Observei algumas vezes a entrada daquele bar para ter certeza que estava no lugar certo, mesmo que não fosse estava pouco me lixando, tudo o que eu queria era sair do meio daquela tempestade. Entrei no estabelecimento fechando o guarda-chuva e varri meu olhar por todo o local, por sorte não demorei muito para encontrar meus três amigos que bebiam em volta de uma mesa enquanto conversavam animadamente.
Fazia alguns dias que estávamos em Cancun curtindo as férias da universidade, tudo o que eu mais queria era descansar após as semanas cansativas de provas finais onde finalmente consegui me formar em jornalismo na Columbia University. Durante os quatro anos que passei lá, acabei conhecendo , e Ashley, que foram os únicos que tiveram ao meu lado desde o início da minha jornada em NYC.
Aproximei-me deles e sentei em uma das cadeiras. fez algum comentário sobre meu atraso enquanto os outros dois apenas riram. Apesar de Ashley ser minha colega de quarto e ter dividido comigo a maioria das aulas na universidade, foi que conseguiu o posto de meu melhor amigo, o garoto que sempre está do meu lado nos melhores e nos piores momentos.
Enquanto eu aguardava o garçom trazer minha dose de 'sex on the beach', jogava conversa fora com meus amigos até que o som da TV me desligou por um momento do mundo.
Na TV tocava o hino nacional, enquanto a câmera passava pelo rosto de cada jogador brasileiro. Até que eu vi o rosto dele estampado na tela da TV. O rosto de David Luiz, um dos melhores zagueiros da atualidade e acima de tudo meu ex-namorado. Durante um longo tempo, fiquei encarando a TV, fingindo prestar atenção no que um dia foi o meu esporte preferido e observando alguns dos jogadores que já foram meus amigos, e que hoje são apenas lembranças de um passado extremamente feliz.
? – estalou os dedos em frente aos meus olhos me despertando de meus devaneios. – Se você quiser dormir, podemos ir para o hotel.
Meu melhor amigo me lançou um sorriso, onde ele dizia em silêncio que tudo ficaria bem. Naquela mesa era o único que conhecia o motivo para que eu não namorasse mais David Luiz.
Peguei minha bebida que até então não sabia que o garçom tinha deixado ali e tomei tudo em apenas um gole.
Ouvi meu celular tocar e me surpreendi quando vi o nome de minha irmã estampado na tela do iPhone.
– Hello, girl – disse de maneira animada, logo após ouvi meu 'alô' – E aí, irmãzinha? Como você está?
O local onde minha irmã se encontrava era barulhento e foi meio difícil entender o que ela dizia.
– B-bem – gaguejei, ainda estava surpresa com a ligação que recebi dela. E por um momento me perguntei em que momento de nossas vidas nós deixamos de ser melhores amigas. – E você?
– Ótima – ela riu de algo, e sussurrou algo para alguém que eu não fazia ideia de quem era – Bernard mandou beijo para você.
Ah tá, nos afastamos quando ela decidiu mudar-se para Rússia logo quando me separei de David, tudo por causa de Bernard, seu atual marido e que também é jogador de futebol.
– Outro para ele.
Olhei de relance para TV e vi o momento certo em que Neymar fez o primeiro gol do jogo, sobre a seleção inglesa. e lamentaram ao meu lado, Ashley revirou os olhos e gritou em meu ouvido, fazendo com que eu afastasse o celular.
– Rumo as semifinais, – o tom de era mais alto que o normal, ela estava muito feliz. – A copa da Rússia é nossa.
Eu queria concordar com ela, mas não fiz, na verdade o que fiz foi algo que tenho certeza que a deixou muito chateada e magoada.
– Eu preciso desligar – dei um longo suspiro. – Preciso dar atenção aos meus amigos.
– T-tudo b-bem – seu tom de voz acabou comigo, mas isso não me impediu de prosseguir. – Foi bom falar com você.
– Digo o mesmo. Manda beijo para o . Tchau!
Não esperei ela responder, apenas desliguei a chamada antes que desistisse de ignorar o primeiro contato com minha irmã depois de três meses.
me observava atentamente, e tudo que fiz foi lhe lançar um sorriso triste antes de voltar a encarar a TV, ato que fez com que eu me arrependesse amargamente assim que vi a face de David Luiz novamente naquela tela. Aquilo foi ápice, não pensei duas vezes antes de me levantar e me preparar para dizer aos meus amigos que iria voltar para o hotel.
– Eu vou com você – não esperou com que eu me pronunciasse, simplesmente levantou pegando de cima da mesa: a carteira e as chaves do carro alugado.
– Quero ficar sozinha.
Não esperei resposta vindo de meu melhor amigo, porque eu sabia que ele não insistiria. sabia que eu precisava de um tempo só para mim.
Eu seria uma pessoa realizada se ainda encontrasse o diluvio caindo do lado de fora para se igualar ao meu humor, mas tudo que encontrei por ironia da vida e do destino foi um céu extremamente estrelado e pessoas sorridentes passando o tempo todo pela calçada, contrastando com meu humor mais negro que o céu que nos cobre.
Rever Luiz, mesmo que pela TV, reabriu uma ferida que eu pensei que já tivesse curada há algum tempo. Acho que o problema foi o fato de eu não ter tido tempo para pensar na separação repentina que tivemos. Os últimos três meses foram muito cheios para mim, tive diversos seminários para apresentar, livros para ler, trabalhos imensos para entregar e provas para estudar, então não pensar no zagueiro foi extremamente fácil quando eu tinha outras coisas para me preocupar.
O pior nisso tudo é que essa cratera que se abriu no meu peito só serviu para esfregar na minha cara que eu nunca vou consegui esque...
– Mais que droga – resmunguei assim que meu corpo se chocou contra o chão e um peso caiu sobre mim.
Eu tinha acabado de ser atropelada por um cara andando de skate.
– Me desculpe – o indivíduo disse saindo de cima de mim. – Eu não vi você.
– 'Tá tudo bem – ou não, meu joelho ardia e meu tornozelo latejava. – Também não lhe vi.
– Você se machucou? – questionou observando meu joelho. – Nossa, isso 'tá feio.
– E doendo – completei tentando me levantar, mas foi meio impossível quando senti a dor no meu tornozelo aumentar. – Droga – gemi baixinho. – Eu preciso de ajuda.
Pela primeira vez eu olhei para o ser humano que tinha me atropelado, por um breve momento eu cheguei a pensar que o conhecia de algum lugar.
O rapaz prontamente se pôs ao meu lado e passou um dos braços pela minha cintura me erguendo e em seguida me ajudando a caminhar enquanto levava o skate embaixo do outro braço.
– Me desculpe novamente – o garoto me olhou culpado, me fazendo sorrir.
– Fica frio, eu 'tô bem – fiz uma careta quando senti uma fisgada no tornozelo. – Também tive culpa, sou meio tapada às vezes.
– Acho que te conheço de algum lugar – comentou após alguns segundos.
Revirei meus olhos já prevendo a seguinte constatação: "Você é a ex– namorada do David Luiz", ou "Você não é a garota que namorava aquele zagueiro brasileiro que é bastante conhecido também pelo cabelo?". Era sempre assim, eu conhecia alguém e em seguida esse alguém já me enchia de perguntas sobre David, ou pedia que eu dissesse alguma coisa a ele. Não que eu me irritasse com isso, mas às vezes era incômodo ser conhecida apenas por namorar ou ter namorado um jogador de futebol famoso. Como se minha profissão na billboard não significasse nada quando comparado ao título que eu possuía há alguns meses.
– Se não me engano, já vi você pelos corredores de Columbia – concluiu o rapaz e eu suspirei aliviada, por ele não ter falado em David. – Só não sei seu nom...
. .
– sorriu para mim como se estivesse feliz em me conhecer. – É um prazer conhecer você.
Sorri também, mas não disse nada. Em algum momento durante nossa caminhada, conseguiu um táxi e ambos entramos. Falei o endereço do hotel e o taxista seguiu para lá.
– Será que é uma torção? – apontou para meu pé quando eu o olhei com a testa franzida.
– Ah – eu ri dando uma tapa na minha própria testa. – Acredito que não, deve ser um baque – olhei para meu pé. – Está roxo, não inchado.
– Que bom – murmurou e eu concordei desviando o olhar para a janela do carro.
Fiquei prestando atenção no caminho que fazíamos. Cancun era uma cidade linda e por isso sempre foi meu sonho conhecê-la, ainda lembro quando e eu fazíamos planos para viajar até a cidade mexicana e curtir ao máximo.
Por um momento uma vontade absurda de chorar me consumiu. Eu sentia um vazio enorme, na verdade eu sentia muitas saudades.
Saudades da vida que tinha no Brasil.
Saudades de meus irmãos, meus amigos e meus pais.
Saudades de quem eu era antes de me entregar a minha vida em Nova York.
Saudades de David, e acima de tudo...
Saudades de ser amada como fui um dia.
me despertou de meus devaneios, me virei para encara-lo ainda meio aérea. – Chegamos.
Balancei a cabeça em afirmação, rapidamente procurei dinheiro dentro de minha bolsa para pagar a corrida.
– Já paguei – avisou o garoto, após abrir a porta do lado onde eu estava.
me ajudou a descer e juntos caminhamos para dentro do hotel, em poucos minutos eu já estava no quarto que dividia com Ashley.
Me sentei na cama com as costas encostadas na cabeceira enquanto observava ligar para recepção e pedir uma bolsa de gelo.
Peguei o controle da TV e liguei a mesma, procurando pelo canal da globo internacional. O jogo ainda passava, estava em vinte minutos do segundo tempo e o resultado era 1x1, indicando que até então iria para a prorrogação.
Busquei por diversas vezes prestar atenção no jogo, não em quem realmente importava naquele campo.
Tudo que ele fazia era me trazer lembranças distantes mais ainda tão vivas na minha memória. Lembro- me de cada detalhe, cada sorriso, cada beijo, até mesmo cada briga, mas a que mais permanece viva na minha mente é a nossa última, aquela que nos separou definitivamente. Nossa relação foi forte o suficiente para suportar as críticas do mundo, por David ser nove anos mais velho que eu. Suportou meu pai que fazia de tudo para que eu desistisse de nosso relacionamento. Suportou até mesmo a mídia que desmoralizava minha imagem com o simples fato de me ver em algum lugar acompanhada de , ou quando eu era vista dentro de alguma boate bebendo e rindo ao lado de Ashley, mas infelizmente nosso relacionamento não conseguiu suportar o fato de eu ter que me dedicar ao máximo a meus estudos, na verdade, David não suportou quando eu contei que não iria acompanha-lo durante a copa do mundo, essa foi a gota d'água para ele, que jogou na minha cara que eu não fui à nenhum jogo da última temporada do time pelo qual ele joga. Eu só queria que David entendesse meu lado, mas infelizmente isso foi impossível.
Me assustei quando senti algo gelado ser pressionado contra meu tornozelo. percebeu que me assustei e rapidamente se desculpou.
– Você leva jeito nisso – comentei após me avisar que meu tornozelo estava menos roxo. – Faz faculdade de quê?
– Fisioterapia.
Aquilo foi como uma tapa na minha cara. Foi impossível não lembrar meu irmão, , que trabalha com fisioterapia e agora ocupa o cargo como o único fisioterapeuta da seleção brasileira. Aquele sempre foi seu sonho e ele realizou, longe de meus olhos, mas realizou.
Respirei fundo algumas vezes e voltei a prestar atenção na TV. Era o primeiro tempo de prorrogação e eu tive vontade de vibrar quando David desempatou o jogo, lágrimas se formaram em meus olhos. Acabei recordando do primeiro gol que o zagueiro fez pela seleção, que ele dedicou a mim. Nessa época ainda não éramos namorados, mas isso não me impedia de ser apaixonada por ele.
resmungou algo, me fazendo rir.
– Inglês? – arqueei as sobrancelhas para ele que assentiu meio emburrado. – Brasileira.
levantou lentamente o olhar até me encarar, eu estava com um sorriso zombeteiro no rosto.
O garoto fez uma careta. – Pensei que você fosse gritar, correr e pular. Não é isso que vocês brasileiros fazem para comemorar um gol?
O sorriso nos seus lábios era lindo, e o que tinha em meus lábios tinha acabado de morrer.
ficou confuso com minha mudança de humor, eu não poderia julga-lo, afinal eu agiria daquela maneira se aquele jogo e aquele gol específico fosse há um tempo, mas eu não sou mais aquela .
– Não gosto muito de futebol.
Não era exatamente uma mentira, mas também não era verdade.
– Pensei que vocês brasi...
– Nem todos os brasileiros são apaixonados por futebol – o interrompi antes que ele completasse aquela frase. – Sou uma das exceções existentes no Brasil.
– Tudo bem – sorriu e pela primeira vez eu percebi como aquele sorriso era extremamente lindo.
Após constatar que estava tudo bem com meu pé, ainda ficamos um tempo conversando até perceber que já estava ficando tarde. O acompanhei até a porta, ficamos em silêncio por alguns segundos, até eu finalmente quebra-lo.
– Então – balbuciei segurando a maçaneta da porta. – Foi legal conhecer você.
, você...
foi interrompido pelo barulho do elevador que tinha acabado de abrir, revelando , Ashley e . Droga!
– Eu?... – o incentivei a continuar.
– Você quer sair comigo? – me lançou um sorriso nervoso. Eu ri do nervosismo dele fazendo-o levantar as sobrancelhas. – O que foi?
– Nada – dei de ombros, mas não tirei o sorriso do meu rosto. – Vai ser um prazer sair com você.
– Oi – Ashley disse chegando mais na frente, acenando de forma exagerada para garoto. – Sou Ashley.
– sorriu enquanto beijava a bochecha de minha amiga. Em seguida fez um cumprimento com a cabeça para os dois garotos e voltou seu olhar pra mim. – Te vejo às oito.
– Oito da noite? – franzi a testa, e balançou a cabeça negativamente.
– Da manhã, – me corrigiu ainda sorrindo, por um momento me perguntei se ele não cansava de sorrir. – Vamos andar de Jeep.
me deu um beijo no rosto e acenou para meus amigos antes de entrar no elevador e sumir.
Entrei no quarto e tenho absoluta certeza que as perguntas iriam começam em:
Três. Dois. Um...
– Quem é esse gato? – Ashley perguntou com a voz afetada.
– Onde vocês se conheceram? – foi a vez de .
– O que ele estava fazendo dentro deste quarto? – fez uma cara de poucos amigos.
Revirei os olhos e me virei para encarar os três. – O nome dele é , como vocês já sabem. Ele estuda ou estudava em Columbia – me sentei na minha cama. – Nos conhecemos após eu sair do bar, ele acabou me atropelando com o skate, que resultou nisso – apontei para o meu joelho esquerdo ralado. – Bati também o pé, mas ele já resolveu. E por último – olhei séria para . – Eu sou maior de idade, .
Pisquei para ele e me joguei de costas na cama de olhos fechados, era tarde e ao que tudo indica: Eu tenho um encontro amanhã pela manhã.
Meus amigos não perguntaram mais nada, mas ouvi pedindo para que Ashley dividisse o quarto com esta noite. Em seguida senti o colchão ceder ao meu lado e um braço envolver minha cintura.
– Você está bem? – meu melhor amigo perguntou.
Eu estou bem? Na verdade, após minha conversa com fluir eu não tive mais tempo para pensar no motivo que me afligiu tanto, e agora parando para pensar nisso novamente, vejo que esse assunto não é tão relevante na minha vida, a dor só incomoda quando é lembrada, então se eu tentar conseguirei ignora-la facilmente.
– 'Tô ótima – me virei ficando de frente para . – Ótima.
Repeti tentando convencer a mim mesma que era dessa forma que eu me sentia, mesmo não sendo cem porcento verdade.
– Mesmo que eu não esteja, irei ficar – sussurrei apertando ainda mais minhas pálpebras. – Obrigada por estar do meu lado sempre.
– Obrigado por não ter me afastado de perto de você.

Ouvi batidas na porta assim que terminei de pentear meus cabelos, observei que ainda dormia e deixei um recado no espelho avisando que tinha saído e não fazia ideia da hora que voltaria.
Abri a porta dando de cara com , que vestia uma bermuda azul e camiseta amarela, nos pés ele tinha um par de chinelos e no rosto óculos escuros, além do belo sorriso que já era sua marca registrada.
O garoto me pegou pela mão e assim caminhamos ate o Hall do hotel, onde pegou uma cesta de piquenique com a recepcionista e me arrastou até o lado de fora, onde um Jeep nos esperava.
O passeio foi extremamente divertido, acho que fazia muito tempo que eu não me sentia livre da mesma forma que me senti naquela manhã, não que tivesse finalmente me livrado de todos os meus problemas, mas era como se eu tivesse conseguindo supera-los.
parou o Jeep em frente a uma praia deserta, a areia era basicamente coberta por pedras enormes, mas que deixavam o local absurdamente lindo.
Após estendermos as toalhas no chão e organizarmos a comida sobre as mesmas, eu me deitei e passei a ouvi o som do mar, aquilo sem dúvidas trazia paz até a parte mais profunda de mim.
– Uma cor? – quebrou o silêncio com uma pergunta meio idiota. Franzi o cenho pensando na pergunta que nem era tão difícil assim.
– Preto – dei de ombros mesmo deitada, enquanto levava minhas mãos até minha barriga e as deixava lá. – Uma cor?
Repeti a pergunta, riu pelo nariz antes de responder.
– Azul? – eu sorri com a forma com que ele respondeu a pergunta, como se tivesse perguntando a mim se essa era sua cor preferida. – Um lugar?
– Hm – levei a mão direita ao queixo enquanto pensava. – A casa de meus pais.
– Minha cama – respondeu sem que eu perguntasse, eu ri de sua pressa. – Uma música?
Strong – lembrei-me de como essa música era a minha cara.
Whats Hurts The Most – ele ficou em silêncio por alguns segundos. – Trecho favorito na música que você mais gosta?
I'm sorry if I say, "I need you". But I don't care, I'm not scared of love. 'Cause when I'm not with you I'm weaker. Is that so wrong? Is it so wrong? You make me strong… – cantarolei baixo, porém alto o suficiente para que ouvisse.
I pretend I'm okay, but that's not what gets me. What hurts the most, was being so close. And having so much to say. And watching you walk away – foi a vez de cantarolar, e como a voz dele era calma, suave e perfeitamente linda. – Um fato sobre você?
– Tenho medo de me apaixonar – meu tom ainda era baixo, quase um sussurro.
– Me apaixono facilmente.
Eu não fazia ideia se tinha ou não que guardar aquela frase, por mais que aquilo tenha soado como um aviso, eu resolvi fingir que não era para mim, afinal nunca conseguiria se apaixonar por uma perdida como eu, e se ele fizer isso só tenho algo a dizer a ele:
Sinto muito.
O que diria sobre o meu novo dilema? O que minha irmã colocaria na minha cabeça assim que descobrisse o que depois de meses eu finalmente me permitir sai com um cara, mesmo que nossos interesses um no outro não seja amoroso.
– Você faz muito isso – para não perder o costume me despertou de meus devaneios. Olhei para ele com o cenho franzido. – Viaja para outro mundo.
– Éh... – balbuciei fechando os olhos por um breve segundo. – Estava lembrando minha irmã, eu fui fria com ela ontem.
– Por que você não experimenta pedir desculpas? – pegou uma maçã dentro da cesta. – Você não precisa ir atrás dela nem nada do tipo, só envia uma mensagem para mostrar que você se importa.
Pensei um pouco a respeito. Fazia todo sentido, eu não preciso voltar a ter a relação que tínhamos antes, não agora que ainda não me sinto confortável para isso, mas posso enviar uma mensagem para mostrar que ainda me importo com ela e com nossa amizade.
Foi nisso que pensei quando peguei meu celular no bolso de meu short jeans e digitei uma mensagem.

"Sei que provavelmente você ainda está dormindo, mas só queria dizer que sinto sua falta. Desculpe-me por ontem. Xx ."

Levantei meu olhar até que sorria com os olhos. Ele estava certo, mostrar para minha irmã que eu sempre iria estar ali por ela e para ela me fez um bem enorme. E mais uma vez a presença do belo rapaz britânico fez com que eu desse mais um passo para longe de um passado que ainda me incomoda.

– Ficarei feliz se você sair comigo de novo – tinha acabado de parar o Jeep em frente ao hotel. – Adorei a sua companhia, e quero ter você ao meu lado o máximo de tempo que eu puder.
Mordi a parte interna do meu lábio inferior e pensei sobre suas palavras. já tinha me informado que se apaixonava facilmente, mas se ele não estava com medo de se apaixonar, porque eu deveria ter medo de ele se apaixonar por mim? A única coisa que eu deveria fazer era não corresponder ao sentimento que ele pode nutrir por mim, se eu consegui...
– Tudo bem – sorri para ele que retribuiu o gesto com um sorriso ainda maior. – Nos vemos a noite.
beijou meu rosto. Desci do Jeep e acenei para o rapaz ante de entrar no hotel. Cumprimentei a recepcionista e entrei no elevador, apertei o botão do último andar.
Elevadores sempre foram lugares ótimos para que eu pensasse a respeito da minha vida, e eu não estava querendo pensar no passado, e sim no presente. Conheço a menos de vinte quatro horas e já me sinto tão bem ao lado dele, sinto uma sensação de estabilidade, de que as coisas parecem melhor do que realmente são. Como se só a presença dele fosse capaz de me livrar de todos os meus dilemas.

"Eu entendo. Desculpe por ter deixado nossa amizade se acabar. Tenho surpresas, iremos nos ver após a copa. Amo você Xx ."

Minha irmã mandou a mensagem durante a tarde, acho que quando acordou, já que o fuso horário de Moscou é menos quatro horas em relação ao local que estamos.
A tarde passou rapidamente, e eu passamos a tarde inteira aproveitando a piscina enquanto ajudava Ashley a se mudar para o quarto dele, parece que durante a noite que dormiram no mesmo quarto os dois perceberam que são completamente apaixonados um pelo outro, fato que já tinha sido percebido por mim e há muito tempo.
e eu estávamos entrando no elevador. Meu melhor amigo estava me contando que iria sair com a recepcionista do hotel que trabalhava no período da tarde, Chloe é o nome dela. Os dois iriam para alguma festa de uns amigos da tal garota, falei a meu amigo que quando tiver oportunidade me apresentasse essa nova peguete.
Assim que sair do elevador avistei entrando no hotel, comentou alguma coisa sobre 'pontualidade britânica', por sorte meu amigo também é britânico e ficou no meu pé para que eu estivesse pronta antes das nove, que era o horário que tinha me dito que me buscaria no hotel.
Despedi-me de e caminhei até o belo garoto, que me cumprimentou com um beijo no rosto e um abraço. Pegou-me pela mão, dei uma última olhada para , que piscou e acenou para mim.
Quando chegamos ao lado de fora, abriu a porta do carro para que eu entrasse, era um modelo mais atual de um Hyundai. Por um momento lembrei o que ganhei de aniversário de dezoito anos, mas não me permitir lembrar o passado. O que importa para mim é o agora.
O caminho até o lugar – que eu não fazia ideia de onde era – foi calmo e divertido. O clima entre mim e era ótimo, e por um momento eu imaginei como seria me apaixonar por ele. Perguntei-me se eu conseguiria ser feliz, já que era o tipo de cara que nessa nova fase de minha vida seria capaz de me fazer ama-lo.
estacionou em frente à um restaurante luxuoso. As paredes eram de vidro, o teto era todo de madeira e possuía um lustre enorme de cristal. As mesas de madeiras organizadas em fileiras, arrumadas com pratos de porcelana e talheres de prata, além de ter arranjos de flores em cima de todas elas.
puxou uma das cadeiras para que eu me sentasse e sentou de frente para mim. Logo um garçom foi até nossa mesa, nos entregou o cardápio de bebidas. pediu um vinho que achei ser caro demais, mas o rapaz me tranquilizou dizendo que podia pagar por tal. Como sempre a conversa fluiu de maneira natural, conversamos de tudo um pouco. perguntou sobre , na verdade ele queria saber qual a minha relação com meu melhor amigo. Conversamos sobre a universidade, também se formou há algumas semanas e já recebeu propostas de emprego em alguns hospitais e clínicas em NY, mas ainda não tinha decidido qual dos empregos aceitar. Contou que também existe a possibilidade de voltar para Londres, isso se não tiver nada o prendendo nos EUA. Senti cheiro de indireta no ar, mas resolvi ignorar.
Nossos pratos chegaram, e juntos começamos a comer. Por diversas vezes olhei para o lado de fora através do vidro, e parece que meu acompanhante percebeu.
– O que você tanto procura do lado fora? – tomou um gole de seu vinho e me encarou esperando a resposta.
– É a primeira vez em meses que venho a um restaurante e não tem nenhum paparazzo do lado de fora querendo uma foto – dei um sorrisinho para ele, que fez uma expressão confusa. – Isso é tão bom.
– Você é famosa ou algo do tipo? – arqueou uma das sobrancelhas, balancei a cabeça negativamente. – Então por que os paparazzi te perseguiam?
– Namorei David Luiz – dei de ombros desviando o olhar para meu prato. – Fui o centro das atenções por algum tempo.
– Você era a namorada de David Luiz? – ele parecia impressionado. – Ouvi boatos pelos corredores da universidade de que a suposta namorada dele estudava ali, mas nunca descobri quem era.
– Descobriu! – fingi animação, riu da forma como falei.
– Quanto tempo vocês namoraram?
– Três anos e nove meses – olhei para ele suplicando em silêncio para que esquecêssemos aquele assunto.
– Sua relação com sua família, como é? – mudou de assunto.
Saímos de um assunto complicado, para entrar em um pior ainda.
– Tenho uma relação normal com meus pais, falo com eles uma vez por dia e eles sempre me mantém informada das coisas que ocorrem na minha ausência – respirei fundo antes de prosseguir. – Minha irmã , mora na Rússia com o marido, Bernard. Nós nos afastamos quando ela começou se dedicar ao casamento. Meu irmão , atualmente está na Rússia com a seleção, mas quando não está servindo a CBF, trabalha em uma Clínica na Espanha, especializada em fisioterapia. Nem sei por que deixamos de nos falar, acho que o motivo de ter abandonado meus irmãos não foi porque eles resolveram seguir com a vida, e sim porque quis me livrar de todos que me lembravam de David, ou seja, me afastei deles porque os dois me lembravam de meu ex-namorado.
– Você se arrepende? – questionou fazendo um sinal para o garçom. – Queria voltar atrás?
– Não sei, acho que tudo acontece por um motivo – tomei a última dose de meu vinho. – A única coisa que me arrependo de não ter feito, foi insistir no contato com meus irmãos.
– Você não se arrepende de ter terminado com o zagueiro?
– Não, porque não fui eu quem pois um fim na nossa relação – respirei fundo novamente.
Era a primeira vez desde o ocorrido que alguém fazia com que eu falasse o que estava sentindo. A primeira vez que alguém queria me entender e ouvir o que se passava pela minha cabeça. tentava falar comigo, mas ele não fazia as perguntas certas para ter as respostas necessárias. não, ele parecia saber o que dizer e quando dizer.
– Só me arrependo de não ter tentado mais, de não ter ido atrás dele e pedido desculpas por ter deixado nosso namoro em último plano – observei o garçom retirar os pratos. – Mas se eu não fui atrás dele, se foi isso que Deus decidiu para mim, tenho aceitar, porque o futuro sem ele pode ser melhor para mim.
– Você sofreu muito? – continuou com o interrogatório.
– Não muito – dei de ombros. – A primeira semana foi a mais complicada, mas depois eu ocupei minha mente com a fase final da universidade e acabei esquecendo o assunto.
– E agora você pensa nisso o tempo inteiro? – fez um aceno com a cabeça ao garçom em forma de agradecimento quando este serviu a sobremesa.
– Só quando algo me faz lembrar – encarei a taça sorvete de frutas vermelhas. – Mas não dói tanto, se fosse a velha , a que não sabia lidar com esses sentimentos, talvez eu sofresse mais.
– Então você sabe lidar com tudo isso? – colocou uma grande quantidade de sorvete na boca. Apenas assenti e também tomei uma colher de sorvete. – Me fale sobre seu trabalho.
O resto do jantar correu bem, não falamos mais sobre minha família e nem sobre meu antigo relacionamento.
Depois que saímos do restaurante, fomos até uma praia perto dali, onde estava ocorrendo um luau.
Havia alguns troncos de árvores formando um quadrado, uma fogueira no centro e pessoas sentadas sobre os troncos, cantando músicas e às vezes contando histórias e piadas.
conhecia a maioria das pessoas, e não perdeu tempo ao cumprimentar algumas delas. Depois foi até o carro pegar dois cobertores grandes e grossos, um para sentarmos e outro para que pudéssemos nos cobrir.
Eu me sentei entre suas pernas, e passou os braços pela minha cintura me prendendo contra seu corpo, durante várias vezes sentia seus lábios se pressionando contra meu rosto e pescoço trazendo um arrepio bom para meu corpo. Era ótimo sentir essa sensação novamente. E mais uma vez nas últimas vinte quatro horas eu senti a sensação de conforto, de que tudo parece certo e no seu devido lugar. Como se os braços de fossem o meu lugar.

Resmunguei alguma coisa – que nem eu mesma sabia o que era – assim que senti uma luz me cegar. Tentei me mexer, mas não consegui já que um peso sobre meu corpo me impediu de tal ato. Foi aí que lembrei que tinha dormido na praia, junto com todo o pessoal do luau que agora já se preparava para ir embora.
Chamei o nome de diversas vezes até finalmente acorda-lo e lembra-lo que eu precisava voltar para o hotel.
Nos despedimos assim que ele estacionou o carro. Assim que cheguei ao quarto, tudo o que fiz foi tomar banho e me jogar na cama, dormindo ali mesmo de qualquer jeito.
Acordei sendo cutucada por alguém que estava prestes a encontrar o capeta lá no quinto dos infernos.
Abri meus olhos de maneira lenta, dando de cara com a figura queimada de . – Desculpa te acordar – meu amigo coçou a nuca. – Mas é o David no telefone.
Meu corpo inteiro estremeceu, e por um milésimo de segundo eu não sabia o que fazer. Respirei fundo antes de dizer a única coisa que nunca passaria pela minha cabeça há três dias.
– Diga que não quero falar com ele.
Dito isso me joguei novamente debaixo das cobertas e fechei meus olhos. Mas meu quase sonho com o Justin Bieber foi interrompido pelo barulho de meu celular anunciando uma nova mensagem de texto. Pensei em ignorar quando achei que fosse de David Luiz, mas era de .

"Estarás ocupada agora à tarde? Pensei em te ensinar a andar de skate. Xx ."

Sorri com a maneira simples que ele arrumava de me manter perto de si. E eu cheguei a me perguntar o que queria comigo de verdade.

"Te vejo as quatro Xx ".

Depois do almoço, eu ainda tirei um cochilo antes de ir me arrumar e descer para encontrar , que me esperava do lado de fora do hotel, franzi a testa quando constatei que era a primeira vez que ele não entrava no hotel para me buscar.
Fomos de carro até a uma praça, que era o melhor lugar para se aprender a andar de skate, principalmente para uma pessoa que mal conseguia ficar de pé em cima de um. Durante toda a 'aula', eu mais cai do que fiquei de pé, e eu poderia ter certeza que fazia isso de propósito, apenas para fazer com que nossa proximidade aumentasse, já que era para os braços dele que eu ia quando despencava de cima do bendito skate.
Após ficarmos algumas horas ali, decidimos que era hora ir comer. Tudo o que eu quis foi um sorvete, que foi pago por meu acompanhante.
, o que você diria se eu dissesse que estou apaixonado por você? – fui pega de surpresa.
Eu sabia que isso podia acontecer, mas nunca imaginei que seria tão rápido e de uma maneira tão repentina. "Eu me apaixono facilmente". Eu deveria ter me lembrado disso, lógico que era algo importante, então não poderia ser esquecido. O problema é que não sei se também estou apaixonada.
– Eu não sei – me virei para encara-lo. – Não faço ideia do que dizer.
Eu realmente não sabia o que dizer. Não queria dizer que compartilhava dos mesmos sentimentos, mas não poderia deixa-lo sem resposta.
– Tudo bem – respirou fundo antes de me lançar um sorriso, mas aquele não era como os outros. – Vou te levar para o hotel.
, eu...
– 'Tá tudo bem, – riu sem humor. – Entendo, você deve está se perguntando como isso aconteceu tão rápido.
– Não é isso – me aproximei dele – Eu só não estou pronta, apenas isso.
– Vem, vou te levar para o...
– Quero ir andando – o interrompi, franziu a testa. – Preciso pensar.
assentiu. Acenei para ele antes de me afastar.
Tudo o que eu precisava era de um tempo, longe de e daquela sensação de equilíbrio que ele me trazia. O problema era que eu só tinha mais seis dias em Cancun, então preciso decidir se estou ou não apaixonada por .
Foram três dias que não me procurou, e lógico que eu senti falta dele e das horas que passávamos juntos, o problema era que eu ainda não tinha certeza sobre meus sentimentos pelo rapaz. Nesses três dias, eu consegui conversar com e , nossa amizade pode não ter voltado a ser como era antes, mas pelo menos voltamos a nos tratar como irmãos.
Agora só preciso resolver meu assunto com , e tudo estará resolvido, pelo menos eu acho.
– David ligou de novo – comentou assim que saí do banheiro. – Ele disse que precisa falar com você.
– Já disse que não quero falar com ele – resmunguei me jogando na cama. – Parece que ele não entende.
– Você deveria dizer isso a ele – comentou meu amigo deitando-se ao meu lado. Quando percebeu que eu não diria nada, resolveu prossegui. – Então, o que você acha de sairmos hoje?
– E a Chloe? – coloquei um dos braços em cima dos olhos. – Te dispensou?
– Não, mas eu que disse que iria sair com minha melhor amiga que está com dor de cotovelo – dei uma cotovelada em sua costela, fazendo-o gemer de dor. – Cretina – xingou baixo, mas depois riu e continuou. – Vai ter uma festa no apartamento de uma amiga de Chloe, se você quiser podemos ir.

Passei a mão em meu vestido preto assim que saímos do elevador que estava cheio de jovens que iriam para a mesma festa que e eu, era possível ouvir a música alta vinda de um dos apartamentos. Assim que entramos me deparei com , conversando na maior intimidade com uma mulher loira que devia ser pouquíssimos anos mais velha que ele.
ficou tenso ao meu lado, olhei de canto de olho para ele, que possuía o maxilar travado.
– É o – comentei cheia de ciúmes, senti uma dor no peito, um sentimento de perda.
– E a Chloe.
Por isso tinha ficado tenso ao meu lado, porque a garota com quem ele saiu durante a semana inteira estava com outro. Acho que ele deve ter sentido o mesmo que eu, a mesma vontade de sumir. E foi isso que nós fizemos, saímos dali, mas não antes de dar uma última olhada em direção aos dois que já tinham percebido nossa presença.
, espera eu posso explicar – disse assim que chegou perto de mim e , enquanto nós aguardávamos o elevador. – Não é nada disso que você está pensando.
, me ouve... – Chloe implorou, meu amigo apenas ignorou assim como eu. – ...
, para, deixa eu expli...
– Você não me deve explicações, – me virei de frente para ele o fuzilando com o olhar. – Não me deve NA-DA!
O elevador chegou no momento em que terminei de falar, me puxou para dentro do mesmo. Mas antes das portas serem fechadas, pude ouvi uma frase que nunca seria completa.
– Nós somos i...
e eu decidimos ignorar o assunto pelo dia seguinte inteiro e também pela manhã do outro dia. Amanhã era meu último dia em Cancun e desde então não falava com . E nem queria.
Estava sozinha no quarto de hotel, arrumava as minhas coisas por que queria aproveitar ao máximo o dia seguinte. tinha saído com e Ashley que lembraram que existia um mundo fora daquele hotel.
Quando terminei de arrumar minhas malas, resolvi enviar uma mensagem à .

"Volto para NY depois de amanhã, vou esperar sua visita. Xx ;–)".

Assim que a mensagem foi enviada, recebi uma de .

"Esqueci meu cartão dentro do quarto. Você pode abrir a porta?"

Revirei os olhos com a idiotice de meu melhor amigo. E enviei uma resposta.

"Não haha."

[Play Na Música: Fall – The Vamps]

Dirigi-me até a porta e passeio meu cartão nela, girando a maçaneta em seguida.
– Você podia ser menos bu... ?

Didn't know you were ready, ready for it all
(Não sabia que você estava pronta, pronta para tudo)
Never said that you'd get me, you never let me know
(Nunca disse que iria me ter, você nunca me deixou saber)
If I knew then what I know
(Se eu soubesse o que sei)

– Eu só quero que você me escute – pôs o pé na porta me impedindo de fecha-la.
– Eu não quero te ouvir – meu tom saiu mais alto. – Não quero ouvir suas mentiras. Agora SAI DAQUI.
– NÃO – berrou me fazendo soltar a porta, e ele entrou. – VOCÊ TEM QUE ME OUVIR.

Now you see that you're ready, now you wanna go
(Agora você vê que está pronta, agora você quer ir)
But darling, please don't tempt me
(Mas, querida, por favor, não me seduza)

– Vai atrás da Chloe – apontei para porta. – Ela pode querer ouvir suas mentiras, mas eu não quero.
– ELA É MINHA IRMÃ, SUA IDIOTA – gritou me fazendo encara-lo meio perplexa com a informação, dando espaço para ele se aproximasse de mim. – SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE QUE É DE VOCÊ QUE EU GOSTO?.

I've gotta take control
(Eu tenho que assumi o controle)
Turn the lights way down low
(Abaixe as luzes)

– É por você que estou apaixonado – amaciou a voz. Ele deu mais alguns passos em minha direção, fazendo meu corpo estremecer com a proximidade. – Poderia aparecer qualquer garota, poderíamos estar no meio de uma multidão – me pegou pela cintura e focou seu olhar em meus lábios. – Mas era você que atrairia minha atenção, porque é por você que meu coração bate mais forte.

Can't take my eyes off
(Não consigo tirar os meus olhos)
Can't take my hands off you
(Não consigo tirar minhas mãos de você)

Quando senti seus lábios roçarem nos meus, foi que consegui acordar de meu transe. Eu não podia cair naquele papo de irmã, não podia deixar com que ele descobrisse que sim, eu era vulnerável a ele, simplesmente por que...
Estou perdidamente apaixonada por .

For the first time
(Pela primeira vez)
Just Fall
(Apenas apaixone-se)

– Você não pode negar que sente o mesmo por mim, você sabe que não pode fazer isso – sussurrou próximo demais, seus lábios ainda tocavam nos meus e eu sentia que a qualquer momento me entregaria aquele sentimento que pulsa dentro de mim. – Você sabe o que quer, apenas faça, .
E eu o afastei de mim, o empurrando com as duas mãos, ele fez uma cara de decepção.
Arrependi-me de não tê-lo beijado.

Our hearts are racing
(Nossos corações estão acelerados)
Fall
(Apaixone-se)

Respirei fundo algumas vezes antes de voltar a encara-lo.
Seus olhos brilhavam com uma intensidade absurda. Eu queria aquilo, mas ainda não sabia se queria entrar em um relacionamento novamente. O problema era que a cada segundo, eu me apaixonava ainda mais por aquele britânico.

Why did web wait so long?
(Por que esperar tanto tempo?)
We Just Fall
(Apenas nos apaixonamos)
Hold on, hold on, hold on
(Continue, Continue, Continue)

– Quando nos conhecemos, naquela noite depois da tempestade. Lembra? – me perguntou, apenas assenti enquanto me afastava dele. – Senti que era você, não sei como e nem por que... Mas, eu soube que era você a mulher que esperei a minha vida inteira. E eu ainda não sei lidar com isso, não sei se é certo ou errado, mas eu quero tentar e preciso que você queira tentar comigo.

The night we met underground starlight, after the storm
(A noite que nos conhecemos sob a luz das estrelas, depois da tempestade.)
And knew that we would be alright
(E sabia que ficaríamos bem)
Your skin feels soft and warm
(Sua pele fica macia e quente)

Eu não disse nada, apenas o deixei sozinho na 'sala' e me dirigi até o quarto. Era estranho ouvir alguém me dizendo aquelas coisas, não que fosse algo ruim, mas ainda assim era estranho.
veio atrás de mim, me virei para ele e suspirei algumas vezes.
– Eu sou difícil, – comecei a dizer. – Vivo com medo de me arrepender de minhas atitudes, medo de o que sinto não ser o que realmente é melhor para mim. E se o que sinto for apenas carência? Falta do que já tive um dia. Eu não sei se posso fazer isso comigo, fazer isso com você.
– Você nunca vai saber se não tentar.

Now let's go round one more time
(Agora vamos dar a volta mais uma vez)
Can't take my eyes off
(Não consigo tirar meus olhos)
Can't take my hands off you
(Não consigo tirar minhas mãos de você)

– Você só precisa tentar – deu alguns passos em minha direção, e eu recuei alguns passos. – Deixa eu te mostrar que vai valer a pena?
– E se não valer a pena? – perguntei receosa.
– Vai valer... Eu prometo.

And for the first time
(E pela primeira vez)
Just Fall
(Apenas apaixone-se)
Our hearts are racing
(Nossos corações estão acelerados)
Fall
(Apaixone-se)

– Não fuja de mim, – disse quando recuei mais dois passos para longe dele.
– Não estou fugindo.
– Claro que está – deu três passos na minha direção, e mais uma vez eu recuei, mas infelizmente, ou não, encontrei a parede. – Agora não está mais.

Why did we wait so long?
(Por que esperar tanto tempo?)
We Just Fall
(Apenas nos apaixonamos)
Hold on, hold on, hold on
(Continue, continue, continue)

– Você só precisa querer tentar – aproximou seus lábios dos meus. Enquanto levava uma das mãos para minha cintura. – E eu prometo que tento com você.
Fechei meus olhos quando senti sua respiração quente entrar em contato com a minha, que estava ofegante.
– Eu quero – minha voz saiu quase em um sussurro.
– Quer o quê? – roçou seus lábios nos meus.
– Tentar.

You say you're ready, ready to go
(Você diz que está pronta, pronta para ir)
I say I'm ready, why don't we just fall?
(Eu digo que estou pronto, então por que não nos apaixonamos?)
For the first time
(Pela primeira vez)
Just Fall
(Apaixone-se)
Our hearts are racing
(Nossos corações estão acelerados)
Fall
(Apaixone-se)

Os lábios de eram macios, quentes e suaves. Encaixavam-se aos meus como se fossem par um do outro.
Eu posso não ter certeza de nada, posso ter medo e receio de me arrepender no futuro. Mas enquanto estiver nos braços de , isso não terá importância alguma, porque é com ele que quero ficar.

Why did we wait so long?
(Por que esperar tanto tempo?)
We Just Fall
(Apenas apaixone-se)
Hold on, hold on, hold on
(Continue, continue, continue)
Just Fall
(Apenas apaixone-se)

O beijo foi se rompendo com selinhos demorados. deixou sua testa colada à minha. Abri meus olhos e encontrei aquele brilho nos olhos dele, ainda mais intensos, foi impossível não sorrir e receber um sorriso de volta.
– Você não precisa ter medo – sussurrou passando uma das mãos no meu rosto. – Sempre vou estar aqui.
– Se você estiver do meu lado, , eu nunca terei medo – respirei fundo antes de dizer o que já estava na ponta de minha língua. – Porque eu também estou apaixonada por você.

Our hearts are racing
(Nossos corações estão acelerados)
Fall
(Apaixone-se)
Why did we wait so long?
(Por que esperar tanto tempo?)
We Just Fall
(Apenas nos apaixonamos)
Hold on, hold on, hold on
(Continue, continue, continue)
Hold on, hold on, hold on
(Continue, continue, continue)
Hold on
(Continue)

Fazia exatas duas semanas desde que voltei para New York. O apartamento onde morávamos – eu, , Ashley e – tinha ficado pronto durante nossa viagem à Cancun e agora tínhamos uma residência nossa que ficava em Long Island.
Como sempre eu estava sozinha ali. viria me visitar junto com Bernard e , e eu finalmente iria contar sobre meu namoro e apresentar para eles. Meu namorado que por sinal estava muito atrasado.
Ouvi a campainha tocar e corri para abrir a porta para meus convidados. Só que tudo que desejei foi nunca ter aberto aquela maldita porta.
– David? – minha respiração falhou no momento em que pronunciei o nome do zagueiro. – O que você está fazendo aqui?
– Quero você de volta – ele foi direto ao assunto, sem rodeios como era todas as vezes que iríamos conversar sério. – Você não faz ideia do quanto me arrependo de ter deixado você escapar.
Meu coração quase para quando ouvi o que ele acabara de dizer. Minhas pernas ficaram bambas e minhas mãos suaram. Aquelas eram sensações que só ele me trazia, que apenas David Luiz era capaz de trazer para meu corpo, para minha pele.
– Me perdoa por tudo – entrou no momento em que dei espaço para que ele fizesse aquilo.
– Você não pode fazer isso, David – enfiei uma das mãos nos cabelos. Luiz me abraçou – Não pode sumir por três meses e depois voltar pedindo perdão, como se apenas isso fosse o suficiente para que eu esqueça as lágrimas que derramei.
– Eu sei – beijou minha cabeça, me fazendo respirar fundo. – Mas eu quero me redimir, mostrar que me arrependo. Os três meses longe de você, foram os piores da minha vida. Nem quando passamos por todas aquelas confusões antes de namorarmos foi tão difícil.
– Nosso relacionamento inteiro foi difícil – tirei os braços dele de meu corpo. – Acho que é melhor continuarmos assim, estou bem longe de você.
– Você só pode estar brincando – passou as mãos no rosto. – Eu recebi todos os e-mails que você enviou antes de ir naquela viagem à Cancun.
– Assim como recebi todos os recados de que você queria falar comigo – o lembrei de todas as ligações que ele me fez nas últimas semanas. – Recebi todas as respostas dos e-mails, mas não abri nenhum. – Eu tenho namorado, David – respirei profundamente, vi a expressão de David mudar de certeza para decepção, mas aquilo logo deixou sua face. – E ele gosta de mim.
– Sou eu quem te ama, – e mais uma vez senti aquelas sensações que só ele me trazia. – E posso te dar um tempo, vou ficar em NY por mais dois dias no The Plaza Hotel . Se você estiver disposta a ficar comigo, eu quero casar com você...
"Casar com você"... Aquelas palavras me atingiram como uma bomba, e foi necessário em me sentar no sofá para absorvê-las direito.
– Eu não sei, David – minha voz saiu quase em um sussurro.
David disse mais algumas coisas antes de selar nossos lábios.
– The Plaza Hotel, dois dias.
Virei-me para vê-lo sumir pela porta e vi parado do lado de fora. Levantei-me e caminhei até ele, que se afastou de mim.
...
– Ele beijou você – disse entredentes, nunca tinha visto daquela maneira. – E você não fez nada.
...
– O que ele queria? – questionou entrando no apartamento, segui atrás dele.
– Ele pediu para que eu volte com ele – respondi tentando me aproximar de meu namorado, que se afastou novamente.
– E o que você disse? – aumentou o tom de voz, eu não respondi. – O que você disse?
– Que eu não sabia...
– Então procure saber, decida o que você quer – meteu as mãos nos bolsos da calça. – Se você quiser ficar comigo, sabes onde moro.
, espera...
– Você quer ficar comigo, ? – senti o pingo de esperança no seu tom de voz e em sua expressão.
Mas eu não disse nada, e o que lhe sobrava de esperança se dissipou com meu silêncio. Ele não disse mais nada, apenas me deixou sozinha com meus pensamentos.
Eu ainda amo David, mesmo depois de meses, mesmo depois do tempo que passamos longe um do outro. E eu penso, lembro e sinto todas aquelas sensações que ele é o único que é capaz de causar em mim. O problema é aquela sensação de que a qualquer momento eu não aguentarei a pressão da mídia e o deixarei, ou ele fará isso como fez uma vez.
me faz bem, feliz e com aquele sentimento de estabilidade e certeza de um sentimento que é correspondido, mas o que sinto por não é amor e não será amor tão cedo.
E eu só não tenho certeza se quero abrir mão do amor que David sente por mim, da proposta de casamento e de um futuro que sempre sonhei para mim, ao lado do homem que amo desde meus dezessete anos. não me traz a certeza de um futuro, apesar de trazer certezas de muitas outras coisas.
David me causa aquele arrepio pelo corpo, aquele calor no coração e aquela sensação de que minhas pernas viraram gelatina. não me causa nada disso, mas eu me sinto segura em seus braços como nunca me senti com mais ninguém.
David já me deixou por causa de minhas escolhas, vai estar ao meu lado em todas as decisões que eu tomar.
David me ama, eu não sei.
David me completa, me reconstrói.
E foi analisando tudo isso que eu tomei minha decisão dois dias depois, foi isso que me levou até a frente do prédio luxuoso em que me encontrava agora.
Entrei no elevador após me identificar dizendo que alguém supostamente estaria me esperando, e eu estava certa. Tinha alguém me esperando ali.
Bati na porta e vi a expressão surpresa e ao mesmo tempo feliz do cara que eu tinha escolhido ficar ao lado.
Ele sorriu, e ao ver aquele sorriso eu tive certeza de que fiz a escolha certa. Que não são sensações e nem futuro que importavam. Mas sim, o sentimento que existe dentro de mim.
– Já decidi com quem quero ficar – comentei sentindo um frio na barriga. – E é com você... – me aproximei dele e rocei nossos lábios. –....

Fim!



Nota da autora (09/11/15): Oi leitores, usei como base nessa shortic, uma longfic que eu escrevo e que a personagem principal faz par romântico com David Luiz. Fiz isso porque estava sem inspiração e não tinha ideia do que escrever, então apenas pensei “Foi usar isso com base e seja o que Deus quiser”, e saiu Fall. Eu particularmente amei, apesar de não ter caprichado no romance porque não sei escrever esse gênero, mas espero ter suprido as expectativas e agradado a todos. No final, pensei em não dizer com quem ela ficaria, pensei em deixar isso para a imaginação de vocês, mas percebi que não gostaria que fizessem isso comigo, então deu nisso. Agradeço a todos que leram, a Anny e a Isabelly que tiveram paciência com o atraso no envio e tudo mais. É isso, beijos e até a próxima.


Nota da Beta: Eu certamente iria querer te bater se você deixasse para a minha imaginação, logo a minha, decidir com quem ela ficaria hahaha Mentira, não sou agressiva assim! Mas fiquei perturbada com esse final, meu Deus. Apesar dos pesares, gostei bastante da fic, e nem precisa agradecer, Carol, paciência é algo que eu e Isy temos de sobra, e com esse ficstape lindo, nem se fala. Falando nisso, não se esqueçam de dar uma passadinha nas outras fics desse ficstape e nos outros ficstapes, okay? Xoxo-A




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