Última atualização: 13/02/2019
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Capítulo 1

Something big, I feel it happening
Out of my control

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Nervosismo.
Não era uma sensação que havia experimentado mais do que algumas vezes, durante seus 20 verões de vida. Ela podia contar nos dedos de uma mão os momentos em que deixou o nervosismo tomar conta de si. Entre eles estavam o casamento de sua mãe com Leonardo, seu padrasto, já que havia sido péssimo carregar as alianças com mais de 100 pessoas a encarando em um vestido rosa bufante que a fizera suar loucamente. Também ficou extremamente nervosa quando quase reprovou no terceiro ano do ensino médio, por ter faltado a muitas aulas de Educação Física e quando fizera sua entrevista de emprego pelo Skype, já que ela não tinha condições de ir para o Canadá apenas para conversar com o dono do estúdio de fotografia para o qual ela trabalharia a partir de outubro. A última vez que havia ficado nervosa, fora no dia da compra dos ingressos para o Rock in Rio. quase chorou de frustração, por medo de não conseguir finalizar a compra. Mas ela havia conseguido. E estava desembarcando no Rio de Janeiro, dois dias antes do show, por conta de um pressentimento maluco de , sua melhor amiga e prima, que jurava que iria encontrar o Marron 5 dando sopa nas praias do Rio de Janeiro.
E pressentia que iria ter sua quinta experiência com o nervosismo durante aqueles poucos dias longe de casa.
- Vou pedir um Uber. – avisou, trazendo de volta para a realidade. Estavam na área de desembarque, procurando pelas placas que indicavam a saída. assentiu com a cabeça e segurou as alças de sua mochila com firmeza, seguindo a outra para fora do aeroporto Galeão. Tinha guardado os fones de ouvido e escondido o celular no bolso interior da mochila, tamanho era o medo de perder ambos os objetos. E não por estar no Rio de Janeiro, que tinha um índice de violência altíssimo que não lhe era exclusividade dentre os estados brasileiros restantes, mas sim por estar em um estado que não conhecia, para uma aventura maluca que ela havia parcelado em 5x no cartão de crédito do irmão. E por mais que quisesse fotografar cada passo daquela viagem, a garota optou por escolher os momentos certos para registrar com sua câmera. E o aeroporto não era um deles.
O local estava movimentado, como já era de se esperar e a área de desembarque estava abarrotada por jovens ansiosas e animadas, que esperavam seus artistas favoritos desembarcarem no Brasil para o Rock In Rio.
- Tem certeza de que ele não desembarcou? – questionou, desviando o olhar do celular para , que assentiu com a cabeça.
- Sim. – assentiu com a cabeça. – Saíram fotos dele embarcando há cerca de uma hora.
- Que merda de azar. – bufou.
- Só tu tinha esperanças de encontrar ele no aeroporto de madrugada.
- Não seja pessimista. – reclamou.
O Uber demorou quase meia hora para aparecer, não surpreendendo nenhuma das duas. Aquela semana inteira deixava o Rio de Janeiro uma loucura quase tão grande quanto durante a Virada do Ano ou o Carnaval, que eram as épocas de maior movimentação turística na cidade. Elas ficariam hospedadas no apartamento dos pais de Henrique, o namorado de , localizado na Barra da Tijuca. O imóvel estava desocupado e elas teriam privacidade para surtar e dormir até quase falecer após o show que iriam assistir juntas. queria ver Adam Levine e o Marron 5. havia comprado ingresso para o festival, para ver única e exclusivamente, .
Seu irmão, Maurício, havia zoado com a cara dela por meses, desde a compra do ingresso realizada com o cartão de crédito dele, já que o de não tinha saldo o suficiente. Segundo ele, ela jamais havia superado sua paixonite psicótica pelo cantor. E provavelmente desmaiaria assim que colocasse seus olhos no canadense e estava encarregada de gravar o momento para que Maurício pudesse ver a cena, quando elas voltassem para Santa Catarina. O que Maurício não sabia, era que não se sentia mais daquela forma.
Ela havia superado o amor lunático que nutrira por quase dois anos e agora sentia apenas uma grande admiração por . Ele era um ótimo cantor, suas músicas eram maravilhosas e, bom, ele era bonito para um caralho. Suas ilusões de encontrar e acabar casada com ele não existiam mais. Ela havia amadurecido e encarado a realidade. Mas a vontade de ouvi-lo se apresentar ao vivo e vê-lo mesmo que de longe, era bastante significativa.
- Eu preciso mesmo dormir. – comentou, após agradecer ao motorista do Uber e sair do carro. A viagem havia sido tranquila e demorara menos tempo do que elas haviam esperado pelo carro no aeroporto. a seguiu até a portaria do prédio, ainda segurando sua mochila com firmeza. cumprimentou o porteiro e logo elas estavam dentro do elevador, rumo ao décimo andar. O prédio não era do tipo que gritava riqueza em cada milímetro de parede e sentiu-se mais confortável por conta daquilo. Não sabia lidar com lugares chiques demais, já que estava acostumada com a simplicidade.
- Vamos descansar durante a manhã? Eu preciso mesmo dormir um pouco. – falou para a prima, que assentiu com a cabeça e estalou os lábios.
- Nós vamos atrás do , não vamos? – questionou, em dúvida. Pulou para fora do elevador assim que as portas se abriram e tirou a chave do apartamento do bolso dos shorts jeans.
- Não sei. – suspirou, recebendo um olhar atravessado da amiga. – Talvez não valha a pena tentar encontrá-lo. Metade das garotas dessa cidade tem o mesmo plano que o nosso.
- Mas elas não são iguais a ti, sua stalker. – deu de ombros. Destrancou a porta do apartamento 105 e se jogou no sofá, suspirando alto de cansaço.
- Eu só dei uma pesquisada rápida. Não dá para ter certeza de que ele vai estar no Sheraton. – disse cética. Jogou a mochila na poltrona e aproveitou para dar uma olhada no apartamento. Não era grande e nem muito pequeno. Tinha apenas dois quartos, um banheiro, sala, cozinha e área de serviço. Voltou à sala e encontrou na mesma posição, rindo fraco antes de sentar ao lado da prima.
- Nossas pernas não irão cair se tentarmos. – decretou. Levantou do sofá em um pulo e puxou a prima pela mão, enquanto resmungava sobre ter acabado de se acomodar no móvel. – Vamos dormir um pouco. Depois almoçamos em algum lugar e vamos para o hotel.
- Tudo bem. – rolou os olhos, se deixando puxar para o quarto que dividiria com . Deixou a mochila na sala e apenas tirou os calçados, se jogando na cama de casal. O quarto de Henrique tinha uma cama de casal, roupeiro, escrivaninha e dois criados mudos. Era totalmente comum e ao mesmo tempo, a cara do rapaz. não parecia nada inclinada a trocar de roupa, visto que apenas tirou os brincos e apagou a luz do quarto, se jogando na cama ao lado da prima.
- Imagina se ele se apaixona por ti? – comentou, aos sussurros.
gargalhou.
- Deixa de ser iludida guria. – retrucou. – O que eu tenho que ele não pode encontrar em alguma modelo ou cantora?
- Personalidade. – estalou os lábios. – Peitos. Bunda. – riu alto.
- Idiota. – pontuou, recebendo um beliscão no braço. Puxou um dos travesseiros e o abraçou, pegando no sono um instante depois.

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A gritaria no aeroporto aumentou consideravelmente assim que o cantor colocou os pés na área desembarque do aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro. já estava acostumado com os gritos. Havia se acostumado até com as lágrimas e os soluços, mesmo não gostando de presenciar. Mas os gritos das brasileiras estavam ultrapassando os limites que ouvidos haviam estabelecido.
O rapaz sorriu e acenou, enquanto aguardava sua equipe de seguranças se aproximarem para poder escoltá-lo para fora do aeroporto. Os fãs gritaram mais ainda e riu. Gostava daquela euforia. Demonstrava o quanto era querido e o quanto seu trabalho era reconhecido. Não entendia os artistas que se recusavam a atender os fãs, afinal, eles deviam tudo a eles. E era muito grato a todo apoio que recebia. Jamais teria chegado ao Brasil para tocar no Rock in Rio, um dos maiores festivais do mundo, sem aquelas pessoas que gritavam seu nome e pediam autógrafos.
Sua equipe de segurança não ficou contente quando pediu alguns instantes para atender aos fãs, mas ele não se importou. Autografou muitos cadernos, CDs, DVDs e até mesmo uma barriga. Tirou foto com diversas pessoas e agradeceu a cada palavra de carinho que recebia. Ao sair do aeroporto e seguir para o carro, já havia compreendido que responder “obrigado, eu te amo” causava uma onda de histeria absurda nas garotas e ele deveria tomar cuidado com o uso daquela frase.
- Hoje você tem o dia livre. – Andrew, seu empresário, murmurou, atento a agenda de , aberta no notebook que ele carregava. – Sábado e domingo tem algumas entrevistas agendadas.
- Tudo bem. – assentiu com a cabeça. – Queria muito ir à praia.
- Podemos ir amanhã pela manhã. Aproveitar a chegada de outros artistas e curtir uma possível tranquilidade.
- Duvido que achemos tranquilidade em qualquer canto desse país. – riu e Andrew concordou com um aceno de cabeça.
– Vai ser realmente difícil conseguirmos isso.
Enquanto o carro corria pelas ruas do Rio de Janeiro, observava a vista pela janela. A cidade era realmente bonita, o céu azul trazia uma boa sensação e mal podia esperar para ver a praia. No Canadá ele não tinha esse tipo de paisagem, então aproveitaria ao máximo todos os momentos em que estivesse no Brasil. Quem sabe ele não sairia com um bronzeado? Era bem improvável, mas se divertia com a ideia.
O hotel em que se hospedaria era um dos melhores do Rio de Janeiro. Recebia diversos artistas e tinha uma organização e segurança impecável. Mas mesmo com a não divulgação de seu paradeiro, alguns fãs esperavam por na porta do hotel. sorriu e assim que saiu do carro, atendeu as poucas pessoas que o esperavam. Fotos, autógrafos e abraços. O cronograma era o mesmo, mesmo que mudasse a cada pessoa com quem ele tinha contato. Subiu para a suíte que ocuparia e se jogou na cama, com a esperança de que poderia dormir um pouco antes de fazer qualquer coisa.
Fora tirado de seu cochilo meia hora depois, com Andrew o buscando para tomar café da manhã. Precisava estar bem alimentado e completamente saudável para enfrentar uma multidão na noite de sábado e sabia que Andrew não largaria de seu pé tão facilmente durante a estadia no Brasil.
- Eu vou tomar uma ducha antes de descer. – avisou ao empresário, que assentiu e se retirou do quarto.
tomou um banho gelado, devido ao calor que fazia na cidade. Estava acostumado com a Califórnia, mas o Rio de Janeiro parecia duas vezes mais quente. Vestiu uma sunga preta, bermuda e uma camiseta azul. Deixou os cabelos secarem sozinhos – ele não queria usar o secador de cabelo nem no ar frio – e calçou um tênis branco. Encontrou Andrew no restaurante e ocupou a cadeira vaga a frente do homem.
- Sua mãe ligou. – Andrew comentou. – Perguntou se você chegou bem e se está de jetlag.
- Depois do café eu ligo para ela. – falou, servindo-se de suco de laranja e encarando a variedade de comidas dispostas na mesa. Muitas ele conhecia, mas da maioria ele não fazia ideia do que eram e o mais importante: se eram deliciosas.
- A notícia da sua estadia aqui vazou rapidamente. – Andrew suspirou. – Tem uma horda de fãs na frente do hotel, gritando por você.
- Posso sair e falar com eles? – questionou, optando por um bolo de chocolate. Não tinha erro naquela escolha. – Podemos organizar uma fila ou sei lá. – deu de ombros.
- Vou falar com a segurança. – o empresário murmurou, levantando da cadeira e seguindo para fora do restaurante. aproveitou para comer tranquilamente. Provou um pedaço de cada alimento e ficou muito animado ao perceber que a comida era realmente boa. Bem diferente, mas gostosa. Bebeu o último gole do suco e então pegou o celular no bolso da bermuda, discando o telefone da mãe em seguida.
- Oi mãe. – murmurou, quando Karen atendeu a chamada.
, querido! Como você está?”
- Ótimo. – sorriu fraco, mesmo que ela não pudesse vê-lo. – Acabei de tomar café e provei alguma coisa da culinária brasileira. É excelente.
“Sempre ouvi coisas maravilhosas desse país, principalmente da comida”.
- Pretendo experimentar mais e tentar descobrir os nomes. – riu.
“E como está sendo?”
- Animado. – murmurou. – Os fãs são realmente empenhados e intensos. Andrew disse que tem uma horda em frente ao hotel, me esperando. Vou tentar falar com todos.
“Tome cuidado, . Já ouvi histórias insanas sobre o amor dos fãs brasileiros.” Karen alertou, fazendo o filho rir. “E não se esqueça do protetor solar quando for à praia! Você não vai querer pegar insolação.”
- Andrew providenciou o protetor solar com o fator mais alto disponível no mundo. – garantiu.
Acabou conversando com a mãe por um tempo mais longo do que esperava. Quando finalizou a chamada, Andrew retornou para o restaurante, avisando que estava tudo certo para ele sair e conversar com os fãs. Muito mais animado, subiu para seu quarto e escovou os dentes, voltando ao saguão do hotel minutos depois. Seus dois seguranças particulares o seguiram de perto para fora do hotel e Andrew se manteve ao lado de , pronto para intervir caso algo desse errado. Mas o que encontrou na rua não poderia ser definido como algo fadado a catástrofe. Ele sorriu largo e cumprimentou a primeira fã da fila que se estendida por todo quarteirão.
passaria um bom tempo na rua atendendo seus fãs.

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- Tu quer deixar de ser uma lerda? – reclamou, interrompendo sua corrida para ralhar com .
As duas haviam abandonado o Uber duas quadras atrás do endereço desejado, tudo porque o trânsito estava um caos e elas perderiam mais tempo esperando no carro, do que se fossem andando. Mas com a pressa, não queria andar. Ela basicamente pulou para fora do Uber e saiu correndo como uma desvairada pelas ruas do Rio de Janeiro. Já , bem... Ela havia tentando acompanhar.
Elas tinham um plano. Ou pelo menos, parte de algo que elas consideravam um plano. Porque ficar sentada na calçada do hotel, sem nenhuma certeza de que sairia do quarto naquele dia e menos ainda que fosse passear pelo Rio de Janeiro, não poderia ser considerado um plano. Claro, aquela tática já havia funcionado para as duas garotas. Haviam conhecido a Demi Lovato com aquela mesma estratégia e esperavam que funcionasse com . esperava. estivera cética até entrar no Uber.
- Para quem não queria ir atrás do , tu 'tá animada demais! – reclamou. revirou os olhos e pegou a prima pela mão, puxando-a com força e a obrigando a continuar a caminhada em um ritmo mais acelerado.
- Tu quem me convenceu a vir! Agora estou animada e esperançosa e se isso não der certo, a culpa vai ser toda tua! – decretou, fazendo a prima rir.
- Certo, certo. – estalou os lábios. – Pode me culpar a vontade. Mas também vai ter que me agradecer pelo resto da tua vida, se tu conseguir o teu tão sonhado abraço! – deu de língua para , que nem se deu ao trabalho de responder.
Dobraram o quarteirão e pararam de andar subitamente. Uma fila de garotas se estendia por toda a calçada do Sheraton e logo tratou de chamar a última garota da fila d questionar o motivo daquela organização.
- está passando de fã em fã para dar autógrafos e tirar fotos. – a garota respondeu, com um largo sorriso.
- E ele vai falar com todos? – se intrometeu, visto que apenas arregalou os olhos e tentou falar alguma coisa, sem sucesso algum.
- O empresário dele disse que sim. – a garota assentiu. – Ele começou há poucos minutos. Vocês são fãs?
- Sim! – exclamou. – Obrigada pela informação. – sorriu, puxando para a fila.
- Caralho, ... – Ela murmurou, encarando a prima, que sorria largamente.
- Teu abraço está mais perto do que tu imaginava. – riu. – Já pode começar a me agradecer. – disse, de forma pomposa. soltou um gritinho e abraçou , dando alguns pulinhos e murmurando agradecimentos. ria e se divertia com o entusiasmo da prima.
respirou fundo e soltou a prima, suspirando em seguida. Sacudiu a cabeça para os lados e riu de si mesma. Estava parecendo uma lunática e não deveria se portar daquela forma. Afinal, era apenas . Seu cantor favorito e um dos caras mais bonitos do mundo, em sua opinião.
- Estou parecendo uma descontrolada. – Murmurou, arrancando risadas de .
- Você vai ver descontrole quando eu vir o Adam Levine. – garantiu, fazendo a prima rir torto.
O tempo na fila parecia não passar. Os burburinhos e a constante passagem de garotas com quem já havia falado estavam deixando nervosa. Sentia-se suar frio e os pensamentos negativos tomarem conta de sua mente. E se cansasse e desistisse daquela loucura na metade da fila? E se as garotas estivessem sendo inconvenientes e ele precisasse se retirar? Eram tantos pensamentos, que parou de dar-se conta da passagem do tempo e logo tinham apenas duas garotas entre ela e . E uma delas era , que não perderia a chance de tirar uma foto com o canadense.
foi extremamente atencioso ao autografar e bater uma foto com a garota que havia lhes dado às informações. Abraçou-a antes de agradecer pelo apoio e se voltar para , que sorriu exultante. engoliu em seco e respirou fundo, obrigando-se a se acalmar. era uma pessoa como qualquer outra, não havia motivos para surtos.
- Ei. – sorriu para . – Tudo bem?
- Ah, eu estou ótima. – ela sorriu largo, respondendo em inglês. – E você?
- Animado. Essa energia me trás ótimas sensações! – ele riu e suspirou baixinho. Ele era ainda mais bonito e adorável do que aparentava pelos vídeos e fotos.
- Bom, eu adoro suas músicas, mas a sua fã é ela. – apontou para e voltou o olhar para a garota, sorrindo ainda mais largo. – Então só queria uma foto e te parabenizar pelo ótimo trabalho.
- Obrigado. – murmurou. posou ao lado dele e ambos sorriram para a câmera, antes de ela lhe agradecer e dar dois passos em direção a . – Oi. – Ele sorriu largo e já podia afirmar que vê-lo sorrir se tornara a coisa que mais gostava de ver.
- Oi . – Ela suspirou, respirando fundo antes de voltar a falar, agradecendo por lembrar-se das aulas de inglês naquele momento e torcendo para não se atrapalhar ou pronunciar algo errado. – Eu amo o seu trabalho e estou muito ansiosa para o show. E também orgulhosa, pois acompanho sua carreira desde a época do Magcon e te ver em um festival como o Rock in Rio é simplesmente fantástico.
O sorriso largo do canadense quase fez as pernas de cederem.
- Eu agradeço imensamente. – ele falou. – Isso tudo só é possível por causa de todo apoio que vocês me proporcionam, então obrigado. – sorriu novamente.
tirou uma cópia do Illuminate de dentro da bolsa, juntamente com uma caneta. autografou o álbum e então se aproximou para a foto. os fotografou, após interromper a gravação que havia prometido ao primo. então se inclinou e o envolveu pelo pescoço com os braços. O abraço não durou cinco segundos e logo sorria uma última vez, antes de agradecer e passar para a próxima garota da fila. , com as pernas bambas e as mãos tremendo levemente, guardou seu CD e encarou a prima, com um sorriso gigante nos lábios.
- Eu não desmaiei. – ela falou, voltando a usar o português.
- Infelizmente. – riu, puxando para longe da calçada do hotel. Elas passaram por , que autografava mais uma cópia do Illuminate e sentiu seu sorriso se alargar. De braços dados com , ela seguiu pela calçada e antes de dobrar na esquina e sumir de vista, olhou para uma última vez. Ele era tão bonito que ela tinha a certeza de que jamais encontraria outro cara como ele. E não apenas pela aparência, e sim pela gentileza e simpatia que ele havia demonstrado.
Com um último suspiro e um sentimento bom de dever cumprido, seguiu com até o ponto de ônibus, enquanto a prima tentava chamar um Uber para que elas retornassem ao apartamento na Barra da Tijuca.

Capítulo 2

I don't even know your name
All I remember is that smile on your face

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A quantidade de protetor solar que estava cobrindo o rosto e o corpo de era absurda. O rapaz poderia apostar que teria que raspar o produto de sua pele, pois apenas o sabonete não seria capaz de livrá-lo daquela crosta de creme que Andrew o havia recomendado a utilizar – tudo por ordens da mãe de e tanto o empresário como o cantor sabiam que não era uma boa ideia contrariar as instruções da mulher.
Mesmo sentindo-se extremamente pegajoso, vestiu uma camiseta e pegou os óculos escuros, antes de fechar a porta do quarto e descer para o hall do hotel. Já havia tomado café da manhã e tinha compromissos apenas durante a tarde, ou seja, passaria a manhã na praia, mandando fotos para sua irmã e fazendo-a morrer de inveja daquele calor e da vista que o Rio de Janeiro dispunha para o turismo. Andrew já o aguardava no estacionamento e logo partiram para praia de Ipanema, por ser uma das praias mais conhecidas do Rio de Janeiro e também, distantes do hotel onde estava hospedado. Andrew acreditava que estaria despistando o tumulto de fãs, mas sabia que aquilo não seria possível e nem mesmo poderia dizer que gostaria que fosse. Adorava conhecer seus fãs e os brasileiros tinham uma energia e um carinho diferente, que o agradavam de forma absurda.
- Karen mandou mensagem novamente para falar do protetor solar. – Andrew murmurou e , que estava entretido em seu celular rolando o feed do Instagram, apenas levantou o olhar para o mais velho e riu.
- Ela não vai parar de mandar mensagens até eu estar a salvo e sem insolação de volta ao hotel. – deu de ombros, sem se preocupar.
- Só poderei garantir isso durante a tarde. – Andrew suspirou.
- Eu passei mais de cinco camadas de protetor solar. – pontuou. – Isso tem que ser uma proteção no nível escudo de Hogwarts.
- O escudo falhou. – Andrew riu.
- O sol não é o Voldemort. – novamente deu de ombros.
Voltou a rolar o feed do Instagram, decidindo por procurar alguma tag a respeito de sua chegada ao Brasil. Gostava de ver as postagens dos fãs, pois se divertia com as legendas das fotos. Em #Brasil ele encontrou diversas postagens do meet&great improvisado do dia anterior. A maioria das legendas era em português e uma e outra palavra ele conseguia compreender, mas não o suficiente para pegar a essência da legenda. Havia as em inglês, bastante tradicionais e aquelas que se aventuravam em duas legendas: uma em sua língua nativa e outra em português. Em uma dessas postagens, encontrou apenas a foto de um abraço dado em uma fã. Não lembrava o rosto ou das palavras trocadas com a garota, mas sentiu-se alegre por ver apenas a foto do abraço e não a selfie, como já estava acostumado. Ele aparecia de frente para a câmera, sorrindo, enquanto a garota o abraçava e ficava de costas para a fotógrafa. Na legenda, apenas uma frase em português e um trecho de Never Be Alone. sorriu, dando like na foto e partindo para outras postagens. Encontrou vídeos e sorrisos dos mais diversos tipos e distribuiu likes e mais uma porção de fotos. Todos os 30 minutos de viagem até a praia de Ipanema foram gastos no Instagram e logo estava descendo do carro, com Andrew ao seu lado e dois seguranças os escoltando. Ocuparam um lugar na areia e logo deixou seus pertences com o empresário para enfim, cair no mar.
Em 20 minutos dentro da praia, já imaginava as manchetes dos sites sobre celebridades a respeito de sua performance como nadador: toma caldo em praia do Rio de Janeiro. Não estava acostumado com o mar – ainda mais o do Rio de Janeiro – pois Toronto não era uma cidade litorânea. E ele não poderia afirmar que sua vida de turnês e gravações de álbuns lhe dava muito tempo para procurar uma praia. Então sim, havia tomado caldo na praia de Ipanema e já podia prever os memes que viriam sobre seu desempenho. Acabou cansando da água voltando para a areia, onde encontrou um Andrew bastante animado.
- Prefiro não comentar. – murmurou.
- Eu não ia. – O homem retrucou, mas sabia que ele estava mentindo. Pegou uma das toalhas que haviam trazido e passou pelos cabelos, antes de sentar na areia e pegar seu celular novamente. Tirou uma foto de suas pernas estendidas em direção ao mar e mandou para Aaliyah, recebendo uma resposta nada educada de sua irmã mais nova. Riu consigo mesmo, retrucando com emojis debochados, tendo apenas um “exibido” como resposta.
- Dizem que água de coco é bom. – Andrew murmurou e o fitou brevemente.
- É água dentro de uma fruta. Será possível ser ruim? – indagou curioso. Nunca havia provado a bebida e essa foi a deixa para Andrew pedir para um dos seguranças ir comprar a bebida. Mas mal teve tempo de beber o primeiro gole e fazer careta, pois logo fora abordado por um grupo animadíssimo de fãs que requeriam sua atenção. E largando o coco no chão – ele não havia gostado da bebida, de toda forma – sorriu e se pôs a bater fotos e autografar CDs e braços, como o de costume.

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Era a terceira ou quarta vez que passava protetor solar no rosto. A garota estava totalmente paranoica pelo medo de pegar insolação, enquanto ria de sua cara e bebia sua água de coco. Estavam as duas em uma cafeteria perto de Ipanema, visto que não havia condições de frequentar as praias mais próximas da Barra da Tijuca sem sofrer no mínimo, alguns esmagamentos para conseguir ocupar um espaço na areia. Haviam se aventurado de ônibus pela cidade, desembarcando em Ipanema para enfim, curtirem um pouco do Rio de Janeiro. Na mesa que ocupavam tinham embalagens de sanduíches e copos de vitaminas vazios, sem falar nos pacotes de bala que havia consumido enquanto trabalhava em cima do roteiro turístico que ela e a prima fariam durante a tarde, já que a garota queria fotografar a cidade e atualizar seu Instagram profissional.
usava um maiô preto, com um design diferenciado, já que tinha um longo decote em V e a maior parte das costas nuas. Uma saída de praia junto de uns shorts de algodão completavam o visual turista junto dos óculos de sol e o boné vermelho que a garota usava na cabeça. Já , além de carregar uma bolsa de praia enorme, tinha um chapéu preto enorme na cabeça, fora o biquíni preto simples e o vestido com estampa floral.
- Já acabou? – indagou curiosa.
- Sim. – a outra assentiu. – Mas antes vou pedir um pedaço de torta porque me deu vontade de doce. – avisou, já levantando da cadeira que ocupava.
- Tu comeu três pacotes de bala! – arregalou os olhos.
- Bala não é doce. – retrucou, fazendo a prima rir. Andou até o balcão e pediu pela torta de chocolate que estava namorando desde que entrara na cafeteria. Agradeceu com um largo sorriso ao atendente – que em sua opinião era realmente bonito e simpático – e voltou à mesa, encontrando com seu celular em mãos e os olhos arregalados.
- O que foi? – questionou confusa. levantou o olhar para ela e estendeu o aparelho de telefone em sua direção. o pegou em mãos com o cenho franzido e encarou a tela do telefone. O Instagram estava aberto na página de suas notificações e contabilizavam os likes em sua última foto postada. – Uau, muitos likes. – ela deu de ombros, sem entender a atitude da prima.
- Olha a notificação do último like que tu recebeu. – orientou e passou o dedo pelo touch, subindo a tela do aplicativo.
curtiu sua publicação. 1 min.
- ‘Tá brincando. – murmurou, em um fiapo de voz. Encarou a prima com o semblante assustado e então se jogou na cadeira novamente, esquecendo totalmente a torta de chocolate em cima da mesa. Desceu a barra de rolagem para atualizar a página e a notificação continuava lá. Entrou no perfil apenas para descargo de consciência, visto que ela não tinha dúvidas de que aquele era o perfil oficial do cantor e lá estava, a conta verificada e a última foto postada por ele, a qual ela nem havia visto ainda.
- Guria que sorte é essa? – indagou estupefata. Havia abandonado sua água de coco no instante em que o celular da prima apitara.
- Eu não sei. – a outra deu de ombros. – Tu sabe que eu nunca tive sorte para nada. Nem aquela rifa que só eu e Maurício compramos eu ganhei. O segundo lugar não ganhava nem uma bala.
- É a mágica do Rio de Janeiro. – concluiu, rindo. – Tu vai ser meu pé de coelho na empreitada de conseguir uma foto com o Adam Levine.
- Seja o que for, eu estou gostando. – riu. – Parece Natal. – sorriu largo.
Puxou o prato com a torta para perto de si e devorou a fatia em poucos instantes, arrastando para o caixa para que elas enfim fossem a praia. Aquele like havia lhe deixado extremamente animada e doida para cair no mar.
As duas atravessaram a rua e se misturaram à multidão que se alojava no calçadão de Ipanema. reclamava da bolsa enorme que estava carregando e revirava os olhos para ela, comentando que havia avisado para não levarem tanta coisa naquele dia.
- Mas eu preciso de tudo isso! – se defendeu.
- Da caixa de som via bluetooth também? – arqueou as sobrancelhas para a prima, em desafio. bufou.
- Tu é chata. – disse por fim, fazendo a outra rir. – E poderia levar a bolsa um pouco!
- Tu mesma disse que eu acabaria me matando e destruindo a bolsa! – reclamou. Haviam finalmente encontrado uma parte da praia que parecia menos cheia e se virou para a prima por alguns instantes, para lançar-lhe um olhar atravessado. Mas ela errou o timing e acabou esbarrando em alguém, que vinha a passos largos em direção à saída da praia. bateu a testa no peito do rapaz, xingando em português e ouvindo um “desculpe” em inglês como retorno. Arregalou os olhos, a mão na metade do caminho para acariciar sua testa. Ela conhecia aquela voz. A reconheceria em qualquer lugar, pois passara anos ouvindo-a entoar melodias românticas com as quais ela se iludia.
- Porra. – murmurou as suas costas, enquanto levantava o olhar e encontrava com uma expressão culpada no rosto. Ela piscou lentamente, sem realmente acreditar que o rapaz estava ali, na sua frente, usando apenas uma bermuda de banho. Aquele abdômen não era daquele mundo.
- Porra. – ela também murmurou, sacudindo a cabeça para os lados e tentando voltar à realidade. Não podia passar vergonha na frente do canadense, precisava se controlar.
- Eu conheço você? indagou, com o cenho franzido, parecendo tentar puxar em sua memória de onde conhecia a garota.
- Mais ou menos. – Ela respondeu em inglês, sorrindo fraco. – Nos conhecemos ontem, na fila de meet&great que você organizou em frente ao hotel em que está hospedado. E você curtiu uma foto nossa hoje. Uma em que eu te abraçava. – deu de ombros, agindo como se aquilo não fosse nada demais e ela estivesse acostumada a ganhar like de famosos internacionais. Não era o caso, mas ela não queria parecer uma lunática.
- Ah, a garota do abraço! sorriu largo, exibindo seus dentes alinhados e perfeitinhos e quase desfaleceu. – A selfie não ficou boa?
- Ficou linda, na verdade. comentou, torcendo os dedos, em puro nervosismo. – Mas a foto do abraço tem maior significado. – explicou.
- Você quer outra foto agora? indagou simpático. – Sabe, aproveitar a chance. – riu. respirou fundo, o encarando diretamente nos olhos, antes de sacudir a cabeça para os lados, em negação. Se ela abraçasse sem camisa, não tinha certeza de que sairia viva. provavelmente teria que chamar uma ambulância.
- Oh, se estivesse de camisa, sim. – ela comentou, deixando sua boca exteriorizar seus pensamentos secretos sem querer. Corou imediatamente, enquanto franzia o cenho para ela novamente. – Quero dizer, - pigarreou, tentando consertar a situação. – Você é muito bonito e está sem camisa e... Ah, esqueça. Vou fingir um desmaio para sair dessa situação. – murmurou, fazendo tanto como rirem. E o encarou embasbacada, pelo som maravilhoso que a risada de era. Tinha alguma coisa naquele rapaz que fosse ruim? Ela acreditava que não e ele provava a cada segundo que ela tinha razão.
- Você pode me abraçar. alegou. o encarou com descrença.
- Eu provavelmente nunca mais te soltaria. – ela riu. – E já tomei muito do seu tempo. – lembrou, dando um passo para trás. – Te vejo no show. sorriu, segurando a mão de e a puxando para longe. Acenou para uma última vez, vendo-o sorrir, bagunçar os cabelos e seguir para fora da praia.
- Maurício vai pagar uma grana por esse vídeo. – balançou o celular entre os dedos, ganhando um olhar nada amistoso da prima, que logo suspirou baixo e cobriu o rosto com as mãos.
- Nossa, eu agi como uma idiota.
- É. – a outra concordou. – Mas foi engraçado e ele riu.
sorriu. Havia feito rir. Sua sorte poderia ter acabado ali, naquele momento, e para ela estaria tudo bem. Aqueles dois dias haviam sido praticamente um sonho.

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se jogara na cama, suspirando alto. Havia passado a tarde no melhor estilo turista. Visitou os pontos turísticos mais famosos do Rio de Janeiro, provou comidas típicas da cidade e conheceu mais uma porção de fãs. E mesmo com tantas atividades realizadas e mais uma porção para fazer nos próximos dias, tinha apenas uma missão em mente: encontrar a conta da garota do abraço, a qual ele havia curtido uma foto naquela manhã e enviar uma direct, agradecendo por ela tê-lo tratado como uma pessoa como qualquer outra.
Ele havia passado a tarde ouvindo gritinhos histéricos e sendo abraçado aleatoriamente. E claro, ele amava os fãs, mesmo os histéricos. Eram eles que o possibilitavam sua estadia em lugares como o Rio de Janeiro e era grato demais por todo o apoio, amor e carinho que recebia. Mas às vezes, ele só queria conversar com alguém e ser tratado como uma pessoa normal. Ser apenas , como era para sua família e seus amigos mais próximos. E a garota do abraço, mesmo sendo uma fã de longa data, havia respeitado seu espaço individual e sido extremamente simpática. Meio desastrada e até mesmo engraçada, mas simpática. E , educado como era, sentia-se na obrigação de agradecê-la. Mas o ponto era que: ele não sabia o nome dela. Lembrava-se apenas de seu rosto e seu sorriso. E há muito tempo havia perdido as esperanças de encontrar qualquer notificação em seu Instagram. Eram tantas pessoas curtindo, comentando e o marcando em fotos que toda notificação do aplicativo era silenciada e perdida em instantes.
Acabou decidindo por entrar na mesma hashtag que o havia levado a foto da garota. Sentiu-se estúpido e stalker fazendo aquilo, mas sabia que não conseguiria descansar sem falar com ela. Entrou rolou o touch do celular. Por longos minutos. Viu fotos e mais fotos. Curtiu algumas, apenas para distrair a cabeça. Quando estava prestes a desistir, encontrou. Lá estava ele, abraçando-a. Gostaria de ver a expressão no rosto dela, mas deduzia que ela estava sorrindo. Clicou no user da garota e logo a conta dela estava aberta na tela de seu celular. Sorria na foto de perfil. Descobriu que o nome dela era e ao tentar pronunciá-lo, obteve alguma dificuldade. A descrição do perfil estava em português, bem como a maioria das legendas das fotos dela. E notou que ela postava bastante. Fotos de si mesma, de lugares, de pratos de comida, junto de outras pessoas, de livros... Parecia uma garota feliz. E suas fotos eram incríveis, praticamente profissionais na opinião de Shawn, mesmo que ele não entendesse nada de fotografia. Sorriu, clicando no link da direct e digitando um parágrafo rapidamente. Ela o havia mencionado em stories algumas vezes e outras mensagens aleatórias se perdiam no histórico daquela direct que nunca havia aberto.

today 8:55 PM
Hey! Então, deve ser estranho receber uma mensagem minha, não é?
Mas acredite, sou eu mesmo. Só queria agradecer por você não ter surtado e me tratado como
, o astro pop. Foi legal conversar com você, mesmo que por poucos instantes. Boa noite, espero te ver no show amanhã


achou a mensagem estúpida. Encarou a tela do celular por alguns instantes, antes de dar de ombros de enviar. Dane-se, ele pensou. Queria apenas agradecer e nada além disso. A garota provavelmente nem acreditaria que ele havia lhe enviado a mensagem, então não fazia diferença. Pegou o telefone do hotel e discou para a recepção, solicitando o jantar em seu quarto, agradecendo antes de desligar a chamada. Levantou da cama e seguiu para o chuveiro, tomando uma ducha e vestindo uma regata e bermuda para dormir. O serviço de quarto entregou seu jantar no tempo exato que havia sido passado para e ele jantou tranquilamente, assistindo a um filme qualquer na Netflix. Escovou os dentes após o jantar e voltou a deitar, pegando novamente o celular em mãos e deparando-se com diversas notificações do Instagram, como já era costumeiro. Postou um stories da tela da TV, antes de entrar na direct e ver a conversa que havia iniciado com subir para o topo no mesmo instante. Ela havia respondido e sentiu-se burro. Era óbvio que ela iria responder. Era uma fã. Abriu a conversa e só pode rir ao ler a resposta dela, sacudindo a cabeça para os lados, sem acreditar. Já havia conversado com fãs por direct no Twitter e no Instagram. Era sempre muito divertido, mas também, muito estranho. Existia uma parede que os separava, já que a maioria dos fãs não falava de outra coisa que não fosse ele ou seu trabalho. E ali estava uma garota, mandando mensagens aleatórias, enquanto seu cantor favorito – era um pensamento pretencioso demais, mas esperava ser o cantor favorito de – lhe mandava mensagens. Era algo realmente inesperado.

Eu acho que comi um pé de coelho
Essa sorte não me pertence
Você é mesmo o ?
Não estou acreditando nisso
Sim, sou eu
Acredite

Difícil
Mas me diga,
Porque me mandou mensagem?
Só para agradecer?
Sim, eu não conseguiria dormir sem fazer isso
Você foi a única fã que dispensou uma foto comigo sem camisa
Não é algo que eu encontro todo dia


riu, porque era realmente algo que não lhe acontecia todos os dias. Para ser bem sincero, nunca havia lhe acontecido algo daquele tipo, depois de ficar famoso.

Imagino que sim
Nenhuma fã é idiota como eu
Preciso admitir que estou gritando nesse momento
Porque caramba, você é tipo meu ídolo
E está falando comigo!!!!!
Mas vou fingir que sou normal e não estragar tudo
Está tudo bem
Fico feliz por ter me tratado normalmente
Mesmo que estivesse surtando por dentro

Eu estava
Minha prima quase ligou para uma ambulância
Estive perto da morte


não conseguiu conter a risada. Ali estava uma garota sem papas na língua e aquelas eram seu tipo favorito de pessoa no mundo. gostava de conversas aleatórias e comentários surpreendentes, que lhe faziam rir até doer a barriga. parecia aquele tipo exato de pessoa. Poderiam ser bons amigos, caso não fosse famoso.

Espere pelo show
Vai valer a pena

Eu não tenho dúvidas disso
Inclusive, você deveria descansar
Tem um show amanhã
(Estou tentando ser normal)
Gostei disso, obrigado
Boa fila amanhã
Boa noite!

Ainda sem acreditar que isso aconteceu
Boa noite
Obrigada por isso!


Bloqueando o celular e o colocando para carregar, finalmente desligou a TV e apagou a luz. O ar condicionado estava ligado e ele se cobriu com um edredom, bocejando alto antes de fechar os olhos e deixar o sono tomar conta de si. O dia seguinte seria repleto de emoções e ele precisaria estar descansado.

Capítulo 3

Follow the wind where it blows
Let’s make mistakes and don’t look back, it’s now or never

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- Só um jogo! – replicou pelo que parecia ser a décima vez. revirou os olhos, puxando a prima pela mão e a obrigando a abandonar a vitrine da casa lotérica que ela encarava a cinco minutos.
- Não vamos ganhar na loteria, , acorda! – bufou. - Isso é só para pessoas sortudas e nós não somos.
- falou contigo. – lembrou. – Sem falar de todos os outros eventos desses últimos dias. Tu 'tá, decididamente, com a bunda virada para a lua e precisamos aproveitar isso! - exclamou. - Não seria ótimo se tu pudesse comprar um apartamento em Toronto ao invés de alugar? - indagou e mesmo que quisesse muito ter mais dinheiro do que realmente tinha destinado para sua viagem, ela sabia que ganhar na loteria era um sonho impossível e que estava viajando na batatinha.
- Meu amor, nós temos algumas horas de fila para encarar. - lembrou. - Eu quero tentar ficar na grade, então para de loucura e vamos logo! – ralhou, finalmente conseguindo a desistência da prima.
Era meio-dia passado e ambas estavam extremamente ansiosas, já que o dia do show havia finalmente chegado. Os portões abririam apenas as 14 horas, mas elas tinham esperanças de conseguir um bom lugar para assistir aos shows, mesmo não tendo madrugado na fila. Sabiam que encontrariam muitas fãs do já na fila, mas tinha esperanças de ao menos ficar próxima da passarela do palco mundo. Pegaram um táxi e deram como destino o Parque Olímpico, mesmo que para o taxista fosse óbvio o lugar para onde elas iriam. Todo mundo estava indo para o Rock in Rio naquela semana. Cada uma delas levava apenas uma bolsa pequena, que não iria atrapalhá-las durante os shows, mas que era grande o suficiente para guardar pacotinhos de amendoim e de bala. usava um cropped preto e shorts jeans, junto de um Adidas branco. Os óculos e o boné da mesma marca do tênis completavam seu visual e ela carregava um kimono em tons de azul e roxo. Já , usava um macaquinho jeans, cropped com uma estampa floral, All Star preto e um boné rosa pastel, confortável o suficiente para não passar calor e não ter seu cérebro torrado pelo sol durante a espera para o show. A viagem levou algum tempo, visto que o trânsito estava um caos e as garotas apenas imaginavam que aquilo era consequência do festival, mesmo que o Rio de Janeiro fosse uma cidade caótica normalmente. Deixaram uma gorjeta para o taxista e se dirigiram a fila, encontrando uma porção significativa de pessoas à sua frente. Sentaram-se no chão e aproveitaram para repassar o protetor solar.
- Precisamos montar uma estratégia. - murmurou. Seu celular estava ligado no Spotify e ela dividia o fone de ouvido com . Tocava Little Mix e elas batucavam nas pernas junto do ritmo de Power.
- Para que? - arqueou as sobrancelhas para a prima.
- Para encontrar o Marron 5 oras. - revirou os olhos. - Tu teve tua chance e eu quero a minha.
- é muito mais acessível. - lembrou. - Sem camarote, vai ser quase impossível encontrar o Marron 5.
- Bom, tu tens um contato para pedir entradas para o camarote. - a outra sorriu.
- Eu não vou mandar mensagem para ele e pedir isso, ‘tá maluca? - bufou. - Inclusive, não vou mandar mensagem para ele nunca mais.
- Porque não? - arregalou os olhos.
- Não quero parecer atirada. - suspirou. - Ele sentiu-se bem em falar comigo porque eu o tratei “normalmente”, - fez aspas com os dedos - mas eu ainda sou uma fã e não quero estragar essa boa visão que ele teve de mim com algum surto psicótico.
- Tu é louca. - retrucou. - Mas de alguma forma isso faz sentido. - deu de ombros. - Afinal a vida não é uma fanfic, não é?
- Exatamente. - riu fraco. - O que poderia acontecer? Ele se apaixonar por mim porque trocamos algumas mensagens? - debochou. - Só porque eu não surtei ao conhecê-lo?
- Bom, poderia acontecer sabe. - encarou a prima com determinação. - Quero dizer, alguma coisa em ti chamou a atenção dele. E se ele te conhecesse de verdade, poderia rolar.
- Você lê fanfics demais. - acusou. - Na vida real, ele nunca mais vai se lembrar de mim e eu continuarei sendo a fã que guardou os prints de meia dúzia de mensagens trocadas com o ídolo que é extremamente educado e não dá ataques de estrelismo. - riu novamente.
- Deixa de ser pessimista guria. - xingou. - Agora tira uma foto minha bem legal para eu postar no Instagram.
- Se eu cobrasse todos os freela que fiz para ti, já tinha um apartamento em Toronto com o meu nome.
- Eu sou tua prima! Não se cobra da família. - replicou, fingindo ultraje.
- Segundo Fred e Jorge Wesley, para a família a gente cobra o dobro. - sorriu com sua referência a Harry Potter e a prima revirou os olhos.
- Ai guria, me respeita! - reclamou, rindo junto de .
- Deveríamos ter vindo mais cedo. - suspirou, dando uma olhada na fila de garotas a sua frente.
- E aí não teríamos pique para assistir ao show ou então, tentar invadir o camarote.
- Não iremos invadir o camarote! - arregalou os olhos para a outra.
- Tu quem pensa. - suspirou, não dando atenção para a prima.

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havia acordado tarde naquele sábado, pois já passavam das 13h quando ele finalmente levantou da cama. Desceu para almoçar e logo Andrew o estava apressando para que fosse se arrumar pois iriam para o Parque Olímpico em menos de duas horas. Sem entender o motivo de precisar chegar tão cedo, apenas voltou para seu quarto, tomou um banho e procurou algo para vestir. Não fazia ideia do que usar que o deixasse confortável e com menos calor do que sentia e logo estava jogado na cama, matando tempo no celular, como se fosse resolver seu impasse magicamente.
Trocou algumas mensagens com sua mãe e Brian, curtiu fotos no Instagram e postou algumas trivialidades no twitter. Apenas voltou sua atenção para seu pequeno problema de vestuário quando recebeu uma mensagem de Andrew avisando que o estava esperando no térreo. Com uma pressa visível, vestiu-se, optando por uma calça jeans preta, camisa em tons de azul com uma estampa que ele não sabia definir e sapatos pretos. Ajeitou o cabelo com o creme para pentear e definiu os cachinhos com as mãos, como já estava acostumado a fazer. No final, olhou-se no espelho e se deu por satisfeito com o resultado.
Encontrou Andrew no térreo e recebeu uma cara de poucos amigos, pois havia se atrasado. Seguiram para o carro e logo Andrew estava murmurando as recomendações do festival, tais como não andar desacompanhado, evitar sair do camarote e outras dezenas de coisas com as quais ele já estava acostumado.
- Então, como funciona esse camarote? Fãs podem comprar? - indagou curioso.
- Não exatamente. - Andrew respondeu. - O camarote é exclusivo para celebridades e convidados de marcas patrocinadoras do evento. Se você encontrar fãs por lá, não serão os fãs comuns que estão indo ao festival para te assistir.
- Ah, entendi. - assentiu. - Não gosto da ideia. Deveriam vender para o público geral e darem a chance dos fãs conhecerem os ídolos.
- Você já tirou foto com metade do Rio de Janeiro. - Andrew arqueou as sobrancelhas em direção a , que deu de ombros e riu.
- Falta a outra metade.
Andrew revirou os olhos, rindo. - Provavelmente você vai encontrar alguns dos YouTubers que vão te entrevistar amanhã.
- Certo. - murmurou. - Ah, alguma chance de conseguir ingressos para a noite de amanhã? Gostaria de ver a Alicia Keys.
- Camarote sim.
- Não quero camarote. - retrucou e recebeu um olhar atravessado do empresário.
- Já falamos disso . - suspirou o homem.
- Não. Você falou, eu fingi escutar. - lembrou, sorrindo com diversão. - Você sabe que não tem graça assistir a shows do camarote. - argumentou.
- Vou ver o que posso fazer por você. - Andrew disse por fim e comemorou, logo voltando sua atenção para o celular.
A chegada ao Parque Olímpico fora bem tranquila. foi o primeiro artista que tocaria no palco mundo a chegar e foi bastante tietado por todas as celebridades e subcelebridades que já estavam circulando pelo camarote. Tirou fotos e mais fotos, gravou vídeos e mandou beijos para os seguidores de pelo menos, umas dez pessoas. Quando finalmente teve um segundo de paz sozinho, resolveu fazer alguns stories em seu próprio Instagram, apenas para comentar sobre sua expectativa para o show. Após os vídeos, entrou em mais algumas hashtags e curtiu foto dos fãs que estavam presentes apenas para vê-lo tocar pela primeira vez no Brasil. Seus pensamentos acabaram voltando para a garota com quem havia conversado na noite anterior e em um gesto de pura curiosidade, procurou pelo Instagram dela e assistiu aos stories. Alguns na fila, outros já dentro do Parque Olímpico em diversos locais diferentes e os últimos da garota que a acompanhava jogada na grama. A hashtag #Waitingfor estava presente nas últimas duas fotos de e sorriu para si mesmo, contente por todo o carinho que estava recebendo dos fãs brasileiros. fechou o Instagram e guardou o celular no bolso, levantando do sofá e seguindo para perto de Andrew, que conversava com os rapazes da banda.
- Já vomitou ? - Mike brincou.
- Não, estava esperando a sua companhia. - retrucou, fazendo todos rirem.
- Vai querer assistir o show da banda brasileira? - Andrew questionou e negou com um aceno de cabeça.
- Vou ficar no camarim, ouvindo a setlist e tentando não esquecer a letra das músicas.
- Vai dar tudo certo cara. - Dave sorriu. - Vamos arrasar!
- Vocês sim, eu provavelmente vou desmaiar. - deu de ombros.
E por todo o tempo em que a banda Skank tocou no palco mundo, ficou no camarim com seu aplicativo de meditação. Manteve a respiração ritmada e os pensamentos longe do número de pessoas para quem ele iria cantar naquela noite. Quando Andrew bateu na porta do camarim e o chamou, soltou a respiração longamente. Deu uma última arrumada em seus cabelos e então seguiu o empresário para o backstage, onde a banda já o aguardava. Estava tão nervoso que não prestou atenção nas palavras de incentivo de Andrew ou nos gritos animados de seus amigos. Também não prestara atenção durante a introdução enquanto a banda aquecia o público ou no apagão de luz antes de ele finalmente subir no palco. E quando as luzes acenderam e os primeiros acordes de There's Nothing Holdin Me Back foram abafados pelos gritos do público, sorriu largamente e se entregou para aquele show e aquele sentimento como nunca antes.

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ainda não estava em suas plenas capacidades mentais. O show de havia abalado gravemente suas estruturas e nem todas as músicas animadas da Fergie ou do Marron 5, ou então os gritos e puxões de a fizeram voltar a si. estava completa e irremediavelmente apaixonada por e qualquer pessoa que a encarasse por poucos segundos após os últimos acordes de Treat You Better e a saída do canadense do palco teria plena certeza daquele sentimento.
A garota havia experimentado uma sensação única naquela noite e jamais iria esquecer, mesmo dos pequenos detalhes. A energia do público, as músicas maravilhosas, a dedicação da banda e obviamente, e seu sorriso largo que faziam a perfeita junção com seus brilhantes olhos cor de mel. O rapaz estava simplesmente irreal de tão perfeito na opinião de e ela não saberia listar os melhores momentos da apresentação. Amava todas as músicas com todo seu coração e o carinho e a gratidão que sentiu durante o show ficaram muito aparentes na postura do cantor. Ele estava realizado por ter tocado para um público gigante e estava realizada por ter tido a chance de vê-lo naquele palco e experimentado daquele sentimento de pura alegria.
Se tivesse que listar, provavelmente colocaria Never Be Alone como seu momento favorito do show. Não era um dos hits mais conhecidos do canadense e a música tinha um apreço especial apenas para os fãs, mas todas as lanternas ligadas, o público cantando junto e sem conseguir conter o sorriso eram o suficiente para eleger aquele momento como seu top 1. Mas Lights On, Mercy, Stitches e Life of the Party também estavam disputando bravamente por um lugar no top 5. O show havia sido lindo e por mais que a garota já tivesse visto pessoalmente e falado com ele mais de uma vez, não saberia explicar o motivo pelo qual seu coração batera tão rapidamente logo que o canadense subira no palco. Era como se não existisse mais nada no mundo além de e sua voz maravilhosa cantando as músicas favoritas de . E ela cantou junto dele aos berros, enquanto dançava e aproveitava o show como nunca fizera em nenhum outro. Foi como um abraço quentinho da pessoa que mais se ama no mundo. Uma xícara de chocolate quente em dia frio. havia sido como um dia de verão em seu inverno e ela jamais teria palavras o suficiente para agradecê-lo por ter proporcionado aquele sentimento a ela.
- Acorda ! - chamou, pelo que parecia ser a terceira vez e puxou um punhado dos fios de cabelo de .
- Ai! - reclamou, se afastando da prima o máximo que a multidão a sua volta permitiu.
- Vamos logo! - exclamou, de forma enérgica. Puxou para longe do palco - já que elas haviam pegado um ótimo lugar ao lado direito do palco, perto da passarela - e não deixou brecha para que a garota questionasse ou reclamasse por estar sendo privada de ver os fogos de artifício que finalizariam aquele dia de festival.
- O que tu ‘tá fazendo? - indagou, quando se viu perto demais da área do camarote. virou o rosto em direção a prima e abriu o sorriso que conhecia bem demais como “encrenca pesada”.
- Ah não! - exclamou, arregalando os olhos e puxando sua mão para trás, de forma a desfazer o entrelaçar de seus dedos com os de . Havia poucas pessoas naquela área, então teria espaço para se esconder e evitar passar vergonha com sua prima maluca e sem noção que planejava invadir o camarote atrás do Marron 5.
- Eu preciso de ti ! - exclamou, sem deixar o aperto de mãos se desfazerem e voltando a andar em direção ao camarote, arrastando consigo.
- nós seremos presas! - argumentou, já desesperada.
- Não fale bobagens. - bufou. - No máximo vão nos expulsar daqui aos chutes.
- Eu não quero ser expulsa!
- Então me ajude! - decretou, não deixando outra alternativa para , que suspirou e assentiu com a cabeça.
- Apenas se o plano for bom. - disse por fim.
- Ele é maravilhoso e simples. - sorriu largamente.
- Disso eu duvido. - murmurou. Haviam finalmente chegado as escadas que levavam ao camarote. Algumas pessoas estavam sentadas por ali, descansando após um dia no festival e havia seguranças em todo canto. engoliu em seco quando marchou diretamente para as portas de entrada do camarote, como se pertencesse àquele lugar e não a pista comum que havia parcelado em 3 vezes.
- Com licença, precisamos falar com uma pessoa que está aí dentro. - sorriu de forma gentil para o segurança, que apenas lhe lançou um olhar desdenhoso e riu pelo nariz.
- E eu preciso ganhar na loteria. - o homem debochou e puxou a mão de , tentando fazer a prima recuar e desistir daquela loucura. não cedeu e quase perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
- Tu não 'tá entendendo moço. - replicou. - Minha prima é muito amiga do e ela precisa falar com ele, ok?
- ! - grunhiu, olhando para os lados de forma desesperada, tentando ver se alguma pessoa havia ouvido as asneiras de sua prima.
- Sim, sim. - o segurança concordou. - E eu sou primo da Lady Gaga. Ela ficou devastada por não poder vir ao festival, acredita? - riu alto e quis enfiar a cabeça no núcleo da terra assim que viu a expressão descontente da prima. Sabia que não sairia nada de bom dali e em uma falha tentativa de evitar a explosão, fez menção de puxar a mão de com força, que no mesmo instante desentrelaçou seus dedos dos da prima, deixando-a sem qualquer resquício de equilíbrio graças a força que ela colocara no movimento. deu alguns passos para trás, tentando se firmar no chão e quando finalmente conseguiu se virar e ficar em pé com firmeza, trombou com alguém que acabava de sair do camarote vip. Soltou um palavrão e ouviu uma risada conhecida, levantando os olhos e encontrando novamente com aquele sorriso maravilhoso e seus dentes perfeitinhos.
- Garota do abraço, você já tem uma marca registrada. - ele riu, deixando-a ainda mais corada do que se lembrava de ter estado durante toda sua vida. E porra, ela só conseguia pensar que ele se lembrava dela. se lembrava da existência dela, , a garota dos prints guardados.
- Me desculpe! - ela exclamou, a voz subindo algumas oitavas graças ao nervosismo. - Acabei perdendo o equilíbrio. - explicou.
-E isso acontece com frequência? - indagou, sorrindo.
- É possível que a resposta seja sim. - murmurou, fazendo-o gargalhar e ela sorrir bobamente ao observá-lo.
- Gostou do show? - questionou e o brilho da curiosidade em seu olhar deixou momentaneamente sem palavras.
- Eu amei. - confessou, sorrindo de canto. - O melhor show que já assisti, sem nenhuma dúvida. Você foi excelente e a banda estava incrível.
- Mike vai chorar quando eu comentar isso com ele. - falou, rindo. E novamente se perdeu em pensamentos ao apreciar aquele sorriso tão perto de si. Ela amava o sorriso de . Era tão sincero e alegre, já que ele também sorria com os olhos. E aquele cachinho caído em sua testa apenas o deixava ainda mais adorável e cada vez mais encantada. Ela perdeu a pergunta dele enquanto analisava e babava por aquele sorriso lindo, se obrigando a assentir quando franziu o cenho em sua direção, confuso pela falta de resposta dela.
- Ah, claro! - exclamou.
- Então até amanhã. - sorriu novamente, acenando para a garota e se afastando, seguindo com seus amigos para qualquer que fosse o lugar. , ainda abalada pela presença de , franziu o cenho e então caiu em si:
- Como assim “até amanhã”?

Capítulo 4

All these precious moments
That we carved in stone
Are only memories after all

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estava terminando de vestir a camiseta quando batidas na porta de seu quarto desviaram sua atenção. Franziu o cenho em confusão, mas seguiu para a porta e girou a maçaneta. Andrew o encarou com o semblante nada feliz e riu alto, já prevendo o motivo do mau humor do empresário.
- Você ainda vai me colocar em maus lençóis com a Karen. - Andrew reclamou e fechou a porta após o homem entrar no cômodo. foi até sua mala e procurou por um par de tênis que o agradasse, enquanto Andrew se mantinha em pé no meio do quarto.
- Minha mãe não está aqui. - retrucou. - E os rapazes também vão ir. As pessoas por lá vão estar interessadas nos shows e não em mim. - defendeu novamente os argumentos que utilizou para convencer Andrew a conseguir os ingressos para a pista comum do Rock in Rio, já que para ele, assistir Alicia Keys so camarote não teria emoção alguma. E ele nem queria mencionar Justin Timberlake.
- Eu sei, eu sei. - bufou o mais velho, enquanto revirava os olhos. - Deixei os ingressos com Mike. - avisou e quando voltou a encarar o cantor, soube que ouviria mais uma vez o sermão interminável de Andrew sobre a importância de ele se manter seguro. sentou-se na poltrona e encarou o homem com tédio. Andrew revirou os olhos e abanou as mãos em direção a , desistindo do monólogo. Afinal, o garoto já sabia de cor todas as instruções que ele repetiria. - Nem vou falar nada. - murmurou por fim e riu.
- O Brasil realmente faz milagres. Deveríamos vir todo mês. - brincou e se abaixou para calçar o par de tênis.
- Você adoraria. - o outro sorriu. - De qualquer forma, a van estará a postos para trazer vocês de volta. Ainda não acredito que vocês vão aguentar a noite toda em pé quando passaram o dia andando pela cidade.
- Não vamos passar a noite em pé. - lembrou. - Temos direito ao camarote e pretendemos aproveitar. - riu e Andrew estreitou o olhar para o rapaz.
- Olha lá garoto. - reclamou. - De ontem para hoje já tivemos que aguentar o peso do inferno porque você seguiu aquela atriz no Instagram.
revirou os olhos: - As pessoas especulam demais.
- E especulam certo. - Andrew revirou os olhos. - Ou você acha que eu sou tonto?
riu.
- Não aconteceu nada. - tentou argumentar mas o empresário não lhe deu ouvidos.
- Sei, sei. - suspirou. - De qualquer forma, não esqueça das recomendações. Pedi para que o pessoal não tirasse o olho de você, mas eu te conheço bem o suficiente para saber que você dá um jeito quando quer.
- Que péssima visão você tem de mim Andrew! - riu novamente. Levantou-se e procurou pelo relógio que usaria naquela noite na mesa de cabeceira, só então vestindo o moletom, mesmo com o calor infernal que fazia no Brasil e que o faria demonizar aquela ideia assim que estivesse longe do ar condicionado do quarto.
- Eu tenho a visão verdadeira garoto. - Andrew também riu. - Bom festival e tome cuidado. - disse por fim, saindo do quarto instantes depois.
sorriu largo e pegou o celular no bolso do jeans para mandar uma mensagem para Brian e contar as novidades. Afinal, sair “sozinho” para o festival era tudo o que ele queria e precisava no momento. E ainda teria a chance de encontrar com a garota do abraço, já que o nome dela ainda era impronunciável para ele. O Brasil tinha pessoas com nomes estranhos e isso não lhe era novidade.
Brian não havia entendido os motivos de em insistir em falar com , sendo que ela era apenas mais uma fã e tinha centenas de milhares de outras fãs. Mas sentia que ela tinha algo especial, mesmo que não soubesse explicar o porquê. E por ter esse bom pressentimento, havia decidido que gostaria de conhecê-la melhor e por isso a havia chamado para assistir ao festival com ele naquela noite. Quem sabe não virassem ótimos amigos? precisava de pessoas que o viam como mais do que um cantor famoso. As vezes ele só queria conhecer novas pessoas, criar novos laços de amizades e ser apenas ele. Apenas . E por mais que a garota do abraço fosse sua fã, ele não a via apenas com aquele rótulo. Seus fãs eram pessoas antes de serem fãs. E ele os tratava tais como eram e por isso não existiam motivos para não poder ser amigo de uma fã. Mesmo que essa fã em questão fosse brasileira e os fãs brasileiros tivessem uma reputação gigantesca.
jogou-se na cama com um suspiro e então pegou seu celular para checar suas redes sociais. Algumas fotos e vídeos dele visitando o Cristo Redentor já estavam circulando pelo Twitter e Instagram e resolveu postar algumas coisas no Twitter, apenas para distrair a atenção dos fãs e da mídia. Gostaria de passar despercebido na multidão naquela noite e apenas curtir os shows que tanto queria ver. Estaria indo embora do Brasil no dia seguinte, após dar algumas entrevistas e gravar apresentações em programas de TV e então seguiria para o México, onde faria mais um show antes de voltar para os Estados Unidos e para a turnê. Estava ansioso para acabar os shows naquele mês e então ter alguns dias de folga. Sentia saudades de sua família e de seus amigos e por mais que amasse estar em turnê, seu corpo e sua mente estavam pedindo por descanso. E estava aprendendo a sempre ouvir as necessidades de sua mente antes de qualquer outra coisa.
O celular de vibrou com uma nova mensagem de Brian e o canadense logo desistiu de rolar o feed do Instagram para responder ao melhor amigo. Revirou os olhos quando a última mensagem de Brian chegou e quase gravou um áudio apenas para xingar o rapaz. Às vezes Brian não tinha noção das coisas.

E Andrew sabe que você quis essas entradas apenas para ver a brasileira bonitinha?
Você poderia não falar besteira?
Eu quero assistir ao show do público comum porque o camarote é chato
E como diabos você sabe que ela é bonita?

Existe uma ferramenta mágica chamada “pesquisa do Instagram”
Stalker

Prefiro curioso
De toda a forma, aproveite o show
Eu acho que Alicia Keys vai detonar
Claro que ela vai
Falo com você mais tarde

Beije a garota!
Cala a boca!


riu uma última vez antes de finalmente guardar o celular no bolso e levantar da cama. Ajeitou o cabelo no espelho - não que ele realmente fizesse muita coisa - antes de finalmente sair do quarto e seguir para o quarto de Mike. Precisava apressar os amigos, que sempre demoravam uma eternidade para se vestirem. estava sempre adiantado e odiava esperar. Antes mesmo que ele pudesse bater na porta, Mike a abriu e sorriu largamente.
- Hoje eu não atrasei. - ele exclamou, contente.
- O Brasil realmente faz milagres. - debochou, recebendo um revirar de olhos como resposta.
- E os outros? - Mike indagou, seguindo junto de para o elevador.
- Não sei, mas espero que já estejam prontos. - murmurou. - Vamos apenas comer alguma coisa antes de ir.
- E a sua amiga? - o mais velho indagou, sorrindo malicioso e revirou os olhos. Mike era o único que sabia sobre a garota brasileira - já que havia repassado os elogios feitos por ela - e estava tirando uma com a cara do cantor desde então. Segundo Mike, havia se apaixonado à primeira vista e o destino estava tentando provar para ele que era sua alma gêmea graças aos encontros inesperados que eles tiveram naqueles últimos dias. Claro que achava a ideia de Mike insana, como era de se esperar. Ele não acreditava em amor à primeira vista. Não mais, pelo menos.
- Não somos amigos ainda. - retrucou. - E ela havia dito que iria ao show. - deu de ombros. - Vou mandar mensagem quando chegarmos lá.
- Você não está mesmo interessado nela? - Mike indagou, curioso e incrédulo. Não via motivos para querer contato com uma fã brasileira se não fosse por aquele motivo.
- Não. - negou com um aceno de cabeça. - Ela é engraçada e me tratou normalmente, mesmo sendo uma fã. - deu de ombros. - E eu estou precisando conhecer novas pessoas e fugir desse mundo um pouco. Problemas mundanos, sabe? - os dois entraram no elevador enquanto digitava uma mensagem no grupo que tinha com o resto da banda e avisava que ele e Mike já estavam descendo.
- Tudo bem. - Mike concordou com um aceno de cabeça. - Eu consigo entender um pouco.
- Brian criou milhares de teorias idiotas. - comentou e Mike gargalhou. Era típico de Brian inventar mil histórias sem noção.
- Obviamente. - falou. - Mas não se esqueça de que ela é uma fã, . - Eu sei. - assentiu. - Já estou acostumado com isso. - suspirou, deixando os ombros caírem. Às vezes a pressão do mundo da fama o sufocava. Ele só queria alguém para lhe trazer um pingo de normalidade, nem que fosse por cinco minutos.

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havia acabado de fechar a porta de trás do carro quando o celular de vibrou na mão da garota. Ela ocupava o banco do passageiro, enquanto seu irmão Maurício, dirigia o carro que as levaria do aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis para Brusque, a cidade onde moravam. , que estava ocupada com a tentativa de conectar seu celular com o aparelho de som do carro, pulou no banco e após ler a notificação, arregalou os olhos e soltou um gritinho. Maurício a xingou por conta do susto e se inclinou para frente, tentando entender os motivos da euforia da prima.
- O que foi? - indagou, afobada.
estalou os lábios antes de descer a barra de notificações do celular e apontar para o nome da pessoa que havia acabado de lhe mandar uma mensagem na direct do Instagram.
- , eu não estou entendendo nada! - murmurou assim que também gritou e ouviu um palavrão nada amigável de seu primo.
- ESTÁ APAIXONADINHO POR TI! - a garota berrou, sem se importar em quase deixar os dois irmãos surdos.
- O que ‘tá acontecendo? - Maurício indagou, confuso. E antes que pudesse responder, se pôs a falar, traçando uma narrativa exageradamente romântica sobre os dias que elas passaram no Rio de Janeiro e todos os encontros de com . E enquanto a garota falava, encarava a mensagem de , completamente confusa sobre o motivo que o levara a não apenas chamá-la novamente pelas redes sociais - quando ela não era ninguém na fila do pão -, mas também pelo conteúdo da mensagem em si. Ela tinha certeza de que havia mandado para a pessoa errada e estava com metade da frase digitada quando uma nova mensagem chegou, fazendo companhia para a anterior, provando que não havia se enganado quanto ao destinatário, mas que não a havia convencido totalmente. Afinal, quais as chances de lhe enviar mensagens por livre e espontânea vontade?
Tudo bem, aquilo já havia acontecido. Mas ele havia tido motivos - gentis e adoráveis, na opinião de - plausíveis, enquanto naquele momento ele não tinha nenhum. estava perplexa com os acontecimentos dos últimos dias e mal podia acreditar em sua sorte. Ela não tinha tanta sorte em sua vida assim desde… sempre.

20:05
Já cheguei!
Cadê você?


encarou a tela do celular com o lábio inferior preso entre os dentes, esperando pela mensagem de retratação de . Os minutos se passaram e as palavras dele cessaram, dando a garota a certeza de que as mensagens eram sim para ela e que ela teria que respondê-lo sem fazer a mínima ideia do assunto sobre o qual ele falava. Ela respirou fundo e pôs-se a digitar uma resposta apropriada, enquanto tagarelava sem parar.

Eu???
Estou indo para casa


não levou mais do que 2 minutos para responder a mensagem e arregalou ainda mais os olhos com o conteúdo, buscando o braço de para poder cutucar a prima e grunhir alguma coisa como "eu sou uma idiota!".

20:15
Casa? Porquê?
Aconteceu alguma coisa?
Você disse que viria ao festival hoje
Esperava te encontrar por aqui
Falamos disso ontem


- Eu não tenho como responder isso sem parecer uma retardada. - decretou por fim, lembrando-se do motivo pelo qual não prestara atenção à conversa com na noite anterior. se pôs a concordar com um aceno de cabeça.
- Como tu não ouviu ele te chamando para ir ao RiR? Com ele? - exclamou, de forma exaltada.
- Eu desviei a atenção! - choramingou. - Caralho, ele queria me encontrar lá! Em que universo paralelo isso poderia acontecer de verdade? - indagou para a prima, ainda de olhos arregalados e a respiração ofegante. Seu coração batia rapidamente e ela mal podia acreditar no que estava acontecendo. queria encontrá-la no Rock in Rio e ela havia perdido a chance por estar babando no sorriso dele. E tudo bem, era totalmente compreensível que ela tivesse tido sua atenção desviada e monopolizada, já que o sorriso de era uma das coisas mais lindas que já havia visto na vida. E ela preferia nem mencionar a bendita risada para não ter suas pernas fracas novamente. Mas ela havia perdido uma chance única e jamais poderia aceitar aquilo. Estava pensando em se jogar para fora do carro e esperar a morte quando Maurício, completamente perdido no assunto, chamou a atenção das duas garotas.
- Eu ainda não entendi o que está acontecendo. - Maurício murmurou, só então lembrando-as de que ele também estava no carro. chiou em direção ao primo, em uma clara objeção a interrupção dele. nem se deu ao trabalho de desviar o olhar da tela do celular, suspirando algumas vezes antes de finalmente decidir-se sobre sua resposta.
- Vou falar a verdade. - declarou e sacudiu a cabeça para os lados em negação.
- Assim tu vai estragar tudo de uma vez por todas! - ela grunhiu. - Ele vai pensar que tu é outra fã maluca e obcecada!
- E eu sou! - retrucou. - Bom, sou um pouco. - suspirou novamente. - , eu quero morrer. - choramingou, recebendo um revirar de olhos da prima, que arrancou o celular das mãos de - que teve seus protestos ignorados - e passou a digitar algumas mensagens. Pouco menos de 5 minutos mais tarde, ela devolveu o celular para com um sorriso largo nos lábios.
- Tá tudo resolvido. - estalou os lábios, voltando a escorar as costas no banco enquanto procurava pela conversa com , já que havia fechado o aplicativo do Instagram de propósito. As vezes gostaria de matar a prima, mas lembrava que sentiria falta da garota e desistia da tentativa de homicídio.
Encontrando a conversa com - a qual ele já havia respondido -, rolou a tela até achar a primeira das várias mensagens que mandara para o canadense, arregalando os olhos e soltando um muxoxo descontente ao ler as palavras da prima.

Hey
Aqui é a , prima da
Essa maluca não prestou atenção no que você disse ontem
Ela é meio tapada, não a julgue
Ela iria adorar ter te encontrado no RiR hoje, mas já estamos em nosso estado natal
Ela está indo para Toronto no final do mês
Vocês poderiam se encontrar por lá!
O show foi ótimo, de toda a forma
Parabéns!


respirou fundo e afastou o celular para poder encarar com incredulidade. Não acreditava que a prima tivera tamanha cara de pau para mandar aquelas mensagens para , como se eles fossem grandes amigos que tivessem se desencontrado por um acaso do destino. Porque eles não eram e estava surtando! Primeiramente porque , seu cantor favorito, de alguma forma parecia interessado em manter uma pseudo amizade com ela. Aquilo era tão fanfic que passara os últimos dias constantemente se beliscando para acreditar que não estava sonhando. E em segundo lugar, ela estava surtando por ter perdido a maior chance de sua vida como fangirl! Ela não esperava que se apaixonasse por ela ou algo do tipo, mas gostaria de conhecê-lo melhor, para ter certeza de que ele realmente era a pessoa que ela acreditava que fosse. Pelo pouco que podia supor pelo que via na mídia, era uma pessoa maravilhosa. E adorava pessoas maravilhosas em sua vida e não veria problemas em ser “amiga” do rapaz. Mas ela também não agiria como se eles tivessem chances de serem melhores amigos, como havia feito. Havia um abismo que os separa e esse abismo não era apenas geográfico. Era cultural e principalmente, social. Eles eram de mundos diferentes. não poderia esquecer daquilo só porque havia trocado algumas mensagens com e o havia visto pessoalmente e conversado com ele algumas vezes. Ele ainda era um cantor mundialmente famoso e ela era apenas outra fã. Ela não era ninguém no mundo dele e não poderia deixar as expectativas de a iludirem. Precisava colocar seus pés no chão e a cabeça no lugar.

Oi !
Fico feliz que tenha gostado do show
É uma pena que vocês não tenham vindo para o festival
Alicia Keys vai arrasar!
Eu estarei em Toronto no mês que vem
Espero poder encontrar com a sua prima por lá!
Eu só queria checar se ela estaria aqui hoje
Preciso ir, foi um prazer conhecê-las!
Tchau


deixou os ombros caírem após ler a última mensagem de . Não tinha como responder aquilo, então simplesmente fechou o Instagram e bloqueou o celular. tentou argumentar, mas a cortou prontamente, enquanto ambas eram encaradas por um Maurício extremamente curioso.
- É melhor assim. - disse, com resignação em seu tom de voz.
- Você está cometendo um erro. - condenou. - Vocês podem se encontrar em Toronto. - a esperança no tom de voz da garota arrancou outro suspiro alto de .
- Esquece . - ela pediu, findando o assunto. Por ora.

Capítulo 5

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A agenda de após o Rock in Rio manteve-se cheia, como o de costume. Sua ida para o México acabou não saindo como gostaria graças a uma catástrofe natural, mas ele pretendia voltar para o país e Andrew estava encarregado de reencaixar o México na agenda da Illuminate Tour. voltou para os Estados Unidos e fez alguns shows antes de fechar o mês de setembro e então teria dois meses de férias, onde ele pretendia passar a maior parte dos dias em Toronto com sua família e amigos e a menor parte dos dias indo para Los Angeles gravar as novas canções que ele ia compondo durante suas férias. Já tinha duas músicas escritas e pretendia gravá-las o mais rápido possível para não perder o ritmo de trabalho, já que sua cabeça estava uma loucura graças a sua ansiedade.
O Rock in Rio havia mudado muitas das perspectivas sobre sua carreira. Algumas dessas perspectivas haviam se consolidado na cabeça de com o passar do tempo e outras haviam se fortalecido por conta de sua apresentação no festival. havia sido surpreendido pelo tamanho da recepção positiva que tivera no Brasil. Apesar de o RiR ser um festival frequentado por um público mundial, sabia que a maior parte das pessoas que iam ao festival era brasileiras. E ter tido tamanha euforia do público durante seu show havia sido surpreendente, já que ele era um artista com pouco tempo de carreira e direção musical focada aos jovens. Enquanto se apresentava, não teve uma noção real da recepção da plateia. Ele ouvia gritos e incentivos, bem como as pessoas cantando as músicas junto com ele, mas só fora realmente perceber que todo o público havia ficado animado e participado de seu show quando assistira aos vídeos da apresentação posteriormente. Logo em There's Nothing Holdin’ Me Back, a música de abertura do show, sua voz ficara abafada pela voz de milhares de pessoas cantando junto com ele. E isso havia lhe trazido tanta alegria e satisfação, como trouxera medo e apreensão. nunca fora um cara seguro no que se referia a sua carreira. Sabia que havia tido muita sorte e que seu trabalho duro mantinha os fãs de olho nele, o apoiando e amando. Tinha completo conhecimento de que no mundo artístico, as pessoas apareciam e sumiam dos holofotes em um piscar de olhos. Um dia poderiam estar no primeiro lugar do top 10 da Billboard e no outro, ninguém nem saber mais de sua existência. E tinha medo daquilo. Amava seu trabalho. Havia nascido para aquilo e apenas pensar na possibilidade de perder tudo já lhe trazia ânsia de vômito. Sua ansiedade atacava e passava por um inferno particular.
Andrew havia o obrigado a aceitar dois meses de férias. não queria tanto tempo afastado do trabalho, mas sabia que precisava cuidar de sua saúde mental e nada como passar um tempo com as pessoas que ele amava poderia ser tão eficiente. Mas passava os dias tendo ataques nervosos e crises de sono. Sentia um medo absurdo de ser esquecido. Não queria perder o amor e apoio dos fãs. Eles significavam tudo em sua vida. Precisava se manter fazendo um ótimo trabalho, e ideias absurdas passavam por sua cabeça para manter-se em alta. Eram pensamentos idiotas, mas não conseguia contê-los.
E por este motivo, estava em uma cafeteria em Nova Iorque, sentado à mesa com Niall Horan e Camila Cabello, rindo de alguma piada do irlandês enquanto esperavam por seus pedidos. Haviam tido sorte de poderem se encontrar naquele dia, sem conflitos de agenda e estava grato de poder finalmente dar uma folga para sua cabeça. Já que ir para Toronto antes de entrar de férias era uma alternativa impossível, nada melhor do que passar um tempo com seus amigos e espairecer. Colocar sua cabeça em ordem era sua prioridade número um. E o bônus de ter amigos famosos que não iriam julgá-lo por estar pirando era algo realmente agradável para . Caía como uma luva para a situação.
- Mas então, como você está? - Niall indagou para o amigo, após mastigar o pedaço de muffin que havia colocado na boca assim que seus pedidos foram entregues. - Depois do Rock In Rio.
- Ainda mais ansioso do que nunca. - confessou, soltando um suspiro alto. Camila lhe lançou um olhar preocupado e ele forçou um sorriso fraco. - Mas foi algo inacreditável. Se alguém me dissesse que eu estaria tocando para um público daqueles na época em que gravava covers para o Vine, eu jamais acreditaria.
- Eu me lembro da primeira vez que cantei em um estádio. - Niall murmurou. - Foi surreal.
- Bom, eu ainda não toquei em um estádio, então ficarei recolhida na minha insignificância. - Camila choramingou, e rindo, a abraçou pelos ombros e beijou-a na cabeça.
- Logo você estará cantando Havana no Madison Square Garden e vai ser um pulo mudar para estádios. - o canadense a encorajou, que sorriu um agradecimento. Sair do Fifth Harmony não havia sido uma decisão fácil para Camila, mas sabia que a garota estava em paz com suas escolhas. A girlband estava fadada a separação, já que suas integrantes não tinham construído laços de amizade sólidos.
- Mas como foi no Brasil? De forma geral? Nenhuma fã tentou cortar um pedaço do seu cabelo? - Niall indagou rindo. negou, abrindo um sorriso largo.
- Foi incrível. Os fãs foram ótimos, não teve nenhum momento esquisito, sabe? Eles respeitaram meu espaço, sem deixar de demonstrar os quão animados com a minha visita ao país eles estavam. - deu de ombros. - É com certeza meu país favorito.
- Você comeu coxinha? - Camila indagou, com uma pronúncia perfeita da palavra brasileira. - É o melhor salgado do mundo! - exclamou, dando uma mordida na torta que havia pedido e fazendo uma careta. - Nem se compara, sinceramente.
- Provei, mas não sei pronunciar o nome sem enrolar a língua. - riu. - E também comi aquele doce de nome estranho.
- Brigadeiro? - Niall indagou, e assentiu com a cabeça. - Eu só aprendi a falar a palavra porque a Demi era viciada nesse doce e falava dele o tempo todo.
- Isso! - o canadense concordou. - Algumas fãs me deram presentes e acabei provando alguma coisa da culinária local fora do Rio de Janeiro. Mas odiei água de coco. - murmurou. - Nunca havia bebido e lá no Rio de Janeiro parece ser a bebida oficial do estado.
- Eu também não gosto. - Niall fez uma careta de desgosto.
- Vocês não sabem o que é realmente bom. - Camila concluiu. Virou-se para e o encarou com animação. - Quando você sai de férias? - indagou.
- No final do mês. - suspirou alto e logo a cubana percebeu que algo não estava certo com o amigo.
- O que foi ? - ela questionou, com preocupação.
- Eu não queria tirar férias, mas Andrew está me obrigando. - o rapaz murmurou. - Esse festival mexeu com a minha cabeça. Meu maior medo é entrar de férias e acabar sendo esquecido, sabe?
- Você não vai ser esquecido em dois meses. - Niall pontuou e Camila concordou com um aceno de cabeça.
- Eu sei. Realmente sei disso. - deixou os ombros caírem. - Mas eu tenho medo. Minha ansiedade fica nos ares e eu só consigo pensar em maneiras de permanecer na mídia.
- Você precisa mesmo de férias. Ficar longe de tudo isso e colocar a cabeça no lugar. - Camila sorriu para o amigo. - Eu entendo seu medo. Foi algo que me tirou o sono quando decidi sair da banda. - ela disse. - Nós vivemos para isso e existem chances de perdermos tudo. Mas você faz um trabalho incrível, . Seus fãs não vão te abandonar por conta de dois meses de férias.
- Falando como o cara cuja banda entrou em hiatus indefinido, esse medo sempre vai existir. - Niall deu de ombros. - O remédio é não desistir. Continue trabalhando duro, continue sendo grato aos seus fãs. E priorize sua saúde mental. Fique com os amigos, família…
- Já estou fazendo isso. - disse e recebeu um sorriso de Camila.
- Então não tem porque ter medo. - o encorajou.
- E There's Nothing Holdin’Me Back ainda não saiu da cabeça das pessoas, então você tem alguns meses para escrever um novo hit e continuar invicto no topo. - Niall murmurou, fazendo gargalhar. Um tempo com os amigos era mesmo algo que ele precisava. E estava feliz de ter conseguido aliviar a pressão em sua cabeça.

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não tinha noção de como levaria tanta bagagem para Toronto sem precisar deixar seu rim e seu fígado como pagamento. A garota suspirou e finalmente fechou a quinta e última mala, sentando-se na cama que logo deixaria de ser sua e então olhando ao seu redor, não vendo nenhum vestígio de algo que fosse lhe fazer falta enquanto estivesse fora. Apesar dos protestos de sua mãe, fizera questão de não deixar nada importante no Brasil. Simplesmente porque ela não pretendia voltar para o país tão cedo. Claro que sua mãe não sabia daquilo. Na cabeça de Estela, cumpriria o contrato de seis meses e então voltaria para as terras tupiniquins e exerceria sua profissão no país.
Porém tinha outros planos. E esses incluíam uma residência fixa no Canadá, mesmo que ela amasse o Brasil com todo seu coração. Suas saudades de casa iriam equivaler a sua animação por estar realizando seu sonho de morar em outro país. Um país totalmente diferente daquele na qual ela fora criada, mas que lhe apresentou melhores oportunidades e sonhos mais altos. Fugindo do clichê, não estava indo embora porque se sentia uma gringa em terras brasileiras. Ela realmente gostava do Brasil. Da comida, da cultura, das pessoas... Só não poderia dizer que sentiria falta da língua portuguesa porque estaria mentindo. Era muito difícil distinguir os porquês e não ter essa preocupação lhe seria uma dor de cabeça a menos. Também não sentiria falta da politicagem. E esse era um dos maiores motivos pelos quais ela decidira ir embora e tentar sua vida fora do Brasil. Não havia futuro para ela no país, tendo a profissão que tinha. As oportunidades eram escassas e aquelas que existiam, mais lhe pareciam piadas do que oportunidades de emprego. E por mais egoísta que parecesse, queria ficar longe de toda aquela sujeira. Queria viver seus sonhos e não apenas sobreviver. E por esse motivo havia aceitado um emprego temporário em Toronto, no Canadá. Mas teria aceitado um emprego em qualquer outro país. Teria ido para o Uruguai se a proposta fosse melhor. estaria indo para qualquer lugar onde ela pudesse viver daquilo que amava: fotografar.
Havia conseguido uma proposta de emprego incrível, graças à indicação de uma ex-professora sua da universidade. Trabalharia em uma empresa de marketing e seria responsável pelas fotografias de grande parte das propagandas por seis meses. O salário era o suficiente para ela pagar o aluguel, as contas, encher os armários de comida e fazer algum passeio nos finais de semana. E ainda poderia aumentar sua renda fazendo freelancer em seus horários livres. Era um bom emprego. Muito melhor do que qualquer outro para o qual havia sido entrevistada no Brasil. E não seria maluca de perde uma chance como aquela.
- E aí, tudo pronto? - indagou, entrando no quarto como se fosse seu e jogando-se na cama. não reclamou, já que estava acostumada com a falta de respeito à privacidade alheia da prima.
- Acredito que sim. - deu de ombros. - Estou prevendo que vou pegar um absurdo por conta da bagagem extra.
- Não tenha dúvidas disso. - concordou. - Henrique está nos esperando lá na sala. - avisou, lembrando da promessa que havia feito para aquela noite. A garota soltou um muxoxo e logo se colocou de pé, com uma expressão nada amigável no rosto. - Ah não, tu não vai furar com a gente! - exclamou.
- Mas eu 'tô cansada ! - contestou. - Eu vou viajar amanhã de madrugada, tu deverias me dar apoio e me deixar dormir.
- Eu te dou todo o apoio do mundo, mas não vou te deixar ir embora sem se despedir dos nossos amigos! - bateu o pé e puxou a prima pelo braço, obrigando-a a se levantar da cama. - Agora vai tomar um banho, eu vou escolher uma roupa para ti. - empurrou-a para o banheiro e não teve muitas alternativas. Apenas deixou os ombros caírem e se arrastou para fora do quarto, trancando-se no banheiro em seguida. Amava seus amigos, mas era da opinião de que eles precisavam aprender a ficar em casa às vezes ao invés de sair para alguma balada ou barzinho.
Voltou para o quarto quase meia hora mais tarde, de banho tomado e cabelos lavados. Vestiu a roupa escolhida por e então secou os cabelos, antes de prendê-los em um rabo de cavalo devido ao calor absurdo que fazia naquele dia. E em todos os últimos dias, já que apesar de ser primavera, o verão parecia estar mandando uma amostra grátis de como seriam os dias em sua estação. E apenas agradecia, pois estaria no Canadá quando o verão realmente chegasse.
- Vou te dar vinte minutos para fazer a maquiagem ou então eu venho te buscar pelos cabelos. - ameaçou.
- Mal vejo a hora de me livrar de ti. - retrucou, fazendo a outra revirar os olhos e lhe estirar a língua.
- Tu vai sentir falta de mim. As melhores lembranças da tua vida foram ideias minhas. Eu 'tô só imaginando o tédio que vai ser a tua vida lá no Canadá.
- Eu 'tô indo embora justamente para viver um pouco. - retrucou, aplicando um pouco de base no rosto em seguida.
- Ah, me engana que eu gosto. - riu, sentando-se na cama e encarando a prima pelo espelho da penteadeira. - Esse teu papo de que vai aproveitar a vida por lá é só fingimento. Eu bem sei que tu vai ir do trabalho para casa e da casa para o trabalho. E ainda é capaz de arrumar um curso ou algo do tipo.
- Tu 'tá me chamando de entediante? - estreitou o olhar para a prima, abandonando o pincel de maquiagem que havia pegado há poucos segundos para passar um pouco de blush nas bochechas.
- Sim. - sorriu sem mostrar os dentes. - Tu pensas demais nas coisas, chega a ser chata! - reclamou.
chiou para a prima. - Me diz uma situação que eu fiz isso! - apesar de saber que a prima falava a verdade, jamais admitiria aquilo. Não em voz alta.
- Eu tenho um exemplo bem recente. - lembrou. - .
- Ah, vai começar. - a outra suspirou. Havia passado os restantes dos dias após o Rock in Rio ouvindo falar e falar mais um pouco sobre como ela havia sido burra e perdido a chance de sair com . Na cabeça de , o destino havia tentado unir e para provar que eles eram um casal perfeito. E havia estragado tudo. Mas tinha uma cabeça fantasiosa demais, na opinião da prima. Ela só havia tido sorte. Muita sorte, deveria admitir. Mas ainda sim, apenas aquilo.
- Vou começar sim! - bateu as mãos nas pernas. - Tu precisa viver !
- Eu vivo. - retrucou, com uma careta.
- Então vamos fazer uma aposta. - sorriu de forma travessa e franziu os lábios. Sabia que coisa boa não viria daquilo e já estava se arrependendo por ter teimado com . Ceder e afirmar que a prima estava certa era sempre mais benéfico para ela.
- Não quero saber de apostas. - descartou rapidamente.
- Quer saber sim! - a outra insistiu. - Se tu ganhar a aposta, eu nunca mais te incomodo para nada! Nada mesmo! - disse, com convicção. a encarou com os olhos em fendas, descrente e desconfiada.
- E se eu perder? - questionou.
- Vai me aturar enchendo o saco. - deu de ombros e então sorriu sem mostrar os dentes. - Para o resto da tua vida.
- Justo. - deu de ombros. - O que nós vamos apostar?
alargou seu sorriso consideravelmente e já estava arrependida daquela decisão. Como sempre se sentia. Até perceber que tinha razão e então realmente criar boas lembranças das loucuras da prima. E se dependesse da aposta de , teria a maior lembrança de sua vida. E talvez uma ordem judicial de restrição.

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Aaliyah jogou-se no sofá ao lado de , com um balde de pipocas e dois coppa de refrigerante grandes. Entregou a bebida para e então deu play no filme, mesmo que já o tivesse assistido milhares de vezes e não faria nenhuma diferença perder alguns minutos enquanto ela pegava a pipoca. Mas assistir Harry Potter era um ritual sagrado na casa dos e a garota jamais cometeria tal desacato. suspirou alto e então deu um gole de sua bebida, largando o copo na mesa de centro e se recostando no sofá, em uma falha tentativa de prestar atenção no filme.
A verdade era que estava entediado. Estava em casa já fazia uma semana e havia passado todo o tempo com seus pais e com sua irmã. Havia saído uma ou duas vezes para tomar um café com os amigos, mas nada realmente demorado ou significativo. Estava sentindo falta de fazer algo animado e esperava que suas férias não se resumissem em dormir e assistir filmes com Aaliyah. Não que ele não gostasse de passar um tempo com a caçula, muito pelo contrário, adorava estar com ela. Mas também sentia necessidade de alguma coisa nova em sua vida. Ou talvez aquele vazio interior fosse apenas fome. Com isso em mente e um riso nos lábios, pegou um punhado de pipoca e colocou na boca no mesmo instante em que Dudley descia as escadas correndo e pulava na área que dava diretamente para o quarto de Harry no armário sob a escada.
- Eu não sei como vocês não cansam desse filme. - Karen murmurou, assim que desceu as escadas e encarou os filhos com um sorriso largo. Manuel vinha logo atrás da esposa, tão arrumado quanto ela, já que eles teriam um jantar romântico naquela sexta-feira. E ficaria de babá de Aaliyah, mesmo que a garota já fosse grande o suficiente e não precisasse de alguém para manter um olho nela. Mas não tinha planos para aquela noite, então tudo havia se encaixado perfeitamente.
- É um clássico! - Aaliyah defendeu e sorriu orgulhoso para a irmã. Realmente havia ensinado-a a gostar das melhores coisas do mundo.
- Isso aí! - concordou o cantor. Karen revirou os olhos.
- Deixei comida na geladeira, mesmo sabendo que vocês vão pedir pizza. - murmurou.
- Ainda bem que você sabe. - riu. - Mas talvez a gente saia para tomar sorvete. - comentou e Manuel fez uma careta.
- Nesse frio?
- Não existe estação melhor para tomar sorvete. - Aaliyah pontuou.
- Existe o verão. - Karen riu, sem conseguir entender o raciocínio alternativo dos filhos. - Para evitar ficar doente da garganta.
- Tudo teoria da conspiração. - a garota disse, voltando sua atenção para o filme. Karen revirou os olhos e então vestiu o casaco, antes de pegar a bolsa e se aproximar da porta. Manuel a seguiu de perto e antes que eles pudessem sair, o homem se virou para .
- Você vai para a sua casa hoje, filho? - Manuel indagou.
- Acho que não. - respondeu. - Não quero ficar sozinho naquele apartamento gigante. - deu de ombros.
- Tudo bem. - Karen sorriu. - Eu já arrumei seu quarto e troquei os lençóis.
- Obrigado mãe. - agradeceu. - Aproveitem o jantar.
- Não façam nada que o não faria! - Aaliyah orientou, antes que os pais fechassem a porta.
- é muito responsável, então não faremos nada. - Manuel riu.
- Ah certo. - Aaliyah revirou os olhos e a cutucou na cintura, indicando que ela deveria ficar quieta. Os pais atiraram beijos e murmuraram recomendações antes de sumirem porta afora. lançou um olhar nada amigável para a irmã, que apenas deu de ombros e riu.
- Se você me entregar, eu te entrego também. - o cantor ameaçou.
- Bom, eu não fui para o Brasil e sai beijando atrizes porque estava bêbada. - Aaliyah implicou.
- Mas está de namorico com o filho do vizinho. - estreitou o olhar para a irmã. - Inclusive, vou ter uma conversinha com Vincent.
- Ah , para com isso! - Aaliyah reclamou, largando o balde de pipoca e se virando para o irmão com a expressão mais desgostosa do mundo. - Eu já te disse que não está acontecendo nada entre Vincent e eu!
- Aham. - estalou os lábios, totalmente descrente das palavras da irmã.
- Vá cuidar da sua vida. - a garota reclamou. - Você está precisando de uma namorada, está enchendo muito o saco. - bufou.
- Eu também enchia o seu saco quando namorava. - ele contestou. O filme rolava na TV e nenhum deles parecia lembrar daquilo, tão entretidos naquela briguinha infantil como estavam.
- Mentira! - Aaliyah riu. - Você ficava o tempo todo grudado na Lauren. E quando começou a viajar e voltava para casa, mal ficava por aqui. Até quando você estava com aquela Hayley foi a mesma coisa. Você é grudento irmão, admita.
- Sou um bom namorado. - contestou, nada contente com o rumo da conversa. Discutir sua vida amorosa com sua irmã caçula não era exatamente seu plano para aquela noite.
- Nunca disse o contrário. - a garota deu de ombros. - Mas você está muito irritante desde que Hayley terminou o lance de vocês.
- Nós dois decidimos terminar.
Aaliyah gargalhou. - Você mente demais para si mesmo.
- Deixa de ser pentelha. Você não entende nada de relacionamentos. - bufou. Desviou o olhar da irmã e então o focou na TV. Harry estava embarcando no expresso de Hogwarts e estava prestes a conhecer Ron, iniciando uma das maiores amizades do cinema.
- Não entendo mesmo, mas sei identificar quando alguém está sendo chato e entediante porque está sozinho. - ela retrucou. - Você poderia estar com uma garota agora, mas está aqui comigo vendo Harry Potter. E você tem 20 anos! Deveria sair, beijar várias garotas, curtir a vida. - Aaliyah suspirou. - Já notei que você anda pressionado. Está menos animado e menos bobão. Eu sei que um namoro não resolve todos os problemas, mas acho que você deveria tentar se abrir, . Está bastante sozinho e ter alguém do seu lado pode ser uma boa. - ela sorriu fraco. - Um porto seguro no meio do olho do furacão.
encarou a irmã com o queixo caído. - Quando você ficou tão inteligente?
- Quando você ficou burro. - ela retrucou, dando de língua para . - Chame Brian para uma festa amanhã. Vá viver! Quem sabe você não encontra alguém?
- Em uma festa? - debochou das ideias malucas da irmã.
- As pessoas se encontram de formas diferentes e estranhas. - Aaliyah deu de ombros. - Pode acontecer com você.
riu, mas optou por seguir os conselhos da irmã. Já fazia bastante tempo desde que havia se aberto para novas experiências românticas que realmente pudessem dar certo. Ele e Hayley estavam fadados ao desastre e ambos sabiam. Tanto que não havia durado um mês, mesmo que todos pensassem que eles ainda estavam juntos. Eles eram amigos e apenas aquilo. E sentia falta de ter alguém, não poderia negar. Mas quem? Sendo famoso como era, era difícil encontrar pessoas que não o tratassem diferente. Ele não queria ser , o cantor, na vida da pessoa com quem se relacionasse. Queria ser apenas . Mas duvidava que pudesse encontrar alguém no mundo que pudesse ignorar sua fama para estar junto dele. E não queria namorar alguém famosa. Havia suprido sua cota com Hayley e estava bem com aquilo, obrigado. Queria aconchego, queria calmaria. Mas não sabia onde encontrar. Suspirou alto e sentiu os braços de Aaliyah o envolvendo. Sorriu para a irmã e deitou a cabeça no ombro dela. Pensaria naquilo no dia seguinte. Por ora, se ateria a apreciar a obra que era Harry Potter e curtiria um tempo com sua irmã.
As coisas não estavam maravilhosas, mas estavam boas para naquele momento.

Capítulo 6

I'm looking through my phone again, feeling anxious
Afraid to be alone again, I hate this
I'm trying to find a way to chill, can't breathe, oh

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suspirou alto, antes de parar de andar e então se virar em direção para trás. Tinha apenas a mochila pendendo no ombro esquerdo e uma mala pequena em mãos, já que havia despachado a bagagem horas antes. Encarou as pessoas que a seguiam e então sentiu os olhos encherem d'água. Sentiria tanta falta de todos eles que mal podia assemelhar que estava mesmo feliz por ir embora. também tinha os olhos marejados quando o olhar das duas se encontrou e precisou respirar fundo para não cair no choro no meio do aeroporto, mesmo que ela quisesse muito chorar novamente.
- Então, é isso. - ela sorriu fraco. - Vejo vocês em seis meses. - completou, enquanto negava com um aceno de cabeça, sabendo que não veria em seis meses, já que a garota não voltaria para o Brasil. Apenas , Henrique e Maurício haviam ido levar no aeroporto, já que os outros amigos de tinham que trabalhar e já haviam se despedido dela na noite anterior. Já os pais da catarinense, eram ainda mais sentimentais do que ela e provavelmente fariam desistir da viagem com tanto choro e palavras de carinho. havia se despedido dos pais ainda em casa e chorado baixinho durante as duas horas que seguiram a saída do grupo de Brusque em direção a Florianópolis, capital de Santa Catarina, onde se localizava o aeroporto onde embarcaria para sua conexão em São Paulo, antes de finalmente partir para Toronto.
- Se tu não me ligares todos os dias, vou pegar o dinheiro da mensalidade da faculdade e ir para Toronto te dar uns tapas! - grunhiu, arrancando um riso de , antes de ambas se esmagarem em um abraço.
- Esteja disponível para ver a minha cara pelo FaceTime. - retrucou.
se afastou da prima e então segurou o rosto da garota com as duas mãos, ambas as palmas estendidas nas bochechas de .
- Aproveita tudo o que tu puderes! Não deixa de sair, de conhecer novas pessoas e embarcar em novas aventuras e atividades porque essa tua cabeça tem a mania de organizar uma enciclopédia antes de tomar qualquer decisão!
- ...
- Eu estou falando sério, . - a outra falou, com convicção. - Tu estás tendo uma oportunidade incrível e precisa aproveitar! Foi para isso que tu trabalhaste e se esforçou tanto para conseguir.
Ambas as garotas se encararam por alguns instantes, até deixar os ombros caírem e assentir com a cabeça. Afinal de contas, ela sabia que estava certa. Ela precisava aproveitar aquela chance e realmente viver. Não iria secundarizar seu trabalho ou então gastar todo seu dinheiro com festas e bobagens, mas não podia ser a mesma de Brusque, que trabalhava desde os 15 anos e guardava cada centavo para a tão sonhada viagem para Toronto. Ela finalmente estava indo para a cidade canadense e precisava fazer valer todo seu esforço. Havia negligenciado muita coisa durante sua vida para poder estar naquele aeroporto e não poderia jogar tudo fora.
- A cada momento incrível que eu viver, vou bater uma foto e pendurar a Polaroid na parede. Quando vocês forem me visitar, terão muita coisa para ver e muitas histórias para ouvir. - ela sorriu e abraçou mais uma vez, antes de se aproximar de Henrique e repetir o ato com o garoto.
- Se cuida. - ele murmurou. - Mande notícias sempre!
- Mandarei. - suspirou. - Vou sentir tua falta, seu insuportável.
- Se tu arrumares um novo melhor amigo, eu vou pessoalmente até Toronto para chutar a tua bunda. - Henrique chiou e riu.
- Certo. - ela estalou os lábios. Abraçou Maurício por último e quando se afastou do irmão, já tinha lágrimas nos olhos.
- Vou sentir sua falta. - o mais velho murmurou. - Quem vai me infernizar quando chegar em casa porque quer ver Netflix e eu estou usando a última tela disponível?
riu, secando as lágrimas na manga do moletom.
- Se você pegar os meus livros e não guardar corretamente eu vou te matar quando eu voltar.
- Tu não vai voltar. - Maurício pontuou e sorriu triste. - Eu já estou me acostumando com a ideia de ver a minha irmã apenas pelo Skype na maior parte do tempo.
- Cuida deles. - fungou, referindo-se aos seus pais.
- Cuida de ti. - o outro respondeu.
Pelos alto falantes do aeroporto, a última chamada para o voo de fora anunciada e a garota abraçou Maurício e os amigos uma última vez, antes de ajustar a mochila nos ombros e suspirar.
- Espero que me visitem. - ela disse. - Terei um sofá para cada um de vocês. - sorriu, atirando um último beijo e dando as costas para uma chorosa, Henrique abraçando a namorada e Maurício com um sorriso triste.
Teve seu passaporte carimbado e sua passagem conferida e rasgada antes de atravessar os portões de embarque e se acomodar no avião. Havia pedido por um assento na janela e após guardar a pequena mala no compartimento indicado, afivelou o cinto de segurança e então largou a mochila aos seus pés. Encarou as costas da poltrona a frente da sua e então soltou um suspiro alto, antes de abrir um sorriso fraco e passar a mão no rosto, em um sinal claro de nervosismo. Não tinha medo de aviões, mas não podia dizer que se sentia completamente confortável com a ideia de voar. Mas para além daquele incomodo, finalmente havia se dado conta de que estava abandonando tudo o que ela conhecia e partindo para uma viagem que mudaria toda a sua vida. E por mais que aquele pensamento pudesse lhe assustar um pouco, ela sentia-se preparada. E como nunca antes, ansiosa para deixar seus velhos hábitos para trás. Esperava que Toronto lhe trouxesse apenas coisas boas e surpreendentes. Contava com aquilo.

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John Mayer tocava no volume máximo nos fones de ouvido de , enquanto o rapaz esperava que o sinal fechasse para que ele pudesse atravessar a rua e continuar sua corrida matinal. Usava um conjunto de moletom Adidas e uma bandana que deixava seus cachos longe de sua testa suada. O celular estava preso na braçadeira e ele mantinha o ritmo da corrida, movimentando as pernas como se estivesse correndo, mas sem sair do lugar. Quando o sinal abriu, atravessou a rua e então seguiu pela calçada, em direção a Starbucks mais próxima de sua casa, onde finalmente encerraria seus exercícios naquele dia. Ainda tinha cerca de 2km para correr e mesmo que estivesse tocando Who You Love, ele não diminuiria o ritmo da corrida. Estar de férias não lhe dava a oportunidade de simplesmente não fazer nada por dois meses. Ele precisava continuar em sua rotina de exercícios para voltar em forma para a turnê em janeiro.
Não eram 8 horas da manhã ainda e a cidade já estava movimentada. Em Toronto a bagunça começava cedo, pessoas corriam de um ponto de ônibus para outro, a calçada que levava em direção ao metrô estava abarrotada e a Starbucks deveria estar lotada, como já era de se esperar. Café forte sem açúcar era a coisa mais necessária para se começar a segunda-feira e sobreviver durante o resto da semana. Com a mudança de John Mayer para The Chainsmokers, aumentou o ritmo da corrida apenas para ter sua atenção roubada pelo toque de seu celular avisando que estava recebendo uma nova chamada. Por estar de fones, apenas apertou o botão do microfone sem nem checar no visor do celular quem estaria lhe ligando àquela hora da manhã. Talvez fosse sua mãe o convidando para o café ou até mesmo Brian reclamando por estar de ressaca e precisar ir trabalhar naquele dia.
- Alô. - murmurou, com a voz um pouco falhada graças a falta de ar que a corrida lhe proporcionava.
- ! - a voz de Hayley Baldwin o saudou e parou de correr no mesmo instante. Não falava com Hayley fazia dois meses e aquela ligação era realmente inesperada. Dá última vez que haviam tido contato, haviam brigado e deixara claro que não seria a segunda opção de Baldwin. E por Hayley ter sua preferência muito bem estabelecida, eles haviam terminado o que quer que fosse aquele relacionamento que tinham. Pelo que soubera, Hayley e Bieber haviam voltado e planejavam um casamento. Receber uma ligação da modelo àquela altura do campeonato era realmente algo estranho.
- Hayley? - indagou, apenas para descargo de consciência. Reconheceria a voz dela em qualquer lugar.
- Sim, sou eu. - ela suspirou. - Você apagou o meu número?
- Sim. - mentiu. - Desculpe, mas não esperava contato com você. Não mais. - acrescentou, soando mais amargo do que realmente gostaria. Desistiu de sua corrida e rumou para a Starbucks em um caminhar tranquilo e um pouco dolorido. Havia forçado demais seus músculos naquela manhã.
- Eu entendo. - ela suspirou novamente. - Como você está?
- Ótimo. - respondeu. - De férias, em Toronto.
- Volta para Los Angeles? - Hayley questionou e franziu o cenho. O que importava se ele voltaria para Los Angeles? Ela não estava com Bieber agora?
- Não tão cedo. - respondeu. – Por que a pergunta?
- Gostaria de te ver.
- Não acho que seja uma boa ideia. - estalou os lábios. - Você tem um namorado e nosso passado é complicado.
- Eu tinha um namorado. - Hayley destacou e fez uma careta instantânea.
- Você só pode estar brincando. - o canadense riu, sem achar realmente graça na fala da modelo. - Eu já havia lhe dito que não seria a segunda opção, Hayley. Deixei isso muito claro em nossa última conversa.
- Mas agora é diferente . - Hayley murmurou. - Justin e eu não temos mais como reatar. Ele ainda ama Selena e não é justo que eu esteja tentando ocupar um lugar que pertence a ela.
- E é justo comigo? - indagou, irritado. - Ser tapa buracos do Bieber? - Não é assim, você sabe. - ela tentou ponderar.
- Você só me procura quando não tem mais ninguém. Quando não tem ele. - acusou. Havia aumentado o ritmo de sua caminhada sem nem mesmo perceber, dando-se conta de que faltava apenas um quarteirão para chegar a Starbucks quando esbarrou em alguém no meio da calçada. Era uma garota, consideravelmente mais baixa do que ele, de cabelos longos e escuros, que usava mais roupas do que acharia normal para o clima que fazia naquele dia. Ele sabia que em Toronto fazia muito frio, mas ainda não estava frio o suficiente para que o uso de sobretudos fosse necessário.
- Desculpe! - a garota grunhiu, denunciando seu sotaque forte e indicando que ela não era dali. teve apenas um relance do rosto dela e franziu o cenho, confuso quanto à identidade da garota que nem se dera ao trabalho de olhar para ele antes de seguir seu caminho, correndo pela calçada em direção a estação do metrô, segurando uma câmera profissional e uma mochila que parecia pesada.
- ? Aconteceu alguma coisa? - a voz de Hayley o puxou para a realidade novamente e sacudiu a cabeça para os lados, ainda com o cenho franzido.
- Eu conheço essa garota. - ele murmurou para si mesmo. Cruzou os braços em frente ao corpo e observou a tal garota descer as escadas que levariam ao metrô e sumir de vista.
- Que garota? ? - Hayley chamou novamente e então o cantor revirou os olhos, sem nenhuma paciência para Baldwin.
- Eu sinceramente não tenho mais nada para falar com você. - alegou, recebendo o silêncio de Hayley do outro lado da linha. - Deixei minha posição muito clara em nossa última conversa. Você não é a porra de uma rainha, Hayley. Não deveria agir como se fosse. - disse, finalizando a chamada e então retirando o celular da braçadeira, ainda curioso a respeito da identidade da garota em quem havia esbarrado. Precisava lembrar-se de onde a conhecia e não precisou de muito mais do que cinco minutos para descobrir de onde a conhecia. Rumou em direção a Starbucks com o celular em mãos e o aplicativo do Instagram aberto.
Ele conhecia aquela garota e sabia muito bem de onde: Brasil. Ele tinha uma vaga lembrança da última conversa que tivera com a garota do abraço. Se ela estava mesmo em Toronto, o Instagram dela a denunciaria sem sombra de dúvidas.

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Atrasada. Essa era a palavra para descrever a situação de quando ela finalmente colocou os pés na empresa. Também poderia usar a frase fuga desesperada, já que desde que saíra da estação de metrô, estava correndo como uma louca, fugindo da garota que a estava seguindo desde que havia saído de seu novo apartamento naquela manhã. Era seu primeiro dia e ela já iria passar a pior impressão do mundo para seu novo chefe: a impressão verdadeira, já que era uma vergonha quando se tratava de horários. E que ela era completamente neurótica, principalmente porque estava em um país desconhecido, com pessoas desconhecidas, que falavam uma língua na qual pensara ser fluente, mas que precisara rever seus conceitos quando não soubera explicar o que era farinha de rosca no mercado mais próximo de sua casa. Sua desculpa por estar de jetlag até poderia colar nos primeiros dois dias, mas se ela continuasse se atrasando - o que era um costume e um fardo para ela - poderia arranjar problemas e ser demitida antes mesmo de conseguir provar que era uma boa fotógrafa.
A garota suspirou, ajeitando a mochila nos ombros e segurando a câmera com firmeza. Respirou fundo e se encaminhou para a recepção, cumprimentando a recepcionista e se apresentando como a nova fotógrafa contratada. Foi encaminhada para outra sala, onde recebeu um crachá e teve seu nome cadastrado no sistema da empresa. Ao voltar para a recepção, encontrou com a tal garota que a estava seguindo. estreitou o olhar para ela, pronta para criar um caos, quando se lembrou de que não estava mais no Brasil, onde ela resolvia as coisas com discussões na maior parte do tempo. Respirou fundo novamente e analisou a garota, pronta para colher informações que pudessem lhe ajudar caso fosse necessário contatar a polícia. Era loira e alta, com um corpo nada padrão e bastante comum. Usava roupas escuras e também carregava um copo de café. franziu o cenho, desconfiada. Afinal de contas, a garota a havia seguido por todas as ruas desde o prédio onde estava morando, até o trem. Havia pegado o mesmo vagão e descido na mesma estação. E agora estava ali, encarando-a com um sorriso muito mais animado do que o normal para um horário tão cedo em uma segunda-feira. Aquilo não era normal, nem mesmo para , que convivia com pessoas muito estranhas no Brasil.
- Eu te conheço! - a garota exclamou ainda sorridente.
- Você me seguiu! - acusou, dando um passo para trás em uma tentativa falha de fuga, já que encontrou a porta da sala onde estava anteriormente.
- Perdão? - a loira riu, franzindo o cenho e encarando como se ela fosse louca.
- Você me seguiu! - a brasileira acusou novamente. - Por todas as ruas desde meu prédio até o metrô. Dobrou nas mesmas esquinas e entrou no mesmo vagão que eu. Desceu na mesma estação e agora está aqui! Seguiu-me!
- Você é louca? - a outra indagou, em um misto de incredulidade e divertimento. - Eu moro naquele prédio e trabalho aqui! Faço o mesmo caminho todos os dias a dois anos. - explicou e abriu a boca para falar umas três vezes, antes de enfiar o rosto contra as mãos e gemer em descontentamento.
- Como eu sou burra. - murmurou em português, desacreditada de sua capacidade em supor coisas absurdas. Levantou o rosto e encarou a loira, que ainda ria com divertimento. - Me desculpe, eu estou completamente paranoica.
- Você não é daqui, é? - a outra indagou, se aproximando de com cuidado.
- Sou do Brasil. - ela respondeu. - É minha primeira viagem internacional e primeira experiência morando sozinha.
- Não te culpo por estar paranoica. - a loira sorriu em compreensão. - Benson. Sua vizinha e colega de trabalho. - se apresentou. - Mas todos me chamam de .
- . - também sorriu, estendendo a mão para a loira e recebendo um abraço como cumprimento. Franziu o cenho em confusão, não esperando algo tão caloroso vindo de uma canadense que mal conhecia.
- Eu nunca vou conseguir pronunciar seu nome. - avisou, rindo com vontade.
- Me chama de . - a brasileira também riu.
- ? - repetiu, com a língua um pouco enrolada.
- Com um pouco de treinamento você vai conseguir pronunciar com perfeição. - brincou.
- Não posso te chamar de Madie? - indagou, com as sobrancelhas arqueadas. fez uma careta. - Péssima ideia. então. - novamente murmurou com a língua enrolada e quis rir, mas achou que não seria educado, principalmente depois de acusar de está-la perseguindo.
- Então, o que você veio fazer tão longe de casa? - indagou, puxando para o elevador. Tinham que estar na sala de reuniões em 5 minutos e não poderiam se atrasar, segundo a recepcionista cujo nome não prestara atenção.
- Trabalhar. - deu de ombros. - Fotógrafos não são muito reconhecidos no Brasil. Uma professora me indicou para essa vaga, pois ela é amiga do Fernand. - mencionou o dono da empresa. - Ele gostou do meu portfólio e minha entrevista foi aceitável. Assinei contrato para seis meses iniciais. - explicou.
- Você deve ser muito boa. - murmurou. - Estávamos precisando mesmo de alguém novo na equipe. - sorriu largo. - E tenho certeza de que vamos ser ótimas amigas, principalmente porque somos vizinhas. - riu.
- Você parece com a minha prima. - observou, encarando de cima abaixo. Ela realmente lembrava , não apenas pelo visual, mas principalmente por conta da personalidade. parecia ser quase tão doida quanto era. havia dado sorte. Teria duas malucas em sua vida.
- Isso é algo bom? - indagou, com as sobrancelhas arqueadas.
- Ela é minha melhor amiga. - respondeu, deixando de a loira tirar suas próprias conclusões.
- Vamos ser ótimas amigas. - concluiu sorridente, fazendo rir alto.

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suspirou e revirou os olhos pela décima vez, enquanto Brian não parava de reclamar em seus ouvidos sobre a festa que ele havia perdido no final de semana anterior. Estavam em uma cafeteria no centro de Toronto, matando tempo até terem que buscar Aaliyah no curso de espanhol que a garota frequentava. Por causa daquele curso, vivia chamando-a de "chica" apenas para provocar a irmã, deixando bem claro que era o irmão mais velho irritante do qual a garota reclamava para as amigas, que não acreditavam que pudesse ser qualquer coisa fora adorável.
- Eu disse que vou à próxima. - resmungou, muito descontente com a situação. Bebeu um gole de seu café e deu uma garfada na torta de frango que havia pedido. Já havia ouvido muito de Aaliyah sobre ter se escondido em casa e não seguido os conselhos da irmã em procurar novos horizontes, mas não podia dizer que estava arrependido. Afinal de contas, havia rascunhado a letra para uma nova música que significava muito para . Era extremamente pessoal e intimista, soando como um desabafo para . In My Blood seria o primeiro single de seu próximo disco, no qual ele já estava pensando, mesmo que não houvesse terminado com a turnê do Illuminate. Dar um tempo com a carreira não era uma opção para a gravadora e menos ainda para . Ele vivia para aquilo. Seu momento de maior felicidade era no palco, ouvindo o coro dos fãs entoando suas músicas. Não via motivos para dar uma pausa entre a turnê atual e o lançamento de um novo álbum como alguns artistas faziam. trabalhava porque amava e não porque estava sendo obrigado.
- Eu sei, ouvi da primeira vez que você disse isso. - Brian retrucou, deixando seu café de lado. - Assim como ouvi a mesma coisa nas últimas quatro festas que você faltou.
- Não tenho culpa de que a inspiração para escrever sempre vem nos finais de semana. - deu de ombros e Brian bufou.
- Você está mesmo precisando viver um pouco e esquecer que é um cantor famoso. - Brian pontuou e suspirou alto, já cansado daquela conversa.
A verdade era que as pessoas não entendiam o motivo de se preocupar tanto com o trabalho. Não as pessoas comuns, pelo menos, e isso trazia um péssimo sentimento para , porque ele sentia que suas inseguranças eram bobas e infundadas. Apesar da conversa com Niall e Camila, ainda sentia-se incomodado com a repercussão de seus atos, que priorizavam sua vida pessoal - ou a falta dela - do que seu trabalho como músico. Andrew tentava tranquilizá-lo, afirmando que aquilo acontecia com todo artista jovem, mas sentia-se como um animal em um zoológico, onde todos esperavam que o bicho tivesse alguma ação mais humana e ignoravam sua essência selvagem. Odiava aquilo, sentia-se preso em um looping eterno onde nada do que ele fazia era bom o suficiente. Por isso trabalhava tanto. Para provar que era bom e que merecia o reconhecimento e amor de seus fãs. E não ter seus amigos o apoiando era algo realmente complicado. Eles cobravam de coisas que não estavam mais ao seu alcance - como comparecer em festas de conhecidos - ou que não interessavam mais ao cantor. Coisas que poderiam ser relegadas a um segundo momento de sua vida, que jamais teriam a importância que seu trabalho tinha.
- É algo meio difícil de esquecer. - disse por fim, soando mais amargo do que realmente gostaria. Brian o encarou com as sobrancelhas arqueadas, confuso devido a inesperada reação do melhor amigo.
- O que foi? - Brian indagou, parecendo preocupado e no mesmo instante se arrependeu pelas palavras rudes. Afinal, Craigen era seu melhor amigo. Amigo para quem não estava contando todos os detalhes de sua vida e seus problemas, que apenas queria ver bem, feliz e aproveitando a vida.
- Muita merda. - respondeu. - As pessoas perdem mais tempo inventando coisas sobre meu envolvimento com a Hayley do que falando sobre a turnê e o álbum novo que eu já anunciei estar em preparação.
- Eu acho que você se preocupa demais com as coisas que pessoas desnecessárias na sua vida falam de você. - Brian murmurou. - Talvez você devesse focar nas pessoas que se importam com você, como os seus fãs.
- É muito mais fácil falar do que fazer. - deu de ombros.
- Eu sei. - Brian concordou. - Nunca disse que era bom com conselhos.
- Não é mesmo. - o cantor riu. - Só me sinto pressionado, por todos os lados. Os fãs querem coisas, a mídia quer coisas, minha família quer coisas... Eu só queria um lugar tranquilo, onde eu pudesse me esconder por algumas horas e deixar essa loucura do lado de fora.
- Aaliyah me mandou mensagem esses dias. - Brian comunicou. - Ela me pediu para arrumar uma namorada para você. Acredito que o propósito dela com esse pedido seja te proporcionar esse refúgio.
- Não dê ouvidos para Aaliyah. - revirou os olhos. - Ela acha que eu lidava melhor com a loucura desse mundo quando estava com Lauren. Mas esse mundo não era tão grande naquela época. - suspirou, finalizando o café para então dar a última garfada em sua torta.
- Ela não deixa de ter alguma razão. - Brian comentou. - Mas você também tem. - riu. - Que merda.
- Eu sei. - também riu. Seu celular apitou e uma nova mensagem de Aaliyah surgiu em suas notificações. - A pirralha está nos esperando.
Brian revirou os olhos. – Por que mesmo nos oferecemos para levá-la ao shopping após o curso?
- Porque somos idiotas e facilmente convencidos. - deu de ombros. Levantou-se e seguiu com Brian até o caixa, onde fora recebido pelo sorriso gigante da atendente, que lhes estendeu a conta e pediu por uma foto no instante em que os rapazes deixaram o dinheiro na mão dela. sorriu para a câmera e então se virou. A cena que se seguiu poderia ser descrita como digna de um filme de Hollywood. Assim que se colocou para fora da cafeteria, segurando a porta para que Brian pudesse sair, esbarrou de frente com uma pessoa que tentava entrar no estabelecimento. Murmurou um pedido de desculpas e passou os olhos rapidamente pela pessoa na qual esbarrara, apenas para franzir o cenho e voltar a encará-la com intensidade. Conhecia aquele rosto, sem nenhuma sombra de dúvidas. Recebeu um olhar arregalado e um queixo caído quando a garota do abraço o encarou. Ela murmurou alguma coisa em português, que não entendeu, mas que o fez rir, pois soou como um palavrão muito feio em seus ouvidos. Brian, que assistia a cena com um olhar perdido, apenas puxou para longe da porta e automaticamente os seguiu, ignorando completamente o que ela havia ido fazer na cafeteria, tirando os fones de ouvido e guardando o celular no bolso do moletom que ela usava.
- Oi! - ela murmurou, animada. - Você nem deve lembrar-se de mim. - ela revirou os olhos para si, parecendo estar em um debate interno que fez rir novamente.
- Eu me lembro de você. - ele pontuou, fazendo-a arregalar os olhos ainda mais.
- Você lembra-se de mim? - questionou incrédula.
- Sim. - assentiu. - A garota do abraço.
- Puta merda. - grunhiu, sorrindo largamente. - se lembra de mim. - murmurou para si mesma. - Eu nunca posso esquecer esse momento.
- Há quanto tempo está em Toronto? - indagou. - Eu tenho quase certeza de que te vi no início da semana. - completou e quase engasgou.
- Como assim?
- Por acaso você esbarrou em alguém na segunda-feira de manhã? - questionou e assentiu com a cabeça. - Era eu.
- Como eu não te vi? - ela exclamou, com a voz esganiçada. - Você tem tipo, quase 2 metros de altura. É impossível não te reconhecer.
- Você parecia desesperada para chegar ao metrô. - deu de ombros.
- Eu estava fugindo de uma possível perseguição. - murmurou e franziu o cenho. - Mas a perseguidora virou minha amiga. - ela deu de ombros e duvidou que já tivesse tido uma conversa mais esquisita do que aquela.
- Perdão? - ele riu.
- Ah, esqueça. - estalou os lábios. - Estou falando pelos cotovelos novamente. - riu fraco.
- Muito normal. - brincou. Brian o cutucou no braço e só então lembrou que o melhor amigo estava ali. - Ah, esse é o Brian. - apresentou.
- Eu sei quem ele é. - riu, lançando um sorriso simpático para Craigen e então voltando seu olhar para . Ela não conseguia ficar muito tempo com os olhos longe dele. Mal podia acreditar que o havia encontrado durante seu intervalo para o café da tarde. - Fã, esqueceu?
- Ah, é verdade. - riu. - Bom, eu preciso ir. Minha irmã está me esperando. - suspirou. - Talvez a gente se esbarre por ai novamente.
- Espero que sim. - sorriu largamente. - Aproveite suas férias.
- Aproveite a viagem. - disse. - Aliás, você ainda não me disse o seu nome. Seu Instagram não facilita a pronúncia dele. – riu.
- . - a garota respondeu. - Mas pode me chamar de . É mais fácil.
- ? - ele pronunciou com alguma dificuldade.
- Quase isso. - ela riu.
- Certo. - riu também. - Nos vemos por ai.
- Sim. - ela o encarou uma última vez, antes de se mover em direção a porta da cafeteria. - Ah, estou ansiosa para saber mais da música nova que você escreveu. - acrescentou, lançando um olhar encorajador para . Ele assentiu com a cabeça, seguindo novamente para perto da garota, enquanto Brian o encarava com o cenho franzido.
- Talvez eu te mande um pedaço da letra. - deu de ombros.
- Para isso você precisaria do meu número. - lembrou, com as sobrancelhas arqueadas.
estalou os lábios. - É verdade.
E então puxou o celular do bolso, destravando com a digital e entregando o aparelho para . Ela deixou o queixo cair levemente, desacreditada da situação que estava vivendo.
- E como eu salvo meu contato? - ela questionou, já com o celular em mãos.
- Coloca apenas o número. Eu nomeio o contato. - orientou.
- Vai me deixar curiosa? - ela indagou, com um pequeno sorriso, digitando os números e então devolvendo o celular para .
- Quem sabe um dia você descobre? - ele murmurou. - Bom café. - desejou.
- Tchau . - suspirou, antes de entrar na cafeteria. parou ao lado de Brian, que o encarava com uma mistura a surpresa com a incredulidade na face.
- Que droga foi essa? - o outro questionou imediatamente.
- Uma garota que conheci no Brasil. - deu de ombros. Desbloqueou o celular e encarou o número de , rindo ao visualizar o nome que ela havia colocado no contato.
do Brasil/abraço/esbarrões
Ele deixaria aquele nome no contato dela por ora. Ainda não via necessidade de mudar.

Capítulo 7

She don't waste time on conversations, no
She just goes right for the face, yeah
She's so particular

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Um suspiro alto saiu dos lábios de quando o apito do elevador lembrou a garota de que aquele era o andar no qual ela morava. Agradecia todos os dias pela sorte que tivera em conseguir um apartamento tão bom e com um valor dentro do seu orçamento em um prédio com elevador no centro de Toronto. Enquanto procurava por uma casa, ainda no Brasil, encontrava apenas apartamentos minúsculos em prédios que tinham apenas escadas, então fora uma sorte imensa ter encontrado Vanessa e seu aluguel relâmpago. A proprietária da atual casa de também era brasileira e havia se mudado para Nova Iorque a trabalho, colocando seu apartamento para alugar por um preço muito abaixo do esperado. Vanessa havia dado preferência para alugar para após conversarem brevemente sobre o motivo da ida da catarinense para Toronto. E graças a empatia de Vanessa, já chamava o pequeno apartamento de lar há quase uma semana.
A garota fechou a porta as suas costas e caminhou pelo pequeno corredor, deixando sua mochila e câmera no sofá, antes de se jogar no móvel e suspirar alto, grata por finalmente estar em casa depois de um dia completamente maluco no trabalho. Havia tido sua primeira sessão individual de fotografias naquele dia, visto que estava apenas acompanhando os fotógrafos mais experientes no começo da semana, para se habituar à empresa e a rotina dos fotógrafos. Afinal, trabalhar para a maior empresa de fotografia do Canadá não era uma tarefa fácil, uma vez que os profissionais tinham que fotografar desde caixinhas de suco para outdoors até photoshoots de linhas de roupas. abriu os olhos e analisou o apartamento, fazendo uma lista mental de suas atividades domésticas para aquela sexta-feira a noite. O local não era grande, então ela não teria muito trabalho e poderia descansar muito mais cedo do que esperava. A porta de entrada dava para um pequeno corredor, onde havia um espelho pendurado na parede bem ao lado da porta que dava para o banheiro. Saindo do corredor, o apartamento se estendia em uma área quadrada, dividida em dois retângulos. No primeiro retângulo estava a sala - composta por sofá, uma estante onde colocara seus livros e porta retratos, um rack para a TV e alguns pufes - e a pequena cozinha, que tinha armários planejados e uma mesa com 3 cadeiras. A divisão para segundo retângulo, onde se encontrava o quarto, se dava por uma mureta de madeira e por se tratar de uma área mais alta, recebia um degrau para que fosse acessado. O quarto de tinha apenas uma cama de casal, um armário pequeno e uma mesa de escritório onde a garota deixava seu notebook. A porta para a sacada ficava no centro do cômodo, a qual ainda não tivera tempo de decorar do jeito que gostaria, como já havia feito com o restante da casa.
Duas batidas na porta desviaram a atenção de das roupas jogadas na cama e a garota revirou os olhos para quem quer que fosse a pessoa que perturbava sua paz após um dia tão cansativo. abriu um sorriso gigante quando abriu a porta e nem pediu licença para invadir o apartamento da vizinha. Para o azar de , havia encontrado a versão canadense de mais cedo do que esperava e ela havia se instalado em sua vida sem intenções de ir embora.
- Você me conhece a uma semana e age como se me conhecesse a vida inteira. - reclamou, após fechar a porta e voltar para o sofá, enquanto procurava por alguma coisa na geladeira.
- Eu não tenho culpa de ter me afeiçoado a você. - deu de ombros. - Você teve sorte.
- Sorte não é a palavra que eu usaria. - argumentou, recebendo um olhar atravessado de . A verdade é que havia ficado grata por ter encontrado a garota logo em seu primeiro dia no Canadá, mesmo que houvesse sido de uma maneira muito estranha e inusitada. Apesar de toda a confusão sobre a perseguição, a aproximação das duas fora natural e logo no segundo dia de em Toronto, elas já pareciam amigas de anos. já conhecia e Henrique graças às chamadas de vídeo que fazia diariamente e a canadense havia criado uma crush absurda em Maurício, irmão de , mesmo tendo-o visto por 5 segundos em um storie que o rapaz mandara para no meio da semana.
- Vá se ferrar. - a loira xingou.
- Veio apenas roubar meu iogurte ou tens algo importante para falar? - indagou, descontente pelo roubo de sua comida. revirou os olhos, se jogando no sofá ao lado de . O comportamento caloroso de era uma exceção naquele país e sentia a diferença doer em seu coração. Fazia apenas uma semana e ela já estava morta de saudades de casa.
- Eu tenho um convite para fazer. - sorriu largamente e não gostou nada do rumo daquela conversa.
- Não.
- Mas você nem ouviu! - a outra reclamou.
- A resposta ainda é não. - deu de ombros, indiferente.
- Tudo bem, eu ligo para e ela te convence. - estalou os lábios, puxando o celular do bolso do jeans. deu um tapa na mão da loira, derrubando o celular no sofá.
- Maldita hora que aquela idiota te deu o número dela. - revirou os olhos. - O que você quer?
- Meu amigo Brian me mandou dois ingressos para um bar. - explicou, recebendo um olhar atravessado da brasileira. - É um bar, não uma festa. - pontuou. - Ficamos um pouco e então voltamos para casa. - argumentou, sorrindo sem mostrar os dentes. - Eu também estou cansada. Aqueles cachorros no parque me deixaram louca. - murmurou, fazendo referência às fotos que haviam feito juntas durante a tarde. Um pet shop havia contratado os serviços da empresa em que trabalhavam, pois queriam adiantar os preparativos dos calendários para 2018 e as garotas haviam ficado responsáveis pelas fotos com os cães. Havia sido uma péssima escolha, já que tiveram o dobro de trabalho do que teriam com as fotos dos produtos enlatados que também foram oferecidos a elas.
- Tudo bem. - cedeu, a contragosto. - E nós vamos voltar cedo mesmo. - impôs.
Mas quando colocou os pés dentro do bendito bar, ela soube que aquilo era sim uma festa. Com bebida liberada. E que ela não voltaria cedo para casa de maneira nenhuma.

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O cantor se jogou na cama e estava quase alcançando o celular na mesa de cabeceira quando Brian adentrou o quarto e pegou o celular de , guardando no bolso de seu jeans e encarando o amigo com os olhos em fendas.
- Nem pense nisso. - ele grunhiu, fazendo revirar os olhos e soltar um suspiro.
- Eu ia entrar no Twitter. - se defendeu.
- Mentira. - Brian retrucou. - Você ia ver se ela mandou alguma mensagem, eu te conheço.
- Não posso mais checar minhas mensagens? - arqueou as sobrancelhas, em desafio.
- Não as dela. - o outro pontuou. - Eu nem sei o porquê de você ainda não ter bloqueado o número dela.
- Por que eu não sou esse tipo de cara. - suspirou, sentando-se na cama e pousando os cotovelos nos joelhos, antes de enfiar o rosto contra as mãos. - De qualquer forma, nós ainda somos amigos. Não faria sentido bloquear o número dela nessa circunstância. - sacudiu os ombros.
- Você deixa essa garota entrar na sua mente. - Brian condenou. Ele não gostava de Hayley Baldwin e não fazia esforço algum para fingir o contrário, mesmo que tentasse convencê-lo de que a garota era uma boa pessoa. Confusa, mas ainda sim, uma boa pessoa. Brian não dava a mínima para aquilo e só queria que se livrasse de Baldwin de uma vez por todas. Havia acompanhado toda a perturbação que aquele relacionamento havia causado em e não queria que o cantor se afundasse novamente.
- Ela é...
- Uma boa pessoa, eu sei. - o outro rolou os olhos, impaciente. - E te manipula como ninguém.
- Não é manipulação. - contestou, mesmo que soubesse que as palavras que proferia eram vazias. Hayley o manipulava sim, mas estava resistindo a tentação de simplesmente ceder. Ele havia deixado claro que não seria a muleta de Baldwin novamente e estava na hora de ela lidar com as consequências de suas decisões. Havia escolhido Bieber e perdera . Não o teria de volta apenas porque Justin e ela haviam terminado novamente. merecia muito mais do que metade de um relacionamento.
- Certo. - Brian estalou os lábios, descontente. - Só não se afogue novamente na ilusão desse relacionamento. Hayley não quer nada com você. - alertou, soltando um suspiro alto antes de tirar o celular do bolso e entregá-lo a . - E vamos logo, pois estamos atrasados.
- Atrasados? - arqueou as sobrancelhas, em confusão. Guardou o celular no bolso da calça e passou a mãos pelos cabelos, os ajeitando antes de seguir para fora do quarto junto de Brian. - Por quê? Só vamos nós. - lembrou.
- Eu convidei uma amiga. - Brian deu de ombros.
- Ah não. - reclamou. - Eu não vou sair de casa para ter você nos meus ouvidos tentando me convencer a ficar com seja lá quem você tenha convidado. - o cantor trancou o apartamento e seguiu para o elevador. Brian já tinha o celular em mãos para chamar um Uber, já que ambos os amigos queriam beber naquela noite e dirigir alcoolizado não era o plano de nenhum deles.
- é uma amiga. - Brian revirou os olhos. - Não a chamei por causa de você. E você já a conhece. - entraram no elevador e apertou o botão do térreo.
- Conheço? - franziu o cenho.
- Sim. - o outro bufou. - Ela foi naquele karaokê conosco.
- A que cantou Barbie Girl? Sua paixonite? - riu, lembrando-se da pessoa em questão. Brian tinha uma pequena crush em , que nada queria com o rapaz. - Você ainda não superou?
- Olha quem fala sobre superar. - Craigen debochou. - "Será que Hayley mandou mensagem? Será que eu respondo?" - afinou a voz, apenas para provocar o amigo.
- Idiota. - xingou.
O Uber já os esperava quando finalmente chegaram ao térreo. A viagem não durou muito, visto que não havia trânsito e o tal bar não era realmente distante do prédio de . Apresentaram seus convites e logo estava no bar, cada um pedindo uma cerveja antes de decidirem dar uma volta pela festa. Tocavam músicas eletrônicas e algumas músicas pop e Brian fez questão se arrastar por toda a festa, enquanto fingia não estar procurando por - palpitava que o nome da loira poderia ser , mas não tinha certeza -, enquanto fingia que não tinha celular, mesmo o sentindo vibrar em seu bolso a cada 10 minutos. Muitas cervejas e reclamações sobre a música mais tarde, ambos decidiram aproveitar os benefícios da área vip, que se localizava no segundo andar do bar. Apresentaram suas pulseiras e estavam no meio do caminho quando um gritinho estridente chamou pelo nome de Brian e eles levantaram os rostos em direção ao som, encontrando uma sorridente e animada, sacudindo uma garrafa de cerveja em mãos.
- Você veio! - Brian murmurou, subindo mais dois degraus e puxando a garota para um abraço.
- Claro que eu vim. - ela revirou os olhos. - Até parece que não me conhece.
- Vou disse quem não viria sozinha é que não tinha certeza de que arrumaria uma companhia. - Brian se defendeu, assim que se soltou do abraço. quis rir, mas sabia que Brian iria ficar puto com ele, então preferiu ficar quieto. Bebeu mais um gole de sua cerveja, antes de cumprimentar com um abraço rápido.
- Eu consegui convencer minha amiga. - deu de ombros. - Mas a perdi na multidão e preciso encontrá-la. - suspirou. - Ela não é daqui e não posso abandoná-la.
- Quer ajuda? - Brian logo ofereceu e sorriu largo, antes de assentir.
- Seria incrível! - exclamou. - Ela é um pouco baixa, cabelos escuros e longos e está usando uma roupa meio incomum para uma festa como essa. E vocês certamente vão encontrá-la reclamando da música.
franziu o cenho. - O que seria uma roupa incomum?
- Ela deve ser a única garota de shorts aqui. - deu de ombros. - Mas segundo ela, no Brasil não se vai a festas de vestido ou saia porque não é confortável para dançar.
- Brasil? - franziu ainda mais o cenho. Seria muita coincidência, não seria? Encontrar naquela festa e a brasileira ser amiga de , a paixão secreta de Brian. Não, riu, descartando a possibilidade. Não poderia ser ela.
- Sim, ela é brasileira. Chegou há uma semana. - explicou.
- Vamos procurá-la então. - Brian decidiu, lançando um olhar questionador para , que deu de ombros e se virou, fazendo o caminho contrário ao que pretendia. Deram muitas voltas em busca da amiga de , até decidirem por se separarem. garantiu que eles encontrariam sua amiga sem precisar ver uma foto dela e esperava que a premissa fosse verdadeira. Sentia um pequeno nervosismo tomando conta de si, apenas pela expectativa de encontrar a garota do abraço novamente. Era engraçado como o mundo era realmente pequeno e as pessoas simplesmente reapareciam em sua vida de forma inesperada. Talvez realmente existisse aquela coisa de destino, no final das contas.

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não estava animada quando pediu a quarta dose de tequila da noite. Recebeu um olhar preocupado do barman, que movia o olhar do rosto nada sóbrio da brasileira para a garrafa de cerveja em suas mãos. O homem lhe entregou a tequila e virou o shot em apenas um gole, dispensando o limão e o sal, bebendo mais de sua cerveja assim que sentiu a tequila lhe queimar a garganta. Estava entediada, havia perdido de vista e a música que tocava era péssima. Os canadenses não conheciam funk? Tudo que queria era dançar e ela não conseguia porque não se dançava música eletrônica. Acreditava que o funk deveria ser globalizado, assim ela não precisaria passar a festa toda bebendo e poderia dançar. Mesmo que ela não soubesse realmente dançar. Rebolava muito mal e não sabia fazer o famoso quadradinho, mas ela não dava à mínima. Ninguém a impediria de rebolar a bunda, como diria a famigerada Anitta.
- Ah, aí está você! - ouviu uma voz as duas costas, virando-se em direção ao som e encontrando com uma expressão nada amigável. mordeu o lábio inferior, bebendo maia da cerveja e então sorrindo para a amiga, antes de jogar-se nela para um abraço. É, talvez ela já estivesse um pouco embriagada.
- Aqui estou eu! - exclamou, após romper o abraço. - Onde você estava? Abandonou-me!
- Você quem sumiu! - reclamou. - E eu estava te procurando, sua ingrata.
- Não sumi não! - sacudiu a cabeça para os lados. - Eu te avisei que iria pegar uma cerveja.
estreitou os olhos para a amiga. - Que seja. - bufou. Inclinou-se para cima e passou a procurar por alguém na multidão. franziu o cenho, confusa. Elas haviam ido sozinhas, estaria procurando a quem? - Agora perdi os rapazes. - rolou os olhos.
- Que rapazes? - questionou. Finalizou sua cerveja e pediu mais uma para o barman, que de olhos arregalados, atendeu ao pedido da brasileira. - Só toca música ruim nessa festa. - reclamou.
- Aqueles rapazes. - apontou para as escadas, sorrindo largo antes de acenar com animação. tinha a garrafa nos lábios quando se virou em direção ao ponto que apontava. Arregalou os olhos e quase engasgou com a bebida. - O que foi? - a loira indagou, surpresa com a reação de .
- Você é amiga do ? - indagou, a voz esganiçada.
- De Brian. - explicou. - Não conheço tão bem. Por quê?
- , eu sou fã dele. - explicou, pausadamente. - Ou você não viu que eu tenho todos os álbuns dele na minha estante? Ou as fotos no meu Instagram? Eu fui ao Rock in Rio apenas para ver ele.
- Você está brincando comigo. - riu, incrédula.
- Não!
- , - falou, o sotaque atrapalhando a pronúncia do nome da brasileira. - Se você desmaiar ou tiver um surto, eu juro que acabo com a sua vida! - ameaçou. - Ele está vindo para cá, não me faça passar vergonha!
- Me respeita ! - grunhiu, dando um tapa na amiga. - Eu já conheço ele. Nos encontramos algumas vezes. - tentou tranquilizar a outra.
- Como você não me disse isso? - exclamou, com uma careta descontente no rosto.
- Você não me disse que conhecia o Brian! - acusou de volta.
- Brian não é famoso. - se defendeu.
- Você quem pensa. - riu. Mais um gole em sua cerveja e então faltavam poucos passos para estar a sua frente. O álcool estava prejudicando os pensamentos de , já que a única coisa na qual ela conseguia pensar era no quão bonito ficava de preto. - O universo quer mesmo que se torne real. - ela murmurou e gargalhou alto. Instantes depois e Brian estavam de frente para as garotas. O mais baixo com uma expressão surpresa e com um sorriso largo.
- Você! - ele exclamou para , que sorriu sem mostrar os dentes.
- Eu! - ela riu.
- O mundo é realmente pequeno. - comentou.
- Ou talvez seja o destino. - deu de ombros e arqueou as sobrancelhas para ela.
- Não acredito em destino. - ele explicou.
- É uma pena. - ela sorriu. e Brian trocaram um olhar cheio de significados, antes de se afastarem e seguirem em direção a pista de dança.
- Então, - se apoiou no balcão e pediu uma cerveja para o barman. - Curtindo a festa?
- Não. - fez uma careta. - Está uma droga. Esse país não tem funk. - reclamou.
- Eu conheço funk. - murmurou. - As batidas são realmente animadas.
- Para dançar! - a brasileira exclamou. - Não tem como se dançar música eletrônica.
riu, concordando com um aceno de cabeça. - Terá que procurar uma festa brasileira. - recomendou.
- Existe isso aqui? - indagou, animada.
- Não sei. - confessou. - Mas existem restaurantes brasileiros. Devem existir festas. - deu de ombros.
- Sua lógica não faz sentido. - riu. Sentia seu corpo ficando mole e o riso cada vez mais frouxo. Estava realmente ficando bêbada e sabia que precisava parar de beber. Mas estava quente dentro do bar e apenas uma cerveja gelada poderia salvá-la. Não era sua culpa e sentia a consciência limpa para pedir mais uma long neck ao barman.
- Eu sei. Desculpe-me. - fez uma careta, mostrando um bico em seus lábios. o encarou com a sobrancelha arqueada, deixando o olhar cair para a boca dele por segundos o suficiente para notar. Ele sorriu, constrangido, as bochechas assumindo um tom ainda mais rosado do que o usual.
- Está desculpado. - riu. Virou-se para o balcão e pediu por duas doses de tequila e então encarou . - Vai ficar só na cerveja?

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havia corrido para o banheiro cinco minutos atrás e já estava preocupado. Sentia seu corpo dando sinais de embriaguez, mas nada comparado ao estado em que - ele ainda tinha alguma dificuldade em pronunciar o nome dela, mesmo tendo passado as últimas duas horas conversando e bebendo na companhia da garota - se encontrava. Ela estava muito mais risonha e espontânea do que o normal para qualquer pessoa. Seu equilíbrio estava bastante prejudicado e suas cantadas cada vez mais engraçadas. Fazia tempo que não passava tempo com uma pessoa como . Alguém que o conhecia por causa da fama e não o tratava de forma diferente. As pessoas costumavam mantê-lo sob uma redoma: o intocável , cantor mundialmente famoso que não fazia nada de comum em sua vida extremamente agitada e impecável. Conversavam com ele de forma mais polida, tratavam-no como se ele fosse diferente de todos os outros. Chegava a ser irritante e esse era um dos motivos pelos quais evitava sair às vezes.
As pessoas o parariam para tirar fotos - como haviam feito naquela noite -, elogiariam seu trabalho e então iriam embora. Mesmo os amigos de Brian, aos quais não conhecia, não conseguiam tratá-lo de forma comum, mesmo com Brian de intermediário. Havia sempre um divisor, como uma parede de vidro, que com simplesmente não existira naquela noite e nas poucas vezes que haviam se encontrado. Ela fizera piadas sobre o Canadá não ter boas músicas para dançar, bebera junto de , fosse qual fosse a bebida, fizera comentários espontâneos sobre qualquer coisa e às vezes lhe lançava algumas cantadas, como quando comentara que ele permanecia cheiroso mesmo depois de horas no meio de pessoas suadas ou então como ela adorava o sorriso dele. E mesmo sendo uma pessoa completamente normal com ele, não deixara de surtar quando There's Nothing Holdin'Me Back tocou na festa ou então de mencionar que estava seguindo todos os produtores musicais com quem trabalharia para o próximo álbum em busca de alguma dica sobre as música novas. Era algo novo para . Aquele tipo de vivência não fazia parte de sua vida: alguém que admirava e acompanhava seu trabalho e conseguia tratá-lo como um novo amigo ao mesmo tempo. As únicas pessoas que não mantinham dentro da redoma intocável eram seus amigos de infância, sua família e sua equipe. Fora eles, todos o tratavam com privilégios. E ele não gostava daquilo. Gostava do tratamento que reservara para ele. Completamente espontâneo.
A garota saiu do banheiro com uma expressão visivelmente doente. Fazia uma careta e tinha algumas gotas de água escorrendo por sua nuca, enquanto seus cabelos estavam presos em um coque desordenado e ela carregava o casaco que antes estava amarrado em sua cintura.
- Está melhor? Eu poderia ter ido te ajudar. - murmurou.
- E deixar você me ver colocando os órgãos para fora? - ela riu fraco. - Nem pensar. - sacudiu a cabeça para os lados, aumentando a careta em seu rosto.
- Vamos procurar a . - falou, segurando o braço de com cuidado e a guiando por entre as pessoas na festa. O bar ainda estava lotado e a música alta estava deixando ainda mais desconfortável do que já estava se sentindo por causa da embriaguez. Ela vacilou algumas vezes, tropeçando nos próprios pés pelo menos duas vezes em um intervalo de tempo de cinco minutos. riu e a puxou para mais perto, passando o braço em torno da cintura de e dando ao apoio que ela precisava para se manter em pé.
- Preciso confessar uma coisa. - murmurou, em um tom de voz mais baixo. precisou se aproximar dela e quase colar a orelha na boca dela para conseguir entender o que ela dizia.
- O que?
- Em todas as vezes que me imaginei abraçada com você, em nenhuma delas eu estaria bêbada a ponto de passar mal. - fez uma careta e riu com gosto.
- Eu tenho certeza de que esse cenário não estava nos seus planos. - sorriu com simpatia para ela. - Mas eu já fui o cara bêbado, então não vejo problemas em ser o sóbrio que ajuda uma bêbada.
- Você nunca vai encontrar uma fã mais maluca do que eu. - riu. - Fala sério, eu tinha a chance de te pedir em casamento e ai o que eu faço? Bebo até meu fígado dizer chega e fujo para vomitar no banheiro.
- Casamento? - gargalhou, encarando com o divertimento estampado nos olhos.
- Não me rejeite agora, eu estou bêbada e sensível. - ela torceu os lábios, fazendo rir ainda mais.
- Eu não te rejeitaria. - ele garantiu.
- Não iluda uma mulher embriagada, . Eu tenho certeza de que isso é crime em algum país. - exclamou, encarando com os olhos em fendas e o cantor apenas riu mais.
Procuraram por por quase meia hora e quando finalmente se deram por vencidos, reclamou de sono e pediu para que a colocasse em um táxi, já que ela gostaria de ir embora de uma vez. deveria estar com Brian e não queria ser a pessoa a atrapalhar a amiga. , como o bom cavalheiro que era, entrou no táxi junto de e quando ia perguntar o endereço para a garota, notou que ela estava dormindo com a cabeça escorada na janela do carro. Acabou dando seu próprio endereço para o taxista e torceu para que tudo desse certo. Afinal de contas, apesar de ter encontrado com algumas vezes, eles ainda eram desconhecidos. E levá-la para seu apartamento poderia ser um erro gigante. Mas jamais a deixaria sozinha na rua e por isso puxou-a para mais perto de si e deixou que ela dormisse em seu ombro. E quando o táxi parou em frente a sua casa, ele a carregou nos braços até seu apartamento. Não era realmente um desconforto para ele, que estava acostumado a levantar peso na academia. Colocou a garota no quarto de hóspedes e então mandou uma mensagem para Brian, pedindo que ele avisasse de que estava bem. Acabou se jogando no sofá e soltando um suspiro alto, antes de virar o rosto em direção a janela e encarar a vista espetacular que seu apartamento proporcionava de Toronto, com um sorriso largo no rosto. A noite havia valido a pena e ele estava agradecido por Brian tê-lo arrastado para fora de casa. Fazia tempo queria não se sentia normal e não se diverti de forma tão natural. Estava feliz e com a cabeça em paz e aquilo era tudo o que ele andava precisando.

Capítulo 8

It gets lonely when there's no one to talk to
But it's good to know that somebody cares

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A cama na qual dormia parecia muito mais aconchegante do que a sua realmente era. Claro, ainda não havia se acostumado com o novo colchão, mas naquela manhã em específico, em ela sentia uma diferença enorme entre a cama na qual dormia há alguns dias, para a cama na qual dormira naquela noite. Respirou fundo e então abriu os olhos, sentindo a claridade atingi-la e fechando a pálpebras novamente em instantes. Resmungou um palavrão, odiando o fato de ainda não ter colocado cortinas na janela da varanda. Coçou os olhos e prendeu o cabelo em um coque, antes de finalmente tomar coragem para encarar os raios de sol. Apenas para arregalar os olhos e levantar da cama em um pulo.
Não estava em sua casa. Sequer estava na casa de e aquilo era extremamente preocupante, já que não fazia ideia de onde diabos ela estava. Olhou para si mesma e soltou um suspiro de alívio, percebendo que ainda usava as roupas da noite passada e nada parecia fora do lugar. Apesar de ter bebido horrores, não sentia nenhuma dor de cabeça. Apenas uma sede insana tomava conta de sua garganta. Passou as mãos pelo rosto e tentou puxar em sua mente as lembranças da noite anterior, suspirando em desgosto quando se dera conta do que realmente havia acontecido.
Mas será que ela não cansava de passar vergonha?
Buscou seu celular no bolso dos shorts e não o encontrou, tendo um pequeno ataque do coração antes de notar o objeto repousando na mesa de cabeceira. Desbloqueou o celular apenas com a impressão digital e logo abriu o aplicativo do WhatsApp. Algumas mensagens de apenas confirmavam o que ela mais temia: sabia onde ela estava, mesmo não acreditando que aquilo havia acontecido de fato. Grunhiu novamente, antes de bater na própria testa com a mão direita e então digitar uma mensagem para .

Eu não sei o que aconteceu 09:47 pm
Estou bem, mas morta de vergonha 09:47 pm
Eu acredito que ele more na cobertura, então não tenho como fugir pela janela 09:47 pm
eu quero me MATAR 09:47 pm

Essa é a sua chance de pegar um fio de cabelo e fazer vudu 09:47 pm
APROVEITA AMIGA 09:48 pm
Estou feliz que esteja bem 09:48 pm
Fiquei preocupada 09:48 pm
Mas caso você não desse sinal de vida eu ia denunciar ele na internet 09:48 pm

soltou um risinho ao encarar as respostas da amiga, deixando para respondê-la mais tarde e então abrindo a conversa com . A última mensagem da prima era um "aproveite a festa" e se martirizou por ter realmente aproveitado. Mas na opinião dela, havia aproveitado até demais.

Tu não vais acreditar no que aconteceu 09:50 pm
, eu vou pegar um vôo para casa imediatamente 09:50 pm
Eu só tô em Toronto pra passar vergonha 09:50 pm

A tua sorte é que eu tô acordada 09:50 pm
Ou então eu iria até Toronto te matar por ter me acordado 09:50 pm
O que tu fez agora?? 09:51 pm
Eu não consigo te defender assim amiga 09:51 pm
Eu bebi demais 09:51 pm
Vomitei até a minha alma 09:51 pm
Desmaiei no táxi 09:51 pm

E onde está a vergonha nisso? 09:52 pm
tem cara de quem faz coisa pior 09:52 pm

mordeu o lábio inferior, jogando-se na cama novamente - já estava ali mesmo, não custava nada aproveitar o conforto - e então encarou a tela do celular por alguns minutos, antes de finalmente responder .

Não foi a quem cuidou de mim 09:53 pm

Espera 09:53 pm
O que? 09:53 pm
estava com um grupo de amigos 09:54 pm
E eu passei a noite conversando com outra pessoa 09:54 pm
Ou seja, essa pessoa quem cuidou de mim 09:54 pm

E quem é? É bonito? 09:54 pm
Passa o Instagram 09:55 pm

riu, digitando rapidamente a URL do Instagram de e enviando para . Recebeu vários emojis de cara feia e xingamentos da prima como resposta e quando estava prestes a enviar uma nova mensagem, uma chamada de voz de apareceu no visor de seu celular. atendeu e logo a estava xingando de todos os palavrões que conhecia.
- Tu és uma idiota, tá me achando com cara de palhaça?
- ! - chiou. - Estou falando sério.
- Ah me poupa . - a outra bufou.
- É sério. - suspirou, finalmente acalmando a fúria de , tamanho o desespero presente em sua voz.
- Mas como...
Um barulho do lado de fora do quarto surpreendeu , que deu um pulo na cama e quase deixou o celular cair.
- Eu te explico depois! - e com isso, finalizou a chamada. Guardou o celular no bolso e então levantou da cama, calçando seus tênis e se aproximando da porta com passos calmos. Colocou a orelha quase colada na madeira e aguardou em silêncio, esperando ouvir alguma coisa do lado de fora do quarto. Duas batidas na porta a fizeram soltar um xingamento e então uma risada conhecida e adorada por ela se fez presente. engoliu em seco e prendeu a respiração, antes de segurar na maçaneta e girar o objeto, abrindo a porta e encarando com as bochechas coradas.
- Bom dia. - ele saudou. - Dormiu bem?
Puta merda, ela pensou, descendo rapidamente o olhar para analisar de cima abaixo e sentindo suas bochechas ainda mais quentes. Ele carregava uma camiseta preta e usava uma calça de moletom. As ondas em seu cabelo estava uma bagunça e aquele sorriso frouxo quase fez com que falecesse. Ela sentiu um arrepio na nuca, que em nada tinha relação com o frio que fazia naquele dia. era gostoso. já sabia daquilo, pois as fotos dele sem camisa deixavam aquela realidade clara como cristal. Mas pessoalmente a coisa se elevara para um novo nível. não sabia se estava com mais vergonha por ter vomitado e feito o cantor de babá na noite anterior, ou se pelos pensamentos pervertidos que estava tendo naquele momento. Fosse o que fosse, deixava suas bochechas em chamas e ela agradecia por não ser branca ao ponto de sua pele ficar escarlate.
- Se você fosse o maníaco da machadinha eu ficaria mais tranquila. - ela admitiu, enquanto ele vestia a camiseta e ela só faltava babar em cima dele. - Pensei em pular da janela, mas seria uma morte muito trágica.
riu com gosto. - Todo mundo já passou mal por causa de bebida. - ele deu de ombros, fazendo pouco caso do acontecido. - Ouvi sua voz e pensei que pudesse estar passando mal novamente. Não queria te assustar.
- Eu estou bem, apenas morta de vergonha. - confessou. - Passar mal e fazer seu ídolo te carregar bêbada é demais até para mim. - fez uma careta. - Eu queria evaporar, mas infelizmente não consigo, então só vou embora mesmo.
- Eu recomendo um banho quente antes disso. - sorriu com calma. - Eu te empresto algumas roupas. Está frio e você pode ficar doente.
- Não quero incomodar. - trocou o peso da perna e mordeu o lábio inferior. Estava em uma batalha interna para não ficar encarando os braços de , mesmo que olhá-lo nos olhos não fosse realmente seguro também. Aqueles olhos cor de mel tiravam sua sanidade. - Mais do que já incomodei.
- Mas você não incomodou. - arqueou as sobrancelhas para ela. - Então pode tomar um banho e me acompanhar no café da manhã antes de ir embora.
- Você quer mesmo a companhia de alguém que passou a noite toda falando bobagem, - ela corou novamente, apenas pela lembrança das cantadas horríveis que havia jogado para ele - bebeu como uma idiota e te obrigou a trazê-la bêbada e desmaiada para a sua casa?
- Foi a noite mais divertida que tive em meses. - comentou, dando de ombros. - Não me importo em ser pedido em casamento novamente. - sorriu.
enfiou o rosto contra as mãos, grunhindo em desagrado. - Eu só passo vergonha nessa vida.
- Não esqueça que eu não recusei. - o canadense lembrou, fazendo levantar o rosto e encará-lo com o cenho franzido. O que estava acontecendo ali?
- Dizem que pedidos de casamento não negados para uma bêbada te obrigam a aceitar o pedido no futuro. - ela murmurou, rindo pelo nariz para descontrair o momento. encarou-a com intensidade, antes de abrir um pequeno sorriso e dizer com diversão:
- Aceito seus termos. - respondeu. - E aí, prefere muffins ou panquecas?
- Muffins. - respondeu prontamente. alargou seu sorriso. Ele sorria para um caramba e ela simplesmente adorava aquilo nele. Mas tinha algo que ela não adorasse nele?
- Vou pegar uma muda de roupa para você. - avisou, sumindo pelo corredor no instante seguinte. encarou o lugar onde ele esteve um segundo antes, com o queixo caído e o cenho franzido. Passou novamente as mãos pelo rosto e por precaução, beliscou o próprio braço. É, ela não estava sonhando. Mas também não fazia ideia do que estava acontecendo. Voltou para dentro do quarto e analisou o cômodo. Era simples, em tons claros e tinha uma janela enorme que dava para uma visão incrível de Toronto. Nem se comparava a visão da sua própria varanda. suspirou, deixando o celular novamente em cima da mesa de cabeceira e retirando os tênis dos pés. voltou um instante depois, carregando um conjunto de moletom, uma regata e uma cueca boxer.
- Aaliyah não deixa roupas aqui, então vou te emprestar peças minhas. - ele se desculpou.
- Tudo bem. - murmurou baixinho. - Obrigada. - ela sorriu.
- Pode usar o banheiro à vontade. - ele apontou para a porta às suas costas. - Enquanto você se organiza, eu preparo o café. - murmurou, deixando as roupas com e então se retirando do quarto. A garota sentou-se na cama, apenas para se jogar de costas e encarar o teto. Nunca, em circunstância alguma, imaginou que poderia estar naquela situação algum dia. Nem em seus sonhos mais loucos e eles incluíam um casamento nos parques de Harry Potter em Orlando com o cantor proprietário do apartamento no qual ela estava. Para , estar na casa de após passar mal em um bar por causa da bebida era algo impossível. Mas ela estava ali, sem saber como agir. E só esperava não passar mais nenhuma vergonha perto dele.

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estava rindo. Não, ele estava gargalhando. Seus olhos estavam pequenos, as bochechas arqueadas e bem acentuadas e uma gargalhada alta e espontânea preenchia o ambiente. Havia abandonado o muffin que estava comendo de volta ao prato, tamanho era o descontrole que aquela risada provocara nele. , sentada ao lado de no sofá, usando as roupas que ele havia lhe emprestado - e que eram bem maiores do que ela, com as bochechas coradas e um riso nervoso saindo de seus lábios. demorou alguns segundos para voltar ao normal, tinha as maçãs do rosto doloridas e lágrimas acumuladas no canto dos olhos. O rapaz respirou fundo e então voltou a encarar , a diversão estampada em seu olhar, secando as lágrimas com as pontas dos dedos.
Eles estavam tomando café da manhã enquanto assistiam a um episódio qualquer de Friends. havia feito muffins e café, também oferecendo frutas e iogurte para . Conversaram sobre música e comentou que era fotógrafa, o que fez afirmar que ela deveria conhecer Josiah, seu fotógrafo de turnê, e a garota quase surtar pois adorava o trabalho de Josiah e se inspirava bastante no estilo dele. Com isso, serviu de modelo para então bancar o juiz e analisar se eles realmente tinham um instinto parecido para fotografar. Após isso, a conversa fluiu naturalmente até chegar aos acontecimentos desde a chegada de ao Canadá e quase morrer de vergonha.
- Então você e viraram amigas após você acusá-la de perseguição? - questionou, a vontade de rir transparecendo no tom de voz agudo que ele soltara.
- Basicamente. - concordou, dando a deixa para voltar a rir. Ele ria bastante quando estava com ela e aquilo era bom. Significava que ela era divertida. Ou então, muito palhaça. se divertia horrores com as cenas que descrevia para ele e sentia-se leve de uma forma que não se lembrava de ter se sentido em um longo tempo. Rir era realmente libertador.
- Isso é incrível. - ele exclamou. - Pensei que esse tipo de situação apenas acontecesse em filmes e livros.
- Acredite, eu tenho uma lista de vergonhas que passei na vida que pessoas normais não acreditariam serem possíveis de acontecer. - ela deu de ombros e a encarou com curiosidade. - A maioria é culpa de .
- Sua prima parece ser bem divertida. - comentou, sorrindo fraco. Voltou a pegar o muffin e mordiscou rapidamente, antes de voltar a olhar para .
- Ela é. - assentiu. - Completamente louca. - riram. - Era com ela que eu estava falando de manhã. Ela não acreditou que eu estava na sua casa. - Não? - franziu o cenho, uma ideia tomando conta de sua cabeça. Colocou o restante do muffin na boca e mastigou rapidamente, pulando para o assento central do sofá e passando o braço em torno dos ombros de . - Pega o teu celular. - ele pediu e apenas puxou o objeto do bolso do moletom, sem realmente pensar em suas ações. A garota parecia em choque e quis rir. - Vamos mandar uma foto para ela. - decidiu e o encarou como se fosse louco.
- Está louco? - ela proferiu o que seus olhos deixavam claro. - vai morrer.
- Não vai. - o cantor garantiu. - Ela apenas vai ter um surto. - deu de ombros e sorriu torto.
- Você é terrível. - riu, já abrindo a câmera do celular e erguendo o braço esquerdo para pegar o melhor foco deles. se aproximou ainda mais da garota, colando as extremidades de seus corpos e então sorriu para a câmera, vendo o reflexo de um sorriso nervoso por parte de . A garota bateu algumas fotos naquela posição e quando fez menção de baixar a câmera, negou com um aceno de cabeça e aproximou os lábios da bochecha de , estalando um beijo e mantendo a boca colada a pele da garota. arregalou os olhos rapidamente, mas logo sorriu largamente e bateu mais algumas fotos. Satisfeito, voltou para o lugar que ocupava anteriormente no sofá e focou seu olhar na brasileira. Ela estava corada, mas tinha um sorriso frouxo nos lábios e aquilo foi o suficiente para ele perceber que gostaria de passar mais tempo com ela e ver aquele sorriso mais vezes. Talvez devesse chamá-la para um café no meio da semana ou algo daquele tipo.
- Mandou? - indagou, após alguns segundos onde digitava alguma coisa no celular.
- Preparei o terreno. Mas vou mandar apenas quando eu chegar em casa. - anunciou e levantou o olhar para o canadense. - Os surtos da podem te assustar. - ela riu e a seguiu.
- Tudo bem. - ele assentiu. - Então, você já visitou os pontos turísticos de Toronto? - questionou como quem não queria nada. negou.
- Ainda não tive tempo. - comeu mais um muffin antes de continuar a falar. - prometeu ser a minha guia, mas já deu 27 desculpas para fazermos outra coisa após sairmos da empresa. - revirou os olhos.
- Posso ser seu guia. - se ofereceu e observou o olhar de se iluminar, para então ela morder o lábio e deixar os ombros caírem em desânimo.
- Isso não seria bom para você. - respondeu. - A mídia, os fãs e etc.
- Eu não ligo. - retrucou, mesmo que aquilo não fosse verdade.
- Liga sim. - acusou. - Fã, lembra? - riu. - Eu te conheço, mesmo que virtualmente, há seis anos. - ela estreitou o olhar para o cantor. - E sei que você liga para o que pensam e falam de você. E tudo o que eu não quero é te dar dor de cabeça. - falou e achou adorável a forma como ela sorriu triste e deu de ombros.
- Podemos ir à noite. - sugeriu. - Eu sempre saio para passear a noite. E você é fã, pode dizer se eu tenho sucesso nas minhas empreitadas ou não. - encarou-a com diversão. bebeu um gole do café, parecendo pensativa, para então estalar os lábios e murmurar:
- Tem sucesso sim. - admitiu. - Só saem fotos suas se está em algum restaurante, bar ou tira foto com algum fã.
- Então estamos combinados. - decidiu.
- Eu não concordei com isso! - reclamou e revirou os olhos.
- Sábado está bom para você? - ignorou os protestos da brasileira. - Podemos ir até Hamilton ver as cachoeiras e então voltar a noite para eu te apresentar Toronto. - sorriu largo.
o encarou por alguns instantes, antes de finalmente deixar os ombros caírem e assentir com a cabeça. - Tudo bem.
- Me passa o teu endereço por mensagem. - pediu, pegando seu próprio celular e digitando um "oi" para .
- Mas eu não tenho seu... - ela não terminou de falar, visualizando a mensagem do rapaz no mesmo instante. Riu fraco e então acenou novamente com a cabeça. - Roupas confortáveis? - questionou.
- Sim, por favor. - estalou os lábios.
- Certo, estamos combinados então. - ela levantou do sofá em seguida e se virou para . - Preciso ir embora, está me esperando para o almoço. Ela não sabe cozinhar, então interprete isso como a necessidade de ela fofocar. - fez uma careta e riu.
- Tudo bem. - concordou. - Você quer que eu te leve?
- Não precisa, eu peço um Uber. Já te atrapalhei demais. - sorriu em agradecimento. - Só vou pegar as minhas coisas no quarto. - avisou e assentiu novamente. A garota se retirou da sala e recostou-se no sofá, suspirando baixo, sem desviar o olhar do corredor onde ela sumira. Tinha uma sensação gostosa no peito, um quentinho que não se lembrava de ter sentido fora do palco. Era como um abraço reconfortante e sentia-se extremamente bem naquele momento.
O som da campainha o despertou de seus devaneios e correu para abrir a porta, encontrando Aaliyah e sua animação costumeira. Franziu o cenho para a irmã, que logo fez uma careta e empurrou para lhe dar espaço para entrar na casa.
- Eu sabia que você ia esquecer. - ela reclamou.
- O que eu esqueci? - fechou a porta e seguiu a irmã até a sala.
- As compras para o Thanksgiving. - Aaliyah exclamou, jogando-se no sofá e fazendo questão de fulminar o irmão com o olhar.
- Mas é amanhã. - o cantor franziu o cenho.
- Ficamos responsáveis pelas sobremesas. - lembrou a caçula. - Mamãe vai nos matar de não fizermos um bom trabalho.
- Mamãe vai matar você. - frisou, divertido. - A responsabilidade é sua e você me incluiu nisso porque é trapaceira.
- Essa é a recompensa por você ser famoso e atrapalhar minha vida mundana. - Aaliyah não se abalou. - Inclusive...
Aaliyah fora interrompida pelo retorno de , que carregava suas roupas e tinha uma expressão descontente explícita em seu rosto.
- , você tem alguma sacola, de preferência uma ecobag, para me emprestar? Não quero levar as minhas roupas assim. - ela murmurou enquanto sacudia as peças, sem dar-se conta da presença de Aaliyah. Quando finalmente desviou o olhar de suas roupas e os focou em , encontrou a garota sentada no mesmo lugar que antes ocupava. prendeu a respiração e arregalou os olhos, parecendo novamente entrar em choque, fazendo rir com vontade. Aaliyah, de queixo caído, encarou o irmão com a curiosidade praticamente saltando de seus olhos.
- Aaliyah, essa é a . - apresentou, ainda sem se atrever a pronunciar o nome da garota. O apelido era muitíssimo mais seguro para ele. - , essa é a...
- Sua irmã. - afirmou, sem sombra de dúvidas. Ela largou as roupas na poltrona e se aproximou de Aaliyah, que ainda encarava exigindo uma resposta.
- Aaliyah, a é uma... Amiga. - concluiu, após alguns segundos de reflexão sobre o status de em sua vida.
- Amiga, uhum. - a mais nova murmurou descrente. Levantou-se e então encarou , abrindo um largo sorriso para a brasileira, que tinha a mão estendida para ela em uma tentativa de cumprimentá-la. - Muito prazer! - exclamou. - Fico feliz que o esteja seguindo em frente. Você parece uma boa garota. - avaliou, após analisar de cima abaixo. - É bonita. E não está pelada. - riu. - Gostei de você. - decidiu, puxando uma de olhos ainda mais arregalados para um abraço. tossiu em puro desconforto.
- Ela é só uma amiga mesmo. - falou e após a caçula soltar , lançou um olhar debochado para o irmão.
- Tudo bem. - disse, mesmo que não acreditasse nas palavras que ouvira.
- ... - chamou, em um fiapo de voz e o cantor a encarou. - A sacola? - indagou.
- Ah sim, certo. - ele assentiu e sumiu para a cozinha. Ouviu alguns resmungos de Aaliyah e logo estava de volta, com uma ecobag preta em mãos. Entregou para , que rapidamente guardou suas coisas e catou o celular em cima da mesa de centro.
- Eu vou indo. - sorriu sem mostrar os dentes e se virou para Aaliyah. - Foi um prazer imenso te conhecer!
- Digo o mesmo! - a outra sorriu largo. - Vou conversar com meus pais e marcar um almoço lá em casa para você os conhecer.
- Aaliyah! - reclamou e a garota o olhou, a diversão estampada em seus olhos. - e eu não estamos namorando!
- Não estamos mesmo. - confirmou. - apenas me ajudou.
- Certo. - a outra não deu importância.
lançou um olhar feio para a irmã e então guiou até a porta. Já no corredor, ela ajeitou os cabelos e mordeu o lábio inferior, parecendo desconfortável. puxou-a para um abraço, tendo que se curvar para poder envolver seus braços na cintura da garota.
- Obrigada. - murmurou. - Por ontem. Vou pedir para alguém entregar suas roupas aqui durante a semana. - pontuou.
- Não se preocupe com isso. - sorriu, desfazendo o abraço. - Nos vemos no sábado. - não era uma pergunta.
- Sábado. - concordou e deu as costas para o cantor, sumindo no elevador em seguida. Com um sorriso pequeno, voltou para dentro de seu apartamento e trancou a fechadura. Aaliyah estava escorada na parede de frente a porta e lançou um olhar malicioso para o irmão.
- Sábado hein? - ela riu. revirou os olhos para ela.
- Me dá um tempo, Aaliyah. - bufou, seguindo para seu quarto enquanto a irmã gargalhava.

🎸🇨🇦📷

.
Thanksgiving não era um feriado brasileiro, então acordou naquela segunda-feira muito mais tarde do que deveria caso tivesse que ir trabalhar. Não que ela estivesse reclamando, já que estava no DNA do brasileiro ser grato por feriados que não tinham a menor importância para a maioria da população. Limpou sua casa enquanto ouvia sua playlist de funk favorita e cozinhou algo rápido para o almoço. Sabia que todos os canadenses estavam tendo refeições incríveis naquele dia, mas para ela, seu macarrão com brócolis era mais do que o suficiente, já que ela havia decidido diminuir o consumo de carne assim que se mudara para o Canadá. Sua maior sorte havia sido ter encontrado um mercado que vendia produtos brasileiros perto de onde trabalhava, e em uma tentativa desesperada de fugir da comida canadense a todo custo, havia enchido seu armário com os temperos que amava e todos os produtos que não encontrava nos mercados tradicionais canadenses. Estava morando no Canadá, mas um tantinho do Brasil a acompanhava o tempo inteiro. Um tantinho bem pequeno, já que realmente passou trabalho na busca de mercados brasileiros e restaurantes que pudessem lhe trazer aquela comida com gosto de casa.
Após o almoço se jogou no sofá para assistir Netflix, enquanto trocava algumas mensagens com e Henrique no grupo intitulado "três espiãs demais" que tinham no Whatsapp. ainda não havia superado as fotos de com e a todo o momento perguntava sobre o cantor, como se estivesse casada com ele e monitorasse todos os passos que ele dava. Henrique, sempre muito sensato, tentava controlar a namorada, mas nada nem ninguém poderiam impedir de falar o que tivesse vontade. Nem mesmo Henrique a removendo do grupo diversas vezes durante a conversa.


Tu poderia mandar mensagem para ele 12:26 pm
E por que eu faria isso? 12:26 pm

É feriado. Ele está em casa 12:26 pm
E vocês tem um encontro 12:26 pm
Não é um encontro 12:27 pm
Henrique
É um encontro sim 12:27 pm
Vai me ajudar ou apenas infernizar junto com a ? 12:28 pm
Henrique
Desculpe, me forçou 12:28 pm


bufou, não gostando nada do rumo que aquela conversa estava tomando. Afinal, onde estava a curiosidade dos amigos sobre a estadia dela no Canadá? Por que era o único tópico de suas conversas? Tudo bem, ela entendia o surto. Não eram todos os dias em que ela tinha um cantor mundialmente famoso cuidando-a após uma bebedeira. Mas também não precisava de uma comoção geral como aquela. já havia aturado surtando e obrigando-a a mandar mensagens para na noite anterior. Mensagens essas que havia respondido prontamente e tinha servido para embasar uma conversa animada sobre tudo e qualquer coisa. Mas ainda sim, sentia-se desconfortável naquela situação. Não queria ser anulada, nem mesmo pela presença de .


Tu está perdendo uma chance única 12:30 pm
Não seja idiota 12:30 pm
Chance? Que chance? 12:30 pm
Tu tá ficando maluca 12:31 pm
Não existe chance nenhuma 12:31 pm
Nós não vamos nos casar e etc 12:31 pm
Só porque nos encontramos por acaso 12:31 pm


estava digitando um xingamento quando uma nova notificação chegou a seu celular. Ela passou os olhos de relance, objetivando terminar de xingar , antes de baixar a barra de notificações do celular e encarar a conversa que fora retomada naquele instante. havia mandado mais mensagens e sentia seu coração disparado. Aquela era a sensação de morrer? Por que ela sentia estar perto da morte naquele momento. Precisava mudar o nome do contato dele para algo bem explícito, do tipo Não surtar se chegar notificação para reaver um pouco da dignidade que ela nem sabia se ainda tinha. Cada nova mensagem era um surto histérico e precisava se controlar.

❤️
Ocupada? 12:33 pm
Não mesmo 12:33 pm
Não existe esse feriado no meu calendário anual 12:33 pm
❤️
Canadá tem os melhores feriados 12:34 pm
Temos mais feriados 😘 12:34 pm
❤️
Quantidade não significa qualidade 12:34 pm
Ta e dai 12:34 pm
❤️
Odeio quando você escreve em português 12:35 pm


gargalhou alto e antes que pudesse responder a mensagem de , uma chamada de voz do cantor surgiu na tela de seu telefone. parou de rir no mesmo instante e engoliu em seco, antes de pigarrear, respirar fundo e atender a chamada. Não poderia parecer tão descontrolada. Havia visto no dia anterior. Não existiam motivos para ela estar nervosa daquela maneira. Ou existiam? Talvez ela jamais fosse superar a fase de fã. , caso permanecesse em sua vida, teria que se acostumar com aquilo.
- Hey. - atendeu, ouvindo sua própria voz estrangulada demais. Revirou os olhos para si mesma, mas não tentou pigarrear novamente. Seria vergonhoso demais.
- "Hey! Desculpe pela ligação repentina." - falou e a garota só faltou suspirar. Ele falava bonitinho até por chamada telefônica.
- Tudo bem. - logo disse. Ela poderia ouvi-lo falar por horas sem se cansar jamais. - Eu estou de bobeira mesmo.
- "Queria te perguntar uma coisa."
- Pois pergunte. - riu. Virou-se no sofá, encarando o teto e cruzando as pernas para o alto.
- "Podemos adiantar nosso passeio para hoje? É feriado. Eu vou precisar viajar no final da semana e só volto no sábado à tarde." - murmurou.
- Você não precisa fazer isso. - o tranquilizou. - Eu posso visitar Toronto sozinha.
- "Quero ir com você." - retrucou. - "Te apresentar a cidade com os olhos certos: os canadenses."
A garota gargalhou.
- Você não deveria passar o feriado com a família? - indagou, mordendo o lábio inferior levemente.
- "Já almoçamos juntos." - o cantor respondeu. - "Posso passar na sua casa em duas horas."
- Se estiver tudo bem para você. - concordou. - Eu não acredito que estou confirmando um passeio com você. Será que eu morri e fui para o paraíso?
ouviu gargalhar do outro lado da linha e sorriu automaticamente. Merda, a risada dele era incrível.
- "Estar comigo seria o seu paraíso?"
- Fã. - relembrou. - Até o inferno iria parecer o paraíso se você estivesse lá. Mas não existem chances de você ir para o inferno. – ela divagou, não se dando conta de que estava falando muito. Outra vez.
- "Por que não?"
- Você nem é um homem, é um anjo. - retrucou e gargalhou ainda mais.
- "Me sinto lisonjeado pelo comentário."
- Apenas falo as verdades. - riu fraco.
- "Te vejo em duas horas." - estalou um beijo para .
- Até daqui a pouco. - a garota concordou, desligando a chamada e então largando o celular em cima de sua barriga. Passou as mãos pelo rosto e suspirou.
Ela iria sair com , seu cantor favorito de todo o mundo. Talvez tomar um suco de maracujá fosse necessário para ajudá-la a não morrer do coração a cada vez que ele sorrisse ou falasse com ela. Era realmente uma droga ser uma fã alucinada.


Continua...



Nota da autora: Eu nem tenho mais amor para expressar por esses personagens, essa história ou o retorno que vocês estão me dando! MUITO obrigada gente, significa demais ter tanto apoio e carinho vindo de vocês! Espero que tenham gostado da att hein, ela foi escrita com muito amor! Beijos, até a próxima!

Instagram dos personagens
@alvesma.du
@nlysmendes

Qualquer erro nessa fanfic, envie um email para este endereço.

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