Última atualização: 18/05/2018

Prólogo

Não sei quantos dias haviam se passado desde que eu vira pela última vez. Ele não bateu em minha porta, para ver se eu estava bem, como sempre fazia, e eu não escutava barulho algum feito por ele ou pelos outros. Haviam tantas coisas que eu queria perguntar! Para começar, obtivemos sucesso em nossa missão? Precisaríamos, realmente, passar mais tempo dentro da Orion? Será que ele e Martin conseguiram reestabelecer contato com a NASA? E, principalmente, eu queria muito saber o que ele estava pensando de mim. Mas, fora isso, eu estava muito bem, obrigada, dentro de meu compartimento – ou quarto, como preferir.

Bom, talvez não tão bem assim, considerando que eu não parava de repetir mentalmente nossa última conversa.

finalmente abaixou sua guarda e me disse tudo que eu sempre quis ouvir sair de sua boca. Mas, ao invés de lhe dizer que eu sinto o mesmo, eu simplesmente lhe dei as costas e saí, vindo para meu compartimento, sem sair dali desde então. Eu ignorei todo o juramento que fiz como astronauta e deixei meus sentimentos atrapalharem minhas tarefas na missão. E eu sabia exatamente o porque de ter feito isso.

Eu era uma covarde.

Enquanto tinha se aberto e sido sincero comigo, expondo seus sentimentos, eu ainda escondia um segredo dele. Eu não tinha coragem de lhe olhar nos olhos e contar o que ninguém sabia, além de mim. Não tinha coragem de me abrir com ele sobre os motivos que me fizeram pedir transferência, logo após completar o meu treinamento na NASA, na época. Não sabia como lhe dizer que havia engravidado dele, anos antes. Não sabia como ele reagiria ao saber que escondi esse fato dele, e que, além de tudo, eu perdi nosso bebê.


Capítulo 1

– Alv, você só pode estar de brincadeira comigo! – exclamou, extremamente indignada, enquanto levantava-se da cadeira e batia sua mão direita na mesa de reuniões, fazendo com que os outros astronautas que estavam ali se sobressaltassem.
– Eu tenho cara de quem está brincando? – Alvin, supervisor da missão CR3-MA, falou a , enquanto observava a engenheira andar para lá e para cá dentro da sala.

O homem estava com sua caneta em mãos, apertando-a sem parar, fazendo um barulho insuportável. Ele nem se deu ao trabalho de levantar de sua cadeira, pois já estava familiarizado com os surtos de sua enteada, e sabia que não deveria ceder às suas reclamações. Oh, sim, Cohen era filha da esposa de Alvin, e ele era seu padrasto. Alvin e a mãe de , Joan, se casaram quando a menina ainda era adolescente. Ele o amava como sua filha, e o considerava tanto quanto um pai.

, seja menos histérica, por favor. Você está me dando dor de cabeça. – Martin, o astronauta comandante da missão, comentou e levou seus dedos até suas têmporas, massageando-as.
revirou os olhos para o loiro e continuou a esbravejar:
– Alvin, você, mais do que ninguém, sabe de meu passado com ele! E você também, Martin! – Apontou para os dois e continuou a andar de um lado para o outro, batendo os pés com força no chão, demonstrando sua revolta. – E agora eu devo simplesmente aceitar o fato de que terei que passar 400 dias com ele dentro da Orion3? E pare de apertar essa caneta, por Deus, Alv!

Martin e Ethan se entreolharam, segurando o riso. Os dois sabiam que, além disso, também estava irritada por ser a única mulher na missão. Não que fosse um problema conviver durante 400 dias com três homens que pareciam ter saído de um catálogo da Calvin Klein, mas, qual é? Nenhuma mulher? Sério? Ela enlouqueceria com tanta testosterona ao seu redor.

– Primeiro, eu só sei o que você contou a mim e a sua mãe, nada mais que isso. Não me parece tão difícil superar um casinho que você teve durante o treinamento. – Alvin levantou a mão e começou a enumerar os fatos com seus dedos, enquanto o olhava prestando atenção. – Segundo, não admito que use esse tom comigo aqui dentro, e você sabe disso. Terceiro, quem quis voltar para cá foi você, já trabalhava aqui, só estava afastado nos últimos meses. Quarto, você está preparada para essa missão e ponto final! Pode reclamar o quanto for, nada vai mudar o fato de que você e irão juntos para Marte! A engenheira bufou, derrotada, e voltou a se sentar em sua cadeira, puxando-a sem delicadeza alguma para perto da mesa.
– Minha mãe vai te odiar por me designar para uma missão com duração de 400 dias. Você sabe disso, não sabe? - questionou.
Alvin sorriu sem mostrar os dentes e concordou com a cabeça. Ele iria ouvir muito de sua esposa assim que chegasse em casa. Porém, ele não podia fazer nada. O que seus superiores decidiam, ele concordava. O que lhe mandavam fazer, ele fazia. Simples assim.

Algumas batidas foram ouvidas e a porta se abriu, fazendo com o que os quatro ali presentes olhassem para a entrada da sala. colocou a cabeça para dentro e seu olhar caiu diretamente em . A princípio, ele não reconheceu a mulher, mas depois de alguns segundos encarando-a, ele finalmente a identificou.

Era ela, não era?
.

Depois de todo esse tempo, ela estava ali, em sua frente. A única mulher que ele havia amado em sua vida, mesmo não tendo dito isso para ela, na época em que estiveram juntos. sempre foi um garanhão. Quando começou a se relacionar com durante o treinamento, a garota se apaixonou por ele logo de cara. Mas , no início, não sentia nada mais que atração. Uma forte atração, mas era só isso. Durante os meses em que ficaram juntos, ele nunca quis assumir o que eles tinham, mesmo deixando claro que não queria ser só mais uma em sua vida.

E ela não foi, mas não sabe disso.

Ele saía e se divertia com seus amigos, ficava com outras mulheres. Não eram exclusivos um do outro. Isso estava claro para os dois, mas não estava satisfeita. só foi perceber que estava apaixonado por ela quando a garota sumiu, de repente, sem dar explicação alguma.

É aquela velha história, não é? Você só percebe que ama alguém quando essa pessoa vai embora.

Ele achou que ela havia se cansado de suas desculpas e simplesmente resolveu partir. se culpou por não ter entendido antes o que sentia por ela. Os dois nunca mais se encontraram. Ele não sabia para onde ela havia pedido transferência e não lhe passaram essa informação na época, então não teve como ir atrás da mulher. Mas agora, por coincidência do destino, ou não, eles iriam trabalhar juntos novamente. E uma chama de esperança, mesmo que pequena, se acendeu dentro de .

estava mais bonita do que era há alguns anos atrás. Seus cabelos loiros escuros, antes compridos, agora estavam mais curtos. Seus olhos tão expressivos continuavam iguais, se não mais intensos ainda. Sua boca... Será que sua boca ainda era macia como ele se lembrava? E seu corpo? Agora deveria ser mais curvilíneo do que antigamente, com certeza.

, por sua vez, perguntava-se se o tempo havia passado para . Cinco anos ser ver o homem e ele estava ainda mais bonito e gostoso desde a última vez que se viram. Era inacreditável. Seus olhos azuis ainda tinham aquele brilho único. Seu rosto estava coberto por uma barba rala, que lhe deixava mais atraente. A única diferença é que agora ele estava mais encorpado, musculoso.

Extremamente gostoso, para o azar de .

Ela sabia que todos os sentimentos que nutria por não haviam se esvaído. nunca o esqueceu, apenas o trancou a sete chaves no fundo do seu coração, junto com todas as lembranças boas que tinha do homem. Os motivos pelos quais pediu transferência logo após o treinamento terminar ainda a machucavam, e ela nunca os dividiu com ninguém. Guardou tudo para si. Ela gostaria de poder ignorá-lo, mas sabia que isso não seria possível. Então, optou por trata-lo com indiferença. Em sua cabeça, isso seria o suficiente para impedir que seu amor por ele voltasse com tudo.

arriscou um sorriso em sua direção, mas continuou séria, encarando-o, olhando diretamente nos olhos azuis do médico. Os dois só pareceram se lembrar que haviam mais pessoas na sala quando ouviram alguns pigarros. Ele ajeitou sua postura e finalmente quebrou o contato visual entre eles, virando-se para o supervisor ali presente.

– Com licença, Alvin. Me disseram que você estava à minha espera. – falou, enfim entrando na sala por completo e fechando a porta atrás de si.
– Sim, . Sente-se, por favor. – Indicou a cadeira ao lado de . – Acredito que já conheça minha enteada, . E os astronautas Ethan Draw e Martin Lewis.

Ah, Martin Lewis. Loiro, de olhos castanhos, completamente lindo. Tinha uma pinta de surfista. Mas era só a pinta, mesmo. Ele e eram melhores amigos há algum tempo, desde que se conheceram na faculdade de engenharia, quando a garota transferiu sua graduação.

Já Ethan Draw tinha olhos verdes, cabelos castanhos e pele negra. Um belo pedaço de mal caminho, arrancava suspiros por onde passava. Astronauta já há alguns anos, essa seria sua segunda grande missão.

deu alguns passos até a mesa.
– E aí, Lewis. Draw. – cumprimentou-os com um aperto de mão e então deu a volta na mesa de reuniões, indo até o lugar que lhe foi indicado. Ele afastou a cadeira e se sentou, bem ao lado de .
A mulher mantinha seu rosto virado para frente, com o olhar em qualquer lugar que não em .
– Fizemos o treinamento juntos. – O médico comentou, virando sua cabeça para olhar diretamente para .

Ao perceber que os olhos do homem estavam em si, teve que se esforçar para reagir de alguma maneira. Acabou esboçando um sorriso falso, sem abrir a boca e balançou a cabeça, concordando com ele. Martin e Ethan riram baixinho e receberam, cada um, um chute na canela.

– Já fazem o que, 3 anos? – questionou, ainda sem desviar seu olhar da loira.
– Quatro. – respondeu, apenas, e voltou seu olhar para Alvin, encarando-o, implorando para que ele começasse logo a falar sobre a CR3-MA.

balançou a cabeça em concordância e também se virou, olhando para o supervisor em sua frente. Os quatro astronautas, agora, tinham o olhar fixo em Alvin.

– Então, , como expliquei para eles anteriormente, vocês foram os astronautas designados para a missão CR3-MA. Todos já têm o treinamento necessário e estão prontos para isso. Acredito que já tenha recebido o comunicado, mas, preciso perguntar se você está de acordo e pretende aceitar a missão.
– Sim, Alvin, estou de acordo. E aceito a missão.
Alvin sorriu brevemente para e continuou:
– Vocês irão como tripulantes da Orion3, nossa mais nova espaçonave. Já realizamos testes em outras duas versões dela e tudo ocorreu maravilhosamente bem. Acredito que já tenham ouvido falar na Orion1 e 2, certo?
Todos balançaram a cabeça ao mesmo tempo, mostrando que sim, estavam familiarizados com as espaçonaves que ele citou.
– A princípio, a CR3-MA está programada para durar pouco mais de 400 dias. Martin será o comandante, Ethan irá como especialista de missão, e você e serão especialistas em carga útil. A missão consiste em pousar em Marte, e trocar e reparar os nossos satélites que existem no planeta, porque eles foram danificados devido a última tempestade que ocorreu. – Alvin fez uma pausa e deslizou pela mesa quatro pastas com o logotipo da NASA, com os nomes dos profissionais que ali estavam. – Aqui está o contrato de cada um, bem como todas as instruções de preparo para a missão. Mesmo vocês já estando habituados as nossas espaçonaves, a Orion3 é a mais moderna, portanto, é imprescindível que compareçam aos testes e leiam os manuais que acompanham as instruções.

Os astronautas assentiram para Alvin, enquanto abriam os materiais recém recebidos. folheou as páginas do contrato, passando os olhos rapidamente por elas antes de assiná-lo. Não era nada que ela já não tinha lido e se tivesse algo novo, Alvin a teria avisado. Mesmo tendo trabalhado durante os últimos anos em outra base da NASA, as burocracias eram as mesmas. , Ethan e Martin fizeram o mesmo e fecharam a pasta após assinarem o contrato.

– Se me permite perguntar, Alvin, não é necessário que um engenheiro vá também? As missões exigem, no mínimo, um médico e um engenheiro. Eu sou o médico, mas...
é engenheira, . – Alvin respondeu, e virou seu olhar para a mulher, erguendo as sobrancelhas, demonstrando sua surpresa.
– Eu não sabia que você chegou a finalizar o curso, . – O homem falou, fazendo com que ela o olhasse. – Achei que tivesse parado quando foi embora.

Óbvio que esse assunto surgiria, mesmo que nesse contexto, pensou .
Antes de responder, ela respirou fundo e balançou a cabeça, negando.

– Transferi a faculdade, também. – contou, voltando sua atenção para Martin, olhando-o como se pedisse socorro.
– Ela se formou comigo. Terão dois engenheiros a bordo. – Martin comentou, esclarecendo as dúvidas de , que somente concordou com a cabeça.
Alvin soltou um riso baixo e se ajeitou em sua cadeira antes de falar:
– Bom, por hoje é só isso. Vocês partem em um mês. Estejam aqui na segunda-feira para iniciarmos os testes.

suspirou e se levantou rapidamente, agradecendo aos Deuses pela reunião ter chego ao fim. Estava difícil ficar ao lado de . Ela pegou sua pasta e foi até a porta.

– Até depois, Martin. E considere-se morto se não aparecer, Draw. – Cumprimentou o melhor amigo e intimou Ethan. Ela apenas acenou para os outros dois, e saiu logo em seguida, fechando a porta atrás de si.

Os homens trocaram um olhar significativo, por conta da pressa com que a mulher se retirou e deram de ombros.

– Bom, também já vou. Nos vemos a noite, Draw. Você ouviu a fera. – Martin disse para o amigo e se despediu do restante, saindo pela porta também.
Ethan apenas riu e concordou com a cabeça.
– Vocês se importam se eu for...? – perguntou, apontando para a porta por onde saiu momentos antes, deixando implícita a sua vontade de ir atrás da mulher.
– Vá, vá! Já deveria ter ido. – Alvin riu e balançou sua mão, dispensando o homem.

passou a mão por sua roupa, ajeitando-a, e se levantou, começando a andar em seguida, mas parou quando foi interrompido.

! O que vai fazer hoje a noite? – Ethan questionou.
– Sem planos. Por que? – Respondeu, um pouco surpreso pela pergunta.
– Apareça no Molly’s as 21h. – Convidou-o e se virou para conversar com Alvin.

concordou com a cabeça e enfim se dirigiu até a porta, saindo pela mesma. Olhou para os lados e não viu em lugar algum. Acabou resolvendo ir pelo lado direito, em direção ao estacionamento. Ele acelerou um pouco o passo, tendo que desviar de algumas pessoas pelo trajeto. Quando virou à esquerda para entrar em um corredor, esbarrou em alguém e apenas murmurou um pedido de desculpas rápido antes de continuar seu caminho. Contudo, algo o fez parar.

– Qual é o seu problema? – Ouviu a voz de perguntar.
se virou, encarando a mulher em sua frente. Ela se abaixou para pegar sua pasta que havia caído no chão e agora passava uma de suas mãos pelo cabelo, ajeitando-o.
– Meu problema? – questionou, dando alguns passos para se aproximar dela.
– Sim! O seu problema! – falou novamente, seu tom de voz impaciente, enquanto os olhos azuis de a encaravam.
– Eu estava... Eu só estava te procurando. Achei que já estivesse no estacionamento. – O homem respondeu, levando sua mão até seu cabelo, bagunçando-o.

acompanhou seus movimentos e mordeu seu lábio inferior por dentro. Teve que respirar fundo e se lembrar de que deveria trata-lo com indiferença.

– Me procurando? – perguntou, um pouco surpresa. Ela se mexeu, apoiando o peso do corpo em sua perna esquerda.
– É. Eu gostaria de conversar. – deu mais alguns passos e parou bem próximo a astronauta.

, instintivamente, deu dois passos para trás. , ao perceber o movimento da mulher, completou:

– Se você quiser.
– Nós não temos nada para conversar. – afirmou a ele antes de desviar seu olhar e recomeçar a andar pelo corredor em que estavam.
a seguiu, acelerando o passo para acompanhar a mulher.
– Ah, qual é, ? Temos muito o que conversar. – Ele falou quando a alcançou, e agora os dois caminhavam lado a lado.

não queria ter essa conversa. Não agora. Na verdade, se pudesse, ela não teria essa conversa nunca. Contudo, ela sabia que isso seria impossível, ainda mais agora que o homem voltará a estar presente em sua vida.

A engenheira permaneceu em silêncio. , então, percebendo que não obteria resposta, resolveu ser direto:
– Por que você foi embora?

A mulher parou de supetão ao ouvi-lo e teve que inspirar e expirar o ar algumas vezes, antes de se virar e ficar frente a frente com .

– Eu não quero conversar. Nem hoje, nem amanhã e nem depois. – falou firmemente, tentando evitar o contato visual direto com ele.
O brilho que havia nos olhos do homem se apagou, mas ele logo tratou de piscar e balançar a cabeça para os lados. abriu um sorriso irônico para a mulher.

– Você não era assim, .
– Não me chame de ! – Ela levantou a voz, apontando o dedo indicador para ele.

Ao perceber que fez isso, ela tratou de abaixa-lo na hora. respirou fundo e balançou a cabeça.

– Não me chame de . – Repetiu, um pouco mais calma. – E eu não era como? Ainda sou a mesma.
abriu um sorriso melancólico.
– Ah, mas não é mesmo! Agora você está grossa. Irritada. Tão... – Maravilhosamente linda, pensou. – Indiferente. Você costumava ser mais calma. Era doce. O brilho de seus olhos era diferente.

se surpreendeu com as palavras de .

Era verdade. O que ele falou, era a mais pura verdade. Não que agora ela fosse alguém ruim. A de antigamente ainda estava nela, mas só existia para pouquíssimas pessoas. Sua mãe, com certeza. Alvin, quem sabe. Seu melhor amigo, Martin. E seu gato, Ronron, sem dúvida nenhuma. O fato era que, com o passar do tempo, construiu uma imagem para se proteger. Era mais fácil dessa maneira. Porém, se dissesse que não sentia falta de ser ela mesma o tempo todo, estaria mentindo.

Seu maior desejo era poder quebrar essa barreira que criou ao redor de si, mas ela não conseguia. E só havia uma pessoa no mundo que seria capaz disso, e ele estava parado em sua frente. 

– Eu só gostaria de entend... – recomeçou a falar depois de alguns segundos de silêncio.

foi puxada de volta para a realidade quando o ouviu começar a falar e logo interrompeu:

– Não tem nada para entender, . Eu não sou mais a mesma de antigamente e duvido que você também seja. Nós tivemos algo, eu fui embora e hoje não temos mais nada. Entendeu ou vai precisar que eu ilustre para você?

ergueu as sobrancelhas, surpreso com a agressividade de . Ele levantou as duas mãos em sinal de rendição e deu alguns passos para trás, afastando-se dela.

– Uau! Não me lembro de você algum dia ter falado assim comigo. – passou as mãos pelo cabelo e deu uma risadinha incrédula, balançando a cabeça. – Você realmente mudou. Nem parece a mesma pessoa. Mas, tudo bem. Já entendi. Não precisa se dar ao trabalho de ilustrar nada. – Finalizou, fazendo aspas com os dedos quando pronunciou a palavra ilustrar.

lhe deu as costas e começou a se afastar imediatamente, andando em direção à saída. Será que ela havia pego pesado? Bom, não importava.

também retomou seu caminho, andando mais devagar para não alcançar o homem a sua frente. Temporariamente, havia se livrado de conversar com . Ela abriu um sorriso de lado ao constatar isso. alcançou a saída do prédio, e ao sair pela mesma, viu conversando com alguns homens. Acelerou seu passo e continuou a caminhar em direção ao seu carro. Porém, antes que se afastasse o suficiente, ela ouviu a voz de :
– Tchau, .

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– Eu devo ter jogado pedra na cruz, não é possível! – exclamou assim que fechou a porta de seu apartamento.

A mulher largou sua bolsa de qualquer jeito em cima da mesa e foi até o sofá no meio da sala, jogando-se no mesmo em seguida. Ela respirou fundo e soltou o ar pela boca, bufando. Ainda não tinha engolido o fato de que teria a companhia de por 400 dias.

Uma bola de pelos laranja apareceu no sofá e se aproximou de sua dona. O gato foi até e subiu em seu colo, esticando sua cabeça e esfregando-a no rosto da mulher.

– Ronron, o que eu irei fazer com você? – questionou, afagando a cabeça do gato. – Como vou ficar mais de um ano sem ouvir seus miados?
Ronron miou para a dona, como se a estivesse respondendo, e deu uma pequena lambida na mão dela que estava em sua cabeça.
– Vou perguntar ao Alvin se você pode ser o primeiro gato a ir para o espaço! O que acha? Você gostaria, não é? – perguntou. Aquela possibilidade era tão absurda que a fez rir.  – Ah, eu vou sentir tanto a sua falta, Ronron. – Completou, sem parar de fazer carinho no amontoado de pelos alaranjados.
O gato se esticou e deitou-se ao lado de .
– Você gosta de minha mãe e do Alv, não é? Provavelmente será com eles que você vai ficar enquanto eu estiver longe.
se aconchegou no sofá e puxou Ronron para o seu colo. Os dois acabaram caindo no sono juntos.

Um toque de celular foi o que a fez acordar, cerca de duas horas e meia depois. tateou o sofá, procurando o aparelho. Quando o achou, atendeu ainda meio sonolenta.

– Hm. – Resmungou.
– Você me disse que se eu não aparecesse eu seria um homem morto. Engraçado, porque aqui estou eu. Mas cadê você? – Ethan falou ao telefone, fazendo a mulher se sobressaltar ao perceber que horas eram.
– Porr...caria! – exclamou, levantando-se do sofá.
– Achei que te ouviria falar um palavrão pela primeira vez, . – Ethan brincou, fazendo-a rolar os olhos, como se ele pudesse ve-la.
– Cale a boca, Draw. Chego em 20 minutos. – E desligou.

correu para o banheiro e tomou uma ducha rápida. Como não teve tempo de lavar seu cabelo, o prendeu em um rabo de cavalo alto. Passou uma maquiagem simples no rosto, com um delineador e um batom nude. Decidiu por usar uma saia preta colada, que descia até um pouco acima de seu joelho, e uma regata de cetim vermelha soltinha. Colocou um sapato de salto baixo e após arrumar sua bolsa, despediu-se de Ronron e saiu de seu apartamento.

Como o Molly’s era ali perto, cerca de duas quadras, optou por ir a pé mesmo. Alguns minutos depois e já estava entrando pela porta. Ela olhou para os lados, procurando seus amigos, e quase não acreditou quando os encontrou.

– Ah, não. Só podem estar de brincadeira comigo! – Exclamou, pela segunda vez no dia.

Martin e Ethan estavam sentados em uma mesa bebendo cerveja. O problema era que estava com eles.
Lindo, como sempre. Novamente para o azar de .
Oh, Deus, por quê? Se isso for coisa de Martin, ele…

! – Ethan a chamou, acenando para ela e interrompendo seus pensamentos.
abandonou seus pensamentos e abriu um sorriso forçado na direção dos amigos. E então se pôs a andar até a mesa em que eles estavam.
– Você chegou em... – Martin fez uma pausa, olhando para seu relógio de pulso. – 25 minutos. Parabéns, temos um novo recorde!
A loira revirou os olhos para ele e puxou uma cadeira, sentando-se.
– Credo, quanto mau humor. Nem parece que hoje é seu aniversário. – Ethan falou.
– Você sabe que não gosto de comemorar meu aniversário. Então, virmos aqui hoje é só uma formalidade. E também porque Martin me encheu o saco.
– Ei, eu não... – Martin se defendeu, mas a amiga o cortou.
– Cale a boca. E me dê uma cerveja. – pediu, fazendo com que ele abrisse uma careta para ela.
– Parabéns, . – se pronunciou pela primeira vez, fazendo com que a mulher virasse o rosto em sua direção.

Ele realmente estava lindo, usando uma camisa de gola polo na cor azul. Seus braços musculosos pareciam estar ainda maiores. Ah, fazia tanto tempo desde que as mãos do homem tinham percorrido seu corpo...

– É, é. Que seja. Obrigada. – Agradeceu, dando um gole em sua cerveja logo em seguida.
– Ela odeia aniversários. – Martin comentou. – Desde que nos conhecemos, nunca a vi comemorar esse dia como pessoas normais comemoram.
– Obrigada por me chamar de anormal, querido. Também te amo. – disse ao amigo de maneira irônica e apertou as bochechas dele.
Martin afastou as mãos dela e os três homens riram, o que fez com que ela acabasse rindo também.
– O que acham de jogarmos sinuca? A mesa está vazia. – Ethan comentou e apontou para a mesa próxima a eles.
– Não cansou de perder para nós, Draw? – Martin questionou e ele e riram.

Todas as vezes em que iam ao Molly’s, Draw perdia na sinuca. Fosse contra ou contra Martin, o resultado era sempre o mesmo.

– Eu estava sempre em desvantagem. Hoje temos como jogar em duplas. – Ethan deu de ombros e bebeu um gole de sua cerveja.
– Acho que deveríamos mudar as duplas hoje. – Martin sugeriu.
– O que? Por quê? – perguntou, seu tom de voz um pouco acima do normal.
deveria escolher quem quer como sua dupla. É a primeira vez que ele sai com a gente. – O loiro respondeu, recebendo um olhar torto de .
– Por mim tudo bem. Quero a . – decidiu.
engasgou e cuspiu toda a cerveja que tinha em sua boca.

O quê?
Tudo bem que o assunto era sinuca, mas... Precisava ser assim, tão literal? E ainda usar o apelido que ela tanto odiava?
Ok. Ela não odiava.
Acontece que o único a chama-la dessa maneira era .
E cada vez que ele se referia a ela com o apelido, algo dentro dela acendia, quase como uma chama de esperança. E isso não podia acontecer.

– Tudo bem? – Martin perguntou à engenheira e ela balançou a cabeça, concordando.
– Engasguei. – Explicou. – Vou ao banheiro. Comecem sem mim, já volto.
esvaziou seu copo de cerveja em um só gole e se afastou da mesa dos amigos. Contudo, ao invés de ir para ao banheiro como havia anunciado, a mulher foi para o bar.

Quando chegou lá, ela se sentou em um banco e ergueu a mão para chamar um garçom.
– Tequila. – Pediu.
Assim que a bebida chegou, ela a bebeu, virando de uma vez só. O garçom se aproximou e pediu outra.
– Noite ruim? – O homem que estava sentado ao lado dela perguntou, assim que a viu virar a terceira dose de tequila.
– Algo assim. – Respondeu, sem se dar ao trabalho de virar para ele.
– Bom, o que você acha de irmos para…
– Não. – Ela falou firmemente enquanto passava a ponta dos dedos pela borda de seu copo.
– Mas você nem olhou para mim! – Ele rebateu e se aproximou de , que nem se mexeu.
– E nem preciso. A resposta é não. – negou mais uma vez.

O homem bufou, irritado, e se levantou, ficando atrás dela. Ele colocou suas mãos na cintura da mulher, que, em um movimento rápido, se virou e agarrou o punho do homem, torcendo-o. Ele gemeu de dor.

– Eu falei que não. – esbravejou.

Ele ergueu sua mão livre em sinal de rendimento e ela afrouxou o aperto ao redor de seu punho, soltando-o. levantou seu rosto, olhando pela primeira vez para o rosto do babaca. Ele pareceu estremecer e finalmente se afastou da mulher.
Gostaria de poder defender todas, pensou.

Ao erguer seu olhar, encontrou um par de olhos azuis encarando-a com certa admiração. Assim que ele percebeu que ela o viu, resolveu se aproximar. deu alguns passos na direção da loira, que permaneceu parada onde estava.

– Bela defesa. – Elogiou quando parou em frente a ela. – Você disse que iria ao banheiro. Quando se passaram vinte minutos, resolvi te procurar. Cheguei no momento em que o cara se pôs atrás de você.
permaneceu com a feição séria, ainda em silêncio.
– Até pensei em me aproximar para te ajudar, mas você se virou bem sozinha. Foi uma cena linda de se ver.

Dessa vez ela riu baixinho e levantou sua cabeça, olhando-o diretamente nos olhos.
Ah, seus olhos...

– Entendi o que você quis dizer quando falou que não é mais a mesma. Você amadureceu. Está forte. Um pouco amarga, mas... – fez uma pausa e sorriu de lado para a mulher. Ela retribuiu o sorriso.
– Precisei aprender a me defender. Homens sabem ser verdadeiros babacas. – respondeu.

Talvez fossem as doses de tequila que ela tomou antes que estavam ajudando-a a falar normalmente com .
Sim, definitivamente foram as tequilas.

– Martin e Ethan...? – Ela questionou, quebrando o silêncio que havia se instalado entre os dois.
– Foram para casa. Algo sobre uma corrida amanhã cedo. – respondeu, dando de ombros.
– Ah, sim. É melhor eu ir também, então. – anunciou, ajeitando sua bolsa em seu ombro.

O homem assentiu e ela começou a caminhar em direção a saída do pub. Ele a seguiu.

– Quer carona? – ofereceu a ela quando já estavam do lado de fora. balançou sua cabeça em negação.
– Moro há duas quadras daqui. Vou a pé. – Respondeu.
– Tem certeza? – perguntou.

Claro que não. Óbvio que queria entrar em um carro com . Talvez se tivesse bebido mais algumas tequilas, a resposta teria sido outra. Mas ela ainda tinha consciência de seus atos, e lembrava-se muito bem quem era .

– Sim. Tchau. – afirmou mais uma vez e se despediu, começando a andar para longe dele.
– Até segunda-feira, . – falou um pouco alto para que ela ouvisse.

fez uma careta e decidiu ignorar o modo com que proferiu seu apelido, limitando-se a andar em direção a sua casa. Um vento frio passou por ela, fazendo com que ela encolhesse seu corpo de modo a se esquentar. Durante o curto percurso, teve a impressão de estar sendo seguida. Olhou para trás diversas vezes, mas não viu ninguém. Só havia um carro na rua, o que era normal julgando pelo horário. Contudo, assim que chegou em seu prédio, o mesmo automóvel parou do outro lado da rua. E mesmo de longe, os olhos azuis que a assombravam puderam ser vistos no banco do motorista.

De dentro do carro, estava aliviado pela mulher ter chego em casa em segurança. E então seguiu seu caminho para casa, pedindo silenciosamente para que segunda-feira não demorasse a chegar.


Capítulo 2

Eram perto das nove horas da manhã quando passou pelos portões da NASA. Provavelmente Martin, Ethan, e Alvin já estavam ali. Ela ainda fechava os botões do casaco da NASA que usava como uniforme quando entrou na sala em que todos estavam. A explicação que estava sendo feita cessou no mesmo instante, fazendo com que todos a olhassem. Como previra, seus colegas astronautas já estavam ali, junto de seu padrasto e de alguns técnicos responsáveis pela Orion3. O supervisor da missão lançou um olhar torto em direção à engenheira.

- Eu sei, eu sei. Me atrasei, blábláblá, aconteceu, me desculpem. - falou, gesticulando com as mãos.

Alvin manteve sua expressão séria e balançou a cabeça para a mulher. Ele fez um sinal para o técnico e indicou que ele poderia voltar a explicação que fazia antes de ser interrompido. se posicionou ao lado de Martin, que sorriu brevemente para a amiga. Ethan piscou para ela e então seu olhar parou em , e ele a encarava sem discrição alguma. esboçou um projeto de sorriso, mas a mulher desviou o olhar no mesmo instante e começou a prestar atenção no que era dito.

- Graças aos nossos engenheiros, a Orion3 não possui zero gravidade. Vocês poderão se locomover normalmente. Os únicos locais onde a gravidade é zero são nos compartimentos laterais e na escotilha traseira, onde, vocês sabem, é por onde conseguirão sair da espaçonave quando preciso. - O técnico falou. - Tem também a superfície de acoplamento, para que, se necessário, vocês possam parar na estação espacial internacional, mas isso é em último caso.
Os astronautas assentiram para o técnico.
- Não é luxuosa e não é muito grande, vocês sabem disso. Não tem como fazermos uma nave cinco estrelas. Mas, conseguimos separá-la em ambientes. Tem a cabine de controle - o homem apontou para um banner que continha uma planta da espaçonave, mostrando o local com o dedo -, e junto a ela, além das estações de trabalho, tem uma área comum para que possam passar o tempo. Aqui é a cozinha. E aqui temos quatro compartimentos, ou quartos, caso prefiram chamar assim. São equipados com uma cama, uma cômoda com gavetas e um pequeno armário. O banheiro é de uso comum e segue o mesmo mecanismo de todos. Não tem chuveiro, somente uma ducha, no estilo chuveirinho.
- Vocês tomarão o que chamamos de banho de gato. - Alvin comentou, dando uma risada baixinha.
- Isso. - O técnico confirmou. - Usarão shampoo seco, sabonete sem muita espuma e toalhas úmidas. O kit de primeiros socorros também fica no banheiro, caso precisem. Aqui, temos a academia - apontou novamente para o banner, indicando a área a que se referia -, e por último, na parte inferior, fica a central de energia, juntamente com os compartimentos laterais onde vocês encontrarão os trajes especiais e demais acessórios. Tem também uma espécie de depósito com tudo o que vocês precisam para os meses em que estarão realizando a missão. Alguma pergunta? - Perguntou.
- Antes de qualquer coisa, eu quero reforçar o fato de que vocês devem utilizar a academia no mínimo quatro vezes na semana. É obrigatório. Não queremos ninguém com problemas quando retornarem. - Alvin falou, sua expressão séria.
- Fique tranquilo, Alvin. Ninguém deixará de praticar exercícios. - Martin assegurou-o e os demais balançaram a cabeça, concordando com o comandante.
- Eu tenho uma pergunta. - anunciou, chamando a atenção de todos. - Como pousaremos em Marte? Digo, sabemos que o pouso no planeta é muito arriscado...
- Não se preocupem com isso. A Orion3 está equipada com uma nave especialmente feita para essa missão e dentro dela cabem dois de vocês. Ela é pequena o suficiente para penetrar na atmosfera ao redor de marte e grande o suficiente para que não exploda. - O técnico explicou. - Foram feitos diversos testes. - Completou, ao ver a expressão preocupada no rosto dos astronautas.
- Quantos testes? - Ethan perguntou.
O técnico coçou a cabeça e continuou:
- Cinco. Só obtivemos sucesso no último. Porém - começou a justificar, ao ver que seria interrompido -, conseguimos identificar todos os problemas e tudo já está ajustado. Não há com o que se preocupar.
- Alvin? - chamou o padrasto, que se virou para ela e assentiu.
- Todos os cálculos foram corrigidos. A nave está adequada. Eu não mandaria vocês a uma missão sem ter certeza de que tudo está bem. - O supervisor assegurou, tranquilizando os astronautas.
- Bom, podemos entrar, então? - Martin perguntou e o técnico assentiu.

Em seguida, dirigiu-se para dentro da espaçonave, sendo seguido pelos demais técnicos e por Alvin. Os outros ali presentes também começaram a andar. e Martin estavam lado a lado, e Ethan e vinham logo atrás.

- Qual foi o motivo do atraso? - Martin perguntou para .
- Perdi a hora. Eu não encontrava Ronron em lugar nenhum do apartamento. - Respondeu, fazendo o amigo rir. - Fiquei preocupada, porque esqueci uma janela aberta. Ele nunca nem senta na janela, mas... - Comentou, erguendo os ombros. - O filho da puta estava dentro do cesto de roupa suja. Acredita nisso?
Martin gargalhou e o acompanhou, rindo também.
- Aposto que ele ainda teve a cara de pau de te olhar com desprezo como se você estivesse atrapalhando a vida dele. - O comandante falou e assentiu, concordando. Ela riu baixinho antes de falar:
- Óbvio que sim.

As risadas dos dois cessaram assim que entraram na Orion3 e então passaram a observar tudo ao redor. O interior da espaçonave era todo revestido na cor branca com alguns detalhes em cinza, e o logotipo da NASA aparecia em vários lugares. Como a entrada era pela parte traseira, era necessário passar por uma espécie de corredor.

Logo na entrada, havia uma espécie de portinhola no chão, que levava para a parte inferior da nave, onde ficava a central de energia, os compartimentos laterais e o depósito. No lado direito, estava a academia, equipada com uma esteira, uma bicicleta e um aparelho de musculação. No lado esquerdo, o banheiro de uso comum, com um vaso sanitário adaptado, um chuveirinho, uma pia e alguns armários. Um pouco mais a frente, estavam os quatro compartimentos em que cada um dormiria.

Por último, em uma área mais aberta, já fora do corredor, ficava a cozinha, a área comum e a cabine de controle. A cozinha possuía um micro-ondas, um armário para pratos, talheres e copos, e outro para as comidas que seriam postas ali, além de panos previamente úmidos para a higienização dos objetos. Na área comum, havia uma espécie de sofá oval adaptado com uma mesa no meio e algumas poltronas. Nas laterais, tinham quatro estações: comunicação, engenharia, tática e biológica, onde cada um dos astronautas trabalharia. A cabine de controle era tomada por botões, em todos os lados. Eles estavam no teto, nas paredes e até no chão. Duas cadeiras, uma para o piloto e outra para outro astronauta, ficavam no meio, bem na área frontal da espaçonave. O painel principal era equipado com várias telas e medidores. Haviam dois computadores e um rádio para comunicação interna. Por fim, logo acima do painel, tinha um vidro que permitia uma visão periférica do que estivesse a frente da nave.

- Uau. - comentou, assim que todos chegaram a área comum.
- É impressionante. - Ethan pontuou, ainda observando tudo ao redor.
- É a primeira espaçonave com toda essa estrutura. - Alvin disse. - Pretendemos fazer todas assim daqui para frente.
- Acho que o melhor de tudo é o fato de não ter gravidade zero lá em cima. Como vocês fizeram isso, eu não sei. Mas é o máximo! - exclamou, animada e os outros concordaram com ela.
- Bom, fico feliz que tenham gostado. - O técnico falou, orgulhoso. - Trabalhamos duro junto com os engenheiros para deixar a Orion3 perfeita.
- Fizeram um ótimo trabalho. - Alvin elogiou e o homem agradeceu balançando a cabeça. - Então é isso, pessoal. Eu preciso ir. Vocês podem ficar por aqui, explorar mais um pouco a nave... E duas semanas antes da partida, já devem começar a trazer os seus pertences. Mas lembrem-se...
- Nada mais que o necessário. - Os quatro astronautas falaram ao mesmo tempo, completando a fala de Alvin.

O supervisor fechou a cara, mas logo caiu na gargalhada, sendo seguido pelos demais. Alvin e os técnicos se viraram e entraram no corredor, andando em direção a saída da espaçonave.

- Vou escolher meu quarto! - anunciou, ao mesmo tempo em que deu um pulinho animado e saiu em direção aos compartimentos individuais.
- Mas não são todos iguais? - perguntou.
- Sim. Mas vai falar isso para ela? - Martin disse, rindo logo em seguida.

ergueu os ombros e riu junto. Cada um deles foi em direção a sua estação. se dirigiu a estação biológica, Ethan foi para a estação tática e Martin foi para a cabine de controle. Somente alguns segundos depois, retornou, enquanto falava no celular.

- Não, mãe, só daqui a três ou quatro semanas. Sim. Sim. Já falei que sim. O quê? Por quê? - Exclamou, levantando um pouco a voz. - Não, mãe, por favor, a senhora sabe que não vou me sentir confort... - Soltou um suspiro, dando por vencida, e rolou os olhos, como se a mãe pudesse vê-la. - Está bem. Vou avisá-los. Também amo você. Tchau. - E desligou, guardando o aparelho em seu bolso.

Os três homens a encaravam com curiosidade. Ela se limitou a rolar os olhos na direção deles e foi até a estação de engenharia, ignorando-os. Eles se entreolharam e deram de ombros.

estava tão concentrada analisando tudo que tinha em sua estação, que não percebeu quando Martin se aproximou e parou ao seu lado.
- Ei. - O loiro falou, chamando a atenção da amiga, que deu um pulo e levou a mão ao peito.
- Porra! Que susto, Martin! - Exclamou, dando um soquinho no ombro dele em seguida.

Ele riu e deu a volta na mesa, ficando do outro lado de . A loira continuou compenetrada no que estava fazendo, e Martin continuou a segui-la com o olhar. Ela se mexia, ele se mexia. Ela dava a volta na mesa, ele fazia o mesmo. Ela se aproximava para ver algo mais de perto, ele também.

- Mas que saco! Por que você não vai para sua estação e sai do meu pé, carrapato? - perguntou, irritada.
- Porque eu não tenho uma estação. Minha área é a cabine de controle, e enquanto não ligarmos essa belezinha aqui, eu não tenho o que fazer por lá. Então...
- Então você resolveu me encher o saco. - Ela completou, bufando logo em seguida.

Martin abriu um sorriso angelical e balançou a cabeça, concordando. Ele se aproximou de e falou com a voz baixinha, como se confidenciasse um segredo para ela:

- E também estou curioso para saber sobre o que você e Joan falavam ao telefone.
- E quem disse que é da sua conta? - perguntou e arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços ao mesmo tempo.
Martin permaneceu com a mesma expressão, encarando-a.
- Desembucha. - Pediu.
Ela revirou os olhos.
- Odeio como você sempre sabe de tudo. - Falou e Martin abriu um sorriso convencido ao ouvi-la. - Ela quer fazer uma janta para nós quatro antes de embarcarmos.
- Eu ouvi bem? Comida da Sra. ? - Ethan perguntou sem esconder sua empolgação, aproximando-se dos dois.
- Quando? - Martin questionou, com um sorriso nos lábios.
- Sexta-feira. Não sei o horário, aviso depois. - Finalizou, voltando sua atenção para a estação, deixando claro que não queria mais conversar.

Claro que não adiantou.

Martin e Ethan permaneceram ali, olhando-a como se ela fosse maluca. Depois de alguns segundos em que eles não se moveram, ela finalmente se virou para os dois:

- O que é que foi agora, caramba?
Ethan riu e ergueu as mãos em frente ao corpo, em sinal de rendição, retirando-se dali logo em seguida.
- Você não está esquecendo de algo, não? - Martin perguntou, aproximando-se. - Ou melhor, de alguém?

o encarou, confusa, mas logo sua mente clareou e ela contorceu seu rosto em uma careta desgostosa.

- Oh, não. Não. Eu não vou convidá-lo, você é quem vai! - Implorou, juntando as palmas de suas mãos em frente ao seu rosto, como quem faz um pedido. - Por favor, Marty, por favor!
O loiro balançou a cabeça em negação e deu um sorrisinho de lado.
- Não. Não adianta me chamar de Marty. Você convida. Aliás... Ethan! - Chamou, virando sua cabeça em direção ao amigo e fazendo uma careta esperta, torcendo para que ele entendesse. - Não temos que passar na sala do Alvin, não?
- O que... - Martin sinalizou e com seus olhos e Ethan finalmente entendeu. - Ah, sim! Sim, temos. Ele nos chamou. E nos disse para não demorarmos. Sim, precisamos ir. Agora. - Finalizou, começando a andar em direção a saída da espaçonave, de maneira nada discreta.
- Martin! - esbravejou, chamando a atenção dele para si novamente.
O amigo riu da reação de Ethan e então se aproximou de , dando um beijo estalado em sua bochecha.
- Foi mal, . Preciso ir! - Disse a ela, se afastando e seguindo o mesmo caminho que Ethan havia feito.

bufou e cruzou os braços, irritada com a situação que seu melhor amigo havia criado.

, que observava a cena um pouco confuso, não pode deixar de rir baixinho da expressão da mulher. Ela parecia uma criança emburrada que não ganhou o doce que queria.

- O que foi? - questionou ao ouvi-lo rir.
- Nada. - Respondeu, dando de ombros. - É só que você parece uma criança birrenta com os braços cruzados desse jeito.

Ela descruzou os braços e passou as mãos pelos cabelos, ajeitando-os. Se limitou a sorrir de maneira fechada para ele e se virou novamente para a sua estação, tentando encontrar qualquer coisa que lhe distraísse. Mas estava impossível. Repassava mentalmente diversas maneiras de convidar para o jantar na casa de sua mãe. Por que Joan teve que inventar isso? Sua mãe sabia de tudo que havia passado com . Tudo bem, talvez ela não soubesse de tudo, exatamente... Mas sabia o quanto a filha o amava na época. Bom, de qualquer maneira, podia dizer a ele a data errada. Não, muito infantil. E se ela passasse outro endereço, quem sabe?

- ? - ouviu a voz de chama-la e se virou. - Eu já estou indo. Você desliga as luzes quando sair?
Ela se virou bruscamente em sua direção, irritando-se ao ouvi-lo chama-la pelo apelido.
- Já disse para não me chamar assim! Qual é o seu problema? Está surdo ou algo do tipo? - Questionou, exaltada. O homem sorriu perante a irritação dela. - E sim, eu desligo as luzes. - Respondeu, voltando-se para a posição anterior.
- Bom, até amanhã, então. - Despediu-se e recomeçou a andar, entrando no corredor em seguida.

ignorou-o e apoiou seus braços na bancada da estação, abaixando a cabeça e respirando fundo. E então, ela sorriu. Sorriu porque já sabia como fazer com que não fosse ao jantar na sexta-feira.
Ele não seria convidado, pois ela não o faria.

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- Mãe, o que eu faço com essas batatas? - perguntou a Joan, assim que terminou de descasca-las.
- Coloque aqui para mim, filha. - A mulher respondeu, entregando um prato fundo para ela. - Vou terminar de preparar.
fez o que sua mãe lhe disse e depois soltou o prato na bancada da cozinha e se encostou na mesma.
- Precisa de ajuda com mais alguma coisa? - Perguntou.
- Não, meu amor. Já está tudo pronto.
A campainha tocou nesse momento.
- Vá recepcionar seus amigos junto com Alvin, sim? - Joan sugeriu.
concordou com a cabeça e deu um beijo na bochecha da mãe, afastando-se e saindo da cozinha logo em seguida. Chegou na sala no mesmo momento em que Alvin abria a porta para Martin.
- Alvin. - Martin cumprimentou-o com um aperto de mão.
- Lewis. - Alvin respondeu. - Aceita uísque?
- Eu pego para ele, Alv. - falou, aproximando-se dos dois homens. - Oi, Marty.
O loiro se aproximou e depositou um beijo na bochecha dela, sorrindo logo em seguida.
- Oi, . Como você está? - Perguntou.
- Bem, mas você já sabe disso, porque nos vimos há menos de... - Olhou para o relógio na parede da sala - três horas atrás.

Martin rolou os olhos e riu. piscou para o amigo e se dirigiu até o bar no canto do cômodo. Pegou dois copos e serviu uma dose de uísque com gelo em cada um, entregando um a Martin e pegando outro para si em seguida. Os dois homens se sentaram no sofá, seguidos por e Joan que apareceu na sala.

- Martin, querido! - Disse, aproximando-se do astronauta e lhe dando um abraço quando este se levantou do sofá.
- Ei, Joan. Linda como sempre! - Martin respondeu, beijando a mão da mulher.
- Galanteador como sempre. - Ela disse, sorrindo para ele.

Em seguida, a campainha tocou. se levantou e seguiu caminho até a porta, abrindo-a, encontrando um buquê de tulipas flutuante.
As flores abaixaram e a cabeça de Ethan apareceu, sorridente.

- O que é isso? - questionou, levando suas mãos até o buquê.
- Sh. Tira a mão. - Ethan falou, dando um leve tapa na mão de . - Não é seu, metida.
Draw se aproximou e deu um beijo na bochecha de , que revirou os olhos. Andou para dentro da casa e parou perto do sofá, cumprimentando os que já estavam ali.
- Boa noite. Alvin, espero que não fique com ciúmes, pois...
- Ethan! - A voz de Joan chamou.
- Senhora . - O rapaz falou, aproximando-se e estendendo o buquê para ela. - São para a senhora, como forma de agradecimento por esse jantar que eu tenho certeza que será maravilhoso.

e Martin se entreolharam e tiveram que se segurar para não gargalharem do amigo.

- Oh, querido. Muito obrigada! É muita gentileza sua, não precisava. - Joan respondeu, pegando o buquê. - Vou coloca-las em um vaso, fique à vontade, sim?
Ethan assentiu para a mulher e se virou, indo se sentar junto com os demais.
- Se eu não te conhecesse, Ethan... - Alvin comentou, arrancando risadas de todos.
- Só quis ser gentil e agradecer pela comida. - Draw defendeu-se.
- Porque comida é a única coisa que importa para você. - disse, sendo seguida por Martin e Alvin, que concordaram.
- Ei! Isso não é verdade. - Ethan disse em sua defesa. - Tudo bem que quando penso nos quatrocentos dias que ficaremos no espaço, eu só consigo pensar em como vou sentir falta de comida de verdade, mas...

Os três riram do astronauta e atirou uma almofada no amigo, que gargalhou.

- , querida, será que chegará logo? Já são quase nove horas, garanto que todos estão com fome. - Joan perguntou assim que voltou para a sala.

quase engasgou com o uísque. Engoliu rapidamente o líquido e sorriu disfarçadamente.

- Acredito que ele não irá demorar, mãe. - Respondeu, recebendo um olhar desconfiado de Martin.
- Bom, eu espero. Vamos conversar enquanto isso, sim? - Joan sugeriu, engatando uma conversa com todos ali presentes.

Eram 21:30 quando a Sra. decidiu servir o jantar, mesmo sem a presença de .
- Queridos, acho melhor comermos. Acredito que ele não virá. O que é uma pena. - Comentou, convidando-os para sentarem-se a mesa. - Vamos?

Eles se levantaram e seguiram para a mesa de jantar, sentando-se ao redor dela em seguida. A comida já estava posta e Joan realmente havia caprichado. Começaram a comer em meio a conversas animadas sobre os dotes culinários não existentes de . A mulher não puxou para a mãe, levando em conta que a única coisa que sabia cozinhar era um ovo, e mesmo assim, na maioria das vezes, ficava horroroso.

- . - Martin chamou, atraindo a atenção da loira e de todos presentes na mesa. - confirmou com você que viria?
O garfo de caiu de sua mão e todos olharam para ela. A astronauta sorriu de maneira forçada, tentando disfarçar seu nervosismo.
Ela era péssima com mentiras.
- Você o convidou, não é? - Ethan perguntou, desconfiado.
Ela permaneceu em silêncio, olhando para qualquer lugar que não os olhos atentos em si mesma.
- ? - Alvin a chamou, fazendo com que ela olhasse para ela.
- Filha? - Joan perguntou.
Ela suspirou e negou com a cabeça, finalmente confessando:
- não veio porque eu não o convidei.


Capítulo 3

- A ? - Ramona perguntou, incrédula. - A que sumiu e que te deixou com o coração na mão por não saber para onde ela foi?
- Sim. - respondeu.
- A única mulher que você amou, ?
- Já falei que sim. - Repetiu, impaciente.
- A que...
- Cara... Carambolas, Ramona, sim! - explodiu, irritado com a dificuldade da irmã em absorver a informação, tomando cuidado para não falar palavrão na frente de seu sobrinho.

Ramona o repreendeu com o olhar e suspirou, ajeitando-se no sofá. Adrian, que estava brincando no chão com seus carrinhos, olhou curioso para os dois adultos.

- Hm. E como você está se sentindo sobre isso? - Ramona questionou, analisando seu irmão.
- Não. - falou, levantando-se do sofá no momento seguinte. - Não, não e não. Você não vai me analisar como um de seus pacientes, Ramona! - Explodiu e começou a andar até o bar que havia na sala de sua casa.
A mulher bufou e rolou os olhos, levantando-se.
- Eu só quero saber como você está! Estou preocupada com meu irmão. - Explicou, enquanto ia até o irmão.

estava servindo duas doses de uísque, uma em cada copo. Entregou um para a irmã e bebeu um gole do seu.

- Eu estou bem. Ela não quer conversar, obviamente ainda tem mágoas do babaca que eu fui no passado. - Ele ergueu os ombros, dando-se por vencido. - Não posso julgá-la.
- Sim, não pode. E sim, você foi um babaca. - Ramona falou e recebeu um olhar torto de . - Mas, , ela nunca soube que você a amou... Você poderia contar e...
- Não. - Negou instantaneamente. - Não irei fazer isso só para que ela preste atenção no que eu tenho para falar. - Balançou a cabeça, ainda em negação.
Ramona suspirou e concordou com a cabeça.
- Vamos passar mais de 400 dias juntos, Mona. Em algum momento iremos conversar, mas agora ela já deixou claro que não. - falou e levou seu copo a boca, tomando mais um gole de seu uísque. Ramona fez o mesmo. - Ela nem parece a mesma pessoa.
- Como assim não parece a mesma pessoa? - Mona questionou, curiosa.
- Está mais fechada, mais grossa... - falou.
- Ah, , você não tem como saber o que aconteceu na vida dela durante esses anos, não tem como saber pelo que ela passou. - Ramona disse, virando-se em seguida para falar com seu filho que andava na direção dos dois.
- Tio ! - Adrian falou, chamando a atenção do tio.
largou seu copo em cima do bar e se virou para o sobrinho.
- Quando a gente vai poder ver os foguetes? - Perguntou, visivelmente animado.
- Hm... Amanhã de manhã, o que você acha? - perguntou e o menino balançou a cabeça freneticamente, concordando.
e Ramona riram da empolgação do menino.
- Vamos dormir, filho? - Mona perguntou e o garoto esfregou os olhos no mesmo momento. - Acho que isso foi um sim.
- O quarto de visitas está arrumado pra vocês, Mona. - avisou a irmã, que sorriu concordando.
- Boa noite, maninho. - Ramona deu um beijo na bochecha de e se afastou com Adrian em seu encalço.

Mais cedo, quando chegou em casa depois de passar o dia trabalhando na NASA, deu de cara com sua irmã e seu sobrinho sentados em seu sofá, assistindo a um programa qualquer que passava na televisão. Ele havia se esquecido completamente de que eles viriam visita-lo e sua irmã soube disso assim que viu a expressão surpresa no rosto de .

De qualquer maneira, ele não tinha nada planejado para aquela noite de sexta-feira, então passar o tempo com Ramona e Adrian foi divertido. Jantaram uma pizza, brincaram com Adrian e conversaram entre os dois. Mona contou que ela e o pai de Adrian estavam em processo de separação, pois as coisas entre eles não estavam mais dando certo. Depois disso, Ramona quis saber sobre a vida amorosa de . Foi quando ele lhe contou sobre .

seguiu caminho para o seu quarto, indo diretamente para o banheiro, onde tomou um banho rápido. Depois, deitou-se em sua cama e ligou a televisão, colocando no Discovery Channel. Estava entretido assistindo ao programa que passava, quando seu celular apitou, indicando uma nova notificação.

Ethan havia adicionado uma nova foto e nela estavam ele, Martin, , Alvin e uma mulher que deveria ser a mãe de Vallie, pois eram parecidíssimas. Na legenda, estava a seguinte frase:

"Jantar pré-missão com os melhores companheiros! Obrigado, Alvin e Sra. ."

franziu a testa. Eles realmente haviam feito um jantar e não o convidaram? Não se lembrava de nada que havia feito para desagradá-los; pelo contrário, Ethan e Martin sempre lhe trataram muito bem, assim como Alvin. O problema deveria ser com , então. Ou será que não? Bom, ele decidiu não pensar nisso no momento e também não os questionaria sobre não ter sido convidado, não era de seu feitio tirar satisfações sobre esse tipo de coisa; se não o convidaram, era porque não o queriam lá, simples assim.

Com esse último acontecimento, decidiu dormir. Desligou a televisão e programou o despertador para as 8h. Se queria levar Adrian e Ramona para conhecer a NASA, deveria fazê-lo ainda pela manhã.

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- Não se esqueça, Adrian, nada de correr. E você só pode tocar no que seu tio disser que pode! - Ramona avisou a seu filho enquanto andavam lado a lado em direção à porta de entrada da NASA.
- Eu já sei, mamãe. - O menino falou, rolando os olhos. Deveria ser a quinta vez que ouvia isso só essa manhã. - Você já disse isso várias vezes.
- Adrian! - Ela advertiu e o menino a olhou com um sorriso sapeca, como se pedisse desculpas por tê-la respondido.

riu ao observar a cena e não pode deixar de pensar no quanto sentiria falta dos dois enquanto estivesse fora. Ele e a irmã sempre foram muito próximos, desde pequenos. Seus pais haviam falecido em um acidente quando eles tinham 16 e 19 anos, respectivamente. Ramona ficou responsável pelo irmão até ele se tornar maior de idade. Eram melhores amigos, até hoje.

- Bom dia, Sr. . - Lily, uma das recepcionistas da NASA cumprimentou, assim que os três passaram pela porta.
- Bom dia, Lily. Essa é minha irmã e meu sobrinho. Vim mostrar alguns foguetes pro moleque aqui. - falou, bagunçando o cabelo de Adrian, que riu.
- Claro, fiquem à vontade. Acho que Alvin está por aí. - Lily disse, liberando a catraca de visitantes para que Ramona e Adrian passassem, enquanto entrava na outra com seu cartão de identificação.

Os três seguiram pelos corredores, com mostrando quadros e mais quadros pendurados pela parede. Alguns continham fotos do espaço, outros de foguetes e espaçonaves, e também haviam os quadros com fotos de nomes importantes que já passaram por ali.

- ? - Uma voz chamou, fazendo com que os três se virassem para ver quem era. - O que faz aqui?
- Alvin. - O astronauta cumprimentou-o assim que ele se aproximou deles. - Essa é minha irmã, Ramona, e seu filho, Adrian.
- Ah, sim! Prazer, sou Alvin, supervisor de . - Ele estendeu a mão para a mulher e para o garoto, este último apertando-a desajeitadamente. - Vieram conhecer?
- Tio prometeu me mostrar foguetes! - Adrian contou, empolgado, fazendo os adultos rirem.
- Prometeu, é? E se eu te mostrar a espaçonave onde seu tio vai passar o próximo ano ao invés dos foguetes? Você iria gostar? - Alvin questionou e os olhos de Adrian brilharam em empolgação.
- Eu iria gostar muito, muito, muito! - Ele falou, batendo palmas, demonstrando sua animação. - Mas depois eu também quero ver os foguetes. - Completou, fazendo todos rirem.
- Veremos tudo que pudermos, Adrian. - falou, colocando a mão no ombro de seu sobrinho, guiando-o.

Depois de cinco minutos, eles finalmente chegaram ao local onde estava a Orion3. Por ser grande e por estar pronta para a missão, a espaçonave estava em um local mais afastado, praticamente em outro prédio. Adrian estava de boca aberta, sem acreditar que estava frente a frente com uma espaçonave de verdade.

- A gente pode entrar? - Ele pediu para Alvin e e depois virou-se para sua mãe. - Por favor, mamãe! Eu 'tô me comportando, você viu! - Implorou, juntando suas mãos em frente ao rosto.
- Você precisa perguntar a seu tio e a Alvin, meu amor. - Ramona respondeu e o garoto se virou para os dois homens imediatamente em questionamento.
- Claro que podemos. - Alvin respondeu e deu alguns passos, indo até a porta da Orion3 e abrindo-a.

Adrian passou por eles andando rapidamente, empolgado, mas Ramona segurou-o pela gola da blusa, arrancando risadas dos demais. Eles entraram na aeronave e seguiram pelo corredor até a área comum e a cabine de controle.

- Eu não aguentaria passar 400 dias aqui dentro. Cruzes. - Ramona disse e Alvin e riram.
- É por isso que fazemos treinamento. Não é pra qualquer um. - respondeu e Ramona fez uma careta para ele.
- Você está dizendo que sou qualquer uma, ? - Mona perguntou de cara fechada.
Alvin riu alto dos dois e balançou a cabeça.
- Bom, fiquem à vontade. Preciso resolver mais algumas coisas antes de ir pra casa. - Alvin disse. - Fecha tudo quando sair, ? - Perguntou.
- Pode deixar, Alv. - confirmou e acenou com a cabeça para o homem, que sorriu antes de acenar e se virar, andando em direção a saída da aeronave.
- Bom final de semana, Alvin. - Ramona desejou, despedindo-se.
- Você fica aqui, tio ? - Adrian perguntou, atraindo a atenção dos dois.
Ele estava sentado na cadeira do comandante, girando-se na mesma.
- Não. Aí é o lugar do comandante, eu fico naquele canto ali. - apontou para sua estação.
O garoto se levantou e foi até onde o tio indicou, olhando tudo com atenção.
- O que é isso aqui? - Perguntou, tocando no microscópio.
- O que eu falei sobre tocar nas coisas? - Ramona advertiu, aproximando-se do filho, que tirou a mão do aparelho no mesmo inte.
riu.
- Isso aqui serve pra eu conseguir ver e analisar melhor qualquer tipo de microrganismo que encontrarmos no espaço. - explicou e o menino abriu a boca, surpreso.
- Tipo um E.T.? - Questionou, empolgado.
Ramona e riram.
- Não, amor, não tipo um E.T. Algo como uma bactéria, entende? - Ramona explicou, passando a mão pelo cabelo do filho.
- Mas uma bactéria alienígena, né? - Adrian perguntou novamente e Ramona rolou os olhos, rindo em seguida.

O barulho de passos vindos do corredor da aeronave fez com que os três se virassem, curiosos. vinha andando, segurando algumas bolsas nas mãos. A mulher continuou andando até que chegasse em sua estação, só então percebendo a presença deles ali.

- Oh, me desculpem. - comentou, deixando as bolsas no chão e ajeitando seu cabelo em seguida. - Eu não sabia... Não sabia que tinha alguém aqui.
- Não tem problema, . - comentou, abrindo um sorriso para ela.
- Eu só vim deixar algumas coisas, de qualquer maneira. - Respondeu com certa pressa, parecendo desconfortável.

guardou as bolsas em seus armários e se virou para eles novamente, encontrando os três encarando-a com atenção. Quem era aquela mulher e aquela criança? Talvez uma namorada e seu filho? De qualquer maneira, por que ela estava se importando, mesmo?

- Já vou indo. - Anunciou, virando-se novamente. - Bom final de semana pra vocês. - Desejou e começou a andar em direção a saída, recebendo apenas alguns acenos como resposta.

- Era ela, não era? - Ramona perguntou assim que se virou para o irmão.
- Ela quem? - Adrian perguntou, curioso, também olhando para o tio.
suspirou e balançou a cabeça em confirmação.
- Uma antiga amiga minha. - Respondeu ao sobrinho, sorrindo para ele em seguida. - O que acha de irmos ver os foguetes agora?
Adrian abriu um sorriso enorme e pegou na mão de sua mãe e seu tio, puxando-os para fora da espaçonave com pressa, fazendo-os rirem.

Passaram o resto a manhã visitando a NASA, passando por cada setor onde era permitida a visitação; claro que conseguiu algumas regalias, como entrar em um dos foguetes, o que deixou Adrian maluco e o fez decidir que viraria astronauta quando crescesse.

Durante a tarde, visitaram o zoológico e também o aquário; típicos programas de turistas, mas que , por sorte, adorava. Quando chegou à noite, preferiram por ficar em casa e pedir algo para comer, já que ninguém estava afim de cozinhar. Ramona e ainda ficaram conversando até tarde, enquanto Adrian já dormia. Conversaram sobre a vida de Mona e como a separação dela e do pai de Adrian estava afetando o menor. Ramona confidenciou ter vontade de se mudar para Washington, e ofereceu seu apartamento para que os dois morassem enquanto ele estivesse em missão.

No domingo, no início do dia, levou sua irmã e seu sobrinho para o aeroporto, onde eles pegaram um avião de volta para casa. passou o dia em casa, organizando as coisas que levaria a bordo da Orion3. Separou roupas, objetos de higiene pessoal, alguns livros e um baralho para passar o tempo. Quando finalizou, foi dormir. O dia seguinte seria longo e ele teria que levar tudo para a NASA e organizar seus pertences na espaçonave, além de ter que encontrar seus colegas que não o haviam chamado para a confraternização em equipe.

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Na manhã de segunda-feira, quando entrou na Orion3, encontrou seus colegas de missão já ali. Martin, Ethan e estavam cada um em seu local de trabalho, arrumando suas coisas.

- Bom dia. - Cumprimentou .
- E aí, . - Martin respondeu, tirando os olhos rapidamente da cabine de controle para cumprimenta-lo.
- . - Ethan cumprimentou-o permanecendo com a cabeça praticamente enfiada dentro de um armário, organizando suas coisas.

foi a única que permaneceu em silêncio, apenas olhando-o e sorrindo rapidamente antes de voltar a fazer suas coisas. Diferente deles, preferiu ir até seu compartimento e começar a organização por lá. Começou a guardar suas roupas no armário, organizando-as nas prateleiras. Guardou seus objetos de higiene pessoal em uma das gavetas e, no canto que sobrou, guardou seus livros e seu baralho. Quando terminou, fechou a porta, satisfeito. Ao se virar, deu de cara com parada na porta de seu quarto. Ele arqueou as sobrancelhas, estranhando a presença dela. Há quanto tempo ela estava ali?

- Desculpe, eu... - começou, suspirando em seguida. - Preciso conversar com você e me desculpar.
Stran franziu o cenho e cruzou os braços, apoiando-se no armário.
- Pode falar. - Ele respondeu, estranhando a atitude da mulher.
- Muito bonita a sua namorada. - Comentou despretensiosamente, enquanto mexia nas pontas de seu cabelo.
- Namorada? Não estou namorando. - garantiu e franziu o cenho, confusa.
- Ah, bom... Achei que aquela mulher que estava com você aqui no sábado era sua namorada. E aquele garotinho...
gargalhou alto e balançou a cabeça em negação.
- Aquela é minha irmã, Ramona, e Adrian, meu sobrinho. - Esclareceu, vendo a cor sumir do rosto da mulher a sua frente.
- Nossa. Aquela é Ramona? - Ela perguntou surpresa e ele assentiu.

já tinha ouvido falar nela, sim, mas nunca a viu durante o tempo em que ela e ficaram juntos. Apenas sabia que ela era mais velha e já casada. riu baixo, divertindo-se ao pensar que a mulher poderia estar com ciúmes.

- O que foi? - questionou, estranhando o humor dele.
- Se eu não te conhecesse, poderia jurar que está com ciúmes. - disse.
arregalou os olhos com a afirmação dele e balançou a cabeça em negação várias vezes, incrédula.
- Ah, por favor. Em que universo eu teria ciúmes de você? - Respondeu indignada, cruzando os braços em seguida.
- Nesse aqui? - falou como se fosse óbvio, sem conter uma risada.
- Você é um idiota. - disse, empurrando-o levemente pelo ombro. - Céus! Até esqueci o motivo principal pelo qual eu vim aqui.
- Bom saber que eu ainda tenho esse efeito sobre você, .
Ela grunhiu, irritada, e bufou em seguida, revirando os olhos.
- Esquece, deixa pra lá. - A engenheira disse, virando-se para sair do quarto, mas segurou-a pelo braço.
- Para, vai. Você disse que precisava se desculpar. Pelo que, exatamente? - Perguntou, mesmo já imaginando o motivo.
ponderou por alguns segundos e mordeu o lábio nervosamente, o que fez com que baixasse seu olhar para a boca dela imediatamente.
- Sexta-feira teve um jantar em minha casa. - Ela começou, dando um passo para dentro do quarto e encodo-se na parede ao lado da porta. permaneceu quieto. - E era pra eu ter te convidado, mas...
- Você não o fez. - concluiu e confirmou, balançando a cabeça levemente. - Eu vi uma foto.
A mulher arqueou as sobrancelhas e rolou os olhos em seguida.
- Me desculpe. - Pediu, cruzando seus braços. - A culpa foi minha. Eles quiseram me matar quando descobriram. - Confessou, mordendo seu lábio novamente, fazendo com o que desviasse o olhar e assentisse.
- Tudo bem. - Ele suspirou e respondeu simplesmente, virando-se e voltando a mexer nas outras bolsas que estavam em cima da cama.

franziu o cenho, incomodada. Era só isso? não estava chateado? Ele não a xingaria, não falaria mais nada? Não que ela quisesse isso, claro que não, só não esperava que ele agisse de maneira tão pacífica quando ela contasse que havia o deixado de fora da confraternização que sua mãe organizara para reunir os astronautas da missão.

- Você só vai falar isso? - Ela perguntou finalmente, atraindo a atenção dele novamente.
- Tudo bem não é o suficiente? - questionou, sem entender.
- Esperava que você, ao menos, me xingasse, afinal, estou sendo uma verdadeira babaca com você desde que nos reencontramos. - Explicou , fazendo rir baixo.
- Ah, sim, você realmente está. Mas não vou cair no seu jogo, . - Ele disse, virando-se completamente e dando um passo em direção a ela, que recuou.
- No meu jogo? - Ela repetiu em questionamento.
- Sim, no seu jogo. - frisou, cruzando os braços em frente a ela. - Você se faz de incomodada em minha presença, não me convida para o jantar porque certamente não me queria lá e agora vem pedir desculpas como se realmente estivesse arrependida? - Ele perguntou, fazendo com que ela erguesse as sobrancelhas, surpresa com a analise dele. - Sabe o que eu acho? Acho que tudo isso é só porque você precisa fingir pra si mesma que ainda não me esqueceu.

abriu a boca para retruca-lo, mas não conseguiu falar nada, porque no fundo ela sabia que era verdade. Bufou irritada fazendo com que risse baixinho ao saber que havia conseguido atingi-la.

- Cale a boca, . - Esbravejou, enfatizando o sobrenome dele. - Você é um completo idiota.
- Cuidado, , a qualquer momento você realmente vai me fazer acreditar que me odeia. - Avisou e se virou em seguida, voltando a mexer em suas coisas em cima da cama.
- Mas é verdade. - Ela confirmou sem titubear.

Ele riu e balançou a cabeça em negação, incrédulo. Desviou sua atenção de suas coisas e se aproximou da mulher, parando a alguns centímetros de distância da mesma. O olhar dos dois se encontrou e engoliu em seco.

- É mesmo? - questionou, intimidador.
- Sim. - A loira respondeu, de alguma maneira sua voz saiu firme.

Céus, seu perfume... quase havia esquecido o quanto era bom. A proximidade de seus corpos, por um momento, a fez esquecer de tudo que passou. Quando ela já estava achando que aquilo era demais, deu mais um passo em sua direção, praticamente prensando-a contra a parede. O médico levou uma de suas mãos até uma mecha de cabelo dela que caía por seu rosto, e a colocou atrás da orelha de sua orelha. Lentamente, ele aproximou seus lábios dos dela.

teve que se segurar para não tremer.
Não podia.
Ele não podia fazer isso assim, simplesmente.
Quem ele pensava que era?

Quando estava quase selando os lábios dos dois, ele seguiu caminho para a orelha dela e sussurrou baixinho:
- Tem certeza?
fechou os olhos e respirou fundo, arrependendo-se logo em seguida, pois inalou quantidade suficiente do cheiro dele. Provavelmente se lembraria disso por dias.
- Tenho. - Murmurou alguns segundos depois.
fez o caminho contrário com seus lábios, e, novamente, quando quase os encostou, ele se afastou e abriu um sorriso presunçoso.
- Então diz, . Diga que me odeia, com todas as letras. Eu quero ouvir você dizer. - Pediu, sem se afastar da engenheira.
- Eu... - falou e pigarreou, ajeitando sua postura logo em seguida. - Eu... - Por algum motivo, aquela palavra não saía de sua boca.
Ela simplesmente não conseguia pronunciá-la.
- Eu não gosto de você. - Sorriu, satisfeita.
deu um passo para o lado com a intenção de sair dali, mas foi mais rápido e colocou as duas mãos na parede, prendendo-a com ele.
- Não foi isso que eu te pedi, .
Ela revirou os olhos e mordeu o lábio, fazendo com que o olhar de descesse para eles imediatamente.
- Eu odeio você. - falou, aproveitando o momento de distração do homem.
Ele voltou seu olhar para os olhos dela e deu uma risada incrédula.
- É muito fácil dizer sem olhar em meus olhos, não é? - Perguntou, levando uma de suas mãos até o cabelo dela, brincando com as pontas do mesmo. - Vamos, . Estou esperando.
- Eu não consigo, está bem? - Soltou, sua voz um pouco acima do normal. - Eu não consigo! Está satisfeito? - Pediu, tentando sair dos braços do homem.
- Muito.
- Ótimo, agora me deixe em paz!

Ele sorriu convencido e se afastou dela no mesmo instante, dando alguns passos para o lado, liberando espaço para que ela passasse. não pensou duas vezes e saiu pela porta do quarto rapidamente, murmurando um "idiota", fazendo-o rir.

- Ah, só mais uma coisa... - falou, colocando a cabeça para fora do compartimento, chamando a atenção de .
Ela se virou e cruzou os braços, impaciente, esperando que ele falasse.
- Você realmente sabe ser grossa e me tratar com indiferença, mas eu sei fazer isso também. E eu me segurei até agora, mas começarei a lhe tratar como me trata. Ou até pior. - Sorriu de maneira doce, provocando-a. - Até amanhã, Vallie. - Ele disse e piscou, voltando para dentro do quarto em seguida, deixando surpresa enquanto absorvia as palavras de .

Por essa ela certamente não esperava.



Capítulo 4

1º DIA


- Não acredito que esse dia chegou. Parece que foi ontem que Alvin me contou que você ia nessa missão! – Sra. disse, enquanto observava sentada na cama da filha ela arrumar os últimos detalhes antes de embarcar.
fechou a mala e virou-se, sorrindo para a mãe. Se levantou e andou até ela, sentando ao lado da mulher. Ronron, que estava ali também, se mexeu e aninhou-se a sua dona, como se soubesse que era um momento de despedida.
- Vou sentir saudades, mãe. – confessou e sua mãe passou o braço pelos ombros da filha, abraçando-a lateralmente.
- Oh, querida. Imagina eu? – A mais velha perguntou, dando um beijo na cabeça de . – Mas vou ter Ronron pra me lembrar de você sempre!
- Você tem que cuidar dele como eu cuidaria, mãe. – pediu e a mãe sorriu, concordando.
- Prometo que vou, filha. – Joan disse. – Agora me conte... Como você está lidando com o fato de ter que ficar tão próxima a depois de tanto tempo? Eu não consigo entender o problema, já que ele é um pedaço de mal caminho e se vocês...
- Mãe! – a reprendeu e riu em seguida. – A senhora não tem jeito.
Joan riu, afastando-se da filha para olha-la.
- Eu sei que tem mais nessa história, , porque te conheço. – Comentou, fazendo a filha se encolher. – Mas respeito você não querer me contar. Só espero que ele não tenha feito nada contra você. Não foi isso, né?
balançou a cabeça em negação, tranquilizando a mãe.
- Não. – disse, com um sorriso triste. – Eu prometo que quando eu estiver pronta, eu conto...
- Tudo bem, querida. – Sra. disse, levantando da cama. – Agora vamos? Já são 10h e Alvin me pediu para estar na NASA com você até as 11h.
A loira assentiu e se levantou, olhando seu quarto pela última vez. Suspirou e abaixou-se, pegando Ronron no colo, aninhando-o contra seu peito, ouvindo-o ronronar.
- Oh, meu pedacinho de cenoura ambulante... – Disse, fechando seus olhos enquanto passava os dedos pelos pêlos macios do gato. – Eu vou sentir tanto a sua falta, mas tanto... – O gato levantou o rosto e esfregou-o na bochecha de sua dona; sua maneira de se despedir dela. – Volto assim que der. Incomode muito mamãe e Alvin por mim, por favor. – Ela afastou o gato de si e o olhou-o por alguns segundos, recebendo um miado como resposta, antes de finalmente se abaixar para coloca-lo dentro da caixa de transporte, suspirando alto assim que o fez.
Virou seu rosto para a mãe e sorriu, com os olhos cheios de lágrimas. Piscou algumas vezes e baixou seus ombros, caminhando até sua mala e segurando-a. Sra. pegou a caixinha de transporte de Ronron e estendeu sua mão para a filha, entrelaçando seus dedos. Juntas, as duas saíram do apartamento em direção à NASA, fechando a porta atrás de si.

xxx

Cerca de trinta minutos mais tarde, depois de deixar Ronron na casa da mais velha, elas passaram pelos portões da NASA. carregava sua mala e sua mãe a seguia pelos corredores, até que chegaram na sala de reuniões.
- Certo, mãe, te encontro daqui a pouco, né? – perguntou assim que se virou para a mãe, que sorriu em resposta e pegou a mala da garota.
- Até daqui a pouco. – Joan disse e seguiu caminho pelo corredor, indo em direção ao exterior do prédio onde estava Orion3.
respirou fundo e abriu a porta a sua frente, encontrando seus parceiros de missão já todos sentados, juntamente com Alvin e mais alguns técnicos da missão.
- Bom dia. – Cumprimentou e aproximou-se da mesa de reuniões, sentando-se na única cadeira livre: ao lado de .
- . – Alvin cumprimentou a enteada, levantando-se. – Agora que já estamos todos aqui, vamos as últimas instruções. Acredito que todos leram os manuais, correto?
Os quatro astronautas assentiram.
- Ótimo. Essa reunião é só para ressaltar o que vocês já sabem. Com a nave acoplada a Orion3, vocês devem pousar em Marte, trocar e reparar os satélites e seguir viagem até a Estação Espacial Internacional para completar o estoque de vocês com tudo que precisarem, e depois retornar para a Terra. Alguma dúvida? – Alvin perguntou e todos negaram. – Certo, vocês devem levar cerca de 120 a 150 dias para chegar em Marte, 20 dias para realizar a missão no planeta, 50 dias para ir até a EEI e, estimando que devem ficar por lá cerca de 20 a 30 dias, totalizamos 80 dias. Por último, 150 para que retornem para cá, fechando os 400 dias programados para a missão.
- Chance de precisarmos prolongar a missão? – Martin se pronunciou pela primeira vez.
- Baixa, Martin. – Um dos técnicos respondeu.
- Novamente eu vou perguntar algo que sei que eu e meus colegas nos preocupamos. – disse, tomando a frente. – Quão segura é a nave que nos fará pousar em Marte?
- O suficiente, . – Alvin respondeu. – Entendo a preocupação de todos vocês, mas testes foram feitos e estamos confiantes de que tudo ocorrerá como planejado.
- Estamos confiantes? – questionou de maneira irônica, franzindo o cenho.
- , você me conhece. Sabe que eu não mandaria vocês para uma missão sem saber que tudo ocorrerá bem.
Os quatro astronautas assentiram, finalmente concordando e acreditando nas palavras do supervisor.
- Certo. – Alvin levantou seu punho, checando o horário. – É isso. A nave já está completamente equipada e pronta para decolagem. Vamos?

Imediatamente todos levantaram e saíram da sala. Os quatro astronautas tomaram a frente, pois precisavam vestir-se adequadamente com seus uniformes antes de embarcarem. Poucos minutos depois, os quatro se encontraram na frente da porta que os levaria a área exterior, onde tudo estava preparado para o lançamento. Martin os aguardava.

- Devo lembra-los que a imprensa está aí fora e acompanhará o lançamento. - Os quatro fizeram uma careta ao ouvir Martin. – Fiquem tranquilos, já me assegurei de que vocês não farão entrevista alguma, somente eu. Ao sair por essa porta, vocês terão cinco minutos para se despedir dos familiares e quando os técnicos avisarem, deverão entrar na Orion3 e tomar seus postos imediatamente. – Ele disse, levando sua mão a maçaneta, pronto para abrir a pronta, mas hesitou e virou-se para os astronautas novamente. – Estou muito orgulhoso de vocês quatro. Não confiaria essa missão a nenhum outro astronauta.
foi a primeira a jogar seus braços ao redor do pescoço de Alvin, abraçando o padrasto. Ele retribuiu o abraço desajeitadamente e logo afastou-a de si.
- Cuida da minha mãe, por favor. – pediu ao homem. – E de Ronron. Se eu souber que você...
- Eu vou suportar o bichano, prometo. – Alvin disse e rolou os olhos. – Quanto à sua mãe, fique tranquila.
sorriu e deu um passo para trás, dando espaço para Martin cumprimentar Alvin, sendo seguido por Ethan e .
- Prontos? – Alvin perguntou, levando sua mão à maçaneta da porta novamente. Os astronautas assentiram e então ele abriu a porta, fazendo com que os 5 estreitassem os olhos por conta da claridade.

Um atrás do outro, eles saíram e depois caminharam lado a lado até a Orion 3, que estava na área de lançamento. Ao lado, os familiares de Martin, Ethan e estavam a postos, com exceção dos de , já que sua irmã não pôde vir novamente para a cidade. Ao redor da nave, em um perímetro definido e demarcado com uma grade, estava a imprensa e alguns olhos curiosos que assistiriam ao lançamento. Os astronautas se dirigiram até onde estavam suas famílias enquanto Alvin foi falar com a imprensa.

- Querida. – Sra. puxou a filha para um abraço assim que esta se aproximou, passando as mãos pelo cabelo dela.
- Mãe. – disse, retribuindo o abraço. – Antes que a gente perceba, eu vou estar de volta.
As duas se afastaram e sorriram uma para a outra.
- Sei disso. – Joan levou sua mão até o rosto da filha, acariciando-o. – Deus, como vou sentir sua falta. Nunca ficamos tanto tempo assim sem nos ver.
riu baixo, cruzando os braços.
- É verdade, mas...
- Ei, ! – Martin a chamou, aproximando-se com seus pais em seu encalço. – Meus velhos.
- Senhor e senhora Lewis! – A loira disse, correndo em direção aos dois, que a receberam de braços abertos. – Que saudade de vocês!
- Estamos muito orgulhosos de vocês dois, . – Sra. Lewis disse.
- Mais felizes ainda por irem juntos a essa missão. Quem sabe agora vocês não percebam que devem ficar juntos de uma vez e... – Sr. Lewis comentou, sendo interrompido pelo filho.
- Certo, pai. – Ele disse, abraçando o homem pelos ombros. – Já tivemos essa conversa e você tá cansado de saber que somos como irmãos. – O loiro disse e o pai revirou os olhos, contrariado. – E além do mais, o amor da vida da também tá na missão, então...
- Cala a porra da boca, Lewis. – esbravejou, irritada, fazendo o amigo gargalhar.
- ! – Joan a reprendeu por conta do palavrão e ela deu de ombros, rindo em seguida. Certas coisas nunca mudariam. – Aliás, porque está sozinho?
virou seu rosto e encontrou de braços cruzados, olhando para os lados de maneira um pouco desconfortável. Ela suspirou, abaixando os ombros.
- Os pais de faleceram e sua irmã veio semana passada, provavelmente não pôde vir hoje... – Ela explicou a mãe, que assentiu.
- Bom, então eu vou lá. – A mais velha disse, fazendo a filha arregalar os olhos. – O que? Vou me apresentar e me despedir dele, querida. Ele provavelmente sente falta dos pais, principalmente nesses momentos.
baixou os ombros, dando-se por vencida. A mãe estava certa. Ela mordeu o lábio ao ver a mãe dar passos em direção ao homem, mas permaneceu no local, até que um empurrão dado por Martin a fez andar, acompanhando sua mãe.
- . – disse assim que as duas chegaram até ele.
- . – Ele disse e ela não pode deixar de torcer a boca ao ouvi-lo chamar pelo sobrenome.
- Essa é minha mãe, Joan. – apresentou a mãe.
- Oi, querido. Era para termos nos conhecido há alguns dias, mas... – Joan olhou torto para a filha, que rolou os olhos e cruzou os braços. – É um prazer te conhecer agora.
sorriu de maneira sincera para a mulher a sua frente.
- O prazer é todo meu, Sra. . – Ele disse, sorrindo para ela.
- comentou que sua irmã não pôde vir, então decidi vir lhe dar um abraço e desejar uma boa missão. – Joan disse, aproximando-se do homem de braços abertos. – Posso?
franziu o cenho por alguns segundos mas acabou balançando a cabeça em confirmação, sentindo a mulher abraça-lo em seguida. Ele permaneceu sem reação durante um tempo, até o encarar feio, fazendo com que ele retribuísse o abraço.
- Que cena mais linda, a sogrinha conhecendo o genro. – Ethan comentou ao lado de , fazendo-a dar um pulo de susto.
- Que cena mais linda, Ethan Draw levando uma surra de sua colega de missão, . – Rebateu, virando-se e dando um soco em seu ombro.
- Ouch! – O moreno disse, levando sua mão até o local atingido. – Seu senso de humor tá maravilhoso, hein?
A astronauta revirou os olhos e voltou seu olhara para sua mãe e , que já estavam separados e o homem sorria para algo que ela havia comentado.
- Astronautas! – Um dos técnicos gritou, chamando a atenção de todos. – Hora de embarcar!
deu um último abraço em sua mãe e seguiu para fazer o mesmo com os pais de Martin e depois com os de Ethan.

Finalizadas as despedidas, os quatro astronautas se dirigiram até a entrada da Orion3. Antes de entrarem, viraram-se e acenaram para as pessoas que estavam ali. A imprensa foi ao delírio, disparando vários flashes na direção deles. Assim que Alvin fez sinal para eles, eles acenaram uma última vez e se viraram, entrando na espaçonave. A porta foi fechada e os quatro se entreolharam.

- Bom, então é isso. – Martin disse e começou a andar a frente dos outros três, que o seguiram até o meio do corredor. O comandante apertou uma espécie de botão na parede, fazendo com que a área se projetasse para fora, revelando vários capacetes espaciais.

– Peguem seus capacetes e sigam para a cabine de comando. – Ordenou e os astronautas fizeram o que ele pediu imediatamente, colocando seus capacetes.

Cada um seguiu para sua cadeira. Martin sentou na cadeira de comandante e Ethan sentou ao seu lado. e sentaram na fileira de trás, lado a lado. A mulher passou o cinto por sua cintura, prendendo-o. Depois, desceu a proteção corporal e prendeu-a no cinto da cintura, certificando-se de que estava bem ajustada para que seu corpo não se mexesse. Olhou para o lado e encontrou já bem protegido.

- Todos em posição? – Martin questionou. Os três gritaram em confirmação. – Ótimo. Contagem regressiva iniciada: 10 minutos para lançamento.
Martin apertou alguns botões, fazendo com que as luzes da cabine diminuíssem. Apertando outro botão, a voz de Alvin fez-se ouvir.
- Comandante? - Chamou.
- Sim, Alvin?
- Todos os sistemas da Orion3 foram previamente checados pelos técnicos, portanto você só precisa preparar a sequência de lançamento e o restante nós fazemos. – Ele pediu e Martin o fez, apertando vários botões e entrando alguns códigos no computador a sua frente.
- Feito, senhor.
- Liberar tanques de combustível. – Alvin ordenou novamente e Martin apertou dois botões.
Em seguida, um barulho alto de peças se movendo foi ouvido, indicando que o comando tinha funcionado e os tanques estavam a postos.
- Certo. Agora é com vocês. Faltam 6 minutos para o lançamento. – Alvin fez uma pausa. – Quando lançarem, perderemos o contato por voz e só conseguiremos rastrear vocês por aqui. Nos falamos por e-mail. Relatórios de missão a cada 30 dias pelo computador principal, assim como pedidos de filmes e séries para que possam assistir no tempo livre.
- Teremos isso? - Ethan questionou, animado.
- Isso já existe há algum tempo, Ethan. A única novidade é que agora vocês conseguem falar por e-mail com a terra a qualquer momento, o que antes era limitado.
- Estou falando sobre as séries... - Ethan disse.
- Ah, sim... Antes os astronautas levavam à bordo o que queriam assistir, mas agora, com a comunicação pelo computador, conseguimos passar os arquivos pra vocês.
- Meu Deus, vou poder fazer maratona de Harry Potter! - exclamou, animada.
- Você ainda é viciada nisso? - perguntou.
- Ok, ok! Chega de papo furado. - Martin interrompeu-os, fazendo eles rirem. - Anotado, senhor. – Até daqui a 400 dias.
- Até daqui a 400 dias. – Os outros astronautas repetiram a fala do comandante.
- Até, astronautas. Tenham uma boa missão. – Alvin se despediu e o silêncio voltou a habitar a espaçonave.
- 5 minutos para lançamento. – Martin anunciou, quebrando o silêncio. – Todos com os cintos e proteção corporal devidamente colocados?
- Sim. – Os três responderam.
- Desligando luzes da cabine. – Martin disse e a cabine foi tomada por uma escuridão, sendo as luzes do painel de controle as únicas ligadas no momento. – Certo, nossa missão está apenas começando. Sei que estão prontos e que cada um de vocês é mais do que capacitado pra essa missão, mas não posso deixar de ressaltar que devemos sempre manter um bom relacionamento, por mais difícil que isso seja enquanto em missão. Vai chegar um momento que não vamos mais aguentar olhar pra cara um do outro e aí preciso que se lembrem do nosso objetivo.
- Já tenho dificuldade em olhar pra sua cara, imagina depois de 100 dias... – Ethan disse, arrancando risadas de e .
- Muito engraçado, Draw. – Martin disse, revirando os olhos. – Estamos entendidos? Teremos nossos momentos de lazer e descontração, até porque tenho certeza que todos trouxeram alguns jogos, mas não podemos esquecer da nossa principal missão. – Ele disse. – E por último, trabalho é trabalho e vida pessoa é vida pessoal. Espero que saibam dividir isso pra não deixar que atrapalhe a convivência e o relacionamento profissional. – Finalizou, virando sua cabeça levemente para o lado e olhando para e .
- Por que tá olhando pra mim? – perguntou.
- Da minha parte tá tranquilo, Martin. – respondeu.
- Ótimo. Me preocupo mais com mesmo. – Ele disse, arrancando uma risada de Ethan e .
- Vai se foder, Martin. – rebateu, revirando os olhos, fazendo o homem rir.
- 2 minutos para lançamento. – Ele disse, interrompendo o momento de descontração. – Colocar capacetes e travar as viseiras.
Depois de já devidamente paramentados, todos apertaram o botão no capacete que permitia a comunicação entre si, para ouvirem uns aos outros.
- 1 minuto para lançamento. – Martin anunciou. – Ativando sequência de lançamento. – Ele apertou alguns botões em sequência e então voltou a sua posição anterior, finalmente fechando sua própria proteção corporal e preparando-se para a decolagem.
Alguns ruídos começaram a ser ouvidos pelos astronautas, indicando que o lançamento estava próximo a acontecer.
– 30 segundos. Supressão de ruídos ativada.

Eles não podiam ver, mas nesse instante a plataforma de lançamento estava sendo inundada com milhares de litros água para que a pressão e os ruídos fossem diminuídos assim que a nave decolasse, evitando danos na espaçonave.

- Ativar motores principais. Tripulação, preparar para lançamento. – Martin anunciou e assim que apertou um botão grande e vermelho que ficava no centro do painel, fechou seus os olhos.

apertou os braços de seu assento com as mãos, se mexeu de maneira inquieta e Ethan respirou fundo, preparando-se. Um barulho alto constante começou a ser ouvido e a espaçonave começou a tremer e então um grande impulso tirou-os do chão, fazendo com que os corpos dos astronautas grudassem nos assentos enquanto eram lançados ao espaço.

- Lançamento da Orion3, dando início a uma nova era de espaçonaves da NASA. Início da missão CR3-MA. Boa viagem, astronautas. – Uma voz se fez ouvir de repente e, da mesma maneira que surgiu, sumiu.

A vibração continuou por mais tempo, enquanto a velocidade aumentava cada vez mais, sacudindo os tripulantes. Uma explosão se fez ouvir e logo em seguida veio outra, indicando que o foguete de propulsão e a coifa de proteção separaram-se da nave. Assim que a vibração diminuiu, Martin abriu seus olhos e esticou a mão para o painel a sua frente, entrando alguns comandos. O restante permaneceu de olhos fechados enquanto a espaçonave ganhava cada vez mais altitude e velocidade.

- Ethan, status. – Martin pediu e o astronauta rapidamente se moveu e apertou um botão, olhando para o painel em sua frente.
- 1000km/h. 20km de altitude e 2min de vôo. – O moreno relatou.
- Certo. Acompanhe e me avise quando chegarmos a 45km de altitude ou 4000km/h, por favor. – Martin ordenou e Ethan concordou.

Alguns segundos de silêncio se seguiram. permanecia na mesma posição de minutos atrás, ainda segurando com força os braços de sua cadeira. Seus olhos estavam fechados e seu rosto contorcido em uma careta. , virando o rosto lentamente para o lado, observou as feições da mulher.

- . – Chamou, mas não obteve resposta. – ! – Falou um pouco mais alto e ela abriu os olhos, virando-se para ele. – Tudo bem?
- Tô enjoada. – Anunciou, voltando seu olhar para frente. – Se eu não vomitar agora vai ser um milagre.
- Pois se vomitar, mantenha o vômito dentro da boca. – Ele disse e a garota fez cara de nojo. – Você não vai querer vômito dentro do seu capacete, vai?
- Tá ajudando muito, . – disse, irônica. – Cala a boca, por favor.
O homem riu, voltando seu olhar para frente, ao mesmo tempo que Ethan voltou a falar.
- Atingindo 45 km de altitude e 4124km/h de velocidade.
- Descartando capsulas de combustível vazias. – Martin falou, puxando uma alavanca que ficava no meio dos dois bancos, liberando as cápsulas de oxigênio e querosene líquidos, que seriam resgatadas pela NASA assim que caíssem na Terra.
- Mais 20 minutos e entramos em órbita. Ethan, me avise novamente quando atingirmos 28.800km/h ou 150km de altitude.
- Certo. - Ethan disse, mantendo seus olhos fixos no visor a sua frente. Os números continuavam a aumentar, e não demoraram para atingir 150km de altitude. - 151km, Martin.
- Motores em modo de vôo. - Martin disse, puxando outra alavanca, dessa vez localizada em seu lado esquerdo. - Entrando em orbita em 3, 2, 1... Tanque principal ejetado e destino traçado para Marte, senhoras e senhores. Podem abrir os capacetes e tirar as prot...
Antes mesmo que Martin terminasse o que estava falando, se levantou e correu até o depósito de lixo mais próximo, praticamente afundando sua cabeça nele, vomitando imediatamente.
- Tô surpreso que ela conseguiu não vomitar no capacete. - comentou, fazendo os outros dois homens rirem.
, por sua vez, levantou sua mão e mostrou o dedo do meio para ele, enquanto limpava a boca com a outra mão. Com o pé, ela pisou na alavanca e descartou o lixo - ou melhor, seu vômito.
- Eu odeio decolagens. - disse e suspirou em seguida, abaixando seus ombros. - Achei que ia me acostumar, mas...
- Guardem seus capacetes, por favor. - Martin pediu, mudando o rumo da conversa. - Estamos em órbita e continuaremos assim por 130 dias, então, enquanto não recebermos instruções ou chegarmos em Marte, estamos praticamente de folga.
- Eu já quero começar a maratonar meus filmes. - comentou, batendo palmas animadas.
- Pode parar. Temos uma TV, isso aqui também não é hotel 5 estrelas, linda. - Ethan disse de maneira irônica. - Vamos assistir algo que todos gostem.
- Game Of Thrones? - perguntou de maneira esperançosa.
- Topo. - Martin disse.
- Pode ser. - Ethan falou.
- É, ok... - deu de ombros e cruzou os braços. - Mas temos 400 dias, vocês ainda assistirão Harry Potter comigo.
- Vai sonhando, , vai sonhando... - Martin disse, dando tapinhas nos ombros da amiga. - Vou solicitar Game Of Thrones, então. Deve demorar algum tempo até todas as temporadas chegarem, portanto... Todos pra academia. 2h de exercício, banho, comida e só depois começaremos a assistir.
- Mas já? - perguntou, revirando os olhos. - Não deu nem tempo do nosso corpo começar a sentir o efeito e...
- Diz a garota que acabou de vomitar. - respondeu e o olhou feio.
- Cala a boca, . Você tá me irritando e não é de agora. - Ela disse, apontando o dedo para ele, que levantou as mãos em rendição. - A esteira é minha. - Anunciou e saiu correndo para o seu quarto, provavelmente para trocar de roupa.
- Certo... - Ethan disse, rindo da pressa da amiga. - Ela não tinha reclamado sobre precisar se exercitar?
- Você ainda tenta entender a , Draw? - Martin questionou e o moreno deu de ombros. - Temos anos de amizade e eu já não tento há algum tempo...
Os três riram e seguiram o mesmo caminho que a mulher, rumo a seus quartos.

Alguns minutos depois, já estava fazendo um treino de corrida intercalada na esteira enquanto escutava música em seus fones de ouvido. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto e ela vestia um top e um shorts, ambos da cor azul escuro contendo o logotipo da NASA. passou a mão pela testa, secando o suor que já escorria por seu rosto.

- Mas já tá assim? - Ethan perguntou ao entrar na academia, vestindo apenas um calção e um tênis, deixando seu peitoral a mostra.
pausou a música e retirou seus fones ao ouvi-lo e não tentou impedir seus olhos de acompanharem o contorno dos músculos do rapaz, passando-os por seus ombros, braços e por último, mas não menos importante, o abdômen.
- Isso é jeito de vir treinar? - Ela perguntou assim que o homem se virou, encerrando seu momento de admiração ao corpo alheio.
- Te incomoda? Eu odeio treinar com camiseta, fica toda grudando. Se você se importar, eu posso colocar e... - Ele questionou, virando-se novamente para ela. revirou os olhos, diminuindo a velocidade da esteira e voltando a encarar o corpo de Ethan.
- Me incomodar? Eu? Ah, Ethan... - Ela disse, tombando a cabeça para o lado e abrindo um sorriso ladino.
- , você tá me secando? - Draw perguntou, escondendo seu corpo com as mãos fingindo que estava constrangido, fazendo-a gargalhar.
- Qual a graça? - Martin perguntou assim que passou pela porta, com vindo logo atrás.

fechou a cara no mesmo instante e quase tropeçou na esteira, tendo que apertar o botão de emergência. Colocou rapidamente os dois pés nas laterais do aparelho e respirou fundo, olhando para os dois homens que recém haviam chego. Martin e usavam calções iguais, também com o logotipo da Nasa. E sim, nenhum deles estava usando camiseta. Primeiro, ela olhou para o corpo de seu melhor amigo rapidamente, só para checar se estava tudo como sempre esteve. Depois, ela se pôs a observar seu ex-namorado, passando seu olhar por cada centímetro da pele exposta do astronauta. É importante ressaltar que ele estava gostoso. Muito gostoso. Mais gostoso do que se lembrava. Muito gostoso para seu próprio bem. Gostoso para caralho. Talvez o homem mais gostoso que ela já havia visto. Deus, como ela queria toca-lo e...

Algumas risadas a fizeram piscar os olhos, voltando para a realidade e encontrando os três encarando-a de maneira engraçada. Quando caiu em si, estava com o lábio inferior entre seus dentes e provavelmente - quase certeza - babava pelo canto da boca.

- Qual a porra do problema de vocês? - Questionou, retomando sua postura anterior e ignorando os olhares dos homens ali presentes.
- Nosso? Nenhum. - Martin questionou, aproximando-se de um dos aparelhos de musculação ali presentes.
- Já seu... - disse, abrindo um sorriso sugestivo para ela.
Ela bufou irritada e desceu da esteira, levando consigo sua garrafinha de água e sua toalha de rosto.
- Estão todos proibidos de frequentar a academia sem camiseta. - Ela disse quando passou andando por eles com certa pressa.
- Onde você vai? - Ethan perguntou.
- Tomar um banho gelado. - Respondeu quando já estava perto da porta e os três explodiram em gargalhadas, que ela ainda pôde ouvir quando estava praticamente na porta de seu quarto.
- Porcaria de testosterona em excesso. - Resmungou assim que entrou no cômodo. - Menos de um dia de missão e eu já fui submetida a um teste de auto-controle desses. - Fechou a porta atrás de si e soltou sua garrafa em cima da cômoda. - Filhos de uma puta! - Exclamou, um pouco exaltada. - Tenho certeza que combinaram. Essa porra dessa cena não vai mais sair da minha cabeça... - Disse, abaixando-se e deitando no chão. Colocou suas mãos embaixo de sua cabeça e permaneceu olhando para o teto. - Ah, mas vai ter volta... - Afirmou a si mesma já com uma ideia se formando em sua cabeça.

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Pouco mais de duas horas depois, e Draw já estavam no sofá da área comum, esparramados, cada um em um canto. tinha seus olhos fixos em um livro, enquanto Draw mexia em seu tablet.
- morreu no banho? - Martin questionou assim que chegou, indo direto para a cozinha.
- Acho que ela ainda nem tomou banho. - Ethan disse. - A porta do quarto tá fechada desde que saímos da academia.
- E vocês já comeram? - O loiro perguntou novamente, abrindo três pacotes: um com uma carne, outro com arroz e outro com alguns legumes.
- Sim. - Os dois responderam ao mesmo tempo, sem levantar o olhar, fazendo Martin revirar os olhos.

Passos vindos do corredor foram ouvidos e então apareceu. Seus cabelos estavam presos em um coque e seu corpo estava envolvido somente por uma toalha de banho.

- Esquenta comida pra mim também? - pediu a Martin, que virou-se para olha-la e quase derrubou tudo que segurava, chamando a atenção de Ethan e .

Os dois largaram o que faziam e olharam para a mulher. Ethan começou a tossir imediatamente, engasgando-se com o ar que respirava e não conseguia pensar direito, seu olhar perdido nas pernas expostas de sua ex-namorada. Sua pele parecia tão macia e seu corpo mais torneado do que ele se lembrava. A toalha moldou perfeitamente as curvas dela e antes que percebesse ele já estava imaginando como seria bom arrancar a toalha de seu corpo e prensa-la na parede mais próxima, beijando-a como há tempos não fazia.

- Mas que p...? - Martin perguntou, colocando as mãos nos ombros da amiga e guiando-a para longe dos olhares dos outros dois. - Qual o seu problema, ?
- Nenhum? - Ela perguntou divertida, virando o rosto e acenando para os dois homens que a encaravam sem pudor algum.
- Já entendi que isso foi uma vingança. Vai se vestir, . - Martin disse, praticamente empurrando-a para dentro do quarto, ouvindo-a gargalhar.
- Não é muito bom provar do próprio veneno, né? - Ela questionou, levando suas mãos até a barra da toalha, ameaçando puxa-la. - Sai ou você vai ver mais do que gostaria... - Ela disse, abaixando a toalha lentamente, vendo Martin arregalar os olhos e se virar, batendo a porta atrás de si com certa pressa. - Touché. - comemorou, gargalhando em seguida, finalmente deixando a toalha cair e começando a se vestir.

- Quando eu falo que essa mulher tem um parafuso a menos, ninguém acredita. - Martin disse quando voltou para a área comum. - Onde já se viu... - Resmungou para si mesmo enquanto voltava a arrumar sua comida, ouvindo uma gargalhada de Ethan.
- Você precisa admitir que ela é...
- Não termine essa frase, Draw. - Martin disse, virando-se para ele assim que colocou sua comida no micro-ondas. - Qual seu problema?
- Você nem sabe o que eu ia falar! - O moreno se defendeu, rindo. - Eu ia dizer que ela é linda.
se mexeu desconfortável e revirou os olhos, abrindo seu livro e voltando a lê-lo.
- Claro que ia. - Martin respondeu. - Não esquece que te conheço e você não presta. Então fica longe dela. Aliás, achei que já tivéssemos conversado sobre isso...
- E por que o não ta ouvindo essa baboseira toda? - Ethan rebateu e levantou o olhar, olhando confuso para os dois.
- Porque ele não abriu a boca pra fazer comentários babacas. - Martin disse, retirando sua comida já aquecida do micro-ondas.
- Mas ele também encarou! - Ethan disse.
- Encarou quem? - questionou no momento em que apareceu na sala, agora devidamente vestida.
Ethan revirou os olhos e agradeceu mentalmente pela interrupção, voltando sua atenção para o livro novamente.
- Toma, esquentei pra você. - Martin mentiu, estendendo o prato em direção à , que sorriu para o amigo em forma de agradecimento e andou até a área da televisão, sentando na poltrona que ficava ao lado do sofá.
Martin pegou novamente as mesmas comidas que deu para a amiga e colocou em um prato, esquentando-as e sentando-se com o prato já quente na poltrona que sobrou.
- Já recebemos a série? - Martin perguntou entre garfadas.
- Sim, primeira temporada completa. - Ethan respondeu e largou seu tablet ao seu lado no sofá, pegando o controle da TV em seguida. - Posso começar?
- Por mim, sim. - disse, fechando seu livro e estendendo suas pernas, apoiando os pés na mesinha de centro.

balançou a cabeça em confirmação, já que sua boca estava cheia de comida. Alguns minutos depois, ela e Martin terminaram de comer e o loiro levou os dois pratos para a cozinha, deixando-os em cima da mesa para higienizar depois. Quando retornou, a abertura de Game of Thrones já passava na tela.

- Queria pipoca. - comentou, mordendo o canto de suas unhas. Não obteve resposta.
Revirou os olhos e voltou sua atenção para a série, tentando entender o que estava acontecendo.
- Quem é esse? - Perguntou, ficando novamente sem resposta.
Ela se remexeu de maneira inquieta na poltrona, virando-se e colocando suas pernas para cima. O episódio continuou, com cada vez mais perdida. Era normal não entender nada logo no primeiro episódio da série? Não devia ser assim, devia?
- Gente, isso fica mais legal? - Ela questionou novamente, recebendo uma encarada de Ethan, que ela entendeu como um ‘’cala a boca’’, afundando-se na poltrona novamente.
Algum tempo depois, quando o episódio já estava chegando ao fim, ela finalmente estava começando a entender algumas coisas. sobressaltou-se quando a próxima cena começou.
- ELES SÃO IRMÃOS? - Berrou, levantando-se da cadeira.
- Cala a boca, ! - Os três homens disseram ao mesmo tempo e ela se encolheu, sentando-se novamente.
É, seria uma longa maratona.


Capítulo 5

7º DIA


observava a cena a sua frente embasbacada. Os três homens a encaravam com o olhar transbordando luxúria e desejo. Martin estava praticamente nu, assim como e Ethan. A calcinha da mulher já se encontrava molhada e ainda não havia ocorrido nenhum contato direto. Ela cruzou as pernas desconfortavelmente, tentando aliviar a sensação de alguma maneira. Ah, mas ela sabia bem que de maneira ela queria que essa sensação fosse aliviada. Quem sabe com as mãos grandes e ágeis de Ethan? Ou com os lábios bem desenhados de ? Talvez até com os dedos de Martin...

Os homens, vendo que ela não esboçaria reação alguma além de encara-los com a mesma intensidade que eles lhe encaravam, resolveram se aproximar juntos, fazendo-a se encolher no meio da cama. foi o primeiro a toca-la, se posicionando atrás dela e afastando seu cabelo para encostar seus lábios no pescoço da astronauta. Imediatamente ela fechou os olhos, sentindo um arrepio percorrer seu corpo. Mal teve tempo de assimilar a sensação quando duas mãos começaram a tocar seu corpo. Uma delas entrou por baixo de sua camiseta e deslizava por seu abdômen em direção aos seus seios, enquanto a outra passava lentamente por suas coxas expostas pelo shorts curto que usava.

- Você quer que a gente pare? - perguntou sem afastar os lábios da pele dela. Imediatamente negou com a cabeça. - Que bom, porque nós também não queremos parar.
- Hoje a noite é sua, . - Ethan disse enquanto levantava a blusa da mulher.

Os homens se afastaram e deram espaço para que ela tirasse a blusa. se adiantou e retirou seu shorts também, ficando apenas de lingerie. Os três pares de olhos encararam seu corpo sem pudor algum. Ethan foi o primeiro a se aproximar, roçando seus lábios lentamente pelo ombro dela ao mesmo tempo que abaixava a alça de seu sutiã. As mãos de foram mais ágeis e desceram para o fecho da peça, a qual ele retirou com cuidado. Depois, aproximou uma de suas mãos do colo dela e envolveu um de seios com sua mão, apertando-o com certa força, fazendo a mulher soltar um gemido baixo.

Martin, por sua vez, manteve-se quieto enquanto deslizava seus dedos pelas coxas da amiga. Lentamente ele abriu as pernas dela e se posicionou no meio, aproximando seus dedos da área interna das coxas dela, fazendo com se arrepiasse e inclinasse um pouco o corpo para frente.

- Você gosta disso, não é? - Martin questionou, aproximando os dedos da virilha da mulher, roçando-os por ali.

murmurou algo como ‘’gosto’’, o que fez os três sorrirem em aprovação. Ethan, trocando de posição com , colocou-se sentado atrás dela, deixando o corpo de no meio de suas pernas de maneira com que as costas dela ficaram encostadas em seu peitoral. As mãos dele foram até o outro seio da mulher e ele envolveu seu mamilo com os dedos polegar e indicador, apertando-o levemente. permaneceu apertando o seio dela ao mesmo tempo que voltou a aproximar seus lábios do pescoço dela, beijando a área.

- Vocês estão me enlouquecendo... - falou, sua voz saindo baixa e sendo interrompida por um gemido logo no fim, quando Martin encostou seus dedos no clitóris da mulher por cima de sua calcinha.
- É a intenção, ... - murmurou perto do ouvido dela, pronunciando seu apelido de maneira provocativa, mordendo o lóbulo de sua orelha em seguida.

Os dedos de Martin continuaram se movimentar por cima do tecido, fazendo movimentos circulares no local mais sensível da intimidade de . A mulher, respondendo aos estímulos, jogou sua cabeça para trás enquanto soltava gemidos baixinhos. Ethan aproximou suas mãos da calcinha dela e Martin entendeu o que o amigo queria, ambos retirando a peça de roupa com certa facilidade. Martin voltou sua atenção para as coxas de , afastando suas pernas o máximo que conseguiu, sem deixa-la desconfortável.

observava a cena com os olhos abertos, com a certeza de que aquilo jamais sairia de sua mente. Com certa rapidez, Martin trocou de lugar com Ethan e passou a ocupar a posição no meio das pernas da mulher. Lentamente, ele aproximou suas mãos da intimidade dela e levou um de seus dedos até a entrada, ameaçando penetra-la a qualquer momento.

- Molhadinha... - murmurou e gemeu baixo em aprovação, ao mesmo tempo que os lábios quentes de Ethan encostaram em seu seio, chupando-o com vontade.

Martin permaneceu observando a cena, enquanto seus dedos percorriam o corpo dela, passando por seu pescoço, ombro, braços e subindo pela barriga até chegar em seus seios. , aproveitando o momento de distração de , penetrou-a com seu dedo, fazendo com que ela jogasse a cabeça para trás e mordesse seu lábio com certa força.

- Ah, você lembra disso, ? - Ele perguntou, seu dedo deslizando cada vez mais fundo para dentro dela. - Lembra de como eu te fazia gozar?
- Le-lembro... - Ela murmurou entre gemidos, recebendo um sorriso satisfeito do homem, que intensificou os movimentos no mesmo momento.

, que permaneceu sem se movimentar até agora, resolveu aproveitar um pouco da situação. Ela levou uma de suas mãos até o corpo de Ethan, que estava em seu lado direito. Passou as unhas pelo peitoral dele, vendo-o se encolher. Começou a descer sua mão até chegar na barra da boxer que ele usava. Seu olhar encontrou o do homem e então ela apertou levemente seu membro ereto por cima do tecido. Ele estava completamente duro, mas incrivelmente macio. Ela apertou com um pouco mais de força e o homem continuou a encara-la com desejo no olhar. Estranhando a falta de reação dele, intensificou o aperto e só então se deu conta de que o que estava em sua mão era um travesseiro.

Abriu seus olhos, agitada. Olhou para os lados e encontrou as paredes de seu compartimento na Orion3. Não podia ser. Era tudo muito real. Ela desceu sua mão para o meio de suas pernas, só para confirmar que estava extremamente excitada, encontrando sua calcinha completamente encharcada. Bufou, frustrada.

- Bom demais pra ser verdade... - Murmurou, deslizando seus dedos para dentro de sua calcinha, decidida a dar um jeito sozinha em sua excitação.

Não faria mal demorar um pouco mais para sair do quarto nessa manhã e, além do mais, um orgasmo com certeza a ajudaria a estar mais calma quando tivesse que olhar para a cara de seus três companheiros de missão e se esforçar para não lembrar do sonho erótico que teve com eles.

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Cerca de 40 minutos depois, após matar o que a estava matando e fazer sua higiene matinal, apertou o botão e a porta de seu quarto se abriu. Assim que deu um passo para fora, porém, seu corpo bateu de frente com o de e o perfume dele adentrou suas narinas, fazendo-a respirar fundo só para senti-lo mais uma vez. encarou a mulher, curioso com sua falta de reação. Como ela continuou em silêncio, ele pigarreou baixo, chamando sua atenção.

- Desculpa. - Ela pediu, ainda sem olhar para ele.

franziu o cenho, mas deu de ombros, dizendo que não tinha problema.

- Bom dia. - Ele desejou e seguiu seu caminho pelo corredor, indo em direção à área comum.

suspirou baixinho e rolou os olhos em seguida. Se fosse agir assim com os outros dois, estaria ferrada. Balançando a cabeça para espantar os pensamentos, ela retomou sua postura e se dirigiu à área comum com seu diário em mãos, pronta para passar seu sonho para o papel - coisa que fazia desde que tinha 15 anos de idade. Era sua maneira de manter seus sonhos vivos e tira-los de sua cabeça. Além do mais, quando mais nova, ela costumava acreditar que sonhos tinham significados. Hoje, mesmo tendo quase certeza que não, o hábito não se acabou.

Cumprimentou Martin - que era o único presente no local além de - apenas com um sorriso, temendo que se abrisse a boca algo sobre sua mais nova fantasia pudesse escapar por seus lábios. Deixou seu diário em cima da mesa em frente ao sofá e foi para a área da cozinha, decidida a tomar um café. Depois de preparar a bebida, voltou com uma caneca em mãos, pegou seu diário e foi se sentar em uma das cadeiras próximas as janelas da espaçonave. Observar a imensidão que era o espaço era excepcional. O céu agora estava escuro, mas não demoraria a clarear um pouco, uma vez que, quando se está no espaço sideral, é possível assistir o nascer do sol a cada 45 minutos. tomou um gole de seu café e soltou a caneca ao lado, apoiando seu diário em suas pernas e abrindo-o, começando a escrever o sonho que teve.

- Querido diário... - a voz de Ethan soou atrás de e ela fechou o caderno imediatamente, escondendo-o atrás das costas.
- Que porra, Draw! - Exclamou, torcendo para que o amigo não tenha lido nada.

Ethan gargalhou e sentou-se ao lado dela, pegando a caneca de café da mulher e tomando um gole.
- Isso é mesmo um diário? - Perguntou, tombando a cabeça para o lado, curioso. - Não interessa. - respondeu, cruzando as pernas e olhando para frente. - Eu gosto de passar meus pensamentos pro papel, só isso.
- E no que você tava pensando? - Ethan perguntou, sorrindo de maneira doce, tentando arrancar algo dela.
- Vai sonhando que vou te contar. - Vai sonhando mesmo, pensou. - Você nem ia gostar de saber. - Ah, como iria...
- Qual é, ? Pode conversar comigo. Você tava escrevendo sobre o , não tava? - Ele perguntou, aproximando-se dela no sofá e abaixando o tom de voz. - Se você quiser, eu posso ser seu confidente durante a missão. Você pode me contar tudo e...
- Ethan! Não vou te contar nada, já disse. E não era sobre ele. - Era sobre ele, sobre você, sobre Martin...

afastou-se um pouco do homem, temendo ficar muito próxima a ele, já que as memórias de seu sonho insistiam em voltar.

- Se não era sobre ele, por que não me conta? - Ethan questionou novamente e rolou os olhos.
- Draw, para de incomodar a e deixa ela escrever em paz no caderno de sonhos dela! - Martin disse alto e o xingou mentalmente.

Ethan a olhou com as sobrancelhas arqueadas em curiosidade. também voltou seu olhar para a mulher. - Caderninho de sonhos? Então você escreve seus sonhos aí? - Ethan questionou, apoiando a cabeça nas mãos como uma garotinha curiosa.
- Sim, e como eu já disse, não é da sua conta. - respondeu simplesmente, cruzando seus braços e torcendo para que o assunto se encerrasse.
- Certeza que o sonho de hoje foi erótico. - Martin comentou, fazendo arregalar os olhos. - Uma vez eu a peguei escrevendo sobre um sonho q...
- Cala a boca, Martin! - gritou para o amigo, interrompendo-o e levantando-se logo depois.
- Ela teve um sonho erótico! - Ethan berrou, animado ao descobrir a verdade, julgando pela reação que ela teve.
- Não tive. - Ela disse, suas bochechas esquentando levemente enquanto se levantava e andava para longe.

e Martin observavam a cena, rindo dos dois astronautas, que mais pareciam dois adolescentes do que dois adultos formados.

- Ah, teve sim! - Ethan disse, levantando-se e indo atrás dela. - ! Com qual de nós três foi?

se virou e bateu no peito de Ethan com seu caderno, cruzando os braços em seguida.

- Que porra? O que te faz achar que eu teria um sonho erótico com algum de vocês três? - Questionou, querendo sumir da frente de Ethan e extravasar o que estava sentindo na academia.
- O banho gelado que você tomou depois de nos ver sem camiseta. - Ethan respondeu, abrindo um sorriso convencido que fez fechar a cara e suas bochechas avermelharem instantaneamente.
- Martin! Me ajuda aqui! - Pediu, apelando para o amigo, que gargalhou.
- Em outras circunstâncias eu ajudaria, mas também tô curioso pra saber. E te deixar envergonhada tá super engraçado. - O loiro disse, fazendo a amiga bufar.
- Não teve sonho nenhum! Muito menos com algum de vocês! - disse um pouco alto, batendo os pés no chão como uma criança. - E você é um baita amigo, Lewis!
- Foi mal, . Mas eu te conheço melhor que qualquer um aqui e sei quando você tá escondendo algo... - Ele disse, rindo da cara da amiga.
- Com certeza foi comigo. - se pronunciou pela primeira vez, recebendo um olhar raivoso de .
- Sabia que você era convencido, mas não tanto, . - Ela disse, encarando-o. - Você seria o último com quem que eu teria um sonho erótico. Era só o que me faltava...

franziu o cenho por um segundo e logo o desfez, abrindo um sorriso convencido. Deu alguns passos e se colocou entre Ethan e ela, aproximando-se da mulher que, instintivamente, deu alguns passos para trás. Martin e Ethan observavam a cena atentos.

- Ah, jura? - Ele perguntou, dando mais um passo na direção dela, fazendo com que ela encostasse o corpo na parede. aproximou o rosto do dela e afastou seu cabelo, colocando a boca em sua orelha. - Você costumava me dizer o contrário...

fechou os olhos ao sentir o hálito quente de bater em sua pele, arrepiando-se por completo. Ele apoiou sua mão na parede e grudou seu corpo no dela, ouvindo-a suspirar. Os dois acabaram esquecendo que não estavam sozinhos. Em outras circunstâncias, teria afastado , contudo, seu sonho ainda estava muito vivo em sua mente, e ter o homem sussurrando em seu ouvido daquela maneira a fez quase molhar a calcinha pela segunda vez no dia.

- Ei, ei. - Martin disse um pouco alto, chamando a atenção dos dois. - Acho que já deu, né? Deixem o remember pra quando voltarmos pra Terra, por favor.

pareceu acordar do transe em que estava e colocou seu caderno no peito de , empurrando-o para longe. O astronauta riu e se afastou, enquanto a mulher deu meia volta e saiu batendo os pés em direção ao seu compartimento, apertando freneticamente o botão para a porta se fechar assim que entrou. Os três homens se entreolharam e começaram a rir.

- Com certeza foi um sonho erótico. - Ethan disse, jogando-se no sofá em seguida.
- É, foi, foi... Mas pode levantar a bunda gorda do sofá porque você tem trabalho pra fazer! - Martin disse, e Ethan rolou os olhos, mas se levantou e seguiu para a sua estação.
- Eu vou testar algo. - anunciou, aproximando-se de sua estação com uma batata em mãos. - Quero tentar isso aqui, pra ver se cultivo algo mais que uma planta.
- Você realmente acha que tem como cultivar vegetais aqui em cima? - Martin questionou, aproximando-se da estação do colega.
- Se a planta cresce sem adubo, somente com o calor da estufa, já pensou no que pode acontecer se eu acrescentar adubo? - perguntou retoricamente.
- Que adubo você vai encontrar por aqui? - Martin perguntou, franzindo o cenho, enquanto observava o colega ajeitar as coisas em sua bancada.
- Fezes são um excelente adubo. - respondeu, fazendo Ethan rir alto e Martin arregalar os olhos.
- Isso parece nojento. - Martin disse, torcendo a boca.
- Na teoria, é pra funcionar. - comentou, abrindo a estufa e colocando a batata dentro dela. - Agora, se você não quiser ver a parte nojenta, sugiro que se afa...
- Já fui, já fui! - Martin disse, virando-se e andando para longe da estação de , que gargalhou da pressa do comandante.
- A batata não fica com gosto de merda, fica? - Ethan perguntou.
- Claro que não, Draw. - respondeu e abriu uma gaveta, tirando duas luvas e colocando-as nas mãos em seguida.

Draw suspirou em alívio e Martin riu da reação dele. O médico permaneceu com sua atenção voltada totalmente para a batata e as fezes em sua estação, enquanto Draw observava o universo e tirava algumas fotos para enviar à Alvin. Martin, por sua vez, permaneceu sentado no sofá, abrindo um livro qualquer que alguém havia esquecido por ali.

Alguns minutos depois, retornou ao ambiente, indo diretamente para a sua estação sem falar com nenhum dos três. desviou o olhar rapidamente para ela, notando a feição desanimada da mulher, franzindo o cenho por vê-la daquele jeito. Será que ela estava chateada por antes? Martin, ao ve-la se aproximar, resolveu ir conversar com a melhor amiga.

- ? - Chamou assim que chegou na estação de engenharia. - O que vai fazer?
- Checar os níveis de combustível, o nível de oxigênio na cabine e o funcionamento dos motores. - Respondeu, sem tirar os olhos da tela do computador que tinha em sua bancada.

Martin assentiu e puxou uma das cadeiras de rodinha que tinham por ali, sentando-se e deslizando para perto da amiga novamente.

- Você não ficou brava, ficou? - Martin perguntou, observando o rosto da amiga. Ela suspirou baixo e balançou a cabeça negativamente.
- Não ficaria brava por isso, você sabe. - Respondeu simplesmente, digitando algo rapidamente no computador. - Tá tudo bem.

Martin franziu o cenho. Conhecendo bem a amiga, sabia que não estava tudo bem.

- E chateada? - Ele questionou novamente, acompanhando os movimentos dela com os olhos.
- Um pouco. - respondeu, enquanto anotava algo em um bloco de folhas.
- Comigo? - Martin voltou a perguntar, preocupando-se. A mulher balançou a cabeça negativamente e ele ficou em silêncio alguns segundos, pensando. - Com a situação com ?
- Eu não quero falar sobre isso. - Ela respondeu, sua voz saindo mais baixa.
- ... - Martin a repreendeu, suspirando.
- Não quero. Vamos mudar de assunto, por favor? - Perguntou, sorrindo forçadamente para o amigo, que bufou.
- Você sempre se esquiva quando o assunto é seu passado com ele. Eu só sei o básico e te conheço, sei que tem muito mais por trás dessa tensão sexual quase palpável que paira sobre vocês dois quando estão no mesmo ambiente. E mesmo que você não admita, , dá pra ver nos seus olhos o quanto você ainda ama o cara. - Martin despejou as palavras e ela parou de fazer o que antes fazia, apoiando suas mãos na bancada e olhando para baixo. - Você não vai aguentar se fazer de forte o tempo todo, . Provavelmente você pensou que as coisas não seriam difíceis entre vocês aqui e que...
- Marty. - chamou, interrompendo-o. Levantou seu rosto para olhar para o amigo e seus olhos estavam brilhando. - Por favor.

Ele suspirou e balançou a cabeça em confirmação. Não insistiria mais. Martin sabia que eles eram ex-namorados e que não correspondia os sentimentos de à altura, na época em que se relacionaram. Porém, como ela sempre ficava na defensiva quando o assunto era esse, ele tinha plena convicção de que havia muito mais na história dos dois. Ele só não imaginava que era algo tão grande. Aliás, ninguém imaginava. Só sabia o que havia acontecido depois que deixou . Com plena certeza de que a amiga falaria com ele quando se sentisse confortável, ele levantou da cadeira e aproximou-se dela, dando um beijo em sua bochecha.

- Quando quiser falar, só me procurar. - Falou antes de se afastar e deixa-la sozinha com seus afazeres.

, que observava a cena de longe, não pode deixar de se perguntar se a mulher estava bem. A vontade que ele tinha era de puxa-la para um quarto e trancar a porta, abrindo-a somente quando os dois tivessem terminado de falar tudo o que tinham para dizer um para o outro. A história deles era um pouco conturbada, sim, mas não deixou de ser bonita enquanto durou. tinha certeza de que sua ainda estava ali, embaixo da armadura de durona que ela construiu. Saber que ela tinha um amigo como Martin o tranquilizava um pouco, mas ele tinha a impressão de que nem com ele ela se abria como precisava.

- Chegou e-mail do Alvin. - Martin anunciou, sentado em sua cadeira de comandante.

Os três astronautas se aproximaram dele. Com o tablet na mão, Martin leu o email.

- “Boa noite, astronautas. Informo que as capsulas de combustível, o foguete de propulsão e a coifa já foram resgatados pela NASA. Estamos rastreando vocês e aguardamos relatório no trigésimo dia de missão. Espero que esteja tudo bem e que vocês estejam se exercitando diariamente. No trigésimo dia também disponibilizaremos conexão suficiente para que vocês façam chamada de vídeo com seus familiares. Não hesitem em contatar-nos caso precisem de alguma coisa. Confio em vocês. Até mais, Alvin. Ps: , sua mãe mandou um beijo e disse que está com saudades.” - Finalizou a leitura e voltou seu olhar para seus colegas, fixando-se em , que sorriu para ele.
- Chamada de vídeo. - Ethan disse, animado. - Não vejo a hora de ver outro rosto que não seja o de vocês.

Os amigos rolaram os olhos, rindo em seguida.

- Vou voltar pra minha batata. - disse, arrancando risadas de Ethan e Martin. o olhou de maneira estranha e ele deu de ombros. - O quê? Tô tentando cultivar batata. - Explicou.
- Como é? - Ela riu, aproximando-se da estação dele para observar.
- Tô usando fezes como adubo. - Respondeu e ela franziu o cenho.
- Espero que sejam as suas. - disse e rolou os olhos.
- Tenho cara de quem mexe em merda alheia? - Perguntou. Ethan e Martin gargalharam ao ouvi-lo e permaneceu observando-o, sem reagir. - Você tá pensando demais. Cuidado com sua resposta.

Ela riu de maneira debochada para ele e voltou seu olhar para a bancada, observando a batata dentro da estufa.

- Quanto tempo pra cultivar? - Esticou sua mão, pronta para tocar na estufa, mas deu um tapa de leve em sua mão, afastando-a.
- Qualquer contato bacteriano pode atrapalhar o crescimento, então, nada de tocar. - explicou, pegando duas luvas na gaveta e colocando-a em suas mãos. - Na Terra, leva de 60 a 140 dias, dependendo do tipo de batata. Aqui, sem luz solar, só com luz artificial, é provável que demore mais. Mas o adubo deve ajudar.

assentiu e permaneceu acompanhando enquanto ele mexia nos diversos materiais em sua bancada. Lentamente ela subiu o olhar pelos braços dele, até chegar em seu rosto. Observou seus olhos, seu nariz, sua boca perfeitamente desenhada. Só conseguia pensar em como sentiu falta dele durante todos esses anos. Claro que ela se relacionou com outras pessoas, mas com nenhuma ela teve o mesmo sentimento que tinha por ele. Ela podia negar o quanto quisesse, mas ainda era total e completamente apaixonada por ele e, apesar de tudo, torcia para que o sentimento fosse recíproco.

Acabou se perdendo na imensidão azul que eram seus olhos e só se deu conta quando a feição do homem mudou e ele virou o rosto para ela com o cenho franzido, só então percebendo como os dois estavam próximos um do outro. O olhar de primeiro fixou-se nos olhos dela e depois desceu para seus lábios. acompanhou os movimentos do homem e fez o mesmo, encarando a boca dele. ameaçou levantar sua mão para toca-la, mas parou quando lembrou que estava de luvas. Os dois continuaram a se encarar, como se nada mais existisse ao redor deles e só voltaram para a realidade quando ouviram algo cair ao fundo, provavelmente Ethan ou Martin derrubando algo.

mordeu seu lábio rapidamente e se virou, afastando-se de em passos rápidos. permaneceu no mesmo local, encarando o vazio que antes era ocupado por ela. Ele balançou a cabeça para espantar os pensamentos e voltou sua atenção para sua batata.

A astronauta seguiu para seu quarto, apertando o botão para a porta se fechar assim que entrou. Ela sentou na cama e deixou seu corpo cair para trás, deitando-se no colchão. Deus, como ela e foram do ódio ao... seja lá o que for isso assim tão rápido? Foram extremamente civilizados um com o outro minutos atrás. Isso era perigoso. Era mais seguro se os dois continuassem com as implicâncias, porque assim ela não lembraria dos momentos bons que passaram juntos e não se sentiria culpada por ter escondido a gravidez dele. suspirou, um pouco frustrada. Precisava urgentemente se distrair e faria isso na academia.

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Martin estava concentrado na tela à sua frente, checando dados e verificando onde estavam, quando Ethan apareceu cochichando ao seu lado.

- Aposto uma barra de chocolate que e se pegam antes de completarmos dois meses de missão.

O loiro revirou os olhos, mas acabou por rir.

- Puta merda, Ethan, você parece uma garotinha fofoqueira. - Martin disse, fazendo o amigo rir e dar de ombros. - Aposto duas barras que nem um mês eles aguentam.
- Duas barras? Tem certeza? Cada um de nós tem só 10... - Ethan disse.
- Duas barras, um mês. - Martin repetiu e Ethan sorriu, confiante.
- Fechad... - O moreno estendeu a mão para selar a aposta com o comandante, mas parou no meio do caminho quando um alarme alto soou.

Martin se levantou imediatamente, correndo para o monitor principal da nave. Ethan o seguiu e logo juntou-se aos dois. Martin tocou na tela e uma planta tridimensional de toda a espaçonave apareceu, indicando a área onde o alarme foi ativado.

- Porra, que barulho insup...
- Cadê a ? - Martin questionou, olhando para os lados.
- Faz um tempo que ela foi pro quarto. - respondeu, franzindo o cenho. - Por quê?
- O alarme tá soando na academia. - Martin respondeu e os três se entreolharam, preocupados.

Como o alarme que estava soando só é ativado manualmente em situações de emergência, no segundo seguinte, eles já corriam em direção à academia a procura da astronauta. O que quer estivesse acontecendo, só podia ter a ver com .


Continua...



Nota da autora: Oi, gente. Vcs estão bem? Estão vivas? Tudo certo? AHAHAHHAHAHAHAHAHHAHA
Ai, me perdoem. Precisei começar o capítulo desse jeito. Acho que foi 10/10, né?
Aguardo o feedback de vocês, prometo não demorar com a atualização. Meu grupo de histórias tá aqui em baixo, não deixem de entrar, serão muito bem-vindas! <3
Beijos!


Como parte do projeto #autorainfluenciadoraffobs, aqui estão algumas fics que eu li/leio e indico pra vocês:
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A Place to Call Home [Restritas - Outros – Em Andamento]
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