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Última atualização: 26/04/2017

Prólogo


Ela corria.
Como se sua vida dependesse disso, e olha que injustiça, ela realmente dependia...
Ela corria.
Suas pernas doíam, o ar lhe faltava, o suor tomava seu corpo...
Ela corria.
O abismo se aproximava, a saída era estreita e o fim estava evidente...
Ela corria.
Só conseguia pensar em seus filhos e em seu marido, as crianças viveriam bem, ela tinha certeza disso, o homem que a amparou e a tomou para si como mulher cuidaria com todo o carinho do mundo de seus filhos...
Ela corria.
E não tinha mais saída, não tinha mais esperança, não tinha mais porque lutar...
Ela corria.
E ela corria...
Corria...
Ela corria.


Capítulo 1


suspirou e observou o ônibus se afastar em meio a escuridão. Olhou em volta e percebeu que por ali não havia nada e nem ninguém, apenas mato e a solidão. Ela nunca tinha estado em Southport na Carolina do Norte, mal sabia como havia parado ali. Decidiu que pegaria o primeiro ônibus que chegasse e que não iria até seu destino final, então ali estava ela, naquela pequena cidade de aproximadamente dois mil oitocentos e noventas e três habitantes, desprotegida e entrando madrugada a dentro.
Colocou suas bagagens no chão tomando cuidado com uma em particular e agachou-se abrindo a bolsa de viagem preta. Sorriu e acariciou o rostinho de sua pequena que dormia tranquilamente como se nada no mundo pudesse lhe atingir e realmente não podia, sua mãe estava ali e a protegeria de tudo, nem que isso custasse sua vida. Tirou a bebê com cuidado da bolsa e a colocou em seu colo, retirou a barriga falsa, colocou dentro da bolsa e a fechou, ajeitou a criança em seus braços, segurou a bolsa e pegou sua outra bagagem e então começou a andar em meio a escuridão rumo á lugar nenhum. Não tinha medo, ela apenas cultivava um medo em sua vida e por enquanto não tinha que se preocupar com ele.
Andou por incontáveis minutos na beira da estrada, nenhum carro passou por ela, nenhuma alma viva a parou. Viu uma luz tremeluzir ao longe e caminhou em direção á mesma chegando até uma pequena casa. Aproximou-se da mesma e bateu na porta. Sabia que era indelicado incomodar alguém numa hora daquelas, mas ela não tinha escolha. Uma senhora baixinha de cabelos brancos abriu a porta com uma expressão confusa, mas ao olhar para e para sua bebê, lhe abriu um sorriso.
- Boa noite – disse educadamente.
- Boa noite. Venha querida, entre – A mulher deu passagem e mesmo incerta, entrou. Observou o cômodo e notou que ele se parecia muito com uma recepção.
- Desculpe pela hora, acabei de chegar á cidade e não tenho para onde ir.
- Sem problema, na verdade você veio ao lugar certo – franziu o cenho – Essa é minha pensão, vivo dizendo á meu marido que ele tem logo que colocar uma placa na entrada desse lugar – Balançou a cabeça em negação – Você teve sorte, tenho um quarto disponível.
- A senhora poderia me dizer quanto é a diária? É que não tenho muito dinheiro.
- Não se preocupe, minha pensão é humilde demais para que eu cobre absurdos pelos quartos – A senhora lançou-lhe um terno sorriso e a guiou até o balcão.
acertou o quarto com a senhora e pegou sua chave encaminhando-se para o segundo andar. Abriu a porta de seu quarto e olhou em volta. O cômodo era aceitável, talvez um pouco empoeirado, mas em vista ao lugar que ela tinha ficado em Alexandria na Virgínia, aquilo ali era o paraíso. Fechou a porta e repousou seu bebê cuidadosamente sobre a cama. Colocou suas bagagens em um canto e sentou-se em uma cadeira que havia ali. Ela estava exausta, sentindo vontade de dormir e só acordar ano que vem com alguém lhe sorrindo e dizendo que finalmente tudo estava bem. Mas como as coisas não poderia ser assim, ela tinha que agir. Seu dinheiro estava no fim e ela precisava arrumar um emprego urgente, por isso assim que o sol surgisse, ela iria atrás de alguma coisa, qualquer coisa, o que importava era ter um teto sobre sua cabeça e que não lhe faltasse as fraldas de sua filha e comida.
fora acordando aos poucos, uma brisa suave adentrava o quarto pela janela entreaberta e o banhava com a fraca luz do sol. A mulher despertou completamente e olhou para sua filha que tinha um dos pés na boca e olhava para o teto do quarto enquanto fazia barulhinhos engraçados. sorriu e esticou a mão tocando na mãozinha do neném e fazendo-a olhá-la. A garotinha sorriu e tirou o pé da boca falando coisas desconexas como se quisesse se comunicar de alguma forma.
- Bom dia meu amor – A mulher depositou um beijo na ponta do nariz da filha – Mamãe vai ao banheiro e já volta para amamentar você, tudo bem? – riu porque a criança a olhava com uma expressão interrogativa. Mas a mulher esperava o que também? Ser respondida?
Colocou a criança no meio da cama para que ela não caísse e foi até o banheiro deixando a porta aberta para vigiar sua pequena. Fez sua higiene matinal e logo voltou para o quarto sentando-se na cama e amamentando a criança enquanto falava coisinhas bobas para ela. Como Alexia já tem seis meses e já pode comer alimentos sólidos, só a amamentava quando acordava e antes de dormir e às vezes á tarde, quando a criança ficava manhosa demais.
Tomou um banho rápido juntamente com sua criança e logo desceu já que Dona Rose – a mulher que lhe atendeu na madrugada – disse que o café ia até as dez.
- Dona Rose, eu sei que mal lhe conheço e será muito abuso de minha parte, mas... A senhora poderia cuidar de Alexia para mim? É que eu preciso muito procurar um emprego – disse incerta sentada á mesa ainda tomando seu café da manhã juntamente com a senhora.
- Claro querida, sem problema nenhum. Quando eu era jovenzinha, costumava trabalhar como babá.
- Mas não irá atrapalhar a senhora?
- De forma alguma, o movimento por aqui é tranquilo.
- Eu prometo que serei rápida.
- Não se preocupe meu bem, você pode demorar o tempo que for preciso... Aliás, eu conheço um lugar que talvez esteja precisando de gente, a temporada de férias está se aproximando e Southport costuma ficar bem cheia nessa época. É um restaurante que fica um pouco antes do píer, o único que tem por aqui por perto e de uma culinária ótima. Vá lá que tenho certeza que você encontrará algo.
- Tudo bem, só vou pegar algumas coisas da Lex e vou até esse restaurante. Muito obrigada dona Rose, de verdade.
- Imagina querida – Acariciou a mão de sobre a mesma – Gostei muito de vocês duas.
foi até o seu quarto e preparou uma pequena bolsa com algumas coisas que talvez Lex precisasse. Desceu e caminhou até a recepção entregando as coisas da garotinha para Rose e se despedindo de sua filha. Odiava deixá-la, ainda mais com gente que mal conhecia, mas no momento ela não tinha muitas opções.
Saiu da pensão e começou a andar, não sabia muito bem onde ficava o restaurante, mas era óbvio que não seria difícil de achá-lo, ela podia ouvir perfeitamente o barulho do mar da onde estava e algumas casas grandes e bonitas já à vista.
Caminhou por mais alguns minutos e avistou o restaurante que era feito de madeira e grandes paredes de vidro. Percebeu que ele estava fechado, mas não custaria nada bater, já estava quase na hora do almoço e sabia que ele logo abriria porque é assim que os restaurantes funcionam. Bateu na porta e aguardou um pouco, mas não obteve nenhuma resposta. Bateu outra vez e novamente não teve resposta nenhuma, então tentou uma última vez.
- Pois não – Sobressaltou-se com a voz um pouco grossa que vinha de trás dela e virou-se rapidamente deparando-se com um homem de estatura mediana, um porte físico excelente e um sorriso descomunal.
- Ahh eu... Bom dia...
- Bom dia – O homem respondeu com o sorriso ainda nos lábios.
- Eu estou procurando um emprego e me disseram que talvez aqui eu encontrasse algo.
- Claro, estamos mesmo precisando, vamos entrar. Aliás, sou , dono do restaurante.
e estavam sentados em uma mesa que ficava ao lado de uma das paredes de vidro do restaurante. O homem tinha uma caneta em mãos e algumas folhas em sua frente.
- Vou começar a entrevista, tudo bem? – assentiu – Como se chama?
- .
- Quantos anos têm?
-Vinte e dois.
- Estado civil?
- Solteira.
- Tem filhos?
- Sim – a olhou – Uma filha de seis meses – Ele assentiu e voltou a olhar para o papel. Então ela ficou receosa porque em muitos lugares quem tinha filhos pequenos não era contratado.
- Tem experiência como garçonete?
- Tenho sim.
- Tenho algumas perguntas mais pessoais, eu gosto de saber quem estou contratando para trabalhar comigo, tudo bem? – Mesmo incerta assentiu – Você mora em Southport há muito tempo? Porque não lembro de já tê-la visto por aqui.
- Na verdade eu cheguei ontem.
- E da onde você veio?
- Inglaterra.
- Uol, um pouco longe – assentiu – Você tem familiares por aqui? – O homem perguntava tudo olhando diretamente em seus olhos como se quisesse se certificar que ela estava falando a verdade.
- Na verdade não, eu vim pra cá atrás de uma vida melhor.
- E por que Carolina do Norte?
- Não sei, foi meio aleatório.
- O pai de sua filha ficou de acordo com isso? – Ela sentiu-se nervosa.
- Na verdade ela é produção independente, quer dizer, tive um relacionamento passageiro e crio minha filha sozinha.
- Entendo. E você pretende firmar residência aqui na cidade?
- Na verdade eu ainda não sei – O assentiu.
Mentiras, noventa e cinco por cento do que ela tinha respondido era tudo mentira. Seu sobrenome não é , ela não é solteira, não veio da Inglaterra e muito menos teve um relacionamento passageiro. Mas ela não poderia contar a verdade, ela não conhecia aquele homem, não conhecia ninguém, não confiava em ninguém e talvez não pretendesse ficar em Southport por muito tempo apesar de já estar cansada de ficar de um lado para o outro.
- Bom , acho que é isso – se levantou – Seja bem-vinda, providenciarei seu uniforme e um armário, você é a mais nova garçonete do meu restaurante.
A mulher piscou atônita.
- Então eu... Eu estou contratada?
- Claro, você não me ouviu dizer? E na verdade você começa agora, o horário do almoço será puxado – Bem, Rose dissera que não havia problema se demorasse então ela não viu problema de realmente ficar.
Acompanhou até o vestiário e ele lhe entregou um uniforme e a chave do armário. se trocou e encontrou-se com seu chefe na cozinha do restaurante.
- Diana, essa é a e é a mais nova contrata. Quero que você a auxilie no primeiro dia de trabalho e tire todas suas dúvidas, tudo bem?
- Claro , deixa comigo – Piscou para ele e o saiu da cozinha. sorriu para a mulher que parecia ser bem mais velha do que ela e carregava uma expressão amigável – Seja bem-vinda , sou Diana.
- Prazer – apertou a mão da mulher.
- Vamos ao trabalho? O restaurante logo vai abrir – assentiu e caminhou com ela pra fora da cozinha.
estava exausta, porém satisfeita. Trabalhou até as cinco já que seu período seria até o horário do lanche da tarde. Trocou de roupa e caminhou até a pensão ansiosa para dizer á Rose que tinha conseguindo um emprego. O sol aos poucos se punha sobre o mar tornando Southport deslumbrante e foi com esse cenário que chegou até a pensão.
- Olá dona Rose, a senhora não vai acreditar – Sorriu amplamente para a mulher.
- Por essa sua alegria, imagino que...
- Consegui um emprego! – Disse animada.
- Fico feliz por você querida, de verdade.
- Obrigada e agradeço pela indicação. Onde está Lex? Fiquei pouco tempo fora, mas estou morrendo de saudade.
- O pai dela veio buscá-la – O sorriso de rapidamente desapareceu de seu rosto não deixando vestígio nenhum.
- Co-como assim, o pai?
- Quando ele disse, não acreditei muito já que você não falou nada sobre o pai dela e eu não sou doida de entregar sua filha á um desconhecido, mas ele me mostrou algumas fotos de vocês duas juntamente com ele, então não tive como não acreditar. Ele foi dá um passeio com ela, disse que logo volta – O coração de batia tão violentamente que parecia que atingia sua caixa torácica e doía, doía muito. O desespero estava ali, as lágrimas alcançaram seus olhos e ela virou-se rapidamente, procuraria por sua filha mesmo não fazendo a menor ideia de onde ela poderia estar. Mas não precisou dar nenhum passo porque logo a sua frente ele estava, com aquele sorriso que lhe dava muito medo e aqueles olhos que sempre rondavam seus pesadelos.
O homem se aproximou e a mulher não conseguia sair do lugar, estava paralisada, preenchida pelo medo. Ele carregava Alexia, a menina estava com a cabeça em seu ombro como se estivesse dormindo. O homem ampliou seu sorriso ao parar de frente para e tocou a nuca dela aproximando seus rostos e tomando os lábios da mulher com agressividade. Separou-se dela e olhou em seus olhos enquanto sorria sinicamente.
- Finalmente te encontrei, meu amor.
acordou assustada, seu corpo todo tremia e ela estava extremamente suada. Olhou rapidamente para os lados para se certificar onde estava e respirou aliviada ao reconhecer seu pequeno quarto na pensão. Seu coração estava descompassado e ela ainda se sentia presa naquele pesadelo que acabara de ter. Voltou a deitar na cama e puxou sua filha abraçando-a forte, mas tomando cuidado para não machucá-la. Então as lágrimas vieram, pesadas e doloridas como sempre, estilhaçando-a ainda mais. E as forças pareciam sumir, e o medo estava ali, abraçando-a, tomando-a no colo como se ela fosse uma criança desprotegida.
Em pensar que as coisas nem sempre foram assim...
sempre fora uma criança feliz e sonhadora, perdeu os pais aos quatro anos em um acidente de carro e como não encontraram nenhum familiar dela, a pequena garota teve que ir para um orfanato. Mas o sorriso nunca desapareceu, a felicidade nunca sumiu, os sonhos nunca perderam as forças. Gostava de brincar todos os dias com algumas garotinhas e garotinhos que também viviam no orfanato, sempre se deu bem com todos e as freiras do orfanato a adoravam. Então cresceu, tornou-se uma linda jovem, as freiras diziam que era a jovem mais linda que vivia por ali e era realmente verdade. A hora de deixar aquele lar já se aproximava, logo ela faria 18 anos e teria que encontrar outro lugar para ficar. Com a ajuda das freiras ela começou a trabalhar em uma lanchonete que ficava perto do orfanato, era simpática e logo conquistou os clientes e dentre esses clientes estava . era bonito e gostava apenas que o atendesse, mais ninguém. gostava dele, era sempre educado com ela e lhe dava gordas gorjetas. Então aos poucos foram se aproximando, logo viraram amigos e logo vieram os convites para sair. O primeiro beijo entre eles aconteceu depois do terceiro encontro, estava apaixonada, o rapaz a tratava muito bem e a prometia céus e terras. Ele sabia que ela morava em um orfanato, mas em nenhum momento demonstrou pena dela ou se afastou pela sua condição.
Os 18 anos de chegaram, as freiras fizeram uma pequena festa para ela, foi e lhe deu um colar lindo com seu nome. Os dois já namoravam á algum tempo e ficou surpresa quando naquele dia a convidou para morar com ele. O rapaz morava só e trabalhava como guia turístico e por mais surpresa que tenha ficado com o convite, aceitou porque realmente estava apaixonada por ele e já imaginava uma vida inteira ao seu lado.
E foi naquele momento que tudo começou.

***

estava sentada em sua cama contando o dinheiro para pagar a diária. Suspirou ao perceber que só tinha dinheiro para aquele dia, depois teria que se virar e encontrar outro lugar para ficar... Mas ficar aonde? Com que dinheiro? Ela não queria pedir para Rose deixar ela ficar ali e pagar depois, só começaria a receber seu salário a partir do próximo mês e sabia que a senhora precisaria muito do dinheiro da diária. Pedir dinheiro emprestado ao chefe também estava fora de cogitação, ela mal havia começado a trabalhar e já ia abusar da boa vontade dele? De forma alguma. Resolveu que ia logo trabalhar e depois resolvia o que ia fazer.
Desceu, e deixou Alexia novamente aos cuidados da mulher, então foi para o trabalho, enfrentar mais um dia.
Cumprimentou ao entrar no restaurante e ele lhe sorriu.
- Como vai ?
- Bem, e o senhor?
- Nada de senhor, por favor, só porque tenho trinta e quatro anos não quer dizer que sou velho – Ela riu – O que está achando de trabalhar aqui?
- Excelente, é ótimo trabalhar aqui, fora que a comida é deliciosa.
- Obrigado, modéstia parte eu e cozinhamos bem – Fez uma referência engraçada e a mulher riu. é irmão mais novo de e o chefe da cozinha, também cozinha, mas o trabalho mesmo é todo de seu irmão e de , mulher dele.
costumava arrancar alguns sorrisos de , ele gostava da forma simplória dela sorrir, da perfeita sintonia que seu rosto ficava, os olhinhos fechados e todos os dentes á mostra, era uma coisa linda de se ver. já trabalhava pra ele á quase duas semanas e ele gostava muito da companhia dela, fora que seu papo era incrível. Mas achava a mulher muito misteriosa e percebia que as vezes ela se afastava um pouco dele e inventava desculpas para ficar longe, como se tivesse medo de alguma coisa. Mas fora isso, ela era ótima.
- Acho que já vou indo, pelo visto isso aqui vai encher rápido – assentiu e observou a mulher andar até o vestiário e entrar no mesmo.
O dia no restaurante fora tranquilo, serviu diversas mesas e ganhou gorjetas suficientes para comprar fraldas e lenços umedecidos para Lex. Voltou para a pensão depois de passar no mercado – que era consideravelmente longe - e subiu até seu quarto. Arrumou todas as suas coisas e suspirou. Não tinha a menor ideia para onde ir. Colocou a mochila nas costas, enfiou uma das bagagens dentro da bolsa maior e saiu do quarto. e Lex não tinham muitas coisas por isso a mala não era pesada e a carregava perfeitamente.
Desceu até a recepção e encontrou Rose sentada por ali com Alexia brincando em seu colo. A garotinha sorriu amplamente ao vê a mãe e estendeu seus bracinhos para que a mulher a pegasse.
- Hey meu amor – Depositou um beijo na bochecha rosada da criança – Dona Rose, aqui está o dinheiro da diária – Entregou para a mulher que sorriu agradecida – E eu quero encerrar minha hospedagem aqui, eu... Eu encontrei um lugar para ficar – Tentou sorrir da forma mais verdadeira que pôde, não queria contar a verdade e vê a senhora sentir pena dela, detestava com todas as suas forças esse sentimento.
- Tudo bem, só não desapareça daqui.
- Pode deixar.
- E você pode deixar Lex aqui todos os dias antes de trabalhar até você encontrar alguém para cuidar dela – sorriu, gostava tanto daquela senhora, mesmo a conhecendo há tão pouco tempo.
- Tudo bem dona Rose, Tchau.
- Tchau querida – pegou sua bagagem e andou até a porta sendo seguida por Rose, a mulher abriu a porta e saiu, lhe lançou um último sorriso e começou a andar.
Agora só restava saber pra onde.
Já havia andando um pouco quando parou e suspirou, sentiu seus olhos arderem e olhou para os lados, aquela era a única opção. Saiu da beira da estrada e entrou na vasta mata, podia ouvir perfeitamente o barulho das cigarras e aquilo a amedrontava um pouco. Andou um pouco pela vegetação e aproximou-se de uma grande árvore com alguns arbustos em volta. Colocou sua mala no chão, tirou de dentro dois lençóis e um travesseiro, estendeu o lençol no chão e apoiou o travesseiro no tronco da árvore, sentou-se ali e jogou o outro lençol sobre seu corpo e o de sua criança. Abraçou forte sua bebê que já estava quase adormecida e então chorou, mais uma vez, chorou.
Não era a primeira vez que ela dormia ao relento, mas ela nunca se acostumaria com aquilo e não queria que sua filha passasse por aquela situação, ela fazia de tudo para protegê-la, e agora elas estavam ali, tendo o céu estrelado como teto. Se soubessem que estava dormindo “na rua” com uma criança de apenas seis meses, Lex com certeza seria tirada dela, e a mulher não queria pensar nenhum pouco naquela possibilidade, sem sua bebê ela não era nada, era apenas por Alexia que ela continuava a viver.
O sono logo chegou, a noite de fora difícil, constantemente despertava assustada e amedrontada perante toda aquela escuridão e respirou aliviada quando o dia começou a nascer. A noite não havia sido tão fria e o céu estava límpido indicando que tão cedo não choveria e agradeceu muito por isso. Trocou sua filha, preparou uma pequena bolsa com algumas coisas que ela talvez precisasse e outra bolsa com roupas suas para levar ao trabalho, iria tomar banho lá. Com um pouco de dificuldade conseguiu esconder sua mala no meio dos arbustos e se certificou que estavam bem escondidas.
Saiu da mata e caminhou até a pensão onde encontrou Rose regando algumas plantas.
- Bom dia dona Rose.
- Bom dia querida – Sorriu e estendeu os braços para pegar Alexia.
- Será que a senhora pode dar banho em Lex para mim? É que estou meio atrasada e não deu tempo.
- Claro, sem problemas.
- Então eu já vou indo – Depositou um beijo na bochecha de sua filha – Tchau dona Rose e obrigada – Sorriu e lhe deu as costas começando a andar até o restaurante.
estava tendo um papo descontraído com Diana, faltavam poucos minutos para ela ir embora e as duas estavam se trocando no vestiário. A mulher despediu-se de e saiu, arrumou suas coisas na bolsa e logo estava fora do vestiário também.
- Hey Lu – Ela olhou para trás e sorriu para esperando que o homem chegasse até ela – Eu estou indo pra casa, quer carona?
- Não, obrigada, eu... Gosto de ir andando.
- Você mora muito longe daqui?
- Não, eu estou hospedada em uma pensão.
- Na pensão da dona Rose, certo?
- É.
- Você não pensa em procurar uma casa pra você?
- Eu não tenho muito dinheiro no momento – se sentia nervosa, não queria que descobrisse que ela na verdade era uma sem teto e dormia com sua criança no meio da mata.
- Sabe, eu tenho uma casinha aqui perto, na verdade está mais pra cabana, faz muito tempo que ela está trancada, então se você se disponibilizar á limpá-la, você pode morar nela – abriu a boca em uma expressão surpresa.
- Você está me dando uma casa?
- Como eu disse está mais pra cabana.
- eu... Não posso aceitar.
- Claro que pode, você não pode ficar em uma pensão para sempre e a cabana está sem uso nenhum, eu estava até pensando em derrubá-la, claro que ela está em bom estado, mas faz muito tempo que eu a construí com meu pai, eu tinha 17 anos e queria ser independente – Fez uma expressão engraçada e riu – Enfim, eu arrumo para você alguns produtos de limpeza e você limpa ela. Vamos, eu sei que você está doida para aceitar, para de fazer doce – A mulher mais uma vez não deteve o riso.
- Tudo bem, eu aceito a sua proposta.
- Que ótimo. A cabana fica em uma estrada de terra perto daqui, quando você vier para o restaurante nem precisa pegar a rua principal, vem por trás mesmo que você chega rapidinho.
- Tudo bem.
- Então amanhã depois do almoço você está liberada, eu te mostro onde fica a cabana e levo tudo o que você vai precisar para poder limpá-la.
- Eu não sei nem como agradecer você.
- Apenas cuide bem dela – Piscou.

Capítulo 2


Ela estava feliz, seus dias como “moradora da mata” estavam contados. Pegou Lex na pensão de Rose agradecendo mais uma vez pela mulher cuidar de sua filha e caminhou calmamente até adentrar a mata. O sol já havia sumido e novamente estava ali com sua pequena, em meio a escuridão e o barulho da noite.
A mulher tinha receio que alguém aparecesse por ali, existem tantas pessoas ruins no mundo, sem piedade nenhuma no coração. A mulher não se preocupava com ela mesma e sim com sua pequena criança que se estivesse só, não poderia se proteger de forma alguma.
Mais uma vez a noite pareceu longa demais, os pesadelos a atormentava e a escuridão não era amiga. Quando o sol raiou, amamentou sua filha, limpou-a e a trocou, escondeu mais uma vez suas coisas e levou Lex até a pensão dizendo para Rose que a pegaria mais cedo naquele dia. Então foi trabalhar, com a expectativa pela nova casa crescendo em seu peito.
- Então , vamos lá? – perguntou ao vê a mulher sair do vestiário. O horário do almoço já havia passado então ela estava livre.
- Claro.
Saiu do restaurante com e entrou no carro do homem juntamente com ele. Não conversaram muito pelo caminho e não tardaram a chegar. observou a cabana e sorriu, não era nada glamoroso, mas era o suficiente pra ela. abriu a porta e entrou no lugar abrindo rapidamente as janelas que ficavam na sala.
- Como imaginei, isso precisa de uma boa limpeza – E como precisava. A sala estava totalmente empoeirada, a madeira precisava ser urgentemente envernizada e com certeza aquele sofá e aquela estante que estavam ali, precisavam ter uma conversinha com um pano.
O moreno andou pela cabana e o seguiu. Ele entrou na cozinha e abriu as janelas da mesma, notou que havia armários ali com as portas prestes a cair e uma mesa pequena de quatro cadeiras no centro do cômodo. A próxima parada foi o banheiro e depois o quarto que não era muito grande e tinha uma cama de casal e um pequeno guarda-roupa.
- Gostei daqui – A mulher disse observando a paisagem pela janela do quarto.
- Eu gostava muito também. Bom, vou pegar os produtos no carro, posso te ajudar um pouco, mas logo tenho que voltar para o restaurante.
- Você não precisa me ajudar , de verdade.
- Isso aqui está uma bagunça , não vou deixar você arrumar tudo sozinha. Aliás, posso te chamar de ?
- Pode – Sorriu – E mais uma vez, obrigada.
- Você tem que parar com essa mania de dizer obrigada para tudo – Riu e lhe deu as costas saindo do quarto. logo foi para a sala e foi por ali que ela e começaram o trabalho pesado. O moreno logo a deixou só e quando a mulher se certificou que a sala estava impecável, resolveu ir buscar Alexia.
A noite já estava caído e sentia-se extremamente cansada e faminta. Ela fazia suas refeições no restaurante, mas como naquele dia saiu mais cedo, ela não encontrou tempo para almoçar. A cabana estava totalmente limpa, sem vestígios nenhum de pó, limpou corretamente a cozinha, banheiro e quarto e agradeceu muito pelo lugar ser pequeno. O local estava sem luz elétrica por isso estava ficando escuro ali e estava apenas esperando para que pudesse ir embora, já que o homem disse que passaria por ali.
Lex estava sentada sobre um lençol no meio da sala brincado com o único brinquedo que possuía que era um mordedor, a observava com carinho enquanto vez ou outra a criança lhe olhava e balbuciava coisas ilegíveis. Aquele pequeno serzinho é seu bem mais precioso, a coisinha que ela mais ama na vida, e se sentia orgulhosa por tê-la, apesar dos apesares.
A mulher ouviu uma batida na porta e rapidamente olhou para mesma observando-a ser aberta e a figura de aparecer por ali. Ele adentrou a sala e repousou as sacolas que carregava sobre o sofá. levantou-se e pegou Alexia em seus braços.
- , essa daqui é Alexia, minha filha – Ele sorriu para a criança e esticou a mão acariciando a bochecha rosada da garotinha que lhe sorriu.
- Ela é linda – A menina lhe estendeu os braços e sem pestanejar a pegou. Ela então depositou um beijo desajeitado em sua bochecha pegando o homem totalmente de surpresa e fazendo gargalhar.
- Ela está aprendendo a dar beijos e agora não para mais – A garotinha tocou no rosto do homem e sorriu mostrando seus dois dentinhos – Acho que ela gostou de você.
- Ela me parece bem esperta – riu e depositou um beijo na mão gordinha de Lex – Bem, eu trouxe algumas coisas para nós comermos, aposto que você está com fome.
- Faminta!
- Trouxe também velas porque como podemos ver a luz precisa ser instalada aqui – pegou as sacolas sobre o sofá ainda tendo Lex em seus braços e caminhou até a cozinha, colocou tudo sobre a mesa e depositou um beijo no rosto da garotinha entregando-a à mãe – Você fez um belo trabalho aqui – Olhou em volta.
- Obrigada – Sorriu.
tirou algumas vasilhas das sacolas e velas juntamente com alguns copos. As acendeu e espalhou pela cozinha, então sentou-se á mesa e o imitou.
Comeram enquanto conversavam e riam bobamente. Eles podiam não vê, podiam não sentir, mas algo ali mudara, naquele pequeno instante tão normal perante seus olhos, algo magnífico começara a crescer, lentamente, tão lindo e tão inocente que era impossível de ser corrompido mesmo se quisessem.
insistiu para levar até sua “casa” e ela inventou uma desculpa qualquer para não aceitar porque aquilo estava completamente fora de cogitação. A mulher então foi para a mata tendo a certeza que era á última vez que passaria á noite á céu aberto. O homem permaneceu na cabana, olhando seu estado e decidiu que merecia uma coisa digna para chamar de lar, então foi até a pequena casa que havia ao lado da cabana e tirou de lá algumas latas de verniz e pinceis, sabia que teria um trabalho danado, mas não se importava, e assim que amanhecesse ele chamaria alguém para ajudá-lo. Ele não sabia o porquê, mas queria que tivesse o melhor, queria que ela e sua filha fossem felizes e começassem a chamar Southport, permanentemente, de lar.

XxxxX


Ela mal viu as horas passarem, só notou que estava na hora de ir embora quando sentiu a mão de em seu ombro e viu a chave que ele estendia á sua frente.
- Pronta para a nova casa?
- Mais que pronta – Sorriu radiante e entregou as chaves em sua mão.
- Você quer ajuda com as malas?
- Não, eu não tenho muita coisa, vai ser fácil de carregar.
- Tudo bem. Eu vou te visitar mais tarde, a sua primeira visita, sinta-se honrada.
- Ó, claro, claro – Colocou a mão sobre o peito e depois riu descontraída.
não queria se ligar á ninguém, por onde passou antes de Southport fez questão de deixar tudo para trás, nenhuma amizade, nenhum laço afetivo, mas naquele caso a coisa estava tão difícil, os sorrisos que ela direcionava a eram espontâneos, adorava ouvi-lo falar sobre qualquer coisa e o fitar, prestando atenção em cada gesto dele. Agora ela poderia chamar Southport de lar e ela precisaria de amigos, certo? Não poderia viver eternamente sozinha apesar de seus traumas, nem todos os seres humanos são iguais, ela achava que ainda havia esperança e era a prova viva daquilo. Seus conceitos mudavam aos poucos, o certo já era o errado e o errado passou a ser o certo.
se despediu de e caminhou até a pensão, pegou Lex e logo depois entrou na mata. Ouviu sua pequena resmungar e riu enquanto apanhava sua mala.
- Não vamos ficar aqui meu amor, agora temos uma casa e essa casa é para sempre, eu prometo a você.
Caminhou pela mata mesmo até a cabana e não foi difícil de achá-la. Retirou a chave do bolso e abriu a porta sendo tomada logo em seguida pela surpresa. O sofá estava coberto por uma manta de cores neutras, em sua frente um tapete com as mesmas cores estia-se sobre o chão tendo em cima uma mesa de centro de madeira e em cima da pequena estante havia uma televisão daquelas um pouco antigas, mas muito bem conservada. entrou colocando a mala na sala e fechando a porta, passou a mão pela manta e caminhou até a cozinha. As portas dos armários já não mais estavam penduradas, a pequena mesa estava coberta por uma toalha colorida e tinha em cima uma fruteira lotada de frutas. Ali também já tinha um fogão e uma geladeira. A janela estava tampada por cortinas e alguns vasinhos de flores enfeitavam o canto direito da pia. abriu a geladeira e surpreende-se pela quantidade de comida que havia ali, a mesma coisa ela fez com os armários e eles também estavam repletos de coisas. Caminhou até o quarto e sua surpresa foi maior ainda. A cama estava com lençóis claros e alguns travesseiros e sobre ela havia uma banheira infantil com alguns pacotes de fraldas, lenços umedecidos e basicamente tudo o que um bebê precisa. Lex apontou seu pequeno dedo para a banheira, mais necessariamente para um ursinho marrom claro que tinha um laço vermelho amarrado no pescoço. pegou o bichinho e entregou para a filha vendo-a sorrir feliz.
- Eu não acredito que ele fez isso – Riu incrédula enquanto sentava na cama. Já não era o bastante ter lhe dado um emprego e uma casa? Meu Deus, ele havia feito demais por ela, não precisava ter comprado todas aquelas coisas, ela não sabia nem o que dizer.
levantou-se com Lex no colo e caminhou até a sala pegando a mala e levando para o quarto. Colocou a filha no meio da cama empurrando a banheira para o canto e abriu sua mala retirando as roupas sujas para lavar depois e pegando as poucas peças que ela e Lex possuíam, colocando no armário logo em seguida. Pegou sua bolsa preta onde a barriga falsa estava e colocou-a no fundo do armário. Empurrou a mala vazia para debaixo da cama e pegou suas roupas sujas colando em um balde que havia no canto do quarto. Pegou sua filha e caminhou com ela até a cozinha apertando o interruptor e vendo que a casa já estava com energia.
- Está com fome amor? – Sabia que a criança não ia responder, mas mesmo assim perguntava.
colocou Alexia no chão ao lado da mesa – depois teria que comprar um cercadinho para ela, a menina estava ficando arteira demais para ficar tão solta – e caminhou ate a geladeira tirando de lá alguns legumes. Lavou-os e sentou-se na mesa para descascá-los, faria uma sopa com eles.
Foi até o quarto e pegou uma mamadeira que havia visto dentro da banheira, escaldou-a, colocou um pouco de suco dentro da mesma e deixou em cima da pia, já que Lex não podia beber coisas tão geladas. A sopa logo ficou pronta, colocou um pouco dela em dois pratos e resolveu tomar banho com sua filha enquanto a comida esfriava. Comeu calmamente com Lex e depois foi para sala, fazia eras que ela não assistia nada e ficou feliz ao reconhecer o filme um amor para recordar passando em um dos canais. Lex logo dormiu e a levou para o quarto colocando-a confortavelmente debaixo dos lençóis, a garotinha ainda tinha o ursinho nos braços e sorriu quando acariciou seus cabelos, ela tinha essa mania, sorrir enquanto dormia. A mulher voltou para a sala e antes que pudesse se sentar ouviu algumas batidas na porta. Sabia que poderia ser , mas mesmo assim ficou com receio. Abriu uma fresta da porta e pôde ver perfeitamente a figura de já que a luz da varanda estava acessa.
- Boa noite, desculpe pela hora.
- Imagina, nem é tão tarde assim. Entra – deu passagem á e fechou a porta assim que o homem entrou na casa.
- O que está achando daqui? – O moreno perguntou. Ele estava sentado no sofá e estava ao seu lado.
- Praticamente um paraíso.
- Sem exageros, por favor.
- É serio, fazia tanto tempo que eu não me sentia tão confortável – Sorriu de lado – Sabe, você não deveria ter comprado todas essas coisas, a geladeira, o fogão, a comida...
- Você não poderia viver só com o que estava aqui.
- Eu poderia me alimentar no restaurante e acredite, já vivi em lugares com muito menos – notou uma áurea de decepção transpassar os olhos avelãs do homem. Apressou-se em segurar em sua mão e sorrir – Mas você não sabe como sou agradecida por tudo o que você está fazendo por mim, eu não sei nem como te pagar por tudo.
- Você não precisa – Ele acariciou sua mão suavemente – Eu gosto de ajudar as pessoas.
- O mundo com certeza merece mais pessoas como você – Suspirou e desviou o olhar do dele, mas permaneceu com a mão sendo acariciada – Você não tem noção como estou feliz, ainda mais depois de tudo que passei... – Sua frase se perdeu e ela balançou a cabeça – Nunca imaginei que encontraria uma pessoa tão boa em Southport, você é incrível , de verdade, meu Deus, tão incrível que eu não tenho nem palavras – Ela sentiu os olhos arderem e mesmo não sabendo se seria atrevida demais, abraçou , porque aquela fora a única maneira que encontrou para agradecê-lo verdadeiramente. Para a felicidade de , o moreno retribuiu ao abraço, afagando seus cabelos.
- Fico feliz por ter conhecido você, , você me parece ser uma pessoa tão forte e mesmo sendo tão nova tem tanto a ensinar...
- Talvez eu não seja tão forte assim.
- Pois eu acho que você é, você está aqui, batalhando pela felicidade e criando sua filha sozinha e ela é uma garotinha extremamente linda e me parece ser muito feliz. Deve sentir orgulho da mãe que tem – A mulher pensou que não conseguiria conter as lágrimas, mas não poderia chorar, pelo menos não agora.
a abraçou mais apertando e encostou sua bochecha em seu ombro e por mais errado que fosse, ela se sentiu bem ali, sentiu que aquele era um lugar seguro para cair, para ficar longe de todas as suas dores, para se proteger de todo o mal. Aquilo era tão novo para ela, com ela nunca sentiu aquela segurança toda, nunca sentiu aquele carinho que passava.
- Bem, acho que vou indo, só passei aqui para vê como você está se adaptando.
- Tudo bem – Levantaram-se e caminharam até a porta.
- Tenha uma boa noite.
- Você também – depositou um beijo na testa da mulher e lhe deu as costas. fechou a porta passando a chave duas vezes na fechadura e fechando-a também com um trinco. Caminhou até o sofá e deitou-se no mesmo encolhendo-se de forma fetal, e então elas vieram, suas fieis amigas, quentes e rápidas, só que menos pesadas do que das outras vezes.
- Eu vou ser feliz, sei que vou. É aqui que vou realmente começar a viver e tudo que vier, eu vou enfrentar –Sussurrou em meio ao silencio sepulcral enquanto afogava-se em lágrimas e curtos soluços. Então lembrou, lembrou de um tempo atrás, onde entrava em uma casa nova e pensava que seria feliz, mas ela não foi, no primeiro e segundo ano ela até poderia ter sido, mas tudo tornou-se um pesadelo, um pesadelo terrível.
- , não! Não, por favor, eu juro que não fiz nada, eu juro! – A mulher chorava enquanto tinha os cabelos segurados fortemente pela nuca. Estava ajoelhada na frente do homem que possuía uma feição raivosa.
- Você é uma vadia! A pior de toda! – Desferiu um forte tapa sobre a face da mulher e ela não conteve um grito.
Acontecia de novo, e era tão doloroso como das outras vezes. A primeira vez que a agrediu fora por causa de um cliente da lanchonete onde ela trabalhava, ela não havia feito nada, apenas tinha sido gentil como sempre fora, mas não era mais o mesmo que ela conhecera, aliás, ela achava que nunca o conheceu de verdade. Ele bateu nela e ficou completamente sem reação, ninguém nunca tinha tocado-a daquela forma. A mulher correu até a porta com o intuito de sair da casa, mas o homem foi mais rápido e a puxou pelos cabelos atirando-a com brutalidade no canto da sala. Ela encolheu-se e as lágrimas de dor vieram. a arrastou até o quarto e trancou-a lá. No dia seguinte apareceu com um imenso buquê de rosas, o rosto vermelho e banhado pelas lágrimas, ele ajoelhou-se e pediu perdão, disse que nunca mais bateria nela, que seria um cara melhor por ela. Mas ele não foi. Um mês depois ele a empurrou fortemente contra a mesa da cozinha fazendo com que toda a comida que estava lá fosse ao chão. O motivo da agressão era porque o homem não havia gostado da comida que preparara, disse que estava salgada demais, mas não estava. E agora estava ali, sendo humilhada novamente.
- , por favor, não faz isso – A puxou com força pelos cabelos e levantou-se.
- Você não vai mais voltar naquele lugar! – Cuspiu contra seu rosto – Mulher minha cuida da casa e de mim, de nada mais! Não pode ficar por ai se atirando em cima de qualquer homem feito uma puta barata! Você só irar sair de casa quando EU deixar. VOCÊ ESTÁ ME ENTENDENDO?! – A mulher assentiu. Sentia medo, muito medo, queria estar longe daquele monstro obsessivo – Você viverá só para mim, amando-me e ficando sempre ao meu lado. Que bom que você entende isso, meu amor – Então a abraçou e falou com ela suavemente acariciando seus cabelos. tentou controlar o choro, pois sabia que se chorasse era pior, e então o abraçou, porque sabia que ele gostaria de ser abraçado.



Capítulo 3


chegou bêbado em casa pela terceira vez na semana, tentava sempre passar despercebida nessas ocasiões, mas nunca dava certo então ela agia como uma esposa submissa. Ela não o contrariava, falava manso e concordava com tudo, sendo assim ele não a agredia e quando fazia, não a machucava tanto.
- Eu não quero essa porcaria! – Jogou o prato de comida contra a parede e ele espatifou-se sujando completamente a cozinha – Anda, faça outra coisa para eu comer – suspirou.
- E o que você quer?
- Qualquer coisa, mas antes limpe isso, você sabe que eu odeio bagunça – Levantou-se e foi para a sala com uma garrafa de vodka em mãos.
pegou um balde com água, alguns produtos de limpeza e começou a limpar a sujeira que havia feito. Assim que terminou preparou algo para ele comer e foi até a sala para chamá-lo, mas estava dormindo no sofá abraçado á garrafa de Vodka. balançou a cabeça em negação e voltou para a cozinha, guardou a comida no forno e apagou a luz do cômodo saindo dele logo em seguida. Voltou para a sala e olhou para o cara, então a esperança começou a preenchê-la. estava dormindo e estava bêbado, com certeza não acordaria tão cedo. Aproximou-se lentamente dele e com cuidado tentou tirar o molho de chaves que ele carregava no bolso, ali estavam as chaves das portas e das janelas que eram trancadas por fora. O homem se mexeu e resmungou algo, prendeu a respiração e não moveu sequer um dedo. Assim que deitou-se completamente no sofá ainda segurando a garrafa, ela voltou a mexer no bolso dele e respirou aliviada assim que achou as chaves no bolso da frente do lado direito. Praticamente correu até a porta, mas a abriu com cuidado, assim que saiu voltou a fechá-la e então começou a correr, correu com a maior velocidade que suas pernas aguentavam.
Ela só não sabia pra onde ir.

- Essa casa é realmente uma gracinha – Rose disse olhando em volta. Aquele dia havia convidado a senhora para conhecer sua casa, as duas estavam na cozinha saboreando um lanche que a mais nova havia preparado.
- Realmente – Sorriu.
Os dias haviam tornado-se semanas, as semanas meses e já fazia quase três que estava em Southport. Ela estava vivendo bem, a paz que a assolava era incrível, mas sempre estava atenta, afinal, tudo podia mudar. Mais cedo havia recebido seu terceiro pagamento, separou um pouco – para dar para Rose por ela tomar conta de Lex apesar da mulher sempre insistir que não precisa - e guardava o restante em uma lata no fundo do guarda-roupa. estava um pouco retraído com ela, há alguns dias atrás ele convidou a mulher para um jantar, mas ela não aceitou, não queria uma aproximação ainda maior com ele e sabia que aquele jantar representaria exatamente isso, mas desde então ele mal a olhava e ela sentia-se mal por isso.
- realmente é um homem incrível, sempre foi, o conheço desde menino e o único problema que deu aos pais foi quando decidiu ser independente e morar sozinho, sempre os orgulhou muito e os alegrou quando deu o primeiro netinho homem para eles – fora pega de surpresa e olhou interrogativamente para a mulher.
- Netinho?
- Ah sim – Rose mexeu-se desconfortável sobre a cadeira – Eu não gosto de comentar sobre a vida de ninguém, ainda mais de por ter passado tudo o que passou. Há um tempo ele perdeu a mulher e o filho de oito nos em um acidente de carro – A expressão de choque tomou o rosto de , ela nunca poderia imaginar aquilo, era tão sorridente, parecia ser tão feliz... – veio se recuperar mesmo nesses últimos meses, perder a mulher e o filho foi demais para ele. Os pais tentaram levá-lo para Raleigh para morar com eles, mas não aceitou, disse que o lugar dele é aqui.
- Ele, me parece ser tão feliz, nunca imaginei que uma coisa dessas poderia ter acontecido com ele.
- Já ouviu falar que sorrisos não são sinônimos de felicidade? – Ahh, já sim, havia passado muito por isso – Ele e Missy eram apaixonados desde criança, casaram-se jovens e logo ela engravidou, eu nunca tinha visto tão feliz – A cozinha entrou em um silêncio perturbador - Mas tenho certeza que ele encontrará alguém que mereça todo o amor que ele tem para dar – A mais velha sorriu para – Bem querida, eu preciso ir.
- Mas já?
- Amanhã tenho que ir até Raleigh... Aliás, desculpe, mas não vai dar para eu tomar conta de Lex.
- Tudo bem.
- Eu só volto daqui dois dias, vou faze alguns exames.
- A senhora está bem?
- Estou sim querida, não se preocupe – A mulher levantou-se e a acompanhou até a porta – Até breve, – A mulher depositou um beijo na bochecha de Rose e viu a mesma partir.
acordou meio atordoado, sua cabeça estava explodindo e ele via tudo rodar. Xingou ao ver que a vodka havia derramado sobre ele e o sobre o sofá. O que tinha na cabeça para não tê-lo chamado para dormir na cama? Levantou-se e cambaleou, segurou em uma mesinha e esperou a sala parar de girar, logo em seguida foi até a cozinha onde sempre estava todas as manhãs, ao chegar ao cômodo percebeu que o mesmo estava vazio. Subiu rapidamente para o seguro andar tropeçando em seus próprios pés e entrou no quarto, mas nada da mulher. A casa estava silenciosa e gritou por sua esposa, mas não obteve resposta. Foi até o quarto de hóspedes e nada, banheiro e nada, levou as mãos até o bolso e logo depois desferiu um soco contra a parede sem se importar com a dor que atingiu sua mão.
- Vadia! – Correu para a sala, e tentou abrir a porta, mas a mesma estava trancada, então começou a esmurrar a madeira.
- ? – O homem virou-se rapidamente e viu no batente da porta que dava para a cozinha – Está tudo bem? Eu estava colhendo essas flores lá no jardim – Sorriu para o buquê colorido que tinha em mãos – Vou colocá-las aqui na sala, as da semana passada estão ficando murcha e sem cheiro e sei que você gosta delas saudáveis e bem cheirosas – Aproximou-se de um vaso que havia sobre uma mesinha e tirou as flores “velhas” dali colocando as novas no lugar – Eu tentei chamar você para ir para o quarto ontem á noite, mas você não acordava de jeito nenhum, até pensei que estivesse desmaiado. Acabei de colocar seu café da manhã na mesa e tem dois comprimidos também, um para dor de cabeça e outro para o estômago – A mulher sorriu enquanto o marido a olhava meio atordoado. aproximou-se de e a abraçou apertado.
- Achei que você tivesse ido embora.
- Embora? Mas para onde? Você teve um pesadelo?
-Acho que sim.
- Bem, acho melhor você ir tomar um banho para despertar e ir trabalhar. Você não quer se atrasar, não é? – Sorriu gentil.
aproximou seu rosto do de e a beijou, ela não ofereceu resistência apesar do mau-hálito dele e do bafo de vodka que a estava revirando o estômago. O homem partiu o beijo lhe sorrindo e indo para o segundo andar. correu para o banheiro e escovou os dentes três vezes, sentiu até vontade de fazer gargarejo com álcool. Olhou para o espelho e suspirou. Ela realmente havia fugindo na noite passada, já estava longe quando as perguntas vieram. Para onde ela iria? Com que dinheiro se viraria? Ela poderia ir para o orfanato, sabia que as freiras a acolheriam, mas ela não podia simplesmente dizer que estava sendo agredida e mantida presa em casa, por isso deu meia volta e voltou para , primeiro traçaria um plano, juntaria o máximo de dinheiro que conseguisse e ai sim fugiria sem olhar pra trás.
- Meu bem, você viu onde deixei minhas chaves? – perguntou da sala.
- Não, elas devem ter caído do seu bolso.
- Ahh sim, estão ao pé do sofá – O homem foi para a cozinha tomou seu café rapidamente e vestiu seu casaco.
- O que você vai querer para o jantar?
- Carne assada e salada com aquele molho que só você sabe fazer – Aproximou-se dela e a beijou – Você está tão atenciosa e preocupada, adoro quando você fica assim, é desse jeito que eu gosto – sorriu e suspirou quando o homem deixou a casa.
só podia ser doente, ela chegou naquela conclusão, ele era doente e precisava urgente de tratamento, mas ela não podia falar aquilo para ele, pois sabia que ele não reagiria nada bem, então ela sofreria, aguentaria o máximo e depois sumiria sem deixar qualquer rastro.

olhava fixamente para a parede de sua sala, não conseguia parar de pensar em e sua história trágica, não que naquele momento ela sentisse pena dele, ela só se sentia triste porque era bondoso demais para sofrer. Suspirou e resolveu ir para o quarto dormir com sua filha, afinal, amanhã o trabalho a esperava.
chegou com Alexia no restaurante pouco movimentado, o sol brilhava naquela manhã como todas as outras e o barulho do mar se era ouvido com clareza. trocou de roupa e assim que saiu do vestiário esbarrou em .
- Desculpe.
- Imagine , bom dia – A mulher olhou para a criança que estava no braço de – Hey, essa é sua filha?
- Sim - Sorriu
- Meu Deus, que coisa mais linda – Acariciou a bochecha rosada da criança que lhe sorriu amplamente – Meu sonho é ter uma menininha, não que eu não considere Mila minha filha, mas quando conheci , ela já era grandinha.
- Entendo.
é casada com irmão de e o homem tem uma filha de treze anos chamada Mila. teve um relacionamento adolescente e a namorada acabou engravidando, mas a gravidez tornou-se de risco e a mulher morreu após dar á luz. Tempos depois conheceu , uma jovem excepcionalmente linda e de um sorrido deslumbrante, foi paixão à primeira vista.
- Tive que trazê-la para o trabalho porque não tinha quem ficar com ela, mas antes preciso falar com , você sabe onde ele está?
- Está na despensa checando alguns alimentos.
- Tudo bem, vou lá – Andou até a cozinha do restaurante que estava movimentada e foi até a dispensa que ficava no fim do cômodo – Bom dia – virou-se e sorriu de lado para .
- Bom dia. Hey Lex – Segurou na mão da garotinha e ela estendeu os braços para que prontamente largou a prancheta que tinha em mãos e pegou a menina.
- Eu tive que trazê-la para o trabalho hoje porque dona Rose não poderia ficar com ela. Lex é boazinha se eu a deixar quietinha em um canto ela fica sem reclamar.
- Tudo bem , sem problema, e se você quiser eu posso tomar conta dela, já terminei por aqui e estou meio entediado.
- Eu não quero atrapalhá-lo.
- E não vai, pode ficar tranquila, Lex está em boas mãos – Piscou.
volta e meia ouvia sua filha gargalhar e se deixava contagiar pela alegria dela, ela e estavam fazendo uma algazarra na cozinha atrapalhando os funcionários e recebendo reclamações que faziam rir.
- Você vai estragar minha filha desse jeito – disse rindo ao ver Lex tentado mexer uma massa de bolo – Deixando-a fazer tudo o que ela quer.
- Ela está se divertindo – O riu.
- Sei... Acho que está na hora de trocar a fralda dela.
- Pode deixar que eu faço isso – ergueu uma sobrancelha – O que foi? Eu tenho experiência no ramo – Sorriu de lado e lembrou-se do filho que ele perdeu, não queria tocar no assunto, queria que o próprio se sentisse confortável para comentar sobre ele com .
Os dois andaram até o vestiário onde pegou a bolsa da criança e depois foram para o banheiro. tirou uma manta de dentro da bolsa e cobriu o trocador de fraldas que havia ali, colocou Lex com cuidado sobre ele e tirou a calça da menina, logo depois tirou a frauda suja e mesmo ela estando limpa, usou o lenço umedecido. Passou pomada na virilha dela e colocou a fralda nova subindo a calça de Lex logo em seguida. Enrolou a fralda suja e a jogou no cesto que havia ao lado do trocador, pegou Lex no braço e guardou a manta novamente na bolsa.
- Veja só – bateu palmas e fez uma reverência engraçada fazendo-a rir – Não é que você realmente leva jeito.
- Sou mil e uma utilidades – Disse e revirou os olhos enquanto saiam do banheiro.
- eu... Vou ter que trazer Lex amanhã de novo, eu não quero abusar da sua boa vontade, de verdade, mas não tenho com quem deixá-la já que dona Rose viajou.
- Sem problemas , mas acho que posso resolver isso. Você já ouviu falar de Mila?
- Sua sobrinha?
- Essa mesmo, ela disse que quer ganhar o próprio dinheiro e eu não sei por que já que ela só tem 13 anos e o pai lhe dá de tudo, mas vá entender esses jovens. Acho que essa é uma boa oportunidade para ela, ela adora crianças e já que está de férias pode muito bem tomar conta de Lex. Eu posso falar com ela se você quiser.
- Claro, quero sim.
- Então tudo bem. Agora volte já ao trabalho – Tentou falar de uma forma séria, mas não contendo seu tom brincalhão, então entrou na brincadeira também, arrumando sua postura e falando um “sim, senhor”.

~*~

- Você gosta dela, não é?
- Oi? – perguntou enquanto dava pedaços de maçã á Lex. Ele estava sentado na frente do restaurante e estava ao seu lado.
- Você gosta da .
- Gosto, ela é uma boa pessoa.
- Não estou falando dessa forma, estou querendo dizer que você gosta dela como mulher – olhou para erguendo uma sobrancelha – Vocês são bonitos juntos.
- Você tem mesmo que parar de assistir á esses filmes “mela cueca” – A mulher deu um empurrãozinho no homem.
- É sério . A é uma mulher excepcionalmente linda, gentil, desimpedida...
- E o que eu tenho a ver com isso?
- Você é excepcionalmente lindo, gentil e desimpedido, veja só que coisa boa! – Disse empolgada e balançou a cabeça em negação enquanto ria.
- Não acredito que você está me empurrando pra cima dela.
- O que é que tem?
- , a garota tem apenas vinte e dois anos.
- E daí?
- Eu tenho trinta e quatro, doze anos de diferença!
- Eu ainda estou tentando achar o problema nisso, não é como se você fosse praticar pedofilia, ela é maior de idade.
- Nem pense nisso, .
- – Levou a mão até o ombro do homem – Você anda muito sozinho, tem que encontrar alguém para lhe fazer companhia, para amar.
- Ficar sozinho é bom.
- Não quando ela se torna sua única companhia. Eu sei que ainda dói, sei que está recente, mas você era tão cheio de vida, tem que voltar a ser.
- Não sei se sou capaz – Baixou o olhar.
- Mas é claro que você é! Dizem que o amor é a única salvação e eu acredito muito nisso, foi minha salvação quando meu pai disse odiar á mim e minha mãe e foi embora, se não tivesse aparecido em minha vida eu nem sei o que poderia ter acontecido comigo – O suspirou – Tente amar novamente.
- Eu a chamei para jantar.
- Quem? – A mulher franziu o cenho com a mudança repentina de assunto.
- , eu a chamei para jantar e ela disse que não era uma boa ideia.
- Por quê?
- Não sei - Deu de ombros.
- Eu já percebi que é meio retraída, mas pode deixar que eu vou dar um jeito – olhou para a mulher e ergueu a sobrancelha.
- Você não vai me atirar pra cima dela.
- E por que não?
- ...
- Pode deixar , vou vender muito bem seu peixe – A mulher levantou-se.
- Ô ...
- Você vai conquistá-la, pode apostar – Antes que pudesse dizer mais alguma coisa a mulher entrou rindo no restaurante.
- Por que vocês têm que ser tão doidas e intrometidas? Em Lex? – Levantou a menina e a virou de frente pra ele – Você não vai ser assim quando crescer, não é? – A menina depositou um beijo molhado na ponta do nariz dele e gargalhou, riu e apertou a garotinha em seus braços – Você é muito ousada sabia? E uma coisinha linda – Fez cócegas na barriga da garotinha – E eu gosto muito de você – Alexia o olhava como se entendesse tudo o que o homem dizia, encostou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos então a ninou até a garotinha pegar no sono – Gosto muito.
suspirou aliviada e jogou-se no sofá, havia finalmente terminado a faxina que fazia desde que havia chegado em casa. Ouviu algumas batidas na porta e caminhou até a mesma abrindo apenas uma fresta e vendo parada ali.
- Oi – A mulher disse animada sorrindo para e ela riu.
- Oi – deu passagem e Mel entrou na casa.
- Nossa isso aqui ficou incrível, você fez um bom trabalho.
- Na verdade todo mérito vai para .
- Sei que você o ajudou – Sorriu – Bem, eu trouxe comida – Fez uma cara engraçada enquanto levantava as sacolas que carregava – Na verdade isso aqui está repleto de colesterol e diabetes, talvez um pouco de pressão alta.
- Acho que isso não é muito bom – riu.
- Claro que é, besteiras são muito boas, me sinto uma adolescente quando ataco tanta comida assim e quero me sentir adolescente hoje com você, por isso vim aqui te convidar para um dia de completa diversão, talvez você saia gorda ao fim dele, mas valerá a pena, eu garanto. E ai? Topa?
- Claro que sim, estou mesmo precisando de algumas gorduras nesse corpo esquelético.
- Oba! Soube que vai passar na TV algumas maratonas de filmes famosos, podemos ver. me abandonou, foi falar com alguns fornecedores na cidade vizinha e só volta amanhã – Fez bico – Odeio me sentir só.
- E Mila?
- Ela foi junto... Aliás, Mila amou a ideia de tomar conta de Lex, amanhã ela vai estar esperando você no restaurante.
- Que ótimo – Sorriu.
- Bem, então vamos começar nossa seção obesidade? – gargalhou.
- Vamos lá.
A madrugada se aproximava, e estavam sentadas no sofá com apenas a luz da TV iluminando-as enquanto assistiam á um filme de romance que se passava na cidade luz.
- Paris é realmente divina – suspirou.
- Você já foi lá? – perguntou para a mulher enquanto levava um pedaço de chocolate até a boca.
- Não, mas pelas fotos e vídeos que Missy uma vez me mostrou, fiquei encantada. Você sabe não é? Missy era a mulher de assentiu fracamente – Eu ainda não a conhecia na época, mas no primeiro aniversário de casamento a presenteou com uma viagem para Paris, nas fotos e vídeos ela me parecia muito radiante e realmente estava porque além de estar naquela cidade maravilhosa ela havia descoberto á pouco tempo que estava grávida. Missy e formavam um casal lindo, ele a fazia muito feliz, era todo romântico, estava sempre a disposição dela, você nunca via Missy sem sorrir ou com o olhar triste porque realmente por onde passava ela jorrava alegria e dizia o quão feliz seu marido a fazia – A mulher sorriu nostálgica e suspirou, sentiu uma pontinha de inveja, gostaria de ter sido feliz daquela forma – Quando Mike nasceu, Missy e eram os pais mais babões que existiam, nunca vi igual, e ficou mais bobo do que já era – Riu levemente e fora ficando séria aos poucos – Mas ai aconteceu o acidente e ele levou toda a felicidade embora, nunca vi tão triste, fora da vida...
- Deve ter sido muito difícil – praticamente sussurrou e concordou com um balançar de cabeça.
- Foi, ainda mais porque no dia anterior Missy havia descoberto que estava novamente grávida – olhou para meio atônita – Eles haviam ido comemorar, mas ai tudo aconteceu. A família toda ficou abalada, foi um grande choque e passamos por tempos difíceis, mas acho que conseguimos nos recuperar bem. Vejo também que está melhorando aos poucos, mas sinto que ele precisa de uma companheira, ele é o tipo de homem que toda mulher desejaria ter, com ele você realmente se sente o centro do universo, falo isso porque tenho – Sorriu encantadoramente – Na verdade os homens da família são bem únicos, todos puxaram a personalidade do senhor que sempre foi romântico e cavalheiro e educou muito bem os filhos. tem um irmão gêmeo que mora em Raleigh, é casado e tem dois filhos, um tem a idade de Lex, eu acho. Sério , você tem que conhecer essa família, será amor à primeira vista.
- Vejo que você tem um apreço muito grande por eles.
- Claro, eles acolheram á mim e minha mãe, nos consideram da família também – Sorriu – Enfim, falei demais, tenho realmente essa mania chata – riu – Posso dormir aqui? – Fez bico.
- Claro, mas você tem que se espremer na cama comigo e Lex.
- Sem problemas – Piscou.


Capítulo 4


chegou no dia seguinte ao restaurante acompanhada de , assim que entraram viram e Mila sentados em uma mesa terminando de tomar o café da manhã.
- Amor! – disse manhosa enquanto sentava-se no colo do marido e lhe beijava os lábios – Senti sua falta.
- Eu também senti a sua minha rainha – Voltou a beijá-la e Mila fez uma expressão de nojo o que causou um riso discreto em .
- Hey, você deve ser a , eu sou a Mila.
- Olá Mila, é um prazer – A mulher sorriu.
- Uau, o tio tem razão, você é realmente muito linda – sentiu suas bochechas corarem, não necessariamente pela menina tê-la achado linda, mas sim por ela ter dito que havia dito aquilo.
- Obrigada. Essa daqui é a Lex – Sorriu para a garotinha em seus braços e Mila levantou-se aproximando-se das duas.
- Que garotinha mais linda – Falou docemente enquanto estendia os braços e pegava a menina que a aceitou sem problemas.
- Não tem problema nenhum mesmo você ficar com ela?
- Não e eu sou responsável, eu juro – Riu.
- Então depois eu resolvo com você sobre o pagamento.
- Não se preocupe – Piscou – Bom, meu tio disse que posso ficar na casa dele, ele achou até melhor já que é aqui pertinho do restaurante. Mais tarde eu trago ela aqui ou você vai buscá-la?
- Eu vou buscá-la.
- Tudo bem – entregou a bolsa da criança para Mila e despediu-se de sua filha pronta para começar mais um dia de trabalho.
As coisas que disse á não saiam da cabeça da mulher e ela percebeu que realmente era muito solitário, pelo menos pelo que ela via. Ele passava todo seu tempo no restaurante mesmo não precisando sempre estar ali, e ele mora sozinho, em uma casa relativamente grande já que já a viu de longe. Não achava que merecia a solidão e não queria que ele passasse por tudo que passou, mas a vida era assim mesmo não era? sempre se pegava como exemplo.
A mulher saiu do vestiário já preparada para ir embora e viu sentado em um canto do restaurante, tomando café sozinho e observando a paisagem através da parede de vidro. mordeu o lábio e suspirou aproximando-se do homem.
- Hey – O homem a olhou e sorriu de lado.
- Olá , já está indo? – Ela assentiu e notou que ela parecia um pouco nervosa – Você quer alguma coisa?
- Bem, eu... Andei pensando melhor e achei que não faria mal algum aceitar aquele jantar, é o mínimo que posso fazer por tudo que você fez por mim, isso é, se ele ainda estiver de pé – Estralou os dedos e mordeu o lábio fazendo com que o sorriso de que se encontrava no canto dos lábios, espalhasse pela boca toda.
- Claro, adoraria - sorriu mostrando-se aliviada.
- Eu posso cozinhar...
- Nada disso, eu convidei, eu faço. Na próxima você faz - Piscou e a mulher mordeu o lábio inferior perguntando-se se realmente queria que houvesse uma próxima vez.
- Tudo bem, e quando vai ser?
- Pode ser sábado na minha casa? – assentiu – Então está marcado e claro, leve Lex.
- Não tinha nem como deixá-la – Riu – Eu vou indo.
- Até amanhã – Observou sorrir e lhe dar as costas saindo do restaurante logo em seguida.
- Olá! – sentou em sua frente fazendo assustar-se pela aparição repentina da mulher.
- Eu não sei o que você fez, mas acabou de voltar atrás e aceitou jantar comigo.
- Sério?! – A morena sorriu radiante e assentiu – Que ótimo!
- O que foi que você fez? – Semicerrou os olhos e ela riu.
- Só disse o quão maravilhoso você é – A expressão de não mudou – O que foi? É verdade!
- O que exatamente você disse?
- Bem – Ela mordeu o lábio – Disse como você era com Missy e antes que você venha me repreender, ela já sabia de tudo.
- Cidade pequena – revirou os olhos – Ela não falou comigo sobre esse assunto.
- é reservada, acho que ela espera que você fale e não que ela tenha que perguntar. Onde vai ser o jantar?
- Eu marquei em casa, vou fazer algo.
- Já pensou em que? – Ele negou.
- Você não sabe do que ela gosta?
- Não, começamos a nos aproximar agora, ainda não sei quase nada sobre ela.
- Ela quase não fala sobre a família não é?
- Não falou nem uma vez na verdade, é como se ela tivesse apenas Lex. Aliás, e o pai da garotinha?
- Ela disse que foi um relacionamento passageiro – Deu de ombros.
- Entendo... Bem, tenho que ajudar meu maridinho – Levantou-se e olhou para – Depois de tanto tempo duvido muito que você tenha camisinha em casa, então compre-as – a olhou como se não acreditasse no que ela havia dito e a mulher gargalhou – O que? É sério.
- , vai trabalhar vai.
XxxxX

e haviam acabado de chegar em casa depois de um entediante jantar com amigos, jantar com amigos de porque não tinha nenhuma pessoa para considerar se quer um colega. Durante o jantar o homem não afastou-se um segundo se quer de , se ela olhasse para o lado ele dizia que ela estava flertando com alguém por isso ela fazia o máximo para olhar somente para ele e para as esposas dos poucos rapazes que havia ali. Como sempre havia bebido além da conta, foram incontáveis copos de whisky e mais algumas bebidas que não sabia o nome. Subiram para o quarto e tirou os saltos que estavam acabando com seus pés, a obrigava a usar aquelas coisas porque dizia que ela ficava muito mais sensual daquele jeito e ele gostava de causar inveja nos homens fazendo com que eles soubessem que pertence apenas é ele.
chegou perto da mulher e a abraçou beijando sua nuca. Sua mão direita subiu até um de seus seios e o apertou enquanto a outra acaricia a coxa macia e começava a subir o vestido. suspirou, odiava deitar-se com , ainda mais quando ele estava bêbado e preocupava-se apenas em satisfazer o próprio desejo, nem parecia o mesmo que lhe tirou a virgindade e fora tão carinhoso. O homem a virou de frente e lhe beijou e como sempre teve que aturar seu bafo alcoólico sem vomitar. O homem os direcionou até a cama e logo as peças de roupas não existiam mais. Se posicionou corretamente em cima de e voltou a beijá-la.
- rompeu o beijo – A cami... – Mas antes que ela terminasse de falar, o homem já estava consumando o ato.

olhou-se no espelho e mordeu o lábio, ela esperava que realmente estivesse fazendo o certo, era só ela não deixar se aproximar muito que ficaria tudo bem, mas aquilo era tão difícil, ele era tão adorável, tão lindo, e céus, aqueles olhos... A mulher fez uma careta para o espelho, vestia uma calça jeans meio velha e uma blusa com uma estampa sem graça, calçava uma sapatilha de uma cor qualquer e seu rosto estava limpo já que a única maquiagem que ela tinha era um gloss incolor. Estava sem graça, muito sem graça e de repente sentiu-se envergonhada de aparecer na casa de daquela forma, mas ela não podia fazer nada a respeito, por enquanto não gastaria seu dinheiro em roupas, sapatos, acessórios e maquiagem, mas sabia que logo teria que se preocupar com essas coisas. Bom, pelo menos seu cabelo se salvava, é certo que não estava mais com a cor de nascença, mas continuava ondulado, cheio e brilhoso.
- Vamos lá minha pequenininha? – Sorriu para a filha e a garotinha bateu palmas.
pegou Lex nos braços não esquecendo-se do ursinho que dera para a menina - não queria nem imaginar o berreiro que Alexia abriria se não visse o ursinho, desde que lhe dera era a sua paixão – pegou a bolsa de Lex e saiu da cabana certificando-se de que havia fechado bem a porta. Caminhou pelo caminho de terra até chegar a rodovia principal aproveitando o fim de tarde e a brisa leve que corria por Southport. Avistou a casa de e não custou a se aproximar, tocou a campainha e esperou até que o homem abrisse a porta. Lex sorriu radiante ao ver e estendeu o braço que não segurava o urso na direção do homem. também sorriu e a pegou depositando um beijo na bochecha gordinha da garotinha. achava incrível a forma como Alexia gostava de , era certo que ela nunca fora uma garota retraída, mas com ele, ela era ainda mais espontânea, sempre quando o via abria sorrisos amplos e não pensava duas vezes antes de se jogar nos braços do homem que sempre a amparava. Sorriu observando os dois, mas ai lhe bateu aquela dúvida se era realmente saudável Lex se apegar dessa maneira a alguém.
- Oi depositou um beijo na bochecha de e ela sorriu. Ele finalmente havia voltado a chamá-la pelo apelido.
A mulher adentrou a casa assim que lhe deu passagem e ela observou a sala, a decoração era delicada o que indicava que fora uma mulher que escolheu tudo ali, as cores eram claras e combinavam bem.
- Sua casa é bonita.
- Obrigado, depois eu te mostro ela toda. Vamos para a cozinha – deu as costas para e ela lhe seguiu – Hey Lex, vejo que gostou do ursinho – O homem mexeu na orelha da pelúcia e Lex sorriu.
- Ela o adora, só larga na hora de tomar banho e nem queira ouvir o berreiro que ela abre se eu saio de casa e não pego o urso – riu – Nossa, que cheirinho bom.
- Eu estou fazendo carne assada, você gosta? – engoliu a seco, carne assada é o prato preferido de .
- Claro – Sorriu amarelo.
- E de sobremesa mousse de chocolate com sorvete de creme.
- Melhor ainda! – Disse empolgada e riu. Aproximou-se de e lhe entregou Lex, mas a garotinha virou-se querendo permanecer nos braços do homem.
- Vai com a mamãe, bebê – Ela resmungou contrariada
- Lex, vem com a mamãe – Pegou a menina a força e no lábio inferior da garotinha formou-se um bico antes dela começar a chorar – Ahh meu Deus, não acredito que você está roubando minha filha!
- Que culpa eu tenho se sou adorável? – Alexia virou-se para ele e ainda chorando estendeu o braço. voltou a pegá-la e ela deitou a cabeça em seu ombro parando de chorar aos poucos.
- Acho que estou meio magoada.
- Ahh não fique, pelo menos ela te trocou por uma ótima pessoa – Riu e revirou os olhos – Já que não há possibilidades de eu ver como a comida está, acho que você vai ter que fazer isso por mim.
- Sem problemas – Enquanto olhava a carne no forno, pegou uma garrafa de vinho que estava sobre o balcão já aberta, despejou o conteúdo em duas taças e pegou uma taça entregando para assim que ela se aproximou.
- Obrigada – Sorriu e acariciou as costas de Alexia que fechava os olhos, mas volta e meia voltava a abri-los lutando contra o sono. sabia quem venceria essa batalha.
- Não é melhor dar o jantar para Lex? Acho que ela não vai aguentar por muito tempo.
- Ela estava meio manhosa hoje, então a amamentei antes de sair.
- Vou colocá-la no quarto então, assim ela fica mais confortável – assentiu e seguiu até o andar de cima, no corredor havia quatro portas, todas fechadas. O abriu a primeira porta do lado direito do corredor e observou o quarto que era composto por uma cama de casal, um armário, dois criados-mudos e uma mesinha com algumas coisas em cima. aproximou-se da cama depositando Lex com cuidado sobre ela, pegou uma manta que ficava ao pé da cama e cobriu a garotinha colocando o ursinho ao seu lado. Virou-se e notou encostada no batente da porta com um sorriso terno emoldurando seu delicado rosto, sorriu meio sem jeito e saiu do quarto deixando a porta encostada. Voltaram para o primeiro andar e entraram na cozinha, o foi diretamente para o forno e notou que a carne estava quase pronta. Colocou em cima da mesa já posta uma travessa de salada e outra de legumes deixando um espaço para a travessa de carne.
- Você é tão cuidadoso com ela.
- Com quem? – se virou e olhou para .
- Lex.
- Ela parece uma bonequinha – Sorriu e viu seu sorriso refletido no rosto da mulher.
- Ahh sim, com certeza parece.
- Ela está com quantos meses?
- Está prestes a fazer nove. Minha pequena está crescendo tão rápido.
- Os filhos têm esse defeito, não podemos piscar que eles já estão enormes e correndo pra lá e pra cá – lembrou-se do filho de , sentiu vontade de perguntar sobre ele, mas mordeu o lábio tentando conter-se – Bem, o jantar está servido – Colocou a travessa com a carne sobre a mesa e puxou uma cadeira para que se sentasse, ela agradeceu e ele também sentou-se logo em seguida - Bon appétit.
O jantar transcorreu calmamente, assuntos aleatórios eram ditos a todo instante o que achava muito bom porque não queria que um silêncio recaísse sobre eles, ela se sentiria desconfortável se isso acontecesse. O jantar estava maravilhoso, ela já havia experimentado a comida de algumas vezes, mas nunca se acostumaria com o gosto incrível que ela possuía. Estavam quase acabando a sobremesa quando entraram no assunto que tanto queria, mas que sabia que era altamente delicado para .
- Essa era a sobremesa preferida de Missy, ela me obrigava a fazê-la todo fim de semana e depois me culpava dizendo que estava virando uma bola – Ele balançou a cabeça em negação e sorriu de lado – Mas mesmo assim não deixava de comê-la. Mike também gostava, mas a mãe não permitia que ele comesse muito doce e ele ficava bem chateado com isso.
- Como o acidente aconteceu? – perguntou um pouco receosa e viu suspirar.
- Missy havia descoberto que estava grávida novamente, ficamos radiantes, sempre quisemos ter uma família grande, então saímos para comemorar, Mike escolheu uma ótima lanchonete na cidade vizinha onde serviam um sorvete tamanho família. Lembro que Missy e Mike estavam felizes, realmente felizes e então quando deu meia noite resolvemos ir embora. Mike estava dormindo no banco de trás e eu e Missy estávamos conversando, pensando em alguns nomes para o bebê. A pista estava escorregadia e vimos um caminhão se aproximar, o motorista possivelmente dormiu ao volante e invadiu a pista que estávamos, eu tentei desviar, mas... – O homem suspirou novamente e notou que seus olhos estavam molhados, segurou na mão dele que estava sobre a mesa e a acariciou tentando passar algum conforto – Acabei batendo no caminhão e logo em seguida o carro capotou. Passei três meses em coma e Missy e Mike não sobreviveram, eu perdi totalmente meu chão quando soube, entrei em desespero, eu não sabia mais o que era uma vida sem eles, mas eu estou tentado sabe, é difícil, muito difícil, mas juro que estou tentando seguir em frente. Todos os dias me levanto e peço forças para encarar ele, forças para não desistir...
- Eu nem consigo imaginar o tamanho da sua dor, mas sei que você é forte para enfrentá-la, tudo bem senti-la, isso não é errado, mas ela nunca pode ser maior que você – O sorriu fraco e enxugou o canto dos olhos com a mão livre.
- Obrigado , fico feliz por você estar aqui – Acariciou a mão dela e a viu sorrir meio envergonhada desviando o olhar – E você? Nem uma história triste? – Perguntou em um tom meio brincalhão. Mal sabia quanta seriedade havia por ali.
- Nenhuma que vale à pena falar.
- E seus pais? Você nunca comentou sobre eles.
- Hãn... Podemos deixar essa conversa para o próximo jantar?
- Claro, você já vai embora?
- Acho que aceito mais uma taça de vinho – sorriu e levantou-se juntamente com , encheram suas taças e foram para a sala.
A mulher notou que por ali não havia nenhuma foto do filho ou da mulher de , talvez ele tenha tirado para que as coisas fossem mais fáceis.
- E como está a vida na cabana barra casa? – O perguntou ao sentar-se no sofá e puxar pela mão.
- Melhor impossível, aquilo é o paraíso.
- Ahh também não exagera.
- É sério, eu me contendo com pouco, não sei bem desfrutar do muito – Deu de ombros e levou a taça até a boca sorvendo um pouco do vinho. Notou que a encarava e o olhou sentindo um frio na barriga ao observar os olhos avelãs do homem, tão brilhantes e intensos. Viu que os olhos dele caíram para seus lábios e inconscientemente passou a língua pelo inferior molhando-o.
Ahh meu Deus, o que ela faria numa situação daquelas? Ele queria beijá-la? Iria fazer isso? nunca havia passado por uma situação como aquela, beijou pela primeira vez aos 13 anos, ainda no orfanato, depois ainda aos 13 beijou outro garoto que era seu melhor amigo e então depois veio e ele apenas a olhou se aproximou e beijou, simples assim, nunca realmente chegaram a flertar, ele nunca passou tempo demais olhando para seus lábios ou seus olhos dando a entender o que faria. A mulher voltou a tomar um pouco do vinho e voltou a olhar em seus olhos repetindo o ato.
- Eu... Acho que vou indo, está meio tarde.
- Eu te levo, e nem adianta retrucar – A mulher balançou a cabeça em negação e levantou-se junto com . Subiram para o segundo andar e pegou Lex com cuidado para que ela não acordasse, o homem pegou a bolsa da criança e eles desceram saindo da casa e entrando no carro logo em seguida.
A estrada estava deserta e agradeceu por ter se oferecido para levá-la, não se sentia muito confortável andando sozinha e ainda por cima quase na madrugada, podia não ter muito medo, mas mesmo assim... O estacionou na frente da peque casa de madeira e saiu do carro abrindo a porta para e recebendo um agradecimento. A acompanhou até a porta da casa e lhe entrou a bolsa de Lex.
- Obrigada pelo jantar, estava maravilhoso.
- Obrigado você pela companhia – Ele se aproximou dela e a mulher prendeu a respiração, mas para seu alivio – ou não – ele apenas depositou um beijo em sua testa – Tenha uma boa noite.
- Você também – Sorriu e entrou na casa.
Colocou Lex com cuidado sobre a cama e lhe cobriu, trocou a roupa que usava por um vestido leve e velho e foi até o banheiro, aliviou-se, escovou os dentes e voltou para o quarto. Enfiou-se de baixo dos lençóis e abraçou sua pequena depositando um beijo delicado no topo de sua cabeça, fechou os olhos e relembrou do jantar, das conversas, da mão de contra a dela, de seus lábios contra seu rosto... Pegou-se sorrindo e policiou-se por isso, ela não deveria pensar nessas coisas, não havia possibilidade nenhuma de algo acontecer entre os dois e os motivos eram vários. Ela tinha medo de se relacionar com um homem novamente e viver todo aquele inferno de novo. não havia superado a morte de sua mulher. estava mentindo para ele sobre sua vida. Ele é seu chefe. Ele é 12 anos mais velho que ela, nunca que a olharia com outros sonhos sendo que pode encontrar mulheres muito mais experientes e sem nenhuma cicatriz emocional. A mulher mordeu o lábio inferior, havia realmente á destruído, costumava ser mais esperançosa, via sempre o lado bom das coisas, mas á muito tempo para ela o lado esperançoso não mais existia e se existia ele era pouco. Mas ela pretendia o reerguer, ela estava vivendo uma nova vida e para aquela vida ela pretendia ter muitas esperanças.
A mulher comia compulsivamente um pote de sorvete de abacaxi, não sabia da onde vinha tanta vontade, no dia anterior ela havia praticamente comido uma travessa de lasanha inteira e depois correu para o banheiro colocando tudo pelo vaso. E agora com o sorvete quase no final, ela sentiu seu estomago embrulhar, largou o pote de qualquer jeito e correu para o banheiro ajoelhando-se na frente do vaso e vomitando. Assim que percebeu que mais nada sairia, deu descarga e lavou a boca, escorregou as costas pela parede e sentou-se no chão frio.
- Não, não, não, não, por favor, não – Colocou a mão sobre a boca enquanto as primeiras lágrimas caiam silenciosamente – Tudo menos isso, por favor, por favo, não!
Era tudo culpa dele, sempre a culpa era dele, daquele monstro que estava acabando com ela um dia após o outro e agora, aquilo... Ele colocaria a culpa nela, mas a culpa era toda dele, somente dele, se ele a estivesse escutado, não estaria naquela situação. Ela não fingiria que aquilo não estava acontecendo, ela estava sim grávida, esperando um bebê que ela de jeito nenhum queria, esperando o pedaço de um monstro.
- Desgraçado – Sussurrou enquanto uma lágrima solitária desprendia-se de seu olho direito e escorria por seu rosto até perder-se pelo chão frio tornando-se algo insignificante.



Capítulo 5


Como todas as manhãs, acordou, preparou o café da manhã, deu banho em Alexia, depois tomou seu próprio banho, tomou seu café junto da filha, pegou a bolsa da criança e saiu da casa rumo ao restaurante. O inverno aos poucos se aproximava, por isso um vento frio constantemente “abraçava” fazendo-a tremer pela falta de um casaco mais grosso. Ela tinha mesmo que ir comprar roupas o quanto antes.
Chegou ao restaurante vendo o pouco movimento da manhã e sorriu ao notar conversando com algum cliente. Lex também notou o e agitou-se nos braços da mãe querendo aproximar-se do rapaz. Por sorte pareceu notar a presença de e se despediu do homem com quem conversava aproximando-se da mulher logo em seguida.
- Hey, bom dia – Não conseguiu esconder o sorriso que apossou-se de seus lábios. Às vezes sentia-se tão patético.
- Bom dia – Lex resmungou e estendeu um braço na direção de enquanto o outro segurava seu inseparável ursinho marrom claro. Para a alegria da menina o homem a pegou e depositou um beijo em sua bochecha gordinha – O que é que você fez para minha filha gostar tanto de você?
- Você sabe que eu sou amável, não preciso fazer nada – Disse em uma postura convencida e riu.
- Será que você pode ficar com ela por enquanto que me troco? Falta um tempinho ainda para Mila chegar.
- Claro, sem problemas – agradeceu e foi em direção ao vestiário, trocou de roupa sem demora e voltou a se aproximar de que estava sentado em uma cadeira dando vida ao ursinho de Lex que estava sentada em cima da mesa e batia palmas enquanto ria. Foi impossível para controlar o sorriso, os dois se davam tão bem que realmente pareciam pai e filha. A mulher achava que Lex sentia falta de uma presença paterna por isso apegou-se tanto á , nunca dera bola para a filha, para ele era como se a criança nem existisse e quando resolvia notá-la, era só para reclamar da garotinha ou tratá-la mal.
suspirou, seus sentimentos estavam tão embaralhados, se sentia confusa, mas não queria de forma alguma separar Lex de , mas Lex estando tão perto do homem eventualmente também estaria e ai ela sabia o que poderia surgir ali. Ultimamente ela estava cogitando muito essa possibilidade e se assustava bastante quando seus pensamentos tomavam tal rumo. Observou Alexia estendendo os braços para e logo depois depositando um beijo na ponta do nariz dele fazendo-o rir. também sorriu e se perguntou por que não havia conhecido antes, talvez as coisas tivessem sido bem diferentes.
Okay, cedo ou tarde ela teria que fazer aquilo, e daí que ele se enfureceria? Dane-se, ele era o maior culpado daquela situação toda e ela não enfrentaria aquilo sozinha. Entrou na sala onde o homem estava, sentado sobre o sofá com uma garrafa de cerveja em mãos e assistindo á um jogo de futebol.
- ? – Ele a olhou e sorriu.
- Oi meu amor.
- Eu tenho algo muito sério para falar.
- Você vai me deixar? – O sorriso do homem morreu e seu corpo enrijeceu.
- Não – suspirou – Eu estou grávida – O homem tossiu.
- Como?
- Grávida , grávida, tem um bebê dentro de mim!
- Como isso aconteceu?! – Levantou-se esquecendo-se completamente de sua cerveja.
- Eu tentei te avisar sobre a camisinha, , eu tentei! Mas você não me ouviu.
- Mas você toma remédio!
- Não tomo mais. Eu falei pra você que o remédio me fazia mal e então parei e eu te disse para usar camisinha.
- Você vai tirar essa coisa – Disse naturalmente.
- O que?!
- Não vamos ter isso , você vai tirar.
- , eu não posso fazer isso – Disse assustada.
- Claro que pode! – Elevou a voz – Eu não quero uma criança berrando no pé do meu ouvido, meu amor, filho pra mim é a pior coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa!
- Se eu tirar vamos ter que ir a uma dessas clinicas clandestinas, e eu corro risco de morrer! Eles não ligam para a saúde da mulher, só querem saber do dinheiro, você viu o tanto de mulheres que o jornal anunciou que morreram por conta de abortos ilegais. Você quer que eu morra, ? – A mulher mudou seu tom de voz para um mais manso.
- Não – Suspirou – Então só o que nos resta fazer é esperar isso nascer e largar em algum lugar – assentiu, mas não tinha tanta certeza. Ela definitivamente não esperava ficar grávida de , ela queria sumir dali e um bebê atrapalharia tudo, fora que ela não queria olhar para o bebê e se lembrar de , sentiria raiva e só Deus sabe o que ela poderia fazer. Mas ela não queria que um pedaço seu tivesse um futuro inserto, que assim como ela, crescesse em um orfanato. Não que ela não tenha sido feliz, mas sabia que se tivesse tido uma família de verdade, teria sido ainda mais feliz e sua vida não seria aquela que vivia atualmente. E o lema começou, ficar com o bebê ou dá-lo para a adoção?

- ?! – A mulher deu um pequeno pulo ao ouvir a chamar, ela riu e puxou para uma das mesas vazias – Como foi o jantar com o ?
- Você não perguntou pra ele?
- Ele está chato – Fez careta – Nem me deu bola.
- O jantar foi legal – Deu de ombros.
- Vocês se beijaram?
- Não!
- Ahhh – murchou – Mas por quê?
- Porque não, – Revirou os olhos.
- Vocês são mesmo uns babacões, lindos, gostosos e solteiros, podendo muito bem usufruir disso e juntar o útil ao agradável e ficam ai se fingindo de difícil – riu.
- É impressão minha ou você está tentando formar um casal aqui?
- Talvez – Sorriu marota – Vocês combinam, são fofos juntos.
- Ele é meu chefe, .
- Mas continua sendo homem.
- E é 12 anos mais velho.
- Qual o problema de vocês com a idade? Você é de maior, não haverá pratica de pedofilia – voltou a rir.
- Você é impossível.
- Me falam isso o tempo todo – Revirou os olhos – Jura que não aconteceu nem um beijo?
- Nenhum.
- Nenhum climinha?
- Talvez – soltou um gritinho esganiçado chamando a atenção de alguns clientes – Ai meu Deus! Para com isso e eu nem devia estar sentada conversando com você, desse jeito vou ser demitida.
- Ahh deixa disso, você já é da família – Abanou o ar e riu ao ver com uma sobrancelha arqueada – Fiquei sabendo que terá uma próxima vez.
- Terá.
- E quando vai ser?
- Não sei.
- Quinta-feira é feriado, acho que seria uma boa.
- Talvez seja, vou pensar sobre isso e agora vou voltar ao trabalho – levantou-se.
- Sua chata – A mulher revirou os olhos e riu enquanto aproximava-se de uma mesa para atender um cliente.
respirou contente por mais um dia de trabalho ter chegado ao fim, saiu do vestiário e ao sair do restaurante acabou trombando fortemente com . O homem segurou em sua cintura para equilibrá-la e franziu o cenho olhando-a.
- Está tudo bem?
- Claro, vou sobreviver – Sorriu.
- Isso foi meio doloroso – Fez careta.
- Pode apostar – Riu – Hey, eu estava pensando. Que tal um jantar na quinta-feira? É feriado.
- Eu poderia aceitar, mas tive uma ideia melhor. Poderíamos ir á praia, faz um bom tempo que não tenho um dia de descanso e diversão. Poderíamos deixar o jantar para o fim de semana ou então semana que vez.
- Por mim tudo bem – Que fosse para o inferno as consequências, quis aceitar e daquela vez não pensou duas vezes.
- Fechado então, eu passo para pegar vocês.
- Não seria mais inteligente eu vim pra cá? A praia fica quase aqui ao lado.
- Tem um pedaço dela que fica atrás da mata e é extraordinário, gostaria de levar você e Lex lá para mostrar a beleza de Southport.
- Então tudo bem – Piscou – Tenho que ir pegar Lex.
- Okay – A mulher se despediu e a observou se afastar. Um pano fora passado em sua boca e ele olhou rapidamente para o lado deparando-se com .
- Tinha um pouquinho de baba escorrendo – Ele revirou os olhos e deu um leve empurrãozinho na mulher que gargalhou.
- Vocês são tão bonitinhos! – Disse animada – Parece um casal de adolescentes.
- Ela faz com que eu me sinta um.
- Awnn! – pendurou-se no pescoço de e ele gargalhou.
- Não sei o que você faz para eu soltar essas coisas tão facilmente.
- Eu tenho poderemos ocultos sobre as pessoas – Piscou e o revirou os olhos.
- Vai trabalhar vai ô grande bruxa de Southport – A mulher beliscou levemente o braço do cunhado entrando no restaurante logo em seguida.
XxxxX

- Hey minha bonequinha! – Alexia agitou-se nos braços de Mila sorrindo amplamente para que estava parada na porta de , ela geralmente não entrava para pegar a filha, Mila que sempre a levava para a mulher. pegou a criança nos braços e depositou alguns beijos na bochecha da garotinha fazendo-a gargalhar – Obrigada Mila, até amanhã – Depositou um beijo na testa da menina e antes que se afastasse, Mila a chamou.
- Meu tio mandou te entregar algo. Espere um instante – Ela entrou na casa e um minuto depois voltou com um carrinho de bebê.
- Eu não acredito que ele comprou isso.
- Na verdade, parece que esse carrinho era do Mike, meu tio o achou abandonado na garagem viu se ele estava em boas condições e o lavou – Deu de ombros.
- Ele não tem jeito – balançou a cabeça em negação.
- E ele disse que se você não aceitar é para eu te jogar dentro desse carrinho e levar você até sua casa – A garota gargalhou e a acompanhou.
- Tudo bem, eu fico, Lex está mesmo ficando pesadinha – Colocou a bebê no carrinho que estranhou um pouco, mas não chorou – Diga para seu tio que eu só não brigo com ele porque esse carrinho não foi comprado agora.
- Tudo bem.
- Até amanhã – A mulher sorriu e tomou o caminho de casa.
estava no centro da cidade, afinal, ela iria á praia e não tinha um biquíni se quer. Entrou em uma loja que só vendia mesmo roupas de banho e não custou a escolher um biquíni. A calcinha era roxa e a parte de cima - que era tomara que caia - mesclava-se entre o roxo e o azul turquesa. Escolheu um maiô também azul turquesa com bolinhas rosa claro para Lex, a peça possuía alcinhas que cruzavam-se nas costas e mal via a hora de ver a filha dentro dele, com certeza ficaria uma coisa bem mordível. Escolheu também uma saída de praia na cor branca e uma bolsa de palha, isso é, sem gastar muito. Passou na farmácia e comprou dois protetores solar, um para ela e outro com o fator maior para Alexia já que pele de bebê é sensível demais. Resolveu passar em um mercado e comprar algumas guloseimas que ela realmente estava necessitando, depois das compras foi para casa e agradecia imensamente pelo carrinho de bebê que havia lhe dado, se não fosse por ele com certeza não chegaria viva em casa. Dramática.
A quinta-feira não tardou a chegar e de repente sentia-se nervosa, como se fosse uma adolescente e estivesse prestes a ter seu primeiro encontro. Patético, ela sabia, afinal, aquilo não era propriamente um encontro, ela e só iriam a praia e pronto. Tomou seu café da manhã enquanto tentava alimentar Lex sem fazer bagunça, logo depois vestiu seu biquíni e colocou por cima a saída de praia que era um vestido simples. Colocou uma fralda limpa em Lex e por cima o maiô que havia comprado não contendo o sorriso bobo e muito menos a vontade de apertar a filha até ela resmungar. olhou-se no espelho e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, soltou e prendeu em um coque, se olhou, entortou a boca e soltou o coque jogando os cabelos sobre o ombro esquerdo. Olhou-se de lado e depois de frente entortando um pouco a cabeça, riu pelo nariz e balançou a cabeça em negação sentindo-se uma boba. Aproximou-se de Alexia que estava sentada no meio da cama olhando para com seus grandes olhos claros. A mulher pegou a filha no colo e sorriu.
- O que foi meu amor?
- Mama arregalou os olhos, era a primeira vez que Lex falava aquela palavra, ela sempre balbuciava coisas sem sentido e sempre falava com a filha no intuito dela aprender alguma coisa, mas Lex nunca falava nada com lógica, bem, até aquele momento. A mulher sentiu seus olhos arderem e sorriu de orelha á orelha enquanto erguia a filha e a abraçava apertado.
Aquela garotinha com toda a certeza do mundo fora a melhor coisa que aconteceu na vida de , era como se ela se sentisse vazia todo o tempo, então Lex nasceu e trouxe luz para sua constante escuridão. Ela não sabia descrever a alegria que sentiu quando Alexia veio ao mundo, doía, doía muito e então ela ouviu aquele chorinho agudo e alto e toda a dor sumiu, o cansaço se dissipou e tudo o que ela via era aquele serzinho tão puro e coberto ainda por seu sangue. E só de pensar que ela cogitou a possibilidade de se livrar de sua felicidade em forma de gente, ela sentia-se um monstro.
Sua barriga estava cada vez mais crescida, e ela comia, meu Deus, comia como um elefante, nunca antes havia sentido tanta fome, e tanto sono, e tanta vontade de espancar alguém até a pessoa pedir por misericórdia, e tanta vontade de chorar... olhou-se no espelho, apenas de lingerie e passou a mão sobre a barriga, do topo até em baixo, ficou de lado e entortou a cabeça.
- Meu Deus, você está ficando enorme – Ela olhou para e o viu balançar a cabeça em negação.
- Você queria o que? – Revirou os olhos discretamente. O bom daquilo tudo era que não a tocava mais, quer dizer, ainda a beijava, mas não passava daquilo e achava ótimo. Ele dizia que mulheres grávidas não são atraentes, não dão tesão, achava ao contrário. Toda vez que se olhava no espelho achava sua pele mais limpa, seus olhos mais brilhosos, seus seios cada vez maiores...
- Podemos largar isso no orfanato onde você viveu, ou deixar pelo hospital mesmo.
A mulher sentia raiva quando referia-se ao bebê como “isso”, ou “coisa”, ele não mostrava se quer um toque de carinho, compaixão, nada e isso só comprovava o monstro que ele era, aquele olhar frio, suas atitudes... Como ela nunca havia percebido aquilo enquanto eles namoravam? Ela apenas assentiu porque não queria discutir e saiu do quarto. Voltou a se olhar no espelho e suspirou e então sentiu algo contra sua barriga, ofegou e levou sua mão até o centro dela sentindo bebê chutar, e chutar outra vez, e outra vez. A mulher sorriu e então sentiu seus olhos arderem e não acreditava que iria chorar, céus, seus hormônios estavam impossíveis! Riu levemente enquanto passava a mão pelos olhos e acariciou a barriga. E então de repente sentiu-se tão ruim quanto , ela pensava mesmo em se livrar de uma coisa pequenininha que estava ali, vivendo com ela e depois seria tão inocente e dependente de tudo? Um serzinho que não tinha culpa de nada do que estava acontecendo?
Não, ela não teria mais aquela coragem.

ouviu uma buzina e levantou-se com Lex no colo, pegou a bolsa e saiu da casa certificando-se de que havia trancado bem a porta. saiu do carro e aproximou-se de , depositou um beijo suave na bochecha da mulher que ficou levemente corada e depois pegou a bebê no colo e ergueu a garotinha que sorriu radiante enquanto tentava tocar seu rosto.
- Veja só quem está parecendo uma boneca.
- Ela está linda – sorriu bobamente enquanto olhava para a filha que brincava com os cabelos de .
Aproximaram-se do carro e a mulher entrou no veiculo recebendo Lex em seus braços, o homem deu a volta e entrou no lado do motorista dando a partida logo sem seguida. Não tardaram em chegar, olhava admirada para o lugar, a vegetação mesclava-se com a praia e a água era quase cristalina. Ela via poucas pessoas ao longe, algumas paradas, outras andando a beira mar. fincou um grande guarda sol na areia e o abriu, estendeu uma toalha verde musgo e colocou em cima uma cesta e uma caixa térmica, voltou até o carro e pegou duas cadeiras colocando também sobre o grande pano. sentou-se em uma das cadeiras e tirou o short que havia vestido em Lex, pegou o protetor de fator maior e passou cuidadosamente por toda a pelo da criança. Viu pelo canto dos olhos quando retirou a camisa e o observou cuidadosamente enquanto ele passava o protetor solar sobre o peitoral, abdômen e braços. Ela mordeu o lábio inferior com força e suspirou, como uma garotinha adolescente suspira ao ver seu ídolo sem camisa, mas ela poderia fazer o que afinal? A culpa era toda dele, por que ele tinha que ser lindo daquele jeito? E ter um corpo tão estupidamente perfeito?
- Hey , quer ir pra água? – Ela sentiu suas bochechas corarem. Merda, e se ele tivesse pego-a no flagra?
- Não, eu... Vou ficar mais um tempinho aqui.
- Posso levar a Lex?
- Claro, ela vai adorar, nunca esteve no mar – Tirou a fralda que havia colocado na criança e a entregou para . A mulher observou os dois se afastarem e tirou o vestido, olhou discretamente para seu corpo e mordiscou o lábio inferior sentindo-se insegura. Bufou e começou a passar o protetor em seu corpo.
observava e Lex se divertirem ainda na água, a garotinha gritava quando uma onda vinha e a colocava na frente da onda fazendo-a acertá-la e ela gargalhava, gargalhava como se aquilo fosse a coisa mais divertida do mundo e claro que sua mãe boba sorria junto. tratava a garotinha com todo o cuidado do mundo, tomando cuidado para que a água salgada não entrasse em contato com seus olhos e boca. resolveu que era hora de se juntar a eles e levantou-se, mandou sua insegurança sobre seu corpo dar um passeio e caminhou lentamente até estar ao lado de .
- Veja só quem resolveu se juntar a nós, Lex – A mulher rolou os olhos teatralmente e jogou um pouco de água na barriga de . Alexia estendeu os bracinhos para que a mãe a pegasse e assim a mulher o fez depositando um beijo carinhoso na pontinha do nariz dela – Ahhh, agora já sei da onde veio essa mania dela de beijar a ponta do nariz – Lu riu.
- Faço isso desde que ela era um bebezinho e ela sempre devolve – O homem sorriu de lado quando viu a criança beijar também a ponta do nariz da mãe.
- Vocês cultivam um amor tão lindo, isso é bem notável.
- Ela é tudo que eu tenho – Sorriu carinhosamente para a filha.
- Você não tem família?
- Bom – Pigarreou – Perdi meus pais há algum tempo.
- Sinto muito.
- Tudo bem, Lex me trouxe alegria de novo. E então, não quero ser chata nem nada, mas estou com fome – riu.
- Tudo bem, vamos lá comer porque eu também estou – O homem sentiu vontade de passar o braço pela cintura de , mas conteve-se, não queria assustá-la, queria ir de vagar, deixar as coisas fluírem naturalmente e receber os resultados com o tempo.

Capítulo 6


- Suas costas estão vermelhas – disse ao observar as costas de e perceber a tonalidade da pele diferente.
- Não consegui passar o protetor.
- Eu passo pra você, antes que piore. – A mulher pegou o protetor que havia comprado na farmácia e posicionou-se de joelhos atrás do homem. Espremeu uma quantidade razoável do produto branco em sua mão e logo em seguida levou até as costas dele.
Alexia estava sentada no meio das pernas de e brincava com o laço que contornava o pescoço de seu inseparável ursinho marrom. Ela fazia barulhinhos com a boca e dizia palavras desconexas. Então ela soltava um “mamã” e olhava para querendo sua atenção e assim que a mulher lhe dava, a garotinha sorria, piscava os olhos claros de longos cílios e voltava sua atenção para o ursinho. Claro que sua mãe sorria bobamente e deixava escapar um risinho ou outro.
passava minuciosamente o protetor em toda a extensão das costas do moreno reparando em algumas sardas espalhadas por seus ombros. Mordeu minimamente o lábio inferior ao tocar as covinhas que ele possuía nas costas: sempre achara covinhas nas costas um charme e já não bastava ser atraente daquele jeito, ele ainda tinha que ter aquelas belezuras...
Santa injustiça.
Ela demorou mais que o normal para passar o protetor, suas mãos simplesmente não queriam parar de tocar aquela pele maravilhosa, tão morna e macia que fazia seus dedos formigarem.
Droga de homem atraente!
- Prontinho. – Afastou-se antes que cometesse alguma gafe e limpou as mãos na toalha. O homem lhe agradeceu com um sorriso e logo em seguida voltou sua atenção para Lex que lhe cutucava e apontava para o mar.
- Acho que Lex quer voltar para a água. Você vem? – assentiu e eles levantaram. correu até o mar enquanto Lex soltava altas gargalhadas. Ele colocou a menina na água e ela balançava os pés em euforia enquanto jogava água em sua barriga. Divertiram-se algum tempo daquela forma, mas logo estavam de volta á proteção da sombra do guarda-sol.
Algumas horas haviam se passado, o sol já não estava tão forte e dava indícios de que logo iria se por. estava deitado sobre a toalha, seu braço direito estava atrás de sua cabeça, suas pernas encontravam-se cruzadas e ele usava um óculo escuro para proteger seus olhos do fraco sol. Lex cochilava tranquilamente deitada sobre sua barriga enquanto o homem acariciava as costas da garotinha levemente velando seu sono. estava sentada sobre uma cadeira baixa e lia um livro que havia encontrado na cabana. Vez ou outra olhava para a cena que acontecia ao seu lado e pegava-se sorrindo bobamente. era maravilhoso. Quando o destino resolveu levar até aquela pequena cidade, ela nunca imaginou que conheceria um homem tão perfeito, tão único, ele era aquilo que toda mulher deseja, não é somente aparência é um conjunto de coisas maravilhosas também guardadas dentro de si. E mais uma vez ela se perguntava o porquê de não ter conhecido aquele homem antes. Sua vida teria sido tão mais fácil, tão melhor. Mas tudo é como é mesmo se eles se conhecessem antes, certamente nada aconteceria já que era casado e amava a mulher mais que a própria vida. E também tinha Lex, o seu tesourinho, apesar dos apesares a garotinha foi a coisa mais certa que já aconteceu na vida de , ela foi sua luz no fim do túnel, foi sua salvação.
estava sentada nos degraus da porta dos fundos de sua casa, admirava o jardim florido enquanto acariciava sua grande barriga, sorriu quando sentiu seu bebê chutar e suspirou.
- Hey. – A mulher olhou rapidamente para o lado e deparou-se com outra mulher a olhando. Ela aparentava ter no máximo quarenta anos, era morena e possuía grandes olhos chamativos. – Nunca vi você por aqui; até pensava que ninguém morava nessa casa.
- É que eu não costumo sair muito.
- Agora posso imaginar o motivo. – A mulher olhou para a sua barriga e sorriu. – Eu me mudei a pouco tempo, me chamo Maya.
- Prazer, .
- Então, , qual o sexo do seu bebe?
- Menina. – Sorriu amplamente. consultava-se sempre com um médico para saber o andamento da gravidez. Martin não gostava muito daquilo, ainda mais pelo médico ser homem, mas até ele sabia que aquele acompanhamento era necessário. Então, em uma das consultas, descobriu que estava á espera de uma menininha e já havia escolhido seu nome. Alexia, que significava “ajudadora” e era exatamente isso que a garotinha ia fazer, ela ia ajudar , ia lhe da esperança, porque ela já havia decidido que ficaria com aquela grotinha custe o que custar.
- E qual o nome?
- Alexia.
- Muito bonito. Você está com quantos meses?
- Seis.
- Pelo visto a garotinha vai ser grande.
-E forte. – Retomou a caricia na barriga ao sentir outro chute.
- Seu marido deve estar um babão. – O sorriso de vacilou e ela pigarreou tentando não deixar nada em evidência.
- Ele é bem durão. – ouviu o barulho da porta da frente e desesperou-se. Levantou-se rapidamente e olhou para Maya. – Preciso entrar, foi bom conhecer você. – entrou na casa e fechou a porta sem ao menos esperar resposta da mulher, aproximou-se do forno e tirou a carne do mesmo colocando sobre a mesa logo em seguida.
- Boa noite, amor. – O homem entrou na cozinha e aproximou-se de , segurou a lateral de sua barriga e aproximou seu rosto do dela lhe dando um beijo. Logo em seguida bufou e afastou-se. – Mal vejo a hora dessa coisa nascer. – Sentou-se na cadeira e olhou para . – Anda, coloca minha comida.
Naquele dia havia programado uma conversa com Martin. Ela o convenceria a deixá-la ficar com seu bebê, sabia que não seria nada fácil e temia seriamente a reação do homem, mas ela não se via sem aquele pequeno serzinho que estava gerando. Ela vinha agradando Martin mais que o normal, fazia suas sobremesas preferidas, deixava tudo arrumado e cheiroso, massageava seus pés calejados, lhe elogiava, lhe agradava... Era horrível fazer todas aquelas coisas, ela se sentia péssima, mas esperava que valesse á pena.
Colocou sua comida perfeitamente e lhe serviu um copo de suco, então se sentou e serviu um prato para si. Comeram em silêncio porque Martin não gostava de conversar durante as refeições, logo depois serviu a sobremesa pegando uma generosa quantidade para si - porque ultimamente estava fanática por doces – e logo depois colocou um pouco para Martin. Assim que terminaram, o homem saiu da cozinha e ela começou a lavar a louça. Depois de tudo estar lavado, secado e guardado, a mulher apagou a luz da cozinha e foi em direção a sala ligando a televisão e sentando-se no sofá. Logo em seguida Martin apareceu de banho tomado e acomodou-se ao lado de sua mulher prestando atenção no noticiário. Aquele era o momento, teria que convencer Martin a permitir ficar com sua criança, se ele não deixasse, faria uma loucura, mas sua bebê ela teria em seus braços.
- Você quer ir embora? – assustou-se com a voz de , ela pigarreou e balançou a cabeça em negação.
- Aqui está tão gostoso, e eu quero ver o pôr-do-sol. Amo o pôr-do-sol dessa cidade. – sorriu.
- É realmente incrível. – Lex começou a mexer-se e abriu os olhos preguiçosamente, voltou a fechá-los e logo depois voltou a abri-los. sobressaltou-se e sentou-se rapidamente.
- O que foi? – franziu o cenho. O homem afastou Alexia e mostrou sua barriga que estava molhada. gargalhou sonoramente contorcendo-se na cadeira, então parou para admirar a cena. Meu Deus, aquela mulher é realmente fantástica, linda ao extremo, incrível. – Esqueci-me de colocar a frauda nela, desculpa – disse ainda rindo.
A mulher levantou-se da cadeira e sentou-se sobre a toalha, pegou Alexia do colo de e deitou a garotinha – que já estava totalmente acordada – sobre a toalha. Retirou o maiô dela e lhe colocou uma frauda tentando conter o sorriso perante a cena de limpando a barriga.
- Nunca pensei que você fosse fazer isso comigo Lex, nunca pensei. Logo eu que faço todas as suas vontades. – riu enquanto tentava conter a mão da filha que puxava a parte de cima de seu biquíni.
A mulher entregou um pedaço de maçã para Lex, mas a garotinha recusou assim como aconteceu também com o suco de laranja. Ela fez bico e voltou a puxar o biquíni de .
- Calma, meu amor. - Ajeitou a filha no colo e olhou para o outro lado para dar mais privacidade. Voltou a olhar quando viu que havia colocado um pano sobre a bochecha de Lex e seu seio esquerdo.
O por do sol já havia dado suas caras e o casal admirou seu encanto enquanto uma brisa gostosa acalentava seus corpos. sentiu vontade de abraçar , de tomar ela e Lex para si, de acalentá-las, lhes dar amor, mas mais uma vez ele teve que se conter, mas tudo bem, porque ele tinha toda a paciência do mundo. Assim que o sol sumiu no horizonte, juntou as coisas e levou para o carro juntamente com , logo depois entraram no mesmo e o homem deu á partida.

~*~


Após certificar-se que Lex estava dormindo, encaminhou-se até o banheiro. Já fazia algum tempo que havia as deixado ali, então ela deu banho em Lex, a alimentou e colocou a garotinha para dormir. A mulher despiu-se e entrou de baixo da água morna deixando-a lavar as impurezas de seu corpo. lavou os cabelos e tirou a espuma provocada pelo sabonete de seu corpo, fechou os olhos aproveitando a água e relembrou do dia maravilhoso que teve. se despediu dela com um gostoso beijo na bochecha, ela sentiu seu coração acelerar como de uma pré-adolescente e suas pernas de repente viraram gelatina. Riu e balançou a cabeça em negação. Como ela era boba.
Naquele mesmo instante, em outra casa da pequena Southport, um viúvo havia acabado de se deitar e um sorriso teimoso tomava conta de seus lábios. Meu Deus, o que era que aquela mulher estava fazendo com ele? nunca havia se interessado por mulheres mais jovens, elas nunca o atraiu, mas com aquela coisa de idade não existia, apesar de ele ter relutado um pouco por conta daquilo no começo. Agora, ele percebia que estava querendo apenas dar uma desculpa á si mesmo para não se aproximar dela. Ele era um grande tolo. O moreno esticou o braço e pegou a foto que estava sobre o criado mudo, olhou para a foto de Missy admirando o lindo sorriso que ela possuía. Um sorriso que chegava aos seus olhos. Naquele momento percebeu que a saudade ainda estava ali, intensa, mas que a dor já não era a mesma, já não doía tanto. Ele lembrava-se de Missy com carinho e ele sempre lembraria, ela era tão bondosa, tão gentil com todos e quando ela abria aquele sorriso maravilhoso, era como se não houvesse guerras no mundo, era como se tudo estivesse bem e eternamente estaria bem. O homem sentiu seus olhos lacrimejarem-se e os fechou enquanto colocava o porta retrato sobre o peito. Céus, como ele sentia falta daquela mulher. Por que ela fora arrancada de sua vida de forma tão brusca? Por que ela se foi? A única coisa que o acalmava era saber que fez aquela mulher - e seu filho – feliz. Ele não media esforços para ver aqueles belos sorrisos, Missy se foi feliz assim como Mike e aquilo de uma forma acalmava o coração de , saber que ele os fez feliz, era reconfortante.
Southport amanheceu bonita e acordou incrivelmente feliz, ela não sabia o porquê de não conseguia deixar de sorrir daquela forma, era tão maravilhoso. Quer dizer, ela e apenas haviam passado um dia todo na praia, aquilo não foi um encontro propriamente dito, não é? Lex estava lá também. Ela acordou sua pequenininha com beijos que fez a garotinha gargalhar. Trocaram-se, tomaram o café da manhã e foi para o restaurante.
- Bom dia. – Ela cumprimentou algumas pessoas assim que adentrou o restaurante, Mila já estava ali e não tardou em levar Lex.
Assim que saiu do vestiário já vestida em seu uniforme, esbarrou com que estava checando algumas coisas sobre as mesas. A mulher lhe sorriu e aproximou-se dela depositando um beijo estalado em sua bochecha.
- E ai? Dessa vez rolou beijo?
- Você não perguntou para o ? – ergueu a sobrancelha.
- Sim. – Rolou os olhos e bufou. – Mas ele foi chato de novo e não me disse nada.
- Não, não rolou beijo.
- Ahhh, mas por quê? – fez uma cara de sofrida que levou ao riso.
- Meu Deus, porque não. Você tem que parar de achar que a gente vai se beijar.
- Claro que não. Vocês combinam e se gostam, então uma hora vai rolar. – voltou a erguer a sobrancelha.
- A gente se gosta?
- Claro, está na cara. – A mulher “abanou” o ar e riu do jeito de .
- Acho que você tem um parafuso a menos.
- Sempre me falaram isso, mas eu nunca acreditei .– gargalhou.
- Você é impossível.
- Disponha.
- Preciso ir trabalhar. – passou por , mas a mulher lhe puxou pelo braço. – Você nem me contou do passeio.
- Você não perguntou sobre ele, só perguntou se tinha rolado beijo.
- Ta, mas como vocês são jumentos e não rolou beijo, quero saber do resto.
- Ahh, foi muito bom. – Não conseguiu conter o sorriso bobo. – Fazia tempo que não me divertia e ficamos até ver o sol se pondo no horizonte.
- Awn, que romântico. – empurrou a mulher.
- Pronto? Estou livre de interrogatórios? Posso ir trabalhar agora?
- Sim, senhora.
O restaurante estava cheio, o falatório era incessante e notava-se um numero alto de turistas por ali. não parou um minuto se quer, fazia os pedidos, servia, recebia o dinheiro e revezava-se entre muitas mesas juntamente com as outras garçonetes, até dava uma forcinha para não acontecer nenhum tipo de problemas e os clientes ficarem insatisfeito. O horário de já estava terminando, mas ainda daria tempo de atender mais uma mesa, por isso aproximou-se de um homem que olhava atentamente as opções do cardápio.
- Boa tarde. – O homem olhou para e sorriu.
- Boa tarde. – Sua voz era levemente rouca e o homem a olhava atentamente com seus olhos cor de piscina.
- O senhor já sabe o que vai pedir?
- Peixe grelhado com salada de acompanhamento. – anotou o pedido em sua caderneta.
- Algo para beber?
- Suco de abacaxi.
- Certo. Já trago. – Ela sorriu para ele e se retirou sentindo o olhar do homem ainda sobre si.
não podia negar que ele era incrivelmente lindo, seu sorriso era fabuloso, sua pele bronzeada, e aqueles olhos... Meu Deus, era um verdadeiro convite para o desconhecido. Mas do desconhecido queria distância. Alguns minutos depois ela voltou com os pedidos do homem e depositou-os cuidadosamente sobre a mesa.
- Obrigado. – O homem agradeceu e sorriu se retirando logo em seguida.
Quando deu seu horário, retirou o avental e já ia entrar no vestiário, quando Tânia, uma das garçonetes, a parou.
- Aquele homem, dono daqueles olhos azuis maravilhosos, diz que faz questão que você termine de atendê-lo.
- Ele quer fazer mais algum pedido? – Franziu o cenho.
- Não, só quer pagar, mas como foi você que atendeu ele, ele quer o serviço completo.
- Okay. – Voltou a colocar o avental e se aproximou da mesa do homem sendo recebida por um largo sorriso. - O senhor deseja algo mais?
- Somente a conta, por favor. – lhe entregou um papel com o valor de sua refeição e o homem pegou sua carteira para retirar o dinheiro. – Aqui. – A mulher pegou o dinheiro de sua mão e o homem voltou a lhe estender mais algumas notas. – E esse aqui é pelo excelente atendimento.
- Imagina, não há necessidade.
- Eu faço questão, e não vou embora enquanto você não aceitar. – Ela pegou o dinheiro com um sorriso envergonhado.
- Obrigada.
De longe observava a cena, sentiu alguém aproximando-se e olhou para o lado deparando-se com .
- Acho que tem alguém interessado em nossa bela garçonete e o cara é boa pinta. – Os dois observaram se afastar e o cara seguindo-a com o olhar, depois indo embora com um sorriso estampado na cara.
- Ela é bem charmosa.
- E você perderá esse charme todo se ficar dando bobeira. Meu Deus, solte o homem que há dentro de você! – semicerrou os olhos enquanto olhava para .
- Você é muito abusada. Como é que o Lucas te aguenta?
- Ele me ama. – Fez uma cara apaixonada e enrugou o nariz.
- Acho que você o enfeitiçou.
- Sim, com essa carinha maravilhosa. – Piscou algumas vezes rapidamente e girou os olhos.
- Vá trabalhar.
- Você também, seu preguiço. – riu e os dois saíram se empurrando até a cozinha.




Capítulo 7


- , eu vou ficar com o bebê.
- Como é? – O homem virou-se para e semicerrou os olhos – Você está brincando, não é?
- Não, não estou, eu vou ficar com o bebê.
- Não, você não vai, eu não vou aturar gritos, choros, chatices e falta de atenção! Você vai tê-lo e vamos largar pelo hospital mesmo.
- Não, eu não vou fazer isso – sentiu-se estremecer sobre o olhar nebuloso de , ela nunca o havia desafiado daquela forma – N-nós... E-eu, vou ser feliz se ficar com o bebê, você me disse que iria me fazer feliz, se você me obrigar a abandoná-lo, eu não serei. E pense bem, você está cumprindo sua promessa porque eu estou feliz com o bebê – Engoliu em seco - E ele é um pedaço de você, eternamente, então mesmo quando você estiver longe, você ainda estará perto, através do bebê – estava jogando sujo, usando toda a obsessão e loucura de para convencê-lo, e apesar das palavras ditas doerem nela – porque ela não queria de forma alguma que Alexia saísse parecida com – ela sabia que elas eram extremamente necessárias. Ela percebeu que ficou reticente então aproximou-se dele e segurou em seu rosto – Meu amor - Pigarreou – Lex será um pedaço de nós dois, quer algo mais eternizado entre um casal do que um filho?
- Bem, você está certa.
- E você não vai precisar cuidar dela, não vai se quer pegá-la se não quiser, e eu ainda vou fazer seus jantares e sobremesas, manter a casa arrumada, me cuidar e cuidar de você.
- Certo – O homem suspirou. piscou embevecida e não controlou um sorriso estonteante.
- Obrigada! – E para mostrar realmente que estava feliz, fez o grande sacrifício de beijar como há muito tempo não fazia. Separou-se dele e afastou-se um pouco, pigarreou e passou a mão sobre a barriga ao sentir um forte chute como se o bebê soubesse o que estava acontecendo e também se sentisse imensamente feliz pelo desfecho da história – Bem, como faltam poucos meses para ela nascer, precisamos comprar coisas para ela, nada demais, apenas um berço, algumas roupinhas, fraldas, essas coisas...
- Kevin está querendo dar o berço do filho para alguém, vou pedir para dar para nós – Disse emburrado – Quero gastar o mínimo possível com isso – Ele levantou-se – Vou ao bar, preciso digerir tudo isso e nada melhor que uma boa vodka - Bateu a porta e pôde ouvir o barulho dela sendo trancada.
A mulher passou a mão sobre a barriga sentindo seus olhos lacrimejarem-se e suspirou.
- Viu, meu anjinho, você vai ficar com a mamãe – Sussurrou enquanto sentia suas lágrimas lavarem seu rosto – E eu prometo que nada de ruim irá acontecer a você.

mordeu o lábio inferior e observou sumindo pela cozinha do restaurante. Meu Deus, ela tinha que aprender a disfarçar, as pessoas com certeza já devem ter reparado que ela não tirava os olhos do chefe, pessoas observadoras, pessoas tipo...
- Cuidado para não arrancar um pedaço – .
- Está falando do que? – A mulher pigarreou e fingiu olhar algo em seu bloquinho.
- Não tente me enganar, bonitinha, eu percebo seus olhares.
- Você não tem mais o que fazer não?
- Não, meu marido não está precisando de ajuda na cozinha no momento e eu já fiz a segunda cota de sobremesas. Mas obrigada por perguntar – balançou a cabeça em negação – Cliente na mesa oito e veja só, é o bonitão de ontem.
olhou para o homem que havia acabado de se sentar, ele mexeu nos cabelos negros e olhou rapidamente em volta, logo em seguida pegou o cardápio e se concentrou nele.
- Ele me deu uma gorjeta tão grande ontem que eu acho que ele errou sem querer as notas.
- Ou você tem outro pretendente – ergueu uma sobrancelha e revirou os olhos.
- Vou lá atender ele.
- Vai, gata, arrasa.
- Ahh, meu Deus – afastou-se e riu.
Ela aproximou-se da mesa e pigarreou.
- Boa tarde – O homem levantou o olhar do cardápio e sorriu amplamente para . A mulher tinha certeza que estava corando, tanto pela beleza do homem como por aquele olhar.
- Olá.
- O que o senhor deseja? – Pigarreou.
- O que você me recomenda? – Ele fechou o cardápio e cruzou os dedos sobre o mesa.
- Hãn... O prato do dia é carne grelhada o acompanhamento é de sua escolha, recomendo aspargos e purê.
- Então será isso – Sorriu de lado não tirando seu impenetrável olhar de – E, para beber, uma coca-cola, por favor.
- Certo. Com licença – A mulher se retirou e entregou o pedido por uma pequena janela que dava para a cozinha, encostou-se na parede e suspirou.
- Meu Deus.
- O que foi? – Ela sobressaltou-se e olhou rapidamente para que não conseguiu prender o riso.
- Por que você não vai dar uma volta?
- Porque eu estou muito bem aqui, obrigada.
- Então termina de atender a mesa oito para mim?
- Só se for para eu trocar meu maridinho por aquele gostosão – A morena abanou-se – Aposto que aquela beleza toda é irlandesa, ou ele deve ser alemão e aquele olhar... Corei de longe.
- Não gosto que me observem tanto – Sussurrou.
- Sei, você fica parecendo um pimentão, você está assim agora – colocou as mãos sobre o rosto e bufou – Você se sente atraída por ele?
- Claro que não! Eu só não gosto de ser observada.
- Ninguém mandou nascer bonita – olhou para e ergueu a sobrancelha.
- Claro, como se eu tivesse pedido isso a Deus.
- Vai lá, gata, termina de servir o bonitão e com certeza ele te dará uma gorda gorjeta, quem sabe ele não convida você para sair – Disse brincalhona.
- Por que você não acaba com essa mania de me empurrar para cima dos homens? – Cruzou os braços.
- Nesse caso eu estou apenas brincando, repare bem, nesse caso, e não em outro caso bastante especifico – Sorriu maliciosamente e balançou a cabeça em negação – Falando nisso, vocês não têm um jantar amanhã?
- Acho que sim, eu tenho que falar com o para ver se está de pé ainda.
- Aposto que sim – piscou.
O pedido da mesa oito foi anunciado e equilibrou a bandeja na mão, aproximou-se da mesa e com cuidado colocou o pedido sobre ela.
- Tenha um bom almoço.
- Obrigado – O homem lhe sorriu e afastou-se o mais rápido que pôde.
O homem de olhos incríveis havia demorado mais do que no dia anterior, pediu uma sobremesa e assim como outrora havia feito, deu uma excelente gorjeta para junto com aquele impenetrável olhar.
saiu do vestiário já trocada e caminhou até a saída do restaurante sabendo que estaria por ali. Aproximou-se do assim que o viu encostado em uma árvore anotando algo em um pequeno caderno. Ele ergueu a cabeça assim que notou a aproximação de e sorriu fazendo o coração da moça acelerar. Droga! Ela mordeu o lábio, havia pego aquela mania recentemente, de morder o lábio quando encontrava-se nervosa e a deixava extremamente nervosa.
- Hey, eu estava te esperando.
- Me esperando? – A mulher franziu o cenho em estranheza.
- Sim, vou acompanhá-la até minha casa, tenho uma papelada para pegar lá.
- Hum... Certo – Os dois começaram a caminhar lado á lado – Então, o jantar amanhã ainda está de pé?
- Claro que sim, só se você não puder – a olhou.
- Posso, só queria saber mesmo se ainda iria acontecer.
- Certo – Meu Deus, que conversa era aquela? sentia-se um idiota, custava se comportar como o homem de trinta e quatro anos que é? – Você quer que eu leve algo?
- A bebida, seria ótimo, não sei o que servir.
- Então deixa comigo.
Logo chegaram à casa do , ele abriu a porta permitindo a entrada de e entrou na casa logo em seguida.
Alexia sorriu para a mãe assim que a viu, mas sua afobação maior foi ao ver , eles não haviam se visto pela manhã e talvez fosse exagerado dizer, mas sentiu falta da garotinha.
- Hey, pequenininha – Aproximou-se do bebê e a pegou no colo depositando um beijo suave em sua bochecha. Lex tocou em sua barba por fazer, rindo logo em seguida pela sensação dos pelos em sua pequena palma. balançou a cabeça em negação e pigarreou.
- Eu ainda vou descobrir qual foi o feitiço que você lançou em minha filha.
- O feitiço se chama: meu sorriso – Sorriu maroto e a mulher voltou a balançar a cabeça em negação.
- Sei que você é meu chefe e meu amigo, mas preciso dizer isso... Você é muito metido.
- Concordo plenamente – Disse Mila fazendo com que sorrisse.
- Isso é complô.
- Bem, eu preciso ir. Vem cá sua ingrata – Estendeu os braços para Lex e a garotinha foi para seus braços, lhe beijou a ponta do nariz e sua filha devolveu o beijo desajeitadamente. Aproximou-se do carrinho que estava no canto da casa e colou Alexia ali, mandou um beijo para Mila e então olhou para que a observava atentamente e sorriu tendo o sorriso devolvido – Até amanhã.
O homem caminhou até a porta e a abriu, ajudou a colocar o carrinho do lado de fora e não viu problema em aproximar-se de e depositar um beijo suave em seu rosto.
- Até amanhã – Ela sentindo-se meio desorientada, começou a andar e a única coisa que se passava por sua cabeça era... Que o amanhã chegue logo.
pagou as compras que havia feito e saiu do supermercado empurrando o carrinho de Lex. Ela havia acordado cedo naquela manhã porque queria que tudo estivesse impecável para o jantar, havia dormido tarde porque passou a noite limpando a casa e não se contentou até ver tudo brilhando e sentir aquele cheiro maravilhoso de casa limpa. Por incrível que pareça acordou bem disposta, tomou café e então andou o supermercado mais próximo que não era tão próximo assim.
A mulher passou em frente á uma loja de roupas que estava cheia, aquela placa de oitenta por cento de desconto estava realmente chamando á todos para uma insana compra. Ela mordeu o lábio meio incerta, mas não custaria nada não é? Quer dizer, custar ia custar...
entrou na loja e aproximou-se de uma arara com diversos vestidos, parou o carrinho de Lex ao seu lado e começou a olhar as peças tendo todo o cuidado de vigiar a filha também. Achou por ali um vestido soltinho com uma mescla de azuis, indo do escuro ao claro, alças finas que amarravam-se nos ombros e possuía marcação na cintura. Tinha certeza que ficaria excelente em seu corpo, por isso sorriu satisfeita. Achou por ali também uma rasteirinha de tiras na cor marrom escuro e achando que já era o bastante, encerrou a compra. Resolvendo que Lex merecia um agrado, entrou na loja infantil que havia ao lado e comprou dois vestidinhos para a filha e uma faixa de cabelo com uma linda flor nela. Sendo pega pelo consumismo, mas sabendo que não deveria gastar muito, passou em outra loja onde só vendia coisas femininas, comprou um hidrante corporal e um perfume – porque estava cansada de sua pele seca e sem cheiro – um rímel, lápis preto e um gloss pêssego. Quando voltou para a casa depois de uma longa caminhada, se sentia realizada, há muito tempo havia aprendido a contentar-se com pouco e não ligava para aquilo, na verdade nunca havia ligado.
sorriu radiante para seu reflexo no espelho, passou as mãos sobre o vestido e logo depois sobre seu cabelo solto. Já estava completamente arrumada - assim como Lexi – e gostou muito do resultado final, há tempos não se sentia tão bonita. Ouviu um barulho de carro e sabia que era . Pegou Alexia sobre a cama e caminhou até a sala no exato momento que ouviu batidas na porta. Certificou-se que havia passado perfume o suficiente, mas não exagerado, e abriu a porta sendo recepcionada pelo sorriso de e logo em seguida por sua expressão surpresa. O homem não conseguiu frear-se e observou da cabeça aos pés, a mulher sentiu suas bochechas esquentarem, mas não desviou o olhar quando os olhos do encontraram o seu. Ele pigarreou.
- Boa noite, .
- Boa noite – Ela sorriu e deu passagem para entrar na casa, fechou a porta e virou-se. O homem estendeu uma sacola de papel e o pegou enquanto entregava Lex a ele.
- Ai está o vinho.
- Eu vou servi-lo. Você quer jantar agora?
- Por favor.
Os dois caminharam até a cozinha e colocou o vinho sobre a pia, aproximou-se do armário e pegou as únicas duas taças que havia na casa. Serviu o vinho nelas e as pegou aproximando-se de que estava sentado em uma das cadeiras da mesa. Ele pegou a taça e agradeceu com um sorriso.
- Lexi já jantou?
- Já, eu não sabia que horas você vinha ao certo e não queria que ela comece muito tarde – Ele assentiu e levou a mão até o bolso tirando do mesmo um pirulito colorido. Colocou na frente de Lexi e ela agitou-se tentando pegá-lo, o homem o abriu e o entregou para a garotinha que imediatamente levou a boca – Meu Deus, ela vai fazer uma bagunça com isso – riu.
- Deixa ela se divertir.
- Bom, pelo menos ela fica entretida. Vou servir o jantar.
pegou os pratos que estavam sobre a pia e aproximou-se do fogão, minutos depois aproximou-se da mesa colocando o prato de em sua frente e sentando-se com o seu prato logo em seguida.
- O que temos aqui? – O homem olhou para o prato e sentiu-se salivar. Alexia já não estava em seu colo, a garotinha estava sentada sobre uma manta divertindo-se com o seu pirulito.
- Comida chinesa, macarrão, legumes e um frango agridoce meio caramelado – Disse orgulhosa.
- Que prendada – pegou seu garfo e mexeu em seu prato levando a comida até a boca – Hum... Maravilhoso! – Ela sorriu.
- Obrigada.
Continuaram a comer enquanto conversavam sobre banalidades. Ele perguntou para se ela não pensava em fazer algum curso ou se especializar em alguma área, ela nunca havia pensado naquilo, nunca teve sonhos grandes, nunca se preocupou muito com seu futuro porque estava ocupada demais tentando sobreviver no presente. Mas aquela pergunta de a intrigou e a fez repensar em sua vida. Ela também perguntou para ele se ele viveria apenas de seu restaurante e ele disse que sim, que aquele sempre foi seu sonho apesar de muitos não entenderem, mas sua família o apoiou e aquilo era o que bastava para ele.
- Meu Deus, , estava tudo maravilhoso, acho que vou promover você a chefe de cozinha – Ela riu.
- Não é pra tanto... Ahh meu Deus, Lexi! – olhou para a garotinha e gargalhou fazendo com que também risse.
Alexia estava com restos do pirulito colado nos cabelos enquanto batia suas mãos grudentas uma na outra. levantou-se e pegou a criança nos braços.
- Eu vou limpar essa bagunceira.
recolheu os pratos e os lavou, logo em seguida colocou mais vinho na sua taça e na de e seguiu para a sala tomando a liberdade de ligar a TV. Minutos depois retornou sem a filha e sentou-se ao lado de pegando a taça que ele lhe oferecia.
- Obrigada – Sorveu um pouco do liquido – Lexi acabou dormindo, banho morno sempre a deixa muito relaxada.
- Aposto que você da banho nela toda hora – o empurrou de brincadeira.
- Hey, você quer a sobremesa agora?
- Acho que vou esperar mais um pouco, estou cheio.
-Certo.
colocou a taça sobre uma mesinha que havia por ali e levantou-se estendendo a mão para .
- Vem comigo, quero te mostrar uma coisa – A mulher colocou a taça ao lado da de e aceitou sua mão e surpreendentemente o entrelaçou seus dedos nos dela segurando firme sua mão. Ela sentiu a mão dele quente e levemente áspera, desviou os olhos discretamente e viu que apesar da mão de ser maior que a sua, ambas se encaixavam perfeitamente. Ela sentiu uma sensação boa.
levou até a parte de trás da casa e andou um pouco até chegar perto de uma árvore, ela percebeu que no tronco da mesma haviam madeiras pregadas com pregos simulando escadas. Olhou para interrogativamente e ele sorriu.
- A vista ali de cima é incrível, tem um tronco reto que dá para sentar sem problema nenhum, eu fiz isso na época que eu morava aqui e é super seguro, eu garanto.
- Tem certeza? – Perguntou meio incerta.
- Claro que sim, eu jamais pediria para você subir se eu soubesse que não é seguro para você – A mulher sorriu.
- Mas eu estou de vestido.
- Então eu subo primeiro e vou te ajudando. Tudo bem? – Ela assentiu mordendo o lábio inferior.
O homem começou a subir e quando chegou em um grande tronco firmou-se nele e esperou por . Ela começou a subir tendo o cuidado de firmar bem seus pés e mãos e a ajudou a ficar no mesmo tronco que ele. O voltou a subir e fez o mesmo logo em seguida. Chegaram até onde dava e o homem ajudou a sentar no tronco reto passando um braço por sua cintura e puxando-a de encontro a ele. Ela suspirou aliviada sentindo-se completamente segura e assim podendo admirar a paisagem. Sua boca abriu-se quando ela percebeu que dali ela podia ver o mar. A noite estava estrelada, o vento frio a fazia tremer um pouco, e percebendo isso, puxou-a ainda mais para perto de si e passou os dois braços por ela. Ficaram em silêncio apenas ouvindo os barulhos da noite e admirando toda a obra de arte que a natureza de graça os dava. sentiu paz dentro de si, um sentimento maravilhoso que á muito tempo não aparecia, e sabia que o responsável por aquilo era , desde que o homem havia entrado em sua vida ela parecia tão menos complicada. Permitiu-se encostar a cabeça no pescoço dele e fechar os olhos, sorriu fracamente quando sentiu o homem encostar sua cabeça na dela e permitiu-se ficar naquela bolha onde nada de ruim a tocava.
Não sabia ao certo quanto tempo já havia se passado, mas sabia que tinha que voltar, Lexi estava sozinha e ela tinha medo de que algo acontecesse com a filha. a ajudou em todo o percurso de volta a terra firme, voltou a entrelaçar sua mão com a dela e caminharam de volta até a cabana. passou por seu quarto para ver se estava tudo bem com sua pequena e logo depois foi ate a cozinha pegando a garrafa de vinho que estava pela metade e o prato onde estava a sobremesa que havia preparado. Colocou tudo sobre a mesinha na sala e sentou-se ao lado de .
- Hum, brownies e cookies. Sabe que essas são minhas sobremesas favoritas?
- É mesmo?
- Uhum – Disse enquanto mordia um pedaço do brownie. Bem, havia perguntado para quando era a sobremesa favorita do cunhado e ela respondeu com um sorriso malicioso que era brownie e cookie – Meu Deus, isso está maravilhoso!
- Com tantos elogios assim eu vou acabar ficando metida.
- Você pode.
Eles não faziam ideia de quanto tempo havia se passado, mas sentia-se leve e risonha por conta do vinho, já havia parado de beber porque ia dirigir, mas tinha devorado a sobremesa.
- , eu vou indo, amanhã não trabalhamos, mas está tarde.
- Tudo bem – Eles levantaram-se e eles seguiram até a porta, a mulher a abriu e passou pelo lado de fora colocando as mãos no bolso da calça.
- Bom, foi um excelente jantar.
- Maravilhoso – Ela aproximou-se dele e tropeçou sobre uma madeira levemente levantada fazendo ampará-la.
- Opa – Riram – Acho que tem alguém levemente alegre.
- Só levemente – Ela aproximou seu rosto do dele e depositou um beijo demorado em sua bochecha.
- Até à próxima, .
- Até – Ele afastou-se um pouco de costas e sorriu para ela admirando suas bochechas coradas pelo vinho, o cabelo dela caia um pouco sobre seu rosto e ele sentiu vontade de colocá-los atrás das orelhas dela. Porém controlou-se e virou de costas então relutantemente foi em direção ao carro.

(Capítulo 07 betado por Adriele Cavalcante.)





Capítulo 8


. estava sentada no lugar de sempre nos fundos de sua casa, sua mão descia e subia sobre a grande bola que sua barriga havia se tornado, ela amava acariciar aquele monte, amava quando sua pequenininha chutava como se aprecia-se o que a mãe estava fazendo. Ela também havia pego a mania de falar com sua bebê, contava coisas que se lembrava de seus pais, de como sua mãe fazia o melhor bolo de chocolate do mundo, de como ela gostava de fazer vários penteados nos longos cabelos de ., e como ela gostava de ver sua mãe arrumando-se e adorava o cheiro floral que ela tinha. Contava do amor que seus pais nutriam um pelo outro.
Todas as manhãs . sentava-se á mesa e comia seu cereal com frutas, sua mãe ficava na frente do fogão fazendo o café da manhã de seu pai, então ele chegava á cozinha e abraçava a mulher por trás, ela virava-se com um lindo sorriso e os dois se beijavam e ficavam sussurrando coisas um para o outro com sorrisos apaixonados. Lembrava-se de contar também como seu pai a colocava todas as noites para dormir e cantava baixinho para ela, ele sempre beijava sua testa e dizia que a amava mais do que qualquer coisa no mundo, . dizia para ele que quando crescesse queria um marido igualzinho a ele, seu pai sempre dizia que o marido dela seria muito melhor que ele, que ele a amaria muito e a faria muito feliz porque ela não merecia nada menos que aquilo. Ela contava também coisas da época do orfanato, ela foi feliz ali, apesar de constantemente ver crianças sendo adotadas e ela nunca sendo escolhida, ela ficava feliz pelas crianças que conseguiam um lar e ela aguardava ansiosamente pelo seu dia, pelo dia que teria um novo papai e uma nova mamãe, mas esse dia nunca chegou.
. gostava de sentar-se perto de seu som e colocar músicas suaves para tocar, ficava horas sentindo a filha divertir-se no conforto de sua barriga lembrando-se de quando sua mãe lhe dizia que quando . estava em sua barriga ela fazia uma festa ali dentro quando ela colocava alguma música.
O dia estava bonito, pássaros iam e viam para o seu pequeno jardim espalhando seu canto pelo local e apesar do frio ela não se importava nem um pouco com ele.
- Hey, .. - A mulher olhou para sua esquerda e sorriu.
- Maya! - Ela levantou-se sorridente e aproximou-se da cerca - Achei que sua viagem seria mais demorada.
- Graças á Deus não foi, a apresentação teve que ser cancelada em uma cidade e voltamos mais cedo.
- Aconteceu alguma coisa grave? - Franziu o cenho, mostrando-se preocupada.
- Uma forte chuva atingiu a cidade e parte do teatro onde faríamos a apresentação desmoronou, mas não deixou nenhuma vitima – pigarreou. - Bem, eu trouxe um presentinho para a sua bebê. - A mulher levantou uma sacola colorida e estampou um grande sorriso quando viu o rosto de . iluminar-se. Com todo o cuidado . pegou a sacola, abriu-a e tirou de dentro um vestidinho minúsculo de mangas cumpridas na cor vermelha com bolinhas azuis na saia.
- Ahh, meu Deus - sussurrou sentindo seus olhos lacrimejarem-se. - É tão lindo. - Colocou o pano sobre o rosto e o cheirou, logo depois olhou para Maya e sorriu abertamente. – Muito obrigada, Maya!
- Não há de que, .. Eu gosto muito de você e já gosto muito dessa bebezinha aí também. - Apontou para a barriga de quase nove meses de ..
Durante as semanas que se seguiram desde que . e Maya se conheceram, elas se aproximaram e viraram amigas, todos os dias falavam-se através da cerca. Maya já havia perguntado para . se ela poderia ir ate sua casa, mas a mesma respondeu que sua porta estava quebrada, só abria por fora e seu marido levava a chave para o trabalho, não que a mulher tenha acreditado nisso, mas fingiu que sim para não pressionar .. Maya havia notado seu comportamento retraído e seu receio sempre que o marido chegava, ela infelizmente sabia como ninguém o que aquilo tudo significava e ainda fazia de tudo para esquecer.
Maya havia se mudado a pouco tempo para aquela casa e morava sozinha,era professora de dança, dava aulas para um grupo pequeno de pré-adolescentes em um estúdio no centro,por isso viajava quase todo fim de semana e . sempre sentia muita falta de sua companheira de conversas banais, Maya sempre a divertia e a fazia esquecer por um momento de todos os seus problemas.
- Eu vou comprar mais coisas para ela.
- Não precisa Maya, de verdade mesmo.
- Nem adianta retrucar, eu já decidi. Vi cada coisinha linda e rosa.Você sabe, eu amo rosa. - . riu. - Só não vá transformar minha filha em uma patricinha.
- Não se preocupe, eu também já vi varias coisinhas de outras cores. Você já montou o quartinho dela?
- Um amigo do meu marido nos deu um berço e um pequeno armário, todos brancos. Eu comprei alguns lençóis para o berço dela e uma luminária. Encontrei tinta rosa guardada em um quartinho e pretendo pintar o quarto, ou, ou meu marido vai pintar, mas eu prefiro fazer isso.
- E fraudas? Você tem o suficiente?
- Acho que preciso comprar um pouco mais. - Maya assentiu.
- Seu marido ainda não concertou a porta? - A expressão de . vacilou.
- Ainda não, ultimamente ele está sem tempo.
- Bem, eu quero muito abraçar você e esses dias eu estava mexendo nessa cerca e percebi que duas madeiras estão soltas. - Maya segurou em duas "tabuas" que ficavam uma ao lado da outra e as puxou fazendo com que elas caíssem, passou pelo buraco tranquilamente e parou na frente de .. – Tcharan. - Sacudiu as mãos no ar e riu da expressão surpresa da mulher.
Maya aproximou-se dela e a abraçou apertado tendo o abraçado retribuído imediatamente.
- Meu Deus, você é louca.
- Ahh, nem vem, eu não fiz nada demais. - Sorriu radiante e colocou suas mãos sobre a barriga de .. O bebê chutou e as duas riram.
- Acho que ela gostou de você.
- E quem não gostaria? - . revirou os olhos e Maya riu. - Ai, seu abraço é maravilhoso. - Voltou a abraçar a mulher balançando-a de um lado para o outro.
- Mesmo com essa montanha entre nós?
- Mesmo com essa montanha entre nós. – Riram. - Na verdade acho que o abraço é tão gostoso assim por causa dela.
- Que tal comermos alguma coisa? Estou faminta.
- Super aceito. - Maya entrelaçou seu braço no de . e as duas seguiram para a casa da mais nova.

. caminhava tranquilamente pela praia juntamente com Alexia. A garotinha chutava a areia e gargalhava como se aquilo fosse a coisa mais divertida do mundo inteiro. Meu Deus, como . venerava aquela risada, era tão bom ouvi-la, era tão bom ter sua pequena bebê ali com ela.
Alexia era tudo para .. Tudo. Era seu pequenino ponto de paz, seu refúgio, sua luz no fim do túnel. . sabia que o amor que uma mãe sentia por seu filho era sem igual, era o maior e mais puro amor do mundo, mas para . nenhuma mãe amava seu filho como ela amava Lexi, ela sabia que a maioria das mães pensavam a mesma coisa, aquilo era indiscutível, mas . ainda continuava a achar que seu amor pela sua filha era o maior amor do mundo, ela morreria e mataria por ela sem pensar duas vezes. Quando . se imaginava como mãe, ela nunca pensou que amaria tanto seu filho daquela forma, ela nem conseguiria medir aquele amor, ela nunca achou que ser mãe seria tão maravilhoso, ela nunca realmente achou que seria capaz de cuidar de alguém tão dependente dela, mas ali estava Alexia, crescendo saudável e feliz. . sentou-se na areia e colocou a filha no colo.
- Mamãe te ama, meu amor. - A garotinha sorriu e depositou um beijo desajeitado na ponta do nariz de . fazendo-a sorrir amplamente. A mulher fez cócegas em Lexi e a garotinha gargalhou sonoramente.
- Essa risada é muito boa de se ouvir. - . olhou para trás e deparou-se com o homem que almoçava todos os dias no restaurante de .. Ele vestia uma blusa leve, uma bermuda caqui e estava descalço, seus cabelos negros faziam uma dança suave conforme o vento passava por ali e seus olhos eram os olhos mais azuis que . já havia visto em toda sua vida. - Eu não queria assustá-la.
- Você não assustou. - Ela sorriu.
- Posso me sentar? - O homem apontou para o lado de . e ela assentiu meio incerta. - Me chamo Luke.
- Eu sou ..
- Prazer. - Ele sorriu mostrando seus dentes brancos e perfeitos. A mulher tinha que admitir, Luke é um colírio. - E esse anjinho aqui? - Ele segurou na mãozinha gordinha de Alexia e a garotinha sorriu mostrando as covinhas que . descobriu há pouco tempo que a filha possuía e a deixava ainda mais adorável.
- Alexia.
- Lindo nome. Tenho uma irmã que também se chama Alexia, minha mãe sempre foi fascinada por esse nome. - . sorriu.
- Eu também. Além de lindo, é um nome forte.
- Com certeza é. - Lex gargalhou da careta que . fez para ela e a mulher depositou um beijo em sua testa .- Ela é sua filha?
- Aham.- A mulher percebeu que Luke olhou discretamente para suas mãos, na certa procurando alguma aliança.
- Sabe, a comida do restaurante onde você trabalha é maravilhosa.
- A melhor da região, . e seu irmão cozinham maravilhosamente bem e as sobremesas de . são as melhores.
- Com certeza eu notei aquelas sobremesas.- Riu. - As melhores que já comi desde que cheguei à Southport.
- Você se mudou recentemente?
- Na verdade não me mudei, vou ficar só um tempo por aqui. Sou arquiteto e tenho que ficar a par do andamento de uma casa aqui perto. Essa temporada aqui está sendo maravilhosa. - . sentiu suas bochechas pinicarem por conta da intensidade do olhar de Luke sobre ela, por isso teve que desviar e olhou para o mar.
- Realmente, Southport é maravilhosa .- Lex gritou apontando para um pássaro que estava na areia mais a frente e . riu. - Bom, eu preciso ir. - A mulher levantou-se batendo em sua roupa para tirar a areia que havia ali e arrumou a filha em seus braços.
- Nos vemos por aí, .. - Ela sorriu e assentiu começando a andar para fora da praia e sentindo os insistentes olhos de Luke sobre si.

***


. passou por . e sorriu quando ele também o fez, aproximou-se de uma das mesas e depositou o pedido sobre a mesma, voltou com a bandeja e abriu um sorriso discreto sentindo os olhos de . sobre si.
- Eu estou vendo isso - . cantarolou e . sobressaltou-se colocando a mão sobre o peito.
- Meu Deus! Você parece uma assombração.
- Uma doce e linda assombração. - A mulher piscou os grandes cílios e . balançou a cabeça em negação. - Vocês formam um casal tão lindo, por que não ficam juntos?
- .. - . suspirou. - Eu não estou à procura de um relacionamento, meu primeiro e último envolvimento foi muito... Conturbado.
- Seu primeiro relacionamento - que te deu uma filha - foi passageiro e foi conturbado?
- Sim. - . pigarreou.
- Desculpe ser tão invasiva ., sou curiosa e acabei olhando as anotações que . fez sobre você. - Não custava dizer uma mentirinha não é? Ela não queria que . saísse como fofoqueiro, coisa que ele definitivamente não é.
- . fez anotações sobre mim? - perguntou surpresa.
- Ele faz anotações sobre todos os funcionários. Ele entrevistou você, não foi? - . assentiu. - Então... Enfim. ., eu não quero ser chata, a maioria das coisas que falo é só para implicar com você, meu hobbie favorito é encher o saco das pessoas. Mas eu realmente, realmente, acho que você e . fariam um bem danado um para o outro. Ele sofreu muito com a perda da esposa e do filho e você parece ter fantasmas do passado que constantemente te assombram. Alexia o adora, meu Deus, dá para ver que aquela garotinha é louca por ele, só falta ela o chamar de papai. A aprovação dela vocês já têm. - Sorriu e segurou as mãos da mulher. - Acredite em mim ., uma boa companhia faz mágica em nossas vidas. Palavras de uma pessoa que foi vitima dessa mágica. - Piscou e afastou-se de . indo em direção a cozinha.
A mulher respirou profundamente e passou a mão sobre os cabelos. Ela estava tão confusa, suas convicções todas embaralhadas, e seu coração... Bem, para esse ela não queria dar ouvidos agora, porque ele já tinha sua opinião totalmente formada e não voltaria atrás.
. voltou ao seu trabalho e surpreendeu-se ao ver Rose sentada em uma das mesas.
- Dona Rose! - A mulher olhou para . e sorriu, levantou-se e a abraçou apertado.
- Olá, querida.
- Faz um tempinho que não a vejo.
- Minha viagem foi mais longa do que eu esperava, tive que fazer uma pequena cirurgia no joelho, nada demais.
- Mas a senhora está bem, não é?
- Estou sim, querida. Não se preocupe. Aliás, desculpe-me por tê-la deixado na mão com Lexi. - . sorriu.
- Sem problemas, na verdade a sobrinha de . está olhando-a para mim.
- Me sinto muito mais tranquila, apesar de Milla ser jovem, ela é muito responsável.
Conversaram por mais um tempo e a senhora fez seu pedido assim que seu marido chegou.
- Dona Rose! - . aproximou-se da mesa e a mulher levantou-se novamente. O homem a abraçou forte tirando-a um pouco do chão. - Como pode uma coisa dessa? Toda vez que a vejo a senhora está ainda mais linda. - Ele olhou para o marido da mulher. - O senhor é um homem de sorte, senhor Charlie. - E eu não sei, meu filho. - O senhor sorriu.
- Eu vou entregar o pedido de vocês. - . afastou-se e . a seguiu com o olhar.
- Ela é ótima, não é? - O . coçou a nuca e a mulher riu. - Não precisa ficar encabulado, querido.
- Bem, ela realmente é ótima.
- Muito bonita e simpática - disse Charlie.
- Com certeza é. - . sorriu.
- E você gosta dela.
- Ahh Dona Rose... - Ela balançou a cabeça em negação como se dissesse "nem vem".
- Abre seu olho meu jovem, ela é bonita demais para ficar solta por aí.

. acordou no meio da madrugada sendo puxada de um sono turbulento pelo choro de sua filha. O choro elevou-se e a mulher levantou-se rapidamente acedendo à luz do quarto e pegando sua bebê no colo.
- O que houve, meu amorzinho? - Balançou a criança de um lado para o outro no intuito de fazê-la parar de chorar, o que não estava dando muito resultado.
Sentou-se na cama com a filha no colo e olhou atentamente para ela procurando algum machucado.
- Você teve algum sonho ruim, meu amor? - Ela estava ficando muito preocupada. Lexi não fazia o tipo de criança que sentia dores, ela não teve nenhuma cólica se quer quando era menor. . verificou a frauda da filha e se ela estava com fome, mas também não era uma coisa nem outra.
Okay, agora ela estava definitivamente desesperada, não sabia o que fazer de jeito nenhum, aquilo nunca havia acontecido antes.
Sentindo seus olhos lacrimejarem-se ela correu até a sala e pegou o aparelho celular que estava sobre uma mesinha. . havia comprado o aparelho alguns dias atrás, ele era simples, mas ela não queria nada de alta tecnologia. A mulher não tinha muitos números na agenda, na verdade havia menos de dez números ali, mas ela não precisava de muitos. Ela sabia muito bem para quem ligar. Encontrou o numero desejado e levou o aparelho ate a orelha esperando ansiosamente para ser atendida. Suspirou aliviada assim que ouviu o "alô" do outro lado da linha.
- ., eu preciso de ajuda.

Maya e . gargalharam quando a mais velha escorregou por conta do tapete que havia na cozinha. . olhou para o relógio que havia na parede da cozinha e desesperou-se ao notar que . já deveria estar á caminho de casa.
- Maya, eu estou meio cansada. Será que a gente pode se vê amanhã?
- Claro que sim, .. Veja isso, eu nem via as horas passarem. - As duas saíram pela porta da cozinha. Maya deu um abraço apertado em . e ela sorriu.
- Obrigada por ter ajudado no preparo do jantar.
- Foi um prazer, .. - A mulher passou pelo espaço que havia na cerca e colocou as duas tabuas de volta no lugar. - Nos vemos amanhã. - . assentiu e entrou em sua casa no exato momento que ouviu a porta da frente sendo aberta.
A mulher terminou de arrumar a mesa rapidamente e . entregou na cozinha.
- Olá, meu amor. - O homem aproximou-se da mulher e depositou um beijo demorado em seus lábios. - Eu vou tomar banho e já venho jantar. Vá tomar banho também, você está meio... bagunçada.
Os dois subiram e enquanto . entrou no quarto que ele e . dormiam, a mulher entrou no banheiro que havia no corredor. Os dois não tomavam mais banho juntos porque . dizia que a visão de . nua com a barriga daquele tamanho não era nada bonita. Não que ela se importasse com a opinião dele. De banho tomado, a mulher entrou no quarto vestiu uma calcinha qualquer e um vestido florido soltinho. Como ela passava um óleo durante o banho para evitar as marcas da gravidez, ela somente passava perfume depois porque . dizia que gostava dela bem cheirosa. . arrumou os cabelos, passou um gloss pêssego e apertou as bochechas para que elas ficassem rosadas. Desceu as escadas e encontrou . já sentado esperando para ser servido.
- Hum, a comida está com o gosto diferente.
- Tempero novo –disse tranquilamente.
- Não o use muito, gosto da sua comida com o gosto de sempre.
- Tudo bem.
Depois de jantarem, . arrumou a cozinha, apagou a luz do cômodo e subiu para o segundo andar entrando no quarto que seria de sua bebê. Sorriu mesmo com as poucas coisas que haviam ali e aproximou-se do armário, pegando uma das roupinhas e levando-a ate seu rosto. Ela mal via a hora de sua filha chegar, de pegar Alexia nos braços, amamentá-la, acalentá-la, a proteger de todo o mal, ser uma verdadeira mamãe ursa. Sorriu, mas seu sorriso logo morreu ao ouvir . chamá-la. Colocou a roupinha no lugar, apagou a luz e saiu do quarto, desceu as escadas e sentou-se ao lado de . já que ele pediu para ela fazer isso.
- As esposas de alguns caras que trabalham comigo querem fazer um chá de bebê para você, eu recusei, mas aquelas desocupadas insistiram e como eu não estava com paciência eu aceitei. Até porque isso significa que essa... essa criança vai ganhar coisas e quanto mais coisas ela ganhar, menos dinheiro gasto. Elas vão vim aqui no sábado, faça qualquer coisa para elas comerem, como não tenho saco para essas porcarias, eu vou passar a manhã e a tarde com os caras.Ou seja, você vai ficar aqui sozinha com elas. Mas escute bem: eu não quero que você faça qualquer gracinha ou saia de casa, você me ouviu? - . assentiu. - Ótimo, e nem deixe elas bagunçarem a casa, você sabe que eu odeio bagunça.
- Tudo bem. - . lutou para controlar um sorriso. Ela com certeza ia convidar Maya para o chá de bebê e a mulher poderia ajudá-la com a arrumação.
- Então, como eu fui muito bom com você, eu mereço uma recompensa, não é? - . o olhou interrogativamente, mas logo compreendeu o que . queria dizer quando ele mexeu em sua bermuda. A mulher suspirou. - Vamos lá, amor, faça isso por mim. - O homem mexeu nos cabelos dela e começou a empurrar a cabeça dela para baixo.
Sacrifícios... quantos sacrifícios ela teria que fazer até seu final feliz?


Capítulo 9


ouviu batidas na porta e abriu apenas uma fresta para ter a certeza que seria e assim que ela constatou isso, permitiu que ele entrasse. Alexia ainda chorava incansavelmente nos seus braços. O a pegou e encostou a cabeça da garotinha em seu ombro balançando-a de um lado ao outro.
- Eu não sei o que está acontecendo. Ela não está com fome, ou suja, ou sentindo qualquer dor, acho que ela teve algum sonho ruim. - secou uma lágrima teimosa e logo depois cruzou os braços. a puxou pela cintura e depositou um beijo suave em seus cabelos.
- Você tem alguma manta? - A mulher assentiu e caminhou até o quarto com a seguindo.
Ela pegou o pequeno lençol de Alexia e entregou para ele, então o caminhou ate os fundos da casa e abriu a porta sentando-se em uma cadeira de balanço que havia na pequena varanda.
Acomodou a pequena em seus braços deixando-a bem embrulhada em seu lençol e começou a balançar-se na cadeira sussurrando pertinho do ouvido da garotinha...
- Durma com os anjos meu bem. Está frio aqui fora, o sol logo vem e a escuridão vai embora. As estrelas nos fazem companhia, no céu estão a brilhar e elas descem de vagarinho para seus sonhos iluminar. Os monstros não chegaram porque nos campos estão a brincar e enquanto você dorme seu sono eu vou zelar. Não se espante com qualquer barulho, são os anjinhos a sussurrar "durma tranquila minha criança para amanhã poder brincar". Durma com os anjos meu bem, está frio aqui fora, o sol logo vem e a escuridão vai embora.
Sua voz foi se perdendo no silêncio da noite e o que se ouvia a partir dali era o ranger da cadeira de balanço e o barulho dos grilos. Lexi ressonava tranquilamente em seu sono profundo enquanto tinha suas costas acariciada por . Ele olhou para que estava ao seu lado e sorriu tranquilamente.
- Ela dormiu - sussurrou e piscou seus olhos ainda meio úmidos - Alias, bela cantiga. - sorriu levemente.
- É horrível, pode falar. - Levantou-se cuidadosamente e entrou na cabana logo que fez o mesmo.
- Não, eu gostei mesmo. Nunca tinha ouvido-a. - O colocou Alexia com cuidado sobre a cama e saiu do quarto juntamente com .
- Eu a inventei. - A mulher o olhou meio abismada e colocou as mãos nos bolsos sentindo-se sem jeito. - Uma noite Mike acordou chorando e eu e Missy não sabíamos o que fazer, porque aparentemente ele não estava com fome, nem com a frauda suja e nem com dor, então eu o peguei nos braços e balancei de vagarinho enquanto rimava algumas palavras. Acabou saindo isso. - sorriu.
- Como eu disse, bela cantiga. - Ela suspirou. - Obrigada por você ter vindo , e por favor, me desculpe, eu não queria ter incomodado você, eu só não tinha para quem ligar.
- Para com isso. Você não incomodou em nada,eu notei a preocupação em sua voz e claro que não pensei duas vezes antes de vir. - Ele observou os olhos lustrosos de e surpreendeu-se quando ela o abraçou, ele não pensou duas vezes antes de envolvê-la com seus braços.
- Obrigada mesmo. - Ficaram em silêncio por algum tempo e afastou-se sentindo-se envergonhada. Olhou para a roupa de e notou que sua blusa preta estava suja com alguma coisa branca. Ele seguiu o olhar de e riu nasalado.
- Eu estava testando uma receita.
- Às duas e meia da manhã? - Ela ergueu uma sobrancelha e ele deu de ombros.
- Eu não durmo muito. - Ele andou pela sala ate parar de frente á uma parede repleta de fotos. devia ter colado-as ali recentemente.
O começou a observar as fotografias e a andou ate seu lado.
- A sala estava vazia demais, por isso resolvi fazer isso.
- Ficou muito bom. - Ele riu observando uma foto onde Lex estava com o pezinho na boca.
- Esses aqui são meus pais. Elizabeth e John. - Apontou para as fotos que haviam no centro, haviam no máximo cinco. Em uma foto havia um homem e uma mulher. O homem abraçava a mulher por trás,tinha suas mãos sobre a barriga redonda dela e os dois sorriam radiantes para a câmera, dava para perceber o brilho dos olhos de ambos. Em outra fotografia a mulher estava sentada no colo do homem, sua barriga já não estava grande e ela mandava beijo para a câmera enquanto ele lhe beijava o rosto. Na fotografia do lado o homem estava com uma garotinha nos ombros de no máximo três anos, só estavam os dois ali e eles deram um sorriso tão grande na hora de tirar a foto que seus olhos chegaram a fechar. Sorrisos assustadoramente idênticos. Em uma outra fotografia, o close estava apenas nos rostos da mulher, do homem e da criança e eles tinham a boca lambuzada de sorvete e os sorrisos persistiam. Na ultima fotografia o casal e a criança estavam em um campo florido, todos estavam descalços. O homem estava sentado e sua mulher estava no meio de suas pernas, o queixo dele descansava no ombro direito dela enquanto os longos cabelos dela esvoaçavam-se para o outro lado. A menininha estava entre as pernas da mulher e ela saiu com a boca levemente aberta como se estivesse falando algo. O homem abraçava as duas como se nada no mundo pudesse tirá-las dele.
- "Papai, você está apertando". Era isso que eu estava dizendo, não que eu me lembre. - Ela riu levemente. - Minha mãe escreveu atrás da foto porque ela disse que no futuro eu com certeza ia querer saber por que sai com a boca aberta.
- Você é a cara da sua mãe. Se eu não soubesse que você é você eu diria que era ela. - riu da frase.
- Acho que ela ficaria orgulhosa disso. Às vezes eu sinto tanto a falta deles que chega a doer, eles foram tirados da minha vida tão prematuramente, eu ainda precisaria tanto deles.
- Como aconteceu?
- Eu estava na casa de uma vizinha porque uma vez por mês meus pais tiravam um dia só para eles. Era de noite e eu estava me preparando para dormir, então o telefone da casa da dona Ana tocou e minutos depois ela entrou no quarto onde eu estava, sua expressão estava triste e percebi que ela lutava para não chorar. Ela disse que tinha uma coisa muito importante para me dizer, disse que meu pai e minha mãe haviam sofrido um acidente de carro e que eles haviam virado anjinhos e cuidariam de mim lá do céu.
“Eu sabia o que aquilo significava porque um ano antes minha mãe havia dito que minha vó tinha virado um anjinho, eu não tinha entendido muito bem o que ela queria dizer. Como uma pessoa virava um anjo? Mas quando vi minha vó em um caixão e que ela não foi mais nos visitar, eu entendi que ela nunca mais iria voltar. Foi difícil, muito difícil, dona Ana me levou para o enterro dos meus pais. “Eu não pude vê-los porque o carro tinha explodido e seus corpos ficaram quase irreconhecíveis. Dois dias depois duas assistentes sociais me levaram para o orfanato. A última lembrança que tenho deles é do abraço forte que ambos me deram e do "eu amo você" que eles disseram no final.
- Eu sinto muito, - O homem pegou em sua mão e entrelaçou seus dedos aos dela apertando sua mão levemente.
- Sabe, eu fui feliz no orfanato, mesmo esperando arduamente para ser adotada. - Eles olharam para algumas fotos onde estava cercada por algumas crianças e freiras. - Essa ali é Emma, era minha melhor amiga no orfanato. - Apontou para uma foto onde estava abraçada com uma garotinha, as duas tinham o mesmo tamanho, elas deveriam estar na casa dos seis anos. - Um mês depois dessa foto ela foi adotada. Emma me visitou umas duas ou três vezes, então nunca mais apareceu.
- Você era uma criança adorável, aposto que conquistava todos os garotinhos. - Ela riu e deu um leve empurrão em . - Você lembra muito dos seus pais?
- Um pouco. Eu me esforcei todos esses anos para não esquecer nada do que eu lembrava, quando aprendi escrever eu escrevia sempre sobre eles. O que eles gostavam, o que eles faziam... Meus pais eram extremamente carinhosos, não sei se eles brigavam, nunca presenciei uma briga. Ele sempre dava flores para ela e todos os dias dizia que nos amava e que éramos as mulheres mais importante de sua vida. Eu não sei do que ele trabalhava, mas minha mãe era dona de casa, me lembro que brincávamos todos os dias no jardim e cuidávamos das flores, a casa sempre estava repleta delas. Minha mãe era delicada e cuidadosa, meu pai era brincalhão e sempre nos alegrava, não gostava de nos vê triste de forma alguma. Nós dizia que éramos seu sol particular. - acariciava levemente a mão de com seu polegar enquanto a observava atentamente, admirando seu sorriso e como seus olhos brilhavam.
- Eu adoraria ter conhecido eles. - A mulher olhou para e sorriu.
- Aposto que eles gostariam de você, eles gostavam de todo mundo que me fazia bem. - Ela sentiu suas bochechas pinicarem assim que terminou a frase e sorriu levemente.
- Eu já vou indo. - Ambos andaram até a porta e a abriu indo para fora com . Notou que sua mão ainda estava na dele e tentou conter um sorriso. - Qualquer coisa você pode me ligar, ouviu? - Ela assentiu. O soltou sua mão da dela e lhe abraçou, fechou os olhos e respirou profundamente sentindo o cheiro maravilhoso da mulher.
afastou-se, desejou boa noite para ela e entrou em seu carro. entrou na cabana e fechou bem a porta, caminhou ate o quarto e deitou-se na cama abraçando sua filha. Meu Deus, e aquele sorriso que não queria desaparecer de seus lábios, e aquela sensação gostosa que se apoderou de todo seu corpo, e aquela vontade de estar perto e nunca mais ir embora... Era muito bom.
acordou sentindo sua filha puxar sua blusa, com certeza na intenção de mamar, ela sempre fazia aquilo. Então a mulher abriu os olhos aos poucos e deparou-se com filetes de luz entrando pela janela. Pegou seu celular para olhar as horas e sobressaltou-se ao notar que estava atrasada, mais que atrasada. Viu as chamadas perdidas de e e levantou-se rapidamente da cama correndo ate o armário para pegar sua roupa enquanto telefonava para . No primeiro toque o homem atendeu.
- , está tudo bem?!
- Sim, sim. Desculpe, eu não ouvi o despertador e acabei acordando agora, mas já estou me arrumando para...
- Não! - Ela sentiu o pavor na voz de . - Não, fique aí e se certifique que as portas e janelas estejam bem trancadas. - Ela franziu o cenho.
- Não estou entendendo.
- Está acontecendo uma perseguição policial por essas áreas, os bandidos vieram de outra cidade. Está todo mundo trancado em casa ou em seus estabelecimentos e ninguém pode sair ate segunda ordem.
- Meu Deus. - Ela levou a mão desocupada ate a boca. - Eles feriram alguém?
- Por sorte não. - Alexia começou a chorar e foi até a cama pegando-a e colocando-a em seu colo. - Ela está bem?
- Sim, ela só quer mamar.
- Certo. Assim que for possível eu passo aí. Não se aproxime nem da porta, por favor, .
- Não vou, prometo .- Despediram-se e desligaram.
ajeitou Lexi em seu colo e liberou um de seus seios para que sua filha pudesse mamar, acariciou os cabelos loirinhos da criança e segurou em sua pequena mão depositando um beijo sobre a mesma.
Ela não sabia ao certo quanto tempo havia passado, mas estava nervosa, andava de um lado ao outro da sala roendo a unha de seu dedo mindinho. Ouviu batidas rápidas na porta e seu corpo retesou-se, mas seu alivio foi imediato ao ouvir a voz de pedindo que ela abrisse. imediatamente o fez e antes de qualquer coisa, a abraçou. Ela ouviu a porta sendo fechada e aspirou todo o cheiro que o exalava. Ele a abraçou apertado e a mulher sentiu um beijo sendo depositado em seus cabelos, logo depois ele afastou-se e a olhou atentamente como se procurasse por algum errado.
- Você está bem?
- Só um pouquinho nervosa. – Suspirou. - Eu ouvi barulho de tiro, eles estavam perto.
- Graças a Deus isso acabou. - O tirou suas mão do rosto dela e acariciou ternamente seus braços. Olhou para Alexia que estava sentada no tapete e batia palmas enquanto assistia um desejo qualquer que passava na TV. Ela gargalhou e o som reverberou pela sala.
- Ela está rindo desde a hora que acordou, e fazendo bagunça e me chamando toda hora.
- Mamã. - olhou para a filha e riu. Alexia olhou para e sorriu radiante apontando um dedinho gordo em sua direção.
aproximou-se de Alexia e pegou-a, depositou um beijo terno na bochecha da garotinha e sentou-se no sofá. imediatamente o seguiu e sentou-se ao lado do , sem pensar muito encostou-se nele e colocou as pernas sobre o sofá. a abraçou pela cintura e ela encostou a cabeça no ombro do homem. Sentiu-o acariciando levemente uma linha de sua pele que sua blusa não cobria e sentiu todo seu corpo relaxar como se aquilo fosse a coisa mais certa do mundo.
- Eu fiquei com um pouco de medo deles tentarem entrar aqui.
- A perseguição começou às seis da manhã, não posso nem imaginar o que poderia ter acontecido se você tivesse saído. - estremeceu com a possibilidade.
-Eu não sei o que aconteceu, não lembro de ter ouvido o despertador. Eu simplesmente apaguei por causa dessa madrugada. -Lexi voltou a gargalhar do desenho e apontou para a televisão. segurou a mão da filha e acariciou a pele macia enquanto a garotinha recostava-se no peito de .
- Se lembra que eu disse que Mike havia acordado chorando em uma madrugada e eu e Missy não sabíamos o que ele tinha? - assentiu. - Naquele dia, ela ia viajar para encontrar com uma amiga de escola, mas ela dormiu demais e acabou perdendo o ônibus, duas horas depois descobrimos que o ônibus que ela ia pegar perdeu o controle e caiu de uma grande altura. Não houve nenhum sobrevive. - o olhou surpresa e logo depois voltou sua atenção para Alexia.
- Eu não sei nem o que dizer.
- É apenas surpreendente. - assentiu.
Ficaram em silencio olhando para a televisão, a mão de ainda acariciava sua pele macia, e ela ainda estava grudada nele como se sua vida dependesse disso. Enquanto a programação era mudada, a tela da TV ficou por alguns segundos negra, mas o tempo foi o bastante para os dois verem seus reflexos refletidos ali e o fato de que a imagem refletida era de uma verdadeira família surpreendeu .
Ela ainda achava que não podia alcançar os doze anos de maturidade que a separava de , ela ainda tinha medo de um relacionamento, ela ainda tinha uma pitada de duvida sobre a perfeição que era. Mas de repente ela passou a se perguntar...
Por que não?

***


No dia seguinte, havia aparecido para trabalhar no horário de sempre. O restaurante estava movimentado e as pessoas ainda estavam assustadas pelo que havia acontecido no dia anterior. depositou um pedido sobre uma das mesas e sorriu enquanto afastava-se, caminhou ate a cozinha e deparou-se com colocando uma de suas sobremesas na geladeira.
- Hey. - sorriu para a mulher e se aproximou para dar um de seus costumeiros abraços apertados em .
- Hey, . Fico muito aliviada que você não tenha saído de casa ontem, estava uma pilha de nervos. Ele só não saiu para ir atrás de você porque eu o impedi e você ainda por cima não atendia ao celular.
- Eu apaguei, não sei o que aconteceu.
- Mas o importante é que está tudo bem. - assentiu e ergueu a sobrancelha.
- Você está estranha, não sei... - deu um sorriso radiante e olhou de um lado ao outro.
- Você promete guardar um segredo?
- Claro.
- Vem cá. - A mulher puxou para uma porta que dava para os fundos do restaurante e ficou satisfeita quando viu que elas eram as únicas ali - Eu acho que estou grávida. - abriu a boca em choque e piscou atônica, logo depois abriu um grande sorriso e apertou a mão de .
- É serio? - A mulher mordeu o lábio inferior enquanto assentia.
- Minha menstruação está atrasada dois meses e estou sentindo muita fome e muito sono, fora que as coisas com estão mais quentes. Não me sinto enjoada e nem tonta, mas fiz o teste de farmácia e deu positivo ai quero fazer o exame de sangue para não ter nenhuma dúvida. Você vai comigo?
- Claro que sim.
- Pode ser hoje depois que você sair?
- Tudo bem, só passo para pegar Lexi e nós vamos.
- Certo, vou levar Milla também. Ela é boa para guardar segredo, quero fazer surpresa para .
- Aposto que ele vai ficar louco. - As duas riram.
, , Milla e Lex estavam na sala de espera de um consultório esperando o resultado do exame de sangue de . Ela balançava a perna incansavelmente enquanto mordiscava a unha do dedão. Quando a enfermeira que havia a atendido saiu por uma das portas, saltou de seu lugar e aguardou a mulher rechonchuda chegar até ela.
- Parabéns, você vai ser mamãe. - A mulher sorriu radiante pegando de surpresa a enfermeira quando lhe deu um abraço. largou a mulher e abraçou , Milla logo fez parte daquele abraço também envolvendo a cintura de com seus braços e a apertando com força.
- Eu vou ganhar um irmãozinho!
- Lembre-se, nada de contar para o .
- Claro.
- Vamos fazer um jantar e contar para ele nós duas, o que você acha?
- Acho maravilhoso! - sorriu e depositou um beijo na testa da menina. Então voltou-se para e pegou Alexia de seus braços. - Está vendo Lexi? Você vai ganhar um priminho, ou priminha. - A mulher sorriu de forma marota para e ela balançou a cabeça em negação.
- Realmente você não tem jeito mesmo. - gargalhou e piscou para .
- Só melhoro a cada dia.
saiu do quarto ao constatar que sua pequenininha havia dormido e fechou a porta com cuidado. Caminhou até a cozinha, abriu a geladeira pegando uma jarra de água e depositou um pouco dentro de um copo, bebendo logo em seguida. Apagou a luz do cômodo e caminhou até a sala onde a TV estava ligada mostrando cenas de um filme qualquer.
A mulher parou de frente a parede onde estava colada suas fotos e cruzou os braços, olhando atentamente para cada fotografia enquanto sorria ternamente. Olhou para uma onde estava Maya e ela em seu chá de bebê, um grande sorriso no rosto e olhos brilhantes deixou aquela imagem muito boa de ser ver. vestia apenas um top e em sua barriga estava escrito "Alexia" com vários corações, flores e lacinhos em volta. Olhou para a mão de Maya que estava protetoramente sobre sua barriga. Ela vestia um de seus incontáveis vestidos e como sempre estava espetacular.
A mulher sentiu seus olhos arderem e sabia que logo as lágrimas se libertariam. Ela estava com tantas saudades de Maya que não tinha nem como descrever. Seu peito doía só de lembrar da mulher que lhe havia arrancado tantos sorrisos mesmo quando ela não tinha a menor vontade de sorrir. Maya era sempre tão alto astral que nem parecia que ela havia passado por poucas e boas. não sabia nada de Maya desde que conseguiu se livrar daquela vida, ela sabia que podia ligar, mas sentia que ainda não era hora para aquilo.

- Abre esse, , abre esse! - pegou das mãos de uma das mulheres que estavam ali um pacote cor de rosa brilhante. O rasgou sem nenhuma cerimônia e tirou dali dois vestidinhos, um amarelo com babados brancos e outro vinho com desenhos de passarinhos na cor rosa claro.
Agradeceu pelo presente e colocou-o junto aos vários outros que havia ganhado.
O chá de bebê estava indo muito bem. havia saído cedo de casa e logo depois Maya havia aparecido para ajudar, elas decoraram um canto da sala com balões rosa, roxo, azul claro e marrom, enfeitado a mesa e preparado mini cachorro-quente, sanduíches, brownies, cumpcakes, cookie, um bolo e outras delicias. Algumas horas depois as outras mulheres haviam chegado carregando diversos presentes e teve a certeza que o quarto de sua filha já estava completamente completo e não teria que comprar mais nenhum pacote de frauda sequer.
Maya levou a última convidada até a porta enquanto terminava de recolher alguns copos. A sala estava parcialmente arrumada e Maya a ajudou com mais algumas coisas antes das duas subirem para o segundo andar e entrarem no quarto de Alexia carregando todas as coisas que havia ganhado.
- Meu Deus, tem muita coisa para lavar.
- Eu ajudo você. Levo uma boa parte das roupas para casa e quando estiverem secas e passadas eu trago de volta .
- Vou aceitar sua ajuda porque realmente não estou com disposição para lavar tantas coisas.
As duas arrumaram os pacotes de fraudas por ali, a banheira, os produtos de higiene do bebê e mais algumas coisas. Então Maya parou na frente do grande espelho que ficava grudado em uma das paredes do quarto e chamou para seu lado. Colocou a mão sobre a barriga dela e tirou uma foto ficando satisfeita com o resultado. A mulher pegou a sacola onde havia colocando as roupinhas e saiu do quarto, as duas se abraçaram apertado na porta da frente e agradeceu mil vezes pela ajuda de Maya.
A mulher fechou a porta e foi para o segundo andar tomar um banho para tirar toda aquela tinta e suor. Minutos depois que entrou no chuveiro ouviu uma forte batida na porta e a voz de dizendo que estava ali. Ela suspirou querendo fortemente que o tempo voltasse ou que houvesse mais dias como aquele, divertidos e sem . Saiu do banho porque sabia que não podia ficar para sempre ali, vestiu sua calcinha e um short bonito e soltinho de pano, suspirou ao olhar para o sutiã e o colocou com relutância. Queria muito ficar sem aquilo, seus seios estavam inchados e doíam, mas não aprovava que ela ficasse sem aquela coisa. Vestiu uma blusa soltinha e confortável, penteou os cabelos e finalizou passando perfume.
Caminhou até o quarto de Lex e entrou no mesmo não se incomodando em acender as luzes, caminhou até o armário e tirou do fundo dele uma lata, enfiou a metade do dinheiro que havia lhe dado para comprar as coisas do chá de bebe ali dentro e guardou a lata saindo do quarto rapidamente. olharia a nota do mercado, mas não tinha problema porque Maya havia feito questão de pagar metade das compras - mesmo lutando para não aceitar - então ela viu naquilo uma forma de ficar com metade do dinheiro sem saber.
- Sobrou algumas comidas e eu deixei para você sobre a mesa.
- Aquelas putas demoraram muito? - estremeceu pela forma que o homem falou e percebeu que ele estava bêbado.
- Fazem umas duas horas que elas se foram.
- Bom, elas ao menos foram úteis ou as vadias mal trouxeram fraudas?
- Você não vai ter que se preocupar com nada durante uns dois anos.
- Excelente. Ao menos essa palhaçada serviu para alguma coisa. Vai pegar a comida e trás aqui. Cadê a nota do mercado?
- Está sobre o criado mudo junto com o troco. - saiu do quarto e suspirou enquanto ia para a cozinha sonhando com o dia que finalmente teria dinheiro suficiente para sair daquele inferno de vida.

estava sentada confortavelmente em seu sofá com uma manta sobre seu corpo, seus olhos estavam vidrados na TV, a lareira que havia no canto da sala esquentava todo o lugar impedindo que o frio da noite a incomoda-se. Ouviu uma batida na porta e franziu o cenho, levantou-se e aproximou-se da porta.
- Quem é?
- . - A mulher sentiu o costumeiro frio na barriga que o homem lhe causava e sua nuca arrepiar. Abriu a porta tentando conter um sorriso e olhou para que estava com uma mão no bolso do casado enquanto a outra carregava uma sacola. - Boa noite.
- Boa noite. - O sorriso de finalmente ganhou a batalha. Ela deu passagem e entrou, a mulher fechou a porta com a chave e o trinco e voltou-se para o que a encarava sorrindo.
Céus! Por que ele tinha que ser tão lindo?
- Desculpe a hora. É só que estava testando uma receita de sopa e achei o resultado muito bom, eu precisava compartilhar essa maravilha com alguém.
- Fico feliz por eu ter sido esse alguém. Vamos ate a cozinha.
-Lexi está dormindo?
- Sim, já deu a hora dela.
A mulher pegou dois pratos no armário e colocou a vasilha que estava a sopa sobre a mesa, abriu-a e sentiu a boca encher-se de água ao sentir seu aroma. O homem distribuiu a sopa nos pratos e pegou dois pedaços de pão que também havia levado.
- Você prefere comer aqui ou na sala?
- Na sala, está passando um filme ótimo. - Os dois pegaram seus pratos e sentaram-se no sofá compartilhando a manta que antes só estava usando. Ele havia tirado os sapatos para ficar mais confortável e ambos começaram a comer a sopa enquanto vez ou outra comentavam sobre o filme.
- Isso estava dos deuses! Vai entrar no cardápio do restaurante?
- Já que você aprovou, com certeza vai estar lá. - Piscou um dos olhos e a mulher sorriu.
levou os pratos para a pia e voltou com um copo de água para , voltou a sentar ao lado do e aquela sensação de ficar grudada nele estava ali novamente. Logo sentiu o braço dele ao redor de sua cintura e ficou feliz ao se acomodar a ele da forma que queria.
queria tanto beijar aquela mulher que ele não sabia quanto tempo mais ele conseguiria ficar sem fazer aquilo, era óbvio que algo estava acontecendo ali e ele queria como ninguém que realmente acontecesse, já não dava mais para negar, para colocar empecilhos. Ele queria aquela mulher mais do que qualquer coisa no mundo. Mas esperaria o tempo de . Ele sabia que ela tinha guerras internas e algo que imensamente a incomodava, ele queria que ela se sentisse livre com ele, que se sentisse bem e também o quisesse, só assim aquilo entre eles daria certo.
acordou desnorteada, piscou os olhos algumas vezes e notou que estava na sala, então sentiu uma respiração leve contra o topo de sua cabeça e notou que ainda estava ali. E não somente isso, notou também que estava praticamente em cima dele. O estava deitado de barriga para cima e metade do corpo de estava sobre o corpo dele, a perna esquerda dela repousava sobre as pernas dele e sua cabeça estava no peito do , os braços dele firmemente ao redor dela. Ela exclamou surpresa e o olhou enquanto ele tinha os olhos fechados e respirava brandamente em um sono tranquilo. A televisão ainda estava ligada por isso pegou o controle que estava atrás de seu corpo e desligou. A mulher mordeu o lábio inferior e pensou em levantar-se e ir deitar em sua cama, mas então ela tinha aquela vontade incontrolável de estar ali com ele, sentindo seu calor, sua respiração, seu cheiro tão maravilhoso. Ela ergueu a mão e com delicadeza deslizou seu dedo indicador sobre sua bochecha, seguiu pelo nariz e desceu para seus lábios. Ó, sim, ela queria muito tocar ali. Sentiu a carne quente e macia e um calafrio subiu por sua espinha. mexeu-se e parou completamente, sentiu o aperto em sua cintura e logo depois relaxou percebendo que ele continuava a dormir. Ela voltou a deitar a cabeça sobre o peito dele e suspirou enquanto fechava os olhos e carregava um sorriso tranquilo.


Capítulo 10


sentiu o cheirinho bom de café fresco e seu estomago roncou. O bocejou, espreguiçou-se e abriu os olhos. Franziu o cenho ao se deparar com um teto diferente do teto de sua casa, olhou para os lados meio confuso... E ele estava na casa de .
Havia dormido ali e mal se lembrava da hora que pegou no sono. Logo ele que demorava tanto para dormir. Coçou o olho esquerdo e alcançou seu celular na mesinha ao lado do sofá para ver as horas e assustou-se ao perceber que já era tão tarde. Fazia tempo que ele não dormia tanto, mal conseguia lembrar, e naquele momento ele se sentia tão bem, tão relaxado como se um grande peso houvesse saído de seus ombros.
O homem sentou-se e mexeu em seus cabelos sabendo que eles deveriam estar parecendo um ninho, ouviu a risada de Alexia vindo da cozinha e logo em seguida a de . Ele sorriu levemente e levantou-se caminhando até onde as duas estavam. Parou no batente da porta e cruzou os abraços enquanto abria um sorriso terno. parecia fritar ovos e Alexia estava perto da mesa comendo algo que ele não soube identificar. A mulher virou-se e ao ver no batente e sorriu.
- Bom dia.
- Hey, bom dia. – Lex soltou um gritinho fino e engatinhou até o homem. Ele sorriu amplamente e pegou a garotinha no colo.
- Olá, bonequinha. - Depositou um beijo na bochecha rosada da garotinha e foi pego de surpresa por ela, que lhe deu um beijo na ponta de seu nariz. gargalhou e desligou o fogo colocando os ovos e alguns bacons sobre um prato.
- Ela estava doida para acordar você, mas você estava dormindo tão bem que eu achei melhor segurá-la, mas estava muito difícil. Ela tem uma coisa por você, acho que estou com muitos ciúmes. - sorriu.
- Ahh, mas não precisa. Tem Lex para todo mundo, não é, pequenininha? - A garotinha sorriu como se entendesse o que o homem estava dizendo. - Nossa, fazia um tempo que eu não dormia tão bem, não consigo nem lembrar a última vez que isso aconteceu.
- Você parecia uma pedra. - riu e colocou o restante do café da manhã sobre a mesa farta com algumas torradas cobertas por Nutella e geleia de morango, um pote com salada de frutas, panquecas com cauda de chocolate e pedaços de morango e ovos e bacon, fora o café e um suco de abacaxi.
- Nossa, acho que estou me sentindo honrado com esse banquete.
- É para se sentir mesmo, eu caprichei. Sente-se. - sentou com Lex em seu colo.
- Desculpe por ter dormido aqui...
- Imagina, não tem que se desculpar por nada.
Os dois desfrutaram o café da manhã enquanto conversavam sobre eles, sobre seus gostos, seus prazeres... achava aquela mulher extraordinária, não conseguia parar de olhá-la e sabia que estava com aquela feição abestalhada que não largava mais dele.
- Você sabe que a está grávida? - disse e o olhou.
- O já sabe?
- Sim, ele me ligou no momento que ficou sabendo. Pelo jeito você já sabia.
- Eu fui com ela fazer o exame. Ela estava nervosa, disse que queria fazer surpresa para , eu achava que ela iria esperar um pouco mais para dar a notícia.
- Aquela ali não consegue guardar nada, ela sempre tem que espalhar para o mundo suas descobertas. - riu enquanto balançava a cabeça em negação.
- Vocês se amam tanto, é tão perceptível. - Foi a vez de rir.
- Implicamos um com outro, mas eu não sei o que seria de mim sem ela.
- Você não tinha que está no restaurante?
- Você está me expulsando?
- Não. – riu. – Só estranhei você ainda estar aqui.
- sabe se virar sozinho e ele está todo abestalhado, não quero ouvir pela milésima vez que ele será pai com aquela cara de quem andou experimentando coisas ilícitas.
- ! – Os dois gargalharam.
- É verdade. – O deu um pedacinho de torrada para Lex. – Eu estava pensando de darmos uma volta, geralmente acho as manhãs lindas demais para perdê-las dentro de uma casa. – sorriu disfarçadamente com o nervosismo que tentava esconder enquanto brincava com a mãozinha de Lex e olhava atentamente para a garotinha, e não para .
- Podemos ir à praia? Estou doida por um sorvete. – olhou para ela e sorriu.
- Praia me parece muito bom.
- Okay, então vou me arrumar e arrumar Lex também. – pegou a filha dos braços do homem e seguiu para o quarto. resolveu tirar a mesa enquanto a esperava e colocou as louças sujas na pia.

Estava frio. estava sentada na areia fofa da praia abraçando seu próprio corpo, o vento chicoteava seus cabelos jogando-os para todos os lados enquanto a mulher observava com um sorriso fugindo das ondas com Lex nos braços. A garotinha gargalhava feliz pela brincadeira e sentia algo quente dentro do peito. Aquela cena era uma coisa linda para os olhos. Ela via como Alexia gostava de , se arriscava a dizer que ela o amava e ele também parecia ter sentimentos fortes pela garotinha. Era em momentos assim que ela pensava como seria a vida dela se estivesse com . Ela sentia receio, claro que sim, a mulher descobriu com o passar do tempo que ninguém é de confiança, ela descobriu que na verdade as pessoas são lobos em pele de cordeiro. sabia que também não podia generalizar, é claro, mas a mulher não colocava sua mão no fogo por ninguém.
Ela observou gargalhando e não conseguiu conter um sorriso. Ele é tão lindo, seu sorriso tão bom de se ver e ouvir, os cabelos pareciam sedosos e estavam constantemente sendo bagunçados pelo vento.
tinha um porte tão atlético que as vezes pegava-se pensando em se enganchar nele e não larga mais. Ela riu de seus pensamentos. Será que a falta de um homem já estava a afetando? Quer dizer, a vida sexual dela e de não era muito boa; para ele poderia até ser, mas para ela não, a mulher nem conseguia se lembrar quando foi a ultima vez que sentiu prazer. Talvez tenha acontecido no começo do namoro deles, quando ele se preocupava em satisfazê-la. Mas há muito tempo ele já não se preocupava com aquilo. sabia que gostava dela, ela não era boba, quer dizer, não mais... mas não sabia se estava pronta para se relacionar com alguém, mesmo esse alguém sendo , um cara que demonstra carinho pela filha, por ela, que a ajudou desde que ela chegou à Southport sem pedir nada em troca, que é elogiado por todos... Arght! Qual era o problema dela, afinal? a destruiu tanto assim? merecia ser feliz e ela iria ser custasse o que custasse.
levantou-se e caminhou até parando ao seu lado. Lex estendeu os braços para e ela pegou a garotinha depositando um beijo carinhoso em seus cabelos claros.
- Está se divertindo, meu amor? – Lex balançou os pezinhos.
- Tudo para ela é divertindo. – O vento soprou forte e mordeu o lábio, então estremeceu levemente aproximando-se mais de . – Está tudo bem?
- Sim, só um pouco de frio.
- Quer meu casaco? – O homem já iria tirá-lo, mas ela o parou.
- De jeito nenhum, aí é você quem vai ficar com frio.
- Vamos para a sorveteria, então? Lá deve estar mais quente.
- Queria tanto ficar um pouco mais aqui.
- Mas enquanto ao frio?
- Eu suporto, mas... acho que ouvi dizer que calor humano ajuda, então acho que se você me abraçasse resolveria. – Meu Deus, , não acreditava que tinha dito mesmo aquilo. observou as bochechas vermelhas da mulher enquanto ela olhava para o mar e tentou conter o sorriso, mordendo o lábio inferior e pigarreou.
- Acho que você tem razão. – Ele então levou o braço direito até a cintura dela e trouxe o corpo da mulher para mais perto do seu.
sentiu-se tremer – dessa vez o tremor nada tinha haver com o frio – e torceu para que não tivesse notado. Ela tinha que parar de ser tão boba, aquelas sensações eram todas tão pré-adolescente que estava lhe dando nos nervos. A mulher sentia a mão de quase lhe alcançando a barriga. O estava quente apesar do frio e ela estava gostando muito de senti-lo.
nem acreditava que estava com ali daquela forma. Eram incontáveis as vezes que ele se imaginou assim com ela... O cheiro gostoso dela invadia suas narinas e ele respirou profundamente.
- Está bom assim? – Ela o olhou e sorriu ternamente.
- Está sim, obrigada. – se aconchegou mais nele e passou o braço esquerdo pela cintura dele enquanto segurava Lex com o outro. Ahh sim, agora estava perfeito.
Os dois observavam o mar e suas ondas furiosas, o céu nublado, o horizonte que era tão, tão infinito. É impressionante como esse mundo é grande, como parecemos tão insignificantes diante dele, como existem tantos lugares e crenças e raças... E de tanto lugar que poderia ir, ela parou logo ali, naquele mundo dentro daquela pequena cidade, com pessoas boas e de vida calma. Ela agradecia tanto por isso.

Um mês depois...


O dia de ação de graças aproximava-se rapidamente, logo o Natal e Ano Novo também daria suas caras. Alexia estava com dez meses e fez três meses de gestação. Ela e estavam radiantes, apesar do homem já ser pai parecia que aquele seria seu primeiro filho. Milla estava se saindo uma boa irmã, cuidando de e perguntando sempre como estava o bebê. E o bebê ia muito bem, seu coração era forte e a gravidez corria sem problema nenhum.
ouviu gargalhadas vindas da cozinha e alguns resmungos juntamente com barulho de panelas. Com certeza estava aprontando com Alexia por ali e os funcionários não estavam nada contentes. A mulher sorriu e balançou a cabeça em negação. Milla não podia mais tomar conta de Lex por conta da escola, Rose voltou a cuidar da garotinha, mas a pensão estava em uma boa época e havia dias que não dava para tomar conta de Lex, por isso levava a filha para o trabalho e nos dias que fazia isso, empurrava todo o serviço para e os ajudantes de cozinha para poder ficar com a garotinha mesmo que não aprovasse essa ideia.
- Seus funcionários vão expulsar você daqui. - olhou para e sorriu.
- Eles gostam quando eu faço bagunça por aqui, eles pensam que eu não sei disso. Hey, eu e Lex temos algo para mostrar para você. Vamos lá, bonequinha. - apoiou a menina em pé contra suas pernas e os observou de onde estava. Alexia começou a mover-se, mas em seu terceiro passo ela caiu. Sua mãe iria ajudá-la a se levantar, mas impediu, a garotinha olhou para ele como se lhe perguntasse o que ela teria que fazer e como das outras vezes que ela também caiu.
Ele apenas sorriu para ela, então ela sorriu de volta e levantou-se balançando um pouco para frente e para trás tentando se firmar. Depois olhou para a mãe e sorriu estendendo os bracinhos e caminhando devagarzinho até alcançar as pernas da mulher.
sentiu borboletas no estômago ao ver o grande sorriso que iluminava o rosto de . Meu Deus, borboletas no estômago... Ele poderia ser mais gay do que isso? Ele viu a mulher apertando a filha em seus braços enquanto a garotinha gargalhava e tentava empurrar o rosto da mãe que lhe enchia de beijos.
- Não acredito que você andou, meu amor. – Ela olhou para sorrindo, mas logo em seguida franziu o cenho. - Isso não era para acontecer só quando ela fizesse um ano?
- Acho que Lex vai ser uma criança avançada e esperta.
- Meu Deus, agora que ela vai ficar impossível mesmo. - riu. – Já estou até me vendo correndo atrás dessa garota para cima e para baixo.
- Ela é boazinha. – Ele se aproximou e acariciou os cabelos macios da bebê. – Aposto que ela vai se comportar direitinho.
- Assim espero.
- Até porque você não tem mais idade para essas coisas. – Tentou conter o riso brincalhão vendo a expressão de .
- Olha quem fala, vovô. – Ele a olhou indignado e gargalhou. – Foi você que começou. Mudando de assunto... Já que você e pretendem fazer toda a comida do Dia de Ação de Graças, posso fazer a torta de maçã? É receita de uma das irmãs do orfanato onde cresci e é maravilhosa.
- Claro, aposto que você vai fazê-la direitinho.
- Vou voltar para o trabalho. E você vê se não fica bagunçando por aqui.
- Nossa, mas já está mandona desse jeito? Toma cuidado, irmão. - olhou para trás e sorriu para sentindo suas bochechas esquentarem um pouco. - E Lex faz uma bagunça muito boa, esse povo rabugento briga, mas sei que eles gostam. – A mulher entregou Alexia para já que a garotinha estava apontando o dedinho gordinho para ele.
- Certo, então se comportem o máximo que der.
- Sim, senhora.
- E como vai a experiência de ser pai? – Ela virou-se para e viu o sorriso bobo que ele carregava.
- Maravilhosa. O bebê nem nasceu e eu já não me vejo sem ele. E é do tipo tranquila, ela ainda não teve nem um desejo absurdo, não reclama de nada e está uma loucura na cama. – A última parte ele sussurrou, fazendo e rirem.
- Espere só até a barriga dela ficar maior, você vai enlouquecer.
- Cara, já tive essa experiência uma vez e estou preparado para tudo.
- Mamã. - olhou para a filha que apontava para uma torta de chocolate que estava sobre o balcão.
- Agora não, meu amor. – A menininha fez bico.
- Ahh, ... Olhe isso. O que é que tem dar só um pedacinho para ela? Ela já almoçou e comeu tudo, juro. – O fez cara de cachorro pidão fazendo com que tentasse conter um sorriso enquanto balançava a cabeça em negação.
- Só um pedacinho, não quero que ela tenha dor de barriga.
- Certo, um pedacinho. – A mulher riu e saiu da cozinha voltando ao trabalho.
aproximou-se de uma mesa e reconheceu de imediato o sorriso que foi lançado para ela.
- Olá - disse Luke.
- Oi. Fazia algum tempo que eu não o via por aqui.
- Tive que fazer uma rápida viagem, mas como as coisas com a casa ainda estão em andamento, não posso ficar longe.
- Entendo. Já sabe o que vai pedir?
- O prato do dia e para beber, um suco de maracujá. - anotou o pedido e se afastou, entregou o pedido para que estava na bancada e ficou por ali já que não tinha mais mesas para atender.
- Hey, , mês que vem eu vou comprar as roupas para o bebê. Você me acompanha?
- Claro, mas você não ia esperar para saber o sexo?
- Tenho uma consulta daqui duas semanas e vamos poder descobrir. - Ela sorriu. - Quero muito que seja uma menininha. quer menino, mas é como dizem, vindo com saúde é o que importa.
- Com certeza e pelo visto se for mesmo uma menina já tenho peninha dela. – riu.
- Ela vai ser poderosa.
- Você vai transforma a menina em uma perua.
- Só um pouquinho. – As duas riram. – E será outro babão, já estou até vendo que vou ter que colocar limites.
- Limites? Eu achava que você desconhecesse essa palavra.
- Está bem – disse derrotada. – Talvez Milla terá que colocar limites em nós dois. – gargalhou.

***


saiu do restaurante com Alexia em seu carrinho e sentiu alguém tocando em seu ombro. Olhou para trás e deparou-se com Luke.
- Oi. - Ela franziu o cenho.
- Minha mãe está convidando você para um lanche.
- Sua mãe? - Ela perguntou confusa.
- Rose, a dona da pensão. - arregalou os olhos.
- Dona Rose é sua mãe?
- Desde o dia que eu nasci. - Sorriu mostrando seus dentes brancos.
- Eu não sabia que ela tinha filho.
- Tem dois, mas eles são meio ingratos. Vamos lá.
Os dois caminharam até a pensão. Não conversaram muito porque se sentia um pouco desconfortável. Não o conhecia muito bem e se sentia muito envergonhada com os olhares que ele lançava para ela.
– Minha mãe fala muito de você e ela tem aquela expressão de mãe babona. Eu falei de você para ela e descobrimos que estávamos falando da mesma pessoa.
- Eu gosto muito dela. – sorriu com carinho e ignorou o fato do homem falar dela para sua mãe. – Ela me ajudou muito quando cheguei aqui.
- Fazia tempo que eu não vinha para Southport. Desde que meus tios disseram que iam pagar os meus estudos e do meu irmão em uma boa escola, meus pais que sempre iam nos visitar, mas como meu trabalho me trouxe até aqui, resolvi ficar mais perto deles.
- Eles são muito dedicados à pensão.
- Aquela pensão é a vida deles. Eles a ergueram quando eu era bebê e foi com ela que eu e meu irmão fomos criados. Aqui estamos. - olhou para a fachada do lugar e sorriu. A mulher e Luke depararam-se com Rose na recepção e a senhora abriu um grande sorriso ao vê-los.
- Olá, querida.
- Oi, dona Rose. - se aproximou da mulher e a abraçou.
- Desculpe estar deixando-a na mão com Lex.
- Imagine, eu entendo que a pensão está em uma boa fase.
- E a pequena está ficando com quem?
- Eu a levo para o restaurante. larga tudo para ficar com ela.
- Ahh sim. . - A senhora sorriu ternamente. - Ele e Lex parecem se dar bem.
- Ela o adora. - Sorriu.
- Vamos lá tomar o café da tarde. - Os três e Lex seguiram para onde as refeições eram feitas na pensão, sentaram-se em uma mesa que Rose já havia preparado e serviram-se de mine sanduíches e xícaras quente de chá. - Se decidiu ficar mesmo por aqui, querida?
- Como assim? - Luke olhou para a mais nova.
- é uma aventureira, meu filho. Se mudou sozinha com a filha para essa cidade, decidiu isso quando estava dentro de um ônibus que ela nem sabia seu destino final.
- Eu queria arriscar, mudar um pouco.
- Entendo. Eu também me arrisquei quando terminei a faculdade e resolvi sair pelo mundo apenas com uma mochila nas costas.
- Serio? – arregalou os olhos.
- Sim, a experiência foi maravilhosa.
- Esse menino me deixou de cabelo em pé. Onde já se viu sair por ai de país em país com apenas uma mochila nas costas?
- Foi a melhor coisa que eu já fiz, mãe.
- Deve ser mesmo fantástico. – tomou um gole de chá.
- Você nunca teve vontade de fazer algo assim? – Luke a olhou.
- Não, e por incrível que pareça, nunca quis conhecer outros lugares. Minha mudança para cá foi... repentina. – Pigarreou. – Queria um lugar mais quente.
- E da onde você é?
- Inglaterra. – Voltou a beber seu chá.
- Nossa, veio de longe.
- Pois é. Então dona Rose, vai passar o Dia de Ação de Graças por aqui mesmo? – Tratou logo de mudar de assunto. Não queria que nada escapasse sem querer.
- Sim, meu outro filho vai vir para cá junto com minha irmã e seu marido.
- Por que você e Lex não se juntam a nós? – Ela olhou para Luke.
- Vou passar esse dia com amigos, desculpe. – Ela olhou para Rose. – me convidou juntamente com .
- E a gravidez dela, como vai?
- Ótima. – sorriu. – Ela está ansiosa para saber o sexo.
- A mãe de está toda babona, já anunciou para a cidade inteira que será avó. – riu.
- disse que ela está tirando-a do sério com tantos cuidados.
- Deve ser maravilhoso ser avó. – Rose olhou para o filho. – Quando você me dará essa alegria, meu filho?
- Só Deus sabe, mãe. Eu ainda tenho que encontrar a mulher certa. – sentiu o olhar do homem queimar sobre si e olhou para sua filha enquanto sentia suas bochechas esquentarem.
Minutos depois estava se despedindo de Rose, dispensou a companhia de Luke até em casa alegando que passaria na casa de . Mas ela não passaria, a mulher só não queria estar com Luke porque ele a deixava sem graça; ela se sentia uma bobona ao lado dele, não queria que o homem pensasse que entre eles poderia surgir algo porque não ia surgir.
Luke é lindo, cativante, encantador, mas não é para .

estava no lugar que mais lhe trazia paz dentro daquela casa: o quarto de sua pequena Alexia Marie. Ela guardava com todo cuidado as roupas lavadas e passadas por ela e Maya, arrumava por cor e deixava as roupas maiores em baixo já que a pequenininha com certeza demoraria a usá-las.
Acabado o serviço sentou-se no tapete felpudo cor de rosa dado por Maya e começou a acariciar sua grande barriga. Faltavam dois meses para sua bebezinha vir ao mundo. O médico disse que ela seria grande e acreditava plenamente nisso, era só olhar para aquela montanha que ela carregava no abdômen. A bebê começou a mexer e sorriu.
- Hey, meu amor, como vai aí dentro? – A menina deu um forte chute e gargalhou. – Ahh, sim. Aí deve estar muito bom, não é? Quentinho, confortável... Aposto que você não quer sair daí. – A mulher acariciou sua barriga de cima até em baixo. – Não se preocupe, está bem? Sua vida fora desse casulo vai ser boa, eu prometo para você. Você será a garotinha mais feliz do mundo porque eu vou fazer com que isso aconteça, eu vou lhe dar todo o amor que eu puder nessa vida. – Riu de outro forte chute da filha. – Acho melhor você se acalmar um pouquinho mocinha, assim a mamãe não aguenta.
pegou um travesseiro que havia ali e deitou-se no tapete colocando o travesseiro de baixo de sua cabeça, fechou os olhos e suspirou. Imagens de quando seu pai lhe colocava para dormir lhe vieram à mente. O homem a arrumava de baixo do edredom e depositava um beijo carinhoso em sua testa, se ajoelhava no chão e eles conversavam por alguns minutos, papos descontraídos que faziam a garotinha gargalhar. Ela se lembrava que seu pai sempre se dirigia a ela com uma terna voz, com carinho e sempre na hora de dormir ele cantava a mesma música para ela e ela não enjoava nunca. A mulher voltou a acariciar a barriga devagarzinho e começou a cantar baixinho:
- “Nada tão belo como uma criança dormindo. Nem tão profundo como dormir sem sonhar. Nem tão antigo como o sonho dos teus olhos. Nem tão distante como a hora de acordar. Fiz meu rumo por essa terra. Entre o fogo que o amor consome. Eu lutei, mas perdi a guerra. Eu só posso te dar meu nome”.
Alexia aquietou-se.


era tão insistente que às vezes dava nos nervos de . Tantas vezes a mulher lhe disse que não precisaria buscá-la em casa, mas parecia que ele não a ouvia. Homem teimoso. sentou-se na cama para calçar suas botas. havia lhe dado-as uma semana atrás dizendo que não gostava delas e nem sabia por que havia comprado-as. E para a sorte de elas calçavam o mesmo numero e a mulher havia gostado muito das botas, assim como do suéter cinza que também havia ganho de por ela ter outro igual.
olhou-se no espelho e se sentiu satisfeita com a imagem que ele refletia. Agora sim ela se sentia bem de verdade. Caminhou até a sala e sorriu ao ver sentado no sofá com Alexia em seu colo, os dois assistiam desenho e pareciam bastante concentrados. Ela riu, o que chamou a atenção de . sentiu os olhos dele navegando por seu corpo e se sentiu quente. Seu coração deu uma leve acelerada e ele sentiu algo lá... lá embaixo. Ó, céus! Ela sentiu suas bochechas pinicarem e agradeceu por ter passado blush, assim daria ao menos uma disfarçada.
- Você está linda.
- Obrigada. – levantou-se.
- Podemos ir?
- Vou só pegar a torta. – caminhou até a cozinha e pegou a embalagem que estava em cima da mesa, voltou para a sala e encontrou a esperando do lado de fora. A mulher saiu e trancou a porta, logo depois caminhou até o carro e se surpreendeu ao ver o homem colocando Alexia em uma cadeirinha que estava no banco de trás.
- Achei que seria mais seguro para ela se andasse em uma dessas. – percebeu que o estofado da cadeirinha era rosa escuro com bolinhas lilás.
- Você comprou para ela? – O coçou a nuca em sinal de timidez e pigarreou. - Sim, espero que você não se importe. Como eu disse, é mais seguro e também vocês sempre estão andando de carro comigo. – Se pois a falar rapidamente fazendo com que prendesse o riso.
- Tudo bem, achei seu gesto muito bom. – sorriu e abriu a porta para que entrasse. As narinas da mulher foram tomadas pelo maravilhoso cheiro do perfume dele e ela respirou profundamente enquanto fechava os olhos. O entrou no carro e o ligou.
- Pronta para ir? – observou sua boca, tão vermelha e carnuda e tão bem desenhada. Engoliu em seco.
- Sim. – Meu Deus, por que sua voz saiu daquele jeito?! E por que ela estava agindo daquela forma?!
escorregou no banco e olhou para o lado de fora, ouviu começar a cantar baixinho uma música que tocava no rádio e fechou os olhos.
Ela acabaria atacando aquele homem.


Capítulo 11


observou a mesa farta e o papo que acontecia ao redor. Não havia muita gente ali, apenas ela, , Lex, , Milla, , a mãe de e uma amiga dela que não tinha família na cidade. olhou Milla brincando com Alexia e sorriu. As duas se davam muito bem. Aliás, Lex se dava bem com todo mundo, a menininha não tinha frescuras e agradecia muito por isso.
- Vinho? – A mulher olhou para o lado e viu lhe estendendo uma taça. Sorriu e a pegou.
- Obrigada. – Bebeu um pouco do liquido e voltou a observar as pessoas. – Milla não tem contato com a família por parte de mãe?
- Tem. Eles moram em Kure Beach e Milla passa dois meses de férias com eles todo o verão, seus avós a amam e ela tem muitos primos da idade dela por lá.
- Os avós dela não quiseram ficar com ela quando sua mãe morreu? Quer dizer, Milla é um pedaço da filha deles.
- Não, eles acharam melhor que ela ficasse com . Ele deixou muito claro que a queria e a família não viu problema nisso desde que pudesse ter contato com ela. Todo aniversário de Milla eles vêem aqui comemorar com ela.
- Entendi.
Algum tempo depois todos caminharam em direção á sala de jantar, admirou a mesa bem arrumada por e sua mãe. Há muito tempo ela não via algo daquele tipo, mais especificamente desde que havia saído do orfanato. No lar onde cresceu as freiras arrumavam duas grandes mesas e as enchia de comida, então todas as crianças sentavam-se comportadas e com suas melhores roupas e comiam tudo o que suas pequenas barrigas aguentava.
Quando foi morar com , isso acabou. Ele não ligava para a data e preferia ficar sentado no sofá, de frente para a TV bebendo sua cerveja e comendo amendoins. Ele negava sempre todos os convites de amigos e vizinhos e não deixava ajudar ninguém que pedia pela ajuda dela. A mulher pediu internamente – enquanto sentava-se ao redor da mesa com os demais – que aquelas ações de graça não se repetissem nunca mais.
O grupo orou com suas mãos dadas e começaram a comer logo depois.
Lex estava sobre o colo de e o mesmo volta e meia colocava um pouco de comida em sua boca, era a primeira Ação de Graças da garotinha e notou que ela estava se divertindo, ficava sorrindo a todo momento e dizendo coisas não compreensíveis. A hora da sobremesa logo chegou e e serviram em pratos de porcelana a torta de maçã que a primeira citada havia feito juntamente com uma bola de sorvete de creme. Os elogios à torta logo começaram e como não era acostumada com isso, logo sentiu-se corar.
- Eu com certeza já tenho uma substituta no restaurante para quando eu ter o bebê – disse após colocar o ultimo pedaço da torta na boca.
- Eu só fiz uma simples torta.
- , eu já experimentei seus brownies e cookies e posso dizer que não, você não fez só uma torta.
- Falando sério , seria perfeita para ficar no meu lugar. Liv sabe fazer bastante coisa, mas ela é só uma ajudante, é perfeita.
- O que?! Não, eu...
- Você tem total razão, ... O que acha disso, ? – Olhou para o irmão que estava com a boca cheia e ele assentiu algumas vezes com uma expressão de “você ainda tem dúvidas?”. – Então está resolvido. Quando não puder mais fazer as sobremesas, ficará em seu lugar.
- Eu não tenho direito de falar nada? – A mulher o encarou erguendo uma sobrancelha.
- Fique a vontade, madame.
- Acho que vocês estão cometendo um erro. Eu só faço sobremesas simples e nada do que a faz.
- Então eu vou treinar você, resolvido.
- Mas e o meu trabalho? Eu não posso deixar de servir mesas para ser treinada.
- Sempre tem horário vago em algum momento, . Agora deixa de ser chata senão eu mando o te demitir. – A mulher emburrou a cara e gargalhou enquanto pegava mais um pedaço da torta.

estacionou seu carro na frente da cabana e desceu do veiculo abrindo a porta do passageiro para que fizesse o mesmo. Alexia dormia confortavelmente em sua cadeirinha. pegou a filha e com a ajuda de ela conseguiu abrir a porta e entrar na cabana. Enquanto o homem acendia a lareira, colocava Lex na cama e a cobria, depositando um beijo carinhoso na cabeça da filha e seguiu para a sala.
- Eu amei o dia de hoje. – A mulher sorriu tirando o cachecol e jogando-o no sofá.
- Realmente foi muito bom. E sobre você ser a substituta de , será uma honra para nós.
- Será uma honra para mim. – Riu.
- Bom, vocês estão entregues e seguras, então eu já vou indo.
- Você não quer ficar mais um pouco? – disse apressadamente e ao notar isso pigarreou discretamente antes de voltar a falar. – Acho que tenho algum vinho por aqui. – O moreno a observou tentando conter seu sorriso de satisfação e assentiu.
- Será uma honra.
e estavam sentados sobre o tapete perto da lareira, uma manta escura os cobriam e cada um tinha uma taça de vinho nas mãos. O papo fluía com naturalidade assim como as risadas e os olhares cruzados cheios de significados. Os toques também passaram a ser presente depois da terceira taça de vinho. O tempo parecia não correr, o mundo parecia não existir dentro daquela pequena cabana no meio daquelas árvores.
gargalhou de algo que disse e o moreno colocou uma mexa do cabelo dela para trás da orelha, aproveitando para acariciar levemente a bochecha da mulher com seu polegar.
Admirou a pele macia e quente, sua bochecha levemente corada por conta do vinho e seu pequeno relevo proporcionado pelo insistente sorriso que lhe moldava os lábios. O homem não sabia dizer qual foi a última vez que ele tinha visto algo tão perfeito. Tudo parecia ser imperfeito diante aquela mulher, era como se ela fosse um quadro que todos idolatrassem, tudo sumia ou ficava feio quando estava por perto.
- O que foi? – Ela perguntou suavemente enquanto ainda sorria e entortou levemente a cabeça para receber melhor a caricia que agora o homem fazia com a mão e não mais apenas com o polegar.
- Só estou tentando pensar em algo tão perfeito quanto você. – As bochechas dela adquiriram um tom de vermelho ainda mais perceptível e ela mordeu o lábio inferior.
- Lex. Ela é perfeita.
- Ó, com certeza é, uma coisinha perfeita com aqueles olhinhos claros e aquelas covinhas profundas. – O toque dele passou para o pescoço dela e sentiu o coração acelerar enquanto uma sensação gostosa apossava-se de seu estomago.
- Você. Você também é perfeito. – A mulher viu quando o rosto de foi tomado por uma expressão surpresa. Ele piscou lentamente e sorriu de lado.
- Eu posso ser tudo, menos perfeito. – Ela balançou a cabeça em negação.
- Você é perfeito. Tão bondoso com as pessoas, carinhoso, atencioso, seu rosto é tão... – suspirou – ... maravilhoso. E você sempre está sorrindo, mesmo tendo passado por tudo que passou...
- Só comecei a sorrir de verdade novamente quando você entrou na minha vida. – Foi a vez da mulher de adquirir uma expressão de surpresa. – Tão linda e parecendo tão frágil, mas sendo tão forte e eu tentei não me interessar, mas foi impossível. Você é tão... você. – Ele riu levemente. – Sempre tão determinada, tão forte e essa beleza toda é só um detalhe, um detalhe maravilhoso... Perfeito. – A respiração da mulher estava irregular, ela não conseguia desgrudar seu olhar daquele homem maravilhoso.
Ela não conseguia mais controlar suas vontades e tudo parecia tão certo, imune de erros. Seus desejos estavam tão avassaladores. Ela queria tanto, tanto, que não se opôs quando o homem tirou a taça de vinho da sua mão e colocou sobre o tapete, enquanto a dele há muito tempo parecia já estar esquecida.
Ele aproximou-se dela e intensificou o carinho que lhe fazia, dessa vez levando sua mão até a nuca da mulher. Tocou seu nariz no dela e lhe deu um terno beijo de esquimó, observando com prazer os seus lindos olhos luminosos. O moreno passou a língua pelo próprio lábio inferior e o mordeu ao encostar sua testa na dela.
Olhou para os lábios da mulher, tão pertos, tão saborosos, tão prontos para ele. Voltou a olhar para ela e sorriu ao ver seus olhos fechados. abriu a boca levemente e o moreno sentiu seu hálito gostoso lhe acariciando os lábios, em um convite mudo para prová-lo, um convite que prontamente foi aceito.
Tudo começou com um leve roçar de lábios entreabertos, então veio um selinho molhado, depois dois selinhos e por último, três. A mulher suspirou profundamente sentindo um frio subir por sua espinha fazendo-a tremer. Ela sentiu a mão dele apossar-se de sua cintura delineada, sentiu a outra mão dele prensar sua nuca fazendo-a se aproximar mais e sentiu outro selinho, outro selinho que se transformou em lábios abrindo-se e línguas indo uma de encontro à outra como ímãs.
não conseguia se lembrar se alguma vez já fora beijada daquela forma. Era como se estivesse tomando-a para si, querendo toda sua essência... Sua língua acariciava a dela com extrema devoção, explorava sua boca como se á tempos tivesse vontade de fazer aquilo, como se estivesse matando uma fome sofrida. A mulher estava adorando. Ó, sim, aquele beijo estava maravilhoso, único, delicioso... A boca quente de era tão convidativa, era como se ela a chamasse para provar, saborear, fazer o que quisesse; e ela estava fazendo, estava provando, saboreando, fazendo tudo que lhe cabia fazer, acariciando sua língua com propriedade, o experimentando como algo afrodisíaco, viciante.
Ela não sentia vontade de parar aquele beijo nunca mais, sentia vontade de continuar e continuar experimentando sua saliva, sua língua macia, sua boca maravilhosa, seus carinhos gostosos na cintura e nuca... Mas seus pulmões resolveram que era hora de intervir, que parar um pouco não custaria nada, que eles poderiam ter aquilo quantas vezes quisessem.
foi desacelerando o beijo aos poucos com aquela vontade de continuar, passou sua língua na dela uma ultima vez e chupou o lábio inferior da mulher. Depois o mordeu levemente e logo em seguida lhe deu um selinho. Então afastou apenas as bocas, porque eles continuavam perto, sentindo a respiração descompassada um do outro, com seus hálitos se misturando e o calor que ambos emanavam.
sentia o gosto da mulher em toda sua boca, aquele sabor tão maravilhoso tomava com afinco suas papilas gustativas e parecia que não sumiria tão cedo. Como se ele se importasse.
Afastou-se da mulher sentindo um pinguinho de incerteza se tinha mesmo feito a coisa certa, mas quando viu os olhos dela mais brilhantes que nunca e sua expressão de satisfação, ele percebeu que sua escolha não poderia ter sido melhor. Sorriu e acariciou a bochecha dela com ternura sentindo uma vontade imensa de voltar a puxar a mulher para si e lhe tomar novamente a boca.
- Então...
- Então... – Riram, seus risos cheios de pequenas felicidades em cada lacuna.
- Você não sabe há quanto tempo eu tenho vontade de fazer isso. – Ele acariciou o lábio inferior dela com o polegar. Ela suspirou, querendo mais que tudo que ele lhe beijasse novamente. Aliás, por que mesmo ele não estava fazendo aquilo?
- Bem, já que você passou tanta vontade, você não acha bom recuperar o tempo perdido? – O homem gargalhou sonoramente jogando a cabeça para trás. olhou para a garganta dele e sentiu uma vontade quase incontrolável de repousar seus lábios ali. Céus, ela tinha que parar de beber vinho imediatamente.
- Você está bem com tudo isso? – suspirou e desviou o olhar.
- Eu gostei muito do que aconteceu aqui e eu, e-eu gosto de você, você é aquele tipo de pessoa que não devemos deixar passar. – Voltou a olhar para o homem. – Mas eu sou estragada, . Ainda estou quebrada por conta... do meu último relacionamento. Não sei se eu sou a pessoa que você precisa, não sei se sou certa para você, mas eu sei que eu quero, eu quero que a gente aconteça, que a gente nos faça acontecer. – riu ao ver o sorriso radiante que tomou a face de . O homem segurou o rosto de e lhe deu um selinho forte.
- Eu não faço a menor ideia do que esse homem fez a você, mas eu juro que vou curar todos os seus temores, juro que serei um lugar seguro. – A mulher acariciou o rosto do homem e lhe deu um beijo de esquimó.
- Sendo assim, eu vou adorar cair nesse lugar seguro.
Ainda sorrindo, voltou a aproximar seu rosto do de e tomou os lábios dela para si em um beijo vigoroso. Ele mal acreditava que tinha finalmente honrado aquilo que carregava no meio das pernas. Já havia passado do tempo dele tomar uma atitude com , se ele soubesse que o beijo dela era tão maravilhoso, ele tinha tomado essa atitude bem antes, ou talvez... Talvez não. As coisas acontecem no momento que tem que acontecer, não adianta apressar ou tomar a vez, o que tem que ser, sempre será e nada jamais impedirá isso.
- Tenho alguns poréns. – ouviu o homem soltar um muxoxo e riu.
Os dois estavam deitados sobre o tapete, abraçava por trás e volta e meia beijava o pescoço da mulher, fazendo-a arrepiar-se. Um único travesseiro sustentava a cabeça deles e a manta escura ainda os cobria.
– Quero nos manter em segredo por algum tempo, até eu me acostumar melhor com a gente.
- Justo – disse depois de alguns segundos em silêncio.
- Não quero que conte para ninguém, nem mesmo para . Aliás, principalmente para , você sabe como ela é. – O homem riu.
- Você sabe que de qualquer jeito ela vai descobrir, não sabe?
- Sei. – Suspirou. – Mas vamos ganhar tempo.
- Quais os outros poréns?
- Não quero que você me trate diferente; não quero ser beneficiada de nenhuma forma. Quer dizer, eu vou substituir por algum tempo, mas vou trabalhar tanto quanto ela trabalha ou talvez até mais.
- Certo.
- Eu não vou ter folga se não for para eu ter e nem sair mais cedo.
- Tudo bem.
- E o senhor não ficará me agarrando. – O homem enterrou o rosto no pescoço de e choramingou.
- E se não estiver ninguém por perto?
- Talvez eu pense no seu caso.
- E se eu...
- Você não irá me arrastar pra lugar nenhum enquanto estivermos no trabalho. – O homem voltou a choramingar.
- Você é muito malvada, vou dize para Lex brigar com você. – riu e virou-se, ficando de frente para o moreno.
- Falando nela... Será que podemos agir como namorados na frente dela? – A mulher perguntou em duvida.
- Somo namorados, é? – Sorriu maroto enquanto colava seus corpos a abraçando apertado. A mulher revirou os olhos e sentiu-se corar.
- Você entendeu.
- Acho que não há mal algum, ela não faz a menor ideia do que são beijos na boca. – riu e depositou um beijo no maxilar do moreno.
- Acho que cometi um erro.
- Como assim?
- Não sei se realmente é o certo ficar com você. – A expressão da mulher estava séria. franziu o cenho sem entender, todo o vestígio de humor sumindo do seu rosto. – Você tem essa mania estranha de morder a língua, sabe? E de tremer a perna, fora que você faz umas caretinhas bem estranhas. Ahh, meu Deus, o que eu tenho na cabeça? – O homem semicerrou os olhos e gargalhou sonoramente.
- Não sei por que você está falando isso, você tem essa mania estranha de fazer bico até sua boca grudar no nariz e de ficar coçando o sovaco.
- Eu não coço o sovaco! Aliás, essa palavra nem existe!
- Coça sim. Você coça o sovaco a toda hora, é tipo... – O homem dobrou o braço esquerdo e esticou o dedo indicador levando-o até a axila. o olhou indignada e ele gargalhou.
- Mentiroso!
- Não sou mentiroso, você que é! – O homem a abraçou e rolou com ela pelo tapete, fazendo-a dar alguns gritinhos tentando se soltar dele.
parou em cima de , uma das pernas dela estava dobrada e a outra esticada. mordeu a língua, fez careta e tremeu levemente a perna fazendo com que gargalhasse. Ele também riu, mas logo depois parou para olhá-la, porque ele não perderia aquela gargalhada – nem as outras que viriam – por nada no mundo.
– Eu vou beijar você. – o olhou e repuxou o canto dos lábios para o canto direito.
- E o que você está esperando? – abaixou o rosto e grudou seus lábios nos de , brincou com a carne macia mordiscando-a levemente e passando sua língua por ela. Logo depois mergulhou sua língua nos lábios entreabertos da mulher, começando um beijo lento e sensual, gostoso... Seus lábios encaixavam-se com perfeição.
A mulher mergulhou sua mão direita nos cabelos macios do homem enquanto a outra repousava no começo das costas dele. mordeu com um pouco de força o lábio de e a mulher apreciou muito o gesto, repetindo o mesmo em . As coisas estavam esquentando, por isso resolveu que era hora de parar. Aquilo aconteceria no momento certo.
- Eu preciso ir – sussurrou com seus lábios ainda nos de e a sentiu assentir.
depositou um selinho demorado e molhado nos lábios da mulher, levantou-se e calçou o tênis. Riu do cabelo bagunçado de e ela lhe deu língua enquanto se levantava. Acompanhou o homem até a porta e abraçou o próprio corpo ao sentir uma rajada de vento.
- Me diz que quando eu acordar tudo isso ainda vai está aqui. – sorriu com ternura e aproximou-se dele abraçando-o apertado.
- Venha aqui almoçar comigo e com Lex e você saberá. – Lhe deu um selinho. assentiu e lhe deu as costas, entrou em seu carro e só deu a partida depois de ter insistido para entrar em casa.
A mulher pegou a manta e o travesseiro que estava sobre o chão e seguiu para o quarto deitando-se ao lado de Alexia. Abraçou sua pequenininha e depositou um beijo nos cabelos dela, fechou os olhos e fez de tudo para desmancha seu sorriso, mas perdeu a batalha e acabou dormindo com ele.

terminou de montar uma lasanha em uma travessa de vidro e colocou no forno, lavou as mãos e as enxugou em um pano de prato. Aproximou-se de Alexia que estava sentada perto da mesa brincando com o seu inseparável ursinho e balbuciando coisas inteligíveis.
- Hey, meu amor, sabe quem vem almoçar aqui hoje? – A pequena piscou seus espessos cílios para a mãe e logo depois voltou a olhar para seu ursinho como se ela não se importasse com quem iria almoçar com elas. – O . – A garotinha imediatamente olhou para a mãe e sorriu mostrando seus dentinhos brancos, bateu palmas e gargalhou. – Ó, eu sei, você gosta dele. – Revirou os olhos ainda sorrindo e recebeu o urso que a filha entregava a ela. – Bem, acho que você o ama. – A mulher brincou com o laço que havia no pescoço do urso e entortou a boca. – Será que você gostaria que ele fosse seu papai? – Lex pediu o urso de volta e o entregou vendo-a abraçá-lo com força. Ela piscou vagarosamente e balançou a cabeça para os lados. – Meu Deus, o que é que eu estou pensando? Eu só posso ter batido a cabeça – resmungou e levantou-se aproximando-se da pia para fazer um suco.
caminhou até a sala quando ouviu batidas na porta. A mulher mordeu o lábio inferior na intenção de conter um sorriso e passou sua mão pelo vestido que usava. Abriu a porta deparando-se com ali e por pouco não conseguiu segurar um suspiro. O homem carregava uma única rosa vermelha na mão direita enquanto a esquerda segurava duas sacolas.
admirou o sorriso dele, mas percebeu que ele não sabia o que fazer, por isso ela aproximou-se dele levando a mão até o rosto do moreno e plantando um beijo suave em seus lábios. relaxou instantaneamente e circulou a cintura de com o braço que não estava ocupado pelas sacolas. A mulher entreabriu os lábios quando sentiu o homem pedindo passagem com sua língua e deixou-se levar pela sensação de estar nas nuvens.
- Hum, olá – ele murmurou quando cortou o beijo.
- Oi. – Depositou mais um selinho nos lábios dele e afastou-se permitindo que ele entrasse na casa. – Para você. – Ele estendeu a rosa e a mulher sorriu largo, pegou a flor de sua mão e a cheirou.
- Obrigada.
Os dois observaram Alexia caminhando afobada na direção de com os bracinhos estendidos e as pernas abertas e riram do jeito desajeitado da garotinha. Ele abaixou-se a recebendo em seus braços e depositou um beijo suave em sua bochecha.
- Olá, gatinha. – Ela tocou o rosto do homem e sorriu. – Eu tenho uma coisa para você. – deixou as sacolas no chão e pegou uma especifica tirando de dentro uma caixa, Lex soltou um gritinho fino ao ver que ali dentro havia uma boneca e riu, abriu a caixa e entregou o brinquedo para a garotinha.
- Você tem que parar de comprar presentes para ela.
- Faz tempo que não compro nada.
- E a cadeirinha?
- Aquilo ali não é brinquedo. – Ergueu a sobrancelha. O homem levantou-se com Lex no colo e estendeu outra sacola para . – A sobremesa. – Ela sorriu e a pegou, caminhou até a cozinha onde a mesa já estava posta e colocou a sacola em cima da pia. – O cheiro está maravilhoso.
- Espero que o gosto também esteja. – Andou até o forno e com o auxílio de um pano tirou a travessa dali colocando-a sobre a mesa.
- Com certeza estará. – sentou-se em uma cadeira e colocou Lex em outra puxando-a para que ela ficasse perto dele e não caísse, também sentou-se arrastando a cadeira para o lado da filha.
- Deixa que eu sirva você. – A mulher pegou um prato sobre a mesa e partiu a lasanha colocando um pedaço grande no prato.
- Obrigado. – observou enquanto ele levava um pedaço da lasanha até a boca, mordeu o lábio inferior enquanto esperava seu veredicto.
- Está maravilhosa, como tudo que você faz. – sentiu suas bochechas esquentarem e agradeceu ao elogio. Colocou em outro prato um pouco para Lex e outro pouco para ela e começou a comer enquanto via levar a comida até a boca de Lex que estava quietinha mexendo nos cabelos de sua boneca.
Aquela era uma ótima cena e percebeu que sentia vontade de vê-la pelo resto de sua vida. Desde o começo sabia que não seria um bom pai, ele ao menos seria pai e ela se conformou com aquilo e quando foi embora nunca imaginou que encontraria outro homem. Aliás, ela nem queria aquilo, sabia que Lex cresceria sem pai e estava preparada para cumprir esse papel na vida da garotinha. Mas então surgiu e ela de repente se deparava com ele abraçando sua garotinha, fazendo-a rir, brincando com ela, mimando-a, agindo como um verdadeiro pai e não conseguia não pensar que ele sempre faria muito bem para sua pequena.
limpou a boca de Lex com um guardanapo e sorriu quando ela fez biquinho.
- O pai de Lex não tem nenhum contato com ela? – olhou para e piscou vagarosamente sentindo-se nervosa.
- Não.
- Mas ele sabe que ela existe?
- Sim.
- Eu não consigo entender como alguns pais conseguem agir dessa forma, eu não me vejo não assumindo um filho.
- Vamos comer a sobremesa agora? – Tratou logo de mudar de assunto e respirou aliviada quando assentiu parecendo não desconfiar de nada.
Depois do almoço e de limparem a cozinha, os três foram para a sala e sentaram-se no sofá para assistir algum filme. Alexia estava no colo de , mas seus pezinhos estavam no colo de recebendo uma massagem que parecia agradar muito a garotinha. percebeu que a filha estava dormindo e ia levantar para colocá-la na cama.
- Deixa que eu faço isso – disse . O moreno levantou-se e seguiu para o quarto, sorriu e deitou-se no sofá. Segundos depois voltou e deitou atrás da mulher abraçando-a apertado e depositando um beijo suave em seu pescoço. – Lex sorri enquanto dorme.
- Ela faz isso desde que nasceu.
afundou o rosto no pescoço de e respirou profundamente seu cheiro suave fazendo com que seu estomago se agitasse. apertou ainda mais a mulher em seus braços e ela fechou os olhos, amando a sensação de estar ali. Ela virou-se entre os braços do moreno e colocou uma perna entre as dele, passou seu braço direito em torno da cintura dele e repousou a mão nas costas do homem.
Ele sorriu aprovando o gesto e ficou com o rosto na altura do rosto dela, acariciou a nuca da mulher e encostou sua testa na dela. sorria suavemente apenas esperando a hora que ele finalmente grudasse seus lábios aos dela, e para a sorte da mulher esse momento não demorou nada. O beijo foi gostoso e bem dado pelos dois e ficou com um gostinho de quero mais quando o moreno afastou-se. Ele depositou um beijo na testa dela e outro na ponta de seu nariz fazendo-a sorrir.
- Você é linda.
- Para com isso. – riu vendo as bochechas avermelhadas dela.
- Eu estou falando a verdade, ué – a mulher resmungou. – Sabe o que eu acho?
- O quê?
- Que deveríamos ter um encontro.
- Acho que já tivemos, já saímos algumas vezes.
- Só eu e você, em um lindo restaurante à luz de velas. poderia ficar com Lex.
- E o que diremos para ela? Que vamos ter um encontro?
- Não necessariamente. Eu só digo que quero investir em você e por isso quero levá-la para jantar, ela não vai pensar duas vezes antes de dizer que ficará com Lex.
- Então tá. – Riu. - Quando?
- Próximo sábado, pode ser?
- Pode! – Disse sorrindo e aproximou-se dele para beijá-lo.
A mulher aconchegou a cabeça no peito do homem e suspirou enquanto ele embrenhava os dedos nos fios de sua nuca e lhe fazia um carinho gostoso. Ela fechou os olhos enquanto sorria levemente e suspirou.
- Se você quiser pode dormir, eu ainda vou estar aqui quando você acordar.
E então, ela dormiu.

Capítulo 12



enxugou as mãos em um pano de prato e o deixou sobre a pia, caminhou para a sala enquanto ria devido as gargalhadas que já á alguns minutos ela ouvia, encostou-se ao batente e observou Lex dançando da sua própria maneira, pulando e balançando os bracinhos. A garotinha gargalhava mostrando seus dentes já nascidos. estava ao seu lado, também dançando. Bom, ela não sabia se podia chamar aquilo de dança, ele obviamente tentava imitar Alexia para justamente fazê-la se divertir. Aquela cena era mesmo muito engraçada. Ele curvou a coluna fazendo com que sua bunda ficasse empinada e começou a rebolar. gargalhou alto sendo finalmente notada pelos dois bailarinos e recebeu sua filha nos braços quando a pequenininha se aproximou dela.
- Droga! Por que eu não tenho uma câmera? Se eu filmasse você e colocasse na internet, você viraria uma celebridade.
- Engraçadinha. – O homem semicerrou os olhos e riu.
- É serio, e essa música só ajuda. – Olhou para a televisão observando o musical infantil.
Alexia agitou-se nos braços da mãe querendo retomar sua dança e tirou o celular do bolso entregando-o nas mãos de .
- Está ai sua câmera. – A mulher sorriu e começou a filmar a filha que começou a dançar com ainda mais entusiasmo gostando de receber tanta atenção.
- Meu Deus, espero que essa garota não me invente de ser alguma atriz ou trabalhar em frente as câmeras, olha só como é exibida. – gargalhou.
- Aposto que ela fará o maior sucesso se escolher essa carreira. – O puxou abruptamente fazendo-a gritar e a girou voltando a puxá-la logo em seguida e mantendo-a presa em seus braços enquanto movia-se de um lado ao outro. – Oi.
- Olá. – A mulher riu e focou o celular no rosto de , ele fez uma careta engraçada fazendo gargalhar. A mulher largou o celular sobre o sofá e levou suas mãos até os ombros de , entortou um pouco a cabeça e sorriu levemente. O aproximou seu rosto do dela não conseguindo resisti e tocou os lábios dela levemente com os seus.
- Eu falei com a sobre ficar com a Lex para eu levar você para jantar, ela ficou eufórica e disse que será um prazer olhar sua filha, então prepare-se para o interrogatório que ela vai fazer com você. Você sabe como ela é.
- Possivelmente ela falará algo com teor sexual e me mandará ir fundo. – gargalhou.
- Com certeza.
e olharam para baixo quando sentiram Alexia abraçar as pernas de ambos, sorriram e o homem pegou a garotinha nos braços. passou um dos braços pelas costas da filha enquanto o outro permaneceu nas costas de e o fez o mesmo que a mulher. Então os três começaram a dançar rindo enquanto a musica infantil ainda tocava.

- Eu juro que eu não fiz nada, , eu juro que não fiz! – O homem apertava seu braço com força enquanto ela tinha as mãos sobre a barriga no intuito de proteger seu bebê caso o homem tentasse machucá-la.
- ELE ESTAVA OLHANDO PARA OS SEUS SEIOS! OS SEIOS QUE ESTÃO ASSIM POR CAUSA DESSA COISA QUE VOCÊ CARREGA!
- Por favor, , por favor. Não é culpa dela, n-não é culpa de ninguém. Eu não saí do seu lado, fiquei o tempo todo ali. Até quando eu fui ao banheiro você foi junto. Você disse que esse vestido estava bom, que eu estava sexy, você sabia que outros homens estariam ali e você sabe como homens são. Ele olhou, mas eu fingi que não. Você viu que eu não olhei para ele nem por um segundo. – O homem passou a mão com força pelo cabelo, soltou o braço de e ela viu as marcas que os dedos do marido havia deixado ali.
- Idiota! Idiota! Imbecil de merda! – Chutou a mesinha fazendo um vaso com flores cair e se espatifar no chão. A mulher abraçou a barriga protetoramente e encostou-se a parede.
havia acompanhado até uma das festas que acontecia onde ele trabalhava, os donos do lugar sempre davam essas festas para animar os turistas e conseguir mais dinheiro, então os guias turísticos tinham que comparecer. A mulher já estava acostumada com aquilo. Ela acompanhava desde a época que eles não passavam de simples namorados e até aquela época nunca tinham tido problemas.
Quando começaram a morar junto foi que tudo mudou. Ela tinha sempre que ficar ao lado dele e não tinha que conversar com nenhum homem sobre hipótese nenhuma. Ela obedecia, tinha medo das consequências e apesar dos caras que chamava de amigos soltarem piadinhas para cima de e olhar para ela com interesse, ela nunca dava bola. Gostava muito de estar viva, coisa que os amigos de pareciam não gostar.
- Você não vai mais comigo para essas festas, entendeu? Você quis ficar com isso que carrega e agora vai tomar conta dele. Você quis que seu corpo se modificasse dessa forma, mas só eu posso te olhar, ninguém mais. Só eu! Está me entendendo, ?! - O homem se aproximou dela e ela assentiu freneticamente com os olhos arregalados. - Você vai ficar em casa cuidando da sua filha e não vai participar mais de nenhuma festa que eu for chamado. Você não vai aparecer mais para os babacas dos meus amigos, aqueles desgraçados filhos da puta! - Passou a mão com força pelo rosto enquanto sussurrava para si.
se manteve quieta no canto. Tinha muito medo daqueles descontroles de , aquele homem tinha que estar em um sanatório! Ela viu o momento que a respiração dele voltou ao normal, então ele a olhou e sorriu docemente.
- Meu bem, por que agora você não faz algo para eu comer? Aquelas coisas que comi não deveriam nem ser chamadas de comida. - Ele sorriu e segurou em uma das mãos da mulher. - Eu quero um sanduíche bem caprichado com um copo de suco. Faz um para você também, você precisa. - assentiu tentando manter a expressão neutra.
- Tudo bem.
- E me desculpe por isso. - Passou a mão com carinho pela pele marcada pelos dedos dele. - Detesto ver sua pele marcada, ela é tão perfeita. - Piscou.
aproximou-se de e colou seus lábios aos dela, lhe dando um selinho molhado enquanto ela prendia a respiração.
- Eu vou fazer nosso lanche. - Separou-se dele sorrindo para que ele não enxergasse a repulsa que ela sentia. Deu as costas para o marido fechando o sorriso e passando as costas da mão pela boca assim que adentrou a cozinha de sua casa.

sorriu se agradando muito com a carícia que recebia em seus cabelos. Ela e estavam deitados no sofá, ela estava na ponta e ele a abraçava com o braço livre.
- Hum... - disse manhosa, aconchegando-se mais no . - Isso é muito bom. - Ele riu levemente e depositou um beijo carinhoso na bochecha dela.
- Você gosta, é?
- Uhum. Muito. - Suspirou.
Fazia tempo que não se sentia tão querida, não fazia o tipo de dar carinho. Ele gostava mais de receber e foram poucas as vezes que se sentiu realmente amada em seus braços. Ali, porém, ela se sentia muito bem e gostava da forma como agia, como se não fosse esforço nenhum dar carinho a ela.
A mulher sentiu os lábios suaves do acariciando sua bochecha, descendo por seu maxilar e indo em direção ao seu pescoço. Ela arrepiou-se no mesmo instante que os lábios do homem chegaram ao seu destino final. respirou profundamente no pescoço de e fechou automaticamente os olhos adorando embriagar-se ali, naquela pele suave e de cheiro tão maravilhoso. Ele deitou de costas ao mesmo tempo que puxou a mulher para cima dele, colocando-a sobre seu lado esquerdo. Ela riu gostosamente fazendo com que aquelas sensações bobas se apossassem do estômago de . Com um sorriso arteiro, aproximou o rosto do e lhe deu um selinho gostoso enquanto acariciava os cabelos da lateral da cabeça dele com a mão esquerda.
- Aonde o senhor está pensando em me levar?
- Eu estava pensando em levar você a um restaurante, mas decidi fazer surpresa. Mas não se anima muito porque não sei se você vai gostar.
- Sinto que não serei decepcionada. - Piscou. Ela aconchegou o rosto no pescoço dele, fechando os olhos enquanto voltava a receber a carícia em seus cabelos. - Dorme aqui? - sussurrou. sorriu de lado com satisfação. Não havia outro lugar que ele gostaria de estar se não ali.
- Durmo.
- Mas vamos ter que dividir esse sofá, a cama vai ser toda para a pequenininha. - Ela o olhou.
- Eu não me importo nem um pouco. - apertou a mulher em seus braços e colou seus lábios aos dela.
- E você também vai ter que continuar a me fazer carinho. - Ela disse com os lábios sobre os dele.
- Eu acho que você está ficando abusada.
- Você vai ficar sem meu café da manhã.
- O carinho é a noite toda? - Ela gargalhou e aconchegou-se a ele, sentindo arrumar uma manta sobre eles.
- Até que um dos dois durma.
- Certo. Ah, e vê se não ronca. - A mulher levantou a cabeça e semicerrou os olhos.
- Eu não ronco, engraçadinho.
- Naquela noite que dormi aqui eu tenho certeza que ouvi algo.
- Então era você. - Ele gargalhou da expressão emburrada de e a apertou em seus braços. Meu Deus, aquela mulher o fazia se sentir como um adolescente apaixonado.
- Certo, talvez tivesse um porco por aqui por perto. - Ela sorriu levemente.
- Aposto que sim. - Aproximou o rosto do dele e lhe deu um beijinho de esquimó enquanto observava os olhos e brilhosos do homem. Ela sentiu um frio na barriga, uma coisa boa que a fez se aconchegar ainda mais a ele. A mulher sorriu fraco e juntou seus lábios aos do . Ele os entreabriu e a língua de foi de encontro a dele tão quente e receptiva. O beijo durou o bastante para conter o vício da mulher por enquanto. Ela o finalizou com um selinho carinhoso e o olhou. - Boa noite.
- Tenho certeza que será uma excelente noite.
aconchegou novamente a cabeça no pescoço de e fechou os olhos sentindo um beijo sendo depositando em sua testa e o retomar o carinho que outrora fazia em seus cabelos.
não sabia se já havia dormindo, mas ele estava com sono. Seus olhos estavam pesados como há muito tempo ele não sentia e sem mais consegui lutar. Entregou-se ao sono, um sono repleto de paz como se finalmente tudo estivesse em seu devido lugar.

***


- Isso! É esse mesmo! Meu Deus, você está muito gostosa! - bateu palmas animadamente e logo depois repousou uma de suas mãos sobre sua saliência. Era sua nova mania, ela simplesmente não podia ficar muito tempo sem tocar em sua barriga.
- Você acha mesmo? - olhou-se no espelho observando o vestido tomara que caia que ela estava usando. Ele era de um preto forte, colado até a cintura e depois descia em uma saia com volume até a metade das coxas. O vestido possuía detalhes em branco na barra da saia, era como se fossem folhas muito bem desenhadas. O salto alto na cor vinho deixava ainda mais linda. Ela se sentia diferente, se sentia realmente uma mulher. Uma mulher linda e sexy.
- Se no final da noite o não te levar para a cama, é porque ele virou gay.
- ! - virou-se de frente para a mulher olhando-a com repreensão e viu que ela segurava o riso.
- Certo, não faz mesmo o tipo que transa no primeiro encontro, mas por favor, faça um esforcinho, ele não resistirá a você.
- ! Eu não vou transar com ele! - A mulher sentiu as bochechas esquentarem achando que podia ter usado uma palavra melhor do que "transar".
- Não sei por que, vocês precisam. Eu já disse que você é gostosa?
- Hum, eu estou com medo de você. - gargalhou.
- Releve, são os hormônios. Enfim, se vocês não vão transar, então beijem muito.
- , nós vamos sair apenas para nos conhecer melhor.
- E tem forma melhor de se conhecer do que com a língua enfiada um na boca do outro? - fez careta.
- Conversando, talvez?
- Chato. - Ela cantarolou e sentou-se sobre a cama. - Vocês são caretas, por que não podem se pegar logo?
- Porque somos adultos e não adolescentes.
- Justamente por isso, adultos transam logo.
- Meu Deus, tem que dar um jeito em você.
- Ele dá, toda noite. - Sorriu maliciosa. - De dia também.
aproximou-se da amiga e agachou-se em sua frente, aproximou seu rosto da barriga dela e pigarreou.
- Bebê, acho bom você não demorar muito a sair daí de dentro. Sua mãe está ficando meio esquisita. - gargalhou e empurrou levemente.
- Vem me falar que quando você engravidou da Alexia você não tinha vontade de transar dia e noite?
- Não. - levantou-se e caminhou até o banheiro que havia no quarto de . - Eu tinha coisas mais importantes para me preocupar.
- Então tá.
A mulher saiu do banheiro vestida com suas roupas e segurando o vestido e os saltos vinho.
- Me sinto mal por pegar sua roupa emprestada.
- Nem comece, você pode pegar tudo o que quiser. Eu usei esse vestido aí só uma vez, nunca me viu com ele e sei que ele vai gostar muito... Bem, talvez não do vestido, mas sim do corpo que vai estar dentro dele.
- Você não tem jeito mesmo. - gargalhou. - Eu venho pegar Lex amanhã. - Ela viu quando um sorriso malicioso pouco a pouco foi se formando no rosto de .
- Então quer dizer que a noite vai ser boa? E longa? - revirou os olhos.
- Eu não sei se vamos nos demorar no jantar ou se ele vai me levar para algum outro lugar, talvez vocês já estejam dormindo e não quero acordá-los, por isso virei buscar minha filha amanhã.
- Tomara que esse outro lugar seja um motel.
- Meu Deus, parei com você, - colocou as coisas emprestada por em uma sacola.
- Espera aí. - A mulher levantou-se a caminhou até seu armário, tirou de lá um sobretudo preto e depois andou até sua penteadeira tirando de dentro de uma bolsinha um batom. o pegou e o abriu vendo que o batom era vermelho. - Pega essas coisas também.
- Não sei se batom vermelho combina comigo.
- Deixa de ser boba, você vai arrasar. - guardou o resto das coisas.
- Bem, obrigada por estar me ajudando. - Sorriu.
- Não é sacrifício nenhum. Ahh, você quer uma lingerie emprestada? Tenho umas bem sexy que vão fazer enfartar.
- Vou fingir que não ouvi isso. - saiu do quarto sendo seguida por que ria.
A mulher olhou para a filha que estava brincando com Milla e fez um biquinho. Queria se despedir dela, mas tinha medo da garotinha chorar ou não querer ficar ali apesar de gostar muito dos moradores daquela casa. Caminhou até a porta sendo seguida por e saiu de encontro ao fim de tarde.
- Cuide bem da minha bebê.
- Eu vou fazer isso como se ela fosse minha. - mordeu o lábio e olhou para dentro da casa. - , ela vai ficar bem.
- É que eu nunca dormi sem ela.
- Na vida há uma primeira vez para tudo, inclusive para dar para o .
- ! Ah, meu Deus. - Deu as costas para a mulher enquanto resmungava.
- Tchau, linda, arrasa.

sorriu para sua imagem refletida no espelho e passou a mão pelo vestido. Ela com certeza nunca esteve tão linda. O vestido havia ficado muito bem em seu corpo, o salto a havia deixado com um ar de poderosa, o batom vermelho se destacava contra sua pele clara, a maquiagem estilo "gatinho" só melhorava sua aparecia e, para fechar tudo, ela arrumou da melhor forma que pôde seu cabelo, deixando-o com volume.
Pegou seu perfume e o passou moderadamente, vestiu seu sobretudo e se observou novamente, ouvindo o barulho de alguém batendo na porta logo em seguida. instantaneamente sentiu um frio na barriga, suas mãos começaram a suar e sua boca ficou seca. Aproximou-se da porta e a abriu, deparando-se com vestido maravilhosamente bem e com as mãos nos bolsos frontais da calça.
Céus! Por que ele era tão lindo? Por que ele fazia se sentir uma pré-adolescente bobona? Ela nunca havia sentido nada daquilo, ela não sentia quando estava com por isso sempre achou que as pessoas exageravam quando falavam todos os sintomas de quando gostavam de alguém. Mas, ali, parado em sua varanda, estava a prova de que tudo era verdade.
O homem estava com um sorriso maravilhado, aquela mulher parada em sua frente só podia ser uma miragem... achou que depois de Missy ele nunca mais se sentiria daquela forma, como se sua felicidade estivesse toda concentrada em uma única pessoa. Mas ali estava com todo o seu encanto, o puxando cada vez mais para algo novo que ele já estava adorando viver.
- Você está maravilhosa.
- Obrigada. - Ela sorriu carinhosamente.
- Desculpe, eu não trouxe flores, queria fugir um pouco do clichê.
- Sem problemas.
- Vem cá. - O homem estendeu a mão direita e a pegou, ele a puxou para si e enlaçou a cintura da mulher colando seu corpo ao dela. Logo depois sua testa estava encostada na dela e o nariz de ambos também se tocaram. As mãos de estavam na cintura do e ela o apertava um pouco, a mulher sentia como se seu coração fosse rasgar seu peito.
a beijou com carinho e esqueceu-se completamente que usava um batom vermelho que poderia manchar ambas as bocas, quem se importa com um simples batom quando uma língua maravilhosa acaricia a sua com tanta doçura? O segurou o rosto dela e partiu o beijo puxando levemente o lábio inferior dela.
- Acabei de estragar o seu batom.
- Quem é que está se importando? - riu levemente. - Eu posso retocá-lo no carro.
- Certo, então podemos ir?
- Sim.
pegou sua bolsa e saiu de casa trancando a porta. a abraçou pela cintura e a guiou até o carro, abriu a porta para que entrasse e a mulher aconchegou-se sobre o banco. Logo tomou seu lugar ao volante e deu partida no carro.
- Eu não queria decepcionar você, mas o jantar vai ser na minha casa. Eu não consegui imaginar nenhum outro lugar tão bom quanto.
- Eu gosto da sua casa, ela é aconchegante e traz paz. - Na realidade não se incomodava com o lugar, poderia ser qualquer um desde que ela esteja com .
- É uma pena que outras pessoas não virão o quanto você está maravilhosa.
- Não preciso que outras pessoas vejam, só você. - Ela sentiu suas bochechas esquentarem assim que a frase foi dita. tocou na mão dela que estava sobre o colo e entrelaçou seus dedos ao da mulher.
- Fico muito feliz com isso, não sei se ficaria muito contente com marmanjos babando por você.
- Eu não sou isso tudo.
- Vou te dar um espelho de corpo inteiro de presente de Natal. - riu e acariciou a mão de . A mulher pegou um lencinho na boca para limpar ao redor dos lábios que estava manchado de vermelho e retocou o batom, limpou também a boca de enquanto ele ria e prestava atenção na estrada.
O estacionou o carro de frente a sua casa e saiu do veículo dando a volta no mesmo e abrindo a porta para , segurou a mão da mulher e a levou até a casa entrando na mesma logo em seguida. Fechou a porta e virou-se tirando o sobretudo de e o pendurando em um gancho que tinha por ali. ficou ainda mais abismado quando virou-se de frente para ele e ele pôde vê o vestido que ela usava.
- E eu que acreditava que você não podia ficar ainda mais linda - Ele acariciou seu rosto e sorriu querendo mais que tudo beijá-lo e foi exatamente isso que ela fez, se aproximou, mergulhou seus dedos nos cabelos macios da nuca de e colou seus lábios aos dele não se importando novamente com seu batom vermelho. Mergulhou sua língua na boca do homem e puxou um pouco os cabelos dele sentido-o abraçá-la pela cintura e a apertar em seus braços. O beijo duro o bastante para deixá-los ofegantes, encerraram com selinhos barulhentos e riram enquanto se olhavam.
- Estraguei seu batom de novo.
- E eu continuo não ligando para isso.
guiou até a sala e ela abriu a boca em êxtase. O ambiente estava com as luzes apagadas sendo iluminado por diversas velas redondas espalhadas pelo lugar dentro de um recipiente que parecia com copos de vidro. Algumas flores estavam espalhas por ali deixando a sala com uma decoração bonita e um cheiro suave. percebeu que o tapete da sala já não era mais o mesmo que ela tinha visto quando esteve ali pela última vez, o de agora era vinho com alguns desenhos abstrato e em cima dele estava uma mesa de centro de madeira escura quadrada e grande com flores no centro, uma garrafa de vinho, duas velas, pratos, talheres e taças bem arrumadas. Diversas almofadas estavam ao redor da mesa.
- Talvez eu não tenha fugido realmente do clichê.
- Eu sou fã de um bom clichê - Sorriu para o homem, um sorriso que mostrava todos os dentes e deixava os olhos miúdos e brilhantes - Você conseguiu deixar sua casa ainda mais confortável.
- Fico feliz em não ter decepcionado.
- Nem um pouco.
sentou-se sobre as almofadas e sentou-se ao seu lado, abriu a garrafa de vinho e despejou o conteúdo em duas taças entregando uma para .
- Você quer comer agora?
- Quero.
- Volto já - levantou-se.
- Você quer ajuda?
- Não precisa, eu não demoro.
observou sumir para a cozinha e tomou um pouco do vinho, resolveu retirar os sapatos e os colocou ao lado do sofá, levantou-se e caminhou até o canto da sala pegando as flores que estavam ali e levando até o nariz. Respirou o cheiro suave e fechou os olhos enquanto um sorriso discreto apossava-se de seus lábios. A mulher começou a explorar o lugar mesmo achando que isso era falta de educação. Aproximou-se de uma estante e observou os objetos que ali estavam, como um cisne em cristal, uma miniatura da torre Eiffel e um porta retrato de aço onde se via um casal de terceira idade muito bem vestidos, , e outro homem que era tão parecido com que chegava a assustar, certamente é seu irmão gêmeo. Ela notou que detrás desse porta retrato havia outro e o pegou deparando-se com uma mulher sentada em um balanço e um menino em seu colo. A mulher vestia um vestido de verão, era vermelho com flores espalhadas por todo ele, seu cabelo castanho claro, e tão longo que quase chegava aos seus quadris, estava esvoaçante. Ela possuía um sorriso tão grande e lindo que também sentiu vontade de sorrir, seus olhos estavam levemente fechados, mas dava para perceber que eles possuíam uma linda cor mel. O tom de pele da mulher era de um bronzeado bonito e ela possuía toques tão angelicais que chegava a se parecer com uma boneca. O garoto em seu colo era tão lindo quanto a mulher, era muito parecido com ela, mas também se via perfeitamente feições de nele.
- Missy e Mike - assustou-se e virou-se deparando-se com de pé segurando dois pratos brancos.
- Desculpe, eu não deveria estar mexendo nas suas coisas.
- Não tem problema, de verdade - Sorriu e colocou os pratos sobre a mesa de centro. olhou novamente para a foto e Sorriu.
- Eles eram maravilhosos, nunca vi uma mulher tão linda quanto ela.
- Eram sim. Vem cá - estendeu a mão e colocou o porta retrato onde o tinha encontrado. A mulher aproximou-se do e colocou sua mão sobre a dele, ele a levou até os lábios e lhe deu um beijo terno fazendo a mulher sorrir com carinho. A guiou para que se sentasse sobre as almofadas e ficasse de frente para o prato.
- Salmão grelhado com verduras cozidas e purê de banana.
- Isso está com uma cara ótima.
- Falta a salada - O homem saiu da sala, mas logo retornou com uma travessa de vidro contendo salada. Sentou- se ao lado de porque não conseguia ficar longe dela e os dois começaram a comer. Ele Sorriu quando a mulher fechou os olhos e respirou profundamente.
- Isso está dos deuses! Eu nunca vou me cansar de comer as coisas que você faz, repito, nunca - riu.
Logo eles terminaram de comer e buscou a sobremesa de morango que também fora muito elogiada por .
- Desse jeito eu vou virar um elefante - encostou-se no sofá e levou a mão até a barriga.
- Será um elefante muito bonito - Ela riu.
- Serei tudo, menos bonita.
- Discordo disso - O aproximou-se dela e levou sua mão direita até o rosto suave da mulher - Você é extraordinária e fico muito feliz por ter você na vida, quero tê-la ainda por muito e muito tempo por isso quero muito saber se você aceita namorar comigo - o olhou atônita e abriu a boca levemente, fora pega completamente de surpresa, mas tinha sua resposta na ponta da língua.
- Aceito - A mulher riu quando o sorriu radiante e a abraçou apertado - Eu seria louca se não aceitasse.
- Seria mesmo, eu sou um partido e tanto não é verdade?
- Óh, é sim - Disse rindo.
juntou sua testa na da mulher e sorriu observando-a bem de pertinho.
- Eu já falei o quão linda você é? - Ela corou e mordeu o lábio inferior.
- Hum, você também é muito lindo.
- Acho que discordo disso.
- Pergunte para Lex então, ela como sua maior fã vai te dar uma boa resposta - Ele riu.
beijou , tentou fazer aquilo com toda a ternura que a mulher merecia, mas era muita tentação para um pobre homem e quando ele deu por si já estava deitado por cima dela. A mulher estava confortavelmente sobre as almofadas, o peso do homem não a incomodava nem um pouco, muito pelo contrário, ela se sentia muito aquecida com ele ali. O desgrudou seus lábios dos da mulher e desceu vagarosamente em direção ao pescoço dela. mordeu o lábio para conter os sons vergonhosos que queriam dar as caras, ela sentia arrepios por todo o corpo e achou que morreria quando passou a língua pela pele sensível de seu pescoço. Ela apertou as costas dele com força cravando suas unhas na blusa escura que ele vestia, abriu os lábios levemente para soltar uma rajada de ar e quase não foi mais capaz de conter os sons que tanto lutavam para sair. Mas conteve. Fechou os olhos apreciando as carícias que o homem ainda fazia em seu pescoço e sentiu a mão dele lhe tocar a coxa mais ou menos dois dedos por debaixo da saia do vestido. Se ela não morreu antes agora era certeza que morreria, ela simplesmente não podia se conter diante aquela carícia feita pela mão áspera. O subiu seus lábios novamente em direção a boca dela e eles retomaram o beijo. descobriu adorar aquela boca, isso é incontestável, ela amava a forma como o homem a beijava, como lhe explorava com a língua, como puxava o gosto dela para si. As coisas estavam quente, bastante quente e a mulher queria realmente ir até o fim, mas era cedo, ela não queria que o que tinha com se resumisse a sexo, ela queria mais e não permitiria que vontades carnais estragassem aquilo. Foi com relutância que ela partiu o beijo e foi ofegante que ela disse:
- Podemos esperar mais um tempo para fazermos isso? - A mão de parou de acariciá-la, mas ele não a retirou do lugar. O homem a olhou e observou a boca vermelha da mulher, os seios dela contra seu peitoral lhe diziam que ela estava com a respiração descompassada e seus cabelos estavam levemente desarrumados. Ele queria mais que tudo no mundo continuar com aquilo, queria ver a mulher por inteiro, toca-la, fazê-la sua, lhe arrancar todo o pudor que carregava. Mas ele sabia esperar e também sabia que a espera valeria apena.
- Eu posso esperar quanto tempo você quiser.
- É que eu não quero apresar as coisas e nã...
- Você não precisa se explicar, - Ele acariciou o rosto da mulher e depositou um beijo em seus lábios - Eu não estou com pressa - Ela sorriu e mexeu nos cabelos do homem.
- Bem, com os amassos podemos continuar, amassos não fazem mal a ninguém - gargalhou.
- Você está certa, amassos só tem a acrescentar.
Então os dois voltaram a se beijar.
entrou em seu quarto e o seguiu. O quarto com cores claras possuía uma bela decoração, a cama ficava no meio do quarto e estava coberta por lençóis creme, a madeira da cama era marrom assim como os criados mudos e o baú que ficava nos pés da cama. Havia uma mesa também marrom no canto do quarto e uma estante grande com alguns livros e decorações. Na outra extremidade do quarto estava a entrada para o closet, era grande por isso dava para ver bem os armários e prateleiras que haviam ali, a maioria estava vazia.
olhou para com incerteza e mordeu o lábio.
- Será que não podemos dormir em outro lugar? Esse quarto é importante para você e não quero apagar nenhuma lembrança que você tenha dele - olhou para a mulher com o cenho franzido. Ele havia convencido de dormir ali com ele, sem segundas intenções, e a mulher aceitou sem pensar muito.
- Todas as lembranças que tenho desse lugar permanecerão aqui , eu só quero fazer novas - Ela sorriu.
- Bom, podemos fazer lembranças em outro lugar e deixar as daqui do jeito que está, esse lugar é só seu e de Missy e eu não quero mudar isso - sorriu em compreensão. Ele gostou daquilo, não queria tomar o lugar de Missy, não se importava de ainda amá-la, de não tê-la esquecido, aliás, ele nunca seria capaz de esquecer sua mulher, Missy era seu sol particular, era tudo para ele e sempre seria, ele nunca seria capaz de esquecer a alegria que a mulher sempre trouxe a ele, de como ela o apoiava em seu sonho de abrir outros restaurantes fora da cidade, de como ela era compreensiva quando ele precisava trabalhar até tão tarde. Missy fora o amor de sua vida, fora aquela pessoa que muitos procuram a vida toda, sentia-se muito sortudo por ter tido ela, por ter encontrado sua pessoa e agora se sentia ainda mais sortudo por saber que na verdade ele não tinha somente uma pessoa mas sim duas, também passou a ser seu raio de sol, em tão pouco tempo tornou-se extremamente importante para o e se dependesse dele a levaria por toda sua vida.
- Tudo bem, eu só vou pegar umas roupas - assentiu e observou entrar em seu closet. Logo depois os dois saíram do quarto e caminharam pelo corredor entrando no último quarto que havia ali.
A decoração do cômodo era escura, havia uma cama de casal no centro do quarto e dois criados mudos em cada canto do móvel assim como no quarto de , só que ali a cama era de ferro e branca e os criados mudos possuíam a mesma cor. O quarto era menor do que o de , uma parede estava pintada de azul marinho enquanto as demais eram cinza. Havia um armário branco e grande em uma das paredes uma porta dupla que dava para uma sacada e outra porta que possivelmente seria o banheiro.
- Os cômodos da sua casa são tão bonitos, a decoração é excelente e tudo combina.
- Missy gostava dessas coisas, ela amava decorar lugares.
- Ela era Designer de interiores?
- Não, era professora, decoração era mais um hobbie.
- Eu queria muito ter feito um curso de Designer de interiores, sempre gostei, mas nunca tive oportunidade.
- Quem sabe agora você não consiga fazer, nunca se é tarde para realizar um sonho e tenho certeza que você será uma excelente decoradora - O se aproximou dela e a abraçou pela cintura, sorriu e levou seus braços até os ombros dele.
nunca a tinha apoiado com aquilo, por causa do homem um por um de seus sonhos foram morrendo até não sobrar nada, e eles eram tão simples, ela nunca teve sonhos extraordinários. Quando criança queria que um casal a adotasse, queria ir para uma casa bonita onde houvesse um cachorro e um quarto só para ela cor de rosa, então o casal a amaria como se ela fosse sua filha de sangue e eles viveriam bem e feliz. O tempo fez questão de provar para que esse sonho era impossível então ela se esqueceu dele. Quando começou a morar com ela viu ali uma oportunidade de cursar uma boa faculdade, como não teria que ajudar muito na casa ela teria dinheiro o bastante para pagar o curso que desde os 13 anos desejava, mas então não a permitiu estudar, era mais um sonho que morria. não permitiu que ela viajasse para a França, outro sonho morreu. não permitiu que ela ajudasse as crianças do orfanato, então esse sonho morreu. não lhe permitiu ter um Golden Retriever caramelo. não permitiu que ela plantasse uma árvore. Escrevesse um livro. Fizesse trabalho voluntário. Assistisse a um show de sua banda preferida. Aprender a falar francês. Ter um casamento dos sonhos... Bem, ela lhe agradecia por ele ter privado-a desse último sonho. Todos os sonhos dela morreram e não lhe restaram nada. Mas agora parando para pensar bem, ela poderia sonhar novamente, poderia correr atrás de seus sonhos velhos, realizá-los e sonhar sonhos novos. Ela poderia fazer tudo o que quisesse.
- Eu quero viajar para a França. Ajudar crianças de um orfanato. Ter um Golden Retriever caramelo. Plantar uma árvore. Escrever um livro. Fazer trabalho voluntário. Assistir um show do Maroon 5 e aprender a falar frances... o que você pensa sobre isso? - a olhou com o cenho franzido estranhando a pergunta.
- Bem, a França é um lugar bonito e romântico. Crianças de um orfanato ficariam muito contentes por sua ajuda. Golden Retriever são fofos e bagunceiros. Já plantei dezenas de árvores e me senti muito bem fazendo isso. Você escrever um livro será um favor que fará a todos nós nos dando algo que realmente vale a pena ler. Você pode fazer quantos trabalhos voluntários quiser. Eu sei falar francês e é um idioma bem sexy. E eu não sei se me sinto muito seguro levando você para um mesmo ambiente que Adam Levine estará então se você me prometer que não fugirá com ele e me largará deixando-me triste e sozinho, eu compro ingressos agora mesmo - gargalhou e lhe deu um selinho forte.
- Adam é mesmo irresistível, então não sei se posso lhe prometer isso - a olhou com um falso desapontamento fazendo rir mais uma vez. Ela lhe abraçou forte e fechou os olhos - Eu adoro você – O sentiu-se quente, fora tomado por uma grande onda de carinho. Apertou a mulher nos braços e depositou um beijo em seu ombro.
- Eu também adoro você.
lavou o rosto com água morna e o enxugou em uma toalha felpuda, soltou os cabelos que havia prendido para que não molhassem e se olhou no espelho certificando-se de ter tirado toda maquiagem. Arrumou a blusa preta que lhe havia emprestado e a puxou para baixo o máximo que deu. Agradecia pelo pano ser escuro já que o vestido que havia lhe emprestado dispensava o uso de sutiã, então ela estava sem e a blusa escondia essa informação, quer dizer, escondia um pouco. A mulher saiu do banheiro apagando a luz e fechando a porta e viu que já havia trocado de roupa e vestia uma camiseta e um short folgado. O homem a olhou e ela sentiu-se corar quando os olhos dele demoraram-se em suas pernas. Ele fechou os olhos e ergueu a cabeça começando a murmurar coisas que não entendia.
- O que está fazendo? - A mulher perguntou em estranheza.
- Pedindo forças para não agarrar você - Ela gargalhou.
- Eu posso dormir em outro lugar.
- Até parece que eu vou perder a oportunidade de dormir agarrado com você - Ela sorriu e o observou levantar a colcha da cama - Vem cá - enfiou-se debaixo das cobertas e observou apagar a luz, mas como o abajur estava ligado, o quarto não ficou na escuridão. O homem deitou-se ao lado da mulher e a puxou para seus braços depois de ter abaixado um pouco a luz do abajur. colocou uma das pernas por cima das dele, descansou sua mão em seu peitoral ao lado do rosto, olhou para cima e admirou os olhos do homem, assim, de pertinho, ela podia ver umas pintinhas em seus olhos, umas claras e outras escuras tornando os olhos dele ainda mais lindos. Ele sorriu e beijou o nariz dela.
- Seu copião - Ele riu.
- Fazer o que se é bonito quando você e Lex fazem isso.
- Falando nela, estou com saudades da minha bebe, nunca dormimos longe uma da outra - Ganhou um beijo de no bico que fazia.
- Bom, eu estou aqui, não é muita coisa, mas acho que dá para o gasto - riu.
- Sim, sim, você deve servir.
- como você se virou com Lex? Era só vocês duas vocês devem ter passado por bons bocados.
- Nos viramos bem - Ela suspirou já prevendo que a conversa tomaria caminhos que ela não queria pisar.
- O pai da Lex era do orfanato onde você viveu?
- Não, o conheci em uma lanchonete - Ela bocejou, era falso, mas torcia para ter soado verdadeiro - Vamos dormir agora? Não estou mais podendo com os olhos abertos.
- Claro, boa noite.
- Boa noite - Depositou um beijo nos lábios dele e aconchegou a cabeça em seu pescoço.
Odiava está mentindo para , odiava isso mais que tudo, mas não queria lhe contar sua história, não queria trazer átona suas feridas, seus medos, não queria que ele a odiasse por está mentindo, queria privá-lo de todo o seu passado e ter um bom futuro ao seu lado.
De manhã fora acordada com beijos nas bochechas e na boca e quando abriu os olhos deparou-se com um homem maravilhoso lhe sorrindo docemente.
- Hey, bom dia.
- Bom dia - Ela espreguiçou-se e se sentou puxando para baixo a blusa que estava na altura de seu umbigo.
- Eu juro que não vi nada, quer dizer, talvez eu tenha percebido que sua calcinha é preta - Sorriu maroto e abriu a boca em indignação sentindo suas bochechas esquentarem - Mas foi sem querer, eu juro, levantei as cobertas para sair da cama e você estava de costas para mim com a blusa embolada até o meio das costas e apesar de eu querer mais que tudo apreciar a bela visão da sua parte traseira, eu fui muito respeitador - O rosto de só podia está entrando em combustão. Ela pegou um travesseiro enfiando-o no rosto e ouviu a gargalhada do homem - Deixa disso .
- Não! Você viu minha bunda!
- Na verdade eu só tive um vislumbre da sua bunda, mas se você quiser eu posso mostrar a minha para ficarmos quite - A mulher gargalhou sonoramente e retirou o travesseiro do rosto.
- Foi respeitador?
- Fui.
- Não tocou em nada?
- Eu juro.
- Então está perdoado.
- Ufa, então quer dizer que fiz isso a toa? - apontou para a ponta da cama e viu uma bandeja com panquecas, ovos e bacons, maffin e copos de suco de laranja. Os olhos dela brilharam e ela voltou a olhar para o .
- Bem, eu certamente vou querer tudo isso.
- Imaginei - Ele sorriu e pegou a bandeja colocando-a perto de . Ela amava aquele jeito descontraído de , a forma como ele tornava tudo uma brincadeira era incrível.
Depois do café da manhã foi até o banheiro, fez sua higiene matinal e vestiu o vestido que havia deixado ali, desceu as escadas, calçou seus sapatos e vestiu seu sobretudo.
- Tem certeza que você precisa ir agora? - olhou para e prendeu o riso ao ver sua expressão de cachorrinho que caiu da mudança.
- Eu tenho uma bebê me esperando.
- É, eu não posso de jeito nenhum competir com aquela princesa. E se eu me juntar a vocês?
- Você não vai almoçar na casa do hoje?
- Tem razão - Disse cabisbaixo, mas logo se animou - E se você almoçar lá também?
- Bom, se a me convidar eu aceito.
- E se ela não te convidar, você se convida - gargalhou e aproximou-se do homem o abraçando.
- Eu sou tão irresistível assim? - Perguntou em tom de brincadeira, fazendo graça, mas respondeu com convicção...
- Você não imagina o quanto.
Depois de ter travado uma pequena batalha com para que ele a deixasse ir, saiu da casa deparando-se com o dia frio, abraçou o corpo e começou a andar na direção da casa de agradecendo por não ser tão longe dali. Quando chegou à casa de tom areia, apertou a campainha e aguardou ser atendida. abriu a porta e olhou para , seus olhos se arregalaram e ela levou a mão até a boca.
- Você está com a roupa de ontem! Vocês transaram! - Praticamente gritou fazendo com que arregalasse os olhos e olhasse desesperada para os lados para ver se alguém havia escutado.
- ! - Empurrou a mulher com cuidado para dentro da casa e fechou a porta. Ouviu um gritinho fino e virou-se, um grande sorrindo abriu-se automaticamente ao ver Lex praticamente correndo em sua direção. abaixou-se e pegou a filha no colo abraçando-a forte e depositando beijos por suas bochechas gordinhas.
- Mamãe sentiu muitas saudades minha boneca.
- Lex pergunta para ela se essa saudade veio antes ou depois dela transar com o .
- ! - tampou a orelha da filha e a morena revirou os olhos.
- Se eu ganhasse dinheiro por cada vez que você falasse "" eu já estaria rica.
- É que você é impossível.
- Eu digo isso para ela todos os dias - entrou na sala e abraçou sua mulher levando as mãos até a barriga dela - Como vai ?
- Bem - Sorriu.
- E como foi o jantar?
- Muito bom, seu irmão é muito gentil.
- Acho que essa palavra não é boa para descrever sexo.
- Ahh meu Deus - Ela fechou os olhos e ouviu a mulher gargalhar - Lex deu muito trabalho?
- Que nada, ela é boazinha - sorriu para a menina que devolveu o sorriso - Ahh , você está convidada para o almoço.
- Obrigada, eu vou em casa tomar banho e me trocar e já volto.
- Não precisa - Disse - Toma banho aqui, eu te empresto uma roupa e tenho calcinhas novas, aquelas que eu ia te emprestar para sua noite com o e você não aceitou - sentiu-se envergonhada e olhou para que ria.
- Nós jantamos e conversamos então quando vimos já era tarde aí eu dormi lá e apenas dormi, entendeu ?
- Você tem certeza que...
- Amor vamos lá fazer o almoço e mostrar para o Aguiar quem é o cozinheiro dessa família.
- Mas... - puxou a mulher em direção a cozinha fazendo-a bufar - Milla ajuda a com as roupas e lhe dê uma toalha por favor.
olhou para Milla e a garota riu.
- Não ligue para a mamãe, ela é meio biruta. Vamos lá que vou pegar a roupa para você - seguiu a menina.
- Não sabia que você chamava a de mãe.
- As vezes e às vezes chamo ela de Jas porque ela se parece com a Jasmine do Alladin, ela gosta - Deu de ombros, abriu o armário e pegou algumas roupas - A mamãe já deu banho na Lex, ela acordou um pouco suada porque dormiu comigo e eu gosto de dormir com alguns cobertores. Ela sempre sorri quando dorme?
- Sim - A mulher sorriu observando Alexia mexer em seus cabelos - Ela às vezes também resmunga.
- Bom, então nos entendemos porque eu também falo quando durmo - A menina se aproximou de - Por isso não faço coisas erradas, vai que eu falo o que eu fiz enquanto durmo e meus pais escutam - Cochichou e riu - Aqui estão as roupas e também tem toalha na primeira porta do armário do banheiro, eu fico com Lex - Pegou a garotinha do colo da mãe.
- Obrigada Milla - Pegou a roupa e seguiu para o banheiro.
Quando desceu meia hora depois ela ouviu gargalhadas vindo da sala, entrou no cômodo e deparou-se com sentado no tapete juntamente com Alexia brincando com algumas bonecas que possivelmente fosse de Milla. A mulher cruzou os braços e encostou-se no arco da entrada da sala, sorria levemente enquanto observava a cena. penteava o cabelo de uma das bonecas e Lex lhe entregou uma presilha de coração, ele colocou nos cabelos da boneca e a entregou para Alexia vendo que a garotinha havia ficado contente com aquilo.
- Caso você enjoe de cozinhar, a profissão de cabeleireiro o aguarda - riu olhando para e levantou-se, aproximou-se dela de fininho e lhe deu um rápido selinho.
- Hum, você está bonita.
- Você sempre diz que eu estou bonita.
- É porque é verdade.
- Mamã - olhou para Alexia e viu seu braço estendido, sua pequena mão abrindo e fechando sem parar chamando sua mãe para perto de si. sorriu e aproximou-se da filha se sentando ao seu lado, sentou-se ao lado das duas e Lex levantou-se se aproximando do com um pente de plástico. Ela apoiou-se nele e entendeu que a garotinha queria que ele abaixasse a cabeça então assim ele o fez e Alexia começou a pentear o cabelo dele desajeitadamente. riu divertidamente e pegou o celular de que estava sobre o sofá, colocou na câmera e tirou algumas fotos do momento. Lex aproximou-se da mãe e deixou o celular de lado recebendo duas presilhas uma em formato de estrela e a outra de sol, a garotinha apontou para e prendeu o riso enquanto colocava as presilhas em . Alexia bateu palmas e finalmente gargalhou.
- Vocês formam uma família tão linda - Eles olharam para que estava na entrada da sala com a mão sobre a barriga, veio logo em seguida.
- Veja só, eu sempre soube que você possuía tendências femininas meu irmão.
- Você quer que eu procure aquelas fotos de você fantasiado de princesa e bailarina para vermos quem tem tendências femininas por aqui?
- Milla me obrigou - Resmungou sentando-se no sofá e puxando para seu colo - Garotinhas extremamente fofas de sete anos tem muita autoridade sobre o pai.
- Garotinhas em geral têm muita autoridade sobre o pai você quis dizer - lhe beijou a bochecha.
- Se esse serzinho aqui for menina, eu vou estar muito ferrado - Acariciou a barriga de sua mulher e ela riu.
- Vai fazer do papai seu escravo - Milla entrou na sala e se sentou ao lado dos dois. abraçou a filha de lado e depositou um beijo em seus cabelos.
- Esse almoço sai ou não sai? Estou em fase de crescimento, preciso comer.
- Ainda vai demorar um pouco para sair meu amor.
- Então eu vou comer alguns cookies.
- Milla desse jeito você não vai almoçar, o almoço não vai demorar.
- Por favor papai - A garota piscou os espessos cílios e hesitou.
- Tudo bem, só dois.
- Quatro, eles são tão pequenos. Por favor?
- Tudo bem - O homem suspirou. A menina sorriu e depositou um beijo em sua bochecha, levantou-se e seguiu para a cozinha.
- Cara, você é tão manipulável - balançou a cabeça retirando as presilhas de seus cabelos.
- Não! - Lex lhe entregou as presilhas projetando seu lábio rosado para frente.
- Tudo bem pequena - Voltou a colocar as presilhas nos cabelos.
- Quem é manipulável agora irmão? - disse e e gargalharam.
O almoço fora regado por conversas, risadas e claro, indiretas mais que direitas de para e . se sentia muito acolhida, sentia que pertencia aquela família, que era uma Aguiar, eles a tratavam tanto como se ela realmente pertencesse aquele lugar que ela passaria a acreditar naquilo com toda a convicção do mundo. Era óbvio que Alexia estava bem à vontade ali, lhe dava comida na boca enquanto Milla a distraia para que ela não colocasse a mão no prato, conversava com ela e também, gargalhando das caretas que a garotinha fazia. passou a ver ainda mais Southport como sua casa, ela realmente queria ficar ali, firmar residência ali e levar todas aquelas pessoas por toda sua vida e faria o máximo, daria tudo de si para que aquilo acontecesse.
foi embora da casa de e quando o dia já havia se transformado em noite, fez questão de levá-la até em casa mesmo retrucando sobre isso. Quando o a deixou de frente para a cabana, ele queria mesmo entrar e ficar ali com ela e Alexia, mas sabia que os dois precisavam de espaço, eles estavam começando um romance agora, se viam todos os dias no trabalho e em fins de semana, ficar grudado 24 horas por dia em começo de romance não era nada bom, sabia daquilo porque teve problemas com Missy no começo do namoro, sabia daquilo porque foi morar com cedo demais e deu no que deu. Por isso foi com um gostinho de quero mais que deu um longo beijo em e um beijo na testa de Alexia esperando as duas entrarem na casa para logo depois ele seguir para a sua própria, grande e solitária.

***
Era mais um dia normal de trabalho, o movimento no restaurante estava tranquilo o que era bom porque e haviam ido ao médico para ver se estava tudo bem com o bebê e descobrir seu sexo. também não estava ali, estava fora conversando com fornecedores do seu estabelecimento. encostou-se ao balcão e começou a conversar com o garoto do caixa, um rapaz de 15 anos que tinha três irmãos pequenos e trabalhava para ajudar com as despesas da casa, seu pai havia ido embora sem nem dizer tchau deixando a família com dificuldades. olhou para trás ao ouvir seu nome e observou uma sorridente caminhar em sua direção.
- É uma menininha! – A morena abraçou com força.
- Parabéns, ! Que dia iremos transformá-la em uma perua? – A mulher gargalhou.
- Semana que vem.
- Meus bolsos já estão sentindo o impacto. – suspirou.
- Lembre-se, você será o papai legal e nem um pouco mesquinho – Bateu no ombro do marido.
- Qual vai ser o nome dela?
- Nicolle, era o nome da bisavó do , mas como o nome dela era da forma francesa e só possuía um “L”, coloquei mais outro para ficar bem americano.
- Minha tataravó era francesa - deu de ombros e depositou um beijo na bochecha da mulher – Vou trabalhar.
- já que o movimento está pouco, eu vou começar a treinar você - arrastou até a cozinha enquanto a mulher resmungava a contra gosto.

- Maya, desse jeito não haverá mais espaço para guardar tantas roupinhas – disse observando os dois vestidos que a amiga havia dado para Lex.
- Ahh, , eles são tão lindos que eu não resisti, já imagino Alexia usando eles, ficará tão fofa!
- Se você for comprar tudo que acha lindo, vou precisar de outro quarto para guardar as roupas dela - Maya riu.
esticou o braço para colocar as roupas no canto do armário e Maya franziu o cenho.
- O que é isso no seu braço?- olhou para onde a mulher apontava e recolheu o braço abaixando a manga da blusa o máximo que pôde.
- Eu me machuquei – Disse rapidamente.
- Você apertou o próprio braço? Porque isso ai é marca de dedos – mordeu o lábio e não soube o que responder. Maya aproximou-se dela e segurou a mão da mulher – , você não precisa me esconder nada porque eu sei o que está acontecendo com você – Ela olhou nos olhos da mais nova vendo pouco a pouca lágrimas se apossarem deles - Sei que seu marido a agride.

Capítulo 13


olhou atônita para Maya, engoliu em seco e logo depois desviou o olhar.
- Eu não sei do que você está falando - A mulher suspirou.
- Tudo bem, Lu, você não precisa mentir. Eu conheço os claros sinais de uma mulher que vive a sombra do marido, com medo. E conheço porque eu já fui essa mulher. Eu sofri violência, abusos, passei muitos anos da minha vida oprimida. Eu já fui vítima de violência doméstica - arregalou os olhos enquanto Maya carregava um sorriso triste.
- O que aconteceu com você? - Ela perguntou em um sussurro. Maya suspirou e olhou para o tapete cor de rosa.
- Eu casei jovem tentando escapar de um pai violento, minha mãe morreu quando eu tinha nove anos e meu pai era alcoólatra. Eu passava meus dias na escola, havia um projeto de dança que eu adorava e eu era tão boa que muitas vezes a professora me pedia para auxiliá-la. Eu também entrei para o teatro da escola e essas atividades começaram a tomar todo o meu tempo. Eu gostava disso. Eu chegava em casa de noite então comia alguma coisa e ia dormir; eu quase não via meu pai, o que era maravilhoso porque se eu entrasse em seu caminho quando ele estivesse sobre o efeito da bebida, eu apanhava muito.
“Com 16 anos conheci Márcios. Ele tinha 26 anos e entregava materiais para montar cenárius do teatro. Quando dei por mim já estávamos envolvidos. Era um relacionamento escondido por conta da idade dele, mas assim que terminei o primeiro grau, Márcios me tirou de casa, nós mudamos de cidade e eu comecei a viver uma nova vida. Eu sempre soube que ele era um homem bruto, mas ele não bebia e esse foi o principal motivo por eu ter fugido com ele, não foi nem porque eu gostava dele, eu só queria um pouco de paz, mas paz foi a única coisa que não tive depois que me envolvi com ele. As agressões eram diárias, por motivos toscos, por coisas que eu deixava de fazer… Se ele estivesse com raiva de alguém, ele descontava em mim; se não estivesse satisfeito com sua vida, ele descontava em mim; qualquer motivo era plausível para ele me agredir.
Foram anos de sofrimento, ainda hoje sinto algumas dores de ossos que não se sararam corretamente e eu sou estéril por causa daquele maldito homem. Eu havia engravidado, mas não sabia desse fato até ele dar várius chutes em minha barriga e eu começar a sangrar. Ele não me deixou ir ao hospital, por isso eu mesma me cuidei, até o dia que fui ao banheiro e o feto saiu. Eu fiquei tão assustada, não me importei com o que Márcios faria comigo por estar o desobedecendo e fui para o hospital, lá eu descobri que estava com uma infecção no útero. Eu sentia algumas dores, mas achava que era por conta dos chutes. Eu fiquei internada, mas os médicos não conseguiram controlar a infecção e por isso tiveram que retirar meu útero, retiraram tudo, ovárius, trompas, tudo, eu era uma mulher incompleta… sou, uma mulher incompleta. E aí eu pensei: “eu vou viver para quê?” A última vez que fui feliz foi quando minha mãe ainda era viva e tenho certeza que não saberei como é essa sensação nunca mais. E aí, eu tentei me matar - arregalou os olhos e levou a mão até os lábios. - Coloquei veneno em um suco e tomei, mas uma vizinha me encontrou, a porta da minha casa estava entreaberta e ela entrou, me viu no chão e ligou para a ambulância. Quando eu acordei naquele hospital eu sentia uma vontade enorme de chorar, não sabia o que seria de mim, eu não sentia mais vontade de viver, não queria mais estar naquela vida com Márcios então se eu não podia fazer nada contra mim, eu faria contra ele.
Eu pedi para que os médicos mandassem chamar a polícia e quando eles chegaram eu disse que não tentei me matar, que quem tentou fazer isso havia sido meu marido. Não era mentira, eu tinha a sensação que Márcios queria me matar toda vez que me agredia. Eu disse para os polícias que meu marido me batia sempre, pedi para a enfermeira mostrar a quantidade de vezes que eu havia estado naquele hospital e eu também tinha um vídeo em meu celular… Eu havia pensando em denunciá-lo, mas achei que um vídeo dele agredindo não o manteria por muito tempo na cadeia, mas diante aquela situação toda, eu mostrei os vídeos para os policiais, e a vizinha que me encontrou deu um depoimento dizendo que costumava ouvir meus gritos, e sempre desconfiou mesmo eu dizendo a ela que não era nada. Os polícias pediram o endereço do emprego de Márcios e eu o dei, então ele foi preso acusado de tentativa de homicídio e tempos depois foi condenado por 43 anos de prisão.
Passei alguns dias confinada em casa, então eu vi que tinha que melhorar, que eu ainda tinha uma chance. Consegui um emprego de professora de dança em um pequeno estúdio e dando aulas para crianças eu me sentia voltando aos poucos para a vida. Mas eu não me sentia bem no Texas, eu precisava recomeçar do zero, por isso pedi demissão e vim para Nova Iorque, consegui ser contratada por um excelente estúdio e com esforço comprei minha casa. Foi horrível tudo que eu passei, mas todos os dias quando acordo e vejo a vida que tenho agora, eu me sinto a pessoa mais sortuda do mundo. - Maya passou a mão pelo rosto secando as poucas lágrimas que haviam ali e sorriu. rapidamente aproximou-se da amiga e a abraçou forte.
- Eu sinto muito por tudo que aconteceu com você.
- Você tem que fazer o mesmo, Lu. Antes que seja tarde demais. - Afastou-se da mulher e tocou em sua barriga. - Você vai ter um bebê, você não pode continuar aqui, não pode viver a vida que vive! Você tem que denunciá-lo, eu ajudo você.
- Não. - Passou a mão no rosto. - E-eu tenho medo.
- Eu sei que tem, mas o medo não te levará a lugar nenhum, você precisa ir à delegacia. - A mais nova balançou a cabeça em negação.
- O irmão do é policial, eles conhecem muita gente ruim lá dentro, nem todos são bons, e o irmão do é tão abusivo quanto ele. Eu temo do que eles possam fazer comigo, do que eles possam fazer com Lex. - Acariciou sua barriga. - Eu não posso fazer isso, não agora. E-eu quero fugir, estou esperando a hora certa de fazer isso.
- E como você vai viver, Lu? Fugir não é a solução, você não terá paz.
- É a única coisa que posso fazer se eu não quiser me machucar mais e nem machucar Lex. - Maya suspirou.
- Quando a hora chegar eu ajudarei você - Abraçou e a mulher suspirou concordando.

abraçou com força e aconchegou sua cabeça no peitoral do homem.
Vou sentir saudade.
Ahh, é mesmo? - sorriu e depositou um beijo no topo da cabeça de .
Uhum... - Suspirou, se agradando com o carinho.
estava ali para se despedir. Iria para a capital ver algumas coisas referente ao restaurante e fazer uma visita para os pais e irmão, ficaria uma semana fora de Southport. Sete dias longe de e apesar do envolvimento recente com o homem, ela já estava sentindo falta dele.
Eu vou ligar todos os dias, prometo. E se você precisar de qualquer coisa, você pode me ligar também, a qualquer hora.
- Tudo bem - suspirou.
- Bom, agora eu preciso ir. - o olhou e fez um biquinho, o que foi uma surpresa para ela, ela não sabia que podia ser tão infantil.
sorriu e acariciou o rosto dela, lhe deu um beijinho de esquimó e logo depois colou seus lábios aos da mulher. O beijo foi calmo e demorado, ambos impuseram todo o carinho que puderam no ato, separam os lábios e sorriram um para o outro - Fica bem - O moreno sussurrou.
- Vou ficar. - Ela sorriu docemente.
deu mais um selinho em e relutantemente saiu da casa. A mulher esperou o carro de sumir para entrar em casa e fechar a porta, suspirou e deu um sorriso fraco. Ela estava ficando tão dependente de , dependente de seu cheiro, de seu carinho, da sua voz sussurrada ao pé de seu ouvido, dependente de seu abraço quente e aconchegante... Ela balançou a cabeça em negação e foi em direção à cozinha, Lex já estava dormindo e assim que guardou a última louça que estava em cima da pia, ela foi se juntar a filha.
estava limpando uma das mesas do restaurante, riu quando começou a tocar uma música animada no lugar e uma das garçonetes começou a dançar despreocupadamente não se importando nem um pouco com as outras pessoas que estavam ali. Ela fazia passos exagerados e expressões engraçadas fazendo com que algumas pessoas gritassem, batessem palmas e rissem. Outras garçonetes se juntaram a ela e logo foi puxada para a rodinha mesmo a contragosto. A mulher só batia palmas e mexia um pouco o corpo só para fingir que estava dançando e ser deixada em paz. entrou na rodinha com toda sua animação e começou a fazer uma dança esquisita enquanto estalava os dedos e mexia sua pequenina montanha para lá e para cá. gargalhou alto e a olhou convencida.
A melhor dançarina desse estabelecimento, meu amor.
- E que ninguém ouse discordar - disse enquanto mantinha o dedo indicar levantando. Sorriu para sua mulher e a tomou nos braços dançando junto com ela e cantando a música desafinadamente.
balançou a cabeça em negação saindo sorrateiramente da rodinha, caminhou até os fundos do restaurante para lavar o pano que havia usado para limpar as mesas. A mulher suspirou sentindo cócegas de saudade no peito, queria tanto que estivesse ali, ela apostava que se ele estivesse, o moreno naquele exato momento a estaria atormentando, tentando agarrá-la enquanto ela tentava empurrá-lo. Sentiu seu celular vibrando no bolso de seu uniforme e o pegou, sorriu para o nome que piscava na tela e atendeu ao aparelho.
Hey - Saudou ternamente.
- Olá, meu bem. - A mulher sentiu-se estremecer pela voz sussurrada que saiu do aparelho em suas mãos e tentou conter um suspiro. - Como você está?
- Eu estou bem, e você?
- Hum, não sei dizer, estou com um incômodo no peito.
- Você foi ao médico? - A mulher franziu o cenho em preocupação.
- Creio que para a saudade não se há remédio - mordeu o lábio tentando conter um sorriso. - O único remédio que com certeza ajuda é reencontrar a causadora dessa saudade, só seis dias e eu a verei novamente.
- Você é um bobo, - O moreno riu.
- O que você está fazendo? Já foi para casa?
- já estou indo, estou lavando o pano que usei para limpar as mesas. - O homem grunhiu.
- Queria estar aí para agarrar você - gargalhou.
- Eu estava justamente pensando nisso antes de você me ligar - A linha ficou muda por alguns segundos.
- Então você queria que eu estivesse aí para agarrar você? - Ele falou pausadamente, sua voz soando sensual. voltou a morder o lábio.
- Bem, na verdade eu estava mais focada na parte que eu tentava empurrar você.
- Sei… você faz isso só para tocar no meu peitoral definido, pensa que eu não sei - gargalhou.
- Você é tão modesto que chega a dar inveja - Foi a vez do moreno gargalhar.
- E Lex? Como ela está?
- Bem, mas acho que está com saudade, hoje quando entrou no restaurante ficou olhando de um lado ao outro como se estivesse procurando alguém. Ela está apegada a você - tentou conter a repreensão na voz, não sabia se era bom ou ruim o fato de Lex gostar tanto de .
- E pode ter certeza que eu também estou muito apegada a ela, estou quase indo comprar um perfume de bebê só para sentir o cheirinho daquela pequena - relaxou a expressão e sorriu.
- Você não ver problema no fato dela está tão apegada a você?
- Você está brincando? Aquela garotinha já virou meu raio de sol, assim como a mãe dela - sentiu as bochechas corarem mesmo sabendo que não poderia ver e que não tinha ninguém por perto.
- Sempre tão galante.
- Disponha - riu.
- Bom Sr. Galante, agora eu tenho que ir, nos falamos depois.
- Tudo bem, tchau e… eu adoro você - sentiu-se derreter.
- Adoro você também - Sua voz saiu sussurrada e logo depois a mulher desligou.
Apertou o aparelho e suspirou alto. Aquele homem a estava transformando em uma tola.
terminou seus afazeres e logo se viu longe do restaurante buscando Alexia na casa de . A garotinha estava dormindo e foi assim tranquilamente em seu carrinho até chegar em casa.
colocou a filha na cama e caminhou em direção ao banheiro, tirou suas roupas e entrou de baixo do cheiro na água quente fazendo seus músculos relaxarem-se. Fechou os olhos e suspirou, ela se sentia tão em paz, tão… livre de todas as amarras que a prendiam desde que começou a se envolver com . Com o homem ela sentia que não podia nada, que não era nada, que sua sina era viver presa dentro de sua própria casa. Já com ela sentia que podia fazer qualquer coisa nesse mundo, ela se sentia grande, se sentia importante, ao lado dele se sentia feliz como uma criança ao ganhar todos os presentes que há tempos almejou. Sempre seria grata a por tê-la trago-a a superfície, por fazer com que ar puro inflasse suas narinas e tomassem seus pulmões depois de tempos sem respirar, mesmo que o que eles tivessem não durasse, ela sempre seria grata.
desligou o registro e se enxugou, caminhou até o quarto em sua toalha felpuda e vestiu-se com uma roupa leve. Lex continuava na mesma posição, seu sono ainda profundo, seu peito descendo e subindo tranquilamente.
sentou-se na ponta da cama e observou a filha, ela venerava tanto aquela garotinha, a amava tanto que mataria e morreria por ela, a amava tanto que se a perdesse, se perderia também. Acariciou a bochecha quentinha e rosada de sua bebê e depositou um beijo cálido na mesma. Saiu do quarto e caminhou até a sala ligando a televisão e procurando algo bom para assistir até que desse a hora de fazer o jantar.

Hey. - sorriu ao atender o celular - Você já me ligou hoje.
- Está reclamando? Se for assim, posso desligar.
- Não seja dramático. - A mulher revirou os olhos.
- Como você está?
- Do mesmo jeito que eu estava de manhã.
- Certo, você realmente não quer falar comigo.
- Estou brincando – Sorriu levemente - Eu estou muito bem, senhor , estaria melhor se o senhor estivesse aqui. E o senhor? Como vai?
- Estou bem, na medida do possível. E o meu restaurante? Como vai? Meus funcionários não estão fazendo bagunça lá não, não é?
- Eu não entrego meus amigos.
- Nem para seu namorado?
- Muito menos para ele se o tal for meu chefe.
- Que bela aliada eu fui arrumar - Disse de forma irônica - Se Lex já soubesse falar, aposto que ela daria a informação que preciso.
- Ela é puxa saco, isso sim.
- Não fala assim da minha cúmplice! - riu.
- Falando nela… Mês que vem minha bebe faz um aninho – A mulher fez bico.
- Ahh, não me diga. Vamos fazer uma festinha para ela lá no restaurante, podemos chamar os funcionários e os filhos deles. Aposto que Lex irá adorar.
- Tudo bem - sorriu. - Ela vai mesmo adorar.
- Bom, eu só liguei mesmo para ouvir sua linda voz, assim dormirei melhor. Não durmo muito desde que me afastei de você - derreteu-se com a frase.
- Você não é assim tão dependente de mim.
- Sinto dizer, mas você está enganada. Cada dia que passa eu fico mais louco sem poder sentir seu cheiro - A mulher sentiu-se corar - Ainda bem que não vou me demorar por aqui, senão era daqui direto para um sanatório.
- Exagerado - riu.
- Bem, não vou mais tomar seu tempo, tenha uma boa noite.
- Você nunca toma meu tempo, jamais. Boa noite, durma bem.
- Adoro você meu anjo - Céus! Alguém tinha que parar esse homem, do jeito que as coisas iam iria virar uma poça dela mesma.
- Adoro você também.

***


, você já pegou três vestidos iguais.
- Claro que não, Lu, as cores são diferentes.
- Até agora estou tentando distinguir vermelho de bordô… Ainda não consegui. Você sabe que Nicolle vai crescer rápido, não é? Se você comprar muita roupa de recém nascido, ela vai perder tudo logo.
- Mas é que é tudo tão lindo e fofo e irresistível - A mulher levou uma blusinha rosa até o rosto.
- Pelo amor de Deus, esqueça um pouco a cor rosa - pegou a blusa da mão de e a colocou no lugar.
- Está bem, sua chata - Fez bico como uma verdadeira criança birrenta. - Já chega de coisas para Nicolle por enquanto. Vamos comprar roupas para Lex. - puxou pela loja.
- Eu não trouxe dinheiro.
- E quem disse que é você que irá pagar, é tudo por minha conta.
- Nunca permitirei isso, .
- Você quer fazer o favor de fechar a boca? Você disse que o aniversário dela é mês que vem, então estou lhe dando presentes adiantado. Aí meu Deus! Olha só essas roupas! Lex irá conquistar todos os gatinhos.
- Ela não tem nem um ano, - revirou os olhos. - E irá matar você se comprar muitas coisas para Lex.
- Alexia é o xodozinho dele, para ela ele abre uma exceção. Sua filha conquista a todos, impressionante.
olhou para Alexia, Milla estava com ela em uma área reservada para as crianças brincarem, a menina contava uma historinha para Alexia que parecia está muito concentrada olhando as figuras do livro.
Ela é especial.
- Com certeza. - sorriu para . - Agora vamos lá, porque se tem uma coisa que eu amo, essa coisa é fazer compras.

***


jogou-se sobre a cama fazendo Alexia gargalhar e cair para trás com o movimento forte do colchão. sorriu e deu uma leve mordida na barriga da criança fazendo-a gritar.
- Amo tanto você minha bebê. Fala comigo: “Amo você, mamãe” - começou a falar vagarosamente, mas a única reação que ela teve de Alexia foi a gargalhada da garotinha.
ouviu seu celular tocar e pegou o aparelho vendo o nome de brilhar na tela. Sorriu involuntariamente e apertou o botão de atender.
Olá, senhor .
- Como vai, senhorita ?
-Vou bem, e o senhor?
- Me sentindo velho por causa desse seu senhor. Mas a vida é assim mesmo - gargalhou.
- Você não é nenhum garotinho - O homem soltou um barulho de indignação fazendo gargalhar novamente.
- Como você está? - Perguntou depois de ter rido um pouco.
- Cansada - Suspirou - me prendeu em uma tarde interminável de compras.
- Meus pêsames. Aposto que o enxoval da Nicolle já está completo.
- Não tenha dúvidas. terá que construir outro quarto para caber tantas roupas, sapatos e acessórios. Deus! Ela deve ter comprado umas cento e cinquenta faixas para cabelo e umas duzentas presilhas com muito brilho e muita flor. Nicolle crescerá traumatizada.
- Ela crescerá traumatizada só por ter a mãe que tem - o repreendeu fazendo-o rir.
- Ela também comprou algumas coisas para Lex dando a desculpa do aniversário dela.
- E como está minha bonequinha? - sorriu carinhosamente pela forma que o homem se referia a sua filha.
- Está com saudades, ficou toda alegre quando ouviu seu nome. Ela está com uma carinha de quem quer puxar o celular da minha mão - A mulher acariciou os cabelos claros da filha.
- Deixe-me falar com ela - riu e colocou o aparelho no ouvido de Alexia fazendo a garotinha entortar a cabeça.
Alexia ouvia atentamente com um sorriso nos lábios e balbuciava coisas inteligíveis. Foi difícil para arrancar o telefone das mãos da garotinha, conseguiu fazer isso depois de dar um pedaço de chocolate para ela se lambuzar.
ouviu a risada de quando colocou o celular novamente contra a orelha.
Aconteceu uma luta por aí?
- Quase isso, outra luta vai acontecer mais tarde quando eu tiver que dar banho em Lex e tirar todo esse chocolate que está nela. Você tinha que ver o estado do cabelo dela - gargalhou.
- Bem, queria continuar aqui ouvindo sua doce voz, mas tenho algumas coisas para resolver do restaurante. Ligo para você mais tarde.
- Não liga não, você tem que ficar com seus pais e seu irmão, eu não posso tomar seu tempo desse jeito.
- Você não toma, acrescenta. Eu dou atenção para meus pais, brinco com meus sobrinhos e até aturo meu irmão com suas piadas idiotas sobre ser o mais bonitos sendo que somos iguais - riu - O meu dia fica completo quando falo com você - sentiu seu coração aquecer. Adorava saber que era tão atencioso, tão romântico.
- Bom, sendo assim, posso aceitar tomar um pouco do tempo de sua família.
- Já disse que você não toma.
- Tudo bem, tudo bem - riu - Vai lá resolver o que você tem para resolver.
- Tchau.
- Tchau.
- Sinto sua falta - A mulher sorriu.
- Também sinto sua falta. - Ela ouviu a respiração de ainda por alguns segundos antes do celular ficar mudo.
Largou o aparelho sobre a cama e jogou-se para trás, suspirou ainda com um sorriso desenhando seus lábios e balançou a cabeça em negação. Fechou os olhos, mas os abriu rapidamente quando Alexia espalmou as mãozinhas em seu rosto.
- Ó, Lex! - Sentiu o chocolate derretido em seu rosto e olhou para a garotinha completamente lambuzada. Pegou seu celular e tirou algumas fotos da filha. - Vamos tomar um banho, sua sapeca.

***


estava caminhando para o banheiro quando ouviu batidas em sua porta. Franziu o cenho em estranheza, estava cansada demais para lhe fazer uma visita, e se não fosse ela ali, não imaginava quem seria.
A mulher abriu uma brecha da porta e para sua surpresa encontrou Luke de pé na entrada.
Olá.
- Olá, . - Sorriu parecendo encabulado. - Desculpe aparecer assim de repente, minha mãe fez alguns doces e exigiu que eu trouxesse para você, ela disse que você os adora. - Ele levantou uma caixa média. Os doces de dona Rose são mesmo uma delicia.
ficou em dúvida se deixava o homem entrar ou não, ela chegou à conclusão de que seria falta de educação só receber a caixa e mandá-lo embora. Abriu a porta e lhe deu espaço para que passasse.
Me desculpe mais uma vez por ter vindo assim sem mais nem menos, eu disse para minha mãe que não era boa ideia, mas ela não me escuta.
- Não se preocupe. - Mostrou um sorriso tranquilizador. - Não me incomodo, ainda mais por ter trago os deliciosos doces da dona Rose. - Caminhou até a cozinha e Luke a seguiu depositando a caixa em cima da mesa.
- Tão pequena e já fica em pé? - Luke abaixou-se e acariciou o cabelo de Alexia, a garotinha estava de pé apoiando-se em uma cadeira.
- Ela já anda, é evoluída demais, me surpreende que ela ainda não fale como gente grande - abriu a caixa e sua boca salivou com os doces que ali estavam. Pegou um e mordeu um pedaço. - Pegue um.
- Se eu comer mais um doce, minha nova amiga será a diabetes - riu, pegou Alexia no colo e lhe deu um pedaço do doce.
- Sente-se.
- Não quero tomar seu tempo.
- Não se preocupe, não tenho nada para fazer - Luke sentou-se em uma cadeira e o imitou - Sabe, esses dias eu estava pensando… No dia que nos encontramos na praia você disse que tinha uma irmã que se chamava Alexia, mas dona Rose já me disse que ela tem dois filhos… homens - Luke coçou a nuca.
- Bem, o meu irmão é bastante feminino, se chama Alex e eu costumava irritá-lo o chamando de Alexia na infância. Não foi de todo uma mentira, até porque minha mãe realmente gosta do nome Alexia.
- Hum, desculpa a indelicadeza, mas seu irmão é gay? - Luke gargalhou.
- Quase. Bem, estou brincando. Não, ele não é gay, acontece que ele é muito sensível, se você o chamar para assistir um filme de romance, ele chorará mais que você. - riu. - Surpreendentemente as mulheres amam o lado sensível dele.
- Isso costuma mesmo agradar algumas. Mas porque você falou que tinha uma irmã? Só para zoar seu irmão?
- Também, mas o real motivo era que eu queria manter uma conversa com você. - Deu de ombros. não soube o que dizer, por isso pegou outro doce da caixa e o comeu só com uma mordida - Eu gostaria de saber se você quer jantar comigo qualquer dia desses. - A mulher sentiu o doce parar em sua garganta e teve que fazer muito esforço para não se engasgar, engoliu com dificuldade e limpou a garganta. Merda, ela nunca tinha passado por uma situação daquela, não sabia como dispensar alguém sem magoar a pessoa. Fez aquilo na primeira vez que a chamou para sair, o dispensou, mas ficou com dor no coração e deu uma desculpa qualquer para aceitar novamente o convite. Mas naquele caso era diferente, nem se ela quisesse ela poderia aceitar aquele jantar.
- Olha Luke, eu… eu… Bem, não posso aceitar seu convite, eu estou… envolvida com alguém, de uma forma séria.
- Entendo. - evitou olhá-lo, se sua voz transmitia decepção, imagina sua feição. - Bom, eu tenho que ir, preciso resolver algumas coisas do meu trabalho - O homem levantou-se e esperou que fizesse o mesmo carregando Alexia em seus braços. Luke seguiu a mulher até a porta e a esperou abri-la.
- Agradeça a dona Rose pelos doces, estão maravilhosos como sempre, e muito obrigada por trazê-los.
- Imagina, não foi sacrifício nenhum. Bem, eu já vou indo. - Fez um carinho no queixo de Lex e depois olhou para . - A gente se vê - O homem deu as costas e caminhou até seu carro. fechou a porta e encostou-se a mesma, suspirou e olhou para Lex.
- Agradeça por você ser bebê e não ter que lidar com esse tipo de coisa. E quer saber, não vou deixar você lidar com isso tão cedo, só me apareça com um namorado quando você tiver dezoito anos, entendeu mocinha - riu do desinteresse da filha, a garotinha estava mais interessada no colar que estava no pescoço da mãe - Vamos lá nos entupir de doces, porque a vida é assim não é? No fim só o que nos resta é comida, e claro, algumas gordurinhas.

, creio que isso não é uma boa ideia.
- Estou pouco me importando para o que você acha ou deixa de achar - O homem colocou mais uma muda de roupa na mala e a fechou. - Vou ganhar mais dinheiro, iremos precisar, tudo que entrar vai ser bom, temo vender até minhas calças com a chegada desse troço que você carrega - sentiu seus olhos arderem pelo insulto ao seu bebê. A mulher abraçou a barriga de forma protetora.
- Eu não posso ficar sozinha. E se Alexia vier antes do tempo? E se acontecer alguma coisa?
- Bem - O homem pegou o chaveiro e retirou dele uma chave - Aqui está a chave da porta da frente, se você sentir qualquer coisa vá para o hospital, você já sabe que qualquer gracinha lhe acarretará consequências graves, não sabe? - A mulher balançou a cabeça afirmativamente - Eu não quero que você saia de casa a não ser para ir ao hospital se necessário, aqui não está faltando nada para você, por isso você não precisa fazer nada na rua.
- Eu entendi.
- É bom que entenda mesmo. - O homem pegou a mala. - Pense em Alexia antes de fazer qualquer coisa, ela terá um papai que lhe ensinará muitas lições - estremeceu com o sorriso de , acompanhou o marido até a porta que levava a rua - Qualquer coisa me liga, eu ligarei para casa em horas variadas do dia, se você não me atender, a coisa não ficará nada boa para você. Agora venha cá - puxou pela mão e lhe deu um beijo na boca - Não irá me desejar boa viagem?
- Boa viagem, .
- Agora feche a porta, com a chave. - obedeceu ao marido sendo observado minuciosamente por ele.
A mulher tirou a chave da fechadura e a repousou sobre a mesinha que havia ao lado da porta, se encaminhou para o sofá e sentou-se no mesmo.
- Meu amor, prometa para a mamãe que você ficará comportada e não me dará nenhum susto. - Acariciou a barriga. - Não é sua hora ainda de nascer, mas li que alguns bebês vêm antes do tempo. Espero mesmo que esse não seja seu caso - levantou-se e caminhou até a cozinha quando ouviu batidas na porta dos fundos. Sabia que era Maya, por isso abriu a porta sem pestanejar.
- Vi que seu marido saiu. - A mulher disse depois de depositar um beijo na bochecha de . - Era impressão minha, ou ele estava com uma mala?
- vai passar uma semana em Buffalo, o chefe dele escolheu alguns guias para trabalhar na cidade e ganhar um bom dinheiro.
- E ele não se importou de deixar você sozinha na situação em que você está?
- Ele disse que se eu sentisse algo era para eu ir ao hospital.
- E como você iria? Pulando a cerca do jardim? - Disse de forma irônica.
- Ele me deixou a chave da frente. - Maya balançou a cabeça em negação.
- Como ele vem se comportando com você?
- Bem, ele não me machuca mais.
- Fisicamente, você quer dizer. Bom, você vai ficar sete dias longe daquele monstro, vamos para minha casa, você vai ficar mais confortável lá.
- Não posso, disse que me ligará em horas variadas do dia.
- Não acredito nisso.
- Mas eu quero conhecer sua casa, podemos ir lá agora?
- Claro. - Sorriu esquecendo-se um pouco da raiva que sente do marido da amiga. - Estou doida para te mostrar meu quarto de dança.
- E vamos pela porta da frente - sorriu e segurou no braço de Maya guiando-a até a sala.

Capítulo 14


O dia estava bonito apesar do vento gelado. segurava Alexia nos braços, a garotinha estava enrolada em um cobertor e parecia sonolenta.
-Hey , bom dia - aproximou-se da mulher e depositou um beijo em sua bochecha fazendo o mesmo em Lex.
- Bom dia. Só estou esperando dona Rose vim buscar Lex para eu poder ir trabalhar, ela disse que tinha que fazer algo agora pela manhã.
- Não se preocupe, pode levar o tempo que quiser.
- Não quero atrasar o trabalho.
- Você não vai, você é boa. E só para você saber, eu, e nos importamos muito com nossos funcionários e faríamos isso para qualquer um.
- Como você sabia que…
- Amigos sempre sabem o que o outro pensa - Piscou.
- Obrigada - Sorriu.
Alguns minutos depois avistou Rose caminhando em seu direção.
- Desculpe a demora querida, eu tinha uma encomenda de doce para um casamento.
- Sem problema dona Rose.
- Me dê essa lindinha aqui - passou Alexia para a mulher mais velha.
- O carrinho dela está bem ali fora. Eu irei buscá-la no mesmo horário de sempre - A mulher se aproximou da filha e depositou um beijo em sua cabeça - Obrigada dona Rose.
- De nada meu bem.

***


-Olá senhor, terei que desligar logo porque estou em meu horário de trabalho e meu chefe não ficará nada feliz - disse ao atender o telefone.
- Bem, aposto que seu chefe não vai se importar nenhum pouco, afinal, você é a funcionária preferida dele.
- O que foi que conversamos sobre prioridades? - riu.
- Ah, abra uma exceção para este pobre homem matar a saudade de sua amada.
- Irei pensar com muito carinho - amava as conversas descontraídas que tinha com . - Como você está?
- Estou bem. E você?
- Ainda com saudade. E Lex?
- Com saudade também, ela ainda procura você quando entra aqui.
- Vou levar um presente bem bonito para ela para compensar essa saudade.
- Não quero que você fique gastando dinheiro com ela.
- Pare com isso, é só um mimo.
- Você vai mesmo deixá-la mal acostumada.
- A mãe dela também vai ganhar presente.
- !
- O que foi? - O homem gargalhou.
- Pensei que a frase “você não tem jeito” só se adequava a , mas se adequada a você também.
- Como eu queria está aí para ver esses seus lindos olhos semicerrados - sentiu-se corar - E essas bochechas coradas também.
- Pare com isso.
- Está bem, já parei, já parei… Por hora.
- Bem, queria muito continuar nossa conversa, mas o restaurante está começando a encher. Tenho que ir.
- Tudo bem, depois eu ligo para você.
- Certo, fica bem e… estou com saudades - sabia que sorria mesmo não o vendo.
- Também estou com saudade.


despediu-se dos funcionários do restaurante e caminhou em direção da pensão de Rose, logo estava de frente a ela, bateu na porta e prontamente foi atendida pela mulher mais velha.
- Boa tarde dona Rose - Rose deixou que entrasse e fechou a porta.
- Boa tarde querida, Lex está dormindo, você vai agora?
- A casa me espera para uma bela faxina.
acompanhou Rose pelo primeiro andar da casa até uma porta que ficava depois das escadas. A mulher mais velha a abriu e entrou sendo acompanhada por .
- Lex não comeu muito hoje, no lanche comeu apenas duas colheradas de salada de frutas.
- Ela ama salada de frutas - franziu o cenho e aproximou-se da filha que estava dormindo entre os travesseiros.
- Sim, por isso estranhei ela não querer comer tudo.
pegou a filha nos braços e depositou um beijo em sua testa. Estranhou a temperatura da menina e passou as costas de sua mão levemente sobre a bochecha rosada da garotinha.
- Ela está quente - Rose aproximou-se e pegou em Lex.
- Realmente, não lembro dela está assim antes de eu colocá-la para dormir. Mas hoje ela estava tão quietinha - beijou mais uma vez a testa da filha, a preocupação estava estampada em sua face.
- A senhora tem algum termômetro?
- Desculpe querida, não tenho.
- Tudo bem, deve ter, eu não tenho porque Lex nunca teve febre, mas eu tinha que ter sido menos descuidada e ter comprado um - A mulher colocou a filha em seu carrinho que estava no canto do quarto, a cobriu bem e a guiou para fora do cômodo.
- Será que eu fiz algo de errado?
- Claro que não Dona Rose, eu nunca pensaria que é sua a culpa de Lex ter febre, até porque a senhora tem dois filhos crescidos e saudáveis, sabe muito bem como cuidar de uma criança - deu um sorriso tranquilizador para a mais velha - Lex chorou enquanto esteve aqui?
- Nenhuma vez, só estava manhosa e não quis sair do meu colo - assentiu.
- Vou até e vê se ela pode me ajudar.
- Qualquer coisa ligue - assentiu e se despediu da mulher tomando o rumo da casa de .

***


segurava o pequeno rosto de Alexia com as duas mãos e olhava atentamente para a garotinha. Alexia sorriu achando engraçado o modo que era observada e o homem depositou um beijo em sua testa.
tinha tirado a temperatura da filha, a criança estava com trinta e oito e meio de febre. deu um remédio para a garotinha, já tinha se prevenido para quando Nicolle chegasse e tinha alguns remédios que segundo livros poderia ser dado sem problemas para bebês.
- Milla teve febre quando criança, ela chorava tanto que ficava roxa, a levei ao médico e ela estava com o ouvido inflamado. Em outro episódio ela também teve febre, chorava muito e o médico disse que ela estava com a garganta inflamada. Lex não está chorando, sinal que ela não está sentindo dor. Mas aconselho levá-la ao médico se a febre não passar.
- É o que farei - Disse olhando para a filha que estava sentada em um tapete felpudo brincando com Milla.
- Já que você está aqui, ficará para jantar com a gente, não é? - perguntou. sorriu para a amiga e assentiu.
- E depois eu levo você e Lex para casa, assim ela não pega vento - piscou para a mulher e foi se juntar a Milla e Alexia no tapete.

***


colocou a filha sobre a cama e beijou sua testa. Para o alívio da mulher a febre de Lex havia passado, já estava ficando preocupada, agora era torcer para a febre não voltar. Tomou um banho rápido e começou a arrumar a casa. Algum tempo depois estava finalizando a arrumação da sala quando seu celular tocou e sorriu antes mesmo de saber quem era. Ela já tinha uma noção.

-Hey - Jogou-se no sofá.
- Olá moça - sentiu um arrepio na nuca ao ouvir a voz levemente roupa de - Como vai?
- Muito bem, e você?
- Melhor agora com certeza - Ela riu - Nem acredito que só falta três dias para eu estar ao seu lado novamente, confesso que passou rápido.
- Viu senhor dramático.
- Nem vem, sei que você também estava ansiosa por me vê.
- Você é muito prepotente sabia? - Semicerrou os olhos mesmo que ele não pudesse vê. gargalhou.
- Minha mãe está desconfiada sobre nós.
- Você contou alguma coisa? - Perguntou receosa.
- Não, mas quando ela me viu ela disse que meus olhos estavam brilhantes, que a áurea negra que estavam sobre eles, haviam sumido. Então ela perguntou se eu havia encontrado alguém, eu desconversei, mas ela é esperta com certeza vai ligar para ou para saber, se é que já não ligou - ficou em silêncio sem saber o que dizer - Quando você acha que podemos assumir que estamos juntos? - Perguntou em voz baixa. mordeu o lábio inferior sentindo-se nervosa e suspirou.
- Podemos apenas deixar acontecer? Deixar as pessoas saberem aos poucos?
- Tudo bem para mim.
- Meu Deus, a vai pirar - Fechou os olhos em agonia e ouviu a risada de .
- Ela vai se acostumar rápido e logo para de nos encher, até porque tem que se focar na filha.
- Tem razão.
- E Lex?
- Está dormindo, ela teve febre hoje e está meio manhosa.
- Mas ela está bem? - Perguntou em um tom preocupado.
- Aparentemente sim, deu um remédio para ela e a febre passou, não sei o que pode ter sido, se a febre voltar vou levá-la ao médico.
- Não deixe de falar como ela está.
- Não vou, prometo.
- Bem, amanhã acordo cedo, tenho que ir.
- Tudo bem, boa noite.
- Boa noite, durma bem meu anjo.
- Você também - sussurrou sentindo o peito aquecer.


***


foi acordada pelo despertador como acontecia em todas as manhãs, espreguiçou-se e sorriu para a filha que dormia, aproximou-se da garotinha e lhe beijou a testa, seu sorriso desapareceu ao sentir a temperatura de Alexia. Levou a mão até a testa dela constatando que a febre havia voltado e parecia mais alta do que da última vez. Levantou da cama e pegou o termômetro que havia lhe dado, mediu a temperatura da filha e viu o termômetro marcar o número 38.5. foi rapidamente para o banheiro, escovou os dentes com pressa e lavou o rosto, voltou para o quarto e pegou o celular discando o número de enquanto abria o armário para pegar uma roupa.

- Hey , bom dia.
- a febre de Lex voltou, ela está com trinta e nove graus, será que você pode nos levar ao hospital? - Disse com rapidez. Vestiu a calça jeans e fechou o botão.
- Estou saindo daqui agora mesmo, em pouco tempo estou aí.
- Obrigada -
Desligou e vestiu rapidamente a blusa colocando um casaco por cima.

aproximou-se da filha e a vestiu com calma tentando não acordá-la, mas durante o processo Alexia acabou acordando.
- Hey pequenininha, bom dia - Depositou um beijo na bochecha da filha e olhou para ela tristemente - O que você tem meu amor? - queria muito que Lex respondesse, que lhe desse uma luz e lhe trouxesse calma.
A mulher colocou a filha para mamar e se sentiu aliviada por ela não ter rejeitado. logo chegou e fez questão de logo entrar no carro e seguir para o hospital. Ela estava tão preocupada, Lex nunca havia adoecido antes, sempre cuidou bem dela, sempre vestiu na filha roupas quentes quando estava frio e sempre lhe deu alimentos fortes e saudáveis.

saiu do carro quando chegaram ao hospital e entrou no mesmo com ao seu lado, passaram na recepção e foram encaminhadas para a área infantil marcando uma consulta com uma pediatra em uma outra recepção.
- Ela vai ficar bem - acariciou a cabeça de Alexia e sorriu. As duas estavam sentadas esperando Lex ser chamada - Ela é um bebê, bebês ficam doentes.
- Ela nunca havia ficado doente - Suspirou.
- Bem, uma hora teria que acontecer - deu de ombros.

Uma porta se abriu e a médica chamou o nome de Alexia. levantou-se e arrumou a filha nos braços.
-Você quer que eu entre com você? - perguntou levantando-se.
- Não precisa, obrigada - Sorriu fraco e entrou no consultório.

À médica examinou Alexia minuciosamente. Ouviu seus batimentos cardíacos, apertou sua barriguinha, checou seus olhos, ouvidos, nariz e garganta. Perguntou para o que a bebe havia comido ultimamente, se ela tinha alergia a alguma coisa ou se havia sofrido alguma queda.
- Alexia está bem - A médica disse enquanto olhava com calma para , a calma que só os médicos tinham - Seus batimentos estão normais, ela não está com nenhuma inflamação aparente e nem dor.
- E o que pode ter causado a febre? - Perguntou aflita. A médica entrelaçou os dedos sobre a mesa.
- Houve alguma mudança repentina na vida dela nos últimos tempos?
- Bem, nós nos mudamos, saímos da Inglaterra para morarmos aqui, mas isso já tem seis meses - olhou para a filha que brincava com um brinquedo que a médica havia dado para ela se distrair.
- E alguma perda? Algum distanciamento?
- Bem, nã… - ponderou, mordeu o lábio inferior e franziu o cenho - Um… um amigo nosso viajou recentemente, Alexia é muito apegada a ele - A médica assentiu.
- Desconfio que ela esteja com febre emocional, isso pode ocorrer quando acontece uma mudança repentina na vida de uma criança ou quando ela se distancia de alguém que ama. Eu irei receitar um remédio para abaixar a febre e por via das dúvidas, pedirei um exame de sangue - assentiu, seu cenho ainda franzido.
A mulher pegou a receita do remédio e o encaminhamento para o exame de sangue, agradeceu a médica e saiu da sala. Ao vê , automaticamente levantou-se.
-E aí? - Perguntou um pouco ansiosa.
- Bem, ela disse que Lex não tem nada.
- E a febre?
- Disse que pode ser emocional.
- Mas porq… Ah - viu compreensão no rosto da amiga. sorriu com doçura e abraçou de lado enquanto caminhavam até o balcão para marcar o exame para Alexia - Ela está sentindo falta do , quando eu contar isso para ele, ele voltará na mesma hora, tenho certeza.
- Você não vai contar para ele - Olhou com repreensão para - Ele tem as coisas dele para resolver.
- Se eu não contar, você tem, ele ficará chateado se você esconder algo assim dele - suspirou.
- Você acha?
- Tenho certeza.
- E você acha que ele volta para Southport?
- Talvez, ele adora Lex.
- Não tem porque ele voltar antes da hora, é só eu dizer que ela está bem, é a verdade.
- Sim, de qualquer forma diga a verdade

havia sido liberada do dia de trabalho para poder ficar com Lex. A mulher fez todas as vontades da filha, preparou a comida que sabia que a criança amava e brincou com ela até Lex se cansar e dormir. Assim que saiu do quarto ouviu o celular tocar, correu até a cozinha onde havia deixado-o e o pegou sorrindo para a tela.
- Olá.
- Olá minha linda, como você está? - Ela suspirou afastando o telefone um pouquinho para que não ouvisse sua reação patética.
- Eu estou bem. E você?
- Fora a saudade, estou bem também. E Lex?
- Eu tive que levá-la ao hospital pela manhã, sua febre havia voltado. Mas agora ela está bem.
- E o que causou a febre? - Perguntou preocupado.
- Bem - Mordeu o lábio inferior - A médica disse que ela está com febre emocional, tudo indica que ela está sentindo sua falta - A linha ficou muda por alguns segundos.
- Eu estou voltando para Southport.
- Não está não - A mulher falou com rapidez - Lex está bem, falta só dois dias para você voltar…
- Eu já resolvi tudo que eu tinha para resolver aqui.
- Você precisa ficar com sua família.
- Vocês também são minha família - A mulher ficou sem reação, não esperava essa resposta de forma alguma - Apesar do pouco tempo, vocês também são minha família.


engoliu em seco e fechou a boca que nem percebeu que estava aberta. Respirou fundo e fechou os olhos sentindo-os arder. Ela se sentia em casa, sentia que finalmente, desde que os pais morrera, havia encontrado seu lugar no mundo, que agora ela realmente, realmente pertencia a um lugar, que tinha amigos, e que tinha um amor que realmente se preocupava com ela.

- Você está aí? - Ouviu dizer.
- Sim, desculpe. Não volte agora, não é preciso, fique mais um pouco com seus pais, me disse que eles sentem muita falta de você, você não pode vim embora agora. Lex está bem, eu juro e qualquer coisa eu falo para você.
- Tudo bem - Respirou fundo - Tudo bem.
- Ela falou outra palavra hoje - Disse no intuito de mudar de assunto - Ela disse vida porque eu a chamei assim, eu perguntei “você está bem minha vida?” E ela disse “bida” - riu - Foi lindo.
- Tudo que ela faz você acha lindo.
- Acho mesmo, sou uma mamãe babona.
- Tudo bem, eu também era um pai babão - O telefone se silenciou. não falava de Mike com , fora a vez que ele contou sobre o acidente e sobre o dia que a criança chorava sem parar na madrugada. Ela mordeu o lábio sem saber o que fazer - deu com as línguas nos dentes.
- Como assim? - Falou com rapidez agradecendo por ele ter mudado de assunto.
- Ela falou para minha mãe sobre você, as duas passaram quase uma hora conversando - soltou um muxoxo - Minha mãe só me olha com expressão maliciosa, eu nem sabia que ela poderia ser maliciosa! - gargalhou - É um horror - Resmungou.
- Vou matar a .
- Eu ajudo a esconder o corpo, podemos marcar o dia? - A mulher voltou a gargalhar - Não sei como a aguenta, se bem que os dois se merecem. Tenho pena de Milla e de Nicolle.
- Duas sofredoras com certeza - Foi a vez de gargalhar.
- O que você está fazendo?
- Nada, fui liberada do trabalho para poder cuidar de Lex e agora acho que vou por em prática algumas coisas que me ensinou, já aprendi várias coisas.
- Mal vejo a hora de decidir se afastar. Você sabia que quase ninguém vai a dispensa dos fundos? É lá que guardamos os chocolates e essas coisas, você vai ter que ir lá todos os dias praticamente e aposto que precisará muito da minha ajuda para pegar o açúcar, ele fica na prateleira de cima…
- O que você está insinuando? - Semicerrou os olhos mesmo sabendo que ele não poderia vê.
- Bem, que você precisará da minha ajuda é claro. Lá também é escuro… frio… Ah e acho que a porta está com um pequeno problema, ela emperra às vezes e se ficarmos trancados lá? Por acidente é claro, eu terei que aquecê-la e também pode demorar muitas horas para alguém aparecer, teremos que arrumar algo para fazer - Disse malicioso.
- ! - O homem gargalhou alto e balançou a cabeça em negação - Você não tem jeito.
- Claro que tenho, meu jeito é você.
- Hum, hoje você tirou o dia para me deixar sem palavras?
- Na verdade não, mas amo quando você fica sem palavras.
- Engraçadinho - Ele riu.
- Meu irmão acabou de chegar aqui e acha que ainda é adolescente e pode me encher o saco. Vou desligar agora, tudo bem?
- Claro - sorriu.
- Tchau, adoro você.
- Adoro você também.


Quando colocou o celular sobre a mesa, aquele sorriso idiota que aparecia sempre que ela falava com , estava lá. A mulher suspirou gostando da sensação que sentia, gostava de saber que era adorada por alguém, que era importante para alguém e que poderia contar sempre com esse alguém. Ela tinha certeza que sempre poderia contar com e mesmo estando com medo do amanhã, ela se doaria a ele sem mais receios.

gargalhou e logo depois levou a mão até a grande barriga enquanto fazia uma careta.
- Aí minha costela - Passou a mão com carinho em sua barriga e olhou para Maya - Ela está impossível.
- Ela não vê a hora de sair daí e conhecer a tia linda dela.
- Convencida - mostrou a língua para a amiga.
A mulher ia começar uma nova conversa com Maya quando o telefone começou a tocar. Suspirando pegou o aparelho e o levou a orelha. Já sabia que era , ninguém mais ligava para ela a não ser ele.
- Alô.
- Olá querida, como vai?
- Eu estou bem , e você ? - olhou para Maya e viu a careta que a amiga fazia.
- Bom, estou com saudade de você e da sua comida, por aqui só tem porcarias gordurosas - Sentiu o asco em sua voz - Mal vejo a hora de voltar para casa, a melhor coisa que fiz foi ter me casado com você - A voz dele ficou mais terna e quem visse de fora acharia o melhor marido do mundo -Só liguei para saber como você está e ouvir sua voz, tenho que desligar agora, um novo grupo está me esperando para começarmos a excursão. Amo você.
- Também amo você - Era duro para ela dizer aquilo, mas sabia que era o que queria ouvir.

A linha ficou muda e colocou o telefone no lugar. Suspirou e olhou para Maya que a olhava meio atravessado. deu de ombros e voltou a se recostar no sofá.
- Você tem certeza que vai fazer essa loucura? Fugir não é a melhor opção, viver com medo não é a melhor opção.
- É minha única alternativa Maya.
- - Maya segurou a mão da amiga com força - Não é a melhor alternativa, você pode denunciar aquele monstro, eu sirvo de testemunha e quando ele for preso você e Lex podem viver comigo, eu irei amar ter vocês ao meu lado.
- E quando sair? Porque ele vai sair Maya e ele virá atrás de mim, eu o conheço, ele é doente, obsessivo, não desistiria facilmente assim. Quantas mulheres morrem nas mãos de maridos abusivos, eu serei apenas mais uma.
- Você não pode pensar assim, você não será mais uma, eu não fui mais uma porque eu criei coragem e corri atrás da minha liberdade...
- Eu também estou correndo atrás da minha liberdade – Interrompeu – Correndo atrás da minha liberdade e da minha filha, você fez do seu jeito e eu vou fazer do meu – Disse grossa. Maya suspirou e segurou na mão da amiga.
- Tudo bem, se essa é sua escolha eu irei respeitá-la e irei ajudar você, se o que você quer é fugir, então eu irei ajudá-la.


Capítulo 15


- Qual é seu plano? – Maya perguntou para .
- Bem, eu não tenho um plano todo completo, por enquanto vou esperar Lex nascer e crescer um pouco para poder fugir.
- E para onde você vai? Você tem dinheiro?
- Eu não sei para onde eu vou – Suspirou – Como você sabe, eu não tenho ninguém. E enquanto ao dinheiro, bem, eu tenho um pouco, estou juntando sem que descubra.
- Quando chegar a hora eu vou ajudar você, mas tem outra coisa... como você vai sair de casa se sempre carrega as chaves com ele – mordeu o lábio.
- Bem, ai você me pegou, eu poderia quebrar umas das janelas, mas certamente será difícil pular para o primeiro andar com um bebê nos braços, eu poderia tentar em uma das janelas aqui de baixo, mas logo perceberia e eu quero ganhar tempo.
- Você poderia arrancar uma das cercas – balançou a cabeça em negação logo descartando a ideia.
- Não, daria muito trabalho, foi sorte uma das cercas está fora do lugar, elas são muito bem fincadas na terra, eu vou precisar de tempo e arrancando uma das cercas meu tempo será desperdiçado.
- Você pode então usar a cerca solta que eu uso para vim para cá e ir para minha casa quando você se sentir pronta para fugir.
- Mas e se você não estiver em casa? Eu não sei quando sairei daqui...
- Tem razão – Maya suspirou e ficou em silêncio pensando em algo – Eu ia sugerir de lhe dar uma copia da minha chave, mas e se nós fizermos uma copia da sua chave? Agora? Certamente nunca mais deixará a chave com você de novo, essa é a oportunidade perfeita.
- Você tem razão! – levantou-se com dificuldade e aproximou-se da porta tirando a chave de lá – Temos que fazer isso agora mesmo, vamos.
- Acho melhor eu ir sozinha – Maya levantou-se e aproximou-se da amiga – Se ligar e você não estiver aqui para atender, não vai ser nada bom.
- Certo – A mulher suspirou e entregou a chave para a mais velha – Tem razão.
- Não vou demorar.

Maya saiu e voltou a sentar-se no sofá, acariciou sua barriga e sorriu fraco.

- Mamãe está morrendo de medo meu amor, não posso esconder isso de você, acho que nunca senti tanto medo na vida, mas tenho ainda mais medo daquele monstro acabar me matando e você ficar sozinha com ele, por isso nós vamos fugir e vai ser com medo mesmo – O telefone tocou e a mulher fechou os olhos com força, suspirou e tirou o aparelho do gancho – Olá .


caminhou até os fundos do restaurante e jogou algumas embalagens na lixeira, ela havia acabado de fazer uma sobremesa que havia lhe ensinado e aparentemente se saiu muito bem, mas seus dedos estavam meio melecados e ela tinha certeza que havia chocolate em algum lugar de seu rosto. Deu meia volta para entrar novamente no restaurante, mas foi puxada pelo braço, quando abriu a boca para gritar percebeu que a pessoa que lhe puxava era , ele carregava um imenso sorriso.

- Não faça mais isso – disse sentindo seu coração na garganta, por um momento ela pensou que poderia ser... balançou a cabeça em negação – Não faça mais isso.
- Desculpe – O sorriso de diminuiu ao vê a expressão da mulher – Não pensei muito bem.
- Tudo bem, só me assustei um pouco – O coração de se acalmou, mas só por alguns segundos. Após o susto, ela se deu conta que estava ali, na sua frente, finalmente. A mulher sorriu radiante e jogou-se nos braços do – Você voltou – a envolveu com os braços e a apertou.
- E já não era sem tempo – Riu.

O homem afastou o rosto para olhar para a mulher e sentiu seu coração perder o compasso diante aquele olhar, ninguém nunca havia olhado para ela daquela forma, como se ela fosse o centro de seu mundo, como se fosse amada, adorada. Sua respiração ficou pesada e ela sentiu leves tremeliques. Droga! Ela só queria saber quando iria parar de sentir todas aquelas coisas na presença de , chegava a ser patético, com certeza ele a sentia tremendo, sentia o coração dela batendo forte e sentia como a respiração dela ficava irregular, ela sentia vergonha de todas aquelas sensações.

sorriu de lado e encostou seu nariz no de olhando dentro dos olhos dela.

- Olá.
- Oi – Ela sorriu de leve – Que bom que você voltou.
- Como eu disse, já não era sem tempo – Então ele a beijou, assim, de repente, não deu nenhum aviso para que ela preparasse seu corpo e sua mente, por isso foi impossível não sentir seu corpo ferver e sua mente se explodir restando dentro de sua cabeça um grande e silencioso nada. A mulher se esquecia de tudo quando a beijava daquela forma, só conseguia se focar nele, no que ele fazia com ela, em todas aquelas sensações maravilhosas e tão, tão indescritíveis.

levou a mão até a nuca de e a guiou no beijo aprofundando-o. A mulher estava na ponta dos pés e agarrava a camisa do com força, nem lembrava mais que seus dedos estavam sujos e poderiam sujá-lo, esqueceu-se do chocolate em seu rosto e que precisava voltar para o restaurante, só conseguia pensar em , em toda parte.

O homem afastou-se de e logo depois aproximou-se dela novamente para lhe dar um selinho molhado. A mulher abriu os olhos sentindo-se estrábica e os piscou rapidamente focando o rosto sorridente de .

- Não posso nem descrever a saudade que senti disso – O acariciou seu rosto com ternura e ela quase não foi capaz de controlar um suspiro. Seus olhos focaram os lábios dele, molhados e vermelhos depois do beijo e ela mordeu o lábio inferior – Não faça isso – Ele passou o polegar pela área carnuda e soltou o lábio – Desse jeito eu não resisto e vamos acabar ficando aqui a tarde toda.
- Não – Ela riu levemente – Eu preciso trabalhar.
- Vejo que você está se dedicando – Passou o polegar pela bochecha esquerda dela e lhe mostrou um vestígio de chocolate.
- Óh Céus! Minhas mãos estão sujas – Afastou-se dele e olhou para a camisa do homem – Eu sujei você – Ele olhou para a camisa e percebeu as novas marcas adquiridas. Deu de ombros.
- Eu vou para casa, acabei de chegar de viajem.
- Você tinha que estar descansando então.
- A viajem não foi muito cansativa, além disso, eu precisava te vê – A mulher sentiu-se corar e desviou o olhar.
- Hãn, bem, acho melhor eu voltar logo ao trabalho – riu levemente com o desconcerto da mulher.
- Lex está na dona Rose?
- Está sim.
- E como ela estar?
- Ontem passou o dia sem febre, mas hoje acordou um pouco quentinha, nada preocupante.
- Eu vou passar em casa para tomar um banho e depois posso pegar Lex e trazê-la para cá?
- Você não vai trabalhar hoje?
- Não, benefícios de ser chefe – riu.
- Então tudo bem.
- Agora vem cá.

O homem puxou pelo braço e abraçou seu corpo voltando a beijá-la. Sentiu o sorriso dela e foi inevitável não sorrir também. Andou com ela até a mulher sentir suas costas contra a parede do restaurante. Ela levou a mão até a nuca dele e embrenhou os dedos pelos cabelos curtos e macios. Ele agarrou a cintura dela com força e mordeu seu lábio inferior fazendo soltar um sonzinho em apreciação. Finalizaram os beijos com selinhos estalados e afundou o rosto no pescoço dela.

- , eu estou suada – Fechou os olhos e acariciou os cabelos dele.
- Continua muito, muito cheirosa – Depositou um beijo no pescoço dela e afastou-se, olhou para ela e sorriu – Nos vemos daqui a pouco – Depositou um beijo delicado nos lábios dela e lhe deu as costas.

sentia que seu sorriso á qualquer momento rasgaria seu rosto, quase não se reconhecia olhando seu reflexo no espelho, a estava mudando de formas irreparáveis. Lavou suas mãos e jogou água em seu rosto, minutos depois adentrou a cozinha do restaurante.

- Suas sobremesas estão sendo muito bem recebidas – disse com entusiasmo – Você está acertando tudo na medida certa e muita gente que frequenta quase todos os dias o restaurante pergunta se eu estou mudando minhas receitas porque elas estão diferentes, mas continuam maravilhosas. Sabe como o gosto dificilmente fica o mesmo quando uma pessoa resolve fazer a receita de outra e... ? Você está me ouvindo? – Estalou os dedos na frente do rosto da amiga. piscou rapidamente e focou em – Você estava em que mundo? – Cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha.
- Ah, desculpe, me distrai um pouco.
- E que sorrisinho é esse ai?
- Que sorrisinho? – tentou ficar séria, mas foi em vão. semicerrou os olhos e olhou para o rosto da mulher.
- Eu ficava com esse mesmo sorrisinho quando comecei a me envolver com .
- É mesmo? – deu as costas para a amiga e aproximou-se do balcão.
- Sim, é mesmo. Você está assim por que? Por acaso aquele cliente gostosão está ai? O nome dele é Luke, não é?
- Não, ele não está aqui e mesmo se tivesse, o que é que tem isso? Eu não estaria sorrindo por causa dele, não estou interessada.
- Nem uma quedinha?
- Nem um tropecinho.
- E enquanto ao ?
- ... – Repreendeu a amiga.
- Ah qual é, eu vejo como vocês se olham, vocês se gostam, admita.
-Você não tinha que me ensinar a fazer aquela calda de framboesa? – Desconversou enquanto mexia em alguns ingredientes.
- Eu ainda pego você, .

***


fechou a porta do carro e caminhou até o pequeno caminho de pedras, ergueu o punho e bateu três vezes na porta de madeira, alguns segundos depois a mesma fora aberta por Rose.

- Oi dona Rose – O homem abraçou a mulher e depositou um beijo carinhoso em sua bochecha.
- Olá querido, entre.
- Obrigado – Ele entrou na casa e virou-se para a mulher – Como a senhora está?
- Bem, bem, como minha idade me permite estar.
- Ah, pare com isso, a senhora ainda é uma mocinha.
- Sempre tão galante – A mulher balançou a cabeça em negação e riu.
- Eu vim ver Lex.
- Eu sei, acabou de me ligar para avisar. Lex está na varanda, vamos lá.

seguiu a mulher para os fundos da pensão e saiu pela porta de vidro. Alexia está sentada sobre um tapete colorido brincando com outras duas crianças. sorriu sentindo seu coração feliz por ver a garotinha, ele não era louco só por sua mamãe, era louco por ela também. O homem caminha até onde as crianças estão e logo foi visto por Lex que solta um gritinho agudo fazendo-o sorrir amplamente.

- Hey minha pequena – Pegou a menina nos braços e a abraçou com força, logo depois se afastou e examinou seu rostinho, levou a mão até a testa dela e fez uma careta.
- A febre vem e passa, mas ela já está bem melhor, aliás, está na hora de dar o remédio á ela – Rose entrou na casa e logo depois saiu – Ela não gosta muito, é uma luta para ela tomar.
- Deixe que eu faça isso – Sorriu para a mais velha e pegou o remédio que ela havia despejado em um pequeno copo – Vamos lá Lex, hora de tomar o remédio – A menina virou o rosto para o pescoço dele – Deixe disso, é rapidinho – Fez com que ela afastasse o rosto de seu pescoço e mesmo que a menina não quisesse, ele conseguiu dar o remédio a ela – Aqui – Devolveu o copinho para Rose que estava com um sorriso suave nos lábios.
- Você sempre foi um excelente pai – Ele piscou surpreso.
- Bem, eu... eu vou indo com Lex, vamos encontrar a mamãe dela, não é Lex? – Fez cócegas nela que gargalhou.
- Eu vou pegar as coisas dela.

despediu-se de Rose e saiu da pensão, colocou Lex em sua cadeirinha e seu carrinho no porta malas e deu partida no veiculo dirigindo para o restaurante.
O homem adentrou pelas portas de vidro e cumprimentou alguns clientes conhecidos que desfrutavam da refeição. Caminhou com Lex no colo até a cozinha do restaurante e deparou-se com fazendo um dos seus famosos - e mais pedido - prato.

- Como vai o pai do ano? – olha para e sorrir.
- Cada dia mais bobo, claro.
- Claro – O mais velho revira os olhos.
- E essa pequena? Como está?
- Eu acho que está bem, disse que a febre dela não está tão alta.
- Ah, então você já viu a – Sorriu com malicia – Já está assim irmão? Cadê a sua dignidade? – semicerrou os olhos.
- Olha só quem fala, o cara que fez uma serenata na primeira semana de namoro.
- Fazer o que cara, me fisgou desde o primeiro instante. Então, como estão nossos pais?
- Bem, nossa mãe entrou naquele curso de culinária que ela tanto desejava e nosso pai está dando aula de beisebol para as crianças do bairro. Cara – se aproximou mais do irmão e baixou o tom de voz – Eu mal via a hora de voltar para casa, os dois estão terríveis!
- Nessa idade?! – perguntou chocado e assentiu – Já não basta todos os traumas que eles causaram na nossa adolescência, tem que causar também na vida adulta?!
- Pois é, peguei nosso pai seguindo nossa mãe pela cozinha para poder apalpar a bunda dela – deixou a faca cair e adquiriu uma expressão de choque – Fora os barulhos de madrugada, ou eu vinha embora, ou eu ia direto para um terapeuta.
- Meus pêsames, irmão – Bateu no ombro de em solidariedade e logo depois voltou a pegar a faca.
- Hey – olhou para trás e sorriu para que acabara de adentrar a cozinha – Como ela está? – Aproximou-se da filha e encostou a mão em sua testa.
- Está bem, eu dei o remédio a ela.
- Fico tão aliviada – Suspirou.
- Você já está saindo?
- Sim, só vim deixar a louça aqui, já vou me trocar.
- Eu espero você.
- Tudo bem – Sorriu e saiu da cozinha.
olha para e revira os olhos ao ver sua expressão de malicia.
- Dá um tempo.
- Isso vai ser um prato cheio para , você tem sorte dela não estar aqui.
- Sua mulher é uma enxerida.
- Sim, a minha enxerida – Diz todo orgulhoso.
- Claro e quem mais ia querer ela? – Balança a cabeça em negação e sai da cozinha para esperar no salão principal.

***


- Ela dormiu – abraçou por trás, a mulher estava terminando de lavar a louça do jantar enquanto colocava Lex na cama. O homem depositou um beijo suave no pescoço de e ela sorriu com leveza.
- Ela estava cansada, e a febre não voltou, ainda bem – Enxugou as mãos em um pano de prato e logo depois virou-se ficando de frente para . O abraçou pela cintura e colou seu corpo ao dela.
- O natal está chegando, você vai ficar aqui em Southport ou vai para algum lugar?
- E para onde mais eu iria? – franzi o cenho.
- Não sei, talvez você fosse para a Inglaterra visitar algum amigo – A mulher balança a cabeça em negação.
- Eu só tenho Lex, não tenho mais ninguém além dela.
- Você também tem a mim.

sorri com ternura e acaricia o rosto de . Quando a mulher fugiu de ela nunca imaginaria que iria encontrar alguém que a faria querer outro relacionamento, ela tinha medo, tinha medo do cara ser como ou até mesmo pior, estava conformada com sua vida, ela tinha Lex e não precisava de mais ninguém. Mas ali estava , aquele homem tão charmoso e bondoso que estava conquistando seu coração pouco a pouco, que estava o preenchendo centímetro por centímetro e fazendo-a perder o medo de se relacionar, de sofrer tudo de novo, porque aquele homem era diferente, aquele homem era como seu pai um dia fora, aquele homem estava a fazendo feliz como ela nunca imaginou que seria novamente um dia.

- Sim, eu também tenho você.

sorriu e beijou a mão dela e logo depois depositou um beijo suave nos lábios da mulher, aprofundou o beijo sem pensar muito e sentiu apertá-la enquanto ela embrenhava os dedos pelos cabelos macios da nuca dele. Suas línguas se acariciavam com vigor enquanto os dois se tocavam, se sentiam... ela queria tanto se entregar para aquele homem, queria tanto sentir ele amá-la. Mas ela tinha receio, só teve relações com e nos últimos dias que passou ao lado dele, ela não gostava do que sentia quando ele a possuía, ela não se sentia amada, se sentia suja e usada e tinha receio de sentir tudo aquilo quando estivesse com . interrompeu o beijo ao sentir a mão dele adentrar a blusa, um medo estranho encheu seu peito e ela baixou a cabeça.

- Desculpe, não estou pronta para fazer isso.
- Hey – ele ergueu a cabeça dela – Você não precisa se desculpar, tudo bem? – Ela sorriu fraco – Alguém já machucou você? – Perguntou com receio, sua voz saindo um pouco bruta, seus olhos, endurecidos.
- Não – levantou a mão e acariciou o rosto dele – É que faz tempo que eu... eu... bem, que eu não faço isso, não quero decepcioná-lo.
- Deixa de ser boba – Sorriu – Não pense nisso, faz tempo que eu também não faço isso, vai acontecer no tempo certo. Agora vem cá, deixa eu beijar você – sorriu e voltou a beijá-la.

e estavam abraçados no sofá assistindo a um filme qualquer, a mulher acariciava a mão dele que estava sobre sua barriga e vez ou outra recebia um beijo na nuca que a fazia arrepiar.

- Você vai passar o natal comigo? – perguntou e ela virou a cabeça para poder olhá-lo.
- Isso foi um convite? – Sorriu tendo seu ato espelhado por .
- Bem, foi. Deixa eu melhorar isso... Passa o natal comigo?
- Claro – Riu – Eu não tenho nenhum lugar para ir mesmo – O homem semicerrou os olhos.
- Então quer dizer que você vai passar o natal comigo por falta de opção melhor?
- Bem... – Ela cantarolou enquanto rolava para cima dele, gargalhou da expressão do homem e depositou um beijo barulhento em seus lábios – Claro que não seu bobo, eu vou adorar passar o natal com você.
- Bem melhor – Sorriu convencido e a beijou rapidamente – Meus pais virão para cá, meu irmão, sua esposa e meus sobrinhos também.
- Uh, a família .
- Dentre duas uma, ou você vai se apaixonar, eu vai fugir para bem longe – gargalhou sonoramente. adorava fazê-la gargalhar.
- Eu conheço a e ainda estou aqui, não estou?
- Verdade, a foi um bom jeito para começar – Riram.
aconchegou-se em cima dele e olhou em seus olhos.
- Me fale uma coisa sobre você que eu não saiba – Ela perguntou.
- Vamos vê... quando eu tinha seis anos eu fiz cocô nas calças bem no meio de uma aula, mas em minha defesa eu ia apenas soltar gases. Fui apelidado de bunda frouxa e esse apelido me seguiu até o ensino médio.
- Ai meu Deus! – começou a gargalhar sonoramente se retorcendo em cima de , ele também começou a rir diante á gargalhada dela – Eu queria algo menos chocante!
- Ah, você não avisou, então que tal isso – Segurou o cabelo da nuca dela e aproximou o rosto dela do seu – Eu sou louco por você – Disse enquanto olhava nos olhos dela.

sentiu seu coração acelerar e suas bochechas corarem diante á declaração.

- Bem, isso também foi chocante – Disse depois de um tempo em silêncio.
- Droga, eu não aprendo mesmo – Sorriu de lado e a beijou mostrando como realmente era louco por ela.

Capitulo 16


balançava as pernas no ar enquanto comia saborosos morangos frescos. A mulher estava sentada na bancada da cozinha da casa de enquanto o observava preparar o jantar, ela o seguia com os olhos para onde quer que ele fosse, observava cada um de seus movimentos, desde o corte perfeito dos ingredientes até o enxugar de suas mãos no pano de prato que ele deixava sobre os ombros... e que ombros. Ela percebeu que ama vê-lo cozinhar, apesar de ser um homem grande, ele cozinhava com graciosidade, seu corpo se movia sem esbarrar em nada, os ingredientes eram cortados em pedaços tão pequenos que se perguntava como ele conseguia fazer aquilo. Do lado de fora o sol estava aos poucos dando espaço para a lua, uma brisa fria pairava no ar e os grilos começavam a cantar. Lex estava com e , o casal queria levar Milla a um aquário e perguntaram para se Lex poderia ir também e como a filha nunca tinha visto animais marinhos tão de perto, a mulher permitiu, sabia que a menina iria amar e logo eles estariam ali para jantar com e .

tirou o pano de prato dos ombros e o colocou sobre a pia, virou-se e pegou o encarando, ergueu uma das sobrancelhas e aproximou-se da mulher parando no meio das pernas dela.
- Confortável? – Perguntou depositando as mãos nas coxas descobertas dela.
- Com certeza – Sorriu terminando de comer um morango – E como está indo o preparo do jantar? – Contornou a cintura dele com suas pernas cruzando os pés em sua bunda.
- Muito bem madame, seu Fettuccine à Carbonara está ficando maravilhoso.
- Ótimo – Ergueu o queixo em presunção – Vamos ver como você se sai no preparo do meu prato preferido.
- Estou me sentindo no Masterchef – riu e limpou um vestígio de farinha sobre a bochecha dele, sentiu as mãos de começarem a acariciar suas coxas e prendeu as pernas com mais força ao redor dele – Preciso ver como está a massa.
- Você está preso – Sussurrou brincalhona olhando em seus olhos.
- E o que é que eu tenho que fazer para ganhar a minha liberdade?
- Ser meu escravo – fez um som de desdém.
- Mas isso eu já sou – balançou a cabeça em negação tentando conter um sorriso.
- Vai lá então vê como está a massa. - Sim madame – aproximou seu rosto do de e lhe deu um selinho molhado – Hum, adoro morangos – Voltou a beijá-la e quando tentou aprofundar o beijo, o empurrou.
- Meu Fettuccine – Cantarolou.
- A senhora está muito mandona – Fez uma careta e afastou-se indo em direção da panela fervente.
saltou do balcão e aproximou-se de abraçando-o por trás, o virou a cabeça e sorriu.
- Experimenta - Levou a colher com molho até a boca da mulher e ela fechou os olhos em apreciação.
- Isso está indecente de tão bom.
- Assim eu fico me achando o máximo.
- Mas você pode se achar o máximo – Jogou seus braços ao redor dele – Aliás, você deve, se achar o máximo.
- E sabe que eu me acho mesmo – Virou as costas para o fogão e a abraçou também – Tendo uma mulher maravilhosa como você, como eu não devo me achar?
- Lá vem você de novo – A mulher sentiu suas bochechas esquentarem. gargalhou e depositou um beijo na testa dela, aproximou seu rosto do da mulher e com seus lábios quase se tocando, disse:
- Eu amo ver essas bochechas rosadas – Então a beijou sem lhe dar direto a resposta.
Como todas as vezes que se beijavam, eles se esqueceram da onde estavam e o que faziam, só conseguia sentir as mãos de acariciando seu corpo e a boca dele na sua, enquanto o homem só conseguia pensar naquelas sensações maravilhosas que lhe causava. Perderam a noção do tempo e se não tivesse deixado as panelas em fogo baixo, talvez a comida tão aguardada tivesse torrado.
- Ai, meu, Deus! – Ouviram um barulho de algo caindo e se largaram rapidamente olhando para o lado e se deparando com segurando Lex no colo enquanto a bolsa da garotinha estava largada no chão.
Se estivesse em outra situação, com certeza estaria rolando de rir da cara que fazia e faria questão de tirar uma foto dela para lhe atormentar pelo resto da vida. Mas diante da situação que viviam, só conseguia pensar em uma coisa...
- Merda.
- Eu vou surtar, eu vou surtar, eu vou surtar – A mulher começou a se sacudir e aproximou-se dela tirando Lex de seus braços.
- Não surte com essa boneca nos braços, sua loucura pode acabar passando para ela – Deu um beijo na bochecha da garotinha tentando conter um sorriso.

A realidade é que mal via a hora daquilo acontecer, estava cansado de manter o relacionamento com em segredo, queria andar de mãos dadas com ela por ai e poder beijá-la a qualquer momento e hora, se fosse na frente de Luke então, o filho boa pinta de dona Rose, seria melhor ainda, o homem toda vez que ia ao restaurante ficava com os olhos grudados em e se sentia um adolescente possessivo em relação a isso.

- Eu sabia tanto! – aproximou-se de e a abraçou – Vocês são tão lindos juntos, e aquele beijo... wol! Quase incendiei.
- ! – sentiu suas bochechas esquentarem mais uma vez. Queria tanto que seu corpo não fosse não fraco...
- O que está acontecendo aqui? – entrou na cozinha juntamente com Milla.
- e estão juntos, amor! – deu alguns pulinhos e aproximou-se da mulher abraçando-a de lado.
- Contenha-se amor, não queremos que alguém venha antes da hora – Acariciou a barriga dela – E, bom, eu já sabia – Deu de ombros – Todos os rostos viraram-se para – Ah, fala sério vocês dois – Revirou os olhos – Vocês tem que escolherem lugar melhor para se pegarem, atrás do restaurante é meio obvio demais, vocês são o que? Um casal de adolescentes? – escondeu o rosto nas mãos e sentiu alguém abraça-la, certamente era .
- Eu disse que não era para ficar me agarrando em local de trabalho! – Deu um tapa no braço dele e o gargalhou.
- Até parece que você não gosta – Deu um sorriso de lado.
- Certo – Milla disse chamando a atenção para si – Eu não tenho idade para ouvir essas coisas.
- Sei... Eu vi você toda cheia de intimidade com aquele seu coleguinha na porta da escola, até agora estou aguardado explicações – sorriu para a enteada.
- Hey, espera ai, que coleguinha?
- Coleguinha nenhum pai, coleguinha nenhum – Milla foi para a sala enquanto seguia ela exigindo explicações e ria enquanto colocava mais lenha na fogueira.
- Bem, parece que fomos descobertos – sorriu para e a mulher viu que ele não parecia nenhum pouco preocupado com isso.
- E você adorou isso – Pegou Lex do colo dele e depositou um beijo suave na bochecha da garotinha.
- Claro, agora eu vou poder agarrar você sem restrições – A abraçou e lhe deu um selinho suave.
- A restrição de me agarrar em local de trabalho ainda está valendo, agora mais do que nunca.
- Droga – O resmungou – Você é má.
- Tadinho dele – A mulher riu – Agora que tal almoçarmos? Estou morrendo de fome – já havia desligado as panelas enquanto acontecia aquela cena todo e o almoço estava pronto para ser servido.
- Seu desejo é uma ordem.

gargalhou sonoramente do que dizia e para não se engasgar bebeu um pouco de vinho. Milla estava emburrada diante dos comentários da madrasta enquanto a olhava torto.
- Sabe quando eu chamava você de “boadrasta”? – Olhou para a mulher que carregava sua futura irmã – Então, pode esquecer daquilo.
- Ah Milla, não faça assim, eu não estou falando nada demais, e o menino até que é bonitinho.
- Eu quero conhecer meu futuro genro – Milla olhou indignada para o pai e bateu o guardanapo na mesa, levantou-se e foi em direção a sala enquanto resmungava.
- Sua enteada a odeia – balançou a cabeça para .
- Isso passa, sabe como são os adolescentes. Mas então – Endireitou-se na cadeira - Desde quando vocês dois estão juntos?
- Vamos voltar a provocar a Milla? É muito mais legal.
- Não senhora – revirou os olhos – Pode me contando tudo, detalhe por detalhe.
- Eu vou lavar a louça – levantou-se depositando um beijo na cabeça de sua mulher. - E eu vou por Lex para dormir – olhou indignada para enquanto o se levantava. Ele fingiu nem ver a expressão dela e continuou seu caminho com Alexia adormecida em seus braços.
- Desembucha.
- Eu não acredito que você vai...
- Anda logo, estou esperando – cantarolou e revirou os olhos se dando por vencida.

suspirou e sentou-se no sofá encostando a cabeça no encosto do mesmo e fechando os olhos.
- Cansada? – sentou-se ao lado dela e tocou em seu rosto com carinho. A mulher abriu os olhos e sorriu fraco.
- esgota qualquer um, eu sinceramente não sei como consegue.
- Sabe como é, tem louco pra tudo – Os dois riram – Vem cá, você precisa de uma massagem – puxou e arrumou-se no sofá colocando a mulher entre suas pernas.
Uma música tranquila saia do aparelho de som que estava em cima de um móvel, a noite estava tranquila e a casa aconchegante.
- Acho que você está com cimento nos ombros – O homem disse enquanto massageava o pescoço e ombros da mulher. Ela estava com os olhos fechados aproveitando a massagem.
- Efeito .
- Certo, eu vou deixar essa mulher bem longe de você – Ele depositou um beijo na nuca dela e arrepiou-se – Sua torta de morango estava maravilhosa.
- Acho que estou aprendendo.
- Não seja modéstia, você é incrível.
- Um dia eu chego lá – O homem revirou os olhos não insistindo no assunto.
O silêncio predominou algum tempo sendo quebrado apenas pela música que ainda tocava. - ?
- Hum? – Ela respondeu com a voz fraca.
- Você estava dormindo? – Riu. - Quase – Ela virou o rosto e o olhou.
- Dorme aqui essa noite? – A mulher o olhou com atenção pensando se aquilo era uma boa ideia – Sem segundas intenções, prometo.
- Eu durmo – Ela sorriu com ternura para o homem, aceitou não pelo que ele havia dito, mas sim porque queria passar mais um tempo com ele, não se cansava de ficar ao seu lado. Ele sorriu para ela e lhe deu um selinho terno, e outro e mais outro e seguiu assim até o oitavo selinho fazendo a mulher rir.
Ela afastou um pouco o rosto e olhou para ele, para o príncipe que aguardou a vida toda. Dane-se que hoje em dia todos diziam que não tinha essa conversa de príncipe, ela não se importava, era o cara que ela sempre sonhou, desde quando estava no orfanato e tinha seus pensamentos bobos de criança. Céus! Como aquele homem a fazia bem, como a fazia querer uma vida toda ao lado dele, como gostava de ver a forma carinhosa com a qual ele tratava Alexia e como ele era tão... tão... tão maravilhosamente lindo.
- O que foi? – Ele perguntou e ela balançou a cabeça em negação. Outra música lenta começou e virou de frente para .
- Hey, você aceita dançar comigo? – Ela estendeu a mão e olhou para a mesma, logo depois desviou o olhar para o rosto dela e sorriu com o sorriso brincalhão que a mulher lhe direcionava.
- Será uma honra – Segurou na mão dela.

rodou e com delicadeza a puxou para seus braços. Sua testa logo estava junto à dela, seu corpo se moldava com perfeição ao dela como se tivessem sido feitos para justamente se encaixarem, os braços dele teimosos não a largavam por nada, estavam ali, firmemente ao redor da cintura dela a mantendo bem pertinho. Os olhos de ambos estavam fixos um no outro como se nunca mais fossem capazes de parar de se olhar, como se quisessem enxergar a alma de cada um, como se quisessem vê cada imperfeição e cada perfeição, conectado assim como seus corpos, assim como seus sorrisos, assim como suas almas e corações. fechou os olhos e respirou profundamente, suas narinas sentindo apenas o cheiro de sua doce amada, seu coração embriagando-se de algo que ele pensou que nunca mais sentiria, enchendo-se de vida, de paz, de euforia… de esperança. Era aquilo, ele a amava, amava mais do que qualquer coisa no mundo, a amava de uma forma tal que se ela fosse arrancada dele, ele enfrentaria o inferno para tê-la de volta... Seu coração era dela, ele queria ser dela, daquela mulher que surgiu tão de repente e que devagarzinho foi o conquistando mesmo sem querer, foi a cada dia, foi a cada olhar e a cada sorriso, foi a cada convite aceito, foi a cada palavra e a cada gesto, foi por ela ser linda por fora e mais ainda por dentro, foi por ela ser o que é. E ele não tinha mais receio, ele a queria, queria acordar ao seu lado todas as manhãs, queria para sempre sua voz doce e seu carinho tão gostoso, queria ser seu lugar seguro, seu ponto de paz, queria totalmente sua confiança e acima de tudo seu amor.

voltou a abrir os olhos, seu coração estava acelerado, aquecido, estava com um sorriso doce moldando os lábios que ele tanto amava beijar e arrancar sorrisos. Meu Deus, como ele amava aquela mulher, como ele não desconfiou disso antes? Como ele não desconfiou que precisava dela, que precisava senti-la todos os dias? O homem raspou seu nariz no de e o sorriso dela ampliou fazendo seu bobo coração acelerar ainda mais. Ele lhe deu um selinho carinhoso, a necessidade de manter seus lábios aos dela era quase doentia, quase sufocante. Ele os manteve assim por algum tempo, tempo esse que ajudou seu coração desacelerar e de ter certeza do que diria, ele precisava dizer, só… Precisava dizer.
- Amo você - Saiu suave como um corpo roçando em seda. Ele se sentiu leve, sentiu que era o certo a fazer, que precisava ser dito. Viu quando a surpresa apoderou-se do rosto de e talvez… Talvez o medo? Ele não soube dizer, mas havia algo ali, algo além da surpresa. Ele não se arrependeu de ter dito, mas então lhe veio algo… Ele não sabia se ela o amava, se tinha reciprocidade, foi impulsivo e só pensou no que sentia e não no que ela poderia sentir.
sabia que sentia algo por ele, mas esse algo era amor? E se fosse apenas carinho? E se ela só se sentisse bem quando estava com ele? Pareceu se passar uma eternidade quando ele percebeu a mudança em sua expressão, foi sutil, a surpresa desapareceu e aquela outra coisa também, o sorriso suave voltou e ela embrenhou seus dedos nos cabelos da nuca dele lhe fazendo um carinho gostoso, roçou seu nariz ao dele e olhou fixamente em seus olhos.
- Amo você também - A frase de treze letras veio em forma de sussurro, um sussurro que para foi como um grito, que trouxe conforto ao seu coração, que levou embora a insegurança e trouxe de volta aquela sensação de paz.
Ele a abraçou ainda mais forte, ela sorriu ainda mais e então eles se beijaram. E foi um beijo diferente, foi um beijo com muito amor porque agora eles sabiam o que sentiam, eles transpareciam no beijo, sentiam no beijo o amor que sentiam um pelo outro, ele gritava, escandaloso como era, agora queria ser notado. E estava sendo.

partiu o beijo aos poucos e abriu os olhos para admirar aquela mulher maravilhosa que entrou em sua vida de mansinho e capturou seu pobre coração. Ela era tão linda, de tantas formas era tão linda, e o amava, céus! Aquela doce mulher o amava. Quando tinha sido a última vez que ele se sentiu tão sortudo?
ergueu sua mão direita e acariciou com devoção o rosto de , o homem fechou os olhos em contemplação e suspirou. O coração de se aqueceu, ele agora vivia aquecido, não era mais frio e nem pesado, era leve. Ela devia tanto a , ele a salvou de maneiras que nem se quer poderia imaginar, deu a ela a liberdade que tanto buscava, deu o desejo e a coragem, a fez enxergar que ela poderia fazer e ser qualquer coisa que quisesse. Aquele homem mudou sua vida, a moldou de uma forma irreversível, era uma nova mulher, uma nova e devia tudo àquele viúvo perdido em Southport.
aninhou seu rosto no de e a manteve ainda mais perto, a abraçou ainda mais apertado e suspirou. A música acabou e começou outra igualmente lenta. beijou o pescoço de e foi deixando uma trilha de beijos até o maxilar da mulher, ela estava entregue, inclinou o pescoço e deixou que o homem fizesse tudo o que desejasse. Ela era dele, poderia fazer o que quisesse com ela.
desceu os beijos novamente para o pescoço de e se demorou ali, a fragrância dela estava em toda parte, estava em todo ele. Foi andando de mansinho com ela até a mulher sentir suas costas contra a superfície da parede, ela se arrepiou, só não teve certeza se fora pela temperatura da parede, ou pelos beijos quentes de . Ele voltou a tomar sua boca, mas dessa vez havia ânsia, ele a beijava como se quisesse sugá-la, como se não quisesse soltá-la nunca mais, se possível. embrenhou seus dedos nos cabelos da nuca do homem, os fios macios faziam cócegas em sua mão. Uma das pernas dele estava entre as dela lhe dando liberdade, fazendo crescer uma chama que até então havia conseguido manter calma, mas que agora já não conseguia mais.
As mãos de passearam pelo corpo de com adoração, parou em seus quadris e por ali permaneceram, possessivas, reivindicando algo que era dele e que ninguém poderia lhe tomar. conseguiu libertar sua boca da prisão maravilhosa que era a boca de . Ela precisava respirar, não estava sendo nada fácil, e ela temeu entrar em colapso quando a boca dele voltou ao seu pescoço, lhe dando chupões leves e lhe roubando toda a sanidade. A boca da mulher estava entreaberta em busca de ar, inchada, os olhos estavam fechados apreciando todas aquelas sensações. A mão de adentrou a barra de sua saia e a ergueu consideravelmente, ele lhe apertou a coxa e conseguiu prender o lábio inferior a tempo de aprisionar um gemido. Os lábios do homem foram de encontro a orelha dela e ele puxou com leveza seu lóbulo. Entreabriu os lábios e jogou ali uma lufada de ar fazendo com que todos os pelos do corpo da mulher se arrepiassem.
- Venha para a cama comigo - O coração dela parecia que ia estraçalhar sua caixa torácica, seu corpo estava febril e desejoso, uma camada fina de suor cobria sua testa. Aquelas sensações ela nunca havia sentido antes, nunca havia sentido que poderia entrar em combustão, que seu coração poderia se partir em mil pedaços, ela nunca se sentiu tão desejada como se sentia naquele momento. Temer porquê se aquele homem maravilhoso a queria tanto? Ele não era como , ele não a machucaria, ela tinha certeza disso. Ela não precisava ter vergonha, ela só precisava se doar - Venha para a cama comigo - repetiu e só então havia percebido que não havia lhe dado uma resposta, ela tinha respondido apenas em sua mente, mas faria questão que ele entendesse perfeitamente sem precisar lhe dar uma resposta verbal.

virou o rosto e segurou o rosto de em suas mãos, o olhou com firmeza e tomou sua boca com possessão, como nunca havia feito antes, era ele que sempre começava a maioria dos beijos e era sempre ele o mais ousado, mas agora ela faria questão de ser. Começou a empurrar até às escadas e ele riu ao tropeçar no primeiro degrau. O homem cortou o beijo e segurou em uma das pernas de deixando bem claro o que ele queria que ela fizesse. A mulher enganchou suas pernas nos quadris do homem e ele segurou em sua bunda com firmeza começando a subir as escadas enquanto tentava beijá-la ao mesmo tempo. Entre trancos, barrancos e algumas risadinhas, os dois chegaram ao segundo andar. prensou novamente contra a parede porque ele precisava mais do que nunca beijar aquela mulher direito, agarrou os cabelos da nuca dela com força e os puxou fazendo a mulher arfar surpresa, então sua boca tomou a dela cheia de fome, chupando, mordendo, trazendo para dentro de sua boca a língua dela, reivindicando-a como algum tempo havia fazendo e como pretendia fazer para sempre. Desgrudou sua boca da dela com relutância e os conduziu para seu quarto, não o que dividiu a vida inteira com Missy, era o outro, aquele onde estava construindo novas memórias. Empurrou a porta entreaberta com o pé e caminhou pelo cômodo depositando com delicadeza na grande cama o corpo de . A mulher entreabriu os olhos e olhou para o rosto de que pairava acima do dela. Ele beijou sua testa, seu nariz e seu queixo, desceu pelo busto dela e pelo pequeno vão do seu decote fazendo-a fechar novamente os olhos e suspirar em apreciação. mantinha as mãos sobre a cama tentando segurar seu peso para não sufocar a mulher, todo o trabalho agora ficava por conta de sua boca explorando e finalmente conhecendo o corpo que tanto ansiava por conhecer. Voltou a beijá-la enquanto uma de suas mãos subia com lentidão a blusa dela, as mãos de já haviam adentrado a camisa dele a algum tempo e fazia um carinho excitante com as unhas na pele de suas costas, ela subia até onde dava e depois descia, fazia círculos e apertava a pele fazendo arrepiar-se e querer soltar gemidos apreciativos. Desgrudou sua boca da da mulher para passar a blusa dela por seus braços e cabeça, assim que fez isso tratou logo de tirar também sua saia, não deu nenhum sinal de resistência e quando o homem observou aquela mulher ofegante, levemente descabelada e com uma lingerie negra tremendamente sexy deitada em sua cama, debaixo dele, todo o resto de autocontrole que ele vinha prendendo até agora, finalmente tomou sua liberdade e escafedeu-se para bem longe.
- Você é tão linda - A frase saiu sussurrada e entrecortada - Tão extraordinariamente linda - lhe sorriu com ternura, pensou que sentiria vergonha, o único homem que havia visto-a de lingerie havia sido , mas diante do olhar tão apreciativo e desejoso de , vergonha nenhuma deu as caras. Ela achou injusto por estar tão em desvantagem, por isso empurrou o homem fazendo-o deitar sobre a cama e montou em cima dele pegando-o de surpresa, sua atitude pegou de surpresa ela também, não achava que poderia ser tão… lasciva. Começou a tirar um por um os botões pretos de suas casas e pouco a pouco a pele do peitoral e do tórax do homem fora aparecendo. abriu a camisa dele e passou sua mão com devoção pela pele quente do homem, um pequeno amontoado de pelos no peito dele fez cócegas em sua palma.
- Você é extraordinariamente lindo - Ele sorriu divertido para ela e ela o imitou.
levantou o tronco e ficou cara a cara com , ela empurrou sua blusa e ele a ajudou a tirá-la esquecendo de vez a peça aos pés da cama. O homem passou as mãos pelas costas da mulher acariciando a pele macia. colou sua testa à dele, os olhos de ambos conectados um ao outro. Sentiu a mão dela no cós de sua calça desafivelando seu cinto e logo depois abrindo o botão e o zíper do jeans, conseguiu erguer-se um pouco - mesmo com em cima dele - e desceu o jeans, terminou de tirá-lo com os pés e o abandonou no chão acarpetado. acariciava o rosto dele com carinho enquanto o beijava, ele acariciava sem pudor o corpo dela, apreciando a pele suave sobre seu tato. Chegou ao fecho do sutiã e o abriu sem dificuldade, foi sem dificuldade também que o tirou de seu corpo libertando finalmente seus seios. interrompeu o beijo e olhou para o rosto avermelhado da mulher. Apesar da pouca iluminação no quarto, conseguia enxergar bem, seu rosto estava rosado, ela estava descabelada e ofegante, e o brilho de seus olhos fariam inveja a qualquer estrela do céu.

Com lentidão o homem foi subindo sua mão direita pela lateral do corpo dela e com prazer alcançou seu seio esquerdo. Ela suspirou, e ele também ao sentir a quentura e a maciez da pele que outrora estava escondida, apertou levemente e novamente suspirou mantendo seus olhos conectados aos dele. Ele sorriu com carinho e com adoração e a beijou no queixo, logo depois no pescoço, e foi descendo… descendo… até seus lábios irem de encontro aos seios magníficos dela. E por ali ele a satisfez e o satisfez, arrancou dela gemidos deliciosos apenas com carícias naquela área. Minutos depois eles já estavam despidos, despidos de roupas, despidos de pudor e de alma. não se sentiu nem um pouco envergonhada ao se vê nua debaixo daquele homem magnífico, muito pelo contrário, ele a olhava com uma intensidade tal, com uma devoção tal, que não deixava nenhuma brecha para ela sentir vergonha. Ela sempre se sentia envergonhada quando estava com , aliás, o que ela mais sentia quando estava com ele era vergonha, mal conseguiu ficar nua na sua primeira vez e em todas as outras vezes que ele apontava defeito em seu corpo. Mas com era diferente, céus! Era tão diferente, ele a fazia se sentir desejada, a elogiou como ninguém jamais a tinha elogiado durante seus vinte e dois anos de vida, e quando ele finalmente a tomou com todo o amor que tinha para lhe dar, foi como se tivesse alcançado o paraíso. Seus corpos estavam entrelaçados, tão entrelaçados que eles mal sabiam qual parte era de quem. O coração de ambos batia forte, as pulsações se misturando, criando uma melodia sincronizada. Fora a noite mais perfeita da vida de ambos, a noite mais perfeita, fazendo amor, naquele quarto escurecido tendo como testemunha apenas a lua que lançava através do vidro da sacada sua fraca luz.

- E como está ? – Maya perguntou enquanto dobrava algumas roupinhas de Lex, as últimas peças que faltavam ser passadas.
- Bem – suspirou – Ele não saiu do meu pé o fim de semana inteiro, sempre me abraçando ou beijando, dizendo o quanto sentiu minha falta e que não viajaria de novo tão cedo. Ele até me elogiou – Franziu o cenho – Tenho medo dessa calmaria toda.
- Não se preocupe, ele não vai machucar você – Acariciou o braço dela e depois sua barriga – Ele não voltou machuca-la desde que você engravidou, não é?
- Não fisicamente, fora alguns beliscões ou puxões. Mas é um grande alivio, eu temi muito que ele me machucasse e algo acontecesse á minha filha – Passou a mão na barriga protetoramente e então sua feição preocupada deu lugar á uma alegre – Falta tão pouco, eu nem acredito.
- Nem me fale, quero muito ver o rosto dessa bonequinha, eu tenho um plano para visitar vocês no hospital – Sorriu marota e quando ia perguntar que plano era aquele, ela ouviu uma tosse. Seus olhos instantaneamente se arregalaram e ela olhou o relógio de pulso vendo que havia perdido completamente a noção do tempo. Aquela era a exata hora que chegava em casa todos os dias. Olhou com desespero para Maya e viu um olhar de igual horror na expressão dela. Apontou para o armário onde guardava as roupas de Alexia e Maya rapidamente entrou no mesmo fechando a porta no momento que abriu a porta do quarto.
- Eu estava chamando você.
- Desculpe – Disse tentando controlar o tom de voz - Eu estava concentrada nessas roupas e nos chutes de Alexia, ela está cada dia mais agitada, acho que quer logo sair daqui – Levou a mão até a barriga e sorriu.
- Você está ao ponto de estourar, ela não vai sair dai de repente, não é? – se controlou para não revirar os olhos e tentou manter o tom de voz normal e não zombeteiro. Como ele era idiota.
- Não, o médico disse que ela chega até a terceira semana de janeiro e o parto demora, só não sei se vai ser cesaria ou normal – torcia para ser normal, a recuperação seria mais rápida – Bom – Sorriu animada – Oi – Aproximou-se do marido e o beijou fazendo-o sorrir satisfeito – Tem uma lasanha de frango quentinha esperando por você e logo depois aquele bolo de chocolate que você tanto gosta.
- Ótimo, estou faminto, não vou nem tomar banho. Vamos lá jantar – A mulher assentiu e apagou a luz do cômodo e antes de fechar a porta olhou para o armário.
Ela estava tão ferrada.



Continua...



Nota da autora: (26/04/2017) Eai gracinhas? A cena tão aguardada chegou, o que acharam desse romance todo? QUERO SABER HEIN! Não deixem de comentar e dar sugestões. ♥

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