Postada: 29/06/2017

I.


Nunca achei que fosse ter uma semana tão desgastante. O 5º período de fato era uma loucura e não via a hora daquilo chegar ao fim. E estávamos apenas em abril. Foi exatamente por isso que, quando inventou essa cervejada, eu não recusei.
A festa começaria às 5 da tarde e não tinha hora para acabar. Fora que era open bar. E já estava há um bom tempo sem tomar uma (algumas) cerveja. Isso que dava ter faculdade, estágio e aula de desenho à noite. Todo mundo falava que era meio ridículo fazer aula, principalmente quando eu já desenhava bem. Minha teoria era que nunca se sabia tudo e quanto mais eu estudasse melhor eu seria.
O famoso a prática leva à perfeição.
Sai da UFMG morrendo de fome e carregando uma mochila enorme. Eram duas da tarde e pensei se daria tempo de ir em casa, tomar um banho e voltar. A festa seria no pátio da universidade e o palco já estava montado.
Estava animada não só com o open bar, mas porque finalmente haviam escolhido um tema bom para essa festa e bandas de rock que fizeram sucesso nos anos 2000 seria a trilha sonora da noite. Meu passado emo às vezes condenava, mas fala sério, era bom demais.

Perto das 17 horas, chegou na minha casa reclamando que já estávamos atrasadas. Como se alguém chegasse cedo nessas festas.
Pegamos um Uber e no caminho ela não parava de falar na banda que iria tocar mais tarde.
- Você vai amar eles, . A vocalista Avery é maravilhosa. E ela é casada com o guitarrista, o Hugo.
- Só espero que o estilo de musicas deles seja legal.
- Eu juro que não sei como você não os conhece. Só tocam esses rocks que você insiste em ouvir. Aliás, também terá um DJ na noite. Um tal de . Não faço ideia de quem seja, mas espero que seja gato.

A festa ainda não estava lotada. Algumas pessoas já estavam com copos de cerveja e catuaba em mãos. Como sempre, a primeira coisa que reparei foi o sistema de som. É claro que, por estarmos em uma área externa, a qualidade não era das melhores. Mas ao fundo tocava alguma música do New Found Glory e me acalmei pela batida da guitarra.
- , acho que vou pegar uma cerveja.
Minha amiga encontrou com outras meninas da fisioterapia. era popular. Nós havíamos nos conhecido na primeira semana de aula e talvez por isso continuávamos amigas até hoje. Meus demais colegas de sala eram apenas isso: Colegas.
O pôr do sol estava se aproximando. O céu alaranjado do outono belorizontino. A cidade fazia juz a seu nome. Belo Horizonte de fato tinha um belo horizonte.
Peguei minha cerveja e, ao sair do bar lotado, esbarrei com um rapaz. Por sorte nem a minha bebida e nem a dele foram derrubadas.
- Desculpa.
- Tudo bem.
Geralmente eu sairia andando, mas alguma coisa nele me fez reparar por mais que três segundos. Talvez fossem seus olhos castanhos ou então as tatuagens que cobriam seu braço esquerdo.
O objetivo da cervejada era interagir. Talvez fosse a hora de começar.
- Bela camiseta. - Ele vestia uma camisa do primeiro álbum do Simple Plan.
- Ah, essa velharia? Obrigado.
- Não vai me dizer que você tem ela desde criança?
- Talvez. Mas a sua também não parece recente.
- E realmente não é. - Uma Avril Lavigne rebelde e ainda de cabelos castanhos estampava a minha roupa.
Saímos andando pelo pátio ainda iluminado por um resto de sol.
- Finalmente resolveram fazer um evento adequado de música nessa faculdade né?
- Sim! É meu quinto período aqui e pela primeira vez estou feliz com a qualidade sonora.
- Espere até o DJ entrar.
- Realmente escutei comentários sobre ele. Parece ser um cara bacana. Mas estou mesmo ansiosa pela banda.
- Você é fã da Avery?
- Não. - eu ri. - Minha amiga ficou dizendo que eles lembram um pouco as minhas bandas favoritas.
- Você vai gostar bastante. Na verdade, eu sou amigo do guitarrista. - Ele falou sorrindo como se fosse a coisa mais normal do mundo.
- Sério?
- Sim. Hugo já me deu várias dicas de música. - Ele olhou para a tela do celular checando as horas. - Infelizmente eu preciso ir agora. Aliás, você não me disse qual o seu nome.
- . - Gritei quando ele já começava a se afastar.
- Te vejo mais tarde .
E antes que eu pudesse perguntar qual era seu nome, ele se perdeu na multidão.
Encontrei quase no mesmo lugar que a havia deixado.
- Ei, você sumiu! Onde estava?
- A fila do bar estava grande. E um rapaz me parou no meio do caminho.
- Rapaz, ? Era gato?
- Pra caramba!
A movimentação em cima do palco começava. O crepúsculo dava espaço para uma noite que estava apenas começando.
E tive a certeza disso quando o vi subindo no palco.
- Qual é mesmo o nome do DJ?
- .
Prazer . Muito prazer.

II.


A música sempre me acalmou. Música era sinônimo de felicidade desde que me entendia por gente. Com dois anos de idade meu pai colocou um disco, ainda de vinil, dos Beatles para tocar. Segundo minha mãe eu havia começado a dançar no exato ritmo da música.
À medida que fui crescendo fui transformando hobby em profissão. Tocar em festas e ver a galera animada com as minhas playlists era sensacional. Eu também tocava alguns instrumentos, mas havia algo diferente sobre ser DJ.
O pessoal foi chegando para mais perto do palco quando soltei uma playlist que eu particularmente era apaixonado. E já para o final da apresentação, quando uma das músicas mais animadas começou a tocar, vi um par de olhos escuros me olhando.

Let's get this out of the way
Why should we wait forever?
We're meant to be together

Comecei a rir com a letra da música. Havia trocado poucas palavras com e já estava me perguntando como seria passar uma noite com ela. Eu não era esse tipo de cara que pulava de cama em cama. Mas também não era o tipo que tinha relacionamentos.
Ao longe percebi o olhar dela em mim. Assim como a batida da música, estávamos em sintonia. Ela conversava com as amigas, dançava ao redor de si mesma e apreciava a cerveja em suas mãos.

I'm not ashamed to say
(Let me tell you one time)
You don't remember my name
But I still want you the same

Me perguntei se ela se lembraria do meu nome. De propósito eu havia escondido essa informação dela, mas com certeza ela não demorou a descobrir. estava na descrição do evento. Poderia ser modesto, mas meu nome ficava cada dia mais conhecido em BH.
A pouca iluminação do local me impedia de ter uma completa visão dela, principalmente porque mais gente havia se juntado na frente do palco.
A energia do público estava me deixando eufórico. Comecei a pular e eles me acompanharam. Pensei em mudar a música, mas então chegou o refrão. Justo na hora que se materializou bem na minha frente.

Love at first sight
Left me tongue tied
Just won't feel right
(Until I have you)
Tired eyes burn
When will I learn?
Tell me what to do

Eu não era um cara tranquilo. Tinha problemas demais para se somar em uma só equação. Minha rotina entre faculdade e trabalho era insana. Porque sim, eu tinha uma profissão liberal, mas, durante o dia, era apenas um aluno comum daquela faculdade. Cursava história e algum dia iria trabalhar com aquilo. Mas, por enquanto, minha rotina era a maior loucura com trabalhos quinta, sexta, sábado e domingo. Os horários mais impossíveis. E este era um dos motivos pelos quais não queria um relacionamento sério.
Mas alguma coisa naquela mulher estava me deixando doido. Especialmente naquele dia, não estava tão animado por passar a noite em atrás da mesa de som.

I don't wanna go to bed
I don't wanna go to bed (no)
I don't wanna go to bed
I don't wanna go to bed without you

Involuntariamente dei um sorrisinho malicioso. Tinha certeza que ela tinha notado, apesar de ninguém mais estar prestando atenção em mim. Queria essa garota na minha cama. Queria beijar sua boca até que faltasse fôlego. Ela estava me enlouquecendo e eu não sabia nada sobre ela.
Assim que a música acabou e eu abri espaço para banda, desci do palco e fui até ela.
Nossos olhares atraiam. Ela estava parada me olhando da mesma forma que eu olhava para ela. Vi sua amiga chamando sua atenção, mas nem assim desviou o olhar.

Can't lie, love at first sight
Love at first night, I took my first bite
I'm insane when I take aim
Like I can't change with middle range

Eu sabia que era um movimento arriscado, mas não resisti. A puxei pela cintura e colei nossos lábios. Ela retribuiu passando os braços em minha nuca e bagunçando meu cabelo. Não faço ideia de quanto tempo ficamos ali. Músicas começaram e terminaram e eu não queria deixar ir embora. Mas em algum momento precisamos quebrar o beijo.
- Não acredito que você fez isso. - Ela falou no tom de brincadeira sem se afastar um centímetro.
- Por quê?
- Porque, , você simplesmente sumiu sem dizer seu nome.
- Me desculpa. Eu tinha um compromisso. Você gostou?
- Eu teria colocado menos pop e mais rock.
- É? Menina rebelde.
Ela me beijou novamente, dessa vez um beijo mais rápido.
- Ei, to com sede. Vamos pegar cerveja?
- Claro.
E então voltamos para o exato local que havíamos nos esbarrado.
Naquela noite não havia a levado para cama. Mas, meses depois, meu quarto já era um velho conhecido dela.

Fim



Nota da autora: Primeira ficstape que eu to partipando! Espero que tenham gostado. Qualquer coisa só me procurar na ask ou no twitter. Também tem o grupo do facebook que sempre tem novidades!

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Nota da Beta: Eu quero um DJ pra mim, muito mesmo!!! Amei, leria mais umas mil shorts leves e amorsinho assim, parabéns Juh. Espero ver muitos comentários aqui embaixo e que todas que leram essa fic também leiam as outras desse ficstape maravilhoso! Xx-A




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