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Última atualização: 01/05/2021

Capítulo 1

odiava quando seus dias estavam lotados e ela quase não tinha tempo nem para respirar. O que era uma situação cômica já que, desde março, a maioria dos seus dias eram daquele jeito.
entrou na Universidade Athena, localizada na cidade de Boa Viagem, praticamente correndo. A reunião com os novos diretores da atlética do curso iria começar exatamente em cinco minutos e ela, como presidente, não podia atrasar, ainda mais na sua primeira reunião como tal.
respirou fundo quando conseguiu atravessar o jardim gigantesco da universidade e continuou a correr até o quarto corredor do bloco D. Subiu os quatro lances de escada e finalmente abriu a porta da sala, que tinha sido entregada a pouco tempo para a atlética. Era o cafofo dos Lobos. sorriu ao olhar o relógio e perceber que tinha chegado bem na hora.
– Bom dia, pessoal.
– Parece que você correu uma maratona, . – Amanda Soares comentou no momento em que a menina abriu o frigobar da sala e tomou praticamente toda a água que estava em uma garrafa rosa.
– Não me teste.
– Ao menos, já sabemos que tem fôlego para jogar o Inter. – Lucas provocou e ela mostrou o dedo do meio para o negro. – Muito amor a essa hora da manhã? Estou grato.
– Muito engraçado, zé graça, mas sim. Podemos começar? – Perguntou e abriu um sorriso, sentando na ponta da mesa, de modo que pudesse observar a todos os seus diretores que iriam acompanhá-la naquela jornada. – Primeira pauta é...? – Olhou para Gabriella Fernandes, sua amiga de vida, curso e, graças aos céus, secretária da atlética.
– Reestruturação da diretoria. – Gábe falou e respirou fundo – Planejamento esportivo.
– Ok, ponto um. Todo mundo aqui ainda quer estar aqui, certo? – perguntou, apreensiva.
conhecia todos naquela sala, mas ainda tinha medo de que os amigos não quisessem mais seguir com ela naquela jornada. A gestão passada tinha sido um fiasco, deixando apenas problemas para o restante do pessoal, que ainda insistia em preservar a tradição de ter uma atlética no curso de Direito.
– Estamos com você, baixinha. Estamos todos juntos nessa. Lutar juntos, vencer juntos. – Ícaro disse e sorriu, confiante.
Naquele momento, soube que as coisas iriam dar certo.
A reunião continuou e, em conjunto, todos foram escolhendo a parte que mais queriam trabalhar na atlética e com a qual ficariam mais confortáveis. era a presidente, Gabriella Fernandes continuou como secretária executiva, Thomas Cardoso era diretor geral de esportes, Lucas Diniz cuidava da parte de futsal e society, Anna Ferraz era a ponteira oficial da atlética e diretora de vôlei e Ícaro Nunes era responsável por handebol e eventos em companhia da Amanda Soares: a mulher mais festeira da universidade Athena.
– Só tenho um problema, um grande problema. – Thomas passou as duas mãos pelos cabelos, que já estavam sem corte. – Não temos ninguém no Basquete.
– Eu posso ficar no Basquete também, já que conheço e já jogo no time.
– Mas o time de também precisa de um armador, a gente não vai funcionar sem um.
– Eu não conheço ninguém que jogue basquete e seja suficientemente bom para entrar e dar vida a esse time. – Anna disse com um semblante triste.
– Eu só sei um cara que joga basquete, mas ele nunca vai querer. – Ícaro soltou uma risada. – me mata se eu perguntar.
?! – perguntou e revirou os olhos. – Vou resolver isso. Deve ter muita gente que jogue basquete, né?
Mas ela sabia que basquete era um esporte elitizado e que era difícil achar alguém que já tivesse praticado ou até mesmo que gostasse, assim como sabia que Duarte nunca iria querer jogar pelo time da atlética da universidade.

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odiava Direito Civil tal como odiava a franquia do Golden State Warriors. Para ele, GSW era o time do lado negro da força, assim como Direito Civil III. ‘Quem é que quer saber que direitos tem um cadáver, mano?’, gritou em seus pensamentos quando terminava mais uma página do livro da Maria Helena Diniz.
– Vou tirar I de novo. – Murmurou para o amigo que estudava ao seu lado.
, você vai tirar ‘Insuficiente’ se não estudar. Qual é? Não está nem tentando entender o que a diva da Diniz fala.
– Não estou tentando? – Perguntou em tom elevado, atraindo olhares feios das pessoas que estavam na biblioteca. – Você é ridículo.
– Sem drama. Se eu soubesse, ajudava. Mas sucessões é só semestre que vem.
– Odeio você por ter entrado nessa merda de faculdade só na metade do ano. Odeio.
– Sabe o que você pode fazer? Pregar um papel no mural de avisos pedindo ajuda. Diz que você paga, sei lá.
– Ninguém lê aquilo, Matheus.
– Eu leio. E umas pessoas inteligentes também leem. Sabia que você precisa de hora complementar para formar?
– Hora o quê? – perguntou e o melhor amigo revirou os olhos, fazendo sinal para ele voltar a atenção para o livro.
Matheus Petrone levantou-se da mesa e foi para a área de computadores da biblioteca. Ele iria ajudar o melhor amigo porque ia ser horrível se ele repetisse mais um módulo de Direito Civil. Já bastava obrigações e contratos, que o rapaz tinha feito duas vezes. Inclusive durante as férias.
Math abriu o Word, usou uma fonte bonita e molduras, gostou do que fez e mandou a página para a reprografia. Nem que não quisesse, ele iria grudar no mural de avisos do bloco.
Assim que saiu da biblioteca, Math esbarrou com pelo corredor principal e uma luz acendeu sobre sua cabeça. era a melhor aluna de Direito Civil do ano de . Mas a luz logo se apagou quando percebeu a menina andando tão afobada pelos corredores que nem o olhou nos olhos quando murmurou um pedido de desculpas por ter dado um encontrão contra ele. E a luz apagou mais ainda quando ela pegou uma maçã das mãos de Thiago Vieira e lhe deu um selinho rápido. Matheus se perguntou o porquê dela estar com Thiago, o rapaz de engenharia civil que andava com homens de caráter muito duvidoso.
Math deu de ombros, seguiu seu caminho, imprimiu o papel e voltou para a biblioteca, jogando em cima do livro do amigo.
– Ah, não...
– Ah, sim, senhor. Ou vai querer mais um I? – Arqueou uma só sobrancelha e se perguntou como ele conseguia fazer aquilo. – E vamos que tenho aula de processo daqui a – Olhou para o enorme relógio no pulso. – dois minutos. Tchau, querido. E vá pendurar isso.
desistiu de protestar contra o melhor amigo e começou a guardar seu material. Colocou seu airpod e saiu da biblioteca. não vivia sem música assim como não vivia sem basquete.
Fall Out Boy estava no máximo quando o rapaz chegou na frente do mural de avisos da faculdade. A música o distraia da vergonha de grudar um papel que praticamente deixava explícito que ele era uma porta em Sucessões e qualquer coisa referente a Civilistas. Ele facilmente poderia estudar só Processo Penal.
– Licença. – escutou ao fundo da música, mas pensou que fosse coisa da sua cabeça, até que sentiu uma pontada em sua costela que o fez olhar para baixo.
– Você? – E a menina o encarou com a testa franzida.

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saiu da reunião da Lobos apressada, precisava resolver a situação do time de basquete o quanto antes porque, sem aquele time formado, jamais subiriam para a primeira divisão da competição. Jamais mesmo.
Pelo menos, o anúncio já tá pronto’, pensou enquanto praticamente corria para a reprografia antes que o lugar ficasse lotado. Sem querer, no meio do caminho, esbarrou em alguém que, pela pressa, não conseguiu identificar. Murmurou um pedido de desculpas e seguiu seu caminho, sendo parada por Thiago Vieira, o rapaz com quem ficava com mais frequência que o normal.
– Você já comeu alguma coisa hoje? – A pergunta era retórica porque o futuro engenheiro, assim como todos que andavam com a menina, já sabia a resposta e estendeu uma maçã para ela.
– Tô com pressa. – Deu um selinho no rapaz. – E obrigada pela preocupação, viu?
– Me dá aqui suas coisas, levo logo pro carro. – agradeceu mentalmente por ele ter se oferecido, já que os armários ficavam do outro lado do bloco e ia ser horrível resolver as coisas carregando uma bolsa e um Vade Mecum.
– Não vou demorar. – Entregou o livro para Thiago e voltou ao seu caminho.
Por sorte, só tinha duas pessoas na sua frente. imprimiu o anúncio que sua melhor amiga Karina tinha feito para ela na noite anterior e seguiu para o mural de avisos. Pessoas inteligentes liam o mural. Pessoas inteligentes com certeza deviam conhecer alguém que jogasse basquete.
– Só pode ser sacanagem. – Falou sozinha quando viu ninguém mais ninguém menos que colocando um aviso no mural, totalmente sem saber como fazer aquilo.
aproximou-se do rapaz, conseguindo escutar perfeitamente o que ele estava ouvindo. My Songs Know What You Did in the Dark devia estar no último volume, o que significava que era, no mínimo, surdo.
– Ei. – Disse e não obteve nenhuma resposta.
Imediatamente, um bico formou-se em seus lábios e sua testa franziu. Como era que ele não a escutava ou via?
– Licença. – cutucou a costela do rapaz e, rapidamente, ele olhou para baixo.
– Você? – Perguntou, tirando o lado direito do fone e guardando no bolso.
– Eu.
– Fiz algo de errado para a madame estar emburrada? Porque você não fala comigo nem na sala.
– Deve ser porque você olha torto para todo mundo.
– Igual você tá me olhando agora? – Riu enquanto a menina revirava os olhos.
respirou fundo e olhou para o aviso que tinha acabado de colocar, totalmente torto, no mural.
– Você precisa de mim. – Esboçou um sorriso, com sua mente tendo uma ideia brilhante.
a encarou sem entender.
– E você de um jogador de basquete. – Retrucou quando prestou atenção no papel em que a menor segurava.
sorriu e balançou a cabeça negativamente.
– Nem tente. Nem em sonho. Jamais. Jamé. Nunca.
– Mas…
– Fora de cogitação. – Decretou antes mesmo que a negra falasse algo.
bufou enquanto ele colocava novamente o fone direito e lhe dava as costas.
– Vamos ver. – Disse enquanto arrancava do mural o anúncio que ele tinha acabado de pregar.


Capítulo 2

– Você realmente cogitou que ele entraria no time assim, só com você pedindo? – perguntou enquanto terminava o seu delineado perfeito.
era a melhor amiga de desde quando a negra frequentava a biblioteca em que a mãe de trabalhava durante o seu ensino médio. Dali, as duas não se desgrudaram mais. Nem na universidade, mesmo a japonesa de 22 anos tendo optado por seguir na área da licenciatura em História.
– Pensei. – respondeu emburrada, encarando o anúncio de em cima de sua cama.
– Não seja ingênua. É .
– Grande coisa.
– Realmente grande. – riu e acabou rindo também ao perceberem que o homem tinha apenas 1,87 de altura e existiam os boatos de que ele era realmente grande. – Vamos lá, ! Ligue para ele. O ‘não’ você já tem.
– O ‘nunca’ eu já tenho. – riu e jogou o telefone para a melhor amiga.
, a contra gosto, digitou o número de e começou a chamar.
– Alô? – Atendeu no terceiro toque e a menina gelou.
bateu em seus ombros para ela responder.
– Alô? – Escutou perguntar, já impaciente.
– Oi. – Respondeu.
– Conheço essa voz, madame. – Frisou o apelido que tinha dado mais cedo para a menor e revirou os olhos, mesmo que ele não pudesse ver.
– Não seja chata. – Sussurrou e a melhor amiga respirou fundo.
– A gente precisa realmente conversar. Tenho uma proposta para fazer.
– Se envolver jogar basquete por esse negócio de playboy que você participa, nem tente.
– Deixe de ser assim, vai? Eu sei que você precisa de ajuda em Direito Civil e quem melhor do que eu para ajudar você?
ficou mudo do outro lado da linha. O garoto sabia que, em Athena, não existia ninguém melhor do que Favacho em Direito Civil. A negra era uma espécie de prodígio, endeusada por todos os calouros e por todas as turmas em que era monitora.
– Ok. Vamos conversar.
– Quando?
– Daqui a uma hora, te encontro no Bar do George.
– Bar do George? Aquele que fica próximo à universidade?
– Isso, madame. Te encontro lá. – Respondeu e encerrou a ligação.
ficou cinco segundos encarando a tela do telefone enquanto a olhava com os olhos arregalados, tentando saber o que tinha acontecido.
– Thiago vai me matar. – falou e soltou uma risada. – quer encontrar comigo no Bar do George, daqui a uma hora. E eu tinha combinado com Thiago no Cevada Boa.
– Eu sou muito mais o Bar do George que esse Cevada! No Cêbê, só vai playba, hétero chato e inconveniente. Uma extensão do Instituto de Engenharia de Athena.
– Ah, não é pra tanto.
– Você não assume para não chatear Thiago. – esboçou um sorriso como se concordasse com a amiga. – Vamos, ele vai lhe entender. Mande uma mensagem, você aproveita e dividimos um Uber. Estou indo pro Bar do George mesmo.
nem quis retrucar, a melhor amiga realmente tinha razão. O Cevada Boa ou como era conhecido Cêbê, só era frequentado pela galera do IE e, particularmente, ninguém aguentava mais os homens de engenharia daquela universidade. E nem das outras. Todas as festas das sextas sempre acabavam em algum tipo de confusão ou rixa desnecessária. Eles que lutassem, pensou ao digitar uma mensagem, cancelando com Thiago.
Antes que a menor pedisse, fez um delineado que só ela sabia fazer. sorriu quando viu o resultado no espelho e passou um gloss por cima do batom matte que usava, adorava como ficava a mistura dos dois. Ajeitou a saia rosa rosê em seu corpo, calçou seu Air Jordan 1 e entendeu que já era para pedir o Uber.
– Tá chegando! – A japonesa avisou e pegou a bolsa de cima da penteadeira, ajeitando nos ombros em seguida.
– Vamos.
– Vai encontrar com aquele moço? – A mãe de perguntou assim que as duas pisaram na sala.
– É outro, tia. O perfume tá até diferente. – brincou e a mãe de , Rosângela, riu.
– Cuidado! – Pediu entre risos e escutaram a buzina do motorista.
– Tchau, mãe!
– Amo vocês! – Dona Rosa se despediu e as meninas saíram.

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– Você o quê? – Matheus perguntou num grito e soltou risadas.
– Pare, nem sei se ela gosta de tomar cerveja. Só vamos conversar.
– Eu sei bem onde essas conversas terminam, meu amigo. Você está fodido, sabia? Hoje é sexta e, toda sexta, ela sai com Thiago e cia.
– Você faz o papel de fuxiqueiro da faculdade bem demais, sabia? E quem é Thiago?
– Ele é melhor amigo do Oliver, lembra? E eles ficam às vezes.
– Então quer dizer que Favacho, a civilista progressista, anda com o macho bolsonarista? Puta que pariu, hein?
– Ela não, burro. nem fala com Oliver. Quem ela beija, sim.
– A mesma coisa. Aposto que esse Thiago afundou o dedo no 17 também.
– Amoedo.
– Puta que pariu, é liberal? – gargalhou e Math balançou a cabeça negativamente. – Quais as chances disso dar certo?
– Você e ? Ou você jogar basquete pela Lobos?
– Jogar basquete, né? Nenhuma possibilidade de e eu ficarmos juntos. Ela gosta dos liberais.
– Você é ridículo. – Math disse ao terminar de cortar suas unhas. – Não vai com essa camisa, né?
– Qual o problema da minha camisa vermelha do Hawks?
– Todo mundo sabe que, em primeiros encontros, nós usamos preto. E você não vai encontrar com uniforme de basquete. – revirou os olhos mas acabou pegando a camisa preta e trocou. – Combinou bem mais com esse seu shortinho de praia.
– É confortável, mano.
– Eu sei, uso sempre também. Você vai me dar carona, né?
– Vai pro George também?
– Vou encontrar uns amigos de História lá.
– Em quem você tá tentando aplicar da galera de História, Math? – perguntou e Matheus lhe jogou um travesseiro, rindo em seguida.
– Bruno. Qualquer dia, te apresento. – Deu uma piscada e riu, pensando em como o melhor amigo tinha facilidade de se relacionar com pessoas de diferentes nichos da faculdade.
Aquilo só podia ser um dom. arrancou com o carro enquanto Matheus era responsável pela playlist até o Bar do George. não sabia como, mas sabia toda a letra de todos os bregafunks que existiam na playlist do melhor amigo. Convivências.
– Você deveria aprender a dançar bregafunk. – Matheus falou assim que estacionou na frente do George enquanto tamborilava os dedos som de Surtada.
– Eu aprendi da última vez que fui a Recife. – Revidou e o melhor amigo o encarou, como se duvidasse. – Tá duvidando?
– Depois daqui, a gente vai pro Inferninho. Quero só ver.
– Apostado. – Sorriu e desligou o carro.
chegou.
– Puta que pariu. – Resmungou ao escutar o barulho do carro sendo travado. – Me atrasei, né?
– Belo início de quarto. – Math respondeu baixo, fazendo referência ao jogo de basquete.
encarou com um sorriso nos lábios e Matheus deixou o amigo sozinho assim que atravessaram para o bar. se aproximou da mesa que dividia com outra garota na calçada, que conseguiu reconhecer de vista. Era , do curso de História, que vez ou outra trabalhava em uma biblioteca antiga próxima à universidade.
– Boa noite. – Falou, chamando a atenção das duas.
sorriu para amiga e levantou-se rapidamente.
– Oi! E tchau. – Riu – Vou sentar com meus amigos, fica à vontade.
– Obrigado! – Respondeu e a japonesa lhe deu um beijo no rosto antes de virar as costas e sair. – Muito atrasado?
– Relaxa, que quis chegar mais cedo.
– Então... Vamos a negócios? – Perguntou e respirou fundo, colocando o cacho que caía sobre o rosto atrás da orelha.
– Posso pedir uma cerveja antes?
– Você bebe cerveja? – Perguntou, fingindo estar assustado, e levantou a mão para o dono do bar. – Fala, doutor!
– Grande ! A de sempre?
– Pode descer.
– A de sempre? – perguntou com a sobrancelha arqueada.
– Brahma Chopp. – o encarou e ele riu, passando a mão pelo cabelo. – Você não bebe Brahma?
– Fresh, não. A Chopp é universal. – sorriu e percebeu que não precisava manter a pose de homem enjoado pelo restante da noite.
Favacho era uma mulher que não era difícil de lidar. A cerveja chegou, os dois começaram a jogar conversa fora e pareceram esquecer do que realmente tinham que conversar até que deixou cair seu anel no chão e esticou-se para pegar rapidamente, prestando atenção no tênis que usava. Um Jordan IV, edição especial. Basquete.
– Bonito seu tênis. E ele lembrou de uma coisa.
– Já sei, já sei. E realmente é bonito, assim como o dono. – riu, mas não negou. – Você quer que eu jogue por esse negócio de atlética?
– Sim. – respirou fundo. – E, em troca, eu te ensinaria Direito Civil. Onde e quando você quiser.
– A deusa do Direito Civil de Athena quer ensinar um mero mortal como eu?
– Em troca dos seus dons em quadra.
, – Pela primeira vez na noite, chamou-a pelo apelido. – eu realmente não me sinto confortável em fazer parte desse negócio que só vejo playboy participando.
A feição de mudou completamente, ela realmente sabia que era difícil mudar a imagem errada que algumas pessoas tinham do que era atlética, mas isso não a impedia de ficar triste ao escutar comentários como aquele. Era como se todo o trabalho que realizava com seus amigos ali dentro fosse lixo. , percebendo a feição da menina e a forma como ela começou a cutucar as unhas, completamente desconfortável com o clima que tinha instalado-se ali, respirou fundo e, contra tudo o que passava pela sua cabeça, soltou.
– Mas posso colar em um treino e ver como isso funciona. Tá bom para você?
sorriu e, sem pensar, bateu palminhas de felicidade.
Ao ver a cena, sorriu também.
– Te passo o horário de treino mais tarde. – E os dois terminaram de beber o que restava do que deveria ser a sexta cerveja da noite.
– Ei! O que você vai fazer depois daqui? – perguntou e apontou para a mesa que estava um pouco mais afastada da deles, seguiu com o olhar e percebeu que era a mesa onde o seu melhor amigo estava e onde a menina que estava com quando ele chegou também estava.
– Depende de . Eu vou para onde ela for agora. – riu e levantou a mão.
Rapidamente, George chegou à mesa, trocando a cerveja vazia por uma nova geladíssima.
– A saideira. – Falou e concordou, observando-o encher seu copo. – Acho que sua amiga deve sair com a galera com quem meu melhor amigo se enxeriu.
– Quem é seu melhor amigo?
– Matheus Petrone, aquela benção ali. – Apontou e conseguiu reconhecer o rapaz.
– Sério? – Perguntou surpresa e torceu para que ela não fizesse nenhum comentário maldoso sobre o amigo. – Math é o melhor ponteiro do meu time! Ele é um semestre antes do nosso. – respirou aliviado, e deu um gole na cerveja.
– Ele gosta dessas presepadas de atlética e vôlei. – Os dois riram. – Acho que vamos acabar saindo juntos daqui então?
– Ei! – Escutaram Math gritar e, logo, ele e estavam na mesa dos dois.
– Vamos para o Inferninho. – decretou. – Entrada grátis até 23:30.
– Que horas são? – perguntou e olhou pela primeira vez o celular, reparando na quantidade de mensagens de Thiago que tinha recebido.
– Me dê isso aqui. – puxou o celular da mão da melhor amiga. – Caralho! 23:18. O pessoal ali já chamou o Uber, mas não dá para todo mundo.
… – Math começou e levantou a mão.
– Já entendi. Vamos, vamos.
pagou a conta enquanto Matheus e fofocavam alegremente sobre um assunto que ninguém mais sabia e tentava entender para onde eles iriam.
– O carro do tá ali na frente. – Math avisou enquanto destravava o veículo.
– Você vai dirigir? – perguntou com a testa franzida.
– Não começa. – pediu, formando um bico em seus lábios, e entrou na parte de trás do carro, junto de Matheus. – Vai aí na frente, nem é nosso motorista pra ir sozinho na frente. – Matheus encarou a japonesa e os dois sorriram, cúmplices.
nem conseguiu retrucar e rapidamente entrou no carro.
– O cinto, madame. – Foi a última coisa que disse antes de arrancar com o carro.
segurou no banco e fechou os olhos depois do segundo sinal vermelho que o rapaz ultrapassou.
– Santa mãe do céu. – Murmurou quando o menino fez uma baliza rápida e perfeita na vaga que tinha do outro lado da rua da boate.
– Entregues. Que horas são?
– 23:27. Obrigado. – Matheus agradeceu e desceu do carro junto de .
– Acho que vou vomitar. – falou assim que abriu a porta para ela.
– Pare de graça. Já pensou se suja todo meu tênis? Ou pior, o seu. – Disse e a menina sorriu, pulando para fora do Jeep Compass. – Aliás, belo tênis. Igual à dona. – piscou e sorriu, percebendo que a negra tinha ficado sem fala. – Vamos!
– Vamos. – Respondeu e entrou ao lado do basqueteiro na boate.

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adorava ir ao Inferninho às sextas e sentia saudade de frequentar o lugar.
Thiago não gostava de ir porque “não era lugar que a galera dele frequentava”, então eles sempre iam para o Cêbê e, depois, para alguma casa noturna que tocava sempre as mesmas coisas: pagode e sertanejo universitário. Era bom estar de volta no Inferninho, pensou assim que passou a mão pelas costas da menor, conduzindo-a para a pista de dança, onde o melhor amigo estava com e mais umas cinco pessoas.
– Volto já. – falou e sumiu por entre os corpos dançantes.
ficou na frente da melhor amiga com um sorriso no rosto.
– Tá sorrindo por quê?
– Rolou?
– Que rolou o quê, garota! Profissionalismo aqui. E tem o Thiago também.
– Ah, parou. Por isso, não vou lhe devolver o seu celular tão cedo. – resmungou.
, meu amigo tem chances? – Math perguntou e gargalhou, acompanhado de .
A menor apenas riu envergonhada e não respondeu.
– Quem cala consente.
– Olha, no Direito Civil quando uma...
– Já tá falando disso? – chegou, fazendo a menina se assustar e os outros dois olharem um pro outro, receosos de ele ter escutado algo. – Sem Direito Civil hoje, eu imploro. – Os três se entreolharam e Matheus puxou para lhe acompanhar. – Fui pegar água para você.
– Ah, obrigada! Nem precisava. – Agradeceu e deu um gole na garrafinha.
– Percebi. – Brincou e a menor lhe mostrou o dedo do meio.
!
!
e Matheus gritaram ao mesmo tempo para os dois melhores amigos quando a batida inicial de Surtada começou.
– Minha música! – gritou e começou a fazer coreografia do bregafunk sem perceber que era acompanhada perfeitamente por .
Nem nem perceberam que todos da rodinha em que eles estavam inseridos por causa de Math e pararam de dançar para olhá-los e até mesmo tentar imitá-los. jogou a cabeça para trás e deu uma risada como havia tempos que não dava quando virou e acompanhou-a em um passinho que ela tinha visto somente nas rodas de bregafunk em Recife.
amava Recife. também.
– Nem eu sabia que ele dançava bregafunk bem assim. – Matheus disse para que, sem que os dois percebessem, fazia um story do momento.
ama Bregafunk. Meu sonho dançar igual ela.
– Ei, eu te ensino! – Math falou e a japonesa sorriu, guardando o telefone na bolsa.
E sem nem perceber, os quatro estavam dançando todos os bregafunks que o DJ colocava. ria e divertia-se, ela adorava dançar. E estava divertindo-se fazendo os passinhos junto de e dos amigos da faculdade de , que começaram a dançar junto com eles.
No final das contas, tinha sido uma noite realmente incrível.
Os quatro saíram do Inferninho quando o relógio bateu 04:30 da manhã e Matheus já estava bem mais para lá do que pra cá. deixou primeiro em casa e esticou o melhor amigo no banco de trás, que dormia feito pedra. A japa se despediu da amiga e, antes de sair do carro, devolveu o celular de .
– Obrigada! – Gritou enquanto a menina corria para casa, gargalhando.
– Ela é louca! – disse, rindo.
– Você ainda não viu nada.
Os dois riram e, logo, parou em frente à casa dela.
– Entregue, madame.
– Você consegue levar Matheus sozinho?
– Tô acostumado. Ele vai ficar lá por casa mesmo, relaxe. Você vai ficar bem?
– Vou! – Disse ao colocar a bolsa em seu ombro.
se inclinou e deu um beijo na bochecha do basqueteiro.
– Boa noite.
– Até mais. – E ela desceu do carro, tentando andar em linha reta até sua casa.
balançou a cabeça negativamente e, logo, pulou pra fora do carro, segurando a menina que tinha tropeçado nós próprios pés.
– Cuidado, madame. – Ajudou a atravessar o jardim, e ela entregou a chave da casa para ele. – Pronto. Agora sim, entregue.
– Obrigada! – Agradeceu e fechou a porta, escutando o menino arrancar com o carro.
– Grande . – Sussurrou para si mesma e seguiu para seu quarto em uma tentativa falha de não fazer barulho pelo caminho.
tirou o tênis, deixou a roupa que usava pelo chão do quarto e entrou no banheiro, ficando bem mais do que cinco minutos embaixo do chuveiro. Vestiu sua camisola e jogou-se na cama. Antes que pudesse adormecer, mandou uma mensagem para e nem se deu o trabalho de ler as outras. Apenas adormeceu.
Ei, terça, 17h 😜”


Capítulo 3

prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e olhou para o relógio do celular. Dali a cinco minutos, iria chegar para a primeira aula sobre Sucessões e ela não sabia o que esperar, já que ia ser a primeira vez que iriam encontrar-se pessoalmente desde a festa de sexta-feira.
não sabia se estava nervosa ou apreensiva, talvez estivesse um pouco dos dois. A única coisa que ela sabia era que sentia-se confortável ao ponto de dançar bregafunk com o rapaz, o que dizia muita coisa.
Ela só precisava saber o que era o muita.
sorriu e ajeitou a postura na cadeira assim que percebeu que ele entrava na biblioteca, estava com o cabelo bagunçado, usava seu airpod, mochila em um ombro só e carregava o Vade Mecum com uma mão como se não pesasse nada.
– E eu chego de bom grado para a minha morte.
– Zé graça. – O menino riu ao sentar. – Pega uma folha do seu caderno aí.
– Eu nem uso, tem um monte sobrando. – Sem graça pelo olhar de reprovação da menor, passou a mão pelos cabelos.
puxou o caderno da mochila e abriu na parte da disciplina, sorriu ao ver a letra caprichada do rapaz quando ele escreveu “Sucessões” no topo da folha em branco.
– O que você entende por Sucessões?
– Direito dos mortos.
– Basicamente, é isso. Marca seu vade e escreve no caderno o número do artigos, eles estão previstos no 1.784 a 2.027 do Código Civil.
– Como você sabe eles de cabeça? – Perguntou, realmente surpreso.
era do sétimo semestre, o mesmo que a negra, mas eram de salas diferentes. assistia, vez ou outra, algumas aulas na sala dele porque acompanhava o professor de Direito Civil V, já que era monitora da disciplina, mas nunca tinha tocado-se da facilidade de memorização da garota.
– Eu só gosto. – Disse e levantou os ombros. – Olha, faz uma notinha aí que é importante: o direito à herança não está tutelado no Código Civil, mas sim no artigo 5º, XXX, da Constituição Federal.
– Anotei. – Falou enquanto escrevia atentamente a nota. – Basicamente, o fundamento do direito sucessório é a propriedade, né?
– Isso! Você lembra quais e quantas são as classificações da sucessão?
– Duas? – Chutou e balançou a cabeça negativamente, o menino bufou e mordeu os lábios.
– Quatro. Se você entender as classificações iniciais, tudo fica mais fácil.
E então começou a explicar pacientemente as quatro classificações das Sucessões. se sentiu confortável e interrompia-a sempre que achava necessário ela voltar a explicação ou repetir para a negra o que tinha entendido do assunto.
– Você entendeu! – sorriu e o menino a encarou com uma expressão de felicidade.
– Não sou tão burro, afinal.
– Pare com isso! Ei, antes da gente prosseguir, vamos comer alguma coisa?
– Pra já!
Os dois saíram da biblioteca e, antes que pudessem chegar na enorme área do refeitório da universidade, onde tinham diversas barracas de comidas, escutaram vozes alteradas vindas dali. Vozes conhecidas.
– É Matheus. – disse e correu junto dele para o refeitório.
Ali, viu o que não queria ver. Matheus estava sozinho trocando ofensas com um cara que detestava que, infelizmente, era melhor amigo de Thiago, e estava cercado de outros homens detestáveis que andavam com o engenheiro.
– Você me deixe passar, visse?! – Matheus manteve a voz firme.
– Ou então tu vai fazer o quê?
– Ele, eu não sei não, mas eu quebro você, macho. – entrou e botou a mão no peito de Oliver.
Thiago encarou o basqueteiro e, em seguida, percebeu que o acompanhava.
– Ninguém estava falando com você não, cara. – Thiago se meteu. – O problema é entre os dois.
– Eu falei contigo em algum momento? Pelo visto, seu amigão aí deve precisar de muita ajuda, porque ele se garante tanto que precisa de uns quatro machos acompanhando ele pra qualquer lugar onde ele vai.
sabia perfeitamente o que ia acontecer porque já tinha ido em festa com aqueles caras e era de lei eles arrumarem confusão.
Oliver empurrou pelo peito, mas ninguém contava que, rapidamente, o homem fosse revidar. Em segundos, já estava com seu braço direito ao redor do pescoço de Oliver Novaes, sem dar chance para ninguém lhe segurar.
, , solta ele. – pediu para o homem que encarou-a vermelho, bufando de ódio. – Por favor.
, não se me…
– Cala a boca, Thiago! – Elevou a voz pela primeira vez para o ficante. – , solta ele. Não se suja por isso, você sabe mais do que ninguém que não vale a pena.
, solta ele. Por favor, mano. – Matheus pediu.
apertou ainda mais Oliver, fazendo o loiro bater com a mão no braço do basqueteiro que, em seguida, jogou-o para frente.
– Eu realmente não fazia ideia de que era com esse tipo sujo de gente que você se metia. – foi ríspido e Matheus o puxou pelo braço, tirando o melhor amigo dali.
não teve nem forças para retrucar as duras palavras de . No final das contas, era verdade. Ela praticamente namorava Thiago e, sempre que saía com ele, aqueles caras estavam por perto.
– O que foi isso, ? Você e ?
– Eu e nada. Tome tento, viu? – Deu as costas para Thiago, que segurou seu braço. – Me solte! Não quero ficar nem mais um tempo aqui com esse bando de homem homofóbico que não tem nem vergonha na cara de estar fazendo perseguição com os outros.
– Ah, para, né, . Vai dar uma de defensora de coitado agora?
– Cala a porra da boca, Oliver, que ninguém falou contigo aqui. Se eu soubesse, deixava dar uma surra em você.
– Olha o jeito que sua namoradinha tá…
– Não sou namoradinha de ninguém, seu babaca. – Vociferou e deu as costas para o grupo, mas percebeu que Thiago andava atrás dela.
subiu as escadas sem se dar o trabalho de olhar para trás. Assim que entrou na biblioteca, deu-se conta de que nenhum material de estava lá. Pelo menos, ele tinha levado o caderno com as anotações. Rapidamente, guardou suas coisas e, ao sair, Thiago a esperava no corredor.
– A gente já pode conversar?
– Não temos nada para conversar, Thiago.
Baby, não faz assim. Eu nem sei o porquê de você se estressar com a situação. Desde quando você se importa com Matheus?
– Desde quando eu preciso ser amiga de alguém para ficar incomodada contra essa babaquice e homofobia que vocês estavam fazendo? E ele é meu amigo. Assim como .
– Ah, eu vi a grande amizade nos stories da . Bela dupla de bregafunk, né? – fuzilou o homem com o olhar.
– Você pare com essa pré-crise de ciúmes que nem motivos para isso tem. E isso não é motivo para você ser conivente com essa perseguição que Oliver faz com Matheus, e não é de hoje isso. Já ouviu falar que, quando você é conivente com a opressão, você está do lado do opressor?

– Não tem , Thiago. Só quero ir pra casa, me deixe.
puxou seu braço e desceu as escadas o mais rápido que podia, antes que alguém visse as lágrimas inconvenientes que molhavam-lhe a face. A menor limpou o rosto com a palma da mão e, por sorte, chegou ao ponto de ônibus na hora em que o seu passava. Subiu apressada e nem percebeu que , que estava na porta do estacionamento esperando ter passagem para sair com o carro, assistia toda a cena.

🏀

O corpo de fervia. Ele odiava quando aquelas coisas aconteciam com seu melhor amigo.
Os dois se conheciam desde o ensino fundamental, cresceram juntos e eram como irmãos. Matheus o ajudou no pior período de sua vida, assim como ele foi o braço direito do amigo quando ele resolveu assumir-se para a família e seus avós o rejeitaram. Mas Matheus era sortudo porque tinha pais incríveis que aceitavam e tinha ao seu lado.
era como se fosse seu irmão mais velho. Desde que Matheus lembrava, não tinha um momento em que o basqueteiro não o protegesse, inclusive em brigas. Eles eram assim.
– Não tinha necessidade de falar daquele jeito com . Ela tava desesperada, você viu?
– Não. – Foi ríspido e bateu a porta do carro, dando um soco no volante.
– Pare com isso, visse? E trate de se recompor. A gente já sabia que, mais cedo ou mais tarde, essa trupe da engenharia ia aprontar.
– Bando de filha da puta, isso sim. Comigo, não botam banca, né? Bando de frou…
– Já conversamos sobre essas palavras.
– Desculpa, tá? Eu to puto! Muito. Que desgrama. Por que eles têm de estar perseguindo os outros? – Matheus deu de ombros e ligou o carro, dirigindo para o portão de saída da universidade que ficava ao lado da parada de ônibus.
detestava aquilo, atrapalhava toda a saída.
– É ali? – Matheus perguntou ao ver a menina limpar o rosto desajeitadamente com a palma da mão enquanto tentava segurar seu Vade Mecum e a bolsa com o outro braço.
– É…
– Ela tá… – Antes que pudesse continuar, fez sinal e entrou rapidamente no ônibus que parava no ponto. – Chorando. Merda, ! – Socou o ombro do melhor amigo. – Menos de três dias e você já fez a menina chorar.
balançou a cabeça negativamente e arrancou com o carro, cortando o outro ônibus que iria parar na parada. Deixou Matheus na porta de casa e seguiu o caminho até a sua. Assim que o portão da sua garagem abriu, estacionou perfeitamente e entrou sem trocar palavras e muito menos olhares com sua mãe, que assistia televisão na sala. Bateu a porta do quarto e jogou-se na cama.
– Cambada de filha da puta. – Reclamou sozinho e colocou seus airpods, aumentou no máximo e deixou Fall Out Boy levar seus pensamentos para longe.
levantou da cama, tirou a camisa e sentou na sua cadeira de estudos. Ele precisava ficar calmo consigo mesmo antes de ver o que faria para desculpar-se com . Matheus estava certo, ele tinha sido duro demais. pegou o seu caderno de desenhos e começou a rabiscar.
Nem viu o tempo passar, muito menos sentiu fome. Pegou o celular para ver as horas e sorriu com o nome que estava na notificação de mensagem. Era .

“‘Quando quatro fascistas estão reunidos em uma mesa de bar e você não se levanta, você acaba sendo um deles.’ Fique bem, . Desculpe também. 😕”

leu a mensagem inúmeras vezes e não sabia o que responder. Era ele quem tinha alterado-se e falado coisas ruins, o único erro dela era estar com Thiago e só.
Ele era o errado, mas ela quem estava pedindo desculpas.
respondeu um “ok” e arrependeu-se pelo resto da noite por aquela resposta.


Capítulo 4

🏐


amarrou o tênis e seguiu para a quadra de basquete da universidade Athenas. Ia ser o primeiro treino da Lobos do Direito e não tinha a mínima ideia sobre aparecer, não depois do “Ok.” que recebeu por mensagem no dia anterior. A mulher entrou na quadra e os meninos faziam uma rodinha ao redor de Thomas Cardoso, seu amigo e diretor geral de esportes.
– E aí, baixinha? – Cumprimentou o loiro, fazendo a menina sorrir. – Me diz, você arranjou nosso Troy Bolton? – riu pela referência mas balançou a cabeça negativamente, fazendo Thomas deixar os ombros caírem.
– Oi, meninos! – Dirigiu-se ao restante do time – Hoje é o primeiro treino de vocês e eu realmente queria ter a boa notícia de que arranjamos um armador, mas ainda tô na busca. Vamos treinar com o que temos, certo? Não só eu, mas o Thomas, Ícaro, assim como o restante da diretoria da Lobos, acreditamos muito no potencial de cada um aqui. E a gente vai seguindo como podemos, ok?
– É isso, gente! Presida já falou. Vamos aquecer?
– Caralho… – Daniel, o pivô do time, sussurrou e fez todo mundo seguir seu olhar.
sorriu ao ver o homem de 1,87 entrar em quadra, usando uma camisa roxa dos Lakers, número 23, com uma bolsa preta da Nike nos ombros, meias brancas e um Jordan Mars 270. tinha ido ao treino.
Você conseguiu. – Thomas sussurrou animado antes de entrar na rodinha.
– Oi, galera. Espero não ter chegado muito atrasado. – disse ao tirar a bolsa dos ombros. – Oi, madame. – Estendeu para a menor, que segurou.
– O famoso . – Ícaro brincou e bateu na mão do jogador.
– Velhos tempos, hein? – Perguntou ao lembrar da época em que os dois jogaram juntos pela mesma escola nos Jogos Estudantis Brasileiros.
– Sempre! E pelos velhos tempos, eu deixo hoje comandares o treino. – riu e bateu as mãos, tendo a atenção dos outros jogadores para si.
não sabia como, mas tinha um talento nato para aquilo.
Com o auxílio de Ícaro, que também jogava basquete desde criança, comandou o treino com maestria, nem parecia que eles eram a única atlética que não tinha treinador específico de Basquete e nem um armador. Logo após, eles começaram a disputar um 3x3 e ficou impressionada com a facilidade que tinha para arremessar de três.
– E lá vai ele! – Ícaro gritou, rindo, enquanto fazia um Dunk com excelência.
The boys are back. brincou ao comemorar com o amigo.
O treino seguiu melhor do que todos esperavam. encaixou o time perfeitamente, era leve, parecia que jogavam juntos por anos. era a peça que faltava para o time do Lobos do Direito funcionar. sorriu verdadeiramente e bateu palmas quando Ícaro terminou o treino, despediu-se dos atletas um por um, até que restou somente Ícaro e conversando no meio da quadra.
– Ei! Tô indo já. – Nunes disse e piscou em direção ao amigo.
– Você me dá uma carona? Não vai rolar vôlei hoje. – pediu, mas Ícaro coçou a cabeça como se uma negativa estivesse em sua mente.
, hoje não vai dar… – Negou meio sem jeito. – Mas o pode! – Afirmou e o menino o encarou, tentando esconder um sorriso, mas falhou com excelência, deixando sem graça em retrucar. – Tchau, queridos. Amanhã a gente se vê.
– Não precisa me dar carona, . – usou o apelido do jogador. – Eu vou de ônibus mesmo, a parada é aqui perto.
– Não, , por favor. – Levantou-se rápido e ficou frente a frente com a menor.
sorriu e colocou um cachinho atrás da orelha da menina, que insistia em ficar fora do rabo de cavalo.
– Eu precisava falar com você e pedir desculpa pelo meu comportamento ontem. Acabei descontando minha raiva em você e foi totalmente errado, eu nem sabia que você namorava o Thiago então… – balançou a cabeça negativamente e o menino parou de falar.
– Eu não namoro o Thiago e também é compreensível que tenhas ficado com raiva de toda aquela situação, eu também fiquei. Não gosto daqueles caras com quem o Thiago anda, e talvez seja um dos motivos pelos quais a gente esteja brigando cada vez mais. É complicado, sabe? Mas acho que não é um assunto pra tratar aqui, no meio da quadra. – Os dois riram. – Você quer sair pra comer alguma coisa e, depois, me dar uma carona até em casa? – perguntou, rezando internamente para que aceitasse.
– Ainda bem que você quer ir comer, estou morrendo de fome. Vou te levar no lugar que mais gosto de comer depois que eu jogo. Pretendo ir lá muitas vezes, hm... Depois de treinar aqui. – Disse e piscou, fazendo sorrir.
Os dois foram juntos para o estacionamento até o carro de e estavam tão imersos na conversa e risadas que nem perceberam que Thiago os observava de longe. Ele teve aula de mecânica dos fluidos até mais tarde e ia aproveitar para ver se ainda estava na quadra. Thiago sentiu seu corpo encher de raiva mas respirou fundo, sabia que não tinha nada sério com a menina e ela não iria trocá-lo por . Não mesmo. Vieira ligou o carro e ligou para a negra.
– Seu celular tá tocando! – avisou , que pegou o aparelho, olhou o número que estava brilhando na tela e bloqueou o celular, guardando-o novamente. – Não vai atender?
– Mais tarde! – respondeu e preferiu não prolongar o assunto. – Duvido você ter alguma música boa aí nessa playlist.
– Minha filha? – Perguntou, fingindo deboche. – Eu sou o rei das melhores playlists. – riu e colocou o cinto ao mesmo tempo em que ligava o carro. – Coloquei no aleatório e vou passar essa que já tá aqui, a que tocar vai ser a nossa música.
– Nossa música? – perguntou com a sobrancelha arqueada.
– Sim, besta. A música que tocar agora vai me lembrar de você descobrindo que eu sou realmente o rei das playlists.
– Então me dá o celular e deixa que eu passo, pra você não ter tempo de escolher outra. – gargalhou e deu o celular para a menina, saindo perfeitamente da vaga onde o carro estava estacionado.
passou para a próxima música e não conseguiu tirar os olhos de dirigindo enquanto os acordes de Best Part, do Daniel Caesar com H.E.R., invadiam o carro. sorriu de canto e encarou-a pelo retrovisor do carro, percebendo que a menina também encarava-o de volta.

I just wanna see how beautiful you are, you know that I see it


Capítulo 5

🏐


Os dias na Universidade Athena de Boa Viagem estavam corridos. Os treinos de vôlei e as demandas da Lobos estavam ocupando uma parte do tempo da negra, tempo esse em que ela gostaria de estar dedicando-se, ainda mais, às matérias do curso. Mas ela adorava o que fazia pela Atlética. achava o desporto universitário fundamental na vida acadêmica dos alunos e ajudava principalmente na saúde mental. Era importante que eles tivessem esse tempo e espaço para respirar e praticar atividades físicas, a faculdade podia ser exaustante na maioria das vezes.
também tinha que dar conta dos estudos. A negra sempre lembrava que precisava manter sua média geral no conceito excelente porque não podia correr nenhum risco de ter sua bolsa perdida, mesmo sendo quase impossível, já que tinha um currículo acadêmico incrível. Mas sua memória fotográfica não dava conta de fazer tudo, então ela precisava dedicar-se. O sétimo semestre do curso de Direito estava ficando cada vez mais difícil com algumas matérias que estavam tirando o sono de . Por sorte, a negra era boa em quase tudo, mas Direito Financeiro tirava seu sono.
Como naquela manhã, onde tinha dormido quando o relógio bateu às quatro da madrugada e acordou pontualmente às seis e meia.
, mesmo a contra gosto, se arrumou e, por sorte, conseguiu uma carona com sua mãe, que trabalhava como contadora em um escritório na cidade vizinha. Dona Rosa saía pontualmente às sete e dez e voltava sempre às sete da noite.
– Obrigada, mãe! - Agradeceu antes de pular para fora do carro na porta da universidade.
Graças à carona, tinha chegado um pouco mais cedo e daria tempo de dormir mais um tempo no cafofo dos Lobos.
sentia falta de dormir.

🏀


nunca fez questão de chegar no horário certo das aulas. nunca gostou do curso, para falar a verdade. Ainda continuava por pressão dos pais, juízes em Recife, e porque já tinha aguentado tempo demais para desistir faltando apenas um ano e meio para a formatura. iria formar-se na força do ódio.
Mas desde que começou a estudar com havia duas semanas, tinha começado a achar que estudar Direito não era tão ruim assim, tal como a ideia de fazer parte de uma atlética já não era ridícula. sentia falta de jogar basquete regularmente, e treinar duas vezes por semana estava fazendo muito bem para ele. Ele também tinha começado a chegar pontualmente nas aulas. gostava de encontrar a menina no corredor de manhã cedo e fazer alguma piada sem graça só para fazê-la revirar os olhos e rir em seguida.
achava incrivelmente lindo quando gargalhava.
O basqueteiro entrou na universidade e estranhou quando não encontrou a negra no lugar de sempre, mexendo no telefone como se estivesse resolvendo algum problema enquanto escutava algum som pop nos fones. Se tivesse um defeito, o defeito era ser fã de boybands de 2010 tipo One Direction.
– Ei, Ícaro! - Chamou o amigo que era da mesma sala que .
– E aí, mano! O que tá pegando?
– Viste ? Ela ainda não chegou. - Ícaro o encarou e deu um sorriso de canto.
– Ela tá no cafofo. Acho que ela não dormiu essa madrugada.
– Ela tava com Thiago? - perguntou e, sem perceber, seu rosto se fechou em uma careta.
– O amigo riu.
– Com certeza, - O rosto de fechou ainda mais - não. Ela deve ter passado a noite toda estudando. Vai lá com ela.
– Não fica trancado? - Perguntou, mas Ícaro já estava balançando uma pequena chave em sua direção. - Você é o cara.
Ícaro riu e desapareceu da sua frente.
Mas ao chegar na porta do cafofo, escutou uma voz que não era de . E estranhou escutar o que parecia ser uma pequena discussão.
abriu a porta de supetão e não ficou nada contente quando viu sentada no sofá com as mãos na cabeça e Thiago à sua frente, falando com a negra com voz elevada.
– E se eu estiver? - vociferou - Nós não somos namorados, Thiago.
, tá tudo bem? - perguntou tentando não transparecer o quão feliz ficou em escutar o que tinha respondido para o projeto de engenheiro que estava ali, encarando atônito.

🏐


adorava o cafofo da Lobos principalmente porque, ali, ela tinha um lugar especial para dormir. Era um sofá muito confortável que a mãe de Amanda Soares havia doado para a atlética depois de terem derrubado bebida vermelha durante uma das “resenhas” que a filha promovia em sua casa. Ah, como adorava a burguesia de Boa Viagem, eles sempre gastavam dinheiro com tudo e acabavam doando suas coisas praticamente novas. tirou seu tênis, ajeitou-se confortavelmente no sofá que mais parecia uma cama e adormeceu, esquecendo que não tinha trancado a porta.
Se tinha algo que odiava mais do que um homem marxista metido a palestrinha, era ser acordada de forma rude. Ser acordada aos gritos ou de qualquer forma que não fosse por seu despertador ou gentilmente, tinha gatilhos de um dia da sua infância que queria esquecer e que anos de terapia ainda não a tinham ajudado a superar. E naquela manhã, em seu minidescanso naquela sala, foi assim que a negra foi acordada.
– Meu Deus do céu. - Reclamou quando escutou batidas ensurdecedoras na porta que fizeram seu coração disparar.
Antes que pudesse gritar avisando que poderia entrar, a porta abriu e foi fechada fortemente em seguida, revelando Thiago, com aparência de que mal tinha dormido, cabelos bagunçados, na frente de . coçou seus olhos e sentou no sofá, de frente para o futuro engenheiro.
– Você bebeu ou se drogou? Porque não tem….
– Para de graça, né. - Reclamou o homem.
– Qual o seu problema, porra? O que tu tens na cabeça que acha que tem o direito de sair batendo na porta assim e acordando os outros?
– Eu não sabia que estavas dormindo e nem tinha como, né? Já que você não atende minhas ligações.
– Sem drama, Thiago. Eu passei o dia ontem estudando, nem tive tempo de pegar no celular, tenho um monte de coisa pra fazer. Antes você nem se importava se eu atendia ou não suas ligações, qual o problema agora? Sempre deixamos claro que não éramos namorados e eu não tô entendendo o porquê de tanta neura agora.
– Não tá entendendo? Meu problema é ser feito de palhaço. E eu não vou ser feito de palhaço, .
– Palhaço? Do que você está falando? Eu só fico contigo.
– Pois já duvido muito dessa sua tal fidelidade e respeito com o que temos. apareceu e você começou a sumir…
? - perguntou, já estressada.
A negra não estava entendendo o porquê daquele surto, ainda mais de manhã cedo. Thiago com certeza deveria ter usado alguma droga ou bebido demais pela madrugada, porque só aquilo explicaria o show de horrores que estava acontecendo. nunca tinha tido problemas em relação ao que tinha com Thiago justamente porque eles sempre deixavam claro um para o outro o que esperavam da relação que tinham, e namoro sério não era uma das coisas. não tinha nem tempo para aquilo. só queria uma relação leve e tranquila, onde pudesse sentir prazer também mas, de um tempo para lá, leveza, tranquilidade e prazer eram coisas que não estavam nem perto de sentir com Thiago.
– Você está gostando dele, . - Thiago disse como se fosse óbvio, revirou os olhos e encarou-o, completamente irritada.
– E se eu estiver? – Vociferou. - Nós não somos namorados, Thiago.
, tá tudo bem? - A voz grave de , que conseguia ser envolventemente sombria e solene, o chamado de voz baixo profundo, preencheu a sala, fazendo com que respirasse de alívio e, de certa forma, sentisse mais segurança. - Você precisa de alguma coisa? - perguntou, tocando no ombro da negra, fazendo-a arrepiar.
suspendeu os ombros rapidamente por conta do toque do jogador de basquete, fazendo com que Thiago olhasse a cena ainda sem acreditar no que estava presenciando. Era mais do que nítido a tensão entre e , mas o rapaz não iria dar o braço a torcer. Seu ego era gigantesco.
– Não tá vendo que estamos ocupados, não? - Thiago perguntou, rude.
. - disse, reunindo todas as suas forças para não começar a brigar com Vieira.
Mas o estudante de engenharia fez algo que detestava. Aumentou o tom de voz e colocou a mão no braço do basqueteiro, na tentativa falha de afastá-lo da negra, que permanecia sentada, tentando entender como tinham chegado naquela situação.
– Eu tô te avisando, cara.
– Tá me avisando do que, brother? - o encarou, tirando a mão de Thiago que ainda estava em cima do seu braço.
, - , finalmente chamou-o pelo apelido, fazendo com que o homem o olhasse rapidamente. - A gente tem que ir agora, né?
– Temos. - Respondeu, estendendo a mão para que ela se levantasse do sofá.
– Ainda não terminamos de conversar, .
– Terminamos sim, Thiago. Essa conversa já terminou. - Avisou e levantou, aceitando a ajuda do basqueteiro, saindo da sala e deixando Vieira sozinho no Cafofo dos Lobos.

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respirava fundo de raiva. também estava de saco cheio de Thiago, mas não queria deixar transparecer para a negra, ela já tinha problemas demais para lidar com a desavença de dois marmanjos, não era algo com o que ela deveria desgastar-se.
– A aula já deve ter começado. - reclamou e riu baixo pela irritação da menor. – Não era somente por conta de Thiago, mas sim por estar perdendo o primeiro período de aula.
sendo .
– O que foi?
– Tu estás toda nervosa por causa de uma aula, é?
– Claro! - Levantou a voz, fazendo o basqueteiro rir novamente pela tom de indignação. - Eu não falto aula, visse?
– Vai faltar hoje. - respondeu e o olhou, balançando a cabeça negativamente mas com um sorriso nos labios. - Já se estressou demais para ter mais um estresse com um monte de aula chata que, com certeza, tu sabes mais que metade da turma. - encarou com a sobrancelha arqueada e o sorriso ainda estava ali. - Que foi, madame? Menti?
– Para onde você vai me levar, hein?
– Surpresa.
ficou surpreso e, ao mesmo tempo, feliz por não ter negado seu convite. Muito pelo contrário, a negra passou seu braço pelo do jogador e os dois saíram juntos em direção ao estacionamento.
não sabia o que esperar daquele dia e nem de um passeio com , mas ela estava sentindo-se bem como há tempos não se sentia. se sentia confortável na presença de . E ela não sabia como aquilo tinha acontecido.


Capítulo 6

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não fazia a mínima ideia de onde iria levá-la, mas estava animada. Ela não sabia o motivo, mas sentia em seu coração, e seu corpo correspondia da mesma forma, que estava segura ao lado de . A negra cada vez mais gostava de conhecer e perguntava-se, de vez em quando, o porquê dos dois demorarem tanto para começarem a falar um com o outro.
Os dois entraram no carro e, assim que deu partida no motor, o som ligou automaticamente.
– Gosto dessa. – disse e deu-se a liberdade de aumentar o som enquanto o basqueteiro acelerava para fora da Universidade Athena.
– Madame escuta Djonga, hein?
– Me respeite, homem! – Respondeu, rindo em seguida. – Essa tem significado especial.

“Vó, como cê conseguiu criar 3 mulheres sozinha
Na época que mulher não valia nada?
Menina na cidade grande, no susto viúva
E daquela cor que só serve pra ser abusada”

não percebeu mas, enquanto cantava junto com o rapper e o vento batia em seus cabelos cacheados, seus olhos estavam cheios de lágrimas. talvez nunca fosse entender o peso e importância daquela música e até mesmo do artista para , mas respeitou o momento. Ele a achava ainda mais bonita daquela forma, queria poder desenhá-la. Da sua forma mais verdadeira.
– Pra hoje falar com orgulho que essa família não tem vagabundo. – Sussurrou e sentiu seu rosto molhado. – Meu pai já foi preso. E isso ainda é meio complicado, sabe?
– Eu nem consigo imaginar. – Foi sincero.
E ele nem podia mesmo. tinha mais privilégios do que poderia contar, além de sua mãe ser a melhor juíza e seu pai o melhor advogado de Pernambuco e, se duvidar, uns dos melhores do Nordeste e Brasil. Por conta da profissão dos dois, quase nem tinha contato com ambos.
– Ele foi inocentado. Eu tinha nove anos na época e tudo foi bem traumatizante, sabe? Os jornalistas na porta de casa, meu pai sendo levado algemado pela polícia. Minha mãe ficou maluca, quase não via ela. Tive que mudar para casa da minha avó no Pará. E fiquei lá até uns 15 anos.
– Ele foi preso por conta do quê, ? Se não quiser falar, tudo bem…
– Meu pai era dono de uma transportadora de carros internacionais no Rio. A gente tinha muito dinheiro, vivíamos bem até demais até que, um dia, o sócio dele cometeu estelionato e outros crimes, e tudo acabou caindo no colo do meu pai. Sabe como funciona, né? Homem preto rico ainda é homem preto. É mais fácil de acusar, de tudo. Aí ele passou quatro anos preso e a gente nunca mais voltou pro Rio. Eles se mudaram pro Pará quando meu pai foi libertado e o dinheiro que sobrou depois de toda a briga para provar a inocência dele, meus pais usaram para bancar meus estudos e nossa vida lá. O custo de vida no Norte é caro demais e eu nem imaginava até mudar pra cá. Eu consegui uma bolsa e minha mãe conseguiu um emprego como contadora numa empresa no Recife, papai nunca mais conseguiu reestruturar a empresa e, hoje em dia, é segurança e motorista de político no Recife. Vejo ele somente aos finais de semana, que é quando ele vem para Boa Viagem.
não sabia o que falar. Sabia que nada do que falasse poderia confortar a menina, porque ela mesma já tinha feito isso desde sempre. Sabia que nunca ia entender o que tinha passado. Mas sabia de uma coisa: que ele admirava ainda mais. Ele já considerava-a muito inteligente por conta da faculdade e de tudo o que fazia, mas saber daquela parte da história da negra deixava as coisas ainda mais admiráveis.
– Por isso a escolha do curso? – Resolveu perguntar.
– Sim! – Respondeu animada. – Não que eu acredite que todas as coisas do mundo possam ser resolvidas pelo Direito, porque isso é utopia, né? Mas eu ainda acredito que posso fazer algo pelos meus, sabe?
– E isso é incrível. Certeza de que vais. – Elogiou com verdade e sorriu para a mulher, que colocou um cacho insistente que caía sobre seu rosto atrás da orelha.
continuou a cantarolar as músicas da playlist de e o basqueteiro se sentiu confortável o suficiente para cantar junto. Meu Corre do Djonga saía pelos alto-falantes do carro enquanto os dois se divertiam, tentando cantar certinho sem errar nenhuma rima. E continuaram assim durante o caminho, até que entrou em uma rua onde, ao fim dela, já conseguia enxergar o mar. A beleza que era morar no litoral nordestino.
– Espero que goste de praia, madame.
Meu filho? Eu sou apaixonada por praia. Quase não tenho tempo de vir nas daqui de Boa Viagem…
– Pois agora tem um companheiro oficial para pegar praia. – sorriu e gargalhou, batendo palmas em comemoração.
Com Djonga cantando Tipo, estacionou o seu Honda Civic Si 2020 perfeitamente na última rua antes da praia.
– Você trocou de carro, foi, moço? – perguntou ao descer, percebendo que aquele não era o mesmo que tinha usado para ir ao Bar do George.
– Não, – Respondeu, coçando a cabeça, envergonhado. – esse eu ganhei do meu pai.
gargalhou ao dar-se conta de que o mais velho estava envergonhado. A negra fez carinho em seu braço e disse:
– Não se sinta mal por ter dinheiro. O lado bom é que agora eu tenho um motorista particular.
gargalhou e bagunçou os cabelos negros cacheados de .
– Às ordens, madame.
Lembro que eu te conheci numa data qualquer mas logo percebi que não era uma gata qualquer

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adorava escutar gargalhar e nem ele sabia o motivo. Sempre foi chato, não gostava de gente barulhenta, mas a risada de era diferente. Era confortável, contagiante. gostava de fazê-la rir.
– Tens um kit praia no carro, é?
– Eu tenho um kit maconha também, quer? – Perguntou e arregalou os olhos, botando a mão no rosto.
– Como você sabe?
– Meu Deus! Joguei verde e colhi completamente maduro. – riu e deu dois soquinhos no ombro de . – O que? Tu que és a maconheira e eu que apanho?
Os dois riram e caminharam juntos em direção a uma parte mais distante da praia. carregava uma caixinha de som, óculos de sol e uma pochete.
– Tu nem tem cara de quem gosta de praia. – provocou assim que sentaram na areia.
, seu motorista particular está se retirando. – Brincou, rindo em seguida. – Além de cara de playboy, eu tenho cara de quê?
– Até que tu tens uma cara bonita, visse? – riu, colocando a mão no peito como se agradecesse pelo elogio.
Ambos estavam confortáveis por estarem ali. Conforto era algo que tanto quanto não sentiam perto de outras pessoas já havia bastante tempo. não sabia o porquê de ainda estar levando as coisas com Thiago e já estava cansado de todas as suas transas casuais. Ele não tinha um círculo de amizades muito grande e sentia-se solitário muitas vezes. Ele já estava acostumado com a solitude de ser filho dos pais que tinha, de ser filho único mas, quando estava com , as coisas mudavam.

“I know how much it matters to you, I know that you got daddy issues”.

tirou a camisa, deixando seus pertences sobre ela, puxou um maço de Carlton Cereja e acendeu um cigarro enquanto prendia os cabelos em forma de afropuff e cantava Daddy Issues com um inglês afiado.
– Essa tem um significado. – se permitiu revelar, mesmo não tendo completa certeza de que poderia ser honesto com a menina, pois eles se conheciam havia pouco mais de duas semanas. – Eu tenho cara de quem tem Daddy Issues? – Perguntou após tragar o cigarro.
– Não. Mas és um homem preto, né? Difícil não ter Family Issues. Parece que as coisas, pra gente, são difíceis até aí. – riu, pegando o cigarro da mão do basqueteiro.
– Sabia que, até pouco tempo atrás, eu não me identificava como um? Ainda é difícil. Minha mãe é branca, minha… – Parou de falar por uns segundos mas logo voltou. – Meu pai não é retinto, e eu fui criado em meio branco. Escola particular desde a creche. Quando morávamos em Jaboatão dos Guararapes, era em Candeias, em frente à praia. Viagem em família era quase sempre internacional. Eu era sempre chamado de moreno, ou era o “até que tu não é tão preto assim”.
– Essa é clássica. – balançou a cabeça concordando, dando mais um trago e entregando o cigarro para a negra em seguida.
– Eu nunca fui parado pela polícia, nem saberia reagir se fosse. Nem ia saber identificar se fossem racistas comigo até um tempo atrás, sabe? Então esse bagulho ainda é novo pra mim.
– É dolorido quando a gente se dá conta do que é. – Bateu o cigarro e colocou a bituca apagada ao lado da caixinha de som. – Mas a gente fica bem no final das contas, preto. A gente se ajuda.
sorriu com a forma carinhosa que o chamou. Ele realmente era um homem preto que estava descobrindo aos 21 anos o que era ser preto. A vida não ia ser para sempre a bolha na qual ele tinha crescido e, mesmo que parecesse assustador certas vezes, ele teria com quem contar.
tomou a liberdade de deitar no colo do homem e sentiu coisas que não entendia. Era muita coisa nova para administrar. E morrendo de vontade de beijar a mulher, optou por acender mais um do seu cigarro preferido. não queria pular etapa nenhuma com . Com ela, ele não queria errar.
– VamoS tomar banho? – perguntou tal qual uma criança e concordou.
levantou rapidamente e começou a tirar peça por peça de roupa, ficando apenas de calcinha e sutiã. Agradeceu internamente por, naquele dia, estar usando um sutiã, já que a peça não era comum no seu guarda-roupa.
Apostaram corrida em direção ao mar e, quando a água gelada encontrou o corpo de ao mesmo tempo em que a abraçou, levando-a para o fundo em seguida, desejou beijá-lo. Mas não o fez. E não tinha ideia se um dia iria fazer.

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Os dois saíram da praia do Céu quando o relógio marcava uma da tarde. Ninguém percebeu o tempo passar, passaram o dia dividindo histórias e cigarro, água de coco e pequenas caminhadas na areia.
– Vai ser muito abuso se eu te pedir pra gente ir comer? – perguntou e riu, tirando com maestria o carro da vaga em que estava estacionado.
– Eu tô cheio de fome. – E antes que pudesse continuar, o celular de começou a tocar, era .
– Oi, amor. – fechou a cara assim que escutou. – Não fui para aula hoje. Onde? – Olhou para . – Vou perguntar para . Não, parou! Depois te conto, espera na linha. – Tentou sussurrar mas não conseguiu, respirou aliviado ao perceber que ela deveria estar falando com . – , a gente pode ir almoçar com no Querubim?
– Claro!
– Amiga, estamos indo para lá. Tens uma blusa extra ai? Tá, serve. Valeu!
– Blusa extra, é? – perguntou ao digitar rapidamente no telefone.
– Presta atenção no trânsito, zé graça. – Repreendeu o mais velho, fazendo-o rir. – Não posso ir ao restaurante só de sutiã, né?
– Por mim, pode tranquilo. – Brincou e gargalhou.
conseguiu uma vaga bem na frente do restaurante e os dois ficaram esperando dentro do carro, com as janelas e teto solar abertos, chegar junto de Matheus Petrone, melhor amigo de . Mas antes que pudessem chegar, de longe, reconheceu as peças que estavam caminhando em direção ao restaurante que ficava a poucos metros do campus de Athenas. Oliver e companhia, incluindo Thiago.
praguejou e seguiu seu olhar. Não existia ninguém naquela Universidade que tirava tanto do sério quanto Oliver Novaes. Oliver era filho de vereador no Recife, os pais de conheciam bem a índole da família Novaes assim como todo mundo. Corrupção e lavagem de dinheiro eram normais. E o único herdeiro da família seguia o mesmo caminho, escolhas políticas duvidosas, machista e homofóbico. Tudo o que detestava e também.
– Não é sua namoradinha ali? – Oliver perguntou alto, aproximando-se do carro.
– Esse desgraçado vai ver só uma coisa. – colocou a mão na coxa do basqueteiro como um sinal para que ele se acalmasse.
– Acho que ela tá um pouco ocupada, cara. – Disse para Thiago, que fuzilou os dois com o olhar ao perceber que estava usando apenas uma saia e sutiã.
O homem entrou no restaurante ignorando todo o caos que estava por vir.
– Você não vai tirar ela daí, não? – Debochou, olhando para o restaurante, ficando de costas para o carro, e aquilo foi o bastante para que saísse do carro.
– Quer apanhar de novo, é, macho? – gritou antes mesmo de chegar na calçada.
Oliver virou rapidamente e, antes que pudesse tomar qualquer atitude, e Matheus chegaram.
– Ei, ei, ei! – e Matheus gritaram, Petrone ficou ao lado do amigo, segurando-o pelo braço.
Oliver, ao perceber que, naquele momento, não ia poder fazer nada contra ele, gargalhou, levantou as duas mãos debochadamente em forma de redenção e entrou no restaurante, acompanhado dos outros dois babacas que seguiam-lhe.
– Mas que desgrama que vocês nunca me deixam quebrar a cara desse merda. – Reclamou, fazendo Petrone, e rirem. – Era só um soco, meu Deus.
– Oliver tá merecendo tem tempo, mas não aqui. – disse e se apoiou na janela do carro, encarando a menina.
– Se eu bater nele, tu faz minha defesa, visse?
Faço, preto, faço. – Respondeu, apertando a mão do basqueteiro.
e Matheus se encararam e sorriram cúmplices, os dois sabiam que o que estava rolando entre os dois só estava começando. E e mal sabiam que, se dependesse dos melhores amigos, não iria terminar tão cedo.


Capítulo 7

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A última reunião da Atlética Lobos do Direito, havia uma semana, tinha terminado quase às onze da noite. Mas sabia que poderia ficar tranquila porque Amanda Soares, rainha das festas em Boa Viagem, já tinha planejado tudo. E ninguém duvidava que uma festa assinada por Amanda daria certo. O Covil iria acontecer naquela noite no Toca Bar, um salão de um casarão antigo que, depois de reformado, tinha virado point de festas, e a Universidade inteira só falava daquele evento.
Menos .
O basqueteiro estudava duas vezes por semana com e, sempre que ela conseguia almoçar em horário normal, os dois iam para o restaurante universitário juntos mas, em nenhum daqueles momentos, o homem havia citado a festa que a Atlética estava promovendo. Com toda certeza, ele não iria e não conseguia não ficar triste. Ela queria que ele fosse.
– Hora do treino. – avisou para o basqueteiro, que copiava as últimas anotações da aula de Direito Civil. – Podes levar minhas coisas para a quadra? O teu começa um pouco depois do meu.
– Relaxe, madame. Vá dar seus saques. – Brincou e sorriu, agradecida, pegando a bolsa e saindo apressada da biblioteca.
Desceu as escadas praticamente correndo, mas parou quando Thiago ficou na sua frente. Os dois estavam afastados desde o dia da briga no Cafofo dos Lobos, e tudo piorou com a situação que Oliver criou na frente do restaurante. Naquele dia, o clima estava tão pesado dentro do Querubim que nem deu conta de terminar seu almoço. E ela detestava estragar comida.
– A gente pode conversar?
– Agora? – perguntou, olhando para o relógio do celular. – Não é nada contigo, é que tenho treino agora, visse?
– Vou te buscar para O Covil então.
– Eu preciso chegar lá às 18:30.
– Às dezoito estou na porta da sua casa.
– Tudo bem. – respondeu e deu as costas para Vieira.
A negra chegou na quadra e respirou aliviada quando percebeu que o treinador ainda não havia chegado. Trocou de roupa, calçou seu tênis, prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo rapidamente no vestiário e, quando voltou, as meninas já estavam sentadas em círculo.
– Oi! – Cumprimentou todas e colocou a cabeça no ombro de Anna Ferraz, a ponteira oficial do time e diretora de vôlei.
– Cansada, amiga?
– Muita coisa para processar. – Cochichou e a amiga sorriu, apontando discretamente para o homem de 1,87m que estava andando pela arquibancada, fazendo parecer que carregar uma mochila, dois Vade Mecum, caderno e agenda fossem fáceis.
– Acho que o muita coisa tem nome, sobrenome e é muito bonito, hein?
sentiu seu rosto queimar, deu uma leve cotovelada na amiga, fazendo-a rir, e acenou em direção ao basqueteiro, que já trocava de tênis.
– Boa tarde, meninas! Desculpem aí o atraso, mas sem moleza hoje. Formem duplas, aqueçam e, depois, vamos fazer dois sets.
– Vamo! – Anna ajudou a levantar e as duas começaram a correr em volta da quadra. – Ele tá olhando para você.
E pelo canto de olho, confirmou que realmente estava encarando-a. Meu Deus, era para ele ir pro O Covil hoje; pensou a menina. sabia que ela, com um pouco de álcool na cabeça e encorajada pelas amigas, era capaz de chegar nele. E já fazia um tempo que ela estava querendo aquilo. Só não sabia se ele também queria.
balançou a cabeça negativamente como uma forma de espantar aqueles pensamentos e focou no treino. Depois da corrida, o time feminino de vôlei de Lobos aqueceu as técnicas principais, passe, levantamento e ataque. era líbero, excelente em defesa, passe e até em levantamento. Mas no ataque, ela nunca conseguia encaixar certo e, no bloqueio, sentia-se ainda menor. Detestava.
– Primeiro set! – O técnico avisou. – , hoje, você vai trocar de lugar com Anna.
– O quê? – Praticamente gritou com os olhos arregalados. – Ah, não, Fernando, bloquear e atacar?
– Sem choro. Bora. – Bateu palmas num sinal de que não queria escutar mais reclamação, e assim seguiu.
O nome de era o que mais Fernando gritava em quadra. Os ataques de estavam todos indo para a rede ou fora, e ela não conseguia chegar a tempo no bloqueio.
Porra! – Gritou quando atacou a bola com raiva, fazendo com que fosse para a arquibancada, nas mãos de .
– Vai pegar! – Anna gritou e a fuzilou com o olhar.
A loira já estava de saco cheio de ficar como líbero. Ela era alta e não tinha a mesma agilidade para defender e cair como .
As duas odiavam quando Fernando inventava as trocas de posições, mas sabiam que era necessário para que o time tivesse o mínimo de consciência do que fazer em cada posição caso ocorresse algum imprevisto.
Madame, foi até a beirada que separava a quadra da arquibancada – estás batendo com a mão muito aberta. – Segurou a bola. – Isso é bom só no basquete. Fecha um pouco mais, deixa o pulso para baixo rápido. – Demonstrou colocando a bola nas mãos da mulher. – Isso vai fazer a bola girar para frente e ficar direcionada para o chão.
– Tá bom de namoro, viu, ? – Fernando gritou, fazendo as meninas rirem.
– A força tá ótima. Se eu não fosse ágil com as mãos, ia perder a cabeça. – sorriu, balançando a cabeça negativamente. – E tu que pensou besteira, visse?
– Obrigada! – Agradeceu e correu de volta para a quadra, jogando a bola para o time adversário.
– Bate no centro. – Gritou da arquibancada e a menina respondeu com um “legal”.
Assim que Carolina sacou, Anna conseguiu defender e passar para a levantadora do time que, num passe perfeito, levantou para . , com precisão, bateu no centro da bola, dando uma cortada perfeita. Ela tinha conseguido.
– Meu Deus! – Comemorou com as amigas e, quando olhou para a arquibancada, estava em pé com um sorriso no rosto.
A negra deu um tchauzinho para o basqueteiro e voltou seu foco para o jogo.

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Não era a primeira vez que via treinando. Ela tinha treino toda sexta-feira, e era no mesmo dia em que a negra o ensinava Direito Civil. também tinha treino de basquete às sextas mas, ao contrário do time de , ele e Ícaro conseguiram fazer com que o masculino treinasse duas vezes por semana na faculdade e, aos finais de semana ,disputavam pelada na Arena Dragão do Mar, onde tinha conseguido pagar duas horas todo sábado. Nada mais do que gastar dinheiro com basquete.
Mas não era só basquete e muito menos a Atlética. Ele tinha começado a apegar-se no que tanto criticou, gostava de participar e de treinar com os meninos do time, mas ele sabia que não era só por aquilo. queria deixar feliz. E se o time ganhasse o campeonato de basquete ou qualquer competição, ela ficaria feliz. E gostava da ideia de deixar a mulher feliz.
– Vamo, ! – Matheus Petrone chamou o melhor amigo, que conversava animadamente com os outros caras do time enquanto arremessava da linha de três.
– Vais hoje, mano? – Ícaro perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
– Não sei, não.
– Deixe de onda, visse? – riu, jogando a bola para o amigo. – Apareça, as festas da Lobos feitas pela Amanda nunca dão errado.
concordou com a cabeça e saiu da quadra, pegou suas coisas na arquibancada e seguiu para o estacionamento junto do amigo.
– Vou me arrumar na sua casa.
– É sério que vais me arrastar?
, eu sei que queres ir, deixe de show que não és a Xuxa. E trouxe uma caneca para ti.
riu e destravou o carro, jogando tudo no banco de trás. Ele gostava de festas e sempre ia, mas nunca tinha ido em nenhuma da Lobos. E não sabia o que esperar.

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Às 17:40, já estava completamente pronta. A festa teria início às 19:30, mas ela precisava checar com seus próprios olhos se tudo estava certo. Amanda Soares era expert em festa de atlética universitária, mas ela era a presidente da Lobos e tudo precisava ser conferido, nada podia dar errado. Não na primeira festa do ano.
Assim que escutou a buzina do carro de Thiago, pegou sua Kate Spade, preferida e única, que estava com todos seus pertences, e saiu de casa deixando apenas uma mensagem para a mãe, avisando que não sabia o horário em que voltaria para casa.
– Oi! – Thiago tentou cumprimentá-la com um beijo, mas virou o rosto, dando-lhe um beijo na bochecha.
Já fazia umas semanas que os dois não se beijavam e muito menos transavam. Com tudo o que estava acontecendo, já não se sentia mais confortável em estar com o futuro engenheiro. Thiago parecia vacilar cada vez mais e já não queria mais aguentar aquilo. A negra tinha um carinho grande por Thiago mas, naquele momento, queria o homem como amigo.
– A gente precisa conversar, né?
– Precisa. – Thiago respondeu e saiu com o carro. – , eu quero que a gente dê certo, sabe? Eu tenho cometido alguns erros, mas não acho que seja motivo para a gente terminar tudo. A gente tem esse lance há tanto tempo…
– Thiago, – Fez uma pausa e respirou fundo, tentando organizar as coisas na sua cabeça. – eu acho o contrário. A gente tem o nosso lance há muito tempo e nunca passou disso, né?
– Se você quiser, eu te peço em namoro agora. – riu, não acreditando no que Vieira estava falando.
– Thiago, você teve um ano para me pedir em namoro. Você não quer namorar comigo, você quer que eu não fique com outras pessoas.
Um silêncio se instaurou no carro. Thiago realmente gostava de , mas nunca sabia como agir com a negra, e ela não precisava lidar com as indecisões e todos os erros dele. não merecia e nem estava disposta a lidar com aquilo. Antes de perceber que poderia perdê-la, Viera a tratava como uma amiga com benefícios, e mesmo sentindo que ela era mais que beijos e sexo, nunca demonstrava. Mas com a aproximação de , as coisas estavam diferentes, e ele não queria perder para aquele playboyzinho.
… A gente pode tentar, não pode?
– Não por agora, Thiago.
– Você tá saindo com outra pessoa, é isso? – Perguntou ao estacionar na frente do Toca Bar.
– Não. – respondeu, sincera.
Ela não estava com , mesmo tendo vontade. estava bem longe de estar com o basqueteiro, e nem sabia se ele a enxergava daquela maneira, os dois tinham tornado-se bons amigos.
– Ótimo. – Thiago respondeu e desligou o carro.
saiu do carro e acabou deixando a bolsa no carro de Vieira, tirando apenas seu carregador e o seu inseparável gloss da Boca Rosa.

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estacionou o Jeep Renegade a uma quadra do Toca, estava surpreso com a fila para entrar no local e em como as vagas da rua já estavam todas ocupadas.
– Eu falei pra gente vir cedo, diabo. – Matheus reclamou ao descer do carro.
– Tinha que ficar apresentável, né? – Brincou, passando a mão na sua blusa de botão estampada e pela bermuda preta.
Petrone entregou a caneca vermelha para , que pendurou o tirante no braço, e seguiram para o Toca. A música já estava alta o suficiente para que pudessem escutar dali, a fila já estava grande e, antes que pudesse reclamar, Matheus o puxou para dentro.
Viada! – Cumprimentou Amanda Soares, que abraçou-o alegremente.
Bicha! – A negra gritou, dando diversos beijos no rosto do rapaz. – Olha quem você trouxe.
– O famoso. – Matheus disse, fazendo rir.
– O novo protegido da minha presida.
– Nem fala que, daqui a pouco, ele se esconde! – Amanda gargalhou e mandou os dois entrarem.
não fazia ideia de como o amigo conhecia tanta gente e sempre tinha passe livre. Era uma espécie de dom.
Os dois entraram no Toca e aproveitou seu 1,87m de altura para caçar por entre todas aquelas pessoas, e achou. estava próxima ao palco, rebolando ao som de Rainha dos Faixa Preta. A negra usava um top rendado rosa, um shortdoll curto da Atlética e calçava um Air Force 1. adorava o fato da negra ter uma paixão por tênis igual a ele. sempre estava com um Nike bonito no pé.
– Vai lá, menino! – Matheus disse ao dar tapinhas nos ombros do melhor amigo.
– Agora não. – Respondeu com um sorriso no rosto.
A cena de rebolando no ritmo da batida do funk estava muito confortável para o basqueteiro.
– Se abrir mais a boca, baba, visse? – Math provocou e recebeu uma cotovelada como resposta.
O loiro gargalhou e puxou o amigo para onde estavam servindo as bebidas.
No caminho até o bar, encontrou alguns rostos conhecidos e recebeu diversos olhares de desejo. não era frequentador daquele tipo de festa e todo mundo sabia que ele era difícil, quase não ficava com ninguém do curso de Direito da Athena, muita das vezes nem nos outros cursos da faculdade. O homem sempre fora muito reservado, mas sabia do efeito que tinha em algumas pessoas. era um homem bonito. Usava o cabelo em tamanho médio que deixava as ondulações visíveis, eram bem pretos tal qual sua sobrancelha grossa, a barba estava sempre desenhada que combinava perfeitamente com seus lábios carnudos. Seu corpo também chamava atenção, os músculos eram definidos e ele se mantinha sem muito esforço. Desde os 13 anos, treinava boxe e krav maga, corria de vez em quando, treinava basquete e, todo dia, ficava uma hora na academia. As tatuagens espalhadas pelos braços e em outras partes do corpo o deixavam ainda mais atraente. E ele sabia que era bonito, para o desespero das que esperavam que ele fosse correr atrás para ficar com alguém.
Gabriella Fernandes serviu e, prontamente, já estava com o braço esticado para pegar outra caneca.
– Não era tu que não gostava de atlética? – A voz de fez com que quase deixasse a bebida escapar da boca.
A negra tinha efeito sobre ele. E o clima entre os dois era perceptível para todo mundo, menos para eles.
– Aqui, amiga! – Pegou de volta a caneca e levantou para brindar com o basqueteiro.
– Consegui arrastá-lo, ! – Matheus brincou e, antes que pudesse responder, o amigo já tinha sumido por entre as pessoas.
– Ele realmente me trouxe arrastado.
– Nem você acredita nisso, preto. – disse, ficando na ponta do pé para que conseguisse alcançar o pé do ouvido do homem.
sentiu os pelos da sua nuca arrepiarem.
nem deu chances para que ele respondesse a pequena provocação. Sorriu para o basqueteiro e deixou-o, sumindo por entre os corpos dançantes no salão.
Talarica estava explodindo nas caixas de som e O Covil estava uma loucura. não sabia se era o Gummy Baba de Lobo que estava batizado ou se era um conjunto de coisas que tinha deixado as pessoas daquele jeito. As pessoas gritavam quando tocava algum funk mais popular, outras estavam beijando-se e tinha umas que ele recomendaria irem para um motel. também já estava na sua terceira caneca de Baba e, de quebra, tinha conseguido um espaço no camarote da diretoria da Atlética ao encontrar com Ícaro e Lucas Diniz. O espaço ficava próximo ao bar do salão, era cercado, tinha um isopor com bebidas, três mesas redondas e um sofá pequeno. sempre aparecia para dar um alô e roubar bebida, mas a negra estava tão dedicada em dividir seu tempo entre rebolar ao som de qualquer funk que estivesse rolando e verificar se estava tudo certo na festa que não tinha tido nenhuma oportunidade de falar com ela.
– Oportunidade se cria, meu amigo. – Ícaro avisou para o amigo e gritou o nome da negra, que fez sinal para ele esperar enquanto atendia o telefone.
– Olha o grupo, porra! – Gritou de volta, apontando para o celular.
– Puta merda. – Ícaro reclamou ao verificar o grupo da diretoria no WhatsApp. – Vem comigo. – Disse para – Vamo, Lucas! – Puxou pelo braço o amigo, que estava dando um beijo em alguém que não conseguiram identificar.
Amanda Soares tinha lotado o grupo com “Emergência Portaria”. A portaria era o local mais tranquilo e onde Amanda gostava de ficar. Sendo a comandante da festa, Soares gostava de receber cada convidado, então sempre dispensava ficar com um segurança por perto, deixando-os apenas na parte de dentro para que pudessem apartar qualquer briga ou retirar da festa em casos de assédio. Nunca tinha rolado nenhuma confusão na portaria, até aquele dia.
foi a primeira a chegar e deparou-se com a confusão ridícula que Oliver Novaes e os caras que sempre andavam pendurados nele, tal qual cachorrinhos, estavam fazendo. Amanda estava sozinha, tentando não deixar que eles entrassem na festa.
– Qual o teu problema, hein? – perguntou já alterada, colocando a mão no peito do homem para que ele desencostasse da mesa onde Amanda estava.
– Essa idiota que não quer me deixar passar com os caras, isso é jeito de fazer uma festa?
– Não pagou, não entrou. E tá lotado já! – Amanda gritou, ela já tinha escutado coisas demais daqueles caras.
– Cale a boca, merda.
– Saia daqui. – empurrou Novaes, que não gostou e segurou-a pelo braço.
– Me solta, porra! – Gritou, batendo com a mão livre no corpo dele, mas Oliver era mais forte.
O loiro riu, acompanhado dos amigos, e segurou também o outro braço de .
– Você é muito bravinha.
– E você é um filha da puta. Me solta, caralho!
– Solta ela, porra! – Amanda tentou ir para cima dele, mas o amigo de Oliver impediu sua passagem.
tinha saído correndo junto de Ícaro e Lucas. Eles estavam no camarote, próximo ao bar, quando Nunes avisou que tinha uma emergência na portaria, só não sabiam o motivo. E foi quando percebeu uma movimentação estranha, Vieira se deu conta de que era sendo segurada por Oliver. Sem pensar duas vezes, passou na frente dos amigos como se fosse uma bala.
Oliver não estava esperando por , muito menos os dois que acompanhavam, Paulo e Juan. Rapidamente, o basqueteiro puxou Giovanna das mãos do loiro pela cintura como se ela fosse uma folha de papel sulfite, e antes que Oliver pudesse preparar-se, acertou um murro em seu rosto, que fez com que ele caísse no chão, o nariz sangrando.
Paulo foi para cima de mas, antes que pudesse chegar, já estava no chão, acertando mais um soco no loiro. Naqueles dois socos, tinha depositado toda a raiva que já estava acumulada do homem. Ícaro e Lucas não deixaram que nem Juan ou Pedro chegassem perto de .
– Nunca mais toque nela, entendeu, macho? – Foi a única coisa que perguntou antes de sair de cima de Novaes.
– Você vai me pagar por isso, . – Oliver praguejou, levantando com a mão cobrindo o nariz, que sangrava bastante.
– Você e mais quantos? – Provocou, passando a mão sobre o punho.
Mas antes que Novaes pudesse responder, os amigos o arrastaram para fora dali. Eles sabiam que, se fossem entrar em uma briga, iam perder. estava muito mais sóbrio que ele, assim como Ícaro e Lucas.
Lucas levou Amanda para dentro do salão e Ícaro chamou um segurança para ficar na portaria. A casa já estava lotada, ninguém poderia entrar mais. Ainda do lado de fora, estava encostado na parede, passando a mão pelo punho enquanto andava na sua frente, de um lado para o outro. A negra ainda não tinha dito nenhuma palavra, nem ele.
– Você está bem? – perguntou e parou de andar, ficando na sua frente com a mão na cintura.
– Se eu estou bem? Eu é quem deveria perguntar isso para ti! – deixou os ombros caírem e riu. – Você está rindo do quê, hein?
– Você está brava.
– Não estou! – Gritou, batendo o pé tal qual uma criança birrenta, fazendo com que risse novamente. – É preocupação, não deveria sair dando socos assim, a polícia...
– E ia bem deixar ele te tratar daquele jeito, é? Não tô doido. E ele ainda tem amor à vida dele, viu? Ele que tente de novo. E cadê aquele babaca do amigo dele? Não tava aqui, né?
– Thiago? – Perguntou e a encarou como se fosse óbvio, deu de ombros. – Não sei também, ele só me trouxe para cá e, depois, não o vi mais. Mas deve estar lá por dentro.
– Ele te trouxe, é? – a encarava com uma sobrancelha levantada.
– É. A gente precisava conversar e colocar um fim nas coisas. – soltou a informação e a expressão de mudou. – Vamos entrar?
apenas concordou e voltou para a festa acompanhado de , com a mão em sua cintura. O movimento tinha sido automático, nenhum dos dois percebeu e muito menos ligaram para alguns olhares confusos que receberam pelo caminho. Thiago Vieira era o garoto de e não . E se estivesse com , metade dos corações de Athena estariam partidos. Ninguém mais teria chance.
– Tá tudo certo, amiga? – Amanda perguntou assim que chegaram na rodinha.
– Eu que te pergunto, mulher! – Abraçou forte a amiga. – A gente sempre se metendo em confusão, né, mulher?
– Bacana foi o suspendendo a como se ela fosse uma folha e botando ela pra trás pro Lucas segurar. – Ícaro contou, fazendo o pessoal rir.
– Bom que agora tem um segurança particular, né? – , que tinha chegado tarde mas que tinha vaga reservada no camarote mesmo não fazendo parte da Atlética, provocou, jogando o shade na roda.
A negra mostrou o dedo do meio, fazendo todo mundo rir ainda mais.
– Aqui a caneca de vocês, viu? – apontou para a mesa que estava no centro da roda com várias canecas em cima e algumas bolsas.
Ali, eles ficavam tranquilos, porque ninguém de diferente entrava no camarote da diretoria.
– Já criou oportunidade, cara? – Ícaro cochichou assim que percebeu o estilo de música do set do DJ. – Ela gosta de dançar forró.

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ainda estava processando os últimos acontecimentos.
Treino. . Término com Thiago. Briga. . . .
Tudo o que estava acontecendo de novo nas últimas semanas tinha dedo de e não sabia como lidar com aquilo, principalmente porque não conseguia ler facilmente. Não sabia dizer, com toda a certeza, se ele a queria ou se só estava sendo gentil. podia muito bem ter outra pessoa e ela nem saberia.
– Quer dançar? – perguntou e ela o olhou assustada por não esperar o convite, mas sorriu e deu-lhe a mão, concordando.
Os dois saíram do camarote e foram para o meio da pista, que já estava menos cheia. Não era todo mundo que dançava forró. Quem não estava dançando, estava bebendo, no fumódromo, beijando ou fazendo sabe-se lá o quê nos banheiros do casarão. nunca se arriscava a entrar.

“Vai ver que um dia a gente se encontra, vai deixar o acaso tomar conta”

– Então, além de bregafunk, dança forró, é?
– Eu só quero é ver se tu sabes. – Provocou e colocou a mão na cintura da menina.
riu e a puxou para perto.
Os dois estavam tão entretidos dançando, parando apenas para rápidas idas ao camarote para beber, que nem perceberam Matheus saindo da festa acompanhado do tal garoto de história de quem estava a fim, não viram e Ícaro trocando beijos demorados no camarote e nem que saíram juntos, perderam Amanda Soares virando duas canecas inteiras de Baba de Lobo e a confusão que foi quando ela foi tentar vomitar no banheiro feminino mas tinham três pessoas presas lá dentro. e também não viram Thiago Vieira os fuzilando com o olhar.
O homem se sentia enganado e traído na frente de todas aquelas pessoas. Era certo que eles não tinham um compromisso sério, mas todo mundo naquela universidade sabia que Thiago era de . E que ela era dele. Mas tinha aproximado-se e estragado tudo. Vieira terminou de beber o que restava da sua caneca e aproximou-se dos dois, ficando atrás de .
– Você é uma mentirosa.
Foi a única coisa que disse e saiu. demorou alguns segundos para assimilar o que tinha escutado e, pelo susto acompanhado do álcool que parecia ter finalmente feito efeito, sentiu seu corpo fraquejar. a segurou mais forte para que não caísse e levou-a para o camarote.
– O que ele disse para você? – perguntou, mas Giovanna não respondeu.
Abaixou a cabeça e colocou suas duas mãos sobre ela.
pegou uma água do isopor e deu para a negra, que ainda estava com a cabeça abaixada.
– Essa posição é ruim. – Colocou suas mãos nos ombros da mulher e ajeitou sua postura. – Beba água e fique de boa.
– Ficar de boa? – o encarou com os olhos cerrados. – Esse filha da puta, além de me chamar de mentirosa, foi embora e não devolveu minha bolsa! É uma Kate Spade, . Eu juntei cada centavo para dar para Amanda trazer uma pra mim de Orlando. E agora eu não sei o que esse leso vai fazer com minha bolsa.
queria rir. estava extremamente puta não só pelo desaforo de Thiago, mas porque ele tinha levado com ele a bolsa preferida da menina. E o fato dela ser uma bêbada reclamona deixava tudo ainda mais cômico.
– Eu pego dele, juro. Agora eu vou te deixar em casa.
– Você bebeu! – Brigou, mas já estava ajudando-a a ficar de pé.
– Ou eu ou você volta andando.
nem teve condições de reclamar, soltou uma risada sem graça e estendeu a mão para o basqueteiro que, com todo o cuidado, tirou-a da festa e andou até o outro quarteirão. ajudou a subir no Jeep, que era bem mais alto, e logo em seguida, acelerou para o bairro onde ela morava, que ficava um pouco mais afastado do centro.
– Tu dirige muito rápido, visse?
– Ainda não viu nada, madame. – Retrucou e acelerou um pouco mais.
– Participa desses racha na rua, é? – Perguntou e riu, como se concordasse.
balançou a cabeça negativamente e jogou a cabeça para o lado, adormecendo.
chegou na porta da casa de pouco tempo depois. Com cuidado, acordou-a e tirou do carro.
– Mamãe deixa uma chave extra embaixo do vaso do cacto.
– Beleza! – pegou a chave que, por sorte, ainda estava ali, destrancou a porta e entrou com . – Vou ajudar você.
Com medo de fazer barulho e de acordar os pais dela, a carregou no colo mesmo sob os protestos da menina. Mas quando já estavam na escada, ela cedeu. entrou na porta indicada por , acendeu a luz e deitou-a na cama. O primeiro movimento da negra foi colocar as mãos em cima do rosto por conta da claridade repentina. Para , ela era bonita até daquele jeito. O basqueteiro ligou o ar condicionado do quarto, acendeu a luz da luminária e apagou a lâmpada do teto.
– Eu já vou, ok?
– Obrigada! – agradeceu e encarou-o. – Thiago me odeia.
– E isso machuca você?
– Na verdade, não. – bocejou e enrolou-se no edredom. – Ele me odeia porque eu acho que gosto de você.
sempre tinha uma resposta par tudo mas, quando tratava-se de , ele perdia suas respostas rápidas. A negra conseguia deixá-lo sem fala. sabia que as pessoas, quando estavam porres, ficavam ainda mais sinceras, e nunca desejou tanto que não tivesse porre. Ele queria beijá-la, mas jamais iria fazer aquilo com ela naquele estado.
– Mas você não gosta de mim. – Murmurou e fechou os olhos, adormecendo em seguida.
Eu gosto, pretinha. Eu gosto. – Sussurrou ao pé do seu ouvido, deu-lhe um beijo na testa, apagou a luminária e saiu do quarto.
desceu as escadas da casa de com a cabeça rodopiando por conta do que a negra havia dito. talvez nem lembrasse do que tinha falado, mas ele lembraria. E como diria Ícaro, iria criar oportunidade para fazê-la lembrar. Não sabia ainda como e onde, mas iria.
saiu da casa de , deixando a chave no mesmo lugar, e antes que pudesse acelerar, respirou fundo, ligou o rádio, jogou a cabeça para trás e sorriu quando percebeu a música que tocava.
– Pretinha, você me pegou. – Sussurrou para si mesmo enquanto Daniel Caesar tomava conta do ambiente.

“You're my sunshine in the rain when it's pouring, won't you give yourself to me? Give it all, oh”.


Continua...



Nota da autora: “Oie! O capitulo 6 é bem mais pessoal e espero que tenha dado para conhecer um pouco mais da história da nossa menina e também do nosso basqueteiro preferido. Ele ainda tem muito para mostrar para vocês, espero que o acolham e gostem ainda mais dele.

Se ficar mais fácil a comunicação, tenho um grupo no Whatsapp (https://chat.whatsapp.com/H6uRoj7J6J4IemOFRX9UOO) e um Instagram só para falarmos de fics (https://www.instagram.com/giobfics/) então qualquer coisa é só chamar. Sejam muito bem vindos. 💛"

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