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Última atualização: Janeiro/2017

Prólogo


O homem de cabelos loiros, bem penteados e cheios de gel batera na porta de carvalho duas vezes, esperando que a abrissem. Olhava para os lados ansioso, vendo as pessoas que passavam pelo corredor, sem nem mesmo parecerem notá-lo parado ali, esperando. Esperou alguns segundos até levantar o braço para bater mais uma vez, porém não fora preciso.
Harry Potter abriu a porta de seu escritório e encarou o visitante com o cenho franzido, a confusão e surpresa visíveis em seus olhos verdes.
O loiro reparou na pasta laranja que cobria parte do rosto de Potter, que parecia cansado, com grandes olheiras e bolsas embaixo dos olhos, a roupa amarrotada e a barba por fazer, o cabelo mais comprido do que o usual.
- Malfoy?
- Preciso falar com você, é urgente.
Draco entrou na sala sem esperar convite, olhando a decoração ao redor; livros e mais livros espalhados pelas estantes e chão, com títulos variados, porém com a maior parte voltada para proteção e ataque à criaturas das trevas. Eram guias básicos para qualquer Auror.
A sala parecia um tanto empoeirada, com latas de bebidas e pacotes de comida vazios por todos os lados. Malfoy reparou no travesseiro e na coberta no canto, em cima do sofá de três lugares, assim como os cartazes de foragidos, e as fotos espalhadas pelo escritório: em grande maioria, Potter estava junto com .
- Do que precisa?
Potter encostara-se de costas no tampo de sua mesa, cruzando os braços enquanto encarava o visitante que, no momento, segurava um porta-retratos que o Auror deixara em cima do sofá antes de abrir à porta; a foto preto e branco, já gasta do tempo, mostrava Harry e rindo, de braços dados com seus copos de cerveja amanteigada em frente ao Três Vassouras. A garota estava com o rosto sujo com a espuma da bebida e, o Harry da foto, ria enquanto tentava limpá-la, o que a fazia rir mais alto. O Auror vira tantas e tantas vezes aquela imagem, que parecia tê-la gravado em sua mente, reparara em cada detalhe da foto, querendo voltar para aquele momento.
Potter lembrava-se com perfeição daquele dia, passara tanto tempo desejando que pudesse voltar para o momento, voltar para aquela época, dizer para ela que já a amava há tanto tempo, e fazer as coisas diferentes. Queria ter aproveitado melhor o tempo que tiveram juntos.
O Auror suspirou, chamando a atenção de Malfoy.
Não o via desde o enterro de , sete anos antes, mas soube através de Hermione que Draco virara um importante médico do St. Mungus, e que se casara com a namorada que conhecera depois de Hogwarts, uma das enfermeiras do hospital.
- Talvez… - o loiro passou a língua pelos lábios secos, parecia agitado demais, sem conseguir concentrar-se por muito tempo. Mantinha o olhar preso na foto em sua mão, virando-se para encarar Harry vez ou outra. - Acho…
- Precisa dos meus serviços ou não? – suspirou, cansado - Ainda tenho trabalho a fazer, Malfoy, então…
- Acho que você pode mudar tudo!
- O que? - perguntou confuso, após alguns instantes - Do que está falando?
Draco suspirou, passando a mão pelos cabelos bem alinhados, antes de tornar a olhar para o homem com a cicatriz em forma de raio.
- Talvez… Você possa voltar… Talvez… Você possa trazê-la de volta, Potter…
- O que…? Quem?
- .
Potter colocara-se em pé no mesmo instante, a dor da perda ainda parecia tão recente, ainda estava tão presente em sua vida, que a simples menção do nome dela fazia seu coração apertar.
- O que você quer dizer com isso, Draco?
Malfoy deixou o porta-retratos no sofá, dando passos precisos até o homem de cabelos escuros, encarando-o com certa apreensão.
- O que você quer dizer? Como eu poderia...? – Harry questionou desconfiado, parte de si desesperada por respostas, queria saber se aquilo era mesmo possível, tê-la novamente, mas outra parte de si estava incerta, descrente. Como seria possível?
- Eu... – Draco pigarreou antes de continuar, olhando ao redor – Talvez, digamos, que eu tenha escutado alguns rumores...
- Que tipo de rumores? – questionou-o sério.
Malfoy encarou-o nos olhos por um minuto inteiro, antes de respondê-lo.
- Um Vira-Tempo que não foi destruído.
Harry abriu a boca, negando em seguida.
- Impossível, eu mesmo os vi serem destruídos...
- Estou lhe dizendo, Potter. Tenho quase certeza que é real.
- Quase? Que rumores são esses? Quem o teria?
Draco olhou para baixo por alguns segundos.
- Eu não teria vindo até aqui se não achasse que é uma causa válida, Potter. A pessoa que me contou, não teria motivos para ter mentido.
Potter tornou a cruzar os braços, encostando-se novamente em sua mesa.
- E quem foi que lhe passou essa informação, Draco?
- E isso importa? Estou lhe dizendo, Potter. Se essa história for real, você pode trazê-la de volta. Imagino que você queira ao menos investigar, não?
Harry passou a língua pelos lábios finos, olhando desconfiado para o outro.
Estava em uma briga interna; Queria acreditar em Malfoy, queria que aquela informação fosse real.
Precisava que fosse.
A simples ideia de poder vê-la mais uma vez fazia seu coração aquecer, era como se ela já estivesse ao seu lado.
Mas e se Draco estivesse armando alguma coisa para ele?
Não sabia se aguentaria outra desilusão como aquela, seria quase como perdê-la novamente.
- Quem foi que lhe deu essa informação, Malfoy?
O loiro suspirou, colocando a mão no bolso da calça social que usava;
- Meu pai, antes de morrer.

1.


Assim que Malfoy deixou sua sala, Potter passou incontáveis horas sentado na mesma posição em sua cadeira de couro; o corpo inclinado para frente, o cotovelo sobre a mesa de mogno, o queixo apoiado na mão fechada em punho. O braço direito esticado, em cima de papéis e recortes de notícias recentes do Profeta Diário, os dedos finos batucando vez ou outra.
O único som que podia ser escutado na sala, já escura devida ao horário, era provido do relógio preso na parede.
O auror suspirou cansado, tornando a sentar-se direito, sentindo o corpo estalar conforme se mexia. Esticou as pernas, tentando relaxar de alguma forma, as mãos cruzadas sobre sua barriga, enquanto pendia a cabeça para trás, o olhar perdido no teto escuro de seu escritório no Ministério. Deixou um bocejo passar por sua boca e levou a mão até o rosto, coçando os olhos verdes por baixo dos óculos de aros pretos.
Potter precisava de respostas para suas perguntas.
Precisava saber se Draco Malfoy falava sério.
Seria possível? Talvez…
Suspirou frustrado, passando a mão pelos cabelos. Não fazia ideia do que deveria fazer. Ou melhor, fazia; Seu cérebro mandava-o averiguar a história, descobrir se o boato era real. Ao mesmo tempo que sua mente o alertara que, se fosse verdadeiro, um sinal vermelho apitava;
Mesmo se fosse real, Potter não deveria mexer com o tempo!
Não poderia usar o Vira-Tempo para trazer alguém de volta.
Aquilo era perigoso e errado.
Não sabia quais poderiam ser as consequências de seus atos, mas tinha certeza que seriam grandes.
Não era sobre voltar algumas horas, era sobre voltar sete anos no tempo…
Tanto tinha mudado durante aqueles anos…
Quantos iriam sofrer se ele realmente fizesse aquilo que seu coração mandava?
Harry pensou com cuidado no número de pessoas que estavam diretamente envolvidas com aquilo;
Ele, Hermione, Rony, Draco, Andrômeda e o pequeno Ted (que já sofria com um padrinho pouco presente). Essas eram as pessoas mais próximas de , e seriam as mais afetadas caso ele fizesse alguma coisa. Mas ao mesmo tempo, tinha certeza que todas concordariam. Com exceção de Mione, que embora sentisse falta da amiga, jamais aceitaria participar daquilo.
Andrômeda continuava a sofrer por ter perdido Dora e na mesma noite, Harry sabia, percebia todas as vezes que passava para buscar o afilhado. Andy ficaria feliz se estivesse ali… Mas a mulher não sabia que fora a sobrinha quem matara sua filha…
Potter respirou fundo, tornando a curvar-se sobre a mesa, encostando os cotovelos na mesma e passando as mãos no rosto.
Retirou os óculos deixando-os de lado, estava cansado.
Extremamente esgotado, e não apenas pelo trabalho.
Não era físico, era emocional.
O homem sabia que deveria deixar aquela história de lado, mesmo que o Vira-Tempo existisse.
O máximo que deveria fazer, o que era certo para ele fazer, seria recuperar o objeto para que não caísse em mãos erradas.
Era sua obrigação como Chefe da Seção dos Aurores.
Se Quim Schacklebolt descobrisse que Potter tinha essa informação e não fez nada a respeito, o Auror estaria com sérios problemas, e o Ministro já tinha o ajudado vezes demais nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, Harry achava que as mãos erradas poderiam ser dele próprio.
Por menor que fosse a possibilidade de conseguir, sentia seu coração apertar com a simples ideia de poder vê-la novamente.
Não sabia se conseguiria destruir o objeto se o recuperasse.
Potter não deveria mexer com o tempo, aquilo acabaria prejudicando alguém, talvez machucando ou matando uma pessoa inocente, mas ao mesmo tempo que tentava pensar racionalmente, sua frustração aumentava e o coração pesava.
Por que ele sempre tinha que pensar no bem estar dos outros, quando ninguém parecia fazer o mesmo por ele?
Todos estavam muito bem.
Rony e Mione estavam casados, planejando aumentar a família.
Draco tinha uma carreira ótima no St. Mungos, embora ainda fosse julgado pelos erros dos pais.
Andy sofria, mas tinha Ted ao seu lado, o qual também sentia a ausência dos pais, mas era feliz vivendo com sua avó, e passando algum tempo com o padrinho nos finais de semana.

Sua mente parecia vagar por todos os rostos conhecidos e, rapidamente, o lembrando do quão bem todos pareciam estar. Todos menos ele.
Sentia como se sempre fosse sua obrigação ter que se sacrificar para o bem dos outros.
Quantas pessoas perdera em seus vinte e cinco anos de vida?
Seus pais.
Seu padrinho.
Seus amigos.
Sua garota.
Por que tinha a sensação de que só ele não deveria ser feliz?
Seu coração pesava sempre que lembrava que todos conseguiram seguir em frente, menos ele.
Só ele deveria permanecer sozinho, arriscando-se para o bem de outras pessoas, quando ele próprio estava afundando-se em suas memórias e luto?
Um luto que já durava sete anos e simplesmente não passava.
Não conseguia esquecer-se, e só ele sabia como tentara.

Potter tentou seguir em frente, sair com outras pessoas, divertir-se, mas estava preso nas lembranças. Preso em sua própria mente, com uma ideia de felicidade, a qual ele nunca alcançou.
Potter era o único que permanecera sozinho, solitário.
Dedicou-se única e exclusivamente em sua carreira como Auror com o passar dos anos, achando um meio de esquecer-se dos problemas, mesmo que momentaneamente.
A adrenalina de cada missão era o suficiente para fazer-lhe se esquecer de tudo o que perdera na Batalha de Hogwarts, mas não era o suficiente quando deitava-se a noite.
Não importava o quanto estava cansado ou machucado, ficava horas acordado, imaginando o que podia ter feito de diferente, o que teria mudado em sua vida se não tivesse morrido.
Tentara por meses imaginar que as coisas não dariam certo entre eles, que mesmo que tivesse sobrevivido, Potter e Black não estariam juntos.
Algo aconteceria e eles seriam separados.
Seguiriam caminhos diferentes, conheceriam pessoas diferentes.
Nem imaginar que nunca mais se falariam era suficiente, porque sabia que isso não aconteceria.
não era apenas a mulher que ele amava com todo seu coração, ela também era sua melhor amiga, fora a melhor que ele tivera em sua vida. E Potter sabia que, mesmo que não estivessem juntos, casados como Rony e Hermione, eles continuariam sendo amigos.
E ele também sentia falta disso.
Sentia falta de ter a garota ao seu lado, escutando-o e o aconselhando.
Sentia falta das brincadeiras, dos abraços e até das brigas.
Potter queria tê-la novamente ao seu lado de alguma forma, não importava como.
E foi enquanto olhava para o porta-retrato em cima de sua mesa, com uma fotos dos dois com seus uniformes da Grifinória, comemorando a vitória da Taça de Quadribol, que Harry Potter tomou sua decisão;
Ele descobriria se o Vira-Tempo existia, ele descobriria se o boato era real.
Não importavam as consequências, Potter teria sua garota de volta.


2.


Draco Malfoy já retirava seu jaleco branco, pendurando-o no gancho atrás da porta de seu consultório no St. Mungus, quando ouviu uma leve batida na janela. Ao olhar para o local, viu uma coruja parda, pousando no parapeito. Com o cenho franzido em confusão, Malfoy andou até a mesma, ninguém lhe mandava corujas no hospital, mas poderia ser importante. Abriu a janela em tempo de ver a ave esticar a pata, para que o bruxo soltasse o pergaminho amassado. A letra corrida e as poucas palavras ali escritas fizeram-no notar a urgência do bilhete;

“The Cock Tavern. Mare Street, Hackney. 7h30pm.
H.P.”


Draco olhou para o relógio em sua mesa, tinha apenas dez minutos para chegar ao local combinado, no horário marcado. Pegou sua maleta preta e seu casaco marrom, saindo de seu consultório logo depois. Despediu-se de Frank, o segurança, e parou em frente à saída para o mundo trouxa, sentindo o vento gelado atingir seu rosto, despenteando-o levemente.
Fechou os olhos e pensou, por um breve segundo, no endereço que queria chegar, antes de sentir o ar faltar momentaneamente em seus pulmões...

Ao abrir os olhos novamente, Malfoy notou que estava numa região residencial, lotada de trouxas indo e vindo pelas ruas londrinas, conversando com aparelhos pequenos, próximos ao ouvido, conversando com outros trouxas ou, em vários casos, Draco pode perceber, com pequenas cordas presas em suas orelhas. Ignoravam a movimentação ao redor, ocupados demais com seus problemas para notarem o homem de cabelos loiros e bem alinhados, que acabara de aparatar na calçada.
Suspirou ao notar que o lugar que Potter marcara se tratava de um pub trouxa, extremamente cheio pelo happy hour. Um tanto frustrado pela escolha do outro, Draco girou nos calcanhares, andando até a entrada do estabelecimento, respirou fundo quando abriu a porta e escutou as vozes altas, alegres. Não pode deixar de fazer uma careta quando um trouxa de terno esbarrou em seu ombro, derrubando um pouco da bebida que carregava no chão de madeira. Rolou os olhos tentando andar pelo lugar cheio, virando a cabeça vez ou outra para os lados, tentando encontrar o Auror.
Harry Potter estava sentado em um banco junto do balcão de atendimento, mas do lado mais afastado do estabelecimento, próximo a entrada da cozinha, na qual os garçons entravam e saíam com os aperitivos que serviam.
- De todos os lugares, precisava ser aqui? - foi à primeira coisa que Harry ouviu quando o médico aproximou-se, sentando na banqueta ao seu lado, deixando a maleta no chão próximo a seus pés.
- É seguro, - Potter explicou, dando de ombros - e não é um bar ruim.
Draco suspirou, só então reparando no copo que o homem tinha em mãos, com uma bebida de cor escura. Harry chamou a atenção do barman próximo a eles, fazendo um sinal com a mão e pedindo a mesma coisa para o recém-chegado, sendo atendido menos de um minuto depois.
Malfoy encarou com certo desprezo a bebida que lhe foi entregue, fazendo Potter revirar os olhos, entediado.
- Experimente, não é tão forte quando Uísque de Fogo, mas é bom…
Draco sentiu a garganta arder assim que o líquido desceu por ela, não era de todo ruim, mas Harry estava certo, não era tão forte quando a bebida bruxa.
Permaneceram em silêncio por alguns minutos, enquanto ambos terminavam a dose que tinham em seus copos, e o Auror pedia mais duas para o barman, junto com um aperitivo qualquer.
Malfoy notou que o homem parecia mais nervoso e estressado do que se lembrava dos anos em Hogwarts, e tão cansado quanto no dia que o procurou no Ministério, mas não tinha mais as marcas e as manchas laranjas de pomada em seu rosto, embora, agora tivesse uma atadura na mão direita, com uma pequena mancha de sangue seco. Sentiu-se levemente curioso sobre o que teria acontecido, e chegou a pegar fôlego para perguntar, desistindo logo depois.
Potter não era seu amigo, era apenas um conhecido de uma época da qual, em grande parte, Draco tentava se esquecer.
Seus anos em Hogwarts não foram bons, embora tivesse certo apreço pela Escola. Diferente de Potter, Draco não tivera bons amigos durante aqueles anos, nem tinha agora. Não eram muitos os momentos que Malfoy considerava memorável, durante seus sete anos de estudo.
- Eu estive pensando… - Potter começou com a voz baixa, fazendo Draco deixar de pensar nos próprios problemas, prestando atenção no que o outro dizia - Se o que você disse é verdade… - passou a língua pelos lábios, escolhendo com cuidado as palavras - Quem mais sabe sobre o Vira-Tempo? - encarou-o de lado.
Malfoy deu de ombros, sentindo-se cansado pelo dia agitado que tivera no hospital.
- Não muitos, imagino. Nott não seria burro de sair dizendo essas coisas para qualquer um… E pelo o que me lembro, Theodore era bem distante nos tempos de Escola, não socializava com ninguém… Estava sempre em um canto, lendo ou estudando… Julgando todos os outros…
Harry chegou a abrir a boca para replicar aquele último comentário, mas não quis se indispor com Malfoy no momento, era o único que poderia ajudá-lo.
- Por que? Achei que ele seria do seu grupo, não? Na época… O pai dele era um Comensal, voltou para o lado de Voldemort quando ele retornou…
- Você quer mesmo falar disso, aqui?
Potter abanou a mão com a bandagem no ar.
- É por isso que eu digo que aqui é seguro, os trouxas não estão nem aí para nossa conversa, mas, se você se sente melhor... - Harry colocou a mão no bolso interno do casaco que usava, retirando sua varinha e sussurrando abaffiato, voltando à posição anterior no instante seguinte, virando o whysky que restava em seu copo. - Pronto, agora eles definitivamente não vão ouvir nada! - assegurou-lhe, cruzando os braços no balcão e tornando a encarar o loiro - Continuando… Por que ele estava sempre tão distante?
- E eu sei? - Malfoy respondeu friamente, olhando para o conteúdo em seu copo - Não é porque meu pai era um Comensal, que eu era amigo de todos os garotos que estavam em Hogwarts que também eram filhos de Comensais.
Harry concordou com um aceno, ao mesmo tempo que mexia a língua contra seu dente, tirando um pequeno pedaço de amendoim que ficara preso. Esfregou uma mão na outra, limpando-as do sal enquanto endireitou-se em seu banco.
- Tudo bem, desculpe - pediu ao notar o desconforto de Draco -, de qualquer forma… Como seu pai soube disso?
- Não faço ideia. - respondeu simplesmente, dando de ombros e virando sua bebida, sinalizou para o barman, pedindo por mais uma rodada. Potter estava certo, não era tão ruim. - Ele me disse no hospital, estava delirando sobre algumas coisas - comentou sério, continuando apenas quando receberam suas bebidas. Harry permaneceu em silêncio, olhando-o de canto enquanto o homem parecia desabafar -, falando coisas desconexas… Contando alguns segredos… Parecia arrependido… - suspirou levando o copo até os lábios, porém sem virá-lo - Pedia desculpas o tempo todo… - Draco virou o copo, tomando o conteúdo de uma só vez - Foi quando ele falou que Nott tinha um Vira-Tempo, e que eu sabia o que isso significava.
Potter franziu o cenho, encarando-o em seguida.
- Como assim?
Draco passou a mão pela boca, limpando os resíduos da bebida, antes de inclinar-se ligeiramente, virando-se para o outro.
- Eu não era como você, Potter, eu não tinha três amigos ao meu redor, me protegendo o tempo todo, ou me ajudando…
- Crabbe e Goy…
Malfoy negou com um aceno.
- Não era assim que funcionava, andávamos juntos e isso é tudo. Você tinha Granger, Weasley e Black. - os dois se encararam por alguns instantes, antes de Draco concluir seu raciocínio - Você sabia que nós éramos amigos antes de Hogwarts? e eu?
Harry abriu a boca surpreso, negando com a cabeça. Draco afirmou com um aceno, sorrindo tristemente.
- Não durou muito, foi apenas um verão. Nos encontramos em um parque, não sabíamos nossos sobrenomes na época… Éramos apenas e Draco, duas crianças brincando nas férias… Ela foi a primeira criança bruxa que eu conheci que não tinha qualquer relação com os Comensais amigos dos meus pais…
- O que foi que aconteceu? - perguntou interessado, quando o loiro tornou a olhar para frente, encarando alguns trouxas que conversavam em voz alta, do outro lado do balcão.
- Eventualmente eles descobriram, é claro, meus pais, Andrômeda e Ted. Minha mãe parou de me levar naquele parque, para que eu não a encontrasse mais… - Draco suspirou, lembrando-se do acontecido - Não deu muito certo, continuamos mandando corujas por algum tempo, até meus pais descobrirem…

“O pequeno Draco olhava emburrado para seus pais, os braços cruzados e os cabelos loiros sobre os olhos, sentado em sua cama, ignorando o que lhe falavam. Recusava-se a sair de seu quarto.
- Não vou comer, não vou fazer nada! Eu quero ir brincar com ela!
- Draco, você está proibido. Se eu ou sua mãe encontrarmos outra coruja….
- Não é minha culpa se vocês brigaram. Ela é legal! - protestou irritado, o rosto pálido estava vermelho de raiva.
- Ela está no lado errado da família, Draco…
- Não me importa, ela é minha prima, ela é minha amiga!
- Eu estou avisando, Draco, e por via das dúvidas, você não irá mais naquele parque. - Lúcio avisou-lhe, antes de dar as costas e sair do quarto do filho, não reparando nas lágrimas que caiam pelo rosto magro do garoto.”

- Se vocês não queriam deixar de conversar… Como chegaram ao ponto de quase se odiarem em Hogwarts? - o Auror questionou confuso, nunca lhe dissera que já convivera com Draco, sempre que falava sobre o primo era com raiva e certo desprezo, da mesma forma que Malfoy se referia a garota quando se encontravam pelos corredores.
O médico riu baixo, parecendo triste.
- Nós dois descobrimos o que aconteceu, não é? Logo depois das cartas, minha mãe me contou o motivo de não falar mais com Andrômeda, e também ficou sabendo… Não acho que ela sabia que os pais estavam em Azkaban na época… De qualquer forma, nos encontramos meses depois no Beco Diagonal… - Draco sorriu sem ânimo, lembrava-se com exatidão daquele dia - Você deve ter reparado no olhar de desprezo que ela tinha, não? - virou-se para Harry, com a sobrancelha arqueada.
Potter concordou em meio a um suspiro, embora nunca tivesse sido alvo direto daquele olhar, mesmo que estivesse brigado com a garota, sabia muito bem ao que Draco se referia.
- Parece ser algo que ela puxou de Sirius… - comentou em voz baixa, antes de pedir mais uma bebida.
- Talvez… Não o conheci… - deu de ombros, não se importando muito com a comparação.
- Mas, então, - Harry tornou a olhar para Draco, momentaneamente confuso com o rumo da conversa -, vocês começaram a se detestar por causa dos problemas familiares, okay. Mas o que isso tem a ver com ela ser minha amiga, com o Vira-Tempo e com o que seu pai disse?
Draco arqueou as sobrancelhas, irônico.
- Amiga, Potter?
O Auror o olhou por alguns segundos, um sorriso de lado apareceu em seus lábios quando ele deu de ombros.
- Você me entendeu…
Draco riu levemente, tomando mais um gole de seu whysky.
- Bem, você sempre teve alguém te dando apoio, não é? Eu não tive isso na Escola, nem em qualquer outro momento… - comentou em voz baixa - Mas… Nos reaproximamos durante os meses em que ela esteve na minha casa…
- Por isso você a ajudou com as lembranças…
- Exato. - Malfoy parecia desconfortável com o que estava dizendo, parecia discutir com si mesmo sobre o que dizia, se era necessário, por fim, com um longo suspiro, terminou sua frase - Digamos que… Por duas vezes, ela foi o mais próximo que eu tive de um amigo…
Harry fez um barulho com a boca, inclinando-se sobre o balcão, cruzando os braços e os apoiando na madeira escura. Não sabia direito o que dizer naquele momento, em sua mente, a conversa que teria com Draco era toda focada no Vita-Tempo, não imaginou, nem por um instante, que Malfoy compartilharia com ele coisas tão pessoais.
- E você quer ajudá-la… - completou em voz baixa, tão desconfortável quanto o outro.
O loiro apenas concordou com um aceno, não respondendo nada além disso, perdido nos próprios pensamentos.
Harry coçou a barba rala com a mão esquerda, apoiando o queixo na mesma pouco depois. Potter queria dizer mais alguma coisa, mas não se sentia confortável o suficiente para isso, não sabia o que poderia falar para tentar amenizar um pouco do clima que se instalara entre eles. Lembrava-se de trocar duas palavras com ele no enterro, Draco parecia genuinamente triste naquele dia e, antes de ir embora, Malfoy aproximou-se de Harry, apertando-lhe a mão e dizendo que sentia muito.
Aquela foi a última vez que se viram durante anos, Potter sabia o mínimo de Malfoy por duas razões; primeiro porque Draco não era alguém próximo, e segundo, porque Harry dedicou-se tempo demais na carreira, para conseguir a vaga de Auror no Ministério.
Passou os dois primeiros anos tendo o mínimo de contato com as pessoas que conhecia, o único que viu com frequência foi Rony, e somente porque o amigo também estava tentando uma vaga, e passou pelos mesmos treinamentos que Potter. A única pessoa que Harry enviou cartas durante aqueles anos foi Andrômeda, para saber se estava tudo bem com ela e com Ted.
Depois de entrar no Ministério e voltar a socializar, Hermione ficou dias sem querer vê-lo, com raiva por seu comportamento. Harry nunca a culpou por isso, sabia que ela estava certa.
Draco, embora Potter não soubesse, também teve vários problemas para lidar, principalmente por suas atitudes antes, e durante, a Segunda Guerra, e pela Marca Negra que carregava no braço. Malfoy ignorava os rumores, ignorava os comentários, mas sempre carregava aquilo consigo, independente do lugar que estava. Mas, diferente de Potter, Draco conseguiu encontrar alguém que o fazia feliz, que se importava com ele e não dava atenção ao falatório;
Astoria Greengrass, uma corvina que esteve em Hogwarts durante o mesmo tempo que Draco. Mas Malfoy não se lembrava da namorada nos tempos de Escola, nem mesmo lembrava-se de tê-la visto no Castelo, embora Astoria se lembrasse dele. A mulher ainda fazia piadas sobre o jeito arrogante que o namorado tinha durante aquele tempo, e era a única pessoa que não o incomodava com o assunto.
Draco então virou-se para Potter, aprumando-se no banco, arrumando a postura para o assunto que começaria, ignorando todas as lembranças que o anterior lhe trouxera.
- O que pretende fazer?
A conversa anterior estava encerrada, Harry notou a nova postura do outro, era quase como se não tivessem passado os últimos minutos relembrando coisas do passado, problemas que Draco tinha e Potter não sabia. Deu de ombros, segurando o copo em sua mão enfaixada;
- Não faço ideia. Parte de mim quer invadir a casa de Nott e recuperar o Vira-Tempo, usá-lo para voltar e salvar , e, sendo sincero, é a parte que eu quero seguir. Mas ainda tem… - suspirou olhando para as próprias mãos. - São sete anos, Malfoy. Sete anos em que muita coisa mudou.
- Nem tanto para você, pelo que posso ver…
- O que quer dizer?
- Você continua sendo um tanto patético, não? - virou-se para encarar os olhos verdes do Auror - Acho que era uma das coisas que me irritava em você… Sempre esse ar de bom moço, o herói. Sempre fazendo o que era certo para os outros. - Draco tornou a olhar para frente, embora notasse a atenção que Potter lhe dava. - Te contei sobre o Vira-Tempo porque achei que você faria algo sobre isso, que a traria de volta, mas pelo visto, só perdi meu tempo, não?
- Eu quero. Você não faz ideia do quanto, Draco. Passei os últimos sete anos imaginando como seria se ela estivesse aqui... - Harry ignorou boa parte do que Draco dissera, atentando-se apenas a frase final - Mas eu também tenho noção do que pode acontecer se…
- Acontecer com os outros? - Malfoy replicou, sério - Pelo o que eu vi no seu escritório, você só não está desempregado porque é um bom Auror, mas principalmente por ser Harry Potter, O Eleito, Aquele que Venceu o Lorde das Trevas, ou qualquer outra coisa que te chamem hoje em dia… - rolou os olhos, entediado - Mas não vejo você fazendo muito por si mesmo, huh? Posso não ser a melhor pessoa para te dizer isso, Potter, mas você está um lixo.
- Obrigado. - respondeu ironicamente, embora concordasse com o que ele falava.
- Estou falando sério, só precisei te ver duas vezes pra ter certeza que você está acabado, e pelo o que estou vendo, a tendência é só piorar, não é?
Harry permaneceu em silêncio, fingindo ignorar o que o outro dizia.
- E vai fazer o que a respeito? Tentar salvar sua “amiga” e tentar recuperar um pouco da vida que você nunca teve, ou vai deixar tudo como está porque você é covarde?
Draco reparou quando Potter fechou a mão em punho, provavelmente com raiva do que ele dissera, sorriu de lado.
- Você não sabe o que está dizendo…
- Não? Desculpe, devo ter interpretado errado todas aquelas garrafas de hidromel e Uísque de Fogo vazias em seu escritório, ou talvez tenha sido o fato de você dormir lá, ao invés de ir para sua casa… Ou quem sabe ter dezenas de fotos da espalhadas pelo lugar?
Potter bateu com força no balcão, ficando em pé no instante seguinte, a raiva o atingindo em cheio. Mas quando olhou para Draco, que não parecia nem um pouco abalado com o movimento repentino, notou que a raiva não era dele, ou do que tinha dito, mas saber que era verdade.
Harry Potter passou a última semana na certeza de que recuperaria o Vira-Tempo e o usaria, que a teria de volta. Durante a missão que estava, para capturar um grupo de bruxos que estavam começando a mexer com as trevas e matando trouxas, ficou imaginando como seria se já estivesse com ele. Pensou tanto no assunto e surpreendeu-se quando notou que não sabia o que a mulher faria; talvez ela virasse Auror, assim como ele, Harry achava que sim, mas não sabia. Nunca conversaram sobre isso nos anos que estiveram juntos.
Talvez eles estivessem casados, como Rony e Hermione, no fundo Potter desejava que sim. Que, apesar da mulher trabalhar no Ministério ou em qualquer outro lugar, ela estaria em casa, esperando-o quando retornasse de uma missão. E, se eles trabalhassem juntos… Bem, Harry não tinha tanta certeza se gostaria de saber que ela estaria em perigo em todas as missões, mas ele estaria ao seu lado para garantir que ela estivesse a salvo, embora achasse que era muito provável que ela o salvasse vez ou outra.
Potter queria tê-la ao seu lado, era o que mais desejava, queria tê-la em sua vida novamente, mas ao mesmo tempo tinha medo. Draco estava certo, Harry era covarde demais.
Tinha medo do que aconteceria se voltasse no tempo, se a salvasse. Em parte pensando nos outros, mas isso não era tudo…
- Está errado, não é por pensar nos outros, Draco…
Malfoy arqueou a sobrancelha.
- Talvez, em partes seja, mas… - Harry respirou fundo, voltando a se sentar - O que aconteceria com ela, Draco? - passou a mão pelo rosto, cansado - Como ela reagiria quando soubesse?
- Você pensa em contar? - Malfoy questionou surpreso.
- É o correto… Além do mais… Ela vai ficar confusa, as memórias dela…
- Potter, se você voltar no tempo, vai mudar tudo. Não vai precisar reecriar memórias, vai acontecer naturalmente, porque vai mudar muita coisa durante esses sete anos. Mas ela não vai saber que morreu e que você voltou, nem nada disso, porque não vai acontecer. Você vai mudar o rumo das coisas.
Harry concordou, sabendo de tudo isso.
- Eu me refiro as memórias de quando ela esteve com Voldemort. – comentou agoniado - Draco, ela matou a Ninfadora, Andrômeda não sabe disso, eu nunca contei…
Malfoy ficou em silêncio por alguns instantes, aos poucos compreendendo ao que ele se referia, por fim deu de ombros, tornando a olhar para o homem com a cicatriz na testa.
- Você tem que escolher Potter; Passar o resto da vida pensando em algo que não vai acontecer, porque ela não está aqui, ou aproveitar a oportunidade e voltar no tempo. Deixe para lidar com as consequências depois. Eu, honestamente, não acho que vá mudar muita coisa. Talvez Andrômeda descubra que matou Ninfadora, mas… Ela vai perdoar com o tempo, não? Quer dizer, a garota estava confusa, não fez intencionalmente. - lembrou-o - De qualquer jeito, já fiz minha parte te contando o que eu sei, agora é você quem decide o próximo passo, Potter. - levantou-se, pegando a maleta no chão, acenou com a cabeça antes de virar-se, pronto para deixar o lugar.
- Eu não posso ir sozinho.
Draco parou, tornando a fitá-lo.
- Eu preciso formalizar uma missão, não posso simplesmente roubar o Vira-Tempo. Precisarei de alguns dias para recuperá-lo.
Malfoy encarou os olhos verdes de Harry, a expressão séria do Auror, determinada.
- Parece que você vai conseguir sua namorada de volta, Potter… - sorriu levemente antes de esticar o braço para o outro, Harry o olhou por um segundo, antes de retribuir o aperto de mão. - Eu posso te ajudar nisso.

3.


Potter apontou a varinha para a fechadura, ouvindo um pequeno clique em seguida. Sinalizou para os bruxos próximos a ele, antes de colocar a mão na maçaneta, abrindo a porta devagar. A casa estava em completa escuridão, e a única fonte de luz, vinha das pontas das varinhas dos cinco Aurores que seguiram Harry Potter pelo local. Após o mesmo sinalizar com a cabeça, os bruxos invadiram a casa, procurando por Theodore Nott em cada cômodo, em cada possível esconderijo, mas nada encontraram.
- Muito bem, vamos virar essa casa para baixo, mas não sairemos daqui sem aquele Vira-Tempo! - Potter ordenou, olhando para cada membro de seu grupo, antes de seguir escada acima para procurar ele mesmo.
Os Aurores separaram-se, dois subiram para o segundo andar junto com Harry, entrando em um quarto, enquanto o líder entrava no quarto de Nott. O quarto estava extremamente organizado, mas não foi necessário muito tempo para Potter revirá-lo, após tentar convocar o objeto com o Accio, o qual ele teve certeza que não funcionaria, Harry começou a puxar gavetas, jogando tudo para os lados, não se importando com a bagunça que estava fazendo.
Vinte minutos depois, todos tornaram a encontrar-se na sala no primeiro andar, todos parecendo decepcionados ao não encontrarem o objeto que precisavam, principalmente ao notarem o desespero estampado no rosto do Chefe.
- Nada? - pediu com a voz quase falha, seu coração batendo acelerado - Okay. Encontrem Nott, custe o que custar, quero Theodore na minha sala até o final da semana. Entendidos?
- Sim, senhor!
- Dispensar.
Logo os bruxos saíram da casa, aparatando para qualquer outro lugar. Potter olhou uma última vez em cada cômodo, com medo que tivessem deixado algo escapar, ao constatar que não tinha nada ali, desaparatou no instante seguinte.


Hermione abriu a porta sorridente, mas logo o cenho franziu em confusão, ao ver quem estava parado ao lado de Harry.
- Draco?
- Boa noite. - disseram os dois, entrando na casa assim que Granger deu-lhes espaço.
- Desculpe, mas, estou confusa, desde quando vocês são amigos?
- Não somos! - disseram mais uma vez em uníssono.
- Draco está me ajudando com alguns assuntos, lembrei-me de última hora do jantar… Desculpe…
Granger concordou com um aceno, aceitando a garrafa de Uísque de Fogo que Potter lhe estendeu.
- Podem ir sentando-se, vou colocar mais um lugar na mesa… O assado está quase pronto, não sei se está muito bom, receita de Molly, mas… Bem… - deu de ombros, parecendo levemente nervosa.
Malfoy reparou que Hermione não tinha a mesma pose mandona de quando estava em Hogwarts, ou como das poucas vezes que a encontrara quando precisou ir ao Ministério para resolver algum assunto. Tentava de alguma forma agir como uma pessoa comum, apenas cuidar de casa e o que fosse necessário. A casa estava muito bem arrumada, era grande e espaçosa, os móveis não pareciam ser dos mais caros, mas bonitos e elegantes.
Draco acompanhou Potter até a sala de jantar, sentando-se em um dos lugares vagos na mesa de seis lugares.
- E o Rony? - Harry perguntou ao sentar-se, não vendo o ruivo em lugar algum da casa.
- Já deve estar chegando, precisou fazer alguma coisa na loja! - gritou a mulher.
- Nunca entendi o motivo dele ter largado o cargo de Auror, depois de precisarem de tanto tempo para entrar… - Draco comentou displicente, ainda olhando a decoração do lugar.
Potter deu de ombros, não parecendo importar-se.
- É difícil entrar, mas é ainda mais difícil permanecer. - contou, vendo Hermione voltar com a garrafa e três taças em mãos.
- Não achei que os Aurores teriam tanto trabalho… Quer dizer, depois de um ou dois anos… - Malfoy comento aceitando a taça que Hermione lhe oferecia.
- Para ser sincera eu também não esperava, achei que seria uma profissão praticamente extinta, a maioria dos Comensais ou morreram na Batalha de Hogwarts ou estão em Azkaban… - Mione concordou, sentando-se de frente para os dois.
- Sempre aparece algum seguidor ou algum outro bruxo querendo assumir o posto de Lorde das Trevas. - deu de ombros antes de tomar um gole de sua bebida - Rony deixou seu cargo para ajudar Jorge com a loja, e, ainda acho que teve algo a ver com Hermione! - Potter acusou, olhando-a brevemente. A mulher rolou os olhos.
- Eu não disse nada. Rony acordava no meio da noite, suando e gritando, tendo pesadelos com coisas que não dizia o que eram… - respondeu mal-humorada - Nunca disse para ele largar o emprego, mas também não nego que fiquei bastante satisfeita quando ele pediu demissão!
Harry sorriu de lado, tomando um gole da bebida que Mione serviu, Draco não pareceu se importar muito. Logo puxaram outro assunto aleatório, enquanto Rony não aparecia para o jantar.
Quando o ruivo finalmente apareceu, embora tentasse parecer okay com a presença de Malfoy, não conseguiu fingir muito bem a surpresa ao encontrá-lo em sua casa.
Não sabia o que mais o incomodava no momento na presença do loiro: Lembrar-se dos tempos de Hogwarts, no qual Malfoy sempre foi um tipo de pesadelo em sua vida, ou o loiro estar com seu melhor amigo, e Rony não ter a mínima ideia do motivo.
Jantaram em silêncio por algum tempo, vez ou outra os homens elogiavam a comida, o que deixava a bruxa agradecida.
Foi só ao terminarem de comer, quando todos espalharam-se entre o sofá grande e as poltronas na sala de estar, que Hermione puxou o assunto que realmente interessava; O que eles estavam fazendo juntos?
Harry e Draco se olharam por breves segundos, antes do Auror começar a responder.
- Draco… Veio ao meu escritório há algumas semanas, com… Uma notícia, interessante… - virou-se para a amiga - Ouviu falar no Vira-Tempo que foi encontrado, não?
A mulher concordou com um aceno, subitamente interessada no assunto.
- Bem… Fiz uma busca hoje com os Aurores, até o momento não encontramos nada… - suspirou cansado, retirando os óculos para limpá-los na camisa branca que usava por baixo do colete preto.
- Não entendi… - Rony começou - Quer dizer, é importante recuperar o Vira-Tempo, claro, mas o que tem demais nisso? Era essa a notícia que Malfoy deu?
Draco mexeu-se desconfortável em seu lugar, passando a língua pelos lábios finos antes de começar a dizer.
- Digamos que… Se Potter recuperar o Vira-Tempo… Talvez…
Nenhum dos dois completou a frase, Weasley continuou sem entender o que acontecia, olhando de um para o outro, mas Granger chegou mais rápido do que os dois esperavam na resposta.
- Vocês… Não! Harry, você não pode!
Potter a olhou por longos segundos.
- O que ele não pode? - Rony tornou intrigado.
- Harry quer voltar no tempo, - começou a esposa, ainda mantendo contato visual com o amigo - você não pode Harry… Sabe as consequências!
- Voltar para o quê?
Malfoy rolou os olhos, impaciente com a lerdeza do ruivo.
- Vamos trazer de volta.
Weasley abriu a boca, olhando surpreso para Draco, e então virando-se para Potter. O choque logo deu espaço para uma pontada de ciúmes. Harry estava pensando em voltar no tempo e não o chamara para isso? Iria com Draco Malfoy? Por que?
- Vocês não podem! - Hermione exasperou-se, levantando-se nervosa - É uma ideia idiota, Harry, sabe disso.
Potter também levantou-se nervoso, começando a falar mais alto.
- E o que você sugere que eu faça? Continue vivendo essa merda de vida que eu levo desde sempre? Porque, eu não sei se você percebeu Mione, mas eu sou o único que continua na mesma merda de anos atrás. Continuo tão mal quanto na época que morava com os Dursley!
Hermione abriu a boca para responder-lhe, mas o Auror não deixou que ela falasse.
- Você está muito bem não é? Casou com o Rony, tem um cargo bom no Ministério, vai ter uma família. Todos os seus sonhos se realizando, não é? E os meus, Hermione? E a minha vida? E a minha família? Eu sou o único que pode sempre perder tudo? Eu sou o único que pode ficar sozinho e tudo bem? O importante são os outros estarem bem, não é? Estarem felizes?
- Eu não quis… Harry…
- O que? Você não sabia? Não percebeu? Acha que eu estou feliz nos últimos anos? Que estou bem? Contente com a vida que eu tenho?
Rony levantou-se também, embora não soubesse o que fazer, apenas não gostava da ideia de Harry gritando com Hermione. Draco continuou sentado, as pernas cruzadas e o queixo apoiado na mão, achando minimamente divertido ver aquela briga. Nunca imaginou ver Potter estourar daquele jeito, ainda mais com Hermione.
- Se me permite… - começou o loiro, atraindo o olhar dos três - Não que eu me importe muito, mas Potter está bem perto de ser, ou talvez até já seja, um alcoólatra. Ou eu sou o único que reparou na quantidade de álcool que ele bebe? E eu só passei algumas horas com ele…
Harry rolou os olhos, ignorando o que o loiro dissera, voltando sua atenção para Hermione, a qual parecia prestes a chorar, mas naquele instante não se importou com isso. Realmente parecia fácil para a amiga o criticar por sua decisão, quando ela estava feliz com a vida que tinha. Mas aquilo não parecia justo. E Potter sentia-se bem por finalmente poder externar tudo aquilo, carregava todos aqueles sentimentos, todos aqueles pensamentos por sete anos. Poder finalmente dizer tudo aquilo em voz alta, era como se tirasse um peso de suas costas.
- Já disse que ele deveria parar com a bebida, vai te fazer mal. É por isso que você tem tantos problemas, por isso que não consegue superar… Porque…
- Como é? Você acha que é por isso? Você acha que eu não tentei seguir em frente? Sair com outras mulheres? Você acha mesmo que eu levo essa merda de vida porque eu gosto? Por Dumbledore, Hermione. Você já foi mais inteligente do que isso!
- Não fale nesse tom comigo! - reclamou irritada, segurando a vontade de chorar. - Ela era minha amiga, Harry. Minha melhor amiga. Não tem um dia que eu não sinta falta dela, mas…
- Mas você casou Hermione, você tem sua vida e está muito feliz com ela. Fico muito feliz que as coisas tenham dado certo para você, mas não me parece justo eu ser o único sofrendo com isso tudo. Me diga quem mais perdeu tudo? Aliás, eu nem cheguei a perder, não é mesmo? - tornou a gritar, sentindo o sangue bombear com força em suas veias, o rosto vermelho - Nunca tive a chance de ter alguma coisa, porque eu não sei se você se lembra, mas no dia que era para eu começar alguma coisa, ela morreu. Olha só que ironia, não? - Harry começou a andar pela sala, sem olhar para ninguém, a raiva o consumindo - Na hora que eu pensei que finalmente tudo tinha acabado, Voldemort já era, eu perco a única pessoa que queria ter ao meu lado. E você, Hermione, o que foi que você perdeu? - tornou a virar-se para ela - Seus pais? Não. Seu padrinho? Não. Pessoas que te ajudaram? Não. O amor da sua vida? Com certeza não. Me diga agora, o que foi que você perder? Ein? Sua amiga? Woa, realmente, sinto muito.
Granger o encarou com os olhos cheios de lágrimas, mas não derrubou nenhuma, respirou fundo e então virou-se em direção as escadas, parando no primeiro degrau.
- Imaginei que, como Chefe dos Aurores, você tivesse mais responsabilidade, e tivesse um mínimo de ideia do que está fazendo. Mas se é assim que você se sente, imagino que nada do que eu possa dizer vai mudar alguma coisa para você. - virou-se para encará-lo uma última vez - Apenas lembre-se de uma coisa, Potter, ao fazer isso, você pode mudar a vida de todo mundo e, principalmente, da . Como você acha que ela vai se sentir ao saber o que você fez?
- Ela não vai saber. - ele respondeu rapidamente - Ninguém mais vai.
Os dois olharam-se por mais alguns instantes, Hermione fez menção de dizer mais alguma coisa, Harry sabia que a amiga devia ter milhares de coisas para dizer, mas ao invés, ela apenas suspirou e voltou a subir as escadas.
Os três permaneceram em silêncio por alguns instantes após ouvirem a porta bater com força no andar de cima. Rony virou-se para Harry, o cenho franzido.
- Você vai mesmo…?
- Você não vai me convencer do contrário! - replicou rapidamente.
- Não achei que fosse… - deu de ombros - Mas Mione também está certa, Harry. E eu sei… - falou antes de ser interrompido - Eu.. Imagino, como você se sente. Talvez eu quisesse fazer a mesma coisa se tivesse sido Hermione… - suspirou olhando para as escadas por alguns instantes - Só… Pensa direito no que está fazendo, ela tem razão, pode mudar muita coisa…
- Você acha mesmo? - o olhou suplicante, queria que pelo menos Rony estivesse ao seu lado - Ela não precisa saber o que aconteceu e, não vai interferir tanto assim, foi depois que tudo acabou, não tem o que interferir!
Rony deu de ombros, sem saber o que responder.
- Espero que você esteja certo, mas ela ainda vai lembrar de ter matado Dora, não é? E tudo o mais… Você deveria saber melhor do que eu, Harry… Ela não vai ficar bem com isso…
- Eu vou me preocupar com isso depois que a tiver de volta!
- Vocês só estão esquecendo de uma coisa, não é? - Draco começou a falar, atraindo novamente atenção para si. - Ainda não temos o Vira-Tempo.

4.


Por mais que tenha sido convidado pelos Weasley e por Andrômeda, a passarem o Natal juntos, Harry optou por passar o final de semana sozinho, apenas dando uma rápida passada na casa de Andy, para ver o afilhado e deixar seu presente com o garoto.
Sempre sentia-se bem ao passar algum tempo com Ted, principalmente em dias que sentia-se extremamente triste ou desolado, o que parecia um sentimento mais acentuado em datas festivas como aquela; Natal era uma das datas favoritas de , e mesmo sem querer, Potter simplesmente não conseguia ignorar esse fato, e muito menos o número de memórias que vinham a sua mente ao pensar nela.
Passou parte do final de semana dividido entre três atividades; beber, dormir e criar planos para recuperar aquele maldito Vira-Tempo. O qual já procurava há dois meses sem sucesso.
A bebida ainda parecia presente em seu sangue, pois se sentia mais lento do que o normal, sua cabeça doía devido a quantidade de Uísque de Fogo e Hidromel que bebeu no dia anterior, e sentia-se levemente enjoado, não tendo comido nada desde que saíra da casa de Andrômeda no sábado.
Suspirou cansado, passando a mão pelos cabelos enquanto esperava o elevador parar no nível dois; Departamento de Execução das Leis da Magia.
Assim que a porta abriu, saindo cambaleante em direção ao corredor que o levaria para sua sala, encontrando poucos bruxos no caminho, visto que era cedo demais para o horário de trabalho. Ao abrir sua sala com um toque da varinha, deixou seu casaco no cabide ao lado, junto com seu cachecol preto, e andou até sua mesa, jogando-se contra a cadeira. Fechou os olhos por alguns instantes, respirando fundo.
O sonho que tivera duas noites antes, parecia mais vívido sempre que fechava os olhos, era quase como se escutasse a voz da mulher e os gritos animados do filho, e por isso não se permitiu dormir mais do que poucas horas na noite anterior, tomando uma poção para garantir que não sonhasse.
Levantou-se após alguns minutos, andando até a estante com vários livros, procurando algum que pudesse lhe ajudar, embora achasse difícil se concentrar. Ao olhar para o pequeno espelho grudado na parede, próximo a estante, assustou-se com seu próprio reflexo;
As olheiras maiores e mais escuras do que o costume, o cabelo mais comprido, assim como a barba que ele não fazia há várias semanas. A expressão cansada o fazia parecer alguns bons anos mais velho, e, misturado com suas roupas amassadas, quem não o conhecesse, poderia julgá-lo como algum sem-teto, desempregado e desleixado.
Pelo menos não estava fedendo, pensou ignorando o espelho, e voltando a sua procura.
Enquanto passava os olhos pelos títulos dos livros, escutou passos apressados vindos do corredor do lado de fora de sua sala, não demorando para ouvir batidas rápidas e urgentes na porta.
- Entre. - disse, já se virando curioso para o visitante.
Andrew McGuire entrou afobado, já usando seu uniforme preto, por baixo da grande capa marrom. O Auror era dois anos mais velho que Potter, além de ser seu braço direito desde que o mais novo assumiu como Chefe do departamento. Mantinham uma boa amizade, que sempre rendia alguns drinks no Cabeça de Javali depois do expediente.
O loiro sorriu animado, ajeitando a postura antes de encarar o chefe.
- O que aconteceu? - perguntou curioso, estranhando o homem chegar tão cedo.
- Eu o encontrei. - disse simplesmente, tentando esconder o sorriso orgulhoso. - Nott. Potter abriu a boca, não produzindo nenhum som por alguns segundos, enquanto seu cérebro processava a informação, mais devagar do que gostaria.
Aos poucos, McGuire notou o sorriso começar a abrir-se no rosto de Potter, a expressão cansada dando espaço para uma mais determinada.
- Onde? - o bruxo perguntou, a respiração começando a acelerar, assim como as batidas de seu coração.
- Hawkshead, para os lados de Manchester.
Harry virou-se rapidamente para sua mesa, procurando em meio aos papéis um mapa da Inglaterra, enquanto Andrew aproximava-se, apontando logo depois para o ponto com o nome da pequena cidade. Potter o olhou por alguns segundos, um sorriso nos cantos dos lábios.
- Chame o pessoal, temos um bruxo para caçar.

Quando Andrew deixou sua sala, Harry começou a procurar mapas e relatórios sobre a pequena cidade; quase não se tinham bruxos no local, o que tornaria tudo mais complicado, pois precisavam ser ainda mais discretos para não chamar atenção dos trouxas.
Ouviu uma batida na porta minutos depois, permitindo a entrada do novo visitante, sem nem mesmo tirar os olhos dos livros e anotações que fazia no momento; precisava de uma boa estratégia para não ter erros.
- Potter. - a voz grave de Quim Shacklebolt chamou sua atenção, fazendo com que o Auror largasse a pena e o pergaminho em sua mesa, levantando-se no mesmo instante para cumprimentar o homem.
- Ministro! - atravessou sua sala, esticando o braço para Quim, que apertou-lhe a mão com calma, analisando-o com os olhos castanhos. - A que devo a honra?
Shacklebolt virou-se, caminhando pela sala, analisando com calma a decoração do lugar, bem diferente de quando ele próprio a usava. Notou o travesseiro e a coberta jogados no sofá ao canto, e o excesso de garrafas praticamente vazias, além dos livros fora de lugar e cartazes de bruxos procurados, empilhados em um canto, além é claro, dos vários cartazes espalhados em um grande quadro na parede, sendo Theodore Nott um dos primeiros.
- Esperei você vir até meu gabinete, mas como não aconteceu… - suspirou, virando-se com as mãos nas costas, olhando-o por alguns instantes. Notou o olhar levemente confuso do Auror - Nott e o Vira-Tempo, Potter.
Harry abriu a boca, concordando com um aceno antes de apontar para sua mesa.
- Estava aguardando ter alguma notícia mais concreta senhor, até o momento Nott estava fora do nosso radar, estamos procurando-o há semanas sem sucesso. McGuire o encontrou, uma cidade próxima a Manchester. - virou o mapa em direção ao Ministro, mostrando a área circulada - Não é um local grande, mas temos poucos bruxos na região, estou trabalhando em uma maneira discreta de prendermos Nott e…
- E o Vira-Tempo, Potter?
Harry virou-se para encarar Quim, tentando manter-se o mais centrado possível, colocou as mãos levemente trêmulas nos bolsos, para evitar que o mais velho notasse.
- Assim que capturarmos Nott conseguiremos o objeto, senhor.
- E você o trará imediatamente para o Ministério, imagino.
Potter passou a língua pelos lábios, concordando com um aceno no momento seguinte.
Quim o encarou por um minuto inteiro antes de voltar a pronunciar-se, reparando no quão ansioso o Auror parecia.
Shacklebolt não o via com tanta frequência, apenas quando precisavam tratar de assuntos sérios, mas as últimas vezes que o viu, Harry sempre parecia cansado demais, os olhos verdes pareciam vazios, sem vida. A barba crescida e os maus cuidados o deixavam sempre com uma aparência mais velha, sofrida. Lembrava-o levemente de Remo Lupin durante as épocas de lua cheia. Se Quim não o conhecesse, jamais diria que Potter tinha apenas vinte e cinco anos, poderia passar por trinta e alguns facilmente. Mas naquele momento, olhando-o com atenção, conseguia ver não apenas ansiedade e nervosismo, mas certa expectativa, seus olhos pareciam ansiar por alguma coisa, sua expressão embora nervosa, parecia mais tranquila e relaxada do que nas últimas vezes que se viram. Potter tinha algo de diferente em sua postura, e isso só fez com que o Ministro aumentasse as próprias suspeitas.
- Se eu suspeitar que você tem outros planos, Potter…
- Outros planos? - perguntou confuso, o cenho franzido.
Quim o encarou significativamente por alguns instantes, Harry fingiu surpresa.
- Acha que eu vou usar o Vira-Tempo, Ministro?
- Imaginei que existisse essa possibilidade…
- E por qual razão eu o usaria, senhor? - Harry cruzou os braços.
Shacklebolt continuou parando, os braços atrás das costas, encarando-o com cuidado, analisando seus movimentos. Voltou a andar pelo escritório, contornando a mesa do Auror e sentando-se em sua cadeira.
- Você sabe que eu gosto de você, Harry. - começou o olhando com cuidado - Estivemos juntos na Ordem e lutamos juntos na Batalha de Hogwarts. - Harry concordou com a cabeça, mantendo a mesma posição - Confiei todos esses anos em você, Potter. Treinei-o pessoalmente para ocupar o meu lugar quando me ofereceram o cargo de Ministro, aceitei você mesmo sem ter terminado os estudos, porque eu sabia da sua capacidade e porque eu confio em você.
Harry tornou a concordar, não fazendo nenhum comentário, apenas olhando para o Ministro, que continuava encarando-o, como se soubesse de algo.
- Eu sei o quanto você perdeu na Batalha, e mesmo antes disso, Potter, e por isso tenho feito vista grossa sobre seu comportamento nos últimos anos…
O Auror arqueou a sobrancelha;
- Imagino que meu desempenho tenha sido satisfatório, caso contrário não estaria ocupado seu escritório, senhor.
Quim cruzou as mãos, inclinando-se sobre a mesa, o olhar sério e ao mesmo tempo calmo sobre o mais novo, era como se o acusasse, mas lhe desse o direito da dúvida, confiando que Potter não faria nada estúpido.
- E é apenas por isso que você continua sendo o Chefe dos Aurores, Harry. Até o momento seus problemas pessoais não se mostraram um empecilho para suas ações no Ministério. E também é por isso que nunca questionei, nem seus métodos de trabalho nem quis interferir na forma que você tenta lidar com suas perdas… - o outro baixou a cabeça por alguns instantes. - Não acho certo o que você vem fazendo Potter, não é saudável - suspirou -, mas eu posso entender seus motivos, talvez estivesse na mesma situação se estivesse no seu lugar.
O Auror tornou a olhar para o Ministro, embora ainda um tanto nervoso.
- O que eu não posso permitir, Potter, é que você quebre a confiança que venho depositando em você. - Quim tornou a levantar-se, colocando as duas mãos sobre a mesa, em cima dos papéis espalhados, e encarando seriamente o homem à sua frente - Você e seus Aurores vão capturar Nott e trazê-lo para o Ministério, assim como o Vira-Tempo, o qual será destruído.
Potter abriu a boca, fechando em seguida e concordando com um aceno.
- Se eu descobrir que você tem um plano diferente para o Vira-Tempo, Harry, você não só deixará de ser um Auror, como vai responder por seus atos, em Azkaban. - os dois se encararam por alguns instantes, era claro que Shacklebolt não estava contente em precisar ameaçar o outro daquela forma, mas ele era o Ministro, era seu dever manter a ordem, e nem mesmo Harry Potter, o qual ele tinha certeza de não ter uma má intenção muito pelo contrário, poderia interferir na segurança de todos, principalmente mexendo com algo tão delicado quanto o tempo, por mais que lhe doesse, Quim não arriscaria o bem estar do mundo bruxo por uma única pessoa. - Estamos conversados?
- Sim, senhor, Ministro. - assentiu com um aceno, tornando a abaixar o olhar.
Quim parou ao seu lado, tornando a apertar-lhe a mão.
- Mantenha-me informado sobre as buscas.

Potter bateu uma única vez na porta, antes de entrar pela sala, sem nem mesmo esperar por uma resposta. Hermione estava em pé, com uma pasta grande em mãos, tentando colocar os documentos em ordem na estante.
- O que…? Harry? - falou afobada, quando seus olhos focalizaram o amigo. - Algum problema? - perguntou formal, tornando a olhar para os papéis em suas mãos.
- Você falou com o Quim?
- Hoje? Não, por quê? - virou-se o olhando por sobre o ombro.
- Ele veio na minha sala perguntar o que eu faria com o Vira-Tempo, como será que ele pensou nisso? - cruzou os braços, soando irônico. Granger respirou fundo, deixando o restante dos papéis sobre a estante, e virando-se para o outro.
- Eu não fiz nenhuma fofoca, se é isso que está insinuando, Harry. - arqueou a sobrancelha - Caso não tenha reparado, estou bem ocupada por aqui. E depois da nossa conversa, eu não tenho mais nada para lhe dizer sobre o assunto. - tornou a virar-se para suas coisas, ignorando a resposta de Potter - Além do mais, Quim é o Ministro. É inteligente e já foi um Auror, só é necessário fazer uma conta simples para entender seu novo e repentino interesse em achar Nott, que, tirando ter um Vira-Tempo, não cometeu nenhum crime.
Harry olhou para o lado por alguns instantes, respirando fundo. Não queria continuar naquele clima estranho com Hermione, entendia as razões da amiga por estar tão nervosa com o que ele estava prestes a fazer, mas queria que ela entendesse seus motivos. Não achava que ela o ajudaria, nem mesmo queria isso, mas gostaria que Granger estivesse ao seu lado mais uma vez.
- Hermione… - começou olhando para baixo por alguns instantes - Eu… Sinto muito.
A mulher respirou fundo, segurando o ar por alguns instantes, antes de tornar a virar-se na direção de Harry, dando alguns passos para aproximar-se do Auror.
- Você exagerou.
- Um pouco… - a olhou com um sorriso triste. - Sinto muito.
- Eu entendo o que você quer fazer Harry, eu realmente entendo… - colocou uma mão sobre o ombro do homem, apertando-o gentilmente. - Mas você sabe que isso é errado. Eu não posso te ajudar nisso.
- Eu não quero sua ajuda, Mione… Mas eu preciso fazer isso. Eu não posso seguir em frente sem tentar…
- Harry, esse é o problema. - cruzou os braços, negando com a cabeça - Você não vai tentar, o que quer que você faça, vai mudar tudo. Você está querendo mexer com o tempo, achei que tivesse aprendido o quão errado é isso no terceiro ano.
Potter acenou positivamente, colocando as mãos nos bolsos e olhando para os pés.
- Eu sei disso, e acredite, eu pensei muito sobre o assunto. Você me conhece, não faria isso se eu tivesse outro jeito…
- Harry… Por mais que me doa dizer isso, ela se foi. Você precisa superar.
Potter a olhou por alguns instantes.
- Eu não consigo, ok? Eu tentei. De verdade, se tem uma coisa que eu tentei nos últimos sete anos foi esquecer ela. Esquecer de tudo. Mas eu não consigo. - sua voz saiu falha conforme as lágrimas chegaram a seus olhos, e um nó se formou em sua garganta, pigarreou duas vezes antes de voltar a falar, mas sua voz continuava fraca. - Eu não consigo Hermione, quanto mais eu tento, mais parece que eu tenho isso na minha cabeça.
- Você já considerou que talvez não dê certo? - perguntou lentamente, olhando-o com pesar - Harry, você criou uma imagem bonita na sua cabeça, mas talvez não seja assim que funcione. Tem tanta coisa que pode dar errado…
Potter fungou baixo, passando as costas da mão no nariz, antes de tornar a encarar a mulher;
- Eu preciso fazer isso, Mione. Eu não vou conseguir sem nem mesmo tentar.
Ouviram uma batida forte na porta, Granger caminhou até a mesma, enquanto Harry respirou fundo, passando as mãos pelo rosto, recuperando-se do choro repentino.
- McGuire?! - deixou-o entrar, os dois viraram-se para Potter.
- Senhor, estamos prontos. - avisou assim que o Auror o encarou.
Harry acenou com a cabeça, despedindo-se rapidamente de Hermione, seguindo com o loiro pelos corredores do Ministério. O grupo de Aurores os esperava do lado de fora da cabine, todos com seus casacos marrons por cima do uniforme preto, as varinhas em punho, apenas aguardando Potter.
- Senhores, temos um bruxo para capturar e não vamos sair de Hawkshead sem Nott ou o Vira-Tempo.

5.


Nott estava em um pub trouxa, tomando uma cerveja (o que deixava de ser tão ruim depois do terceiro copo), enquanto assistia o esporte favorito dos trouxas; futebol. Não via graça nenhuma, mas era bom para passar o tempo. Estava em seu quinto copo quando começou uma chuva fraca do lado de fora, a luz piscou duas vezes, antes de apagar-se por completo. Os homens que ali estavam começaram a gritar, a maioria bêbado demais para pensar em fazer algo ou realmente importar-se, pareciam até divertidos embora os que assistissem ao jogo reclamassem da interrupção. Theodore continuou em seu lugar, comendo o peixe frito em seu prato, vendo apenas sombras e vultos ao seu redor.
Olhou pela janela, as ruas vazias com suas luzes apagadas, tornou a olhar para o local do aparelho que antes passava o jogo, lambendo os próprios dedos quando sua comida acabou, esfregando as mãos na calça antes de virar o restante do conteúdo de seu copo. Já estava se levantando quando um barulho chamou sua atenção. Olhou ao redor, vendo alguns dos vultos caindo ao chão com algum estrondo, enquanto outros estavam em pé.
Nott levantou-se apressado tirando a varinha de dentro da capa, enquanto andava cambaleante em direção à porta, no momento em que cinco varinhas foram apontadas em sua direção com uma luz fraca vindo da ponta de cada uma. Parou no instante seguinte, quando notou que alguém entrava. Virou-se para trás, vendo Harry Potter passar a mão esquerda pelo ombro direito, retirando algumas gotas d’água de seu casaco escuro, antes de olhar na direção do bruxo.
O grupo de Potter tinha uma aprovação de noventa e oito por cento em suas missões, e ninguém questionava seus métodos, porque os resultados eram muito além do satisfatório para o Ministério. Foi Harry quem os reuniu, tendo feito o curso junto com parte dos colegas. Quando assumiu o cargo de Chefe do Departamento, Potter prezou por ter um grupo forte e hábil. Cada um de seus Aurores tinha uma habilidade específica, as quais combinadas faziam aquele grupo forte;
Andrew McGuire estava sempre da primeira fileira, era o homem de guarda. Encorpado e extremamente forte, Andrew além de ágil era muito bom para interrogatórios. Não importava-se nem um pouco em sujar as mãos para obter as informações que precisavam.
Natalia McDonald era extremamente habilidosa com feitiços da mente, principalmente em legilimência e oclumência, sendo a responsável por apagar os rastros sempre que tinham uma situação envolvendo trouxas.
Robert Toods era o homem dos disfarces, sendo um metamorfo, podia passar-se facilmente por qualquer bruxo ou bruxa.
Elena Robins tinha grande conhecimento em medicina e ervas, sendo a responsável por garantir que os companheiros sobrevivessem até conseguirem um tratamento adequado no hospital, após o término das missões.
Gregory Evans era inteligente e perspicaz, sempre percebia detalhes que passavam despercebidos pelos demais, nas palavras de Harry, Evans era quase uma versão de Hermione, o que sempre se mostrava muito útil.
Potter além de ser o líder do grupo, era o responsável por treiná-los para batalha, ensinar novos feitiços e garantir a segurança de todos em suas missões.
Para as missões serem bem sucedidas não adiantava apenas um bom plano, precisava de todos focados para conseguir com êxito seus objetivos; fossem para prender alguém ou recuperar algum objeto amaldiçoado. Todos tinham a mesma importância no grupo, e mesmo Potter levando o título de líder, sempre abria espaço para os outros darem suas opiniões e ideias, nunca colocando-os em demasiado risco sem ser necessário. E quando preciso, não importava-se em ceder seu lugar de líder para um dos colegas com mais habilidade em determinada situação. E era principalmente por isso que os cinco tanto o respeitavam e confiavam em suas escolhas. Não apenas por ser Harry Potter, o bruxo que matou Lorde Voldemort, sete anos antes, mas por ser o Auror inteligente o suficiente para saber pedir ajuda quando preciso, sem perder sua autoridade. Embora não gostasse muito de ser contrariado, Harry não importava-se em mudar suas estratégias para o bem geral do grupo, e sempre que tinha uma decisão importante para tomar, deixava que todos soubessem e dessem suas opiniões, mesmo que a palavra final fosse dele.
O grupo era forte e unido, e Nott sabia disso, assim como todos os ex-Comensais da Morte e quaisquer outro bruxo que tentava, de alguma forma, dominar as Artes das Trevas.
- Boa noite, Theodore. - a voz do Auror era grave, autoritária, diferente da do garoto irritante que Nott conheceu anos antes, em Hogwarts - Podemos fazer isso do jeito fácil, no qual você não se machuca, ou podemos fazer do jeito difícil, que é a preferida do senhores atrás de você. A escolha é sua.
Theodore manteve a varinha erguida em direção a Potter, embora não soubesse qual era sua melhor rota de fuga. Não esperava ser encontrado naquele vilarejo trouxa, ainda mais por todo o grupo de Aurores. Olhou por sobre o ombro, vendo as duas mulheres e os três homens parados no mesmo lugar, bloqueando suas possíveis saídas.
Talvez, se fosse rápido o suficiente, conseguisse aparatar antes de ser pego, mas ao mesmo tempo era arriscado, se Potter ou qualquer um dos outros conseguissem segurá-lo, poderia estrunchar. Se começasse uma luta, as chances de perder eram enormes, não poderia competir contra seis bruxos altamente treinados em combate.
- O tempo está passando, Nott. O que vai ser? - Potter tornou a perguntar, a sobrancelha arqueada, a varinha em sua mão não apontava para o bruxo, mas Theodore conhecia a nova fama do Auror. Potter era melhor que Quim em combate.
Theodore suspirou, abaixando levemente a varinha, planejando a melhor opção para o momento.
- Eu nunca vou entregar o Vira-Tempo, e você nunca vai conseguir encontrá-lo.
Harry engoliu em seco, sua expressão se fechando para uma mais séria e pouco amigável.
- Isso é o que veremos. McGuire!
O homem de cabelos claros e compridos, deu um passo a frente, mantendo a varinha erguida, enquanto via Nott relaxar a postura. Quando Andrew tocou em seu ombro, pronto para fazer a prisão do bruxo, os demais colegas baixaram a guarda por um instante, já que Nott não parecia burro o suficiente para reagir. No momento em que McGuire esticou a mão para tirar-lhe a varinha, Theodore sorriu para Potter, que demorou um segundo para entender o que aconteceria.
Nott lançou McGuire para o lado, antes de jogar-se contra o balcão do bar, protegendo-se dos cinco feitiços que vieram em sua direção, os quais quebraram boa parte das garrafas e copos próximos. Nott protegeu a própria cabeça dos estilhaços, antes de apontar a varinha para os dois barmen apagados ao seu lado, fazendo os dois trouxas investirem contra os Aurores, que tiveram que sair da frente dos homens, tentando não matá-los enquanto buscavam desmanchar o feitiço do bruxo.
Potter correu para o lado no qual Nott se escondia, desviando de um feitiço que o bruxo lançou, antes de atacá-lo, mas o bruxo desviou-se com rapidez. Theodore tornou a agitar a varinha contra uma das Aurores que aproximou-se para desarmá-lo, conseguindo um corte profundo em Robins, que jogou-se no chão abandonando a própria varinha, com as mãos no pescoço, tentando parar o sangramento.
Toods não pensou duas vezes antes de lançar um feitiço de proteção, ajoelhando-se ao lado da colega para ajudar-lhe a estancar o sangue antes que fosse tarde. Nott conseguiu acertar mais dois trouxas que estavam desacordados nas banquetas do balcão, de forma que os dois pescadores também jogaram-se contra os Aurores.
Potter lançou um feitiço de proteção nos homens que estavam em uma mesa próxima, antes que Nott conseguisse enfeitiçá-los também. Ainda teve tempo de tornar a lançar um novo feitiço contra Nott, antes do bruxo virar-se para novamente atacar o grupo que estava ocupados com os barmen. Theodore sentiu um corte atingir-lhe nas pernas, queimando seus músculos e fazendo-o cair de joelhos no chão, quando o feitiço de Potter atingiu-o em cheio. Virou-se com a varinha em mãos para Potter, mas ao invés de atacá-lo mirou seu feitiço em Andrew, desacordado no canto do bar.
- Sectumsempra! Potter perdeu um pouco da razão ao ver o colega começar a sangrar daquela forma, e não perdeu tempo em contra-atacar; Lançando cadeiras e garrafas contra o bruxo, que usava a varinha para se defender, não percebendo a aproximação súbita do Auror. Nott jamais imaginaria que Harry Potter largaria sua varinha para atingi-lo com um soco no rosto.
Potter acertou-lhe duas vezes, antes de pegar a varinha do bruxo, a apontando para o próprio dono, queimando sua pele pouco abaixo do queixo;
- Se está vivo agora, é porque preciso daquele Vira-Tempo. - vociferou, cuspindo as palavras contra o rosto do homem caído. - Mas a próxima vez que você tentar matar um dos meus homens, você não vai nem mesmo saber o que te atingiu.
- Senhor! - Evans gritou por ajuda, notando a quantidade de sangue que Andrew perdia.
Potter estuporou Nott antes de lançar-lhe um novo feitiço, amarrando-o por completo e não dando chances dele fugir. Levantou-se rapidamente, pegando sua própria varinha e aproximando-se de Andrew que, mesmo desacordado, tremia como se estivesse tendo uma convulsão, conforme os cortes aumentavam, sangrando em excesso.
Potter abriu a capa do Auror, ajoelhando-se na frente do mesmo, começando a murmurar rapidamente os contra-feitiços para parar o sangramento, enquanto apontava a varinha para o corpo do loiro. Aos poucos o sangue foi voltando para dentro dos cortes, que se fechavam com lentidão.
Nesse meio tempo, Toods já fazia um curativo em Robins, que respirava com certa dificuldade, enquanto Evans e McDonald, cuidavam dos trouxas enfeitiçados, tanto dos cortes que os mesmos acabaram sofrendo, quanto das memórias. Após certificar-se que a colega estava bem, Toods levantou-se, apontando a varinha para o balcão, logo as garrafas de bebida voltaram aos seus devidos lugares, assim como os copos e demais objetos que tinham sido quebrados.
Nott continuava desacordado no chão atrás do balcão, até Natalia McDonald puxá-lo pelas pernas, não lamentando quando o homem bateu com a cabeça.
- Procure o Vira-Tempo. - Potter falou, ainda ocupado em fechar os ferimentos de Andrew.
- Nem sinal, senhor. - McDonald avisou após vasculhar as roupas que o homem usava.
Harry respirou fundo, levantando-se após sentir o joelho doer pela posição incômoda.
- A memória de todos já foi apagada? - perguntou virando-se para McDonald, a bruxa confirmou com um aceno rápido. - Muito bem, precisamos levar McGuire e Robins para o hospital.
- Já me sinto melhor, senhor. - a mulher avisou, embora a voz saísse mais fraca do que gostaria. Harry negou com um aceno.
- Toods, consegue levá-los? - o homem acenou positivamente. - Ótimo. Mantenha-me informado da condição dos dois. Evans e McDonald, vamos bater um papo com Nott, ainda precisamos do Vira-Tempo.
Os dois concordaram com um aceno satisfeito, após toda aquela confusão, nada melhor do que um interrogatório com o prisioneiro, antes de deixá-lo em Azkaban.
- Senhor, e se…
- Robins, você vai para o hospital. Não adianta nada você estar aqui se mal consegue falar.
Respondeu encarando-a com seriedade, de forma que a mulher apenas concordou com a cabeça. A mulher virou-se para olhar Andrew, que continuava desacordado. Era sua obrigação ter cuidado do colega, mas nem mesmo conseguiu cuidar do próprio ferimento sem ajuda, como poderia ajudar McGuire?

Demorou mais alguns minutos para que McGuire recobrasse os sentidos, e após mais alguns momentos, o homem já estava razoavelmente bem para aparatar, apoiando-se nos ombros de Toods para fazer a viagem.
- Eu vou querer um tempo com Nott mais tarde… - Andrew falou com a voz baixa, apontando com a cabeça para o bruxo desacordado. O Auror estava mais pálido que o normal, mas arrancou pequenas risadas dos colegas.
- Muito bem, todos em posições, vamos sair daqui e encontrar aquele Vira-Tempo de uma vez por todas. - Potter virou-se para os dois que ficariam, Evans puxou Nott pelas vestes. - Vocês dois, melhorem logo, não quero desculpas para férias antecipadas! - sorriu de lado, vendo McGuire fazer careta e Robins sorrir em concordância.
No instante seguinte um grande estampido, e os sete bruxos tinham desaparatado, dois minutos depois os trouxas que estavam no bar acordaram desnorteados, olhando para os lados, confusos, enquanto as luzes voltavam a piscar.

Potter esperava de braços cruzados, encostando-se na janela do quarto, encarando a cena com a expressão fechada, aguardando o resultado final. Evans permanecia próximo à porta, parecendo animado em ver a colega trabalhando com o prisioneiro. Natalia estava concentrada, sentada de frente para Nott, a varinha apontada para ele, enquanto mantinha o contato visual com o homem à sua frente. Estava sendo mais demorado que o esperado, Theodore era muito bom com oclumência, o que dificultava seu progresso, mas o bruxo não era melhor do que a Auror, e ambos sabiam disso.
Após quase três horas, McDonald sorriu de lado, desviando o olhar para o chefe. A mulher sentia-se extremamente cansada, mentalmente. Gostaria de pedir alguns minutos para descansar, mas tinha noção do quanto aquilo era importante para Harry, e não o deixaria esperando, mesmo que suspeitasse das intenções do Auror com o Vira-Tempo.
- Já temos a localização, senhor.
Potter não escondeu a animação, relaxando o corpo momentaneamente.
- Próximo?
A mulher negou com a cabeça.
- Hogwarts.


Continua...



Nota da autora: 24/01/2017
VOLTEI! E finalmente temos o Vira-Tempo, ou quase! Ele até aparecia nesse cap, mas eu resolvi que quero um pouco mais de suspense e emoção, então por hora temos apenas o grupo de Aurores sensacional do Ministério.
SERÁ QUE É NO 6 QUE A BLACK APARECE????? Será que ela realmente aparece?? Hahahah
Vamos esperar para ver, porque nem eu sei o que vai acontecer! Sério.
Por enquanto é isso, até logo!
xx
Reh.

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