Última atualização: 19/11/2019

1. O Três Vassouras

O Três Vassouras vibrava ao som de qualquer nova estrela do mundo bruxo que fazia sucesso dentre os jovens. Os garçons corriam desesperadamente tentando servir a todas as mesas que, naquele momento, enchiam por completo o estabelecimento; os garotos da lufa-lufa reunidos em uma das mesas grandes que se instalavam pelo canto conversavam e brindavam seus copos satisfeitos e felizes. As garotas de Beauxbatons já haviam chego junto ao navio de Durmstrang e o cálice de fogo estava aberto para os nomes. O motivo da comemoração era nobre: o prodígio Cedrico decidira colocar seu nome no cálice e concorrer como o herói de Hogwarts.
Um pouco de longe dali, observava os corpos se moverem conflitantemente em sua frente. Se lembrava de ter aprendido qualquer coisa sobre corpos não ocuparem o mesmo lugar, mas não conseguia ver sentido naquilo agora; sua cabeça girava, ela se lembrava de ter tomado mais de cinco ou talvez seis enormes copos de cerveja amanteigada. Sentia o ambiente ao redor girar ao som das guitarras que soavam junto a linda voz da cantora;
- Ei, . - o rapaz ao seu lado ria um pouco enquanto ela olhava atônita para os lados e então encontrava a voz dele. Ela sorriu deitando um pouco seu rosto no próprio ombro.
- Oi! Oi, você! - ela disse.
- Você tá doidona, não é? - ele disse olhando para os olhos dela e começou a rir cutucando seus amigos para flagrarem aquilo. - ei, a Blanchard tá chapada.
- Pára com isso. - ela disse apontando seu dedo indicador no nariz dele. - não me chame de Blanchard. Eu já disse!
Blanchard tinha cabelos compridos e ondulados. De suas raízes até a metade das madeixas, eram de um negro confuso e profundo, e à partir de certo ponto desciam até pontas completamente platinadas. Seus olhos eram conflitantes, um deles era um tom glamouroso de azul e o outro se confundia entre o verde e certo castanho também. Sabia que os cabelos eram herdados puramente de sua mãe, mas era uma história que brevemente ouvia em dias de inverno próxima a lareira da sala principal da mansão Malfoy. Do pai, entretanto, ela não tinha quase nada além de o costume de falar absolutamente qualquer coisa que lhe viesse a cabeça sem pensar muito. Ela não se lembrava de nenhum deles, em fato. Era nova quando os viu partir para uma missão e não os viu voltar mais.
O Lorde das Trevas agradeceu pomposamente pela honra dos dois, e se sentiu apto a honrar também a filha do casal. A filha única, a pequena e prodígio . A entregou alegremente para Narcisa e Lúcio, que já carregavam seu próprio herdeiro; o coração enorme da matriarca fez com que ela imediatamente aceitasse a irrecusável proposta enquanto que Lúcio, por mais que pensativo e receoso, era incapaz de rejeitar qualquer pedido que Voldemort lhe fizesse. Assim, o nome Blanchard aos poucos se apagou apesar de ainda estar escrito em todas as documentações da garota. Na contramão, ela sempre preferia assinar como Malfoy ou, simplesmente, - seu apelido.
No início, ela e Draco se odiavam profundamente. Por mais pequenos que fossem, o garoto do berço de ouro odiava dividir a atenção de seus pais com um outro bebê. Por mais fofa que ela fosse, ele se recusava a ser amigo dela e se lembrava de ter ficado de castigo por várias noites por ter sido egoísta e péssimo com ela. Lúcio passou a defendê-la com unhas e dentes quando viu potencial nela, e então, Narcisa em contraposição defendia seu próprio filho; "não é necessário nenhum conflito", ela dizia. "As riquezas são grandes para ambos!" reforçava, mas o garoto sentia certa repulsa pela irmã adotiva.
sofreu a falta dos pais em seus primeiros anos e acabou se isolando um pouco, mesmo quando ainda criança. Draco sentiu falta da irritação dela e de ter com quem brigar. Ele foi até ela, como o esperado, e eles naturalmente se uniram como os filhos de um casal que sofria as consequências de se estar nas mãos do Lorde das Trevas.
Os anos passaram rapidamente ao ponto onde nem Draco ou sequer poderia dizer o exato segundo onde começaram a enxergar um ao outro de forma diferente. Sentir uma queda pelo seu irmão era natural para a garota. Ela sentia falta dos pais, sentia que sua nova família era sim um lar, mas não sua origem, não sua hereditariedade. Draco não era nada além de um garoto alto, arrogante e extremamente atraente para ela. No outro lado, o herdeiro Malfoy odiava saber o quanto amava notar . Ele odiava todas as curvas que o tempo deram a ela, odiava o cabelo irritantemente bem planejado pela genética e seus olhar mortalmente excitante. Odiava saber exatamente o formato da marca de nascença que ela tinha pouco acima da cintura e não se orgulhava de todos os seus pensamentos lascivos e impuros acerca dela. Ele evitava tocá-la, evitava ultrapassar qualquer limite com ela e evitava a presença dela quando perto de seus pais. Draco tinha medo de que seu olhar fosse o suficiente para entregá-lo.
Ele sobreviveu a muitos anos no auge de sua puberdade percebendo as mudanças que assolavam a irmã, também. Criados como irmãos, mas com mentalidades extremamente diferentes das que deveriam. O que era aquilo, afinal de contas? Eles nunca sequer haviam se tocado intimamente, ou meramente se beijado; ainda assim, ele sentia seu peito palpitar todas as vezes em que a presença arrebatadora dela era o foco no ambiente.
E agora, estava ali. No foco de todo o fogo, no Três Vassouras, rodeada por todo um time de quadribol - o da sonserina - e sendo encarada por pelo menos três bruxos realmente velhos que podiam, de diferentes formas, perceber que ela era de menor. Estar ali não era o maior de seus problemas, em fato. Ela se esconderia atrás da asa de seus pais e se safaria com toda a certeza, como qualquer jovem estudante de Hogwarts faria. O maior de seus problemas certamente era ter uma cabeça minimamente perturbada que a fazia imaginar as mais diferentes cenas em que seu irmão pudesse estar presente, principalmente quando alterada. Sua cabeça perturbada era, também, o motivo pelo qual se encontrava ali agora com o time da sonserina e cercada por rapazes que não conhecia tão bem quanto gostaria. E também o motivo pelo qual suas pernas automaticamente se esgueiravam para cima da mesa onde estavam; ela sentiu o ritmo da música contagiar seus ouvidos quando começou a dançar sobre a mesa. Recebeu gritos e vários elogios, os rapazes do time se aproximaram e se apoiaram na estrutura. Não pararam de gritar, alguns tentavam se aproximar dela mas eram devidamente ignorados. sorria ignorando todos aqueles olhares. Estar naquele centro a agradava por partes.
Cedrico virou o resto de seu copo de cerveja amanteigada lançando seu olhar para a mesa onde a garota chamava a atenção de todos; olhou primeiro para sua saia, que ia até um pouco abaixo da metade de suas coxas. Ele cortou seu próprio olhar. "Esse não é você, Diggory!" ele repetia mentalmente. Subiu seus olhos para os dela, os viu fechados; ela acompanhava o ritmo da música em uma sintonia perfeita e não parecia se importar com a presença dos rapazes ao seu redor ou sequer com o olhar das garotas de desaprovação. Ele a viu abri-los e vacilar por um segundo olhando para ele. Abriu um sorriso. Aquela garota era conhecida na escola. Vê-la ali só tornava tudo mais interessante.
Um dos adultos presentes no recinto se aproximou empurrando os garotos do time de quadribol para o canto e abriu espaço até a mesa. A olhou de cima a baixo com a sobrancelha franzida e uma expressão nada amigável.
- O que é isso?! - ele a olhava incrédulo. - Desça já daí! - segurou a mão dela a trazendo para o chão. deu um saltinho parando no chão e rindo um pouco. Viu a expressão séria dele e passou a mão no rosto se ajeitando.
- Eu sinto muito. - ela disse séria olhando para ele. Uniu suas mãos na frente do corpo.
- É melhor sentir! - ele disse a empurrando pelo braço. - você nem tem idade pra estar aqui!
- Ei! - ela resmungou tentando se livrar dele. Uma mão externa interrompeu todo o problema com o homem, que ergueu seus olhos para o lufano a sua frente. Cedrico abriu um sorriso agradável e olhou para por alguns segundos.
- Pode deixá-la comigo, sr. Hempington. - ele removeu amigavelmente a mão dele do braço dela e sua outra mão envolveu os ombros da garota a puxando para perto. - sabe bem como são os Malfoy...
O homem olhou para ela e então para ele, sutilmente engoliu em seco e assentiu se afastando. Havia entendido tudo de primeira. Se ela era uma Malfoy, ele teria problemas com aquela situação. O Diggory olhou para ela erguendo seu rosto.
- E, você tá completamente doidona. - ele confirmou comprimindo os lábios e soltando uma risada amigável. - vamos. - ele a levou para fora. parou de repente olhando para ele de cima de alguns degraus da escada. Meramente se lembrava de ter ido parar ali mais uma vez graças a Draco. Ela sabia que ele a evitava, e percebia isso das formas mais dolorosas possíveis. Cedrico a olhou confuso tombando a cabeça. - você não vem?
- Quem é você? - ela disse colocando as mãos na cintura. - quer dizer, eu não posso simplesmente... ir com você sem saber quem você é! Eu não fico com qualquer um assim, no caso... Não bêbada..
- Eu sou o Diggory! - ele se justificou. - ei, não é nada disso. - balançou a cabeça entre uma risada amigável. - eu vou te levar de volta pra escola. Sabe que vai arranjar problemas se chegar lá assim, né?
Ela coçou a cabeça.
- É, isso é um fato. - ela confirmou se apoiando no corrimão. - mas... o meu irmão...
- Ei, eu acho que o Draco nem sabe que você tá aqui. - deu de ombros. - se ele soubesse, provavelmente já teria te caçado há muito tempo.
Ela assentiu cabisbaixa e respirou fundo indo até ele.
- Tá bem, Diggorfi.
- Diggory!

- x -

- Obrigada. - ela agradeceu olhando pelos corredores. Nenhum professor à vista pelo menos por ora. - por favor, não conte isso ao Draco.
- Aparentemente... - ele disse olhando os passos furiosos do loiro se aproximando. - eu não vou precisar, Blanchard.
- Não me chame de Blanchard, pelas barbas do profeta - ela disse rindo. - por favor, .
- "" - Draco disse com certa repulsa em sua fala. Olhou para Cedrico de cima a baixo. - e o que você faz aqui, Diggory? Perdeu a rinha de lufanos de hoje?
- Boa tarde, Malfoy! - ele disse acenando e rapidamente acelerando o passo para longe dali. Cedrico era o tipo de garoto popular e tranquilo, não arranjaria briga com o irmão da garota por quem acabara de se interessar. Apenas ignorou o comentário mesquinho e desapareceu no corredor. se apoiou na parede cruzando os braços e evitando o olhar de Draco.
- . - ele disse em bom tom. - o que esse cara veio fazer aqui?
- Ele me trouxe. - ela deu de ombros. - eu só tava no Três Vassouras, nada demais.
- Você bebeu? - ele disse se aproximando dela e sentindo o álcool. Se afastou um pouco. - , você não... argh, me desculpa por ter sido um babaca, ok?! Você não precisa fazer isso toda vez, porra!
- Está bem. - ela deu de ombros. - mas agora já foi. Você pode me dar licença? - ela olhou para os cantos procurando a porta para a sala comunal da sonserina. Ele bufou se afastando e dando espaço para que ela saísse e passou a mão pelo rosto. Pensava seriamente em contar sobre aquilo para seu pai, talvez assim pudesse evitar que ela tomasse decisões como aquela. Por outro lado, sabia que seu pai ia apoiá-la independente do que fosse. Xingou mentalmente.
correu pelas escadas das masmorras para o salão da sonserina. Sentia algo borbulhar dentro de si, talvez a vontade de vomitar por ter bebido ou talvez a vontade de socar a cara do irmão até que ele não conseguisse mais falar. Ele não reconhecia as próprias atitudes?! Ela desceu vendo Pansy sentada no sofá com Jackie e resmungou mentalmente por ter que passar por aquilo. Evitou sequer olhar para as garotas e foi se dirigindo diretamente para o seu quarto.
- Ei, . - a morena chamou descruzando as pernas de cima do sofá. - onde você esteve o dia todo?
- Eu saí - ela resumiu respirando fundo e fechando os olhos. Pansy se levantou e andou na direção dela analisando o rosto avermelhado da garota. Franziu o cenho.
- Saiu pra onde? - ela a olhou por baixo. - ah. - abriu um sorriso maldoso. - você bebeu, não é?!
- Não, eu..
- Você tá muito bêbada! - ela riu chamando Jackie com a mão para vir ver. - meu Merlin, que imagem incrível... ei, você consegue-
Pansy foi interrompida pelo impulso estomacal de . Ela acidentalmente vomitou nos pés da outra garota que adquiriu um olhar estático e completamente incrédulo. Olhou para cima e então para um canto.
- Desculpa... - ela murmurou enquanto procurava algo para limpar. - eu cuido disso!
- Garota! - Pansy disse quase em um berro e a olhou furiosa. Chacoalhou seu pé para tirar a maior parte do líquido e desaprovou Jackie, que ria um pouco. - quem você pensa que é, sua imunda?!
- Ei, não foi por querer! - cruzou os braços olhando para ela furiosa e continuou. - você me segurou aqui, me erra, Pansy!
- Não fale assim comigo! - ela deu um passo a frente apontando o dedo no rosto de . Ela revirou os olhos rindo de escárnio quando viu a atitude da outra que se adiantou pronta para tirar sua varinha. Draco se aproximou da porta da sala comunal com seus amigos e analisou o panorama geral da situação; viu Pansy pronta para atacar e viu sua irmã segurando o próprio peito como se precisasse de algum ar. Viu os pés da morena e entendeu tudo. Revirou os olhos se aproximando imediatamente, interrompeu o contato entre elas e segurou o braço de cuidadosamente.
- Draco! - ela começou. - ainda bem que você chegou, a sua irmãzinha está-
Ele ignorou as falas dela enquanto acompanhava pelo corredor até o dormitório feminino. Encontrou a porta do quarto que ela dividia com outra garota e a levou até lá.
- Eu tô bem. - ela se adiantou. - só preciso me deitar um pouco.
- Então se deite. - ele disse a ajudando a se sentar na cama. Os adereços verdes saltariam qualquer olho; a escrivaninha de era organizada e tudo o que havia espalhado por ela eram livros. Runas, história da magia, até mesmo clarividência. Ela gostava de todas as matérias. Havia uma pena que servia como abajur encantada por Narcisa e um suporte para um colar que Lúcio havia lhe dado de presente; ambos eram encantados, o que significava que nem mesmo o próprio Draco poderia colocar as mãos neles sem perdê-las. Ele puxou o pequeno banco suporte que ficava na frente da poltrona verde e se sentou. Apoiou os cotovelos nos joelhos olhando a garota a sua frente. fechou os olhos por alguns segundos e se jogou para trás na cama; ela olhou para o teto, onde algumas constelações se moviam de acordo com a realidade. Achava lindas as diferentes decorações que Dumbledore calorosamente mudava ano a ano para que os alunos tivessem boas vistas em seus quartos. Ela riu vendo algumas estrelas começarem a girar, dobrou suas pernas para cima da cama. Se colocou debruçada olhando para a coberta e ergueu suas pernas atrás de seu corpo.
Draco observou a forma que suas coxas tomavam quando se dobravam daquele jeito, e principalmente a curva perfeita que sua saia formava logo ao seu fim. Não tinha percebido que ela usava uma saia tão curta assim. Ou talvez não fosse mesmo tão curta? Ele olhou para o cabelo que ela jogou para trás e então para o chão de relance. Se levantou impulsiva e bruscamente olhando para a garota por mais alguns segundos.
- Onde você vai? - ela perguntou. Ele já estava do outro lado da porta, pronto para fechá-la.
- Resolver tudo com a Pansy. - resumiu, fechando a porta e a deixando sozinha. se virou para cima respirando fundo e fechando os olhos. Precisaria de um banho, com toda a certeza; talvez pela manhã. Por ora, ela apagou.


2. DCAT

- Vadia estúpida. - Pansy resmungou enquanto forçava sua pena contra o pergaminho fortemente. - eu precisei jogar meus sapatos fora, Jackie! É melhor aquela cadela me dar outro...
- Não acho que isso vai ser um problemão pra ela, Pansy. - Jackie, que mascava um chiclete, revirou os olhos. - o pai dela faria literalmente qualquer coisa pra ela.
- Ele não é pai dela. - ela disse, desviando seu olhar do pergaminho para a amiga e franziu o cenho furiosa. - não é. Ela é adotada. Uma órfã!
- Tá, tá. Que seja. - amassou uma bolinha de papel. - ei, por falar no demônio...
entrou na sala carregando seus livros e um pergaminho novo debaixo dos braços. Fez uma careta quando viu que toda a sala teve sua atenção desviada; a professora Sprout abriu espaço para ela alegremente, como geralmente mantinha seu humor.
- Oh, srta. . - ela disse entregando um vaso com alguns teixos dentro para ela. A garota ainda tinha uma expressão confusa em sua face e certamente ainda se sentia um pouco mal pela bebida do dia anterior. Sentia o que costumavam chamar de ressaca: sua cabeça doía, seus olhos às vezes giravam e seu estômago se revirava um pouco. Ela segurou o vaso assentindo positivamente.
- Perdão pelo atraso, Madame Sprout. - ela estendeu um pergaminho na direção dela. - aqui estão as tarefas.
- Muito bem. - Madame Sprout decididamente pegou o pergaminho e o colocou debaixo do braço enquanto limpava uma mesa para a aluna e a ajudava a colocar o enorme vaso sobre a mesma. - preciso reportar seu atraso, como certamente sabe, mas não acho que teremos problemas acerca disso. Que não se repita! - disse com uma expressão carinhosa. sorriu e acenou positivamente com a cabeça.
Ela pegou seu livro de herbologia e abriu na página que um quadro negro mágico indicava logo a sua frente e lá estavam as instruções da aula do dia. Era um trabalho em conjunto entre as matérias herbologia e poções. Precisava usar seus conhecimentos mágicos para fazer com que as mudas de teixo crescessem rapidamente em árvores diminutas e pusessem prover um pouco da substância curativa que eventualmente usariam na próxima aula de poções.
tentou não se concentrar ao redor. Precisava daquela seiva e precisava fazer o necessário para consegui-la, ou perderia pontos em sua casa por ter chego atrasada e não ter tido tempo o suficiente para terminar a tarefa. Ela ouvia as ofensas de Pansy algumas mesas atrás da dela. O ódio era genuíno e ela precisou torcer sua expressão para não se levantar e voar no pescoço da morena. Revirou os olhos ouvindo Jackie dizer algo como "Draco só queria evitar que ela o constrangisse ainda mais na frente de todo mundo". Pegou a terra nervosa e afundou no vaso. Ergueu sua varinha e apontou para o vaso tentando fazer com que as raízes crescessem mais rapidamente.
Respirou aliviada vendo que depois de talvez duas tentativas, o teixo crescia regularmente à medida com que sua varinha se erguia. Fez como o livro pedia e colocou um pouco mais de adubo e retirou a ligação de sua varinha; observou a diminuta árvore a sua frente tentar se manter erguida. Torceu muito pra tudo aquilo ter dado certo, e acabou tendo sorte daquela vez: o teixo se manteve firme. Ela pegou seu pergaminho molhando sua pena e fazendo as anotações necessárias em sua folha por talvez dez ou quinze minutos antes de ir até a professora entregar seu resumo.
- Madame Sprout- ei! - ela passou na frente da garota de cabelos avoados da grifinória que pareceu imediatamente ofendida. A conhecia de longe, elas compartilhavam a maioria das aulas; assim como Hermione, também se interessava pela maioria das matérias e se matriculava na maioria das aulas. Também se lembrava de ter se irritado duas ou três vezes com a arrogância intelectual da Granger. Ela não se improtava com a presença dela, na verdade, a via como uma inspiração. Sempre apreciou o esforço de Hermione, mas até então, sonserinos e grifinórios juntos parecia uma imagem extremamente distante da realidade.
- Oh! - a professora pareceu surpresa ao ver o teixo alto e bonito de . - belíssimo, srta. Malfoy! Mais dez pontos, é claro, a sonserina. - ela disse segurando o vaso. - vou pedir que o posicionem em sua mesa na classe do professor Snape. Está dispensada!
- Muito obrigada. - sorriu dando as costas. Viu Granger torcer o nariz e olhar para ela com certo desagrado.
- Peça licença da próxima vez! - a garota disse com as mãos na cintura. revirou os olhos, aquele era literalmente o pior dia pra algo assim.
- Claro, Granger. Vou garantir que na próxima vez que a sonserina ganhar dez pontos à frente da grifinória, alguém te peça licença. - ela disse pegando suas coisas e saindo de lá. Evitou o olhar zombeteiro de Pansy e bufou. Se sentiu imediatamente culpada por ter reagido impulsivamente e ter sido grossa com Hermione; aquilo certamente só diminuía suas chances de em algum momento poder se aproximar dela. O que podia fazer? Realmente, era um péssimo dia.
Ela cruzou olhos com Draco que se preparava para o treino de quadribol no fim do corredor e deu as costas para o loiro quando viu que ele talvez pretendesse dizer algo. Tinha alguns minutos livres antes do próximo horário, então decidiu ir até a biblioteca adiantar suas tarefas; começou a trilhar seu caminho pelo corredor.
- Ei, ! – Adriano, um artilheiro do time com quem ela tinha ido ao bar chamou. Corria na direção oposta a dela, estava atrasado; - você não tem aula agora, gatinha?
- Você pode chamar sua mãe de gatinha quando quiser, Pucey! - ela disse botando língua pra ele e cruzando os braços.
- Você é mais legal bêbada. - ele disse fazendo bico. - ei, quer sair mais tarde? Quero dizer, depois que a gente destruir a lufa lufa no treino. - riu.
- Obrigada, mas não. - ela disse forçando um sorriso e voltando a andar. Ele deu alguns tapinhas no ombro dela como se confirmasse e então voltou a correr na direção do resto do time. revirou os olhos; como pôde chegar ao nível de seguir Adriano para o bar? Se sentia uma imbecil por ter se deixado afetar por Draco tão profundamente.
Continuou a andar, mas foi interrompida mais uma vez. Dessa vez, os gêmeos Weasley tentavam vender caramelos incha-língua.
- Ei, Malfoy! - George começou;
- Deixa pra lá, George. Os Malfoy já têm línguas grandes pra caramba! - Fred fez uma cara engraçada. Ela cruzou os braços.
- Passa uns pra cá, vai! - ela disse erguendo as mãos. Eles se entreolharam curiosos e colocaram três pacotinhos na mão dela. - eu queria muito saber como vocês fazem isso. - ela olhou para os pacotes em sua mão rindo.
- Sonserinos sabem rir? - Fred olhou para George curioso.
- Vocês precisam mesmo parar de odiar tanto a sonserina. - ela balançou a cabeça negativamente. - e deviam saber que a maioria da galera da minha casa compra suas coisas!
- Quem é o distribuidor que vende pra sonserina?! - George franziu o cenho extremamente curioso e incrédulo, de uma forma engraçada. riu de leve colocando um caramelo na boca.
- Não sei, Fred, não posso dizer! - ela disse apontando a mão para a boca indicando que logo sua língua começaria a inchar enquanto ela acelerava seus passos pra longe dali.
- Eu sou o George! - ele disse enquanto dava uma cotovelada em Fred, que ria. Balançou a cabeça colocando as mãos na cintura. - vendemos pra uma sonserina. Acho que isso merece comemoração. Aloprar o armário do Filch ou o quarto da Gina?
- Gina, com toda a certeza!

- x -

andou na direção do estádio de quadribol com certa rapidez em seus passos. Seu rosto declarava sua culpa por estar atrasada, mas tinha seus bons motivos. Em fato, ela apenas tinha comido caramelo demais e acabado ficando com a língua inchada por mais tempo do que esperava; não queria aparecer ali com a língua inchada e se tornar chacota para a sonserina inteira, então acabou ficando mais tempo do que o esperado em seu quarto aguardando os efeitos acabarem. Entrou pelo canto e subiu na arquibancada onde alguns outros alunos que também não tinham aulas àquele ponto conversavam e trocavam feitiços amigáveis. Olhou de relance para Pansy que, na mesma linha que ela da arquibancada, não tirava os olhos de Draco. Resmungou mentalmente.
Os times da sonserina e lufa-lufa estavam posicionados e a partida estava pronta para começar. Viu o olhar de seu irmão atingir o seu e se sentou. Era uma de suas regras: não olhar por tanto tempo para Draco. Aquilo, quase sempre, resultava em alguma sensação que ela sentia precisar reprimir. Poderia facilmente descrever como a queda certeira ou uma festa de borboletas em seu estômago, mas evitava usar palavras como aquela, já que mais entregue parecia a cada vez que tornava a citá-las mentalmente. Ela viu Draco dar um aceno singelo e acenou de volta, sorrindo; colocou o cabelo atrás da orelha e ajeitou seu cachecol e sua capa enquanto virava seu rosto para o time da lufa-lufa. Lá estava ele: a estrela do ano. Cedrico Diggory, ela achava. O seu salva-vidas, por certo; o garoto que a tinha removido do Três Vassouras no dia anterior. Tombou seu rosto meio pensativa, mas o soar das trombetas que indicavam que o jogo começava fizeram com que ela acordasse por fim e se ajeitasse em seu banco acompanhando o pomo de ouro. Era sempre atrás dele que Draco estava.
Talvez alguns quinze minutos de jogo houvessem se passado quando ela resmungou um gol da lufa-lufa quieta e viu Pansy gritar um pouco revoltada. Revirou os olhos sozinha e cruzou os braços esperando que Draco finalmente pudesse pegar o pomo e acabar com aquilo de uma vez por todas.
Cedrico ria com alguns de seus amigos. Fizeram um toque e comemoraram o gol com algo especial, então ele se virou para a plateia. Os cabelos bicolores eram inconfundíveis, embora fosse um pequeno pontinho em sua visão. Ela assistia aos treinos? Desde quando ele nunca havia reparado naquilo? Olhou para o outro lado do campo e viu Draco choramingar com Blásio sobre seu time e então compreendeu a razão pela qual ela estava ali. Viu que ela o notou, já que seus olhos estavam colados nela por pelo menos cinco minutos a fio, então acenou. Se surpreendeu ao receber o aceno dela de volta e um sorriso que ele mal podia ver, mas tinha certeza de que combinava perfeitamente com o resto do rosto dela.
Olhou para o lado oposto e se concentrou. Agora ele tinha um motivo a mais para dar um show, não é?
passou seu olhar severamente de Draco para Diggory, e começou a notar nas jogadas do lufano. Ele era bom no que fazia. Tinha uma noção absurda e gritava ordens para o seu time de tempo em tempo; pareciam funcionar, mas o jogo estava empatado. Se Draco pudesse pegar o pomo, tudo acabaria. Ele chutou a bola violentamente contra o aro da sonserina e Milo foi incapaz de segurá-la; entrou, e mais um ponto foi marcado para a lufa-lufa. Todos se ergueram na arquibancada aplaudindo, inclusive a própria . Ela sorriu se erguendo e fazendo um gesto de vitória, para o qual Cedrico lançou um sorriso vitorioso e um gesto satisfeito.
Nenhum dos dois pareceu perceber o olhar ciumento de Draco que, pouco acima, tinha seus olhos colados em . O sorriso estava estampado no rosto dela, e não era para ele. Ele mordeu o lábio inferior desviando seu olhar e respirando fundo. O jogo recomeçou e dessa vez, ele tinha um motivo a mais para querer destruir o time da lufa-lufa. Sua estava em jogo. Sua irmã, ele queria dizer.
A morena se distraiu por alguns segundos vendo um grito abafado de Pansy e depois voltou seus olhos para o campo apenas para perceber Draco voar infamemente na direção de Cedrico. O Diggory tentou desviar, mas foi incapaz. Os dois acabaram caindo no chão e rolando.
- O que está fazendo, Malfoy?! – Cedrico pareceu um pouco assustado e se ergueu. A vassoura dele foi direto em sua mão; Draco se levantou olhando para ele com seu olhar autoritário de sempre.
- Eu? – riu. – eu estou ganhando, Diggory. – ele ergueu o pomo de ouro e os sinos foram tocados. pulou na arquibancada batendo algumas palmas junto com os outros presentes e viu o olhar de Draco encontrá-la com um sorriso de canto. O loiro encarou Cedrico por mais uns segundos e então se retirou com o resto do time da sonserina que pousava no chão, também.
Quando virou a curva para entrar de volta no colégio, estava ali esperando.
- Acho que falava sério quando disse que ia destruir a lufa-lufa, Terêncio. – ela piscou amigavelmente para o garoto. Ele envolveu os ombros de Draco com seus braços.
- É claro, garota! – ele riu. – mas, sendo sincero, se não fosse pelo seu irmão aqui, estaríamos fodidos. – fez uma careta.
- Se não fosse pelo seu irmão. – Draco repetiu dando de ombros e olhando para ela. – pode ir, Terêncio, eu já apareço no vestiário. – continuou, vendo o amigo dar as costas e voltar a caminhar. se apoiou na parede atrás de si e cruzou os braços, erguendo as sobrancelhas.
- Se não fosse pelo meu irmão. – ela riu, formando uma expressão orgulhosa e surpresa. – sabia que ia acabar com eles, Draco.
- Jura? – ele sorriu se aproximando dela. Alguns centímetros eram o necessário para que as pernas dela começassem a tremer levemente. – por alguns segundos eu jurei ver você comemorar o gol da lufa-lufa...
- É só um treino, Malfoy. – ela disse entonando o sobrenome dele de um jeito que sabia que ele gostaria. Abriu um sorriso. Ele olhou para os outros jogadores que entravam e então de volta para ela.
- Te vejo mais tarde. – resumiu, voltando a andar com o resto dos jogadores da sonserina em direção ao vestiário. , que tinha prendido sua respiração, voltou a respirar com um suspiro um pouco nervoso. Fechou seus olhos por bons minutos, nem sequer percebeu o Diggory aparecer logo a sua frente. Ela abriu os olhos dando um pequeno pulo de susto e rindo logo em seguida, colocando a mão no rosto.
- Diggory! – ela disse, rindo. – você quase me matou!
- Seu irmão quase me matou! – ele corrigiu rindo de volta. Olhou para ela rapidamente antes que tirasse as mãos da frente do rosto e pudesse olhá-lo de volta. – você sempre vem assistir aos treinos?
- Draco gosta que eu venha. – ela deu de ombros enquanto começava a caminhar ao lado dele.
- Você é o amuleto de sorte dele, Malfoy. – comentou, se colocando na frente dela. Colocou as mãos na cintura com uma expressão engraçada. – geralmente o time da sonserina não tem todo esse empenho nos treinos!
- Essa não é a tática? – ela disse colocando a mão na boca logo em seguida. – deixa, acho que eu falei de mais. – riu de leve.
- Você realmente não parece uma Malfoy. Nem uma sonserina, se quer saber. – ele disse a analisando. – você tem certeza de que foi honesta com o chapéu seletor?!
- Ei, pare de julgar meus irmãos de casa! – ela disse cruzando os braços. – você quer que eu comece a listar os motivos pelos quais você não tem cara de lufano também? Pra começar, você é útil!
- Ei! – ele riu, cruzando os braços. – ok, ok. Tudo bem! Obrigado por me considerar útil, eu acho. Sua naja.
- Eu não te dei essa intimidade, Diggorfi! – ela disse fazendo uma expressão exibida de brincadeira. Cedrico gargalhou colocando a mão na frente da boca.
- Não é brincadeira o tanto que você tava bêbada. – ele riu passando a mão no rosto. abriu a boca para se defender daquela acusação mas foi interrompida por um pequeno grito.
- Cedrico! – a garota gritou, vindo exasperada na direção dos dois. Trajava as vestes azuis da corvinal e respirou fundo olhando para os dois e forçando um sorriso de certa forma falso. – eu estava procurando você.
- E eu procurei você durante todo o treino também. – ele disse olhando para ela. – Cho, essa é a . , Cho!
- Eu conheço ela. – Cho interrompeu antes que ela pudesse erguer sua mão ou sequer cumprimentá-la. Ela apenas sorriu erguendo as sobrancelhas e acenou levemente. A asiática se voltou para Cedrico. – desculpa por não ter vindo, eu estava na aula de adivinhação. – olhou para novamente. – nós precisamos ir.
Cedrico olhou para com cara de cachorro pidão como se se desculpasse pelas atitudes dela. Cho o puxou e ele pediu que esperasse cinco segundos, então a garota fechou a cara e começou a andar na frente. engoliu rapidamente a saliva que acumulava. Ele tinha uma namorada, afinal de contas.
- Ei, me desculpa. Ela geralmente não age assim. – olhou para o outro lado. – eu te vejo depois, bêbada do 3V!
- Dá um tempo, Diggorfi. – ela revirou os olhos rindo e acenou. Observou o garoto correr na direção de sua namorada e bufou. Talvez não hoje, Malfoy. Não ele!

- x -

- Alastor Moody. - ele andou de um lado ao outro próximo ao quadro; ergueu seu giz e escreveu no mesmo, enquanto continuava ditando informações: - ex-auror e o seu novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Estou aqui porquê Dumbledore me pediu, fim da história. Alguma pergunta?
ergueu suas sobrancelhas olhando de relance para Draco, mas ele não pareceu receber seu recado. Estava ocupado observando o novo professor e o estranho olho giratório em seu rosto. Apoiou o rosto em sua mão e se concentrou no professor. Pansy tinha conseguido uma boa desculpa para fugir daquela aula, e aquilo lhe resultou em Jackie sentada ao seu lado. Analisava cada reação da Malfoy fajuta ao seu lado, como se estivesse pronta para relatar suas ações para a amiga cabuladora; estava cada vez mais farta daquele tipo de atitude.
Como o silêncio foi a resposta dos alunos, o professor continuou sua fala.
- Quando se trata de Artes das Trevas - ele olhou para Harry. - eu acredito em uma abordagem prática. Sendo assim, primeiramente: qual de vocês pode me dizer quantas maldições imperdoáveis nós possuímos?
- Três, senhor. - Granger foi a primeira a se voluntariar à resposta, como de costume.
- E por que recebem esse nome?
- Porquê são imperdoáveis. Se usar alguma delas,-
- Vai ganhar uma passagem só de ida para Azkaban. - ele olhou para a turma novamente recebendo alguns olhares assustados pela sua linguagem corporal estranha e sua voz bruta. - correto. O ministério argumenta que são jovens demais para compreender tais maldições, mas eu discordo! Vocês precisam saber o que vão enfrentar, precisam estar preparados! E precisa encontrar outro lugar para colocar o seu chiclete senão embaixo da carteira, senhor Finnegan - ele aumentou seu tom de voz. levantou os olhos para o aluno inconformado da grifinória.
- Ah, não é possível, ele pode ver por trás da cabeça! - resmungou.
- E também posso te ouvir! - ele disse, lançando uma bola de papel contra o aluno, que desviou. O professor recebeu alguns olhares surpresos. - então... de qual maldição falaremos primeiro? - silêncio. - Weasley!
- Sim! - Ronald engoliu em seco e ergueu seus olhos para o professor, assustado. conteve um pequeno sorriso. Achava divertida a forma como o ruivo sempre reagia mal a situações como aquela.
- Levante-se. - assim que o sardento se levantou, confuso, o professor continuou. - diga-nos uma maldição.
- Bem, há uma... - coçou a cabeça. - meu pai me falou sobre, um dia... a maldição Imperius.
- Ah, é. O seu pai sabe tudo sobre essa. Ela deu muito trabalho ao ministério alguns anos atrás. - ele se virou. - talvez isso lhes mostre porquê.
Ele andou na direção da mesa que precedia o quadro. Haviam alguns potes ali, alguns continham água, outros alguns tipos de poção; outros, insetos. Ele pegou um inseto de um deles e o colocou em pé sobre sua mão, apontou sua varinha e fez com que o mesmo crescesse. Então, ditou:
- Imperio! - e ergueu sua varinha. Todos observavam atentamente enquanto o professor fazia com que o inseto pousasse sobre a cabeça de vários alunos; sorriu vendo a pequena aranha parar em sua frente e beliscar sua mão, e então riu da reação atrapalhada de Draco ao receber o inseto em sua cabeça. Todos pareciam se divertir com o momento.
- Mas, o que devo mandá-la fazer agora? - puxou o inseto contra a janela. - pular da janela? - e então, o trouxe para perto, por cima de um balde. - afogar-se? - e então a colocou novamente sobre sua mão. - muitos bruxos e bruxas alegaram que só obedeceram as ordens de você-sabe-quem porquê eram controlados pela maldição Imperius, mas tem um problema. - respirou fundo. - como descobrimos os mentirosos? Outra. Outra!
Todos os alunos ergueram suas mãos, mas ele observou Neville, na primeira carteira. O aluno hesitava bastante em erguer sua própria mão, mas parecia ansioso para responder àquela pergunta.
- Longbotton, não é? Levante-se.
Ele se levantou, cabisbaixo e amendrontado.
- A professora Sprout me disse que você tem aptidão para herbologia. - o professor o encorajou. Neville sutilmente balançou sua cabeça.
- A maldição Cruciatus. É...
- Correto! - ele vibrou, indicando que o aluno o seguisse até a frente. - venha! É desagradável, trata-se da maldição da tortura. - apontou a varinha para o inseto.
- Crucio.
O inseto gemia e quase toda a sala podia ouvir um pouco de seus agonizantes gritinhos. fechou os olhos por um segundo e então se apoiou na mesa. Não saberia explicar o frio que percorreu sua espinha ao ver Neville ser severamente afetado pela reação sofrida do pequeno animal; Hermione olhava para os cantos procurando por algum voluntário, incrédula por ser a única estranhando o que ocorria ali. Seus olhos se encontraram por alguns segundos, mas a garota lhe lançou uma expressão zangada e se levantou.
- Pare! - ela exigiu. - não vê que está machucando ele?!
O professor Moody pareceu cair em si imediatamente e tirou sua varinha da frente do inseto. Neville respirou fundo e procurou sua carteira ainda afetado pela ideia do inseto sofrendo a sua frente.
- Talvez, srta. Granger - ele andou até a carteira dela, levando consigo o inseto e colocando-o sobre seus livros. - possa nos dizer a última maldição.
- Não. - ela negou, balançando a cabeça. Moody olhou para ela como se estranhasse o fato de não querer ditá-la.
- Ninguém? - ele olhou ao redor. respirou fundo, o contato visual que o professor mantinha com ela era severo. Desde o momento em que entrara na sala até o último segundo, onde parecia esperar algo dela.
- A maldição da morte. - citou, erguendo os olhos mas sem se levantar da carteira. Todos os olhos da sala pararam no rosto da garota. - sinto muito senhor, mas não há permissão para que citemos esse feitiço dentro da sala. - balançou a cabeça inconformada.
- Avada Kedavra. - ele enunciou quase como se estivesse acostumado. O raio verde se lançou e envolveu o inseto, e então o mesmo caiu ao chão. Seu corpo sem vida se estirou e então todos os alunos engoliram em seco, confusos e inconformados. olhou para o inseto sem uma reação pronta, e então recebeu os julgamentos de Jackie, que parecia debochar dela, e de Hermione que, do outro lado da sala, parecia se revoltar com as atitudes dela. Harry olhava para o professor com certo medo, uma atitude arredia. Engoliu em seco e todos ao seu redor puderam notar sua reação um pouco amedrontada.
- Não esperava menos de uma aluna como a senhorita, srta. Blanchard. - o professor sorriu de canto olhando para . - estão dispensados.
imediatamente se levantou evitando contato visual com o professor. Viu Draco se levantar na frente dela e lhe lançar seu olhar preocupado; andava na direção dela. Viu Harry, Hermione e Ronald passarem por ela com certa desaprovação. Os amigos do Escolhido pareciam ampará-lo depois do acontecido.
Draco se aproximou mas foi afastado pela voz grosseira do professor.
- Você não, . - ele disse se apoiando na mesa. - quero falar com você.
Todos os alunos se retiraram da sala, inclusive Draco. Ele olhou para ela uma última vez antes de sair e ela assentiu como se estivesse tudo bem; não fechou a porta atrás de si e tampouco . Estava com medo, se precisava dizer, e não queria estar em um ambiente fechado com aquele novo e estranho professor. Moody ergueu sua mão pedindo que ela se aproximasse. Sua outra mão erguia o corpo do inseto do centro da sala e o levava até a lixeira mais próxima.
- Soube desde o início que tinha aptidão para DCAT, srta. Blanchard. - ele sorriu.
- Malfoy. - ela consertou. - desculpe, senhor, é que...
- Oras, por favor. - riu. - Pode me chamar de... - ele olhou para os cantos bebendo um pouco de seu cantil. - de Moody. Não me trate como um auror, sou seu professor agora.
Ela assentiu sem dizer nada. Pareceu ansiosa para sair logo dali e lhe lançou seu olhar confuso que automaticamente perguntava o porquê de ter sido solicitada.
- O motivo pelo qual pedi para que ficasse - ele se levantou se apoiando em sua bengala. - é para prestar minhas condolências pela morte de seus pais. Eles eram... - ele olhou para ela com um sorriso assustador. - incríveis.
- Eles eram comensais. - ela corrigiu, olhando para ele um tanto quanto confusa. Franziu as sobrancelhas. - me estranha um pouco um ex-auror ter boas coisas a dizer sobre comensais da morte, professor.
- Eles não eram apenas comensais, , assim como você não é apenas uma boa aluna. - ele passou a mão pelo topo da cabeça dela como se aprovasse a garota de alguma forma. deu um passo para trás. - você sabe que tem talento.
- Não acho que isso importe algo aqui. - ela limpou a garganta cortando a fala dele. - todos nós aprendemos igualmente.
Moody tombou o rosto para trás respirando fundo.
- É claro. - ele disse, parecendo um pouco desistente. - não se esqueça do dever de casa. - rodeou sua mesa até parar na frente de alguns papéis espalhados por ali. - ah, e por favor, quando descer, peça que o garoto Longbotton venha até aqui. Precisamos conversar um pouco sobre a aula de hoje.
assentiu sem pensar muito e correu para fora da sala. Ela apoiou seu corpo contra a parede e respirou fundo fechando os olhos; aquilo foi assustador. Não sabia como lidar com a situação ou se devia dizer algo a alguém. Talvez Draco?
Pensou em Cedrico, mas afastou essa ideia de início. Desceu as escadas rapidamente vendo Neville parado observando uma das janelas de vitral por ali.
- Neville, - ela apoiou sua mão no ombro do garoto. - tudo bem? O professor chamou você na sala dele. - avisou, vendo o garoto assentir e subir as escadas. Voltou a descê-las até o andar de baixo. Parou novamente passando a mão pelas madeixas bicolores e respirou fundo;
- Ei. - Draco se aproximou dela quando a multidão de alunos que esperavam o horário das próximas aulas se dispersou por fim. Ela se escorou no vão da porta de uma sala que estava fechada e abraçou a si mesma. O irmão se encaixou no espaço que restava ali, deixando algum espaço curto entre os dois. olhou para cima, para o rosto dele. Tinha um ponto de interrogação enorme em sua face.
- O que houve lá em cima? Sei lá, por que ele queria falar com você? - ele perguntou cruzando os braços e observando-a de cima. Tinha um olhar autoritário, quase como se ela o pertencesse. Na verdade, só estava preocupado.
- Nada, eu não sei dizer. - balançou a cabeça. - me disse que eu sou talentosa e que meus pais eram bons. - deu de ombros.
- O Moody conheceu seus pais? - ergueu as sobrancelhas.
- Ele é um auror, não é? - ela o olhou erguendo uma sobrancelha. - era. - corrigiu. - deve ter lutado contra eles várias vezes.
- Você está bem? - Draco cortou o assunto. pareceu querer baixar o rosto, mas ele imediatamente o ergueu. Segurou o queixo da garota observando seus olhos heterocromáticos lhe dizerem que estava confusa e com medo. - acha que eu devo dizer algo para o papai? Você está com medo.
- Não precisamos dele. - ela disse olhando para os olhos de seu irmão adotivo, e então sua boca. Draco virou o rosto soltando-a quase como se aquilo lhe fizesse mal.
- Você tá certa. - ele concordou, balançando o rosto. - eu acho que vou sair um pouco com o Goyle. Se precisar de mim, sabe onde me achar. - tentou dizer algo mas foi cortada pela reação imediata dele, e quando chamou pelo nome de Draco para que ele voltasse, foi ignorada. Ela olhou para o teto.
Por que precisava ser ele, dentre todas as pessoas do mundo?

3. Ruivos


O dia seguinte não foi em nada interessante. Até o fim de suas aulas, esteve pensando sobre quando poderia finalmente conversar com - a amiga estava fora por uma semana, graças a um ferimento em uma das pernas com uma razão controversa. dizia que tinha sido atingida por um fogo de artifício Weasley, mas qualquer um no castelo sabia que ela gostava de uma boa briga.
Quando por fim ouviu o canto dos pássaros indicar que o campus já estava lotado, ela saiu da sala atual e foi até o capus central. Colocou seus livros em um dos murinhos que separavam as pedras da grama e se sentou ali.
Se sentia sozinha. Ela observou alguns grupos conversarem; não podia deixar de pensar que estava na casa errada. Ela não se sentia como uma sonserina na maior parte de seu tempo e ela odiava o status detestável em que sua casa se encontrava dentre as outras. Era injusto, ela sabia.
Olhou para o trio dourado passando e escolhendo um lugar para se sentar. O ruivo incomodava a Granger com alguns cutucões, e o famoso Potter parecia atento a outra coisa; não dava atenção aos dois.
- Não, . - ela passou a mão pelo rosto, virando-o. - Eu não quero fazer isso, não! De jeito nenhum!
Depois de alguns minutos, se levantou e andou na direção deles. Assim que o Weasley notou sua presença, rapidamente deu alguns tapinhas no braço de Harry. O garoto franziu o cenho quase que imediatamente e se atentou a aproximação repentina dela.
Hermione torceu o nariz.
- Aconteceu algo, Malfoy? - Harry perguntou, antes que qualquer um dos dois pudesse falar antes de si. Hermione cruzou os braços.
- Eu, hm, posso falar com Granger a sós...? - ela coçou a cabeça. Hermione resmungou algo.
- Se quer algum dever, eu não vou passar. Se quer dizer algo, pode muito bem dizer na frente dos meus amigos. - ela empinou o nariz, como o usual. quis sumir, mas não podia culpá-la. Ela respirou fundo.
- Tudo bem. Não quero seus deveres, não se preocupe. - ela gesticulou. - Eu vim me desculpar pela aula de herbologia. Não quis ser grossa com você, acho que eu só estava tendo um dia ruim. - deu de ombros.
Hermione pareceu desconfiar a princípio, e ainda sem confiança, respondeu:
- Todos temos dias ruins, eu acho.
- É, mas quem tá na sonserina parece só ter dias ruins, nesse caso. - Rony se intrometeu. Harry e Hermione se entreolharam como se ele tivesse dito algo proibido, e então voltaram seus olhos para , que a esse ponto, riu um pouco.
- Eu entendo o preconceito. - admitiu. - E tudo bem, eu acho. Tem muita gente metida nessa casa - apontou para o broche em sua capa. Ela arrancou uma pequena risadinha de Hermione, que fez Harry se acalmar.
Ela olhou ao redor como se não houvesse mais nada para ser feito ali e então passou as mãos pelas pernas.
- Nesse caso, é melhor eu ir. - apontou para trás, começando a andar. Hermione assentiu, e os outros dois finalmente se sentaram. deu as costas e voltou ao seu ponto inicial, olhos fechados e quase suava frio. Jurava que desmaiaria.
Sofrer de ansiedade era um mal que ela não desejaria para seu pior inimigo. E quase como por coincidência, um rapaz alto passou perto dela rapidamente. Ela olhou para trás sem perceber que ele já estava na sua frente.
- Agora você faz amizade com esse tipo de gente? - o meio irmão olhou para o trio com certa repulsa, e ela acompanhou seu movimento.
- Seu problema com o Harry é ter tido um pedido de amizade rejeitado no passado, Draco? - resmungou. - Não tem nada demais com eles.
- Uma sangue ruim nojenta, "o escolhido" e famoso Potter e um dos ratos Weasley. É claro. Papai e mamãe ficarão satisfeitos sabendo com quem você se envolve aqui.
A garota olhou para ele por poucos segundos antes de desistir daquela discussão e pegar suas coisas. Ela não olhou mais para trás quando decidiu deixá-lo falar sozinho. Brigar com Draco a machucava profundamente. Era inevitável, principalmente tendo sido criados juntos, mas ainda assim doloroso. Ele era seu confidente, alguém em quem confiar desde sempre. Era horrível sentir que não tinha mais ninguém ao seu lado, principalmente quando estava fora por licença médica.
Bufou e desceu até a masmorra da sonserina, pretendia tomar um bom banho antes do banquete da noite. Dumbledore anunciara, naquela manhã, novidades. Todos estavam ansiosos para o jantar.
- 🐍🖤 -

- Cálice de fogo? - alguém cochichou atrás de , resmungando. - Nós vamos poder colocar nossos nomes?
Dumbledore havia começado seu discurso e todos pareciam ansiosos. Naquele ano, Hogwarts sediaria o Torneio Tribruxo - evento lendário no mundo bruxo. Dois colégios diferentes haviam sido convidados. Durmstrang, na Rússia, e Beauxbatons, um colégio só para garotas francês.
Os garotos entravam primeiro. Eram fortes, mal encarados. Seus olhos pareciam poder esmagar qualquer estudante de Hogwarts em um pio que fosse. O diretor, Karkarof, era um homem estranho e comprido, esguio, com um bigode anormal. já havia ouvido falar nele; era famoso por seu testemunho durante a primeira vez em que Lord Voldemort estivera assombrando o mundo.
Estava acompanhado pelo garoto que lhe parecia ser a aposta de Durmstrang, Viktor Krum. Era alto, maior do que os outros. O cabelo raspado e vestes parecidas às outras, e olhos levemente puxados. As garotas suspiravam quando o viam passar, e pôde ver do outro lado da mesa a revirada de olhos de quase todos os garotos presentes no salão.
As garotas que entravam em seguida tinham leveza na forma como andavam, dançavam e até mesmo uma fala candente e serena. Todas com cabelos presos em rabos de cavalo baixos, vestes azuis e um andar sincronizado que chamou a atenção de todo e cada garoto presente no salão. Algumas meninas pareceram incomodadas - Pansy, dentre elas. achou linda a garota que entrava naquele instante no salão. Fleur, como sua diretora disse. A mulher era alta, bem mais alta do que até o próprio Rúbeo. Com toda certeza, haviam genes compartilhados por ali.
Dumbledore ergueu os braços cumprimentando Karkaroff e a gigante, e então voltou a seu palanque decorado em uma fênix de ouro.
- Com todos presentes, ditemos as regras. Depois de muito discutir, chegamos a conclusão em conjunto com o ministério da magia que, apenas alunos acima dos dezessete anos poderão competir no torneio. - Muitas vaias e reclamações foram ouvidas, e então o professor ergueu a mão pedindo silêncio. Novamente, o silêncio se instaurou. - Três tarefas serão realizadas e, aquele que resistir ao fim delas, será o vencedor do torneio e levará a taça para seu próprio colégio. O cálice ficará no aguardo aqui mesmo, no salão, para que os alunos que desejam possam se inscrever. Basta escrever seu nome em um pequeno pedaço de pergaminho e atirar ao cálice. Boa sorte, eu lhes ofereço. - Ele ergueu os braços pedindo que todos voltassem ao jantar.
As mesas se encheram com diversos tipos de pratos diferentes, sabores diferentes de sucos e doces por toda parte. colocou um pouco de peru e batatas em seu prato e ergueu os olhos para a mesa da lufa-lufa.
Ali estava o Diggory, dentre seus amigos. Parecia feliz e satisfeito, todos davam pequenos socos como se dissessem confiar nele. Ela pôde supor que ele se inscreveria no torneio, e concordava de certa forma, que o garoto era provavelmente o mais brilhante aluno do colégio. Os olhos de todos os professores brilhavam ao falar dele. Se fosse o herói de Hogwarts, ela confiava na possibilidade de vencerem o torneio.
Abriu um pequeno sorriso vendo-o se divertir, vendo o sorriso confiante que ele carregava. Os olhos do rapaz se ergueram para a mesa da sonserina e encontraram os dela. Ela bateu pequenas palminhas e deu um sorriso que ele retribuiu, após acenar levemente, de forma que ninguém notasse.
Pansy, por um lado, notou. E pela primeira vez, optou por ficar em silêncio.
- O que é que você tem, hein? - Jackie perguntou, mordendo uma rosquinha. Pansy apontou com os olhos para Diggory.
- Eles estão juntinhos demais. Espere um tempo, e essa garota não vai mais estar colada no Draquinho. - sorriu de canto.
sorriu sozinha e se voltou ao seu prato. Comia devagar, apreciando o gosto da comida, que parecia até ter ficado melhor agora.
Quando finalmente se sentiu cheia, ela se retirou da mesa e desceu até a masmorra da sonserina. Pegou sua pena e um pergaminho e começou a redigir uma carta para .
Querida ,
Eu não aguento mais esse colégio sem você. Seria mais fácil arrancar um braço. Teremos torneio tribruxo esse ano, em Hogwarts, então trate de melhorar logo pra poder presenciar o cálice escolhendo seus lutadores.
Minhas apostas são: Victor Krum, Fleur e o Diggory. Você sabe que ele é forte, que ele é inteligente e que é além de um excelente voador, um excelente bruxo também. Sabe feitiços que nós nem sonhamos ainda, então acho que ele é capaz. Estive conversando com ele recentemente e descobri que lufanos não são tão chatos assim; consegui fazer as pazes com a Granger, apesar de achar que ela não é lá minha fã também.
Draco está difícil. Ele diz que só posso me relacionar com sonserinos, mas a verdade é que sem você aqui, eu fico sem opções. Nenhum deles me dá muito espaço, e você sabe bem como é pra mim.
PS: pretendo beijar um gêmeo Weasley em breve e espero que você não se importe. Você ainda pode beijar o outro, por sinal.
Beijos, . (Volte logo!)

Ajeitou a carta em um papel bonito e derramou um pouco de cera sobre a divisória, carimbando o símbolo da sonserina e entregando para sua coruja que aguardava solícita em um poleiro perto de sua cama. O animal pegou a carta entre o bico e voou para fora do quarto dela ainda pela porta, pronta para sair da masmorra por sua entrada. A coruja fez com que Draco se abaixasse. Ele estava encostado na porta do quarto dela.
piscou confusa olhando para ele.
- O que você quer?
- Não fique toda convencida. - ele resmungou, finalmente entrando. - Acho que exagerei com você mais cedo. Você não entende que é boa demais pra essa gente, eu não devia ser tão duro quanto... Bem...
- Quanto o papai? - ela ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços. - É, você soou exatamente como ele lá embaixo.
Ele bufou como se não soubesse exatamente como continuar aquela conversa. Draco sempre era julgado pelos alunos de outras casas e arriscaria dizer que até mesmo por seus amigos como um garoto mimado e estúpido. Ela não podia culpá-los, ele realmente agia assim a todo tempo com pessoas de fora. Mas ela era arbitrária naquele assunto. Não compartilhava da opinião dos outros alunos, não. Ela crescera com o garoto, e desde que eram crianças, ele demonstrava ser uma pessoa extremamente diferente fora do campo de visão do pai.
conhecia o interior de Draco, e ela sabia que algo bonito tentava crescer ali - embora não fosse fácil para um garoto cujo sangue que corria nas veias era o de um sonserino nato. Ela podia compreender os motivos para que aquela conversa fosse difícil para ele.
- Não se preocupa, eu não liguei. - ela deu de ombros, subindo as pernas e sentando em perninhas de índio na cadeira de sua escrivaninha.
- Eu sei que não ligou. Essa é a pior parte, na verdade. - bufou novamente, incomodado. Ele ficou parado por ali por alguns segundos, o que fez pensar que havia algum motivo em especial para estar ali.
- Onde estão Crabe e Goyle?
- Enchendo o saco de alguém com a insuportável da Parkinson. - o loiro se aproximou da cama dela e se sentou virado para ela. fez uma expressão engraçada e deu uma leve risadinha.
- É... - Concordou com a cabeça. - Acho que é impossível discordar de você nisso. Mas ela gosta de você, isso também é inegável. Ela com certeza quer seu corpo nu na caminha dela.
- . - Ele praticamente recitou o nome dela, um tom severo. Havia um sorriso linear em seu rosto, mas pôde ouvir que aquilo soou como um aviso. Ela ergueu uma sobrancelha em um impulso instantâneo, quase como se seu corpo a forçasse a desafiá-lo.
- Qual é, você vai negar que a Pansy quer beijar você? - ela riu de leve, apoiando as mãos atrás do corpo. - Esse é o crush mais óbvio do colégio inteiro!
- Não exagera, ! - ele resmungou. A garota se levantou e foi até a cama, se aproximou de Draco e ameaçou fazer cócegas nele.
- Você sabe bem que ela quer pegar você, Malfoy! E ninguém pode duvidar que você também quer pegar ela, na real! - ela brincou.
- Eu só vou dizer uma vez: se você fizer isso- o interrompeu e suas mãos atacaram o meio irmão com cócegas. O garoto riu de leve reagindo aos impulsos que ela causava nele. Em poucos segundos, os reflexos dele o fizeram agarrar os pulsos dela. Não havia força em sua atitude, somente firmeza. Ele não queria machucá-la, mas conseguiu afastá-la de si a empurrando em sua cama. Segurou as mãos da garota sobre sua cabeça; desfez um sorriso em seu rosto assim que notou a proximidade entre os dois, mas Draco não parecia ligar para aquilo agora.
- Devia ser bem claro pra você que eu nunca ia querer a Parkinson, , quando obviamente quem eu quero é você. - Ele disse baixo, quase como se não quisesse ouvir ele próprio. sentiu um arrepio percorrer seu corpo, seus olhos desceram para os lábios dele. Draco respirou fundo e ela sentiu o ar quente contra seu rosto, fechou os olhos mordendo o lábio. Ela esperava que aquilo virasse algo a mais. Não podia negar que se sentia culpada por sentir tudo aquilo pelo seu irmão postiço, mas também não podia negar que diariamente repetia para si mesma que Draco não era seu irmão, tampouco Malfoy seu sobrenome.
Quanto mais seus sentimentos por Draco afloravam, menos seu sobrenome era o mesmo que o dele. O nome "Blanchard" era a única certeza que a fazia validar o que sentia por ele. A única coisa que a fazia sentir que não estava errada em tudo aquilo.
Ele se ergueu a soltando rapidamente e passou a mão pelo rosto. se sentou em sua cama novamente, em silêncio. Ajeitou suas roupas respirando fundo e evitando os olhos dele. Draco foi em direção a porta.
- Talvez você tenha razão. - pausou. - Talvez eu realmente dê mole pra Parkinson.
- Como é? - franziu o cenho, olhando na direção dele. Foi como um susto, como um estilhaço. Ele quase pôde sentir as consequências da granada que acabara de explodir por ali afetarem-no. Não, não podia permitir que nutrisse os mesmos sentimentos que ele.
Se aquilo acontecesse, os dois estariam perdidos. Talvez ele devesse ligar para Pansy, talvez isso o ajudasse a lidar com seu problema - com .
- Eu vou levá-la ao baile. - ele disse, encerrando o assunto e saindo do quarto. olhou para a porta por mais alguns bons minutos antes de finalmente cair em si. Tinha uma respiração inconsistente, algumas lágrimas teimosas que queriam sair de seu rosto. Apoiou-o na mão e limpou o traço molhado que elas formaram em suas bochechas.
não conseguia entender os sentimentos de Draco, e sabia que eram conflitantes como os seus. Apesar de compreender, ela não sabia aceitar direito a forma como ele lhe tratava. Ela era, supostamente, diferente de todo o resto do mundo; a única pessoa que ele tinha ao seu lado de verdade, a única que tentava olhar por ele e, ainda assim, quem ele mais destratava.
- Sabe de uma coisa? - ela disse para si mesma, olhando para o espelho. - Nada nos anima melhor do que gemialidades Weasley.
- 🐍🖤 -

O corpo dela foi prensado contra a parede com intensidade. subiu suas mãos pela nuca do ruivo, suas unhas arranhavam o local levemente; sentiu as mãos dele segurarem seus quadris, a erguendo em seu colo. O beijo deles era intenso, quase algo necessário e emergencial; suas línguas dançavam um dueto, como se os dois compartilhassem uma sintonia quase idêntica: o desejo. Não havia sentimentalismo ali, apenas um momento - um extremamente raro - que estava sendo igualmente aproveitado e compartilhado pelos dois.
A Malfoy envolveu suas pernas ao redor da cintura de Fred, os beijos dele desciam pelo pescoço da menor com vontade. As mãos dele dançavam em seu corpo; uma delas desceu apertando o quadril dela, a outra, passeava por sua coxa sentindo cada centímetro da pele dela excitá-lo cada vez mais. tombou a cabeça na parede e fechou os olhos, mordeu o lábio inferior tentando conter alguns arfares altos; os lábios dele trilhavam marcas sutis pelo seu pescoço e colo - uma das mãos dele subiu ágil por baixo de sua camisa. soltou um gemido sutil quando sentiu a mão dele finalmente contornar seu seio e estimular seu mamilo ainda por baixo de sua camisa. Ele sorriu de canto vendo a expressão dela mudar de simples desejo para um puro e necessário prazer.
A garota ergueu o rosto dele para si tomando seus lábios novamente para si, sua urgência voltara. Ela realmente sentia que podia continuar aquilo até o final, mas sons do lado de fora fizeram os dois pararem por alguns segundos. Fred a deixou retornar ao chão, ainda apoiada contra a parede. O garoto colocou o indicador nos lábios, pedindo que ela fizesse silêncio.
olhou por trás do braço dele quando sentiu o corpo dele se colar contra o seu novamente, a mão do ruivo subir por sua coxa por baixo de sua saia. Ela olhou para ele com um sorriso malcriado e mordeu o lábio, virando-se de costas para ele. Apoiou as duas mãos na parede a sua frente e empinou seu corpo, arqueando-se na direção dele. Seu quadril se colou no corpo dele atrás de si, Fred fechou os olhos sentindo o corpo dela contra o seu; apoiou uma das mãos na cintura dela, a puxando para perto, e outra na parede ao lado da garota buscando por apoio. deitou o corpo no dele, enquanto o Weasley tirava os cabelos dela da frente de sua nuca e começava então a depositar beijos intensos por ali. Ela se arrepiou novamente e soltou um leve gemido, que ele gostou muitíssimo de ouvir.
- Quando poderia imaginar que você gemeria pra mim, Malfoy? - ele sussurrou no ouvido dela, mordendo sua orelha em seguida. abriu um sorriso de canto.
- Cala a boca, Weasley. - sussurrou, entre alguns arfares e um sorriso sujo, - Se eu soubesse que você me faria gemer assim, já teria feito isso antes...
A mão do ruivo que se estacionara em sua cintura passou a descer por sua barriga e baixo ventre. sentiu a excitação subir por seu corpo mas, ainda antes que ele pudesse chegar à sua intimidade, a porta se abriu. Filch entrava com um lampião e conferia o ambiente com madame Norrra.
Fred estava calmo e calado e, apesar de um pequeno susto inicial, a garota compartilhou sua atitude. O garoto parecia ter tido um bom plano para aquilo, já que o zelador não pareceu tê-los visto. Filch rapidamente saiu após conferir e fechou a porta atrás de si. respirou aliviada enquanto o Weasley se afastava um pouco dela com um sorriso vitorioso no rosto.
- Deixa eu adivinhar: não posso falar com ninguém sobre isso, esse é o nosso segredinho, isso não vai acontecer de novo e blablablá. - ele disse com uma cara engraçada.
- Na verdade - ela respirou fundo, ajeitando seu cabelo bagunçado. - Eu só ia perguntar como raios ele não nos viu.
- Perguntou isso pro Weasley errado. Eu nunca vou revelar meus truques a uma Malfoy. - brincou, piscando para ela. revirou os olhos com uma risada leve.
- Ok, agora sim: esse é o nosso segredinho e blablablá. Que isso não vai acontecer de novo... - ela olhou para um lado e para outro, ponderando. - Eu não posso confirmar. - sorriu de canto.
- Tudo bem, Malfoy, você merece. - ele piscou para ela. - É só um feitiço bobinho. Outros teriam nos visto, mas com sorte, não o Filch. Ah, e sobre seus produtos... - ele coçou a cabeça. - Eu ia mesmo te dizer antes de você me atacar, mas...
- Weasley. - ela alertou, com um sorriso no rosto. Ele riu.
- Eu não pude trazê-los de cara, já que esse psicopata estava andando por aí. - se referiu a Filch. - Quando pode me encontrar aqui de novo? Eu posso trazer mais tarde, mas talvez uma aluna exemplar como você não queira quebrar o toque de recolher.
ergueu uma sobrancelha chocada pela audácia do garoto.
- Eu te vejo aqui mais tarde, então. - foi sua única resposta. Ele assobiou e então assentiu, saindo do local primeiro. Ela esperou alguns minutos antes de sair de lá e ver os alunos andando pelo corredor em direção a suas respectivas salas comunais. O toque de recolher estava próximo.
foi para a masmorra da sonserina mais uma vez, se recolheu em seu quarto. Olhou para a cama vazia de mais uma vez e resmungou. Era bom ter o quarto todo para si, mas ruim viver na falta de sua amiga. Pensou que talvez devesse enviar mais uma carta a ela, falando sobre Fred; antes que pudesse fazê-lo, o toque de recolher foi anunciado pelo miado alto de um gato e pelos gritos dos professores revoltados pelos corredores. Ela fechou a porta de seu quarto, incomodada com a voz esganiçada de Pansy no quarto da frente. Se deitou em sua cama.
Ficar sozinha nunca era bom para . Não quando sua mente só conseguia recordar Draco, por ora. Ela tentava trazer o rosto feliz e solícito de Cedrico ou até mesmo os beijos quentes de Fred, mas só conseguia se lembrar da expressão intensa que o meio-irmão carregava quando, sobre ela, dizia algo sobre querê-la. Ela sentiu aquilo, por um momento. Sentiu que ele a queria - e podia dizer com toda certeza e coerência que também o queria. Entretanto, haviam muitas entreposições que faziam com que eles fossem um casal praticamente impossível.
Aquela era a parte que tornava a solidão difícil para a Malfoy.
Ela perdeu a noção do tempo, até quando percebeu o relógio girando perto de si. Se ergueu rapidamente se lembrando do combinado que havia feito com Fred. Pegou agumas moedas em sua escrivaninha e sorrateiramente se esgueirou para fora de seu quarto, e então para fora da masmorra. Ela conseguiu sair com facilidade, e até mesmo seguir os corredores na direção do armário onde estavam. Com alguma sorte, não era tão distante assim da masmorra da sonserina. Ela jurava que Filch estava mais rabugento naquele dia em específico, já que o zelador aparecia o tempo inteiro pelo mesmíssimo corredor.
Abriu a porta do armário com cuidado para não fazer tanto barulho e entrou. Ela deu uma olhada pelo local mal iluminado e encontrou a silhueta do Weasley sentado em um banco velho por ali. Tinha a cabeça apoiada na parede, as mãos soltas pelo banco. Ela abriu um sorriso ao vê-la, e sorriu sugestivamente.
- Por isso não faço promessas, Weasley. - ela se aproximou dele. Uma das mãos dela se apoiou em um dos ombros dele, e então ela se sentou em seu colo; ele olhou para o rosto dela ainda um pouco confuso. sorriu de canto e mordeu o lábio sentindo que o desejo dele também subia. - Eu sei que, algumas delas, nunca vou conseguir cumprir...
Ela tomou os lábios dele, suas mãos apoiadas em seus ombros. O Weasley não pareceu entender tanto a princípio, mas correspondeu seu beijo com total intensidade. Suas mãos subiram pelas coxas dela, erguiam sua saia quando a mesma se colocava em seu caminho e finalmente repousaram em sua bunda, sentindo a pele dela por ali.
desceu seus beijos pelo pescoço dele. Queria recompensá-lo pelo efeito que tivera em si mais cedo, não foi capaz de fazer muito por ele quando Filch os interrompeu. Ela mordeu a região e deixou algumas marcas por ali, ouviu um pequeno gemido dele quando uma de suas mãos desceu por entre as pernas do ruivo ainda por cima de sua calça. Ela sorriu lambendo os lábios e voltou a beijá-lo intensamente.
O Weasley desabotou alguns botões da camisa da garota, erguendo seu olhar para o colo dela. O corpo dela inteiro a sua frente parecia uma exposição de arte, era sufocante. Ele sorriu satisfeito e deixou uma lambida entre seus seios, embora ainda estivessem cobertos por seu sutiã. À esse ponto, as mãos dela já haviam invadido os limites de sua calça, sentindo a excitação dele sobre a cueca. Os beijos dela faziam o corpo do ruivo parecer ainda mais quente, os suspiros dele em seu ouvido a faziam saber que estava seguindo o caminho certo. Não haviam sentimentos ali, ainda que ela quisesse substituir a memória de Draco por alguma outra coisa.
- Não podemos ir tão longe assim, Weasley. - ela sussurrou em seu ouvido, se erguendo. Ele olhou para ela como se não concordasse, mas aceitasse. Quase pôde ver um biquinho se formar no rosto dele.
O ruivo ajeitou suas roupas.
- Você manda, Malfoy.
Ela sorriu e abotoou novamente sua camisa. Pegou as moedas que tinha para ele e entregou, esperando seus produdos gemialidade em troca. O garoto pegou um pequeno saquinho com alguns itens comestíveis dentro e entregou para ela.
- Nós já temos um acordo, não é? Nosso segredinho, blablablá. - ela perguntou com um sorriso satisfeito. Ele assentiu. - É sempre bom fazer negócios, Fred.
O garoto olhou para ela por alguns segundos e então deu uma risada baixa.
- É claro, Malfoy! Mas, eu preciso te dizer... - Ele se levantou, olhando para ela. - Não se preocupe, é super comum: mas, você está falando com o gêmeo errado. Eu sou o Jorge.
- 🐍🖤 –

acordou em seu quarto vazio e olhou ao redor, levando a mão a cabeça que doía um bocado. Se lembrou brevemente da noite anterior. A última coisa depois de acabar beijando os dois gêmeos no mesmo dia foi dizer a Jorge que ela não se importava com isso; o fato é que, a mínima distração era o suficiente para ela. Sorriu de leve, não podia negar que os dois eram companhias agradáveis, mesmo quando não estava no colo de nenhum ou coisa do tipo.
Se levantou rapidamente percebendo que ia perder seu horário e se vestiu em tempo recorde. Apanhou uma carta da boca de sua coruja, que retornara ao seu poleiro no dia anterior, e então correu para o lado de fora. Subiu as escadas para o andar de cima. Não tinha tanto tempo para comer, mas foi até o salão comunal para pegar um pouco de pão e suco.
- Bom dia, Malfoy! – ouviu a exclamação animada de Blásio, um dos amigos de Draco que ousava falar com ela às vezes. Ela deu um gole no cálice que pegava para si.
- Oi, Blásio. – sorriu. – Ué, não tô vendo o resto da trupe.
- Ah, subiram mais cedo. – o garoto deu de ombros, enquanto calmamente recolhia seus materiais para a mochila. não viu Pansy ou qualquer outro aluno insuportável da sonserina por ali, então definiu como seguro manter uma conversa normal com o garoto.
Ele terminou de recolher suas coisas e ficou parado, esperando ela.
- Ah. – pareceu ter se tocado. – Espera, um minuto. – pegou alguns pãezinhos e passou um pouco de manteiga, começou a comê-los enquanto andava ao lado de Blásio.
- Posso perguntar por que você sempre perde o horário? – ele disse, de bom humor.
- Eu gosto muito de dormir. – riu. – Ou fico acordada até muito tarde.
- Pelo menos você é uma das queridinhas do Snape. Assim ele não enche muito teu saco.
- Ele enche. – Ela assegurou, assentindo de uma forma engraçada. – Por falar nele, é isso agora, não é? Poções.
- Pelos céus, sim. – resmungou. – Eu nem consegui terminar a última tarefa. Sério, três metros de pergaminho?! Ele só pode ser um sociopata...
- Eu espero que o sr. seu novo professortenha pedido três metros de pergaminho, Zabini. Do contrário, precisarei assumir que está falando sobre mim. – Snape, carrancudo, comentou por trás dos dois. – E nesse caso, ficarei extremamente injuriado.
- De forma alguma, professor! – Blásio respondeu, erguendo as mãos em rendição. – Por favor! Me referia ao Moody, com toda certeza.
- Para a sala, já. Página duzentos, sem comentários ou interrupções à partir de agora. – ele respondeu, ríspido. e Blásio se entreolharam e entraram na sala, procurando uma das mesas de alquimia disponíveis. Formaram uma dupla na última que ainda estava vazia, observaram o professor entrar e ir para seu palanque.
A aula entediante era sobre duas poções: a do amor, que Snape enfatizou que nunca sob hipótese alguma deveria ser usada em casos sérios; a outra era seu antídoto. Eles precisavam fazer um pouco do antídoto e experimentariam em insetos. A companhia de Blásio tornou tudo um pouco mais suportável.
- Mas, professor Snape – Pansy perguntou, do outro lado da sala. Os olhos de encontraram os olhos de Draco um pouco a frente de sua nêmesis. Havia um brilho diferente ali. Ele não parecia carregar culpa ou algo do tipo, não pôde identificar, mas podia dizer que ele não se sentia culpado pela briga que tiveram. Aquilo a fez ponderar sobre Pansy, que perguntava: - Por que a poção não deve ser usada sob hipótese alguma? Que mal faria à alguém apaixonar-se por quem tanto o ama?
fez uma careta percebendo o quão ela se esforçou para transformar aquela frase em algo coerente e romântico. Snape olhou para Pansy como quem tinha poucos amigos.
- Alguém um pouco mais atento poderia responder à estúpida pergunta da srta. Parkinson?
Ela esperou alguns minutos, mas ninguém disse nada. O professor repetiu sua pergunta como se esperasse por algo.
- Qualquer coisa que tire o livre arbítrio de alguém, bruxo ou trouxa, deve ser considerado uma maldição. Não uma bênção. – respondeu olhando primeiro para o professor, que lhe deu seu sutil consentimento, e depois para Pansy que particularmente pareceu ofendida e arrasada.
A garota não disse mais nada. Draco olhou para por mais alguns segundos e virou sua cabeça para a frente novamente, incomodado. Pareceu pensativo. Snape anunciou o fim da aula e pediu que todos recolhessem seus objetos e se retirassem da sala.
- Mandou bem, Malfoy. – Blásio ergueu sua mão para que fizesse um toque, e ela o fez.
- Valeu, você também. – sorriu. – Ah, valeu pela companhia também.
- Não é todo dia que eu posso fazer minhas poções com uma garota bonita e incrível. – piscou. – Geralmente, é com o cabaço do seu irmão.
gargalhou e assentiu positivamente.
- Podemos fazer dupla sempre que quiser. Ah, claro, até que a volte. Quando ela voltar, provavelmente vai me matar se eu fizer dupla com outra pessoa.
Ela conversou mais um pouco com o garoto, e então recolheu suas coisas. Ele já tinha saído da sala e ela, como o usual, ficara por último. Assim que saiu pelo portal e virou a primeira esquina, a primeira face a ver foi a de Pansy. A garota estava de braços cruzados e claramente impaciente.
- Então, garota... O que é que você sabe sobre o amor? – perguntou, se descolando da parede. parou e olhou para ela atenta. Não estava paciente naquele dia. Sua cabeça doía e ela não tinha tempo para lidar com uma garota insolícita como Pansy.
- Provavelmente nada, Parkinson. O que você quer? Algo me diz que todo esse escarcéu é por um motivo completamente estúpido...
- É, provavelmente nada. Alguém com pais como os seus, que foi adotada pelos Malfoy por pura pena e nem o próprio irmão ama... Realmente. – tombou o rosto. – Ouvi dizer que sua mãe era uma vadia, .
franziu o cenho. Nem ela mesma ouvia sobre sua própria mãe.
- Como é? – perguntou, rindo de nervoso.
- Sua mãe, como você já deve saber, saía por aí por esse castelo à noite... Não deve ter sobrado um aluno. – riu em escárnio. mordeu o lábio sentindo um gosto ruim invadir sua boca.
- Não ouse falar assim da minha mãe, Parkinson. Você já devia saber que não devia falar assim sobre mulher alguma, pra ser sincera. – ela respondeu, tentando manter sua calma.
- Você é tão cínica... – Pansy resmungou, se aproximando dela. – Você sempre quer sair na minha frente, não é? Acha que só porque carrega o sobrenome deles você é uma Malfoy?! Acha que isso apaga o passadinho de merda dos seus pais? E a forma como você trata aqueles traidores de sangue nojentos? Deplorável... Ainda bem que morreram. Se não tivessem morrido, morreriam de desgosto por você.
olhou para os olhos dela com uma expressão confusa. Não conseguia entender de onde vinha tanto ódio gratuito.
- Isso tudo é ciúmes? – perguntou, cruzando os braços. – Isso tudo é por um garoto? Pelo Draco?!
- Isso tudo é porque você é privilegiada demais pra quem deveria ter sido largada ao lixo, Malfoy postiça. – respondeu, cínica. – Qual o problema de brigar pelo Draco?!
- Oh, Pansy, há muitos problemas em brigar por um garoto como o Draco. – respondeu, se aproximando dela. Seus olhos quase se fecharam em duas linhas de cores diferentes. Ela abriu um sorrisinho. – E acho que o maior deles é que, você sabe, seria inútil pra você.
Pansy rangiu os dentes e ergueu uma das mãos, desferindo um tapa forte contra o rosto da Malfoy. Ela levou alguns segundos para reagir. Levou a mão ao rosto e olhou para ela, incrédula.
- Não achei que você pudesse ser tão baixa... – respondeu, tirando a varinha. Sentia aquele gosto amargo consumir todo o seu corpo. O ódio quase carnal que subia pelo seu sangue, a determinação de seus pais; a fome por vingança. Não havia uma célula de seu corpo que não estivesse em chamas naquele momento. Seu rosto se avermelhou não só pelo tapa, como também por todo aquele ódio que a consumia.
Pansy tirou sua própria varinha e ergueu contra .
- Depulso! – Lysadra sentiu seu corpo ser arrastado para trás, e precisou se segurar para não cair com a atitude. O grito de Pansy chamou a atenção de muitos alunos que se divertiam pelo corredor. Eles começaram a se aproximar.
- Expelliarmus! devolveu, e a varinha de Pansy foi arremessada para longe. Enquanto as duas se envolviam em um duelo, as pessoas ao redor começavam a gritar e torcer.
- Aposto dois galeões na Malfoy. – Fred cutucou Ron com o cotovelo.
- Isso é baixaria, Fred. Vamos, Mione!
Hermione observava as duas e balançava a cabeça negativamente.
Dentre os alunos que se aproximavam, Cedrico viu todo o alvoroço. Viu a imagem de um pouco para trás, enfraquecida pelo feitiço de Pansy. Ele olhou para o outro lado e acompanhou os lábios da garota que recuperava a varinha e abria um sorriso psicótico contra :
- É bem evidente o porquê de seus pais terem preferido se matar a ter que criar você, Blanchard... – ela disse entre uma risada, erguendo a varinha novamente.
Ele viu o rosto de mudar completamente de expressão. Ela explodiria, jurava. Podia jurar que realmente explodiria. Todo o ódio que acumulava dentro de si parecia pronto para ser expelido, havia tristeza em seus olhos e dentes cerrados findavam a raiva. Ele se aproximou dela, entrando em sua frente antes que Pansy pudesse fazer algo. Segurou o braço da Malfoy.
- Ei, você precisa se acalmar, Malfoyzinha... – disse calmo, tentando evitar que ela fizesse qualquer outra besteira. passou a varinha pelo braço dele.
- Sectumsempra!
O professor Snape afastou muitos alunos e se colocou à frente de Pansy. Ergueu a varinha e absorveu o feitiço, repelindo-o. Olhou para contrariado e então para todos ao redor.
- Saiam, saiam agora mesmo! Voltem a suas atividades, o show acabou! – gritou. Os alunos rapidamente se afastaram e dissiparam-se dentre os ambientes do castelo. Cedrico ainda segurava o braço de , que tombou a cabeça contra o peito dele extremamente abatida. Ouvir sobre seus pais era assustador.
Snape olhou para Pansy e então para o lado onde os dois estavam parados.
- Então, posso assumir que o lufano tentou atacá-la. – perguntou à Pansy. olhou para ele chocada e assustada, não queria aquilo. Cedrico não pareceu surpreso, sequer pareceu estar menos tranquilo do que quando chegara.
- Sim, professor. O Diggory tentou me matar, e...
- Já chega, Parkinson. – olhou para Cedrico. – Detenção para você, Diggory. Me encontre em minha sala, tenho certeza de que Hagrid deve ter alguma tarefa interessante para você... – deu um sorrisinho psicótico. balançou a cabeça negativamente mas, antes que pudesse interferir, Cedrico se posicionou.
- Certo, professor. – assentiu, aceitando aquele fato. Não brigou, não discutiu.
- Mas isso é injusto! Fui eu quem ataquei a Pansy, professor! O senhor não pode...
- O que seu pai diria, Malfoy? – se aproximou dela com as mãos atadas às costas. – O que Lúcio diria se ouvisse que a filhinha de ouro dele vem tentando atacar outros puro-sangue? Acha que ele ficaria satisfeito? Acha que ele lhe daria mais um daqueles mimos que ele tanto gosta de enviar?
ficou em silêncio, pois entendia bem o que estava acontecendo ali. Snape era o encarregado de Lúcio, e Lúcio queria que o bom e o melhor fosse tudo o que ela e Draco tivessem. Alguém precisava levar a culpa. Ela olhou para Cedrico como se implorasse para que ele a perdoasse.
- Agora, volte a sua sala comunal e sem causar mais confusões por hoje. – Snape concluiu, saindo de perto dos dois.
- Me desculpa, eu... Me desculpa! Eu deveria estar na detenção, não você!
- Qual é, . – ele sorriu. – Nós dois ouvimos as coisas horríveis que ela disse pra você. Ela merecia muito mais do que qualquer feitiço bizarro que você tenha usado. De toda forma, acho que é melhor eu ir pra detenção. Hagrid gosta bastante de mim, não se preocupe.
- Mas...
- Não se preocupe comigo, Malfoy. – ele a abraçou. Apertou o corpo dela contra seu peito, passando uma segurança que não se lembrava de ter sentido em outro momento em sua vida. Ela fechou os olhos por alguns segundos aproveitando a sensação passageira de conforto e carinho que ele lhe passava, até que a soltou. – Eu te vejo mais tarde, sim? Se eu sobreviver. – piscou, brincando.
sorriu triste e viu o garoto se afastar dela com um sorriso satisfeito no rosto.
Olhou para o lado ouvindo alguns guinchos ofegantes. Franziu o cenho tentando ver quem era o garoto que se escondia atrás de uma das pilastras e olhava para ela.
- Longbotton? – ela perguntou, forçando seus olhos para enxergar. – Você está bem? Parece... – o garoto desatou a correr na direção contrária dela, de uma forma extremamente destrambelhada. – Parece mal.
Ela ficou ali, parada, sozinha no corredor. Estava realmente ponderando.
Como podia desviar tanto de seu amor e atenção para Draco quando garotos como Cedrico existiam?
Ele valia uma chance, ao menos.


Continua...



Nota da autora: FINALMENTE TRAZENDO ATT DE SWEET POISON!!! <3 Finalmente deixando vocês desfrutarem dessa pegação que a nossa querida pp arrumou com os gêmeos hahuasdhsuih Enfim, eu espero que vocês tenham gostado e um beijinho!
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