Última atualização: 21/09/2020

Capítulo 1

As exatas dez e quarenta e sete da manhã um grupo de seis pessoas, todas com cabelo cor de fogo, chegaram a plataforma 9 ¾. O homem mais velho seguia acompanhado da única mulher do grupo, seus nomes eram Arthur e Molly Weasley, e estavam acompanhados de seus filhos: Carlinhos, Percy e os gêmeos Fred e George.
Mais cedo naquele dia, houve uma pequena briga na casa dos Weasleys. Rony e Gina, seus filhos mais novos, choramingaram a noite inteira e parte da manhã pelo fato de não poderem acompanhar seus irmãos mais velhos até a plataforma e ver pela primeira vez o trem. Para a sorte deles, ainda tinha um de seus irmãos que não frequentaria a escola aquele ano. Gui, o mais velho, havia se formado naquele ano e ficou em casa para cuidar dos pequenos.
Percy murmurou um tchau apressado para seus pais e irmãos e se dirigiu a um grupo de garotos que estavam contando como tinham sido suas férias. Foi recebido com alguns sorrisos e apertos de mãos e emendou na conversa. Logo em seguida Carlinhos se desculpou com os pais por não poder ficar por mais tempo e deu um beijo no rosto de cada um, pegou seu carrinho e saiu em direção a um grupo de estudantes, todos com distintivos de monitor.
Fred e George tão logo chegaram na plataforma e já abandonaram seus pertences próximos a seus pais e saíram correndo em direções opostas. George passou correndo por um grupo de meninas, que discutiam animadamente sobre os garotos mais bonitos do último ano, derrubando algumas pelo caminho. Acordou uma coruja que dormia tranquilamente sobre um carrinho em que pulou por cima, e teria causado mais confusão, se um Fred levemente confuso não tivesse o puxado para o lado e apontado uma garota que conversava animadamente com um jovem uns cinco metros à frente. Aproximadamente onze anos e estatura média, a garota não apresentava nada de extraordinário para aquele garoto.
— Ela não parece familiar? — Fred perguntou levemente abobalhado.
— Como qualquer outra garota da plataforma — George deu de ombros.
— Não sei — Fred cerrou os olhos para enxergar melhor — Eu acho que já vi ela em algum lugar.
— Deve ter sido no Beco Diagonal, Fred — seu irmão gêmeo revirou os olhos impaciente — Sempre vemos várias pessoas por lá.


Seus pais perceberam que os garotos tinham parado de correr e se aproximaram cautelosamente. Quando chegaram atrás do garoto, Arthur olhou para onde eles olhavam e viu a menina e o garoto conversando. Um pouco impressionado, apontou para Molly naquela direção e comentou em um sussurro.
— Molly, aqueles não são os Winter?
Fred fez uma careta ao ouvir o sobrenome Winter. Era famoso no mundo bruxo mas ele não se lembrava exatamente o porque, embora sentisse que fosse mais do que isso. Fez um sinal para que George ficasse em silêncio e apurou os ouvidos para conseguir escutar melhor toda a conversa.
— Aaron e ? — Ela disse surpresa — Por Merlin, como eles estão crescidos! Aaron continua com a mesma fisionomia de sempre, mas a pequena mudou um monte dos últimos anos para cá.
— Seria estranho se ela não mudasse, já faz tanto tempo...
Molly faria mais um comentário se o assovio do trem, indicando que logo estaria de partida, a interrompeu.
— Fred e George — Arthur disse antes que os meninos saíssem correndo dali com os carrinhos — tenham uma boa viagem e aproveitem Hogwarts o máximo que puderem que eu garanto que serão os melhores anos de suas vidas.
Fizeram mil e uma recomendações até serem obrigados a liberarem os meninos para embarcar no Expresso de Hogwarts. Quando eles finalmente conseguiram entrar no trem quase não tinha mais nenhum aluno para fora, então quase todas as cabines já estavam cheias. Passaram por uma cabine onde Percy e seus amigos comentavam sobre os livros comprados para esse ano, fazendo uma cara de nojo no meio do caminho. Quando chegaram mais no fundo do vagão, encontraram a mesma garota de antes, mas sozinha. Ela olhava para a janela e conversava calmamente com quem os garotos pensavam ser seu irmão.
— Podemos sentar com você? — Fred entrou na frente e perguntou.
Percebendo que não estava sozinha, interrompeu sua frase no meio e sorriu.
— Claro!
O jovem nos estudou por um tempo antes de sorrir gentilmente.
— Eu realmente preciso ir, querida — o homem sorriu para ela e depois para os gêmeos - me manda uma coruja assim que for para o dormitório, e não se esqueça que eu te amo.
— Eu também te amo — ela respondeu e mandou um beijo no ar, que ele fingiu pegar. Aaron acabou de se despedir e seu coração já apertou de saudades.
— Tchau meninos!
— Tchau — disseram em coro.
Os três o observaram até sair de vista. A multidão de parentes que havia se formado em volta do trem também começava a se dispersar, e este assoviou novamente indicando sua partida.

— Fiquem à vontade — ela indicou os bancos.
— Eu sou Fred Weasley — o primeiro menino lhe estendeu a mão, que prontamente foi apertada.
Winter — ela se virou para o garoto que estava mais afastado o analisando — E você?
— George — ele sorriu e ela sorriu de volta.
Os meninos se jogaram desleixadamente no banco à sua frente. Os três se encaravam enquanto um silêncio constrangedor envolvia o lugar. Fred pigarreou, claramente incomodado.
— Então... Ele é seu irmão? — George puxou assunto, se referindo ao homem que a pouco estava na janela.
— Tio — ela sorriu.
— Seus pais não puderam vir? — Fred perguntou.
— Tipo isso.
Outra vez o silêncio envolveu o lugar, as crianças encaravam a janela enquanto o verde se tornava mais presente na paisagem.
— Sempre foi meu sonho ir para Hogwarts — suspirou pesadamente — Acho que é o sonho de qualquer um. Assistir aulas de trato de criaturas mágicas, fazer poções, aprender feitiços mais elaborados...
— Nós temos sete irmãos — Fred sorriu — Rony e Gina são os mais novos, Gui se formou no começo desse ano, o Carlinhos está no sexto ano e é monitor e o Percy está no terceiro ano. Só aprendemos alguns feitiços por causa deles, se fosse por nossos pais, só iriamos aprender qualquer tipo de feitiço aos onze anos. Então meio que nós aprendemos algumas coisas com eles, principalmente com o Gui, mesmo com todo aquele lance de não usar magia fora de Hogwarts.
— Eu não tenho irmãos — a garota deu de ombros — Mas eu sempre pegava a varinha do meu tio para brincar um pouco. O bom da magia ser monitorada é que eles só sabem o lugar de onde veio, se você morar com bruxos não está encrencado. Quando eu tinha sete anos encontrei uns livros antigos de feitiço dentro de um armário no porão e desde então venho praticando alguns mais simples.
— Porque não mostra pra gente? — Fred pediu.
— Ok — ela pegou sua varinha que estava jogada no banco.
A menina procurou alguma coisa e encontrou um elástico de cabelo, mirou a varinha nele, a balançou e murmurou:
— Engorgio!
O elástico aumentou consideravelmente de tamanho, o suficiente para passar tranquilamente por uma pessoa.
— Aumentar o tamanho? Sério? — George caçoou — até Errol, nossa coruja, consegue fazer melhor.
O rosto da garota ganhou uma cor vermelho vivo e ela lhe lançou um olhar ameaçador. Pegou novamente a varinha que fora jogada com desleixo em cima do banco e a apontou para o nariz do menino.
— Aquamenti! — exclamou, jogando um grande jato d'água em seu rosto. O garoto fechou seus olhos com força na tentativa de sentir menos incômodo com a pressão, o que obviamente não resolveu.
Quando a água parou, ele se engasgou tentando desesperadamente puxar mais ar para seus pulmões. Enquanto ele tossia, Fred e gargalhavam. George lançou um olhar incrédulo para seu irmão.
— Como você pode achar isso engraçado?
— Você que zombou da menina — deu de ombros — ela não fez nada além de se defender.
Winter gargalhou novamente enquanto observava o estrago: o chão, George e parte da janela estavam encharcados. Ela murmurou um “Tergeo” para aspirar a água que pingava por todo lado e se virou para nós.
— E vocês? O que sabem fazer?
Fred pigarreou, pegou sua varinha e murmurou:
— Orchideous!
Várias flores cor de rosa saíram da ponta de sua varinha e ele a ofereceu para a Winter. A menina gargalhou novamente.
— Ora ora! Um dos gêmeos é esperto — ela piscou.

George se preparou para fazer um comentário mal educado, mas o carrinho de guloseimas chegou e o impediu de fazer qualquer coisa. Com as mãos em seus bolsos, pegou alguns nuques que guardara especialmente para comprar doces na viagem. Quando foi escolher o que comer, a garota o interrompeu.
— Me deixe te compensar pelo banho — ela sorriu fraco e o sorriso se alargou quando o garoto deu de ombros. Ela olhou para Fred, que balançou a cabeça em sinal de consentimento — Por favor seis sapos de chocolate, seis tortinhas de abóbora, três bolos de caldeirão, seis pastelões e três caixas de feijõezinhos de todos os sabores.
Os meninos a encaravam atordoados enquanto ela pagava a senhora quinze sicles e dois nuques.
— Só para deixar claro — ela explicou — Eu não estou tentando conquistar vocês pelo estômago.
Os garotos riram.
— Que pena — George murmurou — Você estava alcançando um ótimo resultado.
Comeram rapidamente tudo o que ela havia comprado, deixando os feijõezinhos por último.
— Que tal uma brincadeira? — Fred propôs — Cada um pega de olhos fechados um feijãozinho da caixa do outro, e essa pessoa é obrigada a comer sem ver qual sabor. Vai aumentar a adrenalina.
Todos concordaram. George fechou seus olhos e colocou sua mão na caixinha de para começar. Pegou um feijãozinho cor de rosa, bem clarinho e com a cor homogênea. A menina estava de olhos fechados e com a boca aberta. Ele colocou o doce lá dentro e ela abriu um sorriso.
— Algodão doce! Minha vez.
Ela pegou a caixinha do Fred e o que veio foi um feijãozinho marrom com algumas manchas preto-esverdeadas, ela colocou na boca dele e ele fez uma careta.
— Sujeira, adoro — resmungou.
George novamente fechou os olhos, mas dessa vez aguardou ansiosamente pelo o que viria a seguir. Quando sentiu a mão de Fred perto de seu rosto, o garoto abriu sua boca, e seu irmão colocou o feijãozinho com cuidado. Demorou um pouco para criar coragem e mastigar. Os outros dois o encaravam com expectativa. Um sabor amargo invadiu sua língua, misturado com poeira e alguma coisa que poderia jurar que seriam teias de aranha. Mastigou novamente e dessa vez o que veio ele não soube descrever, sentia o sabor de tristeza, o feijãozinho ficando cada vez mais frio. Finalmente abriu sua mão e cuspiu, ainda de olhos fechados, só abrindo para ver a gosma mastigada de uma cor indefinível.
— Que cor tinha? — Perguntou, ainda sentindo aquele sabor estranho.
— Não sei direito — Winter respondeu — Eu nunca tinha visto nenhum igual a esse — Fred balançou a cabeça concordando — Era meio verde, marrom, roxo. Mas tinham também algumas manchas rosa e amarelo.
— E qual o gosto? — foi a vez de Fred se pronunciar.
Descreveu exatamente o que tinha sentido, vendo a cara de interrogação que eles estavam fazendo se intensificar a cada palavra. Quando estava terminando de falar ele chegou a uma conclusão, mas que parecia ridícula demais para que eu falasse em voz alta.
— Nenhuma ideia do que é?
— Uma, mas é absurda demais para ser levada em consideração.
— O que?
— Bicho papão? — respirou fundo esperando as risadas virem, mas ambos assentiram.
— Eu vinha pensando a mesma coisa — disse.
— Eu também — Fred concordou.
Seu rosto involuntariamente se abriu em um sorriso quando percebeu que ambos tiveram a mesma ideia, e por um segundo George se pegou imaginando que formariam um grande time. A ideia também havia passado pela cabeça da menina, que talvez ali tivesse tido a sorte de encontrar seus primeiros e verdadeiros amigos, coisa que Aaron tinha jurado que aconteceria. As palavras escaparam da boca de George.
— Queria que você fosse para a Grifinória, assim como nós.
A garota franziu a testa.
— E como vocês sabem que vão para a Grifinória?
— Simples — Fred disse — Nossos pais e irmãos são todos de lá.
A menina considerou a hipótese por um segundo.
— Minha mãe foi da Sonserina e meu pai da Grifinória. Meu tio era da Sonserina também, então eu não acho que parentesco signifique muito.
Os gêmeos torciam o nariz a cada “Sonserina” pronunciado. E claro que a garota não deixaria passar despercebido. Gargalhando logo que terminou de falar.
— Não acredito que vocês têm esse preconceito absurdo com os alunos da Sonserina. Meu tio é a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci: leal, justa, carismática... e é Sonserino. Eu iria para a Sonserina com muito orgulho, para qualquer casa na verdade. Acho que as quatro são incríveis.
— Com esse pensamento vai acabar caindo na Lufa Lufa — Fred disse.
A garota torceu o nariz, olhando feio.
— Desculpe — ele pediu.
— Talvez você tenha razão sobre esse preconceito ser absurdo — George disse.
— Todos preconceitos são absurdos, George.
Os garotos refletiram sobre o que a menina disse, pensando que as pessoas são muito mais do que suas casas, quando o ronco alto de uma barriga os interrompeu.
— Acho que essa conversa me deu fome — Fred disse.
George lembrou que Molly tinha mandado lanche para eles e pegou o pacote. Quando abriu, encontrou nove sanduíches idênticos de peixes com pedaços de batatas cozidas, e duas garrafas de suco de abóbora.
— Olhe, foi o Gui que fez os nossos lanches — Fred exclamou.
— Você sabe só de olhar? — perguntou.
— Peixe com batatas — George deu de ombros — também conhecido como o super sanduíche do Gui.
O garoto estendeu um para ela que aceitou prontamente. Logo dando uma grande mordida. Fred a encarava com expectativa, enquanto George olhava para a janela, no fundo estava com medo de que ela não gostasse. De repente ela começou a mastigar mais lentamente, e quando engoliu disse:
— Esse é definitivamente o melhor sanduíche que eu já comi.
— Se o Gui ficar sabendo disso, o ego dele ultrapassa a torre de Azkaban — Fred comentou.
Riram e ficaram conversando enquanto terminavam o lanche. Quando começou a escurecer colocaram seus trajes e esperaram para ver pela primeira vez o castelo.



Capítulo 2

Quando o trem parou na plataforma em Hogsmeade Hagrid, o guarda caça da escola, estava batendo um sino e gritando desesperadamente pelos novos alunos esperando chamar atenção. Sua missão era levá-los em segurança para o castelo, seguindo o caminho através do lago negro. Os alunos fariam aquele percurso apenas no primeiro dia de aula do seu primeiro ano e no último dia do sétimo ano, quando dariam adeus a escola. Conforme foram desembarcando, os primeiranistas foram andando em sua direção, e quando todos estavam ali ele acendeu uma lamparina e os levou por um caminho de terra íngreme e estreito, que acabava na beira do lago.
Nenhum vento passava pelas copas das árvores, que permaneciam tão estáticos quanto os alunos vendo Hogwarts pela primeira vez. O lago parecia sólido e na sua margem alguns barquinhos, que Fred duvidou que teriam capacidade para transportá-los a algum lugar, esperavam por eles. Os olhos de brilhavam sem nem piscar, como se ela quisesse guardar todos os detalhes da arquitetura do local. Fred tinha um sorriso torto pairando em seus lábios e olhava para toda a volta da construção, procurando algum lugar secreto ou no mínimo mais vazio. E George estava encantado com como a lua lançava uma aura fantasmagórica no castelo. As janelas iluminadas parecendo pequenas lanternas ao longe e o penhasco abaixo do castelo que o deixava ainda mais interessante.
Ansioso para estar dentro do salão principal quentinho e participar do banquete, aos gritos, Hagrid mandou os alunos se dirigirem aos barcos, quatro alunos por vez. O trio se juntou em um deles. Um garoto, que não muito depois descobriram ser Lino Jordan, os acompanhou e conversaram um pouco, ele era muito falante e perguntou coisas como o que estavam achando de Hogwarts até então e quais as expectativas do trio para o ano letivo. Falou sobre sua família, animais de estimação e sobre quando recebeu sua carta.
— Todos abaixem — Hagrid pediu, mas por causa de Lino que ainda falava, agora de quadribol, Fred não ouviu. , vendo que ele não tinha ouvido e ia bater a cabeça com força total no topo de uma caverna que se aproximava, se jogou em cima do menino, os dois se abaixando na hora exata em que o céu se fechou acima deles.
— Você está maluco, Weasley? — Ela se perguntou.
— O que raios está acontecendo?
Era uma espécie de túnel escuro, com as paredes cobertas de musgo onde não dava para passar sentado. Todos mantinham a coluna arqueada olhando atentamente o lugar.
Ela gargalhou.
— Acontece que chegamos — ela dizia feliz enquanto os barcos paravam em uma espécie de cais — E vocês dois saiam logo do barco que eu não quero perder nada.
George franziu as sobrancelhas com o comentário e percebeu que, com exceção de Lino que acabaram de conhecer, eles não conheciam mais ninguém dos outros alunos. Todos saíram dos barcos e acompanharam Hagrid que os levou pelo túnel que terminava em uma passagem aberta na rocha. Atravessaram a passagem e saíram em um gramado, de frente para o castelo. Havia uma enorme porta onde o Guarda Caça bateu três vezes e ela se abriu, exibindo uma mulher.
— Alunos do primeiro ano, Professora Minerva McGonagall.
— Obrigada Hagrid — ela agradeceu enquanto ele saia pela porta — É um prazer conhecê-los! Por favor, sigam-me.
E fizeram. A acompanharam por um corredor até uma salinha minúscula. Dava para ouvir várias vozes que imaginaram serem dos outros alunos. A professora nos deu boas vindas e explicou um pouco sobre cada casa e como funcionava a escola.
— Agora vocês serão selecionados para suas respectivas casas. Por favor me acompanhem para o Salão Principal.

Outro suspiro foi ouvido de todos quando entraram o salão. As paredes eram feitas de pedras e o céu se abria para noite adentro. Haviam um total de cinco mesas enormes, quatro umas do lado das outras, e a quinta ao fundo do cômodo e de frente para as outras. Em cima de cada mesa havia uma bandeira com a cor que representava a casa, e o seu animal. O lugar inteiro era iluminado por milhares de velas flutuantes e, nas mesas: pratos, talheres e taças douradas. Enormes janelas estavam distribuídas por todo o salão, mas estava tão escuro lá fora que só era possível enxergar as estrelas. Os alunos estavam distribuídos igualmente entre as quatro mesas e os professores na outra. Na frente da mesa dos professores havia um banquinho de três pernas com um chapéu surrado em cima. Assim que entraram, o chapéu começou a cantar e viu Lino Jordan dar um pulo a sua esquerda. Era uma melodia engraçada. Ele se apresentava, falava sobre Hogwarts e suas casas. O que elas honravam, seus propósitos e fundadores.
Quando a música acabou, o salão inteiro aplaudiu em pé, e quem falou foi Minerva McGonagall:
— Quando eu falar seus nomes, deem um passo à frente, sentem-se no banco e eu colocarei o chapéu em suas cabeças para que ele os selecione para suas casas. Alicia Spinnet.
— Grifinória!
— Rogerio Davies.
— Corvinal!
As mesas vibravam a cada aluno que se sentava e, depois de muitos Corvinais, Lufa-Lufas, Sonserinas e Grifinórias...
Winter.
O chapéu demorou um pouco, e depois disse em alto e bom som:
— Grifinória!
A mesa abaixo de um brasão vermelho e dourado gritou, e a menina deu uma piscada para os gêmeos antes de pular do banquinho e ir toda feliz para a mesa da Grifinória. No meio do caminho, em meio a palmas e risadas, a garota não se conteve e fez uma referência, fazendo com que os gritos e palmas aumentassem. Fred observava enquanto ela se sentava e engatava em uma conversa animada com Carlinhos. Alguns minutos depois ela gargalhava, provavelmente de alguma coisa que ele dissera.
Winter? A sobrinha do Aaron?
Assentiu desconfiada para o garoto, mais velho, de cabelos ruivos que acabara de se aproximar.
— Me chamo Carlinhos... Não se lembra de mim?
— Não — disse sem graça — Me desculpe.
— Não tem problema — deu de ombros — Sou irmão daqueles dois idiotas ali — balançou a cabeça na direção dos gêmeos — E eu estava no segundo ano quando seu tio se formou, eu meio que idolatrava ele — riu sem graça.
— Eu sabia que você tinha algum problema quando veio falar comigo — tentou ao máximo conter a risada, mas se tornou impossível quando ele começou a rir.
— Ah, ele é o Sonserino mais legal que conheço.
— Que eu também — sorriu orgulhosa — Carlinhos?
O garoto olhou em seus olhos e ela limpou a garganta antes de continuar.
— Você falou como se nós já nos conhecêssemos.
— É que...
A voz de Minerva chamando Fred o interrompeu fazendo os dois olharem para o centro do salão.

Fred estava sentado no banco com o chapéu cobrindo metade dos olhos. O chapéu mencionou que várias aventuras estariam por vir, principalmente devido a ultima garota que ele tinha mandado para aquela casa. Ao perceber que o chapéu se referia a , Fred gargalhou, ouvindo um alto “Grifinória” em seguida. chegou para mais perto de Carlinhos, para que Fred se sentasse ao seu lado. Fred viu Carlinhos engolir seco.
— George Weasley.
George caminhou lentamente até o banquinho, se sentou e McGonagal colocou o chapéu em sua cabeça. O chapéu disse:
“Vocês têm os mesmos pensamentos astutos...” — ele pareceu pensar um pouco antes de continuar — “A mesma mente maligna para travessuras e a mesma disposição a causar encrenca... Seria ótimo para seus colegas e professores que vocês três fossem colocados em casas diferentes... Mas porque eu faria isso? ”
Quando o chapéu anunciou Grifinória para todo o salão, George gargalhou e saiu pulando em direção a mesa, onde Fred e aplaudiam em pé. Uma garota, também do primeiro ano, se afastou para que ele se sentasse de frente para os outros dois.
— Então, eu disse, não disse? — Se referiu a casa.
Winter deu de ombros.
— Nós três poderíamos ter ido para qualquer outra.
“Nós três... a mesma coisa que o chapéu havia dito a segundos atrás” George pensou “Será que ele estava se referindo a garota?”
— George? — Fred cutucou seu braço, te tirando de seus devaneios.
— Oi? Ata. Claro que não — rebateu — Não tinha a mínima chance de irmos para outra casa.
tem razão — Carlinhos interrompeu — O Chapéu Seletor entra tão fundo na mente que encontra características que a própria pessoa desconhece.
— Mas se uma família... — a frase ainda pairava na mente do garoto — Espera... ?
Ele deu de ombros enquanto a menina exibia um sorriso satisfeito.
— É mais curto — ele respondeu.
— Pensei que éramos especiais — Fred choramingou tentando conter o riso — Mas ele que ta te chamando de ?
— Tem pra todo mundo, docinhos — ela gargalhou, sendo acompanhada pelos outros.
Um homem grisalho com uma barba enorme levantou e pediu silêncio e se apresentou como Alvo Dumbledore, o Diretor.
— Sejam bem-vindos, antigos estudantes! E sejam ainda mais bem-vindos, novos alunos. Eu não sei vocês, mas eu estou morrendo de fome, então vou ser breve.... Podem comer! — E bateu palmas duas vezes.

As mesas se encheram magicamente, com todo tipo de comida que você possa imaginar. George se serviu de batatas assadas, costeletas de porco, rosbife, milho e ervilhas. Mas só usou as ervilhas para desenhar no prato antes de começar a comer. se serviu apenas de milho, frango assado e batatas e Fred colocou de tudo um pouco em seu prato. Todas as taças se encheram de suco de abóbora e George ficou conversando com Carlinhos enquanto e Fred conversavam sobre quadribol. A menina era fã das Harpias de Holyhead e já tinha até ido a um dos jogos.
Quando acabaram de comer, os pratos sumiram e pratos limpos surgiram no lugar. As comidas também haviam desaparecido e agora davam lugar a sorvetes, tortas, chocolates recheados, morangos, rosquinhas e vários outros tipos de doces.
— Carlinhos vai fazer o teste para apanhador esse ano — Fred comentou.
Os olhos da garota brilharam.
— Isso é incrível! — o rosto do menino alcançou um tom vermelho vivo — Quando os testes começam?
— Em duas semanas. Você está pensando em fazer no ano que vem?
— Não — ela sorriu — O meu negócio é na torcida mesmo. Eu amo voar, mas só de pensar em treinar todas as tardes por horas na semana dos campeonatos eu já fico cansada.
Ele riu.
— Nesse caso, porque não vem assistir à seleção?
— É uma ótima ideia — ela sorria — Basta me lembrar uns dois dias antes.
— Mas claro — ele corou novamente — Vocês dois, venham também.
— Pensei que não seríamos convidados –— sorrisos idênticos apareceram nos rostos dos gêmeos — Você estava fazendo um convite meio individual.
— Só se não formos atrapalhar, irmão — Fred piscou e os gêmeos gargalharam, enquanto a menina revirava os olhos e Carlinhos corava fortemente, provavelmente imaginando várias maneiras de matar os irmãos.
O resto do jantar seguiu tranquilo, até Dumbledore se levantar novamente.
— Bom, eu gostaria de falar mais algumas coisas agora: Primeiramente aviso aos alunos do primeiro ano que a floresta negra é completamente proibida para qualquer um, sem exceções. Nosso zelador, Sr Filch pediu para lembrá-los que é proibido praticar magias no corredor, e que o toque de recolher dos alunos mais novos são as sete e meia e dos alunos acima do quinto ano as nove. Os testes e treinos dos times de quadribol começam na segunda semana de aulas, os interessados devem procurar a madame Hooch. E então, antes de nos despedirmos, vamos cantar o hino da escola.
Ele agitou sua varinha e uma fita dourada apareceu, formando as palavras.
— Todos escolham suas músicas favoritas e... Comecem!
Foi uma bagunça total. Os alunos terminaram em tempos diferentes e os professores estavam com uma cara de quem não estava gostando nem um pouco daquele caos. O trio adorou.Todos aplaudiram fortemente com gritos e assovios, e quando as palmas cessaram o diretor tomou a palavra novamente.
— Então é isso, todos podem se dispersar. Alunos do primeiro ano, sigam os monitores de suas casas para o salão comunal.
Todos começaram a se levantar calmamente os alunos da grifinória seguiram Carlinhos. Ele subia as escadas comentando o que ficava nos andares, o que significavam os quadros que preenchiam as paredes e explicando um pouco da escola. Todos conversavam animadamente sobre como seria o próximo dia de aula e com quais turmas teriam aulas juntos.
— Quem é aquele? — apontou para um poltergeist que jogava papel higiênico nos alunos da corvinal — E porque papel higiênico?
— Esse é o Pirraça, nosso poltergeist. Bom, o lance do papel higiênico é porque ele adora incomodar as pessoas — Fred, George e se entreolharam — Então todos tomem cuidado com ele — sorriu como quem dava um conselho — E cuidado com as escadas — o monitor disse quando tiveram que parar e se segurar nos corrimãos porque a escada em que estavam começou a se mexer — Elas adoram confundir os alunos, principalmente os mais desavisados.
Continuaram subindo e virando algumas vezes até chegar em um corredor onde havia um retrato de uma mulher muito gorda com uma cara ansiosa.
— Os alunos do ano passado não eram maiores? — A mulher gorda encarou cada um dos primeiranistas.
— Todos sempre chegam quase do mesmo tamanho — Carlinhos respondeu.
— Mas não é o que parece — ela suspirou impaciente — Alunos novos, gostariam de me ouvir cantar?
— Barrete Vermelho! — Carlinhos interrompeu apressado.
— Mal educado — O retrato se afastou, mostrando uma passagem em meio às pedras.
— Lembrem-se — Carlinhos falou enquanto entrávamos — Nunca deem espaço para ela começar a cantar.
Todos riram enquanto observavam em volta.
O salão comunal ficava em cima de uma torre, então das janelas dava para ver boa parte da escola. Fred olhou em uma janela próxima, mas nem prestou muita atenção no resto do dormitório, só queria chegar em sua cama logo.
— Meninas dormitórios por ali e meninos dormitórios por aqui — ele apontou nas duas direções — As senhas para entrar no salão ficam naquele quadro — ele apontou um quadro de avisos no outro lado do salão — Trocamos de senha toda semana, então não se esqueçam de sempre olhar. Tenham um bom descanso e não se atrasem para o café amanhã.
Assim que Carlinhos indicou a entrada para o dormitório feminino, subiu imediatamente sem se despedir. Não via a hora de mandar uma carta para Aaron contando como tinha sido seu dia. Fred e George, percebendo que a menina já tinha subido, também foram para seus dormitórios, onde adormeceram quase instantaneamente.

Cookie, a coruja de , já a esperava na janela que havia ao lado da cama em que seu malão estava. A garota se sentou, abriu o malão, pegou um pote de petiscos e colocou alguns do lado do pássaro, que ficou bicando-os pacientemente. Winter a observou por alguns segundos se lembrando do dia em que a ganhou.
Estava triste porque seu gatinho tinha morrido a apenas uma semana. Tinha ganhado o felino de seu tio quando tinha seis anos, e não se lembra de quase nada de antes dessa idade, mas se lembra perfeitamente do dia em que Cookie chegou. Nesse dia, tinha ido com Aaron ao parque na tentativa de se distrair, e quando chegaram ela entrou em seu quarto e encontrou uma gaiola vazia em cima da cama. Ela era enorme e a garota não entendia o porquê dela estar ali, então foi procurar seu tio para perguntar, mas só encontrou Nero, o elfo doméstico da família, empurrando uma caixa que chiava. Perguntou o que era e pego de surpresa, ele disse que eram Cookies. Nero nunca foi bom em mentir. Começou a se aproximar e quando chegou perto o suficiente para conseguir olhar dentro da caixa, seu tio a chamou. Se virou de costas e ele estava lá, todo sorridente e com uma bolinha vermelha nas mãos. Ela era linda! Bem pequenina, com a maior parte das penas vermelhas, o peito vermelho e branco e algumas penas mais escuras, pretas e roxas, espalhadas no resto do corpo. Ela não conseguia fazer outra coisa a não ser exibir o maior sorriso que conseguiu em semanas.
— Essa é uma Coruja vermelha de Madagascar! Eu pedi para trazerem para você assim que seu gatinho adoeceu — ele sorria — e ela é mais linda do que eu pensava.
— É um dos melhores presentes que eu já ganhei! — as bochechas da menina começaram a doer mas não se importou, a caixa chiou novamente e se virou para olhá-la — Esse chiado na caixa é de que?
— Ratos, ué — Aaron levantou as sobrancelhas.
Gargalhou olhando para Nero que sorria, sendo pego na mentira.
— Já sabe que nome dar para ela? — Seu tio perguntou assim que conseguiu parar de rir.
— Já sim! — olhou para Nero antes de responder — Cookie.

Balançou a cabeça afastando as lembranças. Cookie estava bem maior agora, não dava tanto trabalho e passava mais tempo em casa do que caçando. Ela também iria sentir muita falta de Aaron, ele sempre passava todo o tempo possível com elas. procurou por papel, pena e tinteiro e começou a escrever:

Querido tio,

Mal sai de casa e já sinto sua falta, embora eu tenha que admitir que a comida daqui é bem melhor! Hahaha, você sabe que eu adoro a comida do Nero ou quando você se aventura na cozinha. Eu subi correndo para o dormitório porque mal conseguia esperar para te contar tudo o que aconteceu hoje, é muito difícil acreditar que tudo não é um sonho e que eu realmente estou aqui, onde papai e mamãe estudaram.
Fiz amigos enquanto estava no trem, aqueles meninos mesmo. Seus nomes são Fred e George Weasley, e como o senhor já deve ter reparado eles são gêmeos. Eles são muito engraçados e eu fiquei feliz de encontrar alguém tão legal assim logo nas primeiras horas. Eu tava com medo de não conseguir fazer amigos e passar dias sozinha. Mas eu também conheci um dos seus irmãos, Carlinhos. Ele é o monitor e agiu um pouco estranho no começo, mas ele é muito legal. Eles têm outro irmão aqui, chamado Percy, mas eu ainda não o conheci. Se ele for tão legal como os outros três eu não vejo a hora de conversar com ele!
Eu sei que está se perguntando se eu comi direito, já que você como o ótimo guardião que é, se esqueceu de me mandar um lanche. Tudo bem, eu perdoo, até porque peguei um pouco mais de dinheiro do que era necessário para o ano letivo da última vez que passamos em Gringotts. E antes que fique bravo comigo eu peço desculpas, mas não quer dizer que eu me arrependa.
Voltando a falar de Hogwarts, o castelo é incrível. Eu nunca vi nada tão bonito na minha vida! É realmente muito melhor do que eu vejo nas fotos do papai, não que as fotos não sejam fantásticas. Posso elogiar a comida de novo? As batatas e a galinha assada são as melhores coisas que eu já provei. Acho que vou pedir para o Nero fazer para mim assim que eu chegar em casa no natal, ele vai adorar.
Eu fiquei conversando com os meninos sobre quadribol durante o jantar. Os testes começam em duas semanas, mas os alunos do primeiro ano não podem participar. Mas o Carlinhos chamou os meninos e eu para assistir o teste porque esse ano ele vai fazer para apanhador. Mal vejo a hora assistir, não jogar. Você sabe.
O chapéu seletor me disse que eu tinha muito potencial para ir para a Corvinal, mas que tinha alguma coisa dentro de mim, no meu sangue que me jogava automaticamente para a Grifinória. Não entendi muito bem o que ele quis dizer com isso, porque já que você e a mamãe eram Sonserina, meu sangue deveria me jogar para lá, não é?
Eu estou com muito sono, então acho que outro dia eu conto mais, já que você pediu para que eu escrevesse ainda hoje. Por favor, não esqueça de me escrever, tio. Reforçando eu sinto muito a sua falta e espero que o natal não demore muito para eu poder te ver de novo. Mas espero que demore porque Hogwarts é tudo o que eu sempre sonhei, literalmente.

Te amo demais.
Muito mesmo.
Com amor, sua melhor – e única – sobrinha.


Dobrou a carta com cuidado e colocou dentro de um dos muitos envelopes que Aaron tinha colocado em sua bagagem. Selou a carta com cera azul claro e apertou seu carimbo por cima, um W escrito na letra de sua mãe, que ganhou quando tinha nove anos. Chamou Cookie e esperou que ela se sentasse em seu braço esquerdo. Prendeu a carta em uma de suas paras e acariciou sua cabeça, lhe dando um petisco em seguida.
— Leve para Aaron — pediu — E tome cuidado.
Depositou um beijo de leve em suas penas e a observou sair pela janela noite adentro.



Capítulo 3

Quatro dias se passaram desde que chegaram em Hogwarts e Aaron ainda não havia respondido a carta. O que fez imaginar que provavelmente o tio deveria ter deixado para responder depois e acabou esquecendo. A grifinória não ficaria surpresa se recebesse uma carta a repreendendo por ainda não ter escrito para casa simplesmente porque ele se esqueceu de ler ou Nero deixou cair em algum lugar.
— O que pretende fazer hoje, Winter? — a voz de um dos ruivos a tirou de seus pensamentos.
Enquanto pensava, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.
— O que acha de dar uma volta?
— Só se for para onde estou pensando — o garoto estreitou os olhos e sorriu maroto.
Olharam rapidamente pelo salão comunal para ver se não tinha realmente ninguém e falaram em uníssono em uma péssima imitação da voz de Dumbledore.
— Primeiramente aviso aos alunos do primeiro ano que a floresta negra é completamente proibida para qualquer um, sem exceções — ressaltaram a última parte.
Com expressões idênticas, gargalharam imaginando a encrenca em que iriam se colocar essa noite.

George caminhava lentamente para a aula de feitiços quando passou correndo e entrou em uma sala vazia. Resolveu seguir a menina e a encontrou sentada no chão, com alguns chocolates em seu colo, decidindo qual comer primeiro. O Weasley riu e sentou ao seu lado.
— Chocolate? — ela ofereceu. O menino pegou o primeiro que viu e começou a mastigar lentamente.
— Não acredito que ainda sobraram chocolates do trem.
— Um pouco — ela deu de ombros — Eu trouxe alguns de casa também, a ideia era meu tio me mandar sempre, mas ele ainda não me respondeu.
— A coruja pode ter se confundido.
— Por enquanto está tudo bem — ela sorriu — mas se esses chocolates acabarem antes dele me mandar mais, eu juro por Dumbledore que eu vou surtar.
— Eu teria medo de te deixar chegar a esse ponto.
— Medo?
— Conhece alguma outra bruxa que quase afogou seu amigo na primeira vez que o viu?
Winter riu lembrando da cena.
— Então já fomos promovidos a amigos, George?
Subitamente o rosto do garoto atingiu o mesmo tom de suas vestes. O ruivo riu sem graça.
— Você entendeu.
Ela gargalhou.
— Sim eu entendi, mas vermelho ressalta os seus olhos.
George levantou reclamando e estendeu a mão para a menina, que aceitou prontamente.
— E além de tudo é um ótimo cavalheiro — exclamou, sentindo segundos depois bater novamente no chão. O gêmeo tinha soltado sua mão e agora dava risada.
— Saudades da água, Weasley?
— Na próxima você se levanta sozinha — piscou e deu as costas se dirigindo para a aula.
A garota gargalhou.
— Saudades senso de humor — murmurou enquanto o seguia.

O trio chegou bem cedo no campo de quadribol aquele dia e resolveu descansar nas arquibancadas enquanto esperavam por sua primeira aula de voo. Estavam ansiosos e o clima estava perfeito para alcançar as nuvens, o que não ajudava com a ansiedade. Fred estava com um sorriso travesso no rosto, enquanto George se incomodava por não saber o que estava acontecendo. O irmão nunca escondia nada dele. se levantou e saiu para dar uma volta no campo, voltando minutos depois com o sorriso idêntico ao gêmeo.
— Ainda estamos sozinhos — ela declarou.
George se pegou imaginando se Winter teria transformado seu irmão em algum tipo de psicopata e se seria seu fim, ou pior, se ela estaria conquistando tanto sua atenção que logo seria esquecido. Odiava ser deixado de lado.
— Ótimo — Fred exclamou pegando a mochila de e tirando dela um caderno de anotações com alguns desenhos de criaturas mágicas.
— Não sabia que desenhava — o outro ruivo olhava admirado a exatidão dos traços.
— Tem muitas coisas sobre mim que você ainda não sabe — ela piscou — Mas no momento não são os desenhos que importam.
— Oi?
Fred tinha parado o bloco no desenho de algum tipo de mapa.
— Hoje, 22h, Salão comunal — ele falou — Vamos dar uma voltinha.
— E posso saber para onde?
Winter deu mais uma olhada em volta antes de falar.
— Para a floresta proibida, é claro.
O ruivo estava impressionado. Sabia que ninguém aguentava mais passar tanto tempo no salão comunal devido ao horário de recolher tão injusto, mas ao mesmo tempo não esperava que resolvesse quebrar duas regras escolares na mesma noite durante a primeira semana de aulas.
— O que eu preciso levar ou fazer? — o sorriso malicioso se formou em seus lábios.
— Só seja silencioso — ela respondeu — Eu não gostaria de ser pega antes de sair do castelo porque um de vocês derrubou alguma coisa enquanto se esgueirava pelos corredores.
— Você está falando com ninjas, querida — Fred piscou — Se mamãe não nos pegou saindo de casa de madrugada, ninguém pega.
Então se deitaram novamente, encarando o céu e pensando em quantas criaturas maravilhosas seriam capazes de encontrar durante a noite.

Depois de mais de uma hora desceram da arquibancada e foram até um gramado plano ao lado oposto à Floresta Proibida, onde seria a aula. Voariam em conjunto com a Sonserina e embora não se conhecessem, vários olhares de superioridade eram lançados pelos alunos de ambas as casas.
— Depois a Sonserina que é mesquinha — a garota comentou, recebendo um olhar atravessado de Fred.
No chão havia duas fileiras de vassouras, todas Shooting Star, uma de frente para outra. Umas aparentavam ser menos usadas e outras não pareciam voar mais do que dez centímetros.
A professora chegou apressada, mandando cada um escolher uma vassoura e ficar ao seu lado. Acabou que organizaram os alunos da Grifinória de um lado e os da Sonserina de outro, se encarando com uma cara de nojo. O pensamento de George voltou para a conversa que tiveram na cabine do trem dias antes, sobre o preconceito e a rivalidade que existiam entre as casas. Então este desviou o olhar da turma e focou em sua vassoura, que tinha uma aparência bem velha, como se fosse se desintegrar no ar a qualquer momento. Suas palhas estavam eriçadas e em ângulos estranhos.
— Estique a mão direita sobre a vassoura — Madame Hooch gritou depois de um tempo — E digam “Em pé!”.
— Em pé! — gritaram.
A vassoura de Fred pulou imediatamente em sua mão. O Weasley olhou em volta para ver a situação da turma, mas a maioria das vassouras nem tinham se mexido. George, e uma garota que eu achavam ser Angelina Johnson estavam com as vassouras em mãos. Alguns alunos da Sonserina conseguiram e olhavam com superioridade para os demais, mesmo os da sua casa.
Continuaram treinando a maneira de chamar a vassoura por mais uns quinze minutos, e Madame Hooch passou ensinando a maneira correta de montar e segurar as vassouras sem escorregar. Quando todos estavam devidamente sentados, ela foi até o centro dos alunos e apitou.
— Quando eu apitar novamente, quero que deem um impulso forte com os pés, mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo para a frente. Vamos lá! Um… dois…
E quando ela apitou, foram poucos os alunos que ficaram apenas alguns centímetros do chão. A maioria voou por um ou dois metros, tentando se exibir, mantendo a vassoura firme antes de descer.
Quando todos estavam no chão novamente, a expressão da professora apresentava um misto de orgulho por quase todo mundo ter ido muito bem e desgosto por ter sido desobedecida. Antes de falar qualquer coisa, ela olhou no relógio e viu que a aula tinha acabado a cerca de dez minutos,então não tinha como segurar os garotos para a bronca.

Vinte e duas horas em ponto os três se encontraram no salão comunal, que já estava vazio aquele dia. Winter com uma bolsa pequena, Fred e George com nada além de suas varinhas. Olharam no mural para ter certeza de que a senha não tinha mudado e saíram da torre sem iluminação nenhuma com um pé na frente do outro tomando todo o cuidado para não fazer nenhum barulho. Pirraça estava andando pelos corredores encontrando algo para fazer.
— Alunos fora da cama — gritou — Alunos fora da cama!
— Ei Pirraça — sussurrou — Se ajudar a gente, trazemos pra você alguma coisa da floresta proibida, que tal?
O poltergeist considerou a proposta.
— Vão mesmo?
— Tem a nossa palavra — Fred sorriu.
— É bom fazerem mesmo, ou seus próximos anos serão infernais — Pirraça respondeu rancoroso.
— Confia na gente, Pirraça. Juntos seremos um ótimo time.
Saíram do castelo e a lua brilhava iluminando o terreno, assim continuaram andando silenciosamente até a entrada da floresta. A cabana do Hagrid ficava próxima, as luzes estavam acesas e um cheiro delicioso de chá escapava pela janela.
— Eu to ficando com fome — George sussurrou.
— Eu sabia que isso aconteceria — a menina murmurou abrindo a bolsa — Coma em silêncio, ok? — o entregou uma tortinha de abóbora.
— Você faz parte de algum tipo de contrabando de comida? — Fred perguntou realmente interessado.
— Talvez — ela sorriu maliciosa e entrou floresta adentro — Lumos — sussurrou para sua varinha.
Caminharam por entre as árvores por quase uma hora, marcando o caminho e tomando cuidado para não irem muito para o Norte da floresta onde, no mapa, ficavam os centauros. Quando várias tortinhas já tinham sido comidas e suas pernas estavam começando a reclamar, um cavalo prateado apareceu. Tinha aproximadamente o tamanho das crianças e um chifre solitário no meio de sua testa.
— Eu não acredito — George murmurou.
— Ele é maravilhoso — Winter exclamou.
— Ele não deveria ser branco? — Fred perguntou.
— Você não leu o livro do Scamander, não é?
— De quem?
— Newt Scarmander, Animais Fantásticos e onde habitam.
— Ah… é, não li.
— Aaron lia para mim nas noites que eu não conseguia dormir, ele sempre gostou muito de animais.
— E os unicórnios...?
— Bom, os unicórnios nascem dourados e se tornam prateados conforme crescem. Mas branco mesmo só quando adultos. O que me leva a acreditar que ele é um jovenzinho — ela falava enquanto dava um passo à frente.
Quanto mais a garota avançava, mais o unicórnio recuava, e os meninos começaram ficar preocupados em ele atacar se ficasse encurralado.
— Cuidado, — Fred advertiu.
— Eu sei o que estou fazendo — ela murmurou com a voz calma — Aqui pequeno — estendeu uma de suas mãos e ficou aguardando.
O Unicórnio começou a se aproximar lentamente da garota e cheirou sua mão. Então ela sorriu e acariciou sua crina, pegando algum tipo de petisco da sua mochila e dando para ele. George começou a andar na direção dos dois quando a criatura relinchou e ficou sobre duas patas, o fazendo recuar. A garota olhou para trás, rindo um pouco em seguida.
— Aparentemente você também não leu o livro, né? — deu de ombros — Eles gostam mais de meninas. Afinal, quem poderia culpá-los?
Ela acariciou novamente a crina do animal enquanto andava lentamente para trás fazendo com que ele a acompanhasse. Quando chegou ao seu lado, segurou sua mão e a colocou na cabeça do bicho me fazendo acariciá-lo. Lentamente foi soltando sua mão e deixando o garoto acariciar sozinho enquanto ela passava a mão em suas costas. O unicórnio o olhou desconfiado mas aceitou o carinho. Fred também se aproximou e ficou de frente para a menina, quando ela sinalizou que estava tudo bem, ele também começou a brincar com as costas da criatura.
— Acham que o Pirraça vai gostar de um pelo de unicórnio adolescente? — considerou.
— E você acha que o unicórnio vai gostar de ter um pelo arrancado? — Fred riu incrédulo.
— Quem falou em arrancar? — a menina tirou uma tesoura da bolsa.
— Vocês estão malucos — George tirou a mão do unicórnio, como se ele fosse atacá-lo — Vocês tem noção do que o Pirraça pode fazer com meros dois pelos de unicórnio?
— George meu bem, você tem noção do que nós podemos fazer com meros dois pelos de unicórnio? Junto com o extrato de chifre de erupente?
— Manda a ver.
— Ei amiguinho — a grifinória ficou de frente para o Unicórnio, acariciando seu focinho — Você por acaso me deixaria cortar uns pelinhos da sua crina? Só um pouquinho? — a garota mostrou a tesoura.
O unicórnio deu alguns passos para trás, assustando os garotos que estavam segurando-o. Depois lentamente voltou para perto da menina e enfiou a tesoura perto do nariz, como sinal de consentimento. A grifinória então voltou a fazer carinho no filhote, aparando sua crina e guardando os pedaços.
— Vai até crescer melhor, prometo. George, separe uns fios para o Pirraça, não muito. Alguém pode querer saber como ele conseguiu o ingrediente.
E ficaram ali por incontáveis minutos, brincando com o animalzinho, até enfim retornar para o castelo, não querendo deixar a floresta para trás. O poltergeist estava os esperando na porta do salão comunal, ao lado do retrato da mulher gorda.
— Vocês demoraram, o que trouxeram pra mim?
George jogou o frasco com pelos de unicórnio.
— Pera, isso são?
— São.
E então ele sorriu. E foi assustador.
— Eu disse que ele ia gostar — o trio riu baixo enquanto entrava no salão comunal.

Na manhã seguinte, enquanto tomavam café, Cookie chegou com um pacote e uma carta que sabia ser de Aaron. Abriu a carta rapidamente, já que provavelmente o que estava no pacote era seu kit de sobrevivência básico.
Ei pequena, como você está? Provavelmente está se perguntando se eu esqueci de te responder, e a resposta é não. Eu não consegui responder a carta na hora e depois eu acabei perdendo-a no meio dos papéis da minha escrivaninha e não achava de jeito nenhum. Nem o Nero estava conseguindo encontrar, mas já é de imaginar que ele que encontrou, não eu. Então, fico feliz que tenha ocorrido tudo bem durante a viagem e eu realmente sinto muito por ter esquecido de mandar seu lanche, mas se eu não me engano já tinha mandado uma boa quantia de dinheiro, não? Você vai nos falir se continuar nos assaltando desse jeito. Os Weasleys são pessoas incríveis, você não poderia ter encontrado amigos melhores. Posso dizer que eles já te conheceram quando você era mais nova, mas essa é uma história para ser contada pessoalmente, então não perturbe Carlinhos com isso. No envelope, junto com a carta, tem uma foto que eu não te mandaria se você não tivesse me falado sobre os gêmeos, mas acho que vocês vão gostar muito dela. Se continuar falando tão bem da comida de Hogwarts você vai ser obrigada a encontrar uma maneira de me mandar um pouco, ou vai ficar sem o seu suprimento de comidas não saudáveis. Consegue imaginar? Não? Você escolhe. Falando em mandar, nesse pacote devem ter doces para aproximadamente mais um mês, ou duas semanas dependendo do seu nível de amizade com os gêmeos Weasley. Nero insistiu para te mandar mais envelopes, cera e papéis de carta. Eu sei que mandei o suficiente no começo do ano letivo, mas se eu não mandasse ele mesmo mandaria dez vezes mais do que eu mandei e você não encontraria lugar para guardar. Ele está te mandando um grande abraço e disse que as batatas estarão prontas quando você chegar. Acho que ainda estou em tempo de perguntar: tem certeza de que não quer fazer o teste para o time de quadribol da sua casa? Você seria uma ótima artilheira, eu tenho certeza. E se a sua preguiça realmente for te impedir, me diga, como foi a sua primeira aula de voo? Porque eu me lembro bem da minha, e eles não deixam você fazer nada minimamente divertido nas primeiras, sei lá, dez aulas. Eu acredito que o chapéu tenha dito sangue no sentido figurado, você é extremamente corajosa princesa. Precisou ser desde pequena e é uma qualidade que essa casa preza demais. Acredite, o chapéu sempre faz a coisa certa. Se ele disse que você pertence a Grifinória, então esse é o seu lugar. Falando nisso, parabéns. Quando você chegar podemos ir ao beco diagonal procurar alguma coisa relacionada para enfeitar seu quarto. Até mesmo um globo de neve igual ao meu que eu sei que você adora. Mas não, nós não podemos adotar um leão só porque ele é o animal da sua casa. Nós já conversamos sobre uma cobra ser muito mais fácil de cuidar. E também não, nós não podemos dar seus “inimigos” para ele comer. Uma palavra pra você princesa: bipolaridade. Espero que demore para o feriado chegar, você só serve para bagunçar com a casa e acabar com toda a comida daqui. Brincadeira, sinto sua falta. Bom, agora a novidade. Lembra que eu disse que minha escrivaninha estava cheia de papéis? Então, eu comecei a me sentir meio solitário sem você aqui e resolvi procurar um emprego. E como eu sempre te disse, referências são tudo. Não sei se foi o peso do nome da família, o fato do ministro ser o maior puxa saco possível de qualquer um que tenha uma certa quantia em Gringotts ou talvez tenham sido as minhas notas espetaculares em Trato das criaturas mágicas. O fato é que consegui um emprego como chefe, sim chefe, já pode ficar boquiaberta, do departamento de pesquisa e limitação de dragões. Sim, isso mesmo. E como chefe eu tenho todos aqueles privilégios em que eu poderei passar o máximo de tempo possível com você, docinho. Ah, mostre essa parte da carta para o Carlinhos. Se eu não me engano, desde pequeno ele sempre foi fascinado por dragões. Se eu esqueci de mandar alguma coisa me avisa que eu te mando o mais rápido possível, prometo não perder a carta dessa vez. E fique sabendo que a minha comida é ótima e que ela não sentiu nem um pouquinho de ciúmes dos seus elogios para Hogwarts. Te amo pequena. Não demora muito para me escrever. Aaron. A caligrafia de seu tio a deixou com saudades de casa. Virou o envelope de cabeça para baixo e a foto caiu. Por um segundo ficou sem reação, demorando para conseguir pegá-la em suas mãos.

Com aproximadamente três anos, estavam Fred, George e correndo uns atrás dos outros, mais caindo do que correndo. Ao fundo, Carlinhos e outros dois garotos, que imaginou ser Gui e Percy, quase choravam de tanto rir. Encarou a foto por mais alguns minutos antes de passar para os gêmeos, que esboçaram a mesma reação de surpresa.
— O que isso quer dizer? — Fred foi o primeiro a falar.
— Eu não sei exatamente. Meu tio disse que já nos conhecíamos, mas que essa história deveria ser contada pessoalmente. E o Carlinhos agiu como se já me conhecesse no primeiro dia.
— E você só nos conta isso agora? — George encarava a foto enquanto falava.
— Desculpa se não achei relevante.
— Bom dia! — Carlinhos chegou e se sentou do seu lado, pegando uma torrada.
— Bom dia! — responderam juntos.
— Carlinhos — Winter pegou a foto da mão do George entregando para ele — Explica pra gente o que é isso?
— Eu me lembro desse dia — ele abriu um sorriso de orelha a orelha — Você e o Fred estavam tentando bater no George porque mamãe deu um chocolate para vocês dividirem e ele comeu inteiro.
e Fred gargalharam, se olhando com cumplicidade. George suspirou satisfeito.
— Faz todo o sentido — ela respondeu ainda rindo — Mas, porque eu já conheço vocês?
— Essa é uma conversa que você precisa ter com o Aaron, .
— Ele disse que ele deveria me contar isso pessoalmente — bufou irritada — E falando em contar, ele me pediu para te mostrar isso — entregou a carta e apontou para o parágrafo do emprego.
Carlinhos leu concentrado abrindo um sorriso enorme no final.
— Chefe do departamento de pesquisa e limitação de dragões? Esse é o meu emprego dos sonhos.
— Tenho certeza que eu posso pedir pra ele te levar pra conhecer um dia desses — sorriu.
— Mesmo? — o sorriso do ruivo se alargou ainda mais — Nem sei como agradecer — ele devolveu a carta e a garota colocou de volta no envelope, junto com a foto.
— Aposto que vou encontrar um jeito — a menina sorriu de lado — Bom, eu vou subir pra guardar isso aqui — apontou o pacote — Encontro vocês dois na aula e te vejo mais tarde, Carlinhos.
— Não esqueça, — ele chamou sua atenção — A seleção do quadribol é em três dias.
— Não vou esquecer — piscou para ele e se virou saindo do salão.
Carlinhos sorriu, pensando que com certeza ela esqueceria.



Capítulo 4

acordou com um piado agudo em seus ouvidos. Cookie estava sobre sua escrivaninha, a encarando atentamente enquanto sacudia suas asas.
— Oi pequena — a garota estendeu o braço para a coruja, que rapidamente voou para ele. Olhou para fora e o sol já estava na metade do céu, o que a fez constatar que provavelmente já teria perdido o café da manhã, se não o almoço — Posso saber o que te fez me acordar de madrugada em um sábado?
Cookie piou em indignação ao ouvir o termo madrugada e estendeu a pata para mostrar para a garota um pequeno bilhete que tinham amarrado perto de seus pés enquanto a coruja ainda dormia no corujal. franziu as sobrancelhas, desenrolando rapidamente o papel que dizia com uma caligrafia cuidadosamente desenhada: “Quadribol, 13h”.
— Por Merlin! — gritou tão alto que a coruja voou para o parapeito da janela — Me esqueci completamente de que era hoje.
Trocou de roupa o mais rápido que conseguiu e saiu cambaleando tentando descer as escadas e colocar o tênis ao mesmo tempo. O relógio no salão comunal marcava 12h40, e já sabendo que não teria tempo para almoçar, foi diretamente para a cozinha, na tentativa de roubar alguma coisa.
Abriu a porta silenciosamente e xingou ao ver professor Snape lá dentro. O que faria o homem, que tem fama de tirar pontos da Grifinória sem motivo algum, se visse um desses alunos assaltando a cozinha? precisaria passar despercebida.
Agradeceu mentalmente por tudo o que aprendeu com Aaron enquanto o tio estava em férias de Hogwarts, que eram os poucos momentos que passavam juntos antes dele se formar, e agradeceu mais ainda a bandeja de bolinhos que estava perto da porta, fora da visão do professor.
— Accio! — a garota sussurrou seis, sete vezes, guardando na capa os bolinhos, que um a um voavam em sua direção.
Chegou no campo a tempo de desejar boa sorte a Carlinhos, entregando junto um dos bolinhos que supostamente lhe daria essa sorte, não que ela achasse que ele precisava. Sabia reconhecer talento e era só o que ela via quando observava o garoto voar. Olhou para fora do campo e viu duas cabeças ruivas discutindo nas arquibancadas. Não demorou para correr até eles.
— O que aconteceu? — a garota perguntou assim que soube que seria ouvida.
— Combinamos que Fred ia nos acordar hoje, ele esqueceu e perdemos o almoço — o outro ruivo falou emburrado.
Winter gargalhou.
— O que seria de vocês sem mim? – riu novamente, colocando as mãos nos bolsos e tirando os seis bolinhos que faltavam — Eu peguei para todo mundo.
Fred se jogou em cima da garota, a envolvendo em um abraço.
— Menina, você é brilhante!
— Eu sei, eu sei. Agora, dois pra cada um e silêncio que a seleção vai começar.
Ela estava certa, todos estavam posicionados. Carlinhos estava no meio do campo e não demorou muito para o apito soar e a goles ser lançada.
Quase meia hora depois e uma oportunidade perdida por causa do outro apanhador que quase o jogou no chão, o ruivo estava a centímetros do pomo, finalmente conseguindo agarrá-lo. O trio gritava a plenos pulmões por ele, que sorria cada vez que ouvia seu nome, ficando ainda mais empolgado.
Quando o apito final tocou, mesmo antes de descer da vassoura, Carlinhos já sabia que tinha ganhado a vaga. Foi recebido com uma salva de palmas, seu olhar correndo para as arquibancadas atrás de seus irmãos. Três pares de braços envolveram sua cintura falando desenfreadamente sobre sua performance.
foi a primeira a soltá-lo.
— Você foi incrível — a garota sorria largamente — Nada nem sequer relou em você, além daquele outro apanhador idiota.
O garoto riu do jeito da menina.
— Nosso irmão é brilhante — George disse.
— Um gênio — Fred completou.
— O melhor de todos — a grifinória sorriu.
— Vocês são os melhores, nem sei o que falar — o garoto corou levemente.
— Que tal falar “vamos comer doces pra comemorar”? — pulou — É por minha conta.
Os garotos seguiram para o salão comunal da Grifinória e comeram todos os doces que Aaron tinha mandado no dia anterior. Carlinhos nem se importou em comemorar com o resto do time, estava feliz que seus irmãos estavam em Hogwarts e em ótima companhia. Passou as férias anteriores preocupado dos gêmeos fazerem outros amigos e manterem distância do irmão mais velho. Imagina se o Percy fosse o único Weasley que falasse com ele na escola? Não, Carlinhos não aguentaria. Mas sempre tinha sido uma boa garota e o ruivo desejava estar por perto quando ela se lembrasse de seu histórico com a família Weasley.

Alguns meses se passaram até o primeiro jogo de quadribol do Carlinhos. Depois de muitas aulas maçantes de história da magia com um professor que por algum motivo estava morto, poções bem esquisitas e muitas escapadas noturnas a floresta proibida, o trio finalmente foi assistir ao primeiro jogo do outro Weasley.
Estavam tão ansiosos para o jogo começar que mal tomaram café e já foram direto para as arquibancadas. A única pessoa além deles que já tinha chegado era Olivio Wood, dois anos mais velho, que aparentemente era completamente obcecado por quadribol. Talvez tenham tirado essa conclusão por ser o único grifinório presente ou talvez pela quantidade de bandeiras de sua casa que o cercava, ou talvez ainda uma junção das duas coisas. Por algum motivo, tinha ficado completamente encantada com o garoto, demorando para perceber que os gêmeos estavam falando com ela. Quando saiu de seus devaneios, resolveu falar de uma coisa que rondava sua cabeça a certo tempo.
— Vocês deveriam entrar para o time no ano que vem — comentou — Gostam tanto do esporte, voam super bem e tem uma força enorme para quem tem onze anos — se referiu a umas noites atrás quando precisaram mover uma rocha enorme no meio da floresta e os gêmeos quase não tiveram dificuldade para tirá-la do lugar.
— Andamos pensando nisso. Esses dias estávamos comentando sobre a possibilidade de fazer testes para batedores no ano que vem — Fred coçou a nuca, pensando na conversa que teve com George na noite anterior.
— Com certeza, os batedores que estavam na seleção não chegam nem aos pés de vocês dois.
— Sabemos disso — Fred riu — E realmente não é uma má ideia tentar no ano que vem.
— Olha isso — apontou os batedores que acabaram de tomar suas posições — Eles não tem postura, não tem graça, e nem são gêmeos!
No fundo ela não sabia se estava tentando incentivar os meninos ou só estava de implicância mesmo. Os batedores eram bons, mas na noite anterior ela sem querer ouviu os gêmeos conversando no salão comunal sobre quererem entrar na posição mas não terem certeza se eram bons o suficiente. O que realmente chocou a garota, pois nunca tinha sequer imaginado que aqueles garotos teriam alguma insegurança. Ficou tão pensativa que até desistiu de dar sua escapada para a cozinha, voltou para o quarto e foi dormir pensando em como abordaria o assunto com eles no dia seguinte.
O jogo finalmente começou. Grifinória e Lufa Lufa entraram em campo, os dois times parecendo bem ansiosos. Se cumprimentaram brevemente e subiram em suas vassouras, levitando levemente. O goleiro tinha se dirigido para o seu posto, mas parecia cansado antes mesmo do jogo começar. O resto do time parecia mais animado. Carlinhos também tinha começado a voar e parecia estar tentando se concentrar na partida, apesar da luz do sol tentar ofusca-lo.
A madame Hooch soou o apito e o jogo começou. Carlinhos voava ao redor do campo tentando identificar o pomo de ouro, enquanto o apanhador da Lufa Lufa mantinha seus olhos no rival. Uma goles veio a toda velocidade na direção do goleiro, que em um só lance a jogou o mais longe que pode com a cauda da vassoura.
— Boa! — a garota gritou, se levantando para aplaudir.
— Ele pode não parecer a pessoa mais simpática do mundo, mas não é um goleiro ruim — Fred concordou, olhando novamente para o campo onde o goleiro mantinha seus olhos em um dos artilheiros dos texugos.
Pouco depois Carlinhos saiu de vista, provavelmente tendo visto o pomo ou só tentando despistar o apanhador da Lufa Lufa. De qualquer jeito o apanhador foi atrás dele e os dois saíram sem nada em mãos.
— Carlinhos parece que viu o pomo — dizia o narrador do jogo.
— Brilhante conclusão, narrador — o menino que foi no barco junto com o trio revirou os olhos — O Carlinhos claramente aproveitou a distração do apanhador do outro time para fingir que tinha visto o pomo e testar o quão rápido o outro apanhador consegue segui-lo. Foi genial.
Olharam impressionados para o menino, que sorria satisfeito com a atenção.
— Lino Jordan, não? — a grifinória lembrava de vê-lo em algumas aulas, sempre falando para quem quisesse ouvir.
— Isso mesmo! E vocês são Fred, George e ?
— É o que dizem. Porque você não narra o jogo aqui pra gente, Lino? — Fred sorriu amigavelmente enquanto os outros dois concordavam.
— Sério? Isso seria ótimo.
Nesse momento um artilheiro da Lufa Lufa tinha jogado a goles bem no meio da barriga do Wood, que se contorcia em cima da vassoura. Todo o time da Grifinória ficou mais agitado.
— EEEEEE JOHNNY REYNALDS DA LUFA LUFA ACABA DE ACERTAR O ARO ERRADO PROVAVELMENTE DANDO MOTIVO PARA UMA BELA DOR DE ESTÔMAGO MAIS TARDE — Lino gritava empolgado que alguém quisesse te ouvir — O TIME VAI A LOUCURA QUERENDO CADA VEZ MAIS FAZER SANDUÍCHE DE TEXUGO.
— Você sabe o nome de todo mundo? — falou rindo, jamais imaginaria o nome completo dos jogadores do outro time. E jamais saberia o sobrenome se não tivesse escrito na camisa.
— Na verdade não — Lino sussurrou — Eu inventei o “Johnny”. Achei que ia dar mais ênfase a bolada no estômago ali.
O jogo seguiu sem demais complicações, com comentários aqui e ali sobre a performance do time e falas cheias de emoção vindas de Jordan que realmente se empolgava com o quadribol.
— O QUE É ISSO? - Lino apontava para o outro lado do campo, onde Carlinhos voava a toda velocidade — O WEASLEY DEFINITIVAMENTE VIU O POMO DESSA VEZ E CORRE A TODO VAPOR ATRÁS DA VITÓRIA. PARECE QUE VOCÊ NÃO FOI RÁPIDO O SUFICIENTE, HEIN LUFANO? NÃO VAI ALCANÇAR O CARLINHOS, NÃO VAI ALCANÇAR O CARLINHOS.
Um coro havia se formado na arquibancada da Grifinória. Todos os alunos entoaram “Não vai alcançar o Carlinhos” enquanto os Lufanos se desesperavam no outro lado. Todos os outros jogadores pararam para olhar a captura ao pomo.
— NÃO VAI ALCANÇAR O CARLINHOS, NÃO VAI… O QUE É AQUILO NA MÃO DELE? ELE CONSEGUIU!!!!!!! ELE CONSEGUIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E A VITÓRIA É DA GRIFINÓRIAAAA!
As arquibancadas explodiram em coros de vitória. O jogo tinha sido completamente incrível.
— Foi definitivamente a melhor narração que eu já ouvi, obrigada Lino — agradeceu enquanto se dirigia ao meio do campo com os gêmeos. Abraçaram o apanhador, elogiaram até ele ficar vermelho e combinaram de fazer alguma coisa mais tarde, depois das celebrações com o time. Ele merecia comemorar a vitória quantas vezes fosse possível.

— WEASLEYS — o professor Snape gritava a plenos pulmões — Eu posso saber porque os seus deveres e os da Winter estão iguais mais uma vez?
— Simples, professor — George tentou fazer a voz mais doce possível — Porque mais uma vez a tarefa era a mesma para nós três.
— Eu não aguento mais essas gracinhas — ele berrava — Menos dez pontos para a Grifinória! Não, menos vinte pontos para a Grifinória! Vinte para cada um de vocês.
O trio evitava se olhar pois não queriam explodir em gargalhadas e piorar a situação para suas casas. Embora soubessem que eram os que mais perdiam pontos. Parecia quase pessoal.
Os meninos assentiram e voltaram a se concentrar na poção, que tinha atingido uma cor verde amarelada.
— Alguém sabe me dizer porque o Snape surtou dessa vez? — sussurrou — Não fizemos nada de errado.
— O problema tá justamente aí — George sussurrou de volta — Ele deve ter surtado porque "mais uma vez" ta tudo certo. Vocês sabem que ele inventa de onde tirar pontos.
— Então porque não damos um motivo? — Fred sorriu, analisando a receita em sua frente — Dos ingredientes que estão no caldeirão, nós estamos na metade de uma poção explosiva.
— O que é bem diferente de uma poção do sono — também sorriu.
— E a gente ainda pode guardar um pouquinho pra usar depois — George piscou — Vai Fred, pega um pouco de chifre de erumpente sem o Snape perceber. E mais um pouquinho pra gente guardar.
Fred voltou depois de alguns minutos dois frascos de um pó verde.
— Dois frascos? Tá querendo explodir Hogwarts inteiro?
— Isso dá pra usar por uns meses, não tá ótimo?
— Ta perfeito, me dá ai — George colocou cinco gotas dentro da poção, mexendo três vezes para o sentido horário e cinco para o sentido anti horário. A poção rapidamente começou a ficar avermelhada.
— Protejam os rostos — sussurrou — Em três, dois…
Um cheiro azedo subiu no ar, junto com muita fumaça e uma gosma vermelho brilhante. Ninguém conseguia ouvir nada devido ao estouro, exceto o trio que estava preparado.
— DETENÇÃO — ouviram Snape gritar — ESSA FOI A GOTA D'ÁGUA! DETENÇÃO! EU NÃO AGUENTO MAIS VOCÊS TRÊS!
— E nem chegaram as férias de natal ainda — riu.
— O FILCH VAI ADORAR CASTIGAR VOCÊS TRÊS. PARA FORA DA MINHA SALA! AGORA!!!!!
Os bruxos saíram rindo, como era a última aula do dia, teriam que ir direto para a detenção.
— Já tava mesmo na hora de darmos um pulo na sala do Filch ne? — George comentou.
— Realmente, George — Fred sorriu — Vamos ver o que a gente encontra por lá.





Continua...



Nota da autora: Espero que gostem de fazer parte da família Winter!





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