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Última atualização: 28/06/2021

Capítulo 1

Pov:

Acordei animada, mas quem não acordaria? Era meu primeiro dia no sexto ano de Hogwarts e eu nunca estive tão ansiosa com a volta às aulas. Tomei um banho, vesti meu uniforme, não me importava em andar entre os trouxas com ele, e esperei meu irmão descer para poder almoçarmos todos juntos. Tradição estúpida, mas fazia com que nossos pais se sentissem menos horríveis como progenitores. Dei graças a Merlin quando meu gêmeo se sentou ao meu lado e finalmente começamos a comer. Não entendia a necessidade dos meus pais exigirem isso todo início de ano letivo, já que nem conversávamos, mas não seria eu a provocá-los, e duvidava que o menino ao meu lado faria isso. Dei de ombros e voltei a prestar atenção no meu prato.
Após alguns minutos, que mais pareceram horas, dei-me por satisfeita e saí da mesa com a desculpa de ter que colocar minha coruja na gaiola. Eles não pareciam se importar, mas não era novidade essa impressão vindo deles, principalmente do meu pai. Não era fácil ser filha de Comensais, principalmente quando seu pai era braço direito do Lorde das Trevas.

— Hey, , já está pronta? Temos que ir. — meu irmão entrou no meu quarto sem bater na porta, nada fora do normal.
— Estou sim, eles vão nos levar?
— Só a mamãe. — Assenti para ele. Não era como se eu esperasse que Lúcio Malfoy perdesse seu precioso tempo nos levando à estação.
— Não é nenhuma surpresa, certo? — Draco apenas concordou e pegou minha gaiola, provavelmente levando-a ao carro.

Dei uma última olhada no meu quarto. Sentiria falta. Peguei minha mochila e saí da mansão. Não me despediria de nenhum empregado, não tinha laços afetivos com nenhum deles. Entrei no carro em que meu irmão e minha mãe já me esperavam e fomos para estação King Cross, onde pegaríamos o expresso para a escola. O caminho não foi diferente do dos outros anos e, quando vi, já estava embarcando no trem junto ao meu irmão. Procuramos uma cabine e por uma infelicidade do destino, a primeira que abrimos estava ocupada por Harry Potter e seus amiguinhos sangue-ruins. Rolei os olhos.

— Draco.
— Potter. — meu irmão respondeu com um desgosto evidente.
.
— Sangue-ruim.
— Meu sangue é tão puro quanto o de vocês, Malfoy. — o Weasley retrucou rapidamente. Será que aquele garoto nunca aceitaria o destino? Bufei pronta para retrucar, mas Draco foi mais rápido.
— Seu sangue se sujou quando você decidiu andar com esses daí.
— Draco, você quer outro soco na cara ou o quê? — essa garota me deixava com vontade de vomitar, por Merlin
— Ora, sua…
— Nem perca seu tempo, irmão, eles não valem a pena. Vamos achar os outros — Saí puxando Draco enquanto ele tentava normalizar a respiração. Realmente, meu irmão estava puto. — Não acredito que você deixa se afetar tanto por eles.
— Não acredito que você não se deixa, eles são insuportáveis!
— Eles são inferiores irmão, deixe-os pra lá — disse, indo para a parte aberta entre as cabines, e dessa vez, tendo uma visão muito melhor. Pansy e olhavam entediadas para Crabbe e Goyle, que falavam algo que eu, sinceramente, não dava a mínima. Os quatro olharam para a porta quando meu irmão limpou a garganta. Minha melhor amiga logo veio me abraçar, dizendo o quanto estava com saudades e perguntando como tinha sido as férias na França. Não posso negar que eu amava . Nos conhecemos no 1 ano em Hogwarts e logo viramos amigas, não sei muito bem o motivo, mas eu agradecia por ela ter ido falar comigo. Ela era a única pessoa, fora meu irmão, em que eu confiava para tudo. Os meninos falavam algo com Draco enquanto Pansy tentava mais uma vez, pateticamente, tentar chamar atenção do loiro. Ela me irritava tanto que eu quase desejei não ter entrado na cabine. Mas ao olhar pro lado estava , me falando sobre sua viagem aos Estados Unidos. E, como sempre, a viagem foi baseada em risos com e reviradas de olho pra Pansy.


Harry Pov:

Após a intromissão dos Malfoys, a viagem foi tranquila, compramos vários doces e ficamos conversando sobre assuntos aleatórios, já que tínhamos passado as férias juntos e não havia novidades.
No meio da viagem, me vi pensando sobre os Gêmeos, mais especificamente em Draco. Eu tinha quase certeza de que ele estava mais envolvido com os comensais do que aparentava. Respirei fundo, pegando minha capa da invisibilidade e saí da cabine, apenas deixando um “ao banheiro” quando Hermione perguntou aonde eu ia. Coloquei a capa antes de entrar na área que os dois estavam, subi nas barras de metal do lado oposto dos bancos em que eles sentaram e fiquei olhando a espera de qualquer conversa suspeita. Houve um momento constrangedor, quando a loira me olhou diretamente, não era como se ela olhasse através de mim. Ela me olhava. E, por um momento, eu fiquei a admirando. era linda, arriscaria dizer que era uma das moças mais bonitas de Hogwarts. Mas seus cabelos loiros e seus olhos acidentados não me deixavam esquecer de quem era filha. Ela era uma Malfoy, e possivelmente uma comensal. Tratei de tirar esses pensamentos de minha cabeça, não podia perder tempo pensando essas coisas. Quando olhei pro seu irmão, que tinha o maxilar travado, o expresso parou. Todos os passageiros se levantaram com rapidez, mas parece que o loiro não estava com pressa nenhuma.

— Vocês não vem? — Fawley perguntou, e a resposta veio de Draco, enquanto segurava o braço da irmã, a fazendo sentar no banco, ela parecia confusa.
— Depois, podem ir na frente.
Após todos saírem do vagão, Draco se levantou, fechando a porta e as cortinas. Isso não estava me cheirando bem.
— PETRIFICUS TOTALUS — Antes mesmo de conseguir ter alguma reação, ouvi o loiro gritar e logo cai no chão, petrificado. - Você fica tão melhor assim, calado.

O vi sorrindo enquanto se aproximava de mim e deu um belo chute na minha cara. Puta Merda, ele ia me pagar!
— Pense duas vezes antes de nos espionar novamente, Potter. Boa viagem de volta a Londres — cuspiu as palavras em minha cara, antes de me cobrir com a capa e sair do trem.

Melin, eu estava ferrado! Quanto tempo demoraria para Hermione sentir minha falta e vir me procurar? Merda, se o trem já tiver saído quando ela notar minha ausência? Eu precisava fazer algo, mas o quê? Continuei pensando o quão ferrado estava até ouvir o som de alguém se levantando e parando perto de onde eu estava.
— ACCIO — e, por segundos, minha visão ficou incomodada com a iluminação do vagão. Quando voltei a enxergar novamente, estava segurando minha capa com um sorriso de lado. — Só para você saber, não estou fazendo isso por você. Não quero que meu irmão se ferre por sua culpa. — Por minha culpa? Será que ela não viu quem foi o real culpado por isso? — Não acredito que eu vou fazer isso, merda, Draco. FINITE INCANTATEM.

Voltei a sentir meu corpo e me apressei em levantar, não estava disposto a vê-la mudar de ideia. Fiquei alguns segundos a encarando, confuso e, quando ela percebeu, rolou os olhos.

— Hm… Obrigada por isso, eu…
— Chega de papo, Potter. Já disse que não fiz por você. E se isso chegar em alguém, eu nego. — Disse e saiu do trem. Bem, talvez, só talvez, Malfoy não fosse tão má assim.

Pov:


Não acreditava em Draco, será que ele tinha ideia do quão ferrado estaria se não fosse por mim? Ele era um idiota. Não, ele era um Grande Idiota, isso sim. Bufei ao notar que passei o caminho todo até o salão principal pensando em formas de matar meu irmão sem levantar suspeitas.

— Você demorou, Sis, quis ver a desgraça do Potter por mais tempo?
— Você é um idiota, Draco! — Ele me encarou perplexo — Você ao menos pensou em como sair da encrenca que seria quando todos descobrissem?
— Bem, não mas…
— Exatamente. Da próxima vez, pense nisso e não dependa de mim para ajeitar as coisas. — o cortei rapidamente e fui para mesa da Sonserina. Eu estava puta e se ficasse perto dele por mais tempo, não me responsabilizaria por meus atos.
— Hey , o que rolou?
— Nada, , só o Draco fazendo merda e eu tendo que ajeitar, como sempre.
— Você devia o deixar se ferrar um pouco, talvez assim ele aprendesse a lição — Suspirei, ela estava certa. Não adiantava sempre limpar a sujeira dele se ele fosse continuar a fazer as coisas sem pensar. — Mas o que foi que aconteceu agora? - Contei tudo pra , afinal, não tínhamos segredos.
— E foi isso. — Então, você ajudou o Potter? — tinha as sobrancelhas erguidas — Nossa, eu nunca imaginaria logo você o ajudando.
— Ah, por favor, não fiz isso por ele. Fiz isso pelo meu irmão.
— O Draco não pediu para salvá-lo, . Você fez isso por você. Admita que talvez você não o odeie tanto. — minha amiga falou como se não fosse nada demais e eu a olhei indignada.
— Eu? Por favor, , você sabe sobre meu desprezo por ele.
— Você mal o conhece. — E eu não preciso. — Gritei, fazendo com que grande parte das pessoas do salão me olhassem curiosas. — Não quero falar disso — sussurrei para minha amiga que nem teve tempo de me responder, já que Dumbledore se levantou, dando início à seleção das casas.

Eu amava essa parte, e sempre tentava adivinhar a casa de todos os novatos, mas hoje em particular não estava com muita animação. Eu me sentia observada e quando finalmente levantei meu olhar, encontrei os olhos verdes de Potter, me fitando com curiosidade. Revirei os olhos e voltei a olhar para os calouros. Eles pareciam muito mais interessantes agora. Continuei me sentindo observada, mas não ousei o olhar mais nenhuma vez, só desviando o olhar do chapéu quando as comidas foram servidas.

— Ah, fala sério, ele é uma gracinha, Pansy, e acho que está olhando para você.
— Não faz meu tipo, . Mas se quiser, o cartão está liberado.
— Ah, é verdade, você prefere os loiros e branquelos — minha amiga respondeu, fazendo a outra sorrir enquanto fiz minha maior cara de nojo — Eu sei que é seu irmão, , mas ele é um gato.
— Vou considerar isso um elogio, obrigada — joguei meus cabelos pra trás e fiz minha melhor cara de inocente.
— E você, Malfoy, quem mais chamou sua atenção? — Parkinson me perguntou e fiz o máximo possível para não revirar os olhos. Realmente, não gostava dela.
— Ninguém. O Oliver saiu de Hogwarts agora há pouco, não estou programando sair com alguém.
— Vocês ainda estão juntos? — minha amiga perguntou. Oliver era um Lufano que foi meu namorado desde o quarto ano até as férias. E, por incrível que pareça, eu não sentia nada mais que carinho por ele.
— Não, somos só amigos agora.
— Finalmente, não suportava ele — meu irmão disse, se aproximando de , que sorriu para ele e continuou
— Acho que ninguém daqui, Draco.
— Não sei o motivo, ele é uma gracinha. — e de fato era. Oliver esteve comigo em todos os momentos difíceis, se não como amigo, foi como namorado.
— Ele era muito grudento, . Acho que você ficaria melhor comigo — Crabbe se intrometeu na conversa, me fazendo rir um pouco. Ele era engraçado, mas nunca passaria do amigo de Draco para mim.
— Supera, Vicente, esse é o sexto ano que você tenta algo com a e ela sempre diz não. — o Loiro disse, fazendo o menino murchar. Fiquei com pena dele, mas não negaria o fato.
— Monitores, por favor levar os calouros para seus dormitórios. Seus horários estarão em cima de suas camas, tenham uma boa noite. — Minerva nos avisou e logo todos os professores saíram.
— Temos que ir, Draco. Te vejo no quarto, .

puxou meu irmão para perto dos mais novos e eu fiquei encarando-os por um momento. Shippava os dois, mesmo que minha amiga dissesse que nunca teria algo com ele, eu suspeitava que ela queria, sim. E, se fosse para Draco ficar com alguém, era a mais indicada. Ela era bonita, legal, Puro-sangue, e sua família possuía os mesmos interesses que a nossa. Dei de ombros, falaria com minha amiga sobre isso mais tarde.
Andei junto aos outros alunos da Sonserina para as masmorras, onde ficava nosso salão comunal. Não estava a fim de falar com ninguém dali, então após descobrir que a senha seria Puro-Sangue, me dirigi ao meu quarto e fui ver meu horário. Agradeci mentalmente por só ter aula com a Grifinória após o terceiro horário. Peguei meu malão e procurei por meu pijama, que não foi difícil encontrar, ele estava estrategicamente colocado ao lado do meu kit de higiene. Apenas troquei de roupa e me preparei para dormir, sabia que ia demorar para chegar, e eu não estava disposta a esperar mais cinco minutos.

Harry Pov:

Acordei e percebi que havia dormido enquanto esperava Ron voltar. Estava todo troncho, mas vi que não valia a pena voltar a dormir, o sol já estava nascendo e o sono tinha se esvaziado do meu corpo. Peguei meus óculos, vesti meu uniforme e saí do quarto, não acordaria Ron ou ninguém mais. Não havia ninguém no Salão Comunal, então resolvi andar por Hogwarts. Saí pelo quadro da mulher gorda e só continuei andando, não sabia para onde estava indo. Cheguei na escadaria que me levaria ao sexto andar, mas parei ao escutar vozes. Me escondi atrás de um dos pilares.

— Para onde estamos indo? Precisava ser essa hora?
— Recebi uma carta, — congelei ao escutar o nome da garota, aquilo não podia ser coisa boa — e você vai querer vê-la.
— E não pode me mostrar aqui?
— Não é seguro.
— É tão importante assim?
— Você sabe que sim. — O tom de Draco foi cortante. Não sabia o que aquilo significava, mas com certeza Voldemort estava envolvido. — vamos.
— Para onde?
— Sala precisa.

Não consegui escutar mais nada da conversa, eles já estavam longe. Mas agora eu sabia que mais gente sabia sobre aquela sala. A diferença é que eu sentia que o uso deles para a sala era completamente diferente.
Voltei para o salão comunal, eu precisava falar sobre isso com alguém. Encontrei Hermione sentada lendo um livro perto da lareira.

— Harry, que surpresa. Achei que ainda estavam dormindo.
— Não tive uma boa noite. Resolvi sair do Salão mais cedo e adivinha o que eu descobri. — Hermione fechou o livro e me olhou, percebi que ela não tentaria adivinhar e continuei — Os Malfoys estavam indo para a sala precisa. Você não acha isso suspeito?
— Harry, não quero discordar de você, mas já pensou que eles podem ter ido só passar um tempo lá?
— Não, não era isso, eles falaram sobre uma carta que Draco recebeu.
— E como você sabe que não é uma carta sobre questões familiares? Sei que os pais deles são Comensais e essas coisas, mas você ainda acha que eles estão do lado de Você-Sabe-Quem?
— Eles não são pessoas modelos por aqui — cruzei os braços. Sabia que ela estava certa, não podia julgá-los pelos seus pais, mas aquilo me parecia tão certo…
— Não são modelos? Até entendo sobre o Draco, Harry, mas a sempre tira as melhores notas e suspeito que isso seria afetado se ela estivesse envolvida nessas coisas — Revirei os olhos e minha amiga suspirou — Vamos ficar de olho neles, ok? Só não pira com isso.

Concordei e me sentei ao seu lado. Mione me falou algo e voltou a ler, mas meus pensamentos estavam longe dali. Não havia contato para ninguém o que aconteceu no trem. Sabia que ela não se importava comigo, mas minha mente me traiu a noite toda, revivendo aquela cena em loop. Isso me fez perceber que talvez Mione estivesse certa sobre eles. Talvez eu realmente estivesse imaginando coisas que os fizesse parecer suspeitos. Fui tirado dos meus pensamentos com uma mão no meu ombro.

— Harry, você está bem? Estou te chamando faz tempo. O que aconteceu com você?
— Oi, Ron, estou, sim. Só não consegui voltar a dormir.
— E o que vocês acham de ir para o salão principal? Estou com fome. — nós três rimos. Ron Weasley sempre estava com fome.

Levantamos e fomos em direção ao salão. A escola já estava mais movimentada, fazendo-me perguntar que horas deveriam ser. Apenas ignorei isso quando entramos no grande salão, todas as mesas estavam cheias de comida e o cheiro era maravilhoso. O casal ao meu lado falava sobre as aulas de hoje, e agradeci por eles já saberem para onde iríamos pós-café, já que eu havia pegado no sono antes de ler qualquer coisa referente às aulas. Nos sentamos e eu me entretive com meu Kipper e meu suco de abóbora. O salão começou a encher quando acabamos nosso café, o que nos fez sair rapidamente dali.

— Esqueci de pegar meus livros, eu já volto, ok? — perguntei e saí correndo sem esperar resposta. Mas na primeira curva que passei, senti meu corpo bater em algo, algo consideravelmente bem menor que eu, já que só cambaleei enquanto a pessoa caiu no chão. — Me desculpa, você tá bem?
— Por Merlin, Potter, não olha por onde anda? — ignorou minha mão estendida e se levantou.
— Eu estava apressado e…
— Sinceramente? Não me importa, Harry, contanto que não aconteça de novo. — me irritei com aquilo, quem ela pensava que era?
— Não é como se eu quisesse esbarrar em você. Foi um acidente.
— Que seja. — Falou isso e passou por mim, atraindo olhares variados de outros alunos. Ri nasalado, se em algum momento eu falei algo positivo dela, retiro o que eu disse. Malfoy com certeza estava na minha lista negra.

Pov:

Meu humor estava péssimo e, para melhorar, Potter ainda se meteu no meu caminho. Não sabia o motivo, mas eu não gostava de Harry, sei que fui desnecessária, mas eu não aguentava ele. A forma que ele estava sempre se fazendo de herói… Me dava náuseas. Tratei de tirá-lo da cabeça quando encontrei com e Draco no corredor. Percebi que ainda não havia falado com a minha amiga sobre ele, então achei que o momento era perfeito.

— Vou roubá-la de você por uns minutos, Draco — segurei o braço de e sorri para ele. — À vontade, tchau, , . — esperei até meu irmão estar longe o suficiente para me virar pra e despejar.
— Ok, me conta o que tá rolando entre vocês.
— O quê? — corou — Não tá rolando nada,
, você é minha melhor amiga. Eu sei quando você está mentindo.
— Tá bem, você ganhou — vi minha amiga bufar e olhar para mim — eu sou a fim dele desde o terceiro ano. Pronto, feliz?
— Demais! Mas por que você nunca me disse?
— Ele é seu irmão, não queria que o clima ficasse estranho entre a gente… Além do mais, ele só me vê como uma amiga.
— Ah, por favor, meu irmão é fácil, Fawley.
— Eu não sei,
— Me promete que vai tentar? Não quero forçar nada, amiga, mas dá pra ver a tensão sexual entre vocês.
MALFOY — ela me repreendeu, rindo, enquanto eu a acompanhava — Não existe tensão sexual entre a gente — praticamente sussurrou pra mim.
— Existe sim, querida, e uma pesadíssima.
— Pior que a sua com o Potter? — Fechei a cara e ela gargalhou — É brincadeira, !
— Não vi graça, Fawley. Aula de transfiguração agora?
— Aham.

E fomos em direção à sala da Minerva. Por incrível que pareça, eu gostava dela, e sempre fui boa na matéria. A única diferença é que agora era transfiguração humana, mas não era nada que com um pouco de treino não fosse possível.
As aulas foram rápidas e nunca odiei tanto o relógio. Defesa contra as artes das trevas… Com a Grifinória. Snape já estava em pé, esperando os alunos chegarem, quando entrei com . Sem mesas. Ótimo, devia ser algum duelo.
— Para quem não me conhece, sou o professor Snape, e não achem que eu pegarei leve com vocês esse ano. Vamos começar com feitiços não verbais. Formarei duplas, prestem atenção, pois não repetirei outra vez — Fawley com o Weasley, Granger com o Malfoy, Parkinson você fica com o Logbottom, Malfoy em miniatura — me olhou, me fazendo sorrir forçado - você fica com o Potter, Crabbe… — parei de ouvir nesse momento. segurava minha mão com força como se dissesse “não faça besteira”. Bem, eu não iria garantir aquilo.
— Acho que Merlin resolveu brincar com minha cara hoje - disse ao meu irmão que apenas deu de ombros.
— Também não estou feliz com isso, , mas tem que ser feito.
— Quer parar de ouvir minha conversa, Potter? - disse quase cuspindo seu nome e me virando para ele.
— Boa sorte.
— Quem precisa de sorte aqui é você. — peguei minha varinha e me coloquei de frente para o menino. Basicamente, teríamos que atacar e defender com feitiços mudos.
— É o que veremos.

Ataquei, mas ele foi rápido e defendeu. Admito que fiquei surpresa, talvez ele não seja tão inútil assim. Atacou. Defendi com uma velocidade surpreendente, mas ainda mais lenta que ele. Ficamos nessa por uns minutos e eu decidi aumentar um pouco o nível, lancei um feitiço que havia aprendido, ele era mais forte que os outros. Harry não teria como pará-lo em um feitiço mudo. Percebendo isso, ele arregalou os olhos, e antes de eu conseguir ter alguma relação, ele gritou

— ABERRATIO ICTUS — e apontou pra mim. Senti a dor me atingir e quando abri os olhos, percebi que fui lançada para o outro lado da sala.
— Ora seu… ALARTE ASCENDARE — Harry foi lançado para o alto, caindo com forças no chão.
— JÁ CHEGA! Feitiços Mudos, vocês sabem o que significa? Menos 10 pontos para ambas as casas!
— Mas isso não é justo professor, ele me atacou! Eu apenas revidei!
— Não é justo senhorita Malfoy? Detenção. Sexta. Para os dois. Isso é mais justo, eu presumo. — Ele me olhava com raiva e eu me senti pequena. Não deveria enfrentá-lo. Abaixei a cabeça — Mais alguém pensa que não é justo? — silêncio — Ótimo, continuem.

Potter me olhava com raiva, mas não me abati, olhava igualmente furiosa para ele. Ele se aproximava e, por algum motivo, eu não me incomodei por isso. Ele se aproximou o suficiente para que só nós dois escutássemos a conversa.

— É guerra que você quer, ? É guerra que você terá. — ele ia se afastar, mas segurei seu braço, o fazendo se voltar pra mim.
— Já vou te avisando, não costumo perder — ele se aproximou mais e sussurrou no meu ouvido.
— Com certeza, você vai aprender — e se afastou, como se não tivesse dito nada.

Agora é oficial: eu odeio Harry Potter.


Capítulo 2

Pov:


— Bom dia a todos! Para quem não me conhece, sou o Professor Horácio Slughorn, darei aula de poções para vocês neste ano.
— Isso tá meio óbvio — Meu irmão resmungou baixo, apontando para os frascos em nossa frente, me fazendo sorrir.
— Bom, alguém sabe me dizer quais poções são essas aqui na frente?
— Esse vai ser o nível da aula? Esperava mais do famoso Slughorn — cochichei pra Draco, mas ele riu alto, atraindo a atenção de todos para a nossa mesa. Atenção que foi tirada totalmente com o som irritante da voz de Hermione.
— Essa é uma Veritaserum, ela força a pessoa a dizer a verdade. Já essa segunda é uma Polissuco, complicada demais de se fazer, mas permite com que a pessoa se transforme em quem ela quiser. — parou em um momento e olhou para os dois ao seu lado, que riram baixo, me fazendo franzir o cenho, o que tinha de engraçado nisso? — A última é a Amortentia, a poção de amor mais poderosa do mundo… Cheira diferente para cada pessoa, dependendo do que a atrai… Para mim, cheira a grama recém-cortada, a pergaminho novo e pasta de dente de hortelã.
— Nossa, Granger, sua vida amorosa é tão tediosa assim? — meu irmão falou alto me fazendo rir e dar uma cotovelada em sua barriga.
— Porém, a Amortentia não gera amor de verdade. Só uma paixão poderosa, ou até mesmo obsessão. — O professor cortou e tampou o caldeirão rapidamente, mostrando um pequeno frasco. — Alguém sabe me dizer qual é esta?
— A Felix Felicis é a poção da sorte, também conhecida como sorte líquida. Faz com que quem a tome, fique com sorte por um certo período de tempo. — ri baixo com aquilo e Hermione me olhou com raiva
— Bem, o que você esqueceu de falar foi que ela é praticamente impossível de ser feita e é tóxica em grande quantidade. Além de que pode ser desastrosa se feita erradamente… E precisa de 6 meses antes de ser consumida. Fora que é completamente proibida em competições, como no quadribol. — Revirei os olhos quando ela se virou para encarar o professor.
— Sim, muito bem, Senhoritas…?
— Hermione Granger — me olhou e eu apoiei meu queixo em minha mão, em pleno sinal de tédio.
Malfoy.
— Bem, muito bem senhoritas Granger e Malfoy, estou surpreso com o nível dos alunos esse ano — olhou fixamente para Granger e depois voltou o mesmo olhar para mim — 10 pontos para cada uma! — houve uma pequena comemoração dos alunos da Sonserina em cima de mim, e eu apenas sorri satisfeita. — Como foi dito, a poção é praticamente impossível de ser feita e eu vou entregar esse frasco — mostrou novamente o frasco com um líquido dourado dentro — de Felix Felicis para a pessoa que produzir com maior semelhança a poção do morto-vivo. A poção está explicada na página dez de seus livros, podem começar. — Estava abrindo o material quando a voz de Harry Potter se fez presente.
— Hm, Professor Slughorn, eu e o Ron estamos sem livros e…
— Sem problemas, Harry, tem alguns lá trás — apontou para as estantes atrás de mim e vi quando o olhar de Harry cruzou o meu, revirei os olhos e voltei a ler sobre a poção que teria que ser feita.

Poção do Morto-Vivo

Ingredientes:
- Raíz de asfódelo em pó
- Infusão de losna
- Raízes de valeriana
- Vagem soporífera

Poção bastante poderosa que faz a pessoa parecer morta viva. Ela toma a poção e fica adormecida por um bom tempo.

Não parecia uma poção tão difícil de fazer, mas sabia que a realidade era muito diferente disso. Draco ao meu lado parecia animado com o prêmio e eu não ousei atrapalhar em nada.

— Acho que isso não está dando certo — olhei pra minha poção e voltei a sentar, ela não ficaria melhor que aquilo de todo jeito.
— Senhorita Malfoy, até que não está nada mal — me lançou um sorriso e retribui. Logo o professor olhava com os olhos arqueados para a poção do meu irmão — Draco, receio dizer que a sua está longe do aceitável. — e saiu em direção a outra mesa.
— Como você faz isso?
— Isso o quê?
— Você é boa em todas as matérias, !
— Se chama estudar, e eu sou péssima em adivinhação — Meu irmão revirou os olhos e eu sorri fraco, adorava ser uma das poucas pessoas que conheciam o verdadeiro Draco.
— Potter, isso está perfeito! Tome tome, você mereceu a poção.
— O Potter ganhou? — Cutuquei e ela assentiu — Como ele conseguiu? Até o ano passado, ele era péssimo em poções!
— Não sei, mas a dele realmente parece estar boa — deu de ombros e eu bufei. Maldito Potter!

Harry Pov:

Eu buscava em minha mente todos os possíveis motivos para ser chamado na sala de Dumbledore, mas nenhum me parecia importante o suficiente.

— Harry, que bom lhe ver, como vão as aulas?
— Vão bem, suponho que o professor Slughorn esteja superestimando minhas habilidades, mas fora isso vão bem.
— E suas atividades fora da sala de aula? — Franzi o cenho, o que ele queria dizer com isso?
— Como?
— Notei que passa muito tempo com a senhorita Granger, fiquei me perguntando se…
— Oh, não! Por Merlin, não! Ela é brilhante e somos amigos, mas não.
— Desculpe-me, só estava curioso. De qualquer modo, suponho que você saiba que eu não lhe chamaria aqui para falar apenas da senhorita Granger, certo? — Assenti e o diretor continuou — Quando Tom Riddle veio a Hogwarts, ele se aproximou de um professor em particular, você imagina quem? — Uma lâmpada se acendeu em minha mente, é claro!
— Não trouxe o professor Slughorn apenas para ensinar poções certo?
— O professor Slughorn tem uma coisa que eu desejo muito, Harry — me olhou pelos óculos meia lua — E não vai abrir mão dela tão facilmente. Preciso que você se aproxime dele. Preciso que você descubra mais sobre Tom Riddle.

Após o pedido de Dumbledore, a semana passou rápido, pra minha infelicidade. Consegui evitar durante a maioria dos dias, mesmo tendo a maioria das aulas junto à Sonserina,. E quando não conseguia, a garota fazia questão de me ignorar, o que eu agradecia mentalmente. Em compensação, o segundo Malfoy estava mais suspeito que nunca, sempre indo à sala precisa e matando diversas aulas, além de que ele estava mais pálido e com mais olheiras que o normal.
Pensaria nisso depois, pois agora precisava colocar minha cabeça em ordem. Respirei fundo, não estava preparado para ouvir os gritos de . Cheguei na cabana de Hagrid e Malfoy já estava lá, porém não conversava com meu amigo, parecia com… nojo de dirigi-lo a palavra. Revirei os olhos. Típico.

— Boa noite, Hagrid, não sabia que você ainda estava trabalhando na detenção.
— Não se pode perder as origens, certo?
— Concordo.
— Senhor Potter, senhorita Malfoy? Podemos ir?
— E para onde vamos exatamente?
— Você nunca ficou de detenção? — a olhei com o queixo caído, isso era possível? Sabia que era uma boa aluna, mas até Hermione já veio pra detenção antes. A vi encolher os ombros e a olhei ainda mais curioso, se não a conhecesse, diria que ela parecia uma garotinha perdida.
— Não…
— Tudo bem, , vamos para a Floresta Proibida, mas não precisa ter medo, nós já…
— Não estou com medo, Professor — e por algum motivo, acreditei naquelas palavras.
— Então, vamos, quero que vocês fiquem de olho bem aberto, estou procurando um Agoureiro, suponho que já saibam o que é, certo?
— Sim — a menina falou antes de mim, mas dei de ombros, a resposta era a mesma.
— Ótimo, então vou com o Canino por esse lado, e vocês dois vão pelo outro — Hagrid apontava para os lados e antes que conseguisse dizer qualquer coisa, ele saiu andando com o cachorro pelo lado direito, me fazendo encarar a loira ao meu lado, que também não parecia animada. Resolvi dar o primeiro passo.
— Vamos logo, quanto mais rápido acharmos, mais rápido voltamos para Hogwarts.
— Tem razão, não quero passar mais tempo que o necessário aqui, principalmente com você — Puxei seu braço com força, fazendo-a me olhar com raiva.
— Qual o seu problema comigo, Malfoy?
— Sua cara me dá náuseas — disse firmemente e voltou a andar
— Me poupe disso, você…
— Xiu, cala a boca.
— Não, , eu realmente…
— Potter, é sério, cala a boca. — Ela se pôs de frente pra mim, me prensando contra uma árvore. Seus olhos estavam arregalados e um arrepio passou pela minha espinha no momento em que sua respiração bateu no meu rosto. Continuei imóvel, sabia que devia ter uma ótima explicação para aquilo. E de fato tinha. Um dementador passou ao nosso lado. Depois outro, e outro. Vários. Eu simplesmente não tinha reação. Meus olhos resolveram se fixar na menina à minha frente, não teria coragem para continuar olhando os vultos. O cabelo loiro estava impecável, o que me fez duvidar que em algum momento eles não estavam, minha expressão de medo era gritante e acho que ela percebeu isso, já que me abraçou com força. Não estávamos em nossas melhores condições, mas com certeza estava muito melhor que eu, e ela transmitia isso pra mim. Ficamos assim por algum tempo, e quando percebi que eles já tinham passado, levantei meu rosto enquanto a loira tirava os braços de mim.
— Tá tudo bem, Harry?
— Foi só o susto…
— Não parecia só um susto. — lembrei do terceiro ano. Aula do bicho-papão. Sonserina e grifinória. Era por isso que sabia que meu maior medo eram os dementadores. Mas o que mais me assustou foi ver o quão protetora ela tinha sido. Ela tinha praticamente me escondido, sem se importar se iam ou não sentir as emoções dela.
— Por que fez aquilo?
— Aquilo o que, Harry?
— Você me escondeu, mas não se importou se eles iam ou não ver suas emoções
— Não sei do que está falando, Potter. — disse, sua voz voltando ao tom esnobe que tanto me irritava. Bufei alto, voltando a andar pelo caminho que tínhamos vindo.

O caminho havia sido silencioso, ninguém ousava falar e quebrar o silêncio desconfortável que tinha se instalado ali. Respirei fundo quando chegamos na frente da cabana do Hagrid.

— Obrigada por… você sabe — ela me olhou e balançou os ombros, em um sinal de tanto faz — se você quer agir assim…

A loira virou de costas, me fazendo ouvir apenas um sussurro antes de ouvir passos se afastando.
— Dementadores são atraídos por emoções positivas.

Pov:

Eu só queria sair dali. Não aguentava olhar pra Potter depois do que aconteceu. Eu não fazia ideia do motivo de ter feito aquilo. Eu não me importava com ele, então por que me arriscar assim? Bufei, cansada, preferindo achar que faria aquilo por qualquer um, mesmo sabendo que não era a verdade.

— Como foi a detenção, Malfoy?
— Nada que você precise saber, Parkinson — respondi no mesmo tom de deboche. Mal havia entrado no quarto e a cara de buldogue já começou a encher o saco, por Merlin!
— Nossa, parece que o Potter piorou seu humor em dez vezes, , você tá bem?

Não conseguiria ser grossa com , mas não estava mesmo com saco de relembrar tudo que tinha acontecido, então fiz um sinal para conversarmos depois e fui em direção ao banheiro, segurando meu kit higiene e meu pijama. Tomei um banho com a maior calma possível e vesti meu pijama verde esmeralda. Escovei os dentes, prendi meu cabelo numa trança simples e saí. Esperava que todas estivessem dormindo, mas minha ideia foi por água abaixo quando vi deitada na minha cama, me olhando preocupada.

— Primeiramente, quero que você saiba que está tudo bem… — isso foi o suficiente para a menina sentar e apontar pro lado da cama com uma cara séria. E a cara só foi piorando com cada palavra que saía da minha boca, até que eu parei. Tinha contado tudo pra e ela estava estática, não falava nada e os olhos estavam fixos no chão. — ?
— Você tem noção do que poderia ter acontecido?
, eu…
— Por que você não se protegeu, Malfoy? — era um tom seco, nunca usara esse tom comigo. Decidi ser sincera com ela.
— Eu não pensei em me proteger.
— Mas pensou em proteger o Potter, pelo jeito.
— Não. Não pensei, eu só… — suspirei baixo — só não queria que ele perdesse as únicas memórias dos pais e, quando vi, já tinha feito.
— Você se importa com ele ? — ela suavizou a voz.
— Não me importo. Mas eu sou humana, sei como seria difícil pra ele.
— E não seria pra você? — aquela pergunta me atingiu em cheio. Seria difícil pra mim perder minhas melhores memórias? Claro que seria, mas os responsáveis por elas eram em sua maioria Draco, tendo muitas com , algumas com minha mãe e alguns, poucos, amigos. Só. Não lembrava de muitas pessoas que já tivessem me feito realmente feliz antes.
— Todas as pessoas que eu amo estão vivas, .
— Ok, entendi o ponto. — pensou um pouco e suspirou — Foi legal da sua parte.
— É, acho que sim.

Não falamos mais nada. saiu da minha cama enquanto eu deitava nela. Mas, por algum motivo, não consegui dormir. Meu cérebro trabalhava em tudo que aconteceu nessa semana. A carta de Draco era prioridade nos meus pensamentos. Não acredito que nossos pais realmente estavam pensando naquilo. Depois de tudo que eles passaram… Tratei de tirar isso da minha mente. Mamãe não deixaria acontecer. Ela não podia deixar acontecer.

Harry Pov:

— Por Merlin, Harry, dá pra sair desse livro?
— Eu não fico nele o tempo todo!
— Fica sim, está até parecendo a Mione — Ron retrucou, me fazendo bufar e guardar o livro de poções do Príncipe Mestiço que havia pego na aula do Slughorn. — Abre um sorriso, Potter, eu finalmente vou entrar pro quadribol!
— Ainda tem o teste, Ron, não posso te garantir a vaga.
— Você é meu melhor amigo e Capitão do time, qual é…
— O Córmaco também está competindo como goleiro.
— O Córmaco? — ri da reação exagerada de Ron e o puxei pro campo — Qual é, ele faz mais o tipo batedor.
— Não tenho como negar isso, mas de todo jeito… — falei pra ele e aumentei meu tom de voz, para todos me escutarem com clareza — Pessoal… — Mas parecia que a maior parte do time realmente ignorava minha presença — Gente…
— CALADOS — Gina falou do meu lado e me assustei com sua presença, mas ao notar que a atenção estava em mim, voltei a falar.
— Obrigado — olhei pra ela, que balançou a cabeça em um sinal claro de “não foi nada” — Muito bem, muitos de vocês foram selecionados ao longo dos anos… bem, isso não significa que terão uma vaga no time. Todos terão que merecer as vagas, fui claro? - Concordaram — Ótimo! Vamos começar os testes, então.

Os testes para artilheiros e batedores foram ótimos e eu realmente acho que os novos batedores são tão bons como Fred e Jorge eram. Ron e Córmaco estavam se preparando para subir em suas vassouras quando ouvi a voz de Luna e dei as costas ao campo.

— Foi ótimo, , me senti como se realmente fôssemos amigas — A Corvina riu, mas a outra não acompanhou e fez uma cara de choque.
— Mas nós somos amigas, Luna! Você é uma das poucas que eu gosto daqui! - As duas se abraçaram rapidamente e eu estranhei aquilo. Tudo bem que era impossível não gostar da Lovegood, mas a Malfoy?
— Eu também gosto de você, , mesmo com o seu mau humor.
— Por Merlin, Lovegood, não me faça odiar você — revirou os olhos, um movimento tão característico dela.
— Oi, Harry — Luna disse, me fazendo arregalar os olhos e notar que as duas me olhavam com reações distintas. Enquanto a Corvina parecia feliz em me ver, a Malfoy parecia com vontade de me lançar uma maldição imperdoável.
— Não te ensinaram que é feio ouvir as conversas dos outros? — Eu podia jurar que vi o veneno escorrendo de seus lábios.
!
— Pode deixar, Luna — tentei tranquilizar a menina e revirou os olhos.
— Mais tarde falo com você — Se referiu à Corvina e saiu.
— Não sabia que vocês eram amigas.
— Conversamos desde o segundo ano, ela é legal. — arqueei as sobrancelhas e ela pareceu entender — Quer dizer, ela realmente não parece gostar de você, mas lá no fundo ela é legal.
— Duvido muito disso — olhei para onde a loira tinha ido e dei de ombros, voltando a focar na seleção do quadribol a tempo de ver Córmaco perdendo a última bola e Lilá Brown gritando a plenos pulmões em homenagem a Ron.

Pov:

Acordei com me chamando e pedindo um prendedor de cabelo. Apenas estiquei o braço para a morena, que puxou um prendedor e seguiu ao banheiro. Me sentei na cama, ainda cansada. Odiava ser acordada, aquilo me deixava com um péssimo humor. A única coisa que me alegrava no momento era lembrar que sairíamos do castelo. O legal dos dias em que íamos para Hogsmeade era vestir uma roupa diferente do usual, mesmo que precisasse usar pelo menos algo da cor principal da sua casa, o que eu achava ridículo, mas não questionaria, verde era minha cor favorita de todo jeito. Peguei uma saia de couro preta e uma blusa verde de mangas compridas e gola alta, eu adorava o contraste dessas cores em minha pele. Calcei um tênis qualquer preto, peguei minha típica tiara verde e soltei o cabelo, que estavam com ondas mínimas, causadas pela trança da noite. saiu no banheiro e eu mal a olhei, entrei correndo para fazer minha higiene, deixando a porta aberta, já que não iria fazer necessidades. Ouvi uma falsa tossida e encontrei me encarando no batente da porta.

, você está linda! — finalmente olhei pra minha amiga, ela usava uma calça branca e uma blusa verde, bem parecida com a minha, mas as mangas eram curtas; seus cabelos estavam presos e havia uma bandana ali, também verde. Nos pés, estava um tênis branco. Ela estava linda.
— Você também, , mas isso não é nenhuma novidade. — ela riu alto, me fazendo rir também. Ela tinha esse efeito nas pessoas.
— Falou com a Lovegood recentemente? — Até podia pensar em ter sido uma pergunta inocente, mas ao olhar para o rosto da minha melhor amiga, percebi o incômodo dela.
— Sim, ontem mesmo. Não entendo por que não se falam.
— Por que eu tenho ciúmes de você?
— Por favor, Fawley, somos melhores amigas há muito tempo para você sentir ciúmes.
— Fale isso pro meu cérebro! — revirei os olhos para a atitude de e virei as costas para ela — Qual é,
— Vocês se dariam bem.
— Logo Malfoy dizendo isso?
— Cala a boca, suas amizades são péssimas — falei ao lembrar das diversas vezes que a morena tentou me apresentar alguma amiga.
— Eu sei, você está entre elas, né. — Fechei a cara e virei lentamente pra , que me encarava segurando o riso.
— Eu te odeio, Fawley.

Harry Pov:

Me animei. Sair do castelo era sempre bom. Tomar uma cerveja amanteigada e fazer estoques de doces eram meu objetivo principal do dia. Vesti uma blusa vermelha e minha calça preta, não tinha muito o que fazer. Mione e Ron estavam na sala e falavam sobre a poção do amor dos gêmeos Weasley.

— Mas é proibido aqui em Hogwarts — me meti na conversa.
— Eu sei, Harry, mas ouvi umas meninas comentando sobre usá-la em você, só… Tenha cuidado.
— Eu sempre tenho, Mione — era uma mentira, todos sabiam, mas era melhor do que deixá-la mais preocupada ainda.

Saímos do salão comunal e o corredor estava cheio. Estávamos saindo consideravelmente cedo, mas eu realmente não me importava. Quanto mais cedo formos, mais tempo teremos em Hogsmeade.
Vi meu amigo quase cair no chão quando passávamos pela porta do salão principal, e não foi surpresa nenhuma ver aquelas cinco pessoas nos olhando com nojo, bem… Pelo menos quatro delas estavam, Fawley nunca nos dirigia esse olhar, ela era até simpática. Ao seu lado estava , com aquele ar superior que me deixava com tanta raiva.

— Potter, vejo que vai participar do quadribol esse ano… De novo.
— É, Malfoy, por que? Medo de perder? De novo? — retruquei Draco no mesmo tom seco, fazendo o loiro revirar os olhos e Ron se aproximar de mim.
— Não vamos começar uma briga, tá bem?
— Cala a boca, Weasley.
— Qual sua mentalidade, ? — Hermione se meteu.
— Precisa que uma garota te defenda, ruivo?
— Goyle, chega. — o tom de voz de me surpreendeu, nunca tinha visto a garota levantar o tom.
— Não precisamos da sua ajuda, Fawley!
— Não fala assim com ela, sua sangue ruim — se pôs na frente da amiga em um ato de defesa e apontou um dedo para Mione.
— Tire o dedo da minha cara ou vai levar um soco. Fica até bonito, os dois irmãozinhos.
— Chega! Por Merlin! Vocês não podem passar cinco minutos sem brigar? — falou, por fim, puxando Draco pela mão. Os outros dois foram atrás como bichinhos e, quando vi, só a loira estava em minha frente. Me prontifiquei em falar quando percebi que ela ia embora.
— Ei, , podemos conversar? — não tirava a cena da noite passada da mente. A loira me fazia revirar os olhos constantemente, mas eu precisava esclarecer as coisas.
— Não acho uma boa ideia, Potter. — olhou pros meus amigos rapidamente e voltou a me encarar, novamente com o ar de superioridade.
— Eu só queria saber o porquê, Malfoy…
— Olha, Potter, esquece, ok? Não viramos amigos por conta de ontem. Não precisamos conversar nem falar disso. Só… finge que nada aconteceu. — saiu. Mas eu não conseguiria. Não sei se foi o agradecimento falando, mas eu corri atrás da menina, puxando sua mão e a fazendo me olhar assustada.
— Só queria dizer… obrigado.
— Eu teria feito por qualquer um.
— Não, não teria — falei antes mesmo de pensar no que dizia. A vi levantar as sobrancelhas, então tratei de me explicar — Quer dizer, já te vi rindo de coisas piores. Por que você me protegeu daquele jeito?
— Harry, não foi nada eu…
, por favor — olhei em seus olhos. Não entendia como olhos tão bonitos pertenciam a pessoas como ela. Ela bufou.
— Eu só… Não queria que você perdesse as memórias dos seus pais. — aquilo me chocou. Malfoy estava pensando nos meus sentimentos?
— Mas… Por que você se importa? Quero dizer, você não é o tipo amorosa e protetora.
— Você não me conhece, Potter, não pode dizer nada sobre mim. — ela tinha razão, eu não tinha esse direito — Pode me soltar agora? — só aí percebi que ainda a segurava. Soltei como se tivesse levado um choque. E a vi olhando pra trás, e por cima de seus ombros estava Draco nos encarando.
— Era só isso…
— Se você diz — deu de ombros e foi ao encontro de seu irmão, recebendo um abraço e um beijo na testa enquanto ele ainda me encarava. Me virei e fui em direção aos meus amigos, com uma sensação estranha em meu peito.

Pov:

Hogsmeade estava cheia, me perdi de Draco nos primeiros minutos. Eu até voltaria para encontrá-lo, mas ele devia estar com Crabbe e Goyle e eu não estava com saco para aturar nenhum dos dois no momento.

— O que você quer fazer, ?
— Que tal irmos ao Três Vassouras? Meu corpo pede uma cerveja amanteigada.
— Eu diria que você é viciada.
— Talvez eu seja…
— Mas eu também sou, então vamos logo — segurou meu braço, me puxando para um dos nossos lugares favoritos no mundo. Entramos e logo Madame Rosmerta veio falar conosco.
— Meninas, senti saudades de vocês!
— Madame, continua linda como sempre — eu invejava a simpatia de .
— Vocês que estão lindas! Cada vez me lembrando mais da sua mãe, Fawley — disse sorrindo e olhando para e logo se virou para mim, seu sorriso vacilando por segundos — , eu estou impressionada com sua semelhança com seu pai — meu sorriso que já era pequeno, sumiu nesse exato momento. Odiava essas comparações. O clima ficou pesado até começar outro assunto aleatório, me fazendo agradecê-la com um olhar.
— Duas cervejas amanteigadas?
— Como sempre — disse mais seca do que eu gostaria. Adorava a Madame, mas não estava mais tão confortável. A senhora assentiu e saiu.
— Você não precisava ter sido grossa,
— Eu sei. — disse simplesmente, indicando que não falaria mais sobre isso. Não demorou nem cinco minutos para dois copos aparecerem em nossa frente, me fazendo agarrar um deles e dar um enorme gole.
— Dedos de Mel depois daqui?
— Lendo minha mente, loira? — sorri com isso e logo estávamos deixando os galeões em cima da mesa e indo em direção a melhor loja de Hogsmeade, na minha opinião.

A loja estava lotada, o que me deixou agoniada. Não suportava lugares cheios.
— O que você quer, ?
— O mesmo de sempre, Fawley. — disse, entregando uma boa quantidade de dinheiro para ela, que pegou e entrou na loja. Era sempre assim: quando o local estava cheio, ela entrava e eu ficava do lado de fora.
— O QUE HOUVE?
— ELA ESTÁ BEM?
— FOI DO NADA, EU NÃO SEI O QUE ACONTECEU!

Ouvi um barulho não tão longe de onde eu estava e, como a boa curiosa que sou, fui atrás do som.
— O que está acontecendo?
— Pelo amor de Merlin, o que faremos?
— Eu não estou entendendo — disse, tentando manter a calma, não podia criar uma cena ali no meio. Notei um par de olhos verdes me encarando, mas aquela não era a hora de me preocupar em odiar Harry Potter.
— A Cátia, ela simplesmente caiu… Eu não sei o que houve! — Liane me respondeu. Eu sabia que elas eram amigas.
— Ei, Cátia, você está me ouvindo? — sentei do lado do corpo caído da menina — Bell — disse mais alto e continuei sem resposta. Mas o corpo da garota começou a flutuar, me fazendo segurar seu braço, estava com medo de que o corpo simplesmente voasse até o espaço. — Alguém chame algum professor — ninguém se mexeu e eu revirei os olhos — AGORA! — gritei, fazendo com que alguns me olhassem com medo, outros saíssem correndo e Liane apenas me olhava com… Admiração? — Quando ela ficou assim?
— Foi um pouco depois de sairmos do três vassouras, ela estava carregando esse pacote e eu juro que tentei fazê-la não trazer, mas ela estava determinada e não me deu ouvidos, eu não sei o que houve!
— Tá tudo bem, Liane, ela vai ficar bem, com certeza os professores saberão o que fazer. — Ela respirou fundo e eu a olhei com pena — Tinha alguém lá?
— Tá tudo lotado, , eu só vi a Cátia com um embrulho e logo depois ela estava assim.
— O que tinha dentro? -— ela balançou a cabeça e apontou para um objeto no chão.

Revirei os olhos, com certeza aquilo era um objeto amaldiçoado, como Catia havia sido tão burra de pegar um objeto desses? Abaixei na intenção de descobrir o que era e quando eu vi um lindo colar com Opalas, a única coisa que eu consegui dizer foi:

— Puta Merda!


Capítulo 3

Pov:


Após a chegada de Hagrid, as coisas pareceram piorar. Fomos obrigados a voltar ao castelo e eu só consegui encontrar com no salão principal. Além de tudo, eu precisava falar com meu irmão, mas ele não estava em lugar nenhum.

— É sério, , eu estou preocupada.
— Relaxa, , Draco sabe se cuidar.
— Eu sei que ele sabe, mas estou preocupada até onde ele iria para…
— Para?
— Deixa pra lá, vamos continuar procurando.

Eu agradeci mentalmente quando minha amiga não respondeu, apenas continuou a busca por Draco. Não sabia como explicar o que eu achava que tinha acontecido.

— Acho que eu sei pra onde ele foi — disse, lembrando da sala precisa, ele tinha que estar lá.
— Quer que eu vá com você?
— Não, , mas obrigada — respondi e saí correndo para o sétimo andar. Estava quase chegando no corredor quando ouço o “trio de ouro” junto à Liane.
— Foi o colar, eu tenho certeza.
— Calma, Harry, a gente não sabe se eles estão envolvidos.
— Vocês viram Draco em Hogsmeade? Porque eu não vi. Tem que ter sido ele, me ajudou lá, por que ela faria isso se estivesse envolvida? — Aquilo fez com que eu sentisse uma enorme vontade de socar Potter, quem ele pensa que é para suspeitar de mim? Bufei.
— Eu não sei, mas vou descobrir.
— Vamos investigar, obrigada Liane — Granger agradeceu a menina, que veio em direção à escadaria. Me ajeitei, para acharem que tinha chegado naquele momento, e continuei meu caminho.
— Malfoy, precisamos conversar.
— Não tenho nada para falar com você, Potter.
— Eu acho que tem sim — segurou meu braço, me fazendo bater com força em seu peito. Olhei em seus olhos com toda raiva que podia; eu sabia que estava vermelha, sentia minha pele queimando.
— Se você não me soltar, eu não respondo pelos meus atos.
— O que vocês fizeram? — disse após me soltar e se afastar um pouco.
— Por incrível que pareça, eu não fiz nada. Sei que deve ser difícil pra você acreditar, mas é verdade.
— Onde está o Draco?
— Não somos grudados, Potter. Eu não sei onde ele está. — resolvi mentir. Eu tinha quase certeza do paradeiro do meu irmão, mas nunca deixaria eles falarem com ele antes de mim. — Se me der licença.
— Como você sabia o que fazer?
— Maldição Imperius, não é difícil reconhecer. Posso ir?
— O que você está fazendo aqui, ? — quem me fez a pergunta foi Weasley, me fazendo petrificar no mesmo momento.
— E-eu estou dando um passeio — disse a primeira coisa que pensei e me arrependi ao olhar para os rostos deles. — E gostaria de continuar meu caminho, se não se importam - dei um sorriso falso e continuei, sempre tendo cuidado para ver se eles não me seguiam.

Cheguei na frente da sala secreta e desejei com toda força encontrar meu irmão. A porta apareceu, me fazendo ter certeza que Draco estava lá.

— O que você fez?
— O que foi necessário — Me olhou e eu pude sentir a frieza de seu olhar.
— Eu preciso que você me conte o que aconteceu, ok? — ele assentiu e começou a contar.
— Nossos pais, ele vai matá-los se eu não fizer isso. Não queria te envolver nisso. — disse simplesmente e minha confusão aumentou. Do que ele estava falando?
— Me envolver em quê?
— Voldemort — meu corpo se arrepiou, mas não foi de uma forma boa.
— O que ele está te forçando a fazer?
— Eu tenho qu-que — ele gaguejou por um momento, revelando o quão assustado com essa ideia ele estava, e ao ouvir sua resposta, meu coração parou — matar Dumbledore.

Harry pov:


— Harry, você não pode acusá-los de serem comensais!
— Dumbledore vai saber o que fazer, Hermione.
— Você nem sabe se é verdade.
— Por isso vou falar que é o que eu acho — respondi Ron como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, para mim realmente era.
— Não sei, Harry…
— Eu só não quero que ele morra! — minha voz afinou e eu me assustei com o quanto aquele pensamento me afetava. Os dois me olharam demonstrando compreensão, me fazendo virar de costas ao casal e ir em direção à torre do diretor. Eu não queria acreditar que os dois realmente fossem capaz de machucar Dumbledore, principalmente ao olhar a forma que a loira tinha se portado, mas eu sei que ela sabe mais do que diz, e tenho plena certeza de que Draco também. Parei de frente para a Gárgula e falei baixinho a senha que lembrava do diretor me dizer - Bombas de Caramelo. A passagem se abriu e, praticamente correndo, cheguei à sala de Dumbledore.
— Harry, que surpresa vê-lo!
— Eu preciso falar com o senhor — disse, sério, e o diretor arqueou as sobrancelhas, mas sorriu, como se já soubesse que eu viria.
— Pode falar.
— Os Malfoys são comensais — disse de uma vez, não aguentava aquilo na minha garganta por nem mais um minuto.
— Isso é uma acusação bem séria, Harry, você tem provas?
— Eu simplesmente sei.
— Às vezes, o que acreditamos pode ser diferente da realidade.
— Eles estão tentando lhe matar! — o diretor apenas negou com a cabeça — É sim, eu sei!
— Eles não querem me matar.
— Não duvido, eles detestam os que não são sangue-puro, professor. — disse após um tempo, me lembrando do primeira conversa com os dois.

Flashback do primeiro ano…

Era meu primeiro dia em Hogwarts, Hagrid havia me levado à Estação, onde fiquei completamente perdido até encontrar com os Weasley’s. E, agora, me encontrava de frente a Ron, conversando e comendo a maior quantidade de doces possível, já que havia comprado todo carinho e tinha certeza de que sobraria ao menos a metade.
— Esse é o meu bichinho, o Perebas, por isso não posso falar nada sobre o sapo de Neville — disse, se referindo ao menino que havia entrado na cabine anteriormente, procurando seu sapo — Ele podia estar morto e ninguém ia saber a diferença. Fred e Jorge me ensinaram um feitiço para mudar sua cor para amarelo, quer ver? — Assenti, me animando em ver mais um pouco de mágica. Ron mal tinha erguido a varinha quando a porta da cabine abriu mais uma vez, mostrando uma menina com cabelos armados e dentes maiores do que o considerado normal.
— Alguém viu um sapo?
— Já dissemos que não — Ron revirou os olhos com um tom seco, mas a menina não pareceu se afetar, olhando fixamente para a varinha em suas mãos.
— Estão fazendo mágica? Quero ver.
— Hm… ok — o ruivo disse antes de se voltar ao rato em suas mãos — Sol, margaridas, amarelo maduro, muda para amarelo esse rato velho e burro — Disse, balançando a varinha, mas nada aconteceu, me pareceu que o pelo de Perebas ficou até mais acizentado.
— Você tem certeza que isso é um feitiço? — a morena arqueou as sobrancelhas e riu da cara vermelha de Ron — Não é muito bom, certo?
— Como se você soubesse fazer algum feitiço.
— Na verdade, já li e decorei todos os livros que nos mandaram comprar, sei alguns feitiços básicos, como — a menina me olhou e eu a encarei assustado quando percebi que sua varinha estava virada em minha direção. — OCULUS REPARO! — e quando fui ver, meu óculos estava praticamente novo, sem precisar da fitinha que eu usava para juntar as duas peças quebradas.
— Como você…
— Já estamos quase na escola, se eu fosse vocês, vestiria os uniformes — e saiu, voltando imediatamente — A propósito, meu nome é Hermione Granger, e você tem algo bem estranho bem aqui no nariz — apontou pro próprio nariz, se referindo a Ron e saiu definitivamente, me fazendo olhar chocado pelos conhecimentos dela e Ron revirar os olhos novamente, enquanto tentava limpar o nariz.
— Ela está certa, temos que nos trocar — Ron assentiu e, então, vestimos nossas vestes, prontos para conhecer a escola.

Hogwarts era muito maior do que eu esperava, sabia que me perderia ali várias vezes. Estava com os outros primerandos, esperando a professora Minerva voltar para nos levar até o chapéu seletor, até que ouço meu nome sendo dito em uma frase.

— Então, é verdade? Harry Potter veio para Hogwarts — e um murmúrio de todos os presentes começou a ser ouvido, que se viraram para encarar o mesmo ponto que eu. Eu encarava a menina loira com olhos acinzentados, que sorria de lado para mim. Ela estava junto a outros três meninos e uma menina, um deles sendo muito parecido com ela.
— Esses são Crabbe, , e Goyle — o menino loiro que era parecido com a menina falou, me fazendo olhar pra ele — E eu sou Malfoy — vi quando a menina deu uma cotovelada nele e ele sorriu mais ainda.
— Draco e Malfoy — a menina completou e o ruivo ao meu lado deu um risinho ao ouvir o nome dos dois. — Acha meu nome engraçado, não é? — olhou para Ron como se fosse superior — Eu nem preciso perguntar o seu, cabelo ruivo e vestes de segunda mão, você deve ser um Weasley. — Completou, rindo fraco com o irmão e me fazendo revirar os olhos ao ver meu mais novo amigo olhando pra baixo com uma certa tristeza por ter sido esnobado naquele jeito.
— Logo vai descobrir que algumas famílias de bruxos são melhores do que as outras. Você não vai querer ser amigo da pessoa errada — Draco olhou para Ron quando disse isso, fazendo com que meu sangue borbulhar de raiva. — Nós podemos ajudá-lo nisso.
— Eu posso descobrir sozinho quem é a pessoa errada — falei, encarando os dois, que estavam com os olhos arregalados. abriu a boca para retrucar, mas a professora McGonagall apareceu no mesmo instante, falando para seguirmos ela em direção ao salão principal. Os nomes foram sendo chamados e até agora a maioria dos alunos já se encontravam sentados em suas respectivas mesas, incluindo Ron, Neville e Hermione, sentados na grifinória, e Draco, sentado na sonserina. Ouvi o nome de ser chamado e senti uma respiração pesada perto de mim
— Você vai se arrepender disso, Potter — a loira disse meu nome com nojo e sentou no banco, esperando o chapéu seletor.
— Hm, difícil, muito difícil! Vejo que tem muita coragem e uma enorme vontade de se provar, mas onde devo colocá-la? — o Chapéu disse e estranhei a demora, ele mal havia encostado na cabeça de Draco quando gritou para todos a casa do garoto.
— Grifinória não, grifinória não — ouvi murmurar e franzi o cenho, como ela não queria ir para a Grifinória?
— Tem certeza? Bem, tudo bem, então você ficará melhor na… SONSERINA!

Término do flashback…


As lembranças me atingiram com tudo e eu balancei a cabeça para tirá-las dali.

— Eles foram criados assim, Harry, não acho que eles têm opção.
— Todos têm uma opção, professor Dumbledore — respondi meio seco, não queria brigar com o diretor, mas não entendia o motivo dele estar defendendo os dois.
— Não, Harry, não têm.

Pov:


— Você ia simplesmente me excluir disso? — estava indignada, como ele ousava pensar nessa possibilidade?- - São a mamãe e o papai, Draco, eu faria de tudo por eles!
— Eu sei, e foi por isso que eu não te contei — revirei os olhos — O que você teria feito se soubesse disso antes?
— EU NÃO TERIA ERRADO! — gritei com tanta firmeza que até me surpreendi. Não queria machucar Dumbledore, não mesmo. Eu admirava o bruxo de certo modo, mas minha família era tudo pra mim. Se fosse necessário, eu faria. — Não sou mais uma criança que precisa de proteção, Draco. — Meu irmão me encarou nos olhos, notando o quão sério eu falava e suspirou — Mande uma carta ao nosso pai, eu vou fazer.
— Não acho que seja uma boa ideia…
— Algum de nós vai precisar fazer, Draco — bufei, me aproximando dele — e eu não quero que carregue esse peso, ok?
— Mas você pode carregar?
— Talvez assim o papai entenda que eu estou do lado certo — disse simplesmente e meu irmão pareceu entender tudo.
— Ele ainda não aceita que você poderia ir para a Grifinória, né? — Sorri fraco e assenti. Não era nenhuma novidade que Draco era o favorito para seguir pro lado do Lord das Trevas, nosso pai deixava isso bem claro sempre que podia. — Talvez você devesse ter ido…
— Do que você está falando?
— Se você fosse pra Grifinória, seria tudo diferente, não precisaria se preocupar com isso. Não precisaria se preocupar comigo — balancei a cabeça em sinal negativo e sorri fraco.
— Eu me preocuparia com você de todo jeito, seu idiota. Agora vamos, temos um plano para criar. — segurei o braço estendido de Draco e o puxei em direção à saída da sala, verificando se tinha alguém do lado de fora. Confirmei que não havia e saímos rapidamente, já que, pelo horário, devíamos estar no salão comunal. Era nesses momentos que agradecia por Draco estar na função de Monitor.
— Já que estamos nesse momento fofo de compartilhar — parei de andar ao notar a voz irônica do meu irmão — Tenho que te mostrar uma coisa.

O segui de volta até a sala precisa, sendo guiada até um enorme armário, que tinha passado totalmente despercebido por mim.

— Esse é um armário sumidouro — me olhou pra ter certeza de que tinha minha atenção —, tenho que consertá-lo, mas será por ele que os outros vão entrar.
— Os outros vão vir para Hogwarts?
— Sim, esse é o plano, tomar Hogwarts, o que você esperava?
— Eu não sei, acho que matar o diretor já é um trabalho difícil demais.
— Relaxa, se você não conseguir, eu faço.
— E se você não conseguir? — meu coração se apertou, será que Voldemort nos mataria?
— O Snape vai.
— O SNAPE?
— Quer calar a boca? — resmungou e eu decidi o ignorar.
— Não sei… Às vezes acho que o Snape está dos dois lados…
— Ele fez um voto perpétuo — Não seria surpresa se meu queixo estivesse no chão. Desde quando eu havia ficado de fora das novidades assim?
— Draco, você tem muita coisa pra me contar!

Harry Pov:


— Vamos logo, eu não quero me atrasar.
— Desde quando você se importa com isso? — Mione perguntou enquanto arqueava as sobrancelhas.
— Eu gosto de poções — revirei os olhos e voltei a andar.
— Desde quando?
— Desde que ele virou o queridinho do professor — Minha amiga cruzou os braços, mas ignorei, entrando na sala do Slughorn — Você devia devolver o livro, você nem sabe quem foi o príncipe mestiço, Harry, e eu acho muito estranho ter feitiços que mais ninguém conhece aí.
— Relaxa Mione, por Merlim!
— Ela não está errada, na verdade — Olhei feio pra Ron e me sentei. Como se já não bastasse Hermione falando disso o tempo todo, eu teria que ouvir o Weasley também?
— Bom dia, bom dia, sentem logo, vamos — Slughorn entrou apressado na sala enquanto gritava para todos. — Ah, Harry, tenho uma proposta para lhe fazer. Antigamente eu oferecia um jantar para alguns dos meus melhores alunos, como voltei a dar aula, vou voltar com a tradição. Você aceitaria?
— Seria uma honra, senhor — ele me lançou um sorriso e olhou para Mione ao meu lado.
— Você também será bem-vinda, Senhorita Granger.
— Estarei lá, senhor.
— Ótimo — ele olhou em volta, parecendo procurar algo e voltou os olhos para nós — Vocês viram a senhorita Malfoy? — Draco, que estava entrando na sala naquele momento, se virou com o cenho franzido para mim.
— Minha irmã não vem hoje — disse prontamente e o professor virou para ele — Dor de cabeça — e se afastou.
— Ah sim. Bem, Harry, se você encontrar com a senhorita Malfoy, avise-a sobre o jantar, seria uma honra. — sorriu e só então notou o ruivo ao meu lado — Weasley… Foi bom vê-lo — saiu andando em direção à própria mesa e eu ri alto da cara do Ron ao meu lado. Era bom ser reconhecido, mesmo não sendo por total mérito meu.
— As aulas não demoraram a passar, e a única coisa que eu queria no momento era ir até o salão principal e comer algo. Graças a Merlim, o Ron estava com a mesma vontade, já que mal esperou a última aula acabar para sair correndo, esquecendo até a vassoura ao lado da cadeira. Sorri e peguei o objeto, teria jogo logo, logo e ele realmente não podia se dar o luxo de perder aquela vassoura.
— Da próxima vez, verifique se todos seus objetos estão com você, ruivo — falei, sentando ao lado dele e recebendo um sorriso fraco em resposta.
— Harry, você tem que falar com a Malfoy — praticamente virei minha cabeça em 180 graus com a frase de Mione. Ela revirou os olhos e continuou — O jantar com o Slughorn, não se lembra? Ele pediu para avisá-la.
— E por que você não avisa?
— Porque ele não me pediu — sustentou meu olhar e eu bufei. — Ela tá indo para a mesa da Sonserina, vai logo.
— Claro que tá — Me levantei, atraindo alguns olhares curiosos e quanto mais eu andava em direção à loira, mais olhares atraía. — , espero que sua cabeça esteja melhor — Esse era meu melhor? Por Merlim.
— O quê?
— Sua cabeça — arqueei a sobrancelha, não tinha sido por isso que ela tinha faltado às aulas?
— Ah sim, minha cabeça… É, está melhorando.
— Que bom — um silêncio pairou sobre o ar e só agora percebi que havia nos deixado sozinhos. Ouvi a loira bufar e olhei pra ela.
— O que você quer?
— An?
— Por que está aqui, Potter?
— Ah sim — balancei a cabeça e lembrei do professor — O professor Slughorn pediu para eu avisar que vai ter um jantar com alguns dos melhores alunos dele e, bem, pelo visto você é um deles.
— Isso não me surpreende — passou a língua pelos lábios, meu olhar foi automaticamente atraído para sua boca, que formava um sorriso que julguei como maldoso. — O estranho é você ter sido convidado.
— Que eu me lembre, não foi você que ganhou a Felix Felicis — sorri da mesma forma e seu rosto se tornou sério.
— O que você fez? Ninguém se torna bom em algo do dia para a noite.
— Estudei com a Hermione — aquilo não era verdade, mas ela não precisava saber.
— Não, não estudou.
— Se não se importa, eu vo… — segurou meu braço, me impedindo de sair e me voltei para encará-la.
— Eu vou descobrir o seu segredo, Harry.
— E eu vou descobrir o seu. — A vi engolir a seco e me soltar na mesma hora, quebrando o contato visual.
— Não tenho um segredo.
— Não? Então, por que reagiu assim? — ela abriu a boca, mas nenhum som saiu. Me virei e voltei para a mesa da Grifinória, ainda com os olhares que revezavam entre a loira e eu.

Agora, eu sabia que ela realmente escondia algo. E, agora, eu só estava mais tentado a descobrir o que era.




Continua...



Nota da autora: Sem nota. Nota da beta: SOCORRO!! O que é essa história? Eu quase morro a cada capítulo que chega... Ansiosa pra saber mais e confesso que louca pra que role mais interação entre a Isis e o Harry! Por mais que ela insista em desgostar dele, é quase palpável pra mim a tensão sexual no ar HAHAHA Eu amo um bom clichê! E tu arrasa, Zovka! <3
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