Última atualização: 05/11/2019
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Prólogo

Uma pilha de livros.
Vários discos de música.
O cheiro dele estava preso a ela para sempre, assim como o dela ficaria nele.
Ela sempre acreditou que quando duas almas se conectavam assim não importava o curso da vida. Uma hora elas voltariam a se encontrar, essas duas vidas se cruzariam em algum momento do percurso inevitável que é a vida. Tinha os pés tão grudados ao chão como tinha o coração aos milhares de livros que já havia lido, era o que gostava de dizer quando alguém perguntava se era uma sonhadora.
Acreditava no amor.
Poderia ele superar tudo?
Se era possível morrer aos dezessete anos — talvez estivesse acontecendo —, também renasceria. Uma vida poderia se formar dali, não seria a mesma vida e nem ela a mesma pessoa, mas conseguiria recomeçar, não de onde parou. Alguns passos teriam que ser retomados, um novo amor surgiria e suas almas tomariam um novo curso.
Até se reencontrarem novamente.
Eram todas as coisas em que conseguia pensar naquele momento dentro do carro destruído e prestes a ser tomado pela água. Todos planos que tinha feito estavam tão distantes e perdidos em algum lugar em sua mente e não tinha relevância agora. Nada era mais importante do que aproveitar aquele lapso de vida que ainda tinha ao lado dele.
Demorou, mas as lágrimas e o desespero finalmente tinham chegado.
Harry segurou a mão da garota em prantos ao seu lado, agora nada além disso poderia ser feito. Com a água do rio já na altura de seu pescoço, a única coisa que ele conseguia fazer por ela, era que sentisse que tinha sido amada e que ainda era.
Naquele momento de desespero ele ainda podia ama-la sobre todas as coisas.
Foi a única coisa que fez desde a primeira vez que colocou os olhos nela.
Apertou a mão contra a dela e fechou os olhos. Sentiu o cheiro de chocolate quente, também conseguia sentir o amadeirado da cabana pela manhã, o mar batendo na areia e trazendo a maresia para dentro. As sensações eram quase tangíveis.
Sua mão se soltou, assim como a consciência de seu corpo.
deixou que a última lágrima caísse sobre seu rosto. Não iria chorar mais, apertou a mão de Harry mesmo sabendo que ele não poderia sentir seu toque e abriu o sorriso mais largo que conseguiu. Queria que o último minuto que fosse ter com ele lhe causasse alegria, mas não tristeza, depois de todos os momentos já vívidos ao lado de Harry, era a única coisa em que poderia pensar.
Felicidade.
Pensou em seu diário e o que tinha escrito nele na noite anterior, uma última frase dele.

"Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais. Emily Brontë. "

Também foi a última coisa que lhe ocorreu, antes que perdesse a consciência.

 



Capítulo - 7 years later

NOVA YORK — MANHATTAN.


Ela envolveu os braços no corpo na tentativa de diminuir o frio que o vento gélido e incessante do início de inverno em Nova York estava trazendo. Desejou não ter saído de casa, poderia ter trabalhado do próprio apartamento, afinal a empresa estava em uma boa fase e seria seu último mês, antes das férias, não tinha muito o que fazer. Mas, estava ansiosa demais para a chegada dele, se tivesse ficado em casa não teria terminado nem um terço de suas obrigações.
Fez sinal para um táxi que se aproximava e pulou para dentro dele assim que o motorista estacionou, informou para aonde ia e se recostou no banco sentido-se aliviada pelo ar quente dentro do carro.



LONDRES — ESTAÇÃO DE TREM.


Harry desceu na estação de Londres sentindo seu coração acelerar com a sensação de estar finalmente indo para casa depois de sete anos, após a morte de ele decidiu que não voltaria tão cedo para Holmes Chapel, sua cidade natal e onde passou cada momento de alegria ao lado dela.
Ainda não se sentia totalmente seguro, mas nas quatro horas de viagem que teria de enfrentar teria tempo suficiente para sentir-se pronto — ao menos era o que achava. Entrou no carro alugado na intenção de não atrair paparazes e deu partida, sua mente divagou em lembranças assim que pegou a Central Road passando por uma placa onde dizia "Holmes Chape".
Harry jogou a cabeça para trás e riu descontroladamente da garota bem na sua frente. estava com a mão na cintura e o encarava esperando que ele parasse de rir da cara dela, odiava quando ele começava com essas crises de risos e não parava mais.
— Juro que não me responsabilizo pelos meus atos, se continuar rindo assim, Harry Styles — disse com firmeza, mas por dentro estava achando graça.
— “Você é como o sol, nasce todos os dias para mim…” — Harry leu o papel em sua mão e caiu na risada de novo.
A garota se jogou em cima dele e tentou pegar o papel de sua mão, já fazia mais de uma hora que ele a estava zoando por causa da carta que Josh leu para ela, fazendo uma declaração como um garoto apaixonado.

— Isso, não tem a menor graça — disse já em cima dele, tentando de maneira frustrada pegar a carta de amor de volta.
— Sério, seria cômico se não fosse trágico — Harry disse por fim, se sentando de maneira que ela ficasse no colo dele.
Estendeu o papel para , que pegou de volta fazendo um careta.
— Ué! Por quê? — questionou olhando-o com uma careta. — Pensa que não sou boa o suficiente para receber uma carte de amor, no dia dos namorados?
Harry a encarou por um instante, era ridículo aquilo passar pela cabeça dela. Qualquer cara seria idiota, se não mandasse uma carte de amor para ela no Dia dos Namorados.
Era o oposto do que ele estava pensando.
— Não é isso. — Seu humor tinha mudado, detestava quando ela dava a entender que ele poderia nem sequer pensar algo assim sobre ela. Harry a empurrou para o lado de maneira que ela saiu de cima dele e ele se ajeitou na cama encarando-a.

revirou os olhos, Harry levava as coisas a séria demais e ela sabia disso.
— Qual é Hazz, sabe que não falei sério. — Sentou-se ao lado dele e o encarou.
— Não sei, as vezes tenho minhas dúvidas. — Harry levantou e andou pelo quarto em busca de sua camisa, a vestiu assim que encontrou e encarou a garota de cabelos deitada na cama encarando o teto.
bufou e fechou os olhos, sabia que ele ia começar de novo com todo o drama do "Eu te amo e você não acredita."
O problema era esse, ela acreditava tanto que tinha medo de admitir isso em voz alta, principalmente para ele.
— Eu tenho que ir.
Ela abriu os olhos e o encarou. Apesar de ele parecer um pouco duro por causa da mudança brusca de humor, seus olhos profundamente verdes estavam calmos e as convinhas mostravam que bem lá, no fundoele queria abrir um sorriso.
Ele não tinha que ir, só queria.
sempre era a causadora de todo o clima estranho que se formava entre eles.
— Você quis dizer que, quer ir.
Harry a encarou e andou até a cama, sentou-se ao lado do corpo deitado dela e aproximou o rosto ao dela.
— Pensei que não quisesse ir rápido demais. — Seus lábios estavam próximos demais do dela.

riu com irritação.
— Você sabe que não era sobre isso, que eu estava falando.
Harry franziu a testa, depositou um beijo na bochecha de e andou até a porta do quarto, mas parou para encará-la.
— Eu te amo, . Mas, talvez quando você decidir aceitar esse amor, seja tarde demais — disse e saiu do quarto.
— Eu também te amo, Harry.
A confissão saiu quase como um sussuro, ao menos foi o que ela pensou naquele momento, já que ele realmente foi embora a deixando completamente sozinha naquela noite fria.

 

NOVA YORK — ESTAÇÃO DE MANHATTAN.


Quando Zayn desembarcou na estação de Manhatam o coração disparou, enquanto esperava pelo seu motorista particular observou alguns casais interagindo. Viu um cara com roupa de soldado que parecia estar voltando de uma missão, pelas lágrimas de felicidade que escorriam de sua esposa — sabia disso, porque ambos usavam uma aliança — e o quanto ela abraçava e o beijava.
Viu uma garota correr enquanto chamava pelo nome do que parecia ser seu namorado, ele ainda estava na parte restrita a pessoas que não tivessem uma passagem de ida ou de volta. Mas, a moça passou pela faixa e se jogou nos braços de um rapaz alto, que retribuiu o abraço. Sentiu um pouco de inveja, gostaria de poder fazer isso também com a garota que ama.
Mesmo com dois anos de relacionamento, ela não queria se expor a fama que vinha com ele. Sempre disse que só tornariam a relação pública depois que estivessem de fato consolidados, se soubessem que aquilo era real. Não queria ser mais uma, na lista de Zayn ou de qualquer outro famoso, focada demais na vida profissional não poderia cometer nenhum deslize.
Zayn entendia isso, mas, ao mesmo tempo sentia que não a tinha por inteiro. Convivia vinte e quatro horas com quatro caras que eram tudo para ele, porém só Harry sabia de seu romance secreto — talvez os outros desconfiassem — e o apoiava. Agora necessitava de mais, queria abraçar-la em público, leva-la para jantar, poder falar dela, nas entrevistas e compartilhar com as outras pessoas de sua vida que tinha encontrado sua alma gêmea. 
Ele estava disposto a isso, dois anos era mais que suficiente para ele considerar o relacionamento consolidado.
Mas, será que seria para ela?
— Sr. Cárter. — Um homem alto, de quase uns quarenta anos se aproximou de Zayn usando o nome falso dele, era Taylor, seu motorista particular.
Para conseguir esconder o relacionamento por tanto tempo foi preciso se desdobrar. Eram incontáveis às vezes em que ele precisou sair correndo ou arrancar com o carro porque algum ‘paparazzi’ tinha descoberto seu disfarce e começou a fazer um monte de perguntas.
Onde você está indo? Porque o disfarce? Você e Perrie voltaram e decidiram ter algo mais privado?
Cada dia tinha uma nova especulação na mídia, uma manchete diferente dizendo que Zayn Malik estava tendo um relacionamento escondido, depois que ele estaria em uma relação as escondidas com sua ex.
Sua imagem estava ficando comprometida, mas não só isso, o círculo estava se fechando e ele sabia que não teria mais desculpas para dar. Já tinha inventado de tudo, encontro as escondidas, doença na família — gerou um alvoroço uma vez — e muitas outras desculpas. Não importava, isso tinha que acabar.
— Você sabe para aonde ir — disse Zayn já dentro do carro.
Ele sentiu o cheiro doce o invadir assim que atravessou a porta da cobertura. Tinham algumas malas na enorme sala de entrada, sabia que ela tinha chegado antes dele por isso diminuiu os passos fazendo com que eles fossem silenciosos. Era a mesma excitação de sempre estar de volta e encontra-la lendo ou fazendo algo do trabalho, sentada na cama rodeada por papéis.
Seu queixo caiu assim que entrou no quarto.
Dessa vez não estava fazendo nenhuma das coisas que cogitou. Ela se encontrava debruçada sobre a varanda da sacada vestindo apenas calcinha e sutiã de um vermelho vivo. Seus olhos percorreram as curvas dela e algo se acendeu dentro dele, já tinha visto ela completamente nua, mas era sempre uma sensação nova vê-la usando uma “lingerie” sexy.
Se aproximou já levando as mãos a cintura nua dela e abraçou-a. essa) soltou um gritinho de susto e excitação ao sentir as mãos dele sobre ela, vinha esperando por esse toque há meses. Desde que, a turnê tinha se iniciado os dois não tinham conseguido se encontrar mais que duas vezes. Os disfarces estavam ficando complicados e o intervalo entre os shows muito curtos, sem contar que ela também tinha uma vida e um trabalho.
Ela se virou e envolveu os braços no pescoço de Zayn já depositando um beijo em seus lábios. Ele não pode se conter em sorrir e a pegou no colo, não se demorou e prendeu suas pernas na cintura dele e começou a beija-lo enquanto ele andava de volta para o quarto.
Quando seu corpo se chocou com a cama, sorriu. Encarou-o e o puxou para que ficasse sobre ela, naquele momento, senti-lo era mais importante do que qualquer conversa que ela tinha idealizado ter quando o reencontrasse.
— Amor— sussurrou enquanto ele abria o sutiã dela.
Zayn riu, adorava a forma como apenas seu beijo a deixava. Gostava de saber que só ele conseguia fazê-la se sentir assim.
— Eu sei, baby — sussurrou no ouvido dela e a segurou, colocando-a um pouco para cima na cama.
Levou seus lábios ao dela novamente e iniciou um beijo mais intenso que o anterior. Se arrepiou quando as unhas de fincaram suas costas e o arranharam em seguida, ele gemeu de leve e sorriu por entre o beijo. Queria curtir cada parte daquele momento, senti-la por completa era tudo que importava nos últimos meses e agora ele poderia fazer isso.
Interrompeu o beijo e deslizou seus lábios devagar passando pelo maxilar dela e pescoço até chegar aos seios. Iniciou depositando beijos e aumentou o ritmo até começar a chupa-los com vontade.
arfou ao sentir todo seu corpo se arrepiar com o toque dos lábios de Zayn. Passou a mão pelas costas do namorado e desceu-as até a cintura dele já abrindo com pressa o botão da calça que ele estava vestindo, ela estava com pressa, queria senti-lo dentro dela o mais rápido possível e ele sabia disso.
Zayn levantou parando de chupa-la e tirou sua roupa com rapidez. Geralmente faria as coisas com mas destreza, mas precisava ser rápido e tinha que senti-la. Os últimos meses sem nem um toque da namorada tinham sido uma tortura para ele.
Quando voltou os olhos para a bela mulher deitada na cama, ela já tinha se livrado da calcinha e estava completamente nua. Abriu um sorriso involuntário, não importava quantas vezes olhasse para ela, sempre se surpreendia com sua beleza e a capacidade de deixa-lo duro só de olhar para ela. sorriu e fez sinal para que ele fosse até ela e assim Zayn cumpriu. Ficou por cima dela e a penetrou lentamente, gemidos desesperados quebraram o silêncio que antes tomava conta do quarto. Zayn aumentou o ritmo gradualmente e desceu as mãos através da coxa de , apertou-as a medida que aumentava as estocadas.
cravou as unhas nas costas de Zayn e seus gemidos se intensificaram a medida que ele entrava e saia dela. Levou seus lábios ao dele e o beijou, o mordeu não intencionalmente quando ele diminuiu o ritmo e de repente a penetrou de uma só vez.
Zayn sorriu.
— Acho que agora é a minha vez — sussurrou no ouvido dele.
travou o movimento entre eles colocando suas pernas em volta dele e movimentou-se de maneira que ele caísse para o lado e ela pudesse subir em cima dele. Zayn se deslocou até a parte de cima da cama e apoiou as costas na cabeceira.
Sem demora ela subiu em cima dele e sentou-se de modo que conseguisse sentir cada parte dele. Movimentou-se primeiro como se estivesse rebolando lentamente e Zayn segurou a cintura dela de modo que aumentasse os movimentos. Ela arfou entre gemidos e sentiu que estava quase lá para alcançar o orgasmo.
— Goza para mim, amor — Zayn pediu sussurrando no ouvido dela e deu uma leve mordida em sua orelha.
arfou e se movimentou mais uma vez, o orgasmo tomou conta de seu corpo e ela se sentiu mole. Mas, continuou com os movimentos, Zayn não tinha chegado lá ainda. Agora ele estava com as mãos em sua cintura ajudando ela a fazer os movimentos, seus corpos já estavam muito suados e as respirações ofegantes.
Quando ele chegou ao ápice a puxou para junto dele, apertando-a contra seu corpo.

 

acordou tão cedo que ficou ao menos dez minutos, sentada na ponta da cama encarando um Zayn adormecido. Apesar de sua expressão calma era visível que ele estava exausto dos meses em que passou rodando de um país para o outro, ele sempre dissera a ela a satisfação de rodar o mundo para conhecer cada vez mais fãs da banda, mas também contava às vezes em que se sentira mentalmente cansado.
Depois de tomar um longo banho, saiu do quarto o mais silenciosamente possível. Não gostava de sair de fininho, mas era preciso, mesmo com os dois anos de relacionamento com Zayn ainda tinham coisas que ela precisava contar a ele. Enquanto preparava um café preto bem forte, escreveu um bilhete em um pedaço de papel que achou na bancada e o deixou lá mesmo preso com uma xícara.
Parou na porta de saída do apartamento segurando sua garrafa térmica e observou o corredor, era de se esperar que às dez para seis da manhã não teria ninguém vagando pelo lugar, mas todo cuidado era pouco depois da última notícia que quase expôs o relacionamento deles. Com sorte, Zayn conseguiu com ajuda de alguns contatos despistar — ou ao menos acalmar — os boatos e fazer com que continuassem como se nada tivesse acontecido.
O trânsito estava calmo e se sentiu atenuada, mas de certa forma um pouco agitada. A parte boa do congestionamento é que demoraria mais para ela chegar até o lugar, mas a parte ruim, é que ela ficaria ansiosa demais com a demora do percurso, apesar de já ter essa rotina, dois sábados por mês nos últimos oito meses não tinha conseguido se adaptar totalmente. A rotina exaustiva de trabalho, o fato de ter que lidar com questões em branco do seu passado e o atual estado de saúde de sua mãe a estavam deixando em desalento.
Soltou um suspiro forte ao estacionar e puxou a chave do contato. O Sanatorium Broklyn Center ainda era intimidador aos olhos dela, um prédio enorme e antigo que devia ter sido construído por volta dos anos sessenta e que sofreu apenas pequenas reformas com a intenção de não modificar sua forma original.
— Bom dia, eu estou aqui para ver a paciente Giordana . — abriu um sorriso simpático para a recepcionista.
A mulher como de costume lhe pediu os documentos de identidade e em seguida entregou um formulário para preencher.
Encarou os papéis por um momento e sentiu uma certa vontade de desistir do que estava prestes a fazer, mas suas mãos começaram a preencher as perguntas quase que involuntariamente.
8 meses.
Não tinha se dado conta de fato do tempo que tinha se passado desde a internação até preencher o campo de quanto tempo fazia que o paciente se encontrava no Sanatorium.
— Pode vir comigo. — Uma enfermeira que ela não conhecia a chamou, assim que entregou os papéis na recepção.
encarou o lugar como se nunca estivesse estado ali, sempre se espantava com as paredes brancas e também com o lugar sem vida. Passar as mãos pelos cabelos, repetidas vezes quando se estava nervosa era um hábito e ela não se importou em repeti-lo dezenas de vezes até chegar ao quarto de número 608.
— Como ela está, hoje? — perguntou enquanto segurava a maçaneta sem roda-la.
— Muito bem, falou de sua visita desde que acordou. — A enfermeira Lucy, como ela pode ler no crachá, sorriu compreensiva.
Tomou coragem e rodou a maçaneta já adentrando o quarto, deu um leve pulo quando escutou a porta bater atrás de si. A mulher que aparentava ter cerca de quarenta e cinco anos e olhos iguais aos de a encararam da cama coberta por um lençol profundamente branco. Apesar do tempo que já estava internada, falta de acesso a maquiagens e qualquer coisa que a deixasse mais arrumada o tempo tinha sido generoso com ela, lhe concedendo uma boa aparência de cara limpa.
Ela realmente parecia muito melhor do que da última visita em que fez, sua pele estava mais corada e sua expressã parecia suave. Saiu debaixo das cobertas e cruzou as pernas encarando a garota que logo se ajeitou em uma bancada de madeira feita para sentar, já que na ala em que se encontrava eram proibidos vários objetivos, incluindo uma cadeira.
— Oi mãe. — Abriu um sorriso ao terminar de se acomodar, encarando a mulher ainda sentada na cama.
Ela sorriu.
— Sou eu, a — disse engolindo em seco. — Sua filha.
Giordana soltou um riso abafado.
— Não seja boba, . — Abriu um sorriso encantador, mas um pouco assustado aos olhos da garota. — Sei quem você é.
Ela encarou a mãe por alguns instantes, além de melhor, parecia ter algo diferente nela.
— Senti sua falta. — A mulher disse encarando . — Você está diferente.
— Desculpa não ter vindo antes, eu ando bem atolada com o trabalho. — Mentiu.
Não era o trabalho que a vinha ocupando — em partes também —, mas o maior motivo de ter se afastado um pouco era seu relacionamento com Zayn e o fato de nunca ter falado sobre sua mãe para ele — ao menos não a verdade.
— Não minta para mim, .
Os olhos de se arregalaram e ela engoliu em seco.
— Sei que isso tem a ver com algum garoto, sei das coisas, me contam elas. — Soltou um riso estranho.
se remexeu impaciente onde estava e desviou os olhos de sua mãe. Teve momentos em que ela pensava que tinha alguém que a vigiava a mando dela, mas seria paranoia demais, com o tempo acabou percebendo que ela apenas era boa em ler as pessoas.
— Vamos falar de você, só te vejo duas vezes por mês. — Mudou de assunto, era o melhor a se fazer e sabia disso.
Ela abriu um sorriso para a filha e saiu da cama onde estava sentada. pode perceber que ela estava usando um vestido florido, seus cabelos algo que puxou dela — estavam soltos e diferente de quando foi internada, agora chegavam até os ombros.
Sentiu um leve arrepio pelas lembranças que ele lhe trouxe.
Ela atravessou o hall do prédio, apressada, seu celular já contabilizava mais de quinze ligações de sua mãe. As coisas estavam fugindo de seu controle, sempre que se atrasava era motivo para um surto, desde o acidente e a perda de memória permanente sua mãe passou a ficar obcecada por cada passo que dava. Se ela não atendesse ou fizesse alguma amizade que não fosse apresentada a ela, era motivo de surto.
— Ela vai me enlouquecer, eu vou acabar parando em um sanatório. — disse a si mesma ao entrar no elevador.
Uma senhora que se encontrava ali olhou apreensiva para a garota toda molhada da chuva. Ela riu exasperada e sem se importar com o que fosse que tivesse passado pela cabeça da mulher, naquele momento tinha problemas maiores para serem resolvidos assim que chegasse ao décimo segundo andar.
Quando o elevador parou e saiu dele, sentiu que seus pés seguiam para o apartamento, mas que seu corpo queria desesperadamente dar meia volta. Depois da última reação de sua mãe ao chegar atrasada, não sabia o que poderia esperar dessa vez e um medo desconhecido a consumiu assim que atravessou a porta de entrada os seus olhos ficaram paralisados com a cena.

Cacos de vidro.
Coisas quebradas.
Cadeiras jogadas no chão.
Andou pelo corredor até seu quarto, estava ainda pior do que a sala.
Livros jogados no chão.
Seus diários espalhados pelo quarto.
Estava um caos.
Soltou um grito abafado quando sentiu seu corpo ser jogado contra a parede.
— Eu disse o que aconteceria, a próxima vez que você chegasse atrasada.
As mãos de sua mãe estava apertando seu punho com muita força e sua respiração estava acelerada.
Ela estava ficando louca? Ou ela era?
Eram lacunas difíceis de preencher desde o acidente há sete anos, quando acordou em uma cama de hospital e a única coisa de que conseguia se lembrar era de estar atravessando a rua e tudo ficar escuro.

Essa lembrança era mesmo real?
Escutou sua mãe gritar seu nome, mas não conseguia processar o que estava acontecendo.
Sua vida era real? Não sabia.
Nos últimos sete anos sentiu como se nada em sua vida de encaixasse, acreditou nas palavras de mãe quando lhe disse que ela sofreu um grave acidente de carro e que estava com perda de memória permanente.
Moravam na Inglaterra.
Se mudaram para os Estados Unidos.
Muitas lacunas ficaram sem conteúdo.
Despertou de seus pensamentos quando sentiu ser empurrada contra a parede de novo e seu corpo ricocheteou com força, fazendo com que sua mãe caísse sentada em sua cama.
Os pés de foram tão rápidos que ela só se deu conta do quanto tinha corrido em tão pouco tempo, quando atravessou a porta de entrada do prédio e sentiu a chuva em sua pele.
Mas, o vestido florido ainda estava em sua mente apavorando-a.

— Filha, você está me ouvindo? — Giordana colocou a mão sobre a de que se retraiu. — Você não precisa ter medo de mim, não mais.
Ela sorriu sem jeito.
— Não estou com medo, você me assustou, só isso. — Desviou o olhar, não queria encarar aquele vestido.
Levantou-se e se afastou um pouco.
— Poderia ter uma janela aqui, né.
— Desculpa ter colocado este vestido. — Sua mãe disse, chamando sua atenção. — Eu estou melhorando agora, o médico até disse que eu logo poderei ir para casa. Ele disse que sou a paciente mais dedicada que ele já viu.
Voltar para casa?
sentiu que a sala estava rodando.
— O quê?
— É, ele disse que logo estaremos juntas de novo, eu e você. Para sempre.
Não, isso não poderia acontecer. Não para .
— Certo, eu preciso ir agora. — Falou já indo em direção a porta e sentiu a mão de sua mãe sobre os ombros.
— Você quer que eu vá para casa, né? — Giordana disse encarando a filha.
deu duas batidas na porta e ela se abriu, saiu rapidamente e bateu a porta atrás de si porque sabia que caso a mãe tivesse um ataque de fúria não poderia abrir a porta sozinha do lado de dentro. Mas, tudo o que escutou foi completo silêncio.
Bateu a porta do carro com força e deixou as lágrimas caírem descontroladamente.
Não sabia o que a fazia se sentir tão horrível, se era o fato de sua mãe receber alta ou não querer que isso aconteça.

INGLATERRA — HOLMES CHAPEL.


Harry se empolgou um pouco mais quando passou pela placa de Bem-Vindo a Holmes Chapel. Sentiu finalmente de que era uma coisa boa estar em casa depois de tanto tempo, pela primeira vez em um longo período ele ia de fato passar as férias com a família em casa, afinal sempre que tirava uma folga era sua família que ia para alguma casa que ele alugava em algum país paradisíaco.
O vilarejo ainda estava igual ao que ele se lembrava, com algumas pequenas modificações são claro, mas ele ainda sentia certo deleite ao estar ali. Rodou por um tempo, passou em uma sorveteria e depois decidiu que era hora de encarar a verdade e ir para casa.
Quando estacionou seu coração estava disparado, era como se nunca tivesse deixado de ir ali. Jogou a cabeça para trás e quase pode sentir as mãos de sobre a sua, sua risada e seu cheiro eram quase tangíveis para ele naquele momento.
Seus olhos arderam.
Harry estava tão nervoso que até ficou com medo de deixa-lo dirigir, mas ele insistiu tanto dizendo que isso o deixaria um pouco mais calmo até chegarem que ela preferiu não discutir. O encarou enquanto dirigia e abriu um largo sorriso, ele estava muito concentrado e parecia perdido em pensamentos.
Pegou sua câmera instantânea e bateu uma foto dele assim que virou para olhá-la.
Tirou uma mão do volante e apoiou sobre a coxa dela apertando-a.
— Ficou adorável — falou mostrando a polaroide.
Harry riu de leve.
— O quê? — o encarou um pouco intrigada.
— Você está tão preocupada, que resolveu ser fofa? — Harry disse enquanto estacionava de frente para sua casa.
soltou uma gargalhada.
— Não sou eu que estou toda me tremendo, Styles.
Ele revirou os olhos com a ousadia dela.
— Não estou me tremendo, só estou nervoso porque vai conhecer a minha família — explicou enquanto desligava o carro.

abriu a porta, mas ele a segurou.
— O que foi agora? — Perguntou em tom de brincadeira.
— Eu estou me tremendo — admitiu fazendo rir.
Ela fechou a porta e se virou no banco encarando-o, abriu um sorriso e levou sua mão ao rosto dele.
— Também estou tremendo e penso que estarei ainda, anos depois de conhecer sua família, sempre será como dá primeira vez para mim.
Harry sorriu, aquilo o deixou um pouco mais calmo.

Outra lembrança o fez perceber que apesar de se sentir pronto, iria ser muito doloroso. Nem sua casa tinha sido poupada pela presença de , depois que a levou para conhecer seus pais eles passavam a maior parte do tempo ali, já que sua mãe passou a trata-la como parte da família.
Braços envolveram o pescoço dele assim que saiu do carro que pensou ser de Gema, mas ficou espantado ao ver quem era.
— Lexie? — Sua expressão era espanto.
A ruiva o encarou com um sorriso enorme no rosto. Lexie Colins era uma das melhores amigas de e a pessoa em que ele se apoiou depois da morte dela e ela acabou fazendo o mesmo, mas depois que sua carreira com a One Direction deslanchou eles se falavam apenas por mensagem e o contato foi ficando cada vez mais escasso com o passar dos anos.
— Eu sei, você não merece, mas…
Foi ininterrompida por um Harry animado que a abraçou tirando-a do chão.
— Eu, nem sei o que dizer. — Ele a encarou ainda um pouco confuso.
— Qual é, Styles — começou a dizer e deu um soco no amigo — sem drama, por favor.
Harry riu, pelo jeito nada tinha mudado entre eles.
— Só se você disser que vai ficar para o almoço em família. — Fez cara de dó.
Lexie revirou os olhos.
— Qual é, eu que ajudei nesse almoço, é claro que vou ficar! — disse convencida o acompanhando até o porta mala.
— Deus me livre, espero que esteja brincando, porque a sua comida é horrível. — Harry soltou uma gargalhada, enquanto ela revirava os olhos e o ajudava a tirar as malas do carro.
Ele riu ainda mais.
— Continua rindo, que vai carregar essas malas sozinho— gritou já na frente dele.
Respirou fundo e sentiu-se de certa forma preenchido pela presença da velha amiga. Atravessou a porta da entrada logo depois dela e largou as malas ali mesmo, tinha se esquecido de como a casa em que morava era linda e ficou ainda mais depois da reforma que pagou para sua mãe. Atravessou o hall de entrada passando pela sala de jantar e entrou na cozinha onde sua mãe se encontrava cozinhando e conversando com sua irmã Gema que não se importou em fazer um escândalo quando o viu entrar.
— Eu nem acredito, que você está mesmo aqui, pirralho. — Gema o apertou ainda mais no abraço.
Harry riu da reação da irmã.
— O pirralho que você ama. — Deu de ombros.
— Deixa um pouco dele para mim! — Anne disse limpando as mãos em um pano de prato já indo em direção a Harry.
O abraço de sua mãe era a melhor coisa que poderia ter recebido em meses, ainda mais com o turbilhão de sentimentos que percorria cada célula do seu corpo agora.
O almoço foi melhor que ele esperava, mas depois dele se sentiu na necessidade de ficar a sós. Rever a casa, toda sua família e também Lexie foi um baque e tanto, então se dirigiu para o andar de cima da casa até chegar ao sotão onde costumava ser seu quarto. O lugar ainda era bem parecido com o de antes, ainda tinha a cama de casal e uma estante cheia de livros.
Andou pelo lugar e correu os dedos pelos livros, fechou os olhos e sentiu o odor amadeirado do ambiente. Sua mão parou no livro Orgulho e preconceito de Jane Austen e o abriu na última página, ali continha uma frase com a letra de , o livro pertencera a ela.

 

"Eu lhe repasso este livro, na esperança de que toque a sua alma, tanto quanto tocou a minha. Com amor, ."

Fechou a capa com força e o colocou de volta já seguindo em direção a cama e jogando-se nela. Encarou o teto por alguns instantes e depois fechou os olhos soltando um suspiro na intenção de tentar relaxar um pouco devido a toda emoção ao ler a frase dentro do livro.
— Harry…
Lexie estava deitada bem ao seu lado, por um momento desejou que fosse outra pessoa ali. Aquilo era cruel demais com a garota depois da forma como ela o apoiou, mas mesmo depois de um ano ele ainda se sentia preso demais a .
— Posso ir embora, se você quiser.
Sabia que ela o estava encarando, mas não conseguia dizer nada depois do que tinha acontecido entre eles. Era a primeira vez que ele ficava com alguém depois do que aconteceu, não tinham chegado a transar, mas chegaram perto e isso o fazia sentir uma culpa terrível.
Apertou os olhos antes de abri-los e virou para encará-la.
— Desculpa… — disse, pensando em como achar uma maneira de explicar o que estava sentindo. — Não quero que pense que a culpa é sua, pela minha reação.
— Ei, tudo bem. — Ela se levantou e sentou bem ao lado dele pegando-o pela mão.
Um silêncio tomou conta por alguns instantes e ele a encarou.
Gostava de Lexie.
— Eu gosto de você. — Viu um sorriso se formar no rosto da garota com suas palavras. — Mas, ainda sinto falta da , não posso mentir para você.
Lexie sorriu com a atitude sincera do amigo.
— Também sinto falta dela, Harry.

Deu um pulo da cama e saiu do quarto como se estivesse em uma espécie de corrida. Encontrou Lexie conversando com sua irmã Gema na sala de casa e a puxou pelo braço e arrastou-a para longe dali em uma fração de segundos deixando ambas muito confusas.
— O que você está fazendo? — Lexie perguntou já do lado de fora da casa.
Harry riu nervoso, nem ele sabia ao certo o que estava acontecendo.
— Quero dar uma volta nessa cidade, sair um pouco de casa...
Era só uma desculpa.
— Certo... — Ela olhou um pouco desconfiada. — Está tudo bem, Harry?
Lexie estava achando a atitude do rapaz muito estranha.
— Lembra quando passamos aquelas férias, juntos?
— Depois do The X-Factor? Claro! — Abriu um sorriso largo. — O que tem?
Não estava entendo onde Harry estava querendo chegar.
— Podemos passar um dia como, aquele? Por favor.
— Hm. — A garota resmungou analisando-o. — Tá, mas em que aspecto?
Ela não podia negar que ter beijado Harry Styles naquelas férias lhe ocorreu naquele momento, era inapropriado, mas, ao mesmo tempo era difícil não se perguntar se ele estaria sugerindo isso também.
— Entra no carro — Harry disse e assim ela fez.

 

NOVA YORK — MANHATTAN.


"Sai para resolver algumas coisas, o Taylor vai te pegar as 08:00 pm."

leu o bilhete deixado por Zayn enquanto mordia o lábio inferior. Seja lá o que ele estivesse planejando não era um bom dia para surpresas do ponto de vista dela, mas não queria estragar nada, então olhou para o relógio que marcava cinco horas e foi para o quarto tomar um banho e começar a se arrumar. Tomou banho com a intenção apenas de ficar limpa para o encontro e não de aproveitar para pensar em como tinha sido o encontro com sua mãe, teve tempo o suficiente para fazer isso enquanto ficou rodando pelo centro de Nova York.
Colocou um vestido branco bem colado ao seu corpo que chegava até quase em seus joelhos, soltou os cabelos de modo que eles ficaram naturalmente enrolados nas ponta e fez uma maquiagem leve e passou um batom vermelho nos lábios. Encarou sua imagem no enorme espelho do quarto se sentindo satisfeita consigo e respirou fundo na intenção de livrar-se de qualquer peso que estivesse sobre seus ombros.
Como Zayn havia lhe instruído no bilhete, Taylor estava na porta do apartamento as 08:00 pm em ponto. Ela tentou convencê-lo a lhe dizer onde estavam indo, mas tudo o que ele disse a ela era que iria gostar da surpresa que o “Sr.Cárter” tinha preparado para ela.
abriu um sorriso assim que viu o prédio em que o motorista estava adentrando. Apesar de terem dois anos desde a última vez em que esteve nele, ela conseguia se lembrar muito bem de cada detalhe e daquela noite que passou ali com Zayn.
Sua mente divagou em memórias ao sair do carro.
Ela encarou o rapaz moreno de barba por recém fazer colocar o champagne em sua taça gentilmente. Sentia-se enérgica enquanto ele aparentava estar profundamente calmo — ao menos era o que parecia — e com o controle da situação.
Nunca se sentira intimidada pela figura do famoso Zayn Malik, o que sempre a intimidava era o fato de conhecer tão bem um lado tão pessoal dele, o rapaz tranquilo e sonhador que ele era por trás das câmeras, calmo, amigo e namorado…
O último pensamento sobre ele lhe casou arrepios.
Eram namorados?
Talvez.
— Zayn… — O nome dele saiu através dos lábios dela tão sutilmente que até pareceu vir de seus pensamentos.
Ele colocou a garrafa de champagne de volta a mesa e a encarou com um sorriso no rosto.
, eu queria esperar o jantar… — disse e se levantou.
Ela engoliu em seco, adoraria dizer que não tinha ideia do que estava por vir. Mas, sabia muito bem qual seria o próximo passo.
Eles estavam conectados demais para continuar adiando.
O rapaz aproximou-se da cadeira em que ela estava sentada do outro lado da mesa e ajoelhou-se bem ao lado dela.
— Zayn Malik, você quer namorar comigo? — Ela disse arrancando-o uma gargalhada.

deu um salto quando escutou a porta do elevador abrir e a voz de Taylor dizendo:
— É aqui que deixo, a Srta. — Ele sorriu gentil para ela apontando para a direção que ela deveria seguir.
Ela sorriu gentilmente para ele e andou pelo enorme corredor do hotel. Lembrou que Taylor não lhe havia dito o número do quarto, mas sabia exatamente em qual deveria entrar e encontraria Zayn lá dentro, provavelmente usando terno e de frente para uma linda mesa de jantar como aconteceu na sua lembrança.
Era clichê para muitas pessoas, mas não para ela, uma romancista incurável.
Sentiu o aço frio na ponta dos dedos e rodou a maçaneta sem exitar. Mas, o que encontrou foi muito maior do que suas lembranças, o quarto estava tomado por pequenas velas que fazia um caminho até a enorme varanda e o chão todo coberto por pétalas de rosa.
Suspirou deslumbrada enquanto caminhava.
— Ah, Zayn. — Foi tudo o que conseguiu dizer, ao vê-lo.

 

INGLATERRA — HOLMES CHAPEL.

Depois de passar o dia todo com Lexie, Harry sentia-se mais leve. Estar com ela era como ter uma vida normal de novo em Holmes Chapel. As risadas ainda eram as mesmas e a logística entre eles também, era como se ele tivesse saído para uma turnê muito grande em que trocava mensagens com ela o tempo todo para se manter inteirado e estivesse em uma folga.
Ele sabia que não era isso, que tinham passado muito tempo sem se falar depois que ele foi afastando-a quando reconheceu que não estava pronto para dar esperanças a ninguém devido aos sentimentos que ainda nutria por , mesmo meses após sua morte.
O barulho do motor sendo desligado fez com que Harry soltasse a respiração pesadamente, tirou a chave do contato e saiu do carro seguido da amiga. Eles estavam de frente para a casa que pertenceu à família de , onde agora morava uma amiga de Lexie que permitiu que ele visitasse o lugar.
Seu coração batia compulsivamente de modo que ele quase conseguia contar cada batida dada por ele. Quando a porta se abriu e uma garota simpática apareceu em seu campo de visão, ele sentiu que o órgão quase pulou de seu corpo, deixando-o quase sem nenhum resquício de vida, talvez tivesse sido menos doloroso se isso de fato tivesse acontecido e não só em seus pensamentos.
— Lex. — A garota sorriu simpática puxando-a para um abraço. — É muito bom ver você.
Harry permaneceu em silêncio.
— Também senti saudades. — Lexie retribuiu o abraço e se virou para o amigo. — Lembra que te falei do Harry, Ema?
Ele sorriu gentilmente.
— Nem precisava, né. — Ema sorriu para rapaz. — O famoso Harry Styles. É um prazer.
Harry estendeu a mão para a garota e sorriu sem jeito.
— Só Harry, por favor.
Ela sorriu com a educação dele e abriu espaço para que eles entrassem.
— Vamos, devem estar ansiosos para ver a casa que um dia foi da amiga de vocês.
A casa tinha sido reformada e as paredes pintadas, muitas mudanças haviam sido feitas e isso não passou despercebido aos olhos de Harry. Para Lexie não era nenhuma novidade estar ali, pois devido a sua amizade com Ema, ela já tinha entrado na casa algumas vezes ao visitar a amiga. Mas, para Styles era como estar de volta ao passado e as sensações a cerca das lembranças com eram quase tangíveis e sentiu seu coração disparar ainda mais. Escutou algo sobre ele poder olhar a casa a vontade e sentiu seus pés se deslocarem pelo local quase que involuntariamente, subiu as escadas que davam para o andar de cima com pressa até chegar ao quarto que pertenceu à garota que um dia amou tanto e que agora estava morta.
Nem foi preciso rodar a maçaneta e sentir-se ansioso porque a porta estava aberta, dando-lhe a visão de um quarto enorme. Ele também havia sido reformado e agora a cama não ficava mais entre às duas portas da varanda e sim na parede ao lado da porta e era muito menor do que a de , de casal, mas que dava a impressão de que dependendo do tamanho das pessoas não caberiam os dois ali. Entrou de vez no quarto depois de alguns longos minutos, parado ali encarando o lugar e respirou pesadamente, deixando que uma lágrima caísse sem cerimônia sobre sua pele quente.
estava tão concentrada em ler orgulho e preconceito pela quinta vez enquanto Harry a observava. A garota estava sentada no banco da sacada, com as pernas esticadas e cruzadas enquanto segurava o livro em uma mão e revelava expressões como se aquela fosse a primeira vez em que estivesse lendo aquele livro.
Mordeu o lábio inferior e riu de leve.
Ele sabia que ela estava lendo algo no livro que lhe agradava muito, alguma parte que provavelmente era sua preferida ali. Poderia ficar horas observando a garota e nunca se cansaria, apesar da briga que tinham tido na noite anterior ele não conseguia ficar bravo com ela por muito tempo, então se aproximou sem fazer muito barulho e se encaixou atrás dela de forma que ela ficou entre suas pernas sem demonstrar querer se afastar por ainda estar brava com ele.
fechou o livro e jogou a cabeça para trás apoiando-se no peito dele.
— É tudo bobagem, sabe disso, né? — ela perguntou se referindo a briga que tiveram.
Já era a milésima vez que Harry tocava no assunto sobre eles finalmente começarem a namorar, mas para ela era só um rótulo idiota e que não queri colocar sob eles. Namorados, vez ou outra acabavam terminando, ou eram separados pelo destino e ela não gostava de pensar nesta possibilidade.

— Eu querer namorar você, é bobagem, então? — Harry perguntou como se estivesse irritado, mas estava com um sorriso no rosto que não conseguia ver.
resmungou.
Harry lhe apertou contra o corpo dele.
— “Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente.” — Ele disse calmamente enquanto escutava perplexa.
Ele estava citando uma frase de orgulho e preconceito. Sabia como ganhá-la.
— Você pesquisou na ‘internet’? — perguntou para provocá-lo.
Harry riu de leve.
— Não, eu li mesmo. Até que é legalzinho.
riu. Saiu de onde estava e virou-se para olhá-lo.
O encarou por alguns instantes e levou a mão até o rosto de Harry acaranciando-o, fazendo com que ele fechasse os olhos.
— Eu amo você, Harry.

Ele abriu os olhos e encarou a paisagem da varanda, quase conseguia sentir a presença dela ali de novo dizendo que o amava de forma tão pura e genuína. Ele ainda guardava o livro orgulho e preconceito que foi encontrado todo destroçado no local do acidente que eles sofreram sete anos antes, passou a mão pelo banco que ainda se encontrava ali, era o mesmo e ao menos isso não tinha mudado na casa.
Respirou fundo e saiu do quarto muito mais rápido do que entrou.
Lexie estava na cozinha com a amiga Ema, às duas estavam rindo e pareciam perfeitamente tranquilas enquanto ele dava a impressão de estar um pouco atordoado por estar ali naquela casa.
Raspou a garganta e recebeu o olhar curioso das duas.
— Harry, você está bem? — Lexie perguntou encarando-o.
Era óbvio que não estava.
— Estou sim — mentiu. — Se importa de ir?
— Não, sem problemas!
Se despediu da amiga rapidamente e seguiu direto para o carro com Harry. Ele permanecia em silêncio enquanto ela não parava de dizer como sempre se sentia nostálgica por voltar na casa que um dai foi de sua melhor amiga, também falou como ainda sentia falta dela e queria que nada daquilo tivesse acontecido naquele inverno.
— Harry, você precisa seguir… — As palavras saíram da boca de Lexie antes que ela se desse conta do que acabara de dizer. — Desculpa, eu pensei alto demais.
Ele olhou de canto de olho para a garota enquanto dirigia.
— Você está certa. — Harry suspirou pesadamente. — Lá naquele quarto…
Parou de falar para pensar exatamente no que iria dizer.
— Você não me deve explicações, eu não deveria ter falado nada. — Sorriu gentilmente.
— Lá naquele quartou — continuou o que estava dizendo antes — eu me senti como se a ainda estivesse ali, lendo aquele livro que ela adorava, orgulho e preconceito. Então me dei conta, que depois de sete anos eu ainda estou tão conectado a ela que é como se eu estivesse vivendo lá e não aqui.
Aquela confissão doeu tanto nele quando na amiga que o ouvia.
— Sinto muito, Harry.
— Quero passar em um lugar, tudo bem, para você? — perguntou já mudando de assunto, apesar da confissão, não queria estender muito o assunto.
— Claro.
Lexie só se deu conta de que Harry estava indo até onde tinha sido enterrada quando ele virou na direção da placa que dizia “Holmes Chapel Cemitery” e engoliu em seco. Depois da morte da amiga, não tinha ido visitar o túmulo dela nenhuma vez, exceto no dia do seu enterro e velório, era muito estranho para ela estar ali, mas agora não tinha como voltar e não teria coragem de dizer a ele que não queria ir naquele lugar. Afinal, foi a primeira vez em sete anos que o ouviu dizer que queria de fato de seguir depois de tanto sofrimento e saudade.
Os dois saíram do carro em silêncio e permaneceram assim até chegar ao túmulo. Harry segurou a mão de Lexie assim que chegaram perto o bastante para conseguir ler a lápide com a data de nascimento, morte e também o nome completo de gravado ali como se o tempo nunca tivesse passado. Apertou a mão contra a dela e deixou as lágrimas caírem como aconteceu mais cedo no quarto, mas dessa vez elas vieram de forma violenta e descontroladamente como se ele estivesse esperando por isso há muito tempo.
Era doloroso demais, mas necessário.
— Ah, Harry. — Lexie sentiu a necessidade de se afastar, também estava chorando.
Soltou a mão de Harry e decidiu dar a ele um pouco de privacidade naquele momento.
Ele sentiu um tremor percorrer seu corpo e fechou os olhos, quase conseguia sentir agora a mão de entrelaçada na sua.
— Eu amo você, Harry… — Ouviu a voz de sussurra em sua mente.
Respirou fundo e se apegou aquelas palavras.
— Também amo você. — A resposta saiu desesperada.
Estremeceu novamente e sentiu como seria abraça-la naquele momento.
— Se algo acontecer comigo, quero que viva, Harry. — A voz de ecoou novamente. — Por isso não devemos namorar, porque se algo acontecer comigo eu quero que se sinta livre, não quero que fique preso a mim para sempre.
Era a primeira vez em tanto tempo que conseguia se lembrar do pedido de da última vez em que estiveram juntos.
— Você promete? — A voz dela ecoou de novo em sua mente.
— Eu prometo. — Harry sorriu e abriu os olhos novamente.
Sentiu-se leve pela primeira vez e se virou para encarar Lexie que o encarava um pouco confusa.
— Está pronta, para ir?
— Você está? — Sorriu gentilmente.
— Sim, está na hora de seguir, eu fiz uma promessa para a . — Riu de leve, realmente estava achando graça em toda a situação.
Lexie resmungou achando graça.
— Que pena, isso quer dizer que você vai embora mais rápido. — Deu um soco no amigo enquanto andavam de volta para o carro.
— Sim, mas dessa vez você vai comigo — disse já andando na frente dela.
Lexie olhou perplexa e Harry riu.
— O quê?
— A proposta de trabalhar com a banda, que te fiz há dois anos ainda está de pé — disse ao abrir a porta do carro. — E eu não aceito, não, como resposta.
Entrou no carro gargalhando e ela fez o mesmo.
Ele estava blefando ou falando sério?

 

NOVA YORK — MANHATTAN TOWER.

Zayn sempre se encantava com a beleza de , os cabelos que caiam sobre ombros e o vestido branco que realçava ainda mais as curvas dela ainda fazia seu coração disparar toda vez que olhava para ela, mesmo depois de dois anos de relacionamento. Terminou de encher a taça dela com champagne e a encarou com um sorriso no rosto, queria esperar um pouco mais para tomar a atitude de fazer o que tinha planejado um mês antes, mas não conseguia mais esperar, tinha que fazer.
Um mês já foi tortura suficiente, esperando.
Ele levantou da cadeira e riu com a distração da garota, parecia um pouco aérea desde a hora que tinha chegado.
— Zayn… — disse ao se dar conta de que ele estava bem ao lado dela.
!
Ela sorriu calorosamente para ele que estendeu a mão e a direcionou até a sacada do hotel em que eles estavam. A noite estava fresca, mas o céu cheio de estrelas dava um ar ainda mais bonito para o momento que eles
estavam tendo ali, Zayn se recostou no vidro da sacada e colocou a mão no bolso na intenção de pegar uma caixinha que tinha ali.
— Eu esperei muito, por isso. — Zayn disse e abriu a caixinha que estava em sua mão, relevando um anel com uma pedra brilhante.
abriu um sorriso de ponta a ponta.
— Ah, Zayn…
Sentiu lágrimas tomarem conta de seus olhos.
, você aceita casar comigo? — disse ajoelhando bem na frente dela.
Ainda estava boquiaberta, mas naquele momento só conseguia pensar em sua mãe. Estava sendo pedida em casamento pelo homem de sua vida e tudo o que conseguia pensar era na mulher louca que tinha ido visitar — as escondidas — mais cedo e em como era errado esconder tudo isso do namorado.
Você deve contar a ele. O pensamento ecoou em sua mente.
— Eu não… — Ela sentiu o corpo estremecer.
Não era essa resposta que Zayn estava esperando.
— Você não quer casar comigo? — perguntou pasmo.
— Não, não é isso! — olhou sem jeito. — Tem coisas que você precisa saber.
— Já sei tudo sobre você e, seja lá o que for, não vou mudar de ideia. Quero me casar com você! — Zayn disse, agora de pé.
mordeu o lábio inferior.
Ele a abraçou.
— Casa comigo, .
Ela o apertou contra o corpo dela.
— Minha mãe, está em um sanatório Zayn.
— O quê? — A pergunta saiu dos lábios dele quase como um sussurro em seus pensamentos.



Capítulo 2- Spaces

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL — 1 SEMANA ANTES.

 

Depois de visitar o cemitério onde foi enterrada, Harry deixou Lexie em casa e seguiu de volta para a sua. O clima estava muito menos pesado e ele sentiu que finalmente poderia ficar ali sem sentir uma culpa imensa por não ter mais a garota que amava ao seu lado.
Amava. A palavra martelou em sua mente, de fato pela primeira vez em um período tão grande sentiu que isso estava no passado.
Deitou-se em sua cama, agora em um novo quarto na casa e fechou os olhos para que pudesse pensar. A banda veio em sua cabeça e decidiu que precisava fazer uma reunião com os garotos, algumas ideias tinham se passado e ele também tinha que comunica-los sobre Lexie.
Digitou o número de Zayn e coloco no viva-voz, esperando que ele atendesse.
— Fala, cara. — Zayn atendeu, parecendo um pouco desanimado na percepção de Harry.
— Tá tudo bem, dude? — Ele perguntou, antes que começasse a falar alguma coisa.
— As coisas não saíram como o planejado, acho que vou voltar por uma semana ou quinze dias. — O amigo bufou do outro lado da linha.
— Quer conversar? — perguntou e abriu os olhos, depois de algum tempo.
— Por telefone é complicado, as coisas estão tensas.
Harry percebeu que a coisa era mais séria do que Zayn queria fazer parecer.
— Eu estava pensando em reunir a banda. Queria alinhar algumas coisas, podemos nos encontrar antes e daqui a uns dois dias ligamos para os outros, o que acha? — sugeriu.
— Estou fazendo as malas. Aonde vamos nos encontrar? — Zayn perguntou, agora um pouco mais animado.
— Vem aqui para casa, minha mãe disse que queria mesmo ver você e os outros. — Harry riu de leve.
As vezes achava que Anne gostava mais dos meninos do que dele.
— Ok, até logo.
Zayn desligou e Harry decidiu que precisava dormir um pouco, o dia tinha sido cheio e ele passou por muitas emoções. Pela primeira vez em muito tempo, assim que caiu no sono, ele sonhou com um futuro cheio de surpresas, mas não com uma que nunca mais faria parte de sua vida.

 

NOVA YORK, MANHATTAN - 1 SEMANA DEPOIS.

 

A chuva caia incessantemente do lado de fora do escritória onde estava. Ela tinha se atarefado de muito trabalho no minuto em que Zayn saiu pela porta sem nem sequer se despedir dela, depois do pedido dele e a revelação dela deixou tudo desconhecido entre eles, como se ele não soubesse quem ela era mais.
Mas, antes mesmo de eles irem embora os dois tiveram a primeira briga séria do casal e isso não saia da cabeça de nem por um minuto desde que aconteceu. As palavras de Zayn chamando-o de mentirosa e que nem sequer poderia mais confiar nela, ainda ressoavam em sua mente.
encarou a água da chuva que escorria pela enorme janela da sala do escritório onde estava e suspirou. Se perdeu na lembrança, antes mesmo de se dar conta disso.
Zayn não conseguia encarar , ao fazer um pedido de casamento não era isso que ele esperava ouvir dela.
Minha mãe, está em um sanatório Zayn. As palavras ainda ressoavam na mente do rapaz.
Com a mesma facilidade que ele abraçou , ele a soltou e para ela foi como ter sido jogada a metros de distância. Seus olhos estavam fixos no rapaz, a intenção dela não era jogar essa informação assim, mas vê-lo dando um passo tão grande no relacionamento deles, não poderia continuar escondendo algo assim.
Ou, mentindo.
— Amor, eu não... — procurou as palavras, mas não encontrou.
— Não me chama, assim. — Zayn disse desviando o olhar.
sentiu a garganta fechar e sua boca secar. Eles nunca tinham entrado em uma briga assim e ele jamais tinha falado com ela dessa maneira.
Sentiu os olhos arderem, lágrimas já se formavam.
— Eu não queria mentir para você, não era minha intenção. — Tentou se explicar e deu um passo na direção da varanda, onde Zayn se encontrava agora.
Ele não queria ser tão frio, mas era impossível não se sentir traído. Afinal, durante dois anos de relacionamento ele aceitou se manter as escondidas, nem sabia como era possível estar a tanto tempo lutando contra os tabloides ou qualquer notícia que pudesse vazar e a única coisa que ele esperava dela era a sinceridade.
Zayn passou a mão pelos cabelos e encarou a garota com os olhos cheios de lágrimas, sentiu-se com o coração apertado, mas não conseguiu ir até lá e consola-la. Ele precisava processar o que ela tinha acabado de dizer para ele, no dia que deveria ser um dos mais felizes de sua vida.
— Você mentiu para mim, Van — disse finalmente.
deu um passo a frente, mas parou a uma certa distância do namorado.
— Eu não menti — defendeu-se. — Minha mãe ficou doente há alguns meses...
— Meses? — Ele passou a mão nos cabelos na intenção de tentar amenizar o nervosismo.
A garota engoliu em seco, as mesmo tempo que sentia-se culpada, também compartilhava do sentimento de ser um direito dela manter isso em segredo. Falar sobre sua mãe e os problemas que enfrentava com ela, nunca foi algo fácil.
— Minha mãe surtou, eu... — deixou as lágrimas caírem, antes que continuasse seu raciocínio. — Era meu direito manter isso, somente para mim.
Zayn a encarou incrédulo.
— Achei que estivéssemos em um relacionamento — questionou, sem tirar os olhos dela.
— E estamos, mas é um assunto delicado para mim! — quase gritou.
Virou de costas para Zayn e limpou as lágrimas que caiam, não conseguia mais encara-lo.
, eu preciso de um tempo. — Zayn respirou pesadamente, de maneira que conseguia escutar.
Ela respirou fundo e sentiu um aperto ainda maior com as palavras dele.
Suspirou, antes de virar-se para encarar Zayn.
— Tudo bem. — Foi tudo que conseguiu dizer.
Ele apenas passou por ela sem dizer nada.
deu um pulo na cadeira assim que escutou o telefone de seu escritório tocar, o barulho pela primeira vez não agradou à garota que atendeu prontamente. Era sua secretária informando que os acionistas estavam todos reunidos na sala de reunião como ela havia instruído, por um momento quase tinha se esquecido porque estava ali.
Ela apenas respondeu dizendo que em cinco minutos estaria lá e desligou, precisava de mais um tempo para processar a lembrança, para ela era como se tivesse acontecido ontem.
1 semana sem Zayn...A informação ecoou nos pensamentos de , que preferiu afasta-la com rapidez.
O telefone tocou de novo, era sua secretária mais uma vez que parecia ter se esquecido de passar alguma informação importante para a chefe.
— Srta., me desculpa, mas é que tem uma pessoa na linha — informou de maneira mais educada possível.
sentiu o coração disparar.
Seria Zayn?
Depois do que aconteceu entre eles, a garota manteve contato com o namorado — se é que ainda era isso — pelos três primeiros dias, mas desistiu quando percebeu que ele não parecia muito interessado em conversar com ela. Hoje, então, estava completando o total de quatro dias sem se falarem.
O mais tempo que já passaram.
— Srta. ? — Hather, a secretária, chamou atenção de que estava em completo silêncio do outro lado da linha.
— Desculpa, Hather, eu me distrai — explicou se endireitando na cadeira que estava sentada. — Pode passar para minha sala.
desligou, antes que ela informasse quem era e não demorou muito para que o telefone a sua frente tocasse de novo.
Ela o encarou por alguns instantes e depois de dois toques, atendeu.
— falou com a voz um pouco embargada pelo nervosismo.
— Uau, agora você realmente atingiu o nível de poder. — Megan falou do outro lado do telefone.
nem acreditou ao ouvir a voz da amiga. Tinha mais de seis meses que às duas não conseguiam manter um contato descente e praticamente trocavam uma mensagem por semana, depois que a garota foi passar uma temporada na coreia a trabalho tudo ficou mais complicado se tratando de comunicação.
— Meu deus, Megan! — não conseguia conter a animação.
— Você sumiu garota, arrumou um namorado poderoso igual você? — A amiga riu do outro lado da linha, fazendo engasgar. — Não acredito!
— Megan, não posso falar sobre isso aqui no trabalho. — riu. — Aliás, como conseguiu meu número?
Apesar de saber que a amiga poderia conseguir o que quisesse, sempre se impressionava com isso.
— Sou quase uma diplomata meu amor, consigo tudo que eu quiser — respondeu convencida.
— Não sei porque, mas isso sempre me surpreende. Quem diria, que duas garotinhas tão inocentes da faculdade se transformariam nisso. — Ela comentou rodando na cadeira.
Às duas tinham se conhecido na faculdade, cursava direito no primeiro ano e Megan relações internacionais. Ambas já sabiam o que queriam desde o primeiro momento que pisaram na universidade, a primeira já almejava advogar com direito empresarial em algum mercado promissor em uma multinacional — era onde estava agora —, a segunda sonhava em ser uma diplomata que não passaria mais de cinco anos em um país e, assim estava caminhando para conquistar.
A amizade delas se tornou muito forte ao longo dos anos, apesar de nunca ter compartilhado o acidente com a amiga, ela sempre demonstrou que ela era a úncia amizade verdadeira que a garota tinha, megan sempre soube disso. Mas, o trabalho das amigas as afastou um pouco e o relacionamento secreto de , também.
suspirou, ao pensar na amizade.
? — Megan chamou do outro lado da ligação.
— Onde você está agora? Que horas são aí? — perguntou curiosa.
encarou o relógio, vendo que já tinha se passado muito mais que os cinco minutos para a reunião, mas não se importou, era a primeira vez em uma semana que se sentia realmente bem.
— São duas horas. — Respondeu.
olhou o relógio de novo e viu que em Manhattan também eram duas horas.
— Pera ai...
— Sim, eu estou nos Estados Unidos. — Riu. — Você está livre para jantar?
sentiu um conforto no coração.
— Claro!
— Ok, as 20h no restaurante principal, do Manhattan Tower? — sugeriu a amiga.
— Hm, pode ser em outro lugar? Comida japonesa? No Takashima?— Mordeu o lábio inferior esperando que a amiga concordasse.
O último lugar que queria ir era onde tinha acontecido a briga com Zayn.
— Perfeito, te vejo lá então.
desligou com um sorriso no rosto, seria bom ver a amiga e poder contar em partes o que estava acontecendo para ela. Saiu da sala quase em um salto e em pouco instantes entrou em outra, onde já tinham homens e mulheres reunidos, apenas esperando por ela.
Ela se desculpou pelo atraso informando que teve um imprevisto e iniciou a reunião. A empresa estava para fechar novos contratos com outra grande multinacional e era preciso avaliar todos eles, apesar de ter apenas dois anos de formação já estava em um cargo importante. Mas, o que almejava de verdade era se tornar responsável por todas as ações judiciais da empresa.
Conforme foi comandando, começou a sentir-se mais focada em seu trabalho e qualquer pensamento que não fosse isso foi dispersando-se de seus pensamentos.

 

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL — 1 SEMANA ANTES.

 

Os pensamentos de Zayn ainda estavam nas palavras de , mesmo com um voo de sete horas dos Estados Unidos para a Inglaterra — Londres para ser mais exato — ele não tinha conseguido descansar a mente nem por um minuto e isso o estava corroendo por dentro. Se arrependeu da atitude no momento que saiu pela porta da frente, mas não tinha como voltar, ambos precisavam de um tempo para processar tudo que estava acontecendo.
Agora, já no quarto de hóspedes na casa de Harry, ele tentava colocar os pensamentos no lugar para poder explicar ao amigo tudo que estava acontecendo. Do momento em que ele foi busca-lo na estação de Londres, até chegar em Holmes Chapel os dois tinham falado apenas sobre a banda e a nova contratação que Harry queria fazer.
Zayn encarou o teto frustrado e sentou-se na cama. Harry ainda estava sentado na poltrona esperando que ele falasse alguma coisa, enquanto o relógio já marcava seis horas da manhã.
— Cara, você está bravo mesmo. — Harry foi o responsável por quebrar o silêncio.
Zayn o encarou, ele não estava exatamente bravo, mas se Harry o definiu assim ele nem queria pensar o que tinha se passado na cabeça de com a reação dele.
— Ela mentiu para mim, cara. — Zayn disse encarando o amigo que balançou a cabeça indicando que ele continuasse.
Ele bufou.
— Zayn, se você não me disser exatamente o que aconteceu. Não tenho como te ajudar. — Harry insistiu. — Como exatamente ela mentiu?
— Eu a pedi em casamento — disse encarando o amigo.
— Ah, entendi, ela finalmente se deu conta da loucura que estava fazendo. — Harry riu, mas Zayn lhe lançou um olhar de repreensão.
— Dude, é sério, ela me contou uma coisa… — Ele apertou os olhos e desvou o olhar.
Minha mãe está em um sanatório. A voz de ecoou em sua mente, pela milésima vez.
— A mãe dela está em um sanatório! — Ele encarou Harry que pela primeira vez olhou para ele de forma séria.
O amigo bufou e passou as mãos pelo cabelo.
— Onde isso é um problema? Ela tem o gene? — Perguntou de forma séria, não era nenhuma brincadeira da parte dele.
— Não, não é isso. — Zayn revirou os olhos.
— Qual é o problema, então? — Styles estava tentando entender.
Zayn levantou e andou pelo quarto, procurando uma forma de explicar para o amigo que o problema não era a mãe dela estar em um sanatório e sim a mentira.
— Ela mentiu para mim. — Insistiu nisso.
— Cara, é algo muito pessoal, acho que a intenção não foi mentir.
Malik odiava quando o amigo defendia o outro lado e não o dele.
— Achei que era meu amigo, não dela. — Riu nervoso.
— E sou, mas eu daria tudo para a pessoa que eu amo estar mentindo para mim agora.
Harry só se deu conta do que estava falando depois que a frase saiu por completo, apesar de estar se sentindo melhor depois que decidiu seguir em relação à , era impossível não deixa-la cruzar seus pensamentos em momento como esse.
Odiava ver pessoas desperdiçando tempo com bobagens, quando se podia estar com a pessoa amada.
— Pera, estamos falando da mesma coisa aqui? — Zayn riu.
O relógio agora marcava sete horas da manhã e nenhum dos dois estava raciocinando mais.
— Só estou dizendo, que é tudo bobagem. — Harry falou como , em um passado bem distante para ele.
O moreno encarou o amigo, pensou em arrancar mais detalhes sobre o que ele estava falando, mas se sentiu cansado demais de repente. Cansaço físico e mental, que vieram como uma avalanche para cima dele assim que se jogou na cama.
— Pense nisso, cara! — Harry disse e saiu do quarto.
Ele pensou em voltar e despejar tudo para cima do amigo, mostrar para ele que devemos valorizar quando podemos estar com a pessoa que amamos — mal sabia que ele que estaria falando da mesma pessoa —, mas desistiu por algum motivo que não saberia explicar, não naquele momento.

 

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL — AGORA.

 

Harry encarou os amigos sentados na mesa e começou a sentir mais saudade de quando a banda estava unida do que das férias que tanto tinha sonhado, passava tanto tempo com esses caras que um curto espaço de tempo sem eles era estranho para ele.
Lexie então, sentia-se um peixe fora do aquário apesar de ter sido recebida pelos garotos muito bem, era algo meio fora da realidade para ele. Estar com Styles era normal de seu ponto de vista, por conhecê-lo há tanto tempo, mas o resto era quase inacreditável, principalmente quando lembrava de garotas que trabalhavam com ela, no auge dos vinte e cinco anos fofocando sobre eles e a respeito fanfics que leem com eles.
Ela riu de leve com o pensamento, mas sua reação passou despercebida pelos garotos que decidiam qual ia ser a refeição daquele jantar e enquanto eles se ocupavam com isso, os pensamentos dela voaram até e o dia em que ela foi visita-la, dois dias antes do acidente que a mataria.
Como sempre, a garota estava sentada na varanda da casa rodeada por livros. Eram raras às vezes em que Lexie ia à casa de e ela estaria fazendo outra coisa que não fosse ler ou estudar, algo que admirava muito nela.
A dedicação.
— Ei, está aí há muito tempo? — perguntou ao ver a amiga.
Lexie riu da reação da amiga, nunca mudava.
— Sim, peguei essa mania de te observar lendo. — Lexie sentou-se ao lado da amiga.
riu.
— Igual ao Harry. — A garota completou e riu ainda mais.
Era como se a amiga estivesse lendo os pensamentos dela falando sobre o rapaz, ela queria mesmo tocar no assunto e fazer um pedido. Lexie era a pessoa perfeita para isso, sabia que poderia confiar nela para qualquer coisa.
— Lex, quero te pedir uma coisa. — fechou o livro que estava em seu colo, sentou-se de forma ereta e encarou a amiga.
— Sou todo ouvidos. — Riu animada e pegou um biscoito em um pote em cima da mesa.
— É algo sério, Lexie. — a encarou.
Tinha passado a noite toda pensando sobre, depois que um pressentimento no dia anterior rodeou seu coração de forma tão sombria que ela precisava compartilhar o que sentia com alguém e, a melhor amiga, era a pessoa certa.
— Esta me deixando preocupada, .
respirou fundo e segurou a mão da amiga.
— É sobre o Harry.
, não me diga, que vai quebrar o coração do coitado.
Ela riu.
— Não, não é nada disso. — Riu nervosa. — Será que pode me deixar falar?
— Claro!
— É um pedido, porque você é minha melhor amiga e sei que posso contar que você vai cumprir! — encarou Lexie, que agora sentia-se realmente nervosa com as palavras dela.
— Tudo bem
respirou fundo de novo.
, fala logo! — Lexie estava apreensiva, com todo o "suspense" da amiga.
— Tudo bem. — Encarou-a de novo. — Preciso que cuide do Harry, se algo acontecer comigo.
Lexie sentiu um aperto no coração.
— Do que você está falando? Alguém te ameaçou?
Ela riu.
— Não, eu só estou com um pressentimento ruim — explicou. — Então, se algo acontecer comigo eu preciso que cuide dele. Eu conheço o Harry, muito bem
desviou o olhar devido à vontade de chorar e depois voltou a encarar Lexie.
, eu
— Lexie, se algo acontecer comigo ele vai sofrer e preciso que deixe ele passar por isso, faz parte de quem o Harry é. Fiel demais para deixar alguém ir quando ama e quero que o apoie mesmo assim, mas quando ele decidir seguir — fez uma pausa —, preciso que o apoie ainda mais, faça com que ele não desista e volte a estaca zero, preciso que mostre a ele como é viver. Entende?
As palavras estavam doendo muito em , em proporções inalcançáveis para Lexie. O sentimento era quase tangível e ela poderia achar que era tudo insanidade da amiga, mas para , aquele pressentimento era torpe e genuíno.
, do que você está falando? Pelo amor de Deus! — Lexie levantou-se e encarou a amiga preocupada.
— Preciso que prometa — pediu delicadamente, ainda sentada.
Lexie andou de um lado para o outro antes de responder.
— Não, isso é loucura, ! — gritou.
levantou e andou até a garota.
— Preciso que prometa, por favor — implorou. — E não quero que conte ao Harry nada disso, porque sei que no fim você não vai fazer isso porque eu pedi e, sim, porque verá o quão especial ele é.
o amava, mas as palavras finais eram sinceras e, a ideia de que ele poderia se envolver com outra pessoa não a amedrontava. Nada era mais aterrador do que imaginá-lo sozinho, sofrendo por ela, sem poder tê-la.
, eu não
— Por favor! — As lágrimas agora caiam.
— Tudo bem, eu prometo! — Lexie disse, antes que decidisse mudar de ideia.
a abraçou forte.
Lexie limpou a lágrima que caiu com a lembrança para que ninguém percebesse, achou até engraçado recordar do momento com a amiga justo agora, quando Harry tinha finalmente decidido seguir e viver depois de tanto tempo.
sempre teve dessas coisas. O pensamento ocorreu para ela.
— Ei, você está bem? — Niall perguntou, ao ver o rosto dela vermelho.
Lexie o encarou de maneira compreensiva.
— Sim, só cocei demais o olho. — Levantou-se da cadeira onde estava.
Era hora de colocar a promessa que fez para a amiga em ação.
— Os manés aqui, ainda estão discutindo o que vamos comer — Harry disse encarando a amiga.
— Só to vendo um mané aqui, Styles — Louis disse dando um tapa na cabeça do rapaz.
— Vocês parecem um bando de crianças. — Ela riu.
— Tirando eu, é claro — Liam sentiu a necessidade de se defender.
Zayn apenas riu da situação, seus pensamentos estavam em qualquer lugar, menos ali.
— Enfim, estava pensando, devíamos sair para alguma balada — sugeriu batendo palminhas, toda animada.
Liam torceu o nariz.
— O que foi agora, papai? — Perguntou Louis, de forma brincalhona.
Liam era a cabeça da banda, o mais sensato e responsável e sentia-se na necessidade de evitar que os outros fizessem besteira.
— Não sei, se é uma boa ideia.
— Qual é, só uma saída, eu topo! — Harry respondeu animado, agora ao lado de Lexie e com os braços em volta dos ombros dela.
Não demorou para que todos se dessem por vencidos e decidissem ir a uma balada que os amigos sugeriram.  

 

NOVA YORK, MANHATTAN.

 

A reunião com os acionistas, foi um sucesso e, sentiu-se satisfeita com isso, não só por ter fechado alguns contratos, mas também porque por algumas horas conseguiu se concentrar totalmente no trabalho e esquecer dos problemas que tinha para resolver.
Se já não bastasse o que tinha acontecido com Zayn, ela também recebeu uma ligação do Sanatório informando que era necessário que ela fosse até lá ainda hoje.
Bufou ao sentar-se na cadeira em sua sala, o relógio já marcava cinco horas e ela tinha marcado de encontrar-se com a amiga às oito horas. Mas, graças ao telefonema ela não conseguiria ir para casa tomar um banho, como tinha planejado, precisaria passar primeiro para ver o que tinha de errado com sua mãe.
Para variar.
— Você pode me esperar aqui, Taylor. — Falou antes de sair do carro.
Jogou a bolsa sobre o ombro esquerdo e andou em direção a entrada do Sanatório, tentou ignorar a sensação que aquele lugar lhe causava o máximo que conseguiu e foi direto até a recepção.
— Você deve ser a , filha da Giordana. — Uma mulher de cabelos brancos levantou-se de trás do balcão, assim que ela se aproximou.
apenas assentiu e tirou os óculos de sol.
— Eles lhe informaram, do que se trata? — A mulher perguntou, já indicando que ela deveria acompanha-la
As suas entraram em uma sala não muito grande, com uma mesa de tamanho mediano onde tinha uma cadeira de cada lado. As paredes brancas, com apenas uma janela acima da mesa vazia e a falta de moveis tornava o lugar ainda mais sem vida.
sentou-se na cadeira, ainda não tinha respondido à pergunta.
? — Rute, que era o nome dela, como pode ler no crachá a chamou.
— Desculpe. O que você precisa saber? — perguntou ao cruzar as pernas.
Rute encarou-a, era notável o nervosismo da garota por suas mãos que tremiam apoiadas nas pernas cruzadas.
— Você precisa de algo? Eu sei que o ambiente não é dos melhores…
desviou o olhar.
— Tudo bem, estou bem — confirmou, só queria sair o mais rápido possível dali.
— Você foi informada do assunto, na ligação? — perguntou, enquanto abria uma pasta vermelha.
A boca de ficou seca, ela sabia que eram os arquivos de sua mãe.
— Não.
— Certo. — A mulher terminou de abrir a pasta. — Sua mãe teve uma grande melhora, nesses últimos meses.
O coração dela disparou.
Melhora? Não. Era tudo que conseguia pensar.
— O que você quer dizer, com melhor? — Encarou a mulher, esperando que a próxima resposta poderia fazê-la desmaiar e apoiou as mãos na mesa, por prevenção.
— Podemos aumentar o número de visitas — começou explicar —, e logo pensarmos na possibilidade de saídas aos finais de semana.
sentiu-se enjoada e a pressão cair de imediato, ela não poderia estar falando sério. Era total insanidade, aumentar as visitas de sua mãe e ainda mais pensar que ela poderia sair do sanatório aos finais de semana.
— Isso, está totalmente fora de cogitação — disse e levantou-se da cadeira de forma repentina, nem mesmo ela estava esperando por tal reação.
A mulher encarou , mas não saiu de onde estava, permanecendo com as mãos cruzadas em cima da mesa.
— Isso, cabe aos médicos decidirem. — A mulher falou de forma ríspida.
olhou incrédula.
— Isso cabe a mim, porque o peso de cada decisão é meu. — Encarou-a. — Sou responsável por ela, aqui.
— Mas, se provarmos a sanidade de sua mãe, a decisão é dela e do juiz que avaliar, juntamente a uma equipe médica.
Para ela, aquilo não poderia estar acontecendo. Nem conseguia explicar como sua vida viraria de cabeça para baixo, caso sua mãe tivesse a chance de viver fora do sanatório.
— Eu conheço as leias, sei como funcionam, infelizmente. — Falou e caminhou até a porta, para ela, aquela conversa tinha acabado.
Ela ouviu a mulher levantando da mesa e parou, com a mão sobre a maçaneta.
— Srta. . — A mulher disse. — Sugiro que comece a procurar um advogado, para iniciar o processo.
riu, uma mania que tinha sempre que sentia-se nervosa.
— Não preciso, eu sou a advogada. — Abriu a porta e saiu, sem nem se dar o trabalho de fecha-la.

 

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL.

 

A van onde os seis estavam estacionou de frente para o The Manchester, uma das baladas mais bem frequentadas da charmosa Manchester, apesar de a cidade não ser tão frequentada como Londres os famosos adoravam ir para lá devido à privacidade maior que conseguiam.
— Vocês podem ir primeiro, eu preciso falar com a Lexie. — Harry encarou os amigos, que já estavam prontos para sair.
Lexie o encarou, sem entender, se tinham combinado de falar em particular ela não se lembrava.
— Aconteceu algo, Harry? — perguntou.
— Nada que tenha que se preocupar. — Ele sorriu. — Podem ir.
E assim os quatro fizeram, saíram da van e logo foram tomados por olhos curiosos ao serem reconhecidos sem nem sequer entrarem na balada.
Harry encarou a amiga e fechou a porta, antes que alguém se desse conta de que ele tinha ficado dentro do veículo e acabasse com a paz da conversa que pretendia ter com a amiga.
— Olha, se você não quiser ir, desculpa se forcei a barra te trazendo para uma noitada em sua primeira noite de "seguindo em frente". — Lexie disse fazendo aspas com as mãos.
Harry riu.
Para ele, era o oposto do que ela estava pensando.
— Não ria de mim. — Deu um soco no braço dele, de leve.
— Se você fosse menos fofa, talvez eu conseguiria não rir. — Encarou-a.
Lexie sentiu suas bochechas esquentarem.
— Fala logo, besta.
— Se você quiser, podemos entrar pela porta de trás — sugeriu.
— Você não quer que sejamos vistos, juntos? — A ideia lhe incomodou de certa forma, pensar que Harry poderia ter vergonha de ser visto com ela lhe causava uma sensação estranha.
— Vai se ferrar, Lexie. — Harry revirou os olhos. — Não é nada disso, só quero que entenda o peso que é andar comigo.
— Claro, o famoso Harry Styles — debochou.
— É sério.  Não quero que te tabelem como mais uma, na lista de, Harry Styles, o famoso. — A encarou.
Ele estava preocupado comigo, com a forma que as pessoas iriam me ver. O pensamento ocorreu em Lexie que sentiu seu coração disparar por uma leve fração de segundos.
— Alguma chance de sairmos em um site sensacionalista? — perguntou fazendo uma cara sedutora.
Harry gargalhou.
— Com certeza!
— Ótimo, porque não sou do tipo que se intimida com umas notícias falsas que saem por aí. — Ela disse e abriu a porta do veículo já saindo.
Ele a encarou, com carinho e admiração no olhar.
— Você vem?
Harry saiu e logo uma multião rodiou os dois, ele passou o braço pelos ombros de Lexie que retribuiu passando o dela pela cintura dele e assim foram caminhando até a entrada da balada, enquanto os repórteres os rodeavam enchendo de perguntas.
"Uma nova garota na sua vida, Harry?"
"É uma amiga?"
"Quem é ela?"
Ele gargalhou se divertindo e não respondeu a nenhuma das perguntas.
— Isso, vai ser divertido!
Lexie riu e o acompanhou.
Às três primeiras horas passaram rápido demais para Zayn dentro da The Manchester devido à quantidade de álcool que ele estava ingerindo. Liam tentou alerta-lo a ir mais devagar, mas o rapaz estava na fossa demais para dar ouvidos ao amigo como costumava fazer, só queria aproveitar a noite e esquecer dos problemas.
Entre fotos com algumas garotas — que não eram famosas — e autógrafos, ele pedia uma vodka com energético e shots de tequila. Já tinha perdido a conta de quantos shots já tinha tomado e a quantidade de copos da bebida, quando se deu conta de que o relógio já marcava exatamente duas horas da manhã.
Procurou o celular no bolso de forma atrapalhada para ver se tinha alguma mensagem de , ele sabia que já não se falavam há quatro dia e sentia-se mal por isso, mas depois da forma que reagiu com ela e as coisas horríveis que disse, achou que o melhor seria dar um espaço para ela.
— Ei, será que você pode me ajudar? Não estou me sentindo muito bem. — Uma garota deslumbrante em um vestido preto, de cabelos ruivos disse ao se aproximar de Zayn, tirando-o dos pensamentos.
Ele demorou um pouco para processar que ela estava falando com ele.
— Ei, está me ouvindo? — A garota chamou por ele. — Eu não estou me sentindo muito bem, acho que ingeri alguma coisa.
— Claro, tem um enfermeiro na minha van, posso te levar lá. — Zayn pegou o braço da garota que mal conhecia para que ela pudesse se apoiar nele e caminhou em direção a saída.
Do lado de fora o ar estava muito gelado e ele se perguntou se a garota não estaria com muito frio devido ao micro vestido que estava usando, a ideia de emprestar seu blazer lhe ocorreu, mas achou que não seria uma boa se isso caísse em algum site sensacionalista.
Enquanto a garota se apoiava em seu corpo e ele caminhava em busca da van da banda, sentiu que era uma péssima ideia ter uma garota pendurada a ele no meio da rua onde poderia ser fotografado. Teve certeza disso quando a ruiva entrou em um beco com pouca luminosidade e se recostou ali.
A ideia era ruim desde o ínicio, na verdade, deveria tê-la levado na enfermaria da balada e talvez teria pensando nisso se não estivesse tão bêbado.
— Ei, você é Zayn Malik! — A garota disse animada, enquanto ele permanecia encostado na parede do beco.
Zayn riu. Não sabia ao certo porque, não tinha nada de engraçado na situação, ainda mais se ela acabasse mal.
— É, se puder não falar isso muito alto. — Riu.
Caralho. Foi tudo que Zayn conseguiu pensar na hora, estava bêbado demais e com uma garota bonita demais na frente dele.
também é bonita demais, ela é perfeita. O pensamento lhe ocorreu ao olhar para a garota a sua frente, que agora estava perto demais.

 

 





Continua...



Nota da autora: Oi meus amores, tudo bem? Eu estou simplesmente sofrendo! hahahaahha
E ai, o que será que vai rolar entre a Lexie e o Harry, agora que ele decidiu viver a vida dele? E o Zayn, será que vai tomar alguma atitude sem pensar?
Dessa vez eu trouxe um capítulo menor, na ideia de aumentar o número de atualizações. Me digam se gostam!
Outra coisa, eu estou pensando em fazer um SPIN of de ano novo (Zayn e pp) E outro (Harry e pp) só que no caso deles, especial de antal o que acham?
Aguardo o comentário de vocês. E queroa agradecer por todas que comentaram.
NOTA MIKARLA: MEU AMOR <3 Muito obrigada por me incentivar com essa fanfic, graças a vocês ela está aqui firme e forte!
Entrem no grupo do face, xoxo e até a próxima atualização (:




Outras Fanfics: Road So far


Outras Fanfics: Euphoria


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