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Finalizada em: 02/02/2021

Prólogo

“Remember when I pulled up
And said "Get in the car"
And then canceled my plans
Just in case you'd call
Back when I was living for the hope of it all…”



Era só mais um dia normal na vida de , um sábado qualquer na cidade de Long Island. Ela acordou cedo, a temperatura estava branda e chovia um pouco, por ainda ser início do verão. Após todo o ritual matinal, ela foi ao mercado para comprar o necessário para fazer um café da manhã de verdade, já que havia passado a semana à base apenas de café preto.
era o tipo de pessoa que se dedicava inteiramente ao que estava fazendo, acabara de concluir a faculdade de arquitetura há alguns meses, sendo graduada com honras por ser uma das melhores da turma, e agora trabalhava em um grande escritório de segunda à sexta. Nesse mesmo escritório, ela estagiou por dois longos anos, até que enfim foi contratada para um dos cargos do alto escalão, o qual sempre desejou e que sempre foi seu emprego dos sonhos. Esse trabalho que ela amava com todas as forças possíveis e que dedicava todo seu tempo e sua energia.
Após uma longa semana de trabalho exaustivo, decidiu que iria finalmente ter um momento só seu, em que poderia comer e fazer o que bem entendesse. Enquanto ia ao mercado em seu carro, ela observava todos os lugares daquela cidade que tanto amava. A praça onde havia um lindo canteiro de rosas, também um parquinho, onde avistou crianças com seus pais brincando e gastando energia em pleno sábado às 7h da manhã. Observou a padaria que em muitas vezes foi seu socorro quando saia do escritório morrendo de fome e com a mínima vontade de cozinhar, e finalmente a igreja na qual havia sido batizada e que tinha participado de alguns casamentos de amigos, essa mesma que hoje estava incrivelmente enfeitada por possivelmente ter algum casamento grandioso.
Ela seguiu seu caminho até ao mercado, onde pegou tudo o que precisava para fazer uma bela pilha de panquecas, e uma garrafa de suco de laranja. Com o clima que se encontrava fazendo naqueles dias, essa era a melhor solução e sua maior vontade. Pagou por tudo e foi embora, porém, alguns metros após sair do mercado, seu carro começou a falhar e acabou parando em frente à igreja, aquela mesma que ela havia observado no caminho de ida.
- Era só o que me faltava! - Disse , impaciente. - O único dia que tenho para fazer as coisas para mim, essa droga de carro resolve quebrar! - Saiu do carro, batendo a porta com força e deixando o estresse chegar.
Quando desceu do carro, acabou percebendo a quantidade de fumaça que saía do motor. Já com uma cara de poucos amigos, abriu o capô e só conseguiu fazer uma careta de raiva por não fazer a mínima ideia do que acontecia ali.
- Eu preciso urgentemente de um carro novo! - Disse para si mesma.
pegou seu celular e ligou para sua amiga, , mesmo ela também não sabendo o que fazer, ao menos poderia ajudar com alguma dica ou com o número de alguém, porém, após três tentativas sem sucesso, ela desistiu de falar com .
- Quem deve estar acordado num sábado às 8h da manhã, ? Só você, mesmo. – Disse, extremamente irritada.
Então pegou seu celular e mandou mensagem para a amiga, para assim que a mesma acordasse, pudesse lhe ajudar de alguma forma. então decidiu ficar ali encostada no seu carro, até que uma boa alma parasse para lhe oferecer ajuda, pois os mecânicos da cidade só abririam às 10h.
Ela ficou ali esperando por uns 50 minutos, sentindo a temperatura branda ir embora e o calor aumentar, desejando não ter acordado tão cedo. só conseguia sentir raiva de si mesma e de , que ainda não tinha acordado para lhe ajudar. Mexeu no celular, tentando encontrar algum mecânico que, por uma luz divina, poderia ter aberto a sua oficina mais cedo naquele sábado, o que ela também não obteve sucesso. então começou a prestar atenção naquela decoração da igreja, tentando imaginar quem estaria casando naquele sábado com toda aquela decoração vermelha e branca, pensou também se um dia seria sua vez de estar ali, naquela igreja que ela tanto amava observar os detalhes arquitetônicos e o quão bem projetada havia sido. Ela então afastou os pensamentos sobre arquitetura e voltou a pensar em como seria sua cerimônia, mesmo não sabendo com quem, apenas ficou imaginando, vendo o tempo passar extremamente devagar.
- ? - Ouviu uma voz que tanto conhecia. No mesmo instante imaginou que só poderia estar ficando louca, pois não ouvia aquela voz havia alguns anos e muito menos via o dono a quem ela pertencia. Voltou então sua atenção ao celular para ver se havia algum sinal de , e mais uma vez nada.
não teve coragem de se virar para ver quem a chamava, pois jurava que aquilo era apenas fruto da sua imaginação, não teria coragem de encarar os olhos a quem pertencia aquela voz, não dessa vez.
- ? - Ouviu de novo e paralisou, pois percebeu que não estava louca, que aquilo não era uma fantasia de sua cabeça, que ele realmente estava ali depois de todos esses anos e que ainda fazia seu coração acelerar apenas ao ouvir sua voz. criou então coragem para se virar e encarar o seu passado de frente.
- ? – Disse, meio sem reação.
Foi quando ela se perdeu naqueles olhos e naquele sorriso que um dia imaginou que fossem apenas para ela, mas não eram, nunca foram, mas que ainda estremeciam seu coração. Aquela voz e aqueles olhos que fizeram parte dela por verões inesquecíveis e que agora estavam de volta.
estava se sentindo com 16 anos novamente, depois de 10 anos.

Capítulo I

Assim que teve certeza a quem pertencia aquela voz, sentiu seu corpo paralisar e ficou o observando se aproximar, tomando nota de todos os detalhes que ela tanto amou e que ainda continuavam em uma parte do seu coração. Reparou em como o cabelo dele havia crescido, seus fios, agora longos, se encontravam um pouco abaixo do ombro, o deixando ainda mais bonito do que um dia ela imaginou que ficasse, viu quando seu corpo havia mudado e passado para uma forma mais forte e definida, mas não deixando de permanecer magro, como sempre foi. Sua face agora tinha traços mais firmes, porém sem nenhum sinal de barba. Ele continuava impecável, sem olheiras ou sinal de cansaço, também sem nenhuma marca de expressão já aparente. O rosto de menino havia sumido para dar lugar ao de homem, afinal, tinha agora 27 anos. Apenas duas características dele permaneciam exatamente as mesmas, sendo elas as favoritas de . A primeira era o sorriso, que sempre fazia com que seu coração se incendiasse e o qual era impossível não sorrir junto ao vê-lo, e tinham também os olhos, aqueles olhos em que ela amava se perder, que ela amava tanto observar, conseguia ver dentro daqueles olhos um oceano povoado dos seres mais espetaculares do universo, mas via também as florestas mais escuras e sombrias. Aqueles olhos que a faziam sentir milhões de sensações ao mesmo tempo, e mesmo depois de todo esse tempo, ela ainda não conseguia explicar o quão bom e ruim era olhar para eles, era simplesmente o seu céu e seu inferno.
notou que o encarava há tempo demais e parou quando viu ele se encostar em seu carro.
- Então eu mal chego em Long Island e a primeira pessoa que eu encontro é você, ? O que você faz perdida aqui nesse horário, com todo esse calor e para fora do carro? Se eu me lembro bem, você era uma pessoa que hibernava em dias assim, ligando seu ar-condicionado no mais frio possível. - Disse , curioso, e com um sorrisinho no lábio, o qual sabia que mexia imensamente com .
ficou por um momento sem reação, tentando imaginar o que estaria fazendo ali. Afinal, fazia mais de sete anos que ele havia se mudado para Denver, onde tinha conseguido um cargo em uma grande empresa de engenharia. Ela voltou a focar seus pensamentos na pergunta que ele havia lhe feito e torceu para que sua voz não falhasse ou saísse baixa demais.
- Meu carro resolveu quebrar justamente agora, eu estava voltando do mercado. – Respondeu, meio insegura, e tentando permanecer firme com suas palavras.
- Justo hoje? As oficinas só abrem às dez horas, ainda faltam alguns longos minutos para isso acontecer. - Disse ele com uma cara de que estava se divertindo muito com aquilo.
- É, justo hoje, tentei falar com para ver se ela poderia me ajudar, mas não consegui fazer ela acordar. Sou a única azarada que sempre acontece alguma coisa quando ninguém pode ajudar. – Disse, meio triste e irritada.
- Você quer que eu dê uma olhada? Posso te ajudar, se quiser. - disse, já se desencostando do carro e indo em direção ao capô para abri-lo.
Foi quando percebeu que ele estava bem arrumado, com uma calça jeans escura, sapatos sociais e com uma camisa branca com um blazer preto por cima. Então pensou que ele poderia ter algum compromisso importante e que não era necessário fazer aquilo por ela.
- Você está todo arrumado, deve ter algum compromisso, não precisa perder seu tempo com isso. - Disse ela, se colocando à frente dele. - Daqui a pouco a acorda ou alguma oficina abre.
- É só uma olhadinha, . Não vou me sujar só de olhar. - Disse ele, já retirando o blazer e entregando para ela.
então pegou o blazer de em suas mãos e pôde sentir o perfume amadeirado que exalava. Ele ainda não tinha trocado de perfume, mesmo depois de todo esse tempo ele ainda permanecia com o mesmo cheiro, e isso era mais uma coisa que deixava o coração dela perturbado, lembrou também de quando aquele perfume havia ficado impregnado em sua pele e o quanto ela amava ficar se drogando com aquele cheiro. Ela finalmente acordou daquele transe e começou a se sentir envergonhada por deixar aquilo mexer tanto com ela ainda, e então enquanto observava , decidiu tirar suas dúvidas sobre o que ele estava fazendo por ali.
- Você voltou para Long Island? – Perguntou, curiosa.
- Não e sim, vim resolver algumas coisas, vou ficar uns meses. - Disse ele,, concentrado, buscando o que teria acontecido com o carro.
- Entendi, como está seu trabalho em Denver? - A curiosidade de só ficava maior a cada resposta dele.
- Está indo bem, sou um dos gerentes de projeto da empresa, mas vou ficar seis meses afastado para poder resolver tudo o que preciso e tirar umas férias, trabalhei duro por anos sem férias, agora eu mereço. – Disse, ainda concentrado - ? Tenta ligar o carro, por favor?
Ela apenas acenou um sim com a cabeça e foi ligar o carro como havia pedido, o que aconteceu, mas logo em seguida, parou novamente. desceu do carro e foi até , que continuava a verificar as coisas no motor.
- , por acaso tem algum lugar aqui perto que dê para você comprar água mineral? – Perguntou, a olhando com uma sobrancelha levantada.
- Tem uma padaria a uns três quarteirões daqui, , posso ir até lá. - Disse rapidamente. - Mas por que você quer água?
- Eu acredito que o seu motor teve algum superaquecimento e então acabei verificando o nível de água, e ele se encontra bem abaixo do que é necessário. Às vezes se colocarmos a água, ele dê uma esfriada e você consiga ir para casa e mais tarde levar em algum mecânico e conferir. Quer tentar? - Disse ele, olhando diretamente nos olhos dela.
- S… Sim. Você quer ir comigo? - Perguntou . esperançosa.
- Eu vou aproveitar enquanto você vai lá, para resolver um problema, ele é aqui do lado e bem rápido. Enquanto você vai e volta, eu já terei resolvido, pode ser? - Disse ele enquanto coçava a cabeça, meio sem jeito.
- Claro. Acredito que em 20 minutos estou de volta. - Com isso, pegou sua carteira dentro do carro e o trancou, seguindo em direção à padaria.
Naquele momento enquanto caminhava, não pôde deixar de imaginar o que estaria fazendo realmente na cidade, ninguém deixa o seu emprego dos sonhos por seis meses e volta depois. Ela também não conseguia esconder do seu coração o quanto ele ainda mexia com ela, o quanto aquele encontro inesperado havia a deixado abalada. chegou na padaria e comprou três garrafas de água, pegando as extras para caso precisasse de mais alguma, e logo saiu, voltando para onde seu carro estava. Assim que virou a esquina, avistou a igreja e seu carro exatamente em frente a ela com já encostado nele. Quando o viu ali, acabou deixando escapar um sorrisinho bobo, ela só conseguia pensar em como sentia saudades dele por todos esses anos e o quanto era bom ter ele de volta, mesmo que por pouco tempo. Porém ela teria que ser forte, não poderia cair mais uma vez nos braços dele, não dessa vez, ainda mais depois de tudo o que aconteceu.
- Demorei? - Disse , se aproximando do carro.
- Não, já resolvi o que tinha que ser feito por aqui, encostei no seu carro não tem nem três minutos. - Disse , olhando diretamente para ela.
- Que bom que não te fiz esperar muito tempo então. - respondeu, envergonhada.
sempre deixaria ela dessa forma, não importava a situação.
- Vamos testar o motor? - tentou desviar a atenção para que ele não percebesse o quanto ainda mexia com ela.
- Sim, eu vou abrir o capô e colocar a água, e então você liga o motor, okay? - Disse ele, já indo em direção à frente do carro e abrindo o capô.
então entrou em seu carro, esperando o sinal de para que tentasse ligá-lo, e quando sinal foi dado, ela o fez. Seu carro ligou e não falhou mais, então deu sinal para que desligasse, fechou o capô e entrou no carro, se sentando no banco do passageiro.
- É bom você esperar uns quinze minutos antes de seguir para casa, para que o motor esfrie bem. - Ele disse e apenas concordou com a cabeça. - E então, como anda sua vida, , está namorando alguém? - perguntou, curioso.
se assustou com a pergunta e engoliu seco antes de pensar no que responder. era sempre assim, sumia por uns períodos e quando voltava era sempre sobre a vida amorosa de que ele primeiro se interessava, nunca perguntava como estava a faculdade, se já tinha conseguido emprego ou algo do tipo.
- Você ficou sete anos sem me ver e a primeira coisa que me pergunta é se eu estou namorando? - disse ela, incrédula.
- Eu já sei que você se formou e está trabalhando na MK corporações. Esqueceu que minha mãe sempre te amou e me conta tudo da sua vida? - Disse ele com uma cara de deboche.
- Entendi, então quer dizer que você pergunta de mim para sua mãe? - A raiva de já tinha passado sobre o assunto, o qual preferiu desconversar, e um sorriso bobo começava a aparecer em seu rosto.
- Não exatamente, mas gosto de saber como anda a pessoa que foi e sempre será muito importante na minha vida. – Disse, sorrindo e a olhando nos olhos. - Independente de tudo o que aconteceu entre a gente, sempre te considerei uma grande amiga, , e sempre irei considerar. Mas não desvie da minha pergunta, você está namorando ou não?
sentiu seu coração falhar com aquelas palavras, sempre dizia que ela era importante para ele, mas ouvir isso depois de sete anos fez com que ela se sentisse de alguma forma especial de verdade.
- Você ainda é importante para mim também, , você sabe disso. – Disse, sorrindo igual uma boba para ele e encarando aqueles olhos, que hoje estavam incrivelmente mais límpidos e sinceros, como nunca haviam sido antes. - E não, eu não estou namorando.
- Seu número ainda é o mesmo? A gente podia sair para beber, colocar o papo em dia, assistir um show, o que acha? – Perguntou, interessado.
- Meu número é o mesmo, sim, só me mande uma mensagem que resolvemos o que fazer. - já não escondia o quanto estava feliz por tê-lo ali de volta e não conseguia deixar o sorriso de garota apaixonada de lado.
- Agora eu preciso ir, porque tenho muitas questões para resolver ainda. – Disse, se levantando do banco do passageiro.
então saiu do carro e chamou para fora, assim que ela saiu, ele lhe deu um abraço que ela não esperava. No começo, ficou completamente sem reação e sem saber o que fazer, mas depois correspondeu a ele. então deu uma leve soltada e a olhou nos olhos.
- Eu senti sua falta, . - Sussurrou no ouvido dela.
Nesse momento, sentiu todas as partes do seu coração falhar, ainda sabia como mexer com ela, ainda sabia seus pontos fracos, e ela só queria permanecer mais tempo naquele abraço, sabia a falta que ele fez em todos esses anos.
- Eu também senti sua falta, . – Disse, olhando nos olhos dele e sorrindo.
- Que ironia nós dois nos reencontrarmos em frente à essa igreja totalmente enfeitada para um casamento. - disse, não se contendo, e gargalhou com a frase que acabara de falar.
- Nem me diga, justo a minha igreja. - sorriu, sem graça.
- Você ainda pensa em se casar aqui? - Perguntou ele, curioso.
- Claro que sim, . Você sabe que isso aqui sempre foi meu sonho, olha os detalhes dessa igreja. Além do mais, ela me traz muitas lembranças boas, faz parte da minha história.... - Ela não conseguiu terminar a frase, acabou a interrompendo.
- Nossa história, . Eu nunca me esquecerei dessa igreja, até porque a última vez que nos vimos foi exatamente aqui em frente. – Disse, a deixando envergonhada. - Bom, agora preciso mesmo ir, aguarde minha mensagem e até a próxima, . - Disse , se despedindo e lhe dando um beijo na testa.
- Até, , e obrigada pelo carro. - Com toda aquela conversa entre os dois, tinha até esquecido de agradecer.
- Você vai me recompensar de outra forma, sei disso. - deu uma piscada para ela e saiu de lá, entrando em seu carro que estava do outro lado da rua, acelerando e sumindo ao virar a esquina.
apenas respirou fundo, não era possível estar de volta e com apenas uma conversa fazer com que todos os sentimentos adormecidos retornarem dentro dela. Mais uma vez estava ali, pedindo passagem para entrar em seu coração.
Ela entrou em seu carro e seguiu em direção à sua casa, mais tarde pensaria para qual mecânico ligar e quando levar o carro. Nesse momento ela só conseguia pensar em e em como tudo aquilo só poderia ser coisa do destino.
e se conheciam desde crianças, moraram no mesmo bairro e eram vizinhos de rua, mas foi quando tinha quatorze anos, e , dezesseis, que ela viu um sentimento novo nascer. Ambos estudavam na mesma escola e sempre iam juntos, sempre se gabava das meninas com quem havia ficado enquanto ela se sentia o patinho feio, sempre tendo uma falta de confiança em si mesma. via suas amigas namorando ou com o primeiro beijo dado, enquanto ela permanecia esperando que a enxergasse e se tornasse o seu príncipe encantando, mas isso nunca aconteceu. Ela sempre o observava com as outras meninas, mas nunca criou coragem para contar para ele o que sentia, foi quando ela desistiu e decidiu seguir sua vida, imaginou que aquela paixonite era idiota demais.
seguiu o seu caminho até em casa pensando em como sua infância com tinha sido simples e tranquila. Assim que estacionou o carro na garagem, sentiu seu celular vibrar no bolso, mas decidiu o ignorar, já que precisava tirar as compras do carro e abrir a porta de casa ainda. já não morava mais com os pais, havia mudado de bairro e estava numa casa só dela. Havia comprado a casa há alguns meses, tinha ganhado boa parte do valor dos pais como presente de formatura e o restante ela já tinha guardado devido aos anos de estágios na MK, foi então que ela conseguiu adquirir o seu próprio cantinho, era simples, mas a deixava feliz por saber que era dela. Quando finalmente sentou no sofá para pensar se ainda faria o café da manhã, seu celular vibrou no bolso novamente, ela então o pegou, vendo o nome de brilhar na tela.
- Finalmente acordou, Bela Adormecida. - Disse em tom de brincadeira.
- O que aconteceu? Acordei com milhões de ligações e mensagens suas. - disse, preocupada.
era a melhor amiga de desde os tempos de escola, logo após se formar, elas se aproximaram, e assim as duas seguiram amigas na faculdade e agora trabalhavam na mesma empresa.
- Meu carro quebrou, , minha sorte é que o ressurgiu das cinzas e me ajudou. - Disse , sorrindo.
- Espera, ? O seu ? - perguntou, atônita. Ela sempre soube que havia mexido com , mas a mesma nunca quis lhe contar como tudo aquilo aconteceu.
não soube o que responder, apenas ficou pensando por um tempo em como tudo aquilo tinha sido estranho e como havia mexido com ela, mas de alguma forma aquilo tinha sido bom, pois agora ela estava finalmente pronta para contar para como toda a sua história com começou e aconteceu.

Capítulo II

finalmente percebeu que precisava saber de toda sua história com , ela necessitava se abrir com alguém sobre tudo o havia acontecido entre os dois.
sempre foi uma pessoa de opinião forte, enfrentava o mundo com unhas e dentes e defendia todos aqueles com que se importava, era o tipo de pessoa que pegava o problema dos outros e tentava de todas as formas ajudar, por esse motivo, nunca quis incomodá-la com suas histórias sobre , sabia que a amiga tomaria suas dores e tinha medo que ela não entendesse tudo o que sentia por ele, ou o que já havia passado para ficar com ele. Na verdade, ela nunca havia contado o que aconteceu em detalhes para ninguém, sempre achou que essa história pertencia apenas ao seu coração e aos envolvidos, porém, depois do recente encontro com , precisava dividir todo o bem e mal que aquele relacionamento a havia causado.
Após alguns minutos em silêncio, finalmente tirou de seus pensamentos.
- ? Você ainda está ai? Que que te salvou? - perguntou, preocupada, imaginando que a ligação tivesse caído.
- Aí, desculpa, , estava pensando em algumas coisas. É esse mesmo , sim. – Disse, receosa com o que a amiga poderia dizer.
só ouviu respirar fundo do outro lado da linha, ficou esperando pela bronca que a amiga daria. Apesar de nunca ter contado a história para , sabia o quanto a amiga tinha sofrido e o quanto aquilo acabaria lhe fazendo mal novamente.
- , eu sei que você nunca vai me contar o que houve, mas você realmente vai deixar ele voltar para sua vida? Eu já perdi as contas de quantas vezes já te vi chorando por ele.
- Eu sei, ! E dessa vez eu te prometo que ele não vai entrar na minha vida, eu finalmente quero dar um fim nessa história. - respirou fundo e continuou. - Mudando de assunto, você está ocupada agora? Queria perguntar se você gostaria de vir aqui em casa, a gente faz um almoço e fazemos uma longa maratona de Harry Potter, o que acha? – Disse, querendo parecer animada.
- Eu topo, você atingiu meu ponto fraco falando de Harry Potter. Só espero que isso não seja uma invenção sua para fugir do assunto , mas em meia hora estou aí. Até daqui a pouco, . – Disse, se despedindo.
- Vem logo, , até.
então desligou o telefone e ficou pensando em como contaria a tudo o que havia acontecido com ela e , por onde começaria e no que falaria. Antes da amiga chegar, decidiu tomar um longo banho e colocar seu vestido favorito, tinha que estar o mais confortável possível para poder começar a contar essa história para . Após acabar o banho, ela se trocou e desceu, pensando no que poderiam fazer para almoçar, começou a mexer em seus armários buscando a solução, mas foi interrompida com a campainha tocando anunciando que havia chegado.
- To vendo que você realmente quer ficar aproveitar o dia comigo e assistir Harry Potter. - Disse , abraçando a amiga. - Eu trouxe um vinho para nos acompanhar.
- Essa é sempre a intenção, , e você sabe o quanto eu amo vinho, né? - Disse , pegando a garrafa da mão de e duas taças em seu armário. - O que acha de fazermos macarrão ao molho pesto? Tenho tudo em casa, fui ao mercado de manhã.
- Nossa, eu já estou amando esse dia. - disse, abrindo a garrafa de vinho e servindo uma taça para ela e outra para . - Vamos começar esse macarrão? Estou morrendo de fome.
- Por favor! - Disse , dando um gole em sua taça.
As duas ficaram ali, gargalhando e fazendo o macarrão juntas enquanto se deliciavam com o vinho. contou a como havia encontrado e tentou ao máximo não mostrar à amiga o quanto aquilo tinha mexido com ela. Mesmo depois de tantos anos, tinha um efeito sobre ela que nunca saberia explicar e acreditava que nunca iria sentir por mais ninguém. Assim que o almoço ficou pronto, as duas se sentaram à mesa com seus pratos e serviram mais uma taça de vinho, foi quando, antes da primeira garfada, o celular de avisou o recebimento de uma mensagem, a mesma se levantou da mesa e pegou o celular no balcão, mas travou assim que viu de quem se tratava.
- O que foi, ? Parece que viu um fantasma. - Disse , indo na direção da amiga.
- É o me agradecendo pelo dia de hoje. - Disse , ainda espantada e começando a ler a mensagem em voz alta - “Você, como sempre, aparece na minha vida e torna tudo mais colorido. Eu estava com saudade, espero que aceite de verdade meu convite para sairmos em breve. Fiquei muito feliz em te ver hoje, . Aguarde meu contato, .”
- Parece que ele voltou empenhado a te reconquistar. - disse, relendo a mensagem do celular da amiga.
- Isso não vai acontecer, , nem sei como está a vida dele e ele me disse que deve ficar aqui por seis meses apenas. - disse ela, suspirando.
- Eu sei, , mesmo que eu também não queira ele de novo na sua vida, eu sei que seu coração bate muito forte por ele, então vou te apoiar com o que você decidir.
- Bom, vamos voltar a comer? Eu estou morta de fome. - disse , largando o celular sobre o balcão e se sentando na mesa com .
- Não é porque foi a gente que fez, mas isso aqui está sensacional, . - Disse logo após abocanhar sua primeira garfada.
- Meu Deus, como eu amo comida italiana. - se sentia realizada por sempre ter aprendido a cozinhar seus pratos favoritos, e era em dias como aquele que ela apenas precisava da sua melhor amiga, de sua comida favorita e um bom vinho. - , eu preciso confessar que te chamei aqui para ficarmos juntas, mas também porque decidi que preciso me abrir sobre a história com o . Eu finalmente quero te contar tudo o que aconteceu.
- O QUÊ? – Disse, quase cuspindo o restante do macarrão que comia. - Você só pode estar brincando comigo. - se levantou e foi abraçar a amiga. - Você sabe que se não quiser, não precisa falar.
- Eu decidi que preciso me abrir sobre essa história. Sempre tive medo da sua reação sobre os fatos, e achei que isso só pertencia a mim e a ele. - Disse , suspirando.
- Eu nunca te julgaria por nada, , você sabe disso. - disse, olhando com compaixão para amiga.
- Eu sei, mas eu sempre tive medo. Vamos colocar esses pratos na pia e vamos nos sentar no sofá com nossa garrafa de vinho? Quero ter certeza de que estou preparada para começar a lembrar de toda essa história. - Disse , se levantando e seguindo os passos que acabara de falar para amiga.
- Por que agora, ? Ele mexeu com você de novo, né? - perguntou , curiosa.
- Sim, , ele parece estar diferente, mais sincero, querendo algo sério. Eu não quero cair na tentação de novo. - Disse , suspirando.
- Eu te entendo.
- Vou te avisando que não estou preparada para te contar toda a história de uma vez, mas irei fazer. Você sabe o quanto ele mexeu e mexe comigo, ver ele hoje e lembrar de tudo de uma vez só vai me fazer correr para os braços dele agora mesmo. Eu quero te contar para você poder me controlar e me ajudar a pensar em tudo o que aconteceu. - Disse , segurando a mão da amiga enquanto dava mais um gole em sua taça de vinho - Você me promete, , me promete que vai me controlar e que essa história nunca vai sair daqui?
- Óbvio, , eu sempre vou te proteger. - abraçou a amiga. - Você vai me contando tudo no seu tempo, pode ser hoje, amanhã, daqui uma semana ou durar meses, vou sempre estar disponível para te ouvir.
- Eu sei. , mas quero contar tudo de uma vez, tirar como um curativo, vou começar de onde tem que começar. Você lembra que eu e o sempre fomos amigos e tudo mais, né? Que até ele sair da escola nós vivíamos juntos e que eu tinha uma paixonite por ele? - Perguntou , olhando para amiga.
- Lembro sim, , a escola toda percebia a sintonia de vocês, mesmo que nunca tivesse rolado nada.
- Lembra da festa de aniversário da Olivia? Aquela do meu vestido vermelho? - Disse , suspirando.
- Sim, foi quando eu fiquei com o Colin. - disse, sorrindo. - Eu ia dormir na sua casa e você sumiu, tive que pedir para ele me deixar em casa.
- Foi exatamente nesse dia que minha história com o “começou”. - fez aspas com os dedos. - Eu vou te contar tudo o que aconteceu nesse dia e nos outros…

... JULHO DE 2010


Era mais um sábado na vida de e , as meninas tinham ficado inseparáveis desde o final do ano anterior. Hoje ambas tinham a festa de aniversário de Olivia para ir. Olivia era conhecida por sempre dar as melhores festas da escola, era a famosa riquinha popular que gostava de esfregar na cara de todo mundo o dinheiro que tinha. e tinham comprado seus vestidos na melhor loja da cidade, havia comprado um vestido vermelho curto, tomara que caia, que se adaptava perfeitamente ao seu corpo e com longos saltos pretos; já havia comprado um preto no mesmo comprimento do da amiga, porém, a parte justa ia apenas até a cintura, seguindo mais solto e rodado até os joelhos com lindos sapatos azuis.
As amigas, desde o dia da entrega do convite daquela festa, sabiam que queriam aproveitar, curtir e esquecer os problemas que a escola havia trazido. queria dançar e beber alguma coisa, queria não pensar em como estava fazendo falta. Ele andava extremamente ocupado e sem tempo para a amiga devido estar estudando loucamente para conseguir ingressar na universidade no próximo ano, eles andavam se falando algumas vezes pelo telefone, porém isso não era o suficiente para .
Depois de prontas, a mãe de as levou para a casa de Olivia, onde seria a festa. O local estava todo decorado em preto e dourado, o gigante jardim da casa de Olivia tinha dado lugar a uma tenda com uma longa pista de dança, onde também se encontrava o bar com bebidas feitas na hora e algumas comidas, além de um espaço onde se encontravam algumas mesas de jogos, Olivia definitivamente tinha muito dinheiro e sabia exatamente como mostrar isso em suas festas. A festa já estava cheia, várias pessoas já estavam dançando na pista com seus copos de bebidas na mão, outras estavam sentadas em algumas mesas que estavam dispostas perto da pista. então virou para que já estava impaciente por ter visto Colin conversando com Olivia, Colin era a atual paixão de , ela morria de amores por ele e fazia de tudo para ser notada.
- Não, , você não vai lá. - Disse , repreendendo a amiga por já imaginar o que queria fazer. - Ele só está conversando com a Olivia, a festa é dela.
- Eu sei, , ele só me tira do sério vindo lindo desse jeito e ainda ficando de papinho com ela. - Disse , impaciente.
- Vamos beber e começar a dançar, logo ele vai estar aos seus pés e eu vou ficar chupando dedo como sempre. - Disse , puxando a amiga até o bar.
- Olá, queremos duas batidas simples, por favor. - Pediu ao barman.
- Claro, senhoritas. A sua será especial. - Disse ele, apontando para e sorrindo.
- É, estou vendo você chupando dedo mesmo. - disse no ouvido da amiga, rindo.
- Para, . - falou envergonhada e cobrindo o rosto com as mãos.
- Aqui, meninas. - Disse o barman, entregando os copos para elas e sorrindo descaradamente para .
No copo dela havia um papel embrulhado, no qual estava escrito o número do barman. apenas riu e acenou um tchau para ele, ainda estava muito cedo para ela querer alguém, queria apenas se divertir aquele dia e isso não incluía beijar o primeiro pela frente.
As amigas seguiram em direção da pista de dança, onde ficaram um bom tempo dançando e bebendo suas batidas, dançando apenas uma com a outra e cumprindo o que tinham prometido para aquele dia, se divertir.
Depois de um tempo, já com os pés doloridos de tanto dançar, as duas decidiram se sentar em uma das mesas para descansar e aproveitar para comer alguma coisa, foi quando virou para onde se encontravam as mesas de jogos e viu , ela nem imaginava que ele também tinha sido convidado e que muito menos apareceria ali. Ela involuntariamente abaixou a cabeça e sorriu, quando subiu a cabeça para olhá-lo novamente, acabou encontrando com o olhar dele sobre ela, ele sorriu e acenou, começando a caminhar em direção à mesa em que ela e estavam.
- , você por aqui. Não sabia que era amiga da Olivia. - Disse ele, dando o sorrisinho de deboche de sempre.
- A gente é da mesma turma, , você sabe disso. Mas e você o que está fazendo aqui? - Perguntou ela, curiosa.
- Ela já foi afim de mim, lembra? E acabou me convidando agora. – Disse, desviando seu olhar para . – Olá, , como você está? - disse, cumprimentando a amiga de .
- Bem, , vou deixar vocês conversando, Colin está me chamando. - Disse ela, apontando para Colin e se dirigindo até ele.
então se sentou no lugar de e se virou para , ficando bem próximo ao seu ouvido.
- , preciso da sua ajuda com uma menina. Vamos lá fora que é mais quieto? - Disse ele, pegando na mão dela.
- Cla… Claro, . - Disse ela, se levantando e indo em direção à frente da casa.
Enquanto os dois se dirigiam para fora, sentia um misto de sensações, principalmente raiva e tristeza. Mesmo não admitindo o quando gostava dele para si mesma, ela ficava muito abalada quando pensava nele com outras meninas, sabia também que nunca teria nada com , se sentia invisível para ele, e com isso a própria acabava se inferiorizando em relação às outras pessoas. Ficava pensando que passara tanto tempo com ele, será que nunca notaria nada de especial nela? Nada que poderia fazer com que a olhasse com outros olhos? Igual ele fazia com as outras meninas?
Os dois se dirigiram a um banco que tinha em frente da casa de Olivia e se sentaram, para não demonstrar o quanto estava abalada com o que ele iria lhe pedir, decidiu falar pra acabar logo com aquilo.
- E então, quem você está querendo pegar? - Perguntou ela, meio impaciente
- Calma, , a gente pode conversar antes. - Disse ele, rindo.
- , eu estou querendo aproveitar a festa, vou te fazer esse favor porque sou sua amiga. - Disse ela de cara fechada.
- Tá bom, nervosinha. Eu vou te dando características da pessoa e você tenta adivinhar, pode ser? - Disse , levantando uma sobrancelha e com um sorrisinho nos lábios.
- Poder não pode, né, , mas tudo bem. - estava começando a ficar nervosa com os joguinhos dele.
- Então, ela é muito bonita, especialmente hoje está deslumbrante. Me sinto extremamente arrependido de não ter prestado atenção nela antes. Tem longos cabelos escuros e lisos… - Começou ele. inicialmente acreditou ser Olívia. - Hoje está com um vestido que me deixou louco assim que bati os olhos nela, na hora que vi ela dançando com a amiga na festa, queria ir correndo até lá e agarrá-la, mas não sei se ela queria o mesmo que eu. - continuava prestando atenção em tudo o que ele dizia, e sentia seu coração apertar. Como ela queria que ele sentisse aquilo por ela. - Tem um sorriso lindo, que ilumina todos os cantos do lugar que ela está. - continuou a falar, colocando a mão na bochecha de . - E ela me conhece bem, muito bem por sinal, sabe quase tudo sobre mim, mas o mais inacreditável é que nesse momento, ainda não percebeu que a pessoa que eu estou descrevendo é ela.
simplesmente paralisou, ela não podia acreditar que ele estava dizendo e querendo ela, aquilo deveria ser um sonho, do qual acreditava que iria acordar logo e tudo iria pelos ares. Ela sonhou tanto com esse momento que não conseguia pensar que isso um dia iria acontecer, em como aquele dia, depois daquele instante, tinha se tornado seu dia favorito da vida toda. Ela respirou fundo e tentou conter seu coração de todas as batidas descompassadas que aquelas palavras lhe causaram.
- E... Eu? Isso é verdade, ? Você não está brincando comigo? - Disse ela, com a voz falha e o coração acelerado.
- Não, , eu nunca falei tão sério em toda a minha vida. Eu estou louco para te beijar agora mesmo. - Disse ele, se aproximando. - Eu sei que eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas na hora que eu te vi entrando por aquela porta com esse vestido vermelho, eu só pensei em te beijar e não parar mais. - confessou, pegando na mão de .
só sentia seu coração acelerar mais a cada palavra que ele dizia, sentia seu corpo todo tremer. Ela ainda não acreditava que aquilo que ela esperou por tanto tempo finalmente estava acontecendo. E foi então que ela abriu um sorriso e criou coragem, uma que nunca teve em toda a sua vida, e disse o que sempre quis.
- O que você está esperando, ? Me beija logo. - disse, ficando com a bochecha vermelha e sentindo se aproximar.
Ele sorriu e não disse mais nada, apenas se aproximou, selando os lábios de ambos em um selinho demorado e depois pedindo passagem com a língua. colocou as mãos nos ombros de para poder ficar mais perto dele e poder aproveitar cada segundo daquele momento. sentia cada parte do seu corpo sendo guiado por uma corrente elétrica com aquele beijo, as línguas estavam em perfeita sincronia, seu coração batia tão aceleradamente que doía sua caixa torácica, acreditava que aquele era o melhor beijo que ela podia sentir na vida, ela finalmente sentia que estava completa.
Por falta de fôlego de ambos, o beijo foi encerrado com longos selinhos. olhou nos olhos de e enxergou um brilho que ela nunca tinha visto, nem mesmo quando ele ganhou o carro de seus pais. Aquela foi a primeira vez que ela se perdia naqueles olhos, acreditava que poderia mover o mundo só para poder vê-los olhos daquela maneira por toda a vida.
então a olhou, sorrindo, e roubou mais um selinho, tirando-a daquele transe.
- Nem acredito que isso está acontecendo, sempre te vi como uma irmã e agora estou aqui, louco por você. - Disse , fazendo sorrir envergonhada.
- Então… - Disse ela, rindo.
- Só espero que isso não mude nada entre nós, , a sua amizade é muito importante para mim. - Disse ele, acariciando a bochecha dela e segurando firme em sua mão.
- Claro, , a sua também. - ainda estava em transe com tudo o que estava acontecendo e só queria beijar mais e mais.
- Agora vem aqui que eu não quero parar de te beijar tão cedo. - Disse , puxando para ele e a beijando novamente.
só conseguia pensar em como aquilo estava melhor do que um dia ela sonhou, ele finalmente estava ali se declarando para ela e querendo ficar ali com ela. Nunca, nem em um dos seus melhores sonhos aquilo havia acontecido.
A noite seguiu assim, com os dois sentados naquele banco se beijando e conversando sobre a vida. até esqueceu da existência de , mas imaginou que a amiga não se importaria, já que a tinha visto saindo da festa com Colin e não voltado mais.
então levou embora depois da festa, acabaram se despedindo com um longo beijo na frente da casa da garota. Ela só conseguia sorrir quando entrou dentro de casa, sorria tanto que suas bochechas e maxilar doíam. Quando entrou em seu quarto, se jogou sobre a cama e pensou que não queria de forma alguma tomar banho ou dormir, sentia o cheiro dele impregnado em seu vestido e no seu cabelo, ainda sentia todas as sensações que aqueles beijos haviam lhe causado, não queria dormir pensando que realmente havia sonhado, aquela noite com certeza tinha sido a melhor noite da sua vida.

... ATUALMENTE


- E foi isso, , foi onde tudo isso começou. - Disse com lágrimas nos olhos. - Eu só te contei que tinha ficado com alguém e não disse que era ele porque acreditava muito que ia para frente.
- Eu sei, , não se preocupe. - Disse , confortando a amiga.
respirou fundo, recuperando toda a sanidade dentro de si, parou de chorar naquele momento e com toda a coragem que sentia no peito voltou o seu olhar para .
- Posso continuar?
apenas confirmou com a cabeça
- Preciso dividir essa história com alguém para poder tomar as decisões certas. - confessou.
- Sou toda ouvidos. - Disse , apoiando a amiga.
- Te contei que a gente se beijou na festa da Olivia, depois daquele dia…

... AGOSTO DE 2010


Já haviam se passado duas semanas desde a festa de Olivia e o primeiro beijo de e . Depois daquele dia, as coisas entre eles continuavam bem, eles viviam se encontrando às escondidas, como havia pedido, dando como explicação a que era para preservar a amizade e o futuro relacionamento dos dois. a cada dia que passava com ele se apaixonada mais, sentia cada parte do seu corpo pertencer a ele e só precisava que ele oficializasse tudo. Ela ficava contando os dias, horas e minutos para quando finalmente a pedisse em namoro, mas isso nunca acontecia, eles estavam cada vez mais próximos, mas ele parecia ainda querer ser livre para o mundo. Até que, num dia, acordou com uma mensagem dele em que pedia que eles se encontrassem na casa dele à noite, e que os dois estariam sozinhos. se encheu de esperanças durante aquele dia todo, imaginando o que de especial ele poderia estar preparando para ela. Se vestiu com seu melhor vestido, se preparou toda para aquele dia e seguiu em direção à casa de , dizendo aos pais que iria em uma festa com e que iria junto, por isso ela iria até a casa dele. Durante o curto caminho, sentia sua mão suar, ela estava ansiosa com o momento de vê-lo e o que poderia acontecer ali. Chegou na casa dele e tocou a campainha, ficou prestando atenção nos passos que vinham em direção da porta, até que ela foi aberta por ele, foi quando percebeu que boa coisa não iria acontecer. estava de bermuda, sem camisa e descalço, nada de especial aconteceria ali, nada. acabou tirando ela de seus pensamentos a puxando para seus braços.
- Oi, - Disse ela, se sentindo envergonhada por ter se arrumado tanto.
- Uau! Você tá linda e incrivelmente cheirosa, vem aqui que eu preciso desse beijo logo. - Disse , a abraçando mais forte e a beijando.
Naquele momento, esqueceu tudo de ruim que poderia acontecer, às vezes só queria estar na companhia dela e quis que ela fosse ali, só isso. Finalmente parou de pensar naquilo e se entregou àquele beijo. Como ela amava aquele beijo, ela se sentia tão viva e completa quando sentia os lábios dele nos seus, era como se nada mais no mundo importasse, só aquele momento.
- Então, vamos sentar na sala, a gente precisa conversar. - Disse assim que eles se separaram. Ele então a soltou e começou a puxar pela mão em direção da sala.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou, surpresa.
- Não, só quero deixar umas coisas claras entre a gente. – Respondeu, se sentando no sofá.
- O… Okay. - Disse , querendo parecer firme.
- Bom, você sabe que gosto muito de ficar com você, que o que eu tenho com você nunca tive com ninguém. Você me faz bem, , você não imagina o quanto. - prestava atenção em cada palavra que ele dizia e seu coração se enchia de esperança cada vez que ele abria a boca. - E o que a gente tem é tão forte que às vezes me assusta, e isso só me mostra cada dia mais que eu não estou pronto para assumir nada com você.
- O quê? - Disse ela, incrédula, sentindo seu mundo indo do céu ao inferno em segundos. - Eu não estou entendendo o que você está querendo dizer, .
- Eu gosto de você, , mas não acho que esse seja o momento de assumir alguma coisa, eu quero poder viver a minha vida, poder fazer o que eu quiser, conhecer novas pessoas, mas também poder te beijar quando quiser. - Disse ele, indo em direção a ela.
- Então você não quer assumir nada comigo, mas quer me manter de estepe quando precisar? É isso? - Disse ela, se afastando dele. - Tudo parece simples para você né, , os meus sentimentos que se fodam, o que importa é você fazer o que quiser e quando precisar terá a idiota aqui te esperando.
- Não é isso, , eu não quero te perder, mas não quero assumir nada agora. A gente é muito novo para tudo isso. - Disse ele, indo na direção dela, tentando pegar em sua mão.
- Se afasta, , eu realmente estou incrédula com tudo isso que você está me pedindo. Eu sei que a gente não tem nada, mas não acho justo você vir me falar que não quer nada comigo, mas não quer me perder. – Disse, sentindo suas lágrimas escorrerem pelos olhos.
- Você também pode fazer o que quiser, , eu só quero ter você por perto. - disse, com uma cara de piedade.
- , eu vou embora. Preciso pensar nisso sozinha. - respondeu, se levantando e indo em direção da porta.
- Não vai, , eu quero ficar com você hoje, não seja egoísta. - disse, segurando o braço dela.
- Eu estou sendo egoísta, ? EU? - perguntou, rindo sarcasticamente e puxando seu braço da mão dele, abrindo a porta em seguida. - Me deixa, .
não olhou mais para trás, apenas foi deixando as lágrimas caírem enquanto ia em direção à sua casa pensando no que ele havia dito, como para ele tudo isso parecia tão natural? Como ele não se importava? Ele sabia o que ela sentia, ela não precisava dizer, estava nítido em seus olhos. Chegou em casa de fininho para que os seus pais não percebessem sua presença e foi direto para seu quarto, onde desabou em sua cama, chorando, só queria que ele entendesse o seu sentimento e em como aquelas palavras tinham doído nela. Foi ouvindo seu celular tocar milhões de vezes com ligações de e soluços de seu próprio choro que acabou adormecendo naquele dia.
Depois daquele dia, resolveu não falar mais com e muito menos contar a o que havia acontecido, ela estava disposta a apagar o que havia acontecido entre os dois nos últimos dias, ela não precisava dele, precisava apenas de si mesma e iria ser forte em tentar esquecê-lo, mas infelizmente isso acabou não acontecendo, ela sempre acabava direcionando seus pensamentos para ele, afinal, ela sentia uma parte de si faltando todos os dias, sentia falta de ouvir a voz dele quando ligava e lhe contava como havia sido seu dia, sentia imensamente a falta dele.
Após três dias com ligações constantes de e várias recusas da parte de por estar determinada a esquecê-lo, ela teve uma surpresa quando chegou da escola, estava na frente da sua casa a esperando. Ela paralisou o analisando ali, que continuava a mesma pessoa de sempre, incrivelmente lindo e bem arrumado, enquanto ela se sentia um caco.
- , a gente pode conversar? – Perguntou, caminhando até ela.
- O que você quer, ? - Perguntou de forma seca.
- Pedir desculpas e conversar, você sabe que não gosto de não ter você por perto, mesmo que seja só para sermos amigos. - Disse ele, pegando na mão dela. - Você é importante para mim.
então suspirou, vendo pegar em sua mão e sentir seu coração amolecer, estava descumprindo tudo o que havia prometido a si mesma.
- Entra, . - disse, perdendo as forças para lutar contra todos os sentimentos que ele lhe proporcionava.
Entraram e foram em direção ao quarto, ambos em silêncio. Assim que passaram pela porta do quarto, quebrou o silêncio.
- Eu senti tanto a sua falta, você não atendia minhas ligações. - Disse , indo em direção a ela e segurando em sua cintura.
- … - tentou fazer com que ele se distanciasse, o que foi em vão, ela queria ele, sabia quanta saudade estava sentindo. Acabou não resistindo mais quando seus olhos se encontraram, se perdendo neles, e nesse mesmo momento, a beijou.
Aquele beijo era diferente, era um beijo cheio de saudade de ambas as partes. Era um beijo desesperado e cheio de desejo, o beijo era tão intenso que não percebeu que a estava carregando em direção à cama, onde ele se sentou e a acomodou em seu colo com uma perna de cada lado do corpo. Quando finalmente faltou ar, eles pararam de se beijar, então encostou sua testa na de .
- Não some da minha vida, por favor, eu não consigo ficar sem você, você me deixa louco, ! Louco! - Disse ele, levantando a cabeça e olhando dentro dos olhos dela.
- Você também me deixa louca, eu só não achei certo você me propor aquilo. - Disse ela, calma.
- Eu sei, eu só realmente não estou pronto para isso, é só isso que quero que você entenda. Eu não quero nenhuma outra pessoa, mas acho que ainda não sou o suficiente para você e para um relacionamento, entende? – Respondeu, acariciando a bochecha de . - Só me dê um pouco de tempo, vamos continuar do jeito que estávamos, por favor? Esses dias sem te ver me deixaram louco.
ficou pensando sobre o que ele havia acabado de dizer, ela não estava cem por cento feliz com o proposto por ele, mas também sabia que não conseguiria ficar sem ele. Sabia que estava se enganando com aquilo, de que em algum momento ele resolveria assumir algo com ela, mas precisava acreditar. Então como resposta, ela apenas o beijou, um beijo apaixonado e sensível, coisa que só os dois entendiam.
- Tudo bem, , eu também não consigo ficar longe de você. - Disse , olhando nos olhos dele e sorrindo.
E então se beijaram de novo e ali passaram o resto do dia juntos, matando a saudade acumulada. Conversaram sobre tudo e decidiram que ficariam do jeito que estavam antes, se vendo às escondidas, sem ninguém saber.

… ATUALMENTE


- Nossa, quando você me conta essas histórias eu não sei muito o que dizer. Fico tentando me colocar no seu lugar e tento entender todo esse amor por ele. - Disse , após dar um longo gole em sua taça de vinho.
- Não tente, amiga, acho que as pessoas não entenderiam nada disso. - Disse , suspirando. - Nem eu mesma entendo às vezes, mas ainda tem mais coisas que você precisa saber.
- Então me conte. - Disse , animada.
- Depois disso, eu e o continuamos “amigos”, como sempre…

… AGOSTO DE 2010


Estava tudo indo bem com e , estavam mais próximos do que nunca, se viam o tempo todo, passavam a maior parte do dia juntos.
Em um certo dia no fim de agosto, quando já fazia mais de um mês que eles estavam daquele jeito, resolveu fazer uma surpresa para , iria o esperar na saída do clube que ele frequentava e fazia alguns treinos. Acabou dispensando dizendo que teria que sair com a mãe, ela se sentia péssima em não poder contar a sobre o que ela e estavam vivendo, mas ele havia pedido com tanta vontade e com tanto amor, que ela concordou.
Seguiu então em direção ao prédio em que se encontrava, sentou em um banco onde poderia ver a saída das pessoas dali. Ficou esperando por uns 40 minutos, até que viu saindo do prédio, ele estava acompanhado de uma garota. não sentia ciúmes, sabia que tinha muitas amigas. estava prestes a gritar o nome dele para mostrar que estava ali, quando viu que foi em direção à menina, a beijando, um beijo apaixonado, um beijo como os que eles sempre davam. sentiu seu coração se despedaçar naquele momento, sentiu suas bochechas ficarem molhadas com suas lágrimas. Ficou ali, paralisada, analisando aquela cena para ver se era real, e quando se deu conta de que tudo estava realmente acontecendo, saiu correndo, sem que ele percebesse que ela estava ali. Seguiu para casa sem conseguir pensar em mais nada, só naquela cena de e da garota. Ele havia a enganado direitinho, agora ela sabia o porquê de tudo, o porquê de ele nunca querer nada sério com ela ou o porquê de sempre estarem escondidos pelos cantos, havia preferido assumir outra pessoa.

… ATUALMENTE


- Quem era a menina, ? E por que ele fez isso? - Perguntou , incrédula.
- A menina era a Catarina. - Disse , um pouco triste, relembrando tudo aquilo.
- Catarina? A atual? - Perguntou , curiosa.
- Isso, mas continuando…

… OUTUBRO DE 2010


estava ignorando de todas as formas possíveis depois de vê-lo com Catarina. Achou melhor não tocar no assunto e sumir da vida dele sem dar satisfação alguma, ele não havia se importado com os sentimentos dela, ela não se importaria com os dele agora. Ignorava as mensagens, ligações, batidas na porta do quarto, contato pelos amigos, absolutamente tudo. Apenas ela sabia o motivo disso e iria continuar assim.
Com o sumiço de , acabou tomando uma atitude e acabou assim por assumir o relacionamento dele com Catarina para todos, ele estava oficialmente namorando. descobriu isso durante um almoço de família no último final de semana de setembro, aquilo havia sido o pontapé final para ela finalmente esquecer , começar uma nova vida. E depois de tudo, mesmo que em pouco tempo, definitivamente haviam se tornando estranhos um para o outro.
estava aproveitando devidamente, estava se permitindo ir a algumas festas com e Colin, acabou conhecendo outras pessoas, mas nenhuma delas causavam 1% do que ele lhe causava, mas ela não queria se apaixonar por ninguém naquele momento, apenas curtir até a faculdade começar e viver sua vida em paz.
Em uma noite quente de outubro, e Colin acabaram convencendo a ir à uma festa que um amigo de Colin estava organizando, seria um luau na casa de campo dele. e Colin passaram na casa de por volta das 21h e os três seguiram para onde seria a festa. O lugar estava todo enfeitado com decorações havaianas e grandes tochas de fogo. achou toda a decoração fantástica, iria aproveitar aquela festa, assim decidiu então pedir uma bebida, precisava de algo para começar a se animar. Falou para aonde ia e seguiu em direção ao bar.
- Olá. - Disse ao barman. - Você poderia me servir algo que tenha morango?
- Claro, é para já.
então começou a olhar o local e observar as pessoas que estavam ali presentes, nada fora do normal além das pessoas do colégio e alguns universitários. Voltou então seus olhos para o barman, o qual havia naquele mesmo momento acabado de preparar seu drink, pegou-o, dando seu primeiro gole, agradeceu o barman e seguiu em direção à mesa de Colin e cortando pela pista de dança, foi quando sentiu seu corpo ser atingido por outra pessoa que acabou por derrubar toda a sua bebida em sua roupa. olhou incrédula para sua roupa, estava toda vermelha e molhada. Enfurecida, virou para brigar com a pessoa, que por ironia do destino ou não, era ninguém menos que .
- Só pode estar de brincadeira. - Disse para si mesma.
não disse nada para ele, seguiu na direção da mesa de e Colin, enfurecida e destinada a ir embora depois desse acontecido.
- , me leva para casa, AGORA! – Disse, apontando para sua roupa.
- O que aconteceu, ? Quem fez isso? - Perguntou a amiga, preocupada.
- Se você adivinhar, eu te dou um prêmio. - sentia seu rosto arder de tanta raiva que estava sentindo, não era justo evitar e acabar esbarrando nele numa festa que ela havia vindo justamente para esquecê-lo de vez.
- Não faço a mínima ideia, . - Disse a amiga, sem paciência.
- Vamos, , te conto no caminho.
- Por que ir embora, ? Nem está tão ruim assim, isso é vodka, daqui a pouco seca e o vermelho nem está aparecendo tanto.
- Se você não me levar, eu vou embora sozinha, . - Disse , impaciente.
balançou a cabeça em sinal de negação, incrédula com a atitude da amiga. saiu em direção à entrada da propriedade, onde encontraria mais silêncio e assim poderia ligar para sua mãe, para que ela viesse lhe buscar. Enquanto discava o número dela, sentiu uma mão em seu ombro, imaginando que fosse que havia mudado de ideia, mas a surpresa foi que ela encontrou os olhos que ela mais havia se perdido no mundo, os olhos de . ficou paralisada, não sabia o que falar, ela só conseguia sentir mais raiva por vê-lo ali.
- , desculpa por isso. – Pediu, apontando para suas roupas.
deu uma olhada para ele, aparentando nenhuma emoção, e apenas concordou com a cabeça, não queria nenhum tipo de contato com e isso incluía conversar com ele.
- Até quando você vai fingir que eu não existo e ficar me ignorando? - Disse ele, sem paciência.
- Até eu conseguir esquecer que você fez parte da minha vida, .
a olhou, sem entender. permanecia com os olhos no visor do celular, procurando o número de sua mãe.
- Por quê? Você simplesmente some, não se importa comigo e ainda acha que tem o direito de ficar brava.
- Se você soubesse o que eu vi e como você me fez de idiota, ah, eu tenho certeza que você agiria da mesma forma que eu. - Disse , impaciente.
- Eu não estou entendendo, , eu nunca te fiz nada. Eu só assumi algo com a Catarina porque você não me queria mais.
- Verdade? - Disse , gargalhando ironicamente. - Porque não foi o que eu vi na saída do seu clube quando a gente ainda estava junto.
percebeu que havia ficado estático, ele nunca havia imaginado que ela teria visto ele com Catarina. Nunca imaginou que toda a distância dela era porque havia pegado ele com outra, ele fazia as coisas tão bem, que não imaginou esse pequeno deslize acontecendo.
- Como assim, , você está louca? - Disse , engolindo seco.
- Não, não estou nem um pouco louca. Agora se me dá licença, eu preciso ir para minha casa e viver a minha vida. Me faz um favor, , me esquece!
- Mas, ….
não deixou ele terminar de falar, apenas saiu dali o mais rápido possível, sentia seu rosto arder de raiva e lágrimas se acumularem em seus olhos, mas não iria chorar por ele novamente. Conseguiu finalmente ligar para sua mãe, e a mesma atendeu o pedido de a buscar. Quando chegou em casa, foi direto para o banho e colocou seu pijama mais confortável, queria dormir e esquecer aquele dia, não havia visto por dias, e agora ele havia aparecido querendo pertencer em sua vida de novo. Não era justo para ela. Após o banho, enquanto se preparava para deitar, ouviu seu celular tocar avisando a chegada de uma mensagem, não reconheceu o número de imediato e então abriu, coisa que se arrependeu no mesmo momento em que começou a ler, era dele.

“Saiba que não vou desistir de entender o porquê você fez isso com a gente. Irei atrás de você para buscar respostas. .”

- Como se você tivesse esse direito. - Disse para si mesma.
pensou em responder, mas preferiu ignorar e se dedicar ao seu sono, era só isso que queria, não pensar naquele dia e muito menos em .
No dia seguinte acordou próximo ao horário do almoço, havia dormido tudo o que precisava, acordou com barulhos de conversa no andar de baixo e sua mãe rindo com alguém, imaginou ser seu pai. Seguiu então em direção ao seu banheiro, onde fez todas as suas higienes pessoais e permaneceu de pijama, afinal, era domingo, pretendia ficar o resto do dia em casa, passaria o dia vendo filmes com sua mãe, pensou até em ligar para e se desculpar pela grosseria do dia anterior. então desceu as escadas, seu estômago já roncava de fome e percebeu que aquela voz não era de seu pai, no mesmo momento, congelou onde estava, bem no pé das escadas, percebendo que a voz se tratava de .
Quando se deu conta de que realmente era ele mesmo, virou o corpo para voltar correndo para o seu quarto, porém, sua mãe já tinha a visto ali.
- Bom dia, querida! Olha quem veio nos visitar. - Disse a Senhora , empolgada. – Inclusive, irá almoçar conosco.
andou na direção da bancada onde estava sentado, ficou em pé próxima a ele e esboçou um sorrisinho falso.
- Bom dia, que interessante. - Disse com cara de poucos amigos. - O que veio fazer aqui? – Disse, sussurrando para
- Eu te avisei ontem que queria entender.
decidiu então que contaria a o porquê havia sumido, quem sabe assim ele não desaparecia de vez da sua vida e a deixava em paz.
- Mãe, preciso resolver umas coisas com o rapidinho. Já estaremos de volta. - Disse , indicando a ele para ir ao quarto dela.
- Tudo bem, querida, chamo você quando ficar tudo pronto.
Ambos subiram em direção ao quarto de , a mesma então pegou um roupão e se enrolou, já que ainda estava de pijama. entrou no quarto de e sentou sobre a cama dela.
- O que você não entendeu sobre o que eu disse ontem, ? É para você me esquecer! - Disse ela em pé próxima à porta.
- Calma, , eu disse que quero entender. Você nunca foi assim e do nada resolve sumir, a gente ficou semanas e meses sem trocar uma palavra, eu só quero saber o que eu fiz.
- O que você fez? Sério, ? Eu não estou com paciência pra aguentar a sua cara de coitadinho hoje, então vou ser bem direta, porque assim, quem sabe, você vai embora logo. - Disse , extremamente irritada. - Algumas semanas atrás eu fui até a porta do clube para te esperar sair para gente poder almoçar junto, mas para minha surpresa, você estava agarrado à Catarina, fim.
- Espera? Por que você foi lá? Eu te disse que a gente ia continuar junto, mas que não éramos namorados.
- Ai, você é tão engraçado, . – Disse, fingindo estar rindo - Eu sei muito bem que a gente não tinha nada “sério” para você, mas a gente sempre foi amigo, era pra isso o almoço, dois amigos, juntos. Nada demais.
- Se éramos só amigos, então por que decidiu sumir, ? É isso que quero entender.
- Eu te amava, , mesmo você dizendo que éramos amigos e que não queria nada sério, eu te amava, eu não aguentaria continuar sendo sua amiga e te ver com a Catarina, por isso decidi sumir, decidi que queria o meu bem, e para isso, eu precisava ficar longe de você, deixar você viver a sua vida.
- Mas eu não te queria longe, e eu te amo, ainda. Não quero você longe da minha vida. - Disse ele, se levantando e indo em direção a ela.
- Você acha justo falar isso para mim, , acha mesmo? Você namora! - ficava cada vez mais sem paciência, sempre apelava para os sentimentos dela e dizia coisas que ela queria ouvir, isso sempre a deixava balançada.
- Eu namoro a Catarina, mas amo você.
ficou um pouco mais calma depois de ouvir essas palavras, e olhou bem no fundo dos olhos dele para ver se tudo o que dizia era verdade, ela o conhecia muito bem, e estava escrito nos olhos dele, sim, que ele a amava.
- Então termina com ela e tenta dar uma chance para gente, é tão simples.
- Não é tão simples, , não mesmo. - Disse , se aproximando e tocando o rosto de , mas ela se afastou no mesmo momento, o empurrando.
- O que não é tão simples, ? Largar a toda poderosa Catarina para ficar comigo, que sempre fui seu brinquedinho? Agora eu não quero mais, não mesmo. - Disse ela, criando uma postura defensiva novamente.
- Você diz isso da boca para fora, . Eu sei que você ainda me quer.
riu da certeza de , ele sempre se achava a última bolacha do pacote.
- Ah, não quero mesmo.
- Posso te mostrar que está errada - Disse ele, se aproximando dela novamente.
- Tente.
então a puxou pelo braço e envolveu seus braços na cintura dela. respirou fundo, sabia que ele ia fazer de tudo e usaria das armas mais baixas para conseguir tê-la novamente. Primeiro fez um carinho em sua bochecha com a mão e depois afastou o seu cabelo do pescoço, depositando um beijo logo em seguida. então fechou os olhos, ela realmente ainda o amava, e estava se perdendo nos braços dele mais uma vez. subiu dando beijos até chegar ao canto da boca de , onde olhou profundamente dentro dos olhos dela e a beijou. de começo se entregou ao beijo, mas depois percebeu que estava fazendo exatamente o que queria, e ainda por cima ele namorava, estava tudo errado naquela situação. Ela então criou coragem e acabou mordendo o lábio inferior dele, chegando a sentir o gosto de sangue em sua boca. então a soltou, levando a mão até a boca.
- Você está louca? Por que me mordeu? Olha, está sangrando. – Disse, mostrando a mão com sangue.
- Eu disse que não te queria mais, , vou repetir mais uma vez, me esquece!
- Não era isso o que você estava me mostrando no começo.
- , por favor, vai embora.
- ...
- AGORA!
se assustou com o grito que havia dado e seguiu então em direção a saída da casa. se jogou sobre a cama, respirando fundo para não chorar, não podia deixar ele lhe afetar mais uma vez. Sua mãe apareceu na porta do quarto.
- O que aconteceu? Por que foi embora?
- Ele tinha compromisso, mãe.
- Okay, mais uns minutos e o almoço está pronto.
- Logo eu desço.
definitivamente precisava se afastar de , aquilo não fazia mais bem para ela. Ela precisava esquecê-lo e era isso que faria.

… ATUALMENTE


se encontrava estática, sem reação, sem saber o que pensar, ela não conseguia pensar no que dizer e sentia seu coração doer ao ver com lágrimas nos olhos, ela estava ciente que para amiga contar aquilo estava sendo doloroso.
- Ele disse que te amava mesmo estando com a Catarina? - criou coragem para perguntar.
- Sim. - só conseguiu responder isso.
- Acabou por aí? - disse, querendo saber mais, apesar de tudo, ela queria entender todas aquelas pontas.
riu com a curiosidade da amiga, em seguida pegou a taça em mãos e deu um gole no vinho, elas já estavam quase secando a garrafa.
- Claro que não, , agora é a pior parte, a parte em que me tornei a vilã dessa história toda…

…. JANEIRO DE 2011


Alguns meses haviam se passado desde que e tinham se visto desde a última vez. Eles haviam brigado feio aquela vez e jurou esquecê-lo. Mas quatro meses depois, ela ainda pensava nele, não da mesma forma de antes, mas sentia falta das conversas, das risadas, de tudo de bom que já haviam passado. Afinal, antes de todo esse sentimento de ambos, eles sempre foram amigos.
Com não estava diferente, mesmo estando com Catarina há quase um ano, não deixava de sentir saudade de . Ela sempre fora quem sabia tudo da vida dele e lhe dava os melhores conselhos, tinham um elo que só eles entendiam.
Um dia, durante o inverno frio de Long Island, estava voltando da escola, finalmente estava em seu último ano. Já havia decidido o que fazer antes de iniciar a faculdade, iria fazer um curso de dois anos para desenho gráfico e depois entraria na faculdade de arquitetura. Queria ser a melhor, ela nunca entrava em algo que não se dedicasse 100%.
Durante o trajeto para sua casa acabou avistando aquele que fazia seu coração ainda bater forte, . Ele estava parado em frente a padaria próxima da casa de ambos. andou mais rápido para que ele não a visse, ela tinha conseguido evitar ele por meses, não queria voltar atrás agora. Mas não obteve muito sucesso, assim que a viu, acabou chamando por seu nome, ela fingiu que não ouviu e continuou andando.
não se dava por vencido nunca, ele estava decidido a recuperar pelo menos a amizade de , então ele correu até ela e a segurou pelo braço, a virando para ele.
- Não foge de mim, por favor. - Disse , com cara de que tinha sofrido tanto quanto ela.
- O que você quer, ? A gente não se fala há meses. - não sentia mais raiva, a saudade que sentia dele fazia com que todos os sentimentos ruins sumissem.
- Eu sinto a sua falta. - acabou confessando.
Por mais que estivesse relutante com tudo, aquela frase mexeu com ela de todas as formas. Ela ainda amava e isso era nítido para qualquer um que visse. Ouvir ele falando dessa forma com ela acabava só fazendo seu coração sofrer mais. Ela respirou fundo pensando no que faria e qual seria a melhor solução. Acabou optando por ouvir o que ele tinha a dizer, mas não no meio da rua.
- Eu vou te ouvir, , mas por respeito à nossa amizade. - Disse ela, séria. - Vamos para minha casa, eu estava indo pra lá.
abriu um sorriso e concordou com a cabeça.
Ambos seguiram em silêncio em direção à casa de . Tudo passava pela cabeça dela naquele momento, as coisas boas e ruins e o quanto o primeiro mês sem havia lhe feito mal. Ela havia emagrecido, estava com a aparência sempre cansada, mal comia e dormia, vivia chorando. Sempre mostrava estar forte perante aos outros, mas desmoronava sozinha. Era complicado ele querer voltar para sua vida agora, seja da forma que fosse.
Chegando na casa de , que se encontrava vazia, seguiram em direção a sala e se sentaram em sofás opostos.
- Pode falar, , não tenho todo o tempo do mundo. - Disse , querendo ser firme.
a olhou, assustado, tinha mudado tanto naqueles meses, estava mais fria, o que ele nunca havia presenciado.
- Eu só queria pedir desculpas por todo esse tempo. Eu senti muito a sua falta, você sabe que é essencial na minha vida.
- Tão essencial que se passaram quatro meses. - Interrompeu ela, revirando os olhos em seguida.
- Eu sei que eu fui um covarde. Na primeira vez que você sumiu eu acabei assumindo a Catarina e depois que vim lhe ver você me expulsou aos berros daqui. Imaginei que precisava desse espaço, mas esse tempo todo longe de você estava me corroendo por dentro. - abaixou a cabeça, a apoiando entre as mãos. - Não tem um dia sequer em que eu não pense em te ligar ou vir aqui apenas para conversar com você. Eu sinto falta da sua amizade, . – Disse, se levantando e indo em direção a ela. - Vamos voltar pelo menos com a amizade, por favor?
- Eu não sei se consigo, . É sempre assim, você vem e somos amigos, brigamos, você some por meses e depois volta com a mesma história. É sempre o mesmo ciclo vicioso. Você acha isso saudável?
- Ficar longe de ti não é saudável para mim. - Disse ele, olhando profundamente dentro dos olhos dela. - Eu só te peço isso, , a sua amizade.
não sabia o que pensar, sentia muita falta daquela amizade também, só estava com medo de sofrer mais uma vez por ele. Era difícil ser apenas amiga, amando ele com todas as forças que tinha em seu corpo.
- Eu sinto falta da sua amizade, , mas não sei se Catarina vai gostar disso. - Tinha que pôr a culpa em alguém por não querer aquilo e a primeira que pensou foi justamente Catarina.
- Catarina não tem que gostar de nada, . Ela vai entender que somos somente amigos.
não tinha mais nenhuma desculpa para dar sobre não voltarem a serem amigos. Apesar de todo o sofrimento, o seu coração dizia que deveria dar mais uma chance para . Eles precisavam recomeçar.
- Tudo bem, mas somente amigos, okay?
- Okay!
imediatamente a abraçou, selando aquela amizade que fazia tanta falta a ambos.

… ATUALMENTE


- Ainda não entendi em que parte você é vilã nisso, - constatou.
- Não chegou na parte ainda, , eu precisava contar essa para te explicar como ocorreram as próximas.
- Continue.
- Depois daquele dia, eu e voltamos ao que sempre éramos…

…. MARÇO DE 2011


Depois dos pedidos de desculpas de para , ambos voltaram a ser amigos como eram antes, não se desgrudavam mais. Quando tinham que ficar um período longe, sempre davam um jeito de se falar.
havia começado o seu curso de desenho nos últimos meses da escola, que por ironia do destino, era próximo a faculdade de , então ambos iam juntos no ônibus, todos os dias.
Numa sexta-feira, acabou indo de carro para faculdade e ofereceu carona para , que de imediato aceitou, iria sair mais tarde de casa e chegar mais cedo. Era tudo o que ela mais queria para encerrar aquela semana. Após o fim das aulas, saiu de sua faculdade e encontrou o aguardando em frente ao prédio de seu curso. O papo durante todo o caminho foi sobre o que faziam quando eram crianças e o quanto aprontavam naquela época, os dois estavam se sentindo muito bem com a presença um do outro. Quando estacionou em frente à casa de , a barriga de ambos doía de tanto que haviam rido naquele trajeto, então se aproximou de e disse, a olhando.
- Acho que eu mereço uma recompensa por ter te dado essa carona.
- Merece, vem me dar um abraço. - Disse , abrindo os braços e rindo.
- Mas eu não quero só isso. - disse, fazendo bico de piedade.
- Merece um beijo, então. - Disse enquanto abria o maior sorriso do mundo.
- Na bochecha, .
Na mesma hora, revirou os olhos, estava parecendo uma criança mimada que tinha seu doce tirado.
- Tudo bem. - disse, aceitando.
então se inclinou para dar um beijo na bochecha de , porém ele acabou sendo mais rápido e acabou roubando um selinho. só conseguiu fechar os olhos e curtir aquele momento, ela sentia tanta falta disso, mas assim que acabou de apreciar, lembrou que namorava, acabou o empurrando e fazendo gestos de negação com a cabeça.
- Isso não é certo, , você namora. - disse, brava e com mil coisas passando pela cabeça.
então encostou a cabeça sobre o banco do carro, respirando fundo, mas logo foi em direção a e começou a acariciar seu rosto.
- Você está vendo alguma aliança no meu dedo?
apenas balançou a cabeça em sinal de negação, respondendo a pergunta.
- Só vamos curtir o momento, por favor, esquece a Catarina, por mim, por você. Eu não aguento mais ficar sem te beijar.
então levantou a cabeça, olhando diretamente nos olhos de , ela amava se perder naqueles olhos cor de oceano, e iria mais uma vez se entregar a isso, independente de quem fosse a outra pessoa dele. Ela poderia se arrepender depois, mas naquele momento só precisava seguir os seus instintos.
- Foda-se. - Disse ela enquanto ia para cima de e começava a beijá-lo.
Ela se entregou de corpo e alma para aquele beijo, da mesma forma que ele. Nunca haviam se beijado com tanto desejo e saudade da forma que estavam nesse momento. Era um uma dança de línguas maravilhosa, que só fazia com que todos os sentimentos que ambos sentiam aumentasse. acabou se levantando do seu banco e sentando sobre o colo de de frente para ele, com uma perna de cada lado. Nada naquele momento importava, nem Catarina, nem os pais de , nem os vizinhos, ninguém. Eram apenas e naquele momento, os verdadeiros e , os que pertenciam um ao outro.

… ATUALMENTE


- Você se acha a vilã por ter ficado com o uma vez enquanto ele namorava? - Perguntou , rindo.
- Não foi uma vez. - Disse , abaixando a cabeça. - Naquele dia, quando cheguei em casa, me senti péssima. Eu chorava igual a uma criança quando se machuca. Por um lado, eu me sentia feliz porque era o , a pessoa que eu mais amava, e por outro, eu pensava em Catarina, eu não queria que isso acontecesse comigo. - estava se sentindo culpada no momento, mesmo que tivesse sido algo que havia acontecido há anos.
- Seu maior medo em me contar essa história era porque você ficava com um cara que namorava? - perguntou. - , eu nunca te julgaria por isso.
- Depois daquele dia, mesmo eu me sentindo culpada, eu não parei, a gente vivia ficando pelos cantos e quando eu via ele e Catarina era como se nada tivesse acontecido. Eu não me sentia mais mal, isso me torna vilã sim.
sempre teve o complexo de se rebaixar e querer ser a mais correta possível em todas as suas ações. Passar meses com , mesmo ele namorando, era algo que fugia completamente de seus princípios e acabava se tornando algo pesado de se lembrar para ela.
- Amiga, a culpa nunca foi sua. Ele namorava, não você, para de se culpar por algo que você nunca teve culpa. - Disse , pegando a mão de e a acariciando.
- , eu sou vilã sim, eu não me coloquei no lugar dela, eu não tive empatia nenhuma. - disse baixinho, enquanto criava forças para contar o restante da história. Então levantou a cabeça, olhando diretamente para os olhos de . - Eu perdi minha virgindade e fui para cama com ele enquanto ele namorava.
- Espera, você perdeu sua virgindade com o ? - Perguntou , abismada.
Tocar nessa ferida doía mais que qualquer outra para , mas ela precisava ser forte e contar tudo para .
- Sim, vou te contar como aconteceu. - disse, respirando mais fundo dessa vez e se segurando para não cair em lágrimas.
ainda olhava incrédula para , por mais que soubesse o quanto ela amava , nunca em toda a sua vida imaginaria que a primeira vez dela teria sido com ele. tomou ciência do quanto se sentia culpada em toda essa história, nunca havia comentado sobre nada disso com ela antes. Sabia que não era mais virgem devido a um namorado de curto prazo que teve quando fora embora. sempre soube de todos os detalhes da vida de , exceto quando se tratava de . Agora ela tinha noção do quanto remexer naquilo fazia mal para .
- Foi no meu aniversário de 18 anos. - Começou . - Estava tendo algum evento na cidade, você estava viajando com a sua família. Mas antes disso tiveram altos e baixos com a gente, como sempre acontecia. sempre teve a mania de ficar comigo e depois fingir que eu não existia, a gente ficava brigado umas semanas e quando ele sentia falta acabava voltando atrás de mim como se nada tivesse acontecido. - então abaixou a cabeça. - Eu amava ele com todas as minhas forças, , por mais que eu lutasse, acabava sempre voltando para os seus braços.
- , se você não se sentir bem, não precisa contar. - disse, pegando a mão da amiga e a acariciando.
- Eu preciso, acho que só assim vou conseguir me livrar de todo esse peso que eu carrego há anos.
- Você quem sabe, juro que escuto quando você estiver pronta.
levantou a cabeça e respirou fundo retomando todas as forças para poder entrar naquele assunto.
- Voltando, naquele dia…

…. AGOSTO DE 2011


Era o aniversário de 18 anos de , um sábado. Tudo estava encaminhando da maneira que ela gostaria. Ela e tinham voltado a se falar fazia duas semanas e não se desgrudaram mais. Viviam uma grande relação de gato e rato, uma hora estavam bem e na outra fingiam que não se conheciam e corriam um do outro, porém os altos e baixos dos dois acabava potencializando a relação e os tornando mais intensos. Eles já estavam nessa relação às escondidas há quase um ano, ainda namorava Catarina, ela sabia que era errado continuar com tudo isso, mas o amava com todas as forças existentes no mundo, se essa era a única forma deles ficarem juntos, ela aceitaria.
Hoje aconteceria um evento na cidade que ajudaria a curtir o seu dia. Infelizmente, não estaria presente, havia ido viajar com a família para um lugar distante. Conversou com os pais e explicou sobre o aniversário de , o que foi em vão. Catarina também não estaria na cidade, havia comentado por telefone com que a mesma iria ficar na cidade de sua faculdade devido a semana de provas que se aproximava. Mesmo sentindo a falta de , havia um lado bom nisso tudo, ela e teriam um tempo apenas para eles.
combinou um barzinho com as amigas do curso de desenho, coisa simples para poderem apenas comemorar. também iria comparecer, eles sempre foram amigos de infância, ninguém acharia isso suspeito. Quando se aproximava das 9 horas da noite, finalizava sua produção para sair, estava vestida com um vestido de mangas longas preto justo que ia até suas coxas com um pequeno decote nas costas, nada muito fora do normal para ela, mesmo sendo seu dia, exagerar não era algo presente em seu cotidiano. Maquiagem básica, cabelos soltos e uma bota de cano curto nos pés, era assim que ela iria curtir o seu dia. Quando acabava de passar a última borrifada de perfume, escutou a buzina do carro de umas das meninas, pegou sua bolsa com seus pertences sobre a cama e seguiu em direção a entrada de sua casa. As amigas que iriam comemorar com ela não se comparavam a , elas eram apenas conhecidas da faculdade. Faziam trabalhos juntas e se sentavam próximas, chamavam-se Kylie e Diana. Ambas morenas e com sorrisos encantadores. Se fosse uma pessoa festeira sabia exatamente com quem precisava sair.
Kylie e Diana descobriram sobre aniversário de durante a aula de quinta-feira quando um professor acabou desejando feliz aniversário a ela antecipado, desde então as duas não a deram paz até aceitar sair para ir ao barzinho, era só por esse motivo que ela estava indo. Ela queria ficar com , assistir um filme, dar uns amassos no sofá e depois irem dormir cheios de vontade.
Vontade era uma coisa que estava transbordando em , ela e ainda não haviam dado um próximo passo na relação, afinal, eles não eram nada, e se isso acontecesse, ela se tornaria oficialmente a outra, mas sabia que em alguma hora iria cair nos encantos deles, já que sempre acabava cedendo tão fácil a ele.
Quando , Kylie e Diana chegaram ao barzinho, se dirigiram à mesa reservada, pediram algumas bebidas e algumas porções e ali passaram uma boa parte do tempo. O tempo todo olhava para o relógio, aguardando quando avisaria que tinha chegado. Ela ficava mais ansiosa a cada minuto que passava, já imaginava que Catarina poderia ter aparecido de surpresa e que ele não viria mais.
O relógio já marcava 23:45 quando um garçom chegou, lhe entregando uma rosa branca com um bilhete. no mesmo momento abriu e leu a caligrafia que conhecia bem.

“Uma rosa é pouco para a aniversariante mais linda que eu conheço. Estou te esperando no balcão do bar para dar o seu verdadeiro presente.

assim que leu o bilhete não conseguiu segurar a sua felicidade e sorria de orelha a orelha, ela então se despediu de Kylie e Diana e seguiu em direção a . Ele estava sentado em um dos bancos no balcão do bar tomando uma cerveja. Ela nunca o havia visto tão lindo, estava com o cabelo solto e sua típica jaqueta de couro, aquilo deixava louca e ele sabia bem. Ela então se aproximou sentindo o perfume amadeirado dele de longe e se sentando no banco próximo ao dele. imediatamente fixou seu olhar sobre ela. Ele não mentira quando disse que era a mais linda que ele conhecia, realmente ela era, só não enxergava isso.
- Achei que ia se juntar a gente mais cedo. - Disse a ele.
- Preferi esperar e curtir o seu dia com você sozinho. - sorriu para ela com uma cara que conhecia bem, ele estava aprontando algo.
- No que está pensando? - estava curiosa.
- Em como você está linda hoje e que eu não consigo parar de te olhar por um segundo sequer. - deu um tapa no ombro de , rindo, hoje ele estava impossível. - Estou falando sério, .
- Tá bom, você venceu. - então direcionou sua mão para o bolso tirando uma chave de dentro da calça. - Eu sou o seu presente!
piscou para , rindo em seguida, ele realmente se achava demais, mas ele podia.
- Meus pais viajaram, preparei uma surpresa para você em casa, por isso só cheguei agora. - Disse ele, para surpresa de .
não conseguia parar de sorrir, parecia que suas bochechas iam rasgar de tanta felicidade, nunca foi do tipo romântico, não com ela, aquilo seria um grande passo para ele.
pagou a sua parte do que havia consumido do bar e então ela e seguiram em direção da casa dele. Durante o trajeto dentro do carro, eles escutaram todas as suas músicas favoritas, músicas que e haviam compartilhado sempre que estavam juntos. Os dois respiravam música e sempre que escutavam algo que remetesse a eles, acabavam enviando um para o outro.
Enquanto via a rua passar por si, ficava imaginando o que ele poderia ter feito, mas nunca chegava a uma ideia concreta. Quando o assunto era , ela não conseguia imaginar o que poderia ser. Ele percebendo como ela estava concentrada na paisagem tirou uma das mãos do volante e passou sobre a coxa de , gostava de atenção, mesmo que o dia fosse dela, queria ser o centro de tudo. o olhou com todo o desejo que sentia dentro de si, mas que precisava conter. Ela então levou sua mão até a dele, entrelaçando seus dedos, e assim seguiram até estacionar o carro em frente de sua casa.
Após estacionar, não deixou que descesse. Se direcionou até a porta do passageiro e a abriu, apressou-se tirando uma venda do bolso e colocando nos olhos de .
- Não acho isso justo. - Disse ela, ansiosa.
- Calma, eu só quero que tudo seja perfeito. - Ele respondeu próximo ao ouvido dela, dando um beijo em sua bochecha em seguida.
segurou a mão de , entrelaçando seus dedos e a guiando pelo caminho. Ela ouviu trancar o carro com o alarme, abrir a porta da casa e a guiar pelas escadas até o segundo andar. Andaram mais um pouco até que subiram mais um pequeno lance de escada, chegando provavelmente no sótão. conhecia aquela casa muito bem, passou anos da infância ali. a ajudou por todo caminho até a posicionar delicadamente no local onde deveria estar. já sentia um cheiro agradável de jasmim e rosas, misturadas com velas.
se posicionou atrás dela, desamarrando a venda, então pôde ver o que ele havia preparado. O sótão havia sido todo decorado com flores e velas, havia pétalas de rosas para todo o lado. No centro do lugar havia uma espécie de colchão todo arrumado com travesseiros e edredons brancos, com várias flores em volta e uma bandeja no centro com morangos e champanhe. As paredes do lugar antes escuras agora se encontravam num branco gelo perfeito e com algumas luzes de pisca-pisca.
Numa dessas paredes, havia um foco maior, em que assim que percebeu o que era, acabaram brotando lágrimas em seus olhos. Nessa parede havia fotos dos dois desde pequenos até os dias atuais. Essas fotos formavam as palavras que mais amava ouvir da boca de , o simples e mais perfeito “Te Amo”. se aproximou da parede tocando as fotos com delicadeza e se lembrando de todos os momentos que elas haviam sido tiradas. Sem perceber, se aproximou dela, a abraçando por trás e encaixando o queixo em seu ombro.
- Gostou? - Disse ele no ouvido dela.
- Nunca tive aniversário melhor. - então se soltou dos braços de , se virando de frente para ele e colocando os braços em volta de seu pescoço. - Obrigada por tudo, eu te amo muito.
Ela então atacou os lábios de de forma delicada e transbordando todos os sentimentos que sentia. O beijo aos poucos foi se aprofundando, já beijava o pescoço de , que se encontrava com as pernas contornando a cintura dele. de forma delicada foi andando até colocá-la sentada sobre o colchão todo decorado. Ele se separou dela para tirar a mesinha do centro e colocando ao lado deles. não gostou nem um pouco dessa distância entre eles, acabou indo até o abraçando e depositando beijos em seu pescoço, por mais que ela tenha pensado que não faria nada demais do que uns amassos com ele, sabia que seria impossível. Depois de tudo o que ele tinha feito hoje, ela só queria se doar inteira para ele e demonstrar que queria que ele fosse apenas dela. se sentia pronta.
virou em direção a ela, a beijando com desejo, ele sabia pelo toque dela o que ela queria. Com beijos quentes e de tirar o fôlego, ele acabou a deitando sobre o colchão e se colocando por cima dela sem desgrudarem seus lábios. sentia todo seu corpo formigar de desejo, ela queria ele mais que tudo. Quando já estavam totalmente sem fôlego, olhou profundamente dentro dos olhos de mostrando o quanto também a amava.
- Você tem certeza que quer isso? – Perguntou, calmo e praticamente sussurrando, acariciando a bochecha dela delicadamente.
- Eu nunca fiz isso, mas também nunca tive tanta certeza na vida. - respondeu.
então mais uma vez atacou os lábios de , desabotoando todos os botões da blusa dele, dando leve arranhadas pelo seu abdômen. Ambos não deixavam de rir e seguiram o percurso até estarem nus. até desejou ter seu nome naquelas costas quando as viu brilhar com as luzes das velas. E olhava para cada parte do corpo de admirado, ela conseguia ser ainda mais linda nua. Ela sentia o mesmo, parecia que cada pedaço dele havia sido esculpido com todos os detalhes.
- Eu te amo. - Disse ele, a beijando delicadamente.
- Eu te amo mais ainda. - Respondeu .
Assim eles seguiram com toda a demonstração de amor que sentiam um pelo outro, sem se importar com o que acontecia com o resto do mundo. Naquele momento não havia Catarina, família, amigos, ninguém, existiam apenas os dois se amando da forma mais bonita e recíproca do universo. Foi assim que finalmente se entregou de corpo e alma a ele.

… ATUALMENTE


- UAU. - Disse , impressionada.
- Ele preparou tudo nos mínimos detalhes, mas no dia seguinte eu chorava por ser a outra, nunca seria a oficial. - tinha lágrimas nos olhos, contando para amiga.
, falar que foi certo não foi, mas você era solteira e amava ele como nunca vi alguém amar. Eu, no seu lugar, não faria diferente.
- Eu sei, , mas eu sinto o peso disso nos meus ombros até hoje. Apesar de tudo, de toda a perfeição e de toda a demonstração de afeto dele, fico me imaginando no lugar da Catarina, sabe? É um peso que nunca deixou de me atormentar.
- Eu imagino. Mas depois disso teve mais ou ele fingiu que você não existia? - Perguntou , curiosa, se tivesse fingido que não tinha existido, ela se levantaria agora e iria pessoalmente chutar as bolas dele até ele ficar estéril.
- A gente parecia namorado nas semanas depois disso, fazíamos mais e mais vezes. Mas como tudo o que é bom uma hora acaba, voltamos ao que éramos, de ficar bem um mês, e três sem se falar, o agravante é que agora transávamos enquanto estávamos juntos.
- E quando tudo isso acabou?
- Em agosto de 2013.
arregalou os olhos, incrédula, com o que havia acabado de escutar. apenas abaixou a cabeça sentindo o peso da vergonha mais uma vez.
- Vocês ficaram juntos por 3 anos e eu nunca suspeitei?
apenas concordou com a cabeça.
- Mas quando você decidiu que não queria mais?
respirou fundo e tentou dizer alguma coisa, mas ainda se sentia culpada por ter enganado várias pessoas por 3 anos, não queria mais continuar a história, não hoje.
- Durante uma briga, eu não aguentava mais viver aquela situação…


…AGOSTO DE 2013


havia acordado para baixo naquele dia, mas também se sentindo decidida, decidida a terminar algo que ela não aguentava mais esconder, não aguentava mais viver pela esperança de que poderia tornar aquele relacionamento em algo, um relacionamento que já durava 3 anos, um relacionamento às escondidas que ela jurava que era suficiente, mas que não era mais. Sua relação com ainda era estranha, ainda era às escondidas, com encontros nas casa de cada um, na parte privada das praias de Long Island, na igreja que sonhava em se casar com ele, atrás do shopping, dentro do carro, eram só situações que ela odiava e que não aguentava mais viver, por isso estava tão decidida, decidida a colocar contra a parede e dar um passo adiante com tudo ou acabar de vez, e foi com esse pensamento que ela marcou um encontro com ele na praça, na qual tinha exatamente aquela igreja, a igreja que eles planejavam tanto o que ela queria.
sentiu seu estômago embrulhar quando viu descer de seu carro, ele estava com um jeans surrado e uma camiseta branca, mas uma cara de poucos amigos, na verdade, ele também parecia que tinha algo para contar para , só não sabia como ainda.
- Por que me pediu para vir aqui? - perguntou assim que se aproximou da .
- Precisamos conversar. - disse de uma vez.
- Aqui? Em público? - perguntou, frente a frente com .
O que causou uma certa irritação em , aquele desdém dele a deixava irritada, não era como se eles se conhecessem há pouco tempo.
- Aqui, , justamente aqui. - respondeu, demonstrando sua irritação.
- Por que? - questionou.
- Porque eu estou cansada de me esconder, cansada dessa situação, cansada de tudo, , esse é o motivo. - explodiu, sentindo seus olhos arderem.
a olhou sem entender, por mais que eles vivessem brigando, parecia que estava no seu ápice, e ele tinha tanta coisa na cabeça que ainda nem tinha comentado com ela, que tudo também só o fez ficar irritado.
- Como se eu fosse o único culpado e envolvido nisso tudo. - disse por fim.
Aquelas palavras foram as que faltavam para fazer o sangue de ferver, ela sentiu seu corpo todo arder de raiva, sentia o sangue correr por suas veias e bombear seu coração com força.
- Sabe, , eu cansei de tudo isso, cansei de me iludir, cansei de ser a outra. - começou a falar praticamente com os dentes cerrados e olhando profundamente para os olhos deles, os olhos que ela amava se perder, mas que hoje estava odiando olhar. - Sabe quantas vezes eu desejei ao longo desses anos poder andar de mãos dada com você em público? Quantas vezes eu só fiquei em lembranças, pensando nos nossos momentos, momentos que a gente poderia estar juntos, momentos que eu desejei fielmente que você tomasse uma atitude diferente e se tornasse homem para decidir algo.
- Eu sempre fui… - tentou a cortar.
- Cala essa boca que agora quem está falando sou eu. - despejou para cima dele. O que causou um certo susto em , ela nunca tinha agido daquela forma, nem nas piores brigas deles. - Mas eu deixei meu amor por você me cegar e agora eu estou numa situação que não aguento mais, tudo isso está me destruindo por dentro, me matando, então agora eu só tenho uma coisa para te pedir, , uma única coisa, sou eu ou a Catarina?
olhou incrédulo para e depois começou a rir, não acreditava que estava escutando aquilo.
- Você sabe que não tem a mínima condição de eu escolher, não sabe?! - perguntou retoricamente. - Eu te amo, , e isso é o suficiente para mim.
apenas fuzilou com o olhar, não era possível ele estar dizendo aquilo para ela.
- , você imagina quantas vezes eu desmarquei planos meus só esperando que você ligasse? - começou a dizer sentindo um aperto no peito só em pensar em tudo que ela já tinha feito por aquele relacionamento. - Sabe quantas vezes eu desejei passar as festividades de final de ano com você, na sua ou na minha casa com as nossas famílias, mas eu não podia, sabe por que eu não podia? Porque você estava com a Catarina, como ainda está. Sabe quantas vezes…
- Nós estamos noivos. - disse de uma vez, sem deixar que terminasse a frase.
no mesmo momento paralisou, achou que estava escutando coisas, não era possível ser real, mas quando olhou novamente diretamente para os olhos de , bem profundamente, viu que era verdade.
- Então você já fez a sua escolha. - disse com a voz embargada, sentindo uma bola se formar na garganta.
Agora ela sentia cada pedaço do seu corpo doer, como se tivesse levado a maior surra, e na verdade tinha, haviam sidos anos dedicados a , anos que ela só queria ter de volta, porque era isso, não valia a pena.
- Eu não fiz a minha escolha, eu ainda te quero na minha vida, até porque ela não é completa sem você, . - disse, se aproximando.
Ele ficou cara a cara com , depois levou a mão até a bochecha e pegou uma lágrima que escorria ali, uma que nem havia percebido que tinha escapado dos seus olhos.
levou uma das mãos até a dele e a retirou de seu rosto, ela voltou a olhar bem nos olhos de , umas das partes que ela mais amava.
- Para mim acaba aqui, , como já disse, você fez a sua escolha. Ou você vai terminar seu noivado com a Catarina por mim? - perguntou, ainda segurava a dor dentro de si, mas precisava ser forte, não queria se mostrar tão vulnerável para ele naquele momento.
- Eu não posso, . - respondeu se aproximando mais dela. - Não posso, ela conseguiu um emprego ótimo para mim em Denver, estou me mudando para lá em menos de um mês, mas também não sei ficar sem você, não consigo, você é parte de mim.
só escutou cada palavra que ele dizia, a raiva já havia passado, a dor ainda estava presente, mas agora ela se sentia enojada de ainda sentir algo por , uma pessoa que só pensava em si e mais ninguém, seria o melhor para ela finalizar tudo isso, o mais rápido possível, aquele relacionamento nem era saudável, era apenas doloroso e só para ela.
- Chega, , eu cheguei no meu limite, eu não aguento mais isso, me deixa, me esquece! - disse, se afastando dele e andando para sair dali, ela já tinha deixado claro que aquele era o fim.
- Você sabe que vai me perder fazendo isso, não sabe? - gritou de onde estava, na mesma posição que havia o deixado.
apenas riu com a petulância que ele ainda tinha em dizer aquilo, ela parou de andar e então se virou para ele.
- O que eu vou perder, ? - perguntou.
- A mim. - respondeu.
- Você nunca foi meu para eu perder.
Essas foram as últimas palavras de para , depois ela voltou a se virar e tomou o caminho de casa, chorou tudo o que podia chorar durante esse trajeto, mas sentiu dentro de si que tinha feito a coisa certa, e realmente tinha, era o melhor para ela, e isso era o que importava.

… ATUALMENTE.


olhava para , tentando assimilar tudo, era muita informação, muita história, muita coisa que eles haviam vivido juntos, mas para contar aquilo tudo havia sido um alívio, depois de relembrar tudo isso, ela finalmente tinha ciência de tudo o que tinha feito e passado, apesar de ainda desestruturar cada parte do seu corpo, agora ela entendia que não valia a pena, nunca valeu e nem valeria, ele não iria mudar, e ele querer essa aproximação justo agora, tinha um propósito.
- E depois vocês nunca mais se falaram, nem se viram? - perguntou para .
- Não, até hoje, até poucas horas atrás.
ficou em silêncio, esperando achar alguma coisa para dizer, mas não achava.
também estava em silêncio, mas em sua cabeça mil e uma coisas se passavam, mil e um porquês sobre toda aquela história.
- Não devo deixá-lo voltar para minha vida de forma alguma, né?! - perguntou para , mas essa perguntou soou mais para si mesma do que para a amiga.
- Preciso mesmo responder? - falou, demonstrando claramente a sua opinião sobre tudo.
apenas acenou um sim com a cabeça compreendendo a amiga, finalmente era passado e era assim que deveria ser, para sempre.

Capítulo III

Três semanas já haviam se passado desde aquele encontro de e , três semanas que ela havia contado a sua história com ele para , a única pessoa que sabia de tudo além deles. E apesar de ter que relembrar todas aquelas lembranças dolorosas que lhe renderam uma certa dor no coração e algumas lágrimas, se sentia bem agora, sentia que tinha tomado a decisão certa e deixar para lá era o melhor a ser fazer.
Ele havia tentado contato inúmeras e inúmeras vezes durante aquelas semanas, tinha feito de tudo, tinha ligado para , tinha mandado mensagem, tinha até ido até a casa dos pais de para ver se a encontrava, já que ele, felizmente, não sabia onde morava agora, mas só deixou para lá, estava determinada a apagar essa história da sua vida para sempre.
Após alguns dias, não insistiu mais e também acabou esquecendo dele, daquele encontro e da sua insistência, ela tinha uma carreira corrida e de sucesso, ficar pensando em era com certeza algo que ela não precisava ou queria. E falando em trabalho, finalmente tinha um final de semana de folga após semanas exaustivas de projetos e obras. Agosto já tinha chegado e com ele seu ar quente e salgado do verão, como o dia estava propício e havia perdido o sono, decidiu sair para dar uma corrida e ver a cidade. Após um café da manhã reforçado, vestiu sua roupa de ginastica, seu tênis, seu fone de ouvido tocando sua banda favorita e saiu correndo por Long Island. Começou pelos arredores de sua casa, após alguns minutos passou pela padaria, por aquela igreja que ela tinha tantas lembranças, pelo mercado e seguiu em direção a orla da praia mais próxima.
Assim que chegou na orla da praia, uma sensação de paz tomou conta de si, se sentiu preenchida por algo bom que não sentia havia muito tempo. E sentindo essa sensação que sentou na areia da praia e ali ficou apenas olhando o horizonte em sua frente, sem pensar em nada, tentando manter a mente vazia, apenas sentindo a brisa em seu rosto. passou longos minutos daquela mesma forma até que decidiu se levantar e tomar o rumo de casa novamente, estava com vontade de ver seus pais, coisa que não fazia há dias pelo trabalho também. Caminhou novamente pelo mesmo trajeto, e agora enquanto passava por aquela igreja que tinha várias de suas lembranças, notou que estava completamente enfeitada, e não era coisa pequena, era algo grandioso, tudo em tons cremes e dourados, da forma que ela sempre disse que queria, provavelmente o casamento de alguém importante estava acontecendo.
Quando voltou a andar para sair de frente da igreja e ir para casa, a grande porta da mesma se abriu fazendo com que a curiosidade de ficasse latente. A mesma então ficou num canto longe, meio escondido, para ver quem sairia da igreja. Primeiramente saíram alguns convidados, o que causou um certo espanto nela ao notar que a grande maioria deles eram conhecidos, eram colegas de escola, faculdade, de anos atrás. Esses convidados começaram a se alinhar deixando apenas um grande corredor central para que provavelmente os noivos passassem depois de uns minutos. continuou analisando os convidados ali e tentava imaginar quem poderia estar se casando, para sua surpresa ela não demorou muito para descobrir quando uma gritaria comemorativa começou e por aquelas portas passaram duas pessoas que ela conhecia bem, duas pessoas que voltaram ao seu pensamento nas últimas semanas, duas pessoas que tinham uma história entrelaçada com a dela, as duas pessoas eram e Catarina.
Assim que realmente notou de quem se tratavam começou a rir, rir de felicidade mesmo, por ter se livrado daquele desprezível ser humano que era. se sentia leve por ter feito a escolha de não tentar mais nem um tipo de contato com ele, e ver ali, casando com Catarina, não lhe doía, não a fazia sentir nada, o que a deixava ainda melhor. E ainda em meio àquelas risadas, percebeu que tinha um olhar sobre ela, e antes mesmo de se virar ela já sabia de quem ser tratava. Quando ela finalmente levantou a cabeça para dar uma última olhava, seus olhos se cruzaram com o dele, aqueles olhos que já foram o mundo para ela, hoje não eram mais nada.
Ainda em meio a algumas risadas, viu engolir em seco, certamente estava com medo de algo, mas nunca faria nada, não fizera antes, quando ela podia, porque poderia ter livrado Catarina dessa grande cilada, mas não faria agora, nem mais para frente.
voltou a caminhar para sair de frente daquela igreja, mas antes que saísse dos olhares de , ela se virou, olhou profundamente para ele e disse um “Obrigada” com os lábios, algo que só ele conseguiria entender, depois voltou a andar até sair dos olhares deles.
havia dito aquele obrigada porque estava grata, grata por ter certeza que ele não valia nada, grata por ter deixado toda aquela história para trás, grata por não ter caído mais uma vez nas garras dele, grata por ter contado tudo a , grata por entender as coisas erradas que havia feito, e grata por não sentir mais nada. era passado, um passado que ela não fazia nem questão de lembrar, um passado que havia ido embora rápido, com uma garrafa de vinho, finalmente.



Fim!



Nota da autora: Olá rainhas, como vocês estão? Espero que bem!
Vim aqui hoje com esse ficstape longo e um pouco doloroso, afinal, essa história conta parte de uma história que realmente aconteceu comigo, e eu senti que agora era a hora de colocar ela para fora e finalmente dar um fim.
E então? O que acharam?
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Se quiserem entrar nos meus grupos, vocês serão bem-vindas, e para conhecer as minhas outras histórias também.
Love, Kels.

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Nota da beta: Olha, confesso que quando percebi a “caca” que ela tinha feito, quase parei de betar porque me deu gatilho hahahah Eu já passei por uma situação assim também, e sempre doeu muito saber que eu estava errada, mas era impossível simplesmente falar “não, vou parar.”, é uma situação péssima, mas depois de anos, também ainda me sinto culpada como ela. Fico feliz que você tenha colocado isso para fora por também ter passado por isso, Kels, é realmente importante e uma forma INCRÍVEL de expressar todo esse sentimento. Maravilhosa demais! A história ficou sensacional e estou aqui aplaudindo de pé a sua força! Parabéns! 💙

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