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Última atualização: 21/07/2021

Prólogo


Eu caminhava pela cidade, tentando manter meu rosto escondido no capuz da capa de pano, na qual eu usava. Se alguém ali me reconhecesse eu estava completamente perdida, principalmente se o meu pai soubesse daquele meu passeio às escondidas.
Parei em frente à barraca de frutas e analisei as maçãs, que estavam bem vermelhas, no saco de pano bem à frente de tudo. Peguei uma das maçãs e olhei cada detalhe dela, mais bela do que aquela, era impossível.
- A senhorita vai levar ou não a maçã? - o vendedor praguejou, e eu levantei levemente a cabeça para olhá-lo. Rezando para que ele não soubesse quem eu era.
- Seis, por gentileza, senhor. - falei educadamente, e ele assentiu colocando as maçãs em um saco pequeno e eu lhe entreguei as moedas, pegando minhas maçãs - Obrigada! - falei já me afastando, mas, quando virei-me para seguir em frente, trombei com alguém e todas as minhas maçãs foram ao chão, juntamente comigo, que caí sentada.
- Meu Deus, me perdoa, por favor. Eu estava completamente descuidado e não vi a senhorita. - a voz masculina soou como um canto em meus ouvidos, e eu olhei para cima a tempo de vê-lo estendendo sua mão para mim - Deixe-me pegar suas maçãs. - falou, assim que segurei-me em sua mão, e ele logo puxou-me para cima, fazendo com que eu me levantasse.
- Hum... Obrigada. - falei, algum tempo depois quando ele entregou-me novamente o saco de maçãs.
- Não há de quê. - sorriu amigavelmente, e eu logo percebi que algumas pessoas nos olhavam. Então, voltei a esconder-me com o pano do meu capuz - Eu não queria envergonhá-la. - falou, chamando minha atenção, com completa confusão em meu rosto.
- Não se preocupe, eu só preciso sair deste lugar. - dei um sorriso fraco e olhei em volta, procurando pelo melhor caminho até a minha égua.
Ele estendeu-me novamente a mão, e eu não me opus a segurá-la. Logo, ele me guiou por ali entre as pessoas rapidamente, e saímos da feira, que estava no centro da cidade, e assim, quem continuou a guiá-lo, fui eu, para até onde se encontrava a minha égua.
- Posso perguntar de quem estás fugindo? - ele olhou-me, enquanto andávamos para a entrada da estrada.
- De todos!? - fiz uma careta, soltando em seguida uma risada nasalada, e ele arqueou a sobrancelha - Não sabes quem sou eu? - parei de andar, e o encarei.
- Pois, deverias? - parou também, ficando de frente para mim e soltou uma risada fraca.
- Oh Deus, não. Graças a Deus, não. - falei, quase ficando de joelhos para agradecer. Era bom que ele não me reconhecesse.
- Eu acabei de chegar à cidade. Na verdade, eu nem pensava em ficar por aqui. - explicou-se logo quando voltamos a andar e eu assenti, entendendo o motivo pelo qual ele não reconhecia-me. - Talvez agora haja um motivo para eu ficar. - seu tom sugestivo, acabou arrancando-me um sorriso.
- Creio, então, que em algum momento descobrirás quem sou. - soltei uma risada baixa e paramos em frente a Vênus, a minha égua.
- Eu me repudio por não saber quem é a dona de toda essa beleza escondida debaixo desta capa. - ele falou galanteador, enquanto eu tirava uma das maçãs do saco e a levava até a boca de Vênus.
- Se usas desse tipo de palavras para conquistar uma mulher, talvez isso explique o motivo de carecer mudar de cidade. - falei com um enorme tom de humor, arrancando-lhe uma risada.
- Mas estavas referindo-me a égua. - ele falou usando do mesmo tom, enquanto acariciava a crina negra de Vênus, e foi o que bastou para que o meu riso tomasse conta do lugar, sendo seguido pelo dele.
- Erro meu, perdoe-me. - falei com um falso tom de desapontamento e ele sorriu, enquanto pegava outra maçã para Vênus alimentar-se antes de nossa viagem de volta.
- Quem pode lhe culpar? - questionou, e eu mais uma vez acabei soltando uma risada, enquanto abaixava o meu capuz - Ela que me perdoe, mas agora eu tenho a certeza de que encontrei a mais genuína beleza deste mundo- ele falou, mantendo seu olhar concentrado em mim, e eu podia jurar que minhas bochechas ruborizaram - Eu posso saber como devo referir-me a senhorita? - arqueou sua sobrancelha, e eu me virei ficando de frente para ele.
- . - falei simplesmente, enquanto levava a terceira maçã a boca de Vênus.
- É um imenso prazer conhecê-la. - segurou em minha mão, logo que a maçã desapareceu dali - Permita-me. - se curvou, beijando o dorso de minha mão por alguns segundos, voltando a levantar-se em seguida.
- E eu devo me referir a? - mantive meu olhar nele, que agora ajeitava sua postura, largando cuidadosamente a minha mão.
- . - falou, e eu me limitei a cumprimentá-lo com um aceno de cabeça e um sorriso.
- É um belo nome, eu diria. - falei, pendurando as maçãs na cela de minha égua, e ele sorriu - Foi um prazer conhecê-lo, Sr. , entretanto, necessito voltar à minha masmorra. - falei, mas, a verdade era que eu gostaria de ficar, era muito melhor do que estar em casa. Então, logo impulsionei-me e montei-me em Vênus, olhando o rapaz ali do alto.
- Como posso encontrá-la novamente? - ele me olhou, e havia uma certa intensidade em seu olhar, que fazia com que meu coração batesse com a mesma velocidade com que Vênus trotava quando corríamos.
- Não podes me encontrar. - balancei de um lado para o outro a minha cabeça - Entretanto, eu lhe encontrarei. - lhe deixei uma piscadela, que o fez sorrir.
E então, eu e Vênus voltamos para onde não deveríamos ter saído, o lugar onde chamávamos de lar, mas, encontrar na cidade, onde eu nunca deveria estar, me fazia querer voltar outras vezes e eu sabia que eu o faria.



Capítulo 1

Acordei naquela manhã com o toque do despertador e, ao desligá-lo, encarei o teto branco do meu quarto, percebendo que tudo aquilo não passava de um sonho.
Eu já havia tido vários sonhos com o , afinal, eu era sua fã desde os meus nove anos de idade, mas aquele sonho me parecia tão real, tão diferente de todos os outros. Mesmo sabendo que se tratava de uma ilusão do meu subconsciente, eu me sentia um pouco mais feliz após aquele sonho, e foi aquilo que me deu energia para levantar da cama naquela manhã.
Depois que fiz minha higiene matinal, tomei um banho demorado e saí do banheiro, já correndo para me arrumar para o trabalho. Vesti a lingerie e voltei para o banheiro com a intenção de finalizar os meus cachos. Assim que fiz todo o processo de fitagem, o sequei com ajuda do difusor e um pente garfo, o deixando da maneira que eu gostava.
Fiz uma maquiagem básica, apenas para não sair de qualquer jeito e me vesti, com uma calça jeans de lavagem escura, uma blusa de algodão, que eu prendi uma parte abaixo da calça, e finalizei com blazer nude, que combinava perfeitamente com o scarpin e contrastava com a bolsa preta, que eu havia separado. Passei um pouco de perfume e logo saí do meu quarto, em seguida do apartamento.
Fui durante todo o caminho, até a revista, pensando no sonho que havia tido. Era incrível o fato de como só sonhar com , já melhorava meu dia, na verdade, qualquer coisa que era relacionado a ele, melhorava minha vida.
Estacionei meu carro no estacionamento do prédio, onde a revista estava localizada, e desci com minha bolsa, indo direto para o elevador. Enquanto esperava, entrei em meu Instagram, e a primeira postagem da timeline, era de ninguém mais ninguém menos que o protagonista do meu sonho, .
Quem estampava a foto era Dodger, o que era bem comum, já era o assunto favorito de nas redes sociais, mas também, nós fãs amávamos, eu pelo menos era tão apaixonada por aquele cachorro, quanto era pelo seu dono.

"Dodger fugiu essa manhã enquanto caminhávamos na praia de Malibu. Alguns jovens soltaram fogos, que o assustaram, e ele acabou fugindo por medo. Tentei ir atrás dele, mas ele foi mais rápido e se perdeu. Por favor, se alguém encontrá-lo, meu número está gravado em sua coleira, eu só peço que entrem em contato. Dodger é o meu melhor amigo e me perder dele, não é nada que eu esperava nesse mundo.
Eu ofereço uma recompensa de 10.000,00 dólares para quem encontrá-lo.
Eu continuarei procurando, não irei desistir do meu amigo..."

Logo que acabei de ler aquela legenda, meu coração se encontrava apertado e meus olhos marejados. devia estar realmente muito triste, já que Dodger além de seu cãozinho, era claramente o seu melhor amigo e companheiro. Naquele momento, eu rezava para que ele o encontrasse.
Cheguei ao meu andar, minutos depois de entrar no elevador, e como qualquer revista, aquilo já estava bastante agitado às 8:00 da manhã.
Me sentei na minha mesa, logo ao lado de Ashley e Tyler, e já tratei de ligar meu computador, para dar início ao meu trabalho.
- Ei, , bom dia! - Tyler falou, depositando um beijo estalado em minha bochecha.
- Bom dia. - o olhei e em seguida me virei para Ashley, que me encarava preocupada - O que foi, Ash? - arqueei a sobrancelha e ela riu fraco.
- Eu só estou analisando se você já sabe ou não das últimas novidades sobre . - ela falou ainda analisando meu rosto, como se pudesse ler os meus pensamentos.
- Eu vi. - suspirei pesadamente - Imagino o quanto ele deve estar triste pelo ocorrido. Dodger é o companheiro dele, perdê-lo certamente não é um momento feliz. - balancei negativamente a cabeça - Se eu pudesse, eu iria agora até a praia e procuraria eu mesma por ele.
- Sua devoção pelo é uma coisa surpreendentemente intensa... E louca. - Ash fez uma careta, que acabou me arrancando risadas.
- Você já imaginou se um dia você o conhece? Imagina, você precisa entrevistá-lo, mas na hora H, você cai dura, por estar conhecendo seu ídolo. - Tyler falou e eu gargalhei.
- Se um dia eu tiver oportunidade de conhecê-lo, eu não vou perder ela desmaiando. Faço isso depois do nosso encontro. - lhe dei uma piscadela e ele concordou - Mas agora vamos trabalhar, porque temos muito o que fazer. - falei, já virando minha cadeira de volta e me concentrei na pauta que eu precisava terminar, ainda naquele dia.

O dia foi bem cheio na revista. Era pauta atrás de pauta. Matéria atrás de matéria. Tudo bem que aquela era a profissão que eu havia escolhido, eu sabia que ser jornalista era uma tarefa complicadíssima, desde que escolhi fazer aquilo. Porém, aquela não era a vertente que eu queria ficar. Eu queria trabalhar com moda, trabalhar com a Vogue, preferencialmente.
Eu era uma jornalista recém-formada, e estava bem feliz de, aos 23 anos, estar trabalhando em uma revista como a "The Journal". Eu sabia que muitos não haviam tido aquela oportunidade, então eu agradecia todos os dias, mas o meu sonho era realmente escrever sobre moda, trabalhar com aquilo. E enquanto não acontecia, eu escrevia sobre o que me mandavam.
Durante o meu almoço, Matthew me enviou várias mensagens, onde ele me questionava se eu ainda estava brava pela nossa discussão na última noite. A verdade é que eu não estava, mas eu queria um tempo longe dele. Eu queria um tempo sozinha.
O ignorei durante todo o dia, e mantive toda minha concentração no trabalho. Vez ou outra, eu parava para saber informações sobre Dodger, se já havia o encontrado, mas, por mais que estivesse nos trends mais uma vez, ainda não havia nenhuma notícia positiva sobre o caso.
Saí da revista naquele dia por volta de nove da noite, e eu não me importava de sair tão tarde, na verdade, estava até me acostumando com a minha rotina inesperada de trabalho.
Ao contrário de todos os dias, não fui direto para casa, optei por passar na praia, já que trabalhava tão perto dali e nunca fazia aquele trajeto.
Andei um tempo pela areia, que estava úmida por conta do contato com o mar, e encarei o céu estrelado enquanto pensava sobre a vida.
Depois de uns dez minutos apenas caminhando, eu resolvi me sentar na areia, e encarei a imensidão do mar à minha frente. Por mais que já fosse noite, tudo ainda era tão bonito, que eu poderia ficar por ali a noite toda, se não tivesse que fazer nada no dia seguinte, é claro.
Fiquei ali na praia, até quase meia-noite e não estava preocupada, já que era uma sexta à noite e, no sábado, eu não tinha necessidade de me levantar tão cedo. Só resolvi ir embora, pois estava esfriando e eu havia deixado meu blazer no carro.
Assim que me aproximei do carro, ouvi um barulhinho, que mais parecia um choro de cachorro. Olhei por ali, e deitado próximo ao carro ao lado do meu, estava um cachorro mesclado nas cores, branco e marrom, que se parecia muito com Dodger.
- Ei, gracinha, você está bem? - falei me abaixando em frente ao cachorro e tomando sua atenção - Você quer ir para casa, Dodger? - chamei ele pelo nome, e ele levantou sua cabeça para me encarar, demonstrando que era realmente o cachorro perdido de - Vem comigo, vou te levar para o meu apartamento e ligo para o avisando que você está seguro. - acariciei sua cabeça, e ele logo se aproximou, lambendo minha mão, o que me levou a sorrir.
Fiquei um tempo ali entretida com Dodger, e aquele cachorro realmente enchia meu coração de amor, e paz. Dava pra entender o motivo pelo qual era tão apaixonado por ele, e eu não o julgava, já que compartilhava com ele aquela imensa paixão por animais.
Esperei até que ele estivesse mais à vontade com minha presença, o que não demorou tanto tempo, e me levantei o guiando até o meu carro. Abri a porta do passageiro, e ele logo pulou para dentro do carro e se ajeitou no banco, e eu o prendi com o cinto, fechando a porta e dando a volta para entrar ao lado do motorista.
- Vou te levar pra minha casa e lá você vai estar seguro, okay? - olhei para ele assim que me ajeitei no carro, e ele me olhou de volta, como se entendesse perfeitamente o que eu falava.
Dei a partida e fui para casa conversando com o cachorro ao meu lado. Ele realmente prestava atenção em tudo o que eu falava, e até latia algumas vezes, como se respondesse às minhas perguntas retóricas. E era até engraçado.
Passei em uma farmácia no caminho, aproveitando que precisava comprar absorventes e comprei um pequeno pacote de ração para Dodger. Eu não sabia qual ele comia, mas não podia deixá-lo com fome, principalmente porque ele estava sumido o dia todo.
Chegamos em meu prédio uns 15 minutos depois, por ser tarde, não haviam tantos carros na rua e foi mais rápido do que normalmente era.
Levei Dodger para o meu apartamento, e ele logo tratou de me seguir até a cozinha, onde eu peguei duas vasilhas, e coloquei em uma água e na outra a ração, que havia comprado. O cachorro, logo tratou de comer, ele estava realmente faminto.
Aproveitei que ele se alimentava e fui tomar um banho para poder dormir. O banho não foi demorado, pois estava preocupada em deixar Dodger sozinho em um lugar que ele não conhecia, então eu logo acabei. Vesti um pijama, e voltei para a cozinha, onde ele ainda estava acabando de comer.
Peguei um copo de suco e fiz um sanduíche, pois eu estava morrendo de fome. Me sentei no balcão e comi enquanto observava Dodger a fazer o mesmo.
Assim que acabamos, eu lavei a louça suja e me abaixei em frente a ele para olhar o telefone em sua coleira, e logo o anotei em meu celular. Encarei o número digitado em meu visor, e quando havia tomado coragem para ligar, a campainha tocou.
- Quem será a essa hora? - olhei para Dodger, que me olhou de volta. E eu ri ao perceber que se eu não sabia, quem dirá ele.
Fui para sala, e ele logo veio atrás. Destranquei a porta e dei de cara com Matthew ali.
- Oi... - ele falou baixo, dando um sorriso fraco - Sei que já é tarde, mas eu precisava muito falar com você. Posso entrar? - apontou para dentro do apartamento com a cabeça, e eu lhe dei passagem - De quem é esse cachorro? Não vai me dizer que você resolveu adotar um? - me encarou, após olhar Dodger deitado em meu tapete.
- Esse é o Dodger. - fui até o cachorro, e me abaixei ao seu lado acariciando seu pelo - Eu encontrei ele na praia, e o trouxe pra cá. - olhei um tempo para o cachorro, e depois para o meu namorado.
- Como você traz um cachorro de rua para sua casa? - falou incrédulo, e eu revirei os olhos.
- Primeiramente, ele não é um cachorro de rua, ele tem dono e eu pretendo devolvê-lo. - me sentei no sofá - E segundo, que mesmo que fosse um cachorro de rua, como você disse, a casa é minha. - dei ombros e ele bufou.
- Se ele tem dono, o que você está esperando para devolvê-lo? - cruzou os braços em frente ao corpo.
- Você veio aqui para se desculpar ou para encher mais a minha paciência? - fiquei de pé e cruzei também os braços.
- Eu vim falar com você, mas não esperava encontrar isso aqui. - apontou para Dodger, e eu respirei fundo.
- Isso, que você está dizendo, é um cachorro. E ele não tinha onde ficar, não ia deixá-lo na rua sozinho. - olhei novamente para Dodger, que estava quietinho no chão, como se estivesse com medo - Você não tem o menor direito de dizer ou não o que eu faço dentro da minha casa. Você é meu namorado, e não meu dono.
- Caralho, . - ele falou um pouco mais alto do que falava - Eu vim até aqui resolver nosso problema e dizer que tá tudo bem entre a gente, mas você quer pagar de defensora dos animais. - revirou os olhos.
- Não está tudo bem entre a gente, Matthew. Você sabe que não está. - soltei uma risada nasalada - Tudo o que você fez desde ontem foi falar, falar e falar. Você simplesmente não tem a menor noção do que você está fazendo. - balancei negativamente a cabeça - Acho que o melhor pra nós é realmente terminar isso.
- Você não vai terminar comigo assim. - deu alguns passos na minha direção - Eu não sou a porra de um brinquedo, que você usa e joga fora quando quer. - ele praticamente gritou em minha cara, mas eu dei dois passos para trás.
- Você está se ouvindo? - fiz uma careta - Eu não estou te tratando como um brinquedo, eu só estou cheia das suas crises de ciúmes aleatórias.
- Aleatórias? Você tem certeza disso? - riu incrédulo e balançou a cabeça - Você estava aqui no seu apartamento sozinha com aquele garoto do seu trabalho. E vocês pareciam se divertir muito.
- Cara, você está completamente louco. - ri sem humor, e suspirei.
- EU ESTOU LOUCO? - gritou dessa vez, e se aproximou segurando com força em meu braço - Você é que não está respeitando a porra do nosso namoro. - cuspiu aquelas palavras em minha cara, e antes que eu pudesse fazer algo, Dodger avançou nele o fazendo se afastar de mim - Era só o que me faltava. - riu de escárnio.
Dodger não parava de latir e rosnar para Matthew. Ele ficou em minha frente, pronto para atacar se Matthew me fizesse algo.
- Faz esse cachorro parar. - falou alto, e tentou se aproximar, mas Dodger quase o mordeu e ele se afastou novamente.
- Vai embora, Matthew, depois a gente conversa. - o encarei e ele balançou a cabeça.
- Coloca esse pulguento pra fora, e a gente conversa agora mesmo. - olhou para Dodger, que parecia querer realmente atacá-lo.
- Vai embora daqui. - falei novamente e ele me olhou incrédulo.
- Entre esse cachorro que você mal conhece e seu namorado, você vai escolher ele? - me olhou, certamente indignado com a minha escolha.
- Eu não estou escolhendo, mas ele me parece a opção mais segura no momento. - me mantive olhando de longe, e ele assentiu saindo porta a fora e a batendo com força em seguida.
Fui até a porta, e tranquei a mesma, me encostando contra ela, enquanto algumas lágrimas se formavam em meus olhos. Matthew não era daquele jeito, em quase um ano de namoro, ele nunca havia reagido daquela forma.
Dodger se aproximou, e se escorou em mim para ficar de pé. Me abaixei, para que pudesse ficar da altura dele e o abracei, enquanto ele lambia meu rosto.
- Tudo bem se você ficar aqui hoje e eu só avisar o amanhã? Eu não quero ficar sozinha essa noite. - falei baixinho e como se ele me entendesse, ele latiu.
Ficamos um tempo ali no chão da sala, Dodger parecia entender o que eu sentia, então, estava deitado com a cabeça em meu colo e lambia a minha mão. Me levantei e nós fomos para o meu quarto, e eu logo me sentei na cama, pegando um caderninho que deixava na minha cabeceira.
Eu amava escrever os sonhos que eu tinha, e deixá-los sempre salvos em algum lugar, principalmente quando era com o . Comecei a anotar cada detalhe do último sonho, e até aquilo me deixava melhor. Olhei para Dodger, que estava de pé, em frente à minha cama e sorri.
- Vem, você pode ficar aqui. - bati ao meu lado na cama e ele logo subiu, se aconchegando com um leão de pelúcia que estava em minha cama - Sabe, eu sempre sonhei em dividir a cama com seu pai, mas você aqui, já é o melhor que eu podia querer. - sorri, e me deitei ao seu lado, acariciando seu pelo, até que pegássemos no sono.

Acordei na manhã seguinte, com Dodger brincando no chão com a pelúcia no qual ele dormira na minha cama na última noite. O observei ali e sorri com aquela cena. Era extremamente gratificante a sensação de ter a companhia de um animalzinho tão fofo como aquele.
Peguei meu celular, e olhei o Twitter, que mostrava uma notificação de que havia tweetado, e eu logo tratei de ir olhar.

"Ele ainda não apareceu, mas eu agradeço todo mundo pelas energias positivas. Espero encontrar Dodger logo."

Olhei novamente para o cachorro ao lado da minha cama, e disquei o número de , que já estava salvo em minha memória. Coloquei o celular no ouvido e aguardei que ele atendesse, enquanto meu coração batia tão rápido, que parecia que iria sair pela boca.
- Alô? - ele falou, e sua voz era de longe a melhor voz que eu já ouvira em minha vida, mas naquele momento, soava triste e preocupada. - Alô? - ele repetiu, e eu respirei fundo antes de falar algo. Na verdade, eu nem sabia se conseguiria.
- ? - perguntei, mas era uma pergunta mais para cair a minha ficha, do que para ele mesmo responder.
- Sou eu mesmo. - soltou uma risada nasalada, e eu tinha certeza que naquele momento ele já me achava uma idiota - Quem está falando?
- Ham... Meu nome é . - falei, tentando parecer que não iria surtar a qualquer segundo por estar no telefone com o meu maior ídolo - Eu encontrei o Dodger, ele está aqui na minha casa comigo. - falei de uma vez, enquanto olhava o cachorro que ainda estava entretido com a pelúcia.
- Você está falando sério? - sua voz mudou completamente, agora parecia esperançosa - Eu recebi tantas mensagens nas redes sociais e todas eram pistas falsas. - suspirou.
- Espera... - coloquei o celular no viva-voz - Chama ele.
- Dodger? - ele falou, e o cachorro logo parou o que fazia, latindo para o telefone - É realmente verdade, você o encontrou. - pelo tom da sua voz, eu sabia que ele sorria, então eu acabei sorrindo também - Onde eu posso buscá-lo? Vou agora mesmo.
- Na verdade, eu prefiro levá-lo até você. - soltei uma risada fraca - Tenho medo de que paparazzi te sigam e comecem a cismar comigo. - ele riu.
- Tudo bem, posso te enviar o endereço por mensagem? - ele perguntou, e mais uma vez, meu coração bateu em disparada.
- Claro. Só preciso tomar um banho, me trocar e levo ele de volta para você. - falei, olhando Dodger, que me encarava com os olhinhos brilhando.
- Tudo bem, eu te espero. - falou e eu sorri.

Desliguei o telefone e fui direto para o banheiro. Fiz minha higiene matinal e tomei um banho, não muito demorado. Saí do banheiro enrolada em uma toalha, e Dodger estava deitado no tapete do meu quarto, com a cabeça no meu leãozinho. Depois de passar hidratante em todo o corpo e vestir a lingerie, o olhei e dei um sorriso, enquanto pegava uma roupa para vestir.
Analisei o guarda-roupas por longos minutos, e não conseguia decidir o que vestir. Eu estava nervosa, muito mais nervosa do que eu deveria estar, mas eu estava prestes a encontrar com , o meu maior ídolo desde os nove anos de idade.
Optei por vestir um vestido longo florido com uma fenda lateral, e coloquei um all star branco para deixar o look mais casual. Fiz uma make básica, usando o lip tint na boca, com um pouco nas bochechas e no nariz para dar um ar de saúde no rosto e passei um pouco de rímel. Coloquei meus óculos de grau, já que eu iria dirigir, e passei perfume.
- Só vou passar na cozinha pra gente comer algo e nós vamos encontrar seu dono, okay? - olhei para ele, enquanto arrumava minha bolsa.
Peguei a bolsa, o celular e a chave do carro e saí do quarto, Dodger, logo veio atrás segurando o leão em sua boca, o que me parecia a cena mais preciosa do mundo.
Coloquei a comida na vasilha para ele, e preparei um pouco de sucrilhos com leite para eu comer, apesar de não gostar muito de comer durante a manhã. Me sentei em uma cadeira, e comi enquanto olhava o feed do Instagram.
Logo que acabamos de comer, eu deixei a louça suja na pia e fui para a sala com Dodger, que continuou a arrastar o leão e eu ri.
- Bom, é a minha pelúcia favorita, a única que fica na minha cama, mas acho que ela vai ficar melhor com você. - sorri, segurando o leãozinho e pegando a minha bolsa e guiei Dodger para fora do apartamento.
Descemos até o estacionamento e eu o coloquei no carro, e o prendi com o cinto, deixando o leão em seus pés. Entrei ao lado do motorista, e coloquei a minha bolsa no banco de trás, e procurando o endereço do no GPS.
Coloquei uma música para tocar no carro e saí do prédio, seguindo o caminho indicado pelo GPS. Fui durante todo o caminho me dividindo entre cantar as músicas, que tocavam e conversar com Dodger, mas o que eu tinha certeza, era que eu só fazia aquilo para fingir que não estava surtando com meu encontro com .
- Sabe, Dodger, eu não sei porque o destino colocou você no meu caminho, mas eu sempre tive certeza que um dia eu conheceria . É claro que não da forma como está acontecendo, mas eu sabia que pelo menos um abraço eu daria nele. - olhei rapidamente para o cachorro ao meu lado, e em seguida sorri.
Aquele era o momento pelo qual eu esperei durante 14 anos da minha vida, eu não poderia estar menos nervosa. Nem mesmo quando eu precisei apresentar meu trabalho final na faculdade, eu fiquei tão nervosa e ansiosa como estava.
Gastei mais ou menos quarenta minutos para chegar no endereço que havia me enviado. O mal de Los Angeles era estar movimentada todos os dias, e automaticamente o trânsito era sempre muito ruim.
Parei o carro em frente a bela casa, e a observei detalhadamente antes de descer do carro. Diferente do que eu imaginava, não era uma casa exageradamente grande, era grande, mas não parecia que habitava ali.
No momento em que eu desci do carro, meu coração acelerou com tanta intensidade, que eu precisei me escorar para garantir que eu não estava tendo um infarto. Eu estava há poucos metros de encontrar e conhecer meu maior ídolo da vida, o homem pelo qual minha paixão vai além do limite da intensidade. Talvez, eu devesse estar sonhando.
Quando me senti segura, dei a volta no carro e tirei Dodger, pegando sua pelúcia e fechando o carro em seguida. Assim que o cachorro notou onde estava, ele correu até a porta de entrada, já super empolgado com a volta. Sorri olhando a cena e segui até a porta, tocando a campainha em seguida.
Tudo parecia acontecer em câmera lenta quando abriu a porta. Ele vestia uma camisa polo preta, que marcava seus braços torneados e uma bermuda, nos pés ele tinha um chinelo de dedos. Seu cabelo estava meio bagunçado e sua barba estava bem alinhada. Também não pude deixar de reparar em seus olhos cansados, de quem provavelmente virou a noite em claro preocupado com seu companheiro.
Foi quando Dodger latiu para o dono, que eu saí do meu transe. O cachorro pulou em , que estava abaixado e os dois rolaram pelo chão. Enquanto Dodger lambia o rosto de , ele gargalhava gostosamente e eu não consegui evitar um sorriso com a cena. era realmente apaixonado com Dodger, e o cachorro com ele, meu coração não podia estar melhor do que naquele momento.
Eles ficaram ali por longos minutos, enquanto eu me mantive parada na porta observando e sorrindo bobamente com a cena. Quando Dodger saiu correndo pela casa, provavelmente para matar a saudade, se sentou no chão e me encarou antes de se levantar, e minhas pernas fraquejaram naquele momento.
- Você deve ser a . - falou mantendo o sorriso de orelha a orelha.
- E você é... . - falei tentando não parecer desesperada, mas era impossível, já que a pausa dramática que eu fiz para falar o nome dele me denunciou.
- Bom, sou eu mesmo. - ele riu, e eu sorri. Eu amava aquela risada dele, o som dela acalentava meu coração - Entra. - deu passagem, e eu logo passei porta a dentro.
- É uma bela casa. - olhei em volta.
- Muito obrigado. - ele sorriu - Quer beber alguma coisa? Comer? - me encarou.
- Eu aceito um copo de água. - falei o olhando, enquanto sentia a minha boca seca com o nervosismo e ele assentiu.
Assim que ele saiu da sala, eu soltei o ar, que eu nem sabia que prendia, e mais uma vez olhei em volta. Eu estava na casa de , e ainda não tinha certeza se ainda estava sonhando.
Dodger voltou lado a lado com , que segurava o meu copo de água, que foi entregue assim que ele se aproximou de mim.
- Obrigada. - segurei o copo com firmeza, sabendo que eu tremia tanto, que pra ele cair não custava muito.
- Vem, senta aqui. - foi até o sofá atrás de mim e se sentou, eu logo fiz o mesmo, me sentando de frente pra ele - Como você o encontrou? - me olhou.
- Na verdade, ele me encontrou. - sorri olhando para Dodger, que se aproximou para pegar o leão e bebi um longo gole da água - Eu tinha saído meio tarde do trabalho, e resolvi dar uma volta na praia, eu fiquei lá até mais que meia-noite. Quando eu resolvi que estava na hora de ir, ouvi um choro de cachorro e achei o Dodger perto do meu carro. Eu conversei um pouco com ele, até ele ficar tranquilo com a minha presença e o levei pra casa. - olhei novamente para o cachorro, que brincava no tapete, me lembrando da noite anterior - Inclusive, já peço desculpas por não ter ligado na mesma hora, mas quando eu ia ligar, aconteceu um imprevisto e eu achei melhor deixar pra hoje de manhã. - olhei para .
- Você não tem que se desculpar, não mesmo. - me tranquilizou - Eu só espero que ele não tenha dado trabalho. - olhou para Dodger e riu.
- Dar trabalho? Que nada! - ri também, e bebi mais um pouco de água - Eu comprei uma ração pra ele, ele comeu tranquilamente e na hora de dormir, ele foi a minha melhor companhia na cama em muito tempo. - dei um sorriso olhando Dodger.
- Não acredito que você o deixou dormir na sua cama. - ele balançou a cabeça e riu.
- Ele ficou me olhando com uma carinha fofa, eu não resisti. - ri e me acompanhou - Mas ele se comportou muito bem. E ainda gostou muito do meu leão, que eu acabei dando de presente para ele. - sorri.
- Eu fico muito feliz em saber que o Dodger foi encontrado por alguém que cuidou muito bem dele. - olhou para Dodger e em seguida para mim - Inclusive, me fala sua conta para eu poder transferir o dinheiro da recompensa. - pegou seu celular.
- Não, você não precisa transferir nada. - balancei a cabeça, e ele me olhou confuso.
- É claro que eu preciso! Eu falei que quem o encontrasse eu daria a recompensa, então não aceito um não como resposta. - me encarou.
- Bom, sendo assim... - levantei os braços em rendição - Ao invés de me dar o dinheiro, passa ele para alguma instituição de animais, ou crianças, não sei, a que você escolher eu ficarei feliz. - o encarei e ele ficou me olhando quieto por alguns segundos.
- Nesse caso, eu aceito. - sorriu largamente e eu fiz o mesmo - Vamos fazer isso juntos, vou buscar meu notebook. - se levantou, e saiu da sala, subindo as escadas.
- Ei bonitão, você está feliz, não tá? - deixei o copo sobre a mesinha de centro, minha bolsa sobre o sofá, e me sentei com Dodger no tapete. Logo ele pulou em mim, me jogando no chão como havia feito com , e eu gargalhei.
- Ele realmente gosta muito de você. - falou depois de um tempo, e quando eu o olhei ele sorria.
- Eu nem vi você chegar. - o olhei, me sentando ainda no chão, e Dodger deitando a cabeça em meu colo.
- Não quis atrapalhar a diversão de vocês. - sorriu e sentou no chão ao meu lado, e colocou o notebook em seu colo - Olha, aqui tem algumas que eu já ajudo, mas você pode escolher outra se quiser. - me olhou.
- Eu sei que você ajuda a 's Haven há muito tempo, e eu acho que não há uma escolha melhor. - o olhei e ele sorriu.
- Então, eu vou dobrar o valor da recompensa. - eu sorri dessa vez.
- Já que você vai fazer isso, podemos dividir? - ele arqueou a sobrancelha - O Dodger é a principal causa disso aqui, e se metade do valor for para as crianças e a outra metade para um abrigo de animais? - sugeri.
- Essa é uma ótima ideia. - concordou com a cabeça, e sorriu novamente.
- Um tempo atrás eu fiz uma matéria sobre um abrigo de animais aqui de Los Angeles, que eles têm mais de 15.000 cachorros e gatos que foram abandonados, e eles não têm nenhum apoio do governo, vivem de doações. Podemos doar a metade para eles? - o olhei e ele logo concordou.
- Bom, faremos as duas doações em seu nome, porque a iniciativa foi toda sua. - ele começou a abrir a página de doações.
- Faremos em meu nome, no seu e do Dodger. Querendo ou não, nós três estamos envolvidos. - sorri e ele assentiu.
Assim que as doações foram feitas, desligou o notebook e o deixou sobre a mesinha de centro, enquanto eu ainda brincava com Dodger. Seria difícil me despedir dele, principalmente sabendo que não o veria mais.
- Preciso ir pra casa. - falei e olhei para - Mas posso te pedir um último favor?
- O que você quiser. - me olhou.
- Eu sou sua fã desde os meus nove anos, posso tirar uma foto com você? - fiz uma careta e dei um sorriso fraco, sentindo minhas bochechas corarem.
- Você falando assim, eu me sinto muito velho. - ele riu e eu sorri.
- Você está muito bem, não se preocupa. - rimos. Ele estava ótimo na verdade, e muito gostoso por sinal.
- Claro que você pode. - sorriu e eu peguei meu celular colocando na câmera, mas eu tremia tanto que não conseguia bater a foto - Eu achei que o seu nervosismo havia passado. - me olhou, e eu ri.
- Bom, eu sou uma ótima atriz. - falei com um sorrisinho debochado e ele gargalhou.
- Eu entendi a referência. - falou a icônica frase do Capitão América, e pela milésima vez naquela manhã, meu coração acelerou - Deixa eu tirar. - esticou a mão para pegar o meu celular, e quando sua mão tocou a minha, um pequeno choque percorreu corpo.
Aquilo parecia ridículo de tão cena de filme que era, mas realmente havia acontecido. O toque de em minha mão, fez com que um choque percorresse meu corpo, mas aquilo poderia ser apenas um arrepio causado por todas as ilusões que eu criei em quatorze anos.
Ele pegou meu celular e bateu algumas fotos nossas, inclusive, com Dodger. Eu estava tão sorridente, que tinha medo da minha boca nunca mais voltar ao normal.
- Olha, Dodger, foi um prazer enorme encontrar você e dividir a cama com você. Eu nunca irei me esquecer disso, okay? Cuida bem do meu leãozinho, porque ele é meu favorito. - sorri e beijei o pelo do cachorro, em seguida deixei ele me lamber - Não foge novamente, tá bom? não viveria sem você e eu não viveria vendo-o triste. - dei mais um beijo em Dodger e me levantei - , foi um prazer enorme conhecer você, de verdade. Eu sempre imaginei como seria esse momento, mas nem nos meus melhores sonhos foi tão incrível assim. - sorri e ele retribuiu o sorriso.
- O prazer foi todo meu. Eu e o Dodger, somos muito gratos por você ter o encontrado. - acariciou o pelo de Dodger - Espero algum dia poder retribuir isso.
- Saber que você está bem, que está feliz, já é compensador. - sorri e ele se aproximou beijando a minha bochecha - Se cuida, tá? E cuida dele também. - apontei para Dodger e ele assentiu.
- Pode deixar. Se cuida você também. - sorriu e eu fiz o mesmo, saindo dali.
Me afastei, sentindo o olhar de ainda em mim e antes de entrar no carro eu acenei para ele que retribuiu e Dodger latiu. Entrei no carro e dei a partida saindo dali. Aquele era sem dúvidas o momento mais feliz da minha vida. Um dia eu estava sonhando com ele, no dia seguinte, eu estava o conhecendo. Não poderia ser um dia melhor.


Capítulo 2

Esse capítulo possui conteúdo de violência e assédio contra a mulher!


A primeira coisa que fiz quando saí da casa de , foi ir até uma loja de fotografia, e mandei revelar todas as fotos que eu havia tirado com ele, até mesmo as que eu não havia saído tão bem. Comprei também um belo porta-retratos, porque a foto merecia a melhor das molduras.
Enquanto esperava as fotos serem reveladas, recebi uma notificação do Instagram, mostrando que havia postado um vídeo em seu feed, logo fui olhar.

"Oi pessoal!
Vim aqui dessa vez com uma imensa felicidade para dizer que o Dodger foi encontrado, e ele está muito bem, como vocês podem ver. Agradeço a todos que o procuraram e que rezaram para ele voltar pra casa. Ele está bem, graças a um anjo que apareceu em nossas vidas e cuidou muito bem dele no tempo em que ele esteve com ela, pra você, um obrigado mais do que especial...
Se cuidem!"

Eu não evitei o enorme sorriso, que surgiu em meu rosto, ao assistir àquele vídeo. Era maravilhoso o fato de saber que estava feliz, e principalmente saber que eu tinha uma participação neste sentimento. Eu achava bem fofo o fato dele se preocupar em contar para os fãs que tudo estava bem, ele sabia que todos que gostavam dele, estavam preocupados. E eu estava muito grata por ele não ter nem ao menos citado o meu nome, eu preferia que fosse daquela forma, mesmo sabendo que para descobrirem de que ele falava, não seria nada fácil.
Logo que as fotos ficaram prontas, fui direto para a casa da minha melhor amiga, Sky. Eu precisava compartilhar com ela aquele momento. E eu sabia que ninguém reagiria melhor ao saber que eu havia conhecido o , do que ela.
Quando cheguei ao seu prédio, o porteiro anunciou a minha presença, e ela logo me deixou subir. Meu coração batia tão rapidamente, só em me lembrar dos detalhes, que mais parecia um sonho.
Toquei a campainha do apartamento e Sky logo abriu, vestindo apenas uma lingerie azul escura, o que era normal para ela.
- Oi, bebê. - ela falou, abrindo os braços.
- Oi, meu amor. - aconcheguei meu corpo ao seu, lhe dando um abraço apertado.
- Se a minha vizinha me ver te abraçando aqui na porta apenas de lingerie, ela vai dizer que estamos condenadas ao inferno. - ela falou, e eu sabia que ela fazia uma careta, então eu gargalhei.
- Se ela aparecer eu te dou aquele beijo de cinema pra ela ver como nós temos química. - ela quem gargalhou dessa vez, desfazendo o abraço e me dando passagem para entrar em seu apartamento.
- Você é demais. - fechou a porta e se virou para mim, enquanto eu colocava minha bolsa no sofá - Seus olhos estão brilhando e seu sorriso está ainda mais radiante do que o normal... - me analisou - O que aconteceu?
- Se você adivinhar, o almoço hoje é tudo por minha conta. - falei sugestivamente e me sentei no sofá - Te dou três chances. - a olhei.
- Você e o Matthew transaram loucamente ontem à noite? - ela falou maliciosamente, e eu acabei rindo.
- Sexo é realmente algo maravilhoso, mas não é um motivo que me deixaria assim. Até porque, eu e Matthew continuamos brigados. - dei ombros e ela fez uma careta pensativa.
- Então... Você recebeu uma proposta para trabalhar na Vogue? - falou empolgada, quase pulando no meio da sala e mais uma vez eu ri, balançando negativamente a cabeça.
- Bem que eu queria, mas a Vogue ainda não enxergou o meu potencial. - suspirei, fazendo um leve drama.
- Porra, , isso está mais difícil do que eu imaginava. - se sentou ao meu lado no sofá e ficou um tempo em silêncio, provavelmente pensando no que dizer - Você ficou milionária e vai me dar uma viagem pela Europa de presente? - me olhou, arqueando a sobrancelha, e dessa vez, ela quem estava com os olhos brilhando, mas sua empolgação se dissipou quando eu gargalhei.
- Sky, você sabe que quando eu for rica nós vamos viajar o mundo inteiro juntas, mas, infelizmente, esse momento ainda não chegou. - balancei negativamente e ela bufou, encostando-se no sofá.
- Então fala logo o motivo da sua felicidade, porque eu não sou tão boa em adivinhações como eu achava. - fez uma careta e me encarou.
- Eu vou te mostrar e você mesma me diz. - dei um sorrisinho.
- Não acredito, como eu não pensei nisso. - ela se levantou, e se virou para mim - Você está grávida. - falou com certeza - O maior sonho da sua vida sempre foi ser mãe, e nada te deixaria tão radiante quanto isso. - ela falava com tanta certeza, que até eu estava me convencendo de que eu poderia estar grávida.
- Olha, esse realmente seria um ótimo motivo, mas infelizmente ainda não chegou a hora. - fiz um bico demonstrando minha decepção.
Tirei o envelope da bolsa e o entreguei a ela, que me encarou por alguns segundos antes de olhar o que estava no conteúdo do envelope. Assim que ela viu a primeira foto, ela gritou. Gritou tão alto, que eu imaginava os vizinhos batendo em sua porta achando que ela corria perigo, ou algo do tipo.
- Você conheceu o ? - ela falou pausadamente sem me olhar, enquanto passava pelas fotos - Ai meu Deus, você realmente conheceu o . - ela mesmo se respondeu e eu ri - Como isso aconteceu? - me olhou e apontou para as fotos.
- Bom, eu encontrei o Dodger ontem na praia... - comecei a falar, contando cada parte da história, pulando apenas a parte que Matthew apareceu na minha casa e rolou toda a nossa briga. Sky, estava realmente empolgada, prestando atenção em tudo o que eu falava e quando eu terminei de contar, eu estava com os olhos marejados e ela também, então ela logo me abraçou.
- , eu estou realmente muito feliz por você. Eu sei o quanto você sonhou com esse dia, e que pelo que você contou, foi ainda melhor do que você esperava. - me apertou em seus braços, e eu fechei os olhos sentindo uma lágrima escorrer em meu rosto. Aquele era o momento em que minha ficha estava realmente caindo, e que eu tive certeza de que não estava sonhando.

Eu e Sky resolvemos sair para almoçar em um restaurante que amávamos, e ela havia deixado claro que pagaria a conta em comemoração ao fato de eu ter conhecido . Isso era o que eu mais amava em minha amizade com Sky, sempre ficávamos extremamente felizes com as conquistas da outra, independente de qual fosse.
- Você sabe que eu acho que essa é a oportunidade perfeita para você e virarem amigos, se apaixonarem e depois se casarem, não é mesmo? - ela falou após dar uma garfada em seu ravioli e eu ri.
- Se ele quiser me pedir em casamento, eu realmente não vou recusar. - dei ombros e ela quem riu dessa vez - E por falar nisso, aconteceu uma coisa muito curiosa na noite anterior a que eu encontrei Dodger. - bebi um gole do vinho e ela me olhou, à espera de que eu continuasse - Eu sonhei com o . - a olhei.
- E desde quando isso é novidade? - soltou uma risada nasalada, e fez uma careta confusa.
- Desde que, no meu sonho eu estava conhecendo-o e, no dia seguinte, eu realmente o conheci. - repeti a sua careta, e ela parou de mastigar, ainda me encarando - Mas o curioso, foi que ele não era exatamente ele, e eu não era eu!? - mantive a careta após perceber que aquilo estava realmente mais confuso do que parecia.
- Okay, , eu acho que você está em um delírio após conhecer seu ídolo. - ela falou com humor e riu baixo, me levando a revirar os olhos e ri junto - Se vocês não eram vocês, quem vocês eram? - bebericou o vinho e me encarou por cima da taça.
- Ele não era , o astro de Hollywood e eu não era uma jornalista recém-formada. Na verdade... - soltei uma risada nasalada antes de continuar - Não parecia ser nessa década, ou século, que seja. Nós vestíamos umas roupas diferentes, eu tinha uma égua chamada Vênus e falávamos uma linguagem extremamente formal. - Sky me olhava atentamente, e o único movimento que fazia, era dos seus longos cílios batendo contra suas pálpebras enquanto piscava - Você está ouvindo o que eu estou falando, Sky? - ri baixo, estalando os dedos na frente de seu rosto.
- Eu estou te ouvindo, mas estou aqui pensando o quão irônico seria se você tivesse prevendo o futuro e sonhasse com o número da loteria para me deixar rica. - ela falou com tranquilidade e foi impossível não gargalhar.
- Pode deixar que quando isso acontecer, você será a primeira a saber do sonho. - cruzei os dedos em frente ao meu rosto e ela silabou um "obrigada" sem som.
- E o Matthew? - arqueou a sobrancelha e eu repeti seu gesto - Vocês já conversaram sobre a briga de vocês? - bebeu um gole do suco.
- Ele me mandou algumas mensagens ontem, mas eu estava ocupada demais com o trabalho para responder. - dei ombros e encarei o prato em minha frente. Eu não teria coragem de olhar na cara da minha melhor amiga e mentir, no caso omitir, a briga com Matthew na noite anterior.
- Você acha que vocês vão se resolver? - comeu mais um pouco de seu ravioli.
- Não sei. - dei ombros mais uma vez e bebi um longo gole do vinho - E você? Como está seu relacionamento com o Sam? - a olhei, mudando bruscamente o assunto e ela cerrou os olhos.
- Não temos um relacionamento. - negou com a cabeça - Foi uma transa de uma noite, que se repetiu algumas vezes, mas apenas isso. - ela quem deu ombros dessa vez e eu ri baixo - Mas olha, se eu conhecesse , certamente não seria apenas uma transa. - deu um sorrisinho malicioso e eu revirei os olhos.
- Ainda bem que você não o conhece. - falei meio mal humorada e ela riu.
- Você tem um ciúme dele que você não tem nem comigo... Ou com o Matthew. - fez uma careta, mas voltou a rir em seguida.
Nós acabamos de comer enquanto conversávamos sobre assuntos aleatórios, mas tudo levava, de alguma forma, ao , o que não era novidade para mim e muito menos para Sky, que desde que me conhecera sempre me ouviu falar do meu amor pelo .

Depois do meu encontro com naquela manhã, tudo à minha volta parecia radiante. Eu não conseguia sequer parar de sorrir.
Cheguei em casa por volta de 17:30, e fui logo colocando a foto com o no porta-retratos e o colocando na minha mesinha de cabeceira, onde antes ficava uma foto minha com Matthew, que eu tratei de enfiar em uma gaveta.
- Isso será a primeira coisa que eu verei ao acordar e a última antes de dormir. - falei comigo mesma e sorri olhando a foto.
Entrei no banheiro e tomei um banho demorado, criando toda uma fanfic na minha cabeça, era até impossível não fazer aquilo, eu havia acabado de conhecer o meu ídolo da forma mais aleatória possível.
Ouvi a campainha ser tocada e saí do banheiro vestida com um roupão, e corri até a porta a abrindo e dando de cara com Matthew atrás de um enorme buquê com vários tipos de flores diferentes.
- Eu sei que eu não mereço perdão, e muito provavelmente não mereço uma segunda chance, mas eu não posso deixar a mulher da minha vida ir embora sem tentar reconquistá-la. - ele esticou o buquê em minha direção, enquanto olhava em meus olhos - Me perdoa por ter sido um idiota com você, nada do que eu fiz foi certo e eu prometo que nunca mais vai se repetir. - ele falou sem tirar os olhos dos meus, e eu não tive outra reação a não ser sorrir.
- Matt, esse buquê é perfeito. - abracei o buquê e cheirei as flores, o encarando em seguida - Vem, entra. - entrelacei minha mão a dele e o puxei para dentro encostando novamente a porta.
- Isso quer dizer que está tudo bem entre a gente? - colocou as mãos nos bolsos da calça e me olhou de uma forma um tanto quanto piedosa.
- Está tudo bem. - balancei a cabeça positivamente - Eu sei que você não fez por mal. - coloquei o buquê sobre a mesinha e nos sentamos frente a frente no sofá.
- Eu só fiquei realmente com ciúmes, mas tenta me entender, você estava aqui no seu apartamento sozinha com um homem. - balançou a cabeça negativamente e suspirou.
- Tudo bem, Matt. Eu prometo que isso não vai mais se repetir. - segurei sua mão e ele sorriu, levando às costas da minha mão a boca e a beijando em seguida - Vamos lá para o meu quarto para eu me trocar. - me levantei e o puxei junto comigo para o quarto.
- O que você quer fazer hoje? Podemos fazer o que você quiser! - me olhou, enquanto eu seguia até o guarda-roupa e ele se sentava na minha cama.
- A gente podia ficar aqui, pedir uma pizza e assistir uns filmes. - o olhei sugestivamente e ele concordou com a cabeça.
- Ei, por que você tirou nossa foto daqui? - falou tirando o porta-retratos da cabeceira e me olhou - E por que diabos tem uma foto sua com outro homem no lugar da nossa? - me olhou com uma feição incrédula.
- Não é outro homem, é o . - soltei uma risada nasalada e vesti uma calcinha - E eu coloquei aí, porque como você e qualquer pessoa sabe, ele é o meu maior ídolo. - dei ombros e vesti um blusão.
- E por isso você acha que tudo bem tirar a nossa foto? - o tom da sua voz não era mais incrédulo, beirava a raiva.
- Matt, nossa foto está na gaveta e tem mais algumas na sala. - o olhei, enquanto ia até a penteadeira arrumar o cabelo.
- Mas não é certo você ter uma foto com outro homem na sua cabeceira, independente de quem seja ele. Eu sou o seu namorado, isso é uma falta de respeito. - jogou o porta-retratos sobre a cama e eu respirei fundo.
- Tudo bem, eu vou guardar essa foto na gaveta e colocar a nossa de volta ao lugar. - falei sem olhá-lo, enquanto passava um hidratante no rosto. A melhor opção ali era evitar outra briga - Você pode pedir a pizza? - o olhei rapidamente e ele assentiu saindo do quarto.
Me levantei e peguei a foto sobre a cama a encarando por alguns segundos. Abri a gaveta e coloquei a foto com Matthew de volta no lugar, guardando a outra na gaveta, e logo em seguida fui para a sala ficar com o meu namorado.

Passei o batom, finalizando a minha maquiagem e me olhei no espelho encarando o meu vestido (https://live.staticflickr.com/65535/51074614402_f2a9f21c68_o.jpg). Era a primeira vez que eu tinha coragem de usá-lo desde que comprara, e eu havia gostado do resultado.
- Você vai vestida assim? - Matt falou e me olhou de cima a baixo.
- Tem alguma coisa errada? - o olhei, mas logo em seguida voltei a me analisar no espelho.
- Sabe o que é, amor. - ele falou mansamente - Você está linda, mas... - fez uma pausa e coçou a nuca de uma forma receosa - Nos últimos meses você engordou um pouco e esse vestido não caiu bem. - fez uma careta e eu a repeti encarando meu corpo no espelho.
Era como se toda a minha opinião anterior tivesse sumido depois daquele comentário. O vestido realmente não parecia cair bem em meu corpo, e o que eu via no reflexo, eu não gostava.
Fui em direção ao meu guarda-roupas e tirei de lá várias peças, até encontrar uma que me agradasse, e acabei optando pelo básico, uma calça jeans e uma camisa branca simples (https://flic.kr/p/2kPdFeN).
Demorei um bom tempo para ter coragem de sair de casa, mas acabei indo devido à insistência de Matthew. Quando chegamos na casa de Skyler, várias pessoas já estavam ali se divertindo juntas.
- Achei que vocês não vinham mais. - Sky falou envolvendo seus braços em meu pescoço e eu abri um pequeno sorriso.
- Eu nunca deixaria de vir ao seu aniversário. - beijei a sua bochecha e a apertei em meus braços.
- Tá tudo bem? - ela sussurrou em meu ouvido e foi difícil segurar o choro, então eu apenas balancei a cabeça em concordância.
- Feliz Aniversário, Skyler. - Matthew falou apenas a olhando quando eu desfiz nosso abraço e minha amiga sorriu amarelo.
- Obrigada, Matthew. - o olhou, mas logo em seguida se virou para mim - Vem, quero te apresentar alguns amigos. - ela me puxou para longe dali e me levou para o meio de um grupo de amigos do trabalho dela, e Matt apenas nos observava.
Por mais que eu tentasse, durante toda a noite eu só consegui pensar no que Matthew falara sobre meu corpo e como ele tinha razão. E era engraçado como algo em você não te incomodava, até alguém comentar sobre aquilo.
- Você não acha que está bebendo demais? - Matthew falou se aproximando de mim e apontando para a taça de vinho em minha mão.
- Essa é a minha segunda taça. - fiz uma careta e dei ombros voltando a bebericar o vinho.
- Isso é muita coisa para quem não tem autocontrole. - soltou uma risada nasalada, e eu suspirei deixando a taça de lado.
- Ei, , vem dançar comigo. - Sky me gritou do outro lado da sala, e quando eu pensei em me levantar, Matthew entrelaçou nossas mãos.
- Não me deixe sozinho, você sabe que eu não conheço ninguém aqui. - falou de forma dócil e eu concordei com a cabeça e ele me deu um selinho demorado.
Ficamos os dois ali sentados conversando, e cada segundo que se passava, a festa parecia extremamente chata e entediante.
- Vou ao banheiro e nós vamos para casa. - Matthew falou com a voz um pouco embolada e eu assenti.
- O que está acontecendo? - Sky se aproximou do sofá onde eu estava - Você não parece estar se divertindo. - balançou negativamente a cabeça.
- Não aconteceu nada, eu só estou cansada. - dei ombros.
- Você e o Matthew brigaram antes de vir? - arqueou a sobrancelha e eu neguei com a cabeça.
- Desde que nós voltamos há duas semanas, não temos brigado mais. Ele está sendo um amor comigo. - dei um sorriso fraco e ela balançou a cabeça - Eu só estou muito cansada mesmo, não é nada demais. - a tranquilizei e Matthew logo se aproximou.
- Vamos embora. - ele me encarou e eu logo assenti.
- Você me liga se precisar de algo, ok? - Sky falou quase num sussurro e me abraçou - Toma cuidado, por favor. - me apertou em seus braços.
- A gente se vê. - falei quando desfizemos o abraço e saí do apartamento com Matthew.
- Eu disse que você está gostosa hoje? - ele falou me olhando de cima a baixo quando entramos no elevador, e eu apenas o encarei - O que foi? - riu pelo nariz e eu dei ombros, saindo do elevador.
- Boa noite, senhorita. - o porteiro, que já me conhecia, falou me olhando.
- Boa noite, Parker. - sorri enquanto passava por ele na portaria - Me dá a chave do carro. - estendi a mão para Matthew, que me olhava torto.
- Não vou te dar a chave do meu carro. - falou bravo e eu revirei os olhos - Pede o Parker para te levar em casa. - falou com ironia, e eu bufei.
- Pelo menos com ele eu não sofreria um acidente. - falei no mesmo tom e ele me fuzilou com o olhar - Ou você me dá a chave do carro, ou eu vou de táxi. - o olhei, parando em sua frente e estendi novamente a mão para ele.
- Eu posso dirigir. - bufou e tirou a chave do bolso.
- Você pode, mas não vai. - tomei a chave de sua mão e fui em direção ao carro, entrando no lado do motorista.
Ele entrou depois de muita resistência, e eu logo dei a partida. Matthew quando bebia era extremamente difícil de lidar, ele ficava ainda mais teimoso e mandão.
Dirigi o mais rápido que eu pude, o ouvindo reclamar durante todo o caminho sobre o fato de eu estar dirigindo e não ele, já que ele era certamente mais capaz do que eu.
- Por que você deixa todo mundo dar em cima de você? - falou simplesmente e eu fiz uma careta, enquanto chamava o elevador.
- Do que você está falando? - o olhei rapidamente.
- Do porteiro. - bufou e nós ficamos frente a frente no elevador do meu prédio - Ele certamente gosta muito de você. Quantos boquetes você pagou para ele? - riu de escárnio e me encarou e eu lhe acertei um tapa no rosto.
- Me respeita, Matthew. - falei indignada com o comentário dele.
- Você gosta, adora que enfiem um pau nessa sua boquinha. - aproximou sua mão do meu rosto, mas eu desviei - Vai dizer que não? - riu com deboche e me prendeu contra a parede - Eu te perdoo se você me pagar um, mas você precisa me chupar como nunca fez na vida. - aproximou seus lábios do meu pescoço e eu o empurrei.
- Aproveita que você já está aqui no elevador e vai para sua casa. - saí no meu andar, mas ele segurou meu pulso me puxando de volta para ele.
- Isso tudo porque eu te pedi para me pagar um boquete? - riu pelo nariz, ainda segurando meu pulso - Quando a gente se conheceu você deixou claro que gostava. - espalmou sua mão livre na minha bunda e eu fechei os olhos - E para um puta de quinta, você faz isso direitinho. - sussurrou em meu ouvido e colocou a minha mão em sua intimidade.
- Você é um ridículo. - apertei seu membro com força, o fazendo gemer de dor e me soltar, então corri e entrei em meu apartamento o trancando por dentro.
Corri para o meu quarto e me tranquei lá também, colocando a cômoda na porta, para que ele realmente não conseguisse entrar, já que no meu apartamento ele entraria, porque tinha a chave.
Disquei o número de Sky e deixei que chamasse, mas, mesmo depois da quinta tentativa, ela não atendeu.
Me sentei na ponta da cama e deixei com que as lágrimas, que tanto segurei durante a noite, caíssem. Matthew havia passado dos limites naquela noite, com todos aqueles comentários e atitudes. Eu não podia perdoá-lo.
Tentei ligar mais algumas vezes para Skyler quando Matthew começou a esmurrar a porta do meu quarto, mas ela ainda não estava atendendo.
- Na hora que você sair daí, você me paga sua vagabunda. - ele falou alto do outro lado da porta e o meu corpo estremeceu.
Corri para o banheiro e me tranquei lá também, e sentada no chão chorando e amedrontada, foi como eu passei aquela noite.
Ouvi a porta bater por volta das quatro da manhã, e levando em consideração o silêncio que ficou, eu sabia que ele havia ido embora. Tirei a minha roupa, e entrei no box ligando o chuveiro. Enquanto a água escorria pelo meu corpo, as lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Matthew nunca teve uma reação como aquela e pra mim era desesperador. Eu não sabia o que fazer dali em diante, não depois daquilo.
Quando saí do banheiro, minha cabeça pesava de dor. Vesti uma roupa e tomei um remédio para dor, e deitei na cama encarando a porta ainda trancada e presa pela cômoda. Por mais que ele tivesse ido embora, ele poderia voltar.
Consegui pegar no sono apenas quando já havia amanhecido, e quando tive certeza que Matthew tinha mesmo ido embora.

(...)


Me escorei na sacada e observei a vista, entretanto, nada tirava o belo homem, que eu conhecera dias antes, da minha cabeça.
- Senhorita? - Dorothy entrou em meus aposentos chamando-me a atenção - Está tudo bem? - ela parou ao lado da porta me olhando preocupada.
- Tudo bem, Dorothy. Eu estava apenas refletindo. - abri um pequeno sorriso e virei-me para ela - Você ainda pretende ir à cidade hoje? - andei até o cabideiro olhando o vestido, no qual Dorothy separara para eu vestir.
- Preciso comprar alguns tecidos para os seus vestidos, e também alguns mantimentos, que estão nos faltando. - ela se posicionou atrás de mim e me ajudou a despir-me de minha camisola.
- Deixe-me ir? - virei-me de uma vez para minha ajudante e ela arqueou sua sobrancelha numa feição típica de confusão - Eu preciso voltar a cidade, entretanto, eu sei que não há outra forma de meu pai deixar-me ir. - abaixei os ombros numa demonstração de completa frustração.
- Eu não acho uma boa ideia. - balançou negativamente a cabeça e eu suspirei pesadamente.
- Eu lhe suplico. Eu realmente não pedir-lhe-ia se não me fosse tão importante. - juntei as mãos em frente ao meu rosto, quase em um ato de piedade.
- Tudo bem, a senhorita pode ir em meu lugar. Contudo, precisará trazer tudo o que eu lhe disser, caso contrário, seu pai dispensará os meus serviços. - ela falou com seriedade e eu concordei com a cabeça.
- Vá até meus pais e diga para eles que eu não me sinto bem esta manhã. Peça para que deixem-me a sós durante o dia e que você irá cuidar de mim quando estiver de volta. - peguei um vestido mais simples em minhas coisas, e com ajuda dela o coloquei em meu corpo - Depois você apenas se esconda aqui em meu quarto até eu voltar. - a observei pelo reflexo do espelho enquanto ela amarrava as costas do vestido - Eu demorarei apenas o suficiente para resolver algumas coisas na cidade. - virei-me novamente para ela, a tempo de vê-la balançar a cabeça.
- Eu faço o que a senhorita pediu, mas eu imploro-lhe, não se meta em confusões. - ela falou com seriedade e da mesma maneira eu balancei a cabeça em concordância.
Assim que eu aprontei-me, ela saiu do quarto, entretanto voltou um tempo depois dizendo que havia dado o recado para meus pais e eles compreenderam o meu pedido. Vesti a capa de Dorothy, e coloquei o capuz saindo do quarto apenas após ela passar-me uma lista de compras.
Saí com cautela para não ser notada por nenhum outro trabalhador dali. Então, montei em Vênus e galopei em direção a cidade, na esperança de encontrar o belo homem, que eu conhecera na outra tarde.

Caminhei por algum tempo na cidade, entretanto, não consegui encontrá-lo. Eu precisava retornar para casa, então, comprei tudo o que Dorothy havia pedido e caminhei de volta para onde havia deixado Vênus, mas de longe, avistei uma silhueta masculina, aquela na qual eu buscava.
- Eu achei que não o encontraria por aqui. - falei bem humorada chamando sua atenção.
- Eu a procurei durante todos os dias, desde que nos conhecemos. - ele se virou para olhar-me, e os nossos olhares acabaram se encontrando.
- Eu lhe disse que eu lhe encontraria. - foi quase impossível não abrir um sorriso ao olhá-lo.
- Se tornou impossível não pensar na senhorita todos os dias e todas as noites desde que eu lhe conhecera. - seu olhar estava preso ao meu, e eu não conseguia desviá-lo.
- Digo-lhe que foi um sentimento recíproco. - pendurei os sacos na cela de Vênus e voltei a olhá-lo - Eu gostaria de ficar e falar mais tempo com você, no entanto, não posso mais adiar a minha volta para casa. - suspirei pesadamente e senti sua mão tocar a minha.
- Quando posso vê-la novamente? Não me digas que precisarei aguardar o destino trazê-la a mim. - falou com pesar, e segurou meu rosto em suas mãos.
- Podemos nos encontrar no rio, amanhã, após o nascer do sol. - olhei em direção a floresta, onde no final dela, estava o rio, no qual eu falara.
- Aguardarei ansiosamente para encontrar a bela mulher que tomou conta dos meus pensamentos. - levou minha mão aos seus lábios e a beijou.
- Eu preciso ir, mas amanhã, nos encontraremos. - sorri brevemente e montei em Vênus - Espero acompanhá-lo hoje em seus sonhos. - o olhei.
- Se não posso tê-la em meus braços, o que me resta é tê-la em meu consciente. - seu sorriso galanteador disparou meu coração, que se ritmou aos galopes de Vênus quando deixei para trás.


Capítulo 3

Acordei no domingo com um sorrisinho nos lábios, apesar de toda a merda da noite anterior, sonhar com o fazia eu me sentir bem melhor.
Anotei todo o sonho no meu caderninho, e o engraçado era que eu me lembrava perfeitamente dos detalhes. Nada se perdia quando eu acordava, na verdade, parecia até uma lembrança e não um sonho.
Passei o dia todo ali em casa, dividida entre relembrar meu sonho com o e me preocupar se Matthew apareceria ali novamente, eu esperava muito que não.
Sky me ligou querendo saber por que eu ligara para ela, várias vezes, durante a madrugada, mas eu achei melhor não contar o que realmente aconteceu, e disse que só havia lhe ligado para saber se tinha esquecido a chave do meu apartamento na casa dela, mas que depois eu acabei encontrando.
Para minha felicidade, Matthew não apareceu ali e nem sequer tentou falar comigo, na verdade, eu nem sabia se ele estava bem, depois do tanto que bebera na casa de Sky.
Na segunda de manhã, acordei com o meu celular tocando e, antes de atender olhei quem era, porque dependendo, eu retornava mais tarde, já que estava de folga, mas era Tyler, então deslizei o dedo na tela e o atendi.
- Bom dia, princesa mais linda da Disney. - ele falou de uma forma completamente amável.
- Bom dia, Ty. - respondi roucamente enquanto me sentava na cama - Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - falei preocupada e bocejei em seguida.
- Não estou me sentindo bem hoje, e queria saber se você pode trocar comigo sua folga. - ele perguntou meio receoso - Eu sei que você tirou essa folga realmente porque você precisava descansar, mas eu realmente não estou bem. - eu poderia certamente imaginá-lo fazendo um bico.
- Tudo bem, Ty, eu cubro você. Só se cuida e, se precisar de alguma coisa, me liga que mais tarde eu passo aí. - falei já me levantando para começar a me arrumar.
- Você é um anjo, merece que todos os seus sonhos se realizem. - ele falou e eu sorri - Eu vou me cuidar e se você precisar de algo, me liga.
- Beijos, Tyler. - mandei beijos e ele fez, então eu desliguei.
Deixei o meu celular ali na mesinha de cabeceira e fui para o banheiro. Tomei um banho um pouco demorado, aproveitando para lavar o meu cabelo e, quando saí do banheiro, fui logo finalizar o meu cabelo com o difusor e o pente garfo.
Fiz uma make básica, e me vesti. Passei perfume, coloquei alguns acessórios e arrumei a minha bolsa apenas com o necessário. Peguei meu celular e a chave do meu carro e então saí de casa.
Gastei mais ou menos meia hora para chegar à redação. Deixei minhas coisas sobre minha mesa e fui correndo para a reunião de pautas, que começaria em menos de cinco minutos.
Me sentei ao lado de Ashley e observei Hannah dar início a reunião falando sobre as metas da semana para a revista do mês seguinte.
- Temos algumas pautas importantíssimas na próxima edição, então eu preciso que vocês deem não 100% de vocês, mas 200%. - ela falou passando seu olhar por todos ali na sala - Desta vez, eu não vou escolher as pautas por vocês, vocês mesmo vão falar quem ficará com qual. - mostrou as pautas em sua mão.
- Que comecem os jogos. - Ash sussurrou e eu ri baixo com o comentário.
- Começando com a pauta sobre cultura, quem quer ficar com ela? - levantou a pasta verde em sua mão, e pelo menos a metade ali levantou o braço - Decidam entre vocês e no final, a gente volta nela. - ela deu ombros e pegou a pasta seguinte - Política? - desta vez era a pasta azul, mas ninguém se voluntariou, todo mundo ficou se olhando, então eu levantei o braço - , é sua. - deixou a pasta separada e sorriu radiante.
Ela foi passando por várias temáticas, como gastronomia, esporte, tecnologia, turismo e economia e as pautas foram sendo distribuídas entre os jornalistas.
- A última pauta, moda. - quando ela falou aquela palavra, eu fiquei me remoendo por ter pegado a pauta política, porque ali eu teria a oportunidade de mostrar que era com moda, que eu queria trabalhar. - Ashley, é sua. - passou a pasta para Ash, que me olhou.
- Se você quiser, a gente troca. - falou baixo sem nem ao menos abrir a pasta.
- Não se preocupe, eu terei a minha chance. - dei um sorriso fraco e fui até Hannah, que segurava a minha pasta em mãos, enquanto todos saíam.
- Essa vai ser nossa matéria de capa da próxima edição. - esticou a pasta na minha direção - Eu não falei isso na reunião, porque não queria que ninguém pegasse uma pauta simplesmente porque sairá na capa, mas sei que você fará um ótimo trabalho com ela. Eu só te peço uma coisa... - fez uma pausa e eu arqueei a sobrancelha - Controla o seu coração. - deu um sorrisinho e então eu abri a pasta, vendo o tema da matéria.

Tema: A Starting Point (ASP): um novo olhar para a política norte americana
Entrevistados: e Mark Kassen

Quando eu li aquele nome, meu coração bateu tão rápido, que eu não sabia que podia acontecer. Eu entrevistaria , o meu maior ídolo.
- Isso realmente está escrito aqui? - falei sem conseguir tirar os olhos do papel e Hannah riu.
- Está sim, mas temos um único problema. - ela falou e eu levantei o olhar para ela - Essa matéria precisa de um trabalho pesado, e por se tratar de um astro de Hollywood como, , o único dia disponível para a entrevista é amanhã. Você acha que consegue fechar a pauta a tempo? - questionou um pouco receosa.
- Se for preciso eu viro a noite fechando a pauta, mas eu prometo que eu não vou decepcionar nem você, nem a revista e muito menos . - falei confiante e ela sorriu.
- Por que você pegou a pauta? Sei que não é o caderno que você se interessa. - perguntou curiosa.
- Por mais que eu não soubesse do que se tratava e também, que teria um caderno de moda nesta edição, eu aprendi que nem sempre eu vou escrever sobre aquilo que eu gosto, e principalmente, que muitas das vezes, escrever sobre outros assuntos, me trará uma bagagem ainda maior de experiência. - olhei para a pauta por alguns segundos e voltei a olhá-la - Eu não vou chegar onde eu quero se eu estiver sempre na minha zona de conforto.
- Você saiu da sua zona de conforto e de bônus vai entrevistar o seu maior ídolo. - ela sorriu e eu fiz o mesmo - Sei que você vai fazer um excelente trabalho aqui.
Saí da sala e fui direto para minha mesa começar a trabalhar na pauta. Por se tratar de um assunto que envolvia, , mesmo sendo política, eu já sabia muita coisa em relação ao trabalho dele com o ASP, o que facilitaria o meu trabalho em desenvolver a pauta.
Por ser uma matéria de capa, ela certamente teria pelo menos umas quatro laudas, o que exigiria realmente um trabalho pesado para escrevê-la e só tínhamos duas semanas para fechar a próxima edição da revista.
Meu dia foi baseado em pesquisar e completar a pauta, mas ainda assim, acabei levando trabalho para casa, porque ainda tinha muitas referências para pesquisar e desenvolver.
Quando cheguei em casa, tinha um ursinho de pelúcia para mim na portaria, e com ele havia uma carta de Matthew.

“Meu amor,
Espero que você esteja bem. Precisei viajar para resolver algumas coisas, volto ainda essa semana e passo na sua casa para conversarmos.
Nunca se esqueça que você é a minha mulher e eu amo você!
XxMatt”

Encarei a carta por alguns segundos e parecia que nada havia acontecido no fim de semana, ou Matthew teve uma perda de memória depois de tanta bebida, ou ele era cínico o suficiente para fingir que estava tudo bem. Eu apostava na segunda opção.
Deixei o urso e a carta de lado, e fui tomar um banho para me concentrar na pauta. Assim que saí do banheiro, vesti o meu blusão favorito, que era um que tinha a foto de na frente e o seu nome logo abaixo. Eu havia ganhado de presente de uma amiga, e era sem dúvidas a minha peça de roupa favorita.
Fui até a cozinha, peguei uma garrafa de vinho e fiz uma salada, então voltei para o quarto e me sentei sobre minha cama voltando a focar na pauta.
Acabei indo dormir por volta das duas da manhã, mas pelo menos consegui fechar a pauta e eu tinha certeza que seria um dos melhores trabalhos da minha vida.

Eu estava tão ansiosa para ver , que acordei extremamente agitada naquela terça, na verdade, eu mal havia dormido e meu estômago doía e me deixava enjoada. Aquilo sempre acontecia quando eu ficava ansiosa por algo, e era o mal de viver com a ansiedade.
Tomei um banho demorado e só dei uma arrumada no meu cabelo, que estava da forma que eu gostava em seu day after. Fiz uma make básica e peguei a roupa, que havia escolhido na noite anterior, e a vesti logo após passar hidratante pelo corpo. Coloquei alguns acessórios, passei perfume, calcei meu scarpin e me olhei no espelho antes de pegar minhas coisas para sair de casa.
Tomei apenas um suco de morango com maracujá antes de sair de casa, pois estava tão agitada que mal conseguia comer.
Fui durante todo o caminho escutando IDK you yet, que era uma das músicas que mais me fazia pensar em e refletir sobre o quanto eu o amava, mesmo sem ao menos conhecê-lo.
Quando cheguei a redação já estava uma loucura, só por saberem que, , estaria ali para uma entrevista, todo mundo surtou.
- Como anda o coração dessa princesa? - Ash falou quando me aproximei dela e de Tyler.
- Batendo tão rápido quanto um cavalo trotando. - fiz uma careta e ri baixo.
- Eu estou tão feliz por ter passado mal e você ter vindo no meu lugar. - Tyler me abraçou de lado - Você finalmente vai encontrar o amor da sua vida, de novo. - falou empolgado e eu ri.
- A chance dele se apaixonar por mim é zero, mas se acontecer, vocês serão convidados para o meu casamento. - dei uma piscadela para eles, que riram - Agora preciso ir ao estúdio me preparar para a entrevista. - peguei meu celular e o notebook e saí dali.
Preparei todo o estúdio da forma que eu gostava. O cinegrafista estava ali para gravar a entrevista em vídeo, que iria para o nosso canal no youtube.
- Bom dia, . - Hannah falou ao adentrar o estúdio - Está preparada? - me cumprimentou com dois beijinhos no rosto.
- Bom dia, Hannah. - a olhei - Meu coração parece que vai explodir. - fiz uma careta e ela riu.
- Preciso te pedir para fotografá-los também, tudo bem? - perguntou e eu apenas assenti - Vou ficar aqui com você até eles chegarem, mas precisarei ir para uma reunião com o Colton.
- Tudo bem, eu consigo dar conta. - a tranquilizei e acabei de arrumar o espaço que usaríamos para gravar a entrevista.
- Por aqui, rapazes. - Pepper, a recepcionista da revista, falou e logo Mark passou pela porta e em seguida .
Quando ele entrou, as batidas do meu coração entraram em conflito, ao mesmo tempo que ele batia rápido, ele batia tão lento que parecia estar parado.
- Mark, , sejam bem-vindos ao The Journal. - Hannah falou, usando o mesmo tom simpático de sempre, enquanto cumprimentava os dois - Essa aqui é a nossa jornalista, que vai entrevistar vocês... - ela falou, mas foi interrompida por antes de terminar.
- ? - me olhou com uma feição confusa, mas ao mesmo tempo divertida e eu sorri derretida ao saber que ele realmente se lembrava de mim.
- Vocês se conhecem? - Hannah perguntou confusa.
- Ela foi a garota que encontrou Dodger quando ele se perdeu. - explicou e voltou a me olhar - Nunca imaginei que te encontraria aqui. - ele se aproximou beijando a minha bochecha - Mas fico feliz em tê-la encontrado novamente. - sorriu.
- Eu garanto para você que não tem ninguém aqui mais feliz do que eu. - falei com um sorrisinho bobo nos lábios e me virei para Mark - É um prazer conhecê-lo. - o cumprimentei.
- O prazer é todo meu. - sorriu simpaticamente.
- Por que você não me contou que já conhecia o ? - Hannah me olhou, quando os dois se afastaram e eu dei ombros.
- Você nunca me perguntou. - fiz uma careta e ela riu, enquanto eu observava de longe.
- Ele conheceu a fã, agora mostra para ele a jornalista. - sorriu e se afastou se despedindo dos dois e saiu do estúdio.
- Eu pensei em começarmos com as fotos e depois irmos para a entrevista. O que vocês acham? - falei me aproximando deles.
- Por mim, tudo bem. - Mark me olhou e em seguida olhou para .
- Por mim também, o que você disser nós fazemos. - falou me olhando e eu assenti, então ele sorriu e eu tive que me equilibrar, porque as minhas pernas bambearam completamente.
- Então vamos lá. - os guiei até a parte onde faríamos as fotos, e a maquiadora passou um pouco de pó em cada um para não brilharem na câmera.
Tirei várias fotos, inclusive deles sozinhos, algumas do , eu faria questão de ter uma cópia para mim, afinal, não era todo dia que eu tinha a oportunidade de fotografar meu ídolo.
Quando acabei de fotografá-los, o cinegrafista me ajudou, colocando neles o ponto e o gravador para termos uma melhor qualidade de áudio, enquanto eu mesma arrumava o meu. Me sentei, ficando de frente para os dois, e logo que o cinegrafista liberou, começamos a gravar.
Foram várias perguntas e só a entrevista, não durou menos que uma hora. Por mais que política não fosse o meu assunto favorito, eu estava completamente encantada com a forma que falava sobre o assunto e, principalmente, com a forma com que os olhos dele brilhavam para falar daquele projeto. Eu poderia ficar horas o vendo discorrer sobre política, que eu nunca acharia chato ou entediante.
Quando acabamos a entrevista, tirei algumas fotos com os dois, a pedido de Mark. E logo em seguida, me afastei por alguns segundos para olhar uma mensagem de Matthew em meu celular.

“Oi, amor, estou morrendo de saudades!
Recebeu o presente? Amanhã eu volto e a primeira coisa que farei é ir te ver. Não consigo ficar muito tempo sem você haha...
Amo você, minha princesa ❤”

Respirei fundo me lembrando do ocorrido no fim de semana. Ele ia voltar, e iria para minha casa, eu não teria como fugir dele, mas eu não queria vê-lo.
- Ou a entrevista foi muito ruim ou tem alguma coisa que não te agradou aí no celular. - falou se aproximando e eu o olhei - Está tudo bem? - me olhou preocupado.
- Está sim, são só alguns problemas que me aconteceram no fim de semana. - sorri fracamente.
- E tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar? - cruzou os braços em frente ao corpo, deixando-os ainda mais marcados pela camisa social que vestia.
- Só de ter você aqui na minha frente metade dos meus problemas não existem. - falei simplesmente e abri um pequeno sorriso, que foi retribuído por ele.
- , eu estou indo, vem junto? - Mark se aproximou, o olhando.
- Na verdade, eu vou ficar mais um pouco. - ele falou e me olhou em seguida.
- Então a gente se vê. - eles apertaram as mãos - Foi um prazer te conhecer. - ele me olhou, e beijou a minha bochecha em seguida.
- O prazer foi todo meu. - eu sorri e ele se afastou.
- Já que eu resolvo metade dos seus problemas só com a minha presença, vamos tomar um café para ver se eu consigo ajudar com a outra metade? - voltou a me olhar assim que Mark saiu, e eu pisquei algumas vezes para raciocinar o que ele havia dito.
- Tudo bem. - falei meio catatônica e ele riu, certamente da minha reação - Tem uma cafeteria aqui na cobertura, lá é calmo e não tem a menor chance de aparecer paparazzi, podemos ir até lá. - sugeri.
- Eu acho ótimo. - ele sorriu.
Deixei as minhas coisas ali no estúdio mesmo e eu e saímos da redação, subindo até a cobertura. Assim que entramos na cafeteria, algumas pessoas ali pediram fotos e autógrafos para , e ele muito educado e simpático, atendeu a todas elas.
A cafeteria era tranquila, tinha uma área interna, onde normalmente as pessoas ficavam mais quando estava frio, e também a área externa, que era a parte preferida da grande maioria, porque nos dava uma bela vista da praia de Malibu.
Nos sentamos em uma mesa na parte de fora, onde batia uma brisa gostosa e até mesmo o sol naquele dia, estava colaborando. Logo fizemos nossos pedidos e o garçom o anotou se afastando da mesa em seguida.
- Não vou pedir para você falar o que está te incomodando, mas saiba que se precisar desabafar eu vou te ouvir. - ele falou de uma forma fofa, enquanto me olhava e eu sorri.
- Juro que não é nada demais, vai ficar tudo bem. - dei ombros - Mas eu agradeço muito por isso, não é à toa que você é meu ídolo. - ele sorriu.
- Eu acho que essa foi a forma mais estranha que eu conheci uma fã. - riu baixo e logo o garçom apareceu com os nossos pedidos - Obrigado! - ele se dirigiu ao garçom, que logo se afastou - Primeiro você encontrou meu cachorro e o levou na minha casa, e quase duas semanas depois, eu encontro você em uma entrevista, porque você é a jornalista. - bebericou o suco - Se isso não é destino, não sei o que é. - sorriu e levantou o seu olhar para mim, que certamente parecia, mais uma vez, uma idiota o olhando.
- Eu sempre disse para todo mundo que um dia eu te entrevistaria, mas a maioria me dizia que eu não era capaz, que eu estava sonhando alto demais. - soltei uma risada nasalada, e ele balançou negativamente a cabeça.
- Eles certamente não sabem o que falam. - deu um sorriso de canto e eu retribuí - Eu tentei te encontrar no Instagram e no Twitter para te marcar quando anunciei que Dodger havia sido encontrado, mas eu nem ao menos sabia o seu sobrenome. - coçou a nuca - Também esperei você postar uma das fotos que a gente tirou para falar com você, mas nunca apareceu.
- Eu não postei. - falei bebendo um pouco do suco - Na verdade, foi até melhor você não ter falado quem eu era, eu não sabia como suas fãs reagiriam vendo uma foto de você com uma mulher aleatória na sua casa. - fiz uma careta e ele riu - Mas eu revelei a foto e a coloquei em um porta-retrato na minha mesa de cabeceira. - sorri.
- Então quer dizer que nossa foto é a primeira que você olha ao acordar e a última que você olha antes de dormir? - perguntou curioso e eu ri.
- Essa era a minha intenção, mas o meu namorado achou ruim eu deixar a foto com outro homem lá no lugar de uma foto com ele e eu fui obrigada a colocar na gaveta... - mais uma vez eu fiz uma careta, e ele apenas observou - Mas ainda sim é a primeira coisa que eu olho quando eu acordo e a última antes de dormir. - falei baixo como se fosse um segredo e ele sorriu.
- Seu segredo está a salvo comigo. - falou no mesmo tom e eu sorri dessa vez.
- Como está o Dodger? Se comportando? - o olhei, enquanto mordia um pedaço do sanduíche.
- Ele está ótimo e não larga mais aquela pelúcia que você o deu por nada nesse mundo. - ele riu - Inclusive, eu até pensei em fazer uma chamada de vídeo com você, para ele matar a saudade da nova amiga, mas eu não queria te incomodar. - ele falou e eu só me lembrei de respirar naquele momento, porque estava prestes a sufocar.
- , entenda, você é a única pessoa no mundo que certamente nunca me incomodaria em qualquer situação. - expliquei e ele abriu um belo sorriso.
- Sendo assim, faremos uma chamada de vídeo algum dia para vocês conversarem. - ele falou e eu sorri desta vez.
- Eu vou adorar conversar com você e com Dodger. Na verdade, desde que eu o conheci, minhas noites não são as mesmas sem a companhia dele na cama. - fiz um biquinho e gargalhou.
- Certamente, não é a mesma coisa para ele também. - falou e o acompanhei nas risadas - Se me permite dizer, quando eu falei que não esperava te encontrar aqui, é pelo simples motivo de eu achar que você tinha por volta de 18 anos. - se explicou e eu gargalhei dessa vez - Quando fui falar com Scott, que Dodger tinha sido encontrado, ele fez eu descrever as suas características para me ajudar a encontrá-la nas redes sociais, e eu jurava que você tinha no máximo, 20 anos. - coçou levemente a testa em um gesto de alguém que estava falando o que não devia e eu ri.
- Eu tenho 23, na verdade. Mas não se preocupa, escuto muito que pareço ser mais nova. - dei ombros e ele riu aliviado. Mas eu não podia fingir que não estava surtando por saber que, , falava sobre mim com seu irmão, mesmo que tenha sido uma única vez - Eu achei que você nem se lembraria de mim. - o olhei, bebericando o suco.
- Como eu posso esquecer da mulher que encontrou o meu cachorro e ainda cuidou tão bem dele a ponto de deixá-lo dormir na sua cama? - questionou sustentando meu olhar - Eu até me questionei se você realmente existia ou era apenas um anjo que apareceu para ajudar Dodger. - falou com humor e eu sorri.
- Você não faz ideia de como o meu coração está batendo errado agora... Na verdade, está assim desde que você chegou. - confessei e ele sorriu.
- Só não tenha um ataque cardíaco, nunca saberia explicar para o Dodger, como perdi a amiga dele assim. - ele manteve o humor e eu ri. era realmente um homem engraçado, e aquilo não era diferente das entrevistas e vídeos que eu havia visto dele.
- Se eu não tive um quando te conheci, certamente não terei nunca mais. - falei com o mesmo humor e ele riu.
- Se você já está fazendo piadas, significa que a minha missão de hoje foi cumprida. - sorriu finalizando seu suco - Espero que você fique bem e que os problemas se resolvam. - falou agora seriamente e eu sorri.
- , você é simplesmente o meu ponto de paz, não há nada que possa acontecer comigo, que você não consiga me deixar melhor. - o olhei e ele abriu seu melhor sorriso - Você deve ouvir isso sempre das suas fãs, eu me sinto até boba em te falar isso. - ri fraco e acabei meu sanduíche.
- Eu posso ter ouvido várias vezes, mas nunca ouvi com tanta sinceridade e certeza como agora. - falou sem deixar o sorriso de lado e eu me derreti por completo - Eu preciso ir agora, mas quando precisar, você tem o meu número. - deu uma piscadela e se levantou pagando a conta, antes mesmo de eu me opor - Espero te encontrar mais vezes e poder conversar com você por muito mais tempo. - sorriu me olhando, enquanto eu me levantava.
- Certamente te encontrarei esta noite em meus sonhos - sorri e ele depositou um beijo em minha bochecha.
- Eu realmente espero que encontre. Até mais. - falou com um sorriso galanteador e se afastou.
Depois que foi embora, eu voltei para a redação e estava radiante. Meu coração estava calmo, minha mente estava em paz. Parecia que eu estava em uma realidade onde nada de ruim poderia me acontecer, e realmente era o que ele sempre me fizera sentir, antes mesmo de conhecê-lo.
Passei o resto do dia com um sorriso no rosto, enquanto filtrava o que entraria na minha matéria e qual foco eu tomaria nela, considerando toda conversa com e Mark.
Assim que cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi tomar um banho demorado, onde eu repassei todo o meu encontro com o , várias vezes em minha mente. Quando saí do banheiro, meu celular estava repleto de notificações e mensagens e eu logo abri a de Sky, que dizia:

“PELO AMOR DE DEUS, ONDE VOCÊ ESTÁ?
OLHA O SEU INSTAGRAM, AGORA!”

Fui correndo abrir o Instagram e o meu coração quase parou quando eu vi a última publicação de . Ele havia compartilhado uma foto que tiramos no estúdio, logo depois que tirei com ele e Mark e a publicou com a legenda:

"Fiquem ligados na próxima edição da The Journal Magazine, foi uma entrevista incrível com uma excelente profissional. Aliás, no Instagram dela vocês podem ver conteúdos de qualidade, produzidos por ela. Obrigado por isso, ! ❤"

Só depois que vi a foto, notei que ele havia me seguido antes de publicar e várias outras pessoas começaram a me seguir, não só no Instagram, como também no Twitter, onde estava tudo uma loucura.
E uma nova notificação apareceu em minha tela e mais uma vez era , mas dessa vez uma mensagem dele.

"Espero que você não fique brava comigo, mas eu não acho justo todos que disseram, que você não era capaz, achem que estavam certos. Você é mais do que capaz, você é extremamente talentosa e o mundo precisa saber disso.
E não se preocupe, você logo chegará ao topo..."

Aquele homem sabia como mexer com o meu coração, e ele estava fazendo aquilo muito bem. Eu não tinha dúvidas de que havia certamente proporcionado o melhor dia da minha vida e eu nunca seria capaz de agradecê-lo.
Passei o restante daquele dia nas nuvens, e eu não conseguia parar de sorrir. Havia tanta mensagem de amigos e parentes, que eu sequer conseguia responder tudo. Nas minhas redes sociais não estava diferente, depois daquela postagem de , eu fui de 700 seguidores no Instagram para 5 mil e no Twitter, de 3 mil para 8 mil em poucas horas, e as minhas publicações e vídeos, estavam realmente sendo compartilhados.
Eu estava tão extasiada, que precisei tomar um calmante para dormir. Eu já havia olhado e compartilhado a postagem de em todas as minhas redes sociais. E fui dormir naquela noite, olhando para aquela foto.

(...)


Montei-me em Vênus, e observei ao redor para ter a certeza de que não havia ninguém ali, que pudesse me ver saindo do palácio, e cavalguei em direção ao lago.
Dei algumas voltas pelo bosque, pois queria ter a certeza de que ninguém havia me seguido. Quando garanti que estava só, fui para o lago, onde deixei Vênus próxima à árvore e caminhei até a beira da água, onde me abaixei, tirei o capuz, molhei as mãos e as passei pelo rosto.
- Creio que este lago nunca sequer viu uma criatura tão bela banhando-se em suas águas. - ouvi aquela voz, que tanto disparava o meu coração.
- Você veio. - o olhei, enquanto me levantava da beira do lago.
- Nunca deixaria de encontrar a mulher que caminha todas as noites pelos meus sonhos e durante o dia vaga pelos meus pensamentos. - ele se aproximou, e segurou em minha mão a beijando em seguida.
- Eu não sei por quanto tempo poderei estar aqui até que alguém venha atrás de mim. - olhei em volta e o silêncio tomava conta do bosque, deixando apenas os pássaros cantando.
- De quem você tanto precisa se esconder? - questionou-me preocupado.
- É complicado dizer. Eu apenas não posso estar aqui. - me afastei dele lhe dando as costas, mas o senti se aproximar.
- Eu não entendo o porquê de você precisar se esconder, entretanto, eu a protegerei de qualquer mal que cercar-te. - virou-me para ele, e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha - Confias em mim? - seu olhar se encontrou ao meu, e a sensação que eu tinha naquele momento era de paz.
- Eu confio. - falei tão baixo, que a brisa que batia no bosque, era mais alta do que a minha voz.
Sentamo-nos encostados em uma árvore e observamos a paisagem do bosque. Vênus se localizava bem à nossa frente a alguns metros de distância de onde estávamos.
- É possível que eu me apaixone por você, sem ao menos conhecê-la inteiramente? - ele quebrou o silêncio que estava instaurado entre nós.
- Romeu e Julieta precisaram apenas de três dias para viverem um amor intenso que os levou até a morte. - o olhei e ele sorriu admirado - Que os sentimentos que aparecem em teu coração sejam como estes do meu peito! - recitei uma frase de Julieta, e seu sorriso se iluminou ainda mais.
- Será que o meu coração realmente tinha amado até agora? Pois eu nunca vi beleza tão pura até esta noite. - recitou uma frase de Romeu, e dessa vez o sorriso a se iluminar nasceu em meus lábios.
- És admirável que conheças Romeu e Julieta. - encarei o azul dos teus olhos, que se iluminavam pela luz do sol daquela manhã.
- Como eu poderias ser um escritor se não apreciaste a segunda mais bela obra deste mundo? - questionou-me e a confusão se espalhou em meu rosto em busca de uma explicação - És a segunda, porque a mais bela obra deste mundo és a mulher que estás sentada à minha frente. - olhou nos fundos dos meus olhos, como se pudesse despir a minha alma com aquelas palavras.
- Se pudesses sentir o meu coração, é possível que acharia que estarei prestes a desvanecer. - disse baixo, sem conseguir afastar o meu olhar.
- O meu coração não se acalma desde que eu te conhecera, entretanto, quando estou com você sinto-me em paz. - colocou a sua mão em meu rosto, acariciando a maçã da minha bochecha com o seu polegar - O seu sorriso és ainda mais brilhante do que este sol acima de nós, e o teu olhar aquece-me com as chamas que acende em meu interior. - desceu o seu polegar para os meus lábios e lentamente o passou sobre eles fazendo seu contorno.
- Sinto-me como se te conheceste de outra vida, e és um sentimento confortador. - coloquei a minha mão sobre a sua o sorriso se abriu em seus lábios.
O sol chegara ao meio do céu, e eu precisava estar de volta em casa antes que me procurassem pela cidade.
- Eu preciso ir, entretanto, o encontro amanhã aqui neste mesmo lugar. - o olhei e ele se levantou estendendo-me a mão.
- A despedida é uma dor tão suave que te diria boa noite até o amanhecer… - ele citou mais uma frase de Romeu e Julieta e eu não me segurei em sorrir ao montar em Vênus, enquanto soltava sua mão.

(...)


Quando acordei naquela manhã eu estava com uma sensação estranha. Mesmo depois de todos os outros sonhos, aquele havia sido o mais estranho de todos, porque ele havia sido tão real, que eu conseguia sentir o toque de em minha mão, e ele estava sumindo devagar como se ele realmente a soltasse.
Me sentei na cama e encarei a minha mão por algum tempo tentando entender aquela sensação. Meu coração batia de uma forma, que eu poderia dizer que nunca sentira, mas também não era algo ruim.
Peguei o meu caderninho e enquanto passava para o papel o sonho em detalhes, eu sentia um frio na barriga e um arrepio em minha pele.
Naquele dia eu trabalharia de casa, pois queria me concentrar na matéria com o e o Mark, e a melhor forma de fazer aquilo era de casa, onde eu poderia ter o máximo de concentração possível.
Passei o dia todo focada em escrever, e eu estava tão focada que havia esquecido de comer durante praticamente toda a tarde, eu só havia tomado café durante a manhã e comido uma fruta na hora do almoço. Me levantei e fui para a cozinha, onde preparei um sanduíche e um suco e logo depois que comi, tirei da geladeira o brigadeiro que havia feito mais cedo, e fui para a sala onde fiquei vagando pelo Instagram.
A notificação que surgiu na minha tela naquele momento, quase fez o meu coração parar no mesmo instante. estava me ligando por chamada de vídeo, e aquilo parecia mais um sonho do que os meus próprios sonhos.
Deslizei o dedo na tela para atender, e logo tive a visão daquele sorriso que tirava a minha sanidade dos eixos, mas acalmava meu coração.
- Hey! - ele falou um tanto quanto empolgado e eu sorri.
- Oi, . - falei no mesmo tom, mas sem evitar demonstrar a minha confusão - Sabe, quando você quiser me ligar, me avisa antes, porque essas surpresas suas estão parando com os meus batimentos cardíacos. - falei com humor e ele gargalhou gostosamente do outro lado.
- Que graça teria se não lhe fizesse surpresa? - falou cessando o riso - Quando você atendeu a sua cara tinha um misto de confusão e felicidade. Isso não tem preço. - sorriu.
- Se você soubesse como o meu coração está acelerado, você não falaria isso. - me ajeitei no sofá para ficar mais confortável e ele riu baixo.
- Eu te liguei porque tem alguém aqui que está morrendo de saudades da nova amiga. - ele falou e olhou levemente para o seu lado, virando um pouco o celular para incluir Dodger na câmera.
- Dodger! Ei, garoto! Eu estou morrendo de saudades de você e de te abraçar apertado enquanto afago seus pelos. - fiz um biquinho e o cachorro latiu do outro lado, como se realmente entendesse o que eu falava - Espero que você esteja cuidando bem do nosso ursinho. - sorri e ele mais uma vez latiu, fazendo rir.
- Eu não sei o que você fez com ele, mas ele realmente gosta muito de você. - sorriu, intercalando seu olhar entre Dodger e a câmera.
- Eu não saberia o que fazer se ele não gostasse de mim, porque eu sou apaixonada por ele desde que você o adotou. - soltei uma risada baixa.
- Era pouco provável ele não gostar de alguém com um coração tão maravilhoso a ponto de não querer o dinheiro e doar para instituições, que realmente precisam e, além de tudo, deixá-lo dormir na sua cama com você depois de tê-lo encontrado na rua. - ele me olhava e falava com tanta sinceridade, que foi impossível segurar um sorriso.
- Eu entendo por que ele é tão apaixonado por você, porque você é a pessoa mais incrível que existe nesse mundo. - falei ainda sorrindo e ele retribuiu o sorriso.
- Você é suspeita de falar isso, mas eu aceito o elogio. - deu uma piscadela e eu quase tive um ataque cardíaco.
- Ok, você não pode fazer isso, porque eu realmente não tenho estrutura emocional pra lidar com piscando pra mim com esse sorrisinho nos lábios. - falei seriamente e ele gargalhou, como se tivesse a certeza de que eu falara brincando e ele não estava errado.
- Bom, eu não quero a minha fã favorita indo parar no hospital, então vou me controlar. - levantou um dos braços em sinal de rendição e eu ri, enquanto comia um pouco de brigadeiro.
- É isso que você chama de autocontrole? - fiz uma careta e ele gargalhou.
- Não sei o que é isso que você está comendo, mas a sua cara está tão satisfatória, que isso parece muito bom. - fez uma careta confusa e eu ri.
- É brigadeiro. - falei e pela sua careta confusa, ele nunca devia ter ouvido falar.
- E o que é brecadeiro? - falou de uma forma engraçada e fofa, que me levou a gargalhar.
- Brigadeiro é um doce brasileiro feito de chocolate. - expliquei da forma mais fácil que eu imaginei e ele balançou a cabeça em concordância - Um dia eu prometo fazer para você experimentar. - cruzei os dedos.
- Eu me lembrarei dessa promessa. - falou e eu assenti sorrindo - Ou você é muito fã da cultura brasileira ou você é brasileira. Eu chuto a segunda opção, porque você tem traços latinos bem evidentes. - sugeriu e eu concordei.
- Eu sou brasileira sim, me mudei para cá há cinco anos para fazer a faculdade de jornalismo e continuo aqui até hoje. - expliquei e sorri.
- Espero que continue por muito tempo então. - sorriu e foi impossível não retribuir - Ei, eu preciso te contar uma coisa. - falou coçando a nuca e eu fiz uma careta confusa.
- O que poderia ter de tão importante para falar com uma mera mortal? - falei com deboche e ele riu brevemente.
- Sei que vai parecer estranho porque a gente se conhece há tão pouco tempo, mas... - fez uma pausa, que me deixou ainda mais confusa e curiosa em saber do que ele falava - Essa noite eu sonhei com você. - confessou, e a minha feição logo mudou, eu não sabia dizer o que eu estava sentindo, mas eu fiquei realmente surpresa com aquela declaração, afinal, havia sonhado comigo e aquilo não acontecia todos os dias.
- Eu não consigo pensar no que falar nesse momento. - falei meio catatônica e soltei uma risada fraca, que foi acompanhada por ele - Posso perguntar como foi o sonho? - perguntei como quem não queria nada, e ele desviou o olhar da tela por alguns segundos.
- Bom... - fez uma pausa e riu fracamente - Foi meio estranho, porque não parecia atual, parecia uma outra época. E nós éramos nós, mas ao mesmo tempo não éramos, entende? - fez uma careta confusa e eu a repliquei, porque aquilo realmente estava extremamente estranho - Nós estávamos em um bosque e tinha um lago. Conversamos por um tempo, mas você parecia estar com medo de alguém, então não foi um encontro muito longo. - manteve sua careta, e eu pisquei algumas vezes tentando raciocinar aquilo que ele falava, porque ficaria ainda mais estranho, quando eu falasse.
- , eu... - fiz uma pausa e logo fui interrompida por ele.
- Não precisa falar nada, foi um sonho estranho, mas acho que acontece com todo mundo. - deu ombros e mais uma vez riu fraco.
- Você acreditaria se eu disser que eu tive exatamente este mesmo sonho? - deitei a cabeça um pouco para o lado e ele arqueou a sobrancelha.
- Bom, é bem difícil acreditar. - riu baixo e eu fiz o mesmo, porque realmente era difícil.
- "Que os sentimentos que aparecem em teu coração sejam como estes do meu peito!" - recitei uma das frases exatamente como havia a falado no sonho e a confusão em seu rosto ficou ainda maior - "A despedida é uma dor tão suave que te diria boa noite até o amanhecer..." - falei também a última coisa que ele me falara antes de eu acordar daquele sonho e seus olhos ficaram arregalados, em um misto de surpresa e confusão.
- Como isto é possível? - perguntou ainda meio desacreditado.
- Eu não sei. - fiz uma careta - Talvez porque passamos um tempo juntos ontem, e tivemos uma troca de energia tão grande, que ela se refletiu em sonho. - dei ombros.
- Quando eu acordei hoje de manhã, o sonho parecia tão real, que eu não parei de pensar nisso o dia todo. - balançou a cabeça e soltou uma risada nasalada.
- Eu senti o mesmo, estava achando estranha aquela sensação, mas mesmo depois de acordada, eu ainda conseguia sentir você soltando a minha mão. - fiz uma careta e balancei negativamente a cabeça.
- Eu já estava bastante confuso quando acordei e agora estou ainda mais. - riu e eu fiz o mesmo.
- Talvez seja uma falha na matrix. - falei com humor e nós gargalhamos, então a campainha do meu apartamento tocou.
- Você deve estar esperando alguém, não é? Não quero incomodar. - ele falou preocupado e eu sorri.
- Na verdade, deve ser algum vizinho ou o porteiro, porque eu não estou esperando visita. - soltei uma risada nasalada - Não desliga, eu já volto. - ele assentiu e eu coloquei o celular no sofá, ouvindo a campainha tocar novamente - Já vai... - gritei enquanto me levantava e pegava a chave na mesinha. Quando abri a porta vi quem eu menos queria ver. - Matthew? - perguntei confusa.
- Surpresa em me ver? Talvez se você tivesse respondido às minhas mensagens ou atendido as minhas ligações, não teria essa reação. - falou com ironia e entrou no meu apartamento, mesmo sem eu convidá-lo, e o cheiro forte de bebida invadiu o ambiente.
- Eu ando muito ocupada com o trabalho, então não tive como responder. - falei sem muita certeza, e encostei a porta, mas continuei ali do lado dela.
- Pelo visto seu trabalho está dando bons frutos, não é mesmo? - continuou com o tom de ironia e eu fiz uma careta confusa.
- Do que você está falando, Matthew? - perguntei confusa.
- Eu vi que aquele seu atorzinho publicou uma foto de vocês e você ainda repostou nas suas redes sociais. - riu de escárnio e eu balancei a cabeça.
- Não queria te dizer nada, mas o meu trabalho inclui contato com outras pessoas, não acho que você seja tão alienado a ponto de não saber o que se faz um jornalista. - desta vez eu quem usei da ironia, e eu podia jurar que suas pupilas dilataram de raiva.
- Você acha engraçado isso, não é? Deve ser ótimo saber que a sua carreira só vai para frente porque você está dormindo com um atorzinho de merda, que nem talento tem. - soltou uma risada nasalada e eu lhe dei um tapa no rosto, mas ele me segurou pelo pulso.
- Me solta, Matthew. - tentei puxar o braço, mas ele estava o apertando - Você está me machucando. - tentei me soltar mais uma vez, mas ele era mais forte.
- Eu estava tão empolgado para te ver hoje quando voltasse de viagem, e quando eu cheguei a primeira coisa que vi no meu celular foi aquela merda de foto. Por que você faz isso comigo? Você sabe que eu amo você. - ele falou, e seu rosto tinha um misto de decepção e fúria.
- Matthew, eu não fiz nada com você, droga. Eu amo você, você sabe disso. - balancei a cabeça, sentindo lágrimas se formarem em meus olhos - Mas você está me sufocando com esse seu gênio difícil e seu ciúme doentio. - àquela altura minha voz já estava embargada.
- Eu não posso te perder, . Você é a mulher da minha vida. - colocou a mão livre em meu rosto, e o acariciou com o polegar.
- Matt, você precisa parar de beber. Você se descontrola quando está bêbado, e começa a ver coisa onde não tem. - falei baixo, enquanto tirava sua mão do meu pulso.
- Eu não sou alcoólatra. - ele falou alguns tons mais altos que o normal, e segurou os cabelos.
- Se você quiser continuar comigo, você precisa mesmo largar a bebida, porque eu não suporto mais essas brigas. - balancei a cabeça.
- É TUDO CULPA SUA. - gritou nervoso, e eu me afastei dele sentindo meu corpo estremecer.
Ele veio andando na minha direção, e eu logo acabei prensada contra a porta. Sua respiração estava ofegante, seus olhos estavam vermelhos e suas pupilas dilatadas. Respirei fundo já sentindo o medo tomar conta de mim, e a campainha tocou.
- , sou eu. - Sky gritou do outro lado e Matthew se afastou para que eu abrisse a porta - Ei, desculpa vir... - ela começou, mas se interrompeu - Aconteceu alguma coisa? - perguntou preocupada e entrou no meu apartamento encontrando Matthew ali.
- Não aconteceu nada, está tudo bem, Sky. - falei baixo enquanto Matthew me encarava com raiva.
- Eu vou embora, depois a gente termina nossa conversa. - ele falou e antes mesmo que eu pudesse abrir a boca, ele saiu porta a fora e eu logo a tranquei por dentro.
- Está tudo bem mesmo? - Sky perguntou desacreditada.
- Foi só uma discussãozinha boba. - dei ombros, mas sem conseguir encará-la - Matthew estava bêbado e teve uma crise de ciúmes por causa minha foto com o... - eu me interrompi me lembrando de um detalhe que a presença de Matthew me fez esquecer - Meu Deus, ! - corri até o sofá e peguei o celular vendo que a ligação havia sido encerrada há menos de 2 minutos. Ele havia escutado toda aquela merda.
- , como sua melhor amiga há sete anos, eu preciso te falar... - Sky falou, enquanto eu ainda encarava a tela do celular - Isso não está certo! - eu levantei a cabeça para olhá-la - O Matthew não está fazendo bem para você. Não é normal esse tipo de atitude em um relacionamento, até porque, ele está falando do seu trabalho. - ela me olhava seriamente, e eu sequer conseguia olhar em seus olhos.
- Sky, o Matt só estava bêbado e perdeu o controle. Mas a gente se ama, tudo isso vai ficar bem, foi só uma briga. - a tranquilizei pegando o prato do brigadeiro para levá-lo para a cozinha.
- Dessa vez foi só uma briga, mas uma hora pode ser mais do que isso. No meio dessa perda de controle pela bebida, Matthew pode te matar. - seu tom de voz não era de repreensão, mas sim de preocupação e ainda sim, eu não queria ouvir aquilo. Porque não era o Matthew, que eu conhecia, ele não faria aquilo.


Capítulo 4

Despertei-me naquela manhã sentindo-me bastante apreensiva. Eu sabia que não estava certo manter a verdade em segredo, eu precisava contá-la a , mesmo sabendo que ele poderia me odiar até o fim da sua vida.
Quando cheguei ao lago, ele já estava ali, sentado debaixo da mesma árvore que nos sentamos na manhã anterior e, quando me viu, o sorriso irradiou em seus lábios, o que me levou a sorrir junto.
- Achei que você não iria mais aparecer. - ele se levantou e veio na minha direção.
- Eu não seria capaz de ausentar-me deste encontro. - sorri enquanto ele beijava as costas de minha mão.
- Sinto-me lisonjeado com a sua presença. - ele sorriu e me guiou até onde Vênus estava, então tirou uma maçã do bolso e a levou até a boca de minha égua.
Fiquei os observando em silêncio e, enquanto ele alimentava Vênus, meu coração se apertava cada segundo mais por não saber como contá-lo aquelas verdades.
- Vênus é um belo nome, combina com ela. - falou sorridente e se virou para me olhar - Você me parece aflita. Aconteceu algo? - segurou a minha mão preocupado.
- Necessito lhe contar algo que está afligindo meu coração em esconder. - falei um pouco mais baixo do que o normal, e sua feição tornou-se realmente preocupada.
- Conte-me o que você quiser, eu estarei aqui para lhe ajudar no que for preciso. - ele colocou uma mecha de meu cabelo atrás da orelha, e eu respirei fundo antes de falar.
- Eu sou a filha mais velha do Duque de Liechtenstein. - falei, olhando atentamente a sua feição, que foi de preocupação à surpresa.
- Compreendo o motivo de você estar sempre fugindo e aflita. - soltou uma leve risada, que me arrancou um pequeno sorriso.
- Eu vou me casar. - fechei os olhos, sem coragem de encarar sua feição.
- Como podes me dizer assim que vais se casar? - seu tom de voz beirava a incredulidade, e eu não podia julgá-lo.
- Meu pai prometeu a minha mão para um duque, eu ainda não o conheço, porém, eu tenho um noivo. - suspirei, finalmente abrindo os olhos para encará-lo - Eu sei que deverias ter contado-lhe antes, eu apenas não imaginava que sentiria algo tão intenso por alguém que eu mal conheço.
- A verdade é que você não queria envolver-se com um simples plebeu fugido de outra cidade, porque eu nunca seria capaz de lhe dar um futuro digno de duquesa. - ele soava decepcionado, e aquilo doía em mim de uma forma inimaginável.
- Eu não me importo por quem você seja, se isso me fizesse diferença, eu nunca teria sequer aproximado-me de você. - balancei a cabeça e uma vontade imensa de chorar. - Eu queria que estivéssemos em uma situação diferente.
- Este também era o meu desejo. - balançou negativamente a cabeça e se afastou o suficiente para eu sentir um vazio tomar conta de mim - Não podemos continuar com isso... Adeus, . - ele falou e simplesmente se afastou, me deixando ali no lago apenas com a presença de Vênus.
E foi então que eu chorei, chorei como nunca havia chorado antes.

(...)


Acordei naquela manhã com uma sensação horrível, uma enorme vontade de chorar. Aquela era a primeira vez que eu sonhava que estava brigando com , e aquilo estava me deixando angustiada e eu nem conseguia explicar o porquê.
Fui para o banheiro, onde tomei um banho demorado e tentei deixar aquela sensação de lado, mas, ao me lembrar que não havia falado com depois que Matthew apareceu na noite anterior, não me ajudava muito.
Demorei mais tempo no banheiro do que o normal, e isso porque passei um tempo refletindo no banho sobre tudo o que estava acontecendo na minha vida. Saí do banheiro enrolada em uma toalha, vesti uma lingerie, passei um hidratante no corpo e logo me vesti. Optei por ir com o cabelo preso, então assim que o prendi, fiz o baby hair e, também, uma make básica. Passei meu perfume, coloquei meus óculos e alguns acessórios, calcei o salto, peguei a minha bolsa e saí do quarto, encontrando Sky na cozinha.
- Bom dia, flor do meu dia. - ela falou colocando as torradas no prato e me olhou.
- Bom dia, Sky. - a olhei, me sentando em uma cadeira e servi apenas um pouco de suco.
- Você está de mau humor ou só está com raiva de mim? - ela me olhou com a sobrancelha arqueada, e eu balancei a cabeça.
- Nenhum dos dois, eu só acordei com uma sensação estranha hoje. - dei ombros e beberiquei o suco.
- Você quer conversar? - perguntou preocupada e se sentou na minha frente.
- Eu só tive um sonho ruim com o , e não acordei muito bem. - fiz uma careta.
- É só mesmo por causa desse sonho ou tudo isso tem influência com o que aconteceu ontem? - ela perguntou receosa e eu suspirei.
- Talvez tenha a ver com o fato de que eu deixei no telefone enquanto discutia com Matt. - fiz uma careta, que foi repetida por ela.
- , você entende o que está acontecendo, não é? - ela falava de uma forma maternal, que era o jeito de Sky comigo.
- Eu sei que não está certo nada disso, sei que ele está errado, mas eu gosto dele, e não posso ignorar o que eu sinto por orgulho. - a olhei e ela concordou com a cabeça - Matt não é assim, ele praticamente chorou ontem depois da nossa briga, ele gosta de mim e eu sei que ele pode mudar por mim.
- Posso te fazer um único pedido e você pensa se vale a pena ou não, ok? - ela falou e eu concordei com a cabeça dando a deixa para ela falar - Procura um psicólogo, um terapeuta, alguém que você realmente se sinta segura em conversar sobre qualquer coisa. E se, depois disso, você realmente sentir necessidade de ficar com ele, eu juro que não vou falar mais nada. - ela me olhou e mordeu uma torrada.
- Eu prometo que eu vou pensar nisso, mas agora eu preciso ir trabalhar, estou quase atrasada. - olhei no relógio e fiz uma careta, me levantando da mesa - Te vejo depois. - mandei beijos no ar e ela repetiu os gestos, então eu logo saí do apartamento.
Desci do elevador até a garagem, enquanto olhava se havia aparecido no Instagram ou no Twitter, mas as únicas novidades ali, eram alguns RT's do perfil da ASP. Entrei no meu carro, deixei a minha bolsa no banco do passageiro, coloquei uma música para tocar e dei a partida.
O caminho até a revista pareceu mais longo do que o normal, e aquilo podia ser porque eu estava muito ansiosa naquele dia devido ao meu sonho, se é que podia ser chamado assim.
Quando cheguei, fui direto para minha mesa, tentando falar o menos possível com qualquer pessoa ali. Eu só queria focar no meu trabalho até a hora de voltar para casa. Olhei meu celular algumas vezes, e logo mandei uma mensagem para Matt.

"Oi, Matt, preciso falar com você... Pode ir lá em casa hoje à noite? Acho que a gente precisa se resolver, não aguento mais essas brigas..."

Esperei por uma resposta, mas ela não veio. Então voltei a focar no trabalho, e finalizar o que eu precisava para a matéria com e Mark.
Acabei nem indo almoçar, porque nem fome eu conseguia sentir, e só queria que o dia acabasse logo, para que aquela sensação ruim passasse.
Eu estava tentando focar no trabalho, mas alguns burburinhos vindos da redação, não me deixavam focar e aquilo estava me estressando.
- Ai meu Deus, está aqui na redação. - uma moça que trabalhava ali falou, e eu automaticamente virei na cadeira para observá-la e saber do que ela falava.
- Esse lugar nunca foi tão bem movimentado. - Tyler falou de pé, encarando algo na direção da porta.
- Ele está aqui e algo me diz que não é por uma entrevista. - Ash falou e me olhou com um sorrisinho malicioso, então eu me levantei para confirmar se era verdade, e ele realmente estava ali e com Dodger.
Assim que ele me viu, ele sorriu e seu sorriso automaticamente parecia iluminar todo o ambiente e acalmar meu coração. Retribuí o sorriso e andei na direção dele, onde assim que eu me aproximei, Dodger pulou em minhas pernas e eu me agachei para abraçá-lo.
- Oi, amigão, eu estava morrendo de saudades de você. - falei brincando com o cachorro em minha frente, que parecia realmente feliz ao me ver.
- Estava aqui por perto e resolvi trazer Dodger para matar a saudade de você. - falou, chamando minha atenção e eu sorri - Você quer tomar um café com a gente? - me olhou sugestivo e eu assenti, sentindo todos os olhares da redação em mim, quando estava saindo com .
- As pessoas aqui realmente estão empolgadíssimas com a sua presença. - fiz uma careta ao ver algumas colegas de trabalho o secar da cabeça aos pés.
- Hum, ciúmes? - ele falou debochado e eu revirei os olhos rindo em seguida.
- Ciúmes de quê? O Dodger gosta mais de mim do que delas. - falei no mesmo tom e dei ombros o fazendo gargalhar.
- É capaz dele gostar mais de você do que de mim. - ele fez uma careta e eu ri balançando a cabeça, enquanto entrávamos no elevador.
- Ele gosta muito de mim, mas ele ama você e eu tenho certeza, porque compartilho desse sentimento. - cruzei os braços e me encostei no elevador, dando um sorrisinho para ele.
- Desse jeito eu vou sair daqui iludido. - ele falou com humor.
- , eu passei a minha vida inteira me iludindo que você se apaixonaria por mim e a gente se casaria, teríamos três filhos e vários cachorros, e você quer reclamar de um simples 'eu te amo' vindo de uma mera fã como eu? - fiz uma careta e nós dois gargalhamos.
- Só para constar... - fez uma pausa quando a porta do elevador abriu na cafeteria - Você não é uma mera fã. - deu uma piscadela e passou na minha frente me deixando ali com a maior cara de boba.
O segui pela cafeteria e mais uma vez nos sentamos na área descoberta, até mesmo pela presença de Dodger. falou com alguns fãs que estavam ali, tirou fotos e foi supersimpático como sempre, enquanto eu me distraía com Dodger, que estava com a cabeça em meu colo.
- Como você consegue dividir ele assim tranquilamente? Eu morro de ciúmes só de imaginar. - fiz uma careta observando , que estava um pouco afastado conversando com dois garotos, e Dodger ronronou, me fazendo soltar uma risada baixa ao deduzir que ele me respondia.
se despediu dos garotos e se aproximou da mesa se sentando em minha frente, então logo o garçom apareceu e anotou nossos pedidos, se afastando em seguida.
- Você não parece bem hoje. - ele falou simplesmente, quando o garçom se afastou e eu fiz uma careta.
- Eu estou bem, só tenho trabalhado muito para que a matéria com você e o Mark, seja a melhor que esta revista já teve. - falei soltando uma risada nasalada no fim e ele balançou a cabeça.
- Eu posso não te conhecer há muito tempo, mas eu sinto que você não está bem, e você me parece aflita e inquieta demais. - ele falou preocupado e foi impossível não me ligar ao sonho naquele momento.
- Eu tive um sonho com você, e não foi nada legal. - fiz uma careta e desviei meu olhar para Dodger, enquanto eu ainda lhe fazia carinho.
- Eu não sei que sonho foi, não vou te pedir para me contar para não te fazer reviver o momento, mas eu juro pra você que não passou de um sonho ruim. - ele segurou a minha mão sobre a mesa, e um forte arrepio percorreu pelo meu corpo e acabou me levando a fechar os olhos.
- Você ouviu tudo ontem, não ouviu? - falei baixo depois de alguns segundos em silêncio e abri os olhos para encará-lo a tempo de vê-lo assentir - Me desculpa pelas coisas que ele falou de você, nada daquilo é a verdade.
- Não precisa se desculpar comigo, na verdade, ele não é obrigado a gostar do meu trabalho, então eu realmente não me importo. - balançou a cabeça e logo o garçom voltou a aparecer com nossos pedidos e nós dois o agradecemos antes dele sair - Eu só fiquei preocupado com você, e até que ponto aquilo poderia chegar. - ele me olhava realmente preocupado, e eu não sabia dizer qual sensação eu tinha com aquele gesto.
- Matt não é agressivo, ele só estava nervoso e com ciúmes. Faz um tempo que o nosso namoro anda abalado e aí ele acha que eu o trocaria na primeira oportunidade que tivesse, ainda mais se tratando de você. - o olhei rapidamente e beberiquei o suco que havia pedido.
- Por que você continua com ele? Digo, se o namoro está abalado há algum tempo, vocês não têm motivos para continuar assim. - ele falou um pouco receoso, e bebeu um pouco do seu suco em seguida.
- Eu gosto do Matt, quando está tudo bem entre a gente, ele é o cara mais doce e amoroso do mundo, e ele faz tudo o que ele pode para me fazer feliz. - expliquei e ele apenas balançou a cabeça - A gente tem nossos desentendimentos, como qualquer outro casal, mas a gente gosta um do outro e eu não acho que encontraria isso em outro lugar. - dei ombros.
- Pelo contrário, você não precisa encontrar isso. - ele falou e eu o olhei - Você merece alguém que trate você o tempo todo bem, e que sempre te dê amor. Se está tudo bem, é fácil dizer que ele é amoroso, mas e quando não está tudo bem? Ele grita com você? Agride você? - ele falava em um tom de voz suave, mas a forma com que aquilo me atingiu não foi nada leve - Eu juro que eu só quero ajudar, porque depois do que eu escutei ontem, eu sei que não foi uma briga de casal qualquer.
- , olha... - fiz uma pausa e o encarei - Você é o meu maior ídolo, e o maior motivo de eu querer continuar a viver todos os dias, mas você acabou de me conhecer. Você não sabe a metade das coisas que acontecem na minha vida. - balancei negativamente a cabeça.
- Eu não tenho o direito de me meter na sua vida, eu só quero te ajudar a ver que tem alguma coisa errada e que você merece muito mais. - seu tom de voz tinha uma mistura de cuidado e receio.
- Como você mesmo disse... Você não tem o direito de se meter na minha vida. Então, por favor, não se meta. - falei simplesmente e me levantei - Dodger, foi ótimo ver você. Eu estava com muita saudade. - me despedi do cachorro e saí dali sem nem ao menos deixar se pronunciar a respeito. Eu não queria mais ter aquela conversa com ele, eu só queria sair dali.
Depois que deixei na lanchonete, voltei direto para a redação e juntei as minhas coisas, enquanto todo mundo me observava, querendo entender o que estava acontecendo.
- Diz para a Hannah que amanhã eu explico para ela tudo, eu só preciso ir embora daqui. - falei para Ash e Tyler e saí dali sem nem olhar para trás e sofrer ainda mais com todos aqueles olhares curiosos.
Desci de elevador rezando para que já tivesse ido, ou que pelo menos eu não o encontrasse e, para minha felicidade, deu tudo certo. Entrei no meu carro e logo dei a partida indo em direção a Malibu Beach.
Quando cheguei à praia, estacionei o carro e desci apenas com a chave. Tirei os sapatos e comecei a andar pela areia, sentindo a brisa bater em meu rosto na tentativa de me livrar daquela angústia que estava em meu peito, mas a única coisa que eu consegui fazer, foi chorar.
Eu não queria ter falado com daquela forma, não queria sequer tratar ele mal, mas ele não tinha o direito de querer se meter no meu relacionamento, porque ele não conhecia Matt e ele não sabia o que acontecia na minha vida.
Por mais que eu tivesse certeza de que agi certo, aquele sentimento não queria passar, mesmo com tantas lágrimas que desciam pelo meu rosto. Eu sentia que ia me sufocar a qualquer minuto.
Fiquei ali na praia por tempo suficiente para entender que eu não queria ficar sozinha naquele momento, então me levantei e voltei para o meu carro, onde dirigi em direção a casa de Sky, porque era quem eu sabia que iria ficar ao meu lado.
Gastei uns 20 minutos até o prédio onde Skyler morava, e assim que cheguei, subi direto para o seu apartamento, onde toquei várias vezes a campainha e quando ela abriu a porta, eu simplesmente chorei em seus braços. Ela não me perguntou nada, apenas me consolou e me deixou chorar enquanto acariciava minhas costas.
Fiquei em seus braços por um bom tempo, e só saí dali quando finalmente consegui parar de chorar e voltar a respirar com calma, sem parecer que eu iria morrer sufocada.
- Agora você quer me contar o que houve? - Sky perguntou preocupada, enquanto secava minhas lágrimas.
- Você lembra quando eu falei que havia tido um sonho ruim com o ? - perguntei com a voz um pouco falha, devido ao choro e ela assentiu - No meu sonho a gente brigava, e ele simplesmente ia embora da minha vida... - ela me interrompeu.
- Eu não entendo o que o sonho tem a ver com você estar nesse estado. - ela falou confusa - Eu sei que se trata do , mas não consigo entender onde você quer chegar. - me olhou.
- foi me ver hoje no trabalho. Ele usou a desculpa de que estava por perto e levou Dodger para me ver, mas ele queria falar sobre o que ele ouviu na ligação ontem. - expliquei, sentindo minha voz embargar novamente - Ele me falou várias coisas e eu simplesmente disse para ele que não deveria se meter na minha vida e o deixei sozinho na cafeteria. - balancei a cabeça negativamente e fechei os olhos para evitar chorar novamente.
- Você brigou com ele de verdade, é isso? - ela perguntou e eu assenti.
- Ele só queria ajudar, mas eu fui grossa com ele. - falei ainda com a voz embargada e eu não duvidava que eu voltaria a chorar a qualquer segundo.
- Eu não quero ter que te dizer isso, . - ela balançou negativamente a cabeça - Você entende a gravidade disso tudo? Você entende o mal que isso está te causando? - ela perguntou, mas eu não respondi, e ela também não esperava uma resposta de verdade - Eu não ligo de você ser grossa comigo, de discordar do que eu falo, mas a que ponto você chegou para tratar a pessoa que você mais ama e admira nesse mundo assim? A que eu conheço nunca trataria o dessa forma, talvez você ficaria chateada, mas nunca o trataria com grosseria. - mais uma vez ela balançou a cabeça e eu repeti seu gesto, sentindo meus olhos voltarem a lacrimejar e um nó se formar em minha garganta - , isso não pode ficar assim. Por favor, procure ajuda para enxergar o que está acontecendo, eu juro que é o melhor para você. - ela segurou a minha mão e logo em seguida me abraçou quando eu começara a chorar novamente.

Fiquei ali com Sky por mais um bom tempo, até conseguir me acalmar de verdade, mas eu não conseguia parar de pensar em e nem na conversa com minha amiga.
Fui embora contra a vontade de Sky, mas eu iria precisar de um tempo para digerir tudo aquilo, então achei melhor ir para a casa.
Quando cheguei em meu apartamento, Matt estava sentado no meu sofá, segurando um buquê de rosas brancas enorme.
- Eu sei que nosso relacionamento anda abalado. Sei que eu tenho errado muito com você. Mas eu juro que tudo isso é porque eu amo você mais do que você possa ser capaz de imaginar e perder você é tudo o que eu não quero. - ele se levantou e parou em minha frente, enquanto eu fechava a porta - Eu prometo que eu vou mudar, que eu vou ser um namorado melhor para você. - colocou sua mão em meu rosto e o acariciou com o polegar.
Eu não falei nada com ele, apenas deixei as flores de lado e me aconcheguei em seus braços, onde eu passei o restante da minha noite.


Olhei o relógio pela milésima vez naquela manhã e apenas dois minutos haviam passado da última vez que eu olhei as horas. O tempo parecia estar parado, enquanto eu estava sentada naquela cadeira com o estofado duro e desconfortável, encarando o quadro com o retrato de Anna Freud* e uma frase abaixo da foto, que dizia:
"Eu estava procurando fora de mim por força e confiança, mas eles vêm de dentro. E estão lá o tempo todo" - Anna Freud
Observei a frase por longos segundos, me remexi na cadeira, olhando a minha volta uma sala de espera completamente vazia, onde o único barulho que era possível ouvir, eram as teclas do computador da recepcionista batendo sem parar, um ato agonizante para uma pessoa ansiosa.
- ? - a voz feminina ecoou na sala chamando minha atenção, e eu me virei, encarando a bela mulher parada na porta. Ela aparentava ter por volta de 30 e poucos anos, e seu estilo beirava a Miranda Priestly*.
- Sou eu. - falei com um tom de voz meio baixo e ela sorriu amigavelmente, enquanto eu me levantava da cadeira e ajeitava minha bolsa no ombro.
- Entra. - ela me deu passagem, e eu passei para dentro do consultório observando em volta. O divã preto, contrastava perfeitamente com o tapete felpudo branco ali no meio. A sala tinha uma decoração black and white, que tornava tudo mais elegante e sério, eu diria - Eu sou Amélia, e vou te atender hoje e quando você precisar. Você pode ficar à vontade. Se quiser se deitar, ou até mesmo se sentar, o que for melhor para você. - ela dirigiu até uma poltrona grande preta, que estava do outro lado da sala, e se sentou pegando um caderno e uma caneta.
- Por onde eu devo começar? Eu nunca fiz isso antes. - soltei uma risada nasalada, e me sentei sobre o divã, deixando a bolsa ao meu lado, enquanto ajeitava os óculos em meu rosto.
- Você pode começar falando sobre você, sobre seus sonhos, carreira, família, por onde você achar melhor. Eu estou aqui para te ouvir. - ela deu um sorriso terno e eu assenti juntando minhas mãos sobre o colo tentando mantê-las quietas ali.
- Meu nome é e eu tenho 23 anos, o que você provavelmente já sabe, porque eu tive que preencher uma pequena ficha para chegar até aqui. - fiz uma careta e me mexi desconfortável na cadeira, enquanto encarava o tapete em meus pés - Eu sou recém-formada em jornalismo, e vim para Los Angeles há cinco anos para estudar, pois consegui uma bolsa na Berkeley e não podia perder esta oportunidade. Quando eu cheguei aqui, eu conhecia apenas Sky, na verdade, não conhecia. Nós éramos amigas virtuais e passamos dois anos planejando estudar juntas na universidade, mas, eu passei na Berkeley e ela acabou passando em Stanford, só que isso não foi um problema para gente. - soltei uma risada baixa e cruzei as minhas pernas, tentando ficar o máximo confortável possível - Nos meus dois primeiros anos aqui, eu morei no campus da faculdade e, há três, eu me mudei para um apartamento alugado e daí muitas coisas mudaram. - fiz uma careta.
- E que coisas foram essas? - ela perguntou me olhando, mas eu não retribuí seu olhar.
- Contas, vida adulta, responsabilidades e surtos. Eu sabia que não seria fácil quando decidi vir para cá. Eu estava usando um visto de estudante, e não poderia voltar para casa quando eu bem entendesse, ou sentisse saudades, desde então, fazem três anos, que eu não volto ao Brasil e só falo com minha família por chamadas de vídeo e telefone, porque como eu estava arcando com todas as minhas contas sozinha, não tinha como ter gastos para voltar. - balancei negativamente a cabeça, sentindo um aperto no peito ao me recordar daquilo - Eu queria muito vir pra cá, e eu amo estar aqui, mas existem momentos que eu preciso do colo da minha mãe, do abraço da minha vó ou de conversar pessoalmente com meus amigos, que ficaram por lá. Quando eu me formei, eu já estava fazendo estágio na The Journal, então só mudei o meu visto para trabalho e continuei aqui. - dei um sorriso triste - Claro que também aconteceram muitas coisas boas desde que eu cheguei aqui. A família de Sky, por exemplo, me acolheu como se eu fosse da família e eu não tenho do que reclamar. Sem contar que... - fiz uma pausa e foi inevitável não sorrir - Graças a estar aqui, eu tive a chance de conhecer a pessoa que eu mais amo e admiro desde os meus nove anos de idade.
- Jura? E quem é esta pessoa? - ela falou, e sorriu brevemente enquanto anotava algo em seu caderno.
- . - falei simplesmente, com um sorriso de orelha a orelha - Na verdade, ele é o motivo de eu estar aqui hoje. Se não fosse por ele, eu não acho que eu teria coragem de contar a minha vida assim. - fiz uma careta e ela assentiu, anotando mais algumas coisas.
- E o que ele fez para te trazer aqui? - Amélia me olhou e mais uma vez eu abaixei o olhar, já sentindo uma vontade imensa de chorar.
- Ele não fez nada, na verdade, eu quem fiz com ele. - suspirei pesadamente, e como ela não falou nada, eu continuei - Eu conheci há quase um mês, quando o cachorro dele se perdeu em Malibu Beach e eu o encontrei e o devolvi. Eu não achei que fôssemos nos ver de novo, mas, na semana passada eu recebi uma pauta de uma matéria sobre o projeto de política, que ele e o Mark Kassen lideram. Depois disso, nós trocamos telefones, tomamos um café juntos e ele até postou uma foto nossa nas redes sociais dele, que sinceramente, teve toda uma repercussão que eu não esperava. - fiz uma careta e soltei uma risada baixa - No dia seguinte a essa entrevista, ele me ligou pra dizer que havia sonhado comigo, e por mais que pareça mentira, eu também havia sonhado com ele naquele dia, como em vários outros. - dei um sorriso fraco e balancei negativamente a cabeça para retomar meu foco ao que eu falava - Por coincidência, meu namorado Matt chegou quando eu estava falando com e como eu não sabia que era ele, pedi para esperar um pouco, que a gente se falava mais. Só que as coisas entre mim e Matt, não andavam muito fáceis e ele já chegou estressado, falando coisas horríveis sobre meu "relacionamento" com o , que ele "descobriu" pela internet e ofendeu de várias formas. Mas continuou na ligação e a briga ficou um pouco mais intensa, até que minha amiga Sky chegou. - olhei rapidamente para ela, a tempo de vê-la anotar mais coisas em seu caderno - No meio de toda a confusão, eu acabei esquecendo que ainda estava na ligação, e por mais que eu esperasse que não, ele ouviu tudo, cada palavra. E no dia seguinte, ele foi me ver no trabalho, com a desculpa de que o cachorro dele queria me ver, mas a verdade era que ele queria falar comigo sobre a noite anterior e foi aí que tudo deu errado. - respirei fundo e senti meus olhos lacrimejarem, antes mesmo de contar aquela parte - Eu acabei brigando com ele, sendo extremamente grossa, quando ele só estava preocupado comigo e querendo me ajudar, mas ele e Sky acham que eu estou em um relacionamento abusivo. - falei com a voz embargada - E agora, faz uma semana que a gente não se fala, não se vê e eu acho que ele me odeia.
- Você está arrependida desta briga? - ela perguntou.
- Sim, era a última pessoa que eu esperava brigar um dia na minha vida. Eu o amo com uma intensidade que eu sequer consigo entender. Ele é o motivo de eu não desistir de tudo, desde os meus nove anos, é graças a ele que eu estou aqui hoje. - falei enquanto lágrimas grossas escorriam pelo meu rosto - E eu o tratei de uma forma que eu não trataria o meu pior inimigo, porque foi rude demais e não é o tipo de coisa que eu faço. - balancei a cabeça - Eu não sei o que fazer, eu não sei se ele vai querer me perdoar, mas logo quando eu tive a oportunidade de conhecer o meu maior ídolo, eu empurrei ele pra fora da minha vida. E isso está acabando comigo. - coloquei as mãos sobre os joelhos e cobri o rosto, me deixando colocar os sentimentos para fora.
- Se você acha que o melhor a se fazer é ir atrás dele e se desculpar, se vai te deixar em paz, faça isso. Esse erro pode ser consertado. E se você achar que não deve se desculpar, tudo bem também, mas você precisa assumir os riscos, que neste caso será afastar alguém que você gosta muito. - ela falou calmamente e sua voz parecia acalentar meu coração - O que você não pode fazer é guardar esses sentimentos, você precisa colocá-los para fora e não se reprimir. - continuou e eu apenas assenti, deixando o silêncio tomar conta da sala, sendo quebrado apenas pela minha respiração pesada hora ou outra - E sobre o seu relacionamento? Você também acha que seja abusivo? - ela perguntou depois de longos minutos, quando eu já me mostrava mais calma, eu a encarei.
Abri e fechei a boca várias vezes na tentativa de responder àquela pergunta, mas nada parecia querer sair. Eu tinha ainda mais vontade de chorar e não conseguia falar.
- Eu preciso ir. - falei simplesmente, pegando a minha bolsa e a colocando de volta em meu ombro - Muito obrigada pela conversa, mas eu realmente não posso fazer isso. - balancei negativamente a cabeça, sem conseguir olhá-la e fui em direção a porta - Eu sinto muito. - falei em um tom baixo, quase inaudível, antes de passar pela porta e seguir o caminho para a rua, mas algo me dizia, que eu não falava aquilo para Amélia.

*Anna Freud foi uma psicanalista, filha de Sigmund Freud.
*Miranda Priestly é uma personagem de ficção do romance estadunidense O Diabo Veste Prada.


Capítulo 5

Esse capítulo possui conteúdo de violência e assédio contra a mulher!


- Eu esqueci de te contar, fui ao psicólogo ontem. - falei para Matt, enquanto terminava de finalizar o meu cabelo no espelho.
- E foi fazer o quê lá? - ele perguntou, enquanto digitava algo em seu telefone e eu o olhei.
- Eu precisava disso, na verdade, estou querendo voltar frequentemente. - expliquei e fui para o guarda-roupa escolher o que vestir.
- Terapia é coisa de gente louca, mas, talvez, você realmente precise. Quem sabe assim não para de ter seus surtos. - ele soltou uma risada nasalada e eu o olhei incrédula.
Voltei a focar em minhas roupas, porque eu sabia que se eu respondesse àquele comentário, eu e Matt entraríamos em uma discussão, e tudo o que eu menos queria naquele momento, era brigar.
- Você não vai usar isto para jantar com meus pais. - ele falou, olhando a saia jeans que estava em minha mão - Você não está indo para uma boate e, mesmo que estivesse, comigo você só sai se estiver vestida igual uma mulher decente. - ele falava sem ao menos olhar para mim, mas as palavras me atingiram de uma forma inexplicável.
E mais uma vez eu não falei nada, porque naquele momento, na minha cabeça, Matthew estava certo, eu não deveria vestir aquele tipo de roupa para um jantar com os pais dele. Engoli o choro preso em minha garganta e optei por vestir um vestido longo ciganinha, sem nenhum decote e que cobria quase todo o meu corpo.
Calcei o tênis, fiz uma make básica, usando apenas liptint e máscara de cílios, calcei um All-Star e peguei a minha bolsa, deixando apenas o básico dentro dela e nós saímos.
Matthew dirigiu todo o caminho enquanto cantarolava as músicas que tocavam no rádio. Eu me mantive em silêncio, apenas observando o caminho pelo qual passávamos. Como a casa dos pais dele não era longe do meu apartamento, gastamos menos de meia hora para chegar.
- Querida, estava com saudades de você. - Trish me abraçou maternalmente quando nos recebeu na porta.
- anda sempre muito ocupada para dar um pouco de atenção para as pessoas. - Matt falou, passando para dentro de casa, e eu o olhei incrédula sabendo que aquilo não era verdade. Ele que vivia dizendo que não me queria tão perto da família dele.
- Trish, eu também estava com saudades. - a apertei antes de desfazer o abraço e ela me olhou, de uma forma que eu diria preocupada.
- Não se preocupe, eu sei que o que ele disse não é verdade. - ela sussurrou colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e eu sorri.
Entrei na casa dos pais de Matthew, e longo cumprimentei todos, me sentando ao lado de Kim, irmã de Matt, no sofá, enquanto o meu namorado, estava no outro sofá com seu pai e seu cunhado falando sobre um jornal que passava na TV.
- Eu simplesmente não vejo sentido falarem tudo de novo na reportagem, quando já falaram no próprio jornal para chamar a reportagem. - Toby, cunhado de Matt, falou olhando para a TV.
- Eles precisam fazer isto porque é preciso ter uma "abertura" para fazer a chamada e, normalmente, a maioria das reportagens não são ao vivo, e o texto usado na cabeça, acaba sendo quase o mesmo da chamada. - expliquei para Toby, e ele balançou a cabeça em concordância.
- Por favor, ela nem sabe o que ela está falando. - Matt falou, e eu o olhei com a sobrancelha arqueada.
- Não sei se você se lembra, mas eu sou jornalista. - olhei para Matthew e ele me devolveu um olhar no mínimo furioso.
- Por que você não vai até a cozinha ajudar a minha mãe? Certamente lá você será mais útil. - ele falou simplesmente, e todos os olhares ali beiravam a incredulidade, mas ninguém abriu a boca, então eu me levantei e fui para a cozinha ajudar Trish.
Ajudei a colocar a mesa, e eu e minha sogra, ficamos ali conversando sobre várias coisas aleatórias. Ela sempre fora uma pessoa incrível comigo, eu não tinha do que reclamar.
Logo todos foram para a cozinha e nos sentamos para comer, e enquanto todos conversavam, Matthew sequer me deixava abrir a boca, e quando algo era direcionado a mim, ele simplesmente dava um jeito de mudar o assunto.
- , eu vi que você conheceu , como foi isso? - Kim me olhou, enquanto bebericava o seu suco.
- Foi uma matéria da revista sobre política, então eu acabei entrevistando-o e o Mark Kassen. Vai ser a capa do mês que vem e a edição sai na próxima semana. - eu sorri orgulhosamente e ela retribuiu ao sorriso.
- Eu vi a loucura que se tornou o Twitter com a foto que ele postou. - ela riu e eu fiz o mesmo - Todo mundo jurando que você era o novo affair dele.
- Como se ele fosse querer alguém como ela. - Matthew falou e mais uma vez os olhares se viraram para ele - Tudo bem que ele não tem o menor talento, mas ele é um astro de Hollywood, pode ter a mulher que quiser, eu no lugar dele, nunca iria escolher a . - ele soltou uma risada baixa, e bebeu um longo gole da sua cerveja.
- Que bom que ela não precisa ser escolhida por ninguém, porque se ela quisesse, ela teria o homem que ela escolhesse. - Trish falou, e eu a encarei, sentindo meus olhos marejados e um nó imenso na minha garganta - Você deveria agradecer por ela ter escolhido você, porque você nunca vai achar ninguém como ela. - ela mantinha seu olhar no filho, que a encarava com a sobrancelha arqueada e um sorrisinho nos lábios.
- Ela que nunca terá a sorte de encontrar alguém como eu. - ele deu ombros e se levantou - Vamos embora, pra mim esse jantar acabou. - ele me olhou - Anda logo, , eu não tenho a noite toda pra aturar sua lerdeza. - ele falou irritado e saiu da cozinha, me deixando ali com a maior vergonha de ter a sua família me encarando.
- Me deem licença, e obrigada pelo jantar, estava tudo maravilhoso. - olhei para Trish e dei um sorriso fraco, saindo atrás de Matt, que naquela altura já estava batendo a porta do carro.
Assim que eu entrei no carro, ele pisou fundo no acelerador e saiu dali igual um louco, sem nem ao menos me deixar colocar o cinto. Ele costurava os carros na estrada, como se estivesse completamente vazia.
- Matthew, vai devagar. - falei com a voz trêmula, o olhando dirigir.
- Cala a merda da boca. - ele vociferou e eu me encolhi no banco do passageiro e rezei para que nada de grave acontecesse.
Para minha felicidade, chegamos ao meu prédio em segurança, mas ele certamente havia conseguido pelo menos umas cinco multas durante o trajeto.
- Você está ficando louco? - o olhei incrédula, enquanto tirava o cinto.
- Eu é quem devo fazer esta pergunta. - soltou uma risada nasalada e colocou as mãos no cabelo - Você me humilhou na frente da minha família, fez minha mãe ficar contra mim. Você tem ideia do quão nojento isto é? - me olhou e seus olhos estavam vermelhos de raiva.
- Eu não fiz por mal. - falei baixo, enquanto levava minha mão até a sua - Me perdoa por isso. - sussurrei.
- Você manipula as pessoas com esse seu sorrisinho meigo, esse seu jeitinho tímido, como se você fosse sempre a vítima e desse jeito você destrói todo mundo ao seu redor. - ele me olhou, e meus olhos já estavam cheios d'água - É torturante pra mim, porque eu sou louco por você e você nunca vai achar alguém que te ame tanto como eu, mas eu não sei se eu aguento mais. - ele falou em um fio de voz e uma lágrima grossa escorreu pelo meu rosto.
- Não faz isso, por favor. Eu juro que vai ser diferente daqui para a frente. - falei com a voz embargada e ele secou as lágrimas em meu rosto.
- Vamos tirar essa noite para a gente pensar e depois a gente conversa, okay? - ele falou e eu assenti - Agora vai, me deixa ir para casa. - destravou o carro e eu lhe dei um beijo na bochecha descendo logo em seguida.
Vi seu carro se afastar, à medida que as lágrimas desciam pelo meu rosto. Entrei no prédio e subi para o meu apartamento, sem conseguir conter as minhas lágrimas. Me joguei na cama e me deixei chorar com vontade. Eu me odiava por tudo aquilo que ele falara, por fazê-lo passar aquelas coisas, mas o que nem se passava pela minha cabeça, era que eu realmente era a vítima daquela história.

(...)

Dorothy colocou o cobertor sobre o meu corpo e despediu-se, saindo de meus aposentos em seguida. Fechei os meus olhos, na tentativa falha de adormecer, mas desde que eu contara a verdade para , dias atrás, eu sequer conseguia adormecer.
Um barulho, vindo da janela, chamou minha atenção e obrigou-me a levantar da cama. Meu pai sempre dissera que eu não deveria ser tão curiosa, porém, algo em meu interior sempre queria saber de tudo.
Caminhei vagarosamente até a janela, entretanto, não sem antes pegar um dos vasos de flores em minha cabeceira, para caso precisasse me defender. Aproximei-me da janela e assustei-me com a cena na qual presenciei. estava pendurado no parapeito da minha janela e, pela sua feição, não aguentaria muito tempo.
Deixei o vaso no chão e estendi-lhe minha mão para que pudesse ajudá-lo a subir e, quando ele já estava do lado de dentro, eu me limitei a dar-lhe um tapa em seu peito, lhe arrancando um leve gemido de dor.
- O que fazes aqui? - encarei-o, certamente preocupada com sua presença em meus aposentos.
- Não podia mais ficar sem vê-la. - ele segurou em minhas mãos e, naquele segundo, o meu corpo enfraqueceu - Estou apaixonado por você de uma forma que nem mesmo os deuses mais poderosos podem explicar. Não consigo tirá-la de meus pensamentos. - seu olhar encontrou ao meu, e eu não pude mais segurar o sorriso.
- Eu nunca quis ludibriar você, posso lhe assegurar disto. - falei meio sussurrado enquanto abaixei o meu olhar - Meu pai quem queres me entregar de mão beijada para um homem que eu sequer conheço. Entretanto, eu não esperava conhecê-lo e apaixonar-me por ti. - voltei a encará-lo e ele quem sorriu desta vez. E como se a noite se iluminasse, não apenas com o brilho da lua, mas também, com o brilho do teu sorriso.
- Eu estou disposto a lutar por ti e fazer o que for necessário para tê-la em minha vida. - ele acariciou meu rosto com o seu polegar - Deixe-me falar com o seu pai, e assim, eu peço-lhe a sua mão em casamento.
- Admiro a sua intenção, entretanto, meu pai nunca me deixaria casar com você. Ele precisa de um sucessor para o seu título, e por não ter conseguido um herdeiro, quem assumirá ao trono é o marido de sua filha mais velha, sendo ele um membro da nobreza. - suspirei pesadamente, e ele acompanhou o meu gesto - E por mais que ele seja o meu pai, não és nem um pouco obsequioso.
- Não se preocupe, eu darei um jeito de ficarmos juntos. - ele aproximou seu rosto do meu, deixando nossas testas coladas uma na outra e eu abri um sorriso discreto - Prometo que serás minha e eu serei teu.
- Eu desejo arduamente que assim seja. - sussurrei e o abracei apertado, sentindo o meu coração disparado com aquela declaração vinda do homem pelo qual eu me apaixonara.
- Eu lhe trouxe um presente. - ele desfez o abraço, fazendo-me olhá-lo com curiosidade e abriu a bolsa pendurada em seu ombro, tirando de lá um embrulho de papel - Lembro-me de nossa conversa sobre Romeu e Julieta, e queria eternizá-la, e também desculpar-me por ter sido tão rude com a senhorita. - entregou-me o embrulho e, eu tirei o barbante e em seguida o papel, vendo que eras um exemplar de Romeu e Julieta - Abra-o. - ele falou enquanto observava-me e assim eu fiz.

“És a mais preciosa obra deste mundo, e não refiro-me sobre o livro de Shakespeare, e sim, da bela moça que tens meu coração em tuas mãos…

Do teu errôneo Romeu, para minha amada Julieta”

- És sem dúvidas a mais bela declaração de amor que já me fizeram. - falei radiante, sentindo algumas lágrimas molharem os meus olhos.
- És apenas uma de todas as declarações que eu farei para ti. - ele sorriu e eu fiz o mesmo.
estava certo quando disse que nem mesmo os Deuses mais poderosos poderiam explicar aquela paixão, pois eu também a sentia e sabia que não era uma simples paixão, mas eras a mais forte e verdadeira que poderias existir.
(...)


Quando acordei naquele domingo, meu coração estava em paz. Por mais que tenha acontecido várias coisas no dia anterior com Matt, depois daquele sonho, eu sabia bem o que eu devia fazer.
Me levantei da cama, após escrever todo o sonho em um caderninho, e fui direto para o banheiro. Lavei meu cabelo, hidratei e fiz uma skincare caprichada. Quando saí, escolhi a roupa que vestiria, finalizei o meu cabelo e fiz uma make básica, apenas com um pouco de liptint e corretivo.
Fui para a cozinha e enquanto tomava café, eu preparava tudo o que precisaria colocar na cesta. Como havia deixado o brigadeiro pronto, só o enrolei e coloquei nas forminhas. Coloquei alguns pacotes de gummy bear, os brigadeiros, uma cópia da revista, que só seria disponibilizada dali uma semana, alguns cookies, que eu mesma havia preparado e uma garrafa de vinho. Embrulhei com um papel transparente e uma fita vermelha, então coloquei um cartão escrito à mão, apenas "Me desculpa?".
Deixei a cozinha arrumada, peguei tudo e saí do meu apartamento descendo até o estacionamento. Eu estava bastante ansiosa e aquilo era nítido. Meu estômago doía e se revirava de uma forma indescritível, e meu coração batia mais rápido do que o normal, sem contar na minha respiração descompassada. Tudo o que eu conseguia pensar era: e se ele não me perdoar?
Fui durante todo o caminho ouvindo música, tentando me distrair dos pensamentos. O caminho ainda estava marcado certinho em minha mente e, como eu poderia esquecer, ele certamente era a pessoa mais importante da minha vida.
Gastei por volta de 30 minutos para chegar, e quando parei em frente à casa, respirei fundo antes de descer. Andei lentamente até a porta, e demorei alguns minutos, mas consegui tocar a campainha.
Quando ele abriu a porta, ele vestia uma bermuda preta, descalço e sem camisa. Foi difícil me concentrar ao encarar aquele abdômen definido e aquelas tatuagens, que tanto mexiam com minha cabeça.
- Bom dia!? - ele falou confuso, enquanto chamava minha atenção e soltou uma risada nasalada.
- Um ótimo dia! - falei baixo mordendo meu lábio inferior, enquanto subia meu olhar pelo seu corpo até encontrar seu rosto, que tinha um sorrisinho debochado - Eu... - pigarreei, tentando trazer minha voz e minhas estruturas de volta e balancei negativamente a cabeça - Me perdoa? Eu sei que eu fui uma idiota, grossa e sem noção, e tudo o que eu menos queria nessa vida era te magoar. - falei tentando manter minha voz calma, apesar de ter um nó em minha garganta.
- Você não precisava ter feito isso. E eu não tenho do que te perdoar. - ele falou me olhando, e sorriu, levando meu coração a ficar quentinho - Vem cá. - me puxou para seus braços, e me abraçou de forma desajeitada, já que eu segurava uma cesta em meus braços. Ele depositou um beijo em minha testa, e eu fechei os olhos aproveitando o abraço, apesar de estar nos braços de um seminu.
- Eu trouxe um presente de desculpas. - falei quase sussurrando, rezando para ele não ter ouvido, só para que eu continuasse ali encostada naquele corpo esculpido por Deuses.
- Eu já estava mais que satisfeito com a sua presença. - ele falou no mesmo tom e não desfez o abraço por mais alguns minutos, e por algum motivo, aquilo me confortava.
- Preciso te contar... - fiz uma pausa, e levantei a cabeça para olhá-lo, sem sair de seus braços - Eu procurei uma psicóloga. Depois do que eu fiz com você, eu vi que precisava de ajuda e fui até lá. - expliquei - E apesar do Matt achar que terapia é coisa de gente louca, como ele me disse, eu quero voltar mais vezes. - balancei a cabeça.
- Ei, eu estou orgulhoso de você. - segurou a minha mão - Terapia não é coisa de gente louca, pelo contrário, louco é quem não procura ajuda. - acariciou minha mão com seu polegar - Eu faço terapia há anos e eu juro pra você, vai te ajudar muito em tudo. - ele me olhava de uma forma protetora, que me fazia sentir segurança.
- Não é à toa que você foi o principal motivo para que eu fizesse isso. - dei um sorriso fraco.
- Eu fico feliz em saber disso, mas a partir de agora, você precisa ser o principal motivo disso tudo, ok? - apertou levemente a minha mão e eu concordei com a cabeça.
Ficamos ali na porta de sua casa por longos minutos naquele abraço desajeitado, que só o desfizemos porque Dodger entrou na sala e viu que eu quem estava ali, então ele logo correu e veio em nossa direção, pulando em minhas pernas. Entreguei a cesta a , junto com minha bolsa e me abaixei para brincar com Dodger.
- Oi, garotão, eu estava morrendo de saudades. - falei enquanto acariciava seus pelos e o envolvi em um abraço - Você está bem? Está se comportando? - o olhei e ele latiu, me fazendo sorrir.
- Ele é estranhamente o cachorro mais comportado que eu já vi na vida. - falou e eu ri, me levantando - Entra, vem. - ele me puxou para dentro e fechou a porta. Olhei em volta, me lembrando da outra vez que havia ido ali, e nunca imaginava que voltaria a pisar naquela casa.
- Ele é o melhor cachorro do mundo. - olhei novamente para Dodger e eu sorri seguindo até o sofá - Dentro da cesta, tem várias coisas, e eu espero que você goste de tudo. - o olhei e me sentei - Tem uma coisa em especial, que eu lembrei que você falou que queria experimentar. - me aproximei quando ele abriu a cesta e tirei de lá a caixinha com alguns brigadeiros, a abrindo em seguida - Vai lá! - estendi em sua direção e sorri, naquele momento eu devia parecer uma criança.
Ele pegou um dos brigadeiros e o mordeu fechando os olhos em seguida. Acompanhei cada detalhe dos seus gestos, do movimento do seu maxilar enquanto ele mastigava e até a forma com que ele franziu o cenho para saborear o brigadeiro.
- Isto é a coisa mais incrível que eu já experimentei. - ele falou ainda de olhos fechados e eu sorri.
- Conheça o brigadeiro. - apontei para a caixa e ele me encarou - Feito pela mulher que vos fala. - sorri.
- Eu não acredito que você fez, apenas para trazer para mim. - ele me olhou pegando outro brigadeiro na caixa.
- Eu só não trouxe o mundo, porque você é o meu. - sorri e ele fez o mesmo, levando o brigadeiro até a minha boca para que eu pudesse morder - Okay, eu realmente arrasei. - falei após mastigar e ele concordou com a cabeça - Eu também trouxe gummy bear, porque eu sei que você ama. Trouxe vinho, cookies, que eu também fiz, e o mais importante... - peguei a revista e virei a capa para ele - O primeiro exemplar da revista, que ainda vai sair, e eu fiz questão de que fosse seu. - sorri largamente encarando seus olhos brilhando, enquanto ele me olhava.
- Como você pode ser tão incrível assim? - ele deitou a cabeça para o lado, de uma forma fofa e sorriu, então meu coração disparou - De verdade, muito obrigado por tudo isso. Mesmo que não precisasse, você ter vindo aqui foi a melhor coisa que podia ter acontecido.
- , você não pode me fazer ser mais apaixonada por você do que eu já sou. - suspirei e ele gargalhou, me levando a fazer o mesmo.
- Eu é que devo estar me apaixonando por você. - falou, ficando sério por alguns segundos, mas nós voltamos a rir em seguida.
Ficamos ali aproveitando os brigadeiros e o vinho, enquanto líamos juntos a matéria, que eu havia escrito. Eu não podia estar mais orgulhosa do meu trabalho, e ver o elogiando tanto, como ele estava fazendo, não tinha preço.
- Eu estava indo dar banho no Dodger quando você chegou, quer me ajudar? Depois a gente almoça, e você passa mais um tempo com a gente. - falou sugestivamente.
- Impossível negar esse convite. - sorri e virei o restinho do vinho em minha taça e nós fomos com Dodger para o quintal - Sua casa é ainda mais bonita do que eu imaginava. - olhei o espaço em volta.
- Depois te apresentarei tudo. - me olhou, pegando a mangueira - Dodger, vem. - chamou o cachorro, que logo se aproximou de nós e ligou a água.
Demos banho no Dodger com bastante dificuldade, já que ele queria brincar e nem eu, muito menos , negamos aquele pedido a ele. Quando passamos o shampoo em seus pelos, ele simplesmente pulou em cima de mim, me jogando no chão e me deixando ainda mais molhada do que eu já estava, e enquanto isso, gravava a cena com o seu celular e gargalhava gostosamente.
- Olha, Dodger, esse foi o melhor banho da sua vida. - falou passando a toalha nos pelos do cachorro - Quando você imaginou ter uma mulher dessas dando banho em você? Eu particularmente estou morrendo de inveja. - falou a última parte sussurrando para Dodger e eu gargalhei alto.
- Não dê esse tipo de ideia, porque por mais que eu seja comprometida, você é o . - falei entre risos e ele fez o mesmo.
- Vamos entrar e te secar. - falou com Dodger e nós fomos para dentro secá-lo com um secador. Enquanto eu secava, o penteava.
- Depois te mandarei seu vídeo com o Dodger. - ele riu baixo me olhando.
- Não me mande, guarda com você. - sorri fraco e ele arqueou a sobrancelha - Matt não pode sonhar em saber que eu estive com você. Já tivemos uma discussão ontem, onde você foi o principal assunto, eu não posso dar motivos para ele assim. - desviei o olhar.
- Nós não estamos fazendo nada de errado. Você só veio visitar um amigo. - ele falou simplesmente e eu concordei.
- Matthew não vê dessa forma. Para ele, eu tenho um caso com Deus e o mundo, inclusive com o porteiro da minha melhor amiga. - fiz uma careta e suspirei.
- E o que você acha disso? - ele continuou com o tom amigável.
- Acho desnecessário, mas eu dou motivos para ele. Como agora. - dei ombros e o olhei a tempo de vê-lo negar com a cabeça - Vamos mudar de assunto, por favor? - pedi antes que aquela conversa tomasse um outro rumo, e ele concordou.
Acabamos de secar Dodger e ele logo foi se deitar no sofá com o seu leão de pelúcia.
- Vou pegar uma camisa para você, não pode ficar molhada assim. - ele me olhou e logo foi em direção ao seu quarto, enquanto eu observava as fotos dele sobre a lareira. Tinha fotos com Scott, Shana, Carly, sua mãe, seu pai, seus sobrinhos e uma com todo o elenco principal de vingadores.
- Essa é uma das minhas fotos favoritas. - ele apareceu atrás de mim, enquanto eu analisava sua foto com sua mãe, Lisa.
- Ela parece ser uma mulher incrível, e por você ser quem você é, eu não tenho dúvidas disso. - sorrio e me viro para ele, que tinha uma blusa em sua mão.
- E ela realmente é. - ele sorriu e me entregou a blusa.
Fui até o banheiro, tirei a minha blusa, vesti a de e continuei com o short. Inalei o seu perfume por algum tempo, e depois de longos minutos, fui me encontrar com ele na cozinha.
- Vou te fazer minha especialidade. - ele falou abrindo a geladeira - Lasanha congelada. - tirou uma lasanha da geladeira e eu ri.
- Só por ser você, qualquer coisa é aceitável. - dei ombros e apoiei meu rosto em minhas mãos e meus cotovelos no balcão. digitou o tempo, logo em seguida começou a pegar os pratos, talheres e copos em seus armários.
- Agora eu fiquei curiosa... - fiz uma careta e ele me olhou confuso - Se você fosse a um primeiro encontro com alguém e quisesse impressioná-la. O que você faria? - ele riu baixo.
- Eu a traria para cá, serviria uma taça de vinho para ela e certamente lhe serviria pipoca de micro-ondas e, de sobremesa, sorvete. Essa sim é a minha verdadeira especialidade. - ele fez uma cara engraçada e eu ri, mas aquilo era realmente fofo.
- Eu ficaria muito feliz com esse primeiro encontro, porque o que importa, na verdade, não é o que vai ser comido, mas como a pessoa é com você. - sorri e ele fez o mesmo.
- E qual seria o encontro perfeito para você? - ele se aproximou, ficando do lado oposto do balcão.
- Acho que provavelmente um jantar, independente do menu, um vinhozinho e principalmente estar com alguém que me deixe à vontade. - dei um sorrisinho e ele me analisou por alguns segundos e sorriu em seguida.
Ficamos conversando até que a lasanha ficasse pronta e, quando ficou, nos serviu e pegou uma cerveja pra ele, que eu não aceitei, pois, já havia bebido vinho e estava de carro, então optei por um suco.
- Minha mãe nunca irá acreditar que eu estou comendo lasanha congelada com o futuro genro dela. - falei com humor e ele riu.
- Minha mãe vai me matar por saber que eu servi lasanha congelada para "a futura nora dela". - ele falou no mesmo tom e eu gargalhei.
- Não sei por que você usou as aspas, você realmente irá se casar comigo um dia. - dei ombros e ele quem gargalhou dessa vez.
- Justo. - falou entre risos.
- Preciso confessar que eu sempre quis muito conhecer sua família toda, mas Scott principalmente. - o olhei enquanto dava uma garfada na lasanha.
- No próximo sábado, vou jantar com ele e o Steve, quer vir comigo? - me olhou sugestivo e eu sorri.
- Eu adoraria, mas é meu aniversário de namoro e eu e o Matt temos planos. - fiz um biquinho e ele assentiu.
- Deixamos para a próxima oportunidade. - falou com um sorrisinho fraco, e eu diria que decepcionado.
Quando acabamos de comer, eu insisti mil vezes até que finalmente me deixasse lavar a louça. De acordo com ele, não era certo que a visita lavasse a louça na primeira vez ali, e eu tive que usar do argumento, que não era a primeira vez.
- Eu não consigo acreditar que você fez uma tatuagem igual a minha. - ele soltou uma risada nasalada enquanto se jogava no sofá.
- Olha... - puxei a gola de sua blusa e o mostrei a tatuagem próxima a minha clavícula, que era o mesmo touro dele, só que com algumas flores - Touro é o meu signo, e eu queria algo que me lembrasse de você. Só acrescentei umas flores porque imaginei que mais alguém poderia ter tido essa ideia e queria ter algo exclusivo meu. - dei ombros - Loucura, eu sei. - ri baixo.
- Não acho que seja loucura, porque realmente ficou linda em você. - sorriu.
- Eu tenho uma blusa com sua foto e seu nome escrito embaixo. - falei e ele fez uma careta, me levando a gargalhar enquanto procurava uma foto para mostrá-lo.
- Então você é realmente uma grande fã. - riu.
- São 14 anos, isso é muita história para contar. - dei ombros e sorri em seguida.
- Qual entrevista minha é a sua favorita? - perguntou simplesmente e eu fiz uma careta - Você certamente viu a grande maioria ou, se bobear, todas, eu quero saber. - deu ombros e riu.
- Uma que você fez com a Ana de Armas para um jornalista brasileiro, logo depois de Knives Out, onde você falava "muito gato". - falei, misturando o português na frase, com uma empolgação meio exagerada e ele riu.
- O que significa isso? Eu não me lembro. - fez uma careta.
- Uma pessoa muito bonita. - expliquei e ele deu um sorrisinho.
- Muito gato você. - ele falou em português, me olhando, e foi impossível meu coração não disparar.
- Nesse caso seria "muito gata". - expliquei tentando parecer calma, mas as borboletas em meu estômago diziam o contrário.
- Você é muito gata. - ele falou e sorriu, me fazendo derreter por completo.
- Ok, posso dizer que venci na vida ouvindo me chamar de "muito gata" ainda em português. - coloquei a mão no peito e joguei minha cabeça para trás o levando a rir.
Fiquei ali com e Dodger por mais algumas horas e quando fui embora o sol já começava a se pôr. Meu dia havia sido o mais leve e agradável que eu tive na vida. me trazia uma sensação de paz, de segurança, algo que eu nunca seria capaz de explicar.


Capítulo 6

Passei para dentro do consultório de Amélia e os primeiros segundos ali foram estranhos, levando em consideração que na última consulta eu fugi sem ao menos terminar o horário da minha sessão.
Amélia estava sentada em sua poltrona com um sorriso terno e segurando seu caderninho em mãos. Desta vez ela vestia um vestido social, que batia até pouco abaixo de seus joelhos, e tinha um rabo de cavalo no alto de sua cabeça. Estava elegante e aquilo era evidente.
- Bom dia, . - ela falou assim que eu me sentei no divã à sua frente, sem deixar que o sorriso sumisse de seu rosto.
- Bom dia, Dra. Amélia. - falei amigavelmente e coloquei minha bolsa de lado, como fiz na outra vez.
- Me chame apenas de Amélia. - falou usando o mesmo tom e eu assenti - Fico feliz que você resolveu voltar.
- Eu precisava voltar, tem muita coisa ainda me tirando o sono e acabando com a minha ansiedade. E bom, acho que nos dias de hoje fazer terapia é o mínimo de luxo que todo mundo deveria ter. - falei e ela concordou com a cabeça.
- Tem alguma coisa específica que você queira falar? - ela perguntou, deixando de lado seu caderninho.
- Bom, eu me resolvi com , fui até ele para me desculpar e descobri que ele não me odiava, pelo contrário, para ele estava tudo bem. - dei um pequeno sorriso e arrumei meus óculos no rosto - Na verdade, é provavelmente a pessoa mais incrível que eu já conheci. Ele não me julga, ele não me diminui, ele apenas me trata de uma forma que faz eu me sentir importante.
- Outras pessoas não te tratam assim? - ela perguntou, dessa vez anotando algo em seu caderno.
- Meus amigos sim, mas... - fiz uma pausa e ela acenou com a cabeça, me encorajando a continuar - Eu não me sinto da mesma forma quando estou com Matt. Na verdade, ultimamente eu me sinto o contrário de tudo isso quando estou com ele. - desviei o meu olhar para um ponto atrás de Amélia, que prestava atenção em cada gesto que eu fazia - Umas semanas atrás, íamos a um aniversário da minha melhor amiga, e eu resolvi vestir um vestido que havia comprado, mas Matt me disse que eu não deveria vestir aquilo, pois havia engordado e não ia ficar bom. - soltei uma risada sem humor e balancei negativamente a cabeça - Eu não vesti o vestido, mas o comentário ficou na minha cabeça. Eu achei que não aconteceria de novo, mas no sábado íamos jantar com os pais dele, e eu resolvi vestir uma saia jeans, e ele disse que eu não iria vestir porque não estava indo para uma boate, que deveria me vestir como uma mulher decente. - suspirei pesadamente.
- E o que você respondeu para ele? - ela me questionou e eu ri fracamente sem nem humor.
- Nada. Eu simplesmente me calei e escolhi outra roupa… Nas duas vezes. - a encarei e ela me analisou por alguns segundos.
- O que mais ele faz que te incomoda? - perguntou, voltando a anotar algumas coisas em seu caderno.
- Nos dois últimos meses é mais fácil eu pontuar o que ele faz que não me incomoda. Matthew tem crises de ciúmes por nada, sem motivos. Ele acha que eu vou traí-lo a qualquer instante, com, absolutamente, qualquer homem. - fiz uma careta e balancei negativamente a cabeça, abaixando o olhar para minhas unhas por fazer - Sem contar que nós brigamos o tempo todo, para ele tudo o que eu falo ou faço está errado, mas no fim de tudo ele traz flores, chocolates, presentes e fala que se arrependeu e que me ama demais para deixar as coisas ruins entre a gente. E aí fica tudo bem. - dou um sorriso fraco.
- Por que parece que não está tudo bem? - ela me olhou, questionando mais uma vez e eu respirei fundo antes de falar.
- Porque eu não sei mais se eu aguento essas coisas. - falei com a voz embargada.
- E por que você o perdoa? - ela perguntou mantendo seu olhar em mim, e uma lágrima grossa escorreu pelo meu rosto.
- Porque eu o amo e acredito que ele possa mudar. E ele sempre me diz que ninguém nunca vai me amar tanto como ele e se for a verdade? - àquela altura eu já não controlava minhas lágrimas e minha voz estava falha.
- Quando você come algo e aquilo te faz mal, você come de novo uma outra hora, porque pensa ser questão de momento, mas acaba te fazendo mal novamente e todas as outras vezes que você sequer tenta comer, porque gosta muito daquela comida. Você continuaria comendo, mesmo sabendo o mal que aquilo está te fazendo? - perguntou e eu apenas balancei a cabeça negativamente - Nesse caso é a mesma coisa. Você não tem obrigação de perdoar alguém porque você ama essa pessoa. Está tudo bem se você amar e não quiser mais. - ela falou me observando - Tudo na vida é preciso ser colocado em uma balança, e você precisa fazer o que for melhor para você.
- Eu não quero magoar Matt, porque nós vivemos muita coisa juntos, entende? - a olhei enquanto secava as lágrimas e ela assentiu - No sábado nós fazemos um ano de namoro, e planejamos um jantar na minha casa, onde a gente vai pedir comida do nosso restaurante favorito e passar o resto da noite fazendo um programa de casal para comemorar. Ele me ligou hoje de manhã, perguntando quais são os meus planos para sábado, ele parecia empolgado. É isso que às vezes me confunde, porque quando está tudo bem, ele é incrível, mas quando a gente briga, pode ser assustador. - expliquei.
- Quando não está tudo bem é o que preocupa... - ela deixou a frase no ar e eu assenti, olhando o relógio em meu pulso, e notando que eu precisava correr para o trabalho - Só faça o que for melhor para você. - ela falou e mais uma vez eu concordei.
- Amélia, muito obrigada pela sessão de hoje. - falei, enquanto me levantava e arrumava a bolsa em meu ombro - Eu precisava disso há algum tempo e agora me sinto um pouco mais leve. - dei um sorriso fraco.
- Estou à disposição para o que precisar, a qualquer hora. - ela também se levantou - Se cuida. - sorriu e abriu a porta para que eu pudesse sair.
- Eu farei isso. - sorri e saí do consultório.
Eu me sentia leve, mas ao mesmo tempo sentia que eu estava traindo a confiança de Matt falando aquilo com outra pessoa. Mas era para isso que servia a terapia, para eu colocar para fora tudo aquilo que me incomodava.

(...)


Encarei-me no espelho, enquanto Dorothy amarrava o vestido em minhas costas. Era belíssimo, eu diria, porém, a ocasião que me incomodava.
- A senhorita está deslumbrante. - Dorothy olhou-me pelo reflexo do espelho acima de meus ombros e sorriu ternamente.
- Do que adianta estar bela se estou desinfeliz? - falei soando expressivamente incomodada e ela balançou a cabeça em sinal de negação.
- Esse sentimento que lhe aflige, tens a ver com suas escapadas do palácio? - ela questionou-me com certo receio, e eu acabei por soltar um riso nasalado.
- Na verdade, o que me aflige é ter que casar-me com alguém que sequer conheço. - suspirei pesadamente e ela balançou a cabeça em concordância.
- És a primogênita, a única capaz de assumir o trono de seu pai, porém, é preciso uma figura masculina à frente de tudo isso. - ela fez um breve gesto, mostrando os arredores do palácio e voltou a olhar-me - Casar-se com um duque trará a você tempo para cuidar de seus filhos e de seu lar.
- Deveras, entretanto, eu não quero limitar-me a ser apenas uma dona de casa. Quero aventurar-me, apaixonar-me e viver. - o sorriso deslumbrado em meu rosto, certamente demonstrava que eu sonhava com aquilo
- A senhorita se apaixonará pelo seu futuro cônjuge. Dizem que ele é o mais belo dos homens da nobreza Europeia. - ela falou, enquanto alisava a saia do meu vestido a procura de deixá-lo em perfeito estado. Seu tom vagava do deslumbre à empolgação, entretanto para mim, aquilo não me parecia nada demais - Devemos descer agora, seus pais lhe esperam no salão. - ela parou ao meu lado e eu apenas assenti, a seguindo porta a fora de meu quarto.
Segurei a barra de meu vestido e desci serenamente as longas escadas do palácio com ajuda de Dorothy. Ela se encontrava em um completo silêncio, e eu podia jurar que as batidas do meu coração podiam ser ouvidas por todo o palácio.
Ao adentrarmos o salão, meus pais estavam sentados em seus tronos e eu segui até eles para me sentar em meu lugar, enquanto estava à espera de meu futuro marido.
- Oh, estás deslumbrante, minha querida! - minha mãe soou maternal, como ela sempre foi. E, ao encará-la com toda aquela situação que rondava, questionei-me se ela era feliz. O seu sorriso radiante me fazia entender que sim, entretanto, seu olhar cansado me dizia o contrário. E era o que eu temia para mim.
- Agradecida, mamãe! A senhora também está radiante. - a olhei em seu vestido verde musgo com detalhes em dourado e o sorriso em seus lábios cresceu em seu rosto.
Esperamos por longos minutos até que anunciasse a chegada do Duque de Essex. Assim que adentrou o salão, ele caminhou em direção a nós com sua postura inabalável.
- Duque Edward. - ele falou se curvando na direção de meu pai.
- Duque Mark, é um prazer tê-lo em nosso palácio. - meu pai falou, olhando o homem à nossa frente - Esta é minha esposa, Ester, e minha filha, sua futura mulher, . - ele soava com certo orgulho, e para mim, aquilo era um tanto quanto repugnante.
- Vejo que a formosura foi herdada de mãe para filha. - ele vagou seu olhar por alguns segundos em minha mãe, e o fixou em mim - É um imenso prazer conhecê-la. - estendeu-me sua mão e assim que eu a segurei, ele depositou um beijo nas costas da minha mão - És ainda mais bela do que eu sequer poderia imaginar. - o seu tom galanteador certamente atingiria corações, entretanto, o meu já estava entregue a outro alguém.
- Encantada. - forcei o meu melhor sorriso, que logo foi retribuído por ele.

Após as devidas apresentações, meu pai fez questão de mostrá-lo todo o palácio, que ele tomaria conta assim que nos casássemos, e eu fui submetida a estar junto.
Ambos conversavam sobre as obrigações de um duque, enquanto eu, estava meramente presente ali, entretanto, minha mente vagava por um certo viajante que havia ganhado meu coração.
Foi uma longa caminhada pelo palácio e, ao cair da noite, o jantar seguiu com mais diálogo dos homens da nobreza.
- Peço-lhes licença para me retirar. - pronunciei-me chamando a atenção de todos os presentes - Não sinto-me bem, preciso deitar-me para descansar. - suspirei num falso gesto de cansaço.
- Oh, querida, será que contraiu uma virose? - minha mãe soou preocupada e eu manejei a cabeça para o lado, demonstrando uma possível concordância.
- Deite-se e descanse. - Mark falou se demonstrando preocupado e eu dei um leve sorriso antes de levantar-me da mesa - Amanhã teremos um tempo para conversarmos melhor. - ele sorriu.
- Uma boa noite a todos. - falei e retirei-me do salão de jantar, indo direto para meus aposentos.
Assim que fechei a porta, encarei a silhueta masculina parada no canto do quarto, e corri até ele, jogando-me em seus braços.
- Achei que não fosses mais aparecer. - ele disse surrando e eu me limitei a sorrir.
- Não via hora de estar em seus braços, não após vê-lo nos fundos do palácio. - encarei-o e ele soltou uma risada baixa.
- Questionei-me se havias me avistado. - sua feição foi tomada por uma careta, e não segurei uma risada - Ouvi murmúrios de que o Duque de Essex estava aqui para vê-la, sua futura esposa. - ele mudou o seu tom, agora estava carregado de preocupação.
- Oh, meu pai quer acelerar as coisas e achou melhor que nos conhecêssemos logo. - suspirei pesadamente e neguei com um aceno de cabeça.
- E o que achaste dele? - questionou-me com curiosidade.
- Eu sequer consegui notá-lo aqui, pois meus pensamentos estavam atrás de um certo viajante. - coloquei minhas mãos em seu rosto, e ele sorriu - Não és possível que eu me apaixone por ele, não quando o meu coração já pertence a ti. - meu olhar estava fixo no seu como um sinal de reafirmar a minha fala.
- Sinto-me lisonjeado por saber que tenho tomado seus pensamentos, pois a senhorita nunca esvaiu-se dos meus. - ele falou sem desviar o seu olhar, e eu abri o meu melhor sorriso.
Parecia que o tempo havia congelado e só estávamos nós dois e nossas juras de amor. Desci o meu olhar de seus olhos para seus lábios, e eles pareciam mais atrativos do que em qualquer outro momento.
Aproximei-me lentamente de seu rosto, enquanto meu coração trotava feito Vênus quando saíamos para uma corrida matinal.
- Adoraria poder tocar os seus lábios com os meus, entretanto, não quero desrespeitá-la. - ele sussurrou e fechou firmemente seus olhos numa tentativa, de talvez, se controlar.
E naquela noite, eu adormeci com o desejo de beijá-lo, entretanto, sabendo que ele estava certo e me deixando ainda mais encantada por ele.

(...)


Acordei com o barulho desesperado do meu celular e, quando o olhei, vi que era uma ligação de Matt. Quando pensei em atender, a ligação parou e, antes de retornar, eu encarei o celular em minhas mãos.
Aquele certamente parecia o sonho mais estranho que eu tivera na vida, porque além de parecer real como os outros, eu não me lembrava do rosto de Mark, que naquela história - ou sonho, chame como quiser -, era o meu pretendente a marido. Mas eu recordava de todo o resto.
Antes que pudesse raciocinar em ligar para o meu namorado, as notificações surgiram na tela mostrando as mensagens de Matt:

", por que não atendeu?"
"Eu liguei três vezes"
"Enfim, só quero avisar que chego às oito da noite"

Li e reli as mensagens e respirei fundo na tentativa de não me estressar com aquilo, afinal, era nosso aniversário de namoro e ele também tinha um pouco de razão, eu deveria ter atendido a ligação, mas estava dormindo.

“Oi, amor, desculpa não ter atendido, eu acabei dormindo..."
"Tudo bem, estou esperando você"

Antes de bloquear o celular, olhei a mensagem de Sky, perguntando se estava tudo certo para nossa programação do dia seguinte e eu logo respondi:

“Oi, baby, tudo certo. Te espero aqui amanhã!"

Liguei o celular no carregador e fui para o banheiro tomar um banho e fazer uma hidratação no cabelo e na pele. Demorei, mais ou menos, uma hora e meia para ficar pronta. Fiz uma make básica, já que Matt sempre dizia que me preferia sem toda aquela maquiagem pesada, e mesmo que eu gostasse, era o nosso dia e eu queria que tudo fosse perfeito.
Coloquei uma lingerie que havia comprado dias antes para aquela ocasião e, por cima, coloquei um vestidinho soltinho e confortável. Apesar de tudo, ficaríamos em casa, então era perfeito para a ocasião.
Olhei no relógio, e faltava uma hora ainda para Matt chegar, então, liguei para o restaurante, que ele havia me levado em nosso primeiro encontro e pedi exatamente o prato no qual havíamos pedido: fettuccine de camarão.
Arrumei tudo na mesa que jantaríamos, deixando-a iluminada com algumas velas e algumas pétalas de rosa espalhadas. Coloquei uma playlist de músicas românticas para tocar e me sentei no sofá, esperando que Matt chegasse, enquanto escrevia o meu sonho de mais cedo no meu caderninho.
E a cada segundo que passava, cada vez que eu me recordava daquele sonho, mais estranho ele parecia.
Quando deu oito horas, Matthew não havia chegado. Eu tinha para mim, que ele havia pegado trânsito. A comida chegou, e Matt ainda não estava lá. Mas quando passou de 20:40, eu comecei realmente ficar preocupada, e até tentei ligar para ele algumas vezes, o que foi em vão, já que ele não havia atendido.
Havia passado das nove, e Matthew não havia chegado. Fui até a cozinha, abri a garrafa de vinho e servi uma taça, enquanto esquentava a comida, já fria, no micro-ondas. Me sentei sozinha naquela mesa, que eu havia preparado, e jantei a comida que eu havia comprado para ter um jantar romântico de um ano de namoro.
Me obriguei a segurar o choro que queria sair e, enquanto comia, pensava na minha última conversa com Amélia. Será que eu precisava mesmo continuar vivendo aquilo? Eu amava Matt, e eu tinha certeza daquilo, mas com tudo o que ele fazia, eu já não tinha certeza se ele ainda me amava.
Enquanto lavava a louça, coloquei uma música mais agitada para tocar, não estava dando certo aquela playlist romântica, ainda mais que eu havia levado um bolo do meu próprio namorado.
Eu já estava na segunda taça de vinho, quando a campainha tocou. Sequei as mãos em um pano e fui segurando a taça de vinho. Quando abri a porta, dei de cara com Matthew. Ele tinha um sorrisinho de canto, carregava um buquê de rosas vermelhas, as minhas favoritas.
Seu sorriso se desfez assim que ele viu que eu estava nada feliz com seu atraso de praticamente duas horas.
- Amor, eu juro que tentei chegar na hora. - ele começou a se explicar, enquanto passava para dentro do apartamento - Eu passei para falar com uns amigos antes. É aniversário do Carton. Lembra dele? - eu apenas neguei com a cabeça - E aí, parei para beber uma cerveja com eles, quando vi já se passavam das oito e meia. - ele coçou a nuca e deixou o buquê sobre o sofá - Eu saí correndo para encontrar uma floricultura e acabei pegando muito trânsito, você sabe como é Los Angeles. - fez uma careta e se aproximou - Eu não queria chegar aqui de mãos vazias, porque você merece o meu melhor sempre. - segurou em meu rosto - Feliz um ano de namoro, e eu espero que venham mais desses. - ele beijou a minha testa, e se afastou sorridente.
- Eu pedi comida naquele restaurante que você me levou no nosso primeiro encontro, e arrumei a mesa para gente fazer um jantar romântico... - falei baixo e ele se manteve sorrindo - Mas não tem mais nada disso, porque você demorou demais. - revirei os olhos e bebi o resto do vinho em minha taça.
- Tudo bem, o mais importante é estar com você. - ele deu ombros e me deu um selinho demorado - Vamos beber mais uma taça de vinho e depois eu sei o que a gente pode fazer. - deu um sorrisinho malicioso e pegou a minha taça indo em seguida para a cozinha. Eu apenas soltei um riso nasalado.
Coloquei as flores na mesinha de centro, e me sentei no sofá. Não demorou nem um minuto para que Matt voltasse da cozinha, com as duas taças e a garrafa de vinho. Ele nos serviu, deixando a garrafa na mesa, e se sentou ao meu lado, me entregando uma das taças.
- Por que você não me atendeu? - o olhei.
- Meu celular descarregou, acho que está estragando. Preciso comprar outro. - deu ombros - Um brinde a nós! - encostou sua taça na minha.
Demorou um tempo para que eu abrisse novamente minha cara e aceitasse que, por mais atrasado que fosse, Matthew estava ali. Em meio a taças de vinho, as coisas foram ficando mais tranquilas e com as trocas de beijos e carícias, acabamos a noite na cama.

Enquanto eu tentava normalizar minha respiração, Matthew havia ido para o banheiro se livrar da camisinha. Pelo menos depois de toda a raiva que ele havia me feito passar com o atraso, o sexo não foi ruim.
- Ei, eu tenho um presente para você. - falei quando ele saiu do banheiro e me levantei da cama enrolada no lençol, tirando o presente da gaveta.
Era um porta-retratos com uma foto nossa, na verdade, nossa primeira foto juntos como namorados.
- Eu não sabia que devíamos comprar presentes. - ele fez uma careta e deixou o porta-retrato de lado, enquanto vestia sua cueca - Eu só comprei as flores porque não queria que você ficasse chateada pelo meu atraso e surtasse à toa. - deu ombros e eu balancei negativamente a cabeça, me sentando na cama.
Enquanto ele vestia a calça, seu celular apitou em seu bolso e ele logo o pegou para ler a mensagem.
- Achei que o seu celular havia descarregado. - o encarei e a raiva que eu estava antes, voltou ainda mais forte naquele momento.
- Eu achei que estava. - deu ombros, e dessa vez o meu celular apitou, e quando eu o olhei, era uma mensagem de Sky.

"Me avisa quando Matthew sair daí, e aí eu vou"

- Com quem você está falando? - ele me perguntou, e eu ri pelo nariz.
- Sky. - dei ombros, enquanto pensava em responder minha amiga.
- Não sei por que você é amiga dela, ela vive querendo te influenciar a terminar comigo. - ele falou com certo desdém e eu revirei os olhos.
- Sinceramente, Matthew, a única pessoa capaz de me influenciar a terminar com você, é você mesmo. - dei um sorrisinho forçado, sem mostrar os dentes e ele bufou.
- Você fingiu que estava de boa, mas você queria mesmo surtar alguma hora pelo meu atraso. - riu de escárnio - Eu já pedi desculpas, só depende de você aceitar. - deu ombros e eu balancei a cabeça, me sentando na cama.
- Você está ouvindo a asneira que você está falando? Eu sequer falei do seu atraso. - fiz uma careta - E ainda sim, eu tenho toda razão de estar brava. É a porra do nosso aniversário de namoro, e você chegou atrasado porque estava no bar com seus amigos. E aí chegou aqui todo fofo, com flores, que você sequer pretendia comprar, mentiu sobre o seu celular e, como se não bastasse, está querendo dizer de quem eu deveria ser ou não amiga. - ri de escárnio.
- E você, como sempre, se fazendo de compreensiva, quando na verdade, você só quer brigar. - balançou a cabeça e calçou o tênis - Quer saber, acho que era melhor que eu tivesse ficado com meus amigos, e é para lá que eu vou voltar agora. - me olhou - Parabéns, você estragou o nosso primeiro aniversário de namoro. - bateu palmas levemente e deixou o quarto, logo em seguida pude ouvir a porta da sala bater.
Peguei novamente meu celular e logo respondi Sky:

"Pode vir quando quiser, Matthew já foi embora..."

Respirei fundo e fui para o banheiro tomar um banho. E foi naquele momento que eu chorei. Eu sabia que eu não estava errada, mas não entendia o porquê de estar me sentindo tão culpada diante daquela situação.

Quando acabei o banho, vesti apenas uma calcinha e um blusão, e me deitei na cama, olhando o meu Instagram. Recebi uma notificação de que havia postado um story, e era o típico, ele assustando Scott, enquanto ele entrava em uma sala. Foi impossível não rir com aquilo. Então eu logo respondi:

"Nunca parem com isso, porque é meu entretenimento ver vocês dois assustando um ao outro hahaha"

Não demorou nem um minuto, para que a resposta viesse:

"Se te deixa feliz, eu prometo continuar..." - e colocou uma carinha piscando o olho e eu sorri.
"Como está o aniversário?"

Ele mandou simplesmente, e eu dei um sorriso fraco, mas respondi:

"Já terminou! Problemas no paraíso..." - coloquei uma carinha entediada.

Não deu dois segundos para que a notificação de chamada de vídeo surgisse em minha tela, mostrando a carinha sorridente de , e eu logo deslizei o dedo para atender.
- Hey. - falei baixinho, enquanto sorria. Por pior que eu estivesse, falar com ele, era sempre um alívio.
- Você está bem? - perguntou preocupado e eu apenas assenti - Não, não está. Consigo ver seus olhos inchados e seu nariz vermelho daqui. - ele falou e eu dei um pequeno sorriso - Quer conversar?
- Você não está mais com Scott? - questionei-o.
- Estou, mas ele não vai ficar bravo se eu falar com você. - deu ombros e sorriu.
- É uma longa história... - respondi a sua pergunta anterior e ele assentiu.
- Quer sair para algum lugar? Podemos conversar melhor. - sugeriu.
- Algum paparazzi vai invadir minha vida? - falei com humor e ele riu.
- Não posso garantir, mas conheço um lugar que normalmente não aparecem paparazzi. - deu uma piscadela e eu sorri - Passo para te pegar em 15 minutos. - mandou um beijo e desligou antes que eu pudesse me opor.
Me levantei da cama, vesti uma calça jeans, uma regata e coloquei uma jaqueta por cima. Peguei meus óculos, calcei um tênis, peguei meu celular, a chave de casa e saí do meu apartamento.
Enquanto entrava no elevador, recebi uma mensagem de dizendo que havia chegado, mas sequer haviam se passado 15 minutos. Ele era pontual e, naquele dia, aquilo era importante.
Passei pela portaria cumprimentando o porteiro com um "boa noite", e saí do prédio já dando de cara com o carro do , que eu só soube que era dele, porque quando ele abriu o vidro, Dodger apareceu no banco de trás, e eu sorri.
- Boa noite. - falei ao entrar no carro, e me aproximei para depositar um beijo em sua bochecha - Desculpa, acho que foi intimidade demais. - fiz uma careta envergonhada, e ele gargalhou.
- Acho que nós já passamos por coisas suficientes para ter esse tipo de intimidade. - falou com humor, e logo deu a partida - E a propósito, você está linda... E cheirosa. - sorriu e focou seu olhar na rua, enquanto eu estava com um sorriso idiota e as bochechas coradas.
- Oi, amigão. - beijei a cabeça de Dodger e coloquei o cinto, me ajeitando na cadeira - Para onde nós vamos? - o olhei curiosa.
- Comer. - deu um sorrisinho travesso, me olhando rapidamente.
- Achei que você tinha acabado de jantar com seu irmão. - fiz uma careta e ele riu.
- Já são mais de 11 da noite, nós jantamos às 20:30. - deu ombros e eu balancei a cabeça em concordância, enquanto ria.
- Apesar de eu ter jantado sozinha, também faz algumas horas, então comer é uma boa opção. - constatei e ele concordou com a cabeça.
- Você quer me contar o que aconteceu? - me olhou receoso, enquanto parava o carro no semáforo.
- Aconteceram tantas coisas nessa noite que eu nem sei se quero comemorar outro aniversário de namoro nessa vida. - soltei uma risada fraca, e encarei minhas mãos sobre o meu colo - Matthew marcou comigo às oito, mas chegou às dez. Ele trouxe flores, se justificou dizendo que perdeu a hora por ter se encontrado com os amigos para beber, e eu relevei, porque não quero ser a namorada que impede o namorado de ver os amigos. - encarei a rua a minha frente, e suspirei, enquanto voltava a dirigir pelas ruas de Los Angeles - Depois de algumas taças de vinho, eu estava de boa com ele, como se nada tivesse atrapalhado nossa noite e eu não tivesse jantado sozinha. E você sabe como é, vinho, aniversário de namoro, juras de amor. Uma coisa levou a outra... - fiz uma pequena pausa, deixando aquilo subentendido. Afinal, eu não precisava ter aquele tipo de conversa com - Depois eu dei o meu presente a ele, que por sinal, continua jogado sobre a minha cama. E ele deixou escapar que só comprou as flores para que eu não ficasse brava com o atraso dele. E além de tudo, ele não quer que eu seja amiga de Sky, que é a minha melhor amiga desde que eu pisei nos Estados Unidos, porque, de acordo com ele, ela me influencia a terminar o namoro. - balancei negativamente e soltei uma risada fraca - E para deixar minha frustração ainda mais completa, ele me largou sozinha na cama, sem roupa, no nosso primeiro aniversário de namoro, para encontrar com os amigos novamente. - e naquele momento, eu finalmente tomei coragem de olhar para , que estava concentrado na estrada, mas alheio ao meu desabafo.
- Me desculpa dizer, mas seu namorado é um babaca. - ele falou meio indignado, e eu me vi obrigada a concordar - Ele não está dando o valor que ele deveria dar para o namoro de vocês, e pelo que eu vi, ele quer cobrar de você, coisas que ele mesmo não faz. - fez uma careta e me olhou - Por que você ainda está com ele?
Aquela pergunta me lembrou da minha conversa com Amélia, ela também havia perguntado algo daquele tipo, e quando eu a respondi, parecia muito mais fácil do que ali naquele momento.
- Eu não sei. - falei baixo, voltando o olhar para a rua. E eu realmente não sabia. Eu achava que era por amor, mas ele estava me destruindo, e eu estava deixando por algum motivo, que eu ainda não entendia.
- Você merece alguém que vai valorizar cada segundo com você, não só quando for para benefício próprio. Alguém que vai fazer de tudo para te ver sempre sorrindo, porque ama o seu sorriso. Ou vai sempre fazer o possível para te fazer rir, porque a sua risada é o melhor som que só pode ouvir. - ele me olhou rapidamente, enquanto parava o carro em frente a uma lanchonete de beira de estrada, que era o último lugar onde eu imaginaria frequentando - Você merece alguém que enxugará as suas lágrimas quando você chorar. E que, em meio a uma briga, vai fazer de tudo para melhorar a situação, sem fugir para outro lugar. - ele desligou o carro e tirou o cinto - Você merece alguém que vá amar você nos momentos felizes, mas, principalmente, nos momentos ruins. - ele me olhou, e naquela altura, eu já estava chorando em silêncio no banco do passageiro.
não falou mais nada, apenas me puxou para seus braços e me aconchegou ali até que eu me acalmasse. Naquele momento eu só não tinha noção, mas talvez, ele sempre fora o meu alguém.

Ficamos no carro por longos minutos até que eu estivesse calma. Saímos do carro, junto com Dodger, e fomos para a lanchonete. colocou apenas um boné dos Patriots, que era completamente a cara dele.
A lanchonete estava vazia, tinha apenas um homem, por volta dos 50 anos, que cochilava sobre o balcão, provavelmente estava de passagem e parou ali para descansar. E, também, uma garçonete, que aparentava ter pouco mais que a minha idade, e apesar de sorridente, tinha a feição cansada.
- Desde quando você frequenta lanchonetes de beira de estrada? - olhei em volta, enquanto me sentava na cadeira estofada, de frente para .
- Desde sempre. - deu ombros, se ajeitando ao lado de Dodger - É um lugar calmo, não tem muita gente, o que significa que não tem paparazzi. Às vezes eu venho para cá, e fico horas aqui, apenas tomando uma cerveja e lendo um bom livro. - explicou, enquanto a garçonete se aproximava.
- Era tudo o que eu precisava hoje. - eu sorri levemente e ele retribuiu ao sorriso.
- Boa noite! Posso anotar o pedido de vocês? - a moça, que eu identifiquei como Hayley, pelo crachá no lado esquerdo de seu peito, falou simpaticamente.
- Eu vou querer uma cerveja, um X-burguer com batata frita e onion rings. - a olhou, e ela logo anotou em um bloquinho e se virou para mim.
- Eu quero um milkshake de morango, um X-burguer com bacon extra e uma batata frita grande. - a olhei e ela logo anotou também o meu pedido.
- Já trago para vocês. - ela sorriu e se afastou, voltando para o balcão, onde entregou o papel com nossos pedidos.
- Você se sente melhor? - me olhou.
- Eu já disse que você tem esse efeito em mim, não é? - questionei-o e ele assentiu - Estar com você, já me deixa melhor. - ele sorriu - Inclusive, sempre que eu tenho alguma crise de ansiedade eu encho a sua DM de mensagens e, mesmo sem uma resposta, você me ajudava a ficar bem. - mordi o lábio inferior e dei um pequeno sorriso envergonhado por estar confessando aquilo assim.
- Então fazemos assim, sempre que não se sentir bem, você me avisa, que eu vou dar um jeito de melhorar isso. - deu uma piscadela - E eu prometo que, a partir de agora, eu responderei a todas as suas mensagens. - cruzou os dedos em frente ao rosto e eu sorri.
- , eu ainda acho que você e tudo isso é um sonho, que eu estou vivendo, e logo irei acordar. - deitei a cabeça um pouco para o lado e ele riu, balançando a cabeça negativamente.
- Se for sonho, mais uma vez nós estamos vivendo o mesmo. - falou com humor e eu ri dessa vez, concordando com a cabeça.
- Como foi o jantar com seu irmão? - apoiei os cotovelos sobre a mesa e o rosto sobre as mãos.
- É sempre bom passar um tempo com Scott, e ele está realmente feliz com Steve, então, eu não podia achar melhor. - ele sorriu orgulhoso e foi impossível não sorrir junto - Ele disse que está louco para conhecer a super-heroína que salvou o Dodger. - riu baixo e eu arqueei a sobrancelha.
- Você falou sobre mim com seu irmão? - perguntei segurando um sorrisinho e ele riu dando ombros.
- Eu te disse que ele me ajudou a procurar você nas redes sociais, e logo que eu postei aquela foto após a entrevista, ele soube na hora que era você a mulher que eu falava. - se explicou e eu sorri.
- Eu devia ter aceitado seu convite, porque além de ter conhecido Scott, eu ainda teria evitado sofrimento com meu relacionamento. - fiz uma careta, e a garçonete se aproximou com nossos pedidos, já os colocando sobre a mesa - Obrigada! - falei assim que ela acabou de colocar tudo.
- Se precisarem de algo, me chamem. - ela sorriu.
- Obrigado! - retribuiu ao sorriso e ela se afastou, nos deixando ali a sós.
Enquanto nós comíamos, conversávamos sobre várias coisas aleatórias, e eu sabia que a principal intenção de , era que eu me sentisse melhor. E por mais que nos conhecêssemos há apenas um mês, nós tínhamos uma troca enorme sempre.
- Quero te contar uma coisa, mas você tem que prometer que não vai rir. - falei, enquanto comia uma batata e ele me olhou desconfiado.
- Eu não sei se posso prometer, mas vou tentar. - cruzou os dedos e eu revirei os olhos enquanto ria.
- A minha tatuagem do touro, não é a única em sua homenagem que eu tenho. - tapei meu rosto com as mãos enquanto ria, e ele me acompanhava.
- E qual é a outra? - perguntou curioso, bebericando sua cerveja.
- Eu tenho sua assinatura na lateral do meu tornozelo. - fiz uma careta e sua gargalhada se tornou alta, a ponto de acordar o homem que dormia no balcão, me fazendo rir da cena.
- Eu preciso ver isso. - ele falou em meio a risadas.
- Eu estou de tênis, não vou tirar no meio da lanchonete. Te mostro uma foto. - dei ombros e peguei o celular, mas ele segurou minha mão.
- Eu não vou acreditar em uma foto, mas depois eu te cobro a me mostrar. - deu uma piscadela e eu gargalhei.
- Você é um ridículo. - joguei uma batata nele, e foi o que o fez rir ainda mais.
Enquanto gargalhávamos daquilo, um grupo de adolescentes entrou na lanchonete. Nenhum deles estava sóbrio, o que resultou neles rindo junto com a gente, de algo que eles sequer sabiam o que era, e o que tornou ainda mais engraçado a cena.
- Cara, eu não acredito que o Steve Rogers está aqui. - um dos garotos falou arrastado, enquanto filmava com seu celular.
- Você não é a Natasha Roma... Não consigo falar esse nome. - a garota fez uma careta e gargalhou de si mesma, me levando a rir junto.
- Ela é a Capitã América, eu tenho certeza disso, porque é a namorada do Steve. - o outro garoto falou e gargalhou alto - E eles tem um cachorro, é o Supeeeeer Cão. - ele falou com certa empolgação, e aquilo ficava cada vez mais épico.
- Ei, cara, você é demais. Nosso país precisava de um herói como você. - o primeiro garoto falou, apertando a mão de , e logo eles se afastaram, indo para outra mesa.
- Eles estão chapados. - falei em meio a risadas e concordou rindo junto - Parece que agora eu sou a Capitã América. - fiz uma pose de super-heroína e ele sorriu.
- E parece que agora teremos que nos casar. - ele deu um sorrisinho debochado e eu gargalhei.
- Só nos seus sonhos, . - bebi o restante do milkshake.
- Lá nós já somos casados, estamos tendo um bebê. - falou pensativo e rimos em seguida.
Em meio a conversas e risadas, tirou uma foto minha, enquanto eu estava escorada em meu braço batendo um papo fofo com Dodger.
- Você disse que não teria paparazzi. - falei me fingindo indignação.
- Eu menti. - deu ombros e eu sorri - Você deveria postar essa foto. Você está linda. - virou o seu celular para mim, e a foto realmente estava linda.
- Me envia ela, posto agora mesmo. - falei e ele logo me enviou.
Sem editar e nem mexer em nada, postei a foto, colocando na legenda apenas um emoji sorridente e um de brilhos. Não precisava dizer nada, porque a foto já mostrava minha felicidade naquele momento.
- Se você tivesse a chance de ser anônimo por um dia, o que você faria? - questionei aleatoriamente, e ele me encarou confuso soltando uma risada em seguida.
- Você sabe que não é porque eu sou ator que eu não vivo normalmente, né? - ele falou com humor e eu gargalhei alto.
- Eu sei, mas com certeza tem alguma coisa que faça você pensar "eu daria tudo para poder ser anônimo agora". Não tem? - questionei, enquanto arrumava meus óculos sobre o nariz, e ele fez uma careta pensativa.
- Eu acho que a questão da privacidade é algo que eu queria ter. Principalmente em relacionamentos. - ele me olhou e eu assenti para que ele pudesse continuar - Eu queria poder viver um relacionamento onde eu pudesse sair na rua sem que isso virasse manchete, ou publicar uma foto e não ser alvo de ataques. E nem é por mim, mas sim pela minha parceira mesmo. - explicou e eu balancei a cabeça em concordância.
- Eu lembro do seu último relacionamento, sempre que saía alguma foto, algum vídeo ela recebia milhões de ataques. E eu achava isso tão ruim. - balancei negativamente a cabeça - Eu confesso que odiava seus namoros, mas era por puros ciúmes por você não estar comigo. - fiz uma careta e ele riu alto - Mas eu nunca fui na internet jogar hate em alguma delas, porque por mais que eu tivesse ciúmes, eu ficava feliz por você estar feliz. Sua felicidade era a única coisa que importava para mim. - deitei a cabeça para o lado e ele sorriu.
- E se você fosse famosa, o que você faria? - me questionou e eu sorri empolgada já sabendo da minha resposta.
- Eu sempre quis ser famosa para ir ao tapete vermelho de alguma premiação, com um vestido deslumbrante, feito pela minha estilista particular, que é a minha melhor amiga, e ser uma das mais bem comentadas pelas revistas de moda no dia seguinte. - falei encantada com aquela possibilidade, e ele me olhava enquanto sorria.
- Bom, prometo que na próxima premiação que eu for, você será a minha acompanhante. - ele falou enquanto me olhava e o sorriso em meu rosto se alargou.
- Você sabe que isso vai ser palco para várias manchetes, não é? - o olhei e ele assentiu.
- Se você não se importar, por mim está tudo bem. - deu ombros e eu sorri.
- , você realmente é como eu imaginava. Na verdade, é ainda melhor. - falei sorridente e ele retribuiu ao sorriso.

Eu e ficamos ali na lanchonete por um bom tempo, conversando sobre várias coisas. Das mais sérias às mais idiotas, e o momento estava tão bom, que mal vimos as horas passarem.
- Qual dos filmes que eu fiz é o seu favorito? - ele perguntou enquanto andávamos até seu carro com Dodger entre nós.
- Essa é uma pergunta difícil, porque eu amo todos. - fiz uma careta e ele riu - Eu acho que Gifted, porque eu realmente amo esse filme. Mas 'Qual o seu número?' é o meu confort movie. - expliquei enquanto abria a porta do carro para Dodger entrar no banco de trás - Aproveito para dizer que se eu pudesse te daria um Oscar por cada um de seus filmes, mas principalmente por Puncture, porque apesar de eu sofrer com o final, você entregou tudo naquele filme e ele merecia muito mais reconhecimento. - o olhei assim que entrei no carro e ele riu.
- Tem algum filme meu que você não goste? - perguntou com humor e eu ri.
- Sinceramente, eu odeio 'Os Reis da Rua', porque seu personagem morre. - falei e ele gargalhou alto enquanto ligava o carro - E completo dizendo, se em Puncture eu te daria o Oscar, em Defending Jacob, você merecia um Emmy. E se você quer saber, eu chorei horrores quando você sequer foi nomeado. Achei uma grande injustiça. - contei enquanto colocava o cinto, e ele continuava a gargalhar.
- Já sei quem colocar para brigar com a academia das premiações, se for preciso. - falou com humor e eu gargalhei.
- Eu apenas defendo a verdade. Todos os prêmios desse mundo iriam para você se dependesse de mim. - dei ombros e ele balançou a cabeça enquanto ria.
- Sem dúvidas nenhuma, você é uma das minhas pessoas favoritas no mundo. - ele falou enquanto seu riso cessava e me olhou rapidamente, enquanto eu parecia uma idiota o encarando com a maior cara de boba e o coração disparado - Está tudo bem? - fez uma careta confusa.
- Se o fato do meu coração estar acelerado, como se estivesse em uma corrida, é normal, eu estou bem. - fiz uma careta e ele riu balançando a cabeça - Para onde a gente está indo? - perguntei quando notei que ele havia mudado o caminho para minha casa.
- Pensei em assistirmos ao nascer do sol. - explicou, enquanto seguia pela estrada - Se você não se importar, é claro. - me olhou.
- Por que eu me importaria em assistir ao nascer do sol com ? - perguntei com obviedade e ele sorriu dessa vez.
Ele ligou o som e a primeira música que tocou foi Firework, da Katy Perry, e eu fechei os olhos enquanto cantarolava animadamente a música.
Quando acabei o primeiro refrão, notei o olhar de em mim, e quando eu o olhei, ele tinha um sorriso nos lábios, que ia do divertido ao encantado.
- O que foi? - perguntei enquanto sentia meu rosto queimar de vergonha.
- Nada. - deu ombros, mas o sorriso não se desfez dos seus lábios - A forma com que você ficou feliz desde o primeiro acorde da música, é uma cena encantadora. - eu sorri.
- Essa música é a minha favorita no mundo, porque logo que ela foi lançada, eu estava passando por momentos complicados, eu sofria muito bullying na escola e ela sempre me fez mais forte e sempre conseguiu me deixar mais feliz. - expliquei sorridente e seu sorriso se alargou.
Ele parou seu carro em frente à praia de Malibu, e nós descemos com Dodger, no qual eu segurava a guia da coleira. Tirei o meu tênis e os segurei com os dedos e fez o mesmo, enquanto andávamos na areia.
Nos sentamos em uma pedra, e observamos o céu enquanto o sol nascia vagarosamente. Naquele momento nós apenas admirávamos a paisagem em silêncio. Estávamos tão confortáveis um com o outro, que o silêncio não nos incomodava.
Resolvemos voltar para casa apenas quando os primeiros sinais de sono começaram a se manifestar em pequenos bocejos vindos de nós dois.
- Você pensou que eu ia esquecer? - falou com um sorrisinho debochado e se ajoelhou em minha frente - A tatuagem. - bateu em sua perna e eu revirei os olhos em meio a risadas, enquanto apoiava meu pé em seu joelho - Essa é a coisa mais estranha e mais adorável que eu já vi. - ele acariciou a tattoo e eu sorri.
- Ok, , deixa meu pé em paz agora. - o empurrei levemente e segui pela areia com Dodger, em direção ao carro, mas logo fui alcançada por ele.
Fomos todo o caminho até a minha casa falando sobre aquela tatuagem e como fãs faziam loucuras pelos seus ídolos. E era verdade, a minha tatuagem era algo simples, porque tinha quem fazia coisas mais loucas.
- Eu adorei passar a noite com você. - falei quando ele parou o carro em frente ao meu prédio - Foi disparada a melhor noite da minha vida em 23 anos. - sorri.
- É recíproco. - ele sorriu e eu tirei o cinto - Eu espero que você fique bem. - falou seriamente, enquanto levava sua mão ao meu rosto e acariciava a minha bochecha com o polegar.
- Impossível não ficar bem depois desse tempo com você. - falei baixinho enquanto fechava os olhos e apreciava o carinho que seu dedo fazia em meu rosto.
- Quero que saiba que você é uma das melhores companhias que eu poderia ter essa noite, na verdade, eu não pensaria em alguém melhor para estar comigo hoje. - ele falou no mesmo tom que eu e eu sorri.
- Meu coração voltou a acelerar, você não tem ideia do quanto é bom ouvir isso vindo de você. - o olhei.
- Seu coração vai precisar se acostumar, porque eu não vou mais a lugar algum. - ele falou sorrindo, e foi impossível não suspirar com aquilo.
Eu não ainda não consigo explicar como aconteceu, mas acariciava meu rosto e nossas trocas de olhares e sorrisos, foram se aproximando, até que nossos rostos ficaram a poucos centímetros de distância, quase chegando a se tornar um beijo, mas eu me afastei, mesmo que não quisesse aquilo.
- Por pior que Matthew seja, ele ainda é meu namorado, não posso fazer isso com ele. - justifiquei e assentiu, entendendo do que eu falava.
- Isso só me faz admirar você ainda mais. - ele falou com um sorrisinho nos lábios - Ele não merece a mulher que você é. Ele não merece você. - falou baixinho olhando em meus olhos.
- Obrigada por hoje, você salvou a minha noite. - sorri e segurei a sua mão beijando seus dedos.
- Não, eu acho é que você quem melhorou a minha. - sorriu e levou a minha mão em seus lábios, no mesmo gesto que o meu, também beijando meus dedos.
- Até mais, . - o olhei e abri a porta do carro - Até mais, Dodger. - depositei um beijo no pelo do cachorro, que latiu em seguida.
- Até mais. - sorriu e eu desci do carro, entrando em meu prédio.
Me virei para trás apenas para acenar para , que logo saiu com o carro, e segui para o meu apartamento.
Por mais que o beijo não tivesse acontecido, meu coração estava acelerado, meu estômago se revirava de uma forma na qual eu nunca sentira antes. Eu estava radiante, como nunca estive.


Capítulo 7

Após aquela noite com , eu dormi feito um anjo por três horas seguidas, só acordei porque Sky tocou a campainha e me obrigou a levantar da minha cama para recebê-la.
- Bom dia, princesa mais linda do meu mundo. - ela falou, de uma forma fofa que Sky quase não usava com outras pessoas além de mim.
- Bom dia, mulher da minha vida. - falei, usando o mesmo tom e ela depositou um beijo em minha bochecha, em seguida, entrou em meu apartamento.
- Eu te enviei várias mensagens durante toda a noite e você não respondeu nenhuma delas. Está tudo bem? O que aconteceu entre você e Matthew? - despejou as perguntas em mim, e me encarou preocupada.
- Matthew fez tudo errado ontem. - suspirei e Sky silabou um “como se ele fizesse algo certo” - Resumindo, a gente brigou e ele foi embora, me deixando na cama e sequer levou o meu presente de aniversário de namoro. - revirei os olhos e encostei a porta, andando até o sofá, onde eu larguei o meu corpo - Mas não foi por isso que eu não te respondi. - puxei uma almofada para o meu colo, e cocei o olho, que eu sequer tinha lavado após acordar.
- Espero que não tenha sido porque você estava chorando pelo babaca do seu namorado, que não merece nem o meu desprezo. - ela se sentou em minha frente, e jogou seus pés sobre a mesinha de centro.
- Eu estava com . - falei simplesmente, e ela arqueou a sobrancelha, enquanto um sorrisinho malicioso brotou em seus lábios - Não é dessa forma que você está pensando. - a empurrei, enquanto ria daquele sorriso obsceno de minha amiga - Depois que Matthew foi embora, eu fiquei um pouco na bad, e aí, enquanto respondia ao story do , eu contei que as coisas aqui acabaram mal e ele me chamou para sair e conversar. - expliquei dando ombros, e me espreguicei logo em seguida. Para quem havia dormido apenas três horas, eu estava muito bem-disposta.
- Pelo brilho nos seus olhos, vocês não conversaram apenas sobre o seu namoro fracassado, que inclusive, é algo que você tem em comum… Nenhum dos dois têm um relacionamento duradouro. - ela fez uma careta engraçada, e eu cerrei os olhos, a observando dar de ombros, como se não houvesse falado nada demais - pelo menos tem bom gosto para mulheres, ao que me parece, todas elas são decentes. Já você… - deixou a frase no ar e eu me limitei a revirar os olhos.
- Nós fomos a uma lanchonete, conversamos sobre várias coisas e depois fomos assistir ao nascer do sol na praia. - falei, ignorando boa parte do que Sky havia falado antes.
- Se isso não foi um encontro romântico, eu não sei mais o que é. - ela falou, se deitando no sofá, enquanto apoiava a cabeça em meu colo.
- Quando ele me trouxe, acabou rolando um clima… - mordi o lábio inferior, tentando segurar o sorriso, sem ao menos concluir a frase.
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊS SE BEIJARAM! - ela falou em alto e bom som, enquanto, em um pulo, se levantava do meu colo.
- A gente não se beijou. - fiz um bico, e fechei os olhos me lembrando da cena e de várias formas que ela poderia ter acontecido - Eu tenho um namorado, Sky, e, por pior que ele venha sendo, eu não sou a favor de traição. - abri os olhos, a vendo me encarar, enquanto concordava com a cabeça, contra a sua vontade.
- Eu odeio ainda mais o Matthew por estar sendo um empecilho na relação do casal que eu mais shippo no mundo. - ela bufou e se levantou do sofá, enquanto eu a seguia com os olhos - Matthew poderia sumir logo da sua vida, assim, você e viveriam o romance que vocês merecem. - parou no meio da sala e se virou para me encarar, enquanto eu, me limitava a arquear a sobrancelha e rir dos devaneios de minha melhor amiga.
- Por falar em romance entre mim e o … - me ajeitei no sofá, e Sky voltou a se sentar, me encarando confusa - Lembra quando eu conheci , que eu te contei que na noite anterior ao encontrar o Dodger, eu havia tido um sonho estranho em que eu conhecia , mas nós não éramos exatamente nós? - questionei-a, e com uma feição confusa ela assentiu - Então, eu continuei tendo esses sonhos, e o mais engraçado, é que todos eles tiveram alguma ligação com a realidade. - deitei a cabeça um pouco para o lado, enquanto Sky me olhava, ainda mais perdida no que eu falava.
- Ok, , tudo bem que no primeiro sonho houve uma coincidência muito estranha de você ter conhecido o lá e acabar tendo o conhecido na realidade. Mas talvez você esteja criando teorias malucas na sua cabecinha fanfiqueira. - ela bateu com o dedo indicador na lateral da minha cabeça, eu revirei os olhos.
- Tudo bem, Sky, talvez seja isso. - dei ombros, concordando um pouco com minha amiga - Mas, em todas as vezes que eu encontrei , eu tive algum sonho antes, e parece que esses sonhos se complementam. - deixei a almofada de lado e me levantei, puxando minha amiga pelo braço até o quarto - Eu sempre anoto cada um dos sonhos que são marcantes para mim, e todos os sonhos que eu tive com o , desde que eu o conheci, estão aqui. - abri a gaveta da minha mesinha de cabeceira, e tirei o caderninho, no qual eu anotava meus sonhos e entreguei para Sky, que logo começou a ler cada uma das páginas ali.
Enquanto ela lia os meus sonhos com , eu fui para o banheiro fazer minha higiene matinal, que havia sido um pouco adiada pela chegada de minha amiga, enquanto eu ainda dormia. Depois de usar o banheiro, lavei o meu rosto, arrumei o cabelo, fiz um rabo de cavalo, e escovei os meus dentes. Voltei para o quarto, onde minha amiga encarava o caderninho em suas mãos.
- Você tem certeza de que isso não é mais um de suas fanfics? - ele me olhou quando notou minha presença no quarto e eu apenas concordei - Você não acha que está assistindo filmes demais? - fechou o caderninho e o colocou ao seu lado na cama, e eu apenas soltei uma risada nasalada.
- Eu não sei, Sky, mas mesmo que fosse um filme que eu vi, não faria sentido que o sonho sempre continuasse como uma história. - fui até ela e me sentei ao seu lado na cama - E o mais estranho de tudo isso, é que ontem eu tive um desses sonhos, e eu não me lembro da cara do Mark. Lembro de tudo e de todos detalhadamente, mas não me lembro do Mark, o tal duque de Essex. - fiz uma careta e abri o caderninho, colocando na última página em que havia escrito.
- Isso tudo é muito estranho e uma conversa no mínimo cansativa para essa hora da manhã. - ela soltou uma risada nasalada, enquanto encarava o relógio em seu pulso - Está com fome? Vou preparar algo para a gente comer. - se levantou e eu concordei com a cabeça.
- Eu vou tomar um banho e me trocar. Encontro com você na cozinha daqui a pouco. - me levantei também, e ela logo tratou de sair do quarto.
Fui para o banheiro e tomei um banho um pouco demorado, enquanto refletia sobre a minha conversa com Sky. Tudo aquilo realmente era estranho, mas provavelmente era coisa da minha cabeça.
Saí do banheiro enrolada na toalha, e fui até o meu guarda-roupa. Vesti apenas calcinha de lingerie, um short jeans e uma regata. Passei um hidratante pelo corpo, desodorante e um pouco de perfume. Logo em seguida, coloquei meus óculos e fui para a cozinha encontrar com minha amiga, que ao invés de cozinhar, estava focada em algo em seu celular.
- Sky, eu achei que você fosse fazer o nosso café, não ficar navegando nas redes sociais. - falei com humor, e ela levantou a cabeça para me olhar, parecendo um pouco mais séria do que deveria.
- Pelo amor de Deus, olha seu celular. - ela falou um tanto quanto catatônica, e eu corri para o quarto pegando o celular. Eu fiquei tão curiosa em saber o que havia acontecido, que olhei ali mesmo em meu quarto.
Minhas redes sociais estavam uma loucura. Muitas pessoas me xingando, por algo que eu desconhecia. A minha última foto postada, que foi a que havia tirado, era o alvo dos comentários. Eu podia dizer que nunca havia tido uma foto tão curtida e comentada quanto aquela.
Os comentários tinham uma discrepância enorme. Enquanto alguns me elogiavam e diziam que coisas boas ao meu respeito, outros chegavam a níveis extremos da maldade que uma pessoa pode carregar dentro de si. E eu ainda continuava sem entender.
Saí do meu quarto, enquanto entrava no Twitter, onde o nome de estava, mais uma vez, liderando os trending topics. Entrei no nome dele, e todo mundo comentava sobre um suposto novo relacionamento que ele estava vivendo.

finalmente desencalhou. Quem vai carregar o título de solteirão cobiçado agora?”

“Gente, o está namorando com uma garota comum. Ela está vivendo a nossa fanfic dos sonhos”

“Desde que ele postou aquela foto exaltando o trabalho dela, eu já imaginava. não posta foto de nada, além do Dodger, e aquele post foi no mínimo aleatório”

- Sky, o que está acontecendo? - levantei o meu olhar para minha amiga, que me encarava com um misto de curiosidade e preocupação.
- Saiu essa matéria em um site de fofoca agora pouco. - empurrou o seu celular em minha direção, e havia uma página aberta em seu navegador.

“Casal na área? Astro da Marvel está de novo affair!

Ator foi visto na manhã de hoje, muito bem acompanhado, na praia de Malibu, logo ao nascer do sol.

Parece que (39) não é mais um dos solteirões mais cobiçados de Hollywood. De acordo com fotos anônimas, o ator estava muito bem acompanhado no início desta manhã de domingo. Ao que indicam as fotos, o casal estava assistindo ao nascer do sol, acompanhado do cachorro de , Dodger. Com a troca de olhares e sorrisos, ambos pareciam bem confortáveis na presença um do outro.
Além das fotos em Malibu Beach, um perfil compartilhou em seu Twitter um vídeo, onde o nosso ex-Capitão América, estava muito bem acompanhado. “Eu e meus amigos estávamos tão loucos essa madrugada, que sequer nos lembramos de que havíamos gravado esse vídeo interagindo com . E sim, ele estava acompanhado, e ela parecia bem gentil…”, foi o que escreveu o garoto, que gravou o vídeo, na legenda de sua postagem.
Não demorou muito para que os fãs descobrissem quem era a felizarda, que agora estava se relacionando com . De acordo com as pesquisas de fãs, a moça se chama , tem apenas 23 anos, e já havia aparecido antes no perfil do intérprete do icônico, Johnny Storm. A jovem é uma jornalista recém-formada, e trabalha na The Journal Magazine, que foi o principal motivo pelo qual compartilhou uma foto com ela, após conceder uma entrevista para a revista. E pelo que parece, não foi o único.
, estava solteiro desde meados de 2016, quando rompeu o seu relacionamento com a atriz, Jenny Slate (39), após um namoro carregado de hates gratuitos para o casal.
Parece que depois de perder solteirice de Michael B. Jordan e Henry Cavill, perdemos também a de .

Fiquem ligados em nosso site! Sempre com informações novas e bombásticas para vocês.

- Ok… - soltei o ar que eu nem sabia que estava segurando - Por essa eu não esperava. - levantei o meu olhar para Sky, e deixei o seu celular ao lado do meu na mesa.
- Pelo visto você virou manchete em site de fofoca. - ela fez uma careta, que eu repliquei enquanto concordava - O que você vai fazer agora? - me olhou preocupada.
- Nesse momento? - a olhei e ela assentiu, mas eu logo voltei o olhar ao meu celular que não parava de ser notificado - Eu vou desligar o meu celular e fingir o quanto eu puder que isso não está acontecendo. - soltei uma risada nasalada e desliguei o meu celular.

Passei toda a manhã sem tocar em meu telefone, mas não completamente fora do assunto no qual meu nome estava mundialmente envolvido, porque Sky me dava todas as informações no qual eu queria saber.
Eu tinha certeza de que quando eu ligasse novamente o meu celular, eu iria ter um monte de mensagens curiosas para responder e, até mesmo, algumas ligações perdidas. Sem contar nas milhares de notificações presentes nas minhas redes sociais, que certamente aumentariam com o passar do dia.
Durante o almoço, eu e Sky cozinhamos juntas, enquanto tentávamos fingir que era um momento normal em minha vida. O que era no mínimo engraçado, já que Sky sempre acabava voltando ao assunto com alguma ideia mirabolante que se passava em sua cabeça.
- Você só não quer aceitar que agora você é uma subcelebridade. - ela falou, enquanto eu secava os pratos.
- Subcelebridade por fake news não vale muita coisa. - fiz uma careta e ela deu ombros, se sentando sobre o balcão da minha cozinha.
- Só é fake news por enquanto, mas você e o ainda irão ser um casal de verdade com o andar da carruagem. - ela falou sem me olhar, enquanto arrastava o dedo pela tela de seu telefone, provavelmente vendo mais informações sobre o meu namoro, inexistente, com - Todo mundo está agora falando sobre a sua foto postada na madrugada. Estão postando prints do zoom em seus óculos, que aparece o reflexo de , te fotografando. - ela deitou a cabeça para o lado, da mesma forma que ela deitou o celular, provavelmente analisando a foto, e eu ri baixo.
- As pessoas são loucas. - fiz uma careta e sequei minhas mãos no pano de prato ao lado da pia.
- Toda essa história de imaginar minha melhor amiga se tornando uma celebridade na internet, por causa de um namoro, que eu shippava antes mesmo de estar perto de ser possível, está me dando dor de barriga. - ela desceu do balcão, colocando a mão sobre a barriga e fez uma careta de dor.
- Vamos fingir que não é por causa de todo sorvete de chocolate que você comeu depois do almoço. - falei com humor e ela me mostrou o dedo do meio, enquanto saía da cozinha, em direção ao meu quarto, e eu gargalhei.
Me sentei no sofá e encarei o meu celular jogado sobre a mesinha de centro. Eu queria ligar e saber cada palavra que as pessoas estavam dizendo sobre mim, mas ao mesmo tempo, eu não queria saber a quantidade de ódio, que eu provavelmente iria receber por algum tempo, sem sequer ter feito nada.
A campainha tocou me tirando dos meus pensamentos e, mesmo que eu estivesse confusa, porque não esperava por ninguém, eu me levantei e fui abrir a porta. Quando abri a porta do meu apartamento, dei de cara com um Matthew transtornado, e nem um pouco feliz, e eu já sabia bem o motivo daquilo.
- Surpresa! - ele falou com ironia e eu quase revirei os olhos, só não fiz, porque eu sabia que o estrago seria maior - Sei que você esperava que fosse seu novo “affair”. - ele fez aspas no ar, e eu apenas suspirei, sabendo que aquela seria uma longa história.
- Matthew, aquelas fotos estão totalmente fora de contexto. - falei, enquanto dava passagem para ele entrar em meu apartamento.
- Vai falar que não encontrou com ele ontem à noite? - questionou, dando um sorrisinho de escárnio.
- Eu estava com ele, você viu, todo mundo viu, aliás. Mas nós saímos apenas como bons amigos. Queríamos conversar. - dei ombros, e encostei a porta, enquanto Matt andava pela sala parecendo sem rumo.
- Desde quando um homem sai com uma mulher apenas para conversar? - ele me encarou, e seus olhos demonstravam a fúria que ele carregava. Eu apenas suspirei, tentando fingir que aquela fala extremamente machista, nunca aconteceu - Sem contar que todas aquelas fotos, nenhuma delas parecia que vocês estavam apenas conversando. E aquele vídeo… - ele riu sem humor, enquanto balançava a cabeça negativamente - Você achando graça, enquanto diziam que você era a namorada dele.
- Aqueles adolescentes estavam completamente fora de órbita, você acha mesmo que eu iria discutir com eles, algo que eles sequer lembrariam depois? - fiz uma careta e balancei a cabeça de um lado para outro.
- Era por isso que você queria tanto que eu saísse daqui, não é? - ele riu sem humor e eu arqueei a sobrancelha em confusão - Você queria ficar livre para encontrar com ele, porque você é uma vagabunda. - ele apontou seu dedo em minha direção, e eu apenas dei um passo para trás, que foi em vão, já que ele voltou a se aproximar - Você é uma vadia interesseira, que está com ele por pura conveniência. - seu dedo seguia apontando em minha direção.
- Você é um cara que não liga muito para nada, além de você mesmo. Tem um trabalho mediano, desde que você tinha 16 anos. Nunca pensou em mudar e procurar algo melhor. E além de tudo, gasta todo o seu salário com bebidas em festinhas com seus amigos. - fiz uma pausa e ri pelo nariz, enquanto empurrava sua mão para longe de mim - Para uma vadia interesseira, eu escolhi um namorado muito ruim. - balancei a cabeça negativamente e sai de perto dele - E para início de conversa, foi você quem me dispensou ontem à noite. Você quem disse que era melhor ficar com os seus amigos do que comigo. VOCÊ… - apontei para ele e soltei uma risada fraca - Me largou sozinha na cama, junto com o presente que eu te dei por nosso aniversário, para ir, sabe-se lá onde, encher a cara com seus amigos. - o encarei, e naquele momento eu percebi o quanto tudo aquilo me machucava de uma forma fora do normal. E eu não entendia por que eu aceitava.
- Sua vagabunda. - ele falou já bastante nervoso e segurou em meu braço com força - Você acha mesmo que vai me diminuir dessa forma e vai ficar tudo bem? - ele apertava meu braço cada segundo mais, e suas pupilas estavam extremamente dilatadas, o que me deixara bastante assustada.
- E você vai fazer o quê, Matthew? - Sky apareceu na sala, e eu a olhei com um misto de alívio e desespero - Se eu fosse você, eu iria embora dessa casa agora mesmo, porque se você não for, eu vou chamar a polícia. - ela tirou seu telefone do bolso, e o balançou no ar. O que fez com que Matthew me atirasse contra o sofá.
- Isso não vai ficar assim. - encarou Sky por longos segundo e voltou a me encarar - Você é a minha namorada, porra. Você não deveria fazer nada disso. Porque você me destrói em cada uma de suas atitudes ridículas. - seus olhos tornaram-se vermelhos, o que combinou com o tom de sua pele, que já estava bem rubro, provavelmente de raiva.
- Eu estou cansada de você me apedrejar e me machucar o tempo todo e no fim das contas me culpar. - falei com a voz embargada, enquanto acariciava meu braço, que ele havia apertado a ponto de machucar - Eu sempre te perdoo, eu sempre volto atrás, porque eu amo você. Mas dessa vez vai ser diferente. - me levantei, enquanto lágrimas grossas desciam pelo meu rosto, e fui até a porta. Abri a porta e voltei a encará-lo - Acabou, Matthew. Acabou tudo o que a gente tinha. E por mais que agora esteja doendo, é a minha decisão final. - passei a mão pelo rosto, secando as lágrimas que estavam ali e respirei fundo antes de continuar - Eu amo você, mas eu não preciso de você. Vai embora da minha casa. - voltei o meu olhar para fora do apartamento, e notei ele se aproximando.
- Você está cometendo um grande erro. - falou entredentes e saiu porta a fora pisando firme.
Fechei a porta e me encostei contra ela, enquanto lágrimas tomavam o meu rosto. Eu sabia que tinha tomado a decisão certa, mas eu amava Matthew, e aquilo não estava sendo nada fácil. Era o melhor que eu podia fazer por mim, e até mesmo por ele.
- , se acalma. - Sky falou, se abaixando em minha frente e segurando minhas mãos - Eu sei que você o ama, mas ele não merece o seu sofrimento. - ela falava com certo receio, provavelmente por medo de que eu brigasse com ela.
- Se você não estivesse aqui, ele… - falei, mas fui interrompida pelo meu próprio choro. Só de imaginar qualquer possibilidade além, meu corpo já estremecia.
- Não pensa nisso, ok? - ela passou o polegar pelo meu rosto, secando as lágrimas que estavam ali - Você foi extremamente corajosa de colocar um fim nisso. E agora, eu sei que vai doer, mas você vai seguir em frente e vai ser a pessoa mais feliz desse mundo. Seja em um relacionamento, ou não. - o tom de Sky era sincero, e aquilo acalmava meu coração. Saber que eu a tinha ao meu lado, era o melhor que eu poderia querer naquele momento.

Passei o restante do dia tentando ignorar tudo o que estava acontecendo naquele domingo. Sky também parou de ficar lendo o que falavam, pois ela percebeu que toda aquela situação estava acabando comigo. O que antes eu estava achando engraçado, eu só queria que acabasse logo.
Depois que tomei um banho demorado, me deitei em minha cama e finalmente resolvi ligar o meu celular depois de ignorá-lo o dia todo. Respondi algumas mensagens dos meus amigos, e entrei no Twitter para ver o que ainda falavam. Como eu imaginava, ainda estava nos trendings, e eu, como a boa curiosa que sou, entrei para ver o que falavam.

“Vocês podem falar o que vocês quiserem, mas os dois têm uma química imensa. E olha que foram apenas fotos. está completamente rendido por essa garota, e se eles não estão juntos é porque eles ainda não perceberam isso…”

“Já pensou ser fã de alguém por anos e quando conhecer essa pessoa ter um romance com ela? está vivendo um sonho com , e mesmo que vocês não queiram, eu shippo #

Entrei naquela hashtag, com um shipper que eu conhecia bem, afinal de contas, eu já havia shippado meu nome com o do há muito tempo. Eu era uma mera adolescente iludida quando o termo “shippar” ficou famoso na internet, e como a boa fangirl que eu era - e ainda sou -, eu não ficaria de fora dessa história.

“Vocês têm noção que # já existe há alguns anos, porque a própria vivia se shippando com na internet?”

“Nem conheço a , até dei algumas stalkeadas nela, mas que eu já estou shippando #, isso eu não posso negar”

“Pelo amor de Deus, gente! # nem existe, e vocês estão surtando como se eles estivessem se casando. Me poupem”

Rolei a tela algumas vezes, dando risadas com vários tweets, outros eu simplesmente tentei ignorar, levando em consideração a maldade que falavam sobre mim. Tudo o que eu menos precisava naquele momento, era me colocar para baixo por comentários de pessoas que sequer me conheciam.
- É bom ver você rindo assim. Não aguentava mais te ver chorar. - Sky falou, entrando em meu quarto, segurando duas barras de chocolate, e eu a encarei.
- Tem comentários bem engraçados aqui. - mostrei o meu celular e soltei uma risada nasalada, enquanto ela concordava com a cabeça.
- Eu já dei retweet em vários. - deu ombros, me lembrando a fazer uma careta e gargalhar em seguida.
A chamada piscando em minha tela fez meu coração bater um pouco mais acelerado do que o normal. A foto sorridente do homem, que eu idolatrava desde os meus nove anos tomava conta de toda a tela do meu celular e eu pestanejei um pouco antes de atender, mas logo deslizei o dedo pela tela e coloquei o celular na orelha.
- Achei que você nunca mais iria querer falar comigo. - foi a primeira coisa que ele disse, segundos após eu atender a ligação, e eu acabei deixando escapar um sorrisinho idiota. Aquele homem tinha algum poder inexplicável sobre mim.
- Agora você não escapa mais da minha vida, afinal, eu sou a sua namorada. - falei com humor e o som escandaloso de sua risada, acalentou meu coração. Como eu amava aquela risada. Sky me encarava com um sorrisinho idiota, enquanto comia um pedaço de chocolate. E eu já até imaginava o que se passava na cabeça da minha melhor amiga.
- Que bom saber que você está levando isso no humor, porque eu passei o dia todo pensando no que falar para me desculpar por todo esse transtorno, até porque, eu falei para você que não teriam paparazzi. - ele riu fraco, e eu conseguia visualizar claramente a sua feição envergonhada.
- A culpa não foi sua de qualquer forma. Eu sabia dos riscos de alguém ver a gente, afinal, você é , o amado Steve Rogers. Mas eu aceitei sair com você, porque eu realmente precisava de companhia… - fiz uma pequena pausa, e dei um pequeno sorriso - Eu precisava da sua companhia. - falei meio sussurrado e Sky começou a bater palmas e gritar em silêncio, o que me levou a revirar os olhos, enquanto tentava não rir da cena.
- Me sinto honrado em saber disso. - pelo seu tom de voz, eu sabia que ele sorria. Meu coração estava em festa naquele momento de tão acelerado que ele batia - E como você está se sentindo com tudo isso? Eu estava realmente preocupado em como você ficaria com toda essa exposição.
- Eu estou me sentindo estranha. É estranho saber que pessoas do mundo inteiro estão falando da minha vida, sem nem ao menos me conhecer. Algumas inclusive, já estão me condenando sem saber se é verdade toda essa história. - fiz uma careta, mesmo sabendo que ele não conseguia me ver.
- Só lembre-se que você não é nada do que estão dizendo sobre você. - ele falou de uma forma que se eu estivesse ao seu lado, eu certamente o apertaria.
- Demoraram 14 anos da minha vida para entenderem que é real. - falei com humor e mais uma vez ele gargalhou, me levando a fazer o mesmo.
- EU SOU A MAIOR SHIPPER DESSE CASAL E NINGUÉM ME TIRA DESSE POSTO. - Sky gritou alto o suficiente para que escutasse, e eu queria matá-la, mas ele seguiu gargalhando.
- Diz para sua amiga que eu acho que tem alguém que shippa mais do que ela. - ele falou, e por estar entre risadas, eu não sabia se ele falava a verdade. Porém, àquela altura, meu coração não sabia diferenciar verdade de ilusão.
- , eu já falei para você não brincar com o meu coração. - falei, tentando não me mostrar afetada com o que ele disse, mas era impossível fingir, enquanto Sky me encarava curiosa.
- Quem disse que eu estou brincando? - ele falou, mas dessa vez parecia sério. Eu fiquei esperando a risada, mas ela não veio - Como seu namorado reagiu com as notícias? - ele perguntou depois de um tempo, e só então eu percebi que havia ficado quieta por longos segundos.
- Vou resumir tudo dizendo que ele foi promovido a meu ex-namorado. - falei, e aquilo ao mesmo tempo que me trazia um pequeno aperto no peito, me deixava aliviada.
- Eu sinto muito, não queria estragar o namoro de vocês. - ele falou com certo receio, e eu suspirei.
- Se alguém tem culpa nessa história, esse alguém é o próprio Matthew. Eu não terminei por causa dos rumores de nós dois, mas sim, pela forma com que ele reagiu a isso. Foi apenas o ápice, depois de tudo o que já aconteceu em nosso relacionamento. - expliquei, e Sky mexia no celular, mas eu sabia que ela estava alheia a tudo o que eu dizia - Depois da minha última conversa com Amélia, eu sentia que só estava adiando o fim. - não precisava saber dos detalhes do meu término, já bastava Sky ter presenciado aquilo, eu não queria que ele pensasse algo errado.
- Eu espero que você fique bem. Tenho certeza de que você escolheu a melhor opção para você e no fim, tudo isso fará algum sentido. - ele falou terno, e eu sorri, mesmo que falar daquilo me fizesse querer chorar - Se em qualquer momento você precisar de um ombro amigo, saiba que eu estarei aqui.
- Quando eu te disse que você era o meu ponto de paz, e que você resolvia metade dos meus problemas só por existir, eu não estava exagerando. É muito bom ser sua fã, . E eu sempre irei me orgulhar de falar isso. - fechei os olhos, evitando o olhar de Sky sobre mim. Ela estava adorando tudo aquilo e nem tentava mais esconder.
- Eu não sou mais apenas seu ídolo, quero me veja como um amigo. - ele falou, e foi inevitável não sorrir.
tinha aquela influência sobre mim e, mesmo depois de conhecê-lo há algum tempo, eu me sentia a mesma garota boba e apaixonada por ele. Mas algo dentro de mim se acendia toda vez que conversávamos, e mais ainda quando nos víamos. Nem nos meus melhores sonhos, eu poderia imaginar que teria tanta conexão com como eu estava tendo.

(...)
Quando cheguei ao lago naquela manhã, não se encontrava ali ainda. Sentei-me debaixo de uma árvore, enquanto observava Vênus pastar em volta do lado.
Abri o livro e voltei a lê-lo da parte na qual havia parado na noite anterior. Ainda que eu já tivesse lido aquela história inúmeras vezes, aquele exemplar em si, tinha uma extrema importância para mim, pois, era o livro que eu havia ganhado de . E em todas as manhãs antes de me levantar da minha cama e todas as noites antes de dormir, eu lia a primeira página, com a mais bela das declarações que recebi em toda a minha vida.

“Mal a antiga paixão agonizava e o novo amor já quer o lugar dela; A bela por quem ontem se matava junto a Julieta nem sequer é bela. Agora amado, ama outra vez Romeu, ambos presos do aspecto exterior; Ele leva à inimiga o pranto seu e ela tira do ódio doce amor. Inimigo, a Romeu fica vedado fazer as juras naturais do amor, e a ela, apaixonada, não é dada Ir encontrá-lo, seja onde for. Mas a paixão, à força, os faz vencer, temperando o perigo com o prazer”.

Após ler aquela cena, meu coração saltitava de emoção, e era desta mesma forma sempre que eu relia aquele livro, desde a primeira vez que eu o lera. Romeu e Julieta era uma de minhas obras favoritas, a primeira que eu lera na vida, logo que completei os meus 15 anos.
Lembro-me do desespero de meu pai, quando me encontrou sentada debaixo da mesa da cozinha, ao tardar da noite, lendo aquele livro. Ele dizia que não havia criado uma filha para agir como uma estranha, uma dessas mulheres que se preocupavam mais em ser como os homens, do que tê-los em sua vida. E certamente, eu era como essas mulheres. Nunca quis um homem em minha vida, pelo menos não até aquele momento.
fazia eu me sentir viva. E ele era completamente diferente dos outros, ele sempre deixou claro o quanto era encantado com o meu apego pela leitura. Qualquer outro homem ali, achava aquilo uma grande tolice, porque, para eles, mulheres vieram a esse mundo para cuidar da casa, gerar os filhos e ser a dona de casa perfeita. Qualquer coisa fora disso, era um enorme absurdo, principalmente quando se era a filha de um duque.
Eu nunca quis nenhuma daquelas coisas. Eu não sonhava com o casamento perfeito e um título de esposa dedicada. Eu queria mesmo era estudar, ler todos os livros possíveis, sejam romances Shakespearianos ou não. Eu queria poder desbravar o mundo, e viver aventuras além das paredes do palácio.
- Seria indelicado da minha parte questionar-te sobre o que estás pensando? - a voz de tirou-me de meu transe sobre a vida, e fez com que eu abrisse o mais verdadeiro dos sorrisos.
- Reflito sobre a vida, e sobre como eu queria que tudo isso fosse diferente. - suspirei, enquanto fechava o livro. Era realmente o que eu desejava.
- Eu também desejava isso arduamente, entretanto, hoje eu não mudaria nada. Visto que, sem esses preceitos da vida, eu nunca conheceria a mais encantadora das mulheres. - seu tom galanteador foi se tornando mais próximo, à medida que ele caminhava em minha direção.
- O senhor sempre será o cavalheiro mais encantador que tive o prazer de conhecer. - era inevitável o meu sorriso naquele momento.
- Até o mais encantador dos cavalheiros comete erros. - ele ajoelhou-se em minha frente e tirou uma rosa branca do bolso de seu paletó - Perdoe-me pelo meu atraso. Perdi-me nos devaneios dos meus sonhos com a senhorita. - seus olhos azuis, feito duas belas safiras, me encaravam de uma forma que podiam despir a minha alma.
- Eu lhe perdoo, entretanto, como forma de se redimir, quero que sentes ao meu lado e deixes que eu recite um pouco dessa história para você. - peguei a flor em sua mão, e apontei para o livro, o levando a abrir um sorriso cativante.
- Afirmo-lhe que essa provavelmente será a melhor das leituras de toda a minha vida. - ele se ajeitou ao meu lado.
Após direcionar um sorriso para o cavalheiro ao meu lado, eu abri novamente o livro e comecei a recitar cada uma das palavras de Shakespeare. E certamente, aquela foi a melhor leitura da minha vida em anos. Pela primeira vez, eu pude ler para alguém sem qualquer julgamento, mas com muita admiração.
(...)

Quando acordei naquela manhã, eu tinha a sensação de que todos os problemas do dia anterior haviam se esvaído da minha vida. Eu sabia que ainda precisaria enfrentar todas as consequências que me cercariam, porém, após aquele sonho, eu me sentia radiante.
Olhei para Sky, que dormia pesadamente ao meu lado, me sentei na cama e peguei o meu caderninho na cabeceira, onde o encontrei junto com o porta-retrato com a minha foto junto a . A tirei dali e a encarei por alguns segundos, imaginando toda aquela história que eu estava vivendo.
Eu sempre sonhei em conhecê-lo, mas nunca pensei que tivéssemos alguma ligação. Tudo bem que às vezes eu fanficava fortemente, achando que eu me casaria com o e teríamos uma família enorme, porém, aquilo era apenas imaginação de uma adolescente que cresceu no mundo das fanfics. Eu e éramos amigos, mas não era qualquer amizade, eu sentia uma conexão estranha e bastante forte entre nós dois.
- Se você continuar sorrindo assim, vai terminar o dia com dor no maxilar. - Sky falou com a voz rouca, e eu acabei deixando escapar uma risada.
- Acordou com um ótimo humor. - cerrei os olhos, e ela passou as mãos pelo rosto, enquanto bocejava.
- Pelo visto você também. - ela falou tomando o porta-retrato da minha mão, e abriu um sorrisinho travesso encarando a foto que estava ali - É claro que o tinha alguma coisa a ver com isso. - ela soltou uma risada baixa e eu revirei os olhos, enquanto um sorriso brincava em meus lábios.
- Eu, mais uma vez, sonhei com ele. - falei, enquanto abria o caderninho para começar a descrever o meu sonho ali e Sky me olhou com uma feição de obviedade - Eu tenho um sentimento muito estranho depois de cada um desses sonhos, e tudo isso fica mais forte quando eu estou perto do . - expliquei, mas sem olhar para a minha amiga, eu sabia que ela me encarava.
- Vai ver vocês são almas gêmeas, e é isso que os sonhos querem dizer. - ela falou com certo humor, enquanto se levantava da cama e deixava a foto ali sobre colchão. Eu soltei uma risada fraca e encarei minha amiga a caminhar para o banheiro e se trancar lá dentro em seguida.
Escrevi o sonho detalhadamente no caderninho e, na medida em que escrevia, meu coração parecia que explodiria de tão rápido que ele batia. Pensei no que Sky falou, talvez fosse algum sinal vindo dos meus sonhos, mas não fazia o menor sentido eu e sermos almas gêmeas.
Ou talvez fizesse.

Acabei de me arrumar, peguei a minha bolsa, o celular e a chave do meu carro. Eu e Sky descemos para o estacionamento do meu prédio e nos despedimos, indo cada uma para seu carro, para seguir para nossos trabalhos.
O caminho até a revista foi um pouco demorado, era bem difícil não pegar trânsito nas manhãs de segundas, nem mesmo em Los Angeles estávamos livres desse caos. Quando cheguei, estacionei o carro, peguei as minhas coisas e subi direto para o andar da redação.
No momento em que entrei, todo mundo parou para me olhar. Eu me sentia nua com tantos olhares sobre mim, e eu sabia o porquê de aquilo estar acontecendo. Tentei ignorar todos os olhares, e fui direto para minha mesa, recebendo olhares curiosos de Ash e Tyler.
- , você pode me acompanhar até a minha sala? - Hannah apareceu ali, quase no mesmo segundo em que eu coloquei minhas coisas sobre a mesa. Os olhares de Ty e Ash se direcionaram para nossa chefe, que beirava a apreensão. Apenas assenti e logo a segui para a sua sala.
- Hannah, eu já até sei sobre o que você quer falar, inclusive, eu já esperava por isso depois de tantos olhares desde que eu pisei aqui. - soltei uma risada fraca, enquanto ela encostava a porta de sua sala. Eu tentava me manter calma, mas minhas pernas estavam bambas, meu estômago embrulhava e eu sentia que podia cair dura a qualquer segundo. Maldita seja a ansiedade. - Eu juro para você que nenhuma daquelas notícias são reais. As fotos foram completamente distorcidas do que realmente aconteceu, e… - eu tentava me explicar, enquanto gesticulava nervosamente, mas ela me interrompeu.
- , se acalma. - ela segurou em meu ombro, e me guiou até o sofá de sua sala, onde ela basicamente me obrigou a sentar - Eu te chamei aqui porque jornalistas de fofoca, de todo o mundo, não param de me ligar para falar sobre você. Eu não faço ideia do porquê de tanto alvoroço, mas eles querem saber com exclusividade sobre o seu relacionamento com o . - ela explicou, enquanto me entregava um copo de água, provavelmente porque ela notou que eu estava extremamente nervosa.
- Nem existe um relacionamento. Nós saímos apenas como bons amigos. - falei entre um gole e outro da água.
- Hannah, posso entrar? - Ash falou, colocando apenas a cabeça para dentro da porta, mas era possível vê-la por completo através do vidro, e ela segurava um buquê de flores. - , isso aqui chegou para você. - ela passou para dentro quando Hannah permitiu sua entrada, com o discreto buquê de rosas brancas.
- Provavelmente foi algum jornalista querendo te agradar para conseguir uma entrevista. - Hannah sugeriu e eu apenas concordei com a cabeça encarando o buquê e pensando numa segunda possibilidade. Aquilo não era tão coincidência que nunca seria real, ou pelo menos eu achava que não.
- Tem um cartão. - Ash tirou o cartão, embalado em um pequeno envelope amarelo pastel e me entregou.
Abri o envelope e tirei de lá o pequeno cartão dobrável, e antes mesmo de ler, as borboletas em meu estômago fizeram festa com a assinatura no canto inferior direito do cartão.

“Te envio essas flores como um pedido de desculpas por todo o ocorrido ontem. Eu juro que por mais que eu imaginasse essa possibilidade, eu achava que não aconteceria, pelo menos não dessa forma.
Xx

- Pela sua cara de boba e o brilho no seu olhar, eu acho que não foi nenhum jornalista. - Ash falou tirando minha atenção do cartão e eu soltei uma risada nasalada - Para quem não tem nada além de amizade, isso tudo é meio suspeito. - ela fez uma careta travessa, enquanto encarava o buquê, ainda em suas mãos.
- Nós realmente não temos nada. só é um cara incrível que me enviou flores para se desculpar pelo transtorno causado pelos paparazzi. - expliquei e voltei a encarar o cartão. - Sem contar que, o transtorno foi tão grande, que até o meu namoro ele afetou. Agora eu sou uma mulher solteira novamente. - falei sem conseguir olhar para nenhuma das duas. Era estranho falar aquilo depois de tanto tempo com Matt.
- Você e Matthew terminaram? - Ash falou, empurrando as flores em minha direção e se sentou ao meu lado no sofá assim que eu peguei o buquê.
- Ontem foi a gota d'água, não deu mais para continuar. - suspirei, enquanto passava o dedo sobre a pétala de uma das rosas.
- Eu sei que terminar um namoro não é nada fácil, se você precisar, pode contar comigo. - Hannah falou de forma terna, e eu lhe respondi com um sorriso sincero. Ela não era apenas minha chefe, mas uma irmã mais velha que a The Journal havia me dado.
- , olha, eu sinto muito, mas você e Matthew não estavam vivendo um relacionamento saudável há algum tempo. - Ash falou com sinceridade, e eu apenas a olhei esperando que ela continuasse - Você mudou completamente de um tempo para cá. Você não sai mais com a gente e parece viver sempre esperando a aprovação do Matthew para tudo. Você é a minha única amiga que não conhece a minha namorada. - ela falava com certo receio, mas parecia chateada, e aquilo me atingiu como uma bala no meu peito. - Quando eu conheci você, você era a pessoa mais radiante do mundo. Você saía com a gente, pelo menos uma vez na semana. Você se vestia com segurança e não esperava a aprovação de ninguém para nada. - ela deu um pequeno sorriso, mas eu queria apenas chorar ao escutar tudo aquilo - Eu sei que essa ainda está aí, porque ela voltou a aparecer, pelo menos um pouco, quando entrou na sua vida. Ela só estava presa em um relacionamento tóxico. - ela falou a última parte um pouco baixa, e Hannah segurou em minha mão, mostrando que ela estava ali comigo. Ela provavelmente percebeu o peso que aquela conversa estava tendo para mim. - Eu quero ver você bem. Quero ver você sorrindo verdadeiramente, sabendo que você está realmente feliz. - ela passou a mão pelo meu rosto, secando uma lágrima que eu sequer notei cair - Eu sei que tudo isso parece muito difícil agora, mas você vai passar por isso e entender que eu, Sky, Tyler, Hannah e todos os que viram você passar por isso, só queremos o seu bem. Nós só queremos te ver feliz.
- Eu quero conhecer a sua namorada. - foi a única coisa que eu consegui falar depois de ouvir tudo aquilo.
Eu não fazia a menor ideia do que eu deveria dizer ou fazer naquele momento, mas parecia que eu havia tomado um choque de realidade e, como num passe de mágica, eu passei a enxergar muita coisa que eu não estava entendendo antes. Eu sabia que mais do que nunca, naquele momento eu precisava continuar minha terapia com Amélia, e ficar perto de pessoas que queriam o meu bem. Eu nunca havia notado que havia mudado tanto nos últimos meses e, se eu continuasse com Matthew, provavelmente eu mudaria ainda mais.




Continua...



Nota da autora: Oi, chuchus, como estão?
Peço perdão pela demora com o capítulo, porque esse fim de semestre me surtou completamente. Eu acabei de passar para o último período da faculdade, e estou com a ansiedade a mil, planejando mil e uma coisas. Fora que eu tenho trabalhado tanto, que não estou tendo tempo de nada. Mas aqui estou eu com esse capítulo bem focado nos nossos pp’s.
Eu queria dizer que esse final foi tão intenso, que foi até difícil escrever. Não é nada fácil saber que você está dentro de um relacionamento abusivo, e eu tenho tentado mostrar isso na evolução da pp. E preciso dizer, GRAÇAS A DEUS O NAMORO ACABOU! EU NÃO VIA A HORA DISSO ACONTECER.
Espero que vocês tenham gostado do capítulo, e logo eu venho com mais atualizações para vocês.
E por último, eu quero agradecer por todo o carinho de vocês nos comentários. Vocês são incríveis! ♥

Beijooooos ♥

XxDebs

Ei, leitoras, vem cá! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso para você deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.




Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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