Última atualização: 13/04/2018

Prologue

Já era final de tarde quando Minato retornou à vila com o time de chuunin que estavam sob o seu comando, mas, mesmo cansado, ele precisava reportar os acontecidos da missão. Por isso ele planejava rumar para o escritório do Hokage, quando, ainda na área dos portões de Konoha, uma pequena criança correu em sua direção, pulando em seus braços. O desespero da criança era óbvio tanto pela força com que ela se agarrava ao homem como pelo choro desenfreado que a dominava.
- ? – ele reconheceu os cabelos alaranjados como os da filha de um antigo amigo de sua família, e isso apenas o deixou mais preocupado. Conhecia a garota desde seu nascimento e sabia muito bem que ela não era o tipo de criança chorona.
Não demorou muito e dois ANBUs aparecerem em seguida, parecendo levemente irritados. A aparição dos ninjas apenas fez o loiro acreditar ainda mais que algo estava errado.
- Garota, você some muito fácil! – ralhou um deles, se adiantando para tirar a garota de seus braços – O Hokage ainda quer te ver, -chan.
Em resposta, ela apenas apertou mais o pescoço de Minato, parecendo incapaz de falar, já que apenas emitia soluços.
O loiro recuou um passo para não permitir que o ninja a puxasse.
- O que está acontecendo? – indagou ele, e pareceu chorar ainda mais.
- Sandaime-sama quer vê-la – respondeu o segundo, impaciente. O tempo que eles estavam gastando para capturar apenas uma criança era humilhante, não queria demorar mais do que o necessário. Só que Minato não estava interessado nisso, queria saber o que havia acontecido enquanto ele estava fora.
- Ela é apenas uma criança. Ainda está na Academia. Por que Hokage-sama quer vê-la?
- Yasunari Hanako morreu em missão ontem à noite – contou o primeiro, e o loiro ofegou com pesar. Fazia poucos anos que ele conhecia Hanako, mas não podia negar que a perda lhe doía, ainda mais por ser a esposa de um de seus amigos mais próximos e mãe da criança em seus braços – Masaki Mitsuaky não reagiu bem a esse fato e ninguém o viu depois que recebeu a notícia, o que refletiu um pouco na criança.
Minato apertou a garota em seus braços, tentando transmitir mais segurança.
A naturalidade que eles relataram o acontecido irritou o ninja. Eles estavam lidando com uma criança de uma forma que poderia ser considerada insensível até com um adulto.
- Como ela não tem nenhum outro parente vivo, e você e Kushina estavam fora em missão, Hokage-sama iria ele próprio conversar com ela, mas não conseguíamos pegá-la.
- Talvez tenha sido pela forma que vocês estavam a abordando – repreendeu-os Minato, fuzilando-os com os olhos por cima da cabeça de .
- Posso garantir, nós tentamos ser mais gentis e não funcionou – resmungou o segundo, escondendo as mãos nos bolsos em seguida – Informamos o Hokage que você está com ela ou você a levará até ele?
- Informe. Eu cuido dela – disse ele simplesmente, mas os dois ninjas não se moveram, que era o esperado. Ambos continuaram no mesmo lugar, e, mesmo estando de máscara, Minato tinha impressão de que eles olhavam para algo às suas costas, e essa sensação só aumentou quando ele sentiu afrouxar o perto de seus braços, e até parar de soluçar.
Antes que o loiro conseguisse se virar, já havia pulado de seus braços e corria em direção a seu pai.
Mas tanto ela quanto Minato conseguiam sentir que havia algo errado.
O luto parecia ter tornado Mitsuaky outro homem. A frieza em seu olhar nunca havia sido vista por nenhum dos dois. sequer conseguiu pular nos braços de seu pai. Parecia que havia algo no ar lhe avisando que não devia fazer isso, por isso apenas parou em sua frente, olhando para cima na expectativa se ser acolhida pelo homem.
Coisa que não aconteceu.
Mitsuaky apenas abaixou o olhar para a garota e lhe esticou a mão, que demorou um tempo considerável para ser apanhada. Assim que foi, ele passou a caminhar com passos lentos, arrastando a criança consigo, que parecia mais confusa do que nunca.
- Você precisa falar com o Hokage, Mitsuaky-san – informou um dos ANBUs, depois de alguns segundos assistindo a cena – Deixe a garota com Minato-san e nos acompanhe.
- Faço isso depois – murmurou Mitsuaky, sem parar ou olhar para trás – Agora só quero ir para casa.
- Mitsuaky – chamou-o Minato, sem saber como consolar o amigo. O homem de cabelos pretos virou minimamente o rosto para fitar o jovem ninja, diferente da criança, que parecia prestes a largar o pai e correr para o loiro.
não estava se sentindo bem ao lado do pai. Parecia que ela estava revivendo o momento que um dos companheiros de sua mãe chegara em sua casa para informar a fatalidade. Ela queria o conforto de Minato, mas não parecia certo deixar seu pai.
- Agora não, Minato... – ofegou o homem – Eu só quero ir para casa.
A ênfase em “casa” deixou Minato congelado por vários instantes. Mitsuaky gostava de se referir à Hanako como sendo sua casa, o que era bastante comum quando um dos dois saía em missões muito longas. O peso que aquele mero detalhe causava era imenso.
Mitsuaky não tinha mais “casa” para retornar.


Ichi

Com a graduação dos novos genin na Academia, todos os jounin de Konoha estavam na presença do Sandaime Hokage: alguns porque começariam naquele dia como sensei, outros apenas pela formalidade de presenciar o momento.
- E o último time... – suspirou Hiruzen, se controlando para não rir quando Osamu percebeu quais de seus alunos recém-formados haviam sobrado – Sob a tutela de Shimizu Ito: Inoguti Sora, Akari Inaro, e Masaki .
Assim como ele imaginava, Ito continuou sem esboçar expressão, diferente de outros jounin que conheciam superficialmente os três jovens genin.
- Mas Hokage-sama...! – começou Osamu, tomado pela surpresa – Esse time... Entendo o que você planeja, mas... Juntos eles são privilegiados em comparação aos outros!
Esse argumento atiçou a curiosidade dos alheios ao caso, que começaram a comentar entre si.
- Há algo de especial nesse time? – estranhou um dos jounin que começaria como sensei nesse ano.
- São apenas os formandos mais habilidosos dessa turma – respondeu Minato, também estranhando a situação – São os melhores alunos desse ano e não é comum serem colocados no mesmo time.
- Ito-san disse que não aprovaria um time a não ser que eles fossem excepcionalmente bons, então não tive outra escolha – contou o homem, sorrindo de leve – E, claro, esse time já tem um perfeito entrosamento como equipe, algo que achei cruel desperdiçar. Mas não quero que pensem que estou facilitando as coisas para ela. Esses três genin, como Osamu pode afirmar, têm personalidades fortes, então acho interessante eles terem uma sensei tão cabeça dura quanto eles.
Ito bufou de leve, desviando seu olhar para a janela.
Duvidava que esse tal seu time fosse tão bom. Provavelmente os mandaria de volta para a Academia em menos de dez minutos.
- Seus genin estão os esperando – anunciou o homem, e logo todos os jounin deixaram a sala, mas Minato não deixou que Ito se afastasse muito, parando-a depois de terem atravessado a porta.
- O que você quer? – perguntou ela, sem rodeios – Tenho que encontrar essas coisas que acham que já são ninjas.
Minato apenas riu sem graça, levando uma mão à nuca para disfarçar seu desconforto. Ele não tinha algo contra a mulher, mas sua postura em relação aos seus genin estava o irritando um pouco, principalmente por um de esses genin ser .
- Sei que você não está muito animada em ter pupilos, mas acho que você deveria dar a eles uma chance – começou o loiro e ela apenas bufou, mas deixou que ele continuasse – Os três são ninjas promissores e são fáceis de lidar se você souber manuseá-los. Você só precisa ser um pouco mais pac...
- Olha, Namikaze – cortou-o ela, colocando as mãos na cintura – Sei muito bem que a tal criança Masaki é sua protegida, e não duvido que ela seja um pouco mais habilidosa que o normal, já que a força do clã dela é algo de se admirar. Só que se eu vou ser sensei de um ninja, vai ter que ser do melhor. Então pode se preparar para voltar a ajudar sua garotinha com deveres da Academia porque é para lá que ela vai voltar.
Sem sequer ter tempo de responder, Ito marchou para fora do prédio, deixando um Minato de boa aberta no meio do corredor.
- Uau, ela realmente não quer fazer isso, não é? – murmurou ele, sabendo que o Hokage estava alguns passos às suas costas – Acha mesmo uma boa ideia forçá-la a isso? Não vai prejudicar as crianças?
- Ito cresceu sem família, não tem amigos, e a única coisa que ela faz quando está de folga é treinar – contou Sarutobi, parando ao lado do jovem homem – Ela não precisa se sentir apenas necessária, mas querida, e essas crianças vão fazer isso. Principalmente . Ito vai se ver muito nela.
- Espero que você esteja certo – suspirou o jovem ninja, escondendo as mãos nos bolsos – Você tem alguma coisa para mim?
- Reúna seu time e me encontrem em meu escritório para receberem os detalhes da próxima missão – disse o homem, assistindo o loiro concordar e sair de suas vistas em seguida, enquanto ele também continuava com aquele mesmo pensamento em mente.
“Realmente espero que eu esteja certo”.

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Por não querer ver mais crianças do que estava sendo obrigada, Ito se atrasou de propósito, deixando para ser a última jounin a buscar seus candidatos a pupilos. Foi até difícil se entreter nesse meio tempo, pelo seu nível de ansiedade para o encontro.
Não que ela estivesse animada com a ideia de ser sensei, mas por querer provar logo para Sarutobi que ele estava errado.
Finalmente quando a mulher decidiu aparecer, ela ainda ficou um tempo parada em frente à porta fechada, ouvindo a discussão que acontecia dentro da sala.
- Não tenho um bom pressentimento sobre isso... – Ito ouviu uma voz masculina, mas ainda infantil resmungar – Por que eles nos deixaram no mesmo time? Digo, Osamu-sensei tinha deixado bem claro que nós seríamos separados.
- Vai ver ele resolveu revelar que na verdade estava mentindo sobre as notas da e na verdade ela é a pior aluna da sala! – brincou outra voz, a que pareceu levar um tapa em seguida.
- Vou te mostrar a pior aluna, Inaro... – resmungou a tal , que ela sabia ser a filha de Mitsuaky, então esperava pelo menos um desempenho mediano da garota – Nós já somos um bom time. Nos deixaram juntos para facilitar a vida do nosso sensei, que deve ser o maior preguiçoso do mundo, já que está tão atrasado. Pensem um pouco, para variar.
- É por isso que eu estou com um mau pressentimento, ! – berrou Sora, irritado com a garota – Nós precisamos de alguém a nossa altura! Não podemos ser treinados por alguém que nem sabe cumprir os horários.
- E eu acho que não dá para pedir trocar de sensei, ou dá? – perguntou Inaro.
- Claro que dá – resmungou a garota – Se continuarmos na Academia e esperarmos pela próxima graduação, o que eu não acho nem um pouco interessante.
- Isso nem pensar! Não aguento mais ver Osamu-sensei todo dia! – esbravejou Inaro, parecendo pular pela sala – Não podemos fazer algum tipo de classificados? Tipo um anúncio “precisamos de um sensei”?
- Seu “Minato-kun” já tem um time de genin, não é? – começou Sora – E o Jiraya-sensei?
- Eu prefiro voltar para a Academia a ter que ser treinada todo dia pelo Jiraya-sensei – disse a garota logo, e foi esse momento que Ito escolheu para entrar na sala.
Como já esperava, nenhuma das crianças lhe parecia desconhecida: Sora, de cabelos cor de palha, era o que tinha o rosto mais amigável, não parecia tão hostil quanto seus companheiros; Inaro com seus cabelos pretos tinha uma expressão mais arrogante e tediosa; enquanto a tal garota Masaki mostrava seus cabelos alaranjados herdados de sua mãe, com seu olhar parecendo debochar de tudo que via.
Era realmente um grupo interessante, mas não o suficiente para fazê-la mudar de ideia.
- Depois de hoje você vai implorar para que Jiraya-san te treine, garotinha, porque vocês vão voltar para a Academia – disse a mulher, forçando um sorriso, que não agradou nem um pouco as três crianças.
Ito estava beirando os vinte e cinco anos, mas sua postura séria e tediosa fazia com que ela parecesse bem mais velha, embora seus cabelos escuros não tivessem nenhum sinal de fios brancos, ou rugas em seu rosto. A única coisa – além de sua apresentação estranha – que incomodava as crianças era que ela era muito alta, chegando mesmo a ser um pouco intimidante.
- Você começou com o pé esquerdo – disse Sora, cruzando os braços – Depois de todo esse atraso, já não gostamos tanto de você.
Mesmo surpresa – ela não esperava essa hostilidade do que parecia ser mais amigável – ela apenas ergueu uma sobrancelha, querendo rir.
- Vamos para o campo de treinamento 4 – anunciou ela, saindo pela janela e sendo seguida pelos três, que ficaram quietos durante todo o caminho, embora ela percebesse algumas trocas de olhares significantes entre eles. “Hm, então eles realmente têm um certo entrosamento”, pensou ela, começando a pensar que não seria tão fácil reprová-los, afinal.
Chegando lá, os três pararam em fila, em uma sequência que parecia ser comum para eles, porque era a mesma que eles ficaram quando ela entrou na sala: no meio com Inaro a sua direita e Sora a sua esquerda, mas o loiro ficava mais afastado e a frente, enquanto o outro ficava mais próximo e perto, como se para receber instruções.
- O teste de você é algo bem simples...
- Teste? – estranhou Inaro – Isso não devia ser amanhã?
- Hoje você deveria estar se apresentando e nos conhecendo melhor – completou Sora.
- Para que vamos ficar desperdiçando meu tempo se sabemos muito bem como essa história acaba? – retrucou ela, e riu.
- É, realmente nós sabemos muito bem – sorriu a garota, e ela percebeu que talvez a ruiva não estivesse visualizando o mesmo final – Quais são as regras?
- Vocês só precisam me acertar com um golpe.
- Fala sério – debochou a garota, cruzando os braços – O que aconteceu com o teste dos guizos?
- O quê? – perguntou Sora em um sussurro, se virando minimamente para a ruiva. Aparentemente, a garota não havia contado aos companheiros sobre como funcionava a aprovação dos genin.
- Se as possibilidades de vocês conseguirem me acertar já são mínimas, conseguirem pegar um só guizo seria quase impossível – explicou Ito, vendo a expressão dos três endurecer.
- Eu não faço a menor ideia do que vocês estão falando de guizos – murmurou Inaro, em um tom baixo – Mas você não devia nos subestimar.
- Por que não fazemos uma aposta? – sugeriu , sorrindo travessa – Se nós pegarmos os dois guizos e ainda te derrubar, vamos pensar se vamos ou não te aceitar como nossa sensei. Caso o contrário, nós pessoalmente vamos até o Hokage para dizer que não estamos prontos para o mundo shinobi, e que talvez seja melhor ficarmos por mais algum tempo na Academia. O que acha?
- Vocês realmente devem ter algum problema de ego se acham que podem ou não me aceitar como sensei – rosnou a mulher, sabendo que estava fazendo exatamente o que queria.
- Você é a que está julgando sem conhecer – a ruiva deu alguns passos para frente, chegando a ultrapassar Sora – Você deveria agradecer por ter pegado um time tão bem formado como o nosso, mas está apenas usando todas as possibilidades para fazer com que nós gostemos cada vez menos de você, sensei.
- Vamos começar logo, hum? – pediu Inaro, sabendo que nada bom poderia sair daquela discussão – Quais são as regras, sensei?
- Não há regras – disse ela, tirando o par de sinos do bolso, sem desviar o olhar da ruiva a sua frente – No teste original se usa dois guizos para testar o trabalho em equipe do time, mas como mudamos os objetivos desse teste, nós iremos usar apenas um. Cada um terá que pegar o guizo uma vez, e não adianta vir com essa baboseira de “mas nós somos um time” que não vai colar. Só aprovo um time onde todos tenham um mínimo de habilidade, então é cada um por si. Perguntas?
- Quando começamos?
- Agora.
Inaro e Sora sumiram por entre as árvores ao redor, mas o que a surpreendeu não foi a dificuldade de localizá-los pelos seus chakras, mas sim por ainda estar a sua frente, parecendo tão entediada como a mulher.
- Você é mais fraca que eu, deveria usar o elemento surpresa em seu favor – comentou ela, e a garota correu em sua direção.
- Você está surpresa, não está? – grunhiu a ruiva, começando uma sequência de golpes que Ito bloqueava com extrema facilidade.
- Estou – confessou a mulher, pegando-a pelo tornozelo e a lançando em direção a uma árvore – Não esperava que você fosse tão estúpida.
Mas acabou que Ito ficou surpresa ao ver o corpo da garota desaparecer em fumaça ao atingir a árvore.
Se aquele era um bushin... Onde estava a original?
Antes que ela pudesse tentar encontrar aquela coisinha ruiva irritante, uma enxurrada veio em sua direção. Sem muitas opções ela teve que pular, só não esperava que uma coluna de terra emergisse na correnteza, indo a sua direção. Por já estar caindo, ela pensou em usar a coluna como apoio para se afastar, mas viu sua mão ficar presa na terra que era mais fofa e molhada do que ela esperava. A coluna na verdade era oca do meio, e ali a mulher caiu.
Começando a ficar um pouco irritada com essas crianças, Ito concentrou o chakra em suas mãos e pés para escalar até a saída, mas, ao alcançar a borda, ela foi surpreendida por chamas.
Os três genin estavam a poucos metros do que eles chamavam de “prisão de argila”, um jutsu conjunto que eles treinavam desde o começo do ano. Não estava aperfeiçoado ainda, mas já era o suficiente para atrasar a mulher.
- Nós a pegamos? – perguntou Sora, o que estava mais distante de todos.
se concentrou para localizar o chakra da mulher, sabendo que ela não tentaria escondê-lo por não acreditar que eles fossem capazes de rastreá-lo.
- Não – ofegou a garota, girando o corpo para acertar o braço de Ito antes que ela a atingisse, mas não adiantou muita coisa. teve que receber assistência de Inaro para conseguir se restabelecer.
Ito logo percebeu que Inaro era bem mais lento em seus movimentos que a garota, mas em compensação era muito mais forte, só que não o suficiente para ser uma ameaça. As coisas só ficavam um pouco mais complicadas quando eles começavam a intercalar ataques.
Não era como se eles pudessem derrotá-la, embora pudessem chegar perto.
- Não use genjutsu a não ser que tenha certeza que há um plano B que funcione – disse ela, se adiantando para Sora depois do ataque do garoto ter falhado, conseguindo atingir o garoto com um chute para afastá-lo, já que, mesmo atrasados, e Inaro estavam postos para proteger o garoto.
- Você está dando muita abertura, Inaro – resmungou ela, acertando as costelas do garoto, que se dobrou pela dor.
- Vamos, – Ito estimulava, começando a sentir mais facilidade para desviar e bloquear os golpes da garota – Parece que você está fazendo carinho em um gato! Seus golpes supostamente devem machucar. Coloque mais força!
Querendo obedecer a ordem, a ruiva reuniu o resto de forças que tinha em um último soco, mas no meio do caminho os nervos de seus braços relaxaram, e seu punho não chegou ao destino.
Achando graça, Ito segurou o corpo mole da garota antes que ela fosse ao chão, perguntando se estava tudo bem.
- Não estamos... acostumados a lutar por tanto tempo... – confessou , com a voz fraca e baixa pelo cansaço.
Ito quase riu pela falta de resistência dos três, mas ela percebeu como o céu escurecia aos poucos, anunciando o fim da tarde, então ela se viu surpresa: quando eles saíram da Academia, era perto da hora do almoço.
Eles terem aguentado uma luta tão longa com o nível de jutsu que eles estavam usando era algo de se admirar.
Por isso ela não quis debochar de um Sora semiconsciente ao pé de uma árvore, ou de um Inaro emburrado que massageava o pulso esquerdo. Mesmo sem terem conseguido completar nenhum dos objetivos daquele test...
Ali Ito percebeu que o guizo não estava mais preso em seu cinto. Que, na verdade, não se lembrava de ouvi-lo nas últimas horas.
- Sora pegou depois do primeiro ataque conjunto – contou , sabendo exatamente no que a mulher estava pensando.
Ito abaixou o olhar para a garotinha que estava em pé apenas porque sua perna estava lhe servindo de apoio, vendo seu sorriso cansado se alargar em orgulho em seu pequeno rosto marcado por alguns arranhões e marcas de terra.
- Não achamos uma brecha para avisar e você não tinha percebido, e, como estava divertido, achamos que valia a pena continuar – confessou a ruiva tentando se afastar, mas seu tornozelo direito parecia de sido torcido, então Ito precisou segurá-la pelo ombro para que ela não caísse – E também estávamos na esperança que você reconsiderasse aquela história de “somos um time”...
olhou para a mulher na esperança de ver pelo menos um mínimo sinal de sorriso, mas seu rosto permanecia sério, e ela ainda balançava a cabeça em descrença, mas não pelos motivos que a ruiva acreditava. Eles haviam ganhado a aposta: o guizo estava com eles – “sendo eles um então, tanto faz” – e haviam também a derrubado.
Ela queria treiná-los.
- Vamos, crianças – anunciou ela, alto o suficiente para que os dois garotos mais longe pudessem ouvir – Já tivemos o bastante por hoje. Mas amanhã vai ser bem pior.
O efeito foi o mesmo em todos: olhos arregalados e brilhantes direcionados a ela.
- Sim, sensei! – exclamou Inaro, se levantando em um pulo.
- Sensei... – choramingou Sora, se levantando sem pressa alguma – Podemos ir comer alguma coisa? Estamos famintos!
- Sim, nós podemos – respondeu ela, rolando os olhos.
- Mas você vai pagar, certo? – continuou o loiro, recebendo um olhar mal humorado – Nós não estamos com dinheiro agora e eu duvido que minha mãe vai me deixar jantar fora se eu passar em casa primeiro.
- Mesma coisa comigo – acrescentou Inaro e Ito olhou para garota ainda apoiada em sua perna, esperando um argumento para ela ser extorquida, mas a ruiva permaneceu calada, e logo a mulher entendeu o porquê: ela ainda tinha o pai vivo, mas, de acordo com os boatos que a mulher ouvira nos últimos anos, Mituasky não cuidava nem de si mesmo, e muito menos da filha. Então ela não tinha alguém para controlar seus horários, controlar sua alimentação ou dar explicações quando voltasse para casa. Do mesmo jeito que Ito havia crescido sozinha, aquela garota também iria.
- Eu posso até pagar, mas a quantia que eu gastar poderá e vai influenciar no meu humor amanhã – alertou a mulher, e com passos lentos eles começaram a caminhar para o centro da vila.
- Eu duvido que esteja pior do que hoje – sussurrou Inaro para Sora, que riu em concordância, mas Ito deixou o comentário passar como se não o tivesse ouvido.
- Sensei? – chamou-a , puxando a manga de sua roupa – Você...
- Sim, ? – perguntou ela, percebendo a insegurança da garota para terminar a sentença.
- Você não nos disse seu nome – lembrou ela, sorrindo incerta.
O grupo parou ao ouvir a risada da mulher.
Não era uma risada escandalosa, nem muito longa, mas já era começo.
- Meu nome é Shimizu Ito.
- Vamos logo, Ito-sensei, ou você vai ter que me carregar até o restaurante – resmungou Inaro, abraçando o próprio tronco, e o grupo voltou a caminhar com mais velocidade, iniciando uma conversa aleatória sobre gostos e desgostos de cada um.
Sarutobi assistiu o grupo até ele desaparecer de seu campo de visão, feliz por tudo ter saído como ele planejara, sabendo que aqueles quatro ainda lhe seriam motivo de muita dor de cabeça e orgulho.


Ni

passava pelas pessoas da vila com tanta rapidez que, se eles já não soubessem quem estava os atropelando, não seria possível reconhecê-la. A garota estava atrasada demais para se dar o trabalho de se deixar ouvir as reclamações de todos por mais uma vez estar atrapalhando a paz da vila. Teria que deixar isso para quando voltasse.
Normalmente ela não se importava tanto com os horários, e sequer estaria tão preocupada com a equipe que seu time socorreria, mas haviam deixado escapar que era o time de Minato que precisava de reforços, e ela não iria deixar que nada acontecesse com o loiro.
- Estou aqui – anunciou ela, ao se juntar com seu time nos portões de Konoha, as mãos sob os joelhos enquanto recuperava seu fôlego – Estou pronta.
- Masaki chegou na hora uma vez nessa vida – debochou Ito, a jounin responsável pelo time 3 – Espero que continue dessa forma nas próximas missões.
- Vou me esforçar, Ito-sensei.
- Vamos partir, então.
Ito explicou mais detalhes do que estava acontecendo para , Inaro e Sora no percurso: o time de Minato havia caído em uma emboscada e pedido por socorro, e eles agora iriam estabilizar a situação. Como tinham algumas poucas informações sobre os inimigos, foi possível organizar um plano de resgate que logo foi posto em ação.
seria a primeira a ser vista, desafiando o inimigo – e o parando, se fosse possível – para criar uma situação onde os outros pudessem agir. Por isso, ela aumentou sua velocidade ao máximo, deixando seu time para trás.
A emboscada era em um campo aberto na floresta, e logo ela conseguiu localizar Minato entre dois inimigos e seus alunos mais afastados, em uma situação nada favorável: um deles estava no chão parecendo desmaiado, enquanto os outros dois tentavam lutar com um inimigo.
Ainda em movimento, ela criou três clones, mandando um para o grupo de alunos de Minato para protegê-los, outro se esconder perto para atacar as costas do inimigo, e o último ir até ele por debaixo do chão, enquanto ela parou em uma árvore próxima, a espera para fazer seu ataque.
O primeiro clone se posicionou entre o inimigo e os alunos de Minato, fazendo uma barreira de vento para afastar o inimigo.
- A partir de agora, eu serei seu oponente – anunciou o clone, causando risos no inimigo – Algum problema com isso?
- Vocês continuam mandando crianças... Parecem que querem envergonhar a todos – debochou ele, e a garota sorriu.
- Eu não ficaria tão envergonhada, se fosse você. Perder para nós é algo aceitável, na verdade – retrucou ela, amarrando seus cabelos ruivos no topo da cabeça. O inimigo grunhiu, e um dos alunos que ainda estava de pé se adiantou, mas foi parado pelo braço de , que se esticou em seu caminho – Fica fora disso. Nós estamos controlando a situação agora.
- “Nós”? – estranhou o inimigo.
- Achou mesmo que eu iria entrar em uma batalha sozinha? – riu a garota, fingindo fazer um selo e se preparando para correr em sua direção – É claro que eu trouxe companhia.
O segundo clone se deixou ser ouvido, correndo para as costas do inimigo, que desviou no último segundo das kunai que ela havia lançado, pegando-a pelo pulso quando ela tentou lhe socar o rosto e atirando-a na direção do grupo. O primeiro clone desviou sem nenhuma dificuldade, mas, como os alunos de Minato não iriam conseguir desviar, a original fez com o que aquele clone desaparecesse em fumaça antes de atingi-los antes de começar a preparar o próximo jutsu. Quando ele já estava pronto, ela checou se Inaro e Sora já estavam em suas posições para dar continuidade ao plano, e sorriu ao localizá-los, pulando da árvore em direção ao inimigo em seguida.
O primeiro clone se adiantou para o inimigo, atirando algumas shurikens antes de partir para o combate físico direto, se jogando em seguida no chão e saindo do campo de alcance do inimigo quando chegou a hora do terceiro clone aparecer, brotando do chão com um chute certeiro do queixo do inimigo, que voou para trás e gritou de raiva, segurando o pé do terceiro clone quando ela tentou o segundo chute, girando-a para acertar a que ele julgava ser a verdadeira, que desapareceu em fumaça junto com o terceiro clone.
Quando ele entendeu que não havia visto a ninja original, já era tarde.
- RASENGAN! – gritou a original, que vinha de cima, caindo em cima do inimigo e fazendo com que aquela bola de chakra entrasse em seu ombro, que sequer conseguiu olhá-la antes de afundar alguns muitos centímetros na terra.
- SAI DAÍ, ! – avisou Inaro, já fazendo o selo para sua participação no ataque. pulou para trás, pegando impulso com as mãos para pular para uma árvore próxima, saindo do alcance do jutsu águas violentas do garoto. Antes que o corpo do inimigo fosse levado pela correnteza, Sora aproveitou a água e juntou com seu estilo terra, criando uma caixa onde o inimigo estava preso. Para finalizar, fez rapidamente os selos e juntou todo o ar que seus pulmões podiam aguentar enquanto juntava chakra em sua boca, cuspindo em seguida aquela imensa bola de fogo, que endureceu a terra antes úmida pelo jutsu de Inaro, terminando assim a “prisão de argila”.
pulou da árvore satisfeita, mas não aguentou seu próprio peso e caiu de cara no chão, atraindo a atenção de seus companheiros.
- Inaro, vai ver se Ito-sensei e Minato-sensei precisam de ajuda – ordenou a garota, quando os dois a levantaram pelos braços, cada um servindo de apoio de um lado. Inaro apenas a olhou feio, e ela bufou – Vai logo! Estou bem.
O garoto hesitou ainda, mas deixou a ruiva com Sora e correu até sua sensei, que não estava muito longe.
- E nós? – perguntou Sora.
- Os alunos.
Com passos lentos demais para o gosto de , eles foram até o grupo de alunos de Minato, onde dois ajudavam o terceiro a se levantar.
- Vocês estão bem? – perguntou Sora.
- Vocês não tinham nada que interferir – resmungou um dos garotos, de cabelos grisalhos e máscara em parte do rosto – Tínhamos tudo sob controle.
- Claro, você e sua amiga estavam realmente quase derrotando o cara – disse , forçando uma risada irônica – Apenas seguimos nossas ordens, querido. Se achou ruim, reclama com o Hogake.
- Ele não quis dizer isso... – se apressou a garota do grupo em dizer – Obrigada pela ajuda,...?
- – apresentou-se a pequena ruiva – Esse comigo é Sora, e o outro é Inaro. Estamos aqui com Ito-sensei.
- Sou Rin, e esses são Kakashi e Obito – disse a garota morena, apontando seus companheiros de cabelo cinza e o moreno de óculos – Vocês estão bem?
- Ela provavelmente só drenou quase todo chakra, nada muito grave – contou Sora, ouvindo a garota resmungar ao seu lado – Você abusou dessa vez. Não tinha nada que usar o Rasengan.
- Com ele eu posso me afastar mais rápido e é mais certeza de que o inimigo não vai levantar tão rápido – se explicou a garota, afastando o companheiro para provar que estava bem.
- Mas usa quase todo seu chakra. E se tivéssemos que continuar a batalha? Ainda teríamos que te proteger, .
- Eu sabia que minha parte ia terminar ali! Não sou idiota, Sora.
- Não, é só uma genin exibida – murmurou Kakashi, surpreendendo a todos, menos a ruiva.
- E foi essa genin exibida que salvou sua pele – retrucou ela.
- E drenou todo chakra com dois ataques. Muito útil você...
- Olha, eu não vou exigir que você entenda a complexidade das técnicas que eu utiliz...
- Chega de brigas, crianças – pediu Minato, colocando uma mão no ombro de Kakashi e outra no topo da cabeça de – Todos agiram excepcionalmente bem hoje. Agradeço ao Time 3 por ter vindo tão rápido.
A garota ergueu a cabeça para o homem, encontrando seu olhar orgulhoso com facilidade, abraçando sua perna enquanto ele passava a mão em seus cabelos.
- Inaro, eu que carreguei a da última vez – lembrou Sora, parando ao lado de sua sensei – Hoje é sua vez.
- Ela abusou de novo? – perguntou Ito irritada, cruzando os braços e olhando feio para a garota.
- Eu já disse que estou bem! – exclamou ela, se afastando da mão de Minato e se virando para seu time, quando tudo ficou preto e sentiu que começou a cair.
Minato se adiantou para segurá-la pelas costas do kimono antes de atingir o chão.
- Drenada? – estranhou o loiro, virando o corpo da garota para fitar seu rosto sereno – Vocês não ficaram nem cinco minutos lutando. Como ela pode ter atingido o limite?
- Bom, se ela seguiu o plano inicial, ela utilizou: um jutsu de estilo vento, um de estilo terra, um de estilo fogo, três clones, e um Rasengan – contou Inaro, se agachando ao lado da garota.
- Diga que ela não usou o Rasengan – pediu Minato, fechando os olhos e deixando que o garoto a colocasse em suas costas, que apenas riu – Ela vai ouvir muito quando chegar em casa.
- Você a conhece? – perguntou Rin a seu sensei.
- Se ela sabe o Rasegan é porque ele a treina também – resmungou Kakashi, intensificando seu olhar para a garota inconsciente.
- Ela é filha de um amigo meu. É o mais próximo que eu tenho de uma irmã caçula – contou o loiro – Supervisiono treinos dela antes mesmo de ela ter entrado na Academia.
- Ela é boa – comentou Obito em um sussurro, e Kakashi bufou.
- E teimosa – acrescentou Minato, olhando para seu aluno de cabelos cinza em seguida – Você poderia ser mais paciente com ela, Kakashi. Suas habilidades e as delas são bem parecidas. Vocês poderiam fazer uma boa dupla, se ajudarem um pouco.
- Ela ainda é uma genin – retrucou o garoto, e aquela fala fez com que os olhos dos dois genin brilhassem de prazer.
- Estamos inscritos para o exame chunin – comentou Sora, sorrindo travesso junto com Inaro – Somos os favoritos de Konoha.
- É muita gente metida para um time só... – riu Ito, sendo acompanhada por Minato.
- Começando pela sensei, não é?
- Não é minha culpa se me foi entregue um time muito bom – tentou se defender a mulher, afagando os cabelos de Sora – Não podemos ser perfeitos.
- Que tal nós continuarmos essa conversa em Konoha, hum? – sugeriu Inaro, ajeitando em suas costas: os braços da garota estavam cada um de um lado de seu pescoço, e cada um de seus braços servia de apoio para as pernas da garota – Vocês precisam de atendimento médico e essa aqui, de uma cama.

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A primeira coisa que estranhou foi estar em movimento. Onde diabos ela havia dormido para estar em movimento? Só então ela reconheceu o perfume de Inaro, e as coisas ficaram mais claras.
Ela estava com problemas.
- Sei que você já acordou, – sussurrou Inaro, sorrindo de lado – Você sempre se aproveita para ficar me cheirando... Já disse que as coisas não precisam ser desse jeito... Podemos sair qualquer dia dess...
A frase nunca foi terminada, pois aproveitou a posição favorável para socar o estômago do garoto, que perdeu o equilíbrio e foi ao chão, assustando a todos os outros, embora ambos rissem com vontade.
- É assim que você me agradece, sua ingrata? – resmungava o loiro, se ajoelhado no chão, enquanto sua companheira se virava de costas na terra.
- Você vai ver a ingrata quando você precisar da minha ajuda para alguma coisa – retrucou ela, se sentando, parando de rir ao visualizar Minato a olhando feio, o que fez com que ela colocasse o melhor sorriso no rosto – Oi, Minato-Nii...
- Vamos conversar apenas quando chegarmos em Konoha – avisou o loiro – Pode parar de tentar ganhar minha compaixão.
- Você acha... – começou ela, colocando as mãos sob o peito – Que eu seria capaz de mudar meu comportamento só para você não me deixar de castigo o resto da semana? Eu nunca seria capaz disso!
Minato apenas olhou para ela pelo canto do olho, tendo que se controlar para não entrar no jogo da garota.
- Ainda estamos em missão, – lembrou ele, voltando a caminhar e ela se apressou em se levantar para acompanhar o grupo.
Eles caminharam em direção a Konoha em silêncio por longos minutos, com o Time 3 estrategicamente posicionado ao redor do Time Minato, já que eles eram o time de resgate e estavam mais descansados. Depois de uma discussão silenciosa entre , Kakashi e Minato, a garota cedeu seu lugar como mais afastada para o grisalho, já que ela “não estava em condições de monitorar movimentos suspeitos”, diferente do garoto que não estava tão cansado. Assim, a ruiva ficou mais no centro do grupo, se controlando para não ativar o seu “sensor”, confiando que aquele tal garoto Hatake iria cumprir sua tarefa.
- Hm, -chan? – ela ouviu uma voz baixa a chamar, e logo Obito começou a andar ao seu lado – Você é uma Uchiha?
- Eu pareço com uma Uchiha? – ela franziu o cenho e só depois percebeu como havia soado um tanto rude – Não que eu não goste dos Uchiha, é que... – ela agarrou uma mecha de seu cabelo – Eu sou ruiva e não pareço nenhum um pouco com os Uchiha. Você é desse clã, você me conheceria se eu fosse.
- É por isso que eu estranhei – continuou o garoto, corado pela reação exagerada de – Mas Rin me disse que você usou um jutsu nosso.
- Ah, foi isso! – ela riu – Eu tive um colega Uchiha que achou inaceitável eu ter natureza Fogo e não saber nenhum jutsu desse estilo. Mas eu continuo sendo uma Masaki.
- Seu clã tem alguma habilidade especial? – perguntou o moreno, animado com o assunto.
- Acho que Fogo está para os Uchiha assim como Vento está para os Masaki – ela forçou um sorriso, torcendo para que ele não perguntasse mais sobre sua família. Não queria ter que entrar nesses assuntos logo cedo.
- Vamos parar para descansar um pouco – anunciou Minato, talvez prevendo o rumo da conversa e como de repente ela parecia um tanto desconfortável.
Assim que eles pararam, Sora pediu que a ruiva lhe mostrasse o pé direito, sob o argumento de que ela estava mancando um pouco. Rin até se ofereceu para cuidar dela, mas o loiro disse brincando que era seu castigo pela eternidade ter que cuidar de , o que fez a garota protestar ofendida, dizendo que ela não se machucava com tanta frequência, mas Sora não lhe deu muita atenção: havia iniciado uma conversa animada com Rin sobre jutsus médicos.
Os dois sensei, Obito e Inaro discutiam sobre qual era o melhor trajeto para voltarem para vila, evitando ao máximo confrontos de qualquer natureza, já que parte do time não estava nas melhores condições de lutar, deixando Kakashi sozinho para monitorar os arredores.
Minato não comentava muito de seus genin para ela, mas já sabia um pouco sobre o garoto Hatake. Lembrava vagamente de seu pai, Samuko, que também era amigo de Mitsuaky. Ela não havia o visto muitas vezes – pelo menos não se lembrava, já que era bem nova naquela época –, mas não conseguia se esquecer do episódio em que tanto Mitsuaky quanto Samuko acharam que era uma boa ideia deixar uma criança de um pouco mais de três anos brincar com um tantou, o que acabou na garota com um corte considerável na perna e uma Hanako furiosa com a irresponsabilidade dos dois adultos.
Sua mãe nunca quis que sua única filha fosse kunoichi. Sempre imaginara que um dia ela se tornaria médica, e até chegou a começar a ensinar ninjutsus médicos para a criança, que se esforçava para aprender. Só que o desejo da garota era o mundo shinobi, e ela acabou se acostumando com a ideia. Talvez Hanako entrasse em desespero quando sua filha se formasse e tivesse que sair em missões, mas ela não chegou a ver esse dia.
- Certo, então partimos daqui uma hora – suspirou Minato, depois da discussão encerrada, atraindo a atenção de , que até aquele momento encarava inconscientemente o garoto grisalho, que, mesmo sem demonstrar, sentia o olhar na garota sobre si.
- Não podemos fazer esse caminho – anunciou Kakashi, com a voz arrastada – Está acontecendo uma luta nesse percurso. Teremos que contornar, por segurança.
Todo o grupo se virou para o garoto, silenciosamente questionando-o por que havia demorado tanto para comentar disso, enquanto os quatro ninjas sensoriais tentavam localizar o grupo para decidir o que fazer.
- Há ninjas de Konoha – informou Sora, o primeiro a conseguir sentir o grupo, olhando para os dois sensei – Vamos dar assistência?
os encontrou em seguida, já virada para a direção onde se aglomerava um amontoado de chakras: alguns ela podia classificar como conhecidos, então eram ninjas de Konoha; mas um ela poderia reconhecer não importa quando fosse.
Era seu pai.
E havia vários chakras que ela não conhecia, o que significava inimigos.
Sem pensar que não era nada inteligente entrar em batalha com tão pouco chakra, se pôs a correr em direção do grupo, deixando os Times Minato e 3 completamente confusos. Depois de várias vezes gritar pela garota que conseguiram reconhecer o chakra de Mitsuaky.
- Se preparem para lutar – avisou Minato aos dois times, sabendo que seria inútil tentar parar . Mesmo sendo o mais correto, ele não queria impedi-la. Não parecia justo a impedir de proteger a única família que ela ainda tinha.
Como já havia constatado, os ninjas de Konoha estavam em um número muito menor, e não se deu o trabalho de identificar de que vila os inimigos eram. Isso não era relevante. Saber que eles eram inimigos já era mais que o suficiente.
Do que parecia ser um time de quatro integrantes, um já estava morto quando a garota chegou, o que deixava os outros três contra os cinco inimigos restantes, já que dois também pareciam estar morrendo.
não teve tempo de pensar: por algum motivo que ela não queria entender no momento, seu pai estava ajoelhado no chão, desarmado e de cabeça baixa, e um inimigo se preparava lançar uma kunai em sua direção, e não parecia que ele iria desviar.
Usando toda a velocidade que tinha, a garota se pôs entre os dois, pulando na mão que lançaria a kunai e aproveitando para deferir um chute no rosto do inimigo, que sequer sabia dizer de onde ela havia surgido.
Em um pulo, ela se aproximou de seu pai, ficando em posição de defesa.
- Levante e cubra minhas costas – pediu e até chegou a estranhar o forte tom de ordem em sua voz, porém não tanto quanto o fato de ele não sequer se mexido – Ande logo!
Aproveitando que o inimigo havia se afastado para avisar que havia mais companhia, se virou para seu pai, puxando-o para cima pelo colete depois dele a ignorar pela terceira vez.
- Você vai lutar ou não? – berrou a garota, segundos antes de outra kunai ser lançada, e ela ser forçada a chutar seu pai para longe para que nenhum dos dois fossem atingidos. Pela distância, ele não seria alvo tão fácil, então ela apenas se voltou para os inimigos, ciente de que tinha apenas seu taijustu como arma.
Não havia chakra o suficiente para usar nem seu mais simples ninjutsu.
Contando com que em instantes o resto do Time 3 e o Time Minato chegaria, ela se focou na luta com os dois oponentes, ficando a maior parte do tempo na defensiva por estar em menor número, até o momento que sentiu Kakashi costas a costas com ela, silenciosamente a comunicando que agora eles lutariam juntos.
A sincronia dos dois não era perfeita, mas foi mais o que o esperado por ter sido um improviso: conseguiam trocar de oponentes sem grandes problemas e até deferir golpes em conjunto.
Por de repente terem ficado em maior número, Konoha saiu vitoriosa e, depois do último inimigo cair, procurou por seu pai, perdendo a razão quando o achou.
Mitsuaky não conseguia mais dizer se o chão embaixo de seus pés era real, principalmente depois de Hanako ter aparecido para salvá-lo quando ele já tinha aceitado que aquela seria a hora de se juntar a ela. Não importava quantas vezes ela gritasse com ele, o homem não conseguia ter controle sobre seu corpo. Por isso que quando ela o chutou para longe, ele apenas permaneceu deitado no chão, tentando entender o que acontecia.
Teria ele já morrido? Não era possível. Ele sentia as dores de diversos ferimentos daquele confronto, assim como aquele vazio insuportável que ele carregava no peito. Como era possível Hanako estar ali? Ela havia morrido. Mesmo que tivessem mentido, ele havia visto o corpo. Não havia explicação e ele sentia que sua cabeça ia explodir, fosse pelas várias pancadas que levara ou pelo excesso de perguntas.
- Mitsuaky-san... – chamou-o uma voz calma e doce, que ele demorou para associar com Shimizu Ito. Ela lhe esticava a mão – Já acabou.
Ainda confuso, ele aceitou a ajuda e se levantou, e foi aí que ele viu Hanako em seu campo de visão.
Aquela não era sua mulher.
Aquela pessoa era vários centímetros mais baixa, assim como seus traços eram mais infantis, embora a semelhança fosse gritante. Aquilo era tão estranho... Ela usava o protetor de testa de Konoha, mas ele nunca havia reparado em alguém que parecesse tanto com Hanako, embora ele sempre imaginasse que ficaria ainda mais parecida com a mãe quando ficasse mais velha.
Com aquele pensamento Mitsuaky arregalou os olhos.
Aquela não era . Aquela garota devia ser alguns bons anos mais velha que sua filha, que sequer era genin ainda, então nem poderia estar naquele local. A roupa até podia ser o mesmo modelo, que apenas a mãe e filha usavam, mas aquela não podia ser . Ele apenas conseguia se lembrar da filha rindo junto de Hanako... Aquele momento havia acontecido há quanto tempo? Ele não contava mais os anos... Seria possível que aquela vindo em sua direção era sua filha?
sentia todo seu corpo tremer, não conseguia pensar, e muito menos entender o que queria fazer. Ela só sabia que sentia raiva, algo que ela nunca havia sentido antes.
Quando estava a poucos passos de seu pai, ele ergueu a mão em sua direção, e em resposta ela puxou uma de suas kunai, causando um corte considerável em sua palma com um movimento rápido, que ele não pareceu estranhar, diferente de quem assistia a cena.
Sora e Inaro se adiantaram para parar a garota, mas o moreno, que a alcançou primeiro, foi derrubado pela ruiva, e os dois pararam onde estavam, sem entender as ações de sua companheira.
Em seguida, acertou um chute do peito do homem, que recuou alguns passos e se curvou para frente, e ela pareceu que atingiria seu rosto com a kunai, cortando o tecido de seu protetor de testa, que caiu no chão, e causando um fino corte na testa. Ao endireitar o corpo, a garota lhe chutou o queixo e ele caiu.
- Levante – ordenou a garota ofegante, e, ao não vê-lo obedecer, tornou a gritar – Eu falei para levantar!
Mitsuaky até estava levantando, mas sua lentidão apenas estava irritando ainda mais a garota, que mais uma vez o puxou pelo colete, o obrigando a levantar. Com um movimento bruto e exagerado, ela puxou a mão dele que havia cortado e, sem desviar seu olhar do dele, meteu sua kunai em cima do ferimento, forçando os dedos do homem a se fecharem em volta da arma.
- Se você quer morrer, tudo bem – rosnou ela, não reconhecendo o próprio tom de voz – Mas pelo menos honre o ninja que você já foi e morra lutando.
Pela primeira vez desde a morte de sua mãe, viu seu pai expressar uma reação que parecia verdadeira: ele estava surpreso.
Como não esperava – e nem queria – uma resposta, ela largou a mão do homem sem delicadeza, se virando para uma direção qualquer. Só precisava sair dali.
Minato tentou puxá-la pelo braço, chamando-a com a voz calma, mas ela afastou o braço em um movimento brusco.
- Me deixe em paz, Minato – disse a garota, e no segundo seguinte ela já estava longe.
O loiro apenas fechou os olhos e deixou que todo o ar saísse de seus pulmões. Ele havia desejado do fundo de seu coração que a situação não chegasse a esse ponto, onde chegasse a seu limite. Ela era tão nova para passar por aquilo e ele se sentia inútil por não poder ajudar.
- Kakashi, você pode segui-la, por favor? – pediu o homem, ainda de olhos fechados – Apenas para garantir que ela esteja segura... Você não precisa interagir com ela.
O grisalho suspirou.
- Ela pode saber que eu estou a seguindo? – perguntou o garoto – Pelo que entendi, ela também é uma ninja sensorial.
- Tente não ser descoberto. Não deixe que ela sinta a presença de seu chakra – orientou-o o homem – Ela precisa de um tempo sozinha. Permita que ela o tenha.
O garoto concordou e se pôs a segui-la, tomando o cuidado de não se aproximar demais. Por não estar em um bom estado mental, ela não estava se preocupando em disfarçar seu chakra, por isso ele estava atento a algum inimigo se aproximar por perceber a presença nada discreta na ruiva.
Kakashi não estava exatamente feliz por estar tendo que cuidar daquela criança exibida, mas não podia negar que estava surpreso e intrigado sobre ela. A maneira como ela havia atacado o pai depois de ter se arriscado tanto para protegê-lo, a forma como ela havia se exposto para estranhos e sequer se importado.
Ao mesmo tempo que o grisalho achava que era parecida com ele, também constatava que ela era seu oposto.
Depois de alguns quilômetros a garota parou entre as árvores, sentando próxima a uma e apoiando o rosto em seus joelhos, iniciando um choro alto, que durou por um bom tempo. Ele permaneceu a uma boa distância, dividido entre ficar atento a estranhos se aproximando e analisar mais a garota.
Kakashi não se lembrava dela na vila, embora achasse que havia a visto na Academia alguma vez, mas sabia nada específico sobre ela. Não sabia dizer o motivo de ter tratado o pai daquela maneira, ou por que ele se recusou a lutar. Ele estava de fato curioso, mas não perguntaria a Minato-sensei. Ele não estava interessado.
não sabia dizer a quanto tempo ela estava naquele local. Só sabia que havia esgotado seu estoque de lágrimas talvez para a vida toda. Um pouco de arrependimento habitava seu coração, mas não era em relação a seu pai.
Era em relação a como havia agido com Minato.
Ela sabia como era cruel pensar isso, mas seu pai merecia suas palavras. Ela estava esgotada de tentar fazer com que ele pelo menos se aproximasse do homem que fora, e vê-lo desistir da vida daquela forma fora a gota d’água.
Sua mãe, ela gostava de pensar, morrera com a certeza de que sua família iria seguir em frente, que aprenderia a viver com a perda. Não que sua filha seria obrigada a crescer praticamente sozinha.
podia ter Minato, Kushina, Jiraya, Ito, Inaro e Sora, mas nenhum deles era seu sangue, sua família. O clã Masaki agora se resumia apenas a ela e seu pai, os clãs de sua mãe sequer existiam mais como uma unidade. Ela queria chegar em casa e contar da forma mais exagerada para alguém como havia sido seu dia, queria ouvir risos durante o jantar e ver sorrisos antes de ir dormir. Até mesmo acordar com gritos por estar atrasada, ou levar broncas por ter causado problemas mais uma vez. As partes boas e as nem tanto.
Sentindo os olhos voltando a arder, a ruiva se levantou e rumou de volta para Konoha.
Podia não ter mais sua família, mas pelo menos podia voltar para sua casa, onde ela se esforçava para manter as boas lembranças.
Agradecendo por ninguém ter a parado ao entrar na vila, foi direto para seu quarto ao chegar em casa, se enrolando no maior número de cobertas e afundando naquele amontoado de tecido, se sentindo mais segura do que em muito tempo.
- Se você não deixar um espaço para a circulação de ar, vai morrer sufocada – comentou uma voz conhecida, e pulou das cobertas para visualizar Jiraya, que se aproximara da cama com passos arrastados – Posso?
Na verdade, ele não esperou a resposta e já foi se sentando junto com ela, puxando uma ponta do tecido e cobrindo parte de suas pernas.
- Minato me contou o que aconteceu – começou o homem, percebendo que a garota não incentivaria uma conversa.
- O que você quer? – perguntou ela sem rodeios, não se surpreendo por soar tão rude.
- Ouvir tudo que você tem a dizer.
passou um bom tempo encarando a parede a sua frente até se virar para o ninja, ainda sem entender o que ele planejava.
- Não tenho nada a dizer.
- Assim como você não tinha nada a dizer a seu pai? – insistiu ele, e a garota engoliu em seco, voltando a fitar a parede – Você é só uma criança, . Não tem que aguentar tudo sozinha. Ninguém está esperando que você aceite tudo que acontece a seu redor.
- E o que vocês querem que eu faça? Que eu me recuse a viver nessa realidade? Que passe a fantasiar que meus pais ainda estão vivos? – zombou a criança – Isso não vai trazê-los de volta.
- Seu pai está vivo, – comentou Jiraya, estranhando a fala da ruiva.
- Ele morreu junto com minha mãe, Jiraya-sensei. A diferença é que ele esqueceu de parar de respirar.
Mesmo com toda a experiência que carregava, Jiraya se viu sem saber como agir com uma mera criança, um ser que ele vira nascer e dar seus primeiros passos. Aquele pensamento tinha um peso tão grande que ele imaginava como isso devia assombrar a jovem mente da garota.
- Que tal você dormir na casa do Minato hoje, hum? – sugeriu o homem depois de pigarrear, para garantir que sua voz não falharia. Já não tinha uma moral tão boa com a garota, ele não precisava notar sua voz embargada – Você já passou muito tempo sozinha hoje...
- Na verdade, quero ficar aqui – disse ela – E também não quero ver Minato-san.
- Por que não? – estranhou ele, principalmente pelo tratamento mais formal da garota. Era difícil ela usar honoríficos
- Fui rude com ele mais cedo e não estou pronta para me desculpar.
- Você é rude comigo diariamente e nunca recebi um pedido de desculpas.
esboçou um leve sorriso e o homem já ficou satisfeito.
- Tudo bem para você se eu dormir aqui hoje? – perguntou ele – Seu pai vai passar a noite no hospital.
concordou e aceitou o abraço de lado do homem, que levantou em seguida, dizendo que iria avisar Minato para não aparecer por lá.
- Você pode poupar seu trabalho de sair para procurá-lo e ainda me fazer um favor – soltou ela, se sentando no colchão. O silêncio do homem permitiu que ela continuasse – Peça para o garoto Hatake avisá-lo e assim ele vai ter ordens para seguir.
- Kakashi? Um dos alunos de Minato? – estranhou o homem – Ele está aqui?
- No telhado. Minato deve ter pedido para ele me seguir depois do meu surto e ele continua lá fora – explicou ela, voltando a se enrolar nas cobertas e abraçando o tecido no final – Não pedi para ele me deixar em paz antes porque sei que ele é obcecado por regras e não perderia a chance de me dizer como fui irresponsável, o que naturalmente resultaria em eu o matando, mas não acho que Minato gostaria disso.
Jiraya apenas pode rir, e saiu pela janela do quarto para avisar o garoto que ele agora vigiaria , vendo o grisalho concordar em silêncio e partir sem cerimônias, deixando-o sozinho no telhado com o mesmo tópico que tanto habitava a mente de seu antigo pupilo.
“O que pode ser feito pelos Masaki?”.


San

No outro dia de manhã, Jiraya a acordou cedo para avisar que tinha algumas coisas para resolver na vila, mas que esperava que ela tomasse a iniciativa para ir falar com Minato, não o contrário. Só que ela não se sentia disposta para isso.
Na verdade, queria dormir até todos os seus problemas se resolverem. Só que ela perdeu o sono.
Sabendo que não tinha outra escolha, ela jogou suas pernas para fora da cama e caminhou para o banheiro, se assustando ao ver seu reflexo. Havia alguns ferimentos e hematomas em seu rosto, todas lembranças do dia anterior, como se lhe tirando a possibilidade de deixá-la apenas fingir que nada daquilo acontecera. Se sentindo pior que antes, ela terminou a higiene matinal sem muitas delongas, voltando para seu quarto para mudar de roupa. Trocando seu pijama pela camiseta larga com o símbolo de seu clã, os espirais amarronzados que se conectavam em seu início, ela saiu de casa, sabendo exatamente para onde queria ir.
O monte Hokage.
Aquele era seu lugar favorito de Konoha: dava para ver toda a vila, as pessoas entrando e saindo dos prédios, crianças brincando pelas ruas... Ali ela se sentia mais perto dos antigos hokage, como se estivessem ali juntos olhando por todos. Porém não era apenas por isso que ela gostava de passar tanto tempo ali.
fechou os olhos para tentar se lembrar do momento com mais detalhes.
Talvez alguns dias depois do incidente com o tantou do Hatake, sua mãe havia a levado àquele lugar, com um objetivo em mente. Ali ela explicou para sua versão mais nova o que era Konoha, qual era a função dos ninjas e médicos da vila e o que o Hokage significava. Hanako sabia que em alguns dias uma nova turma começaria na Academia e, já que não conseguia chegar a um acordo com seu marido, a decisão ficaria para a própria criança.
“- Okaa-san? – a criança chamara a atenção da mãe, depois de ouvir atentamente a explicação – E o Hokage?
- Ele é o protetor de Konoha, querida – repetiu a mulher de curtos cabelos alaranjados.
- Eu já entendi isso, mas você não contou quem que é o protetor dele.
- Não existe exatamente um cargo para isso, mas todos nós protegemos nosso Hokage – sussurrou ela, sorrindo para a filha, e ela desviou o olhar, deixando-o passar pela silhueta da vila.
- É isso que eu quero – disse a garota por fim, quase em um sussurro por temer a reação da mãe.
- Ser Hokage? – deduziu a mulher, que, mesmo contrariada, estava orgulhosa da filha.
- Não, ajudar ele a proteger a vila – explicou , voltando a olhar para a mulher, que tinha os marejados – É muita coisa para uma pessoa só, ele com certeza precisa de ajuda.
Hanako riu de leve, sentindo algumas lágrimas passearem por seu rosto enquanto ela apertava mais a criança em seus braços.
- Você vai ser uma grande kunoichi.”

foi tirada de sua lembrança ao sentir uma pessoa parar ao seu lado, e ela abriu os olhos mesmo sabendo quem agora lhe fazia companhia.
- Sabia que iria te encontrar aqui – suspirou Minato, se sentando ao seu lado.
- Jiraya-sensei não te disse para esperar que eu te procurasse para me desculpar? – questionou ela, se virando levemente para o homem.
- Disse, e por isso que eu vim – ele sorriu, abraçando-a de lado – Você não tem pelo que se desculpar. Mesmo que você ache que deva.
- Eu realmente não sei o que deu em mim ontem – confessou ela, mordendo o lábio para tentar controlar as lágrimas que começavam a se acumular em seus olhos.
- Você estava com medo e seu próprio pai havia desistido na sua frente – ponderou o loiro, tomando cuidado com sua escolha de palavras – Essa situação não começou ontem, . Tudo o que você passou nos últimos anos foi se acumulando... Só que ontem as coisas passaram do limite.
De repente, a voz de Minato adotou um tom baixo e frio, que assustou a garota, que se virou para ele.
- Mitsuaky não tem o direito de te causar esse tipo de trauma. Você nunca deveria ter presenciado uma cena como aquela – continuou ele, vendo a expressão da garota endurecer – Se eu soubesse que aquilo ia acontecer eu...
- Você o quê? – questionou ela, levemente indignada – Teria me impedido?
- Você é só uma criança, – continuou ele – Por isso que Sandaime-sama tomou uma decisão.
- “Decisão”? – repetiu ela, sentindo que não podia ser coisa boa.
- A partir de hoje, você mora comigo e com Kushina – anunciou Minato, e a garota arregalou os olhos, sem saber o que pensar – Você continuar morando com seu pai pode comprometer sua saúde mental. Se não podemos mais salvá-lo, pelo menos você nós podemos.
continuou encarando o loiro por longos segundos, e aos poucos sua expressão vazia foi se contraindo.
Aquele não podia ser Minato, podia? Ele a conhecia tão mal assim para concordar com algo tão absurdo? Será que ele não entendia que ela não estava nem um pouco preocupada consigo, mas sim com seu pai?
- Agradeço pela preocupação – disse ela com o maxilar travado – Mas eu recuso a oferta.
- Não é uma oferta, – retrucou ele – É uma ordem do Hokage. Seu pai não tem condições de cuidar de você. Não é culpa sua.
- E o que acontece com ele, hein? – vociferou ela, se pondo de pé e fuzilando o homem com os olhos – Eu não quero saber quem vai cuidar de mim. Eu sei me virar, já ganho meu próprio dinheiro.
- Sarutobi conversou com ele sobre esse assunto e ele disse que quer continuar em casa, trabalhando como sempre – contou o loiro, parecendo um pouco perdido com a postura da garota, e isso não passou despercebido por ela, o que fez com que ela se controlasse.
- Ele é meu pai, Minato – lembrou ela, com a voz mais calma. sabia que não era Minato que estava a irritando e que, na verdade, era apenas toda a situação em que ela estava metida. Não era culpa de alguém – Não quero saber o que ele vai fazer com a própria vida daqui para frente, mas ele é meu pai. Eu não vou abandoná-lo. Ele já perdeu a minha mãe, e ela...
- Ela iria quer ver a filha dela bem – cortou-a Minato, se pondo de pé – Ela não te julgaria se decidisse vir morar comigo.
- Mas eu iria – disse ela, com um tom de voz que parecia encerrar a discussão – Eu não sou mais uma criança, Minato. Respeite minha decisão.
Minato não viu outra escolha e ofegou, deixando todo o ar lhe escapar do corpo apenas para respirar fundo em seguida, concordando silenciosamente com a garota.
- Sei que suas intenções são as melhores, mas... – sussurrou a ruiva, mas sua voz falhou no final, o que amoleceu ainda mais o homem.
Minato se agachou a sua frente, tomando rosto corado da garota em suas mãos.
- Eu só quero o melhor para você, entendeu? – esclareceu ele, bagunçando sua franja – Não estou tentando fazer com que você escolha entre mim e seu pai.
Ela apenas concordou com a cabeça e se jogou nos braços de Minato, ficando assim até se recompor.
- Vou falar com Sarutobi-sama – disse ela, se afastando para ver seu rosto – Vamos treinar hoje?
- Depois do almoço está bom para você? – perguntou ele, e ela assentiu – Vou avisar Jiraya-sensei.
Isso foi o suficiente para que a garota voltasse a agir normalmente.
- Ele realmente tem que vir?! – choramingou ela, com os ombros caídos – Ele é mau comigo...!
- Ele se importa com você do mesmo jeito que eu.
- Só que Jiraya-sensei demonstra afeto de uma forma bem dolorida – resmungou ela, cruzando os braços – Ele quebrou meu braço da última vez.
- Foi um... quase acidente – soltou ele, recebendo um olhar nada animado da garota – Vai logo ver o Sarutobi!
Rindo, e garota beijou a bochecha do loiro, descendo em poucos segundos até a Mansão Hokage, encontrando alguns conhecidos pelos corredores do prédio até o escritório, onde ela ficou por no máximo meia hora.
Sarutobi Hiruzen, o Sandaime Hokage, até esperava a visita da garota, já que não ignorara a possibilidade de que ela poderia ser contra sua ideia. Afinal, mesmo sendo fisicamente igual a mãe, ainda era uma Masaki: naturalmente cabeça dura.
- Apenas quero que você lembre que suas ações ontem abalaram muito Mituasky – acrescentou o homem, depois de a garota ter relatado toda sua conversa com Minato – E eu não sei dizer se isso pode ser uma coisa boa ou não.
- Você acha que eu posso ter feito ele se sentir mais inútil – deduziu ela, e Sarutobi concordou, sentindo pela dor que apareceu nos olhos da ruiva.
- Não mude sua rotina, tudo bem? – pediu ele – Converse com ele mesmo com ele não respondendo, avise aonde vai... As coisas de sempre. Tente fazê-lo se sentir necessário.
- Sim, Hokage-sama – murmurou a garota, fazendo uma leve reverência antes de deixar a sala.

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respirava com dificuldades, o que causava risos em Jiraya, sabendo muito bem que ela não conseguiria dominar aquela técnica no prazo que a garota pensava que conseguiria. Claro que havia algumas dicas que ele não tinha dado ainda propositalmente, mas isso a ruiva não precisava saber ainda.
- ... Vem cá – chamou-a Minato, atraindo tanto sua atenção como a de seu antigo sensei. Jiraya fez um gesto com a mão para que ela fosse logo em encontro ao loiro, sentando ao seu lado debaixo de uma grande árvore e abrindo um pequeno livro – Eu queria te ensinar outro jutsu, mas não sei se é uma boa ideia.
- Se você está falando disso, é porque vai ensinar... – debochou a garota, ignorando o olhar irritado do loiro – Mas por que essa hesitação?
Era exatamente essa pergunta que ele queria ouvir.
- Qual foi a única instrução que eu te dei sobre o Rasegan? – lembrou ele, erguendo a sobrancelha para ela.
- “Não utilizar em batalhas reais por hora” – repetiu , com a voz arrastada, se sentindo iludida demais por pensar que aquele assunto tinha sido esquecido.
- E você desobedeceu.
- Não vou discutir isso, Minato – resmungou ela cruzando os braços, impaciente – Fala logo o motivo de você não querer me ensinar esse novo jutsu.
- Esse jutsu... Eu sou o único na vila que consigo usá-lo, mas acho que você tem capacidade para conseguir dominá-lo. Só que usá-lo antes de dominá-lo por completo pode ser desastroso...
- Fala logo, Minato!
O loiro não falou, apenas puxou uma de suas kunai e a soltou no espaço no chão entre eles, e a garota logo reconheceu a fórmula do jutsu no cabo. Com os olhos arregalados, ela ergueu a cabeça até o homem, que continuava sério.
- “Deus Voador do Trovão”? – ofegou – Você realmente quer passar isso para mim?
- Qual é a surpresa? – perguntou ele, como se aquilo não fosse algo de tanta importância. “É só o jutsu do Nidaime Hokage, nada demais...”, pensou ela.
- Como seus alunos reagem sabendo que você ensina essas coisas para mim e não para eles? – ela desconversou, mais por realmente querer saber sobre aquilo do que por desconforto com o assunto.
- Primeiro que eles não sabem. Quer dizer, devem suspeitar, já que você usou o Rasengan na frente deles – resmungou ele, dando um leve tapa na cabeça da ruiva – Mas não te ensino essas coisas por favoritismo. Te ensino porque sei que você é capaz. Você é uma Masaki e ainda tem descendência Uzumaki, então já tem uma quantidade absurda de chakra mesmo sendo tão nova, e a tendência é aumentar. Por isso você normalmente consegue ganhar uma batalha sem utilizar taijutsu, em que você também é ótima, mesmo dificilmente usando.
- Com o jutsu de teletransporte eu usaria mais taijutsu – concluiu ela, seguindo o raciocínio do loiro.
- Economizaria mais chakra e estaria em vantagem, já que esse jutsu é ótimo tanto na defensiva quanto na ofensiva.
Sorrindo travessa, ela caminhou até a kunai cravada no chão, girando a arma nos dedos.
- Quando começamos? – perguntou ela, e Minato sorriu. Sabia muito bem que ela não recusaria a oferta, mas não podia deixar de se sentir orgulhoso pela determinação da garota.
- Depois que você dominar essa técnica, -chan – riu Jiraya, atraindo a atenção da jovem ruiva, que passou a gritar sobre como aquilo era injusto.


Shi

Minato teve que respirar fundo algumas muitas vezes antes de voltar a fitar tanto para Obito e Rin quanto para : eles não estavam mortalmente feridos, mas também não estavam em seus perfeitos estados, e, por saber que eles ainda teriam que lutar mais uma vez, o loiro se encontrava um tanto inquieto. Sandaime-sama explicava a todos os participantes como as preliminares iriam funcionar, porém ele não prestava atenção. Nem por já saber as regras, mas sim pela preocupação que o dominava pelos seus alunos.
E um pouco a mais ainda por .
Rin e Obito já haviam prestado o exame antes, mas aquela era a primeira tentativa da ruiva, que ainda era a mais nova de todos os candidatos, que se resumiam em ninjas muitos mais experientes, tanto de Konoha como de outras vilas.
- A primeira luta será... – começou o jounin que seria juiz das preliminares, olhando para o telão, à espera dos nomes – Yamagimori Kozaburo versus Masaki .
Os olhos de automaticamente se arregalaram ao ouvir seu nome, olhando desesperadamente para Ito em busca de socorro, coisa que não passou despercebida pelos “veteranos” do grupo, que não se preocuparam em esconder a risada maldosa ao ver o estado da garota.
- Esses dois permanecem na arena, o restante sobe para assistir a luta.
- Que luta? – debochou um companheiro de Kozaburo, seguindo com o outro para as escadas – Ela vai ser correndo assim que ele disser “comecem”.
Tentando não rir, Ito antes foi falar com sua aluna, segurando-a pelos ombros, quase acreditando naqueles olhos desesperado e marejados.
Ela havia criado um monstro manipulador.
- Não estenda essa luta, – ordenou ela, com a voz baixa e grave – Ataque primeiro e termine no primeiro ataque.
- Não o deixo sequer se defender? – choramingou ela, inclinando a cabeça – Estou cansada, mas consigo lutar mais um pouc...
- Não quero que você exponha suas habilidades – cortou-a a mulher – Nas finais você vai mostrar tudo o que sabe, mas agora você vai ser um mistério.
- Um ataque – suspirou a garota, abaixando a cabeça.
- Ito-san, por favor, deixe a arena – pediu o juiz, e logo ela se teletransportou para a área superior, se unindo ao seu time e ao de Minato.
- Você parece preocupado, Minato-san – comentou a mulher, estranhando a postura do loiro.
- parece insegura, isso não é normal – suspirou ele, causando risos na mulher – O que foi?
- Eu realmente criei um monstrinho manipulador – confessou ela, se apoiando no corrimão – Não pisque ou você vai perder essa luta.
- Comecem! – anunciou o juiz, mas nenhum dos dois se mexeu.
- Pode fazer o primeiro ataque, pirralha – disse Kozaburo, escondendo as mãos nos bolsos – Vai ser a sua única chance.
controlou sua imensa vontade de rir e de pular naquele garoto e soca-lo até sentir seu sangue em suas mãos. “Vamos lá, . Siga o plano, não se deixe levar...”
- Essa é a primeira vez que você presta o exame? – perguntou ela, em um tom baixo e manhoso – Que azar ter que lutar comigo quando você já chegou tão longe...
Kozaburo quase começou a rir da inesperada confiança que a garota estava mostrando ter, mas se preparou para a defesa quando a viu realizar diversos selos em uma velocidade que ele não conseguiu acompanhar. Ele estava pronto para desviar – era bastante rápido, não seria facilmente atingido – mas, sem que ele entendesse, a garota apenas ergueu o braço e em seguida ele não conseguia mais respirar.
tencionou mais um pouco os dedos que controlavam o chicote de vento, tomando o cuidado de aumentar a pressão sem deixar mais afiado. Ela queria deixá-lo inconsciente, não o matar.
Assim como o garoto, quem não tinha conhecimento daquela técnica – ou seja, qualquer que não fosse do seu time – estava grudado no corrimão, tentando enxergar o que diabos estava acontecendo na arena, entender o motivo de Kozaburo parecer estar tentando tirar algo de seu pescoço. Era um genjutsu?
Percebendo que ficar parado não ajudaria em nada, o garoto pegou algumas shurikens e lançou na direção da ruiva, que desviou com facilidade, tencionando ainda mais os dedos para aumentar o aperto, mas ele não parou: puxou um kunai e correu para atingi-la. Agora, se aumentasse o aperto, com certeza o pescoço dele quebraria, mas ela também não podia começar um combate físico enquanto usava aquela técnica. Ainda não tinha domínio o suficiente para combiná-lo com outros movimentos, e, como Ito-sensei havia deixado claro que devia ser um apenas um ataque, ela arriscou aproveitar o chicote de vento para jogá-lo para trás, fazendo um movimento completo com seu próprio corpo para que não corresse o risco de ser atingida pela mão armada do garoto.
Kozaburo caiu alguns metros longe dela, aparentemente inconsciente, e a pequena ruiva quase começou a rezar para que ele realmente estivesse. Aquele jutsu usava uma quantidade absurda de chakra e dificilmente ela conseguiria prosseguir com a luta. Por isso ela quase chorou quando o juiz e a declarou a vencedora da primeira luta.
- Bom trabalho – sussurrou Ito-sensei, que havia acabado de aparecer às suas costas, pegando-a no colo antes que ela desabasse, subindo com ela em seus braços para o andar superior, para junto do resto de seu time e de Minato.
- Pena que você não pode ver a cara de confusão de todo mundo quando você atacou! – riu Inaro, enquanto a garota recusava a ajuda do ninjutsu médico de Sora. Afinal, ele ainda teria que lutar. Não podia sair gastando seu chakra – É capaz de te pararem na saída apenas para entenderem como você o derrotou!
- Realmente, não dá para entender a técnica só olhando – comentou Sora, sentando-se ao lado da garota semiconsciente – Talvez só um Uchiha ou um Hyuuga conseguiriam, mas como não há nenhum assistindo, suas especialidades continuam um mistério.
- Ei, eu sou um Uchiha! – resmungou Obito, olhando feio para o garoto, que riu sem graça.
- Foi mal. Eu quis dizer alguém que já despertou o sharingan – disse o loiro, com a mão na nuca – Foi uma péssima escolha de palavras. Desculpa.
- A mesma ordem para vale para vocês – avisou Ito, se virando para os dois garotos – Não quero ninguém mostrando mais do que precisa. Quem permanece um mistério é que tem a vantagem nessa parte do exame.
- Eu não me esforcei demais na última para vocês estragarem tudo agora... – resmungou , se levantando com ajuda da parede às suas costas – O segundo teste foi praticamente uma semana de férias para vocês. Tratem de ganhar essa luta.
- Sabia que ela esfregaria isso na nossa cara pelo resto da vida... – suspirou Inaro, fazendo a garota rir.
Minato apenas continuou a fitar a garota até atrair sua atenção, a questionando sem se pronunciar.
- Desculpe, Minato – começou ela, parando ao seu lado – Tenho ordens explícitas de não comentar nenhuma das minhas técnicas, ainda mais com você sendo sensei de outros participantes que podem acabar lutando comigo.
- Depois dessa, se eu tiver que lutar com você, com certeza eu desisto – brincou Obito, a fazendo rir de leve, principalmente porque aquilo não havia soado muito como brincadeira.

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até estava tentando prestar atenção nas orientações que sua sensei dizia sem parar, mas a verdade era que, mesmo mantendo a expressão indiferente, ela estava dominada pelo medo do que teria que enfrentar.
Até havia participado de algumas missões de rank mais alto mesmo quando ainda era genin, só que participar de uma guerra era algo muito mais intenso.
Fazia pouco tempo que todo o antigo time 3 havia sido promovido para chunin, e, pelo excelente desempenho do terceiro teste – com conseguindo até ganhar o torneio –, o número e a complexidade das missões que eles recebiam havia aumentado consideravelmente. Porém aquela era completamente diferente: as coisas estavam tão ruins para Konoha naquela guerra que chunin também estavam sendo enviados para áreas de perigo.
Concordando com a cabeça quando sentiu que a pausa da Ito era para ver se a ruiva tinha entendido tudo, desviou o olhar para dentro da vila, vendo o time Minato também vindo em direção aos portões – sem Obito, que obviamente deveria estar atrasado.
- Sandaime havia comentado que vocês também seriam enviados – suspirou Ito, cumprimentando os recém-chegados – A coisa realmente está feia para terem que mandar os mais novos...
- Ito-sensei – repreendeu-a seus chunin em uníssono. Eles entendiam que a mulher estava extremamente preocupada com o futuro bem-estar de todos, mas ficar reclamando disso o tempo todo não ajudaria em nada. Na verdade, isso os assustava um pouco. Ito era sempre tão confiante que era estranho vê-la tão receosa.
- É melhor vocês irem logo – comentou , escondendo as mãos nos bolsos, sentindo que seria muito pior se ela partisse primeiro que eles – Quanto mais rápido terminarem, melhor.
Minato não conseguiu esconder a surpresa ao ver o resto do time Ito concordar e partir, sem a companhia da última integrante.
- Por que você não foi com eles? – perguntou Rin, vendo que mais ninguém parecia disposto a fazer a tal pergunta.
- Fui movida temporariamente para outro time – explicou a garota, sem olhar para o grupo, temendo a reação de Minato – Minhas habilidades são necessárias em outra missão.
Automaticamente, trechos de antigas conversas com o Sandaime voltou à mente do loiro jounin: “ela é pequena, rápida e silenciosa”, “ está evoluindo para ser uma boa espiã”, e “amanhã vão sair dois times para sabotagem e um para tentar se infiltrar”.
- Você vai sair com o time de infiltração – disse ele, sem necessidade de que a garota confirmasse.
A garota evitou o olhar do loiro. Sabia que seria muito mais difícil ter que ver o receio em seus olhos do que nos de Ito-sensei.
- Parabéns pela sua promoção, Kakashi-san – desejou , sentindo a necessidade de mudar de assunto e, principalmente, de não falar com Minato.
Kakashi apenas bufou e virou o rosto. Poderia muito bem ter dito que até se surpreendera ao assistir as lutas da ruiva durante a última parte do exame, mas não daria o trabalho de elogiá-la.
- E Rin... – disse a ruiva, atraindo a atenção da garota – Eu meio que esqueci... Aquela coisa, sabe? Eu disse que ia participar, mas realmente não lembrei de pensar em algo. Desculpe.
- Não tem problema, -chan. Te ajudo a pensar em algo quando voltarmos – sorriu a morena, e logo Minato entendeu que elas estavam se referindo ao presente para parabenizar o grisalho por ter se tornado jounin. Levando em conta que os dois não faziam o menor esforço para se dar bem, ele estava no mínimo surpreso por saber que a garota iria participar por vontade própria.
- Ei! Masaki-san! – uma voz afastada a chamou, e demorou um pouco para que ela reconhecesse como a voz de Haruki-taichou, o capitão do time que ela ingressara. Haruki devia estar na casa dos vinte anos, tinha curtos cabelos negros e parecia confiar na ruiva, já que pedira pessoalmente que quem completasse seu time nessa missão – o antigo membro havia morrido na última – fosse ela.
- Haruki-taichou – cumprimentou-o ela, abaixando a cabeça de leve em respeito.
- Quando você disse que “Masaki” completaria nosso time... – começou um dos dois homens que o acompanhava – Fiquei confuso porque Mitsuaky não tem mais condições para esse tipo de missão. Não sei se estou aliviado ou mais confuso por ver que você estava se referindo à garota Masaki.
- Não seja tão rude com a garota, Yuki – repreendeu-o Haruki, embora risse – Acredite na minha escolha.
- Ele só está agindo assim porque não a viu lutar, taichou – riu o segundo homem, o menor dos três.
- Não vi porque você mentiu que estava doente e eu tive que te cobrir na guarda da vila! – grunhiu Yuki, fuzilando o colega com os olhos.
- Não adianta me olhar assim que não vai me fazer ficar com remorso – disse ele, olhando para ruiva – Por causa dela, valeu cada punição.
- Disponha – brincou , fazendo o homem rir.
- Nós vamos ser a dupla 2, pirralha – resmungou Yuki sério – É melhor que você seja realmente boa.
Minato conseguia ver todas as opções de respostas malcriadas passando pela mente da garota, mas se surpreendeu ao vê-la apenas mostrar um sorriso educado antes de abaixar a cabeça e murmurar um simples “sim, Yuki-san”, voltando à sua postura séria em seguida.
O loiro sabia muito bem o quanto havia crescido naqueles últimos meses, mas ainda não havia visto um momento que demonstrasse isso tão bem.
- No caminho repassamos o plano, certo? – suspirou Haruki, se adiantando para o portão, sendo seguido por seu time agora completo.
Porém parou depois de alguns passos e, por saber que a garota precisava trocar mais algumas palavras antes de partir, Haruki parou alguns metros à frente, dando um minuto contado para a ruiva.
- Tenha cuidado – murmuraram ela e Minato em uníssono, o que fez com que ambos sorrissem.
- Me chame se tiver algum problema – lembrou ele e o sorriso dela se alargou.
- Pode ter certeza: não vou precisar – disse ela, respirando aliviada por poder soar irritante mais uma vez antes da missão realmente começar, mas voltando a deixar a preocupação ocupar sua expressão – De verdade, tenha cuidado – ele desviou o olhar para Rin e Kakashi – Vocês também.
- Logo estaremos todos de volta – disse Rin, embora tivesse uma leve incerteza em sua voz, mas que a ruiva decidiu ignorar.
- Esse é o espírito – suspirou , parecendo agora animada enquanto dava as costas para o grupo e acenava – Nos vemos daqui alguns dias.

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- Vamos nos separar aqui – informou o capitão, parando em um galho alto para que todos o vissem – Yuki, você vai junto com . Nos reunimos aqui amanhã. Quem não aparecer será considerado morto.
Todos concordaram e o quarteto se dividiu em duas duplas, que seguiram direções opostas, embora tivessem a mesma missão: matar quem encontrassem, e conseguir informações, se possível.
Demorou mais algumas horas até em que eles encontrassem o primeiro acampamento. Um centro de atendimento médico. Em silêncio, eles combinaram como seria o ataque: cada um cuidaria de um lado.
Primeiro a garota gastou longos minutos analisando a movimentação das áreas de atendimento, montando aos poucos a estratégia que logo ela colocaria em prática.
Depois de muito hesitar ela fez rapidamente os selos do Chicote, e começou a série de assassinatos silenciosos. Primeiros os médicos, depois, se necessário, os feridos que estavam conscientes. Não havia tido nenhum problema no momento: a única coisa que a vítima percebia era uma leve brisa causada pela movimentação do chicote.
Mesmo com todo o cuidado que a ruiva tinha, não demorou muito para que fosse notada as mortes sem explicação no acampamento, e logo todos inimigos estavam atentos e à procura dos intrusos.
Querendo instalar ainda mais o caos, criou alguns clones com os rostos de pessoas que eles ainda não haviam percebido que estavam mortos, deixando que eles se misturassem aos inimigos, até o momento que pudessem atacar.
Uma barulheira do outro lado do acampamento foi o aviso de que a outra dupla havia sido descoberta, e lutando abertamente. queria acreditar que, assim como ela, seu companheiro ainda estava em completo anonimato, e que isso durasse o máximo possível.
- É uma garota! – ela ouviu alguém gritar, e, por precaução, ficou mais tempo parada do que queria – Eu vi! É uma garotinha ruiva!
- Não fale besteira idiota – alguém rosnou com o primeiro – Uma garotinha não causaria esse estrago.
- É uma criança, e das rápidas... – insistia o homem, mesmo com os outros pedindo que todos fizessem silêncio para encontrarem o tal intruso. Querendo dispersá-los, deixou que o Muon hoippu fluísse por suas duas mãos, puxando um armário com a direita e o pé de um dos homens com a esquerda.
- Alguma coisa puxou meu pé! – gritou ele, se levantando em um pulo. Os outros haviam corrido para perto do armário caído na esperança de encontrá-la próxima do móvel, mas ela aproveitou a deixa para correr para o outro lado do recinto, e no caminho decapitando o homem que antes ela havia puxado o pé com o chicote agora afiado.
- MAS QUE DIABOS...?!
Sentindo que já havia gastado muito tempo com aquele grupo, se revelou para atacar os três que faltavam: no mesmo movimento de corpo, ela agarrou com os chicotes dois pescoços, e atirou uma kunai que ela segurava com o chakra na sola de seu pé na garganta do que sobrara.
Ao correr para fora do recinto, ela quase trombou com um ninja inimigo que deveria ter ido lá checar se havia alguém vivo, mas, ao focalizar uma criança que não devia ter mais que doze anos, ele chegou até a hesitar. Coisa que não fez.
Querendo economizar chakra, ela o derrotou apenas com taijutsu.
- Anda, fantasminha! – ela ouviu a voz do capitão lhe gritar do final do corredor – Já ultrapassamos o tempo estimado.
- “Fantasminha”? – estranhou ela, correndo apara alcançar o homem.
- Alguns pacientes à beira da morte ficavam gritando que tinham visto o tal inimigo... – contou Haruki, sorrindo de lado – Uns falavam que era o fantasma de uma garotinha, outros que era apenas uma garota que não parecia fazer barulho nenhum, que apenas sentiam uma leve brisa...
- Deve ter sido algum dos meus clones – explicou ela, recebendo as memórias do último – Todos meus clones já desapareceram. Não sobrou ninguém da minha parte.
- Três conseguiram fugir da sua parte , – suspirou o homem – Um dos seus clones não viu e eu também não consegui matá-los. Por isso temos que sair daqui o mais rápido possível.
- E os outros dois?
- Você está ouvindo mais alguém lutar? – riu ele – Ou eles foram mortos ou já vazaram também.
apenas concordou, se esforçando para acompanhar a velocidade do capitão, que não parecia nem um pouco preocupado se ela estava ou não com força o suficiente para acompanha-lo.
Depois do que pareceu uma eternidade eles chegaram ao local combinado, encontrando os outros dois – bem mais machucados do que eles – os esperando. Apenas com olhares eles entraram em acordo de que voltariam para Konoha imediatamente.
- ? – chamou-a o Haruki – Deixe que eu te carregue.
- O quê? – estranhou ela, um pouco alheia – Eu estou bem.
- Seu nível de chakra está baixo e você lutou tanto e tão bem quanto nós, mas você ainda é uma criança – continuou o homem – Não tem a mesma resistência que nós. E não confunda meu tom educado com um pedido: isso foi uma ordem.
Contrariada, a ruiva subiu nas costas do homem, com os braços dele segurando suas pernas próximas ao corpo dele, impedindo que ela caísse.
- Eu te vi lutar nas finais do exame chunin... – comentou o capitão, depois de vários quilômetros – Mas não posso negar que estou surpreso com seu desempenho nessa missão.
- Obrigada – sussurrou ela, apoiando o queixo em seu ombro.
- Você estava muito assustada no começo, não achei que fosse conseguir.
- Então você estava esperando que eu desistisse? – ofegou ela, em tom de brincadeira.
- Que bom que eu estava errado – sorriu ele, e permaneceram em silêncio até chegarem à vila, o que aconteceu apenas no final da tarde daquele dia.
Os quatro foram atendidos imediatamente quando chegaram ao hospital, e nenhum precisou ficar internado, embora tivesse sido altamente recomendado que todos permanecessem em repouso pelo menos até o amanhecer, coisa que não fez.
A garota ficou por várias horas sentada no topo do Monte Hokage, analisando cada mero detalhe da silhueta da vila, acompanhando com os olhos cada pessoa que saia de um prédio e entrava em outro. Mesmo estando de noite, a movimentação estava bem mais baixa que o normal, tanto pelo número de ninjas que estava fora na guerra tanto pelo número de baixas que Konoha já havia sofrido.
Sem que ela percebesse, sua mente começou a se perguntar como estariam Minato, Ito, Inaro, Sora e seu pai. Nenhum deles havia retornado ainda e, mesmo sabendo que a sua missão era a mais rápida de todas, ela não conseguia controlar sua preocupação.
No outro dia, foi requisitada no hospital da vila. Suas habilidades médicas não eram das melhores, mas era o suficiente para aliviar a pressão que os médicos e enfermeiros estavam sofrendo. Mesmo ainda se recuperando, a garota podia cuidar de alguns ferimentos menos graves.
Nas raras ocasiões que pediam que ela ajudasse no hospital, sempre acabava por usar o vestido que nada mais era que uma cópia do que sua mãe usava, fosse quando saía em missões ou quando apenas ficava na vila como médica. Era algo bobo, mas ela se sentia mais como sua mãe dessa forma. As poucas vezes que ela realmente seguia seus passos.
Agora, que parecia que a guerra estava sendo ganha, vários ninjas estavam voltando tanto porque suas missões haviam sido concluídas, ou porque precisavam do socorro. Os do primeiro caso, por terem ferimentos mais fáceis de cuidar, eram os principais pacientes da ruiva.
- -chan? – chamou-a uma enfermeira, colocando apenas a cabeça para dentro do quarto. , que acabara de tratar de um paciente que agora dormia profundamente, se virou sorrindo para a mulher – Tenho mais um para você, se você for continuar.
- Pode mandar – ela sorriu, mas o sorriso logo desapareceu quando a mulher chamou o tal paciente.
- -chan vai te examinar, Kakashi-kun – anunciou a mulher, com a voz doce, guiando o garoto com as mãos em seus ombros – Me chame se precisar de algo.
sequer estava respirando.
Não que ela tivesse algum do rancor pelo garoto – apenas queria que ele se engasgasse com as próprias palavras –, mas o estado dele havia a surpreendido. Na verdade, era o corte que ia desde o começo de sua máscara e sumia depois por ser coberto pela sua franja, passando por cima de seu olho fechado, que estava mais a assustando. De resto, ele apenas parecia com todos os outros que haviam voltado da guerra.
- Não sabia que você era médica – murmurou ele que, embora não expressasse surpresa, mesmo estando.
- Eu não sou – disse ela, o deixando confuso – Quero dizer, minha mãe era. Ela me ensinou o básico e às vezes pedem que eu ajude um pouco aqui.
Kakashi apenas balançou de leve a cabeça, como se concordando com o que ouvira. Provavelmente a garota não sabia ainda que na sua primeira missão como capitão havia tido uma baixa, mas ele sabia que a ruiva entenderia isso quando pedisse que ele abrisse o olho, e já começava a se preparar mentalmente para o julgamento.
Ainda com mais forças, ele se agarrava às últimas palavras de Obito.
- Você precisa estar deitado para que eu te examine – disse de repente, como se tivesse percebido que ele estava apenas esperando suas instruções.
Sem pressa, o grisalho se deitou na maca, analisando cada movimento da garota com seu olho aberto.
- Há algum outro ferimento que precise de cuidados urgentes além do seu olho? – perguntou ela, já carregando sua mão direita com chakra. Quando ele acenou que “não” de leve com a cabeça, colocou a mão sobre o olho ferido, fechando os seus próprios, se concentrando para ver o que conseguia salvar.
E então ela congelou.
O olho estava intacto, sem nenhum ferimento. Era como se o corte tivesse sido apenas na pálpebra, sem sequer tocar a córnea. Isso era algo tão improvável de acontecer até se um médico quisesse fazer algo desse tipo.
Foi aí que ela percebeu um detalhe importante: aquele não era um olho comum. Prestando mais atenção, ela conseguia classifica-lo como um Sharingan, mas o problema era que Kakashi não era um Uchiha para simplesmente ter despertado o olho. Se fosse Obito que estivesse ali deitado, não seria algo estranho, m...
O chakra na mão de começou a oscilar, até que se extinguiu, enquanto lentamente ela desvendava o que acontecera na missão do grisalho.
A única forma de o garoto ter um daqueles seria se fosse transplantado, e o “doador” era óbvio. A possibilidade de o olho ter sido roubado não foi considerada pela jovem ninja – afinal, mesmo brigando muito, eles eram companheiros. Aquele corte no rosto de Kakashi não havia sido feito para transplantar o olho, então ele provavelmente foi ferido em batalha e seu olho destruído. Agora, Obito não teria simplesmente dado um de seus olhos para o garoto apenas para que o grisalho ficasse com dois, enquanto ele ficaria apenas com um.
Não, alguma coisa devia ter acontecido com o Uchiha.
Sentindo que Kakashi estava analisando seus atos e, principalmente, sua expressão confusa, apenas carregou as duas mãos com chakra, procurando algum outro ferimento pelo corpo do garoto, sem encontrar nada sério. Apenas alguns cortes e arranhões, que ela curou apenas que não fosse nenhum incômodo.
- Sente-se para eu poder examinar seu olho – pediu ela, se afastando da maca para pegar uma lanterna própria para esse tipo de exame.
- Eu não me sinto bem quando abro esse olho – confessou o grisalho, com ambos os olhos fechados.
- Alguma dor? – estranhou ela, já que aparentemente estava tudo em perfeito estado.
- Ele consome muito do meu chakra – explicou ele – E meu nível de chakra já está baixo.
- Olhos Sharingan só consomem chakra quando ativados – lembrou ela, soando um tanto impaciente, embora não estivesse.
- Eu não sei fazer isso – resmungou o garoto, abrindo o olho normal para fuzilá-la – Não veio com um manual de instruções.
suspirou. Seria possível um dia eles terem uma conversa normal?
- Preciso ver o olho aberto – insistiu ela – Prometo que não vou demorar.
Se dando por vencido, Kakashi abriu o olho e já se sentiu um pouco tonto, mas o apoiou com a mão livre, enquanto a outra ficava movimentando a luz da lanterna em várias direções, vendo o olho responder todos os estímulos de forma normal.
Assim que ela desligou a lanterna e Kakashi fechou o olho, a garota cruzou os braços e franziu o cenho, parecendo extremamente concentrada, embora o grisalho não soubesse dizer no quê.
- Cadê seu protetor de testa? – perguntou ela, depois de um tempo e, mesmo sem entender, o garoto tirou o objeto do bolso, entregando-o em suas mãos.
Talvez funcionasse
- Sabe, apenas ficar com o olho fechado não é uma boa ideia... – começou ela, se aproximando mais dele para amarrar o tecido atrás de sua cabeça, perfeitamente alinhado com sua testa – Você pode acabar abrindo sem querer, se for surpreendido e essas coisas. Então é bom que tenha algo cobrindo o olho.
Depois de ter terminado o nó, ela se afastou para confirmar se metal estava bem posicionado, e esboçou um leve sorriso ao ver que sim.
- Se fosse qualquer outra pessoa, eu indicaria um tapa-olho, mas como você já usa essa máscara, vai ficar estranho. Então... – delicadamente, ela puxou o tecido do protetor para baixo, fazendo com que ele se inclinasse no rosto do garoto, cobrindo totalmente o olho e parte de sua orelha esquerda – ...por que não utilizar algo que você já usa?
Kakashi tentou abrir o olho esquerdo, mas o tecido o impedia.
- Pela sua cara, acho que gostou da minha ideia – brincou ela, colocando as mãos na cintura e esboçando um sorriso confiante. Como não esperava resposta do garoto, ela logo tratou de emendar: – Você já pode ir para casa. Apenas recomendo que fique um bom tempo em repouso.
Sem mais delongas, ou agradecimentos, ou despedidas, Kakashi apenas desceu da maca e rumou para fora do quarto.
- Pois é, cara-que-eu-esqueci-o-nome – suspirou ela, indo checar o único paciente que ainda estava ali, que dormia em paz – Você pelo menos disse um “obrigado” quando eu terminei.
- Você sabe muito bem que é inútil esperar esse tipo de coisa dele, – riu Minato, que estava parado na porta do quarto, com um sorriso carinhoso no rosto – Vejo que você está bem.
- Deite para eu te examinar – ordenou ela, se aproximando da maca vazia que ele devia se deitar. Sua vontade era sumir no abraço do homem, mas tinha que manter a imagem séria.
- Eu estou bem. Não precisa.
- Você já foi examinado? – começou ela, fingindo estar irritada – Tenho certeza que não, então deita logo!
- Você trata todos seus pacientes assim? – brincou ele, mas a obedecendo.
- Só os idiotas que me deixam preocupada – sussurrou ela, carregando as mãos com chakra para examiná-lo – Não foi nada legal chegar aqui e mais ninguém ter voltado.
- Ito ainda não voltou?
- Nem ela nem meu pai – suspirou a garota, olhando-o rapidamente antes de voltar a atenção a sua tarefa – Obito realmente está...?
Ela não conseguiu terminar a frase. Não havia passado muito tempo com o garoto, mas até o considerava legal.
- Kakashi te contou?
- Não, eu apenas deduzi pelo olho dele...
- Ele morreu para proteger os dois – contou o loiro, vendo o chakra nas mãos da garota oscilar até sumir.
- E-eu sinto muito – sussurrou ela, deixando uma mão em seu ombro – Não deve ser fácil perder um aluno assim. Até mesmo Kakashi parece um pouco abalado.
- Obito se tornou um amigo muito importante para ele durante essa missão – suspirou Minato, se sentando na maca depois da garota avisar que já tinha acabado – Não está sendo nada fácil para ele.
- Não vai ser nada fácil lidar com os dois, não é? – arriscou .
- Seria muito bom se você se aproximasse mais deles, também – disse o loiro e ela passou a fitar o chão – Não por você saber o que é perder alguém, mas sim por já ser amiga deles.
- Da Rin eu até concordo, mas desde quando sou amiga do Hatake?
Minato riu, rumando para fora do ambiente.
- O conceito de amigo de Kakashi é bem diferente do seu – sorriu o homem, parando a porta – Vá lá para casa quando terminar, tudo bem?

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Alguns dias depois Rin se juntou à equipe médica, ajudando a cuidar dos ferimentos menos graves. Pela morte de Obito ainda ser muito recente, a ruiva interpretava o constante silêncio da garota como luto, algo muito comum nos últimos tempos: a vila em si parecia com menos vida e, mesmo com a guerra caminhando para seu fim, aquela atmosfera depressiva não parecia que iria se afastar tão cedo.
- , Rin – chamou-a uma das enfermeiras, que já se sentia bem mais à vontade para chamá-la pelo apelido – Preciso das duas. Chegaram mais alguns feridos.
Largando o copo de água que bebia na bancada, a garota correu para fora da sala com Rin em seu encalço, seguindo a enfermeira até seus novos pacientes. Porém ao chegarem no quarto, diferente de Rin, que se pôs logo tratar o ferimento que ela julgava mais urgente, parou no portal, sentindo dificuldades para respirar.
- K--chan... – gemia o homem, Akira, um dos companheiros de seu pai, com o rosto banhado em sangue e lágrimas – M-me desculpe.
Sentindo como se o chão tivesse sumido de debaixo de seus pés, a garota correu para fora do quarto, rumando sem perceber para o local onde os mortos estavam sendo colocados, chegando a tempo de ver o corpo de seu pai ser movido para lá.
Um dos enfermeiros até chegou a chamá-la, mas seus ouvidos não capitavam mais nenhum estímulo externo, assim como seus olhos não faziam outra coisa a não ser liberar uma quantidade de lágrimas que ela nunca vira na vida. Seus pés eram os únicos que continuavam a cumprir sua função, embora não fizesse ideia de para onde estava indo. Eles apenas seguiam.
tentava entender o que estava acontecendo, tentava fazer alguma ligação com as imagens que vira com o que estava sentindo, mas sua mente estava fora de alcance, parecia que tinha desligado e agora era estava perdida.
Perdida. Isso apenas fez com que as lágrimas aumentassem.
No percurso a garota esbarrou com diversas pessoas, mas, estranhamente, ninguém ralhou com ela, pelo contrário: apenas continuavam seguindo seus caminhos como se nada tivesse acontecido, o que apenas parecia fazer a sentir sozinha. Em alguns momentos ela acabava tropeçando em algo e se caía, ficava longos segundos encarando o chão empoeirado, sem saber o que fazer.
Depois do que pode ter sido uma eternidade ou alguns minutos, se viu em um lugar familiar, que ela identificou como o topo do monte Hokage.
Mas ela não estava sozinha.
- H-hokage-sama – sussurrou ela com a voz embargada, mas o homem ouviu mesmo assim.
Sarutobi apenas virou a cabeça levemente para trás para avistar a garota, e depois voltando seu olhar para o horizonte.
- Sabia que você viria para cá.
Inconscientemente, a garota parou ao seu lado.
- O que está fazendo aqui?
- Você sabe para que serve o Hokage, ? – perguntou ele, surpreendendo a garota, mas isso não a impediu de deixar a resposta lhe escapar pelos lábios.
- Ele é quem protege a vila.
O homem sorriu.
- Você não está por completo errada, já que que o sentido de proteger também faz parte da minha função, mas eu prefiro outro termo, sabia? Prefiro dizer que o Hokage é quem cuida da vila. Apenas “proteger” parece um pouco insensível perto de “cuidar”. “Cuidar” já traz o sentido de que eu me preocupo com cada pessoa que forma Konoha, o que é verdade. Por isso eu sei que você se sente muito mais segura aqui, a céu aberto, do que em qualquer outro lugar da vila. Por isso eu estou aqui. Sabia que sua primeira reação ao saber de seu pai seria correr para aqui.
esboçou um sorriso triste, molhado pelas lágrimas que não paravam se rolar por seu rosto. Aquele tipo de conversa era tão nostálgico... A fazia lembrar de sua mãe, do sonho de seu pai que ali ela decidira seguir. Agora nenhum dos dois estava mais lá para ver o que ela se tornaria.
- Foi difícil convencer Namikaze Minato a me deixar falar com você primeiro, mas achei que era necessário – disse Sarutobi, a tirando de pensamentos – Essa situação é completamente diferente das outras.
- Por quê? – choramingou ela, tentando não soar como uma criança chorona – Por que é diferente?
- Porque você é diferente. Não consigo nomear uma pessoa nessa vila que tenha metade da sua força.
- Então por que eu estou me sentindo tão fraca?! – gritou ela, com a testa apoiada em seus joelhos – E-eu falhei...
- Se você está falando isso em relação a seu pai, acredito que eu que tenha falhado – suspirou o homem e ela se virou para ele – Eu não acreditei no poder que você tinha sobre Mitsuaky e deixei as coisas como estavam. Seu pai teria ficado muito pior se você não tivesse perto. Você tê-lo salvado meses atrás o deixou envergonhado por ser tão fraco, mas, antes de partir em missão, ele me implorou para que te deixasse fora da guerra, que cuidasse de você caso ele não retornasse. Você conseguiu trazer um pouco do homem que ele já fora. Talvez se eu tivesse acreditado mais no que você é capaz, talvez a situação não tivesse sido tão traumática para você.
só pode desviar seu olhar para o horizonte, tentando controlar o fluxo de lágrimas, mas falhando.
- Não importa mais – sussurrou ela, tentando limpar o rosto e esboçar um sorriso – Se você não está inventando isso apenas para que eu me sinta melhor, já fico feliz.
- Você tem um bom coração, . Como poucos que já vi.
- Mas eu não me sinto assim – ela forçou uma risada – No fundo eu apenas queria que as coisas continuassem como estavam, mesmo que otou-san continuasse sofrendo... E-eu não... Eu nunca me senti tão sozinha antes... Eu não posso ter um coração tão bom quanto você diz, Sandaime. Alguém com bom coração não desejaria algo tão egoísta.
Um silêncio breve se instalou, Hiruzen respirando fundo enquanto absorvia o que a garota lhe dizia.
- Você sabia, , que esse também é meu lugar favorito na vila? – comentou o homem, se levantando – É um lugar calmo e afastado, mas dá para ver todos daqui. Mesmo estando tão longe, aqui me sinto mais próximo de todos.
Ele vê esse lugar da mesma forma que eu”, pensou ela, sorrindo de leve.
- Você sabe por que me preocupo com cada pessoa da vila? – continuou ele, sorrindo ao vê-la se levantar e negar com a cabeça – Antes mesmo de me tornar Hokage, eu via cada uma dessas pessoas como minha família. Jurei que sempre os protegeria, mesmo que isso esteja fora do meu alcance. Por outro lado, também sei que eles me protegeriam com tudo que tem. Família é algo muito além de lanços de sangue, . E você já sabe disso, lá no fundo. A Vontade do Fogo se manifesta em você com uma determinação que orgulha qualquer Hokage, seja os que vieram antes de mim ou os outros que estão por vim. Mais pessoas do que você pensa seriam capazes de coisas inimagináveis por você, e o sentimento é recíproco.
- Lembro de uma conversa que tive com minha mãe aqui... – sorriu ela, abraçando o próprio corpo – Eu disse que não queria ser apenas Hokage. Disse que queria ser alguém que protegesse a todos, inclusive o Hokage.
- É um pensamento inocente, mas não deixa de ser belo – comentou o homem – E reflete bem sua situação: você não mediria esforços para proteger qualquer um que podemos ver daqui, assim como eles não mediriam para te proteger. Esse tipo de cuidado é característico de uma família, . Enquanto sua Vontade do Fogo continuar tão acesa quanto o tom do seu cabelo, você nunca estará sozinha. Essas pessoas consideram você como parte de sua família. Falta você aceitá-las também.
se pôs de pé, levemente surpresa por perceber que havia agora apenas os rastros de lágrimas em seu rosto, e que sua respiração já estava normalizada.
- Obrigada, Hokage-sama – sussurrou ela, sem desviar o olhar do horizonte – Acho que era isso que eu precisava ouvir.


Go

A guerra havia acabado, Konoha saiu vitoriosa, mas a festa não durou muito tempo. Eles tinham o funeral para realizar e dezenas de nomes para serem gravados no Memorial da Pedra. Do topo do Monte Hokage, tinha seu olhar preso no telhado da mansão abaixo, sem conseguir tirar de sua mente a imagem da cerimônia que fora realizada ali no dia anterior. Os passos mais difíceis que tinha dado naquela vida foi os até a foto de seu pai tentando controlar o choro, principalmente quando a mão quente de Minato apertou seu ombro quando ela retomou seu lugar na formação, depois de ter deixado suas flores junto com as outras.
A garota estava quase dormindo naquele chão desnivelado, o chão do local que ela mais se sentia em casa, sensação contrária à qual a dominava quando seus pés pisavam em sua casa no antigo complexo Masaki. Ela não tinha memórias daquele local habitado por outros membros de seu clã, ou até mesmo muitas memórias de sua família completa ali, mas mesmo assim aquilo assombrava sua mente, assim como todas as lembranças ruins depois da morte de sua mãe.
Agora o clã Masaki se resumia apenas a uma pessoa. Um dos primeiros clãs a fazer parte de Konoha estava a ponto de ser extinto.
Era um sentimento ruim demais.
- Preferia te encontrar aqui com bons motivos, – suspirou a voz de Sarutobi, a assustando. Não era incomum o Hokage a pegar de surpresa no monumento, mas dessa vez ele tinha se superado. A garota não esperava companhia daquela vez – Todas as noites desde que seu pai morreu você tem passado aqui.
- Não consigo ficar mais naquela casa – contou ela, se sentando melhor e abraçando os joelhos – É pressão demais... E é uma casa muito grande para mim também. Eu mal tenho folga de missões. Talvez seja melhor... Eu mudar para um apartamento.
- Irei providenciar – disse o homem, respirando fundo em seguida. Talvez não fosse algo tão fácil de providenciar... – Mas o problema é que por causa da guerra, a vila está uma bagunça.
- Eu sei disso – disse ela, forçando um sorriso que até tentava ser debochado, mas falhava – Por isso não fiz o pedido antes. Estava esperando as coisas se normalizarem primeiro.
- E até lá você dormiria aqui? – estranhou o homem – Por que não foi para casa de Minato?
- Não quero atrapalhar a vida dele com Kushina. Não quero incomodar ninguém, na verdade.
Hiruzen ponderou a fala da garota, e até entendeu seu ponto. Não importava se ela estaria eternamente sobre a asa de Minato, viverem sob o mesmo teto implicava outras formas de convívio, e talvez a garota acreditasse que nem sabia mais como era de fato morar com alguém. Seu receio era inocente, mas ele iria considerar. A pobre criança já estava tendo que lidar com muita coisa, não faria mal deixar que ela decidisse o próprio destino.
- Vá buscar suas coisas – ordenou Sarutobi, já dando as costas para retornar ao seu escritório – Você fica na Mansão até conseguirmos um apartamento para você, ou por quanto tempo você quiser.
- Eu não posso simplesment...
- É uma ordem, Masaki – o homem tratou de cortá-la de uma vez, ciente de que a garota poderia seguir pelo resto do dia naquele discurso. Seu tom mais firme foi o suficiente para que ela se calasse, e Hiruzen nem precisou se virar para ver a garota assentindo, mesmo contrariada – Vou pedir que alguém vá te auxiliar na mudança.

---

Há certas coisas na vida que você pode apenas supor que não gosta, e, que logo na primeira experiência, pode bater o pé no chão com firmeza e afirmar. naquele dia fez uma descoberta importante.
Ela odiava mudanças.
Havia tanta coisa naquela casa que a garota mal sabia por onde começar. Três cômodos daquela casa eram reservados para armamento e pergaminhos. Tudo aquilo havia sido reunido ao longo dos anos, a cada membro do clã que era morto em ação e seus pertences voltavam à família principal. Quando a vila fora fundada, o clã Masaki era numeroso, ocupava uma pequena parcela do território, suas casas, na maioria dos casos, sendo vizinhas uma das outras. No entanto, na medida que o clã ia diminuindo, suas posses também diminuíram, até os dias atuais, onde toda sua história e descobertas estavam confinadas em três cômodos do último prédio que ainda levava o símbolo dos Masaki na entrada.
- Hime-sama? – alguém a chamou do lado de fora da casa, tanto o honorífico como o termo princesa soando forçado na voz desconhecida. Jogando algumas shurikens velhas na caixa de armas, a garota correu até a porta, encontrando Asuma, o filho mais novo do Hokage, parado antes dos degraus – Hokage-sama me mandou para te ajudar com suas coisas.
- Já tem algumas caixas fechadas – avisou ela, dando espaço para que o garoto entrasse na casa – E me chame de hime-sama novamente e você vai sentir a delicadeza da minha mão no seu rosto.
- É estranho ter que ser tão formal com alguém tão mais novo que você – alfinetou ele, o sorriso divertido em seus lábios não alcançando sua voz. Asuma olhava com pesar a estrutura da casa. Seu pai contara minutos antes de como aquele lugar costumava acomodar festas de dias, mas o garoto nunca chegara a presenciar aquilo, e mesmo assim auxiliar na mudança da única moradora da casa o deixava triste.
- Dois anos. Sem drama, por favor – devolveu ela, apontando para um amontoado de caixas que havia terminado mais cedo. Três eram de roupas, fossem das que usava atualmente, a peças que sequer serviam mais, mas que ela guardava com certo carinho. O restante eram alguns pergaminhos e livros, material que ela consultava com mais frequência.
Asuma não estava tão animado com a tarefa que recebera do pai, por isso suas viagens da mansão até a residência Masaki eram bastante longas, o que deu tempo para que realizasse sua tarefa sem pressa. Em certo ponto, o garoto até acabou ajudando a juntar objetos dos mais variáveis que não seguiriam com , levando também estas caixas, porém com outro destino, já que tudo aquilo seria colocado à venda. O sol já começava a se por quando se viu diante da porta do quarto do pais, local que ela sequer se lembrava de entrar em um dia. Sua mão incerta pairava sobre a porta de correr quando ela sentiu uma presença nova atrás de si, seu corpo encolhendo quando sentiu uma respiração próxima de seu pescoço.
- Quer ajuda?
- Minato! – ofegou a garota. No susto, ela havia se inclinado para a porta, aproveitando o material para ter impulso e se jogar contra o ninja mais velho e estapear seu braço em reprovação – Quando que você voltou?!
- Acabei de chegar – contou ele, pedindo desculpas pela aparição repentina em meio de risos divertidos. Assim que se acalmou, Minato também ficou mais sério. Não havia inspecionado a casa, mas, pelos poucos cômodos por que passara, não teve como deixar de notar o vazio que se encontravam – Sandaime me avisou da sua mudança. Tem certeza que não quer ficar comigo e com a Kushina? Já temos um quarto que é praticamente seu. Talvez você só precise brigar por ele com o Jiraya, uma vez ou outra.
- Obrigada, mas já conversei com o Hokage.
Minato tanto podia como queria se opor à decisão da garota, e foi necessário muito autocontrole para deixar aquele assunto de lado. O homem não concordava com o apoio que Sandaime estava dando àquela ideia, mas fora ordenado a não contrariar, e no fundo temia ser o errado da história. Ele não podia a proteger de tudo, nem o tempo todo. Há muito tempo que aprendera a se virar sozinha, disse o Hokage mais cedo, e não era papel deles interromper esse processo.
- Algo em que eu possa ajudar? – perguntou Minato ainda contrariado, mas nada que alcançou seu tom de voz animado.
- Na verdade, você pode me ajudar em outra parte da casa – agarrou a manga do traje do jovem ninja, o arrastando por um trajeto que ele até já conhecia, mas sua memória não conseguia lhe dizer qual era o destino.
- Oficialmente com med... Nossa! – ofegou ele assim que pararam diante de uma porta aberta, as várias prateleiras e caixas abarrotadas de pergaminho o cumprimentando – Isso é...?
- Todo o conhecimento do clã, aparentemente.
- Isso devia estar sob segurança máxima – comentou o loiro, ainda surpreso. Um pergaminho daqueles em mãos erradas podia ser desastroso demais. Até o princípio básico do jutsu assinatura de estava registrado em um daqueles pergaminhos, anotação feita por um dos tios da garota, anos atrás. Se algum inimigo tomasse posse daquilo, a vila poderia ser ataca com sua própria criação – Não que essa seja uma casa desprotegida, mas isso aqui são segredos de Konoha.
- Confesso que estou com medo até de mexer nisso.
- Vou falar como Hokage para mover isso para um local seguro – avisou ele, rumando junto com a garota para a entrada da casa – Depois podemos juntar nós dois e a Kushina para estudar tudo. Aposto que mais da metade dos pergaminhos devem ser de selos, ela vai adorar ajudar.
- Quase certeza que vi uma caixa no outro quarto com o emblema Uzumaki – comentou , suspirando em seguida – Vai levar semanas até estudarmos tudo isso...
teria seguido em suas reclamações se não tivessem a chamado na entrada da casa, Asuma questionando quantas caixas mais teria que carregar. Alguém repreendendo o garoto por não estar sendo educado fez com que risse, apertando o passo para alcançar a dupla, ciente de quem era a pessoa que chegara para compor o grupo.
- Kurenai! – riu a ruiva, aceitando o abraço da garota.
- Você vai se mudar? – perguntou a mais velha, mesmo ciente da falta de mobília e pertences na casa. Enquanto crescera, Kurenai não chegara a entrar ali muitas vezes, mas sua família vez ou outra comentava de como aquele quarteirão costumava ser bastante movimentado e alegre.
- O complexo Masaki não existe mais. Essa casa é grande demais para mim e merece ser o lar de uma família completa de novo – contou , e a falta de pesar em sua voz pegou o trio de surpresa, principalmente Minato. Ela chegava a aparecer aliviada de deixar aquele local, não tinha como se opor a ideia – Então, sim. Eu estou saindo.
- Você sai daqui mais rápido se me ajudar com essas caixas – resmungou Asuma, indo buscar mais uma caixa ao som das risadas das duas garotas que logo concordaram em ajudar.

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Desde sua promoção para chunin, folga era algo que apenas conhecia como conceito, dificilmente era apresentada à prática. Por causa de sua mudança provisória para a Mansão Hokage, ela tinha ganhado três dias afastada de suas tarefas diárias na vila, o que acabaria apenas em dois dias, e ela já não aguentava mais olhar para seu teto novo.
Por isso quase abraçou o ANBU que batera em sua porta dizendo que o Hokage estava a convocando.
- Queria falar comigo, velho? – perguntou ela, abrindo a porta do escritório sem bater, se deparando com todo o Conselho de Konoha no meio da sala, parecendo mais intimidadores do que nunca. Tradicionalmente, o Hokage estava na posição central da mesa, Mitokado Homura à sua direita, Utatane Koharu e Shimura Danzou à sua esquerda. Embora ainda tivessem lugares vazios à mesa, Nara Shikaku, o Jounin Comandante, estava em pé próximo a uma janela aberta. De todas as pessoas na sala, Shikaku era o único que sorria com a situação. apenas queria morrer – Esse é um bom motivo para eu aprender a bater antes de entrar... Eu volto mais tarde.
- ... – Hiruzen se apressou, a garota já prestes a sair de vez e fechar a porta – Essa reunião foi feita exatamente por sua causa.
- O que eu fiz para o Conselho ter que ser reunido? – ofegou ela – Eu fiquei no meu quarto o dia inteiro.
- Não foi algo que você fez... É apenas uma formalidade – explicou Shikaku, apenas a deixando mais confusa. Como sabia que seria uma conversa longa, o homem voltou a ocupar seu lugar ao lado de Homura, sinalizando para que também ocupasse um assento, algo que ela fez sem pressa e muita cautela.
- Você era muito nova para lembrar, mas seu pai fazia parte do conselho – contou Sarutobi, quando todos estavam acomodados – Um Masaki sempre fez parte do conselho, desde o início da vila. Seu pai era o líder no clã antes mesmo de seus tios morrerem, mas foi afastado depois que sua mãe morreu. A cadeira dos Masaki ficou vazia. Como sua sucessora, quando você atingisse determinada idade, você começaria a interagir mais com o Conselho e a ser treinada para assumir seu papel de líder, até ser capaz de exercer todas suas funções como conselheira.
- Me deixe adivinhar: eu atingi a determinada idade?
- Sim – sorriu ele – Shikaku, como Comandante Jounin e também líder de um clã, será o responsável a te auxiliar durante esse tempo, até você assumir seu posto.
- Então eu sou a líder agora? – perguntou ela, estranhando o termo – O clã se resume apenas a mim. Qual é o ponto disso? Que influência eu posso ter?
- Clãs podem ser restaurados, – disse Shikaku, colocando a mão no ombro da garota – Claro que você não tem idade para isso ainda... E seu clã tem qualidades compartilhadas por todos integrantes, o que inclui você. Você já mostra boas características como líder, é só olhar seu relacionamento com as pessoas da vila, sejam civis ou ninjas. Comece a prestar mais atenção nisso.
- Embora seja uma família militar, a cadeira dos Masaki representa todos os clãs da vila. Você é o elo mais próximo entre eles e nós. É um trabalho importante, e é seu dever honrá-lo.
olhou de Shikaku para Hiruzen, absorvendo com cuidado a fala de cada um. Se forçasse sua memória, ela podia lembrar de cenas um tanto aleatórias com seus pais, pessoas um tanto exaltadas fazendo exigências a Mitsuaky, que parecia explicar algo e dizer que faria o possível para ajudar. Sua mãe não era diferente, fosse com paciente ou qualquer outro habitante da vila. Por um momento ela chegou a pensar que aquela responsabilidade que estava lhe sendo designada era algo repetindo, mas na verdade estava com ela desde o começo.
- Darei meu melhor, Hokage-sama – garantiu ela, sua postura se tornando pela primeira vez desde sua chegada confiante.
Sarutobi sorriu em resposta, mas não surpreso. Sabia muito bem que sempre seria o que quer que a vila precisasse que ela fosse.




Continua...



Nota da autora: Capítulo meio filler do nosso nenê crescendo mais um pouquinho
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