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Última atualização: 05/12/2020

Capítulo 1

Laugh out when you strike your pose

Take off all your preppy clothes

You know you're not fooling anyone

When you become

Somebody else

O inferno. Esse era o nome da boate que ficava a uma quadra da casa de . Era o bar onde ele passava 80% dos seus finais de semana, após sair do seu expediente de dez horas. 10% do que faltava, passava no bar embaixo de seu prédio e, os outros 10%, se resumia em levar alguém para a sua preciosa cama king size.

Com 29 anos, ele era um homem de negócios que ganhava uma boa grana para sustentar uma família de, no mínimo, 12 pessoas. Ninguém realmente sabia com o que ele trabalha, apenas que tinha um cargo importante em uma das maiores multinacionais de Nova York. Possuía a vida que sempre desejou: apartamentos caros em Manhattan, mulheres passando por sua cama — sem ao menos lembrar o nome delas — e porres, muitos porres. Seu apartamento era repleto de decorações de filmes adolescentes — como Star Wars — e ninguém nunca ficava por ali, acabava sempre sozinho nos domingos à tarde, com suas pilhas de roupas para lavar e a planilha do que faria na semana em seu trabalho.

era sofisticado e calculista. Cada movimento que fazia passava mil vezes por seus neurônios, imaginando se suas atitudes seriam realmente necessárias ou se causariam algum dano em determinada parte de sua — perfeita — vida. Era despreocupado no quesito de família, pois sua mãe estava ocupada demais levando caras da idade dele para cama e seu pai havia falecido há mais de 15 anos. Não havia nada com o que se preocupar.

Existia apenas uma pessoa com quem realmente se preocupava e compartilhava seus dias: Damon. Ele era seu melhor amigo, nem se lembrava há quantos anos se conheciam. Mas sabia que era a única pessoa em quem podia confiar. Ambos chegaram a dividir um apartamento de 60m² por 3 anos durante a faculdade, mas depois que Damon começou a namorar, ficou impossível conviver por ali. Odiava qualquer tipo de atitude que seu melhor amigo tomava perante a relacionamentos amorosos — era certinho demais para seu gosto.

Graças a Deus já era o final de semana, não aguentaria passar mais um dia todo pensando quando chegaria o dia de sair de sua rotina, mesmo que a amasse, precisava de um tempo para transar. Ou melhor, fazer o que fazia de melhor em seus momentos de livre lazer. Porém o dia de hoje não era uma sexta-feira comum, era Halloween, o dia mais esperado do ano para todos os adultos da América do Norte. O dia em que podiam se vestir como quisessem, falar o que quisessem, andar como quisessem, que ninguém, ninguém mesmo, daria o mínimo.

Como qualquer outro dia, possuía uma pilha de documentos para assinar e mais outra pilha de documentos para conferir. Mas que porra, por que Leah não conseguia fazer isso sozinha? Precisava tanto assim arrumar qualquer desculpa para falar com ele?

, seus documentos diários. — Ela entrou na sala de , batendo seus saltos na superfície.

— A essa hora, ? — bufou o homem, que já estava com sua cabeça ocupada demais. Era sexta feira, porra. Halloween. — Quando você teve tempo de terminar os seus?

— Ontem à noite. — se dirigiu a mesa de e soltou a caixa pesada ali em cima. — Fiz hora extra.

— Você não tem vida?

— Nem você, pelo visto. — Ela revirou os olhos. — Preocupado demais com a minha.

— Nem em sonho, Collins. — levantou-se, apoiando as mãos sobre sua mesa, olhando em seus olhos castanhos.

A mulher encarou-o por alguns segundos, a sobrancelha arqueada em desdém, e em seguida, revirou seus olhos, antes de deixar a sala de o mais rápido que pôde. Ele acompanhou-a com o olhar, até perdê-la de vista. Merda, se ela não fosse tão insuportável, adoraria tê-la como parceira de trabalho. Seria, na verdade, o quebra cabeça perfeito.

estava inquieto em sua mesa, não via a hora do relógio bater cinco horas, para finalmente pular da cadeira, pegar seu blazer e ir aproveitar a melhor noite do ano. Bufou enquanto observava o ponteiro levar décadas para descer um minuto.

— Regina, falta quantas horas para o final do expediente? — Harry passou seus olhos pela garota no balcão a frente da sua sala. Ela era a assistente do seu chefe.

— Exatamente três horas, Sr. — respondeu com serenidade.

— Alguma chance de eu sair mais cedo hoje?

— Me desculpe, Sr., mas você precisa terminar essa papelada. Srta. entregou as dela ontem à noite e... — A mulher repousou seus dedos nos óculos que usava, abaixando-os. Sabia exatamente como colocar para funcionar: uma competição saudável.

— Ok, Regina. Recado dado. — Cortou-a, irritado com sua concorrente.

— Não fale assim comigo, Sr. , senão pode arrumar outra pessoa para se livrar de suas enroscadas.

— Tudo bem, me desculpe. — sorriu — Falando nisso, o que você fez para tirar aquela garota do meu pé?

— Mandei flores para ela em nome do ex namorado dela. — Regina piscou, orgulhosa de seu ato.

caiu em uma gargalhada.

— Você é demais, Regina.

— Você é tão pau mandando que não consegue dar um fora em alguém, ? Eu já deveria imaginar. — Collins saiu de sua sala, com sua bolsa pendurada no ombro, segurando o celular com a mão direita.

A garota aproximou-se do balcão de Regina com a pasta de documentos que faltava para terminar seu expediente.

— Você é tão caidinha por mim que fica ouvindo minhas conversas para saber se estou falando de você, Collins? — Harry aproximou-se dela, apoiando seu cotovelo no balcão, encarando-a com um olhar audacioso.

— Narciso tem inveja de você, respondeu, sorrindo sarcástica. — Aposto que seu espelho está cansado das horas que você deve passar olhando para ele.

— Ele não se cansa de mim. E nem você, pelo visto. — Piscou, triunfante.

— Meu amor, o dia em que eu tiver que dirigir a palavra a você, por vontade própria, será o dia mais ensolarado de Nova York, sem nenhuma nuvem. Probabilidade 0. — Ela se desprendeu do balcão.

Regina assistia àquela cena depravada com um sorriso no rosto.

— Onde você está indo? — perguntou, curioso.

— Embora, . Tenho uma viagem planejada para hoje, embora não seja da sua conta.

— Vai viajar sozinha?

— Como eu já disse, embora não seja da sua conta, te darei um gostinho de ódio e ciúme. — botou as mãos no rosto, indicando surpresa. — Tenho um acompanhante!

— Pelo menos na segunda-feira você volta de bom-humor.

— Tchau, ! — Ela se virou, deixando à mostra seu dedo médio de presente para Harry, que revirou os olhos.

Regina esperou para que desaparecesse por inteira, para fazer o comentário que segurava desde o início da conversa.

— Quando você vai chamar essa mulher para sair?

— Quem sabe em outra realidade, Regina.

era sua companheira de trabalho, concorrente e — gostosa pra caralho — insuportável. Estava nos meados de seus 27 anos e preparada para tomar a vaga que e ela estavam concorrendo, a qualquer minuto. Ela era a única parte estressante do seu dia, mas por algum motivo, adorava vê-la em suas roupas sociais, entrando em sua sala com a caixa cheia de documentos. Adorava provocá-la, dizendo que ela não chegava aos seus pés e observar seu olhar vitorioso quando a mesma sabia que chegava em seus pés, sim, e até estava acima dele. sabia disso, ela tinha todas as ferramentas para tomar a vaga a qualquer momento.

Ambos não sabiam, mas eram muito parecidos. gostava de baladas, bebidas caras e homens problemáticos — de fato, esse era seu maior defeito. Ela vivia em um apartamento com sua melhor amiga, Alice, desde a faculdade e estava feliz com sua vida até aqui, exceto pelo fato de que sua melhor amiga e o namorado haviam tornado seu apartamento uma casa de família. Antigamente, o lugar era repleto de garrafas de vodka espalhadas pelas prateleiras e latas de cerveja enchiam o lixo reciclável. Hoje, sua casa tinha retratos de Alice e Damon pelas prateleiras e o lixo está cheio de garrafas de vinhos caros. Por isso, seus últimos finais de semana vinham sendo chegar em casa após as 4 da manhã, pois sabia que só assim para se prevenir de ouvir a melação do casal no cômodo ao lado — o que a fazia querer vomitar.

Sua única e possível vingança, era fazer sua melhor amiga cuidar dela enquanto dava seus porres ao amanhecer. Não que fizesse tal ato de propósito, isso era apenas algo que se encaixava em seu quebra cabeça.

Há alguns meses, teve uma decepção amorosa e decidiu que aquela seria a última. Portanto, estava em seu auge de levar homens desconhecidos para o apartamento — mesmo que aquilo deixasse sua melhor amiga louca, pois era ela que se livraria deles na manhã seguinte.

E agora, ela tinha aquela maldita vaga para concorrer com a pior pessoa da face da terra: . era a melhor funcionária da empresa e seus chefes tinham consciência disso. Ela tinha consciência disso e também se divertia com o fato de que Styles era aterrorizado por ela, inventando as melhores histórias possíveis para deixá-lo louco. Não iria viajar com ninguém, nem em sonhos! E se Deus permitisse, nunca mais. Havia quebrado demais a cara com os episódios anteriores de sua vida.

Em relação ao trabalho, não precisava fazer muitos esforços, sabia que conseguiria aquela vaga, sem dúvidas alguma. Porém, seu divertimento era fazer com que achasse que não e seus diálogos era o que a divertia durante sua semana ocupada.

E hoje era o maldito dia de Halloween. Que dia insuportável! Crianças vestidas de animais correndo pelo prédio, pedindo doces que vão encher suas bocas de cáries, prontos para gastar um pouco mais de dinheiro do bolso de seus pais.

Não via a hora de chegar em casa, tirar seus saltos pretos casuais e deixá-los na porta do apartamento, só para ouvir Alice reclamar da bagunça. desceu o elevador, pegou um cachorro quente no vendedor que sempre ficava parado na esquina e chamou um táxi — pois hoje, ela merecia.

Era a noite perfeita para ficar em casa. Estava começando a fazer frio em Nova York, seus pijamas aconchegantes e meias quentinhas estavam a sua espera, mais do que nunca. Tinha tudo planejado, Alice já tinha ido ao mercado e comprado tudo o que havia pedido para passarem a noite juntas, — já que Damon teve que ir à casa dos seus pais em Nova Jersey. Havia feito uma placa gigante, onde escrevera “FOMOS VIAJAR, SEUS DOCES ESTÃO NO BALDE” para deixar na porta do apartamento, assim, as crianças não incomodariam de nenhuma forma.

Ah, como amava morar com alguém que era neurótica por limpeza, seu apartamento sempre estava no melhor estado possível. Adorava chegar e sentir o cheirinho de laranja com canela da vela aromatizada, que Alice era viciada. Porém, ao abrir a porta do apartamento, observou sua melhor amiga, dormindo serenamente no colo de seu namorado, que deveria estar em New Jersey.

— Damon. — sussurrou, arqueando suas sobrancelhas, procurando saber que porra era aquela. Era sua noite com Alice, em paz.

? — Ele e olhou, despreocupado.

— O que faz aqui? — A morena perguntou, enquanto arrancava seus saltos.

, eu praticamente moro aqui.

— Era para você estar a, pelo menos, uma hora daqui.

— Ah, meus pais estão ocupados, então decidi ficar em Nova York.

— Você não tem NADA melhor para fazer? Alice e eu íamos assistir filmes hoje.

— Eu posso ficar no quarto — riu, observando a expressão irritada da amiga. — Mas por que você não sai? Você poderia usar de uma noite bem aproveitada.

— O que você quer dizer com isso, Williams? — arqueou as sobrancelhas, indo diretamente para cozinha, onde abriria sua primeira garrafa de vinho da noite.

— Calem a boca, estou tentando dormir — sua melhor amiga resmungou, com a voz rouca, remexendo-se no sofá.

— Não estou falando com você, Alice. Você quebrou nosso contrato. — aproximou-se do sofá, segurando sua taça e sentando-se no braço livre.

— Que contrato, ?

— Íamos passar a noite toda vendo filmes e tomando vinho.

— Querida, vamos passar a noite toda numa boate em uma festa de máscaras! — Alice levantou, animada, batendo palminhas. — Comprei uma máscara para você usar com aquele seu vestido preto. Eu e o Damon vamos combinando.

— Que festa, Alice? — bufou — A única noite em que eu quero ficar em casa, você inventa de sair.

— Você vai querer ir nessa festa, . A gente só entra com convite, a festa é bem chique. — Damon ressaltou.

— Seu convite é irrecusável, Damon. — parou para analisar a situação. Não valia a pena passar a noite de Halloween ganhando algumas calorias, quando poderia passar o fim de noite transando. Ainda que a festa seria mascarada, ninguém precisaria olhar para seu rosto e ela não precisaria olhar para o rosto de ninguém, era a combinação perfeita para seu livramento de não precisar dar satisfação na manhã seguinte! — Vou pensar no seu caso.

— Ela vai — Alice respondeu, olhando para o namorado.

— Eu disse que vou pensar, Alice. — Fitou a amiga com mais clareza, mas Alice a conhecia bem demais para saber o que estava pensando.

— Sua máscara está em sua cama — Alice respondeu, se levantando — Vou dormir mais algumas horas, enquanto não preciso me arrumar. Vem, Damon.

Ela seguiu em direção ao quarto, juntamente ao namorado.

E estava novamente sozinha naquele sofá enorme — que Alice insistira em comprar —, olhando para a televisão sem a mínima ideia do que fazer nas próximas três horas, antes de começar a se preparar para a festa. Revirou os olhos, cansada de se sentir sozinha. Aquele sofá era grande demais para uma pessoa e pequeno demais para três. Em outras palavras: Não suportava mais a ideia de ficar para titia, por outro lado, não queria arriscar partir o coração mais uma vez.

Era cansativo. A tentativa de um relacionamento era cansativa. Seu último relacionamento resultou em um processo extremamente complicado de traição e drama. Por que todos os homens que passavam por sua vida tinham que deixar as coisas tão complicadas? Por que não poderia ser simples e puro, como estava acostumada a ver em todos os lugares a sua volta? Argh, não suportava sua própria companhia, já havia desfrutado dela por tempo demais. Ela queria algo mais. Ela precisava de algo mais.

Contudo, não conseguia. Não conseguia se encontrar em alguém, não se deixava sentir. Não encontrara ninguém que a trouxesse borboletas no estômago e arrepios na espinha, era tudo muito sexual. Era tudo muito superficial. Alguns caras tentaram, com muito empenho, satisfazer todos os desejos de , mas era fraco, escasso.

E mais uma vez, se afundava no mesmo filme romântico dos anos 2000: 10 coisas que eu odeio em você. Deixando de lado que o ator principal se parecia demais com seu parceiro de trabalho — insuportável e egocêntrico —, a trama era suficiente para derrubar suas lágrimas inalcançáveis.

Porém, esta noite algo estava diferente. Não conseguira ver 30 minutos de seu filme preferido, pois estava distraída demais com seus batimentos acelerados e seu pé direito que estava inquieto, batendo no chão diversas vezes. Mesmo que jurando milhões de vezes para seu inconsciente que não estava ansiosa para a festa, não conseguiu se enganar após algumas cenas.

Suas próximas horas foram intermináveis. Tocou algumas músicas em seu velho violão, passou 25 minutos embaixo do chuveiro, comeu a sobra da janta de ontem e o relógio não marcava 21h. Alice também não havia dado sinal de vida e já estava ciente do que iria acontecer: sua amiga não iria a festa.

Enquanto estava na cozinha, com sua toalha enrolada nos cabelos e seu roupão, Alice apareceu de pijama.

, não vou poder ir à festa. — Se debruçou sobre a bancada.

— Eu já esperava, você odeia festas — respondeu, despreocupada.

— Eu realmente gostaria de ir nessa, mas acontece que Damon acabou de vomitar todo seu almoço — Alice disse, apreensiva. — Ele comeu naquele restaurante que eu insisti várias vezes para ele não ir, porque nós duas já passamos mal quando fomos lá.

— Está tudo bem. — Mentiu, ela gostaria que a amiga a acompanhasse.

— Como recompensa, vou te deixar usar meu vestido.

— Que vestido? O Branco?

— Sim, eu ia usá-lo, mas né... — disse, fitando o olhar animado de , que praticamente pulou da cadeira.

— Finalmente vou poder parecer a mulher mais gostosa de Nova York! — Ela bateu palminhas.

— Amiga, você já é. — Alice riu.

Agora sim, a noite estava começando. Apesar do vacilo de Alice, esperava para usar esse vestido há meses, mas nunca teve uma oportunidade adequada. Branco não era uma cor para se usar normalmente, precisava da festa certa, do dia certo, da combinação certa. Sua noite tinha que valer o vestido, era uma única chance.

Correu para se arrumar no mesmo instante. Alice a acompanhou para ajudar a escolher os tons da maquiagem, o penteado, o sapato... tudo precisava estar perfeito. Ambas passaram uma hora por ali, até Damon enviar uma mensagem para Alice, dizendo que não estava nada bem.

— Fica tranquila, já estou quase pronta — disse, terminando de passar um batom vermelho.

— Ok, não se esqueça de levar a carteira e o celular e o dinheiro! — Alice correu em direção a porta, mas se virou novamente. — Me avise antes de sair, ok? Ah, e as chaves!

— Ok, mãe! — respondeu e Alice riu.

Era o padrão de sempre. Alice era preocupada demais e sempre esquecia o molho de chaves em cima da cama.

terminou de se arrumar, colocou o vestido branco que tanto desejara e suas poses duraram minutos em frente ao espelho. Ela estava perfeitamente gostosa com aquela roupa, uma pena que teria de caminhar até o local com um sobretudo, pois estava frio demais. As pessoas no caminho não teriam o prazer de desfrutar o poder que este vestido trazia sobre a garota, ela estava irresistível.

Colocou em seus pés seu salto prateado, que havia usado no aniversário passado de Alice. Não se lembrava de como ele se encaixava tão bem em seus pés.

andou até o quarto de Alice, parou na porta e chamou pela amiga algumas vezes, até ela aparecer, enrolada em uma toalha.

— Estava no banh... Nossa! — Alice olhou-a de cima a baixo. — Doeu quando você caiu do céu?

— Você me deixa com vergonha, Alice. — sorriu, escondendo o rosto. — Estou indo, tudo bem?

— Sim. Damon disse que o amigo dele estaria lá, o nome dele é Henry.

— Tudo bem, vou ver se o acho.

— Não chegue tarde!

[...]

Que festa incrível.

nunca havia visto parecido com isso. Todos estavam bem vestidos demais para uma festa de Halloween, aquilo parecia o casamento da rainha Elizabeth! Seus pés cambalearam durante a ida até o bar, por medo de derrubar algum enfeite e ser obrigada a penhorar o rim para pagar.

Por outro lado, estava surpreendida com cada detalhe. Os lustres de cristal, os vestidos de $5.000 que sempre sonhara em ter, a pista de dança que, de alguma forma se encaixava perfeitamente no centro da boate. E sim, ela já frequentara naquele espaço antes, era a boate Inferno, que escolhera se aventurar uma vez a cada dois meses, por conta do valor da entrada.

A mulher, quase que irreconhecível dentro daquele vestido apertado e com a máscara branca que estava sobre seus olhos, chamava a atenção de todos que passavam por ali. Mesmo que não pudessem ver seu rosto, sentia-se única, aquela noite havia sido feita para ela.

Sem falar das bebidas que estavam sendo servidas, aquela garrafa de champanhe provavelmente pagaria todas as suas contas, para o resto da vida. De qualquer forma, teria que lembrar de agradecer a Alice, por conhecer Damon e agradecer a Damon, por ter dado aqueles ingressos para ela. Para uma noite de Halloween, sua noite estava para lá de ótima.

Tentou procurar Henry por todos os lados, porém com todas aquelas máscaras ficava difícil demais encaixar alguém na descrição que Alice a havia dado. Era impossível. Decidiu, então, se deixar levar pelo clima da festa.

aproveitou a festa como nunca, bebeu diversas taças do melhor champanhe que já havia provado antes, dançou na pista de dança ao som de suas músicas preferidas, e flertou com alguns homens solteiros que passavam por ela. Porém nenhum era capaz de prender sua atenção.

Ela estava encostada no balcão, bêbada e exausta, sem saber exatamente que horas eram, quando um único movimento chamou sua atenção. Apenas um segundo foi necessário para que sentisse um perfume familiar, que fazia sua espinha arrepiar. Não entendia exatamente de onde tinha saído aquele frio na barriga, nem de onde lembrava deste cheiro maravilhoso, mas sabia que era aquilo. Aquela era sua deixa para obter um pouco de aventura nesta noite e já se encontrava bêbada demais para não aproveitar a chance, apesar de que o homem parecia levemente entediado. Ele sentara no banco próximo a ela, com um copo de whisky em suas mãos, pedindo ao garçom pelo próximo round.

— Aproveitando a festa da melhor forma, não é? — A mulher soltou, despreocupada.

A música estava alta demais, o homem arqueou as sobrancelhas, tentando compreender o que ela havia falado. Ele usava uma máscara preta, que combinava perfeitamente com sua gravata borboleta e o terno fino. Seus cabelos eram encaracolados e formavam ondas que caiam perto de suas orelhas.

— Perdão? — Aproximou seu banco ao dela.

— Eu perguntei se você está aproveitando a festa da melhor forma.

— Ah, a noite não saiu exatamente como eu havia planejado. — Suspirou fundo, levando o copo em direção aos seus lábios, sem tirar os olhos da pista de dança.

— Meu amigo me deu um bolo e, porra, acho que estou perdendo minha desenvoltura ou todas as mulheres dessa festa estão acompanhadas. Aposto que você está esperando seu namorado voltar do banheiro.

— Também levei um bolo, se quer saber. — cruzou as pernas, olhando para a pista de dança. — E, não! Credo! Estou da mesma forma que você. Todos os caras querem puxar assunto, procurando saber o que eu faço da vida, quais são meus planos para o futuro... parece que estou em uma entrevista de emprego.

O homem finalmente a olhou, fitou-a de cima a baixo, sem conseguir tirar os olhos de seu corpo escultural.

— Acho que estamos no mesmo barco, senhorita. — Ele sorriu, seus lábios superiores se esconderam por baixo da máscara, porém, ainda demostrando interesse na fala da mulher. — Temos interesses em comum.

— Pois então, você é perfeito para o resto da minha noite — respondeu .

Jurava para si mesma que era o álcool falando, mas não era. Aquele homem a causava arrepios, mesmo sem conseguir ouvir sua voz claramente e seu rosto por baixo daquele pedaço de plástico.

Ela tomou o resto de sua taça de champanhe, enquanto observava o homem terminar de virar o copo de whisky, se levantando e puxando-a pela mão. Pelo menos tiraria o atraso da semana. Aquela mão firme apertou a dela, passando pela multidão de vestidos caros e ternos finos, levando-a para uma porta preta, com chaves na maçaneta. Seu corpo estava tenso, a caminhada pela multidão de mãos dadas já havia sido o suficiente para deixá-la louca, estava prestes a empurra-lo para dentro daquele quarto escuro.

Não teve tempo o suficiente nem para pensar em ascender alguma luz, sentiu a porta sendo fechada bruscamente e o barulho da chave virando e 10 segundos foram suficientes para que o homem a empurrasse contra a parede mais próxima. Não foi possível sentir o impacto, pois ao mesmo tempo que seu corpo tocou o concreto gelado, sentiu suas mãos puxando-a para mais perto. Aquele quarto estava um inferno de tão quente, não conseguira definir se era apenas os efeitos colaterais do álcool ou se eram os efeitos que aquele homem estava causando nela, sem motivo algum. Beijos quentes foram espalhados por toda a extensão de seu pescoço, e ao chegar em seus lábios, sentiu seus dedos apertarem a nuca de , entrelaçando os dedos com os cabelos dela, seu corpo estava em transe. Cada ponta de seu corpo estava arrepiada. Seu beijo era quente e tinha sabor de whisky, achava que não poderia ficar melhor, até suas línguas começarem a brincar.

já havia perdido sua máscara pelo quarto e o homem se apressava, passando a mão pela barra de seu vestido branco. Não conseguiam se enxergar, não conseguiam se olhar nos olhos. A mulher agradeceu mentalmente por não precisar dar nenhum tipo de informação, nem ao menos seu nome. Era só sexo. Era somente o calor de dois corpos que precisavam daquele momento.

Quando se deram conta, ambos já estavam nus no colchão macio daquele quarto.

[...]

Merda, o restante da noite se passou como um vulto. Precisava de mais tempo. Havia pedido mentalmente para a lua fazer hora extra, para que pudesse aproveitar os últimos minutos da melhor transa de toda a sua vida. suspirava fundo, olhando para a silhueta escura, se perguntando se aguentava ir mais uma vez. Não havia nem parado para pensar no nome do homem que estava deitado ao seu lado, ofegante.

Respirou fundo mais algumas vezes, procurando abastecer os pulmões que estavam sem desde que caiu naquela cama. Há um tempo, tinha prometido para si mesma que nunca mais iria transar com alguém em um quarto de boate, pois era nojento. Porém, temos nossas recaídas, não é?

— Porra — gaguejou, cansada.

— Porra... — O homem soltou a respiração, se desenrolando do lençol.

— Eu juro que não aguento ir mais uma vez, se não, já estaria em cima de você novamente.

— Não hoje, não é?

— Perdão?

— Poderíamos marcar outro dia.

— Para isso, eu teria que saber seu nome — ela respondeu, curiosa.

Ainda não haviam trocado palavras direito, pois não conseguia nem compreender sua voz claramente. A música naquela boate era extremamente alta, a prova de qualquer tipo de conversa fiada.

— Você pode me chamar de .

?

— Sim. É a primeira letra do meu nome.

— Então, você pode me chamar de .

— Até a próxima então, ?

— Até a próxima, .

apalpou o chão procurando o vestido de Alice, enquanto ouvia fazer o mesmo com as peças de seu terno.

Saiu do quarto o mais rápido que pode, sem ao menos notar que havia colocado a peça de roupa ao contrário. Deixou sua máscara para traz, na tentativa de sair de lá sem olhar para trás e ultrapassar todas as pessoas que ainda estavam presentes no local. Levantou a mão direita, enquanto segurava os saltos prateados com a outra e esperou pelo táxi, que a levou de volta ao apartamento.

[...]

Sábado à noite

[. 19:23]: O que acha de hoje?

[. 19:45]: Quem é?

[. 19:58]: A melhor transa da sua vida?

[. 20:01]: . Oi. Achei que seria cedo demais para te mandar qualquer mensagem.

[. 20:02]: Eu também, mas estou sem nada para fazer.

[. 20:04]: Eu não posso, estou cuidando da minha melhor amiga e do namorado.

[. 20:05]: Tudo bem, me contento comigo mesmo.

[. 20:06]: Por que não vai para algum bar?

[. 20:07]: Porque hoje é sábado.

O bar deve estar cheio de adolescentes.

[. 20:08]: Pelo amor de Deus, só pedir o RG que é sucesso.

[. 20:10]: Quer tanto se livrar de mim, ?

[. 20:15]: Não. Se fosse por mim você estaria me comendo no balcão da minha cozinha.

[. 20:13]: Porra, se você continuar assim dá para fazer um sexting.

[. 20:16]: Estou realmente ocupada, caso contrário eu topava.

[. 20:18]: O que você está fazendo?

[. 21:30]: Agora, no hospital com dois doentes.

Segunda-feira

[. 08:53]: Caiu da cama?

[. 08:54]: Eu trabalho daqui a pouco, você não?

[. 08:54]: Sim, mas precisei chegar uma hora adiantado

[. 08:55]: Que pena

Eu daria tudo para dormir mais um pouco

[. 08:56]: Nem me fale, nem acredito que já é segunda feira de novo

[. 08:54]: Nem eu, perdi praticamente meu final de semana todo sendo babá

[. 08:59]: Eu passei o final de semana sozinho

[. 08:59]: Por quê?

[. 09:01]: Meu melhor amigo desapareceu

Sem dar sinal de vida

Estou completamente sozinho e devastado

[. 09:02]: Meu Deus quanto drama

Tenho que ir agora, beijos

[. 09:02]: tchau,

[...]

Terça-feira

[. 17:54]: Estou extremamente cansada

[. 17:56]: Quer ir pro motel?

[. 17:57]: Quero

[. 17:58]: Merda, eu não posso

Achei que você fosse dizer não

[. 17:58]: Não se faz isso com uma garota,

O que tanto você tem pra fazer em uma terça à noite?

[. [17:59]: Encontrei meu melhor amigo

Ele disse que passou o fim de semana com a namorada

E esqueceu de me avisar

Vamos pro bar mais tarde

[. 18:20]: Justo

E você vai ficar no celular comigo?

[. 18:44]: Não tenho nada melhor p fazer por enquanto

Você tem?

[. 18:46]: Sim, a janta

Hoje é meu dia de cozinhar

Provavelmente vou ficar assistindo algum filme depois

[. 18:47]: Que tipo de filme você gosta?

[. 18:48]: Pra quem não queria nem saber meu nome, ta bem interessado

Gosto de várias coisas na verdade

[. 19:23]: Eu gosto de Star Wars

[. 19:24]: Eu não gosto, não

[. 19:25]: Por que eu estou conversando com você?

[. 19:27]: Porque o impacto que te causei foi muito grande

[...]

Quinta-feira

[. 12:09]: Você realmente não desiste de falar comigo, não é?

[. 12:11]: Por que eu desistiria?

Você até que é legalzinha

[. 12:11]: Legalzinha? Cadê o respeito?

[. 12:11]: Você é suportável

[. 12:09]: Pelo pouco que te conheço

Devo ser bem mais que suportável

Já que todos os dias você me manda bom dia

[. 12:11]: E você nem ousa reclamar, não é?

[. 12:12]: Pra um sexo bom e fácil, a gente faz um esforço

[. 12:12]: Falando nisso...

[. 12:12]: Sim, vamos sair amanhã

[. 12:14]: Graças a Deus eu não preciso convidar

[. 12:14]: Aonde você quer ir?

[. 12:14]: Você está me chamando para jantar?

[. 12:15]: Sim, porque amanhã eu serei mais rica.

Ainda vou pagar sua conta

[. 12:15]: Também ficarei mais rico amanhã

Vou ser promovido

[. 12:16]: Mais rico? É possível?

[. 12:17]: Sim, darling

[. 12:17]: Nós já estamos nessa fase de apelidos carinhosos?

Achei que fosse demorar mais um tempo

[. 12:17]: Eu aposto que você até sorriu para o celular

[. 12:18]: Aw

Obvio que não

[...]

Sexta-feira

Todos os dias pareciam da mesma forma. e ele passavam horas conversando durante os horários de trabalho e fora dele. As madrugadas estavam ficando curtas demais e seu relógio estava despertando cedo demais, resultando exatamente no oposto do que ela queria que acontecesse: Estava realmente gostando de conversar com alguém. Alguém que poderia compartilhar de seus momentos engraçados, sexuais e até os mais tristes. Em um desses dias, comentou que não estava muito bem e ele foi a pessoa que conseguiu deixá-la para cima, por incrível que pareça.

Não sabia seu nome, muito menos seu rosto, e seu coração acelerava só de pensar que hoje seria o dia que finalmente o encontraria. Na verdade, seria um dia cheio de emoções pois também saberia se seria promovida na empresa. Mesmo se não pegasse a vaga, estava majestosamente grata por ter chegado até ali, depois de tudo o que havia passado em sua vida. Estava no auge da vida financeira beirando os seus trinta anos e uma estabilidade em quase todas as outras áreas.

estava com sua melhor roupa social, com seus cabelos soltos por cima do blazer e usava pouca maquiagem. Todos ali estavam ansiosos demais para saber se ela finalmente iria ultrapassar e pegar a vaga que ele desejava. A reunião seria logo após o almoço, a qualquer momento, mas ela não conseguiu se concentrar durante toda a manhã, distraída com a ideia do que estava por vir. Por sorte, não tinha muito a fazer, apenas ler alguns casos a serem discutidos e fazer um relatório do caso anterior.

Observava pela porta transparente, indo até a mesa de Regina toda hora. Aparentemente, ela não era a única nervosa para o que viria. Foi somente ameaçar sair de sua sala, quando seu chefe finalmente gritou seu nome e de . Eles se entreolharam através do cômodo e seguiram para a sala do CEO.

Seu nervosismo poderia ser notado por todos que estavam presente ali, respirou fundo algumas vezes antes de entrar, acompanhada por seu colega de trabalho, que não a poupava nas piadinhas. ¬¬¬

─ Pronta para eu ser seu chefe, Collins?

─ Pronto para eu ser sua chefe, ?

arqueou a sobrancelha, enquanto seu chefe se levantava em frente aos dois. Como gostava de dramatizar qualquer situação, poderia simplesmente revelar quem havia ganhado a maldita promoção. Estavam esperando por meses.

, , é um prazer tê-los aqui. ─ Matthew abriu os braços ─ Todos estávamos esperando ansiosamente por este dia. Primeiramente, gostaria de agradecê-los por terem feito um trabalho espetacular durante esses cinco meses de espera, não esperávamos menos que isso vindo dos nossos melhores empregados. Foi um prazer imenso acompanhar vocês durante esse tempo, tanto que chegamos a cogitar a possibilidade dos dois tomarem a vaga. Porém, infelizmente não será possível. ─ Ele fez uma pausa dramática, encarando os dos candidatos a sua frente. ─ Parabéns, Collins, você é a nova gerente da empresa.

Seu mundo pareceu congelar por instantes, não conseguia acreditar que havia conseguido a vaga. Suspirou aliviada e abriu um sorriso de orelha a orelha.

─ Muito obrigada, Matthew. Nunca estive tão feliz ─ a mulher respondeu, sorridente.

, sinto muito por não ter conseguido a vaga. Entretanto, temos uma proposta para fazer. Você terá duas opções: pode continuar a trabalhar aqui, em seu cargo atual ou pode ir ser transferido para Paris, onde terá o mesmo cargo de , longe de NY.

─ Eu... ─ Ele não sabia o que dizer. Não queria deixar NY e toda sua vida para trás, havia construído raízes por ali e ir para a França bagunçaria toda a sua rotina, que tanto amava. ─ Até quando preciso te dar a resposta?

─ Até o final de novembro, para que possa começar a trabalhar em janeiro, logo após as festas de fim de ano.

─ Tudo bem ─ disse, desanimado.

o olhou, e ele sorriu de lado, estendendo sua mão para que ela cumprimentasse.

─ Parabéns, você merece a vaga.

─ Muito obrigada ─ respondeu, amigável.

─ Vocês estão dispensados por hoje, sei que não farão um trabalho adequado depois da notícia, portanto podem ir para a casa e vejo vocês na segunda.

e assentiram e seguiram para sua sala. Ela passou por Regina, que a parabenizou com muita alegria.

Sem entender, pegar seu telefone foi a primeira coisa que fez antes de pegar sua bolsa, queria contar para que havia conseguido a promoção e mal esperava para saber a dele também. Deixou toda a sua papelada em cima da mesa, pegou sua bolsa e saiu em direção ao elevador, com o celular em mãos.

Havia uma mensagem dele.

[. 13:48]: Não consegui a promoção, . Parece que você vai pagar o jantar hoje.

─ Segura, por favor. ─ gritou, correndo para pegar o elevador a tempo.

colocou sua perna para segurar a porta e ele agradeceu com um sorriso simpático.

[. 13:50]: Eu sinto muito mesmo!

O celular de apitou.

[. 13:50]: E você, conseguiu?

O celular de apitou.

[. 12:09]: Sim

O celular de apitou, novamente.

[. 13:50]: Espera...

O celular de apitou, novamente.

[. 12:09]: Oh, fuck

? ─ levantou a cabeça, procurando assimilar exatamente o que estava acontecendo por ali.

... ─ Ele mordeu os lábios, segurando o sorriso que estava prestes a se formar em seu rosto.

─ Não acredito ─ disse, indignada. Realmente não conseguia acreditar, como não havia percebido antes? Ele esteve o tempo todo ao lado dela.

─ Te encontro às 20h, então? ─ sugeriu, arqueando as sobrancelhas. O elevador parou, e a porta se abriu. ─ Não esquece o cartão de crédito.

E saiu, deixando-a completamente sem palavras. Havia transado com . Estava conversando com ele e, pior, estava gostando. Todos aqueles friozinhos na barriga quando uma mensagem chegava, vinham dele. Todos os flertes, as consolações... não acreditava que vinham da mesma pessoa que via todos os dias. Estava preparada para a noite de hoje? Com que roupa iria? O que eles conversariam? Por que, de repente, estava preocupada demais com essas coisas?

A porta do elevador havia se fechado novamente e, quando abriu, ainda estava parado ali.

─ Você não vem?


Fim...



Nota da autora: Oii, pessoal. Essa é a minha primeira ficstape, espro que tenham gostado! Digam nos comentários o que acharam, o que mais gostaram se querem uma continuação da história hihihi

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