e devolveria o mais rápido que pudesse. Não ligava se não pegasse suas coisas que estavam com ela, para , podia tacar fogo em tudo se quisesse, ele não se importava.

-x-


passou o dia inteiro com a cabeça na conversa que e ela tiveram pela manhã e nas palavras dele que rondavam sua cabeça e pareciam martelar cada um de seus neurônios. Passou o dia inteiro ouvindo a voz dele repetir aquilo em looping. “Seu irmão tinha razão quando falou que eu ia acabar com a cara e o coração quebrados se me apaixonasse por você.”
Ainda não tinha falado com ninguém e não queria falar com sobre, pelo menos não por enquanto. queria pedir colo ao irmão, mas sabia que não podia falar sobre a situação com ele, porque podia ir até lá e pedir pra não falar sobre quem era o responsável pela sua tristeza e coração partido, mas Sergio não se contentaria com isso e seria mil vezes pior se ele descobrisse que e foram um casal e que ela tinha escondido aquilo dele, talvez nem tanto pelos dois serem companheiros de time, mas por ela ter escondido algo do irmão.

- Terra chamando . – ouviu a voz de e virou-se para o amigo, que a olhava atentamente e extremamente preocupado com o silêncio excessivo dela naquele dia. – O que aconteceu? Hoje você está com a cabeça totalmente longe daqui.
- Nada. – deu de ombros.
- Depois de tantos anos você ainda quer tentar mentir pra mim? Prefiro que você fale que não é da minha conta ou que não quer falar sobre.
- Eu não quero falar sobre. – falou, dando um sorriso fraco e suspirou antes de continuar. – Já é hora de ir embora?
- Já. Precisa de carona? – perguntou e ela negou com um aceno de cabeça. – E você vai conseguir dirigir?
- Vou sim. – sorriu e apertou a mão dele. – Amo você, .
- Também te amo, ma’. E quando quiser conversar, sabe que tenho todo tempo do mundo pra te ouvir.
- Sei sim. – se levantou e lhe deu um beijo demorado no rosto antes de sair.

não queria falar sobre aquilo com ele por enquanto, queria alguém que entendesse aquele medo que ela estava sentindo, um medo de sentir o que sentia e medo das consequências daquilo tudo. queria falar com alguma mulher que soubesse falar com ela sobre toda aquela situação e que lhe desse uma direção sobre o que fazer ou, pelo menos, ajudasse a esclarecer um pouco seus pensamentos.
apenas teria razão quando dissesse que ela tinha sido idiota, que deveria ter aberto o jogo e sido sincera ao invés de mentir de forma descarada, mas não queria uma pessoa com razão, porque sabia que tinha errado feio ao mentir para daquele jeito, principalmente porque ele tinha pedido sinceridade em sua resposta. queria falar com alguém que entendesse bem o medo de gostar de alguém daquele mundo. Juntou suas coisas e saiu o mais rápido que conseguiu do prédio, sem esperar por .
O trânsito estava péssimo por causa de um acidente, então aproveitou para enviar uma mensagem a Maria, perguntando se as duas podiam se encontrar em algum lugar, porque ela precisava conversar com alguém e queria que fosse com ela.
Maria, estranhando que ela tivesse sido a escolhida – e não ou Sergio – ficou preocupada com o que viria, disse que as duas se encontrariam em um café próximo à casa dela e que as crianças ficariam com Nacho, para que as duas pudessem conversar sem problemas.

- Aconteceu alguma coisa? – Maria perguntou preocupada quando se sentou à mesa em que já estava sentada e tinha uma xícara de café pela metade à frente.
- Mais ou menos. Só preciso que você prometa que não vai contar pra ninguém.
- Alguém vai morrer se eu contar?
- Vai. e eu. E seremos mortos pelo Sergio. – falou séria e Maria arregalou os olhos.
- Prometido, pode soltar a bomba. – Maria falou preocupada e suspirou quase dolorosamente, fazendo mil coisas passarem pela cabeça da mais velha.
- Vou resumir a história.
- Não posso te ajudar se você me contar apenas um resumo, . – Maria disse dando um sorriso maternal para , que voltou a suspirar demoradamente antes de começar a contar toda sua história com .

contou sobre o dia em que acordou na casa de após a noite de bebedeira em que se encontraram na boate pela primeira vez, como as coisas se desenvolveram depois disso e como vinham acontecendo de forma natural desde maio, mesmo que ela tivesse passado dois meses em Munique; como os dois tinham avançado da opção “amigos que transam” para “casal escondido”, finalizou contando sobre a discussão que tiveram pela manhã e sobre a intensidade da decepção que ela percebeu que sentia quando a ouviu dizer que eles nunca atravessariam aquela linha.

- Ainda bem que foi o a exceção à sua regra, , porque ele é um fofo, um excelente pai e uma pessoa maravilhosa. Não entendo sua relutância em baixar a guarda, você gosta dele e isso ficou muito claro só de te ouvir contar, sem precisar presenciar. Você está triste pela discussão que tiveram, porque percebeu que ele ficou decepcionado com sua mentira, você gosta dele da mesma forma que ele gosta de você e sabe disso. Não perca a chance de ter algo de verdade com alguém legal por medo do que pode ou não acontecer no futuro.
- Ah, Maria, m... – começou a falar, mas foi interrompida.
- , e daí que você vai acabar saindo em algumas fotos e revistas e que algumas fãs dele vão te odiar apenas por você ser a namorada dele? E daí se ele for embora de Madrid pra outro time? E daí se ele machucar e for uma coisa feia? E daí se algumas das fãs desconhecem o significado da palavra limite? Estamos todas sujeitas a isso, sejam eles jogadores ou não. Eu tinha dúvidas também, mas o que eu sinto por Nacho é muito maior do que qualquer medo e dúvida. E sei que se você se permitir, vai perceber que gosta do muito mais do que tem dúvidas e medo do que pode acontecer. – Maria falou dando um sorriso e suspirou.
Ela tinha razão.
- Sergio vai nos matar.
- Ele vai querer matar, mas se o é o cara que te faz desistir da regra de ouro, ele vai entender que existe algo especial entre vocês. E o relacionamento é seu, Sergio não tem nada a ver com isso.
- Eu não sei. – disse mordendo o próprio lábio, ainda não tinha plena certeza se desistir de sua regra era a coisa certa a fazer.
- Você sabe sim. – Maria falou dando um sorriso. – Tenta falar com o e consertar isso antes que você perca a chance de ser feliz com alguém que quer te fazer feliz e que você, claramente, faz muito feliz também.
- É. – suspirou. – Obrigada por ter vindo conversar comigo e por ter paciência de ouvir tudo.
- Eu não fiz nada de excepcional, , você é minha amiga e amigas servem pra isso. Dê notícias sobre tudo, por favor.
- Claro. E obrigada mesmo. De verdade. – sorriu e as duas trocaram um abraço antes de irem embora, cada uma para a própria casa.

seguiu até seu prédio ensaiando mentalmente o que falaria com . Enviaria uma mensagem e perguntaria se podia ir até a casa dele para que pudessem conversar sobre tudo que tinham falado pela manhã, pediria desculpas e seria sincera, falaria que ele não era o único apaixonado, que ela também estava – e muito! – apaixonada por ele e que queria que fossem um casal, mesmo que não assumissem para o mundo inteiro, pelo menos por enquanto.
Ela estava com tudo muito bem ensaiado em sua mente, mas um balde de água fria foi jogado assim que ela pôs os pés na portaria do prédio. tinha deixado algo para ela: uma sacola com todas as suas coisas que tinham ficado na casa dele durante aqueles meses de relacionamento.
E então ela percebeu que as coisas entre os dois já não podiam ser consertadas. Que a situação implícita entre eles agora estava clara e cristalina: estava acabado.
tinha realmente ficado magoado. E não estava errado, afinal, ela fora bem convicta ao dizer que eles eram apenas amigos e nunca cruzariam aquela linha. A maldita linha que tinham cruzado há meses! preferia não ser nada do que ser apenas o “amigo colorido” de , porque não queria brincar com os próprios sentimentos.
A ideia de mandar a mensagem se esvaiu, porque tinha ficado claro que não queria mais nada e tinha todo o direito de estar assim, ela sabia. Era uma conversa encerrada. A “amizade com benefícios” tinha acabado e eles voltariam a ser apenas os conhecidos que eram antes, que mal se cumprimentavam com um aceno de cabeça se passassem um pelo outro e nada além disso.
separou tudo dele que estava em seu apartamento e deixou sobre o sofá, passaria pelo condomínio no dia seguinte antes de ir para a aula e deixaria com o porteiro, não precisavam se encontrar mais. Era melhor.
tomou um banho quente demorado e foi se deitar, mas precisou trocar toda a roupa de cama que estava com o cheiro de , era melhor não se torturar. Não tinha conseguido nem mesmo chorar, ainda em choque com a forma rápida e desastrosa com que as coisas tinham acontecido naquele dia.
, em sua casa, tinha feito a mesma coisa: trocou os lençóis, toalhas e tudo que tivesse qualquer resquício de . Ele tinha esperado o dia inteiro por uma ligação ou uma mensagem dela para que conversassem e se resolvessem, mas nada aconteceu, nem mesmo devolver as coisas dela tinha gerado uma reação, uma mensagem que fosse.
Então, enviou uma mensagem que nunca tinha realmente acreditado que enviaria. Ele mantinha sua reserva e era hora de torna-la titular. Se ela quisesse.
E ela queria.

Capítulo 10 – I can taste it...

...my heart’s breakin’. (Cry Baby – The Neighbourhood)

- Você não vai ao jogo? – perguntou a , que negou com um aceno enquanto lia um dos livros que usaria na construção do seu trabalho de conclusão.
- Ao contrário de você, não usei as férias para estudar. Eu estou lindo, bronzeado e descansado, mas atrasado e enrolado.
- Achei que teria companhia. – resmungou.
- No returno eu prometo que vamos ao Bernabéu, mas hoje não dá mesmo, . - Tudo bem. – respondeu num tom triste. – Então nós nos vemos amanhã, preciso ir. Boa leitura, .
- Toma cuidado e qualquer coisa que precisar, me liga. – falou tirando os olhos do livro e ela assentiu, deu um beijo no rosto dele e saiu rumo ao Wanda Metropolitano.

A cidade estava mobilizada, como sempre ficava em dia de clássico na capital, e demorou um bom tempo para chegar ao novo estádio do adversário e estacionar seu carro no estacionamento destinado aos carros dos jogadores e seus familiares, o caminho até lá estava bastante cheio entre o estacionamento comum e a área privativa. só tinha ido de carro e pararia naquela área, pois Pilar não iria ao jogo, então precisava dar uma carona ao irmão.
tinha achado realmente estranho, já que ele poderia voltar pra casa com qualquer um dos companheiros que moram no mesmo condomínio, mas sabia que combinar aquela carona era a forma de Sergio Ramos saber que ela estava bem e inteira depois do jogo.
e não conversaram depois do fatídico término, há quase vinte dias. Ele tinha assumido o namoro com uma atriz com quem vinha trocando comentários em fotos e por um tempo, antes mesmo dele e terminarem oficialmente seu não-relacionamento, especulava-se sobre esses comentários e um provável namoro de com a atriz, que tinham até mesmo sido vistos juntos no cinema, mas agora estavam assumidos e a namorada estava no estádio, nos camarotes reservados para os familiares e jogadores. Restava saber se torcendo pelo namorado ou pelo time do coração.
Os dois, e , tinham se visto na casa de Sergio há alguns dias, ela tinha ido até lá para ver o irmão, a cunhada e os sobrinhos e estava lá com o filho. brincou com as crianças até que eles acabaram dormindo, dando a uma brecha para ir embora sem parecer que estava fazendo isso pela chegada de . Os dois não se falaram e nem se olharam enquanto estiveram no mesmo ambiente. O clima não foi dos melhores, mas se alguém percebeu não disse nada.
O jogo começou com pressão dos donos da casa, algumas boas chances e logo o Real Madrid assumiu uma postura mais ofensiva, sofrendo faltas e mais faltas que o juiz insistia em não assinalar. Um pênalti em Toni Kroos não foi marcado e a torcida merengue presente começava a perder a paciência, pois o juiz marcava tudo a favor do time da casa, sendo falta ou não, mas para o visitante parecia ser um crime assinalar as faltas que aconteciam.
Aos trinta e cinco minutos do primeiro tempo, numa dividida dentro da área do Atlético de Madrid, Sergio Ramos caiu e não se levantou, rolava de um lado para o outro com a mão no rosto e deu alguns tapas e socos no gramado enquanto se contorcia em dores. Os jogadores novamente reclamaram de um pênalti, mas o árbitro não marcou.
Os médicos do time entraram em campo, deixando preocupada, viu pelo telão que Sergio Ramos, ainda estava caído e tinha uma das mãos no rosto e vertia uma quantidade considerável de sangue pelo nariz. Uma toalha foi usada para auxiliar na limpeza e no estancamento, a camisa estava toda manchada e por bastante tempo tentaram conter o sangramento, que não parecia diminuir e nem cessar.
estava agoniada enquanto assistia o irmão sendo atendido do lado de fora do campo, o jogo tinha retornado como se nada tivesse acontecido e a torcida do rival comemorava a ausência do capitão merengue como se fosse um verdadeiro título. Pilar lhe enviou uma mensagem preocupada e disse que procuraria informações e passaria a ela, bem quando viu o irmão vestindo outra camisa e com o sangramento aparentemente contido, pronto para voltar ao jogo.
Sergio permaneceu em campo até o final do primeiro tempo, mas nem mesmo terminou de ver a primeira etapa do jogo, saiu de seu lugar quando o viu entrar em campo, precisava descobrir como ele estava – e aquele retorno não lhe convencia de que estava tudo bem – então daria um jeito de ir ao vestiário se fosse necessário.
demorou um pouco para chegar até lá, teve que passar pelos camarotes e implorar por informações do irmão e ajuda para ir até ele. Por sorte, um dos seguranças do camarote destinado às famílias dos jogadores do Real Madrid a conhecia e conseguiu que ela pudesse descer aos vestiários, avisou aos outros seguranças da futura presença da irmã de Sergio Ramos pelos corredores do estádio e os informou qual seria o trajeto a ser feito. seguiu rápido, chegando logo no início do intervalo e entrou direto, sem nem ao menos pensar que alguém podia estar pelado por ali.

- Sergio! – exclamou desesperada.
Estava quase chorando quando entrou no vestiário, sem se dar conta da quantidade de homens seminus ao seu redor ou se Zidane ou algum dos assistentes estava falando com os jogadores sobre o que fazer no segundo tempo do jogo. Aproximou-se do irmão, atravessando a distância rapidamente e o encarou preocupada, abraçando-o logo em seguida.
- O que você está fazendo aqui, ? – Sergio perguntou sem entender.
- O que aquele animal fez com você? – sentou-se ao lado de Sergio e fez um carinho no rosto inchado do irmão, enquanto o estudava cuidadosamente procurando qualquer outro sinal de lesão. Sergio Ramos tinha dois pedaços de algodão tampando as narinas, numa contenção improvisada, mas não estava resolvendo muita coisa, porque ainda saía sangue. – Fiquei preocupada. E Pilar também.
- Não foi nada. Já aconteceu antes. – Sergio respondendo dando de ombros.
- Você ainda está sangrando! – falou séria e ele voltou a dar de ombros.
- Acontece. Nem falta foi. – resmungou em tom dolorido, bem quando o telefone de tocou.
Pilar.
transformou a ligação em chamada de vídeo e entregou o aparelho ao irmão.
- Vou esperar lá fora, Zidane provavelmente quer conversar com vocês e eu acho que nem podia estar aqui.
- Eu te entrego quando acabar o intervalo. – Sergio falou e assentiu, dando um beijo na cabeça do irmão e se levantou, virando-se para Theo Hernandez.
- Eu vou quebrar o nariz do seu irmão assim que eu o vir lá fora. – falou séria, fazendo Theo dar uma risada.
- Não faz isso, coitado. – Theo respondeu sorrindo e usando um tom divertido, mas o sorriso morreu ao ver que parecia falar sério. – É sério, não faz isso.
- Não vou, mas eu deveria. – resmungou, virando-se para sair do vestiário antes que alguém da comissão técnica a tirasse de lá com as próprias mãos, mas acabou trombando em alguém enquanto caminhava até a porta, tentando não olhar para os jogadores seminus que pareciam se importar bem pouco com sua presença ali. – Desculpa.
- Sem problemas. Se nós ficamos preocupados, imagino você. – falou dando um sorriso de lado.
- Se eu encontrar com o Hernandez, eu vou quebrar o nariz dele. O dele e o desse juiz filho da puta. – falou brava.
reprimiu a vontade de rir do tom revoltado que ela usava e que apenas confirmava que ela e o irmão tinham muita coisa em comum, principalmente o temperamento.
- Não faz isso, vai arrumar um problema enorme pra gente e pra você.
- Eu sei. – resmungou e deu um sorriso. – Enfim, Zidane deve querer falar com vocês e eu vou esperar lá fora. Espero que vocês façam um segundo tempo melhor, com menos erros de passe e que consigam furar essa retranca nojenta do adversário.
- Pode deixar, nós faremos o possível. – respondeu sorrindo.
- E fala com o Zidane que eu pedi desculpas por ter entrado feito uma louca, mas eu fiquei muito preocupada pra ficar esperando por notícias lá fora. – falou e assentiu em confirmação.
saiu do vestiário e foi esperar perto da área comum dos times, que levava ao túnel de acesso ao campo, dando de cara com Fernando Torres, que estava por ali e ela imaginou que esperava por notícias do amigo.
- ? – Fernando perguntou surpreso ao vê-la ali.
- Nandinho! – falou dando um sorriso enorme e os dois trocaram um abraço demorado. – Quanto tempo!
- Faz bastante tempo que a gente não se vê mesmo. E como Sergio está?
- Ainda está saindo sangue do nariz e o rosto dele está bem inchado. Aquele retardado enfiou a perna na cara do meu irmão, eu vou matar esse filho d...
- Fica calma, . – Fernando falou rindo e colocou uma das mãos sobre o ombro de , tentando acalmá-la, mas ela era uma Ramos, o temperamento deles era um pouco difícil de se controlar. – Não foi por querer, pode ter certeza.
- Olha Nando, eu queria que você saísse desse time horrível. Você é muito fofo pra jogar com esse tipo de pessoas.
- O que diabos essa torcedora tá fazendo aqui? – ouviu uma voz masculina e se virou.
Deu de cara com Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid, o que a fez rolar os olhos, detestava aquele homem de uma forma que não era nem capaz de colocar em palavras.
- “Essa torcedora” – fez aspas com os dedos, misturando um tom de deboche e de irritação. – veio ver como o irmão está, depois que o idiota do seu jogador quase o matou em campo agora pouco.
- E você é médica do time por acaso? – Simeone perguntou debochado e se controlou para não voar no pescoço do homem. – Só adianta se for uma das médicas da equipe, caso contrário pode estar aqui para ouvir o que falo aos meus atletas e repassar aos do outro time.
- Não preciso ouvir, porque todo mundo sabe que você é retranqueiro e covarde e que seu time só sabe retrancar e bater. Como sempre. A Europa inteira sabe disso, pode ficar despreocupado. – respondeu em tom petulante para irritar o homem.
E deu certo.
- Você acha que está falando com quem?
- Com Diego Simeone, o dono de um ego gigantesco e que acha que pode se intrometer no que não é da conta dele. – respondeu e sorriu debochada para o homem. – Você tem alguma coisa a resolver tão perto do vestiário do Real Madrid ou só veio ouvir o que o único técnico de verdade dessa cidade tem a dizer aos atletas do único time de Madrid?
- Você é muito petulante. – Simeone disse sério e Fernando Torres colocou uma das mãos sobre o ombro de para que ela não respondesse, aquilo ia sair do controle, ele podia pressentir.
- E você é chato e intrometido.
- O que está acontecendo aqui? – Sergio Ramos perguntou quando chegou ao corredor com o celular da irmã em mãos e encarou a cena: e Simeone trocando olhares mortais e entre eles Fernando Torres, disposto a não deixar que os dois se matassem.
- Nandinho veio saber notícias. Sernando é muito o amor da minha vida. – falou em tom doce, contrariando totalmente a expressão que fazia para Diego Simeone, e virou-se para olhar o irmão, dando um sorriso e ignorando completamente a presença do técnico argentino. – Quer ir ao hospital? Podemos ir agora, eu te levo.
- Tem que desinchar um pouco pra saber de verdade o que aconteceu. Amanhã vou fazer exames. – Sergio respondeu e se virou para o amigo. – E ai, Nando?!
- Lucas conseguiu te deixar mais feio do que você já é. – Fernando Torres brincou, depois que trocaram um abraço, e Sergio lhe mostrou o dedo do meio, fazendo e Fernando rirem.
- Vou te mostrar o que é feio em campo no segundo tempo, seu otário. – Sergio provocou e Torres sorriu.
- Você não vai voltar pro jogo, você ficou doido? – falou desesperada encarando o irmão. – O primeiro pique que você der, vai sangrar de novo.
- Espero que você se recupere logo, Ramos. – Simeone disse e Sergio assentiu num agradecimento silencioso.
- Nossa, mas essa... criatura ainda tá aqui? Tenha bom senso e faça o favor de ir embora, ninguém te chamou aqui. – o olhou com a pior cara que conseguiu fazer e Simeone saiu de perto dos três, fazendo uma cara pior que a dela. – Eu odeio muito esse cara. Insuportável.
- Ele é gente boa. – Fernando falou dando uma risada do tom usado por e ela fez uma careta de desgosto.
- Nandinho, venha pro único time possível no mundo. Nós te aceitamos e perdoamos seu tempo do lado errado da Força. – pediu e foi a vez de Fernando fazer uma careta, negando com um aceno.
- Sinto muito por você, , mas sem chance disso acontecer. – Fernando respondeu rindo e a abraçou pelos ombros. – Mas me fala cara, como tá isso?
- Doendo pra caralho, pra ser bem sincero, Nando. – Sergio respondeu sincero e soltou uma risadinha. – Mas eu sei pouco do que realmente aconteceu, eu não lembro do choque e nem da situação, eu lembro do atendimento e de sentir dor pra caralho, mas não sei o que aconteceu e se quebrou mesmo ou não, só vou saber amanhã, depois de ir ao médico.
- Então amanhã te ligo pra saber as notícias disso e como você estará. Nós nos vemos lá em cima.
- Valeu pela preocupação, Nando. – Sergio agradeceu e os dois trocaram um abraço e um beijo no rosto.
- Meu Sernando é tudo de bom. – falou em tom fangirl e abraçou os dois, fazendo Fernando Torres rir.
- Você gosta muito de Serzil também que eu sei. E Seriker. – Fernando falou fingindo um tom ciumento e assentiu.
- Melhores brotp’s são os que envolvem meu irmão, eu amo todos. – falou arteira e Fernando riu.
- Nos vemos depois, . Nora e Leo perguntam sempre por você.
- É só você me chamar pra ser babá, que eu vou.
- Pode deixar. Agora eu vou mesmo, porque Diego deve estar falando com o time. – Fernando falou e os dois assentiram.
reprimiu a vontade de falar: “ah, ele só vai mandar vocês retrancarem e baterem nos jogadores de mi Madrid, mais nada”, Fernando deu um abraço e um beijo no rosto de antes de se virar e caminhar na direção do vestiário do próprio time.
- Sessy, por favorzinho, não volta. – suplicou, olhando consternada para o irmão e o abraçou, sendo abraçada de volta.
- Nacho vai entrar, eu quase não consegui terminar o primeiro tempo.
- Tadinho do meu irmão. – falou em tom choroso e o apertou num abraço.
- E o que você estava falando com o Simeone?
- Ele apareceu todo grosso e intrometido, perguntando o motivo de eu estar aqui embaixo e eu apenas disse que não era da conta dele.
- Eu te ouvi chamá-lo de intrometido e chato.
- Também chamei de egocêntrico, arrogante, retranqueiro, covarde e disse que o único técnico em Madrid é o Zizou. E que o único time da cidade é o Real Madrid, ou seja, falei apenas a verdade. – deu de ombros e Sergio não respondeu, apenas sorriu de lado.
- Você é terrível, .
- Eu queria quebrar o nariz do idiota do Lucas pra deixar tudo igual.
- Sem mais narizes quebrados, por favor. Só volta pro Olimpo. – Sergio falou sério.
- Deus me livre! Eu não estou no Olimpo, vim na torcida.
- veio? – Sergio perguntou preocupado e negou com um aceno.
- Não, hoje eu estou sozinha.
- Então volta pro Olimpo.
- Sem chance, lá eu não vou poder xingar e eu pressinto que vou fazer muito isso no segundo tempo. E não vi ninguém que eu conheça quando passei por lá buscando informações sobre você, então prefiro ficar na torcida, tenho alguns conhecidos.
- Cuidado, , por favor. – Sergio pediu preocupado e ela assentiu.
- É, eu digo o mesmo pra você. – sorriu para o irmão e os jogadores dos dois times começaram a ocupar o corredor que dava acesso ao campo.

Quando Lucas Hernandéz passou por eles, quis xingá-lo e pensou seriamente em ir até lá para lhe dar um soco no nariz e deixar as coisas iguais, mas Sergio a olhou sério e apenas abraçou o irmão demoradamente, recebendo um beijo desajeitado na bochecha e um novo pedido para que ela se cuidasse. Logo estava de volta à parte reservada à torcida do Real Madrid no estádio, mas não sem antes pedir desculpas a Zidane pela invasão ao vestiário. A camisa branca estava suja de sangue do irmão, mas ela não se importava o suficiente para se preocupar com aquilo.
ficou um pouco perturbado com a visita inesperada de e como tinha sido tão natural conversarem com o tom que sempre tinham usado um com o outro nas conversas que tinham quando estavam juntos. Era muito fácil gostar dela e isso era irritante. E errado. Ainda mais que agora estava namorando outra pessoa. E a perspectiva de ter as duas num mesmo espaço era um pouco assustadora para ele.
Não que Sara soubesse de ou que fosse fazer ou falar alguma coisa com Sara sobre eles e o que tiveram antes, mas estava com medo do que podia acontecer se elas se encontrassem, principalmente por serem duas torcedoras fervorosas de seus times.

- Acorda pro jogo, . Porra. – ouviu Luka Modric ralhar, quando passou perto dele.
Precisava se concentrar no jogo e esquecer de como o encontro com tinha mexido tanto com ele.

O jogo prosseguiu com o ataque ineficaz do time merengue parando na retranca colchonera, que nem mesmo parecia estar jogando em casa, dada a maneira defensiva na qual jogava, sempre atrás e esperando o adversário partir pro jogo e ai sim tentar alguma coisa.
Sergio Ramos estava no banco de reservas, com um saco de gelo no rosto para ajudar a diminuir o inchaço, e assistia ao jogo com cara de poucos amigos, falando e gesticulando o máximo que conseguia, quase que exercendo a função de técnico com Zidane. Odiava ser substituído, mas não tinha outra opção, não podia estar em campo, ainda sentia-se zonzo com a dor da pancada e os médicos tinham achado melhor não lhe dar remédio antes do sorteio para o antidoping, não queria correr o risco de ser punido por ter tomado um analgésico para resolver seu problema, já que sempre encontravam um motivo para implicar com ele e com o Real Madrid.
Da arquibancada, assistia ao jogo e ao mesmo tempo tentava conferir a situação do irmão no banco de reservas. Estava preocupada com o jeito como Sergio tinha se machucado, o impacto parecia ter sido muito forte, a aparência dele estava péssima e os médicos não tinham dado um diagnóstico preciso sobre aquela lesão.
E ainda tinha o fato de toda aquela conversa amistosa com na saída do vestiário. Nem parecia que tinham terminado aquela “situação implícita” da forma rude como foi, nem que se encontraram há poucos dias, não se falaram e o clima tinha sido péssimo. Ele tem namorada agora. Fim. não quis cruzar a linha da amizade e encontrou quem aceitou fazer isso. Justo.
O jogo terminou sem gols, um jogo bem morno marcado por erros de arbitragem e por pouca efetividade de ambas as equipes. saiu o mais rápido que conseguiu quando a torcida visitante foi liberada para deixar o estádio, e foi para o estacionamento esperar pelo irmão. Sergio demorou a sair, pois foi escolhido para dar entrevista na zona mista, também tinha sido brevemente avaliado e medicado pelo médico do time quando não caiu no sorteio para o antidoping, e acabou demorando um pouco mais que o habitual.
Quando finalmente saiu do interior estádio, Sergio Ramos caminhava lentamente e ainda segurava a bolsa de gelo contra o rosto inchado numa tentativa de diminuir o inchaço e ajudar a refrear a dor que o analgésico começava a fazer sumir. O coração de apertou ao ver o irmão daquele jeito, machucado, com dor e parecendo ridiculamente indefeso. Era estranho demais ver Sergio Ramos daquele jeito.

- Podemos ir com o rádio desligado? Minha cabeça está doendo muito. – Sergio pediu com a voz arrastada quando se sentou no banco do carona.
- Tem certeza que não quer ir ao médico? – perguntou preocupada, colocando o cinto.
- Amanhã vou cedo fazer os exames. – Sergio resmungou, colocando o cinto de forma desajeitada. – E eu estou grogue desse analgésico, preciso muito dormir. Acho que me deram algum remédio pra dopar cavalos, estou me sentindo quase totalmente anestesiado.
- Pode dormir, quando chegarmos no seu condomínio, eu te acordo. – respondeu e deu partida, pronta para, finalmente, sair do estacionamento do Wanda Metropolitano.

Os dois seguiram em silêncio e Sergio estava mesmo quase dormindo sob o efeito do remédio. Quando o carro parou, ele pareceu despertar um pouco e se despediu da irmã com um abraço, um beijo demorado e desajeitado no rosto e uma promessa de dar notícias pela manhã sobre tudo.
Pilar estava à porta, tinha sido avisada da chegada dos dois e estudou Sergio Ramos demorada e detalhadamente quando ele chegou perto o suficiente. Despediu-se de com um aceno e quando os dois entraram, ela arrancou o carro e foi para casa.
A mãe também tinha ligado, viu a chamada atendida no horário em que o time ainda estava no vestiário. Imaginava que a mãe estivesse com o coração na mão de tanto desespero ao ver a forma com que ele tinha se machucado. Ela tinha achado que o futebol era mais seguro que as touradas que Sergio amava (e sentia vontade de socá-lo por isso), mas estava provado que nem tanto, já que era a segunda vez que ele se machucava daquela forma.
deitou-se no sofá, após tomar um banho, e ligou a televisão, estava sem sono e não tinha o que fazer, já que estava atolado em trabalhos, os colegas de faculdade estavam quase na mesma situação e agora era namorado de outra, então apenas se concentrou em procurar alguma coisa para assistir que lhe desse sono.

-x-



- Você vai ficar com essa cara pra sempre? – perguntou enquanto entravam na sala de cinema. – Já passou da hora de superar.
- Não enche o saco, senão eu não te ajudo e você vai ter que parar de sair de casa pra conseguir terminar seu trabalho.
- Você é muito chata. – disse e rolou os olhos.
- Sou. – riu e os dois foram procurar seus lugares. – Aqui.
- Eu estou sentindo falta das minhas férias. – resmungou, sentindo-se derrotado, quando se sentaram em seus lugares.
- Se você tivesse feito o mesmo que eu, estaria bem tranquilo. – falou, dando um sorriso que soava como um “eu te avisei”. – E eu te falei pra fazer.
- Eu devia ter ouvido seu sábio conselho, como ouvi ano passado e tivemos um ano e tanto em Londres. – falou derrotado, mas antes que pudesse responder, as luzes se apagaram e os trailers começaram a passar.
- Realmente, você deveria me ouvir. Eu mereço ser sempre ouvida. – sussurrou em seu ouvido.
- Se for sobre você ser a Dua Lipa das regras erradas, melhor não ser ouvida de forma alguma. – sussurrou de volta.
- Cala a boca, . – resmungou e se virou para a tela.
Ele tinha razão, ela não tinha como discordar.

-x-



- Se Liga da Justiça não é o único filme possível no mundo neste momento, não sei qual pode ser. – falou e concordou com um aceno quando saíam do cinema.
- Muito bom mesmo. E o que vamos fazer agora?
- Eu estou com frio, não quero fazer nada e hoje é segunda-feira.
- Seu irmão vai viajar? – perguntou e negou com um aceno de cabeça.
- Ele ainda não tem condição de jogo.
- Entendi. – assentiu. – Então, agora nós vamos pra sua casa, porque você precisa do meu ombro amigo.
- É, talvez. – respondeu num resmungo.

Os dois saíram do cinema, caminhando rápido até o carro de e foram embora. Seguiram em silêncio e o único barulho era da música que tocava no rádio, mas nenhum deles prestava atenção de verdade ao que tocava. dirigia batucando levemente os dedos no volante, enquanto estava entretido com o próprio celular, curtindo fotos e respondendo mensagens aleatórias enquanto não chegavam ao destino. O caminho não foi demorado e logo os dois estavam aconchegados e aquecidos no apartamento de .

- Abra seu coração, dona Ramos García. – falou quando se sentou no sofá e a puxou para que ela deitasse com a cabeça em seu colo.
- Não tenho o que falar, . Você sabe o que aconteceu.
- Mas você não colocou pra fora tudo que precisa falar, . E mesmo sabendo e te conhecendo bem, não te ouvi falar e você precisa falar, isso vai aliviar um pouco esse peso. E nós nunca chegamos, realmente, a conversar sobre toda essa sua história com o .
- Eu fui idiota. Fui idiota e não te ouvi. – falou num tom triste e suspirou antes de retomar a fala. – Perdi um cara legal, que gostava de mim e queria me fazer feliz, porque me apeguei a uma regra estúpida, inútil e que já tinha ido por água abaixo há muito tempo. foi sincero comigo e eu não fui sincera com nenhum de nós dois quando menti descaradamente dizendo que não sentia o que sinto e estou pagando pelo preço da minha escolha.
- Acho que você devia ter tentado falar com ele naquele dia, mesmo depois dele ter trazido suas coisas, porque aquilo foi tentando provocar uma reação em você, foi pra tentar te fazer falar com ele depois da briga que tiveram. Vocês deveriam ter conversado e resolvido tudo, mesmo que não fossem ficar juntos, seria melhor do que ficar inacabado da forma como está. Agora não tem nada a ser feito, ele está namorando outra pessoa, como você falou. A oportunidade passou, você vai viver sua vida e ele vai viver a dele, cada um no seu canto. Não é tão simples quanto na teoria, mas é o que deve ser feito.
- Eu sei disso.
- E falando no diabo... – apontou para o telefone de que tocava e o nome “” aparecia na tela, acompanhado de uma foto dos dois juntos: ele fazendo uma careta entortando os olhos e ela sorrindo com o braço passando pelos ombros dele. – Quer que eu atenda?
- Não precisa. – suspirou e pegou o telefone, deslizando o dedo pela tela e o atendeu. – Alô.
- ? Tudo bem?
- Oi , aconteceu alguma coisa?
- Não. respondeu dando uma risadinha ao ouvir o tom preocupado de . – Tudo bem?
- Tudo sim e você?
- Tudo bem também. Eu preciso te pedir um favor para o fim de semana, se não for te incomodar.
- Pode falar.
- Você pode ficar com o Junior no domingo?
- Você quer que eu fique com ele aí ou aqui?
- Você decide.
- Eu fico com ele, sem problemas.
- E quanto vai ser?
- Nada.
- Ah , para com isso. Fala quanto você vai cobrar.
- Vemos isso depois, . Não precisa preocupar.
- Tudo bem. – respondeu. – Era isso. Desculpa te incomodar.
- Não é incômodo. Ele é um amor, vai ser ótimo passar o domingo com ele.
- Tudo bem então.
- Ah, , a partir de que horas?
- Eu vou sair daqui uma e meia, pode ser essa hora mesmo.
- Certo, uma e meia estarei aí.
- Valeu mesmo, .
- Qualquer coisa pode me ligar antes.
- Tudo bem, obrigado e até domingo. agradeceu e desligou.
olhava curioso.
- Serviços da creche da tia . – respondeu à pergunta silenciosa do amigo e deu de ombros.
- Deus me livre de crianças. – falou franzindo o nariz numa careta e rolou os olhos. – Ainda mais as que correm, pulam, falam e gritam.
- Com você elas são assim, eu tenho o dom de lidar e controlar crianças.
- Eu sei, já vi de perto. – riu e afagou os cabelos dela. – Mas você está preparada pra isso?
- Junior é uma gracinha, eu o adoro.
- Eu estou falando é do Pai. Você sabe que corre o risco de vê-lo com a namorada, não sabe?
- E daí? – perguntou e deu um risinho do falso tom de descaso usado.
- , para com isso. Eu sei que você ainda não está bem pra lidar com isso.
- Eu já vi fotos, já vi os comentários que eles trocam o tempo inteiro nas fotos um do outro, e ele parece feliz com ela, . Se ele está feliz, que bom, fico feliz por ele.
- Fotos e comentários são diferentes de ver pessoalmente, você sabe muito bem disso. Eu vi como você ficou quando ouviu a voz dele, imagina encontrando com ele, na casa dele, e não poder fazer nada, já que não estão mais juntos.
- , eu vou ficar bem. Já encontrei com ele duas vezes depois que tudo isso aconteceu e estou viva. A culpa é minha das coisas estarem assim e não vou abrir mão do dinheiro que vou ganhar pra fazer absolutamente nada, porque tenho contas a pagar. – falou e deu de ombros, mas antes que pudesse responder, ouviram batidas na porta.
se levantou e foi atender, dando de cara com Sergio Ramos.
- E aí, cunhado. – cumprimentou o homem com um aperto de mão e um sorriso, fechando a porta quando o irmão de entrou no apartamento.
- COMO É QUE É? – Sergio perguntou alto e assustado fazendo os outros dois gargalharem. – Vocês são dois idiotas.
- Sessy. – falou em tom manhoso e sorriu quando olhou para o irmão que estava parado no meio da sala. – A que devo a honra?
- Ao meu tédio. – Sergio respondeu sincero e se aproximou, dando um beijo no topo da cabeça da irmã, que ainda estava deitada no sofá.
- E o nariz, capi? – perguntou se aproximado.
- Ainda está do mesmo jeito, vou usar uma máscara por um tempo, posso jogar sem problemas se fizer isso. A outra opção é operar e ai teria que ficar uma eternidade sem jogar e eu não vou fazer isso.
- Aquele fodido te pediu desculpas? – perguntou e o irmão negou com um aceno de cabeça. – Vindo do tipinho de gente que joga naquele time, não me surpreende. Único ser humano que eu gosto de lá é o Nandinho.
- não sugeriu quebrar o nariz do Hernandéz ela mesma?
- Sugeri. – respondeu dando de ombros. – Mas meu querido irmão não quis deixar.
- E ela sugeriu ao irmão dele, inclusive. – Sergio falou e deu uma risada.
- Você é completamente sem noção, . – riu. – E agora que você tem companhia, eu vou pra casa.
- Não precisa ir embora só porque eu cheguei, . – Sergio falou e deu um sorriso de lado.
- Eu já enjoei da cara da sua irmã, capi. Passei o dia inteiro com ela, preciso de folga.
- Eu te vejo amanhã de manhã, gracinha. E espero que você leve pelo menos cinco páginas pra eu ler e revisar. – falou depois que a abraçou em despedida. – E obrigada.
- Eu não quero mais a sua ajuda, você é pior que meu orientador. – resmungou dando um beijo no rosto de . – Nos vemos depois, capi.
- Com certeza. – Sergio respondeu e os dois trocaram um abraço antes de dar meia volta e sair do apartamento.
- Senta, Sessy. Você não vai crescer mais. – sorriu para o irmão, que se sentou no sofá e ela colocou a cabeça em seu colo. – Cadê meus sobrinhos e minha cunhada?
- Pilar foi ver uma amiga, os dois foram com ela e eu fiquei sozinho, abandonado e entediado, por isso resolvi vir te ver.
- Só lembra que tem uma irmã nessas horas, seu ingrato. – se fingiu de triste e Sergio riu.
- E então, como você está? – perguntou, fazendo um carinho nos cabelos da irmã mais nova.
- Bem. E você?
- Bem mesmo?
- E por que não estaria? – perguntou sem entender.
- Porque o está namorando. – Sergio falou em tom sereno, acariciando os cabelos dela e prendeu a respiração, sentindo o corpo travar. Não era possível que estava mesmo ouvindo aquilo.
- E o que eu tenho com isso? – ela tentou soar desentendida, mas não adiantaria, Sergio reconhecia qualquer tremular em sua voz.
- Além do fato de que vocês dois estavam juntos desde maio? – Sergio perguntou num tom óbvio e ficou calada. – Quem cala consente.
- Desde quando você sabe? – perguntou enquanto sentia o carinho que ele fazia em seus cabelos.
- Eu tenho cara de idiota, mas eu não sou idiota, . Eu desconfiei no dia que você foi ficar com os meninos e estava com um chupão enorme no pescoço, mas achei que podia ser apenas coincidência que vocês dois estivessem marcados daquele jeito, afinal você tinha aquela regra idiota, só que vocês se entregaram quando se viram no estacionamento do Bernabéu no dia seguinte depois do jogo. Depois eu fui prestando atenção em como vocês se comportavam e percebi que estavam namorando. E nem preciso mencionar a festa na casa do Dani...
- Nós não estávamos namorando.
- , vocês estavam namorando, só não assumiram.
- Nós não estávamos namorando e eu estraguei a chance de estarmos. – falou e soltou um risinho sem graça. – perguntou quando resolveríamos a questão implícita entre nós e eu menti falando que não gostava dele do mesmo jeito que ele disse que gostava de mim e que não passaríamos do status de apenas amigos, justamente por causa dessa regra estúpida.
- E vocês não chegaram a conversar sobre isso de forma adulta e madura?
- Ele já perguntou tendo outra opção, mas ele não estava errado em fazer isso, em todo caso. – respondeu e deu um suspiro demorado. – Você não cogitou a ideia de nos matar?
- Cogitei a ideia de dar um soco em quando eu tive certeza que vocês dois estavam juntos, afinal você é minha irmãzinha mais nova, mas eu percebi que se ele te fazia ignorar aquela regra idiota, você devia gostar mesmo dele. E a vida é sua, não tenho que dar palpite em nada e nem te proibir de fazer as coisas, eu só gosto de implicar com você, porque você é minha irmãzinha. – Sergio falou dando um sorriso de lado que não viu. – E quando ele apareceu bastante mal-humorado no treino há uns dias, eu pensei que vocês tivessem brigado, que foi quando cogitei conversar com ele sobre tudo, mas não tive oportunidade de fazer isso, e depois vi como vocês mal se olharam lá em casa, foi o que eu precisei pra entender que ele estava tão mal humorado, porque vocês tinham terminado. E então ele assumiu o novo namoro, pensei que ele tinha superado e que estava mesmo tudo acabado.
- Acabou. – suspirou. – Foi a personificação do ditado “tudo que é bom dura pouco”.
- Ele gosta de você.
- Eu sei.
- E você gosta dele.
- Eu sei.
- Qual a dificuldade de resolver tudo isso então?
- Tem outra pessoa nessa história agora e ela não tem nada a ver com essa bagunça, não é justo com ela, que não tem nada a ver com os dois idiotas que criaram essa situação. Eu errei, perdi por uma idiotice e reconheço. Sei que é muito clichê falar que se ele está feliz eu também estou, mas é a verdade, ainda que dolorosa. Ele merece alguém que não tenha medo de se apaixonar por ele e aceitar isso, de falar que gosta e assumir para si, para ele e para o mundo inteiro. merece alguém assim, e esse alguém não sou eu. – falou e o irmão ficou em silêncio enquanto acariciava seus cabelos.

Aquela conversa a deixou mais emotiva do que imaginava ser possível, e ela acabou chorando em silêncio enquanto o irmão fazia carinho em seus cabelos. Quando percebeu que estava chorando, foi a vez de Sergio ficar sem reação e sentir o corpo travar. Nunca tinha lidado com a irmã chorando por uma decepção amorosa. Ele já tinha visto lágrimas de saudade, de raiva, de tristeza e de alegria vindas da irmã, mas nunca tinha visto aquele tipo de lágrimas. Lágrimas de tristeza por um coração partido, por dor de amor. E ele estava apavorado. Não sabia o que fazer ou falar, não sabia como se comportar diante de tamanha fragilidade da sua irmã mais nova.
Sua irmãzinha estava em seu colo derramando lágrimas por uma decepção amorosa. Obviamente, não era a primeira vez que ela estava chorando por isso, mas era a primeira vez que ela chorava por isso perto dele.
Em todas as vezes que chorou, pelo menos nas que foram choros ruins, ele tinha conseguido resolver, mas, naquele momento, não fazia a menor ideia do que fazer, falar ou de como agir.
Quando era apenas uma criança e chorava por medo do Bicho Papão, por um pesadelo, filme de terror ou por outra coisa que lhe apavorasse, Sergio tinha dado um jeito, deixava que ela dormisse em sua cama enquanto tivesse medo e foi ele quem a ensinou que o Bicho Papão não existia, que pesadelos sempre acabavam quando ela acordava, e filmes eram mentiras, que aquela história de “baseado em fatos reais” era só para vender mais.
Quando chorou pelo peixinho que morreu e do cachorrinho que fugiu, Sergio tratou de lhe conseguir outros e acabou com a tristeza da pequena menina pelos bichinhos.
Quando ela ainda era uma criança de oito anos, e perderam a avó, Sergio era quem a fazia se lembrar das coisas boas que viveram com a matriarca, de todos os momentos únicos que tiveram ao lado da mulher e ele era o responsável por ajudá-la a tornar sua saudade da avó em um mar de boas lembranças em que amava mergulhar.
Os choros relacionados à mudança do irmão mais velho, de Sevilla para Madrid, eram solucionados com visitas semanais de , que estava sempre grudada ao irmão onde quer que ele fosse.
Quando o choro era causado pelas derrotas do time do coração, que sempre fora o Real Madrid, ou da seleção espanhola, Sergio compensava doando-se cada vez mais em campo, jogando com mais empenho e tornando-se uma referência de garra e raça. Se tornando um herói. E não só para ela.
Mas aquele choro de , o de coração partido e dor de amor, Sergio nunca tinha presenciado. E apesar de ser silencioso e contido, onde apenas as lágrimas escorriam, Sergio sentia como se estivesse soluçando e gritando, implorando por uma solução para o problema.
Sergio queria que aquilo molhando sua calça não fossem as lágrimas da irmã e sim que ela tivesse adormecido e estivesse babando, porque ele não sabia como lidar com aquela situação. Vê-la fragilizada daquele jeito era algo que ele nunca tinha imaginado que aconteceria. E por não saber o que fazer ou falar, escolheu ficar em silêncio, apenas continuou acariciando os cabelos de enquanto ela chorava silenciosamente.
E agradecia por isso.
Não queria ouvir nenhum clichê, sobre ela ter feito a escolha errada e que agora a vida seguiria. Não tinha mais forças para mentir que estava tudo bem, porque não estava e demoraria bastante a ficar.
Ela tinha se apaixonado e quando teve a chance de viver aquilo intensa e verdadeiramente, deixou escapar entre seus dedos por um medo bobo. Ela só queria chorar, colocar para fora a decepção e tristeza. Era daquele colo que ela precisava para chorar, o colo de quem não julgaria e que a deixaria chorar até que ela se cansasse. Sergio acariciou seus cabelos enquanto ela chorava. E chorou até dormir.

Capítulo 11 – All I know is...


...the answer is in the air. (Walk in the Sun – McFly)

parou o carro à porta da casa de vinte minutos antes do horário combinado. Ela não queria chegar tão cedo, mas tinha se tornado muito difícil conter o nervosismo que cercava aquele momento e ela acabou saindo mais cedo de casa, dirigiu mais rápido do que gostaria e chegou cedo demais, mas podia ser que saísse logo que a visse e os dois nem ficassem no mesmo ambiente por mais que alguns segundos. E se não saísse, tentaria se distrair fazendo outra coisa com Junior e ignoraria a existência do pai do menino.
Depois de passar a semana se odiando por ter aceitado ficar de babá de Junior, acabou aceitando que não tinha mais volta e começou a mentalizar e a tentar planejar como agir naquela casa de novo, tão pouco tempo depois de tudo entre os dois ter se tornado aquele amontoado de nada.
Seria simples como fora no vestiário aquele dia. Tinha que ser. Os dois se tratariam com a cordialidade de conhecidos e pronto, mais nada. E seriam pouquíssimos minutos de convívio, não tinha como dar errado.
Mas deu.
Assim que a porta foi aberta pela namorada, reparou como a mulher era realmente estonteante. E percebeu, também, que tinha razão: não estava preparada para vê-la de perto e tampouco naquela casa, abrindo a porta e agindo como a namorada de , ainda que ela, de fato, fosse a namorada dele.
não tinha se atentado ao fato de que ia sair acompanhado da namorada e provavelmente por isso ele não levaria o filho junto. Merda. deu um sorriso sem graça para a mulher, que a olhava desconfiada.

- Eu posso te ajudar em alguma coisa? – Sara perguntou educada.
- Ah, desculpa. Oi, eu sou a babá. – falou dando um sorriso e estendeu a mão em cumprimento.
- Babá de quem? – Sara perguntou confusa.
- Do ?! – falou fazendo a cara mais óbvia que conseguiu. – Do menor, claro. – riu. – Junior.
- Mas ele vai sair com a gente. – a mulher pareceu mais confusa do que já estava, mas aceitou o cumprimento.
- Vai? – agora é quem estava confusa. – me ligou na segunda, pediu pra eu ficar com o Junior hoje, porque ele ia sair.
- Ele não ligou pra desmarcar? – Sara perguntou surpresa e negou com um aceno. – Não acredito que ele te fez vir aqui à toa.
- Quem é? – perguntou, mas de onde estava, não o viu.
- A babá. – Sara o olhou com cara de “você esqueceu de cancelar?”, e ele respondeu com a melhor expressão “sim, eu esqueci” que podia fazer.
- Entra, . – falou e deu um sorriso sem jeito, quando a viu passar pela porta.
A simples menção do nome de fez com que Junior, que estava deitado no sofá mexendo distraidamente no tablet, se levantar e correr até a mulher.
- ! – ele falou alto enquanto percorria o caminho do sofá até e a abraçou pelas pernas.
- Ei meu lindinho. – ela abaixou-se para que se abraçassem direito, ganhando um beijo demorado no rosto e um abraço apertado do menino.
- Eu senti tanto a sua falta! – o menino reclamou e ela deu um sorriso.
- Eu também senti a sua, mi amor.
- Vem, , vamos brincar! – Junior pediu animado.
- Outra hora a volta e vocês brincam, filho. Nós vamos sair, esqueceu?
- Não vamos não. – o menino se virou pro pai usando um tom ultrajado e reprimiu a vontade de rir ao ver a cena. – Eu quero ficar com a .
- Você não quer ir com a gente? – Sara perguntou e ele negou com um aceno, mas sem se virar para olhá-la.
- Eu quero ficar com a . – Junior repetiu para o pai e agarrou-se à perna de .
não podia estar mais aflito com os acontecimentos daquele exato momento em sua casa: , sua ex-ele-não-sabia-como-nomear, estava parada no meio da sala, Junior estava agarrado a ela e implorando para que pudesse ficar ali, e sua atual namorada presenciando tudo sem ter a mínima ideia de quem era de verdade.
- Eu nem me apresentei. – Sara deu um sorriso simpático para , que o devolveu da mesma forma. – Eu sou Sara.
- Eu te conheço. – respondeu educada. – Já te vi na televisão. Eu sou .
- E irmã do capitão. – completou.
- Eu sabia que te conhecia! Eu te vi no dia do clássico, quando você passou pela área restrita procurando informações. – Sara sorriu ao, finalmente, lembrar de onde a conhecia.
- A própria. – sorriu de lado. – Mas menos descabelada e desesperada.
- , vamos jogar bola! – Junior a chamou puxando a barra de sua blusa, atraindo a atenção da mulher para si.
- Você não cansa de jogar futebol, pirralho? – bagunçou os cabelos do filho e o menino sorriu arteiro para o pai.
- Você tem certeza absoluta que não quer ir? – ergueu o menino no colo e o olhou séria, vendo-o assentir positivamente e colocar as duas mãozinhas em seu rosto, fazendo carinho.
- Quero ficar com você, . – o pequeno sorriu e a abraçou, encaixando o rosto na curva do pescoço dela.
- Perdeu, , ele é meu. – riu e balançou a cabeça negativamente, dando um sorriso derrotado.
- Eu vou calçar um tênis, já volto. – falou e saiu da sala, deixando as duas e o filho para trás.
Precisava sair de perto daquele cenário, era angustiante demais presenciar todo aquele amor do filho por em contraste com a indiferença do menino por Sara, e ainda tinha o fato da conversa que teve com o irmão de naquela semana agora estar martelando em sua cabeça junto com um coro de “burro” por ter se esquecido de cancelar com .

- Você já foi babá dele muitas vezes? – Sara perguntou quebrando o silêncio e pareceu pensar se conseguia contar quantas vezes tinha cuidado do menino.
- Acho que não muitas, mas não sei quantas exatamente. Eu sempre fico de babá pros filhos do time do Real Madrid. Modric, Nacho, Sergio e estão na lista preferencial, mas já cuidei de quase todas as crianças do time. E já cuidei da Nora e do Leo, filhos do Torres também.
- Você é babá mesmo ou faz outra coisa?
- Eu estou terminando a faculdade, faço Direito, mas fico de babá pra ganhar um dinheiro fácil e extra.
- , eu ganhei um carrinho novo. Vou buscar pra você ver. – Junior se pronunciou e o colocou no chão, vendo o menino disparar escada acima para buscar o brinquedo.
- Acho que ele não gosta de mim. – Sara falou com um tom entristecido. – Ele mal me cumprimenta e não é de ficar perto quando estou aqui.
- Ele é muito tímido, então você tem que deixá-lo ir no tempo dele. é uma criança ótima, muito fofo, carinhoso e educado. Ele dá espaço aos poucos.
- Os seus sobrinhos são lindos.
- São. – concordou sorrindo orgulhosa – Puxaram a mãe, porque meu irmão só acha que é bonito, coitado.
- Nisso nós concordamos. – reapareceu na sala e observou como ele estava bonito.
Usava com uma roupa simples: calça jeans, um moletom e tênis, mas ele tinha aquele dom sobrenatural de ficar lindo usando qualquer coisa e de qualquer jeito.
- Não desfaça do meu irmão desse jeito, você já beijou aquela boca, . E duas vezes. – brincou e rolou os olhos. – E espero que o Morata não tenha ficado com ciúmes.
- Talvez tenha ficado um pouco. – riu, entrando na brincadeira. – Você quer mesmo ficar com ele? E, por falar nisso, cadê ele?
- Olha o meu carrinho novo, ! – Junior se anunciou falando alto enquanto voltava com o carrinho em mãos.
- Não corre descendo a escada, pirralho! Você vai cair! – alertou, mas o menino já estava descendo animadíssimo com o brinquedo novo em mãos e correndo na direção de .
- Meu pai me deu! Olha! É aquele que eu queria! – Junior disse animado parando perto de e lhe entregando o brinquedo.
- Que legal, mi amor! Vamos brincar um montão com ele! – disse sorrindo para o menino e lhe afagou os cabelos.
- Então nós vamos sair agora. – se abaixou e falou para o filho. – Comporte-se, por favor, polito. Daqui a pouco eu volto.
- Tchau, papi. – o menino o abraçou e lhe deu um beijo no rosto.
- Tchau, gracinha. – Sara se despediu de Junior com um aceno que não foi correspondido pelo menino. – Tchau , foi um prazer te conhecer.
- Digo o mesmo, Sara. – falou educada e sorriu para a mulher.
- Não vamos demorar. – disse e o olhou.
- Pois pode demorar sim, senti muita falta de brincar com meu fofinho e quero aproveitar nosso tempo juntos. – falou sorrindo sincera.

não pode deixar de sorrir junto ao ouvir aquilo, adorava a forma como era carinhosa e atenciosa com seu filho. Aquilo para ele valia o mundo. Sara estava com a mão estendida e os dois saíram da casa de mãos dadas. jogou aquela imagem no fundo de sua mente e se concentrou na criança que estava a sua frente animadíssima para brincar com ela naquele dia.
dirigia em silêncio, enquanto uma música qualquer tocava no rádio. Ele não fazia ideia do que era, quer dizer, talvez até fizesse, mas não estava prestando atenção. Batucava os dedos no volante num ritmo que nada tinha a ver com a música e a namorada, claro, percebeu.

- Você está bem? Parece preocupado. – Sara perguntou se virando para ele.
- Frustrado, na verdade. Não sou acostumado a ver o Junior preferir ficar com outras pessoas a ficar e sair comigo. – disse uma meia verdade, fazendo uma careta sem olhar pra mulher. – E ele é absolutamente apaixonado por . – completou dando um sorriso de lado. E antes fosse só ele.
- Ela também parece ser por ele. E parece ser bem legal.
- E ela é. – sorriu de lado ao confirmar. – Menos quando é torcedora fanática do time. Ela é insuportável quando cobra que a gente jogue bem. Consegue ser pior que Zidane e Bettoni juntos. Pior que o próprio irmão.
- Vocês têm esse nível de intimidade? – Sara perguntou num tom normal, não estava acusando ou inquirindo. Só curiosa.
Pra quê eu fui abrir minha boca?!
- Eu já a vi fazer isso com Lucas, Nacho, Modric, Dani e Sergio, eles são bem próximos. – mentiu dando de ombros e sem olhar para o lado, mantendo os olhos fixos na rua.
- Vocês se conhecem há muito tempo?
- Desde que vim pra Madrid, mas não somos amigos. – voltou a dar de ombros e olhou rapidamente para Sara, tentando parecer convincente. – Sergio que me contou que ela era boa com crianças quando eu estava com problemas pra arrumar uma boa babá pro , ele não se adaptava e nem gostava de ninguém, nem na escola direito, eu achei que ela seria mais uma na lista até o dia em que eles se conheceram e com menos de cinco minutos ele já a chamava de tia , a abraçava e beijava, além da risada solta e fácil que ele dava a cada cinco segundos. Eu estava fora da cidade, ele estava com Maria, a esposa do Nacho. Foi uma espécie de amor à primeira vista e desde então, ela quebra uns galhos pra mim.
- parece ser realmente encantadora. – Sara disse num tom simpático. E ela é. – Diferente do irmão, que tem cara de quem está prestes a assassinar alguém a qualquer minuto.
- Depende de quem, mas Sergio é uma boa pessoa e um grande amigo. – disse dando uma risada.
- Ah! Eu adoro essa música. – Sara sorriu, aumentando o volume do rádio e cantando alto com o cantor.

Aquela música ele realmente não conhecia, mas Sara conhecia e fazia uma coreografia estranha enquanto cantava animada, que o fez dar um sorriso pequeno e voltar sua atenção para a rua. continuou dirigindo pela pouca distância que faltava para chegarem até a casa do tal amigo de Sara, pensando em como tinha sido burro e não deveria ter esquecido de cancelar com depois de tudo que tinha conversado com Sergio e ouvido o homem falar.

-x-


colocou o carro na garagem e se encaminhou para o interior da casa, que estava completamente silenciosa, mas isso era esperado quando estava com as crianças. O andar inferior estava vazio, nem mesmo Bubu estava por ali, as luzes estavam apagadas e os brinquedos estavam guardados. subiu para o segundo andar, imaginando que estariam ali, e os encontrou no quarto do filho.
O menino estava dormindo aninhado ao corpo de , que fazia carinho em seu rosto. Pela hora, devia ter imaginado que encontraria aquela cena. também tinha os olhos fechados e só dava para saber que estava acordada pelo movimento da mão acariciando o rosto de Junior.
já tinha perdido a conta de quantas vezes ele a observara dormir pelas manhãs que acordavam na mesma cama e quantas vezes tinha ficado perdidamente encantado com a visão. Já tinha presenciado outras tantas vezes ela dormindo ao lado do filho depois de horas e mais horas de brincadeiras e era algo que ele nunca se cansaria de ver, porque os dois amam-se reciprocamente, não é nada forçado. sempre amou estar na presença de Junior e para isso era algo que não cabiam palavras para expressar.
Era como sua mãe sempre havia dito: “Quem meu filho beija, minha boca adoça.”
, como se tivesse sentido a presença de , abriu os olhos devagar e o viu parado no batente da porta, observando o sono dos dois e deu um sorriso de lado para ele. Soltou-se do pequeno, que dormia um sono profundo e pesado, o ajeitou na cama, colocando a coberta inteira sobre seu corpinho e saiu do quarto com passos leves, encostando a porta atrás de si sem fazer barulho para não o acordar antes da hora. percebeu que ela estava com um dos seus moletons.

- Peguei sua blusa emprestada, desculpa. – disse num sussurro, tirando o moletom, quando estavam próximos um do outro no corredor.
- Não precisa tirar, depois você me devolve, . – respondeu também em tom baixo, mas já era tarde, tinha tirado o moletom e estava lhe entregando a peça. – Quando te vi chegar com essa blusa, achei que você tinha outra no carro. Essa época do ano sempre esfria muito por aqui quando anoitece.
- Eu não achei que fosse ficar aqui até essa hora, pra ser sincera. – respondeu dando de ombros.
Queria sair dali o mais rápido que pudesse e ir para casa, para os seus edredons e sua cama. Para bem longe de . E ainda precisava tomar um bom banho e tirar aquele perfume de si. Nunca fora adepta do masoquismo, não seria agora que começaria a ser.
- Desculpa pela demora. Os amigos de Sara são realmente muito falantes e...
- Sem problemas. – o interrompeu. Não queria saber sobre nada daquilo e queria ir embora. – Passei um dia realmente bom com ele.
- Desculpa não ter falado que você não precisava mais vir.
- Duvido que teria se divertido metade do que se divertiu se ele tivesse ido junto, porque você já teria voltado há horas. – falou em tom simpático.
deu um sorriso sem mostrar os dentes. Queria falar que metade de nada é nada do mesmo jeito, mas ficou quieto e apenas assentiu tentando parecer que concordava.
- E quanto te devo?
- O de sempre. – deu de ombros e ergueu a sobrancelha e deu um sorrisinho de lado, quase zombeteiro, o de sempre entre eles não era algo que pudesse acontecer entre os dois naquele momento. Ainda que fosse o que os dois queriam. – Não! Não esse de sempre, eu quis dizer o de sempre que os outros pais pagam. Pelo amor de Deus. – falou desesperada sentindo o rosto arder de vergonha.
- Eu sei. – respondeu, rindo do desespero de e tirou o dinheiro da carteira. – Obrigado mesmo.
- Sempre que precisar.
- Ele te deu trabalho?
- Nunca dá. Ele é um fofo e eu queria roubá-lo pra mim, como sempre. – falou sorrindo, fazendo sorrir junto pela forma como ela demonstrava carinho por seu filho. – Mas agora você chegou, eu vou embora. Ele dormiu há uns trinta minutos mais ou menos, deixei seu jantar na cozinha, é só esquentar. E Bubu está deitado na cama também, fiquei com dó de deixá-lo sozinho.
- Vou com você até a porta. – falou dando um sorriso e os dois seguiram em silêncio até a porta da casa, no andar debaixo. – Mais uma vez, obrigado por ter ficado com ele, .
- Disponha, . E desculpa.
- Desculpar? Desculpar pelo quê? – perguntou confuso, enquanto o olhava nos olhos da forma mais profunda e aberta que já a tinha visto fazer.
- Por tudo. – respondeu e lhe deu as costas, caminhando até o próprio carro que estava parado ali na porta da casa.
Ela logo arrancou o carro e saiu do condomínio, sem que tivesse sequer a reação de ir atrás dela para que conversassem direito sobre tudo. Merda. Que merda. Ele fechou a porta e foi até o sofá, se sentando e encarando a televisão desligada, que refletia sua imagem na tela preta. A única coisa que lhe vinha à memória era a conversa que tivera com Sergio alguns dias antes.

Flashback

- Como você está? – Sergio perguntou se aproximando de na saída do evento da Audi em que tinham ganhado carros novos.
- Bem. E você? Como está o nariz?
- Melhorando. – Sergio respondeu, dando de ombros. – Mas você está bem mesmo?
- E por que eu não estaria bem, capi? – perguntou confuso.
- Pelo que aconteceu entre você e . Da forma como foi e da forma como terminou.
- Eu não faço ideia do que você está falando. – falou tentando passar segurança em seu tom e Sergio rolou os olhos.
- Faz sim. E eu quero conversar com você. Uma conversa séria, de homem pra homem.
- Quando quiser, capi.
- Pode ser na sua casa? – Sergio perguntou e assentiu. – Agora?
- Claro. Vou avisar Sara, porque ela ia pra lá.
- Eu não vou te matar, pode ficar tranquilo. Já sei desse namoro há muito tempo.
- Mas começamos a namorar tem pouco tempo. – falou confuso e Sergio rolou os olhos. Era claro que não estava falando de Sara. – Ah. Nós não éramos namorados.
- Até o discurso é o mesmo. – Sergio voltou a rolar os olhos. – Só vamos logo.
- Tudo bem. – respondeu e os dois saíram de Valdebebas. Cada um em seu novo carro, e seguiram até a casa de para que pudessem conversar. O caminho foi feito sem muita demora e logo os dois estavam na sala da casa, sentados no sofá. – Desde quando você sabe?
- Desde o começo. – Sergio deu um sorriso de lado. – Eu tenho cara de idiota, mas eu não sou. E vocês dois se entregaram no estacionamento do Bernabéu quando te ofereci carona pra casa, logo quando vocês ficaram pela primeira vez, depois ficavam de conversinha, trocaram olhares demais naquele jogo que fizemos após um treino, mediam muito as palavras e os movimentos que faziam quando eu estava por perto e acham que podem se beijar lá em Valdebebas sem que eu fique sabendo. Duas vezes ainda por cima.
- Você viu?
- Não, mas fiquei sabendo, vocês deviam ter pensado nisso. E eu nem preciso mencionar a festa na casa do Dani. Ou preciso?
- Não, não precisa. – respondeu rápido.
- Quando eu percebi que vocês estavam juntos, eu quis te matar, porque é minha irmãzinha que gosto de atormentar e proteger, mas me dei conta de que se algo estava acontecendo, era porque ela sentia alguma coisa de verdade por você. E você é um excelente pai, responsável e um bom cara para se relacionar, minha irmã estava em boas mãos.
- É, mas ela não quis e foi bem clara ao falar que ou era daquele jeito ou não seria de jeito nenhum. Eu gosto dela, mas estamos em momentos diferentes. Ela quer curtir a vida, eu já passei dessa fase e quero alguém pra ter algo sério e construir um futuro. Eu quero casar, ter mais um filho, talvez dois, uma família, não quero apenas curtição, baladas, bebidas e sexo sem compromisso. Eu tenho um filho pra criar. Não é saudável que ele veja uma mulher diferente saindo daqui todo dia. Não quero ser esse tipo de pai. – desabafou.
- Eu não sei em que momento a está, se é no de curtição ou não, mas sei que ela errou feio ao mentir o que sente e por defender aquela regra idiota.
- Quando ela foi pra Munique, eu comecei a sair com a Sara, porque, afinal, a gente não tinha nada, tínhamos ficado poucas vezes, mas as coisas foram avançando e se tornando... confusas. Nós trocávamos mensagens e ligações como bons amigos, conversávamos sobre coisas normais e sem segundas intenções e as coisas começaram a fluir e viraram aquilo que a gente tinha, mas eu não queria que ficássemos escondidos por mais tempo, eu queria que a gente assumisse que tinha alguma coisa de verdade entre a gente. Primeiro pra gente, depois pro resto do mundo. E ela parecia pensar da mesma forma, por isso eu falei que deveríamos resolver a situação. Eu fiquei muito decepcionado quando percebi que ela estava mentindo sobre o que sentia só pra defender aquela regra idiota que já tinha ido pro saco há muito tempo ao invés de assumir que também sentia alguma coisa.
- E você não se arrepende de ter começado a namorar tão em seguida?
- Não, capi. Eu gosto da Sara, ela é uma pessoa muito boa, a companhia dela é ótima. Ela não é sua irmã, mas gosto dela e sei que ela também gosta de mim, sem medo de assumir isso e sem desculpas. E estamos no mesmo momento de querer algo sério e concreto, não apenas diversão.
- Por sua causa eu fiquei sem reação pela primeira vez na minha vida essa semana. – Sergio falou e o encarou confuso.
- Eu? O que eu fiz?
- Estive no apartamento da , tivemos essa mesma conversa e ela chorou.
- Ela chorou? – perguntou perplexo, recebendo um aceno de cabeça do amigo em confirmação.
- Eu já tinha visto minha irmã chorar por vários motivos, Magia, mas nunca tinha visto um choro por decepção amorosa. E foi horrível. Ela chorou caladinha, mas era como se estivesse berrando me pedindo para resolver tudo e eu me senti de pés e mãos atados sem saber o que fazer. Ela chorou até dormir e eu fiquei lá feito um idiota sem conseguir acreditar que minha irmã tinha deixado o amor entrar de novo na vida dela. Eu achei que nunca mais veria a se apaixonar depois de o único namoro sério que ela teve dar errado, mas eu me enganei, ela se apaixonou e logo por um jogador de futebol, o tipo de cara que ela evitava a todo custo. Vi minha irmã dar foras e mais foras em jogadores, mas com você foi diferente. Ela gosta de você, Magia, e reconheceu que errou ao mentir e sabe que agora não tem mais jeito, afinal Sara não tem nada a ver com essa bagunça e não pode pagar pelos erros dela.
- E ela tem razão. – se pronunciou depois de um tempo digerindo tudo que foi dito pelo amigo. – A Sara não tem culpa de ter entrado no meio desse furacão e não pode pagar pelos nossos erros.
- Eu só quero te pedir uma coisa, . Uma única coisa.
- Claro, Sergio, se eu puder fazer, considere feito.
- Não coloque minha irmã na reserva e dê falsas esperanças de que um dia ela volta a ser titular na sua vida se você não tem essa intenção.
- Jamais faria isso. é uma pessoa maravilhosa, uma mulher fantástica e merece alguém que faça bem a ela e a quem ela também faça bem. E ela vai encontrar essa pessoa, porque ela é maravilhosa. E eu sinto muito por ela ter chorado por causa disso tudo.
- E eu sinto muito que não tenha dado certo entre vocês, mas só posso te agradecer por ter feito tão bem a minha irmã durante esse tempo.
- E eu a ela. – sorriu de lado.

Flashback OFF


tinha achando que parecia bem, já que foi extremamente simpática com Sara e teve uma postura tão firme perante os dois, nem passou pela sua cabeça como devia ter sido difícil para ela estar naquela casa e vê-lo com a nova namorada tão pouco depois do fim; mas depois do último olhar que recebeu e ali sozinho, percebeu que tinha sido mais do que difícil e que tinha doído bastante passar um tempo ali, naquela casa, e ver como estava com a vida caminhando para frente. Ele percebeu que tinha doído muito. E que doeria por muito tempo ainda. Porque tinha doído nele também.
não tinha coragem nem de enviar uma mensagem pedindo desculpas pela situação e sabia que se enviasse, responderia amenizando a situação e se fazendo de forte. era esse tipo de pessoa, que mascarava a própria tristeza para não deixar que uma pessoa de quem ela gostava se sentisse culpada, que se enganava dizendo que estava tudo bem quando, claramente, não estava. E ele detestava quando ela fazia isso, quando colocava a própria dor em segundo plano apenas para parecer mais forte do que realmente estava ou era.
Ele reconhecia, agora, que tinha sido um verdadeiro e completo idiota. Devia ter ido até a porta e conversado com ela lá ao invés de tê-la convidado para entrar. Não devia ter cedido ao que o filho queria, mas vê-lo feliz com era algo que amava, os dois sempre se deram muito bem e Junior gosta dela de um jeito que tinha superado todas as expectativas de . Ele devia ter enviado uma mensagem para cancelar assim que Sergio tinha ido embora de sua casa, mas tinha esquecido totalmente do combinado entre os dois.
Suspirou pesada e pesarosamente, não podia mais mudar o que tinha acontecido, e seu olhar desviou para a blusa de frio em suas mãos. Podia sentir o perfume dela sem precisar levar a blusa ao nariz. Podia sentir o cheiro dos dois misturado, como era antes, naquela combinação que parecia totalmente certa e da qual ele gostava tanto. Tirou a blusa que usava e vestiu aquele moletom com o cheiro de , de forma saudosa, e foi até a cozinha, esquentou o prato com o jantar e sentou-se para comer. Ela tinha se preocupado o suficiente para lhe deixar o jantar pronto. Como sempre. Ele tirou o celular do bolso e abriu o Instagram para passar o tempo enquanto comia.
Há tempos ele não olhava o Instagram de e quando o fez, se deparou com uma foto dela com Junior e Bubu tirada naquela tarde. Ela estava sentada no chão, Junior estava sentado em seu colo e dando aquele sorriso enorme que ele dava sempre que via ; Bubu estava no sofá, com a cabeça apoiada sobre o ombro de . “Meus dates do dia”, ela escreveu na legenda.
viu os comentários de Maria, falando sobre Ale e Nachito, viu um de Vanja, um de Alice e outro de Pilar. A mãe dela também comentou, assim como e outras pessoas que ele não conhecia. E então teve um comentário, o único ao qual ele se atentou de verdade. O italiano. “Anota aí que seu date de quinta a domingo sou eu. Tô chegando em Madrid.”


Capítulo 12 – The dissonance...


...is killing me. (Emoji of a Wave – John Mayer)

estava sentado no vestiário da Ciudad Real Madrid, encarando de forma intensa a parede à sua frente.
Quinta-feira.
Aquele maldito comentário tinha atormentado por todos os dias daquela semana.
Quinta-feira.
O tal italiano estava chegando e passaria o fim de semana inteiro em Madri.
Quinta-feira.
Com .
Quinta-feira.
sabe que não tem o menor direito de sentir ciúmes, que o máximo que pode fazer é esperar que esse seja o cara certo, o que vai fazê-la feliz, já que ele mesmo não é.
Quinta-feira.
Mas a cabeça saber é diferente do coração entender.
Quinta-feira.
Seu mau humor se iniciou no domingo, logo quando leu o comentário deixado na foto, e piorou conforme o avançar da semana fazia com que a fatídica quinta-feira se aproximasse.
Quinta-feira.
Queria poder voltar no tempo e... E o quê? Voltar no tempo e nunca ficar com ? Voltar no tempo e não deixar que ela saísse do quarto naquele dia, indo embora e terminando tudo entre os dois daquele jeito catastrófico, doloroso e desnecessário?
Não era justo com Sara que ele se sentisse daquele jeito.
Não era justo com que ele se sentisse daquele jeito.
Não era justo com ele que ele se sentisse daquele jeito.
não era nada dele. Não mais. Nunca tinha sido, na verdade. Eles não eram nada além de amigos que transavam, ela mesma disse isso com todas as letras. Não cruzaram a linha, segundo ela, nunca houve nada sério entre os dois, era apenas sexo entre amigos. Se ela tinha se convencido daquilo, ele também deveria se convencer. Ou fingir se convencer para poder seguir sua vida em paz e deixar toda aquela história pra trás.
Quinta-feira.

- Até que horas você vai ficar me encarando com essa cara de quem está prestes a me dar um tiro? – Carvajal perguntou, atraindo a atenção de para si, depois de jogar uma toalha no amigo para despertá-lo de seus pensamentos.
- Eu não quero te dar um tiro.
- Assim espero. – o lateral riu, mas continuou sério. – E tá pensando em quê?
- Nada. – maneou a cabeça para os lados e Carvajal deu de ombros.
- Você finge que é verdade, eu finjo que acredito e fica tudo bem.
- Por mim parece ótimo. – falou, dando um sorriso sem mostrar os dentes, e ficou de pé. – E eu vou embora.
- Melhora essa cara, a Sara não vai acreditar em você. Se eu não acreditei, imagina ela que é sua namorada.
- Até amanhã. – respondeu simplesmente e saiu, sem se dar ao trabalho de despedir-se dos demais companheiros.

-x-


- Mas você não ia pra Sevilla esse fim de semana? – Sergio perguntou enquanto faziam uma vídeo-chamada.
- Ia, mas Gian vem passar o fim de semana em Madri, talvez seja bom ocupar a cabeça com isso.
- Tem certeza?
- Eu acho que vai ser bom, Sessy.
- Não sei... – Sergio falou desconfiado. – Fala que você vai pra Sevilla e ele que se vire.
- O recesso de fim de ano começa em breve e vou pra lá ficar uns dias totalmente tranquila e curtindo nossos pais.
- Sei...
- Já avisei que ele está proibido de oferecer baladas ou saídas que me levem a não ficar perto dos meus pais durante três quartos do dia.
- E como foi no domingo? – Sergio perguntou e o breve silêncio que se seguiu foi suficiente para que ele começasse a interpretar a resposta que viria.
- Junior é uma gracinha, é sempre bom ficar com ele.
- E o pai?
- Quase não nos falamos. Ele saiu de perto quando eu cheguei e quando ele voltou eu procurei sair o mais rápido que pude.
- E Sara estava por lá. – Sergio afirmou e assentiu confirmando.
- Ela ficou surpresa quando cheguei, achou que ele tinha cancelado com a babá, já que o plano era levar Junior, só que quando ele ouviu meu nome, saiu do sofá e disse que ia ficar comigo e não sairia com os dois. Não teve nada que o convencesse do contrário. Ela foi muito educada e simpática, além de ser muito bonita. Pelo menos Junior ficou e deixou que os dois se divertissem. – deu de ombros, apesar de saber que não tinha sido assim tão divertido pela expressão que fez quando ela disse a mesma coisa a ele.
- Preciso ter uma conversa séria com o . – Sergio resmungou achando que a irmã não entenderia, mas ela entendeu.
- Não precisa nada. – disse séria encarando a imagem do irmão na tela do celular. – Ele deve ter esquecido de cancelar e tudo bem, porque eu passei uma tarde agradável com o Junior e eu ainda ganhei um bom dinheiro sem fazer esforço. A vida anda pra frente, Sessy. Eu o verei de qualquer forma, ele joga no meu time e na seleção. E é seu amigo. A culpa foi minha, eu fiz merda, eu arco com as consequências.
- Se você está dizendo...
- Sim, eu estou. E quero que você me prometa que não vai falar nada com ele sobre isso. De agora em diante, porque eu tenho certeza que você já falou.
- Talvez eu tenha conversado com ele.
- Nosso pai não se chama Sergio Ramos García, sabia?
- Sabia, mas seu irmão mais velho, que te ama e se preocupa com você, sim.
- Você é um anjinho.
- E então, você vem?
- Vou. Posso levar Gian?
- Ele vai dormir na sua casa?
- Provavelmente. – falou e deu de ombros. – Ele está na cidade para um congresso de engenharia e acabou unindo o útil ao agradável.
- Só... tenha cuidado, ok? – Sergio disse usando o tom de irmão mais velho preocupado e se segurou para não rir da cara que o irmão fez. – E, sim, pode.
- Você vai viajar pra Bilbao?
- Acho que sim, já posso jogar.
- Você é nosso Batman. – falou observando a imagem do irmão usando aquela máscara e Sergio lhe deu um sorriso. – O herói que nós precisamos, mas não merecemos.
- Você sabe que a frase certa não é essa, não sabe? – Sergio perguntou rindo.
- Sei, mas adaptei pra você, Sessy. Vou buscar meu visitante, nós nos vemos mais tarde. – falou dando um sorriso e mandou beijos para o irmão, encerrando a chamada e tratou de entrar no carro.

dirigiu sem muita pressa, ao som de Oasis, coisa que ela raramente fazia, cantando a plenos pulmões a música “Magic Pie”. A distância entre seu estágio e o local do congresso não era grande, e mesmo que o trânsito estivesse começando a ficar intenso, logo estacionou o carro à frente do belo prédio em que a tal conferência estava acontecendo.
Assim que desceu do carro, o viu e percebeu que Gian conseguia estar mais bonito do que se lembrava e também parecia mais alto do que estava há alguns meses. Ele não demorou a vê-la e despediu-se do grupo de pessoas com quem conversava, seguindo até onde estava, arrastando uma pequena mala, parando próximo do local em que ela o esperava.

- Você é o meu Uber? – Gian brincou e deu um sorriso.
- Uber, guia e hotel. – respondeu em tom divertido e os dois se abraçaram demoradamente. – Você passou o dia inteiro aqui e está cheiroso. Por favor, me ensine esse segredo.
- É um dom natural. – Gian falou convencido e piscou. – Mas você também está cheirosa.
- Fui em casa antes de ir pro estágio e tomei banho. – respondeu fazendo uma careta.
- Gostei da roupa de trabalho.
- Às vezes eu preciso me vestir feito a Barbie. – respondeu e fez uma careta. – Não posso trabalhar todos os dias usando camisa do Real e tênis, como eu fazia em Munique.
- Tá parecendo aquelas advogadas de seriado. – Gian brincou e riu.
- Sou a própria Jessica Pearson. – piscou, fazendo Gian dar uma risada pela comparação feita. – Agora vamos, porque hoje temos um lugar pra ir.
- Temos?
- Sim, vamos na casa do meu irmão. – falou em um tom banal e deu de ombros, indo para o lado do motorista e Gian a encarava boquiaberto. – Que é?
- Vamos pra casa do Sergio Ramos?
- Se você ficar parado com essa cara de tonto ao invés de entrar no carro, não vamos. – falou rindo. – Coloca logo essa mala no porta-malas e vamos, eu ainda preciso tomar banho e aposto que você também vai querer.
- Tudo bem. – respondeu ainda em choque, mas obedecendo o que tinha sido dito, e logo os dois seguiram até o apartamento de .

Durante o trajeto, Gian contou sobre a última semana que passou em Munique sem ela, sobre um dos colegas de sala que tinha ficado bastante interessado em , mas que além de achar que ela e Gian tinham algo, ele a achava muito intimidante para tentar alguma coisa; e que o congresso em Madri ainda duraria todo o dia seguinte, mas ele teria o fim de semana livre e talvez conseguisse ficar até terça-feira, se conseguisse uma folga em Turim. Não demoraram a chegar ao prédio de e logo estavam no apartamento dela.

- Pode colocar sua mala no quarto e ir tomar banho. – falou assim que entraram no apartamento.
- E por que não tomar banho juntos? – Gian sugeriu dando um sorriso de lado e teve que respirar fundo para não pular no colo daquele homem maravilhosamente indecente e bonito.
- Eu mentiria se dissesse que não é uma excelente ideia, mas não podemos demorar, Sergio é chato demais com horários.
- Não vamos demorar, em nome do meio ambiente. – Gian piscou.
Os dois seguiram pelo corredor até o quarto, pegou sua própria toalha e uma toalha limpa no guarda-roupa para que ele pudesse usar, mas quando virou-se, deu de cara com Gian, que estava perigosa e deliciosamente perto, tinha um dos braços apoiados na porta do guarda-roupa e a olhava nos olhos.
- Aparentemente, vamos demorar antes mesmo de entrar no chuveiro. – falou dando uma risadinha.
Gian não se ocupou em responder, apenas trouxe o corpo de para mais perto, envolvendo-a pela cintura e os dois se beijaram. As mãos dele a seguravam firmemente, e agradecia mentalmente por isso, já que se dependesse apenas de si, estaria no chão; as mãos dela estavam nos ombros largos e fortes do rapaz. Tinha sentido falta do sexo com ele.
- Acho que a gente pode deixar o banho pra daqui a pouco, porque precisaremos bastante. – Gian falou quando se separaram para tomar fôlego e apenas abriu os botões da camisa que ele usava e jogou pelo chão, observando cada detalhe daquele abdome esculpido pelos deuses do Olimpo.
- Você conseguiu a proeza de ficar mais bonito e mais gostoso desde a última vez em que eu te vi. – falou, esquadrinhando o corpo dele com os olhos.
- Acho que posso dizer o mesmo, mas tem roupa demais atrapalhando meu julgamento. – Gian respondeu com segundas intenções.
- Então é hora de resolver esse problema. – ela ergueu a própria blusa e a jogou pelo chão, conduzindo Gian até sua cama. Ele abriu o sutiã que ela usava antes que pudessem se deitar e deu um sorriso safado.
- É, eu realmente posso dizer o mesmo. – Gian sorriu antes de deitá-la na cama e se deitar por cima de , sem deixar que seu peso todo caísse sobre ela, e os dois voltaram a se beijar.

-x-


- Achei que você não chegaria mais. – Sergio implicou quando abriu a porta e viu a irmã parada ali.
- Meu hóspede teve uma crise existencial sobre vir ou não para a casa de Sergio fucking Ramos – imitou toscamente o tom de voz de Gian ao falar sobre a ida até a casa do zagueiro. – e isso me atrasou um pouco, mas o importante é que eu cheguei. – falou e deu um passo até que estivesse dentro da casa e abraçou o irmão que não via há dias, sendo abraçada de volta com a mesma intensidade e ganhando um beijo demorado no rosto.
- É um prazer revê-lo, Sergio Ramos. – Gian o cumprimentou com um aperto de mãos e estava visivelmente sem graça de estar ali. A porta foi fechada pelo dono da casa.
- Sinta-se à vontade. – Sergio disse simpático, mas soou mais sério do que pretendia.
- Cadê as minhas crianças e a cunhada mais linda de todas as cunhadas que eu já tive na vida? – perguntou, já que não havia sinal de vida naquela casa e não tinha barulho algum.
- Estão lá nos fundos. Os meninos estão brincando com Ale, Nachito, Liam e Junior. – Sergio disse em um tom quase monótono e sentiu todos os músculos travarem ao ouvir o último nome.
Como podia ter esquecido que ele também estaria ali? Ele sempre estava! Automaticamente se lembrou do domingo que passou com Junior e da conversa que os dois tiveram.

Flashback

Estava frio e precisava de uma blusa de frio se não quisesse ficar doente ou congelar. não se importaria se ela pegasse uma emprestada por algumas horas. E ela podia devolver antes que ele chegasse, em todo caso, então ele nem ficaria sabendo. só precisava se esquentar, estava realmente sentindo muito frio. Tinha saído de casa apenas com uma camisa de malha, não imaginou que o dia fosse esfriar tanto. E nem que ficaria tanto tempo fora.
Arrependeu-se amargamente da escolha de pegar uma blusa emprestada no momento em que entrou no quarto de e sentiu o perfume que ela tanto gostava de ter em seus lençóis e em suas próprias roupas. O perfume do qual sentia tanta falta que não sabia como colocar em palavras. Quase desistiu de pegar um moletom, mas o vento frio que entrou sabe Deus por onde, a fez continuar caminhando até o closet. Pegou um moletom vermelho, era grosso e ela já o tinha usado algumas vezes, sabia como era quente e confortável.

- Você está com fome? – perguntou a Junior quando voltou para a cozinha e o menino assentiu. – E o que quer jantar?
- Não sei. – o pequeno deu de ombros, erguendo as mãozinhas e apertou as bochechas dele.
- Que tal se eu fizer aquele macarrão que você adora? – perguntou sorrindo e o menino bateu palminhas animado.
- Batatinha também?
- Será que tem aqui?
- Papi comprou. – Junior apontou para a geladeira e deu um sorriso.
- Então vou fazer com batatinha também. – sorriu, pegando um avental para não sujar a roupa que usava.
- , você gosta mais do Batman ou do Superman?
- Do Batman, mi amor. – falou colocando a panela com a água para cozinhar o macarrão no fogão e se virou pra ele. – E você?
- Do Batman também. – o pequeno sorriu. – Mas eu gosto bem mais de você. - Eu também gosto muito mais de você do que do Batman. – respondeu, dando um sorriso e se aproximou, batendo de leve o indicador no nariz do menino, que riu.
- Você gosta do papi?
- Gosto, mi amor, somos amigos.
- Então por que você não vem mais aqui? – Junior perguntou inocente e a encarou, com os olhos que classificava como os mais lindos do mundo. Não era possível que aquela criança tivesse apenas três anos e estivesse falando aquele tipo de coisa.
- Agora você não precisa mais de babá, mi amor, seu papi consegue cuidar de você e tem a ajuda da Sara.
- Eu não gosto dela, eu gosto de você e do papi.
- Ela é legal, , você tem que dar uma chance pra ela.
- Não é não. – ele franziu o nariz numa careta. – Ela é chata, bem chata.
- Não fala assim, , a Sara é a namorada do seu pai e ela gosta de você.
- Eu não gosto dela, prefiro você. Papi devia namorar você. – o menino falou sorrindo e quase teve um troço ao ouvir aquilo.
- Por que você não assiste um pouco de televisão enquanto eu faço o nosso jantar? – perguntou fugindo do assunto.

Junior assentiu, saindo da cozinha acompanhado de Bubu e indo até a sala. Ela ouviu a televisão ser ligada, acompanhada de uma música de desenho, e respirou fundo, tentando reencontrar a concentração, não podia ficar pensando e remoendo aquele assunto, tinha que fazer o jantar e cuidar do menino. Só. Até porque não existia “aquele assunto”, ela mesma tinha dado um basta em tudo e agora tinha que lidar com as consequências dos próprios atos.
E lidar com as consequências não incluía ficar remoendo pensamentos sobre um possível relacionamento que não mais aconteceria.
Quando tudo estava pronto, chamou Junior e o menino voltou para a cozinha, com Bubu em seu encalço, e se sentou à mesa para jantarem sua comida favorita: macarrão com batata frita.
Depois de jantarem, conversando um pouco e vez ou outra dando batatas fritas a Bubu, os dois assistiram um pouco de desenhos. achou que chegaria antes dela colocar o menino para dormir, mas não aconteceu. Quando ele começou a dar sinais de que queria dormir, levou Junior para escovar os dentes e depois foi colocá-lo na cama, estava ficando tarde e o ele teria aula no dia seguinte.
Deitaram-se na cama de Junior e leu uma história para que ele dormisse, como fazia antes, quando era presença constante naquela casa e não apenas eventual. Estava tarde e parecia que tinha mesmo seguido o conselho de não se apressar.

- O meu papi gosta de você, . Ele que falou. – Junior falou sonolento e se aninhou mais ao abraço dela. – Gosta dele de novo, .
- Eu gosto, mi amor. – respondeu acariciando o rosto do menino e o viu fechar os olhinhos e começar a dormir sentindo o carinho. – Mais do que devia.


- Ei, , você me ouviu? – Gian se aproximou de , abraçando-a pela cintura, e ela despertou dos pensamentos, percebendo que Sergio não estava mais ali.
- Não, desculpa. O que você disse?
- Aconteceu alguma coisa?
- Só estou pensando que provavelmente vou passar o resto da noite como o brinquedo favorito de diversas crianças, sem poder ficar perto de você. – mentiu, dando um sorriso cansado.
- Temos a noite inteira pra isso. – Gian respondeu, dando um selinho rápido nela.
- Você vai gostar do pessoal. – falou, dando um sorriso que previa bem a futura reação dele ao saber quem estava ali.
- Que pessoal?
- Nacho, Modric e já estão aqui. Lucas, Marcelo e Kovacic devem aparecer mais tarde, além do Dani Carvajal. E, sei lá, talvez todo o resto do Real Madrid resolva aparecer. – deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Bom, para ela era.
- Você está falando sério? – Gian perguntou com uma expressão que variava entre choque e surpresa.
- Estou. Anda logo. – riu da expressão dele e o puxou pela mão até que estivessem na área externa da casa.
Nacho, Lucas Vázquez, Luka Modric, Mateo Kovacic, Dani Carvajal, , Marcelo e Toni Kroos estavam ali, junto com Maria, Macarena e Pilar.
- Chegou quem faltava. – Maria falou ao ver se aproximar, fazendo todos os presentes se virarem na direção dela.
E a expressão de foi de amistosa, pela conversa com os amigos, à surpresa ao ver ali e acompanhada, sofrimento, por vê-la tão sorridente com aquele italiano, e terminou em algo entre o desprezo e o orgulho ferido, tentando não transparecer tanto seu incômodo ao vê-los ali tão a vontade, de mãos dadas e portando-se como um casal.
- Que bom que você finalmente desencalhou, . – Lucas implicou rindo.
- Ah Lucas, vá se fod...
- Cuidado com essa boca. – Sergio disse sério, olhando para as crianças, que estavam um pouco distantes, totalmente absortas em sua brincadeira.
- Gente, esse é o Gian. Um amigo meu. – disse sorrindo e o apresentou aos presentes e se virou para ele, falando em inglês. – Você conhece todos eles, então nem vou perder meu tempo.
- Sim. – ele falou baixo e quase em choque ao observar os jogadores que estavam reunidos ali.
- Só se mantenha longe do Lucas, ele é o mais insuportável de todos. Não sei como a Maki aguenta.
- Amor. – Lucas respondeu em inglês, fazendo careta e rolou os olhos, dando uma risada em seguida.
- Dani também é desses. Não parece, mas ele é um idiota insuportável e sem noção. Essa carinha de bravo e sério só serve pra dentro do campo. – advertiu, zombando de Carvajal.
- , imagina um palavrão bem feio na sua cabeça. Acabei de te xingar com ele. – Carvajal respondeu, fazendo a expressão mais séria que conseguiu e riu.
- E o que tem pra comer? – perguntou olhando para o irmão.
- Morta de fome. – Sergio disse e rolou os olhos.
- ! – Junior foi o primeiro das crianças a vê-la, largou os brinquedos, levantou e correu até ela, que se abaixou para abraçá-lo e foi abraçada com força.
- Como você está lindo, mi amor. – sorriu para o menino.
- Vem brincar com a gente, ?! – Junior pediu, se soltando do abraço e dando pulinhos animados.
- Cuidem direitinho do Gian. E agradeçam a ele por La Duodecima. – falou e ficou de pé, apontando para Gian, antes de ser puxada por Junior até onde o grupo de crianças brincava e logo pararam todas as brincadeiras e foram abraçá-la. Gian sentou-se, ironicamente, ao lado de .
- Você fala espanhol? – Marcelo perguntou em espanhol e Gian negou com um aceno.
- Só sei alguns palavrões que ela me ensinou. – respondeu em inglês.
- Então vamos fazer o possível pra conversar com você. – Nacho falou simpático e deu uma risada.
Inglês não era um idioma que todos eles dominassem de verdade.
- Então quer dizer que você é o novo cunhado do capi? – Carvajal perguntou, com o inglês cheio de sotaque, num tom divertido, estendendo uma cerveja para Gian, e sentiu a mandíbula travar ao ouvir aquilo, precisava fingir que estava tudo bem, afinal ninguém sabe de nada e ele não poderia dar bandeira.
- Não. – Sergio foi quem respondeu e Lucas deu uma gargalhada.
- E como vocês se conheceram? – Maria perguntou curiosa.
- Em Munique, naquele intercâmbio de férias. Nós dividimos apartamento pelos dois meses. – Gian respondeu.
- Ah, então ele é o “fulano” que você falou incansavelmente sobre? – Carvajal perguntou rindo para Sergio.
- Não tiro a razão dele. – Gian falou e deu um sorriso de lado, deixando que cada um interpretasse sua fala como bem entendesse.
E entendeu bem o que ele quis dizer com aquilo.
Idiota e exibido.
- E o que é essa história de agradecer por La Duodecima? – Nacho perguntou sem entender.
- Torço pra Juve. – Gian respondeu num resmungo e Lucas deu uma gargalhada.
- Cara, eu sinto muito mesmo por você ter conhecido a chata da logo em seguida. – Carvajal disse ainda rindo. – Ela deve ter enchido seu saco, porque ela é insuportável e não tem limite.
- Encheu. – Gian concordou dando um sorriso. – Passei dois meses ouvindo esse “obrigada por La Duodécima” todos os dias.
- sabe ser muito chata quando quer, principalmente quando envolve futebol. – Sergio falou quase envergonhado e Gian assentiu rindo.
- Mas ela joga bem, salvou meu time nos jogos que fazíamos na Universidade. Só que também gosta de provocar os adversários, um dia eu achei que ela ia apanhar.
- Por quê? – Macarena perguntou assustada.
- Porque soltou um “quem manda na Alemanha é o Real Madrid” quando fez um gol e saiu comemorando.
- Ela fez isso? – Luka Modric perguntou rindo.
- Fez. – Gian respondeu rindo ao relembrar do dia. – Provocou os torcedores do Bayern só pra desestabilizá-los e a gente ganhar um jogo que não valia nada, mas que segundo ela “valia a vitória”.
- É irmã do Sergio Ramos mesmo, não nega. – Mateo Kovacic falou rindo.
- Eu sempre quis que a Juve te tirasse da Inter. – Gian confessou, falando com Mateo. – Queria todos vocês por lá, pra ser sincero. E Cristiano.
- Eu principalmente. – Lucas disse convencido, fazendo os amigos rirem.
- Isso eu duvido muito. – Sergio implicou.
- Mas vocês têm bons jogadores, não precisam da gente. – Luka Modric falou sincero. – Principalmente Buffon.
- Ele é ótimo mesmo. – Gian deu um sorriso orgulhoso.
- Pena que o Cris não pode vir hoje. – Marcelo falou e Gian arregalou os olhos ao ouvir a menção do nome do português.
- Ele disse que viria, achei estranho ter cancelado. – Sergio Ramos falou para Marcelo.
- Parece que o Mateo não está muito bem e o Cris pequeno também não, ele ficou em casa pra cuidar dos dois junto com a Geo. – Marcelo respondeu e Sergio Ramos assentiu como quem tinha entendido.
- Pela cara do italiano, se o Cristiano estivesse aqui, ele teria desmaiado.
- Meu sonho é que ele um dia vá pra Juventus. – Gian falou dando uma risadinha sem graça. – Sei que é impossível, mas sonhar não paga.
- Sonha mesmo, porque só em sonho. – Sergio Ramos brincou.

A conversa seguiu entre o grupo, falaram sobre futebol, claro, além de Gian contar um pouco sobre a própria vida em Turim, o que estudava e o que fazia por lá, contou sobre os meses em Munique, omitindo a parte em que ele e tinham se envolvido, e sobre a Itália, trocando algumas poucas palavras em italiano com Mateo Kovacic, que tinha jogado na Internazionale por um tempo antes de se mudar para Madri.
continuava brincando com as crianças, envolvida demais com a energia do grupo, correndo e rindo junto com eles, antes de Maria chamá-la, prometendo às crianças que logo a devolveria e poderiam passar a noite brincando com a mulher. As duas foram se sentar num local mais afastado do grupo, que ainda conversava.

- Seu namorado é bonito. – Maria falou quando se sentaram distantes e deu um sorriso.
- Ele não é meu namorado. Nós nos conhecemos em Munique, ficamos e só, ele está na cidade por uns dias e resolvemos fazer um remember. – deu de ombros. – Nada além de sexo casual.
- Você já viu a cara que o tá fazendo pra ele? – Maria perguntou receosa e suspirou.
- Estou evitando olhar pro , por tudo que aconteceu entre a gente ainda ser recente, mas ele vai se sentir mais ou menos como eu me senti quando o vi com a namorada, ainda que Gian e eu não tenhamos nada sério. – respondeu dando de ombros, num tom quase triste.
Maria olhou discretamente para o grupo e apertava a garrafa que tinha em mãos quase com força o suficiente para quebrá-la, além de olhar de desdém que direcionava ao rapaz, que estava numa conversa animada com Mateo Kovacic, Dani Carvajal e Lucas Vázquez.
- E qual o assunto secreto das duas? – Pilar apareceu com Macarena e as quatro formaram uma pequena rodinha.
- A cara do pro namorado da , aposto. – Macarena foi quem falou, em tom baixo, dando um sorriso sugestivo para .
- Gian não é meu namorado, apenas sexo casual. E não há motivos pro olhar torto pra ele. – falou, tentando não se entregar quanto a última parte.
- Essa mentira cola com eles, , que são tapados e não prestam atenção em sinais. – Macarena falou rindo. – Porque a gente conseguiu reparar que o não curtiu muito a sua chegada com o acompanhante e está se contorcendo enquanto escuta a voz dele e as provocações dos outros com seu irmão.
- Mas o Gian não é meu namorado mesmo. – respondeu e deu de ombros antes de retomar a frase. – E isso com ... é complicado.
- Ele não estava namorando? – Macarena perguntou confusa.
- E está. Só que antes de namorar essa, ele namorava a . – Maria foi quem se pronunciou, em tom baixo, e retomou a fala antes que a interrompesse para falar que os dois não tinham namorado. – Ainda que ela insista em dizer que os dois não namoravam, que o que tinham era apenas era algo físico e casual. Namoraram em segredo.
- Em segredo, mas nem tanto, porque o Sergio percebeu rapidinho. – Pilar falou baixo. – E ficava testando os dois. Ele foi na casa do uma vez, porque sabia que estava lá. E até hoje ele não acredita que estava errado.
- Mas ele não estava errado. – falou baixo, mas rindo. – Eu estava mesmo lá, prestes a vir embora quando o Sergio chegou, mandei uma mensagem pro Santi me buscar, pulei a janela do quarto enquanto o conversava com ele no andar debaixo e sai correndo do condomínio. Uma cena digna de filme.
- Você é doida? – Macarena perguntou rindo. – Aquela janela é alta demais!
- Eu sei. – reclamou. – Mas ou eu pulava e garantia que chegaria à casa de antes do Sergio, ou ficava esperando ele ir embora e colocar metade de Madri atrás de mim quando não me encontrasse.
- Então vocês dois namoraram em segredo? – Macarena perguntou curiosa e assentiu. – E por que terminaram?
- A regra de ouro, claro. – Pilar respondeu e voltou a assentir, suspirando.
- A regra idiota, você quis dizer. – Macarena falou e Pilar concordou, fazendo voltar a suspirar.
- Nós tivemos uma discussão não muito legal, ele me botou contra a parede perguntando qual era a nossa situação, eu menti, terminamos e ele arrumou outra.
- E arrumou outra pra tampar o buraco que você deixou, porque ele está prestes a ter um colapso nervoso ouvindo que você tem um novo namorado e tendo que ficar perto dele. – Maria disse olhando disfarçadamente para , que estava sentado com os demais, o foco estava na garrafa de vidro que tinha em mãos e era possível ver que estava fazendo bastante força para não falar alguma coisa enquanto ouvia a conversa animada dos demais.
- Vocês não chegaram a conversar depois da briga? – Pilar perguntou e negou com um aceno de cabeça.
- Passei o dia remoendo aquela briga, mas quando tomei coragem de conversar, naquele dia mesmo, ele tinha devolvido todas as minhas coisas que estavam na casa dele e foi quando eu entendi que tínhamos terminado e não tinha mais conserto. – respondeu triste.
- E ele foi bem rápido pra arrumar outra. – Macarena disse e assentiu.
- Ele ja saía com ela, mesmo enquanto a gente ficava, então só oficializou.
- Vocês vão ficar de complô longe de nós, panelinha? – Lucas perguntou alto, atraindo a atenção das mulheres, que logo se viraram para ele.
- Vamos, porque você é chato. – respondeu rindo.
- Vai deixar seu namorado sozinho, ? – Luka Modric perguntou para provocar Sergio.
- Eles não são namorados. – Sergio se pronunciou, fazendo Carvajal e Lucas gargalharem.
- É melhor a gente ir, pra evitar um homicídio na frente das crianças. Olha a cara do . – Maria falou baixo e as quatro observaram de forma discreta que estava perigosamente perto de Gian, e voltaram para perto do outro grupo.
passou para a cadeira do lado e acabou sentada entre ele e Gian.
Seria cômico, se não fosse tão trágico.
pegou a garrafa que estava na mão de Gian e tomou um gole grande, naquele momento apenas o álcool tornaria possível suportar o ambiente, já que não podia simplesmente ir embora, estavam ali há menos de uma hora e isso seria bastante suspeito. estava totalmente alheia às conversas e risadas que aconteciam entre os outros componentes do grupo, até que Lucas, sempre ele, a incluiu na conversa.
- Eu jurava que você e tinham alguma coisa. – Lucas falou e se virou para olhá-lo.
- Temos. – deu de ombros e os demais a olharam surpresos. – Amizade.
- Ah, mas não tô falando de amizade. Só se ela tiver benefícios.
- Deus me livre! – falou fazendo uma careta. – Disso com , no caso.
- Já basta ter que aguentá-los sendo amigos desde pequenos, imagina ter que aguentar os dois namorando. – Sergio fez uma careta e assentiu.
- é igual ao Sergio pra mim. Só que lindo. – falou rindo e os demais riram junto.
Menos Sergio, claro. E .
- E quem disse que eu não sou lindo?
- Eu estou dizendo. – falou rindo. – Linda é a Pilar, você é, no máximo, organizado. E não é sempre, ultimamente você anda se superando em ser desorganizado.
- Organizado é uma ótima forma de chamar uma pessoa de feia, mas sem ofender muito. – Nacho falou rindo.
- Sese é puro estilo, , respeita o capi. – Marcelo caçoou do amigo.
- Estilo quem tem é o Benzema, o Sergio é algo perdido entre todas as roupas do Daniel Alves e aquele smoking vermelho do Messi. – falou rindo.
- Cala a boca, . – Sergio Ramos reclamou.
- A verdade dói, né maninho? – provocou.
- Estilo e moda são conceitos subjetivos, . – Pilar defendeu o marido e o abraçou.
- No caso do Sese, são conceitos alternativos. – Marcelo implicou e Sergio Ramos lhe mostrou o dedo do meio depois de praguejar um palavrão.
- Vou pegar mais cerveja, alguém quer? – perguntou quando viu que o cooler estava vazio.
- Eu quero. – Gian respondeu.
- Você vai dirigir, . Tenha responsabilidade e pare de beber. – Sergio disse sério e ela rolou os olhos.
- Ela bebe mais do que todos vocês juntos sem problemas, mi amor. – Pilar saiu em defesa da cunhada, que concordou com um aceno de cabeça.
- Ela ser resistente não significa que pode sair burlando leis. Leis que ela tá estudando pra defender, inclusive. – Sergio falou sério.
- E é por isso, capi, que a noite do poker nunca acontece na sua casa, porque você é muito implicante. – Carvajal disse rindo. – , eu quero uma cerveja.
- Vocês é que são irresponsáveis. – Sergio falou sério e Carvajal rolou os olhos.
- Só mais uma, hermanito. – disse rindo debochada e saiu de perto do grupo, ouvindo a conversa se afastar quando entrou na cozinha da casa em busca das garrafas de cerveja.

Abriu a geladeira, pegou as duas caixas de Heineken que estavam ali e as colocou sobre o balcão, aproveitando para se servir com um grande copo de água. queria se manter distante do lado externo da casa o máximo que pudesse, precisava de ar para pensar em uma boa desculpa para ir embora tão rápido. Ela simplesmente não aguentava mais ficar naquele clima que começava a ficar muito pesado entre ela e .
Não era possível que ninguém mais estivesse sentindo a tensão que só fazia crescer entre os dois e a forma como estavam se evitando, ele nem mesmo vinha conversando com os amigos, fingia prestar atenção no filho ou em alguma mensagem inexistente do celular, tudo para ignorar o grupo. tinha se cansado do jogo de resistência, deixaria Gian tomar as duas cervejas e iriam embora o mais rápido que pudesse.

- Então você arrumou um namorado. – ouviu a voz de enquanto lavava o copo em que tinha bebido água, e virou-se, encontrando o homem encostado no balcão há alguns bons passos dela.
- Não é como se isso fosse da sua conta, de qualquer forma, se eu também tiver arrumado um namorado, .
- Você mal pediu "desculpas por tudo" e já arrumou outro? Interessante. – deu um sorriso debochado.
respirou fundo para não responder alto demais usando a forma mais desaforada na qual conseguia pensar. Estava cansada e esteve prestes a desistir e ir embora para casa, mas não deixaria seu orgulho ser ferido. Se ele queria guerra, guerra ele teria.
- Pelo menos eu esperei o seu lado na cama esfriar antes de colocar outro pra deitar lá. – devolveu o sorriso debochado e ele bufou.
- Eu não precisaria ter colocado outra se você tivesse coragem de assumir que queria aquele lugar pra você permanentemente, porque eu sou a exceção dessa sua regra idiota. – respondeu em tom tão debochado quanto o dela.
- Se você me dá licença, vou levar essas cervejas antes que esquentem. Tchau, .
saiu da cozinha e não deu tempo para que ele fizesse outro comentário para o qual ela não tinha resposta, apenas lhe deu as costas e voltou a se sentar ao lado de Gian, entregando uma das garrafas de cerveja a Carvajal, colocou as outras no cooler e abriu a própria.
- Eu quero saber quando teremos mais futebol em Valdebebas, time. – perguntou na clara tentativa de irritar o irmão.
- Você está proibida de ir lá. – Sergio falou sério, fazendo Lucas e rirem.
- Apelou perdeu, capi. – Nacho provocou.
- Nem precisa apelar, ele sempre perde. – provocou.
- Eu quero mudar de time. – Marcelo falou e Sergio lhe mostrou o dedo do meio.
- Daqui a pouco ele vai acabar sozinho. – Pilar falou reprimindo uma risada.
- Se nem com os melhores jogadores do mundo ele consegue me vencer, imagina sozinho?! – provocou.
- Vai embora da minha casa. – Sergio resmungou.
- Desse jeito, você vai ficar sem namorada, italiano. Sese vai matá-la. – Carvajal provocou.
ouviu a fala do amigo bem quando retornava para perto do grupo e encontrou Gian com um dos braços sobre os ombros de e ela parecia bastante confortável ali. Os olhares de Pilar, Maria, Sergio, Macarena e voltaram-se para ele, que deu meia volta e voltou ao interior da casa.
- Ela gosta de provocar as pessoas, uma hora vai acabar apanhando. – Sergio falou sério. – E eu já falei, eles não são namorados.
- ... – ela ouviu uma voz infantil antes que pudesse responder o irmão e encontrou Junior. – Sono.
- Quer dormir, lindinho? – perguntou e ele assentiu.
Ela entregou a cerveja a Gian e pegou Junior no colo para ninar o pequeno, bem quando retornou.
- Vem, filho. – chamou e o menino negou, se aninhando ao abraço de .
- Quero a . – Junior falou, com os olhos quase fechados e puxou a jaqueta de para que pudesse se aquecer um pouco mais.
- Perdeu, . – Gian brincou e deu um sorriso forçado na direção dele.
- Até o namorado recém-chegado da tá zoando a gente. Esse time já teve mais moral com os gringos. – Lucas falou rindo.
- Eles não são namorados. – Sergio falou fuzilando Lucas com o olhar e ele gargalhou.
- Isso é por sua conta, hermanito. – piscou para o irmão para provocá-lo.
- Finalmente o italiano foi promovido a cunhado internacional. – Macarena brincou.
- E que comecem as especulações de Sergio Ramos indo para a Juventus na próxima temporada, quando o cunhado postar foto usando a camisa do time ao lado do capitão. – Marcelo provocou, fazendo quase todos rirem.
- Posso colocar o lá no quarto dos meninos? – perguntou em tom de voz baixo para Pilar e ela assentiu. O pequeno já tinha adormecido em seus braços.
- Não. – falou sério e num tom quase duro. – Vou levá-lo pra casa agora.
- Já, Magia? – Lucas perguntou e assentiu. – Eu te levo.
- Não precisa, vou pedir a Sara pra me buscar, ela está com meu carro. – falou, dando de ombros, e tirou o celular do bolso, escrevendo algo e logo o colocou no bolso de novo. – Pode me dar ele, já falei com ela que vou esperar lá fora do condomínio e ela disse que já vem.
- Fala pra ela entrar, vou ligar na portaria e autorizar. Quem sabe ela não fica um pouco também? – Sergio falou e negou com um aceno.
- Não precisa, capi. Ela está aqui perto, provavelmente chegue lá antes de mim.
- Cuidado pra não o acordar. – Maria recomendou.

assentiu sem se importar muito com a orientação, afinal, era seu filho e ele sabia bem o que fazer, não precisava que ninguém tentasse lhe ensinar como se comportar e o que fazer. tentou pegar o filho tentando não encostar em , mas era impossível, e acabou encostando a mão no braço dela, sentindo seu corpo arrepiar e percebeu que ela também tinha sentido algo, seus olhos a entregaram, mas ela soube disfarçar bem a expressão para os demais. se despediu de todos com um aceno de cabeça e saiu levando o filho no colo.
Depois daquele contato, teve certeza apenas de uma coisa: não tinha um vencedor, independente de quem desistisse primeiro. Ambos sairiam perdendo e de goleada.

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- Você está maravilhosa. – Gian falou olhando para , enquanto ela se arrumava em frente ao espelho do banheiro.
O programa para a noite era apresentar a famosa noite madrilena a Gian, regada a muita dança e diversão, da melhor forma que a capital espanhola oferecia e pela qual era tão conhecida. tinha conseguido um dos passes livres para Gian usar naquela noite – que prometia ser longa, como sempre costumava ser em Madrid, principalmente quando envolvia e .
- Obrigada. – respondeu dando um sorriso, mas sem se virar, enquanto terminava de passar o rímel.
- Podemos?
- Vou ligar pro e descobrir se ele já está saindo de casa, vamos juntos de táxi. E preciso passar um batom.
- Antes de você passar o batom, vem cá, me deixa te dar um beijo. – Gian disse entrando no banheiro e a trouxe para mais perto sem dificuldade e sem nenhuma resistência por parte dela, que deu um sorrisinho lotado de segundas, terceiras, quartas... intenções.
passou os braços ao redor do pescoço dele e o puxou pela nuca, juntando seus lábios num beijo. As mãos de Gian deslizaram pelas costas dela e pararam em sua bunda, apertando-a sem nenhum pudor e soltou um ofego enquanto ainda o beijava. Sabia que se continuassem se beijando não sairiam de casa e ela queria muito sair e se divertir, então separou os lábios dos dele, recebendo um olhar desapontado.
- Ainda temos bastante tempo pra isso, agora nós vamos sair e nos divertir a noite inteira. – falou e se soltou dos braços de Gian, pegando o celular, para discar o número de , enquanto abria o batom para começar a passá-lo em seus lábios.

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- Eu sei que você não gosta de dançar, mas vem. – Gian chamou dando um sorriso irrecusável.
- Só porque eu gosto muito dessa. – sorriu, levantando-se do sofá em que estavam sentados bebendo, e seguiram para a pista de dança que estava bastante cheia.
- Não faço ideia de que música é essa, mas a batida é boa. – Gian falou alto em seu ouvido e o olhou, dando um sorriso cheio de segundas intenções enquanto a música tocava.
- Muévete a mi ritmo, siente el magnetismo. Tu cadera con la mia, boom! Hacen un sismo. cantou junto com a voz de J Balvin enquanto dançava com o corpo colado ao de Gian.
Tinha os braços envolvendo o rapaz pelo pescoço e ele a puxou para mais perto, passando a ponta da língua pelos próprios lábios, enquanto sentia dançando tão próxima e falando aquele maldito idioma, que ele mal entendia, mas não ligava o suficiente para o que estava sendo dito, ela podia estar xingando até sua vigésima geração que ele continuaria achando sexy e querendo que ela falasse assim com ele para sempre.
- Você vai ficar só me olhando ou vai me beijar? – perguntou em seu ouvido e afastou o rosto do dele para olhá-lo de maneira provocativa, passando as unhas pela nuca do rapaz, que não demorou a juntar os lábios aos dela.
Gian tinha as mãos firmes nos quadris de , mantendo-a bem próxima de si, e ela tinha uma das mãos em sua nuca, o arranhou de leve e Gian soltou um gemido sofrido enquanto ainda se beijavam, apertando mais ainda suas mãos nos quadris da mulher, que continuavam se movimentando no mesmo ritmo da música e perturbando o resto da sanidade mental do italiano.
Ele queria mais do que só aquele beijo e senti-la com o corpo tão perto sem poder fazer nada era atormentador. Quando os dois se separaram, se virou de costas e Gian a envolveu pela cintura, enquanto outra música, que ele não fazia a menor ideia do que dizia ou quem cantava, tinha começado a tocar, ele estava mais preocupado em senti-la dançando contra si e em beijar-lhe o pescoço do que com qualquer outra coisa.
movia-se da forma mais provocativa que conseguia e Gian respirava fundo tentando manter-se lúcido e não enlouquecer bem ali, no meio da pista de dança lotada. Já sentia o incômodo de estar com aquela calça que parecia tão apertada e sabia que precisava resolver aquilo logo. Ou então que ela parasse de provocá-lo.
- Eu não sei como vou conseguir esperar muito mais pra chegar na sua casa e transar bastante. – Gian falou em tom sofrido no ouvido de .
- As paredes do meu apartamento são muito finas, precisaremos ser discretos.
- Lá em Munique elas também eram e nós não tínhamos muito pudor. E discretos é a última coisa que podemos dizer sobre ontem e hoje. E é você, , não dá pra ter muito pudor e controle. – ele respondeu, dando um beijo em seu pescoço e a apertou contra si.
Ela podia sentir como ele estava excitado e virou-se, dando um sorriso singelo e juntando os lábios aos dele, beijando-o devagar, claramente para deixá-lo com mais vontade de tê-la do que já estava. Gian soltou um gemido sofrido quando sentiu passando as unhas devagar em sua nuca e mordendo seu lábio inferior devagar, puxando de leve e dando um sorrisinho para ele.
- Se você não vai rezar o terço, não ajoelha.
- E quem disse que eu não vou? – perguntou ao ouvido dele e o olhou, dando um sorriso sacana.
Uma de suas mãos escorregou pelo peitoral do homem e parou no cós da calça jeans que ele usava.
- E o que você tem em mente? – perguntou quase desesperado. voltou a beijá-lo devagar, não deixando que ele fizesse o beijo se tornar mais intenso, também não estava se aguentando e não podia se entregar, precisava ter foco para fazer o que estava planejando. Gian separou os lábios dos dois e tinha uma feição perturbada. – Para com isso, pelo amor de Deus.
- Mas eu não fiz nada. Ainda. – o puxou pra mais perto e falou em seu ouvido, mordiscando seu lóbulo.
- Ma che cazzo! – Gian praguejou num tom sofrido.
se soltou de seus braços, puxando o rapaz pela mão e seguiu até se aproximarem do banheiro feminino, que, por um milagre, estava sem fila, despistando os seguranças que estavam próximos para evitar que coisas como aquela acontecessem. Ela abriu a porta e se certificou de que o lugar estava mesmo vazio e percebeu que havia apenas duas pessoas em duas cabines diferentes, antes de entrar, puxando Gian pela mão até que entrassem na cabine mais distante da porta e das outras duas e fechou a porta atrás de si e aproximou seu rosto do dele.
- O que você tem em mente? – devolveu num sussurro a pergunta que Gian tinha feito anteriormente, percorrendo o abdome dele sobre a camisa com o indicador e voltando a parar a mão no cós da calça jeans que ele usava.
- Você nem imagina. – Gian respondeu também falando baixo e tentando manter a voz firme enquanto sentia tocar sua ereção sobre a calça jeans que usava, mordendo o próprio lábio e sem parar de encará-lo.
- Então me mostra. – pediu, sorrindo provocativa e Gian a pressionou contra a porta da cabine, avançando sobre seus lábios num beijo intenso, enquanto suas mãos erguiam o vestido de .

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estava com o celular em mãos e observava a foto que estava em seu feed. estava linda com aquele vestido curto azul escuro de veludo de mangas longas, com aquelas botas de cano alto que deixavam pouco da coxa a mostra, com aquele batom vermelho que ele adorava vê-la usar, porque deixava a boca dela ainda mais desejável, com aquela maquiagem bonita que ela sabia fazer.
estava linda, deslumbrante e hipnotizante, da mesma forma que estivera por meses. Da mesma forma que sempre fora. E acompanhada. O italiano, o maldito italiano, tinha uma expressão vencedora, quase como se estivesse vendo observar tão atentamente aquela foto. Ele sustentava um sorrisinho vencedor de quem tinha saído da Itália e ido até a Espanha apenas para mostrar a que nunca tinha sido dele. E que nunca seria.
tinha tirado a selfie, estava atrás dele e o italiano estava atrás dela, com uma das mãos envolvendo-a pela cintura e os três sorriam. O tal Gian tinha aquele sorriso que dizia: “você devia ter ficado calado e aproveitado a situação como estava, ou pelo menos ter tentado conversar com ela antes de arrumar uma namorada tão rápido, seu otário”. O sorriso de parecia confirmar aquelas palavras que achava estarem sendo berradas em alto e bom som para ele.
E a pior parte era saber que aquilo era exatamente o que ele devia ter feito, mas não fez.
deu zoom, mas não conseguiria ver nada, não podia simplesmente enxergar a alma dela por uma foto para saber se ela estava mesmo feliz por trás daquele lindo sorriso que ostentava. Se ele não tinha conseguido desvendar isso pessoalmente na casa de Sergio Ramos alguns dias antes, não conseguiria através de uma foto, por melhor que fosse a resolução da câmera.
tinha feito stories, não sabia quantos ou qual o conteúdo, não tinha aberto nenhum deles e nem pretendia, não queria ver coisas que o deixassem mais triste e desapontado do que já estava. O melhor era ignorar aquela foto e seguir sua vida como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse visto a foto. Como se não tivesse visto como ela estava linda. Como se não tivesse ouvido sua consciência falando, com a inconfundível voz de , que ele tinha perdido a chance de realmente terem alguma coisa. Como se ele não estivesse sentindo muita falta dela. Ele tinha que manter o foco, porque em alguns minutos entraria em campo para mais um jogo.

- Você está se sentindo bem? – Nacho perguntou se aproximando de e se sentou ao seu lado.
- O suficiente pra entrar em campo e sair daqui com uma vitória. – respondeu dando de ombros.
- Então tenta não quebrar seu celular, acho que ele não tem nada a ver com seja lá qual for o seu problema. – Nacho falou e só então percebeu que apertava o telefone com mais força que o normal, os nós dos dedos ainda mais brancos que o normal, afrouxando o aperto e colocou o celular dentro da mochila. – Você está bem mesmo?
- O suficiente pra entrar em campo e sair daqui com uma vitória. – repetiu, dessa vez com um tom decepcionado e suspirou. – Mas só.
- Você devia ter resolvido isso com ela, .
- Você também sabe? – perguntou num misto de surpresa e susto.
- Sei do quê? Que você brigou com a Sara? Tá na sua cara. – Nacho falou como se fosse a coisa mais óbvia.
- Não deu tempo de conversarmos sobre o que aconteceu. – mentiu aliviado por não ter sido descoberto.
- Voltamos logo depois do jogo, manda uma mensagem falando que precisam conversar. E lembre-se de que você está errado, não interessa o que aconteceu, a culpa é sua.
- É, eu sei. – deu um sorriso sem humor pela resposta do amigo que, mesmo sendo para uma mentira, também servia para a verdade, e deixou o celular na mochila.
- Hora de subir. – Bettoni se pronunciou, atraindo a atenção dos jogadores, que se puseram de pé para sair do vestiário e irem a campo para o jogo contra o Athletic Bilbao.

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- Seu time está entrando em campo. – Gian falou mais alto, sentado no sofá.
voltou da cozinha com um balde de pipoca se sentou ao lado dele. estava no chão, ao lado dela, e encostou a cabeça no joelho de .
- Preciso dizer que estou odiando estar segurando vela.
- Podemos fazer um menáge. – brincou e piscou para , que fez uma careta.
- Deus que me livre.
- Então deixa pra quem aguenta. – respondeu dando de ombros e Gian a abraçou, trazendo o corpo dela pra mais perto do seu.
- Eu vou é sair de perto dos seus pés, sei que vai dar merda ver esse jogo aqui do chão. – falou e se sentou ao lado dela no sofá.
- Só não ouse ir embora, você sabe o que acontece quando não vemos os jogos de La Liga juntos.
- A única coisa que eu sei é que você é doida e acha que é por não assistirmos juntos aos jogos que o time não ganha.
- Todos os jogos que nós perdemos, nós vimos separados. Então tem que ter alguma relação sim, não apenas o time estar oscilando entre jogos sendo o Real Madrid e jogos em que é o Real, só que o Sociedad.
- Então vocês viram a final da Champions juntos? – Gian perguntou e eles negaram.
- Isso é algo apenas para La Liga essa temporada. – deu de ombros.
- E Copa Del Rey.
- A Champions não?
- Normalmente nós vemos todos os jogos juntos, de todas as competições que o Real jogue, mas a Champions parece imune ao poder da nossa união. Nós vimos os dois jogos contra o Tottenham juntos, por exemplo. – deu de ombros.
- E aí ela cria umas superstições loucas e sem sentido, achando que nós dois assistirmos juntos aos jogos é o que faz o time ganhar.
- Não é sem sentido. E para de falar, o jogo vai começar. – o empurrou de leve com o joelho e ele soltou um “ai” baixo.
- Eu posso torcer contra o Real Madrid? – Gian perguntou e lhe lançou um olhar ameaçador, fazendo o rapaz erguer as mãos. – Tudo bem, não está mais aqui quem falou.
- Acho bom mesmo.

O juiz apitou o início do jogo com a saída para o time da capital. A postura do Real Madrid era bastante ofensiva, como era de se esperar, mas muito mais ineficaz do que já vinha sendo naquela temporada. Ainda que Cristiano Ronaldo e Karim Benzema tivessem desencantado em La Liga, os dois não sairiam distribuindo gols a torto e a direito nos jogos que acontecessem. Infelizmente.
Eles chutavam, chutavam, chutavam, mas não conseguiam abrir o marcador, pois, como sempre, os goleiros dos times adversários sempre resolviam fazer “o jogo de suas vidas” contra o Real Madrid e estavam sempre a postos para atrapalhar os lances perigosos do time merengue.

- Nada de novo sob o sol. – comentou quando o irmão recebeu um cartão amarelo logo no início do jogo, fazendo os outros dois rirem.

O jogo estava bastante corrido, com boas chances tanto para o Real Madrid quanto para o Athletic Bilbao, mas nenhuma efetividade nas finalizações de ambas as equipes. Kepa Arrizabalaga defendeu duas boas finalizações de Cristiano Ronaldo, a trave se encarregou de impedir outras tantas do time merengue, além das diversas chances perdidas por chutes mal calculados, impedimentos, erros nas finalizações e nos lances em que a zaga fez seu papel e tirou o perigo. O primeiro tempo terminou sem gols e os times saíram de campo quando o juiz apitou o intervalo.

- Eu odeio quando o Real joga assim. – falou e suspirou desgostoso.
- Nem me fale. Eu odeio quando a gente não tem efetividade, que o meio não ajuda na criação de jogadas e lá na frente as bolas se perdem. Eu adoro o Karim, mas ele não tá rendendo o que pode e o que sabe já faz um tempinho.
- Cadê o Bale? – Gian perguntou pegando pipoca que ainda estava na vasilha.
- Acho que ele nem viajou, não tenho certeza se ele já se recuperou e pode voltar a jogar. – respondeu dando de ombros. – Sinto falta do meu trio BBC goleador.
- Todos sentimos. – resmungou.
- Eu não sinto falta nenhuma de ninguém do Real Madrid. – Gian disse rindo.
- É você que tá pesando o time! – estreitou os olhos, tentando fazer uma cara ameaçadora e Gian riu, segurando o rosto dela entre as mãos e lhe deu um selinho demorado.
- Eu ainda estou aqui, caso vocês tenham esquecido. – falou num tom entediado.
- E o time está voltando. – se sentou virada para a televisão, preparada para prestar atenção no jogo que recomeçaria.

O segundo tempo começou intenso, o Athletic começou ameaçando mais do que na primeira etapa e até mais que o Real Madrid, chegando muito perto de conseguir o gol logo no primeiro minuto da segunda etapa. Após a cobrança de tiro de meta feita por Keylor Navas, o Athletic Bilbao recuperou a bola e tentou voltar a ameaçar, mas Toni Kroos voltou até a defesa para tomar a bola do jogador, que se preparava para passar para o companheiro que estava livre, e lançou a bola visando encontrar Cristiano Ronaldo livre mais a frente, mas parou de acompanhar a trajetória da bola quando viu caindo de um jeito estranho depois de pular para tentar pegar a bola.
Ele chegaria ao lance antes de Cristiano, mas foi impedido pelo pé do rival que o acertou em cheio nas costelas, fazendo com que ele caísse pouco à frente da linha do meio campo.
Cristiano foi o primeiro a insurgir contra o autor da agressão, pois era o que estava mais próximo do lance, e os demais jogadores do Real Madrid se aproximaram para fazerem o mesmo, os jogadores do Athletic Bilbao também começavam a se aproximar em defesa do companheiro e a confusão foi iniciada, tudo isso com ainda caído e sem se mexer.
Os médicos do Real Madrid entraram em campo o mais rápido que puderam e conversavam com enquanto realizavam um atendimento prévio. Ele estava acordado, mas atordoado.
encarava a televisão desesperada e com lágrimas nos olhos que estavam prestes a cair. Não podia chorar. Ela sentia o corpo tremer e a garganta tinha secado imediatamente, quando caiu daquela maneira, quase se fechando.
foi retirado de campo na maca, enquanto a confusão entre os jogadores continuava, apesar de boa parte ter sido dissolvida. Sergio Ramos ainda discutia veementemente com o agressor e com o capitão do outro time. O juiz expulsou o agressor e amarelou Cristiano e Karim Benzema, além de advertir Sergio Ramos para que ele diminuísse o tom de suas reclamações, ou sairia mais cedo do jogo também. foi substituído por Lucas Vázquez e o jogo continuou.

- Você está me machucando. – disse baixo no ouvido dela, colocando a mão sobre a de , acordando-a do transe em que se encontrava.
tinha apertado tanto as unhas no braço de que um filete de sangue saía de uma das marcas.
- Desculpa. – pediu baixo e ele afagou a mão da amiga.
- Caralho, o cara quase matou o . Olha ali. – Gian se pronunciou em choque e sentiu o ar lhe faltar de novo quando encarou a reprise do lance em câmera lenta, fazendo parecer ainda pior. As travas da chuteira atingiram em cheio a lateral do corpo de , na altura das costelas, e ele caiu de um jeito estranho. – Tomara que não tenha sido nada grave.

O jogo terminou ali para , ainda que ela não tenha saído da sala, apenas ficou sentada olhando para a tela e sem expressar nenhuma reação com os lances que seguiram. não tinha ido para o banco, foi conduzido diretamente para o túnel, o que só mostrava que a situação não era boa e que alguma coisa séria tinha acontecido.
O jogo terminou empatado em zero a zero, com Sergio Ramos sendo expulso próximo ao final da partida após fazer uma falta que motivou um cartão amarelo, e como ele já tinha sido advertido, foi mandado para o vestiário mais cedo. Pouco depois o juiz apitou o término do jogo e os jogadores saíram de campo. se pôs de pé para ir embora, alegando que tinha um artigo para ler e precisava escrever alguma coisa para seu trabalho de conclusão de curso.

- Acho que não nos vemos mais até você ir embora. – disse estendendo a mão para Gian.
- Também acho que não, vou embora antes de ir pra aula amanhã. – Gian disse dando um sorriso de lado e cumprimentou .
- Faça uma boa viagem. Você é sempre bem-vindo, principalmente pra curtir as noites madrilenas com a gente.
- Farei o possível para voltar em breve. – Gian falou dando um sorriso. – Eu vou tomar um banho.
- Vou descer com o e ver se tem alguma coisa na portaria. – falou e ele assentiu, seguindo pelo corredor até o banheiro, enquanto ela e saíam em silêncio do apartamento até o térreo.
- Tá tudo bem? – perguntou quando chegaram ao lado de fora do prédio, depois de terem feito todo caminho em total e completo silêncio.
- Estou me sentindo a maior idiota do mundo por estar preocupada e por ter ficado tão afetada.
- Não se sinta, é normal se sentir assim, ainda que vocês nunca tivessem se envolvido. Eu fiquei preocupado, foi uma agressão horrorosa e ele caiu de um jeito bem estranho, não tem como não se preocupar, . E também tem o fato de que você gosta dele, então se preocupar e ficar desesperada e afetada é uma consequência natural.
- Eu queria muito nunca ter ficado com ele, porque eu estaria preocupada apenas por ser um jogador importante que se machucou e não por ser o cara de quem eu gosto! Eu nunca mais eu vou beber na minha vida, . – se lamentou num tom sofrido, recebendo um sorriso de , que a abraçou e lhe deu um beijo demorado na bochecha.
- Tudo bem, sem mais álcool pra você, Ramos. – respondeu fingindo levar a sério o que ela tinha dito.
- Desculpa por eu ter te machucado.
- Não vai me atrapalhar em nada, então tudo bem. Vou até tirar uma foto e mandar pra minha mãe, falar que foi você quem fez isso, ela vai amar. – brincou e a soltou do abraço.
- Eu devia ter me apaixonado por você, seria muito melhor. – concluiu, fazendo rir.
- Você estaria com o coração partido de qualquer forma, Ramos, você não faz meu tipo e já te falei, prefiro evitar a dor de cabeça que você me daria.
- Então dê um jeito da sua vida dar certo, porque senão... – ela disse tentando usar um tom de brincadeira, apontando para si e ele riu.
- Vou baixar o Tinder e resolver essa situação, pode deixar. – falou dando uma piscada e rolou os olhos, sendo abraçada novamente. – Volta pra casa, Ramos. Aqui tá frio.
- Manda uma mensagem quando chegar em casa,
. Eu te amo e obrigada por isso. – pediu.
soltou um “uhum” antes de apertar um pouco mais em seu abraço e voltar a lhe dar um beijo no rosto, para que se soltasse e seguiu até o próprio carro, saindo dali pouco tempo depois.

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: Sei que eu não devia mandar essa mensagem, você tem sua namorada e nós dois não somos nada mais, mas fiquei preocupada, porque o lance foi feio e como você não voltou, imagino que tenha sido algo sério e bem ruim, então eu queria saber como você está.
Sei que eu podia perguntar ao Sergio, mas prefiro perguntar diretamente para você.
Enfim, desculpa o incômodo e melhoras

não sabia se ainda estava zonzo pela pancada recebida e a quantidade de analgésicos tomada para aliviar um pouco da dor, ou se aquela mensagem, de fato, existia. E quando percebeu que não era uma armadilha de seu cérebro cansado e dopado, que a mensagem estava mesmo ali e que aquela notificação era mesmo de , ele não pode evitar dar um sorriso.
Ele queria que fosse quem estivesse esperando por ele em Madri, que fosse ela que o aninhasse em um abraço preocupado e cheio de cuidado e carinho, como costumava ser em seu retorno dos jogos, fossem eles no Bernabéu ou fora.
Resolveu não abrir a mensagem antes de chegar em casa, não sabia como responder, ainda que as palavras fossem “só tem como saber se algo mais sério aconteceu quando eu fizer um exame mais detalhado amanhã, a princípio não é nada grave, mas te dou notícias assim que eu souber”.
O time já estava embarcando de volta para Madri, ele teria uma noite difícil pela frente com as dores pela pancada, mas só de ler que ela queria saber como ele estava e se estava tudo bem, diretamente com ele e não por outras pessoas, o ar pareceu mais fácil de respirar e menos dolorido.



Capítulo 13 – Maybe I’m too busy being yours...


…to fall for somebody new. (Do I Wanna Know? – Arctic Monkeys)

- EU JÁ VOU, , INFERNO! – gritou do banheiro ao ouvir as insistentes batidas na porta do apartamento.

Saiu enrolada na toalha e com os cabelos cheios de espuma, mesmo que Madrid estivesse absurdamente fria, ela estava lavando os cabelos a noite, era o único momento que tinha para fazer aquilo e era realmente necessário que o lavasse naquele dia. sabia que era quem estava batendo insistentemente na porta, afinal ele tinha dito que estava indo para lá, porque queria conversar sobre um trabalho que tinham para fazer na faculdade.
Estranho era o fato dele ter subido sem tocar o interfone, mas vindo de , não duvidava que ele tivesse ligado e conversado com o porteiro antes e deixado sob aviso que chegaria mais tarde e precisaria subir direto. E o porteiro aceitaria, porque estava sempre ali.
poderia deixá-lo esperando do lado de fora até que terminasse de tomar banho, mas, aparentemente, ele não pararia de bater na porta e era capaz de derrubá-la no soco se continuasse batendo daquele jeito, então ela seguiu pelo corredor, enrolada na toalha e com restos de shampoo pelo cabelo, até chegar à porta, ele podia esperar do lado de dentro. Pelo menos ela esperava que sim.

- Porra, eu tav... ?
- Desculpa. – pediu ficando sem graça ao perceber como ela estava. – Pode terminar de tomar banho, eu espero.
- Ahn... Entra. – falou ainda confusa, mas abriu mais a porta, dando passagem para e a fechou assim que ele entrou no apartamento. – Aconteceu alguma coisa?
- Termina de tomar banho, preciso organizar meus pensamentos antes de conseguir falar com você tudo o que preciso falar. – falou e o encarou, arqueando uma das sobrancelhas. – Não aconteceu nada que não possa esperar você terminar de tomar banho, . E vai logo, você vai ficar gripada se ficar só de toalha. Já basta que você está lavando o cabelo uma hora dessas.
- O aquecedor está ligado, – ela deu de ombros. – mas fique à vontade, vou terminar meu banho e já volto. deve chegar daqui a pouco.
- Ele não vai chegar, fui eu quem pediu pra que ele te falar isso, mas só pra que você não fosse dormir cedo. E se eu falasse que vinha, você nem estaria aqui.
- Então você precisa parar de chamar no interfone de outros apartamentos pra chegar até aqui, . Vai me arrumar uma multa no condomínio. – falou séria e ele assentiu. – Eu vou terminar meu banho e já volto.
- Eu te espero aqui. – disse por alto, e lhe deu as costas, seguindo pelo corredor e voltando ao banheiro.

demorou um pouco a reaparecer na sala, usando um conjunto de pijama de moletom grosso, meias e secando os cabelos com a toalha, tomando um lugar no sofá e observou , que estava sentado na poltrona e sacudia as pernas nervoso, provavelmente organizando as palavras que queria usar, como disse que faria. bem que tentou, mas não fazia ideia de como começar, então ele apenas a olhava sério.
não conseguia acreditar que estava mesmo na sala daquele apartamento que ele tinha frequentado com bastante assiduidade por alguns meses, que sabia de cor o local de cada objeto e como era a decoração. Ele mesmo ainda não tinha assimilado que tinha feito Marco ligar para ele, simulando uma urgência que o fizesse sair de casa, deixando Sara para trás para “descobrir do que o amigo tanto precisava, que não podia esperar o dia seguinte”.
Não se sentia bem por ter feito isso, mas precisava sair de lá antes que falasse algo que não deveria, porque Sara nada tem a ver com a bagunça que sua vida se tornou depois de entrar nela e virar tudo de cabeça pra baixo, da melhor e da pior forma que ele conseguia pensar.

- E então, a que devo a honra? – se pronunciou depois de um tempo em silêncio e a olhou.
- Primeiro eu quero te pedir desculpas por ter envolvido nisso e por aparecer aqui desse jeito.
- E qual é a motivação?
- Nós nunca conversamos sobre o que aconteceu entre nós, . Na verdade, nós não conversamos nem durante a nossa conversa, apenas discutimos, trocamos uma dúzia de palavras ásperas e decisões foram tomadas de forma precipitada.
- Fale o que você tem pra falar então.
- Eu quero conversar, . Não quero só falar e nem só ouvir. Vamos só... só resolver tudo, pode ser? Não aguento mais conviver com essa sombra que me acompanha desde aquele dia.
- Você pode começar a falar, já que a ideia de vir até aqui foi sua. – falou séria e tomou ar de forma demorada.

o observava esperando que ele começasse a falar o que queria, não tinha um julgamento no olhar ou um ar irritado pela aparição repentina, só estava esperando que ele falasse e que começassem a conversar, mas demorou a fazer isso.
Ele se ajeitou na poltrona e passou as duas mãos pela touca que tinha na cabeça antes de tomar ar de novo e só então abrir a boca. E ele a abriu e fechou três ou quatro vezes, mas não falou, ainda não sabia o que dizer. Na verdade, ele sabia bem o que precisava falar, mas não sabia como falar.
Em sua cabeça aquilo tinha sido muito mais fácil e a essa altura ele já estava em casa com tudo devidamente resolvido e sem mais problemas entre os dois, mas estar ali, sentado em frente para ela, era completamente diferente de ensaiar na frente do espelho ou de imaginar a situação.
Na imaginação e nos ensaios ela não estava lá pessoalmente, e a presença dela era o que tornava tudo tão complicado. se sentia falhando miseravelmente na missão “resolver a situação” que tinha se dado para cumprir, estava imaginando que deveria ter ido embora enquanto tomava banho e fingido que sua ida até ali nunca tinha acontecido.

- Desculpa. – finalmente falou depois de muito tempo em silêncio, mas não a olhava, tinha os olhos em suas próprias mãos, que estavam juntas e apoiadas em seus joelhos.
- Pelo quê? – perguntou confusa.
- Por semana passada, por aquele dia. Por ter sido como foi. Eu não dev...
- , – o interrompeu. – você vai conversar comigo ou com o chão? Você pode olhar pra mim, eu não vou arrancar seus olhos. Eu acho. – falou e soltou um risinho pelo nariz, erguendo os olhos e encontrando os de , que não carregavam julgamento ou coisas ruins, eram apenas aqueles olhos que ele tanto gostava de ver.
- Desculpa por aquele dia, . Eu fui muito... Eu não devia ter falado daquele jeito, dado um ultimato da forma como foi, não que eu não quisesse resolver a situação, mas a abordagem não foi certa. Eu não devia ter sido tão rude e podia ter deixado para conversarmos sobre aquilo depois, com a cabeça mais fria, mas agi num impulso e acabei tornando o que tínhamos em algo que não está suportável.
- Eu passei aquele dia inteiro me lamentando por ter mentido, . Eu fui idiota e imatura, mas quando tomei coragem de pedir desculpas e falar sobre tudo para que pudéssemos resolver aquela questão implícita, que estava mais do que explícita, entre nós, eu fui recebida pelas minhas coisas devolvidas na portaria do meu prédio.
- Aquele “ou somos isso ou não somos nada” me fez agir de maneira irracional muito mais rápido do que deveria, e acabei envolvendo uma pessoa que não tem nada a ver com essa bagunça.
- E ela sabe que você está aqui?
- Não. E nem faz ideia que nós dois tivemos alguma coisa. – respondeu sério e suspirou. – Eu gosto da Sara, . Gosto mesmo, de verdade. Mas não do jeito que eu gosto de você. E nem vou perder meu tempo falando que te amei, no passado, porque não é no passado, é no presente mesmo e isso é um inferno! Um verdadeiro inferno, porque eu me corroí de ciúmes daquele maldito italiano, quando você estava lá e quando ele esteve aqui, mesmo sabendo que eu não tenho esse direito, porque você não é absolutamente nada minha e é livre para fazer o que quiser e sair com quem quiser sem ter que dar satisfação pra alguém. E sei que é injusto me sentir assim, mas às vezes eu sinto vontade de nunca devia ter cedido aos pedidos dos meus amigos e ido àquela boate e nem ter te respondido quando você puxou papo comigo lá, porque isso entre nós nunca teria começado e eu não estaria tão confuso e perdido como estou. Não me arrependo pelo tempo que passamos juntos, foi ótimo, mas eu me arrependo por tudo que veio quando terminamos. E às vezes sinto vontade de nunca ter deixado você sair daquele quarto sem que a gente conversasse sobre tudo de forma madura e sem exaltação, tudo teria sido resolvido da forma certa e no tempo certo. Quando eu não estou me lamentando por ter ido àquela boate, eu estou me lamentando por ter te deixado ir embora daquele jeito.
- Eu sempre soube que você saía com a Sara. Eu vi uma foto quando estava em Munique, não tínhamos nada, mas eu posso te dizer que me senti da mesma forma, que senti ciúmes em te ver com outra, principalmente quando as datas bateram com a vez em que você me dispensou e quando me deu um bolo, mas não tínhamos nada e você era livre para ficar com quem quisesse. E sei que vocês também saíam juntos quando nós estávamos aqui, mas eu não podia falar nada, porque eu me recusava a acreditar que nós tínhamos algo além de amizade. Eu também saí com um cara, o Nyan, você sabe quem é.
- O da festa do Dani? O primo dele?
- Isso. – confirmou. – Mas nós apenas nos beijamos e depois da festa do Dani aquilo entre nós acabou, porque eu simplesmente não conseguia mais fazer aquilo, eu só queria te beijar, só queria ficar com você e mais ninguém conseguiria mudar isso. Na verdade, até antes da festa, porque eu queria ficar com você, mas lá, infelizmente, não tive como fazer isso. E eu não vou te julgar por se sentir assim sobre o dia da boate e sobre o dia da nossa briga, eu também me sinto desse jeito. Teria sido muito mais fácil se isso entre nós nunca tivesse começado, porque nenhum de nós dois estaria assim, triste e despedaçado. O tempo que passamos juntos foi maravilhoso, mas os estragos do final não são bons. – falou e os dois ficaram em silêncio por um tempo.
Palavras demais tinham sido ditas e precisavam ser processadas e devidamente digeridas.
- Hoje ela me chamou de “mi Magia”. – falou dando um risinho melancólico pelo nariz, depois de um tempo olhando para e ela desviou o olhar, mordendo a parte interna da bochecha. Ela tinha começado a chama-lo assim e adorava. – E eu basicamente entrei em pânico quando a ouvi falar, de forma tão espontânea, e me enfiei no banheiro, fiz Marco me ligar e fingir que precisava de mim o mais rápido possível, porque eu precisava sair de perto dela antes que eu fizesse outra merda.
- E entrou em pânico por quê?
- Porque eu só gosto do som disso quando sai da sua boca. – falou sem cerimônias e o encarou surpresa. – Usamos aquela hashtag, mas não é a mesma coisa que te ouvir falar assim comigo. E eu não aguento isso mais. Não quero magoar Sara, não quero te magoar, não quero me magoar, mas parece que tudo vai me levar a magoar alguém, no fim das contas. Depois daquele domingo que você ficou com o , eu não consegui ficar em paz. Seu irmão e eu tínhamos conversado naquela semana sobre o que aconteceu entre nós e eu simplesmente não me lembrava de ter te pedido pra ficar com o . E aí quando eu te vi lá em casa, quando vi como ele fica com você e como gosta de estar com você, como ele te adora e a forma como ele te olha admirado, e depois, quando cheguei, que você me olhou daquele jeito triste e dolorido, eu me senti o cara mais filho da puta do mundo inteiro. E eu me odiei profundamente, porque te fiz chorar e te decepcionei de uma forma que eu nunca quis. E aí veio o italiano, a forma como nós nos tratamos na casa do seu irmão, depois aquela mensagem... , eu fiquei tão feliz ao receber uma mensagem sua falando que estava preocupada comigo e da forma doce como você falou! Eu fiquei muito feliz, de verdade. E desde então minha cabeça está mais confusa ainda.
- Você fez uma escolha, , que foi me deixar ir embora. Você escolheu Sara e ela te escolheu. Ela é simpática, muito bonita e educada, gosta de você e você também gosta dela.
- E você não gosta de mim?
- Mais do que deveria. – respondeu sincera. – Eu não devia ter mandado aquela mensagem, , mas eu fiquei realmente preocupada.
- Você podia ter perguntado ao seu irmão.
- Podia, mas eu queria falar com você. – voltou a falar com sinceridade e deu um sorriso agradecido pela preocupação.
- Você ia falar comigo naquele dia? Digo, no dia da nossa discussão?
- Eu estava voltando pra casa depois de ensaiar mentalmente tudo que falaria com você, até pensei em ir direto pra sua casa, mas eu queria tomar um banho e te mandar uma mensagem perguntando se eu podia ir até lá, só que recebi minhas coisas na portaria, isso foi o suficiente pra entender o recado de que as coisas entre nós dois não podiam mais ser consertadas. E a partir daquele dia eu comecei a achar que se eu pudesse voltar no tempo, eu nem mesmo teria saído de casa e ido praquela boate, porque eu não teria te encontrado e nada disso teria começado.
- E me encontrar foi ruim?
- Eu não sei. Talvez sim, talvez não. Porque se isso não tivesse acontecido, eu não teria me tornado uma bagunça tão grande de sentimentos e não teria feito você entrar nessa bagunça, mas eu estaria mentindo se dissesse que foi ruim, porque o tempo que nós estivemos juntos foi maravilhoso e eu não tenho nada a reclamar, só a agradecer. Eu nunca fui de me apaixonar, tanto que eu tive um único namorado, eu era apaixonada por ele e ganhei um belo pé na bunda por nada. Nós namoramos alguns anos e ele simplesmente terminou comigo, porque nunca tinha gostado de mim de verdade e tinha ficado tanto tempo comigo por ter se acostumado a namorar. Depois disso eu não gostei de verdade de ninguém, eu saía com um ou outro cara, mas nunca mais tive nada sério, porque não tinha ninguém que eu me interessasse o suficiente. E aí você apareceu, bêbado no bar tomando um toco fenomenal e me chamando pra beber mais ainda antes de eu conseguir te levar pra dançar e finalmente te beijar e nós irmos pra sua casa. E me fez gostar de você dessa forma tão intensa e natural, sem pressa e sem pressão. E me assustou ver como era difícil manter aquela regra estúpida de não sair com um jogador quando o jogador em questão era você.
- Então qual a dificuldade de ter deixado isso de lado e ter me dito a verdade?
- Você merece alguém que não tenha problema nenhum em assumir isso para quem quer que seja e no momento que for. E você já a encontrou. Eu fico realmente feliz por você, apesar de sentir um pouco de ciúmes e estar triste pelo fim da nossa história, mas sei que essa é sua chance de fazer dar certo.
- Você devia ter me dito isso, ao invés de mentir falando que não gostava de mim e que nunca cruzaríamos uma linha que já tínhamos cruzado há bastante tempo.
- É, eu podia. E me arrependo muito por não ter feito isso, mas são águas passadas e águas passadas não movem moinhos.
- É muito estranho o jeito como você me faz sentir. – confessou e suspirou pesadamente, jogando a cabeça para trás e encarando o teto, com as mãos entrelaçadas sobre sua própria barriga.
- Eu me sinto da mesma forma sobre você. – também confessou. – Essa é sua chance de fazer dar certo, . Não a desperdice.
- Nós estamos em momentos diferentes? Porque é isso que eu tenho usado pra me convencer de que eu fiz a escolha certa de começar a namorar Sara. – perguntou, voltando a olhá-la nos olhos.
- Momentos diferentes? – perguntou confusa.
- É. Eu não quero só curtição, já passei dessa fase. Eu quero alguém pra ter algo sério, que me dê a chance de ter uma família, mais um ou dois filhos, talvez, e viver feliz pra sempre. Clichê, eu sei, mas é isso. Eu não quero meu filho vendo uma mulher diferente sair da minha casa a cada dia, eu não quero ser esse tipo de pai e nem esse tipo de pessoa. Então, eu tento me convencer de que você não queria namorar, porque não estava afim de nada que te impediria de ser livre para curtir o momento, sem pensar no futuro e essas coisas. – explicou e a encarou esperando uma resposta.

Não, definitivamente não estavam em momentos diferentes, porque ela também queria alguém para ter algo sério. Quer dizer, ela queria ter algo sério com ele, ter uma vida e um futuro com ele, mas ela falaria aquilo?
Não podia arriscar falando que sim, que era verdade o que ele tinha dito sobre estarem em momentos diferentes, e vê-lo ficar mais decepcionado ao perceber a mentira; mas falar a verdade também era um risco, pois se ele resolvesse que isso era suficiente para terminar o namoro e correr de volta para ela, seria um problema. Sara não tinha nada com aquilo e eles não podiam brincar com os sentimentos dela assim.

- Essa eu vou deixar você decidir o que quer como resposta, . – respondeu por fim. – Eu quero te pedir desculpas por ter sido egoísta, por não ter pensado nos seus sentimentos e ter colocado meus medos acima do que eu queria de verdade, mas há males que vem para o bem e talvez isso seja apenas para provar que a Sara é sua chance de fazer tudo dar certo no final.
- Ou talvez seja apenas pra que a gente cresça um pouco separados e depois voltemos à mesma sintonia. Eu sinto sua falta, . – falou sincero e não respondeu. Não precisava falar, ele sabia que ela também sentia falta dele.
- Acho que você devia ir embora. – se pronunciou depois de um tempo em silêncio.
- E como nós ficamos?
- Da mesma forma que antes de nos encontrarmos naquela boate, . Você joga no time pelo qual eu torço e na seleção do meu país, é amigo do meu irmão e só. Bom, posso ser babá do seu filho sempre que você precisar.
- De amigos nós vamos passar a meros conhecidos?
- É o melhor, . E você sabe. Não arrisque o que você tem com Sara. Não vale a pena.
- Vale. – falou dando um sorriso sem humor e suspirou. – Você vale a pena, . Sara não tem nada a ver com nossa bagunça e eu me sentiria péssimo por magoá-la, mas eu arriscaria muita coisa por você.
- Não vale a pena. – repetiu. – E é melhor você ir embora, ela deve estar preocupada com você e com Marco. Invente uma história realmente boa para convencê-la sobre essa saída repentina de casa.
- Desculpa, de novo, por tudo. Pela forma como foi e por aparecer aqui desse jeito. – falou, se colocando de pé e fez o mesmo que ele.
Os dois caminharam em silêncio pelos poucos passos que os separavam da porta e quando pararam, a olhou demoradamente.
- O que foi?
- Eu sinto sua falta. De verdade. – falou e a abraçou.

ficou em choque um breve segundo antes de abraçá-lo de volta. Aquele abraço que se davam sempre que ele chegava de viagem e que parecia ser de encaixe perfeito. aspirou o perfume que vinha de antes de afastar o rosto do dela, ainda mantendo o abraço, e a olhou nos olhos, levou uma das mãos para acariciar o rosto de , que fechou os olhos ao sentir aquele carinho do qual sentia tanta falta. voltou a aproximar seus rostos, juntando suas testas, ainda com a mão acariciando o rosto dela.

- Ouvi uma música essa semana, lembrei de você. – sussurrou, os lábios tão próximos que chegava a ser doloroso que não estivessem selados em um beijo. – “Do I Wanna Know?”
- Sei qual é. – respondeu quase em um sussurro enquanto o observava inebriada. Totalmente hipnotizada por aqueles olhos.
- Foi você quem salvou essa no meu Spotify. – foi a vez dele sussurrar fechando os olhos. – Maybe I’m too busy being yours to fall for somebody new.
falou num sussurro e seus lábios roçaram nos lábios de , mas antes que se beijassem, num estalo de lucidez e sanidade, ela espalmou a mão no peito dele, o afastando.
- Não. – se afastou e o olhou ainda perturbada com tudo. – Tchau .
- Mas...
- Sem mas. Você tem pra quem voltar, tem a quem beijar e que não merece esse tipo de coisa. Vai embora.

não respondeu, apenas se virou e foi embora pelas escadas quando o empurrou para o lado de fora do apartamento e fechou a porta, não conseguiria ficar esperando o elevador, sabia muito bem que voltaria a bater na porta, que a beijaria e o estrago seria muito maior do que já estava. Ele saiu do prédio e seguiu em seu carro totalmente silencioso para sua própria casa, frustrado, mas sabia que ela tinha razão ao não se render e beijá-lo.
fechou a porta atrás de si e foi para o quarto sem pensar muito, ligou o secador de cabelos para não dormir com os cabelos molhados, mas mais ainda para usar o ruído e afastar aquela música de sua cabeça, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto.





Continua...



Nota da autora: Olá!
Espero que vocês tenham gostado da conversa sincera desses dois e não esqueçam de deixar aqui os comentários sobre o que acharam!





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