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Última atualização: 27/09/2021

I

Naquela noite chuvosa de sexta-feira, assim como em quase todas as outras nos últimos cinco anos, Shingo Tsunematsu chegou em casa completamente bêbado, cambaleando e se agarrando aos móveis para que seu corpo não caísse ao chão. O barulho de seus passos e objetos que eram derrubados por seu caminho em conjunto com o cheiro de álcool, eram uma alerta para que qualquer morador da casa mantivesse uma distância segura.
O homem de cabelo preto com alguns fios grisalho, sempre fazia o mesmo ritual ao chegar em sua residência nesse estado, se jogava no sofá da sala deixando sobre a mesinha de centro seus óculos de armação torta, em seguida, retirava a calça jeans surrada e a camisa de tom desbotado que haviam se tornado o uniforme do mesmo em seu trabalho como vendedor em uma loja de departamento no centro da cidade.
Dentro de seu quarto, com apenas 7 anos de idade, se encolhia tremendo embaixo dos cobertores, pois nenhum monstro que sua imaginação fértil de criança pudesse criar, conseguia lhe assustar mais do que seu próprio pai quando chegava e começava a gritar por sua mãe, Yuhee, para que a mesma ficasse lhe servindo mais bebida e comida pelo resto da noite. Se as coisas saísse do seu jeito, seu pai apenas se locomovia em direção ao quarto e dormia por algumas longa horas até o amanhecer. Mas se algo desse errado… Nesse caso, tanto o corpo de sua mãe quanto o seu acabavam sendo marcados com manchas arroxeadas que doíam demais e demoravam a sumir.
De onde estava, era possível escutar claramente a voz do homem de quase 40 anos, que gritava pedido de forma autoritária por uma garrafa de soju, enquanto sua mãe o respondia em um tom tão baixo que só poderia ser ouvida caso a pequena garotinha estivesse com o ouvido contra a porta, coisa que a mesma não se atrevia a fazer pelo mais puro medo que paralisava cada músculo do seu corpo, acabando apenas por rezar para que a noite acabasse da melhor forma possível. Em noites como aquela, sempre aguardava por seus pais dormirem enquanto se agarrada em um urso de pelúcia surrado que seus colegas da escola diziam ter uma aparência feia e assustadora, mas que para si, era o único capaz de lhe dar conforto em momentos como aquele. Porém, diferente de muitas noites em que a gritaria lhe mantinha desperta, a pequena adormeceu de cansaço pelo dia agitado que teve estudando, brincando e ajudando sua mãe em casa como podia.

Acordar no susto não era novidade para si, tinha pesadelos constantes com o próprio pai que sempre lhe deixavam aos prantos e faziam sua mãe vir ao seu quarto para lhe consolar. Todos eles eram iguais, todos deles eram reais, lembranças cruéis de anos de abuso, onde até mesmo chegou a ver sua mãe parar no hospital ensanguentada. Sem entender direito o que estava acontecendo, a pequena quase acreditou que a perderia para sempre. Mas dessa vez não foi apenas um pesadelo que lhe despertou, e sim a realidade onde a porta do seu quarto foi chutada com tanta força que fez um barulho estrondoso no ambiente.
Mesmo sonolenta, conseguiu identificar a figura de seu pai andando na sua direção, tão raivoso que podia ver tal sentimento emanando dele para si, imobilizando seu corpo e criando um nó em sua garganta que lhe impediu de gritar por ajuda. Sua mãe vinha logo atrás, gritando e chorando, pedindo para que o marido parasse com aquilo, suas mãos tentavam segurar o corpo alheio, mas mesmo embriagado, o homem continha mais a força e conseguia continuar avançando e desvencilhando da mulher.
A cena que se sucedeu foi rápida demais para qualquer um dos três ali presentes compreender de imediato. Enquanto xingava sua mulher, tentando fazer com que a mesma lhe deixasse em paz para que “ensinasse uma lição” a própria filha por não ter ido lhe cumprimentar quando chegou em casa, Shingo empurrou Yuhee com força contra a cômoda, fazendo com que a filha finalmente tivesse um reação, gritando pela mãe e avançando na direção do pai que a acertou com em único golpe com a garrafa que se encontrava em sua mão e se quebrou com a pancada contra o crânio alheio.
O homem se arrependeu de seu ato no segundo seguinte em que tinha a visão de sua filha caída ao chão com seu sangue manchando o piso do quarto e com o grito desesperado de sua mulher.


II

Desde nova, tinha aprendido que as pessoas podem ser, e são, bem cruéis em suas ações e palavras, e por isso tentava ao máximo ser forte e não se afetar tanto em certas situações que, no fim, não lhe traria nenhum aprendizado ou benefício. Ainda assim, tinha vezes que ainda se sentia magoada e extremamente irritada com o mundo, suas injustiças e a capacidade das pessoas de serem os piores seres humanos que podiam ser.
Lendo os comentários de uma matéria sobre o conglomerado empresarial Lotthe, só lhe dava a certeza de que as pessoas não precisavam de muito além do anonimato que as vezes a internet proporcionava para obter a coragem de fazer e dizer atrocidades sem pudor algum.
Soltando um suspiro profundo, tomou o último gole do seu chá e bloqueou a tela do celular decidida a não ler mais nenhum comentário de pessoas que não sabiam nada sobre gestão de uma empresa dizendo que lhe achavam incapaz de estar a frente da Lotthe como CEO.
Nenhum daqueles juízes de internet sabiam o que tinha passado e batalhado para chegar até ali. Tinha dado o seu melhor, horas sem dormir, sem comer ou até mesmo ir ao banheiro, sua trajetória até tal cargo estava marcada com seu suor, lágrimas e sangue, almejando sempre chegar pelo menos ao cargo de Presidente da rede de hotéis, já que por se tratar de uma chaebol, o cargo de CEO a frente de todo o conglomerado de empresas era passado de pai para filho, e na linha de sucessão já estava Cotton Kim, um bonito, inteligente, simpático e educado rapaz que tinha a certeza que seria capaz de cuidar de toda a empresa se não fosse o fato do mesmo não querer ser o responsável pelo negócios da família.
Com a morte do antigo CEO e a recusa de ambos os filhos do mesmo em assumir a empresa, agarrou sua oportunidade com unhas e dentes se mostrando ser capaz de dar conta do cargo e recebendo o voto de confiança de ambos os herdeiros para comandar um dos maiores grupos empresariais do país.
Os números não mentiam, só cresciam enquanto estava fazendo seu trabalho muito bem e deixando as pessoas que realmente importavam satisfeitas, apesar de ainda escutar alguns comentários aqui e li de funcionários e acionistas que juravam de pés juntos que se fosse um homem no comando, as coisas poderiam estar ainda melhores.
Se levantou de sua cadeira, levando a caneca até o lava-louças e assim pegando sua bolsa para ir a guerra, ou melhor, ao trabalho. Acabando por passar um batom dentro do elevador, se aproveitando do espelho do mesmo para chegar ao térreo com sua imagem de mulher elegante e impecável. Queria parecer tão poderosa e às vezes até intimidadora quanto aos outros CEO que conhecia.
Assim que passou pelo hall do seu prédio até a saída, pode avistar Elric Hartmann lhe aguardando próximo ao carro, abrindo a porta para si com um sorriso largo e encantador que só o deixava ainda mais bonito do que já era. O homem de aproximadamente um e noventa de altura, cabelos em tom escuro e traços chinês, sempre se vestia de modo elegante e agia como um príncipe, chamando a atenção por onde passava e até gerando alguns boatos de que na verdade era seu namorado e não apenas seu segurança como sempre o apresentava. só apenas ria e continuava negando qualquer envolvimento romântico com o mesmo, o que era a verdade já que eram como irmão, mas daqueles que não brigam e nem implicam um com o outro, só se apoiam, são melhores amigos e se amam infinitamente.
— Bom dia, Elc. — cumprimento o mesmo com um sorriso, entrando o carro e o ouvindo retribuir o cumprimento.
— Bom dia, . — disse ele, antes de fechar a porta e dar a volta no carro para entrar como motorista. — Como está essa manhã?
— Bem, mas não acredito que meu bom humor dure até o meio-dia, já que tenho pelo menos três reuniões só essa manhã. — Disse com um sorriso que o mais velho pode ver através do retrovisor antes que a mesma voltasse sua atenção para o celular, vendo alguns e-mails e mensagens que havia recebido.
Por causa do seu trabalho as notificações em seu celular não paravam e às vezes acreditava que seu dias precisava de mais horas para conseguir realizar tudo o que estava em sua agenda e os imprevistos que surgiam ao longo do dia. A maioria das coisas era sobre trabalho, entre elas, algumas mensagens de sua secretária — que estava prestes a entrar de licença e isso lhe lembrava que precisava arrumar urgentemente uma substituta — alertando que uma das reuniões que teria na parte da tarde havia sido cancelada; uma de sua mãe lhe perguntando se estava bem, pois havia assistido no noticiário acerca dos assassinatos de alguns CEOs e políticos importantes; e uma mensagem de um número desconhecido, que resolveu abrir primeiro pela curiosidade pelo conteúdo.

(+82 XX-XXX-XXXX)
online

Olá, Senhorita , como vai? Eu sou o detetive , responsável por investigações na unidade 5 da agência nacional da polícia. Como é uma pessoa de negócios e deve sempre se manter informada, suponho que tenha visto o noticiário e saiba da morte do senhor Lee, CEO de um dos maiores grupos empresariais do nosso país. Pois bem, sou o responsável por investigar o caso e indo direto ao ponto, após uma conversa com um dos funcionários do senhor Lee, foi informado pelo mesmo que você fez uma visita a vítima naquele dia, algumas horas antes de seu assassito, podendo ser uma das últimas pessoas a vê-lo com vida e por isso gostaria de fazer algumas perguntas que podem ajudar no caso. Teria um tempo livre para me encontrar?



Soltando um suspiro profundo e massageando as pálpebras, não acreditava que teria que lidar com mais essa. Conhecia o senhor Lee por causa dos negócios entre as empresas de ambos, mas não sentia nenhum pesar pela morte do mesmo devido a fama do homem de abusar sexualmente de suas funcionárias e se safar apenas por ter muito dinheiro. Desde que assumiu o cargo de CEO, queria evitar que a Lotthe fizesse parcerias com gente desse tipo, mas por mais irônico que parecesse, apesar de obter o maior cargo dentro do conglomerado, ainda não podia tomar tais decisões em passar pelo conselho de acionistas.
Cotton Kim estava no cargo de chairman do conselho por ser o dono da maior parte das ações e isso era ótimo para si porque sabia que o mesmo lhe apoiaria em tal decisão, assim como Naomi Kim, que também tinha muitas ações, mas os demais acionistas iriam criticar o fato que estaria agindo mais pela moral do que pelo lucro, tornando difícil para os dos amigos conseguirem controlar o fato de que os outros membros do conselho tentariam lhe exonerar do cargo de CEO.
Olhou a mensagem mais uma vez e resolveu salvar o contato do detetive porque algo lhe dizia que aquela não era a primeira e nem a última vez que o mesmo entraria em contato consigo, em seguida tentou responder de uma forma educada e que não demonstrasse a repulsa que sentia pelo homem citado no corpo da mensagem alheia.

Detetive
online

Olá, senhor Hoffmann. Estou bem, e você?

Infelizmente li acerca dos últimos acontecimentos e lamento muito que tal atrocidade tenha ocorrido com um grande e brilhante empreendedor como o senhor Lee, mas apesar disso, no momento não me encontro disponível para um encontro ou para responder perguntas. Queria sim ajudar com a investigação, mas não posso atrapalhar minha agenda essa semana. Podemos marcar para semana que vem? Por favor, entre em contato com minha secretária e marque um horário, assim, será um prazer recebê-lo em meu escritório no horário e data marcada.


Assim que terminou de escrever, apertando o botão para enviar, abriu a mensagem de sua mãe e com uma mensagem breve disse que a mesma não precisava se preocupar tanto consigo, mas aparentemente apenas homens estavam em risco. Deu um breve sorriso ao constatar que pela primeira vez ser mulher lhe deu algum privilégio diante de alguma situação, já que em outras se via em desvantagem por causa de todo o machismo na indústria que havia optado por trabalhar.
Quando terminou de responder o que havia de importante entre suas mensagens e e-mails, o carro já estava estacionado na frente da Lotthe World Tower, o maior prédio da capital do país, com seus 555m, que tinha orgulho de dizer que trabalhava bem no topo. Gostava de sentir como se o mundo inteiro estivesse em seus pés, aumentava bastante seu ego.
Desceu do carro com a ajuda de Elric que abriu a porta e lhe ofereceu a mão como apoio para sair e ficar de pé, seguindo seu caminho a passos largos para o interior do prédio até o elevador, cumprimentando alguns funcionários pelo caminho.
— Estou precisando de uma secretária nova, mas não gostei de nenhuma candidata que entrevistei até agora. — Disse ao seu segurança e amigo, enquanto aguardava pelo elevador chegar em seu andar. — Será que sou muito exigente?
Aparentemente Elric concordava que sim, pois deu uma risada baixa com as palavras alheias que fez algumas funcionárias atrás dos dois, que também estavam aguardando o elevador, suspirarem e rolar os olhos por notar que as demais se deixavam levar pelo charme do mais velho.
— Não diria exigente, apenas que está procurando alguém que se encaixe no seu padrão de funcionária perfeita. — Disse, colocando as mãos no bolso. — Mas é difícil conseguir isso com pessoas cheias de experiências, pois todas já tem suas manias e vícios de trabalho. Acho que você precisa de alguém nova, que possa moldar a sua maneira.
Pensou por um momento nas palavras do segurança e até concordando com as mesmas. Talvez pudesse divulgar a vaga em faculdades, para estudantes que estivessem no último do curso de secretariado e em busca de um estágio.
— Você pode estar certo. — Disse por fim, sentindo seu celular vibrar e assim o tirando do bolso para verificar sobre o que a notificação se tratava, logo vendo o nome do detetive na tela e abrindo para ver o corpo da mensagem.

Detetive
online

Senhorita , entrei em contato com a sua secretária esta manhã, mas aparentemente não há nenhum espaço na sua agenda pelo resto do mês. Não há mesmo uma maneira de nos encontrarmos? Prometo que não tomarei muito do seu tempo, serão poucos minutos de perguntas objetivas.



Deu uma risada anasalada ao terminar de ler, entrando no elevador digitando uma resposta enquanto Elric segurava as portas para si e apertava o botão do último andar.

Detetive
online

Senhorita , entrei em contato com a sua secretária esta manhã, mas aparentemente não há nenhum espaço na sua agenda pelo resto do mês. Não há mesmo uma maneira de nos encontrarmos? Prometo que não tomarei muito do seu tempo, serão poucos minutos de perguntas objetivas.

Sinto muito, senhor , mas como minha secretária já lhe informou,não tenho tempo disponível para um encontro devido ao trabalho. O que acha de me mandar as perguntas por e-mail? Muito mais prático para ambos, pense sobre isso.

PS: Já deixo avisado que, caso não seja possível tal ato, então terá que aguardar a minha agenda ficar livre.



— Está tudo bem? — Ouviu Elric perguntar, enquanto lhe encarava com a feição preocupada, mas não se atrevendo a tentar verificar o que estava lendo ou escrevendo em seu celular.
Apesar da grande amizade entre ambos, o mais velho não se esquecia de sempre respeitar a privacidade alheia, além de manter o respeito profissional no ambiente de trabalho. Isso era algo que amava em seu amigo, o fato do mesmo sempre saber como se portar em cada ambiente ou até mesmo o que falar ou fazer em distintas situações.
— Está tudo bem, apenas… Lembra do senhor Lee? O CEO do SQ group? — indagou, erguendo os olhos para maior, que apenas lhe olhou com atenção antes de concordar com a cabeça.
— Sim. É sobre a morte dele? — indagou calmamente.
— Sim, um detetive quer conversar comigo porque aparentemente fui uma das últimas pessoas que o viu vivo, mas não tenho tempo para isso. — Disse, voltando sua atenção para o celular ao senti-lo vibrar novamente com uma nova mensagem do detetive.

Detetive
online

Não, seria melhor te encontrar pessoalmente, mas não se preocupe, vou buscar uma forma de resolver essa situação. Desculpe pelo incomodo, tenha um ótimo dia.



Pela forma que o detetive havia lhe respondido, tinha a impressão de que havia o deixado irritado de alguma forma por não ter conseguido o que queria, mas não se importava, até mesmo lhe agradava um pouco imaginar o homem buscando formas de conseguir um mandato para lhe obrigar a ir a delegacia para ser interrogada.

Detetive
online

Não, seria melhor te encontrar pessoalmente, mas não se preocupe, vou buscar uma forma de resolver essa situação. Desculpe pelo incomodo, tenha um ótimo dia.

Tudo bem, tenha um ótimo dia, senhor .



Mandou a última mensagem com um sorriso em seus lábios e guardou o celular em sua bolsa quando as portas se abriram e pode caminhar em direção a sua sala para começar mais um dia de trabalho.


III

Se tinha algo que odiava era resolver casos onde pessoas ricas e poderosas estavam envolvidas de alguma forma, pois sempre havia um que acreditava estar acima da lei e se negava de alguma forma a colaborar com o caso. Era assim que o detetive estava vendo no momento, como uma mulher que acreditava que o seu dinheiro era capaz de lhe manter fora de problemas, mesmo quando havia a leve suspeita de que ela mesma tinha causado tais problemas, no caso, um crime. Não sabia e nem podia afirmar que a CEO era a responsável pelo homicídio de Taewon Lee, mas tinha algo muito errado na recusa alheia em lhe encontrar e responder algumas perguntas simples.
Se levantou de seu lugar estressado com a situação e buscando em sua mente maneiras de conseguir um encontro com a mulher que poderia ser de grande ajuda no caso enquanto andava de um lado para o outro próximo à sua mesa, chamando a atenção de seus dois colegas de trabalho.
— O que houve? — Godfrey indagou com o cenho franzido e um olhar preocupado, provavelmente com medo de que mais algum assassinato tivesse ocorrido, pois nos ultimos meses estavam sofrendo uma grande pressão tanto dos seus superiores quanto da população e da midia para resolver a onda de homiciosque estava ocorrendo contra grandes figuras publicas e empresários do pais.
— Nada. — Respondeu , passando uma das mãos pelos seus longos fios de cabelo que iam até um pouco a cima de seus ombros. — Só tem essa garota…
— Está pensando em namoro em um momento como esse? — Dessa vez foi Kali que indagou, sem nem tirar os olhos da papelada sobre a sua mesa, mas sabendo muito bem que no momento o colega lhe lançava um olhar mortal, enquanto Godfrey segurava o riso, porque adorava ser ver ou tirar o amigo do sério.
— Vou sair para fumar. — Anunciou já se dirigindo a saída da delegacia, não queria discutir e descontar nos colegas a frustração que estava sentindo por causa de terceiros.
Assim que chegou na frente da delegacia, vendo o fluxo de carro passar pela avenida principal da cidade, sacou um maço de cigarro de seu bolso, prendendo um entre seus dedos e pegando seu isqueiro para o acender. Dando uma tragada profunda, pegou seu celular com a mão livre e abriu uma das suas redes sociais, indo diretamente da busca de novos perfis e procurando pelo de . Não sabia exatamente porque estava fazendo isso, mas sentia que saber um pouco mais sobre a CEO lhe ajudaria a conseguir o maldito encontro com a mesma.
A primeiro momento se surpreendeu ao ver a face alheia na foto de perfil, ainda não tinha pesquisado nada sobre a mulher, apenas tinha pedido para Godfrey conseguir os números necessários para entrar em contato com a mesma e marcar o encontro para fazer as perguntas de precisava, mas seja lá o que tinha imaginado a imagem de , com certeza não era uma mulher com aparência tão jovem e traços tão bonitos que com certeza chamaria atenção em uma multidão de pessoas.
Começou então a vasculhar o perfil alheio em busca de mais informações, descobrindo acerca de alguns eventos que a mesma pretendia aparecer nos próximos dias, além de que a mesma era muito fotogênica, além de ter inúmeros talentos que lhe deixaram um pouco surpreso. Ninguém no mundo poderia ser tão boa em tudo, talvez só fosse muito boa em fingir ter uma vida perfeita e atarefada. Deu mais algumas tragadas em seu cigarro, quase o terminando quando notou uma atualização da mesma de apenas alguns segundos atrás e a indignação tomou conta de si ao ver o conteúdo onde dizia com todas as letras que estaria o resto da tarde livre e descansado em sua casa.
sentia como se o sangue de seu corpo tivesse todo subido para sua cabeça, pois estava fervendo e doendo de raiva pela mulher estar lhe fazendo de idiota. Sua ira era tanta que até se queimou com o cigarro que se pegou amassando em sua mão enquanto voltava para dentro da delegacia com passos fortes e decididos, jogando seu celular sobre a mesa de Godfrey que até mesmo se assustou com o barulho que o impacto causou.
— Vai ter uma festa da alta sociedade em dois dias, preciso que descubra qual é, onde é e que me consiga um convite. — Disse, andando em direção ao lixo para jogar a bituca de cigarro e olhar para a queimadura na palma de sua mão causada pela mesma. — Consegue me entregar o convite em 24 horas?
Wang fez uma feição de indignação e por um momento acreditou que o rapaz ia lhe falar que era impossível conseguir lhe colocar na lista de uma festa de tal porte, mas quando o mesmo revelou seus pensamentos, um sorriso ladino surgiu em seu rosto.
— Acha que sou um amador? Com duas horas consigo te colocar até na lista VIP de uma festa na Casa Azul.
— Que bom, por isso você é o melhor. — Disse para massagear o ego do amigo, sempre fazia isso quando queria algo do mesmo.
Enquanto isso, ouvindo os dois conversando, Kali apenas balançava a cabeça em negação se perguntando o porquê de ainda se submetia a trabalhar com aqueles dois, quando um mais parecia uma bomba relógio prestes a explodir e o outro tinha complexo de Deus.


IV

não podia dizer que desgostava dos eventos sociais junto a alta sociedade, mas também não podia dizer que gostava. Obviamente tinha o lado bom daquilo, como desfrutar de boa comida e bebida, além conhecer pessoas com quem poderia fazer negócios futuramente, porém, fora isso, os eventos acabavam sendo uma disputa de ego, riquezas e poder entre os convidados presentes, o que lhe deixava bem irritada. Também tinha o fator de que sempre acabava ouvindo comentários desagradáveis sobre seu trabalho e, pior ainda, sobre seu corpo. Comentários como "você não é nova e bonita demais para estar à frente de uma empresa?" "Porque não trabalha com algo que combina com uma mulher delicada como você?" "Uma jovem tão bonita continua solteira assim porque trabalha demais" eram ouvidos aos montes por si e o pior era que sabia que se fosse um homem em sua posição seria chamado de "jovem promissor".
Por isso tentou não ficar pensando nas coisas que sabia que podia, e iria ouvir durante a festa, acabando apenas por terminar de se arrumar para quando Elric chegasse, não o fizesse esperar por si. Precisava focar em se divertir um pouco depois da semana conturbada que estava tendo devido ao projeto com o grupo SQ que não poderia ir adiante por causa da morte de seu CEO. Aparentemente, o senhor Lee conseguia continuar ferrando com a vida de uma mulher até mesmo após a morte.
Assim que recebeu a mensagem de Elric avisando que havia chegado para lhe buscar, pegou sua bolsa de mão, com tudo necessário e saiu de casa indo em direção ao carro vendo o segurança sair do carro para abrir a porta para si e revirando os olhos, com um sorriso pelo exagero alheio. Ambos eram íntimos o suficiente para dispensar essas formalidades entre empregado e empregador quando não havia mais ninguém presente, mas às vezes Hartmann insistia em provocar a mais nova dessa forma.
Durante o caminho, os dois conversaram um pouco sobre o fato da sua mãe de querer passar um tempo em sua casa por causa da possibilidade de ter um serial killer à solta no país. Enquanto isso, Elric só ria e concordava que seria bom que a amiga tivesse a mãe por perto no momento, pois isso acalmaria o coração da senhora e impossibilitaria a CEO de se meter em problemas. apenas revirou os olhos, se negando a aceitar que sua mãe largasse tudo na Suécia só para ir passar um tempo consigo por preocupação sem que tivesse um real perigo.
Chegando no local lado a lado com o segurança como se o mesmo fosse seu acompanhante da noite, posou para algumas fotos que a mídia insistia em tirar para divulgar o evento em sites, jornais e revistas, e depois entrou no grande salão de festas, cumprimentando alguns dos vários rostos conhecidos, acabando por encontrar Cotton Kim junto ao seu marido, Thomas Kim, dos quais se aproximou com um sorriso, dando um abraço apertado em ambos.
— Já estão aqui! Chegaram muito cedo? — Indagou, se afastando e logo apresentando seu acompanhante. — Esse é Elric Hartmann, meu segurança. Acho que vocês não tiveram a oportunidade de se conhecerem nos últimos tempos, andamos todos muito ocupados, não é? — Disse com um sorriso gentil.
— Não, chegamos faz cerca de 20 minutos, apenas, e estávamos aqui conversando um pouco. — Cotton respondeu com um sorriso, após corresponder ao abraço alheio, estendendo a mão para cumprimentar o homem ao lado da amiga. — E sim, já o vi algumas vezes, mas nunca tivemos a oportunidade de conversar. Como vai, Elric? — ouviu o rapaz responder brevemente que estava bem com um sorriso enquanto apertava sua mão. — Que bom! E sim, muitas coisas andam acontecendo atualmente tanto na Myeon House quanto na Lotthe. Assim que as coisas acalmarem poderemos nos encontrar todos com mais calma.
apenas concordou com um aceno de cabeça, pois sabia que o Kim tinha uma vida agitada administrando as suas clínicas veterinárias, além de ainda ter que ficar ouvindo as reclamações dos outros acionistas da Lotthe. Talvez por isso o admirava tanto como profissional e também como pessoa, por também ter a coragem de assumir sua sexualidade diante de um país ainda tão preconceituoso quanto o que viviam.
Pensar sobre tal fato, lhe fez reparar que o casal a sua frente se mantinha de mãos dadas o tempo todo, quase como se não conseguissem ficar longe um do outro por muito tempo e apesar de não ser o tipo de pessoa romântica, se sentia tocada pelo amor dos dois.
— Que bom que veio também, Senhor Kim. — Disse a Thomas, dando um leve toque em seu ombro. — Fiquei sabendo que não gosta muito de festas desse tipo, mas espero que se divirta essa noite. Caso precise de algo, qualquer coisa, pode me chamar.
A expressão no rosto do rapaz que parecia ser o mais novo na roda de conversa que havia se formado era um pouco amedrontada ainda, mas ainda assim ele deixou um pequeno sorriso tomar o canto de seus lábios ao ouvir a fala direcionada para si.
— Ah, eu não me importo muito... — Murmurou baixinho, deixando os fios caírem um pouco nos olhos. A realidade era que queria dizer que era tímido demais para falar com pessoas tão bem vestidas que nem ao menos conhecia, mas preferiu apenas ficar quieto enquanto se concentrava em não deixar suas bochechas ficarem rosadas.
— Quando as coisas se acalmarem podemos fazer uma pequena viagem juntos. Adoraria passar mais tempo na companhia de vocês dois. Principalmente de você, Thomas, sei muito sobre o Cotton, mas pouco sobre você. O que é um absurdo já que tecnicamente é meu chefe também. — disse, abrindo mais o sorriso ao que olhava um pouco ao seu redor, vendo um rapaz do outro lado do salão lhe erguer a mão brevemente, lhe chamando para se juntar a um grupo de homens muito bem vestidos. — Se não se importam, ainda tenho que cumprimentar algumas pessoas e depois volto a me juntar a vocês. — Ouviu a resposta do casal que concordou e então tocou levemente o ombros de Elric que se inclinou para que a mesma sussurrasse ao seu ouvido. — Pode buscar uma bebida pra mim? Sinto que só assim serei capaz de aturar alguns minutos de conversa com aqueles magnatas.
— Tudo bem, champanhe? — O mais velho indagou, a olhando com atenção e até um pouco de preocupação.
apenas concordou antes de seguir caminho em direção ao grupo de homens com um sorriso falso em sua face, mas convincente o bastante para fazer todos ali acreditarem que estava contente em encontra-los..
— Boa noite, rapazes. Como estão? — Indagou, cumprimentado todos ao curvar um pouco o corpo em uma breve reverência.
Foi obrigada a brindar junto aos homens e tentava manter o sorriso no rosto enquanto fingia ouvir com atenção um dos velhos ricos falando algo sobre uma viagem que fez no último mês ao mesmo tempo que tentava se desvencilhar disfarçadamente das mãos de Changjae Shin, CEO da Kyobo Life Insurance e um dos homens mais ricos da Coreia segundo os jornais e revista de economia. podia completar dizendo que também era um dos mais atrevidos já que o mesmo se encontrava o tempo todo tocando em sua cintura e tentando trazê-la para perto de si. Por mais que não fosse o tipo de mulher que precisava de um homem em um cavalo branco para lhe salvar, queria que naquele exato momento Elric aparecesse com o maldito champanhe que havia lhe pedido e lhe tirasse daquela situação, antes que acabasse quebrando a mão atrevida do senhor Shin.


V

Desde a primeira conversa que teve com a CEO por mensagens, ainda tentou entrar em contato com a mesma duas vezes, ambas sem sucesso igual a primeiro e isso estava apenas lhe deixando mais estressado e levantando suspeitas, até demais, acerca das desculpas que estava lhe dando para não o encontrar, afinal eram perguntas mais do que necessárias para o desenvolvimento do caso e alguém que não tinha culpa claramente não as evitaria. Por isso não estava se sentindo nenhum pouco culpado em vigiar o cronograma da mesma e seguir seus passos na intenção de a pegar desprevenida.
Godfrey, que foi quem lhe ajudou a conseguir o convite para o evento da Bulgari, começou a tirar sarro de si quando viu as fotos da CEO, dizendo que talvez sua obsessão em encontrar com a mesma pessoalmente tivesse outras intenções, coisa que não era verdade, mas fez todos da delegacia ficarem curiosos em ver fotos da , babando pela mesma como se fosse uma celebridade, o que só lhe deixava mais irritado. A CEO podia ser uma criminosa e todos na unidade 5 pareciam mais preocupados em curtir as fotos da mesma fazendo pilates a se focar no caso. As únicas exceções eram Godfrey e Kali, que só não faziam o mesmo por ser mulher, se fosse um homem bonito, Godfrey estaria fazendo questão de o prender com algemas, mas não de um jeito ruim… Ou talvez sim, dependendo do ponto de vista.
Sabia que uma festa não seria o melhor lugar para se ter uma conversa como a que planejava ter, ou sequer calmo o bastante, mas com certeza conseguiria cercá-la de algum modo para descobrir o que havia de errado em responder algumas perguntas simples.
Esperando dar o horário da festa, apenas se manteve no casual elegante, vestindo um de seus melhores ternos e sapatos e arrumando os fios pretos que começavam a ficar grandes demais, mas não tinha tempo de cortar. Entrou em seu carro, levando apenas seu celular, chaves e um maço de cigarro, o kit necessário para que pudesse sobreviver ao evento. Não era o maior fã de festas, não gostava de interagir com as pessoas e fazia o seu máximo para não chamar atenção, mas sabia que tinha algo em seu semblante sério e sem muitas expressões que atraia os olhares dos demais.
Começava a ter uma pequena dor de cabeça só de pensar nos diversos ricos esnobes que estariam no lugar, não gostava de toda aquela ostentação apesar de sua conta bancária ter mais de 5 dígitos, só não tinha a necessidade que o mundo soubesse de tal fato acabando por ter um carro comum e um apartamento pequeno e apertado em uma área próximo ao subúrbio de Seul.
Chegando ao local, percebeu que havia um manobrista para estacionar os carros, para quem entregou a chave antes de andar até a entrada no salão de festa, pegando o celular onde se encontrava o seu convite e mostrando a recepcionista. Podia sentir de longe o cheiro de perfume caro, pois seu olfato era sensível para cheiros, o que lhe fez torcer um pouco o nariz e fazer uma pequena careta.
É parte do seu trabalho, você sabe disso, não passe dos limites”, pensou consigo mesmo, respirando fundo e entrando no salão. Por ainda estar cedo, não haviam tantas pessoas assim quanto esperava, e obviamente a senhorita não estava por ali, por isso tentou escolher o melhor ponto para que pudesse observar todos ao seu redor e assim conseguisse enxergar quando a mesma entrasse no salão.
Longos minutos se passaram e naquele ponto já estava mais do que entediado, tomando uma taça de champanhe e observando todos os ricos com uma enorme expressão de tédio e postura relaxada, dando respostas secas a todos que por algum motivo decidiram falar consigo, mas com os olhos sempre na entrada. Mas assim que viu entrar no salão tornou a postura totalmente ereta, levantando um pouco as sobrancelhas espantado com o fato de que a mesma parecia ainda mais bonita vista pessoalmente, mas apenas ficando parado em seu lugar, observando todos os movimentos alheios. Não demorou para perceber que ela estava acompanhada e que isso seria um belo empecilho para se aproximar da mesma, já que o rapaz parecia pronto para barrar qualquer pessoa que se atrevesse a se aproximar demais da CEO. “Um namorado, talvez? Algum rico de alta sociedade? Pela forma como se portava, tudo indicava que sim.” Mas a verdade era que precisava se aproximar para descobrir as respostas para tais perguntas e muitas outras.
Suspirou fundo, arrumando as mãos nos bolsos da calça enquanto voltava a se encostar na parede, travando um pouco o maxilar. Sabia que aquela não era a melhor hora para agir, então esperaria o momento certo, tentando não ser notado para que pudesse a encurralar, mas acabou se distraindo um pouco com o seu celular, respondendo algumas mensagens no grupo privado da sua unidade da policial quando, cansado de ler baboseiras dos policiais que lhe pediam para mandar algumas fotos de usando a desculpa de que isso era importante para o caso, decidiu guardar o telefone e voltar a olhar o seu redor.
Por um momento sentiu o corpo gelar, já que não avistou a CEO no mesmo lugar que estava antes, conversando com o casal que parecia não desgrudar um só segundo desde que haviam chegado, mas ao buscá-la com o olhar pelo salão, conseguiu a identificar novamente perto de um grupo de homens, sem o seu acompanhante por perto, suspirando aliviado e começando a andar em direção a mesma.
Talvez aquela fosse a sua única chance de ter uma pequena conversa com , então não a desperdiçaria. Em poucos passos já estava ao lado da mulher, com um semblante sério em seu rosto, se integrando no grupo como se estivesse ali a princípio, mas notou o olhar de , estendendo a mão para a mesma.
. — Murmurou, em um tom baixo, mesmo sabendo que os demais olhavam desconfiados para si. — Sou . . Teria um momento para conversarmos?


VI

Quando notou uma presença a mais na roda de conversa na qual se encontrava, estendeu a mão para cumprimentar o rapaz ao seu lado e se surpreendeu tanto com a beleza do mesmo, que até demorou alguns segundos para raciocinar e compreender de quem se tratava. Até o momento não sabia qual era a aparência alheia quando conversou com o mesmo através de mensagens, nem mesmo era boa em decorar feições, então não se interessou nenhum pouco em saber como era a face do detetive que insistia em lhe encontrar pessoalmente, mas ao vê-lo na sua frente lhe fez perceber que um rosto como o dele era difícil de esquecer. Com olhos pequenos, sobrancelhas grossas e rosto de traços firmes, com certeza tinha uma fila de pessoas dispostas a serem presas por ele, mas apesar de sentir algum tipo de atração imediata pelo rapaz, ainda não estava disposta a abrir mão da sua liberdade pelo mesmo. Tudo que queria naquele momento era saber o que aquele maldito homem estava fazendo ali naquele momento.
— Oh, senhor , que surpresa encontrá-lo aqui. —Tentou manter o sorriso em seu rosto para que ninguém suspeitasse da situação na qual se encontrava no momento, soltando a mão alheia em seguida enquanto o encarava dos pés a cabeça. — Claro que podemos conversar. — disse logo se dirigindo aos demais homens na roda de conversa. — Se me permitem, volto em um instante. — Anunciou, dando graças a Deus que conseguiu afastar a mão de Changjae de sua cintura, mas um pouco preocupada com o novo problema que havia se metido. “Onde estava Elric quando se precisava dele?”, indagou em sua própria mente, enquanto dava uma olhada no salão em busca do mesmo.
apenas a observava se despedir dos magnatas com uma feição impassível. Tinha uma grande tendência a não se importar com nada ao seu redor, pois apesar de ser alguém que não suportava injustiças, de fato, raramente se intrometeria ou tiraria sua expressão de desinteresse do rosto, com exceção apenas de quando isso lhe envolvesse pessoalmente, o seu trabalho ou as pessoas que gostava. No entanto, não pode deixar de notar a mão do homem na cintura alheia, percebendo certo desconforto no sorriso que a mesma tinha no rosto e se incomodando com aquilo ao ponto de quase interferir. Não sabia ao certo o porquê da sensação ruim lhe atingir o peito, mas ficou agradecido quando a mesma teve a ideia de ir um pouco para longe e resolveu o problema por si só.
Enquanto andavam em direção a um lugar mais reservado, não podia deixar de reparar na beleza da mulher que era realmente estonteante e incrivelmente atraente. tinha um ar forte de poder e autoridade, o bastante para fazer com que o detetive se sentisse impactado, mas não para o fazer perder sua postura.
Não demoraram a chegar em um ambiente separado do grande salão, onde havia algumas mesas e sofás com alguns casais parecendo completamente imersos em seus próprios mundos enquanto conversavam e trocavam carícias. Com certeza não era um lugar ideal para o tipo de conversa que teriam, mas era o melhor que iriam conseguir em meio a festa.
— Pode ser aqui? — indagou, ao parar em frente ao sofá mais distante das demais pessoas do local, mas nem mesmo esperou a resposta alheia antes de se sentar sobre o acolchoado.
— Claro, aqui está ótimo. — o detetive murmurou sem escolha, ainda baixo em um tom baixo, demorando alguns segundos para se sentar, em um dilema se deveria ficar em pé e tentar encontrar outro lugar, mas acabando por ceder ao olhar alheio que parecia exigir para que se sentasse. — Desculpe-me por aparecer assim de repente, sei que não deve se sentir confortável com isso ou até surpresa, pois não fiz avisos prévios, mas como a senhorita parecia evitar um encontro comigo e é um grande caso que temos em mãos, não podia esperar mais. — Disse como um robô, pegando o seu celular e retirando uma pequena caneta que era embutida no mesmo, escrevendo algumas coisas antes de tornar os olhos para a face alheia.
— Não se preocupe, eu compreendo.— Cruzou as pernas e se recostou no sofá enquanto cruzava os braços, observando cada mínimo gesto alheio. Não podia negar que o mesmo tinha uma beleza muito agradável aos olhos, mesmo tendo plena consciência de que se envolver com sujeitos como aquele resultava em uma grande dor de cabeça, principalmente no seu caso. — Mas você fala como se eu estivesse fugindo de você, senhor , o que não é o caso. Eu tenho que trabalhar, muito mesmo. Acredite ou não, naquele momento em que chegou até mim, estava trabalhando, criando vínculos, mesmo que não seja confortável para mim no sentido pessoal, é de necessidade da empresa a qual represento. Sinto muito que esses fatos tenham atrapalhado o seu trabalho de alguma forma, mas fico contente que tenha arrumado uma forma de resolver nosso impasse, mesmo que sem avisos. — Disse com uma voz calma e com um sorriso gentil em seus lábios.
O detetive ouviu atentamente a fala alheia, apenas mantendo a expressão séria e robótica em sua face, podendo dar a impressão de que não se importava muito com o que a mais nova estava falando no momento, apesar de estar fazendo notas mentais sobre cada pequena fala da mesma.
— Sim, eu entendo que não deve ser fácil ser mulher nesse ramo, é um trabalho extremamente árduo e não são todas que conseguem, é realmente uma guerreira. — Murmurou, ajeitando um pouco a postura no estofado enquanto umedecia os lábios com a ponta da língua. — Se importa se eu fizer algumas perguntas?
— Pode sim, se for breve.
— Pois bem, serei breve. O que fazia naquele dia com o senhor Lee?
— Estávamos prestes a fechar um negócio e tivemos uma reunião particular para conversar sobre algumas cláusulas do contrato que iríamos assinar. O senhor Lee queria utilizar o hall e o espaço externo da Lotthe World Tower para a realização de um evento promovido pela sua empresa. — ela respondeu com seriedade, mas leveza em sua voz.
— Compreendo. — concordou ele, descendo os olhos ao celular e anotando algumas coisas. Assim como si mesmo, parecia levar os seus negócios a sério, talvez até demais, mas não tinha certeza o bastante para saber do que a mulher seria capaz. Ao pesquisar sobre a mesma, achou informações que era a atual CEO do grupo Lotthe, mas mesmo assim a maioria dos internautas teimavam em dizer que Cotton Kim era quem deveria estar no cargo e talvez isso a fizesse se esforçar mais do que o necessário para que demonstrasse ser competente em seu cargo. — E vocês mantinham uma relação apenas profissional?
A CEO não se conteve em soltar uma risada anasalada com a pergunta alheia.
— Desculpa, senhor , mas chega a ser engraçada tal pergunta. Você acha que eu tinha um caso com ele? — Indagou de forma retórica, negando com a cabeça como se não acreditasse que tivesse que responder aquilo. — Eu levo meu trabalho a sério e não misturo prazer com negócios, Detetive.
Esboçando um mínimo sorriso pela primeira vez na noite, soltou a ar pelo nariz enquanto ajeitava um pouco mais a sua postura, em sua mente, apenas haviam duas palavras: "Te peguei". Pela resposta dr , havia percebido um pouco de repulsa em relação ao falecido senhor Lee, o que ia totalmente contra o que a mesma havia lhe dito em mensagens. “Lamentava muito que tal atrocidade tivesse ocorrido com um grande e brilhante empreendedor como o senhor Lee? Até parece.” Por algum motivo a mulher não parecia ter pesar algum pelo magnata.
— De modo algum, senhorita . Você que presumiu isso, eu apenas perguntei se tinham algum tipo de relação e isso envolve sair para beber ou conversar, viajar a negócios com mais pessoas em conjuntos, trocar mensagens amigáveis, não apenas transar. — Murmurou, tentando explicar para ela da forma mais clara e calma o possível, ainda que um pequeno sorriso debochado habitasse os seus lábios. — Mas, de qualquer forma, creio que amizade não existia entre vocês, certo? Ele, de alguma forma, te assediou física ou moralmente?
apenas franziu a testa ao ver o sorriso alheio, travando a mandíbula enquanto soltava um suspiro. Já tinha lidado com muitos homens babacas na sua vida e a simples possibilidade de um homem pensar ou insinuar que era do tipo que dormia com magnatas por causa do seu trabalho, lhe tirava do sério.
— Não, não tínhamos contato algum quando não era sobre a empresa, pois são muito poucos os homens que consigo suportar na minha vida. E não, ele não fez nada contra mim. Apenas discutimos sobre o contrato e fui embora. — Disse de forma objetiva, desejando que aquele interrogatório acabasse de vez e assim pudesse beber um pouco.
— E nenhuma situação anterior a isso? Seja em jantares para negócios ou até mesmo em encontros para a assinatura de contratos? — anotava mais algumas coisas no celular, tornando a feição séria de volta no rosto, observando a face da mais nova. — Antes de tudo apenas quero que saiba que não estou tentando te acusar. Na verdade, temos um grande suspeito em nossa lista, mas essas são as perguntas padrões.
— Não, em nenhuma. — Respondeu quase que roboticamente, arrumando sua postura em seguida por sentir suas costas doerem. Colocou os fios de cabelo para trás, deixando seu pescoço e ombros mais visíveis para então fazer uma leve automassagem sobre os mesmos, trocando as pernas de posição na hora de cruzá-las novamente. — Não me importa se está tentando ou não me acusar, eu não tenho nada a temer.
— Imagino que não tenha, senhorita. — deu um sorriso gentil a mesma, bloqueando o telefone mas continuando a encarar a mesma, como se a analisasse de alguma forma. Sabia que podia ser desconfortável, já tinham lhe falado diversas vezes sobre isso, mas era apenas o seu jeito de fazer as coisas. — Última pergunta, prometo. Você notou algo estranho no prédio? Sejam os funcionários, a secretaria ou até mesmo o próprio senhor Lee?
— Acho que só avistei um funcionário quando estava saindo do escritório, mas não sei lhe dizer quem era ou em que área trabalhava exatamente, mas pelo macacão de uniforme ao invés do terno e gravata, acredito que fosse da limpeza, manutenção, segurança ou algo assim. — deu de ombros encarando o rapaz de forma fixa por longos segundos. Olhares como os dele não lhe intimidavam tão facilmente e, naquele caso, não estava sendo um incômodo. — Já terminou? Ou tem mais alguma coisa que quer de mim?
— Não, isso é tudo. Creio que mais nenhum policial vá te incomodar, já que não há motivos para suspeitas. — Concluiu, se levantando calmamente e ajeitando o terno preto que vestia, mesmo que não se importasse tanto assim se o mesmo estava amassado ou não. Virou-se para a mulher, oferecendo a mão para a mesma, como uma ajuda para se levantar. — Foi um prazer conhecer você, senhorita .
estava pronta para se levantar sozinha de seu lugar, mas ao ver a mão oferecida para si, levou alguns segundos encarando o policial antes de aceitar, a segurando com firmeza enquanto se colocava de pé.
— Também foi um prazer te conhecer, Senhor Hoffmann, apesar das circunstâncias. — Disse por fim.
não podia concordar mais com as últimas palavras alheias, por algum motivo, se pegou desejando que tivessem se conhecido em uma situação diferente.
— Sim, é um momento bem chato, de fato. — Suspirou, tirando um pouco do peso do seu trabalho das costas, mexendo um pouco os ombros enquanto tentava, de certa forma, massagear a própria coluna. Até mesmo no dia que era para ser sua folga tinha trabalhado, então estava precisando urgentemente de descanso. — Você vai voltar para a festa?
Passando a ponta da língua pelos lábios para os umedecer, confirmou com um aceno, só então se dando conta que continuava com a mão junto a dele e assim a soltando com o sorriso um pouco nervoso, o que não durou muito. Quando voltou a olhar a sua volta, havia mais casais no ambiente de meia luz, que aproveitavam o local mais tranquilo para trocar carícias sem pudor.
— É, vou... Não é como se eu quisesse, mas tenho. Pelo menos por mais uma ou duas horas. — Deu de ombros. — Mas por mim estaria tomando um banho relaxante, em uma banheira... — disse, fechando os olhos por um momento e se permitindo imaginar a cena. — Não tem nada melhor para relaxar. Mas e o senhor, detetive, irá embora?
Sorriu para a mais baixa, identificando o nervosismo alheio ao perceber que ainda seguravam as mãos, mas apenas não ligando.
— Não, ficarei por aqui. Há muitas pessoas importantes e esses são os alvos do tal assassino. Vou ficar e observar, ainda que seja difícil achar alguém "estranho" no meio de tanta... elegância. — Disse a última palavra com certo desgosto, franzindo o cenho. — Aliás, devia ter cuidado com aqueles homens, não pareciam amigáveis para se ficar perto sem a presença de alguém.
deu uma risada baixo enquanto arrumava o próprio cabelo, colocando uma das mechas atrás da orelha, fazendo então menção com a cabeça para que começassem a andar para fora do ambiente.
— Eu sei. Sei que notou o que estava acontecendo, mas... É o lado ruim de ser mulher nessa área, seu gênero parece chamar muito mais atenção do que o seu trabalho, a ponto dele ser desvalorizado. — Soltou uma risada anasalada balançando a cabeça. — Preciso de uma bebida, me acompanha?
Ainda que não estivesse tão alarmado quanto antes, ainda tinha pequenas notas mentais com as coisas que a mais baixa dizia. Estava tão acostumado em agir como um robô a todo o tempo, observando pequenos detalhes de feições, gestos corporais, olhares distraídos, que não sabia se conseguia voltar ao seu normal tão rapidamente. Contraiu um pouco o maxilar, balançando minimamente a cabeça, concordando com a mesma e suas afirmações, pois definitivamente deveria ser difícil para a mesma. era homem, mas tinha olhos, sabia que a CEO a sua frente tinha um corpo mais do que esbelto e também tinha conhecimento do histórico de assédio de muitos daqueles homens contra suas empregadas. A sorte de para que não houvessem investidas mais ousadas contra si, era o fato da mesma não ter um cargo mais baixo. Além da Lotthe ser uma das empresas mais ricas do país, a quinta mais rica, para ser exato, essa era a sua maior vantagem.
— Claro, seria um prazer. — Murmurou, abrindo a porta e dando espaço para que ela passasse primeiro e saísse do ambiente.
Nygard sorriu para o mais velho em agradecimento e seguiu de volta pro salão, acenando para algumas pessoas que conhecia até chegar próximo do balcão do bar, ainda olhando em volta em busca de Elric, já que não via o mesmo desde que o havia mandado pegar uma bebida para si, mas logo voltou sua atenção para o detetive.
— Então, o que gosta de beber?
não prestou muita atenção no salão, sabia que tudo que teria naquele momento eram pessoas olhando as belas jóias à mostra e gastando todo seu dinheiro com algumas pedras preciosas. Não era alguém de usar muitos adereços além dos brincos em sua orelha, o que havia feito quando ainda era adolescente e os usava por puro costume.
— Na verdade eu não bebo muito além de whisky. Tem algo para me recomendar? — Murmurou por fim, parando ao lado da mais baixa e tentando sorrir gentilmente para a mesma.
— Hum... Eu só bebo drinks e tenho certeza que pra você eles parecerão suco, já que gosta de algo forte como whisky. — Disse ela com um sorriso, observando o detetive por alguns segundos antes de virar para o barman que aguardava pelo pedido dos dois. — Pode, por favor, fazer um mojito de morango e um acapulco. — Pediu com um sorriso gentil que fez o atendente corresponder antes de ir preparar o drink. — Se não gostar, a culpa não é minha e sim do seu paladar acostumado com coisas amargas.
— Coisas fracas podem ser boas e também não quero ficar bêbado em plena festa. — respondeu com um sorriso e uma pequena piscadela para a mesma, soltando uma risada com a fala alheia, enquanto observava o barman preparar as bebidas. — E não discordo que whisky é ruim, apenas é forte o bastante, como você disse. Não costumo tomar sempre, apenas quando o estresse me ganha por completo. Você bebe muito?
— Não, na verdade, fico bêbada com dois ou três drinks, mas como muitos dos almoços e jantares regados a muita bebidas são o caminho perfeito para o fechamento de um contrato, aprendi a enganar bem que estava bebendo tanto quanto os demais. Mas e você? — Indagou .
— Então quer dizer que tem suas cartas na manga para fechar contratos? Parece uma boa habilidade para se ter no mundo dos negócios, e perigosa também. — Disse, ajeitando um as madeixas escuras que caiam em seus olhos, ainda observando o barman, que já trazia os drinks até os dois, os deixando no balcão. — Eu tenho um vício talvez pior do que a bebida. — Fez um pequeno "v" com os dígitos e levou aos lábios, simulando que soprava a fumaça. — Mas quando se trata de bebidas, é algo mais social ou, como disse, quando estou estressado e preciso dormir. Ajuda a relaxar um pouco, apesar do horrível gosto na boca.
— Não estou surpresa em saber que fuma. Já tentou parar com seu vício?— Indagou., encostando brevemente no ombro alheio e logo voltando sua atenção ao balcão quando viu os drinks sendo colocados sobre o mesmo, logo puxando um dos dois para perto de si, levando o canudo da bebida aos lábios e sugando um pouco do líquido.
deu uma pequena olhada na direção alheia quando sentiu o toque em seu ombro, franzindo o cenho levemente, mas preferindo apenas ignorar o fato, segurando o corpo entre as mãos e levando o canudo aos lábios, degustando um pouco da mesma. Por certa parte sentia o gosto cítrico, mas ao mesmo tempo era refrescante. Uma bebida interessante com um gosto que nunca havia provado.
— Fica tão na cara assim que sou fumante? — Brincou, dando um pequeno sorriso e tomando mais um pequeno gole.
— Não é isso... Apenas sei reconhecer os sinais, como o amarelo nas pontas de seus dedos. — disse, tomando mais um gole de sua bebida, brincando em seguida com o canudo, o fazendo rodar com o gelo do copo. — Já convivi com alguém que fuma, por isso. — Disse voltando a erguer os olhos para o mais alto e abrindo um sorriso.
Com a fala alheia, fechou a mão em um punho automaticamente, franzindo um pouco o cenho pela reação e voltando a relaxar a mão, apenas a encarando.
— Mas respondendo a sua pergunta anterior, acabei provando assim que entrei para a polícia porque o meu antigo chefe fumava e desde então não parei. Antes era apenas em situações de estresse, mas hoje vejo mais como um alívio. Consigo ficar sem um dia, se for necessário, mas não é como se eu quisesse parar. Me previne de fazer... Coisas. — Pigarreou, olhando para a mais baixa como se tentasse ler o que a mesma pensava. — E você, não tem nenhum vício?
— Compreendo. Quanto ao meu vício, acho que é trabalhar demais. Não gosto de ter tempo livre e ficar sozinha comigo mesma. — disse dando de ombros em seguida.
— Ah, sim. — Disse em concordância, percebendo que aos poucos a CEO parecia ter perdido um pouco da mulher autoritária e responsável que estava mostrando no pequeno interrogatório. — Esse é um vício mais do que estranho. O correto não seria o contrário? Muitas pessoas dariam a vida por um tempo livre e sozinhas. — Murmurou, tomando mais um gole da bebida enquanto virava o seu corpo para olhar a mesma de frente.
— Eu entendo a estranheza, mas... Algumas pessoas, como eu, se ocupam ao máximo para que não fique a sós com sua própria mente. É assustador... — Murmurou o final de sua frase, dando um suspiro pesado e profundo antes de virar de uma única vez o restante de sua bebida, pulsando o copo vazio sobre o balcão.
— É, eu entendo um pouco disso. — balançou um pouco o copo, o levando a boca e bebendo o resto que havia ali, limpando o canto da boca com a língua. — Você é uma pessoa interessante, senhorita . — Murmurou, com um semblante sério, remexendo o seu bolso e de lá tirando um cartão com um número. — Acho que é sempre bom manter o contato de um policial, nunca se sabe o que pode te aguardar. Ou até mesmo alguém para não ficar sozinha nos tempos livres. Posso te interrogar novamente... — Brincou, com um pequeno sorriso no rosto, entregando o papel a mesma e esperando sua reação.
Não tinha como negar, estava definitivamente interessado na mulher a sua frente e apesar de ser totalmente contra os seus princípios, resolveu mostrar seu interesse de forma sútil, enquanto via erguendo os olhos na sua direção ao ouvir seu sobrenome, abrindo um pequeno sorriso com tais palavras.
— Não sou interessante, senhor Hoffmann, mas obrigado por dizer isso e pelo seu número. — Agradeceu com um gesto breve de cabeça enquanto pegava o cartão de visitas oferecido para si. — Irei guardar seu contato, algo me diz que vou precisar alguma noite.
não se importou nenhum pouco em guardar o cartão dentro de seu vestido, na região dos seios, já que se encontrava sem sua bolsa por a mesma estar na posse de Elric que havia simplesmente desaparecido entre os demais convidados do evento.
E não pode evitar de olhar para onde a mesma direcionava o cartão, dando um pequeno sorriso desacreditado, voltando a umedecer o inferior com a ponta da língua, mas apenas concordando com a cabeça enquanto voltava a atenção ao rosto alheio, tentando não se animar demais com o pequeno flerte entre eles.
— Claro. Sempre que precisar esconder um corpo não tem pessoa melhor para te ajudar. — Brincou, enquanto ajeitava a roupa em seu corpo.
apenas sorriu com a fala alheia, negando com a cabeça.
— Você é um policial, seria a última pessoa para quem ligaria caso precisasse esconder um corpo. — Respondeu arrumando seus próprios fios de cabelos, que caiam um pouco sobre seu rosto.
— Foi ótimo passar esse pequeno tempo com você, . — Disse o detetive com um sorriso, estava prestes a continuar a falar e fazer um convite a mais nova para um encontro, talvez, mas foi interrompido por a chegada de uma figura masculina que vinha na direção dos dois completamente ofegante.
apenas fechou o rosto, voltando a uma feição séria enquanto esperava o rapaz se acalmar e Elric parecia preocupado demais, analisando o detetive dos pés à cabeça enquanto se colocava ao lado da CEO. Desde o início, tinha combinado com que não sairia do seu lado e que não permitiria que nenhum homem se aproximasse demais da mesma, mas quando saiu em busca de uma bebida, acabou esbarrando em um garçom e causando um grande desastre, o qual resolveu ajudar a limpar antes de voltar para o lugar onde sua amiga se encontrava, porém, quando chegou no local onde a mesma deveria estar, a CEO já havia saído para outro lugar.
— Eu estava te procurando por todos os lados. — disse, olhando a mais nova com atenção como se estivesse verificando que a mesma se encontrava bem, com todas as partes do seu corpo intactas.
— Ah! Eu estava tendo uma conversa com o detetive. Nada de ruim aconteceu, não se preocupe. — Disse, tocando o braço do segurança e fazendo um carinho do mesmo enquanto ele se acalmava. — Aliás, esse é o Detetive Hoffmann. , esse é o Elric Hartmann, meu segurança particular e amigo. — disse apresentando os dois homens que se encontravam com um semblante sério demais.
— É um prazer lhe conhecer, Elric. — murmurou, mas não ofereceu sua mão ou ao menos fez uma reverência, apenas se mantendo quieto e com uma feição séria, enquanto analisava cada pedaço do rosto alheio.
— Também é um prazer lhe conhecer. — ouviu Elric dizer enquanto pousava a mão sobre as costas de como se quisesse afastar o outro homem.
não estranhava a atitude do amigo, sabia que ele costumava agir dessa forma para afastar cortejos indesejados, mas esse não era o caso de , não queria que o rapaz parasse de com a pequena paquera então tentou afastar delicadamente as mãos de Hartmann, mas era tarde, a feição de se encontrava totalmente impassível enquanto reparava que os dois amigos pareciam íntimos demais, e isso, de certa forma, pareceu lhe incomodar, mas tudo que fez foi apenas engolir em seco, se levantando de seu lugar.
— Bem, acho que agora já está em boas mãos, não é? Temo que eu tenha que ir, mas você sabe meu número e qualquer coisa pode me chamar. — Terminou a fala, fazendo a reverência coreana em despedida.
— Oh! Tudo bem.. Entrarei em contato com você. — respondeu, também o cumprimentando com uma breve reverência. A verdade era que queria o impedir de ir, mas não sabia exatamente como, acabando apenas por vê-lo se afastar.
Ainda assim, com o grande interesse no policial crescendo dentro de si, sentiu que podia respirar um pouco melhor sem o mesmo por perto. Ficando claro para si que tinha gostado muito da companhia alheia, não tinha como negar, mas o fato do mesmo ser um detetive lhe deixava com um pouco de medo de dizer algo errado.
— O que um detetive queria com você? — ouviu Elric indagar enquanto lhe entregava um novo copo com bebida. — É o mesmo que estava te mandando mensagens alguns dias atrás?
— Apenas fazer algumas perguntas, nada demais. — Respondeu dando de ombros e encostando a cabeça no ombro alheio por um momento. — Não precisa se preocupar comigo, grandão. — Disse, tomando um gole de sua bebida.
A verdade era que Elric se preocupava o tempo todo com , pois essa era a coisa que mais fazia desde o dia em que a conheceu.
Enquanto isso, permaneceu um tempo no salão de festas para achar alguém que parecesse suspeito, como havia dito a CEO, evitando ficar perto da mesma, ainda que sua cabeça gritasse para que a vigiasse de algum modo. Tentou então se misturar entre os ricos, mas sem, em hipótese alguma, checar periodicamente, depois de refletir o quão errado era se relacionar com a mesma, se negava em ter seu olhar continuamente sendo atraído por ela.


VII

De todas as coisas que odiava em seu trabalho na polícia — e não eram poucos itens na lista, apesar de ser menos do que as coisas que amava — odiava com todas as suas forças preencher relatórios sobre os casos e, por isso, acabava deixando acumular algumas pilhas de papéis sobre a sua mesa, com as quais depois ficava lutando contra. Se pudesse, com certeza atearia fogo em todos os papéis a sua frente por pura preguiça dessa parte entediante do seu trabalho, mas sabia muito bem que não podia ficar só com as partes boas, apesar da sua vontade ser jogar essa responsabilidade para Wang, se não fosse o fato do colega de trabalho e amigo ter uma pilha de relatórios ainda maior que a sua para enfrentar.
Com um suspiro profundo, seu olhar foi em direção a mesa de Kali, que se encontrava completamente organizada com apenas uma pasta de relatório que provavelmente era do caso atual da detetive e se encontrava muito bem-posicionada ao lado do monitor de seu computador.
— Como consegue? — indagou em voz alta, chamando a atenção da mulher de cabelos castanhos e olhar mortal, que até achava atraente na mesma.
— Do que está falando? — ela indagou com o cenho franzido, sem compreender o que o colega estava falando.
— Com os relatórios. — esclareceu .
— Só não gosto de passar horas preenchendo relatórios, então evito acumular. — Respondeu ela, dando de ombros e voltando a digitar em seu computador. — Devia passar mais tempo escrevendo ao invés de obcecado por uma garota que nem te dá bola. — Provocou ela, com um sorriso enquanto continuava olhando para a tela de seu computador.
— Não estou obcecado nela… — Murmurou , quase se encolhendo em seu lugar e deixando o celular sobre a mesa, se sentindo um pouco sem jeito por ser pego no flagra, pois realmente andava vagando pelas redes sociais da CEO nos últimos dias, se perguntando se teria a chance de a encontrar novamente, mas ao mesmo tempo sabia que isso era impossível de acontecer como uma mera coincidência.
— Claro que não. — Zombou a mais nova voltando a sua atenção para o outro detetive. — Eu nem precisei dizer o nome para que você soubesse de quem estou falando. Porque não tenta chamar logo ela para sair?
— Eu… — fez uma breve pausa em sua fala, não tinha nenhuma desculpa na ponta da língua para dar. — Não posso fazer isso. Olha as circunstâncias nas quais nos conhecemos.
— Qualquer envolvimento dela no caso já foi descartado. Então porque não pode? — Rebateu Kali, cruzando os braços em frente ao corpo enquanto o encarava. — Para de ser covarde.
— Concordo com ela, você não para de mexer nas redes sociais e interagir com as publicações dela, você nunca foi de fazer isso. — Disse Godfrey, que até o momento estava apenas ouvindo os dois conversar, deu um suspiro profundo cansado das desculpas esfarrapadas do seu colega, acabando por se levantar de sua cadeira para se aproximar e sentar sobre a mesa de exatamente ao lado do celular do mesmo.
— Só estou curioso sobre ela. — O detetive tratou de se defender, como se tais palavras fossem convencer seus parceiros de que não havia mais nenhum tipo de interesse.
— Sei bem o tipo de curiosidade que tem sobre ela. — Disse Godfrey com um sorriso malicioso.
— Cala a boca, Godfrey. — Respondeu , ameaçando o outro rapaz com um olhar enquanto Kali ria de toda a situação, acabando por se levantar e andar até os outros dois detetives.
Pelo olhar que Godfrey e Kali estavam trocando enquanto a mesma pousava as mãos em seus ombros, sabia que os dois amigos estavam fazendo um complô contra si, mas não sabia exatamente quais eram os planos dos mesmos até Godfrey começar a falar.
— Só estou dizendo que tudo o que tem que fazer é mandar uma mensagem a chamando para um jantar, ou algo do tipo. — Os olhos de se arregalaram assim que viu seu celular na posse de Godfrey, se preparando para tomar o aparelho do mesmo, mas sendo interrompido por Kali, que só Deus sabe como, conseguiu o prender a própria mesa com uma algema, que a mesma rodava as chaves nos dedos. — Confia me mim, eu posso resolver o problema.
— Nem pensar, devolve isso agora! — Esbravejou , apenas ouvindo a risada de Kali que se afastava junto de Godfrey que digitar algo no celular, provavelmente para .
— Uau, ela faz pilates. — Comentou Kali, enquanto pendia um pouco a cabeça para o lado, tentando entender melhor a posição que a CEO estava se exercitando no foto. — Parece ser bem flexível, além de ter um corpo muito bonito.
— Ela parece aquelas pessoas que tem centenas de hobbies e é boa em todos. — Comentou Godfrey, enquanto curtia várias fotos seguidas da CEO. — Olha esse comentário, ele fez um elogio e ela se ofereceu para tocar para ele pessoalmente… Que instrumento é esse?
— Kalimba. — respondeu de imediato, dando um suspiro profundo enquanto procurava por algo que pudesse lhe ajudar a se soltar e acabar com a palhaçada dos dois colegas. — Juro, vocês parecem adolescentes.
— Quem anda batendo punheta por uma paixão platônica não somos nós. — Rebateu Kali, que faz Godfrey gargalhar enquanto resmungava sobre não fazer esse tipo de coisa e que respeitava muito Ayl, mas sendo completamente ignorado pela dupla dinâmica. — Enfim, ela parece ser perfeita demais para ser verdade.
— Olha isso, ela já flertou com ele de forma sutil inúmeras vezes e o tapado nem se deu conta.
— É claro que eu percebi, eu só…— Deu um suspiro profundo fazendo uma pausa em sua busca por grampos que pudessem lhe fazer um homem livre novamente para acabar com a vida dos dois amigos. — Não é certo. Somos de mundos bem diferentes.
— O que? Ela é marciana por acaso? — Indagou Kali. — Porque parece bem normal para mim.
— Quero dizer que ela tem uma vida agitada e cheia de compromisso e que os flertes podem ser apenas isso, flertes.
— Okay, vamos ver se realmente é apenas isso. Se ela responder sua mensagem na DM, então meu amigo, o flerte é mais que sério. — Wang disse, enquanto digitava mais alguma coisa.
— Pera, que… Godfrey! Me devolve a merda desse celular agora!
— Cara, é agora ou nunca. — Kali disse por fim, voltando a sua mesa e jogando a chave na algema na direção de , que a pegou no ar e tratou de se libertar rapidamente, indo como um foguete na direção de Godfrey, que apenas lhe devolveu o celular de bom grado com um sorriso ladino em seus lábios.
ameaçou dar um soco no mesmo, mas decidiu que primeiro precisava ver o estrago e se dava tempo de consertar a merda que Wang tinha feito, mas ao ver uma mensagem como resposta da surgindo em sua tela, percebeu que era tarde demais.


online

Olá, quero mais informações.

Será que te dou? Você nem foi sincero sobre as minhas fotos… Que tipo de besteiras se passaram pela sua mente, Detetive?



— O que? — Olhou em direção aos dois amigos sem entender o que estava acontecendo. — Que informações eu supostamente estou pedindo? E como assim não fui sincero sobre as fotos?
— Olhe os comentários da ultima foto dela. — Ouviu Kali dizer, antes da mesma voltar ao seu trabalho como se nada tivesse acontecido. Pelo menos alguém parecia em paz para continuar escrevendo relatórios naquele lugar.
Foi imediatamente atrás da bendita foto, onde se encontrava se exercitando em um “cadillac”, um aparelho de pilates que se parecia com uma cama, mas com alguns canos e acessórios para alongamento que, para pessoas de mente suja como Godfrey, poderia ser visto com olhos maliciosos.
se recusava a admitir que algo de tal cunho também tenha se passado por sua cabeça com aquela imagem, então foi em busca dos comentários que Godfrey havia feito em seu nome.

Comentários:
: Cristo, o tanto de besteira que pensei...
: Detetive?
: Desculpe…Só queria comentar que você está bonita como sempre.
: Sei quais foram seus pensamentos... E muito obrigada.
: Só estou impressionado com seus múltiplos talentos, senhorita .
: Curioso, senhor ?
: Sobre você? Com certeza.
: Se quer mais informações sobre mim, devia buscar uma forma mais reservada de obtê-las.

Deu um suspiro profundo sem acreditar que havia se metido naquela situação por causa de seus colegas de trabalho e estava pensando seriamente em como poderia matá-los naquele exato momento sem ser preso.
— Qual é? Não fique tão bravo. Eu te fiz um favor, você só precisa convidá-la para lhe dar as tais informações e quem sabe algumas coisas mais. — Disse Godfrey, agora do outro lado da sala, pois sabia bem que se estivesse perto, poderia acabar levando um soco no meio da cara por sua façanha.
— O pior é que ele escreveu exatamente como você escreveria. — Disse Kali, que aparentava estar focada em seu trabalho, mas ainda assim prestava atenção no drama adolescente de . — Você só tem duas opções agora. Ou pode fingir que desde o começo era você nos comentários e responder a mensagem dela, ou… Pode dizer a verdade. Como será que ela iria reagir ao saber que você foi algemado a sua mesa enquanto seu colega de trabalho flertava com ela como se fosse você? Provavelmente constrangida por corresponder.
— Ou ela pode acabar querendo eu numero. — Brincou Godfrey, dando uma piscadela para que apenas pegou uma tesoura sobre a mesa mais próxima e jogou na direção, mas apenas atingindo a parede.
— Se não calar a boca, eu juro que corto fora isso que você chama de pau! — Esbravejou , antes de voltar sua atenção para o seu celular, optando por responder a mensagem alheia de uma vez.


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Todos podiam ver o que eu estava falando lá nos comentários, perdão.

Enfim, aquele aparelho me pegou de surpresa, parecia algo para outros fins… Algo como amarras, suspensão e por aí vai…



Terminou de digitar enviando a mensagem e dando um suspiro profundo, esperando verdadeiramente que não se sentisse ofendida de alguma forma por suas palavras.
— Você parece com dor. — Zombou Godfrey, se sentando ao lado que Kali que apenas rolou os olhos, por saber que ter o Detetive Wang por perto significava não ter mais paz para trabalhar.
— Ele está prestes a apagar a mensagem. — Disse ela, empurrando um pouco a cadeira de Wang para longe de si. — Você tem que aprender o que é espaço pessoal.
Enquanto Godfrey se fazia cara de indignação pela atitude alheia de lhe afastar, se sentia intrigado ao ver sua mensagem ser respondida tão rápido.


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Todos podiam ver o que eu estava falando lá nos comentários, perdão.

Enfim, aquele aparelho me pegou de surpresa, parecia algo para outros fins... Algo como amarras, suspensão e por aí vai...

Ele é para me alongar, senhor . Que mente suja...

Não culpe uma mente cansada...

E eu não conhecia essa parte sua, deve ter uma ótima flexibilidade.

Pois é, talvez você veja minha flexibilidade pessoalmente um dia, senhor .

E realmente, você não conhece muita coisa sobre mim…

Mas posso dizer o mesmo sobre você.

Pensando em amarras, não é? Parece estar familiarizado, é algum tipo de hobby?



Não pode evitar sorrir com a resposta alheia, acabando por andar até sua mesa e se acomodar em sua poltrona enquanto digitava. Ouviu algumas provocações vindo de seus colegas de trabalho, mas resolveu apenas ignorar os dois.


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Apenas um interesse, gosto pessoal, por assim dizer.

Não que eu "treine" muito este meu hobby, mas é um bom jeito de desestressar do trabalho. Talvez um dos mais eficazes e, infelizmente, um dos mais difíceis de se conseguir.

Está me deixando curiosa. Então esse hobby tem nome?

A curiosidade matou o gato, não conhece esse ditado?

Mas sim, o hobby tem nome e garanto que você conhece.

Não sou um gato e perigo não me assusta, Detetive.

Na verdade, me instiga.

Quanto ao hobby, se não quiser falar não tem problema.

O hobby é sexo, mas não é um estilo simples ou considerado “normal”.

Já deve ter percebido pelo quesito "amarras".

Hum, estamos falando sobre bdsm então, interessante…




— Puta merda… — Murmurou para si mesmo, cerrando os olhos por alguns segundos enquanto tentava colocar seus pensamentos nos trilhos, se recostando na cadeira e jogando sua cabeça para trás.
Tinha acabado de cair em seu entendimento que o motivo de um possível envolvimento com lhe deixar receoso era o medo de gostar demais daquilo, gostar demais de estar com alguém como ela.
— O que foi? Ela te deu um fora? — Kali indagou de sua mesa, olhando com um pouco de preocupação na direção de , que apenas negou com a cabeça, decidindo voltar a conversa com .


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Sim, é interessante. Temos modos de pensar parecidos, sabia que conhecia.

Mas sim, é um belo jeito de desestressar, não concorda?

Oh, sim! Concordo, é um ótimo jeito.

Você tem bom gosto, .

Agora que notou isso? Meus gostos são peculiares, você não entenderia.

… Você poderia levar block pela sua citação, não vai dar um de Christian Grey pra cima de mim, vai?

O que? Ele é a revolução do mundo sadomasoquista, não concorda? Sábio Christian, sinto até inveja.

Você está louco. Nesse momento eu deveria me despedir e dormir, sorte a sua que ando com insônia ultimamente. Talvez precise comprar algum remédio.


Soltou uma risada com a resposta alheia, estava feliz em confirmar que os conhecimentos da CEO sobre a prática não se resumiam a trilogia de Cinquenta Tons de Cinza e isso só lhe deixava mais ansioso para um encontro.


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Uma dose daquilo que te falei sempre resolve o problema.

Você de Christian Grey?

Você sabe que eu estava brincando, não é?

Claro que sei, também estou brincando com você.

Mas enfim, não tenho ninguém para praticar comigo.

Bem, não é difícil para uma pessoa como você encontrar alguém.

E sua oportunidade pode estar mais próxima do que você imagina.

Está falando de si mesmo ou é impressão minha?

Talvez eu esteja.

Por que a curiosidade?

Porque você não está tão próximo assim, não é mesmo?

E eu também não sei se devo cair na sua lábia, senhor .

Sem contar que, é apropriado um detetive transar com uma suspeita de assassinato?

Se é que ainda sou uma.



Estalou a língua no céu da boca, aquela era sua última chance de impedir a si próprio de continuar seguindo aquele caminho, mas as palmas de suas mãos não paravam de coçar com o desejo de ir a diante.


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Eu sempre posso estar próximo, senhorita , é a beleza da modernidade.

E nós te descartamos da lista, então não tem nada que nos impeça, não é?

Sério, não há lábia alguma aqui, estou apenas cansado e sendo sincero.

Então definitivamente está interessado em mim?

Depende de como vai encarar isso.

Acha que vou encarar como algo ruim?

, eu achei que tivesse deixado claro que te beijaria ainda naquela festa onde nos conhecemos.

Nunca se sabe...

Mas isso não importa agora, pois também te beijaria…

Na verdade, ainda quero beijar.

Fico feliz que seja algo recíproco.

Ainda não sei qual é o mais insano de nós dois.

Acho que sou eu, mas não vem ao caso.

Vamos nos encontrar quando você tiver um tempo.



— Olha o sorriso dele. — Comentou Wang, com um enorme sorriso no rosto, ao notar que sua pequena façanha para fazer com que seu amigo finalmente tomasse a coragem de sair com a CEO, havia dado certo.
— Bom, seja lá qual foi a cantada ruim que ele jogou pra cima dela, aparentemente deu certo. — comentou Gounder.
— Não foi uma cantada ruim, apenas temos alguns interesses em comum. — Respondeu as provocações alheias, enquanto digitava sua próxima mensagem endereçada a CEO.
— Ela também é antipática, fumante e tem problemas com raiva? — indagou a detetive, com um sorriso que despertava em a vontade de jogar um de seus sapatos na direção alheia.
— Eu não tenho problemas com raiva. — Rebateu, enquanto os dois colegas se entreolharam por alguns segundos, acabando por cair na risada.
— Se você diz. — Disseram em uníssono, dando de ombros ao que voltavam a fingir que trabalhavam.


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Claro. Normalmente tenho tempo à noite, só hoje que estou até mais tarde, resolvendo alguns assuntos urgentes.

Depende de você também.

Eu também estou livre, geralmente depois das 18:00.

Então podemos nos encontrar essa semana?

Qualquer dia dessa semana.

O que acha amanhã?

Podemos sair para jantar.

No caso hoje, já faz algum tempo que passou da meia noite...

Tudo bem, vamos. Vou adorar.

Te pego às 19 então?

Sim, às 19.

Nos vemos em breve.



— Marcado o encontro. Agora posso acabar com você. — DIsse se levantando de sua cadeira e andando até Godfrey que até tentou usar Kali como escudo, mas acabou sendo pego por e recebendo uma chave de braço que, felizmente, não lhe causou danos graves.


Continua...



Nota da autora: Olá meu amores, como estão? Estão gostando da fic até o momento? Sentindo ansiedade por mais? Calma, prometo que não vou deixar vocês na abstinência por muito tempo e o quanto antes terá mais atualizações. Dito isso, espero de coração que estejam gostando da história e caso queiram comentar sobre, sintam-se a vontade para deixar sua opinião, elogios e até críticas construtivas, tudo será bem vindo e respondido sempre que possível.
Confesso que estava muito ansiosa com essa fic, pois já fazia alguns anos que eu não postava nada do que estava escrevendo, então voltar a publicar as minhas histórias me deixou com algumas borboletas na barriga. Porém, estou feliz que seja com essa história em específico, principalmente pelo meu amor incondicional por esses dois personagens principais. A CEO e o Detetive são donos do meu coração. KKK
Enfim, não quero tomar mais tempo, só queria agradecer ao amor da minha vida, Namy, que desenhou essa capa incrivelmente linda e exatamente do jeitinho que estava na minha mente. Eu só fui falando como queria e ela conseguiu superar minhas expectativas. Obrigada meu amor, eu te amo infinitamente. Também queria agradecer a minha scripter, Ste, que está sendo um anjo comigo desde o primeiro contato e fazendo um trabalho incrível. Obrigada, Ste, por agora ser minha parceiro do crime. Também queria agradecer ao meu grupo de amigas/leitoras intitulado "bordel" por me acompanharem e apoiarem por todos esses anos. Acho que já chegamos no 6° ano de amizade e eu sou muito, muito, muito grata por ter conhecido cada uma de vocês, eu amo vocês demais. E por último, mas não menos importante, a você que está lendo essa história e ficou até o final dessa nota. Muito obrigada por dar uma chance a Beautiful Killer, espero de verdade que goste da história e vai ser um prazer imenso ter você aqui comigo nessa estrada que se inicia agora.
Então até breve, nos vemos na próxima atualização.

Nota da scripter: Mulher, eu que agradeço por ter me escolhido para scriptar essa história incrível. Como uma boa amante de suspense, eu já adorei muito e vai ser um prazer acompanhar essa história.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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