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Última atualização: 04/09/2021

Capítulo 1

"Esta noite eu sugiro que em vez de perguntarem aos outros, perguntem a si mesmos: Você está realmente bem?... E digam um caloroso boa noite para vocês"
(It’s Okay, That’s Love)


O sol dava os primeiros sinais de um novo dia quando se levantou, sem ao menos esperar o despertador tocar. Não que ela estivesse superanimada com a volta às aulas, mas o seu nervosismo e ansiedade de sempre estavam ainda mais aflorados por lembrar que faltava “apenas” mais um ano e meio de aula. Finalmente poderia fazer a contagem regressiva até a faculdade.
Depois de arrumar-se, seguiu até a cozinha de casa, onde preparou dois bolinhos de arroz para comer de café da manhã e, assim que o alarme de seu celular soou, indicando que deveria sair de casa, pegou a chave sobre a mesa de jantar e deu um grito, despedindo-se de seus pais que ainda estavam no quarto.
Caminhou calmamente até casa de , que morava algumas quadras de sua casa, e encontrou a amiga aguardando-a no jardim:
— Você feliz indo ‘pra escola? — fez uma careta ao ver a outra se aproximando com um sorriso no rosto. — ‘Tá feliz por quê?
— Estamos cada vez mais próximas do fim do colegial. — agarrou-se ao braço esquerdo da amiga, fazendo-a quase derrubar a mochila de seu ombro.
— Doida, temos mais três semestres pela frente...
— Vou fingir que não te escutei.
As duas continuaram conversando durante todo o caminho até a escola, que era apenas cinco quadras de distância da casa de . O céu, antes limpo, começava a trazer algumas nuvens que tampavam os raios de sol. O vento estava calmo, quase imperceptível se não fosse pelas folhas das árvores mexendo levemente e provocando um clima confortável.
— Bom dia, flor do dia! — disse alto, assim que se aproximou com uma careta e as mãos pressionando as têmporas.
— Dia.
— Acordou com dor de cabeça? — perguntou, soltando-se do braço da amiga e acariciando o ombro do garoto. Ele fez um breve aceno, concordando. — O que você fez para ficar desse jeito em plena volta às aulas?
— Foi no start de ontem. — Escutaram a voz de atrás de si e viraram-se em sua direção.
— Credo, estamos falando tão alto assim? — questionou e concordou com a cabeça, junto de outra careta. — Quanto você bebeu?
— Eu chuto cinco garrafas de soju.
— Ué, você também foi, ?
— ‘Tá doida, ? Fiquei com a ontem. — O garoto deu um sorrisinho de canto, lembrando-se de como fora o dia anterior.
— Certo, não precisamos de detalhes. — fez uma carinha de nojo, passando a tagarelar a respeito de sua viagem de férias para a ilha Jeju.
, você foi a essa festa de novo? — perguntou baixinho para o amigo, que continuava com a mão acariciando a cabeça.
— Claro que sim. — Ele sorriu, mas entortou a boca com o pulsar que sentiu. — O único problema é a ressaca.
— Você realmente bebeu cinco garrafas?
— Eu perdi as contas. — piscou algumas vezes antes de levantar o olhar para a amiga. — Não se preocupe comigo, , daqui a pouco o remédio vai fazer efeito.
Os quatro amigos continuaram conversando perto do portão da escola enquanto esperavam pelos outros amigos.
— O foi no start também, né? — perguntou aleatoriamente, assim que terminou de contar sobre quanto havia aproveitado as praias. revirou os olhos levemente ao ouvir o nome do garoto.
— Claro que sim, ele não perde nenhuma festa. — Enrugou o nariz. — O não tem jeito, né? Tenho certeza de que ele arrastou o e bebeu um monte, por isso você está tão acabado e...
— Fala tanto de mim que eu continuo a achar que você é apaixonada por mim, .
A garota fechou os olhos, tentando manter a calmaria que vinha reinando em seu espírito até pouco tempo atrás. Respirou fundo uma, duas, três vezes, buscando paciência para não mandar respostas atravessadas para ele.
— Bom dia, amiga. — se aproximou da amiga, pondo o braço sobre seus ombros, tentando tranquilizá-la. Ela virou o rosto em direção à orelha de e continuou: — Relaxa, ele sempre faz isso.
Não deu tempo de responder alguma coisa para ninguém, pois assim que abriu os olhos, deparou-se com ele atravessando o portão de entrada. Seu coração palpitou mais rápido e sua respiração descontrolou, principalmente quando o rapaz a enxergou e mandou um sorriso gentil, junto de um aceno.
— Você ‘tá quase babando — disse baixinho para a amiga, que apenas deu uma cotovelada leve em sua barriga. ria levemente da reação de , enquanto os outros três pareciam alheios ao que acontecia por estarem conversando sobre a festa do dia anterior.
— Vou falar com ele... — sorriu, olhando para o garoto. Desvencilhou-se do braço de , que antes estava sobre seus ombros, e se afastou do grupinho, até alcançar o menino. — Oi, Mark.
— Bom dia, . Como foi o finzinho das férias? — ele começou a puxar assunto, ao mesmo passo que caminhavam juntos para dentro do colégio.
— Tranquilo. Não fiz nada demais desde a última vez que nos vimos...
— Sério? Poxa, se eu soubesse, teria te chamado para sairmos de novo. — Ele sorriu sincero, fazendo com que a garota suspirasse.
segurava o fichário entre os braços com força, tentando extravasar todo o nervoso que sentia quando estava ao lado de Mark. Ela sentia-se nas nuvens quando conversavam. Talvez por estar naquela amizade colorida desde antes das férias de verão, com uma pessoa que lhe passava segurança e conforto. Com alguém especial. Mark com certeza estava no seu top 3 de melhores amigos homens.
— Nervoso com o último semestre? — ela tentou puxar algum assunto, o que era estranho, visto que nunca tivera dificuldade em conversar com Mark.
— De certa forma... — O garoto desviou o olhar até os olhos dela por um tempo, encarando-a fixamente. — É estranho pensar que logo não irei ver as mesmas pessoas diariamente.
A menina concordou baixo, ficando tímida com o olhar dele preso ao seu. O que diabos estava acontecendo? Mark era seu amigo.
Ok, talvez ele fosse um amigo colorido, mas estava tudo sob o controle.
— Principalmente uma em especial. — Sua fala provocou uma reação assustada de , que levantou a cabeça rapidamente, dando de cara com os olhos escuros de Mark.
paralisou. Ela tinha ciência do quanto Mark era lindo, mas nunca tinha o visto daquela forma. Ele era apenas seu amigo corriqueiro, peguete nas horas vagas e só, nada acima disso.
Mas quando as íris dele passaram a brilhar daquele jeito?
— Preparada para o último ano? — Ele tirou a garota dos próprios devaneios.
— Ainda faltam três semestres... — sorriu, pondo o cabelo atrás da orelha assim que pararam nos armários do corredor. — Porém, estou ansiosa. Quero ir para a faculdade logo.
— Já sabe o que cursar? — O rapaz olhou para ela rapidamente, logo se concentrando em organizar o material no armário.
— Mínima ideia, mas quanto menos tempo eu tiver de passar aqui, melhor.
Enquanto Mark soltava uma risada pelo comentário da menina ao seu lado, permanecia admirando-o, sem se mexer.
, eu fico sem jeito assim. — O garoto soltou um riso tímido, fazendo com que a garota corasse ao perceber que estava o encarando há um bom tempo.
— Desculpa... — tossiu ao mesmo passo que virava o rosto para outra direção, tentando esconder as bochechas avermelhadas.
— Relaxa. — Mark fechou o armário e encostou-se com um sorriso ladino, de frente para a garota. — Eu gosto quando você me encara dessa forma.
Apenas um pensamento passou na mente da garota no segundo em que viu o sorriso que ele abriu.
Eu ‘tô apaixonada por ele.
Merda.


Capítulo 2

“Porque, com o sentimento do amor, você se sente como se tivesse o mundo aos seus pés.
Por causa do amor, você pode as vezes sentir-se como se estivesse morrendo.
Esse tipo de amor… você precisa de coragem para experimentá-lo.”

(The Musical)


fechou os olhos por um instante, se imaginando em casa, sob a pelugem de sua manta quentinha e acolhedora, com o blackout da janela deixando seu quarto totalmente escuro, mesmo que o Sol brilhasse do lado exterior. Conseguia até mesmo sentir o macio do colchão em suas costas.
— Acorda! — alguém disse alto no pé do seu ouvido, junto de um leve tapa na nuca, fazendo com que a garota abrisse os olhos, espantada.
, seu desgraçado — resmungou, coçando o olho direito. Nem havia percebido que tinha cochilado durante a aula de história.
— Eu não vou te passar a matéria depois.
— Claro que vai! — exasperou rapidamente, ouvindo a risada do amigo em resposta ao seu desespero.
O rapaz recolheu suas coisas e aguardou pela amiga na porta da sala. ainda murmurava ao guardar a lapiseira e a caneta preta dentro do estojo, antes de pô-lo dentro do fichário e conferindo sua carteira antes de sair.
— Dormiu bem? — perguntou, rindo ao notar a cara de sono estampada no rosto da menina. A bochecha estava marcada pelo braço que apoiava sua cabeça como um travesseiro, além dos olhos levemente inchados.
esticava os dedos das mãos, desejando estar descalça para poder esticar os do pé também. Suas costas doíam por conta da má postura dos últimos minutos. Por quanto tempo ela havia dormido, mesmo? Espera, o que havia acabado de falar?
— Vai para a casa da ? — perguntou repentinamente, fazendo com que ainda demorasse para processar o questionamento.
— Acho que sim. — Arrumou a postura, ouvindo os estalos em sua coluna. Ela se sentia totalmente quebrada. Não gostaria de dormir durante a aula nunca mais.
— Vocês são grudadas demais, tenho ciúmes — comentou, rindo. sentiu as bochechas esquentarem levemente, mas não respondeu mais nada além de uma careta seguida de um sorriso irônico.
Ambos continuaram caminhando até o armário da menina, que era o mais próximo da sala de história, enquanto mantinham uma conversa descontraída. abriu-o, depositando dois de seus livros que ela não tinha nenhuma atividade para o dia.
— Vocês vão querer uma carona? — perguntou assim que fechou a porta do armário, se referindo a ela e .
A garota nem ao menos teve tempo de responder, pois certo alguém apareceu bem na hora, tirando toda sua vontade de continuar um diálogo decente com quem quer que fosse.
— Ops... — a menina disse com voz afinada, provocando uma revirada de olhos nem um pouco discreta vinda de .
— Mina! Como você está? — puxou assunto e, consequentemente, ela os parou no meio do corredor, a fim de continuar o diálogo.
— Bem, obrigada por perguntar. Mas ei, você ‘tá livre esse fim de semana?
— Acho que sim... — respondeu pensativo, tentando se lembrar se tinha algum compromisso já marcado.
permanecia absorta daquela conversa, ou ela pelo menos tentava não prestar atenção. Já estava quase convencida de pegar os fones e ouvir alguma música em sua playlist, mas pensou que aquilo poderia soar rude demais até para si.
— Ótimo. Eu e meus amigos daremos uma festa no final de semana, depois da prova classificatória. Vai das sete de sábado até altas horas da madrugada. — Mina sorriu, pendendo a cabeça para o lado. Sua tentativa de parecer fofa não obteve sucesso.
Ela era tão irritante! Como que um de seus melhores amigos estava quase namorado com aquela biscate? Melhor, como era possível que alguém como se interessasse por Mina? Aquilo não entrava em sua cabeça.
jurou ter escutado as vozes de e em sua cabeça, repetindo a mesma coisa de sempre: Para com essa rivalidade feminina.
— Você pode chamar mais gente se quiser. — Sorriu mais uma vez, dessa vez tombando a cabeça de um lado para o outro. Ela, ainda por cima, levantara as sobrancelhas discretamente, como se tentasse insinuar algo.
Descarada! Ela estava dando mole para na sua frente? Uau, aquela garota realmente precisava de vergonha na cara.
— Nós iremos — o garoto respondeu, antes de mesmo dar a ideia aos amigos, e quis sair dali naquele momento.
Mina bateu palminhas, alegre. Felizmente, não tardou para despedir-se, alegando estar atrasada para algum compromisso, e saiu. colocou o braço sobre os ombros da amiga, voltando a caminharem lado a lado, mas não se sentia mais tão à vontade.
Era como um bolo se formando na boca de seu estômago, revirando-o de uma forma nem um pouco prazerosa. Não, aquilo não podia ser ciúmes. era apenas seu melhor amigo de longa data, e seu desgosto por Mina era fruto de outros carnavais.
Obviamente, se afirmava que era apenas um pressentimento ruim. Aquela garota estava rodando nas mãos de outro amigo seu, e ela não poderia estar mais incomodada por ter sua presença ali novamente. Será que seus melhores amigos poderiam ter um dedo menos podre? Era pedir demais? Não podia ser.
Dissipou seu ódio interno assim que avistou no estacionamento. No entanto, antes mesmo de se aproximar, notou os olhos arregalados da amiga, além dos braços cruzados e pernas inquietas.
Algo estava acontecendo, ela tinha certeza. só não acreditou que os problemas já começariam no primeiro dia de aula.


📔


esperou que saísse da aula da inglês, na porta, segurando seus livros entre os braços. A garota conversava com o professor, alegando erro de correção em algum dos exercícios, mas ele não parecia muito a fim de recorrigir.
Frustrada com a dureza do professor, apenas juntou suas coisas e seguiu para a porta, sendo recebida com um abraço de seu namorado.
— Antes que você reclame que está de mau humor, me deixa tentar te acalmar.
— Você que eu nunca recuso um abraço seu — ela disse, já sorrindo.
nunca fora de descontar sua raiva nos amigos e muito bem sabia. Na verdade, ele só se recordava de ter visto-a brava uma única vez. Sua namorada era um poço de calmaria.
— A aula foi tranquila? — iniciou uma conversa enquanto segurava a mão da garota, puxando-a levemente para que começassem a seguir pelo corredor.
— Até que sim. Eu só fiquei irada com esse problema na prova de inglês, mas tudo bem.
— Tenho certeza de que suas notas continuarão impecáveis.
— Obrigada… Eu acho. — Sorriu tímida. sabia que não tinha forma alguma de refutar sua enorme inteligência e todo seu esforço que ela tinha na escola. Apenas ficava extremamente sem jeito quando a elogiavam, mesmo que fosse o seu namorado.
puxava diversos assuntos aleatórios com a menina, tentando manter toda sua atenção para si. Era comum e nem mesmo se surpreendia quando o rapaz começava a fazer drama caso ela não o desse atenção.
— Hoje a está estranha — ela comentou aleatoriamente, no meio das diversas conversas sem sentido do namorado.
— Por que você acha isso?
— Estava avoada, sabe? Parecia que não sabia o que fazia, não prestou atenção alguma na aula de geografia e nem mesmo percebeu que eu enviei bilhetinho pra ela.
arregalou os olhos, surpreso. estava estranha, sem sombra de dúvidas. Agora sobrava para ele descobrir o que havia acontecido.
— Vou tentar conversar com ela — respondeu, já pegando o celular e enviando uma mensagem, convidando a amiga para irem à sorveteria mais tarde.
deu de ombros, acostumada com aquela amizade próxima de seu namorado e de . Lembrava-se de quando falava besteiras de que a amizade dos dois era extremamente duvidosa e que ela deveria ficar de olho em ambos. E, mesmo depois de ouvir tanta lorota, ela ainda não sentia ciúmes.
Bem, não com .
— Você vai com o ? — chamou sua atenção, tirando-a de seus devaneios.
— Sim.
Ambos se abraçaram e, discretamente, deram um selinho de despedida. e não eram melosos diariamente, apenas em momentos específicos ou quando queriam zoar com a cara de seu grupo de amigos, onde apenas ambos namoravam. Pelo menos por enquanto.
— Eu te ligo — ela disse alto, enquanto via o namorado dando passos para trás, afastando-se. Ele apenas assentiu com um sorriso, virando-se e seguindo seu caminho.
deixou um sorriso escapar, segurando com força nos braços da mochila de costas que carregava. Uau, ela realmente era apaixonada no .


📔


— Vai fazer o que no final de semana? — Mark chamou sua atenção, causando uma tremedeira no estômago de .
— Não sei ainda. — Se esforçou para não tremer a voz, com um sorriso sem graça. — Provavelmente o vai arranjar alguma festa para irmos e eu vou cuidar dos meus melhores amigos bêbados.
Mark deu um sorriso fofo, pegando na mão da garota em seguida. Os olhos dele pareciam brilhar ao encarar seu rosto, principalmente quando enrugava o nariz, nervosa por estar sendo observada tão de perto.
— Você parece uma irmã mais velha — disse por fim, desviando o olhar para o corredor que já se esvaziava. — Espero que cuide de mim caso eu fique bêbado também.
— Claro que vou! — apressou-se na resposta, afinando a voz de forma involuntária. Suas bochechas estavam quentes, ela tinha certeza.
Ele nada disse, apenas intensificou o sorriso e puxou-a para voltarem a andar. Mark estava agindo como sempre: sendo fofo e sorridente. Não tinha nada de diferente, mas, de alguma forma, sentiu que ele tinha mudado em alguma coisa. Algo nele estava mais.. Atrativo que o normal.
Ela não queria confessar aquilo nunca, mas se sentia atraída por ele. Sua pretensão era jamais dizer essas palavras em voz alta, apesar de ser algo bem óbvio e subentendido, visto que eles tinham aquela coisa há tempos.
Mark e , o casal sensação que não era bem um casal. Apenas amigos muito bem coloridos.
Bem coloridos, assim como as borboletas que voavam no estômago da garota no instante em que Mark entrelaçou seus dedos nos dela. O que ele estava pensando? Dando as mãos daquela forma, mandando sorrisinhos ladinos e brilhando os olhos enquanto observava cada movimento que fazia? Quem ele pensava que era?
Se ele achava que aquilo estava fazendo se render completamente ao que quer que fosse aquele sentimento esquisito dentro dela, ele estava certo.

mordia as unhas, nervosa. Não conseguira se concentrar em nenhuma das aulas, pois não tirava aquilo da cabeça.
Mark.
Ela estava apaixonada por ele. Pelo seu amigo colorido.
Ela e Mark.
Chacoalhou a cabeça, tentando, inutilmente, afastar aqueles pensamentos. Não, não, não. Ela não podia estar apaixonada por Mark, era impossível.
não se apaixonava.
— Se continuar andando em círculos assim, vai cavar um buraco até o centro da Terra. — se aproximou com vontade de rir, mas sentindo uma preocupação pelas atitudes esquisitas da amiga.
não respondeu, apenas continuou olhando pra o chão e andando de um lado para o outro. Queria sumir.
— Não vai falar comigo ou–
— Estou com um enorme problema — interrompeu o drama da melhor amiga, causando um espanto em , que levantou as sobrancelhas.
— O que foi?
engoliu em seco, desacreditada que iria dizer aquilo em voz alta.
— AchoqueestouapaixonadapeloMark — disse rápido, num sussurro, mas foi mais que o suficiente pra que entendesse.
— Puta merda, .


📔


Se alguém tivesse lhe dito, antes de entrar para o ensino médio, que a escola era um saco, não teria colado para passar de ano. Faltava apenas mais três semestres para, finalmente, ir para a universidade. Não que ele já soubesse o que queria cursar, mas sabia que, definitivamente, precisava sair daquela escola o mais rápido possível.
Ele não aguentava mais as mesmas regras. Roupa sempre bem passada, gravata bem amarrada e sapatos limpos, brilhando. O único dia aceitável era quando tinha educação física.
Por que ele não se mudou para os Estados Unidos, mesmo?
se jogou na cama em seu quarto, querendo dormir pelo resto da semana. Havia acabado de responder à mensagem de no grupo, chamando os amigos para uma festa no sábado e não poderia estar mais animado para aquilo.
O termo “rolê” piscava em sua cabeça, deixando-o anestesiado de prazer e alegria. Poderia beber até passal mal sem sentir culpa, achar alguma novata legalzinha e acabar com sua carência momentânea.
Resmungou ao se dar conta de que sábado ainda estava distante, visto que ainda era segunda-feira. O analgésico parecia já ter passado o efeito, visto que sua dor de cabeça voltara apenas por se lembrar de que teria mais quatro dias de aula antes da festa.
Decidiu dormir antes que engolisse mais dois comprimidos goela abaixo. Estava quase pregando os olhos até ser despertado de seu não fosse pelasua forma semi-inconsciente por outra mensagem do amigo. custou para abrir os olhos novamente e pegar o celular.


online

Teve alguma aula com a hoje?

Acho que sim, mas não prestei atenção em nada.

Pq?

disse que ela tá estranha, daí eu ia te perguntar como ela estava na sala.

Eu real não tenho ideia.

Tudo bem, bro, valeu.



O rapaz descansou o celular sobre a mesa depois de desligar a tela. Começou a imaginar o que diabos aprontara daquela vez, mas não se importou tanto.
pregou os olhos, pensando no ano que se seguiria. Havia sido apenas o primeiro dia, e ele já se sentia exausto, querendo as férias logo.
Estava tudo bem. Os meses passariam depressa e logo, logo, julho estaria ali, junto das férias escolares. Ele não via a hora de finalmente dar o pé da escola e seguir pra a faculdade. Era bom demais para ser verdade.
Ele só precisaria se dedicar e passar de ano, fácil. Nada que algumas colas com as pessoas certas não pudessem lhe garantir.
O telefone tocou na sala de estar, no andar inferior. abriu os olhos assim que escutou o som, mas não se mexeu. Ele sabia quem era, sabia sobre o que era e, por isso, se recusou a atender.
Depois de mais alguns toques, o barulho da chamada finalmente parou. O rapaz soltou ar pela boca, aliviado que sua ansiedade diária havia passado. No entanto, o telefone apitou, indicando uma mensagem de voz.
pressionou o travesseiro sobre o rosto, indignado de que teria de limpar o cachê do telefone mais uma vez. Ele odiava aquilo, queria apenas desaparecer com aquele aparelho, mas sabia que sua vó ficaria com raiva.
Pegou o celular de volta, já dando play em alguma música da sua playlist e botando no volume máximo. Seu dia já havia começado de uma forma terrível, e agora ele só havia piorado a situação.
Aquele ano seria, com toda a certeza, muito longo.


📔


— PUTA MERDA!
— Fala mais baixo, infeliz! — implorou ao escutar o grito fino e surpreso de .
A mais velha havia acabado de assumir seu crime atual: apaixonou-se por seu ficante casual. Suas mãos suavam por finalmente ter assumido em voz alta, mas não conseguia acreditar no que estava acontecendo. muito menos, visto que demorou um tempo para realmente processar o que havia escutado de sua melhor amiga.
— Eu não sei quando, não sei como, só sei que estou e não consigo tirar isso da cabeça — reclamou com uma voz chorosa.
sabia que era furada. Todos os filmes e séries de clichê que assistira durante toda sua vida deixaram bem claro a merda que estava vivendo. Só tinham duas opções: ou eles viveriam felizes para sempre quando Mark percebesse que também estava apaixonado por ela, ou eles nunca mais dariam certo. E, Deus, como temia a segunda opção.
— Calma, respira — disse, depois de um tempo, puxando a amiga para sentar-se ao seu lado na cama em seu quarto.
Ambas tinham pegado carona com para casa. O rapaz não entendia o porquê parecia tão afobada e nervosa, mas, depois de um sinal de , entendeu que deveria ser alguma “coisa de menina” e não perguntou nada. Poderia conversar com ela outro dia, quando estivesse mais calma.
Nenhuma teoria passou em sua mente durante todo o trajeto, que não fora longo. Nunca tinha visto tão quieta como naquele momento, por isso se preocupou. Ele com certeza questionaria depois.
— Eu estou calma, só não acredito que isso ‘tá acontecendo comigo.
— Mark é um bom partido, não entendo por que você não se apaixonaria por ele — deu sua opinião, enquanto erguia os ombros.
— Esse é o problema, amiga. — A garota pressionou as têmporas, suspirando profundamente enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos. — Ele é simplesmente perfeito. Qualquer uma se apaixonaria facilmente por isso, e por eu nunca ter sentido nada a mais que a gente funcionava.
estava inconsolável, como tudo estivesse no fundo do poço e sem chance de recuperação. não conseguia compreender toda a dor de cabeça que a amiga estava sentindo, mas tentou mostrar seu apoio ao abraçá-la de lado.
— Vocês podem conversar.
— Isso está fora de cogitação. — tirou as mãos do rosto, virando-se brutalmente de frente para a outra. — Ele vai me achar patética.
revirou os olhos, já perdendo a pouca paciência que tinha. geralmente era mais pé no chão; não fazia drama para coisas superficiais e era quem dava um puxão de orelha nas amigas quando elas faziam tempestade em copo d’água.
Dessa vez, os papéis estavam invertidos e se viu totalmente sem mansidão para lidar com aquela choradeira sem sentido. Ficou de pé, logo apontando o dedo para a outra:
— Levanta essa bunda daí e cria vergonha nessa cara — esbravejou, assustando . — E daí que você percebeu que está apaixonada pelo Mark? Ele é só um garoto que você dá uns beijos e também é uma pessoa maravilhosa que te faz bem.
piscou algumas vezes, entortando a boca com a reação inesperada da amiga. Não queria admitir que ela estava certa, mas não tinha como negar. Estremeceu. A ideia de estar apaixonada por alguém era algo incerto e assustador, pelo menos na sua visão.
— Você não precisa ter medo de se apaixonar, — amansou a voz quando percebeu o espanto dela. Com uma das mãos apoiadas no ombro da amiga, fez um leve carinho com os dedos, mordendo o interior da bochecha.
quis ligar para . Ela, sim, saberia perfeitamente o que fazer como sempre. normalmente era a que gritava, esperneava, fazia cena quando algo a incomodava, enquanto e cuidavam e a aconselhavam. Os papéis trocados pareciam confusos demais para si.
— Tenho medo de não dar certo — desabafou com um fio de voz. sentia o coração palpitar forte ao mesmo tempo que o carinho da mão de em seu ombro esquerdo aumentava. — Sempre fantasiei tanto esse momento, que tenho medo de não ser nada daquilo que sempre quis.
— Não pense assim, amiga. — Afagou os cabelos de enquanto voltava a se sentar ao seu lado. — Vai dar tudo certo. Dê tempo ao tempo.
sorriu com o conselho de , recordando-se de uma vez que dissera algo semelhante a ela. Assim que relaxou seus ombros, tentando esquecer um pouco sobre sua mais nova dor de cabeça – e mais novo motivo para surtos e choros, suspirou tranquila.
Ela seria paciente. Aguardaria, seja lá o que estivesse a esperando.
— Quem sabe você encontrou o garoto para ficar com aquelas suas frases bem bestas de gente apaixonada — caçoou assim que o clima amenizou no ambiente.
soltou sua primeira risada sincera do dia, fechando os olhos enquanto suas maçãs do rosto se curvavam. Seu coração palpitou num ritmo mais compassado, sua cabeça não parecia mais querer explodir a qualquer segundo e seu consciente parecia mais leve. Agradeceu internamente por ter consigo naquele momento.
Mesmo com o desajeito da mais nova, ela sempre arranjava uma forma de arrancar um sorriso de , e por isso ela era tão grata.
— Vamos tomar sorvete? — perguntou assim que parou de rir.
— Eu nunca recuso um sorvete, .


Continua...



Nota da autora: Veio aí! Me desculpem todos esses meses sem att, eu estive atolada (ainda estou, mas fui escrevendo um parágrafo por dia nessas últimas semanas até terminar hihi).
Nossa gatinha assumiu que está apaixonada! E agora? Como será que vão se proceder as coisas? e … Sei não, viu?
Espero que tenham gostado! E obrigada por lerem até aqui hehe
Um cheiro enoooorme em vocês!
~xoxo

Nota da beta: Ai, essa fic é uma delícia de betar. Sua escrita é tão leve e gostosa! Eu tô aqui me roendo por mais. Será que o Mark vai descobrir sobre a paixonite da pp? Ansiosaaaa!

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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