Última atualização: 29/04/2019
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Capítulo 1

Something big, I feel it happening
Out of my control

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Nervosismo.
Não era uma sensação que havia experimentado mais do que algumas vezes, durante seus 20 verões de vida. Ela podia contar nos dedos de uma mão os momentos em que deixou o nervosismo tomar conta de si. Entre eles estavam o casamento de sua mãe com Leonardo, seu padrasto, já que havia sido péssimo carregar as alianças com mais de 100 pessoas a encarando em um vestido rosa que a fizera suar loucamente. Também ficou extremamente nervosa quando quase reprovou no terceiro ano do ensino médio, por ter faltado muitas aulas de Educação Física e quando fizera sua entrevista de emprego pelo Skype, já que ela não tinha condições de ir para o Canadá apenas para conversar com o dono da empresa de fotografia para o qual ela trabalharia a partir de outubro. A última vez que havia ficado nervosa, fora no dia da compra dos ingressos para o Rock in Rio. quase chorou de frustração, por medo de não conseguir finalizar a compra. Mas ela havia conseguido. E estava desembarcando no Rio de Janeiro, dois dias antes do show, por conta de um pressentimento maluco de , sua melhor amiga e prima, que jurava que iria encontrar o Marron 5 dando sopa nas praias do Rio de Janeiro.
E pressentia que iria ter sua quinta experiência com o nervosismo durante aqueles poucos dias longe de casa.
- Vou pedir um Uber. – avisou, trazendo de volta para a realidade. Estavam na área de desembarque, procurando pelas placas que indicavam a saída. assentiu com a cabeça e segurou as alças de sua mochila com firmeza, seguindo a outra para fora do aeroporto Galeão. Tinha guardado os fones de ouvido e escondido o celular no bolso interior da mochila, tamanho era o medo de perder ambos os objetos. E não por estar no Rio de Janeiro, que tinha um índice de violência altíssimo que não lhe era exclusividade dentre os estados brasileiros restantes, mas sim por estar em um estado que não conhecia, para uma aventura maluca que ela havia parcelado em 5x no cartão de crédito do irmão. E por mais que quisesse fotografar cada passo daquela viagem, a garota optou por escolher os momentos certos para registrar com sua câmera. E o aeroporto não era um deles.
O local estava movimentado, como já era de se esperar e a área de desembarque estava abarrotada por jovens ansiosas e animadas, que esperavam seus artistas favoritos desembarcarem no Brasil para o Rock In Rio.
- Tem certeza de que ele não desembarcou? – questionou, desviando o olhar do celular para , que assentiu com a cabeça.
- Sim. – assentiu com a cabeça. – Saíram fotos dele embarcando há cerca de uma hora.
- Que merda de azar. – bufou.
- Só tu tinhas esperanças de encontrar ele no aeroporto de madrugada.
- Não seja pessimista. – reclamou.
O Uber demorou quase meia hora para aparecer, não surpreendendo nenhuma das duas. Aquela semana inteira deixava o Rio de Janeiro uma loucura quase tão grande quanto durante a Virada do Ano ou o Carnaval, que eram as épocas de maior movimentação turística na cidade. Elas ficariam hospedadas no apartamento dos pais de Henrique, o namorado de e melhor amigo de , localizado na Barra da Tijuca. O imóvel estava desocupado e elas teriam privacidade para surtar e dormir até quase falecer após o show que iriam assistir juntas. queria ver Adam Levine e o Marron 5. havia comprado ingresso para o festival, para ver única e exclusivamente, .
Seu irmão, Maurício, havia zoado com a cara dela por meses, desde a compra do ingresso realizada com o cartão de crédito dele, já que o de não tinha saldo o suficiente. Segundo ele, ela jamais havia superado sua paixonite psicótica pelo cantor. E provavelmente desmaiaria assim que colocasse seus olhos no canadense e estava encarregada de gravar o momento para que Maurício pudesse ver a cena, quando elas voltassem para Santa Catarina. O que Maurício não sabia, era que não se sentia mais daquela forma.
Ela havia superado o amor lunático que nutrira por quase dois anos e agora sentia apenas uma grande admiração por . Ele era um ótimo cantor, suas músicas eram maravilhosas e, bom, ele era bonito para caralho. Suas ilusões de encontrar e acabar casada com ele não existiam mais. Ela havia amadurecido e encarado a realidade. Mas a vontade de ouvi-lo se apresentar ao vivo e vê-lo, mesmo que de longe, era bastante significativa em sua vida. E por isso ela estava ali.
- Eu preciso mesmo dormir. – comentou, após agradecer ao motorista do Uber e sair do carro. A viagem havia sido tranquila e demorou menos do que o tempo em que elas haviam esperado pelo carro no aeroporto. a seguiu até a portaria do prédio, ainda segurando sua mochila com firmeza. cumprimentou o porteiro e logo elas estavam dentro do elevador, rumo ao décimo andar. O prédio não era do tipo que gritava riqueza em cada milímetro de parede e sentiu-se mais confortável por conta daquilo. Não sabia lidar com lugares chiques demais, já que estava acostumada com a simplicidade.
- Vamos descansar durante a manhã? Eu preciso mesmo dormir um pouco. – falou para a prima, que assentiu com a cabeça e estalou os lábios.
- Nós vamos atrás do , não vamos? – questionou, em dúvida. Pulou para fora do elevador assim que as portas se abriram e tirou a chave do apartamento do bolso dos shorts jeans.
- Não sei. – suspirou, recebendo um olhar atravessado da amiga. – Talvez não valha a pena tentar encontrá-lo. Metade das garotas dessa cidade tem o mesmo plano que o nosso.
- Mas elas não são iguais a ti, sua stalker. – deu de ombros. Destrancou a porta do apartamento 105 e se jogou no sofá, suspirando alto de cansaço.
- Eu só dei uma pesquisada rápida. Não dá para ter certeza de que ele vai estar no Sheraton. – disse cética. Jogou a mochila na poltrona e aproveitou para dar uma olhada no apartamento. Não era grande e nem muito pequeno. Tinha apenas dois quartos, um banheiro, sala, cozinha e área de serviço. Voltou à sala e encontrou na mesma posição, rindo fraco antes de sentar ao lado da prima.
- Nossas pernas não irão cair se tentarmos. – decretou. Levantou do sofá em um pulo e puxou a prima pela mão, enquanto resmungava sobre ter acabado de se acomodar no móvel. – Vamos dormir um pouco. Depois almoçamos em algum lugar e vamos para o hotel.
- Tudo bem. – rolou os olhos, se deixando puxar para o quarto que dividiria com . Deixou a mochila na sala e apenas tirou os calçados, se jogando na cama. O quarto de Henrique tinha uma cama de casal, roupeiro, escrivaninha e dois criados mudos. Era totalmente comum e ao mesmo tempo, a cara do rapaz. não parecia nada inclinada a trocar de roupa, visto que apenas tirou os brincos e apagou a luz do quarto, se jogando na cama ao lado da prima.
- Imagina se ele se apaixona por ti? – comentou, aos sussurros.
gargalhou.
- Deixa de ser iludida guria. – retrucou. – O que eu tenho que ele não pode encontrar em alguma modelo ou cantora?
- Personalidade. – estalou os lábios. – Peitos. Bunda. – riu alto.
- Idiota. – pontuou, recebendo um beliscão no braço. Puxou um dos travesseiros e o abraçou, pegando no sono um instante depois.

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A gritaria no aeroporto aumentou consideravelmente assim que o cantor colocou os pés na área desembarque do aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro. já estava acostumado com os gritos. Havia se acostumado até com as lágrimas e os soluços, mesmo não gostando de presenciar. Mas os gritos das brasileiras estavam ultrapassando os limites com os quais estava acostumado.
O rapaz sorriu e acenou, enquanto aguardava sua equipe de seguranças se aproximar para poderem escoltá-lo para fora do aeroporto. Os fãs gritaram mais ainda e riu. Gostava daquela euforia. Demonstrava o quanto era querido e o quanto seu trabalho era reconhecido. Não entendia os artistas que se recusavam a atender os fãs, afinal, eles deviam tudo a eles. E era muito grato a todo apoio que recebia. Jamais teria chegado ao Brasil para tocar no Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo, sem aquelas pessoas que gritavam seu nome e pediam autógrafos.
Sua equipe de segurança não ficou contente quando pediu alguns instantes para atender aos fãs, mas ele não se importou. Autografou muitos cadernos, CDs, DVDs e até mesmo uma barriga. Tirou foto com diversas pessoas e agradeceu a cada palavra de carinho que recebia. Ao sair do aeroporto e seguir para o carro, já havia compreendido que responder “obrigado, eu te amo” causava uma onda de histeria absurda nas garotas e ele deveria tomar cuidado com o uso daquela frase.
- Hoje você tem o dia livre. – Andrew, seu empresário, murmurou, atento a agenda de , aberta no notebook que ele carregava. – Sábado e domingo tem algumas entrevistas agendadas.
- Tudo bem. – assentiu com a cabeça. – Queria muito ir à praia.
- Podemos ir amanhã pela manhã. Aproveitar a chegada de outros artistas e curtir uma possível tranquilidade.
- Duvido que achemos tranquilidade em qualquer canto desse país. – riu e Andrew concordou com um aceno de cabeça.
– Vai ser realmente difícil conseguirmos isso.
Enquanto o carro corria pelas ruas do Rio de Janeiro, observava a vista pela janela. A cidade era realmente bonita, o céu azul trazia uma boa sensação e mal podia esperar para ver a praia. No Canadá ele não tinha esse tipo de paisagem, então aproveitaria ao máximo todos os momentos em que estivesse no Brasil. Quem sabe ele não sairia com um bronzeado? Era bem improvável, mas se divertia com a ideia.
O hotel em que se hospedaria era um dos melhores do Rio de Janeiro. Recebia diversos artistas e tinha uma organização e segurança impecável. Mas mesmo com a não divulgação de seu paradeiro, alguns fãs esperavam por na porta do hotel. sorriu e assim que saiu do carro, atendeu as poucas pessoas que o esperavam. Fotos, autógrafos e abraços. O cronograma era o mesmo, mesmo que mudasse a cada pessoa com quem ele tinha contato. Subiu para a suíte que ocuparia e se jogou na cama, com a esperança de que poderia dormir um pouco antes de fazer qualquer coisa.
Fora tirado de seu cochilo meia hora depois, com Andrew o buscando para tomar café da manhã. Precisava estar bem alimentado e completamente saudável para enfrentar uma multidão na noite de sábado e sabia que Andrew não largaria de seu pé tão facilmente durante a estadia no Brasil.
- Eu vou tomar uma ducha antes de descer. – avisou ao empresário, que assentiu e se retirou do quarto.
tomou um banho gelado, devido ao calor que fazia na cidade. Estava acostumado com a Califórnia, mas o Rio de Janeiro parecia duas vezes mais quente. Vestiu uma sunga preta, bermuda e uma camiseta azul. Deixou os cabelos secarem sozinhos – ele não queria usar o secador de cabelo nem no ar frio – e calçou um tênis branco. Encontrou Andrew no restaurante e ocupou a cadeira vaga a frente do homem.
- Sua mãe ligou. – Andrew comentou. – Perguntou se você chegou bem e se está de jetlag.
- Depois do café eu ligo para ela. – falou, servindo-se de suco de laranja e encarando a variedade de comidas dispostas na mesa. Algumas ele conhecia, mas da maioria ele não fazia ideia do que eram e o mais importante: se eram deliciosas.
- A notícia da sua estadia aqui vazou rapidamente. – Andrew suspirou. – Tem uma horda de fãs na frente do hotel, gritando por você.
- Posso sair e falar com eles? – questionou, optando por um bolo de chocolate. Não tinha erro naquela escolha. – Podemos organizar uma fila ou sei lá. – deu de ombros.
- Vou falar com a segurança. – o empresário murmurou, levantando da cadeira e seguindo para fora do restaurante. aproveitou para comer tranquilamente. Provou um pedaço de cada alimento e ficou muito animado ao perceber que a comida era realmente boa. Bem diferente, mas gostosa. Bebeu o último gole do suco e então pegou o celular no bolso da bermuda, discando o telefone da mãe em seguida.
- Oi mãe. – murmurou, quando Karen atendeu a chamada.
, querido! Como você está?”
- Ótimo. – sorriu fraco, mesmo que ela não pudesse vê-lo. – Acabei de tomar café e provei alguma coisa da culinária brasileira. É excelente.
“Sempre ouvi coisas maravilhosas desse país, principalmente da comida”.
- Pretendo experimentar mais e tentar descobrir os nomes. – riu.
“E como está sendo?”
- Animado. – murmurou. – Os fãs são realmente empenhados e intensos. Andrew disse que tem uma horda em frente ao hotel, me esperando. Vou tentar falar com todos.
“Tome cuidado, . Já ouvi histórias insanas sobre o amor dos fãs brasileiros.” Karen alertou, fazendo o filho rir. “E não se esqueça do protetor solar quando for à praia! Você não vai querer pegar insolação.”
- Andrew providenciou o protetor solar com o fator mais alto disponível no mundo. – garantiu.
Acabou conversando com a mãe por um tempo mais longo do que esperava. Quando finalizou a chamada, Andrew retornou para o restaurante, avisando que estava tudo certo para ele sair e conversar com os fãs. Muito mais animado, subiu para seu quarto e escovou os dentes, voltando ao saguão do hotel minutos depois. Seus dois seguranças particulares o seguiram de perto para fora do hotel e Andrew se manteve ao lado de , pronto para intervir caso algo desse errado. Mas o que encontrou na rua não poderia ser definido como algo fadado a catástrofe. Ele sorriu largo e cumprimentou a primeira fã da fila que se estendida por todo quarteirão.
passaria um bom tempo na rua atendendo seus fãs.

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- Tu quer deixar de ser uma lerda? – reclamou, interrompendo sua corrida para ralhar com .
As duas haviam abandonado o Uber duas quadras atrás do endereço desejado, tudo porque o trânsito estava um caos e elas perderiam mais tempo esperando no carro, do que se fossem andando. Mas com a pressa, não queria andar. Ela basicamente pulou para fora do Uber e saiu correndo como uma desvairada pelas ruas do Rio de Janeiro. Já , bem... Ela havia tentando acompanhar.
Elas tinham um plano. Ou pelo menos, parte de algo que elas consideravam um plano. Porque ficar sentada na calçada do hotel, sem nenhuma certeza de que sairia do quarto naquele dia e menos ainda que fosse passear pelo Rio de Janeiro, não poderia ser considerado um plano. Claro, aquela tática já havia funcionado para as duas garotas. Haviam conhecido a Demi Lovato com aquela mesma estratégia e esperavam que funcionasse com . esperava. estivera cética até entrar no Uber.
- Para quem não queria ir atrás do , tu 'tá animada demais! – reclamou. revirou os olhos e pegou a prima pela mão, puxando-a com força e a obrigando a continuar a caminhada em um ritmo mais acelerado.
- Tu quem me convenceu a vir! Agora estou animada e esperançosa e se isso não der certo, a culpa vai ser toda tua! – decretou, fazendo a prima rir.
- Certo, certo. – estalou os lábios. – Pode me culpar a vontade. Mas também vai ter que me agradecer pelo resto da tua vida, se tu conseguir o teu tão sonhado abraço! – deu de língua para , que nem se deu ao trabalho de responder.
Dobraram o quarteirão, parando de andar subitamente. Uma fila de garotas se estendia por toda a calçada do Sheraton e logo tratou de chamar a última garota da fila e questionar o motivo daquela organização.
- está passando de fã em fã para dar autógrafos e tirar fotos. – a garota respondeu, com um largo sorriso.
- E ele vai falar com todos? – se intrometeu, visto que apenas arregalou os olhos e tentou falar alguma coisa, sem sucesso algum.
- O empresário dele disse que sim. – a garota assentiu. – Ele começou há poucos minutos. Vocês são fãs?
- Sim! – exclamou. – Obrigada pela informação. – sorriu, puxando para a fila.
- Caralho, ... – Ela murmurou, encarando a prima, que sorria largamente.
- Teu abraço está mais perto do que tu imaginava. – riu. – Já pode começar a me agradecer. – disse, de forma pomposa. soltou um gritinho e abraçou , dando alguns pulinhos e murmurando agradecimentos. ria e se divertia com o entusiasmo da prima.
respirou fundo e soltou a prima, suspirando em seguida. Sacudiu a cabeça para os lados e riu de si mesma. Estava parecendo uma lunática e não deveria se portar daquela forma. Afinal, era apenas . Seu cantor favorito e um dos caras mais bonitos do mundo, em sua opinião.
- Estou parecendo uma descontrolada. – murmurou, arrancando risadas de .
- Você vai ver descontrole quando eu vir o Adam Levine. – garantiu, fazendo a prima sorrir torto.
O tempo na fila parecia não passar. Os burburinhos e a constante passagem de garotas com quem já havia falado estavam deixando nervosa. Sentia-se suar frio e os pensamentos negativos tomarem conta de sua mente. E se cansasse e desistisse daquela loucura na metade da fila? E se as garotas estivessem sendo inconvenientes e ele precisasse se retirar? Eram tantos pensamentos, que parou de dar-se conta da passagem do tempo e logo tinham apenas duas garotas entre ela e . E uma delas era , que não perderia a chance de tirar uma foto com o canadense.
foi extremamente atencioso ao autografar e bater uma foto com a garota que havia lhes dado às informações. Abraçou-a antes de agradecer pelo apoio e se voltar para , que sorriu exultante. engoliu em seco e respirou fundo, obrigando-se a se acalmar. era uma pessoa como qualquer outra, não havia motivos para surtos.
- Ei. – sorriu para . – Tudo bem?
- Ah, eu estou ótima. – ela sorriu largo, respondendo em inglês. – E você?
- Animado. Essa energia me traz ótimas sensações! – ele riu e suspirou baixinho. Ele era ainda mais bonito e adorável do que aparentava pelos vídeos e fotos. E como era alto! Ela era quase uns 30 centímetros menor do que ele.
- Bom, eu adoro suas músicas, mas a sua fã é ela. – apontou para e voltou o olhar para a garota, sorrindo ainda mais largo. – Então só queria uma foto e te parabenizar pelo ótimo trabalho.
- Obrigado. – murmurou. posou ao lado dele e ambos sorriram para a câmera, antes de ela lhe agradecer e dar dois passos em direção a . – Oi. – Ele sorriu e já podia afirmar que vê-lo sorrir se tornara a coisa que mais gostava de ver.
- Oi . – Ela suspirou, respirando fundo antes de voltar a falar, agradecendo por lembrar-se das aulas de inglês naquele momento e torcendo para não se atrapalhar ou pronunciar algo errado. – Eu amo o seu trabalho e estou muito ansiosa para o show. E também orgulhosa, pois acompanho sua carreira desde a época do Magcon e te ver em um festival como o Rock in Rio é simplesmente fantástico.
O sorriso largo do canadense quase fez as pernas de cederem.
- Eu agradeço imensamente. – ele falou. – Isso tudo só é possível por causa de todo apoio que vocês me proporcionam, então obrigado. – sorriu novamente.
tirou uma cópia do Illuminate de dentro da bolsa, juntamente com uma caneta. autografou o álbum e então se aproximou para a foto. os fotografou, após interromper a gravação que havia prometido ao primo. então se inclinou e o envolveu pelo pescoço com os braços. O abraço não durou cinco segundos e logo sorria uma última vez, antes de agradecer e passar para a próxima garota da fila. , com as pernas bambas e as mãos tremendo levemente, guardou seu CD e encarou a prima, com um sorriso gigante nos lábios.
- Eu não desmaiei. – ela falou, voltando a usar o português.
- Infelizmente. – riu, puxando para longe da calçada do hotel. Elas passaram por , que autografava mais uma cópia do Illuminate e sentiu seu sorriso se alargar. De braços dados com , ela seguiu pela calçada e antes de dobrar na esquina e sumir de vista, olhou para uma última vez. Ele era tão bonito que ela tinha a certeza de que jamais encontraria outro cara como ele. E não apenas pela aparência, e sim pela gentileza e simpatia que ele havia demonstrado.
Com um último suspiro e um sentimento bom de dever cumprido, seguiu com até o ponto de ônibus, enquanto a prima tentava chamar um Uber para que elas retornassem ao apartamento na Barra da Tijuca.

Capítulo 2

I don't even know your name
All I remember is that smile on your face

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A quantidade de protetor solar que estava cobrindo o rosto e o corpo de era absurda. O rapaz poderia apostar que teria que raspar o produto de sua pele, pois apenas o sabonete não seria capaz de livrá-lo daquela crosta de creme que Andrew o havia recomendado a utilizar – tudo por ordens da mãe de e tanto o empresário como o cantor sabiam que não era uma boa ideia contrariar as instruções da mulher.
Mesmo sentindo-se extremamente pegajoso, vestiu uma camiseta e pegou os óculos escuros, antes de fechar a porta do quarto e descer para o hall do hotel. Já havia tomado café da manhã e tinha compromissos apenas durante a tarde, ou seja, passaria a manhã na praia, mandando fotos para sua irmã e fazendo-a morrer de inveja daquele calor e da vista que o Rio de Janeiro dispunha para o turismo. Andrew já o aguardava no estacionamento e logo partiram para a praia de Ipanema, por ser uma das praias mais conhecidas do Rio de Janeiro e também, distantes do hotel onde estava hospedado. Andrew acreditava que estaria despistando o tumulto de fãs, mas sabia que aquilo não seria possível e nem mesmo poderia dizer que gostaria que fosse. Adorava conhecer seus fãs e os brasileiros tinham uma energia e um carinho diferente, que o agradavam de forma absurda.
- Karen mandou mensagem novamente para falar do protetor solar. – Andrew murmurou e , que estava entretido em seu celular rolando o feed do Instagram, apenas levantou o olhar para o mais velho e riu.
- Ela não vai parar de mandar mensagens até eu estar a salvo e sem insolação de volta ao hotel. – deu de ombros, sem se preocupar.
- Só poderei garantir isso durante a tarde. – Andrew suspirou.
- Eu passei mais de cinco camadas de protetor solar. – pontuou. – Isso tem que ser uma proteção no nível escudo de Hogwarts.
- O escudo falhou. – Andrew riu.
- O sol não é o Voldemort. – novamente deu de ombros.
Voltou a rolar o feed do Instagram, decidindo por procurar alguma tag a respeito de sua chegada ao Brasil. Gostava de ver as postagens dos fãs, pois se divertia com as legendas das fotos. Em #Brasil ele encontrou diversas postagens do meet&great improvisado do dia anterior. A maioria das legendas era em português e uma e outra palavra ele conseguia compreender, mas não o suficiente para pegar a essência da legenda. Havia as em inglês, bastante tradicionais e aquelas que se aventuravam em duas legendas: uma em sua língua nativa e outra em português. Em uma dessas postagens, encontrou apenas a foto de um abraço dado em uma fã. Não lembrava o rosto ou das palavras trocadas com a garota, mas sentiu-se alegre por ver apenas a foto do abraço e não a selfie, como já estava acostumado. Ele aparecia de frente para a câmera, sorrindo, enquanto a garota o abraçava e ficava de costas para a fotógrafa. Na legenda, apenas uma frase em português e um trecho de Never Be Alone. sorriu, dando like na foto e partindo para outras postagens. Encontrou vídeos e sorrisos dos mais diversos tipos e distribuiu likes em mais uma porção de fotos. Todos os 30 minutos de viagem até a praia de Ipanema foram gastos no Instagram e logo estava descendo do carro, com Andrew ao seu lado e dois seguranças os escoltando. Ocuparam um lugar na areia e logo deixou seus pertences com o empresário para enfim, cair no mar.
Em 20 minutos dentro da praia, já imaginava as manchetes dos sites sobre celebridades a respeito de sua performance como nadador: toma caldo em praia do Rio de Janeiro. Não estava acostumado com o mar – ainda mais o do Rio de Janeiro – pois Toronto não era uma cidade litorânea. E ele não poderia afirmar que sua vida de turnês e gravações de álbuns lhe dava muito tempo para procurar uma praia. Então sim, havia tomado caldo na praia de Ipanema e já podia prever os memes que viriam sobre seu desempenho. Acabou cansando da água voltando para a areia, onde encontrou um Andrew bastante animado.
- Prefiro não comentar. – murmurou.
- Eu não ia. – O homem retrucou, mas sabia que ele estava mentindo. Pegou uma das toalhas que haviam trazido e passou pelos cabelos, antes de sentar na areia e pegar seu celular novamente. Tirou uma foto de suas pernas estendidas em direção ao mar e mandou para Aaliyah, recebendo uma resposta nada educada de sua irmã mais nova. Riu consigo mesmo, retrucando com emojis debochados, tendo apenas um “exibido” como resposta.
- Dizem que água de coco é bom. – Andrew murmurou e o fitou brevemente.
- É água dentro de uma fruta. Será possível ser ruim? – indagou curioso. Nunca havia provado a bebida e essa foi a deixa para Andrew pedir para um dos seguranças ir comprar a bebida. Mas mal teve tempo de beber o primeiro gole e fazer careta, pois logo fora abordado por um grupo animadíssimo de fãs que requeriam sua atenção. E largando o coco no chão – ele não havia gostado da bebida, de toda forma – sorriu e se pôs a bater fotos e autografar CDs e braços, como o de costume.

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Era a terceira ou quarta vez que passava protetor solar no rosto. A garota estava totalmente paranoica pelo medo de pegar insolação, enquanto ria de sua cara e bebia sua água de coco. Estavam as duas em uma cafeteria perto de Ipanema, visto que não havia condições de frequentar as praias mais próximas da Barra da Tijuca sem sofrer no mínimo, alguns esmagamentos para conseguir ocupar um espaço na areia. Haviam se aventurado de ônibus pela cidade, desembarcando em Ipanema para enfim, curtirem um pouco do Rio de Janeiro. Na mesa que ocupavam tinham embalagens de sanduíches e copos de vitaminas vazios, sem falar nos pacotes de bala que havia consumido enquanto trabalhava em cima do roteiro turístico que ela e a prima fariam durante a tarde, já que a garota queria fotografar a cidade e atualizar seu Instagram profissional.
usava um maiô preto, com um design diferenciado, já que tinha um longo decote em V e a maior parte das costas nuas. Uma saída de praia junto de uns shorts de algodão completavam o visual turista junto dos óculos de sol e o boné vermelho que a garota usava na cabeça. Já , além de carregar uma bolsa de praia enorme, tinha um chapéu preto na cabeça, fora o biquíni preto simples e o vestido com estampa floral.
- Já acabou? – indagou curiosa.
- Sim. – a outra assentiu. – Mas antes vou pedir um pedaço de torta porque me deu vontade de doce. – avisou, já levantando da cadeira que ocupava.
- Tu comeu três pacotes de bala! – arregalou os olhos.
- Bala não é doce. – retrucou, fazendo a prima rir. Andou até o balcão e pediu pela torta de chocolate que estava namorando desde que entrara na cafeteria. Agradeceu com um largo sorriso ao atendente – que em sua opinião era realmente bonito e simpático – e voltou à mesa, encontrando com seu celular em mãos e os olhos arregalados.
- O que foi? – questionou confusa. levantou o olhar para ela e estendeu o aparelho de telefone em sua direção. o pegou em mãos com o cenho franzido e encarou a tela do telefone. O Instagram estava aberto na página de suas notificações e contabilizavam os likes em sua última foto postada. – Uau, muitos likes. – ela deu de ombros, sem entender a atitude da prima.
- Olha a notificação do último like que tu recebeu. – orientou e passou o dedo pelo touch, subindo a tela do aplicativo.
curtiu sua publicação. 1 min.
- ‘Tá brincando. – murmurou, em um fiapo de voz. Encarou a prima com o semblante assustado e então se jogou na cadeira novamente, esquecendo totalmente a torta de chocolate em cima da mesa. Desceu a barra de rolagem para atualizar a página e a notificação continuava lá. Entrou no perfil apenas para descargo de consciência, visto que ela não tinha dúvidas de que aquele era o perfil oficial do cantor e lá estava, a conta verificada e a última foto postada por ele, a qual ela nem havia visto ainda.
- Guria que sorte é essa? – indagou estupefata. Havia abandonado sua água de coco no instante em que o celular da prima apitara.
- Eu não sei. – a outra deu de ombros. – Tu sabe que eu nunca tive sorte para nada. Nem aquela rifa que só eu e Maurício compramos eu ganhei. O segundo lugar não ganhava nem uma bala.
- É a mágica do Rio de Janeiro. – concluiu, rindo. – Tu vai ser meu pé de coelho na empreitada de conseguir uma foto com o Adam Levine.
- Seja o que for, eu estou gostando. – riu. – Parece Natal. – sorriu largo.
Puxou o prato com a torta para perto de si e devorou a fatia em poucos instantes, arrastando para o caixa para que elas enfim fossem a praia. Aquele like havia lhe deixado extremamente animada e doida para cair no mar.
As duas atravessaram a rua e se misturaram à multidão que se alojava no calçadão de Ipanema. reclamava da bolsa enorme que estava carregando e revirava os olhos para ela, comentando que havia avisado para não levarem tanta coisa naquele dia.
- Mas eu preciso de tudo isso! – se defendeu.
- Da caixa de som via bluetooth também? – arqueou as sobrancelhas para a prima, em desafio. bufou.
- Tu é chata. – disse por fim, fazendo a outra rir. – E poderia levar a bolsa um pouco!
- Tu mesma disse que eu acabaria me matando e destruindo a bolsa! – reclamou. Haviam finalmente encontrado uma parte da praia que parecia menos cheia e se virou para a prima por alguns instantes, para lançar-lhe um olhar atravessado. Mas ela errou o timing e acabou esbarrando em alguém, que vinha a passos largos em direção à saída da praia. bateu a testa no peito do rapaz, xingando em português e ouvindo um “desculpe” em inglês como retorno. Arregalou os olhos, a mão na metade do caminho para acariciar sua testa. Ela conhecia aquela voz. A reconheceria em qualquer lugar, pois passara anos ouvindo-a entoar melodias românticas com as quais ela se iludia.
- Porra. – murmurou as suas costas, enquanto levantava o olhar e encontrava com uma expressão culpada no rosto. Ela piscou lentamente, sem realmente acreditar que o rapaz estava ali, na sua frente, usando apenas uma bermuda de banho. Aquele abdômen não era daquele mundo.
- Porra. – ela também murmurou, sacudindo a cabeça para os lados e tentando voltar à realidade. Não podia passar vergonha na frente do canadense, precisava se controlar.
- Eu conheço você? indagou, com o cenho franzido, parecendo tentar puxar em sua memória de onde conhecia a garota.
- Mais ou menos. – Ela respondeu em inglês, sorrindo fraco. – Nos conhecemos ontem, na fila de meet&great que você organizou em frente ao hotel em que está hospedado. E você curtiu uma foto nossa hoje. Uma em que eu te abraçava. – deu de ombros, agindo como se aquilo não fosse nada demais e ela estivesse acostumada a ganhar like de famosos internacionais. Não era o caso, mas ela não queria parecer uma doida.
- Ah, a garota do abraço! sorriu largo, exibindo seus dentes alinhados e perfeitinhos e quase desfaleceu. – A selfie não ficou boa?
- Ficou linda, na verdade. comentou, torcendo os dedos, em puro nervosismo. – Mas a foto do abraço tem maior significado. – explicou.
- Você quer outra foto agora? indagou simpático. – Sabe, aproveitar a chance. – riu. respirou fundo, o encarando diretamente nos olhos, antes de sacudir a cabeça para os lados, em negação. Se ela abraçasse sem camisa, não tinha certeza de que sairia viva. provavelmente teria que chamar uma ambulância.
- Oh, se estivesse de camisa, sim. – ela comentou, deixando sua boca exteriorizar seus pensamentos secretos sem querer. Corou imediatamente, enquanto franzia o cenho para ela novamente. – Quero dizer, - pigarreou, tentando consertar a situação. – Você é muito bonito e está sem camisa e... Ah, esqueça. Vou fingir um desmaio para sair dessa situação. – murmurou, fazendo tanto como rirem. E o encarou embasbacada, pelo som maravilhoso que a risada de era. Tinha alguma coisa naquele rapaz que fosse ruim? Ela acreditava que não e ele provava a cada segundo que ela tinha razão.
- Você pode me abraçar. alegou. o encarou com descrença.
- Eu provavelmente nunca mais te soltaria. – ela riu. – E já tomei muito do seu tempo. – lembrou, dando um passo para trás. – Te vejo no show. sorriu, segurando a mão de e a puxando para longe. Acenou para uma última vez, vendo-o sorrir, bagunçar os cabelos e seguir para fora da praia junto de seus seguranças.
- Maurício vai pagar uma grana por esse vídeo. – balançou o celular entre os dedos, ganhando um olhar nada amistoso da prima, que logo suspirou baixo e cobriu o rosto com as mãos.
- Nossa, eu agi como uma idiota.
- É. – a outra concordou. – Mas foi engraçado e ele riu.
sorriu. Havia feito rir. Sua sorte poderia ter acabado ali, naquele momento, que para ela estaria tudo bem. Aqueles dois dias haviam sido praticamente um sonho.

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se jogara na cama, suspirando alto. Havia passado a tarde no melhor estilo turista. Visitou os pontos turísticos mais famosos do Rio de Janeiro, provou comidas típicas da cidade e conheceu mais uma porção de fãs. E mesmo com tantas atividades realizadas e mais uma porção para fazer nos próximos dias, tinha apenas uma missão em mente naquele momento: encontrar a conta da garota do abraço, a qual ele havia curtido uma foto naquela manhã e enviar uma direct, agradecendo por ela tê-lo tratado como uma pessoa como qualquer outra.
Ele havia passado a tarde ouvindo gritinhos histéricos e sendo abraçado aleatoriamente. E claro, ele amava os fãs, mesmo os histéricos. Eram eles que possibilitavam sua estadia em lugares como o Rio de Janeiro e era grato demais por todo o apoio, amor e carinho que recebia. Mas às vezes, ele só queria conversar com alguém e ser tratado como uma pessoa normal. Ser apenas , como era para sua família e seus amigos mais próximos. E a garota do abraço, mesmo sendo uma fã de longa data, havia respeitado seu espaço individual e sido extremamente simpática. Meio desastrada e até mesmo engraçada, mas simpática. E , educado como era, sentia-se na obrigação de agradecê-la. Mas o ponto era que: ele não sabia o nome dela. Lembrava-se apenas de seu rosto e seu sorriso. E há muito tempo havia perdido as esperanças de encontrar qualquer notificação em seu Instagram. Eram tantas pessoas curtindo, comentando e o marcando em fotos que toda notificação do aplicativo era silenciada e perdida em instantes.
Acabou decidindo por entrar na mesma hashtag que o havia levado a foto da garota. Sentiu-se estúpido e stalker fazendo aquilo, mas sabia que não conseguiria descansar sem falar com ela. Então rolou o touch do celular. Por longos minutos. Viu fotos e mais fotos. Curtiu algumas, apenas para distrair a cabeça. Quando estava prestes a desistir, encontrou. Lá estava ele, abraçando-a. Gostaria de ver a expressão no rosto dela, mas deduzia que ela estava sorrindo. Clicou no user da garota e logo a conta dela estava aberta na tela de seu celular. Sorria na foto de perfil. Descobriu que o nome dela era e ao tentar pronunciá-lo, obteve alguma dificuldade. A descrição do perfil estava em português, bem como a maioria das legendas das fotos dela. E notou que ela postava bastante. Fotos de si mesma, de lugares, de pratos de comida, junto de outras pessoas, de livros... Parecia uma garota feliz. E suas fotos eram incríveis, praticamente profissionais na opinião de Shawn, mesmo que ele não entendesse nada de fotografia. Sorriu, clicando no link da direct e digitando um parágrafo rapidamente. Ela o havia mencionado em stories algumas vezes e outras mensagens aleatórias se perdiam no histórico daquela direct que nunca havia aberto.

today 8:55 PM
Hey! Então, deve ser estranho receber uma mensagem minha, não é?
Mas eu só queria agradecer por você não ter surtado e me tratado como
, o astro pop. Foi legal conversar com você, mesmo que por poucos instantes. Boa noite, espero te ver no show amanhã


achou a mensagem estúpida. Encarou a tela do celular por alguns instantes, antes de dar de ombros de enviar. Dane-se, ele pensou. Queria apenas agradecer e nada além disso. A garota provavelmente nem acreditaria que ele havia lhe enviado a mensagem, então não fazia diferença. Pegou o telefone do hotel e discou para a recepção, solicitando o jantar em seu quarto, agradecendo antes de desligar a chamada. Levantou da cama e seguiu para o chuveiro, tomando uma ducha e vestindo uma regata e bermuda para dormir. O serviço de quarto entregou seu jantar no tempo exato que havia sido passado para e ele jantou tranquilamente, assistindo a um filme qualquer na Netflix. Escovou os dentes após o jantar e voltou a deitar, pegando novamente o celular em mãos e deparando-se com diversas notificações do Instagram, como já era costumeiro. Postou um stories da tela da TV, antes de entrar na direct e ver a conversa que havia iniciado com subir para o topo no mesmo instante. Ela havia respondido e sentiu-se burro. Era óbvio que ela iria responder. Era uma fã. Abriu a conversa e só pode rir ao ler a resposta dela, sacudindo a cabeça para os lados, sem acreditar. Já havia conversado com fãs por direct no Twitter e no Instagram. Era sempre muito divertido, mas também, muito estranho. Existia uma parede que os separava, já que a maioria dos fãs não falava de outra coisa que não fosse ele ou seu trabalho. E ali estava uma garota, mandando mensagens aleatórias, enquanto seu cantor favorito – era um pensamento pretencioso demais, mas esperava ser o cantor favorito de – lhe mandava mensagens. Era algo realmente inesperado.

Eu acho que comi um pé de coelho
Essa sorte não me pertence
Você é mesmo o ?
Não estou acreditando nisso
Sim, sou eu
Acredite

Difícil
Mas me diga,
Por que me mandou mensagem?
Só para agradecer?
Sim, eu não conseguiria dormir sem fazer isso
Você foi a única fã que dispensou uma foto comigo sem camisa
Não é algo que eu encontro todo dia


riu, porque era realmente algo que não lhe acontecia todos os dias. Para ser bem sincero, nunca havia lhe acontecido algo daquele tipo, depois de ficar famoso.

Imagino que sim
Nenhuma fã é idiota como eu
Preciso admitir que estou gritando nesse momento
Caramba, você é tipo meu ídolo
E está falando comigo!!!!!
Mas vou fingir que sou normal e não estragar tudo
Está tudo bem
Fico feliz por ter me tratado normalmente
Mesmo que estivesse surtando por dentro

Eu estava
Minha prima quase ligou para uma ambulância
Estive perto da morte


não conseguiu conter a risada. Ali estava uma garota sem papas na língua e aquelas eram seu tipo favorito de pessoa no mundo. gostava de conversas aleatórias e comentários surpreendentes, que lhe faziam rir até doer a barriga. parecia aquele tipo exato de pessoa. Poderiam ser bons amigos, caso não fosse famoso.

Espere pelo show
Vai valer a pena

Eu não tenho dúvidas disso
Inclusive, você deveria descansar
Tem um show amanhã
(Estou tentando ser normal)
Gostei disso, obrigado
Boa fila amanhã
Boa noite!

Ainda sem acreditar que isso aconteceu
Boa noite
Obrigada por isso!


Bloqueando o celular e o colocando para carregar, finalmente desligou a TV e apagou a luz. O ar condicionado estava ligado e ele se cobriu com um edredom, bocejando alto antes de fechar os olhos e deixar o sono tomar conta de si. O dia seguinte seria repleto de emoções e ele precisaria estar descansado.

Capítulo 3

Follow the wind where it blows
Let’s make mistakes and don’t look back, it’s now or never

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- Só um jogo! – replicou pelo que parecia ser a décima vez. revirou os olhos, puxando a prima pela mão e a obrigando a abandonar a vitrine da casa lotérica que ela encarava a cinco minutos.
- Não vamos ganhar na loteria, , acorda! – bufou. - Isso é só para pessoas sortudas e nós não somos.
- falou contigo. – lembrou. – Sem falar de todos os outros eventos desses últimos dias. Tu 'tá, decididamente, com a bunda virada para a lua e precisamos aproveitar isso! - exclamou. - Não seria ótimo se tu pudesse comprar um apartamento em Toronto ao invés de alugar? - indagou e mesmo que quisesse muito ter mais dinheiro do que realmente tinha destinado para sua mudança, ela sabia que ganhar na loteria era um sonho impossível e que estava viajando na batatinha.
- Meu amor, nós temos algumas horas de fila para encarar. - lembrou. - Eu quero tentar ficar na grade, então para de loucura e vamos logo! – ralhou, finalmente conseguindo a desistência da prima.
Era meio-dia passado e ambas estavam extremamente ansiosas, já que o dia do show havia finalmente chegado. Os portões abririam apenas as 14 horas, mas elas tinham esperanças de conseguir um bom lugar para assistir aos shows, mesmo não tendo madrugado na fila. Sabiam que encontrariam muitas fãs do já na fila, mas tinha esperanças de ao menos ficar próxima da passarela do palco mundo. Pegaram um táxi e deram como destino o Parque Olímpico, mesmo que para o taxista fosse óbvio o lugar para onde elas iriam. Todo mundo estava indo para o Rock in Rio naquela semana. Cada uma delas levava apenas uma bolsa pequena, que não iria atrapalhá-las durante os shows, mas que era grande o suficiente para guardar pacotinhos de amendoim e de bala. usava um cropped preto e shorts jeans, junto de um Adidas branco. Os óculos e o boné da mesma marca do tênis completavam seu visual e ela carregava um kimono em tons de azul e roxo. Já , usava um shorts jeans, um body estampado, All Star preto e um boné rosa pastel, confortável o suficiente para não passar calor e não ter seu cérebro torrado pelo sol durante a espera para o show. A viagem levou algum tempo, visto que o trânsito estava um caos e as garotas apenas imaginavam que aquilo era consequência do festival, mesmo que o Rio de Janeiro fosse uma cidade caótica normalmente. Deixaram uma gorjeta para o taxista e se dirigiram a fila, encontrando uma porção significativa de pessoas à sua frente. Sentaram-se no chão e aproveitaram para repassar o protetor solar.
- Precisamos montar uma estratégia. - murmurou. Seu celular estava ligado no Spotify e ela dividia o fone de ouvido com . Tocava Little Mix e elas batucavam nas pernas junto do ritmo de Power.
- Para que? - arqueou as sobrancelhas para a prima.
- Para encontrar o Marron 5, oras. - revirou os olhos. - Tu teve tua chance e eu quero a minha.
- é muito mais acessível. - lembrou. - Sem camarote, vai ser quase impossível encontrar o Marron 5.
- Bom, tu tens um contato para pedir entradas para o camarote. - a outra sorriu.
- Eu não vou mandar mensagem para ele e pedir isso, ‘tá maluca? - bufou. - Inclusive, não vou mandar mensagem para ele nunca mais.
- Por que não? - arregalou os olhos.
- Não quero parecer atirada. - suspirou. - Ele sentiu-se bem em falar comigo porque eu o tratei “normalmente”, - fez aspas com os dedos - mas eu ainda sou uma fã e não quero estragar essa boa visão que ele teve de mim com algum surto psicótico.
- Tu é louca. - retrucou. - Mas de alguma forma isso faz sentido. - deu de ombros. - Afinal a vida não é uma fanfic, não é?
- Exatamente. - riu fraco. - O que poderia acontecer? Ele se apaixonar por mim por trocarmos algumas mensagens? - debochou. - Só por que eu não surtei ao conhecê-lo?
- Bom, poderia acontecer sabe. - encarou a prima com determinação. - Quero dizer, alguma coisa em ti chamou a atenção dele. E se ele te conhecesse de verdade, poderia rolar.
- Você lê fanfics demais. - acusou. - Na vida real, ele nunca mais vai se lembrar de mim e eu continuarei sendo a fã que guardou os prints de meia dúzia de mensagens trocadas com o ídolo que é extremamente educado e não dá ataques de estrelismo. - riu novamente.
- Deixa de ser pessimista guria. - xingou. - Agora tira uma foto minha bem legal para eu postar no Instagram.
- Se eu cobrasse todos os freela que fiz para ti, já tinha um apartamento em Toronto com o meu nome.
- Eu sou tua prima! Não se cobra da família. - replicou, fingindo ultraje.
- Segundo Fred e Jorge Wesley, para a família a gente cobra o dobro. - sorriu com sua referência a Harry Potter e a prima revirou os olhos.
- Ai guria, me respeita! - reclamou, rindo junto de .
- Deveríamos ter vindo mais cedo. - suspirou, dando uma olhada na fila de garotas a sua frente.
- E aí não teríamos pique para assistir ao show ou então, tentar invadir o camarote.
- Não iremos invadir o camarote! - arregalou os olhos para a outra.
- Tu quem pensa. - suspirou, não dando atenção para a prima.

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havia acordado tarde naquele sábado, pois já passavam das 13h quando ele finalmente levantou da cama. Desceu para almoçar e logo Andrew o estava apressando para que fosse se arrumar pois iriam para o Parque Olímpico em menos de duas horas. Sem entender o motivo de precisar chegar tão cedo, apenas voltou para seu quarto, tomou um banho e procurou algo para vestir. Não fazia ideia do que usar que o deixasse confortável e com menos calor do que sentia e logo estava jogado na cama, matando tempo no celular, como se fosse resolver seu impasse magicamente.
Trocou algumas mensagens com sua mãe e Brian, curtiu fotos no Instagram e postou algumas trivialidades no twitter. Apenas voltou sua atenção para seu pequeno problema de vestuário quando recebeu uma mensagem de Andrew avisando que o estava esperando no térreo. Com uma pressa visível, vestiu-se, optando por uma calça jeans preta, camisa em tons de azul com uma estampa que ele não sabia definir e sapatos pretos. Ajeitou o cabelo com o creme para pentear e definiu as ondas com as mãos, como já estava acostumado a fazer. No final, olhou-se no espelho e se deu por satisfeito com o resultado.
Encontrou Andrew no térreo e recebeu uma cara de poucos amigos, pois havia se atrasado. Seguiram para o carro e logo Andrew estava murmurando as recomendações do festival, tais como não andar desacompanhado, evitar sair do camarote e outras dezenas de coisas com as quais ele já estava acostumado.
- Então, como funciona esse camarote? Fãs podem comprar? - indagou curioso.
- Não exatamente. - Andrew respondeu. - O camarote é exclusivo para celebridades e convidados de marcas patrocinadoras do evento. Se você encontrar fãs por lá, não serão os fãs comuns que estão indo ao festival para te assistir.
- Ah, entendi. - assentiu. - Não gosto da ideia. Deveriam vender para o público geral e darem a chance dos fãs conhecerem os ídolos.
- Você já tirou foto com metade do Rio de Janeiro. - Andrew arqueou as sobrancelhas em direção a , que deu de ombros e riu.
- Falta a outra metade.
Andrew revirou os olhos, rindo. - Provavelmente você vai encontrar alguns dos YouTubers que vão te entrevistar amanhã.
- Certo. - murmurou. - Ah, alguma chance de conseguir ingressos para a noite de amanhã? Gostaria de ver a Alicia Keys.
- Camarote sim.
- Não quero camarote. - retrucou e recebeu um olhar atravessado do empresário.
- Já falamos disso . - suspirou o homem.
- Não. Você falou, eu fingi escutar. - lembrou, sorrindo com diversão. - Você sabe que não tem graça assistir a shows do camarote. - argumentou.
- Vou ver o que posso fazer por você. - Andrew disse por fim e comemorou, logo voltando sua atenção para o celular.
A chegada ao Parque Olímpico fora bem tranquila. foi o primeiro artista que tocaria no palco mundo a chegar e foi bastante tietado por todas as celebridades e subcelebridades que já estavam circulando pelo camarote. Tirou fotos e mais fotos, gravou vídeos e mandou beijos para os seguidores de, pelo menos, umas dez pessoas. Quando finalmente teve um segundo de paz sozinho, resolveu fazer alguns stories em seu próprio Instagram, apenas para comentar sobre sua expectativa para o show. Após os vídeos, entrou em mais algumas hashtags e curtiu foto dos fãs que estavam presentes apenas para vê-lo tocar pela primeira vez no Brasil. Seus pensamentos acabaram voltando para a garota com quem havia conversado na noite anterior e em um gesto de pura curiosidade, procurou pelo Instagram dela e assistiu aos stories. Alguns na fila, outros já dentro do Parque Olímpico em diversos locais diferentes e os últimos da garota que a acompanhava jogada na grama. A hashtag #Waitingfor estava presente nas últimas duas fotos de e sorriu para si mesmo, contente por todo o carinho que estava recebendo dos fãs brasileiros. fechou o Instagram e guardou o celular no bolso, levantando do sofá e seguindo para perto de Andrew, que conversava com os rapazes da banda.
- Já vomitou ? - Mike brincou.
- Não, estava esperando a sua companhia. - retrucou, fazendo todos rirem.
- Vai querer assistir o show da banda brasileira? - Andrew questionou e negou com um aceno de cabeça.
- Vou ficar no camarim, ouvindo a setlist e tentando não esquecer a letra das músicas.
- Vai dar tudo certo cara. - Dave sorriu. - Vamos arrasar!
- Vocês sim, eu provavelmente vou desmaiar. - deu de ombros.
E por todo o tempo em que a banda Skank tocou no palco mundo, ficou no camarim com seu aplicativo de meditação. Manteve a respiração ritmada e os pensamentos longe do número de pessoas para quem ele iria cantar naquela noite. Quando Andrew bateu na porta do camarim e o chamou, soltou a respiração longamente. Deu uma última arrumada em seus cabelos e então seguiu o empresário para o backstage, onde a banda já o aguardava. Estava tão nervoso que não prestou atenção nas palavras de incentivo de Andrew ou nos gritos animados de seus amigos. Também não prestara atenção durante a introdução enquanto a banda aquecia o público ou no apagão de luz antes de ele finalmente subir no palco. E quando as luzes acenderam e os primeiros acordes de There's Nothing Holdin Me Back foram abafados pelos gritos do público, sorriu largamente e se entregou para aquele show e aquele sentimento como nunca antes.

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ainda não estava em suas plenas capacidades mentais. O show de havia abalado gravemente suas estruturas e nem todas as músicas animadas da Fergie ou do Marron 5, ou então os gritos e puxões de a fizeram voltar a si. estava completa e irremediavelmente apaixonada por e qualquer pessoa que a encarasse por poucos segundos após os últimos acordes de Treat You Better e a saída do canadense do palco teria plena certeza daquele sentimento.
A garota havia experimentado uma sensação única naquela noite e jamais iria esquecer, mesmo dos pequenos detalhes. A energia do público, as músicas maravilhosas, a dedicação da banda e obviamente, e seu sorriso largo que faziam a perfeita junção com seus brilhantes olhos cor de mel. O rapaz estava simplesmente irreal de tão perfeito na opinião de e ela não saberia listar os melhores momentos da apresentação. Amava todas as músicas com todo seu coração e o carinho e a gratidão que sentiu durante o show ficaram muito aparentes na postura do cantor. Ele estava realizado por ter tocado para um público gigante e estava realizada por ter tido a chance de vê-lo naquele palco e experimentado daquele sentimento de pura alegria.
Se tivesse que listar, provavelmente colocaria Never Be Alone como seu momento favorito do show. Não era um dos hits mais conhecidos do canadense e a música tinha um apreço especial apenas para os fãs, mas todas as lanternas ligadas, o público cantando junto e sem conseguir conter o sorriso eram o suficiente para eleger aquele momento como seu top 1. Mas Lights On, Mercy, Stitches e Life of the Party também estavam disputando bravamente por um lugar no top 5. O show havia sido lindo e por mais que a garota já tivesse visto pessoalmente e falado com ele mais de uma vez, não saberia explicar o motivo pelo qual seu coração batera tão rapidamente logo que o canadense subira no palco. Era como se não existisse mais nada no mundo além de e sua voz maravilhosa cantando as músicas favoritas de . E ela cantou junto dele aos berros, enquanto dançava e aproveitava o show como nunca fizera em nenhum outro. Foi como um abraço quentinho da pessoa que mais se ama no mundo. Uma xícara de chocolate quente em dia frio. havia sido como um dia de verão em seu inverno e ela jamais teria palavras o suficiente para agradecê-lo por ter proporcionado aquele sentimento a ela.
- Acorda ! - chamou, pelo que parecia ser a terceira vez e puxou um punhado dos fios de cabelo de .
- Ai! - reclamou, se afastando da prima o máximo que a multidão a sua volta permitiu.
- Vamos logo! - exclamou, de forma enérgica. Puxou para longe do palco - já que elas haviam pegado um ótimo lugar ao lado direito do palco, perto da passarela - e não deixou brecha para que a garota questionasse ou reclamasse por estar sendo privada de ver os fogos de artifício que finalizariam aquele dia de festival.
- O que tu ‘tá fazendo? - indagou, quando se viu perto demais da área do camarote. virou o rosto em direção a prima e abriu o sorriso que conhecia bem demais como “encrenca pesada”.
- Ah não! - exclamou, arregalando os olhos e puxando sua mão para trás, de forma a desfazer o entrelaçar de seus dedos com os de . Havia poucas pessoas naquela área, então teria espaço para se esconder e evitar passar vergonha com sua prima maluca e sem noção que planejava invadir o camarote atrás do Marron 5.
- Eu preciso de ti ! - exclamou, sem deixar o aperto de mãos se desfazerem e voltando a andar em direção ao camarote, arrastando consigo.
- nós seremos presas! - argumentou, já desesperada.
- Não fale bobagens. - bufou. - No máximo vão nos expulsar daqui aos chutes.
- Eu não quero ser expulsa!
- Então me ajude! - decretou, não deixando outra alternativa para , que suspirou e assentiu com a cabeça.
- Apenas se o plano for bom. - disse por fim.
- Ele é maravilhoso e simples. - sorriu largamente.
- Disso eu duvido. - murmurou. Haviam finalmente chegado as escadas que levavam ao camarote. Algumas pessoas estavam sentadas por ali, descansando após um dia no festival e havia seguranças em todo canto. engoliu em seco quando marchou diretamente para as portas de entrada do camarote, como se pertencesse àquele lugar e não a pista comum que havia parcelado em 3 vezes.
- Com licença, precisamos falar com uma pessoa que está aí dentro. - sorriu de forma gentil para o segurança, que apenas lhe lançou um olhar desdenhoso e riu pelo nariz.
- E eu preciso ganhar na loteria. - o homem debochou e puxou a mão de , tentando fazer a prima recuar e desistir daquela loucura. não cedeu e quase perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
- Tu não 'tá entendendo moço. - replicou. - Minha prima é muito amiga do e ela precisa falar com ele, ok?
- ! - grunhiu, olhando para os lados de forma desesperada, tentando ver se alguma pessoa havia ouvido as asneiras de sua prima.
- Sim, sim. - o segurança concordou. - E eu sou primo da Lady Gaga. Ela ficou devastada por não poder vir ao festival, acredita? - riu alto e quis enfiar a cabeça no núcleo da terra assim que viu a expressão descontente da prima. Sabia que não sairia nada de bom dali e em uma falha tentativa de evitar a explosão, fez menção de puxar a mão de com força, que no mesmo instante desentrelaçou seus dedos dos da prima, deixando-a sem qualquer resquício de equilíbrio graças a força que ela colocara no movimento. deu alguns passos para trás, tentando se firmar no chão e quando finalmente conseguiu se virar e ficar em pé com firmeza, trombou com alguém que acabava de sair do camarote vip. Soltou um palavrão e ouviu uma risada conhecida, levantando os olhos e encontrando novamente com aquele sorriso maravilhoso e seus dentes perfeitinhos.
- Garota do abraço, você já tem uma marca registrada. - ele riu, deixando-a ainda mais corada do que se lembrava de ter estado durante toda sua vida. E porra, ela só conseguia pensar que ele se lembrava dela. se lembrava da existência dela, , a garota dos prints guardados.
- Me desculpe! - ela exclamou, a voz subindo algumas oitavas graças ao nervosismo. - Acabei perdendo o equilíbrio. - explicou.
-E isso acontece com frequência? - indagou, sorrindo.
- É possível que a resposta seja sim. - murmurou, fazendo-o gargalhar e ela sorrir bobamente ao observá-lo.
- Gostou do show? - questionou e o brilho da curiosidade em seu olhar deixou momentaneamente sem palavras.
- Eu amei. - confessou, sorrindo de canto. - O melhor show que já assisti, sem nenhuma dúvida. Você foi excelente e a banda estava incrível.
- Mike vai chorar quando eu comentar isso com ele. - falou, rindo. E novamente se perdeu em pensamentos ao apreciar aquele sorriso tão perto de si. Ela amava o sorriso de . Era tão sincero e alegre, já que ele também sorria com os olhos. E aquele cachinho caído em sua testa apenas o deixava ainda mais adorável e cada vez mais encantada. Ela perdeu a pergunta dele enquanto analisava e babava por aquele sorriso lindo, se obrigando a assentir quando franziu o cenho em sua direção, confuso pela falta de resposta dela.
- Ah, claro! - exclamou.
- Então até amanhã. - sorriu novamente, acenando para a garota e se afastando, seguindo com seus amigos para qualquer que fosse o lugar para onde estava indo. , ainda abalada pela presença de , franziu o cenho e então caiu em si:
- Como assim “até amanhã”?

Capítulo 4

All these precious moments
That we carved in stone
Are only memories after all

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estava terminando de vestir a camiseta quando batidas na porta de seu quarto desviaram sua atenção. Franziu o cenho em confusão, mas seguiu para a porta e girou a maçaneta. Andrew o encarou com o semblante nada feliz e riu alto, já prevendo o motivo do mau humor do empresário.
- Você ainda vai me colocar em maus lençóis com a Karen. - Andrew reclamou e fechou a porta após o homem entrar no cômodo. foi até sua mala e procurou por um par de tênis que o agradasse, enquanto Andrew se mantinha em pé no meio do quarto.
- Minha mãe não está aqui. - retrucou. - E os rapazes também vão ir. As pessoas por lá vão estar interessadas nos shows e não em mim. - defendeu novamente os argumentos que utilizou para convencer Andrew a conseguir os ingressos para a pista comum do Rock in Rio, já que para ele, assistir Alicia Keys do camarote não teria emoção alguma. E ele nem queria mencionar Justin Timberlake.
- Eu sei, eu sei. - bufou o mais velho, enquanto revirava os olhos. - Deixei os ingressos com Mike. - avisou e quando voltou a encarar o cantor, soube que ouviria mais uma vez o sermão interminável de Andrew sobre a importância de ele se manter seguro. sentou-se na poltrona e encarou o homem com tédio. Andrew revirou os olhos e abanou as mãos em direção a , desistindo do monólogo. Afinal, o garoto já sabia de cor todas as instruções que ele repetiria. - Nem vou falar nada. - murmurou por fim e riu.
- O Brasil realmente faz milagres. Deveríamos vir todo mês. - brincou e se abaixou para calçar o par de tênis.
- Você adoraria. - o outro sorriu. - De qualquer forma, a van estará a postos para trazer vocês de volta. Ainda não acredito que vocês vão aguentar a noite toda em pé quando passaram o dia andando pela cidade.
- Não vamos passar a noite em pé. - lembrou. - Temos direito ao camarote e pretendemos aproveitar. - riu e Andrew estreitou o olhar para o rapaz.
- Olha lá garoto. - reclamou. - De ontem para hoje já tivemos que aguentar o peso do inferno porque você seguiu aquela atriz no Instagram.
revirou os olhos: - As pessoas especulam demais.
- E especulam certo. - Andrew revirou os olhos. - Ou você acha que eu sou tonto?
riu.
- Não aconteceu nada. - tentou argumentar mas o empresário não lhe deu ouvidos.
- Sei, sei. - suspirou. - De qualquer forma, não esqueça das recomendações. Pedi para que o pessoal não tirasse o olho de você, mas eu te conheço bem o suficiente para saber que você dá um jeito quando quer.
- Que péssima visão você tem de mim Andrew! - riu novamente. Levantou-se e procurou pelo relógio que usaria naquela noite na mesa de cabeceira, só então vestindo o moletom, mesmo com o calor infernal que fazia no Brasil e que o faria demonizar aquela ideia assim que estivesse longe do ar condicionado do quarto.
- Eu tenho a visão verdadeira garoto. - Andrew também riu. - Bom festival e tome cuidado. - disse por fim, saindo do quarto instantes depois.
sorriu largo e pegou o celular no bolso do jeans para mandar uma mensagem para Brian e contar as novidades. Afinal, sair “sozinho” para o festival era tudo o que ele queria e precisava no momento. E ainda teria a chance de encontrar com a garota do abraço, já que o nome dela ainda era impronunciável para ele. O Brasil tinha pessoas com nomes estranhos e isso não lhe era novidade.
Brian não havia entendido os motivos de em insistir em falar com , sendo que ela era apenas mais uma fã e tinha centenas de milhares de outras fãs. Mas sentia que ela tinha algo especial, mesmo que não soubesse explicar o porquê. E por ter esse bom pressentimento, havia decidido que gostaria de conhecê-la melhor e por isso a havia chamado para assistir ao festival com ele naquela noite. Quem sabe não virassem ótimos amigos? precisava de pessoas que o viam como mais do que um cantor famoso. As vezes ele só queria conhecer novas pessoas, criar novos laços de amizades e ser apenas ele. Apenas . E por mais que a garota do abraço fosse sua fã, ele não a via apenas com aquele rótulo. Seus fãs eram pessoas antes de serem fãs. E ele os tratava tais como eram e por isso não existiam motivos para não poder ser amigo de uma fã. Mesmo que essa fã em questão fosse brasileira e os fãs brasileiros tivessem uma reputação gigantesca.
jogou-se na cama com um suspiro e então pegou seu celular para checar suas redes sociais. Algumas fotos e vídeos dele visitando o Cristo Redentor já estavam circulando pelo Twitter e Instagram e resolveu postar algumas coisas no Twitter, apenas para distrair a atenção dos fãs e da mídia. Gostaria de passar despercebido na multidão naquela noite e apenas curtir os shows que tanto queria ver. Estaria indo embora do Brasil no dia seguinte, após dar algumas entrevistas e gravar apresentações em programas de TV e então seguiria para o México, onde faria mais um show antes de voltar para os Estados Unidos e para a turnê. Estava ansioso para acabar os shows naquele mês e então ter alguns dias de folga. Sentia saudades de sua família e de seus amigos e por mais que amasse estar em turnê, seu corpo e sua mente estavam pedindo por descanso. E estava aprendendo a sempre ouvir as necessidades de sua mente antes de qualquer outra coisa.
O celular de vibrou com uma nova mensagem de Brian e o canadense logo desistiu de rolar o feed do Instagram para responder ao melhor amigo. Revirou os olhos quando a última mensagem de Brian chegou e quase gravou um áudio apenas para xingar o rapaz. Às vezes Brian não tinha noção das coisas.

E Andrew sabe que você quis essas entradas apenas para ver a brasileira bonitinha?
Você poderia não falar besteira?
Eu quero assistir ao show do público comum porque o camarote é chato
E como diabos você sabe que ela é bonita?

Existe uma ferramenta mágica chamada “pesquisa do Instagram”
Stalker

Prefiro curioso
De toda a forma, aproveite o show
Eu acho que Alicia Keys vai detonar
Claro que ela vai
Falo com você mais tarde

Beije a garota!
Cala a boca!


riu uma última vez antes de finalmente guardar o celular no bolso e levantar da cama. Ajeitou o cabelo no espelho - não que ele realmente fizesse muita coisa - antes de sair do quarto e seguir para o quarto de Mike. Precisava apressar os amigos, que sempre demoravam uma eternidade para se vestirem. estava sempre adiantado e odiava esperar. Antes mesmo que ele pudesse bater na porta, Mike a abriu e sorriu largamente.
- Hoje eu não atrasei. - ele exclamou, contente.
- O Brasil realmente faz milagres. - debochou, recebendo um revirar de olhos como resposta.
- E os outros? - Mike indagou, seguindo junto de para o elevador.
- Não sei, mas espero que já estejam prontos. - murmurou. - Vamos apenas comer alguma coisa antes de ir.
- E a sua amiga? - o mais velho indagou, sorrindo malicioso e revirou os olhos. Mike era o único que sabia sobre a garota brasileira - já que havia repassado os elogios feitos por ela - e estava tirando uma com a cara do cantor desde então. Segundo Mike, havia se apaixonado à primeira vista e o destino estava tentando provar para ele que era sua alma gêmea graças aos encontros inesperados que eles tiveram naqueles últimos dias. Claro que achava a ideia de Mike insana, como era de se esperar. Ele não acreditava em amor à primeira vista. Não mais, pelo menos.
- Não somos amigos ainda. - retrucou. - E ela havia dito que iria ao show. - deu de ombros. - Vou mandar mensagem quando chegarmos lá.
- Você não está mesmo interessado nela? - Mike indagou, curioso e incrédulo. Não via motivos para querer contato com uma fã brasileira se não fosse por aquele motivo.
- Não. - negou com um aceno de cabeça. - Ela é engraçada e me tratou normalmente, mesmo sendo uma fã. - deu de ombros. - E eu estou precisando conhecer novas pessoas e fugir desse mundo um pouco. Problemas mundanos, sabe? - os dois entraram no elevador enquanto digitava uma mensagem no grupo que tinha com o resto da banda e avisava que ele e Mike já estavam descendo.
- Tudo bem. - Mike concordou com um aceno de cabeça. - Eu consigo entender um pouco.
- Brian criou milhares de teorias idiotas. - comentou e Mike gargalhou. Era típico de Brian inventar mil histórias sem noção.
- Obviamente. - falou. - Mas não se esqueça de que ela é uma fã, . - Eu sei. - assentiu. - Já estou acostumado com isso. - suspirou, deixando os ombros caírem. Às vezes a pressão do mundo da fama o sufocava. Ele só queria alguém para lhe trazer um pingo de normalidade, nem que fosse por cinco minutos.

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havia acabado de fechar a porta de trás do carro quando o celular de vibrou na mão da garota. Ela ocupava o banco do passageiro, enquanto seu irmão Maurício, dirigia o carro que as levaria do aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis para Brusque, a cidade onde moravam. , que estava ocupada com a tentativa de conectar seu celular com o aparelho de som do carro, pulou no banco e após ler a notificação, arregalou os olhos e soltou um gritinho. Maurício a xingou por conta do susto e se inclinou para frente, tentando entender os motivos da euforia da prima.
- O que foi? - indagou, afobada.
estalou os lábios antes de descer a barra de notificações do celular e apontar para o nome da pessoa que havia acabado de lhe mandar uma mensagem na direct do Instagram.
- , eu não estou entendendo nada! - murmurou assim que também gritou e ouviu um palavrão nada amigável de seu primo.
- ESTÁ APAIXONADINHO POR TI! - a garota berrou, sem se importar em quase deixar os dois irmãos surdos.
- O que ‘tá acontecendo? - Maurício indagou, confuso. E antes que pudesse responder, se pôs a falar, traçando uma narrativa exageradamente romântica sobre os dias que elas passaram no Rio de Janeiro e todos os encontros de com . E enquanto a garota falava, encarava a mensagem de , completamente confusa sobre o motivo que o levara a não apenas chamá-la novamente pelas redes sociais - quando ela não era ninguém na fila do pão -, mas também pelo conteúdo da mensagem em si. Ela tinha certeza de que havia mandado para a pessoa errada e estava com metade da frase digitada quando uma nova mensagem chegou, fazendo companhia para a anterior, provando que não havia se enganado quanto ao destinatário, mas que não a havia convencido totalmente. Afinal, quais as chances de lhe enviar mensagens por livre e espontânea vontade?
Tudo bem, aquilo já havia acontecido. Mas ele havia tido motivos - gentis e adoráveis, na opinião de - plausíveis, enquanto naquele momento ele não tinha nenhum. estava perplexa com os acontecimentos dos últimos dias e mal podia acreditar em sua sorte. Ela não tinha tanta sorte em sua vida assim desde… sempre.

20:05
Já cheguei!
Cadê você?


encarou a tela do celular com o lábio inferior preso entre os dentes, esperando pela mensagem de retratação de . Os minutos se passaram e as palavras dele cessaram, dando a garota a certeza de que as mensagens eram sim para ela e que ela teria que respondê-lo sem fazer a mínima ideia do assunto sobre o qual ele falava. Ela respirou fundo e pôs-se a digitar uma resposta apropriada, enquanto tagarelava sem parar.

Eu???
Estou indo para casa


não levou mais do que 2 minutos para responder a mensagem e arregalou ainda mais os olhos com o conteúdo, buscando o braço de para poder cutucar a prima e grunhir alguma coisa como "eu sou uma idiota!".

20:15
Casa? Por quê?
Aconteceu alguma coisa?
Você disse que viria ao festival hoje
Esperava te encontrar por aqui
Falamos disso ontem


- Eu não tenho como responder isso sem parecer uma retardada. - decretou por fim, lembrando-se do motivo pelo qual não prestara atenção à conversa com na noite anterior. se pôs a concordar com um aceno de cabeça.
- Como tu não ouviu ele te chamando para ir ao RiR? Com ele? - exclamou, de forma exaltada.
- Eu desviei a atenção! - choramingou. - Caralho, ele queria me encontrar lá! Em que universo paralelo isso poderia acontecer de verdade? - indagou para a prima, ainda de olhos arregalados e a respiração ofegante. Seu coração batia rapidamente e ela mal podia acreditar no que estava acontecendo. queria encontrá-la no Rock in Rio e ela havia perdido a chance por estar babando no sorriso dele. E tudo bem, era totalmente compreensível que ela tivesse tido sua atenção desviada e monopolizada, já que o sorriso de era uma das coisas mais lindas que já havia visto na vida. E ela preferia nem mencionar a bendita risada para não ter suas pernas fracas novamente. Mas ela havia perdido uma chance única e jamais poderia aceitar aquilo. Estava pensando em se jogar para fora do carro e esperar a morte quando Maurício, completamente perdido no assunto, chamou a atenção das duas garotas.
- Eu ainda não entendi o que está acontecendo. - Maurício murmurou, só então lembrando-as de que ele também estava no carro. chiou em direção ao primo, em uma clara objeção a interrupção dele. nem se deu ao trabalho de desviar o olhar da tela do celular, suspirando algumas vezes antes de finalmente decidir-se sobre sua resposta.
- Vou falar a verdade. - declarou e sacudiu a cabeça para os lados em negação.
- Assim tu vai estragar tudo de uma vez por todas! - ela grunhiu. - Ele vai pensar que tu é outra fã maluca e obcecada!
- E eu sou! - retrucou. - Bom, sou um pouco. - suspirou novamente. - , eu quero morrer. - choramingou, recebendo um revirar de olhos da prima, que arrancou o celular das mãos de - que teve seus protestos ignorados - e passou a digitar algumas mensagens. Pouco menos de 5 minutos mais tarde, ela devolveu o celular para com um sorriso largo nos lábios.
- Tá tudo resolvido. - estalou os lábios, voltando a escorar as costas no banco enquanto procurava pela conversa com , já que havia fechado o aplicativo do Instagram de propósito. Às vezes gostaria de matar a prima, mas lembrava que sentiria falta da garota e desistia da tentativa de homicídio.
Encontrando a conversa com - a qual ele já havia respondido -, rolou a tela até achar a primeira das várias mensagens que mandara para o canadense, arregalando os olhos e soltando um muxoxo descontente ao ler as palavras da prima.

Hey
Aqui é a , prima da
Essa maluca não prestou atenção no que você disse ontem
Ela é meio tapada, não a julgue
Ela iria adorar ter te encontrado no RiR hoje, mas já estamos em nosso estado natal
Ela está indo para Toronto no final do mês
Vocês poderiam se encontrar por lá!
O show foi ótimo, de toda a forma
Parabéns!


respirou fundo e afastou o celular para poder encarar com incredulidade. Não acreditava que a prima tivera tamanha cara de pau para mandar aquelas mensagens para , como se eles fossem grandes amigos que tivessem se desencontrado por um acaso do destino. Porque eles não eram e estava surtando! Primeiramente porque , seu cantor favorito, de alguma forma parecia interessado em manter uma pseudo amizade com ela. Aquilo era tão fanfic que passara os últimos dias constantemente se beliscando para acreditar que não estava sonhando. E em segundo lugar, ela estava surtando por ter perdido a maior chance de sua vida como fangirl! Ela não esperava que se apaixonasse por ela ou algo do tipo, mas gostaria de conhecê-lo melhor, para ter certeza de que ele realmente era a pessoa que ela acreditava que fosse. Pelo pouco que podia supor pelo que via na mídia, era uma pessoa maravilhosa. E adorava pessoas maravilhosas em sua vida e não veria problemas em ser “amiga” do rapaz. Mas ela também não agiria como se eles tivessem chances de serem melhores amigos, como havia feito. Havia um abismo que os separava e esse abismo não era apenas geográfico. Era cultural e principalmente, social. Eles eram de mundos diferentes. não poderia esquecer daquilo só porque havia trocado algumas mensagens com e o havia visto pessoalmente e conversado com ele algumas vezes. Ele ainda era um cantor mundialmente famoso e ela era apenas outra fã. Ela não era ninguém no mundo dele e não poderia deixar as expectativas de a iludirem. Precisava colocar seus pés no chão e a cabeça no lugar.

Oi !
Fico feliz que tenha gostado do show
É uma pena que vocês não tenham vindo para o festival hoje
Alicia Keys vai arrasar!
Eu estarei em Toronto no mês que vem
Espero poder encontrar com a sua prima por lá!
Eu só queria checar se ela estaria aqui hoje
Preciso ir, foi um prazer conhecê-las!
Tchau


deixou os ombros caírem após ler a última mensagem de . Não tinha como responder aquilo, então simplesmente fechou o Instagram e bloqueou o celular. tentou argumentar, mas a cortou prontamente, enquanto ambas eram encaradas por um Maurício extremamente curioso.
- É melhor assim. - disse, com resignação em seu tom de voz.
- Você está cometendo um erro. - condenou. - Vocês podem se encontrar em Toronto. - a esperança no tom de voz da garota arrancou outro suspiro alto de .
- Esquece . - ela pediu, findando o assunto. Por ora.

Capítulo 5

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A agenda de após o Rock in Rio manteve-se cheia, como o de costume. Sua ida para o México acabou não saindo como gostaria graças a uma catástrofe natural, mas ele pretendia voltar para o país logo e Andrew estava encarregado de reencaixar o México na agenda da Illuminate Tour. voltou para os Estados Unidos e fez alguns shows antes de fechar o mês de setembro. Então teria dois meses de férias, onde ele pretendia passar a maior parte dos dias em Toronto com sua família e amigos e a menor parte dos dias indo para Los Angeles gravar as novas canções que ele ia compondo durante suas férias. Já tinha duas músicas escritas e pretendia gravá-las o mais rápido possível para não perder o ritmo de trabalho, já que sua cabeça estava uma loucura graças a sua ansiedade.
O Rock in Rio havia mudado muitas das perspectivas sobre sua carreira. Algumas dessas perspectivas haviam se consolidado na cabeça de com o passar do tempo e outras haviam se fortalecido por conta de sua apresentação no festival. havia sido surpreendido pelo tamanho da recepção positiva que tivera no Brasil. Apesar de o RiR ser um festival frequentado por um público mundial, sabia que a maior parte das pessoas que iam ao festival eram brasileiras. E ter tido tamanha euforia do público durante seu show havia sido surpreendente, já que ele era um artista com pouco tempo de carreira e direção musical focada aos jovens. Enquanto se apresentava, não teve uma noção real da recepção da plateia. Ele ouvia gritos e incentivos, bem como as pessoas cantando as músicas junto com ele, mas só fora realmente perceber que todo o público havia ficado animado e participado de seu show quando assistira aos vídeos da apresentação posteriormente. Logo em There's Nothing Holdin’ Me Back, a música de abertura do show, sua voz ficara abafada pela voz de milhares de pessoas cantando junto com ele. E isso havia lhe trazido tanta alegria e satisfação, como trouxera medo e apreensão. nunca fora um cara seguro no que se referia a sua carreira. Sabia que havia tido muita sorte e que seu trabalho duro mantinha os fãs de olho nele, o apoiando e amando. Tinha completo conhecimento de que no mundo artístico, as pessoas apareciam e sumiam dos holofotes em um piscar de olhos. Um dia poderiam estar no primeiro lugar do top 10 da Billboard e no outro, ninguém nem saber mais de sua existência. E tinha medo daquilo. Amava seu trabalho. Havia nascido para aquilo e apenas pensar na possibilidade de perder tudo já lhe trazia ânsia de vômito. Sua ansiedade atacava e passava por um inferno particular.
Andrew havia o obrigado a aceitar dois meses de férias. não queria tanto tempo afastado do trabalho, mas sabia que precisava cuidar de sua saúde mental e nada como passar um tempo com as pessoas que ele amava poderia ser tão eficiente. Mas passava os dias tendo ataques nervosos e crises de sono. Sentia um medo absurdo de ser esquecido. Não queria perder o amor e apoio dos fãs. Eles significavam tudo em sua vida. Precisava se manter fazendo um ótimo trabalho, e ideias absurdas passavam por sua cabeça para manter-se em alta. Eram pensamentos idiotas, mas não conseguia contê-los.
E por este motivo, estava em uma cafeteria em Nova Iorque, sentado à mesa com Niall Horan e Camila Cabello, rindo de alguma piada do irlandês enquanto esperavam por seus pedidos. Haviam tido sorte de poderem se encontrar naquele dia, sem conflitos de agenda e estava grato por poder, finalmente, dar uma folga para sua cabeça. Já que ir para Toronto antes de entrar de férias era uma alternativa impossível, nada melhor do que passar um tempo com seus amigos e espairecer. Colocar sua cabeça em ordem era sua prioridade número um. E o bônus de ter amigos famosos que não iriam julgá-lo por estar pirando era algo realmente agradável para . Caía como uma luva para a situação.
- Mas então, como você está? - Niall indagou para o amigo, após mastigar o pedaço de muffin que havia colocado na boca assim que seus pedidos foram entregues. - Depois do Rock In Rio.
- Ainda mais ansioso do que nunca. - confessou, soltando um suspiro alto. Camila lhe lançou um olhar preocupado e ele forçou um sorriso fraco. - Mas foi algo inacreditável. Se alguém me dissesse que eu estaria tocando para um público daqueles na época em que gravava covers para o Vine, eu jamais acreditaria.
- Eu me lembro da primeira vez que cantei em um estádio. - Niall murmurou. - Foi surreal.
- Bom, eu ainda não toquei em um estádio, então ficarei recolhida na minha insignificância. - Camila choramingou, e rindo, a abraçou pelos ombros e beijou-a na cabeça.
- Logo você estará cantando Havana no Madison Square Garden e vai ser um pulo mudar para estádios. - o canadense a encorajou, que sorriu um agradecimento. Sair do Fifth Harmony não havia sido uma decisão fácil para Camila, mas sabia que a garota estava em paz com suas escolhas. A girlband estava fadada a separação, já que suas integrantes não tinham construído laços de amizade sólidos.
- Mas como foi no Brasil? De forma geral? Nenhuma fã tentou cortar um pedaço do seu cabelo? - Niall indagou rindo. negou, abrindo um sorriso largo.
- Foi incrível. Os fãs foram ótimos, não teve nenhum momento esquisito, sabe? Eles respeitaram meu espaço, sem deixar de demonstrar os quão animados com a minha visita ao país eles estavam. - deu de ombros. - É com certeza meu país favorito.
- Você comeu coxinha? - Camila indagou, com uma pronúncia perfeita da palavra brasileira. - É o melhor salgado do mundo! - exclamou, dando uma mordida na torta que havia pedido e fazendo uma careta. - Nem se compara, sinceramente.
- Provei, mas não sei pronunciar o nome sem enrolar a língua. - riu. - E também comi aquele doce de nome estranho.
- Brigadeiro? - Niall indagou, e assentiu com a cabeça. - Eu só aprendi a falar a palavra porque a Demi era viciada nesse doce e falava dele o tempo todo.
- Isso! - o canadense concordou. - Algumas fãs me deram presentes e acabei provando alguma coisa da culinária fora do Rio de Janeiro. Mas odiei água de coco. - murmurou. - Nunca havia bebido e lá no Rio de Janeiro parece ser a bebida oficial do estado.
- Eu também não gosto. - Niall fez uma careta de desgosto.
- Vocês não sabem o que é realmente bom. - Camila concluiu. Virou-se para e o encarou com animação. - Quando você sai de férias? - indagou.
- No final do mês. - suspirou alto e logo a cubana percebeu que algo não estava certo com o amigo.
- O que foi ? - ela questionou, com preocupação.
- Eu não queria tirar férias, mas Andrew está me obrigando. - o rapaz murmurou. - Esse festival mexeu com a minha cabeça. Meu maior medo é entrar de férias e acabar sendo esquecido, sabe?
- Você não vai ser esquecido em dois meses. - Niall pontuou e Camila concordou com um aceno de cabeça.
- Eu sei. Realmente sei disso. - deixou os ombros caírem. - Mas eu tenho medo. Minha ansiedade fica nos ares e eu só consigo pensar em maneiras de permanecer na mídia.
- Você precisa mesmo de férias. Ficar longe de tudo isso e colocar a cabeça no lugar. - Camila sorriu para o amigo. - Eu entendo seu medo. Foi algo que me tirou o sono quando decidi sair da banda. - ela disse. - Nós vivemos para isso e existem chances de perdermos tudo. Mas você faz um trabalho incrível, . Seus fãs não vão te abandonar por conta de dois meses de férias.
- Falando como o cara cuja banda entrou em hiatus indefinido, esse medo sempre vai existir. - Niall deu de ombros. - O remédio é não desistir. Continue trabalhando duro, continue sendo grato aos seus fãs. E priorize sua saúde mental. Fique com os amigos, família…
- Já estou fazendo isso. - disse e recebeu um sorriso de Camila.
- Então não tem porque ter medo. - o encorajou.
- E There's Nothing Holdin’ Me Back ainda não saiu da cabeça das pessoas, então você tem alguns meses para escrever um novo hit e continuar invicto no topo. - Niall murmurou, fazendo gargalhar. Um tempo com os amigos era mesmo algo que ele precisava. E estava feliz de ter conseguido aliviar a pressão em sua cabeça.

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não tinha noção de como levaria tanta bagagem para Toronto sem precisar deixar seu rim e seu fígado como pagamento. A garota suspirou e finalmente fechou a quinta e última mala, sentando-se na cama que logo deixaria de ser sua e então olhando ao seu redor, não vendo nenhum vestígio de algo que fosse lhe fazer falta enquanto estivesse fora. Apesar dos protestos de sua mãe, fizera questão de não deixar nada importante no Brasil. Simplesmente porque ela não pretendia voltar para o país tão cedo. Claro que sua mãe não sabia daquilo. Na cabeça de Estela, cumpriria o contrato de seis meses e então voltaria para as terras tupiniquins e exerceria sua profissão no país.
Porém tinha outros planos. E esses incluíam uma residência fixa no Canadá, mesmo que ela amasse o Brasil com todo seu coração. Suas saudades de casa iriam equivaler a sua animação por estar realizando seu sonho de morar em outro país. Um país totalmente diferente daquele na qual ela fora criada, mas que lhe apresentou melhores oportunidades e sonhos mais altos. Fugindo do clichê, não estava indo embora porque se sentia uma gringa em terras brasileiras. Ela realmente gostava do Brasil. Da comida, da cultura, das pessoas... Só não poderia dizer que sentiria falta da língua portuguesa porque estaria mentindo. Era muito difícil distinguir os porquês e não ter essa preocupação lhe seria uma dor de cabeça a menos. Também não sentiria falta da politicagem. E esse era um dos maiores motivos pelos quais ela decidira ir embora e tentar sua vida fora do Brasil. Não havia futuro para ela no país, tendo a profissão que tinha. As oportunidades eram escassas e aquelas que existiam, mais lhe pareciam piadas do que oportunidades de emprego. E por mais egoísta que parecesse, queria ficar longe de toda aquela sujeira. Queria viver seus sonhos e não apenas sobreviver. E por esse motivo havia aceitado um emprego temporário em Toronto, no Canadá. Mas teria aceitado um emprego em qualquer outro país. Teria ido para o Uruguai se a proposta fosse melhor. estaria indo para qualquer lugar onde ela pudesse viver daquilo que amava: fotografar.
Havia conseguido uma proposta de emprego incrível, graças à indicação de uma ex-professora sua da universidade. Trabalharia em uma empresa de marketing e seria responsável pelas fotografias de grande parte das propagandas por seis meses. O salário era o suficiente para ela pagar o aluguel, as contas, encher os armários de comida e fazer algum passeio nos finais de semana. E ainda poderia aumentar sua renda fazendo freelancer em seus horários livres. Era um bom emprego. Muito melhor do que qualquer outro para o qual havia sido entrevistada no Brasil. E não seria maluca de perder uma chance como aquela.
- E aí, tudo pronto? - indagou, entrando no quarto como se fosse seu e jogando-se na cama. não reclamou, já que estava acostumada com a falta de respeito à privacidade alheia da prima.
- Acredito que sim. - deu de ombros. - Estou prevendo que vou pegar um absurdo por conta da bagagem extra.
- Não tenha dúvidas disso. - concordou. - Henrique está nos esperando lá na sala. - avisou, lembrando da promessa que havia feito para aquela noite. A garota soltou um muxoxo e logo se colocou de pé, com uma expressão nada amigável no rosto. - Ah não, tu não vai furar com a gente! - exclamou.
- Mas eu 'tô cansada ! - contestou. - Eu vou viajar amanhã de madrugada, tu deverias me dar apoio e me deixar dormir.
- Eu te dou todo o apoio do mundo, mas não vou te deixar ir embora sem se despedir dos nossos amigos! - bateu o pé e puxou a prima pelo braço, obrigando-a a se levantar da cama. - Agora vai tomar um banho, eu vou escolher uma roupa para ti. - empurrou-a para o banheiro e não teve muitas alternativas. Apenas deixou os ombros caírem e se arrastou para fora do quarto, trancando-se no banheiro em seguida. Amava seus amigos, mas era da opinião de que eles precisavam aprender a ficar em casa às vezes ao invés de sair para alguma balada ou barzinho.
Voltou para o quarto quase meia hora mais tarde, de banho tomado e cabelos lavados. Vestiu a roupa escolhida por e então secou os cabelos, antes de prendê-los em um rabo de cavalo devido ao calor absurdo que fazia naquele dia. E em todos os últimos dias, já que apesar de ser primavera, o verão parecia estar mandando uma amostra grátis de como seriam os dias em sua estação. E apenas agradecia, pois estaria no Canadá quando o verão realmente chegasse.
- Vou te dar vinte minutos para fazer a maquiagem ou então eu venho te buscar pelos cabelos. - ameaçou.
- Mal vejo a hora de me livrar de ti. - retrucou, fazendo a outra revirar os olhos e lhe estirar a língua.
- Tu vai sentir falta de mim. As melhores lembranças da tua vida foram ideias minhas. Eu 'tô só imaginando o tédio que vai ser a tua vida lá no Canadá.
- Eu 'tô indo embora justamente para viver um pouco. - retrucou, aplicando um pouco de base no rosto em seguida.
- Ah, me engana que eu gosto. - riu, sentando-se na cama e encarando a prima pelo espelho da penteadeira. - Esse teu papo de que vai aproveitar a vida por lá é só fingimento. Eu bem sei que tu vai ir do trabalho para casa e da casa para o trabalho. E ainda é capaz de arrumar um curso ou algo do tipo.
- Tu 'tá me chamando de entediante? - estreitou o olhar para a prima, abandonando o pincel de maquiagem que havia pegado há poucos segundos para passar um pouco de blush nas bochechas.
- Sim. - sorriu sem mostrar os dentes. - Tu pensas demais nas coisas, chega a ser chata! - reclamou.
chiou para a prima. - Me diz uma situação que eu fiz isso! - apesar de saber que a prima falava a verdade, jamais admitiria aquilo. Não em voz alta.
- Eu tenho um exemplo bem recente. - lembrou. - .
- Ah, vai começar. - a outra suspirou. Havia passado os restantes dos dias após o Rock in Rio ouvindo falar e falar mais um pouco sobre como ela havia sido burra e perdido a chance de sair com . Na cabeça de , o destino havia tentado unir e para provar que eles eram um casal perfeito. E havia estragado tudo. Mas tinha uma cabeça fantasiosa demais, na opinião da prima. Ela só havia tido sorte. Muita sorte, deveria admitir. Mas ainda sim, apenas aquilo.
- Vou começar sim! - bateu as mãos nas pernas. - Tu precisa viver !
- Eu vivo. - retrucou, com uma careta.
- Então vamos fazer uma aposta. - sorriu de forma travessa e franziu os lábios. Sabia que coisa boa não viria daquilo e já estava se arrependendo por ter teimado com . Ceder e afirmar que a prima estava certa era sempre mais benéfico para ela.
- Não quero saber de apostas. - descartou rapidamente.
- Quer saber sim! - a outra insistiu. - Se tu ganhar a aposta, eu nunca mais te incomodo para nada! Nada mesmo! - disse, com convicção. a encarou com os olhos em fendas, descrente e desconfiada.
- E se eu perder? - questionou.
- Vai me aturar enchendo o saco. - deu de ombros e então sorriu sem mostrar os dentes. - Para o resto da tua vida.
- Justo. - deu de ombros. - O que nós vamos apostar?
alargou seu sorriso consideravelmente e já estava arrependida daquela decisão. Como sempre se sentia. Até perceber que tinha razão e então realmente criar boas lembranças das loucuras da prima. E se dependesse da aposta de , teria a maior lembrança de sua vida. E talvez uma ordem judicial de restrição.

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Aaliyah jogou-se no sofá ao lado de , com um balde de pipocas e dois copos de refrigerante grandes. Entregou a bebida para e então deu play no filme, mesmo que já o tivesse assistido milhares de vezes e não faria nenhuma diferença perder alguns minutos enquanto ela pegava a pipoca. Mas assistir Harry Potter era um ritual sagrado na casa dos e a garota jamais cometeria tal desacato. suspirou alto e então deu um gole de sua bebida, largando o copo na mesa de centro e se recostando no sofá, em uma falha tentativa de prestar atenção no filme.
A verdade era que estava entediado. Estava em casa já fazia uma semana e havia passado todo o tempo com seus pais e com sua irmã. Havia saído uma ou duas vezes para tomar um café com os amigos, mas nada realmente demorado ou significativo. Estava sentindo falta de fazer algo animado e esperava que suas férias não se resumissem em dormir e assistir filmes com Aaliyah. Não que ele não gostasse de passar um tempo com a caçula, muito pelo contrário, adorava estar com ela. Mas também sentia necessidade de alguma coisa nova em sua vida. Ou talvez aquele vazio interior fosse apenas fome. Com isso em mente e um riso nos lábios, pegou um punhado de pipoca e colocou na boca no mesmo instante em que Dudley descia as escadas correndo e pulava na área que dava diretamente para o quarto de Harry no armário sob a escada.
- Eu não sei como vocês não cansam desse filme. - Karen murmurou, assim que desceu as escadas e encarou os filhos com um sorriso largo. Manuel vinha logo atrás da esposa, tão arrumado quanto ela, já que eles teriam um jantar romântico naquela sexta-feira. E ficaria de babá de Aaliyah, mesmo que a garota já fosse grande o suficiente e não precisasse de alguém para manter um olho nela. Mas não tinha planos para aquela noite, então tudo havia se encaixado perfeitamente.
- É um clássico! - Aaliyah defendeu e sorriu orgulhoso para a irmã. Realmente havia ensinado-a a gostar das melhores coisas do mundo.
- Isso aí! - concordou o cantor. Karen revirou os olhos.
- Deixei comida na geladeira, mesmo sabendo que vocês vão pedir pizza. - murmurou.
- Ainda bem que você sabe. - riu. - Mas talvez a gente saia para tomar sorvete. - comentou e Manuel fez uma careta.
- Nesse frio?
- Não existe estação melhor para tomar sorvete. - Aaliyah pontuou.
- Existe o verão. - Karen riu, sem conseguir entender o raciocínio alternativo dos filhos. - Para evitar ficar doente da garganta.
- Tudo teoria da conspiração. - a garota disse, voltando sua atenção para o filme. Karen revirou os olhos e então vestiu o casaco, antes de pegar a bolsa e se aproximar da porta. Manuel a seguiu de perto e antes que eles pudessem sair, o homem se virou para .
- Você vai para a sua casa hoje, filho? - Manuel indagou.
- Acho que não. - respondeu. - Não quero ficar sozinho naquele apartamento gigante. - deu de ombros.
- Tudo bem. - Karen sorriu. - Eu já arrumei seu quarto e troquei os lençóis.
- Obrigado mãe. - agradeceu. - Aproveitem o jantar.
- Não façam nada que o não faria! - Aaliyah orientou, antes que os pais fechassem a porta.
- é muito responsável, então não faremos nada. - Manuel riu.
- Ah certo. - Aaliyah revirou os olhos e a cutucou na cintura, indicando que ela deveria ficar quieta. Os pais atiraram beijos e murmuraram recomendações antes de sumirem porta afora. lançou um olhar nada amigável para a irmã, que apenas deu de ombros e riu.
- Se você me entregar, eu te entrego também. - o cantor ameaçou.
- Bom, eu não fui para o Brasil e sai beijando atrizes porque estava bêbada. - Aaliyah implicou.
- Mas está de namorico com o filho do vizinho. - estreitou o olhar para a irmã. - Inclusive, vou ter uma conversinha com Vincent.
- Ah , para com isso! - Aaliyah reclamou, largando o balde de pipoca e se virando para o irmão com a expressão mais desgostosa do mundo. - Eu já te disse que não está acontecendo nada entre Vincent e eu!
- Aham. - estalou os lábios, totalmente descrente das palavras da irmã.
- Vá cuidar da sua vida. - a garota reclamou. - Você está precisando de uma namorada, está enchendo muito o saco. - bufou.
- Eu também enchia o seu saco quando namorava. - ele contestou. O filme rolava na TV e nenhum deles parecia lembrar daquilo, tão entretidos naquela briguinha infantil como estavam.
- Mentira! - Aaliyah riu. - Você ficava o tempo todo grudado na Lauren. E quando começou a viajar e voltava para casa, mal ficava por aqui. Até quando você estava com aquela Hayley foi a mesma coisa. Você é grudento irmão, admita.
- Sou um bom namorado. - contestou, nada contente com o rumo da conversa. Discutir sua vida amorosa com sua irmã caçula não era exatamente seu plano para aquela noite.
- Nunca disse o contrário. - a garota deu de ombros. - Mas você está muito irritante desde que Hayley terminou o lance de vocês.
- Nós dois decidimos terminar.
Aaliyah gargalhou. - Você mente demais para si mesmo.
- Deixa de ser pentelha. Você não entende nada de relacionamentos. - bufou. Desviou o olhar da irmã e então o focou na TV. Harry estava embarcando no expresso de Hogwarts e estava prestes a conhecer Ron, iniciando uma das maiores amizades do cinema.
- Não entendo mesmo, mas sei identificar quando alguém está sendo chato e entediante porque está sozinho. - ela retrucou. - Você poderia estar com uma garota agora, mas está aqui comigo vendo Harry Potter. E você tem 20 anos! Deveria sair, beijar várias garotas, curtir a vida. - Aaliyah suspirou. - Já notei que você anda pressionado. Está menos animado e menos bobão. Eu sei que um namoro não resolve todos os problemas, mas acho que você deveria tentar se abrir, . Está bastante sozinho e ter alguém do seu lado pode ser uma boa. - ela sorriu fraco. - Um porto seguro no meio do olho do furacão.
encarou a irmã com o queixo caído. - Quando você ficou tão inteligente?
- Quando você ficou burro. - ela retrucou, dando de língua para . - Chame Brian para uma festa amanhã. Vá viver! Quem sabe você não encontra alguém?
- Em uma festa? - debochou das ideias malucas da irmã.
- As pessoas se encontram de formas diferentes e estranhas. - Aaliyah deu de ombros. - Pode acontecer com você.
riu, mas optou por seguir os conselhos da irmã. Já fazia bastante tempo desde que havia se aberto para novas experiências românticas que realmente pudessem dar certo. Ele e Hayley estavam fadados ao desastre e ambos sabiam. Tanto que não havia durado um mês, mesmo que todos pensassem que eles ainda estavam juntos. Eles eram amigos e apenas aquilo. E sentia falta de ter alguém, não poderia negar. Mas quem? Sendo famoso como era, era difícil encontrar pessoas que não o tratassem diferente. Ele não queria ser , o cantor, na vida da pessoa com quem se relacionasse. Queria ser apenas . Mas duvidava que pudesse encontrar alguém no mundo que pudesse ignorar sua fama para estar junto dele. E não queria namorar alguém famosa. Havia suprido sua cota com Hayley e estava bem com aquilo, obrigado. Queria aconchego, queria calmaria. Mas não sabia onde encontrar. Suspirou alto e sentiu os braços de Aaliyah o envolvendo. Sorriu para a irmã e deitou a cabeça no ombro dela. Pensaria naquilo no dia seguinte. Por ora, se ateria a apreciar a obra que era Harry Potter e curtiria um tempo com sua irmã.
As coisas não estavam maravilhosas, mas estavam boas para naquele momento.

Capítulo 6

I'm looking through my phone again, feeling anxious
Afraid to be alone again, I hate this
I'm trying to find a way to chill, can't breathe, oh

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suspirou alto, antes de parar de andar e então se virar para trás. Tinha apenas a mochila pendendo no ombro esquerdo e uma mala pequena em mãos, já que havia despachado a bagagem horas antes. Encarou as pessoas que a seguiam e então sentiu os olhos encherem d'água. Sentiria tanta falta de todos eles que mal podia assemelhar que estava mesmo feliz por ir embora. também tinha os olhos marejados quando o olhar das duas se encontrou e precisou respirar fundo para não cair no choro no meio do aeroporto, mesmo que ela quisesse muito chorar novamente.
- Então é isso. - ela sorriu fraco. - Vejo vocês em seis meses. - completou, enquanto negava com um aceno de cabeça, sabendo que não veria em seis meses, já que a garota não voltaria para o Brasil. Apenas , Henrique e Maurício haviam ido levar no aeroporto, já que os outros amigos de tinham que trabalhar e já haviam se despedido dela na noite anterior. Já os pais da catarinense, eram ainda mais sentimentais do que ela e provavelmente fariam desistir da viagem com tanto choro e palavras de carinho. havia se despedido dos pais ainda em casa e chorado baixinho durante as duas horas que seguiram a saída do grupo de Brusque em direção a Florianópolis, capital de Santa Catarina, onde se localizava o aeroporto onde embarcaria para sua conexão em São Paulo, antes de finalmente partir para Toronto.
- Se tu não me ligares todos os dias, vou pegar o dinheiro da mensalidade da faculdade e ir para Toronto te dar uns tapas! - grunhiu, arrancando um riso de , antes de ambas se esmagarem em um abraço.
- Esteja disponível para ver a minha cara pelo FaceTime. - retrucou.
se afastou da prima e então segurou o rosto da garota com as duas mãos, ambas as palmas estendidas nas bochechas de .
- Aproveita tudo o que tu puderes! Não deixa de sair, de conhecer novas pessoas e embarcar em novas aventuras e atividades porque essa tua cabeça tem a mania de organizar uma enciclopédia antes de tomar qualquer decisão!
- ...
- Eu estou falando sério, . - a outra falou, com convicção. - Tu estás tendo uma oportunidade incrível e precisa aproveitar! Foi para isso que tu trabalhaste e se esforçou tanto para conseguir.
Ambas as garotas se encararam por alguns instantes, até deixar os ombros caírem e assentir com a cabeça. Afinal de contas, ela sabia que estava certa. Ela precisava aproveitar aquela chance e realmente viver. Não iria secundarizar seu trabalho ou então gastar todo seu dinheiro com festas e bobagens, mas não podia ser a mesma de Brusque, que trabalhava desde os 14 anos e guardava cada centavo para a tão sonhada viagem para Toronto. Ela finalmente estava indo para a cidade canadense e precisava fazer valer todo seu esforço. Havia negligenciado muita coisa durante sua vida para poder estar naquele aeroporto e não poderia jogar tudo fora.
- A cada momento incrível que eu viver, vou bater uma foto e pendurar a polaroide na parede. Quando vocês forem me visitar, terão muita coisa para ver e muitas histórias para ouvir. - ela sorriu e abraçou mais uma vez, antes de se aproximar de Henrique e repetir o ato com o garoto.
- Se cuida. - ele murmurou. - Mande notícias sempre!
- Mandarei. - suspirou. - Vou sentir tua falta, seu insuportável.
- Se tu arrumares um novo melhor amigo, eu vou pessoalmente até Toronto para chutar a tua bunda. - Henrique chiou e riu.
- Certo. - ela estalou os lábios. Abraçou Maurício por último e quando se afastou do irmão, já tinha lágrimas nos olhos.
- Vou sentir tua falta. - o mais velho murmurou. - Quem vai me infernizar quando chegar em casa porque quer ver Netflix e eu estou usando a última tela disponível?
riu, secando as lágrimas na manga do moletom.
- Se você pegar os meus livros e não guardar corretamente eu vou te matar quando eu voltar.
- Tu não vai voltar. - Maurício pontuou e sorriu triste. - Eu já estou me acostumando com a ideia de ver a minha irmã apenas pelo Skype na maior parte do tempo.
- Cuida deles. - fungou, referindo-se aos seus pais.
- Cuida de ti. - o outro respondeu.
Pelos alto falantes do aeroporto, a última chamada para o voo de fora anunciada e a garota abraçou Maurício e os amigos uma última vez, antes de ajustar a mochila nos ombros e suspirar.
- Espero que me visitem. - ela disse. - Terei um sofá para cada um de vocês. - sorriu, atirando um último beijo e dando as costas para uma chorosa, Henrique abraçando a namorada e Maurício com um sorriso triste.
Teve seu passaporte carimbado e sua passagem conferida e rasgada antes de atravessar os portões de embarque e se acomodar no avião. Havia pedido por um assento na janela e após guardar a pequena mala no compartimento indicado, afivelou o cinto de segurança e então largou a mochila aos seus pés. Encarou as costas da poltrona a frente da sua e então soltou um suspiro alto, antes de abrir um sorriso fraco e passar a mão no rosto, em um sinal claro de nervosismo. Não tinha medo de aviões, mas não podia dizer que se sentia completamente confortável com a ideia de voar. Mas para além daquele incomodo, finalmente havia se dado conta de que estava abandonando tudo o que ela conhecia e partindo para uma viagem que mudaria toda a sua vida. E por mais que aquele pensamento pudesse lhe assustar um pouco, ela sentia-se preparada. E como nunca antes, ansiosa para deixar seus velhos hábitos para trás. Esperava que Toronto lhe trouxesse apenas coisas boas e surpreendentes. Contava com aquilo.

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John Mayer tocava no volume máximo nos fones de ouvido de , enquanto o rapaz esperava que o sinal fechasse para que ele pudesse atravessar a rua e continuar sua corrida matinal. Usava um conjunto de moletom Adidas e uma bandana que deixava seus cachos longe de sua testa suada. O celular estava preso na braçadeira e ele mantinha o ritmo da corrida, movimentando as pernas como se estivesse correndo, mas sem sair do lugar. Quando o sinal abriu, atravessou a rua e então seguiu pela calçada, em direção a Starbucks mais próxima de sua casa, onde finalmente encerraria seus exercícios naquele dia. Ainda tinha cerca de 2km para correr e mesmo que estivesse tocando Who You Love, ele não diminuiria o ritmo da corrida. Estar de férias não lhe dava a oportunidade de simplesmente não fazer nada por dois meses. Ele precisava continuar em sua rotina de exercícios para voltar em forma para a turnê em janeiro.
Não eram 8 horas da manhã ainda e a cidade já estava movimentada. Em Toronto a bagunça começava cedo, pessoas corriam de um ponto de ônibus para outro, a calçada que levava em direção ao metrô estava abarrotada e a Starbucks deveria estar lotada, como já era de se esperar. Café forte sem açúcar era a coisa mais necessária para se começar a segunda-feira e sobreviver durante o resto da semana. Com a mudança de John Mayer para The Chainsmokers, aumentou o ritmo da corrida apenas para ter sua atenção roubada pelo toque de seu celular avisando que estava recebendo uma nova chamada. Por estar de fones, apenas apertou o botão do microfone sem nem checar no visor do celular quem estaria lhe ligando àquela hora da manhã. Talvez fosse sua mãe o convidando para o café ou até mesmo Brian reclamando por estar de ressaca e precisar ir trabalhar naquele dia.
- Alô. - murmurou, com a voz um pouco falhada graças a falta de ar que a corrida lhe proporcionava.
- ! - a voz de Hayley Baldwin o saudou e parou de correr no mesmo instante. Não falava com Hayley faziam dois meses e aquela ligação era realmente inesperada. Dá última vez que haviam tido contato, haviam brigado e deixara claro que não seria a segunda opção de Baldwin. E por Hayley ter sua preferência muito bem estabelecida, eles haviam terminado o que quer que fosse aquele relacionamento que tinham. Pelo que soubera, Hayley e Bieber haviam voltado e planejavam um casamento. Receber uma ligação da modelo àquela altura do campeonato era realmente algo estranho.
- Hayley? - indagou, apenas para descargo de consciência. Reconheceria a voz dela em qualquer lugar.
- Sim, sou eu. - ela suspirou. - Você apagou o meu número?
- Sim. - mentiu. - Desculpe, mas não esperava contato com você. Não mais. - acrescentou, soando mais amargo do que realmente gostaria. Desistiu de sua corrida e rumou para a Starbucks em um caminhar tranquilo e um pouco dolorido. Havia forçado demais seus músculos naquela manhã.
- Eu entendo. - ela suspirou novamente. - Como você está?
- Ótimo. - respondeu. - De férias, em Toronto.
- Volta para Los Angeles? - Hayley questionou e franziu o cenho. O que importava se ele voltaria para Los Angeles? Ela não estava com Bieber agora?
- Não tão cedo. - respondeu. – Por que a pergunta?
- Gostaria de te ver.
- Não acho que seja uma boa ideia. - estalou os lábios. - Você tem um namorado e nosso passado é complicado.
- Eu tinha um namorado. - Hayley destacou e fez uma careta instantânea.
- Você só pode estar brincando. - o canadense riu, sem achar realmente graça na fala da modelo. - Eu já havia lhe dito que não seria a segunda opção, Hayley. Deixei isso muito claro em nossa última conversa.
- Mas agora é diferente . - Hayley murmurou. - Justin e eu não temos mais como reatar. Ele ainda ama Selena e não é justo que eu esteja tentando ocupar um lugar que pertence a ela.
- E é justo comigo? - indagou, irritado. - Ser tapa buracos do Bieber? - Não é assim, você sabe. - ela tentou ponderar.
- Você só me procura quando não tem mais ninguém. Quando não tem ele. - acusou. Havia aumentado o ritmo de sua caminhada sem nem mesmo perceber, dando-se conta de que faltava apenas um quarteirão para chegar a Starbucks quando esbarrou em alguém no meio da calçada. Era uma garota, consideravelmente mais baixa do que ele, de cabelos longos e escuros, que usava mais roupas do que acharia normal para o clima que fazia naquele dia. Ele sabia que em Toronto fazia muito frio, mas ainda não estava frio o suficiente para que o uso de sobretudos fosse necessário.
- Desculpe! - a garota grunhiu, denunciando seu sotaque forte e indicando que ela não era dali. teve apenas um relance do rosto dela e franziu o cenho, confuso quanto à identidade da garota que nem se dera ao trabalho de olhar para ele antes de seguir seu caminho, correndo pela calçada em direção a estação do metrô, segurando uma câmera profissional e uma mochila que parecia pesada.
- ? Aconteceu alguma coisa? - a voz de Hayley o puxou para a realidade novamente e sacudiu a cabeça para os lados, ainda com o cenho franzido.
- Eu conheço essa garota. - ele murmurou para si mesmo. Cruzou os braços em frente ao corpo e observou a tal garota descer as escadas que levariam ao metrô e sumir de vista.
- Que garota? ? - Hayley chamou novamente e então o cantor revirou os olhos, sem nenhuma paciência para Baldwin.
- Eu sinceramente não tenho mais nada para falar com você. - alegou, recebendo o silêncio de Hayley do outro lado da linha. - Deixei minha posição muito clara em nossa última conversa. Você não é a porra de uma rainha, Hayley. Não deveria agir como se fosse. - disse, finalizando a chamada e então retirando o celular da braçadeira, ainda curioso a respeito da identidade da garota em quem havia esbarrado. Precisava lembrar-se de onde a conhecia e não precisou de muito mais do que cinco minutos para descobrir. Rumou em direção a Starbucks com o celular em mãos e o aplicativo do Instagram aberto.
Ele conhecia aquela garota e sabia muito bem de onde: Brasil. Ele tinha uma vaga lembrança da última conversa que tivera com a garota do abraço. Se ela estava mesmo em Toronto, o Instagram dela a denunciaria sem sombra de dúvidas.

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Atrasada. Essa era a palavra para descrever a situação de quando ela finalmente colocou os pés na empresa. Também poderia usar a frase fuga desesperada, já que desde que saíra da estação de metrô, estava correndo como uma louca, fugindo da garota que a estava seguindo desde que havia saído de seu novo apartamento naquela manhã. Era seu primeiro dia e ela já iria passar a pior impressão do mundo para seu novo chefe: a impressão verdadeira, já que era uma vergonha quando se tratava de horários. E que ela era completamente neurótica, principalmente porque estava em um país desconhecido, com pessoas desconhecidas, que falavam uma língua na qual pensara ser fluente, mas que precisara rever seus conceitos quando não soubera explicar o que era farinha de rosca no mercado mais próximo de sua casa. Sua desculpa por estar de jetlag até poderia colar nos primeiros dois dias, mas se ela continuasse se atrasando - o que era um costume e um fardo para ela - poderia arranjar problemas e ser demitida antes mesmo de conseguir provar que era uma boa fotógrafa.
A garota suspirou, ajeitando a mochila nos ombros e segurando a câmera com firmeza. Respirou fundo e se encaminhou para a recepção, cumprimentando a recepcionista e se apresentando como a nova fotógrafa contratada. Foi encaminhada para outra sala, onde recebeu um crachá e teve seu nome cadastrado no sistema da empresa. Ao voltar para a recepção, encontrou com a tal garota que a estava seguindo. estreitou o olhar para ela, pronta para criar um caos, quando se lembrou de que não estava mais no Brasil, onde ela resolvia as coisas com discussões na maior parte do tempo. Respirou fundo novamente e analisou a garota, pronta para colher informações que pudessem lhe ajudar caso fosse necessário contatar a polícia. Era loira e alta, com um corpo nada padrão e bastante comum. Usava roupas escuras e também carregava um copo de café. franziu o cenho, desconfiada. Afinal de contas, a garota a havia seguido por todas as ruas desde o prédio onde estava morando, até o trem. Havia pegado o mesmo vagão e descido na mesma estação. E agora estava ali, encarando-a com um sorriso muito mais animado do que o normal para um horário tão cedo em uma segunda-feira. Aquilo não era normal, nem mesmo para , que convivia com pessoas muito estranhas no Brasil.
- Eu te conheço! - a garota exclamou ainda sorridente.
- Você me seguiu! - acusou, dando um passo para trás em uma tentativa falha de fuga, já que encontrou a porta da sala onde estava anteriormente.
- Perdão? - a loira riu, franzindo o cenho e encarando como se ela fosse louca.
- Você me seguiu! - a brasileira acusou novamente. - Por todas as ruas desde meu prédio até o metrô. Dobrou nas mesmas esquinas e entrou no mesmo vagão que eu. Desceu na mesma estação e agora está aqui! Seguiu-me!
- Você é louca? - a outra indagou, em um misto de incredulidade e divertimento. - Eu moro naquele prédio e trabalho aqui! Faço o mesmo caminho todos os dias a dois anos. - explicou e abriu a boca para falar umas três vezes, antes de enfiar o rosto contra as mãos e gemer em descontentamento.
- Como eu sou burra. - murmurou em português, desacreditada de sua capacidade em supor coisas absurdas. Levantou o rosto e encarou a loira, que ainda ria com divertimento. - Me desculpe, eu estou completamente paranoica.
- Você não é daqui, é? - a outra indagou, se aproximando de com cuidado.
- Sou do Brasil. - ela respondeu. - É minha primeira viagem internacional e primeira experiência morando sozinha.
- Não te culpo por estar paranoica. - a loira sorriu em compreensão. - Benson. Sua vizinha e colega de trabalho. - se apresentou. - Mas todos me chamam de .
- . - também sorriu, estendendo a mão para a loira e recebendo um abraço como cumprimento. Franziu o cenho em confusão, não esperando algo tão caloroso vindo de uma canadense que mal conhecia.
- Eu nunca vou conseguir pronunciar seu nome. - avisou, rindo com vontade.
- Me chama de . - a brasileira também riu.
- ? - repetiu, com a língua um pouco enrolada.
- Com um pouco de treinamento você vai conseguir pronunciar com perfeição. - brincou.
- Não posso te chamar de Madie? - indagou, com as sobrancelhas arqueadas. fez uma careta. - Péssima ideia. então. - novamente murmurou com a língua enrolada e quis rir, mas achou que não seria educado, principalmente depois de acusar de está-la perseguindo.
- Então, o que você veio fazer tão longe de casa? - indagou, puxando para o elevador. Tinham que estar na sala de reuniões em 5 minutos e não poderiam se atrasar, segundo a recepcionista cujo nome não prestara atenção.
- Trabalhar. - deu de ombros. - Fotógrafos não são muito reconhecidos no Brasil. Uma professora me indicou para essa vaga, pois ela é amiga do Fernand. - mencionou o dono da empresa. - Ele gostou do meu portfólio e minha entrevista foi aceitável. Assinei contrato para seis meses iniciais. - explicou.
- Você deve ser muito boa. - murmurou. - Estávamos precisando mesmo de alguém novo na equipe. - sorriu largo. - E tenho certeza de que vamos ser ótimas amigas, principalmente porque somos vizinhas. - riu.
- Você parece com a minha prima. - observou, encarando de cima abaixo. Ela realmente lembrava , não apenas pelo visual, mas principalmente por conta da personalidade. parecia ser quase tão doida quanto era. havia dado sorte. Teria duas malucas em sua vida.
- Isso é algo bom? - indagou, com as sobrancelhas arqueadas.
- Ela é minha melhor amiga. - respondeu, deixando de a loira tirar suas próprias conclusões.
- Vamos ser ótimas amigas. - concluiu sorridente, fazendo rir alto.

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suspirou e revirou os olhos pela décima vez, enquanto Brian não parava de reclamar em seus ouvidos sobre a festa que ele havia perdido no final de semana anterior. Estavam em uma cafeteria no centro de Toronto, matando tempo até terem que buscar Aaliyah no curso de espanhol que a garota frequentava. Por causa daquele curso, vivia chamando-a de "chica" apenas para provocar a irmã, deixando bem claro que era o irmão mais velho irritante do qual a garota reclamava para as amigas, que não acreditavam que pudesse ser qualquer coisa além de adorável.
- Eu disse que vou à próxima. - resmungou, muito descontente com a situação. Bebeu um gole de seu café e deu uma garfada na torta de frango que havia pedido. Já havia ouvido muito de Aaliyah sobre ter se escondido em casa e não seguido os conselhos da irmã em procurar novos horizontes, mas não podia dizer que estava arrependido. Afinal de contas, havia rascunhado a letra para uma nova música que significava muito para . Era extremamente pessoal e intimista, soando como um desabafo para . In My Blood seria o primeiro single de seu próximo disco, no qual ele já estava pensando, mesmo que não houvesse terminado com a turnê do Illuminate. Dar um tempo com a carreira não era uma opção para a gravadora e menos ainda para . Ele vivia para aquilo. Seu momento de maior felicidade era no palco, ouvindo o coro dos fãs entoando suas músicas. Não via motivos para dar uma pausa entre a turnê atual e o lançamento de um novo álbum como alguns artistas faziam. trabalhava porque amava e não porque estava sendo obrigado.
- Eu sei, ouvi da primeira vez que você disse isso. - Brian retrucou, deixando seu café de lado. - Assim como ouvi a mesma coisa nas últimas quatro festas que você faltou.
- Não tenho culpa de que a inspiração para escrever sempre vem nos finais de semana. - deu de ombros e Brian bufou.
- Você está mesmo precisando viver um pouco e esquecer que é um cantor famoso. - Brian pontuou e suspirou alto, já cansado daquela conversa.
A verdade era que as pessoas não entendiam o motivo de se preocupar tanto com o trabalho. Não as pessoas comuns, pelo menos, e isso trazia um péssimo sentimento para , porque ele sentia que suas inseguranças eram bobas e infundadas. Apesar da conversa com Niall e Camila, ainda sentia-se incomodado com a repercussão de seus atos, que priorizavam sua vida pessoal - ou a falta dela - do que seu trabalho como músico. Andrew tentava tranquilizá-lo, afirmando que aquilo acontecia com todo artista jovem, mas sentia-se como um animal em um zoológico, onde todos esperavam que o bicho tivesse alguma ação mais humana e ignoravam sua essência selvagem. Odiava aquilo, sentia-se preso em um looping eterno onde nada do que ele fazia era bom o suficiente. Por isso trabalhava tanto. Para provar que era bom e que merecia o reconhecimento e amor de seus fãs. E não ter seus amigos o apoiando era algo realmente complicado. Eles cobravam de coisas que não estavam mais ao seu alcance - como comparecer em festas de conhecidos - ou que não interessavam mais ao cantor. Coisas que poderiam ser relegadas a um segundo momento de sua vida, que jamais teriam a importância que seu trabalho tinha.
- É algo meio difícil de esquecer. - disse por fim, soando mais amargo do que realmente gostaria. Brian o encarou com as sobrancelhas arqueadas, confuso devido a inesperada reação do melhor amigo.
- O que foi? - Brian indagou, parecendo preocupado e no mesmo instante se arrependeu pelas palavras rudes. Afinal, Craigen era seu melhor amigo. Amigo para quem não estava contando todos os detalhes de sua vida e seus problemas, que apenas queria ver bem, feliz e aproveitando a vida.
- Muita merda. - respondeu. - As pessoas perdem mais tempo inventando coisas sobre meu envolvimento com a Hayley do que falando sobre a turnê e o álbum novo que eu já anunciei estar em preparação.
- Eu acho que você se preocupa demais com as coisas que pessoas desnecessárias na sua vida falam de você. - Brian murmurou. - Talvez você devesse focar nas pessoas que se importam com você, como os seus fãs.
- É muito mais fácil falar do que fazer. - deu de ombros.
- Eu sei. - Brian concordou. - Nunca disse que era bom com conselhos.
- Não é mesmo. - o cantor riu. - Só me sinto pressionado, por todos os lados. Os fãs querem coisas, a mídia quer coisas, minha família quer coisas... Eu só queria um lugar tranquilo, onde eu pudesse me esconder por algumas horas e deixar essa loucura do lado de fora.
- Aaliyah me mandou mensagem esses dias. - Brian comunicou. - Ela me pediu para arrumar uma namorada para você. Acredito que o propósito dela com esse pedido seja te proporcionar esse refúgio.
- Não dê ouvidos para Aaliyah. - revirou os olhos. - Ela acha que eu lidava melhor com a loucura desse mundo quando estava com Lauren. Mas esse mundo não era tão grande naquela época. - suspirou, finalizando o café para então dar a última garfada em sua torta.
- Ela não deixa de ter alguma razão. - Brian comentou. - Mas você também tem. - riu. - Que merda.
- Eu sei. - também riu. Seu celular apitou e uma nova mensagem de Aaliyah surgiu em suas notificações. - A pirralha está nos esperando.
Brian revirou os olhos. – Por que mesmo nos oferecemos para levá-la ao shopping após o curso?
- Porque somos idiotas e facilmente convencidos. - deu de ombros. Levantou-se e seguiu com Brian até o caixa, onde fora recebido pelo sorriso gigante da atendente, que lhes estendeu a conta e pediu por uma foto no instante em que os rapazes deixaram o dinheiro na mão dela. sorriu para a câmera e então se virou. A cena que se seguiu poderia ser descrita como digna de um filme de Hollywood. Assim que se colocou para fora da cafeteria, segurando a porta para que Brian pudesse sair, esbarrou de frente com uma pessoa que tentava entrar no estabelecimento. Murmurou um pedido de desculpas e passou os olhos rapidamente pela pessoa na qual esbarrara, apenas para franzir o cenho e voltar a encará-la com intensidade. Conhecia aquele rosto, sem nenhuma sombra de dúvidas. Recebeu um olhar arregalado e um queixo caído quando a garota do abraço o encarou. Ela murmurou alguma coisa em português, que não entendeu, mas que o fez rir, pois soou como um palavrão muito feio em seus ouvidos. Brian, que assistia a cena com um olhar perdido, apenas puxou para longe da porta e automaticamente os seguiu, ignorando completamente o que ela havia ido fazer na cafeteria, tirando os fones de ouvido e guardando o celular no bolso do moletom que ela usava.
- Oi! - ela murmurou, animada. - Você nem deve lembrar-se de mim. - ela revirou os olhos para si, parecendo estar em um debate interno que fez rir novamente.
- Eu me lembro de você. - ele pontuou, fazendo-a arregalar os olhos ainda mais.
- Você lembra-se de mim? - questionou incrédula.
- Sim. - assentiu. - A garota do abraço.
- Puta merda. - grunhiu, sorrindo largamente. - se lembra de mim. - murmurou para si mesma. - Eu nunca posso esquecer esse momento.
- Há quanto tempo está em Toronto? - indagou. - Eu tenho quase certeza de que te vi no início da semana. - completou e quase engasgou.
- Como assim?
- Por acaso você esbarrou em alguém na segunda-feira de manhã? - questionou e assentiu com a cabeça. - Era eu.
- Como eu não te vi? - ela exclamou, com a voz esganiçada. - Você tem tipo, quase 2 metros de altura. É impossível não te reconhecer.
- Você parecia desesperada para chegar ao metrô. - deu de ombros.
- Eu estava fugindo de uma possível perseguição. - murmurou e franziu o cenho. - Mas a perseguidora virou minha amiga. - ela deu de ombros e duvidou que já tivesse tido uma conversa mais esquisita do que aquela.
- Perdão? - ele riu.
- Ah, esqueça. - estalou os lábios. - Estou falando pelos cotovelos novamente. - riu fraco.
- Muito normal. - brincou. Brian o cutucou no braço e só então lembrou que o melhor amigo estava ali. - Ah, esse é o Brian. - apresentou.
- Eu sei quem ele é. - riu, lançando um sorriso simpático para Craigen e então voltando seu olhar para . Ela não conseguia ficar muito tempo com os olhos longe dele. Mal podia acreditar que o havia encontrado durante seu intervalo para o café da tarde. - Fã, esqueceu?
- Ah, é verdade. - riu. - Bom, eu preciso ir. Minha irmã está me esperando. - suspirou. - Talvez a gente se esbarre por ai novamente.
- Espero que sim. - sorriu largamente. - Aproveite suas férias.
- Aproveite a viagem. - disse. - Aliás, você ainda não me disse o seu nome. Seu Instagram não facilita a pronúncia dele. – riu.
- . - a garota respondeu. - Mas pode me chamar de . É mais fácil.
- ? - ele pronunciou com alguma dificuldade.
- Quase isso. - ela riu.
- Certo. - riu também. - Nos vemos por aí.
- Sim. - ela o encarou uma última vez, antes de se mover em direção a porta da cafeteria. - Ah, estou ansiosa para saber mais da música nova que você escreveu. - acrescentou, lançando um olhar encorajador para . Ele assentiu com a cabeça, seguindo novamente para perto da garota, enquanto Brian o encarava com o cenho franzido.
- Talvez eu te mande um pedaço da letra. - deu de ombros.
- Para isso você precisaria do meu número. - lembrou, com as sobrancelhas arqueadas.
estalou os lábios. - É verdade.
E então puxou o celular do bolso, destravando com a digital e entregando o aparelho para . Ela deixou o queixo cair levemente, desacreditada da situação que estava vivendo.
- E como eu salvo meu contato? - ela questionou, já com o celular em mãos.
- Coloca apenas o número. Eu nomeio o contato. - orientou.
- Vai me deixar curiosa? - ela indagou, com um pequeno sorriso, digitando os números e então devolvendo o celular para .
- Quem sabe um dia você descobre? - ele murmurou. - Bom café. - desejou.
- Tchau . - suspirou, antes de entrar na cafeteria. parou ao lado de Brian, que o encarava com uma mistura de surpresa e incredulidade.
- Que droga foi essa? - o outro questionou imediatamente.
- Uma garota que conheci no Brasil. - deu de ombros. Desbloqueou o celular e encarou o número de , rindo ao visualizar o nome que ela havia colocado no contato.
do Brasil/abraço/esbarrões
Ele deixaria aquele nome no contato dela por ora. Ainda não via necessidade de mudar.

Capítulo 7

She don't waste time on conversations, no
She just goes right for the face, yeah
She's so particular

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Um suspiro alto saiu dos lábios de quando o apito do elevador lembrou a garota de que aquele era o andar no qual ela morava. Agradecia todos os dias pela sorte que tivera em conseguir um apartamento tão bom e com um valor dentro do seu orçamento em um prédio com elevador no centro de Toronto. Enquanto procurava por uma casa, ainda no Brasil, encontrava apenas apartamentos minúsculos em prédios que tinham apenas escadas, então fora uma sorte imensa ter encontrado Vanessa e seu aluguel relâmpago. A proprietária da atual casa de também era brasileira e havia se mudado para Nova Iorque a trabalho, colocando seu apartamento para alugar por um preço muito abaixo do esperado. Vanessa havia dado preferência para alugar para após conversarem brevemente sobre o motivo da ida da catarinense para Toronto. E graças a empatia de Vanessa, já chamava o pequeno apartamento de lar há quase uma semana.
A garota fechou a porta às suas costas e caminhou pelo pequeno corredor, deixando sua mochila e câmera no sofá, antes de se jogar no móvel e suspirar alto, grata por finalmente estar em casa depois de um dia completamente maluco no trabalho. Havia tido sua primeira sessão individual de fotografias naquele dia, visto que estava apenas acompanhando os fotógrafos mais experientes no começo da semana, para se habituar à empresa e a rotina dos fotógrafos. Afinal, trabalhar para a maior empresa de fotografia do Canadá não era uma tarefa fácil, uma vez que os profissionais tinham que fotografar desde caixinhas de suco para outdoors até photoshoots de linhas de roupas. abriu os olhos e analisou o apartamento, fazendo uma lista mental de suas atividades domésticas para aquela sexta-feira a noite. O local não era grande, então ela não teria muito trabalho e poderia descansar muito mais cedo do que esperava. A porta de entrada dava para um pequeno corredor, onde havia um espelho pendurado na parede bem ao lado da porta que dava para o banheiro. Saindo do corredor, o apartamento se estendia em uma área quadrada, dividida em dois retângulos. No primeiro retângulo estava a sala - composta por sofá, uma estante onde colocou seus livros e porta retratos, um rack para a TV e alguns pufes - e a pequena cozinha, que tinha armários planejados e uma mesa com 3 cadeiras. A divisão para segundo retângulo, onde se encontrava o quarto, se dava por uma mureta de madeira e por se tratar de uma área mais alta, recebia um degrau para que fosse acessado. O quarto de tinha apenas uma cama de casal, um armário pequeno e uma mesa de escritório onde a garota deixava seu notebook. A porta para a sacada ficava no centro do cômodo, a qual ainda não tivera tempo de decorar do jeito que gostaria, como já havia feito com o restante da casa.
Duas batidas na porta desviaram a atenção de das roupas jogadas na cama e a garota revirou os olhos para quem quer que fosse a pessoa que perturbava sua paz após um dia tão cansativo. abriu um sorriso gigante quando abriu a porta e nem pediu licença para invadir o apartamento da vizinha. Para o azar de , havia encontrado a versão canadense de mais cedo do que esperava e ela havia se instalado em sua vida sem intenções de ir embora.
- Você me conhece há uma semana e age como se me conhecesse a vida inteira. - reclamou, após fechar a porta e voltar para o sofá, enquanto procurava por alguma coisa na geladeira.
- Eu não tenho culpa de ter me afeiçoado a você. - deu de ombros. - Você teve sorte.
- Sorte não é a palavra que eu usaria. - argumentou, recebendo um olhar atravessado de . A verdade é que havia ficado grata por ter encontrado a garota logo em seu primeiro dia no Canadá, mesmo que houvesse sido de uma maneira muito estranha e inusitada. Apesar de toda a confusão sobre a perseguição, a aproximação das duas fora natural e logo no segundo dia de em Toronto, elas já pareciam amigas de anos. já conhecia e Henrique graças às chamadas de vídeo que fazia diariamente e a canadense havia criado uma crush absurda em Maurício, irmão de , mesmo tendo-o visto por 5 segundos em um storie que o rapaz mandara para no meio da semana.
- Vá se ferrar. - a loira xingou.
- Veio apenas roubar meu iogurte ou tens algo importante para falar? - indagou, descontente pelo roubo de sua comida. revirou os olhos, se jogando no sofá ao lado de . O comportamento caloroso de era uma exceção naquele país e sentia a diferença doer em seu coração. Fazia apenas uma semana e ela já estava morta de saudades de casa.
- Eu tenho um convite para fazer. - sorriu largamente e não gostou nada do rumo daquela conversa.
- Não.
- Mas você nem ouviu! - a outra reclamou.
- A resposta ainda é não. - deu de ombros, indiferente.
- Tudo bem, eu ligo para e ela te convence. - estalou os lábios, puxando o celular do bolso do jeans. deu um tapa na mão da loira, derrubando o celular no sofá.
- Maldita hora que aquela idiota te deu o numero dela. - revirou os olhos. - O que você quer?
- Meu amigo Brian me mandou dois ingressos para um bar. - explicou, recebendo um olhar atravessado da brasileira. - É um bar, não uma festa. - pontuou. - Ficamos um pouco e então voltamos para casa. - argumentou, sorrindo sem mostrar os dentes. - Eu também estou cansada. Aqueles cachorros no parque me deixaram louca. - murmurou, fazendo referência às fotos que haviam feito juntas durante a tarde. Um pet shop havia contratado os serviços da empresa em que trabalhavam, pois queriam adiantar os preparativos dos calendários para 2018 e as garotas haviam ficado responsáveis pelas fotos com os cães. Havia sido uma péssima escolha, já que tiveram o dobro de trabalho do que teriam com as fotos dos produtos enlatados que também foram oferecidos a elas.
- Tudo bem. - cedeu, a contragosto. - E nós vamos voltar cedo mesmo. - impôs.
Mas quando colocou os pés dentro do bendito bar, ela soube que aquilo era sim uma festa. Com bebida liberada. E que ela não voltaria cedo para casa de maneira nenhuma.

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O cantor se jogou na cama e estava quase alcançando o celular na mesa de cabeceira quando Brian adentrou o quarto e pegou o celular de , guardando no bolso de seu jeans e encarando o amigo com os olhos em fendas.
- Nem pense nisso. - ele grunhiu, fazendo revirar os olhos e soltar um suspiro.
- Eu ia entrar no Twitter. - se defendeu.
- Mentira. - Brian retrucou. - Você ia ver se ela mandou alguma mensagem, eu te conheço.
- Não posso mais checar minhas mensagens? - arqueou as sobrancelhas, em desafio.
- Não as dela. - o outro pontuou. - Eu nem sei o porquê de você ainda não ter bloqueado o número dela.
- Por que eu não sou esse tipo de cara. - suspirou, sentando-se na cama e pousando os cotovelos nos joelhos, antes de enfiar o rosto contra as mãos. - De qualquer forma, nós ainda somos amigos. Não faria sentido bloquear o número dela nessa circunstância. - sacudiu os ombros.
- Você deixa essa garota entrar na sua mente. - Brian condenou. Ele não gostava de Hayley Baldwin e não fazia esforço algum para fingir o contrário, mesmo que tentasse convencê-lo de que a garota era uma boa pessoa. Confusa, mas ainda sim, uma boa pessoa. Brian não dava a mínima para aquilo e só queria que se livrasse de Baldwin de uma vez por todas. Havia acompanhado toda a perturbação que aquele relacionamento havia causado em e não queria que o cantor se afundasse novamente.
- Ela é...
- Uma boa pessoa, eu sei. - o outro rolou os olhos, impaciente. - E te manipula como ninguém.
- Não é manipulação. - contestou, mesmo que soubesse que as palavras que proferia eram vazias. Hayley o manipulava sim, mas estava resistindo a tentação de simplesmente ceder. Ele havia deixado claro que não seria a muleta de Baldwin novamente e estava na hora de ela lidar com as consequências de suas decisões. Havia escolhido Bieber e perdera . Não o teria de volta apenas porque Justin e ela haviam terminado novamente. merecia muito mais do que metade de um relacionamento.
- Certo. - Brian estalou os lábios, descontente. - Só não se afogue novamente na ilusão desse relacionamento. Hayley não quer nada com você. - alertou, soltando um suspiro alto antes de tirar o celular do bolso e entregá-lo a . - E vamos logo, pois estamos atrasados.
- Atrasados? - arqueou as sobrancelhas, em confusão. Guardou o celular no bolso da calça e passou a mãos pelos cabelos, os ajeitando antes de seguir para fora do quarto junto de Brian. - Por quê? Só vamos nós. - lembrou.
- Eu convidei uma amiga. - Brian deu de ombros.
- Ah não. - reclamou. - Eu não vou sair de casa para ter você nos meus ouvidos tentando me convencer a ficar com seja lá quem você tenha convidado. - o cantor trancou o apartamento e seguiu para o elevador. Brian já tinha o celular em mãos para chamar um Uber, já que ambos os amigos queriam beber naquela noite e dirigir alcoolizado não era o plano de nenhum deles.
- é uma amiga. - Brian revirou os olhos. - Não a chamei por causa de você. E você já a conhece. - entraram no elevador e apertou o botão do térreo.
- Conheço? - franziu o cenho.
- Sim. - o outro bufou. - Ela foi naquele karaokê conosco.
- A que cantou Barbie Girl? Sua paixonite? - riu, lembrando-se da pessoa em questão. Brian tinha uma pequena crush em , que nada queria com o rapaz. - Você ainda não superou?
- Olha quem fala sobre superar. - Craigen debochou. - "Será que Hayley mandou mensagem? Será que eu respondo?" - afinou a voz, apenas para provocar o amigo.
- Idiota. - xingou.
O Uber já os esperava quando finalmente chegaram ao térreo. A viagem não durou muito, visto que não havia trânsito e o tal bar não era realmente distante do prédio de . Apresentaram seus convites e logo estava no bar, cada um pedindo uma cerveja antes de decidirem dar uma volta pela festa. Tocavam músicas eletrônicas e algumas músicas pop e Brian fez questão se arrastar por toda a festa, enquanto fingia não estar procurando por - palpitava que o nome da loira poderia ser , mas não tinha certeza -, enquanto fingia que não tinha celular, mesmo o sentindo vibrar em seu bolso a cada 10 minutos. Muitas cervejas e reclamações sobre a música mais tarde, ambos decidiram aproveitar os benefícios da área vip, que se localizava no segundo andar do bar. Apresentaram suas pulseiras e estavam no meio do caminho quando um gritinho estridente chamou pelo nome de Brian e eles levantaram os rostos em direção ao som, encontrando uma sorridente e animada, sacudindo uma garrafa de cerveja em mãos.
- Você veio! - Brian murmurou, subindo mais dois degraus e puxando a garota para um abraço.
- Claro que eu vim. - ela revirou os olhos. - Até parece que não me conhece.
- Vou disse quem não viria sozinha é que não tinha certeza de que arrumaria uma companhia. - Brian se defendeu, assim que se soltou do abraço. quis rir, mas sabia que Brian iria ficar puto com ele, então preferiu ficar quieto. Bebeu mais um gole de sua cerveja, antes de cumprimentar com um abraço rápido.
- Eu consegui convencer minha amiga. - deu de ombros. - Mas a perdi na multidão e preciso encontrá-la. - suspirou. - Ela não é daqui e não posso abandoná-la.
- Quer ajuda? - Brian logo ofereceu e sorriu largo, antes de assentir.
- Seria incrível! - exclamou. - Ela é um pouco baixa, cabelos escuros e longos e está usando uma roupa meio incomum para uma festa como essa. E vocês certamente vão encontrá-la reclamando da música.
franziu o cenho. - O que seria uma roupa incomum?
- Ela deve ser a única garota de shorts aqui. - deu de ombros. - Mas segundo ela, no Brasil não se vai a festas de vestido ou saia porque não é confortável para dançar.
- Brasil? - franziu ainda mais o cenho. Seria muita coincidência, não seria? Encontrar naquela festa e a brasileira ser amiga de , a paixão secreta de Brian. Não, riu, descartando a possibilidade. Não poderia ser ela.
- Sim, ela é brasileira. Chegou há uma semana. - explicou.
- Vamos procurá-la então. - Brian decidiu, lançando um olhar questionador para , que deu de ombros e se virou, fazendo o caminho contrário ao que pretendia. Deram muitas voltas em busca da amiga de , até decidirem por se separarem. garantiu que eles encontrariam sua amiga sem precisar ver uma foto dela e esperava que a premissa fosse verdadeira. Sentia um pequeno nervosismo tomando conta de si, apenas pela expectativa de encontrar a garota do abraço novamente. Era engraçado como o mundo era realmente pequeno e as pessoas simplesmente reapareciam em sua vida de forma inesperada. Talvez realmente existisse aquela coisa de destino, no final das contas.

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não estava animada quando pediu a quarta dose de tequila da noite. Recebeu um olhar preocupado do barman, que movia o olhar do rosto nada sóbrio da brasileira para a garrafa de cerveja em suas mãos. O homem lhe entregou a tequila e virou o shot em apenas um gole, dispensando o limão e o sal, bebendo mais de sua cerveja assim que sentiu a tequila lhe queimar a garganta. Estava entediada, havia perdido de vista e a música que tocava era péssima. Os canadenses não conheciam funk? Tudo que queria era dançar e ela não conseguia porque não se dançava música eletrônica. Acreditava que o funk deveria ser globalizado, assim ela não precisaria passar a festa toda bebendo e poderia dançar. Mesmo que ela não soubesse realmente dançar. Rebolava muito mal e não sabia fazer o famoso quadradinho, mas ela não dava à mínima. Ninguém a impediria de rebolar a bunda, como diria a famigerada Anitta.
- Ah, aí está você! - ouviu uma voz as duas costas, virando-se em direção ao som e encontrando com uma expressão nada amigável. mordeu o lábio inferior, bebendo maia da cerveja e então sorrindo para a amiga, antes de jogar-se nela para um abraço. É, talvez ela já estivesse um pouco embriagada.
- Aqui estou eu! - exclamou, após romper o abraço. - Onde você estava? Abandonou-me!
- Você quem sumiu! - reclamou. - E eu estava te procurando, sua ingrata.
- Não sumi não! - sacudiu a cabeça para os lados. - Eu te avisei que iria pegar uma cerveja.
estreitou os olhos para a amiga. - Que seja. - bufou. Inclinou-se para cima e passou a procurar por alguém na multidão. franziu o cenho, confusa. Elas haviam ido sozinhas, estaria procurando a quem? - Agora perdi os rapazes. - rolou os olhos.
- Que rapazes? - questionou. Finalizou sua cerveja e pediu mais uma para o barman, que de olhos arregalados, atendeu ao pedido da brasileira. - Só toca música ruim nessa festa. - reclamou.
- Aqueles rapazes. - apontou para as escadas, sorrindo largo antes de acenar com animação. tinha a garrafa nos lábios quando se virou em direção ao ponto que apontava. Arregalou os olhos e quase engasgou com a bebida. - O que foi? - a loira indagou, surpresa com a reação de .
- Você é amiga do ? - indagou, a voz esganiçada.
- De Brian. - explicou. - Não conheço tão bem. Por quê?
- , eu sou fã dele. - explicou, pausadamente. - Ou você não viu que eu tenho todos os álbuns dele na minha estante? Ou as fotos no meu Instagram? Eu fui ao Rock in Rio apenas para ver ele.
- Você está brincando comigo. - riu, incrédula.
- Não!
- , - falou, o sotaque atrapalhando a pronúncia do nome da brasileira. - Se você desmaiar ou tiver um surto, eu juro que acabo com a sua vida! - ameaçou. - Ele está vindo para cá, não me faça passar vergonha!
- Me respeita ! - grunhiu, dando um tapa na amiga. - Eu já conheço ele. Nos encontramos algumas vezes. - tentou tranquilizar a outra.
- Como você não me disse isso? - exclamou, com uma careta descontente no rosto.
- Você não me disse que conhecia o Brian! - acusou de volta.
- Brian não é famoso. - se defendeu.
- Você quem pensa. - riu. Mais um gole em sua cerveja e então faltavam poucos passos para estar a sua frente. O álcool estava prejudicando os pensamentos de , já que a única coisa na qual ela conseguia pensar era no quão bonito ficava de preto. - O universo quer mesmo que se torne real. - ela murmurou e gargalhou alto. Instantes depois e Brian estavam de frente para as garotas. O mais baixo com uma expressão surpresa e com um sorriso largo.
- Você! - ele exclamou para , que sorriu sem mostrar os dentes.
- Eu! - ela riu.
- O mundo é realmente pequeno. - comentou.
- Ou talvez seja o destino. - deu de ombros e arqueou as sobrancelhas para ela.
- Não acredito em destino. - ele explicou.
- É uma pena. - ela sorriu. e Brian trocaram um olhar cheio de significados, antes de se afastarem e seguirem em direção a pista de dança.
- Então, - se apoiou no balcão e pediu uma cerveja para o barman. - Curtindo a festa?
- Não. - fez uma careta. - Está uma droga. Esse país não tem funk. - reclamou.
- Eu conheço funk. - murmurou. - As batidas são realmente animadas.
- Para dançar! - a brasileira exclamou. - Não tem como se dançar música eletrônica.
riu, concordando com um aceno de cabeça. - Terá que procurar uma festa brasileira. - recomendou.
- Existe isso aqui? - indagou, animada.
- Não sei. - confessou. - Mas existem restaurantes brasileiros. Devem existir festas. - deu de ombros.
- Sua lógica não faz sentido. - riu. Sentia seu corpo ficando mole e o riso cada vez mais frouxo. Estava realmente ficando bêbada e sabia que precisava parar de beber. Mas estava quente dentro do bar e apenas uma cerveja gelada poderia salvá-la. Não era sua culpa e sentia a consciência limpa para pedir mais uma long neck ao barman.
- Eu sei. Desculpe-me. - fez uma careta, mostrando um bico em seus lábios. o encarou com a sobrancelha arqueada, deixando o olhar cair para a boca dele por segundos o suficiente para notar. Ele sorriu, constrangido, as bochechas assumindo um tom ainda mais rosado do que o usual.
- Está desculpado. - riu. Virou-se para o balcão e pediu por duas doses de tequila e então encarou . - Vai ficar só na cerveja?

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havia corrido para o banheiro cinco minutos atrás e já estava preocupado. Sentia seu corpo dando sinais de embriaguez, mas nada comparado ao estado em que - ele ainda tinha alguma dificuldade em pronunciar o nome dela, mesmo tendo passado as últimas duas horas conversando e bebendo na companhia da garota - se encontrava. Ela estava muito mais risonha e espontânea do que o normal para qualquer pessoa. Seu equilíbrio estava bastante prejudicado e suas cantadas cada vez mais engraçadas. Fazia tempo que não passava tempo com uma pessoa como . Alguém que o conhecia por causa da fama e não o tratava de forma diferente. As pessoas costumavam mantê-lo sob uma redoma: o intocável , cantor mundialmente famoso que não fazia nada de comum em sua vida extremamente agitada e impecável. Conversavam com ele de forma mais polida, tratavam-no como se ele fosse diferente de todos os outros. Chegava a ser irritante e esse era um dos motivos pelos quais evitava sair às vezes.
As pessoas o paravam para tirar fotos - como haviam feito naquela noite -, elogiavam seu trabalho e então iam embora. Mesmo os amigos de Brian, aos quais não conhecia, não conseguiam tratá-lo de forma comum, mesmo com Brian de intermediário. Havia sempre um divisor, como uma parede de vidro, que com simplesmente não existiu naquela noite e nas poucas vezes que haviam se encontrado. Ela fez piadas sobre o Canadá não ter boas músicas para dançar, bebeu junto de , fosse qual fosse a bebida, fez comentários espontâneos sobre qualquer coisa e às vezes lhe lançava algumas cantadas, como quando comentou que ele permanecia cheiroso mesmo depois de horas no meio de pessoas suadas ou então como ela adorava o sorriso dele. E mesmo sendo uma pessoa completamente normal com ele, não deixou de surtar quando There's Nothing Holdin'Me Back tocou na festa ou então de mencionar que estava seguindo todos os produtores musicais com quem trabalharia para o próximo álbum em busca de alguma dica sobre as músicas novas. Era algo novo para . Aquele tipo de vivência não fazia parte de sua vida: alguém que admirava e acompanhava seu trabalho e conseguia tratá-lo como um novo amigo ao mesmo tempo. As únicas pessoas que não mantinham dentro da redoma intocável eram seus amigos de infância, sua família e sua equipe. Fora eles, todos o tratavam com privilégios. E ele não gostava daquilo. Gostava do tratamento que reservara para ele. Completamente espontâneo.
A garota saiu do banheiro com uma expressão visivelmente doente. Fazia uma careta e tinha algumas gotas de água escorrendo por sua nuca, enquanto seus cabelos estavam presos em um coque desordenado e ela carregava o casaco que antes estava amarrado em sua cintura.
- Está melhor? Eu poderia ter ido te ajudar. - murmurou.
- E deixar você me ver colocando os órgãos para fora? - ela riu fraco. - Nem pensar. - sacudiu a cabeça para os lados, aumentando a careta em seu rosto.
- Vamos procurar a . - falou, segurando o braço de com cuidado e a guiando por entre as pessoas na festa. O bar ainda estava lotado e a música alta estava deixando ainda mais desconfortável do que já estava se sentindo por causa da embriaguez. Ela vacilou algumas vezes, tropeçando nos próprios pés pelo menos duas vezes em um intervalo de tempo de cinco minutos. riu e a puxou para mais perto, passando o braço em torno da cintura de e dando ao apoio que ela precisava para se manter em pé.
- Preciso confessar uma coisa. - murmurou, em um tom de voz mais baixo. precisou se aproximar dela e quase colar a orelha na boca dela para conseguir entender o que ela dizia.
- O que?
- Em todas as vezes que me imaginei abraçada com você, em nenhuma delas eu estaria bêbada a ponto de passar mal. - fez uma careta e riu com gosto.
- Eu tenho certeza de que esse cenário não estava nos seus planos. - sorriu com simpatia para ela. - Mas eu já fui o cara bêbado, então não vejo problemas em ser o sóbrio que ajuda uma bêbada.
- Você nunca vai encontrar uma fã mais maluca do que eu. - riu. - Fala sério, eu tinha a chance de te pedir em casamento e ai o que eu faço? Bebo até meu fígado dizer chega e fujo para vomitar no banheiro.
- Casamento? - gargalhou, encarando com o divertimento estampado nos olhos.
- Não me rejeite agora, eu estou bêbada e sensível. - ela torceu os lábios, fazendo rir ainda mais.
- Eu não te rejeitaria. - ele garantiu.
- Não iluda uma mulher embriagada, . Eu tenho certeza de que isso é crime em algum país. - exclamou, encarando com os olhos em fendas e o cantor apenas riu mais.
Procuraram por por quase meia hora e quando finalmente se deram por vencidos, reclamou de sono e pediu para que a colocasse em um táxi, já que ela gostaria de ir embora de uma vez. deveria estar com Brian e não queria ser a pessoa a atrapalhar a amiga. , como o bom cavalheiro que era, entrou no táxi junto de e quando ia perguntar o endereço para a garota, notou que ela estava dormindo com a cabeça escorada na janela do carro. Acabou dando seu próprio endereço para o taxista e torceu para que tudo desse certo. Afinal de contas, apesar de ter encontrado com algumas vezes, eles ainda eram desconhecidos. E levá-la para seu apartamento poderia ser um erro gigante. Mas jamais a deixaria sozinha na rua e por isso puxou-a para mais perto de si e deixou que ela dormisse em seu ombro. E quando o táxi parou em frente a sua casa, ele a carregou nos braços até seu apartamento. Não era realmente um desconforto para ele, que estava acostumado a levantar peso na academia. Colocou a garota no quarto de hóspedes e então mandou uma mensagem para Brian, pedindo que ele avisasse de que estava bem. Acabou se jogando no sofá e soltando um suspiro alto, antes de virar o rosto em direção a janela e encarar a vista espetacular que seu apartamento proporcionava de Toronto, com um sorriso largo no rosto. A noite havia valido a pena e ele estava agradecido por Brian tê-lo arrastado para fora de casa. Fazia tempo queria não se sentia normal e não se divertia de forma tão natural. Estava feliz e com a cabeça em paz e aquilo era tudo o que ele andava precisando.

Capítulo 8

It gets lonely when there's no one to talk to
But it's good to know that somebody cares

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A cama na qual dormia parecia muito mais aconchegante do que a sua realmente era. Claro, ainda não havia se acostumado com o novo colchão, mas naquela manhã em específico, em ela sentia uma diferença enorme entre a cama na qual dormia há alguns dias, para a cama na qual dormira naquela noite. Respirou fundo e então abriu os olhos, sentindo a claridade atingi-la e fechando a pálpebras novamente em instantes. Resmungou um palavrão, odiando o fato de ainda não ter colocado cortinas na janela da varanda. Coçou os olhos e prendeu o cabelo em um coque, antes de finalmente tomar coragem para encarar os raios de sol. Apenas para arregalar os olhos e levantar da cama em um pulo.
Não estava em sua casa. Sequer estava na casa de e aquilo era extremamente preocupante, já que não fazia ideia de onde diabos ela estava. Olhou para si mesma e soltou um suspiro de alívio, percebendo que ainda usava as roupas da noite passada e nada parecia fora do lugar. Apesar de ter bebido horrores, não sentia nenhuma dor de cabeça. Apenas uma sede insana tomava conta de sua garganta. Passou as mãos pelo rosto e tentou puxar em sua mente as lembranças da noite anterior, suspirando em desgosto quando se dera conta do que realmente havia acontecido.
Mas será que ela não cansava de passar vergonha?
Buscou seu celular no bolso dos shorts e não o encontrou, tendo um pequeno ataque do coração antes de notar o objeto repousando na mesa de cabeceira. Desbloqueou o celular apenas com a impressão digital e logo abriu o aplicativo do WhatsApp. Algumas mensagens de apenas confirmavam o que ela mais temia: sabia onde ela estava, mesmo não acreditando que aquilo havia acontecido de fato. Grunhiu novamente, antes de bater na própria testa com a mão direita e então digitar uma mensagem para .

Eu não sei o que aconteceu 09:47 pm
Estou bem, mas morta de vergonha 09:47 pm
Eu acredito que ele more na cobertura, então não tenho como fugir pela janela 09:47 pm
eu quero me MATAR 09:47 pm

Essa é a sua chance de pegar um fio de cabelo e fazer vudu 09:47 pm
APROVEITA AMIGA 09:48 pm
Estou feliz que esteja bem 09:48 pm
Fiquei preocupada 09:48 pm
Mas caso você não desse sinal de vida eu ia denunciar ele na internet 09:48 pm

soltou um risinho ao encarar as respostas da amiga, deixando para respondê-la mais tarde e então abrindo a conversa com . A última mensagem da prima era um "aproveite a festa" e se martirizou por ter realmente aproveitado. Mas na opinião dela, havia aproveitado até demais.

Tu não vais acreditar no que aconteceu 09:50 pm
, eu vou pegar um vôo para casa imediatamente 09:50 pm
Eu só tô em Toronto pra passar vergonha 09:50 pm

A tua sorte é que eu tô acordada 09:50 pm
Ou então eu iria até Toronto te matar por ter me acordado 09:50 pm
O que tu fez agora?? 09:51 pm
Eu não consigo te defender assim amiga 09:51 pm
Eu bebi demais 09:51 pm
Vomitei até a minha alma 09:51 pm
Desmaiei no táxi 09:51 pm

E onde está a vergonha nisso? 09:52 pm
tem cara de quem faz coisa pior 09:52 pm

mordeu o lábio inferior, jogando-se na cama novamente - já estava ali mesmo, não custava nada aproveitar o conforto - e então encarou a tela do celular por alguns minutos, antes de finalmente responder .

Não foi a quem cuidou de mim 09:53 pm

Espera 09:53 pm
O que? 09:53 pm
estava com um grupo de amigos 09:54 pm
E eu passei a noite conversando com outra pessoa 09:54 pm
Ou seja, essa pessoa quem cuidou de mim 09:54 pm

E quem é? É bonito? 09:54 pm
Passa o Instagram 09:55 pm

riu, digitando rapidamente a URL do Instagram de e enviando para . Recebeu vários emojis de cara feia e xingamentos da prima como resposta e quando estava prestes a enviar uma nova mensagem, uma chamada de voz de apareceu no visor de seu celular. atendeu e logo a estava xingando de todos os palavrões que conhecia.
- Tu és uma idiota, tá me achando com cara de palhaça?
- ! - chiou. - Estou falando sério.
- Ah me poupa . - a outra bufou.
- É sério. - suspirou, finalmente acalmando a fúria de , tamanho o desespero presente em sua voz.
- Mas como...
Um barulho do lado de fora do quarto surpreendeu , que deu um pulo na cama e quase deixou o celular cair.
- Eu te explico depois! - e com isso, finalizou a chamada. Guardou o celular no bolso e então levantou da cama, calçando seus tênis e se aproximando da porta com passos calmos. Colocou a orelha quase colada na madeira e aguardou em silêncio, esperando ouvir alguma coisa do lado de fora do quarto. Duas batidas na porta a fizeram soltar um xingamento e então uma risada conhecida e adorada por ela se fez presente. engoliu em seco e prendeu a respiração, antes de segurar na maçaneta e girar o objeto, abrindo a porta e encarando com as bochechas coradas.
- Bom dia. - ele saudou. - Dormiu bem?
Puta merda, ela pensou, descendo rapidamente o olhar para analisar de cima abaixo e sentindo suas bochechas ainda mais quentes. Ele carregava uma camiseta preta e usava uma calça de moletom. As ondas em seu cabelo estava uma bagunça e aquele sorriso frouxo quase fez com que falecesse. Ela sentiu um arrepio na nuca, que em nada tinha relação com o frio que fazia naquele dia. era gostoso. já sabia daquilo, pois as fotos dele sem camisa deixavam aquela realidade clara como cristal. Mas pessoalmente a coisa se elevara para um novo nível. não sabia se estava com mais vergonha por ter vomitado e feito o cantor de babá na noite anterior, ou se pelos pensamentos pervertidos que estava tendo naquele momento. Fosse o que fosse, deixava suas bochechas em chamas e ela agradecia por não ser branca ao ponto de sua pele ficar escarlate.
- Se você fosse o maníaco da machadinha eu ficaria mais tranquila. - ela admitiu, enquanto ele vestia a camiseta e ela só faltava babar em cima dele. - Pensei em pular da janela, mas seria uma morte muito trágica.
riu com gosto. - Todo mundo já passou mal por causa de bebida. - ele deu de ombros, fazendo pouco caso do acontecido. - Ouvi sua voz e pensei que pudesse estar passando mal novamente. Não queria te assustar.
- Eu estou bem, apenas morta de vergonha. - confessou. - Passar mal e fazer seu ídolo te carregar bêbada é demais até para mim. - fez uma careta. - Eu queria evaporar, mas infelizmente não consigo, então só vou embora mesmo.
- Eu recomendo um banho quente antes disso. - sorriu com calma. - Eu te empresto algumas roupas. Está frio e você pode ficar doente.
- Não quero incomodar. - trocou o peso da perna e mordeu o lábio inferior. Estava em uma batalha interna para não ficar encarando os braços de , mesmo que olhá-lo nos olhos não fosse realmente seguro também. Aqueles olhos cor de mel tiravam sua sanidade. - Mais do que já incomodei.
- Mas você não incomodou. - arqueou as sobrancelhas para ela. - Então pode tomar um banho e me acompanhar no café da manhã antes de ir embora.
- Você quer mesmo a companhia de alguém que passou a noite toda falando bobagem, - ela corou novamente, apenas pela lembrança das cantadas horríveis que havia jogado para ele - bebeu como uma idiota e te obrigou a trazê-la bêbada e desmaiada para a sua casa?
- Foi a noite mais divertida que tive em meses. - comentou, dando de ombros. - Não me importo em ser pedido em casamento novamente. - sorriu.
enfiou o rosto contra as mãos, grunhindo em desagrado. - Eu só passo vergonha nessa vida.
- Não esqueça que eu não recusei. - o canadense lembrou, fazendo levantar o rosto e encará-lo com o cenho franzido. O que estava acontecendo ali?
- Dizem que pedidos de casamento não negados para uma bêbada te obrigam a aceitar o pedido no futuro. - ela murmurou, rindo pelo nariz para descontrair o momento. encarou-a com intensidade, antes de abrir um pequeno sorriso e dizer com diversão:
- Aceito seus termos. - respondeu. - E aí, prefere muffins ou panquecas?
- Muffins. - respondeu prontamente. alargou seu sorriso. Ele sorria para um caramba e ela simplesmente adorava aquilo nele. Mas tinha algo que ela não adorasse nele?
- Vou pegar uma muda de roupa para você. - avisou, sumindo pelo corredor no instante seguinte. encarou o lugar onde ele esteve um segundo antes, com o queixo caído e o cenho franzido. Passou novamente as mãos pelo rosto e por precaução, beliscou o próprio braço. É, ela não estava sonhando. Mas também não fazia ideia do que estava acontecendo. Voltou para dentro do quarto e analisou o cômodo. Era simples, em tons claros e tinha uma janela enorme que dava para uma visão incrível de Toronto. Nem se comparava a visão da sua própria varanda. suspirou, deixando o celular novamente em cima da mesa de cabeceira e retirando os tênis dos pés. voltou um instante depois, carregando um conjunto de moletom, uma regata e uma cueca boxer.
- Aaliyah não deixa roupas aqui, então vou te emprestar peças minhas. - ele se desculpou.
- Tudo bem. - murmurou baixinho. - Obrigada. - ela sorriu.
- Pode usar o banheiro à vontade. - ele apontou para a porta às suas costas. - Enquanto você se organiza, eu preparo o café. - murmurou, deixando as roupas com e então se retirando do quarto. A garota sentou-se na cama, apenas para se jogar de costas e encarar o teto. Nunca, em circunstância alguma, imaginou que poderia estar naquela situação algum dia. Nem em seus sonhos mais loucos e eles incluíam um casamento nos parques de Harry Potter em Orlando com o cantor proprietário do apartamento no qual ela estava. Para , estar na casa de após passar mal em um bar por causa da bebida era algo impossível. Mas ela estava ali, sem saber como agir. E só esperava não passar mais nenhuma vergonha perto dele.

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estava rindo. Não, ele estava gargalhando. Seus olhos estavam pequenos, as bochechas arqueadas e bem acentuadas e uma gargalhada alta e espontânea preenchia o ambiente. Havia abandonado o muffin que estava comendo de volta ao prato, tamanho era o descontrole que aquela risada provocara nele. , sentada ao lado de no sofá, usando as roupas que ele havia lhe emprestado - e que eram bem maiores do que ela, com as bochechas coradas e um riso nervoso saindo de seus lábios. demorou alguns segundos para voltar ao normal, tinha as maçãs do rosto doloridas e lágrimas acumuladas no canto dos olhos. O rapaz respirou fundo e então voltou a encarar , a diversão estampada em seu olhar, secando as lágrimas com as pontas dos dedos.
Eles estavam tomando café da manhã enquanto assistiam a um episódio qualquer de Friends. havia feito muffins e café, também oferecendo frutas e iogurte para . Conversaram sobre música e comentou que era fotógrafa, o que fez afirmar que ela deveria conhecer Josiah, seu fotógrafo de turnê, e a garota quase surtar pois adorava o trabalho de Josiah e se inspirava bastante no estilo dele. Com isso, serviu de modelo para então bancar o juiz e analisar se eles realmente tinham um instinto parecido para fotografar. Após isso, a conversa fluiu naturalmente até chegar aos acontecimentos desde a chegada de ao Canadá e quase morrer de vergonha.
- Então você e viraram amigas após você acusá-la de perseguição? - questionou, a vontade de rir transparecendo no tom de voz agudo que ele soltara.
- Basicamente. - concordou, dando a deixa para voltar a rir. Ele ria bastante quando estava com ela e aquilo era bom. Significava que ela era divertida. Ou então, muito palhaça. se divertia horrores com as cenas que descrevia para ele e sentia-se leve de uma forma que não se lembrava de ter se sentido em um longo tempo. Rir era realmente libertador.
- Isso é incrível. - ele exclamou. - Pensei que esse tipo de situação apenas acontecesse em filmes e livros.
- Acredite, eu tenho uma lista de vergonhas que passei na vida que pessoas normais não acreditariam serem possíveis de acontecer. - ela deu de ombros e a encarou com curiosidade. - A maioria é culpa de .
- Sua prima parece ser bem divertida. - comentou, sorrindo fraco. Voltou a pegar o muffin e mordiscou rapidamente, antes de voltar a olhar para .
- Ela é. - assentiu. - Completamente louca. - riram. - Era com ela que eu estava falando de manhã. Ela não acreditou que eu estava na sua casa. - Não? - franziu o cenho, uma ideia tomando conta de sua cabeça. Colocou o restante do muffin na boca e mastigou rapidamente, pulando para o assento central do sofá e passando o braço em torno dos ombros de . - Pega o teu celular. - ele pediu e apenas puxou o objeto do bolso do moletom, sem realmente pensar em suas ações. A garota parecia em choque e quis rir. - Vamos mandar uma foto para ela. - decidiu e o encarou como se fosse louco.
- Está louco? - ela proferiu o que seus olhos deixavam claro. - vai morrer.
- Não vai. - o cantor garantiu. - Ela apenas vai ter um surto. - deu de ombros e sorriu torto.
- Você é terrível. - riu, já abrindo a câmera do celular e erguendo o braço esquerdo para pegar o melhor foco deles. se aproximou ainda mais da garota, colando as extremidades de seus corpos e então sorriu para a câmera, vendo o reflexo de um sorriso nervoso por parte de . A garota bateu algumas fotos naquela posição e quando fez menção de baixar a câmera, negou com um aceno de cabeça e aproximou os lábios da bochecha de , estalando um beijo e mantendo a boca colada a pele da garota. arregalou os olhos rapidamente, mas logo sorriu largamente e bateu mais algumas fotos. Satisfeito, voltou para o lugar que ocupava anteriormente no sofá e focou seu olhar na brasileira. Ela estava corada, mas tinha um sorriso frouxo nos lábios e aquilo foi o suficiente para ele perceber que gostaria de passar mais tempo com ela e ver aquele sorriso mais vezes. Talvez devesse chamá-la para um café no meio da semana ou algo daquele tipo.
- Mandou? - indagou, após alguns segundos onde digitava alguma coisa no celular.
- Preparei o terreno. Mas vou mandar apenas quando eu chegar em casa. - anunciou e levantou o olhar para o canadense. - Os surtos da podem te assustar. - ela riu e a seguiu.
- Tudo bem. - ele assentiu. - Então, você já visitou os pontos turísticos de Toronto? - questionou como quem não queria nada. negou.
- Ainda não tive tempo. - comeu mais um muffin antes de continuar a falar. - prometeu ser a minha guia, mas já deu 27 desculpas para fazermos outra coisa após sairmos da empresa. - revirou os olhos.
- Posso ser seu guia. - se ofereceu e observou o olhar de se iluminar, para então ela morder o lábio e deixar os ombros caírem em desânimo.
- Isso não seria bom para você. - respondeu. - A mídia, os fãs e etc.
- Eu não ligo. - retrucou, mesmo que aquilo não fosse verdade.
- Liga sim. - acusou. - Fã, lembra? - riu. - Eu te conheço, mesmo que virtualmente, há seis anos. - ela estreitou o olhar para o cantor. - E sei que você liga para o que pensam e falam de você. E tudo o que eu não quero é te dar dor de cabeça. - falou e achou adorável a forma como ela sorriu triste e deu de ombros.
- Podemos ir à noite. - sugeriu. - Eu sempre saio para passear a noite. E você é fã, pode dizer se eu tenho sucesso nas minhas empreitadas ou não. - encarou-a com diversão. bebeu um gole do café, parecendo pensativa, para então estalar os lábios e murmurar:
- Tem sucesso sim. - admitiu. - Só saem fotos suas se está em algum restaurante, bar ou tira foto com algum fã.
- Então estamos combinados. - decidiu.
- Eu não concordei com isso! - reclamou e revirou os olhos.
- Sábado está bom para você? - ignorou os protestos da brasileira. - Podemos ir até Hamilton ver as cachoeiras e então voltar a noite para eu te apresentar Toronto. - sorriu largo.
o encarou por alguns instantes, antes de finalmente deixar os ombros caírem e assentir com a cabeça. - Tudo bem.
- Me passa o teu endereço por mensagem. - pediu, pegando seu próprio celular e digitando um "oi" para .
- Mas eu não tenho seu... - ela não terminou de falar, visualizando a mensagem do rapaz no mesmo instante. Riu fraco e então acenou novamente com a cabeça. - Roupas confortáveis? - questionou.
- Sim, por favor. - estalou os lábios.
- Certo, estamos combinados então. - ela levantou do sofá em seguida e se virou para . - Preciso ir embora, está me esperando para o almoço. Ela não sabe cozinhar, então interprete isso como a necessidade de ela fofocar. - fez uma careta e riu.
- Tudo bem. - concordou. - Você quer que eu te leve?
- Não precisa, eu peço um Uber. Já te atrapalhei demais. - sorriu em agradecimento. - Só vou pegar as minhas coisas no quarto. - avisou e assentiu novamente. A garota se retirou da sala e recostou-se no sofá, suspirando baixo, sem desviar o olhar do corredor onde ela sumira. Tinha uma sensação gostosa no peito, um quentinho que não se lembrava de ter sentido fora do palco. Era como um abraço reconfortante e sentia-se extremamente bem naquele momento.
O som da campainha o despertou de seus devaneios e correu para abrir a porta, encontrando Aaliyah e sua animação costumeira. Franziu o cenho para a irmã, que logo fez uma careta e empurrou para lhe dar espaço para entrar na casa.
- Eu sabia que você ia esquecer. - ela reclamou.
- O que eu esqueci? - fechou a porta e seguiu a irmã até a sala.
- As compras para o Thanksgiving. - Aaliyah exclamou, jogando-se no sofá e fazendo questão de fulminar o irmão com o olhar.
- Mas é amanhã. - o cantor franziu o cenho.
- Ficamos responsáveis pelas sobremesas. - lembrou a caçula. - Mamãe vai nos matar de não fizermos um bom trabalho.
- Mamãe vai matar você. - frisou, divertido. - A responsabilidade é sua e você me incluiu nisso porque é trapaceira.
- Essa é a recompensa por você ser famoso e atrapalhar minha vida mundana. - Aaliyah não se abalou. - Inclusive...
Aaliyah fora interrompida pelo retorno de , que carregava suas roupas e tinha uma expressão descontente explícita em seu rosto.
- , você tem alguma sacola, de preferência uma ecobag, para me emprestar? Não quero levar as minhas roupas assim. - ela murmurou enquanto sacudia as peças, sem dar-se conta da presença de Aaliyah. Quando finalmente desviou o olhar de suas roupas e os focou em , encontrou a garota sentada no mesmo lugar que antes ocupava. prendeu a respiração e arregalou os olhos, parecendo novamente entrar em choque, fazendo rir com vontade. Aaliyah, de queixo caído, encarou o irmão com a curiosidade praticamente saltando de seus olhos.
- Aaliyah, essa é a . - apresentou, ainda sem se atrever a pronunciar o nome da garota. O apelido era muitíssimo mais seguro para ele. - , essa é a...
- Sua irmã. - afirmou, sem sombra de dúvidas. Ela largou as roupas na poltrona e se aproximou de Aaliyah, que ainda encarava exigindo uma resposta.
- Aaliyah, a é uma... Amiga. - concluiu, após alguns segundos de reflexão sobre o status de em sua vida.
- Amiga, uhum. - a mais nova murmurou descrente. Levantou-se e então encarou , abrindo um largo sorriso para a brasileira, que tinha a mão estendida para ela em uma tentativa de cumprimentá-la. - Muito prazer! - exclamou. - Fico feliz que o esteja seguindo em frente. Você parece uma boa garota. - avaliou, após analisar de cima abaixo. - É bonita. E não está pelada. - riu. - Gostei de você. - decidiu, puxando uma de olhos ainda mais arregalados para um abraço. tossiu em puro desconforto.
- Ela é só uma amiga mesmo. - falou e após a caçula soltar , lançou um olhar debochado para o irmão.
- Tudo bem. - disse, mesmo que não acreditasse nas palavras que ouvira.
- ... - chamou, em um fiapo de voz e o cantor a encarou. - A sacola? - indagou.
- Ah sim, certo. - ele assentiu e sumiu para a cozinha. Ouviu alguns resmungos de Aaliyah e logo estava de volta, com uma ecobag preta em mãos. Entregou para , que rapidamente guardou suas coisas e catou o celular em cima da mesa de centro.
- Eu vou indo. - sorriu sem mostrar os dentes e se virou para Aaliyah. - Foi um prazer imenso te conhecer!
- Digo o mesmo! - a outra sorriu largo. - Vou conversar com meus pais e marcar um almoço lá em casa para você os conhecer.
- Aaliyah! - reclamou e a garota o olhou, a diversão estampada em seus olhos. - e eu não estamos namorando!
- Não estamos mesmo. - confirmou. - apenas me ajudou.
- Certo. - a outra não deu importância.
lançou um olhar feio para a irmã e então guiou até a porta. Já no corredor, ela ajeitou os cabelos e mordeu o lábio inferior, parecendo desconfortável. puxou-a para um abraço, tendo que se curvar para poder envolver seus braços na cintura da garota.
- Obrigada. - murmurou. - Por ontem. Vou pedir para alguém entregar suas roupas aqui durante a semana. - pontuou.
- Não se preocupe com isso. - sorriu, desfazendo o abraço. - Nos vemos no sábado. - não era uma pergunta.
- Sábado. - concordou e deu as costas para o cantor, sumindo no elevador em seguida. Com um sorriso pequeno, voltou para dentro de seu apartamento e trancou a fechadura. Aaliyah estava escorada na parede de frente a porta e lançou um olhar malicioso para o irmão.
- Sábado hein? - ela riu. revirou os olhos para ela.
- Me dá um tempo, Aaliyah. - bufou, seguindo para seu quarto enquanto a irmã gargalhava.

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Thanksgiving não era um feriado brasileiro, então acordou naquela segunda-feira muito mais tarde do que deveria caso tivesse que ir trabalhar. Não que ela estivesse reclamando, já que estava no DNA do brasileiro ser grato por feriados que não tinham a menor importância para a maioria da população. Limpou sua casa enquanto ouvia sua playlist de funk favorita e cozinhou algo rápido para o almoço. Sabia que todos os canadenses estavam tendo refeições incríveis naquele dia, mas para ela, seu macarrão com brócolis era mais do que o suficiente, já que ela havia decidido diminuir o consumo de carne assim que se mudara para o Canadá. Sua maior sorte havia sido ter encontrado um mercado que vendia produtos brasileiros perto de onde trabalhava, e em uma tentativa desesperada de fugir da comida canadense a todo custo, havia enchido seu armário com os temperos que amava e todos os produtos que não encontrava nos mercados tradicionais canadenses. Estava morando no Canadá, mas um tantinho do Brasil a acompanhava o tempo inteiro. Um tantinho bem pequeno, já que realmente passou trabalho na busca de mercados brasileiros e restaurantes que pudessem lhe trazer aquela comida com gosto de casa.
Após o almoço se jogou no sofá para assistir Netflix, enquanto trocava algumas mensagens com e Henrique no grupo intitulado "três espiãs demais" que tinham no Whatsapp. ainda não havia superado as fotos de com e a todo o momento perguntava sobre o cantor, como se estivesse casada com ele e monitorasse todos os passos que ele dava. Henrique, sempre muito sensato, tentava controlar a namorada, mas nada nem ninguém poderiam impedir de falar o que tivesse vontade. Nem mesmo Henrique a removendo do grupo diversas vezes durante a conversa.


Tu poderia mandar mensagem para ele 12:26 pm
E por que eu faria isso? 12:26 pm

É feriado. Ele está em casa 12:26 pm
E vocês tem um encontro 12:26 pm
Não é um encontro 12:27 pm
Henrique
É um encontro sim 12:27 pm
Vai me ajudar ou apenas infernizar junto com a ? 12:28 pm
Henrique
Desculpe, me forçou 12:28 pm


bufou, não gostando nada do rumo que aquela conversa estava tomando. Afinal, onde estava a curiosidade dos amigos sobre a estadia dela no Canadá? Por que era o único tópico de suas conversas? Tudo bem, ela entendia o surto. Não eram todos os dias em que ela tinha um cantor mundialmente famoso cuidando-a após uma bebedeira. Mas também não precisava de uma comoção geral como aquela. já havia aturado surtando e obrigando-a a mandar mensagens para na noite anterior. Mensagens essas que havia respondido prontamente e tinha servido para embasar uma conversa animada sobre tudo e qualquer coisa. Mas ainda sim, sentia-se desconfortável naquela situação. Não queria ser anulada, nem mesmo pela presença de .


Tu está perdendo uma chance única 12:30 pm
Não seja idiota 12:30 pm
Chance? Que chance? 12:30 pm
Tu tá ficando maluca 12:31 pm
Não existe chance nenhuma 12:31 pm
Nós não vamos nos casar e etc 12:31 pm
Só porque nos encontramos por acaso 12:31 pm


estava digitando um xingamento quando uma nova notificação chegou a seu celular. Ela passou os olhos de relance, objetivando terminar de xingar , antes de baixar a barra de notificações do celular e encarar a conversa que fora retomada naquele instante. havia mandado mais mensagens e sentia seu coração disparado. Aquela era a sensação de morrer? Por que ela sentia estar perto da morte naquele momento. Precisava mudar o nome do contato dele para algo bem explícito, do tipo Não surtar se chegar notificação para reaver um pouco da dignidade que ela nem sabia se ainda tinha. Cada nova mensagem era um surto histérico e precisava se controlar.

❤️
Ocupada? 12:33 pm
Não mesmo 12:33 pm
Não existe esse feriado no meu calendário anual 12:33 pm
❤️
Canadá tem os melhores feriados 12:34 pm
Temos mais feriados 😘 12:34 pm
❤️
Quantidade não significa qualidade 12:34 pm
Ta e dai 12:34 pm
❤️
Odeio quando você escreve em português 12:35 pm


gargalhou alto e antes que pudesse responder a mensagem de , uma chamada de voz do cantor surgiu na tela de seu telefone. parou de rir no mesmo instante e engoliu em seco, antes de pigarrear, respirar fundo e atender a chamada. Não poderia parecer tão descontrolada. Havia visto no dia anterior. Não existiam motivos para ela estar nervosa daquela maneira. Ou existiam? Talvez ela jamais fosse superar a fase de fã. , caso permanecesse em sua vida, teria que se acostumar com aquilo.
- Hey. - atendeu, ouvindo sua própria voz estrangulada demais. Revirou os olhos para si mesma, mas não tentou pigarrear novamente. Seria vergonhoso demais.
- "Hey! Desculpe pela ligação repentina." - falou e a garota só faltou suspirar. Ele falava bonitinho até por chamada telefônica.
- Tudo bem. - logo disse. Ela poderia ouvi-lo falar por horas sem se cansar jamais. - Eu estou de bobeira mesmo.
- "Queria te perguntar uma coisa."
- Pois pergunte. - riu. Virou-se no sofá, encarando o teto e cruzando as pernas para o alto.
- "Podemos adiantar nosso passeio para hoje? É feriado. Eu vou precisar viajar no final da semana e só volto no sábado à tarde." - murmurou.
- Você não precisa fazer isso. - o tranquilizou. - Eu posso visitar Toronto sozinha.
- "Quero ir com você." - retrucou. - "Te apresentar a cidade com os olhos certos: os canadenses."
A garota gargalhou.
- Você não deveria passar o feriado com a família? - indagou, mordendo o lábio inferior levemente.
- "Já almoçamos juntos." - o cantor respondeu. - "Posso passar na sua casa em duas horas."
- Se estiver tudo bem para você. - concordou. - Eu não acredito que estou confirmando um passeio com você. Será que eu morri e fui para o paraíso?
ouviu gargalhar do outro lado da linha e sorriu automaticamente. Merda, a risada dele era incrível.
- "Estar comigo seria o seu paraíso?"
- Fã. - relembrou. - Até o inferno iria parecer o paraíso se você estivesse lá. Mas não existem chances de você ir para o inferno. – ela divagou, não se dando conta de que estava falando muito. Outra vez.
- "Por que não?"
- Você nem é um homem, é um anjo. - retrucou e gargalhou ainda mais.
- "Me sinto lisonjeado pelo comentário."
- Apenas falo as verdades. - riu fraco.
- "Te vejo em duas horas." - estalou um beijo para .
- Até daqui a pouco. - a garota concordou, desligando a chamada e então largando o celular em cima de sua barriga. Passou as mãos pelo rosto e suspirou.
Ela iria sair com , seu cantor favorito de todo o mundo. Talvez tomar um suco de maracujá fosse necessário para ajudá-la a não morrer do coração a cada vez que ele sorrisse ou falasse com ela. Era realmente uma droga ser uma fã alucinada.

Capítulo 9

Baby oh, I need to know
If this is mutual
Before I go
And get way too involved

.
- Ed Sheeran não é a minha playlist dos sonhos para viajar de carro. - murmurou e riu baixinho. Já havia pegado a The Gardiner e permaneceria na via expressa por um tempo considerável, até precisar entrar na rodovia QEW, que os levaria até Hamilton, uma das províncias de Ontário e destino do passeio que havia planejado para aquela tarde de feriado.
- Ed Sheeran é bom em qualquer momento. - contrapôs e revirou os olhos. Era óbvio que ele iria defender seu gosto musical, principalmente se tratando de Ed Sheeran, que além de ser um artista que admirava demais, era um amigo.
usava jeans e moletom - e para sorte de , que havia pego apenas uma jaqueta jeans para se aquecer, ele havia levado uma blusa de lã extra, pensando exatamente no conforto da fotógrafa. , no banco do passageiro, havia prendido os cabelos em um coque, e de tempos em tempos, lançava algumas olhadelas incrédulas para o cantor. E nem podia culpá-la. Se ele estivesse em um carro com John Mayer no volante, também estaria surtando. Ser fã era realmente algo impressionante, mas adorava as oscilações de : em um momento ela parecia esquecer quem ele era e o que significava em sua vida e no instante seguinte ela entrava em um pequeno surto e tinha ataques típicos das fãs do cantor. Era engraçado e surpreendente para passar algum tempo com alguém como .
- Claro, estamos muito na vibe de aventureiros ouvindo Dive. - a garota ironizou.
- Ed vai ficar magoado quando eu comentar que algumas pessoas não gostam de ouvir Dive durante uma pequena viagem. - murmurou e o encarou com os olhos arregalados.
- Como é?
- Nós vamos para o estúdio durante a semana. - o canadense deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais.
- Por acaso você quer me matar? - indagou, a voz esganiçada.
franziu o cenho para ela. - Por que?
- Você vai para o estúdio com o Ed Sheeran. Álbum novo. - pontuou. - Eu sou cardíaca, me respeita. - grunhiu e soltou uma gargalhada.
- Tenho quase certeza de que você não é cardíaca. - ele falou.
- Isso é um meme. - ela avisou, rindo. - É adorável a forma como você não entende o que eu falo.
lançou um olhar insatisfeito para a brasileira. - Sabe que isso é maldade, não sabe?
- Sei. - ela assentiu, estalando os lábios em seguida. - Mas também é maldade você falar sobre gravar músicas novas para uma fã maluca. - lembrou.
- Tem razão. - concordou. - Mas você não é tão maluca assim. - ele ponderou, dando de ombros em seguida.
- Eu tenho uma pasta dedicada a você no Pinterest. - murmurou e soltou uma risada alta.
- Sério?
- Sério. - ela suspirou. - E as pessoas só me seguem naquele perfil por causa dessa pasta. É praticamente uma ofensa ao meu trabalho. - reclamou, fazendo rir ainda mais. Ele lançou um rápido olhar para ela e achou adorável o bico que ela havia formado nos lábios. era realmente a definição de pessoa fofa.
- Você fotografa desde que idade? - ele questionou, genuinamente interessado.
- Desde criança. - sorriu. - A primeira máquina fotográfica que meu pai comprou foi um presente forçado para mim. - riu. - Mas profissionalmente, desde os 14. Fazem 6 anos já. - deu de ombros.
- Espera... Você tem 20 anos? - a encarou rapidamente, o queixo caído e um olhar assustado.
- Sim. - ela acenou com a cabeça. - Faço 21 em 9 dias, aliás.
- E nós vamos comemorar como? - questionou, mesmo que ainda abalado pela notícia de que era 2 anos mais velha do que ele. A brasileira era tão pequena, que ele poderia jurar de pés juntos que ela tinha a mesma idade que ele ou um ou dois anos a menos.
- Nós vamos? - arqueou as sobrancelhas para .
- Claro! - o canadense concordou, animado. - Aniversários são importantes. - lembrou.
- Eu normalmente comemoro em casa, com meus amigos e minha família. - suspirou. - Esse ano não terei eles, mas não pretendo fazer nada grande.
- Uma festa pequena então. - concordou. - O que está achando do Canadá? - indagou, novamente demonstrando um interesse genuíno. Aquela garota era realmente uma caixinha de surpresas e a cada comentário, ficava um pouco mais fascinado por ela. Era incomum para ele ter conversas tão normais, mas gostava. Gostava demais.
- Estou gostando. - ela afirmou. - É bem diferente do Brasil, mas não tenho reclamações. Só um pontinha de saudades de casa. - o sorriso dela era triste. - Principalmente da comida.
- Você volta para o Brasil quando?
- Em cinco meses e três semanas. - respondeu. - Ainda tenho alguns feriados para passar aqui. E vou perder o carnaval. - fez uma careta em desgosto.
- Mas vai estar aqui no Halloween. - ponderou. - Nós gostamos muito do Halloween.
- No carnaval nós podemos usar glitter. - retrucou.
- E no Halloween também.
- Mas aqui não toca funk. - ela deu a cartada final e apenas riu.
- Um dia me mostre funk, por favor. - ele pediu. - Eu ouvi poucas músicas quando estive no Rio.
- Isso quer dizer que vamos conviver mais? - indagou, a voz saindo uma oitava mais aguda. - Afinal, por que eu?
- Como assim? - franziu o cenho, em confusão.
- Tem tantas outras pessoas com quem você poderia sair hoje. É feriado. - ela suspirou. - E a gente mal se conhece. Quero dizer, - ela riu. - Você mal me conhece. Eu sei listar até as suas alergias. - eles riram juntos.
- Estamos saindo exatamente por isso: para nos conhecer. - respondeu, de forma simples. - Você lembra da primeira vez que conversamos? Pelo Instagram?
- Claro. - afirmou, estalando os lábios e parecendo reconhecer onde queria chegar com aquela conversa. Ela o encarou brevemente, com um olhar que podia ser identificado como pesaroso. - É tão ruim assim?
- O que? - ele estava concentrado no trânsito e havia perdido o meado da conversa.
- As pessoas te tratarem de forma diferente. - ela explicou. - Esse tratamento especial deveria ser a melhor coisa da fama, não?
- Mais ou menos. - suspirou. - É incrível, mas um pouco frustrante. Parece que estão sempre fingindo, sabe? - murmurou. - As pessoas aceitam tudo o que eu digo, fazem tudo que eu quero... fora a minha família e os amigos mais próximos, eu tenho zero contato com a vida real e isso pode acabar com a essência de alguém. As pessoas não são felizes o tempo todo. Ninguém aceita você o tempo todo e comigo é assim. - deu de ombros. - E você não finge. Não está sendo legal para me agradar. Só está sendo você. E isso é bom para mim, porque me traz um pouco da realidade do mundo.
- Não preciso fingir ser legal. Eu sou legal. - falou, tentando descontrair o clima, mas sentia o olhar pesaroso dela sobre si.
- Contra fatos, não há argumentos. - estalou os lábios e gargalhou.
- Isso também é um meme. - comentou.
- O que não é um meme no Brasil? - o cantor indagou, fingindo irritação.
- Tudo é meme no Brasil. - disse por fim. - Posso trocar de playlist? Perfect me deixa triste, apesar de ser uma música linda. - ela fez um bico com os lábios, que visualizou de canto de olho. E achou adorável.
- A vontade. - ele entregou o próprio celular para ela, que estava no porta luvas. deixou o queixo cair quando destravou o bloqueio com a digital e deixou-a com livre acesso ao aparelho.
O canadense teve certeza que ela soltou alguns palavrões em português e isso o fez rir. Adorava a forma como era espontânea. Não media suas reações, suas palavras ou suas vontades. Falava o que queria para ele, independente do que fosse pensar sobre ela. Era daquilo que precisava em sua vida tumultuada. Alguém para lhe lembrar que os pequenos detalhes faziam toda a diferença e que existia um mundo fora dos tabloides.
- Eu jamais largaria meu celular na sua mão. - constatou.
- Por que não? - franziu o cenho para ela.
- Você acha que eu tenho pastas apenas no Pinterest? - esganiçou a voz novamente e riu. - Você não tem ideia do quanto eu gasto com memória extra no iCloud por sua causa. - sacudiu a cabeça para os lados, fingindo estar decepcionada consigo mesma.
- Bom, não entre na minha galeria então. - orientou. - Só tenho fotos inéditas. - olhou-a rapidamente, apenas para ter certeza de que tinha os olhos arregalados em sua direção.
- Misericórdia. - foi o que ela disse, arrancando mais uma gargalhada de , antes de Havana preencher o vazio que a pausa de Perfect tinha deixado.

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foi o primeiro a chegar ao final da trilha e nem poderia fingir surpresa. Ele tinha quase 2 metros de pernas e era completamente aceitável que ela, com seus 1.65 de altura, não conseguisse acompanhar o ritmo do canadense, ainda mais em uma subida tão íngreme. também deveria colocar na balança o fato de ser um assíduo frequentador de academias enquanto o único levantamento que ela fazia era o de garfo. E às vezes colheres, já que adorava doces. Cada um carregava uma mochila, já que havia levado lanches e água, enquanto havia separado sua câmera semiprofissional e a polaroide, juntamente de um tripé simples. Era o aparato que qualquer fotógrafo prevenido carregava.
suspirou, completamente sem fôlego, encarando a pequena subida que precisaria vencer e procurando dentro de sua alma pela motivação necessária. Motivação essa que veio por meio da mão de estendida para ela, em uma muda oferta de ajuda. Ela sorriu em agradecimento e com o puxão, venceu o restante do caminho até o topo da trilha. Lá de cima eles teriam a visão perfeita de toda a cachoeira e mal podia esperar para fotografar cada pedacinho da paisagem.
- Eu prometo que vale a pena cada gota de suor. - murmurou, assim que a garota parou ao seu lado e respirou fundo novamente. Ela o encarou, mesmo que precisasse erguer o rosto consideravelmente para encarar os olhos do cantor.
- Não tenho dúvidas. - afirmou, recebendo um largo sorriso em retorno.
Quando finalmente parou na beira do vale e focou seu olhar na Webster Fall, os quase 30 minutos de caminhada pareciam não ter existido. E a visão lhe tirou o fôlego, de uma forma tão profunda que mais parecia o sonho que tinha de ver em uma propaganda da Calvin Klein. Não iria acontecer, então ela se contentaria com a paisagem de Hamilton. O lugar era realmente incrível. Para além do rio, todo o terreno era repleto de árvores e plantas e uma ponte de pedra conectava as extremidades do rio. A cachoeira em si era a parte mais bonita, já que tinha uma cortina d'água de 22 metros de altura.
- Nossa. - foi o que conseguiu dizer, ouvindo apenas a risadinha de como resposta. De canto de olho conseguiu vê-lo sentar-se no chão e então sorrir para ela e bater com a mão no espaço ao seu lado. Ela iria sujar as calças, mas tinha sido muito tonta em usar jeans de lavagem clara naquele dia, então não poderia ligar menos para a sujeira. sentou ao lado de , deixando a mochila aos seus pés, e ele logo lhe ofereceu o ombro para que ela apoiasse a cabeça, surpreendendo-a completamente. Suspirando baixo, ela se deixou ser mimada por alguns instantes. era um príncipe, ela já sabia, mas estava mais encantada com ele a cada instante que passava.
- Eu gosto de vir aqui para pensar. - o canadense murmurou. - A maioria das pessoas tem preguiça de subir e prefere visitar outras cachoeiras.
- E no que você pensa? - indagou, curiosa. - Porque eu fico extremamente desprovida de qualquer problema assim que olho para tudo isso. - arregalou os olhos brevemente, mesmo que não pudesse ver seu rosto. Ambos encaravam a queda d'água, encantados demais com a beleza daquela paisagem.
- Músicas, procuro soluções para problemas pessoais... - deu de ombros. - Coisas desse tipo.
- Meu quarto sempre foi o meu refúgio. - comentou. - Eu passei um ano juntando dinheiro para poder colocar proteção acústica nele. - riu com a lembrança. Sentiu os olhos de em seu rosto e sentiu as bochechas quentes. Ela jamais iria se acostumar com ele. Às vezes a ideia de ter morrido e ido para o paraíso cruzada seus pensamentos. Aquele tipo de coisa não acontecia com garotas normais como ela. Acontecia em fanfics, mas não na vida real. Ainda era difícil para acreditar que aquilo estava acontecendo de verdade e que ela estava passando um tempo com . E por livre e espontânea vontade do mesmo. Era algo realmente surreal. - Eu tinha um mini estúdio de fotografia também. - murmurou. - Estou pensando em modificar o banheiro para criar um novamente, mesmo que eu possa usar o estúdio da empresa.
- Aquelas salas escuras onde as pessoas revelam as fotos? - indagou, surpreso. - Pensei que só existissem em filmes.
- Existem fora dos filmes, mas poucos fotógrafos preferem revelar suas fotos. Dá muito trabalho. - explicou. - Estou montando um álbum com polaroides, para guardar cada segundo inesquecível dessa viagem e queria poder revelar as fotos do modo tradicional. Me parece fazer mais sentido.
- Você pretende voltar a morar no Brasil?
- Não sei. - suspirou. - Estou tentando evitar o sofrimento por antecipação.
- Desculpe. - logo falou e sorriu para ele. - Você tentando evitar a ansiedade e eu atiçando-a. - ele tinha uma expressão culpada no rosto.
- Está tudo bem.
- Então você trouxe duas câmeras? - o rapaz questionou e assentiu. - Bom, vamos fotografar então. - bateu as mãos e fez menção de levantar. resmungou em descontentamento, segurando pela ponta do moletom e o obrigando a permanecer sentado. riu e usou o braço esquerdo para envolver a cintura de em um meio abraço.
- Daqui a pouco. - ela pediu, o olhar voltando a fixar-se no horizonte. - Essa visão é bonita demais para eu não aproveitar.
- Você não queria guardar os momentos inesquecíveis em fotografias? - indagou.
- Estou guardando no coração nesse momento. - deu de ombros. - Às vezes a foto não é o suficiente. - explicou. - Estando nessa profissão eu aprendi que uma foto não é apenas uma foto. É a representação de um momento. Um segundo de nossa vida eternizado em uma impressão ou um arquivo digital. Mas mesmo assim, não vale a pena ver o mundo por trás das lentes da câmera. As pessoas ficam presas naquela frenesi de ter fotos e mais fotos... mas elas realmente as viveram? Afinal, do que vai adiantar ter tirado fotos incríveis e não me lembrar dos tons exatos do céu durante essa tarde? - indagou, divagando da forma como sempre fazia ao falar de sua profissão. Ela sempre se empolgava e acabava entediando as pessoas que a escutavam. Esperando pelo tédio de , que nada havia comentado, ergueu o rosto para encará-lo. Os olhares fixos um no outro por um breve instante fizeram com que um arrepio tomasse conta da nuca de . Ela observou cada pequeno detalhe do rosto do cantor, como se fosse a primeira vez que o estivesse encarando. E talvez realmente fosse. sabia que aquele ao seu lado não era o cantor , mas sim o canadense que amava Harry Potter e tinha alergia a cães. E ela adorava ambos, de uma forma completamente distinta. Era realmente difícil acreditar que ela estava ali naquele momento, observando tão de perto, pode analisar os tons de verde nos olhos castanhos dele. Seu coração perdia uma batida e ela sentia-se fraca. Ele realmente mexia com ela, de uma forma completamente nova.
- É a melhor forma de guardar uma boa lembrança. - concordou, desviando rapidamente o olhar para os lábios de . Ela prendeu a respiração e quando precisou soltar o ar, o momento já havia se dissipado e havia voltado a encarar a cachoeira.
Meia hora mais tarde e estava gargalhando das tentativas falhas de em conseguir tirar uma boa foto dela. havia tirado uma porção de fotos de - muitas delas ele nem havia percebido -, transformando para a tentativa de tirar uma foto dela em uma missão pessoal de extrema urgência. Missão essa que tivera umas 30 falhas e quando o canadense finalmente desistiu, montou o tripé e então posicionou a câmera no ângulo que lhe beneficiaria. precisaria apenas apertar o botão e a mágica aconteceria.
- Como você fez isso em cinco minutos? - indagou, parecendo indignado. Ele estava parado ao lado dela, com os braços cruzados e uma expressão frustrada no rosto. o encarou com as sobrancelhas arqueadas.
- Como você escreveu Running Low sozinho? - rebateu e soltou uma exclamação de entendimento. - Se você for perfeito até como fotógrafo, eu vou ter a completa certeza de que você não é real. - resmungou, inconformada.
- Eu também não sei desenhar. - entortou os lábios. Parou ao lado de , que havia voltado a ajustar a configuração da câmera e a observou trabalhar.
- Coitadinho do leonino que não é bom em tudo. - resmungou, em um tom debochado. Ouviu rir alto.
- Camila também faz esses comentários sobre signos. - ele falou e voltou o olhar arregalado para ele no mesmo instante. - Eu não entendo nada disso.
- Camila Cabello? - quase engasgou e assentiu. - Camila também é a louca dos signos?
- Que? - fez uma careta confusa.
- O surto. - murmurou por fim, tomando fôlego por alguns instantes antes de voltar sua atenção para a câmera.
- Eu entendo pouquíssimo do que você fala. - o rapaz confessou. Se inclinou em direção a , tentando entender as funções nas quais ela mexia na câmera.
- Pode ser que essa seja a minha intenção. - deu de ombros.
- Seria uma maldade sem tamanho. - acusou.
- Maldade é o que você faz comigo. - comentou em português e fez uma careta para ela. - Desculpe.
- Vai traduzir? - ele arqueou as sobrancelhas. o encarou rapidamente, negando com um aceno de cabeça. Ela não tinha aquela coragem.
- Hoje não. - decidiu. Terminou de ajustar as funções da câmera e então orientou para que ele pudesse bater uma boa foto dela. Após algumas tentativas e muitos conselhos, finalmente conseguiu uma foto razoável. já estava tremendo de frio e aceitou de bom grado a blusa de lã que lhe ofereceu.
- Vamos descer? - ela indagou. - Queria tirar algumas fotos lá de baixo.
- Sim. Logo vai escurecer. - assentiu. - É melhor já estarmos lá embaixo quando isso acontecer.
guardou a polaroide e o tripé na mochila, ficando apenas com a câmera semi-profissional em mãos. E conforme eles desciam, capturava inúmeras fotos da paisagem e de , que ia murmurando a melodia de alguma canção que ela não conhecia. Não se demoraram na cachoeira, apenas o suficiente para algumas fotos e seguiram para o carro, aproveitando dos últimos raios solares e conversando sobre trivialidades. guardou a câmera na mochila e deixou suas coisas no banco traseiro. Ocupou o banco do passageiro, enquanto procurava por alguma coisa no porta malas do carro. Tirou uma barra de chocolate de lá e o estendeu para , que abriu um sorriso largo para ele.
- Vamos ficar por aqui mais um pouquinho. - ele pediu. Estava com as costas escoradas na porta, virado em direção a , que ainda tinha a porta aberta e os pés para fora do carro. - Separei dois pontos turísticos para te mostrar hoje.
- Só dois? E o restante? - ela franziu o cenho, colocando um pedaço de chocolate na boca e oferecendo a barra para , que aceitou prontamente.
- Nós visitamos outro dia. - ele explicou. O coração de Maria perdeu mais uma batida e ela ficou encarando-o com um sorriso bobo por vários instantes.
- Talvez eu tenha morrido. - disse por fim, em um suspiro. fez uma careta.
- Por que?
- A chance de eu conhecer um ídolo, conversar com ele sem ter um ataque histérico, me mudar para o país natal dele e encontrá-lo por acidente duas vezes é mínima. - pontuou. - Agora some a isso estar marcando mais passeios com ele? Sem chances. Eu tenho certeza que morri e estou no paraíso. - decidiu, estalando os lábios uma vez. riu.
- Eu gosto da sua companhia. - ele declarou. - Pode parecer inesperado, mas é verdade. - deu de ombros. - Acha que pode conciliar uma amizade com um cara famoso e sua vida mundana? - arqueou as sobrancelhas para ela, com um sorriso de canto nos lábios.
- Eu li fanfics o suficiente para conseguir namorar um famoso. Ser amiga de um deve ser muito mais fácil. - concluiu.
- E com que famoso você namorou nas fanfics? - questionou.
- Com você. - a garota deu de ombros, fingindo indiferença, quando na verdade seu interior estava uma pilha de nervos. E se ele pensasse que ela era uma doida obcecada? E se finalmente caísse na real e tentasse se afastar? e sua sinceridade punham tudo a perder a cada meia hora. Mas era daquilo que havia confessado gostar. Talvez nem tudo estivesse perdido.
a encarou por um instante, o sorriso torto ainda estampado nos lábios bem desenhados. - Namorar comigo na vida real é muito mais divertido, acredite. - piscou para ela.
- Isso foi um convite? - ela questionou, na maior cara de pau. Se estava na chuva, era bom se molhar não?
- Você me pediu em casamento. - deu de ombros. - O namoro sempre vem antes.
Caralho, foi tudo o que pensou antes de direcionar a conversa para a comida canadense e ela iniciar esforços para não sair berrando em meio a um surto histérico.

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O canadense colocou o boné na cabeça e ajeitou os pequenos cachos que seu cabelo ondulado formavam nas pontas. Subiu o zíper do moletom e então se virou para , com um sorriso que não mostrava seus dentes perfeitos e um olhar divertido que aquecia o coração da garota e deixava suas pernas fracas. E sabia que a deixava daquela forma, pois era completamente transparente em seus sentimentos. E ele precisava admitir que adorava praticamente ler os pensamentos dela. Até mesmo os pervertidos.
- O que acha? - ele indagou, ansioso. deu de ombros e mordeu um sorriso.
- Que você ainda é o . De boné. - acrescentou e o cantor fechou a cara para ela. Afinal, havia tentado ao máximo não parecer com ele mesmo, para que pudessem passear pelo Distillery District na mais plena paz e sossego.
- Não passo por algum outro canadense muito parecido comigo? - questionou e franziu o cenho para ele.
- Apenas se clones estiverem sendo levados em consideração. - decidiu e estirou a língua para ela, que riu alto antes de abrir a porta do carro e se colocar para fora do veículo. a seguiu, acionando o alarme e então parando ao lado da garota, que já tinha sua câmera em mãos e sorria largamente para a visão do Distillery District. sabia que Toronto era uma cidade incrível e o sorriso de apenas enchia seu peito de orgulho canadense. Não que ele precisasse de muitos motivos para nutrir tal orgulho, já que era um canadense completamente apaixonado por cada pedaço do seu país.
- Mais bonita que a sua cidade? - ele provocou e virou o rosto em direção a ele, com o olhar semicerrado.
- De jeito nenhum. - sibilou e riu, abraçando-a pelos ombros e guiando-a em direção ao agrupamento de pessoas que haviam tido a mesma ideia que eles: visitar a Old Town Toronto. Antes de seguirem para aquela área de Toronto, haviam passado na casa de para deixar o tripé e a câmera Polaroide e para que a garota pudesse trocar de roupa. Havia sujado as calças de terra e precisava pegar mais alguns casacos aproveitou para devolver as roupas de e não mencionou a falta da camiseta que ele havia emprestado para ela.
O Distillery District era um bairro histórico da cidade, com um agrupamento de galpões reformulados para trazer turistas para aquela área antes desocupada. Os galpões hoje tinham uma variedade de estabelecimentos, desde bares, restaurantes e lojas de souvenires. Era uma das partes favoritas de na cidade, talvez perdesse apenas para o Rogers Centre e o High Park. Enquanto andavam pela principal rua do bairro, parava a todo instante para bater alguma foto. serviu de modelo várias vezes, tendo a promessa de de receber as fotos quando a garota as tratasse e revelasse, da forma tradicional que mencionara preferir.
- Já vi essa rua no Pinterest. - murmurou, quando saíram da rua principal e adentraram uma pequena rua coberta, conhecida por suas lanternas decoradas que pendiam no teto e davam ao lugar uma visão de tirar o fôlego.
- Você também tem uma pasta para Toronto no Pinterest? - indagou, em um tom provocativo, recebendo um revirar de olhos por parte da brasileira.
- Eu e a minha boca grande precisamos aprender com a dor. - a garota resmungou, sacudindo a cabeça para os lados, em sinal de desgosto. gargalhou. Se escorou na parede do canto esquerdo e ergueu uma das pernas, apoiando o pé no tijolo e cruzando os braços em frente ao corpo. Encarou , que ainda estava com a câmera em mãos e capturava uma foto atrás da outra. Ela era admirável, ele tinha que admitir. A forma como se posicionava e procurava pelo ângulo perfeito, segundo sua concepção, era digna de aplausos. realmente amava seu trabalho e aquilo era algo que admirava demais. Podia sentir a paixão emanar dela, assim como sentia a sua própria emanar quando estava no palco. Em determinado momento, prendeu os cabelos em um coque e focou seu olhar nos traços do rosto dela.
Era ela bonita. Bonita demais e talvez aquela súbita vontade que havia tido de beijá-la durante a tarde, estivesse voltando, conforme ia conhecendo-a um pouco melhor. Talvez ele estivesse começando a ficar atraído por ela. E aquilo não era um problema para ele. era uma garota incrível. Era corajosa, simpática e sincera. Ela tinha todas as qualidades que prezava em uma pessoa. Estar atraído por ela apenas se tornava um problema se aquela atração não fosse recíproca. Claro, compreendia que existiam níveis de atração e interesse. Algumas pessoas sentiam-se atraídas por outras pessoas instantaneamente, enquanto outras precisavam construir uma relação antes de sentir algum interesse romântico. já havia vivido ambas as experiências, e para ele, ser uma fã não era realmente um empecilho. Mas ela precisava querer. E ali morava o problema.
Era óbvio que o achava bonito. Aquilo ficava transparente no olhar dela. Mas precisava saber se ela sentia-se atraída pelo cantor , aquele cuja carreira ela acompanhava a anos, ou pelo rapaz com quem havia esbarrado em ocasiões completamente surpreendentes e com quem havia passado uma tarde extremamente agradável. Aquela sempre seria a maior insegurança de : alguém ter sentimentos por ele e não pela imagem que a mídia criara para ele. Suspirou alto, chamando a atenção de e então recebendo um sorriso culpado por parte da garota.
- Me desculpe. - ela murmurou. - Você preparou um roteiro e eu estou sendo a fotógrafa chata. - entortou os lábios.
- Está tudo bem. - garantiu. - É divertido te observar. - confessou.
franziu o cenho. - Por que?
- Você parece muito apaixonada por isso. - explicou. - Emana, de alguma forma.
- Eu tive a mesma experiência durante o Rock in Rio. - comentou. - Foi o melhor show da minha vida. Consegui sentir cada palavra sua lá dentro do coração. - apontou para o próprio peito. se aproximou da garota, com um largo sorriso no rosto.
- É a coisa que eu mais amo na vida. - ele comentou. - Fico imensamente feliz em saber que consigo transmitir um bom sentimento para as pessoas.
- , você é criatura mais incrível desse mundo. - exclamou. Deixou a câmera de lado, a alça segura em seu ombro. - Só esse sorriso aí já transforma o dia de muita gente.
corou, passando as mãos pelos cabelos para tentar disfarçar a vergonha. - Obrigado. - murmurou, em um fiapo de voz. - Então, quer ajuda com as fotos?
- Você quer mesmo aprender, não quer? - riu. - Maldito orgulho leonino. - estalou os lábios.
- É só minha forma de agradecer pelas fotos incríveis que você tirou de mim. - deu de ombros.
- Certo, vamos lá. - cedeu. Puxou pela mão e o guiou por alguns passos. Parou no centro da rua e então se abaixou, lançando um olhar que interpretou como um incentivo para ele fazer a mesma coisa. Ela pegou a câmera e a posicionou no ângulo que melhor enquadrava todo o cenário. - Nesse cenário, o foco são as luzes e não a pessoa em si. - murmurou. - Eu vou estar ali no centro, - apontou para frente com a mão direita. - e você precisa focar todo o ambiente.
- Certo. - assentiu. passou a câmera para ele e levantou, colocando-se as costas do cantor e analisando o ângulo que ele estava enquadrando. Não estava bom e nem precisou que a garota lhe dissesse para perceber.
- Assim não. - ela riu fraco. sentiu a presença de se aproximar e logo os braços da garota estavam envoltos de seu corpo. Ela segurou as mãos de e ajudou-o a posicionar a câmera, encontrando o melhor ângulo para a foto. A respiração de bateu contra a bochecha esquerda de , causando-lhe uma súbita vontade de virar o rosto e encontrar os lábios de com os seus. respirou fundo e espantou aqueles pensamentos, focando sua atenção nas explicações da garota sobre o foco da câmera.
- ...E desta forma você consegue uma foto com qualidade profissional. - finalizou e apenas assentiu com a cabeça. seguiu para a posição que havia indicado anteriormente e então fez algumas poses, deixando que selecionasse a melhor foto do trabalho que havia feito. Para finalizar aquela sessão e dar continuidade ao passeio, puxou para um abraço e bateu uma selfie deles com a câmera frontal de seu celular. Ambos tinham sorrisos imensos e indícios de um carinho mútuo brilhando em seus olhos.

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O carrinho de cachorro quente estava lotado. andava de cabeça baixa, com o boné quase cobrindo todo seu rosto, em uma tentativa de evitar que qualquer pessoa lhe reconhecesse. , ao lado do canadense, encarava a dimensão da Yonge-Dundas Square com um sorriso imenso no rosto. Havia visto aquela praça vezes demais pelo Pinterest e Google Earth para evitar uma animação tão aparente. Mesmo durante a noite, a praça que ligava duas importantes ruas de Toronto estava abarrotada de pessoas. A maioria delas ansiosas demais para chegarem ao seus destinos, enquanto outras pareciam tão encantadas com a beleza da Times Square canadense quanto .
- E para vocês? - o vendedor de cachorro-quente indagou, assim que e tiveram sua senha gritada.
- Dois cachorros-quentes completos. - pediu, recebendo um aceno de cabeça como confirmação. - E dois sucos de laranja, por favor. - sorriu. Precisaram aguardar pouco mais de cinco minutos para receberem seus lanches - já que jantar no Distillery District era uma tarefa impossível de se cumprir junto com a esperança de em não ser reconhecido naquela noite.
Com seus lanches em mãos, guiou em direção a Dundas Street, fazendo a garota lamentar pela decisão de ter deixado a câmera no carro. Ela precisou utilizar a câmera de seu celular e sabia que não ficaria satisfeita com a qualidade das fotos quando voltasse para casa, mas naquele momento, tudo o que ela queria era aproveitar da presença de e de sua risada contagiante enquanto lhe contava sobre todas as peças que havia pregado em sua irmã, Aaliyah.
- Se meu irmão fosse como você, eu o odiaria. - decidiu, fazendo rir ainda mais.
- Eu não nego que incomodar Aaliyah era um de meus passatempos favoritos. - ele murmurou.
- Maurício sempre foi muito protetor. - comentou. - Tanto que meu primeiro namorado passou por uma entrevista de uma hora com ele. - revirou os olhos com a lembrança. - Meu namoro não durou três meses porque Maurício não nos deixava em paz. Com o tempo ele foi ficando mais tranquilo, mas era realmente irritante tê-lo no meu pé o tempo todo.
- Eu nem quero pensar no dia que Aaliyah arrumar um namorado. - fez uma careta. - Meu coração dói apenas com a possibilidade.
- Mas um dia ela vai. - falou e fez uma careta ainda mais feia para ela. A garota riu e aproveitou a proximidade com uma lixeira para despejar o copo de plástico e os guardanapos que envolviam o cachorro-quente. havia terminado seu lanche antes dela e também despejou seu lixo na lixeira. Seguiram caminho pela Dundas Square, enquanto alternava sua atenção entre e a rua em si.
- Não vai não. - bufou. quis apertar as bochechas dele, tamanha a fofura que o garoto emburrado acumulara.
- Você namorou, não namorou? - indagou, revirando os olhos para a negação que recebeu como resposta. - Você não tem vergonha de mentir na minha cara?
lançou um olhar divertido para . - É a minha vingança por todas as palavras que você falou em português e não traduziu.
- E nós fãs acreditamos que você é um anjo. - estalou os lábios. - Que decepção. - reclamou, fazendo o garoto rir e abraçá-la pelos ombros.
- Aaliyah ainda é muito nova. - explicou. - Ainda é cedo para ela encarar as decepções amorosas.
- Nem todo amor é decepcionante. - argumentou.
- Eu sei. - suspirou. - Mas minha última experiência não foi boa. Ainda estou superando.
A brasileira fez uma careta. - Hayley? - assentiu, o olhar atento no rosto de . - Nunca gostei dela.
- Minha irmã também não. - riu. - Mas ela gostou de você. Nosso casamento foi aprovado. - brincou, enquanto precisou respirar fundo algumas vezes. Se continuasse brincando daquela forma, ela não tinha certeza de que sobreviveria. Tinha o coração fraco demais em tudo o que se relacionava àquele homem.
- Inclusive, ela pareceu muito animada em te arrumar uma namorada. - lembrou, em uma tentativa de amenizar seu surto interno. Ninguém poderia culpá-la. Casamento e eram duas coisas que lhe tiravam a razão. - Talvez se você incutir a ela a tarefa de te arrumar alguém, não sobre tempo de arrumar alguém para ela. - falou, piscando o olho direito para o canadense.
- Já desistiu de casar comigo? - indagou, fingindo decepção.
- , a resposta é sim para qualquer pedido seu. - retrucou. - Não brinque com o meu coração, ele é fraco. - repetiu.
- Eu nunca sei se você está brincando comigo ou flertando. - admitiu. - De qualquer forma, eu tenho um pedido. - encarou-a com diversão.
- Pois diga. - ignorou a conversa sobre o flerte de forma nada discreta.
- Eu comi um doce no Brasil. - começou. Olhava para a rua e parecia divagar em suas lembranças. o encarou de perfil, encantada demais com a beleza daquele garoto. Se obrigou a desviar o olhar, para evitar parecer uma doida e também, as dores no pescoço. Ela sentia-se um chaveiro de bolso perto dele. - Parecia chocolate, mas era diferente. E tinha um nome complicado. Mais complicado que o seu nome, . - sinalizou e decidiu que aquelas eram as palavras que ela mais gostava de ouvir da boca de . Mesmo que ela amasse todas as palavras de Never be Alone, nada iria se comparar a forma enrolada com a qual ele pronunciava o nome dela. Era adorável e talvez aquilo tenha deixado ainda mais apaixonada.
- Brigadeiro. - explicou e os olhos de brilharam em entusiasmo quando ele voltou a encará-la. Ela sorriu instantaneamente.
- Isso! - exclamou. - Às vezes me pego com vontade de comer isso, mas nunca encontrei fora do Brasil. Me arrependo de ter comido poucos e não ter aproveitado a chance. - o bico em seus lábios causou um tumulto nas borboletas no estômago de .
- Eu faço para você. - sorriu ainda mais quando os lábios de encontraram sua bochecha e ele apertou o abraço em seus ombros.
- Temos mais um encontro marcado então! - declarou, fazendo-a respirar fundo algumas vezes, buscando forças para não desmaiar.

Eles ainda passearam pela Yonge Street, antes de darem o passeio por finalizado, com sentimentos idênticos de satisfação e calmaria em seus corações. não desceu do carro quando estacionou em frente ao prédio que estava morando, mas a garota não tinha motivos para se chatear com aquilo. Preferia que a mídia não soubesse que eles estavam criando laços de amizade, então quando se inclinou em direção a para abraçá-lo, fez uma careta ao perceber o flash de uma câmera reluzir contra o espelho do carro.
- Tem alguém tentando tirar fotos do carro. - ela murmurou após se afastar e fez uma careta. Virou o rosto em direção aos arbustos do prédio em frente ao de e também enxergou o flash da câmera.
- Eu vou descer, desviar a atenção e você tenta entrar sem ser vista, tudo bem? - indagou, parecendo extremamente chateado com a situação.
- Hey. - o chamou e ergueu o olhar até ela. - O dia foi incrível. Muito obrigada.
- Pena que acabou assim. - apontou para o paparazzo. - Devem ter nos seguido desde a Yonge Street. - suspirou.
- Você é famoso. - deu de ombros. - Inclusive por contribuição minha que comprei os álbuns e divulgo sua música nas redes sociais. - brincou. - Está tudo bem. - se aproximou novamente e o beijou no rosto. - Nos falamos durante a semana. - concluiu, quando colocou a mão na maçaneta e abriu a porta do carro.
- Você me deve brigadeiro. - enrolou a língua ao pronunciar o nome do doce.
- E irei pagar. Escolha o dia. - ela sorriu.
- Eu te mando mensagem. - decidiu, se colocando para fora do carro e seguindo em direção ao paparazzo. De dentro do carro, esperou o fotógrafo guardar a câmera e então saiu de fininho, entrando em seu prédio e correndo para o elevador, gritando um boa noite para o porteiro antes que as portas de metal se fechassem. Sorriu para o reflexo distorcido de si mesma nas portas do elevador e suspirou.
Aquele dia havia mesmo acontecido. E ela mal podia esperar pelos próximos encontros com .

Capítulo 10

I'm not try'na start a fire, with this flame
But I'm worried that your heart might feel the same

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bebeu mais um gole de seu café, antes de voltar a se concentrar no piano e nos acordes que estava passando com Ed. Sim, o Sheeran. Quando encontrou o amigo no estúdio logo pensou na reação que teria se estivesse ali, junto com ele. Bom, não exatamente junto com ele, mas na mesma sala em que ele estava. E se ela estivesse ali, sabia que todo seu nervosismo estaria recluso em uma parte pequena de sua mente. Ele não teria tempo para pensar em Hayley e sua oferta de um jantar. conseguiria monopolizar toda sua atenção e ele nem lembraria da existência de Baldwin. bufou, errando novamente a mesma nota e recebendo um olhar curioso e desconfiado de Ed.
- O que aconteceu? - o ruivo questionou. Ed, como qualquer outro inglês, não tinha o costume de comentar relações pessoais com os amigos. Ele preferia manter suas coisas para si, da mesma forma que evitava se intrometer na vida de seus amigos. Mas era canadense e Ed sabia que, às vezes, tudo o que o garoto precisava era desabafar. E já havia ficado claro que eles não iriam avançar muito mais naqueles acordes até focar completamente sua atenção no trabalho. Mesmo que a música já estivesse pronta, havia pedido uma opinião profissional de Sheeran. Afinal, In My Blood seria seu primeiro single e ele ainda tinha inseguranças quanto a se expor daquela forma para a mídia.
- Estou com os pensamentos longe. - suspirou.
- Longe de que forma? Longe como o Canadá ou longe como Calabasas? - sorriu para o amigo.
- Como em um plano intermediário. - murmurou. Levantou e se afastou do piano, se jogando em um dos puffs e voltando a beber seu café. Precisava se manter acordado caso quisesse mostrar aquela música para Ed ainda naquele dia. O ruivo puxou uma cadeira e sentou em frente ao canadense, seu olhar analítico sobre . O mais novo desviou o olhar para seu celular, fazendo Ed rir.
- Você está fugindo cara. - Ed murmurou. - Deveria dar um fim nesse ciclo e se permitir novas experiências.
- Eu já dei um fim. - suspirou. Deixou o celular com a tela acesa em cima de suas pernas e passou a mão direita pelos cabelos, em um claro sinal de nervosismo. - Mas ela não entende. Parece que só vai entender quando eu aparecer com outra pessoa.
- E tem outra pessoa?
- Não dessa forma. - comentou, referindo-se a . - Não ainda, pelo menos.
- Isso é novidade. - Ed riu, abandonando a cadeira e sentando-se no puff ao lado de . - Até mês passado você não queria se relacionar de jeito nenhum. Quem é?
sorriu largamente. - Não existe nada entre nós, estamos apenas nos conhecendo. - deu de ombros. - Mas ela é muito divertida. Não finge perto de mim, sabe? Ela fala as coisas que tem vontade e acho que às vezes, ela esquece quem eu sou, mesmo sendo minha fã. - estalou os lábios, franzindo o cenho em seguida. - Nós saímos no feriado e foi completamente diferente de qualquer encontro que eu já tive. Talvez porque não deveria ter sido um encontro, sei lá. - encarou Ed, que sorria de forma misteriosa para ele. - Eu meio que não estou forçando nada, mas também não me fechei para a possibilidade.
- E ela? Deu algum indício de estar interessada? - Ed indagou.
- Ela é minha fã. - riu. - Acaba flertando algumas vezes, mas não sei se é sério. - suspirou.
- E se for sério?
- Então talvez, tenhamos alguma música de amor para escrever no futuro. - confessou. - Você sabe que eu não tenho medo de me relacionar. Estou, quase sempre, aberto para novas experiências. Mas eu não quero outra Hayley. Estou cansado de me dar por inteiro e receber apenas metades.
- Vá com calma. - Ed orientou. - Conheça a garota. Deixe-a te conhecer de verdade. Não se precipite. Apenas o tempo vai dizer se você terá um relacionamento como o que teve com Hayley, mas isso não pode te impedir de tentar. Pode ser bom. E tudo é aprendizado.
- E música. - comentou e ambos riram.
- Falando em música, que tal uma pausa? - Ed sugeriu, já se levantando e seguindo em direção a máquina de café.
- Por favor. - finalizou seu café e então pegou o celular novamente, visualizando um nova notificação no WhatsApp. Era uma foto de . usava moletom e tinha os cabelos presos em um rabo-de-cavalo muito mal feito e segurava uma tigela transparente que continha algo muito parecido com um creme de chocolate. franziu o cenho, em pura confusão, digitando uma resposta rápida para a garota. Havia mudado o nome no contato dela para apenas , já que ainda não havia encontrado o emoji perfeito para fazer companhia ao apelido da brasileira.

O que é isso? 02:36 pm


Brigadeiro 02:36 pm
Eu não acredito que você mandou foto para me fazer passar vontade 02:36 pm


É uma troca 02:37 pm
Para que você mande uma foto com o Ed 02:37 pm
O nome disso é chantagem 02:37 pm


Eu sei 😘 02:37 pm
Você é má 02:37 pm


terminou de enviar a mensagem e riu da imagem que retornou. Era Joey de Friends em um claro sinal de "fazer o que". encarou a tela de seu aparelho por alguns instantes, antes de desviar o olhar e encontrar Ed o encarando com um riso divertido.
- Ela é um pouco diferente. - se explicou.
- Como o que?
- Do tipo que me envia fotos de comida para me fazer passar vontade. - deu de ombros e Sheeran gargalhou.
- Já gostei dessa garota.
- Ela estará de aniversário na semana que vem. - suspirou. - Não sei o que dar de presente para ela, porque apesar de termos uma conexão e sincronia incrível, eu a conheço pouquíssimo.
- Pergunte. Sempre funciona. - Ed retrucou e revirou os olhos para ele.
- Gostaria de fazer alguma surpresa. - murmurou.
- E do que ela gosta? - Ed indagou. Voltou para perto de com seu café em mãos e sentou-se novamente ao lado do canadense.
- Ela é fotógrafa. Gosta de cozinhar, ver séries, ouvir música e surtar pelos artistas dos quais gosta. Ela também gosta de Harry Potter e isso é ótimo.
- Gostar de Harry Potter é um divisor de caráter. - Ed ponderou e concordou com um aceno de cabeça. - Dê algo nesse estilo para ela.
- Ela tem tudo. - riu, lembrando-se de sua rápida passagem pelo apartamento da garota. Havia esperado-a na sala enquanto trocava de roupa e observara toda a estante da brasileira. Ela tinha diversos livros, HQs, colecionáveis, DVDs de séries, filmes e CDs. Era realmente uma garota eclética e apaixonada e admirava aquilo.
- Bom, tenho certeza de que você vai pensar em alguma coisa. - Ed concluiu. Desviou o olhar para o celular de e franziu o cenho ao não entender o nome do contato que havia acabado de enviar uma mensagem para o mais novo. - Qual é o nome dela?
- . - murmurou, ainda sem realmente conseguir realizar a pronúncia correta. - Mas é um nome complicado e eu a chamo de .
- Ela não é canadense. - Ed concluiu e acenou com a cabeça em concordância.
- Não. Brasil. - comentou e o outro arregalou os olhos em sua direção.
- Você vai ir longe para conhecer os sogros. - brincou e revirou os olhos.
- Vamos voltar para a música, que tal? - sugeriu, fazendo o outro rir ainda mais ao notar as bochechas coradas de .

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- , corre garota. - reclamou, já com a mão na maçaneta da porta do restaurante, enquanto estava a quase 100 metros de distância. A brasileira bufou e apertou o passo, levando pouco menos de 2 minutos para parar ao lado da amiga.
- Você esquece que eu sou pequena. - reclamou e loira revirou os olhos para ela.
- Nem é tão pequena assim.
- Falou a pessoa com dois metros de pernas. - revirou os olhos, seguindo para dentro do restaurante.
- Acho que você está me confundindo com seu amigo . - riu, em uma clara tentativa de provocar .
Era o primeiro almoço que teriam juntas e já estavam no último dia útil da semana. Ambas estavam trabalhando muito todos os dias e mal sobrava tempo para conversarem fora do percurso casa-trabalho, trabalho-casa. Ocuparam uma mesa ao fundo do restaurante e deixou seu pedido nas mãos de , já que a única coisa que conhecia e confiava na culinária canadense eram o Maple Syrup e o Poutine.
- E por falar nele, falou com Brian? - indagou, como quem não queria nada. A verdade era que não falava com desde a terça-feira e aquilo a estava deixando ansiosa. Havia pedido para sondar Brian a respeito de , mesmo sabendo que aquela era uma atitude covarde e infantil. Mas não conseguia ter qualquer controle sobre suas ações quando o assunto era e ninguém poderia julgá-la por aquilo.
- Se você quer saber do , deveria tomar vergonha na cara e mandar uma mensagem para ele. - acusou e fechou a cara para ela.
Era óbvio que sabia que podia mandar uma mensagem para . Ele havia deixado aquilo muito claro. Mas a garota também não queria incomodá-lo enquanto trabalhava, então havia cessado sua comunicação com ele na terça-feira, quando havia mandado fotos dela com uma tigela de brigadeiro em mãos, já que havia prometido fazer o doce para o canadense.
- Eu não quero incomodar. - suspirou.
- Você só vai saber se estará incomodando quando ele responder. - revirou os olhos. - Faça um favor a si mesma e envie uma mensagem.
- Mais tarde. - informou e a encarou com desdém. Ela sabia que a brasileira estava mentindo.
- Ainda bem que eu agi por você e convidei alguém para almoçar conosco. - a loira sorriu largamente, enquanto arregalava os olhos e franzia o cenho em sua direção.
- Quem?
- Brian.
- Vai se ferrar. - xingou.
- Ele deve estar chegando. - murmurou. - Avisou que estava procurando uma vaga no estacionamento.
- Eu não acredito nisso. - respirou fundo e encarou a mesa extremamente limpa.
- Eu pago seu lanche, pare de reclamar. - virou os olhos novamente.
- Eles vão me achar maluca. - decidiu. - A morte é muito bem-vinda nesse momento.
- O nome é interesse. - a outra riu. - Não seja dramática. - estirou a língua para . - Mas mudando de assunto, enquanto Brian não chega para podermos fofocar sobre seu namorico, me diga que se inscreveu para o curso de extensão no Japão. - pediu, juntando as mãos de em cima da mesa e montando uma expressão que beirava o desespero em seu rosto.
- Você acha que eu sou maluca? - revirou os olhos, soltando suas mãos das de . - Obviamente eu me inscrevi.
No início daquela semana todos os fotógrafos da empresa onde elas trabalhavam haviam sido avisados de que uma nova semana de workshops havia sido anunciada. Os focos eram diversos, desde fotografias de casamento a fotografias de publicidade. A empresa custeava todos as oficinas e deixava apenas a responsabilidade por alimentação, passagem e acomodação na responsabilidade dos interessados. Naquele ano as oficinas seriam no Japão e as inscrições tinham o prazo de uma semana para serem realizadas. estava completamente animada pela possibilidade de ir para o Japão gastando tão pouco e fora uma das primeiras a se inscrever para a viagem.
- Ótimo! - a canadense bateu palmas, completamente animada. - Não queria viajar sozinha novamente.
- Você foi para onde no ano passado? - indagou, curiosa. Apoiou o cotovelo na mesa e a bochecha na mão, encarando a amiga com expectativa.
- Itália. - sorriu largamente. - Foi um pouco mais caro, mas valeu a pena. - deu de ombros. - Só tive que parcelar em 6 vezes no cartão. - riu e a acompanhou.
- Eu tenho algum dinheiro guardado. - murmurou. - Mas a sorte é que o salário cai na conta antes da viagem.
- Sim! - concordou. Uma notificação em seu celular chamou sua atenção e ela abriu um sorriso de orelha a orelha, antes de levantar e seguir para fora do restaurante. revirou os olhos, pressentindo que coisas boas não viriam daquela saída da amiga. Resolveu se adiantar e pegou o próprio celular, abrindo o WhatsApp e enviando uma mensagem para . Ele logo respondeu e ela abriu um largo sorriso, iniciando uma conversa com ele que a impediu de perceber a volta de , acompanhada de Brian.
- Vejo que seguiu meu conselho. - murmurou, apenas para provocar. Brian sentou ao lado da garota e acenou para , que sorriu em cumprimento.
- Mandou mensagem para ele? Porque eu comentei que estava vindo almoçar com vocês e ele me encheu de perguntas sobre você. - Brian riu.
- Ele o que? - arregalou os olhos, largando o celular na mesa e deixando a conversa com de lado por apenas uns minutos. Brian lançou um olhar para e ambos sorriram cúmplices, antes de o rapaz dar de ombros e estalar os lábios.
- Perguntou de você. - Brian murmurou. - Comentou que vocês não se falavam desde terça-feira e que ele não queria incomodar, mas que gostaria de saber como você está.
- Eu ouvi a mesma coisa aqui. - comentou, rindo.
- Estamos conversando agora. - se defendeu. - Estou tentando conseguir informações sobre a música nova.
- Desista. - o garoto riu. - é um túmulo quando se trata de trabalho. Nem para mim ele mostra as músicas.
- Mas você ele não quer beijar. - lembrou e gargalhou alto.
- Você está louca. - riu. - Ele não quer me beijar.
- Quer sim. - Brian concordou, mas não acreditou nele. Foram interrompidos pela chegada dos lanches e logo voltou para sua conversa com , enquanto os outros dois conversavam sobre alguma festa para o final de semana. Eram claras as intenções de Brian com , que parecia nem perceber que havia colocado o garoto na friendzone.

❤️
Eu já almocei, estou voltando para o estúdio 12:45 pm
Você poderia me enviar um pedacinho da música 12:45 pm

❤️
Se você fizer brigadeiro para mim 12:45 pm
Eu vou fazer 12:45 pm
Manda a música 12:46 pm

❤️
Mais tarde 12:46 pm
Prometo x 12:46 pm
Hey 12:46 pm
Que tal você jantar lá em casa no domingo? 12:46 pm
Se você comprar pizza eu vou 12:46 pm

❤️
Feito 12:46 pm


bloqueou o aparelho e o largou na mesa, focando sua atenção no lanche a sua frente. a encarou com um sorriso esperto enquanto Brian a olhava com curiosidade. Eles esperaram que percebesse que estavam encarando-a para então resolverem falar alguma coisa.
- E então? - a canadense indagou.
- Então o que?
- Quando vocês vão se ver?
- Domingo. - sorriu de forma acanhada.
- Olha esse sorrisinho. - debochou. - E ainda tenta dizer que não está caidinha pelo .
- Tenho certeza que ele também está sorrindo assim. - Brian murmurou. - E acabou de me mandar uma mensagem. - comentou, pegando o celular em cima da mesa para ler a mensagem do amigo. o encarou, ansiosa, enquanto ria. - "Cancele os planos de domingo. Vou jantar com a ." - leu e encarou a brasileira, que tinha as bochechas coradas.
- Não me olhem assim.
- O casal é real. - disse por fim, recebendo aceno de cabeça em concordância de Brian e um revirar de olhos de . Eles a estavam iludindo e aquilo não era nada bom para sua saúde emocional.

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A pizza havia chegado cerca de 10 minutos antes de a campainha tocar novamente e - que estava na cozinha organizando os pratos e copos para o jantar, largou tudo em cima da mesa e correu para a sala. Organizou o cabelo na frente do espelho e então girou a fechadura, encontrando segurando uma ecobag que ele conhecia muito bem, já que era dele.
- Oi! - ela exclamou, animada e para aquilo soou como se fosse a primeira vez que estivessem se encontrando. Era incrível como era espontânea com ele, como se ainda não tivesse se acostumado com sua presença. adorava aquilo.
- Oi! - ele devolveu o cumprimento. entrou na casa e após fechar a porta, a puxou para um abraço e deixou um beijo no topo da cabeça dela. - Como está?
- Bem. - sorriu, parecendo meio aérea. Estendeu a ecobag para e o rapaz franziu o cenho para ela. - Trouxe leite condensado e achocolatado. - anunciou. - Eu realmente não sei como vocês vivem aqui no Canadá se não comem as melhores comidas do mundo. - revirou os olhos.
- Nossa comida é boa! - defendeu. Guiou até a cozinha e ajudou-a a organizar as coisas para a preparação do brigadeiro. Segundo ela, comer na tigela era muito mais gostoso do que enrolar e colocar confeitos como havia experimentado o doce quando estivera no Brasil.
- Mas a comida brasileira é melhor. - afirmou e revirou os olhos para ela. Encostou-se na bancada da pia e cruzou os braços em frente ao corpo, observando as ações de . Ela tinha o tal leite condensado e o achocolatado abertos e uma panela pequena. Misturou ambos ingredientes e então ligou o fogão, colocando o doce para cozinhar com uma quantidade pequena de manteiga. Ela procurou pela cozinha e o encontrou encarando-a, desviando o olhar rapidamente enquanto o canadense a observava ruborizar.
- E então, como foi no estúdio? - ela indagou, ainda sem encará-lo e riu baixinho.
- Você me diz. - ele retrucou. - Eu te mandei um pedaço de In My Blood. - deu de ombros. largou a colher na panela e se voltou para , com um sorriso maior do que o próprio rosto e uma animação evidente em seu olhar.
- , aquela música é incrível! - exclamou e só faltou pular de felicidade. - Mas me deu um aperto no coração e uma vontade de te abraçar! - apertou os olhos. - Você vai matar o fandom inteiro quando a lançar!
- Você pode me abraçar, já disse. - alargou seu sorriso. - E fico extremamente feliz de saber que gostou da música. É bem pessoal e espero que as pessoas entendam ela.
- É impossível não entender. - murmurou, ignorando deliberadamente a parte sobre o abraço e quis rir. - Tenho certeza que muita gente vai se identificar com a letra e você vai ajudá-las a se manterem firmes.
- Obrigado. - sorriu com sinceridade. - Minha maior insegurança era a recepção dos fãs. Apesar de Understand ser bastante pessoal, não tem o apelo que In My Blood adquiriu durante a criação. Você gostar da música me deixa confortável em lançá-la. - deu de ombros e observou corar um pouco mais.
- Estou me sentindo a própria criadora do Grammy. - brincou.
- Bom, então me dê um Grammy por favor. - pediu e assentiu com a cabeça, concordando veementemente.
- Espere e verá esse Grammy chegando. Ou pelo menos, a indicação. - exclamou, franzindo o cenho em seguida. - Eu não confio muito nos critérios de avaliação do Grammy. - murmurou e riu.
- Posso afirmar que a sua avaliação tem maior significado no momento. - ele comentou e a brasileira corou novamente.
- Está me deixando sem graça. - ela deu de língua para ele, voltando a prestar a atenção no brigadeiro e soltando um resmungo inconformado. se aproximou, curioso. Parou atrás de e se inclinou em direção a panela. - Você vai definitivamente, provar o brigadeiro original. - ela explicou. - Sempre queima. - riu, dando de ombros e a acompanhou. - Mas prometo que os queimados são a melhor parte. - garantiu e acenou com a cabeça.
- Tudo bem. Vou terminar de organizar a mesa para podermos comer. - ele disse, se afastando e seguindo para a mesa. Colocou os pratos e os copos, optando por uma Coca-Cola e abrindo a caixa da pizza por fim. - Eu pedi pizza de quatro queijos, pois não sabia que tipo de carne você come. - se explicou e estalou os lábios as suas costas.
- Estou diminuindo o consumo de carne, então você acertou em cheio. - riu baixinho.
sentou-se em uma das banquetas e então esperou por . Não levou cinco minutos para a garota desligar o fogo e despejar o conteúdo da panela em uma tigela de vidro, deixando o objeto em cima da pia. Ela encarou com uma expressão culpada e o cantor arqueou as sobrancelhas para ela.
- Você gostava daquela panela? - indagou. se inclinou para enxergar a panela às costas da garota e então deu de ombros, indiferente. Era uma panela qualquer.
- Não tem muita importância. - comentou. - Por que?
- Talvez ela tenha queimado um pouquinho. - apertou os olhos, antes de ocupar a banqueta ao lado da de . - Mas eu prometo te dar uma panela nova. - garantiu. acenou com a mão, pedindo para deixar aquilo para lá.
- É só uma panela. - ele disse, estendendo a mão para pegar uma fatia de pizza. segurou o pulso dele e sentiu um pequeno arrepio na nuca. Oh, aquilo era novidade. Ele a encarou com um misto de surpresa e confusão e logo afastou seus dedos da pele do rapaz, sorrindo de forma culpada antes de murmurar:
- Eu queria tirar uma foto da pizza. - explicou.
- Tudo bem. - sorriu para ela, afastando a pequena confusão de sua cabeça e se obrigando a aproveitar o momento. Analisaria aquilo mais tarde, quando estivesse sozinho. tirou a foto e postou nos stories, sob protestos de para que o marcasse. Ela negou, afirmando que não queria a mídia em cima da amizade deles e novamente sentiu uma pontada na nuca. Mas naquele momento, fora de puro desconforto e talvez um tantinho de decepção.
Eles jantaram enquanto conversavam sobre tudo e nada, se conhecendo um pouco mais a cada palavra trocada e se encantando um pelo outro um pouco mais a cada sorriso que abriam. Eles ainda não sabiam, mas aquela amizade não duraria muito tempo. Havia algo bem maior do que uma simples amizade por ali.

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- O que você quer assistir? - indagou, sem soltar a tigela com o brigadeiro. Ele estava ajoelhado no chão, enquanto procurava pelo controle da TV para que pudessem assistir alguma coisa na Netflix. Haviam comido toda a pizza e havia dado apenas duas colheradas no brigadeiro, já que havia monopolizado a tigela com o doce, completamente viciado em achar os queimadinhos que mencionou anteriormente. A garota estava no sofá, sem os calçados nos pés e com as pernas cruzadas na famosa posição indiozinho, mesmo que ela odiasse aquela denominação. Era completamente preconceituosa, mas não conhecia outra denominação para as pernas cruzadas daquela forma.
- O que tem de novo na Netflix? - indagou, vendo dar de ombros em seguida. Ele finalmente encontrou o controle da TV e sentou ao lado de , entregando a tigela para ela e deixando-a comer mais um pouco do brigadeiro. Tinha gosto de casa e o coração de apertou de saudades.
- Eu não sei. - respondeu. - Faz muito tempo que não abro o catálogo da Netflix para procurar as novidades.
- Bom, então vamos tentar a sorte. - sorriu, puxando o controle das mãos de e devolvendo o brigadeiro para ele.
- Uma troca justa. - o cantor murmurou, fazendo-a rir.
perdeu quase 20 minutos vasculhando o catálogo do streaming, para acabar desistindo e devolvendo o controle para . Ela tinha uma expressão emburrada e um bico nos lábios, o que apenas incentivou a apertar as bochechas dela e rir baixo quando a careta da brasileira apenas aumentou.
- Você se diverte me deixando sem graça? - ela indagou, afiada. deu de ombros, colocando novamente Friends para que eles assistissem.
- Um pouco. - confessou. - Mas é que você fica extremamente fofa desse jeito.
- Novamente me deixou sem graça. - reclamou. - É maldade, você sabe. - estalou os lábios, roubando a tigela de , que lançou um olhar nada amigável para a garota. - Se continuar assim, eu vou ser obrigada a retribuir a gentileza e também te deixar sem graça. - deu de ombros, como se estivesse falando sobre o clima e não no meio de uma pequena ameaça. arqueou as sobrancelhas para ela, um meio sorriso brincando em seus lábios. perdeu cinco segundos observando aquele sorriso e suspirando mentalmente: era, de longe, o cara mais bonito que ela já havia conhecido.
- Bom, você pode tentar. - ele disse, com confiança.
- Você não tem toda essa confiança que aparenta, . - retrucou.
- E com base em que você afirma isso? - indagou, parecendo se divertir horrores. colocou mais uma colherada de brigadeiro na boca, antes de dar de ombros e sorrir sem mostrar os dentes.
- Eu só preciso cutucar a ferida certa. - ela sorriu. - Tipo, quem é a garota de Lights On?
E com isso, conseguiu o que queria: completamente envergonhado. O rapaz passou a mão esquerda pelos cabelos e virou o rosto para frente, tentando evitar que visse suas bochechas coradas. Ela pensou que poderia morrer com toda a fofura que ele demonstrava naquele momento, mas fingiu não se abalar e abriu um sorriso maldoso.
- Eu não vou falar sobre isso. - decidiu e gargalhou.
- Viu como é bom? - ela indagou, vitoriosa.
- Você fica sem graça mais facilmente. - retrucou. - E usou um golpe baixo para revidar.
- Eu sou uma garota. - deu de ombros. - O patriarcado nos ensina a revidar como pudermos. - brincou.
- Muito baixo, . - suspirou e a garota só faltou morrer. Seu nome ficava a coisa mais linda quando ele o pronunciava. - Mas falando sobre música, tenho uma dúvida. - voltou a encará-la, as bochechas no tom de rosa habitual que lhe era costumeiro.
- Fale. - incentivou. novamente pegou a tigela com brigadeiro e estirou a língua para quando percebeu que ela havia comido mais da metade do doce.
- Qual música minha é a sua favorita? - ele questionou, interessado.
sorriu largo. - Understand. - respondeu rapidamente. - Por causa da letra.
- E a que menos gosta? - o cantor questionou, ainda mais interessado. levou alguns segundos para responder, já que nunca havia parado para pensar naquilo. Estava tão acostumada a amar todas as canções de que nunca reparou se tinha alguma da qual gostava menos.
- Não é que eu não goste, - começou, se recostando no sofá e encarando com o lábio inferior presos por entre os dentes. - Mas eu acho Roses muito complicada.
- Por que? - indagou, finalmente largando a tigela - já vazia - de brigadeiro na mesa de centro. Se virou para e cruzou a perna esquerda no sofá.
- É uma música extremamente triste. - murmurou. - Não que Act Like You Love Me Não seja triste também, mas Roses é diferente. Talvez não tenha sido a intenção, mas me soa como traição. - suspirou. - Se ela namorava, por que flertava com você? - exclamou, indignada.
- . - riu baixinho e a garota o encarou com o cenho franzido. - Essa música não tem um embasamento real. - comentou. - Não meu, pelo menos. - deu de ombros. corou fortemente, antes de suspirar e bater com a mão na própria testa.
- Claro que não. Eu sou idiota, me desculpe. - revirou os olhos.
- Está tudo bem. - riu. - Não é a minha favorita do álbum também, mas eu gosto de como ela soa acústica. Tem uma melodia incrível. - sorriu fraco.
- Não posso negar ou confirmar. - a brasileira comentou. - Eu só ouvi a versão dos álbuns.
a encarou.
- Que tal um pocket show?
arregalou os olhos e encarou com uma expressão perplexa. Ele estava mesmo ofertando uma versão acústica de Roses para ela?
- Está falando sério? - questionou, incrédula. assentiu. - Você sabe o caminho para o pronto socorro? Porque talvez eu vá precisar. - murmurou, fazendo-o rir alto.
levantou e seguiu para fora da sala, voltando instantes depois com seu violão. Pausou a Netflix e então sentou na mesa de centro, bem em frente a , que ainda de olhos arregalados, se acomodou no sofá e manteve o olhar grudado em enquanto ele se preparava. O cantor posicionou o violão e dedilhou algumas notas antes de voltar a encarar .
- Vou te fazer mudar de ideia. - ele prometeu e ela riu baixo.
- Então não restará uma única música sua que eu não ame com todo meu coração. - deu de ombros, alargando o sorriso de com sua fala.
Os primeiros acordes de Roses soaram pela sala e desviou seu olhar do de , focando sua atenção no violão e então começando a cantar. Ela aproveitou a chance para tirar uma única foto, querendo guardar aquele momento não apenas em sua memória, mas também em seu álbum de fotos. Um misto de emoções tomou conta de quando proferiu a primeira palavra da música. A saudade do Rock in Rio e do show incrível que havia feito, a paz que só a música dele poderia lhe trazer e a adoração que , completamente entregue a música, causava em . Ela o amava um pouco mais a cada dia e sentia-se explodir de felicidade naquele momento.

It's not that I'm afraid I'm not enough for her
It's not that I can't find the words to say
But when she's with him, she seems happier
And I don't want to take that away

How many times can I see your face?
How many times will you walk away?
I just have to let you know

encarou rapidamente e um brilho diferente tomava conta do olhar do canadense. Um brilho que fez prender sua respiração e seu coração acelerar consideravelmente, a ponto de fazê-la colocar a mão no peito para tentar se acalmar. Aquele olhar era demais para qualquer pessoa, tinha certeza disso. Não via um defeito naquele rosto e menos ainda naquela personalidade. Por que falando sério, em que mundo um cantor mundialmente famoso estaria cantando para uma fã em sua própria casa? Estarem construindo uma amizade já era algo completamente inusitado, visto que nunca havia escondido ser fã de . De alguma forma, aquele rapaz confiava nela. E por todas as divindades, ela estava cada dia mais encantada pela pessoa que estava descobrindo por trás do que já imaginava de . A expectativa dela sempre fora alta. Mas ele estava ultrapassando todos os limites ao se mostrar uma pessoa comum e completamente adorável. Se já era louca por ele, sem conhecê-lo de verdade, agora que estava convivendo com , sentia-se prestes a pular do precipício, caindo diretamente no abismo que seria se apaixonar de verdade por .

I'm not try'na start a fire, with this flame
But I'm worried that your heart might feel the same
And I have to be honest with you baby
Tell me If I'm wrong, and this is crazy
But I got you this rose
And I need to know
Will you let it die or let it grow?
Die or let it go?

🎸🇨🇦📷

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Enquanto cantava, um pequeno sentimento de estar vivendo aquelas palavras tomou conta de . E então ele parou para prestar atenção e situar a letra de Roses no que estava vivendo no momento, se surpreendendo com a veracidade das palavras. Ele ainda não tinha certeza quanto a estar no caminho para se apaixonar por . Paixão era algo complexo e às vezes acontecia sem que se pudesse perceber, mas não podia negar que nutria um interesse pela brasileira. Aquele não havia sido o motivo primordial para que ele tivesse se aproximado dela e também não seria o motivo pelo qual ele continuava a buscar a companhia da garota, mas ele gostava de estar com ela. E pensar em um futuro onde eles pudessem se envolver romanticamente não era um medo para . Era até uma esperança, se ele fosse completamente sincero sobre seus sentimentos. Estava cansado de ser apenas o cantor famoso e queria alguém que o tratasse como uma pessoa comum. E fazia aquilo.
Talvez estivesse na hora de parar com os flertes subentendidos e realmente se arriscar naquilo. Afinal, a beleza da humanidade estava nas relações criadas entre as pessoas. E , apesar de sentir-se receoso quanto a tentar um relacionamento novamente, não sentia medo. Não quando olhava para e percebia o quão fáceis poderiam ser as coisas entre os dois. O quão fácil poderia ser estar apaixonado por ela. Era fácil se encantar com ela. Ainda mais fácil estar atraído por ela. só precisava saber se a vontade que sentia era recíproca.
Mas como poderia descobrir aquilo sem assustá-la?

You can tell me to stop, if you already know
Though I'm not sure my heart can take it
But the look on your face says, don't let me go

I'm not tryna start a fire, with this flame (with this flame)
But I'm worried that your heart might feel the same
And I have to be honest with you baby
Tell me If I'm wrong, and this is crazy
But I got you this rose
And I need to know
Will you let it die or let it grow?


Quando finalizou a música, não encarou . Levantou, guardou o violão e então voltou para a sala, sentando no mesmo lugar onde estava antes e fixando seu olhar na garota. Ela tinha uma expressão séria no rosto, mas seus olhos transmitiam confusão. Ela respirou fundo, antes de abrir um sorriso nervoso.
- Parabéns, você conseguiu. - murmurou. - Eu nunca mais vou pular Roses quando estiver ouvindo o Illuminate. - confessou, arrancando um pequeno sorriso de .
- Cumpri a minha missão na Terra. - brincou e respirou fundo, parecendo tentar voltar para a realidade, enquanto encarava um ponto além de .
- Vai ser difícil superar esse momento. - ela admitiu, voltando a fixar seu olhar nele. - Cara, você não pode ser real.
riu. - Já me disseram isso. - comentou, sem parecer prepotente, já que era a mais pura verdade.
- Posso perguntar uma coisa? - indagou, receosa.
- Claro. - acenou com a mão para ela.
- Porque você mandou In My Blood para mim? - perguntou, fazendo franzir o cenho. - Brian comentou que você nunca mostrou um trabalho incompleto para ele. E ele é seu melhor amigo. - explicou. - Mas você mandou para mim. E eu não queria comentar isso para não parecer ingrata, mas estou com essa dúvida. - ela mordeu o lábio inferior e acompanhou rapidamente o movimento da boca dela. A vontade de beijá-la estava ali novamente, mas ele sabia que ainda não era a hora.
- Porque eu confio em você. - deu de ombros. - Eu já criei conexões inesperadas. - murmurou. Apoiou os cotovelos nos joelhos, sem desviar o olhar de . Ela ainda tinha as pernas cruzadas e segurava seus dedos de forma nervosa. Talvez a presença de , tão perto dela, a deixasse desestabilizada. - Camila é um exemplo. - sorriu largo ao lembrar-se da amiga. - Mas com você é diferente. Eu confio em você. Me sinto bem e tranquilo para ser eu mesmo o tempo todo, sem precisar me precaver em não cometer um deslize que a imprensa vá usar contra mim. É quase como se eu esquecesse que sou famoso, entende? - estalou os lábios. - Sei lá, é complexo.
- Eu entendo. - concordou. - Para mim, às vezes, ainda é estranho. Eu paro e me dou conta de que estou falando com você, meu ídolo sabe? O cara que cantava as músicas de amor pelas quais eu suspirava e com quem eu jamais teria qualquer contato. - riu, lembrando-se de como sua realidade havia se modificado nos últimos tempos. - Mas ao mesmo tempo, você não deixa de ser apenas mais um cara normal, cuja companhia eu adoro desfrutar. - sorriu para . - Fico feliz que me veja além do status de fã.
- E eu por me ver além do status de ídolo. - a acompanhou no sorriso. - Vamos voltar para Friends? - indagou, voltando a sentar no sofá e pegando o controle da TV novamente.
- Por favor. - assentiu. - Mas uma última coisa.
virou o rosto para ela. - Sim?
- Meu aniversário. - a brasileira murmurou. - Eu não vou fazer nada além de pedir uma pizza, mas você pode aparecer lá, se quiser. - mordeu o lábio novamente, parecendo tímida. - Leve Brian. estará lá.
- Uma sugestão para presente? - levantou as sobrancelhas.
- Não precisa de presente. - ela logo negou.
- Um aniversário sem presente? - o cantor fez uma careta. - Isso é um absurdo! - exclamou, fazendo-a rir.
- Se é assim, tenho certeza que você vai encontrar algo. - deu de ombros, negando-se a ajudar .
- Você foi visitar Toronto sem mim. Me deve, pelo menos, uma dica. - ele pontuou e fez uma careta.
- Eu não fui visitar! - contestou e riu.
- Ainda não sei se acredito em você. - murmurou, recebendo um estirar de língua por parte da brasileira.
- Eu gosto de Harry Potter. - disse por fim. fez uma careta.
- Eu sei. - resmungou. - Isso não é realmente uma novidade que possa me ajudar.
- Bom, - estalou os lábios, sorrindo com diversão antes de encarar a TV. - Você nunca estipulou que a dica tinha que ser útil.
gargalhou com a ousadia da garota. - Você testa meus limites, . - o nome dela saiu com um mínimo de esforço, mas já havia percebido que ela gostava quando ele falava seu nome. Seu nariz franzia em agrado e ela abria um pequeno sorriso.
- Assim como você testa os meus. - deu de ombros e nenhum dos dois quis comentar sobre o duplo sentido daquela frase. Se atentaram ao episódio de Friends e passaram mais alguns ótimos momentos juntos, antes de finalmente dar a noite por encerrada e chamar um Uber. E quando se despediu dela com um beijo no rosto, teve a completa certeza de que queria arriscar. Ele queria conquistá-la e ver no que aquilo daria.
Tinha um bom pressentimento.

Capítulo 11

And it won't slow down
No matter what you do
So you just gotta hold on
But I'm worried that your heart might feel the same

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mastigava o bolo de chocolate sem vontade nenhuma. Não queria fazer desfeita para seus colegas de trabalho - que haviam planejado uma pequena festa para ela -, mas aquele era o pior bolo de chocolate que ela havia comido em toda sua vida. E ela já havia comido os bolos de vezes o suficiente para saber diferenciar um bolo mediano de um bolo ruim. Mas havia ganhado aquele presente e teria que abrir um sorriso amarelo para todo e qualquer colega que a felicitava pelo seu aniversário. Ela iria folgar no dia seguinte, então a pequena comemoração profissional estava acontecendo no dia anterior ao seu aniversário.
- Você não parece feliz. - Connor, um dos fotógrafos principais da empresa - e um rapaz extremamente gentil e simpático, para não mencionar o fato de ele ser lindo de morrer - comentou, sentando em frente a na mesa e lançando um olhar questionador para a brasileira. O sorriso torto completava sua expressão e poderia babar em cima dele caso não conhecesse de perto certo sorriso ainda mais bonito que o de Connor.
- Estou felicíssima. - retrucou, fazendo o outro rir por vê-la tão em defensiva.
- Esse bolo é péssimo, não é? - o rapaz questionou e assentiu veementemente. Se ele estava dizendo, ela não seria louca em negar. - Eu recebi um no mês passado. Foi terrível. Fingi enjoo na segunda garfada. - riu.
- Quem é o responsável por fazer essas encomendas? - ela indagou, abandonando de vez o garfo e afastando o prato de si. Inventaria que estava com má digestão, caso alguém perguntasse.
- . - Connor murmurou, revirando os olhos em seguida. - Ela tem uma quedinha pelo dono da confeitaria na esquina, então já viu o resultado. - deu de ombros, apontando para a fatia de bolo inacabada.
- Eu vou dar um soco nessa garota. - replicou, fazendo o canadense rir.
- Então, planos para amanhã? - ele indagou, se inclinando em direção a ela e arqueando as sobrancelhas em questionamento.
- Sim. - assentiu com um aceno. - Vou dormir até tarde e assistir séries na Netflix. - sorriu largamente.
- Não vai comemorar?
- Vou. - estalou os lábios. - e uns, hm.. - ela fez uma careta, sem saber como definir a presença de e seu melhor amigo, Brian Craigen, em seu aniversário. - amigos vão passar lá em casa a noite.
- Certo. - Connor estalou os lábios, se recostando na cadeira em seguida. - Então não vou te chamar para jantar amanhã.
- Você ia me chamar para jantar? - indagou, surpresa. Connor assentiu e quando o rapaz estava prestes a responder, o celular da garota apitou e o nome de piscou na tela do aparelho. pegou o objeto rapidamente, não dando tempo para Connor ler o nome na tela - ou pior, ver a foto de - e pediu um minuto para ler as mensagens e responder ao cantor.

❤️
Por favooooor 01:04 pm
Me diga o que você quer 01:04 pm


riu sozinha, não percebendo o olhar curioso de Connor sobre ela. Para qualquer espectador desinformado, estaria conversando com um possível namorado. Mas nem percebia que os sorrisos que dava tinham um quê a mais ou então que o brilho em seu olhar entregava parte do imenso carinho que ela sentia pela pessoa com quem estava conversando. Desde domingo, e andavam trocando mensagens com frequência. Enviavam áudios um para o outro durante a madrugada e fotos engraçadas durante as refeições e tempos de ócio.
Estavam construindo uma intimidade natural e gradual e aquilo era realmente engraçado porque, às vezes, parava a troca de mensagens para se permitir um momento de surto interno. Afinal, ela estava se comunicando com e nunca em sua vida, pensou que aquilo pudesse acontecer fora de uma fanfic. Mas ali estava um desesperado por não saber que presente comprar para ela. Era realmente algo inusitado e um tanto difícil de acreditar. E ninguém poderia julgá-la por ter alguns surtos ocasionalmente.

Não, você vai ter que se virar sozinho 01:05 pm

❤️
Mas eu não sei como 01:05 pm
Alguma coisa de Harry Potter? 01:05 pm
Você gosta de O Senhor dos Anéis? 01:05 pm
QUALQUER COISA 01:06 pm
Se controle, 01:06 pm
É apenas um presente 01:06 pm

❤️
Sim 01:06 pm
Mas é um presente para você 01:06 pm
É difícil encontrar algo que você possa gostar 01:06 pm
Não é 01:07 pm
Pense sobre mim 01:07 pm

❤️
Eu estou tentando 01:07 pm


bloqueou o aparelho e o colocou novamente sobre a mesa. Ajeitou os cabelos com a mão e só lembrou que Connor ainda estava sentado à mesma com ela quando o garoto pigarreou. abriu um sorriso culpado e focou sua atenção no colega, que lançou um olhar curioso para ela.
- Namorado? - ele indagou e apreciou a sinceridade dele. Era costumeiro de homens enrolarem e insinuaram situações apenas para descobrir sobre o status de relacionamento de uma mulher.
- Não. - suspirou.
- Mas você queria que fosse. - ele adivinhou e a brasileira deu de ombros.
- Nem sempre temos aquilo que queremos.
- Tens razão. - Connor concordou. - Eu, por exemplo, queria que você não estivesse interessada por ninguém. Seria mais fácil te conquistar. - ele brincou. - Mas se já existe alguém, podemos ser amigos. - sugeriu e , com as bochechas quentes, abriu um pequeno sorriso e acenou em concordância.
- Por mim tudo bem. - ela estendeu a mão para o rapaz, mas antes que pudessem selar o acordo de amizade, apareceu ao lado de e a arrastou para mais uma roda de colegas de trabalho que queriam parabenizá-la por seu aniversário. Tudo o que pôde fazer foi sorrir em forma de desculpas para Connor e seguir a amiga, deixando o garoto sozinho na mesa com uma expressão cabisbaixa. Ali estava um rapaz com quem ela poderia se relacionar tranquilamente. Mas ela insistia nos relacionamentos complicados e por isso todo seu interesse amoroso estava voltado para , um cantor mundialmente famoso.
realmente não se ajudava.

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Aaliyah não estava nada contente por ter sido arrastada para fora de casa naquela noite de terça-feira.
Por alguma razão que não prestara atenção, a garota não tinha aula no curso naquele dia e o cantor aproveitou para levá-la em uma missão de extrema importância e urgência: encontrar um presente para . Aaliyah ainda não sabia os motivos pelos quais o irmão mais velho a estava levando ao shopping, já que estava postergando a zoação que enfrentaria. Afinal, a caçula já havia falado para os pais deles que estava de "namorico" com uma garota muito bonita e aquilo deixara em maus lençóis. Seus pais, e principalmente sua mãe, prezavam pela honestidade e transparência em sua relação familiar e não abrir o jogo sobre sua nova namorada era algo que os desagradava. Karen era bastante protetora e com a fama que tinha, ela tinha ainda mais motivos para se preocupar com as companhias do filho.
- É sério, às vezes eu tenho vontade de te matar. - Aaliyah reclamou, assim que eles passaram pelas portas do shopping.
- Mas você me ama demais para isso. - retrucou, sorrindo para a irmã. Aaliyah torceu os lábios.
- Na verdade a mamãe iria sofrer, por isso eu não te mato. - ela deu de ombros.
- Ridícula. - estirou a língua para a mais nova, que riu.
- Afinal de contas, por que eu estou aqui? - lançou um olhar nada amigável para , que passou as mãos pelos cabelos antes de suspirar e finalmente falar:
- Preciso comprar um presente para . - as bochechas coradas em nada diminuíram o sorriso malicioso que Aaliyah abriu.
- Então a sua namorada está de aniversário e você não sabe o que comprar para ela? - provocou. - Que feio , você já foi melhor. - estalou os lábios e revirou os olhos para ela.
- Ela não é minha namorada, pare com isso. - retrucou. - E não tenho ideia do que comprar para ela. Vocês têm gostos parecidos, precisa me ajudar Aaliy! - os olhos pidões entraram em ação e por mais que Aaliyah estivesse acostumada com a manipulação emocional do irmão, acabava cedendo sempre que via aquele olhar. Infelizmente, para ela, era fofinho demais e ela não conseguia ser maldosa com ele, mesmo que ele merecesse às vezes.
- Tudo bem. - a garota cedeu, recebendo um abraço do cantor. - Do que ela gosta? - indagou, já desviando sua atenção de para as lojas pelas quais passavam.
- Harry Potter. - logo respondeu. - Heróis, bandas com nomes estranhos... - deu de ombros. - Mas ela é aquele tipo de nerd colecionadora, sabe? Então é difícil comprar algo que ela ainda não tenha.
- Difícil. - Aaliyah concordou. - Ela te deu alguma dica?
- Disse para pensar nela. - revirou os olhos e a caçula riu.
- Pense em algo que ela realmente vá gostar. - Aaliyah murmurou. - Algo que vá deixá-la sem palavras.
suspirou novamente, desviando o olhar da irmã e o focando em nenhum canto específico do shopping. Seus olhos passaram rapidamente por uma agência de viagens onde um anúncio da Disneylândia estava exibido. franziu o cenho, curioso quanto àquela possibilidade, quando finalmente um estalo lhe acometeu e ele abriu um sorriso gigante. Abraçou Aaliyah enquanto a agradecia - mesmo que ela não tivesse feito realmente alguma coisa - e após soltar a garota, puxou o celular do bolso e abriu a conversa com .
As últimas mensagens haviam sido dele e ele não poupou esforços para incitar a curiosidade de . Logo havia enviado suas mensagens e ao visualizar o "digitando de ", abriu um sorriso ainda mais largo e aproveitou de sua pequena vingança. Afinal, a garota o havia torturado e merecia ficar curiosa a respeito do presente que iria ganhar.

EU TENHO UMA IDEIA 06:30 pm
SIMMM 06:30 pm
FINALMENTE 06:30 pm
Obrigado Deus, você é o cara!!!! 06:30 pm
VOCÊ VAI AMAR ISSO 06:30 pm
Prepare as malas 06:30 pm


O que? 06:31 pm
Espere 06:31 pm
QUE PORRA É ESSA 06:31 pm
Essa é a minha vingança 06:31 pm
HAHAHAHAHAH 06:31 pm
Eu não vou te contar 06:31 pm


Você é ridículo, sabe disso, não sabe? 06:32 pm
Idiota 06:32 pm
Não vai me convencer a falar 06:33 pm
Nos vemos amanhã, aniversariante 😊 06:32 pm


não esperou por uma resposta de . Simplesmente bloqueou o celular e guardou o aparelho no bolso, antes de arrastar Aaliyah para a agência de viagens e comprar duas passagens para a Califórnia e dois pares de ingressos, já que iriam aproveitar o sábado e o domingo na atração. Optou por não escolher as datas, já que precisaria checar sua própria agenda e também a disponibilidade de , mas estava convicto de que aquele era o melhor presente que a garota iria receber. mal podia esperar para vê-la surtando. Seria o ponto alto da noite seguinte, sem nenhuma dúvida.

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mal teve tempo de prender o cabelo após o banho quando a campainha soou e ela precisou correr até a porta. Estava frio naquela noite e se permitiu usar um moletom rosa claro em seu aniversário, já que sua intenção era ficar quentinha e confortável. Abriu a porta e deu de cara com e sua cachorrinha, Teddy, abrindo um largo sorriso para o animal e ignorando completamente a animação de . Por conta disso, recebeu um tapa no braço, finalmente afastando seus dedos da cabeça de Teddy e se deixando abraçar por , que a parabenizava pelo aniversário e lhe desejava milhares de coisas boas.
- Obrigada! - agradeceu, dando um passo para o lado e abrindo espaço para entrar no apartamento.
A brasileira já estava com a mão na fechadura quando o barulho do elevador chamou sua atenção e ela abriu um largo sorriso ao encarar atravessando o corredor em direção a ela. Soltou a maçaneta e logo estava nos braços do cantor, que em um abraço de urso, tirou-a do chão e a sacudiu levemente. riu quando a colocou no chão novamente e a beijou na testa, os olhos brilhando em uma alegria que irradiava de cada poro da garota. não estava diferente e aquilo estava visível em sua postura: ele estava nervoso, mas feliz por estar ali.
- Feliz aniversário! - desejou, ainda monopolizando toda atenção de . Brian precisou empurrar o amigo para poder entrar no apartamento e abraçar , lhe desejando parabéns e recebendo um olhar nada simpático de .
- Obrigada! - sorriu, primeiro para Brian e então para . E o sorriso dela mudava completamente quando era direcionado ao cantor e tudo o que Craigen pôde fazer foi rir, dar de ombros e se afastar. Afinal, ele via o mesmo sorriso bobo no rosto de e não queria ser a pessoa a atrapalhar o momento deles.
fechou a porta às suas costas e seguiu para a sala junto de . estava na poltrona e Brian no canto esquerdo do sofá, deixando o meio para e o canto direito para . O cantor estendeu o braço atrás dos ombros de , que deitou a cabeça para trás, completamente alheia aos olhares de e Brian. Ela e tinham uma conexão natural inexplicável.
- Você já pediu a pizza? - indagou, soltando Teddy e deixando a cachorrinha livre pela casa.
- , é alérgico! - chiou.
- Alérgico a pizza? - a loira questionou, confusa. Olhou de para algumas vezes, antes que o canadense começasse a rir e a encarasse como se fosse louca.
- A cachorros. - explicou e soltou um grunhido que indicava compreensão.
- Está tudo bem. - garantiu. - Eu tomo um antialérgico mais tarde.
o encarou por alguns instantes, apenas para atestar a veracidade da promessa de . Ele sorriu para ela e a brasileira logo caiu nas graças dele novamente, como sempre acontecia quando ele sorria.
- E a pizza? - Brian retomou o assunto.
- Deve estar chegando. - respondeu. - Eu fiz o pedido antes de tomar banho. - comentou.
- Bem que eu senti um cheiro diferente. - riu da careta que a garota lhe direcionou.
- Você é ridículo, . - lhe estirou a língua. - Eu nem deveria estar falando com você, já que fui ignorada por um dia inteiro! - arregalou os olhos, exagerando no drama.
- Você realmente a ignorou? - Brian indagou, encarando o amigo com a expressão incrédula. assentiu com a cabeça.
- Ela iria me fazer falar. - deu de ombros.
- Eu sou muito persuasiva. - se gabou e revirou os olhos para ela.
- Você quer dizer chantagista né. - a loira chiou.
- É meu aniversário, você deve falar apenas coisas legais sobre mim! - reclamou.
- Tadinha. - apertou as bochechas da garota.
- Eu vou falar os fatos quer você queira ou não. - sorriu largo.
- Chata. - estirou a língua para a amiga no mesmo instante em que o interfone soou.
- Graças a Deus! - Brian exclamou, levantando num pulo e seguindo para a porta.
- Eu paguei com o cartão de crédito! - avisou, mas o garoto pareceu não ouvir. revirou os olhos e seguiu atrás do amigo para avisar que a pizza já estava paga. apertou o abraço nos ombros da brasileira e ela sorriu para ele, fechando os olhos enquanto um pequeno sorriso brincava no canto dos seus lábios.
- Aproveitou o dia? - indagou.
- Eu dormi bastante. - ela riu. - E assisti séries. Foi um dia proveitoso. - decidiu por fim, se colocando de pé e seguindo para a cozinha para pôr a mesa. a seguiu e logo estava fuçando nos armários em busca de pratos e copos.
- Lazy day. - concluiu e assentiu com a cabeça.
- Ainda não liguei para casa. - ela murmurou e virou o rosto para encará-la. - Eu vou começar a chorar e não quero isso. - riu fraco. Abriu a geladeira e pegou a jarra de caipirinha que havia preparado, colocando em cima da mesa junto com os talheres.
- Mas vai ser choro de tristeza ou de alegria? - o cantor indagou, voltando a procurar os utensílios que precisariam para jantar. Encontrou os copos em uma das portas do armário aéreo e os estendeu para , que colocou os objetos na mesa.
- De saudades. - ela confessou.
- Ninguém vai te julgar por isso. - ele disse por fim e sorriu para ele no momento em que abriu a última porta do armário aéreo e soltou um palavrão. Os pratos estavam ali, junto de pelo menos, 30 caixinhas de leite condensado. franziu o cenho e encarou . – Por que parece que você está preparada para o apocalipse zumbi?
gargalhou, dando de ombros em seguida. - Estava em promoção.
- E você precisava comprar tudo isso?
- Leite condensado vende em qualquer mercadinho na minha cidade. - ela explicou. - Eu preciso atravessar Toronto para conseguir comprar aqui.
- Tudo bem, você é maluca. - decidiu e fez uma careta para ele.
- E você ainda sim, gosta de mim. - ela provocou. a encarou diretamente nos olhos enquanto lhe entregava os pratos.
- Gosto mesmo. - sorriu para ela. - Por isso comprei o melhor presente do mundo para você. - alargou o sorriso.
- Se você não vai me contar qual é, não me provoca! - chiou, nada contente. Terminou de colocar os pratos na mesa e então sentiu o abraço de novamente em seus ombros, enquanto caminhavam de volta para a sala.
- É a minha vingança por você falar em português e me deixar perdido. - deu de ombros. e Brian voltaram para o apartamento no instante seguinte e logo estavam os quatro sentados à mesa, aproveitando a pizza e rindo de qualquer besteira graças ao efeito a caipirinha, enquanto Teddy ficava a espreita para aspirar qualquer farelo que caísse no chão. O bolo foi colocado na mesa logo em seguida - com um muito decepcionado com o recheio de creme de manteiga escolhido por - e durante os parabéns, se pegou com uma mistura de sentimentos dentro dela. Estava muito feliz por ter aquelas três pessoas em sua vida. Mesmo com pouco tempo de convivência, tinha certeza que as relações construídas entre eles iriam perdurar por muitos anos. Mas também estava triste, pois sentia como se estivesse esquecendo-se de sua vida no Brasil. Sentia que estava em casa em Toronto, mas sua casa era em Brusque. E ninguém poderia ter duas casas.
- Faça um pedido! - instruiu, antes que soprasse as velas. E vislumbrando o sorriso dos amigos uma última vez, fechou os olhos e desejou, com todo seu coração, que aprendesse a conciliar as saudades de casa com sua nova vida. E quando abriu os olhos e encontrou o olhar de sobre ela, não teve dúvidas de que aquela nova vida valia a pena. Havia encontrado pessoas incríveis com quem partilhar o seu dia. Pessoas que apenas somavam e não diminuíam.
- O que você pediu? - Brian indagou curioso.
- Se ela falar, não se realiza. - deu um peteleco na cabeça do amigo. riu.
sorriu largo e puxou os três para um abraço. - Obrigada por estarem aqui hoje. Seria péssimo comemorar sozinha.
- Nos convide para o seu aniversário no ano que vem, caso você esteja no Brasil. - Brian murmurou.
- Ela não estará. - disse, com convicção. - Vai estar aqui conosco. Precisamos dela. - a loira sorriu.
- Precisamos mesmo. - concordou e o encarou com os olhos marejados.
- Estou pronta para ligar para casa. - ela disse para ele. Desfez o abraço.
- Ofereço meu ombro para você chorar. - falou, fazendo-a rir. Ele era a droga de um príncipe e nada poderia convencer do contrário.

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abriu a porta da varanda e encontrou observando o céu. Ela virou o rosto em direção a ele quando ouviu o barulho de passos e sorriu, dando o consentimento para que se aproximasse. Ele parou ao lado da garota, passando a observar o céu junto com ela.
- Como você está? - indagou, preocupado. Ele entendia muito bem o que era sentir saudades da família e por esse motivo não queria deixar sozinha naquele momento, após ela ter ligado para sua família em seu aniversário. Era sempre bom ter alguém para conversar quando se estava para baixo.
- Feliz. - sorriu. - Mas com saudades. - riu fraco. a encarou, apoiando os cotovelos no parapeito da sacada. - O que é bem idiota, já que foi escolha minha estar aqui.
- Não é idiota. - retrucou. - É normal sentir saudades. Eu estranharia se você não sentisse. - brincou.
- É estranho. - suspirou, virando o rosto em direção a . - Tudo mudou tão rápido. Em um momento eu estava em casa, no meu quarto, fazendo uma entrevista por Skype sem nenhuma esperança de que a vida pudesse mudar. Eu continuaria trabalhando de forma independente, ajudando meus pais com as contas da casa e juntando dinheiro para uma viagem que eu não sabia quando iria fazer. - mordeu o interior da bochecha. - E então, de uma hora para outra, estava empacotando as minhas coisas. E agora eu estou aqui. E tudo mudou tão rápido, mas de uma forma tão natural. Tão fácil para que eu me adaptasse. E tenho medo de me perder, entende?
- Todos nós nos perdemos às vezes. - cantarolou e lançou um olhar chocado para ele.
- Você está usando Understand para me consolar? - ela indagou, desacreditada. riu, dando de ombros em seguida. - Eu não acredito nisso, !
- Eu esqueci que você conhece todas as minhas letras de cor. - ele brincou, empurrando com os ombros. Ela aproveitou a proximidade para deitar a cabeça no ombro dele e a observou fechar os olhos e respirar fundo. E naquele momento, a achou ainda mais linda do que antes. Mesmo com todas as dúvidas a cercando e o medo a espreitando.
- Preciso confessar que seria a trilha sonora perfeita para esse momento. - admitiu. - Sabe o que mais me preocupa? - questionou, levantando o rosto para encarar .
- O que?
- Eu não sinto saudades de lá como se sentisse saudades de casa. - murmurou. - E isso me chateia, porque aquela é a minha casa.
- Se você sente que pertence a outro lugar, essa é a sua casa. - falou. - Eu sinto isso, às vezes. Que o palco é a minha casa. E então me sinto culpado, por conta da minha família e dos meus amigos. Mas a música era a minha casa quando ser cantor era apenas um sonho distante.
- E como você lida com isso? - a brasileira indagou, realmente curiosa.
- Existem diferentes tipos de casa. E tudo o que importa é você se sentir bem. Sentir que seu coração está naquele lugar, com aquelas coisas e pessoas. - deu de ombros.
- O Brasil sempre vai ser minha primeira casa. - comentou. - E eu sinto saudades de lá, como sentia saudades de ir à praia quando estava em dias letivos. Minha família só ia à praia nas férias e apesar de amar a minha cidade, às vezes eu sentia falta da praia. - ela explicou e assentiu, mostrando que havia compreendido o sentimento. - Eu posso criar novas casas, em outros lugares. E ainda sim, vou sentir falta da praia às vezes. E está tudo bem. Isso não muda o sentimento que eu tenho pela minha primeira casa.
- Changing isn't a bad thing, it never was. But at the end of the day, you know. You're the same person and where your heart is, that doesn't change. - cantarolou novamente e sorriu largo, suspirando e voltando a fechar os olhos.
- Você tem razão. - ela assentiu. - Onde está meu coração, é isso que importa.
- E onde ele está agora?
- Aqui, nessa varanda. Com e Brian brigando pelo resto do bolo na cozinha. Teddy dormindo no sofá onde ela possivelmente mijou. - eles riram. voltou a encarar . - E a minha cabeça deitada no ombro do cara mais incrível que eu jamais pensei que poderia conhecer, enquanto falamos sobre a vida.
- Ah não, o aniversário é seu. - sacudiu a cabeça para os lados e estalou os lábios. - Se tem alguém que vai passar vergonha hoje, é você.
gargalhou.
- Eu não preciso de ajuda para passar vergonha, você sabe.
- Realmente, não posso discordar disso. - ele também riu.
- Você não estranha? - indagou, os olhos brilhando em curiosidade para .
- O que?
- As mudanças da vida. - deu de ombros.
- Não mais. - suspirou. - Tudo acontece porque tem que acontecer. No tempo certo e na ocasião necessária.
- Você me disse que não acreditava em destino. - a garota lembrou, arqueando as sobrancelhas em julgamento.
- Você me pegou. - o canadense riu e o acompanhou.
- Então talvez você acredite um pouco.
- Talvez. - deu de ombros. - Tudo acontece porque tem que acontecer. - repetiu.
- E todos que entram na nossa vida, deveriam entrar, de uma forma ou de outra.
- Quem será que teve a ideia de nos juntar? - indagou, com o cenho franzido. - Somos completamente diferentes. De mundos diferentes.
- A receita para o desastre, você quer dizer. - riu. - Um cantor canadense que logo estará lotando estádios mundo afora e uma fotógrafa brasileira com um parafuso a menos na cabeça.
gargalhou. - Perfeitamente errados. - murmurou. - Mas de alguma forma, está dando certo. - ele riu.
- É o destino. - disse. - Era para ser, de alguma forma.
- É nisso que você pensa quando está quase surtando? - o cantor indagou. - Que tudo está acontecendo por um motivo maior?
- Sim. - assentiu. - Mas eu surto de qualquer forma. - eles riram. - Mas é fácil me acostumar com a sua presença. - afirmou. - Sabe quando eu disse que tudo estava mudando de forma natural? - assentiu. - Você está incluso nessas mudanças. Eu não consigo mais olhar para você e ver o meu ídolo, sabe? - suspirou. - Você é uma pessoa comum para mim agora. Uma pessoa alcançável.
- Alcançável não é a palavra que eu usaria. - fez uma careta. - Você é baixinha, não consegue me alcançar. - provocou e o beliscou na cintura.
- Idiota. - xingou e gargalhou.
- Estou feliz por ter te encontrado. - o cantor confessou. - Eu estava precisando disso, de alguma forma. As coisas estavam ficando um pouco demais para mim.
- Eu sei. Ouvi In My Blood com muito cuidado. - estalou os lábios.
- Obrigado por me apresentar à normalidade. - o canadense sorriu para e fincou seus olhos nos dela.
- Ao seu dispor. - ela sorriu e desviou o olhar para os lábios dela rapidamente. E então aconteceu.
Às vezes na vida, tudo o que se precisa para compreender nossos sentimentos por alguém, é um único momento. Um momento onde olhamos para a pessoa e vemos nela, tudo aquilo que estávamos procurando entender. E entendeu. Entendeu que estava se apaixonando. Porque ele gostava de estar com , como jamais havia gostado de estar com nenhuma outra pessoa. Gostava de conversar com ela e gostava de ficar ao lado dela, sem nada para dizer. Gostava de como ela encarava a vida, de como havia sido corajosa e de como sua personalidade não se inibia perto dele. Gostava de como era normal, dentro de sua anormalidade. Gostava principalmente, do formigamento em seu estômago que olhar para os olhos dela, lhe proporcionava. Gostava da forma como ela o tratava e da forma como ele se sentia perto dela. Porque era fácil. Fácil gostar de , fácil querer passar um tempo com ela. Fácil se apaixonar por ela.
- Eu... - suspirou, sem realmente saber o que dizer. prendeu a respiração, dando um passo para trás quando se inclinou para ela, na clara intenção de beijá-la. - Você não quer? - ele questionou confuso. Talvez tivesse entendido tudo errado.
- Não é isso. - a garota suspirou.
- Então o que é? - indagou, sua voz saindo quase como um sopro. o encarou e quanto estava prestes a falar, um grito soou as suas costas e logo a sacada foi invadida por Brian e . Eles pareciam bêbados e carregavam um shot em cada mão.
- Hora dos presentes! - exclamou, fazendo rir da voz propositalmente mais fina da garota. Ele e trocaram um último olhar cheio de significados, decidindo adiar aquela conversa por ora.
- Eu não comprei nada demais. - Brian logo disse, em tom de desculpas.
- Ele é péssimo com presentes. - acusou.
- Hey!
- É verdade. - confirmou, recebendo um olhar atravessado do melhor amigo. Brian estendeu uma sacola para a contragosto e a garota virou o shot se tequila antes de desembrulhar o presente. Era o blu-ray de Spider-Man: Homecoming e soltou um gritinho animado. Internamente, recebeu os cumprimentos pelo presente, afinal ele havia orientado Brian a comprar aquele DVD.
- Eu amei! - ela exclamou. - É o último que falta para a minha coleção da Marvel. - abraçou Brian.
- Meu presente foi uma merda. - reclamou, fazendo uma careta para o canadense. - Por que o dela foi bom?
- Porque eu sou mais legal que você. - estalou os lábios, recebendo o dedo do meio da amiga como resposta. riu.
- Tome seu vale presente. - entregou um envelope para . - Não é da Zara, já que você não compra de lojas que tem peças fabricadas com mão de obra escrava. Foi difícil encontrar essa loja, então se você não gostar, eu vou te matar. - ameaçou e logo foi engolida pelo abraço de urso de .
- Você é a melhor, ! - a brasileira gritou.
- Eu sei. - suspirou, jogando os cabelos para trás e fazendo pose quando a soltou. Ela então se virou para , que havia largado o copo com o shot de tequila no parapeito da sacada e sorria de forma misteriosa para . A garota o havia infernizado com mil mensagens sobre o tal presentear e a havia ignorado durante 24 horas. A expectativa de vê-la surtando havia lhe dado forças para ignorar a garota.
- Antes de tudo, eu não quero que você reclame do valor. - alertou, puxando um envelope do bolso do casaco e o estendendo para . - É um presente dado de coração e não importa quanto custou.
- . - murmurou, com os olhos semicerrados. Pegou o envelope e o abriu, puxando quatro pedaços de papel e franzindo o cenho. Eram duas passagens para Los Angeles e aquilo já deixava insana. Ela estaria reclamando, caso os dois últimos papéis não fossem dois pares de ingressos para o Wizarding Would of Harry Potter em Los Angeles.
observou abrir a boca e fechá-la diversas vezes. Ela encarava os papéis com os olhos marejados e um início de sorriso nos lábios, enquanto suas mãos tremiam e ela balbuciava palavras incompreensíveis.
- Isso é sério? - murmurou por fim, levantando o olhar para e o encontrando com um sorriso divertido.
- Sim. - ele assentiu. - Eu te disse que esse era o melhor presente. - se gabou e então riu do grito que soltou. E foi acompanhado pelos amigos, enquanto a brasileira parecia soltar uma dúzia de palavrões em português, dando pulinhos e sacudindo os braços freneticamente. E antes que pudesse perceber, ela havia pulado em seus braços e murmurava um "obrigado" atrás do outro. a envolveu pela cintura e apertou os braços em torno dela, sentindo um quentinho no coração que ele poderia definir como uma brisa de verão em um dia de inverno. E deu-se conta que poderia passar horas naquele abraço e não ligaria. Inclusive, agradeceria pela oportunidade e pediria mais alguns minutos.
- Puta merda. - murmurou, se afastando de o suficiente para grudar seus lábios na bochecha dele. - Obrigada! - exclamou.
- De nada. - sorriu, deixando que rompesse o abraço e a observando surtar enquanto mostrava o ingresso sem data definida para . sentiu Brian se aproximar e parar ao seu lado. Não olhou para o amigo, mas sentiu os olhos dele em si e soltou um suspiro.
- Você gosta dela. - Brian exclamou.
- Não tem como não gostar dela. - retrucou.
- Isso pode dar muito errado. - alertou.
- Mas pode dar muito certo. - sorriu e o encarou. - Eu quero que dê certo.
Brian sorriu. - Então faça dar certo. - bateu no ombro de , antes de voltar para dentro da casa e deixar o cantor sozinho. lançou mais um olhar para , que o encarou sorrindo largamente e fez com que o coração de desse um pulo.
Ele estava mesmo se apaixonando. E queria cada vez mais daquele sentimento.

Capítulo 12

I want you close to me
I want you close, I want you closer
But when you're here with me
It's hard to tell just what you're after

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respirou fundo antes de abrir a porta do prédio e seguir para a calçada onde o Uber estava esperando por ela e para irem trabalhar. Sentiu os braços da amiga em torno de seus ombros e sorriu, fazendo uma careta quando seu celular apitou mais uma vez.
- Desliga a internet. - orientou, com um olhar pesaroso. Abriu a porta do carro e após confirmar a identidade do motorista, entrou no veículo sendo seguida por . O Uber as cumprimentou e logo a viagem havia sido iniciada.
- Eu preciso de internet para falar com a minha família. - suspirou.
- Desinstala o Instagram então. Ou já te acharam no Twitter também?
- Meu Twitter é fechado. - murmurou, pegando o celular no bolso e fazendo a careta para as dezenas de notificações do Instagram.
- Fecha o Instagram também. - disse e torceu os lábios. - Merda, você não pode. - suspirou. - Maldita profissão.
- Está tudo bem. - deu de ombros. - Logo se esquecem de mim.
- Amiga, você está no feed dele com uma declaração de fazer inveja para qualquer pessoa. Elas não vão te esquecer. - a loira sorriu de forma triste.
- Eu não quero fazer inveja em ninguém. - a brasileira reclamou. - E nem estou dando motivos para ser xingada daquela forma. - franziu o cenho. - Eu sei como funciona um fandom. Surtamos e perdemos a noção do que pode ou não ser ofensivo. - respirou fundo. - Eu mesma surtei quando Jelena se assumiu. - riu fraco e a acompanhou.
- Nossa, eu odiava a Selena. - lembrou. - Ainda bem que a gente cresce e arece, né?
- Sim. - suspirou. - Só é complicado estar do outro lado. Principalmente quando eu não sou nada famosa e não estou acostumada com ódio gratuito.
- Você deveria falar com . - falou.
- Ele não pode fazer nada. E são as fãs dele. Eu entendo a revolta. Uns 6 anos atrás eu estava no lugar delas. - se recostou no banco e fechou os olhos.
- E só por isso elas podem te xingar sem necessidade? - chiou, nada contente. - Você não está se exibindo e nem sendo esnobe. Muito menos tratando ele mal. - reclamou. - Eu postaria alguma coisa.
- Vou postar uma foto nossa. - comentou. - Nós quatro. Tentar amenizar as coisas.
- Isso não é tarefa sua. - a canadense reclamou.
- Não é tarefa de ninguém. - deu de ombros e então abriu o editor de fotos. Escolheu sua foto favorita da noite anterior - onde não estava apenas com - e após editá-la, postou em seu feed no Instagram. Estavam ela, , Brian e segurando Teddy. Ele quase havia morrido por causa da alergia, mas ninguém havia conseguido afastar a cachorrinha dele na noite anterior. cortou a foto onde aparecia ela e de mãos dadas - mesmo em pontas opostas - e postou com uma legenda "festa de aniversário para quatro pessoas e um cachorro". Após isso, bloqueou o aparelho e o jogou no fundo de sua bolsa, soltando um suspiro alto e deitando a cabeça para trás.
- Você não me contou porque não beijou o . - lembrou. riu, deixando claro o quão nervosa estava com o assunto.
- Eu não quero falar sobre isso. - ela retrucou, desviando o olhar para a janela. revirou os olhos, puxando o celular do bolso e iniciando uma ligação com , sem que se desse conta do que ela estava fazendo, até ouvir a voz da prima pelo viva voz.
- O que a fez agora? - a brasileira indagou, sem nem dar bom dia. riu e a encarou em choque.
- Por que você ligou para a ? - indagou um misto entre irritação e surpresa.
- Ótimo, eu amo viva voz. - riu.
- Porque você está fingindo que nada aconteceu. - acusou.
- E nada aconteceu! - o tom de voz da fotógrafa subiu duas oitavas.
- O que aconteceu? - questionou animada.
- Sua prima e quase se beijaram. - a canadense fofocou, recebendo um olhar nada contente de .
- Quase? Por que quase? ! - chiou em repreensão.
- Eu recuei. - admitiu. Sentiu o olhar pesaroso do motorista do Uber sobre si e fez uma careta. - Cuidado com as suas amizades moço, elas podem se virar contra você. - comentou, fazendo o motorista rir.
- , foca aqui! - reclamou e então acrescentou para o motorista: - Estamos fazendo o melhor para ela.
- Por que você recuou? - questionou. suspirou, cobrindo o rosto com as mãos e recebendo um cutucão de .
- Porque eu não esperava. - ela retrucou. - Nunca pensei que ele pudesse se sentir dessa forma por mim. Achei que era apenas amizade.
- E você não quer nada além de amizade? - a canadense questionou, com o cenho franzido.
- Claro que não! - exclamou. - Ela está completamente apaixonadinha por ele.
- Não é bem assim. - suspirou novamente, tirando a mão do rosto e fitando com seriedade. - Existem milhares de fatores pelos quais não vale a pena arriscar.
- Sim e todos eles envolvem a fama dele. - completou. - Mas você mesma disse que não tem mais essa visão dele.
- E não tenho. - concordou. - Mas isso ainda não nos torna o casal ideal. Eu estou assustada, por mim e por ele. - mordeu o lábio inferior. - Nas fanfics as coisas não eram assim.
riu.
- Sua vida é muito mais interessante do que uma fanfic. - ela murmurou. - Acho que, se ele não se importa por você não ser famosa, você não deveria se importar também. Principalmente porque vocês se gostam. - deu de ombros.
- Eu não sei... - respirou fundo e antes de concluir a fala, seu celular começou a tocar. Ela quase perdeu a ligação já que precisou procurar o celular no fundo da bolsa, mas o sorriso largo em seus lábios denunciou para a identidade de quem ligava para antes mesmo de ela murmurar: - Oi .
não prestou atenção na rápida despedida de e , já que mordia a ponta do dedo e tentava não suspirar enquanto lhe desejava um bom dia pelo celular.
- Você está bem? - ele perguntou. - Eu vi os comentários no Instagram.
- Eu sabia que isso iria acontecer. - suspirou. - Está tudo bem.
- Não está. - retrucou. - Vou dar um jeito nisso.
- , não precisa…
- É claro que precisa. - afirmou. - Te ligo no almoço, pode ser? Vou sair para correr agora.
- Tudo bem. - ela sorriu. - Obrigada. Boa corrida.
- Disponha. - falou e ela quase pôde vê-lo sorrir. Finalizou a ligação e evitou olhar para .
- Eu não vou falar nada. - riu e corou.
Não podia mesmo negar o quanto gostava de e o quanto estava arrependida por não tê-lo beijado. Ela faria qualquer coisa para ter uma segunda oportunidade.

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O caderno de rascunhos estava aberto na mesa de centro. O violão estava sendo dedilhado com cuidado, enquanto tentava encontrar um bom começo de melodia para a nova letra que havia escrito. Ainda teria muito trabalho pela frente e sabia que não terminaria aquela música de uma hora para outra, mas pretendia deixar o máximo de material pronto para quando finalmente fosse para o estúdio compor e gravar as músicas para o próximo álbum. Estava gostando da melodia que estava criando e então anotou no caderno de partituras, deixando o trabalho de lado por um instante para tomar mais um gole de seu café e respirar fundo.
estava temporariamente offline e havia aproveitado o tempo longe das redes sociais para compor. Não entrava no Instagram desde a manhã do dia anterior - o havia feito apenas para postar no stories e pedir para que as pessoas parassem de mandar mensagens de ódio para - e no Twitter havia apenas postado alguns tweets pedindo respeito. Ambos os pronunciamentos de haviam sido sem o conhecimento prévio de Andrew e agora o cantor estava de “castigo”, já que havia causado um tumulto ainda maior e Andrew precisara interromper suas férias para lidar com a bagunça. Apesar de não estar contente por ter atrapalhado as férias do empresário, não se arrependia da decisão de se pronunciar. Não havia motivos para ser atacada de forma tão agressiva apenas por ele ter postado uma foto com ela. Entendia a superproteção de seu fandom - principalmente após os problemas com havia tido com Hailey e que de alguma forma, havia vazado para a mídia - mas não concordava com aquele tipo de atitude. Afinal, ele era um homem adulto que sabia tomar suas decisões e lidar com as consequências delas. Se ele sentia-se confortável e confiava em , esperava que seus fãs confiassem em seu julgamento e o apoiassem. sempre soubera que causaria surtos histéricos em parte do fandom quando ele assumisse um relacionamento. Mas havia se assustado com a repercussão que apenas uma foto havia causado e principalmente, temia por . Aquele não era o mundo dela e não queria assustá-la e afugentá-la. Queria cada dia mais perto.
Voltou a dedilhar o violão, mesmo quando ouviu o barulho da porta da frente. Apenas seus pais tinham sua chave e não se surpreendeu ao ver Karen com um sorriso largo e uma sacola cheia de compras em mãos. riu, largando o violão no sofá para poder abraçar a mãe e beijá-la no rosto. A mulher apertou o cantor em seu abraço e quando se afastou, estendeu a sacola para ele, fazendo revirar os olhos.
- Eu já fiz compras mãe. - ele murmurou, seguindo para a cozinha com Karen em seu encalço. - Qual foi a fofoca da Aaliyah dessa vez?
- Não chame sua irmã de fofoqueira. - Karen ralhou.
abriu a sacola em cima da mesa e analisou o conteúdo, enquanto Karen sentava-se em uma banqueta e analisava o filho com um olhar analítico.
- Então você decidiu trazer uma bandeja de iogurte, morangos e chocolate no meio da tarde sem motivo nenhum? - indagou, com diversão.
- Exatamente. - Karen exclamou, arrancando uma risada alta do filho.
- Mãe. - ele suspirou, movendo-se pela cozinha e servindo um copo de suco para a mulher. Parou atrás dela e a abraçou, apoiando o queixo no ombro dela. Karen suspirou, segurando os braços de e acariciando as mãos do filho.
- Eu fiquei curiosa. E preocupada. - admitiu. - E Aaliyah não falou nada, antes que você a acuse.
- Preocupada por quê?
- Eu vi a foto no seu Instagram. E vi os comentários. E vi alguns sites de fofoca. - Karen murmurou. - Você disse que não está namorando e eu acredito em você. Mas existe algo, não existe? desfez o abraço e sentou-se na banqueta ao lado de Karen, apoiando o cotovelo na bancada e o queixo na palma da mão. Abriu um sorriso involuntário ao pensar em e suspirou ao notar o olhar de sua mãe. - Tem uma garota. - ele murmurou. - No começo era apenas amizade mesmo. Conhecemos-nos muito pouco e a pouco tempo. - deu de ombros. - Eu não pensei que isso pudesse evoluir.
- Mas evoluiu. - Karen finalizou. assentiu com a cabeça.
- Eu não estou apaixonado. - disse. - Mas estou me apaixonando e não estou com medo, como pensei que estaria. Ela faz eu me sentir normal, sabe? Eu esqueço que sou famoso quando estou com ela. Sou apenas um cara comum passando um tempo com uma garota comum.
- Isso é bom. - ela suspirou. - Você sabe que me preocupo com você, . Preocupo-me ainda mais por ser famoso e não saber se as pessoas estão se aproximando de você por ser o garoto incrível que eu sei que é, ou por ser um cantor famoso.
- Ela me conhece porque eu sou famoso. É uma fã. - admitiu. - Mas nunca me tratou de forma diferente, nem mesmo na primeira vez que nos encontramos.
- Isso é bom. - Karen sorriu. - Você precisa de um pouco de normalidade na sua vida.
- Eu gosto dela. Gosto de como me sinto quando estou com ela. É fácil, sabe? - riu. - As pessoas tem essa mitificação de que o amor nos faz sofrer, mas eu não acredito nisso. A facilidade é ainda mais apaixonante que a dificuldade. - deu de ombros novamente. Karen o puxou para um abraço, beijando no rosto antes de se afastar e se colocar de pé.
- Então acho que você tem que facilitar ainda mais as coisas. - disse e franziu o cenho para ela, confuso. - Por que passar a sexta-feira sozinho, se pode passar com ela?
- Nós ainda não falamos sobre. - o cantor suspirou. - Eu acho que ela está fugindo.
- E por que acha isso? - Karen franziu o cenho.
- Porque eu mandei um “hey, está a fim de tomar um café hoje?” e recebi um “desculpe, estou cheia de trabalho”. - fez uma careta.
- Ela poderia estar cheia de trabalho mesmo. - a mulher deu de ombros, confusa quanto à interpretação de .
- postou um storie com ela no shopping meia hora mais tarde.
Karen gargalhou da careta que tinha em seu rosto. - Meu amor, você não pode culpá-la por não querer ser vista em público com você. Aqueles comentários eram mesmo muito pesados.
assentiu, com uma expressão pensativa que deixava seus olhos ainda menores.
- Bom, então eu vou ter que deixá-la sem alternativas para fugir. - disse por fim e Karen sorriu para ele.
- Estou indo. Boa sorte. - beijou o cantor no rosto antes de sair da cozinha. ouviu o barulho da porta e suspirou, antes de guardar as compras na geladeira e voltar para a sala, analisando a letra que havia escrito. Era uma boa maneira de puxar papo com , então tirou foto de um pequeno trecho e mandou para a garota. Acomodou-se no sofá e esperou a resposta por longos 2 minutos, enquanto relia os versos que havia escrito e se certificava de ter enviado a melhor parte.

I need to know
If this is mutual
Before I go
And get way too involved
I want you bad
Can you reciprocate?
No, I don't want to have to leave
But half of you is not enough for me


sorriu quando o status de mudou de online para digitando e alargou o sorriso quando leu a resposta dela. Era realmente perfeita para que ele puxasse a conversa para o rumo que queria sem parecer um maluco.


Minha nossa 18:46 pm
Você escreveu isso hoje? 18:46 pm
ESTÁ INCRÍVEL!!!! 18:46 pm
Eu poderia casar com você nesse momento só por ler esse trecho 18:46 pm
Sim, escrevi 18:47 pm
E não flerte comigo 18:47 pm
Se você vai fugir novamente 18:47 pm


Eu não estou fugindo 18:48 pm
E não estou flertando 18:48 pm
Estou apenas sendo honesta 18:48 pm
Você está flertando 18:48 pm
E eu nunca sei se é brincadeira ou não 18:48 pm


E isso importa? 18:49 pm
Sim 18:49 pm
Porque se você está falando sério, eu vou ser honesto e falar o que eu quero 18:49 pm


E o que você quer? 18:50 pm
Seja honesto 18:50 pm
Você 18:50 pm


encarou o status de por longos segundos. Ele mudava de digitando para online a todo instante, como se ela estivesse apagando as mensagens que escrevia. suspirou e fechou os olhos, esperando não ter sido direto demais. Ele não queria mesmo assustá-la, mas também não iria fingir que não a queria. Porque ele a queria. E ter tentado beijá-la na quarta-feira apenas deixava aquilo ainda mais claro. Seu orgulho não havia ficado ferido porque o havia recusado. Ele entendia a surpresa dela, mas precisava saber em que pé eles estavam. Ou ela queria ou não queria. Era simples.


Não diga isso 18:51 pm
É mais complicado do que você imagina 18:51 pm
Sim, eu sei 18:51 pm
Mas você pediu pela minha honestidade 18:51 pm
E sendo honesto, eu quero você 18:51 pm
Resta saber o que você quer 18:51 pm


O que você acha? 18:52 pm
Eu não sei 18:52 pm
Me diga 18:52 pm


Eu acho que precisamos conversar sobre isso pessoalmente 18:52 pm
Quando? Se você foge? 18:52 pm


Eu não faço isso 18:52 pm
Sim, você faz. Como fez no seu aniversário 18:53 pm


Eu sou insegura 18:53 pm
Isso não é comum 18:53 pm
Vamos falar sobre isso pessoalmente 18:53 pm
Estou indo para a sua casa 18:53 pm


E antes mesmo de ler o “tudo bem” que respondeu, ele já estava de pé, correndo para seu banheiro. Tomou um banho rápido, vestiu uma roupa confortável e quente e pegou as chaves do carro, seguindo para fora de casa com a chave de casa, o celular e a carteira no bolso do moletom.

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acreditava estar experimentando uma nova crise de ansiedade naquele momento. As mensagens trocadas com ainda estavam abertas na tela de seu celular, mesmo que a última mensagem enviada datasse de vinte minutos atrás. O ar que ela inalava não parecia o suficiente para seu coração disparado, fazendo-a respirar mais rápido e com mais força, para tentar ritmar suas batidas cardíacas. Aquilo era o mais perto de um ataque do coração que ela já havia chego à vida e não estava gostando a sensação. ainda estava jogada na cama, encarando a tela do celular sem realmente vê-lo, quando a campainha tocou e ela pulou devido ao susto. Tinha certeza de que era e ela estava deplorável naquele moletom.
Respirou fundo uma última vez e então se colocou de pé, tirando as roupas que vestia e as jogando para um canto do armário, antes de procurar um vestido qualquer e colocar um casaco por cima. Calçou sapatilhas e estava com a bolsa nas mãos quando a campainha soou novamente. correu para a porta e a abriu, dando de cara com , que parecia ainda mais bonito do que ela estava acostumada a ver. a encarou com o cenho franzido, estranhando o fato de ela estar arrumada quando eles deveriam permanecer na casa da garota naquela noite.
- Vamos comprar pizza. - exclamou, sua voz soando muito mais esganiçada do que gostaria.
- Podemos pedir uma pizza pelo telefone. - a lembrou, escondendo um sorriso. Era óbvio que estava fugindo daquela conversa e ele achava aquilo um pouco fofo, principalmente porque a expressão no rosto dela ficava uma graça com as bochechas avermelhadas.
- Mas não tem graça. - a brasileira declarou, segurando na mão de e fechando a porta às suas costas antes de guiá-lo para o elevador novamente.
- Você tem certeza de que ficar sozinha em um elevador comigo nesse momento é o ideal? - questionou, o tom divertido explícito em sua voz. corou ainda mais e desviou o olhar de assim que o elevador abriu as portas, se enfiando no cubículo com os braços cruzados em frente ao corpo. parou ao lado da garota, o riso provocativo estampado em seus lábios.
- Não começa. - chiou e riu.
- Eu vim aqui justamente para começar.
fixou o olhar em , enquanto mordia o lábio inferior e apertava os cotovelos com as pontas dos dedos. Respirou fundo, decidindo não rebater o comentário do cantor. Ela não tinha saúde emocional para aquilo e seu coração parecia capaz de alçar voo e abandonar seu peito a qualquer instante. precisou beliscar sua pele uma única vez para ter certeza de que não estava sonhando e que realmente estava ali, flertando e jogando indiretas para ela.
- Tem uma pizzaria ótima há duas quadras daqui. - a garota comentou quando o elevador chegou ao térreo. Cumprimentou o porteiro e então saiu para rua, tremendo quando sentiu a rajada de vento frio bater em suas pernas descobertas.
- Você ainda quer ir comprar pizza? - questionou, parando ao lado da garota na calçada. o encarou e assentiu com a cabeça. - Então vamos. - disse por fim, abraçando-a pelos ombros e puxando o corpo da garota para mais perto do seu, a fim de protegê-la do frio. - Como foi o seu dia? - indagou, curioso.
- Normal. - deu de ombros. - Não tive muito trabalho e me arrastou para o shopping. - suspirou.
- E você disse que estava ocupada. - o cantor murmurou, fazendo corar fortemente.
- Me desculpe. - ela sussurrou. - Eu só não havia digerido toda a situação. E sair para um café no meio da tarde apenas aumentaria o descontentamento dos seus fãs.
- É, eu sei. - suspirou. - Mas nós precisamos falar sobre isso, . - a olhou nos olhos e novamente recuou, desviando o olhar e soltando o ar pela boca.
- E como foi o seu dia? - perguntou, em uma clara tentativa de mudar de assunto. Tinha o braço esquerdo envolvendo a cintura de e a mão escondida no bolso do moletom dele.
- Tranquilo. - deu de ombros, rindo fraco. - Andrew me proibiu de usar internet. - o encarou com a culpa escancarada em seu olhar.
- Eu não queria te causar problemas. - suspirou.
- Não causou. - garantiu, sorrindo para ela. - Eu fiz porque era o certo, . Não existem motivos para você ser atacada daquela forma.
- Não mesmo. - assentiu em concordância.
- Não ainda. - completou.
- Estamos falando abertamente sobre isso? - a brasileira questionou, aflita. Já havia se imaginado diversas vezes beijando . Havia lido fanfics onde namorara com ele - inclusive havia lido fanfics restritas e aquilo dizia muita coisa - mas sentia-se estranha naquele momento. Estavam mesmo falando sobre seu quase beijo. O beijo do qual ela havia fugido e se arrependido. Afinal, aquele era . Ela queria beijá-lo desde a primeira vez que o havia visto em um vídeo no falecido Vine. Era estranho porque ela jamais imaginara que aquilo pudesse mesmo acontecer. Conhecer e criar uma amizade com ele já era muita coisa, agora ter ele interessado nela? Romanticamente? Era inviável. Difícil de acreditar, para não dizer impossível. Ninguém poderia julgá-la por estar insegura e levemente assustada. Aquele tipo de coisa não acontecia com garotas comuns como .
- Foi para isso que eu vim. - constatou e a brasileira assentiu.
- Você queria me beijar. - pontuou e foi a vez de assentir.
- Ainda quero. - completou, piscando para ela e deixando-a levemente sem ar. - Mas você não quis.
- Eu me assustei. - replicou. - Sabe, não é todo dia que um ídolo, que virou um amigo, mas não deixa de ser um ídolo, tenta me beijar. - ela murmurou. - Só acontece uma vez por mês, não me julgue por ter me assustado. - brincou, tentando descontrair o clima. riu.
- Pode ser surpreendente, mas eu não estou acostumado a beijar fãs. Ou amigas. - ele a encarou.
- Não é surpreendente. - declarou. - Na verdade é bem previsível. Você não faz o tipo que pega geral.
- Eu sou um rapaz de família. - entrou na brincadeira. - Para casar.
- Comigo, é claro. - sorriu e a encarou novamente, mordendo o lábio inferior antes de soltar um riso pelo nariz.
- Não flerte comigo se for para fugir, . - pediu e ela desviou o olhar. Suas pernas já estavam fracas e encarar os olhos de não ajudaria em nada naquele momento. - Eu posso não te dar alternativas dessa vez.
- Eu gostei da letra da música. - mudou de assunto novamente, fazendo rir um pouco mais.
- Escrevi para você. - declarou e a garota tropeçou em seus próprios pés, tamanha a surpresa. Encarou com os olhos arregalados e engoliu em seco uma vez.
- Está falando sério? - sua voz saiu fina demais.
- Sim. - o cantor confirmou. - Posso cantar a primeira estrofe se você quiser. - murmurou, recebendo uma negativa de .
- Eu estou bem assim, viva. - ela suspirou, fazendo-o gargalhar. - Vamos comprar essa pizza logo e voltar para casa. Estou congelando. - torceu o nariz em descontentamento. a puxou para retomar o abraço e suspirou. Adorava aquele abraço mais do que tudo no mundo.

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bebeu um gole de seu refrigerante antes de voltar a encarar a caixa de pizza e encontrar apenas uma fatia. Estendeu a mão para pegar e recebeu um tapa, passando a encarar com os olhos em fendas e os lábios franzidos. Estavam ambos no sofá da sala, enquanto um episódio do The Voice passava na TV e a caixa de pizza encontrava-se na mesa de centro junto de uma caixinha de suco natural, já que não bebia refrigerante.
- Minha casa, minhas regras. - a mulher chiou. - A última fatia de pizza é minha.
- Não. - estalou os lábios. - Nem pensar. - decidiu, agindo muito mais rápido do que a garota poderia prever e pegando a última fatia da pizza, se colocando de pé e estendendo o braço para cima, de forma a deixar o alcance inacessível para . A garota soltou um palavrão em português, fazendo-o rir. logo foi atrás da comida e de alguma forma que não conseguia entender, tentava escalar o corpo dele para pegar a fatia de pizza. A cada pulo que dava, ria um pouco mais. Ela era muito pequena perto dele e sabia que ela jamais iria conseguir pegar aquela pizza se ele não facilitasse o alcance.
- Deixa de ser idiota ! - xingou, após dar um último pulo e não obter sucesso. Ela deu um passo para trás, colocou as mãos na cintura e analisou o cenário à sua volta. Subiu no sofá rapidamente e se inclinou na direção de , ficando quase da altura do cantor e tentando pegar a pizza a todo custo. , que antes estava de lado, se virou para ela e abraçou-a pela cintura com o braço que não segurava a pizza. Soltou mais um riso quando observou ficar rígida e com as bochechas coradas e então estendeu a pizza para ela, abrindo um sorriso divertido.
- Uma pizza por um beijinho? - ele murmurou, deixando com as bochechas ainda mais vermelhas, enquanto ela engolia em seco e descia o olhar para os lábios do cantor rapidamente.
- Perdão? - afinou a voz, parecendo estar em desespero.
- Beijinho. - repetiu. - Aquele doce que você faz. - sorriu.
- Ah, certo. - a menina soltou o ar pela boca, claramente desapontada e quis rir ainda mais. Era óbvio que havia feito aquilo justamente para deixá-la confusa. Ele sabia que queria beijá-lo e que na próxima tentativa, ela não iria fugir. Mas ele também não iria facilitar as coisas para ela. Não naquele momento. Mesmo querendo, mais do que tudo, colar seus lábios nos dela e finalmente descobrir o gosto daquele beijo. Ali, parado com o braço em torno da cintura de e seus rostos tão próximos, ele conseguia achá-la ainda mais fascinante e bonita, enquanto contava as pintinhas que ela tinha no rosto e tentava decifrar o exato tom de castanho dos olhos dela.
- Vai fazer? - ele questionou, libertando a cintura dela de seu abraço e então estendendo a pizza para a garota.
- Claro. - suspirou, descendo do sofá e quase correndo para a cozinha.
- ? - chamou, risonho. Ela se virou para ele com o cenho franzido. - A sua pizza. - balançou a fatia.
sacudiu a cabeça para os lados. - Perdi a fome.
- Então não é justo você me dar beijinho. - retrucou. Devolveu a pizza para a caixa e se aproximou da brasileira, com o intuito de lavar as mãos na pia.
- Não me importo. - a garota deu de ombros. lavou as mãos e secou com papel toalha, escorando-se na bancada, o olhar fixo em , que procurava pelos itens necessários para fazer o tal beijinho.
- Mas eu me importo. - contestou. - Precisa haver uma troca.
- Você é canadense demais. - estalou os lábios. - No Brasil, em qualquer chance de ganhar algo de graça, tem sete mil pessoas na fila. - a garota riu, contagiando com sua risada.
- Vocês não lidam bem com justiça né? - brincou.
- Não mesmo. Olhe nosso governo. - estalou os lábios. Colocou todos os ingredientes na panela e começou a misturar ritmadamente.
- Isso é péssimo. - suspirou.
- Uhum. - concordou. - Ah, eu tenho uma dúvida. - ela levantou o olhar para o cantor, após alguns minutos em silêncio. Desligou o fogo e colocou a panela com beijinho na geladeira, antes de voltar para a sala e se jogar no sofá. a seguiu, sentando ao lado dela e passando o braço pelos ombros de , como já estava acostumado.
- Fale. - incentivou.
- Nós vamos para Los Angeles. - murmurou. - Eu quero pagar as despesas do hotel, tudo bem? - ela o olhou brevemente. - Você já pagou pelos ingressos e pelas passagens. Acho justo pagar a hospedagem.
a encarou por alguns segundos, antes de começar a rir. lançou um olhar esquisito para , que misturava confusão e indignação. Afinal, ela estava debatendo um assunto sério e estava rindo como um maluco.
- Eu não entendi o motivo da risada. - ela disse por fim, demonstrando descontentamento.
- Desculpe. - respirou fundo. - Mas você é meio lerda às vezes. - argumentou. arqueou as sobrancelhas para ele.
- E eu estou sendo atacada por quê?
- Eu tenho uma casa em Los Angeles. - lembrou. - Ficaremos lá. - ele deu de ombros.
- … - suspirou.
- Não se preocupe. - ele sorriu. - Você já recusou meu beijo, não vai acontecer nada demais enquanto estivermos lá. - brincou.
- Pare de jogar isso na minha cara. - chiou. - Você sabe muito bem que eu quero.
- Agora eu sei. - concordou, não dizendo mais nada após isso. mordeu o lábio inferior, sem desviar o olhar do rosto de . Ele conseguia ver nos olhos dela o quanto ela estava arrependida por não tê-lo beijado. Ambos haviam admitido que se sentiam atraídos um pelo outro e tudo o que existia ali era uma vontade a ser sanada. Mas aquela não era a hora. Não como havia sido na noite do aniversário de .
- Eu não vou te beijar, . - ele replicou, sorrindo torto para a careta da garota.
- Eu sabia que havia perdido a minha chance. - ela suspirou, deixando os ombros caírem.
- Não perdeu. - sacudiu a cabeça em negação. - Nenhum pouco, na verdade. - riu fraco.
- E você não vai me beijar por quê? - questionou.
- Não é o momento. - murmurou.
- Você vai esperar uma noite chuvosa ou algo do tipo? - ela riu e a acompanhou.
- Tipo isso. - ele disse.
- Tudo bem. - suspirou. - Assim você me dá mais tempo para digerir a situação e não surtar. - brincou.
maneou a cabeça em concordância, já que ela havia acertado em cheio o ponto principal pelo qual ele não a beijaria naquela noite. estava insegura e ele não podia julgá-la por aquilo. No lugar dela, também estaria inseguro. Eles eram diferentes demais e tudo no mundo conspirava para que não dessem certo. não queria assustá-la. Queria que se acostumasse com a ideia de estar com ele de forma natural. Não queria beijá-la e vê-la fugir por estar assustada. Iria inserir em seu mundo aos poucos. Estava convicto de que aquela era a melhor forma de abrir um espaço permanente em seu mundo para . iria construir a segurança que sentia com ela, para que ela também se sentisse segura com ele. E por esse motivo, grudou seus lábios na bochecha dela e puxou-a para um abraço mais apertado.
- Eu não quero que você fuja novamente quando eu tentar te beijar. - o cantor suspirou.
- Eu não vou fugir. - disse. - Pode confiar em mim.
E ele confiava. Cegamente. E aquele era apenas mais um indício de que estava se apaixonando e gostando de se apaixonar por .

Capítulo 13

You got me acting like I've never done this before
I promise I'll be ready when I walk through the door
And I don't know why

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estava jogada em seu sofá assistindo a sua comédia romântica favorita - Simplesmente Acontece -, comendo pizza e bebendo vinho. Já estava com mais da metade da garrafa vazia quando a vibração do celular tomou sua atenção e a garota precisou pausar o filme para atender a chamada de vídeo no grupo alternativo da família, onde apenas ela, Maurício e eram integrantes. Era um costume se falarem todos os domingos a noite, tanto para contarem as novidades quanto para apenas bater papo e diminuírem um pouco da saudade. Abriu um largo sorriso quando o rosto de Maurício apareceu em uma das telas e na outra, com uma máscara coreana e bobs nos cabelos.
- Oi! - exclamou, sorrindo ainda mais largo por estar falando em português. Estava se habituando ao inglês, mas às vezes ainda precisava relembrar a necessidade de usar a língua para se comunicar diariamente. Era comum soltar alguma palavra em português, principalmente palavrão. Xingar em inglês não tinha a mesma emoção para ela.
- "Não posso abrir muito a boca."- murmurou, arrancando risadinhas bêbadas de .
- Como vocês estão? - a menina indagou, se acomodando melhor no sofá.
- "Bem." - Maurício respondeu. - "Mas tu estás bêbada." - acusou. A garota deu de ombros.
- Bebi um pouco de vinho para passar o frio. - murmurou.
- "E ainda quer ver neve." - debochou. - "Tu vais sentir falta do nosso calor."
- Estou sentindo falta de vocês apenas. - garantiu. - Do calor jamais!
- "Não é o que parece." - Maurício falou pela primeira vez e o encarou com o cenho franzido em confusão.
- Oi? - não havia entendido o tom áspero do irmão e o álcool em nada tinha relação com aquilo.
- "Existe internet aqui, ." - o rapaz revirou os olhos, deixando a irmã ainda mais confusa.
- Eu não sei do que tu estás falando cabeção. - retrucou.
- “Deixa eu te ajudar a entender." - o mais velho pediu e viu sua prima revirar os olhos discretamente. Os homens da família tinham uma perna inteira no drama, enquanto as mulheres não tinham muita paciência para enrolação. Menos quando se tratava de relacionamentos. Principalmente quando estava envolvida.
- Desenrola. - também revirou os olhos e aquilo lhe deixou um pouco tonta, o que apenas a motivou a beber um pouco mais de vinho.
Maurício pigarreou e montou uma expressão pomposa antes de puxar o computador para perto e começar a ler algo que parecia uma notícia.
- "Será que nosso querido abandonou o barco dos solteiros?" - Maurício afinou um pouco a voz para ler o título e então retornou a seu drama costumeiro para continuar a leitura, enquanto engolia em seco e respirava com dificuldade.
“Muito se especula sobre a vida amorosa do cantor mais badalado do momento. Com suas músicas de amor, arrasta multidões de fãs enlouquecidas para seus shows. Em um desses shows, mais especificamente no show ocorrido aqui no Rio de Janeiro, encontrou uma fã em especial. Nós não sabemos quando e , uma fotógrafa de 21 anos, iniciaram uma relação para além do ambiente de fã e ídolo. Mas essa relação existe e não apenas pelas dezenas de comentários trocados no Instagram ou fotos em que aparecem juntos - com direito a uma declaração de aniversário do cantor que fez os fãs mais histéricos chorarem - mas também pela especulação dos paparazzi em cima desse possível casal, principalmente após postar uma foto em seu Instagram Storie pedindo para que as pessoas parassem de mandar mensagens de ódio para . A internet está cheia de possíveis fotos de passeando e saindo do apartamento um do outro. Pode ser apenas amizade? Claro que sim. Mas pode não ser também. Torcemos pela felicidade de e esperamos que , como ela prefere ser chamada, esteja bem. Que venham mais músicas de amor para nós!"
não sabia exatamente o que falar. Maurício a encarava com um sorriso cínico e fingia não estar na conversa. Mas tudo no que conseguia pensar era no quão bem escrito àquela matéria estava e que não deveria ter saído em alguma revista de fofocas vagabunda. Não. A coisa estava muito maior do que ela pensara.
- Onde essa matéria saiu?
- "Na Rolling Stone." - respondeu e grunhiu, cobrindo os olhos com a mão que não segurava o celular e suspirando em seguida.
- "Eu não estou namorando." - ela logo falou, querendo evitar as perguntas irritantes de Maurício.
- "Tudo bem." - ele assentiu. - "Mas ainda não entendo como vocês se aproximaram. Ele não é super famoso?"
- Ele é. - suspirou. - Foi por acidente, mas nos esbarramos em uma cafeteria aqui em Toronto. Eu não estava perseguindo ele ou coisa parecida. - se defendeu.
- "E então viraram amigos?" - Maurício ainda não estava convencido e suspirou novamente. Seu irmão era mesmo um pé no saco.
- é amiga do melhor amigo dele. Acabamos indo para a mesma festa sem querer, e desde então, temos saído.
- "Hm." - foi tudo o que Maurício disse por alguns instantes.
- "Já comprou roupas?" - questionou e enquanto estava raciocinando sobre a mudança de assunto, Maurício novamente pigarreou.
- “E vocês têm saído? Em encontros?"
- Não é nada demais. - enrolou um pouco a língua para falar. - Ele me levou em alguns pontos turísticos, jantamos juntos, ele veio no meu aniversário... Coisas de amigos.
- "Amigos que se beijam." - Maurício chiou e foi a vez de ralhar com o primo.
- "Vai dormir Maurício!" - ela ordenou. - "Ser um irmão babaca não vai ajudar em nada!" - xingou e reprimiu o riso. Sentia saudades até daquelas brigas. era muito mais uma irmã mais velha do que uma prima, mesmo tendo a mesma idade de . Maurício morria de medo da garota e deixava toda sua implicância para infernizar . , por sua vez, defendia a fotógrafa e iniciava as brigas entre os três. Era daquela forma desde a infância e mesmo com a vida adulta, as coisas não haviam mudado entre eles.
- Não, não desta forma. Mas porque eu não quis. - a garota confessou.
- "Mentira." - o rapaz retrucou, sem acreditar nas palavras da irmã.
- “Boa noite Maurício!” - resmungou, sem deixar brechas para que o garoto retrucasse. Maurício apenas deu de língua para e se retirou da chamada de vídeo. Ele era esperto e não tentaria a sorte contra . - "Vocês não estão mesmo juntos?” - indagou, preocupada.
- Não. - sacudiu a cabeça e fez uma careta. - Estamos indo com calma. Nós conversamos, esclarecemos nossas posições. Nós dois queremos. Mas é muito complicado. Precisamos ir com calma.
- "Tu sabes qual a minha opinião." - riu. - "Sou completamente team e acho que tu estás sendo uma boca aberta por não ter beijado esse garoto ainda."
- ... - suspirou. - Eu gosto dele, de verdade. E ele é uma pessoa incrível. - sorriu. - Mas é complexo. Somos tão diferentes.
- "Não são não." - a outra bateu o pé. E tinha razão. e tinham muito em comum.
- De mundos diferentes. - esclareceu.
- "Certo." - assentiu com a cabeça. - "Mas isso não é razão para tu desistires sem nem ao menos tentar. Teus braços não vão cair, .”
- Eu sei. - assentiu. - Mas ainda não estou convencida.
- "Tudo bem. Se acostume com a ideia. Mas não desista tão facilmente." - orientou e sorriu para a prima. Eram raros os momentos em que elas conversavam de forma tão ra. Normalmente ficava em negação enquanto brigava. - "Eu também vou dormir." - bocejou em seguida. - "Boa noite , se cuide!"
- Boa noite. Te amo doida. - sorriu.
- "Te amo mais." - estalou um beijo para a prima.
E finalizando a chamada de vídeo, estava pronta para dar seguimento a seu filme. Assistiu mais algumas cenas consideráveis enquanto terminava com a garrafa de vinho e quando seus olhos já estavam pesados, desligou a TV e cambaleou para sua cama. Estava quase pegando no sono quando seu celular vibrou novamente. Franziu o cenho em confusão, sem imaginar quem poderia ser àquela hora da noite. Seu coração parou por alguns instantes e sentiu uma comichão estranho na boca do estômago - e não era o álcool - quando o nome de apareceu nas notificações do celular. Ele havia lhe enviado uma foto de dois ingressos para um jogo no Rogers Centre com um emoji sorridente como legenda. Não era uma boa ideia conversar com estando bêbada, mas não era fã de seguir seu bom senso. Rapidamente começou a digitar uma resposta, tendo que apagar seu progresso porque outra mensagem de chegara.


Posso confirmar a segunda parte do nosso tour por Toronto? 11:32 pm
Eu não entendo nada de jogos 11:32 pm


Tudo bem 11:32 pm
Eu te ensino 11:32 pm
Eu não tenho certeza de que você é um bom professor 11:32 pm


A garota riu de sua própria provocação, sabendo que ferir o ego leonino de não era a melhor das ideias. Ele ficava completamente ofendido quando não conseguia fazer alguma coisa ou então, quando tinha suas capacidades questionadas.


Eu sou bom em muitas coisas 11:33 pm
Você deveria experimentar cada uma delas 11:33 pm
Para ter certeza de que pode confiar nos meus talentos 11:34 pm


engoliu em seco, sem saber exatamente o que responder. Sua mente havia voado para pensamentos nada puros e ela estava suando devido ao calor que subiu por seu corpo. Podia ser o vinho, mas ela sabia que eram as palavras de . Levou alguns minutos para conseguir digitar uma resposta e sabia que estava brincando com fogo quando enviou, mas não conseguira se conter. estava jogando pesado e estava na hora de ela reagir. E ela só tinha aquela coragem, pois estava bêbada o suficiente para não sentir vergonha.

Aceito sua oferta 11:36 pm
Mas acho que você só deve ter talento com a boca 11:36 pm
Porque você é cantor 11:36 pm

❤️
Vai ter que experimentar 11:36 pm
Estou disponível para provar 11:36 pm
Os meus talentos com a boca 11:36 pm
Porque eu sou cantor, sabe 11:36 pm
Essa conversa tem muito duplo sentido 11:36 pm

❤ Eu sei 11:37 pm
Mas foi você quem começou 11:37 pm
Estou bêbada 11:37 pm
Não teria coragem de fazer esse tipo de insinuação se estivesse sóbria 🤗 11:37 pm


Dizem que bêbados dizem a verdade 11:37 pm
Eu deveria negar 11:37 pm
Mas eu sou burra 11:38 pm
Então sim, estou sendo honesta 11:38 pm


Então você quer experimentar meus talentos? 11:38 pm
Eu faço esse sacrifício 11:39 pm


Você vai me destruir garota 11:39 pm
Te pego na quinta-feira às 17h 11:39 pm
Boa noite 11:39 pm
Boa noite 😍 11:39 pm


suspirou uma última vez antes de bloquear o celular e o jogar para longe. Suspirou, sentindo todo sono se esvair. Sua cabeça estava longe, pensativa demais. Ocupada demais em imaginar como seria realmente provar os talentos de com a boca. Naquele momento seu único arrependimento era não ter beijado . Nunca havia se arrependido tanto em toda sua vida.

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sorriu para mais uma foto e então procurou com o olhar, objetivando pedir desculpas para a garota. Surpreendeu-se ao encontrá-la animadíssima tirando fotos dele e dos fãs que aguardavam na pequena fila improvisada para falar com ele em frente ao Rogers Centre. Sorriu para a garota, que acenou com a mão antes de bater mais uma foto dele e então voltou a prestar atenção nos fãs. Ainda tinham cerca de 10 pessoas para atender e aquilo o deixava extremamente feliz. era muito grato por todo o apoio que recebia e se pudesse, agradeceria individualmente cada fã que tinha no mundo.
Muitas eram as perguntas sobre o álbum novo e apenas ria e prometia novidades logo. Ouviu de uma fã que a palavra “logo” era dita por muitos artistas que nunca mais haviam lançado nada e gargalhou, afirmando que logo teriam novidades sobre um novo single. Terminou de atender as pessoas na fila e então se aproximou de , sorrindo para a câmera que ela apontava para ele.
- Eu não sei como isso é possível. - a garota murmurou. - Mas você fica bonito até enquanto fala com os fãs.
- E depois você vem dizer que não está flertando comigo. - retrucou, fazendo a garota revirar os olhos. Sorriu largo quando ela não contestou sua frase e a puxou para o abraço costumeiro, envolvendo os ombros dela para que pudessem entrar no Rogers Centre e assistir a partida de baseball. Eles iriam assistir ao Toronto Blue Jays naquela tarde e esperava ensinar o básico do baseball para . Mal sabia ele que o único esporte que a garota entendia era o levantamento de garfo e que sempre fora uma negação para entender quaisquer regras de esportes. Nem futebol, o coração do Brasil, fazia muito sentido para ela.
Esperaram na fila como qualquer pessoa e quando finalmente entraram no estádio, levaram um tempo ainda maior para achar seus lugares porque parava a todo instante para tirar fotos do estádio. ria da garota se esticando para alcançar certos ângulos enquanto ela xingava e estirava a língua para ele.
- Que tal você parar de rir e me ajudar? - ela chiou, descontente.
- Não. - estalou os lábios. Escorou-se na grade e sorriu para . - Está muito divertido aqui.
- Você é ridículo. – a brasileira bufou. Bateu mais algumas fotos antes de arrastar para os lugares que ele havia comprado. – Me diga, qual a graça do baseball? – ela indagou, estalando os lábios. , sentado ao lado dela, encarou-a com o cenho franzido e uma expressão quase ofendida no rosto.
- É esporte. – ele disse, como se fosse óbvio. ergueu os pés e abraçou os joelhos, dando de ombros em seguida.
- E?
- Qualquer esporte tem graça. – retrucou. – Que tipo de brasileira você é? – fez uma careta e riu.
- Nem todo brasileiro ama futebol. – ela revirou os olhos. – Eu não entendo nada. me odeia por isso.
- Não posso tirar as razões dela. – acenou com a cabeça em concordância e a garota deu um tapa no ombro dele. – Cuidado. – alertou. – Você vai ser acusada de agressão no Twitter e minhas fãs vão iniciar uma caçada para te matar. – reprimiu o riso.
- Se elas soubessem que você é irritante assim, me ajudariam a te bater. – estirou a língua para o rapaz. – Mas elas certamente já estão preparando as armas para me matar. Afinal, estou em um jogo com . – arregalou os olhos, dramatizando a situação. riu e a puxou para perto, mesmo que o braço que dividia suas poltronas estivesse entre eles.
- Eu te protejo. – murmurou e o encarou com um meio sorriso.
- Assim fica difícil te odiar, sabe? – ela riu. Deitou a cabeça no ombro dele e soltou um suspiro. – Eu precisei fazer meia hora de meditação antes de você ir me buscar. E cheguei à conclusão de que vou ter que pagar pelo aplicativo, porque a função gratuita dele não é boa. – riu e a acompanhou.
- Eu conversei com Andrew, antes de comprar os ingressos. – comentou. – Por isso estamos aqui em uma quinta-feira. É mais calmo e não tem câmera do beijo.
se empertigou na cadeira e se virou para , os olhos brilhando e uma animação concreta. – Essa é a parte mais legal dos jogos! Eu perco horas no YouTube vendo esses compilados.
- Não tem graça. – o cantor contestou. – É meio constrangedor.
- Claro que tem! – bufou. – As pessoas têm as melhores reações. – riu sozinha. a encarou e mesmo que a achasse louca, riu junto com ela, chegando à conclusão de que era realmente maluca.
- Você é estranha. – murmurou e ela deu de ombros.
- Eu sei. – voltou a se recostar na cadeira. – Então me diga, o que há de tão legal no baseball?
E então explicou toda a dinâmica do jogo. Passou as regras, repassou as mesmas regras – já que não havia entendido nada, e quando a partida começou, pode notar que ao menos, ela entendia o objetivo geral do esporte e ficou ainda mais animado. Passaram todo o tempo antes do intervalo gritando contra o time rival do Toronto Blue Jays e urrando em alegria quando o Blue Jays marcava um ponto. Permaneceram sentados em seus lugares durante o intervalo e aproveitou o momento para bater algumas fotos de . Ele tinha uma expressão sonhadora enquanto observava a multidão gritar para os jogadores que se retiravam do campo, já que sua mente voava longe para o dia em que ele lotaria um estádio como o Rogers Centre. A turnê do Illuminate não havia suportado nenhum estádio - o Rock In Rio não contava como show solo - e esperava que as coisas mudassem para seu novo álbum. Pelo menos ali, em Toronto, que era sua casa e onde ele deveria ter mais fãs.
- Essa foto ficou incrível. - murmurou. nem havia percebido que ela estava na fileira de baixo até sentir um flash estourar em seu rosto. Fez uma careta e ela sorriu culpada. - Sem flash ficou melhor.
- Pare de tirar fotos minhas. - ele reclamou, se esticando para frente e tomando a câmera das mãos da brasileira. Analisou foto por foto e assobiou, alargando o sorriso de . - Você é realmente incrível nisso. - elogiou.
- Josiah é incrível. - argumentou. - Eu sou apenas boa.
- Não. - estalou os lábios. deu a volta na grade e voltou a parar ao lado de . - Você é incrivelmente talentosa. E não aceito que você retruque.
- Tudo o que importa é a sua opinião? - ela riu e soube que aquilo se tratava de algum meme. sempre fazia uma expressão divertida e culpada quando ele mencionava algum meme sem saber.
- Exatamente. - concordou. Levantou a câmera até a altura de seus olhos e apontou para a brasileira. - Agora fique aí. Vou tirar uma foto sua.
- Estamos ganhando? - questionou e assentiu, confuso. Ela ergueu os braços para cima e sorriu largamente. - Sua foto vai ficar uma droga mesmo, então vou tentar ficar o mais bonita possível. - ela estalou os lábios.
- Você é terrível. - suspirou. Tentou enquadrar o melhor ângulo e bateu apenas uma foto, pois achou adorável a expressão animada da brasileira. Logo puxou a câmera das mãos de para analisar o trabalho dele e bufou quando encontrou apenas uma fotografia. voltou a se sentar e reprimiu um sorriso ao notar a expressão insatisfeita no rosto da garota.
- Eu não sei como você pode ser tão ruim batendo fotos. – estalou os lábios. Ela estava em pé, com os cotovelos apoiados na grade. – Sério, você convive com o Josiah. – ela exclamou. – É um insulto que você seja tão ruim. – suspirou e fez uma careta para ela, mesmo que ela não fosse ver. Levantou e parou as costas de , se inclinando para frente e segurando as mãos dela para trazer a câmera mais para perto. Torceu o nariz, não vendo todos os defeitos que apontava.
- A foto está linda. – ele chiou e ela negou com um aceno de cabeça.
- Está uma droga . Olha a minha cara! – grunhiu e apertou os olhos para enxergar melhor. Ela estava sorrindo largamente e tinha uma expressão fofa no rosto.
- Para mim, está perfeita. – deu de ombros. levantou o rosto em direção a ele, recuando quando percebeu o rosto de tão próximo do seu, acabando por colar seu corpo ao dele. arqueou as sobrancelhas para ela, rindo fraco quando o rubor tomou conta de suas bochechas. – Você não precisa ficar com vergonha, . – falou, fazendo-a sorrir involuntariamente quando ele pronunciou seu nome.
- Eu não estou com vergonha. – a brasileira retrucou e arqueou as sobrancelhas para ela.
- Não? – indagou e ela assentiu com a cabeça para confirmar sua posição. – Então se eu te beijar agora, estará tudo bem?
- Vá em frente. – o desafiou e a encarou com o semblante em dúvida. – Estou falando sério, . – ela tornou a falar, em uma clara tentativa de provocá-lo.
- Achei que você fosse direta apenas quando está bêbada. – ele lembrou e deu de ombros.
- Não faz mais sentido mentir para você, não é? – riu. – Eu já disse o que eu quero. – deu de ombros.
- Estamos em um impasse então. – suspirou. Voltou a se sentar e o encarou com o cenho franzido. Virou-se para ele e escorou as costas na grade, colocando a alça da câmera em seu ombro direito.
- Por quê?
- Porque eu quero. – murmurou. – Mas não posso. Não agora e não em público.
- Você tem razão. – concordou, Sentou ao lado de e ele a puxou para perto novamente. – Seria burrice. É melhor deixarmos as pessoas pensarem que somos só amigos.
- É? – o cantor fez uma careta. deu de ombros.
- É o caminho mais fácil para não prejudicar sua carreira. E não me colocar na linha de fogo.
- Você sabe que eu não me importo com isso, não sabe? – questionou, preocupado. – Com você não ser famosa.
- Eu sei. – ela assentiu. – Mas meu medo não é por mim, . É por você. – suspirou.
- Por quê?
- Eu faço parte desse fandom. – o lembrou. – E eu tenho certeza de que tudo vai virar um pandemônio caso você apareça romanticamente com alguém. E eu sei que não tem nada nesse mundo, que seja mais importante para você do que os seus fãs. Eu nunca vou ser a pessoa que fica no meio de vocês. – ela deu de ombros, com um sorriso triste nos lábios. Voltou a deitar a cabeça no ombro do cantor e ele a abraçou pela cintura, soltando um suspiro alto. - Nem mesmo quando conhecer você era apenas um sonho. Sempre pensei nisso, acredita?
- Nisso o que? - indagou, confuso.
- Em como seria difícil quando você arrumasse uma namorada. Meu coração ia se partir se alguma fã deixasse de te seguir por causa disso. Você merece o sucesso que tem e uma relação não deveria colocar isso em risco. - suspirou.
- Você é incrível. - disse por fim e levantou o olhar para ele. - Incrível demais. - tornou a falar e ela corou. - E eu gosto muito de você.
- Eu também gosto de você. - sussurrou. - Mas vamos com calma. - ela sugeriu e assentiu com a cabeça.
- Vamos com calma.
E com isso, eles encerraram a conversa. O intervalo do jogo acabou um instante depois e mesmo que estivesse animado para assistir o restante da partida, algo o estava incomodando profundamente. E ele sabia muito bem o que era. Fazia muito tempo desde a última vez que sua fama o havia atrapalhado de alguma forma. Talvez desde que seu relacionamento com Lauren havia terminado, havia se acostumado com a falta de privacidade. Era algo comum em sua vida. Ter sempre alguém pedindo uma foto ou ser seguido por paparazzi. Mas ali, naquele instante, ele não estava contente. Entendia perfeitamente os motivos pelos quais achava mais sensato eles fingirem que não existia nada além de amizade entre eles. Ele não deixaria de ser admirado e amado pelos seus fãs, mas as coisas mudariam para grande parte do fandom. Ele era um cara solteiro que cantava músicas de amor e aquilo era apaixonante. E ser o cara apaixonante que tinha uma namorada ou qualquer tipo de relacionamento, não seria a melhor das ideias. Publicitariamente falando, seria como jogar merda no ventilador.
O jogo terminou com exatas 10 entradas, dando a vitória para o Blue Jays. se obrigou a esquecer daquele incômodo mental e seguiu com para fora do Rogers Centre após o tumulto da multidão diminuir. Mesmo o jogo tendo acontecido em uma quinta-feira, a torcida do Blue Jays era fiel e o estádio estivera lotado. Já do lado de fora, seguiram para o estacionamento lado a lado, enquanto batia mais algumas fotos - agora da CN Tower iluminada pelas luzes - e respondia a algumas mensagens em seu celular.
- No que você estava pensando? - questionou para e ele levantou o olhar para ela, que estendia a câmera em sua direção. Uma foto dele estava no visor e sorriu. - Essa foto ficou incrível. Você parecia estar com a cabeça nas nuvens mais fofinhas desse mundo. - ela riu.
- Em como seria ter o Rogers Centre lotado por minha causa. - confessou. - Já conversei sobre isso com Andrew. Na Illuminate World Tour Não foi possível. Não havia público o suficiente. Mas agora ele acha ser possível. - deu de ombros, olhando para o chão. - Eu ainda tenho minhas dúvidas.
- . - o chamou e levantou o olhar para ela. Tinha um sorriso pequeno nos lábios quando se aproximou e o puxou para um abraço. - Você vai lotar estádios ao redor do mundo. Eu tenho certeza disso.
- Você está me iludindo. - ele riu.
- Estou te preparando. - ela retrucou. Deu um passo para trás e segurou a mão do rapaz. - Espero ainda ser próxima de você quando esse dia chegar. Então vou poder rir da sua cara e falar que eu avisei.
- Você não vai ser apenas próxima de mim, . - retrucou. - Vai ser minha namorada. - lançou um olhar intenso para a garota, que respirou fundo e pareceu contar mentalmente até três para se acalmar.
- Meu coração é fraco, você lembra-se disso? - murmurou, fazendo-o rir. a puxou para outro abraço e a beijou no rosto.
- Vem, vamos jantar. - foi tudo o que ele disse, antes de segurar a mão dela e a arrastar para o carro.
E mesmo com uma quantidade notável de pessoas em volta, nenhum deles fez questão de soltar suas mãos. A sensação de seus dedos entrelaçados lhes dava aquela comichão gostoso na boca do estômago e nada poderia tirar aquilo de nenhum deles.

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- Não é mais fácil irmos comprar algo e voltamos para comer no carro? - questionou, após dez minutos dentro do carro e nenhuma possibilidade de sair do estacionamento do Rogers Centre. O trânsito estava uma loucura e já havia soltado quatro suspiros impacientes.
- Talvez. - assentiu.
- Nesse ritmo, só vamos sair daqui amanhã. - a garota estalou os lábios. - Podemos comer um cachorro-quente ou qualquer coisa na rua.
- Super saudável. - revirou os olhos.
- Nós comemos pizza semana passada. - lembrou, dando de ombros. Desafivelou o cinto de segurança e abriu a porta do carro, pulando para fora do veículo e arqueando as sobrancelhas na direção de . O canadense riu, saindo do carro em seguida. Acionou o alarme após as duas portas estarem fechadas e seguiu com para fora do estacionamento.
- Tem alguns food trucks perto da CN Tower. - comentou e lançou um olhar torto para ele.
- Onde você ainda não me levou. - arqueou as sobrancelhas em acusação para o cantor.
- Está no planejamento, não se preocupe. - garantiu. enlaçou seu braço no de e o garoto sorriu para ela.
- Ah, sua irmã está me seguindo no Instagram. - comentou. - Esqueci-me de te falar.
- Por quê? - franziu o cenho e deu de ombros. Ele puxou seu celular do bolso e observou ele abrir a conversa com Aaliyah no WhatsApp. - Por que você seguiu a no Instagram? - gravou o áudio e enviou, fazendo a brasileira rir do tom esganiçado da voz dele.
- Talvez ela queira ficar a par da vida da futura mãe dos sobrinhos dela. - brincou e a encarou com o cenho franzido e um sorriso divertido.
- Nem casamos ainda e você está pensando em filhos?
- É claro. - a brasileira assentiu com a cabeça. Viraram em uma rua movimentada e colocou o capuz do moletom na cabeça. - Esse rostinho lindo merece ser repassado para uma criança.
- Concordo. - estalou os lábios. - Tomara que nossos filhos tenham seu rosto.
- Eu estava falando de você, . - estalou os lábios. - Não de mim.
- Bom, - deu de ombros. - Você falou de rostinho lindo e eu pensei em você. - sorriu para ela.
- Cantadas baratas não me convencem. - argumentou. riu e a beijou na testa.
- Eu tenho certeza de que você está mentindo. - falou e o beliscou na cintura. Voltou a olhar para a rua e sorriu largo ao focar sua atenção em um carrinho de food truck que vendia hambúrgueres. Arrastou em direção ao local e após fazerem seus pedidos, aguardaram um pouco distantes do tumulto. O atendente chamaria pelo nome de quando os lanches ficassem prontos.
estava com o celular em mãos, digitando furiosamente e se obrigava a esconder seu riso. Ela tinha certeza de que ele e Aaliyah estavam discutindo e não queria colocar mais lenha na fogueira.
- Você acredita que essa pirralha não quer falar comigo? - indagou, lançando um olhar revoltado para . Ela soltou um risinho, o que apenas o deixou ainda mais irritado.
- Você deve ter feito alguma coisa para ela. - garantiu. - Eu fazia a mesma coisa com meu irmão. - deu de ombros.
franziu o cenho e estalou os lábios, soltando um suspiro e sacudindo a cabeça para os lados. - Minha mãe.
- O que? - franziu o cenho em confusão.
- Eu chamei Aaliyah de fofoqueira. E minha mãe contou para ela. - bufou. - Vocês mulheres e essa união. - chiou e gargalhou.
- Tadinho do homem oprimido. - debochou. - Você não deveria tê-la chamado de fofoqueira.
deu de ombros. - Ela é fofoqueira.
- Vou contar para ela. - ameaçou e lançou um olhar descontente para a brasileira. - Ainda mais que agora ela me segue no Instagram.
- Vocês duas são... - não conseguiu terminar sua frase, já que uma mão no ombro de chamou a atenção de ambos. A garota ergueu o rosto e encontrou Connor parado as suas costas, com um sorriso torto nos lábios e uma sacola em mãos.
- Eu sabia que conhecia essa voz. - o rapaz sorriu para , se inclinando e a beijando no rosto.
- Connor! - exclamou, também sorrindo. De costas para , não percebeu a expressão descontente do cantor. - O que faz aqui?
- Eu moro há duas quadras. - o canadense explicou. - E esse é o melhor hambúrguer da cidade. - apontou para o food truck.
- Vou experimentar hoje. - falou. - Moro longe, então nunca comi aqui.
- E não tem crush em nenhum atendente. - Connor lembrou e ambos riram.
- Eu jamais viria aqui se não fosse o . - garantiu. Se virou para e apontou para o rapaz ao seu lado. - Aliás, esse é o Connor, meu colega de trabalho. - apresentou. acenou com a mão e Connor franziu o cenho.
- ? - arqueou as sobrancelhas para . - Agora tudo faz sentido. - ele riu, lançando um olhar triste para .
- Nos conhecemos no Brasil. - explicou e o rapaz apenas acenou com a cabeça.
- Certo. - estalou os lábios. - Preciso ir. Nos vemos amanhã. - falou e beijou no rosto, acenando para antes de se afastar. voltou a se virar e encontrou a careta de em sua direção.
- O que foi? - indagou, com o cenho franzido.
- Ele gosta de você. - concluiu e a garota riu, dando de ombros em seguida.
- Sim. - ela acenou em concordância. - Mas eu não gosto dele. Não dessa forma. - garantiu. - Não estaria de braços dado com você se eu gostasse dele. - concluiu e assentiu com a cabeça, fazendo uma careta em seguida.
- Eu me sinto um idiota inseguro. - ele murmurou. - Você me faz agir como se eu nunca tivesse feito isso antes.
o abraçou pela cintura, escondendo o rosto contra o peito de e suspirando.
- Você não é o único sentindo muitas coisas aqui. - ela disse. - Acredite, eu estou surtando.
- Nunca foi assim. - sussurrou. - Eu quero te beijar com a mesma intensidade com a qual quero conversar com você sobre qualquer coisa. - confessou.
levantou o olhar para o cantor, apertando seu abraço na cintura dele. Abriu a boca para responder que ele deveria beijá-la logo, tendo jogado todo seu bom senso e a conversa de irem com calma em público para o lixo, quando seu nome fora chamado pelo atendente do food truck. Desfez o abraço em e buscou seus pedidos, segurando na mão dele enquanto faziam o caminho de volta para o Rogers Centre. Permaneceram de mãos dadas e sorriu quando sentiu os dedos de apertarem os seus conforme dobravam a esquina e se afastavam do movimento de pessoas.
- Eu sei que estamos adiando esse beijo por motivos plausíveis. - a garota murmurou, mantendo seu olhar baixo. - Principalmente por motivos meus.
- Eu não quero te afugentar. - garantiu. - Por isso concordo que devemos ir com calma.
- Eu concordo. - suspirou. Parou de andar e olhou a sua volta, constatando que poucas pessoas seguiam pelo mesmo caminho que eles. Tinham privacidade naquele momento e ela precisava colocar aquilo para fora. - Mas eu preciso que você saiba que eu estou me apaixonando, . Posso pedir para irmos com calma, mas estou caindo na velocidade da luz nesse sentimento.
sorriu largo, dando um passo em direção a . Parou em frente à garota e segurou seu rosto com a palma das mãos, acariciando as bochechas dela, que fechou os olhos e se permitiu aproveitar daquele carinho.
- Eu também estou me apaixonando. - ele sussurrou, selando seus lábios e se afastando instantes depois, deixando os lábios de com um formigamento e um gostinho de quero mais. Sorriu quando ela voltou a abrir os olhos, voltando a entrelaçar seus dedos enquanto ela também sorria.
Ambos estavam se apaixonando perdidamente um pelo outro, como nunca haviam feito na vida por nenhuma outra pessoa. E por mais que suas bagagens emocionais pedissem por calma e cautela, nenhum deles sentia-se com medo de embarcar naquele sentimento.

Capítulo 14

Parte 1

I can't deny I want your body
But I'm a gentleman
So I'll be the one who takes it slowly
Cause girl you're so beautiful

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O cantor estava jogado em seu sofá, assistindo Harry Potter e a Câmara Secreta e comendo pipoca. Havia passado a manhã daquele sábado trabalhando em Mutual e se frustrara porque não conseguira finalizar a música. Teria que esperar sua viagem para Los Angeles para se reunir com a equipe de produção do próximo álbum para que pudesse acabar a música de uma vez por todas, principalmente porque já estava trabalhando em outra canção - ainda sem nome - e queria ambas no álbum. Acabou cochilando no meio do filme e só acordou por causa do barulho de seu celular. Pensou que fosse o despertador e estava pronto para bloquear o aparelho e silenciar o som quando a pequena fenda em seus olhos leu o nome de Camila na tela do aparelho. Franziu o cenho, confuso quando a intenção da amiga em ligar para ele no meio de uma tarde de sexta-feira sem nenhum aviso prévio. Atendeu a ligação no meio de um bocejo e ouviu a risada de Cabello do outro lado da linha.
- Cantores de férias só querem dormir durante todo o sábado, não é mesmo? - a cubana brincou e soltou um risinho. Pausou o filme e colocou o balde de pipoca na mesa de centro, virando o corpo de barriga para cima e bocejando mais uma vez enquanto passava a mão que não segurava o celular pelos cabelos.
- Cantores de férias merecem descanso. - murmurou. - Como está, sua maluca?
- Olha o respeito, . - Camila chiou. - Eu estou bem, mas tenho certeza que de que você está bem melhor. - a garota riu e franziu o cenho. Levou apenas dois segundos para dar-se conta das segundas intenções de Camila ao ligar para ele e estalou os lábios.
- Você não sabe ser sutil. - o cantor acusou e quase pôde ver a amiga dando de ombros.
- Eu não quero ser sutil. - retrucou. - Agora me conte tudo sobre você e . - ordenou, fazendo-o rir.
- Você consegue falar o nome dela melhor do que eu. - suspirou.
- Claro que sim. - Camila riu. - Português e espanhol são línguas muito parecidas.
- O que você quer saber?
- Já é namoro? - indagou de forma direta. adorava a sinceridade e espontaneidade de Camila, mas às vezes a garota o colocava em maus lençóis. - Ou você ainda está sendo um bundão indeciso? - provocou, já que ela quem teve que lidar com em negação sobre estar interessado em ou não há algumas semanas.
- Nem um e nem outro. - retrucou. - Tenha um pouco de fé em mim. - chiou.
- Eu tento, mas você não colabora. - Cabello retrucou. - Me conta, !
- Não tem muito o que contar. - resmungou. - Nós abrimos o jogo a respeito do que queremos e estamos levando com calma. - estalou os lábios. - Você sabe como o nosso mundo é louco. Eu não quero assustá-la, apesar de ter vontade de mandar tudo para o inferno e tentar ter um relacionamento normal.
- Eu entendo. - Camila suspirou. - Quero conhecê-la. - disse por fim.
- Não temos nada concreto ainda. Nem nos beijamos. - riu. - Não vou te apresentar a ela.
- Vai sim. - a cubana retrucou rapidamente. - E muito mais rápido do que você espera. - riu.
- Te apresentar a ela só vai atiçar a mídia ainda mais. - lembrou.
- , você sabe que o problema não é a mídia, não sabe? - Camila indagou, parecendo receosa.
- Claro que é. - retrucou, com a careta no rosto.
- A única coisa que eles podem fazer é seguir vocês e especular sobre o que andam fazendo juntos.
- Isso é uma merda. - chiou.
- Sim, é mesmo. - Cabello concordou. - Mas o maior problema é a fã base.
- O que você quer dizer com isso?
- Você sabe que eu fui muito xingada quando começamos a aparecer juntos, não sabe? Tem muita fã com sentimento de posse. Elas te amam tanto, que não suportam a ideia de te ver namorando. - Camila explicou com cuidado, enquanto tinha uma careta no rosto. - E acabam descontando em alguém. Já descontaram em mim, mesmo que sempre tenhamos tido apenas amizade. Ainda tem gente que me xinga. - a garota riu fraco. - Agora imagina como vai ser para a .
ficou em silêncio, apenas absorvendo as palavras da melhor amiga.
- Ela comentou sobre isso, mas eu não tinha levado para esse lado. - o cantor disse por fim.
- Ela é sua fã. Sabe como funciona e sabe como vai ser terrível ser a namorada de . A história de vocês é praticamente uma fanfic e muita fã não vai gostar de ver a vivendo tudo isso. - Camila suspirou. - Você precisa cuidar dela, isso é sua responsabilidade.
- E como eu faço isso? Não tenho como impedir as pessoas de comentarem. - reclamou, bastante desapontado. - E também não quero nos privar de viver essa relação para que ela fique em paz. Isso soa extremamente egoísta. - fez uma careta.
- Ir com cuidado já é ótimo. - a cubana comentou. - Mas você vai precisar deixá-la segura o suficiente para que esse tipo de coisa não a faça desistir.
- Estou entendendo. - assentiu com a cabeça.
- É bastante complicado. - Camila suspirou. - Eu consigo me colocar no lugar dela, sabe? - estalou os lábios. - Já estive do lado de lá e agora estou aqui, então consigo ver tudo com maior clareza.
- E qual é o seu conselho? - indagou, realmente curioso.
- Se você realmente gosta dela, vai ter que estar disposto a colocá-la na frente da sua fã base às vezes. - a cantora falou rapidamente. - Não vão pegar leve com ela.
- Às vezes eu queria ser um cara normal. - suspirou.
- Se você fosse um cara normal, não teria conhecido ela. - Camila lembrou.
- Tens razão. - riu sozinho. - Obrigado, Cams.
- De nada. Sempre a disposição. - a garota exclamou.
Conversaram sobre mais algumas trivialidades antes de finalizar a ligação, não sem antes desejar boa sorte para o show que a amiga faria naquela noite. E após terminar a conversa com Camila, acessou o Instagram e procurou pela conta de , abrindo a última foto da garota e lendo alguns comentários. Nada contente com o que lia, mandou uma mensagem para , chamando-a para um café no dia seguinte e recebendo uma recusa seguida de um convite inusitado. o estava convidando para a sua casa no dia seguinte, já que ela serviria de modelo para e não poderia desmarcar com a amiga. poderia assisti-las trabalhar, e mesmo que não pudessem conversar, sorriu enquanto confirmava sua presença. Deu play no filme, voltando a assistir Harry Potter em seu dia da preguiça, pegando no sono poucos minutos depois.

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- Eu não vou vestir isso! - reclamou assim que jogou as peças em cima de sua cama para que pudessem realizar o ensaio de divulgação dos pacotes de Halloween que estavam vendendo. No meio da semana, comentou com sobre os freelances que fazia em Brusque e a loira adorou a ideia, sugerindo que ofertassem ensaios individuais de Halloween para juntar dinheiro para a viagem ao Japão. Acostumada com aquele tipo de trabalho, logo montou um plano de trabalho para as duas, que estava sendo colocado em prática naquele sábado. ficaria encarregada da maquiagem e figurino e da fotografia e edição, já que ela tinha um olhar mais atento a fotos com pessoas do que .
- Vai sim. - a loira retrucou. - Precisa sair da sua zona de conforto.
- Sair da zona de conforto eu até saio, mas vestida. - chiou e riu.
- É um body e uma meia calça. - franziu o cenho. - Não é lingerie sexy da Victoria Secrets.
- Usar uma saia não vai causar a Terceira Guerra Mundial. - a brasileira insistiu, enquanto a outra revirava os olhos.
- Anda logo, . - impôs, sem deixar brechas para que retrucasse.
A fotógrafa bufou e seguiu para o banheiro com as roupas em mãos. Não levou 10 minutos para se vestir e quando voltou para o quarto, encontrou guardando suas maquiagens, já que estava pronta para as fotos. A brasileira suspirou, já arrependida por ter aceitado ser modelo naquele dia. Mas ela não tivera muitas alternativas, visto que era péssima com maquiagem e figurino e de forma nenhuma seria inteligente colocar apenas para modelar e ter um trabalho meia boca.
Ambas as garotas haviam analisado a situação com muito cuidado antes de finalmente decidirem expor a proposta dos photoshoots em suas redes sociais. O pacote completo não era caro e faria uma enorme diferença para a viagem ao Japão. Mas estava temerosa. Suas redes sociais estavam uma loucura, a todo instante recebia um novo seguidor e novos comentários em suas fotos. Comentários nada gentis, mas ela estava ignorando tudo. havia brincado sobre vender pacotes para as fãs de e alguma tentar matar , mas para a garota aquela era uma possibilidade muito real. Boa parte do fandom não estava feliz com os rumores sobre um relacionamento entre o cantor e ela e os comentários nas redes sociais apenas deixavam à brasileira ainda mais apreensiva. Não queria parecer estar se aproveitando da visibilidade que sua aproximação com havia proporcionado, então a única maneira de provar que não estava apenas sugando a fama dele era expondo seu trabalho. E por aquele motivo, estava usando um body preto por cima de uma meia calça arrastão e sentindo-se completamente nua. A maquiagem forte em seu rosto apenas reforçava uma imagem sexy que não encontrava em si constantemente. E quando a campainha tocou, arregalou os olhos e soltou um palavrão em português.
- Porra, eu esqueci do ! - ela murmurou, entrando em um pequeno momento de desespero.
- Oi? - franziu o cenho.
- Ele queria sair hoje, mas como tínhamos marcado as fotos, eu o convidei para vir aqui assistir. - explicou, fechando os olhos em seguida e escondendo o rosto na palma das mãos.
- Isso vai ser interessante. - riu de forma maliciosa.
- Vou colocar uma saia. - decidiu, marchando para sua arara de roupas. a puxou pelo braço e a empurrou para a sala no instante seguinte.
- Você vai abrir essa porta e deixar babar nesse corpo maravilhoso e se arrepender por ainda não ter te beijado, enquanto eu fico no banheiro fingindo que não estou aqui. - a canadense ordenou, realmente se enfiando no banheiro após abrir a porta, as bochechas coradas e a respiração presa. Levantou a cabeça para encarar e o encontrou com os olhos levemente arregalados e a boca aberta, como se ele estivesse pronto para falar alguma coisa e tivesse sido interrompido subitamente.
- Oi ! - murmurou, a voz um pouco mais aguda que o normal.
- Porra. - foi a resposta do cantor, o que apenas deixou as bochechas da brasileira ainda mais coradas.
- Entra. - ela disse.
não teve tempo de se mover para o lado e abrir espaço para entrar na casa, visto que ele venceu o espaço com dois passos, obrigando a recuar e encontrar a parede às suas costas. fechou a porta com o pé e parou bem em frente à , seus corpos quase colados. prendeu a respiração enquanto não desviava o olhar do dela, parecendo hipnotizado ou algo daquele tipo.
- Por favor, - ele murmurou num tom de voz baixo. - Diz que você está sozinha em casa e esse barulho no banheiro é minha imaginação. - suspirou ao final da frase e quase riu em puro desespero. Ter tão perto daquela maneira abalava completamente suas estruturas. A única coisa que passava em sua cabeça eram lembranças sobre a textura daqueles lábios contra os seus, hipóteses sobre o gosto do beijo dele e a expectativa de ter as mãos de apertando sua cintura. era muito mais baixa e teria que se inclinar ou então ela o deixaria pegá-la no colo para que pudessem se beijar confortavelmente.
- está aqui. - a brasileira pontuou e a expressão decepcionada de fez tudo valer a pena. Até sua irritação com aquela roupa havia passado, tamanha era a influência de em seu sistema nervoso. O coração de era realmente fraco, mas apenas porque era a criatura mais perfeita que existia no mundo, na concepção dela.
- Merda. - suspirou, fechando os olhos e prendendo o lábio inferior por entre os dentes. As mãos estavam espalmadas na parede, uma de cada lado da cabeça de . se inclinou para ela, já de olhos abertos, beijando seu rosto demoradamente antes de murmurar: - Você está incrível.
- Obrigada. - sorriu, o coração tão acelerado que poderia alçar voo a qualquer instante. - Foi ideia da . - admitiu. - Não estava confortável assim.
- Você é incrível usando moletom também. - pontuou. - Mas está acabando comigo nesse momento. - sorriu para ela. - Esse batom é muito convidativo. vai me matar se eu estragar o trabalho dela.
- Provavelmente. - concordou. - Sabe o que eu acho?
- O que? - os olhos do cantor brilhavam para a garota.
- Que quando finalmente nos beijarmos, não vamos ficar só nisso. - suspirou.
- E isso é ruim? - questionou, confuso.
- Só se você for ruim de cama. - provocou e riu, puxando-a para um abraço inesperado.
- Nem você acredita nisso. - ele disse e a garota não pôde contestar. Realmente não acreditava que ele pudesse ser ruim de cama.
- Seria um desperdício incalculável. - deu de ombros, partindo o abraço e puxando para a sala, batendo na porta do banheiro e ouvindo um resmungo nada simpático de lá de dentro. - Não seja fofoqueira . - a brasileira chiou, enquanto ria.
abriu a porta do banheiro, colocando apenas a cabeça para fora e encarando e , que agora ocupavam o sofá.
- Você não pode me culpar por querer ser voyeur. Vocês são a encarnação do motivo pelo qual eu sou bissexual. - alegou, deixando corado e presa em uma crise de risos.
- Você é terrível. - acusou.
- E vocês tem muito autocontrole. - retrucou e nenhum deles pôde contestar. Afinal, ela tinha razão. Eles tinham mesmo muito autocontrole.

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adorava Halloween. Era um de seus feriados favoritos, mesmo que o Canadá não tivesse muitos feriados e ele gostasse de todos. Naquele ano decidira não usar nenhuma fantasia e soltou um assobio em puro alívio quando passou pelas portas do clube onde e iriam fotografar naquela noite e encontrou muitas pessoas sem fantasia. Brian havia enchido o saco para que o cantor usasse ao menos uma máscara, mas não estava no clima para se fantasiar naquela noite. Não estava no clima nem para sair de casa, mas queria ver . E não poderia deixar de prestigiar a garota e em seu primeiro contrato como fotógrafas independentes.
Os photoshoots de Halloween que elas haviam anunciado foram um sucesso e elas estavam cheias de trabalho, tendo vendido cerca de vinte ensaios e conseguido um contrato para fotografar duas festas temáticas naquela semana. e haviam conversado muito pouco nos dias que seguiram a noite na casa da garota, visto que ela havia trabalhado loucamente em todos os horários livres que tivera, já que além de fotografar, ela tinha que editar as fotos antes de enviar aos compradores. Haviam se falado na noite anterior apenas para confirmar sua presença na festa naquela noite e então voltara a trabalhar, enquanto gastava seu tempo de ócio com seu caderno de partituras, tentando rascunhar alguma melodia para a letra de Nervous que havia começado no domingo. Ainda estava tudo uma bagunça, visto que ele havia escrito frases desconexas, mas aos poucos ele ia se organizando e ajeitando as coisas.
seguiu para o bar junto de Brian, pedindo duas cervejas e voltando a circular pela festa, encontrando outros amigos pelo caminho e jogando conversa fora, completamente distraído. Aos poucos ia se animando para a festa e quando o flash de uma câmera estourou em sua direção, abriu um sorriso largo apenas para fechá-lo instantes depois ao encontrar o encarando.
- Não precisa de toda essa alegria ao me ver, . - a loira brincou, estirando a língua para o cantor.
- Desculpe. - torceu o nariz. - Pensei que fosse...
- A , eu sei. - assentiu em concordância. - Ela está no segundo andar. - informou e levantou a cabeça, vasculhando o camarote com o olhar.
- Logo mais eu subo. - murmurou e riu.
- Eu não sei como vocês conseguem fingir que não estão loucos um pelo outro. - a loira estalou os lábios. bebeu mais de sua cerveja, desviando o olhar de e fazendo-a rir alto.
- Não estamos fingindo. - retrucou.
- Certo. - ela debochou. Levantou a câmera em direção a e bateu mais uma foto, analisando seu trabalho e dando-se por satisfeita ao abrir um sorriso. - vai ter uma foto exclusiva.
- Ela tem várias. - riu. - Eu nem a vejo tirar as fotos.
- Isso porque você fica olhando para ela com uma cara de idiota e não percebe as coisas ao seu redor. - alfinetou.
- Ótimo. - estalou os lábios. - Agora você e Camila podem se unir e me chamar de trouxa juntas. - sorriu sem mostrar os dentes. gargalhou.
- Eu e a Camila poderíamos casar, isso sim é algo interessante. - sorriu. - Tchau , boa sorte na sua procura. - alargou o sorriso antes de sumir na multidão.
riu sozinho, dando meia volta e seguindo para o bar novamente. Pediu outra cerveja antes de subir para o segundo andar. Encontrou Brian e os outros amigos antes de sequer ter a chance de procurar por e acabou sendo arrastado para a mesa, ocupando um dos pufes e dando mais um gole em sua cerveja, enquanto ouvia a conversa sobre o último jogo do Toronto Maple Leafs e soltava alguns comentários ocasionais. Estavam no meio de uma conversa animada sobre hóquei quando mãos cobriram os olhos de e o rapaz ouviu um assobio que identificou como sendo de Brian, já que o amigo soltou um palavrão em seguida. Abriu um sorriso, largando a garrafa de cerveja na mesa e segurando os pulsos da pessoa que cobria seus olhos.
- Eu vou receber alguma dica? - indagou, mesmo que já soubesse quem era a pessoa às suas costas. soltou uma risada.
- É uma garota muito legal.
- Posso arriscar a da lista. - alfinetou e mais uma risada soou às suas costas.
- Sem dúvidas. - concordou.
Afastou as mãos do rosto de e o beijou na bochecha esquerda, sentando ao lado do rapaz, que aproveitou a movimentação para observá-la dos pés a cabeça, enquanto ela cumprimentava as outras pessoas na mesa. estava linda e não pôde conter o sorriso bobo que surgiu em seus lábios.
- Oi! - ele murmurou. - Você está linda. - elogiou e a garota corou levemente.
- Obrigada. - agradeceu. - Não tem a mesma emoção do Carnaval, - alfinetou e revirou os olhos para ela. - Mas Halloween não é tão ruim, para ser honesta.
- Halloween é ótimo. - retrucou. - Deixe de ser chata. - estirou a língua para ela.
- Nosso trabalho aqui termina às duas da manhã, mas conseguiu ingressos para outra festa. Quer ir?
- Com você? - indagou e a garota assentiu. - Vou até o inferno. - concluiu, deixando-a ainda mais corada.
- O álcool já está fazendo efeito. - murmurou. sacudiu a cabeça em negação.
- Você sabe que não. - ele retrucou e preferiu não responder. Deitou a cabeça no ombro dele e deixou abraçá-la pelos ombros, como já estavam acostumados.
- Você não deveria estar trabalhando? - o cantor questionou. - Eu tenho 15 minutos de intervalo. Sinta-se privilegiado, pois os estou gastando com você. - montou uma expressão pomposa no rosto.
- Eu sou realmente um cara muito sortudo. - riu e o acompanhou.
- Estou exausta. - murmurou. - Mas louca para poder aproveitar a próxima festa.
- Você não faz sentido. - concluiu e a garota deu de ombros. - Gosto de você assim. - beijou-a na cabeça, enquanto se aconchegava mais nos braços dele. Gostava muito de tê-la perto daquele jeito. Seu coração acelerava, mas toda sua mente ficava em paz. era mais eficaz para acalmá-lo que alguns dos remédios para ansiedade que tomava.
E mesmo que ambos tivessem percebido alguns flashes de câmeras em sua direção, nenhum deles se afastou pelos próximos dez minutos ou passou a fingir que não se conhecia. estava tendo um bom momento com a garota de quem gostava e tinha zero preocupações com o resto do mundo naquele momento.

Parte 2

We walked in the rain
A couple blocks to your apartment
You told me to come inside
Caught me staring in your eyes

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A fachada do pub não era realmente convidativa e Becca não poderia julgar Madu ou Shawn por fazerem uma careta e trocarem um olhar preocupado a respeito da procedência daquele local. Haviam chamado um Uber quando o horário de trabalho das duas acabou, já que estavam todos animados para o tal pub que Becca mencionou ter bebidas incríveis. Brian era o mais animado devido a quantidade considerável de álcool que ele já envia ingerido, sacudindo o corpo de acordo com a batida da música que tocava dentro da festa, a qual Maria Eduarda ainda não havia identificado completamente, mas que soava familiar em seus ouvidos.
- Não façam essa careta. - Becca os repreendeu e ambos trocaram mais um olhar receoso, antes de Madu suspirar audivelmente.
- Isso não parece um pub. - disse por fim, recebendo um revirar de olhos da amiga.
- Porque é um bar. - Becca retrucou. - Um bar que também é pub.
- Então tem striptease aqui? - Brian questionou, agora recebendo olhares nada gentis dos três restantes. O ruivo fez uma careta desgostosa. - Bom, eu só perguntei. - deu de ombros.
- Idiota. - Becca xingou. - Não é esse tipo de lugar. - falou, dando passos confiantes até a entrada do local, sendo seguida por todos. - Eu esperava que você já tivesse reconhecido a música, Maria Eduarda. - lançou um olhar debochado para a brasileira, que franziu o cenho e se concentrou na batida da música. A careta em seu rosto apenas aumentou de tamanho quando identificou a música que tocava: Show das Poderosas, da cantora Anitta.
- Isso é um pub que toca música brasileira? - questionou, em dúvida. Becca assentiu com a cabeça e Maria Eduarda sorriu, pulando em cima da amiga e a abraçando com força.
- Eu te amo! - falou em português, causando risos na loira e um sorriso frouxo em Shawn. Ele adorava ouvi-la falar em português, mesmo que não entendesse nada.
- Espero que isso não seja um xingamento. - Becca murmurou, fazendo a amiga rir e negar com a cabeça.
- Disse que amo você. - explicou.
- Eu sei. - a loira piscou os olhos, puxando Madu pela mão e seguindo para a portaria. - Eles têm uma política incrível de não perturbação. - Becca explicou. - Ou seja, ninguém vai saber que você esteve aqui, - olhou para Shawn. - acompanhado da sua affair. - abriu um sorriso malicioso para Maria Eduarda, que imediatamente fez uma careta em desagrado e recebeu um aperto em suas bochechas dado por Shawn. Becca entregou as entradas para o segurança e em poucos instantes estavam os quatro dentro do pub, que tocava uma música ensurdecedora e tinha a pista de dança abarrotada de pessoas dançando e se divertindo.
- Kevinho! - Madu gritou assim que uma nova música iniciou, arrancando risos dos canadenses, devido a tanta animação que ela demonstrava. - Olha o que ela faz no baile funk com as amigas... - cantarolou sozinha, deixando-os completamente confusos quanto as palavras que dizia.
O pub era bastante normal, na opinião da garota. Paredes escuras, piso de concreto e luzes coloridas. A mesa do DJ era decorada com tinta neon e o bar se localizava na lateral do pub. Não havia mesas, como na maioria das casas noturnas no Brasil e Madu adorou aquilo. Sentia falta de reclamar por não ter onde sentar, já que no Canadá a maior parte dos pubs contava com mesas e cadeiras em alguma parte do estabelecimento. Shawn seguiu com Brian para o bar, após ouvirem Maria Eduarda repetir a palavra "caipirinha" mais de dez vezes, enquanto as amigas iam para a pista de dança. Madu não era uma dançarina incrível, mas era muito melhor que a maioria das canadenses presentes no pub e logo estava ensinando Becca a dançar os diversos tipos de funk que tocavam.
- Aqui a caporinha. - Brian estendeu o copo para Becca assim que ele e Shawn as encontraram na pista de dança, arrancando uma gargalhada de Madu.
- Caipirinha. - ela corrigiu e o ruivo revirou os olhos.
- Foi o que eu disse. - ele retrucou.
- Nem você acredita nisso. - Maria Eduarda debochou, destinando um sorriso para Shawn antes de beber um gole da bebida que ele havia lhe entregado e soltar uma exclamação de puro deleite.
- Eu senti falta disso! - murmurou. Shawn franziu o cenho para ela.
- Você não preparou isso no seu aniversário? - questionou, se inclinando para baixo e murmurando no ouvido da garota.
- A minha é uma merda. - Madu disse, fazendo-o rir. - Mas a melhor caipirinha do mundo é minha mãe quem faz. Sério, - olhou para Shawn com intensidade. - não existe nada melhor do que a caipirinha dela.
- Só existe uma maneira de eu concordar com isso. - Mendes disse, um sorriso torto em seus lábios. Madu o encarou.
- Como?
- Irmos para o Brasil e você me apresentar sua família. - deu de ombros. - Desta forma eu conheceria a sua mãe e ela poderia fazer caipirinha. - sorriu. Madu mordeu o lábio inferior, devolvendo o sorriso ao cantor em seguida.
- Quer conhecer sua futura sogra? - riu, deixando claro que estava brincando.
- Sim, por favor. - e a forma séria como Shawn concordou com a afirmação da garota, fez o coração dela pular e quase parar. Maria Eduarda tinha certeza de que Mendes iria matá-la algum dia.
Muitas caipirinhas depois e danças desengonçadas onde Madu tentava ensinar aos canadenses o mínimo dos movimentos de dança que ela conhecia e recebia um desastre como resultado, a garota desistiu e resolveu apenas dançar, já que o álcool inibia sua timidez e a deixava completamente desinibida e enérgica. A festa estava realmente boa e todos eles estavam se divertindo muito, aproveitando a política de não perturbação e esquecendo de que Shawn era mundialmente famoso e perseguido por adolescentes e jovens mulheres em todo canto que pisava. Quando Harry Porra começou a tocar, Madu olhou para Shawn e o viu franzir o cenho ao ouvir a palavra "Hogwarts" e fazer uma careta ainda mais expressiva ao perceber a música tema de Harry Potter ao fundo da batida que tocava na festa.
- O que é isso? - Shawn indagou para Maria Eduarda, procurando nos outros dois canadenses a mesma dúvida e os encontrando no meio de uma dança completamente desordenada. Madu gargalhou, se inclinando para cima enquanto segurava no ombro esquerdo do cantor para se apoiar.
- O melhor do Brasil. - ela respondeu. - Esse funk faz paródia de Harry Potter e é simplesmente incrível.
- Wow. - Shawn riu. - E o que diz a letra? - a curiosidade dele era genuína e Madu não conseguiria negar nada para ele naquele momento. E o álcool em seu sistema deixava-a corajosa o suficiente para traduzir Harry Porra para Shawn Mendes.
- Eu não tenho como traduzir literalmente, pois no Brasil existem tantas denominações para "bunda" e "sexo" quanto existem fãs malucas. - riu e Shawn a acompanhou. - E vocês nativos de língua inglesa não tem essa pluralidade.
Shawn deu de ombros. - Aceito a tradução geral. - disse por fim e estalou os lábios, jogando o resto de seu bom senso no lixo ao decidir traduzir a música para o canadense.
- Drag your butt on the wand. - Madu murmurou, tentando seguir as palavras que Mc Maha cantava. - Go sit on the broom. Hey, little witch with big ass, an ass that flies. - gargalhou dos olhos arregalados de Shawn. - Drag your butt on the wand, go sit on the broom. Hey, little witch with big ass, call me Harry fuck. - e com a última frase, caiu na risada a ponto de precisar que Shawn a segurasse para que ela não caísse no chão. Levou alguns segundos para se recompor, fazendo uma careta ao levantar a cabeça rapidamente e sentir os efeitos do álcool com maior precisão.
- Eu estou traumatizado, talvez. - Shawn disse por fim, a expressão de choque em seu rosto sendo algo impagável para Maria Eduarda. Ele a abraçava pela cintura para que a garota pudesse se manter em pé com pouco esforço, já que sua sobriedade estava em risco.
- Esse cara é um gênio. - a brasileira murmurou. - Pegou todas as referências de Harry Potter e colocou conotação sexual. É praticamente poesia! - exclamou, na voz lenta e enrolada que apenas uma pessoa bêbada possuía.
- Eu tenho certeza de que não é poesia. - Mendes retrucou, rindo da careta que Madu abriu para ele. Ele precisava se inclinar para que ela falasse perto de seu ouvido e se fazer audível para ela, já que a música continuava altíssima.
- Poesia sexual, Mendes. - estalou os lábios, semicerrando os olhos para o cantor. - Não muito diferente da letra de Lights On. - o sorriso debochado estava de volta nos lábios dela enquanto Shawn corava.
- Você tem fixação por Lights On, não é? - indagou, realmente curioso.
- É você cantando sobre sexo. - Maria Eduarda retrucou. - É óbvio que eu tenho fixação.
- Por quê? - a encarou com diversão. Madu deu de ombros.
- Deixa espaço para a imaginação. - murmurou. - Porque apesar de ser uma música sexual, é extremamente fofa.
- E dai?
- E dai que talvez você seja um cara fofo. - Madu arqueou as sobrancelhas para Shawn. - Sabe, naquela hora. - riu, bebendo mais um gole de sua caipirinha sem ter nenhuma noção do que estava provocando em Shawn com toda aquela conversa sobre sexo. Afinal, a atração entre eles não era segredo e aquele tipo de conversa não era o ideal para se ter no meio de uma festa, onde o cantor não podia responder as dúvidas de Maria Eduarda com ações. Era só olhar no rosto de Shawn para perceber o quanto ele queria dar aquelas respostas para a fotógrafa naquele momento.
- Eu não sou um cara fofo. - foi a resposta de Shawn, minutos mais tarde. Recebeu um olhar confuso de Maria Eduarda, que não pôde questionar sobre aquela afirmação já que Becca e Brian retornaram do bar com mais alguns copos de bebida, distraindo-os da conversa anterior.

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Shawn.
Stay do Zedd com Alessia Cara tocava, e apesar de algumas reclamações de Madu pela mudança do setlist - o DJ sempre escolhia um horário aleatório da madrugada para tocar os maiores hits mundiais do ano, segundo Becca - todos estavam dançando e se divertindo a valer. Becca interpretava a música, sentando em um dos bancos do bar, enquanto Brian gravava alguns stories e Madu, já menos prejudicada pela bebida, tentava dançar de uma forma bem desordenada. Shawn ria dos amigos, também afetado pelo álcool, mas em um grau mais baixo que o restante do grupo.
- Vem dançar, Mendes! - Madu chamou quando viu o garoto se virar para pedir mais uma bebida, mesmo com uma ainda em mãos, detendo-o. Shawn fez uma careta e negou com a cabeça no mesmo instante, arrancando risadas de Brian e uma careta descontente da fotógrafa.
- Eu não sei dançar. - Mendes argumentou.
- Eu sei que você não sabe. - Maria Eduarda retrucou, revirando os olhos antes de segurar a mão de Shawn e o puxar para a pista de dança. E por mais que seu bom senso lhe dissesse para permanecer com Brian e Becca, Mendes se deixara levar por Madu. Ele não negaria nada que ela lhe pedisse com aquele sorriso nos lábios. E o álcool o deixava fraco, tornando-o ainda mais facilmente influenciável pela garota.
- Se você sabe disso, por que está insistindo?
- Porque não é necessário saber dançar para tentar dançar. - Madu deu de ombros. Virou-se para Shawn quando encontrou um lugar na pista que fosse de seu agrado e então começou a se balançar no ritmo da música, sem se preocupar por não estar sendo uma exímia dançarina. Shawn bebeu o resto de sua cerveja, sem desviar o olhar da garota e sorriu de forma culpada quando seus olhares se encontraram e ela fez uma careta. - Vamos Shawn, por favor! - pediu, um bico se formando em seus lábios. Ele jogou o copo no lixo mais próximo e voltou para perto de Madu.
- Você sabe que é fofa, não sabe? - Mendes indagou, se inclinando na direção dela para facilitar a comunicação. - E que isso torna difícil negar qualquer coisa para você. - estalou os lábios, enquanto Madu ria. E ele sabia que ela não estava corada e reclamando por ele deixá-la sem graça, pois o álcool estava agindo em seu organismo. Adorava a Madu desinibida, mas amava a Madu corada e tímida.
- Meu coração é...
- Fraco, eu sei. - Shawn riu. Deu um passo em direção a Madu e sorriu largo quando ela fechou os olhos ao sentir o toque dele em sua cintura. - Mas eu fico fraco quando você faz essas caretas. - murmurou, deixando um beijo na testa da brasileira.
- Às vezes eu acho que estou sonhando. - Maria Eduarda suspirou. Abriu os olhos e soltou uma risada nasalada. - Não faz sentido, eu devo estar em coma profundo ou algo assim.
- Por quê? - Shawn franziu o cenho em confusão. Não afastou sua mão da cintura da garota e ela não parecia inclinada a reclamar.
- Você na minha vida. - deu de ombros. - Não faz sentido que esteja a fim de mim, sabe? Eu sou tão normal. - suspirou. - Praticamente sem graça. E desastrada.
- É por isso que você é insegura? - Shawn indagou, sem desviar o olhar do de Madu.
- Em partes. - ela assentiu. - É difícil resistir, para ser sincera. Você é tipo meu sonho de consumo. - riu. - Bonito, cheiroso, educado, simpático, carinhoso... É fácil demais me apaixonar por você, te conhecendo pessoalmente. - Madu deu de ombros. Acabou fechando os olhos e abraçando o cantor pela cintura, descansando a cabeça no peito dele. - Eu te amava como meu ídolo, Shawn Mendes. Mas agora estou me apaixonando por você, o Shawn Peter Raul Mendes, o cara de verdade e não o da tela do meu celular.
- Madu? - Mendes chamou, mas a garota parecia não ouvi-lo. Estava no meio de seu desabafo bêbado e a única coisa que o canadense poderia fazer era abraça-la com força e ouvi-la com atenção. E foi o que ele fez.
- Mas aí você gostar de mim? - ela riu de forma debochada. - É difícil acreditar. Eu sou uma boa amiga. Tento ser uma boa pessoa. E as pessoas gostam de mim por isso. Mas você gosta além disso e é assustador. - murmurou. - Porque é você e você é incrível. Tenho medo de perder a chance de ser apenas sua amiga ao deixar isso rolar e você descobrir, no futuro, que eu sou completamente normal. E deixar de gostar de mim. E então eu perderia sua amizade. - o suspiro que a garota soltou deixou o coração de Shawn pequeno e apertado. - E eu gosto muito de ter você na minha vida. Não quero te perder. - disse por fim e quando Shawn segurou em seu queixo e levantou seu rosto para que pudessem se encarar, percebeu os olhos marejados de Madu e soltou um resmungo sofrido.
- Você não vai me perder, Maria Eduarda. - garantiu, mas ela não pareceu acreditar. - Eu gosto de como me sinto quando estou com você. Não abriria mão disso e estou falando sério.
Madu assentiu com a cabeça. - Eu acredito em você.
- E vai acreditar que estou me apaixonando. - Mendes garantiu. - Eu vou te provar isso.
- Não fiquem tristes! - Becca berrou às costas de Shawn, assustando-os e fazendo Maria Eduarda xingar em português. - Por que essas carinhas tristes? - enrolou a língua para falar e Mendes riu. Becca estava muito mais bêbada que Madu e perdia completamente a noção de privacidade. Não que ela tivesse muita noção disso em seu estado sóbrio, de qualquer forma.
- Não estamos tristes. - Shawn respondeu e logo Brian se postou ao lado da loira, com uma expressão nada feliz no rosto. Maria Eduarda desfez o abraço e Mendes a abraçou pelos ombros.
- Você acabou com o clima. - ele a xingou. - Eles finalmente iam se beijar.
- Não íamos. - Madu negou e recebeu um revirar de olhos e um bufo em desagrado.
- Ah não, pode beijar. - Brian ordenou, fazendo-os rir. - Eu não aguento mais o Shawn resmungando que vocês ainda não se beijaram e que ele quer muito que isso aconteça.
Shawn parou de rir e suas bochechas coraram, enquanto Becca gargalhava e Madu arqueava as sobrancelhas para o cantor.
- Ele resmunga muito? - indagou, o sorriso provocativo exposto em seus lábios. Mendes apertou as bochechas da garota e deu um tapa em Brian, antes que o rapaz pudesse entregá-lo, mesmo que o ato não tivesse tido o resultado esperado.
- Muito! - Brian exclamou. - Só falta chorar. Beija ele logo, Maria Eduarda! - a forma enérgica como o rapaz gesticulava apenas fez Madu rir e Shawn corar ainda mais.
- Você precisa juntar as cabeças deles. - Becca orientou, bebericando um copo com cerveja. - Aí vai funcionar.
- Vocês não tem uma festa para curtir? - Shawn indagou, claramente envergonhado.
- Nós temos. - Becca retrucou, apontando para o quatro. - Saiam do mundinho Menves e venham se divertir conosco. - atirou um beijo para os amigos e os puxou novamente para perto do bar, sem deixar brechas para que eles retrucassem.
Mais copos de cerveja foram pedidos e algumas caipirinhas, enquanto todo tipo de música tocava na festa, divertindo a todos e fazendo até mesmo Shawn tentar dançar um pouco. The Cure da Lady Gaga havia finalizado a poucos instantes quando os acordes de There's Nothing Holding Me Back soaram pelo pub acompanhado do grito de Maria Eduarda, que causou risos em Becca e Brian e um sorriso largo de Shawn.

I wanna follow where she goes
I think about her and she knows it
I wanna let her take control
'Cause every time that she gets close, yeah


A garota o puxou para perto para que pudessem dançar e logo estava pulando e rodopiando enquanto segurava as mãos do cantor. E enquanto Shawn ria da animação dela, pôde perceber duas coisas: o quanto adorava a naturalidade de Madu e o quanto aquilo o fazia se apaixonar um pouco mais por ela, já que a garota estava tendo um momento fangirl alucinada enquanto ouvia uma música de seu ídolo - mesmo que estivesse em contato direto com o mesmo naquele instante -, o que apenas mostrava que ela não se inibia perto dele ou mantinha máscaras em sua personalidade; e o quanto aquela música representava sua situação, mesmo que ele não tivesse escrito-a para a brasileira.

Oh, I've been shaking
I love it when you go crazy
You take all my inhibitions
Baby, there's nothing holdin' me back


Não havia nada o impedindo. Nem mesmo a mídia ou os fãs que poderiam se aborrecer por Shawn estar em um relacionamento - mesmo que ele ainda não estivesse em um. Sua família, seus amigos ou sua equipe não eram um empecilho. Seu coração menos ainda. Estava de portas abertas e chamava por Maria Eduarda, que pulava e gritava a letra da música como se aquela fosse a primeira vez que a canção estivesse tocando em público. Shawn havia surtado daquela mesma maneira e ter Madu mostrando o quando gostava dele, com aquele simples gesto, encheu seu coração de amor e carinho. Ele queria prendê-la em seu abraço, encher seu rosto de beijos e sentir o cheiro característico que só ela tinha e Mendes não encontrava em nenhum outro lugar. Sorriu quando Maria Eduarda abriu os olhos, completamente alienada em seu mundo de fangirl, antes de pular em seu pescoço e abraça-lo com intensidade.
- Logo mais serão multidões em estádios berrando essa letra. - ela murmurou, fazendo-o sorrir ainda mais largo e se deixar envolver pela animação de Madu. Balançou seu corpo no ritmo da música e isso a fez sorrir largamente. - there's nothing holding me back...

'Cause if we lost our minds and we took it way too far
I know we'd be alright, know we would be alright


- If you are by my side and we stumbled in the dark, - Shawn cantou para a garota, puxando-a para perto de seu corpo e grudando sua testa na dela. Fechou os olhos, respirando fundo e apertando os braços em torno da cintura de Madu, antes de voltar a cantar. - I know we'd be alright, we would be alright...
E então sentiu os lábios dela contra os seus, ato esse que transformou seu coração em uma bomba relógio, prestes a explodir. Novamente a maciez da boca de Maria Eduarda causou borboletas em seu estômago e Mendes soltou um suspiro de prazer quando os lábios dela se abriram e a língua contornou sua boca de forma carinhosa. Deixou um dos braços em torno da cintura da brasileira enquanto a outra mão subia para a nuca dela, segurando seus cabelos em um bolo enquanto Madu o abraçava pelo pescoço. Suas línguas se encontraram, sedentas e curiosas, e o beijo que deveria ser curto, se estendeu por mais algumas canções, os prendendo em uma bolha de satisfação onde nada no mundo poderia se comparar as sensações que sentiam. Ambos beijavam com o corpo inteiro e o coração exposto, tornando aquele carinho ainda mais íntimo e intenso. Quando o ar lhes faltava, mordidas carinhosas eram distribuídas no lábio inferior e no queixo um do outro, para então retornarem ao beijo, ainda mais sedentos do que antes. Até que suas bocas inchadas e vermelhas estivessem quase doloridas e a finalização daquele carinho fosse necessária. A respiração falha manteve Shawn de olhos fechados, a testa voltando a se colar na de Madu pela simples falta de vontade de se afastar, já que seu corpo pedia por ela mais e mais. Um selinho foi depositado em seus lábios e Mendes abriu os olhos, encontrando em Maria Eduarda um reflexo de como estava se sentindo: estupidamente feliz e insanamente satisfeito.
- Puta merda. - o cantor murmurou, seu coração na boca. Maria Eduarda sorriu para ele.
- Estou me sentindo da mesma forma. - disse por fim, voltando a colar seus lábios nos de Shawn em um selinho simples.

🎸🇨🇦📷

Maria Eduarda.
O riso alto ecoou pelas ruas quando Madu cruzou a esquina, correndo. Shawn a seguia, também rindo e tentando proteger o cabelo da chuva torrencial que caía durante a madrugada. Havia sido uma péssima ideia colocar o destino do Uber uma quadra antes do apartamento de Maria Eduarda, mas eles não tinham outra opção. Shawn ainda era mundialmente famoso, mesmo que estivesse se sentindo como qualquer outro cara em Toronto naquela noite. Tudo por causa da brasileira maluca que havia lhe dado os melhores beijos de sua vida a menos de uma hora. A ideia para despistar o endereço de Madu soara brilhante até a chuva começar a cair, quando eles haviam dado menos de 10 passos para fora da entrada do apartamento onde o Uber os havia deixado.
- Aí está a sua chuva. - Madu murmurou, o riso ainda em seus lábios quando sentiu os braços de Shawn a puxando em sua direção e a envolvendo pela cintura. Faltavam poucos passos para estarem seguros da chuva embaixo do saguão do prédio onde Maria Eduarda morava, mas Shawn não dava à mínima. Queria beijá-la naquele instante e isso ficava claro em seu olhar. Madu tinha certeza de que Mendes acabaria com dores nas costas por sempre precisar se inclinar para baixo e já previa a necessidade de usar seus dotes limitados como massagista no garoto. Não seria nenhum sacrifício vê-lo sem camiseta e ter os músculos das costas dele a disposição de suas mãos.
- Você me beijou antes. - Shawn lembrou, sorrindo largo após deixar um selinho nos lábios da brasileira. - Estragou nossa comédia romântica.
- Me perdoa. - Maria Eduarda fez um bico com os lábios. - Mas te beijar durante uma música sua é muito mais "nós" do que beijar na chuva. Você está odiando ter o cabelo estragado que eu sei. - pontuou e Shawn deu de ombros, não negando a afirmação da brasileira.
- Poderia ter o cabelo estragado por você também. - sorriu sugestivo e Madu gargalhou, se afastando e o puxando para continuarem o caminho até o prédio.
- Você passou muito tempo com a Becca. - a garota acusou. Mendes riu.
- Talvez. Ou talvez eu só esteja sendo completamente sincero. - murmurou.
Maria Eduarda abriu o portão e então parou na soleira da porta do prédio, passando a mão pelos cabelos e tentando secar o rosto com a manga do vestido, já que estavam seguros da chuva embaixo do toldo. Shawn parou a frente dela, no degrau debaixo, puxando-a para frente em um abraço apertado e colando seus lábios com vontade.
- Tem certeza de que foi uma boa ideia deixar Becca e Brian irem para a casa dele juntos? - o rapaz questionou, parecendo realmente preocupado.
- Eles não estavam tão bêbados para não saberem tomar decisões. - Madu garantiu. Havia conversado com a amiga antes de ir embora e checado se Becca realmente queria aquilo e se não era o álcool falando por ela. Apenas concordou em deixar os dois curtirem a noite juntos quando teve certeza que Becca estava sóbria e ciente de sua decisão. Se ela se arrependesse no dia seguinte, não poderia culpar o álcool.
- Bêbado ou não, Brian jamais recusaria uma proposta de Becca. - Shawn murmurou, fazendo a garota rir.
- Ele é um cara esperto. - Maria Eduarda disse por fim, subindo as mãos para o pescoço de Shawn e encontrando o cabelo úmido dele. Brincou com os fios, enquanto o cantor fechava os olhos e soltava um suspiro satisfeito.
- Você vai entrar, não vai? - Madu questionou, um sentimento gostoso de "casa" tomando seu peito conforme recebia os carinhos de Mendes.
- Não existem possibilidades de eu negar esse pedido. - o canadense disse por fim.
- Piedade meu pai. - Maria Eduarda murmurou em português e Shawn fez uma careta, enquanto a garota ria. - Desculpe. - fez um bico.
- Você tem certeza de que quer que eu suba? - Shawn questionou. Segurou o rosto de Madu e acariciou as bochechas dela. - Você precisa trabalhar amanhã.
- Só a partir do meio dia. - a brasileira explicou. - A empresa liberou a manhã para o pessoal curar a ressaca.
- Trabalho dos sonhos, uh? - o sorriso estava nos lábios de Shawn quando sentiu a boca de Madu contra a sua.
- Não tenho do que reclamar. - Maria Eduarda disse.
- Então eu subo. - o cantor respondeu. - Aproveitar enquanto você está aqui e não no Japão. - riu fraco. - Eu não vou conseguir te tirar da minha cabeça mesmo. - suspirou.
- Pode tirar minhas roupas. - Maria Eduarda sorriu atrevida e Shawn gargalhou.
- O que aconteceu com a Madu tímida? - questionou, divertido. A garota o beijou no rosto, dando de ombros em seguida.
- Você enfiou a língua na boca dela. Não existe mais timidez com essa linha ultrapassada. - retrucou, soltando os cabelos de Shawn para poder entrelaçar seus dedos nos dele. Tirou a chave do bolso e destrancou a porta da frente, seguindo com Mendes para o elevador após trancar a porta outra vez.
Madu se escorou na parede de metal, abrindo os braços para Shawn e o abraçando pela cintura quando ele se aproximou. Mendes deixou o queixo repousar no topo da cabeça da fotógrafa, as mãos na cintura dela acariciando sua pele por cima do tecido da roupa.
- Eu não sou fofo. - ele tornou a repetir e Madu franziu o cenho devido à confusão mental em que entrara.
- Perdão? - questionou, levantando a cabeça e encarando o cantor com curiosidade. Seu queixo estava apoiado no peito de Mendes, que aproveitou a oportunidade para lhe roubar um selinho.
- Você deu um palpite. - Shawn a lembrou. - Usando Lights On como base. - arqueou as sobrancelhas para ela e Madu riu, assentindo com a cabeça com a lembrança do comentário.
- Sim, lembrei agora. - estalou os lábios. - Eu disse que você poderia ser um cara fofo, já que havia escrito uma música fofa para falar de sexo.
- Isso. - Mendes concordou e sem desviar o olhar do dela, murmurou: - E eu estou lhe dizendo que não sou um cara fofo.
Madu arqueou as sobrancelhas para ele, mordendo o lábio inferior em seguida, antes de se inclinar para cima e juntar seus lábios em um beijo sem língua.
- Seria um desperdício horroroso se você fosse apenas fofo. - ela disse por fim e puxou Shawn para fora do elevador, em direção ao seu apartamento. Mal teve tempo de fechar a porta às suas costas e ele já a havia pegado no colo e grudado seus lábios em um beijo intenso.
Eles teriam um longo resto de madrugada e talvez um pedaço da manhã muito agitados.


Continua...



Nota da autora: Eu demorei 745 anos para atualizar essa história aqui, mas vim com atualização tripla e acho que mereço perdão, não é? hahahhaha Gente, as coisas ultimamente estão tão loucas e exaustivas que meus únicos momentos livres para poder colocar script durante a semana são 30 minutos depois que eu chego do trabalho e normalmente eu acabo pegando no sono por conta do cansaço físico e mental. Prometo tentar me organizar melhor e caso não consiga, vou procurar uma beta ou uma scripter para me salvar. Espero que tenham gostado desses capítulos e comentem muito, pois cada comentário faz toda e completa diferença e só me dá ainda mais vontade de escrever. Um beijo, amo vocês!

Instagram dos personagens
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@nlysmendes

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