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Última atualização: 08/09/2021
Music Video: Ready For It? — Taylor Swift

Prólogo

Pressionei meus olhos na tentativa de me concentrar no que estava prestes a fazer. O ambiente hostil só piorava a forma como eu me sentia, em conjunto a tudo que eu era capaz de captar, e o sentimento de uma pessoa em específico vez ou outra tomava minha atenção, fazendo com que eu me distraísse pela milésima vez.
Bufei frustrada e os apertei com ainda mais força, dessa vez espantando qualquer coisa que pudesse me atrapalhar. E quando os abri, ao julgar pela expressão dos guardas que eram responsáveis por fazer minha vigilância, eu soube que tinha chegado aonde queria. Um deles logo se aproximou — como eu havia planejado — e ficou bem próximo às barras de aço reforçado que me impediam de atacá-lo.
O homem tinha uma expressão de quem me analisava, temendo qual seria a minha reação, mas não foi preciso que eu fizesse muito para que isso mudasse. E os passos seguintes dele só me provaram que meus poderes nunca foram embora, encontravam-se apenas adormecidos. Sem hesitação alguma, o soldado sacou o molho de chaves preso ao seu cinto de couro, levou até o cadeado pesado que mantinha a única porta daquela jaula trancada e o abriu.
Esbocei um sorriso largo e com uma força que eu já nem me lembrava ter, empurrei o peso daquele aço sobre ele, fazendo com que aquele simples humano fosse jogado para longe e chamasse a atenção de seus colegas que encontravam-se ali presentes.
— Parece que vocês vão me proporcionar bastante diversão essa noite, rapazes — soprei ao esboçar um sorriso largo, ao passo que movimentei minhas mãos para que pudesse canalizar todo o poder que eu sabia existir dentro de mim. — E eu sei que seria menos doloroso se eu usasse o poder que usei nesse garanhão aqui, mas tô a fim de me divertir um pouco. Relembrar os velhos tempos, sabe?
E como se eles pudessem ler meus pensamentos, que clamavam por uma boa luta, os cinco homens, que se encontravam em pé ainda, partiram para cima de mim, parecendo não temer o que eu era capaz de fazer com eles, ou talvez só não soubessem. O primeiro eu até senti um certo prazer quando o atingi com apenas uma onda de energia — mas forte o suficiente — para que ele batesse contra a parede à minha direita e caísse completamente sem vida no chão.
Sorri com aquilo e me preparei para o ataque.
Como eu merecia ao menos um pouco de ação depois de todo o tempo que havia ficado naquela jaula, guardei meus poderes e parti para a briga de verdade. Projetei meu corpo para trás, fazendo com que eu caísse e escorregasse no chão, o que só facilitava minhas ações, e cruzei minhas pernas assim que elas pararam bem entre as do soldado de número dois. E o estalo de que algo tinha sido quebrado foi música para os meus ouvidos, ao passo que o imobilizei caindo em cima dele e levei minhas mãos com agilidade até a arma em sua cintura, pegando-a.
— Se eu não estivesse tão ocupada, nós até poderíamos nos divertir. — Dei um meio sorriso e apertei o gatilho.
Saí de cima daquele homem, que não era nada mal para ser sincera, e rolei enquanto tentava me esquivar dos outros três que tentavam acertar suas balas em mim. E se eu não tivesse nada realmente importante para fazer, teria prolongado aquela luta, mas como meu tempo estava quase se esgotando, fiz impulso para que pudesse me levantar e corri em direção à parede, onde me projetei para cima, forçando a sola dos meus sapatos sobre ela e disparei para todos os lados conforme dava piruetas no ar.
Quando meus pés tocaram o chão, os últimos soldados encontravam-se exatamente como seus amiguinhos, mortos.
Por mais que eu quisesse admirar o que havia feito, não existia tempo para isso, então peguei o cartão para liberação da porta de um dos soldados e caminhei a passos largos até a saída daquele inferno. Assim que saí, puxei o capuz do enorme sobretudo que eu vestia e me diverti enquanto via todos aqueles guardas que passavam por mim desesperadamente gritando por socorro, principalmente porque nenhum deles era capaz de me ver, já que fiz com que nos encontrássemos em realidades diferentes.
Usei mais uma vez o cartão e adentrei uma sala onde continha uma jaula de vidro ainda maior do que a minha, e não pude conter a expressão de satisfação quando a dona dela apareceu em meu campo de visão.
Todo aquele sentimento que antes vinha em uma baixa frequência passou a ser amplificado de uma forma tão grande que meu corpo se lançou automaticamente na direção daquele cárcere. De repente, era como se fizesse parte de mim e minhas terminações nervosas entraram em estado de alerta, partilhando da adrenalina que tomava conta da mulher à minha frente.
Seu corpo estava encolhido em uma bola enquanto ela abraçava as próprias pernas, tremendo tanto que eu podia jurar que a qualquer momento esta poderia morrer de hipotermia, mas ao mesmo tempo eu soube que não era apenas frio o que sentia. Também era medo.
Consegui ouvir um breve lamento ecoar de seus lábios, um resmungo tão baixo que não pude identificar suas palavras, mas eu não precisava que ela me dissesse nada com todas as letras. Aquela era uma tentativa fraca de pedir para que eu saísse dali e a deixasse em paz.
Seu desespero fez com que eu me encolhesse um pouco, sentindo meus olhos quererem marejar ao percebê-la daquela forma, mas, de novo, eu não tinha tempo a perder. Era agora ou nunca e eu estava pronta a fazer tudo o que fosse necessário para tirá-la dali.
, sou eu.
Não proferi as palavras em voz alta, apenas as sussurrei em sua mente, sabendo que só assim ela me reconheceria de fato.
Então, como se um estalo acontecesse, ergueu a cabeça e seus olhos se fixaram em mim.
Também não foi preciso que ela dissesse nada, o reconhecimento ficou nítido em suas íris.
.
Ainda assim, pude ouvi-la me responder daquela forma com que apenas nós duas nos comunicávamos.
Parecendo despertar de um sono profundo, exatamente como havia acontecido comigo momentos antes, acompanhei o momento em que ela se levantou, então olhou de um lado para o outro em sua jaula, procurando uma maneira de sair dali.
Eu os odiava por terem feito com que ela esquecesse de quem era e o alcance de seus poderes.
Você é , ninguém pode te parar.
E ninguém poderia mesmo, todos eles sabiam disso. Era esse o motivo de manter sua jaula isolada, sem nenhum daqueles soldadinhos ao redor.
A compreensão foi tomando as feições dela, então sua cabeça tombou alguns centímetros para o lado, ao mesmo tempo em que um sorriso de canto moldou seus lábios, sorriso esse que foi imediatamente retribuído por mim.
— Ninguém pode me parar.
Sua voz ecoou pelo ambiente, então abriu seus dois braços, estendendo-os para que raios emergissem das pontas de seus dedos.
Em uma questão de poucos segundos, toda a jaula era tomada pela eletricidade e eu podia sentir a satisfação dela enquanto sua risada soava. Nós duas compartilhávamos daquele sentimento, o poder era energizante.
Os raios ricocheteavam nas paredes, voltando em sua direção e quando um grito ecoou dos lábios dela todas elas se romperam em um estouro ensurdecedor. Cacos de vidro voaram para todas as direções, mas nós duas sabíamos que aquilo não me machucaria, assim como a eletricidade não me machucou quando as correntes continuaram atingindo todas as direções até pararem gradativamente e recolher seus braços ao lado do corpo.
— Vamos dar o fora daqui — ela disse, se aproximando de mim, sorrindo satisfeita pelo que tinha acabado de fazer.
Passei meus olhos por ela e sorri com o que via, para então dizer:
— Se eu soubesse que nossa fuga seria como viemos ao mundo, eu não teria me dado ao trabalho de lutar com toda essa roupa.


Capítulo I

STEVE ROGERS

Afastei a cortina que impedia minha visibilidade, ou melhor, só piorava devido à poeira daquele lugar e passei os olhos com precisão para que pudesse tomar nota do perímetro. A missão na qual estávamos era de extrema importância e urgência, por isso erros não eram permitidos, ao menos não da minha parte. Aquela era a parte que eu menos gostava, ficar apenas parado esperando pelo que ia acontecer ou receber algum sinal por parte dos meus colegas de trabalho me frustrava, mas eu sempre acreditei que não se consegue nada com pressa, então me obriguei a esperar pacientemente. Ou tentei, pelo menos.
— Me diz o que você vê — pedi para Natasha através do rádio comunicador, enquanto ainda mantinha meus olhos focados do lado de fora.
Claramente, eu tinha zero autocontrole quando se tratava de esperar.
— Um grupo de policiais — ela disse calma, quase me deixando um pouco irritado, porque eu não tinha ideia de como Romanoff sempre conseguia se manter assim. — Aparentemente, eles só estão ali para causar alguma distração, mas possuem armamento pesado — concluiu, me fazendo franzir o cenho.
— Não que isso faça muita diferença para nós — Sam soltou da forma irônica e brincalhona de sempre, intrometendo-se na conversa.
Bem naquele momento, um caminhão de lixo, que passava pela estrada de terra como se fosse levar o que estivesse na sua frente, saltou aos meus olhos, fazendo eu até mudar a minha postura e voltei a levar minha mão até a orelha para poder ativar o comando de voz.
— Sam, quero que siga aquele caminhão — informei, ao passo que comecei a caminhar em direção à saída do cômodo onde eu estava, para poder ir ao terraço do prédio. — Natasha, nós vamos ter que improvisar — falei, no momento em que adentrei o espaço e pude ver quase a cidade toda dali de cima.
— O que eu posso dizer? — Sam soltou com uma risadinha. — Bom dia, vingadores — gritou e eu soube que ele tinha acabado de pular para fazer o que eu havia pedido.
— O que você quer dizer com improvisar, Steve? — a mulher perguntou de forma nervosa e eu até teria dado risada, se não estivesse concentrado demais na missão que tínhamos.
Eu poderia ter andado até a borda só para me certificar de onde cairia, porém não tinha tempo para isso, então me afastei o máximo que pude, ao passo que coloquei o escudo de frente para o meu corpo e me impulsionei para correr.
— Steve? — Escutei a ruiva me chamar, demonstrando o quanto estava apreensiva.
Levei minha mão até a orelha de novo e conforme apertava o botão para respondê-la, ganhei força e comecei a correr para saltar.
— Como nos velhos tempos, Nat! — gritei, no exato momento em que atravessei o prédio e eu caí em uma queda livre, sentindo a adrenalina percorrer todo o meu corpo, quase como se fosse a primeira vez que eu estava fazendo aquilo. De uma forma nada esperada — até porque eu não tinha planejado nada —, atravessei o telhado de uma espécie de galpão e só quando consegui me erguer para começar a correr, me dei conta de que me encontrava em um tipo de mercado comum na Nigéria.
Meus olhos rapidamente captaram alguns homens vindo na minha direção e corri o mais rápido que consegui. E por mais que eu estivesse fazendo de tudo para as pessoas à minha volta não serem danificadas, o lugar era limitado e acabei esbarrando em algumas delas, quebrando mesas e objetos, o que fez com que frutas e comidas se espalhassem por todo o local. Mas como eu não tinha tempo para me preocupar com aquilo, continuei seguindo meu caminho.
— Sam, como está por aí? — gritei conforme tentava me livrar de alguns inimigos que tinham acabado de chegar próximo de onde eu estava e joguei meu escudo. Ele atingiu dois dos quatro que me seguiam e o peguei assim que voltou na minha direção.
— Steve, tenho uma suspeita — Nat disse de forma ofegante, então eu soube que ela estava correndo para algum lugar. — Estou indo para o hospital central. Uma mulher que parece bem suspeita, cabelos escuros e bem... — passou a informação e cogitei que aquele só poderia ser o nosso alvo, ou estar com ele, e notei também uma pausa na voz de Nat, então esperei para ver se ela continuaria. — Uau, ela é gostosa. Perigosa, mas gostosa! — Nat soltou, fazendo com eu balançar a cabeça em negação, tentando segurar a risada. — Eu deveria dizer boa sorte? — continuou.
— Nat! — gritei exasperado. — Foco! — chamei sua atenção, fingindo estar bravo com suas palavras.
— O caminhão acabou de atingir a entrada do hospital — Sam disse e então apressei ainda mais a forma como eu corria. Precisava chegar lá a tempo. — Eu já disse que está um caos aqui? Será que vocês podem ser um pouquinho mais rápidos? — Meu amigo deixou escapar uma risada.
Ri de forma exasperada do que ele havia dito e então, para que pudesse me livrar de uma vez dos últimos dois caras que haviam restado, me virei, dando uma pirueta no ar e lancei meu escuto mais uma vez, fazendo com que eles fossem atingidos. Retomei o meu caminho com muito mais velocidade quando ele voltou à minha mão, e por alguma razão, dobrei a direita porque tinha acabado de me ocorrer que talvez fosse uma boa ideia entrar pelos fundos do local. Afinal, se eles estivessem atacando o lugar, teriam muitos soldados protegendo a entrada. Especialmente porque tinha algo lá dentro que eles queriam e eu também.
— Eu vou pelos fundos, vocês cobrem a parte da frente — avisei os dois e diminuí o passo, escorando-me à parede do prédio assim que adentrei e vi a mulher que Natasha havia mencionado seguindo por um largo corredor. — E só para deixar você saber, Nat. É bem melhor de perto — sussurrei para descontrair, sabendo que ela iria entender do que se tratava.
A mulher não parecia ter ideia de que estava sendo seguida, ou, se sabia, não dava importância àquilo. Mesmo que tivesse um pouco de pressa em chegar ao seu destino, ela caminhava de uma forma quase graciosa. Por alguns segundos, meu olhar até ficou meio preso àquilo, mas logo voltei ao meu foco porque eu já tinha uma ideia do que ela fazia naquele hospital. Dentro dele, uma arma biológica de proporções devastadoras era mantida e aquilo em mãos erradas como as da Hydra traria uma catástrofe mundial.
Acompanhei os passos da mulher o mais próximo que pude sem que levantasse suspeitas, esperando o melhor momento de abordá-la, no entanto, assim que ela estava bem próxima da porta do laboratório, seus passos cessaram e ela inclinou a cabeça por sobre os ombros.
— É só isso? Pode vir olhar mais de perto, mas só se eu puder fazer o mesmo com você, bonitinho. — Notei seu tom de voz risonho enquanto um sorriso era perceptível em seus lábios.
Engoli em seco porque aquilo tinha me afetado de uma forma que eu não havia gostado e, sem hesitar, me aproximei dela, passando meus olhos pela mulher até que eles chegassem ao seu rosto.
— Sei de alguém que adoraria ouvir isso de você — falei ao me lembrar de Nat, sem acreditar que aquelas palavras tinham mesmo saído da minha boca. — Bom, já que está tão interessada em me olhar de perto e eu não sou de fugir quando alguém me propõe algo assim… — falei e joguei meu peso contra ela, fazendo meu escudo a atingir de uma forma que a mulher acabou indo parar longe, então corri em sua direção, porque alguém como ela não ia parar por ali.
Tão rápido quanto foi a sua queda, logo a mulher se levantou em um salto, correndo também na minha direção e me acertando com um chute. Pude jurar sentir um certo choque quando fui atingido, mas ainda assim me mantive em pé.
— Ótimo. Eu gosto desses que não fogem mesmo — disse, jogando os longos cabelos negros para trás e não esperando nem um segundo antes de voltar a avançar na minha direção, fazendo com que eu precisasse me defender de alguns socos dela.
Ela era muito mais forte do que aparentava e cada um de seus golpes era preciso, o que deixava claro que sabia muito bem o que estava fazendo, porém meus reflexos me ajudavam a revidá-la à altura. Algo dentro de mim reclamava o fato de eu estar lutando com uma mulher, mas o que poderia fazer num momento como aquele? Não podia deixar que aquela arma caísse em mãos como as dela.
Mais uma vez, eu empurrei o escudo contra a mulher, mas ela parecia estar preparada para isso, porque deu um pulo, usando o objeto como apoio e a próxima coisa a qual me dei conta foi de que suas pernas estavam em volta do meu pescoço.
— É uma pena que nós dois estamos atrás da mesma coisa, bonitinho. Se não fosse por isso, essa situação aqui poderia ser bem mais prazerosa — zombou com a malícia bem nítida em sua voz.
Só não reagi ou respondi ao que a morena havia dito porque um par de pernas, que apareceu um pouco à frente de onde estávamos, tomou minha atenção de um jeito que até fez meu coração acelerar um pouco. Consegui escutar uma risada exasperada da mulher que me imobilizava, até parecendo que podia sentir o que se passava dentro de mim, e ergui meu olhar até que eu encontrasse o rosto daquela que tinha me causado tamanha distração.
— Talvez, se você estivesse prestando mais atenção ao trabalho e menos às pernas alheias, teria se atentado ao que realmente acontece à sua volta. — A voz dela saiu suave e seguida de um sorrisinho, então me dei conta de que ela segurava o frasco que eu queria quando se virou para seguir seu caminho. Movimentei meu corpo na tentativa de me soltar, mas a morena em cima de mim apertou ainda mais as pernas e vi a outra virar-se rapidamente. — Contenha seus pensamentos, Capitão. — Deu uma piscadela na minha direção e então dobrou à direita, saindo do meu campo de visão.
— A menos que você queira se divertir mais um pouquinho — a morena disse, soltando mais uma risadinha e, num movimento, tomou impulso, se jogando para frente e levando meu corpo junto, fazendo com que nós dois tombássemos no chão, ela, mais uma vez, de forma graciosa. — Foi um prazer te conhecer. — Piscou antes de disparar na mesma direção que sua comparsa.
Respirei fundo sem acreditar no que tinha acabado de acontecer ali enquanto tentava recuperar a pouca sanidade que ainda me restava e levei minha mão até o ouvido para que pudesse me comunicar com Natasha e Sam de novo, porém tudo que recebi foi um silêncio que me deixou um tanto quanto preocupado e segui em disparada para a mesma direção que as duas mulheres. Passei por alguns corredores — algo que me deixou só mais ansioso — e segui correndo pela primeira porta que encontrei, que por sorte me levou diretamente ao lado de fora. Mas, infelizmente, eu não gostei nem um pouco do que encontrei.
Era um caos total. Sam lutava com alguns homens que estavam com uma roupa preta e coletes, que eu deduzi ser da Hydra, e Natasha encontrava-se em uma briga contra um homem que vestia uma roupa de metal. Pensei que ela poderia estar precisando de alguma ajuda ali e corri o mais rápido que consegui, ao passo que meus olhos varreram o local em busca das duas mulheres que eu havia esbarrado, porque algo me dizia que elas ainda me dariam muito trabalho e encontravam-se por perto. Joguei meu escudo para trás, prendendo-o à minha roupa e saltei sobre um carro, pulando logo em seguida em cima daquele homem mascarado, fazendo com que meus pés o empurrassem.
Nat sorriu para mim em forma de agradecimento, como sempre fazia quando dividíamos alguma briga, e eu apenas assenti positivamente, voltando a me levantar. Meus olhos encontraram os do meu inimigo e algo em mim se acendeu como se eu já os tivesse visto antes, mas como eu não tinha tempo para perder, ergui meus braços e me projetei, acertando-o com chutes e socos. Me joguei para frente, impulsionando meus pés para que o atingissem e o joguei longe com a força que minhas pernas fizeram sobre ele, fazendo com que ele caísse de joelhos e me aproximei. Porém, de uma forma que eu não consegui processar, pelo menos cinco homens nos cercaram.
Fiz sinal para que Natasha saísse dali e tentasse encontrar o líquido e no mesmo instante as duas mulheres de antes saltaram bem ao meu lado. E devido à minha distração, fui atingido pelo homem com quem eu estava lutando antes, enquanto meus olhos captavam o que a mulher com quem eu havia lutado fazia. A vi entrar em luta com Romanoff, enquanto a que tinha tomado minha atenção pouco antes partiu para a briga contra os caras que nos cercavam.
Voltei minha atenção para o homem na intenção de acabar com aquilo e ergui minhas pernas, chutando-o de uma forma que ele caiu um pouco afastado de mim, então me aproximei, pegando-o pelo colete que vestia e eu estava pronto para arrancar a máscara que cobria seu rosto, quando me dei conta de que ele segurava o frasco que eu havia visto na mão da outra mulher e franzi o cenho.
Não tive muito tempo para processar aquela informação, porque um vulto à minha frente o acertou em cheio com uma joelhada, acertando-o no queixo e fazendo com que o homem desabasse de cara no chão. A forma imóvel dele quase me deu certeza de que estava inconsciente e isso me fez arregalar levemente os olhos. O objeto que todos queriam então pareceu voar em câmera lenta e quando meus olhos captaram quem havia o segurado imediatamente, mais uma vez o sorrisinho moldava uma expressão quase cínica da morena.
Atirei meu escudo na direção de uns caras que percebi se aproximarem, então não hesitei em avançar para cima dela porque agora não havia como ela me distrair, não quando eu tinha certeza de que o frasco estava mesmo entre seus dedos.
Lhe acertei com um gancho de direita, sentindo que ela o aparava e revidava mirando meu rosto. Posicionei meu braço imediatamente em defesa e senti meu estômago ser atingido por um chute. Pelo canto de olho, eu captei mais movimentos ao meu redor, vendo o momento exato em que Sam livrava Nat de ser atingida por um cara.
Meu corpo havia sido levemente lançado para trás com o impacto, mas não me deixei abalar e dessa vez consegui acertá-la na lateral das costelas, percebendo a mulher ficar ligeiramente sem ar. Me aproveitei disso para lhe dar uma rasteira, mas, de alguma forma, ela conseguiu fazer com que meu corpo fosse lançado junto e novamente eu me vi imobilizado pelas pernas dela.
— Então esse é o famoso Capitão América — sua voz ecoou ofegante devido ao esforço da luta. — Eu conheci o seu amigo, sabia? Um rostinho tão bonito quanto o seu, embora ele pareça ser um tantinho mais bruto. Ele não parava de repetir o seu nome da última vez que o vi.
— Bucky? — balbuciei, sentindo que meus esforços para me livrar do aperto dela e recuperar o frasco até congelaram naquele momento. O que ela estava dizendo? Como ela o conhecia?
— Bucky Barnes, sim. Eles não ficaram nada contentes, mas deram um jeito de fritar as memórias dele logo depois. — Mesmo com o tom quase sarcástico dela, alguma coisa me fez pensar que aquele tipo de coisa não lhe agradava exatamente, o que não fazia o menor sentido porque ela estava ali roubando uma arma biológica.
Todos os acontecimentos posteriores foram causados pela droga da distração que me assolou. Nat estava encurralada entre dois homens enquanto Sam tentava ajudá-la mais uma vez, meus olhos recaíram sobre o homem que antes estava mascarado e arregalei o olhar quando o reconheci. Seu rosto encontrava-se completamente desconfigurado, mas eu jamais esqueceria alguém como ele.
— Rumlow? — soprei quase sem voz.
Ele abriu um sorriso maldoso e meus olhos foram até sua mão, onde ele segurava uma espécie de dispositivo e só então eu me dei conta do que estava por vir. Antes que eu ou a mulher em cima de mim pudéssemos fazer qualquer coisa, ele apertou o botão.
— Não! — Escutei uma voz gritar assim que uma explosão se iniciou e observei a comparsa da morena em cima de mim jogar uma espécie de energia sobre o fogo que parecia querer se expandir. Vi seus olhos correrem até onde eu estava, notei que ela olhou com um certo desespero e eu conhecia bem aquela forma de olhar, era de uma pessoa que havia perdido alguém. Franzi o cenho um tanto quanto confuso e intrigado. Com a mesma rapidez que ela nos encarou, voltou sua atenção para a bomba e fez uma força tão grande para erguer aquilo que eu me peguei até admirando-a por um momento. Porém, pela forma que sua boca se abriu quando jogou aquilo com toda a força para cima, eu pude ver que as coisas não saíram como ela havia planejado.
A bomba atingiu um prédio em cheio, fazendo com que ele desabasse violentamente. E em uma fração de segundos, eu não senti mais o peso que antes encontrava-se sobre meu corpo e me impulsionei bruscamente para que pudesse ficar de pé. O que acontecia ali era um show de horrores, porque eu sabia que tinha civis ali dentro, então rapidamente apertei o dispositivo no meu ouvido, porque, por mais que ele estivesse por perto, era difícil de ver devido à poeira que subia.
— Sam, precisamos fazer alguma coisa. Acione a emergência, eu vou atrás delas — falei ao passo que meus olhos correram o lugar e eu reconheci as pernas da mulher que tinha causado aquilo correrem para longe de onde eu estava.
Sem hesitar, corri na direção dela com uma certa dificuldade porque a visibilidade estava péssima. E antes que eu me desse conta, pés me atingiram, fazendo com que eu voasse longe e meu escudo até saísse do meu braço, indo parar do lado oposto de onde eu estava. Precisei de um tempo para entender o que estava acontecendo e quando elevei meu olhar, encontrei a causadora do caos que acontecia à nossa volta.
— Por que vocês estão fazendo isso? — questionei ao me levantar, retomando a postura caso ela me atacasse novamente. — Quem são vocês? — As perguntas pareciam não acabar de uma forma que até me irritou um pouco, quase fazendo eu me mandar calar a boca internamente.
A mulher me encarou sem esboçar nada, bem diferente de como havia acontecido mais cedo e achei aquilo um tanto quanto interessante, porque de alguma forma ela parecia afetada pelo que tinha acabado de acontecer. E, mais uma vez, fui surpreendido quando ela movimentou as mãos, jogando aquela energia sobre meu corpo e me arremessando longe. Consegui parar em pé, e de uma forma que eu não consegui captar, ela se projetou, jogando os pés contra meu peito. Eu reagi me jogando para que pudesse atingi-la, o que a fez cair sobre meu colo.
— Se quer me fazer tantas perguntas assim, primeiro me pague uma bebida — soprou baixo, mas ainda assim não existia um sorriso estampado em seu rosto e ela ergueu suas mãos, fazendo com que aquela energia aparecesse novamente. Vi seus olhos levemente arregalados, quase como se por algum momento não tivesse gostado do que acontecia. — Só quero que saiba que não é nada pessoal, honey — disse e então, com uma força inexplicável, me ergueu no ar, jogando-me contra a parede.
A mulher desapareceu em uma fração de segundos, me fazendo questionar se aquilo não tinha sido apenas algum surto da minha mente. Porque depois da informação que havia recebido sobre Bucky, eu não sabia se estava realmente raciocinando direito.
— Mas que porra foi essa? — Escutei a voz de Nat e me endireitei, ainda um pouco atordoado.
Levantei para que pudesse encará-la melhor e vi Sam aproximando-se.
— Acho que eu me distraí... — falei ao virar para olhar na outra direção, buscando ainda por aquela mulher para depois voltar a encará-la.
— Você está de brincadeira comigo, Rogers? — Riu exasperada. — Eu sei que ela é gostosa. Mas, sério, ficar igual idiota parado e deixá-la fugir? — Romanoff revirou os olhos e eu apenas balancei a cabeça, negando o que ela dizia, porque eu realmente não sabia explicar como tinha me deixado levar tanto.
— Parece que você anda se divertindo bastante, Cap — Sam disse ao aproximar-se. — Digo, distraído. — Meu amigo não conteve a gargalhada e eu revirei os olhos.
Retomei minha postura e passei a mão pelos cabelos à medida que soltei a respiração e encarei os dois.
— Eu adoraria alimentar a brincadeira de vocês, mas temos coisas mais importantes — falei, apontando na direção do prédio demolido, porque a poeira já tinha baixado e era possível ver perfeitamente paramédicos correndo de um lado para o outro, na tentativa de encontrar sobreviventes.


Capítulo II



Eu conseguia sentir cada músculo do meu corpo tremer enquanto o ar até faltava aos meus pulmões. A adrenalina trazia uma sensação eufórica que me fazia querer rir e até mesmo gritar naquele momento. Cada golpe que eu havia recebido certamente seria sentido depois, mas, por hora, não importava quantos chutes e socos eu recebesse, sempre acabaria me levantando novamente e, mesmo que acabasse imobilizada no chão, eu tinha sim outras armas talvez muito mais poderosas do que meus punhos.
O sarcasmo havia escorrido de meus lábios e conforme cada palavra minha ecoava com o único objetivo de atingir o famoso Capitão América eu esperava que a satisfação percorresse minhas veias da mesma forma que as doses de adrenalina. No entanto, me surpreendi porque não foi exatamente assim que eu me senti.
Havia dor no olhar dele à mera menção de Bucky Barnes, uma dor que de uma forma assustadora eu consegui entender simplesmente porque me identificava com ela. Steve Rogers e Bucky Barnes eram irmãos de alma, assim como eu e .
Qualquer reação que eu pudesse ter ao reconhecer aquilo, porém, havia sido completamente substituída pelo choque e o pavor dos acontecimentos seguintes. Quem sabe eu teria recuado e até mesmo entregado aquela porcaria de frasco na mão de Rogers?
Eu nunca saberia.
E isso porque o desgraçado que eu mal consegui ouvir o nome de repente se ergueu com algum tipo de dispositivo que eu só fui compreender quando ele acionou um botão e o grito de ecoou, fazendo com que meu olhar imediatamente se direcionasse para ela.
Então a adrenalina cedeu seu lugar ao medo.
Medo de que tudo o que havíamos passado serviria para nada. Medo de que de alguma forma aquele frasco permanecesse intacto e fosse parar em mãos indesejadas. Mas principalmente medo de que não suportasse aquela monstruosa quantidade de energia que segurou com suas próprias mãos.
Durante todo aquele tempo em que estive presa naquela jaula e até mesmo depois daquilo eu nunca havia temido pela minha própria vida, porque simplesmente não combinava comigo, mas eu temia por . Não importava o quão poderosa eu sabia que ela era, eu simplesmente não conseguiria suportar que algo acontecesse a ela.
E, de uma forma extraordinária, em questão de segundos, eu percebi que todo aquele medo de repente parecia bobo. Aquela era , a pessoa mais forte que eu conhecia. Uma bomba não era nada para ela.
Com uma sensação de choque, misturado ao alívio e uma nova dose mínima de euforia, eu vi o exato momento então em que ela manipulou a energia e eu sabia de alguma forma que não eram apenas os meus olhos acompanhando aquilo. Até que as coisas simplesmente fugiram do controle, a bomba atingiu um prédio repleto de pessoas inocentes e um nó se formou em minha garganta.
— ainda assim eu murmurei no mesmo instante em que a vi correr para longe dali.
Eu não era telepata como ela, mas não precisava daquilo para sentir exatamente a pontada de dor que minha sentia.
O ar mais uma vez faltou aos meus pulmões e mesmo que de repente minhas pernas parecessem feitas de chumbo, eu não podia simplesmente deixá-la ir.
Ignorei qualquer coisa ao meu redor. Qualquer pessoa que tentava se meter no meu caminho era socada para bem longe enquanto eu ainda mantinha o frasco bem seguro em uma de minhas mãos. A única certeza que eu tinha era a de que eu sabia exatamente para que lugar havia seguido.
Lugares altos a ajudavam a pensar, não importava qual fosse a ocasião, e quanto maior a altitude melhor.
Eu teria sorrido quando finalmente a alcancei simplesmente por constatar pela milésima vez que eu a conhecia muito bem, mas não conseguia. Tudo o que eu queria era que ela ficasse bem.
— voltei a chamá-la, então me aproximei e, sem hesitar em nenhum momento, envolvi meus braços ao seu redor, apertando-a fortemente contra mim e não a senti corresponder. Sem que eu me desse conta de quando, as lágrimas simplesmente desceram pelas minhas bochechas e eu fiquei ali até ouvir alguma coisa da parte dela.
, eu preciso ficar sozinha — disse baixo, demonstrando uma tristeza profunda em sua voz e tentou se afastar, mas eu a segurei firme.
— Não, . Eu sei que é isso que você está pensando, mas não precisa. Eu estou aqui com você e sempre vou estar — respondi, sentindo que minha voz saía trêmula pelo choro. Eu odiava me sentir vulnerável de qualquer forma, mas com ela aquilo nunca havia sido um problema.
me apertou finalmente no abraço e a ouvi soluçar, então ela se afastou e uma de suas mãos foi até meu rosto, onde ela afastou meu cabelo e me encarou de forma fixa.
— O que eu vou dizer é horrível — falou baixo e vi uma lágrima escorrer de seu olho. — Mas eu não me importo com as pessoas que morreram ali, porque eu salvei a sua vida . — Dessa vez, seu olhar ficou vazio e a vi soluçar. — Mas olhar para você agora me faz reviver aquilo… E a ideia de que poderia ter sido você é insuportável demais — admitiu e voltou a me abraçar.
— Eu sei — murmurei, apertando-a contra mim, sentindo que meu peito se desfazia em mil pedaços só de imaginar um mundo sem ela. — Eu senti a mesma coisa, , mas nós estamos aqui. Eu e você.
— Eu sei, para sempre. — Ela afastou-se e pude ver que um leve sorriso tomou conta dos seus lábios, mas logo desapareceu e sua mão voltou ao meu rosto. — Você sabe que eu daria a minha vida pela sua, não sabe? Mas eu não quero que faça o mesmo por mim — disse firme e então afastou-se um pouco. — Aquele maldito Steve Rogers, o que aconteceu lá, ?
— Você sabe que não pode me pedir isso, não é? Isso nunca esteve em discussão. — Esboçei um sorriso fraco, então levei uma de minhas mãos àquela sua que não estava em meu rosto, entrelaçando meus dedos aos dela com gentileza.
Encarei os olhos de por alguns segundos, ponderando o que realmente havia acontecido lá e não consegui dizer nada além da verdade porque era assim que eu funcionava com ela. nunca precisou ler meus pensamentos porque eu sempre entregava tudo para ela.
— Eu me vi nos olhos dele, — disse simplesmente.
— Bucky Barnes… — A voz dela saiu baixa, demonstrando o quanto a menção daquele nome a afetava e apertou seus dedos nos meus. — Steve Rogers é o melhor amigo dele e você contou a ele sobre a última vez que o viu. Isso te distraiu… — Estreitou os olhos, como se pensasse em algo. — Ou melhor, o que causou nele te distraiu, — afirmou, deixando claro em sua forma de falar que aquilo não era uma pergunta.
— Eles não são apenas melhores amigos, my darling. — Olhei para ela significativamente e eu sabia que não precisava explicar muito para que entendesse. — Por um momento, isso me fez pensar que talvez não sejam nossos inimigos — confessei, mesmo que odiasse a ideia de admitir aquilo.
arqueou uma sobrancelha, demonstrando surpresa com o que eu havia dito.
— Eu sei, my love — respondeu com um sorriso fraco. — Não me interessa. Inimigo ou não, Steve Rogers colocou sua vida em perigo, e se ele entrar no meu caminho agindo com o jeito delinquente dele fazendo isso se repetir — fez uma pausa e sua expressão ficou mais séria —, eu acabo com ele.
Eu até teria rido daquilo se estivéssemos em uma outra situação, mas ainda sentia meu coração sendo esmagado pelo meu peito ao mesmo tempo em que cada célula de meu corpo dizia que com ela eu agiria exatamente da mesma forma. Na verdade, não havia nada que eu não fizesse por .
E então ela se afastou de vez, virando-se para olhar a paisagem, mas então voltou a me encarar.
— Por favor, vamos ficar fora do caminho dele — pediu de forma até que delicada, para .
— Podemos tentar — assenti devagar. — Mas algo me diz que isso tudo está apenas começando. E se Steve Rogers for tipo aquelas pedrinhas no sapato?
— Eu piso nele — disse em tom de brincadeira e acabou rindo. Então ela voltou a se aproximar. — Por mais que você esteja mantendo o fluxo da conversa, eu consigo sentir e ler a apreensão em seus pensamentos — falou baixo e a vi erguer uma de suas mãos enquanto mais uma vez só conseguia pensar em como ela também me conhecia, vi o exato momento em que aquela mesma energia que havia derrubado o prédio apareceu em sua palma. Então ela a levou até meu peito e pude sentir um pouco quente. — Enquanto você puder sentir isso, significa que não tem com o que se preocupar, meu bem. — Um sorriso se formou em seus lábios ao dizer aquilo e eu senti mais uma lágrima teimosa escorrer pela minha bochecha.
— Eu sempre vou me preocupar contigo, my darling. — Retribuí seu sorriso. — Mas, acima de qualquer coisa, eu confio em você. — Então levei minha mão, colocando-a por cima da dela.
— Você sabe que o sentimento é recíproco. — apertou minha mão e sorriu. — O que acontece agora? — questionou, demonstrando em seu olhar que o incidente ainda a preocupava. — Como eu disse, não me importo com aquelas pessoas. Mas eu não quero virar alvo de Steve Rogers e muito menos dos amiguinhos dele. — Revirou os olhos, demonstrando seu descontentamento. — Não acredito que flertei com ele.
Acabei rindo e finalmente sentindo que todo aquele peso da preocupação havia saído do meu peito.
— Ah, ele é bem gostoso, amiga. Não posso te julgar. — Dei de ombros, lhe lançando um olhar malicioso, então limpei os vestígios de lágrimas do meu rosto. Talvez algumas pessoas julgassem minhas mudanças quase bruscas de humor, mas eu realmente não ligava.
— Ah, isso sem dúvidas, baby. — Riu fraco. — Eu dei uma boa sentada para confirmar. — Gargalhei ao ouvir sua resposta. O humor de havia mudado completamente e eu tinha certeza disso pela sua forma de falar.
— A julgar pela cara dele, imagino que ele adorou e por isso não posso julgá-lo também. — Pisquei para ela.
— Você acha que ele vai atrás do Bucky? — questionou, parecendo curiosa, e ela mordeu o lábio ao mesmo tempo, reagindo ao meu comentário.
— Como um cachorrinho — afirmei, sem pestanejar.
— Bom, isso não é problema nosso — afirmou, dando de ombros. — O que fazemos agora? Voltamos ao Pentágono imediatamente? Depois do que aconteceu… Eu não sei o que fazer — admitiu e estreitou o olhar.
— Voltamos — assenti rapidamente. — Precisamos levar logo essa coisa para um lugar seguro. — Mostrei a ela o frasco que ainda carregava comigo e havia sido o motivo de tudo aquilo e apenas assentiu com um sorriso, demonstrando que estava pronta para retornarmos.


STEVE ROGERS

Eu nem tive tempo para trocar o uniforme ou sequer processar o que tinha acontecido depois que aquele prédio desmoronou, matando centenas de pessoas. Eu estava atordoado com uma porção de coisas que eu poderia enumerar, mas as que mais me atormentavam eram aquelas duas mulheres misteriosas que tinham aparecido em meu caminho — especialmente uma delas — e a quantidade de mortes que havíamos causado. Simplesmente não conseguia tirar aquela cena da minha cabeça e seria muito bom se fossem só elas que estivessem fixas dentro dos meus pensamentos.
Bufei de forma frustrada por saber o que viria a seguir assim que o secretário entrasse pela porta que eu não conseguia deixar de encarar. Então ainda absorto nos meus pensamentos, passei os olhos pela mesa em que me encontrava sentado com Nat, Sam, Visão, Rhodes e Tony, que estranhamente não tinha sequer aberto a boca desde que havia chegado, e eu preferi manter as coisas daquela forma. Para ser sincero, eu nem queria falar com ninguém, porque a voz da mulher morena dizendo o nome do Bucky ainda ressoava em meus pensamentos, ainda mais pela forma que ela havia falado dele… Deixando bem claro que, se estava vivo, não era mais a mesma pessoa.
Respirei fundo e me ajeitei na cadeira assim que o homem, que aparentava ter por volta de uns cinquenta anos, adentrou a sala com um livro enorme em mãos. Então ligou a tela da enorme televisão que tinha ali e acendeu em um vídeo pausado que eu logo notei ser um conjunto de gravações do que havia acontecido mais cedo. Aquilo foi o suficiente para me deixar puto da vida.
— Há cinco anos eu tive um infarto e caí bem no meio de uma tacada de golfe — o Secretário iniciou enquanto seu olhar analisava cada um de nós. — Acabou sendo a melhor partida da minha vida e sabem por quê? — Abriu um meio sorriso. — Porque depois de treze horas de cirurgia e três pontes de safena eu aprendi algo que nunca me ensinaram no Exército em quarenta anos: perspectiva.
Mais uma pausa ensaiada foi feita e ele deu alguns passos de um lado para o outro. Algo me dizia que eu já sabia o rumo daquele discurso e que não gostaria nem um pouco dele.
— O mundo tem uma eterna dívida com os Vingadores. Vocês lutaram por nós, nos protegeram, se arriscaram, mas enquanto muitos vêem vocês como heróis, há algumas pessoas que preferem a palavra vigilantes — frisou, com um olhar significativo.
— Que palavra então você usaria, senhor Secretário? — Nat se pronunciou, contendo um sorriso irônico.
— O que acha de perigosos? — Ergueu uma sobrancelha para a mulher. — Como chamaria um grupo de indivíduos aprimorados, baseados nos Estados Unidos e que ignoram sistematicamente os limites de soberania, impondo suas vontades onde querem, sem parecer ligar com o que deixam para trás?
— De heróis? Porque considerando que nos arriscamos, digamos assim, vinte e quatro horas de nossas vidas... É o mínimo que merecemos, não acha, Secretário? — Sam soltou de forma debochada e eu precisei segurar para não soltar uma risadinha, porque o meu amigo gostava de rir na cara do perigo, mas eu precisava me controlar.
O homem o fuzilou com o olhar, então apontou para o monitor com os vídeos e só aí percebi que carregava um controle para dar continuidade a eles.
— New York... Washington D.C... Sokovia… Lagos — o Secretário ia enumerando enquanto as imagens iam passando, imagens essas que mostravam uma destruição que todos nós sabíamos muito bem que havia acontecido. Não era preciso que ele nos lembrasse daquilo.
— Chega, acho que é o suficiente! — falei rapidamente, assim que vi o rosto da mulher que tinha causado tudo aquilo expressar um pavor.
— Nos últimos quatro anos, vocês operaram com poder ilimitado e sem nenhuma supervisão. Esse é um formato que governos do mundo todo não podem mais tolerar, mas acho que temos uma solução. — Então o homem pegou um documento repleto de páginas e o colocou em cima da mesa, fazendo com que Nat puxasse o objeto para mais perto. — O Tratado de Sokovia — sentenciou e antes que qualquer um de nós pudesse proferir mais algum comentário, ele prosseguiu. — Aprovado por cento e dezessete países, ele diz que os Vingadores não deverão mais ser uma organização privada. Ao contrário disso, vão operar sob a supervisão de um painel da ONU somente quando e se tal painel julgar necessário.
— Os Vingadores se uniram para tornar o mundo um lugar seguro. Acho que conseguimos — ressaltei e me virei para encarar Tony, esperando que ele dissesse algo, mas ele permaneceu em silêncio e voltei a encarar o secretário.
Aquilo tudo era ridículo e saber que não teria o apoio dele tornava tudo ainda pior.
— Me diga uma coisa, Capitão, onde estão Thor e Banner agora? — Arqueou uma sobrancelha em um tom acusatório. — Se eu tivesse perdido duas bombas atômicas, pode apostar que haveria consequências — foi taxativo. — Compromisso. Garantias. É assim que o mundo funciona.
Então abriu um meio sorriso como se tentasse uma expressão amigável, mesmo que o gesto só tornasse tudo aquilo ainda mais absurdo.
— Acreditem, essa é a solução conciliatória.
— Então há contingências — Rhodes declarou, encarando o secretário, que voltou a gesticular.
— Em três dias, a ONU se reunirá em Viena para fazer a validação do Tratado. Debater — informou.
— E o que acontece se chegarmos a uma decisão a qual vocês não gostem? — Nat rebateu, com uma erguida de sobrancelha.
— Aí vocês se aposentam.
Bati os dedos de forma nervosa na mesa e virei minha cadeira mais uma vez para encarar Tony, porque não era possível que ele continuaria calado diante daquilo.
A confirmação de que sim veio quando ele se recostou na cadeira e apenas me encarou, e eu voltei a olhar para frente, vendo o secretário sair da sala.
Dali para frente, uma discussão calorosa se iniciou entre os meus colegas de trabalho, enquanto eu apenas tentava assimilar tudo o que tinha acontecido e tudo que havia escutado.
— O secretário Ross tem uma medalha do Congresso. — Escutei a voz de Rhodes discutindo com Sam, enquanto eu tentava ler aquele Tratado para que pudesse tomar alguma decisão e colocar as ideias no lugar. — Uma a mais que você.
— Então vamos dizer que a gente concorde — Sam rebateu, mostrando que estava começando a perder a paciência. — Quanto tempo vai levar até sermos rastreados como criminosos comuns?
— Cento e dezessete países querem assinar isso — Rhodes mostrou seu ponto de vista, enquanto eu ainda tentava me concentrar e não me irritar com aquele bate papo. — E você diz: “Tá tranquilo, tá favorável”. — Riu de forma irônica, o que me fez quase revirar os olhos levemente.
— Até quando vai jogar dos dois lados? — Sam rebateu, mostrando que não abriria mão do que pensava.
— Eu tenho uma equação — Visão se manifestou e elevei meu olhar até ele.
— Ah, que bom, isso vai resolver tudo — Sam soltou mais uma vez ironicamente e eu teria dando risada, se a situação não fosse caótica.
— Nesses oito anos em que senhor Stark revelou ser o Homem de Ferro… — Visão voltou a falar, fazendo com que a atenção de todos se voltassem para ele. — O número de pessoas aprimoradas cresceu muito. — Aquilo fez com que eu arqueasse a sobrancelha, afinal era uma boa colocação. — No mesmo período, o número de eventos catastróficos subiu proporcionalmente. — E aquilo foi como um banho de água fria.
— Você está dizendo que é nossa culpa? — resolvi me manifestar, porque aquilo já era inaceitável.
— Estou dizendo que pode haver uma relação — Visão respondeu do mesmo jeito objetivo de sempre. — Nossa força por si só já inspira desafios. Desafios incitam conflitos. E conflitos… Geram catástrofes. — Ele nos encarou por alguns instantes como se analisasse algo. — Supervisão… Supervisão não é uma ideia a ser descartada sem consideração.
— Bom — Rhodes disse, concordando.
E eu preferi me manter em silêncio, tentando pensar.
— Tony — Natasha soltou, de forma incisiva, para chamar sua atenção. — Surpreendentemente, você não está tagarelando.
— É porque ele já se decidiu — falei o que se passava na minha cabeça, por mais que me incomodasse demais.
— Cara, você me conhece mesmo — disse calmo e se levantou do sofá, levando a mão até a parte de trás de sua cabeça, virando-a para mostrar onde era. — Tô com uma dor de cabeça eletromagnética — soltou de forma brincalhona, então levantou-se, seguindo para a cozinha que tinha ali e o acompanhei com o olhar. — É isso que está rolando, Capitão. É só dor. Um desconforto.
Todos o encaravam, enquanto ele parecia procurar por algo.
— Quem jogou borra de café na pia? — questionou, totalmente aleatório, mas bem Tony Stark de ser. — Por acaso isso é um albergue para motoqueiros? — questionou, me fazendo dar uma risadinha nasalada.
Então ele sacou uma das telas tecnológicas dele e apoiou sobre uma cesta que tinha no balcão. Nela continha a foto de um garoto e todos nós ficamos com os olhares fixados ali.
— Ah, esse é Charles Spencer. E um garoto ótimo — disse, enquanto parecia se servir com um pouco de café. — Estudante de Engenharia da computação, média 9… — Tony deixou escapar um suspiro pesado, demonstrando o quanto aquele assunto era incômodo. — E ia começar em um novo trabalho administrativo na Intel.
Um silêncio tomou conta do ambiente e todos se entreolharam, mas logo voltaram a atenção para ele.
— Mas, primeiro, ele queria alimentar a alma — continuou fazendo seu café, mas era possível notar a irritação nele — antes de ficar preso num escritório. Ver o mundo. Ser útil, talvez. — Dessa vez virou para nos encarar. — Ele não queria ir para Vegas ou Ft. Lauderdale, como eu faria. Não foi para Paris, nem para Amsterdã, o que seria divertido.
Soltei a respiração de forma pesada, eu entendia que aquilo era triste, mas ainda assim não achava certo usar como justificativa para assinarmos aquele Tratado.
— Ele passou as férias construindo casas sustentáveis para pobres. — Sua voz agora era mais firme, deixando claro o quanto sentia empatia por aquele garoto. — Adivinhem onde? Sokovia.
Outro silêncio tomou conta da sala e aquilo parecia que só ficava pior, porque só a menção do lugar já dava para entender onde Tony queria chegar.
— Ele queria ser relevante, imagino. — Riu fracamente. — Não saberemos, porque jogamos um prédio nele durante um resgate espetacular.
Mantive minha cabeça baixa, porque naquele momento eu realmente não sabia como argumentar.
— Não há o que decidir aqui — continuou, chamando a minha atenção. — Precisamos ser responsabilizados! Seja lá como for, eu tô dentro. Se não formos capazes de aceitar limites… Não somos melhores que os vilões.
— Tony — resolvi me manifestar, porque aquilo estava indo um pouco longe demais. — Quando alguém morre sob seu comando, você não desiste.
— Quem falou em desistir? — rebateu.
— Nós, se não nos responsabilizarmos por nossos atos — respondi firme, me esforçando ao máximo para manter o tom de voz. — Esse documento só transfere a culpa.
— Desculpe, Steve — foi a vez de Rhodes se manifestar. — Isso é perigosamente arrogante. Estamos falando da ONU, não do Conselho de Segurança Mundial, da S.H.I.E.L.D, nem da Hidra.
— Mas é liderado por pessoas com ideias e elas mudam! — afirmei prontamente.
— Isso é bom. É por isso que estou aqui — Tony retornou a falar, então caminhou pela sala. — Quando vi o que minhas armas podem fazer em mãos erradas… Eu parei de fabricar.
— Tony, você escolheu fazer isso. — O encarei, porque não conseguia acreditar que estava mesmo escutando tudo aquilo. — Se assinarmos, renunciaremos ao nosso direito de escolha. E se o painel nos mandar para onde achamos que não devemos ir? — indaguei. — E se quisermos ir a um lugar onde não nos deixam ir?
Todos me encaravam atentamente e aquilo em parte me deixava mais nervoso, pois era difícil saber o que exatamente se passava na cabeça deles. Eu só esperava que no final de tudo aquilo ficássemos todos do mesmo lado.
— Podemos não ser perfeitos, mas nossas mãos ainda são as mais seguras. — Bufei em frustração.
— Se não fizermos isso agora, decidirão por nós mais tarde — Tony acrescentou, deixando claro em seu olhar e na forma de falar que já tinha tomado uma decisão e nada o faria mudar de ideia. — É a realidade. E não vai ser legal.
— Talvez o Tony tenha razão — Nat se manifestou, fazendo com que eu ficasse em choque. Pois ela era a última pessoa de quem esperava ouvir aquilo. E acho que foi tão chocante que até Tony virou para encará-la com uma expressão de surpresa. — Com uma mão no volante, ainda podemos guiar. Se soltarmos…
— Não foi você que mandou o governo se ferrar uns anos atrás? — Sam perguntou, provavelmente tão chocado quanto eu.
Tudo que consegui fazer foi me manter em silêncio.
— Estou só avaliando a situação — Nat rebateu. — Já cometemos alguns erros bem públicos. Precisamos reconquistar a confiança.
— Foca aqui — Tony disse, movimentando os dedos, demonstrando que, apesar da situação, não tinha perdido seu jeito egocêntrico de ser. — Desculpe. Eu ouvi mal ou concordou comigo?
— Retiro o que disse — Nat disse firme ao encará-lo.
— Não, não tem como — Tony respondeu, movimentando os dedos como sinal negativo. — Obrigado, é inédito. — O escutei dizer, e eu teria dado risada, se não fosse a situação toda. — Falou, caso encerrado. Venci.


💥


A situação em Viena estava crítica. O que era para ser um suposto momento de paz, onde seria assinado aquele Tratado absurdo, havia se tornado um verdadeiro caos. O número de vítimas ainda era incerto e entre elas estava o rei de Wakanda, T’Chaka.
Já era devastador o bastante receber a notícia de que tantas vidas foram ceifadas, no entanto, pior ainda havia sido ver as filmagens do possível culpado por tudo aquilo.
As imagens de meu melhor amigo em seus dias de glória ainda eram muito nítidas em meus pensamentos. Dias em que estávamos, sim, em meio à guerra, mas James Buchanan Barnes jamais deixava de carregar um sorriso no rosto.
Aquele nas imagens não era o meu melhor amigo, meu irmão. Eu honestamente não conseguia acreditar naquilo simplesmente porque tudo dentro de mim gritava que não era verdade. Não iria aceitar tudo aquilo daquele jeito.
Eu precisava desenterrar a verdade, fosse ela qual fosse. Não assinar o Tratado me tornava um inimigo do governo, mas eu não hesitaria em arriscar tudo para descobrir o paradeiro de Barnes.
Era por isso que eu estava ali, em meio aos escombros de Viena, analisando tudo o que estava ao meu alcance enquanto permanecia encoberto pelo meu disfarce. Caminhei mais longe dali e me escorei próximo de uma árvore, onde meus olhos avistaram Natasha sentada em um banco. Levei as mãos até o bolso, sacando meu celular e fiquei observando até que atendesse.
— Sim? — Natasha disse, assim que atendeu.
— Você está bem? — Foi a primeira coisa que achei sensato perguntar, considerando que ela estava no atentado.
— Estou, obrigada. Tive sorte — Nat respondeu de um jeito calmo e a vi olhar à volta, parecendo se dar conta de algo. — Sei o quanto Barnes significa para você. Sei mesmo. Não se envolva. Você só vai piorar as coisas. Para todos nós.
Franzi o cenho com aquilo, pensando no que dizer.
— Por favor — pediu calma, porém firme.
— Você vai me prender? — questionei.
— Não — ela disse e a vi balançar a cabeça em negação. — Alguém vai. Se você interferir. É assim que funciona agora.
— Se ele chegou a esse ponto, sou eu quem devo prendê-lo — afirmei, porque por mais que me doesse falar aquilo para ela, não tinha chance alguma de eu não ir atrás de Bucky.
— Por quê? — Agora ela encontrava-se em pé, como se estivesse me procurando.
— Porque tenho menos chances de morrer tentando — me justifiquei.
Nat bufou do outro lado da linha e vi a forma que franziu o cenho. Ela sabia de algo.
— Nat, se você sabe de algo que pode me ajudar, preciso que me diga — avisei, me sentindo levemente nervoso.
— Steve, seria muito mais fácil se você simplesmente fosse para casa — disse firme e revirou os olhos. — Você lembra das duas mulheres que perseguimos?
— Tem como esquecer? — perguntei, quase soltando uma risadinha.
— Claro — Nat respondeu e vi um risinho em seu lábio ao me ouvir falar aquilo.
— Não foi isso que eu quis dizer. — Dessa vez, ri fraco. — Enfim, o que tem elas?
— Elas estavam na reunião — afirmou e aquilo fez com que eu entrasse em alerta, me distraindo por um momento. — Rogers?
— Obrigado, Nat — agradeci. — E se cuida. — Então desliguei, porque realmente precisava correr atrás daquilo.
Enfiei o aparelho no bolso e segui de forma vagarosa de volta para onde estavam os escombros. O lugar estava todo destruído, pessoas andavam para todos os lados e, pelo que eu pude perceber, os bombeiros e paramédicos ainda procuravam por vítimas, vivas ou mortas. Enquanto eu passava meus olhos pelo local, em busca das duas mulheres, acabei me distraindo e lembrei da tragédia que havia presenciado, que acabou levando os Vingadores àquele Tratado. Eu me sentia péssimo, mas ainda assim não concordava com a forma como queriam resolver o problema.
Parei abruptamente de longe quando meus olhos recaíram sobre as duas que eu buscava e me arrependi por um momento por estar com minhas roupas normais e sem meu escudo. Mas não importava, eu iria tirar satisfações com elas da mesma forma. Sem hesitar, apressei meu passo e de repente já estava correndo na direção das duas.
— O que vocês estão fazendo aqui? — falei alto, chamando a atenção das duas para mim. — Já não bastava ter destruído tudo da outra vez?
Então a morena estalou a língua, lançando um olhar em minha direção como se me avaliasse e arqueou uma sobrancelha.
— Você de novo, lindinho? Não cansa de apanhar, não? — soltou, sarcástica.
— Tá se achando dono de Viena né, meu bem? — a que havia destruído o prédio soltou, ao passo que se aproximou mais da outra.
Segurei para não revirar os olhos e bufei irritado.
— Eu fiz uma pergunta — falei de forma até um pouco autoritária e, para a minha frustração, a morena soltou uma risada.
— E daí? Como a disse, você não é o dono de Viena. Agora volta lá pra sua turminha antes que machuque esse rostinho bonito. — Piscou para mim.
. Repassei o nome dela na minha cabeça conforme a encarei por alguns instantes.
— Não conseguiu olhar o suficiente quando montei em você mais cedo? — a dona do nome que reverberava na minha cabeça perguntou, aproximando-se um pouco. Aquilo me fez engolir a seco e me senti até um pouco irritado.
— O que você disse sobre o Bucky... É verdade? — questionei, mesmo sabendo que era, ignorando completamente o que a havia dito, e vi o rosto dela mudar de expressão, desfazendo o sorriso de antes e desviando o olhar até a outra. Quando o acompanhei, percebi que ela fixou os olhos em mim, dessa vez quase como se tentasse ler a minha mente.
Como havia acontecido com , o sorriso desapareceu e o sarcasmo deu lugar a uma expressão de quem compreendia os meus motivos. A morena então trocou um olhar com e suspirou.
— Eu nem te conheço, Rogers. Por que mentiria pra você? — respondeu, simplesmente.
Eu não sabia explicar o porquê, mas sentia que falava a verdade. De um jeito que eu não esperava, as duas se entreolharam mais uma vez e então passaram por mim, mostrando que a conversa havia acabado e não tínhamos mais nada para falar.
— Com o poder que você tem. — As palavras saíram antes que eu pudesse controlar e , a quem me referia, virou para me encarar. — Poderia estar ajudando essas pessoas — falei, porque aquilo estava realmente me incomodando.
— Realmente, eu poderia — ela concordou e vi um sorriso ladino formar-se em seus lábios. — Se me importasse com elas — afirmou, mantendo a mesma expressão. Aquilo fez com que eu rangesse os dentes, porque não conseguia aceitar que falava sério. — Foi bom te conhecer, Steve Rogers. — Sorriu mais largo e virou-se, caminhando para longe.
Eu esperava que a morena fosse segui-la de imediato, como havia feito na primeira vez que nos encontramos, mas, em vez disso, ela permaneceu ali, me encarando em um tom sério.
— E eu, se fosse você, lindinho, cortava logo essa baboseira toda de onde deveríamos usar nossos poderes. Se você espera salvar seu amigo de alguma forma, vá antes que seja tarde. O relógio está batendo… Tick tock.
Então ela voltou a abrir o sorrisinho sarcástico e saiu rebolando atrás de .


Capítulo III



Eu não tinha exatamente muita consciência de tudo que acontecia à minha volta desde que havia saído daquele desastre. As coisas pareciam andar em câmera lenta, as vozes estavam abafadas e a sensação só foi amenizada, de certo modo, após a minha conversa com . Por mais que eu estivesse tentando evitar, conseguia ouvir o barulho do estrondo, as pessoas gritando e também era capaz de reviver o que senti quando achei que perderia tudo que eu tinha.
Não importava o quanto eu tentasse achar onde foi que algo deu errado, estava feito e eu precisava retomar a minha postura e esfriar a cabeça. Contudo, cada vez que eu olhava para o meu lado e a via ali, viva, falando com todas aquelas pessoas que não paravam de nos bombardear de perguntas desde que havíamos chegado àquele prédio, tudo vinha diante dos meus olhos de novo.
Está tudo bem. Repeti aquilo pela milésima vez, mas precisei pedir para me retirar momentaneamente com a desculpa de que precisava de um ar.
Atravessei os corredores o mais rápido que consegui e tranquei a porta atrás de mim antes que alguém fosse sequer capaz de tentar falar comigo. Eu sabia que aquela missão era arriscada desde o início, eu tinha dimensão que as coisas poderiam sair do controle, mas eu havia aceitado, pois aquele era o meu trabalho. Desde que havíamos entrado para o Pentágono, eu não recusava nenhuma tarefa.
Respirei fundo algumas vezes, tentando manter o controle. Sair dele só me faria estragar tudo.
O reflexo no espelho não me mostrava algo que eu queria realmente ver, só me fazia pensar que talvez eu passaria o resto da vida me escondendo. O pensamento só me deixava ainda mais agitada e eu o afastei, realmente determinada a me concentrar no que importava.
Primeiro, precisávamos descobrir por que exatamente o Pentágono tinha interesse naquela arma. Segundo, não podíamos nos deixar levar por nossos sentimentos, aquilo era uma missão e fracassar não era uma opção, não depois de tudo que havíamos passado para conquistar um pouco da paz que tínhamos atualmente.
Respirei fundo, afastando qualquer coisa que pudesse cegar meu julgamento, e saí da sala.

A reunião não envolvia nada que já não esperávamos ou sabíamos. O Pentágono tinha nos colocado em uma missão para encontrar o responsável pela explosão mais cedo, onde eu havia tentado diminuir o impacto e estragado tudo.
Além disso, nossa outra missão era estarmos presentes na reunião que o rei T’Chaka havia convocado após o ocorrido, onde um Tratado que dizia que os Vingadores agora seriam comandados pelo governo seria assinado e oficializado. Eu não estava surpresa. Como sempre, eles estavam tentando ter controle sobre o mundo.
Era por isso que continuar vivendo às sombras era meu maior objetivo.
— Talvez a gente possa até se divertir um pouco — falei, direcionando meu olhar a , conforme olhava a paisagem à minha volta, na tentativa de amenizar como me sentia.
Eu sabia que ela poderia sentir cada um dos meus sentimentos, mas, ainda assim, não queria demonstrar em minhas feições.
Nós estávamos a caminho do local, dentro do carro onde nosso motorista encontrava-se disperso demais nos pensamentos sobre seu encontro no dia anterior para prestar atenção no que conversávamos.
virou o rosto em minha direção e seus olhos analisaram os meus rapidamente, numa demonstração de que havia captado mesmo cada um de meus sentimentos, porém aceitou minhas palavras, abrindo um sorriso que beirava a malícia.
— Ah, eu aposto que sim. Ouvi dizer que o herdeiro de Wakanda é uma delícia.
, desde quando você está tão inclinada aos mocinhos? — provoquei, rindo levemente. — Se bem que Bucky Barnes pode facilmente entrar nessa lista um dia.
— Bucky Barnes? Sério, ? Ele deve ter um cem anos de idade! — Rolou os olhos para mim, então negou com a cabeça, se rendendo e rindo também. — Mas a minha inclinação é aos gostosos mesmo. — Lambeu os lábios.
— Então pode colocar Steve Rogers na sua lista, honey. — Sorri tendenciosa, me lembrando brevemente da sentada que dei nele e me dei conta de que tínhamos finalmente chegado ao local.
— Eu sabia que você tinha se aproveitado daquela sentada, my love. — Retribuiu meu sorriso e desviou seu olhar de mim apenas para sair de dentro do carro. — Mas, vem cá, é na lista de gostosos ou na de centenários?
Ri ainda mais ao ouvir as palavras dela, já abrindo a porta para sair do carro.
— Você teria feito o mesmo, nada de julgamentos. — Dei de ombros, apressando um pouco o passo. — Gostosos centenários. Mas ao menos eu admito e não desvio o assunto. — Me virei, piscando para ela brevemente assim que ficamos mais próximas da entrada.
rapidamente puxou um pouco o vestido que usava, o ajeitando e fazendo uma careta incomodada porque aquele definitivamente não era seu tipo de roupa favorito. A reprimiu logo em seguida, me acompanhando quando adentramos o local.
Eu não poderia julgá-la, aquelas roupas eram realmente horríveis. Um pequeno movimento em alguma luta e terminaríamos peladas, não que fosse exatamente um problema.
— Ah, eu jamais poderia te julgar. Não nego que deu vontade de rebolar naquela carinha linda dele. Pena que ele parece certinho demais. — Me lançou um olhar cúmplice, que acabou se estreitando, me fazendo rir. — Tudo bem. Bucky Barnes é uma delícia também. Era isso o que você queria ouvir?
Eu teria soltado uma gargalhada com a última coisa que ela disse, se não estivéssemos em um lugar em que aquilo seria visto como absurdamente inapropriado.
— Eu queria? Não lembro de ter pedido para ouvir nada, meu amor. — Pisquei mais uma vez.
Falar aquilo era brincar com fogo, mas por ela eu não me importaria de sair completamente queimada.
— Você é uma ridícula, — ela bufou, rindo e desviando sua atenção mais uma vez, já que precisávamos mostrar nossas credenciais para entrar no grande salão abarrotado de gente.
Mostrei a minha e então me virei para ela, na intenção de dar fim àquele assunto:
— Você disse gostosa? Obrigada, Honey.
O último gesto da minha parte foi mandar um beijinho para ela.
— Sempre, my love. — Deu um sorrisinho mínimo para a mulher que verificava a identificação dela, então passamos para dentro do salão. — Espero que isso acabe logo — resmungou com voz de tédio. Aquele tipo de reunião realmente era um saco.
Dei meu melhor sorriso para e então foi a hora de mudar minha postura. Eu estava ali como uma agente do Pentágono e deveria agir como tal, além de que precisava estar atenta para qualquer coisa saindo do controle. O primeiro passo era nos comunicarmos com T’Challa e foi isso que tratei de fazer, após tomarmos um pouco de conhecimento do ambiente.
Eu amava muitas coisas sobre minha relação com , mas algo que realmente me agradava era apenas poder trocar olhares ou sussurrar em sua mente coisas que não poderia dizer em voz alta. Também não podia negar a adrenalina que eu sentia ao saber que estávamos trocando informações importantes e confidenciais dentro de nossas mentes sem que nenhuma das pessoas à nossa volta pudesse sequer cogitar.
Eu realmente tinha sorte.
Lancei um olhar que ela entenderia e dei alguns passos, aproximando-me do príncipe. Tentei o máximo, mas foi impossível controlar o pensamento sobre as palavras da minha parceira pouco tempo antes.
Ele era mesmo um puta de um gostoso.
— Príncipe T’Challa — falei, usando todo o meu charme ao sorrir. — Elizabeth Olsen, agente do Pentágono.
— É um prazer, senhorita Olsen — ele retribuiu meu sorriso, estendendo sua mão para me cumprimentar e seus olhos me analisaram discretamente, se dirigindo a , que logo se adiantou para se apresentar também.
— Agente Lightwood, senhor — ela o cumprimentou brevemente.
— Viemos prestar nossas condolências, devido ao incidente. — Senti meu estômago se revirar ao dizer aquilo, ainda mais quando olhei em seus olhos.
Era nítido o amor por seu povo.
T’Challa assentiu de forma solene.
— Obrigado. — A sinceridade estava nítida em suas palavras. — E aproveito para estender meus agradecimentos ao Pentágono por garantir que o Tratado seja assinado.
— Sem problemas. Estamos à disposição para o que precisar — o respondeu com um sorriso de canto.
Nos afastamos com acenos de cabeça e seguimos para os nossos lugares. O clima era de tensão e eu não podia culpá-los, toda aquela situação era péssima. Eu detestava aquele tipo de evento, mas não tinha muito a ser feito e eu não podia reclamar tanto, Viena era um lugar lindo.
Mesmo sabendo que estávamos em um lugar relativamente neutro, preferi manter meus olhos focados em todos os lados. A cada minuto, eu varria o perímetro em que nos encontrávamos, escutando cada pensamento e captando toda a energia presente ali. Foi fazendo isso que meus olhos recaíram sob uma pessoa conhecida: Natasha Romanoff. A mulher que estava ajudando Rogers mais cedo parecia trocar algumas palavras com T’Challa e seu pai.
Foquei em ler apenas os pensamentos dela, saber exatamente o que se passava naquela mulher. Existia um misto de medo, apreensão e talvez… Arrependimento em meio às coisas que a incomodavam, bastante arrependimento.
Precisei me manter firme quando ela brevemente desviou o olhar e olhou em nossa direção.
Ela havia nos reconhecido, eu tinha certeza disso. Seus pensamentos me confirmaram segundos depois.
Merda!
Não tinha nada que eu pudesse fazer, então me mantive com uma expressão neutra, como se nem a tivesse notado ali e meu olhar fosse em algum ponto atrás da mulher.
A reunião não demorou muito para começar e, quando me dei conta, T’Chaka iniciou seu discurso, que eu escutei atentamente.
— Quando o vibranium roubado de Wakanda foi usado para uma arma terrível…. — Seus olhos encaravam a todos atentamente. Aquele homem tinha uma presença difícil de explicar, o que me fez arrepiar. — Nós em Wakanda fomos forçados a questionar nosso legado.
Mesmo com as palavras dele, eu ainda me mantinha atenta à minha volta. Depois do que havia quase acontecido, era mais do que necessário.
— Os homens e mulheres mortos na Nigéria faziam parte de uma missão corporativa…
Todas as palavras dele após aquilo eram muito bonitas e comoventes, porém seu filho, próximo à janela, chamou minha atenção. Sua expressão e pensamentos comoventes, contudo, tinha algo a mais ali e me deixaram em alerta.
Havia mais algo que eu conseguia sentir.
Medo.
T’Chaka ainda falava, mas tudo aconteceu muito rápido.
T’Challa virou com os olhos em seu pai, correndo para arremessar-se sobre ele e minha única reação foi fazer o mesmo, mas com .
O estrondo da explosão fez com que um ruído ecoasse em meu ouvido e tudo pareceu girar por alguns instantes, além da fumaça preta que cobriu tudo e as vozes distantes.
Precisei bloquear meus dons para não ouvir todos aqueles pensamentos, centrando-me apenas em sair dali.
… — Minha voz saiu fraca, então a segurei como consegui.
Uma exclamação de dor e surpresa havia ecoado dos lábios dela quando o impacto da explosão nos atingiu e eu senti o exato momento em que as mãos da mulher me pressionaram com força, me abraçando como se jamais fosse me soltar depois daquilo.
— respondeu em um tom tão fraco quanto o meu e quando seus olhos me encararam era nítido o quanto aquilo havia a deixado apavorada. — Você está bem?
Respirei fundo, soltando o ar depois em alívio por saber que ela estava bem.
— Não é comigo que estou preocupada, honey. — Sorri, ao constatar que ela realmente não tinha sofrido nenhum dano. — Eu estou bem, .
— Mas eu estou, my love. — ergueu uma sobrancelha de leve, então seu olhar me avaliou por alguns segundos antes de ela suspirar parcialmente aliviada, parcialmente convencida de que eu estava bem mesmo. — O que foi que aconteceu aqui? O rei está morto?
Tentei sair de cima dela, mas continuava me segurando com força. Me deixei ler alguns pensamentos, desviando meu olhar como pude e vendo T’Challa sobre o corpo de seu pai.
Menos de vinte e quatro horas e já tínhamos nos enfiado em outra tragédia.
, pode me soltar — falei calma, encarando-a nos olhos. — Eu estou bem.
Ela estremeceu de leve, então engoliu a seco, assentindo para minhas palavras e parecendo fazer um certo esforço para afrouxar o aperto de seus dedos em mim.
— Certo. — Seus olhos se desviaram de mim para observar o caos ao nosso redor enquanto ela lutava para se recompor. Quando o fez, soltou mais um suspiro. — Suponho que agora teremos que pegar o desgraçado que causou essa explosão.
Não me aguentei e soltei uma risada leve com as palavras de , mas, antes de dizer algo, saí de cima dela e puxei sua mão para que também levantasse. Algo chamou minha atenção em meio a imensidão de pensamentos que eu era capaz de ouvir, porém queria me certificar de que ela estava mais calma.
— Quando que não estamos fazendo isso? — indaguei, entrelaçando meus dedos aos dela e a puxei, depositando um beijo no dorso de sua mão. — Viu, perfeitamente bem. Agora precisamos sair daqui!
— Sinceramente? Uma hora eu vou cansar de limpar essas bagunças — resmungou, então abriu um sorriso para meu gesto e concordou comigo. — Precisamos.
Ri mais uma vez, não podia negar que eu amava o senso de humor daquela mulher. Ou talvez tudo sobre ela.
Segurei sua mão com firmeza e então a puxei para que caminhássemos entre os estrondos e saíssemos de uma vez por todas daquele lugar. Já estávamos quase chegando a um lugar limpo, quando meus olhos avistaram Natasha Romanoff e algo me disse que eu gostaria de saber seus pensamentos e escutar o que falava ao telefone, sentada no banco daquela praça.
— Steve Rogers sabe que estamos aqui. — Parei abruptamente ao soltar aquela informação. — Esse cara é mesmo uma pedra no sapato, e das grandes, .


BUCKY BARNES

Minha cabeça doía feito o inferno. Com certeza era porque eu não havia dormido nada naquela noite, ou na noite anterior, e muito menos na seguinte. O fato era que eu não lembrava da última vez que havia realmente conseguido fechar meus olhos e isso não tornava muito fácil a tarefa de manter qualquer outra expressão que não fosse séria no meu rosto.
Cada passo dado era uma luta para não ceder àquilo que tentava me consumir a cada segundo. Uma luta árdua pelo controle contra um pedaço meu forte demais, frio e implacável.
Em meio a tudo, eu já havia perdido a noção do tempo e por quantos lugares acabei passando, evitando ser encontrado por qualquer um. Não era seguro permitir uma aproximação de ninguém e eu tampouco queria aquilo.
Precisava entender quem exatamente eu era e por que aquele homem havia me afetado daquele jeito antes de qualquer outra coisa.
Minha intuição apontava para ele, para a sensação de familiaridade trazida em todas as vezes que nos encontramos. E a insistência em fazer eu me lembrar de qualquer coisa que fosse só evidenciava ainda mais onde estariam as minhas respostas.
Steve Rogers.
O cara conhecido como Capitão América.
Inimigo número um da Hydra.
E, aparentemente, o meu melhor amigo.
Era difícil me concentrar no que poderiam ser lembranças enquanto o sangue das minhas vítimas escorria por entre meus dedos. A cada flash, gritos ecoavam em meus ouvidos, perturbando minha mente, fazendo eu me encolher feito uma bola e ter a constante sensação de que se eu não estivesse em movimento, tudo o que eu havia feito voltaria para me assombrar.
Naquela noite, e em todas as outras, não foi diferente.
Um Steve magrelo aparecia comprando alguma briga com alguém forte demais para ele e eu precisava apartar, eu me preocupava com o fato de deixá-lo ali para servir à nação e…
Aquela dor excruciante estava de volta, seguida por aquelas palavras malditas.
De repente, a noite escura era tudo o que meus olhos viam, o vento batia contra meu rosto, jogando meus cabelos para trás enquanto meu destino estava perfeitamente calculado. Minutos se passavam, gritos ecoavam e mais uma vez havia sangue.
Alguma coisa dentro de mim alertava que um dia eu não aguentaria mais aquilo, no entanto, era preciso.
Aos menos as lembranças foram permanecendo com o passar dos dias e eu suspeitava que o principal motivo era as visitas frequentes aos painéis daquele museu, contando a história do Capitão América e, bem, a minha.
James Buchanan Barnes. O braço direito de Steve Rogers. Que havia lutado ao lado do amigo e dado sua vida pela causa a qual ambos lutavam. Uma incansável guerra contra a Hydra.
Meus olhos se estreitavam diante das placas enquanto as palavras saltavam e praticamente dançavam ao meu redor, executando uma coreografia sincronizada com o meu próprio rosto reproduzido naquelas imagens. O suspiro de sempre ecoava de meus lábios quando decidia dar a pesquisa do dia por encerrada, até que já não era mais seguro ir até aquele lugar e eu precisei mudar de cidade.
Como eu odiava aquilo.
Procurei ajeitar o boné sobre minha cabeça, torcendo para que fosse o suficiente para esconder a minha identidade. O casaco e as luvas cumpriam seu papel de esconder o braço de metal.
Caminhei evitando contato visual com qualquer pessoa e parei diante da banca repleta de mirtilos, estendendo a mão para escolher alguns para levar até o pequeno apartamento onde eu estava em Bucareste.
Senti que alguma coisa estava errada quando o incômodo na minha nuca denunciou que eu era observado. Me virei da forma mais discreta que pude, dando de encontro com o olhar apavorado do dono de uma banca de jornais oscilando entre o meu rosto e algo posto sobre sua bancada.
Quando fiz menção de ir até ele, no entanto, o homem saiu correndo como se sua vida dependesse disso, então eu tive a confirmação de que havia mesmo algo errado.
Poucos passos me aproximaram do local e quando puxei o exemplar de um jornal, entendi imediatamente o que estava acontecendo.
Um atentado em Viena havia matado várias pessoas reunidas em uma conferência da ONU e eu havia sido filmado em um veículo próximo ao local.
Merda.
Obviamente, não havia sido eu e, sim, alguém se passando por mim. Eu ao menos havia passado por Viena.
E ser reconhecido por aquele homem era a última coisa que eu precisava.
Aquela era a deixa para eu dar o fora daquela cidade e agir rápido era crucial.
Tentei espantar qualquer pensamento enquanto voltava para o meu lar temporário. Havia coisas ali que eu precisava buscar, anotações cruciais feitas em prol da minha memória e…
Eu deveria ter pressentido a presença de alguém, mas isso só aconteceu quando parei diante da porta.
Me esquivei da forma mais silenciosa que pude, analisando quem seria o invasor e acabei não me surpreendendo ao dar de cara com Steve Rogers.
Saber que ele ainda procurava por mim trazia uma espécie estranha de conforto, mas eu não podia perder tempo tentando entender o motivo.
Rogers segurava meu caderno aberto em mãos, analisando seu conteúdo e respondendo alguém através do comunicador, até se dar conta da minha presença, então se virou devagar, me encarando enquanto parecia tentar decifrar se eu era culpado ou inocente.
— Você me conhece? — A nota de esperança estava estampada em suas feições.
— Você é o Steve. — Senti que devia falar a verdade. — Eu li sobre você em um museu.
Não era apenas aquilo. A certeza de quem ele era estava impregnada em meus pensamentos.
Eles estão cercando o perímetro.
A voz ecoou pelo comunicador de Steve e eu sabia que já não teria mais tempo algum para discutirmos qualquer coisa.
Mesmo assim, Rogers deu um passo na minha direção.
— Olha, eu sei que você está nervoso, Bucky. E tem vários motivos para estar. Mas está mentindo.
Engoli a seco com aquilo, me praguejando mentalmente por estar dando aquela abertura a ele.
Não era seguro e eu tinha que sair dali o mais rápido possível.
— Eu não estava em Viena. Não faço mais essas coisas. — As palavras escaparam dos meus lábios antes que eu pudesse me refrear.
Estão entrando no prédio.
— Bom, as pessoas que acreditam que foi você estão a caminho e não planejam te manter vivo.
— Bem pensado. Eu não me manteria vivo se fosse eles também. — Fui sincero mais uma vez. — Boa estratégia.
Minhas mãos trêmulas talvez estivessem me denunciando, mas não importava naquele momento. O meu foco precisava ser dar o fora daquele prédio.
Eles estão no telhado. Já me viram.
Passos no corredor denunciaram que o tempo estava se esgotando.
— Ouça, Bucky. Isso não precisa acabar em luta. — Steve atraiu minha atenção novamente.
Suspirei, caminhando em direção à porta, notando o som cada vez mais nítido.
Comecei a puxar os dedos da luva para me livrar dela.
— Sempre acaba em luta — rosnei entredentes, sabendo que minha raiva estava nítida.
5 segundos.
— Você me tirou do lago — Steve acusou e eu ergui meu olhar até ele. — Por quê?
Odiei aquilo. Era sério que ele queria debater aquilo naquele momento?
— Eu não sei. — Me controlei para não bufar porque as intenções dele eram boas, Steve só queria me ajudar.
E na verdade esse era o problema. Ninguém podia me ajudar. Não sem se comprometer com algo muito maior.
3 segundos.
Não sabia o que estava me tirando mais do sério, a contagem ou os questionamentos.
— Sabe, sim — Rogers acusou, se aproximando mais.
“Porque eu estarei com você até o fim”.
Ou talvez fossem aquelas lembranças que insistiam em confundir ainda mais meus pensamentos.
Uma granada atravessou o vidro da janela enquanto palavras foram gritadas no comunicador de Steve, mas dessa vez eu não consegui entender nada do que diziam ou parar para pensar no que havia acabado de ecoar em minha mente.
Imediatamente, Rogers se colocou diante de mim, usou o escudo para nos proteger e acertou a granada, que acabou por rebater em uma cadeira e voltar para a nossa direção.
Arregalei meus olhos quando a vi diante dos meus pés, me abaixei rapidamente e com o braço metálico rolei aquilo para longe. Então, como se tivéssemos ensaiado o tempo todo, Steve usou o escudo para cobri-la.
E eu levei cerca de três segundos para entender que aquilo se tratava de uma granada de fumaça, o suficiente para eu sentir estilhaços de vidro baterem contra o meu rosto e ouvir o barulho de algo socar a porta atrás de mim, numa tentativa quase bem sucedida de arrombá-la.
Tiros vieram na minha direção. Sem parar para pensar direito sobre aquilo, peguei a primeira coisa que apareceu em minha frente para usá-la como proteção, então joguei de qualquer jeito e me esquivei até a mesa no centro do cômodo. Dois segundos foram o suficiente para o braço metálico erguer o objeto e eu o joguei com toda a força na direção da porta, o que travou o corredor e impediu que conseguissem derrubá-la.
Mais estilhaços de vidro voaram e dessa vez um policial se lançou em cima de mim. Não lhe dei tempo, soquei seu rosto com toda a força e eu sabia que havia o nocauteado.
Outra sequência de tiros ricocheteou e parecia que aquilo vinha de todos os lados. Empurrei outro corpo que se lançou contra mim e olhei para o lado. Steve se embolou com mais um policial e, em outro movimento quase ensaiado, ele o segurou para eu chutá-lo.
Avançei na direção do homem com a fúria nítida em meu rosto, então senti Rogers me segurar pelo braço metálico.
— Bucky, não. Você vai acabar matando alguém! — Não olhei direito para seu rosto, mas pude jurar que a preocupação se estampou ali.
Torci seu braço de volta e reverti o golpe contra ele, então o joguei no chão e lhe lancei uma careta.
— Eu não vou matar ninguém — o grunhido ecoou incerto de meus lábios.
Novamente, eu não tinha tempo para pensar sobre nada, muito menos para responder aos questionamentos dele.
Desferi um soco contra o assoalho ao lado da cabeça de Steve, onde ironicamente eu havia escondido uma mochila com suprimentos e minhas anotações, então a peguei e joguei pela janela.
Eu já tinha pensado naquele tipo de fuga antes, era o tipo de coisa o qual era preciso quando se era um fugitivo.
Os policiais, por fim, conseguiram arrombar a porta e, quando me dei conta, o escudo estava sobre mim outra vez enquanto mais tiros eram disparados em nossa direção.
Por intermináveis segundos Steve Rogers se manteve firme ao me proteger, mas eu não suportava aquilo. Ninguém podia me ajudar, por que ele não entendia?
O empurrei e avancei com o braço de metal estendido na direção do policial. Os tiros ricochetearam ao me atingir, então peguei cheguei perto o suficiente para socá-lo com força.
Nós estávamos cercados. O que significava que não importava quantos policiais derrubássemos, vários outros surgiriam e aquela batalha, como qualquer outra que eu já lutei, parecia nunca ter fim.
Havia homens demais do lado da janela, o que significava que a minha melhor opção de fuga seria por um outro andar.
Derrubei a porta e segui em direção às escadas, sem me importar com quantos eu precisaria esmurrar para conseguir chegar ao meu destino.
Conseguia ver Steve o tempo todo ao meu lado, garantindo que nada me atingisse e de novo isso me incomodou.
A oportunidade perfeita surgiu aos meus olhos quando me pendurei pelo corrimão das escadas e me lancei em um forte impulso que acertou a cara de mais um homem com um chute.
Meu rosto se contraiu em determinação, apressei meu passo enquanto corria em direção à janela e sem ninguém para me atrapalhar dessa vez, consegui pular por ela, aterrissando na cobertura do prédio ao lado sem nenhuma dificuldade.
Minha mochila aguardava ali paciente e bastava eu pegá-la para dar o fora dali.
— Isso. — Não tive certeza se aquilo ecoou de meus lábios ou apenas pensei, mas não importava.
Corri na direção do objeto e o peguei sem nem parar porque precisava de outro impulso para pular para o próximo prédio.
No entanto, antes mesmo que eu sequer tentasse, algo me atingiu com toda força nas costelas.
Eu devia saber que não seria tão simples.
O ar fugiu ligeiramente de meus pulmões e meu corpo foi lançado ao chão, porém consegui manter a mochila presa entre meus dedos.
Tomei impulso para me levantar, então outro golpe atingiu meu peito e quando olhei para cima a sombra de uma silhueta tomou meu campo de visão.
Uma sensação engraçada na boca do estômago insinuou que eu sabia a quem pertencia.
— Ah, qual é. Achei que você fosse um desafio, bonitinho. — Franzi o cenho ao escutar aquela voz feminina, então a mulher se aproximou e me agarrou pelo colarinho da camiseta.
Algo no rosto dela também me era familiar e uma tontura me atingiu ao constatar isso.
Eu não era lá de trocar muitas palavras, mas ainda assim me vi sem fala e ela percebeu isso porque um sorrisinho irônico logo moldou seu rosto. Sorriso esse que fez algo em mim se agitar outra vez.
— Patético, Barnes.
Ela me conhecia?
Recobrei os sentidos ao me irritar com aquilo. Por que eu tinha aquela sensação de que eu a conhecia muito bem?
Desferi um chute para afastá-la de mim e tentei me esquivar para continuar fugindo, porém a mulher logo voltou a se aproximar.
Aparei um soco que quase atingiu o lado do meu rosto e segurei a mão dela, mas não a vi se abalar e, quando me dei conta, estava caído no chão outra vez.
Pelo canto do olho, notei Rogers aterrissar bem ao meu lado e um segundo som deixou claro que aquilo não era tudo. Havia mais alguém ali.
Ótimo.
De soslaio, captei o exato momento em que pés bateram contra o peito de Steve. Ele tentou reagir, mas não sobrou muito tempo, logo uma mulher apareceu em meu campo de visão, desferindo socos contra ele e o atacando para todos os lados.
Era possível ver no olhar dela que estava com raiva, aquela definitivamente não era a primeira vez que cruzava com ele.
Ela continuou o que fazia, mas seus olhos passaram por mim brevemente em um semblante nada surpreso. Projetou o corpo, deslizando no chão e seus pés prenderam os de Rogers, fazendo-o cair no chão e ela deu uma pirueta, parando do outro lado e direcionando o olhar até mim.
— Pelo menos você luta melhor que o seu amiguinho aqui, Barnes — soltou, abrindo um leve sorriso.
Contorci meu rosto em uma careta porque claramente ela também me conhecia e porque outra vez a sensação de familiaridade estava presente.
Percebi Steve tomar um impulso para se levantar e então erguer os dois punhos ao lançar um olhar determinado para a mulher.
— É sério? Eu posso fazer isso o dia todo, querida — a provocou e por um momento eu até me entreti ao assistir aqueles dois.
Foi aí que lembrei que precisava dar o fora dali e tentei me desvencilhar daquela que ainda me imobilizava.
Algo me disse que ela tinha um ponto fraco e se apoiava um pouco mais na perna esquerda. Eu não fazia ideia de como sabia disso, mas no momento em que lhe apliquei uma rasteira, a mulher desabou ao meu lado.
— Fala sério! — A ouvi resmungar e foi a minha vez de deixar a sombra de um sorriso irônico se formar nos meus lábios.
— O quê? Não gosta de resistência? — rosnei de volta para ela, que bufou e no instante seguinte já estava em pé, pronta para me bloquear.
Não me intimidei com aquilo e avancei em sua direção assim que fez o mesmo, bloqueando a maior parte dos golpes dela e tentando acertá-la para que me deixasse em paz.
Enquanto fazia isso, pude ver que Steve voltou a lutar com a outra mulher. Ela não dava trégua para que ele pudesse sequer respirar, desferindo socos contra ele e chutes, conforme seu corpo movia-se com destreza, demonstrando o quanto era bem treinada.
— Vamos ver se pode mesmo, lindinho — falou, em resposta ao que ele havia dito anteriormente.
Escutei uma risada vir de Rogers enquanto mantinha o mesmo ritmo que ela, se esquivando de alguns de seus golpes e tentando derrubá-la a qualquer custo.
Uma lufada de ar bem ao lado de meu rosto deixou claro que por muito pouco o golpe daquela com quem eu lutava não me acertou e acabei soltando o ar sonoramente em resposta.
Usei o braço biônico para aparar mais um e aproveitei uma pequena brecha para chutar uma das coxas dela. Ao vê-la cair, encontrei a chance perfeita para virar na direção oposta e correr até a beirada do prédio.
Pela milésima vez, fui interrompido, dessa vez sendo atingido na cabeça, o que me fez rolar em direção ao chão. O golpe me deixou tonto, mas eu ignorei isso porque tive plena consciência de que, por causa daquilo, a mochila foi parar do lado oposto ao qual eu me encontrava.
— Ah, pronto. E quem é o gatinho agora? — O grunhido da mulher deixou claro que não havia sido ela e eu levei poucos segundos para detectar a presença de mais alguém ali.
Pelo menos daquela vez eu não tive sensação alguma de que conhecia aquela pessoa porque, quem quer que fosse, tinha sua identidade preservada pela roupa que cobria até seu rosto.
Era alguém que não estava nem um pouco disposto a conversar, pelo visto. No instante seguinte, avançou na minha direção e precisei desviar de garras afiadas que quase acertaram meu rosto.
Tentei atingir um soco em seu estômago, porém meu golpe foi aparado de imediato e mais uma vez as garras vieram ao meu encontro.
Um vulto o lançou para longe de mim e eu arregalei os olhos um tanto admirado, embora a mulher tivesse feito aquilo comigo momentos antes.
— Se não vai responder, cai fora. Ele é meu.
Eu teria rido daquilo, porém, de novo, vi a chance que precisava para fugir e foi exatamente o que fiz.
Me lancei pela lateral do prédio, usando o braço metálico para diminuir a velocidade e o impacto, escutei gritos e tinha certeza de que me seguiriam, porém evitei olhar para trás.
Quando meus pés atingiram o chão, voltei a correr determinado, seguindo a avenida sem ter ideia de qual seria o meu rumo, desde que fosse para bem longe daquela confusão.
Eu conseguia sentir os carros passarem ao meu lado e tiros ricochetearem atrás de mim, sem me atingirem por muito pouco. Apertei a mochila em um dos ombros e o som das sirenes se fez mais alto.
— Renda-se! — Uma voz que eu não conhecia ecoou em um alto-falante, mas a ignorei completamente, pulando por cima de um carro.
Olhei por cima de meu ombro e notei a pessoa com a roupa de felino vindo determinada a me alcançar. Logo atrás, estava Steve, que lançou o escudo contra um carro, fazendo-o parar para tirar o motorista de dentro dele e ocupar seu lugar.
Era tanta gente me seguindo que talvez o melhor fosse simplesmente me entregar, mas eu não faria aquilo.
Apressei o passo quando constatei que havia mais carros da polícia se juntando à perseguição. Por hora, Rogers dava conta do felino, então foquei no que poderia me ajudar a fugir.
Arranquei uma moto de seu dono em um movimento rápido, pulei em cima dela e segui na direção oposta, trocando de pista para atrasá-los.
Isso, de fato, teria funcionado se o felino não desse um jeito de desviar de Steve e vir para cima de mim.
Puxei uma granada do bolso da mochila e atirei em sua direção, errando-o por pouco, mas a explosão bloqueou mais alguns carros.
Pisei o acelerador com mais determinação, então fui arrancado da motocicleta e o impacto do asfalto me fez grunhir de raiva e dor.
Não havia tempo para levantar e lutar. Simplesmente continuei correndo, notando Steve Rogers se lançar contra o felino para impedi-lo de me alcançar enquanto um homem com duas asas mecânicas vinha ao meu encontro, tentando me parar.
A cada segundo aparecia mais alguém, que circo de horrores era aquele?
Desviei do homem ao socá-lo com o braço biônico e de repente vi um fio de esperança de que conseguiria escapar.
No entanto, eu havia esquecido daquelas duas mulheres e descobri isso da pior forma.
Uma delas desceu flutuando dos céus, pousando de forma graciosa na minha frente, erguendo uma sobrancelha e inclinando o rosto como se me desafiasse a lutar com ela.
Antes que eu reagisse ou pensasse no paradeiro da outra, senti uma corrente elétrica me atingir. Cada centímetro do meu corpo de repente paralisou e eu quis gritar para que aquilo parasse, temendo que trouxesse mais uma vez o pior de mim.
Talvez aquilo não tivesse durado tanto assim, mas parecia. E quando, enfim, a eletricidade parou de me atingir, meus olhos notaram a silhueta que era absurdamente familiar, embasbacado por ainda permanecer eu mesmo.
O brilho das sirenes denunciou que eu estava cercado e não precisei olhar para saber que Steve Rogers, seu amigo pássaro e o felino estavam ali comigo.
Para falar a verdade, eu nem quis olhar para outro lugar, porque, ao mirar a mulher parada à minha frente, com um sorriso irônico denunciando que havia sido a autora daquela descarga elétrica, um nome brotou em minha mente, trazendo a necessidade urgente de externá-lo por meus lábios.
.


Continua...



Nota das autoras: Chegamos com mais um capítulo pra vocês! E quem é que vem surtar conosco pelos acontecimentos desse capítulo? SÃO TANTAS EMOÇÕES!
Os gestos dessas pps para protegerem uma a outra nos deixam totalmente derretidas, não tem como não falar sempre desse amizade, né? Assim como não tem como não rir da pp1 xingando o Steve hahaha.
E essa chegada do Bucky? Por favor, venham comentar isso porque a gerência não tá sabendo lidar, não!
Nos sigam em nossos instagrams e entrem em nossos grupos do whatsapp e facebook para receber avisos sobre as atts, spoilers e interagir conosco!
Beijos e até a próxima.
Ste e Van.

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