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Última atualização: 05/10/2020

Prólogo


— Você tem que me prometer , me prometer que nunca vai se apaixonar pela . — Jonas dizia a , enquanto os dois se encaravam em silêncio.
— Porque isso agora? — questionou Jonas, enquanto folhava novamente a revista de música.
— Ela é minha irmã , e eu não quero nem pensar em vocês juntos, ou na possibilidade de você se interessar por ela. — Jonas firmou a voz e retirou a revista das mãos de .
— Isso é idiotice Jonas, você sabe que a não me interessa. Sua irmã é chata pra caramba, eu jamais me interessaria por ela. Agora devolve a minha revista. — se sentou na cama e olhou para Jonas, que mantinha o olhar sob ele.
— É sério , promete? — Jonas rosnou para que balançou a cabeça.
— Tá, se isso é tããão importante pra você, eu prometo. — rolou os olhos e apertou a mão do amigo.
— Isso é importante pra mim . Você tem que cumprir essa promessa, tá me ouvindo?
— Eu já prometi Jonas, agora devolve a merda da minha revista. — se levantou, pegando a revista da mão do amigo.
— Se você quebrar essa promessa algum dia , eu juro que a nossa amizade acaba nesse momento. Entendeu?
— Eu já entendi Jonas e já prometi que não vou me apaixonar pela sua irmãzinha, chata e sem noção. Tá satisfeito? — ergueu a sobrancelha e encarou o melhor amigo.
— Eu acho bom. — Foi tudo que Jonas disse, antes de sair do quarto de , o deixando sozinho com seus próprios pensamentos.

Promessa era algo importante e para essa seria fácil, ele não iria se apaixonar pela , ele jamais nem sequer pensou nisso. Mas, as promessas também foram feitas para serem quebradas, essa era a lei natural da vida. Foi isso que sentiu, ao avistar pela janela do seu quarto, escondendo os olhos com as mãos de modo que se protegia do sol e olhava para ele. Foi assim que começou, foi naquele instante que ele soube que não seria nada fácil manter aquela promessa.



Capítulo 1 - .


Eu passei a minha vida toda ouvindo que os homens não se apaixonam, que os homens não querem relacionamento sério. Eu ouvia isso de todos que conhecia, do meu irmão e de todos os meus amigos, que os homens só querem saber de pegar e não se apegar, sempre fugindo ao menor indício de que a coisa estava ficando mais séria. Meu pai era um desses exemplos, ele vivia um casamento de aparências com minha mãe depois de uma traição e mesmo que tenha sido minha mãe quem traiu, ele preferiu manter o casamento diante da nossa família, mas eu sabia que ele hostilizava muito minha mãe pelo que tinha acontecido. Eu não entendia muito bem tudo aquilo e sinceramente, eu preferia não entender. Talvez seja por isso, por esse histórico de traições e submissões sem precedentes em minha vida, que eu nunca percebi que o estava apaixonado por mim, ele se apaixonou por mim bem antes de eu perceber alguma coisa. Eu nunca pensei que ele pudesse se apaixonar, era aquele adolescente rebelde, que não levava nada a sério, que vivia se metendo em confusões, que bebia até perder a linha nas festas, por isso, eu nunca cogitei a ideia de que ele pudesse estar apaixonado por mim. nunca se apaixonou antes, por nenhuma garota, ele entrava naquela estatística dos homens que não se apaixonam e não se envolvem com nenhuma mulher. Eu sabia do histórico dele, da fama dele em pegar as meninas e depois não querer mais nada com elas. Ele tinha aprendido isso com meu irmão Jonas, que ensinou tudo que sabia a ele, sobre as mulheres.

O que eu não poderia prever era que o beijo dele iria mexer tanto comigo, do jeito que mexeu. Eu nunca tinha sido beijada daquela maneira antes, eu nunca tinha sido beijada com tanto tesão, com tanto desejo. O beijo dele era bom demais, tanto que depois daquele beijo, algo dentro de mim se acendeu e eu vi que estava completamente rendida, que eu não teria mais escapatória, o beijo dele me viciou completamente. Naquele momento tudo que eu sabia sobre os homens, parece que sumiu, eu via isso no olhar dele, a gente se descobriu naquele beijo. Bastou um beijo para eu que começasse a enfim reparar nele, no quão ele era bonito – não que eu nunca tivesse reparado, mas era diferente – comecei a reparar nas linhas de expressão que ele tinha no rosto e em como o sorriso dele era lindo pra cacete, e comecei a querer ouvir a voz dele, todos os dias. Aquele beijo mudou tudo entre nós dois, mudou completamente a situação, eu estava começando a sentir algo a mais, mas ele ainda estava preso a maldita promessa que tinha feito a meu irmão, de que nunca se apaixonaria por mim e isso foi o mais complicado. Promessas são importantes, e quando se tratava de uma promessa entre o e o meu irmão, era algo realmente importante. Mas, não tinha como negar que existia algo entre nós dois, os nossos corpos não conseguiam mais esconder, muito menos nossos corações. Nessa altura, o meu coração já estava ligado ao dele, e eu não podia mais negar que existia um sentimento entre nós dois.

Foi quando eu conheci o verdadeiro , aquele que se escondia por trás daquela máscara de rebelde sem causa, eu conheci o que sentia, que se apaixonava, que não sabia lidar com seus sentimentos, conheci o que sentia culpa, que carregava a culpa da morte dos pais, mesmo que não tenha sido sua culpa. Eu pude conhecer o que se apaixonou pela irmã do melhor amigo e que estava tendo que lidar com a culpa de ter quebrado uma promessa. Todo aquele paradigma de que homem não se apaixona e de que homem não sofre por amor, foi quebrado pelo . Ele amava, ele se apaixonava e estava apaixonado por mim. Eu não conseguia entender, como que eu fui tão burra em não perceber isso antes, isso esteve lá o tempo todo, estampado na minha cara, mas eu nunca percebi.

Eu queria saber o exato momento que me apaixonei por ele, talvez tenha sido mesmo naquele beijo, mas talvez tenha sido bem antes disso, e eu que não queria admitir que estava gostando do melhor amigo do meu irmão. Talvez eu tivesse medo, por ele ser o adolescente que era, por ele ser assim tão irresponsável, ou talvez por que eu não queria admitir, que estava gostando de um cara que era mais novo que eu e que não levava nenhuma mulher a sério. Mas eu não podia negar que o amor sempre esteve ali, bem perto de mim, que o amor do sempre esteve presente em minha vida, mesmo que tenha vindo disfarçado de amizade.

O nosso amor surgiu no momento em que nossas mãos se cruzaram. Não ouve frio no estômago e nem as tais das borboletas no estômago. Foi algo que fez tudo se encaixar em uma fração de segundos, eu estava lá e ele também, o que era pra ser certo não se deixou acabar quando os nossos braços se entrelaçaram e aí então nos abraçamos. Eu soube que o amava no exato momento em que não precisei pedir e ele veio, como se soubesse o que eu queria. Não ouve intensidade e nem lembranças passadas, houve um momento em que deixei de ser chata e passei a mergulhar naquela timidez, entrando junto na mania dele ficar na defensiva, sempre. Não há maneira melhor de dizer que o amor dele me transformou, da maneira mais clichê e ridícula, mas que é isso que vai me faz agradecer todos os dias por ele não ter deixado que nossos pés seguissem caminhos diferentes.

Mas, ainda havia um certo receio em meu tudo, afinal eu nunca tinha me apaixonado antes, não como eu tinha me apaixonado por ele. Em um ano, minha vida mudou completamente, eu troquei meu emprego, saí da casa dos meus pais e decidi vir morar com o , no seu apartamento. Construímos nossa vida, dia após dia, enquanto lidamos com o fato de que não contamos para ninguém que estamos juntos. Isso é culpa do comportamento do meu irmão em relação a mim, ele sente ciúmes, eu não sei o porquê disso e talvez eu não queira saber. Eu tenho medo do que o Jonas pode fazer se vier a descobrir do meu relacionamento com o , mas eu tenho certeza de que ele não aprovaria e faria da minha vida o próprio inferno. Ter que conviver com aquilo, com medo do meu próprio irmão, era bizarro demais, mas era necessário. Um ano parece muito tempo pra quem namora em segredo, e realmente é, mas eu sabia que não poderia ser assim para sempre, uma hora eu teria que deixar meu medo de lado e abrir o jogo com todo mundo. Eu e conseguimos construir nossa relação com muito amor, carinho e dedicação, todos os dias. Ele era o cara mais incrível que eu poderia ter conhecido na minha vida.

Eu nunca pensei que pudesse ser tão feliz na minha vida, como eu estava sendo ao lado dele. Eu nunca achei que existisse um cara tão apaixonado, tão intenso e tão dedicado como o era. Eu sabia da sorte que eu tinha por ser eu a mulher quem ele escolheu amar, eu sabia da sorte que eu tinha pela vida que construímos naquele ano. Amar um amigo era bom demais, era se sentir segura o tempo todo, era ter uma pessoa para conversar e confidenciar segredos que você não contaria a outro alguém qualquer. Era isso que eu sentia toda vez que eu lembrava da minha relação com , dois amigos que um dia se descobriram apaixonados e decidiram viver aquele amor, mesmo sabendo que tudo ao redor ditaria o contrário. A gente decidiu arriscar, vivendo aquele sentimento todos os dias, tornando aquele ano, o ano mais especial de nossas vidas.

Quando tudo parecia estar perfeito, algo começou a mudar. Fazia uns dias que eu acordava enjoada, como se tivesse um buraco dentro de mim, que eu estava sem apetite pra nada e tudo me dava náuseas, me fazendo querer vomitar a qualquer hora. Já faziam uns dias que eu vinha notando que a minha menstruação estava atrasada, mas não era nada demais, ela sempre atrasou antes, ou pelo menos era isso que eu queria acreditar. Talvez eu estivesse com medo de admitir o que estava acontecendo, mas mesmo assim, eu fui a farmácia e comprei o bendito teste, apenas por desencargo de consciência. Eu não estava grávida, eu não poderia estar grávida, eu e sempre nos protegemos e sempre tomamos o maior cuidado do mundo, para que situações como aquela não viessem a acontecer. Por isso, eu sabia que era praticamente impossível eu estar grávida, eu tinha plena certeza que era o stress, os enjoos e falta de apetite só poderiam ser causas do stress.

O que era pra ser apenas mais um domingo calmo e sem nenhum acontecimento mais agitado, se transformou completamente, em questão de minutos. Eu acordei bastante enjoada naquela manhã, a náusea veio com o cheiro de café que o vizinho estava passando, aquilo não poderia ser normal. Eu respirei fundo, e então fui para o banheiro, no segundo seguinte o vaso conheceu o conteúdo de meu fígado. Eu me sentei na beira da banheira, pegando do móvel ao lado aquele maldito teste. Eu precisava tirar aquela dúvida de mim, eu precisava saber e confirmar que era o stress, que não tinha mais nenhum motivo para aqueles enjoos sem pé nem cabeça. Eu fiz o xixi em cima do objeto branco com azul e o coloquei do meu lado, torcendo para que desse negativo e eu pudesse tirar aquele peso das minhas costas.

Já tinham se passado quase dez minutos que eu tinha feito xixi nele, mas ainda não tinha tido coragem de olhar o resultado. Eu fiquei divagando em meus pensamentos, analisando toda a minha vida, desde que eu beijei o até aquele presente momento. Eu estava nervosa e as minhas pernas denunciavam isso, já que balançavam de um lado ao outro, sem parar. Eu não queria olhar o resultado, eu estava morrendo de medo do que poderia estar marcando ali. Fiquei alguns segundos ali parada, analisando toda a minha vida, ponderando todos os pontos da minha relação com , a fim de fugir do resultado daquele teste. Só despertei daquele devaneio, quando escutei as batidas na porta do banheiro. A realidade estava batendo a minha porta, literalmente.

— Amor, tá tudo bem? — Escutei a voz de me chamando do outro lado.
— Tá sim, tá tudo bem. — Eu respondi, me esforçando ao máximo para parecer bem.
— Você tá trancada aí dentro, tem certeza de que você está bem? — Ele me questionou mais uma vez. Maldição, porque ele tinha que me conhecer tão bem?
— Estou sim amor, já saio. — Respondi mais uma vez, enquanto tomei coragem para ver o resultado do teste.

“Positivo: 3-5 semanas”

Eu estava grávida, o resultado do teste estava lá, estampado na minha cara, como luzes em uma árvore de natal. Eu respirei fundo e por um momento, um medo tomou conta de mim, um medo que eu não compreendia, mas que invadiu meu interior. Olhando aquele resultado, que piscava na minha cara, eu soube exatamente o momento em que aquela gravidez aconteceu. Foi na semana do aniversário do , a gente saiu, foi comemorar só nós dois em uma balada e depois fomos para um chalé na praia, lá a gente transou sem camisinha, mas eu nem tinha me ligado nisso, a gente estava tão feliz e tão apaixonado naquela ocasião, que nem nos ligamos nisso. Saber que eu estava mesmo grávida, me assombrava, me deixava inquieta e com um certo medo, um medo que eu não conhecia, até aquele momento. Eu não sabia também se o estaria pronto para assumir essa responsabilidade que é ser pai, mesmo conhecendo o , eu não tinha como saber qual seria a reação dele. Eu e ele nunca falamos sobre filhos, sobre aumentar a família ou até mesmo sobre construir uma família, a gente se amou como se não houvesse o amanhã naquele ano que ficamos juntos, mas em nenhum momento nós tivemos a conversa sobre filhos. Talvez no fundo eu ainda tivesse medo, medo daquele irresponsável de antes aparecer e tomar conta dele, fazendo com que ele rejeitasse aquele filho. Era ridículo eu pensar isso, conhecendo o homem que eu amava, ele jamais rejeitaria um filho nosso, ou pelos menos era isso que eu queria acreditar. Eu também nunca pensei em ser mãe, eu não sabia se estava pronta para isso. Filho era uma grande responsabilidade e era uma responsabilidade para duas pessoas, eu não queria nem pensar na possibilidade de ter que criar aquele filho sozinha.

— O que tá acontecendo? — me questionou assim que eu abri a porta do banheiro e dei passagem para ele entrar.

Eu fiquei em silêncio, eu não conseguia dizer nada, o enjoo começou a voltar e tudo que eu queria era vomitar e sair correndo dali eu queria me esconder na cama até que aquele medo deixasse meu corpo. me encarou, olhando direto em meus olhos, ele sabia que estava acontecendo alguma coisa, ele sabia que eu estava morrendo de medo, ele me conhecia muito bem. Ele me abraçou e eu comecei a chorar, eu nem sabia o porque estava chorando, eu só sabia que as lágrimas saiam dos meus olhos e com o passar dos segundos, o medo começava a desaparecer. Eu me soltei do abraço dele e então o beijei, eu precisava beijar aquele homem, eu precisava daquele beijo, eu precisava ter certeza de que nada iria mudar, eu precisava beijar o homem que agora era o pai do meu filho. me olhava com o semblante confuso, ele não estava entendendo nada, e eu não podia o culpar, eu mesmo estava confusa demais com aquela revelação, por alguns segundos eu até esqueci como se respirava, imagina ele quem nem sabia de nada ainda. Olhei para ele mais uma vez, e então segurei sua mão.

— Eu preciso te contar uma coisa, . — Levei a mão dele para a minha barriga, colocando-a bem no centro.

me olhou e ergueu a sobrancelha, me encarando desconfiado e no instante seguinte, o semblante confuso deu lugar a um sorriso sem precedentes, assim que meu sorriso confirmou aquilo que ele estava tentando entender. Os olhos dele ganharam um brilho novo e com ele as lágrimas também invadiam seu rosto, se misturando a um sorriso que eu passei a admirar, ele estava feliz, ele estava feliz com aquela notícia. Vê-lo reagir aquela notícia com tanta felicidade, me fez ter certeza de que não poderia ter sido diferente, me fez ter certeza de que eu escolhi o homem certo para me apaixonar e para ser o pai dos meus filhos. Os olhos deles estavam presos em mim, ele não conseguia encarar nada em volta, ele só tinha olhos para mim naquele momento.

— Eu te amo, . — Foi o que ele disse, assim que conseguiu recuperar a consciência.
— Eu também te amo, . — Correspondi aquele gesto, o beijando.
— Vamos ter um filho, eu nem acredito nisso. — Ele me encarou com o mesmo brilho no olhar de antes.
— Eu estava apavorada, achando que você poderia não gostar da novidade. — Eu segurei o rosto dele com as minhas mãos e ele suspirou.
— Olha , meu amor, um filho nosso é tudo que eu sempre quis.
— É que a gente nunca falou sobre isso, sobre filhos. — Eu indaguei, enquanto ele ainda sustentava aquele sorriso.
— A gente não planejou metade das coisas que aconteceram , você realmente acreditou nosso filho ia ser planejado? — sorriu e então se abaixou, ficando de frente a minha barriga.
— O que você tá fazendo, ? — Levei minha mão a cabeça dele e ergui ela em direção ao meu olhar.
— Vou conversar com meu filho, dá licença. — Ele fez um bico e então voltou a olhar minha barriga. — Oi filho, tudo bem? Eu sei que você chegou assim de repente, sua mamãe não estava preparada pra você e eu também não estava, mas saiba que aqui do lado de fora, tem muito amor te esperando.

Fiquei encarando aquela cena, enquanto sustentava um sorriso alegre em meus lábios, eu me rendi completamente aquele momento. Eu me rendi completamente aquela declaração do sobre nosso filho, porque era isso mesmo, nada tinha sido planejado, mas ele seria recebido com muito amor e carinho. O tinha razão, nada em nosso relacionamento foi planejado, as coisas só aconteceram, tudo foi acontecendo como tinha que acontecer e tinha chegado aquele momento, quando descobrimos que tudo que sentíamos agora tinha se transformado em um bebê. Todo meu medo sobre a reação de em relação a gravidez, se esvaiu no instante em que eu escutei aquela declaração para o nosso filho. Ele estava pronto para ser pai e eu de certa forma estava pronta para ser mãe, mesmo sabendo que não seria nada fácil.

A ficha caiu naquele instante, eu estava grávida, esperando um filho do homem que eu amava, mas ainda tinha um assunto que rondava e assombrava minha cabeça: Jonas. Ainda tinha aquele assunto em aberto e eu sabia que isso era o único problema que teríamos que enfrentar pela frente, o meu irmão era o único que podia acabar com aquela felicidade, eu e sabíamos disso, sabíamos dos riscos daquela relação, desde o começo. Aquele medo me assombrava, me deixava tensa e aflita com a menor hipótese do meu irmão descobrir tudo e fazer da minha vida o próprio inferno. Eu tinha mais medo agora, que não envolvia apenas a mim e ao , agora aquilo dizia respeito ao nosso bebê. Minha vida tinha acabado de mudar mais vez, exatamente como há um ano e agora tudo seria diferente. Havia mais uma vida em jogo, uma vida inocente que não tinha culpa do comportamento irracional do meu irmão. Dessa vez não teria outro jeito, eu teria que achar um equilíbrio naquilo tudo e enfrentar meu medo, eu tinha que tomar coragem e abrir o jogo pra todo mundo. Eu precisava pensar no meu bebê, e precisava pensar no que aquilo causaria se eu continuasse escondendo de todo mundo o meu relacionamento com o .

O amor é mesmo algo engraçado, ele te dá e ao mesmo tempo de te faz sentir medo, medo de perder tudo que você conquistou e construiu em nome daquele sentimento.

O medo é algo que te consome, é algo que te faz perder a respiração por alguns segundos, e é pior ainda quando se trata do medo de uma pessoa que você amou, que você sempre confiou e que foi criado para ser o seu alicerce quando tudo viesse a desabar, o pior medo que poderia existir é o medo do seu próprio irmão gêmeo, que foi feito para ser a sua cara-metade, sua outra parte. Mas, eu tinha medo do meu próprio irmão e do que ele era capaz de fazer, se soubesse que eu estava namorando o melhor amigo dele e que teríamos um filho.

Minha vida se dividia em dois momentos: Na felicidade de que eu e teríamos um filho e no medo que eu tinha de Jonas.

E naquele momento, tudo que eu queria era viver aquela notícia do nosso bebê, tudo que eu queria era amar o ainda mais, se é que isso seria possível.



Capítulo 2 - .


Eu acordei naquela manhã sentindo um vazio estranho ao meu lado na cama, um vazio que eu não estava mais acostumado a sentir, desde que eu e decidimos morar juntos. Se fosse há uns anos atrás, eu nem ligaria em acordar sozinho na cama em uma manhã de Domingo, eu ficaria até feliz com isso, já que naquele apartamento, as garotas nunca passavam a noite. Houve uma época em que eu me orgulhava disso, de ficar com as garotas só por uma noite e na manhã seguinte acordar sozinho e livre. Mas, agora era diferente, o cheiro da estava em todo o canto naquele apartamento, estava na roupa de cama, nas toalhas do banheiro, nas almofadas do sofá, e até nas minhas roupas, o cheiro dela invadia aquele apartamento e isso só servia para me deixar ainda mais apaixonado.

Eu, , jamais cogitei a ideia de me apaixonar um dia, confesso. Nunca pensei que poderia amar alguém, eu não me dava esse luxo, já que na minha vida, todos que eu amo, acabam morrendo. Meus pais por exemplo, eles morreram quando eu tinha dois anos de idade, e eles morreram porque tinham ido ao shopping, comprar meu presente de natal, na volta o carro perdeu o controle e capotou, os levando a óbito na hora. Desde então eu fui criado pela minha avó materna, Glória, uma mulher guerreira e de fibra, que fez das tripas coração para me dar uma boa criação. Eu cresci respeitando aquela mulher como se fosse a minha própria mãe, o que não deixava de ser, já que ela me criou desde criança. Quando eu conheci o Jonas na escola, eu ganhei um amigo, que mais tarde se tornou meu irmão, o irmão que eu nunca pude ter. Com ele, veio a , sua irmã, uma menina que já era linda desde criança, que arrancava elogios de todos com quem ela convivia. sempre fora uma menina bonita, turrona, e decidida daquilo que queria para sua vida. Mas o tempo passou, a gente cresceu e no calor dos hormônios da nossa adolescência, o irmão dela me fez prometer que eu nunca me apaixonaria por ela, que eu não me aproximaria dela com outra intenção que não fosse ser seu amigo.

Eu não me dava ao luxo de me apaixonar por ninguém, foi isso que eu martelei a minha vida inteira, tentando esconder de todos os meus sentimentos. Eu não me sentia digno de amar alguém e muito menos deixar que alguém me amasse, além da minha avó. Eu nunca soube o que era o amor verdadeiro, aquele amor intenso, que trás consigo um fogo, uma chama que se acende sempre que você tá com a pessoa que você ama. Aquele sentimento nunca me invadiu antes, em partes porque eu nunca me permiti senti isso e outra parte porque eu sabia que o amor machucava, que muitas das vezes amar era complicado, que trazia escolhas e eu odiava ter escolher alguma coisa em minha vida. Porque se eu tivesse que escolher, eu escolheria que meus pais não morressem naquela merda de acidente, eu escolheria não ter feito aquela maldita promessa, que me pressionou a esconder de todos que eu estava me sentindo completamente apaixonado pela . Eu sabia que amá-la seria um risco, não só pelo meu histórico de tragédias que envolvia o amor, mas também pelo fato de que eu tinha me tornado um adolescente irresponsável, que não levava nada a sério e aquilo ainda me assombrava, mesmo depois de tanto tempo. Mesmo depois de um ano, eu ainda sentia o peso daquilo em minhas costas e eu ainda custava acreditar que finalmente eu tinha conhecido o amor, mesmo não me achando digno desse sentimento. Hoje, eu sabia que tudo que eu fiz me levou até aqui e talvez ter sido o adolescente que eu fui, me transformou no cara que eu sou hoje, completamente apaixonado pela mulher mais incrível do mundo. Mesmo eu sendo quatro anos mais novo que a , eu sei que nossas vidas foram ligadas pelo amor. Agora eu sei, agora eu me sinto digno de amar aquela mulher maravilhosa, eu me sinto digno de sentir amor por alguém.

Mesmo eu sendo ainda novo em questão de idade, eu tive que lidar com tudo que a vida me tirou, tive que aprender a lidar com a dor de perder meus pais quando eu ainda era uma criança. Eu tive que aprender a não sentir aquela culpa já que eu me culpava todos os dias pela morte deles, eu tive que crescer sem meus pais, aprendendo todos os dias a suportar aquela dor, que era imensa. Minha avó me criou com todo amor que podia existir em seu coração imenso, mas era foda não ter meus pais por perto, não poder contar a eles coisas triviais do meu dia a dia. Era foda não ter meu pai por perto, não poder falar pra ele sobre eu estar apaixonado por uma garota e que eu não podia ficar com ela, era foda não ter meu pai para me dar conselhos sobre como conquistar uma mulher, era foda não ter tido meu pai presente nos meus campeonatos de natação, foi foda não ter meu pai comigo quando eu recebi minha primeira medalha no campeonato escolar. Era foda também, não ter minha mãe por perto, para me dar conselhos e me afugentar em seus braços quando eu estivesse triste e confuso, era difícil demais não ter meus pais do meu lado, eu precisava deles todos os dias, eu tinha muito amor por eles, amor esse que eu não podia dar a eles. Meus pais eram a coisa mais importante da minha vida, eram duas pessoas que eu amava e respeitava, mesmo que não lembrasse nada deles. Eu os carregava comigo, em uma foto na minha carteira, eles sempre estiveram comigo o tempo todo, me incentivando de alguma forma a sempre melhorar e a sempre lutar por aquilo que acredito e a sempre lutar pelo meu direito de ser feliz. Aquela pose de adolescente irresponsável e pegador era pra mascarar quem eu era de verdade, no fundo, eu era igual meu pai, tímido e completamente refém dos meus sentimentos. Eu não lembro dele, mas minha avó sempre me falou que eu era muito parecido com meu pai nas questões do coração, ela sempre me disse que quando eu me apaixonasse, seria pra valer e eu que eu iria ficar completamente rendido aquele sentimento, que eu seria igual ao meu pai quando se apaixonou pela minha mãe. E foi exatamente isso que aconteceu, exatamente do jeito que minha avó previu e mesmo com aquela promessa me assombrando desde a adolescência, eu fiquei completamente apaixonado e rendido aquele sentimento que vivia em mim e atendia pelo nome de .

Aquela promessa foi quebrada na noite da festa do Marcos, quando eu a vi usando aquele vestido, que a deixava ainda mais linda do que sempre fora. Naquela noite eu soube que estava apaixonado por ela, que eu sempre estive, mas eu que eu lutei muito para esconder aquele sentimento dela. E como eu escondi isso? Simples, eu pegava todas as meninas que eu conseguia, mas, no fundo quem eu queria na minha cama, gemendo meu nome era a . Aquilo me torturou durante anos e tudo em nome de uma promessa ridícula que eu tinha feito aos dezesseis anos, quando eu não tinha controle nenhum dos meus hormônios. Teve uma época que esconder dela o que eu sentia ficou fácil demais, eu a via com os namorados e então eu voltava a guardar aquele sentimento no fundo do meu coração e partia para a próxima garota que eu traria para minha cama. Os pais de me tratavam como se fosse da família e aquilo deixavam as coisas ainda mais complicadas, eu sentia muita das vezes que estava cometendo um incesto em desejar , mas eu e não éramos irmãos, não tinha nada de errado naquele sentimento, a não ser o fato daquela promessa que me assombrou durante anos. A festa do Marcos serviu para que eu entendesse o quão ridícula era aquela promessa que eu tinha feito, eu entendi que eu podia sim amar a , que não tinha nada de errado nisso, e então eu a beijei, no chuveiro e caralho, foi o melhor beijo da minha vida.

Depois daquele dia, as coisas mudaram e tudo que escolhemos e decidimos em nome daquele sentimento nos levou a esse dia hoje, ao dia que eu acordo e estranho o fato dela não estar nua, deitada ao meu lado na cama. estava bem estranha esses dias, como se algo a atormentasse, e talvez eu soubesse o motivo, o único motivo que a faria perder o sono e a calma: Jonas. Fazia um ano que a gente estava namorando escondido de tudo e principalmente do irmão dela, aquilo deixava a bem nervosa quando ela pensava que tinha que esconder sua felicidade do próprio irmão. Ninguém entendia aquele comportamento do irmão em relação a ela, eu lembro que na infância ele era um Jonas completamente diferente com ela, era amoroso, carinhoso com a irmã. Mas na adolescência ele mudou, passou a tratar ela como se fosse o dono dela, controlando tudo na vida dela, quem ela namorava, quem ela transava, tudo. Aquilo sufocou a de uma maneira, que ela passou a se esconder do próprio irmão, tendo que inventar mentiras para que pudesse ter um minuto de paz em sua vida.

Quando decidimos morar juntos por exemplo, ela teve que inventar a maior mentira de que estava na hora de sair de casa e que iria morar com uma amiga, no centro da cidade. Na ocasião, Jonas fez o maior escândalo e aquilo só serviu para insistir que precisava sair de casa, ela precisava se livrar do olhar controlador do irmão sobre ela. Falar sobre o Jonas era algo que incomodava demais a , ela passou por muita coisa por conta daquele comportamento obsessivo do irmão com ela, então mesmo sabendo que ele faria da nossa vida o inferno quando descobrisse que estamos juntos, a gente preferia focar na nossa relação, deixando as preocupações para outra ocasião.

Eu sabia que a hora de abrir o jogo para todo mundo iria chegar e que nós dois teríamos que enfrentar os ciúmes do Jonas e a preocupação dos pais dela com aquela relação, que teríamos que explicar para todo mundo que estava acontecendo. Aquilo me deixava assustado pra caralho, mas eu amava a demais para deixar que qualquer coisa a tirasse de mim. Os barulhos do banheiro me alertaram de que alguma coisa estava errada, ela nunca se trancava no banheiro, ainda mais de manhã.

O que eu não podia esperar é que eu receber a notícia que eu recebi quando ela abriu a porta do banheiro e me deixou entrar. Grávida, a minha estava grávida, esperando um filho nosso, e isso era mais do que eu podia suportar. Eu não conhecia o amor de pai, eu não sabia o que isso era, eu não tive meu pai e eu nem poderia imaginar o que era ser pai, mas naquele momento em que eu soube que seria pai, foi como se algo tivesse se acendido dentro de mim e eu soube exatamente o que aquele sentimento significava. Ser pai, era amar um bebê que ainda nem tinha nascido, era se sentir responsável por alguém que teria seu sangue, que seria um pedaço de você do lado de fora, eu soube que ser pai era amar incondicionalmente. Eu soube que o nosso amor era maravilhoso, naquele momento em que eu soube que nós dois teríamos um filho, um filho que era fruto do mais puro e verdadeiro amor.

— Vou conversar com meu filho, dá licença. — Ele fez um bico e então voltou a olhar minha barriga. — Oi filho, tudo bem? Eu sei que você chegou assim de repente, sua mamãe não estava preparada pra você e eu também não estava, mas saiba que aqui do lado de fora, tem muito amor te esperando.

Foi o que eu disse assim que consegui absorver e entender o que estava acontecendo, eu amava tanto aquela mulher que eu não saberia nem descrever. O amor que eu sentia pela era algo que me fazia sentir vivo, que me fazia querer pegá-la no colo toda hora e encher de carinho, que me fazia querer beijar aquela boca maravilhosa toda hora. Que me deixava ainda mais apaixonado quando ela ficava nua e gemia meu nome, era isso que eu sentia por ela, um amor forte e intenso que agora se transformou naquele bebê que eu mau conhecia e já amava com todas as células do meu corpo. Eu sempre achei que o amor não era pra mim, que eu, por ser homem não era digno do amor e de tudo que ele causava nas pessoas, mas naquele momento eu soube que eu podia amar, eu soube que eu era digno sim do amor, que eu merecia aquela felicidade toda. Eu amava cada pedacinho dela, amava cada sorriso que ela tinha, cada olhar, cada curva daquele corpo maravilhoso que ela tinha e que me enlouquecia só de olhar, eu amava a por completo, com todas as variações de humor, com todas as atitudes que ela tinha, eu amava aquela mulher com o pacote completo. Ela soube como me envolver, soube como me fazer me apaixonar por ela todos dias e agora me fez ficar ainda mais apaixonado pelo nosso filho que ela estava carregando.

Nada na minha relação com a foi planejado e agora não foi diferente, nós nunca falamos sobre filhos e sobre construir uma família, mas eu sabia que aquilo era o certo, eu sabia que era certo amar aquele bebê, mesmo que ele não tivesse sido planejado, ele era bem vindo e seria amado com todas as minhas forças, e eu tenho certeza que a também amaria aquele nosso bebê com todas as forças que ela tinha dentro dela. Ela era assim, ela amava com intensidade, ela sentia com força e não conseguia ser de outra forma, com nenhuma pessoa. Essa é a que eu amo, essa é a minha mulher.

— Eu sei que nada entre a gente foi planejado, nem esse bebê agora. Mas, eu quero dizer, que eu te amo , eu te amo demais.
— Eu também te amo demais , obrigada por me amar e obrigada por amar nosso bebê. — Ela me encarou emocionada.
— Você não tem que agradecer nada, amar o nosso filho é a coisa mais fácil do mundo. Eu já amo a mãe dele, então... — Não consegui terminar de falar, ela me beijou e naquele momento eu senti toda aquela felicidade enquanto os lábios delas se deliciavam nos meus.

Eu tinha plena consciência de que o irmão dela viria com tudo pra cima da gente. Eu sabia disso, eu sempre soube que o irmão dela odiaria qualquer namorado dela. Mas pra mim isso já não importava mais, eu enfrentaria o que fosse vir pela frente. Eu enfrentaria o mundo por ela e pelo nosso filho. Agora, mais do que nunca eu tinha um motivo para isso, eu jamais deixaria que algo acontecesse a ela e ao nosso filho. Eu faria o que eu pudesse para amar aqueles dois, eu lutaria até o fim da minha vida, com todas as minhas forças para afastar toda e qualquer maldade que pudesse os atingir. Eu jamais permitiria que aquele medo que sentíamos do Jonas, atingisse o nosso bebê, aquilo seria algo que eu jamais deixaria acontecer.

Por um momento, eu deixei a minha mente vagar na lembrança da festa do Marcos, bem naquele exato momento em que eu me rendi e perdi aquela aposta, no exato momento em que eu soube que estava rendido e apaixonado pela . Aquela festa foi animal, inesquecível – em todos os sentidos – eu me lembro de bem pouca coisa, por causa do porre que eu tomei, mas eu me lembro da visão de deslumbrante e irresistível naquele vestido branco, eu me lembro que a visão dela me assombrou por dias e dias, eu não dormi por algumas noites, imaginando como seria tê-la na minha cama, gemendo e gritando por mim. Eu me lembro que passei uma semana a ignorando por causa daquele beijo no chuveiro – daquela parte eu me lembrava bem – e lembro que aquele beijo ficou na minha cabeça por semanas, até que ela resolveu me procurar e então demos o passo que mudou para sempre nossa história. Aquela festa foi decisiva para a nossa história, sem aquela festa, talvez as coisas não teriam acontecido e hoje eu não estaria tão feliz com a notícia de que eu tinha um filho a caminho.

As lembranças daquele momento depois da festa são os mais importantes para mim, pois, naquela festa eu soube que amava a e que não poderia mais me prender uma aposta que eu tinha feito a tanto tempo, em nome de uma amizade que hoje eu nem sabia se existia mais. Eu amava lembrar daquela noite, lembrar de como tudo aconteceu, de como aquele beijo no chuveiro mexeu comigo, de como o nosso primeiro beijo foi gostoso pra caralho. Eu tenho é que agradecer ao Marcos por fazer festas como aquela, eu tinha que lembrar de sempre o agradecer por isso.

Depois daquela noite, ela nunca mais saiu da minha cabeça e então eu percebi que era ela, sempre foi sobre ela. Sobre o que tínhamos em comum, sobre o que era certo. Que o que sentia por ela, nada mais era que amor. E então eu soube, eu esqueci aquela promessa idiota completamente. Depois daquele momento eu sonhei com esse agora, eu sonhei com a gente junto pra sempre. Mais do que nunca, com nosso bebê a caminho eu tinha certeza disso. Eu agradecia de não ter me ligado antes que eu estava apaixonado pela , se eu tivesse interpretado os sinais dela naquela época, eu a teria dispensado em nome daquela aposta idiota e provavelmente ela não teria nos dados uma chance e nem eu teria permitido me apaixonar por ela. E talvez, nós não estaríamos aqui hoje, nos beijando e transando excitados no banheiro, enquanto comemoramos a notícia da gravidez.

O amor nos ligou naquela noite para sempre, a força do amor nos trouxe até esse momento, o amor nos fez acreditar que nada é mais puro e mais bonito do que se permitir amar e deixar ser amado.



Capítulo 3 - Flashback - .


Casa do Marcos – 05 de Agosto de 2017


Todo ano, nosso amigo Marcos fazia uma festa como essa e convidava pelo menos umas cinquenta pessoas. Ele era o garoto mais bem sucedido de nossa turma, com apenas vinte anos ele havia ganho na loteria e desde então, ele morava sozinho em uma casa simplesmente deslumbrante, que poderia ser comparada aquelas mansões de filmes de Hollywood. Ele não ostentava enquanto estava conosco, no meio dos amigos, ele era o Marcos, o menino que cresceu no interior, em meio a galinhas e porcos. Aquela festa acontecia pelo menos umas duas vezes por ano, e era o jeito dele dizer que aquele dinheiro todo estava sendo usado da melhor maneira possível, ou seja, trazendo diversão aos seus amigos.

Estar nessas festas é sempre um desafio para mim, odeio aglomerações de pessoas e ainda mais quando se tratam de um bando de adolescente com os hormônios pegando fogo. Eu vim há essa festa apenas pelo fato dela ter sido promovida pelo meu amigo Marcos, que fazia questão que eu, Jonas e o sem noção do viessem. Marcos era um cara legal, só não sabia administrar muito bem o dinheiro que ganhou na loteria há dois anos. Hoje, ele tem apenas alguma sombra do que ele teve na época que foi o ganhador. Deixar que ele promova essas festas extravagantes, é o jeito dele em dizer que ele ainda tem grana e que pode ostentar um pouco. Para nós, os amigos mais próximos é uma forma de dizer a ele que estamos com ele no que for, nem que seja pra segurar a cabeça dele enquanto vomita.

O que mais me incomoda, não é nem o fato das festas do Marcos serem insanas a ponto de ter gostosas servindo bebidas nos peitos siliconados, e sim o fato de que meu irmão e o melhor amigo dele faziam dessas festas o ambiente de caça deles. Jonas, usa essas festas pra pegar mulher e depois ficar se gabando para os amigos dele, o que é ridículo. O , vem há essas festas para se embebedar e usar tudo que tem direito, porque mulher ele nunca pega, pelo menos não na minha frente.

Os dois eram unha e carne, enquanto eu, era a irmã no meio deles. Nunca achei legal essa ideia de ficar de babá deles onde eles vão, mas meu pai deixou bem claro as condições quando me deu o carro de presente ano passado. Eu teria que levar o Jonas onde ele quisesse e o também, eu achava isso uma merda, pois eu ficava parecendo a irmã chata que não deixava os dois se divertirem, o que não faz sentido nenhum. Eu estou nem aí para o que eles fazem nessas festas, a minha responsabilidade é apenas levar eles de volta para casa em segurança, quem eles pegam ou deixam de pegar não é da minha conta.

Eu sempre fui muito reclusa e antissocial, na maioria das vezes eu só vinha a essas festas por que era de extrema importância que eu cuidasse desses dois, mesmo contra a minha vontade. Só que se tem uma coisa que eu aprendi ao longo da minha vida é que, não se contraria o que o Sr. José Carlos Cipriano diz, a palavra dele é lei. Meu pai decidiu que eu era a mais responsável daquela relação esquisita, então eu era. Quando ele me presenteou com o carro, as condições foram bem claras: usar o carro para ir ao trabalho e levar os meninos nos rolês, garantindo assim a segurança deles e como eu queria muito aquele carro, eu aceitei.

Nós três chegamos à festa não era nem seis horas da tarde e assim que entramos, eu pude ter uma pequena noção do quão insana a festa seria esse ano, as loiras e ruivas peitudas que serviam os drinks no bar me fizeram ter a certeza disso. Jonas passou por mim agarrado com alguma menina, nós nem bem chegamos e ele já tinha alguém pendurado em seu pescoço. parou estático do meu lado, observando tudo ao redor boquiaberto, mas sumiu no segundo seguinte. Eu rolei meus olhos e respirei fundo, pelo jeito tudo que eu tinha dito no carro tinha sido em vão, a minha voz tinha sido completamente ignorada por eles dois depois que entramos na mansão Paiva. Aquela festa seria ainda mais insana que a outra, todos já estavam caindo de bêbados e chapados pelos cantos e não passava das seis horas da tarde.

Respirei fundo mais uma vez, ignorando também o fato de que aqueles dois não teriam mais jeito. O melhor que eu fazia era pensar em mim e tentar me divertir um pouco no meio de toda aquela gente, que a maior parte eu NUNCA tinha visto antes em minha vida e que provavelmente estavam ali apenas para se aproveitar do dinheiro do meu amigo. Percorri o corredor do lado esquerdo que levava a um pequena área com algumas árvores e segui para lá, eu podia pelo menos me esconder um pouco daquela bagunça toda, segui até lá jurando que essa seria a última vez que eu viria em uma festa do Marcos, mesmo que meu pai não aprovasse. Nas próximas, Jonas e o teriam que arranjar outra carona. Saí pela porta e encontrei um banco vazio, que dava para a vista do jardim lateral da casa, me sentei ali e observei a todos que estavam pelo gramado, bebendo, fumando se pegando. Bufei irritada, me amaldiçoando em todas as línguas possíveis por ter aceito ir aquela festa.

Aquela frase da música do Renato Russo: “festa estranha com gente esquisita, eu não to legal”, nunca fez tanto sentido como agora. Sentada ali há quase uma hora, tomando apenas uma garrafa de água que eu consegui pegar na cozinha do Marcos, eu pude escutar os gritos e risadas altas vindas da sala principal, alguém gritou “vira , vira” e aquilo chamou a minha atenção, os dois idiotas já estavam aprontando. Me levantei do meu esconderijo, ajeitei o vestido que insistia em subir pelas minhas pernas e segui o caminho de volta até a sala principal. No meio de uma roda de pessoas, virava uma inteira garrafa de vodca pura, sozinho.

Me recostei no balcão e fiquei observando aquela cena sem noção, forçando uma aceitação que eu não tinha em relação á isso. Bufei mais uma vez e então o virou o último gole e deu um berro alto, entregando a garrafa para uma das loiras que serviam. Joguei a cabeça para trás e cruzei os braços, voltando a olhar para ele em seguida. Ele me lançou um olhar de represália e sentou no sofá de couro em L com duas morenas em seu colo, fiquei encarando aquilo na esperança que ele não levasse a diante aquela cena patética, o que não deu muito certo. Uma delas sugou a boca de e ele continuou me encarando. Fiz um sinal com a cabeça que dizia: “o que você ta fazendo?”, ele apenas riu e então puxou o baseado de uma das meninas que estavam ao seu lado. O era um idiota, ou melhor, um adolescente insuportável. Lindo, mas completamente sem noção.

— Esses garotos não tem jeito mesmo, não é? — escutei uma voz feminina falar comigo e me virei para ela.
— Não.
— Eu sou a Mônica, prima do Marcos. — A menina de cabelos curtos e ruivos se apresentou.
— Eu sou a , irmã do Jonas e amiga desse sem noção aí. — Apontei para no meio das peitudas no sofá.
— Ele ta se achando um astro de rock ali sentado. — Ela nasalou uma risada e eu ri junto. Ela tinha total razão naquele comentário.
— Você tem razão, ele acha mesmo. — ri para ela que me devolveu com um sorriso e um aceno de cabeça.
— Vamos dar uma volta, achar as outras meninas. Somos poucas, tirando as peitudas do bar. Precisamos estar juntas no meio de tanta testosterona. — Monica me estendeu a mão e eu a segui.

Segui com Monica para o lado oposto de onde eu estava antes e pude passar bem ao lado de , que me encarou e eu o ignorei, o deixando ali sozinho. Dessa vez não iria bancar a responsável daquela relação esquisita, se ele se achava o puto responsável a virar uma garrafa de vodca inteira sozinho, eu o deixaria fazer o que ele quisesse. Não iria ficar o encarando apenas para inflar o ego dele em relação a todas as outras garotas.

Quando as meninas começaram a ir embora, o meu relógio marcava 1h25 da manhã. Todas as meninas se despediram, deixando apenas eu e Monica. Monica se ajeitou e disse que também estava na sua hora já, se despediu de mim e sacou o celular para chamar o seu Uber, e se eu não fosse a carona dos meninos até oferecia carona para ela. Aproveitei a deixa e me ajeitei para procurar pela casa os meninos, eu estava exausta e queria sumir dali o quanto antes. Avistei Mônica entrar no carro em segurança e então segui para dentro da casa, em total silêncio.

Passei pela enorme e pesada porta da entrada, e a cena me deu uma ânsia momentânea: todos estavam jogados pelos cantos, desmaiados e vomitados, o cheiro era mesmo insuportável. Tapei o nariz e segui pelos corredores estreitos da mansão atrás de Jonas e , sem sucesso por algum tempo e meu estômago começava a reagir a todos aqueles cheiros esquisitos misturados. Não demorou muito mais tempo e eu escutei um barulho vindo de uma das portas, a abri com dificuldade também e lá estava , cambaleando entre algumas garotas, caindo e levantando do chão.

Bufei e o reprimi com um olhar, mas ignorei qualquer reação minha aquela cena deplorável e corri em sua direção, o segurando antes que caísse mais uma vez. Ele me olhou completamente embriagado e agarrou meu braço, o seu olhar encontrou o meu e mesmo que em silêncio eu soube que o meu amigo queria sumir dali e a hora dele havia chego também. Com dificuldade ele se segurou em mim e passamos pelo corredor até a saída da garagem, destravei meu carro e o coloquei no banco do carona. tossiu e então jogou todo o seu corpo contra o banco, tombando um pouco para o lado, travei o sinto de segurança e então segui para o banco do motorista.

— Eu preciso te levar para algum lugar ... mas se eu te levar para a minha casa, meus pais vão surtar, ainda mais que não encontrei o Jonas em lugar nenhum, e se eu te lavar para sua casa, a sua vó vai me matar... — pensei alto e eu escutei se mexer um pouco do meu lado.
— Me leva.... Avenida Dom Pedro II, 266. — O ouvi resmungar e ergui a sobrancelha. Logo em seguida ele ficou calado e a cabeça tombou no vidro de modo que ele adormeceu.

Joguei o endereço no GPS do meu carro, que me levou até uma das avenidas mais cara de Florianópolis. Torci o nariz a hora que a imagem de um edifício bem chique apareceu nas referências do GPS, o nome “Edifício Corumbá” piscava diante meus olhos. As minhas opções eram bem limitadas, levar para minha casa e ouvir a bíblia de trás pra frente por conta dos meus pais, o levar para casa e a vó dele me bater com o rolo de macarrão, e o levar para esse endereço desconhecido.

Repassei as opções e decidi pela terceira, o lugar não poderia ser tão ruim, e pelo jeito já esteve lá, para que seu inconsciente o guiasse a me falar o endereço certinho. Me ajeitei no banco do motorista e liguei o rádio em alguma música qualquer, dei partida no carro e então segui o endereço marcado no GPS do meu carro.


Apartamento do . Edifício Corumbá, 1h35 da manhã:


Meu carro parou bem na entrada luxuosa daquele edifício e eu saltei do motorista, logo atrás um rapaz bem simpático veio em minha direção e me ajudou a tirar um completamente desmaiado do banco do carona. Segurei ele em meu braço e o carreguei pela porta da entrada, seguindo por uma recepção ampla e aberta, acordou de repente e sentou-se em uma das cadeiras da recepção. Uma moça saiu de atrás do balcão e veio em nossa direção, fazendo algum sinal para o moço do lado de fora que entrou em meu carro e seguiu para o estacionamento. Ela olhou para mim de pé e para jogado na cadeira e entortou os lábios. A vi caminhar firme sobre os Scarpins, se aproximando de nós dois.

— De novo, senhor ? — a ouvi dizer em tom irritado e não pude conter uma risada.
— De novo? — a questionei.
— Sim, não é a primeira vez que ele chega nesse estado aqui. Mas, pelo menos dessa vez ele teve a sorte de alguém trazê-lo. — A moça sorriu cordial para mim.
— Estávamos na mesma festa. — Respondi forçando um sorriso.
— Sou a Fátima, a recepcionista da noite. — Ela me estendeu mão e me cumprimentou.
, . Amiga. — me apresentei também.
— Quem bom que é a senhorita. Assim fica mais fácil deixa-la subir com ele e lhe entregar a chave reserva do apartamento. — Ouvi Fátima me dizer e mesmo sem entender nada, correspondi com mais um sorriso.
— Desculpe, não estou entendendo nada. — disse apressada, ao perceber que tentou se levantar.
— O senhor , ele deixou apenas uma pessoa na lista de autorizações da portaria, e essa pessoa é você. — ela apontou para mim.

Sorri envergonhada e a avistei seguir para o balcão, pegando alto de trás do mesmo.

— Aqui, o apartamento é o 16B, do lado esquerdo, oitavo andar. – Ela me entregou uma chave e então apontou para o elevador a nossa frente. — Qualquer coisa que precisar, interfone para a portaria, meu turno termina as 7h20 da manhã. — piscou.
— E meu carro? — a questionei antes de subir.
— Wallace, o manobrista o levou para a vaga do senhor , é a vaga F8. — ela respondeu cordial e eu agradeci com um aceno de cabeça.

Levantamos novamente com dificuldade, afinal levantar um cara de quase oitenta quilos e ainda desmaiado era uma tarefa quase que impossível. Fátima me ajudou até o elevador chegar, assim que entramos, apertei o número oito e logo o elevador partiu. Saí do elevador, com ele pendurado em meu pescoço e cambaleamos um pouco até a porta daquele apartamento, consegui abrir a fechadura sem mais dificuldades e assim que a porta abriu e a luz se acendeu, ele correu para o enorme sofá de couro preto que havia encostado na parede ao lado a porta, se atirando por completo lá e jogando os tênis pelo ar.

Travei a porta e então eu me dei conta, aquele apartamento era dele, só podia ser. Os troféus da natação em uma estante na sala me entregaram isso. Sorri embasbacada com aquilo, enquanto o escutei se remexer no sofá e passar como um vulto em direção a uma porta e assim que abriu, eu constatei: era o banheiro.

"Puta merda, que apartamento é esse, ?" — me questionei em silêncio e quando o vi pela porta do banheiro, ele estava agarrado ao vaso, vomitando.

Que ótimo, a noite seria longa. — bufei mais uma vez, e então corri até ele batendo os pés, antes que ele engasgasse com a própria saliva.

Segurar a cabeça de alguém enquanto ela vomita só é legal nos filmes mesmo, porque na vida real é uma merda, ainda mais quando a pessoa está colocando o fígado pra fora. soluçava e vomitava de cinco em cinco segundos, enquanto eu fiquei ali ajoelhada atrás dele, o segurando para que não caísse dentro do vaso sanitário. Alguns segundos depois ele se remexeu e fez um sinal com as mãos de que havia terminado tudo que pudesse haver em seu estômago. O levantei com facilidade dessa vez, já que seu corpo parecia estar alguns quilos mais leve, o sentei sobre a tampa do vaso e dei a descarga. Ele levantou a cabeça e me olhou em silêncio, sorri para ele e então o analisei, eu precisava fazer alguma coisa, ele estava um desastre ambulante.

Fui até o armário da pia e de lá peguei uma escova e uma pasta de dente, olhei para ele que me devolveu o olhar com o semblante curioso. Não precisou dizer nada e ele abriu a boca, o cheiro estava horrível como eu pensava, cheguei mais perto e escovei os dentes dele, alguns minutos depois ele cheirava a menta. O chuveiro ao lado dele gritou para mim e eu passei por ele, ligando o chuveiro na água mais fria que eu conseguisse. precisava de um banho gelado e de um café preto bem forte.

Escutei a água escorrer pelos canos e o ergui, tirando sua camiseta que revelou um peitoral até bem definido para alguém que largou a natação, há um ano. Com certa dificuldade, ele me entendeu, tirando as calças e em seguida a boxer. Ele ficou completamente nu na minha frente e eu não pude deixar de encarar - até que o tamanho não era de todo ruim - eu pensei, e se fosse em outras situações eu teria ficado bem envergonhada, mas era o , não tinha nada demais naquela situação. O empurrei para debaixo da água, encharcando o corpo dele. A água gelada em encontro ao corpo quente dele fez com que ele desse um supetão, ele piscou algumas vezes e me encarou confuso. Que bom que a água gelada o estava acordando aos poucos, ele se remexeu incomodado e então virou a cabeça para trás, deixando que a água escorresse pelo seu rosto perfeito. O segurei do lado de fora do box de vidro o máximo que eu consegui, ele precisava do maior tempo possível debaixo daquela água gelada. Quando ele já conseguia se manter em pé sem precisar de ajuda, eu soltei o braço dele e isso pareceu não o agradar muito, já que em um único movimento ele agarrou meu braço de novo. Bufei irritada, eu precisava fazer um café para ele melhorar, não tinha tempo para brincadeiras.

— Eu preciso fazer um café pra você . — eu falei a ele irritava, até caindo de bêbado ele conseguia me irritar.
— Não. — ele sussurrou embolado e sorriu torto pra mim. Rolei os olhos e tentei me soltar, mas ele olhou direto nos meus olhos e eu paralisei por alguns segundos.
— Porra , me deixa ir ali. — eu estava pronta para dar uns tapas na cara linda dele.
— Não antes de... Caralho , você é linda demais. — Ele deslizou a mão que segurava meu braço e parou no meu cotovelo, me puxando em um tranco para perto dele.

De repente, o calor que fazia do lado de fora do apartamento invadiu aquele banheiro e eu comecei a achar que nem mesmo a água gelada daquele chuveiro poderia esfriar o corpo de , que agora parecia estar pegando fogo. O meu corpo correspondeu aquele gesto, bem mais do que eu gostaria que correspondesse e também esquentou quando ele largou meu braço e agarrou minha cintura.

Não precisou dizer nada para que eu soubesse o que iria acontecer, a água espirrou em mim e eu tremi. pareceu se divertir com aquilo, ele sorriu e me puxou para dento do chuveiro, de modo que eu fiquei entre ele e o azulejo frio atrás de mim, no segundo seguinte a boca perfeita dele estava bem próxima a minha. Eu mau conseguia respirar com aquele corpo tão próximo ao meu me fazendo ter choques elétricos, enquanto molhava todo meu vestido ele roçou os lábios nos meus e eu abri a boca num movimento involuntário. Ele mordiscou meu lábio inferior e eu cedi, quando senti ele estava me beijando, de uma forma que eu nunca tinha sido beijada antes. Segundos depois ele me soltou e apoiou a mão na parede ao meu lado, me encarando com aqueles olhos grandes e escuros. Eu demorei alguns segundos para absorver aquela situação, ele estava nu e tinha me beijado, e o pior: eu deixei e eu gostei, pra caralho.

— Me desculpe, eu... — ele disse embolado e eu apenas sorri.
— Não esquenta, eu vou preparar aquele café, enquanto você se seca e veste uma roupa. — me desvencilhei dos braços dele e então saí a procura de uma toalha de banho. As encontrei no armário ao lado da pia do banheiro.

Entreguei uma toalha a ele, e a outra usei para me secar do pouco que havia me molhado. Saí às pressas do banheiro, antes que eu cedesse mais uma vez e fui até a cozinha. Vasculhei os armários e consegui encontrar tudo que eu precisava para preparar um café preto e forte, que faria o porre de sumir. O escutei sair do banheiro e entrar no quarto ao lado, enquanto eu ligava o fogão e colocava a água para ferver. Minutos depois o café estava pronto, o coloquei numa xícara e levei para ele que estava deitado na cama já, apenas de cueca. Me aproximei dele, pelo lado direito da cama e coloquei a xícara sobre a mesinha ao lado da cama, abri a gavetinha encontrando uma cartela de paracetamol edestaquei um, colocando ao lado para ele. Eu me sentia uma idiota por estar tão preocupada assim com ele, mas eu não conseguia evitar.

se empertigou e tomou um pouco do café, fazendo uma careta divertida em seguida. Eu não podia o culpar, o café estava forte e sem açúcar, mas isso era necessário. Ele tomou mais alguns goles, devolveu a xícara no mesmo lugar e voltou a se deitar. Sussurrou que queria água e então fechou os olhos. Balancei a cabeça e fui até a geladeira pegar uma garrafinha de água mineral, a deixei no mesmo lugar da xícara, que eu lavei e guardei no armário junto com os utensílios que usei no preparo do café. Voltei brevemente ao quarto e o vi dormir, sorrindo. Me aproximei dele, e o ajeitei um pouco com os travesseiros, desligando a luminária ao seu lado.

— Já que está em segurança e aparentemente bem, eu vou nessa. Tem um analgésico e uma garrafa de água na mesinha. — Sussurrei a ele, antes de lhe dar um beijo na testa.

Me levantei pra ir embora, quando o senti se virar e segurar minha mão. Ele abriu brevemente os olhos e me encarou de novo.

— Fica aqui comigo, dorme aqui comigo. — O ouvi dizer um pouco embolado e sonolento.
— Não posso . Tenho de ir do atrás do Jonas. — eu disse mesmo sabendo que ele não iria entender nada.
— Por favor, fica. — ele disse, esticando o braço para me chamar.
— Tudo bem, você não tá muito bem também, vou ajeitar o sofá e durmo lá. — sorri pra ele, que fez um sinal com a cabeça em sentido de negação.
— Nada disso, dorme aqui, essa cama é imensa. — ele se remexeu e abraçou a cama.

Comecei a rir do nada com aquelas palhaçadas dele, e se eu não estivesse tão preocupada com ele, eu ficaria bem mais irritada que o normal com aquelas insinuações dele.

— Seu vestido ta molhado... — ele abriu novamente os olhos e me analisou.
— Um pouco... — balancei a cabeça e ele arregalou os olhos.
— Pega uma roupa minha no armário e vamos dormir. — ele manteve os olhos estáticos enquanto me encarava.

Eu sabia que ele estava recuperando a consciência aos poucos, mas eu estava me divertindo com ele tentando parecer ainda embriagado então deixei que ele conduzisse aquela conversa. Era divertido quando o tentava mentir, ele era péssimo nisso, em inventar as coisas. Eu adorava isso nele, ele fingia que estava conseguindo me enganar e eu fingia acreditar, ele me divertia muito e isso me deixava mais leve e a vontade ao lado dele.

Eu aceitei com um movimento de cabeça, e ele sorriu para mim. Pude sentir os olhos dele em mim enquanto eu caminhava até seu guarda-roupas, de lá eu tirei uma de suas camisetas que estavam perfeitamente dobradas e alinhadas. Peguei ela na mão e foi inevitável inalar aquele perfume, uma mistura perfeita de amaciante e o cheiro dele, que era um daqueles perfumes que impregnava nas roupas, mesmo que você lavasse inúmeras vezes. Olhei de relance e ele fingia dormir, enquanto abria discretamente os olhos para me encarar. Balancei a cabeça e fui até o banheiro, não iria trocar de roupa na presença dele, ainda mais depois daquela cena que acontecera mais cedo, e só de lembrar das mãos dele em meu corpo, eu tremi. Tirei meu vestido já quase seco, devido ele ser feito de um tecido que dificilmente molha. Deslizei a camiseta dele pelo corpo, até que ela parou na metade da minha bunda. Me analisei no espelho que havia no banheiro e suspirei.

Que merda eu estava fazendo?

Voltei para o quarto dele, desligando a luz do banheiro. Chequei meu celular e nada por enquanto, nenhuma mensagem e nem ligação de ninguém. Afundei ao lado dele na cama, virada pra cima enquanto encarava os adesivos brilhantes que havia no teto, eu nem tinha reparado neles antes. Suspirei vendo aquilo, aquele teto era do quarto de um garoto, do garoto que tinha medo de escuro que ainda habitava em . O senti se remexer ao meu lado, e me virei de lado, encarando suas costas diante de meus olhos, ele tinha muitas pintas que eu não sabia da existência e então reparei na tatuagem que havia em sua nuca, as datas de nascimento e morte de seus pais, eu sabia o significado pois eu fui com ele e o Jonas no dia que ele fez a tatuagem. Mas, eu só tinha reparo no quanto era perfeito nele, naquele momento. Ele mexeu-se mais um pouco, eu estiquei meu braço para lhe fazer um carinho e quem sabe tentar o acalmar para que ele dormisse logo, iria amanhecer em breve e eu estava exausta, precisava que ele fosse dormir.

Ele puxou minha mão e o envolveu em sua cintura, de modo que eu me encaixei atrás dele, inalando todo o perfume natural que ele tinha. Aos poucos senti meus olhos pesarem e então adormeci.

Capítulo 4 - Flashback - .

Apartamento do , 11h30 da manhã:


Minha cabeça latejou algumas vezes antes de eu ser acordado pelos raios de sol que invadiam meu quarto, através das persianas abertas. Merda, eu odeio acordar de ressaca, essa é a pior parte de frequentar festas insanas como as do Marcos, o dia seguinte é sempre uma montanha-russa de merda, eu fico uma bagunça sempre que isso acontece, fora meu mau-humor que fica evidente. Me remexi na cama, notando que algo não estava certo naquele ambiente, tirando o fato de que eu nem sei como cheguei ali e nem de como eu tinha adormecido com as malditas persianas abertas. Abri os olhos lentamente, enquanto minha cabeça doía pra caralho, parecia que eu estava carregando um tijolo sob ela. Olhei ao redor e a cama estava toda desarrumada, era impossível eu ter feito isso sozinho na noite passada, pelo menos não no estado que eu imagino que eu estava quando cheguei aqui, misteriosamente. Sentei na cama, ainda tentando manter meus olhos abertos e chequei o meu relógio digital de cabeceira, já se passavam das onze da manhã, o que era cedo pra caralho pra alguém que estava morto e por ser domingo. Merda, porque eu fui acordar mesmo?

Ouvi passos arrastados vindo da cozinha e me levantei depressa, não podia ser verdade, eu não estava tão doido a ponto de ser estúpido desse jeito, trazendo alguém ao meu refúgio. Só podia ser algum delírio proveniente do efeito das bebidas que eu tomei na festa, ou da maconha que eu fumei. Com uma certa pressa desesperada eu vesti uma calça de moletom, uma camiseta e caminhei até a soleira da porta, o som ficou mais evidente e os passos da cozinha mais fortes. Parei na soleira da porta e encarei a silhueta feminina que estava em minha frente, mesmo de costas era uma visão deslumbrante, mas aí reparei que ela vestia uma de minhas camisetas e então solucei. Que porra eu tinha feito? Estava tão louco e fora de mim que tinha trazido uma estranha para o meu apartamento, quebrando todas as minhas regras pessoais que fiz quando aceitei ficar com aquele lugar para mim. Me chamei de vários nomes em línguas diferentes enquanto a encarava em silêncio. Ela pareceu perceber que eu a observava ali e então virou-se para mim. Me olhou direto nos olhos e então eu gelei, meu corpo inteiro gelou, eu senti que iria morrer no segundo seguinte.

Era a , a porra.
Vestindo só a minha camiseta.
Porra, que merda eu tinha feito?


Nos encaramos em absoluto silêncio, eu não tinha coragem de dizer nada, eu estava anestesiado e fodido pra caralho para expressar alguma coisa. Apenas a encarei com os olhos arregalados, tentando dizer a mim mesmo que aquilo não era real, não podia ser. Ela pareceu se divertir com a minha reação e então balançou a cabeça, enquanto tomava goles de uma xícara que eu deduzi ser de café preto, o seu preferido de manhã. Porque diabos eu sabia disso? Ela sorriu e então ergueu os olhos para mim sob a xícara e se encostou na bancada da minha cozinha, e eu não pude deixar de reparar nas pernas dela, totalmente a mostra. Estrangulei algo em minha garganta enquanto articulava algo para dizer a ela, ela por si analisa aquela cena com um sorriso debochado nos olhos. A filha da mãe estava se divertindo com a minha total falta de noção do que havia acontecido. Ela largou a xícara na mesa e continuou me encarando. Suspirei e descruzei meus braços, precisava dizer algo, antes que ela continuasse rindo da minha cara.

— A gente... a gente, transou? — perguntei apontando para mim e para ela com os dedos.

Ela desatou em uma gargalhada e me encarou, eu não entendia do que ela tava rindo tanto. O que poderia ser assim tão engraçado?

— Não. Não aconteceu nada, fica tranquilo. — ela continuou rindo, a boa e velha irritante estava ali.
— Ufa, achei que a gente tinha...
— O que aconteceu foi, você cheirou, bebeu e fumou tudo que podia na festa do Marcos. Eu te achei praticamente desmaiado e você me pediu pra te trazer aqui, a gente entrou, você tomou banho e desmaiou. — ela explicou com uma puta calma que só ela tinha.
— Mas você ta com a minha camiseta ... — tentei parecer o mais calmo possível diante aquela situação.
— Meu vestido molhou enquanto eu te colocava no banho, aí você... aí você pediu pra eu dormir aqui e me disse pra vestir uma de suas camisetas... — a voz dela saiu meu nervosa, e eu sabia que ela tava me escondendo alguma coisa.
— Então tá, acredito em você. — disse a ela, enquanto desviava a atenção para outro ponto que não fosse os fatos da noite passada.

Encarei em silêncio a mesa do café a minha frente e voltei a olhar para ela. Minha cabeça ainda dava voltas com toda aquela situação e eu não me lembrava de quase nada, tudo que aconteceu entre a festa e aquela manhã eram borrões em minha cabeça. Fiquei ali parado, tentando assimilar tudo que estava acontecendo enquanto ela me encarava em silêncio, ela levantou os braços e então bufou, eu sabia o quanto ela odiava quando eu me calava assim, ainda mais depois de fazer alguma merda histórica, igual a que eu sabia que tinha feito na noite passada.

— Eu tomei a liberdade de ir na padaria aqui da esquina e comprei pão, queijo, presunto e alguns pães de queijo, passei café e tudo, então eu esperava pelo menos um “muito obrigado” sabe? — ela me encarou furiosa e eu gargalhei.
— Se é por falta de obrigado, então eu agradeço, .
— De nada. — Ela respondeu visivelmente irritada.
— A mesa ta maravilhosa, . Sério, obrigado. Aliás, por algum acaso não vá me dizer que você foi vestida assim na padaria? — desci os olhos para as pernas dela amostra devido a ela estar vestindo somente a minha camiseta.
— Claro que não. O calor lá fora está insuportável, mas eu vesti uma de suas calças e fui até lá. — ela riu de um jeito divertido e aquilo apertou meu peito, eu não podia me sentir bem com ela sorrindo assim pra mim.
— Não que eu me importasse, porque você tá um espetáculo. — eu disse rapidamente antes de me ligar no que tinha dito.

Fiquei em silêncio depois daquela idiotice e resolvi aproveitar aquele café da manhã, que estava realmente maravilhoso. Sorri mais uma vez com o cuidado dela comigo, ela era assim. se preocupava com todos ao seu redor, sempre, e na maioria das vezes esquecia de cuidar dela mesma. Esse café da manhã foi só um exemplo, ele era mais para mim do que para ela mesma. não come pela manhã, toma apenas um café preto, algo que ela já deveria ter feito, antes de eu acordar. Mesmo assim, ela me acompanhou e comeu uma fatia de queijo e um pão com manteiga.

tinha esse jeito, de se encaixar nas situações para que ninguém se sentisse deslocado ou que incomodasse ela. Aquilo me fascinava nela, ela nunca se abalava com nada e estava sempre pronta a ajudar e a cuidar de quem ela ama. O mundo dela poderia estar desmoronando, mas ela engolia a tristeza e iria correndo te ajudar. O fato dela ter aceito ir aquela festa que ela detestava, apenas para ficar de olho em mim e no irmão, demonstrava isso. Lembrar de Jonas fez meu estômago revirar um instante e então eu voltei a encarar de novo, antes que pudesse dizer algo a ela.

— O Jonas, deu notícias? – a questionei preocupado, eu sabia que ele tinha sumido na noite anterior, e imaginei que aquela altura ele já teria ligado centenas de vezes.
— Não, nenhuma mensagem, ligação, nada. — ela suspirou e me respondeu, o tom de preocupação em seu rosto era visível.
— Tenho certeza de que ele está bem. — respondi a ela, que se remexeu um pouco.
— Eu vou ajeitar tudo aqui e vou atrás dele, não é normal ele sumir desse jeito. — ela disse nervosa, e novamente a chata e responsável aparecia.
— Olha, respira um pouco . O Jonas é bem grandinho pra se cuidar e outra, se ele estivesse precisando ele já teria feito contato. — me doía dizer isso dele, mas era verdade. Jonas só lembrava da irmã quando precisava.
— Odeio concordar com você, mas você tem razão. Mesmo assim, meus pais devem estar preocupados. — ela torceu os lábios e me encarou.
— Mulher, por favor, de um descanso a você mesma. Seus pais vão ficar bem, o Jonas vai ficar bem. Vai ficar tudo bem. — Segurei a mão dela sob a mesa e choques percorreram meu corpo naquele momento.
— Tá bem, vou tentar. — ela disse sem esboçar nenhuma reação.
— Porque você não passa o domingo aqui comigo? Eu quero sumir do mundo hoje, e eu sinto que lhe devo algumas explicações. — sorri tentando convencê-la.
— Você tem certeza? — ergueu a sobrancelha e me encarou.
— Tenho. A gente pode assistir Netflix e comer, tem pipoca de micro-ondas e miojo no armário.
— Mas nem fodendo que eu vou comer pipoca de micro-ondas e miojo. , tenho amor ao meu estômago e outra, assistir Netflix? Isso não lhe parece um programa de casal? — ela disparou irritada, e novamente a antiga estava de volta.
— Sinceramente, eu não me importo com o que parece. Quanto a comida, se você insiste, tem um supermercado aqui perto que abre aos domingos. Podemos ir lá e abastecer meu armário. — pisquei para ela que me devolveu com um olhar.
— Eu não tenho muita escolha pelo jeito, então eu aceito. — ela riu, e eu tinha um nova missão: fazer sorrir mais vezes.
— Você pode colocar seu vestido pra lavar enquanto isso, tem lavadora e secadora atrás daquela porta. — Apontei para porta atrás dela que indicava a lavanderia.

Ela concordou com apenas um sorriso discreto e então eu continuei a observando, estava começando a me acostumar com aquela situação bizarra, bem mais do que eu gostaria. Ajeitamos toda a cozinha então fomos tomar cada um o seu banho, antes de irmos ao supermercado. Não pude conter uma risada quando presenciei a cena de vestindo minhas roupas, eu queria correr e abraçá-la, mas isso seria bem estranho. E eu nunca pensei que cenas como aquela poderiam ser tão satisfatórias como eram para mim naquele momento, mesmo que eu estivesse assim tão bem com a presença de ali, vestindo minhas roupas e seria bem difícil usar aquelas camisetas depois que eu sei que ela usou e ficou totalmente sexy com aquilo. Puta merda, o que eu to fazendo?

Quando sentimos fome de novo já era quase duas da tarde, preparamos o macarrão com molho de cenoura e bacon e aquilo tinha mesmo ficado uma maravilha. adorava fazer as comidas que ela gostava de comer e isso ficava estampado em seu rosto quando ela assumia as panelas, facas e vasilhas. Eu apenas fiquei com cara de paisagem enquanto a observava cozinhar, novamente usando apenas uma camiseta minha, já que o calor nos termômetros do prédio marcava 33 graus. O ar condicionado estava no máximo e mesmo assim meu corpo não conseguia esfriar, e eu não conseguia levantar do sofá da sala, estava preso naquela cena a minha frente.

cozinhava com alegria e destreza, movendo-se de um lado a outro e detalhe: rebolando perfeitamente. Comecei a sentir calor em lugares que eu nem pensei sentir com ela, eu estava ficando excitado com aquilo e puta merda, era a ali, o que diabos eu estava fazendo? Deixei meus pensamentos de lado para encarar aquela cena de outro ângulo, aquilo seria completamente normal se a gente fosse um casal, o que agora não me parecia uma ideia ruim, pelo menos eu achei isso por um instante. Ela virou-se para mim e sorriu, segurando com as luvas de forno a travessa de macarronada que havia preparado.

A tarde seguiu calma e aconchegante, do jeito que eu imaginei que seria. Em um certo momento peguei checando o celular e entortando os lábios, ela desligou o aparelho e o deixou de lado na mesa de centro da sala. Assistimos de series sobrenaturais a programas de reality show pelo catálogo da Netflix, rimos muito com todas as trapalhadas que aconteciam naqueles programas. E quanto mais a noite se anunciava de novo pelas janelas, eu me sentia sozinho de novo, odiava o fato de sempre ficar sozinho naquele apartamento. Eu sabia que ela ia embora assim que a noite chegasse, ela tinha dito isso e eu tinha aceito, a companhia dela ali me fez bem mesmo que por pouco tempo.

Alguns programas depois eu a senti se remexer no sofá e então me encarar pensativa, ela queria dizer que estava na hora de ir embora, mas não sabia como. Assenti com os olhos, e ela se levantou e foi até meu quarto, pude a espiar trocar de roupa e aquilo mexeu comigo, bem mais do que antes, pude ver de relance seus seios perfeitos e a bunda durinha dela com uma calcinha de renda branca, também, o vestido deslizou pelo corpo e se ajeitou perfeitamente, igual eu me lembrava dela na noite anterior. Aquele vestido fora feito pra ela, eu tinha certeza. Ela ajeitou os cabelos e então voltou para sala, pegou o celular da mesinha e jogou dentro da bolsa que estava pendurada em seu ombro. Olhou para mim e eu me levantei, em silêncio a levei até a porta.

— Hoje foi muito especial , obrigado. — Disse a ela, assim que abri a porta e ela saiu, parando de frente a mim.
— De nada, precisando estou aqui. Você sabe onde me achar. — ela sorriu e ajeitou a bolsa em seu ombro, pegando a chave do carro.
Eu sorri e ela se despediu, dando um beijo em meu rosto e então caminhou pelo corredor largo até o elevador. A observei mais uma vez, ela caminhava lentamente enquanto rebolava e aquela visão mexeu comigo, mais uma vez. Foi quando em um supetão eu me lembrei do que tinha acontecido e que ela estava tentando esconder sempre que podia durante as nossas conversas naquela tarde. Merda, aquilo tinha mesmo acontecido?

! — Chamei por ela antes que o elevador chegasse.
— Sim. — ela virou- se pra mim e meu coração se apertou.
— A gente se beijou ontem, no chuveiro? Não foi? — perguntei antes que ela sumisse do meu campo de visão, e levasse com ela a minha coragem.
Ela apenas balançou a cabeça e sorriu com aquilo. Tinha mesmo acontecido ela tinha esboçado uma leve felicidade em saber que a minha amnesia alcoólica não durou muito tempo. O elevador se abriu e ela entrou, no segundo seguinte as portas se fecharam e o ambiente esfriou.

Porra, eu e tínhamos nos beijado no chuveiro. E foi bom, bom pra caralho, o que foi fácil saber, já que me corpo esquentou só com aquela pequena lembrança.

Por alguns instantes eu senti falta dela, falta de beijá-la, de tocar o corpo dela molhado. Aquilo era normal? Fiquei excitado apenas com aqueles pensamentos e depois aquilo caiu pesado sobre mim.

Eu não poderia estar apaixonado pela , poderia?


Capítulo 5 - .


Os raios de sol invadiam o nosso quarto aquela manhã, de modo que me acordou grosseiramente as 6h15 da manhã. Eu achei uma ofensa, se tinha algo que eu detestava era acordar cedo. Era sábado, feriado do 07 de setembro, o feriado conhecido como “vamos pra praia?”, mas como a gente já morava na praia, esse ano nós iríamos para uma cachoeira. Eu e optamos por um passeio mais calmo e bem longe do agito das praias e da areia que me causava alergia. Eu não tive opção e acabei convidando meu irmão, a namorada dele e o Marcos para irem com a gente, fora a Aline e a Diana que já tinham se auto convidado, uma semana antes. Eu acordei naquela manhã, animada, apesar de saber que eu teria que contar ao Jonas que eu estava grávida e namorando o melhor amigo dele. estava mais preocupado com o fato de que iríamos para o meio do mato, onde tinham insetos, bichos perigosos e tempestades durante a noite — culpa dos vídeos do Youtube sobre acampamentos — mas, eu já tinha o tranquilizado que nada de peçonhento iria nos atacar. A outra grande preocupação dele era com o fato de eu estar grávida e querer me enfiar no mato, mas, isso também já havia sido tranquilizado, a minha ginecologista disse que se eu comesse frutas, tomasse bastante água, não esquecesse as vitaminas e evitasse movimentos bruscos, eu poderia ir acampar tranquilamente.

Me levantei da cama alguns segundos depois de contemplar a vista que eu tinha todas as manhãs, com o deitado ao meu lado e dormindo. Eu nunca pensei que pudesse ser tão apaixonada por alguém como eu era por ele, chegava a ser quente o sentimento que eu tinha por ele. Eu não saberia dizer o que eu faria da minha vida se eu não o tivesse mais comigo, eu acho que iria enlouquecer no minuto seguinte. Eu demorei muito tempo para descobrir aquele sentimento e para entender o que era o amor de verdade, e eu não iria deixar aquilo escapar de mim, eu lutaria até o fim por ele e tenho certeza de que ele faria o mesmo por mim. era intenso, o que ele sentia, ele sentia bem mais forte do que as outras pessoas e o amor dele por mim era assim, intenso, desafiador e gostoso pra caralho. Estar com ele, era como estar no céu e no inferno ao mesmo tempo, mas não do modo ruim e sim porque uma hora ele o cara carinhoso e romântico e quando menos se esperava ele se transformava no cara sexy e cheio de tesão. Por isso que eu o amava, por ele completar cada lado meu, sem precisar se esforçar pra isso.

Minha bexiga apertou e então eu corri para o banheiro, essa era uma das desvantagens de se estar grávida, o xixi sai de cinco em cinco minutos. Aproveitei, lavei o rosto, em seguida me virei para o enorme espelho que tinha ao lado da pia e comecei a encarar meu corpo diante dele, reparando que o meu pijama começava a ficar pequeno em mim. Fazia um mês apenas que eu descobri que estava grávida e mesmo assim eu já conseguia reparar as mudanças em mim, os meus peitos estavam começando a inchar e o meu quadril ficou um pouco mais largo também. Analisando aquelas mudanças, eu passei a mão pela minha barriga lisa ainda, mas que eu sabia que o nosso bebê estava ali dentro, quentinho e seguro.

Voltei para o quarto e encarei ali deitado, relaxado e dormindo perfeitamente. O analisei melhor, os cabelos bagunçados pelo travesseiro e o fato dele estar deitado de barriga para cima, com as pernas dobradas o deixavam sexy para caralho. Mordi meu lábio inferior e o encarei de novo, suspirei um pouco, aquilo era muito injusto, ele ser tão perfeito assim enquanto dormia. Pensando bem, eu também precisava relaxar. Engatinhei de novo para cama, enquanto passava os dedos pela perna dele dobrada, subindo pelo seu abdômen o senti corresponder os meus carinhos e os pelos dele se arrepiarem a cada toque meu. Me ajoelhei na cama e o observei sorrir um pouco, passei novamente a mão pelo abdômen dele e então ele abriu os olhos lentamente, olhando em minha direção. Eu me inclinei e beijei o queixo dele, descendo os beijos pelo seu pescoço até chegarem em sua barriga e depois refiz o caminho até seus lábios.

soltou um gemido gostoso e então se recostou na cabeceira da cama, acordando totalmente, mas permanecendo em silêncio. Eu voltei a beijá-lo, no queixo e depois pelo rosto dele, enquanto ainda passava minhas unhas pelo corpo dele. Ele arfou e então levou as mãos na minha nuca, agarrando meus cabelos de um modo gostoso, fazendo com que eu o encarasse de novo e direcionou os lábios dele aos meus. Ele me beijou e eu senti meu corpo inteiro corresponder na hora, ele sugava meus lábios enquanto a língua dele massageava a minha dentro da boca. Beijar o era sempre bom pra caralho, o beijo dele era decidido e fazia meu corpo inteiro ceder sempre que isso acontecia, bastava um beijo para que meu corpo se excitasse todo.

— Bom dia amor... — eu disse assim que separamos o beijo e eu encarei os lábios dele.
— Bom dia gostosa, dormiu bem? — ele disse ainda meio ofegante e eu gemi com aquele comentário, enquanto ele levava as mãos ao meu cabelo.
— Até que dormi sim, acontece que eu acordei faminta. — Mordi o lábio inferior e abaixei os olhos para a boca dele.
— Tá certo, e o que você quer comer, meu amor? — ele disse, passando a mão sobre meu joelho que estava dobrado na cama.
— Eu to faminta de outra coisa... Quero você. — Eu me inclinei e sussurrei no ouvido dele, que apertou meu joelho.
— Caralho amor, mas o desejo da minha mulher é uma ordem. Você me quer, então você me terá. — Ele me beijou novamente depois daquele comentário e eu apenas concordei com um aceno de cabeça.

Ele agarrou minha cintura e me deitou na cama, se inclinando sobre mim e eu reparei na ereção dele que estava bem explícita naquele momento, ele abriu minhas pernas e se posicionou entre elas, enquanto me beijava e acariciava meus seios pela blusinha fina do pijama. O beijo dele subia e descia pelo meu pescoço e meu peito. Ele desceu mais e foi para minha barriga, enquanto passava as mãos quentes por dentro da minha blusa, beijando toda a extensão da minha barriga. Era um beijo de tesão e de carinho ao mesmo tempo, um cuidado que ele tinha pelo nosso bebê, mesmo que aquele momento fosse de pura luxúria. Ele voltou a me beijar na boca, e então me encarou novamente, enquanto alisava meus braços por cima da cabeça. Ele mordeu os lábios e gemeu um pouco. Aquele homem lindo era meu, eu tinha uma puta sorte do caralho mesmo.

— Você quer ficar por cima ou por baixo? — ele me perguntou, enquanto beijava meu pescoço e acariciava minhas pernas.
— Por cima. — Eu respondi enquanto agarrava seus cabelos.

Ele sorriu excitado, se deitou na posição que estava antes e me olhou, eu me ajeitei em cima dele, com uma perna de cada lado no quadril dele. Ele agarrou minhas pernas e então se inclinou para me beijar, enquanto subia as mãos pela minha perna, e assim que chegou na minha cintura, ele agarrou a barra da minha blusa e a subiu pelo meu tronco, até que saísse pelos meus braços. Assim que a minha blusa já estava longe do meu corpo, ele beijou meus seios e eu agarrei seus cabelos, enquanto ele passava a língua pelos meus mamilos. A ereção dele apertava minha vagina, que estava sobre ele ainda coberta pela boxer dele e pelo meu short. Remexi um pouco enquanto ele ainda sugava meus mamilos e ele pareceu entender, pois no segundo seguinte ele tratou de deitar de novo e eu me levantei um pouco para tirar meu short e a boxer dele. Mordi meu lábio com aquela cena. Um ano depois e eu ainda ficava excitada só de ver o pênis dele duro, ele salivou os dedos e os guiou para minha vagina, a penetrando com eles molhados. Eu gemi e ele os massageou lá dentro, enquanto beijava minha boca com urgência. Assim que ele sentiu que eu já estava molhada o suficiente, ele me abaixou e me colocou sobre seu pênis, me penetrando em seguida.

Eu rebolei na hora, enquanto ele jogava a cabeça para trás e conduzia meu rebolado com as duas mãos em meu quadril, o que tornava tudo ainda melhor. Eu amava por ele entender que para as mulheres e principalmente para mim, a posição de ficar por cima era a melhor. Ele estava muito excitado e eu também, ele gemia e beijava tudo que seus lábios alcançavam em meu corpo e eu arranhava ele sempre que isso acontecia. Algumas estocadas depois, a minha perna começou a formigar e eu sabia muito bem o que vinha acontecer, eu gemi dizendo que iria gozar ele agarrou meu quadril, me forçando para baixo em seu pênis e então todo o tesão que eu estava sentindo invadiu minha vagina e eu senti aquilo sair de mim, enquanto ele me sustentava em cima dele. Me forcei mais algumas vezes e o senti apertas meu quadril, e jogar a cabeça para trás, gemendo. O orgasmo também tinha chego para ele.

— Eu sempre soube que o sexo matinal era o melhor de todos. — Eu disse ofegante, enquanto estava deitada sob o peito nu dele.
— Você tá sempre muito gostosa pela manhã mesmo. Podemos fazer isso todas as manhãs que quiser. — Ele sorriu e me beijou. — Inclusive, podemos repetir isso agora se quiser. — Ele piscou pra mim.
— Por mais tentador que isso seja, temos que arrumar tudo pro passeio. Vamos sair antes do meio dia, amor. — Eu apontei para o relógio que marcava 7h30 da manhã.
— Porra, eu vou querer acordar assim todos os dias agora. Você fica tão linda depois de gozar, caralho, é impossível resistir. — Eu senti meu corpo esquentar, enquanto ele me beijava.
! — exclamei, quando as mãos dele foram para minha bunda.
— Ok, ok. — Ele ergueu os braços e então se levantou. — Vamos tomar banho? — ele esticou as mãos em minha direção.
— Pode ir na frente, que eu já vou. — Sorri a ele que correspondeu e caminhou até o banheiro, em seguida eu ouvi o chuveiro ser ligado.

Me virei de frente naquela enorme cama e encarei o teto do nosso quarto, porque agora era nosso, não era só dele, era nosso. Aquilo era assustador e bom pra caralho ao mesmo tempo, saber que eu tinha um homem maravilhoso comigo, uma vida tão boa e tudo que eu poderia querer em um relacionamento, que as vezes eu me esquecia que ninguém ainda sabia, aquilo me incomodava um pouco mas eu tentava manter esses pensamentos afastados. Eu tinha um homem que me amava, uma casa maravilhosa, um amor incondicional, e um bebê a caminho, eu não poderia estar mais feliz do que eu estava agora. Eu esperei muito tempo em relacionamentos fracassados, achando eu tinha algum problema por que nenhum durava muito e porque eu nenhum deles eu sentia isso, esse amor que cresce a cada dia dentro de mim, em nenhum relacionamento antes eu sentia o bendito medo de perder e dessa vez eu sentia um pouco desse medo, o medo de perder o , de perder tudo que temos e isso me assusta pra caralho. Eu morria de medo de que depois que meus pais descobrissem, eles me condenassem por isso, ou ficassem do lado do Jonas, que com certeza ia ter um argumento pronto para ser contra tudo isso e era isso que me assustava, o fato de que a hora que eu teria que escolher ia chegar, e eu sabia que a partir desse momento, para ficar com um eu teria que perder o outro, seria inevitável e isso dá um medo do caralho. Pois, como eu disse antes, eu nunca senti por ninguém o amor que eu sinto por ele. O amor que sinto é algo forte, indescritível, é algo que me dá motivos para sorrir, para viver e o mais importante: algo para o que lutar.

Toda vez, que eu parava um pouco para pensar em tudo que eu estava vivendo, eu sorria abobalhada, pois, era bom demais pra ser verdade. Quando eu escolhi ficar com o , eu tive que renunciar tudo que eu acreditava e com isso eu consegui ver, consegui enxergar que meu irmão me manipulou a vida toda, consegui ver o quão meu irmão era doente, ele tinha algo que me assustava. Jonas passou a vida toda quase me manipulando, dizendo o que eu tinha que fazer, quem eu deveria namorar, quem deveria ser meu amigo ou não e foi assim a minha vida toda. Eu não entendia como que meus pais podiam achar aquele comportamento, normal? E não conseguia entender como eles deixavam que o Jonas me tratasse daquela maneira, os ciúmes dele chegava ser assustador, a ponto de me deixar muitas vezes assustada e morrendo de medo do que ele seria capaz. Minha vida estava completamente dividida, pois, de um lado eu estava feliz pra caralho com o e do outro, eu estava morrendo de medo do meu irmão.

— Vem logo amor, a água tá uma delícia. — Ouvi a voz de me chamar do chuveiro.
— Estou indo! — eu disse enquanto afastava qualquer pensamento duvidoso que eu poderia ter, eu merecia aquilo, eu merecia viver aquele sentimento.

Parei na soleira da porta e encarei o ensaboado tomando banho, mordi meu lábio inferior e retirei minha calcinha entrando no chuveiro; o abracei por trás encostando meu rosto no corpo quente dele. Ele agarrou meus braços e os apertou contra ele. Por alguns segundos eu consegui esquecer todos os problemas e consegui afastar qualquer pensamento ruim que poderia me assombrar naquele momento, por alguns segundos eu pude sentir s segurança dos braços do meu namorado, que era o lugar mais quente do mundo, que era o único lugar no mundo que eu me sentia amada e segura.

— Você tem certeza que esse passeio é seguro? — Ele me questionou, assim que saímos do chuveiro.
— Tenho sim amor. Pode ficar tranquilo, não vai acontecer nada. — O abracei, ainda molhado.
— Eu fico preocupado é com o Jonas e o comportamento dele. Você sabe, ele anda bem instável em relação a você. — Ele me olhou com o semblante bem preocupado.
— Eu garanto que o Jonas não vai fazer nada, eu sei que ele insistiu muito pra ir nesse passeio com a gente, mas nem por isso, eu vou deixá-lo estragar esse momento. — Eu disse, analisando as linhas de preocupação em seu rosto.
— Aí é que mora o problema , ele pode ficar em cima da gente e acabar desconfiando de alguma coisa. — Ele me abraçou.
— Ele não vai desconfiar de nada, até porque, vai ter mais gente lá e a Mariana o deixa bem ocupado, o que é bom pra gente. — Eu sorri e depositei um beijo em seu peito.
— Tá certo, mas promete pra mim, que você não vai deixa-lo mexer com você e te deixar nervosa, ok? — O ouvi dizer e ele se afastou de mim, pegando uma de suas camisetas.
— Pensando por esse lado, é melhor mesmo a gente tomar cuidado com o Jonas, ele pode tentar me fazer sentir mal e acabar com o clima. — Entortei os lábios e comecei a pentear meu cabelo.
— Vamos ter que tomar cuidado , ele não pode descobrir nada assim, por acaso. Ele vai surtar, vamos ter que conversar com ele, quando a gente voltar.
— Tá certo, quando a gente voltar, eu dou um jeito de conversar com ele de uma vez. Não podemos prolongar isso muito mais tempo, logo não vou mais conseguir esconder mesmo. — Coloquei a mão sob a minha barriga e o encarei.
— Verdade. Logo essa barriga linda vai aparecer e o Jonas vai saber, de qualquer jeito. — Ele veio até mim e me beijou.
— Vai dar tudo certo amor. — Eu respondi, sentindo o carinho dele em minha barriga.

O Jonas tinha me ligado algumas vezes, na verdade ele tinha me ligado pelo menos umas seis vezes, mas eu decidi ignorar aquilo e me concentrar em manter o calmo, ele precisava ficar calmo. Eu não podia culpá-lo por estar assim tão preocupado, o meu irmão era mesmo imprevisível e todo cuidado era pouco em relação a ele. Aquela sensação de ter alguém me vigiando, era mesmo horrível, eu me sentia presa e sufocada. O Jonas não conseguia me deixar em paz, ele tinha que ficar em cima de mim, controlando tudo, me dizendo o que eu tinha que fazer e isso é sufocante, é horrível. Depois de ver todas aquelas ligações perdidas de Jonas, eu decidi ignorá-lo e desliguei meu celular, eu não queria era deixar o ainda mais preocupado, ele se preocupava demais comigo e eu não queria estragar aquele sorriso que se formou em seus lábios, eu não queria que ele perdesse aquela felicidade em seus olhos. O irmão é meu e eu posso muito bem lidar com ele, eu posso muito bem deixar o fora disso, e cuidar eu mesma do comportamento do meu irmão. Nós temos preocupações demais, e meu irmão não precisa ser mais uma, mesmo ele sendo a maior de todas, agora não era o momento para deixar que o Jonas estragasse tudo, agora era o momento de aproveitar cada segundo de felicidade, era o momento da gente ser livre e feliz.

era meu porto-seguro, minha alma gêmea, a minha outra metade que eu passei quase vinte anos sem conhecer, mas que agora me completava de uma maneira absurda. Nossa vida foi construída dia após dia e nosso amor foi sendo construído aos poucos, regado de muita confiança, carinho e felicidade, nossa vida não era perfeita, mas era a nossa vida, era o nosso namoro, que mesmo vivendo no meio de uma bagunça tão grande, conseguia se manter firme e forte. Eu tinha sorte por aquele menino me amar tanto, por acordar e ver aquele par de olhos todos os dias na minha visão, por sentir o perfume dele em mim, por beijar aqueles lábios maravilhosos, eu tinha sorte por ter o amor dele e por agora ser um dos maiores motivos da alegria que o rosto dele estampava todos os dias, eu tinha sorte por ser eu a responsável por isso. era maravilhoso na cama, nos beijos e tinha uma pegada que eu nunca experimentei na minha vida, mas, ele era carinhoso também, era atencioso, generoso; sabia meu ouvir, me dar atenção sempre que eu precisa conversar, me ajudava quando eu tinhas aquelas crises existenciais, me ajudava a passar pelo meu mau-humor que eu tinha de manhã cedo e até conseguiu diminuir a minha chatice, com ele eu não sentia mais a necessidade de ser tão chata e exigente com tudo.

Com ele, eu conseguia ser eu mesma, eu conseguia ser a responsável que eu sempre fui, conseguia ser a menina que eu nasci e cresci pra ser, mas que era afugentada pelos ciúmes excessivos do meu irmão gêmeo. Com o , era completamente diferente, eu não sentia mais a vontade de ser a chata que eu era antes, e mesmo que não fosse a mesma coisa, já que um era meu irmão e o outro meu namorado, o importante era que com o eu tinha a liberdade para ser quem eu era, sem ficar me cobrando em ser perfeita.

E agora, eu seria a mãe do nosso filho, eu daria um filho ao , um bebê que representava todo nosso amor.

Capítulo 6 - .


andava tão bonita, gostosa, alegre e até mais sorridente depois que descobriu que estava grávida, ela tinha um brilho diferente naqueles olhos lindos dela. E ela estava animada também com aquele bendito passeio na cachoeira, onde iríamos passar uma noite para ver a superlua no céu, o que também me deixava bem animado com a ideia de passar um final de semana ao lado dela, curtindo-a todinha. A única coisa que me deixou bastante pra baixo, era que o Jonas insistiu a semana inteira que ele queria ir junto e que levaria a Mariana com ele, ai o Marcos também disse que iria, aí a já chamou a Aline e a Diana para irem juntos. E todo meu plano de ficar agarrado com a minha namorada no meio do mato simplesmente foi pelo ralo. Eu não ligava das amigas delas irem, eu gostava da Aline e da Diana, agora o resto pra mim poderiam sumir do mapa. No começo eu achei essa ideia um absurdo, se enfiar no meio do mato em um lugar isolado e que não conhecíamos direito, mas me convenceu que seria perfeito e eu não tive nem como discutir. E apesar de todas as minhas preocupações com mosquitos, aranhas e outros insetos além dos animais ou as tempestades que poderiam ter, eu estava ainda mais preocupado com a , a gravidez e o Jonas. Ela tinha ido a ginecologista na semana anterior e a mesma tinha dito que tudo bem ela acampar, desde que ela tomasse os remédios e as vitaminas, comesse frutas e evitasse movimentos bruscos. Depois disso, eu até que consegui respirar e ficar mais aliviado com aquela ideia de me enfiar no meio do mato, mesmo com todas as minhas neuras envolvendo mata fechada.

Após o sexo maravilhoso que fizemos aquela manhã e que eu poderia facilmente classificar como um dos melhores até agora, já estava com as malas pronta enquanto comia seu cereal com leite desnatado. A visão dela curvada sob a bancada da cozinha com aquele short de academia e a regata larga, me fez soluçar um pouco, porra ela era linda pra caralho. A beleza dela era injusta pra caralho, e eu me perguntava o que aquele mulherão fazia ao meu lado? E garanto que até hoje, eu não consegui achar essa resposta. Segundos depois de ficar comtemplando aquela visão maravilhosa, a campainha do apartamento tocou e despertou que correu atender a porta. Ela abriu a porta e sorriu ao encontrar suas duas melhores amigas ali, nossas vizinhas, Diana e Aline. As duas moravam no apartamento de frente ao nosso e desde que mudaram-se, elas e a criaram uma amizade e eu achei isso um máximo, pois precisava mesmo de amigas, amigas que pudessem fazê-la sorrir também e que a lembrassem que ela não precisava viver com medo e à espreita do irmão. E como eu disse, eu gostava bastante das duas, elas faziam bem para a , e todos que faziam para a mulher que eu amava, tinham um lugar garantido em meu coração.

— Bom dia gata! — Aline disse enquanto colocava os óculos sob a cabeça e adentrava nossa sala.
— Bom dia, Lih! — respondeu sorrindo a amiga. Logo atrás dela, Diana entrou e também sorriu.
— Bom dia , e bom dia vizinho gato! — Diana disse olhando para mim e arregalou os olhos.
— Ihh relaxa , Diana é inofensiva. Pode ficar tranquila que o , apesar de ser um gato não faz o estilo dela. Diana gosta dos cabeludos, tatuados e que tenham banda de rock. — Aline disse a que riu.
— È verdade, apesar de você ser bonitinho pra caralho , não faz meu estilo, eu sou cadelinha dos cabeludos. Portanto, ele é todo seu, amiga. — Diana disse se virando para que concordou piscando.

Eu só conseguia era rir com aquela cena.

— Já que estamos todos aqui, acho que podemos finalmente pegar a estrada porque quanto antes a gente chegar, mais cedo iremos aproveitar. — disse enquanto segurava a mochila e procurava as chaves do carro.

Quando a mandava, ninguém conseguia dizer não, esse era um dos poderes que a minha mulher tinha, o poder de fazer todo mundo obedece-la. Nós sorrimos e então seguimos para encontrar o resto dos manés daquela galera, apesar de tudo, aquele passeio seria bem divertido. O carro de estacionou na vaga e o carro de Marcos já estava lá, junto com o carro da Mariana, que já estava com Jonas em seu encalço. saltou toda sorridente do carro, comigo e as amigas logo atrás. Fui até ela, que caminhava até o irmão e pude perceber o olhar dele cair sobre mim como uma faca. Fiquei ao lado dela, porque qualquer movimento dele eu estava pronto para voar naquele pescoço. Ele nos analisou de cima a baixo e fechou a cara, como sempre fazia quando estava com raiva.

O fato de Jonas ser sempre tão dependente da irmã, usando o problema que ele tinha no coração, me causava um certo desconforto, pois ele usava isso para afetá-la com seus comentários e fazendo com que ela se sentisse culpada na maioria das vezes. Ele a controlava de uma maneira absurda que me deixava puto. amava o irmão apesar de tudo, e não percebia os sinais que eram sutis, mas eu percebi que ele já tinha ligado pelo menos umas cinco vezes desde que tínhamos saído do apartamento. Desde que conheci os dois, ele é assim com , sempre querendo estar no controle da vida dela, sempre usando do artificio de ser o seu irmão e de que tinha o coração fraco para ficar no controle da vida dela. Ele sempre dizia que se ela não o amasse, ele acharia outra e a irmã nunca mais teria notícias dele, que ela havia feito uma promessa aos pais deles de sempre cuidar dele, de amá-lo acima de qualquer coisa. Isso me irritava profundamente, essa dependência afetiva que ele tinha com a irmã era surreal. Desde crianças que ele é assim, que a faz escolher entre ele e as outras pessoas. E isso era o que me incomodava, o fato de que a partir do momento que ele soubesse de mim e de , ele a faria escolher e meu maior medo era que ela o escolhesse, como ela havia feito em todos os relacionamentos anteriores.

Jonas nunca gostou de nenhum dos namorados da irmã, de nenhum deles. Em todos ele achava algum defeito, algo que não o agradava e isso sempre a afetou de alguma forma, pois, passou a vida buscando a aprovação do irmão em tudo que fazia. Ela sempre o amou incondicionalmente, desde pequena ela fazia de tudo pelo irmão, ela sempre se sentiu responsável pelo irmão de alguma forma, ela não deixava de o amar e de sempre buscar por algo que o agradasse, Jonas a fazia se sentir assim em relação a ele, usando aquele maldito problema que ele tinha no coração. Isso sempre me incomodou, muito antes de eu ter algo com a eu já tinha reparado na relação deles, de como era estranha e surreal, algo além do normal. Muito antes de tudo isso eu já achava que a tinha de se libertar dessa corrente que a ligava ao irmão. Ela precisava viver a vida dela e não a do irmão, ela não tinha culpa que o irmão tinha nascido com um defeito no coração.

— Posso saber onde você estava, ? — Jonas direcionou seu olhar a , que se aproximou lentamente dele. — Eu te liguei, pelo menos umas seis vezes.
— Eu te disse mais cedo que a gente se encontrava aqui. — levantou o rosto e respondeu ao irmão que bufou.
— Eu quero saber onde é que você estava, que não atendeu minhas ligações? — Ele apertou os punhos e falou com o tom de voz alto.
— Ela estava com a gente, seu troglodita. — Diana saiu de trás de mim e passou a frente, sendo acompanhada por Aline.
— E quem é você? — Jonas cuspiu no ar e saiu do lado de Mariana, que tentava esconder o rosto com os óculos enormes.
— Diana. Sou amiga dela, e você quem é? — Diana o analisou de cima a baixo e então o encarou nos olhos.
— Não te interessa, eu só quero saber da minha irmã e onde ela estava?
— Cara, na boa, ela não é sua propriedade não. — Foi a vez de Aline se pronunciar.
— A gente conversa isso depois, . — Ele ignorou as meninas e colocou as mãos no ombro dela.
— Não. A gente não tem nada pra conversar. A Diana já disse onde eu estava e fim de conversa. — Ela retirou as mãos de Jonas de seu ombro e virou o rosto.

Se eu pudesse, eu teria o matado ali mesmo. Eu odiava toda aquela situação e de todo aquele poder que ele fingia exercer sobre a . O passeio nem havia começado e clima já estava péssimo, eu esperei por passeio tranquilo, mas se dependesse de Jonas e dos ciúmes dele, seria um inferno. estava desconfortável com todo aquele ciúme do irmão e isso me incomodava pra caralho.

— Já que estamos todos aqui, acho que podemos pegar a estrada, não? — Me pronunciei assim que percebi que o silêncio havia se instalado.
— Eu acho uma ótima ideia, . Vamos logo. — disse a mim, sorrindo.

A galera estava bem dividida depois daquela cena sem precedentes do Jonas mais cedo, e assim que chegamos na cachoeira, parecia que novamente a cena iria se repetir. As meninas seguiram para algum canto, montar as barracas delas, enquanto Jonas e Mariana discutiam algo que ninguém queria saber. Eu estava com o Marcos, quando escutei a voz de Jonas se sobressair, enquanto ele me encarava, aquele maldito estava mesmo pedindo umas bifas na cara.

— O , posso saber cadê a sua barraca? — Ele parou de discutir com a Mariana e direcionou sua voz a mim.
— Ela estava com você, da última vez. Achei que você iria trazer. — Eu respondi, coçando a nuca – um maldito mosquito tinha me picado.
— Não estou com a porra da sua barraca, coisa nenhuma. — Ele disse irritado, enquanto sentava-se na cadeira a frente da sua barraca.
— Tudo bem, eu posso ficar na barraca na , é só uma noite mesmo. — Balancei os ombros.
— Nem fodendo, a minha irmã não vai dividir a barraca dela com você. — Jonas disse, levantando-se em minha direção.
— Qual o problema? — escutei a voz doce de questionar o irmão.
— O problema é que eu não quero, . — Jonas se aproximou da irmã e olhou nos olhos dela.
— E desde quando eu faço o que você quer, Jonas? — o confrontou, novamente.
— Você sabe o que acontece quando você não me obedece, maninha... — Ele indagou, respirando próximo ao rosto da irmã.
— Você não me diz mais o que fazer, Jonas. Acho bom você ficar longe de mim, e se eu quiser, o fica na minha barraca, sim. — Ela se afastou e eu pude ouvir o Jonas bufando.
— A culpa disso é sua, seu merda. — Jonas direcionou a voz a mim, me olhando com os olhos negros.
— Culpa do que exatamente, Jonas? — Devolvi a encarada e o questionei.
— Não se faz de santo, . Todo mundo sabe que você come um caminhão de merda pela , mas todo mundo sabe também, que ela não vai abrir as pernas pra você. Minha irmã é meio burra, mas não é qualquer um que come a buceta dela. — Jonas rosnou e o meu peito se encheu de raiva.
— Cala a merda da boca Jonas, fica na sua! — retruquei.
— Não fico não, você acha que eu não sei que você fica lambendo-a, esperando que ela abra as pernas. Você chega a ser ridículo, , porque você sabe que não pode fazer, já que me prometeu. — Rosnou mais uma vez.
— Eu sabia que não devia ter vindo nessa merda de passeio. — Eu disse, olhando pra ele e pra todo mundo.

Sinceramente, eu não aguentava mais esse comportamento hostil do Jonas comigo, em relação a irmã dele. Eu sabia que ia dar merda naquele passeio, desde que ele insistiu que queria ir com a gente, eu sabia que aquilo não ia acabar bem, e agora eu tinha certeza disso. Tudo que eu queria, era um passeio tranquilo com a mulher da minha vida, tudo que eu queria, era um passeio romântico e clichê com a minha namorada, mas isso estava bem longe de ser o passeio que eu imaginei.

— Jonas, na boa cara, pega leve! — Escutei a voz de Marcos falar.
— Não se mete você também. — Jonas rosnou mais uma vez, e se aproximou da irmã dele.
— Se você quiser, eu posso continuar a falar pra todo mundo as suas sujeiras, minha irmãzinha... — ele estava bem ao próximo do rosto dela, que estava quase chorando.
— Sério Jonas, chega disso! AGORA! Se afasta de mim. — o empurrou com a mão, e veio até mim.
— Você é mesmo ridícula irmãzinha, você vai mesmo abrir as pernas pra esse moleque do ? — Ele olhou em nossa direção e cuspiu.
— Sério cara, você é mesmo um sem noção. — A voz de Diana surgiu no meio daquela bagunça.
— Cala a boca. — Jonas disse, sem olhar para a menina.
— Não calo. Você não tem noção nenhuma de respeito, cara, seu amigo apenas sugeriu que podia ficar na barraca da porque a barraca é maior e tem mais espaço, e sua irmã apenas quis ser simpática. Não tem nada de depravado nisso, seu machista de merda! Você não precisa ofender tanto sua irmã assim, e não sei se você percebeu, mas ninguém aqui concorda com as suas atitudes. — A voz de Diana saía dançando de seus lábios.
— Quem foi que te convidou? Pra começo de conversa? — Jonas questionou, virando o rosto.
— Chega, vem , vamos sair daqui! Não aguento mais isso. — virou seu rosto a mim, quase chorando.
— Vamos. — Entrelacei meus dedos ao dela.

Jonas ia dizer alguma coisa, mas as palavras sumiram de sua boca quando Mariana se aproximou e o puxou pelo braço, o levando para um outro canto, onde pude ver ele bufando de raiva. Peguei a mão de , que estava tremendo, nervosa, e seguimos para uma trilha nos afastando de todos. O pessoal continuou no mesmo lugar, tentando entender aquela cena bizzara.

— Mais alguma merda que ele diga, eu juro que vou partir pra cima dele. — Eu disse assim ficamos sozinhos.
— Calma amor, violência não resolve nada. — me abraçou.
— Eu odeio esse comportamento dele com você. Ele não pode te tratar assim, nunca! Olha as merdas que ele falou de você. — A abracei bem forte.
— Eu nunca sei se ele me ama, ou se ele me odeia. — estava chorando.
— Eu também não sei. Mas tudo que eu sei, é que ele não pode falar isso de você e nem de mim. — Dei um beijo em sua cabeça.
— Vamos esquecer ele, pode ser? A Diana já o colocou no lugar dele, acho que pelo menos por um tempo, vamos ter uma folguinha. — Ela começava a parar de chorar.
— Eu só queria um passeio tranquilo com você, e o nosso bebê. — suspirei.
— Eu sei, mas vamos aproveitar, do nosso jeitinho, pode ser?
— Pode. — Ela se afastou e me encarou.
— O que foi? — Ela me questionou, arqueando a sobrancelha, enquanto eu a encarava com um sorriso bobo.
— Nada, é só que eu te amo, muito! — Eu disse, entrelaçando minha mão a dela.
— Eu também te amo, demais! — respondeu, se aproximando de mim, novamente.

Os lábios dela procuraram os meus, e em seguida ela me beijou. Eu já estava sentindo saudades dos beijos dela, de poder ficar agarrado a ela, sentindo-a perto de mim. Eu a amo demais, de um jeito que eu não sei explicar. Um ano juntos e eu ainda não sei explicar o quanto a amo. O beijo dela me acalma, consegue diminuir o monstro protetor que nasce dentro de mim, toda vez que o merda do Jonas vem com aquelas ofensas. O beijo dela me excita, me deixa sempre com vontade de mais e mais, e eu não me importaria de passar o resto da vida beijando aquela mulher.

O que eu não sabia, é que naquele instante em que estamos nos beijando, alguém observava a cena de longe, com uma certa curiosidade e um certa atenção. Alguém que não deveria estar observando, mas que era alguém que sabia ser curioso como ninguém.

Naquela noite, depois da gente ver a superlua, que estava linda, a sentiu-se meio enjoada e resolveu ir se deitar um pouco, ela tomou os remédios de enjoo e dormiu logo em seguida. Eu aproveitei para contemplar um pouco mais aquele céu maravilhoso, e me sentei na beira do rio. Fiquei ali sentado por longos minutos, encarando aquela lua maravilhosa a minha frente, passando toda a minha vida como um filme em minha cabeça. Estava com a mente longe em minhas lembranças com , quando senti alguém se sentar ao meu lado. Virei o resto, encontrando um Marcos que me encarava confuso e com um sorriso misterioso nos lábios.

— A gente pode conversar? — Marcos perguntou, sentando ao meu lado.
— Claro, fala aí. — Respondi.
— Eu sei de você e a . — Ele disse e aquelas palavras me atingiram na hora.
— Do que você tá falando? — O encarei.
— Ah , não precisa mentir pra mim. Eu vi vocês dois mais cedo, vocês estavam num beijo pra lá de quente.
— Eu... Eu... — as palavras não saíam, eu estava nervoso pra caralho.
— Relaxa cara, eu não tenho nada com isso. Mas fico feliz que vocês estejam se acertando. — Ele riu e então deu de ombros.
— Eu tô apaixonado por ela brother, ela é a mulher da minha vida. — Eu disse com um sorriso enorme nos lábios.
— Ah eu sabia, vocês dois estavam pegando fogo naquele beijo. — Ele me questionou.
— Pois é, a gente nem tá conseguindo mais disfarçar. — Eu sorri meio envergonhado.
— Eu fico feliz por você. A é uma menina muito legal, ela merece ser feliz. — Marcos colocou a mão sob meu ombro e sorriu.
— A está grávida. — Eu precisava contar aquilo a alguém.
— Uau, isso sim é uma notícia interessante. E o Jonas? O irmão dela já sabe sobre isso? — Ele me questionou.
— Não, mas sinceramente eu não me importo, por ela vale a pena lutar.
— Olha, na minha opinião vocês têm que abrir o jogo logo. Vai ser pior se ele descobrir por conta. E outra, ele tem que saber disso tudo. O Jonas precisa de um choque de realidade, de que ele não é dono da irmã dele.
— Obrigado pelos conselhos meu amigo. De verdade, eu precisava contar isso a alguém antes que eu explodisse.
— Tamo aí pra isso, e pode ficar tranquilo que o seu segredo ta seguro comigo. O segredo não é meu, então não vou falar pra ninguém. — Marcos fez uma beleza com os dedos e levantou-se do meu lado.
— Obrigado.

Na manhã seguinte, a me acordou cedo, ela estava animada e queria por que queria ver o sol nascer entre as montanhas. Quando ela me acordou, o relógio marcava 5h45 da manhã, o que era cedo pra caralho. Eu não recusei o convite dela, eu nem poderia recusar qualquer desejo dela. Assim que saímos da barraca, em verdadeiro silêncio para que ninguém pudesse nos ver, constatamos que alguém já estava acordado. Olhei para que gelou ao avistar alguém conhecido ali nos encarando, ela prendeu a respiração e estava pronta para dar uma resposta afiada para a pessoa, quando a mesma desatou a rir e a nos encarar. estava sem entender nada e estava irritada, ela queria ter saído dali sem que ninguém nos visse, mas pelo jeito alguém ali também sofria de insônia antecipada.

Marcos nos encarava com uma careta divertida, parecia que só agora a ficha dele tinha caído sobre eu e estarmos juntos. Ele fumava um cigarro, encostado em uma árvore. Ele nos encarou por mais alguns segundos enquanto tragava seu cigarro e assim que chegou na bituca, ele jogou no chão e a apagou. Caminhou até nós dois com o olhar curioso e desconfiado, o que foi suficiente para agarrar a minha mão e tremer de nervoso. Ele nos olhou, olhou para mim, depois para ela e levou a mão até o queixo, nos analisando por completo. Ponderou por alguns segundos e então novamente uma risada se formou em seus lábios.

— Vocês dois estavam transando, não estavam? — Marcos soltou aquilo, olhando em direção a que ficou vermelha.
— Que? — o questionou desacreditada.
— Para de negar as coisas, minha querida. Você tá com cara de quem tava tendo uma trepada maravilhosa lá dentro. — Marcos apontou a barraca.
— Marcos... — O reprimi com o olhar e ele assentiu.
— Me desculpa, eu não pude resistir. Eu tinha que fazer essa brincadeira com vocês dois. — Ele levou a mão ao peito e suspirou.
— Espera aí, desde quando você sabe? — voltou a questioná-lo.
— Sei do que, exatamente? — Marcos devolveu a indagação. Eu respirava fundo para não rir daquela cena toda.
— Para de joguinhos Marcos.
— Eu sei desde ontem, confesso. Eu vi vocês dois se beijando e depois conversei com o e ele admitiu.
! — Ela me cutucou e eu cai na gargalhada.
— Desculpa amor, eu não tive como negar.
— Ah, por favor, parem com isso de quem sabe e quem não sabe. Próxima página por favor. Onde vocês estão indo, assim tão cedo? — Marcos nos questionou intrigado.
— Tomar banho de cachoeira. — respondeu, ajeitando a toalha no ombro.
— Perfeito. Vou junto, preciso de água gelada pra acordar. — Marcos riu e indicou o caminho com uma reverência.

Nós caminhamos os três até a beira da cachoeira, a trilha era limpa e sem nada que pudesse machucar a no trajeto. Chegamos a cachoeira, que reluzia os raios de sol em sua água cristalina e respirei fundo o ar puro e limpo daquele lugar. Me aproximei da , que esticava a toalha de banho sobre uma das pedras e abracei por trás, trazendo-a para mais perto de mim. Eu precisava de um momento de paz ao lado dela, eu precisava senti-la perto de mim, precisava sentir o calor do corpo dela perto do meu.

— Assim que a gente voltar, a gente vai marcar a ultra do bebê, ok? Quero saber se tá tudo bem com ele. — Eu disse enquanto passava a mão pela barriguinha dela.
— Sim, eu tinha até me esquecido disso. A doutora Selma me disse que ela tem horário livre na quinta-feira. — Ele sorriu e se aconchegou com meu carinho.
— Perfeito. Quinta-feira tá ótimo.
— Vocês dois vão ficar aí de melação ou vão entrar na água? — Ouvimos Marcos gritar de cima de uma pedra, pulando na água em seguida.

Depois de rir daquela cena icônica do Marcos mergulhando, eu e a decidimos entrar na água, que estava maravilhosa. Nadamos, mergulhamos e brincamos junto com o Marcos que ficou imitando nóis dois.

Eu estava abraçado a , vendo o Marcos fazer piruetas na água quando, um grito conhecido me fez perder o ar por alguns segundos.

— Mas que porra tá acontecendo aqui? — Foi a voz aguda de Jonas que gritou, nos despertando de um sonho para um breve pesadelo.
— Jonas! — disse um pouco desesperada saindo da água.
— Qual é a merda que você ta fazendo, ? — Ele a questionou furioso.
— Tomando banho de cachoeira, Jonas. — frisou o nome dele.
— Com o e o Marcos? Só tomando banho mesmo? Você quer que eu acredite nisso? — Jonas resmungou com a voz rasgada.
— Mas que merda você ta insinuando, Jonas?
— Você ta parecendo uma vagabunda com essa roupa molhada, ainda mais tomando banho de cachoeira sozinha com esses dois.
— Cara, na boa, que merda você ta falando? — Eu o respondi assim que o vi se aproximar de .
— Ela é minha irmã, mas nem por isso deixa de ser uma vadia! — Jonas rosnou e meu sangue ferveu.
— Respeita tua irmã, cara. — Foi a vez de Marcos se pronunciar.
— Eu respeitaria, se ela se desse ao respeito. — Jonas cuspiu na direção dela.
— Não fala assim comigo, seu merda! — aumentou a voz a apontou o indicador pra ele.
— Eu falo como eu quiser, você é minha irmã.
— Não fala não caralho. Eu EXIGO que você me respeite ok? — esboçava algumas lágrimas.

Meu sangue fervia naquele momento, o Jonas tinha a feito chorar pela segunda vez naquela viagem. O irmão dela era um sem noção, que só sabia a maltratar e aquilo me deixava louco. Eu precisava fazer alguma coisa, e eu fiz. Peguei Jonas pelo braço e o afastei da irmã dele, antes que ele fizesse alguma loucura que pudesse se arrepender depois e pior ainda, fazer alguma coisa contra o nosso bebê. Só de pensar naquela hipótese, o meu sangue ferveu de novo.

— Na boa cara, que merda você tá fazendo? — O questionei quando a gente já estava afastado de .
— Ela é uma vagabunda, vai ser tratada como uma. — Ele riu e cuspiu em minha direção.
— Na boa Jonas, não fala assim dela, não pra mim.
— Eu falo como quiser, já disso isso e repito. Caralho.
— Você parou de tomar os remédios Jonas? Parou, não foi?
— Isso não é da sua conta, caralho. — Jonas andava de um lado a outro.
— Claro que é da minha conta, sim! Eu me importo com você, talvez até mais do que eu deveria. — O encarei, enquanto sentia meu corpo tremer.
— E se eu parei? O que isso tem a ver com a minha irmã está agindo feito uma vagabunda, hein? — Jonas me encarou furioso e eu o parei com uma das mãos.
— Jonas, ela não é uma vagabunda. Você não tem o direito de tratar sua irmã desse jeito e você não vai falar dela assim, principalmente na minha frente.
— E se eu falar, se eu gritar aos quatro cantos que ela é uma vadia, o que você vai fazer hein, ? — Ele me cutucou e meu sangue subiu.
— Fala assim dela de novo, que eu vou ser obrigado a escolher e eu não quero.
— Que porra você tá falando, ?
— Se você falar mais uma vez assim da na minha frente, eu vou escolher e eu vou escolher ela. Entendeu?
— Faz o que você quiser, aquela vagabunda não vale nada mesmo. — Jonas rosnou e saiu chutando o ar, xingando tudo e todos.

Meu corpo tremeu e por alguns segundos eu me senti fraco, sem forças alguma para fazer qualquer coisa, foi quando olhei para trás e vi sentada numa pedra com o Marcos do seu lado. Ela estava enrolada na toalha de banho, tremendo de frio e de nervoso. Suspirei e então respirei fundo, naquele momento sacudi meu corpo e fui até ela, que me abraçou forte sem nem se importar se alguém pudesse nos ver.

Eu jurei a mim, a ela e ao nosso bebê que eu jamais deixaria o Jonas tratá-la daquela maneira. Eu precisava tirar ela dali e levá-la para casa, deixando a salvo daquele monstro disfarçado do irmão dela.

Capítulo 7 - Jonas.

Eu e a somos gêmeos, nascemos com alguns minutos de diferença, mas desde que nascemos, a nossa relação é diferente. Meus pais não esperavam fossem gêmeos, minha mãe achou que estava grávida de uma menininha e aconteceu que eu também nasci. Eu nasci primeiro, e desde aquele momento eu fui brevemente rejeitado, meus pais esperavam a menininha perfeita deles e não eu, nasceu alguns minutos depois e então eles tiveram a filha que queriam, enfim em seus braços. O fato daquela gravidez de mamãe ser de risco, fez com que eu nascesse com um problema no coração, ele nasceu fraco e eu tinha que toma remédios para controlar os batimentos. Já a , ela nasceu perfeita, sem nenhum defeito e aquilo sempre me magoou, mas eu a amei, desde que nascemos, mesmo que por culpa dela, eu tenha nascido com esse defeito. Eu decidi amar aquela garotinha, com todas as minhas forças, eu decidi amá-la e decidi que iria protegê-la, de todo o mal que existia no mundo, ela sempre foi a minha menininha, o meu grande amor.

Com o passar dos anos, eu comecei a perceber que os nossos pais preferiam a , a preferência deles era clara, como o dia. Aquilo consumiu todo o amor que eu tinha por ela, transformando aquele sentimento de amor que eu tinha, em rancor. Eu sempre fiz de tudo por aquela menina, sempre a amei, a protegi e a defendi de todo mal que poderia atingir aquele coração tão bom que e ela tinha, e como ela me pagou? Roubando a atenção de nossos, roubando a preferência de todos que nos conheciam, todos sempre preferiam a , em tudo, era sempre tudo por ela. A garotinha perfeita, a filha perfeita, a filha exemplar, a amiga amorosa, a melhor da turma, e eu, eu era o filho defeituoso, o garoto problema e aquilo me consumiu, eu nunca tinha odiado alguém na minha vida, como eu passei a odiar aquela menina que se dizia minha irmã. A partir daquele momento, eu soube que teria que tomar o amor de todos para mim e deixá-la sem nada, sem ninguém, já que ela tinha me roubado todo o amor que eu merecia. E se eu pudesse, eu a deixaria sem nada e sem ninguém, eu a deixaria sozinha, se culpando pelo resto da vida por ser a responsável pelo meu coração fraco. Eu faria de tudo para que ela achasse que eu amo, mas no fundo eu quero vê-la sofrendo, sofrendo tudo que eu sofri a vida toda pela rejeição de todos.

era meu melhor amigo, nos conhecemos na infância, no colégio, ele era o irmão que eu não tinha. Nos tornamos melhores amigos naquela época e a insuportável e mimada da entrou nesse círculo, tomando a atenção toda para ela, como sempre fazia e aquilo eu não iria suportar. Eu fiz o me prometer que nunca iria se apaixonar por ela, eu queria garantir o sofrimento dela, e ela não roubaria meu melhor amigo de mim, nunca. Ele era meu melhor amigo, ele era o meu irmão, e ela não tinha direito nenhum naquilo, ela já tinha tudo que poderia ter, agora era a minha vez de ter algo real em minha vida e que não girasse em torno daquele umbigo egoísta dela.

Uma coisa é certa, eu sei que peguei pesado naquela viagem com a , mas acontece que ela é minha irmã e desde pequenos eu venho tentando protegê-la das maldades que acontecem no mundo. Eu posso sim ter exagerado com o que disse e com o que chamei ela, mas eu não estava arrependido. Se ela precisava desse tipo de choque para encarar a realidade, era assim que as coisas iriam ser. era inocente demais em relação as coisas e era ainda mais inocente em relação aos homens, principalmente aos homens que faziam parte do nosso círculo de amigos. Mesmo eu jurando que a faria pagar por toda dor que eu sentia em ser rejeitado, eu não conseguia deixar de amar aquela menina, eu não conseguia deixar de querer protegê-la, como eu fazia desde que éramos crianças. podia ser egoísta e nem perceber que tomava tudo para ela, mas acontece que eu a conhecia e eu sabia que a melhor maneira de fazê-la sofrer, era deixar ela achando que eu a amava e a queria bem, acima de tudo. Eu estava mesmo disposto a me vingar dela, eu estava mesmo disposto a fazer a sentir na pele como era ser rejeitada.

Mesmo assim, eu estava a tentando proteger de todos os homens que poderiam a machucar de alguma forma, e que poderiam a manipula agir como uma vadia, igual foi com a minha mãe e que a fizeram trair nosso pai. Desde pequeno a é minha responsabilidade, e eu a amo sem medir esforços, mas nem por isso eu vou deixar que ela se comporte como uma vadia. Nossa mãe se comportou como uma vadia sem escrúpulos durante todo o casamento com meu pai, achando que ninguém percebia que ela se oferecia para todos os homens que ela conhecia. Eu era o único que enxergava a verdade nos olhos deles, que insistiam viver um casamento que não existia mais, que insistiam em bajular a em tudo que ela fazia.

O que me deixava intrigado era que ela andava estranha pra caralho nos últimos tempos, me afastando o tempo todo e até me enfrentando, como se tivesse alguma razão em me enfrentar e ainda chamar o pra defendê-la. Aquilo era bizarro demais, mas se aquilo fosse só mais uma das brincadeirinhas dela, a iria pagar caro por achar que pode brincar comigo.

era outro que andava estranho pra caralho, andava sumindo do nada, recusando rolê e até mesmo recusando mulher. A não me espantava, agora o estava bem estranho de uns tempos pra cá. Naquela festa por exemplo, o cara tava bebendo água tônica ao invés de encher a cara de vodca pura ou de cerveja, como ele sempre fazia em todas as festas. Mas o não me enganava, ele não poderia ter mudado assim tão de repente e sem nenhum motivo aparente. Pra mim aquilo tudo era uma farsa, o bom e velho inconsequente ainda habitava nele, eu sabia disso. O fato dele estar recusando tudo e até mesmo mulher me deixou com a pulga atrás da orelha, talvez ele estivesse escondendo alguma mulher da gente, mas não me importa qual era a piranha da vez, hoje ele iria pegar alguém na minha frente. A minha chance de provar que o estava apenas fingindo estar mais responsável e careta, surgiu na minha frente, na forma de uma morena peituda e gostosa pra caralho.

Minha alegria se fez quando eu avistei a morena se sentar ao lado dele, se jogando e cima, se esfregando nele. Fiquei ainda mais feliz que ela entendeu o que eu queria fazer e foi rapidinho pra cima dele, aquela menina era mesmo boa no que fazia. Foi inevitável não sorrir satisfeito com aquilo, ele não iria resistir muito tempo e logo o meu melhor amigo estaria de volta. Aquilo me dava uma satisfação que eu não sabia explicar. Outra coisa que me incomodava eram as amigas da , as duas não me desciam e isso era outra coisa que eu precisava resolver.

— Você tem alguma coisa a ver com aquela cena? — Marcos direcionou a fala para mim, enquanto encarava a cena da garota dando em cima de .
— E se eu tiver? — O questionei irritado.
— Cara, você tem que parar de se meter na vida das pessoas. — Foi tudo que ele disse, saindo em direção de e aquela Aline.

Marcos era um cara bacana, eu amava as festas dele, mas aquilo não o dava o direito de dizer o que eu posso ou não fazer, e isso me irritava pra caralho. Tudo que eu não precisava agora era de um Marcos metido a responsável, dando pitaco na minha vida e querendo pagar de gostosão na frente das meninas. Eu adorava o Marcos, só que eu tinha coisa mais importante para fazer naquela noite.

A festa de Rafael começou a ficar bem entediante quando a tal Sabrina não conseguiu nada e em poucos minutos o dispensou aquela gostosa, sumindo para algum lugar escondido e eu fiquei bem irritado com aquilo. Meu plano era o deixar vulnerável e bêbado, a ponto de eu descobrir o que ele me escondia, o que era assim tão importante pra ele estar recusando tudo. Mas para o azar dele, eu tinha outro plano em vista, ele não tinha como escapar hoje, eu iria descobrir tudo. Meu outro plano consistia em uma certa recepcionista, loira, com uma bunda gostosa pra caralho e que atendia pelo nome de Carolina. A menina trabalhava em um condomínio no centro de Santa Catarina, um condomínio que atiçou minha curiosidade, algumas semanas antes eu vi o saindo de lá com uma menina. Não pude ver quem era a menina, por que ela estava longe e eu estava escondido, mas hoje eu saberia de tudo. De hoje aquela história toda não passava, e seja o que for que ele estivesse me escondendo, ele pagaria caro por mentir pra mim, sendo que ele jurou a vida toda que eu era seu melhor amigo.

Eu dei um jeito e saí daquela festa sem que ninguém percebesse, partindo para o meu plano b, eu precisava de toda atenção do mundo nessa parte, eu tinha que me focar em descobrir a mentira que o estava me escondendo. Saí de lá em silêncio, enquanto todos comemoravam a viagem daquela bichinha do Rafael, o que me ajudou bastante para que eu saísse de lá, sem ser notado. Dei sorte que todos estavam animados com os discursos de despedida, aquela parte era totalmente desnecessária, mas todos achavam o máximo. Inclusive aquela viagem de despedida, aquilo era totalmente desnecessário, o cara só ia fazer um intercâmbio, não era como se ele estivesse morrendo, sei lá. Sinceramente, eu não entendia o porque daquele alvoroço todo, mas eu fui né, eu tinha que marcar presença e analisar o .

O edifício onde Carolina trabalhava e onde eu vi o aquela noite, ficava bem no centro, em uma das avenidas mais caras e requisitadas da cidade, o que me levava a crer que o devia estar saindo com alguma patricinha metida a gostosa e com muita grana. Carolina era a típica menina que trabalha duro e gostava de caras que tinham dinheiro, o que para mim iria ajudar e muito. Eu precisava dela pra conseguir informações e não ligaria de ter que usar meu dinheiro para conseguir isso, cada centavo seria muito bem usado. Ela estava me esperando atrás do balcão de recepção, vestida em seu uniforme apertado de recepcionista, é eu iria comer ela hoje mais tarde.

— Você demorou bonitinho. — Ela fez bico quando eu me aproximei, me debruçando sobre o balcão.
— Demorei, mas cheguei gata. Olha, hoje eu vou precisar daquele favorzinho que eu disse. — Eu estiquei minha mão e toquei na gravata borboleta que ela usava.
— Eu não sei Jonas... Se o meu chefe descobrir, eu vou ser demitida. Esse tipo de coisa causa demissão por aqui.
— Ah, Carolzinha, quebra essa pra mim vai. Tudo que você me contar, eu vou guardar segredo.
— Tá bom, tá bom. — Ela rolou os olhos e sorriu pra mim.
— Então, aquele menino que eu descrevi ele é meu melhor amigo e eu estou bem preocupado dele estar metido em coisas perigosas. — Eu sorri e ela correspondeu.
Mulheres, tão previsíveis.

— O nome dele é , certo? — Ela perguntou e eu concordei. — Olha, no sistema de moradores do prédio temos um , João Medeiros e de sá Maria.
— É o . — Eu respondi, corrigindo minha postura. — Então ele morador daqui? — A questionei irritado, aquele garoto tava me escondendo uma coisa dessas.
— Sim, ele é morador daqui há três anos já. — Carolina virou a tela e me mostrou uma foto para que eu pudesse confirmar.
— Você tem por acaso a chave do apartamento dele? — perguntei a ela enquanto pensava que meu melhor amigo era um traidor.
— Jonas, você não pode subir no apartamento dele sem autorização.
— Gatinha, ele é meu melhor amigo, e vai ser rapidinho. Prometo que não vai sujar pra você. — Segurei a mão dela que sustentava um sorriso desconfiado nos lábios.
— Eu não consigo resistir a você gatinho. Mas seja rápido, a outra recepcionista entre em meia hora, e ela não pode saber disso. — Carolina respondeu enquanto pega um molho de chaves e me entregava.
— Vai ser rapidinho e em meia-hora eu serei todo seu. — Peguei a chave e me inclinei a beijando.
— É o apartamento 16B no oitavo andar, lado esquerdo. — Ela piscou e eu segui para o elevador.

Subi para o apartamento, que pertencia a com um único pensamento na cabeça, meu melhor amigo era um traidor filho da puta, me escondendo uma informação dessas por três anos. Fiquei puto por saber que poderíamos ter um apartamento só pras festinhas e pensei em quantas festas memoráveis a gente perdeu por causa daquela mentira dele. Eu entrei naquele apartamento com a mesma sensação, de que eu havia sido traído pelo meu melhor amigo e eu nem sabia o motivo. O apartamento acendeu as luzes assim que eu entrei e revelou um apartamento enorme, amplo, aberto e com espaço pra caralho. Olhei tudo em volta e não consegui achar nada que pudesse usar contra ele e o fizesse liberar aquele lugar pra todas as festas que iríamos fazer no fututo. O lugar estava impecável, tudo muito bem arrumado, oganizado, até os armários estavam cheios de comida saudável, sem glúten e todo o resto de comida fresca pra caralho. Isso me levou a pensar que mais alguém morava ali, alguém que provavelmente era responsável por toda arrumação daquele lugar, provavelmente uma mulher. Fui para o banheiro e lá não era diferente, coisas de mulher pra todo lado. Mas que caralhos o estava me escondendo?

Foi no quarto dele que eu realmente tive uma surpresa, uma surpresa que eu não soube dizer ao certo o que representava para mim, a única coisa que eu pensei quando entrei lá foi: filho da puta do caralho. No quarto haviam ainda mais coisas de mulher, o problema é que tinha muita coisa ali, muita coisa que eu sabia bem de quem eram. Mas, foram as fotos espelhadas em um mural ao lado do guarda-roupas, que denunciou toda a safadeza que tava acontecendo bem debaixo do meu nariz, que entregou que eu estava fazendo papel de otário aquele tempo todo. Estava lá, estampado na minha cara a foto dele beijando , a foto dele beijando a minha irmã na boca e bem ao lado a merda da foto de um ultrassom. Mas que diabos significava tudo aquilo? Eu fiquei paralisado, encarando aquilo que estava diante de mim que só despertei quando escutei o barulho da fechadura, que merda, a Carolina tinha me garantido que ninguém subiria. Eu me escondi atrás da porta e então escutei as vozes, eu as reconhecia, eu sabia muito bem de quem eram aquelas vozes, eu só não queria era acreditar que aquela merda toda era real.

Minha irmã e meu melhor amigo, seria um delírio da minha cabeça ou aquilo estava mesmo acontecendo?

Fiquei escondido ouvindo tudo, mas o que eu queria mesmo era nunca ter descoberto aquela merda toda, o filho da puta tinha quebrado a merda da promessa que tinha me feito e aquilo era tipo de coisa que não tinha perdão.

E minha irmã? , era uma vadia sem noção, igual a nossa mãe. Eu sempre desconfiei que ela tenderia para o lado da mamãe. Agora eu tinha plena noção disso, ela e meu melhor amigo, morando debaixo do mesmo teto, escondendo aquela safadeza toda de mim o tempo todo. Estava tudo na minha cara e eu inocente demais, nunca pensei que a minha irmã fosse capaz de algo assim tão sujo, de ficar dando pro meu melhor amigo, fingindo que não era a vadia que era. Aquilo me deu uma ânsia nojenta, aqueles dois eram dois nojentos, se pegando como se isso fosse remotamente normal, como se aquilo não fosse algo doentio. E o pior era saber que o , o meu melhor amigo, estava comendo minha irmã esse tempo todo.

Na verdade, eu até esperava aquilo da , já que ela sempre me tirou tudo que eu mais amava, desde sempre. Mas aquilo, aquilo era imperdoável, ela não podia ter roubado de mim a única real que eu tinha, ela não podia ter feito isso e me roubado o meu melhor amigo. Isso era a única coisa que eu sempre desejei que não acontecesse, o meu melhor amigo não, aquilo não. Ela não iria tirar o de mim, ela não iria roubar a única pessoa que me conhecia, que me entendia, ela não iria tirar de mim a única coisa boa que eu tinha em minha vida e que não tinha nada a ver com ela.

Aquela traição era algo que eu não aceitaria, nunca. Porque a minha irmã me traiu, aquilo era uma traição descarada e suja, aqueles dois não poderiam ter feito isso comigo. Eu jamais tinha me sentido tão abandonado, como naquele momento, eu jamais tinha me sentido tão traído assim antes. Agora mais do que nunca, eu a faria sofrer, eu a faria pagar por tudo que me fez a vida toda, naquele momento eu não tinha mais uma irmã, aquela traidora não era minha irmã e aquele traidor não era mais meu melhor amigo. Eles iriam pagar por cada célula do meu corpo que doía, diante daquela traição, eles iriam sentir o inferno na vida deles, igual a minha vida estava agora, eu jamais os perdoaria por aquela dor que me foi causada. Diante daquela cena deles dois se beijando, agindo como se fossem o casal mais feliz do mundo, eu olhei diretamente para aquela que causou esse vazio em mim, olhei nos olhos daquela que me traiu da maneira mais suja do mundo, sentenciando o inferno que seria a sua vida de agora em diante, falando pelo meu silêncio, que dali em diante ela me pagaria por aquilo, que ela sentiria na pele toda a dor que eu estava sentindo.

A minha vida toda eu tentei, eu tentei deixar aquele rancor que eu sentia por ela de lado, eu tentei deixei toda a dor que eu sentia por ela ter roubado nossos pais de mim, eu tentei deixar de lado. Mas agora não iria mais, eu tentei amar aquela garota com todas as minhas forças, eu seria capaz até de dar a minha vida por ela, mas ela, ela jogou isso no lixo, quando se envolveu com meu melhor amigo, ela simplesmente jogou fora todo meu esforço em amá-la, acima de tudo e qualquer coisa. Eu me esforcei, a vida toda para que o meu sentimento por ela se resumisse em amor, só que agora, tudo que eu sentia era ódio. Um ódio que eu nunca senti por ninguém, nem pelos meus pais que demonstravam a preferência por ela, nunca em minha vida eu odiei tanto alguém, como eu estava odiando a minha própria irmã.

Naquela noite eu perdi meu melhor amigo e minha irmã, os dois de uma vez só.

Capítulo 8 - .


Após aquela cena ridícula da tal da Sabrina se esfregando em mim e tentando a todo custo me agarrar, eu decidi que aquela festa já tinha passado da hora de acabar. Eu e resolvemos então voltar para casa e poder curtir o resto da noite com tranquilidade, já que no dia seguinte ela teria uma conversa importante e decisiva com o irmão dela. Conversa essa que tinha passado da hora de acontecer, já estava mais do que na hora dele saber do nosso relacionamento e de aceitar que eu e estamos felizes e vamos ter um filho. Eu sabia que ela tava nervosa e ansiosa pra caralho com aquela conversa e eu também estava, não seria uma conversa fácil mas era necessária. Logo a não vai conseguir mais esconder de ninguém que está grávida, então essa era a hora certa de abrir o jogo para todos. Na real que já tinha passado da hora disso ser resolvido, eu não aguentava mais ter que esconder de todos a felicidade que eu carregava, por saber que eu seria pai e que estava apaixonado por ela.

— Os peitões daquela Sabrina, são mesmo impressionantes. — disse enquanto passava por mim pela porta.
— Até que são. Mas, eu ainda prefiro os seus, amor. — Pisquei e ela desatou a rir.
— Pare de mentir , até eu queria ia querer aqueles peitões.
— Amor, eu sempre vou preferir você. Não me importa se aquela menina tem os peitões grandes ou não. Os seus são bem melhores. Eu adoro eles. — Eu disse enquanto me aproximava dela, com um sorriso malicioso nos lábios.
— Não sei se é verdade. — Ela me olhou de cima a baixo.
— Vem cá, que eu te provo então. Gostosa. — Eu disse, enquanto envolvia minhas mãos na cintura dela.
— Nada disso, primeiro o senhor vai é tomar um banho. Você tá fedendo a perfume barato da quela Sabrina. — Ela me afastou com as mãos e riu.
— Você quem manda. Vou tomar um banho, tirar esse perfume e depois sou todo seu. — Eu fiz uma careta enquanto cheirava a camiseta que estava vestindo. — Um beijinho antes de eu ir?

não respondeu nada e de repente, seu rosto ficou com o semblante sombrio e ela ficou parada, como se tivesse visto algum fantasma com os olhos paralisados em algo atrás de mim. Eu gelei com o olhar dela e me virei também, encontrando alguém que não deveria estar ali. O pesadelo no olhar de era real e ela estava mesmo assustada, fiquei com dúvidas se ela estava até mesmo respirando. Me aproximei dela e tentei acordá-la, mas falhei na tentativa, ela não se mexia. Voltei a olhar para a figura a minha frente, que nos espreitava com o olhar igualmente vazio e longe, como se estivesse nos matando com apenas um olhar. Jamais pensei que um momento como aquele pudesse mesmo acontecer, nem nos meus maiores pesadelos, eu imagine algo como aquilo. estava petrificada encarando Jonas a nossa frente, que estava igualmente calado, apenas olhando direto nos olhos dela. Por um instante, eu achei que ele ia voar no pescoço dela, mas isso não aconteceu, ele simplesmente nos encarou e depois saiu dali, porta a fora.

Escutei a porta bater com força e então voltei minha atenção para , eu precisava acordá-la daquele transe em que ela se encontrava, eu precisava que ela acordasse rápido, eu estava ficando assustado pra caralho. Me aproximei dela e toquei seu rosto, logo em seguida os seus olhos ainda paralisados soltaram uma lágrima, uma lágrima fria e triste, como se alguém tivesse morrido. Ela fechou os olhos e em seguida respirou fundo, relaxando o corpo em meus braços, ela me abraçou forte e soltou um grito contra meu peito. Eu a peguei pela mão e a sentei no sofá da nossa sala, me sentando a frente dela eu pude ver o quanto ela estava assustada e com medo daquela situação toda. se remexeu um pouco e conseguiu enfim olhar para mim, ela estivera esses minutos todos com o olhar em outro ponto da nossa sala, mas agora ela estava me olhando, o que fez meu corpo todo tremer.

Eu jamais imaginei com uma situação como aquele iria mesmo acontecer, eu jamais pensei que o irmão dela fosse fazer uma coisa desse tipo. O olhar dele sob a gente era um olhar mortal, um olhar frio, vazio e inexistente de qualquer emoção, ou reação. Eu não sabia muito bem o que fazer, ou o que pensar depois que passamos por aquele momento de tensão, apenas fiquei paralisado a encarando, esperando que tivesse alguma reação contra aquilo, eu precisava que ela tivesse alguma reação. Jonas não teve nenhuma reação, apenas nos encarou por alguns segundos em silêncio, direcionando seu olhar triste para a irmã a frente dele e aquilo me matou, eu jamais quis que ele olhasse assim pra irmã dele, eu nunca quis causar aquele tipo de reação no meu melhor amigo. Não sei como ele entrou ali e ele nem deveria ter feito isso, as coisas tinham que ter corrido o curso natural. já tinha o chamado para uma conversa no dia anterior, ele tinha de ter esperado, mas eu nem cogitei que ele poderia estar desconfiado de alguma coisa. As coisas simplesmente saíram do nosso controle e aquilo aconteceu, antes a gente tivesse aberto o jogo desde o início e talvez agora a não estivesse tão assustada e com medo do próprio irmão.

Eu segurei a mão dela e então pude analisar o rosto dela melhor, ele estava vazio, longe e quase sem expressão nenhuma. Ela tinha levado um choque muito grande ao vê-lo ali naquela sala, segurando a foto do ultrassom do nosso bebê, enquanto encarava a gente com o olhar mais sombrio do mundo. Eu a conhecia, e eu sabia que ela estava em choque, assustada e querendo sumir dali, mas eu precisava que ela reagisse, antes que eu mesmo tivesse um ataque do coração por vê-la naquele estado e tudo por causa do psicopata do irmão dela. Eu sentia que aquilo tudo era culpa minha, afinal de contas quem quebrou a merda daquela promessa fui eu, eu não deveria ter me permitido me apaixonar por ela e não deveria ter deixado as coisas chegarem a esse ponto. Eu odiava me sentir culpado por tudo aquilo, eu odiava saber que fui eu quem causei aquilo, em saber que por culpa e egoísmo meu, hoje o amor da minha vida estava com medo próprio irmão dela. Eu odiava saber que o amor da minha vida estava com o olhar vazio e mau conseguia respirar.

— A culpa foi minha, me desculpa. — Foi tudo que eu consegui dizer já que ela ainda estava calada, apenas me olhando.

Me aproximei dela, a envolvendo em um abraço de lado, e ela pereceu relaxar, eu estava encontrando um equilíbrio para aquilo tudo e meu coração começava a se acalmar diante daquela tempestade que tinha acontecido. se remexeu e então me olhou, como se me pedisse alguma ajuda mas não estivesse com coragem de falar diretamente, eu devolvi o olhar e a trouxe para perto de novo, beijando o topo da cabeça dela. Minha outra mão foi parar na barriga dela, fazendo um carinho gostoso em nosso filho. Foi quando deu um estalo em minha cabeça, eu tinha que pensar no meu filho, no que ele estava sentindo com tudo aquilo. E foi por isso que eu respirei fundo e no segundo depois eu soube exatamente o que fazer. suspirou com meu toque em sua barriga e então voltou a me olhar, agora com o olhar menos distante ela sorriu para mim e respirou bem fundo, soltando todo o ar preso em seus pulmões.

— A culpa não foi sua, . — Foi tudo que eu a ouvi dizer enquanto olha me olhava aflita.
— Claro que foi. , tudo isso aconteceu porque eu me permeti me apaixonar por você e deixei que tudo isso acontecesse.
— Não fala isso nem de brincadeira . A culpa aqui é do Jonas, ele que invadiu nosso apartamento e nossa intimidade.
— Eu sei disso amor, mas se eu não tivesse sido tão egoísta a ponto de te amar tanto sem pensar nas consequências, isso não iria ter acontecido. — Eu falei ainda nervoso e foi a vez de ela segurar minha mão.
— Se você repetir mais uma vez que você tem culpa de alguma coisa, eu vou ficar brava com você. Eu e você, não temos culpa nenhuma do amor que estamos sentindo , não temos culpa que o nosso amor hoje se transformou em um bebê e que isso incomoda tanto o Jonas.

Foram as palavras dela, que me fizeram perceber que tudo aquilo tinha sido a melhor coisa que poderia ter acontecido, já que eu duvidava que tivesse coragem de contar tudo ao irmão em uma conversa civilizada. Eu ainda estava puto com o fato daquele verme do irmão dela ter invadido nosso apartamento e eu trataria de tomar as devidas providências pois, alguém o tinha ajudado, eu tinha certeza disso. Encarando os fatos eu sabia que o Jonas precisava era ouvir umas verdades pra aprender a nunca mais se intrometer na vida da irmã dele e nem na vida de ninguém, eu jamais deixaria que outra situação como aquela se repetisse.

se recostou no sofá e me pediu um copo de água com açúcar, logo em seguida eu disse que chamaria Diana para ficar com ela, que eu iria resolver aquela situação o quanto antes. Ela ficou nervosa, me dizendo para não fazer nenhuma besteira que eu pudesse me arrepender depois, é claro que eu não faria nada com o Jonas, eu só precisava dizer tudo que estava entalado em minha garganta. Já estava mais do que na hora de parar de ficar se lamentando e se escondendo pelos cantos, o irmão dela precisava de um choque de realidade para entender de uma vez por todas, que ele podia mover o inferno para tentar me atingir e machucar a irmã dele, mas que eu jamais deixaria isso de fato acontecer.

Jonas era meu melhor amigo, sempre foi, mas naquela noite eu o tinha perdido para sempre e nem fora culpa minha, a culpa foi dele que sempre tentou controlar a irmã dele e que não a deixava fazer as próprias escolhas, sempre com a desculpa de que queria o bem dela. Tudo aquilo era papo furado, o Jonas sempre gostou de saber que podia controlar , de que podia mandar e ela obedecer, ele sempre gostou desse falso poder de manipulação que ele acreditava exercer sob ela. Eu sempre tomei o maior cuidado para não magoar o meu melhor amigo e muito menos a , eu sempre pisei em ovos quando o assunto era o Jonas porque isso a magoava e consequentemente me magoava também. Só que depois dessa noite, tudo mudou, eu não tinha mais medo de magoá-la, o irmão dela tinha feito isso com maestria ao nos enfrentar daquela maneira, ele tinha feito sem nem esboçar remorso.

— Cuida dela Diana, eu vou resolver isso de uma vez por todas. — Eu disse assim que Diana entrou pela porta do apartamento e sentou ao lado de .
— Tome cuidado, por favor. — direcionou o olhar a mim e sorriu.
— Eu te amo. — Disse a ela, pegando as chaves do carro e saindo em seguida.

Minha cabeça estava explodindo de tanta tensão acumulada, meu corpo doía por completo, de modo que parecia que eu tinha levado uma surra. Minha respiração estava pesada e eu estava com pressa de resolver aquilo o quanto antes. Eu sabia muito bem onde Jonas estava, quando ele fazia dessas, ele estava de baixo da saia da mãe, que sempre passou a mão na cabeça dele. Patrícia era uma mulher incrível, mas boa parte do comportamento do Jonas em relação a era de sua responsabilidade, ela nunca o chamou a atenção sobre como ele tratava a irmã. Já o pai de , era um homem de fibra, o verdadeiro pai de família, que amava os filhos mas que sabia quando por regras e impor a ordem em casa, ele apoiava Jonas mas não quando o assunto era , para José Carlos, a filha merecia ser tratada como uma rainha, e eu concordava.

Desde pequenos que a situação era assim entre eles, uma família que já estava bem dividida mesmo antes de eu entrar para ela. Patrícia e José Carlos, vivem um casamento de aparências e acho que nem dormem mais na mesma cama, ou pelo menos fingem que ainda dormem. não gosta de tocar nesse assunto, mas todos sabem que depois da traição de Patrícia que o Jonas ficou assim, depois disso que o Jonas começou a hostilizar a prórpria mãe e a irmã, as tratando como se fossem vadias. O pai deles, José Carlos, tentava ao máximo manter a estrutura familiar em pé, mesmo que já não morasse como eles há bastante tempo. Eles trataram de manter Jonas por perto, morando com eles, para que assim pudessem deixar o filho mais feliz e menos incomodado com o fato de que os pais não tinham mais o casamento feliz de antes. Essa era a forma que os pais de Jonas encontraram de amenizar toda aquela situação e mascarar uma traição, que no fim das contas foi o real motivo para Jonas achar que manda na própria irmã.

O trânsito quase deserto daquele horário da noite me permitiu que eu chegasse rápido até o meu destino, o que me deixou bastante eufórico, eu precisaria de toda a coragem do mundo para encarar o que viria pela frente, a partir do momento que eu entrasse por aquela porta. Respirei bem fundo, buscando lá no fundo de minha alma a coragem que eu precisaria.

Toquei a campainha e Patrícia atendeu a porta, linda como sempre, me lembrava claramente a , mãe e filha eram realmente lindas. Ela me olhou curioso sobre eu estar ali àquela hora da noite, tendo em vista, que fazia um bom tempo que eu não aparecia para fazê-los uma visita. Patrícia abriu um sorriso entredentes e me abraçou, eu sentia falta da figura da mãe que ela me representava. José Carlos apareceu e me abraçou do mesmo modo, eu era como um filho pra eles e eu sentia muita falta daquele carinho todo. Eu sentia falta da família de , eles sempre foram como meus pais, eu sempre os admirei e os amei por terem me adotaram como filho, me dando todo carinho e todo amor que eu precisei durante a minha infância. Sobre os ombros dos dois eu pude avistar Jonas do alto da escada, olhando para aquela cena como se quisesse matar alguém, e então eu me afastei dos pais dele, subindo pela escada com uma certa rapidez. Já estava mais do que na hora de parar de enrolar e acerta as contas com ele de uma de vez.

— A gente vai conversar. — Olhei para Jonas na minha frente e disse assim que entrei no quarto dele, fechando a porta.
— Eu e você não temos nada para conversar. — Jonas respondeu, com a voz engasgada na garganta.
— Você não entendeu, a gente vai conversar. — Me aproximei dele que me olhou de cima a baixo.
— E o que você vai dizer? Que não é nada disso que eu tô pensando? Que você não ta comendo minha irmã, pelas minhas costas? — Jonas cuspiu aquelas palavras na minha cara e eu senti meu peito apertar.
— Você fala isso como se isso fosse uma safadeza, uma coisa suja. Mas não é. — Respondi endireitando minha postura sobre ele.
— Claro que é uma safadeza. Vocês dois me traíram, .
— Eu a amo, Jonas. Eu amo sua irmã, como eu nunca amei outra pessoa na vida.
— Você é um ridículo , um traidor do caralho. Você me prometeu que nunca ia se aproximar dela.
— Jonas, eu vim aqui pra dizer que a gente se ama, que eu e sua irmã nos amamos e estamos construindo a nossa família.
— Se você falar mais alguma coisa , eu não respondo por mim. Hoje eu vi o quão traidor você é e o quão a minha irmã é mesmo uma vadia. — Jonas falava com um desprezo evidente.
— Eu acho bom você mudar o tom quando falar comigo sobre a sua irmã. A não é uma vadia, e eu já te disse isso.
— Fodam-se vocês dois. Só não esperem que eu aceito isso e receba vocês dois com flores.
— Jonas, eu só te peço uma coisa, deixa a gente em paz. Como seu melhor amigo, eu te peço isso.
— Você não é mais meu melhor amigo. Você e aquelazinha da , morreram pra mim hoje.
— Olha Jonas, se alguma coisa acontecer com a ou com o meu filho, eu juro por deus que você vai pagar caro.
— Até parece um homem falando com essa pose toda , mas, no fundo você sabe que eu se pedir, a me escolhe e que seu eu pedir, ela tira esse bebê amanhã mesmo. — Jonas veio até mim, me olhando de novo de cima a baixo, com um riso mórbido nos lábios.

Jonas eram um doente, agora eu tinha plena certeza disso. Eu não conseguia reconhecer aquela pessoa na minha frente, os olhos dele estavam vazios, sem nenhuma cor e pareciam mortos, o rosto dele expressava uma raiva que eu nunca pensei em ver nele. Meu melhor amigo não era mais meu melhor amigo, ele havia morrido e um monstro tinha nascido em seu lugar. Um monstro perigoso e cruel, que agora habitava a mente de Jonas e que poderia fazer mal aos outros, sem esboçar qualquer arrependimento e era isso que me deixava preocupado. Naquele momento, ele seria capaz de qualquer coisa, até mesmo contra a própria irmã. Eu tremia todo diante daquela figura, maléfica e sem nenhuma compaixão que havia tomado conta de Jonas, era um medo real, era o medo que sempre disse sentir dele e que só agora eu entendia.

— Eu espero mesmo que você não esteja falando sério, Jonas. — Aumentei meu tom de voz e ele apenas riu.
— Se você achou que vindo aqui, me contando essa história ridícula que você ama minha irmã e achou que isso ia me convencer de que vocês dois não me traíram, você se enganou feio, .
— Eu só quero você bem longe da gente e vou eu fazer o que eu puder pra isso acontecer. — Levei o dedo próximo ao rosto dele que não reagiu em nenhum momento.
— Eu acho bom é você ir embora, antes que eu arrebente essa sua cara deslavada. — Jonas aumentou a voz e veio pra cima.
— Venha então, pode vir, já que é só assim que você sabe resolver as coisas. — O chamei com as mãos, mas ele recuou quando a porta abriu.
— O que tá acontecendo aqui? Dá pra ouvir os gritos de vocês dois lá de fora da casa. — José Carlos apereceu e nos encarou com uma expressão irritada no rosto.

Jonas se manteve calado diante a presença do pai dele, sempre fora assim, ele sempre baixava a guarda quando pai o encarava daquela maneira. No fundo, a única pessoa que ele morria de medo era do pai dele. José Carlos, era a única pessoa que fazia o Jonas ficar com aquela expressão apavorada no rosto, ele era o único capaz de desarmar aquela pose de dominador, que o Jonas fingia ter em relação aos outros. Eu encarei José Carlos em silêncio, aquele momento era um momento de conexão entre pai e filho, mesmo que fosse para o repreender de alguma coisa.

— Se você quer saber José Carlos, o seu filho é um doente, um psicopata. — Resolvi quebrar aquele silêncio e me direcionei ao pai de Jonas.
— Como assim, ? — José Carlos disse a mim, enquanto encarava Jonas que estava em silêncio pela primeira vez.
— O seu filho invadiu meu apartamento hoje, como se fosse um bandido. E ele fez isso por que não confia em mim e principalmente não confia na .
— Isso é verdade Jonas, você fez isso mesmo? — Ele direcionou a voz a Jonas, que ainda permanecia em silêncio.
— É sim José Carlos, é a mais pura verdade. Seu filho invadiu minha casa e ficou lá, espreitando eu e a .
, meu filho, o que você tá falando? — Me chamar de filho era algo que José Carlos usava quando queria me acalentar de algo que estava acontecendo.
— Chamar ele de filho, transforma o que ele fez em incesto, papai. — A voz de Jonas ecoou irônica pelo quarto.
— Como assim? Alguém pode me dizer o que de verdade está acontecendo aqui? — José Carlos olhou de Jonas para mim, forçando um sorriso.
— Acontece, que eu e a estamos juntos, estamos namorando e morando juntos. — Escutei minha voz sair da garganta, embolada e rasgada.
— Eu... Eu... — José Carlos tentou falar alguma coisa, mas sua surpresa foi mesmo grande aquela revelação.
— Olha, seu José, eu amo a sua filha, amo demais. A única coisa que eu e ela queremos é que o Jonas fique bem longe da gente.
— Porque?
— O seu filho ameaçou a gente, ameaçou meu filho antes mesmo dele nascer, e isso eu não vou permitir.
— Jonas, meu filho? O que você pensa que está fazendo? — Os olhos marejaram e eu entendi que era minha hora de ir embora.
— Seu José, minha casa está aberta a você e a Patrícia, vocês podem ir quando quiseram pra conversar com a sobre isso. — Eu disse a ele e coloquei minha sobre seu ombro.

Foi a minha deixa e eu saí de lá, ouvindo a porta do quarto de Jonas se fechar, lá dentro os gritos de José Carlos ecoaram pela casa. O que Jonas havia me dito me abalou profundamente, eu jamais pensei que ele seria capaz de ameaçar contra uma vida que ainda nem tinha nascido, de ameaçar contra alguém que ainda nem estava no mundo. Aquelas frases dele diante de tal afirmação me fazia tremer inteiro, como se eu tivesse acabado de sair de um pesadelo. Eu precisava respirar e quando encontrei o lado de fora da casa, eu respirei todo ar que consegui e então gritei, eu precisava gritar e soltar aquilo que me angustiava o peito. Deixei que José Carlos tomasse as rédeas daquela situação com Jonas e segui para minha casa. Agora aquele assunto era entre pai e filho.

Ao mesmo tempo em que eu estava aliviado por todos saberem da minha relação com , por outro lado eu estava apavorado com o comportamento de Jonas em relação aquilo e eu nunca senti esse medo antes. Era um medo de perder, de que algo me seria tirado a força, antes mesmo que eu pudesse perceber o que estaria acontecendo. Naquele momento, eu tinha que separar meus medos e focar na única coisa que importava pra mim: e meu filho.

e meu filho eram tudo que me importavam agora.

“A maior alma é sempre insignificante ao pé da pequeníssima alma em cuja obsessão está.”
CAMILO CASTELO BRANCO.

Capítulo 9 - Flashback - .


Aquele dia começou bem estranho e com uma pitada de enrolação que eu não gostei. Era meu aniversário, finalmente a garotinha do papai iria fazer seus dezoito anos e isso era pra ser uma data legal e comemorativa, mas eu não tinha nada para comemorar. Levando em conta que, no dia anterior meus pais travaram uma discussão por horas e horas e o motivo, minha mãe queria fazer meu entender que o que ele viu no clube, no dia anterior, não era nada do que ele pensava. Aquela traição da minha mãe, mexeu bastante com toda a estrutura da minha família, o que só piorou portanto, a situação psicológica de Jonas, que todo mundo sabia que nunca foi das melhores. Eu amo meu irmão, mas eu sei que as atitudes dele não são normais e aquela briga dos nossos pais, só iria piorar a situação.

Pela manhã, os dois decidiram partir em uma nova viagem de lua de mel, na tentativa frustrada de resgatar um casamento, que há essa altura, nem existe mais. Antes dele saírem de viagem, os dois deixaram dinheiro e uma casa enorme para que eu, meu irmão e os nossos possíveis amigos, fizessem uma festa de aniversário. Para Jonas, isso até poderia funcionar, mas para mim, eu já estava cansada daquela imagem que meus pais estavam tentando sustentar, de família completa e feliz.

Falando no meu irmão, ele foi o único que curtiu a ideia de ficar sem a vigilância dos nossos pais, por dois dias inteiros. Ele acordou mega animado e feliz, eu diria até que nunca o vi com tanta disposição, mas eu sabia, eu sabia que ele tava aprontando alguma coisa. Meu irmão não ficava animado assim do nada, ou seja, tinha alguma parada errada naquele bom humor repentino. Não era segredo pra mim, que o Jonas andava com uma galera estranha e bem diferente dos nossos amigos. Os novos amigos dele, eram uns caras bem perigosos e com umas ideias erradas, que envolviam drogas e brigas em bares. Ele começou a andar com esses caras, logo depois que descobrimos a traição da nossa mãe, logo após isso, o Jonas encontrou um modo bem esquisito de encarar aquela nova realidade.

Por um lado, eu nunca julguei meu irmão por achar um meio de escapar dessa merda toda, mas o problema é que, depois disso ele mudou e mudou comigo. Eu comecei a perceber que ele tinha algumas atitudes possessivas comigo, como se quisesse me livrar do estigma que aquela traição de nossa mãe causou a nós dois. A única coisa é que hoje, especialmente hoje, no dia do nosso aniversário, eu não queria que ele estivesse assim tão chapado. Mas ele estava e eu percebi isso no momento que ele passou por mim, se trancando no banheiro. Lá de dentro, eu pude perceber que ele estava desorientado, do jeito que alguém que fica, quando está sob o efeito de drogas. E eu podia jurar que era lsd, uma vez que eu sabia um pouco sobre esse tipo de intorpecente.

— Abre a porra dessa porta, Jonas! — Soquei a porta, mas nenhum barulho se fez do outro lado.
— Me deixa em paz, ! — Ouvi os gritos dele.
— Não vou sair daqui, abre essa porta, caralho! — Soquei outra vez a porta, colocando um pouco mais de força.
— Na boa, , vai chupar um pinto e me esquece! — A porta se abriu grotescamente e lá dentro, os olhos de Jonas estavam vermelhos.
— Tão carinhoso comigo, como sempre né. — Dei um sorriso debochado e o seu rosto se fechou.
— Eu vou sair, vou com os meninos pra algum lugar, tocar o foda—se! E eu não quero você junto comigo, empatando minha vida. — Jonas estava parado ao lado da pia, me encarando.
— É o meu aniversário também, Jonas. Pensei que faríamos algo, juntos. — O encarei, de braços cruzados.
— Na boa, eu não ligo pra você e muito menos se é nosso aniversário. Eu vou sair, tocar o foda—se e bem provavelmente, foder alguma gostosa. — Jonas vem até mim e sussurra no meu ouvido. — Você não significa nada e vai ficar sozinha, no dia do seu aniversário, exatamente como merece.
— Por que você fala assim comigo? Caralho, eu sou sua irmã, exijo seu respeito. — Forcei minha voz, enquanto sentia as lágrimas se formarem em meu rosto.
— Foda—se você, . Adeus. — Foi só o que ele me disse, antes da porta no andar de baixo, bater com força.

Eu desabei ali mesmo, me sentindo a pior pessoa do mundo, por em nenhum momento, conseguir sentir raiva do meu irmão gêmeo. Não conseguia pensar, muito menos sentir algo que não fosse tristeza em relação a ele. Tudo que eu queria, era um abraço dele e um feliz aniversário, do irmão que eu amava tanto.

Aquele era o pior sentimento do mundo, se sentir abandonada e sozinha, na data mais importante de sua vida. Estar ali, sozinha e completamente esquecida, era a pior sensação do mundo. Nunca em minha vida, achei que fosse ser esquecida assim no meu próprio aniversário. Eu e Jonas tínhamos alguns amigos em comum, mas todos sempre preferiam ele ao invés de mim. Portanto, quando ele mesmo anunciou que iria sair para comemorar, era fato que eu iria acabar sem ninguém para comemorar a data mais importante da minha vida.

Depois daquela cena do Jonas, eu simplesmente desabei e chorei tanto, que nem percebi as horas passarem. Eu estava triste, sozinha e esquecida. Quando percebi, o dia já tinha passado e a noite começava a ser anunciada no céu. Eu fiquei por horas, sentada no mesmo lugar, chorando e tentando entender o porquê daquele comportamental do meu irmão comigo. Não consegui chegar em nenhuma conclusão, o que só me lembrava, que no fim das contas eu nasci pra ser infeliz e sozinha.

Eu estava sem forças para me sentir bem e feliz, então preferi ficar isolada e sentindo cada batimento do meu coração se desacelerar, enquanto as lágrimas caíam de meus olhos. E o pior de tudo, era que por mais que eu estivesse me sentindo daquele jeito, sozinha e completamente abandonada, eu não conseguia odiar meu irmão, nem por um momento.

Tudo que eu queria era ter tido pelo menos um abraço de alguém nesse dia, o carinho de alguém próximo e até quem sabe, um bolinho cafona com velinhas coloridas, só pra dizer que eu comemorei meu aniversário, da maneira mais chata e clichê que se pode existir. Mas isso não iria acontecer, uma vez que a minha casa estava caída em um breu escuro e não podia se ouvir nada, além do meu choro incessante. Do lado de fora, a lua estava enorme e iluminava quase toda rua, o que tornava aquele dia, ainda mais triste e torturante para mim.

Eu estava absorta em meus pensamentos tristes, tentando controlar minhas lágrimas, quando percebi que a campainha da minha casa, tocava de forma acelerada e inquieta. Não podia saber quem era, mas eu respirei fundo e me arrastando, eu caminhei até a porta. Abri a minha enorme porta de madeira marrom, revelando uma pessoa que eu jamais pensei que estaria ali, mas que esboçou um sorriso tímido e incisivo, o que fez minhas lágrimas se cessarem em segundos.

— Feliz aniversário, baby. — estava ali, escondendo seu rosto atrás de um pacotinho de presente da Lojas Renner.
— Oi, . Obrigada! — Eu disse e ele abaixou o pacote, o que me permitiu ver seu rosto.
— Vem cá, abraço de aniversário. Feliz dezoito anos. — Ele disse, me abraçando em seguida.
— O que você tá fazendo aqui? — O questionei, erguendo a sobrancelha.
— Vim pra te fazer companhia e pelo jeito eu adivinhei, você tá precisando de companhia mesmo. — dissse, enquanto um sorriso era sustentado em seu rosto.
— E o Jonas? Você devia estar com ele e não comigo. — Eu disse, enquanto tentava conter minhas lágrimas.
— Olha, ele é meu melhor amigo, mas hoje eu escolhi ficar com você, no seu aniversário. — ajeitou os óculos de grau e deu um passo a frente.
— Não quero fazer vocês dois brigarem. — minha palavras saíram trêmulas.
— Você tava chorando, ? Porque? — me questionou, apontando para meus olhos que deviam estar bem vermelhos e inchados.
— Ele me disse coisas horríveis, . Eu tô me sentindo triste e sozinha. — Não consegui me controlar mais e as lágrimas saíram pesadas.
— Vem, vamos entrar e você me conta tudo o que aconteceu. — esboçou um sorriso e segurou minha mão. Então caminhamos para a sala de tv da minha casa.

Depois de muita conversa e de conselhos que eu jamais imaginei que o fosse me dar, eu percebi que não estava sozinha, que eu teria sempre um amigo comigo e que esse amigo, seria ele. Eu contei a ele todos os absurdos que meu irmão havia me dito, desde a briga do dia anterior até aquele episódio no banheiro. me escutou por horas, me aconselhando a não ficar mal por conta daquele comportamental irracional de Jonas.

A noite começou a melhorar, no momento que sugeriu que fossemos para o jardim, admirar aquela lua maravilhosa que se mostrava no céu. Não tinha bolo, nem mesmo vela no dia do meu aniversário, mas eu tinha a melhor companhia do mundo comigo, eu tinha o melhor amigo que alguém pode ter. esticou uma toalha na grama e eu me sentei ali, enquanto ele voltava de dentro da minha casa, com uma garrafa de refrigerante e dois copos de plástico. Alguns pacotes de bolachas e salgadinhos, compunham aquele que era o meu piquenique de aniversário.

Sentada na grama ao lado de , eu observava a enorme lua sob nossas cabeças, enquanto conversávamos sobre tudo, sobre a vida, as mudanças e o meu futuro.

— Eu achei que iria estar com o Jonas hoje, . Não esperava que você viesse aqui. — Eu disse, enquanto estava com a cabeça deitada no colo de .
— Eu so tenho quatorze anos, esqueceu, ? Não posso entrar em boates. — o vi torcer os nariz e fazer uma careta engraçada.
— Você é tão inteligente e independente, que as vezes eu me esqueço da sua idade. — Falei a ele, vendo que seus olhos estavam fixos no céu.
— Você, melhor do que ninguém, sabe que eu tive de aprender a ser assim, a minha vida foi colocada a prova muito cedo, . — soltou aquelas palavras, enquanto fazia um carinho em meus cabelos.
— Esqueci de agredecer o seu presente, muito obrigada, você soube escolher certinho. — Sorri ao dizer isso a ele.
— Que bom que acertei, fiquei mesmo na dúvida sobre o que trazer pra você. — ajeitou mais uma vez os óculos de grau e abriu um sorriso.
— Sabe, esse dia estava caminhando para um fracasso total, mas você mudou tudo pra mim, obrigada. — Agradeci mais uma vez, coisa que estava fazendo muito naqueles minutos.
— Você não precisa me agradecer, . Eu fiz o que qualquer amigo faria. Você é muito especial pra mim e sabe disso. — disse, batendo com o dedo em meu nariz.
— Queria que o Jonas tivesse esse mesmo pensamento que você. Sabe, as coisas que ele me disse, eu ainda tô sentindo isso no meu coração. — Novamente, tentei segurar uma lágrima.
— Eu também queria que ele fosse alguém melhor com você, mas parece que não vai. Eu não sei o que tá acontecendo com ele, de verdade. — O sorriso nós lábios de , se transformou em uma linha reta.
— Ele tá andando com o Renato e os amigos barra pesada dele. — Me levantei do colo de e disse, torcendo os lábios em tom de preocupação.
— O Jonas vai acabar mal se continuar com isso, mas infelizmente, não temos muito o que fazer, .
— Eu só queria meu irmão de volta, não o cara que eu vi hoje mais cedo. — Novamente meu coração se apertou ao lembrar do que aconteceu no banheiro.
— Ele vai voltar, ou pelo menos eu espero isso. Mas saiba que, enquanto ele não voltar, eu estarei aqui com você, . — segurou minha mão e eu encostei minha cabeça em seu ombro, respirando fundo.
— Que tal a gente jogar vídeo game agora? — O questionei, enquanto um sorrisinho começava a se formar em meus lábios.
— Seu jeito de agradecer quando alguém é carinhoso com você, é diferente. — riu e me cutucou.
— Vamos ou não? — O questionei mais uma vez.
— Vamos sim, mas eu escolho o jogo. — disse, me fazendo cócegas.
— O último a chegar é a mulher do padre! — Gritei para ele, enquanto me levantava da grama e começava a correr em direção a porta da varanda.

Já era bem tarde da noite, quando o sono bateu em nós dois. Eu estava bem cansada, o dia tinha sido bem estressante e triste, mas por sorte, eu tinha comigo, um dos melhores amigos que eu podia ter em toda minha vida. Então, o que era pra ser um dos piores dias da minha vida, acabou se tornando um dos mais importantes, onde quem eu nunca imaginei, esteve do meu lado, me ouvindo e me fazendo companhia. Durante aquele tempo ao lado do , eu não pensei em que o Jonas estaria fazendo, ou muito menos, pensei no que poderia acontecer, caso ele se envolvesse em alguma encrenca. Eu passei aquela noite, com o e acabei ganhando um novo melhor amigo.

Sempre achei que o era a favor do Jonas, por eles serem tão ligados, desde a infância. Mas, era fato que meu irmão mudou muito o seu comportamento em relação a todos, depois daquela traição de nossa mãe. Os amigos dele, ele afastou e acabou se envolvendo com uma galera bem barra pesada, mas jamais pensei que o iria contra o Jonas. Foi uma surpresa muito grande, quando o vi ali na minha porta, para passar o meu aniversário ao meu lado. Ele poderia muito bem estar com o Jonas, mesmo que ele ainda fosse muito novo, o meu irmão, sempre dava um jeito de incluir o nas festinhas dele, então a idade dele, não era problema pro Jonas, se ele realmente quisesse o melhor amigo do seu lado. Mas como tudo na vida do meu irmão estava diferente, aquela atitude dele excluir o , não era surpresa pra mim e nem pra ninguém.

Tê-lo ali comigo, me fez perceber, que talvez eu não estava tão sozinha assim, já que eu tinha um amigo e as vezes, um amigo só basta para você não se sentir abandonada. E uma coisa era verdade, o é uma ótima pessoa e estar com ele, de certa forma me fazia muito bem. Desde que nos conhecemos, eu sentia que o era um menino bom, completamente diferente do temperamental e esquisito do meu irmão. O sempre teve um coração enorme, que era capaz de fazer qualquer pessoa se sentir bem, só por te—lo do lado. E foi isso que, me fez sorrir quando o vi na minha casa, pois, de uma forma ou de outra, eu sempre gostei da companhia dele.

O , me fazia bem, ele sabia me fazer sorrir e nunca deixava o Jonas me fazer sentir mal, mesmo que eles fossem melhores amigos. O coração bom do , o fazia ter essas atitudes de não deixar que meu irmão me fizesse chorar ou me fizesse sentir abandonada, ele me protegia e de uma certa forma, eu me sentia segura ao lado dele.

— Você tá com sono? — Escutei a voz de , enquanto eu estava jogada no braço do sofá.
— Um pouco. Já está tarde né? — Sussurrei, me espreguiçando.
— Já são 3h20 da manhã. — respondeu, me fazendo um carinho no rosto.
— Nossa, está bem tarde mesmo. Mas, pelo menos eu ganhei de você no jogo. — Expressei um sorrisinho.
— Dessa vez, mas dá próxima eu ganho. — Ele beijou minha testa e sussurrou.
— Bom, então vamos encerrar por hoje. — Me sentei no sofá e olhei para ela.
— Eu vou com você até seu quarto e daí sigo meu caminho pra casa. — me olha e pisca.
— Jamais, vamos dormir aqui na sala mesmo. — Eu disse, sorrindo de volta.
— Você tem certeza? E se o Jonas aparecer? — Ele me questiona.
— Deixa que com ele eu me entendo. Agora vem, me ajuda aquu. — Eu aponto para o sofá, pedindo que ele me ajuda a puxar o sofá cama.
— Se você insiste, tudo bem. — Ele sorri e nós dois puxamos o sofá, fazendo se abrir uma cama ali mesmo.
— Deita desse lado que eu deito desse, ok? — Apontei para o lado direito e ele sorriu.
— Boa noite, , durma bem. — Ele disse, assim que deitamos, em seguida o sono nos pegou e nós dois desmaiamos.

Já era de manhã, quando eu senti que estava abraçada a , o qual dormia profundamente. Mas, foram os gritos agudos que me acordaram de maneira repentina.

— Que caralhos está acontecendo aqui? — Senti uma mão puxar meu cabelo.
— Jonas? — Arregalei os olhos e o encarei assustada.
— Levanta daí, sua vagabunda. — Os olhos dele me encaravam com uma cor escura e sombria.
— Calma Jonas. — Tentei expressar minha voz, mas ele me puxou com brutalidade para fora do sofá.
— Calma nada, o que você tá fazendo aí agarrada com o ? Sua vagabunda. — Tentei me manter em pé, mas sem sucesso, logo em seguida senti uma mão pesada em meu rosto.
— Não é nada disso que você tá pensando Jonas, por favor. — As lágrimas escorriam sem aviso de meus olhos.
— Você, cala a boca. E você, seu filho da puta, levanta daí. — Jonas gritava comigo, enquanto pulava em cima de , que estava acordando.
— Calma Jonas, deixa eu falar. — tentava falar, mas o Jonas estava em cima dele, o empurrando do sofá.
— Vocês dois, são dois nojentos. Mas essa putaria não vai acontecer aqui na minha casa. — Jonas nos olhava com os olhos cheio de ódio.
— Não aconteceu nada cara, a gente só dormiu. Ficamos até tarde, jogando vídeo game e foi isso. — A voz de saia trêmula.
— É isso Jonas. Você me deixou aqui sozinha e aí o apareceu pra me fazer companhia. Você me abandonou no dia do nosso aniversário e queria o que? — Enxuguei minhas lágrimas e encarei o meu irmão.
— Eu não te deixei falar, . Fica na sua, você é igualzinha a ela, aquela vadia da nossa mãe. — Jonas cuspiu e voou pra cima de mim.
Fui empurrada contra a parede e mais uma vez, senti meu rosto arder.

— Sai de cima de mim, Jonas. Você tá completamente drogado. — Foi aí que eu percebi que as pupilas dele estavam dilatadas.
— Você não vale nem o meu esforço de te bater. — Jonas cuspiu novamente e se afastou.
— E você é um covarde. — Virei meu rosto e o encarei.
— Covarde ou não, irmãzinha, você vai sempre ser igual a ela. E você, , some da minha frente, antes que eu não responda por mim. — Jonas virou a cabeça e olhou para o amigo.
— Não! Você fica , quem vai sair é ele! — Empurrei Jonas pra longe com as mãos e caminhei até .
— Deixa, , é melhor eu ir. — beijou o topo da minha cabeça e saiu.
— E o que é isso aqui? — Jonas pegou o pacote de presente de cima da mesinha e direcionou a mim.
— Não que seja da sua conta, mas é o meu presente de aniversário, que o me deu. — Tentei puxar o pacote, mas Jonas abriu e pegou o meu presente.
— Mas que merda é essa? Você não vai usar essa porcaria. — Não consegui o conter e em segundos, o vestido que eu tinha ganho de aniversário, foi rasgado inteirinho.
— Você é um monstro, Jonas. Eu te odeio! — As lágrimas invadiram novamente meu rosto e tudo que fiz foi correr e me trancar em meu quarto.

Mais uma vez, naquele inferno de final de semana, eu estava chorando por causa do meu irmão. Eu queria realmente odia—lo, mas infelizmente eu não conseguia. Eu tenho todos os motivos do mundo pra acreditar que tudo isso é uma fase do meu irmão, algo que ele precisa extravasar. Eu não consigo, nem um por minuto, pensar que meu irmão acha isso mesmo de mim. O que ele me disse, tudo aquilo, era única e exclusivamente por causa das drogas que ele anda usando. Meu irmão, o Jonas que eu conheço, não é aquele monstro chapado que me atacou e atacou o melhor amigo. Eu sei disso, se não fosse pelas drogas, eu tenho absoluta certeza, que ele jamais me falaria aquelas coisas absurdas. O Jonas não é aquele cara, que bate na irmã e que fala aquele monte de baixaria, ele é um cara carinho e de bom coração, o problema é que, a traição da nossa mãe junto com o temperamento forte dele mais as drogas, transformaram o meu irmão, naquele monstro incontrolável.

Tudo que eu preciso agora, é achar uma maneira de trazer o meu irmão de volta. Tenho que pensar em como fazer meu irmão perceber, que o caminho que ele escolheu não é o certo. Eu sei que posso fazer isso, eu sei que posso curar meu irmão e o fazer ser o mesmo de antes. Eu preciso trazê-lo de volta, pois, eu sei, que lá no fundo de seu coração, ele ainda continua o mesmo irmão carinhoso e atencioso comigo. Eu só preciso pensar e achar uma maneira de fazer isso acontecer, antes que seja tarde demais para ele e para mim.

Resgatar o Jonas dessa fase escura, é o certo a se fazer. Meus pais não merecem passar por isso. Mesmo que ele tenha ficado assim por conta da traição da nossa mãe, eles não merecem que o filho deles se afunde nas drogas e que cause tanta vergonha assim pra eles. Eu fui criada para amar a minha família e ensinada a perdoar, por mais que o erro dela seja grave, o perdão é necessário. É por isso que eu sei que o Jonas vai me pedir perdão, uma hora ou outra, afinal de contas, nossa criação foi assim. O perdão sempre vem e eu já o perdoei, agora só preciso o fazer entender que tudo aquilo não passou de um mau entendido, que não aconteceu nada entre mim e o . Eu sei que no fundo, o Jonas se arrepende de tudo que me falou e é por isso que, eu espero que ele me peça perdão, para que eu mesmo possa perdoá-lo por tudo. Eu não posso sentir raiva do meu irmão, nem mesmo com todas aquelas atrocidades que me forma ditas. Uma vez que, eu não consigo deixar de amar meu irmão, nem mesmo depois de tudo que aconteceu.

Eu estava pensando, chorando e tentando entender o que se passava na minha cabeça, quando olhei e vi um papelzinho sendo passado por debaixo da porta. Sequei minhas lágrimas, mais uma vez, e caminhei até lá, pegando o papel em minhas mãos. O abri e lá estava, escrito de forma bem clara e objetiva.

"Me perdoa? Não quero te magoar, . Você é tudo pra mim, irmãzinha."

Terminei de ler aquelas palavras e funguei o meu choro. Abri a porta e lá estava meu irmão, encostado na porta do seu quarto, me encarando.

Eu sorri e caminhei até ele, que me abraçou igual um urso e beijou o topo da minha cabeça.

— Nunca mais faça isso, Jonas. — Eu disse enquanto me apertava contra seu corpo.
— Não vou fazer, me desculpa. Eu me descontrolei. — Jonas dizia e me apertava mais contra seu corpo.
— E me promete que vai parar de usar essas merdas? — Me afastei e encarei seu rosto.
— Por você eu paro. — Foi tudo que ele disse enquanto seus olhos me encaram atentamente.
— Então eu te perdôo, irmãozinho. — Tombei minha cabeça e esbocei um sorrisinho.
— Vou te dar outro presente, já que o do eu rasguei. — Jonas coçava a cabeça e me olhava.
— Aproveita e pede desculpas pro seu melhor amigo também, ele não fez nada. — Firmei minha voz e me aproximei dele, outra vez.
— Vou pedir. — Jonas disse e bateu com a ponta do indicador no meu nariz.
— Que bom, faça isso mesmo, Jonas.
— O que acha da gente ir em uma panificadora e comprar um bolo pra comemorar nosso aniversário? — Ele me questionou.

Eu concordei e então, com um sorriso nos meus lábios, eu enganchei em seus braços e nós dois fomos na panificadora, comprar o nosso bolo favorito, para comemorarmos o aniversário.

Capítulo 10 - Flashback - .


Depois daquele episódio lamentável, onde Jonas, perdeu a cabeça com a , por algo que ele inventou em sua cabeça, eu me vi na obrigação de recompensar a , por aquele desconforto todo.

Eu sei que, no fundo disso tudo, o Jonas está passando por algo mais que podemos compreender. Sou melhor amigo dele, desde a época da escola, mas isso não quer dizer que, eu o defenda em todas as suas atitudes. Muito pelo contrário, eu sempre sou o primeiro a repreendê-lo quando ele tem essas atitudes ridículas com a . Eu nunca entendi exatamente, onde que o Jonas se perdeu e se tornou aquele monstro sem sentimentos, que não respeita nem a própria irmã. Eu poderia dizer que, isso aconteceu devido aos últimos acontecimentos em sua família, envolvendo a traição da mãe dele, mas pra mim, isso é bem complicado do que todos imaginam.

Eu saí da casa de , aquele dia, me sentindo bem mal com tudo aquilo. De certa forma, toda aquela situação aconteceu, porque eu acabei dormindo lá com ela. Talvez, se eu não tivesse feito isso, eu teria pelo menos a livrado, de uma situação complicada e tensa com o Jonas. Por esse e outros motivos, que eu preciso achar um jeito de recompensar a minha amiga, deixando bem claro pra ela, que nunca foi a minha intenção, magoá-la quando eu fui lá aquela noite. Eu só queria mesmo comemorar o aniversário da minha amiga, de modo que a fizesse se sentir especial em algum momento, já que ela estava sozinha e triste.

é uma menina tão inteligente, sorridente, brincalhona e determinada. Ela gosta de músicas antigas, daquelas do tempo que nossos pais eram adolescentes, gosta de filmes de ação e aventura (o que há difere de muitas meninas da idade dela). gosta de passeios ao entardecer, prefere viagens para o meio do mato do que para a praia. Ela gosta de café com leite, mas meio a meio e de preferência, sem açúcar. odeia acordar cedo, sempre reparei que ela se levanta só depois da nove horas da manhã. Ela passa horas lendo seus livros favoritos e tem sempre um sorriso pronto, para qualquer ocasião de sua vida. Por saber disso tudo, que eu não entendo, como que o Jonas pode não amar a própria irmã.

Uma semana se passou desde o seu aniversário e foi uma semana de silêncio, sem nenhuma palavra de sobre o ocorrido. Na verdade, ela nem me ligou direito essa semana, parece até que, ela está fugindo ou se escondendo de alguma coisa. Eu sinto que, ela está é com medo de que Jonas possa a voltar a ter aquelas atitudes estranhas. Mas isso é bem revoltante, ela não pode se deixar levar por esses repentinos surtos de consciência do Jonas, pois, quem o conhece sabe que, mais cedo ou mais tarde, ele vai surtar com ela outra vez e isso, eu não vou mais permitir.

"Você tá em casa" — Sou acordado de meus pensamentos, quando sinto meu celular vibrar com a chegada de uma mensagem.
"Oi, , estou sim" — Respondo a ela.
" Você pode passar aqui me pegar e me levar pra dar uma volta. O clima aqui tá péssimo, não aguento mais." — Sua resposta é bem objetiva.
" Claro, chego aí em dez minutos, me espere do lado de fora do seu quarto" — Enviei a mensagem para ela que me respondeu rapidamente com um "ok".

Procuro pelo quarto o meu moletom da Adidas e o encontro rapidamente, escorado sobre a minha cadeira da escrivaninha. Visto o moletom, calço meus tênis e sigo para a casa dela, que se eu bem conheço a , ela já está me esperando, bem antes de eu enviar a mensagem.

Alguns minutos caminhando e eu cheguei na casa dela, que dito e feito, lá está ela, me esperando na lateral de sua casa. Dirigi meu olhar para , que abriu um enorme sorriso ao me ver ali em sua frente. Me aproximei dela e imediatamente, sou acolhido pelos seus braços magricelos, que me envolvem em um abraço apertado e carinhoso.

— Senti saudades. — Ela disse assim que me soltou do abraço.
— Eu também senti, você está bem? — Analisei seu rosto e vi ali, alguns indícios de que ela estava chorando.
— Vamos sair daqui e eu te conto tudo, pode ser? — ergue a sobrancelha e olha para meu rosto.
— Vamos sim. — Segurei sua mão e então, nós dois caminhamos pela rua atrás da casa dela, que dá acesso ao parque estadual.

Chegamos no parque e logo a correu pela grama. Era fim de tarde e um sereno manso começava a se formar no céu, mas ela não pareceu se importar com isso, uma vez que ela parecia estar bem alegre com aquele breve momento de liberdade. Eu sempre soube, que viver naquela família desestruturada, acabava deixando , muitas vezes apagada e atormentada. Até porque, ninguém nessa vida ou em outra, merece viver em um ambiente, com um irmão mentalmente perturbado, uma mãe adúltera e um pai cego, que finge que não vê nada que está acontecendo. Naquele breve momento, ver a minha amiga correr pela grama, sorrindo, traz para mim um pouco de conforto, em saber que pelo menos ali, ela está realmente feliz. E por um instante, eu sinto vontade de gravar aquela garota feliz, livre e sorridente em minha memória, para sempre que eu puder, lembrar de como ela é feliz quando está do meu lado. É então que, eu percebo que com a , eu realmente sei o significado de amor.

Talvez, ela nunca note o que sinto por ela, afinal de contas, eu ainda sou garoto que nem pêlo no saco tenho e que jamais poderei competir com o mar de garotos mais velhos, que vivem babando por ela. Mas, isso não me importa, vou levar esse sentimento para sempre comigo. Ela pode até nem notar o amor que estou construindo por ela, mas isso não vai anular o meu desejo de protegê-la do mundo de maldade que a cerca. Ali, naquele instante, eu prometo ao universo, que jamais a deixarei ser apagada e esquecida, por ninguém que seja.

— Agora que a gente já saiu da sua casa e da vigilância do Jonas, você quer me contar o que aconteceu? — Questiono , assim que nos sentamos na beirada da pista de skate que tem ali.
— Como você sabe que tem a ver com ele? — Ela me respondeu em um tom tenso e ao mesmo tempo, curioso.
— Eu te conheço o suficiente, , pra saber que só ele é capaz de te fazer ficar com essas rugas de tristeza. — Aprontei para sua testa e ela sorriu um pouco tensa.
— As coisas lá em casa, estão ficando cada vez mais difíceis de suportar. Meus pais, passam a mão na cabeça dela e deixam ele me humilhar sempre que pode. Eu não aguento mais, , não aguento mais ser tão humilhada naquela casa e não poder fazer nada. Uma hora, ele tá super bem e carinhoso comigo e no outro, ele vira aquele monstro sem escrúpulos. — Uma lágrima solitária, sai dos olhos de e atinge em cheio suas bochechas.
— Eu odeio te ver assim, chorando desse jeito por culpa dele, sabia? Isso me deixa tão mau. Eu queria poder fazer alguma coisa, pra te ajudar. — Coloquei minha mão em seu ombro e com a outra, enxuguei suas lágrimas.
— Você é o único que me ouve, que está do meu lado, . Muito obrigada, de verdade, por estar aqui comigo. — diz aquelas palavras com a voz trêmula e em seguida, ela relaxa os ombros.
— Eu fico imensamente feliz em saber que, você lembrou de mim e que me pediu pra ir te encontrar. — Dou um sorriso para ela que retribui.
— Estar aqui, nesse lugar calmo e ao mesmo tempo lindo, me faz um bem danado. Aqui com você, eu me sinto igual o dia do meu aniversário, em que ficamos conversando no meu jardim. — encara a vista a sua frente, enquanto balança as pernas no ar.
— Amigos são pra isso, . Pra fazerem os outros felizes, nos momentos bons e nos momentos ruins, também. — De uma maneira carinhosa, segurei sua mão e pude sentir que ela gostou do meu gesto.
— Eu não quero voltar para aquela casa, pelo menos não hoje. Ele me disse coisas horríveis, me ameaçou no meu quarto e disse que se eu voltar a te ver, ele me mata, . Foi isso que ele me disse, aí como se não bastasse, ele começou a humilhar minha mãe, que ficou de cabeça baixa, ouvindo tudo calada. — Mais uma vez, as lágrimas invadem o rosto angelical de .
— Como assim, ele te ameaçou? — A questionei assim que assimilei o que ela tinha me dito.
— Ele disse, que se me visse de novo com você, eu iria me arrepender de ter nascido. Como se a gente se falar, fosse algum crime hediondo. — Sua mão está tremendo e sua voz, cansada e triste.
— Não, mas isso já é demais, . Ele não tem esse direito, de te proibir de ver as pessoas. Quem o Jonas tá pensando que é? Meu deus. — Abraço de lado e a sinto deitar a cabeça em meu peito.
— E eu, faço a única coisa que ele não quer, te chamo pra me tirar de lá. Por isso, que eu não quero voltar pra casa hoje, . Eu estou com muito medo dele. — Suas lágrimas batem em meu moletom e seu corpo todo está tremendo.
— Não seja por isso, vamos te esconder lá na minha casa, pode ser? — Pergunto para ela, que aos poucos, parece se acalmar.
— Tem certeza? Não vai ser pior se o Jonas ir lá e me ver na sua casa? Eu posso sei lá, dormir em algum lugar aqui no parque mesmo. — se levanta um pouco e seus olhos encaram os meus.

Como que ela consegue ser tão linda?

— Mas nem pensar, você tá ficando maluca, ? — Coloco minha mão em sua testa, afim de medir sua temperatura, pra ver se aquela criaturinha não está febril.
— Não é isso, é só que, eu não quero te causar problemas, .
— Você não vai me causar nenhum problema, pode tirar isso da sua cabeça. Você vai comigo lá pra casa, sim. — Entrelaço minha mão a sua e ela sorri.
— E o Jonas, eu tenho medo dele fazer alguma coisa contra você. — Ela me olha ainda triste e receosa.
— Deixa que eu me viro com seu irmão. Ele sabe que comigo ele não se cria. Se tem uma coisa que eu não me permito, é que ele te trate dessa maneira. Ele pode fazer o que quiser comigo, mas jamais com você. — Faço um carinho em seu rosto e recebo um sorriso seu, como resposta.
— Você é tão corajoso, . Bem mais do que eu, as vezes nem parece que você só tem quatorze anos.
— Eu passei por muita coisa que me fizeram ter essa coragem toda, . Você sabe bem disso.
— Mesmo assim, você é bem mais corajoso do que muita gente que conheço. — se escora em mim outra vez e eu aninho ela em mim.
— Obrigado, eu acho.
— Não precisa me agradecer, sua coragem vale muito mais que um simples obrigado. — A voz dela é mais calma, enquanto seus olhos encaram o pôr do sol a nossa frente.
— Nosso primeiro pôr do sol, juntos. — Digo a ela, sentindo seu corpo relaxar em meu abraço.
— Sim, o primeiro de muitos. — responde, segurando minha mão.
— Você quer ir já, ou prefere ficar mais um pouco? — Eu pergunto, encarando o sol a nossa frente.
— Vamos ficar mais um minutinhos, pode ser?
— Pode sim. — Eu respondo.
continua encarando o sol se pondo a nossa frente e naquele instante, uma necessidade enorme de protegê-la, nasce em meu peito. A essa altura, eu sou capaz de qualquer coisa, só pra vê-la sempre sorrindo e feliz.

Tudo que eu quero agora, é proporcionar a , mais momentos de alegria e liberdade, como esse de agora. merece ser feliz, ela é uma menina que merece tudo de melhor que existe nessa vida. Se, como ela mesmo diz eu sou tão corajoso assim, eu vou provar a ela que ela também pode ser muito corajosa. precisa enfrentar seus monstros, para assim começar a ser feliz de verdade. E se depender de mim, eu vou ajudar em tudo que for preciso, se depender de mim, ela vai ser cada dia mais feliz a partir de hoje.

Ficamos mais mais alguns segundos ali, observando o sol se pôr e só resolvemos ir embora, quando uma brisa gelada que vinha das árvores, nos atingiu em cheio. estava tremendo toda, então, eu tirei meu moletom e dei para ela vestir. Constando aquela frase clássica "esse moletom fica bem melhor em você" como verdadeira. Só digo que, agora que ela está o usando, vai ser bem difícil pra mim não lembrar que, um dia ela o vestiu e ficou perfeitamente maravilhosa nele.

era mais velha que eu, mas era proporcionalmente menor que eu, então tudo que ela usava, em questão de roupas, sempre ficavam largas e compridas. Eu achava isso fofo, já ela vivia se achando a menina estranha que aos dezoito anos, não tinha peitos grandes, nem cintura e nem bunda, uma vez que meninas de doze ou treze anos, já tinham suas curvas bem definidas. Mas eu, particularmente, amo que ela seja assim, sério, isso a deixa tão única e exclusiva, de uma maneira que eu admiro. Ah se ela soubesse, o quão linda ela é…

Minha casa, não ficava muito longe da casa de , então enquanto a gente ia para a minha casa, nós passamos pela casa dela, que naquele momento, estava com todas as luzes acessas e era possível ouvir os gritos lá da rua. Percebi que se encolheu toda, assim que passamos por lá, mas eu abracei de lado e ela se acalmou imediatamente. Acabei por descobrir que, o meu abraço serve como um calmante para ela.

— Sua avó, não vai implicar com você, por ter me trazido aqui? — O rosto de se contorce, assim que chegamos na frente da minha casa.
— Claro que não, . Para com essas paranóias, vai. Minha avó não vai se importar com isso, não. — Digo isso a ela e abro a porta para entrarmos.
, meu filho. Você chegou. — Virei meu rosto imediatamente, assim que ouvi a voz doce de minha avó ecoar no ambiente.
— Cheguei vó e eu trouxe uma visita comigo. — Seguro pela mão e a levo até minha avó.
— Que menina mais linda, como você se chama, meu anjinho? — Vovó Maria, ajeita seus óculos de grau redondos e olha para , que sorri tímida.
. — Ela responde com o tom de voz inseguro.
— Seja bem vinda a minha casa, querida. Pode se sentar, fica a vontade. — Vovó ajeita as almofadas em nosso velho sofá e pede que se sente.
— Obrigada. E a senhora, como se chama? — pergunta, enquanto se senta.
— Senhora está no céu, meu anjo. Você pode me chamar de Vovó Maria mesmo, igual o . — Vovó se senta, olha para mim e abre um sorriso.
— A pode dormir aqui hoje, vó? Ela está com uns probleminhas na casa dela e ela não tem onde dormir hoje. — Coloco minhas mãos no bolso da calça e questiono minha avó.
— Claro que pode, meu filho. Você é a irmã do Jonas, não é? — Vovó se vira e encara , que enruga a testa para aquela pergunta.
— Como você sabe, vovó? — Perguntei para ela, um tanto confuso.
— Jonas é seu amigo, meu filho e ela, é bem parecida com o irmão. — Vovó coloca a mão em meu ombro e responde.
— Ah sim, claro. Então vó, ela e o irmão brigaram feio e eu não acho que seja uma boa ideia ela dormir na casa dela, hoje. — Sorrio para vovó que corresponde.
— Um menino tão doce como aquele, mas com os seus demônios, não é mesmo? Que triste ele brigar com essa candura que é a irmã dele. — Vovó sai de perto de mim e caminha até .
— Obrigada, por me deixar ficar aqui hoje, prometo que não vou incomodar. — encolhe os ombros e sorri para minha avó.
— Você jamais incomodaria alguém, meu anjo. Você pode ficar a vontade. Aqui a casa é sua também. — Vovó segura seu queixo e diz.
— A gente dorme aqui na sala mesmo, tá bom, ? — Pergunto a ela que concorda com um aceno de cabeça.
— Eu fiz ensopado de galinha e está na panela, caso vocês estejam com fome. Eu vou subir e separar as roupas de cama pra vocês se ajeitarem aqui na sala, tá bom? — Vovó Maria direciona a voz a mim e em seguida, sob pelas escadas.
— Viu, eu te disse que minha avó é legal e compreensiva. — Me sentei ao lado de e a abracei de lado, enquanto seus olhos prestavam atenção na TV ligada.
— Sua avó é um máximo, gostei muito dela e gosto ainda mais, em saber que foi ela quem criou você, esse garoto tão corajoso. — comenta, enquanto seus olhos ainda prestam atenção no roda a roda do Silvio Santos.
— Aqui, meus filhos, a roupa de cama pra vocês. , pode pegar aquele colchão que está na salinha. — Vovó Maria aponta para a salinha ao lado do corredor e eu assinto. — Sirvam-se a vontade do ensopado. Agora, eu vou me recolher para dormir. Fiquem bem e durmam com os anjos. — Vovó se aproxima de nós dois e deposita um beijo em nossas testas. — E não fiquem até muito tarde assistindo tv.
— Pode deixar, vó. — Digo a ela, assim que a vejo se afastar um pouco.
— Boa noite pra senhora também, vó Maria. — se indireita no sofá e sorri para minha avó.
— Até amanhã, meus filhos, qualquer coisa estou lá em cima. — Vovó se despede de nós e sobe para seu quarto.

Apesar de tudo que estava acontecendo com , ela parecia mais calma comigo ali com ela. De alguma certa forma, a gente encontrou conforto um no outro, em uma amizade que muitos não têm na vida. Confesso, que nunca pensei que uma aproximação com , fosse acontecer realmente, uma vez que eu sempre fui mais próximo do irmão dela.

Mas, só de saber que ela consegue sorrir quando está do meu lado, me deixa mais feliz e aliviado, pois, tudo que eu mais quero é que ela sorria sempre. Uma garota como , merece o mundo aos pés dela.

Fico observando ela assistir aquele programa do Silvio Santos, por um longo período de tempo, até que ela boceja de sono e se recosta no sofá da sala. Ela se remexe e então pega a manta que minha avó trouxe para nós, cobrindo suas pernas. Ah, como eu queria fazer carinho nos cabelos dela, mas eu sei que isso jamais vai ser possível. jamais vai reparar em mim, ela merece alguém a altura dela, coisa que eu não sou.

— Você se importa se eu for tomar um banho rápido? — Pergunto a ela, que já está quase dormindo.
— Não, sem problemas pode ir lá. — Ela vira seu rosto em minha direção e sorri.
— Pode ir depois se quiser, te empresto uma roupa minha. — Pisco para ela e sugiro.
— Boa ideia, não posso dormir sem tomar um banho. Agora vai lá vai, tô sentindo o fedor daqui. — Ela fala para mim e então, joga uma almofada em minha direção.
— Ah você me aguarde, mocinha, que isso vai ter troco. — Me levanto do sofá e olho para ela, que sorri divertida.
— É o que veremos. — Ela sacode os ombros para mim e eu apenas sorrio.

Alguns minutos depois, eu apareço de novo na sala, de banho tomado e cheiroso. Olho para , que está compenetrada em algum filme de terror adolescente que é exibido na televisão. Ela torce os lábios algumas vezes, enquanto os personagens do filme, entram em uma casa escura e um fantasma aparece em seguida. Vou até ela, que vira o rosto e sorri ao me ver de banho tomado e já vestido para dormir.

— Sua vez, vai lá. — Entrego a ela uma toalha limpa e uma muda de roupa minha, para ela dormir.
— O Jonas iria enlouquecer se me visse aqui, dormindo com suas roupas. — Ela pega as coisas na mão e torce o nariz.
— Que tal, se a gente deixar o Jonas de lado e focar na gente aqui? — A questiono, enquanto ela me responde com um sorriso.
— Me desculpa, eu fico tensa, toda vez que lembro do que ele é capaz comigo, quando não atendo o que ele deseja. — me olha e então suspira.
— Ele não está aqui hoje, então você pode relaxar e ficar tranquila, . Aqui comigo, você está segura. — Garanto a ela, que deposita um singelo beijo em minha bochecha.
— Agora vou lá, tomar um banho, pra gente terminar aquela guerra de almofadas. — Ela pisca para mim e sobe em direção ao banheiro.

Deus, como ela consegue ser tão perfeita assim?

Nem vinte minutos depois, a vejo descer as escadas, secando o seu cabelo com a toalha, ela vem até mim senta-se ao meu lado. Me olhando, com aqueles olhos lindos, ela consegue, em questão de segundos me fazer entrar em transe. Nunca antes, tinha visto uma garota ficar tão bem com roupas masculinas, mas ela, ah ela fica bem em qualquer coisa. Vestida com uma calça minha de pijamas da Adidas e uma camiseta velha do Linkin Park, ela não poderia estar mais perfeita. Naquele momento, concluo que, não existe criatura mais linda que e que nunca antes, nos meus quatorze anos de vida, fiquei tão admirado por ter uma garota me olhando dessa maneira.

— Pronto para perder para uma garota na guerra de almofadas? — ergue sua sobrancelha e me questiona em um tom de dúvida.
— E quem foi que disse que eu vou perder hein? — A retruco, jogando uma almofada em sua direção.

E é claro que quem ganhou aquela guerra, foi ela. Não sou aquele cara que faz a menina perder, só pra ter o seu ego inflado. Ali, naquela brincadeira, eu deixaria a ganhar todas as vezes, pois, ela merecia sorrir com as pequenas vitórias que vida nos oferece, mesmo que seja uma vitória inocente em uma guerra de almofadas.

Alguns minutos depois, a vejo bocejar mais uma vez, então arrumo nossa cama improvisada no colchão e ela se deita ali, agarrando um dos travesseiros em suas mãos.

Eu me deito ao seu lado e de repente, a sinto se aninhar em minhas costas. Puxo seu braço e os coloco sobre mim, de forma que ela encaixa sua cabeça na curva da minha nuca.

— Boa noite, , dorme bem. — Digo a ela, que já está quase dormindo.
— Você também e obrigada pelo dia de hoje. — Ela diz, se aconchegando melhor em mim.

E ali, naquele instante, eu decido que desse dia em diante, fazer a sorrir, será a minha meta de vida.



Continua...



Nota da autora: Oi pessoas, tudo bem? Primeiro de tudo, quero pedir desculpas pela minha demora nessa att, mas é que tive um leve bloqueio na história e também, fiquei presa em outras fanfics, mas agora, finalmente consegui trazer uma att dupla pra vocês. Agora, estamos há dois capítulos e um epílogo do fim dessa história. Espero que estejam gostando até aqui!

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