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Última atualização: 09/05/2017

"Girls get loose when they hear this song ..."



— E aí, já está pronta gata?
— Quase! Falta só o meu sapato! Já está chegando?
— Já saí de casa. Te encontro na segunda passarela?
— Isso! Eu já vou pedir um “Uber” e te mando as informações dele. Estou saindo agora.

Depois de vinte minutos Fernanda e chegaram à baladinha querida, de toda semana. As amigas saíam quase todas as semanas, se não todas.

Fernanda é promoter de eventos e por causa deste – como diria ela: penoso – trabalho a garota está sempre enlouquecendo aos finais de semana, regada de boas músicas, bebidas e diversão. Sempre acompanhada da amiga . Fê, chamada assim por alguns dos muitos amigos, cursa produção cultural, e ainda faltam alguns dois anos para ela se formar. Ou algo do tipo. – vulgo para os amigos – cursa jornalismo, e ainda vão faltar aí uns bons três anos para a formatura, uma vez que, ela está no curso há bem pouco tempo.

Assim que desceram do carro à porta da balada, elas observaram os rapazes no local e se entreolharam cúmplices. E como amigas de longa data que eram, já sabiam exatamente o quê, o olhar uma da outra significava.

Fernanda ama o que faz, e ama ainda mais o poder que sente toda vez que chega na porta de uma balada e apresenta seu voucher de promoter. Como ela mesma diz: “é como ser a dona da festa”. E tecnicamente, ela até é.

— Ei Nanda! – um rapaz absolutamente lindo gritou para ela assim que a viu.

Fernanda estava acostumada a estar rodeada de pessoas bonitas, a aparência em seu meio de trabalho era algo preocupantemente importante., por sua vez, nunca fora ligada a rótulos. Vaidosa, e comedida ela fazia questão de estar apresentável, mas não se tornava escrava da aparência como às vezes, julgava à sua melhor amiga.
Ele foi em direção às duas moças, acompanhado de outro rapaz tão charmoso quanto ele. Fê puxou pela mão de encontro aos garotos. Entre alguns cumprimentos e acenos no caminho, chegaram até eles.

— Jhony! Que bom que veio!
— E você não poderia não vir, não é mesmo?

Eles se cumprimentaram enquanto e o outro rapaz aguardavam as apresentações gerais.

— Amiga! Este é o Jhony, meu amigo da faculdade e quem vem me ajudando com os eventos.
— Ah sim! Tudo bem Jhony? Eu sou a !
— Tudo bem sim! É um prazer!

Ele respondeu dando um beijo no rosto de , e virou para o amigo ao seu lado apresentando-o às duas:

— Este é , meninas. E estas são Fernanda e .

Os quatro ficaram juntos a noite toda. percebeu que Jhony e Fê eram muito amigos, e que ela estava flertando com ele durante a maior parte do tempo, mas não estava obtendo muito sucesso. Ficou atenta ao tipo de cara que o Jhony se mostrava ser, porque com certeza, impetuosa como era, não deixaria a Fê ser feita de idiota. Se distraiu enquanto observava de uma forma crítica e analítica, Fernanda e Jhony dançando quando a perguntou se ela queria sair do barzinho da balada para ir dançar também. E ela aceitou.
Foi uma noite divertida como muitas outras, nas quais Fê e estavam acostumadas. Os meninos além de pessoas positivas e engraçadas, inventaram desde jogos etílicos até apostas malucas entre os quatro.
Ao final da festa, estavam todos na saída do clube se despedindo, e completamente bêbados.

— Ei meninas! Como vocês vão embora? – perguntou Jhony.
— De uber! Lógico! Vai , chama o carro!
— Calma Fê! Ei, cadê meu Iphone?

Jhony olhava em seus bolsos, Fê e tateavam os próprios corpos, como se elas tivessem algum bolso nos vestidos para guardar qualquer coisa, e não encontrando nada, Fê olhou em sua bolsa. sorria da cena e olhava para de um modo bem pervertido.

, para de rir! – por efeito do álcool, a garota começou a chorar, um pouco descontrolada — Eu quero o meu celular!
— Serve este aqui? – ele disse, puxando o aparelho do seu decote e rindo de canto.
— Ei! Você colocou a mão nos seios da minha amiga! – reprovava a outra amiga, bêbada.
— Fê, quieta! – ela dizia rindo sem desfazer o contato visual com .
— Eu já chamei os carros gente. , pode guardar de volta o seu celular… Ou o pode fazer isso. – Jhony disse debochando abraçado à Fê.
— Não precisa . Muito obrigada. – agradeceu , guardando o celular entre os seios novamente.

Os carros chegaram. Fê e foram em um, e os meninos no outro. Fê decidiu dormir na casa da amiga. No caminho, o whatsapp dela vibrou com uma mensagem de Jhony:

“Barzinho amanhã nós quatro de novo?”

Ela não respondeu. E custou acordá-la no carro, para que entrassem em casa. Ao subir, Fernanda se jogou no sofá da sala, sem aguardar que a melhor amiga preparasse uma cama. , decidiu ir então, em direção ao seu quarto, se jogando em sua cama.

"Switch up my style, I take any lane..."


Na manhã seguinte, acordou como se fosse um sábado. Se espreguiçou longamente, sacudiu seus cabelos negros e sorriu aproveitando o conforto da cama por mais alguns minutinhos. Somente após seu ritual matutino de despedida da cama e higiene bucal, que ela decidiu abrir as cortinas do quarto. E o Sol irradiava! Talvez, fosse uma manhã maravilhosa para praia. Sua cabeça? Estava ótima, nada de ressaca. E glorioso seja, o santo Engov. Enquanto ela atravessava o quarto para abrir as janelas notou seu celular, no criado-mudo denunciando algumas notificações.

“Garota! Cadê você?! Quer reprovar a matéria por falta?”


Camila, pelo whatsapp, recordou a ela que ainda era sexta – maravilhosa – feira. E o relógio denunciava às nove horas da manhã. Enviou uma mensagem de volta à sua colega de curso e foi tomar banho, para aproveitar o seu “matar aula” na praia.

“Péssimo! Eu cheguei tarde ontem, apaguei. E acordei agora achando que era sábado. Então já é sábado. Dia lindo para uma praia não? Te vejo mais tarde! Me avise se rolar alguma catástrofe na aula. Beijos.”
“Só porque você é excelente na disciplina, não está isenta das faltas, garota! Sem juízo! Te vejo daqui a pouco, no posto oito. A aula está no final.”
“Eu não vou reprovar por falta. E você sabe disso. Como assim? Não vai ter mais aulas hoje? Depois eu que sou sem juízo.”
“Acontece que hoje, esta é a minha única aula, baby!”


Estava pronta para sair de casa, quando ao passar pela sala notou a figura da falta de dignidade: Fê, roncando e de boca aberta, como se tivesse sido atropelada e jogada ao sofá. E a sala exalava vodca.
Abriu as janelas da sala, e tentou acordar aquela figura de ser humano. Não deu certo. Então apenas deixou um bilhete avisando onde estaria.
No andar de , mais precisamente no apartamento 405 reside o seu vizinho Daniel. O perfeito. Há alguns anos, antes dele começar a namorar e assim que havia se mudado para o prédio, ambos não podiam se esbarrar pelos corredores que atacavam um ao outro. Naquela época, achava que sairiam daquele “come come” de elevador, direto para um “come come” oficial timbrado na sociedade. Mas não. Ele conheceu a Laura e estão juntos até hoje. A Laura nem sonha com o que acontecia entre Malu e Dan. Do contrário, ela não mostraria aquele sorriso brilhante para a garota toda vez que se encontravam por acaso, nunca. E ousariam até dizer, que ela simpatiza muito com .
O mais bacana dessa “fucking friend” com o Daniel é que os dois tinham um respeito, um pelo outro, que jamais tinha visto em outras relações. Era uma foda vez ou outra, um amasso no elevador, se eles se esbarravam ocasionalmente no corredor se beijavam, e despediam em seguida. Mas quando um precisava do outro, como amigo mesmo, era só bater à porta pedindo um pouco de açúcar. Alguém coava um café, e havia o desabafo, livre de segundas intenções. Essa amizade não convencional se estendeu por seis meses. E veio a Laura. Depois disso, sem que notassem haviam se afastado, até mesmo com as xícaras de café.
A morena trancou a porta do seu apartamento e ao se virar deu de encontro com Daniel. Ele sorriu e segurou o elevador à sua espera.

— Bom dia, . Tudo bem?
— Bom dia Dan! Tudo sim, e com você?
— Tranquilo. Indo à praia, suponho. – ele disse apontando seus trajes.
— Digamos que, alguém perdeu a hora do curso e já emendou o fim de semana.

Sorriram e o elevador abriu no terceiro andar. A senhora Lurdes – que os pegou em situações desastrosas no elevador algumas vezes – adentrou o ambiente, os encarando com desprezo. Eles sorriram cúmplices um para o outro, afinal, já lidavam com a dona Lurdes há algum tempo.

— E você, pelo visto está indo ao trabalho… – ela puxou novo assunto.
— Infelizmente… Estou num processo de mudança, e preciso trabalhar bastante para deixar tudo arrumado quando eu sair.
— Oh. Você vai se mudar do prédio? – dona Lurdes sorriu ao ouvir aquilo.
— Triste?
— Um pouco. O prédio não seria igual, sem você. – ela sorriu de canto, e Dan olhou para a senhora chata e antiquada.
— Não seria mesmo. Por isso não vou embora.

esboçou seu largo sorriso ao ouvir aquilo, e dona Lurdes saiu do elevador que chegara ao térreo tempestuosa com a notícia. De fato, os dois vizinhos divertiam-se com ela, afinal há muito tempo que Dan e estavam afastados, mas na cabeça dela nada haveria mudado.

— Fico feliz com isso, Dan. Apesar do tempo que não nos falamos, eu gosto muito de você. – pararam na porta do prédio.
— E eu também gosto muito de você, . E desculpe por… Você sabe. As coisas foram acontecendo.
— Não precisa se desculpar. Só você continuar no prédio e tudo certo. Eu prefiro mil vizinhos como você, ao invés de vizinhos como a dona Lurdes.
— Ah! Com certeza eu também preferiria mil s… – se entreolharam tímidos e sorriram novamente.
— Bem , eu me referia à mudanças no trabalho. Pode ficar tranquila, que o 405 continuará ocupado por um bom tempo.
— Maravilhoso! – sorriu para ele — Não vou mais tomar seu tempo, bom trabalho.

disse dando um beijo em seu rosto, e recebendo um abraço de volta.

— Não tomou tempo algum. Tenha uma praia proveitosa.
— Obrigada. Mande abraços à Laura.

A garota se virava para atravessar a rua, quando ele disse:

— Não estamos mais juntos.

Assim que Dan disse aquilo, o táxi chegou e ele entrou acenando e se despedindo. ficou risonha ali por um tempo – até conseguir atravessar – e, relembrando as loucuras refletindo sobre aquela manhã, andou mais alguns passos até a areia.

— Ei ! Água geladinha?
— Quero sim Marcão! O coco mais cheio hein!
— Mas é óbvio!
— Leva para mim, lá na areia, por favor?
— Pode ir estendendo sua canga, aproveitando o Sol mocinha. Levo sim!
— Valeu, Marcão!

Estendeu a canga na areia, passou seu protetor. O ajudante do Marcão logo chegou com o guarda-sol e cadeira. Agradeceu, colocou seus óculos de sol e aguardou a água de coco. Não demorou muito, ela ouviu passos na areia se aproximando. Era Marcão rindo alto e ao lado dele, uma mulher que era a sombra da própria misericórdia.

— Eu já te trago uma geladinha para curar essa ressaca!
— Ain Marcão, valeu mesmo! – dizia Fê, com voz arrastada e cara enjoada.

Ele entregou o coco gelado de , e Fê sentou-se na cadeira abaixo do guarda-sol. Seus óculos eram tão enormes que podiam cobrir parte de seu rosto.

— Se você tivesse uma vida mais saudável como a minha, essas bebedeiras nossas, não te deixariam tão de porre! – disse sorrindo e encarando a amiga.
— Ah… Você sabe que eu não consigo acompanhar seu ritmo! Pensa bem, você mal acordou e veio para a praia! Qual o seu problema?

ria divertidamente e o Marcão chegou com a cerveja gelada da Fê. Ele saiu sorrindo e sacudindo negativamente a cabeça.

— A praia está vazia né, ?
— Ainda é sexta-feira de manhã. As pessoas trabalham.
— Garota! Sua ridícula! Porque não me avisou que era dia de semana ainda!?
— Como se você fosse há algum lugar… – sorriram.
— Verdade. Um brinde a esta linda manhã cheia de ressaca! – ela estendeu seu copo ao coco da amiga.
— Fê! Você não sabe da maior!
— E nem você!
— O que aconteceu?
— Eu acordei hoje, com a plena convicção de que eu estou absolutamente tarada pelo Jhony.
— Não me conte como você chegou a esta conclusão, por favor.

fez uma cara de nojo para Fê.

— Idiota! Não é nada disso! Depois que você bateu a porta do apartamento… – Fê interrompeu sua fala um pouco irritada pela provocação da amiga — Garota babaca!
— Desculpe!
— Eu acordei, e fiquei um tempo tentando lembrar de ontem. Não lembro muita coisa, mas vieram uns flashes, do Jhony e eu dançando… E cara! Eu estou caidinha por aquele homem!
— Sério? Nossa! Eu nem imaginava! – a amiga debochava irônica.
— Para! Estava tão na cara assim?
— Eu só não sei dizer se ele sente o mesmo. Mas hoje à noite é uma boa para você tirar isso a limpo.
— Porque?
— Ele te mandou uma mensagem ontem, quando estávamos vindo embora.

Fê pegou o telefone e abriu a mensagem.

— E aí, você topa?
— Podíamos ir no Bukowski Bar. Sabe que eu adoro aquele lugar.
— Ai , lá é muito cult!
— Ok. Então vamos no Beluga. É sua segunda casa mesmo.
— O Beluga é ótimo! Sempre tem gente badalada e alegre!
— E bêbadas!
— Para de reclamar senhorita patricinha! Eu vou respondê-lo.

Ela digitou a mensagem toda animadinha e ficou um tempinho conversando com Jhony.

— Mas o que você acha, ?
— Ai Fê, sei lá… Cara você está parecendo aquelas garotinhas de colegial…
— É que o Jhony e eu rola uma química boa sabe…?
— E como você sabe? Já ficaram?
— Não. Ainda… Mas eu percebo… Tipo você e o ontem!
— Você não disse que não lembrava de nada?
— Então rolou uma química mesmo? – ela perguntou surpresa.
— Não sua idiota. Ele é legal. Mas não tivemos nenhum momento ontem.
— Talvez tenham hoje.
— Ele vai?
— O Jhony disse que seríamos nós quatro.
— Fernanda! Você e o Jhony não estão de rolo tentando empurrar o e eu, um para o outro não né?
— Claro que não. Na verdade nem tínhamos pensado nisso… Mas agora que você comentou, deixa eu perguntar a ele, qual é a desse .
— Acho ótimo que não estejam de armações mesmo! Até porque esta manhã eu tive excelentes notícias.
— Ah é! O que você tinha para contar?
— Lembra do Dan? – animou-se tirando os óculos, para encarar Fê.
— Seu vizinho do 405? Como esquecer o Dan? Ai Dan…
— Menos Fernanda. Enfim… Ele e a Laura terminaram! – ela disse voltando a encarar o sol com seus óculos.
— COMO ASSIM? Me conta tudo!
— Não tenho o que contar. Eu e ele descemos juntos hoje, e enquanto conversávamos ele me contou que não estão mais juntos. Logo o táxi dele chegou e não pudemos continuar a conversa.
— Táxi? O que houve com o carro dele? Ele deu para a Laura em troca de liberdade? – rimos.
— Não sei, nós não tivemos muito tempo para conversar. Mas o que importa é que ele está livre.
— E você pretende voltar a agarrar ele pelos corredores?
— Não. Eu realmente fiquei pensando em como nos sentíamos na época e lembrei que eu pretendia propor a ele, um passo a mais.
— Sério? Mas o proibido era tão mais divertido…
— É, mas chega de amasso no elevador. A dona Lurdes fará um abaixo-assinado para nosso despejo.
— Ai, ela é uma senhora idosa mal comida, só. Não liga para ela.
— Fernanda! Que coisa horrível de se dizer! E machista esse papo de “mal comida”.
— Ih! Não começa ! Por favor, hein!
— Você quem começou e…
— Ih, coisa chata! Tchau! Vou dar um mergulho.

A melhor tática para dispersar a Fê é começar a falar de discussões políticas, conversas inteligentes, pegada cult e etc. Não que ela não saiba discutir ou apreciar sobre, mas sabe-se lá por quê, a Fê gosta de vestir um personagem bem diferente do que ela é. Não que ela finja o tempo todo, mas ela esconde seu potencial. E se conforma em ser só a “Fê das boates”. No entanto, quem é seu amigo de verdade e a conhece profundamente se surpreende com a mulher inteligente e moderna que ela esconde.
As amigas passaram a manhã na praia, Camila chegou um pouco depois da Fê voltar do mar. Almoçaram juntas, as três, no quiosque do Marcão e subiram ao apartamento para descansar. Na verdade, a Fê voltou a dormir um pouco, e a Camila voltou para casa. pegou sua bicicleta para dar uma volta pelo bairro. Parou na sorveteria da esquina do seu prédio, comprou seu pote extragigante de sorvete e voltou para casa. Já marcavam umas cinco horas da tarde quando adentrou o apartamento, encontrando Fê curiosa e apressada.

— Onde você foi?
— Ao contrário de você que só sabe dormir, eu fui evaporar o restante de álcool de ontem. Por que?
— Estou indo para casa, tomar um banho e trocar de roupa, daqui uma hora os meninos nos esperam no Beluga.
— Ah, tinha me esquecido.
— Você vai né?
— Vou.
— Até daqui a pouco.

Fê fechou a porta da sala se despedindo, e foi logo atrás trancar a fechadura, mesmo a amiga tendo uma cópia da chave de sua casa. Foi ao seu quarto se arrumar. Ao sair do banho, enquanto se vestia, a campainha tocou.

— Oi !
— Dan? Oi!
— Estou atrapalhando?
— Não! Na verdade eu só estava me vestindo para sair.
— Eu queria te fazer um convite…
— Claro!
— Você ainda curte o Bukowski Bar?
— Como não curtir?
— Então, amanhã à noite, pode ser?
— Perfeito, vai ser a noite do indie.
— Eu não sabia disso… – ele disse com uma cara espantada e divertida que a fez rir.
— Qual é? Vai ser legal! Diferente do que você está habituado, mas prometo que vamos nos divertir!
— Bato aqui às dez, tudo bem?
— Estarei pronta!

Se despediram com beijinhos no rosto. voltou para o quarto, calçou seus tênis, terminou a maquiagem básica. Pegou seu celular e notou que havia sido adicionada a um novo grupo no whatsapp: "os quatro mosqueteiros", criado pela Fê. E os integrantes? Jhony, Fê, e ela. Algo a dizia, que aquele quarteto se transformaria numa máfia. Enviou uma mensagem ao grupo, e já pronta pegou sua bolsa e saiu trancando o apartamento.

“Estou a caminho! Não comecem sem mim!”

"Eu sou assim totalmente antenada na minha parada, porque eu me dou valor..."


Ao chegar no Beluga, o ambiente estava como sempre: muito falatório, as pessoas ainda chegavam, mas os playboy’s e patricinhas do bairro já se reuniam com seus pequenos baldes de bebida. Para chegar até a mesa onde estavam os “mosqueteiros”, a luta de sempre: “com licença, por favor”, “ah desculpe, com licença”, “oi, tudo bem?”, “tchau idiota…”.

— Puta merda hein Fê! Porque eu ainda frequento este lugar com você? – ela disse assim que chegou inteira à mesa.
— Cadê a sua educação, sua revoltadinha?
— Oi meninos! – sorriu largamente para ambos – Inteiros depois de ontem?
— O Jhony passou o dia agarrado à garrafa de água.
— E o dormindo. Como sempre.
— Nossa, parecem até a e eu. Só que eu seria o e a , o Jhony.
— Eu não fiquei de porre! Eu fui à praia assim que acordei, bebi água de coco, almocei bem, andei de bike, e aqui estou. Sem dar um cochilo!
— Porra, que pique!
— Você não viu nada , a é a rainha do pique!
— E o que vocês vão beber meninas? – Jhony perguntou chamando o garçom.

Assim que o garçom veio à mesa as garotas reconheceram o colega, que sorriu bem largo, ao ver a Fê.

— Hey meninas! O que vão pedir?
— Oi Beto! Eu vou querer aquela soda geladinha que o Beluga sempre esconde no fundo do freezer – disse piscando para ele — E depois você pode me trazer o drinque de sempre.
— Só para começar, né? – ele anotou sorrindo — E você Nanda?
— Betinho, hoje eu quero que você me surpreenda! Eu acho que já bebi todos os drinques do Beluga, então invente algo novo!
— Como quiser! – ele disse piscando e sorrindo bem flertante, para a Fê.
— E os rapazes?
— Uma dose de vodca com energético – disse .
— Duas. – em seguida confirmou Jhony.

Assim que o Beto saiu com os pedidos, olhou atrevida para Fê. olhava para as duas com uma sobrancelha arqueada e trocou olhares com o Jhony. Esse por sua vez encarava, à Fernanda.

— Vocês são praticamente cria da casa não é?
— Culpa da Fê. Eu sou mais cria do Bukowski.
— Faz mais o seu estilo mesmo. – afirmou para a garota.
— É impressão minha, ou este garçom estava flertando com você Nanda? – disse Jhony ignorando o diálogo anterior de com .
— Querido, entenda: agora que vocês andam com nós duas terão de lidar com os inúmeros flertes que recebemos!

Todos riam na mesa. E os meninos concordaram dizendo que eles também eram cobiçados, e que elas também teriam que lidar com toda a mulherada aos seus pés.

— Ah com certeza! Percebi bem ontem! – disse irônica para eles.
— Você sabe que é verdade ! – retrucou Jhony.
— A única mulher com quem você ficou agarrado a noite toda foi a Fê!
— E você com o ! – ele respondeu.
— Não é verdade! Eu e não passamos a balada toda juntos, não foi? – ela disse perguntando ao moreno à sua frente, que já bebia seu drinque.
— Eu não me lembro de muita coisa de ontem, a não ser dos seus seios no final da festa.

Jhony e Fê riram gargalhantes, enquanto encarava nada amigável.
Continuaram conversando sobre coisas aleatórias durante a noite. Pediram uns petiscos e Fê não demorou muito para dar uma “sumida”.

— Eu vou procurar a Nanda.

Jhony disse se retirando da mesa e deixando e a sós. A menina já estava pensando se aquilo seria uma armação. Ambos demoraram muito para voltar, e enquanto aguardavam, e ela falavam sobre muitas coisas. Alguns caras passavam pela mesa e lançavam uns olhares atrevidos em direção à garota. Ela teve vontade de sair dali algumas vezes, mas como o mesmo ocorria com e ele não correspondia, ela não sabia se era uma gentileza dele para não a deixar desacompanhada, ou se de fato ele não estava afim.
Quando Jhony chegou à mesa, disse que não encontrara Fernanda e perguntou se era habitual ela sumir assim.

— Relaxa Jhony. Fê conhece muita gente! Provavelmente ela está em alguma mesa, por aí, fazendo uma social.
— Espero… – ele sussurrou.

e se entreolharam curiosos.

— Jhony… Você e a Fê se conhecem há quanto tempo?
— Ela nunca falou de mim, para você?
— Não. Ela deveria?

Ele sorriu como se tivesse falado besteira.

— Nós trabalhamos juntos desde o começo do curso. Sempre fizemos tudo juntos.
— Entendi… É então eu deveria ter te conhecido antes, eu acho…
— Mas não tem muito tempo que vocês duas se conheceram, tem?
— Claro que tem! Somos amigas desde antes da faculdade! Só que ela começou primeiro.

Ele fez que sim com a cabeça.

— Então ela não queria que nós nos conhecêssemos mesmo. Porque eu também nunca havia ouvido falar em você, até ontem.
— É… Você sabe o que isso significa?
— O que?
— Que ela queria ter certeza de que daria certo nós três antes de nos apresentar.

Ele refletiu sobre o que ela disse, e foi a vez de tirar suas dúvidas.

— Cara… Você e a Fê, já ficaram?
— Er… O que ela te disse ? – Jhony perguntou desviando a resposta para .
— Nada. Eu nem sabia que você existia, lembra?
— Hum. É , nós não ficamos. Ainda.

Deram uns risinhos e e tiraram sarro da cara de Jhony, que agora, sabia que também estava afim da Fê. Não demorou muito depois disso, para que ela chegasse.

— Vem cá! Vocês não vão ficar com nenhuma garota não? – ela chegou perguntando aos meninos.
— Já estamos com duas. – Jhony disse apontando para elas.
— Qual é! – ela respondeu.
— Você por acaso nos traiu? Estava com algum cara?
— Eu estava com vários caras, Jhony! Todos amigos meus, sentados numa mesa com suas namoradas. Jogamos bons papos pro ar.
— Er… Fê, vou ao banheiro. Cuida dos meninos. – disse levantando.
— Vai pegar alguém? – a amiga a perguntou.
— Não. Por que? Eu disse que ia ao banheiro!
— Então eu vou com você, espera.

revirou os olhos e os meninos riram. Assim que se afastaram da mesa, ela observou os dois cochichando.

— E então, qual é o lance entre você e o Jhony, amiga? Quando vai ficar com ele?
— Tá maluca ? Não teria essa coragem de ser direta com ele.
— Você? ‘Tá brincando com a minha cara né Fernanda!?
— Não … Sério, nós trabalhamos juntos também. Não é bacana misturar as coisas.
— Sei, e eu sou burra. Por que em vez de inventar uma desculpa, você não fala comigo o que realmente está acontecendo? Eu te conheço Fê!

A garota entrou ao reservado do banheiro, enquanto sua amiga ficava em silêncio do outro lado. Assim que saíram e se dirigiam à pia, silenciosas, fez menção de dizer algo. Mas Fê a interrompeu respondendo sua pergunta:

— Amiga, é estranho… Eu não sei se seria legal investir em algo mais sério com o Jhony.
— Do jeito que falou esta manhã, achei que o interesse era apenas físico. Tem algum sentimento nisto né? E como assim “algo mais sério”? Então vocês estão ficando mesmo.

se apoiava à pia enquanto aguardava as respostas de Fê. A amiga mantinha um semblante meio pesado. E entendia que com certeza, algo já estava rolando nesta história com Jhony.

— Não queria apresentar vocês até ter certeza que se dariam bem. Mas o fato de apresentar só agora, deu ao Jhony outras perspectivas.
— Nós chegamos a estranhar mesmo, que nenhum sabia nada sobre o outro.
— Era só algo tipo o que você e o Dan tinham. Mas eu comecei a me envolver de verdade. Só não demonstro pra ele.
— Não entendo o motivo. Ele me parece bastante interessado.
— O problema é esse. Eu acho que ele corresponde meus sentimentos, e amiga… Você sabe que não dá certo isso de relacionamento sério! Ainda mais para uma mulher com uma profissão como a minha.
— Cara, para! Eu não acredito no que estou escutando!

colocou suas duas mãos sobre as têmporas, arregalando os olhos e encarando incrédula a amiga. Fernanda por sua vez, já imaginando o discurso da melhor amiga revirou os olhos e concentrou-se em passar seu batom.

— Sério Fê?
— Você não entende! – Fê falou um pouco mais irritada.
— Ei, olha pra mim! – puxou a mão da amiga para que ela virasse-se em sua direção — Ele está interessado, deixou isso bem claro ali na mesa pelas ações dele. Você está interessada. Vocês trabalham juntos, no mesmo emprego e são um sucesso de parceria. Se conhecem há bastante tempo, e tem uma química boa. Então não tem motivos para esta sua insegurança, mana! Olha só, esse papo de “meu trabalho…”. Cara, inaceitável. Sendo ele do mesmo ramo que o teu, ou o mais puritano dos caras, eles tem que aceitar o seu trabalho. E dane-se! Você é promoter e não tem nada indigno nisso! É você que reforça os estereótipos com esta sua atitude. E porque esse medo de relacionamento sério?
, pode até ser que você tenha razão no papo feminista e tal…
— Eu tenho e você sabe disso!

Outras garotas rindo alto entraram no banheiro, cumprimentaram as duas e foram retocar suas maquiagens. ficou aguardando Fê voltar ao assunto. Fê notou que ela não esperaria as garotas saírem para continuar o papo, então mesmo com as moças estranhas no ambiente, ela continuou:

— Eu não estou entendendo a sua insegurança, juro! Você é linda, e sempre foi “de boa” com seus crushes. Estou vendo que tem muito sentimento aí né.
— Claro que tem, porra! Eu e Jhony estamos juntos desde o início da faculdade, entre uma saída e outra. Nós somos perfeitos juntos! É surreal estar com ele. E agora vem essa pressão de todos os lados para nós nos assumirmos.

Fernanda estava um pouco desconfortável com aquela conversa e por isso começara a falar um pouco mais alto. Como era seu costume, toda vez que estava encurralada. As estranhas no banheiro olharam para ela e em seguida para .

— Ok. Escuta. Você está problematizando a situação. O problema não é assumir e ficar sério com o Jhony. É óbvio que é o que você quer. Então, qual é o seu medo Fê?
, eu não quero me apegar mais do que já estou apegada para depois ele me trair com outra mulher mais peituda do que eu, ok?

e as meninas estranhas, que agora observavam de perto o diálogo riram baixo, o que deixou Fê ainda mais desconfortável.

— Olha, desculpe! A gente não pode deixar de ouvir. Gata, escuta a sua amiga. Não tem motivos para isso. Não sei quem é o boy, mas se o interesse é mútuo não tem porque ser pessimista assim.
— É e seja lá quem for o idiota que te magoou antes, você não pode criar expectativas negativas para todos os outros caras. E tem uma porção de garotas legais atrás de um cara legal também, não seja estúpida.

As estranhas disseram, fazendo sorrir para a amiga arqueando uma sobrancelha. Fê não podia acreditar na vergonha que estava passando.

— Prazer, nós somos Luana e Bia. – uma das meninas disse apontando para elas próprias.
— Prazer meninas, e obrigada por me ajudar a fazer esta bobona abrir os olhos. – disse .
— Imagina, nós temos mais é que nos ajudar! Tem muito cara babaca lá fora, mas você aparentemente deu sorte de encontrar o cara certo. Então se joga, gata! – disse Bia tocando amigavelmente o ombro de Fê.
— A gente já vai. Boa sorte! – a Luana se despediu também.

Malu e Fê sorriram para elas, e acenaram enquanto as meninas saíam do banheiro.

— E aí, o que você vai fazer?
— Vou conversar melhor sobre isso com Jhony depois, agora vamos. Capaz de nem encontrarmos mais eles na mesa.
— Verdade, você tem que marcar território. – disse brincalhona para Fê que não gostou muito da piada.

As meninas saíram segundos depois, das estranhas novas colegas de banheiro. E ao chegarem próximo à mesa viram duas meninas parecidas com elas se aproximando dos rapazes.

— Cara eu juro que estava brincando, mas acho que você tem mesmo que marcar território.
, acho que são as meninas do banheiro.

Ambas chegaram à mesa e retornaram aos seus lugares e deram de cara com as mesmas garotas do banheiro. Bia, olhou assustada para Fê logo que ela chegou. As três, Luana, Bia e Fê ficaram bastante sem graça com a situação e se despediram sorrindo fraco.

— Se cuida Jhony… Tchau meninas… – Bia falou e saindo sem esperar resposta foi acompanhada por Luana.

Jhony e acharam aquilo estranho, e Fê fuzilou com os olhos. Visivelmente impaciente.

— O que Fernanda? Vai dizer que a culpa é minha?
— O que exatamente aconteceu no banheiro? – disse curioso com o clima entre as duas.
— Tudo bem Fê? – Jhony perguntou segurando sua mão.
— Sim. – ela respondeu soltando a mão dele e saindo da mesa.
— Ok. ? – perguntou Jhony para ela sem entender nada enquanto observava Fernanda sair pisando fundo.
— Você pegou a Bia né? – perguntou .
— O QUÊ?
— Cara, só responde. – disse sorrindo.
— É… Há muito tempo! Não hoje!
— Então melhor ir falar com ela. Elas se conheceram no banheiro enquanto eu aconselhava a Fê sobre esse relacionamento “fucking friend” de vocês dois. E a Bia e a Luana se meteram no assunto. Foi legal da parte delas, até a gente ver vocês dois de sorrisinho na mesa. Fernanda deve estar muito irada.
— Eu juro que não sei o que uma coisa tem a ver com a outra. – Jhony se levantava da mesa olhando incrédulo para os dois amigos.
— Só vai cara, mulher né… – disse arrancando olhares fuzilantes de .

Os amigos se entreolharam, enquanto Jhony foi atrás de Fernanda, tratou de ir se desculpando com :

— Ok. Comentário machista.
— Ainda bem que você sabe… – riu fraco com uma cara intimidadora para .
— Não me olha assim, não é como se eu fosse machista…
— Eu não vou discutir isto com você porque eu tenho certeza que me sobrarão argumentos.
— Posso saber por que tanta certeza disso?
— Eu observo bem as pessoas . E você é o típico cara que diz “eu não sou machista”, mas vai para lugares como esse procurar garotas fragilizadas e fáceis de atrair para depois nem ligar no dia seguinte.
— Oi? Do que você está falando? Se eu fosse esse tipo de cara, eu não estaria aqui fazendo companhia a você a noite toda não é mesmo?
— Ok. Desculpe, não tenho direito de te julgar assim.
— Obrigada!

Os dois sorriram, quando um cara aproximou-se da mesa e sentando-se ao lado de começou a cochichar em seu ouvido, irritando-a profundamente. observou a cena sem entender nada.

— Sai daqui Bruno! Deixa de ser babaca, quem você pensa que é?
— Porque você tem sempre que se fazer de difícil? – o garoto visivelmente bêbado abraçou-a depositando beijos em seu rosto.
— Seu idiota, tire as mãos de cima de mim! – empurrou o rapaz e se levantou.
— Sério , chega de joguinhos! Vamos!

O rapaz puxou pela cintura tentando beijá-la, em seguida sentiu um puxão de camisa pelas costas.
Era visivelmente irritado e impaciente, afastando o bêbado da garota.

— Cara você tem que entender quando uma garota não quer nada com você!
— E quem o idiota pensa que é para se meter?
— Eu posso te mostrar quem eu sou, em vez de falar. – e assim que terminou de falar deferiu um soco no rosto do outro cara.

que odiava violência de qualquer tipo ficou tremendamente nervosa com aquela situação e segurando o braço de disse para ele esquecer aquilo. As pessoas já formavam uma roda ao redor deles. Bruno levantou cambaleante e jogou em cima da mesa, quebrando os copos e partindo para mais socos e golpes em cima um do outro. Logo o dono do bar, Beluga, apareceu afastando os dois, somado a outros garçons.

— Beluga, aqui, se isso não reparar os consertos me avisa depois. – disse estendendo ao senhor uma quantia de cento e cinquenta reais.
— Bruno, toda semana você arruma confusão no meu bar! Eu não vou mais permitir sua entrada aqui! E você já me deve duzentos reais com essa confusão!

Bruno saiu do bar xingando o dono, acompanhado de dois outros amigos. se aproximou de que limpava o sangue que escorria do canto da sua boca.

— Cara, você não precisava ter feito isso!
— E deixar aquele estúpido se aproveitar de você?
— Qual foi … Olha como você ficou. Era só a gente sair de perto, não precisava partir pra cima dele.
, você está defendendo ele, ou é impressão minha?
— Não. Só estou dizendo que você não estaria machucado agora se tivéssemos apenas saído de perto.
— Qual é, isso não foi nada. O olho roxo dele vai doer bem mais!

Após recolher a bagunça junto com os garçons, Beluga se aproximou dos dois jovens.

— Vocês estão bem?
— Sim, obrigada. Desculpa aí pela bagunça Beluga. Se faltar dinheiro, aqui meu telefone.
— Não se preocupe com isso. Aquele arruaceiro já me deve uma grana por aqui. E eu conheço meus clientes.
— Beluga… Quanto deu a nossa conta? – perguntou impaciente para ir embora logo.
— Já vou trazer . Posso tirar o valor da quantia que você me entregou? – ele perguntou ao .
— Não, aquilo é para os reparos. Pode cobrar separado.
— De forma alguma, como eu disse eu conheço meus clientes. Foram só umas louças quebradas, não passa de cinquenta reais. Seria picareta da minha parte te cobrar mais do que o justo.
— Bem sendo assim, pode cobrar na quantia sim.

olhava de um lado para outro impaciente, enquanto Beluga se afastava.

— O que foi ?
— Não consigo falar com a Fê e nem com o Jhony. Onde eles se meteram? Queria avisar que a gente está indo.
— Relaxa, eles vão ver a mensagem logo. Devem estar ocupados. – riu fraco.
— É… Quanto deu a conta?
— Esquece isso.
— Claro que não, eu vou pagar minha parte.
— Ei garota empoderamento, deixe eu ser cavalheiro.
— Você já foi. – sorriu para que a olhou descontente — Ok. Pode pagar.

Ele sorriu satisfeito. Beluga voltou com o troco e os dois se retiraram do lugar. Iam caminhando pela calçada. não morava tão longe do bar, e logo eles chegariam no apartamento dela.

— Você está bem mesmo? – perguntou olhando para ela preocupado.
— Não é a primeira vez que um babaca mexe comigo daquele jeito. Relaxa. Eu vou ficar bem.

Continuaram o caminho um pouco calados, na maior parte. conseguiu telefonar para Fê e explicou o que havia ocorrido. Despediu-se da amiga, que já estava em seu apartamento.

— Você tinha razão. Eles já estão em casa. – disse rindo — Espero que tenham se acertado de vez.
— Então realmente ela gosta dele?
— Ela nega, mas está bem estampado que sim. E ele, te falou alguma coisa?
— Ele está louco por ela faz tempo. Relaxa, sua amiga não vai se magoar com Jhony. Ele é um cara muito legal.
— É vocês são. — ela olhou para que sorriu convencido — Retiro o que eu disse.
— É aqui? – ele perguntou assim que parou em frente ao prédio.
— É sim. Vamos, eu tenho umas paradas para limpar estes machucados lá em cima.
— Não precisa, está tranquilo.
— Relaxa , não vou te morder. – ela riu revirando os olhos e abrindo o portão principal dando passagem ao rapaz — Vamos, é minha vez de ser educada.

Ambos subiram silenciosos pelo elevador até entrarem no apartamento.

— Muito bonito seu apartamento.
— Obrigada! – ela sorriu de orelha a orelha, adorava quando elogiavam sua decoração — Vou lá dentro buscar as coisas. O banheiro é ao corredor, terceira porta à direita. Pode pegar alguma coisa pra comer ou beber na cozinha se quiser. Enfim, fique à vontade.

Ela se retirou e ao entrar em seu quarto jogou sua bolsa sobre a cadeira. E indo para o banheiro de seu quarto pegou alguns primeiros socorros, e saiu em direção à sala. Encontrou observando a vista na sacada.

— Bonita não é?
— Cara, maravilhoso! Meu apartamento não tem vista para o mar.
— Pode vir aqui namorar o mar da minha sacada quando quiser. Agora sente-se aqui.
— Não me lembro de você dizer que era médica.
— Eu não vou te matar, relaxa. – ambos sorriram.
— Você é formada em quantas temporadas de Grey's Anatomy?
— Engraçadinho... Assisti todas para sua informação.

Os dois riram. Enquanto limpava os cortes na sobrancelha e no canto inferior dos lábios de , pensava em como tinha sido grosseira em julgá-lo e chamá-lo de machista. se mantinha calado. E ao acabar os curativos ela sorriu dizendo:

— Pronto. Inteiro de novo. , desculpa mesmo pelos comentários grosseiros na mesa.
— Esquece isso. A sua reação é compreensível. Não deve ser fácil para você ter que lidar com caras como aquele durante o dia a dia, não é?
— É… Mas tem horas que eu acabo generalizando sem analisar a situação primeiro. E hoje você foi muito gentil.
— Bate aqui. – ele ergueu a mão no ar para que a amiga tocasse. — Bom, eu vou indo. Obrigada por tudo.

Beijou a testa de e se levantou indo em direção à porta. Ela colocou as coisas que estavam em seu colo sobre a mesinha do centro da sala e se levantou encarando o rapaz.

— Você vai embora a pé?
— Sim, algum problema?
— Bruno tem uns amigos idiotas, e eles ainda devem estar por aí.
— Fica tranquila, não vai acontecer nada.
— Marca um dez aqui e depois você vai, se quiser.
— Eu vou ficar bem , assim que chegar em casa te aviso.
— Não , sério. Fica mais um pouco, pode dormir aqui se quiser.

a encarou curioso. Não sabia se era apenas preocupação ou se era algum interesse diferente de , que ele ficasse. Achava má ideia ficar, mas ir embora não era o que ele realmente queria.

— Ok. Enquanto isso o que tem para fazer aqui, além de apreciar a vista da sua sacada? – ele sorriu.
— Eu vou tomar uma ducha, escolhe um filme. Tem DVDs, canais na televisão, Netflix… Enfim escolhe alguma coisa. A pipoca está no armário. – ela falou se retirando sorrindo — E vê se não queima, odeio pipoca queimada!
— Folgada! Eu que sou a visita! – ele gritou em direção ao corredor onde ela havia se direcionado.
— Hey! Acostume-se se quiser ser meu amigo. – ela falou com a cabeça para fora da porta de seu quarto.

sorriu largamente, indo em direção à cozinha. Revirou a cozinha dela, preparou suco, pipoca e brigadeiro. Ela sabia que toda garota – ou a maioria – gostava de brigadeiro, e não deveria ser diferente. Organizou a cozinha, quando ela chegou à sala, com um moletom maior do que ela, e travesseiros e cobertores de sobra.

— Meu Deus, você quer ajuda? – ele disse rindo da cena.
— Sim, segura aqui para mim. – ela entregou as roupas de cama para ele e foi abrir o seu sofá da sala — É cheiro de brigadeiro?
— Você gosta?
— Que tipo de pergunta é esta?
— Vou considerar um sim.
— Eu amo. Obrigada!
— Sabe que a última colherada é minha né?
— Ok, não vou brigar por isso. Você quer algum casaco, ou calça mais confortável?
— É, de ver seus moletons te engolindo certamente eles caberiam em mim. Mas não precisa se preocupar.
— Idiota, eu tenho umas roupas masculinas aí!
— São do seu irmão?
— Digamos que… São roupas que foram ficando… – ela sorriu maliciosa.
— Ah! Entendi! Dos seus machos. – ele riu — Então você faz os caras saírem nus pela janela ou o quê?
— Não! – ela sorria divertidamente – Sabe quando você vai deixando uma peça, aí depois deixa outra e etc.? Digamos que eu não deixei virem buscar de volta.
— Fiquei curioso para saber a rotatividade de roupas agora…

levou até o quarto de hóspedes e ao abrir o armário o rapaz gargalhou divertido.

— Nossa, deixaram malas de roupas pela casa, e não peças né?
— Eu vou esclarecer: eram do meu ex-namorado. Depois que terminamos ele não quis voltar pra pegar nada, e eu não fiz questão de devolver. Ele saiu do país e as peças ficaram.
— Entendi… São lembranças…

Ele olhou para como se ela fosse frágil e não tivesse superado. A garota fez uma cara óbvia e gargalhou afirmando:

— Lembranças? Não! São só roupas, . Pode parecer que não, mas não é como se eu não conseguisse me desfazer delas. É indiferente. Mas vem muito a calhar quando recebo um amigo e ele não tem como se trocar.

Ela o olhou convencida. balançou a cabeça negativamente. estendeu a ele uma toalha e disse:

— Vai, toma um banho para se agasalhar, que agora à noite esfriou muito. Ou você não usa roupas de outro homem? – olhou desafiadora para o amigo.
— Eu não uso a cueca de outro homem.
— Relaxa, tem um pacote de cuecas novas aí, que o Bryan nem chegou a usar. E ninguém mais usou. Se quiser fica à vontade.
— Tem quanto tempo que terminaram?
— Um ano e meio.

Ela disse e deixou o rapaz no quarto, saindo em direção à sala.

"Vem na maldade, com vontade chega, e encosta em mim ..."


e adormeceram no sofá-cama da sala. E o rapaz foi o primeiro a acordar. Observou a mulher deitada enrolada no sofá e foi em direção ao banheiro, ainda um pouco desnorteado por não conhecer exatamente o apartamento. Lavou o rosto, lavou a boca com o antisséptico bucal e pegando suas coisas foi em direção à porta de saída do apartamento. Ao tocar na maçaneta encontrou Fê abrindo-a.

?
— Bom dia gatinha – ele beijou o rosto da amiga de — Nos vemos depois, não esquece de pedir à para olhar minha mensagem no celular dela depois.

Dito isso saiu sem mais esclarecimentos. Fernanda arqueou a sobrancelha com um meio sorriso frouxo, e adentrou o cômodo dando de frente com a bagunça na sala. Foi até a amiga no sofá e cutucou-a.

— Ei, acorda !
— Quê…?

se revirou no sofá e abrindo os olhos, vagarosa, encontrou Fê com um sorriso bobo encarando-a.

— Quem é a minha vadia favorita?
‘Tá fazendo o quê aqui a esta hora Fê?
— Ao meio-dia? Eu vim almoçar, talvez?

se levantou aos poucos, olhou em volta e indo em direção ao banheiro de seu quarto gritou:

— O que você fez com o ?
— Eu? – perguntou ofendida Fê — O que você fez com ele, né? Ele saiu de fininho quando eu cheguei.
— Como assim cara? – perguntou confusa voltando à cozinha.
— E aí, vai almoçar ou tomar café?
— Nossa me entupi de porcarias ontem, vou só tomar café, mas se quiser almoçar fique à vontade.
— Porcarias? é tão ruim assim? Tadinho! – zombava Fernanda.
— Não transamos. Para de ser ridícula.
— E então, o que fizeram ontem?

Fernanda preparava o café de , a amiga organizava a bagunça na sala ainda meio sonolenta. E enquanto a cafeteira estava ligada, Nanda guardava as compras que havia feito e remexia armários e geladeira a fim de preparar seu almoço. abriu as cortinas da sala, para espantar o resquício de penumbra noturna.

— Você vai se mudar quando mesmo? – disse irônica enquanto observava Fernanda agir como se morasse na casa.
— Eu detesto ficar sozinha no meu apartamento, por isso prefiro ficar aqui com você. Eu sou boazinha vai! Até ajudo na casa!
— Porque não vem morar comigo de uma vez?
— Porque gosto de ter o meu cantinho também. E não muda de assunto, o que rolou ontem?
— Depois que você e o seu amadinho fugiram pra trepar, o Bruno me abordou na mesa e o e ele brigaram e então viemos embora. Eu te contei isso!
— É contou...
— Eu fiquei com medo dele voltar sozinho para casa, por causa daquela galera idiota que anda com o Bruno e falei para ele dormir aqui.
— Ah tá… E foi só isso?
— Assistimos filme, comemos besteira, mas eu não tenho a menor noção de quando foi que eu apaguei.
— Sei… - Fernanda olhou-a com cara de dúvida — Ah! Ele pediu pra te lembrar de olhar o celular.
— Mas e você e o Jhony?

perguntou saindo em seguida para guardar as roupas de cama. Fernanda esperou que ela voltasse do quarto, para contar sobre a noite passada e assim que retornou sentou à bancada com seu celular.

— Fizemos as pazes.
— Legal, mas você conversou com o Jhony né? – indagou olhando as mensagens em seu iphone — Tem mensagem do .
— Conversei, e acho que somos namorados agora. Não entendi direito o que nós decidimos, mas quando você nos vir vai saber.

riu incrédula para a amiga.

“Cara, não tenho noção de quando apagamos, mas eu não quis te acordar antes de vir embora. Obrigada por ontem. Beijos.”


também não sabe quando dormimos. – disse sob risinhos.
— Pronto, só falta vocês terem dormido juntos e não se lembrarem.
— Não, tenho certeza que não fizemos nada. Se manca Fernanda, não estávamos bêbados!
— E o que você vai fazer hoje?
— Estudar, porque vacilei quinta e ontem, e hoje às dez o Dan vai me pegar para irmos ao Bukowski – disse animada batendo palminhas.
— Ai… O Dan… – suspirou Fernanda provocativa.
— Sai vadia! – brincou se servindo com o café recém-preparado.

As duas amigas ficaram conversando até uma hora da tarde, em seguida Fernanda foi ao shopping com uma amiga e ficou em casa estudando pelo dia de aula perdido. Às seis da tarde, foi à academia e quando voltou começou a separar a roupa que sairia.
Daniel pontualmente às dez horas estava em sua porta. Ela trancou o apartamento e os dois desceram a pé. O Bukowski assim como o Beluga não era muito distante do prédio. Então Daniel chamou um táxi e rapidamente estavam lá.
Ao entrar no lugar, pessoas com camisetas estampadas por animes, videogames, desenhos e filmes geek, além de uma galera falso hippie que também estava reunida no local, dançavam ao som de Munford and Sons.

— Você avisou que seria diferente do meu habitual – Dan olhou divertido para .

Ela sorriu e ambos se encaminharam para uma mesa afastada da pista de dança. Sentaram e fizeram seus pedidos.

— E então, me conta tudo o que eu perdi neste tempo em que você se afastou.
— Fui promovido no trabalho, agora eu sou o gerente das relações de finanças da empresa.
— Olha ele – ergueu discreta seu copo de chopp artesanal.
— E eu quase fiquei noivo.
— Quase?
— É… Digamos que eu quase cedi à pressão.
— Mas o que houve com a Laura? Ela era tão legal.
— É… Mas sinceramente, não sei o que houve. Acho que caiu na comodidade.
— Qual é Dan, era só apimentar a relação…
— Nem todas são como você – ele sorriu malicioso.
— Tudo se trata de consenso. Eu não acredito numa relação que não dá certo só por causa de sexo, tudo se baseia em conversar… Explicar as suas preferências…
Eles ficaram se olhando travessos.
— Ela te pegou traindo?
— Não.
— Então ela te traiu?
— Não. Eu só não estava a fim de casar , não com uma relação sem emoção.
— Eu já disse que a emoção quem põe é você.
— Tá certo, mocinha... Olha só eu te convidei pra te curtir, matar a saudade e não pra falar da Laura – Dan se levantou e puxou a garota pra pista de dança.

Enquanto se sacudiam animados, Daniel esbarrou em . E embora tenha visto quem era, preferiu não falar com ele aquela hora. Eles beberam, conversaram mais um pouco, dançaram e na hora de voltar Daniel chamou outro táxi.
Dan e estavam dentro do elevador, silenciosos, até que ela quebrou o silêncio com sua voz sedutora.

— Foi divertido, eu senti sua falta. – ela falou se aproximando de Daniel como um predador aproximando da presa.
— Eu senti mais, pode acreditar. – puxou a cintura da garota e levantando o corpo de prendeu-a na parede do elevador acima de sua cintura.

Daniel arrancou com a velocidade já conhecida por , sua camiseta, revelando o sutiã provocante da mulher. Distribuiu beijos por seu pescoço e seios, e não demorou muito pra começar a arfar instintivamente de um jeito que sabia, que Daniel gostava. Ela puxou a camiseta dele e arranhou suas costas. O homem apertou o botão do elevador, fazendo o mesmo parar de subir os andares. E subindo a saia de , afastou sua calcinha penetrando-a com os dedos. gemia sem pudor enquanto mordia e arranhava o corpo de Daniel. Depois de dançar sobre os dedos dele, deixando-o excitado, ela escorregou devagar pela parede do elevador e com a maior calma, desabotoou a calça de Dan e retirando seu membro abocanhou-o com sagacidade. Depois de algumas brincadeiras no elevador, eles continuaram a subir o silencioso prédio adormecido, e ao chegarem em seu andar, beijaram-se seminus no corredor, cada um indo em direção ao seu próprio apartamento. Fernanda estava no apartamento da amiga assistindo a uma série, e ao vê-la chegando naquele estado deu um grito eufórico:

— AAAAAH! OS TARADOS DO ANDAR, VOLTARAM!!!!!!

limitou-se a rir e andar trôpega até seu quarto.

" Hoje eu quero e você sabe que eu gosto assim..."




Ao amanhecer, Fernanda estava dançando Crazy In Love na sala, ao som do canal matutino de videoclipes. Fernanda aproveitava o canal autoprogramático da tevê de , e sempre acordava ao som das músicas do programa quando estava na casa da amiga. saiu de banho tomado do seu quarto, sorrindo e dançando junto com a amiga. Após seu pequeno show na sala do apartamento, ela foi preparar um café e pegando a chave de casa gritou para a amiga louca de pijama:

— Fica de olho na cafeteira, vou à padaria!

Fernanda piscou para amiga, pedindo para ela não interromper. E ficou observando-a sair. Antes de abrir a porta, notou um envelope abaixo da porta. Ela pegou e reconheceu a letra de Dan. Mostrou para a amiga e o abriu, retirando uma chave e um bilhete que dizia:

“Estamos jogando pra valer agora.”


Wannabe – Spice Girls , tocava no último volume e as duas amigas sentindo-se pré-adolescentes novamente gritavam e dançavam sensualmente na sala. Daniel havia deixado a chave de seu apartamento para . E aquilo realmente significava jogar de verdade.
guardou a chave e saiu para comprar seu café da manhã.
Descia o elevador do prédio risonha com o ocorrido da manhã. Talvez, não fosse momento para algo mais longo, mas se permitiu sentir feliz com a possibilidade de continuar uma história com Dan.
Chegando no térreo do prédio, encontrou Matheus chegando ao lado de uma garota loirinha.

— Ei! Bom dia! - ela disse animada ao amigo.
! - ele abraçou-a, sem soltar a mão da garota — Já se conhecem né?
— Na verdade não. - ela disse sorrindo para a garota.
— Prazer, sou sua vizinha do 403. Mariana.
— Ah! Você se mudou há pouco né?
— Sim…

Os três ficaram se entreolhando com sorrisos tímidos. Até que achando, uma situação muito esquisita, comentou que iria à padaria e se despediu.
Ao voltar, encontrou na sala de sua casa com Fê. Os dois conversavam animados sobre alguma coisa.
Ela abriu a porta da sala adentrando, sob os olhares dos amigos.

— Ih! - ela exclamou ao ver .
— Quer dizer que tem um novo macho na casa? Já mostrou a ele sua coleção de moda masculina?
— O quê? - ela perguntou olhando feio a amiga.
— Ele não é um “novo” macho. É um caso antigo. E dessa vez, vai!
— Cala essa boca Fernanda! Com que direito você me expõe ao ?
— Com o mesmo direito de quem acabou de me pegar num flagrante lá em baixo.

Ele disse e sentou-se ao seu lado no sofá. Fê saiu em direção à cozinha para preparar o café da manhã deixando os amigos a sós na sala.

— Desde quando vocês estão saindo? - ela perguntou.
— Umas duas semanas.
— E você não falou nada! Por isso você não ficou com mais ninguém quando nós saímos.
— Não, não, nada a ver. Estou saindo com ela, mas não temos nada.
— Sei, sei…
— E você? Há quanto tempo o tal garanhão que a Fê falou, e você estão juntos?
— Não estamos juntos, e nossa história é complicada.
— História complicada? Ele é seu ex ou algo do tipo?

sorriu e Fê voltou com a bandeja de café, sentou-se entre os amigos e disse:

— Nem ex, nem algo do tipo. Ele é o fucking friend dela.
— Ah é…? - a encarou curioso — Não sabia que você tinha esse estilo.
— Você não sabe nada de mim, e acho que podemos parar de falar da minha vida. Vamos falar da vida da Fê. Jonhy te contou que eles se acertaram?
— EI!
— É, ele comentou alguma coisa… Meninas, eu vou indo. - disse se levantando.
— Ué, não vai comer?
— Não Fê, valeu – beijou sua testa — Eu tenho que ir, hoje tem jogo lá em casa. Espero vocês às três para assistirem comigo e meus amigos. - beijou a testa de também.
— Estaremos lá, não é ?
— Ah… Claro. - respondeu em dúvida.
— Não precisa ir se não quiser, parece que agora você tem compromissos mais interessantes – disse zombeteiro.
— Tenho, mas até as três da tarde há um longo tempo.

Fernanda zoou a amiga, e sorriu de canto saindo pela porta acenando fraco.

— É impressão minha ou o ficou meio enciumado?
— Enciumado de quê Nanda?
— De você!
— Do que é que você está falando?
— Eu estou falando do fato de achar que entre vocês, ainda dá música.
— Eu não vou nem te responder.
— Claro que não, porque sabe que é verdade!

desconversou aquela história descabida de Fê terminou seu café e foi correr. Fê se encarregou de ir ao mercado comprar algo para levarem à casa de mais tarde. As duas se despediram na portaria e cada uma foi para um lado, antes de se distanciarem muito, Fê gritou o nome de , e avisou que faria lasanha para o almoço.

— Pode deixar, eu vou correr o dobro! - gritou de volta.

Na orla da praia, corria enquanto a brisa salgada do mar, lhe permitiam uma sensação de bem-estar diferente. Ela não poderia negar que aquele papo da amiga, sobre a reação de , a deixou encucada. Não é que acreditasse no interesse dele. E ela mesma não estava interessada, mas por alguma razão, havia uma corrente elétrica entre ela e ele, que a própria desconhecia a origem.
E não demorou muito para Dan ocupar seus pensamentos, e com ele a esperança de uma história legal. Ela poderia apostar que um sentimento há muito adormecido ressurgia, algo além da paixão proibida.
Pensando no sorriso perfeito de Daniel, ela fechou os olhos numa tentativa de encarar o Sol. E então bateu em alguém à sua frente. Pela forma como a pessoa segurou seus braços, ela sabia que era alguém conhecido. Daniel a encarou surpreso e feliz.

— Bom dia - beijou-a num selinho — Viu o meu recadinho?
— Sim, e adorei. - ela beijou-o novamente.
— Quer fazer alguma coisa hoje?
— Às três eu vou sair com a Fê e uns amigos, mas antes disso estou livre.
— Então eu termino minha corrida, você a sua, e nos encontramos no quiosque da frente do prédio, mergulhamos um pouco e depois… - se aproximou de seu ouvido e sussurrou: — Terminamos o que começamos ontem.

Ela assentiu sorrindo e voltou a correr dando as costas a ele. Daniel permaneceu um tempo a admirando correr antes de voltar à sua rota.




Os dois beijavam-se molhados e cheios de areia, pelo elevador de serviço – onde era obrigatória a entrada com sacolas e pós praia - e, ao sairem no próprio andar, já estava sem o top de corrida agarrada ao corpo de Dan.
Ele segurava-a em seu colo e olhou para os lados no corredor antes de sair do elevador, com a chave em suas mãos abriu com agilidade a porta de seu apartamento.
A sensação de adrenalina que ambos tanto adoravam, os fazia arriscar os locais e situações mais delicadas, então após adentrarem o apartamento de Daniel, não havia motivos para quaisquer pudor. Reconhecendo o apartamento do vizinho, retirou seu short de corrida, tênis e meias, assim como ele também. Ela seguiu em direção ao banheiro dele, com as mãos de Dan acariciando seus seios, sua intimidade tocando os glúteos dela, e a língua lhe distribuindo lentos carinhos em seu pescoço.
Com brutalidade viril, encostou à parede do box, abriu o chuveiro morno e puxava os cabelos dela enquanto a beijava e arrancava suspiros da mulher. Ela sugou o lóbulo da orelha dele, e sem demora ou enrolações direcionou a mão no membro dele movimentando-o de uma maneira que deixava Daniel vulnerável a ela.
Daniel excitava-se, e descendo a boca até o umbigo e mais seguinte ao clitóris dela, sugou-a. gemeu alto puxando os cabelos dele.
A água morna do chuveiro escorria por seus corpos, e ambos apressados pelo gosto um do outro, iniciaram a penetração. Ela elevada à cintura dele, recebia as estocadas fortes e profundas do amigo que conhecia tão bem a anatomia íntima dela.

— Você continua gostosa pra caralho, puta que pariu… - sussurrou ofegante no ouvido de .
— E você… Huh… - gemeu ela fazendo Dan aumentar a velocidade de seus movimentos após ouvir aquele gemido — Só me fode… Por favor. Muito...

Não contendo o desejo dela, Dan investiu estocadas lentas, rápidas, profundas e movimentos circulares com o quadril que a deixavam extremamente estremecida. Antes de gozar, ele a fez gozar primeiro. Massageou o clitóris de e ao sentir o líquido quente sobre seu pênis, permitiu-se gozar também. Ele sempre a fazia ir primeiro, e era uma das coisas que ela mais gostava na transa entre eles.
Saíram do “banho”, ela vestiu uma camisa dele. Mas antes de terminar de se vestir, lá estava novamente Daniel, penetrando-a com dedos e a provocando. Então ela cedeu às provocações dele, e não satisfeita com os joguinhos contra ela, aproveitou-se também. Ela retirou a mão dele de sua intimidade e o empurrando na cama, ajoelhou em frente a ele, pegou seu pênis com a delicadeza necessária e lambeu a glande de maneira lenta, com pequenas sugadas que faziam Daniel virar os olhos. Transaram a manhã toda.

Na hora de voltar ao seu apartamento, ela vestiu uma camiseta grande dele, e com as suas roupas em mãos atravessou o corredor. Fernanda terminava o preparo da lasanha e ao vê-la, sorriu de canto negando com a cabeça. passou rápido para seu quarto.
— Eu quero saber detalhes! - gritou Fernanda da cozinha.

Continua...



Nota da autora: (09/05/2017) Espero que gostem meninas, e comentem. Beijos adocicados, e obrigada pela leitura!




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