Oxford University

Última atualização: 26/08/2019

Prólogo

Cara Grace ,
Temos o prazer de informar que você foi bem-sucedida em seu requerimento para Medicina na Universidade de Oxford. A Universidade é uma instituição excepcional comprometida com a conquista de melhorar a saúde mundial, com belos profissionais, e agora você tem a chance de formar uma parte muito especial dessa missão e de nossa comunidade.
Incluída está a sua carta de oferta oficial da Universidade de Oxford. Isso define as condições acadêmicas e financeiras que precisam ser atendidas e quais são os passos necessários para que você receba sua carta de confirmação final e contrato universitário.
Por favor, envie um e-mail à Equipe de Admissão em admissions@ox.ac.uk para confirmar sua aceitação desta oferta e seu termo de condições até 28 de fevereiro de 2019. Depois de ter cumprido todas as condições da sua oferta, você terá a oportunidade de começar a se envolver com seus colegas de classe através de um grupo privado no Facebook.
Após a aceitação, por favor, também fornecer uma atualização sobre sua aplicação no sentido de garantir assistência financeira.
Mais uma vez, gostaríamos de estender nossos mais sinceros parabéns por essa conquista maravilhosa.

Universidade de Oxford.
admissions@ox.ac.uk | www.ox.ac.uk


I - O primeiro dia

Acordei antes de meu despertador tocar. Sim, eu estava ansiosa. Havia acabado de me mudar para um lugar onde não conhecia absolutamente ninguém e isso realmente me deixava apavorada. Nunca fui a melhor em começar uma conversa com pessoas desconhecidas, e, por conta desse fato, tudo o que eu conseguia pensar era que passaria os próximos dias sozinha, ou até o primeiro trabalho em dupla – ou em grupo – ser anunciado. Espantei esses pensamentos ao levantar e vestir a roupa que havia separado. Um vestido vermelho, meia calça e um scarpin, não muito alto, preto. Abri a porta do quarto, caminhando o longo corredor dos dormitórios até chegar na saída do prédio. O dia estava agradável. O verão ainda não partira por completo, então o sol ainda era capaz de aquecer um pouco a cidade fria que era Oxford.
Sem muita dificuldade, cheguei ao auditório onde haveria uma recepção dos alunos de medicina do primeiro ano.
Há 45 minutos uma moça de cabelos pretos recitava todas as regras do campus, que estavam contidas na cartilha que recebemos ao efetuar a matrícula, a qual todos os alunos já haviam lido. Era nítido que ninguém mais aguentava toda a ladainha desnecessária que ela dizia.
- Hey, acabei me atrasando, o que eu perdi? – Um rapaz, de cabelos loiros e olhos azuis, disse com um sotaque forte ao sentar ao meu lado. – Aliás, me chamo Niall. – estendeu a mão para mim.
- Prazer Niall. . – segurei sua mão, finalizando o cumprimento. – Na verdade, você não perdeu nada. – ele franziu o cenho – Essa louca só está dizendo o que todos nós já sabemos. – sua expressão continuava confusa. – As regras!
- Ah, as regras. – ele rolou os olhos. – Ainda bem que cheguei atrasado então. – me arrancou uma pequena risada.
- Realmente, não perdeu nada. – senti meu estômago dar sinal de vida. E ao olhar no relógio, constatei que era quase hora do almoço. – Já estou começando a ficar com fome. – ele me encarou por um momento.
- Vou ser direto, você foi a única pessoa que me respondeu algo aqui hoje, então quero saber se você quer almoçar comigo. – suas bochechas ficaram rosadinhas. – Não só comigo, obviamente, com minha prima também, bom...
- Tudo bem, Niall, eu entendi. – o interrompi e o vi prender o ar por um segundo. – Você também foi a primeira pessoa que foi gentil comigo. – ele sorriu.
Voltamos a fingir prestar atenção na fala da moça, mas logo começamos a fazer piadas de como ela pronunciava as palavras e o tempo passou rápido.
Fomos liberados daquela cansativa palestra por volta de meio dia. Agora teríamos outro grande problema: Achar o refeitório em que o almoço seria servido. Sim, dentro de Oxford nós temos tudo: dormitórios, prédios de aula, refeitórios que servem almoço e jantar... E em cada prédio onde moram os estudantes, há uma cozinha compartilhada. Enfim, descemos as escadas do auditório conversando sobre o curso e mais algumas apresentações pessoais. Niall é irlandês – e daí vem o sotaque carregado que notara mais cedo –, pretendia se especializar em pediatria, por conta de seu amor por crianças e tinha 20 anos, como eu.
- ! – ele exclamou ao meu lado enquanto olhava pra frente.
- Até que enfim, Niall! – A loira se dirigiu a ele. – Achei que tivesse morrido aí dentro.
- , essa é minha prima, que eu mencionei mais cedo. – Ele me puxou pelo braço em direção a garota.
- , prazer. – ela estendeu a mão em minha direção. – Mas pode me chamar de .
- Sou , mas pode me chamar de . – peguei sua mão, completando o cumprimento.
- Ótimo, apresentações feitas. – Niall começou. – Podemos ir almoçar agora? – seguimos caminho até o refeitório, sendo guiados por .
– também irlandesa e veterana na universidade – é louca! Como cheguei a essa conclusão? Bom, durante nosso agradável almoço, ela e seu primo contavam histórias de como foi viver na Irlanda e de como eles sentiam falta de toda a liberdade que lá existia, mas que eram proibidos de fazer na Inglaterra, como beber na rua. contou de uma vez em que ela e alguns amigos estavam afim de beber, decidiram comprar garrafas de vodka e começar a bebelas beber no caminho para casa. A loira não sabe como ela chegou em casa, apenas lembra de flashes de seus pais gritando e a chamando de irresponsável. Ela ficou de castigo durante uma semana, até a carta de aceitação de Oxford chegar em seu correio. Seus pais ficaram tão felizes que tiraram-na do castigo. Isso deu brecha para que, mais uma vez ela tomasse um porre daqueles, mas dessa vez, indo para a casa de uma amiga e não pra dela. Niall não ficava muito atrás. Ele contou como quase foi flagrado no quarto de uma garota que ele estava se envolvendo e teve que passar a noite no telhado, apenas de cueca, para que os pais da garota não o vissem. Só pôde sair de la pela manhã, depois que eles foram trabalhar.
- E você, , qual foi a maior loucura que fez? – perguntou curiosa, enquanto dava um gole em seu suco de laranja.
Parei para pensar um pouco. – Acho que foi o dia que fumei Sativa pela primeira vez...
- Você não tem cara de quem faz essas coisas, . – Niall acusou.
- E realmente não faço. – dei ombros – pelo menos não todo dia...
- Conte essa história, o que está esperando? – a loira incentivou-me a contar.
- Bom, o meu pai sofre de ansiedade, e um dos métodos de tratamento para ele é usar a erva... – comecei expondo fatos.
"Eu sempre via alguns amigos fumando, e dizendo que sentiam uma onda meio louca. Um dia, eu decidi que queria sentir essa tal onda que todos eles diziam sentir. Esperei meus pais dormirem e segui até o armário onde eu sabia que ele deixava e peguei um cigarro que já estava pronto, me tranquei no quarto e o acendi. Demorou umas três tragadas para eu aprender como se faz direito, mas assim que peguei o jeito, comecei a me sentir leve e ria de tudo. Absolutamente tudo, a ponto de acordar meus pais numa das crises de riso que acabei tendo. Eles bateram em minha porta, pedindo para que eu a abrisse, mas não podia a abrir. O cheiro lá dentro era muito forte, e a metade do cigarro que eu havia fumado também estava lá. Menti dizendo que estava vendo stand up comedy no youtube e eles me mandaram dormir."
- Então você roubou maconha do seu pai? – perguntou, incrédula. Eu apenas assenti. – Niall onde você conheceu essa pérola? Eu amei essa garota! – apertou minha bochecha. – Escuta, eu estudo Letras e meu dormitório fica um pouco longe de onde vocês moram, mas precisamos marcar um dia para fumarmos... Você até pode dormir lá.
- Ótimo, eu a conheci primeiro, . Para de tentar roubar a amizade que estou tentando findar. – o loiro rolou seus olhos azuis, nos arrancando risadas.
- Ora, venha você também, priminho. – ela bagunçou seu cabelo, enquanto levantávamos e levávamos a bandeja até o local indicado.
- Achei que não fosse chamar. – ele sorriu satisfeito. Eu apenas observava a cena pensando em como eu lidaria com duas pessoas loucas ao meu lado. Honestamente, eu estava adorando.
- Agora eu tenho aula, e preciso ir. – a mais velha começou. – Mas me dê seu telefone, vamos nos falando até marcar um dia. – me entregou seu celular, onde digitei meu número, e a entreguei. – A gente se vê, ! - e saiu correndo em direção a algum prédio, onde teria aula.
Eu e meu novo amigo seguimos nosso caminho até o dormitório dele, já que durante o resto do dia não tínhamos mais nada programado. Iríamos gastar o tempo conversando para "enriquecer nossa amizade" em suas palavras. O prédio em que ele morava ficava bem de frente para o meu. Então realmente seríamos amigos próximos. Seu quarto ficava no segundo andar, e enquanto subíamos as escadas era notável a semelhança entre nossos dormitórios. Finalmente entramos no quarto e começamos a conversar sobre diversas coisas. Muitas pessoas poderiam pensar que ele estava com segundas intenções, mas nossas conversas eram tão inocentes que se alguém ousasse a ouvir, diria que ele era gay. Niall é um garoto extremamente bonito, e estaria mentindo se dissesse o contrário, porém não conseguia sentir atração por ele a ponto de desejar imaginar ele nu em minha frente. E tinha certeza que ele se sentia da mesma forma. Era fraterno.
- Niall, eu... – a porta se abriu revelando um rapaz de cabelos castanhos, segurando três livros enormes. – Oh, desculpa. – ele ameaçou fechar a porta.
- Liam, essa é minha amiga, . – ele me apresentou, e o moço voltou a abrir a porta mais calmamente.
- Amiga? – ele perguntou e nós dois assentimos. – Ok. Prazer , sou o Liam, colega de quarto do Horan. – me cumprimentou, dando um beijo no rosto.
- Muito prazer, Liam. – sorri doce – Acho que vamos nos esbarrar bastante por aqui.
- Eu também acho. – ele também sorriu de forma doce. – Enfim, gente, estou muito cansado, então, se puderem fazer o mínimo de barulho eu vou agradecer. – pediu calmamente, e era notável o cansaço estampado em seu rosto.
- Tudo bem, eu preciso ir. – disse ao ver que já eram seis da tarde. – Vou tomar um banho, comer um pão e capotar.
- Bom, você, porque eu vou jantar! – Niall se jogou de costas na cama.
- Tchau Nialler, tchau Liam! – disse indo até a porta.
- Tchau . – disseram em coro assim que fechei a porta atrás de mim.
Segui calma e tranquilamente até meu quarto. Tomei um banho e deitei na cama pegando meu notebook para assistir alguma coisa na Netflix. Diferente de meu amigo, eu tinha um quarto individual, e isso me proporcionava uma paz interior maravilhosa. Bom, pelo menos era o que eu esperava ter. Comecei a ouvir uma música alta vinda do quarto ao lado. Até ai eu estava tudo bem. Foi quando comecei a ouvir vozes cantando mais alto do que a música em uma desafinação tremenda. Abri a porta, olhando todo o corredor. Não era possível que eu era a única ficando incomodada com aquilo. Voltei para dentro do quarto e ignorei o máximo que pude. Mas assim que o relógio marcou dez da noite eu já não aguentava mais. Calcei os chinelos e fui até a porta da minha vizinha. 301 era o número de seu quarto. Bati uma, duas, três vezes, e ninguém abria a maldita porta. Mas claro que não, eles estavam gritando lá dentro. Decidi abrir a porta encontrando uma garota negra, de cabelos cacheados e um garoto de cabelos castanhos pulando ao som de Coldplay.
- HEY! – Gritei chamando a atenção dos dois.
- Pois não. – A cacheada pausou a música e caminhou até a porta.
- Não querendo ser chata, até porque eu amo música alta, mas eu to tão cansada... – os olhos verdes do rapaz chegaram até os meus. – E toda essa musica de vocês tá atrapalhando até minha linha de raciocínio. – a garota riu.
- Bem, uh... Qual seu nome? – ela se pronunciou.
- . Me chamo . – fiz a devida introdução.
- , eu sou Faith, mas pode me chamar de Fay, e esse é meu amigo Harry. – ele estendeu a mão, e eu a peguei, cumprimentando por educação. – Nós pedimos desculpas pela música alta, é que perdemos a noção do tempo quando estamos brincando de Karaokê.
- Tudo bem, não tem problema. É que realmente já fazem horas. – expus o fato de aquela zona estar acontecendo há um bom período de tempo.
- Vamos parar de fazer barulho agora, mas por favor, não diga nada ao reitor. – ela pediu.
- Não vou dizer, Fay, relaxa. – dei ombros. – Bom, de qualquer forma, obrigada.
- Por nada. – a garota respondeu e olhou para seu amigo, segurando o riso.
- Aliás, belo pijama. – ouvi a voz rouca do garoto pela primeira vez. Senti minhas bochechas corarem e apenas segui caminho de volta para meu quarto.
Não é possível que não exista uma única pessoa sã nessa universidade.


II - BEERPONG!

- VOCÊS ESTUDAM EM CADÁVERES? – Liam gritou ao entrar no quarto e ouvir eu e Niall conversando sobre a aula de anatomia.
- Ué, Liam, queria que estudássemos em que? – Horan revirou os olhos ao dizer a frase.
- Livros? – ele respondeu sugestivo.
- Eu não vou cortar um livro com um bisturi, preciso estudar em cadáveres para saber direito como as coisas são. – o loiro deu ombros.
- Pois que estudasse em bonecos então. – Liam ainda estava inconformado.
- Porra Liam, vai ler suas leis e deixa a gente estudar em gente morta, pelo amor de Deus. – joguei o travesseiro de Niall nele.
- A partir de hoje vou dormir com um olho aberto e o outro fechado... Nunca se sabe. – o moreno guardou seus livros na estante que compartilhava com o colega de quarto enquanto brincava com a possibilidade um assassinato. – Vocês vão almoçar agora?
- Sim, estou morrendo de fome. – disse me levantando e calçando o tênis.
Niall se levantou logo em seguida e partimos em direção ao refeitório. Ao chegar, nos servimos e sentamos numa mesa um pouco afastada de onde todos os outros alunos estavam. Observávamos todos que entravam para almoçar, mas uma garota se destacou assim que vi os olhos de Liam brilhando. Eu já sabia quem ela era, era a minha vizinha de quarto, e, no momento que ela acenou para mim, ouvi a respiração de Liam falhar.
- Da onde você conhece Faith Hall? – Liam me perguntou assim que a garota deu as costas para onde estávamos.
- Ela é minha vizinha de quarto. Conheci ela ontem quando pedi para ela e o amigo gay dela abaixarem o volume da música. – expliquei dando ombros. – Há quanto tempo você é apaixonado por ela? – Niall prendeu o riso para que não saísse alto demais.
- Eu não sou apaixonado por ela, . – fingiu muito mal. – Eu só a admiro.
- Não sabia que "estar apaixonado" tinha mudado para o verbo "admirar", Liam, preciso anotar essa informação. – Niall tirou sarro da cara do amigo, que bufou alto.
- Espera, você disse amigo gay? – Payne me encarou semicerrando os olhos. – Esse eu não conheço...
- É, alto, cabelos cacheados, bonitinho e com olhos verdes. – descrevi o garoto e foi a vez de Liam rir.
- Harry não é gay, . – continuou gargalhando. – Está muito longe disso, aliás. – tomou um gole de sua coca-cola.
- Hey vizinha, posso me sentar com você, Harry ficou preso na aula e não conseguiu vir almoçar comigo. – Faith se aproximou interrompendo a conversa.
- Claro que sim. – a garota se sentou à mesa. – Fay, esses são meus amigos Niall – apontei para o loiro que enfiava uma batata frita na boca. – e Liam. – apontei pro moreno que parecia estar tendo um colapso.
- Muito bom conhecer vocês. – ela disse sorrindo – E como uma boa veterana, estou convidando vocês para a festa que vai ter no deck hoje.
- Onde fica esse "deck"? – Niall perguntou, curioso e aparentemente interessado nessa festa.
- Logo depois do prédio de humanas tem um lago, ano passado fizeram um deck lá e desde então é o local de festas dentro do campus. – Liam se manifestou pela primeira vez, desde que a garota se juntou a nós.
- Oh, então você também é veterano? – perguntou diretamente ao meu amigo que congelou por dois segundos e só conseguiu assentir com a cabeça para a resposta dela. – Não está cumprindo bem com seu papel se não leva os calourinhos às festas.
- Liam é um chato, só quer saber de estudar. – Horan acusou o amigo. – Estaremos lá sim, Faith. – virou-se para mim – , temos aula de fisiologia.
- Ah não, aquela professora é muito chata. – lamentei ao lembrar de quem ministrava a aula – Tchau Fay, até a noite. – acenamos para a cacheada e a deixamos sozinha com Payne na mesa. – Liam precisa tomar iniciativa, e vai ser a força. – cochichei para o loiro que assentiu e riu.
...
"As sinapses elétricas permitem a transferência direta da corrente iônica de uma célula para outra. Ocorrem em sítios especializados denominados junções gap ou junções comunicantes. Nesses tipos de junções as membranas pré-sinápticas e pós-sinápticas estão separadas por uma fenda muito pequena, onde os neurotransmissores são compartilhados de neurônio para neurônio. As vesículas sinápticas armazenam os neurotransmissores e quando lançados nas fendas, conectam ao seu receptor específico, dando início a uma cascata de reações, que varia de acordo com o impulso gerado."
A professora Karlsson já falava há pelo menos quatro horas ininterruptas. A matéria já era difícil, e o seu sotaque sueco só piorava as coisas. Olhei para o lado e constatei que meu amigo estava mais entediado do que eu, já que havia adormecido e nem se mexia quando a professora dava uns gritos para despertar os alunos. Olhei para meu caderno e vi que já não anotava mais nada há muito tempo, ao invés disso haviam desenhos aleatórios na folha do caderno.
- Por hoje é só, turma, espero que tenha dado para entender bastante nessa introdução. – A senhora Karlsson finalizou a aula.
- Hey acorda. – Cochichei e cutuquei Niall.
Ele abriu os olhos lentamente e os coçou. Pegamos nossas coisas e caminhamos até nossos prédios. Subi até meu quarto e liguei para . Queria saber se ele iria à festa e ela disse que não, pois teria um teste na segunda feira, bem no primeiro horário, e precisava muito estudar, mas estava muito feliz em saber que eu finalmente estava saindo e conhecendo pessoas novas. Decidi dar uma deitada e descansar um pouco antes de começar a me arrumar de fato.
Tomei um banho e abri a porta do guarda roupa. Fique pelo menos 10 minutos analisando cada peça ali contida para decidir o que eu vestiria. No fim, optei por uma saia de botões, de cintura alta, curta e preta, e um cropped branco. Cabelos soltos ao vento, nos olhos um delineado gatinho e pra finalizar um batom nude rosé. Estava calçando o tênis quando ouvi batidas na porta. Crente que seria Niall gritei um "pode entrar!", e assim a porta se abriu, revelando Harry de calça e camiseta de botões meio aberta.
- Faith me pediu para vir ver se você estava pronta. – entrou devidamente no cômodo observando algumas fotos em cima da escrivaninha. – Ou se ia fingir que esqueceu o convite e dormir numa sexta a noite. – me encarou nos olhos.
- Ah, já estou quase pronta, só vou calçar o tênis. – ele assentiu.
- Seu quarto é muito mais arrumado do que o da Fay. – deu uma outra olhada em ao redor. – O típico de uma "boa garota". – minhas sobrancelhas se arquearam em surpresa enquanto terminava de amarrar o cadarço do Superga branco. Levantei-me ficando de frente pra ele.
- Não é porque eu pareço ser uma "boa garota" que eu seja. – disse olhando em seus olhos, e a expressão em seu rosto dizia o quanto ele não esperava por aquela reação. – Do mesmo jeito que você parece ser gay, mas já me disseram que não é. – caminhei até a penteadeira onde ficavam meus perfumes e borrifando um pouco do líquido no pulso.
- Pode ter certeza que eu sou muito mais hétero do que aquele seu namorado. – disse ao parar atrás de mim.
- Que namorado? – me virei para o encarar com a testa franzida, mas ele estava perto. Perto demais. Podia ver o total de imperfeições em seu rosto, e era um grande total de zero.
- O loiro que anda com você pra cima e pra baixo. – ele mencionou Horan enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
- Niall não é meu namorado, Harry. – rolei os olhos.
- STYLES, ELA TA PRONTA? – Ouvimos Faith gritar do quarto ao lado e ele pareceu sair de um projeto de "transe".
- ESTÁ SIM, FAY. – gritou de volta. – Nos vemos no deck, . – deu uma piscadela e saiu do meu quarto, fechando a porta atrás de si.
O que acabou de acontecer aqui? Harry – que eu descobri ser – Styles estava investindo em mim? Espantei esse pensamento e mandei mensagem para Niall avisando que estava pronta. Ele respondeu que só estava me esperando, e eu desci até a porta do prédio. Eu, Niall e Liam, caminhamos até o tal deck para encontrar a festa.
Chegando no local, me deparei com um lugar um pouco escuro, levemente iluminado por uma luz monocromática vermelha. Um bar improvisado no canto e algumas pessoas dançando Taki Taki. Caminhamos até o bar, onde os meninos pegaram cerveja e eu vodca com coca-cola. Dei uma olhada panorâmica no deck, e vi um espaço vazio, mas, antes que pudéssemos nos direcionar até lá, Faith acenou para mim, e caminhou até onde eu estava com os meninos.
- Harry disse que você realmente viria, mas eu quase não acreditei. – Uma garota de cabelos castanhos agarrou Fay pela cintura. – Deixa eu ir, o dever chama. – ela saiu rindo abraçada com a garota.
- E la se vai ela junto de Eleanor Calder. – Liam disse recebendo o olhar de Niall e o meu.
- Cara, você ta parecendo um stalker louco. – Niall se pronunciou tirando um beck do bolso e acendeu.
- Eleanor é a namorada da sua paixonite? – perguntei dando um gole na minha bebida.
- Não, ela é a melhor amiga da Faith, e namorada do Louis, que é quem organiza essas festas. – Payne explicou calmo, bebendo do gargalo de sua longneck.
- Ai Liam, chega logo na menina, pelo amor de Deus. – rolei os olhos. – Me da isso aqui. – peguei o cigarro de maconha da mão de Horan e dei uma tragada, depois soprei a fumaça em Liam, que rolou os olhos.
- Ta achando que me incomoda? – ele perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Já que você não fuma, talvez assim você fique mais de boa, mesmo que de tabela. – afirmei e Niall riu, enquanto eu dava outra bela tragada.
- BEERPONG! – Faith passou correndo por nós, me puxando pelo braço e levando para uma extremidade da mesa, e ao olhar para frente, vi Harry sorrindo torto.
- Só uma coisa, eu não bebo cerveja, então para jogar só se for com outra coisa... – lancei um olhar para o dono dos olhos verdes a minha frente.
- Sem problemas, linda. – ele pegou uma garrafa de tequila no bar. – Um shot em cada copo acertado. – começou a encher os copos com o líquido. – Damas primeiro. – Me entregou a bolinha com seu tronco quase colado ao meu, e voltou para seu lado da mesa.
Sem dificuldade acertei o primeiro copo, da mesma forma que ele também acertou. E assim fomos seguindo o jogo, até restarem pouquíssimos copos. Não vou mentir, estava meio bêbada, mas não queria perder, ou abandonar o jogo. Eu nunca em minha vida havia abandonado uma partida de beerpong, e essa não seria a primeira. Havia um certo aglomerado de pessoas à nossa volta, acompanhando toda a brincadeira, aparentemente esperando o momento que eu desistiria. Não, eu não iria, nem que eu saísse dali arrastada. Faltavam só dois copos para eu beber, e um só para Styles. Estava um copo da vitória. Minha visão já estava mais turva que o normal, mas por incrível que pareça, eu acerte o maldito copo, o que trouxe consigo uma chuva de gritos e, meus amigos que estavam ao meu lado, pegaram meus dois copos que sobraram e viraram. Harry fez sinal com a cabeça para que eu o seguisse, e caminhou até o lado de fora, acendendo seu cigarro. Fui logo depois dele sair.
- Devo dizer que eu estou impressionado, . – ele tragou o cigarro. – Primeira garota que ganha de mim no beerpong e me chama de gay no mesmo dia. – soprou a fumaça para o vento.
- Esperava que eu fosse quieta, com base no que viu no meu quarto? – ri sarcástica. – Você não me conhece, Styles.
- Então quem é ? – ele perguntou direto.
- Agora você sabe meu sobrenome? Devo eu ficar preocupada ou você é um stalker de longe como meu amigo? – rebati com outra pergunta.
- Quem o Liam stalkeia? – ele ergueu uma sobrancelha.
- Como você sabe que é o Liam?
- Ele é o único veterano do seu grupo de amigos, calouros não costumam fazer isso... – se explicou – Mas quem é? Faith? – apenas assenti e vi ele sorrir bobo.
- O que foi? – não estava entendendo.
- Nada, deixa pra lá... – dispersou o assunto. – O que eu quero saber agora é de você, e, talvez, você e eu...
- Você e eu? – me aproximei dele, colando nossos corpos e sentindo suas mãos, que já não seguravam o cigarro, apertarem minha cintura de maneira firme. Mordi o lábio inferior, esperando ele se aproximar. Quando estávamos prestes a colar os lábios, afastei-me. – Eu não sou tão fácil assim para cair na sua conversa de primeira. – ele me encarava com surpresa. – Nos vemos por ai, Styles.
Dei as costas, indo até meus amigos, que já estavam exaustos para os chamar para voltar aos dormitórios. Eles concordaram rapidamente, e assim seguimos para nossos aposentos, para uma noite de sono e talvez uma manhã de ressaca.




Continua...



Nota da autora: Perdoem a demora mas não desistam de mim, pleeease! Juro que vou tentar atualizar com mais frequencia... É que a faculdade me suga demais, enfim... Nossa querida pp está mostrando quem realmente é! Gosto demais! E vocês, o que acham?
A pp tem um perfil no Insta, gente, primeiro icone aqui embaixo! Breve vou disponibilizar uma playlist do spotify também <3 bjjjjsss





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