Última atualização: 12/11/2019
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Lawrence, Kansas – 6 meses antes.

se viu observando a família. Pareciam perfeitamente felizes, sorriu para a mulher que acabara de passar por ela, no pequeno corredor da casa. Mas, ela nem se quer percebeu a presença da garota ali.
Estou morta? — Pensou a garota.
Como ela poderia não a ver ali? Seguiu Mary. Por alguma razão, sabia seu nome.

Mary, com um garotinho loiro em seu colo, adentrou o primeiro quarto do corredor e acendeu a luz. – Vamos dar boa noite ao seu irmão, Dean. – A mulher disse calmamente e colocou Dean no chão, que caminhou até o berço do irmão.
Enquanto isso, a garota permanecia ali olhando aquela mãe, como seus dois lindos filhos sem entender o que estava acontecendo. Teria sido enfeitiçada por alguma bruxa? Sempre teve sonhos estranhos, mas nada tão vívido como isso. Saberia, se estivesse sonhando...
– Boa noite Sam – disse o pequeno loirinho e depositou um beijo sobre a testa do irmão.
– Boa noite amor – disse Mary para Sammy – como se ele pudesse entende-la – e fez o mesmo gesto que seu filho.
Tudo estava perfeitamente calmo, como qualquer outra noite em que foram dar boa noite ao pequeno Sammy, com apenas poucos meses de vida.
caminhou até próximo do berço e olhou o bebê. Se inclinou e passou a mão sobre sua testa, mesmo sabendo que ele não podia vê-la. O toque gerou uma sensação de “queimação” em suas mãos. A tirou no mesmo instante.
– Oi Dean – Um homem moreno estava agora na porta do quarto, com um sorriso no rosto.
Era Jhon Winchester, bem mais novo, do que o conhecera agora. Mas, com certeza era ele.
Por que estaria sonhando com ele?
se aproximou do homem, que também não podia vê-la ali, como ela já esperava. Jhon contou muitas vezes, para ela, como sua mulher morreu. Da mesma forma que sua mãe.
Ela não entendeu porque o pensamento da morte de Mary, passou por seus pensamentos.
Não poderia estar ali, afinal, isso tinha acontecido há vinte e dois anos.
– Papai – O pai abriu os braços para que o filho pudesse pular nele e abraça-lo. Era um gesto muito comum entre eles.
– E aí, o que você acha? Será que o Sammy já sabe jogar futebol? – perguntou ao filho em um tom brincalhão, enquanto segurava-o no colo.
– Não pai. – O garoto respondeu inocentemente e abraçou o pai.
– Jhon? Pode leva-lo para cama? – perguntou Mary e sorriu para o marido.
– Durma bem, Sam. – Disse Jhon e saiu do quarto carregando Dean.

A garota aproveitou que todos da casa tinham ido dormi, para observar um pouco a casa. Foi a todos os cômodos e retornou ao que estava, o que mais lhe causava uma sensação estranha: o quarto de Sammy.
Se aproximou mais uma vez de Sammy e o tocou. A mesma sensação. Deu uma volta no quarto, procurou por bolsas de feitiço, esperando que poderia ser algo feito por uma bruxa. Procurou enxofre, na esperança de talvez ser um demônio, mas não encontro nada.
– O que está acontecendo aqui? – Gritou. – Por que sempre que o toco tenho essa sensação? – Falou mais baixo dessa vez. Nunca passara por uma situação tão estranha, na vida.
De repente um ar sombrio tomou conta do quarto. se virou para observar o ambiente e viu um homem, todo de preto aparecer repentinamente no quarto, como só um demônio sabe fazer.
Nunca sentiu algo tão ruim e desesperador. Mas, o que ela poderia fazer? Ninguém podia ouvi-la. Então, permaneceu ali.

Mary acordou por volta das três horas da manhã, com o barulho do choro de Sammy vindo através da baba eletrônica. – Jhon? – chamou pelo marido enquanto acendia a luz e olhou para o outro lado da cama, estava vazio.
Calmamente ela se levantou e caminhou em direção ao quarto de Sam, como fazia quase todas as noites, para verificar se o bebê estava com fome, frio ou se tinha acordado e se assustado por estar sozinho.
– Jhon, ele está com fome? – A mulher parou ao ver o marido de frente para o berço.
queria gritar para a mulher “este não é seu marido”, mas sabia que não funcionaria. Tentou tocar naquele homem estranho, mas ele também não a sentia.
Se não podia ser sentida e nem ouvida, o que fazia ali? Para que estava passando por isso? Uma estranha sensação de desespero a consumia.
O homem fez apenas um “Shiuuu” baixinho e a mulher concordou, retornando para o corredor. A luz do mesmo estranhamente piscava, Mary cobriu o rosto devido a claridade e se aproximou da lâmpada. Bateu duas vezes nela com a ponta dos dedos, que parou de piscar.
, retornou o corredor, para observar os passos de Mary....onde ela iria.
A mulher pensou em ir deitar, mas a luz vinda do andar de baixo da casa, chamou sua atenção. Desceu levemente os degraus da escada para não fazer barulho e acordar os filhos. Não chegou nem ao fim, para conseguir ver que a televisão estava ligada e que Jhon dormia na poltrona.
– Sammy, Sammy! – A mulher gritava desesperada enquanto corria até o quarto do filho, onde acabara de ver seu marido.
Ou era o que a mulher pensava.

 

– Mary? – Jhon acordou com os gritos de Mary.
Subiu as escadas desesperadamente. Sua vida era sempre tão normal que chegou a pensar que estava sonhando com o grito da esposa.
Adentrou o quarto de Sam e tudo que encontrou foi o filho, acordado, mas em completo silêncio. Pareceu ter sonhado, foi o que pensou até ver algo gotejando na testa do bebê.
Não acreditou no que estava vendo quando olhou para cima.
– Não, Mary! – Disse em desespero.
Sua esposa estava pregada ao teto e em segundos todo o teto ficou em chamas. A mulher de sua vida estava sendo queimada viva, presa ao teto, mesmo sem forças, pegou Sammy e saiu do quarto em desespero.
permanecia ali, observando tudo. Eles tinham perdido a mãe, exatamente como ela, um demônio a matou. Da mesma forma. Quando ela ainda era, apenas um bebê.
Apesar de Jhon ter contado diversas vezes, nunca pensou que os acontecimentos fossem idênticos.
– Papai! – Dean se encontrava no corredor.
– Leve seu irmão para fora, rápido. – Entregou Sammy para Dean. – Não olhe para trás. Agora Dean, Vai! – ordenou.
O homem voltou para o quarto na intenção de salvar sua esposa, mas o quarto já estava completamente em chamar e não tinha mais nada que ele pudesse fazer.
– Está tudo bem, Sammy! – Disse Dean, na intensão de consolar o irmão em seu colo e foi pego por Jhon que os afastou.
A casa explodiu segundos depois.
deu um pulo, na cama do motel. Estava suando e seu corpo parecia estar pegando fogo. Olhou ao seu redor, ainda confusa. O sonho foi tão real, que ela chegou a pensar que teria sofrido teletransporte, de onde estava, para a cama.



Capítulo 1 - Jericho

Grove City, Ohio – Dias atuais.

estava coberta de sangue. Tinha acabado de sair de uma luta com um ninho de vampiros, junto a Bobby Singer, ela e o amigo juntos, mataram o bando todo.
Se tinha uma coisa que satisfazia a garota, era sair coberta de sangue de um ninho de vampiros — ou melhor — de uma caçada, desde que ele viesse de um monstro. Como ela mesma sempre gostava de lembrar: um a menos.
— Meu deus, você está horrível! — Allysson comentou vendo a amiga coberta de sangue, ao sair do ninho.
— Qual é, eu adoro isso. – Riu animada. — Fala aí Bobby, tem sensação melhor do que essa?
— Tem sim. — Singer suspirou, estava exausto da caçada. – Uma vida normal.
Era tudo o que o homem queria, não só para , uma garota que conhecia desde criança — que agora já era uma mulher —, mas para sua amiga também, que conhecera a pouco tempo.
— Caralho Bobby.
Ele olhou em desaprovação para a garota, que revirou os olhos.
– Tá, desculpa. Mas, não aguento mais você com esse papo de vida normal. Essa é a minha vida, eu cresci nisso, não saberia fazer outra coisa. O negócio da família, lembra? — explicou irritada.
Não queria falar daquele jeito, especialmente com Bobby, um pai para ela, mas já estava muito casada desse papo de: vida normal.
A garota caminhou até sua Audi R8, de cor preta, e procurou por algumas garrafas de água, que sempre deixava no carro, para essas ocasiões. Podia adorar sair de lá coberta por sangue de monstro, mas de ficar suja por muito tempo, nem tanto.
— Porque seu pai é um sem noção — esbravejou.
— Tudo bem, eu sei que te trouxe para conseguir pistas. Mas, esbarramos em monstros e nós não deixamos nenhum pra trás. Não vivo. — Sorriu orgulhosa.
— Tanto faz! — esbravejo e saiu andando, sabe-se lá para onde.
Bobby estava parecendo um velho rabugento, para . Mas, no fundo, sabia que se preocupava com ela. Que para ele, ela era como uma filha, ainda mais agora que seu pai havia sumido em uma caçada e não aparecia há dias. Nem mesmo uma notícia.
Seu pai virou caçador quando sua mãe morreu, há vinte anos, quando ela ainda era bebê. Desde então, ele vai atrás de qualquer criatura não humana, que possa fazer mal as pessoas.
E bom, acabou seguindo na mesma vida. Sempre nas estradas, de uma cidade para outra, e agora que é uma mulher já pode caçar sozinha.
Ou não tão sozinha assim, além de Bobby, ela também tem Allyson — ou Ally —, como gosta de chama-la. Eram amigas inseparáveis desde que ela salvou a vida da garota e desvendou a morte de seus pais, alguns anos atrás. Apesar, de ser mais nova que a amiga, estava sempre cuidando dela.
— Era tudo que eu precisava, um banho — disse aliviada, enquanto saia do banheiro enrolada em uma toalha.
— Não comemora, não. — Ally acabou com a alegria da amiga e jogou o celular para ela.
— Coordenadas!
olhou os números na tela de seu celular. Era uma mensagem do seu pai.
— Semanas sem nos falarmos, e é só isso que ele me manda? Coordenadas? — Estava irritada.
— Jericho, fica umas dez horas daqui. Podemos dormir e seguir viagem de manhã. — Explicou Ally. — Você acha que ele está lá?
— Não, quero chegar cedo lá. — Sorriu para a amiga e voltou para o banheiro. Não poderia esperar nem mais um minuto para encontrar seu pai.

Universidade Stanford – Dias atuais.

Sam olhou para Jéssica, sua namorada, deitada ao seu lado. Era mais do que feliz por tê-la, nada na sua vida, poderia estar melhor. Encarou o teto, pensando em como seria sua vida daqui para frente, depois de passar para a Universidade Stanford, onde iria cursar direito. Tudo que sempre sonhou.
Saiu de seus pensamentos ao ouvir um barulho, parecia vir da sala. Pulou da cama e caminhou minuciosamente, sem fazer barulho, até a sala. Se escondeu, quando viu a sombra de alguém passar pela porta de entrada.
Deu a volta, mas foi pego de surpresa ao ser puxado por alguém. Chutou em direção ao alvo, mas não o acertou, levantou os braços e iniciou uma luta, mas foi imobilizado e jogado contra o chão. Só então, reconheceu o cara em cima dele.
—Dean?
Era seu irmão mais velho, que abriu um sorriso presunçoso. Mesmo no escuro, era capaz de reconhece-lo.
— Parece que perdeu a prática, irmãozinho. — O irmão sorriu satisfeito.
O moreno riu, e se desvencilhou do irmão, virando-o e imobilizando Dean no chão.
— Ou não. — Dean sorriu.
Sam saiu de cima do irmão e acendeu a luz. Dean era o mesmo, com seu casaco esverdeado de sempre, calças surradas e o sorriso presunçoso no rosto.
— O que você faz, aqui? — perguntou, ainda um pouco confuso. Não se viam, há dois anos.
— Ah, é bom ver você também Sammy — disse Dean com ironia. O loiro, com um pouco mais de um metro e oitenta e cabelos recém cortados, caminhou pelo lugar. Um apartamento, nem tão grande, nem tão pequeno. Mas, absolutamente a cara do seu irmão mais novo. Sem dúvidas.
Encarou Sam, pensou por um instante que apesar de as coisas terem mudado — e muito — para ele nos últimos dois anos. Sammy ainda parecia o mesmo, exceto pela vida que estava levando agora.
— Não disse, que não estou feliz em vê-lo. — Sam encarou o irmão. — É só que, tem sei lá o quê...uns... — Procurou palavras, mas não encontro nenhuma.
— Dois anos que não nos vemos? Eu sei. — O rapaz riu. Estava tão desconfortável quando o irmão.
— Sam, aconteceu alguma coisa?
Jéssica entrou na sala, pegando os dois de surpresa. Vestindo apenas calcinha e uma blusa, com o desenho dos smurfs. Parou ao lado de Sam.
— Oi. — Dean sorriu, medindo a garota dos pés a cabeça. — Sou Dean, o irmão mais velho e mais bonito. — Riu e estendeu a mão, que a garota apertou meio sem jeito.
— Eu sou, a namorada. — Sorriu sem jeito.
— Sabe, você é muita areia para o caminhãozinho do meu irmão? — debochou.
— Acho melhor, eu trocar de roupa — disse, sem graça pela ousadia do “cunhado”, que sabia da existência, mas nunca o tinha conhecido.
— Não, tudo bem, eu adoro os smurfs. — Rio de leve.
— Dean, o que você quer, afinal? — Sam finalmente se manifestou, depois de presenciar a situação mais do que constrangedora.
— Acho melhor, conversarmos lá fora. — Dean encarou o irmão, dando a entender que o assunto era importante, e que não deveria ser falado na frente de Jéssica. Não que, não confiasse na garota, mas conhecendo bem o irmão, sabia que ele não teria contato seu verdadeiro passado para ela.
— O que você tiver para falar, pode falar na frente da Jess. — Sam passou o braço pela cintura da namorada, puxando-a para mais perto de si.
— Tudo bem — Concordou, com um sorriso de canto. — O papai está caçando e não aparece em casa há dias.
— Você conhece o papai. Ele deve ter se embebedado, e deve estar em algum lugar sem sinal no celular. — Sam deu de ombros.
Dean encarou o irmão por alguns instantes. Estava evitando falar alguma besteira, mas Sam parecia não se importar, resolveu fazer o mesmo. — O papai, estão caçando, não aparece em casa, há dias. — Repetiu, mas dessa vez, pausadamente e com ênfase em sua voz.
Sam contraiu o maxilar e encarou Dean. Sabia que a coisa era muito mais séria, do que o irmão fez parecer na primeira vez em que disse. — Jess, você nos da licença? — pediu a namorada, tentando disfarçar o mistério.

— O que é cara? Você aparece no meio da noite e quer que eu caia na estrada com você? — disse Sam, enquanto descia as escadas seguindo o irmão.
— O que é Sam? Você não me ouviu não? O papai sumiu, eu preciso da sua ajuda para encontra-lo! — Dean revirou os olhos, o egoísmo do irmão não tinha mudado.
— Lembra do poltergaist em Airmaster? Da porta do Diabo em Clifton? Ele sumiu também, ele sempre some e sempre fica bem.
Dean virou e encarou Sam, não podia acreditar no que ele estava dizendo. Nem sequer demonstrou um pingo de preocupação, com o próprio pai. Nunca se deram bem, mas isso era demais, até para ele.
— Não por tanto tempo, você vem, ou não? — Perguntou, tentando ignorar a atitude do irmão.
— Eu não vou!
— Por que não? — Dean insistiu, sabia que conseguiria encontrar seu pai sozinho, mas não queria.
— Eu jurei que não iria mais caçar, nunca.
— Qual é, não foi fácil, mas também não foi ruim. — Deu as costas para o irmão e caminhou em direção a porta.
— É? Quando eu falei para o papai que tinha medo. Ele me deu uma arma! — Sam encarou Dean, sabia que a discussão não ia levar a nada, mas era sobre como ele se sentia.
— E o que queria que ele fizesse?
Dean estava cansado, não queria discutir tudo aquilo de novo.
— Eu só tinha nove anos. Ele podia ter dito para eu não ter medo do escuro! — Sam praticamente gritou.
— Não ter medo do escuro? Fala sério, sabe o que tem lá.
— É eu sei, mas o jeito que ele nos criou, depois que a mamãe morreu, a obsessão do papai em achar a coisa que a matou. E nunca encontramos essa maldita coisa. — Sam bufou e passou a mão pelos cabelos, fazendo uma pausa, enquanto Dean o encarava. — Aí matamos qualquer coisa ruim, que aparece?
— Tem um monte de gente, que faz a mesmo. — O irmão respondeu friamente, realmente não se importava. Gostava do que fazia, foi criado para isso, o negócio da família.
— Acha que mamãe ia querer isso para nós? — Sam provocou, mas Dean apenas olhou e atravessou a porta da entrada, antes que perdesse a paciência e acabasse socando o irmão.
Sam o seguiu, ainda estava com raiva pelo irmão ter aparecido no meio da noite, por não respeitar suas escolhas e praticamente querer força-lo a ir com ele. Depois de tudo o que aconteceu.
— Treino com armas, derreter prata para fazer bala? Qual é Dean, nós fomos criados como guerreiros.
— Qual é, o que você vai fazer? Vai querer levar uma vidinha normal? — Dean debochou e abriu os braços. — É isso?
— Não, normal não, segura. — Sam estava visivelmente irritado e Dean sabia disso, mas sentia falta demais do irmão, para deixar de insistir.
Não era só sobre o pai ter sumido. Era sobre tudo. Quando Sammy foi embora, ele não achou que duraria muito tempo. Afinal, já tinha feito isso muitas vezes. Mas, sempre voltava.
— É por isso, que você fugiu?
Sam riu, apesar de estar nervoso. A situação toda era engraçada. Dean não era de implorar, mas parecia visivelmente desesperado e surpreso, por causa da escolha que ele fez.
— Eu me mudei para estudar. Papai disse que se eu fosse, era para ficar longe. É o que eu estou fazendo.
— Mas dessa vez, nosso pai está em perigo, se é que não está morto. Eu sinto isso. — Dean fez uma pausa e apertou os olhos. Pensar que seu pai poderia estar morto, era doloroso, muito pior do que qualquer coisa que ele tinha enfrentado até hoje. — Eu não posso ir sozinho.
— Você pode sim! — Sam respondeu friamente.
— É, mas não quero — respondeu desviando o olhar.
Sam bufou, sabia que o irmão não ia desistir.
— O que ele foi caçar? — perguntou, tentando quebrar a tensão que tinha se formado entre eles.
Dean caminhou em direção ao porta malas do impala, abriu o mesmo e vasculhou seu arsenal, com nada menos que: armas, balas, estacas. Tudo que se era preciso para mantar um monstro. E procurou por algo. — É, onde foi que eu coloquei aquela coisa?
— Quando o papai saiu, não deixou você ir com ele? — Sam perguntou curioso. Afinal, devido a toda tensão, não parou para se perguntar porque Dean não foi caçar com seu pai, eles nunca se separaram.
— Eu estava fazendo outra coisa, um vudu em Nova Orleans — respondeu, ainda vasculhando o arsenal.
— Pera aí, papai deixou você em uma caçada sozinho? — Sam riu, demonstrando sua surpresa.
— Oh cara, eu tenho vinte e seis anos — Dean respondeu, sem acreditar na pergunta idiota do irmão. — Aqui, achei. O papai estava investigando uma coisa, em Jericho, Califórnia. Um cara, esse cara aqui, há um mês. — Ele passou os papeis para Sam. — Acharam o carro, mas o cara sumiu, completamente.
— Vai ver, ele foi sequestrado. — Sam deu de ombros, enquanto lia o papel em sua mão.
— É, pode ser... tem mais um em abril, outro em dezembro. Dois mil e quatro, três, noventa e oito, noventa e dois. Dez, nos últimos vinte anos — falou com ironia e puxou os papéis da mão do irmão. — Todos homens, em um trecho de oito quilómetros. — Continuou e se inclinou para pegar outra coisa.
Sam o encarou. Nunca viu o irmão em uma caçada sozinho e tão dedicado a pesquisar algo, estava um pouco surpreso, para dizer a verdade. Afinal, sempre foi o pai, ou ele que fizeram as pesquisas. Dean, sempre gostou mais da parte da ação, procurar pistas e matar os monstros.
Passou tanto tempo em sua vida normal com Jess, estudos para entrar na faculdade, que tinha se esquecido como era a adrenalina. De tentar descobrir o que estavam caçando, apesar da curiosidade, não queria voltar a caçar.
— Começou acontecer, mais e mais. — Dean continuou, enquanto abria um diário, que chamou a atenção de Sam. O diário de seu pai, se estava ali, é porque o caso era realmente sobrenatural. — Nosso pai, foi investigar há umas três semanas. Ele não deu mais notícias, o que não é bom. Ai ontem, eu recebi essa mensagem de voz — continuou enquanto pegava um gravador e apertou o play.
“Dean, alguma coisa acontecendo, acho que é grave. Preciso descobrir o que é....é preciso, muito cuidado. Estamos em perigo. Muito cuidado...” — a gravação terminou, e ambos se encararam.
— Descobriu alguma coisa nela? — Sam perguntou, se referindo a fita, sabia que tinha algo por trás das palavras do pai.
— Nada mal, Sam. Estou vendo que não perdeu o jeito. — Dean abriu um sorriso largo. — Olha só, eu diminui a rotação e processei a fita, tirei o ruído e veja o que eu achei.
Apertou o play de novo.
“Não posso voltar para casa...” — a voz de uma mulher saiu através da fita.
— Não pode voltar — Sam disse, se referindo a mulher.
Dean guardou as coisas, fechou o porta malas e se recostou nele. Mostrou tudo o que tinha para o irmão, provou que realmente tinha um caso e que precisava da ajuda dele. Tudo o que ele precisava é que Sam aceitasse ir nesta caçada com ele, que o ajudasse a encontrar seu pai.
Sam encarou o irmão, sabia que ele estava pensando em alguma coisa e que estava preocupado. Não só com o pai deles, mas com o fato de ter que ir atrás dele, completamente sem ajuda...
— Em quase dois anos, eu nunca aborreci você, nunca pedi nada. — Dean finalmente disse alguma coisa, quebrando o gelo entre eles.
Sam o encarou, apesar de não gostar, sabia que o irmão estava certo. Mesmo não aceitando sua escolha, ele nunca o procurou. — Tudo bem, eu vou — respondeu. — Eu vou te ajudar, mas tenho que voltar até segunda. Espera aqui — pediu e se virou, para ir buscar suas coisas.
— Por que, na segunda? — perguntou, estava curioso, para saber o que o irmão tinha de tão importante para fazer, em sua nova vida monótona e chata.
— Eu tenho uma...uma... — Sam pensou em uma maneira de explicar, sem que o irmão fizesse alguma piada sem graça. — Tenho uma entrevista.
— Do que? Trabalho? Desmarca — sugeriu, dando de ombros. Não poderia ser mais importante do que salvar o pai deles.
— Para faculdade, de Direito. É o meu futuro que está em jogo. — Sam bufou.
Dean nunca se importou muito com as vontades dele, relacionadas ao futuro.
— Direito?
— Está combinado, ou não está? — Perguntou e se virou para entrar, antes que o irmão dissesse mais alguma coisa e eles acabassem brigando.

 

Jericho, Califórnia – A mulher de branco.

acelerou um pouco mais, enquanto ouvia Ally reclamar da maneira que ela falou com Bobby. Apesar, de saber que foi dura com ele, não se sentia culpada, pois já tinha repetido diversas vezes para ele que não queria uma vida normal.
Quando ela atravessou a placa “Bem-vindo a Jericho”, se sentiu aliviada, não só porque estaria livre das horas de sermão da amiga, mas também por estar exausta após dirigir dez horas seguidas.
As duas amigas decidiram ir primeiro a delegacia. Lá, falariam com o delegado para obter mais informações sobre a vítima, amigos, família, se tinha inimigos ou até mesmo se era instável ao ponto de largar tudo e simplesmente fugir, não podiam descartar nada.
— Boa tarde, agente Taylor, sou do FBI. E essa é minha parceira, Miller — mostrou o distintivo. — Eu gostaria de falar com o xerife, sobre o caso Tomas Scott.
Ela guardou o distintivo e encarou a policial atrás do balcão. Manteve os olhos na mulher, estava acostumada a ser encarada demais sempre que se apresentava como agente do FBI, devido a idade que aparentava.
Mesmo tendo vinte e dois anos, parecia ter apenas dezoito, algo que dificultava ainda mais que as pessoas acreditassem que ela era mesmo do FBI, já que se aparentasse ter a idade que tem, também seria difícil, mas não tanto.
Ally sempre se sentia nervosa nessas horas, algo que deixava bastante irritada. Afinal, a amiga era dois anos mais velha do que ela, não tinha razão para se preocupar com isso.
— Será que dá pra relaxar — sussurrou para Ally.
— Desculpa.
encarou a policial assim que ela se dirigiu até a sala do xerife. Com certeza, estava tudo sob controle, afinal, se ela estivesse desconfiada de algo, já teria pedido para ligar para o seu superior.
— Vocês podem entrar. — A policial informou, ao voltar da sala do xerife.
— Obrigada Jessie — disse de forma simpática, ao ler o crachá da policial.
Já na sala, encontrou um homem de cabelos pretos com tons grisalhos, rosto marcado pela idade — devia ter cerca de uns cinquenta anos — de mais ou menos um metro e oitenta e muito simpático.
O xerife as recebeu gentilmente, fazendo sinal para que as duas garotas se sentassem, bem a sua gente. sabia, que aparentassem ser muito jovens, sempre que eram recebidas por homes, a aparência de ambas ajudava muito.
— Então, por que o FBI está interessado neste caso? — O xerife perguntou, enquanto acendia um charuto.
Ally fez uma careta, odiava cigarro.
— É um caso de desaparecimento, certo? — indagou, projetando seu corpo para frente, para poder encarar o homem mais de perto, na intenção de intimida-lo.
— Claro — o homem riu debochado. — Bem, nós já fizemos de tudo. Dragamos o rio, falamos com familiares, amigos...a única coisa que encontramos foi o carro, com uma quantidade enorme de sangue.
— Corpo mutilado? — Ally perguntou curiosa, sabia que não tinha corpo encontrado, mas queria ver se havia algo que não era verdadeiro, nas pesquisas que fez nas dez horas de estrada.
— Não. — O xerife tragou o charuto. — Nenhum corpo encontrado.
— Foi o que pensamos — respondeu , enquanto fazia anotações em seu caderninho. — Alguma possibilidade de ele ter fugido? Inimigo?
— Não, era um bom garoto. — O detetive ficou pensativo, após o que disse. — Claro, exceto que ele vivia traindo a namorada. Mas, já checamos a garota, ela não fez nada. Estava em casa na noite do crime.
— Bom, será que pode nos passar o endereço da namorada? — Ally perguntou. — Gostaríamos muito de falar com ela, a família também, se não se importar.
— Problema nenhum, o caso é de vocês agora — informou já se levantando. — Eu preciso ir, tenho um chamado. Mas Jessie, dará tudo que vocês precisam. Ela vai dar acesso a vocês na cena do crime também.
— Muito obrigada, xerife Monroe — Agradeceu, chamando-o pelo sobrenome, sempre fazia isso para mostrar que estava prestando atenção na pessoa que falava com ela.
Depois de se despedir do xerife e pegar todas as coisas, as amigas entraram no carro e e seguiram para interrogar a primeira suspeita: a namorada.

 

Dean saiu da loja de conveniência do posto carregando um engradado de cerveja, salgadinhos e doces. Se recostou no carro, já abrindo sua cerveja, enquanto Sam abastecia.
Os dois não trocaram muitas palavras durante a viagem, o reencontro deles já tinha sido constrangedor o bastante e, no fundo, nenhum dos dois queria falar a coisa errada e estragar tudo.
Apesar de ambos estarem bravos, sentiam falta um do outro. Até mesmo Sam — que muitas vezes — jurou não se importar se nunca mais convivesse com o irmão.
— E aí, quer tomar café? — Dean perguntou, enquanto mostrava as coisas que tinha comprado.
— Ainda nessas de cartões falsos, Dean? — advertiu Sam, assim que terminou de abastecer o carro.
— O que eu posso dizer? As caçadas não são bem uma carreira. — Dean deu de ombros e entrou no carro.
Seu pai ensinou Dean como forjar cartões de banco para poder sobreviver, nessa vida de caçador. Diferente de Sam, ele não se sentia culpado por usar cartões falsos e nem identidades falsas, afinal, para ele, estava fazendo um bem maior salvando o mundo de monstros.
— Aí, vou te mandar a real, tem que melhorar essa tua coleção de fitas — informou Sam, enquanto mexia na caixa de Dean, já dentro do carro.
— Por que?
— Bom, primeiro, porque são fitas — informou segurando uma fita. — E depois, Black Sabbath, Motorhead e Metallica? Maiores sucessos do rock brega.
Dean arqueou as sobrancelhas, estava surpreso pela atitude “folgada” do irmão e pegou a fita da mão de Sam.
— É legal. Normas da casa Sammy, quem dirige escolhe a música, a arma cala os protestos!
Dean jogou a fita de volta, de forma debochada, tinha usado o apelido “Sammy” e sabia que o irmão odiava, por achar infantil demais.
— Se liga, Sammy era um garoto de doze anos. Agora é Sam, tá?
Dean aumento o rádio.
— Desculpa, eu não escutei, a música tá muito alta — disse rindo e deu partida para sair com o carro.

Ally estava enjoada com todo aquele sangue no carro da vítima. Como o detetive havia informado, não tinha nenhum vestígio de corpo. Mas, como poderia? Com todo aquele sangue, ela ficaria surpresa se sobrasse algo.
, não se sentia nem um pouco intimidade pela cena. Colocou as luvas e entrou no carro sem pensar duas vezes, queria colher alguns materiais, isso poderia ajudar na pesquisa.
— Ally, me passa o EMF — pediu, queria ver a possibilidade de fantasma no carro.
A garota passou o equipamento por tudo, mas ele não detectou nada. O que deixou um pouco irritada, já estavam na cidade há algumas horas, sabia que tinha sido uma má ideia ter ido primeiro a cena do crime, ao invés de falar com a namorada.
Mas, Ally insistiu tanto que ela apensar decidiu concordar, uma vez na vida.
— Eu disse — informou para amiga, assim que saiu do carro. — Deveríamos ter ido primeiro na namorada.
, eles já investigaram a namorada, já li todo o depoimento. Não acho que ela vá nos contar algo diferente. — Deu de ombros, enquanto andava para longe da cena do crime.
— Talvez — revirou os olhos. — Quero falar com ela mesmo assim, as pessoas sempre dão depoimentos precipitados quando ainda estão nervosas, devido ao crime.
— Uau, quando foi que começaram a fazer federais gatos assim? — Ally cutucou a amiga, enquanto comia com os olhos, os dois caras que vinham na direção das garotas.
Um moreno bem alto, com um corpo bem definido e um loiro, um pouco mais baixo, mas com um físico ótimo também andavam em direção contrária as duas amigas.
olhou para ambos e sentiu um tremor no corpo, o mesmo de seus sonhos, algo que ela jamais havia sentido fora dele. A sensação foi tão assustadora, que ela nem sequer notou a beleza dos rapazes.
— Agentes — o moreno cumprimentou, ao passar por elas.
nem deu tempo para que Ally respondesse, puxou a amiga pelos braços e andou rapidamente em direção ao carro delas. Não queria passar nem mais um minuto, na presença daqueles dois.
Bateu a porta do carro com tanta força que fez a amiga pular no banco do passageiro. Não tinha se dado conta, de que estava tão nervosa, até fazer aquilo.
, desde quando você ignora caras bonitos? — Estava irritada, com a atitude da amiga.
Estava tentando achar uma desculpa, sabia que Allyson tinha razão, nunca foi de se prender a ninguém, justamente porque gostava de aproveitar as opções ao máximo.
Mas, não podia contar para ela o motivo, afinal, não contou nem sobre seus sonhos recorrentes nos últimos seis meses. — Ally, você que não deveria estar reparando, que eu saiba você tem namorado. Noah o nome dele, né?
— Não estou morta, não. — Revirou os olhos.
deu de ombros, sabia que a discussão não levaria a nada. Ela aumentou o rádio, que tocava Metallica e arrancou com o carro.

Dean tinha reparado nas duas garotas que acabara de passar por eles. Não sabia porque, mas teve a sensação que conhecia a morena de algum lugar.
Esqueceu da garota assim que chegou na cena do crime que quase o fez vomitar, arrancando uma risada abafada de Sam. Que sempre se divertia com essas reações de Dean.
Fizeram o mesmo procedimento que as duas amigas, coleta de sangue, perguntas aos agentes, passaram o EMF por todo o carro. Mas, também não encontraram nenhum vestígio de fantasma, simplesmente estavam sem pista alguma. Mas, ainda era cedo, tinham acabado de chegar na cidade.
— Nada — disse, ao sair do carro.
— Esse rapaz Troy, está namorando a sua filha. Como está a Amy? — ouviu os federais conversando.
— Colando cartazes de procura — o outro respondeu.
Se tinha uma namorada na jogada, poderia ser uma suspeita, talvez até uma bruxa. Afinal, a julgar pela quantidade de sangue no carro, aquilo não poderia ser humano.
Se aproximou, para ouvir um pouco mais.
— Vocês tiveram um caso como esse, no mês passado, não tiveram? — Dean se intrometeu de forma arrogante, odiava o trabalho de quinta dos federais.
— Quem são vocês? — um dos federais perguntou.
— Policia Federal — Dean mostrou o distintivo, mas sem olhar para o homem.
— Não são meio jovens, para ferais? — Olhou desconfiado.
— Ah, obrigado, que gentileza — debochou.
Dean já havia olhado o carro, mas se aproximou novamente para disfarçar e ver se o policial iria lhe dar alguma pista, além da namorada, que ele escutara minutos antes.
— E quanto a vítima, vocês conheciam? — Sam perguntou de forma educada, bem diferente do irmão.
— A cidade é pequena, todo mundo se conhece.
— Alguma ligação entre as vítimas, além de serem homens? — Dean se intrometeu novamente, enquanto andava em volta do carro.
— Não, até agora não encontramos nada.
Sam se aproximou do irmão, sabia que ele ia dizer alguma besteira e queria estar por perto para impedir. Dean era muito ruim em disfarçar quando algo o incomodava. — E qual é a teoria?
— Honestamente? Não sabemos. Serial Killer? Sequestradores?
— É, é bem o tipo de trabalho de segunda, que esperamos de vocês — falou Dean com sinceridade e sentiu um pisão no pé.
— Obrigado pela atenção — Sam olhou sem graça, odiava quando o irmão desrespeitava autoridades. — Senhores.
Ele caminhou rapidamente para longe seguido de Dean, que estava irritado. Odiava quando Sammy, chamava sua atenção na frente de outras pessoas.
Deu um tapa da cabeça do irmão.
— Por que fez aquilo? — Sam indagou.
— Precisava pisar no meu pé?
— Aquilo é jeito de falar com um policial?
— Qual é, eles não têm ideia do que está havendo. — Dean entrou na frente de Sam. — Estamos sozinhos nessa, se quisermos achar nosso pai, temos que investigar por conta própria.
— Posso ajudar rapazes? — Foram interrompidos por um verdadeiro agente da polícia federal.
— Agende Molder, agente Scully — disse Dean para disfarçar.

ficou encarregada de interrogar a namorada, enquanto Ally foi interrogar a família do rapaz desaparecido. sugeriu que se separassem, precisava ficar um pouco sozinha, depois do que aconteceu mais cedo e do clima que criou entre elas.
Estava cansada, queria muito resolver o caso, mas também queria encontrar seu pai e para que isso acontecesse logo, precisava de pistas sobre quem estava cometendo esses crimes.
pegou o distintivo no carro e saiu em direção a lanchonete, antes que entrasse, passou por duas garotas que estavam entregando panfletos do garoto.
— Com licença — pediu ao se aproximar das garotas. — Você é Amy? Namorada do Troy?
— Sim, sou eu. Algum problema? — a garota olhou desconfiada, estava cansada das pessoas perguntando o tempo todo, sobre o namorado desaparecido.
— Sou , uma prima distante do Troy — mentiu, sabia que se mostrasse que era do FBI, provavelmente a garota não se abriria. Afinal, pela reação dela, já tinha falado com muitos policiais e estava cansada.
— Ah, não sabia que ele tinha uma prima — informou.
— Pois é, o Troy é muito discreto. — Sorriu simpática. — Eu estou preocupada, a policia não descobre nada. Será que podemos tomar um café? A polícia me disse que você foi a última a falar com ele naquela noite, talvez possa me contar algo.
— Claro!
A garota estava visivelmente abalada, o que fez com que descartasse totalmente a possibilidade de ela ser suspeita pela morte do namorado.
queria pedir uma cerveja, mas escolheu pelo café, já que não passaria muita confiança para as duas amigas, bebendo tão cedo e precisava que elas lhe dessem alguma informação válida.
— Então, você e o Troy se davam bem? — perguntou, sem segundas intenções.
— Sim, nos víamos quase todos os dias — a namorada informou e deu um gole em sua bebida.
suspirou, odiava ter que pressionar as pessoas daquela maneira. Apesar dos anos na caçada, para ela, essa sempre era a situação mais difícil. Perder alguém — de forma trágica — era sempre doloroso e ter pessoas no seu pé, te perguntando sobre isso toda hora devia ser insuportável.
— Claro. — Sorriu. — Então, como eu te disse o agente me contou que vocês se falaram naquela noite, que foi a última pessoa a falar com ele, na verdade.
— Sim — respondeu. — Ele me ligou, disse que não daria para vir me ver naquela noite, porque tinha muito trabalho no outro dia. Depois disso, não nos falamos mais.
— Você sentiu algo estranho nele?
— Como o quê? — A garota olhou confusa.
— Não sei, nervosismo — explicou. — Troy tinha inimigos?
— Não, nenhum. — A garota não parava de mexer em seu colar.
— Bonito colar. — abriu um sorriso largo, sabia que a garota queria dizer algo, devido ao nervosismo.
Enquanto Amy tinha essa reação, a amiga dela permanecia em silencio.
A garota encarou por um momento, estava pensando em alguma coisa. — Foi Troy que me deu, para assustar meus pais, com essa coisa de diabo — Riu.
— Na verdade, é bem o contrário, porque o pentagrama protege contra o mau. — deixou escapar uma risada abafada. — É muito poderoso, quer dizer, se você acredita nessas coisas.
A garota não respondeu nada, então, tirou o dinheiro da carteira e jogou na mesa. Sabia que para arrancar alguma coisa dali, precisaria usar uma estratégia, simplesmente fazer perguntas, não ia fazer com que elas falassem nada.
— Bom, a morte do Troy foi estranha, mas eu tenho algumas coisas para resolver na cidade. Então, se lembrarem de alguma coisa é só me ligar.
pegou papel, caneta e anotou seu número.
Quando terminou, viu que a amiga estava com alguma expressão estranha enquanto cutucava a namorada de Troy. Soube que elas estavam escondendo algo.
Fingir que não estava tão interessada, sempre funcionava.
— Qual problema? Lembraram de algo?
— Bom, é que... — a amiga começou. — Com tantos caras sumindo, as pessoas falam.
fez sinal para que ela continuasse.
— Bem, é uma lenda local. Uma garota ela foi assassinada na rodovia, há décadas, ao que parece ela ainda está por lá. Ela pega carona, e bem, quem da carona, desaparece para sempre.
Finalmente, tinha conseguido uma pista. Só podia ser um espirito, apesar de não ter vestígios no carro, algo que seria muito estranho, mas que ela resolveria depois. Agora, precisava ligar para Ally e avisar que tinha conseguido algo.
— Obrigada, mesmo — disse e saiu correndo.
Quando passou pela porta da entrada, teve a mesma sensação de quando encontrou os dois rapazes pela manhã e lá estavam os dois de novo.
Ignorou a presença deles e saiu da lanchonete, tinha coisas mais importantes para fazer, do que dar importância a uma sensação de um sonho estúpido. Talvez, fosse algo psicológico.

Quando Dean viu a garota na lanchonete, junto com as duas garotas que ele iria interrogar, soube que não era algo a se ignorar. Ela estava na cena do crime e depois lá estava ela falando com a principal pista que eles tinham.
— Sam, pera aí. — Segurou o irmão pelo braço.
— O que foi? Viemos aqui para falar com a namorada do Troy.
— Sim, mas você viu essa garota que passou por nós? — perguntou apontando para a garota, já do lado de fora do estabelecimento. — Ela estava na cena do crime também.
— E daí? — Sam estava aéreo, só queria terminar logo o caso e voltar para casa.
— E dai meu querido Sammy, que ela pode ser uma suspeita. Pode ser ela, quem assassinou o namoradinho da garota ali e está rondando a família. Não é coincidência, não, to falando — explicou.
— O que quer fazer? Seguir ela? Aliás, ela é muito nova para ter cometido os crimes anteriores. — Sam encarou o irmão. — Ah, cara, fala sério.
— Vamos logo, Sammy! — Puxou irmão para fora do local.
Nem teve como discutir com Dean, os dois entraram no carro e ele arrancou, seguindo a o carro preto onde a garota desconhecida — por eles — entrou.
Não demorou muito, para que ela encostasse em um motel. Dean desceu do carro, pegou sua arma, deu algumas balas mata bruxa para Sam, pegou um pouco de água benta e seguiu na direção que a garota foi.
Ela caminhava calmamente, em meio aos corredores do motel, parecia totalmente despreocupada e alheia aos dois rapazes que estavam seguindo-a, pelo menos foi o que pensou Dean.
— Ela virou naquele corredor, vamos devagar — informou Dean.
Os irmãos andaram furtivamente, calculando cada passo, para que não fossem ouvidos, caso ela estivesse com mais alguém. Os dois dobraram o corredor, não tinha ninguém, nem parecia que ela tinha acabado de entrar ali.
— O que? Ela estava aqui agora mesmo — informou Sam.
— Olá rapazes — A voz de uma garota atrás dos irmãos falou.
Os dois sentiram uma arma na cabeça, de cada um, ela não estava sozinha. Estava acompanhada de uma loira, que se encontrava com uma arma apontada na cabeça de Sam.
— Soltem as armas — mandou a loira.
— Por favor, meninos. — debochou e assim os irmãos fizeram.



Capítulo 2 - We've got work to do

Depois de verem suas armas serem pegas pelas duas garotas armadas, os irmãos se viram sendo conduzidos pelos corredores do motel, até chegarem em um quarto isolado. Sam estava calmo, já Dean sentia vergonha por estar sendo capturado por duas garotas, precisava manter a sua reputação, pelo menos a que tinha entre os caçadores que o conhecia.
Ficaram surpresos quando entraram e viram armas espalhadas pela cama, estacas, vidro com água benta, terços. Ficaram aliviados, ao perceberem que tinham sido pegos por caçadores e não uma bruxa, ou qualquer outro monstro.
Afinal seria um grande desperdício para ambos, ter que matar duas garotas tão bonitas — pensou Dean.
— Vocês são caçadoras — falou Sam finalmente.
fez sinal para que Ally não respondesse. Ela estava apreensiva com todos os sonhos que vinha tendo e por causa da sensação estranha que tinha toda vez que encontrava com os dois.
Um sentimento muitas vezes desconhecido pela garota.
A essa altura já tinha guardado a arma, queria intimida-los de outra maneira, mostrar que poderia tortura-los se quisesse. Então pegou a faca que estava presa na parte de trás da sua calça e encarou os irmãos. Eles não pareciam ser perigosos, mas ela não queria abrir nenhuma brecha, qualquer movimento e eles poderiam surpreende-las.
Quando Dean fez menção de sair de onde estava, chegou perto dele em uma fração de segundos e pousou a faca sobre seu pescoço, pressionando-a um pouco, o que fez com que o rapaz recuasse e permanecesse onde estava.
— Quem são vocês? Por que estão seguindo a gente? — perguntou.
— Somos caçadores também — Dean informou, queria que ela tirasse a faca do seu pescoço.
Ele pegou a arma presa atrás da calça e jogou no chão.
— Se são caçadores. Por que estavam seguindo a ?
Ally ainda estava com a arma apontada na cabeça de Sam.
— Bom, vimos vocês na cena do crime e depois vimos sua amiga, conversando com a namorada do Troy — explicou Sam.
Ally finalmente abaixou a arma, sabia que estavam dizendo a verdade. Ela realmente os viu na cena do crime, não só viu, como também os comeu com os olhos.
se afastou de Dean, andou até a cama e se sentou, estava se sentindo estranhamente cansada, algo não muito usual de acontecer e não estava afim de começar uma luta com os dois garotos, apesar de não confiar muito no que eles estavam dizendo.
— Então, vocês estão aqui para resolver esse caso? — perguntou.
Estava estranhamente exausta, como se sua energia estivesse sendo sugada.
— Sim — Dean respondeu seco. — Cara, você está bem?
sabia que era com ela, mas ignorou, não teria nenhuma explicação para dar. Como uma caçadora poderia estar cansada de ter perseguido dois caras e colocado uma arma na cabeça deles? Isso não faria sentido.
Os sonhos fariam mais sentido, mas ela não havia contado sobre isso nem para sua melhor amiga, não contaria a dois estranhos.
— E para encontrar nosso pai, também — Sam acrescentou.
— Valeu Sammy.
Sam fuzilou Dean com os olhos.
— O pai de vocês? O pai da , também sumiu — Ally explicou.
— Ally — chamou a atenção da amiga.
— Somos caçadores, deveríamos confiar uns nos outros, certo? — Ally encarou os três. — Sou Allyson.
— Sam Winchester — Sam respondeu simpático.
Mas, antes que ele pudesse dizer alguma coisa, assustou todos ao se engasgar sem nem sequer estar tomando ou comendo algo. Ela não poderia estar de frente para os dois caras com quem passou metade de sua infância e que passaram a aparecer em seus sonhos há seis meses, sem nenhum aviso prévio.
Era demais para ela.
A sensação que ela estava sentindo passou no mento em que ela processou quem eles eram, confiava neles agora.
Não acreditava no que acabara de ouvir, todas as vezes que sonhou com Jhon Winchester e seus filhos, nunca cogitou a possibilidade de procura-los e lá estava ela bem de frente para eles. Mas, se estavam procurando o pai, significava que Jhon estava desaparecido e isso não era nada bom.
A última vez em que falou com ele foi há duas semanas, ele estava agitado no telefone dizendo que tinha conseguido uma pista muito importante, sobre o demônio que havia matado sua esposa.
Logo, o demônio que tinha matado sua mãe, algo que os irmãos não sabiam. Jhon, prometeu que nunca contaria aos filhos, a pedido do pai de , algo que ela nunca entendeu.
d— Sam? Dean? — perguntou.
— Somos nós — Dean respondeu ironicamente. — Por acaso, a gente te conhece?
riu, passou metade de sua infância e adolescência convivendo com os Winchesters — não todos os dias — afinal seus pais quase sempre estavam caçando separados, mas quando conseguiam se encontrar ou quando precisavam um do outro, lá estavam eles reunidos.
Enquanto era encarada pelos irmãos e sua amiga curiosa — que esperava por uma bomba — ela pensou primeiro em sua amizade com Sam. Apesar de sempre estarem na estrada, se falavam o tempo todo por mensagem. Um ajudava o outro com pesquisas da caçada mesmo de longe. Já Dean, sua relação com ele era muito diferente. Ele sempre foi muito fechado e por um tempo ela alimentou um sentimento não só de amizade pelo irmão mais velho, algo que passou com o tempo e depois que ela foi ficando mais velha, caçar virou seu maior objetivo.
Eles tinham algumas coisas em comum, como carros e a empolgação sempre que se envolviam em uma caçada. Cada dia ficavam mais próximos, sua relação com ele era algo inexplicável, eram sincronizados nas caçadas e um acobertava o outro.
Permaneceram amigos até se separarem de vez quando ela já tinha por volta dos seus dezesseis anos, quando seu pai decidiu que eles precisavam quebrar aquele vínculo — fazer amigos ou se importar — era extremamente proibido para ele. Algo que sempre foi contra, mas respeitou até completar a maior idade.
Agora era diferente. Tinha amigos, pessoas com quem se importava. Por quem daria a vida se fosse preciso, não tinha motivos para mentir para os dois irmãos que um dia foram quase sua família.
Na verdade, foram sim sua família e ela morreria por eles também.
— Sou eu, — disse finalmente. — Andrew ?
— Não é possível! — Sam andou até a e a envolveu em um abraço, inesperado por ela.
A sensação eletrizante do sonho, percorreu o corpo de .
Era tudo estranho e novo para a garota — apesar de já o conhecer — não sabia como reagir. Imaginou o reencontro algumas vezes, mas depois de ter ido e deixado apenas um bilhete, nunca mais ter respondido as mensagens de Sam, nunca teve coragem de retornar. Mesmo depois que podia tomar as próximas decisões.
Ele era seu melhor amigo.
— Estou feliz em ver você também, Sam. — retribuiu o abraço. — Você cresceu.
Ela olhou melhor para o velho melhor amigo, que agora tinha mais de um e noventa, o que fazia com que ela batesse só um pouco acima da cintura dele.
— Não acredito, que aquela pequenininha, se transformou nessa ?
— HAHAHAHAH muito engraçado Dean — abriu um meio sorriso.
— Nossa, o mundo é pequeno — Ally disse, estava um pouco confusa.
riu, sabia que a amiga queria ser apresentada.
— Ah, essa é a Allyson, ela é uma amiga. Caçamos juntas.
Dean e Sam encararam , apesar de ter dito uma amiga — porque ela adorava esconder o jogo — tinham notado que a garota era muito importante.
— Ela é da família — Dean acrescentou e piscou para Ally. — É um prazer, Allyson.
sentiu a alfinetada nas palavras de Dean, mas as ignorou.
— Bom, agora que já estão todos devidamente apresentados. Precisamos resolver o caso.
queria quebrar o gelo.
, você disse que seu pai sumiu. Como o encontrou aqui? — Sam perguntou curioso.
— Ah, ele me enviou coordenadas.
— Bom, talvez nossos pais estivessem caçando juntos. Mas, isso é mistério para depois, primeiro temos o trabalho — comentou Dean.

Depois de mostrarem aos irmãos o que tinham, decidiram que precisavam fazer mais pesquisas. Apenas o boato de uma mulher de branco, não era o suficiente para eles destruírem o espírito que estava matando tantos homens nos últimos anos, precisavam saber se o espirito da mulher tinha um motivo para cometer os assassinados — não que isso justificasse — mas era importante para entender com que tipo de espirito estavam lidando.
Se era de fato uma mulher de branco.
Os quatro seguiram para a biblioteca da cidade, lá sabiam que conseguiriam encontrar alguma coisa sobre toda a história local. Enquanto Sam e Dean faziam pesquisas na internet, e Ally procuravam pessoas para perguntar um pouco sobre a cidade, se tinham notado algo de estranho recentemente e também saber se eles tinham visto dois novos homens na cidade com as características de Jhon e Andrews.
— Você não precisava ter falado daquele jeito com a — Sam disse, enquanto esperava a página da internet.
Dean encarou o irmão, não podia acreditar que ele estava dizendo aquilo. Ela tinha largado os dois para trás depois de terem passado anos como uma família, era inaceitável para ele. Nunca se deixa a família para trás.
Sam o encarou, estava esperando uma resposta.
— Cara, deixa que eu pesquiso isso aí — Dean respondeu e empurrou a cadeira de Sam.
Tinha acabado de ignorar o irmão, odiava ser repreendido. Especialmente se era sobre a relação dele com , como aconteceu muitas vezes no passo quando eles ainda eram uma família.
Ela era da família.
O pensamento irritou Dean, que começou a pesquisar desesperadamente pela tal mulher de branco. Digitou várias palavras chaves como: “Mulher assassinada carona” “Mulher assassinada rodovia”. Mas, não obteve nenhum sucesso em suas pesquisas, aparentemente parecia não ter tido nenhum caso de alguma mulher que morreu naquela ponte.
— Bom, parece que a fonte da sua querida , estava errada — debochou Dean.
— Duvido, ela pode ter seus defeitos, mas é uma ótima caçadora — comentou Sam. — Sai pra lá.
— Tá comigo.
Sam empurrou o irmão, que resistiu, mas foi empurrado de novo.
— Cara, você é muito controlador.
Sam começou a digitar algumas coisas enquanto Dean se distraia olhando para o outro lado da biblioteca observando . Pensou nas tardes em que passava com ela, limpando as armas, fazendo balas, cuidando dos carros que seus pais usavam para caçar.
Apesar de terem um gênio muito parecido e brigarem as vezes, os dois se davam bem e eram bem parecidos na hora da caçada. A verdade, é que ele tinha sentido muita falta dela desde que tinha ido embora, sem nem sequer dar alguma explicação que fizesse sentido.
Para ele, ela largar tudo porque seu pai ordenou — mesmo tendo só seus dezesseis anos — era difícil de engolir, porque sabia que se ela batesse o pé e pedisse para ficar com seu pai, ele não pensaria duas vezes.
Mas, agora era passado, eles eram adultos e ele já estava envolvido com outra pessoa. Aceitar que tinha sido apenas uma paixão — que ele nunca investiu — da adolescência, era o melhor a se fazer. Precisava se concentrar na caçada e em encontrar seu pai.
— Dean, tá me ouvindo? — Sam cutucou o irmão, que parecia estar no mundo da lua.
Dean permanecia encarando a velha amiga e foi cutucado novamente.
— Qual é Sammy?
Encarou o irmão irritado.
— Cara, você não me escuta.
— Tô ouvindo agora, achou alguma coisa?
— Bom, espíritos agressivos tiveram mortes violentas, certo? Talvez não tenha sido assassinato — Sam explicou.
Ele digitou “Mulher se suicida na rodovia” e uma pesquisa apareceu. Nela dizia que uma mulher em 1981 se jogou da ponte na rodovia, uma hora depois de encontrar seus filhos mortos na banheira, após deixa-los lá por cerca de alguns minutos.
— Nossos filhos morreram e Constance não aguentou, disse o marido dela Joseph Whelch — Sam leu ao lado da matéria.
— A ponte não parece familiar? — sugeriu Dean.
— É, acho que encontramos a nossa mulher de branco.
estava apreensiva, ninguém na biblioteca parecia ter visto seu pai ou Jhon. Por um momento, ela se sentiu totalmente sem esperança.
Se afastou da mulher que estava fazendo perguntas, precisava de espaço.
Ally continuou fazendo algumas perguntas enquanto observava o os dois irmãos, que estavam fazendo a pesquisa logo mais à frente de onde ela se encontrava. Observou os dois interagindo, para ela, que os conhecia muito bem sabia que tinha algo de diferente neles.
Sam e Dean sempre brigaram bastante, mas também sempre foram muito unidos. E agora, parecia que existia um penhasco entre os dois, ela pensou o que poderia ser, mas nada veio em sua cabeça, então voltou a se concentrar na moça que não parava de falar.
— Bom, é só isso mesmo, obrigada — Ally disse de forma educada, mas com a intenção de interromper a tagarela.
— Tem alguma coisa estranha, com esses dois — escutou dizer.
Do que ela estava falando?
, além do que ela disse, não temos nenhuma outra pista — informou Ally.
— Hm.
, eu sei que é difícil não olhar para eles. Mas, será que pode se concentrar aqui?
— Desculpa, não é isso — explicou, sem fazer nenhuma cara de brava ou dar alguma pata.
Allyson sabia que a amiga estava agindo muito estranho. não era de ter distrações — ainda mais em uma caçada — mas, desde que ela tinha reencontrado os irmãos Winchester parecia estar bastante distraída e estranha.
Apesar de achar que a amiga não tinha notado sua mudança nos última seis meses, ela tinha sim, e andava bastante preocupada. Não só com as caçadas em excesso por parte da amiga, mas pelas poucas horas de sono que ela vinha tendo.
— Ei, encontraram alguma coisa? — Sam perguntou ao se aproximar.
— Não, nada. Ninguém aqui na biblioteca, os viu — informou Ally.
— Que ótimo. Nada que a gente não soubesse, né?
Dean tinha acabado de ser grosso com a pessoa errada e nem foi preciso que Sam pisasse no pé dele, desse um tapa discreto ou simplesmente raspasse a garganta para ele percebesse. A cara de Allyson disse tudo.
— Desculpa, só estou nervoso. Meu pai nunca sumiu por tanto tempo.
arregalou os olhos, sabia que ele não era de se desculpar por nada.
— Tudo bem, eu entendo.
— Bom, sentimentalismo a parte. O que vocês acharam?
caminhou até a saída, sabia que se não apressasse os três eles ficaram lá, ao invés de andar logo com o caso.
— Bom, nós descobrimos que uma mulher se suicidou na ponte, após encontrar os filhos mortos na banheira de sua casa — Sam explicou.
— Mas isso não faz sentido — e Sam falaram juntos.
se recostou em seu carro assim que chegaram ao estacionamento. Reparou no impala parado bem ao lado dela e teve algumas lembranças, da época em que caçava junto aos Winchester, sempre gostou muito do carro.
— Pode falar.
Sam sorriu para amiga, que continuou:
— Por que ela mataria homens, que não tem filhos?
— Como assim? — Dean olhou confuso.
— Suponhamos, que ela tenha matado os filhos, o que é horrível — fez uma careta. — Mesmo assim, ela teria que matar homens, ou até mesmo mulheres, o que sabemos que ela não faz, que mataram seus filhos.
— Na delegacia, o xerife disse que Troy era um bom garoto, exceto que traia muito a namorada — Ally lembrou a amiga.
— Então, só pode ser isso. Ele traiu a esposa, que matou os filhos porque não aguentou de tanta tristeza, e agora ela mata qualquer homem que seja infiel.
— Ótimo, já está ficando tarde. Vamos para a ponte, quem sabe encontramos mais alguma coisa que não vimos lá — sugeriu Dean.
As amigas concordaram e entraram em seu carro sendo seguidas pelos irmãos. que não tinha necessidade de irem os quatro até a ponte, mas concordou pelo simples fato de que, qualquer coisa era melhor, do que ter que ficar em um quarto de hotel, ter mais um daqueles pesados e acordar apavorada.
Enquanto dirigia se perguntou se Jhon saberia sobre seus sonhos. Nunca, jamais, desconfiou dele, nem mesmo dos filhos. Mas, não fazia sentido ela ter esses sonhos constantes e de repente reencontra-los assim, depois de longos seis anos sem nenhum contato. Exceto pela ligação recente de Jhon para o seu pai, pouco antes de ele sumir.
Andrews nunca disse a filha que estava indo para uma caçada com o velho amigo, mas não era mais criança e sabia que os dois estavam escondendo alguma coisa, talvez alguma pista muito valiosa sobre o demônio que caçavam há anos.
— Eu sabia que seu pai conhecia Jhon Winchester, mas não achei que você era tão próxima dos filhos dele — Ally comentou, enquanto descia do carro.
— Podemos falar disso, depois?
O assunto tinha sido evitado por muitas razões e não queria falar nele agora.
bateu a porta do carro com força e caminhou rápido, na intenção de criar uma distância grande o suficiente entre ela e a amiga, para que ela não voltasse a fazer nenhuma pergunta sobre Dean e Sam, não agora.
Parou de andar quando viu uma mulher toda de branco em pé, na grade da ponta. Sua expressão era uma mistura de desespero e tristeza, como se estivesse pedindo algum tipo de ajuda.
— Pessoal? — chamou os três, que não paravam de tagarelar atrás dela.
Era tarde demais, a mulher se jogou.
Ela correu, seguida pelos três amigos que estavam tão confusos quanto ela. Por que ela se mostraria assim? Algum tipo de aviso? Não importava, precisavam se aproximar para ver se ela havia deixado alguma pista para eles, mesmo que não intencionalmente.
— Parece que foi aqui que Constance deu seu último pulo — informou Dean ironicamente.
— Você acha que papai esteve aqui? — Sam perguntou.
— Bom, ele estava atrás da mesma história e a gente atrás dele.
Dean se afastou.
— Tá bom, e agora?
Sam estava preocupado com a faculdade e estavam sem muitas pistas. Exceto pela teoria que tinham criado antes na biblioteca, mas não era o suficiente para ele ter certeza de que na segunda-feira voltaria para casa.
e Ally permaneceram em silencia. Especialmente , que lá no fundo sabia que as coisas estavam muito esquisitas entre eles.
— Continuamos procurando até acha-lo, vai demorar — Dean informou, enquanto observava o lugar.
— Dean eu já disse, eu tenho que voltar até segunda — Sam insistiu.
Segunda? Voltar? As perguntas correram na cabeça de , que apesar de não estar se metendo na conversa, conseguia ouvir tudo. Por que Sam voltaria sem Dean? Afinal, eles eram inseparáveis.
— Segunda? Tudo bem, a entrevista? Esqueci— Dean estava com uma expressão séria.
Entrevista? De quê? percebeu que a situação era mais séria do que parecia.
— Você está levando isso a sério, não tá?
No fundo, Dean não queria acreditar que seu irmão realmente preferia voltar para fazer uma entrevista da faculdade a procurar por seu próprio pai.
— Está querendo mesmo virar advogado? Casar com a garota?
Dean sabia que estava indo longe demais, provocando o irmão assim, mas precisava botar para fora o que estava sentindo.
Direito? Outro pensamento percorreu a cabeça de . Sam sempre falou da faculdade para ela, mas a garota nunca pensou que ele realmente teria coragem de largar tudo e ir embora, deixando sua família para trás.
Agora tudo estava fazendo sentido para ela, a reação de Dean ao reencontra-la. Sabia que ele nunca aceitou bem, mas depois de seis anos, não esperava que ele ainda guardava remorso. Estava com raiva pela ida de Sam e reencontra-la só fez as duas coisas florescerem.
pesou sobre o “casar com a garota”, mas isso era o de menos. Sam sempre foi doce e gentil, já era de se esperar que ele se encantasse por alguém e vice-versa.
— Talvez. Por que não?
Sam já estava se saco cheio de toda aquela merda de Dean. O fato de ele achar que todo mundo precisava seguir os passos que ele achava melhor.
— A Jéssica sabe a verdade sobre você? Ela sabe das coisas que você fez?
— Não e ela nunca vai saber! — Sam deu um passo a frente.
se movimentou levemente, precisava estar preparada caso os dois resolvessem brigar, como sempre acontecia quando eles eram mais novos.
— Ah, muito saudável — Dean sorriu debochado. — Pode fingir o quanto quiser Sammy, mas cedo ou tarde, vai ter que encarar quem você é.
Dean deu meia volta e saiu andando, sabia que Sam era um caso perdido. Demorou muito para admitir, mas aquela era a hora de aceitar.
, acho melhor nós interferirmos — Ally sussurrou para a amiga.
— Não, isso não é problema nosso — respondeu em um sussurro. — A não ser que eles entrem na porrada.
Algo que ela sabia, ser bem provável.
Sam encarou Dean, estava fervendo por dentro. Se ele iria ou não contar para a sua namorada a verdade, não era problema do irmão. Sabia que as duas garotas estavam presenciando tudo, mas não estava nem aí, a discussão tinha se iniciado e ele não ia parar.
— E quem eu sou?
— É um de nós.
Sam deu a volta e entrou na frente do irmão.
— Eu não sou como vocês, a minha vida não vai ser assim.
Dean riu.
— Você tem uma responsabilidade.
— Com o papai? E com a cruzada dele? Se não fosse pelas fotos, eu nunca ia saber como era a mamãe. E que diferença faria? Mesmo que a gente encontrar a coisa que a matou, a mamãe se foi e ela não vai voltar.
sabia que Sam tinha passado dos limites, apesar de entender que ele estava cansado de toda a situação. Conhecia os dois o bastante, para saber que ele tinha plena consciência de que falar sobre a mãe deles, afetava Dean diretamente.
Quando ela deu um passo para tentar impedir uma possível briga, já era tarde. Dean já tinha pego Sam pelo colarinho e o jogado contra a grade da ponte.
— Não fale assim dela.
Dean estava visivelmente abalado.
— Ei, vocês dois, pode parando com isso — gritou enquanto caminhava na direção deles.
Dean soltou o Sam.
, isso não é da sua conta — Dean praticamente gritou.
— Ei, não fala assim com ela. Seu problema é comigo.
Sam se sentiu na obrigação de defender a velha amiga.
— É claro, que você vai defende-la.
— Ei, pessoal — Ally tentou chama-los.
Ela sabia que tinha dito para não se meterem. Mas, o farol do impala tinha acabado de acender e como ninguém estava dentro do carro, com toda certeza não era um bom sinal.
— O que foi, Ally? — gritou.
— Quem tá dentro do carro?
Dean mostrou a chave.
— Droga — Sam comentou.
Seja lá o que estivesse dentro do carro começou a acelerar na direção deles. Os quatro sabiam que estavam muito longe do fim da ponte, logo a única opção seria pular para fora dela, e foi o que eles fizeram.
Dean caiu direto na água junto com Ally, enquanto foi segurada por Sam que se segurou na ponte. Os quatro estavam com os nervos a flor da pele, por um instante todos pensaram que tinham morrido.
Sam puxou , de modo que ela conseguiu se apoiar sozinha nas grades para procurar por Allyson e Dean.
— Dean? — Sam gritou. — Ally?
— Cadê eles, Sam?
— Não sei, você pulou bem ao meu lado. Foi instinto te segurar.
— Obrigada, a propósito — sorriu para o amigo.
Sam observou por um momento, para ele era obvio que a salvaria. Mas, para ela não parecia ser.
— Ei, estamos aqui — Ally gritou.
Os dois olharam para baixo e viram Ally jogada na grama toda molhada, enquanto Dean estava com metade do corpo dentro do rio e a outra jogada na grama. Os dois estavam bem sujos, pelo visto, não era um rio muito limpo para sair se jogando.
Já do lado de cima, Dean se recostou em seu carro. Ele e Ally estavam todo sujo e fedendo muito. O rapaz ergueu os braços, mas os sentiu pesados por conta de toda a lama podre.
— Bom, tá tudo bem com o carro pelo menos Dean — Sam debochou.
— Ah, muito engraçado SAMMY!
Sam o repreendeu com o olhar.
— Cara, vocês estão com cheiro de esgoto. — riu olhando Dean e a amiga, cobertos de lama preta.
— Ah, desculpa se não conseguimos ser tão espertos quanto vocês dois — Ally olhou com cara de nojo.
— Na verdade, Sam me salvou. — sorriu.
— É claro — Sam concordou com ela, que desviou o olhar.
— Oh mulherzinha, que maluca!
Dean estava puto.
— Você acha que foi ela? — perguntou rindo.
— Quem mais poderia ser?
— Bom, pelo visto, ela não quer a gente por perto — Sam comentou. — Acho melhor irmos para o hotel que vocês estão, os dois aqui precisam de um banho antes que a gente morra com o fedor.
Sam soltou uma gargalhada.
riu junto, ela não via Sam rir assim desde que eles tinham quinze anos e saíram em uma caçada sozinhos, deixando seus pais mortos de preocupação. Ele sempre foi muito reservado, na dele, apesar de se abrir muito com ela quando ficaram amigos de verdade, o dono das piadas e das risadas sempre era Dean.

Dean jogou o cartão na recepção do hotel enquanto o recepcionista olhava estranho para ele. Sabia que era não só por causa da aparência horrível de quem parecia ter saído do lixo, mas também pelo cheiro.
— Esse trabalho no lixão, está acabando comigo — disse Dean, com um riso no rosto.
Sam segurou a risada.
— Hm — o homem resmungou, assim que pegou o cartão. — Tem uma reunião ou algo assim?
— Como assim?
Sam olhou confuso.
— Outro cara, Butter Afreimam, chegou e alugou um quarto por um mês inteiro.
Dean encarou Sam, sabia que só poderia ser seu pai. Ele perguntou qual era o número do quarto e saiu do hotel em direção a , que estava esperando do lado de fora encostada em seu carro.
— Ué, cadê a loirinha? — Dean perguntou, se referindo a Allyson.
— Foi tomar um banho.
— Parece que achamos nosso pai — Sam informou.
— Sério? Onde tá o Jhon? Ele está bem?
— Não lindinha — Dean disse debochado.
revirou os olhos.
— Cadê ele então?
— Ele alugou um quarto por um mês inteiro aqui, sabemos o número. Talvez se conversarmos, o cara pode nos dar a chave — Sam explicou.
Ele arrancou uma risada não só de Dean, mas de também.
— Ah, Sam, qual é — o encarou. — Entendo você ter parado de caçar, mas sei que não perdeu o jeito. Qual número do quarto?
— É 68 — Dean respondeu um pouco confuso.
deixou os dois falando sozinhos e andou em direção ao local onde ficavam os quartos, procurou pelos números até chegar próxima a numeração que Dean tinha informado. Sam e Dean a seguiam sem entender muito bem o que ela estava fazendo.
A garota se abaixou, tirou dois negócios de metal do bolso e enfiou na fechadura.
— Se era isso que ia fazer, era só te falado — Dean disse, se sentia na obrigação de mostrar que tinha atitude também.
— Cara, não, para com isso — Sam disse, tentando fazer com que a garota parasse.
— Pronto — disse animada. — Agora entrem, antes que sejamos pegos.
Dean sentiu seu coração desacelerar quando encontrou o quarto vazio. Seu maior medo, é que poderia encontrar o corpo de seu pai morto no chão, o que seria muito pior do que simplesmente não o encontrar como estava acontecendo.
O lugar estava uma bagunça, com restos de comida espalhados, roupas jogadas e outras coisas. Dean olhou procurando por pistas, até que reparou que tinham papéis grudados na parede, diversas pesquisas sobre o caso da mulher de branco.
— Sal — disse Sam abaixado, enquanto pegava um pouco na mão. — Papai estava preocupado.
— Parece que ele descobriu, sobre o caso — Dean informou. — Acho que o marido realmente a traiu.
— Logo, eu estava certa — disse de maneira convencida.
Dean revirou os olhos.
— Bom, vou tomar um banho e aí nós podemos ir atrás do marido. O que acham?
Dean seguiu em direção ao banheiro. Mas, foi parado por Sam.
— Ei, desculpa pelo que eu disse sobre a mamãe.
Dean riu e colocou a mão no ombro do irmão.
— Sam, sem pieguice.
— Tá, idiota — Sam riu.
e Sam decidiram procurar por pistas, enquanto esperavam Dean sair do banheiro. Eles encontraram algumas coisas, mas nada que desse alguma pista de onde o pai deles estava.
O pé de Sam ficou preso no tapete que subiu, revelando para ele um desenho. Quando ele puxou, apareceu uma chave de Salomão desenhada em tinta vermelha.
Mais conhecido como: armadilha do diabo.
Ele tirou por completo o tapete e observou o desenho, estava levemente riscado, dando uma brecha para que o demônio que estivesse ali dentro conseguisse escapar.
Pensou em muitas possibilidades, desde um demônio ter levado seu pai ou simplesmente Jhon tinha conseguido informações — como costumava fazer — mas dessa vez o maldito tinha conseguido escapar.
— Parece que não era com a mulher de branco, que meu pai estava preocupado — disse Sam.
— Parece que ele deixou coordenadas — informou com um papel na mão.
Enquanto ela pegava o celular para procurar de onde poderia ser a coordenada, observou também o desenho no chão.
— Sam, tenho certeza que seu pai deixou o demônio fugir, não acredito que tenha sido pego.
Sam cobriu o desenho, não queria que Dean soubesse, não ainda.
— Claro.
— E aí, vamos nessa? — Dean disse saindo do banheiro.
— Sim. Eu vou tomar uma ducha rápida, pode ser?
Sam estava com a cabeça a mil. Até então, ele só conseguia pensar em voltar para a entrevista da faculdade, mas depois de ver a chave de Salomão desenhada no chão começou a se perguntar se Dean não teria razão.
E se algo mais grave estivesse acontecendo com seu pai? Seria capaz de ignorar e ir embora? Não saberia dizer.
— Cara, você está bem?
Dean saiu pronto do banheiro.
permaneceu em silêncio, sabia que era por causa do que encontraram, mas não queria falar nada, não cabia a ela.
— Sim, vai com a pegar algo pra comer, me manda o endereço e encontro vocês lá.
Sam entrou no banheiro antes que Dean perguntasse mais alguma coisa. O dois saíram do quarto de hotel e deram de cara com um policial conversando com o recepcionista. sentiu que tinha algo de errado, já Dean tinha certeza disso e percebeu que havia esquecido o motivo que eles precisaram arrombar o quarto.
Dean puxou pela mão, mas sabia que já era tarde para conseguir fugir, o policial caminhava na direção deles. O rapaz sacou o celular do bolso e telefonou para Sam, torcendo que ele estivesse vestido ainda.
O irmão atendeu.
— Sam, fomos pegos, foge dai e vai pega a Allyson — Dean disse e desligou, sem nem poder explicar mais anda para o irmão.
A mão do policial tocou seu ombro.
— Ei, você — falou o policial.
— Algum problema? — perguntou.
— Sim, vocês estão presos pelo assassinato de Troy Scott — informou o policial. — E pelo de outros diversos homens.
arregalou os olhos e encarou Dean.
— Qual é a prova, posso saber?
não queria desacatar o policial, mas odiava tanto a incompetência deles e a capacidade de sempre pegar a pessoa errada, que não conseguia se controlar.
— Vou dizer — informou o policial. — Falsos cartões, falsos federais. Tem alguma coisa de verdade?
— Meus seios — Dean respondeu debochado.
soltou uma risada abafada.
O policial pegou Dean e o jogou contra o capô do impala e o algemou.
— Tem o direito de ficar calado — informou o policial. — E você, vem comigo também.
pensou em dar um golpe no policial, sabia que conseguiria, mas poderia piorar muito a situação deles, então apenas concordou e deixou que o homem a algemasse também.
Sam saiu pela janela do banheiro nos quarenta em cinco minutos do segundo tempo, antes que um policial entrasse no quarto e o pegasse ali. Lembrou que teria que buscar Ally, mas não tinha ideia alguma de que quarto ela estava, não tinha número de telefone, simplesmente nada para encontrá-la.
Ele pensou por uns instantes e se arriscou a olhar se os policiais ainda estavam na frente do hotel. Estava prestes a emitir algum tipo de barulho, para que o recepcionista saísse, para que ele pudesse entrar sem ser visto, quando viu Ally na frente do hotel.
Quando ela olhou na direção que ele estava, ele fez um aceno e um sinal para que ela não dissesse nada.
— Sam, o que está acontecendo?
Ele a puxou para parte de trás do lugar.
— Posso te chamar assim, né?
— Pode, claro, Samuel é velho demais — informou.
— Pera, cadê a e o Dean?
— Foram pegos pela polícia.
— Podemos emitir um alerta falso, para eles — Ally comentou.
Sam encarou ela, estava procurando uma forma para dizer o que estava prestes a dizer. Não queria fazer parecer, que queria deixar seu irmão ou presos.
— É o seguinte, eles agora vão ficar concentrados em arrancar algo do Dean e da . Até onde eu sei, eles não sabem sobre nós, então podemos usar esse tempo para visitar o marido da Constance. O que acha?
— E eles vão ficar presos, enquanto isso?
— Olha, não sei se você conhece a há muito tempo, mas pelo tempo que conhece, deve saber que ela sabe se virar. Isso inclui o Dean.
Sam encarou a garota, ela parecia legal e não queria causar uma impressão errada. Depois de ter brigado daquela forma com Dean na frente dela, isso com certeza ia parecer uma vingança.
— Acho que a sua ideia, é boa — respondeu por fim.
— Não quero que pense, que quero deixar meu irmão lá...
— Vamos logo.
Quando estacionaram de frente para o ferro velho, Sam decidiu que era a hora de mandar o falso alerta para a polícia. Seria tempo suficiente para eles perguntarem o que quisessem para o homem e para e Dean fugirem.
Assim que entraram no local, um homem veio na direção deles. Conforme se aproximava, podiam ver que era o marido de Constance que viram na foto, com o rosto bem mais envelhecido e com uma calvície bem aparente. O que era bem compreensível, considerando a tragédia.
— Olá. Em que posso ajudar? — perguntou o homem, enquanto encarava os dois jovens.
— Sr. Joseph Whelch? — perguntou Ally.
— Sou eu.
— Nós, estamos fazendo uma matéria para um jornal. Gostaríamos de falar sobre a sua mulher.
Sam tentou ser sútil.
— Já disse todo para o seu jornal, um homem mais velho, esteve aqui na semana passada.
Sam e Ally se olharam.
Sam pegou uma foto em seu bolso. — Seria esse homem?
Joseph fez um sinal positivo com a cabeça.
— Bom, ficou faltando algumas coisas na pesquisa dele. Gostaríamos de perguntar para você — Sam insistiu.
— Desculpe, eu não tenho nada para falar — Joseph disse e se virou para ir embora.
Sam viu o homem ir embora e sentiu vontade de puxa-lo, arrancar a informação a qualquer custo, sabia que estavam perto de descobrir algo. Só quem tem algo para esconder, fugiria assim das perguntas.
— Sr. Welch, já ouviu falar da mulher de branco
— Sam... — Ally o chamou, sabia que ele estava indo longe demais.
— A mulher de quê?
O homem se virou para encarar Sam.
— A mulher de branco — continuou Sam. — Ou a mulher que chora. História de fantasma, na verdade é mais um fenómeno. São espíritos, tem sido visto há centenas de anos, em vários lugares. No Hawai, no México, até no Arizona. São todas mulheres diferentes sabe, mas com histórias iguais.
— Olha rapaz, eu não acredito em besteiras.
— Quando elas viviam, os maridos foram infiéis com elas — continuou Sam.
Ally estava apreensiva, não estava acostumada a pressionar as pessoas assim nos casos que pegava com . Mas, ao mesmo tempo se sentia surpresa pela atitude de Sam, apesar de não o conhecer bem, ele não parecia ser este tipo de cara.
— E essas mulheres, sofrendo de insanidade temporária mataram os filhos. Quando viram o que tinham feito, elas se suicidaram. Seus espíritos foram amaldiçoados, vagam do lado de estradas e rios. Se elas encontram um homem infiel, elas o matam e o homem desaparece para sempre!
Sam terminou e ficou encarando o homem, sabia que tinha ido longe demais, mas não tinha volta.
— Você acha que isso tem a ver com a Constance?
— O senhor me diz.
— Talvez eu tenha cometido erros, mas não importa o que eu fiz. Constance não mataria as crianças. Agora vai embora daqui e não volte nunca mais — informou o homem consumido pelo choro e saiu andando rapidamente.
Sam tinha sua resposta, Constance era de fato uma mulher de branco.
— Sam, o que foi isso porra? — Ally gritou, sabia que não tinha esse direito, mal o conhecia, mas ele tinha passado completamente dos limites.
— O que mais eu poderia fazer? Ele não ia dizer nada, se não fosse assim. Precisava ter certeza —Sam deu as costas a ela e andou em direção ao carro.
Ally estava espumando. Mais do que ninguém, ela sabia o que aquele homem estava passando e independente de ele a ter traído, ou até mesmo em partes ser responsável pela morte dos filhos também. Sempre era difícil perder alguém que se amava.
Ela conhecia bem a dor.
— Não importa — segurou o braço de Sam. — Aquele homem está sofrendo, ele perdeu toda sua família, você deveria mostrar um pouco de compaixão — disse e entrou no carro, sem dar espaço para que Sam pudesse se justificar.

Na delegacia, Dean e foram colocados em uma sala daquelas iguais de filme, onde eles interrogam as pessoas. Ambos estavam sentados em uma cadeira e de frente para uma mesa vazia.
Não demorou muito para que um homem barbudo entrasse na sala. O homem se aproximou, jogou o diário de Jhon sobre a mesa e o papel que tinha encontrado com as coordenadas escritas nele.
Dean se inclinou, até então não tinha visto o papel, mas sabia que se tratava de coordenas escritas pelo pai.
— Quer dizer seu nome verdadeiro? — o xerife perguntou se referindo a Dean.
— Eu já disse é Nouget, Ted Nouget.
O homem bufou.
— Acho que você ainda não entendeu o problema que se meteu.
— Quer dizer o problema da contravenção ou da coisa mais séria?
Dean estava sendo debochado e sabia que isso não era bom, apesar de no fundo ser um pouco engraçado. Eles tinham sido pegos, com várias provas do quarto de Jhon e isso os incriminaria sem sombra de dúvidas.
— Tem os rostos de dez desaparecidos colados na sua parede. Junto com bugigangas satânicas. Você é oficialmente um suspeito.
— É faz sentido, porque quando o primeiro apareceu em 82, eu tinha três anos.
riu, não conseguia se conter.
— É crime agora, ser curioso ou gostar de coisas satânicas? — perguntou ironicamente.
O xerife riu.
— Eu sei que tem cúmplices, um deles é um cara mais velho. Vai ver que ele começou a coisa toda. Me diga, Dean, o que são esses números? — Apontou para o papel e abriu o diário com o nome de Dean.
Dean e sabiam o que era, mas nunca iriam falar.
— É o meu segredo do armário da escola — Dean deu de ombros.
O homem estava prestes a perguntar mais alguma coisa, quando um policial entrou na sala.
— Nós temos um chamado, tiro na estrada White Ford — informou o policial.
O xerife prendeu o pulso de Dean e na mesa e saiu da sala.
Os dois sabiam que na verdade era só um alerta falso para que os dois conseguissem fugir e assim eles fizeram. Dean puxou um clips preso no diário de seu pai, abriu sua algema e depois a de e saíram sem fazer barulho.
Quando chegaram ao final da escada, que dava no beco ao fundo da delegacia, viram que Ally estava esperando no carro. Assim que entraram no mesmo, Allyson deu partida.
— Ufa, essa foi por pouco — disse já no banco do passageiro.
— Pois é — Ally comentou.
— Cadê o Sammy? — Perguntou Dean, notando que o irmão não estava no carro.
— Ah, ele foi direto para a casa onde a mulher está enterrada — informou Ally, não queria contar que os dois brigaram e ela quis ficar sozinha.
— Qual é Ally, deixou o cara sozinho? — Dean perguntou inconformado, sabia que o irmão estava fora de forma.
— E quem viria pegar vocês?
Revirou os olhos irritada.
sabia que tinha algo de errado, esse não era um tipo de atitude comum em Ally.
— O cara não caça há dois anos, está fora de forma.
— Dois anos? Ally, acelera aí — pediu e amiga assim fez.
Nunca tinha passado pela cabeça de , que Sam tinha se afastado das caçadas por dois anos.

Sam estava se sentindo culpado por ter falado daquele jeito com o marido de Constance e também por ter passado aquela impressão para Allyson. Ele não era de ter atitudes assim, coisas desse tipo era mais a cara de Dean, mas ele estava não obcecado em voltar para casa ou ir atrás de seu pai — não tinha certeza — que perdeu a cabeça.
Continuou acelerando, precisava chegar na casa para queimar o corpo o mais rápido que pudesse. Mas, alguma coisa não se encaixava. Se seu pai tinha descoberto tudo, qual era a razão de deixar de queimar o corpo? Tinha surgido algo mais importante?
Mesmo assim, Jhon sempre terminava o trabalho.
O celular de Sam tocou, era Dean. Não queria atender, mas sabia que não tinha escolha, se algo tivesse dado errado na fuga ele ia precisar de ajuda.
— Alarme falso, Sam? Sei lá, deve ser ilegal — falou debochado.
— De nada, Dean.
— Temos que conversar — informou Dean.
— Eu já estou sabendo, o marido de Constance era infiel. Estamos lidando com a mulher de branco. Ela está enterrada atrás da casa velha, o papai deve ter ido lá.
— Sammy, quer calar a boca?
Dean bufou.
— Só não entendi, porque ele não destruiu o corpo de uma vez.
— É o que eu estou tentando dizer. O papai se foi, ele saiu de Jericho.
— Por isso as coordenadas, que a encontrou?
— Sabia das coordenadas? — Dean bufou.
— Sim, a encontrou no quarto.
— Por que não me disse isso, quando eu sai do banho?
— Dean, tem mais coisa. Me encontra na casa.
Sam desligou antes que o irmão começasse uma discussão por causa de uma maldita coordenada, não era o momento e eles tinham coisa mais importante para resolver.
Sam tentou frear, quando viu uma mulher toda de branco aparecer do nada na frente do carro. O veículo passou direto por ela, fazendo-o parar com tudo logo a frente.
— Ai caramba!
— Me leva para casa — falou a mulher, sentada no banco de trás.
Sam estava sem reação, mas não respondeu.
— Me leva, para casa — insistiu a mulher, demonstrando sua raiva.
— Não!
As travas do carro se fecharam e Sam tentou abri-las, mas não obteve sucesso. Quando pensou que não poderia ficar pior, a mulher usou sua força para acelerar o carro que saiu arrancando.
Ele tentou segurar o volante, pisar no freio, mas nada funcionava. Espíritos eram sempre muito fortes quando queriam controlar algo e Sam sabia muito bem disso. Apesar de onde tinha se metido, estava despreocupado, não era infiel, então ela não poderia machuca-lo.
Quando o carro parou de frente para a casa velha, Sam olhou através do retrovisor e a mulher não estava mais ali. De repente, ela apareceu novamente.
— Não posso voltar para casa.
— Você tem medo de ir para casa.
A mulher desapareceu e Sam a procurou do lado de fora, mas ela estava bem ao seu lado, sentada no banco do passageiro dessa vez. O espírito de Constance o encaro e subiu em seu colo, Sam se inclinou para trás.
— Me abraça — pediu. — Estou com frio.
— Não pode me matar, não sou infiel, eu nunca fui — disse Sam com convicção.
Ela se inclinou e colocou a boca próximo do ouvido de Sam.
— Vai ser.
Tentou beija-lo, mas ele resistiu.
Sam tentou alcançar as chaves do carro, mas era difícil com a mulher em cima dele. Suspirou aliviado quando viu ela sumir de cima dele — sem razão aparente — mas, a felicidade durou pouco quando ela reapareceu e cravou as unhas em seu peito.
Sam gemeu de dor.
Não tinha ideia de como ia sair dali, a dor era lancinante e ele não tinha nenhuma arma com balas de sal para que pudesse fazer o espírito sumir, ou até mesmo algo que fosse de ferro.
Já estava desistindo quando balas atravessaram o vidro do carro. Dean disparou várias vezes, o que fez com que o espírito sumisse e reaparecesse algumas vezes. Ele continuou atirando, até que ela desapareceu por completo.
— Eu vou levar você para casa — disse Sam.
Ele sabia que só tinha um jeito de vencer o espírito e era entrando com ele na casa, que era de onde a mulher tinha medo. Então, acelerou com o carro, enfiando com tudo na construção.
— Sam!
Dean pensou que o irmão só poderia estar maluco.
— O que ele está fazendo? — Ally gritou.
— Acho que o Sam finalmente descobriu, o ponto fraco da Constance — explicou .
Dean correu para dentro enquanto e Ally foram até o carro pegar balas carregadas com sal.
Sam saiu do carro com a ajuda do irmão, estava todo dolorido e parecia que alguém tinha esmagado seu coração. Os dois se recostaram no carro e observaram a mulher, que segurava um quadro de fotos.
Ela os encarou e um tipo de cômoda — bem grande — se arrastou até os dois, que ficaram presos. Por mais força que fizessem, o móvel não saia do lugar.
As luzes piscaram e água começou a escorrer pela escada da velha casa. Parecia que alguém tinha deixado a torneira aberta, a ponto de transbordar seja lá o que estivesse sendo preenchido. Então, a mulher voltou sua atenção para lá, se esquecendo dos dois irmãos.
Constance olhou pra cima e viu os dois filhos parados na ponte de cima da escada, que em uma fração de segundos foram parar bem ao lado dela.
— Você voltou para nós mamãe — disse as crianças.
e Ally entraram na casa com as armas carregadas, mas pararam assim que viram o que estava acontecendo.
Os filhos abraçaram Constance, que gritou, enquanto eles se fundiram em uma luz, que virou um tipo de gosma no chão e desapareceu rapidamente.
— Empurra — disse Dean. — Foi aqui que ela afogou os filhos.
— Mandou bem, Sam — disse rindo.
— É, mandou mesmo — concordou Ally, a raiva meio que já tinha passado.
— Valeu. Por isso ela não podia voltar, ela tinha medo de encara-los.
— Bom trabalho, Sammy!
Dean deu um tapa no peito machucado do irmão.
Sam deu uma risada em forma de dor. — Queria poder dizer o mesmo de você. Que ideia, atirar no Gasparzinho maluco?
Todos riram, menos Dean.
— Aí, eu salvei sua pele — disse Dean próximo do carro e se inclinou, para analisa-lo. — E tem mais hem, se tiver arranhado meu carro, eu te mato.

Apesar de as coisas não estarem das melhores entre os Winchester e a até mesmo entre Ally —, eles decidiram que o melhor a se fazer era caçarem juntos. Afinal, o pai de tinha falado com Jhon na mesma noite em que ele disse a Dean que ia resolver um caso sozinho, logo, só poderiam estar juntos.
estava seguindo o carro dos irmãos, iam deixar Sam em casa primeiro. Enquanto tocava Without Me da Halsey, a garota viajava em pensamentos, estava cansada, mas ao mesmo tempo intrigada com algumas coisas.
Quando mais tempo tinha passado com os irmãos, mais aquele pressentimento do sonho foi passando. Mas, ainda estava curiosa sobre a sensação que tinha sempre que tocava o bebê — que ela sabia ser Sam — e por algum motivo, estava com medo de toca-lo e sentir aquilo de novo, como quando ele a abraçou.
, está me ouvindo?
Allyson abaixou o volume do som.
— Desculpa, eu estou cansada — mentiu, em partes.
— Você acha uma boa, caçar com eles?
— Ally, o Sam me contou o que aconteceu entre vocês mais cedo. Ele me contou antes de pegamos a estrada — explicou para a amiga. — Ele só está meio perdido, não caça há dois anos, deixou a família para trás. Mas o Sammy, é um cara muito legal. Até o Dean é, do jeito bruto dele, mas é.
sorriu, ao lembrar de algumas coisas.
, você já foi dividida entre eles?
riu, a ideia era absurda. Tinha sim tido sentimentos por Dean, os quais ela nunca revelou ou falou sobre com alguém, mas Sam era como um irmão para ela — claro que estava mais bonito — mas esse não era o caso, ela estava realmente preocupada com o amigo.
— Não Ally, nós crescemos juntos, é só isso.
— Sei.
aumentou o rádio, não queria discutir aquilo, não tinha porquê.
Enquanto isso Dean estava empolgado enquanto dirigia e apesar de não ter encontrado seu pai, estava feliz por ter caçado com Sam. Depois que o irmão ficou longe por tanto tempo, nunca achou que teria a possibilidade de isso acontecer de novo.
Aumentou o som do carro e Sam logo abaixou, o que o fez repreende-lo com o olhar.
O papai foi para esse lugar, é em Colorado — informou Sam. — Aspen, para ser mais exato.
— É, parece legal. É longe?
— Uns mil quilômetros, um pouco mais talvez.
— É, se a gente correr chega lá de manhã cedinho — disse Dean animado.
— Hã, Dean.
Sam não sabia como dizer ao irmão, que não iria. Apesar, de ter deixado isso bem claro, quando entraram no carro.
— Você não vai.
— A entrevista é daqui há dez horas, tenho que ir para casa.
— Falou, tanto faz, te levo para casa.
O clima tinha ficado pesado e Sam sabia disso, por isso, aumentou o rádio no máximo.
Quando os dois carros encostaram na frente do prédio, teve um pressentimento muito ruim, não sabia explicar o que era. Mas, tinha certeza de que era muito parecido — se não igual — ao dos seus pesadelos.
Sam desceu do carro e se apoiou na janela do mesmo. Não queria deixar o irmão sozinho, mas também não queria abrir mão da faculdade. O encarou por alguns instantes até procurar as palavras.
— Me avisa, quando encontrar ele?
Dean apenas afirmou com a cabeça.
— Quem sabe a gente se encontra mais tarde.
Sam não queria deixar as coisas de um jeito estranho entre eles.
— Tudo bem.
Dean estava triste, mas era orgulhoso demais para admitir.
— Sam — Dean chamou, enquanto ligava o carro. — Nós dois juntos, arrebentamos.
Sam se virou, esperava tudo, menos que o irmão fosse dizer aquelas palavras.
— É — concordou e se virou, antes que desistisse de entrar.
viu Dean dar partida com o carro, mas desistiu de segui-lo. Quando viu Sam entrar no prédio sentiu que tinha alguma coisa errada, um aperto muito grande e algo sombrio a consumiu como em seus pesadelos.
— Tem alguma coisa errada — falou já saindo do carro.
, o que você está fazendo?
— Ally, fica no carro — gritou e correu até o prédio.
Notou que Dean estava dando ré, mas não tinha tempo para esperar.
O apartamento estava em completo silêncio quando Sam entrou, deixou as chaves na mesa de entrada e caminhou até o quarto passando pela cozinha, onde viu um prato de cookies e um bilhete.
— Jess, ta em casa? — gritou antes de ler o bilhete.

“Saudades, amo você”

Era o que estava escrito no bilhete.
Sam pegou um biscoito e foi para o quarto assim que ouviu o barulho do chuveiro, mas estava cansado demais para ir até lá, então deitou na cama com a cabeça apoiada nos braços, para esperar por Jéssica.
Se assustou quando sentiu algo pingando em sua testa.
Quando abriu os olhos, não conseguia acreditar no que estava vendo. Jess estava grudada no teto, que começou a pegar foto em segundos, igualzinho como tinha acontecido com sua mãe.
Sam estava paralisado.
chutou a porta do apartamento e entrou apesar de nem ter certeza se era aquele, mas sabia que estava no lugar certo, a escuridão que sentia lhe confirmava isso.
Ouviu Sam gritar e correu até o quarto. Ele estava praticamente em chamas quando entrou e viu o amigo, encarando a namorada grudada ao teto. Ela precisava tira-lo de lá e não tinha tempo para ficar horrorizada, na verdade, depois de ter sonhado mais de seis vezes com a mãe dos Winchesters morrendo assim, não era mais uma surpresa.
— Sam, precisamos sair daqui.
Ela tentou puxa-lo
Sam resistia, não queria sair dali. Preferia morrer, a deixar Jess para trás.
— Não, eu não vou sair daqui.
— Você está maluco, cara? — Dean entrou no quarto. — Você vai morrer se não sair daqui.
Dean puxou Sam para fora do quarto e foi questão de segundos para que tudo pegasse fogo quando os três chegaram ao lado de fora. Onde Ally encarava tudo, sem acreditar no que estava acontecendo.
Sam ainda queria voltar para dentro e deu passos na direção do prédio em chamas, mas entrou na frente.
— Sam, eu sei que está doendo, mas por favor para!
— Jess — sua voz era de dor. — Não tenho razão para estar aqui, sem ela.
— Eu sei — concordou. — Mas eu preciso de você, Sam. Lembra? Você é meu melhor amigo.
Ela o abraçou. A sensação de choque de seus sonhos a consumiu, mas ela continuou abraçada enquanto pensava em todos os momentos que tinham passado juntos e aos poucos, o sentimento foi sumindo.
— Você não pode ir embora de novo, .
— Eu sei, você é meu melhor amigo.
Dean pensou em fazer algo, mas viu que tinha tudo sob controle e naquele momento, desde que se reencontraram ele não sentiu raiva da garota. Somente agradeceu por ela estar ali, mais do que nunca, Sam precisava de uma amiga.
E , era a melhor para ele.
— E agora? — Ally perguntou, estava confusa.
Os três encararam Sam, que estava com uma arma na mão de frente para o arsenal no porta malas do carro.
Ele jogou a arma e fechou o capô.
— Temos trabalho a fazer — disse por fim.



Capítulo 3- Where is Dean and ?

Colorado, Aspen.

sentiu seu pulso acelerar e a respiração ficar pesada. Se recostou na arvore mais próxima que encontrou e jogou a mochila no chão, um leve gemido saiu de seus lábios enquanto ela tentava com uma mão só abrir o zíper da mochila. Seu ombro estava sangrando muito e ela conseguia sentir sua coxa esquerda quente devido ao sangue que estava escorrendo dela também, além de um corte em seu abdômen.
Os ferimentos eram graves.
Procurou por algo que pudesse fazer compressa, encontrou uma blusa e a rasgou com um pouco de dificuldade, não só por causa da dor lancinante que sentia nos ombros, mas por suas mãos estarem tremendo. Respirou fundo, precisava se acalmar antes que ele a encontrasse de novo, mais algum ferimento e ela sabia que não sairia dessa caçada viva.
Ela amarrou um pedaço de pano em sua coxa na intenção de tentar diminuir o sangramento. Sabia que não ia conseguir carregar a mochila então pegou duas armas, colocou uma de cada lado na parte de trás da calça, enfiou uma faca em sua meia, pegou também a espingarda com balas de sal e enterrou a mochila.
Depois de rasgar mais um pedaço de pano para pressionar em seu ombro, decidiu que precisava sair dali. Não seria fácil, ela sabia disso, depois de ter levado duas facadas no ombro e três nas coxas o máximo que ela conseguia fazer era arrastar a perna conforme andava. Seus olhos queimaram, tentando segurar as lágrimas de dor, nunca tinha se ferido assim em uma caçada.
Seu celular estava sem sinal e ela não tinha reforço algum, mas estava torcendo para que a mensagem de emergência que tinha deixado programa chegasse até Ally. A única pessoa que ela pensou que poderia ajuda-la agora, era responsável pelos seus profundos ferimentos. Precisava chegar o mais rápido possível no final da floresta, tinha que encontrar a cabana em que estava há algumas horas ao pegar a estrada com Dean.
Colorado, Aspen – 24 horas antes.

— Definitivamente, é um caso de demônio — Ally disse do banco de trás do carro enquanto lia sobre o caso que Jhon tinha deixado as coordenadas.
dirigia enquanto Sam — que estava no banco ao lado — ajudava a amiga dela a obter mais algumas informações sobre o caso. Quando deixaram o prédio em chamas, Sam disse que queria ir no carro com as duas amigas para evitar as perguntas do irmão sobre como estava se sentindo a cada segundo, conhecia Dean o suficiente para saber que ele faria isso.
A superproteção dele as vezes era sufocante.
— Faz sentido, considerando que o quarto do Jhon tinha sal e uma armadilha do diabo enorme, desenhada no chão.
imbicou o carro para entrar no estacionamento do motel, tinham acabado de chegar em Aspen depois de horas de viagem.
— O quê?
Ally olhou confusa, não se lembrava de terem mencionado isso.
— Ah, eu a vimos no quarto.
— E não acham que Dean deveria saber disso?
encarou Sam.
Ele também não respondeu à pergunta, então desligou estacionou o carro, puxou a chave e saiu dele. Dean já tinha parado bem ao lado dela e entrado no motel, os três fizeram o mesmo e se dirigiram para a área da recepção. A cidade era bem maior do que as que eles costumavam resolver casos, logo o motel também era mais chique do que os outros em que já tinham se hospedado.
e Ally seguiram para seus quartos, assim como os irmãos para o deles, tinham combinado de se encontrar em vinte minutos no Hall de entrada. Sam não tinha vontade nenhuma de ficar no mesmo quarto que Dean, na verdade, não queria ficar nem com as duas garotas, sua vontade era de estar sozinho o máximo de tempo que conseguisse para poder colocar os pensamentos no lugar. A imagem de Jess queimando no teto do seu antigo apartamento ainda estava fresca em sua mente, era perturbador.
As duas amigas jogaram as malas nas camas e começaram a trocar de roupa, se tivessem que ir a cena do crime ou a delegacia teriam que estar com algo apropriado e não parecendo duas jovens de férias. Ally encarou a amiga por alguns instantes, enquanto ela tirava a roupa, mas não se desapegava de sua arma, sabia que estava sempre armada em cada segundo do dia, mas parecia um pouco mais preocupada do que o habitual.
Pensou no que aconteceu naquele prédio.
, o que foi que aconteceu lá?
Ally estava se referindo ao que tinha acontecido segundos antes de ela entrar no prédio.
— O prédio pegou fogo, não tivemos tempo de salvar a Jéssica.
trocou a blusa que estava vestindo por uma camisa branca e procurou por sua calça social preta na mala, enquanto esperava por mais algum questionamento da amiga.
— Sim, isso eu entendi. Mas... — Ally encarou a amiga e jogou a calça para ela.
— Obrigada.
Agradeceu sem se importar com a conversa, não queria falar sobre isso.
— Mas, como você sabia o que ia acontecer?
— O quê?
Riu de nervoso.
— Eu não sabia — acrescentou em seguida.
— Sabia , você disse “tem alguma coisa errada” e saiu correndo do carro, exigindo que eu ficasse lá.
Ally cruzou os braços, odiava quando fugia do assunto.
— Allyson, você está sendo paranoica, eu só senti o cheiro de queimado.
Terminou de se vestir e separou mais algumas armas.
— Não tinha cheiro de queimado, . Você está escondendo algo, eu sinto isso. Não dorme direito há semanas, vive nervosa, procura um caso atrás do outro. Além de que, você está andando por aí com duas armas e uma faca!
encarou a amiga por alguns momentos, não esperava que ela estivesse notando sua mudança de comportamento dos últimos seis meses.
— Primeiro, estamos em perigo desde que meu pai sumiu. Segundo, quando foi que eu menti para você? — Encarou Allyson. — Você está sendo paranoica.
Uma batida na porta tirou do interrogatório da amiga. Ela fez sinal para que Ally não falasse nada e sacou uma das armas que estava presa em sua calça, tinha marcado de encontrar os Winchesters no Hall do hotel, então a possibilidade de serem os dois era quase mínima.
Rodou a maçaneta com a arma em sua mão atrás do corpo, abriu a porta e apontou. Deu de cara com um Dean totalmente relaxado e que ficou sem entender o que estava acontecendo, se eles estavam esperando algum ataque ele não sabia.
— Ou, vai com calma Rambo — Dean riu da sua piada e entrou no quarto.
— Cara, você não lembra mais dos três toques? — estava se referindo ao sinal secreto deles.
Dean arqueou uma sobrancelha. Tinha pensado em usar, mas não achou que ela se lembraria.
— Da próxima eu uso.
— Aconteceu alguma coisa? Você parece preocupado — Ally comentou.
— Eu ia perguntar se o Sammy está aqui, mas vendo o susto de vocês, já sei que não.
— Como assim?
guardou a arma, enquanto encarava Dean confusa.
— É, ele disse que ia me esperar lá fora. Mas, está na cara que ele foi atrás do caso sozinho.
— As vezes eu quero dar umas porradas no seu irmão, vamos logo — falou e começou a pegar as coisas para sair.
— Jura? O desgraçado levou meu carro, ninguém quer bater mais nele do que eu.
revirou os olhos e saiu do quarto.
Sam sabia que não deveria ter pego o carro de Dean, mas precisa de um espaço para ele nem que fosse por algumas horas. Era estúpido demais pensar que eles simplesmente esperariam ele aparecer de volta no motel, a essa altura seu irmão já tinha descoberto sobre sua fuga e provavelmente já estava avisando e Ally. Mas, ele resolveu que iria aproveitar um pouco do silêncio que tinha ali para colocar suas ideias no lugar e decidir como seriam as coisas dali para frente.
Totalmente sem Jess...
Ele estava confuso, ao mesmo tempo que entendia a necessidade de sentir o luto, não queria senti-lo. Para ele, a melhor coisa a se fazer era focar totalmente no caso e salvar o máximo de pessoas que pudesse. Um demônio tinha matado Jess, o caso envolvia demônios e ele queria pegar o desgraçado, mataria o maior número que cinseguisse, até achar o que tinha acabado com a vida de sua namorada.
Encostou o impala de frente para uma casa enorme, dessas de bairros chiques, pegou um distintivo da policia federal no porta luvas e desceu do carro. Geralmente se sentiria culpado por fingir ser um oficial da lei, mas a essa altura era capaz de fazer qualquer coisa para encontrar justiça. Não demorou muito, para que uma mulher de mais ou menos uns quarenta anos aparecesse na porta.
— Em que posso ajudar?
A mulher parecia confusa.
— Bom dia, Sra. Hampton? — perguntou simpático e mostrou o distintivo. — Policia Federal, estou aqui por causa do assassinato do seu filho Erick Hampton e mais vinte pessoas. Poderia lhe fazer algumas perguntas?
Sam praticamente já estava entrando na casa da mulher.
— Claro, por aqui.
Sra. Hampton deu espaço para que ele entrasse.
Sam observou que o chão da sala ainda estava um pouco avermelhado, pelo que tinha lido no relatório, a mulher tinha encontrado o filho morto no chão da sala com a garganta degolada e uma quantidade enorme de sangue em volta do corpo.
— Eu achei que estivesse resolvido, disseram que foi um caso de Serial Killer. Além do mais, outro policial esteve aqui hoje mais sedo, um bem novinho a propósito.
Sam olhou mais um pouco o lugar e pensou sobre o que a mulher tinha dito. Só podia ser um demônio, com certeza tinha vindo checar o local, ou saber se a mulher tinha falado algo para os agentes.
— Sim, eu sei. Mas, nós estamos querendo checar o caso, sabe como a policia local pode ser incompetente.
A mulher olhou perplexa para o rapaz alto a sua frente, nem ele estava acreditando nas palavras que saíram de sua boca.
— Posso checar a casa?
Ela apenas concordou com um sinal de positivo e ele começou a observar o lugar.
Primeiro deu uma olhada no andar de cima, quando entrou no quarto do garoto o cheiro de ovo podre era evidente. Sua teoria sobre demônio se confirmou quando ele se abaixou ao lado da cama e achou enxofre no chão do quarto, a mãe justificou o cheiro dizendo que eles estavam com problema no sistema de ar condicionado. No andar debaixo achou um pouco de enxofre, mas não tanto quanto no quarto do garoto. Sem sombra de dúvidas, ele tinha sido possuído por um demônio e passado ao menos cerca de três semanas com o desgraçado em seu corpo, e para Sam, pensar que eles usavam as pessoas como brinquedos e depois tiravam suas vidas o tirava do sério.
— Por hora, é só isso — disse e saiu da casa.
Os olhos dele encontraram encostada no impala de frente para a casa. Observou que ela estava diferente com a roupa que usava, com uma blusa branca colada em seu corpo, uma calça preta que mostrava bem suas curvas e os cabelos presos em um rabo de cavalo bem apertado. Estava bonita, nem parecia aquela garota com quem ele costumava caçar quando era mais jovem.
Se aproximou dela, que não se preocupou nem um pouco em esconder que estava irritada com ele.
— Qual é, Sam, não é assim que fazemos as coisas. Lembra?
encarou o amigo, esperando por uma resposta.
— Você está bonita.
Não queria falar sobre o que tinha feito, ele tinha o direito de ter um espaço.
— Sam...
— Não, , você não é a única aqui que pode fugir quando quer.
— Ei! — ela chamou sua atenção. — Eu não fugi, eu sei que deixei vocês na mão, mas eu não estava fugindo.
Ele a encarou por um momento, estava sendo injusto.
— Foi mal. Cadê o Dean e sua amiga?
— Foram para o hospital, ver o corpo. Você achou algo aqui?
— Sim, entra no carro, enquanto dirijo até lá te conto — disse já andando para o lado do motorista. — Aliás, qual é a da policial sexy?
Ele riu, já dentro do carro. Arrancou uma risada de também.
— Cala boca e dirige, policial gostosão.
Os dois riram e ele deu partida no carro.
Dean odiava ficar com a parte dos corpos e descobriu que Allyson também, logo os dois estavam bem ferrados. Mas, ele percebeu que não tinha como voltar atrás assim que atravessou a porta do hospital, também odiava hospitais, para ele, muita gente doente ou morrendo não era um lugar bom para se estar. Já tinha morte demais no seu trabalho.
Ele se aproximou da recepção e mostrou o seu distintivo da polícia e Ally fez o mesmo. Não demorou muito para que alguém responsável pelo necrotério aparecesse e os acompanhasse até o último andar do hospital onde ficavam os corpos. Ele aproveitou para fazer algumas perguntas sobre as mortes recentes, mas tudo o que o médico legista tinha para dizer era o que ele já sabia.
Foram deixados sozinhos assim que o elevador abriu as portas, os dois sentiram um frio na barriga enquanto seguiam no extenso corredor frio. Dean teve a sensação que estava sendo observado ou seguido, por isso colocou a mão em suas costas e segurou a arma, mas quando dobraram o corredor e ele teve a oportunidade de olhar para trás, não viu nada além de um corredor extremamente morto e vazio. Estava sendo paranoico, sabia disso, mas considerando tudo que estava acontecendo todo cuidado era pouco.
— Odeio vir nesses lugares — Dean falou, enquanto entravam na sala.
— Eu também.
Ally olhou ao redor e procurou pela gaveta quarenta e dois, que foi onde o legista disse que estava o corpo de interesse deles.
— Aqui — falou Dean já abrindo a gaveta.
Ele puxou o corpo para fora e a visão que teve, foi de um garoto jovem com cerca de dezoito anos com pescoço todo desfigurado e algumas escoriações roxas pelo corpo. Com certeza, ele tinha sido possuído por algum demônio filho da puta.
— Ele era tão jovem — comentou Ally, ao observar o cadáver.
— Sim, esses demônios desgraçados.
Dean abriu a ficha procurando pela causa da morte.
— Ele morreu por múltiplas faturas, além do corte no pescoço — informou.
Ally se assustou com o barulho de bandejas caindo vindo de outra sala e encarou o parceiro. Ele fez sinal para que ela pegasse a arma e o seguisse para lhe dar cobertura, Dean rodou a maçaneta com cuidado e saiu da sala com a arma apontada caso precisasse meter um tiro na cara de quem os estivesse seguindo, dobrou o corredor e viu a sombra de alguém logo a frente.
O winchester correu, mas a porta do elevador já estava se fechando. Ele fez sinal para que ele e Ally fossem para a escada que seria mais rápido, eram cinco andares, mas ele não podia arriscar que fugisse, afinal o sumiço do seu pai provava que eles estavam sendo caçados e precisavam estar preparados.
Quando eles chegaram ao térreo, correram rapidamente para a saída onde seguiram o cara em direção a rua. Ele dobrou a esquina em direção a parte de trás do hospital e Dean foi atrás dele, enquanto Ally ficou na porta caso ele aparecesse por lá ou algum comparsa seguisse Dean, precisava dar cobertura para ele.
— Hoje não, amigo — Dean disse já destravando a arma apontada na cabeça do rapaz.
Ele o segurou elos ombros e o virou para ele, ainda apontando a arma.
— Cara, vai com calma — o rapaz disse.
Dean aproximou a arma ainda mais, pegou um frasquinho com água benta em seu bolso e jogou no rosto do cara desconhecido, mas nada aconteceu.
Ele franziu o cenho.
— Se você não é demônio, é o quê?
ficou paralisada quando olhou do outro lado da rua, onde Sam tinha acabado de estacionar e viu Dean. Ele estava completamente descontrolado por causa do desaparecimento de Jhon e a morte de Jess, e estava prestes a atirar em alguém que definitivamente não era um demônio. Ela atravessou a rua e em uma fração de segundos foi parar ao lado de Dean, seguida por Sam.
? — o rapaz que estava com a arma de Dean em seu rosto chamou pelo nome da garota.
— Pera aí... — Dean ficou confuso.
Neste momento o rapaz pegou a arma da mão de dele, soltou os pentes e a segurou em forma de rendição.
— O que você está fazendo aqui?
Ele encarava .
— Jeremy? O que você está afazendo aqui? — Van riu e pulou nos braços do rapaz.
Dean franziu o cenho.
Ele envolveu os braços malhados em volta da garota e a levantou do chão, algo que não foi muito difícil por causa do sei um metro e noventa contra o um metro e cinquenta e sete.
— Segui rastros de demônios, até aqui.
Ele soltou .
— Não acredito, que você tá mesmo aqui Jer! — ela deu um soco no amigo, como forma de brincadeira. Mas, o gesto também era de rancor por ele ter simplesmente se afastado nos últimos meses, exceto pelas mensagens que trocavam as vezes.
Dean raspou a garganta.
— Tá tudo bem? — Sam apareceu seguido de Ally.
— Jer? — Ally logo abraçou o amigo. — Achei que estivesse com Noah!
O rapaz deu um beijo na cabeça da garota e sorriu.
— Bom te ver também, Ally. — Sorriu simpático. — O Noah ficou em Portland, muitos demônios por lá também.
Ally se sentiu apreensiva com a informação, mas tinha falado com o namorado mais cedo, logo não tinha razão para se preocupar atoa. Estavam juntos há dois anos e ele já era caçador, bem antes de ela pensar que essa vida poderia ser real e não só em filmes e séries. Mas, eventualmente sentia não só saudades, mas preocupação também.
— Ah, o Noah sabe como se cuidar — passou a mão no braço da amiga, como forma de conforto.
Dean raspou a garganta de novo.
— Ah — olhou para os Winchesters. — Esse é o Jeremy, ele salvou a minha vida em uma caçada nada sucedida e nos tornamos amigos.
Os dois irmãos cumprimentaram Jeremy com um aperto de mão. Sam sentiu uma pontada de ciúmes ao ouvir dizer que tinham se tornado amigos, além de jamais ter retornado todas as ligações que ele fez depois que ela foi embora, tinha achado tempo para ter novas amizades, não poderia ficar melhor. Já Dean, se sentiu um pouco desconfortável de ver a garota se jogar nos braços do até então desconhecido, daquela forma. Apesar de ela sempre ter sido muito bonita e ele ter passado metade da adolescência nutrindo sentimentos por ela, nunca precisou se preocupar em revela-los porque ela jamais se interessou por alguém, pelo menos não que ele soubesse.
— Acho melhor irmos para o hotel, o Sammy aqui conseguiu algumas pistas — disse por fim.
estava tão feliz por rever o amigo que até deixou que ele dirigisse seu carro até o motel. Ela e Jeremy tinham se conhecido quando ela estava caçando um ninho de vampiros completamente sozinha, Ally estava se recuperando de uma perna quebrada e ela precisou partir sozinha para a missão. Quando conseguiu localizar o ninho e montar uma emboscada, eles estavam em maior número do que pareceu e se não fosse por ele, não estaria viva hoje.
Depois disso ele passou a caçar com elas por um tempo, mas não durou muito, ele sempre se sentiu secretamente atraído pela garota e resolveu se afastar um pouco, usando a desculpa de que um velho amigo precisava da ajuda dele, então saiu para caçar no meio da noite e depois disso passou a aparecer somente quando as duas caçadoras realmente precisavam.
nunca desconfiou de nada, já Ally, sempre soube dos sentimentos dele.
Assim que entraram no quarto do motel Dean correu até o frigobar e pegou uma cerveja para cada. Da mesma forma que precisavam resolver o caso, também precisavam relaxar um pouco, a vida intensa que tinham era capaz de levar quer um a loucura, e o álcool ajudava bastante a segurar as pontas.
— Jer, como chegou aqui?
Ally encarou o amigo.
— Então, eu estava em Nebraska com o Bobby. Nós rastreamos alguns demônios e quando chegamos lá, encontramos diversos relatos de corpos com gargantas cortadas e corpos machucados.
Ele deu um gole na cerveja e encarou . Apesar de ter passado bastante tempo longe, ao menos seis meses, ainda se sentia atraído por ela de alguma forma e encontra-la com dois caras não era o que tinha planejado, quando pensou que poderia esbarrar com a garota em alguma caçada.
— Aquele velho tá um pé no saco, não tá? Com aquele papo de vida normal...
riu e arrancou uma risada de quase todo mundo no quarto.
— Ei, não fala assim do Bobby — Dean a repreendeu.
Ele também achava o Bobby um pé no saco as vezes com todo aquele melodrama dele de vida normal, mas só ele podia falar assim do velho.
— Eu já falei pra ela, não adianta — Ally encarou a amiga.
revirou os olhos.
— Enfim, os demônios estão planejando algo e não é pouca coisa. Precisamos agir logo, temos que pegar o desgraçado que matou minha mãe e a Jess.
Sam estava impaciente.
— Está indo com muita sede ao pote, Winchester — brincou.
Jeremy olhou perplexo.
— Caramba, vocês são uma lenda — Jer falou encarando os irmãos.
O ego de Dean estava maior que todo o quarto e Sam se sentia um pouco sem jeito pelo comentário, depois de ficar dois anos sem caçar e ter perdido a namorada pelo descuido de achar que era possível estar seguro em casa, se sentia tudo, menos uma lenda.
— Você acha? — Dean perguntou animado.
— Tá, tá. Muita testosterona no ar, meninos — Ally alertou.
— Vamos focar no caso é isso que importa. Alguma pista?
encarou o amigo, ela viu a forma como ele a olhou mais cedo. Sabia que ele estava escondendo alguma coisa e como era ruim nisso.
— Vocês não vão gostar, do que eu tenho para dizer.
bufou.
— Desembucha logo, Jer.
— Um demônio, com nome de Uriel falou no nome dos Winchester e no seu, .
sentiu um aperto no estômago como se de repente ele tivesse ficado completamente vazio. Os seus sonhos e os pressentimentos diziam para ela que algo muito ruim estava acontecendo, mas o fato de demônios estarem perguntando pelo nome dela e dos dois irmãos só mostrava que a situação era ainda pior. Nunca sentiu medo, não era um sentimento conhecido pela garota, nascida e criada rodeada por monstros ela sabia sempre o que esperar, mas nunca tinha sentido nada igual ao que estava sentindo agora.
Ela sentou na cama, por um instante sentiu que a sua pressão tinha caído completamente e que precisava de um pouco de ar. Tudo a sua volta foi ficando escuro e sentiu que fosse vomitar, o quarto ficou escuro e viu algumas imagens passarem por seus olhos, as mesmas cenas dos sonhos que vinha tendo.
Mary no quarto de Sam. Mary dormindo. Um homem no quarto do Sam. Mary vendo Jhon na poltrona. O quarto pegando fogo. Alguém segurou seu braço.
Viu uma garota no apartamento de Sam, só poderia ser Jess. Viu Jéssica abrir a porta para um homem dizendo ser o pai de Sam, mas não era Jhon. Ouviu os gritos da garota. Viu o homem sair do apartamento.
Voltou a realidade quando sentiu alguém tocar seu braço, era Dean.
— Ei, fala comigo — ele chamou pelo seu nome.
Ela demorou um pouco para conseguir visualiza-lo por completo.
?
Outra voz tinha chamado por ela, dessa vez parecia vir de usa cabeça.
! — Ally gritou.
Só então, voltou para realidade.
— O que aconteceu? — perguntou confusa.
— É possível que ela tenha sido envenenada? — Jer perguntou.
— Não, não é um caso de bruxa — Ally tocou na amiga.
O telefone de Sam tocou bem na hora. Ele falou algumas palavras e desligou logo em seguida.
— Temos mais três mortos e um desaparecido — informou Sam. — Ela tá melhor?
— Cara, eu estou bem!
saltou da cama.
— Eu só preciso descansar um pouco.
Ela estava se sentindo exausta.
— Vocês vão lá ver a cena, eu vou ficar aqui e descansar um pouco e já alcanço vocês, eu prometo.
— Não vamos deixar você sozinha, eu fico aqui — Dean se prontificou.
sabia que discutir não ia adiantar de nada então apenas concordou que Dean ficasse com ela no quarto. Os outros três saíram para resolver o caso e o seu guarda costa se prontificou para ir pegar alguma coisa para eles comerem, já que ela não se demorou em dizer que estava com fome só para tira-lo do pé dela.
Caiu no sono em poucos minutos, o episódio que tinha acabado de acontecer realmente tinha sugado toda sua energia.

sentiu algo molhando seus pés e percebeu que estava pisando em um lugar totalmente inundado por água. Estava muito escuro e o pouco de luminosidade que tinha no lugar era um feixe de luz que parecia estar passando por algum buraco na parede. Procurou por um interruptor, mas tudo que encontrou foi uma lanterna presa em sua calça, apertou o botão e um feixe de luz iluminou o espaço a sua frente.
Não era muita coisa, mas lhe dava uma visibilidade muito melhor do que estava tendo sem a lanterna. Deu alguns passos e sentiu que seus pés tinham se chocado alguma coisa, colocou a lanterna mais perto e sentiu seu coração saltar pela boca quando viu que era um corpo.
Se abaixou e mexeu na pessoa morta bem aos seus pés. Quando o corpo se virou para ela, olhos vidrados a encararam, era uma das vítimas que ela tinha visto mais cedo enquanto Ally lhe mostrava as coisas sobre o caso durante a viagem até Aspen. Nada daquilo estava fazendo sentido, sonhar com o passado de Jhon até poderia ter alguma explicação, poderia ser um trauma ou até mesmo a proximidade que ela tem com a família. Mas, sonhar com desconhecidos era uma novidade e por um momento sentiu como se realmente estivesse ali, podia sentir todo seu corpo presente, nada daquilo se parecia com um sonho.
Não estava rodeada por água e sim por sangue.
— Ah, meu deus...
Nunca tinha visto nada igual em toda sua vida, pensou em quantas vidas era preciso tirar para encher um lugar —ou o que parecia ser um porão — com tanto sangue. Desviou do cadáver e continuou andando, precisava encontrar uma saída antes que seu sangue também ajudasse a preencher o lugar.
Esbarrou em mais corpos.
Gritou quando sentiu uma mão em seu ombro.

se encontrava de pé no quarto, estava muito suada e conseguia sentir mãos em seus ombros. Quando abriu os olhos se sentiu confusa, tinha acabado de ter mais um daqueles pesadelos bizarros, mas o mais estranho desta vez é que não tinha sido com os irmãos Winchesters e sim em um cenário completamente diferente. Se sentiu enjoada e um calafrio horrível no corpo, de fato agora os sonhos estavam tomando uma proporção muito maior e pela primeira vez ela se sentiu apreensiva.
Por que estava fora da cama? Só faltava ter virado sonâmbula. Ainda conseguia sentir as mãos em seu ombro.
A porta do quarto de motel se abriu e ela quase infartou.
— Ah meu Deus, Dean, que susto — falou com a mão no coração.
— Desculpa, eu fui pegar comida e quando estava no corredor ouvi você gritar.
Dean encarou .
— Ah.
Era tudo que ela conseguia dizer naquele momento.
— Alguma coisa sobre o caso?
— O Sam acabou de ligar, temos uma pista em uma cabana um pouco afastada daqui, pediu para encontramos ele lá.
Dean explicou enquanto pegava algumas armas.
— Claro, eu vou só tomar uma ducha e me trocar. Tudo bem?
— Ok.
sentiu algo de estranho em Dean, mas deixou para lá, seu dia já estava sendo estranho demais e não era hora para ser paranoica. Pegou sua arma sem que ele visse — poderia achar estranho ela desconfiar dele — e entrou no banheiro para poder se arrumar.
Já no impala, não conseguia deixar de pensar no sonho que tinha tido, ele parecia muito mais real do que qualquer outro dos últimos seis meses, ainda conseguia se lembrar de algo tocar seus ombros. Continuava se sentindo desconfortável com Dean enquanto ele dirigia, não sabia explicar o que era e pensou em ligar para o Sam, mas desistiu, estava exagerando.
Sam sentiu raiva e frustração ao ver os corpos destroçados jogados na sala da casa, enquanto ele interrogava alguns vizinhos que estavam lá para dar depoimentos, Jeremy e Ally aproveitaram para dar uma olhada pelo local e procurar alguma pista e enxofre para confirmar que as mortes realmente tivessem sido causadas por demônios. As vezes eles gostavam de ter a esperança que poderia ser apenas um surto de alguém da família ou algum serial killer mesmo.
Allyson encontrou enxofre assim que entrou na suíte, o cheiro podre não era como nada que ela já tivesse sentido, apesar de ser bem comum, o que exalava era muito mais forte. Ela passou a mão no chão e tentou achar por algo que pudesse ter sido deixado para trás, mas não encontro nada, eles estavam totalmente sem pistas depois de quase vinte e quatro horas em um mesmo caso.
Como isso era possível? Eles precisavam agir rápido, vinte e três pessoas já estavam mortas.
— Nada aqui — Ally falou enquanto saia do banheiro.
— Nada nos outros quartos, também.
Jer encarou a amiga.
— Ei, ela está bem, só está um pouco sobrecarregada da caçada.
Ela estava se referindo a , apesar de ele não ter perguntado nada, sabia que ele estava preocupado com ela.
— Aliás, não sei porque não se declara para ela.
— Não sei do que você está falando.
— Caçar com Bobby, sério Jeremy?
Ele riu, achava um saco como ela era esperta.
— Ela não se sente assim por mim.
Ally pensou em responder, mas parou quando viu que Sam tinha acabado de subir as escadas.
— Alguma coisa aqui?
— Não, só enxofre mesmo.
O celular de Sam vibrou no momento em que ele pensou em ligar para o irmão pedindo por reforço, já que a pesquisa deles estava no zero.
Era uma mensagem, falando sobre .

“A dormiu aqui. Acho melhor vocês voltarem logo, ela está meio esquisita Sammy.”

Ally notou a expressão estranha de Sam.
— É o Dean, ele pediu para irmos para o hotel.
— Aconteceu alguma coisa com a ?
Ela ficou ainda mais preocupada.
— Saberemos quando chegar lá, vamos nessa.
Eles sentiram que tinha algo de errado quando entraram no quarto e ele estava completamente vazio. Jer e Ally vasculharam o banheiro e os armários, mas não encontraram nada, as armas tinham sumido e nem Dean e nem estavam ali. Sam foi até o quarto que ele e o irmão tinham alugado para passar a noite, mas eles também não estavam lá.
Todos eles tiveram um pressentimento muito ruim e perceberam que ter deixado os dois sozinhos tinha sido uma ideia estúpida, geralmente dois caçadores poderiam lidar com demônios, mas considerando a quantidade de mortos encontrados ficava bem claro que não estavam lidando com qualquer demônio. Ou talvez, estavam lidando com muitos.
— Enxofre — Ally disse enquanto passava a mão no carpete.
— Merda!
Sam deu um soco na parede.
— Calma, nós vamos encontra-los. — Jeremy tentou acalmar Sam.
— Encontrei uma coisa! — Ally gritou.
— O que?
— Parece que é um tipo de chaveiro de uma fazenda, devem ter deixado cair depois que pegaram a e o Dean, ou eles pegaram do bolso de um deles e jogou para acharmos.
— Nós poderíamos tentar rastrear o celular e ver se da para o mesmo lugar.
— O celular do Dean ficou no quarto, acabei de ver e o da eu já tentei, está desligado. Essa é a única pista que temos, então vamos seguir.
Os três pegaram o máximo de armas que podiam ter para conseguir matar o máximo de demônios que conseguissem e saíram do hotel em busca dos dois desparecidos.

 

Colorado, Aspen.

 

Sam estava nervoso, já tinha perdido Jéssica e a ideia de perder e Dean era simplesmente inaceitável e ele deveria saber que deixar sozinha as pessoas que ama era uma péssima decisão. Acelerou o máximo que conseguia, o lugar era absurdamente afastado de onde estavam e parecia que não iam conseguir chegar nunca. Enquanto ele dirigia, Ally e Jeremy preparavam as armas para que eles não chegassem em desvantagem até o lugar.
Observou os dois pelo retrovisor e pensou em todos os momentos que passou com o irmão fazendo balas, limpando as armas. Não foi fácil, mas era a maior parte das lembranças que tinha com Dean. Sua mente viajou mais além, pensou também sobre seu pai. Desejou do fundo do coração que estivesse vivo e caçando a coisa que tinha matado sua mãe e Jéssica, ele não era fácil, mas Sam jamais desejaria a morte dele.
Quando encostou na fazenda estava decido a entrar lá e matar qualquer coisa que o impedisse de ter as duas pessoas mais importante da sua vida de volta. Nada, nem o demônio mais poderoso do inferno poderia impedi-lo, Sam estava cheio de ódio e sabia que isso poderia ser bom como também poderia leva-lo a cometer erros graves.
— Bom, o plano é esse, vamos cercar o perímetro. Ally você fica com Jeremy — Sam falou e fechou o capô do carro.
— Não, você não vai sozinho — Ally disse.
Apesar de só o conhecer a um dia, sabia que a mataria se ela o deixasse sozinho.
— Eu vou ficar bem, não se preocupa — ele disse saiu andando antes que fosse questionado novamente.
Jer e Ally seguiram em direção ao enorme celeiro, Sam cercou a casa dos fundos. O mesmo cheiro que estava na casa também exalava ali, souberam que estavam no lugar certo e não tinham tempo para erros ou isto poderia custar a vida de e Dean. Ally fez sinal para que Jeremy desse cobertura a ela e começou a destravar a fechadura do portão tentando não fazer barulho. Quando entrou no lugar encontrou algo totalmente inesperado, estava completamente vazio assim como o quarto de motel, tinha alguma coisa errada ali. Não fazia sentido.
Sam entrou furtivamente na casa e encontrou a mesma coisa que os dois parceiros, ninguém dentro da casa. Ele olhou o andar de cima, todos os cômodos, já estava ficando desesperado por não encontrar nada, procurou até nos armários.
Era evidente que não tinha nada ali.
— Não tem nada no celeiro.
Ally entrou na casa.
— Algo não faz sentido — Jeremy comentou.
— Você acha?
Sam deu um soco na parede.
— Sam, você vai acabar quebrando a mão e nós precisamos dela inteira se quisermos achar eles.
— Eu não posso perdê-los — Sam gritou, estava fora de controle.
— Galera... — Jeremy chamou, mas foi ignorado. — Eu acho que não estamos sozinhos.
Dois demônios estavam bem na escada da casa em direção a varanda. Eles preparam as armas, mas já era tarde, em instantes os dois entraram na casa e mais dois pelos fundos. Sam foi surpreendido por dois que vinham atrás dele e Ally e Jer ficaram com os que derrubaram a porta de entrada.
Eles tinham caído em uma armadinha e só se deram conta disso quando estavam em plena luta com quatro demônios filhos da puta. Ally levou um soco no rosto, mas devolveu dois na mulher que estava batendo nela, Sam estava com tanta raiva dentro de si que não foi difícil lutar com os dois que partiram para cima dele, já Jaremy nocauteou o dele em segundos, o que não durou muito porque o demônio revidou.
Eles estavam em desvantagem e sabiam disso, não tinha tempo para pegar sal, água benta, desenhar uma armadilha do diabo ou exorcizar. Eram quatro contra três e eles eram mais fortes do que os que estavam acostumados a lutar.
— Eu pararia, se fosse vocês — um dos demônios no corpo de uma mulher muito atraente disse enquanto segurava Ally, com uma faca em seu pescoço.
Sam pensou em continuar ou tentar alguma coisa, mas achou mais prudente colocar as armas no chão a arriscar a vida de Allyson e Jer fez o mesmo. Eles estavam completamente rendidos e fodidos, e Dean estavam sei lá onde e eles tinham acabado de ser pegos por quatro demônios muito fortes.
A demônio que estava segurando Ally prendeu os braços dela com uma corda enquanto os outros fizeram o mesmo com os dois rapazes. Eles andaram pela casa e se encararam, estavam felizes e satisfeitos por terem capturado Sam Winchester, sabiam da fama dele como caçador.
— Olivia, Uriel... — disse Jer.
Ela lançou seu olhar para ele e o reconheceu.
— Ah, oi lindinho — ela disse rindo. — Eu disse que nos encontraríamos de novo, e dessa vez, você é que vai ser torturado.
— Cadê meu irmão e a , sua vadia?
Olivia se aproximou e deu um soco no rosto de Sam, que deu a ele um lábio arrebentado escorrendo sangue.
— Vamos acabar logo, com ele — gritou um dos demônios.
— Se acalma, Uriel — repreendeu o parceiro. — Ele é do chefe, quando chegar a hora dele, a tortura será muito pior.
Ally se mexeu e os olhos de Olivia se voltaram para ela.
— Já a bonitinha aqui, você pode brincar à vontade — ela passou a ponta da faca no rosto de Allyson que se retraiu.
— Não encosta nela, porra! — Jeremy gritou do outro lado da sala.
Sam olhou para Jeremy fazendo sinal para que ele tentasse se soltar, ele estava com um canivete na mão e a conversa fiada era só para tentar distrair os demônios, pois quando ele conseguisse sair dali ia acabar com os quatro antes mesmo que ele pudessem pensar no que estava acontecendo.
Olivia tirou um pouco de sangue de suas mãos e despejou em um pote. Sam sabia que aquilo significava que ela ia fazer uma ligação com alguém muito mais barra pesada do que eles, por isso, precisava ser rápido antes que ficassem mais fodidos do que já estavam.
Quando a corda dele finalmente se soltou, ele partiu para cima primeiro de um dos demônios que o tinham atacado minutos antes. Jogou água benta no rosto de cada um e antes que pudesse fazer mais alguma coisa, eles saíram dos corpos que estavam possuindo.
Jeremy Ally partiram para cima dos outros dois, ela fez questão de ficar com Olivia e ele com Uriel. Infelizmente, o demônio covarde saiu do corpo antes que eles pudessem fazer algo, mas antes que Olivia tentasse sair do corpo em que estava Ally a jogou dentro de uma armadilha do diabo que Sam tinha acabado de desenhar enquanto eles lutavam.
— Parece que a tortura vai ficar para outro dia, lindinha — falou Jer.
— Agora, sua conversa vai ser comigo.
Sam pegou uma cadeira na cozinha e se sentou de frente para Olivia.
— Cadê a minha amiga, sua vadia? — Ally gritou.
Ela estava com a adrenalina a milhão.
— Olha como fala comigo!
— Responde! — Sam gritou e enfiou uma faca na perna de Olivia, estava molhada de água benta.
Ela riu alto, apesar de sentir a dor. Já tinha sofrido torturas piores, uma faca não ia intimida-la.
— Ela não vai dizer nada — falou Ally em desespero.
— Parece que alguém vai direto para o inferno — Sam disse e pegou um livro pequeno no bolso da jaqueta.
— Que se dane, acha que alguma coisa é pior do que trair, meu mestre?
— Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satânica...
Sam começou a falar e o demônio Olivia começou a se contorcer.
— Espero que sua amiguinha goste de cabana.
—Exorcizammnis incuriso infernalis adversarii...
Ally foi a única que prestou atenção no que a demônio disse e tentou fazer Sam parar, mas era tarde, o demônio tinha sido exorcizado. Ao menos ela tinha dado alguma pista na tentativa de os dissuadir de fazer o exorcismo e deixa-la escapar.
Jeremy pegou um mapa da cidade que tinha na mochila e colocou na mesa da cozinha. Eles circularam algumas possíveis cabanas que tinham em Aspen e Sam fez algumas ligações para obter informações sobre as propriedades do local, eles precisavam ser rápidos, e Dean estavam na mão de demônios e se fossem como os que eles tinham lidado, significava que era sério.
— Ei, menos — Ally os chamou.
— O que foi?
Sam olhou preocupado.
— Eu acabei de receber um alerta do celular da . Mas, não sei o que quer dizer.
Sam pegou o celular da mão dela.
— O que quer dizer “sempre”?
— É um tipo de código que ela usava com Dean, significa que ela está em perigo ou que precisa de ajuda.
— Precisamos ser rápidos! — Jeremy disse e começou a vasculhar as informações que tinham.

 



Capítulo 4 - The Pact

Colorado, Aspen – 2 horas antes.


sentiu o cansaço de mais cedo novamente e uma sensação estranha a percorreu. Dean tinha encostado o carro de frente para uma cabana, ela teve a sensação por um momento de que era a mesma do seu sonho no quarto, onde acordou suada e em pé ao lado da porta do banheiro. O parceiro fez sinal para que ela desse cobertura a ele e assim ela fez enquanto olhava em volta procurando pelo carro de Sam, afinal Dean tinha dito que eles o encontrariam ali.
Mas, não parecia ter alguém.
Pensou que poderiam ter caído em alguma armadilha, qualquer pessoa poderia pegar o celular do amigo e enviar uma mensagem para Dean. Escutou um barulho de galho sendo pisado nos fundos e correu para lá o mais rápido que conseguiu, nada também. Tudo que encontrou foi uma entrada para um porão.
Sentiu um arrepio na espinha, uma pancada atingiu sua cabeça e tudo ficou preto.
Teve a sensação que tinha um líquido quente caindo sobre o rosto e tentou levantar as mãos para tocar a testa, mas elas estavam presas na cadeira em que se encontrava sentada. abriu os olhos com um pouco de dificuldade e sua visão estava um pouco embaçada, sentiu uma pontada na cabeça quando alguma coisa a tocou bem na testa.
— Calma, estou limpando. — A voz de Dean a deixou um pouco mais calma.
forçou um pouco mais e conseguiu uma imagem borrada de Dean a sua frente. Por um momento sentiu algo muito sombrio enquanto ele a tocava para limpar a ferida, se retraiu e o viu encarando-a.
— Não encosta em mim! — esbravejou. Mas, não tinha para onde ir. Estava presa em uma cadeira por cordas nos tornozelos e pulsos.
, sou eu, o Dean — disse e se aproximou ainda mais dela. — Você bateu feio a cabeça, preciso limpar isso aí.
encarou-o, tinha certeza que não era ele. Dean jamais falaria com toda essa delicadeza e já a teria soltado.
— Você não é o Dean! — gritou e se debateu na cadeira.
Ela estava certa, aquele não era o parceiro dela e sim um demônio. Que o tinha possuído ainda no motel e como ela não seguiu o próprio instinto quando achou que tinha algo de errado com ele, tinha caído em uma emboscada.
O demônio soltou uma gargalhada e deferiu um tapa no rosto de .
— Bom, pelo menos de uma coisa estavam certos, você não é só um rostinho bonito — disse e segurou o rosto dela, que agora tinha um corte nos lábios devido ao tapa.
encarou um Dean que agora tinha um demônio dentro dele e se sentiu impotente. Tentou se desvencilhar das cordas que a prendiam, mas uma fraqueza inexplicável consumiu seu corpo como aconteceu mais cedo no quarto do motel, de repente uma dor lancinante percorreu todo seu corpo. Era como se algo a estivesse rasgando por dentro e a fez gemer e gritar de tanta dor.
O demônio gargalhou, estava se divertindo com a dor da garota.
gritou por mais alguns segundos e em uma fração de segundos a dor parou.
— O que você está fazendo comigo? — gritou.
Todo seu corpo por dentro doía.
— Isso, minha pequena — o demônio passou a mão sobre o rosto dela — é a tortura do inferno, que por alguma razão, você é capaz de sentir.
—O quê?
Ela estava perplexa.
— É isso mesmo, você está ligada ao inferno por alguma razão. Mas, o mais curioso, é que seu coração não pertence a ele — disse por fim e enfiou uma faca na perna de , que a fez gritar.

 

Colorado, Aspen – agora.

 

andou o mais rápido que conseguia em direção a cabana. Estava perdendo cada vez mais sangue e a dor que estava sentindo estava insuportável, ela já quase não tinha mais forças para continuar andando. Respirou fundo e deu mais alguns passos, sabia que estava perto e que logo chegaria.
Quando avistou a cabana tentou apressar o passo, fez o melhor que pode. Assim que atravessou a pequena porta de madeira da entrada deixou que seu corpo perdesse totalmente a força, caiu de uma só vez no chão e se arrastou até a parede para poder se recostar. Não teria mais para onde ir e nem o que fazer, ela estava debilitada demais.
O garrote que tinha feito na perna para estancar o sangramento da perna parecia não estar adiantando e esse não era o único ferimento. Não queria se preocupar com nada disso agora, só pensava em parar de sentir dor e ficar em paz.
Estava pronta. Se tivesse que morrer, não fingiria não estar com medo ou se forte.
Fechou os olhos e apoiou a cabeça na parede.
Ela abriu os olhos novamente assim que ouviu passos e vozes vindo do lado de fora. Estremeceu quando escutou a madeira da entrada ranger, não estava sozinha e se fosse o demônio que a tinha atacado antes não teria como lutar. Mesmo que quisesse com todas as forças, não tinha condições nenhuma de levantar de onde estava.
Fechou os olhos e respirou fundo.
! — Um Sam desesperado despertou .
Lágrimas escorreram por seus olhos imediatamente, se sentiu aliviada e que agora sim, estava pronta.
, fala comigo, sou eu o Sam. — Ele estava apavorado.
Suas mãos já estavam cheias de sangue e ele viu que a situação da amiga era muito séria.
— Tudo bem, Sam — sussurrou e segurou a mão dele. — Agora eu estou pronta..., mas você precisa saber de algo.
— O quê? Pronta pra quê? — gritou. — Pessoal vem aqui, agora!
Ally e Jeremy estavam do lado de fora dando cobertura. Mas, entraram assim que escutaram Sam gritar.
— Ah meu Deus! — Ally gritou assim que viu a amiga.
! — Jeremy empurrou Sam para conseguir se aproximar da garota.
encarou os três ali, não estava sozinha. Não morreria sozinha ao menos.
Tentou falar alguma coisa, mas se engasgou e sangue saiu de sua boca.
— Sam, ela está muito ferida — Allyson disse já chorando.
— Sam... — sussurrou.
— A gente precisa levar ela para um hospital, agora! — gritou Jeremy.
A apreensão era grande, mas precisava falar antes que as coisas ficassem bem pior. Se o demônio que estava possuindo Dean poderia fazer isso com ela, ele também seria capaz de mata-lo ou até matar os três a frente dela.
— Me escutem... — disse enquanto limpava os lábios com sangue.
, a gente precisar levar você para o hospital, agora! — Sam disse já pegando-a no colo, mas ela segurou a mão dele.
Mais lágrimas caíram.
— É o Dean — disse. — No final da floresta...
Jeremy bufou.
— Aquele desgraçado fez isso com você? — ele gritou e saiu com velocidade da cabana.
— O demônio está no Dean, Sam — finalmente conseguiu dizer algo que fazia sentido. — Me promete, que não vai mata-lo.
— O quê? Não matar o demônio? — Allyson perguntou, enquanto secava as lágrimas.
— Dean... — ela disse e perdeu a consciência.
! — gritou Ally.
Sam viu que a amiga ainda tinha pulso e a pegou no colo, colocou-a no banco de trás do carro e Allyson deu partida esperando encontrar algum hospital próximo.  O Wincherster precisava ser rápido, Jeremy já tinha ido atrás de Dean por conta do que tinha falado e se o encontrasse poderia acabar fazendo alguma besteira.
O lugar estava muito escuro e a única visibilidade que conseguia ter era a que a luz do celular lhe dava. Escutou alguns barulhos de galho quebrando como se alguém estivesse andando na mata e se preparou caso precisasse atacar, seu coração estava acelerado e sua mente só conseguia pensar em .
Estava torcendo para que Ally encontrasse um hospital próximo.
— Não encontrei ele — Jeremy disse o pegando de surpresa.
Sam mirou a arma na direção dele.
— Cara, eu poderia ter atirado em você — disse baixando a guarda.
— Foi mal.
— Encontrou alguma coisa?
— Sim, tem uma outra cabana no final da floresta e o impala também está lá — explicou.
Sam fez sinal para que eles continuassem andando, mas parou e se virou para Jeremy.
— Obrigado, por não ter entrado lá sozinho e ter matado meu irmão — disse.
— Vontade não faltou, mas nunca me perdoaria — Jeremy disse encarando Sam.
— Tem um demônio dentro dele, Dean jamais machucaria jamais a machucaria!
Jeremy encarou Sam por um tempo e sentiu uma pontada de ciúmes com as palavras dele, era ridículo sentir aquilo naquele momento considerando tudo que estava acontecendo, mas era quase involuntário.
Os dois andaram rapidamente e seguiram na direção que Jer indicou. A primeira coisa que encontraram foi o carro como ele tinha dito e uma cabana muito velha e acabada, bem diferente da última que eles tinham encontrado. O lugar tinha um cheiro podre, como se tivessem muitas pessoas mortas ali. Sam fez sinal para que Jer desse a volta na casa e ele subiu uma escadinha de madeira que dava acesso a porta de entrada, tudo parecia muito silencioso e não tinha sinal de ninguém ali.
Assim que entrou na casa velha se deparou com um Dean desacordado no chão. Se abaixou e chacoalhou o irmão algumas vezes, enquanto gritava dizendo para Jeremy que tinha encontrando-o. Ele se sentiu aliviado, depois do que tinha acontecido com Jéssica — e agora com a — não poderia sequer imaginar algo ruim acontecendo com seu irmão.
— Dean? — chamou por ele, que parecia atordoado.
Dean estava tentando entender o que estava acontecendo, sua cabeça estava doendo a ponto de explodir e a última coisa que ele conseguia se lembrar era de ter soltado de uma cadeira, onde ela estava presa por cordas.
— Ei cara, você está bem? — Sam perguntou chacoalhando o irmão.
Jeremy entrou na cabana com o sangue fervendo, sabia que quem tinha machucado era um demônio, mas olhar para Dean lhe causava raiva.
— Com certeza está melhor que a — comentou.
De repente, ao ouvir o nome dela, Dean começou a ter alguns fleches em sua mente. Como se conseguisse visualizar o que tinha acontecido nas últimas horas, se sentiu enjoado, com raiva e desesperado. Lembrou-se do demônio que tinha entrado dentro dele por um momento.
— O que aconteceu com a ? — Dean perguntou ainda confuso e se levantou.
Jeremy entrou na frente de Sam e partiu para cima dele segurando-o pelo colarinho da blusa. A única coisa em que conseguia pensar era na garota que gostava e em como ela tinha ficado ferida, como caçador ele não poderia ter sido tão descuidado a ponto de ser possuído por um demônio, era o que Jer pensava.
— Ei Jeremy, se acalma. — Sam tentou puxa-lo, mas o rapaz estava fazendo força.
— Não duvido que deixou aquele demônio entrar dentro de você.
Ele sabia que aquilo era absurdo, mas a raiva falava mais alto.
Dean reagiu e o virou contra a parede.
— Eu jamais, machucaria a — disse empurrando-o contra a parede. — Nunca mais, fale isso perto de mim.
Ele soltou o rapaz e se voltou para Sam. Ele mais do que ninguém sabia que jamais causaria nenhuma mal a e se pudesse ter evitado cada coisa que aconteceu com ela enquanto o demônio estava dentro dele, teria feito.
— Vamos parar com isso, a precisa de nós. — Sam entrou no meio, antes que eles começassem outra briga. — Você está bem cara?
—Eu estou bem, espero vocês no carro — Dean disse e saiu da cabana.
Ninguém estava se sentindo mais culpado do que ele. Dean se lembrava de algumas partes — principalmente do que o demônio queria — importantes, mas não tinha realmente noção do quanto estava ferida.
Assim que Sam e Jeremy entraram no Impala, ele deu partida.

Ally encostou a R8 de frente para o hospital e praticamente pulou para fora, gritou por socorro e abriu a porta de trás do carro. ainda estava desacordada e sangrava muito, enquanto tentava conter as lágrimas que caiam sobre seu rosto continuou gritando. Não demorou muito para que enfermeiros e médicos começassem a sair do hospital.
A situação era grave e Allyson sabia disso, eles a levaram rápido e pediram que ela ficasse no local para abrir ficha e dar depoimento. Estava nervosa demais, mas precisava se controlar, tinha que pensar em uma história muito boa para explicar a polícia como a amiga dela tinha ficado ferida daquela forma.
Andou de um lado para o outro até que tivesse uma ideia formada na cabeça para contar e enviou uma mensagem a Sam explicando qual seria a história que eles teriam que falar caso fossem interrogados pela polícia também. Sabia que a mataria caso ela ligasse para o Bobby, mas a situação era séria e quando viu já estava discando o número dele.
— Bobby. — Sua voz estava embargada pelo choro.
— Oi Allyson, cadê a ?
Ele sempre sabia quando alguma coisa estava errada, não era de ligar para ele, muito menos ela.
— É... não é nada Bobby, eu só queria saber se você está bem — disse, desistindo de contar o que tinha acontecido com a .
— Você não me respondeu onde está a — falou.
Ally bufou, tinha sido uma péssima ideia ligar para ele.
— Ela saiu para resolver algumas coisas do caso com Jeremy — mentiu.
— Jeremy? O que ele está fazendo aí? — A voz de Bobby não parecia só de curiosidade, mas de preocupação também.
— Longa história... — Estava tentando não falar demais. — Bobby, tenho que desligar, te ligo depois.
—Ok, sabe que se precisar é só ligar, né criança?
Ally simplesmente concordou e desligou, odiava mentir para ele.
Ela estava começando a ficar apreensiva, já tinha mais de uma hora que tinham levado a amiga e ainda não tinha recebido nenhuma notícia. Também começou a pensar em Sam, que ainda não tinha respondido sua mensagem, e Jeremy.
Será que tinham encontrado Dean com vida? E o demônio?
Desde que tinha começado a caçar com nada deste tipo tinha acontecido, era normal que elas se machucassem, mas nunca algo que as levassem direto para o hospital com tais ferimentos. E a ideia de que estavam sendo caças a assustava ainda mais.
Enviou mais uma mensagem para Sam e se levantou. Não conseguia parar de andar de um lado para o outro, não tinha notícias da amiga e nem dos rapazes, preferiu pensar que notícia ruim sempre chegava logo e voltou a se sentar. sempre era a que acalmava a situação e agora ela estava machucada e isso a apavorava.
— Ally. — Escutou a voz de Jeremy chamando-a e pulou da cadeira onde estava sentada.
Ela o abraçou e foi correspondida.
— Cadê a ? — Sam perguntou.
— Ally....eu sinto muito — Dean falou, mas foi surpreendido pelos braços da garota em seu pescoço.
— Eu estou feliz que esteja bem — disse e o soltou. — Não é culpa sua.
Dean deu um meio sorriso nervoso, não estava acostumado com essas demonstrações de afeto.
— Ally?
Sam queria saber de .
— Ah, sim. — Voltou sua atenção para Sam. — Eles a levaram, ainda não tive notícias.
Jeremy começou a andar de um lado para o outro.
— Ela estava muito ferida, cara. Se algo acontecer...
— Pera aí... — Dean interrompeu Jer. — Sam, você me disse que ela levou alguns golpes, como assim muito ferida?
Sam encarou o irmão, tinha mentido porque sabia que além de se culpar, Dean ia surtar também.
— Alguns golpes? —Jeremy perguntou praticamente gritando. — Você quase a matou!
— Como é que é? — Dean olhou furioso, aquilo era absurdo.
Ally se colocou na frente dele, ficando entre ele e Sam.
— Rapazes, se acalmem —pediu.
— É bom vocês me falarem que porra está acontecendo aqui! —Dean gritou.
Allyson tinha que controlar a situação, não poderia deixar os três se matarem dentro do hospital e chamar ainda mais atenção.
— Dean, a estava muito ferida. Ela tinha múltiplas facadas e outros ferimentos.
Dean passou a mãos pelos cabelos e tudo que conseguia pensar é que ele tinha feito aquilo e que se tivesse sido mais cuidadoso, ela não estaria dentro de um hospital agora.
— Eu preciso de ar — disse e saiu de lá.
Ally se virou para Sam.
— Eu acho bom você contar para ele, sobre a armadilha do diabo no quarto do seu pai. Porque com toda certeza tem relação e se ele descobrir...você já sabe — falou e voltou a se sentar onde estava antes de eles chegarem.
Jeremy se sentou ao lado dela e segurou-a pela mão.
sentiu como se a tivessem puxado com uma força extrema e seus olhos se abriram. Diferente da escuridão que se encontrava, agora ela estava rodeada por algumas pessoas que pareciam apreensivas e com muita pressa em tira-la dali. Sentiu algo entrar em seu braço e se deu conta de que estava em um hospital.
Todo seu corpo doía e a luz que invadia seus olhos a incomodavam de certa forma. O gosto do sangue em sua boca a fez engolir em seco, lágrimas escorreram de seus olhos pela primeira vez em uma velocidade absurda, pensou que deveria estar sentindo dores horríveis, mas não conseguia sentir absolutamente nada, nem sequer uma parte de seu corpo.
Um desespero tomou conta dela.
Seus olhos encontraram os de uma mulher morena que sorriu gentilmente para ela. Era uma enfermeira que explicou algo para ela sobre uma anestesia epidural que causava paralisia do pescoço para baixo e que tudo ficaria bem assim que ela voltasse da cirurgia.
Cirurgia? Ela pensou confusa.
Seu coração disparou e mais lágrimas começaram a cair. Um desespero tomou conta de , ela tinha perdido a capacidade de saber se aquilo era real ou se estava tendo alguma visão. As torturas que sofreu algumas horas antes ainda estavam atormentando-a e a revelação do demônio que possuiu Dean ainda lhe causava arrepios.
Sentir o inferno. Isso martelava em sua mente repetidas vezes.
— Nós vamos leva-la para o centro cirúrgico, vamos passar pelo corredor para que possa se despedir dos seus amigos antes. — A enfermeira sorriu carinhosamente para .
Sam, Dean, Ally e Jeremy.
Era tudo o que ela conseguia pensar naquele momento, se eles estivessem bem não tinha importância o que quer que fosse acontecer com ela dali para frente. Se eles estavam lá para se despedirem dela, isso significava que o que estava acontecendo era real e não mais uma de suas visões.
Respirou fundo conforme eles a guiavam na maca pelos corredores do hospital e pensou que não sentir absolutamente nada era um alívio. As dores que foi submetida por horas eram enlouquecedoras, pensou nos momentos em que desejou estar morta ou que o demônio a tivesse matado ao invés de tortura-la daquela maneira.
. — Uma Ally chorosa apareceu no campo de visão de .
Allyson abraçou a amiga que não conseguia senti-la.
— Ei. — Jeremy segurou a mão de .
— Ela não pode sentir vocês tocando-a da cabeça para baixo. — Uma enfermeira disse.
— O quê? — Sam sentiu um desespero instantâneo.
— É só um efeito da anestesia — concluiu a enfermeira.
encarou os três procurando por uma quarta pessoa.
Dean.
Ele não estava ali e ela sentiu um estranho alívio. Ele não era o demônio e ela sabia disso, mas a imagem dele a torturando ainda estava fresca em sua mente e só de pensar nele cada parte do seu corpo se arrepiava e estremecia em desespero. Não sabia quanto tempo levaria para conseguir separa-lo do monstro que quase a matou.
Sentiu um frio na espinha ao sentir uma mão tocar o topo de sua cabeça. Os olhos dos amigos se arregalaram para ela, ele estava ali bem ao lado dela e ela sabia disso. Podia sentir algo inexplicável vindo dele, sentiu vontade de gritar e se afastar, mas não era sequer capaz de mover um músculo de seu corpo.
Dean apareceu no campo de visão de , que fechou os olhos e respirou fundo.
— Precisamos leva-la.

Dean andava de um lado para o outro, a revelação que Sam tinha acabado de fazer o tinha tirado do sério. Ele precisava se controlar para não quebrar a cara do irmão, se estava nessa situação agora, em parte era culpa dele por não ter contado sobre a armadilha do diabo que os dois tinham encontrado no quarto de hotel em Jericho.
Já tinham algumas horas que estava em cirurgia e ele não conseguia pensar em nada além disso. Sam o encarava enquanto ele andava de um lado para o outro na sala de espera do hospital, Ally e Jeremy tinham saído para pegar algo para comer enquanto eles ficaram para dar depoimento à polícia. 
Tudo estava fora de controle, eles estavam sendo caçados por demônios muito mais fortes do que eles jamais cruzaram na vida, estava traumatizada por ele quase a ter matado enquanto um deles estavam em seu corpo e Sam agora tinha dado para mentir. Ele estava puto e não conseguia esconder isso, mas não era o momento para perder a cabeça com o irmão e meter a porrada nele.
Sabia disso.
O telefone de Dean tocou, o tirando completamente de seus pensamentos. Pensou em não atender, mas não era uma opção, o número de Bobby estava na tela do celular.
— Fala Bobby.
— Oi, para você também — Bobby disse do outro lado da linha, o repreendendo.
Dean bufou.
— Desculpa, é que não é o melhor momento.
— É, eu sei. Dean, me escuta, vocês precisam sair daí — Bobby disse, parecia mais preocupado que o normal.
— Por que? O que está pegando? Aliás, como sabe onde estamos?
— Tem muitos demônios aí, a coisa está feia Dean. Eu recebi uma mensagem do seu pai, vocês precisam sair daí agora! — Bobby estava praticamente berrando.
Meu pai? Pensou Dean.
— Bobby, vai com calma — pediu, estava com a cabeça muito cheia. — Como assim falou com o meu pai? Do que você está falando?
Sam levantou e se aproximou do irmão.
— Bobby achou o pai?
— Sam, cala boca, preciso ouvir aqui — disse irritado. — Fala logo.
— Seu pai mandou uma mensagem, ele não está sumido. Está procurando pelos demônios que sabem sobre a morte de sua mãe e está próximo, mas vocês precisam sair da cidade.
— É meio tarde para isso — disse e passou a mão pelo cabelo, estava ainda mais nervoso com a revelação de Bobby.
— Me deixa falar com a ! — Bobby gritou.
Dean apertou os olhos. Merda, Bobby ia mata-lo. Aquela garota é tudo para ele.
— Dean, cadê a ?
Bobby tinha notado o silêncio e ele não era de ficar quieto.
— A está em cirrugia Bobby.
— Merda. O que vocês fizeram?
— Nada, fomos atacados por demônios. Estamos em Aspen!
— Sei onde vocês estão, estou indo ai!
Ele desligou antes que Dean pudesse questiona-lo. Se Bobby estava indo até lá é porque a coisa era muito mais séria do que eles pensavam, ele nunca se dava o trabalho de se meter na caçada dos rapazes porque sabia que eles eram bem treinados, por isso ele teve ainda mais certeza que estavam mesmo sendo caçados.
Sua cabeça estava girando ainda mais por seu pai ter mandado uma mensagem para Bobby. Se ele quem avisou sobre Aspen isso queria dizer que ele estava ou está na cidade? Nada daquilo fazia sentido. Por que não ajudar ele e Sam ou ao menos ter se dado o trabalho de aparecer?
Uma mistura de raiva tomou conta de Dean.
Ele queria quebrar a cara de Sam por mentir para ele daquela forma, também queria meter umas porradas em Jeremy por ter insinuado que ele seria capaz de machucar de tal forma. Mas, era dele mesmo que estava sentindo a maior raiva, por ter sido tão burro de se deixar possuir por um demônio a ponta de colocar nesta situação, se ele não tivesse sido tão burro ela não estaria em uma cirurgia agora.
Deixou os três no hospital e saiu andando com Sam gritando para que ele esperasse, algo que ele ignorou friamente. Dean entrou no impala e deu partida enquanto via Sam através do retrovisor com aquela cara de cachorro abandonado e que estava se sentindo culpado, ele estava puto demais para resolver as coisas agora. Quanto mais acelerava, mais rápido queria ir e única parte positiva era que sua raiva começou a passar um pouco.
Pensou em , tinha ficado muito bem nos últimos sete anos sem ela. Se a garota nunca tivesse reaparecido ele jamais iria procura-la, os últimos anos foram uma loucura, mas os dois anos que passou sem Sam nunca precisou ficar se preocupando com ninguém, além dos eu pai.
Encostou o impala no motel que eles já tinham se hospedado antes para aproveitar e pegar as coisas que eles tinham deixado no quarto. Passou primeiro no dele e de Sam e depois foi para o das garotas, o lugar estava impecavelmente arrumado — pensou em como sempre fora obcecada por organização — e andou pelo quarto já pegando as coisas.
Escutou passos vindo do corredor e seus olhos correram até um tubo de spray na cômoda ao lado de uma das camas. Viu o tapete na porta de entrada e o levantou rapidamente desenhando uma armadinha do diabo, terminou e cobriu o desenho assim que os passos se intensificaram. Sabia que o que estava vindo não era uma pessoa, então se virou como se estivesse distraído esperando por algo.
— Vocês Wincheters, sempre facilitando para nós — uma voz de homem falou e soltou uma risada em seguida.
Dean abriu um sorriso presunçoso e se virou para o que na verdade era um maldito de um demônio.
Os olhos pretos encararam um Dean calmo.
— Na verdade, você é a putinha dessa noite — Dean respondeu apontando para o chão.
O demônio ficou com uma expressão de ódio e se moveu mesmo sabendo que não tinha como sair da armadilha. Enquanto o maldito dizia o quanto ia arrancar as tripas dele quando conseguisse sair dali, Dean desenhou uma armadilha maior no chão do quarto e puxou uma cadeira para lá. Encontrou algumas cordas bem resistentes que serviriam para prendê-lo na cadeira e separou água benta para enfraquece-lo. 
Ele o prendeu sem nenhuma dificuldade. Estava puto e queria matar o desgraçado, mas precisava de informações, sem contar que considerando o que ele tinha acontecido com a mais cedo ele não poderia ir contra o demônio completamente sozinho. Discou o número de Sam antes que se arrependesse, óbvio que não ia pedir para ele ir lá, sabia que Bobby já deveria ter chego na cidade e pediria reforço para ele. Mas, para o irmão, não mesmo.
— Cara, onde você se meteu?
— Estou no motel, preciso de reforço — Dean disse irritado.
Dean escutou Sam bufar, do outro lado da linha.
— Cara, você tá me ouvindo?
— O Bobby já chegou? Manda-o vir pra cá.
— Não, ele não chegou, eu vou aí Dean — Sam disse irritado.
— Você não! — Dean esbravejou.
— Qual é, Dean, sou seu irmão.
— Eu me viro, Sam. Tchau!
Dean desligou bufando e encarou o demônio que estava com um sorriso presunçoso no rosto.
— É, eu tentei aliviar para você. — Dean deu um passo na direção do desgraçado. — Mas, vai ter que ser comigo.
Ele jogou água benta no rosto do demônio.
Sam andou de um lado para o outro irritado na parte de fora do hospital, Dean quando queria conseguia ser bem orgulhoso e irritante. Sabia que se o irmão teve tempo de ligar para pedir reforço ele tinha parte da situação controlada, mas que poderia sair conhecendo o irmão se ele decidisse dar uma de valentão.
Voltou para dentro e seguiu até a recepção onde Ally e Jeremy estavam, os dois pareciam se dar muito bem e ele se sentia um pouco deslocado perto deles. Afinal, nem sequer conhecia muito bem Jeremy e Ally também não, ela era bem gente boa, mas era amiga da .
— Sam, aconteceu alguma coisa? — Ally perguntou assim que viu Sam.
— É o Dean.
Jeremy permaneceu em silêncio ao ouvir o nome dele.
— Sam, relaxa, ele vai te perdoar. Dean parece meio durão, mas ele se importa muito com você. — A garota sorriu para ele de maneira compreensiva.
— Ele precisa de reforço, mas se eu aparecer lá no motel, é capaz de ele socar a minha cara.
Sam continuava andando de um lado para o outro, queria pedir que Allyson fosse lá, mas não tinha coragem. Como poderia pedir algo para ela? Mal a conhecia.
— Eu vou lá. — Ally levantou e Jeremy a segurou pelo braço.
— O quê? Não! — Jeremy estava espumando de raiva. — Isso pode ser o demônio no corpo dele.
Jer estava sendo um babaca e sabia disso, mas a raiva que estava sentindo falava mais alto.
— Não era, é o Dean e ele precisa de ajuda! — Sam disse e encarou Ally. — Você tem certeza? não me perdoaria se algo acontecesse com você.
— É, mas ela também não nos perdoaria se algo acontecesse com Dean. — Ally encarou Sam. — Eu vou, ligue para o Bobby e peça para ele ir para lá. Vocês ficam aqui!
Jeremy sabia que nada iria impedi-la, Allyson era uma boa amiga e uma coisa que ela tinha era a lealdade. Não importava o tamanho do perigo em que fosse se colocar, Allyson Foster não deixava ninguém para trás, e com Dean — apesar de ser um desconhecido — não seria diferente.
Dean socou a cara do Demônio diversas vezes e a raiva que antes tinha passado agora estava aumentando cada vez mais. Pensou nas palavras de Bobby mais cedo dizendo que eles deveriam sair da cidade, pensou em e também nas mentiras do irmão. Deferiu mais socos no rosto do demônio que parecia não se importar.
Isso estava deixando o Winchester ainda mais puto com a situação. O desgraçado não parava de rir, então ele decidiu tortura-lo de uma maneira um pouco mais pesada. Estava prestes a enfiar a faca no estômago do desgraçado quando a porta do quarto se abriu, pegando-o de surpresa e revelando uma Allyson perplexa.
— Dean! — Gritou olhando para o homem sentado na cadeira e ferido. — Você está maluco? Ele está dentro de alguém, um filho...um pai.
Ele nem tinha se dado conta disso, a única coisa que conseguia pensar era que aquele demônio tinha informações que eram importantes para ele. Mas, como poderia ser diferente da coisa sentada na cadeira torturando um humano? Porque a casca era de um ser humano.
— Me dá essa faca. — Ally pediu encarando-o.
Ele entregou sem resistência, o que deixou ela surpresa.
— Achei que queria justiça pela, .
Ela olhou com pesar para ele, claro que queria, mas não dessa forma.
— Não assim — afirmou.
— Ally, precisamos achar uma maneira de arrancar algo dele — Dean disse baixo já próximo dela. — E nós nem sabemos se o cara já não está morto.
— Sim, eu sei, e nós vamos. — Ela o encarou e se direcionou para o demônio. —E não importa, não vamos ser nós a mata-lo.
— Ah, está tudo muito lindo. Mas, vai ficar bem feio quando eu sair daqui e cortar a garganta de vocês dois.
O demônio soltou uma gargalhada e Ally deferiu um golpe em seu rosto, com a arma em sua mão. Não podia mata-lo, mas isso não significava que não poderia dar umas boas porradas.
— É o seguinte — disse e entrou na armadilha do diabo. Ela apoiou as mãos nos braços da cadeira e ficou bem próxima do filho da mãe.
Dean estava surpreso com a coragem da garota, não a conhecia muito bem, mas não a tinha imaginado assim tão perto de um demônio.
— Ally... — Dean chamou por ela.
Ally apenas se virou para encara-lo, dando a entender que estava tudo sob controle.
— Gostei de você, lindinha, vou te matar mais rápido!
Agora foi a vez de Allyson soltar uma gargalhada.
— Você vai nos dizer onde encontramos seus amiguinhos e porque estão atrás de nós — ela disse e sorriu com desdém.
O demônio sorriu e encarou-a, queria rir da ingenuidade dela. Nada o faria dizer algo, exceto um pacto, mas sabia que ela jamais aceitaria.
— Não estou atrás de vocês.
Dean sentiu seu coração disparar.
— Estão atrás da . — Admitiu quase que para si.
Ally olhou perplexa.
— O quê? — Ela não estava entendo nada.
Por que estariam atrás dela? A dúvida ocorreu na mente de Allyson.
— Pergunte para sua amiga, quando eu a torturei eu disse porque ela é o nosso troféu.
Dean tentou partir para cima do desgraçado. Aquele demônio sentado ali na cadeira era quem tinha ferido , seu sangue estava borbulhando, mas Allyson o segurou. Ela sabia que ele estava finalmente abrindo a boca e a revelação que tinha acabado de fazer era muito séria.
Se era um troféu para os demônios, ela corria perigo e eles precisavam estar preparados para qualquer coisa.
— Dean, se acalma, por favor — pediu segurando-o. — Preciso que fique calmo, não podemos mata-lo antes de saber tudo!
Dean bufou e se afastou.
— Como assim troféu? — Ally gritou.
Seus sentimentos estavam a flor da pele, desde que perdeu seus pais era muito difícil imaginar perder mais alguém que amava. era tudo que ela tinha agora e a garota faria qualquer coisa para protege-la, morreria se fosse preciso. Mas, ela nunca mais seria a pessoa a enterrar alguém que ama.
— O que você quer? — perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
Dean ergueu o olhar, sabia que o rumo que a coisa toda estava tomando não era boa.
— Ally!
— Não! — gritou. — Não se mete nisso, Dean.
— Um pacto. — O demônio sorriu com desdém.
— Eu aceito, mas não quero dois anos, quero muito mais — falou.
O demônio riu.
— Não, nem pensar, você não vai fazer um pacto! — Dean estava perplexo.
Ele sabia que se Allyson fizesse um pacto, qualquer que fosse, não suportaria.
— Eu faço! — As palavras saíram antes que ele se desse conta.
Dean seria capaz de fazer um pacto para salvar, ? Sem sombra de dúvidas. Ela era da família e ele faria qualquer coisa para que nada acontecesse com ela, além de que ele sabia o quanto ela era importante para Sam, ele já tinha perdido Jess e não suportaria perdê-la também.
— Não, nem pensar. — Ally se virou para olha-lo.  — me mataria, ela precisa de você, Sam precisa de você.
— O quê? Você é só uma garota, jovem, quantos anos tem? 20? Não, eu faço o pacto!
O demônio riu de novo.
— Isso está ficando muito divertido!
Ally e Dean se encararam, os dois estavam dispostos a obter informações para poder proteger . Dean pensou em Sam, sabia que ele iria surtar se ele fizesse um pacto com um demônio filho da puta, mas também entenderia que ele não teve escolha.
Seu pai então, o mataria antes de seu tempo acabar.
A garota abraçou Dean que ficou surpreso com a atitude, mas ele retribuiu. Percebeu que tinha sido só uma jogada quando sentiu uma porrada na cabeça e viu sua visão ir se apagando. Ally o tinha atingido com a arma que estava em sua mão, ela não o deixaria fazer um pacto, nunca.
Os olhos de Allyson queimaram, se os pais delas tiveram que morrer e ela teve que conhecer , quem a ajudou a superar a morte deles acima de qualquer outra pessoa, talvez esse fosse p propósito, dar sua vida para salva-la, afinal ela a tinha salvo também.
— Aprecio a coragem. — A voz do demônio a tirou do momento sentimental consigo mesma.
Sua atenção se virou para ele, que parecia satisfeito.
— Vamos ao pacto — falou encarando-o. — Mas, acho que me deve seu nome, considerando que vamos ter que nos beijar.
Ele riu do senso de humor dela.
— Claro, meu chamo Damon.
Ally permaneceu encarando-o.
— Só lembrando, Allyson, que se fizer o pacto e me matar após ele com a intenção de livrar-se dele. Meus cães do inferno a pegaram, no momento seguinte — avisou.
A ideia realmente lhe tinha ocorrido, mas ela sabia que provavelmente algo assim poderia acontecer.
— Certo, vamos aos termos — disse.
— Eu lhe dou oito meses, nada além disso — disse por fim.
Oito meses? Era muito pouco, ela queria muito mais que dez anos, que era o máximo dado pelos demônios.
— Não! — gritou.
— Bom, então, diga adeus para sua amiga — falou com deboche.
Ally andou de um lado para o outro, se ele só queria dar a ela oito meses, não planejava dar nem sequer os dez anos. O pacto estava sendo uma má ideia, mas ela não conseguia pensar em nenhuma outra maneira de resolver a situação.
— Um ano — ela disse após muito pensar.
O demônio a encarou.
— Oito meses, ou nada. — Abriu um sorriso.
— Primeiro me diz o que sabe — pediu.
Ele riu.
— Acha que sou burro? — perguntou. — Se eu disser primeiro, você pode me matar. Mas, se selarmos o pacto, eu não tenho como sair daqui. Sem contar, que ele me obriga a cumprir meu lado da barganha.
Ela realmente estava sem saída, era hora de fechar o pacto de vez.
— Tudo bem, vamos lá!
Ally se aproximou e levou o rosto até o do demônio. Ao menos ele estava possuindo alguém bonito.
Meu deus, como poderia pensar nisso? Lhe ocorreu por um momento.
Tentou relaxar e aproximou seu rosto, um estrondo arrebentou a porta do quarto no momento em que os lábios dela encontraram o de Damon.
— O que foi que você fez? — A voz furiosa de Bobby invadiu o ambiente.

 



Continua...



Nota da autora: Oi meninas! Agora a fanfic é VIP então as atualizações para vocês vão entrar mais rápido e atualizarei com mais frequência. Espero que gostem da atualização! XOXO





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