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Postada em: 05/12/2020

Prólogo


é a rainha da escola. Linda, ambiciosa, destemida e ácida. Ela sabe muito bem como usufruir de seu posto diante os outros mortais. Mas, o que muitos não sabem e nem sequer sonham, é como ela se tornou essa rainha, da noite para o dia, quando na realidade, ela não passava de uma zero a esquerda, chata e prepotente. Mas eu sei, eu sei de tudo. E sei o real motivo pelo qual, hoje, é a rainha da beleza suprema na Royalt Bae High School.
Eu, Russell, sei exatamente quando e como isso aconteceu. Talvez, muitos não tenham ligados os pontos ainda, mas, qualquer um que pare e observe por mais de cinco minutos, sabe exatamente do que estou falando. Ela, nunca foi a rainha aqui, este posto sempre pertenceu a perigosa e manipuladora Brenda White, melhor amiga de . Só que, desde aquela noite na clareira, no último dia das férias de verão, que as coisas mudaram.
Algo grande e ágil, escondido nas matas da floresta Bucket, atacou e desde então, ela mudou. Algo nela, nasceu como um relâmpago no céu. A partir daquela noite, todo seu comportamento, sua aparência e até mesmo seu humor, mudaram como água e vinho. ficou escandalosamente bonita e atraente, fora a sua dicção que ficou perfeita e sem falar, também, nos olhos dela que ganharam uma cor amarelo mostarda, que a deixava linda pra cacete.
Eu não sei o que a atacou, mas eu sei que, seja o que for, não deixou ferimentos graves, uma vez que na manhã seguinte, ela já estava bem e andando, como se nada tivesse acontecido. O que eu, sei é que, seja o que for aquilo que atacou , fez um favor para ela. Pois, acho que sem isso, ela ainda seria a mesma garota sem graça e ignorada dessa escola, que vivia a sombra da sua melhor amiga.
Aquela noite na floresta Bucket, ainda é um péssimo borrão de pavor e sombras, tanto para mim, quanto para , Brenda, Solie, Niall e Gavin. Todos nós, amigos, mas, que presenciamos coisas diferentes, de ângulos diferentes e que inegavelmente nos causou a mesma sensação de pavor, medo e mal estar. Aquela floresta, todos dizem que é assombrada, amaldiçoada ou coisa do tipo, por uma criatura que vive entre os enormes pinheiros e que se embrenha na mata, apenas esperando a hora de atacar. E naquela noite, parece que seis adolescentes perdidos e confusos, se tornaram o prato principal.
O ataque foi rápido e preciso, de modo que a única pessoa que realmente teve algum ferimento, foi . A criatura, que muito de nós, mesmo com a memória confusa, conseguiu se lembrar, é uma criatura grande, enorme, com garras afiadas e muito pelo. Solie afirma que é um lobisomem, por causa da sua "vasta" experiência com Teen Wolf e The Vampire Diaries. Niall, garante que é algum tipo de leão da montanha. Já Gavin, afirma que foi um caçador. não se lembra de nada e mesmo assim, saiu arranhada e sangrando de lá.
Eu, , mesmo me recusando a acreditar, confirmo o que Solie disse, o que nos atacou pode sim ter sido um lobisomem. Claro que não é um lobisomem de Hollywood, com o peitoral do Jacob em crepúsculo ou algo assim, mas era uma criatura folclórica, grande, enorme e bem ágil. Eu não posso afirmar isso com certeza, é claro, mas, ao julgar a mudança repentina na aparência e nas atitudes de , tudo começa a fazer sentido. Por mais louco que isso possa parecer, até para nós, que vivemos uma cidade, que é conhecida, como a capital mundial da caça aos lobos, naquela floresta, existe sim um enorme e peçonhento lobisomem.
Hannover é uma cidade pequena, sem muitos agitos e quase nenhum ponto turístico. Portanto, logo que o movimento da caça ganhou força, os turistas vieram, cada vez em mais quantidade e a nossa cidade, acabou ficando bem conhecida.
Aqui, qualquer coisa que possa parecer, meramente estranha, agorenta e sombria, no fundo tem uma ponta de verdade. Então, quando Solie veio até mim, com seus inúmeros artigos sobre a transformação do homem em lobisomem e a transcrição de uma tal tradição lupus, como é conhecida entre os antigos, foi quando as coisas começaram a fazer sentido para mim. Eu parei e observei o comportamento de , por semanas, sempre analisando cada passo seu, a fim de achar alguma certeza em todos as minhas desconfianças. Então, eu sou obrigado a concordar que Solie realmente está certa e o que nos atacou, aquela noite, era sim um lobisomem.
Observando também, o comportamento de metade da população masculina da Royalt, eu posso afirmar que sim, algo muito estranho está acontecendo. Ao julgar por, Seth Graham, astro do time de futebol e que, agora, parece lamber o chão onde passa. E uma vez que, Seth sempre menosprezou e humilhou , inúmeras vezes, isso é sim algo bem diferente do normal. e Seth, são como água e óleo, não se misturam e não causam bons efeitos colaterais. Então, ao julgar aquela cena estranha no refeitório, onde os dois estão no maior amasso, bem na frente de todos, é de se concluir que, não é a mesma garota de um verão atrás.
Saber que ela foi atacada por um lobisomem, me faz ter inúmeras questões e dúvidas. Mas de uma coisa, eu tenho total certeza, que seja lá o que é agora, ela não vai destruir minha cidade e muito menos, machucar meus amigos.
Seja lá o que aconteceu aquela noite, pode sim ter transformado na rainha da beleza nessa escola, mas isso não anula o fato, de que agora, ela é igual a Brenda, perigosa e manipuladora.
E, a partir do momento que isso começar a ficar perigoso demais, eu serei obrigado a intervir e mesmo que eu tenha que revelar todos o que aconteceu com , ela não irá prejudicar mais ninguém nessa escola.
pode ser a rainha que for nessa escola, mas, o seu reinado, esse está com os dias contados.

Parte I

Gritos, Arranhões e Mordidas


Hannover, é uma cidade bem isolada e com aproximadamente uns dez mil habitantes, ou até menos que isso. Aqui nós temos, somente uma escola secundária, uma delegacia de polícia e apenas um hospital, ou seja, somos praticamente um borrão preto no meio do mato. Portanto, por se tratar de uma cidade que tem apenas uma escola, todos os alunos se conhecem e todos, estudam juntos desde o maternal. É bem assim comigo e meus amigos. Nós nos conhecemos quando ainda estávamos no fraldário e a amizade se estendeu até o segundo grau. Ou seja, é quase certo que nós iremos juntos para a faculdade também.
Mas, o que eu não sabia e nem poderia adivinhar, é que alguns acontecimentos que antecederam as férias de verão, daquele ano, iriam mudar as coisas para sempre.
O barulho que as folhas espalhadas no chão da floresta Bucket fazem ao encontrar-se com nossos sapatos, é um barulho estranho e irritante. Mas mesmo assim, a gente está lá mais uma vez, fazendo a nossa última reunião antes do início das aulas, do último ano. A noite é bem agradável e o céu sem quase nenhuma nuvem, o que deixa o clima ainda mais ameno e gostoso, para uma festa de despedida do verão.
Nós nos reunimos na entrada da floresta para irmos trilha adentro, enquanto bebemos cerveja e comemos salgadinhos. Todo ano, uma semana antes do fim do verão, a gente faz uma reunião como essa, é como um ritual de passagem que fazemos por anos. Todos nós seguimos pela mata adentro, até encontrar algum lugar ermo e isolado, onde possamos armar nosso acampamento e então ficar admirando a lua nascer. E apesar das lendas e crenças que rondam a floresta Bucket, isso nunca passou de história para nós, pois, em anos que fazemos isso, nunca encontramos nenhuma criatura peçonhenta ou algo parecido.
Eu já estava ali parado, a espera dos meus amigos, tinha mais ou menos uma meia hora do horário marcado. Apesar de não acreditar em nenhuma daquelas histórias, eu não gosto nem um pouco de ficar parado e sozinho, na entrada de uma floresta aterrorizante como a Bucket. Olhei para os lados e nada dos meus amigos chegarem e aquilo, já estava ficando bem chato. Mas logo em seguida, vejo algumas silhuetas conhecidas vindo pela minha direita na estrada, então já fico mais aliviado. Não que eu seja medroso ou algo do tipo, mas é que coisas acontecem aqui em Hannover e quando acontecem, viram lendas urbanas, que são contadas para todas as pessoas, até que virarem realidade.
— Achou mesmo que a gente não viria, não é, ? — Escuto a voz ácida de Brenda White em meus ouvidos e rolo meus olhos em sua direção.
— Achei. Mas vamos logo, não gosto nada da ideia de ficar aqui parado por muito tempo. — Balanço meus ombros e em seguida ligo a minha lanterna.
— Mas que diabos essa garota está fazendo aqui? — Aponto a lanterna para , que me encara com um olhar torto que só ela tem.
— Ela quis vir e eu não achei que fosse uma má ideia. — Brenda balança os ombros e olha de mim para a amiga.
— Porque você não para de ser um pé no saco, ? — Escuto a voz insuportável de em meus ouvidos e não consigo evitar uma careta.
— A garota, fica na sua. Você nunca tá com a gente, mas todo ano, você acha um jeito de aparecer nas nossas reuniões. Eu não te entendo. — Mostro meu dedo do meio para ela e posso ver sua cara de desgosto as minhas palavras.
— Você tem inveja porque a Brenda prefere a mim do que a você, querido. — Ela passa por mim e então caminha até a entrada da trilha.
— Pra uma Lost Girl até que você fala demais. — É o que eu respondo e então percebo que todos me olham como se eu tivesse feito algo criminoso.
, é uma garota que nunca, em todos os anos de amizade se faz presente entre nós e nossos rolês, ela sempre acha algum motivo e nunca aparece. Na verdade, desde que conheci ela pela primeira vez, eu já percebi o ar de garota rejeitada que adora fazer um papel pra ganhar algo vida. No colégio, ela é a sombra de Brenda White, sendo assim sua melhor amiga, mas, ela nunca foi mais que isso, nem se ela quisesse. Ali, naquele trio que envolve, ela, Brenda e Solie, não existe espaço para outra alfa que não seja Brenda White. Portanto, é apenas uma mera figurante no espetáculo regido por sua melhor amiga.
Apesar disso tudo, eu entendo que o fato de ser assim, não é culpa dela e sim de Brenda. Brenda é manipuladora e perigosa e ali, aquela víbora consegue manipular direitinho suas escudeiras que ela transcreve como suas melhores amigas, para fazerem tudo que ela quer, quando ela quer.
Eu sinceramente não sei o porquê de Brenda ainda estar com a gente, talvez, seja porque Niall sinta uma paixão descontrolada e ache que ela vai largar o astro Seth Graham pra ficar com ele. Eu tenho é pena do meu amigo. E isso acaba resultando em mim, tendo que aguentar a insuportável da Brenda e sua amiguinha ainda mais insuportável, todos os anos. Delas, a única que se salva é Solie, que por sorte, não se iguala a nenhuma de suas amigas. Porque, mesmo que seja manipulada, isso não anula o fato dela ser uma criatura intragável.
Mesmo assim, eu até que gosto da mistura estranha que acontece entre mim, Niall, Grant, Brenda, Solie e .
Desisto de tentar entender a dinâmica estranha que rege meu grupo de amigos e vou em direção a trilha. Caminhando mata adentro, posso perceber que ela parece ainda mais escura e fechada que dá última vez, parecendo até, que as árvores cresceram e agora, estão mais próximas uma das outras. Por conta disso, a trilha ficou mais estreita e perigosa, com muitos galhos pontudos e um chão bem escorregadio, devido a garoa que caia por entre os enormes pinheiros. A trilha está bem mais perigosa, mas mesmo assim, nós seguimos o caminho que nos levaria até o ponto ideal que procuramos.
Nossas lanternas, tentam iluminar ao máximo a mata fechada, mas isso é quase impossível. Então, fazemos uma fila e um segue atrás do outro, enquanto eu, na frente vou guiando o caminho. Mesmo assim, a trilha fechada ainda é um perigo e quase sem iluminação, temos que tomar todo e qualquer cuidado, para que ninguém se machuque ou que ninguém tope com algum leão da montanha, ou algo do tipo.
Seguindo pela trilha, nós escutamos alguns barulhos estranhos, como se fossem galhos se mexendo e isso nos levou a impressão de que estávamos sendo seguidos, ou perseguidos por alguma coisa. Os barulhos vão diminuindo conforme avançamos pela mata, mas aquela maldita sensação, ainda está comigo e eu não consigo evitar. Talvez, realmente, algo viva naquela floresta e esse pensamento, toma conta de mim, se transformando em um medo desconhecido. E se algo vive por ali, embrenhado na escuridão, eu é que por enquanto, não quero ter conhecimento. Por isso, oriento meus amigos a seguir em frente, deixando seja o que for aquilo, para trás.
— Venham, vamos ter que dar a volta aqui. A trilha está muito fechada nesse trajeto! — Me pronuncio assim que percebo a trilha fechada.
— Eu juro por tudo que é mais sagrado, que essa é a última vez que eu me enfio no meio do mato com vocês. — Novamente, a voz insuportável da mimada da Brenda é ouvida por todos.
— Para de reclamar, Brenda, você nunca tá satisfeita com nada, meu deus! — Solie repreende a amiga e vem até onde estou, passando a sua frente.
— Não sei onde que vocês acham que é divertido ficar enfiado no meio de uma mata escura. — se pronuncia diante todos, enquanto tenta iluminar nossos rostos com sua lanterna velha.
— Se isso não tem a mínima graça pra você, porque diabos você veio então? — A questiono, jogando a minha lanterna na sua cara azeda.
— Porque eu gosto do perigo e gosto também, de ver vocês irritados com a minha presença. — rebate em um tom irônico.
— Será que dá pra vocês calarem a boca? Se a gente não seguir em frente, vamos perder toda a diversão. — Niall se manifesta na conversa e eu não contenho um riso ao escutar sua advertência.
— Eu concordo com o Niall, vocês resmungam demais e nós temos um bom trecho de caminho pela frente. Portanto, vamos logos, seguindo em frente. — Gavin completa o pensamento de Niall e aponta para frente com a sua lanterna.
— Como eu estava dizendo, vamos ter que dar a voltar na trilha, porque, esse trecho está muito fechado e não vamos conseguir passar. — Explico novamente.
— Que seja então, vamos dar a voltar nessa merda de uma vez. Quanto mais cedo a gente chegar lá, mais cedo essa tortura acaba. — Ouço Brenda esbravejar e então seus pés tomam a frente, ficando ao lado de .
— Você é sempre tão simpática e divertida Brenda, fico admirado. Me lembre de te convidar mais vezes para os nossos passeios. — Ironiza Gavin, que passa por ela e toma a liderança junto a mim.
— Espera, onde vocês vão? — Questiona ao perceber que estamos um pouco a frente delas.
— Dando a volta na trilha, . Se vocês ficarem paradas aí, vão ficar sozinhas na trilha fechada. — Giro minha cabeça e direciono minha voz às duas, que estão paradas no mesmo lugar.
— Vem logo Brenda, eu não quero ficar aqui sozinha. Essa mata é perigosa e cheia de criaturas peçonhentas, eu é que não quero encontrar com uma cobra no meio dessa trilha. — Ouço a voz de ecoar entre às árvores, enquanto a mesma tenta fazer Brenda sair do lugar, para nos seguirem.
— Acho realmente difícil você encontrar cobras por aqui, . Uma vez que você e Brenda já estão na trilha, não vejo razão para outras cobras estarem por aqui. — A provoco, assim que vejo as duas ao meu lado.
— Vai se foder, ! E anda logo, que tá esfriando e eu não quero passar muito tempo olhando essa sua cara! — olha pra mim e lança o seu dedo do meio, ato qual, eu respondo da mesma maneira.
— Ignora esse cara, ! Ele não vale a pena. — Brenda responde a amiga enquanto faz uma careta para mim.
— Ih garota, essa sua careta não me intimida não, pode desistir! — Devolvo a cara feia pra ela, que rola os olhos e volta a enganchar na melhor amiga.
— Vocês vão ficar tricotando aí até quando? A lua já está ficando visível no céu e ainda nem passamos da metade do caminho. — Escuto a voz de Niall ecoar entre as árvores.
— Ele tem razão, vamos deixar nossa discussão para outra hora. Temos outra missão aqui hoje e com certeza, a minha, não é ficar gastando saliva com vocês duas. — Digo isso a e Brenda e viro as costas para duas, caminhando até onde meu amigo está.
— Aposto que você gastaria sua saliva beijando a , sem nem reclamar. — Ironiza Solie, assim que passo por ela e recebo um de seus olhares divertidos.
— Cala a boca, Solie! E vamos seguir essa merda de trilha, que eu já cansei! — Sussurro a ela e balançando os ombros, eu ignoro aquela afirmação sem pé nem cabeça.
— Como quiser, não está mais aqui quem falou! — A vejo levar às mãos na altura dos ombros e sorrir para mim.
— O que vocês tanto cochicham aí? — É a vez de Brenda nos agraciar com sua curiosidade insuportável.
— Nada que te interesse, Brenda. — Respondo a ela que me lança outro dedo do meio. Essa garota gosta de encher o saco dos outros, puta que pariu.
Na verdade, não sei qual das duas é mais insuportável, se é a ou a Brenda. Acho que nesse quesito, as duas ficam facilmente empatadas.
— Agora chega de papo furado. Já consigo enxergar o final da trilha, que pelo visto está mais limpo que o anterior. — Avisa Niall.
— Finalmente! — Escuto o tom de alívio e desprezo na voz de Brenda, que passa por mim, enganchada na melhor amiga.
Sem mais provocações, nós seguimos pelo caminho que nos levaria de volta a trilha. O caminho começa então a ficar mais estreito e com mais pedras e galhos pontudos no chão. Fora a iluminação, que continua péssima e as nossas lanternas não adiantam de nada, outra vez.
— AI! AI! AIII! — Escuto aquilo e logo vejo que se trata de , que grita segurando seu calcanhar, bem na minha frente.
— Que foi agora? — Rolo meus olhos e dou alguns passos até onde ela está.
— Meu pé, eu acho que machuquei, virei sei lá. Tá doendo! AH! — Apesar da pouca luz naquele trecho, eu consigo ver a dor em seus olhos.
— Se apoia aqui e deixa que eu vejo isso, pode ser? — Aponto para minha perna e oriento que ela coloque a mão no meu ombro e o pé na minha perna, para que eu consiga ver melhor o seu tornozelo.
— Que seja! Mas veja isso logo, que tá doendo pra caralho! — Ela esbraveja e rola os olhos para mim. Mas segundos depois, que eu aposto que seja pela dor, ela faz o que peço.
— Aqui olha, você cortou sua perna. E provavelmente, foi em alguns desses galhos pontudos que tem aqui. — Aponto para o ferimento, bem acima do seu calcanhar.
— Eu sabia que esse passeio ridículo não ia dar em boa coisa! — Mais uma vez, a escuto reclamar daquele passeio.
— Cortes acontecem em trilhas na mata fechada, isso é mais do que normal, . Só relaxa.
— Você fala isso porque não é você que está com a perna sangrando e doendo. E cuidado aí, que tá doendo! — Sinto um peteleco na minha orelha e sou eu quem resmungo, dessa vez.
— O corte tá meio fundo, mas, acho que isso aqui resolve por enquanto. — Rasgo um pedaço da minha camiseta e amarro em volta.
— Falei pra tomar cuidado que tá doendo, seu ogro. — Mais um peteleco na minha orelha e ergo meu rosto para ela, que resmunga com os braços cruzados.
— Você consegue andar mais um pouco? — Pergunto a ela que abaixa o olhar em minha direção.
— Acho que não! Tá doendo demais, será que posso me apoiar em você? — Ela me questiona, analisando cada feição de meu rosto.
— Se é pra gente acabar logo com esse passeio que virou um filme de terror, pode sim, se apoia aí! — Aponto para meu ombro, indicando que ela pode se apoiar em mim.
— Obrigada! — Sua voz sai ácida e eu não contenho uma risada.
— Só não se acostume com isso e nem vá achando que eu vou com a sua cara, . — Digo isso pra ela, assim que a vejo se apoiar com os braços em mim.
— Fica tranquilo, , eu não acho nada de você e não é agora que vou achar.
Apesar de ser a insuportável que é e ainda por cima, ser a melhor amiga daquela víbora sem coração da Brenda, eu senti pena dela por ter se machucado naquele trecho, já que a trilha é mesmo perigosa. Foi por esse motivo que, não consegui deixar de ajudar a minha amiga. Porque, apesar de tudo, aquela garota insuportável e desajustada, era minha amiga. E eu sempre ajudo meus amigos, independente de como eles sejam.
Assim que ela se apoia em mim, todos comemoram e então nós seguimos a trilha mais alguns passos, até enfim chegarmos no descampado que nos permite ver bem claramente o céu e a lua cheia.
Montamos o acampamento, com algumas barracas e toalhas espalhadas pelo chão, já que, só iremos embora na manhã seguinte, é mais seguro ter um lugar para dormir.

Feito isso, nós acendemos uma fogueira e nos reunimos em volta. Olhando para cima, podemos admirar a beleza daquela lua que esse ano, parece estar bem mais cheia e mais perto da terra. A noite, parece finalmente estar do nosso lado, proporcionando uma das melhores vistas que eu já presenciei em toda minha vida. Com toda certeza, apesar de tudo que houve no caminho até ali, ter aquela lua só para nós, valeu muito a pena.
Até mesmo ter que aguentar as insuportáveis da e da Brenda, no fim das contas, acabou valendo a pena.
E falando nela, por um instante, me permito direcionar o olhar onde ela está e a vejo lá, sentada ao lado de suas amigas, rindo e esquentando alguns marshmallows, ou seja, pelo visto, ela já se recuperou bem do corte ou do susto, sei lá o que a deixou mais histérica. Mas o que sei, é que ela parece estar bem melhor. O que é um bom sinal, pelo menos assim, ela não vai tentar estragar ainda mais o meu passeio.
Quando, por um instante, ao me levantar de onde estou para pegar mais algumas cervejas, eis que vejo algo por entre as árvores, atrás de nós. O que vi, some diante de meus olhos em instantes, então, fico mais aliviado e consigo voltar ao meu lugar de antes. Mas ainda assim, fico em estado de alerta, pronto para fugir dali na primeira oportunidade.
— O que é aquilo ali? — Brenda fala com sua voz intragável e aponta a lanterna para um ponto entre as árvores.
— Aquilo o que? Tá doida Brenda? Tem nada ali não. — Solie rola os olhos e aponta a lanterna na mesma direção.
— Claro que tem! Eu tô falando, tem alguma coisa ali, entre as árvores! — Brenda aponta com a mão onde ela supostamente viu alguma coisa.
— Caralho! Tem alguma coisa ali sim, olha! — levanta-se de onde está e também aponta com sua lanterna.
— Vocês tão ficando paranóica! Isso sim, não tem nada lá. — Repreende Niall ao ver os rostos confusos das meninas.
— Claro que tem sim e eu vou provar! — exclama com aquela voz insuportável dela.
— Volta aqui sua maluca! Não vai aí não! Para com essa de bancar a corajosa, você não sabe o que tem aí. — Tento alertar aquela insuportável, mas ela não desiste e começa a caminhar até a mata.
— Vocês que são tudo um bando de medrosos! Não deve ser nada, não existe nenhum leão da montanha ou criatura peçonhenta, vivendo nessas matas aí não! — Ouço a risada nasalada de e rolo meus olhos para ela, literalmente, aquela menina não tem limites mesmo.
caminha alguns passos em direção ao lugar onde a amiga jura ter visto alguma coisa. O enorme breu e neblina que toma conta daquela área em específico, impede por alguns instantes, que eu possa ver o que realmente tem lá. Mas, para , parece que nada a impede de ir conferir o que sua amiga viu, mesmo que isso seja uma atitude completamente oposta daquilo que ela é. nunca foi corajosa, eu digo nunca, pois, em todos esses anos em que a conheço, nunca a vi enfrentar nada. Até para matar uma aranha ela precisa de ajuda, então, vê-la com toda aquela coragem repentina, é no mínimo estranho.
Toda a coragem de não é suficiente, quando ao menor sinal de perigo, algo enorme e ágil a puxa para dentro da floresta e então, tudo que ouvimos são seus gritos de socorro. Brenda levanta-se desesperada e até tenta ir atrás da amiga, mas, é impedida por Solie, que a segura com seus braços magrelos. Niall e Grant tentam iluminar a entrada da mata, na tentativa inútil de achar o que atacou nossa amiga. Já eu, forço meus olhos para tentar enxergar alguma coisa, mas também, não consigo encontrar nada. Aquela altura, e a enorme criatura estão embrenhados na mata.
O pânico toma conta de todos nós e o desespero se faz presente, conforme os gritos de dor e pavor de , invadem nossos ouvidos. Ninguém ali conseguiu ver direito o que aconteceu e muito menos, o que atacou nossa amiga. Tudo o que sabemos é, que foi algo grande e bem ágil, já que a puxou para dentro da floresta antes mesmo que um de nós piscasse os olhos.
O silêncio pavoroso veio logo depois, quando já não se podia mais ouvir nenhum grito e tudo que se fez em barulho, eram apenas o balançar das árvores com o vento. O medo se fez presente entre nós, de uma maneira que nunca enfrentamos antes. Então foi fácil perceber que, sim, existia algo agourento e tenebroso, vivendo por fim na floresta Bucket. Ou seja, todas as lendas eram reais e o bicho papão realmente vivia entre nós.
— Alguém tem que ir atrás dela, meu deus! Alguém liga pra polícia ou sei lá! — Posso escutar minha própria voz falando enquanto vejo meus amigos se contorcendo de medo.
— Aqui não tem sinal, ! Não temos como ligar para a polícia. — Retruca Niall, enquanto liga seu aparelho celular e aponta para o alto.
— Não podemos deixá-la aqui com essa coisa. — A voz de Brenda, pela primeira, não soa histérica e sim preocupada.
— Meu deus, o que é que foi aquilo que a atacou? — Solie leva a mão ao rosto e sua voz soa nervosa.
— Eu não faço a mínima ideia do que seja aquilo, eu só sei que é algo bem grande e horroroso. — Responde Grant, que abraça Solie para tentar acalmá-la.
— E o que fazemos agora? Não podemos ir embora e deixar a aí enfiada nessa mata e nem podemos nos arriscar indo atrás dela. — Diz Brenda ainda mais preocupada.
— Eu acho que não vai se preciso fazer nada. Olha, tem alguém vindo ali. — Aponta Grant para uma figura que surge em meio aquela escuridão.
? Meu deus, amiga! — Brenda corre em sua direção, sendo seguida por todos nós.
— Caraca isso tá péssimo! Meu deus, quanto sangue, que horror! — Digo a ela assim que vejo seus ferimentos, arranhões pelo corpo e uma mordida no ombro que parece ser bem profunda.
— Vem, vamos te levar pra um hospital, agora! — Ordena Solie que segura a amiga e a ajuda se levantar.
— Não precisa, eu vou andando sozinha. Eu estou bem. — se manifesta com a voz engasgada e dolorida.
— Para com isso, deixa a gente te ajudar! Você tá sangrando e toda machucada, . Para de bancar a durona, pelo menos agora. — Eu digo e assim pego o seu braço, passando pelo meu pescoço.
— Ok, vamos logo que eu… — não consegue completar a frase e desmaia em seguida.
está bem machucada e aquela mordida em seu ombro, fora bem grave, pelo visto o que atacou deve ter sido algum lobo da montanha ou algo parecido. Ele parece febril e bem tonta, de modo que desmaia rapidinho enquanto a levamos de volta para a cidade e direto para um hospital.
Deixamos o medo que sentimos ali naquela floresta, e seguimos em frente, desejando que nossa amiga sobrevivesse.
Portanto, todo e qualquer medo que passamos aqueles minutos sob o ataque de , ficou onde devia estar, embrenhado na imensa escuridão da floresta Bucket.
No fim, mal sabíamos nós, que aquele ataque seria só o começo de algo bem maior e mais perigoso.

Parte II

Apostas, Diversão e Morte


O medo foi real aquela noite na floresta Bucket, mas, o que nenhum de nós poderia prever é que, o mal iria bem além dos enormes pinheiros e dos gritos mediantes a lua cheia.
Nosso pensamento ao deixarmos a floresta, era de que seja lá o que atacou nossa amiga, que ela saísse viva e bem daquele hospital. E talvez, se a gente pudesse prever o futuro, não teríamos desejado isso.
O ataque daquela criatura a , mudaria não só a sua vida, mas a de todos em volta dela.
O primeiro corpo apareceu na segunda-feira pela manhã, logo após o início das aulas. Os corredores da Royalt Bae High School caíram em uma histeria sem tamanho, sobre a qual ninguém teria nenhum controle. A morte de um dos jogadores do time de futebol, nos pegou de surpresa. Segundo a polícia, ele fora atacado por um animal enorme na antiga floresta Bucket e disseram ainda, que provavelmente o Jerry fora atacado por um lobo ou leão da montanha. Mas, eu sei bem quem é o responsável por aquilo e neste momento, eu estou olhando diretamente para ela.
Jerry Smith foi encontrado no meio da floresta Bucket, com suas tripas para fora e o rosto todo dilacerado, igual ao ataque de um leão da montanha, ou neste caso, de uma lobisomem faminta. Ele foi dado como desaparecido uns três dias antes de ser encontrado e agora, a família do nosso astro de futebol, estava desolada e sob a ameaça de uma criatura ainda mais perigosa, que atende pelo nome de .
A postura dela diante daquele crime horrendo e sanguinário, só me fez ter ainda mais certeza daquilo que ela veio se tornar após a noite do seu ataque. Seu súbito interesse em saber tudo que os policiais sabiam sobre a morte de Jerry, me faz ficar ainda mais em alerta sobre o seu comportamento. Eu parei e fiquei observando , todos os dias, depois que o Jerry foi encontrado e em nenhum daqueles dias, ela se mostrou triste e nervosa, muito pelo contrário, ela se mostrou ainda mais incisiva em relação a tudo aquilo.
Ela e Brenda já não são mais amigas, muito menos ela e Solie, as três nunca mais se falaram depois daquela noite. Foi cada uma para um lado, ainda mais agora que, ficou gostosa pra caralho e tem metade do time masculino daquela escola, beijando seus pés. Eu, por outro lado, mantenho minha amizade com ela. Pois, como diz minha avó: mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais ainda.
A morte de Jerry agita bastante não só os corredores da nossa escola, mas também, com toda a cidade. Depois daquela segunda feira, agora, nós temos toque de recolher e não podemos mais frequentar a floresta ou seus arredores. Fora que também agora, não podemos mais ir em lugar nenhum, sem a presença de um adulto. As ruas de Hannover, agora tem também um carro de polícia em pelo menos cada uma esquina e policiais circulando na escola. Nossos pais foram orientados a não deixar seus filhos sozinhos em suas casas, muito menos, saírem para qualquer lugar após o toque de recolher. Ou seja, depois da morte de Jerry, todos nós tínhamos que estar em casa e dormindo às 21h da noite. Com aquilo, acabaram-se as festas, os jogos de futebol e toda e qualquer aglomeração nos arredores da floresta Bucket.
Hannover está em estado de emergência e em alerta vermelho.
Isso seria bem eficaz, se nós não estivéssemos sob o ataque de uma garota, que é o próprio mal encarnado e que não está nem aí para quem vai ferir ou atingir.
Tudo que importa para agora, é ser a porra da alfa naquela escola e assim, se tornar a rainha de todas as garotas, fazendo com que todos se ponham aos pés dela, fazendo tudo que ela quer. E isso não é bom pra ninguém.
— O que se passa nessa sua cabecinha hein, ? — Escuto a voz de Solie atrás de mim enquanto fecho meu armário.
— Nada de mais, estou apenas pensando em tudo que aconteceu, desde aquela noite. — Sussurro para ela e então eu aponto para , que conversa com os garotos do time de futebol, agarrada a Seth Graham.
— As coisas estão bem estranhas mesmo e eu não consigo entender como ela pode mudar tanto. — O suspiro triste de Solie diante o meu comentário, me faz perceber que ela também sente falta da antiga .
— Ver a assim, circulando por aí, como se nada tivesse acontecido, me causa uma ânsia enorme. — Bato a porta do meu armário e ajeito minha mochila nas costas, pronto para ir embora.
— Eu te entendo. Ela mudou muito mesmo não é? Quem diria, ela e o Seth juntos, parece até uma cena de um filme ruim com a Lindsay Lohan. — Solie faz uma das suas comparações e eu não consigo evitar sorrir.
— Tem é muita coisa estranha acontecendo com a e vai muito além do Seth Graham. — Girando meus calcanhares para ir embora do corredor, eu vejo Solie me acompanhar.
— Eu só não entendo como que você consegue ser amigo dela? Não depois de tudo que aconteceu. — Solie olha para mim e seu semblante é pura confusão.
— Tem muitas coisas que eu preciso esclarecer sobre ela, Solie. E muitas outras coisas que envolvem ela e o Jerry Smith. — Explico a minha amiga minhas desconfianças, pois Solie, é a única em quem eu realmente eu confio.
— Espera, você tá achando que a matou o Jerry? O cara tinha quase dois metros e jogava futebol, isso é quase impossível… — Sussurra Solie a mim em um tom desacreditado.
— Depois daquela noite na floresta Bucket, Solie, eu não duvido de mais nada. E eu não ponho minha mão no fogo pela , não depois daquele ataque! Ela mudou bastante e eu acho sim que ela seria capaz de atacar o Jerry ou até fazer pior. — Nós paramos bem onde meu carro está estacionado e então vejo nós observando do parapeito da escola.
— Espera, você não acreditou mesmo naqueles artigos que eu te dei não é? Aquilo é só matéria reunida do Google. Não tem sentido! — Solie bate a mão no capô do meu carro e eu olho diretamente para ela.
— Claro que não, Solie! Lobisomens não existem! Eu tenho outros motivos. — Garanto a ela, mesmo que eu ainda acreditasse em todos aqueles artigos.
— Posso te pedir uma carona até em casa? Não quero correr o risco da mamãe surtar porque eu furei o toque de recolher. — Ela me pede enquanto vê alguns policiais no estacionamento.
— Claro entra ai! — Abro a porta do passageiro e a deixo entrar.
Lá do alto do parapeito, continua nos encarando com seu olhar sombrio e desafiador. Como se tivesse escutado cada palavra que eu e Solie conversamos, ela abre um sorriso em minha direção e jogando a cabeça para o lado, ela analisa cada feição de meu rosto.
No dia seguinte ao toque de recolher imposto pela nossa polícia, panfletos começam a circular entre os alunos da Royalt Bae High School. Panfletos esses, que anunciam escancaradamente uma festa realizada por em sua fazenda, no campo WestHill ao norte da cidade. Mesmo com todas as medidas de segurança que tínhamos que seguir após a morte de Jerry, os alunos parecem mesmo ter gostado da ideia de uma festa clandestina. Saber que estava organizando uma festa, ainda mais depois de todo o caos que ela causou na morte de Jerry, me revira o estômago e me faz ter náuseas constantes. Fora que, eu realmente não entendo como que todos podem ficar animados com uma festa em meio a uma histeria coletiva em que vivemos. Não é seguro ficar pelas ruas e é muito menos seguro, estar ao lado de .
Vejo uma de suas novas cadelinhas, entregando os panfletos aos alunos do primeiro ano. Vivian Strabb, esse é o nome da mais nova baba ovo da . As duas se conheceram em um bar fora da cidade, como se a tivesse idade para frequentar bares, mas, aquela garota faz o que quer e quando quer. Vivian e ela cantaram no karaokê juntas e aí descobriram, quase que por um poder cósmico, que estudam na mesma escola. Isso porque a sempre foi a isolada do colégio, então acaba que ela nunca conhecia ninguém. Mas, depois daquele último verão, parece que agora, ela conhece todo mundo. O que é pra lá de bizarro.
Um dos panfletos chega até mim e a ilustração da festa me chama a atenção, é um cara saindo de uma tumba, igual aqueles flyers de filmes slash antigos. Nojento. O título da festa, sugere que é uma festa em homenagem a Jerry Smith, que segundo o panfleto, não está mais entre os mortais para curtir uma boa festa. No rodapé, ela chama todos para irem na festa coloca o endereço de onde sua fazenda fica. Os policiais que circulam por entre nós, naqueles corredores, parecem não perceber o que está acontecendo, ou, simplesmente parecem ignorar o fato de uma festa clandestina estar prestes a acontecer.
Sinceramente, não consigo entender, em que mundo, é normal umas coisas dessas? Onde um garoto morre, é brutalmente assassinado e em meio há um toque de recolher, uma garota consegue fazer uma festa e todos acham isso normal?
— Faço questão de ter você em minha festa, ouviu? — Escuto a voz de bem próxima ao meu ouvido.
— Ouvi sim, claramente. Mas não te darei esse prazer de me ver em uma festa sua. — Largo as minhas batatinhas na bandeja e viro meu rosto em sua direção.
— Ah, mas porque? Você será meu convidado ilustre, ! — Posso sentir sua respiração bater em minha nuca enquanto a mesma sussurra.
— Eu prefiro morrer do que estar em um mesmo ambiente com você, . Não é nada pessoal, mas você é a última pessoa que eu quero estar perto agora. — Consigo ver seus olhos muitos próximos de mim e prendo a respiração.
— Cuidado com seus desejos, . Eles podem virar realidade! Vai que você entra nessa estatística das mortes assombrosas em Hannover. — Ela se senta ao meu lado na mesa do refeitório e rouba uma das minhas batatinhas.
— Você tá me ameaçando, ? Sabia que tem policiais pelo colégio todo? Eu se fosse você, tomaria cuidado com suas palavras. — Devolvo o olhar para ela que me encara sem piscar.
— Não estou ameaçando ninguém. Até porque não tenho poder para isso, baby. Mas de coração, se eu fosse você, não perderia por nada essa festinha. — A vejo colocar seu cabelo para trás da orelha e me abrir um sorriso malicioso.
— Eu acho que essa festa pode mesmo ser interessante. — Sorrio mostrando todos os dentes para ela.
— Viu só docinho, não doeu nada aceitar meu convite. Essa festa vai ser inesquecível. — Percebo seu rosto próximo ao meu mais uma vez e meu corpo todo se arrepia.
— Disso eu tenho certeza! — Respondo diretamente para ela enquanto a afasto de perto de mim.
Em seguida ela se levanta e caminha em direção a saída do refeitório, atraindo a atenção de todos os garotos que ali estão presentes. Naquele momento, eu daria um rim para saber como que consegue ter efeito sobre todos os garotos daquela escola, sendo que há um ano ela não interagia com ninguém, se não tivesse ajuda da Brenda White. Com certeza, isso deve ter alguma coisa a ver com o fato dela ser uma garota lobo? Se é que é assim que se refere a sua nova fase. O fato é que, agora ela tem um poder sobrenatural sobre todo e qualquer garoto, seja dessa escola ou não.
Na atual situação, eu desconfio até dos policiais que estão ali para nos proteger, que provavelmente, ela deve ter dormido com pelo menos metade deles. Com toda certeza isso tá acontecendo, pois, não é possível que nenhum deles estejam deixar passar essa festa clandestina, sem estarem recebendo algo em troca.
Após a saída esquisita de , olho em volta e todos estão concentrados em seus afazeres anteriores. Como se realmente, aquele poder dela sob os garotos, só funcionasse mediante a sua presença. Por um instante, sinto um certo medo do que pode estar me aguardando nesta fase, pois, nem de longe eu quero ser enfeitiçado por . Já tenho problemas demais rondando minha cabeça, para ter que me preocupar com os problemas que ela pode me arranjar. Mas, por outro lado, minha curiosidade é maior em saber o que ela estaria aprontando.
Talvez, uma festa como aquela, não seja tão ruim afinal. Todos nós, de alguma certa forma, precisamos fugir daquela prisão que virou nossas vidas após a morte de Jerry.
— Não vai me dizer que você aceitou ir nessa festa bizarra? — Ouço a voz de meu melhor amigo, Niall, me chamar.
— Aceitei! — Olho para ele que sustenta um sorriso bem sugestivo.
— Pode tirar esse sorrisinho da sua cara, Niall. Não é nada disso que está pensando. — Garanto a ele antes que pense alguma besteira.
— Ah cara, pode parar com essa! Todos aqui sabem que você é caidinho na da e não é de agora. — Vejo seu sorriso se alargar mais e então começo a caminhar para longe dele. — Você até pode fugir, mas, não pode se esconder dela. — Ele me alcança e entra comigo na biblioteca.
— Eu se fosse você, Niall, parava de fumar maconha que isso tá afetando seu cérebro. Não tem nada acontecendo entre mim e a Ginger e nem vai acontecer. — Entro no corredor de história e me dirijo aos livros de folclore.
— Quem tá lelé da cuca aqui é você, . Todo mundo já sacou que você é apaixonado pela . E eu se fosse você, aproveitava essa festa pra ir até ela, antes que o Seth Graham fique com a sua garota. — Ele me acompanha, pegando alguns livros de cálculo.
— Niall, você é meu melhor amigo, mas, você tá pirando. Eu não estou afim da e eu não vou a essa festa pra ficar com ela. — Viro para ele e coloco minha mão em seu ombro.
— Sei, aham. Você até pode tentar negar, mas, você também reparou como ela ficou linda da noite pro dia e que todos os garotos aqui agora babam por ela. — Ele bate com o livro de cálculo em meu braço esquerdo e pisca os olhos.
— Nem todos, você por exemplo, não parece ter caído nos encantos da garota infernal de Royalt Bae. — Falo para ele enquanto pego um livro de folclore americano.
— Isso é porque eu e a Brenda estamos nos acertando. — O vejo balançar os ombros e abrir o sorriso ao falar.
— Isso sim é uma novidade, meu amigo. Agora eu e a , pode esquecer. — Pego meu livro e o caminho em direção a uma das mesas centrais da biblioteca.
— Você vai se lembrar do que eu disse quando estiver rendido aos encantos de . — O vejo se sentar ao meu lado e balançar a cabeça.
— Não que isso te diga respeito, Niall Foster, mas, meu interesse nela está bem longe do interesse romântico. — Olho para ele que continua rindo da situação.
— Tá cara, como sou seu amigo, eu vou fingir que acredito no que tá me dizendo. Pelo menos por enquanto.
— Obrigado. — Agradeço e então abro o livro na página que me interessa.
— Espera aí, porque você tá lendo sobre folclore de licantropos e maldição lycan? — Ele me questiona ao ver o livro de história aberto.
— Tenho um trabalho de história pra entregar na terça-feira. — Desvio o assunto para não falar mais do que devo.
— Primeiro a Solie com aqueles artigos malucos e suas teorias tiradas de Teen Wolf e Crepúsculo. E agora você, com esses livros. Cara, vocês são estranhos pra cacete. — Niall aponta para meu livro e sua voz sai em um tom de ironia.
— Você que é estranho, Niall. Eu só tenho um trabalho pra entregar e a Solie é só uma menina que gosta de séries e filmes sombrios de adolescentes. Não tem nada demais nisso. — Respondo a ele em um tom mais sério.
— Tá cara, fica aí com seus cachorros fedidos que eu vou atrás da minha gata. — O vejo se levantar para sair da biblioteca.
— Obrigado. — Agradeço mais uma vez.
— Te vejo na festa da , no sábado. E por favor, não use aquele terno azul horroroso que você tem. — Niall faz uma careta divertida a sua afirmação e eu não consigo evitar rir junto. Meu amigo é sensacional, apesar de tudo.
— Cara, é uma festa e não um funeral. Apesar das condições. Pode ficar tranquilo, eu vou de jeans e camiseta. — Mando um dedo do meio pra ele que sai de lá rindo.
Naquele momento, uma ansiedade instantânea toma conta de mim, a respeito de como será e do que me espera na festa de .

🌒🌒🌒


A estrada que leva a fazenda WestHill é uma estrada curvilínea e bem pouco iluminada, exatamente como aquelas que vemos em filmes de terror. Os pinheiros altos e colados um ao outro, junto a neblina baixa, corroboram minha afirmativa e completam a imagem de estrada macabra e agourenta. A floresta WestHill é uma floresta distinta da nossa floresta Bucket, ficando ao norte da saída da cidade, com várias trilhas por dentro dela, que assim permitem o acesso de carros e outros veículos. Viro meu carro em uma das placas que indica que a entrada da fazenda WestHill está a menos de dois quilômetros. Adentro pela enorme escuridão que me cerca, dirigindo assim diretamente para o meu filme de terror particular.
Mais alguns minutos dirigindo por entre as enormes árvores e a neblina baixa, consigo ouvir de longe, a música alta e também consigo ver as luzes, que indicam que estou no caminho certo. Estaciono meu carro já na entrada da velha fazenda, junto aos outros carros que ali estão e logo de cara vejo o carro de Brenda White também estacionado, bem ao lado da Ranger vermelha do Seth Graham. As luzes, penduradas lado a lado em uma enorme corda, fazem o lugar ficar todo iluminado. Um DJ em sua mesa ao fundo, começa então a tocar alguma música do Alok e de repente, uma onda humana surge e todos começam a pular ao ritmo da música.
Olho em volta, na procura de algum dos meus amigos e logo avisto Grant ao lado de Niall, bem perto da mesa de bebidas, o que não me surpreende. Ao lado deles, está ela, , se apoiando em Seth e cochichando em seu ouvido, enquanto direciona seu olhar mortal em minha direção. Devolvo o olhar para ela e então, com as mãos e sorrindo eu aponto para meus amigos, deixando bem claro que estou ignorando sua presença ali. Pelo menos até eu conseguir ter a certeza que ela é a assassina de Jerry Smith.
Não estou nessa festa por ela, mas sim, por causa dela. Pois, estou aqui, para fazer o trabalho que os policiais incompetentes e corrompiveis dessa cidade, não conseguem fazer. Eu vou provar que é uma assassina cruel e sanguinária, que se transforma em uma besta sobrenatural, igual aquela das lendas e que vivem na floresta Bucket.
Aquela garota, pode até ser a rainha da beleza na escola e ter todos os homens dessa cidade nas mãos, só que isso, não me atinge e eu usarei isso, para chegar a conclusão que procuro. Toda sua beleza, poder e fama, não serão suficientes para livrá-la das consequências de seus atos criminosos.
Nesse momento, eu tenho é pena do Seth Graham, que nada mais é que uma peça de xadrez no seu jogo doentio de vingança contra a elite da Royalt Bae. Sua vingança começou com Jerry, mas todos sabem, que está longe de acabar.
— Que bom que você veio, . Essa festa não seria a mesma sem você. — Ouço a voz de se aproximar de meus ouvidos e a ignoro.
— Quem bom saber que você fica feliz com a minha presença em sua festinha, . — Respondo a ela no mesmo tom, sem olhar em sua direção.
— Uma festa sem a presença de todos os meus amigos, não é uma festa, não é Seth? — Ela pergunta para seu cachorrinho que apenas balança a cabeça.
Novamente, o DJ começa a tocar alguma música ainda mais alta e todos voltam a se mexer entre os que estão na pista de dança montada. Desvio meu olhar de para Niall, enquanto pego um copo de cerveja e me coloco ao lado dele, sem a mínima vontade de dançar qualquer que seja aquelas músicas.
está com Seth, se agarrando e cochichando o tempo todo. Bem provavelmente, estão falando de minha presença ali ou de como ela é a mais gostosa daquela festa. E pelo menos, por enquanto, a festa está caminhando bem, sem nenhum ato bizarro ou coisa do gênero.
Aproveito então e relaxo meu corpo, afinal, é até um sacrilégio, estar em uma festa e não aproveitar nem um pouquinho.
— Apesar de ser uma festa da insuportável da e de ser em meio a uma histeria que vivemos, tenho que admitir, que ela mandou bem. — Me dirijo a Niall, que está abraçado a Brenda.
— Pois, temos que admitir, que a megera da , soube enfim dar uma festa. Nunca imaginei que estaria aqui em uma festa dela. — Brenda olha para mim e abre um sorrisinho.
— Confesso que não achei que ela seria capaz de organizar uma festa tão boa assim. Mas ela surpreendeu mesmo. — Niall faz um bico nos lábios e diz de forma pensativa.
— Agora, com certeza, aquilo ali é uma cena bem incomum e estranha. — Brenda aponta para Solie que chega na festa, abraçada a Vivian.
— Solie gosta de garotas e só vocês que nunca perceberam isso. — Balanço meus ombros e então cumprimento minha amiga de longe.
— Desde quando? — Brenda me questiona.
— Desde que nos conhecemos no primeiro ano, Brenda. Ela até namorou aquela menina, a Harumi. — Direciono meu sorriso para ela que encara Solie boquiaberta.
— Bom, mas, com tanta menina bonita e interessante na nossa escola, ela me inventa de pegar essa metida da Vivian Strabb? — Brenda contorce o rosto e se aninha mais em Niall.
— Quanto a isso, sou obrigado a concordar. — Aponto meu copo de plástico a ela que devolve o brinde.
— Só espero que a não esteja usando a Vivian pra manipular e magoar a Solie. — É a vez de Niall se pronunciar.
— Ah, my love, se ela realmente fizer isso. Eu arranco a cabeça da com minhas próprias mãos. — A voz de Brenda sai em um tom macabro de ameaça, mas que no fundo, até que faz algum sentido.
Uma nova onda de pessoas pulando pra cima e pra baixo se forma a cada música que o DJ coloca pra tocar. Um misto de felicidade e alívio se instala em todos, que pela primeira vez em semanas, consegue respirar sem terem de lidar com a pressão da morte de um dos nossos. Jerry não está mais entre nós e sua morte, com certeza, ficou marcada em todos em nós. Mas, uma hora a gente tem de seguir em frente, não podemos viver para sempre em estado de alerta e com medo do que vive embrenhado em nossas florestas.
interrompe o DJ por um instante e então sobe no pequeno palco que fora montado ali, atraindo a atenção de todos que estavam na pista de dança para si mesma. Ela bate no microfone e sua voz é ouvida por todos.
E puta merda, como ela tá linda lá em cima, sob a luz da lua.
— Primeiramente, quero agradecer a todos que vieram até aqui hoje. Nós sabemos que a morte do Jerry foi algo terrível e é por ele que eu organizei essa festa, para o homenagear e para que possamos lembrar sempre dele, com toda sua força e energia de jogador. Essa festa hoje é pelo nosso eterno quarterback, Jerry Smith. — ergue seu copo em uma espécie de brinde.
— Pelo Jerry! — Todos os presentes gritam em um uníssono, erguendo também seus copos.
— Então, bora se divertir! Que a noite é uma criança e a diversão está só começando! — Ela finaliza sua fala e então desce do palco, em direção a pista de dança.
É quando, quase que como uma bomba relógio, programada para detonar todos nós, algo terrível acontece. E todos nós somos jogados, outra vez, no mesmo pesadelo que vivemos há semanas.
A lua no céu se escurece e um tom avermelhado toma conta daquele satélite, trazendo para terra uma luz escura e horripilante. Os pássaros que estão nas árvores da floresta WestHill se agitam e começam a voar em cima de nós.
— Aaaah! Me ajudem, por favor! — O grito estridente de Gregory Johnson, do primeiro ano, chama atenção de todos.
O garoto surge no descampado, coberto de sangue e carregando o corpo destroçado de sua prima mais nova, Fergie.
Naquele instante, uma nova histeria toma conta de todos que estão na festa. Pois agora, já não era somente um corpo e sim dois, mortos pela mesma criatura em florestas distintas.
Porém, o que chama minha atenção imediatamente, é que esteve o tempo todo ali na festa, bem ao alcance dos meus olhos. Ou seja, ela nunca foi a assassina em questão, ela não é a besta que estou procurando.
Eu estive errado o tempo todo, em relação a . Mas, não em relação a Vivian Strabb, uma vez que ela é a única que não esteve ali o tempo todo.
Parece que eu de fato encontrei a besta que tanto procuro e que esteve ali o tempo todo, bem ao meu lado.
Dessa vez, eu tenho certeza que a lobisomem que eu procuro é ninguém menos que Vivian Strabb. Ruiva, alta, de olhos cor de caramelo e que nessa noite, está vestida para matar. Literalmente.
Todos nós nos entreolhamos e vamos para parto um do outro, assim que ouvimos a sirene da polícia. Depois daquela festa clandestina e de tudo que aconteceu, nossa vida iria mudar, outra vez.
As coisas começam a mudar, quando sinto me abraçar e vejo que ela está apavorada, tremendo e suando. Naquele momento, só tenho uma certeza, que estive errado o tempo todo e que agora, preciso proteger minha amiga, de qualquer jeito.

Parte III

Sangue, Suor e Lágrimas


A noite da festa em WestHill foi bastante intensa e isso nos causou um grande impacto e uma grande histeria, já que aquela foi a nossa segunda morte em menos de um mês. Logo após isso, as coisas mudaram completamente nos corredores da Royalt Bae. Muitas coisas, como por exemplo, a reaproximação entre mim e , que ficou ainda forte depois que eu percebi que estava completamente errado e culpando alguém inocente.
pode ser o que ela é, uma lobisomem de fato, mas isso, não a caracteriza como uma assassina ou algo do gênero e agora, eu sou capaz de ver isso claramente. Ela só se tornou alguém melhor e mais evoluído que todos nesta escola. O reinado dela perante o grupo feminino e masculino foi algo repentino e que gerou um certo alvoroço, mas daí, acusá-la de assassinato, por simples e puras suposições, não é bem o certo a se fazer e o que aconteceu naquela festa, me abriu os olhos, de tal forma que hoje, eu só consigo pensar em protege-la.
Não percebemos a tempo que o mau verdadeiro esteve bem ao nosso lado e isso nos custou a vida de mais um amigo. Mas agora, que sabemos que a culpada é Vivian Strabb, até a começou a ver as coisas por outro ângulo, abrindo os olhos de Solie que já estava apaixonada pela garota estranha de olhos esquisitos. Descobrimos então que Vivian era de fora da cidade e que havia se mudado para Hannover, uma semana antes do ataque de na floresta Bucket.
E isso, me deu uma nova visão de tudo que estava acontecendo, de modo que agora, minha missão e de meus amigos, é proteger a da louca e sociopata da Vivian Strabb. Que é quem de fato deveria estar no meu radar, desde o início.
Depois de tudo que aconteceu e do fato que agora são duas mortes brutais, achou melhor nos reunir na velha floresta Bucket e assim nos revelar a sua verdadeira natureza para todos nós. No primeiro momento, ficamos todos assustados com o que ela nos contou, mas depois, quando vimos a sua demonstração da transformação, começamos a entender melhor do que aquilo se tratava. Ela nos mostrou suas unhas crescendo do nada e que ela só pode transformar uma noite por mês, na lua cheia - tudo exatamente como dizem nos livros - e depois daquilo, nós entendemos melhor o que tinha acontecido com aquela noite.
também nos disse a grandeza e a nobreza que é ser uma loba e que aquilo não é sobre ser uma predadora e sim, uma protetora e uma líder nata. Ela nos contou que encontrou mais alguns iguais a ela na cidade e que Vivian era sim uma delas, mas que não acreditava que tenha sido mesmo Vivian quem atacou Fergie na floresta WestHill. Só que por outro lado, ela não conhece muito bem a menina e não poderia pôr a mão no fogo pela tal.
Eu acho isso uma loucura, pois, se foi mesmo a Vivian quem atacou a Fergie e até mesmo a , ela devia ser parada o quanto antes. Mas nos garantiu que a menina não é esse monstro que estamos imaginando. E como, por enquanto, nossa amiga parece estar bem, pela primeira vez depois daquela noite, eu decido que é melhor não tocar mais nesse assunto.
No momento, temos assuntos mais importantes do que caçar uma suposta assassina adolescente e que ainda por cima é uma loba faminta.
E os cartazes colados em todas as paredes da nossa escola, comprovam isso. Nós teremos algo bem maior e pior que Vivian pela frente, algo chamado, baile de formatura. Mas que aqui em Hannover, nós chamamos de buraco negro do inferno.
— Você tem certeza de que está bem para ir nesse baile? — Pegando a mão de , eu a questiono assim que percebo a inquietação em seus olhos.
— Tenho sim! É o meu baile de formatura e eu não perderia isso por nada. — Ela coloca sua outra mão sob a minha e sorri.
— Mas e se você não conseguir controlar sua transformação? — É a vez de Solie perguntar.
— Isso não vai ser problema, eu só me transformou na lua cheia, esqueceram? E na noite do baile a lua é crescente. — direciona o sorriso para a amiga.
— Já que todos vamos a esse baile, eu acho que por precaução, é melhor irmos separados. Garotas com garotas e garotos com garotos, o que acham? — É a vez de Brenda levantar seus questionamentos.
— Eu acho válido. Não queremos causar muito alvoroço e nem queremos chamar mais atenção para a . E todos irão estranhar se você e a chegarem juntos no baile. — Solie aponta para mim e completa o pensamento de Brenda.
— Então tá combinado! As garotas se encontram todas na minha casa e os garotos, na casa do . Pode ser? — Ela abre um sorriso manhoso em minha direção.
— Claro, minha rainha! — Exclamo, beijando sua bochecha.
— Eu soube pelo comitê organizador, que esse ano a festa de formatura terá o tema de conto de fadas! — Solie diz, juntando as mãos em forma de palmas.
— Nesse caso então, eu seria a bela ou a fera? — olha para todos nós e ergue a sobrancelha nos questionando.
— A fera! — Todos respondemos em um uníssono, recebendo um sorriso desacreditado de .
— Com vocês de amigos, eu não preciso de inimigos. Vocês conseguem elevar minha auto estima de uma forma que nem sei explicar. — lança um dedo do meio para nós, enquanto ainda ri da nossa resposta.
— Você pode ser a bela e também a fera, se quiser, minha rainha! — Olho para todos os meus amigos e então me viro para , beijando novamente sua bochecha.
— Ih! Alguém aqui tá apaixonado! — Brenda fez uma careta de nojo para a cena e todos caímos na risada.
— Pra quem há um mês atrás só falava em como não iria rolar nada com a , você tá bem rendido não é, ? — Brenda arqueou sua sobrancelha e apontando uma batatinha frita para mim, ele faz seu questionamento.
— Vocês sabem que eu estava enganado o tempo todo sobre a , não é? E vocês todos fizeram campanha pra eu me acertar com ela e tanto fizeram, que deu certo, não é? — Minha vez de comer as batatinhas do prato de Brenda.
— Nisso ele tem razão! Nós todos fizemos a maior campanha eleitoral pra ele tirar aquela ideia errada da cabeça e confessar de uma vez, que ela tava na da . — Niall surge das cinzas e senta ao nosso lado na mesa do refeitório.
— Se bem que em Hannover, tudo é bem possível de acontecer. Inclusive, e . — Solie solta uma risada divertida que contagia todos nós.
— E sobre coisas impossíveis de acontecer, todos nós sabemos muito bem disso. — A voz de ecoa na conversa, atraindo nossa atenção.
— E eu acho fofo o e a juntos! — Niall faz uma careta fofa para todos nós, enquanto toma seu leite de caixinha.
— É, porque, a ser uma lobisomem já é algo muito mais estranho e nós teremos que lidar com isso. — A voz de Brenda sai séria dessa vez, quebrando todo o clima de diversão.
— Nisso a Brenda tem razão. Precisamos achar um equilíbrio e uma maneira de me proteger. Eu sinto que o mau está a minha espreita, pronto para me pegar a qualquer momento. — sussurra, apertando minha mão.
— Fica calma, . Ninguém vai te fazer mal, nós vamos garantir isso. — É Niall quem diz isso e segura a outra mão de , enquanto as meninas fazem o mesmo.
Mesmo com toda a aproximação com e a aparente afeição que criei por ela, eu espero realmente não estar me enganando, para no fim das contas, ver que ela ainda é a mesma garota fria, manipuladora e cruel. Espero mesmo não estar me metendo em uma furada e num buraco sem fim, para proteger alguém que não vale a pena. Por um instante, espero não me arrepender da decisão de apoiar e acolher .
Observando seu comportamento após aquele episódio terrível da morte de Fergie, algo dentro de mim grita que existe sim algo de errado com ela. Por isso, mesmo que ela seja inocente no ataque da WestHill, isso ainda não anula a sua possível participação no assassinato de Jerry Smith. Meu sexto sentido, grita para eu ficar de olhos bem abertos e atentos em . Eu posso até estar do seu lado agora e lhe protegendo, mas nada me impede, de ficar bem espero a qualquer sinal de que ela tem culpa no que aconteceu.
sempre foi uma uma caixinha de surpresas e mistérios, isso eu não posso negar. Portanto, é meu dever apoiar com uma mão e censurar com a outra, para ver até onde vai essa história toda.
Os corredores da Royalt Bae ficam cada vez mais vazios, à medida que o fim do ano letivo se aproxima. De modo que quase não se vê alunos pelos corredores e muito menos, os professores, que estão cada vez mais em suas salas, preparando as atividades para o fim do semestre.
A medida que esse baile se aproxima, os nervos de todos ficam aflorados e cada um de nós, trava sua batalha interna para enfrentar essa baile, depois de todos os acontecimentos. Os policiais continuam presentes na escola e a polícia de Hannover já arma uma escolta policial para estar em nosso baile, para assim evitar, qualquer outro ataque, igual aquele da festa e o da noite na floresta. Neste momento, o conselho de pais e o prefeito acham melhor não tirar nosso baile, mas sim evitar que possa acontecer outra morte.
Eu, por um lado, acredito que com Vivian Strabb longe de nossa cidade, nada de tão perigoso irá acontecer nesse baile de formatura, ou pelo menos, eu espero que nada aconteça.
— Você tá preocupada com esse baile, não está, ? — Me aproximo dela, que está em seu armário, guardando alguns livros.
— Sim e não! Eu vi no calendário que será noite de lua cheia, então, não vou conseguir ficar muito no baile e eu queria. — Ela torce os lábios e ajeita a mochila nas costas.
— Nós vamos cuidar de tudo, fica tranquila. Nada vai acontecer! — Coloco minha mão sob seu ombro, na tentativa de acalmar aquela pilha de nervos.
— Eu agradeço, mas, você não pode me proteger. Na verdade, ninguém pode. Essa é a única noite em que eu não posso ser controlada. — retira minha mão de seus ombros e me encara, aflita.
— Fiquei curioso em saber como que você sabe tanto assim sobre licantropia? Em tão pouco tempo? — Digo a ela, tentando mudar o tom da conversa, a fim de fazê-la se acalmar.
— Eu encontrei minha tribo na floresta Bucket, logo após aquela noite. E fui instruída pelo meu alfa. — Ela esboça um sorrisinho para mim e eu tento corresponder.
— Entendi… e o Seth? Como estão as coisas entre vocês? — A conduzo pelo corredor até a saída da escola.
— Eu vou terminar com ele, logo após o baile. O Seth é insuportável e eu não posso continuar com ele. — Ela balança os ombros e encara o céu pouco ensolarado.
— Você falando que alguém é insuportável, essa é boa! — Relanço no ombro dela e consigo uma gargalhada de resposta.
— Esse é o que eu conheço! Até mais, te vejo por aí! — A ouço dizer, assim que vejo um carro preto encostar e ela se dirigir até ele.
— Tchau, ! — Aceno para ela, mas sou ignorado, assim que ela entra naquela carro e o mesmo da partida, seguindo a rua.
Por um instante, uma onda estranha percorre meu corpo e um medo desconhecido, me atinge em cheio. Olhando entrar naquele carro, meu coração fica desconfortável e é como, se eu estivesse vendo uma tragédia anunciada acontecer, bem diante de meus olhos. Não posso evitar alguns pensamentos e tudo que eu mais quero agora, é estar enganado sobre ela. Eu preciso estar enganado, não tem outra alternativa. não pode ser o monstro que vem rondando meus pensamentos todos esse meses. Não pode.
🌒🌒🌒


Exatamente como um furacão, a noite do baile nos atinge sem ninguém perceber e assim que nos damos conta, já estamos nos preparando pra essa noite. O céu anuncia que será uma linda noite de lua cheia e limpa, sem nenhuma nuvem sob nossas cabeças, o que pode ser bom ou ruim, isso vem da perspectiva de cada um de nós.
O salão de festas e eventos da cidade, já está todo coberto com a decoração pejorativa e cafona, escolhida pelo comitê de formatura, que foi sim o maldito tema: contos de fadas. E esse ano, me fizeram vir com essa fantasia ridícula e sem noção da fera, uma vez que sou par da nesse baile. É, eu tenho os melhores ou os piores amigos do mundo.
Um cartaz enorme colado no mural ao lado da porta do ginásio, anuncia que às seis horas terá apresentação de uma banda bem conhecida e famosa entre os adolescentes, algo como "The Maine" ou coisa do tipo. Famosa não sei onde, porque eu nunca ouvi falar. Mas até onde sei, quem armou de essa banda tocar hoje, foi e as amigas dela. Pois, não existe nada que ela e as outras garotas não consigam fazer. E pelo visto, o diretor Weder, não teve outra alternativa, a não ser contratar essa tal de "The Maine" para tocar aqui hoje.
— Você, tá ótimo! — Escuto a voz de Solie falar comigo enquanto aponta a minha fantasia tosca.
— Você também, cinderela! — Dou um sorriso e aponto para a fantasia dela.
— Acho que merecemos um prêmio pela tentativa. — Então nós dois caímos na risada.
— E a , onde ela está? — Solie pergunta movimentando a cabeça, para ver entre as pessoas que já estão por ali.
— Ela me disse que vai se atrasar um pouco, levando em consideração o nosso acordo de não chegarmos juntos. — Respondo Solie e sorrio para ela, que balança os ombros de um modo ansioso.
— Ela te contou alguma coisa sobre hoje ser a lua cheia? — Solie pergunta em um tom curioso.
— É, contou. Na verdade, ela parecia bem apreensiva com esse fato, mas também, por outro lado, ela parecia estar bem calma. — Balanço meus ombros e então respondo-a.
— Espero que a gente consiga evitar uma catástrofe aqui hoje, caso ela venha a se transformar no meio do salão. — Solie diz e então balança a cabeça, apontando para Brenda e Niall, que chegam juntos.
— Eu espero que ela chegue rápido, pois, já são quatro e meia e em breve a lua vai aparecer e aí, tudo vai estar perdido. — Viro meu rosto em direção onde meus amigos estão vindo e respondo Solie.
— De quem foi a ideia de fazer um baile de formatura a tarde, mesmo? — Ouço a voz irritada de Brenda ecoar até meus ouvidos.
— Provavelmente o comitê de pais e professores, a fim de evitarem outra "perturbação" da ordem. — Niall responde a namorada, que torce o nariz.
— Um baile no meio da tarde, por causa de dois ataques distintos, é bem Hannover mesmo. Aqui, parece que nunca teremos uma festa de verdade. A não ser que prendam aquela besta fera da Vivian. — Brenda dispara, rolando os olhos ao comentário de Niall.
— A Vivian deve estar a quilômetros daqui agora, então, portanto, estamos seguros. Não sei porquê desse baile a tarde, também. — É a vez de Solie disparar suas ironias.
— E quem te garante isso? — Pergunto a ela.
— A própria disse que a Vivian deve ter fugido daqui, após o ataque a Fergie. — Solie balança os ombros e pega uma bebida na mesa.
— Meu deus do céu! Para tudo, o que é aquilo? — Ouço Brenda cuspir a bebida que toma junto a Solie, apontando para trás de mim.
Eu me viro e então, tenho a visão mais perfeita do paraíso em fundição ao inferno, jamais vista antes, por qualquer outro ser humano. Por um instante, aquela mesma sensação do dia do estacionamento, invade minhas veias de modo que cada parte de mim treme em um ritmo descontrolado. atravessa o salão, com um vestido amarelo, colado ao corpo dela e os seus cabelos, caem feito ondas perfeitas em seus ombros. Vestida para matar alguém, essa é a descrição perfeita para ela, neste baile. Sua versão sexy e ousada da fantasia da bela, a deixa ainda mais poderosa e perigosa, fazendo jus ao seu posto de rainha da beleza de Royalt Bae.
Todos no salão param e observam a chegada de e suas fiéis seguidoras, Selene e Jennifer. Três garotas maravilhosas, três garotas poderosas que podem fazer o que quiserem, a hora que querem. Ali, naquela festa, não tem uma pessoa que não se sinta perversamente atraído por e suas amigas. As três atravessam o salão e com elas, um vento gelado toma conta de todo lugar, trazendo para dentro do salão um clima frio e nebuloso, exatamente como uma noite de inverno. Por um instante, parece mesmo que a morte atravessou o salão e agora está ali entre eles. Mais uma vez.
— Você está deslumbrantemente linda, hoje. — Eu digo a , assim que nossos olhares se encontram.
— Essa era a intenção, desde o começo. Me vesti pra você. — Ouço a voz dela sussurrar em meu ouvido e meu corpo todo treme diante da sua presença.
— Será que posso te convidar pra dançar? — Olho para os lábios dela e pergunto.
— Claro que pode. Estava esperando você pedir isso. — Novamente ela sussurra em meu ouvido e então nós dois seguimos para o salão de dança.
A banda convidada entra no palco para realizar sua apresentação e no mesmo instante, todos parecem ficar ainda mais hipnotizados por todos aquela situação. O clima entre a banda e plateia fica estranhamente conectado, como se todos eles estivessem comandando cada um dos aluno que ali estão, enquanto os acordes das músicas são tocadas com destreza e veracidade. é uma dessas pessoas, que acompanha com o olhar imóvel cada um dos integrantes da banda. Meus amigos entram na mesma bolha, onde todos parecem estar cada vez mais longe da realidade. Sou levado a crer que isso é efeito de alguma droga que foi colocada no ponche e não, um evento bizarro de hipnose.
Todos os alunos da Royalt Bae High School, dançam de um lado a outro na pista de dança, como se não houvesse o amanhã. Nenhum deles está realmente preocupado com o fato de que tem policiais pelos corredores e muito menos, que estamos sob uma ameaça que pode estar ali, materializada pela mulher mais linda que eu já conheci na minha vida. Eu acredito em , porém, em meu interior eu sei que ela não é totalmente inocente e que é sim, bem provável, que ela esteja escondendo e protegendo Vivian. Em um lapso de consciência, consigo perceber, que de todos os alunos presentes nesse baile de formatura, eu sou o único que não estou hipnotizado pela banda ou pela atmosfera bizarra que causa a aterrorizante presença de .
Todos dançam e curtem o baile de formatura, uma vez que em meio a tudo que vivemos, aquele é o único momento em que todos nós podemos relaxar e curtir algo de verdade. Os nossos professores e pais de alunos, estão presentes no baile, a fim de garantir a nossa segurança perante aos possíveis ataques. Em um momento, enquanto danço com , posso ver em seus olhos que talvez algum dia, todos nós possamos, quem sabe viver uma vida calma e monótona. Uma vida onde, ninguém tenha que conviver com lobisomens e assassinatos sanguinários.
está inquieta, mas, eu não posso culpá-la, já que, ela não é a única que sente uma presença estranha escondida naquela atmosfera bizarra que cerca o nosso baile de formatura. Eu, por um lado, me sinto bem a vontade ao lado dela e até, por um breve momento, sinto uma vontade enorme de beijá-la. Mesmos sabendo, que talvez isso nunca vá acontecer, eu me contento com o simples fato de poder estar dançando com ela em nosso baile.
De repente, as luzes do salão começam a piscar e uma onda macabra e assustadora, toma conta de todos os alunos da Royalt Bae. A lua que ilumina o salão, através da enorme janela, atinge em cheio o meio do salão e então, uma expressão apavorante toma conta do rosto maravilhoso de . Eu sei exatamente o que vai acontecer e sei que não posso fazer nada para controlar o que vem a seguir. Porém, antes de presenciar o que eu diria ser a cena mais apavorante de toda minha vida, ouço uivos estridentes percorrendo o salão e uma figura longilínea, de rosto pontudo e olhos escuros atravessar o salão em minha direção. É ela, é Vivian e seus lobos de estimação.
— Finalmente, o momento que tanto esperei, chegou. — A voz ácida de Vivian ecoa pelo ambiente até meus ouvidos.
— Vivian… você… — engole algo em sua garganta e então, recebe o olhar frio de Vivian.
— Essa festa é mesmo o banquete que todas nós precisamos, querida . — Vivian lambe a ponta dos dedos e então, ataca um dos alunos que passa por ela.
— Você não precisa fazer isso, Vivian. Nós podemos achar um jeito de consertar tudo. Por favor, eles são a minha família. — Percebo o olhar pidonho de aquela besta.
— Você mesma nos garantiu esse banquete aqui hoje, querida . E a sua família, agora, somos todas nós. Então, querida, aproveita. — O sorriso macabro de Vivian cobre seu rosto e então, gritos de horror tomam conta do salão.
Suas garras pontudas e afiadas, seguram rapidamente um dos alunos que passa por ali, em completo desespero. Vivian o segura pela gola da camisa social e encarando seu rosto, ela analisa minuciosamente a expressão de medo e pavor que são estampados em seu olhar. Em nenhum momento, ela expressa compaixão ou pena por aquele pobre garoto e sim, uma espécie de sede e fome que eu nunca vi antes em alguém. Mas, como em Hannover, nada acontece por acaso ou acontece de maneira normal, aquilo não me espanta, uma vez que nesse altura da situação, já haviam se passado inúmeras hipóteses e conclusões pela minha cabeça. E em todas elas, o nome da gritava em meus pensamentos.
A lua, agora enorme e cheia no céus, atinge o meio do salão, bem onde e está. Um uivo ardente e esganado sai de sua garganta, nos mostrando que a sua transformação será inevitável e será bem ali, diante de todos os alunos da Royalt Bae. Em um impulso, ou até mesmo um toque de desespero, a vejo direcionar o olhar em minha direção e eu sei exatamente o que fazer. Todos os nossos amigos compartilham do mesmo sentimento e então, uma cortina longa e vermelha, que cobre o salão da formatura, é arrancada e jogada em cima de . A mesma já está com o rosto todo contorcido e as garras em suas mãos já começam aparecer. Mais um uivo sai de suas gargantas e Vivian se atravessa em nossas frentes, puxando o que cobre de ser o seu maior pesadelo.
— Mostre a todos eles o monstro que você é, querida . — Vejo o medo no olhar daquela que um dia foi a minha garota.
— Deixa ela em paz! — Um grito sai de minha garganta e Vivian mostra sua risada impetuosa e seca.
— Oh que bonitinho, a bela está apaixonada pela fera. — Ela me olha de cima a baixo e algo em minha garganta parece se estrangular.
— Fujam! corram daqui, agora! — É tudo que ouço dizer antes de ser puxado por Solie para longe daquele salão.
— Nós não vamos te deixar! — O grito sai abafado de minha garganta, na mesma hora que recebo o olhar desesperador de .
— Vocês vão sair daqui, agora! — É o último suspiro daquela que um dia foi a menina mais amada da escola.
Seu corpo todo se contorceu e então eu vi seus olhos, agora ainda mais amarelos. Eu a vi se transformar na criatura mais linda que eu já vi na vida, mas também, vi dor e sofrimento a cada osso de seu corpo que se quebrava em mil pedacinhos. O uivo triste e suplicador que sai de sua garganta, faz cada célula de meu corpo se contorcer om sua dor interna e externa. se transforma bem diante de meus olhos e eu vejo aquilo tudo sem esboçar nenhuma reação, até porque, neste momento, eu estou hipnotizado e apavorado com toda a situação.
Corpos são jogados pelo chão e todas elas se deliciam com aquele instante de prazer repentino.
A lua atinge em cheio o rosto de que me lança um último olhar antes de atacar outra garota. Fecho meus olhos, a fim de não ver aquilo tudo e sou puxado pelas mãos delicadas de Solie que me leva para bem longe daquela cena horrorosa.
Já no lado de fora do ginásio, os gritos de horror de todos que são assassinados por aquelas meninas ferozes é ouvido a quilômetros de distância. Minha respiração é fraca e contínua, minha vista fica turva e embaçada diante aquele momento de tensão, mas consigo ver bem quando, e as meninas saem correndo do ginásio, se embrenhando nas matas da floresta Bucket, elas somem de vista em questão de segundos.
Aquela é a última vez que as vejo e tudo que elas deixam para trás, é um rasto de sangue, suor e lágrimas.

Epílogo


A floresta Bucket costumava ser a floresta mais assombrada de toda a costa leste. Nossos avós, diziam que ela sempre fora assombrada e que criaturas antigas e perigosas, moravam entre as enormes árvores. Ela é tão escura e nebulosa, que as pessoas facilmente se perdem entre as trilhas e os riachos que a compõe. Os pássaros não ficam lá mais de uma estação e os animais, não são vistos a mais de séculos. Os uivos de lobos são ouvidos de nossas casas, que ficam a quilômetros da entrada. E tem sido assim por gerações. As lendas surgiram na época da minha bisavó e sobrevivem até hoje. Nenhum adolescente, criança ou até mesmo um adulto, entram lá sem instruções ou desacompanhados. Mas, é claro que isso era regra até às mortes começarem, depois disso, tudo mudou e hoje, a floresta está simplesmente esquecida e é temida por todos moradores de Hannover.
É nela, que mora a criatura mais linda que conheci em minha vida e também a criatura mais temida por todos. Durante o dia, uma mulher maravilhosa e durante a noite e a lua cheia, um lobo faminto e sedento por sangue. Depois do baile de formatura, e do massacre cometido por Vivian, ela se escondeu nas entranhas da floresta Bucket e nunca mais saiu. Exceto quando ela está em forma humana e eu posso visitá-la. Tem sido assim há mais ou menos um ano, nós dois nos vendo apenas uma vez no mês. Eu não tenho mais do que reclamar e até mesmo do que temer. me mostrou tudo que eu sempre temi nesta cidade e tudo, de uma forma tão bonita e atraente, que eu já não me sinto acuado ou assustado. Hoje, eu consigo ver a beleza naquilo em que ela se transforma todos os meses, consigo enxergar a paixão e a emoção em seus olhos, de modo que eu nunca havia percebido antes.
Aquela noite, ainda é um borrão assustador para todos que estavam naquele baile, ainda mais do que a noite em que fora atacada, aqui mesmo nessa floresta. O massacre no baile foi insano, algo que eu nunca vi antes. Vivian era sanguinária e forte, de modo que ninguém conseguiu parar sua sede de sangue e vingança. Depois disso, se sentiu acuada e correu para a floresta, a fim de se proteger e de proteger todos aqueles que ela ama de uma possível represália. Os moradores de Hannover a caçam como um animal sanguinário, o que de certa forma ela é, mas caçar alguém sem direito a nenhuma defesa, é um ato desumano.
Hoje, é final de setembro e é a última lua cheia do mês, então aqui estou eu, na entrada secreta ao leste da rodovia 114 para encontrar a . Eu, Solie, Brenda e Niall, fizemos um monte de cookies e biscoitos de geleia para ela. Tudo que ela adora comer eu trouxe para cá, para lhe dar de presente, mais uma vez. O céu começa a querer escurecer e anunciar uma tempestade, mas nem isso me faz arredar o pé daqui antes dela chegar. Não posso simplesmente, deixar a cesta aqui e ir embora, eu tenho de esperar a sua chegada, como sempre faço, todos os meses há um ano.
— Você sempre está aqui no mesmo horário. — Escuto a voz doce de ecoar entre as árvores.
— Oi, . — Esboço um sorriso para ela.
— Oi, . Que saudade. — Ela se aproxima e assim, posso ver seus olhos, doces e perigosos.
— Às vezes, eu sinto que você não está segura o bastante aqui nessa floresta.
— Eu não posso sair daqui e ir pra cidade, infelizmente. Aqui pode não ser o lugar mais seguro pra mim, mas por enquanto, é o único lugar que eu posso ficar e me esconder. — A vejo levar sua mão ao meu rosto e o seu toque me faz tremer por inteiro.
— Nós estamos preocupados com você aqui, sozinha. — Olho fundo em seus olhos e tento não perder o controle com ela tão perto assim de mim.
— Eu vou ficar bem, . Eu te prometo. Mas, eu quero te pedir pra não vir mais aqui. Não é seguro, você vir aqui pra me ver. Eu posso te colocar em risco e isso, é tudo que eu não quero. — Seu olhar é triste e seu sorriso quase apagado.
— Eu não posso te deixar aqui, sozinha, . Você é importante demais para mim.
— Justamente por isso, . Eu não posso te machucar, eu não quero te machucar e pior, não quero ver você morrer por minha causa. — Ouço aquelas palavras com um aperto enorme no coração.
— Meu deus, como eu te amo. , eu te amo. — Falo para ela sem pensar muito, talvez eu não tenha outra chance mesmo.
— Eu também te amo, eu sempre amei. Mas você precisa ficar bem longe de mim e longe daqui. Não é seguro, pra nenhum de nós dois. — Ela me beija e então eu sinto que aquela será a nossa última vez.
Não consigo nem me despedir e em instantes, vejo seu corpo correr por entre as árvores, desaparecendo completamente, bem diante de meus olhos. O meu coração se apertar de um jeito que eu nunca senti antes e isso, me faz chorar. Pela primeira vez, eu me sinto derrotado por uma garota, me sinto derrotado por amar alguém. A ver desaparecer assim tão rápido, me faz ter a certeza de que ela, nunca foi o mal que um dia essa cidade temeu. eu apenas uma menina, que foi transformada por algo que um dia, não passou apenas de uma lenda urbana, mas que ninguém, nunca, teve a oportunidade de conhecer e entender.
Não sei o que vai ser de nós agora e muito menos o que vai acontecer com todos nós. Mas de uma coisa eu tenho absoluta certeza, essa cidade jamais irá superar o furacão que foi .
Ela será lembrada para sempre por todos nós, como a garota desajeitada que foi eleita a mulher mais linda e sensual de toda Hannover. ficará conhecida para sempre e sua história, será contada através de gerações.
E se depender de mim, ela jamais será esquecida.




FIM



Nota da autora: Oi amadas, como estão? Dessa vez, resolvi transformar uma música fofinha em um romance de lobisomens. Espero que de verdade, vocês tenham gostado. Confesso, que estou bem apreensiva quanto ao resultado dessa bagunça toda, pois, jamais antes, eu escrevi sobre algo desse gênero. Portanto, quero pedir desculpas, caso não tenha ficado bom o suficiente ou se o final tenha acabado meio perdido. Eu tive um pequeno bloqueio com o desenvolvimento e então tive que correr contra o tempo, mas espero mesmo que vocês tenham curtido. Me segue nas redes sociais e vem surtar comigo no WhatsApp. Espero cada uma de vocês lá.





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