Última atualização: 27/05/2021

Capítulo 1 – Partida

Desde que me formei em História, coloquei na cabeça que iria conhecer algum lugar histórico fora do país. Não que no Brasil não tenha, muito pelo contrário! O Brasil é riquíssimo nesse quesito. Porém, durante meu curso, tive a oportunidade de visitar muitos lugares e aprender muito sobre suas histórias. Por isso, há mais de dois anos, eu e estamos conversando sobre uma proposta de emprego, e, consequentemente, a minha tão sonhada EuroTrip. era um crush da época da faculdade que eu ainda mantinha contato. Ela trancou o curso e foi viver pelo mundão. Conheceu muitos países, até que conseguiu um emprego no Royal Caribbean, que é um navio cruzeiro.
E por que eu escolhi a Europa? Bom, vamos começar com Vlad Tapes, Bran Stoker, Jane Austen, Olga Benário, Romeu e Julieta e tantos outros autores e personagens da ficção, ou não, que me acompanharam desde a adolescência até a faculdade. Eu sentia que precisava estar nos lugares que eles estiveram, ou que descreveram em seus romances. E óbvio, a minha alma de historiadora gritava para conhecer cada cantinho da Europa e ver de perto o Muro de Berlin, Auschwitz, as ruínas gregas... Se eu fosse falar todos os lugares que quero ir, ficaríamos pelo menos dois dias falando sobre isso! E claro, não menos importante, o fator dinheiro. Existem trens que, além de serem razoavelmente baratos, podiam te levar de um país ao outro muito rápido. Não era a coisa mais confortável do mundo, mas era a mais barata e viável no momento, já que eu queria passar por lugares que o turismo convencional não me levaria.
Então, o tão aguardado dia havia chegado. Eu pegaria um avião para a Espanha, e o Cruzeiro estaria atracado no porto de Barcelona. Infelizmente, eu chegaria e embarcaria no Cruzeiro no mesmo dia, mas ok. Quando chegasse na Grécia, poderia desembarcar e seguir minha viagem pelos outros países.
Quando cheguei em Barcelona, já estava me esperando no aeroporto. Eu não a via há quase três anos, e a mulher continuava lindíssima. Ela tinha o meu tamanho – um metro e sessenta –, cabelos ruivos e lisos na altura dos ombros, uma boca bem vermelha e bem desenhada. A mulher era toda linda, e, pelo jeito, o meu crush por ela nunca iria passar!
Nós já ficamos algumas vezes, até transamos, mas era só isso. Tinha dias que sentávamos no barzinho em frente à faculdade, bebíamos, falávamos sobre várias coisas da vida e cada uma ia pro seu lado. E tinha outros dias que não podíamos nem nos olhar que o fogo acendia. Era uma relação gostosa e eu sentia falta de ter isso – algo que era gostoso, simples e sem nenhum compromisso.
Depois que a trancou a faculdade, comecei a namorar o Lucas. Ele era bem gato também, mas nunca prestou. Fui corna por um bom tempo sem saber. Por isso, meu foco agora era outro. Nada de relacionamentos que possam durar mais do que o tempo que eu ficasse na cidade.
— Oi, Crush! — era como nos cumprimentávamos na faculdade.
— Oiii, Crush! Como você está linda! Que saudades eu senti de você! — falava enquanto me abraçava.
Nunca fui nenhuma beldade, mas tentava me arrumar, pelo menos. Nunca tive um corpo padrão – sou gorda, tenho pernas grossas, algumas tatuagens espalhadas pelo corpo e o cabelo longo e colorido. Agora ele estava pink, mas isso poderia mudar a qualquer momento. parecia uma pintura renascentista, enquanto eu, um Romero Britto.
foi me puxando pelo aeroporto sentido à saída. Eu carregava apenas uma mochila enorme, daquelas de mochileiro mesmo. Afinal, não dava para andar de país em país com uma mala de rodinhas para cima e para baixo. E como trabalharia num cruzeiro, ia usar um uniforme na maior parte do tempo que estivesse lá.
A minha função era organizar as festas para os tripulantes, que aconteciam de quarta a sábado. Eu teria que decorar o espaço e não deixar que nada de errado ocorresse durante as horas de festa. Era um trabalho até que fácil e bem legal, e o pagamento era muito bom também, o que iria me ajudar a me manter na Europa enquanto já não estivesse mais no navio.
— Vamos, me arrastava para área de táxis do aeroporto. — Pelo horário, ainda podemos pegar o almoço do melhor restaurante do navio. Tô azul de fome, você não está?
— Na verdade, estou ansiosa. Por isso não consigo nem sentir fome, amiga!
De fato, eu estava com aquela cara de turista boba, olhando para tudo. Estava muito visível que era minha primeira vez em outro país.
Pegamos o táxi e fomos em sentido ao porto. Era final de verão, o dia estava quente, e o céu todo azul sem nenhuma nuvem. Eu não era muito fã de calor, verão e sol. Mas ali, em um cenário totalmente diferente do que já havia visto, senti como se aquilo fosse um sinal de boa sorte para mim. Eu estava começando a minha “aventura”.
Quando chegamos ao porto, fomos direto para o deque de embarque onde a supervisora dos funcionários se encontrava com o meu crachá. Eu já a conhecia por conta das várias entrevistas que havia feito via Skype.
Margot era uma mulher um pouco mais alta do que eu, negra, com os cabelos crespos num black power de dar inveja a qualquer um, muito simpática e com um olhar até meio materno. Olhar este que pude ter certeza quando nos encontramos pessoalmente: ao invés do aperto de mão formal e costumeiro, ela veio com os braços abertos e com um sorriso largo nos lábios.
— Seja muito bem-vinda ao Royal Caribbean! Estou muito feliz de ter você aqui juntando-se à nossa equipe! — disse, me soltando do abraço que até me pegou de surpresa.
— Eu que estou agradecida pela senhora ter me aceito — sorri para ela verdadeiramente.
, já conversamos anteriormente, nada de senhora! Até porque temos quase a mesma idade!
Margot tinha 37 anos, e eu 27. Acho que dez anos de diferença não era muita coisa mesmo. Assenti ainda sorrindo, quando senti me pegar pela mão.
— Margot, vou levar a pra nossa cabine. Acho que ela está cansada da viagem — falou, se direcionando para a entrada do navio gigante.
Sou péssima de matemática, mas aquele navio devia dar uns trinta campos de futebol! Era enorme. Tinha de tudo dentro daquele trambolho: cassino, salão de festas, um mini parque aquático, um shopping! Quem vai fazer compras em shopping num cruzeiro?! Gente rica faz de tudo para gastar seus milhões, eu hein!
Nossa cabine não tinha nenhum luxo. Era um quarto compartilhado com um banheiro pequeno, duas camas de solteiro, uma TV e um armário com cofre. Não tinha janela, mas tinha ar condicionado. Era uma cabine ok, afinal, éramos funcionárias. Em nossos dias de folga, poderíamos andar livremente pelo navio, ou seja, mal usaríamos o quarto.
Enquanto eu trabalhava na parte da decoração e organização das festas, era bartender em um dos bares mais caros do navio. Nossa escala era bem diferente: ela trabalhava durante o dia, e eu, à noite. Nossos dias de folga dariam certo às vezes; em outros momentos, não. Ou seja, raramente iríamos nos ver e passar um tempo juntas.
, pode ficar com a cama da esquerda. Se estiver cansada, pode tomar um banho e dormir. Eu ainda tenho um turno durante a tarde, então nossa suíte luxuosa é totalmente sua, pode desfrutar — ela deu uma risadinha e eu a acompanhei. — Se sentir fome, é só mostrar seu crachá em qualquer restaurante. Se você ainda for aquela pessoa desorientada de três anos atrás, você vai se perder um pouquinho aqui dentro — falou, me dando uma piscadela enquanto eu revirava os olhos. Eu não era uma pessoa desorientada, só tinha problemas com direções. — Vou deixar um mapa do navio. Se você de fato se perder, é só seguir as placas, bebê!
Assenti, absorvendo todas as informações que havia me passado. Mas, na verdade, eu estava morrendo de sono. Fiquei tão ansiosa que mal preguei os olhos durante o voo, e o cansaço já estava batendo. Assim que ela saiu do quarto, revirei minha mochila, separei um pijama de short e blusinha e fui tomar um banho. Era uma hora da tarde e eu só queria dormir. Nem fome eu sentia. Tomei meu banho rápido e me deitei, logo pegando no sono.



Harry’s POV

Enfim as merecidas férias. Harry tinha passado anos pelo processo de escrita, gravação, divulgação, turnês mundiais... Ele precisava desse descanso, desse tempo para si. Quanto tempo duraria? Não fazia a menor ideia. Só precisava se desligar de muita coisa: Camille, depois Kendall, depois do lançamento do CD... Todas essas coisas o sugaram muito. Algumas de uma forma boa, outras nem tão boas assim. E era isso. Agora, ele iria se dedicar a ele mesmo. Iria fotografar – coisa que teve que deixar um pouco de lado –, e iria viajar para lugares que nunca tinha imaginado conhecer. Era essa a sua meta para, pelo menos, esse ano.
Harry se encontrava relaxado no sofá da sala de estar que antecedia seu quarto de luxo no Cruzeiro Royal Caribbean. Era uma suíte enorme para um único hospede, mas era bom estar em um lugar aconchegante sem ter que socializar o tempo todo. Ele amava seus fãs, mas precisava de um pouco de paz.
O navio tinha partido rumo ao mar Mediterrâneo fazia algumas horas. O sol já estava se pondo no horizonte, e Harry apreciava a vista que tinha da pequena varanda de sua cabine de luxo. Ele olhava para aquela imensidão azul e pensava o quão insignificante cada ser do universo era ao olhar para o oceano sem fim à sua frente. Foi quando uma voz feminina o tirou de seus devaneios. Ele desviou os olhos para o andar de baixo, um pouco mais à frente, e viu uma mulher recostada na borda. Ela segurava seu celular e falava em uma língua que ele não conseguia entender.
Harry ficou ali, prestando atenção na mulher que falava com alguém que aparecia na tela. Parecia uma conversa animada. Por um momento, ele pensou estar sendo evasivo, espiando as pessoas daquele jeito da sua varanda escura. Por outro lado, ele não entendia nada do que falavam mesmo; então ficou ali, olhando para ela.
A mulher estava com um vestido curto com estampa de melancias e tênis All Star brancos. Seus cabelos coloridos voavam um pouco por conta do vendo leve, e ela gesticulava como se a pessoa do outro lado da tela pudesse ver todos os gestos.
Harry acendeu um cigarro. Não era um vício, mas fazia isso às vezes. Se apoiou no parapeito da varanda e ficou ali, dando mais atenção do que o necessário para aquela mulher desconhecida. Era gostoso ouvir sua risada que saía fácil. A ligação foi finalizada e a mulher também acedeu um cigarro. Ela parecia hipnotizada pelo pôr do sol e por todas aquelas luzes laranjas que o sol deixava no oceano. Assim que o cigarro acabou, ela o colocou em um tubinho e ficou segurando-o. Quando se virou para pegar seu caminho, seja lá para onde fosse, deu uma olhada de relance para o andar acima. Harry rapidamente disfarçou e se afastou da varanda, dando um sorrisinho por quase ter sido pego espiando a mulher.


Capítulo 2 – Voyeur

Era terça-feira, então eu teria o dia livre, e, por sorte, também estaria de folga. Resolvemos levantar cedo e aproveitar aquele dia. Tomamos o café da manhã e passamos o dia andando pelos vários setores do navio. ia me mostrando cada local e cada “esconderijo”, enquanto caminhávamos despreocupadamente pelo espaço de mãos dadas.
— Estou muito feliz em ter um rosto familiar por aqui. Não que o pessoal da equipe não tenha se tornado uma família pra mim, mas, depois de quase três anos fora, é tão bom falar em português e rir dos memes sem ter que explicar — ela falava enquanto acariciava o dorso da minha mão com o dedo.
— Eu estava super ansiosa pra te ver. Não é a mesma coisa quando nos falamos por mensagens ou chamadas de vídeo. Senti saudades das nossas noites bêbadas na varanda da república, olhando pro céu estrelado — dei um empurrãozinho nela com o ombro de uma forma sugestiva.
Acabamos nos encostando no parapeito do navio. abraçou minha cintura e me puxou para um selinho. Retribuí, abrindo um sorriso em resposta. Então, logo estávamos dando início a um beijo lento. Era um beijo que eu definitivamente sentia falta, carinhoso e com o sabor de morango do protetor labial de .
Quando nos afastamos, coloquei uma mecha de cabelo dela atrás de sua orelha para ver melhor sua beleza.
— Não faz nem um dia que eu estou aqui e você já está querendo se enroscar comigo, dona ?
— E quem resiste a você, ? É só abrir esse sorriso que você ganha qualquer um!
— Crush, você é muito exagerada — falei, meio sem graça com o elogio.
Se tinha uma coisa que eu não sabia lidar era com elogios. Ficava vermelha na hora, e não sabia nem como agradecer ao gesto. Ou acabava mudando o foco do assunto, ou fazendo alguma piada idiota.
Foi um dia divertido. Eu, que nunca tinha entrado num cassino antes, consegui faturar 500 euros na maquininha. Só podia ser sorte de principiante. Na parte da noite, me levou para conhecer o bar onde ela trabalhava. Então, fizemos uma leve produção no visual. colocou um vestido rodado preto e branco, com uma transparência no peito e uma sapatilha nos pés. Eu também estava com um vestido, mas mais colado ao corpo, com uma estampa xadrez e meu fiel All Star nos pés.
— Fiu fiu — falou ao invés de assoviar, indo até mim e dando um selinho demorado em meus lábios. — Acho que podemos ficar aqui no quarto mesmo, o que acha? — perguntou, sugestiva.
— Eu adoraria — abracei-a pela cintura. — Mas eu realmente quero conhecer o bar e beber um pouquinho — dei uma piscadela.
— Ok, srta. Lee. Seu desejo é uma ordem! — ela pegou uma bolsinha e me puxou pela mão, rumando para o bar onde trabalhava.
Durante o caminho, andamos de mãos dadas, rindo de coisas idiotas faladas em português. Era divertido, porque dificilmente encontraríamos outro brasileiro por ali, e as pessoas pareciam não prestar atenção na gente.
Já no bar, me apresentou para seus colegas de equipe. Depois, fomos nos sentar em uma mesa no meio do salão. Era noite de karaokê. As pessoas realmente estavam animadas, bebendo e cantando. Alguns já estavam bêbados, outros nem tanto. Uns eram realmente bons na cantoria, outros eram bem horríveis!
— Vamos começar com cerveja, Crush?
— Na mosca, bebê! — pisquei.
levantou a mão, e um de seus colegas atendeu a mesa. Bebemos algumas cervejas e, depois, mudamos para o saquê. Era nossa bebida preferida, dos tempos que fazíamos faculdade. Até que eu tive a brilhante ideia de cantar no karaokê.
— Vamos, ?! Eu sei, somos muito ruins cantando, mas e daí? Não tem nenhum profissional aqui nesse bar! — pedi, já me levantando, meio cambaleando e rindo.
foi meio à contragosto, também já alterada pela bebida. Chegamos até a máquina de karaokê, e deu um gritinho, toda feliz:
— Nós vamos cantar One Direction!
Eu não era nem um pouco fã da boyband; talvez tivesse ouvido umas três músicas deles na vida. Com exceção do Harry Styles, que, depois que lançou seu primeiro CD solo, suas músicas não saíam da minha playlist. Entortei um pouco a boca, contrariada.
— Amiga, eu nem queria cantar. Você me arrastou, agora vamos cantar uma que eu gosto! — falou, autoritária. Não tinha jeito, eu ia ceder.
Já estávamos em cima do palco. selecionou uma música e Drag Me Down começou com seu toquinho. Ela começou a cantar, enquanto eu esperava minha parte.

I've got fire for a heart, I'm not scared of the dark
You've never seen it look so easy
I got a river for a soul and baby you're a boat
Baby, you're my only reason

Uma cantava olhando para a outra, meio que se declarando conforme cantávamos a letra.

If I didn't have you there would be nothing left
The shell of a man that could never be his best
If I didn't have you I'd never see the sun
You taught me how to be someone, yeah

Sabíamos que era tudo brincadeira, mas os espectadores realmente acreditavam que éramos um casal. Quando chegou o refrão, cantamos juntas, rindo da falta de afinação uma da outra.

All my life you stood by me
When no one else was ever behind me
All these lights, they can't blind me
With your love, nobody can drag me down

Nobody, nobody
Nobody can drag me down
Nobody, nobody
Nobody can drag me down

Continuamos a cantar dessa forma, até que a música chegou ao fim. Abracei e selei nossos lábios, ainda rindo da cena patética da gente agitando o bar com aquela apresentação ridícula. Descemos do palquinho e tomamos mais algumas doses de saquê. Então, decidimos que era hora de ir para o quarto, afinal, seria o meu primeiro dia de trabalho no outro dia.
Saímos meio cambaleando pela porta do bar, uma abraçada na outra, como nos velhos tempos. Enquanto caminhávamos, meio trançando as pernas, nos beijávamos e ríamos. me puxou pela cintura, me agarrando ali mesmo, e começamos a nos beijar intensamente. Enquanto eu segurava pela nuca, a mão dela deslizava da minha cintura para minha bunda, me apertando com certa vontade. Soltei um gemidinho baixo entre os lábios dela e, em seguida, sorri.
— A gente precisa ir pro quarto. Tipo, agora, .
— Concordo plenamente, Crush — ela respondeu com um sorriso malicioso nos lábios vermelhos. Depois, me puxou para entrar pela porta que dava para o corredor dos quartos dos funcionários.



Harry’s POV

Já fazia um dia que Harry não saía do quarto. As refeições foram feitas ali mesmo, onde havia uma mesa de vidro para duas pessoas. Ele estava ficando entediado, mas também queria evitar aglomerações. Sabia que alguém o reconheceria, e essa notícia iria correr pelo navio todo em questão de horas.
Durante a tarde, ficou na varanda apenas de samba-canção e roupão; às vezes tocando violão, às vezes observando as pessoas que passavam. Até que reconheceu a moça tatuada com os cabelos coloridos do dia anterior. Porém, dessa vez, ela estava acompanhada por uma ruiva. As duas caminhavam de mãos dadas e riam juntas de algum tipo de piada. Elas pararam ali perto por um tempo, trocando carinhos, e logo continuaram a caminhar.
Harry entrou para o quarto e mexeu um pouco nas suas redes sociais, sem postar nada. Isso já nem era mais novidade. No seu Instagram, as únicas coisas postadas eram sobre seu último trabalho, e muito raramente. Porém, o que poucos sabiam era que Harry tinha uma conta anônima para poder interagir e postar as fotos que ele tirava com a sua câmera fotográfica.
Sem paciência para aquilo, se levantou, tomou um banho e resolveu comer alguma coisa no restaurante. Colocou uma boina jeans e seus óculos de sol para não ser reconhecido – como se isso impedisse as pessoas de reconhecê-lo. Por sorte, a ala mais luxuosa do navio, em sua maioria, tinha pessoas mais velhas, que, muito provavelmente, não acompanhavam o trabalho do cantor.
Quando a noite caiu, ele resolveu ir até o bar. Sentou-se em uma mesa afastada com pouca iluminação e, assim que foi atendido, pediu um uísque, enquanto observava as pessoas ficando bêbadas e se divertindo. Harry começou a pensar se tinha sido uma boa ideia fazer um cruzeiro totalmente sozinho. Enquanto divagava por seus pensamentos, viu duas mulheres já bêbadas subirem ao palco para cantar no karaokê. Eram as duas que ele tinha visto mais cedo, caminhando pelo navio.
Quando percebeu o toque da música começar, ficou em alerta, para logo em seguida cair na risada ao ver a performance das duas bêbadas cantando Drag Me Down. Elas eram hilárias. Cantavam uma para a outra como uma forma de declaração de amor. Quando a música acabou, a de cabelo rosa selou os lábios nos da ruiva.
Com aquela cena, Harry sorriu e se retirou do bar, indo em direção ao seu quarto. Chegando lá, sentou-se novamente na varanda, agora vestindo apenas a samba-canção e fumando um cigarro. Ele achou muito bonita a cena do casal de namoradas se divertindo. Às vezes, sentia falta de ter alguém com quem pudesse se divertir despreocupadamente sem o julgamento das pessoas, sem os olhares de reprovação. Desde seus 16 anos, vivia nesse mundo da música. Mundo este que o fez ganhar muita coisa, mas Harry também teve de abrir mão de várias outras.
Barulhos de passos tropeçando e risadas altas desviaram seu foco. De novo eram as duas moças “coloridas”. Dessa vez, elas se apoiavam uma na outra de tão bêbadas que estavam. Mas logo aquela cena engraçada – a qual Harry se segurava para não rir alto e chamar a atenção delas –, tomou outro rumo. A ruiva puxou a outra pela cintura, dando início a um beijo cheio de desejo, e as mãos das duas deslizavam pelo corpo uma da outra. Harry balançou a cabeça, tentando tirar o foco daquela cena bem interessante aos seus olhos. “Mas aquilo sim era invasão de privacidade”, pensou.
A pegação estava esquentando entre as mulheres. A mão da ruiva foi parar na bunda da tatuada, o que deixou Harry levemente excitado.
— Não! Isso é muito errado — falou, já se levantando da cadeira, tentando fazer o mínimo de barulho.
Percebendo que as duas falavam algo em outra língua – talvez português ou espanhol –, a única coisa que entendeu foi a palavra “crush”. Logo em seguida, elas saíram tropeçando e entraram por uma porta abaixo de sua suíte.
— Definitivamente eu não deveria ter vindo para esse cruzeiro sozinho.


Capítulo 3 – Baile de Máscaras

Abri os olhos, tentando me acostumar com a luz fraca que vinha da TV. Levantei-me lentamente, pois minha cabeça girava um pouco.
— Droga. Não devia ter bebido ontem! — eu sempre falava isso, mas, na outra semana, já estava pronta para outro porre.
Percebi que estava completamente nua quando o lençol da cama deslizou pelo meu corpo. Dei uma olhada pelo quarto e, depois de ver as roupas espalhadas por todo lado, percebi que estava sozinha na cabine. A passos lentos, fui direto para o chuveiro. Eu precisava me arrumar logo para o meu primeiro dia de trabalho, ou ia me atrasar.
Tomei um banho rápido, tentando fazer com que aquela leve ressaca fosse embora pelo ralo. Coloquei o uniforme, que consistia em uma calça caqui – horrorosa, por sinal –, uma camiseta branca com o emblema do Cruzeiro bordado do lado esquerdo e um tênis também branco.
Prendi meus cabelos num rabo de cavalo e dei um jeito no rosto: passei uma maquiagem fraca e um delineador que já era meu companheiro desde a adolescência. Dei uma olhadinha no espelho, checando como eu estava. Não era a melhor roupa que já vesti e nem a melhor cara para o primeiro dia de trabalho, mas era o que tinha para aquele dia. Coloquei os óculos de grau, peguei o celular e saí rumo ao salão de festas para encontrar o resto da equipe que me ajudaria na organização.
— Olá a todos! — entrei no salão, cumprimentando algumas pessoas que se encontravam ali. — Meu nome é Lee, mas podem me chamar de . Sou brasileira, e serei a nova organizadora de eventos do Royal Caribbean com a ajuda de vocês. Acho que a Margot já conversou um pouquinho sobre mim com vocês, certo?
— Olá, . Meu nome é Frank, sou americano. É um prazer te conhecer — falou um rapaz que era um pouco mais alto do que eu, com cabelos castanhos e muitas tatuagens pelo corpo.
Sorri em resposta, apenas assentindo.
Outras pessoas da equipe foram chegando e se apresentando. Todos foram bem receptivos, mostrando onde guardavam as peças de decoração das festas. Eu não acreditava no tanto de coisa absurda que tinha naquele galpão gigante. Acredito que nem os galpões das escolas de samba no Brasil tinham tanta coisa quanto naquele ali!
O tema da festa daquela quarta-feira seria Baile de Máscaras. Então, eu e minha equipe conversamos um pouco para entrarmos num acordo em relação às cores, mesas, luzes e coisas do tipo.
Frank era sempre muito solícito. Sempre dava sua opinião, palpites, ou até mesmo se prontificava a buscar algo que eu precisasse. Espertinho, afinal, eu não ficaria como chefe daquela equipe por muito tempo.
— Está querendo pegar o meu cargo, Frank? — falei num tom de brincadeira, e logo emendando uma risada. Eu de fato não me importava quem ficaria no meu lugar quando chegássemos na Grécia.
! Eu jamais pensaria isso! — ele respondeu, um pouco assustado com a minha acusação.
— Frank, eu estou brincando com você! Estou muito agradecida por você estar me ajudando em tudo aqui — me justifiquei, para que não ficasse um clima chato.
Resolvemos que colocaríamos cortinas pretas e cascatas de luzinhas amarelas no fundo do salão, onde haveria uma mesa enorme com um buffet. Ao lado, ficaria o bar, que seria comandado pelo pessoal de um dos bares. No teto, ficariam pendidos vários pequenos lustres e um grande, no centro do salão. As mesas seriam cobertas com toalhas pretas e douradas e um arranjo de flores de plástico pintadas em dourado. E, entre as folhas, teriam pequenas máscaras venezianas. Na entrada do salão, fizemos uma parede com várias máscaras em tons de branco, preto e dourado, para que as pessoas parassem ali e tirassem fotos.
Eu estava bem satisfeita com nosso trabalho. O salão tinha ficado incrível com a decoração e as luzes.
— Pessoas, quero agradecer imensamente por tudo isso aqui — apontei o dedo, fazendo um círculo pelo salão. — Tenho certeza que os convidados vão se divertir e apreciar nossa obra de arte. Agora, podem descansar. Às nove horas, vejo todos vocês nos bastidores.
Peguei meu celular e tirei algumas fotos do salão para o arquivo do Cruzeiro, inclusive, uma da parede com as máscaras. Eu tinha adorado aquela decoração em especial. Postei no meu Instagram e também na conta do Cruzeiro, para chamar a atenção dos convidados.
Enquanto a festa rolava, eu e a equipe ficávamos de olho em tudo para que nada desse errado. Não poderia faltar comida, muito menos bebidas. A decoração tinha que estar impecável e durar até o final da noite. A única coisa que eu achava que não iria durar até o final da noite era eu! A maldita dor de cabeça da ressaca ainda estava ali, desde que eu tinha acordado.
— Hey, Sophie, pode ficar de olho em tudo aqui? — pedi. Sophie era uma das mais velhas da equipe, muito concentrada em tudo o que fazia. — Vou dar uma pausa, porque minha cabeça vai explodir.
— Claro, vai lá! Eu tenho remédio na minha bolsa, quer um?
— Nossa, você vai salvar a minha vida!
Esperei até que ela voltasse com o remédio e uma garrafa de água. Tomei tudo e segui para fora do salão. Peguei um cigarro no bolso da minha calça e o acendi, me apoiando no parapeito do navio.
— Não está gostando da festa? — ouvi uma voz rouca falar e se aproximar.
Quando olhei, vi um homem magro e alto, com os cabelos numa “bagunça arrumada”. Ele vestia uma camisa branca com alguns detalhes na gola e os botões de cima abertos, deixando alguns riscos de suas tatuagens à mostra. Também usava uma calça preta pantalona, e ainda vestia a máscara veneziana branca e dourada.
— Eu sou o outro lado da festa — traguei o cigarro e dei de ombros.
— Como assim? — ele insistiu, tombando um pouco a cabeça para o lado.
Dei mais um trago e, então, me virei de frente para ele. O homem estava parado, esperando pela minha resposta.
— Eu não estou curtindo a festa porque sou a organizadora — falei, meio curta e grossa.
“Com tanta mulher bonita lá dentro, o cara vem encher a minha paciência!”, pensei.
— Que pena! Mas se foi você que a organizou, está de parabéns. Está tudo muito bonito. Você tem talento! — ele estendeu a mão cheia de anéis, e suas unhas estavam pintadas de preto e vermelho. — Prazer, Harry! — disse, simplesmente.
Joguei o cigarro, olhei para aquela mão estendida e torci um pouco os lábios. Apesar de ter achado bem interessante as unhas pintadas, como uma pessoa se apresenta e nem mostra o rosto?! Estendi minha mão também, tocando a dele.
— ainda segurando sua mão, emendei. — Você não acha que deveria se apresentar de verdade?
— Mas eu estou me apresentando de verdade — o homem falou, meio em confusão.
— Tirando a máscara, moço! — falei, revirando os olhos.
— Ah, me desculpe! Eu me esqueci completamente disso — ele deu uma risadinha ainda abafada pela máscara, para logo em seguida retirá-la.
Ok, eu poderia estar alucinando de tanta dor de cabeça e ressaca... Mas o cara que estava na minha frente, trocando ideia totalmente despreocupado como se fosse uma pessoa comum era realmente Harry Styles?!
— Harry… Styles…
“Não surta, não surta, não surta, !”, eu repetia esse mantra mentalmente.
— Agora sim. Prazer, — ele me estendeu a mão novamente, com um sorriso torto nos lábios e os olhos brilhando.
“PUTAQUEPARIU, QUE HOMEM LINDO!”, pensei e estendi a mão também.
. Po-pode me chamar de — falei meio gaguejando. Eu queria me socar por isso!
Como eu havia dito, nunca fui fã de One Direction. Achava muito teen para a minha idade. Mas, quando ouvi Sign Of The Times do Harry – em uma fase bem bosta da minha vida, chorando por dias ao som dessa música –, passei a acompanhar o seu trabalho. Além do cara ser gato pra caralho, era extremamente talentoso e educado. Não tinha como não me tornar fã dele.
Porém, com quase trinta anos nas costas, você também tem que se controlar no surto, né?! Então, engoli toda minha vontade de dar um puta abraço no cara e continuei ali, plena.
— Ok, — Harry falou, abrindo mais o sorriso. — , você fez um ótimo trabalho lá dentro.
— Bom, eu e minha equipe, né? — respondi, dando um meio sorriso. — Er... Harry, eu preciso entrar. Meu trabalho lá dentro ainda não acabou.
“Por mim, ficaria aqui a noite toda”, pensei.
— Claro, não quero te atrapalhar, — como meu nome ficava lindo quando ele o pronunciava! — Eu te acompanho até lá dentro — ele fez um gesto com a mão para que eu fosse na frente.
Sorri meio sem jeito e fui andando na frente dele. Quando chegamos na grande porta de madeira que dividia o deque e o salão, ele se apressou e abriu a porta para que eu passasse. Novamente dei um sorriso sem graça ao passar por ele e continuei a andar com Harry ao meu encalço. Quando me virei para me despedir, ele já havia sumido. Fiquei parada no meio do salão, olhando para os lados que nem o meme do John Travolta, mas não o vi mais. Voltei para os bastidores, ainda passada pela cena que havia ocorrido há pouco.
EU ACABEI DE CONHECER HARRY FUCKING STYLES!


Capítulo 4 – O Encontro

Os outros quatro dias passaram voando, entre acordar depois do meio-dia, me arrumar e organizar outra festa. Para a minha sorte e da minha equipe, haviam pessoas que, assim que o salão de festas esvaziava, entravam em ação e desmontavam tudo.
Não encontrei mais o Styles pelo navio. Óbvio que eu queria encontrá-lo novamente. Seria idiota de dizer que não, mas não aconteceu. Vida que segue. Também não consegui contar para a que eu tinha o visto no navio. Todas as vezes que eu chegava do trabalho, ela já estava dormindo pesadamente, e quando eu acordava, ela já havia saído para o bar.
Enfim o domingo chegou, e minha folga também. Foram apenas quatro festas, mas que me sugaram a vida. Meu plano era me sentar em uma espreguiçadeira na área das piscinas e passar o dia ali. Coloquei o único biquíni que trouxe – sim, biquíni, mesmo sendo uma mulher gorda. Passei muitos anos da minha vida me escondendo por conta dos olhares gordofóbicos das pessoas. Hoje em dia, não estou nem aí se ficarem me olhando torto. Por cima, coloquei um vestido soltinho e um chinelo nos pés. Peguei o protetor solar, os óculos de sol e o celular; coloquei tudo dentro de uma ecobag e saí.
Antes de ir até a piscina, resolvi fazer o caminho contrário rumo ao bar onde trabalhava. Eu estava há dias querendo contar a ela que Harry Styles estava no navio, e nunca a encontrava acordada ou na cabine.
Entrei no bar e vi minha amiga atrás do balcão, então logo acenei para que ela me visse também.
— Crush, tem um minutinho pra conversar? — perguntei, assim que cheguei até .
— Claro, não tem muito movimento mesmo. Vamos ali nos sentar, sim? Aconteceu alguma coisa? — ela quis saber, um pouco preocupada.
— Acontecer, até aconteceu, mas não precisa ficar preocupada. É mais uma fofoca mesmo.
— Você veio até aqui atrás de mim pra contar uma fofoca? — ela me olhou meio incrédula.
sabia que eu não era de ficar fazendo fofoca, ou comentando sobre a vida alheia. Por isso o espanto. Nos sentamos em uma mesa mais reservada, enquanto eu dava de ombros para o que ela falava.
, é uma fofoca que te interessa. Então senta e escuta!
Contei a ela sobre eu estar de ressaca naquela quarta-feira, ter ido fumar um cigarro, e Styles ter me abordado.
— VOCÊ TÁ BRINCANDO, CARALHO!!! — ela deu um berro em português (ainda bem!), que ecoou pelo bar.
— Shiiiiuu! ! Para de escândalo, mulher! — segurei ela pelo braço e olhei em volta. Algumas pessoas nos olhavam com curiosidade.
— Como você não me contou isso antes? Onde ele está? Ele é tão gato quanto nos vídeos? Meu Deus, ! Você o agarrou? — minha amiga estava descontrolada, jogando várias perguntas sem que eu conseguisse responder a primeira.
! Calma! Ele só trocou meia dúzia de palavras comigo. Não faço a menor ideia de onde ele esteja, não o vi em nenhuma outra festa. Sim, ele é gato pra um caralho! E não! Eu não agarrei Harry Styles! Não tenho mais nem idade pra ser tiete de artista! — revirei os olhos.
, por favor, né! É Harry Styles! Qualquer uma gostaria de agarrar aquele homem!
, eu acho ele lindo, talentoso e, pelo visto, muito educado. Mas não dá pra sair agarrando as pessoas por aí, né? E outra, você trabalha nesse Cruzeiro há três anos, já deve ter visto um monte de famoso. Não tem porquê surtar assim.
— Vi sim, mas nenhum deles era membro da One Direction, amiga!
Ela parou de tagarelar por um instante e olhou fixo para um ponto do bar. Olhei para o mesmo canto, para ver no quê ela estava focada, mas não tinha nada. Comecei achar aquilo estranho, quando, do nada, ela solta:
— Nós vamos caçar esse homem pelo navio! — ela segurou o braço que eu apoiava na mesa.
— Tá louca, ? Eu não vou ficar caçando macho na minha folga, não! — soltei um braço do aperto dela.
— Você teve a oportunidade de agarrar esse homem, tirar foto e tudo mais, e não fez nada. Agora eu quero a minha oportunidade também!
, estamos em um navio. Não é como se ele fosse pular no mar, virar a Ariel e ir embora! Ele tá por aí, uma hora ou outra você tromba com ele — me levantei e estendi a mão para que ela se levantasse também.
— Vai pra onde agora? — ela analisava minhas roupas.
— Vou pra piscina, bebê. Se eu encontrar Harry por aí, falo que você mandou um beijo — falei, já me afastando e rindo da cara que ela fazia.
Eu sabia que surtaria com essa notícia. Quando passávamos um tempo juntas, ela sempre colocava alguma música da 1D – eu é que nunca prestei muita atenção mesmo.
Eu poderia pegar dois caminhos para chegar até o parque aquático: por dentro do navio e pelo elevador, ou por fora e ir apreciando o oceano. Escolhi a segunda opção. Apesar do sol forte, eu estava disposta a encará-lo e apreciá-lo naquele dia.
Eu andava tranquilamente com os óculos de sol no rosto e os fones no ouvido, quando senti uma mão segurar meu braço. Obviamente, tomei um susto e, no reflexo, empurrei a pessoa. Algumas outras, que estavam passando por ali, olharam meio de canto e cochicharam entre si.
— Hey, ! Calma! — a pessoa falava com os dois braços levantados, como se estivesse se rendendo.
Tirei meus fones e subi os óculos para os cabelos. Quando percebi quem era, fiquei sem reação. Coloquei uma mão na boca, soltando um palavrão em português.
— PUTAQUEPARIUHARRY! Desculpa, não vi que era você! — eu queria pular no oceano de tanta vergonha.
— Calma, não foi nada — ele falou, sorrindo e já abaixando os braços.
As pessoas que olhavam a cena já tinham seguido seu caminho também. Então, puxei-o pelo braço para um lugar que fazia sombra.
— Sério, desculpa. Não vi que você tinha passado por mim. Meus óculos de sol não têm grau, e eu tenho fotofobia — fui me explicando, porque foi um senhor empurrão que eu tinha dado no coitado.
— Hey, não esquenta. Eu que deveria me desculpar por chegar te segurando pelo braço. É que eu te chamei e você me ignorou — ele deu um sorrisinho torto, fazendo aparecer as covinhas, e eu perdi tudo nesse momento.
Dei uma piscada mais longa, tentando disfarçar que tinha focado naquele sorriso. Resolvi abaixar os óculos para os olhos novamente para não cometer a mesma gafe.
— Eu estava com os fones, por isso não te ouvi. E como eu disse, não enxergo muito bem. Com sol então, piorou! — mordi meu lábio inferior, ainda um pouco envergonhada pela cena. Aquele silêncio estranho entre nós começou, e eu tentei emendar outro assunto: — Err... Tô indo pra piscina. Você estava indo pra algum lugar?
— Ah, eu só estava andando meio sem rumo. Fiquei muito tempo dentro do meu quarto. Se importa se eu te acompanhar? — Harry perguntou, dando aquele sorriso torto outra vez.
Quem seria idiota de negar algo a esse homem quando ele dava esse sorriso? Eu que não seria!
— Ok! — respondi apenas e guardei os fones na ecobag.
— Então, está de folga hoje? — ele começou uma conversa aleatória, enquanto caminhávamos devagar.
— Como você sabe que é minha folga? — olhei para cima, já que ele era mais alto do que eu.
— Ah, deduzi. Sei que as festas só ocorrem de quarta a sábado. Te vi sem uniforme e indo pra piscina...
— Hm... É, hoje até terça estou livre pra apreciar as atrações do Cruzeiro Royale — falei, gesticulando de uma forma meio dramática.
Quando chegamos à área das piscinas, percebi que Harry olhava atentamente para as pessoas que ali estavam – acho que para ver se ninguém iria abordá-lo. Segui o cantor por entre as espreguiçadeiras e mesas. Fomos para um canto que tinha poucas pessoas e nos sentamos em uma mesa com um guarda-sol armado.
— A sua namorada também trabalha aqui? — ele perguntou, depois de um bom tempo calado.
— Quem? — fiquei meio confusa com a pergunta. Harry jogava umas perguntas aleatórias, ou eu que era meio lerda para entendê-lo.
— A ruiva. Desculpa, é que outro dia vi vocês da minha varanda — ele subiu os óculos de sol para os seus cabelos bagunçados, me dando a chance de apreciar seus olhos verdes.
— Ah, a ! A é minha amiga. A gente tem uma “amizade colorida” desde a época da faculdade — fiz aspas com os dedos. — Ela trabalha aqui já tem três anos. Aliás, ela vai morrer se souber que estou aqui com você — apontei para ele e, então, comecei a reparar em suas roupas. Ele estava com uma camisa larga de botões, aberta até a altura da tatuagem de mariposa. “Esse homem tem sérios problemas com botões”, pensei. Usava também um short curto, nas cores azul e branco.
— Humm... Amizade colorida, entendo — parecia que ele estava lembrando de algo. — Mas por que a vai morrer se souber que estamos aqui na piscina?
— A é muito fã de One Direction. E hoje, um pouco antes de te encontrar, fui lá no bar que ela trabalha e contei que tinha te visto na festa. Ela meio que deu um pequeno surto — dei uma risadinha.
— Podemos ir a esse bar mais tarde e você me apresenta pra sua amiga, o que acha? — ele apoiou o queixo em suas mãos. — Mas posso te pedir um favor, ?
Apenas assenti com a cabeça para que ele continuasse.
— Não comenta com mais ninguém que estou por aqui. Não é como se as pessoas não fossem me ver — ele revirou os olhos. — Mas eu só queria ter um tempinho pra mim.
— Claro, Styles. Eu só contei pra ela porque eu sei o quanto a gosta da 1D. Eu me sentiria uma péssima amiga se não falasse que te vi. Mas também não é como se eu fosse pegar um megafone e sair gritando pro navio todo ouvir, fique tranquilo.
Naquele momento, duas menininhas apareceram e perguntaram se ele era o Harry Styles da 1D. Ele deu uma olhada para mim e assentiu para as meninas. Elas pediram uma foto e saíram correndo logo em seguida. Eu basicamente não existia naquela mesa. Fiquei imaginando como era a vida de Styles, sem privacidade, sem conseguir ir até um bar e tomar uma cerveja sossegado. Devia ser complicado ter toda aquela fama.
Acordei do meu devaneio com Harry me chamando, e, pelo jeito, não era a primeira vez.
? — ele continuou quando o encarei. — Podemos dar uma volta? Provavelmente vão aparecer mais pessoas, e não quero te importunar com isso — ele sorriu de lado.
— Ah, não me importuna de maneira nenhuma, Harry. Deixa disso! Mas se você realmente quiser, podemos ir.
— Então vamos? — ele já tinha se levantando, e eu o segui. — , queria te pedir desculpas. Atrapalhei você na piscina — dava para perceber que ele estava mesmo aborrecido de ter me “atrapalhado”.
— Não precisa se desculpar, Styles. Amanhã a piscina estará lá ainda, e não sou tão fã assim do sol — dei de ombros.
— Mesmo assim, quero amenizar isso. Aceita almoçar comigo?
— Harry, é sério, não precisa disso! — enquanto eu falava, percebi que entrávamos por uma porta que dava para os elevadores.
— Qual é sua comida preferida? — ele parecia nem dar moral para o que eu falava. Que cara teimoso!
— Hoje é mexicana — falei dessa forma porque eu sempre mudava. Continuei a andar ao lado de Harry, que mexia rapidamente no celular recém-tirado do bolso.
— Você tem alguma restrição alimentar? — perguntou, sem tirar os olhos do aparelho.
— Sou ovolactovegetariana.
— Que ótimo, eu também sou! — e deu uma piscada para mim.
Confesso que senti até o ar faltar com aquela piscada. Como pode uma pessoa ter um poder desse?
Quando saímos do elevador, chegamos a uma porta onde ele passou o cartão magnético e a abriu, fazendo um gesto para eu entrar. Encarei Harry e observei o cômodo ao redor – a antessala dele era maior do que a minha cabine, puta merda!
— Fica à vontade, . Vou pedir para que alguém venha colocar a mesa lá na varanda pra gente poder apreciar a vista.
Eu continuava parada no meio da sala, enquanto Harry andava de um lado para o outro e tirava algumas peças de roupa que estavam espalhadas pelo sofá. Vi ele ligando para que viessem trocar a mesa de lugar, e, em seguida, Styles veio até onde eu estava.
, tá tudo bem?
— Está sim, Harry — dei um meio sorriso. — É só que... o que eu estou fazendo aqui? — perguntei, meio confusa.
— Ué, nós vamos almoçar!
Ouvi batidas na porta, então ele foi atender. Eram dois moços da arrumação; eles trocaram o móvel de local rapidamente e logo saíram. Eles não me conheciam (ainda bem), mas me encararam quando saíram pela porta.
— Pedi pra eles virem trocar o móvel de lugar, porque tenho certeza que, se eu tentasse, iria quebrar a parte de vidro. Sou muito desastrado — ele se justificava por ter feito dois caras da arrumação irem até seu quarto basicamente à toa.
Caminhei até a varanda, ainda segurando minha ecobag, e olhei aquela vista. Lógico, não dava para ver nada além do oceano, mas era incrível.
— É lindo, não? — ouvi a voz rouca de Harry atrás de mim, me fazendo sair do meu transe.
— A vista aqui é muito linda. Ao mesmo tempo que não dá pra ver nada, dá pra ver tudo, dá pra entender? — falei, tentando justificar minha confusão.
— Sim, eu entendo. É como se não fôssemos nada perto disso tudo — ele ainda encarava o oceano, e eu o encarava.
Tirei meus óculos de sol e troquei pelos de grau. Harry estendeu a mão para pegar minha ecobag e a depositou em um cabideiro da sala. Novamente alguém bateu na porta, e ele foi atender. Vendo que era nosso almoço, Styles deixou o garçom entrar e deixar o carrinho com a comida na varanda. Em seguida, o garçom logo foi saindo, não sem antes de receber uma gorjeta.
— Vamos comer? — vindo em minha direção, Harry afastou uma cadeira para que eu me sentasse. Quando o fiz, fiquei observando seus movimentos.
Ele se sentou na minha frente e abriu uma das cloche, retirando dali um prato que, só de olhar, dava água na boca. Eram burritos de legumes. Ele os colocou no centro da mesa e pegou os pratos, colocando tudo nos devidos lugares.
— Você não vai comer? — Styles me olhou, sem entender o meu silêncio.
— Por que está fazendo isso, Harry?
— O que eu estou fazendo? — ele fez uma cara de estranhamento, sem entender muito bem minha pergunta.
— Harry, você acabou de trazer uma pessoa totalmente desconhecida pro seu quarto. E está almoçando com ela!
— E o que tem de errado nisso? Por acaso você vai me atacar, me agarrar, me jogar pela sacada, me roubar?
— Claro que não! — exclamei, meio ofendida até. — Mas você costuma fazer isso? Pegar desconhecidos por aí e levá-los pra almoçar?
— Não, né, ! Mas não é como se você fosse uma sequestradora. Você trabalha aqui no navio. Se acontecer alguma coisa, é só ligar pros seguranças. E eu confio que não vou precisar fazer isso, não é mesmo? — ele deu outra daquelas piscadas.
Soltei um suspiro. De certa forma, ele estava certo. Eu que fui doida de entrar no quarto dele por livre e espontânea vontade.
— Você é sempre quieta assim? — ele pegou um burrito e começou a comer.
— Não, só quando artistas famosos me arrastam para o quarto deles pra almoçar comigo — respondi, tentando quebrar o clima estranho.
— Eu não te arrastei, ! — ele parecia ofendido com meu humor ácido. — Come seu burrito, vai esfriar.
— Hm... E ainda é mandão! — peguei um e comecei a comer. Aquilo estava realmente bom. — Olha, Styles, se vamos ser “amigos” — fiz aspas com os dedos —, entenda que eu tenho um humor ácido.
— Já convivi com uma pessoa com humor ácido. Posso lidar com isso, .
Ele abriu a outra cloche, revelando um prato de nachos com vários molhos, incluindo guacamole, cheddar e pimenta.
— Guacamole! — meus olhos até brilharam.
— Você gosta?
— Eu amo!
— Olha, descobrimos algo em comum — ele pegou um nacho, mergulhou-o na guacamole, me entregou e fez um para ele, para em seguida “brindar” com o que eu segurava.
Ri da besteira que ele estava fazendo, sentindo o clima mais leve.
— Então, , faz tempo que você trabalha aqui no Cruzeiro?
— Não. Eu comecei semana passada, quando partimos de Barcelona. Vou ficar até chegarmos na Grécia, depois vou partir pra minha jornada “Comer, Rezar e Amar” — fiz menção ao livro.
— Como assim? Me explica melhor. Você simplesmente vai “abandonar o barco”? — ele riu do trocadilho, e eu revirei os olhos.
— É, basicamente isso. Eu vou fazer uma EuroTrip.
— E a vai junto? — ele ainda comia os nachos e me entregava outro.
— Não, vou sozinha.
— Mas... não é perigoso? Digo, não que você não saiba se defender, não duvido disso. Até porque você me deu uma pequena amostra hoje mais cedo — ele soltou uma risadinha, lembrando-se do empurrão que eu lhe dei. — Ah, você entendeu o que eu quis dizer.
Balancei a cabeça, confirmando.
— Sim, eu concordo com você, Harry. Mas sei lá. Se for pra acontecer alguma coisa, isso poderia acontecer comigo andando lá na rua da minha cidade, no interior de São Paulo.
— São Paulo? No Brasil? Sim, de certa forma, você está certa.
— Sim, sou brasileira.
— Seu sotaque é gostoso de ouvir — ele apoiou o braço na mesa. — Sabia que não era americana e nem inglesa.
Certeza que corei na hora. Sorte (ou azar) que eu tinha acabado de colocar nacho com pimenta na boca. Tomei um gole enorme de água, tentando disfarçar a forma que eu tinha ficado corada. Não sei se ele percebeu, ou preferiu não comentar.
— Mas por que a Europa? — ele ainda perguntava, interessado na minha história.
— Bom, eu me formei em História e, no meio disso, tomei um chifre. Me senti presa àquela cidade pequena. Sabe quando tudo te sufoca? — ele assentiu apenas. — Então, eu coloquei na cabeça que precisava sair pelo mundo e conhecer de perto a história de cada país. E a Europa, pela facilidade de locomoção — tentei explicar de uma forma simplificada.
— Então você é um espírito livre?
— Longe disso — dei mais um gole na água. — Só acho que estou tentando me encontrar no meio dessa viagem. Se isso vai acontecer? Não tenho a menor ideia. Talvez eu só ande por aí, conhecendo os lugares históricos. Talvez isso sirva para o meu crescimento pessoal e profissional.
— Talvez o espírito livre esteja aí dentro, você só precisa deixar ele voar — ele deu uma piscada. — Nunca conheci nenhum historiador. Pode ser um estereótipo que eu tenha criado, mas... quando falam “historiador”, sempre penso numa pessoa mais velha, enfiada com a cara num livro velho, em uma sala rodeada de coisas velhas — Harry soltou uma risada anasalada.
— Eu tenho 27 anos, Harry! — vi seu queixo cair um pouco e dei uma risadinha com a cara que ele tinha feito. — E eu amo livros velhos. Meu preferido é “O Morro dos Ventos Uivantes”, que, aliás, foi o único que eu trouxe pra essa viagem. E meu sonho de princesa é ter uma sala cheia de artefatos antigos — terminei de falar, me recostando na cadeira, sorrindo para a expressão que ele fazia.
— Você não tem 27 anos! — ele apontava o dedo para mim.
— De tudo o que eu falei, você focou só na minha idade, Styles? — fiz uma cara de indignada. — Achei que você fosse melhor.
— Te daria no máximo uns 20 anos, . Qual a fórmula da juventude?
— Conservada no fumo e no álcool, Styles — dei uma risada, e ele me acompanhou.
— Nunca li “O Morro dos Ventos Uivantes”. É bom?
— Eu sou suspeita em falar, já que é meu livro preferido. Mas eu vivo numa relação de amor e ódio pelos personagens. Edgar é insuportável, não tem jeito de eu gostar daquele almofadinha. Heathcliff é um pamonha e, depois, se torna um macho escroto. Porém não vou julgar muito, o coitado sofreu horrores. Catherine é uma egoísta desalmada. Mas eu amo aquela vadia. Tem que levar em conta também que o livro foi escrito em 1847. Ele não é parâmetro para os dias atuais. Mas é isso, é meu livro preferido desde a adolescência — terminei de falar e percebi Harry me encarando com uma cara de total interesse no que eu falava.
— O seu livro preferido acabou de ganhar mais um leitor. Foi a melhor sinopse sincera que eu já recebi — ele disse, enquanto eu sorria que nem uma criança de 5 anos que acaba de ganhar um saco de doces.
— Eu só não te dou o meu porque está em português — torci um pouco a boca.
Harry olhou a hora na tela do celular e percebeu que já eram 17h.
, você me acompanha até o bar que a trabalha?
— Claro. Quero ver a carinha dela a hora que eu entrar com você — dei uma risada. — Pode ser que ela surte muito, ou que caia dura. Nenhuma das duas opções são boas, mas eu quero estar lá pra ver.
Achei muito atencioso da parte dele se lembrar da promessa feita mais cedo de ir conhecer a .
— Ok, podemos nos encontrar aqui embaixo em uma hora?
— Podemos sim, sr. Styles Controlador — fui me levantando da cadeira e indo até a sala para pegar minha ecobag.
— Você me acha controlador? — ele vinha falando atrás de mim, me acompanhando até a porta. Dei uma risadinha e saí, deixando-o ali.


XxX


Uma hora depois e eu estava parada no deque esperando por Harry. Ventava um pouco, o que fazia meus cabelos voarem pelo meu rosto. Me virei contra o vento e fiquei olhando para o sol, que já estava se pondo.
— Lá da minha varanda a vista é ainda melhor — ouvi aquela voz rouca, que já estava se tornando familiar.
— Você só sabe chegar nas pessoas dessa maneira? — reclamei da forma que ele chegava e me assustava todas as vezes com aquela voz atrás de mim.
— Que maneira? — ele encostou no parapeito e ficou me olhando.
— Assim, do nada, falando alguma frase de efeito, me assustando — eu falava e tentava gesticular para que ele entendesse.
— Eu te assustei? Não foi minha intenção — ele ergueu as mãos em rendição.
Por acaso esse homem sabia o poder que tinha só de chegar falando com essa voz rouca por trás de todo mundo? Acho que as pessoas que eram altamente sexuais não sabiam desse poder delas. Já era algo tão natural que nem pensavam mais para agir.
Balancei a cabeça, tentando sair do meu devaneio.
— Não foi nada, Styles. Só acho estranha a sua forma de abordar as pessoas. Vamos? Estou ansiosa pra ver a cara da quando te ver entrando naquele bar — sorri de forma sincera para ele.
— Senhorita? — ele deu o braço para que eu passasse o meu nele, e o fiz em seguida.
Caminhamos até a porta de madeira que dava para o bar onde trabalhava. Enquanto isso, eu sentia minha ansiedade crescendo.
Esse lance de ansiedade é um negócio muito estranho. Você se sente ansioso pelo que vai acontecer com uma outra pessoa. Pelo caminho, mesmo com Harry tagarelando, eu ficava imaginando quais reações poderia ter. E eu estava me segurando para não correr até o bar, arrastar Styles e acabar logo com isso.
Quando entramos, ninguém nos notou – o que era muito bom, já que Harry não queria chamar atenção para si. Mas isso caiu por terra quando cruzei meus olhos com atrás do balcão, com um copo de drink que virou cacos assim que ela nos notou.
— NÃO ACREDITO, CARALHO! — ela falou alto, mas ainda bem que tinha uma banda de jazz tocando nesse dia, então a música abafou um pouco. também falou em português, então ninguém entendeu o palavrão.
Nos aproximamos, e eu já estava rindo da cara que ela fazia. era hilária. Ela sempre foi muito espalhafatosa; chamava atenção por onde passava, tanto pela sua espontaneidade quanto por sua beleza.
Ela deu a volta no balcão e nem pensou duas vezes – passou os braços pelo pescoço de Harry, que ainda estava com o braço entrelaçado ao meu. Tivemos que desfazer nosso contato para que ele pudesse retribuir o abraço em .
Tirei meu celular do bolso da calça e tirei uma foto daquela cena. Sabia que me agradeceria depois. Quando ela o soltou, percebi seus olhos marejados. A adolescente tinha dado as caras. Ela ficava tão fofinha quando não sabia como agir – ela, que sempre foi uma pessoa independente, cheia de si. Ali, era só uma adolescente realizando seu sonho.
— Por que você não me preparou pra isso, ? Olha o meu estado! — ela falava comigo, mas ainda olhando pra Harry, que a abraçava de lado.
— Amiga, eu não planejei. Foi o Harry que pediu pra vir te conhecer depois que eu contei que você era doida pelo 1D.
— Você falou que queria me conhecer?! Ai, meu Deus, esse é o melhor dia da minha vida! — ela passou o outro braço pela cintura dele, lhe dando outro abraço.
Minha amiga não estava nem aí se estivesse passando vergonha. Eu ria da cena. Apesar de dar uma vergonha alheia, eu estava feliz por , e ver Harry sendo tão atencioso com ela me deu um quentinho no coração.
— Quando a me falou de você mais cedo, eu quis vir te conhecer — foi a vez de Harry falar com ela diretamente. — Fico feliz que tenha gostado da surpresa.
— Ai, caralho, olha essa voz! — falou em português, e eu ri. Harry ficou me olhando sem entender.
— Ela falou da sua voz — respondi simplesmente, para que ele não ficasse perdido na conversa.
! — alguém gritou, e nós três olhamos para ver de onde vinha a voz.
— Já vou! — quando ela se virou para nós novamente, falou em português para que só eu entendesse. — É o supervisor. Vou ter que voltar, ele é um pé no saco! Me espera pra ir embora?
— Claro, amiga, vai lá. Te espero bebendo — dei uma piscadinha. Harry só olhava nossa interação sem entender nada.
o abraçou novamente e explicou que teria que voltar para o bar. Seguimos para uma mesa mais afastada, onde as luzes pouco iluminavam. Nos sentamos, e logo um garçom veio nos atender. Pedi um saquê com gelo, e Harry pediu uma dose de uísque.
— Sua amiga é engraçada, apesar de não ter entendido muito o que ela falava com você.
— Ah, quando a fica nervosa, ela solta expressões em português pra que ninguém entenda. Acho que estou pegando essa mania. Mas ela amou a surpresa.
— Percebi, pelos abraços — ele sorriu de canto.
Comecei a prestar atenção na banda que tocava. Eu amava jazz. Teve uma fase da minha vida que eu passava o dia todo ouvindo, principalmente as vozes femininas do daquele gênero musical.
— Você gosta? — Harry apontou com a cabeça para a banda.
— De jazz? Amo. Fazia tempo que não ouvia. Tenho até uma playlist no Spotify só de mulheres que cantam jazz.
O garçom trouxe nossas bebidas, e Harry ergueu o copo para brindarmos.
— Ao nascimento da nossa amizade — sorri e bati meu copo no dele, para em seguida dar um gole.
— Então, você estava falando que gosta de jazz — ele incentivou para que eu continuasse a falar.
— Sim, eu ouço mais com vocal feminino. Acho que elas colocam mais sentimento na música.
— Eu gosto bastante também, mas os meus preferidos são os mais agitados e dançantes, apesar de eu não dançar nada — ele falou, dando um gole em sua bebida.
— Eu já gosto daquelas que te fazem sofrer junto com a cantora. Minhas preferidas são Nina Simone e Ella Fitzgerald.
— Por que tão triste? Você é emo, ?
— Tá tão na cara assim? — dei um gole na minha bebida, o olhando por cima do copo. — Aqui é só tristeza e solidão, meu caro amigo.
— Não acho que você passe uma mensagem triste. Você é toda colorida com esse cabelo pink e essas tattoos.
— Você não conhece aqui dentro — bati na altura do coração, logo dando uma risada.
Tomamos várias outras doses de nossas bebidas preferidas. Eu já me sentia meio altinha. Não sabia o quanto Harry aguentava beber, mas, para mim, ele também já sentia a bebida subir.
Em um determinado momento, começou a tocar um jazz mais agitado. Harry se levantou e me deu a mão para que eu o seguisse. Eu, sem entender, fiz o que ele pediu. Quando percebi, ele estava me segurando pela cintura e iniciando uma dança.
Tinha várias outras pessoas dançando, então ninguém reparou quando nos levantamos e nos misturamos a eles.
— Harry, eu não sei dançar! — eu tentava sair do seu abraço.
— E daí, ? Eu também não! Só deixa a música fluir! — ele já falava de um jeito engraçado.
Ele juntou nossos corpos, passando o braço em minha cintura, e eu o abracei pelo pescoço. Definitivamente não sabíamos dançar. Enquanto as outras pessoas dançavam separadamente, ou de uma forma mais agitada, nós dois estávamos lá, colados.
— Harry, olha o mico que estamos pagando. Ninguém está dançando como a gente!
— Shiiiu. Esquece os outros, ! — e continuou a me embalar.
Encostei minha cabeça em seu peito e pude sentir o cheiro do seu perfume. Era meio amadeirado, mas muito leve. Senti também o calor que ele emanava, já que, mais uma vez, Harry estava com os botões da camisa aberta. Senti ele encostar seu queixo em minha cabeça.
Novamente os músicos começaram a tocar um som mais romântico, que logo reconheci ser Dream a Little Dream Of Me, da Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Dei um sorrisinho, ainda com a cabeça deitada no peito de Styles. Eu era simplesmente apaixona por aquela música. Me deixei ser embalada pelos toques do saxofone e o balanço lento de Harry.
— Podemos ir? — ouvi aparecer toda animada ao nosso lado.
Soltei meus braços do pescoço de Harry meio à contragosto. Porra, eu estava tendo meu momento fanfic aqui!
— Vamos, amiga. Eu só preciso ir pagar — falei, sorrindo e sentindo os braços de Styles me soltar, mas ainda ficar com a mão apoiada na minha cintura. Percebi também o olhar de para a mão dele.
— Pode deixar, eu pago. Afinal, eu que te convidei — ele já foi andando em direção a um garçom, sem nem ao menos me deixar protestar.
— O que foi isso aqui, ?
— Isso o quê? — olhei confusa para ela.
— Você e Harry dançando juntinhos — ela fazia gestos com as mãos para explicar. Se amarrassem as mãos de , acredito que ela não conseguiria se comunicar.
— Ele só me puxou pra dançar. Nenhum de nós sabe dançar, então apenas ficamos ali, nos balançando — expliquei simplesmente.
! Por favor, né! Aquela mão na sua cintura?
, acho que você trabalhou demais hoje e tá vendo coisas!
Harry voltou para onde estávamos, então saímos pela porta do bar rumo ao deque. Ele caminhava no meio de nós duas.
— Você falou que não sabia dançar! — Styles me olhava com um olhar acusatório.
— Mas eu não sei mesmo! Aquilo que fizemos foi só se balançar de um lado pro outro — falei, percebendo que segurava a risada.
— Sabe, Harry, tem várias peculiaridades escondidas, mas dançar não é uma delas, fato! — dessa vez, ela estava rindo de verdade, porque eu tinha entendido o duplo sentido na frase daquela safada.
— Ah, é? E quais seriam? — Harry era muito lerdo ou sabia fingir demência muito bem.
— Ela só está me zoando, Harry. Não dá ouvidos pra , não! — eu já sentia meu rosto corar.
Chegamos no ponto onde deveríamos nos separar, porém, ficamos ali, parados, falando bobagens sem sentido. Acendi um cigarro e fiquei esperando terminar de tietar Harry. Ele não estava incomodado; pelo contrário, estava se divertindo com o jeito espalhafatoso da minha amiga.
— Amiga, tira uma foto minha com o Harry. Não posso deixar passar essa oportunidade — ela me entregou o celular.
— Claro, , o Styles vai sair nadando mar afora. Não sei se percebeu, mas estamos num navio. Não tem muito pra onde fugir. Você vai trombar com ele de novo, mulher!
— Tá! Só tira a foto, ! — ela já estava com os braços em torno do homem, e ele deu uma abaixadinha para ficar do mesmo tamanho que ela.
— Pronto, , já pode soltar o Harry — falei, rindo, porque de fato ela continuava com o braço na cintura dele.
— Você quer uma foto também? — ela me perguntou, pegando o celular da minha mão.
— Não! Por que eu ia querer uma foto com ele? — perguntei de volta, segurando a risada e vendo cara de ofendido que ele fazia.
Vi revirar os olhos.
— Crush, vou entrar. Preciso muito de um banho e da minha cama. Amanhã teremos o dia livre — ela me deu uma piscada. — Harry, foi um prazer te conhecer. Você não imagina o quão feliz eu estou.
— Ah, quê isso, ! Também fiquei feliz em te conhecer — e deu mais um abraço nela.
Ela veio até mim e me deu um selinho demorado, para logo entrar pela porta que dava para o corredor da nossa cabine.
Olhei para Harry, meio corada por ter sido pega de surpresa por .
— Vou subir também, acho que tomei muito seu tempo hoje — ele falava com as mãos no bolso da calça.
— Você de fato me tirou dos meus planos, mas não foi tão ruim assim — dei uma risadinha, para que ele entendesse que era uma brincadeira.
— Prometo que, da próxima vez, irei consultar sua agenda, senhorita — e deu mais uma daquelas piscadinhas.
— Gostei de ter passado o dia com você, Harry. Você é um cara legal — sorri com sinceridade.
— Gostei também de ter te conhecido melhor, . Podemos passar mais tempo juntos, se você quiser.
Eu apenas assenti com a cabeça, ainda sorrindo para ele. Comecei a seguir para a porta que dava para o meu corredor e parei, me virando novamente para ele.
— Harry? — ele olhou com mais atenção quando o chamei. — Tira uma foto comigo?
Ele soltou uma risada audível e veio se posicionar atrás de mim, me dando um abraço torto pelo pescoço. Olhei a foto e, em seguida, mostrei para ele.
— Até mais, H — me despedi, já indo em direção à minha cabine.


Capítulo 5 – Noiva

Acordei com meu celular apitando, peguei-o e abri apenas um olho. Era uma mensagem no grupo de organização das festas. Joguei ele por cima do edredom, tentando me situar de que horas eram. Olhei para o lado e não vi , e o celular insistia em apitar. Bufei, passando as mãos nos olhos, tentando dissipar o sono. Peguei o celular de novo. Tinha pelo menos umas cem mensagens, puta que pariu!
Olhei meio por cima para ver do que se tratava a conversa. Tinha uma reunião às 14 horas, bem no meu dia de folga. Revirei os olhos, meio irritada. Mais uma vez minha ida à piscina teria que ser cancelada.
Me levantei a contragosto e fui tomar um banho para me despertar da preguiça. Vesti uma calça jeans, que costumava dobrar até as canelas, uma camiseta da banda Joy Division e meu All Star. Seja sobre o que fosse a reunião, essa roupa deveria servir, afinal, não estava em meu horário de trabalho. Passei a mão pelos cabelos pink, tentando tirar os nós. Eu tinha que começar a pentear os cabelos! Coloquei os óculos de sol e saí porta afora. Já devia estar atrasada, afinal, acordei tarde.

Mandei um áudio pra , porque queria aproveitar nossa folga juntas:
— Crush, está aonde? Tenho uma reunião agora, mas depois quero te encontrar.

Ela me respondeu logo em seguida:
— Estou na piscina, bebê. Vem pra cá depois :*

Guardei o celular no bolso e segui para o salão de festas. Quando saí para o deque, dei uma espiadinha no andar de cima, onde ficava a cabine de Harry. Pude ver que ele estava acompanhado por uma loira com um corpo escultural. Revirei os olhos e continuei o meu caminho.
— Nada novo sob o sol... — balbuciei pra mim mesma.
Entrei pela gigante porta de madeira e vitrais. Algumas pessoas da minha equipe já estavam por ali; os cumprimentei e me sentei entre eles, esperando que Margot chegasse. Pelo menos não tinha chegado depois da chefe!
— Olá, crianças! — Margot falou assim que entrou no salão, carregando um notebook nos braços. Ela se sentou próximo a nós, para que todos pudessem ouvi-la melhor. — Equipe, a reunião é coisa rápida. Só precisamos alinhar alguns pontos para as próximas festas, os temas já estão definidos. Estou enviando no grupo para que todos vejam o cronograma. Hanna, quero você responsável pelo pessoal do bar. Eles vão encher o saco, mas, dentro desse salão, quem manda sou eu! Se eu não estiver presente, vocês respondem a . Estamos combinados? — ela encarava todos, que logo assentiram em positivo. — Frank, tudo o que a precisar, você esteja ao dispor. Ela é meu braço direito, e você, o meu esquerdo — a mulher apontava o dedo para ele.
— Sim, senhora. Tudo o que a quiser! — disse ele, me dando uma piscadinha. Eu vi aquilo mesmo ou foi um delírio?
— Margot se voltou para mim, que estava do outro lado da mesa. — O seu contrato acaba na Grécia, mas estou aqui para dizer que, se você quiser, o cargo é seu. Há tempos não tínhamos festas tão agitadas e tão bem faladas nesse cruzeiro.
— Eu agradeço, Margot, mas não vou abrir mão da minha viagem. Já adiei isso por muito tempo — dei um sorriso sincero. Caralho, eu estava dispensando um trabalho fudido num Cruzeiro e que pagava bem!
— Entendo perfeitamente, querida. Você tem meu número. As portas sempre estarão abertas para você.
Assenti com a cabeça, um pouco corada.
— Bom, galera, estão dispensados. Quarta-feira quero todos aqui às 14 horas para a organização. O tema é Moulin Rouge, sei que vão arrasar.
Todos seguiram para a porta de madeira, cada um pegando um caminho diferente. Percebi que o tempo estava mais escuro, dava até para ver a chuva chegando. Peguei meu celular e liguei para , para saber onde ela estava.
— Babe? Está na piscina ainda? — me encostei no parapeito, logo acendendo um cigarro.
Não, , estou a caminho do bar. Não o que trabalho, aquele outro, do último andar. Vem aqui!
— Beleza, logo chego aí.
Terminei meu cigarro e segui para onde estava. Obviamente me perdi no caminho, tive que andar o dobro por conta do meu sério problema com direita/esquerda. Esse era um dos motivos pelo qual não quis tirar carta de motorista. Até eu pensar para virar o carro, bati em alguém!
Quando cheguei ao bar, vi sentada em uma mesa com mais dois caras que eu nunca tinha visto. Me aproximei e ela logo esticou a mão para que eu a pegasse.
— Oi, babe. Olá — cumprimentei os dois caras que estavam sentados com ela.
Senti me abraçar pela cintura – já que ainda estava em pé ao seu lado – e logo esticar o pescoço para que eu me aproximasse para um selinho. Entendi na hora que aqueles caras não eram amigos dela. Me abaixei um pouco, dando um selinho mais demorado nela.
— Como eu já havia falado para vocês, eu estava esperando minha noiva — ela falou assim que separou nossos lábios.
Hum... Agora virei a “noiva”. Segurei uma risadinha para não desmentir na frente dos caras.
— Pode me dar licença para eu me sentar ao lado da minha noiva? — entrei na brincadeira, já que o bombadinho estava quase se sentando no colo da .
— Nossa, não é que a ruiva tem uma noiva mesmo? — um deles falou para o outro, e eu revirei os olhos. — Podíamos nos conhecer melhor, sei lá, tomar um drink e, quem sabe, ir lá
para a minha suíte. Nós quatro poderíamos nos divertir — o negro falava, dando uma cotovelada “camarada” no loiro.
— Aff, que nojo! Não importa a nacionalidade, macho escroto tem em qualquer lugar, não é mesmo? — falei em português, e deu um berro, logo rindo. — Babe, vamos pra outro lugar? — falei dessa vez em inglês, para que os dois entendessem.
— Vamos sim, amor — ela falava já se levantando, mas o loiro a segurou pelo braço. Nesse momento, tudo virou um borrão.
Eu me soltei de e empurrei o peito do bombado. O amigo já veio querer se enfiar no meio, mas puxei para trás de mim enquanto os dois me cercaram. Apontei o dedo na cara do loiro e o afrontei:
— Eu não tenho medo de homem não, seu bosta! — eu sentia a mão de me puxar enquanto ela falava pra gente sair dali.
— Olha aí, Max. A lésbica está toda nervosinha. Podíamos dar um jeito de acalmá-la, hein? — o loiro riu da minha cara.
Eu o empurrei de novo, quando três seguranças apareceram para separar aquela confusão. Ainda bem que eles perceberam que nós não éramos as causadoras da briga e os expulsaram do bar.
— Puta, merda ! Você tá doida, mulher? — parecia que tinha visto um fantasma, de tão branca que estava.
— Você acha mesmo que eu vou abaixar a cabeça pra macho, ?! Até parece que você não me conhece! — falei, me sentando. Vi que um garçom passava por nós e pedi duas cervejas.
— Amiga, o cara podia ter te batido! — ela ainda estava muito assustada.
— Hey! — passei a mão em seu rosto e sorri para ela. — Podia, mas não aconteceu nada. Já foi, vamos beber, Crush!
O garçom já trazia nossas cervejas. Na quinta lata, já estava calma e já fazia piada com o acontecido. Bebemos tanto que até soluços tivemos – isso era o auge do bêbado. Saímos cambaleando, uma agarrada na outra, e pegamos o elevador que nos levaria até a nossa cabine.
Dentro do elevador, senti a boca de roçar no meu pescoço, já que ela estava abraçada em mim de tão bêbada. Senti um arrepio surgir quando ela riu, soltando seu hálito quente próximo à minha orelha. Ela ainda tinha aquele batom vermelho nos lábios que era sua marca registrada, deixando um rastro de beijos em meu pescoço. Tenho certeza que estava cheio de marcas vermelhas.
Eu a segurava pela cintura junto a mim, enquanto minha outra mão passeava pelas suas costas nuas, já que seu vestido era frente-única. Ela deixou uma leve mordida no lóbulo da minha orelha esquerda, me fazendo soltar uma risadinha.
O elevador apitou e nos tirou daquela bolha sexual. Quando ele abriu, eu a puxei para fora, indo direto para o nosso quarto. Abri a porta e já tirava a sapatilha dos pés, puxava o vestido pra cima e vinha em minha direção, segurando minha camiseta na barra e a tirando, logo em seguida sendo jogada em algum canto do quarto. ainda vestia o biquíni, então tratei de desamarrar a parte de cima e a retirei, jogando junto de minha camiseta.
Travávamos uma briga entre nos beijar e tirar nossas roupas. Ela me empurrou na cama e me fez cair de costas no colchão. Meus tênis já tinham sido tirados, então ela estava desabotoando minha calça jeans e puxava para tirá-la. Quando conseguiu, voltou dando beijos em minhas pernas, subindo para a parte interna das minhas coxas. Eu me apoiava nos cotovelos para vê-la melhor. Quando chegou na minha intimidade, passou os dedos pelas laterais da minha calcinha e a retirou lentamente, para, logo em seguida, voltar passando os lábios por cima da minha intimidade, abrindo caminho com sua língua ágil.
Quando senti seu primeiro contato, deixei me levar por aquela sensação. Sua língua passeava por toda a extensão da minha boceta, enquanto eu soltava um gemido baixinho, implorando por mais. Quando chegou ao meu clítoris, arqueei um pouco meu corpo com a sensação de prazer que ela me proporcionava. Segurei-a pelos cabelos soltos, que caíam pelo seu rosto, e comecei a rebolar em sua boca. era uma mulher que me tirava do sério; pela beleza, pelo intelecto e pelo sexo.
Sentia que estava quase chegando ao meu ápice. Quando ela enfiou dois dedos em mim, soltei um gemido alto com seus movimentos, e logo coloquei minha mão na boca, com medo que alguém ouvisse. Ela subiu, ficando ao meu lado, e me deu um beijo intenso. Ainda tinha o meu gosto em sua boca. Ela desceu os lábios, dando beijos em meu rosto, pescoço, colo, chegando aos meus seios, deixando ali mordidas de leve, me fazendo ofegar.
Deslizei minha mão para a lateral de seu corpo, deixando arranhões de leve. Continuei a descer para a sua calcinha, passei a mão por cima e senti ela toda molhada. Coloquei a mão por dentro, passando meu dedo médio pelo meio. Vi fechar os olhos e morder o próprio lábio. Retirei meu dedo e logo o levei até minha boca, sentindo seu gosto, para em seguida a puxar e beijá-la, para que assim ela também sentisse.
Minha mão continuou a passear pelo seu corpo, segurando um de seus seios e massageando-o, deixando um leve beliscão em seu mamilo. Mais uma vez, ela mordia o lábio inferior para segurar o gemido que queria sair a todo custo. Passei a mão pela sua barriga e desci para a barra do seu biquíni. Abaixei-o, expondo sua intimidade, e passei minha mão algumas vezes em cima de sua boceta, deixando apenas meu dedo médio entrar em sua fenda. Ela gemia baixinho. Era tão gostoso ouvi-la. Coloquei dois dedos dentro dela e comecei a movimentá-los, enquanto massageava meu clítoris.
Por mais que tentássemos segurar os gemidos, não conseguimos nos conter por muito tempo. Os movimentos aumentaram, fazendo com que eu chegasse ao meu limite segundos antes de , que logo sentiu aquele formigamento em seu ventre crescer e invadir todo seu corpo. Entre gemidos, beijos e mordidas de leve pelo pescoço, chegamos ao nosso ápice juntas.
Me deitei em seu peito ainda ofegante. Pude ver que ela também tentava controlar sua respiração. Me virei para lhe dar um beijo lento e carinhoso.
— Você é incrível, mulher! — falei entre o beijo.
Pegamos no sono daquele jeito, pois não tínhamos forças nas pernas para banho ou ir cada uma para sua cama.


Continua...



Nota da autora: Hey Babes, vocês não têm oção do quão feliz eu fiquei por AYLT ter entrado para as mais lidas, o coraçãozinho da escritora iniciante aqui ficou todo derretido. 💜
Esse cap veio com uma ceninha hot do nosso casal/não casal. Eu sou completamente boiolinha pela Liz e pela Gio, acho que elas formam uma ótima dupla em vários sentidos. Mas digam - me, o que acharam dessa att?
Prometo que nas próximas, a interação do Harry e da Liz vai ficar ainda melhor, afinal, eles estão se conhecendo agora.
Margo minha beta maravilhosa, que bom que gostou da sinopse da Liz de "O Morro dos Ventos Uivantes" hasuhsauiash

Nota da beta: Eu quero uma SALVA DE PALMAS pra essa sinopse da Liz de O Morro dos Ventos Uivantes, pq eu morri de rir!!! Muito bom. Acho que fui tão conquistada quanto o Harry se sentiu 😂

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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