Última atualização: 31/07/2020

Capítulo Único

Os olhos de oscilaram pelo que parecia ser a milésima vez naquela tarde. Sentada à uma mesa redonda com pessoas as quais ela não tinha o menor interesse na conversa, a jovem sentia o tédio triplicar a cada segundo. Normalmente, ouvir música clássica era bastante terapêutico e a deixava com um excelente humor, mas naquelas circunstâncias se viu a odiando.
Pegou a primeira taça que viu à sua frente, não se importando se pertencia a alguém ou qual era o seu conteúdo. Virou, bebendo todo o líquido que ali havia, com a intenção de despertar e soltou um longo bocejo, tentando oxigenar melhor o cérebro. Se ao menos ela pudesse dar as costas àquele evento estúpido!
Revirou os olhos ao ouvir a risada alta de sua mãe, sentindo raiva por tê-la colocado naquela situação e pela forma como seu rosto esquentava com toda certeza ela explodiria como uma dinamite a qualquer momento. Não era seguro mantê-la ali, será que a senhora não percebia?
Respirou fundo, puxando a maior quantidade de ar que conseguia para dentro de seus pulmões e mais uma vez buscou a taça cheia mais próxima, bebendo mais um pouco do que ela descobriu ser champanhe tão rapidamente que provavelmente aquelas pessoas falariam dela até a próxima geração. Para elas, não havia nada mais ultrajante que uma dama se comportar de maneira inapropriada.
Para o inferno com esse negócio de que damas têm que se comportar de forma apropriada! Afinal, o que é apropriado? Cada um tem a sua forma de enxergar o certo e o errado, então querer impor regras é ridículo!
O maior desejo de era poder gritar aquilo, ou quem sabe roubar o microfone que estava no palco por motivo nenhum só para dizer tudo o que pensava ao bando daqueles seres ridiculamente machistas e intolerantes.
— Ei, me passe esse drinque aí! É com cranberry? — chamou atenção de um garçom, mas acabou atraindo olhar de todos os integrantes de sua mesa.
— Sim, senhora — o homem disse, de forma educada.
— Ótimo — aprovou, pegando a bebida e imediatamente a bebeu, sentindo que seus olhos até se reviraram nas órbitas de tão gostoso que aquilo era.
, isso é jeito de uma moça se comportar? — escutou a voz da mãe ralhar com ela, então bufou alto, quase sentindo a bebida voltar do quanto aquela conversa lhe dava náuseas.
— Ué, mas esses drinques não estão aqui para serem bebidos? Eu só pedi um! — ergueu uma das mãos em rendição.
— Esse não é seu primeiro drinque durante essa festa. Não esqueça que eu te conheço como a palma de minha mão.
— Além de ter que aturar esse povo você quer que eu passe por isso sóbria? — exclamou, indignada por tanta exigência.
, esse evento é seu. Aqui estão os solteiros mais cobiçados de Londres e… — arregalou os olhos, mais indignada do que nunca quando interrompeu a fala da mãe.
— Espere aí! Eu não acredito que você está me fazendo passar por isso! Quantas vezes eu preciso repetir que não quero me casar! — espumou de raiva, sentindo olhares sobre si, mais uma vez sem se importar.
— Mas você vai! Eu jamais vou aceitar filha minha sem um marido. Trate de engolir a raiva e sorrir como uma dama. A senhora já mostrou interesse no casamento entre vocês. Com sorte, o seu pequeno show não estragou tudo — aquelas palavras dela só serviram para aumentar o nível de raiva de .
— Quero mais é que você e a senhora vão para o inferno. Em que século nós estamos mesmo? Não acredito que voltei para a antiguidade — viu o olhar da mãe a fuzilar e sentiu um calafrio por saber o que aquilo queria dizer.
ainda não tinha total autonomia sobre si mesma e se continuasse enfrentando a mãe daquele jeito em público, com toda certeza ficaria trancada um mês no quarto só a pão e água.
— Vai mesmo continuar com essa palhaçada, ? — aquela fala fez a menina suspirar, pedindo mentalmente que aquilo acabasse de uma vez.
No entanto, só tinha um jeito de acabar e ela não gostava nada.
Acabou acompanhando a mãe até a mesa onde estava a outra senhora e manteve seus olhos fixos em qualquer ponto que não fosse as duas. Com certeza ela surtaria e sairia correndo.
— Audrey! É um prazer recebê-los na nossa festa — a voz da senhora soava tão falsa que sentiu vontade de alertar a mulher.
— Que nada, Diana. É ótimo estar aqui principalmente diante de uma menina tão linda. Minha nossa, o vai adorá-la — se aproximou da moça, tocando a bochecha dela com uma das mãos. precisou de muita determinação para não revirar os olhos. A mulher havia dito aquilo como se esperasse que a garota se sentisse honrada ou algo naquele sentido, mas ela não podia se sentir menos.
— Prazer em conhecê-la, senhora — soltou, de forma educada.
— Não não, que isso! Pode me chamar de Audrey. Nada de senhora — repreendeu a garota, então se virou na direção da mesa. — , querido, venha conhecer a — chamou, fazendo com que a garota olhasse na mesma direção que ela, sem conter a genuína curiosidade. Já que ia se casar forçado, que fosse com alguém pelo menos atraente.
Porém não era apenas atraente. Ele era gostoso de um jeito que beirava a perfeição e sentiu até que seu corpo esquentava, dominado por hormônios. A ideia de casar com um homem daqueles não lhe pareceu tão ruim por breves segundos, mas ela não daria aquele gosto para a mãe. Bonito ou não, ela ainda não queria ser forçada a se casar com ninguém.
O olhar de foi de encontro ao da garota quando ele se levantou, percebendo a surpresa e o interesse passarem pelos olhos dela, o que lhe arrancou um leve sorriso de canto. não podia negar que a garota era linda demais para sua sanidade, mas ainda assim achava aquilo tudo muito ridículo. Arranjar casamentos era algo tão ultrapassado que ele sempre dava um jeito de sabotar com os pares que a mãe arrumava para ele.
, esse é o meu filho — Audrey o apresentou, assim que o rapaz parou ao seu lado.
— É um prazer conhecê-la, — disse, encarando a garota com uma leve arqueada não sobrancelha. Sem sombra de dúvidas, ele tinha o seu charme e ela poderia facilmente cair em seus encantos, mas não o faria. nunca foi do tipo que daria seu braço a torcer.
— É, eu digo o mesmo — sorriu forçada, sentindo que a mãe lhe cutucava. — Te chamaria para dançar, mas as músicas estão deprimentes — ignorou a mulher e os sorrisinhos que elas trocaram ao ouvir suas palavras. Certamente estavam pensando que cedia, mas só queria uma oportunidade de dizer ao tal que por mais bonito que fosse não iria rolar casamento nenhum se dependesse dela.
— Só posso concordar, mas isso não nos impede de dar uma volta, certo? — respondeu, tentando decifrar o que havia na expressão do rosto daquela garota. Talvez ela quisesse o mesmo que ele, distância daquela loucura toda.
— Então eu aceito — concordou, segurando o braço dele assim que o ofereceu. Sem olhar para as duas mulheres, que reprimiam gritinhos de felicidade, os dois então saíram pelo salão, atraindo alguns outros olhares sobre si.
O silêncio reinou por alguns segundos, então resolveu quebrá-lo.
— Hm, é , certo? — questionou, chamando a atenção dele.
— Isso — afirmou, encarando a garota com curiosidade.
— Acho bom eu te avisar logo de início. Eu não quero me casar com você — soltou, de uma vez.
— Outch — exclamou, fazendo uma careta de quem havia recebido um tapa.
— Espera, não foi isso que eu quis dizer! Não é nada com você...
— Sou eu — a interrompeu, completando sua fala e fazendo a garota rir sem graça. — Eu sei, . Relaxa. A minha ideia era te repelir de alguma forma porque eu também não quero isso. Acho que essa ideia toda de casamento arranjado é ridícula — deu de ombros e o sorriso dela se tornou algo mais leve.
— Jura? — ela soltou, de forma aliviada. — Isso torna esse nosso passeio bem mais agradável, se quer saber — aquilo o fez rir.
— Eu diria o mesmo, se não tivesse um rosto curioso a cada dois passos que damos — indicou algumas pessoas das outras mesas e franziu o cenho.
— Odeio esse povo — exclamou, alto demais e sorriu com aquilo.
— Quer fugir daqui? — propôs, de repente, fazendo com que a garota lhe encarasse surpresa.
— O quê? — sabia que uma fuga momentânea não eliminaria o problema que era o casamento arranjado.
— Dar o fora daqui. Eu conheço um lugar que tenho certeza de que você vai gostar — explicou, vendo o sorriso de canto se formar aos poucos nos lábios dela.
— Quero — aceitou, por fim, e deixou entrelaçar os dedos nos seus.
— Então venha comigo — a guiou em direção à saída do salão, ignorando todos os olhares e cochichos ao seu redor.
Ambos sabiam que todos deviam estar reprovando aquela atitude. Pretendentes ou não, nunca se saía daquele jeito de uma festa formal. Ainda mais porque a festa era oferecida da parte de .
Porém eles não poderiam se importar menos. A curiosidade de saber mais um do outro falava mais alto, era como dinamite. Nenhum dos dois sabia aonde aquilo lhes levaria, mas estavam mais do que interessados em descobrir.





Fim!



Nota da autora: Oi oi, amores. Espero que tenham gostado. Comentem para eu saber o que acharam, sim? Quem sabe essa short tenha uma continuação. É um prazer tê-las aqui. xx Frankie.





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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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