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Última atualização: 28/03/2021

ᴘʀᴏʟᴏɢᴜᴇ

Seus dedos gélidos e macios apertaram minha pele com uma força capaz de marcá-la em tons de vermelho. Seus gemidos podiam ser facilmente audíveis em meio aos meus movimentos lentos contra seu corpo, deixando um sorriso sacana em minha face. Foder no lago nunca havia passado pela minha cabeça até o momento — o que era, de certa forma, surpreendente —, mas tudo era uma possibilidade excitante quando se tratava da minha relação com .
A ruiva era um escândalo. Tinha um corpo perfeitamente desenhado e eu havia sido o primeiro homem a provar daquilo. Merda, estava ficando viciado na sensação. A garota era quente, apertada, e seus gemidos manhosos não ajudavam; deliciosa demais para seu próprio bem. Aquela era, pelas minhas contas, a terceira vez na semana em que eu a fazia minha.
Puxei os cabelos sedosos de Prewett e enrolei-os em minhas mãos, beijando seu pescoço e colo. A respiração profunda denunciava o que fazíamos naquele lago, embora eu estivesse sendo o mais silencioso possível. Passei os dentes pela pele alva e macia da menor, sussurrando em seu ouvido, enquanto me movia suavemente:
— Isso é pela provocação de mais cedo, — sorri safado, chamando-a pelo apelido particular, referindo-me a sua interação com Severo Snape.
Os movimentos lentos eram a pior tortura para , e eu sabia muito bem disso. Conheço cada sinal desse corpo divino; porém, após aquela provocação descabida com o Ranhoso mais cedo, até que eu estava bonzinho demais em não descontar da maneira que ela merecia.
Soube que seu orgasmo se aproximara quando suas pernas apertaram-se com força em volta de minha cintura. Um gemido agudo inundou meus ouvidos, fazendo com que meu ápice não demorasse. Me desfiz dentro da garota, que estava cansada demais para manter os próprios olhos abertos. Em retrospecto, eu estava incapaz até mesmo de desconectar nossos corpos. A semana havia sido exaustiva, era sempre assim quando iniciava-se a época de provas. Aluado sempre fora muito mais centrado que Pontas e eu, que ao invés de estudar, estava no meio das pernas de uma ruiva extremamente gostosa.
Porra, eu havia esgotado minhas forças naquela semana. E ainda sim, queria muito mais de .
Minha linha de raciocínio fora perdida assim que uma voz feminina fez-se presente. Levantei ambas as sobrancelhas e conectei meus olhos aos dela, esperando o que aquela doce voz poderia me dizer em um momento tão inoportuno:
— Sirius, preciso lhe confessar uma coisa — sussurrou, cravando seus olhos ainda mais nos meus. As orbes claras estavam quase que se fechando graças ao cansaço, deixando-me com a curiosidade extremamente aguçada. — Eu... amo você.
O silêncio torna-se ensurdecedor, fazendo-me automaticamente engolir em seco. Não esperava uma declaração de amor. Não que não fosse acostumado com elas, era algo até que recorrente; mas nunca imaginei aquela grifinória tão durona se abrindo comigo daquela forma. Era impressionante o fato de nos envolvermos sem termos nos matado até o momento.
Incapaz de respondê-la, apenas fiz uma linha fina com os lábios, meneando a cabeça. Aquela era, de longe, a atitude menos sensata que tomei em tempos. Mas não queria enganá-la, não podia. Mesmo se quisesse, aquilo me pegou completamente desprevenido, afinal, amor era algo muito forte...
ficara extremamente incomodada com minha postura e desvencilhara-se do meu corpo nu rapidamente. Fora em busca de suas roupas, bufando, e eu sabia o porquê: não pelo fato de eu não tê-la correspondido, mas sim, porque sentia-se vulnerável. Nunca fui o melhor a lidar com sentimentos, de qualquer forma.

— Cala a boca, Sirius. — Ela rosnou em raiva, vestindo peça por peça de seu uniforme.
, eu…
— Sério, vamos deixar isso para lá — seus cabelos vermelhos contrastavam com o uniforme da Grifinória, mas logo foram presos em um rabo de cavalo. —, não sei onde estava com a cabeça para transar com você.
“Estava no meio das minhas pernas” pensei, porém preferia não comentar, ou ela acabaria me matando.
Prewett me deixara sem uma defesa de resposta naquela noite. Pouco tempo depois, após me evitar durante muitos dias, soube de sua transferência para outra escola de magia. Confesso que fiquei chateado, ela era a garota que mais me atiçava e deixava louco na cama; mas obviamente não me deixei abater. Afinal, provavelmente nunca mais a veria, considerando o quanto ela estava distante.
Ah, se eu soubesse como estava errado.



ᴄʜᴀᴘᴛᴇʀ ᴏɴᴇ

Já havia se passado três anos desde a última vez que eu estive na Inglaterra. O intercâmbio para Ilvermorny não pode ser mais conveniente, depois me levando a me instalar naquele país das Américas. Meus irmãos e meus pais me visitavam constantemente, mas, com a Guerra Bruxa, aquilo havia tornado-se instável e perigoso.
Depois que Fábio foi atacado e por pouco não foi morto pelos Comensais, eu tive que voltar. Precisava defender minha família e tê-los perto de mim.
Antes que fosse tarde demais.
O feriado não podia ser mais irônico. Uma comemoração tão feliz e pura no momento de maior pânico e dor que todos passavam. Há quem diga que justamente por isso essas festas são necessárias, porém um baile de Natal no meio de tantos conflitos parecia tão… Infantil.
Mas ali estava eu. Não tinha como voltar atrás, eu já havia viajado de continente e meus irmãos nunca iam me deixar partir novamente sem ao menos passar uma noite com eles.
A magnífica casa dos Longbottom estava à minha frente, embora eu soubesse que muitos que ali passavam não conseguiam enxergá-la por causa de diversos feitiços, afinal, todo cuidado era pouco. Bati três vezes de forma ritmada na porta, conforme fui instruída, e não tardou para que a Sra. Longbottom abrisse a porta. Se antes eu tive receio de estar muito elegante com um vestido de cetim champanhe e algumas jóias, a sensação passara instantaneamente ao me deparar com o estilo peculiar da mulher.
— Frank! Tem uma mulher desconhecida na porta! — A velha senhora gritou. — Escuta aqui, mocinha, se for alguma Comensal disfarçada, é melhor não se meter comigo!
— Senhora Longbottom, sou eu, Prewett. — Eu a respondi sem graça, depois de fazer um barulho entre um suspiro e uma risada.
Prewett? Aquela magricela que corria atrás dos biscoitos do Frank? Por Merlin, já está tão adulta! O que aqueles bruxos das Américas fizeram com você?
Havia uma notável descrença em sua face e eu não pude evitar uma risada com o ato.
— Mamãe, 'tá tudo bem? Ouvi a senhora gritar. — Frank apareceu na porta, preocupado com a matriarca, antes de, finalmente, olhar para mim. — ? É você mesma?
Uma outra risada saíra de meus lábios com a reação de meu antigo colega:
— Em carne e osso, Longbottom.
— Puxa vida, quantos anos! Fábio me disse que você ia aparecer, mas foi há tanto tempo e nunca se sabe nos dias de hoje… Alice vai ficar tão feliz de te ver!
— Vai deixar a menina plantada na porta? — A senhora Longbottom voltou a dirigir-se até. — Entre, minha jovem, entre.
Saí do frio da rua, aliviada pelo local me prevenir da brisa gelada da noite, e logo tirei o casaco com o calor que aquela casa trazia. Apesar de todo o seu tamanho, havia algo acolhedor ali; talvez fosse algo característico dos Longbottom. O sorriso de Frank era o mais puro que eu já vira em toda minha trajetória.
Após passar pelo hall, ele me conduziu à uma sala de jantar magnífica, lotada de pessoas das mais variadas idades e aparências. O salão era extenso, com espaço para alta circulação, e uma grande mesa para o que prometia ser uma ceia maravilhosa. A árvore no canto brilhava enfeitiçada e as lindas decorações me fizeram lembrar do meu antigo e querido professor de Feitiços.
— Espero que não se importe com a arrumação. Anda difícil ter tempo entre tantos ataques e um bebê de meses. — Longbottom sorriu culpado e logo foi envolto em braços femininos.
— Querido, onde estava?! Neville não para de chamar o papai para brincar. — Alice parecia cansada e mais madura, mas seus olhos ainda encaravam o seu antigo namorado, e agora marido, com a mesma paixão.
— Já estava indo, amor. Estava recebendo uma visita especial. — Frank apontou para mim e Alice me notou. Seu rosto assumiu uma expressão confusa, de choque e, por fim, de extrema felicidade.
! — Ela berrou, enquanto me abraçava, e me senti uma adolescente voltando para a escola e podendo rever as melhores amigas após as longas férias.
— Lice! — Eu exclamei, ainda sentindo o coração bater animado com aquele encontro.
Nem tudo que havia ficado para trás merecia ser esquecido.
— Não acredito que você realmente está aqui! Quer dizer, Fábio falou que você poderia vir, mas nunca se sabe.
— Sim, eu escutei isso. E falando nesse irritante, onde ele está? — Perguntei, fingindo irritação, mas Alice sabia melhor do que ninguém que eu estava morrendo de saudades.
— Emergência com sua prima, Molly. Ela está com um bebê da mesma idade do nosso Neville e parece que Arthur vai chegar tarde em casa. Não podia deixar a mulher com seis filhos sem proteção, não é mesmo?
— Pobre Molly, ela sempre teve pânico de estar sozinha e perder alguém. — Comentei, me lembrando de nosso tempo juntas.
— Mas não se preocupe! Ele logo vem! Gostaria de conhecer o Neville? Eu o deixei um pouquinho com o Harry.
— Claro. — Eu disse, parte de mim triste por ter perdido tanto tempo da vida de uma amiga tão querida, e a outra parte reconhecendo que talvez não fosse tão ruim ter vindo. Eu poderia recuperar o tempo perdido. — E quem é Harry? Um membro dessa Ordem da Fênix que vocês organizaram?
Alice riu do que eu disse, me deixando confusa.
— Ah, eu me esqueço que você não sabe nada! Não, Harry não é um membro, e espero que nunca tenha que ser! Ali está o pequeno e valente Harry que eu estava falando. — Alice apontou para um bebê cabeludo muito fofo deitado ao lado de outro carrinho.
— Outro bebê? De quem? — Eu perguntei, mas de forma desnecessária, pois, logo ao lado do carrinho, um casal que eu também conhecia muito bem sorria ao olhar a pequena criança. James e Lily Potter balançavam o bebê no carrinho, enquanto o pânico tomava meu corpo.
Se os Potter estavam ali, então…
Puta que pariu.
? — Eu ouvi aquela voz, aquela maldita voz me chamar. Meu corpo pareceu congelar, mas me recuperei rápido. Movida por uma fúria fria, me virei lentamente até dar de cara com aqueles olhos cinzentos incrédulos.
Os olhos cinzentos que me olharam tantas vezes com tanto desejo.
— Boa noite, Sirius Black.
Seu olhar me confundia. Não fazia ideia se o que sentia à minha volta era positivo ou negativo. Eu só sabia que todos aqueles anos haviam me ajudado: eu estaria imune ao charme de Black. Nunca mais teria qualquer fraqueza patética como um garoto e nem me permitiria ser vulnerável.
Por isso mesmo, não o deixei puxar assunto ou qualquer outra coisa, apenas virei as costas e segui pelo saguão. Ergui os olhos para o grande relógio que ainda marcava que faltavam horas para meia noite. Suspirei.
Fábio, quando será que você vai chegar para me salvar desse pesadelo?
Fui abordada por diversas pessoas enquanto me esquivava dos olhares cinzentos do outro lado. Era uma troca. Ou teria que lidar com o pior do meu passado ou fingir educação para algumas pessoas com quem nunca tive o mínimo sentimento de amizade. Acabei preferindo os sorrisos amarelos. Isso é, até uma pessoa em especial me avistar.
— Eu não acredito que é a verdadeira Prewett!
Eu escutara aquela frase dezenas de vezes naquela noite, mas ouvir de Remo Lupin não me causava tédio nem irritação. Me trouxe um sorriso sincero. O garoto, agora um homem, sempre me trouxe um sentimento bom, como se fosse confiável.
— Bem que eu estava contando marotos a menos. Estava faltando o famoso Lupin. E Peter, é claro.
— Bom, essa noite os quatro são três. — Remo deu de ombros. — Peter não quis deixar a mãe sozinha, eles andam bem assustados.
— Ele sempre foi o mais medroso. E com razão, não tem tanto talento para duelos como vocês. — Disse, sem querer soar de forma grossa, apenas verdadeira.
— Prewett, cuidado com o que fala, ele ainda é meu amigo. — Lupin sorriu maroto, defendendo o amigo.
— Mas eu não disse nada. — Fiz uma falsa cara de coitada, levando a mão ao coração. Remo seguiu o movimento desta, parando um pouco mais para o centro, no meu decote. Seu rosto ficou rosado e não pude deixar de abrir um sorriso mínimo. Sempre era uma satisfação pessoal mexer com qualquer um e vê-los reagir a mim. — Perdeu algo, Lupin?
Meus olhos encaram os do mesmo profundamente. O rosto dele, antes corado, atingiu um verdadeiro tom de vermelho. Ele pigarreou e desviou os olhos, com vergonha:
— Eu… Ah, me desculpe.
— Acho que você me entendeu errado… Isso não era uma crítica. — Eu comentei, piscando para ele.
Já que eu estava presa em uma festa, não precisava ficar no tédio, certo? Também posso me divertir. Em retrospecto, o homem reagira com as sobrancelhas erguidas, surpresas, junto com um sorriso ladino. Ele deu mais um passo para frente, entendendo minha deixa.
— Você realmente é única, Prewett. — Ele riu, incrédulo.
— É para você. Ou . — Eu sorri, mordendo levemente os lábios em tons de vermelho e vendo seu olhar parar ali.
Ele começou a me conduzir para o canto, conversando casualmente comigo, embora desse leves sinais de que estava ciente de que havia algo a mais rolando entre nós. Tudo estava ótimo; sentia meu ego nas alturas por ter o maroto à minha mercê, praticamente babando com a minha presença.
Mas um maldito pigarro estragou tudo.
— Aluado, uma palavrinha, por favor. — Eu escutei a voz macia de Sirius, embora estivesse menos calma.
Ele evitava me olhar nos olhos e eu retribuí o fato. Remo olhava de um para o outro, como se estivesse em uma encruzilhada. Sirius, por sua vez, permanecia com os braços cruzados, irredutível, disposto a me ignorar o quanto fosse necessário.
Lupin sorriu amarelo e me deixou sozinha no canto da sala, despedindo-se temporariamente:
— Já volto, .
Propositalmente ou não, mais uma vez, Black estava estragando tudo.

ᴄʜᴀᴘᴛᴇʀ ᴛᴡᴏ

— Que porra você pensa que está fazendo, Aluado? — me dirigi irritado a Remus, assim que estávamos a sós.
Seu rosto estava predominantemente vermelho, causado pela situação anterior juntamente a . Confesso que vê-la após tanto tempo, causou um sentimento indescritível dentro de mim, e que não soube como reagir. Haviam tantas coisas acontecendo, a Ordem, a ameaça e possível ascensão do Lorde das Trevas, minha preocupação com Lily, James e o pequeno Harry… Minha cabeça, entretanto, simplesmente, passou a ignorar todos esses fatos quando vi aquela garota.
Muita coisa nela havia mudado, mas não em relação à aparência: os cabelos ruivos continuavam os mesmos, o rosto delicado e unicamente belo permanecia onde sempre estivera, juntamente ao corpo delineado; porém, esta esbanjava uma confiança que eu jamais havia visto antes. Talvez os Estados Unidos realmente havia transformado a essência da garota.
— Eu? Mas e-eu não fiz nada! — Aluado defendeu-se, particularmente ofendido com a minha abordagem.
Remus era engraçado. Sabia que ele permaneceria na defensiva, mas eu sabia o que vira acontecendo entre ambos. A situação com não se encerrara da melhor forma no passado, mas dar em cima do meu melhor amigo? Aquilo era patético e desnecessário.
Ela sequer havia olhado em meu rosto.
— Praticamente devorou ela com o olhar! Eu não sou cego, Aluado!
Oh, merda. Odiava quando minhas falas saiam descompensadas; na verdade, detestava quando não conseguia gerir bem meus sentimentos. Ou a falta deles.
— E por que você se importa? — Remus respondeu-me, em deboche. — Já dividimos uma mulher antes. E você sabia que eu gostava dela...
Respirei fundo. Aluado e eu tínhamos uma conexão surreal e eu faria qualquer coisa pelo meu amigo — e ter citado Marlee havia sido um golpe baixo. Naquele instante, porém, senti vontade de desferir um soco em sua face, já que odiava ser colocado contra a parede.
— Quem disse que eu me importo? — tentei utilizar uma entonação de indiferença, cruzando os braços.
Arqueei as sobrancelhas, fazendo com que Aluado repetisse o gesto:
— Não sei, você quem está surtando por nada! Não entendo porque está assim, Almofadinhas, você quem a rejeitou.
— Eu não a rejeitei, Aluado. — justifiquei-me, bufando levemente. — Eu só não soube como reagir àquela situação na época! E também não estou surtando.
Revirei os olhos, desviando o olhar das íris claras de Lupin. Estava agindo de forma patética e sabia disso, embora fosse praticamente inevitável. Remus, por sua vez, era compreensível. Respirou fundo antes de prosseguir:
— Escuta, Sirius, por que você não tenta conversar com ela? É nítido o quanto estão se evitando… — comentara sobre o desconforto evidente, correndo os olhos através do local isolado que estávamos.
— E por que ela conversaria comigo, depois de tudo? — fiz a pergunta com sinceridade.
Lupin suspirou.
— Um diálogo tranquilo não vai matar ninguém, afinal, ambos não precisam lavar roupa suja. Se você não se importa com o que aconteceu e não tem sentimentos, qual o problema? — o mesmo dera de ombros.
Senti a acidez utilizada no tom de voz do rapaz e senti-me pessoalmente ofendido. Todavia, não iria lhe confrontar acerca disso. Afinal, eu não me importava, não era demais.
Deixei Lupin tomar mais algumas doses de álcool. Sabia que, com aquele turbilhão de sentimentos somados à quantidade de bebida ingerida, as coisas poderiam sair do controle naquela noite. Mas, pessoalmente, não me importava mais. Haviam tantas coisas me consumindo, nossa segurança em jogo, o medo, a angústia, e eu apenas gostaria de relaxar — minimamente — por um instante.
Meus olhos passaram a observar a ruiva novamente, que estava subindo as escadas. Seu andar era gracioso, ela sempre fora uma dama; suspirei fundo, enquanto a figura feminina rebolava e saía da minha vista. Virei um ótimo shot, limpando a boca molhada ligeiramente antes de seguí-la. Caminhei rapidamente enquanto passara a mão pelos cabelos enrolados, jogando as madeixas escuras para trás.
A menina observava o céu escuro, sozinha, com a cabeça erguida. A brisa fria me atingiu em cheio, dando-me um calafrio, em meio a passos calmos direcionados até ela.
… — aproximei-me da garota sorrateiramente.
Ela virou a cabeça para trás, confusa. observava cheia de confiança, pairando o olhar fixo em mim. Notei o julgamento vindo, juntamente à uma sobrancelha arqueada e uma postura repleta em desconfiança.
— ela me corrigiu, dando ênfase em seu nome anteriormente conhecido por mim.
Levantei ambas as mãos em sinal de redenção, na falha tentativa de tornar a situação cômica. A garota, por sua vez, não reagira ao ato. Antes ela até gostava desses alívios e ria, mas agora, estava mudada. Não parecia ser aquela garota alegre de antigamente.
E eu não poderia culpá-la, de qualquer forma.
— Calma, , só vim conversar. Não precisa ficar tão ácida.
Prewett, impaciente como era, respondera:
— Estou bem, Sirius, obrigada. Era só isso?
Ela ficava fofa — e intimidadora, diga-se de passagem — com os braços cruzados, a expressão sisuda, e sempre na defensiva. Achei graça no ato, mas sabia que comentá-lo apenas o irritaria.
— Só achei que quisesse conversar após tanto tempo…
rira com escárnio, passando os dedos entre os cabelos ruivos, repartindo-os no meio. Mordi o lábio, observando-a atentamente.
— Ah, eu queria, mas você atrapalhou meu papo com Remus. — a mesma riu consigo, tomando um gole de martini que estava em suas mãos e eu não havia visto anteriormente.
Fechei uma das mãos em punho, irônico. Ela sabia que eu já havia tido uma experiência anterior com Aluado envolvendo outra mulher, mas me provocar daquela forma foi extremamente baixo.
— Vejo que seu senso de humor continua péssimo. — me aproximei da mesma, dando um passo ligeiro.
Outra bufada, acompanhada de uma revirada de olhos, fez-se presente. As íris claras passaram a olhar para baixo, enquanto ela cruzava as pernas e deixou a taça em cima do mármore:
— Nós não vamos a lugar nenhum agindo assim, Black.
Dei mais um passo em direção a , que estava encostada na grade do local. Estava tudo vazio, apenas o luar da noite nos banhava; o único som audível, eram de nossas respirações descompassadas e corações acelerados.
— Temos assuntos inacabados, Prewett. — dito isso, levei meu polegar até seu lábio inferior, passando a mão delicadamente pelo local.
Puxara suavemente seu rosto, passando as mãos delicadamente pelo seu queixo demarcado. O simples ato, repleto em um carinho que ela já conhecia, fez-a desconcertar-se momentaneamente e suspirou, fechando os olhos. Eu sabia seus pontos fracos e conhecia cada detalhe daquele corpo, e jamais deixaria qualquer ato, por mais simples que fosse, passar despercebido.
Porém, na mesma rapidez que a mesma se entregara, também voltara a realidade. Abriu os olhos em espanto, levando a mão até meu pulso, retirando-a de seu queixo. Em seguida, deu um passo para trás, receosa.
— Meu ciclo com você já se encerrou há tempos, Black. Você devia superar. — a ruiva praticamente cuspira as palavras, rindo em ironia.
E sem mais nem menos, saíra correndo dali. Assim como da primeira vez, deixei-a ir.
Deixei-a correr para longe de mim.

ᴄʜᴀᴘᴛᴇʀ ᴛʜʀᴇᴇ

Três anos. Três enormes anos distantes daquele… para que tudo fosse esquecido e minha dignidade fosse minimamente recomposta. Entregando, bastaram-se minutos para que eu colocasse tudo a perder.
O que eu estava pensando? Talvez fosse melhor passar no St. Mungus e conferir se minha cabeça estava em ordem… O ódio dentro de mim borbulhava e eu não sabia se a maior parte era dirigida a ele ou a mim, por ser estupidamente fraca.
Se eu soubesse que a pequena fuga da festa para tomar um ar terminaria assim… Para o meu próprio bem, eu teria que me manter cercada de pessoas para impedir o ressurgimento de qualquer sensação boba. Eu já não era adolescente para ficar tão instável com seus toques. Aquilo havia sido no mínimo ridículo e, justamente por isso, não aconteceria de novo.
, você sumiu! Está tudo bem? — Alice me perguntou preocupada e eu não pude deixar de sorrir.
— Claro, fui apenas pegar um ar. É um lindo terraço.
— Ah, sim! Sempre disse isso para a Sra. Longbottom. Mas que bom que você está bem. É que também notei a ausência de Sirius e pensei… Ah, as besteiras da minha cabeça.
— Não se preocupe, ele não vai me perturbar. — Eu sorri amarelo, pois fora justamente isso que Black fizera.
— Fiquei com medo da presença dele te incomodar essa noite… Sei que já se passaram tantos anos, mas eu não sabia como você estaria. — Minha amiga confessou baixinho e não pude de sentir um leve aperto no coração por, mesmo depois de tantos anos e com a distância, ela ainda ter em mente o meu bem.
— Lice, fica tranquila. Isso foi tudo há muitos anos. Nada disso tem importância ou efeito agora. — Mentira, uma voz insistente da minha cabeça falou, mas tratei de afastá-la e apenas sorrir.
— Fico feliz. — Ela sorriu. — Ah, vem comigo! O jantar já vai ser servido e se você quer o melhor pedaço da refeição, é melhor se sentar logo!
Me deixei ser arrastada pela nova Longbottom até a ponta da mesa perto do carrinho em que seu pequeno dormia e, convenientemente, guardava lugares bem próximos das travessas.
Como minha amiga havia dito, pouco depois a sua sogra anunciou que a ceia seria servida e todos correram para se sentar nos melhores lugares (causando uma expressão horrorizada no rosto da mais velha) e, por fim, todos se acomodaram. Um leve tilintar chamou a atenção de todos e, por azar, era justamente Alice prestes a se pronunciar.
— Antes de todos provarmos essa refeição deliciosa, eu gostaria de propor um brinde. — Isso era algo tão brega e carinhoso, bem a cara de Lice. — Primeiro, por todos aqueles que não estão conosco essa noite. Sua luta não será em vão. Eu primeiramente proponho um minuto de silêncio por cada um.
O minuto se passou com diversos nomes sendo puxados pelo meu cérebro, relembrando rostos que ao longo dos anos eu fui descobrindo que não estavam mais entre nós. Um aperto se formou no meu coração com a incerteza de tudo aquilo.
Alice suspirou e abriu um sorriso mínimo antes de retornar ao discurso.
— Agora, por cada um de nós que está aqui. Por nossa lealdade, nossos sacrifícios, nossas esperanças. — Ela olhou de relance para Neville. — O caminho mais fácil não é o certo. E cada dia em que não desistimos dessa luta, avançamos mais. E que nunca esqueçamos os momentos para comemorar. E um brinde a todos aqueles que o tempo devolveu a nós. — Ela sorriu abertamente para mim e não pude deixar de me sentir constrangida, mas feliz. — Quer acrescentar algo, ?
Aquilo me pegou um pouco de surpresa. Olhei ao redor, aqueles trinta pares de olhos me olhando curiosos ou esperançosos. O que eu poderia falar para todos aqueles que ou eu não conhecia, ou me magoaram, ou eu abandonara? Sorri amarelo e assenti ao perceber que seria falta de educação eu me manter calada.
— Um brinde de agradecimento a cada um que me acolheu tão bem na minha volta. Que essa data de reflexão e mudança nos traga oportunidades de… — Senti um arrepio e de canto de olho percebi o olhar fixo de Sirius. — Recomeçar. — Eu concluí, me sentindo novamente irritada comigo mesma e com ele por motivos irracionais.
— Um brinde! — Frank proclamou, levando a mesa a erguer seus copos e me despertando das minhas confusões.
Ergui minha taça magicamente preenchida de vinho (e talvez mais generosa do que uma pessoa confusa emocionalmente deveria aceitar) e repeti aquelas palavras, antes de tomar um gole generoso, ignorando o arrepio que permanecia e só podia significar uma coisa: Black ainda não desviara seu olhar.
Ele não era mais um menino. Era um homem. Por que não podia agir como tal e deixar de me provocar? Ele nunca soube lidar com os sentimentos alheios e eu me afastei, deixando-o sem ter que lidar com meu turbilhão de emoções. O que ele queria agora? Tentar provar, por algum motivo mesquinho e narcisista, que ele ainda mexia comigo? Pois ele nunca mais ia mexer. Aquela era uma promessa minha com a de dezessete anos.
A janta foi servida e, meu Deus, há quantos anos eu não experimentava uma ceia tão deliciosa!
Envolvidas em histórias e lembranças que iam sendo contadas enquanto os pratos se esvaziavam, eu acabei deixando de notar o quão generosas as taças de vinho eram. Honestamente, já havia me perdido na conta do quanto eu já havia ingerido. Eu me sentia ligeiramente tonta e como eu era forte para bebidas, pude apenas supor que estava deixando a família Longbottom em grande prejuízo.
, você sabe que Harry e Neville nasceram no mesmo dia, não é? — Lupin perguntou.
— Não! Como isso aconteceu?
— Eu chuto que foi a festa de aniversário de Sirius do ano passado. Todos estavam bem animadinhos, se não me engano. Bem que saiu no Profeta que Whisky de Fogo podia ser afrodisíaco. — Um amigo de Frank, Thomas, comentou e todos riram, enquanto Lily e Alice eram tomadas de rubores.
— Está sugerindo que eu troquei o aniversário do meu melhor amigo por uma foda? — James falou rindo.
— James Potter! — Não saberia dizer se Evans estava vermelha de vergonha ou de raiva. O vinho falou por mim e eu só pude soltar uma gargalhada gostosa. Há quanto tempo eu não ria assim…
— Falando dos pequenos, já estão apagados. — Frank apontou para os dois bebês dorminhocos e extremamente adoráveis.
— Nem acredito que já vai dar meia noite. Assim que a noite virar, teremos que encerrar por hoje. Neville não dorme bem se a casa estiver agitada. — Alice falou, preocupada.
— Já estava vendo nossa hora mesmo. — Lily comentou. — E metade dos convidados já se foram.
— Devemos pegar champanhe para comemorar? — Sirius comentou e eu preferi deixar outros responderem. Depois de tanto vinho, eu não poderia responder por mim.
— Já não acha que bebeu o suficiente, Almofadinhas? — Remo comentou, risonho.
— E desde quando existe beber demais?
Não sei se foi por mágica ou se meu cérebro não estava processando bem as coisas, mas uma garrafa surgiu e, pouco depois, a contagem começou. O tempo estava correndo naquela noite.
— FELIZ NATAL! — James gritou para a mesa inteira quando os dois ponteiros de seu relógio apontaram para o número 12.
Logo, eu já estava abraçando todos e fazendo votos natalinos com uma maravilhosa taça de champanhe na mão. Por que o álcool deixava tão mais fácil rir e ignorar tudo? Era bom que meu irmão tivesse uma boa poção para ressaca em casa.
Pensar no meu irmão me fez pensar em como ele havia me abandonado naquela noite. Não podia culpá-lo, não com Molly precisando dele, mas ele podia ter me poupado de certos eventos naquela noite.
Despertei dos meus pensamentos com um grande embrulho sendo colocado na minha mão.
— Mamãe mandou distribuir para todos o que restou das tortinhas de abóbora. — Frank falava comigo. — Estou enviando umas extras para Fábio, embora Molly seja uma excelente cozinheira e ele deve estar muito bem. Uma pena que ele não tenha vindo.
— Uma pena mesmo. — Eu disse, me contendo para não soar como uma criança irritada.
— E você tem como voltar para casa? — Agora era Alice que falava.
— Ora, claro, eu vou aparatar. — Eu franzi a testa com aquela pergunta óbvia.
, você se lembra da última vez que tentou aparatar bêbada?
— Lice, eu não sou mais tão nova. Não vou mais trombar com nenhum trouxa. Especialmente lixeiros alterados que não me vejam no meio dos sacos de lixo e quase me coloquem no caminhão.
Frank arregalou os olhos.
— Você definitivamente não pode ir desse jeito.
— Bom, então eu posso esperar Fábio.
, Fábio não vem. — Alice reafirmou, um pouco receosa.
Eu estava prestes a debater quando uma quarta voz se intrometeu na discussão.
— Eu levo ela. — Sirius afirmou sério.
Eu estava prestes a mandá-lo para o inferno, quando Lice falou por mim.
— Perfeito, Sirius! Ah, tão cavalheiro! Isso será ótimo, pois temos que subir com Neville agora.
Não consegui retrucar e quando vi Alice e Frank já me abraçavam e me escoltavam até a porta com o homem que assombrava meu passado.
Já do lado de fora, eu o vi caminhar perto de algumas vassouras estacionadas, mas ele passou reto por todas até alcançar uma…
— Eu não subo nisso nem morta. — Eu disse, me sentindo levemente mais sóbria.
Aquilo parecia uma motocicleta trouxa como as que eu tanto via enquanto estava nos Estados Unidos, mas modificada de uma forma extremamente duvidosa e que não parecia nada agradável.
— Sobe logo. — Ele disse, sério. — Ainda não consegui acrescentar o assento extra que eu queria, então vai ter que ser do jeito clássico.
Black sorriu de lado irônico e não pude deixar de bufar.
— Boa viagem! — Alice desejou da porta e eu tive que me conter para não a matar.
— É melhor irem logo. Nada é muito seguro nos dias de hoje, é melhor não ficarem expostos. — Frank alertou e eu percebi que não tinha exatamente uma escolha. Não na frente daqueles dois.
A mão de Sirius se estendeu na minha frente.
— Vamos?
Eu sabia que aquilo poderia me render um arrependimento eterno. Olhei em volta em busca de outras opções, mesmo sabendo que não encontraria nada.
Contendo tudo o que se passava dentro de mim, segurei sua mão e me deixei ser guiada.


Continua...



Nota da autora: N/A: E chegamos na metade da história! Ainda sem saber se queremos beijar Sirius Black ou matá-lo (embora as autoras sejam bem favoráveis da primeira opção!).
Somos muito gratas a todos que estão lendo a fanfic! Esperamos de coração que estejam gostando dessa história escrita com muito carinho. Não esqueçam de comentar! Amamos saber o que vocês estão achando (ainda mais em um final de capítulo assim que promete muita coisa... hehehe). E, caso queiram saber sobre as atualizações em primeira mão e nossas outras histórias, nos sigam em nossos instagrans: @elena.n.stuff e @autorathaissantos.
Beijos, se cuidem e até a próxima att!
Atenciosamente,
Elena Mendes & Thaís Santos.

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