CAPÍTULOS: [Prólogo] [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10]





| Visitas:

Última atualização: Junho/2017

Prólogo


Sempre achei que família e sangue fossem palavras superestimadas.
Seu sangue não deveria definir seus laços, assim como seu sobrenome não deveria definir seu destino.
Da mesma forma, sua família não precisa ser, necessariamente, tão importante quanto a palavra demonstra.
Infelizmente, para mim, sangue, família e nome são extremamente significativos no mundo bruxo, e por isso, as ações passadas da minha família sempre estarão ligadas a mim.

Minha família sempre foi complicada, desde antes de eu nascer.
Um único lado extremista, prezando o Sangue-Puro e a importância de um nome, adoradores das Artes das Trevas, mesmo antes de Lorde Voldemort tomar o poder.
Esse desespero por manter o Sangue-Puro, fez com que as relações e matrimônios se mantivesse nos nomes mais próximos, não se importando se tinham algum parentesco.

Orion e Walburga Black, embora primos de primeiro grau, casaram-se e tiveram dois filhos, Sirius e Régulo, herdeiros de um dos sobrenomes mais importantes e nobres do mundo bruxo.
Sirius foi tudo o que os pais mais detestavam, além de não ser escolhido para a Sonserina, acabou amigo de Sangues-Ruins, adorava os trouxas e suas invenções, além de odiar qualquer coisa que fosse relacionada às Artes das Trevas, Sirius, ou Almofadinhas para os mais próximos, juntou-se à Dumbledore na Ordem da Fênix durante a Primeira Guerra Bruxa.
Seu irmão mais novo, Régulo foi o contrário; Sempre foi o orgulho da família. Sonserino, jogou Quadribol pela Casa, era o melhor aluno de seu ano e terminou juntando-se à Voldemort, virando um de seus mais próximos e fiéis Comensais da Morte.

Cignus Black, irmão de Walburga, casou-se com Druella Rosier, e juntos tiveram três filhas; Bellatrix, Andrômeda e Narcissa.
O bruxo morreu sete anos depois do nascimento de Cissa, após contrair Varíola de Dragão, deixando as quatro mulheres sozinhas.
Druella, jovem e importante na sociedade bruxa, não quis passar o resto de sua vida sozinha, casando-se com Frank Lestrange um ano depois.
Lestrange estava sozinho com seus dois filhos, Rodolfo e Rebastan, após a esposa ser condenada a passar a vida em Azkaban, depois de matar um grupo de trouxas, anos antes.
O casamento entre Frank e Druella foi importante, duas famílias Sangue-Puro com sobrenomes importantes e muito ouro em Gringotes.
Do casamento dos dois, nasceu Victoria.

Anos depois, Rodolfo e Bellatrix casaram-se, seguindo juntos para o lado de Voldemort, como seus fiéis Comensais da Morte; os dois acabaram em Azkaban após a queda do Lorde.
Andrômeda, conseguiu o título de maior vergonha dos Lestrange-Black, superando até mesmo Sirius; a mulher ignorou todos os avisos e casou-se com Ted Tonks, um Sangue-Ruim. Ninfadora, ou Dora, era o fruto dessa união.
Narcissa casou-se com Lucius Malfoy, outro nome importante da comunidade bruxa, família nobre, rica. Dessa união saiu Draco, tão loiro e esnobe quanto o pai.
A quarta das irmãs, Victoria, só não teve um casamento pior do que Andrômeda, pois o marido era Sangue-Puro; Sirius Black, seu primo.
Por mais que odiasse boa parte de sua família, Sirius sempre se deu muito bem com Victoria, apenas dois anos mais nova do que ele. Almofadinhas tinha certeza que a mulher era diferente do restante, assim como Andy e ele próprio. Apaixonaram-se durante seus anos em Hogwarts, e casaram-se um ano após ela terminar os estudos, juntos tiveram uma filha.

Victoria era uma Comensal da Morte presa em Azkaban, acusada de passar informações de dentro do Ministério para Lorde Voldemort.
Sirius, ex-membro da Ordem da Fênix, foi considerado um assassino notório após ser acusado de matar treze trouxas. Foi também o primeiro bruxo a escapar de Azkaban.
A criança, filha de dois dos maiores Comensais de Voldemort, acabou com uma das irmãs de Victoria; sem saber quem realmente eram seus pais, pelo menos por alguns anos.

Meu nome é .
Herdeira de dois dos maiores sobrenomes do Mundo Bruxo;
Eu sou o legado dos Lestrange-Black.


UM



’s POV
FlashBack (Quinto ano em Hogwarts)
Departamento de Mistérios – Ministério da Magia

- Petrificus Totalus – Harry gritou apontando sua varinha para Dolohov. Braços e pernas se juntaram ao corpo e novamente ele caiu.
- Boa – Gritou meu pai, empurrando eu e Harry para trás antes que feitiços estuporantes nos atingissem. – Agora quero que vocês saiam d...
Um jato verde veio em nossa direção, e então o capuz de um dos Comensais caiu, e ela entrou no meu campo de visão.
Não tinha como não a reconhecer, embora nunca tivesse visto-a pessoalmente. Estava diferente das fotos que eu vi quando mais nova, mas continuava inconfundível.
Ela estava logo ali, seus cabelos compridos, tão loiros quanto os meus, e seus olhos claros, o corpo magro e a postura séria, duelando logo a frente, imponente.
Por mais que eu a odiasse, e, embora jamais fosse admitir aquilo em voz alta, ela era linda.
Victoria Lestrange Black, minha mãe.
Mas a raiva que eu sentia dela era muito maior do que qualquer admiração por sua beleza, o que a mulher tinha de bonita, tinha de maldosa.
Mamãe era uma Comensal da Morte declarada, que havia abandonado meu pai e eu para juntar-se a Voldemort antes de sua queda.
Um arrepio passou por minha pele com a simples menção da palavra mãe.
Aquela mulher não significava nada em minha vida. Embora tivéssemos o mesmo sangue e a mesma cor de cabelos, eu nunca a consideraria minha mãe, da mesma forma que ela nunca me considerou sua filha.
De repente vi Tonks cair e Bellatrix rir virando-se para outra briga.
- Vocês dois, peguem a profecia, agarrem Neville e corram! – Meu pai gritou desesperado – Não quero vocês aqui. Vão logo. - ainda o vi correr ao encontro da prima, duelando com a mesma enquanto ria.
Fiquei olhando por alguns segundos os dois lutando, mal distinguia suas varinhas no meio de tantas luzes resultantes dos feitiços que lançavam.
- Vamos – Harry me chamou correndo para perto de Neville.
Quando me virei para segui-lo, a varinha apertada em minhas mãos, senti uma mão apertar meu braço.
Ao virar-me meus olhos encontraram os azuis da mulher loira, Victoria, a qual não tinha nem mesmo um único machucado, nem mesmo parecia nervosa por estar duelando contra a Ordem. Ela me olhou por alguns instantes, quase como se estudasse minhas reações, arqueei uma sobrancelha, encarando-a no mesmo tom.
- Eu não ficaria aqui se fosse você, - começou falando baixo e rápido, precisei de alguns segundo para entender suas palavras - Lorde Voldemort tem um novo plano.
Franzi o cenho, confusa.
Do que diabos ela estava falando?
- Saia daqui. - falou novamente, antes de afastar-se rapidamente, apontando a varinha e disparando mais alguns feitiços.
Sentia meu coração bater acelerado, meu cérebro processar tudo aquilo com rapidez, mil pensamentos em minha cabeça, ao mesmo tempo que começava a sentir todo o cansaço e dores no corpo causados pelas últimas horas.
O que tudo aquilo significava?

Victoria começou a duelar com Quim, um jato vermelho saiu de sua varinha e passou longe do Auror, acertando Avery. Franzi o cenho, encarando-a por mais tempo que o necessário, por sorte não herdei sua mira, ou teria problemas no Quadribol.
A menos que… Seria possível que ela estivesse mirando o outro Comensal?
Não saberia dizer quanto tempo passei naquele canto, olhando dela para meu pai, duelando em lados opostos com pessoas diferentes, sem nem mesmo se olharem. Talvez nem tivessem percebido que estavam no mesmo ambiente, ou simplesmente não se importavam. E a resposta a minha dúvida veio poucos segundos depois; Victoria parou por um instante, após derrubar Quim, e olhou na direção em que Bella e papai duelavam. Vi-a franzir o cenho, olhando séria para a cena, antes de o grito de Neville me tirar de meus devaneios, logo meus olhos encontraram o motivo da animação de Longbottom; DUMBLEDORE.
Estava no alto da escada, seu rosto pálido e enfurecido; estávamos salvos.
O diretor desceu rapidamente a escada, rápido demais para alguém de sua idade, e quando já estava ao fim um dos Comensais o avistou e gritou para os companheiros.
Todos pareceram parar ao avistarem Dumbledore.
Todos, menos meu pai e Bellatrix, que ou não perceberam sua chegada, ou não ligavam.
Victoria, eu reparei, deu um passo vacilante para trás, antes de erguer a varinha, sendo desarmada pelo diretor no instante seguinte.
Papai, por outro lado, continuou duelando, desviando de um raio vermelho que Bellatrix lançou, rindo dela.
- Vamos, você sabe fazer melhor que isso! – Ele gritou, sua voz ecoando pela sala.
O segundo jato o atingiu no peito.

Pareceu-me que o tempo parou.
Demorou muito para meu cérebro processar o que meus olhos viam, e meu coração sentia.
O riso ainda não tinha desaparecido do rosto de papai, mas vi seus olhos se arregalarem em choque.
Harry passou por mim correndo.
E eu ainda olhava estupefata para meu pai, que levou uma eternidade para cair.
Caindo graciosamente, mergulhando de costas no véu esfarrapado que pendia do arco.
Encarei a expressão de medo e surpresa no rosto devastado de meu pai, antes dele atravessar o arco e desaparecer além do véu.
Ouvi ao longe o grito triunfante de Bellatrix, embora não entendesse o motivo.
Do que ela ria afinal?
Meu pai tinha apenas se escondido, provavelmente para apanhá-la de surpresa.
Era bem a cara dele, fazer esse tipo de coisa.
Esperei por alguns segundos olhando para o sorriso de Bellatrix Lestrange, minha querida tia. Idiota, espera só, meu pai vai acabar com você.
Mas papai não apareceu.
- SIRIUS! – Harry gritou – SIRIUS!
- Espera Harry – Falei com a voz rouca, de repente percebendo que lágrimas caiam de meus olhos, pigarreei antes de tornar a falar – Ele vai aparecer.
Harry correu para o véu, Remo o agarrou, detendo-o.
Mas afinal qual era o problema deles?
Meu pai estava bem, eu sabia disso, tinha certeza.
Ele apenas passou pelo véu.
- Não há nada que você possa fazer, Harry. – Lupin falou com a voz tão rouca quanto a minha.
Olhei-o, irritada, do que ele estava falando?
- Apanhá-lo, salvá-lo! Ele só atravessou o véu! – Harry estava certo, ele só atravessou o véu.
- É tarde demais, Harry.
Meu pai só estava escondido, por algum tempo não entendi o que Remo quis dizer, e nem por qual razão Harry estava tão agitado. Papai estava bem, deveria estar rindo, divertido com tudo aquilo.
- Ainda podemos alcançá-lo... – Harry tentava soltar-se, lágrimas caindo por seus olhos.
- Não há nada que você possa fazer, Harry. Nada... Ele se foi.
Se foi.
O que aquilo deveria significar?
- PAI! – Gritei com a voz rouca. Lágrimas caiam, eu podia sentí-las ali. – PAAII! – Gritei correndo para o lado do véu onde ele se escondia, até que Quim me segurou. – Me solta... PAAAAII!
Agora eu já sentia o desespero e a raiva se apossar de meu corpo.
A brincadeira já tinha acabado, não tinha mais graça.
Por que ele simplesmente não aparecia, rindo e jogando os cabelos para trás, como sempre fazia?
- Sinto muito. Ele se foi... – Quim falou baixo em meu ouvido.
- Ele não foi... Não pode... Você não entende? Ele só está esperando... Ele vai aparecer... Sei que vai. PAI! – O chamei novamente, sentindo o aperto em meu peito crescer – PAI!
- Não adianta . Ele não pode te ouvir!
- Pare com isso. Ele está ali. Sei que está…
Quim me segurou com força, tentando me tirar de perto do estrado e do véu, me afastando de meu pai.
- PAI! PAI! – Por que ele não me respondia? Por que demorava tanto para aparecer?
- Ele não pode voltar. – Ouvi Lupin falar com a voz embargada – Não pode voltar porque está m...
- ELE. NÃO. ESTÁ. MORTO! – Harry gritou com raiva.
- Não pode estar! Ele esta só se escondendo, vocês não entendem? – Perguntei com raiva, olhando de Remo para Quim. – Ele só atravessou o véu. Está bem, está vivo. PAI! – Gritei novamente.

Conseguia ouvir alguns movimentos em volta, luzes, gritos... Nada que importasse.
O que me interessava era o fato de Lupin e Quim acharem que meu pai não voltaria, que ele tinha me deixado.
É claro que ele voltaria. Ele prometeu que nunca me deixaria. Não de novo.
Agora estava com raiva por meu pai nos deixar esperando, olhei rapidamente para Harry, que também tinha o olhar fixo no véu e não estava com uma cara muito boa.
Provavelmente com a mesma raiva que eu estava sentindo por ter de esperar tanto.
Foi quando eu olhei para a expressão triste de Remo, o qual tinha lágrimas escorrendo por seu rosto, que uma partezinha… Uma parte mínima minha se deu conta.
Quase como se ela já soubesse, mesmo enquanto tentava me soltar de Shacklebolt, alguma parte do meu ser já tinha entendido o que eu recusava aceitar; Meu pai não me deixaria esperando. Ele não nos deixaria esperando. Papai sempre arriscava tudo para nos ver, falar conosco, nos ajudar de alguma forma. Se ele não aparecia, mesmo comigo e Harry gritando desesperados por ele, como se nossas vidas dependessem dele aparecer…
A única explicação era que não podia voltar… Que ele realmente estava…
Senti um grito desesperado escapar por minha garganta, sem que eu pudesse controlar, e as lágrimas inundaram meus olhos, enquanto tentava me soltar, Quim até me largou por um segundo, mas antes que eu pudesse correr, Remo me segurou pelo braço, puxando-me para seu lado, apertando-me contra seu peito.
Nada no mundo fazia sentido, e o aperto em meu coração aumentava, junto com a falta de ar em meus pulmões. Ainda olhava para o véu, na tola esperança de vê-lo novamente.
Foi quando ouvi um grito alto, e Quim ser lançado para o lado da sala, Bellatrix ria, correndo para as escadas.
Os outros Comensais da Morte todos presos por Dumbledore, e o diretor lançou um jato de luz, o qual ela desviou com facilidade, sumindo pela porta.
- Harry… Não! - Remo gritou, tentando puxá-lo de volta, mas Potter já estava longe.
- ELA MATOU SIRIUS! - gritou com raiva - ELA O MATOU! ELA O MATOU!
A última coisa que vi foi Harry correr pela escada, desviando de quem tentava segurá-lo, a última coisa que fiz foi apertar minhas vestes, sentindo a falta de ar dominar-me, antes de sentir o chão gelado.

End FlashBack

Acordei no meio da noite assustada, suando frio.
Sentindo cada parte do meu corpo doendo como naquela noite, há dois anos.
Não era a primeira vez que tinha aquele sonho, mas era a primeira vez que via tudo tão claramente, como se estivesse naquela sala no Ministério novamente, vendo papai atravessar o véu bem diante dos meus olhos, enquantomamãe ganhava um novo passe para Azkaban.
O quarto continuava completamente escuro, sem qualquer sinal do sol nascendo do lado de fora. Respirei fundo antes de me levantar, seguindo pelo corredor em direção às escadas. Descendo em silêncio, fazendo o mínimo de barulho possível, não estava com muita paciência para os escândalos do quadro de minha querida avó. As velas, agora quase no fim, iluminavam minimamente à cozinha. Segui em direção a pia pegando um copo com água antes de me sentar em uma cadeira próxima, cruzando os braços na mesa, e baixando minha cabeça. Com os olhos fechados, tentava esquecer-se de tudo o que me lembrasse daquela noite, mas parecia que quanto mais eu tentava mais eu me lembrava de tudo, e de como acabamos daquele jeito. Embora minha vida sempre tivesse sido uma confusão maior do que eu esperava, parecia que as coisas realmente tinham piorado nos últimos anos, depois que entrei em Hogwarts, parecia que todo ano tinha um problema maior e pior para lidar, chegando ao auge no terceiro, quarto e quinto ano, quando conheci Cedrico e meu pai, e depois os perdi.

Lembrava-me com perfeição de todos os meus anos na Escola, e os momentos mais marcantes, dos felizes aos tristes. Hogwarts me provou que tudo o que eu sabia estava extremamente errado, que todas as certezas que eu tinha na vida, na verdade eram mentiras.
No meu primeiro ano na Escola, meu maior medo era entrar para a Sonserina, pois isso significaria ser igual ao resto da minha família. E, mesmo que eu ainda ache a maior parte dos alunos dessa Casa horríveis, não é isso que determinaria o meu lado. Meu pai era da Grifinória, e mesmo assim foi considerado um Comensal que traiu o melhor amigo, o que eu descobri ser mentira apenas no terceiro ano.
Passei a maior parte da minha vida desprezando meu pai e minha mãe.
Odiando minha própria existência por ser filha deles. Por ser uma Black.
Um sobrenome que eu nem mesmo usava por vergonha, por medo.
Em Hogwarts também descobri que esse medo era diferente.
Meu medo era de não ser aceita, de ser desprezada por causa da minha família, mas mesmo após saberem quem eu realmente era, meus amigos permaneceram ao meu lado. E por mais que o restante dos Black fossem desprezíveis, meu pai era um bom homem.
Um homem que morreu defendendo o que acreditava, tentando salvar quem amava.
E é esse o real legado dele.

Um nome, como uma vez disse Hermione, só atrai o medo quando você já tem este sentimento dentro de você. E era exatamente esse meu problema até o terceiro ano; o medo de ser uma Black.
Mas, como meu pai dizia, todos temos luzes e trevas dentro de nós, e o importante era o lado que escolhemos agir.
Eu sabia o meu lado, sabia quem eu era.
E mesmo com o mundo bruxo quase em Guerra, com Voldemort atacando por todos os lados, eu sabia a quem eu era fiel. Por mais medo que tivesse de voltar a perder quem eu amava, ou mesmo morrer, nada me faria mudar. Porque não me importava se meus tios, meu primo e mesmo minha mãe estavam do lado de Voldemort, eu era uma Black afinal de contas, e esse sobrenome não significava apenas Comensais da Morte.
Ser uma Black também significava fazer minhas próprias escolhas e defender aquilo em que acredito, defender quem eu amo.
Significava que, assim como meu pai, eu era uma renegada.
End ’s POV


DOIS


Harry’s POV

Acordei com o cheiro de torradas e bacon que vinha do andar de baixo.
Já estava vestido e quase descendo quando vi Edwiges entrando pela janela aberta do quarto de Rony. Me aproximei, pegando a carta de seu bico, enquanto fazia um carinho rápido em suas penas, antes de dar-lhe um punhado de petiscos.
Sorri sozinho ao reconhecer a letra de no pedaço de pergaminho, pequeno demais para ser uma carta extensa, principalmente se fosse comparar com as que Hermione tinha mania de mandar. Demorou pouco mais de dois dias para eu receber sua resposta, após agradecer o presente de aniversário adiantado que recebi; um uniforme novo de um time de Quadribol, e perguntar quando ela chegaria n’A Toca, já que ela estava morando sozinha desde que voltamos de Hogwarts. Soube que Tonks tentava convencê-la de voltar para a casa, mas ela preferia ficar na casa de Sirius.
Assim que abri o pergaminho, tinha apenas duas frases escritas;

“Fico feliz que tenha gostado, passei um bom tempo imaginando o que te dar de aniversário.
Nos vemos em breve, Harry.
X

O que ela queria dizer com “em breve”?
Breve como horas? Dias? Semanas?
Respirei fundo passando a mão pelos cabelos, que já estavam demasiados compridos, amassando o pergaminho e colocando-o no bolso da calça. Passei pela porta, enquanto Fred se virava na cama de armar, esbarrando com Mione e Gina no corredor apertado, descemos juntos para a cozinha, eu sabia que as duas estavam falando alguma coisa, talvez até mesmo importante, mas a única coisa que eu tinha na cabeça era a resposta
que tinha recebido de .
Não nos víamos desde que as aulas terminaram, o que já era esperado como todos os outros anos, mas dessa vez mal estávamos nos falando. E eu sabia exatamente o motivo.
estava me ignorando desde antes das aulas acabarem, e por mais que aquilo me irritasse, porque eu sentia sua falta, eu nem mesmo a culpava.
Aquilo tinha sido minha culpa e eu nem mesmo me arrependia.
Mione e Gina continuaram conversando animadas durante a refeição, Rony desceu logo depois com a cara amassada, sentando-se em seu lugar enquanto a Sra. Weasley chegava distribuindo a comida.
- Obrigado. - sorri educadamente, quando ela colocou cinco torradas, dois ovos e alguns pedaços de bacon em meu prato.
- Está tudo bem, Harry? - Gina me encarava curiosa, apenas concordei com a cabeça, mastigando devagar - Você parece preocupado…
Dei de ombros, tomando um gole de suco antes de responder.
- Estou ok, só um pouco sonolento… - menti olhando-a rapidamente.
Não tinha motivos para contar a todos o meu problema com , ninguém mais precisava saber que ela estava me ignorando daquela forma, embora eu tivesse quase certeza que Mione suspeitasse. A garota já não ficava perto de mim quando Rony, Mione ou outro colega estivesse junto, já não conversávamos como antes e nem estudamos juntos para as provas no último mês em Hogwarts. Rony achava que ela estava se sentindo mal por causa de Sirius, o que não deixava de ser verdade, é claro. Mas não era por isso que ela não me olhava.
me ignorava desde que eu tinha a beijado no Campo de Quadribol, em junho.

Eu sabia que tinha sido impulsivo, que deveria ter pensado mais antes de fazer aquilo, mas simplesmente aconteceu. E eu não tinha um pingo de arrependimento.
Na verdade, só me culpava por não ter ido atrás dela quando saiu correndo.

FlashBack

O Salão estava cheio e barulhento, como sempre Rony se escondia atrás de um monte de comida e Hermione olhava com nojo pra ele.
Dumbledore não estava na mesa dos professores, o que indicava que ele devia ter saído atrás de mais Horcruxes...
- Harry, você viu a ? – Mione me perguntou de repente.
- Hum... – pensei um pouco, terminando de mastigar meu pedaço de torrada – Eu estava descendo da sala Comunal e esbarrei com ela, disse que ia pegar um casaco e já descia...
- Mas ela não desceu, ou melhor, não apareceu aqui... Já não é a primeira vez que ela some...
- Ela não sumiu, só não veio até aqui e...
- Você entendeu! – Mione me cortou, arqueei as sobrancelhas para ela. – Acho que você deveria ir procurá-la.
- Por que eu? – questionei, não que eu me importasse, mas gostava de ver Hermione brava por ser questionada, na verdade Granger sempre queria mandar na situação toda, normalmente não me incomodava, porém era sempre bom zoar com ela quando podia.
- Bom, ela está mal desde que o Sirius morreu. – a encarei com a boca aberta, não acreditando que ela usaria aquilo contra mim – e não é pra menos, acho que como você era mais chegado do Sirius entende melhor o que ela ta sentindo...
- Ok, me convenceu. – preferi sair a continuar ouvindo o discurso da Hermione, principalmente por saber que ela tinha feito de propósito. Rony nem sequer reparou na minha saída, de tão ocupado com o pudim de rins.
Andei um pouco e encontrei com Gina se pegando com o Dino em um dos corredores afastados, até poderia fazer alguma brincadeira, mas preferi seguir em busca de . Pouco depois encontrei Cho andando com um monte de garotas, ela me olhou rapidamente, ficando com as bochechas vermelhas e então se afastando quase correndo. Não nos falávamos desde o problema com a Umbridge no ano anterior, e sinceramente, não me fazia falta alguma, Rony um dia me perguntou se eu não queria sair com ela de novo, fiquei surpreso ao notar que na verdade eu não queria. Nem mesmo pensava nela, aparentemente a atração que eu sentia tinha sumido junto com a pouca confiança que eu tinha nela.
Andei pelo castelo inteiro, voltei a torre da Grifinória e nada, Black não estava em lugar algum. Esperei por algum tempo, até uma garotinha do segundo ano aparecer no Salão Comunal, pedi para ela olhar o quarto ver se estaria ali. Pouco depois ela desceu dizendo que não tinha ninguém no quarto. Suspirei saindo pela passagem da Mulher Gorda, voltando a descer a escadaria. Já tinha checado todos os lugares que sabia que gostava de se esconder quando queria ficar sozinha, e nada. Olhei para a entrada do Castelo, deixando escapar um suspiro, ninguém estaria lá fora com aquele tempo, frio demais e chuviscando, o que era ótimo para ficar isolado se esse fosse seu objetivo. Fechei a capa do uniforme, na falha tentativa de não sentir tanto frio, e ignorando a parte do meu cérebro que me mandava voltar para meu quarto e pegar outra blusa. Desci as escadas devagar, olhando para os lados, não dava para enxergar muita coisa por causa da serração.
Passei pelo Lago da Lula Gigante, andei até o Corujal e quando cheguei, apenas Edwiges veio ao meu encontro, fiz um carinho nela e logo localizei Zoy, o que significava que não havia passado por ali, olhei pela janela o campo de Quadribol e, depois de alguns segundos, logo focalizei quem eu queria, no alto da arquibancada, sozinha.
Me aproximei em silêncio, sentindo meu pé afundar no gramado, e a água gelada entrar em meu tênis, molhando meus pés. Ignorei tudo isso e olhei para o lugar em que estava sentada, abraçando as próprias pernas e a cabeça baixa, os cabelos loiros e compridos soltos, cobrindo minha visão de seu rosto. A chuva estava mais forte do que quando saí do Castelo, mas ela não parecia se incomodar.
- Oi! – sorri sentando-se ao seu lado. Ela passou as mãos pelo rosto rapidamente e então respondeu baixinho, sem me olhar. – Fazendo o que? - perguntei após alguns segundos, sentindo-me estranhamente desconfortável por notar que eu não fazia ideia do que dizer. Eu sabia por qual motivo ela estava chorando, e eu simplesmente não me julgava bom o suficiente para ouvir, nem para estar ali se fosse sincero. Por mais que tenha dito que não me culpava por nada daquilo, sempre que eu a via naquele estado era exatamente isso que eu sentia; culpa. Por não ter ajudar Cedrico Diggory e por ser o idiota quem fez Sirius e o restante da Ordem ir ao Ministério, meses antes.
- Nada... E você? Por que veio aqui? - perguntou sem se alterar, ainda encarando as próprias pernas. Encostei minhas costas no banco da arquibancada de cima, colocando as mãos nos bolsos da capa, sentia a chuva gelada em meu rosto, embaçando meus óculos e atrapalhando minha visão, por isso fechei os olhos por alguns instantes, não tendo muito o que fazer.
- Nossa, minha presença é assim tão ruim? – falei brincando, vendo-a cabeça com um meio sorriso nos lábios – Só quis saber aonde você tinha ido, te procurei por todo o castelo, sabia? – olhei-a por um tempo, não conseguindo a atenção de seus olhos . – Estava se escondendo?
- Não, só queria ficar sozinha mesmo...
- Se quiser eu posso ir embora... – falei, nem mesmo cogitando me mexer, a menos que ela me expulsasse, mas eu provavelmente só desceria um banco, não iria deixá-la sozinha de novo.
- Por que você estava me procurando? – questionou em tom baixo, ignorando o que eu tinha dito.
- Pensei que talvez você quisesse conversar... – esperei ela falar alguma coisa, como isso não aconteceu suspirei, dando de ombros – devo entender isso como um “não quero falar com você, Potter, vai embora?” – esperei por uma resposta que demorou a vir.
- Pode ficar se quiser. – me olhou de canto, não mantendo mais de dois segundos o contato visual, antes de voltar a encarar suas próprias mãos. - E só para você saber, se eu quisesse te mandar embora, eu teria dito “some, Cicatriz”, sabe que não sou tão educada. - deu de ombros, um riso leve passando por seus lábios. Ri concordando, aproximando-me dela, passando um braço por seus ombros e puxando-a para perto.
encostou a cabeça em meu peito, e logo ficamos em silêncio.
Escutava a chuva batendo na madeira dos bancos, mas não me chamava tanto atenção quando o choro baixo de Black, que se encolheu ainda mais contra meus braços. Aos poucos ela voltou a se acalmar, apenas respirando fundo conforme o choro terminava. Não saberia dizer quanto tempo permanecemos sentados ali, mas as nuvens estavam ainda mais carregadas e a chuva mais forte, os pingos grossos caiam diretamente em nossas cabeças, e por alguns instantes me perguntei porque não aprendi aquele feitiço para criar uma proteção, quase como um guarda-chuva. Hermione é claro fazia muito bem, e tinha quase certeza que também sabia como fazer aquilo.
Respirei fundo quando apertou sua mão em minha cintura, puxando o tecido de minhas roupas, sua respiração batendo contra meu pescoço, ao notar isso, senti um arrepio percorrer todo meu corpo, e meu coração bater acelerado.
Virei-me para olhá-la de frente, me encarou com seus olhos , tinha algo de diferente em seu olhar, e eu já tinha notado há algum tempo, embora ainda não conseguisse definir o que era. O desespero após a morte de Sirius não estava mais presente, mas a tristeza estava lá, misturada com mais alguma coisa. Não eram mais brilhantes e alegres como quando nos conhecemos, já não era a mesma, estava mudada, mais madura como dizia Mione, mas no fundo não achava que fosse só isso. Tinha um algo a mais ali, resultado de tudo o que aconteceu nos últimos meses.
Quase automaticamente, levei meu polegar ao seu rosto, limpando uma das lágrimas que escorria, diferenciando-a das gotas de chuva em seu rosto. Black fechou os olhos por alguns instantes, e foi só quando voltou a me olhar que, de repente, percebi o quanto estávamos próximos.
Uma proximidade diferente das outras vezes, senti um formigamento na ponta dos dedos que ainda estavam em contato com sua pele, e, enquanto me aproximava mais, ainda segurando seu rosto, conseguia sentir sua respiração calma e ao mesmo tempo um pouco falha, diferente da minha que passou a ficar descontrolada. Olhei-a por poucos segundos, antes de baixar meu olhar para seus lábios molhados pela chuva, não disse nem fez nada, apenas manteve o contato visual, até que eu terminei de vez com a distância, podendo sentir seus lábios contra os meus instantes depois.
Era como se a chuva tivesse acabado e o sol saísse forte, queimando algo dentro de mim. Eram só nós dois, e aquele formigamento por meu corpo, que transformou-se em um arrepio quando senti os dedos gelados de puxarem fracamente meus cabelos. Por alguns instantes pareceu que eu não respirava, e nem precisava. Só sentia os lábios de contra os meus, e a respiração dela se misturando com a minha, assim como nossas línguas.
Não sabia há quanto tempo estávamos ali, mas quando nos separamos precisei de algum tempo para recuperar o fôlego. Não consegui segurar o sorriso que brotou em meu rosto, principalmente ao notar nas bochechas vermelhas de , e em sua respiração tão falha quanto a minha. Aproximei-me novamente, para voltar a beijá-la, mas Black colocou uma mão em meu peito, me impedindo de chegar mais perto. parecia nervosa e assustada com o que tinha acontecido, antes de negar com a cabeça e levantar-se apressada, quase correndo escadas abaixo, distanciando-se rapidamente.
Demorei algum tempo para entender o que acontecia, xingando alto ao notar o quão lento tinha sido em não pedir para ela ficar.

End FlashBack

Eu pensava tanto sobre aquilo, que chegava a ser ridículo. E quanto mais eu tentava esquecer, mais meu cérebro relembrava aquele dia. Era como se eu tivesse acabado de ser abandonado na arquibancada, e ainda sentisse a chuva gelada no meu rosto. Era sempre pior quando eu notava que me ignorava, porque nem mesmo tivemos a chance de conversar depois do beijo, e eu ainda não sabia o que ela iria dizer, porque nas poucas cartas que trocamos ela não comentou nada, e ignorou as minhas indiretas, então a pequena perspectiva de encontrar com ela em breve, por mais que eu nunca fosse admitir em voz alta, fazia minhas mãos suarem.
Depois de todas aquelas semanas, a única certeza que eu tinha, a qual me distraía da iminente Guerra contra Voldemort, era o quanto Black era importante em minha vida, e do quanto eu a amava, mesmo tendo demorado tempo demais para perceber isso. E eu nem mesmo sabia se ela sentia o mesmo.

TRÊS


Eu tinha acabado de sentar quando notei o quanto a Sra. Weasley reclamava dos cabelos compridos de Gui, mesmo depois de dias insistindo, o irmão mais velho de Rony continuava gentilmente afastando todas as tentativas da mãe de cortar seu cabelo.
Ron e Mione discutiam por qualquer coisa que eu não tinha real interesse em saber, os dois estavam sempre implicando por diversos motivos, o que na verdade era bem irritante, já que os dois se gostavam e fingiam que nada tinha acontecido no ano anterior.
O que não era bem igual ao meu problema com , já que era ela quem fingia que nós não tínhamos nos beijado meses atrás.
No geral a casa dos Weasley estava uma completa bagunça, além dos ruivos, eu, Mione e Fluer, agora os pais e a irmã mais nova dela estavam hospedados lá. Embora fosse muito confortável, a casa não era exatamente grande, então era bem complicado ter tanta gente no lugar.
Em determinado momento alguém bateu na porta e Molly levantou-se para atender, sorrindo animada pouco depois, e logo a voz de Remo se fez presente;
- Boa noite, Molly! – voltei a olhar para meu prato, não entendendo a súbita animação da Sra. Weasley, Lupin tinha passado lá na noite anterior. Foi então que eu senti um cutucão na costela e olhei para Hermione, ela sorriu apontando com a cabeça para onde a mãe de Rony e Remo estavam.
Ela estava lá.
Sendo abraçada – ou quase esmagada – pela Sra. Weasley. Vi que elas conversaram alguma coisa, mas não prestei atenção. Vi Monstro aparecer um pouco curvado, olhar rapidamente para a Sra. Weasley e então voltar seus olhos para que sorriu para ele.
Um barulho alto chamou minha atenção por alguns instantes, e quando notei, Hermione já estava indo abraçar a amiga com um sorriso enorme. Eu e Rony levantamos também, assim como Fred e Jorge, Fleur, Gui e Gina. Esperei todos a cumprimentarem, permanecendo por último na fila. Rony estava na minha frente e deu um abraço rápido e desajeitado, quando os olhos de viraram em minha direção, senti meu coração bater acelerado e minhas mãos suarem. Aproximei-me sorrindo de lado, abraçando-a apertado, sentindo o cheiro que vinha de seus cabelos, ainda úmidos.
- Bom te ver! – Falei baixo após soltá-la.
- É bom ver você também, Harry!
abraçou-me por alguns instantes, logo diminuindo o aperto, e afastando-se, sorrindo de lado, e logo desviando o olhar. Quando todos voltamos para à mesa, Fred puxou assunto com ela, quando Black sentou ao seu lado na mesa, rindo de alguma piada que ele contava.
Por alguma razão estúpida que eu nunca admitira, não gostei de vê-la rindo com ele, ou com Jorge, e parecendo tão interessada no assunto que Gui puxou em seguida. Não momento não queria nem mesmo que ela conversasse com Rony ou Hermione, queria ter sua atenção para mim, mas, aparentemente, continuava me evitando a todo custo, o que me deixava ainda mais irritado.
Era absurdo sentir tanto ciúmes dela, principalmente enquanto conversava com nossos amigos, mas era algo que no momento eu não conseguia controlar, simplesmente porque eu não conseguia conversar com ela. Precisava esclarecer algumas coisas, mas ela não parecia interessada nisso. sempre foi animada e sempre participava de várias rodas de conversa, embora passasse mais tempo conosco, eu nunca me incomodei (bem, talvez quando ela estava com Cedrico), mas agora parecia tudo tão diferente. De alguma forma parecia que quanto mais ela me ignorava, mas nervoso eu ficava e mais eu gostava dela. O pior era ter demorado tanto tempo para perceber tudo isso. Talvez se eu tivesse notado antes, nada disso aconteceria. Ela poderia ter ido comigo para o Baile de Inverno, ao invés de Diggory, ela não teria namorado com ele, talvez se eu tivesse notado que gostava dela naquele ano, e a tivesse convidado, as coisas tivessem sido completamente diferentes do que são no momento.
- Tente não babar e nem bater em ninguém! – ouvi a voz da Mione um tanto irônica ao meu lado.
- Não sei do que você está falando. – dei de ombros, olhando para as ervilhas que restaram em meu prato.
- Então por que ficou vermelho quando a abraçou e agora parece que vai azarar alguém? – eu a olhei, ela sorria – Tudo bem, Harry, eu sei.
Demorei alguns segundos para entender aquela informação, logo sentindo algo mexer-se em meu estômago, como se eu tivesse acabado de levar um balaço.
- S-sabe do quê? – perguntei sentindo meu coração acelerar.
Ela me puxou para um canto mais afastado do tumulto, falando em voz baixa;
- Eu vi vocês dois... Na arquibancada... – sorriu sugestiva, engoli em seco.
- Ainda não estou entendendo... – olhei para o lado, colocando a mão no bolso da minha calça. E se mais alguém tivesse visto? E se tivesse mais gente sabendo daquilo?
- Quer que eu conte o que vi? – Mione questionou rindo baixo, eu deveria estar com uma cara muito engraçada; Apavorado. – Eu estava indo mandar uma carta para meus pais e vi vocês dois pela janela do Corujal... Uma pena não ter conseguido ver sua cara depois que ela saiu... Devia estar hilária!
- Devia mesmo... Eu me senti um babaca... – Falei olhando para baixo, Mione riu.
- Ela não sabe que eu sei... Nem ela nem ninguém! – avisou, suspirei aliviado – Mas vocês deveriam ter me contado, a principalmente, somos amigas! – rolei os olhos sorrindo de lado – Isso é tão injusto... Eu contei para ela do Vitor... – Eu ri olhando para baixo.
- Não deixe o Rony ouvir isso!
Hermione me olhou por alguns segundos e depois rolou os olhos.
- Bem... Agora que já estamos conversando sobre o assunto me diga... O que aconteceu depois? Depois do beijo?
- O que você viu. – disse olhando para o lado em que estava conversando com Gina – Ela saiu correndo e depois mal falou comigo... – suspirei e tornei a olhar para Hermione – Você é uma garota. É amiga da , me diga, qual o problema?
Ela ficou em silêncio por alguns instantes, considerando sua resposta, mas antes que pudesse me dizer qualquer coisa, Molly apareceu;
- O que vocês estão fazendo parados aí? Vamos, temos que arrumar tudo para o casamento!

End Harry's POV

’s POV

Depois de passar o dia ajudando com os preparativos finais do casamento, finalmente estava tudo pronto e muito bonito. Terminei de me arrumar rapidamente, e aproveitei que Hermione estava distraída conversando com Gina para sair do quarto que dividia com as duas, enquanto terminavam de se arrumar.
Depois de toda aquela agito, eu só queria alguns instantes para ficar em silêncio, sozinha.
Eu não aguentava mais sorrir e dizer que estava bem, quando no fundo eu não estava. Era por isso que não quis vir antes para a Toca, e era por isso que assim que o casamento acabasse eu voltaria para minha casa. Gostava de ficar sozinha, me ajudava a pensar, refletir.
Ao mesmo tempo, parte do motivo que não queria estar com todos, era para não ficar perto de Harry, eu percebia o quanto o incomodava quando eu o evitava, e não fazia por mal, mas no momento não tinha certeza se era uma boa hora para começar a me envolver com ele, ou com qualquer outra pessoa.
Eu gostava de Potter, por Merlin, eu o amava.
Mas não parecia certo, não depois de tudo o que tinha acontecido.
Esperei até a Sra. Weasley sair da cozinha conversando com a Sr. Weasley para poder passar pela porta e ir para o jardim. Sentei-me embaixo de uma árvore um pouco afastada da entrada da casa, tomando cuidado para não sujar meu vestido, é claro. Só Merlin sabe o que a Sra. Weasley seria capaz de fazer comigo caso eu me sujasse.
O vento batia em meu rosto, e foi inevitável não lembrar de coisas do passado, na verdade, em qualquer momento do dia eu me lembrava, independente do que estivesse acontecendo ao meu redor.
Eu já não sabia mais se era uma boa ideia permanecer sozinha, não gostava realmente de pensar em tudo aquilo, mas ao mesmo tempo parecia um tanto egoísta da minha parte querer me esquecer.
Respirei fundo olhando para o céu azul, sentindo um aperto no coração e o nó em minha garganta, algo difícil de explicar. Eu só sentia aquilo quando lembrava de duas pessoas, ambas tiradas de mim de forma cruel;
Papai, que passou anos em Azkaban por um crime que não cometeu, e passou dois anos escondido, foragido, até ser morto por Bellatrix Lestrange, minha tia. O sentimento que eu tinha em meu coração era sempre o mesmo ao pensar naquilo, saudade e ódio. Eu me vingaria dela, nem que fosse a última coisa que eu fizesse em minha vida. Ela pagaria por tê-lo matado, por tê-lo tirado de mim.
Se tinha algo que eu não me importava mais, era de machucá-la, da mesma forma que ela tinha feito comigo. Se ela foi capaz de matar meu pai, eu poderia fazer o mesmo com ela, não importava se tínhamos o mesmo sangue.
O estranho era que, sempre que eu pensava nisso, inevitavelmente me lembrava de Cedrico Diggory.
O primeiro cara que eu gostei, o primeiro que eu beijei, o primeiro que eu amei. A forma, o motivo dele ele ter morrido, era algo que eu simplesmente não suportava. Saber que ele morreu apenas porque estava no lugar errado, acabava comigo toda vez que eu pensava nele. Cedrico era uma pessoa maravilhosa, uma das melhores que eu tinha conhecido em minha vida, a ligação que tive com ele, logo nos primeiros dias que nos conhecemos, era algo quase surreal. Eu soube que poderia confiar em Diggory no momento em que os olhos cinzentos dele encontraram com os meus.

Flashback

"Eu estava andando em direção a Torre da Grifinória, já estava tarde e eu ainda estava molhada e com as roupas de Quadribol. Tinha acabado de sair da Ala Hospitalar, onde Harry estava repousando, depois de ter sido atacado por Dementadores, no meio do jogo. O único pensamento que tive em mente, durante o tempo que ele ficou desacordado, era o que poderia ter acontecido se Dumbledore não estivesse assistindo a partida. Harry poderia estar...
- Hey! - balancei a cabeça espantando esses pensamentos assim que escutei alguém gritar, virei-me em tempo de ver Cedrico Diggory, apanhador e capitão do time da Lufa-Lufa, andar apressado até mim. - Hm… ?! Oi…? - ele sorriu um tanto constrangido, Diggory também usava seu uniforme, e parecia levemente ansioso, acenei com a cabeça, aguardando que ele prosseguisse - Hm... Sabe, eu só... Eu... - Ele me olhou por alguns segundos, parecendo um pouco envergonhado - Eu só queria perguntar... Potter está bem? Você é amiga dele, não? - concordei com a cabeça.
- Ele está bem sim, só terá que passar o fim de semana na Ala Hospitalar, ordens da Madame Pomfrey. Ele sobrevive! - sorri tranquila, vendo-o suspirar parecendo aliviado, antes de sorrir também.
- Obrigado. Sei que é estranho, mas fiquei preocupado com ele... - Diggory balançou a cabeça parecendo amargurado - Não é desse jeito que eu quero ganhar! Falei com a Madame Hooch, quero que façam um novo jogo, mas ela não aceitou...
- Não é preciso fazer um novo jogo, Cedrico, foi um acidente. Você não teve nada a ver com o que aconteceu. Vocês ganharam!
Ele me olhou por algum tempo e sorriu em seguida.
- Achei que você não fosse falar comigo!
- Por que eu não falaria?
- Hm... Eu perguntei do Potter para os gêmeos e eles me ignoraram. Também perguntei para o seu outro amigo Weasley... Rony?
- Ah, eles só estão assim por causa do jogo… Esse é o último ano do Olívio, entende? Ele quer mais do que tudo ganhar a Taça de Quadribol, essa derrota não estava nos planos dele… - dei de ombros, passando a mão pelos cabelos.
- Vocês vão ganhar! - Eu o olhei surpresa pela confiança em sua voz - Vocês têm o melhor time, todos sabem. Só não ganharam ainda por "problemas técnicos". - falou fazendo aspas com os dedos, o que me fez rir. - Você é legal!
- É, você também! Mas isso é óbvio, você é da Lufa-Lufa, todo mundo de lá é legal!
- Nem todos! - Ele balançou a cabeça sorrindo.
Cedrico abriu a boca para falar mais alguma coisa, quando ouvimos um grito. Vi outro garoto de uniforme amarelo correndo até onde estávamos.
- Caramba, Diggory, estou te procurando pelo castelo inteiro! Só estamos esperando você para comemorar a vitória! Vem logo! - O garoto falou puxando Cedrico pelo braço. Ele me olhou fazendo uma careta, eu sorri acenando com a cabeça. Os dois viraram um corredor e não os vi mais".

"- Você está bem? - Olhei para o lado, vendo Cedrico parado, me encarando com o semblante sério, preocupado. - Que pergunta idiota, é óbvio que você não está bem! O que aconteceu?
Balancei a cabeça sem responder, voltando a olhar para frente.
Estava nevando e eu estava sentada em um banco próximo ao Correio, em Hogsmeade.
Tinha me afastado de Harry, Mione e Rony há alguns minutos, sem que eles percebessem.
Para ser sincera, Harry estava perturbado demais para perceber alguma coisa, e isso me dava medo; Eu tinha certeza que era só questão de tempo para eles descobrissem meu segredo. Uma questão de tempo para que nenhum deles nunca mais falasse comigo, olhasse para mim.
Saber que em pouco tempo eu acabaria perdendo meus três melhores amigos, simplesmente acabava comigo.
- Tudo bem se não quiser conversar. - disse sentando-se ao meu lado - Mas você se importa se eu me sentar aqui com você? - Neguei com a cabeça novamente sem olhá-lo.
Ficamos em silêncio por algum tempo, enquanto a neve continuava caindo, embora fosse algo insignificante para mim, no momento a única coisa que me preocupava era a notícia da minha adorava família se espalhar pela Escola.
- Se quiser eu posso procurar seus amigos... Eles não sabem que você está aqui, sabem? - neguei pela terceira vez. - Quer que eu os chame? - Cedrico parecia realmente preocupado, ao mesmo tempo que era extremamente atencioso, finalmente levantei meus olhos para encará-lo. - Hey, não precisa chorar! Não sei o que aconteceu com você, mas não chore! Você vai ficar com os olhos inchados e vão começar a te chamar de Murta-Que-Geme! - Ele disse sorrindo, me fazendo sorrir fraco, baixando a cabeça e escondendo o rosto nas mãos.
Cedrico agachou-se na minha frente, puxando minhas mãos para baixo, tocando meu rosto com a mão esquerda, de forma a me fazer encarar seus olhos cinzas. - Não sei o que aconteceu, e sei que você não quer falar, não te culpo por isso, nós mal nos conhecemos, mas... - Ele suspirou ainda me olhando - Quando você quiser falar com alguém diferente, eu estarei aqui, ok? - mordi o lábio inferior, olhando-o em dúvida - Qualquer dia, a qualquer hora! Menos nas aulas de Poções, o Snape não ficaria muito feliz se eu pedisse pra sair, sabe como ele é, provavelmente iria nos deixar presos nas masmorras por uns três dias, ou algo do tipo...
Ao notar a forma com que o lufo tentava me animar, fazendo uma piada sem graça, apenas para tentar me distrair, me fez sorrir. Ele nem mesmo precisava estar ali, mas ele estava.
Eu não saberia explicar o que aquilo significava, mas ao vê-lo parado ao meu lado, eu senti que poderia confiar no Cedrico Diggory, era estranho, mas ele emanava um ar de confiança, amizade.
Cedrico ainda estava sorrindo para mim quando, por puro impulso (o que eu obviamente nunca faria com qualquer outro garoto, nem mesmo com Harry e Rony), abracei-o.
Diggory pareceu surpreso por alguns instantes, mas logo me abraçou de volta, apertado.
Sentou-se novamente no banco ao meu lado, sem me soltar, me aproximando ainda mais dele.
Cedrico tinha um abraço gostoso, era quente e reconfortante.
Me fazendo sentir segura, protegida!"

End FlashBack

Ouvi um grito vindo de dentro da casa, o que me fez parar de pensar em Cedrico.
Eu não poderia ficar ali chorando, não agora.
Eu tinha que ajudar com os convidados.
O casamento aconteceria em algumas poucas horas, e aquele não era o momento certo para ficar pensando em coisas tristes, embora, pensar nele me fazia perceber a saudade que eu tinha dele. Cedrico provavelmente estaria entre os convidados, afinal ele tinha feito amizade com Fleur. Mas ele não iria.
Ele não estava mais ali, ele tinha ido embora.
- ?! - Ouvi o grito de Hermione que estava na janela do quarto de Gina – Ela está no jardim!
Passei as mãos pelo rosto rapidamente, não queria que me vissem chorando.
Respirei fundo algumas vezes e pouco depoisv pude ver a sombra de Harry Potter na minha frente. Olhei-o, Harry tinha um meio sorriso no rosto, e as mãos nos bolsos da calça social que ele usava. Potter estava realmente bonito com aquela roupa.
O sorriso em seu rosto vacilou quando nos encaramos, e logo ele sentou-se ao meu lado.
- O que você tem? – perguntou em voz baixa.
- Nada, estou bem! Só acho que fico emotiva com eventos assim! Quer dizer, quem imaginaria Gui e Fleur se casando? – sorri, tentando soar convincente.
- Você deveria saber que, depois de todos esses anos, não é tão fácil mentir para mim, Black. - Harry afirmou, me olhando sério.
- Já disse, estou emocionada! Vem, vamos logo, temos que ajudar nos preparativos finais! - me levantei rapidamente, puxando-o pela mão na tentativa de mudar o assunto.
- Espera. - Harry me puxou de volta fazendo com que ficássemos próximos, de forma que pude sentir a respiração dele bater em meu rosto. - Você está bonita! - Ele sorriu ficando um pouco corado.
Sorri de volta aproximando-me e dando um rápido beijo em sua bochecha. Não sei o que me levou a fazer isso, simplesmente aconteceu, pareceu certo.
No segundo em que me afastei, ele me puxou fazendo com que nossas bocas se encostassem.
End ’s POV


QUATRO


Harry’s POV

Foi como se tudo parasse momentaneamente, até as folhas na árvore pareciam ter parado de balançar com o vento. Ao mesmo tempo, era como se todos os meus sentidos estivessem mais aguçados;
Eu sentia o perfume doce que ela usava, com duas vezes mais intensidade, o que me fazia respirar mais fundo, tentando puxar o máximo que eu conseguia, guardar comigo aquele cheiro tão característico.
Continuei com os meus olhos fechados, desde que encostei meus lábios aos dela, não querendo abri-los e correr o risco de nos separarmos. Por alguma razão aquele era o meu maior medo, olhar para a garota em meus braços e ela sair correndo, de novo.
Coloquei minhas mãos em sua cintura, segurando-a com firmeza, não dando espaço para ela fugir, e transformei aquele simples 'encosto de bocas' em um selinho, depois em dois, três, o quarto foi mais demorado. Fiz o contorno de seus lábios, tão... Atrativos, com a língua.
Um movimento que nem eu achava que faria com tanta calma. Ela entreabriu a boca me dando passagem, e então eu a beijei, mas não como fiz há dois meses.
Eu a beijei com mais vontade, logo pousou uma mão em meu peito, enquanto com a outra acariciava meu rosto. Senti meu coração, aos poucos, batendo mais devagar, conforme aprofundamos o beijo, e ela parecia estar gostando tanto quanto eu.
No entanto, infelizmente, durou menos do que eu esperava.
Black me afastou gentilmente, após alguns instantes.
Abri os olhos, em tempo de a ver fazer o mesmo. Não consegui segurar o sorriso que se abriu em meus lábios, e a notei sorrir pequeno, antes de olhar para baixo, envergonhada. Isso era uma coisa que eu raramente via, envergonhada.
- Isso não deveria acontecer sempre que ficamos sozinhos. - falou baixo.
- Sempre que ficamos sozinhos? - questionei, negando com a cabeça - Nós nunca ficamos sozinhos. Você sempre dá um jeito disso não acontecer.
me olhou por alguns segundos, dando um pequeno sorriso de lado.
- Eu só não sei se isso é certo, Harry.
- Por que não seria? - repeti, me esforçando para permanecer calmo, lembrando-me de tudo o que eu tinha dito a mim mesmo, tantas e tantas vezes durante aquele verão, enquanto esperava a oportunidade para poder falar pessoalmente para . - Eu sei que está tudo uma confusão, que na verdade sempre foi uma confusão… - soltei o ar, atraindo sua atenção por completo - Eu também sei que você ainda está triste por causa do Cedrico, - engoli em seco, não queria realmente trazer o assunto à tona. - que você gostava dele, mas - sorri de canto - embora eu tenha demorado mais do que o necessário para perceber, eu também sei que você gosta, nem que seja só um pouco, de mim. Assim como eu gosto de você.
hesitou por alguns segundos, mordendo o lábio inferior.
- Eu não diria que é um pouco, Raio… Eu só...
- O QUE VOCÊS DOIS ESTÃO FAZENDO AÍ? - ouvimos o grito da Sra. Weasley e nos afastamos rapidamente, olhando para a entrada da casa. - VENHAM LOGO! OS CONVIDADOS JÁ ESTÃO PARA CHEGAR!
- Terminamos isso mais tarde, pode ser?

Estávamos todos sentados esperando Fleur aparecer com o pai, Gui estava em pé no altar improvisado, conversando com Carlinhos, que parecia tentar o acalmar.
Olhei para o lado vendo Hermione reclamar com Rony, por algo que ele dissera sobre Vitor ter sido convidado.
estava sentada do meu outro lado, parecendo distante, perdida nos próprios pensamentos. Quase perguntei no que ela estava pensando, mas achei melhor não me intrometer, ultimamente ela fazia muito isso, e eu sabia que, se em algum momento, ela quisesse conversar a respeito, ela o faria.
Olhei para frente novamente, vendo Gui mexer as mãos nervosamente, parecendo extremamente ansioso.
Então, no momento que vi o Weasley mais velho coçar a barba, mantendo um sorriso nervoso no rosto, um pensamento me ocorreu. Algo que eu nunca tinha imaginado até então; e se fosse eu ali?
E se fosse eu quem estivesse me casando?

Quais eram as chances daquilo realmente acontecer? Até então eu nunca tinha estado em um casamento, e nem tinha pensado a respeito. Eu nem mesmo costumava pensar no futuro, a única coisa que eu via em meu destino era Voldemort; eu iria matá-lo, ou morrer tentando.
Mas e se não precisasse ser assim? E se não fosse minha responsabilidade acabar com Riddle?
E se eu tivesse uma vida normal?
Eu provavelmente estaria mais preocupado com o futuro, pensando nas minhas notas na Escola, e o que eu faria depois de terminar Hogwarts; provavelmente buscaria um trabalho no Ministério, como Auror. Ou quem sabe jogar Quadribol profissionalmente? Talvez eu pudesse entrar para o time da Inglaterra… Disputar uma Copa Mundial, como Krum tinha feito alguns anos antes…
E, bem, eu certamente pensaria em me casar, em ter uma família.
E a única pessoa em quem eu pensei, ao cogitar essas possibilidades, foi a garota sentada ao meu lado, usando um vestido azul claro, aberto nas costas e com pequenos detalhes em prateado, com os cabelos bem presos, em um penteado sofisticado, e uma maquiagem leve, realçando seus olhos . parecia concentrada em alguma coisa, o olhar perdido em algum ponto mais a frente.
Sorri sozinho quando lembrei do beijo de mais cedo, e no quanto eu desejava repetir aquilo o mais breve possível. Talvez ainda na festa de casamento.
De alguma forma, o segundo beijo foi ainda melhor do que o primeiro. Não sabia dizer se foi pela situação, pela demora a repetir ou o quê, mas tinha sido melhor.
Independente do que fosse, a única certeza que eu tinha naquele momento, era que eu estava cada dia mais apaixonado por Black.

Depois que eu a beijei na arquibancada, passei semanas pensando naquilo, e no como parecia irreal. Em um momento ela era minha melhor amiga, no outro eu queria a beijar. Mas então percebi que não tinha sido uma coisa do momento, uma simples atração, como quando eu sai com Cho Chang.
Na verdade, eu comecei a gostar dela no terceiro ano, embora na época, achasse que aquela mistura de sentimentos fosse por ela ser filha do Sirius, o homem que durante meses eu achei que tivesse matado meus pais. Pensando sobre isso, eu lembrava de como me senti durante as semanas que não nos falamos aquele ano, era estranho, como se algo estivesse faltando.

FlashBack

"- Harry, você não pode fazer isso... Pense bem... É loucura! - ouvi Hermione falar com a voz calma. - Pense nos riscos... Eu sei... Sei que isso foi horrível, o que ele fez, mas pense...
- Pensar em quê, Hermione? Meus pais confiaram nele e o que ele fez? Me fala? O que ele fez? - falei alto, nervoso me levantando da poltrona - Entregou os dois ao Voldemort! Eles estão mortos por causa dele! Eles poderiam estar vivos. Eu poderia ter uma família, mas não, Black se encarregou de acabar com isso! Eu vou matá-lo, Hermione, matá-lo. E nada que você ou Rony falem vai mudar isso! - estávamos os três sozinhos na Sala Comunal, já passava da uma da manhã e ainda discutíamos o mesmo assunto.
Um assunto, aliás que não tinha o que ser discutido; Eu encontraria Sirius Black, e o mataria.
- Hm... - Rony começou, eu o olhei com raiva e vi suas orelhas ficarem vermelhas, ele abriu a boca algumas vezes sem falar nada, virou-se para Hermione - Vo... Você viu a ?
Suspirei com raiva.
- Não... Não a vejo desde a hora do jantar... - Mione comentou pensativa.
- Onde será que ela está? - Rony questionou me olhando, tentando mudar de assunto e acalmar os ânimos.
- Com Diggory, provavelmente. - dei de ombros sentindo um pouco de raiva.
Ela poderia estar ali, com a gente, ainda não tínhamos conversado sobre aquilo, e por alguns instantes me peguei pensando no que ela diria sobre o assunto. normalmente concordava comigo nas decisões, e ainda tinha ideias melhores para executar nossos 'planos', mas será que dessa vez ela faria o mesmo? Ela me ajudaria a pensar em uma maneira de matar Black?
Minha linha de raciocínio foi interrompida quando ouvi um barulho vindo do corredor, logo alguém saiu da passagem, e meus olhos focaram nos cabelos loiros e compridos de .
- Acabamos de falar em você, pensando onde você estaria a essa hora. - Mione falou sorrindo, embora eu tivesse notado uma pequena curiosidade em sua voz.
- Estava decidindo uma coisa. - respondeu, sem olhar para nenhum de nós, aproximando-se lentamente - E vocês?
- Falando como Harry está sendo burro em querer ir atrás do Black! - Hermione replicou antes que eu tivesse a chance de abrir a boca. - Você concorda que isso é loucura, não é?
Eu a olhei, assim como Rony e Hermione.
ficou em silêncio por alguns segundos, então suspirou antes de responder;
- Sirius Black é perigoso, não é para menos que vai passar a vida em Azkaban, eu sei disso, você sabe disso Mione, Harry, Rony e todo mundo. - ela deu de ombros, cruzando os braços e andando devagar até a janela. - Se Harry quer ir atrás dele, eu duvido que qualquer um de nós possa o convencer do contrário. Achei que depois de três anos já estivesse claro que o que Potter tem de corajoso, tem de burro.
- Ei! - reclamei baixo, mantendo um sorriso leve no rosto quando ela me olhou. Estava claro para mim, estava preocupada, mas entendia o meu lado, e até mesmo concordava, mesmo que não fosse dizer isso com todas as letras.
Eu estava com a cabeça cheia demais para reparar nos detalhes, se o tivesse feito, teria percebido que o fato dela não me encarar era um sinal. Assim como não ter sorrido de volta, quando ri de sua brincadeira.
- De qualquer forma, tem algo que eu preciso te contar, Harry… Já deveria ter contado meses atrás…
- O que é? - Rony perguntou curioso.
apenas suspirou, olhando para o lado.
- Eu… Bem, entenda… - começou mexendo as mãos, nervosa - Eu não contei antes porque… É complicado… - passou a mão esquerda pelos cabelos loiros, jogando-os para trás. - Eu sei que deveria, mas…
- O que é complicado? - tornei, me sentando na poltrona próxima à lareira. Mione e Rony fizeram o mesmo no sofá próximo, e Tonks respirou fundo antes de se aproximar, puxando uma cadeira e sentando-se um pouco mais afastada.
- Não tem muita gente que sabe disso... São bem poucos na verdade, Malfoy é um deles. - falou revirando os olhos.
- O QUÊ? - Gritei - O que o Malfoy sabe que nós não sabemos?
- Ele é... Meu primo. - respondeu amargurada, olhando para as próprias mãos.
Todos ficamos em silêncio por algum tempo, até Rony rir escandalosamente.
- Primo? Você só pode estar brincando!
Ela negou com a cabeça.
- Minha mãe é irmã da mãe dele...
- Por que você nunca contou? - Mione perguntou com a voz valha, olhando diretamente para a amiga.
- Porque nós dois vivemos muito bem fingindo que não temos qualquer parentesco. - responder irritada - Ou vocês acham que eu gosto de ter aquele loiro, babaca e arrogante como primo? E também tenho certeza que ele não quer sair por aí dizendo que eu sou a prima preferida dele.
- Isso explica algumas atitudes do Draco... - comentei baixo, concordou com um aceno - Ok, não gosto de Malfoy, mas isso não chega a ser tão desesperador… Quer dizer, se nenhum de vocês quer falar sobre o assunto e...
- Não é só isso... - Tonks suspirou, abaixando a cabeça e a apoiando nas mãos. - Se for ver, ele chega a ser o menor dos meus problemas familiares.
- Como assim? - nós três dissemos ao mesmo tempo.
- Eu sei que eu nunca falei a respeito, mas vocês nunca se perguntaram o por quê de eu moro com os Tonks? - nos olhou com um sorriso triste.
A encarei por alguns instantes, com o cenho franzido. nunca falava sobre sua família, eu só sabia que ela morava com os tios e a prima, no fundo eu sempre achei que os pais dela tivessem morrido, assim como os meus. Senti minha respiração sair pesada, enquanto raciocinava rapidamente o que aquilo poderia querer dizer… Não fazia muito sentido ela trazer aquele assunto à tona, a menos que…
- Meus pais eram Comensais de Você-Sabe-Quem… - contou em voz baixa, eu fechei os olhos com força, tentando ignorar o que ouvia - Foram presos depois que ele sumiu…
- … - Mione chamou baixinho.
- Eu descobri quando tinha cinco… - respirou fundo, encarando as próprias mãos.
Permanecemos em silêncio por algum tempo, até eu não aguentar mais a dúvida que pairava em minha cabeça.
- Quem... Quem são... Eles? - perguntei com a voz trêmula, tentando ignorar a voz em minha mente que gritava o nome do pai dela.
- Victoria Lestrange, ela... Me “trocou” para ficar ao lado de Você-Sabe-Quem, assim como todos na família… - respondeu sem olhar para nenhum de nós, parecendo amargurada por precisar compartilhar aquilo - Foi pega dias depois, acusada de passar informações do Ministério...
- E seu pai? - perguntei com as mãos em punho.
me encarou, os olhos marejados, a mistura de medo e tristeza visível neles. Aquela foi à confirmação que faltava.
- É ele? Black? Sirius Black é seu pai? - perguntei nervoso, torcendo para que ela negasse com a cabeça, dizendo outro nome qualquer. Mas ao invés disso, fechou os olhos, concordando com um aceno.
- Eu juro que não sabia sobre seu pais, Harry... - ela falou com a voz trêmula, e eu pude notar uma lágrima escorrer por seu rosto.
- Por que você nunca contou? - levantei-me apressado, tentando controlar a voz, embora meu corpo inteiro tremesse.
- Eu não gosto disso, entende? Não é algo que eu me orgulhe, meus pais seguidores de Você-Sabe-Quem, os dois presos em Azkaban... - negou com a cabeça, levantando-se e ficando de frente para mim. Mordeu o lábio antes de continuar - Eu sei o que eles fizeram, Harry. Você talvez não saiba, mas eu sei o número exato de pessoas que eles torturaram e mataram, famílias inteiras! - seu peito subia e descia com rapidez, sua voz saindo um pouco mais alta - Você tem noção disso? Saber que seus pais são dois assassinos, dois dos melhores seguidores do maior bruxo das trevas que existiu? - questionou retoricamente, negando com a cabeça - Eu sei o que isso significa, Harry. Mas eu não saio por aí espalhando quem são meus pais. Eu nem os considero minha família, para mim eles simplesmente não existem. Minha família se resume aos Tonks. Sem Malfoy, nem Lestrange ou Black. Não importa se temos o mesmo sangue ou o mesmo nome, eles não são meus pais. Não são minha família.
- … - Hermione chamou novamente, aproximando-se devagar.
Nós dois nos encaramos por algum tempo, eu não sabia exatamente o que dizer. Parte de mim acreditava no que ela dizia, essa mesma parte queria abraçá-la e dizer que nada daquilo importava. Mas outra parte simplesmente não conseguia ignorar; era filha do homem que causou a morte dos meus pais.
- Você deveria ter contado.
- Eu contei agora.
- Você deveria ter contado quando nos conhecemos! - falei travando a mandíbula, com as mãos em punho.
- Oh, sim. E como seria? Olá, eu sou , meus pais são Sirius Black e Victoria Lestrange, prazer! - ela ironizou de uma forma fria.
- Você me entendeu, Black.
Aconteceu muito rápido, em um segundo ela me olhou surpresa com o que eu tinha dito, parecendo magoada, no outro, apontava sua varinha em minha direção, aproximando-se dois passos de mim e me olhando com raiva.
- Não ouse. - disse em voz baixa, a varinha encostando em meu peito.
A tristeza e o medo de antes, agora davam lugar a raiva. Eu nem mesmo sabia dizer como tinha dito aquilo, por um instante quase me desculpei, mas senti sua varinha queimar de leve meu agasalho, e ao invés de me desculpar, olhei-a com todo o descaso que consegui reunir.
- Talvez você seja mesmo mais parecida com Malfoy do que eu imaginava.
continuou a me encarar, embora sorrisse de lado, um sorriso debochado que eu nunca tinha visto em seu rosto.
- Parem! Parem, vocês dois! - Hermione pediu desesperada, tentando ficar entre nós dois.
- Talvez, - disse de forma fria - e talvez fosse devesse manter a distância, Potter, nunca se sabe, eu posso tentar te envenenar na próxima aula de Poções.
- Harry sabe que não é sua culpa, ele não acha que você faria nada disso, não é, Harry? Não é?
Não respondi, nem mesmo a olhei.
Era realmente estranho estar naquela situação com , ela era minha melhor amiga desde o momento que nos cruzamos na primeira semana de aula. Mas naquele momento era como se eu não a conhecesse, era como se fosse outra pessoa na minha frente, tudo o que eu via era a filha do homem que matou meus pais.
tornou a sorrir de lado, baixando a varinha, mas quando eu tornei a olhar em seus olhos, senti um aperto em meu coração, que nada tinha a ver com o pequeno queimado em minhas roupas, quando eu a encarei novamente, tudo o que eu vi foi o desprezo em seus olhos .
- É por isso que eu não saio por aí falando sobre a minha família. - deu de ombros, olhando para Hermione, antes de virar de costas e seguir para as escadas, em direção ao dormitório feminino.
Respirei fundo quando ela sumiu pelo corredor, fechando os olhos por breves segundos.
- Você não acha… Harry…?
- Eu não sei o que eu acho, Hermione. Eu não sei de mais nada.
Olhei para ela e Rony, que continuava em silêncio no sofá, parecendo processar toda a informação, sem ter ideia do que fazer. Acenei com a cabeça e segui em direção ao meu próprio dormitório, ainda com aquele aperto no peito.“

End FlashBack

sempre foi minha melhor amiga, tinha coisas que nem Rony sabia, mas que eu tinha contado para ela. Da mesma forma que haviam coisas que Mione não sabia sobre ela, mas que eu sabia.
Eu quase não dormi naquela noite, pensando em tudo o que tinha acontecido, e em tudo o que dissemos um para o outro. Na manhã seguinte, assim como todos os dias durante quase três semanas, passava por mim sem me olhar, e quando o fazia, a única coisa que eu enxergava em seus olhos era mágoa. Eu sabia que tinha errado, e até queria me desculpar, mas sempre que eu tentava falar com ela, fora das aulas, ela estava com Cedrico. O que só me irritava ainda mais em tudo, era que ela tinha razão em preferir a companhia dele, porque quando ele soube sobre os pais dela, em momento algum ele virou as costas. E o que mais me incomodava, era porque aquilo era o que eu deveria ter feito, e não fiz.
Durante o quarto ano eu estava convencido que o único motivo para eu estar com ciúmes dela junto de Diggory, era por ser minha amiga, mas ao invés de passarmos o tempo junto, como sempre acontecia, ela estava com Cedrico. Contudo, eu realmente quis o socar quando soube que estava indo com ele ao Baile de Inverno, não que eu tivesse considerado convidá-la, embora aquilo provavelmente teria sido uma boa ideia, e eu provavelmente devesse ter feito.
Senti um cutucão nas minhas costelas, e quando olhei para Hermione, ela estava levantando, assim como todos os convidados, pois Fleur estava finalmente entrando, de braços dados com seu pai.

Estavam todos dançando, bebendo ou comendo, estavam todos se divertindo.
Menos eu, porque eu ainda não tinha esquecido a conversa sobre Dumbledore que a Tia Muriel e o Sr. Doge tiveram na minha frente. Não era possível que tudo aquilo fosse verdade. Não Dumbledore.
Olhei para o lado, procurando algo que tirasse minha atenção daquela conversa, e logo encontrei Hermione e Rony dançando, deixei escapar um sorriso, principalmente quando notei que Rony, vez ou outra, olhava na direção de Vitor, como se quisesse garantir que o búlgaro estivesse vendo os dois dançarem.
Gina estava mais ao lado, dançando com algum parente e Fred e Jorge com as primas da Fleur.
Não demorei a localizar , que estava sentada conversando com Luna, parecia feliz, animada rindo de algo que conversavam. parecia ainda mais bonita naquela noite, tanto por causa do vestido como pelo sorriso. Eu adora a ver sorrir.
Enquanto eu a olhava de longe, nossos olhares se cruzaram e deu um meio sorriso, foi o suficiente para fazer com que eu me aproximasse.
Eu poderia convidá-la para dançar.
Eu nunca tinha feito isso, e de repente me pareceu uma boa ideia, mesmo que eu não soubesse dançar direito.
- Oi, . Oi, Luna.
- Oi, Harry! Eu estava aqui falando para a como você parecia babar olhando pra ela de longe... - fiquei sem graça ouvindo aquilo, dando uma risada nervosa enquanto passava a mão pelos cabelos, olhou pra baixo segurando uma risada.
- Err... Hm... Eu... - olhei para os lados pensando em algo para falar.
- Viu o que eu disse? Harry é simpático e educado demais até quando fica envergonhado. - ela continuou olhando para Black, que tinha a mão em frente à boca abafando uma risada, mas mesmo assim, pude perceber que ela estava um pouco vermelha.
- Hm... Eu... - comecei ignorando Luna antes que eu desistisse.
- Eu vou deixar vocês sozinhos, talvez não fique tão envergonhado! - ela sorriu animada, eu apenas fechei os olhos por alguns instantes, sentindo meu rosto esquentar.
- , você quer…?
Na mesma hora em que Luna levantou-se, segundos depois, Hermione apareceu ofegante ao nosso lado, sentando-se em uma cadeira vazia.
- Simplesmente não consigo dançar mais. - falou retirando um dos sapatos e esfregando a sola do pé, sorriu para ela - Rony foi buscar mais cerveja amanteigada. - comentou rapidamente - Que coisa mais estranha, acabei de ver Vitor se afastando enfurecido do pai de Luna, parecia que estiveram discutindo... - ela me olhou – Harry, você está bem?
Se eu estava bem?
Simplesmente minha ideia de chamar para dançar foi por água abaixo e Hermione pergunta se eu estou bem?
Abri a boca para responder quando algo volumoso e prateado atravessou o toldo sobre a pista de dança. O lince parou flutuando entre os convidados que olharam espantados, e Hermione levantaram-se no mesmo instante e nós três nos aproximamos do Patrono, na mesma hora que a voz de Kingsley saiu:

"O ministério caiu. Scrimgeour está morto. Eles estão vindo."


End Harry’s POV


CINCO


POV em Terceira pessoa

Demoraram alguns segundos até os convidados entenderem o que estava acontecendo, mas assim que o lince de forma prateada se desfez no ar, todos começaram a correr e se empurrar.
Cadeiras e mesas estavam espalhadas, caídas ao chão, taças e pratos eram quebrados, conforme o pessoal corria, querendo afastar-se o mais rápido possível do lugar.
Hermione começou a gritar, procurando por Rony que estava longe, com dois copos de cerveja amanteigada nas mãos. O ruivo tentava correr até os amigos, mas era impedido pela multidão em pânico, a qual bloqueava seu caminho.
Harry segurava com firmeza a mão de e Hermione agarrava seu braço, pronto para aparatarem, era só o tempo de Rony chegar até eles, e os quatro estariam fora daquela confusão, assim como vários dos convidados.
Enquanto tentavam se aproximar de Rony, vultos mascarados apareciam por todas as partes, lançando feitiços para todos os lados.
Os três, já com as varinhas em mãos, gritavam 'Protego' o tempo todo, tentando se defender dos atacantes, e ajudar os convidados mais próximos que pareciam desprotegidos.
Harry lançou um 'Impedimenta' quando um vulto tentou se aproximar.
Pessoas gritavam desesperadas, tentando fugir dos Comensais que a cada segundo estavam em maior número, prontos para capturarem, ou até mesmo matarem, o maior número de bruxos que conseguissem, não pareciam se importar se eram Puro-Sangue ou não, apenas lançavam seus feitiços.
No instante que Rony conseguiu chegar até eles e Hermione agarrou a mão do ruivo, prontos para aparatar, Harry sentiu um puxão ao seu lado.
Virou-se a tempo de ver caindo depois de ser atingida por um raio vermelho. Soltou-se da amiga, jogando-se ao chão ao lado da loira, notando o corte profundo em seu braço, e o sangue jorrando pelo mesmo.
- VÁ, HARRY! AGORA! - Lupin gritou abaixando-se ao lado dos dois.
- NÃO! - Gritou puxando a garota com ele, Hermione e Rony lançavam feitiços de proteção a todo o instante.
- RÁPIDO, HARRY! - Rony gritou desesperado.
- Você vem comigo! - um dos Comensais gritou acertando um feitiço em Lupin.
- Remo! - gritou, virando-se com a varinha erguida, apontando para o Comensal próximo.
Harry também mirou na direção do homem, que andava rápido em sua direção, mas no momento que abriu a boca para dizer seu encantamento, sentiu uma mão em seu braço, e segundos depois seus pés deixavam o chão e tudo girava. A última coisa que escutou foi o grito de , lançando um feitiço enquanto mais dois Comensais se aproximavam apressados.

- O QUE VOCÊ FEZ? - Harry gritou desesperado olhando para Hermione. - PRECISAMOS VOLTAR!
- Harry, fala baixo, estão nos olhando! - Hermione reclamou olhando para os lados, puxando os amigos pela rua.
- Onde estamos? - Rony perguntou alheio.
- Tottenham Court, vim aqui com os meus pais!
- Precisamos voltar! - Harry falou soltando-se da amiga.
- Não podemos, não se preocupe a está bem, a Ordem está lá! Se ficássemos mais alguns segundos eles pegariam você, Harry, você esqueceu de tomar a poção...
- É, você voltou a ser o magrelo e ter olhos verdes! - Rony sorriu para o amigo, tentando amenizar a situação.
- Não importa, não podemos deixá-la! Você não ouviu? Eles queriam levá-la...
- Harry, você não pode voltar, só deixaria todos em perigo... Em um perigo maior! - completou ao ver o olhar do amigo sobre ela.
- Você não entende...
- Harry Potter! Ela é minha amiga também, eu realmente entendo muito bem o que você está sentindo, eu também queria voltar lá, mas não podemos!
- Não podemos continuar sem ela! Ela vai com a gente procurar pelas... Você sabe... - parou olhando para os lados.
- Nós vamos dar um jeito, agora venham, precisamos trocar de roupas! - a garota disse voltando a andar com os dois logo atrás.
- Hermione, não temos roupas para trocar. - comentou Rony quando uma jovem caiu na gargalhada ao vê-los.
- Por que não verifiquei se tinha trazido comigo a Capa da Invisibilidade? Poderíamos voltar e trazer a ... Carreguei a Capa durante todo o ano passado...
- Tudo bem, eu a trouxe, e trouxe roupas para vocês dois. - disse Hermione - Tentem apenas agir com naturalidade até... Aqui vai dar.
Eles entraram em um beco escuro e Hermione começou a mexer em sua bolsa de contas.
- Quando você diz que trouxe a capa e as roupas... - Harry franziu a testa olhando para a amiga.
- Isso mesmo, estão aqui. - respondeu ela, e para o espanto dos dois, tirou da bolsa um jeans, uma camiseta e meias marrons, e finalmente, a Capa da Invisibilidade prateada.
- Caraca, como foi...?
- Feitiço Indetectável de Extensão. - respondeu Hermione - Complicado, mas acho que executei corretamente; enfim, consegui enfiar aqui tudo o que precisamos. - Ela sorriu ligeiramente – Agora, Harry, antes de entregar a Capa, eu quero que você me prometa que não vai fazer nada idiota, e com isso quero dizer, tentar voltar n'A Toca agora ou depois, para tentar ajudar os outros...
- Hermione, eu tenho que...
- Você tem que ficar seguro, ficar com a gente, ir atrás das... Você sabe o quê, - falou em voz baixa - só assim poderemos ajudar todo o mundo! Lembra do que o Lupin e o Kingsley disseram sobre Dumbledore e você? "Harry é a melhor esperança que temos, confie nele" como vão confiar em você, se você cometer a estupidez de voltar para o lugar onde estão os Comensais e talvez o próprio Voldemort?
O garoto suspirou, olhando para o lado e concordando com a cabeça.
- Prometa, Harry Potter.
- Eu... Prometo.
- Ótimo - Mione sorriu compreensiva, estendendo a Capa ao amigo - Rony, por que você ainda não se trocou?
- Ah, é... Eu...

só notou que o barulho da aparatação veio do trio de amigos, quando jogou-se ao chão, atrás de uma mesa e percebeu que nenhum deles estava por ali. Sentiu um leve aperto no peito, a sensação de abandono, mas não teve tempo para preocupar-se com isso, pois no instante seguinte, um jato vermelho passou ao lado da sua cabeça.
Virou-se para o Comensal a direita, usando um feitiço não-verbal, e deixando para apontar sua varinha no último instante, para ter uma chance maior de acertá-lo, funcionou. Assim que ele caiu no chão, o outro virou-se para acertá-la. Gui Weasley acertou-o de um canto, atrás do Comensal. Logo virando-se para o terceiro, e, juntos miraram suas varinhas para o homem, que, embora tenha tentado se defender, não conseguiu desviar dos dois feitiços.
Black agradeceu ao rapaz com um aceno, mas não tiveram tempo de olharem-se por mais de dois segundos, logo outros Comensais apareceram, e começaram a duelar, juntamente com o restante dos convidados que tinham ficado, e parte dos Weasley.
notou quando um dos homens encapuzados andou sorrateiramente em direção a Lupin, ainda desacordado ao canto, virou-se em tempo de lançar um novo feitiço, e jogar-se pelo chão, aproximando-se do marido da prima, garantindo que ninguém mais se aproximaria dele.
Seu vestido já estava sujo e rasgado, e seu penteado desfeito, mas não se importou. A única coisa que a incomodava no momento era o corte em seu braço direito, que ainda sangrava.
Precisaria de ajuda com o corte, não era boa com aquilo, talvez se Hermione… Respirou fundo, ignorando aquele súbito pensamento, e voltando a concentrar-se no que era importante. Contou mais de quinze Comensais, para menos de dez pessoas duelando, isso já contando com ela própria. Parte dos que tinham ficado já estavam caídos, machucados ou desacordados, totalmente fora de combate.
Fleur, mais ao canto, tinha a mão sobre o corpo, o vestido que usava sendo manchado de sangue, Gina estava ao seu lado, tentando ajudá-la, enquanto o Sr. e a Sra. Weasley duelavam próximos. Fred lançava feitiços do outro lado da tenda, Jorge estava desacordado.
- ! - Carlinhos gritou, antes de um jorro de luz verde passou ao seu lado, acertando o Comensal que se aproximava por trás. - Venha para cá, não fique isolada! - o ruivo tornou a gritar.
- Remo está caído! - gritou de volta, começando a lutar com a pessoa que se aproximava. No fundo desejava que Lupin tivesse saído junto com Tonks, voltado para casa, mas sabia que ele não tinha feito por sua causa. Não poderia deixá-lo ali.
desviou-se do primeiro jato de luz, conseguindo proteger-se em tempo, mas o segundo veio do lado esquerdo, pegando-a completamente desavisada, acertando-lhe no peito e jogando-a alguns bons metros para trás.
A garota bateu a cabeça com força contra uma das mesas, gemendo baixo ao sentir o impacto.
Tentou levantar-se, mas no instante que abriu os olhos sentiu como se tudo girasse ao seu redor. Levou a mão à cabeça, notando o líquido espesso, ao olhar para sua mão, notou o sangue que escorria pela mesma. Virou-se para procurar sua varinha, mas estava caída alguns passos à sua frente. Procurou ajuda com o olhar, mas quem continuava em pé, estava ocupado com seus próprios duelos.
O Comensal andava devagar em sua direção, sabendo que ela não conseguiria mais se defender, mas ela era filha de Sirius Black, não desistiria tão fácil.
Novamente jogou-se pelo chão, engatinhando como pode até sua varinha, ignorando as dores em seu corpo, principalmente a dor forte que lhe atingiu na cabeça, estava com a mão à poucos centímetros da varinha, quando o Comensal a alcançou, pisando na mão ensanguentada, que esticava em direção ao seu único meio de proteção.
- Quase, , quase. - ao olhar para cima, reconheceu a cascata de cabelos loiros que apareceu por baixo da máscara, quando a mulher retirou a mesma. - Não vai dizer oi para sua mãe?

Os amigos entraram em um café pequeno, aberto 24 horas. O lugar era sujo, mas estava vazio, de modo que os três poderiam conversar sossegados. Harry foi o primeiro a sentar-se com Rony ao seu lado e Hermione em frente ao ruivo.
Passados alguns instantes uma garçonete apareceu e Mione pediu dois cafés, ao mesmo tempo em que dois operários corpulentos entraram no lugar. Os três sussurravam opções de locais que poderiam se esconder, descartando o Caldeirão Furado (ideia de Rony), O Largo, e todos que tinham ligações com qualquer membro da Ordem, ou com o mundo Bruxo.
- Sugiro que procuremos um lugar sem movimento para desaparatar e sair da cidade. Uma vez lá, poderíamos mandar uma mensagem para a Ordem.
- Então, você sabe fazer um Patrono que fala? - perguntou Rony.
- Andei praticando e acho que sei. - respondeu a garota.
- Bem, desde que não cause problemas para eles, embora, a essa altura, quem sabe já foram presos. Deus, isso é repugnante. - acrescentou Rony depois de tomar um gole de seu café cinzento. A garçonete ouviu; lançou a Rony um olhar feio e se afastou para anotar o pedido dos novos fregueses.
O maior dos dois operários, loiro e avantajado, agora que Harry reparara nele, dispensou a garota, que o encarou indignada.
- Vamos andando, então, não quero beber essa água suja. - disse Rony - Hermione, você tem dinheiro trouxa para pagar a conta?
- Tenho, tirei tudo que tinha na poupança antes de ir para A Toca.
Harry observou os dois estranhos fazerem movimentos idênticos, e inconscientemente os imitou: os três sacaram as varinhas. Rony reparando com alguns segundos de atraso o que acontecia, atirou-se sobre Hermione; os feitiços dos Comensais estilhaçaram os azulejos da parede, onde, segundos antes Hermione encontrava-se em pé.
Harry, ainda invisível, ordenava: Estupefaça!
O loiro grandalhão foi atingido no rosto pelo jato de luz, e caiu para o lado, inconsciente. Seu companheiro, incapaz de ver quem lançou o feitiço, disparou contra Rony, que fora amarrado da cabeça aos pés - a garçonete corria aos berros em direção à porta - Harry lançou outro feitiço, mas errou a pontaria e acertou a janela, o feitiço ricocheteou e acertou a garçonete que caiu.
- Expulso! - berrou o Comensal e a mesa em frente a Harry se desintegrou. A força da explosão atirou o garoto contra a parede, ele sentiu a varinha escapar de sua mão e a Capa escorregar de seu corpo.
- Petrificus Totalus! - gritou Hermione, escondida, o Comensal tombou para a frente como uma estátua. - D... Diffindo. - ordenou ela, apontando a varinha para Rony, soltando-o das cordas.
Harry apanhou sua varinha e passou por cima do entulho até o banco em que estava o Comensal da Morte loiro.
- Eu devia ter reconhecido esse, estava lá quando Dumbledore morreu.
- É o Dolohov - disse Rony - acho que o grandalhão é Thor Rowle.
- Não interessa qual é o nome deles! - exclamou Hermione, ligeiramente histérica. - Como foi que nos encontraram? O quê vamos fazer?
- Tranque a porta - Harry falou a Hermione - e Rony, apague as luzes.
Os dois fizeram o que o amigo pediu.
- Vamos matá-los? - Rony perguntou a Harry - Eles nos matariam.
Harry negou com a cabeça.
- Só precisamos apagar a memória deles.

Após alguns minutos, Hermione já tinha apagado a memória dos três desacordados e Harry e Rony arrumado o local.
- Mas como foi que eles nos encontraram? - perguntou Hermione, olhando de um homem inerte para o outro. - Como souberam onde estávamos? Será que você ainda está carregando o rastreador, Harry?
- Não pode estar. - Rony ponderou - O rastreador some quando se completa dezessete anos, é a lei bruxa. Não se pode colocá-lo em um adulto.
- Até onde sabemos... - Respondeu Mione.
- Se eu não posso usar magia, e vocês não podem usar perto de mim... - começou Harry.
- Não vamos nos separar - cortou Hermione.
- Precisamos de um lugar para nos esconder. - lembrou Rony.
- Largo Grimmauld. - disse Harry.
Os dois ficaram pasmos.
- Não seja tolo, Harry, o Snape pode entrar lá.
- O pai de Rony disse que puseram na casa, feitiços contra ele, e mesmo que não funcione, - continuou, vendo Hermione pronta para protestar - e daí? Juro que não há nada que eu gostasse mais do que topar com o Snape! Além do mais, talvez tenha voltado para casa. Os dois se entreolharam, Harry notou o olhar nervoso da amiga.
- Harry, não sabemos se vai voltar para o Largo, não sabemos o que aconteceu…
- Mas talvez ela volte. - encerrou, guardando a varinha nas vestes.
Contrariando Hermione, porém, sem opções, os três saíram do Café, e enquanto os Comensais e a garçonete despertavam sonolentos, os garotos mais uma vez giravam desaparecendo na escuridão.

A luz forte atingiu seus olhos , e demorou alguns segundos até acostumar-se com a claridade. Ouvia alguns barulhos, ruídos baixos, sussurros e, arrepiou-se ao perceber o silvar de uma cobra.
Seu corpo dolorido estava no chão frio, e, aos poucos, conseguiu ter uma noção maior do que acontecia. Sua cabeça doía como nunca antes, seu braço continuava ardendo, mas notou que o sangue já não escorria, alguém tinha feito algum tipo de feitiço para limpar o corte, embora o sangue seco estivesse envolta. Continuava com o vestido da festa, e seus cabelos estavam caídos na maior parte de seu rosto, cobrindo-o de forma que ela não conseguia olhar ao redor, para saber onde estava, embora duvidasse que ainda estivesse n’A Toca. Tateou lentamente o chão a sua volta, procurando por sua varinha, mas não a encontrou.
- Ora, ora, vejam só quem resolveu nos acompanhar. - uma voz fria invadiu seus ouvidos.
Tornou a fechar os olhos com força, sentindo-se desprotegida sem aquele pequeno pedaço de graveto. Sua respiração acelerou e começou a torcer para acordar de algum pesadelo, aquilo não poderia estar acontecendo. Aquela voz não poderia ser de quem ela pensava… Aos poucos lembrou-se dos últimos instantes antes de ter desmaiado, “não vai dizer oi para a sua mãe?”.
Victoria Lestrange. Lembrou-se de ter a encarado por breves instantes, antes da mulher sorrir de lado, apontando a varinha em sua direção, e no instante seguinte apagou.
- Levante-se. - a voz fria ordenou, mas continuou imóvel, deitada no chão. - Eu disse, levante-se.
Uma força desconhecida à fez levantar-se contra a vontade, e em poucos segundos estava em pé, e parecia que seu corpo pesava mais que o normal, cada parte em que estava machucada, a dor pareceu mais intensa assim que firmou os pés no chão, e, ainda com aquela força a guiando, virou-se até ficar de frente para as pessoas que estavam no local.
Olhou para o grupo de pessoas que estavam naquela sala, entre oito e dez, pelo o que pode contar rapidamente. Alguns ainda sussurravam, enquanto ela os encarava, a maioria ainda vestindo as máscaras, mas Black notou três mulheres ao fundo;
Uma loira de cabelos compridos que a encarava de longe, sua mãe. E, ao lado de Victoria, uma mulher alguns anos mais velha, com os cabelos pretos lisos, a olhando de longe, já a tinha visto algumas vezes, embora fizesse alguns anos que não se encontravam, Narcisa Malfoy continuava com a mesma pose superior de sempre, os braços cruzados e o olhar arrogante.
A terceira mulher, de cabelos compridos, pretos e encaracolados, tinha um olhar doentio, um sorriso animado nos lábios, Bellatrix Lestrange.
Olhou para os lados, mas não encontrou nenhum outro rosto conhecido, dos que estava sem capuz.
- Muito bem, muito bem. Ainda bem que acordou.
A garota virou-se finalmente em direção a voz, notando a cobra grande que estava enrolada próxima a poltrona, encarando-a, sibilando vez ou outra. encarou então o homem sentado na poltrona, os olhos vermelhos e as narinas de cobras no lugar do nariz, o sorriso enviesado em seu rosto anormalmente branco, Lord Voldemort estava à sua frente;
- Temos muito o que conversar, .


SEIS


A garota continuou parada, mal respirava, olhava diretamente para Lord Voldemort, que a encarava de volta, com um sorriso enviesado nos lábios, enquanto acariciava a cabeça da cobra Nagini.
- Ora, ora, os Tonks não te deram educação? Eu como um Lorde, prezo por isso, gostaria que você se apresentasse para todos nessa sala, alguns não a conhecem, e eu presumo, você também não conheça todos os meus Comensais. - Voldemort falou calmamente, ainda com aquele sorriso nos lábios extremamente finos.
olhou ao redor novamente, procurando uma forma de sair dali, fugir. Ignorando os olhares e o pedido de Voldemort, ignorando o medo que crescia em seu peito. Precisava pensar com lógica, não era o melhor momento para desesperar-se.
- Estamos esperando, . - ele tornou a chamá-la, agora um pouco impaciente com a demora.
- . - ela falou rapidamente, tornando a olhá-lo, com desprezo.
Ela poderia morrer ali, era Lorde Voldemort quem estava à sua frente, não parecia a melhor das ideias desafiá-lo, mas não se deixaria levar pelo medo.
- Como disse? - Voldemort perguntou, mexendo-se na poltrona vermelha.
- Eu disse - falou muito calmamente, como se explicasse a uma criança, sorrindo irônica. - . Para você, óh grande Lorde, meu nome é . Ou Black. Não me chame de outro jeito.
Os olhos de Lorde Voldemort brilhavam, o sorriso desapareceu.
Alguns Comensais deram alguns passos para trás, percebeu, e foi neste instante que sentiu como se tudo tivesse acabado. Era aquilo, aquele era seu fim.
Voldemort levantou-se da cadeira, a varinha bem segura em sua mão branca.
- Ou muito corajosa, ou muito burra, . - chamou-a pelo apelido, encarando-a de longe, Nagini movimentou-se no canto. - Apresente-se, agora. - ordenou. A menina deu um sorriso de lado, quase irônico, balançando a cabeça em negação. - Ora, veja, eu estou sendo paciente, um bom anfitrião, você como minha convidada, deveria se comportar.
- Não sou sua convidada. Eu era convidada no casamento em que estava, o qual seus Comensais acabaram. Lá sim, eu me comportava como deveria, mas aqui, para você, para eles, não vejo o motivo de ser uma pessoa tão bem educada. - disse cruzando os braços, sentia que passava dos limites a cada palavra proferida, a qualquer segundo um jato verde a atingiria, e toda a sua rebeldia não serviria para nada, mas não era como se pudesse controlar. As palavras saíam de sua boca mais rápido do que ela conseguia pensar.
- Está garota, para quem não sabe - começou Voldemort, caminhando devagar, encarando-a com um sorriso enviesado. - é Lestrange, filha de Victoria. Diga oi a sua mamãe, !
- Sinto muito, Milorde, acho que você pegou a pessoa errada. Meu nome é Black. E a única Lestrange que tive o desprazer de conhecer chama-se Bellatrix. - a menina sentia seu corpo tremer levemente, o medo dando lugar a raiva e ao desprezo.
- Eu posso te mandar para junto do papai, você quer? Você quer , ver o papai? - a voz de Bellatrix invadiu a sala.
Black fechou as mãos em punho, ela só queria uma única oportunidade de acabar com aquela mulher.
odiava Bellatrix na mesma intensidade que ao próprio Voldemort. Talvez até mais. Então virou-se para o lado, ficando de frente com a mulher dos cabelos pretos e cacheados, que tinha andado para frente dos Comensais.
Bellatrix Lestrange, a mulher que havia tirado a vida de seu pai.
- Você é tão fraca, tão patética, que nem comigo aqui, totalmente desprotegida, você seria capaz de me matar. Você é apenas uma louca, digna de pena, Bella. - frisou o apelido da mais velha, vendo-a ficar vermelha, com aquele olhar doentio, assassino.
- Ora, ora, então a namoradinha de Harry Potter é tão irritante quanto o próprio. - a voz fria de calma de Voldemort pôde, novamente, ser ouvida. - Estive pensando, achei que ele viria salvá-la, mas parece que me enganei. - suspirou, falsamente frustrado - Ele fugiu com seus outros amiguinhos, deixando-a para trás.
A menina tornou a ficar de frente ao homem, cruzando os braços.
- Ele não fugiu, ele não é um covarde como você.
- Não me diga que você também acha que ele pode, realmente, me matar?
Surpreendendo a todos na sala, surpreendendo a si mesma, começou a tremer, mas não por medo. Dessa vez seu corpo tremia enquanto ela tentava segurar uma risada, uma gargalhada que logo se tornou alta o suficiente para invadir a sala.
negou com a cabeça, olhando para baixo, ainda rindo, antes de erguê-la brevemente, o olhar divertido e o sorriso animado em seus lábios, encarando Voldemort de lado. Parecendo quase inocente.
- De todas as coisas que já me falaram sobre você, Milorde - fez uma reverência exagerada, mantendo a pose divertida -, nunca me disseram que era tão bem humorado.
Tom Riddle deu um passo em sua direção, sem qualquer vestígio de paciência ou divertimento.
Black viu os olhos avermelhados do homem brilharem.
- Acho engraçado você, e seus Comensais, continuarem achando que podem matar Harry Potter. - deu de ombros, ainda sorrindo calma - Não conseguiu matá-lo quando era um bebê. Não conseguiu ganhar dele quando Harry tinha onze anos. Não conseguiu matá-lo durante o Torneio Tribruxo. Não conseguiu capturá-lo hoje. O que te faz achar que pode ganhar de Harry Potter, agora que ele é maior de idade, e está livre do radar do Ministério?
Voldemort sorriu, os olhos brilhando com mais intensidade, esticando a mão com a varinha.
- Crucio.
caiu no chão, gritando.
As ondas elétricas passando por seu corpo, fazendo-a contorcer-se em agonia.
Os Comensais encaravam a cena em silêncio, alguns sorrindo com a situação, Bellatrix entre eles, o sorriso maldoso em seu rosto bonito. Narcisa olhava para o lado, para a irmã mais nova, que estava de cabeça baixa, encarando os próprios pés enquanto escutava os gritos da filha, que demoraram a cessarem.
arfou, puxando com esforço o ar para dentro de seus pulmões, o corpo ainda tremia.
Voldemort agachou-se próximo dela, ficando a poucos centímetros da garota caída.
- Cuidado com o que diz, menininha. Eu tenho planos grandes para você, mas se me irritar muito, eu posso deixar que Nagini tenha uma refeição precoce! - falou em um sussurro.
ergueu os olhos em sua direção, ainda tentando normalizar a respiração escassa.
Eles se olharam por alguns instantes, sem nada dizer.
Voldemort tornou a levantar-se, acenando para um Comensal qualquer.
- Levem-na. - ordenou voltando a sentar-se em sua poltrona. sentiu quando a puxaram, sem qualquer delicadeza, arrastando-a para fora da sala. - Yaxley, quais as novidades?



SETE


Harry acordou na manhã seguinte dentro de seu saco de dormir, abrindo os olhos com certa dificuldade, devido à claridade que passava pelos buracos nas cortinas comidas por traças.
Olhou para o lado reparando em Hermione e Rony dormindo, com as mãos próximas, ficou imaginando se eles teriam dormido de mãos dadas, e se sentiu sozinho, mais do que em qualquer outro momento na presença dos amigos.
Então seu olhar virou para o resto da sala, procurando por uma quarta pessoa, que não se encontrava ali. Seu coração pesou quando se lembrou do que tinha acontecido, e de como ele não tinha a ajudado. Potter tinha deixado para trás.
Parou por um segundo, relembrando as palavras ditas pelo Patrono do Sr. Weasley na noite anterior; "Família a salvo, não responda, estamos sendo vigiados."
Aquilo era tão vazio para ele, que não o fez sentir-se mais calmo.
Significava que os Weasley estavam bem, e Harry ficava feliz por isso, mas não tinha qualquer menção de que estava bem.
E se ela tivesse realmente sido pega pelos Comensais da Morte?
E se, além de ter a deixado para trás, Harry também a tivesse deixado para Voldemort?
Ergueu os olhos para o teto sombreado, o lustre coberto de teias de aranha, menos de 24 horas atrás estava n'A Toca, no jardim conversando com , sorriu tristemente, pensando no beijo dos dois.
Ela parecia ter aceitado conversar sobre aquilo, não parecia que iria fugir como da primeira vez.
Harry ainda queria ter tido coragem de convidá-la para uma dança antes da festa do casamento ter sido arruinada.
Casamento. Aquilo parecia ter sido em outra vida.
Dias, semanas, talvez anos antes. Mas fazia menos de doze horas.
O que iria acontecer agora?
Deitado ali no chão ele pensou nas Horcruxes, na missão assustadora e complexa deixada por Dumbledore.
Alvo Dumbledore... Será que tudo o que tinha ouvido era verdade?
Sempre idolatrou o diretor, mas as coisas que ouviu de Tia Muriel o deixaram conturbado.
Seria possível que Dumbledore tivesse realmente dado as costas a uma irmã que estava presa e escondida?
Harry pensou em Godric's Hollow e nos túmulos que Dumbledore jamais mencionou.
Pensou nos objetos misteriosos deixados, sem qualquer explicação, no testamento do diretor, e seu ressentimento cresceu na obscuridade.
Por que Dumbledore não lhe contou todo o plano?

O garoto não suportou ficar ali deitado tendo por companhia seus pensamentos amargurados.
Pegou sua varinha e, quando já estava no corredor, murmurou Lumus.
Harry subiu as escadas até chegar ao último patamar, em uma das duas portas tinha uma plaquinha escrita Sirius. Ele nunca tinha entrado no quarto do padrinho.
Ergueu a varinha para iluminar a maior parte possível do quarto, que era espaçoso e, antigamente, devia ter sido bonito.
Havia uma larga cama com a cabeceira de madeira entalhada, uma janela alta sombreada por compridas cortinas de veludo e um lustre coberto de pó, assim como grande parte do lugar.
Harry entrou no quarto, assustando alguns camundongos;
Sirius quando adolescente tinha enchido as paredes do quarto de pôsteres e fotos que quase não deixava visível a seda cinza-prateada que forravam as mesmas.
Havia uma coleção de grandes flâmulas da Grifinória, vermelho desbotado e ouro, somente para enfatizar que ele era diferente do resto da família que era Sonserina.
Fotos de motos trouxas e também vários pôsteres de garotas trouxas de biquíni, faziam contraste com a única foto bruxa que havia nas paredes, a de quatro alunos de Hogwarts em pé, de braços dados, rindo para o fotógrafo.

Harry relia a carta que tinha encontrado no chão do quarto do padrinho, com cuidado para prestar atenção em cada detalhe, um sorriso permanecendo em seus lábios;
"Caro Almofadinhas,

Muito, muito obrigada pelo presente de aniversário que mandou para Harry! Foi o que ele mais gostou até agora. Um aninho de idade e já dispara pela casa montado em uma vassoura de brinquedo, tão vaidoso que estou enviando uma foto para você ver."

Harry parou para olhar novamente a foto que encontrou embaixo da cama; um bebê de cabelos escuros voando para dentro e para fora do papel, montado em uma minúscula vassoura, gargalhando enquanto um par de pernas, que deviam pertencer a James, corria atrás dele.

"Sabe, a vassoura só levanta uns sessenta centímetros do chão, mas ele quase matou o gato e quebrou um vaso horrível que Petúnia me mandou de Natal (nada contra). É claro que James achou muito engraçado, diz que ele vai ser um grande jogador de Quadribol, mas tivemos que guardar todos os enfeites da casa e dar um jeito de ficar sempre de olho nele quando brinca."
Afastando as lágrimas dos olhos, sorriu prestando atenção em cada detalhe da carta escrita por sua mãe. Via alguma semelhança com sua própria letra.

Hermione tinha acabado de descer o último lance de escadas, terminando de limpar as lágrimas nos cantos dos olhos, após ler a carta que Harry a mostrou, quando ouviu a voz do amigo tornar a chamá-la para o topo da escada.
- Hermione, - disse ele, surpreso com que sua voz estivesse tão calma. - Volta aqui em cima.
- O que foi?
- R.A.B. Acho que o encontrei. - ouviu uma exclamação e o grito da amiga, chamando por Rony.
Régulo Arturo Black, o irmão mais novo de Sirius, que tinha sido um Comensal da Morte quando novo, mas tentou sair algum tempo depois, e foi morto por seus ex-companheiros.
O trio entrou no quarto e começou a procurar por todos os lados o medalhão de Salazar Sonserina, mas não estava lá. E então começaram a procurar por toda a casa. No meio na procura, enquanto pensavam em algum lugar escondido que Régulo pudesse tê-lo guardado, Hermione parou com uma expressão abobada, como alguém que acabou de ser obliviado.
- Algum problema? - perguntou Rony.
- Havia um medalhão.
- Quê?! - exclamaram os dois garotos ao mesmo tempo.
- No armário da sala de visitas. Ninguém conseguiu abri-lo. E nós... nós...
Harry ficou em silêncio, lembrando-se do tal medalhão que passou de mãos em mãos.
- Monstro pegou montes de coisas escondido de nós. Ele tinha um verdadeiro tesouro escondido no armário da cozinha.
Os três foram correndo até a cozinha, abrindo o armário de Monstro, lá estava o ninho de sujeira, as mantas velhas em que o elfo costumava dormir, mas o armário já não brilhava com as quinquilharias que o elfo tinha salvo.
- Monstro! - Harry gritou e, segundos depois, ouviu-se um forte estalo e o elfo doméstico apareceu.
- Meu senhor! - coaxou Monstro com a voz de rã-touro.
Monstro era obrigado a servir os Black, e Sirius em seu testamento deixou a casa para as duas pessoas que mais amava; a filha e o afilhado.
Sendo assim, o elfo deveria obedecer aos dois, mas era evidente que ele não considerava Harry digno de seus serviços.
Ele não era um Black.
- De volta à velha casa da minha senhora, sem a senhorita Black, e com o traidor de sangue Weasley e a sangue-ruim...
- Proíbo você de chamar quem quer que seja de "traidor do sangue" ou "sangue-ruim" - rosnou Harry. Por que quando estava próxima ele era gentil com todos, mas quando a garota não estava o elfo voltava a ser a mesma criatura detestável de sempre? - Tenho uma pergunta, e ordeno que me responda a verdade.
- Sim, meu senhor. - respondeu Monstro, fazendo uma reverência.
- Dois anos atrás, havia um medalhão de ouro na sala de visitas. Nós o jogamos fora. Você o pegou de volta?
- Peguei.
- Onde está o medalhão agora? - perguntou animado.
Monstro fechou os olhos.
- Foi-se.
- Como assim, foi-se?
O elfo estremeceu, cambaleando.
- Mundungo Fletcher roubou tudo. - Monstro tentava recuperar o fôlego - o medalhão do meu senhor Régulo, Monstro agiu mal, Monstro desobedeceu às ordens dele!
- Como sabe que Mundungo Fletcher roubou o medalhão?
- Monstro viu! - exclamou, as lágrimas escorrendo do nariz para a boca. - Monstro mandou-o parar, mas ele riu de Monstro, e correu.
- O que você sabe sobre o medalhão Monstro? Qual era a ligação de Régulo com ele? Monstro sente-se e me conte tudo o que sabe sobre aquele medalhão! - pediu Harry, sentindo seu coração bombear o sangue com força - Isso é uma ordem.
A garota ficou olhando apreensiva para a maçaneta da porta, a qual girava sutilmente.
Draco Malfoy adentrou o quarto com a varinha apontada para a mais nova.
- Um único movimento. - ele falou baixo, de forma ameaçadora.
- E o que eu faria sem minha varinha? - perguntou, a sobrancelha arqueada e o tom irônico.
O garoto olhou-a desconfiado por alguns segundos, deixando um prato com comida e um copo d'água em uma cadeira próxima a porta, junto com uma muda de roupas para ela trocar, já que ainda usava o vestido de festa.
- Se eu fosse você desistiria. Você está sozinha, se quiser viver vai ter que fazer tudo o que ele mandar. - o loiro avisou em um tom mais baixo.
olhou-o por alguns segundos, pensando sobre aquela frase.
- É por isso que você está com ele? - questionou finalmente, parecendo interessada. – Por que ele te ameaçou?
- Você não entenderia. - Draco resmungou, fechando a porta atrás de si, e adentrando de vez o quarto pequeno.
- Eu sempre achei que você gostasse das Artes das Trevas, Draco. Se me lembro bem, na Copa Mundial de Quadribol você estava achando muito divertido torturar alguns nascidos Trouxas...
- Era diferente, era só uma brincadeira. - ele retrucou nervoso.
- E toda aquela...
- Era tudo diferente, ok? Eu não sabia, eu não imagina que... - ele parou de falar respirando fundo, organizando as próprias ideias. - Só... Faça o que ele quer, vai ser mais fácil para você ficar aqui. - finalizou saindo do quarto em seguida.
A garota ficou parada, pensando naquelas palavras.
Draco Malfoy não era um Comensal feliz, ele não estava ali por uma escolha, era a falta de opção que o obrigava a ajudar Voldemort.

estava sentada no chão, com as costas apoiadas na parede fria, não fazia ideia do tempo que estava ali, mas faziam horas, talvez já fosse noite, não tinha como saber, não havia nenhuma janela no quarto em que estava, nenhum relógio, nada.
Não aguentava ficar ali, fraca e indefesa.
Era contra sua natureza ficar tanto tempo daquela forma. Precisava agir, sair dali.
Se ao menos conseguisse recuperar sua varinha, poderia bolar um plano, uma escapatória.
Poderia avisar a alguém que estava presa, que estava na casa dos Malfoy.
Mas será que alguém estava a procurando?
Será que Harry, Rony e Hermione sabiam que ela tinha sido capturada?
Talvez eles estivessem planejando um jeito de ajudá-la, mas como se eles não sabiam aonde encontrá-la?
Será que alguém estava de fato preocupado com ela?
Ou será que todos pensavam que ela já estava morta?
Não, Tonks daria um jeito de procurá-la, afinal era uma Auror.
A prima tinha prometido que sempre cuidaria dela.
Tinha prometido, assim como Sirius. Assim como Cedrico.
Ela suspirou fechando os olhos, segurando as lágrimas.
Por que todos que prometiam ficar com ela eram levados embora?
Seus pensamentos rapidamente focaram-se em Sirius Black e Cedrico Diggory, e tão rápido as lágrimas apossaram-se de seus olhos, mas ela não iria mais chorar.
Não podia ficar ali, chorando e tendo pena de si mesma.
Precisava agir, era filha de Sirius Black, afinal de contas, estava em seu DNA ser uma rebelde, talvez até mesmo uma fugitiva. Se seu pai tinha fugido de Azkaban, por que ela não conseguiria fugir de uma casa?

OITO


Harry Potter estava cansado ao mesmo tempo em que estava incrivelmente ansioso e nervoso.
Aguardava ansiosamente o retorno de Monstro; se o Elfo conseguiu fugir de um lago cheio de Inferi, Harry acreditava que a captura de Mundungo Fletcher não levaria mais do que algumas poucas horas. No entanto, Monstro não apareceu naquele dia, nem no dia seguinte, nem no outro.
Ao invés do Elfo, quem apareceu foram dois homens de capa preta, que ficavam parados em frente ao Largo Grimmauld, esperando a menor movimentação do trio.
Harry estava mentalmente cansado.
Não sabia como continuar sua busca por Horcruxes, não sabia quanto tempo levaria para Monstro voltar e, nem mesmo podia garantir, que o Elfo voltaria com o medalhão.
Potter não sabia de mais nada.
Estava cansado de não poder fazer nada, de ficar na casa de Sirius ouvindo Hermione e Rony brigando por qualquer besteira.
Queria notícias do “mundo real”, queria saber o que estava acontecendo.
Queria poder fazer alguma coisa, qualquer coisa.
Queria poder mandar uma carta, talvez um patrono corpóreo para os Weasley.
Queria ter certeza que todos estavam bem, queria ter certeza de que ela estava bem.
Harry Potter estava cansado, desanimado, exausto.
Chegou a pensar nos Dursley, quase sentia falta de aguentar o Tio Válter gritando com ele. Tia Petúnia reclamando o tempo todo, e ao mesmo tempo, ignorando-o.
Até mesmo de Duda ele sentia falta, e normalmente achava o primo um pé-no-saco.
Harry Potter estava cansado demais, e parte disso era devido as noites em claro e a preocupação sempre presente. Seu coração pesava com a falta de informações sobre .
E sempre que fechava os olhos, imagens dela sendo torturada vinham a sua cabeça.
Tentava distrair-se, e achou que o medalhão e Monstro conseguiriam desligar sua mente, mesmo que apenas momentaneamente, mas não eram o suficiente. Toda essa espera o enlouquecia aos poucos.
Tinha acabado de abrir à porta do quarto de Sirius, após passar horas deitado na cama, encarando o teto desgastado, quando ouviu um barulho vindo do andar debaixo, próximo à porta de entrada.
Ouviu a porta da frente bater e a voz de Olho Tonto dizer “Severo Snape?”, desceu correndo as escadas, a varinha em punho, sentido o coração bombear com força contra seu peito.
Hermione e Rony logo chegaram a ele, também com as varinhas erguidas.
- Guardem as varinhas, sou eu, Remo!


Draco Malfoy aproveitou a ausência de vários Comensais que estavam em sua casa para subir os dois lances de escada e seguir pelo corredor direito, até a última porta, no quarto em que a garota estava. Não tinha certeza se o que fazia era certo, mas ele estava entediado.
Entediado por ter que esperar, cansado de ter que dividir sua casa com todos aqueles bruxos.
Mas, principalmente, estava cansado.
Não aguentava mais ver sua tia louca falando sobre o Lorde das Trevas.
Estava cansado de ver sua mãe chorando, e seu pai tentando acalmá-la.
Cansado de sentir medo.
Por mais que detestasse admitir para si mesmo, sentia falta de Hogwarts.
Ele que tanto desprezou a escola de Magia e Bruxaria, agora queria estar lá, no Salão Comunal da Sonserina.
Sua vida parecia tão melhor quando sua única preocupação era atormentar Harry Potter...
“Santo Potter idiota!” resmungou baixo, apenas para não perder o costume.
Bateu na porta escura uma única vez, apenas para a garota saber que alguém estava entrando, no entanto, não esperou resposta antes de virar a maçaneta.
Entrou dando uma olhada rápida em todo o quarto, com a varinha em punho.
- Sério, Malfoy, o que você espera que eu faça? – ouviu a voz entediada da prima, no canto direito do quarto. estava sentada no chão com as pernas esticadas e as costas apoiada na parede.
O loiro deu de ombros olhando para fora rapidamente antes de fechar a porta e se aproximar dela, sentou-se no canto da cama, olhando para a janela gradeada, na qual pouco se via a luz vinda do lado de fora.
Por mais que fosse arriscado estar naquele quarto, por mais que os dois não fossem exatamente amigos, era bom estar ali, ter alguém da sua idade que o lembrava de tempos mais tranquilos.
- O que exatamente você veio fazer aqui? – ouviu-a perguntar, novamente deu de ombros.
- Não tenho muito o que fazer...
- Óh! Sinto muito por você, eu tenho tanto a fazer nesse quarto, sabe? Realmente é muito interessante olhar para as paredes, você deveria tentar qualquer dia, para se distrair um pouco!
Draco olhou para a garota e sorriu, rindo baixo enquanto balançava a cabeça negativamente.
não soube o motivo, mas também sorriu, rindo em seguida, relaxando os outros aos poucos. Há quanto tempo não sorria? Parecia uma eternidade, mas sua risada saiu tão natural quanto possível. Os dois adolescentes ficaram ali, nas mesmas posições, sorrindo sem nenhum motivo, apenas porque era bom fazê-lo, e ambos sentiam-se exaustos de todo aquele peso que carregavam.


Harry escutava tudo o que Lupin dizia com a máxima atenção, suspirou aliviado quando o ex-professor contou que a maioria dos convidados tinha conseguido fugir, e que, por mais que estivessem todos sendo vigiado, no geral todos se encontravam bem.
Hermione e Rony pareciam igualmente aliviados, porém uma coisa continuava a incomodar os três amigos, e eles sabiam disso, assim como Lupin.
Remo apenas os tranquilizou sobre os Weasleys, tinha um nome que ele ainda não tinha dito, que tinha sido cuidadoso o suficiente para não o mencionar.
- Remo... A está ok, certo? – Hermione foi a primeira a perguntar, ficando em silêncio, assim como os dois amigos, a expectativa batendo em seu peito.
Nenhum dos três tinha citado o nome dela, desde à noite da festa. Cada um sentia de sua maneira a falta da loira, e, em um acordo silencioso, evitavam trazer o nome dela à tona, a menos que fosse necessário.
Remo os encarou com cuidado, esfregando uma mão na outra, como sempre fazia quando estava nervoso ou ansioso com alguma coisa, suspirou profundamente, antes de negar com a cabeça.
Hermione levou as mãos a boca.
Rony xingou baixinho, passando um braço pelos ombros de Hermione, consolando-a.
Harry sentiu o coração acelerado, uma bola parecia ter se formado em sua garganta já seca, ele não era capaz de juntar palavras para formar uma frase, ou alguma pergunta.
Ele queria explicações, mas não conseguia pedi-las.
- O que quer dizer com isso, Remo? O que aconteceu? – Mione tornou com a voz chorosa, enquanto tentava evitar as lágrimas. No fundo mantinha a esperança de que ela estava bem, protegida.
- Naquela noite... Foi como eu disse, os Comensais não pareciam saber que você estava lá, Harry, mas eles foram direto até ela! – Lupin suspirou novamente, encarando os adolescentes a sua frente, parando o olhar no mais novo – Quando vocês aparataram, já estava uma confusão, todo mundo duelando, enquanto tentavam fugir. Eles estavam em maior número e, bem, não foi muito difícil para nos vencerem. Mas estava se saindo muito bem, Gui e Carlinhos estavam dando cobertura até… Victoria aparecer. Depois que ela aparatou com , os outros Comensais também sumiram. – finalizou parecendo exausto.
Sentia-se culpado pelo acontecido, tinha prometido a Ninfadora que protegeria , que a esposa poderia voltar para casa, porque logo ele e estaria lá, mas Remo falhou.
- Estamos tentando encontrá-la, mas… Bem, não é tão fácil quando o Ministério está sob o comando dele.
Rony e Hermione concordaram com a cabeça, a garota chorando copiosamente.
Harry ficou em silêncio, digerindo aquelas palavras, forçando-se a manter-se imparcial, pensando racionalmente, ignorando a vontade de chorar.
Após alguns minutos, nos quais Remo os atualizou sobre as demais notícias, Lupin fez uma proposta para ajudá-los, fosse com o que precisassem.
Os três ficaram extremamente tentados em aceitar essa ajuda extra, até o bruxo revelar o motivo: Tonks estava grávida.
Grávida de um filho seu.
Remo Lupin sentia-se ainda mais culpado por aquilo, era única e exclusivamente sua culpa.
Ele não podia ter casado com Ninfadora, não deveria tê-la engravidado, mas agora que já tinha acontecido, seria melhor que a criança não soubesse quem era seu pai.
Ele não suportaria viver sabendo que seu filho sentiria vergonha dele, isso, se desse sorte o suficiente da criança não herdasse seu problema.


Os dois primos estavam novamente em silêncio, a garota encarando o teto, enquanto ele olhava para o chão;
- Então... Vai voltar para Hogwarts? – perguntou para puxar assunto, sentia a necessidade de ouvir a própria voz.
- Provavelmente... Talvez você também volte, agora a presença é obrigatória, sabia? – Draco respondeu virando-se de frente para a prima.
riu descrente.
- Draco, eu estou presa aqui. Acha mesmo que eles me mandariam para Hogwarts? – questionou irônica – Não acho que Voldy esteja se importando muito com a minha educação, sabe?
- Pelo que eu entendi Você-Sabe-Quem esperava que Potter viesse tentar te salvar, de qualquer modo ele deve ter algo em mente... – Malfoy suspirou, passando a mão pelo rosto – Você não continuaria viva se ele não tivesse.
Um leve arrepio passou pelo corpo da garota, Draco apenas confirmando o que já estava em seus pensamentos, desde o momento que tinha acordado naquela casa.
- Você tem alguma ideia do que seja? – tornou tentando não parecer desesperada, e falhando miseravelmente.
- Não. Fiquei surpreso quando te vi aqui aquela noite... Não achei que ele fosse tentar algo, mesmo você e Potter sendo amigos... Porque sua mãe está aqui e sempre foi fiel...
- Ela não é minha mãe!
- E pediu para deixarem você longe disso... – o rapaz continuou, ignorando o grito histérico da outra. – Mas não é como se ele escutasse alguém, não é? Ou fizesse favores... – suspirou passando a mão pelos cabelos loiros.
- Não faz sentido...
- O que? – questionou vendo o olhar confuso da prima.
- Draco, ela passou a vida inteira sem querer saber de mim, em Azkaban amando o Lorde das Trevas, e agora ela aparentemente está preocupada comigo? Não faz sentido. E depois, foi ela quem me capturou!
Draco pensou por um tempo, dando de ombros em seguida, sem saber o que dizer sobre o assunto. - Talvez ela não queira que você chegue a ser uma Comensal...
- E quais são as chances disso acontecer? Nenhuma. Simplesmente não vejo sentido em ela, de repente, se importar!
Os dois ficaram no quarto em silêncio por mais alguns minutos, até Malfoy resolver sair antes que alguém o visse por lá.

não conseguiu dormir aquela noite, devido ao número de preocupações em sua cabeça; Primeiro estava presa, não tinha ideia de como sair daquele quarto.
Segundo, sua “mãe” novamente parecia se preocupar com ela, e isso não fazia sentido, isso a confundia.
O fato de ter se aproximado de Draco em tão pouco tempo também a fazia se sentir confusa, nunca se deram bem, mas agora ele até parecia legal, diferente daquele garoto arrogante e babaca que ela conheceu anos atrás.
E, por fim pensou nos amigos, não tinha notícia de nenhum deles, e sabia que isso significava que eles estavam bem, mas queria saber o que tinha acontecido depois do casamento.
Queria saber como estavam se saindo na busca por Horcruxes, se já tinham encontrado alguma.
No fundo, tentava ignorar aquele sentimento de abandono, talvez alguém estivesse a procurando, mas aquilo poderia demorar demais, e não poderia se dar ao luxo de continuar esperando por um resgate, que talvez nunca chegasse.
Principalmente se fosse Harry quem estivesse a sua procura, confiava no amigo o suficiente para saber que ele tentaria alguma coisa, mas Potter seria capturado, assim como ela, se aparecesse. E foi no meio de todos esses pensamentos, que seu plano surgiu.


Harry estava novamente deitado em sua cama, no quarto do padrinho, olhando para o teto.
Seu coração agora batia em um ritmo normal, porém a sensação que tinha em seu peito, ele não saberia explicar, era uma mistura de aperto e uma sensação de perda, que o fazia ter vontade de chorar.
Harry fechou os olhos respirando fundo, o nó em sua garganta o fazia sentir uma dor horrível toda vez que tentava engolir a própria saliva.
A culpa o consumia.
Ele não deveria ter gritado com Remo, falado aquelas coisas, o chamado de covarde, mas era necessário.
Não poderia deixar um dos melhores amigos de seu pai largar o filho e a esposa.
Mas sabia que em algum momento Lupin o perdoaria por aquilo.
A culpa que continuava a consumi-lo era por não ter permanecido na festa e ajudado .
Potter tinha visto os Comensais aproximando-se, cercando-a, mas ao invés de ficar e ajudá-la, ele fugiu. Deixou-a para trás, junto com todos os outros.
Potter era o covarde.
Tornou a fechar os olhos sentindo uma lágrima solitária cair por seu rosto.
Ter a confirmação de que tinha sido capturada por Voldemort o deixou sem chão.
Não sabia o que fazer para ajudá-la, não tinha ideia do lugar que ela poderia estar presa.
Isso se já não estivesse morta.
Aquele pensamento fez a dor em seu peito crescer, e as lágrimas caírem com mais urgência.
Ele não poderia perdê-la, já tinha perdido pessoas o suficiente para uma vida inteira, mas nenhuma significava tanto para ele como Black.


Black sentou-se, atenta, assim que escutou passos vindos do corredor do lado de fora de seu quarto. Uma voz baixa que ela reconheceu em poucos instantes; Victoria.
Escutou quando a mulher despediu-se de alguém, e então os passos da mulher pararam, enquanto ela sussurrava algo, a porta se abrindo instantes depois.
fechou os olhos, respirando fundo antes de virar-se para a mulher, a sobrancelha arqueada, encarando o prato de comida que a mulher trazia.
Victoria olhou-a brevemente, antes de deixar o prato sobre o criado mudo, fechando a porta poucos segundos depois.
A garota continuou olhando a mais velha, sem pronunciar nem uma palavra, olhando rapidamente para a varinha fracamente segura na mão direita dela.
Victoria andou pelo cômodo sem dizer nada, era a primeira vez que entrava no quarto, muito menor do que imaginava, e todo empoeirado. As cortinas pesadas e escuras estavam abertas, em uma tola tentativa de deixar que a luz de fora iluminasse o quarto, mas em sua maioria o local era escuro demais, nem parecia que eram duas horas da tarde.
Virou-se na direção da filha, para perguntar-lhe algo aleatório, mas as palavras nunca chegaram a passar por sua garganta. Aconteceu tudo muito rápido.
No momento em que a notou distraída, mexeu-se na cama, devagar, então pulou sobre a mulher, derrubando-a no chão. Fazendo com que a varinha dela caísse alguns poucos centímetros à frente. Esticou o braço esquerdo, alcançando-a com facilidade e gritando o primeiro feitiço que lhe veio à cabeça.
Sentiu o coração bater forte, o nervosismo tomando seu corpo ao ver Victoria desacordada no chão. Arrastou-se pelo quarto, a varinha firme em sua mão, enquanto olhava pela porta, certificando-se que o corredor estava vazio.

correu escada abaixo, o mais silenciosamente que pode, tomando cuidado para agachar-se ou esconder-se atrás de alguma pilastra, sempre que pensava ouvir algum barulho.
Agradecia mentalmente pelos Malfoy serem uma família rica, e a casa bem cuidada. Se fosse igual à casa dos Black, cada degrau que pisasse rangeria alto o suficiente para chamar atenção das pessoas que ali estavam.
Chegou no último lance das escadas sem grandes sustos, embora continuasse sentindo seu coração bater com força, o ar mal chegando aos seus pulmões. Mantinha na cabeça meia dúzia de feitiços que usaria, caso algum Comensal aparecesse.
Só precisava de mais alguns metros para sua liberdade; assim que chegasse à rua, aparataria para longe daquele lugar. A expectativa da liberdade crescia em seu peito, assim como o medo de ser pega.
Chegou no último lance de escadas no mesmo instante que ouviu passos e vozes vindos de um cômodo próximo, olhou nervosa para o lado. Não vendo nenhum lugar que pudesse se esconder, não vendo outra opção, respirou fundo e desceu os degraus que faltavam, correndo o máximo que suas pernas lhe permitiam, saltando dois ou três degraus de cada vez, acabou tropeçando e caindo de joelhos, ouvindo um grito em sua direção.
Não parou para olhar para o lado, apenas levantou-se desajeitadamente, correndo em direção ao hall de entrada, e gritando o primeiro feitiço que veio à sua mente, para abrir a porta; bombarda.
Se ainda tinha alguma chance de alguém não ter escutado os gritos dos Comensais, agora sua sutileza tinha ido pelos ares.
Passou pela porta de mármore, aos pedaços, pulando por cima nos destroços de madeira, correndo em direção ao jardim. Seu coração apertou ao notar o tamanho da entrada da mansão dos Malfoy, mas não teve tempo para pensar, continuou a correr, jogando-se no chão quando um raio vermelho passou ao lado de seu braço, quase a acertando. Esgueirou-se pelas sebes altas, aproveitando para esconder-se entre o labirinto de arbustos que tinha por ali. Ignorou os arranhões causados pelos gravetos, e as folhas que ficaram presas em seus cabelos soltos, continuando abaixada, tentando afastar-se o máximo possível deles.
Escutava os gritos e avisos vindo dos homens, que agora espalhavam-se pelos jardins.
Black encostou-se em um canto, fechando os olhos, respirando com dificuldade enquanto tentava pensar em uma saída, a qual não tinha.
Não tinha muito tempo sobrando, era questão de segundos até conseguirem encontrá-la, e não poderia lutar com todos, nem mesmo sabia qual era o número de Comensais que a procuravam, mas pelos gritos, tinha contado pelo menos cinco.
Suspirou ao dar-se conta que não tinha mais saídas, e então fez algo que tinha certeza que nem mesmo seu pai, um dos maiores irresponsáveis de quem já tinha ouvido falar, faria; levantou-se entre as sebes altas, olhando ao redor com cuidado, a varinha em punho. Deu passos cuidadosos para os lados, apontando a varinha de Victoria para todos os lados, esperando algum movimento.

Yaxley virou-se em sua direção quando seus olhos se encontraram, os lábios curvados em um sorriso maldoso, antes do homem erguer a varinha, ao mesmo tempo da mais nova, gritando crucio. esquivou-se no feitiço, achando-se idiota por ter mandado um simples Impedimenta.
Precisava de muito mais se quisesse ter a mínima chance de escapar.
Esperou o homem aproximar-se mais alguns passos, mantendo-se abaixada entre a sebe, ergueu-se quando o bruxo chegou perto, gritando crucio, apenas para ganhar tempo o suficiente. Jamais conseguiria atingi-lo com a força necessária. Era preciso querer machucá-lo, e não era esse seu objetivo. Só precisava ganhar tempo para escapar.
Mas conseguiu o que queria, Yaxley caiu, pego de surpresa pela Maldição Imperdoável, caindo por poucos, mas, suficientes, segundos. Pulou por sobre o corpo dele, aproveitando para chutar a varinha que o homem segurava, apenas por garantia. Precisou desviar de uma avestruz, e quase parou para olhar a ave achando que era fruto de sua imaginação, enquanto corria em direção ao portão de metal, apenas alguns metros de distância, esticou a mão com a varinha, pronta para gritar bombarda novamente, quando, diante de seus olhos, a figura de Bellatrix fez-se presente, aparatando do outro lado do portão.
A bruxa olhou-a surpresa por poucos segundos, antes de um sorriso perverso formar-se.
mal teve tempo de erguer a varinha, para tentar proteger-se, sentindo o feitiço acertá-la com força no peito, jogando-a vários metros para trás, a varinha escapando de sua mão.
Tentou levantar-se e correr, mas seu corpo não a obedecia, era como se estivesse presa por cordas invisíveis.
Bellatrix parou ao seu lado, mantendo um sorriso animado nos lábios, enquanto apreciava o desespero da mais nova.
- Não foi dessa vez, . - disse com o tom infantil, vendo o olhar assustado, mas ao mesmo tempo desafiador da sobrinha. O mesmo brilho que tinha visto em Sirius Black, quando o matou. - Você tem que aprender uma lição importante, , - agachou-se, os demais Comensais aproximando-se das duas, sorrindo para a cena - ninguém escapa do Lorde das Trevas. Crucio!

NOVE


Harry Potter ainda pensava no trecho que tinha lido sobre a biografia de Dumbledore, aquilo parecia loucura.
Não poderia ser verdade. Não podia.
Skeeter era uma mentirosa, e ele bem sabia.
Virou-se para Rony e Hermione para debater a pseudo-reportagem, quando um estalo forte foi ouvido, assustando-os de forma que o ruivo chegou a cair do banco.
Pela primeira vez em dias, Harry tinha se esquecido de Monstro.
O garoto levantou-se da cadeira a qual estava sentado, ao mesmo tempo em que o Elfo fazia uma profunda reverência;
- Monstro retornou com o ladrão Mundungo Fletcher, meu senhor.
Mundungo levantou-se desajeitado do chão gelado, sacando a varinha quando notou os três adolescentes a sua frente, porém não foi tão rápido quanto Hermione;
- Expelliarmus.
A varinha saiu voando pelo ar e a garota pegou-a, enquanto Harry apontava a própria para o homem que o olhava ligeiramente assustado.
- Que? Que foi que eu fiz? Mandando um desgraçado de um Elfo Doméstico atrás de mim, que foi que eu fiz? Me solte ou -
- Você não está em condições de ameaçar ninguém, Mundungo. - Harry cortou-o erguendo mais a varinha em direção ao nariz do bruxo.
- Monstro pede desculpas pela demora de trazer o ladrão, meu senhor. Ele sabe como se esconder, tem muitos esconderijos e cúmplices. Mas Monstro o cercou, meu senhor.
- Você fez um ótimo trabalho, Monstro! - Harry sorriu levemente para o Elfo, voltando seu olhar para Fletcher - Tenho algumas perguntas a fazer.
- Eu entrei em pânico, ok? Sem querer ofender, colega, mas nunca me ofereci para morrer por você. E o desgraçado do Você-Sabe-Quem veio direto na minha direção, qualquer um teria desaparatado e...
- Saiba que mais ninguém fugiu. - Hermione respondeu rispidamente.
- Vocês são metidos a heróis, é o que são, mas eu nunca fingi que pretendia me matar...
- Não estamos aqui para isso, todos sabemos que você é um covarde. - Harry cortou-o novamente, olhando-o com nojo. A raiva dominando-o cada vez mais.
- Então por que diabos estou sendo caçado? Se é por causa das taças, não tenho mais nenhuma delas, colega, ou você poderia ficar com todas...
- Também não é disso que queremos falar, mas está chegando perto! - Harry sentia-se satisfeito por poder gritar com alguém, aliviar toda a raiva e estresse. - Quando você limpou esta casa de tudo o que tinha valor...
- Sirius nunca ligou para aquela lixaria...
Ouviram um som de pezinhos apressados, um lampejo de cobre reluzente, uma batida metálica e um grito. Monstro tinha corrido até Mundungo e acertado uma caçarola em sua cabeça.
- Tirem-no daqui, tirem-no daqui! Ele deveria estar preso! - reclamava o homem, tentando afastar-se do Elfo.
- Monstro, não! - Harry mandou, e o Elfo parou com a caçarola erguida a poucos centímetros do bruxo.
- Só mais uma vez, meu senhor Harry, para dar sorte! - falou o Elfo olhando para Harry. Rony riu, querendo ver a cena novamente.
- Precisamos dele consciente, mas se precisarmos persuadi-lo, você fará as honras da casa.
- Muito, muito obrigado, meu senhor. - Monstro fez uma nova reverência e afastou-se ligeiramente, ainda olhando fixamente para o bruxo.
- Quando você limpou a casa, - Harry começou olhando novamente para o homem à sua frente, ele sentia o cheiro de suor, tabaco e álcool impregnar suas narinas. - pegou muitas coisas dos armários da cozinha, lá havia um medalhão, que foi que fez com ele?
- Por quê? - perguntou o homem olhando para o adolescente a sua frente - Tinha valor?
- Você o guardou! - gritou Hermione, sentindo uma súbita animação.
- Não, ele só quer saber se poderia ter ganho mais por ele. - disse Rony com perspicácia.
- Mais? Eu não recebi nada por ele! - reclamou.
- Como assim?
- Estava lá, vendendo minhas coisas no Beco Diagonal quando chega a mulher e pergunta se eu tenho uma licença para vender artefatos mágico e blábláblá. Uma metida desgraçada, ia me multar, mas gostou do medalhão e o pegou. Disse para eu ficar feliz porque ela deixaria passar daquela vez...
- Quem era a mulher? - perguntou Harry.
- Não sei, uma megera do Ministério.
Mundungo parou para pensar um instante, enrugando a testa.
- Mulher pequena. Laço de fita na cabeça.
Ele franziu mais um pouco a testa e acrescentou:
- Cara de sapa.
Harry deixou a varinha cair com o susto. Ergueu os olhos e viu o seu choque refletido nos rostos de Rony e Hermione. As cicatrizes no dorso de sua mão direita pareciam estar formigando outra vez.


acordou assustada, gritando na cama em que estava. Olhou para os lados, nervosa, sentindo o suor descer por sua testa. Os lençóis brancos molhados com o suor produzido por seu corpo, era como se ainda estivesse sendo torturada por Bellatrix.
Sentia o corpo tremer só de lembrar-se daqueles momentos. O coração bateu acelerado e o ar lhe faltou novamente, o corpo ainda dolorido depois daquelas horas intermináveis.
Lestrange estava de parabéns, tinha superado Voldemort em sua lista de quem mais odiava no mundo. Tentou levantar-se, mas sentiu o corpo doer, alguns espasmos a lembraram que ela não estava em suas melhores condições físicas.
Não sabia o tempo que tinha ficado naquela sala com Bellatrix, e nem importava-se, só agradecia por ter acabado. Ainda sentia sua garganta doer, devido aos gritos intermináveis.
Voldemort era mau, mas Bellatrix era cruel.
Parecia mais animada do que jamais a tinha visto, feliz com aquele sorriso doentio em seu rosto, apreciando cada grito que a sobrinha dava.
Nem mesmo quando Victoria e Narcisa entraram na sala, ela interrompeu sua sessão de tortura. Mas não demorou muito mais para encerrar.
Talvez a garota estivesse imaginando coisas, não seria anormal já que estava naquela situação, de qualquer forma, podia jurar que viu Victoria olhá-la preocupada, antes de sinalizar para Bellatrix.
Virou-se para o lado, querendo voltar a dormir por mais algumas horas, mas o movimento foi incômodo, seu corpo todo doía ao mexer-se, suas costas principalmente; passou tanto tempo curvada, que agora parecia difícil esticar-se. Deitou-se desajeitadamente na cama, e quando colocou a mão no travesseiro, tentando ajeitá-lo, sentiu algo espesso. Acendeu a luz do abajur, logo vendo seu próprio sangue. Ergueu a mão até o rosto, procurando o corte, percebendo só naquele momento, os vários hematomas por seu rosto, alguns cortes pareciam mais profundos, e eram deles que o sangue saia. Puxou o lençol, passando-o sobre o rosto, tentando limpá-lo e ignorando a ardência ao fazê-lo.
Sentiu as lágrimas encherem seus olhos, mas respirou fundo.
Não iria mais chorar, não derrubaria mais nenhuma lágrima naquele lugar.
Não importava se continuaria sendo torturada por Bellatrix ou pelo próprio Voldemort;
Black não iria fraquejar na frente deles.

Andou sem pressa pelo longo corredor da casa, após subir às escadas de madeira.
Estava calmo, tranquilo.
Seu plano estava saindo como o esperado; o mundo bruxo estava desesperado com seu retorno.
O Ministério era dele.
Hogwarts era dele.
Dumbledore estava morto.
Só precisava matar mais uma pessoa para completar seu domínio, seu poder.
Aqueles bruxos tolos que ainda achavam que Harry Potter poderia vencê-lo, estavam prestes a presenciar um pouco mais de seu poder.
Ninguém era páreo para o Lorde das Trevas, nem Alvo Dumbledore, nem Harry Potter.
Nem mesmo à morte poderia vencê-lo.
Ele mataria Harry Potter, ele destruiria o garoto.
O faria implorar pela morte, por sua misericórdia.
Era só uma questão de tempo para isso acontecer.
E tempo não era problema, Voldemort era um bruxo paciente.
Sorriu de lado, assim que parou na frente da porta escura, no último quarto daquele andar, com um gesto sutil da varinha a porta abriu-se. Entrou no quarto pequeno com um único passo, sentindo o cheiro de mofo que vinha do lugar, há semanas fechado.
A garota estava deitada na cama, o rosto machucado, assim como boa parte do corpo, Voldemort sorriu mais uma vez. Sentiu-se surpreso ao saber que ela tinha tentado fugir, e que teria conseguido, se não fosse por Bellatrix. Aquela tentativa desesperada, deu-lhe uma nova ideia.
abriu os olhos, virando-se levemente para o lado. Arqueou a sobrancelha em direção a Voldemort, e então tornou a virar-se para o outro lado, encarando o teto.
Como ela ousava não dar a devida atenção para Lord Voldemort?
- Precisamos rever sua estadia nesta casa. - começou enquanto andava pelo quarto, a voz saindo suave, embora a falta de atenção que recebia o corroesse por dentro. - Já que atualmente você não me foi muito útil para nada.
- Posso ir embora, não me sentiria ofendida se me mandasse embora, Milorde! - ouviu a voz irônica da garota, provocando-o. Os olhos do Lorde das Trevas brilharam, sua varinha tremeu levemente em sua mão, a vontade de matá-la crescendo em seu peito. Mas ele não o faria, tinha ideias muito melhores para aquela insolente.
- Você deve querer encontrar com seu paizinho fraco, ou talvez com seu namorado tolo que morreu… - Voldemort comentou, enquanto passava os longos dedos pela varinha em suas mãos, quase distraído.
virou-se em sua direção, mantendo um sorriso irônico nos lábios, embora a raiva crescesse em seu peito;
- Hm... Gostaria de saber quantos namorados vocês acham que eu tenho, todo dia me falam um nome diferente, acho que não fui apresentada a todos.
Lorde Voldemort sorriu, inclinando a cabeça para o lado.
- Está na hora de você aprender a ter bons modos, parece
que não ensinaram isso á você, mas não se preocupe, eu sou um Lorde, terei prazer em ensinar-lhe. Você me será muito mais útil do que pensa! - concluiu o raciocínio, apontando sua varinha para a garota.
Ela olhou-o assustada por um segundo, não era o medo de morrer, mas o significado daquela última frase;
- Você será uma ótima Comensal e me ajudará a encontrar Harry Potter.
o olhou assustada por alguns instantes, e então sorriu de lado, fingindo ser a piada mais engraçada que já tinha escutado na vida. Começou a rir, gargalhar.
Tentando por tudo, ignorar a dor em suas costelas, e em todo o seu corpo, ainda provenientes da sessão de tortura com sua tia.
- Acha mesmo que eu aceitaria? - olhou-o sorrindo, querendo parecer mais confiante do que estava, mais corajosa do que era naquele instante - Pode me matar, porque eu jamais vou te ajudar com nada! - riu ainda olhando-o divertida.
- Não achei que você fosse, , mas você parece ter se esquecido de que eu tenho mais de um modo de convencer as pessoas a fazerem o que eu quero. - os lábios abriram-se em um sorriso maligno e a garota sentiu um arrepio passar por seu corpo, sentindo-se completamente indefesa. - Crucio!
sentiu a corrente elétrica passar por seu corpo, retorcendo-se a medida que o mesmo tremia, os gritos logo passaram por sua garganta. Tentava virar-se, de alguma forma fugir, mas o máximo que aconteceu foi cair da cama com um baque alto. Ficando jogada ao chão, enquanto se contorcia pela dor.



DEZ


Era a sexta vez que tentava levantar-se do chão, sem sucesso.
O ar faltava em seus pulmões, e já não sabia direito o que acontecia, as coisas estavam confusas em sua mente. Seu cérebro trabalhava mais devagar que o normal.
A garganta doía e os gritos, cada vez mais altos, pareciam em alguns momentos presos, como se não conseguisse mais pedir por ajuda. Ninguém viria para salvá-la, aquela era a única certeza que tinha.
só queria que aquilo parasse, seu corpo inteiro tremia. A dor era maior do que qualquer uma que já tinha sentido na vida.
Só queria que aquilo acabasse, mas os intervalos eram curtos, mal conseguia recuperar um pouco de sua respiração, e uma nova onda de dor dominava seu corpo, fazendo-a arfar novamente.
Seria mais fácil se ele a matasse de uma vez.
Não sabia quanto tempo mais aguentaria, tinha se enganado quando pensou que nada seria pior do que o tempo que passou com Bellatrix, menos de vinte e quatro horas antes.

Lorde Voldemort divertia-se, rindo para si mesmo.
Sentia o prazer dominar-lhe toda vez que a garota gritava, implorando para ele parar.
Sentia-se ainda mais poderoso.
Era ele quem decidia o que fazer, o quanto iria torturá-la, se iria matá-la.
A vida da garota Black estava em suas mãos.
Era ele e apenas ele que decidiam quando ela daria seu último suspiro.

Draco andava de um lado para o outro em seu próprio quarto, não aguentava mais escutar os gritos da prima, no andar de cima da mansão. Desejava poder sair dali o mais rápido possível, para não mais precisar ouvir aquilo. Também queria poder ajudá-la, mas sabia que era impossível.
Já tinha se arriscado demais, não poderia correr o risco de tentar mais alguma coisa sem que Voldemort descobrisse seu segredo.
Mas era uma questão de tempo até que ele soubesse, de qualquer jeito.
Era óbvio que a garota não aguentaria muito mais, ninguém aguentaria.
Já poderia imaginar contando o que Draco tinha feito, e em seguida Voldemort entraria em seu quarto, nem teria tempo de tentar reagir e a luz verde o atingiria. Era tudo uma questão de tempo.
Soube desde o começo que estava se arriscando demais ao manter as visitas diárias, e teve certeza que estaria com sérios problemas, quando aceitou tentar ajudá-la.
Mas não conseguiu recusar a única ajuda que podia dar a garota.
No tempo que passaram juntos naquela casa, durante aquelas semanas ele foi se "apegando" a ela.
não era uma pessoa ruim de se ter por perto, mas os problemas familiares os afastaram.
As coisas poderiam ter sido diferentes se não estivessem de lados opostos.
Eles poderiam até terem sido amigos, ela poderia ter ido para a Sonserina.
Eles detestariam Potter juntos. Ou não, afinal ela era filha de Sirius Black e ele era padrinho de Potter.
Será que, então, ao invés de detestarem Potter juntos, os dois seriam no mínimo próximos a ele? Amigos? Não.
Aquilo era ridículo, Draco Malfoy nunca seria amigo de Harry Potter.
E era uma perda de tempo ficar pensando naquilo, não era real.
Eram apenas ideias absurdas.
A realidade estava ali, no andar de cima, gritando a plenos pulmões para que Voldemort parasse.
Implorando para que ele a matasse.
E Draco estava ali, em seu quarto, como um covarde.

Seu corpo inteiro tremia, não conseguia mexer-se.
O ar não chegava com a rapidez necessária aos seus pulmões, fazendo-a engasgar-se na busca por oxigênio.
Sua cabeça girava, ela sentia que iria vomitar a qualquer momento.
Tinha perdido as contas de quantas vezes aquela dor agonizante a dominou, só queria que acabasse logo. Seu corpo pedia por um descanso, implorava.
- Vou perguntar novamente, e espero uma resposta diferente da última. - começou entediado - Você quer ser uma Comensal da Morte?
olhou-o com raiva, cuspindo as palavras;
- Você pode me matar, Tom. Porque eu nunca serei uma Comensal.
- Crucio!

A dor parecia cada vez mais forte, seu corpo parecia queimar, faziam horas que estava ali, e já não gritava mais. Não pedia mais para ele parar.
Estava exausta.
Ela não aguentava mais tudo aquilo.
Só queria que Voldemort parasse.
Ele podia matá-la, não se importava.
- Você quer ser uma Comensal da Morte?
Ouviu mais uma vez a pergunta, e outra vez negou com um aceno.
E mais uma vez sentiu seu corpo tremer, a dor parecendo cada vez mais forte.
Lorde Voldemort já estava entediado.
Poderia lançar outro feitiço na garota, mas ao mesmo tempo queria ver até quando ela aguentaria, tornava as coisas mais interessantes. Lealdade era algo importante para ele.
- Podemos ficar a noite inteira aqui, não é problema nenhum, não tenho pressa. - ele comentou enquanto a garota se contorcia aos céus pés, enquanto permanecia sentado no canto da cama.
Ouviu o sibilar de Nagini próximo à porta, acenando com a varinha para que a mesma se abrisse, enquanto olhava divertido para a adolescente, arfando.
Nagini deslizou pelo assoalho e se enrolou próxima ao dono, com o olhar fixo na garota caída.
- Não minha querida, ela não é jantar. Pelo menos por enquanto... - comentou passando a mão sobre a pele escamosa do réptil. - Crucio!


Harry acordou no meio da noite, suando, com o coração acelerado.
Respirou fundo tentando acalmar sua respiração e lembrar-se exatamente do que tinha acabado de ver. Não tinha certeza se era um sonho ou uma das visões que tinha de Voldemort.
Independentemente disso, aquilo o desesperou.
Passou a mão sobre a testa, afastando os cabelos grudados em seu rosto suado.
Talvez fosse apenas uma imagem criada por Voldemort, igual a que teve com Sirius.
Ou talvez fosse apenas um sonho, um pesadelo.
Mas parecia tudo tão real, que era como se Harry fechasse os olhos e voltasse a escutar os gritos dela. Voltasse a vê-la no chão, sendo torturada por Voldemort, em um lugar que ele não conhecia. Um quarto escuro e pequeno.
Com Nagini próxima, esperando Voldemort deixá-la fazer mais uma refeição.
Um tremor passou por seu corpo.
Seu instinto dizia a ele que era real, que estava acontecendo.
Mas o que ele poderia fazer ali? Como poderia ajudá-la?
Hermione entrou no quarto de Sirius, no qual Harry estava, parecendo assustada, com o cabelo armado e a varinha em punho.
- O que aconteceu? Por que você gritou? - perguntou aproximando-se da cama - Você está bem, Harry? Está pálido!
- Eu... Eu não sei... - ele suspirou frustrado - Eu a vi Hermione. Eu tive um sonho com ela, com a . - concluiu ao ver a expressão confusa da amiga.
- Harry...
- Ela estava sendo torturada. Ele está usando a Maldição Cruciatus!
Hermione mordeu o lábio inferior, pensativa.
- Harry, por mais que isso me doa, era de se esperar, não? Quando Lupin chegou e nos disse que eles tinham a levado, eu imaginei que isso aconteceria. Voldemort deve querer usá-la para chegar até você, descobrir o que estamos fazendo.
O garoto fechou os olhos com força, sentia uma pontada em seu peito. Sua cabeça doía.
- Então ele sabe sobre as horcruxes, não é?
- Eu não sei... Talvez... - Hermione respondeu apreensiva - Mas talvez seja só um sonho, não é? Não temos como saber se é real.
- Hermione, eu...
- Harry, me escuta! Não importa o que seja, você tem que quebrar essa ligação com a mente dele. Era o que Dumbledore queria! Você já devia ter feito isso.
- Não é a coisa mais fácil do mundo, sabia? Você acha que eu gosto disso?
- Não, eu só acho que temos que nos concentrar em recuperar aquele medalhão e ir atrás das outras horcruxes, e só assim poderemos ajudar e todos os outros. - terminou levantando-se da cama - Tenta descansar Harry, não fica pensando nisso. Infelizmente, não podemos fazer nada agora. Boa noite.
Potter esperou até Hermione sair do quarto e fechar a porta, então deitou-se novamente e ficou olhando para o teto. Como seria dali para frente? Parecia tudo tão incerto e difícil.
Não sabia quando tudo acabaria, como acabaria e nem se sobreviveria.
Mas a única preocupação que tinha no momento, era saber se estava bem, e como poderia ajudá-la. Precisava ajudá-la.

Draco estava sentado em uma cadeira, olhando pela janela de seu quarto.
Só queria não poder ouvir os gritos que vinham do andar de cima.
Queria que eles acabassem logo, mas ao mesmo tempo tinha medo do que isso poderia significar.
Ouviu alguns passos do lado de fora de seu quarto, passos apressados e alguns cochichos.
Levantou-se e andou até a porta, encostando-se a mesma e ouvindo o que falavam do lado de fora;
"- Estou dizendo, você não pode fazer nada para pará-lo!
- E se fosse o Draco, Narcisa? E se fosse o Draco sendo torturado, o que você faria? Iria dormir? Fingir que não estava escutando?
- É claro que não!
- Então você me entende, não consigo ignorar. Ele precisa parar, ela vai enlouquecer desse jeito, é o que ele quer? Que ela fique igual aos Longbottom?
- Só uma palavra. Ela só precisa dizer uma palavra e ele irá parar, você sabe disso.
- Sei, e sei também que ela não vai aceitar. Ele vai matá-la, não vai? Ele também sabe que ela não vai aceitar. Ela é igual ao Sirius. vai morrer antes de aceitar ajudá-lo. É esse o plano dele?
- Você sabe que não é assim. Ele vai fazê-la aceitar. Ele quer o Potter. vai ajudá-lo.
- Não vai! Eu estou dizendo para você Narcisa, ela não vai aceitar. Ele vai matá-la!
- Eu estou dizendo para você se acalmar, ele não vai matá-la. Ele precisa dela para encontrar Harry Potter, e ele quer ter a herdeira de Sirius Black do lado dele. Você sabe qual é o plano!"
Draco começou a andar pelo quarto quando as vozes afastaram-se.
Então Victoria estava realmente preocupada com a filha, e queria ajudá-la, assim como Draco.
Mas também não poderia, pelo mesmo motivo que ele.
Querer não era poder, e era por isso que continuava a gritar.

Ela passou as costas da mão direita sobre a boca, limpando o vomito misturado com sangue.
Sua cabeça doía e ela já não sabia o que acontecia. Não sabia onde estava e nem o motivo de sentir seu corpo doer tanto, apenas sentia.
Sentia-se enjoada, pronta para vomitar novamente a qualquer momento.
Sentia-se cansada, não sabia o que tinha feito para sentir-se tão exausta, mas precisava descansar. Seu corpo implorava por isso. A cama parecia muito longe para ela arrastar-se até lá, dormiria no chão mesmo, não era um problema.
Só queria dormir. Descansar.
- Você quer ser uma Comensal da Morte?
Ouviu uma voz fria e calma perguntar-lhe, virou-se para o homem sentado no canto do quarto e viu uma cobra enorme ao lado dele, seu primeiro pensamento foi fugir, correr o mais rápido que podia para longe do animal, mas não conseguia se levantar, mas conseguia apoiar-se nos próprios braços. Se a cobra quisesse matá-la, seria a presa mais fácil que o animal já teve.
- Você me escutou? - o homem perguntou, ela olhou-o confusa.
Não sabia quem ele era, nem o que queria dizer com aquilo.
- Diga sim e toda a dor passará, diga sim e você poderá descansar o quanto precisar. Diga sim e poderá sair desse quarto. Apenas diga sim e tudo será mais fácil para você.
Dizer "sim"? Ele era algum curandeiro? Ele lhe daria alguma poção para as dores passarem?
- O que me diz, Lestrange? - ela franziu o cenho ao ouvir aquele nome.
Não lhe era estranho, mas tinha quase certeza que não se chamava Lestrange.
- Eu... Isso... Essa dor, vai passar? - perguntou com a voz falha, sentindo a garganta doer com o esforço.
O homem concordou com a cabeça, andando na direção dela.
- Só precisa dizer sim. - os olhos dele brilharam em sua direção.
O bruxo parecia ainda mais ameaçador de perto. Não conseguia lembrar-se dele naquele momento, não sabia do que ele era capaz, mas sabia que não confiava nele.
O homem emanava uma energia negativa, algo que a assustava.
- Não. - falou por fim, vendo-o andar até ela. - Eu não quero. Eu não aceito. Seja lá o que isso signifique, não. Minha resposta é não.
Voldemort abaixou-se até ficar na altura da garota, deitada no chão.
- Eu já me cansei de perder tempo com isso. Imperius! - disse apontando a varinha para a garota. Talvez se ele voltasse a torturá-la por mais um tempo funcionasse, mas não quis arriscar que ela enlouquecesse. Cuidaria disso mais tarde.
- Você fará tudo o que lhe for ordenado por mim, e sempre fará tudo para me proteger.
Qualquer coisa que represente uma ameaça para mim, você irá matar. Entendeu? - perguntou-lhe, ainda com a varinha apontada para a garota.
- Sim. - respondeu com a voz falha.
- Eu sou o seu senhor, sempre que se referir a mim será por Milorde ou Lorde das Trevas.
- Sim, Milorde.
- Ótimo! - puxou-lhe o braço esquerdo e apontou a varinha para ele. - Lestrange você é, a partir de agora, uma Comensal da Morte.


Continua...



Nota da autora: (19/06)
Lembrete eterno: A Árvore Genealógica dos Black foi alterada para fazer mais sentido na fic.

OOi!
Quem resolver criar vergonha na cara e re-finalizar novamente a fic, logo de uma vez?
That's right. Pelo menos 2 capítulos por vez, conforme eu termine de reescrever!
Daqui a pouco as lágrimas voltam com o cpa. 20.
xx
Reh

Spoilers? Novidades? Entra aqui!






comments powered by Disqus




TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO SITE FANFIC OBSESSION.