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Postada: 13/08/2017

Capítulo Único


A única coisa que ouvia era seu batimento bem ritmado que não expressava nada além de calma. Alguém ao seu lado continuava a rosnar ordens e repreensões, mas ela não se deu o trabalho de absorver os dados que transmitiam. Fazia meses que ela estava naquele estado, completamente indiferente a tudo que a cercava, e agora, pela primeira vez, ela se sentia tentada a expressar algo, mas tanto não sabia se valia a pena como não sabia se era uma escolha inteligente.
Demonstrar alterações de humor indicava que ela se importava com algo, e isso não era mais a realidade.
Quando seu superior parou de frente a ela, com um olhar que demandava alguma resposta, a mulher assentiu com firmeza, o que foi o suficiente para que ele logo lhe desse as costas e saísse da sala, deixando ela sozinha então com seu atual parceiro.
- É uma péssima ideia – comentou , a voz baixa e rouca quase não agredindo o silêncio intenso do ambiente. O homem acreditava que todos ali haviam perdido a cabeça, já que ninguém parecia estar tomando as medidas adequadas. nunca deveria estar fazendo guarda, não deveria estar fazendo prisioneiro, e definitivamente não deveria ser responsável pelo o tratamento que receberia na base. Ele confiava cegamente na irmã, mas talvez aquilo fosse demais para ela.
E, se ela ultrapassasse algum limite, mantê-la sob controle seria um verdadeiro inferno.
- Está questionando as minhas escolhas? – perguntou , um riso fácil em sua voz que nunca antecipava algo bom. Alguns fios de seu cabelo escapavam do penteado alto, deixando seu rosto ainda mais sombrio, já que um pouco de terra ainda estava em sua pele, por não ter tido a oportunidade de se lavar – Não é algo inteligente de se fazer, você sabe.
- Deixe que outra pessoa cuide dele – pediu . Sua vontade era se aproximar da irmã, tentar convencê-la de qualquer outra maneira possível, mas ela parecia ter entrado em seu modo de combate, então preferia manter a distância – Ele vai sofrer de qualquer jeito, garanto isso.
- Ele vai sofrer mais pelas minhas mãos – devolveu ela, a falta de emoção em seu rosto e a frieza em sua voz fazendo com que seu irmão hesitasse, como se fosse ele o alvo daquilo tudo – é meu. É meu dever terminar isso.
Depois disso, com cuidado passou a tirar todas as armas dos compartimentos de seu traje, já que com certeza teria tudo o que sua criatividade doentia pudesse imaginar a sua disposição na cela do prisioneiro, então deixaria os seus pertences ali para que buscasse mais tarde. Se tinha uma coisa que ela não queria, era o sangue dele em seus pertences, como um pedaço físico da memória daquele evento. Não, ela não queria nada para lembrar daquilo além de suas lembranças. Parecia dar muito mais valor ao momento dessa forma, podendo apenas recorrer a sua mente quando quisesse relembrar os menores detalhes. Sons, toques, cheiros. Sua mente precisava estar o mais atenta possível porque ela queria memorizar tudo.
Quando terminou de se preparar, não encontrou mais o irmão em sua companhia, e até agradeceu por isso, já que planejava ordenar que ele se retirasse. Aquela sala era a única conexão com a cela do prisioneiro, e um espelho falso auxiliando no monitoramento assim como as câmeras do lado de dentro, algo que a mulher pediu que fossem desligadas. Não havia nenhum motivo especial para aquilo, mas ela desejava privacidade. Talvez fosse seu lado mais rebelde querendo uma confirmação de que a agência confiava nela, era uma boa oportunidade para testar aquilo.
O rangido da porta pesada sendo aberta soou como música para os ouvidos de , a imagem então fazendo com que seus olhos brilhassem de diversão. Ela podia vê-lo do outro lado daquela parede, mas a visão do homem sem nenhuma interferência era muito melhor: seu uniforme estava parcialmente destruído pelo combate anterior, grama e terra se misturando em alguns ferimentos expostos, seu corpo pendurado pelos pulsos com uma corrente projetada para suportar sua força sobre-humana, mesmo que naquele momento aquilo não fosse ser um problema. Ele estava cansado, um tipo de exaustão que nunca experimentara antes.
- O que injetaram em mim? – perguntou , seu sentidos confusos lhe indicando que alguém agora lhe fazia companhia, e ele já tinha uma ligeira ideia de quem era. O homem se sentia um pouco enjoado, um formigamento estranho em seu abdômen que se espalhava aos poucos por todo seu corpo entregando que alguma droga fazia efeito em seu organismo, o suor que escorria por seu rosto e ensopava seus cabelos sendo mais um indício daquilo. Seu sistema estava tentando lutar contra aquilo, mas não parecia que estava tendo muitas vitórias.
- O soro que me deixa mais forte – contou a mulher, se aproximando com passos lentos e bem calculados. A visão de não estava a mais nítida possível, mas ele conseguia identificar satisfação em seus traços. Era desconcertante de se ver. Ao mesmo tempo que a mulher lhe parecia algo completamente familiar, tinha algo que a envolvia que avisava do perigo iminente – Irônico, não é? O que te enfraquece me fortalece.
- Isso nunca vai te tornar mais forte – disse ele, sua tentativa de soar mais firme irritando sua garganta. Em meio a tosse que se iniciou, ele sentiu um líquido quente chegar a sua boca. Talvez ele tivesse com mais ferimentos do que considerara em um primeiro momento – Essa não é você, .
sorriu, a distância entre eles finalmente extinguida, podendo assim apenas esticar os braços de leve e tocar o rosto ferido do homem, que se encolheu ao seu toque. As coisas não costumavam ser daquela forma, bem diferente daquilo. Aquele toque costumava ser desejado e esperado por ele, e toda aquela alteração no cenário era culpa de , não dela. Claro que em nenhum momento ela se considerava a vítima, mas também estava longe de ser a culpada. Não, a divisa entre os dois termos era tênue demais, e a mulher transitava na área sem problema nenhuma, consciência mais leve que o toque de seus dedos pela pele do herói.
- Claro, porque você me conhece melhor do que eu mesma, não é? – se qualquer outra pessoa alheia a tudo ouvisse aquilo e ignorasse o que ela dizia, podia facilmente se deixar enganar pelo tom carinhoso e amigável, sem perceber o fundo de ira e revolta que aquelas palavras carregavam – O sempre sabe mais do que todos. Ele pede para que pule e espera que apenas se pergunta a altura.
- Talvez eu apenas conheça algo de você que você preferia se livrar do que aceitar – arriscou erguer o olhar cabisbaixo para ela, suas pálpebras não conseguindo se manter muito abertas por causa de um pouco de sangue e terra que caíra sobre seus olhos. Mas mesmo assim ele conseguiu acompanhar a mudança no rosto de , toda aquela falsa calma e controle esvaindo em uma velocidade incrível, tão rápido que ele mal conseguiu ver a mulher fechar uma das mãos em punho e afundar na boca de seu estômago, todo o ar de seus pulmões lhe escapando de uma vez.
A mulher aproveitou aquele momento para descarregar toda a energia que acumulara novamente, sem ser muito seletiva nos tipos de golpes que utilizava. Ela tinha quase certeza que tinha um soco inglês junto com os materiais na mesa mais ao canto da cela, mas o que ela realmente queria no momento era sentir a pele dele ceder contra a sua. Não faltaria oportunidades para brinquedos. Seu anseio era pelos métodos mais ultrapassados, desacelerando apenas quando começou a lhe faltar fôlego.
- Vocês me trancafiaram – grunhiu ela, puxando seu rosto para que as palavras saíssem bem perto de seu ouvido, suas unhas cravando em sua pele já sensibilizada sem delicadeza alguma, aproveitando daquela posição para lhe cravar um soco no queixo em seguida – Como você acha que eu me senti?!
- Fizemos o que pensamos ser melhor para você – respondeu ele, uma careta dolorida no rosto depois que a mulher golpeou a lateral de sua cabeça com um chute ágil, um zumbido incômodo se iniciando em seu ouvido. Seus sentidos vacilaram ao reconhecer um toque mais carinhoso em seu pescoço, relaxando instantaneamente mesmo sabendo que era perigoso, como se ainda não tivesse entendido que a ameaça era realmente de outro nível por vir de alguém que ele nunca imaginara. Sua mente se tornara mais desconfiada em relação a ela, mas seu corpo continuava sendo dela, disposto a reagir a todos seus gestos sem pensar duas vezes. O pensamento lhe perturbava, como se tudo que acontecera nos últimos meses não fosse de fato importante, e de certa forma não era. Ele não hesitaria para fazer as coisas se resolverem, não importava o que tivesse feito, ou o que ainda faria. Não desistiria dela. Não de novo.
- Então tenho uma novidade para você, : você errou, e errou feio – forçou o rosto dele de frente ao seu, tão perto que seu nariz vez ou outra encostava na pele de , já que sua respiração instável fazia com que seu corpo não permanecesse estático. Se ele não estivesse preso, a cena talvez até chegasse a ser familiar. Por causa das correntes, estava um pouco mais alto do que de costume, e, para manter a proximidade, ela tinha que se manter na ponta dos pés. Aquilo continuava a ser tão natural que logo escorregara as mãos do rosto do homem para os ombros, seus braços logo abraçando seu pescoço. Pelo baixo gemido que produziu, ela com certeza havia aumentado com o próprio peso a pressão que ele sentia por estar pendurado pelos braços – Se eu sou o que sou hoje, parte disso é graças a você. E eu sou grata a isso, mesmo que não faça por parecer.
- Eu não tenho medo... de você – diante daquela afirmação, chegou a sorrir com tamanha inocência e teimosia. Aquelas palavras, mesmo que tivesse se esforçado para dar o peso adequado a elas, não soavam verdadeiras. Ele podia não admitir, mas estava com medo. Podia não se permitir sentir medo dela, mas ele estava ali o tempo todo, claro em seus olhos. sabia da sua parcela de culpa, que, ao tentar ajudar, piorara ainda mais as coisas. Parte de seu medo era exatamente em razão disso: de não conseguir justificar seu envolvimento naquela história, de ser incapaz de se apresentar como inocente. Ele era a pessoa que mais ficava ao lado do monitor que passava as imagens da cela da mulher, ouvindo seus gritos e choros, e diversas vezes quase se vira entrando ali para lhe fazer companhia. Ele nunca teria coragem de dizer aquilo em voz alta, mas ele conhecia muito bem a mulher a sua frente.
Ele ajudara a criá-la.
- Pois deveria ter medo. Porque eu sou a pessoa que vai te matar – praticamente na mesma velocidade de suas palavras lentas, foi voltando a ter todo seu peso de volta a suas pernas, suas mãos deslizando pelas roupas sujas do homem, que apenas reprendeu a respiração quando ela começou a tocar alguns de seus ferimentos, suas unhas compridas adentrando em sua carne – E pode apostar que eu não vou fazer isso do jeito rápido. Vou matar um pouquinho de você a cada dia. Física e mentalmente – sentiu quando ele estremeceu, sorrindo ao notar que era muito mais por suas palavras baixas do que pelos ferimentos que seus dedos aumentavam – Você vai permanecer aqui por quanto tempo eu desejar, e você vai continuar ansiando pela minha companhia, porque quando eu não estiver aqui, eu vou estar lá fora, destruindo tudo pelo o que você lutou para manter com as minhas próprias mãos... As mesmas mãos que costumavam percorrer seu corpo, que conhecem cada músculo seu – quase que como ilustrando aquela lembrança distante, uma das mãos da mulher subiram pelas músculos de seu braço, parando no exato local onde havia um ferimento de bala. Como o projétil ainda estava ali, ela fez questão de retirá-lo com as pontas dos dedos, aproveitando cada som de dor que o homem produzia. Não era um ferimento tão sério, a artéria não tinha sido atingida, mas fora profundo, conseguindo tocar o osso do membro no processo de extração. Quando o som do pequeno metal atingindo o chão ecoou pelo ambiente, tentava controlar sua respiração descompassada, seu olhar severo acompanhando os movimentos da mulher que parecia estudar o sangue em suas mãos, falsamente entretida com um sorriso doentio nos lábios – Você disse uma vez que eu perdi a sanidade, e fico feliz em informar que você está prestes a entender exatamente o que é isso.
Passando rapidamente as mãos no tecido de suas calças para limpar o excesso do líquido viscoso, checou depois quanto tempo havia se passado, até que satisfeita com aquela primeira sessão. esperava que agora ela fosse partir para torturas mais elaboradas, se esbaldando na larga coleção de instrumentos que estava ali desde que ele acordava, mas se vira surpreso assim que ela voltara a se adiantar para ele, beijando o canto de seus lábios depois de murmurar um “boa noite, amor”.
- Talvez eu apareça no meio da madrugada, quem sabe... – brincou ela, sorrindo travessa para o herói antes de fechar a porta depois de deixar a sala.
Assim como ela esperava, não havia ninguém ali acompanhando suas atividades, o que apenas fez com que aquela satisfação aumentasse em seu peito. Era bom quando as coisas saíam exatamente como ela esperava. Se tudo continuasse a seguir daquela forma, talvez ela até conseguiria algumas horas de sono tranquilo.
Durante o resto da semana, tinha até evitado chegar perto daquela parte da base, já imaginando que sua curiosidade se mostraria mais forte e certas imagens não fossem mais sair de sua mente. Acabou que ele estava mais do que certo, e, se fosse desistir, tinha que ser agora.
Só uma semana se passara, mas pelo estado de podia se dizer que eram meses: sua forma grandiosa havia diminuído consideravelmente, ele aparentava estar bem mais magro; suas roupas estavam em um estado muito pior do que quando chegara, apenas alguns pedaços de tecido mantendo as peças destruídas contra seu corpo. Seu rosto cheio de hematomas e cortes ficava sempre baixo, mesmo quando sua única visita chegava. Daquela vez, entretanto, foi diferente. Ao não ouvir logo de cara a voz animada de , e nem um som característico de sua presença, logo se viu erguendo o olhar, demorando mais tempo do que de costume para identificar o irmão da mulher.
- Voc...? – ele tentou dizer, a rouquidão de sua voz soando estranha aos seus próprios ouvidos. não lhe deu muita atenção, mesmo sendo ele a única outra pessoa no ambiente. Com sua expressão fechada costumeira, o espião se colocou de frente ao herói, suas mãos se adiantando para as correntes que mantinham pendurado. Como estava com pressa, recorrer aos instrumentos disponíveis na sala teria sido a escolha mais inteligente, mas o estômago de se revirou só de considerar aquela possibilidade. Ninguém mais entrava naquela sala além de , e ela fazia questão de deixar todos os instrumentos sujos depois de sua utilização, o que transformava a mesa no canto do ambiente uma exibição de rastros de sangue, pedaços de pele e unhas. Depois de respirar fundo, o espião reunira toda a força que tinha para arrebentar as correntes utilizando as próprias mãos. Prevendo que ele não teria forças para se manter sozinho, segurou seu corpo mole – O que você...?
- Anda logo, – resmungou ele mal-humorado, não controlando o instinto de bufar quando o herói começou a questionar seus motivos. Não se podia aceitar uma boa ação espontânea, tinha que se perder tempo explicando suas motivações para colocar todo o plano a perder – O lugar dela não é aqui, nunca foi. Seu então, nem se fala.
congelou diante daquelas palavras, a dificuldade de estabilizar suas pernas parecendo algo de menor ordem no momento. Os últimos dias lhe serviram para entender que não devia confiar em ninguém da agência inimiga, mesmo aqueles que conhecera em um primeiro momento, quem dirá aqueles que não conhecia. Aquele à sua frente fora o mais empenhando em fazer mudar de lado, e agora ele vinha com aquela cara lava dizer que ela não pertencia ali enquanto o soltava? podia ter levado algumas pancadas na cabeça, mas não tinha nascido ontem.
Mas também não tinha como se enfiar em um problema maior, por isso seguiu a risca todas as instruções de para que saísse da base sem ser visto. Sabia que a civilização não estava tão perto e que talvez suas pernas não fossem aguentar, mas não tinha muitas escolhas. Se tinha esperança de um dia recuperar , era de vital importância que saísse daquela vivo.
voltou às suas atividades diárias logo depois sair da cela, mantendo com perfeição as aparências de que tudo ocorria em sua mais perfeita ordem, até que uma reunião de última hora ser convocada, o sinal de que finalmente tinham dado pela falta de prisioneiro. Se aproximava do horário que normalmente fazia sua visita, e ela deveria estar possessa pelo sumiço de seu prisioneiro.
A sala já estava cheia quando ele finalmente chegou, parando ao lado de sua irmã que se encontrava em pé, como se estivesse prestes a ser questionada sobre algo. Todos os dirigentes da base estavam tensos, mas por algum motivo também pareciam estar satisfeitos, o que fez com que engolisse em seco. Ele estava deixando algo passar batido? Alguma coisa fora planejada sem seu envolvimento? O que esperava para aquele momento seria fúria, talvez um pouco de desespero da parte deles.
- Status do prisioneiro, ?
- Em fuga – respondeu ela, com uma calma que não condizia com a situação, se virando curioso para a irmã – Provavelmente vão encontrá-lo nas próximas horas.
- Você terminou o serviço? – continuou o superior da dupla. O homem não tinha sequer piscado mais rápido com aquela informação. Eles já esperavam isso, constatou o espião. Ele não fazia ideia se queria saber o motivo, mas algo lhe dizia que tomaria consciência disso de qualquer forma.
- Sim. Escolhi as dez palavras mais padrões o possível para quando alguém é resgatado. Sequer vão perceber o que o atingiram – contou . Na noite anterior, tomara o cuidado de reprogramar a mente do prisioneiro, fazendo com que ele se tornasse alguns dos soldados da agência que atingiam a obediência absoluta depois de uma série estabelecida de palavras. Como não teria algum superior para lhe passar instruções, acabaria atacando qualquer coisa que se mexesse – Mesmo que consigam pará-lo, o que só vão conseguir caso o matem, o estrago vai ser grande.
- Muito bem, criança – o superior tentou sorrir, a forma estranha que seus lábios se esticaram lembrando muito mais uma careta – Comunicaremos caso seus serviços sejam novamente necessários, pode descansar.
deixou a sala sem pensar duas vezes, parando em alguns dos corredores próximos à espera de seu irmão, que ela sabia estar bastante confuso sobre todo o desenrolar da história. Não deu outra, quando parou ao lado da irmã, o rosto de estava contorcido em uma careta furiosa, a pele levemente corada e a respiração fora de controle.
- Que porra aconteceu ali dentro?
- O que foi? Acha que estou te acobertando, traidor? – ela alfinetou, cruzando os braços e se apoiando na parede ao lado quando o espião hesitou diante da acusação. Mas era claro que ela sabia. Fora idiota em acreditar que não tinha levantado suspeitas, e isso estar tão claro em seu rosto apenas fez com que risse – Relaxa, porque você fez exatamente o que eu esperava que você faria, não vou te entregar.
- Você sabia que eu...?
- Você é fraco, cede fácil demais. Coloca seu coração em frente das coisas quando deveria tê-lo apunhalado você mesmo – o tom de se tornara mais sério, a proximidade agora com o irmão deixando o homem ainda mais desconfortável. Um mísero passo fora a distância que ela diminuíra, mas seu olhar centrado que parecia penetrar sua alma fazia parecer que ele estava exposto demais – Isso ainda vai ser sua queda, . Estou falando para o seu bem.
- Foi isso que você fez? Apunhalou seu coração? – questionou ele, a escolha de palavras lhe parecendo mais do que curiosas. Diversas vezes via a mulher contradizendo suas escolhas, formas estranhas de proteção mesmo quando machucava – É uma imagem bastante dramática, faz bem o seu estilo.
- Eu não nasci com ele, facilita as coisas – respondeu ela, sem dar muita importância à questão. O relógio em seu pulso apitou antes que o homem pudesse continuar o assunto, a postura de mudando drasticamente em seguida – ? Preciso te pedir algo.
Pela primeira vez em anos, viu a irmã hesitar. Aquilo tudo fazia parte de seu plano desde o começo. Como se julgamento as vezes não era dos melhores, ela e disposta a tomar suas decisões com base em ações. Libertar era algo que aconteceria naquele dia com ou sem a intromissão de , mas isso mudava drasticamente as coisas. Nenhum dos três pertencia àquele lugar, e isso era um detalhe importante. Se não tivesse tentado mudar as coisas, talvez fosse um indício de que e errada aquele tempo todo, e que mais ninguém ali merecia salvação. Acabou que de alguma forma ela e certa.
- Foge – ordenou ela em um sussurro, suas mãos se encaminhando com naturalidade para as armas que descansavam em sua cintura – Porque esse lugar vai queimar hoje, e talvez você não mereça estar aqui.
Eles queriam uma arma de destruição em massa e eles conseguiram. Apenas esqueceram do detalhe que ela podia mirar onde bem entendesse. Haviam lhe privado de sua autonomia, a tratando como se não passasse de apenas mais uma criação que a qualquer momento podia ser descartada, substituída, ultrapassada. Acabara que a criação superara as expectativas, atingira um nível que eles nunca esperaram. Pensaram que a tinham sob controle e estavam errados. Que ainda havia alguma bondade no íntimo de seu ser quando não tinha.
Era melhor eles começarem a correr.


Fim


Nota da autora: JESS DE 2016 VOLTOU E DEIXOU A JESS DE 2017 EM STANDBY PRA ESCREVER ISSO AQUI, TÔ ATÉ ASSUSTADA. Quem quiser, a gente se junta depois para uma terapia em grupo pra se recuperar disso aqui porque eu definitivamente nÃO ESTOU BEM.
Página da Autora: (Clique aqui para mais informações e saber as demais fanfics da autora.)

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