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Última atualização: 08/09/2020

Capítulo 1

passou um bom tempo procurando o sentido na vida. A verdade é que ela não sabia o que queria para o seu futuro, a não ser uma casa própria com o seu dinheiro e um Huksy para fazer companhia a ela todos os dias, principalmente em idas ao parque. Quando mais jovem, encontrava uma grande dificuldade em exatas. Não encontrou grandes professores que compreendiam isso. Com o passar do tempo, ela encontrou uma professora, Gisele, que cuidou com muito amor das dificuldades dela.
Foi então que decidiu entrar em uma faculdade de administração, já que percebeu que aprendera a ver os problemas diferentes, principalmente os de matemática. Só que não era aquilo que ela queria, não era aquilo que a seu eu interno gritava. Entretanto, permaneceu no curso por mais dois longos anos, mesmo não sendo aquilo que a satisfazia, por dentro e por fora.
Em uma conversa amigável com seu pai, ele a apoiou com a decisão. passaria seis meses sem estudar, apenas trabalhando na joalheria, fazendo freelancer de Design Gráfico e tocando sua vida em casa ao lado do homem mais importante para ela.
Foi nesses dias em off em que começou a apreciar a vida. Gostou do trabalho em uma antiga escola onde estudou. Quando foi levar os designs para a diretora do local e enquanto esperava ser atendida, ela admirava a delicadeza e a sutileza com as quais a professora cuidava das pequenas crianças. Era lindo de se ver e admirar. A professora contava uma história para eles, com base nas letras do alfabeto, e aquilo ficou em seus pensamentos.
O que não ficava vagando em seus pensamentos por aqueles dias? apenas vivia por ela, seu pai e pelos seus dois únicos amores: a escrita e o seu xodó, o Photoshop, e queria parar com aquilo. Queria deixar de lado, precisava deixar de lado. Não o que ela amava fazer, mas sim a sensação de que nunca conseguiria tudo que sempre imaginou para si. Estava com seus vinte e um anos e, em pleno dois mil e dezessete, queria logo colocar tudo em prática, tudo o que seu coração mandava, porque “às vezes, seguir a emoção é melhor do que seguir a razão”, como diria uma grande mulher: Ana.
Foi então que decidiu, enquanto estava deitada no banco do parque, na hora do seu intervalo do almoço, o que pretendia fazer, o que queria fazer com todo seu coração. Sempre esteve ali, bem debaixo de seu nariz, mas nunca percebeu. Não ia perder tempo, iria chegar em casa e conversar com seu pai.

×


— Pai. – Sentou-se à mesa. – Eu estava pensando em fazer um curso de design gráfico. – Servia-se do jantar. – E depois... Sei lá, talvez fazer uma faculdade de letras ou pedagogia. Neste ponto, ainda estou em dúvida.
— Hm, isso é bom. – Sorriu. – Você já tem alguma escola em mente?
— Pensei em fazer naquela TecInfo. Além de ser bem renomada, são dois anos apenas e saio com profissionalizante de lá. Nossa, que macarrão bom, pai. – Elogiou com um sorriso largo nos lábios.
— Obrigado. – O homem encheu o peito. – Vai avisar sua mãe, né?
— Queria, pai, de verdade, mas ela não dá mais tanta atenção como antes. Ela nunca foi de dar. Agora, então, piorou. Mas eu vou ver o que posso fazer.
— Se quiser o carro para ir até a casa dela, fique à vontade. Amanhã não irei trabalhar.
— Ué! Por quê? – Serviu mais um pouquinho enquanto o pai ia lavar o prato.
— É feriado em São Paulo, então vou ficar em casa. Vou limpar o telhado.
riu. Lembrou que, da última vez que seu pai foi limpar o telhado, ele deixou a escada cair e ficou até de noite lá em cima, quando ela chegou do cinema com sua amiga, Marina.
— Pai, eu acho que você podia fazer isso quando eu estiver em casa. – Ainda ria. – Assim o senhor não corre o risco de ficar preso no telhado. – Levou o prato até ele e enxugou a louça limpa.
— Não irei derrubar a escada dessa vez, pode ir trabalhar sossegada e ir conversar com sua mãe. – Ele também ria.
— Vou acreditar, viu! – Deu um beijo na bochecha do mais velho e se retirou do cômodo.
foi até seu quarto, deitou em sua cama e esperou algumas horas para poder ir tomar banho. Foi nesse momento, enquanto assistia o story de uma banda runge, que o sonzinho da notificação atrapalhou seu momento, apreciando a nova música da banda. Ela havia recebido uma encomenda para panfleto de uma banda em seu e-mail. Na verdade, não era em si para uma banda. Era para um bar de rock, e eles tinham se responsabilizado pelos panfletos.
Aquilo era muito dinheiro para ela. Quinhentos reais, cinco panfletos com artes diferentes, e vindo de um bar de rock bem famoso de sua cidade que recebia os melhores covers de bandas internacionais… Era um privilégio para ela, não só por ser de bandas que ela amava.
— Pai! – Gritou do quarto.
— Aconteceu alguma coisa? – O homem abriu a porta do quarto com espuma de barbear no rosto.
— Temos quinhentos reais na conta! – Falava ao mesmo tempo em que dava pulinhos. – Só preciso começar agora as artes. – Ela riu. – Você vai entrar no banho agora? – Questionou ao olhar para ele e o ver, além de alegre, com a espuma no rosto.
Recuperava o fôlego depois de tanto pular.
— Sim. Algum problema?
— Não, é que sei que não pode ligar os dois chuveiros ao mesmo tempo. Quando sair, poderia me avisar, por favor?
— Claro, filha.
Mesmo sua casa sendo nova, ligar dois chuveiros desarmavam o disjuntor principal da casa, que ficava do lado de fora da casa, e isso aconteceu no primeiro dia que eles se mudaram. se lembrava muito bem...

×


Os dois cansados, só queriam um banho para relaxar depois da mudança e, no meio de tudo, a luz e o chuveiro desligaram. Enrolada na toalha e com o cabelo molhado, ela apareceu no corredor e viu seu pai sair do quarto, com os cabelos cheios de espuma e enrolado no roupão.
— Está com com uma lanterna, filha? – Ele a iluminou de longe.
— Não, pai, mas pode ir. Eu espero você ver o que aconteceu ou acabou a força?
— Não, a rua e as outras casas estão com energia. Já volto, filha.
Hiago desceu e olhou o disjuntor interno. O problema não estava lá. Então onde é que o problema estava? Destrancou a porta da sala e foi até o disjuntor externo que ficava na garagem e, por fim, achou a causa. Bastou um empurrãozinho para tudo voltar ao normal.
— Filha. – Disse ao aparecer na escada. – Não pode ligar os dois chuveiros ao mesmo tempo que o disjuntor desarma, então pode ir primeiro e depois você me avisa.
— Certo, pai.


×


Viver em São Paulo não era fácil. Ou você pagava as contas ou você gastava com seus desejos, e aqueles quinhentos que estavam entrando em sua conta eram uma doce melodia para poder pagar as contas e, infelizmente, deixar de lado o show que tinha para aquele mês.
Aproveitou que o pai estava ao banho e ligou o notebook. Pegou o mouse que usava apenas para as edições e conectou no eletrônico. Leu todas as exigências do bar pela milésima vez depois de conversar com eles e começou a fazer as edições. Deixava sempre dois modelos para os cinco panfletos. O melhor de todos foi fazer para o cover de uma de suas bandas favoritas, Slipknot. Ela já tinha ouvido falar do cover, e bem ainda. Além de terem um bom pique igual à banda, eles começaram a usar as roupas iguais, e aquilo só aumentava mais ainda o ânimo dela. Deu muita vontade de escutar a música enquanto editava.
Mesmo depois de escutar seu pai avisando que o chuveiro estava livre e respondendo um “ok” bem alto, a moça permaneceu editando, já que estava fluindo muito bem. Mas precisava dormir e tomar um banho, sobre porque o calor de São Paulo estava acabando com ela, principalmente quem tinha renite, no caso de , o que às vezes só era amenizado com um banho fresco.

×


No dia seguinte, ela acordou cansada. Passou da meia noite editando e não havia terminado. Foi ao banho depois, e aquele calor não ajudou durante a noite. Ela queria tanto ter um ar condicionado naquele momento que pode imaginar a brisa fresquinha chegando até ela enquanto dormia apenas com a peça íntima.
Levantou não tão cedo, já que ia sair de casa com o carro. Seu pai desceu quarenta minutos depois e, durante o café, questionou sobre os designs. Afinal, o homem também gostava muito de rock e gostava dos designs de sua filha. A menina, que já tinha eles no celular para avaliar durante seu almoço, mostrou para seu pai.
— Usa um pouco de branco, mesmo que o nome da banda original seja vermelho. Vai dar um destaque.
— Eu não sei, pai. Fiz das outras bandas e ficou agradável. Tenho mais de duas opções para os outros quatro panfletos, mas essa do “Slipknot”... Eu não sei, parece está toda feia.
— É porque é a que você mais ama.
— Piorou. – Jogou suas costas no encosto. – Eu não sei, então, fazer um panfleto para a banda que eu tanto gosto.
— Filha, pensa como se fosse para eles, como se a assessora deles tivesse pedido a você.
— Bem pensado, pai, vou fazer isso quando eu chegar em casa. – Levantou-se e deu um beijo na bochecha dele. – Até mais, pai.
— Até, filha. Bom trabalho.
Realmente, aquele pedido de design veio em uma hora certa. Nos últimos dias, as coisas apertaram para a família . O dinheiro dos dois não conseguia suprir todas as despesas e algumas tinham que ser adiadas, os shows que ela tinha planejado para ir haviam sido deixado de lado e a última coisa que ela queria perder eram seus shows, que a ajudavam a relaxar a mente e esquecer seus problemas.

×


Durante o almoço, ela se recordou que tinha precisava passar na casa de sua mãe, mas hesitou muitas vezes sobre ir ou não até lá. Não estava com cabeça para ouvir as palavras negativas dela, muito menos discutir com a mais velha.
Não conseguia compreender como seu relacionamento com ela foi de mal a pior. Sua mãe não quis mais a guarda dela, usando como desculpa para o juiz que não havia condição para cuidar dela e de si mesma com a pensão que recebia do ex-marido. Mas a verdade é que ela não podia sair e ficar com todos que ela queria. Sempre deixou bem claro que só estava com ela pois o juiz determinou daquele jeito e havia a pensão.
Claro que, depois de um tempo, tentou se reaproximar de sua mãe, mas não deu muito certo. Por motivos muito claros, não foi algo com muito sucesso. Fernanda – sua mãe –, no entanto, tentou apenas se aproximar de sua filha quando ela começou a trabalhar e fazer a faculdade, isso tudo depois que saiu da casa dela aos doze anos. Depois de todo esse tempo, ela não guardou rancor, foi aceitando tudo o que aconteceu consigo e não podia mentir para si mesma: havia sido melhor desse jeito.
Desceu do carro e, quando foi tocar a campainha, percebeu o portão aberto. Apenas adentrou e se anunciou na porta da cozinha. Um comprimento muito breve e já deu o início da conversa. Queria ser rápida naquilo.
— Não, mãe, eu não vim aqui para pedir que você assine algum formulário. Eu e papai estamos nos virando muito bem, obrigada. O juiz já deu baixa em todas as papeladas.
— E o que você quer então? – Estava abrindo outra latinha de cerveja.
— Como filha, achei que deveria avisar você que vou fazer uma nova faculdade.
— Mais uma? Você não se cansa? E quem é que vai cuidar da casa?
— Eu e o papai sempre damos um jeito. – Respirou fundo.
— Olha, olha, se não é a filha ingrata. – O suposto namorado de sua mãe apareceu na cozinha. – Seu pai está cansado de sustentar você? – revirou os olhos. – Já sei, veio correndo para a barra da saia da sua mãe pedir ajuda pois não aguenta viver com aquele cara.
— Hm, não, até porque é minha única família. – Não ligou para as provocações. – Mas é isso, mãe. E não se preocupe, eu não preciso de dinheiro nem de uma assinatura sua.
— Você vai ganhar bastante dinheiro, não esquece da gente aqui. – O homem falou com um sorriso nos lábios enquanto segurava o cigarro.
— Pode deixar, – Sorriu ironicamente. – não esqueço. Tchau, mãe.
Saiu da casa da mulher fervendo de nervosismo, foi um dos principais motivos por ela ter aceitado ir morar com seu pai. O homem tinha seus relacionamentos mas nunca levou todas para casa e, quando levava, o namoro era duradouro, como o último com a Ana. Ela se apaixonou perdidamente pela , ficando indignada com como aqueles lindos cachinhos não eram bem cuidados. Bem, quando uma menina é criada pelo pai e passa algumas noites com o tio, o lado mais delicado dela nunca fala alto.
Ana e criaram um grande afeto e, graças a ela, algumas coisas femininas que só ela poderia dizer foram a melhor ajuda. Foi por isso que tinha discado o número dela sem perceber. Ana era sua mãe, e nunca tinha deixado ela de fora de todos seus planos, até mesmo sobre começar a fazer bolo de pote para vender quando estava desempregada.
— Ana, oi. – havia ligado para ela.
Oi, meu doce, como você está?
— Estou bem, Ana. Estou ligando para saber se você não quer jantar lá em casa.
Claro, vou levar a sobremesa. É uma ocasião importante?
— Sim, para comemorar minha nova carreira. – A moça falou com um grande sorriso, ainda sentada no carro.
Que maravilha, ! Estarei lá. Que horas?
— Por volta das oito.
Certo. Chego lá um pouquinho antes.
— Te espero. Até, Ana, vou descer pro shopping.
Até! Bom trabalho.

×


Passou horas trabalhando no shopping. Ficar quase que a tarde toda ali era até que tranquilo. A única coisa que não era tão boa assim é que, ao sair do grande estabelecimento, o sono surgia nela com uma intensidade tão forte que não conseguia compreender.
Estava um trânsito de tirar toda a paciência. ainda precisava passar no supermercado e comprar alguns ingredientes. Enquanto estava parada no trânsito, aproveitou para fazer sua inscrição na faculdade para a bolsa. Suas duas opções eram simples, Letras e Pedagogia, e era obrigatório colocar na inscrição.
— Até que enfim. – Viu os carros andarem. – Google, quero enviar uma mensagem para meu pai.
¬— Deseja enviar por SMS ou Whatsapp?
— SMS. – Esperou a inteligência artificial a responder e, assim, falou a mensagem. – Pai, vou chegar atrasada em casa hoje. Eu convidei a Ana para ir jantar conosco. Enviar.
Quer enviar ou alterar?
— Enviar.
Mensagem enviada.
— Eu amo você, Google. – Riu sozinha.
Chegou ao supermercado recebendo uma mensagem de Ana, que já estava em sua casa. Bendito trânsito que atrapalhou os planos dela... Fez as compras rapidinho e foi para casa, cortando caminho pelos atalhos.
Já em casa, e cansada, ela deixou Ana começar a preparar o jantar. Com isso, se banhou rapidamente e voltou para a cozinha a fim de terminar o jantar.
— Esse jantar está maravilhoso, filha.
— Obrigada, pai, mas tive uma ajudinha. – Olhou para Ana.
— Não foi muita coisa. – Foi sincera. – Mas qual é o principal motivo da comemoração? – Indagou, curiosa.
— Hoje, me inscrevi para uma bolsa. Vou focar em Letras, mas também pretendo fazer Pedagogia. Eu não aguento ficar em apenas imaginar ensinando crianças. – Disse, toda derretida.
— Eu fico tão feliz por você! – Ana foi sincera.
— Você só me enche de orgulho. – Seu pai falou, com os olhos brilhando. – Você poderia se formar em qualquer coisa que eu sempre terei orgulho de você.
— Obrigada, pai, por sempre me apoiar em tudo, em todas as escolhas.
Não havia nada mais maravilhoso que aquele momento, Ana e seu pai a apoiando em suas escolhas. Então era só se preparar para a prova, que seria no meio do ano, e torcer que pegasse uma boa nota.


Capítulo 2

Shawn, o percussionista da banda, andava até o estúdio com seu café preto. Abriu a porta do estúdio e viu todos os amigos já apostos, apenas esperando-o para começar a reunião.
– Como vocês estão? – Cumprimentou todos com um abraço.
– Bem descansados. – Sid, o DJ, falou.
– Vamos começar a gravar o CD e o clipe também? – O guitarrista principal falou.
– Isso, estava pensando em chamar alguns fãs ou alguns atores iniciantes.
– Os fãs seriam melhor, eles conhecem a essência da banda já. – Disse o guitarrista.
– O que tem a essência da banda? – Corey entrou no estúdio com sua caneca do Homem-Aranha, cumprimentando os integrantes.
– Para o novo clipe, o que vai demarcar nossa volta.
– Uma boa. – Sentou ao lado de Shawn. – Fazemos contrato para eles, deixamos tudo explicado. E qual vai ser a música?
All out Life.
– Vamos começar a gravar a música então.
A banda não estava no estúdio apenas para gravar a música que iria ter clipe – o clipe da volta deles –, mas estavam para gravar o novo álbum da banda. O sexto álbum, depois de muitos altos e baixos da banda. Seriam longos dias cansativos pela frente, e não podiam negar isso.
Um trabalho exaltante. Mesmo com a chegada do baixista depois do horário marcado, eles continuaram a gravar a faixa dois. O objetivo da banda era fazer duas faixas por dia, o que, com o decorrer da semana, foi mais complicado do que eles pensaram.
– E como estão as coisas entre você e sua esposa? – Corey questionou para Vman.
– Quase tudo pronto. Os preparativos para o casamento estão sendo finalizado por ela, nós casamos antes de voltarmos ao palco.
– Não precisava fazer correndo. – Shawn começou a falar. – Se for preciso, nós damos um tempo para você e sua esposa conseguirem organizar e casarem.
– Está tudo bem, acho que conseguimos montar no tempo que temos.
– Mas e a turnê? Iremos começar logo também.
– Eu havia me esquecido. – Ficou pensativo.
– Acho que dá tempo. – Sid comentou. – Eu vou gravar minha parte. – Disse ao ver o guitarrista sair do estúdio.

×


Longos dias de gravação. Shawn e Corey passaram horas acordados no galpão que foi alugado especialmente para o clipe da volta da banda. Tudo dando certo para a volta, só não esperavam conseguir problemas com o Design Gráfico da banda. Além de estar há tantos anos com eles, acharam problemas onde não tinha. Bom para eles, é claro.
– E o que faremos? – Corey questionou.
Ele e James estavam em uma pequena reunião na casa de Shawn.
– Vamos usar apenas as fotos dos shows ou iremos atrás de um design gráfico?
– O problema é que achar alguém que conheça o estilo do Slipknot vai ser complicado. – James ressaltou. – Não podemos contratar um qualquer que não compreenda quem somos e como gostamos das artes. – Shawn concordou com a cabeça.
– Acho que podemos olhar as fotos em que nos marcam no Instagram e, com isso, ver se alguns deles são designers profissionais. – Shawn falou.
– Bom, por hora, vamos nos preocupar com o casamento do VMan. – Bebericou o líquido. – Ele vai casar mês que vem. – Corey lembrou aos integrantes.
– É, tenho que comprar a roupa para o casamento dele. – James batucava os dedos no sofá. – Vou indo. Se precisarem de algo, só ligar. Vamos fazer mais uma reunião sobre o novo designer?
– Sim, mas aviso vocês. – Corey disse.

×


Dia do Casamento.

Vman, junto de Lisa, curtia a festa com os integrantes da banda. A festa foi nos arredores do Reino Unido, na casa dos pais do integrante. Um lugar bonito, com um grande espaço aberto, para poderem aproveitar aquela pequena festa entre amigos e familiares.
Os fotógrafos ficaram por um tempo na frente da casa para conseguir fotos dos recém noivos, o que conseguiram em pouca quantidade para publicar nos sites e revistas de rock. Apenas um fotógrafo conseguiu por pura persistência um momento único: quando Lucy, ex-noiva de Corey, entrou na festa com seu vestido preto e o cabelo todo bagunçado pelo vento.
Fazia quase dez anos desde que eles já haviam rompido, mas haviam cicatrizes no coração do cantor. Ela procurou por ele ao lado das mesas dos comes e bebes até achá-lo. Caminhou tranquilamente até o cantor.
– Lucy! Eu achei que você não tinha sido convidada para a festa. – Colocou a bebida em cima da mesa.
– Mas não fui. – Falou com desdém. – Vim aqui avisar que ele precisa de mais dinheiro.
– Ele recebeu tudo, não precisa de dinheiro.
– Corey. – Respirou pesado. – Ele precisa. Espero que você deposite na conta antes que eu entre com um processo.
– Não tem como entrar com um processo. – Controlava-se. – Tudo estava no acordo do contrato.
– Corey. – Shawn se aproximou. – Está tudo bem aqui?
– Que bom que você apareceu. Olha, ele precisa de mais dinheiro e... Tenho que atender.
A moça se afastou. Ela falava gesticulando nervosa, como se algo estivesse dando errado. Tinha pressa na conversa e nem finalizar ela fez, apenas desligou e voltou em passos fortes até os dois integrantes.
– Espero que você deposite logo e que não enrole para fazer isso. Tenho que ir. Até mais, amorzinho.
Era de irritá-lo. Ela conseguia fazê-lo perder a linha com toda ironia dela na palavra. Corey ficou a olhando sair da festa como se fosse grande amiga dos noivos. Nesse meio tempo, ele também explicou o que aconteceu só que, dessa vez, realmente estava exaltado.
– Não vai depositar, você sabe muito bem que você já fez sua parte.
– Queria que fosse fácil assim, mas não é só isso. Não podemos deixar nada sair para a mídia assim.
Mal sabia ele que já havia saído. O mesmo fotógrafo que viu Lucy entrar deu um jeito de ser o “penetra” e registrar todo aquele momento, e ainda fez um pequeno vídeo para poder avaliar e ver o assunto sobre o qual os três conversavam. A próxima edição da revista teria um grande furo logo na primeira página.

×


Dias depois, já descansados da festa e cada um em sua casa, Corey passou a olhar os designs em que marcavam a banda e ele e Shawn, com a ajuda de seu produtor, colocaram que estavam contratando designers gráficos. Já era de se esperar que iam receber vários portfólios com e sem edições da banda. Seria a pior parte, achar alguém que conseguisse representar a banda em cada edição.
Corey, depois de escutar a campainha tocar, desceu o primeiro lance da sua casa e, sem camisa, recebeu o homem bem vestido em um terno cinza.
– Boa tarde.
– Bora tarde. – Corey falou, desconfiado. – No que posso ajudar?
– É para o senhor. Poderia assinar, confirmando que recebeu?
Ele concordou com a cabeça depois de ler tudo que estava naquela folha branca. Entrou em sua casa abrindo o papel, estava indignado com aquele “pedido” e chegou num estágio inconfortável. Abriu o envelope e teve uma surpresa grande.
– Mas que porra é essa?


Capítulo 3


Corey.

Uma intimação para simplesmente Corey pagar sua ex-noiva por algo que não fazia nenhum sentido ela tinha colocado na justiça, não havia lógica nem cabimento, até então ele tinha a noção do que havia feito e aquilo só podia ser uma mentira.
Ele ia recorrer, não tinha um porquê de não fazer isso, só que ele sabia que tudo ia demorar para um caramba. Naquele mesmo instante ele ligou para o seu advogado estava quase urrando de tanta raiva.
Edward, Corey falando.
— Corey, aconteceu alguma coisa?
– Ele não era de ligar.
Precisamos analisar uma intimação para pagar uma pensão de um suposto filho meu, está com tempo hoje?
— Claro, claro chego ai daqui duas horas estou para ver a apresentação da minha menina.
— Sem problemas, só não se esqueça de passar aqui.
— Te vejo em breve Corey.

O cantor desligou o celular, quase o tacou contra a parede, como aquilo aconteceu? Como?!
Duas horas depois Edward já estava na casa de Corey, além de Lucy ter dado todo o trabalho para conseguir tirar mais dinheiro de Corey junto de um do antigo funcionário do Stone Sour e Slipknot, agora tinha mais essa.
— Você tem os exames?
— Sim, ela deixou alguns aqui, mas pensando bem, nem sei se são dela.
— Precisa manter a calma, existe uma carta que ninguém sabe e você tem o conhecimento do que estou falando.
— Tenho, mas depende do tempo.
— Houve uma pequena recaída de vocês dois?
Corey olhou para Edward, o olhar já entregava tudo mas isso não queria dizer nada, certo não tinha como dizer nada cem por cento. O objetivo agora era pegar todos os exames que Lucy havia deixado na casa dele e usar como prova que eles não tiveram nenhum filho e se tiveram, ela escondeu muito bem o filho ou a filha. Corey voltou com uma pasta com os exames para o advogado.
— Eu vou levar e tirar cópias, os exames originais eu vou deixar bem guardado não precisa se preocupar.
— Confio em você.
— Pode levar um tempo tudo isso, ou anos.
— Não me incomodo com os anos, desde que dessa vez ela passe pelo o tribunal e não saia como a vítima tudo estará em perfeita harmonia.
— Se mantenha calmo Corey, sei que ela vem dando muita dor de cabeça.
— Quem vê de fora acha que realmente quero o mal para Lucy. – Ele pegou uma garrafinha d'água. – Mas ela que vem prejudicando tudo, aceitei até mesmo a traição, eu fui trouxa por amá-la tanto.
— O amor cega a gente, e essas pessoas percebem e só querem a vantagem para elas, não todas. – Se levantou. – Eu mando mensagem quando eu conseguir algo com urgência, enquanto isso, quero que você tenha calma, não fale nada em nenhum lugar e de nenhuma prova.
— Pode deixar, estarei esperando seu retorno, vou focar nas bandas.
— Isso, você faz bem, até em breve Corey.
— Até Edward.

.

Alguns anos havia se passado. havia se formado e estava dando aula em uma escola particular. As crianças eram um doce, amáveis e participativas. Não tinha o que reclamar era seu sonho e ainda fazia alguns designs que chegava para ela, era tudo o que ela desejava, trabalhar nos dois ramos.
Ela tinha chego em casa mais cedo do que costumava, deixou as coisas em cima do sofá e abriu a geladeira passou um tempo com a porta aberta olhando para o interior da geladeira e pensando na vida, na verdade, pensando em nada. Fechou e procurou por seu pai pela casa.
— Certo, ele sumiu, deve estar na oficina.
Nesse meio tempo, que ela concluiu a faculdade e conseguiu um emprego, Hiago – seu pai – abriu uma oficina de mercenária, como ele mesmo falava, e quando dava ou precisava ela sempre o ajudava. Entrou e pulou a corda que estava esticada no chão.
— Oi pai.
— Oh filha. – Parou de riscar o modelo. – Não sabia que você chegaria cedo, eu teria feito o almoço.
— Não tem problema. – beijou a bochecha do homem. – Me fale, como anda os pedidos.
— Esse está difícil, terminei de arrumar ele, descobrir que o arquiteto passou as medidas todas erradas.
— Você. – Olhou ao redor. – Não cortou nenhuma madeira, isso é ótimo.
— Sim, algo no fundo falou que eu não devia começar o projeto.
— Bom, se é assim vamos pedir uma marmita, nesse meio tempo eu troco de roupa e ajudou o senhor.
— Não precisa. – Colocou a mão na cintura. – Você deve está cansada.
— Estou não. – Sorriu. – Agora liga para aquele restaurante diviníssimo, volto em breve.
A garota trocou de roupa, prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo alto e voltou para a oficina, almoçou com o pai enquanto conversavam e viam as novas medidas para o móvel planejado. jogou fora os pratinhos de isopor devidamente correto e começou a ajudar o senhor. Ao terminar de cortar praticamente todas as madeiras e passaram a montar o móvel, era uma das partes um tanto mais complicadas, tinham que ser bem montadas, parafusadas e coladas sem deixar nenhuma parte torta, o que era fácil para Hiago.
— Você viu? – O homem entregou o celular para a garota, o mesmo terminava de varrer o chão para tirar a serragem e fechar a marcenaria.
— Impossível, desde quando eles iam fazer publicação indireta assim, é mais cara do Metallica.
— Está no site, apesar de que não é um dos mais confiáveis.
— Tem isso também, eu vejo com mais calma em casa, agora eu preciso e necessito de um bom banho. – Trancavam a marcenaria.
— Tudo bem, pode ir indo na frente, vou preparar um jantar para nós.
— Certo pai, te vejo em breve. – Deu um beijo na bochecha no patriarca.
Ela desceu a rua até sua casa, deixou apenas a porta destrancada para seu pai, tomou seu banho como havia dito. Quando sentou em frente de seu computador ela buscou mais sobre a informação que o ex-funcionário – designer gráfico – da banda Slipknot havia simplesmente saído da banda e divulgado as novas artes para o próximo CD.
Claro que tinha o pronunciamento dos integrantes da banda, discordando totalmente que havia vazado as artes e principalmente que o ex-designer não tinha feito aquilo. Aquilo realmente estava meio estranho.
— Filha. – Disse batendo na porta. – Mudanças de plano.
— O que foi? E pode abrir a porta, estou vestida.
— O gás acabou. – Colocou metade do corpo para dentro do quarto. – Teremos que simplesmente pedir algo para comer.
— Pizza, não estou afim de comida “normal”. – Fez aspas com os dedos.
— Muito bem, quer de que recheio?
— Pode ser... Queijo ou então de escarola, mas com bacon, e a outra você escolhe.
— Ok, vou pedir e logo chamo você.
— Precisa de ajuda para pagar?
— Não se incomode com isso filha, eu pago tudo sozinho dessa vez.
— Você que sabe. – Mandou um beijo para o homem que saia do seu quarto.
O pedido foi rápido agora só faltava o motoboy não fazer o mesmo que fez da última vez, demorar quase uma hora e meia para entregar o pedido.

— Então, aí eu estava pensando em colocar tudo o que eu fiz no meu Instagram de designer, mas sei lá, não são tão lindas.
— As que você fizeram para todos os comércios e bandas locais ficaram incríveis filhas, porque essas não estariam?
— Porque não, e tem meu lado de professora.
— Que não vai interferir nada. – Disse o patriarca convicto. – Coloquei no Instagram e seja o que for.
— Ok, ok, eu só não vou marcar eles.
— E não precisa, acredite.
— Como assim?
— Você não quer que chegue até eles, então não precisa se dar o trabalho de marcá-los.
Era um jogo reverso, ele fazia aquilo sempre, senhor Hiago sabia como a filha era a conhecia tão bem que tinha a certeza que ela ia simplesmente marcá-los depois daquela conversa. Mais tarde, depois de colocar toda a louça na pia e guardar os pedaços de pizza que sobrou subiu para seu quarto e pegou todas as artes feitas para todas as bandas de rock que ela amava upou para o Instagram e colocou uma por uma em uma perfeita harmonia nas três fileirinhas e deixou as mesmas apenas marcadas nas hashtags de cada banda, e foi dormir.

Corey.

Iowa estava um calor insuportável. Dentro do estúdio eles terminaram de gravar uma das novas músicas para o CD novo, tudo estava acontecendo melhor do que nos outros anos. Ali mesmo eles também conversam sobre o vazamento da notícia do ex-designer a uns dias atrás, ou um mês, – o tempo passa rápido – eles realmente conseguiram tirar todo o foto daquela notícia mas tinham um grande problema em suas mãos.
— Então. – Jay sentou na cadeira. – O que vamos fazer?
— Não tem o que fazemos, não tem lógica nenhuma para isso. – Corey não estava com seus pensamentos ali, respondeu qualquer coisa afinal a mensagem estava mais interessante.
— Não vamos usar uma qualquer, muito menos usar as antigas artes, houve vazamento e não podemos usar artes já visualizadas por todas as mídias. – Disse Shawn.
— Vocês já viram? – Vman falou olhando para o celular.
— O que?
— Isto. – Disse tranquilo para Shawn e entregou seu celular. – Acho que você vai gostar.
— Isso é incrível, passa o link, por favor.
— Claro.
Ele enviou o link por e-mail e deixou que Shawn e Corey falasse algo depois, talvez não desse muito certo, mas pelo menos ele estava tentando, o fato ocorrido deixou todos bem desanimado mesmo com um CD pronto para sair.
Não houve muita demora e logo uma reunião já estava acontecendo ali mesmo no estúdio.
— Vman achou as artes desse homem, é bem feito, conhece nossa essência e sabe como colocar os detalhes da banda bem a vista. – Corey entregou um tablet para todos verem.
— Pensamos em entrar em contato com ele.
— Ele deve ser fã do Slipknot. – Jay falou. – Apoio tê-lo na equipe.
— A verdade é que pensamos apenas em freelance. – Disse Corey.
— Bom, desde que as artes fiquem a esse nível. – Sid mostrou o tablet. – Eu estou de acordo.
— Então todos estão de acordo? – O produtor questionou.
— Sim. – Falaram todos juntos.
— Vou encaminhar um e-mail para ele.
Naquele mesmo dia, o produtor musical enviou um e-mail para o designer, e esperou que ele entrasse em contato com ele o mais breve possível.


Continua...



Nota da autora:
“Comentem o que acharam, obrigada pelo seu gostei, e nos vemos no próximo capítulo.” – Alanzoka.



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