FFOBS - 06. Drama Club, por Jess A.


06. Drama Club

Fanfic Finalizada.

Capítulo 1

acordou ao sentir os raios de sol em seu rosto, o que já o fez acordar irritado. Assim que se sentou na cama sentiu a dor de cabeça indicando a ressaca que a bebedeira da noite anterior lhe trouxera. Porém, havia sido por uma boa causa, mesmo não tendo ganhado o prêmio, havia recebido sua primeira indicação a um prêmio conceituado na indústria do cinema. Depois da premiação, claro que havia ido a after party e bem, resultou no estado que estava agora.
era um jovem de 24 anos, formado em artes cênicas pela Yale a alguns anos. Nunca foi o garoto mais quieto e comportado da sala, mas sempre se deu bem na escola, afinal, sua paixão pelo teatro o fez ser esforçado o bastante para ganhar a bolsa em Yale, que era seu sonho.
Porém, agora que já estava com o nome feito, aproveitava tudo que a fama lhe dava direito. Festas, viagens, garotas… mas, claro, sem nunca perder seu real foco que era em sua carreira.
Levantou da cama com os cabelos cacheados bagunçados e seguiu para o banheiro, onde gastou uns bons minutos debaixo d'água para poder despertar.
Pronto para iniciar mais um dia de filmagens. Era um papel grande em uma comédia romântica, diferente de outros papéis que havia feito em filmes mais "sérios". Ele seria o protagonista, o que seria uma ótima oferta, e o gênero lhe proporcionaria um aumento significativo em seu público. Foi até a cozinha onde Jaine já havia deixado a mesa do café da manhã arrumada para ele. Jaine era sua empregada há alguns anos.
tinha se mudado da casa dos pais logo que entrou para a faculdade para morar no campus, desde então não voltara mais.Hoje morava sozinho em um apartamento um tanto quanto grande, porém suficiente para apenas ele e um quarto de visitas caso sua mãe ou irmã decidissem passar alguns dias por lá, o que raramente acontecia. Voltou para o quarto, colocou uma camiseta branca e seu habitual moletom oversized preto e um boné para esconder os cabelos desarrumados, para completar o look "pegue leve, estou de ressaca" colocou os óculos escuros.
Assim que chegou ao estúdio pode perceber que já haviam milhares de paparazzis na porta esperando por algum furo exclusivo das filmagens, o que ele esperava e sempre fazia de tudo para que não tivessem.
Entrou comprimentando todos os funcionários do estúdio. Podia não estar no seu melhor humor ou estado físico, mas sempre era muito simpático com os colegas de serviço. Fazia parte de fazer o que se ama. Pegou o cronograma das cenas a serem rodadas naquele dia e seguiu para o trailer de cabelo e maquiagem. Era uma das partes que ele mais detestava, tinha um certo carinho pelo seu cabelo por mais que não parecesse, e não era qualquer um que conseguia ajeitar de uma forma que ele gostasse, mas nem sempre reclamava. Enquanto lia o roteiro das cenas do dia, a cabeleireira oficial da equipe o arrumava. Ele não costumava conversar muito nas primeiras horas da manhã e as pessoas lá já sabiam disso.

***

A pausa para o almoço já havia começado, assim que chegou ao refeitório a mesa principal já estava cheia, então se sentou em uma menor mais ao canto. Não gostava muito de almoçar sozinho, mas não estava no melhor dia, talvez fosse melhor assim. Estava mexendo em seu celular quando a presença de alguém lhe tirou a atenção da tela do aparelho.
– Com licença, posso me sentar aqui? – Era uma garota aparentemente mais nova que a maioria do pessoal da equipe, já vira ela algumas vezes durante as filmagens, mas nunca conversaram.
– Claro, fique a vontade. – sorriu e voltou a olhar para seu celular.
O silêncio voltou a se instalar até que a garota decidiu quebrá-lo novamente.
– Tá tudo bem? – Ele a olhou com as sobrancelhas franzidas.
– Tá sim, eu não pareço bem? – Ele disse rindo e deixando o celular de lado, ela riu ficando vermelha.
– Sei lá, tá com uma cara meio desanimada desde que chegou. – Ela deu de ombros.
– É, desanimado é a palavra certa. Mas acontece às vezes. – deu de ombros e terminou de comer. – Desculpa a pergunta, mas qual seu nome mesmo? Já te vi várias vezes, mas acho que nunca conversamos.
– Não mesmo. – Ela riu, sem graça. – Sou . – Ela estendeu a mão para que eu a cumprimentasse.
– Prazer, , sou . Você parece ser nova, tá no filme?
– Não, na verdade estou fazendo estágio na parte de cabelo e maquiagem. – Ela sorriu.
– Sério? Nossa, a galera da equipe geralmente costuma ser muito mais velha. – Os dois riram juntos, pois era verdade. – Mas é bom ter alguém assim nesse meio. Tem gostado da vida no set?
– Eu estou amando! É incrível poder finalmente chegar onde eu queria, mesmo que seja como assistente. – Era possível ver o brilho em seus olhos ao falar sobre isso. sorriu.
– Que bom que conseguiu, confesso que deve ser algo chato ter que fazer a mesma maquiagem todos os dias, os mesmos cabelos, por meses. Pelo menos pra gente que só fica lá sentado. – Ele riu e ela o acompanhou.
– Pra mim é interessante. Eu sempre achei incrível todo esse universo de "por trás das câmeras", e eu amo maquiagem então pra mim é tudo incrível.
– É bom quando fazemos o que amamos. Consigo ver nos seus olhos o quanto gosta disso. Fico feliz por ter conseguido. – Ele sorriu, estava sendo sincero.
– Obrigada, de verdade. – Ela sorriu em resposta. Logo o sinal de retomada das filmagens soou.
– Te vejo depois, .
– Pode me chamar de .
– Ok, te vejo depois, . – Ele sorriu e se afastou com a bandeja em mãos.
Depois de tanto tempo nessa indústria, era bom finalmente encontrar alguém que realmente amava o que fazia, ou o que fosse fazer. É claro que todos os envolvidos de um filme amam o que fazem, já que tudo é muito complexo e cansativo, mas depois de alguns anos na estrada, algumas pessoas perdiam esse brilho no olhar. Principalmente os atores, já que com a fama vinham os paparazzi, os assédios e as pessoas interesseiras.
O dia de filmagens seguiu tranquilo, as coisas estavam começando melhorar com o restante do elenco, o que tornavam as cenas mais fáceis de serem gravadas e a dinâmica mais convincente.



Capítulo 2

Mais um dia cansativo de filmagem chegava ao fim. Já passava das onze da noite quando pegou sua mochila e foi em direção ao seu carro, se despedindo de todos com quem encontrava no caminho.
Era bom finalmente poder ir para casa depois de um dia cansativo. A esse horário Jaine provavelmente já estava em sua casa há muito tempo, o que significa que ele teria que se virar com meu jantar quando chegasse em casa. Porém, a ideia de passar em algum drive-thru no caminho até em casa era realmente tentadora.
No outro lado da rua avistou uma mulher caminhando com uma bolsa de lado e as mãos no bolso do casaco, quando chegou mais perto viu que era a menina nova, parou o carro mais perto da calçada e abriu o vídeo.
– Oi, , né? Quer uma carona? – Ela olhou um pouco desconfiada e se abaixou até o nível da janela.
? Oi. Não precisa não, fica tranquilo.
– Deixa disso, está tarde já, não vou deixar andar por aí sozinha. – disse abrindo a porta e ela riu baixo.
eu moro aqui perto, não tem problema.
– Não me importo, entra aí vai, não vou te sequestrar. – deu risada e ela finalmente entrou aceitando a carona.
– Mora onde?
– Em um prédio da rua cinco.
– Sim, senhorita. – ele sorriu e abaixou um pouco o som. – Como estão as coisas com o estágio?
– Está tudo certo. É tudo muito novo pra mim, ainda fico deslumbrada com cada coisa nova que eles acrescentam no cenário. – Ela deu risada e colocou o cabelo atrás da orelha.
– No começo é sempre assim, daqui uns dias você já tá de saco cheio disso tudo e quer fugir do set o mais cedo possível.
– Você já chegou nesse nível? -– ela se virou um pouco pra poder olhar .
– Quase. – Deu risada. – Confesso que gosto da ideia de viver uma vida diferente por um tempo, a única coisa que segue sendo a mesma e me enchendo é ter câmeras por todo lado, pior ainda quando são as dos paparazzi.
– Isso deve realmente ser chato, eu vi eles hoje quando cheguei.
– Eles estão sempre lá, é uma merda. Agradeça por ser da equipe de maquiagem, e se for boa demais no serviço pode ser alvo também. – ele deu risada estacionando em frente ao prédio. – Está entregue, senhorita.
– Obrigada pela carona , nos vemos amanhã. – Ela sorriu e saiu do carro.
– Até amanhã. – esperou ela entrar no prédio e seguiu seu caminho.
era uma pessoa legal, estava empolgada e sempre muito atenta com o que diziam a ela no set. Era bom ter alguém novo, com a mesma idade, com quem ele pudesse conversar sem precisar fingir estar apaixonado depois em frente às câmeras.
Passou por um McDonald 's no caminho de casa, fez seu pedido e continuou o caminho tão conhecido pelo seu carro nos últimos dias, que logo o veículo o faria sozinho.
Se jogou no sofá, colocou um episódio de friends aleatório e comeu sua bela e saudável refeição. Se sua agente soubesse de tudo que ele comia em casa, ela com certeza o mataria. Tomou seu banho e se jogou na cama com o script em mãos para dar uma repassada nas falas do dia seguinte. Não demorou muito para que ele pegasse no sono.

***

acordou no dia seguinte com seu celular tocando insistentemente, olhou no visor já pronto para xingar quem quer que fosse. Mas viu que era sua agente, o que era estranho já que ela sempre evitava ligar tão cedo.
– Alô? Está tudo bem? – perguntou com a voz rouca e confusa.
, você já deu uma olhada em suas redes sociais hoje?
– Não, eu estava dormindo. Aconteceu algo?
– Você está em todos os jornais de fofoca. Uma foto sua com uma "moça misteriosa" no carro. Que história é essa, ?
– Ah, não, droga! - Ele se sentou na cama passando as mãos pelo rosto. – Era uma colega de set. Preciso fazer algo?
– Não, só tente ser mais discreto e evite ficar colocando pessoas aleatórias pra dentro do seu carro com paparazzis por perto.
Antes que ele pudesse argumentar sua agente já havia encerrado a ligação. Ao olhar o celular, haviam inúmeras notificações, todas sobre as fotos. Por sorte não conseguiram pegar o rosto de , então ela estaria livre dessa.
Por mais que não quisesse, se arrumou e seguiu para o set como sempre. Dessa vez o número de paparazzis na porta era o dobro do dia anterior.
– Ótimo, , acabou com a paz de todos novamente. – Disse pensando um pouco em voz alta.
Entrou comprimentando todos como sempre, mas tentando evitar conversas muito menos o assunto nos tablóides. A maioria no set estava acostumada com coisas do tipo e sabia que não era uma boa ideia tocar no assunto. agradeceu aos céus por ter bons profissionais por perto.
Em um dos intervalos entre as cenas, se sentou em um canto mais escondido e acendeu seu cigarro, não era um dia bom para tentar se controlar. Soltou a fumaça para o alto já se sentindo melhor quando avistou passando.
– Ei, , espera aí. – Deixou o cigarro entre os lábios e em um pulo conseguiu alcançá-la.
, que susto, não tinha te visto.
– Desculpa. Já deve ter visto as notícias, queria me desculpar por toda essa confusão. – ele respirou fundo e ela sorriu.
– Tudo bem, , não foi nada demais. Nem ao menos falaram quem eu era, então comigo está tudo bem. Mas e você?
– Eu? -– ninguém havia lhe perguntado isso até então. – Ah, você sabe… sempre acontece, mas eu odeio tanto isso. Não posso fazer nada que já estou na capa de uma revista.
– Deve ser mesmo horrível. Bom… preciso ir agora, podemos almoçar juntos depois, se quiser.
– Tudo bem, obrigado e desculpe de novo, .
– Fica tranquilo. – Ela sorriu e seguiu seu caminho, suspirou aliviado e voltou para sua cadeira.


Capítulo 3

Algumas semanas haviam se passado e toda a confusão das fotos haviam sido esquecidas, seguia sua vida normalmente tentando aparecer em público o mínimo que podia, nem aos fins de semana estava saindo. O que era novidade. Mas ele havia sido muito bem avisado pela sua agente que não deveria fazer nada que pudesse "arruinar" a estreia deste novo filme.
A relação com estava incrivelmente normal, geralmente na primeira notícia de tabloide, as pessoas que não gostam de holofotes saem correndo de perto dele, mas era realmente diferente.
Eles almoçavam quase sempre juntos e agora ela havia assumido alguns papéis mais "importantes" no set do que apenas observar e arrumar figurantes.
, estamos tendo um problema com uma peruca de um dos outros personagens, poderia ajudar o hoje? Não tem muito segredo, só tente deixar os cabelos mais definidos e a maquiagem você sabe, já te expliquei algumas vezes e já me viu fazendo ela várias. Tudo bem? Acha que consegue? – A diretora da equipe de cabelo e maquiagem falava rapidamente, claramente um pouco desesperada.
– Pode ficar tranquila, sei como fazer. - respondeu sorrindo. Ela era sempre muito confiante quando precisavam dela ou pediam ajuda em algo, era definitivamente uma das características que admirava em sua personalidade.
Ela colocou um tipo de avental e preparou todos os produtos cuidadosamente dispostos pela mesa.
– Uma profissional muito concentrada eu diria. – disse franzindo a testa.
– Fica quieto, , me ajuda a te ajudar. – Ela disse e os dois riram.
– Por favor, não se esqueça que eu sou o protagonista sabe, preciso estar pelo menos um pouquinho mais bonito do que já sou.
– Você é sempre tão chato assim com as maquiadoras?
– Ah não, só com as novatas legais. – Ele deu risada e ela começou a mexer em seu cabelo.
– Hmm, olha só, é mesmo macio.
– O que? Já ficou se perguntando se meu cabelo era macio, ? – Ele sorria de lado, claramente provocando que já estava com as bochechas coradas.
– Olha, eu não, mas me perguntam muito isso, porém nunca tinha tido a chance. – Agora posso responder aos curiosos.
– Interessante saber que o seu círculo de amizade se interessa por mim. – Ele riu e ela apenas balançou a cabeça.
– Agora fique quieto pelo menos por alguns minutos e me deixe trabalhar senhor convencido.
– Tudo bem estagiária mandona. – Ele riu, mas depois parou com as brincadeiras. Sabia que o trabalho de era importante para ela e, bem, para todos num geral.
estava tão concentrada em seu trabalho, em cada detalhe que sua supervisora havia lhe passado, que não percebeu os olhares que lançava a ela eventualmente.
Assim que terminou, parou atrás da cadeira de olhando para o espelho.
– E, então, o que acha? – Ela mordia o lábio, o medo da resposta era enorme.
– Olha só, , nada mal pra uma primeira vez. – Ele se inclinou e se olhou no espelho. – Na verdade ficou ótimo. Obrigado. – Ele sorriu e se levantou. – Preciso ir
sorria feliz com o resultado e a avaliação de .
– Aliás - chegou bem perto de e falou baixo em seu ouvido. - Fez um trabalho muito melhor do que sua chefe, cuidou bem da minha marca registrada. – ajeitou os cabelos e sorriu o que a fez rir.
– Bom saber, obrigada .
– Não por isso. – Ele piscou para e saiu rumo às filmagens de mais uma cena.
Era impossível para ambos negar que as faíscas eram fracas, mas elas existiam entre eles. Só não haviam parado para pensar sobre a importância disso.

***

Mais um dia cansativo no set chegava ao fim e ao sair de seu trailer encontrou com caminhando em direção a saída.
– Ei, , espera aí. - Ele correu até ela terminando de colocar a jaqueta jeans. – Quer sair pra tomar uma cerveja? Ou seja lá o que você goste de beber. - ele deu de ombros.
– Eu adoraria , mas você sabe que da última vez que você me deu carona viramos capa dos tabloides de fofoca. Se nos verem em um bar então, eu não consigo nem imaginar o que iria acontecer.
– Relaxa, eu to com um outro carro hoje, vai ficar mais fácil despistar eles.
– Podemos ir pra minha casa, se quiser. – só percebeu o que havia dito quando se ouviu. Seu rosto corou imediatamente, mas preferiu não falar mais nada.
– Tudo bem então, não posso negar uma cerveja de graça na véspera do nosso dia de folga. – Eles riram e seguiram para o carro.
ficou surpreso por ter aceito, e ela mais surpresa ainda, já que havia prometido a si mesma não se envolver mais nessa história que poderia gerar confusão. Mas ela não conseguia resistir ao charme de e seus olhos brilhantes, principalmente quando colocava as mãos nos bolsos da calça e encolhia os ombros em sinal de vergonha.
parecia ter personalidades diferentes. A pessoa extremamente comprometida e confiante em seu serviço, porém mais reservado e inseguro em relação a sua vida pessoal. entrou direto para a garagem onde poderiam sair do carro em segurança, sabendo que nenhum paparazzi apareceria.
Fez um breve tour pela casa mostrando-a para que parecia deslumbrada com tamanho luxo.
– Uau, sua casa é incrível ! – Ela sorriu, sentando-se em uma das cadeiras da ilha na cozinha.
– Eu gosto daqui, embora ache meio grande demais apenas para mim e Jaine. – ele disse abrindo as cervejas e entregando uma a .
– Jaine? Não me disse que tinha uma namorada. – ela franziu a testa olhando-o. riu e tomou um gole de sua cerveja.
– Porque ela não é. Jaine é a minha governanta e às vezes babá. – Ele riu e ela o acompanhou. – Ela cuida da casa e sempre me obriga a comer de forma mais saudável, basicamente uma espiã da minha mãe já que ela não pode estar aqui sempre.
– Você e seus pais são próximos? – decidiu tentar levar a conversa mais a fundo.
– Meu pai nem tanto, mas a minha mãe é basicamente a minha melhor amiga. – ele sorriu largo ao pensar na mãe. – E agora que eu disse isso soa extremamente patético e triste. – soltou um riso fraco e tomou um longo gole de cerveja.
– Você não tem vários amigos por aqui? Qual é, você tem cara de que cada dia tem uma festa pra ir e cheio de garotas em volta
– Digamos, que quando se é famoso não é em todos que você pode confiar. Nem todos querem sua amizade por quem você é e sim por quem eles vão se tornar e o quanto eles serão falados por andar com você. – Ele deu de ombros e se sentou de frente para .
– Deve ser difícil isso. – apenas confirmou com a cabeça. – Então quer dizer que, você, confia em mim? – Ela disse sorrindo de lado o fazendo rir.
– Bom, você não correu nem mudou comigo após ter aparecido em vários sites de fofoca, então posso dizer que sim. – Ele sorriu e abriu mais duas cervejas.
– Me sinto lisonjeada, um brinde a isto. – levantou a garrafa e ele a acompanhou.
– Mas chega de falar de mim, e você, , me conte sobre sua vida agitada de ser humano que pode ir e vir sem virar notícia.
– Olha, com certeza, não é nem um pouco agitada e movimentada. – Ela riu. – Tenho uma amiga que nos conhecemos quando ainda éramos adolescentes e nada mais.
– E os homens? Todos caindo aos seus pés?
– Você realmente não tem noção do mundo normal, não é, ? Nesse mundo eu sou quase uma aberração anti-social.
– Não pode ser, você é incrível!
– Obrigada por isso, mas bem todos acham. Me acham sincera demais, autêntica demais, decidida demais. Nunca tá bom. – revirou os olhos e deu um longo gole em sua cerveja.
E claramente todos estão completamente errados. Você é engraçada, confiante e muito dedicada ao seu trabalho. Fazia muito tempo que não via alguém assim como você .
– Não precisa ser gentil comigo só porque eu posso facilmente arrancar seus cabelos acidentalmente no trabalho. – Ela deu risada e ele a acompanhou. A risada de era uma das mais contagiantes que ele já ouvira.
– Acredite, eu não falaria de não achasse que fosse verdade. Não costumo mentir para pessoas das quais eu gosto. – Ele a encarou sorrindo, estava sem palavras com tal declaração. Ela apenas permitiu que seus instintos e talvez o pequeno teor de álcool dando as caras.
caminhou até o outro lado onde estava sentado e o encarou nos olhos, naquele momento as faíscas brilhavam mais do que nunca.
– Me beija. – Ela disse em um quase sussurro.
– Não precisa pedir duas vezes.
entrelaçou suas mãos nos cabelos de a puxando para perto e selando seus lábios. O beijo era gentil, mas com uma certa urgência em algum lugar profundo ali. se deixou levar, entrelaçou uma de suas mãos nos cabelos macios de e aprofundou mais o beijo. Suas línguas travavam uma batalha para ver quem sentia mais urgência de explorar o outro, agora segurava com firmeza a cintura de a puxando para ficar cada vez mais perto. Só ele sabia a quanto tempo sonhava com o momento em que seus lábios poderiam finalmente sentir os dela. E nada em sua imaginação poderia ser tão bom e único. O fôlego começou a faltar e então precisaram separar o beijo, contra a vontade de ambos e se olharam por uns instantes.
– Não deveríamos estar fazendo isso. – disse baixo e ofegante.
– Então por que parece tão certo? Eu quero isso a tanto tempo que nem imagina.
– Posso dizer o mesmo, .
Foi a vez de selar seus lábios aos de , agora com mais urgência do que antes, ele a segurou pela cintura e em um movimento rápido a colocou sentada na bancada de mármore. agora deslizava as mãos pelas pernas de até chegarem em sua cintura, a qual ele envolveu com os dois braços e a puxou para perto como em um abraço, ficando entre suas pernas. já não tinha mais controle sobre nada, apenas sabia que queria aquilo, e queria muito.
Não demorou muito para que a blusa de ambos estivesse no chão. a segurou no colo e subiu até seu quarto com distribuindo beijos pela intenção de seu maxilar até o pescoço, o que dificultava o trabalho de .
a colocou gentilmente em sua cama e começou a abrir sua calça.
– Tem certeza que quer isso? – Ele perguntou olhando em seus olhos.
– Sim, eu tenho. – disse firme e ele sorriu.
Há muito tempo não sentia o que sentiu naquele momento com . A conexão deles era tão forte, o encaixe dos corpos eram perfeitos, cada movimento sincronizado um com o do outro. Ele não podia mais negar, era incrível e ele com certeza não a queria apenas por aquela noite. Não demorou muito até que ambos pegassem no sono. Mesmo sem perceber, estava deitada no peito de e ele abraçado a ela.


Capítulo 4

acordou na manhã seguinte com o cheiro de panquecas invadindo o quarto. Assim que olhou ao redor percebeu que estava em um lugar diferente e tudo voltou a sua mente, e o sorriso ao seu rosto. Ao pé da cama havia um moletom grande com um post-it colado com as palavras "pode usar se quiser, fique a vontade." Com a típica caligrafia corrida de . Ela sorriu, vestiu o moletom que ficou ainda maior em seu corpo e desceu devagar pelas escadas. A cena que se deparou ao chegar ao pé da escada foi algo que ela realmente não imaginava ver nem em um milhão de anos. Um de cabelos bagunçados, vestindo apenas uma calça de moletom preta, estava extremamente concentrado em fazer panquecas enquanto assobiava uma música qualquer da banda Gorillaz. Foi impossível conter o sorriso.
– Olha só, quem diria que se aventura na cozinha. – Ela disse enquanto caminhava em sua direção.
– Ei, eu não sou apenas um rostinho bonito capaz de fingir em frente às câmeras, ok? Eu me aventuro em outras coisas também. Mas confesso que só me saio bem mesmo com macarrão e panquecas. – ele deu risada e depositou um beijo no rosto de .
– Um homem multi talentoso, muito bom saber.
– Senta, já está quase pronto. – havia tentado arrumar a mesa de seu jeito desajeitado, o que só tornava tudo mais incrível e fofo. – Eu fiz café, mas também tem suco de laranja na geladeira caso prefira.
– Café tá bom pra mim. – Ela sorriu.
– Dormiu bem? – Ele perguntou servindo as panquecas na mesa.
– Maravilhosamente bem. – ela sorriu. – e você, senhor masterchef?
Melhor impossível, não posso negar. - sorriu e tomou um gole de deu café.
Continuaram conversando sobre coisas aleatórias durante todo o café e também depois. Com as coisas eram assim, simples. não precisava sentir medo de falar a coisa errada, ou de ser estranho demais. Ele sentia que poderia ser ele mesmo com ela, e sentia o mesmo.
– Muito obrigada pelo café , está ótimo. – sorriu – mas preciso ir agora.
– Não, fica mais um pouco, por favor. – Ele fez um bico que era praticamente impossível de resistir, mas teria de ser forte.
– Eu adoraria ficar, mas tenho coisas da faculdade para entregar, fora os relatórios do estágio. – Ela fez uma careta já triste por voltar à vida real.
– Poxa, posso te mandar uma mensagem mais tarde então? Quem sabe pra fazermos alguma coisa… – deu de ombros.
– Não só pode como deve. – ela sorriu e deu um beijo rápido em que sorriu. – Vou me vestir, pode pedir um Uber para mim?
– Vou pedir para o meu motorista te levar. Ele é ótimo em se esquivar de paparazzis e também já brigou com vários deles, então eles meio que tem medo desse cara. – deu risada e pegou o celular.
– Já gostei dele. – disse subindo as escadas. Vestiu suas roupas e desceu.
– Já está tudo certo, ele está aqui por perto, logo chega.
– Temos tempo para mais um beijo de despedida então?
– Não. – a abraçou pela cintura. – mas temos tempo para um beijo de até logo. – ele sorriu e selou seus lábios nos de .
Diferente dos anteriores, este beijo era calmo, era um beijo para ser memorizado, para ser revivido durante o dia e para fazer falta. Logo o interfone soou sinalizando que a carona de havia chegado interrompendo o beijo.
– Te ligo mais tarde. – acenou sorrindo.
– Até mais, . – Ela sorriu e saiu para a garagem onde entrou no carro de vidros escuros.

***

acabara de sair de um longo banho quando o celular vibrou em cima da cama, era .

"Obrigado pela noite anterior, foi divertido. Espero que não estrague tudo entre nós."
sorriu ao ler a mensagem.

"Deixa isso pra lá, o que acha de irmos a uma festa hoje? Vai ser na casa de um amigo, território seguro 😂."

Deixou o celular na cama e foi trocar de roupa. Não demorou muito a resposta chegou.

"Acho que pode ser interessante. Passa aqui às 9:00. 😉"

Finalmente um primeiro encontro decente com , se é que poderia chamar assim. Estava ansioso para chegar logo a hora da festa, para que o tempo passasse mais rápido, decidiu resolver algumas pendências do serviço e estudar o roteiro da próxima semana.
O tempo passou rápido entre leituras e filmes aleatórios na tv. Assim que olhou o relógio percebeu que deveria se arrumar logo. Parecia idiotisse, mas estava nervoso, queria que desse tudo certo.
colocou uma calça jeans meio rasgada e um moletom largo, os cabelos cacheados caindo próximo aos olhos. era uma "estrela de cinema" (ele odiava esse título), porém não gostava de se vestir como era esperado. Nada de roupas caras e super arrumadas. O estilo casual fazia mais o seu gosto.
A muitas quadras dali, acabava de passar um batom vermelho completando a maquiagem leve, porém com um toque de glamour. No corpo um vestido preto levemente rodado, meia arrastão, um coturno preto e uma jaqueta jeans. definitivamente não fazia o estilo de vestidos extremamente colados e saltos altos. E o mais incrível era que o fato de estar confortável em sair com sendo ela mesma, sem se importar em usar algo que o agradava.
Era um pouco depois das nove quando a campainha soou, assim que abriu a porta deu de cara com um surpreso, a boca entreaberta o entregava.
– Oi? – disse rindo.
– Desculpa. – riu sem graça. – Uau, você tá linda demais, muito mesmo!
– Obrigada, , mas deixa de ser exagerado. -– Ela riu, com as bochechas um pouco coradas enquanto fechava a porta.
– Eu não estou, apenas a verdade. – ele sorriu e deu um beijo em seu rosto.
O caminho até a festa passou rápido, conversaram sobre coisas aleatórias, ambos não admitiram, mas estavam felizes pelos acontecimentos da noite anterior não ter interferido em nada na relação deles.
Estacionaram em frente a uma casa grande, de fora nem ao menos parecia que poderia haver uma festa lá, mas ao passar pela porta de entrada o som podia ser ouvido, pessoas espalhadas por toda a casa e a maioria concentrada no quintal dos fundos envolta da piscina.
comprimentava algumas pessoas pelas quais passava pelo caminho, apenas sorria meio sem jeito. segurou sua mão e sorriu passando uma mensagem silenciosa que deu a entender "relaxa, tá tudo certo", o que a acalmou um pouco.
Logo estavam no jardim onde havia um barril de cerveja e um cara que servia os copos. pegou dois e entregou um a .
– Obrigada. – Ela sorriu.
– Você fica sempre tão tímida assim em festas? – direto como sempre.
– Não sempre, quando eu meio que venho de penetra fico sim. – Os dois deram risada.
– Deixa disso, certeza que o Chad não conhece nem metade dessas pessoas. Festas são pra isso mesmo, aproveita vai. – deu um leve cutucão na cintura de , o que a fez se encolher um pouco.
– Mais dois copos desse eu vou estar bem mais soltinha. - Ela deu risada.
– Então quer dizer que você é fraca pra bebidas, ?
– Ah, eu sou sim, querido .
– Talvez eu use isso a meu favor. – piscou para e bebeu um gole de sua cerveja em seguida.
– Como se você precisasse disso né.
– Eu jamais faria isso de qualquer forma. – Ele deu de ombros e acendeu um cigarro. Era um hábito que não costumava admirar, porém ficava incrivelmente sexy fumando.
– Vamos ficar parados aqui a noite toda ou você vai me levar pra dançar?
– O que? Eu? – Ele riu. – Já me viu dançando? Eu sou péssimo, !
– Por que será que isso não me pressiona? – Ela fez cara de pensativa o fazendo rir. – Mas não me importo, prefiro pagar pra ver.
Deixou o copo de lado e puxou pela mão até mais próximo de onde as pessoas dançavam. começou a se movimentar no ritmo da música, apenas a analisava ainda terminando o cigarro. Ela sorriu e o chamou com o dedo. terminou o cigarro e se aproximou de ainda meio sem jeito por não saber o que fazer.
– Vai, deixa de ser travado, mexe essa bundinha. – Ela o puxou pelo cós da calça e ambos deram risada.
– Acho que a cerveja já tá começando a fazer efeito. – passou os braços pela cintura de a puxando para perto.
– Ainda não. Fica quietinho e dança comigo. – ela passou as mãos pelo pescoço de .
realmente não levava muito jeito com a dança, mas sabia o que estava fazendo, os dois se moviam no ritmo da música com os corpos próximos.
Eles se encaravam, olhos nos olhos. Palavras não precisavam ser ditas, a compreensão para tudo estava lá. rebolava devagar e sorria a puxando mais pra perto tentando a acompanhar de seu jeito. Não demorou muito para que selasse seus lábios aos de . O beijo era lento, mas intenso; suas bocas se encaixavam como se fossem feitas uma para a outra. segurou firme a cintura de a puxando ainda mais para perto, caso isso ainda fosse possível.
O beijo terminou com alguns selinhos e os dois sorrindo com as testas encostadas, olhando um nos olhos do outro.
– Eu gosto de você, . – falou baixo.
– Eu também gosto de você, . – Ela sorriu e lhe deu um selinho. – Quer sair daqui?
– Claro, alguma ideia?
– Um filminho com pizza na sua casa de novo?
– Com você? Qualquer coisa! – Eles riram e saíram de mãos dadas.


Capítulo 5

chegou ao set um pouco atrasado naquela manhã, os cachos molhados e o moletom preto usado no dia anterior deixavam isso bem claro. Assim que chegou no trailer de maquiagem comprimentou todos, e claro, estava lá que apenas sorriu para ele. Eles tinham decidido manter o romance em segredo para que nada vazasse para a imprensa e eles pudessem viver sem ninguém enchendo o saco.
A chefe dos maquiadores estava prestes a começar a arrumar os cabelos de quando outra pessoa da equipe pediu para que fosse resolver outra coisa.
, acha que pode arrumar ele pra mim? Tem uma foto do teste de maquiagem como referência.
– Pode deixar, ela conseguiu fazer aquele outro dia, lembra? Confio nela. – sorriu.
– Ok, passo depois pra conferir. Não demora muito que ele tem uma cena logo
– Pode deixar. – se levantou, prendeu o cabelo e começou a arrumar as coisas.
– Fica tão linda concentrada assim. – disse baixo, a puxando pela cintura.
deixa disso. - Ela deu risada.
– Poxa eu só quero um beijo de bom dia, tô com saudade. – Ele a puxou para sentar no seu colo.
– Para com isso, homem, alguém pode nos ver. – deu um empurrão leve no peito de .
– Quietinha. – entrelaçou os dedos no cabelo de e a deu um beijo devagar mas intenso.
Era quase impossível resistir a um beijo daqueles, mas a realidade os puxava de volta, mesmo que tentasse ignorar. encerrou o beijo com alguns selinhos e levantou do colo de .
– Olha, por mais difícil que seja fazer isso, vamos guardar a saudades pra mais tarde, tá bem? Agora preciso fazer meu trabalho antes que eu seja chutada daqui.
– Tá bom, tá bom. Vai embora comigo hoje então. Vou pedir pra Jaine fazer o jantar, vemos um filme, damos uns amassos... e se estiver cansada de mim depois disso, eu te levo embora, pode ser?
– Pode. – respondeu dando risada.
Ela fez o que haviam lhe pedido e terminou de arrumar . Ele resolveu deixar as distrações de lado e entrar no personagem. Quanto mais rápido terminasse as filmagens mais rápido se livraria de tudo isso e poderia ter sua noite com .

***

Infelizmente as filmagens foram mais intensas e demoradas do que esperava. Mas finalmente havia acabado.
– Vou terminar de pegar minhas coisas e nós podemos ir, tá bem? – disse.
– Tá bem, te espero lá no meu carro. – Deu uma piscada para e seguiu até o estacionamento.
decidiu passar por um dos seguranças para saber como estavam as coisas lá fora, era tarde então provavelmente todos os paparazzis não estavam mais ali, mas sempre bom ter certeza. Foi aí que ele se enganava. O filme estava ganhando mais divulgação e com isso, mais urubus lá fora esperando. Precisava pensar em algo para proteger deles. seguiu para o carro e ligou o rádio esperando, não demorou muito e ela estava lá.
– Prontinho, podemos ir. - Ela entrou no carro sorrindo.
– Temos um problema… tem paparazzis lá fora.
– Droga. Quer que eu te encontre na sua casa?
– Não, porém vai ter que se esconder. Abaixa o banco, eles geralmente não chegam perto, só pegam fotos de longe. Se deitar no banco e ficar deitada conseguimos passar por eles sem problemas.
– Tem certeza? - fez uma careta, assentiu com a cabeça. – Tudo bem, não gosto da ideia, mas vamos nessa. – ela disse já abaixando o banco.
– Desculpa, pequena, eu também não gosto, mas é melhor pra gente assim.
ficou abaixada e conseguiram passar pelos paparazzis. acenou para que tivessem uma foto decente pelo menos, em seguida subiu os vidros para que não pudessem ver muita coisa caso continuassem os seguindo.
– Pode levantar, , já saímos da zona de perigo. – disse rindo e se ajeitou no banco.
– Vai ser assim toda vez que sairmos juntos?
– Eu também detesto isso, , mas sabe como é. Eles não vão te deixar em paz se descobrirem que estamos juntos
– Tudo bem, você tem razão. Eu só não gosto de ter que esconder isso das pessoas. Eu gosto de você, .
– Eu também gosto de você, , sabe disso. Mas vamos pelo menos esperar essas filmagens acabarem, pode ser? – Ele estendeu a mão para que ela a segurasse.
– Tudo bem, acho que posso aguentar. – ela deu um beijo na mão de e continuaram o caminho, não conversaram muito, mas sabiam que estava tudo bem entre eles.
Entraram na casa de e o jantar estava na mesa toda arrumada, no canto da mesa em que costumava sentar tinha um bilhete.

" Aproveitem a noite de vocês, fiz lasanha porque sei que a gosta.
Jaine"
sorriu ao ler e mostrou para .
– É, nem mesmo a Jaine resistiu ao seu charme, !
– Eu sei, sou encantadora. – Ela piscou pra ele que riu e a abraçou pela cintura.
– Finalmente nosso mundinho o seguro de volta. – deu um selinho demorado em . – desculpa por isso.
– Tá tudo bem , deixa isso pra lá. Vamos jantar antes que você me enrole e me leve pra cama. – Ela deu risada e ajeitou o cabelo dele.
– Olha… sabe que não é uma má ideia?
, sai. – o empurrou rindo. – Vamos comer que eu estou morrendo de fome.
– Tá bem, tá bem.
Após o jantar eles ficaram deitados juntos no sofá vendo tv e conversando. Era incrível como os dois se davam tão bem. Era como se a conhecesse há muitos anos e vive versa. Eles se sentiam confortáveis juntos. Já passava das duas da manhã quando disse que iria para a casa, precisava descansar para as filmagens do dia seguinte. insistiu em levá-la mesmo que ela insistisse em pegar um táxi. Assim que chegaram em frente ao prédio em que morava, desceu do carro e abriu a porta para ela fazendo uma referência.
– Está entregue, madame. - Ele disse mudando a voz o que fez rir.
– Você é um idiota, .
– Eu sei, mas você me ama mesmo assim. – ele a abraçou pela cintura, a puxando para perto.
– Talvez sim. – Ela deu um selinho demorado e ajeitou os cabelos de os tirando de perto dos olhos. – Já disse que seus olhos são lindos?
– Hmm, acho que não.
– Eles são. Você todo é, na verdade, mas seus olhos são especialmente lindos. – ela riu e passou as mãos pelo rosto de , que fechou de leve os olhos aproveitando o toque suave de .
– Obrigado, mas não chego nem perto de ser tão bonito quanto você. – ele sorriu olhando em seus olhos.
– Cala a boca, . - Ela riu baixo e selou os lábios aos de .
O beijo era calmo, mas cheio de sentimentos. Muitos nem mesmo declarados em voz alta. se sentia segura nos braços de e ele se sentia em casa ao lado dela. Sentia que podia ser ele mesmo, coisas que não sentia há muito tempo. terminou o beijo com alguns selinhos e ficaram ali abraçados com as testas coladas.
– Precisa ir, tem que descansar, temos um dia cheio amanhã. – ela disse baixo, fazendo carinho na nuca de .
– Não, eu quero ficar aqui, com você. Não quero voltar pro mundo real, não gosto dele. – fez um bico e riu baixo.
– Você parece uma criança quando faz isso. Irritante e impossível de dizer não.
– Mas sorte sua, eu sou uma pessoa decidida.
– Tudo bem, meu charme não funciona com você entendi.
– Ah funciona, sim, mas as vezes preciso fingir que ignoro ele pra gente não ficar agarrado o dia todo. - Ela riu e pegou a chave do apartamento na bolsa. – Até amanhã, .
– Até amanhã, . – ele acenou , encostando no carro. Não saiu de lá enquanto não a viu entrar.


Capítulo 6

acordou com o alarme do celular tocando, desligou-o e se sentou na cama. Ao olhar o visor, viu inúmeras mensagens de sua agente. Não podia ser coisa boa.

"Tem fotos suas com uma garota por toda a internet, . Não tínhamos falado sobre isso? E além de tudo, tinha que ser alguém da equipe de filmagens? Me liga quando acordar."

Não podia ser verdade. Tinha também uma mensagem da .

"Já era, nos descobriram. Desculpa :("

Ele não podia responder isso por mensagem. Se ajeitou na cama e ligou para , tocou inúmeras vezes até cair na caixa postal. Ótimo, agora ela também não queria o atender. Era isso. Ele tinha estragado tudo com a única garota que ele realmente gostava.
se arrumou o mais rápido que pôde e saiu para o estúdio, precisava conversar com antes de começar as filmagens. Ao chegar, é claro que a entrada estava cheia de paparazzis, a touca do moletom e os óculos escuros não iam o esconder, mas pelo menos não teriam nada muito importante hoje. Foi direto até o trailer de maquiagem, ignorando todos que o chamavam pelo caminho dizendo que falava com eles depois. estava sentada num canto do trailer com um moletom e touca também, assim como ele. Droga.
, desculpa por tudo isso, de verdade. Eu não percebi, eu fui burro em não…
, a culpa não foi sua.
– Mas eu sinto como se fosse.
– A gente foi descuidado, e sabíamos que uma hora ou outra isso iria acontecer, só foi mais cedo do que a gente esperava. – Ela falava baixo.
– Por favor me diz que isso não vai estragar tudo entre a gente. – sentou ao lado de segurando suas mãos.
, você chegou a ler alguma das notícias? – ela o encarou e pôde ver que seus olhos estavam um pouco vermelhos, ela havia chorado.
– Não… o que aqueles ratos falaram de você?
– Nada demais, apenas que eu era uma estagiária, que não passava de um novo passatempo para você. Eu não me importo com o que eles pensam, mas isso pode afetar meu emprego e minha carreira, . Eu estava indo tão bem, não posso estragar tudo, por mais que eu goste de você. – deixava algumas lágrimas cair, isso não podia estar acontecendo.
– Por favor, fala que não vai me deixar por causa disso. – um nó na garganta de começava a de formar. Não podia ser, não de novo.
– Desculpa, isso dói tanto em mim quanto em você, mas eu não posso. – Ela disse em meio a um soluço abafado. – Pediram minha transferência, não posso mais trabalhar aqui.
– Não, , eu não acredito. Eu fui um idiota, eu não devia ter te metido nisso, eu estraguei tudo. – apoiou os cotovelos nos joelhos e o rosto nas mãos.
– Não é culpa sua, , nem de ninguém. Só… não era a hora. Eu estou no início da minha carreira, eu não posso arriscar ficar marcada com a fama de "apenas mais uma na lista de ".
– Mas você não é só mais uma, . Eu gosto mesmo de você.
– Não é assim que funciona e você sabe, tentamos mas não deu certo. Eu sinto muito, vou sentir sua falta. – as lágrimas voltaram a rolar pelo rosto de .
– Me desculpa por isso, de verdade. – a abraçou apertado desejando que nunca mais precisasse soltá-la.
, desculpe interromper, mas precisamos que assine os papéis. – uma das pessoas da equipe estava na porta do trailer.
– Tudo bem, eu já vou. – limpou o rosto e se levantou. – Boa sorte com o resto do filme, . Você é incrível, não deixem que eles estraguem isso em você.
– Vou sentir sua falta. – Agora era vez de não conseguir segurar suas lágrimas.
– Eu também. Adeus, .
– Adeus, .
deixou o trailer e foi direto para o escritório. Não podia acreditar no que estava acontecendo, mas, de alguma forma, era melhor assim. Até quando ela teria que se esconder em carros e sair pelos fundos com os seguranças? Até quando estaria realmente interessado nela e não em uma outra atriz muito mais bonita? Foi bom enquanto durou, mas a realidade batia em sua porta e era preciso abrir.


Capítulo 7

As filmagens haviam acabado há quase um ano e as entrevistas e estreias estavam chegando, não via desde então. Tentou ligar e mandar mensagem, mas ela não respondia. Ele havia estragado tudo tentando protegê-la da mídia, mas esqueceu de protegê-la dele mesmo. Sabia que havia feito coisas erradas, mas agora já era tarde demais.
Ele perguntou à chefe do departamento de maquiagens sobre e ela disse que estava bem e trabalhando em um novo filme. Apesar de toda a confusão, pelo menos ele não havia estragado sua carreira. Não demorou muito para que a mídia esquecesse sobre o caso de e . Ele voltou a aparecer sozinho nas fotos, e sair com outros colegas de equipe para falarem mais do filme do que de sua vida pessoal. Ele amava o que fazia, mas era difícil conviver com todas essas coisas, sentia saudade de sua vida normal, mas a escolha já havia sido feita e a paixão por atuar falava mais alto.
Ao chegar na premiére do filme e ver todas aquelas pessoas o chamando e pedindo fotos, sentir o carinho de seus fãs, fazia tudo valer a pena. sempre ignorava as ordens para seguir direto para as fotos. Ele sempre passava pelos fãs primeiro, afinal, eles o ajudaram chegar onde estava. Isso sempre resultava em broncas de sua agente, mas ele já estava acostumado.

***

A estreia havia sido um grande sucesso, só se falava desse filme em todas as mídias possíveis. Após a premiére, todos estavam animados, pois finalmente era hora da parte boa. A after party onde nenhum paparazzi tinha acesso a nada que fosse a entrada de alguns dos convidados e depois precisavam deixar o local.
estava pensando em ir embora, já havia bebido alguns bons copos de champanhe e não estava muito em clima de festas. Após um dia cheio de entrevistas e ataques de fãs, era difícil aguentar uma festa por muito tempo.
Decidiu pegar mais um copo de champanhe antes de ir, ao se virar para voltar até a área vip com os sofás, avistou uma pessoa na multidão. Os cabelos caindo pelas costas expostas pelo vestido preto longo. Ele devia estar tendo uma visão, não podia ser. Ao se aproximar ouviu a risada da mulher e teve certeza. Era .
– Com licença, ? – A mulher se virou e todas as suas dúvidas tinham acabado, era mesmo ela. Ele sorriu largo e ela retribuiu.
! Quanto tempo! – Ela o abraçou. Como ele havia sentido saudade daquele abraço.
– Você sumiu, ignorou todas as minhas mensagens. – Sempre muito direto.
– Desculpa, eu não sabia como lidar com tudo isso, eu estava com medo.
– Tudo bem, eu entendo. É uma droga, e eu fui um babaca tentando te esconder, você não merecia isso.
– Sabe, , cheguei a conclusão de que nenhum de nós temos culpa nisso tudo, a sua vida é assim e eu devia saber. Tentamos ser quem não éramos e acabou tudo dando errado.
– Você tem razão, o que acha de começar de novo?
– Ótima ideia. – Ela sorriu.
– Prazer, , sou um ator com uma vida bem maluca. – Ele estendeu a mão livre.
– Prazer, , e sou funcionária de uma empresa de maquiagem cinematográfica e quase formada. – Ela sorriu e apertou a mão de que logo a puxou para um abraço apertado.
– Senti sua falta, .
– Eu também senti sua falta, .



FIM!



Nota da autora: Mais uma fic pra conta! Haha
Obrigada principalmente a minha amiga Fernanda que não me deixou desistir de escrever essa fic, fiquei feliz em poder ter terminado ela! Espero que você tenha gostado de ler tanto quanto gostei de escrever! Não esqueça de me dizer o que achou no meu twitter e nos comentários! .



Outras Fanfics:
Instant Crush [Restrita - Original].

Nota da scripter: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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