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Finalizada em: 03/09/2021

Capítulo Único

— Você acha que ele tem um péssimo gosto mesmo ou só não gosta de mudanças? — Cassie perguntou, tirando de seus pensamentos.
— O que? — A loira virou-se para a amiga, enquanto terminava de arrumar os cupcakes com chantilly rosa no expositor de doces.
— Aquele ali. — Cassie apontou com a cabeça, para o homem com um livro em mãos e uma torta de mirtilo na mesa. A mesma de sempre. — Ele sempre pede a mesma torta de mirtilo, não é possível que alguém goste tanto assim.
— Bom, nesse mundo existe doido para tudo. — respondeu, recebendo um aceno de cabeça de Cassie como resposta. — Mas quer saber, você me deu uma ótima ideia.
— Ai, meu deus! Conta, conta. — Cassie só faltava bater palmas de tanta curiosidade.
— Não! — bateu na ponta de seu nariz, fazendo Cassie torcer o mesmo numa careta. — Mas quando ele aparecer aqui amanhã, deixa que eu atendo. — Ela alargou seu sorriso, como se fosse possível.
— Você é tão maldosa quando quer. — Cassie reclamou, com direito a biquinho de criança, mas voltou ao trabalho.
No fim do dia, fechou a confeitaria com a ajuda de Cassie e foi para a casa. Uma pessoa normalmente usaria seu tempo livre para descansar, mas não era o caso de , ou como sua mãe costumava chamá-la quando pequena. Assim que colocou seus pés em casa, ela aproveitou para tomar um banho rápido e partiu para a cozinha. Sua cabeça fervilhava com a quantidade de ideias que surgiam durante o dia, mas não podia colocá-las em prática; no entanto, agora no seu lugar favorito, ela arregaçou as mangas novamente e colocou em prática, pelo menos, uma sobremesa nova.
Quando se deu por satisfeita, percebeu que a cozinha estava uma zorra, havia farinha, casca de ovos e outras sobras quase saindo do lixo, tigelas e mais tigelas transbordando na pia. Mas o esforço tinha valido a pena. O telefone tocou na sala, e ela deu um pulo de susto, mas correu para atender.
, não me diga que ainda está cozinhando. — Sua mãe, Christina, tinha um tom leve, mas ao tempo repreendedor.
— Talvez? — disse, rindo em seguida. — Mas e a senhora, o que faz acordada essa hora?
— Me certificando de que minha filha não fique enfurnada dentro de uma cozinha o dia inteiro.
— Bom, talvez seja tarde demais para isso. — Ela sentou no braço do sofá, imaginando que sua mãe teria um chilique se a visse fazendo aquilo.
— Eu sei, eu sei. — Christina riu, mas voltou a ficar séria. — Como você está?
— Bem, de verdade. A confeitaria está dando um ótimo resultado. — sorriu, aquele lugar era o seu maior sonho se tornando realidade.
— Ah, minha filha, eu fico tão feliz. Seu pai não para de falar o quanto seus doces são deliciosos, e só não aparece mais aí porque ele realmente não pode comer. — Foi a vez de rir, ela sabia muito bem sobre a gula de seu pai.
— Eu queria que vocês estivessem aqui. — Ela deixou escapar, soltando um suspiro cansado. — Em breve, tudo bem, meu amor? — Mesmo que sua mãe não pudesse ver, sacudiu a cabeça concordando.
— Tudo bem, mãe.
— Bom, eu só liguei para saber como você estava. Vou deixar você descansar, querida.
— Eu amo vocês. — respondeu, não querendo que aquela ligação acabasse.
— Nós também te amamos. — se despediu de sua mãe, encerrando a chamada. Voltou para a cozinha, limpou toda a bagunça feita e tomou mais um banho, dessa vez, seguindo para a cama.

🍰


estava atenta ao movimento da confeitaria naquela manhã, mas quem ela, realmente, queria atender, ainda não tinha chego. Podia parecer maluquice da sua cabeça, mas nunca teve tanta curiosidade sobre alguém como naquele momento. Se não fosse Cassie comentar sobre o rapaz da torta de mirtilo, talvez, ela não tivesse tomado coragem para o que tinha programado naquele dia. Mas, de certa forma, sua curiosidade já estava falando mais alto.
— Seu cliente chegou. — Cassie cochichou quando passou ao seu lado. Os olhos de Tessie varreram a loja, parando no seu alvo. O rapaz estava com outro livro em mãos, mas os óculos de grau, o cabelo despenteado e a barba por fazer estavam lá, como no dia anterior. se assustou ao perceber que havia prestado atenção nele.
— Deixa comigo. — Ela saiu detrás do balcão, dessa vez, com um fatia da torta que testou na noite anterior. Estava ótima, ela provou e fez a receita novamente naquela manhã. Não era maluca de servir um cliente com um doce que não tinha dado certo.
— Bom dia, senhor. — Ela pigarreou. — Estamos com uma variedade nova de sobremesas, e bem, eu percebi que você sempre pede a mesma torta de mirtilo. Quem sabe…
— Não, obrigada. — Ele respondeu, antes mesmo que ela pudesse responder. — Você pode trazer a torta de mirtilo, por favor?
— Tem certeza? — Ela deixou escapar, sabia que era errado insistir que seus clientes comprassem algo que não queriam. — É por conta da casa. — Ela disse, colocando o prato com a torta na mesa.
— Não, obrigada. — Ele empurrou o prato de volta para , voltando sua atenção para o livro em mãos. Teresa não acreditou no que estava acontecendo, mas resolveu não insistir ou, no mínimo, ele a acharia maluca. Mesmo contra a vontade, voltou com a torta e pediu para Cassie levar a maldita torta de mirtilo para o cara esquisito.
— Respondendo a sua pergunta de ontem, eu acho que ele tem péssimo gosto. — respondeu, vendo Cassie voltar rapidamente para atrás do balcão.
— Será mesmo?
— Ele não aceitou a torta de graça. De graça, Cassie! — Ela apertou os lábios, sem acreditar no que tinha acontecido. — Mas quer saber de uma coisa? Eu não vou desistir. Ele que aproveite os últimos dias de torta de mirtilo.
— Credo, ! Parece que ele vai morrer. — Cassie disse, abanando a mão no ar. — Você não vai matar o homem envenenado, não é?
— Claro que não, Cassandra! — As duas se olharam e riram. Enquanto, e Cassie voltavam ao trabalho.
Enquanto Cassie e voltavam para suas atividades, tentava se concentrar no livro novamente dessa vez, saboreando sua torta de mirtilo. Mas, a verdade é que ele não conseguia tirar aquele acontecimento de sua cabeça. Não sabia que alguém prestava tanta atenção assim a ponto de querer que ele experimentasse outro doce. gostava de outros doces, é claro, seria esquisito se ele não gostasse; o que ele não gostava era de mudanças, e tinha passado por um bocado delas no último ano.

🍰


chegou em casa, colocou o livro em cima do sofá junto com a sua mochila, o dia tinha sido longo, e ele ainda dava aulas na Universidade de Columbia. O vento forte lá fora indicava que a chuva estava por vir, então adiantou logo de tirar a roupa do varal, afinal, seria um trabalho a toa se deixasse a roupa na rua. Quando voltou para dentro da casa, ele foi preparando seu jantar, antes que ficasse tarde e não conseguisse organizar os materiais da aula do dia seguinte. morava sozinho, trocava telefonemas com sua irmã de vez em quando, mas quase nunca conversava com os pais. Para outras pessoas isso poderia ser um problema, para era até um alívio; afinal, se fosse para eles conversarem sempre sobre a carreira acadêmica de — a qual eles não estavam satisfeitos —, então o rapaz evitava tal esforço.
— Ei, rapazinho, não! — pegou o gato no instante em que ele tentava subir na mesa de jantar. O bichano de pelo amarelo ronronou no colo de seu dono, logo passando suas patas peludas pelo braço de .
A casa de três quartos parecia grande demais para um homem solteiro, mas depois que sua ex-noiva foi embora, conseguiu adaptar os cômodos. Mas ele estava ciente que o lugar era mesmo grande demais apenas para ele. Porém, enquanto não precisasse sair daquela casa, ficaria nela o tempo necessário. Seu celular tocou alto dentro da mochila, quando olhou no relógio percebeu que estava perdendo o jogo de hóquei daquela noite.
— Droga! — Ele ligou a televisão, e a cozinha planejada com vista para a sala de estar nunca foi tão satisfatória. Pegou seu celular na mochila, recebendo uma mensagem de sua irmã, Scarlett.
— Eu sei, perdi o primeiro tempo do jogo. — resolveu ligar para a irmã ao invés de responder sua mensagem.
— Jack está enfurecido aqui do meu lado, o time dele está perdendo. — Scar soltou uma risada alta do outro lado da linha. — A gente se fala mais tarde?
— Quando acabar o jogo. Te amo.
— Também te amo.
Com sorte, Scar conseguiria falar com após o jogo, mas era quarta-feira e ele precisava acordar cedo no dia seguinte. Ele não sabia nem se conseguiria assistir todo o jogo, mas era divertido receber as mensagens de Scarlett durante os intervalos, ou até mesmo quando um jogador sofria alguma penalidade e ela mandava tanta mensagem surtando que ele mal conseguia responder todas. Naquela noite, conseguiu ficar acordado o suficiente para conversar novamente com a irmã. O que ele não fazia já tinha um tempo, e ter deixado o sono de lado por alguns minutos nunca foi tão bom.

🍰


— Tem certeza que não quer que atenda ele hoje? — Cassandra perguntou, percebendo que já servia um pedaço de torta de mirtilo. Mesmo contra a vontade.
— Tenho, ele vai pedir a torta. Eu já sei. — sabia que aquela era uma sobremesa e tanto, era normal as pessoas gostarem daquele doce.
— Por favor, só não faça nada que vá se arrepender depois. — Cassie disse, vendo a amiga ir até a mesa de com um prato em mãos.
— Com licença, sua torta. — deixou o prato em cima da mesa, esperando alguma reação do homem.
— Desculpe, mas hoje eu vou querer um pedaço de torta de chocolate. — formou um “o” com a boca, tamanho era o seu espanto. O que fez abrir um pequeno sorriso. — Tem certeza?
— Se você se sentar comigo, eu aceito provar outro sabor de torta. — Ele foi direto ao ponto. Nem mesmo sabia como tivera coragem para dizer aquilo. Mas o fato de que tinha ficado incomodada com a sua sobremesa favorita no dia anterior, o deixou intrigado. Não custava nada ele provocá-la um pouquinho.
— Isso é um desafio? — Ela estreitou os olhos e mordeu o lábio inferior, se divertindo com a ideia.
— Talvez. — Ele levantou a sobrancelha. — Caso você não aceite, eu ficarei feliz em comer mais uma torta de mirtilo.
— Não! — Ela disse, tirando o prato de perto de . — Desafio aceito. Isso vai ser divertido.
não conseguiu evitar soltar uma risada, mas se conteve logo em seguida. Ele estava ansioso para saber qual torta receberia, mas a verdade é que ele já tinha provado a maioria dos sabores, e todos eram ótimos. Quando voltou sorridente para trás do balcão, sua ansiedade por aquele desafio era tanta que ela não conseguia nem disfarçar, mas Cassandra estava atendendo outra mesa no momento, então teve que guardar a novidade para si mesma.
— Aqui está. — apressou-se em voltar para a mesa de , sentando-se na sua frente. A torta era simples e de chocolate, como ele havia pedido. E, por mais estranho que pudesse ser, ela não se sentia esquisita. — Então, por que sempre a torta de mirtilo?
— Ei, nem nos conhecemos e você já aparece com um interrogatório. — Ele disse, comendo um pedaço do doce.
— Exatamente, nem nos conhecemos e você pediu para eu sentar com você. — Ela disse, séria.
— E você aceitou.
— Porque estou curiosa. O que o fez mudar de mirtilo para chocolate de uma hora para outra?
— É uma confeitaria, não? Imagino que não há nada especificando que eu deva pedir sempre o mesmo sabor.
— Mas vem fazendo isso no último mês inteiro. — estava a ponto de perder a paciência, e por mais que não soubesse, estava divertindo .
— O que faz você prestar atenção em mim de uma hora para outra? — Ele estreitou os olhos, como se estivesse pegando-a no flagra. — A sua vida está tão tediosa a ponto de você querer saber o porquê eu escolho a torta de mirtilo todos os dias? — ele perguntou debochado.
— Não, claro que não. Só é curioso. — ela se empertigou. — Não é como se eu prestasse atenção em tudo que você faz.
— Não é como se isso fosse uma verdade. — ele deu um sorrisinho debochado e pegou um pedaço da torta de chocolate. Dessa vez, comendo ainda mais lentamente, fazendo esperar pela resposta que queria.
— Tudo bem, não começamos da melhor forma. — Ela bufou, derrotada. — Me chamo Te..
, eu sei. — Ele olhou para a parede, onde continha alguns certificados e autorizações da prefeitura emoldurados.
— Você gosta quando seus alunos te atrapalham no meio de uma explicação, professor Bereson? — cruzou os braços, depois de ver o cartão da faculdade em cima da mesa, olhando-o séria. parou de comer o doce por alguns instantes, se perguntando como ela sabia que ele era professor. — Você não é tão imprevisível quanto pensa. Aproveite sua torta.

🍰


— Ele é tão repugnante, todo cheio de si, Cassandra! — disse, irritada, enquanto bebia um gole da sua cerveja.
— Aham. — A amiga balançou a cabeça rindo. Cassie conhecia como a palma de sua mão, e ela sabia que o primeiro “encontro” entre os dois pombinhos não tinha sido nada do que imaginava. Esse era o real motivo por ela estar tão irritada.
— Cassandra, em que lado você está? — perguntou, séria.
— No seu, é claro, . Deixa de ser boba. — Cassandra bebeu o r?esto de seu drink, mas quando o primeiro garçom passou ao seu lado, foi logo pedindo outra dose. Era sabado à noite e o combinado era se divertir.
— Amiga? — chamou a ruiva ao seu lado. Cassandra estava mais distraída na última hora que o habitual. — Vai logo se divertir.
— Eu te amo. Ei, mas não some, viu?! — Cassandra deu um beijo na amiga, se despedindo em seguida. não ficaria de vela, mas estaria disposta caso Cassie ligasse precisando de algo.
, por fim, resolveu voltar a pé para casa. Não era tarde, e além do mais, Nova York é movimentada o suficiente num sábado a noite para ela voltar sozinha.
! — continuou o seu caminho, sem ter certeza se tinha mesmo ouvido o seu nome. — ! — Dessa vez ela olhou para atrás, se surpreendendo ao avistar Bereson.
— Bereson? — ela teve que falar seu sobrenome em voz alta para ter certeza que não estava imaginando coisa.
— É , pode me chamar de . — ele parou na frente de , com as mãos no bolso da calça.
— É , mas gostei de . — Ela sorriu, contente com o novo apelido. — Então…
— Posso te acompanhar?
— Você não estava me seguindo, não é? Eu juro que sou capaz de te chutar no saco e te proibir de entrar na minha loja. — Ela falou na defensiva.
— É assim que você resolve as coisas, na base da agressão? — provocou.
— Depende, só com quem merece.
— Tudo bem, tudo bem. Eu juro que não estava te seguindo. — Ele riu. — Minha irmã mora na outra esquina, estava saindo da casa dela quando te vi passar.
— Não sei se acredito. — ainda tinha suas dúvidas sobre . Num instante ela era arrogante e prepotente, em outro ele pedia permissão para acompanhá-la. — Mas tudo bem.
— Sabe, acho que você tinha razão, não começamos da melhor forma. — Bereson disse, distraído.
— Desculpe, o que você disse? — se manteve séria.
— Que você tinha razão. — Ele respondeu, a contra gosto.
— Eu sei, escutei da primeira vez. — Ela sorriu, convencida.
— Há, há, muito engraçadinha. — Ele mostrou a língua, mostrando uma atitude muito adulta. — Então, onde você mora?
— Na 7th Street. Mas eu tava pensando em ir comer um taco antes, topa?
— Isso é um encontro, por acaso? — comentou. — Você anda me fazendo convites demais ultimamente, e todos eles envolvem comida.
— De jeito nenhum! Aliás, eu já estava com esse plano, mas você apareceu. Então topa tacos ou não?
— Tacos é uma ótima escolha.

🍰


não sabia se era o efeito do álcool falando mais alto, mas enquanto comia seu taco e escutava as histórias de infância que contava, ela estava achando-o divertido. Ele não estava sendo aquele resistente a provar um novo sabor de torta, pelo contrário, contava sobre sua família como se fossem amigos de infância.
— Você tá vendo esse dente aqui? — disse apontando para a boca. — É resina, e bem descobri numa festa da faculdade que ele não brilha no escuro.
— O que? Meu deus, me diz que você não estava sorrindo para uma garota e ela achou que você era banguela.
— Foi exatamente isso que aconteceu. — soltou uma risada alta. — Mas como você quebrou o dente?
— Eu bati com a boca no balanço quando era pequeno, digamos que minha irmã era um pouco maldosa.
— Eu acho que você era o tipo que incomodava muito ela. Eu sou a irmã mais nova, eu sei como é incomodar o irmão mais velho.
— Eu sou o irmão mais velho, essa é a pior parte.
— Ok, eu não vou julgar sua irmã nesse caso. — se divertia com os comentários de , e por mais surpreendente que fosse, conseguia contar sobre sua vida facilmente. Depois do último ano, após o fim do seu quase casamento, ele estava retomando sua vida. Ainda vivendo na mesma cidade, mas deixando as memórias ruins no passado.
— Bom, você sabe o que eu faço, mas me conta sobre o que você dá aula. — mudou de assunto.
— Você tem certeza que não sabe nada sobre mim? — Ele arqueou a sobrancelha, na dúvida se contava mais sobre sua vida.
— Eu deveria saber de algo a mais? — Agora, um pouco sóbria, encarou , percebendo seus traços bem definidos, além dos seus olhos azuis quase hipnotizantes.
— Não. — Ela balançou a cabeça. — Eu dou aula de química, na Universidade de Columbia. — Não é algo tão interessante, segundo a minha mãe.
— Você gosta do que faz? — Ela perguntou.
— Muito. — não mentiu, amava a profissão que seguia, e não se imaginava fazendo outra coisa.
— Então não importa o que os outros pensam. — entendia . Foi difícil começar um negócio do zero, mesmo sabendo que era boa no que fazia. E, claro, que o apoio de sua família foi essencial. No entanto, desde que ela tivesse certeza que era aquilo que gostaria de seguir, nada mais no mundo importava.

(...)


— Você se saiu um belo cavalheiro essa noite, . — sorriu, quando parou em frente ao seu prédio.
— Eu sou um ótimo cavalheiro, . Você é muito mandona. — Ele revidou.
— É o meu passatempo favorito. — Ela riu, sendo acompanhada por . Mas logo ele ficou sério, observando .
— Eu ainda não conheci você completamente, mas nunca vou me arrepender de ter entrado naquela confeitaria e comer a mesma torta de mirtilo todos os dias.
As palavras de Bereson pegaram de surpresa, mas, depois de muito tempo, foi a primeira vez que ela não quis sair correndo.
— Por alguma razão, acredito em você, . — Ela se aproximou dele. — Espero que eu não me arrependa dessa escolha.
… — Ele disse baixo, aproximando seus rostos calmamente. Quando pôde, juntou seus lábios ao dela e a enxurrada de paz o invadiu. As borboletas faziam a festa no estômago de ambos, ainda que um frio um na barriga de medo surgisse, eles não queriam parar. Era o tipo de beijo que há muito tempo eles não lembravam como era, mas precisavam.
— Você não se importa com o que pode acontecer daqui pra frente? — perguntou baixo, quando ambos se separaram, recuperando o fôlego. riu, balançando a cabeça de um lado para o outro.
— Só tem uma coisa que eu me importo agora, e é ter sua boca colada na minha.
resolveu não se preocupar com as consequências que aquele beijo trairia para sua vida, porque o que importava para ele no momento, também, era beijar Messer.

🍰


Um mês havia se passado desde o encontro com Bereson. Mas ao contrário do que esperava, não tinha aparecido na confeitaria todos os dias, como de costume; e quando fazia, tentava sair o mais rápido possível do local. Eles também não tocaram no assunto do beijo, parecia que um esperava que o outro começasse a falar, então, ninguém tomava coragem para fazê-lo primeiro.
— O que está acontecendo? — Cassandra parou ao lado de , na cozinha.
— O que? — serviu mais um prato com torta, prestando atenção no seu trabalho.
— Quer mentir mesmo pra mim, ? O encontro entre você e o não tinha sido bom?
— Foi, mas acho que ele se arrependeu do que aconteceu. E não foi um encontro. — encerrou o assunto. — Eu preciso trabalhar.
Quando e Cassie fecharam a loja, quase sete horas da noite, as duas se despediram e partiu para a sua casa. Foi um dia longo, mas naquela noite Messer queria apenas descansar. Sua cota de experimentar receitas novas estava temporariamente esgotada. Quando chegou na porta de seu prédio, após uma caminhada rápida da confeitaria até a sua casa, encontrou com sentado na escada, pegando-a de surpresa.
— Oi. — Ela chamou a atenção dele.
— Oi. — Ele se levantou rapidamente. — Podemos conversar?
— Precisamos mesmo? Porque, sabe... tá tudo bem. — Ela deu de ombros, mesmo sabendo que não estava. não precisava de uma conversa para levar um fora definitivo.
— Sim. — respirou fundo, concordando. — Vamos subir então.
— Você se importa de irmos para a minha casa? — Ele pediu, impedindo que ela entrasse no prédio.
— Se você me levar para a sua casa só para oficializar o fora que você me deu, eu me importo sim. Foi um dia longo hoje, .
, eu nunca faria isso. — acariciou a bochecha de .
… — abaixou a guarda, mostrando que tinha mesmo ficado abalada com o sumiço de Bereson. — Tudo bem, precisamos mesmo conversar.
O caminho até a casa de Bereson não foi tão rápido quanto imaginou, mesmo que o trajeto tenha sido feito de carro. A casa também não era o lugar que ela imaginava para um homem como ele, principalmente porque era grande demais. estacionou o veículo na garagem assim que eles chegaram, abriu a porta da casa para e ela pôde observar um pouco do ambiente.
— Você aceita uma água, um café ou...
, por favor, vamos fazer isso o quanto antes. — o interrompeu, além de sua curiosidade estar a matando, ela também queria falar algumas coisas.
— Tudo bem. Vamos lá pra sala. — Ele a puxou pela mão, sentando no sofá e esperando que ela fizesse o mesmo ao seu lado.
— Sou toda ouvidos. — Ela disse, um pouco nervosa.
—Acho que você deve conhecer a Alison Burns, mas caso não saiba, ela era uma das modelos da Victoria Secrets. — ficou um pouco confusa no início, mas guardou suas dúvidas para si. — Nosso casamento estava marcado para julho, mas se você leu os jornais da época, deve saber que ela preferiu fugir com o amante ao invés de aparecer na igreja.
não tinha um tom de raiva em sua voz, mas de tristeza. Não era o melhor momento para contar seus problemas para , mas ele não queria desaparecer da vida da mulher por medo de seus sentimentos.
— Depois dos jornais noticiaram por meses sobre o casamento fracassado, ainda tinham alguns jornalistas inventando histórias sobre a minha família e outros aparecendo na porta da minha casa. Então, quando te conheci e depois acabamos saindo, não queria te meter nessa confusão.
— Eu sei muito bem me defender. — falou, calma, sorrindo para o homem à sua frente.
— Eu sei, mas fiquei com medo que você quisesse ir embora no minuto seguinte que descobrisse tudo sobre a minha vida. — Ele foi sincero.
— Eu sabia quem você era desde o primeiro momento que você apareceu. Mas, então, surgiu a história da torta de mirtilo e bem… tudo que falaram sobre você nos jornais não importava para mim.
— Linda, me desculpe por ter sumido e não ter sido sincero antes. — Ele acariciou a bochecha de , passando seu nariz no mesmo local.
— Lindo, acho que vou ter que cobrar pedágio por esse sumiço. — Ela disse, rindo. — A melhor parte é que você pode começar pagando com beijos.
— Acho que é um preço justo.
encostou nos lábios de , sentindo que estava fazendo a coisa certa, depois de muito tempo. E, por mais que estivesse com medo, não deixaria que nada estragasse sua vida a partir de agora. Principalmente se Messer estivesse ao seu lado.




Continua...



Nota da autora: Eu gostei muito dessa história, uma pena o bloqueio criativo não ter deixado eu explorar mais desses dois. Mas quem sabe num futuro, eu não mostre mais deles aqui.
Espero que vocês gostem tanto quanto eu. E, por favor, não esqueçam de comentar :)





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