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Fanfic finalizada.

Capítulo Único

Os pensamentos dela haviam se perdido em meio àquela conversa entre seus amigos.
Sentada em volta da mesa redonda na parte externa da cafeteria, em pleno centro de Sokovia, era muito fácil se deixar distrair com as pessoas que passavam pelas ruas.
A princípio, foi aquele o foco da atenção da mulher. No entanto, por algum motivo, o céu atraiu seu olhar. Não era comum escurecer tão rápido na estação do ano em que estavam e por isso seu cenho se franziu.
— Devíamos ter escolhido uma mesa lá dentro. Está se armando uma tremenda tempestade — comentou em um tom alto, quase urgente, atraindo a atenção instantânea das três pessoas que a acompanhavam.
— Não acredito que você não ouviu uma palavra do que estávamos dizendo, . — Deu de ombros ao ouvir a voz de Charlize ralhar com ela.
— Desculpe. — Fez uma careta. — Vocês sabem bem que eu sou distraída e perco completamente o fio das coisas, principalmente quando vocês começam a falar sobre esse negócio aí de destino.
— Garota? — A exclamação de Kevin fez rir.
— É sério. Eu não acredito nessa baboseira de destino. — Continuou irredutível.
— Seria lindo se você experimentasse na pele — Kevin abriu um sorrisinho irônico. Paisley olhou para o amigo e compartilhou da mesma expressão.
— Se isso acontecer, prometo que venho com o rabinho entre as pernas para exaltar vocês — debochou, então acabou franzindo o cenho em uma careta confusa. — Mas o que é que tem que acontecer mesmo?
Ela realmente havia esquecido e aquilo arrancou mais uma troca de olhares, dessa vez indignados, dos amigos.
— Nessas horas eu nem sei como ainda andamos com você, — Charlize reclamou, ainda sem acreditar que a amiga não tinha mesmo prestado atenção a nenhuma palavra dita por eles.
Paisley pigarreou, atraindo a atenção de todos e então começou a explicar.
— É uma lenda antiga e rara, mas ainda assim muito real. Diz ela que cada um de nós tem apenas uma chance de encontrar o amor da nossa vida, aquele que nem o tempo é capaz de superar.
precisou de toda a força de vontade do mundo para não se deixar distrair novamente. Sabia que se acontecesse dessa vez, não seria perdoada.
— Comovente… — murmurou, levando um cutucão de Charlize e massageando a costela em seguida. — Quer dizer… E como a gente sabe que encontrou esse amor insuperável? — Se esforçou ao máximo para não deixar o tom de deboche transparecer outra vez.
— A gente sabe porque cria uma conexão imediata com ele. Uma conexão de mente, corpo e alma. — Suspirou, certamente imaginando como seria se aquilo acontecesse com ela.
— Conexão de mente? — A informação saltou aos olhos de .
— Sim. Você o ouve em seus pensamentos e ele também te ouve.
— Tá me dizendo que, ao encontrar o amor da minha vida, eu viro telepata? — Riu incrédula.
— Não, . Você cria uma conexão telepática com ele. Vocês se ouvem e podem se comunicar dessa forma, mas apenas entre si, sabe?
Aquilo era loucura demais para a mulher.
— E quantas pessoas vocês conhecem que teve essa tal conexão telepática? — questionou, sentindo seu celular vibrar no bolso e precisando se controlar para não bater na própria testa.
Havia esquecido completamente que precisava levar um documento ao local onde trabalhava.
O silêncio na mesa fez erguer o olhar de seu celular para os amigos. Suas feições deixavam clara a ausência de resposta.
— Foi o que eu pensei — concluiu, dando de ombros.
— Mas é por isso mesmo que se diz que é algo raro, amiga. Quantas bilhões de pessoas existem no mundo? Estamos falando de uma única chance — Paisley justificou.
abriu a boca para contra-argumentar, mas Charlize se pronunciou.
— E se nós já conhecemos o amor da nossa vida, mas não nos demos conta disso? Vamos lá. Se você esbarra com ele no meio de uma rua lotada, como vai distinguir se ele está pensando ou falando com você?
— Não faz o menor sentido. Se é uma conexão telepática, de alguma forma os dois sentem — Kevin refletiu.
— Vocês são todos malucos. Não consigo imaginar um negócio desses sendo possível — sentenciou, então empurrou sua cadeira para trás para poder se levantar.
— Diz a garota que não acreditava em alienígenas — Charlize debochou dela, fazendo-a revirar os olhos e lhe dar língua.
— E qual é o problema em acreditar apenas nas coisas que eu consigo ver? Aos menos meus pés estão no chão e não flutuando em uma fantasia barata — implicou com os amigos, recebendo mais olhares fuziladores.
— Tomara que você esbarre no amor da sua vida quando dobrar a esquina, . — A fala de Paisley fez a moça gargalhar.
— Beleza. Enquanto isso não acontece, eu tenho que ir entregar uns documentos pra chefe — fez pouco caso, pegando sua bolsa e deixando sobre a mesa a quantia que pagava pelo que havia consumido.
— Quero ser a madrinha do casamento e não aceito outra no meu lugar, hein? — Kevin alfinetou, fazendo rir dessa vez.
— Pode deixar, meu bem. — Jogou um beijinho no ar, sem conseguir acreditar que eles realmente estavam insistindo naquilo.
Negou com a cabeça ao se afastar, acenando para o primeiro táxi que avistou e o adentrou um tanto desajeitada, soltando uma exclamação baixinha por quase ter sentado em sua bolsa.
— Para onde, senhorita? — Escutou a voz do taxista e ergueu seu olhar até o retrovisor, vendo os olhos escuros dele a encararem de volta. Abriu a boca para responder seu destino, no entanto, seu cenho se franziu.
Qualquer que fosse o endereço de seu emprego, de repente sumiu de sua mente.
Como aquilo era possível?
Era ridículo. Ela trabalhava naquele local, jamais poderia esquecê-lo sem mais nem menos, mas…
Onde mesmo que trabalhava?
Nada.
Quem era a sua chefe?
Vazio.
O que ela precisava entregar mesmo?
Ah, isso era fácil. Um documento!
Abriu a bolsa para procurar os papéis, ignorando quando o taxista perguntou mais uma vez qual era o destino dela.
Que documento ela procurava?
Nada disso importou, porque nunca chegou a lembrar do que se tratava, tampouco o dono do táxi, que já se encontrava impaciente, teve a chance de questioná-la ou expulsá-la, já que não sabia o próprio rumo.
Uma pancada violenta transformou toda a realidade de em dor.
Ela assistiu quase em câmera lenta o corpo do motorista ser lançado pelo vidro dianteiro do carro e a mulher provavelmente teria questionado o que diabos ele fazia sem o cinto de segurança, mas um peso assustador se firmou no peito dela, sufocando e roubando porcentagens maiores de seu oxigênio a cada segundo que passava.
levou alguns segundos — ou talvez fossem horas, ela não saberia dizer — para se dar conta de que seu corpo estava preso às ferragens do táxi.
E de repente também não importava mais saber o que havia se chocado contra ela tão violentamente, porque ela precisava de ar.
O desespero tomou conta de si e, por uma trágica ironia, de repente, pensou sobre o destino.
Seria o seu morrer daquela forma completamente aleatória?
Não, não podia ser. Ela se recusava àquilo.
Abriu a boca, desejando gritar por socorro, mas tudo doía e sua voz simplesmente não queria sair logo no momento em que mais precisava.
não desistiria, continuaria insistindo até esgotar suas forças se fosse preciso.
Ela era uma sobrevivente e ninguém lhe convenceria do contrário.
Teve a impressão de que um vulto havia passado por ela e no calor do desespero se viu implorando para ser vista ali no meio dos destroços daquele carro.
Por favor, alguém me ajude. Eu não quero morrer assim. Eu não posso morrer assim!
As lágrimas escorriam da bochecha da mulher, seu peito se sacudia e cada um daqueles movimentos fazia a dor que sentia aumentar.
Por favor. Não me deixe morrer assim!
A voz de ecoava apenas em seus pensamentos e ela sabia que não seria ouvida, mas o que mais poderia fazer?
De onde vem essa voz?
Assustou-se ao ouvir alguém dizer aquilo. Será que ela havia conseguido falar sem se dar conta daquilo?
Abriu a boca, mas, de novo, não conseguiu emitir som e isso só a fez concluir que estava alucinando, provavelmente por causa do grau de dor que sentia.
Não consigo me mexer e isso tá doendo tanto… Por que eu não consigo gritar? Eu só queria sair daqui.
Mais lágrimas escorreram de seus olhos.
Você consegue me dizer onde está?
Seu cenho se franziu, um soluço ecoou de sua boca. Não bastava aquele sofrimento todo, a alucinação também estava piorando.
Se você está alucinando, eu também estou.
Mas o que é isso? Como?

Aquilo era outra coisa que não importava naquele momento.
Eu não sei onde eu estou. Tinha acabado de entrar em um táxi e de repente fiquei soterrada em destroços.
Implorou para que a voz em sua cabeça fosse real.
Um segundo. Não pare de falar.
Mas eu não estou falando.
Nesse caso, não pare de pensar, então.

Provavelmente ela estava morrendo.
Cogitou se entregar.
Não faça isso!
Ela tinha realmente uma escolha? Seus olhos pesavam mais do que tudo, lutar pelo ar ficava cada vez mais difícil.
A determinação em se manter viva de repente se abalou porque era muito mais fácil sucumbir ao peso em seu peito, ceder para que enfim não houvesse mais nada.
Encontrei você.
Sentiu o vento bater contra seu rosto e seus cabelos com certeza teriam sido levados por ele se não estivessem empapados de sangue.
Tão repentino quanto veio, o peso sumiu de seu peito. A dor continuava ali e mesmo que quisesse se mexer, não conseguia, porém ela soube que não estava mais presa.
E quando ergueu seus olhos, estes foram de encontro a dois pontos azuis brilhantes.
Você me encontrou.
Encontrei.

Com espanto, percebeu que os lábios dele não se mexiam.

“Você cria uma conexão telepática com ele. Apenas ele consegue ouvir seus pensamentos”.

O quão irônico era descobrir que além de toda aquela lenda ser real, havia acabado de encontrar o amor de sua vida justo no dia de sua morte?
Não. Você não vai morrer, . Eu não vou deixar isso acontecer.
O desespero que ela sentia de repente foi compartilhado por ele.
Em um segundo, estava no chão agonizando e sentindo o gosto do próprio sangue. No seguinte, era amparada por braços fortes e desejava poder passar suas mãos em volta do pescoço do homem, mas não conseguia se mexer sem sentir tudo doer.
Não se preocupe, você ainda vai fazer isso.
Como tem tanta certeza?
Porque vou conseguir te salvar.
Eu estou morrendo. Acho que não vai dar tempo disso.

O soluço ecoou, mas nenhum dos dois soube dizer se aquilo era apenas o pensamento dela. O corpo de desfalecia mais a cada segundo.
O tempo não funciona da mesma forma pra mim.
Quis questionar o que ele quis dizer com aquilo, porém, de repente, se viu dentro em um ambiente completamente diferente, embora não fizesse ideia de qual era.
O que está acontecendo?
Sokovia está ruindo, , mas você está segura e vai sobreviver.
Como… Como saímos de lá tão rápido?

— Pietro, leve-a até os paramédicos.
Pietro?
Pietro Maximoff, mas isso você já sabia de alguma forma.

quis contestá-lo, mas tudo de repente se tornou um borrão e ela não teve mais forças para respondê-lo, nem mesmo em seus pensamentos.
Antes de cair na inconsciência, no entanto, pôde jurar que ouviu Pietro gritar pelo seu nome.


FIM



Nota da autora: Sim, esse é apenas o começo dessa história, porque o surto foi grande e eu tô louca para escrever mais sobre esses dois. Comenta aqui se você quer uma longfic do Pietro. Conforme as reações eu vou postar mesmo hehehe.
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Beijos e até a próxima.
Ste.



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