Contador:
Postado 21/03/2021

Aviso da Autora

Nem tudo na história é de acordo com a realidade em que vivemos, algumas músicas não tinham sido lançadas no ano em que está na história, ou até mesmo a série de livros da Sarah J Mass, Corte de Espinhos e Rosas, fiz simplesmente para poderem se encaixar na história e ficar coerente. Espero que façam uma boa leitura.


Capítulo Único

tinha um grupo de amigos na escola desde o início do Ensino Médio, eram inseparáveis, dentre eles tinha o , ele e às vezes ficavam, mas a princípio era apenas curtição, a amizade deles sempre prevalecia, mas para entender essa história vamos começar onde tudo se iniciou.

Segundo ano do Ensino Médio, 2015

Festa do João

― Eu não deveria ter bebido. ― sentou ao lado de no fundo da casa onde tinha um banco afastado de toda a bagunça que acontecia dentro da casa.
― Idem. ― Disse de olhos fechados.
― Porque está aqui? ― O olhou.
― Só queria um lugar calmo por alguns minutos. ― A olhou de volta.
― Estou atrapalhando seu silêncio?
― Não. ― Riu. ― Mas tem uma maneira de nós dois ficarmos quietos.
― Qual? ― Sorriu e viu o amigo se aproximando dela. ― Quer me beijar?
― Já tem algumas semanas. ― Sorriu colocando os lábios no dela.

Foi um beijo calmo, mas com desejo, ambos não entendiam mas queriam aquilo, era como se tudo se encaixasse, como se o mundo ao redor parasse e só existisse eles.

― Isso foi bom. ― falou ao se afastarem.
― Foi mesmo. ― A olhou sorrindo. ― Quero lembrar disso amanhã.
― Não estamos tão bêbados a ponto de não lembrar. ― Riu e sentiu o braço do rapaz em seus ombros.
― Só me certificando. ― Sorriu e ficaram ali quietos, aproveitando a companhia um do outro.

Escola ― Segunda feira, 07h00

― A festa do João no sábado foi muito boa. ― Letícia se juntou à rodinha de amigos no pátio. ― Beijei vários.
― Queria dizer o mesmo. ― Marcos riu.
― Nem tinha tanta gente interessante. ― deu de ombros.
― Sério? ― Jonathan o olhou. ― Você sumiu por horas cara, tava pegando quem?
― Eu… ― Olhou para de lado, não sabia se podia contar. ― Ah, eu..
― Tava com a . ― Letícia falou despreocupada abrindo sua mochila. ― Meio óbvio até, os dois sumiram e depois apareceram com a maior cara lavada como se nada tivesse acontecido, sou boba não amor.
― Podia ficar calada. ― riu da amiga. ― A gente só ficou, nada demais.
― É, não tinha ninguém interessante lá, a era a melhor. ― disse, e todos o olharam. ― Enfim, vamos para a aula né.

Após aquele beijo, tudo mudou, apesar de às vezes o clima ficar meio estranho e se aproximaram bastante durante aquele ano, onde o rapaz começou  a ter sentimentos por ela, o que o incomodava já que ela não estava nem aí e toda semana ficava com alguém diferente, o deixando com ciúmes,  mesmo sem saber. Até esse momento Jonathan e Marcos sabiam que o amigo gostava dela, ele abriu o jogo para eles, mas sabiam como era, e o aconselhavam a esquecê-la, até mesmo para não estragar a amizade, mas era mais teimoso, ele rodeava a garota e vez o outra eles ficavam, até que um dia numa sexta feira, combinaram de fazer o trabalho na casa dele, era em dupla, para era perfeito, ficaria sozinho com ela, já que sua família não estaria em casa, todos trabalhando, e ele poderia se abrir.

― Finalmente terminamos. ― se espreguiçou. ― Minha bunda tá doendo de ficar sentada.
― Topa ver um filme? ― começou a juntar  bagunça na mesa.
― Sim, eu posso escolher?
― Não sendo de princesa. ― riu.
― Como ousa recusar Anne Hathaway? ― Riu. ― Sabe que o Diário da Princesa é meu filme favorito.
― E você já viu quantas vezes? ― a olhou e se calou. ― Exatamente.
― Tudo bem, a gente vê outra coisa.
― Vai levando as coisas para o quarto, eu vou fazer a pipoca.

foi até o quarto do amigo e se acomodou na cama de casal dele, o clima estava frio então tirou os sapatos e se enrolou no edredom ligando a televisão e colocando na Netflix a procura de algum filme.

― E aí, o que vamos assistir? ― perguntou adentrando o quarto.
― DUFF. ― Disse orgulhosa. ― Eu nunca assisti.
― Não sei porque deixei você escolher. ― Riu entregando a pipoca para a amiga e saiu voltando minutos depois com dois copos de refrigerante. ― Pode colocar. ― Falou entrando debaixo das cobertas com ela.

O filme durou quase duas horas, mas sequer prestou atenção na história, só queria saber como ia contar para a amiga que gostava dela, ao ver a tela do filme diminuir, ele despertou de seus pensamentos.

― Viu, nem foi tão ruim assim. ― o olhou sorrindo.
― É, até que foi bom. ― Mentiu se ajeitando do lado dela e a olhou.
― O que foi? ― Ela disse sem graça.
― Te acho linda . ― Ele sorriu se aproximando mais ainda. ― Quero te beijar agora.
― Então beija. ― Ela sorriu maliciosa.

Naquele dia ambos perderam suas virgindades e sabiam disso, achava que tudo poderia finalmente pudesse se resolver, ter ela por completo não parecia tão distante agora, mas ao vê-la se vestindo para ir embora, deu um aperto no coração, ele se levantou se livrando do preservativo usado em seu banheiro, pegou sua roupa no chão e vestiu apenas a cueca e bermuda, o silêncio estava insuportável.

― Então…
. ― Falaram ao mesmo tempo. ― Pode falar primeiro. ― Sorriu.
― Acho melhor a gente deixar esse ocorrido só entre a gente, sabe… ― O olhou. ― Não contar para ninguém, uma coisa minha e sua.
― Ah, claro, isso não muda nada.
― Exato, a gente transou, foi bom, mas fica só entre nós. ― Deu um beijo na bochecha dele. ― Agora eu vou indo, nos falamos depois.

Após aquele dia fez de tudo para tentar tirar de seus pensamentos, mas era impossível, vê-la praticamente todo dia o incentivava a manter os sentimentos, ele entendia que não a teria, mas era algo mais forte que ele, e assim o tempo foi passando e ele manteve o sentimento guardado.

Terceiro ano do Ensino Médio, 2016

, te pego que horas pra festa hoje? ― perguntou se juntando ao grupo de amigos.
― Eu nem sei se vou. ― Deu de ombros voltando a atenção para o livro que lia.
― Vai sim, se eu vou você também vai. ― Letícia falou indignada. ― Amiga é a festa do Thales, vai ter várias bocas para beijar.
― Vocês só vão para as festas para beijar? ― cruzou os braços.
― Não, mas isso vem de brinde. ― riu guardando seu livro na mochila. ― Tudo bem, eu irei.
― Te pego às oito ― sorriu
― Aproveita e passa lá em casa. ― Marcos se juntou aos amigos.
― Mais alguém quer carona?
― Eu dispenso, vou de uber mesmo. ― Falou ouvindo o sinal tocar.

O grupo saiu andando em direção às escadas do segundo andar para a primeira aula, eles eram da mesma sala, além dos quatros ainda tinha Jonathan que pertencia ao grupo.

[...]

Casa do Thales - 23h00

A festa já estava bombando, estava com seus amigos conversando em uma roda quando começou a tocar Braba de Luisa Sonza, ela e Letícia começaram a dançar com algumas outras meninas, não conseguia tirar o olho da amiga, ela percebendo começou a provocá-lo.

― Disfarça um pouco cara. ― Marcos deu um toque no amigo. ― Você deixa muito óbvio.
― Ela provoca. ― se virou de costas para e ela sorriu. ― Sabe que é meu ponto fraco.
― Já falei pra chegar nela e jogar a real, você fica sofrendo porque quer.
― É Marcos, porque quero mesmo. ― disse irônico e bebeu um pouco da sua cerveja. ― não é de ninguém, como ela diz, espírito livre.
― Sou mesmo. ― A garota pegou a cerveja dele. ― Mas isso não nos impede de nos beijar.
― Deu para ouvir conversa agora? ― Pegou a cerveja de volta.
― Ué, estavam falando de mim, então tecnicamente eu estava na conversa. ― Deu de ombros. ― Amiga, olha quem chegou!
― É hoje! ― Letícia falou se referindo ao rapaz que acabara de chegar na festa, era do terceiro mas de outra turma. ― E veio com um amigo.
― O amigo é meu. ― sorriu e pegou a cerveja do novamente. ― Parece ser mais velho, quantos anos será que ele tem?
― Nossa, como conseguem ser assim? ― Jonathan perguntou.
― Não começa, você faz pior e ninguém julga e outra só quero beijar ele, não quero namorar, casar, ter filhos. ― se levantou com Letícia indo em direção aos  meninos.

ficou observando a cena de longe, conversando com os dois, no fundo ele queria estar ali, queria que ela estivesse tendo aquela conversa com ele, mas sabia que isso não aconteceria, ela não queria nada com ele, apenas ficavam às vezes e não passava disso, continuavam amigos.

― Estou pronta para ir embora se quiser. ― sentou ao lado do amigo que mexia no celular.
― Cansou de beijar? ― Perguntou sarcástico.
― É, no fundo ele nem beijava tão bem assim. ― Riu. ― Porque está bravo comigo?
― Não estou . ― Se levantou.
― Opa, está sim, você só me chama assim quando fiz uma merda muito grande. ― Se levantou também. ― O que eu fiz?
― Não fez nada , vamos embora. ― Falou passando o braço pelo ombro dela.
― Se eu tivesse feito, você diria, certo? ― O olhou enquanto andavam abraçados.
― Claro. ― Sorriu.

Dentro do carro tocava uma música aleatória e cantava baixinho enquanto dirigia, a garota o observava.

― Ficou chateado porque eu fui conversar com aqueles caras, não foi?
― Não? ― Riu.
― Está me perguntando? ― Ela riu junto dele enquanto o carro parava em frente à sua casa. ― Sabe que sempre será meu número um, né?
― Sou mesmo ? ― A olhou tirando o cinto. ― Você é livre para ficar com quem quiser, não temos nada…
― Eu sei disso, mas você será sempre o número um na minha vida. ― Sorriu e se aproximou colocando seus lábios no dele.
― Te digo o mesmo. ― A olhou. ― Agora vai, porque  não vou me controlar aqui.
― Boa noite. ― disse descendo do carro e acenou para o amigo.
― Boa noite! ― Sorriu e saiu com o carro.

XXX

Belo Horizonte, Agosto de 2017

andava pelos corredores da faculdade apressada, estava atrasada para encontrar , ele a levaria até a casa de Letícia, já que seu carro estava na revisão, ao sair pela porta da frente encontrou o amigo encostado no carro mexendo no celular, avistou algumas garotas o olhando e cochichando, continuou caminhando na direção dele, agora mais calma.

― Nossa , demorou. ― Ele falou ao vê-la se aproximar.
― A culpa não foi minha, meu professor me segurou na sala para falar de um trabalho. ― Ela disse colocando seus livros e a mochila no banco de trás. ― Posso tomar banho na sua casa? É mais rápido que ir até a minha.
― Sem  problemas. ― Falou adentrando o carro com ela.

O ensino médio havia acabado, agora a faculdade era o que mais tomava tempo de , que ainda mantinha contato com os amigos da escola, principalmente estudava em uma faculdade próxima a dela, onde ele fazia ciências contábeis e ela Enfermagem. Ao pararem no estacionamento do prédio do rapaz, ambos desceram e foram até o andar dele.

― Juro que é um banho rapidinho. ― falou deixando as coisas no sofá.
, relaxa, eu espero, a casa é sua, ou melhor o apartamento. ― Ele riu colocando suas chaves próximo ao móvel da porta.

havia ganhado o apartamento da avó, ela deixou no testamento para ele e na primeira oportunidade que teve ele se mudou, sempre se deu bem com seus pais, mas queria ter seu próprio espaço, sua bolsa da faculdade era integral, o dinheiro que ganhava do escritório que trabalhava era para pagar as contas e comer. ainda morava com os pais enquanto não começava seu estágio remunerado, ela estava cursando Enfermagem, com bolsa integral também, o amigo a chamou várias vezes para morar junto, mas ela recusou não queria misturar tudo e achava que acabariam destruindo a amizade, pois ainda não se conformava do jeito da amiga.

― Esqueci minha roupa. ― voltou para a sala assim que acabou o banho, enrolada na toalha.
― Por mim ficamos aqui. ― a olhou. ― Eu não quero ir em aniversário nenhum.
― Mas temos que ir, é a irmã caçula da Letícia, ela vai ficar chateada se não formos. ― Pegou a bolsa com suas roupas.
― Mas a gente pode se atrasar um pouco, né? ― Perguntou se aproximando dela.
. ― O olhou. ― Eu sei onde quer chegar. ― Sorriu maliciosa. ― Mas agora não.
― Vai , só uma rapidinha, tem um tempo que não faço. ― Passou o dedo de leve no ombro descoberto dela.
― Virei estepe agora?
― Sempre fui o seu. ― Riu e se aproximou  mais ainda do pescoço dela dando leves beijos. ― Sei que quer.
― Eu quero. ― Riu. ― Mas agora não dá tempo, quando voltarmos.
― Vou me lembrar disso. ― Falou vendo ela sumir pelo corredor.

A casa da família de Letícia ficava no Belvedere, estavam morando ali há pouco tempo, era um bairro nobre de Belo Horizonte, ao chegarem a irmã da amiga Jéssica veio abraçá-los e logo saiu com o presente toda feliz.

― Obrigada por terem vindo. ― Letícia os cumprimentou. ― Fiquem à vontade, a birita tá escondida na cozinha.
― Eu pego. ― disse se afastando delas.
― Vem quero te apresentar uma pessoa. ― Letícia puxou a amiga.
― Medo.
― Lucas, essa é minha amiga . ― Letícia disse ao um rapaz loiro, alto de olho claro. ― , esse é meu primo, se divirtam.
― Nossa. ― o olhou sem graça. ― Desse jeito parece que estou desesperada.
― Ou eu. ― Ele riu. ― É um prazer te conhecer.
― Igualmente. ― Se cumprimentaram com um beijo na bochecha.

estava na cozinha com Marcos e Jonathan, conversavam quando Letícia adentrou a cozinha.

― Vocês nem pensem em ficarem bêbados. ― Os olhou.
― Preciso de muito mais para isso acontecer. ― Marcos riu. ― Cadê a ?
― Deixei ela conversando com o meu primo, eles combinam tanto. ― Letícia disse despreocupada.
― Ela não perde tempo. ― Jonathan riu.
― Como se a se prendesse a alguém. ― debochou e bebeu um gole de sua bebida.
― Uma hora ela vai ter que fincar raízes. ― Letícia os olhou.
― Pode até ser, mas não vai ser com o seu primo. ― disse sério.
― Enfim, vamos lá para fora. ― Letícia tentou quebrar o clima pesado que se instalou.

Enquanto a festa passava, permanecia conversando com o primo de Letícia, eles agora estavam na mesa como os amigos dela, mas de todos fazia questão de não participar da conversa, e a cara emburrada dele estava começando a incomodar .

Eu estou doido para te beijar. ― Lucas sussurrou na orelha dela.
Podemos resolver isso. ― Sussurrou de volta.
Gosta de viver perigosamente? ― Permaneceu sussurrando e viu ela fazer um gesto de pequeno com as mãos e ele sorriu. ― Me encontre no quarto de hóspedes em cinco minutos.
― Onde ele vai? ― Letícia perguntou.
― No banheiro. ― bebeu sua cerveja e olhou algumas mensagens no celular, logo desviando a atenção para . ― O que tem senhor emburrado?
― Não estou emburrado. ― A olhou e voltou a atenção para as pessoas na festa as observando.
― Nem vou insistir. ― Terminou de virar o resto da sua cerveja. ― Vou pegar cerveja, mais alguém quer?
― Eu vou querer. ― Marcos disse e viu a amiga sair adentrando a casa.

subiu as escadas calmamente para não levantar suspeitas e foi até o quarto de hóspedes, agradeceu por já ter ido algumas vezes na casa, e conhecer tudo lá, ao adentrar o quarto encontrou Lucas sentado na cama, fechou a porta atrás de si a trancando.

― Você veio rápido. ― Lucas a olhou se levantando.
― Fale menos e faça mais. ― Se aproximou dele e o beijou.

O rapaz a beijou calmamente, mas o clima entre eles começou a esquentar, ele não queria fazer ali, nem tinha camisinha, mas não sabia como cortar a mulher.

― O que foi? ― olhou.
― Eu tô sem camisinha. ― Deu de ombros.
― Não vamos transar! ― Ela se levantou da cama rindo. ― Ficou louco?
― Eu achei que… bom o clima estava esquentando, teve mão boba.
― Garoto você fez 18 anos há uma semana, não vou transar contigo. ― o olhou e ouviu alguém bater na porta.
, está tudo bem? A tia da Letícia disse que viu você subindo. ― Era do outro lado da porta.
― Estou, só… eu já vou descer. ― Lucas levantou e o segurou. ― Fique aí. ― Sussurrou para ele.
― Tá tudo bem? Precisa de algo?
― Não eu tô bem.
Me deixa sair. ― Lucas a olhou.
Espera. ― Olhou para Lucas e voltou a falar com o amigo. ― Pode descer, eu já estou indo.
― Tudo bem, te espero lá embaixo.
― Você sai e entra no banheiro do corredor enquanto eu desço. ― disse para Lucas que concordou, mas ao saírem do quarto deram de cara com .
― Eu sabia! ― A olhou sério. ― Sério ? Nem aqui você tem limites!
, eu não transei com ele, a gente só ficou.
― Estamos numa festa de criança, tenha um pouco de senso !
― Se me derem licença. ― Lucas falou saindo dali o mais rápido possível.
― Você é inacreditável, sabia? ― A olhou irritado. ― Não podia esperar pelo menos sair daqui, ou sei lá, onde a gente vai você tem que arrumar alguém para ficar se  pegando.
― Por que está tão irritado? Não temos nada, não te devo satisfações, sou livre para fazer o que eu quiser!
― Quer saber, você tem razão, a vida é sua, eu cansei desse joguinho, faça o que quiser, eu tô caindo fora.
, espera!

O rapaz desceu as escadas rapidamente e saiu pela porta da frente, ninguém o viu sair já que a festa acontecia nos fundos da casa, alguns minutos depois apareceu nos fundos da casa e seus amigos deram falta de .

― Ele deu o show dele, e foi embora. ― sentou com os amigos.
― O que você fez dessa vez? ― Marcos perguntou.
― Porque acha que eu fiz algo?
― Qual é , é apaixonado por você desde o ensino médio, só não vê quem não quer. ― Jonathan jogou na mesa o fato.
― Não, somos amigos, uma amizade com benefícios, mas nunca passou disso, sempre deixei bem claro para ele.
― Não mandamos no coração . ― Marcos lamentou. ― Onde você estava?
― Com o primo da Leti lá em cima no quarto de hóspedes.
― Nossa, se superou nessa.
― A gente só ficou, não transamos. ― Ela os olhou. ― O nos viu saindo do quarto.
― Isso explica tudo. ― Jonathan se levantou com Marcos. ― Sinto muito, Letícia, a gente vai ver como o está, dê os parabéns a sua irmã por mim.
― Agora eu sou a vilã? ― Olhou para a Letícia.
― Ah amiga, também né, no quarto de hóspedes.
― Nem vem, quem me apresentou foi você! ― Falou com indignação.
― Eu sei, mas não imaginei que fossem se pegar aqui.
― Tá tudo bem, eu já entendi que errei nessa parte. ― Admitiu. ― Mas agora sobre o , eu não imaginava.
― Eu desconfiava, mas sei lá, podia ser nóia da minha cabeça. ― Letícia riu.
― E agora, o que eu faço? ― perguntou.
― Dê um tempo para ele, não o procure hoje, só vai piorar as coisas, amanhã quando tudo estiver mais calmo, vocês conversam.

XXX

Três dias depois

não conseguiu conversar com durante três dias, ele não respondia suas mensagens, não a atendia, Marcos e Jonathan diziam que ele estava bem, e já que todos falavam com ele sabia que estava sendo ignorada de propósito, então ao sair da faculdade aquele dia , ela foi determinada falar com o rapaz.

―  é a , abre a porta. ― Ela falou batendo pela décima vez. ― Eu sei que está aí, eu quero conversar, não quero ficar nesse clima chato.
― Não temos nada para conversar. ― Ele falou ao abrir a porta.
― Custava abrir assim que cheguei? Precisava desse show? ― Ela adentrou o local.
― Não quero falar com você, por isso não abri logo de cara, mas comecei a ficar com pena. ― debochou.
― Por que saiu da festa daquele jeito?
― Você sabe porque, não se faz de sonsa. ― Se sentou no sofá.
― E por porque não me contou sobre seus sentimentos? ― Ela se sentou ao lado dele.
― Mudaria algo? Você sempre falou que era um espírito livre, sempre me cortava quando eu ia falar dos meus sentimentos, nunca me deu a chance de expressar o que eu sentia. ― se virou para ela. ― Eu gosto de você desde o dia que ficamos, são anos nessa e quando a gente transou pela primeira vez, eu ia te contar o que sentia, mas aconteceu tudo aquilo e você me pediu para manter segredo, o que eu ia dizer? Ah não , eu gosto de você, vamos namorar? Você não queria, não gostava de mim da mesma maneira.
― Guardou esse sentimento por todo esse tempo? ― Perguntou surpresa.
― Sim,agora imagina para mim como foi, gostar de você e te ver praticamente todo dia ficando com alguém diferente e se gabando por isso. ― Disse com certa mágoa. ― Sei que não fazia para me magoar, só que eu me magoava, e aí vem o que aconteceu na festa da irmã da Leti, e aquilo para mim, acho que foi a gota que faltava para transbordar o copo, iriamos transar depois da festa e você foi e ficou com o primo dela, praticamente debaixo do meu nariz, ali eu vi o quão idiota eu estava sendo e percebi que você não gosta de ninguém, só de você mesma e tá tudo bem , você é uma mulher maravilhosa, merece tudo de bom que esse mundo tem a oferecer, mas não posso continuar a amizade que temos…
― Não . ― Ela disse com receio. ― Não fala isso.
, eu sou apaixonado por você, mas não vou conseguir te esquecer tendo que te ver todo dia, então a melhor forma que achei foi me afastar de você e quero que respeite essa minha decisão, já me machuquei demais nesses anos.
― Eu não queria que as coisas terminassem dessa maneira. ― O olhou. ― Sinto muito por ter te feito sofrer todo esse tempo, você é uma pessoa incrível, não merecia passar por isso, e entendo sua decisão, queria ter sido uma amiga melhor, mas hoje vejo que falhei nisso.
― Não, você é incrível, sempre foi, foi por isso que me apaixonei por você, mas sei que o sentimento não é recíproco.
― Queria que fosse diferente e me dói ter que me afastar, mas torço para que você ache alguém que te mereça de verdade,porque eu falhei nessa parte. ― Ela se levantou junto com ele. ― Obrigada por tudo , vou sempre te guardar no meu coração e sempre será meu número um.
― Obrigado por entender , você sempre será minha número um também. ― Se abraçaram por alguns minutos, não queriam se separar, no fundo sabiam que era errado, mas só descobriram isso tempos depois.

entrou no carro aquele dia e chorou como uma criança, não queria ter que se afastar do seu melhor amigo, mas sabia que acabaria o machucando mais ainda se continuassem a amizade.

Belo Horizonte, Outubro de 2017

Dois meses haviam se passado e não havia visto , sabia que ele estava bem, pelo menos era o que Jonathan e Marcos falavam, mas não o viu mais, nem trocaram mais mensagens, naquele dia eles iam até uma boate chamada Verdant, a mulher sabia que estaria lá, iam comemorar o  aniversário de Marcos, então o encontro seria inevitável.
Ao chegar no local, encontrou rapidamente a mesa com os amigos,mas havia um rosto diferente no meio deles.

― Desculpem o atraso. ― Disse ao se aproximar.
― Finalmente. ― Marcos se levantou a cumprimentando.
― Só uma lembrancinha. ― Estendeu uma caixinha pequena para ele.
― Sabe que não precisava. ― Sorriu ao abrir e ver um bracelete de ouro. ― Obrigada .
― Não precisa agradecer. ― Terminou de cumprimentar os amigos até chegar em . ― Oi.
― Oi . ― Sorriu. ― Como você está?
― Bem. ― Sorriu ao ouvir o apelido que só ele a chamava. ― E você?
― Estou bem. ― A fitou e o silêncio na mesa foi quebrado ao ouvirem um pigarro. ― Ahn, essa é a Aniele.
― Prazer. ― A moça a olhou. ― Sou a ficante dele.
― Ah, que bom, apesar de eu não ter pedido a informação. ― sorriu sem vontade e se sentou à mesa de frente para .
― Vou pegar mais bebidas. ― Marcos disse tentando quebrar o clima  que se formou.
― Como você está?i ― Letícia cochichou para amiga.
― Bem. ― olhou para e Natália que conversavam. ― Desde quando isso tá rolando?
Foi surpresa para a gente também. ― Letícia bebeu o resto da sua cerveja e cochichou para a amiga. ― Nem os meninos estavam sabendo dela.
trouxe caipirinha para você. ― Marcos falou se sentando à mesa novamente.
― Obrigada. ― Bebeu um pouco do líquido.

Os amigos conversavam na mesa, mas e Aniele conversavam entre eles uma coisa ou outra, até que Jonathan começou um assunto que o grupo de amigos ama falar, jogos de videogame.

― Viram que essa semana vai lançar o novo Call Of Duty. ― O rapaz falou empolgado.
― Já comprei. ― fez uma dança desengonçada na mesa. ― Gastei um rim.
― Depois te passo metade do valor se envolveu no assunto, ele e a amiga dividiam as contas no Playstation 4, e assim sempre dividiam os jogos, saía mais em conta.
― Também comprei na pré-venda. ― Letícia falou. ― Os gráficos estão insanos.
― Disseram que diminuiram o recuo da SMG. ― falou.
― Será que ficou melhor agora? Porque ela era um lixo no outro. ― a olhou.
― Acho que sim, eles fizeram várias mudanças. ― Marcos disse.
― Temos que marcar de jogar essa semana, já tem um tempo que não jogamos juntos. ― falou.

O assunto durou um bom tempo, Aniele estava desconfortável, não entendia do assunto, nem sequer jogava videogame e ver naquela sincronia com estava a incomodando, ambos pareciam saber o que o outro pensava antes mesmo de falar, o assunto acabou se encerrando quando uma garota se aproximou da mesa, dando em cima de Marcos que saiu dali para um lugar mais privado com a garota.

― Vou na do Marcos, não vim para ficar sentada, vou dançar e caçar um pouquinho. ― falou deixando sua pequena bolsa na mesa com os amigos. ― Você vem, Leti?
― Sempre amiga, sua parceira de crime. ― Letícia riu se levantando.

Jonathan acabou indo junto, restando somente e Aniele na mesa, o rapaz percebeu a inquietação dela, mas não tinha certeza se queria saber o motivo.

― A … ― Ela hesitou por uns segundos. ― Ela gosta de você? Mais do que amiga?
― A ? ― Riu. ― Ela gosta dela mesma, somos amigos e nunca passou disso. Por que?
― Percebi o clima entre vocês, a conexão, como parece que vocês sabem o que o outro pensa, a forma que ela te olha, a forma como a olha. ― Disse enciumada. ― Eu estou fazendo papel de trouxa?
― Não Ani, claro que não. ― A olhou sorrindo. ― A gente está ficando, o que importa é isso.
― Certo. ― Aniele viu passar com outro rapaz e se encostaram numa parede, não era próxima, mas da mesa  tinham a visão perfeita de ambos. ― Pelo jeito ela já achou a presa.
― É, ela sempre acha. ― disse com certa mágoa e tentou evitar olhar para o casal. ― Vamos mudar de assunto.

[...]

― Não amiga, ele beijava mal pra caralho. ― falou adentrando o banheiro com Letícia.
― Do jeito que anda reclamando, ninguém parece ser bom o suficiente. ―Se olhou no espelho enquanto entrou em um box do banheiro.
― Eles não tem a pegada, o jeito… sabe? ― Falou.
― Você reclama sobre isso desde… ― Hesitou alguns segundos.
― Claro que não. ― Falou saindo do banheiro sabendo do que a amiga falava e foi até a pia lavar as mãos. ― Mas ele tem pegada, tem jeito comigo sabe, o… ― parou de falar ao ver Aniele sair de um dos box do banheiro.
― Não queria cortar a conversa de vocês. ― Ela falou sem graça diante da pia. ― Mas achei errado ficar ali escutando.
― Não estamos falando nada demais. ― Leti sorriu.
― É, relaxa. ― sorriu amigável.
― Se me permite, de quem quer que vocês estivessem falando, posso dar um conselho? ― Aniele perguntou vendo a garota balançar a cabeça em concordância. ― Vai atrás dele, se só ele sabe como te tratar, não o deixe fugir, esses são raros. ― Sorriu saindo do banheiro e deixando as duas ali em completo silêncio.
― Ela não diria isso se soubesse que é o cara misterioso. ― Letícia riu.
― Sinto falta dele, amiga. ― cruzou os braços encostada de costas para a  pia.
― Sente porque descobriu que o perdeu, ele está seguindo em frente , não seja egoísta a esse ponto. ― Olhou a amiga. ― Agora vamos dançar e jogar esse baixo astral para longe.

 

Belo Horizonte, Dezembro de 2017

Desde o dia da boate Verdant, vinha se sentindo estranha em relação a , ela não sabia o porque, mas vê-lo com Aniele, saber que a garota tinha a atenção dele e não ela, a incomodava, era um pensamento completamente egoísta, mas ela não havia percebido, ainda.
Com o Natal chegando, o grupo de amigos resolveu fazer um troca de presentes como todo ano, mas dessa vez teriam Aniele o meio, já que o amigo ainda estava com ela, a reunião aconteceu na casa de Letícia, sua família tinha viajado e ela os encontraria em alguns dias, havia ficado para trás devido algumas pendências na faculdade.

― Poderíamos abrir logo os presentes. ― Marcos disse agitando todos. ― Enquanto estamos sóbrios.
― Concordo. ― falou vindo da cozinha e se sentou no sofá.
― Eu começo. ― Jonathan disse animado e todos se sentaram no sofá para ouvi-lo. ― Meu amigo, ou amiga. ― Riu. ― É uma pessoa extremamente chata, não gosta de tomar banho.
― Marcos. ― deu um pulo rindo. ― Não pode ver um chuveiro.
― Um banho a cada três dias tá ótimo. ― Ele disse e todos riram
― Abre, queremos ver. ― Letícia falou empolgada.
― Ah cara. ― Marcos falou ao ver um action figure do Naruto, ele amava colecionar.  ― Valeu mesmo.
― Tá, agora sua vez Marcos.
― Vou ajudar vocês, essa pessoa entrou a pouco tempo no grupo.
― Ah, estragou. ― Letícia protestou. ― Assim é fácil, tirou a Aniele.
― Ué, eu ia dizer como? ― Cruzou os braços e a garota se aproximou. ― Espero que goste.
― Obrigada. ― Disse tirando uma bolsa do embrulho. ― É linda, bom minha vez né. ― Falou pegando o presente. ― Bom, o pouco que conheci, essa pessoa me disse muito sobre ela, ela é alegre, ama cupcakes e…
― Letícia. ― falou empolgada mexendo na caipirinha.
― Acertou. ― Aniele sorriu vendo Letícia se aproximar e deu um  abraço rápido nela.
― Vamos ver. ― Falou abrindo o embrulho e tirou um vestido de dentro. ― Nossa, obrigada, é lindo. ― Sorriu. ― Bom, agora é minha vez. ― Pegou o seu presente do chão. ― Meu amigo secreto é alguém que eu já fiquei.  ―Todos se olharam.
― Pensei que fosse segredo. ― Jonathan se entregou.
― O QUÊ?! ― gritou. ― Como assim?
― Ah Jonathan, era para ter ficado calado. ― Letícia fez bico
― Uai, você começou. ― Ele riu se levantando. ― Desculpa. ― Deu um beijo no topo da testa dela e pegou o embrulho.
― Gente como assim, isso aconteceu quando?
― Tem tempo. ― Letícia sentou ao lado dela.
― Não pode falar nada , você e o também… ― Se calou ao perceber a merda que tinha falado. ― Vamos ver o que eu ganhei… ― Abriu o embrulho tirando duas camisetas dos cavaleiros do zodíaco de dentro. ― Nossa que porra louca, foda demais Leti
― Bom sobrou e , quem vai? ― Marcos perguntou vendo o clima pesar.
― Eu. ― se levantou pegando o embrulho. ― Sobrou só a gente, então não é surpresa que é a . ― Sorriu vendo ela levantar. ― Saiba que apesar de tudo, ainda tenho um carinho muito grande por você, e espero que goste.
― Te digo o mesmo. ― Sorriu pegando o embrulho e o abraçou. ― É pesado gente. ― Ela chacoalhou para ver se fazia barulho e apoiou na mesinha de centro e começou a desembrulhar ao ver o que era, surtou. ― MANO, PUTA MERDA, SÉRIO? É MEU?
― Sim. ― riu da empolgação da amiga.
― CARA, É PERFEITO! ― Falou tirando o box de livros da série Corte de Espinhos e Rosas, os quatros livros lançados até o momento, falava a muito tempo desses livros, mas só queria comprá-los no box.

*Sei que a data das publicações não batem com nossa realidade, mas na história ficou mais coerente eles terem já  sido todos lançados.

― Sabia que ia gostar. ― Sorriu e sentiu o abraço da amiga.
― Tá, se recomponha . ― Ela falou dando mais uma olhada nos livros. ― Sem surpresas, é o e esse presente é mega especial porque sei que você vem tentando há alguns anos completar a coleção.
― Ah não, mentira . ― A olhou sorrindo.
― Sei que nos afastamos nos últimos meses, por motivos que enfim, mas achei que valia o esforço por você e olha que penei viu, para achar todos. ― Riu. ― Mas pelo meu número um valeu a pena.

pegou o embrulho e quando abriu achou o restante das actions figures edição de colecionador dos cavaleiros do zodíaco, faltavam três para o rapaz completar a coleção.

― Obrigado. ― A abraçou.
― Agora vamos beber, porque a vida é curta demais. ― Marcos falou aumentando o som novamente.

[...]

estava na cozinha preparando uma bebida quando adentrou o local, Aniele estava distraída em um assunto qualquer com Letícia e nem percebeu a garota sair.

― Oi. ― O olhou se aproximando da bancada que havia no centro da cozinha e sentou no banco próximo dele que estava em pé.
― Oi. ― Sorriu, picando alguns morangos na bancada. ― Quer uma?
― Não, acho que já estou tonta o suficiente. ― O olhou. ― Como você está? No geral, sabe.
― Estou bem , as coisas estão começando a se encaixar. ― Disse sem a olhar.
― Sinto sua falta. ― Tocou levemente no braço do rapaz que parou no mesmo instante. ― Falta do seu toque.
― Não faça isso. ― Fechou os olhos por alguns segundos e depois a olhou. ― Não aja como se gostasse de mim.
, sempre gostei de você, só não te via com outros olhos, eu…te ver com ela...
― Então é isso? É porque finalmente comecei a te superar? Seu ego está ferido . ― Irritou-se.
― Não fale assim comigo. ― Falou calma. ― Só disse que sinto sua falta.
― Porque estou com a Aniele, só por isso. ― Se virou para ela. ― Você me rejeitou, disse que era um espírito livre e agora que finalmente estou feliz com alguém que gosta de mim também, você vai ser egoísta a ponto de estragar isso?
― Você acha que gosta dela, sempre será apaixonado por mim, sempre foi. ― Se levantou. ― Palavras suas, não me superou nesse tempo, o jeito que me olha, , não negue que sente minha falta também. ― Acariciou o rosto do rapaz. ― Eu sempre serei sua número um, lembra?
… ― Falou em tom de súplica.
― Eu sabia, só precisava de uma confirmação. ― Aniele disse na entrada da cozinha.
― Ani? ― a olhou assustado e a viu sair. ― Espera! ― Correu até ela e a alcançou na sala. ― Não aconteceu nada!
― Eu não vou ser otária , é óbvio que vocês tem algo! ― Disse com raiva e os amigos do rapaz observaram a cena sem entender até ver voltar da cozinha. ― Seja feliz com ela.
― Não tenho nada com ela. ― Segurou ela pelo braço suavemente. ― Me deixe falar.
― Eu ouvi o suficiente. ― Disse se soltando do rapaz e andou em direção a porta sem se despedir.
― Feliz? ― Olhou para pagando as chaves do carro e saiu atrás da garota.
― Gente eu não fiz nada. ― Disse se sentando no sofá.
― Será ? ― Marcos a olhou.

No dia seguinte.

― Teve notícias do ? ― perguntou para a Letícia por chamada de vídeo.
Sim, os meninos disseram que ele explicou tudo para a Aniele e parece que ela entendeu. ― Letícia falou distraída mexendo em algo.
― Eu não queria que tivesse acontecido tudo isso. ― Disse sincera.
Amiga, na boa, ele tá tentando te superar e você vem dizendo que sente falta dele, tinha tudo para dar errado.
― Só porque a Aniele escutou.
Não amiga, você errou, ele está tentando seguir a vida, segue a sua também. ― Letícia a olhou dessa vez. ― Se for o destino você ficarem juntos, vai acontecer, se não bola para frente.
― Essa coisa de destino não existe. ― Rolou os olhos.
Se quiser acreditar que vocês podem ter alguma chance, eu passaria a acreditar em destino. ― Riu. ― Mas agora me diz, seja sincera, porque justo agora que ele está com outra, você se viu gostando dele?
― Eu não sei, talvez porque antes eu tinha a certeza de que ele sempre estaria ali, quando eu precisasse, e de repente ele não estava mais.
Você foi tirada da zona de conforto. ― Letícia afirmou.
― Exatamente, sei que é errado, não tenho o direito de exigir nada dele, mas sinto a falta dele amiga, do toque dele, do beijo, ninguém faz como ele.
Informação demais. ― Letícia ria. ― Eu até entendo amiga, mas tente respeitar o momento que ele está passando, não é justo também com a Aniele, eles se gostam, ela gosta dele.
― Posso confessar uma coisa? Mas fica entre a gente. ― A amiga concordou. ― A gente perdeu a virgindade um com o outro.
Mentira! ― Letícia falou espantada. ― Mana!
― No final do segundo ano, na casa dele, só estava a gente, enfim, sem detalhes. ― Riu. ― Mas gente vez ou outra transava, ou então ficava, sabe.
Nossa, eu estou chocada. ― Letícia falou. ― Olha retiro o que disse, vocês tem que ficar juntos, final bem fanfic.
― Ah,mudou de opinião? ― Riu com a amiga. ― Eu vou deixar o tempo dizer, não posso ser tão egoísta, no fundo vocês tem razão.

Belo Horizonte, Março de 2018

Dois meses haviam se passado, a vida seguiu seu curso iria começar seu estágio nos hospital em algumas semana, no campus da faculdade ela às vezes via , já que descobrira que Aniele cursava lá e o rapaz ia buscá-la, mas após um tempo ambos sumiram e a notícia do término chegou como uma injeção de adrenalina para . Ela ainda tinha sentimentos pelo rapaz, tentava esquecer, mas sempre que usava alguém para tirar da cabeça, o rapaz vinha com força em sua mente, ela sabia que ninguém era como ele, o beijo de ninguém era como o dele, o sexo, a pegada nada era como , e todas a noites ela se deitava em sua cama vazia, com a certeza de que ninguém a amaria, tocaria, a desejaria como ele.

Arraial do Cabo, Julho de 2018

O grupo de amigos havia combinado aquela viagem no começo daquele ano, mesmo que e não se falassem mais no grupo de amigos ou até mesmo no privado do WhatsApp. Iriam até o aeroporto de Cabo Frio e de lá alugaram um carro para irem até arraial do cabo onde ficariam em um pousada, durante toda a viagem e mal trocaram meia dúzia de palavras, mas enquanto aguardavam Letícia pegar as reservas na pousada se aproximou dele que estava mais afastado ao canto digitando algo no celular.

― Avisando seus pais? ― Tentou puxar assunto.
― É, posso ter quantos anos for e eles ainda vão se preocupar. ― Riu bloqueando a tela do celular e a observou. ― Como tem passado ?
― Bem… ― Falou hesitante, a verdade era outra, ela queria dizer que sentia falta do amigo, das conversas, de tudo. ― E você? Eu soube da… bom, você sabe, eu sinto muito.
― Não, não sente. ― A olhou. ― Mas vida que segue, não era para ser.

Deixou ela sozinha indo até Letícia que balançava as chaves dos quartos animadamente. Os três garotos ficariam no mesmo quarto e as garotas em outro, o dia já estava no fim, então eles apenas deixaram as malas no quarto e colocaram uma roupa mais leve para darem uma volta na praia e ver o pôr do sol.
A praia não estava tão cheia, enquanto Jonathan e Marcos foram buscar algumas bebidas, Letícia engatou uma conversa com um cara qualquer deixando e sozinhos.

― Quer caminhar? ― a olhou.
― Por que essa gentileza agora? ― Perguntou o olhando. ― Está há meses sem falar comigo.
― Sabe os motivos que me fizeram afastar de você. ― olhou para o mar, admirando aquela imensidão azul com o sol se pondo ao fundo. ― Nunca escondi de ninguém, nem mesmo da Aniele e mesmo eu tendo tirado você da minha vida, o motivo do meu término com ela foi você.
― Por que? ― Ela o olhou, ele mantinha o olhar fixo no mar.
― Ela começou a ficar paranoica, sempre que eu estava conversando com alguém ela achava que era você, às vezes ia sair para beber com os meninos, ela me ligava, ou pedia para ir, só para ter a certeza de que você não estava lá.
― Nossa, eu sinto muito. ― Falou sinceramente.
, não tinha sua cerveja, quer que eu pegue algo para você, diferente? ― Marcos se aproximou da mesa com Jonathan e percebeu o clima. ― Eu atrapalhei a conversa, né?
― Não, tá tudo certo. ― falou pegando sua cerveja.

[...]

Enquanto todos na mesa conversavam, resolveu ir até o mar molhar somente os pés, ao ver o rapaz sair o acompanhou com os olhos e seus amigos a incentivaram ir atrás. Ela se levantou, fez o caminho que o amigo havia feito segundos atrás.

― É lindo, não? ― Ela falou ao se aproximar dele.
― Sim. ― A olhou e voltou a sua atenção para o mar onde o sol terminava de se esconder. ― Tem algo a dizer ? ― Ela sorriu ao ouvir o apelido.
― Tenho tanta coisa para te falar. ― Sorriu.
― Sou todo ouvidos. ― Ele indicou com a cabeça para que ela andasse ao lado dele.
― Sinceramente, acho que tenho que começar te pedindo desculpas. ― Falou de cabeça baixa. ― Por tudo que te fiz passar, fui uma péssima amiga,  péssima pessoa.
― Você sempre foi ótima amiga , mesmo quando estávamos afastados eu nunca neguei isso, e não te culpo por não ter me correspondido quando deixei meus sentimentos expostos, você não era obrigada a sentir o mesmo que eu, todo mundo tem desilusões amorosas. ― Falou caminhando ao lado dela tranquilamente. ― Acredito que tudo na vida tem um propósito.
― Acha mesmo? ― Ele concordou com um aceno de cabeça. ― Eu queria ter te dado o devido valor, sei que te magoei, só percebi a merda que tinha feito depois, e já era tarde demais, você tinha seguido em frente, estava feliz e te ver daquele jeito, te ver com ela, me fez desejar estar ali, no lugar dela.
― Eu te dei essa chance. ― A olhou.
― É eu sei, e fui idiota de não ter aproveitado. ― Ela parou de andar  junto com ele. ― , sei que o que eu disser agora não  muda nada, mas preciso botar para fora.
― Vai em frente. ― Ele a olhou.
― Eu gosto de você, mais do que uma amiga, eu sei, demorei para descobrir e só percebi quando te vi com a Aniele, quando vi que não teria você ali sempre que eu precisasse, minha ficha caiu, eu percebi que tinha te perdido, perdido meu melhor amigo, meu amante, meu confidente. ― Ela permaneceu olhando ele nos olhos. ― Precisei te ver feliz com outra para perceber que a pessoa certa para mim era você, e então  nada mais fez sentido, os caras que eu ficava ou transava, nada estava certo, porque eles não eram você, não me beijavam como você, não me tocavam como você, não faziam amor comigo, como você.

― Eu sei que errei, sei que te fiz sofrer e me arrependo disso do fundo do meu coração, mas se puder ser capaz de me perdoar, por favor me perdoe, porque eu descobri que não posso viver em um mundo onde não tenho você ao meu lado. ― Um nó se formou na garganta dela e seus olhos se encheram de lágrimas,mas ela segurou o choro. ― Preciso do meu melhor amigo, do meu confidente, do meu amor.
― Eu não quero que chore. ― Ele secou uma lágrima solitária que escorreu na bochecha dela. ― Serei sincero com você, me doeu tanto quando tive que me afastar de você, eu não queria continuar sofrendo sabendo que não seria correspondido, mas mesmo longe você tomava conta dos meus pensamentos, dos meus sonhos, mesmo quando achei que havia conseguido seguir em frente, as vezes me pegava pensando em você, mesmo quando estava com a Aniele, eu sabia que não ia tirar você da cabeça tão fácil, mas eu gostava dela, e por isso insisti e bom aconteceu tudo que aconteceu, mas no final percebi que foi melhor, porque eu gostava dela, mas de você, por você eu sou completamente apaixonado, no seu jeitinho, em cada detalhe seu, e mesmo tendo lutado contra isso nos últimos meses, nada mudou, continuo louco por você. ― Ele sorriu. ― E se estiver disposta, quero dar uma segunda chance para a gente.
― Eu quero. ― Ela sorriu. ― Não me faça ficar nem mais um segundo longe de você. ― Ela o abraçou.
― Não farei. ― Ele a olhou, observou cada detalhe do rosto dela e a beijou.

E ali naquela praia, com os últimos raios de sol refletindo, eles finalmente haviam se encontrado por completo.



FIM.



Nota da autora:Espero que tenham gostado, eu amei escrever. Não se esqueçam de ler minhas outras histórias e me sigam nas redes sociais.

O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar essa autora aqui feliz com um comentário, é só clicar AQUI.



Outras Fanfics:
Change Your Life
Don't Fall Into Temptation
The First League
My Heart Is In Love


comments powered by Disqus