Sweet Fire

Última atualização: 01/09/2020

Capítulo único

Lidar com dragões era muito divertido. Pelo menos era o que Charles pensava todas as manhãs antes de sair para trabalhar. Já estava na Romênia a mais tempo do que imaginava e menos tempo do que gostaria, isso era um fato, mas não tinha se tornado mais cuidadoso ao longo do tempo. Não o entendam mal, é difícil lidar com um dragão em seu primeiro contato. E quando você é novo no ramo, sempre é o seu primeiro contato.
Tinha sido designado para acalmar uma dragão que tinha acabado de dar a luz e suspirou frustrado sabendo o que significava. Não se mexe com nenhuma mãe, certo? E talvez a única pessoa que conseguiria ser mais brava que uma mamãe dragão que tinha acabado de dar a luz, seria a sua mãe.
Colocou todo o equipamento de segurança, embora soubesse que não seria muito eficaz e respirou fundo antes de entrar no mesmo ambiente que ela. Já tinha feito isso algumas vezes e em todas tinha obtido um resultado desastroso.
Dardos para a sedar não funcionavam, pelo menos não em quantidades que não fossem absurdas, e feitiços também não. Resolveu então tentar aquilo que se alguém tivesse sugerido dias antes, teria rido. Mas situações desesperadas pedem medidas desesperadas, não? Então resolveu tentar palavras encorajadoras.
“Eles estão sendo bem cuidados”
“Você fez um bom trabalho”
“Seus filhos estão bem, não precisa se preocupar”
Mas descobriu que nenhuma delas surtiu efeito, quando uma rajada de fogo o atingiu o fazendo desmaiar.

Acordou mais uma vez na enfermaria. Tentou se levantar, mas seu corpo ainda doía muito. Então se limitou a analisar o ambiente a sua volta. Conseguia sentir o cheiro de queimado que pairava no ar e sentir sua pele ainda quente das queimaduras que já tinham sido magicamente cicatrizadas. Balançou a cabeça em negação, rindo fraco. Aquela rabo córneo o tinha pegado de jeito.
Pensou em como Molly enlouqueceria se soubesse que desde que tinha ido para a Romênia, havia passado mais tempo cuidando de seus ferimentos descuidados do que trabalhando de fato. Mas se sua mãe estivesse ali, também iria sugerir que ele estava se machucando tanto por um motivo que apresentava um lindo sorriso. Não era, claro, mas bem que poderia ser. E esse motivo vinha caminhando lentamente em sua direção nesse exato momento.
— Essa foi feia, hein? — riu fraco, observando como a carne do braço recém regenerada de Carlinhos — Daqui a pouco eu vou começar a achar que você se machuca assim de propósito.
"Poderia ser" o ruivo respondeu mentalmente enquanto a mulher tocava as áreas machucadas delicadamente, as analisando.
— Ninguém gosta de virar churrasco de Dragão, — poderia gargalhar se seu peito não estivesse praticamente ardendo em chamas. A mulher riu, percebendo a careta que ele tinha acabado de fazer.
— Precisa descansar um pouco mais — ela ordenou — Prometo que se dormir algumas horas vai acordar cem por cento.
pegou uma garrafa em uma mesa ao seu lado e serviu um pouco de poção do sono para o Weasley, que aceitou sem resistência. Provavelmente beberia veneno sem pensar duas vezes se a mulher a sua frente oferecesse.
— Vai estar aqui quando eu acordar? — perguntou sonolento, a poção fez efeito tão rápido que não foi capaz de ouvir a resposta da mulher, que corando, respondeu que sempre estaria.

Na primeira vez que foi parar na enfermaria, Charles foi recebido imediatamente por , que também era nova no serviço. Ela tinha se preocupado com os tufos de cabelo faltando e a perna parcialmente incinerada. Mas com o passar dos meses tinham estabelecido uma relação leve e baseada em confiança. Mesmo com os piores machucados a mulher não se sentia mais intimidada. E o ruivo sabia que nada seria tão ruim que não pudesse dar um jeito.
Já fazia mais de um mês que estava tentando a convidar para um encontro longe de tudo aquilo. Das marcas, do cheiro da enfermaria e principalmente dos dragões. Bom, talvez não essa parte.
Portanto, segundos antes de apagar e perguntar se a enfermeira estaria ao seu lado quando acordasse, Carlinhos decidiu que a primeira coisa que faria quando abrisse seus olhos seria convidá-la para sair.


Fim





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