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Última atualização: 13/09/2021

Capítulo 1



(Broken (feat. Amy Lee) -Seether)


Eu estava chegando em casa depois de uma longa caminhada e lá estava minha mãe sentada na escadinha que leva para a porta da nossa casa, ela estava linda com seus cabelos soltos, estava vestida com um vestido longo e florido com fendas, aquela típica roupa que ela usava em seus dias folga. Estava segurando uma caneca e havia outra caneca do seu lado, no chão, ela sorriu e os seus olhos brilharam quando me viu.

- Filha, eu estava te esperando! - ela disse enquanto pegava a caneca que estava no chão e estendia para mim - Aqui o seu chocolate quente favorito, vem sentar comigo! - pediu com o sorriso mais lindo do mundo.
- Nossa, que surpresa você chegar cedo em casa, mãe! - peguei a caneca de sua mão, joguei a mochila do meu lado e me sentei com ela.
- Eu precisava ver você, filha, precisava saber que estava bem! - ela virou o meu rosto em sua direção e sorriu triste.
- Qual é, mãe, eu estava na escola, eu estou bem... - respondi vendo os olhos dela marejarem, comecei a me preocupar - Você está bem?
- Vou ficar, querida! - ela acariciou o meu rosto e depois meu cabelo - Me prometa que nunca vai deixar suas emoções decidirem as coisas por você?
- Não posso prometer isso, mãe, você me conhece... - respondi honestamente - Mas por que está falando assim? Para, mãe! - eu coloquei a minha mão sobre a dela.
- Eu te amo tanto, , eu daria a minha vida por você! - lágrimas começaram a cair em seu rosto - Seja sábia e não esqueça de usar o seu coração às vezes! - ela deu um beijo na minha testa.
- Mãe, pare com isso, você está me assustando! - eu fechei os olhos com o seu carinho - Por favor, para com essa conversa! - eu me afastei e quando olhe para ela, a vi sorrindo e todo o seu corpo se desintegrando e virando cinzas na minha frente.
- MÃEEE! MÃEE O QUE ESTÁ ACONTECENDO? - comecei a tentar tocar nela e chorar involuntariamente enquanto somente cinzas ficavam em minhas mãos - MEU DEUS, SOCORRO! MÃE NÃAAO! ALGUÉM ME AJUDA! - quando vi, eu estava caída de joelhos no chão desesperada e ninguém vinha me ajudar, as pessoas passavam por nós e não nos olhavam e não diziam nada. - MÃEEEEEEEE! - gritei com toda a minha força em meio às lágrimas.

Acordei assustada e chorando, olhei para os lados e me vi deitada em uma cama imensa, eu estava com a mesma roupa que eu havia ido para a escola ontem. Observei novamente o lugar onde eu estava e não reconheci o lugar, o que começou a me deixar preocupada e com mais vontade de chorar. Eu me levantei devagar da cama limpando os olhos, senti o chão negro e gelado sob os meus pés descalços, não havia barulho ou vozes, tudo estava silencioso.
Comecei a analisar o lugar ainda em silêncio, tentando lembrar onde eu estava. Era um quarto grande, com as paredes brancas e grandes janelas de vidro cobertas com uma cortina verde escura. Havia duas portas grandes e brancas de correr embutidas na parede, supus que fosse um closet, eu abri e me deparei com uma extensão de um quarto, eu entrei e vi os cabides e prateleiras cheios de ternos, camisas sociais, calças e sapatos masculinos. Ao ver aquele lugar, lágrimas rolaram no meu rosto e eu lembrei o motivo de eu estar naquele ali e principalmente, quem havia me levado para aquele lugar.
Eu saí do closet, fechei as portas e me joguei de bruços na cama, chorei como se eu fosse uma criança perdida sem a mãe. Ah é, eu era uma criança perdida e sem a mãe agora. Eu me deitei em posição fetal e deixei as lágrimas caírem, fiquei lembrando os últimos acontecimentos da minha vida. Conheci Brooklyn, me afastei de Matt, passei a não ouvir as coisas que Samantha e Mark me diziam, me envolvi demais com Brooklyn, deixei ele entrar na minha casa, na minha vida, mesmo todos me alertando sobre isso, minha mãe saiu para trabalhar em um fim de semana e passou quatro dias sumida e sem dar notícias, tentei chamar a polícia, mas Brooklyn me impede e é agressivo comigo, aí na manhã seguinte ele não atende as ligações e nem aparece na minha casa. Tio Rick aparece acompanhado de um homem vestido de preto que diz ser meu pai e que provavelmente é o culpado do sumiço da minha mãe, ele me obriga a ir embora com ele e ainda por cima bate em Kyle que tenta impedir que isso aconteça, e isso é a última coisa que lembro.
Me virei de barriga para cima e passei a analisar o teto, que também era branco igual a neve. Eu estava tão concentrada nos meus pensamentos e no fato de a minha vida ter se transformado em um inferno que mal notei que vozes quebraram o silêncio do lugar. Eu me sentei rapidamente e olhei para a porta branca, que estava fechada e era de onde as vozes vinham. Eu saí da cama silenciosamente e fui em direção a porta, encostei o ouvido na parede ao lado da porta para escutar melhor o que falavam…

- Eu não sei por que nos submetemos a isso sinceramente. Eu não sou babá! - disse uma voz masculina e irritada.
- Você é o que mais tem motivos para fazer isso, ! - respondeu uma voz feminina impaciente
- Você conseguiu ser filho da puta o suficiente para sumir com a arma preferida do cara e ainda dar um tiro no painel do carro dele, enquanto estava bêbado porra! - disse outra voz masculina e impaciente.
- CARALHO! - a primeira voz, acredito ser do tal xingou alto - Eu estava bêbado e já paguei pelos danos! - disse ainda irritado.
- Cala a porra da boca e sai de perto de mim, ! - disse a voz feminina impaciente – E, , vamos aproveitar para atualizar os códigos que o Davies pediu, quero agilizar isso logo!
- Certo, , eu vou calar a minha boca e limpar a minha arma bem longe de você! - respondeu enquanto passava perto da porta do quarto onde eu estava. Prendi a respiração e fechei os olhos achando que ele entraria, mas nada aconteceu.
- Cara, aproveita e limpa a minha, já que tudo isso aqui é culpa sua! - o que eu suponho ser o disse também passando perto da porta.
- Quero que vocês dois se fodam, na boa! - respondeu respirando fundo - Me dá essa porra aqui logo e saí!
Eu respirei fundo, olhei para as cortinas e me afastei da porta indo em direção às janelas, eu tentei abrir as cortinas, mas não consegui, provavelmente elas era ativadas por controle, vi outra porta branca do outro lado do quarto, ao lado de uma mesa branca, que continha somente uns livros sobre leis jurídicas e afins, passei pela mesa e me direcionei à porta esperando que fosse um banheiro e eu acertei. Assim que entrei no lugar, vi que tudo era muito branco, luxuoso e organizado, havia apenas alguns detalhes em dourado, como as torneiras e ganchos de toalha, havia até mesmo uma banheira com jatos dentro do banheiro, eu definitivamente merecia um banho naquela banheira, mas não agora. Olhei-me no enorme espelho que estava na parede sobre o balcão da pia e vi a imagem de uma que eu não conhecia, meus olhos estavam inchados, meu rímel borrado de tanto chorar, meus cabelos que eu tanto cuidava estavam desarrumados e embaraçados, eu estava horrível. Mas se eu precisava sair daquele quarto para saber quem era esse povo e onde eu estava, então eu precisava me ajeitar pelo menos, pois como minha mãe sempre disse “Independente de quem seja, esteja apresentável”.
Joguei água no meu rosto, limpei a maquiagem borrada, abri uma das gavetas do balcão da pia à procura de sabonetes e produtos de higiene, achei alguns sabonetes embrulhados em pequenos pacotinhos, achei escovas e pastas todas lacradas também, peguei o que eu precisava, abri as portinhas abaixo das gavetas e vi várias toalhas dobradas igualmente, peguei uma delas também. Fiz minha higiene pessoal, penteei o meu cabelo e o desembaracei, olhei novamente e vi uma natural e com cara de choro, seria o máximo que conseguiria para meu estado emocional. Saí do banheiro, olhei para as minhas roupas novamente - eu estava com uma calça jeans justa e uma regata preta sem estampa - e concordei que também estava condizente com o meu humor. Olhei ao redor do quarto à procura de meu celular ou de meus sapatos e não achei nada, somente um carpete preto em volta da cama que eu ainda não havia notado. Respirei fundo, fechei os meus olhos e coloquei a mão sobre minha testa empurrando os cabelos para trás e querendo chorar de novo.

- Eu não posso chorar! - disse para mim mesma sussurrando - Eu preciso ser forte e enfrentar isso! - arrumei a minha postura como se eu fosse para a guerra.

Fui em direção à porta do quarto novamente, dessa vez ouvi vozes diferentes, parecia que a TV estava ligada, mas ninguém estava conversando, só barulho de alguma coisa sendo desmontada e de um programa qualquer sendo assistido. Coloquei a mão na maçaneta que também era dourada e girei devagar, abri a porta sem fazer barulho. Quando saí para fora do quarto, vi um cara sentado em um longo sofá negro, atrás dele havia uma janela de vidro imensa que não estava tampada por cortinas e dava acesso à vista de toda uma cidade, fiquei paralisada com a claridade que não notei dois olhos grandes e avelãs me encarando atrás da tela de um MacBook que estava na mesinha em frente ao sofá, me assustei de leve e olhei para o resto da sala ainda em silêncio, no outro sofá menor que estava na frente da mesinha e do outro sofá havia uma moça com um cabelo meio loiro acobreado, que também estava me encarando com curiosidade atrás da tela de seu MacBook e, por último, vi um cara atrás do balcão da cozinha, ele estava com uma arma na mão e me encarando friamente. Eu controlei a minha respiração e joguei meu cabelo para trás novamente.

- Certo, quem são vocês e onde está o Michael? - perguntei firme e sem rodeios
- Ui, ui, ui, ela é brava ela! - o cara no balcão disse zombando
- Sendo filha de quem é... Nem surpreende! - o cara no sofá continuou rindo.
- Calem a boca vocês dois! - a moça disse alto enquanto se levantava do sofá e vinha em minha direção com a mão estendida, ela era muito bonita, vestia uma calça jeans justa e uma blusa fina com mangas longas na cor verde escuro, o que realçava a cor dos seus cabelos – , não é? Sou a Hughes, mas pode me chamar de !
- ! - respondi seca enquanto a cumprimentava
- , esses são Williams - apontou para o cara no sofá que levantou a mão acenando, este estava todo de preto, tanto a calça como a camiseta - E esse idiota é o meu irmão, Hughes! - apontou para o cara no balcão, que estava vestido com roupas escuras também, mas vestia uma jaqueta de couro marrom por cima, ele nos encarava com desdém enquanto passava um paninho no que parecia coldre de uma arma. - Nós viemos trazer algumas peças de roupas e fazer companhia até o seu pai chegar. - ela disse me entregando alguns pacotes que eu ignorei.

-- Ele não é meu pai! - a interrompi sem emoção - Que lugar é esse? Que cidade é essa? - saí do lugar onde eu estava e comecei a andar pelo que parecia ser uma sala de estar, vi que havia uma mesa redonda e pequena rodeada por quatro cadeiras brancas e almofadadas em frente a enorme janela, uma outra mesa estreita no canto da parede com alguns papéis e pastas em cima, do outro lado da sala havia uma lareira elétrica também preta, logo acima tinha uma enorme TV ligada no volume baixo em algum canal de esportes, me aproximei da enorme janela e observei a vista da cidade, foi quando avistei a tão sonhada roda gigante, lá estava o London Eye girando devagar, provavelmente cheio de turistas, senti meus olhos marejarem e falei baixo - Estamos em Londres!

- Olha só, ela até que é inteligente também... - disse enquanto se aproximava de onde eu estava, eu limpei os meus olhos e o ignorei impaciente me afastando da janela.
- Michael mora aqui? - perguntei para os outros dois que haviam voltado a atenção para os seus MacBooks
- Sim, ele mora! - me respondeu sem tirar os olhos da tela - Acho melhor comer alguma coisa, já faz horas que não come nada, ! - ela disse enquanto eu me aproximava do balcão do que parecia ser uma cozinha.
- Não estou com fome! - respondi seca
- Posso comer o lanche dela sem problemas... - disse olhando em direção a .
- Não, ela precisa comer! - ela respondeu firme - Ou o efeito do sedativo vai acabar desidratando ela!
- Então quer dizer que eu fui sedada? - mordi o lábio inferior com raiva - Filho da puta, é por isso que eu não me lembro de porra nenhuma. - bufei pisando duro enquanto ainda analisava o lugar.
Eu passei pelo balcão e entrei na cozinha extremamente luxuosa e planejada do apartamento, olhei para tudo tão organizado, observei a geladeira metalizada e os outros eletrodomésticos também, me lembrei que minha casa nunca havia ficado tão organizada na vida, minha mãe não tinha esse dom e eu havia herdado isso dela pelo jeito. Vi uma embalagem com sanduíche dentro e um copo gigante do Starbucks exalando o cheiro de café, fechei os olhos e inalei aquele cheiro para dentro da minha alma, foi quando o meu estômago deu sinal de vida, eu coloquei a mão na barriga com medo de terem escutado, olhei para os outros e vi sentado do outro lado do balcão me analisando.
- COME! - ele disse alto
- NÃO! - respondi no mesmo tom o encarando de braços cruzados.
- Beleza, se não comer, não te respondemos mais nada! - ele disse firme, olhei para os outros que nos olhavam receosos.
- Onde está o Michael? - perguntei firme para todos.
e voltaram os olhos tranquilamente para o que estavam fazendo sem falar nada, me encarava com as sobrancelhas levantadas em silêncio.
- Mas que porra... - peguei a embalagem com o lanche e o café e saí irritada para a mesa em frente a enorme janela, me sentei e comecei a comer enquanto admirava a terra da rainha. Senti alguém se aproximar e se sentar na minha frente.
- Mike está em reunião! - respondeu enquanto acendia um cigarro e olhava para a vista, eu o encarei sem acreditar no que eu estava vendo.
- EU TO COMENDO AQUI PORRA! - disse alto e indignada - APAGA ESSA MERDA FEDORENTA! - pedi aos gritos enquanto ele me encarava atônito.
- FODA-SE! - ele tirou o cigarro da boca e respondeu no mesmo tom - LIDE COM ISSO!
- , não… - pediu pesarosa para o irmão.
- Cara, hoje não, é sério... - disse com a mão na testa sem olhar para o amigo.
- Ela quem lide com isso! - finalizou tragando o seu cigarro
- VOCÊ É UM IDIOTA! - continuei a comer sem sair do lugar, tomei um gole do meu café e fiquei pensando sobre o fato de ter uma arma, não havia me importado antes, mas agora que veio à tona, fiquei curiosa - Por que você tem uma arma? Ou melhor, vocês? - lembrei que deu a dele para limpar, pelo menos parecia pelo que eu tinha ouvido atrás da porta.
- O que? Você está de brincadeira, né? - ele me encarou e perguntou enquanto amassava o seu cigarro com os dedos, olhou indignado para a irmã no sofá - É brincadeira isso né? Ela não sabe? - ele se levantou e foi em direção ao sofá me ignorando
- Não sei o que? - me levantei o seguindo - Do que estão falando?
- , ela não sabe... - respondeu
- E não acho que seria uma boa ideia falarmos qualquer coisa antes do Mike. - completou fechando o seu MacBook e nos encarando.
- Eu quero saber agora! - falei firme, todos se entreolharam e nada disseram.
que estava em pé ao meu lado se afastou alguns centímetros, tirou a arma da parte traseira de sua calça e a apontou direcionada para mim.
- Você já viu alguma arma na vida? - ele perguntou frio e irônico
Eu vi aquela arma apontada na minha direção, fechei os meus olhos para controlar a minha respiração, levantei as mãos em rendimento, me aproximei devagar e rapidamente agarrei o pulso de com a minha mão direita e torci o mesmo para o outro lado da sala, o virei e o derrubei ainda segurando o seu pulso, forcei o seu pulso no chão com meu pé e tomei a arma de sua mão, destravei rapidamente e apontei para , que me encarou assustado.
- VOCÊ É LOUCA? - gritou em pânico - ALGUÉM TIRA A ARMA DESSA MALUCA DO CARALHO PELO AMOR DE DEUS!
- , por favor, me entrega a arma! - se levantou nervosa vindo em minha direção.
- VOCÊS NÃO ME FALAM NADA, EU ODEIO FICAR NO ESCURO SOBRE AS COISAS, EU ODEIO ESSE LUGAR! - respondi chorando de raiva - EU SÓ QUERO A MINHA MÃE PORRA!
- me entrega a arma, se acalma, vamos conversar! - vi se aproximar devagar, arrumei a minha postura e firmei a arma em direção ao rosto de .
- ALGUÉM FAZ ALGUMA COISA, PORRA! - gritou ele ainda no chão sem se mover
- , larga a arma! - uma voz autoritária disse atrás de mim, eu semicerrei os olhos com raiva sabendo de quem era a voz e respirei fundo.
- Por que eu faria isso papai? - perguntei irônica enquanto ainda encarava um assustado olhando em minha direção.
- , LARGA A PORRA DA ARMA! - Michael disse outra vez, em um tom mais irritado e alto.
Eu me aproximo de devagar, ainda com a arma apontada para o rosto dele.
- Aponta essa merda de novo para mim e eu te mostro do que eu sou capaz… - digo baixo para que só ele ouvisse, travo a arma novamente e a jogo com cuidado em cima de seu peito - Otário! - me viro devagar em direção aos outros e os encontro em pé atrás de Michael, ambos me encarando com os olhos assustados.
- Onde aprendeu a fazer isso? - me perguntou enquanto passava por mim e se aproximava para ajudar o amigo.
- Eu faço defesa pessoal desde pequena...Ou fazia, né?! - respondi sem emoção, sentindo minhas mãos tremerem por conta da adrenalina enquanto me sentava no sofá sob o olhar irritado de Michael
- Você foi tão rápida... Já passou por isso antes? Digo, com a arma e tals... - me perguntou enquanto se sentava ao meu lado e apertava a mão dela contra a minha tentando me acalmar.
- Não, nunca, só em treino mesmo! - respondi controlando a minha respiração enquanto observava Michael se servir de alguma bebida no barzinho da parede que eu não havia reparado antes.
- Você é maluca garota! - disse guardando a sua arma indignado. - Se ela fizer isso comigo de novo, eu atiro nela, Mike! - disse enquanto encarava o meu pai indignado.
- Experimenta fazer isso se tiver coragem... - Mike respondeu calmamente sem tirar os olhos de sua bebida.
- Você perdeu a arma para uma garota de 17 anos, cara, não fala nada não! - enfatizou alto
- Isso é verdade… - Michael concordou querendo rir enquanto se sentava no sofá em minha frente.
- Eu não vou me estressar com vocês hoje! - disse irritado e saiu do apartamento sem se despedir ou olhar para trás.
- Acho que já podemos ir, então… - me olhou solidária e juntou as suas coisas que estavam na mesinha e colocou em sua bolsa.
- Sim, acho melhor irmos para o Davies. - concordou pegando seu computador e se levantando
- Obrigado por hoje! - Michael disse.
- Nos liga qualquer coisa, Mike! - disse enquanto fechava a porta do apartamento com em seu encalço. - Bom te conhecer, !
- Pode deixar que ligo! - ele respondeu enquanto dava um gole em sua bebida. Eu apenas assenti o encarando. - Então, precisamos conversar!
- Sim, nós precisamos... Mas eu vou precisar de uma bebida antes! - assenti me levantando e indo em direção ao bar sem ao menos ver a reação dele.
- Certo! - ele respondeu me observando.



Coloquei algumas pedras de gelo em um copo, enchi até a metade de whisky e tomei um gole com vontade, fechei os meus olhos sentindo o líquido amadeirado descer queimando em minha garganta, senti o meu corpo queimar e se revigorar, eu precisava disso agora, mais do que tudo. Virei-me e voltei para o sofá onde eu estava sentada, ainda com a bebida em minhas mãos, eu me sentei de frente para Michael, apertei os lábios em uma linha fina e o encarei com ódio.
- O que aconteceu com a minha mãe? - perguntei sem rodeios - E, por favor, se algum dia se importou comigo ou com ela, seja honesto! - finalizei tomando mais um gole da bebida.
- Você quer realmente saber? - ele perguntou calmamente e me encarando friamente.
- Eu preciso saber, é o meu direito... - respondi indignada - Sinto que estão me escondendo coisas e eu não gosto disso! - finalizei ríspida e cerrando os dentes, ele se levantou e foi até a enorme janela atrás do sofá, olhou para a vista e tomou mais um gole de sua bebida.
- , se eu for realmente honesto com você sobre tudo o que está acontecendo, não tem mais volta! - ele disse pensativo sem olhar para mim - Você tem certeza do que quer?
- Se for para salvar a vida da minha mãe, eu estou disposta a fazer qualquer coisa, Michael! - respondi ofegante e sem hesitar.
Desde quando eu o vi pela primeira vez em minha casa, eu sabia que ele escondia algo, eu senti que não era algo bom, não iria fazer bem para mim saber ou conhecer ele. Como eu me arrependo de ter desejado isso. Mas agora se tratava da minha mãe, da vida dela, e eu faria qualquer coisa por ela, até mesmo entrar na vida obscura de Michael.
- Você não está entendendo, garota! - ele se virou em minha direção com a feição dura - Eu não quero que você se envolva, você não precisa saber, só precisa ficar aqui trancada, para a sua proteção!
- Isso não vai acontecer, NÃO MESMO! - me levantei com raiva
- VOCÊ NÃO ENTENDE, ! - ele colocou as mãos no rosto tentando manter a calma e falhando com sucesso - A SUA MÃE ESTÁ CORRENDO RISCO DE VIDA E É POR MINHA CULPA, EU PRECISO TE PROTEGER PORRA! - ele explodiu e minhas pernas perderam o equilíbrio, senti as lagrima caírem no meu rosto e a raiva querendo sair pelos poros da minha pele. Eu apertei com força o copo que estava em minhas mãos e o atirei contra Michael
- EU SABIA, EU SABIA QUE VOCÊ ERA CULPADO! - observei o vidro do copo despedaçar contra a janela atrás de Michael enquanto ele se protegia dos cacos. - EU ODEIO VOCÊ, MICHAEL. - gritei entre os dentes enquanto minhas pernas cederam e eu caí no chão entre o sofá e a mesinha da sala, meu mundo estava desmoronando.
- Só que agora não adianta me odiar, … - ele disse enquanto se sentava no sofá e apertava as mãos contra o rosto - Você precisa de mim e eu preciso te proteger!
- Eu não preciso de você, não é nada para mim! - respondi seca enquanto me levantava e ia em direção ao bar, peguei a garrafa de uísque e virei contra a minha boca, eu queria que meu corpo incendiasse, eu precisava me anestesiar com o álcool. Minha mãe corria risco de vida. Ele era o culpado. Eu precisava fazer alguma coisa.
Me lembrei do sonho que eu havia tido mais cedo, ela pediu que eu não deixasse as minhas emoções decidir as coisas por mim, eu sou impulsiva porra, é lógico que as minhas emoções é quem tinham a última palavra na minha vida. Eu fechei os olhos com força desejando que tudo aquilo fosse um pesadelo e que eu acordasse imediatamente. Respirei fundo, abri os meus olhos e vi meu reflexo no espelho que havia no fundo do minibar, vi a imagem de uma que estava sozinha e que precisava ser madura, precisava sobreviver, precisava dançar com os lobos se quisesse ter a chance de salvar a vida de sua mãe. Tomei mais um longo gole do uísque, à essa altura eu já não estava sentindo mais nada queimar, me virei em direção ao Michael e o vi com os cotovelos apoiados nos joelhos e com as mãos unidas em frente ao rosto, talvez ele estivesse sofrendo também ou não. Eu o odiava, mas eu realmente precisava dele, andei até o sofá em que eu estava sentada, me sentei ainda com a garrafa de uísque, dei mais um gole e a coloquei na mesinha entre nós.
- Eu quero saber tudo. - o encarei e falei sem emoção - Agora! - ele colocou a mão na testa e depois passou-a pelo cabelo bem cortado, respirou fundo e me olhou baixando a guarda.
- Sua mãe foi sequestrada por membros da Máfia Russa! - ele respondeu enquanto tomava um gole do uísque que estava na garrafa - Porque eu desviei 100 bilhões de dólares de uma negociação que eles estavam fazendo com a máfia americana. - ele finalizou e eu o encarei atônita
- Você está brincando com a minha cara? - respondi seca
- Não, você queria saber e eu estou respondendo! - ele respondeu - Estou sendo honesto com você!
- Não, eu não acredito nisso! Você é um ladrão, então? - respondi rindo de nervoso, passei a mão no rosto e depois empurrei meus cabelos para trás tentando entender, lembrei das armas, lembrei do sedativo e do que os amigos de Michael não queriam me dizer, eu não queria acreditar no que minha mente estava me dizendo - O que a minha mãe tem a ver com isso? Nós moramos no cu do mundo, na Irlanda! - olhei para ele confusa, tomei mais um gole do uísque, eu era filha de um ladrão - Por que a minha mãe? Ela tinha algo a ver com a máfia? Ela era criminosa igual você?
- Sua mãe não tinha nada a ver com isso… E-eu não sou um... Não sou só um ladrão! - ele disse tentando escolher as palavras - Faço outras coisas além de roubar, mas não vem ao caso agora. - ele me olhou sério e com receio - Eles investigaram o meu passado, a minha vida antes de Londres… - ele levantou, colocou as mãos na cabeça em sinal de preocupação, andou em direção a lareira e se virou em minha direção. - E a sua mãe estava na minha vida, como uma peça muito importante, eles sabiam que eu a deixei lá para protegê-la, então se aproveitaram disso! - eu o encarava confusa.
- Então eles a sequestraram para te atingir? - perguntei encaixando as peças na minha mente - Mas e quanto a mim? Não poderia ter sido eu no lugar dela?
- Sim, poderia ter sido você! - ele respondeu enquanto dava uma volta por trás do sofá em que estava sentado e seguia em direção a enorme janela - Mas eles precisavam me deixar sem saída. Então sequestraram a Sara e me deixaram preocupados com você, dessa forma eu abaixaria a guarda para te proteger e ao mesmo tempo tentaria recuperá-la falhando miseravelmente… - ele respirou fundo com pesar olhando para a vista - Eu teria que escolher uma das duas! - pela primeira vez eu senti um pouco de sentimento por parte dele.
- Você não tem mais ninguém na sua vida? - perguntei curiosa.
- Não, minha família sanguínea se resume a você... - ele se virou, me encarou e abaixou a cabeça - Sara foi a única mulher com quem me envolvi… Digo, com sentimentos! - ele finalizou semicerrando os olhos, minha romântica interior me fez esboçar um sorriso tímido tentando imaginá-los como casal, ele viu e ruborizou desviando o olhar para o bar.
- E aquelas pessoas que estavam aqui? – perguntei mudando o assunto - São criminosos também?
- Sim, é o que fazemos para viver, ! - ele respondeu seco andando em direção à cozinha, eu apertei os lábios em sinal de preocupação, me levantei e sentei em um dos bancos em frente ao balcão de mármore da cozinha, o observei abrir a geladeira e não aguentei.
- Por que vocês são criminosos? Por que fazem isso? Por que me deixou sozinha com pessoas desconhecidas e armadas aqui? - perguntei querendo chorar novamente, só que dessa vez de medo, algo que eu não gostava de sentir, ele tirou duas latinhas de refrigerante da geladeira, colocou uma em cima do balcão, na minha frente, se apoio na pequena ilha que havia na cozinha, abriu a sua latinha, tomou um gole e me encarou.
- Family Business*! - tomou outro gole do refrigerante - É o que fazemos para viver, alguns foram criados nessa vida, outros foram obrigados a entrar nela, mas é o que gostamos de fazer, , e você vai ter que se acostumar com isso! - respondeu seco
- EU-NÃO-SOU-UMA-CRIMINOSA! - respondi nervosa empurrando a latinha
- Cala a sua boca, ! - ele disse em um tom irritado - Você é praticamente um legado do crime, garota! Está no sangue da minha família, ou seja, está no seu também!
- EU NEM SEI SE VOCÊ É MEU PAI MESMO, CARA! - retruquei, ele pegou um envelope marrom que estava atrás dele sob a ilha da cozinha e jogou na minha frente.
- Está aí, o exame de DNA, a procuração assinada por sua mãe me passando a sua guarda caso acontecesse algo com ela e os seus novos documentos. - ele disse me encarando com desdém, eu o encarei pasma.
Abri o envelope e lá estava o resultado de um exame de DNA com as malditas palavras destacadas em vermelho “O suposto pai tem no mínimo 99,99% de chance de ser o pai biológico do filho”, eu fechei os meus olhos e respirei fundo.
- Como conseguiu esse exame? Não me lembro de ter dado a minha amostra? - perguntei levantando as sobrancelhas curiosas.
- Eu apliquei um sedativo em você ontem quando a coloquei no carro... - ele respondeu calmamente encarando a embalagem do refrigerante - Aí quando já estávamos no jato, a Kline pegou uma amostra do seu sangue e realizou o exame!
- Kline, quem caralhos é essa? - perguntei irritada enquanto lia a procuração de transferência de guarda, eu não estava acreditando que minha mãe havia assinado aquilo, olhei bem a assinatura no fim do documento, e lá estava a letra dela datada há seis anos atrás, fechei os meus olhos com tristeza e coloquei a mão na minha boca.
- Ela é uma amiga, trabalhamos juntos! - ele disse enquanto pegava o documento da minha mão - O que aconteceu há seis anos? Eu só recebi a procuração pelo Rick e a guardei por precaução!
- Ela teve uma intoxicação alimentar por frutos do mar e ficou internada por duas semanas por conta de uma bactéria desconhecida… - respondi limpando as lágrimas - Eu tinha só 11 anos, meus tios já haviam falecido!
- Sinto muito por isso! - ele disse colocando o papel em cima do envelope, eu peguei os novos documentos e os analisei.
- Kingston? Sério, eu não vou usar isso. - observei que tinha uma habilitação e um passaporte, todos com os mesmos dados. - Por que não posso usar os meus documentos? Aliás, cadê eles e meu celular? - perguntei juntando as sobrancelhas
- Foram incinerados, a não existe mais! - ele disse seco enquanto respondia algo em seu celular - E celular você vai ter um quando for a hora certa…
- Se importa se eu me jogar daquela janela? - perguntei irônica enquanto o encarava, ele me encarou de volta com desdém.
- Não, você pode tentar depois… - ele guardou o celular e sorriu irônico - Agora são seis da tarde, tome um banho e veste algo limpo, os Davies querem te conhecer!
- Quem porra é Davies? - perguntei sem animo e me debruçando sobre o balcão de mármore.
- São nossos “Capo dei capi”. - ele respondeu fazendo sinais de aspas com os dedos - A primeira família, são nossos chefes! - disse saindo da cozinha e andando em direção ao sofá, meu estômago embrulhou com o termo italiano e eu me virei para ele ainda sentada no banco.
- Tipo “O poderoso chefão”? - perguntei curiosa, afinal eu já havia assistido alguns filmes de máfia com Matt, ele ligou a TV e me encarou com cara de repulsa.
- Não, , só não! - ele balançou a cabeça em negação - Nós vivemos a vida real aqui e é muito mais perigoso do que nos filmes, garota, agora vá se arrumar! - ele finalizou irritado e voltando a sua atenção para a TV, eu respirei com pesar, lembrei então dos meus primos, dos meus amigos, de Matt, eu nem havia falado com ele nesses últimos dias, eu mordi o lábio inferior com receio e me arrisquei.
- Pode me dizer pelos menos se meus primos e meus amigos estão bem? - perguntei baixo.
- Sim, eles estão bem... - ele me respondeu firme - Rick está cuidando de tudo para os seus primos ficarem seguros, e quanto aos seus amigos, eles vão ficar bem, não se preocupe!

Eu revirei os olhos, pulei do banco, fui até a mesinha de centro, peguei os pacotes que havia me entregado mais cedo e eu ignorei, o encarei assistindo alguma coisa na TV e reparei que o mesmo sempre estava com a feição dura, eu deveria ter medo dele, mas não me sinto com esse direito, eu preciso confiar nele, por minha mãe, preciso ser madura. Respirei fundo e derrotada e segui para o quarto onde eu havia acordado mais cedo.

*Negócio de família.


(Dark Light - Night Lovell)

Depois de toda a discussão sobre meus documentos, sobre minhas roupas, sobre eu comer antes de ir ou não, nós finalmente estávamos na BMW i8 preta dele - que em minha opinião parecia o batmóvel, mas ele achou ridícula a minha comparação e me mandou calar a boca - seguindo para a casa dos Davies. Eu tenho certeza de que foi quem escolheu as minhas roupas, pois eu estava vestida com uma calça preta e justa, uma camiseta baby look também preta e minha botinha cano baixo preta - que achei jogada perto da porta do apartamento - eu também estava vestida com um sobretudo cinza por cima das roupas, meus cabelos estavam soltos sobre os ombros e eu estava sem maquiagem pela primeira vez na vida.
Estávamos calados durante a viagem, pude admirar as ruas de Londres pela primeira vez, as grandiosas construções da cidade, passaram até mesmo perto da Estação de Kings Cross, ai que vontade louca de pular do carro e ir para Hogwarts, como minha vida seria melhor lá. Sempre imaginei que minha primeira vez na terra da rainha seria com a Samantha, mas a vida me deu um bote e aqui estou, com o coração apertado por não estar com a minha melhor amiga no nosso lugar favorito do mundo.

- Você estava planejando vir morar aqui quando terminasse o high school? - Mike perguntou como se estivesse lendo os meus pensamentos.
- Sim, era um sonho que eu e Samantha compartilhamos a vida toda! - respondi com tristeza encarando a vista das ruas pela janela - Eu vou voltar a estudar? - olhei para ele com curiosidade.
- Não sei, depois vamos resolver isso! - ele reduziu a velocidade e parou o carro sem desligar, observei que estávamos em frente à uma guarita, mas não haviam guardas, havia também um enorme portão de ferro na frente do carro, Mike digitou alguns números no celular, abaixou os vidros das nossas janelas e uma linha fina infravermelha passou por nossos corpos dentro do carro, como se fosse nos retalhar ali mesmo, eu observei tudo com espanto, sem mover um músculo, mas logo o portão começou a se abrir em nossa frente e fiquei boquiaberta com toda a segurança do lugar - Pronto, entramos na propriedade dos Davies, daqui uns 20 minutos chegamos na casa! - me virei para ele atônita.
- Você não estava brincando quando disse que eram criminosos, né? - perguntei engolindo seco e sentindo o medo me dominar. Ele me encarou e balançou a cabeça em negação me ignorando.

Eu respirei fundo e apertei com força o estofado de couro do banco em que eu estava sentada, olhei através da janela para tentar me acalmar e vi um longo arco de árvores cobrindo a estrada em que estávamos seguindo, como estava de noite, eu vi luzes de lâmpadas transpassando entre os galhos das árvores e iluminando a estrada. Eu não estava conseguindo acreditar que tudo isso estava acontecendo mesmo, nunca uma frase fez tanto sentido na minha vida como “Cuidado com aquilo que você mais deseja”, eu queria tanto encontrar o meu pai e agora que encontrei, estou doida para cancelar esse desejo.
Eu estava tão inerte em meus pensamentos que mal notei que estávamos estacionando o carro, eu desatei o cinto de segurança, abri a porta do carro sem ânimo, quando eu saí do carro e me deparei com a “casa” dos Davies, meu queixo caiu. Eu definitivamente estava em coma, só poderia ser, a casa era uma mansão daquelas de filmes mesmo, enorme e perfeita, havia um jardim perfeito ao redor do estacionamento, tudo muito iluminado com postes de luz vintage, havia também um tipo de ponte de mármore que levava até a entrada da mansão, eu estava bestificada com aquela visão, foi então que senti um leve empurrão em minhas costas.

- Chega de admirar o lugar, vamos entrar logo! - Mike disse enquanto colocava a mão nas minhas costas me empurrando, eu travei no chão e olhei para ele em pânico.
- Eu não estou vestida para entrar aí! - disse baixo em tom de desespero, Mike me encarou impaciente e me puxou pelo braço com firmeza.
- Puta que pariu, eu não tenho tempo e nem paciência para as suas frescuras, ! - ele disse irritado enquanto subíamos na ponte.
- VOCÊ ESTÁ APERTANDO O MEU BRAÇO, ME SOLTA PORRA! - respondi irritada puxando o meu braço para me soltar, sem sucesso.
- FALA BAIXO, CARALHO! - ele retrucou
- Você também está gritando, solta o meu braço AGORA! - falei irritada enquanto conseguia me soltar dele, passei a mão onde ele estava segurando e olhei ao meu redor, havia uma enorme piscina toda trabalhada em formas por baixo da ponte, me encostei no guarda corpo - também trabalhado em ferro vintage - para olhar lá embaixo e havia uma cascata saindo da base da ponte, de ambos os lados, fiquei boquiaberta novamente - Uau! - voltei meu olhar para Mike, que estava me encarando com feição dura e os braços cruzados.
- Acabou? Podemos entrar? - ele disse em um tom ríspido, revirei os olhos e voltei a andar ao lado dele.
- Vamos, se é para morrer, que seja logo! - respondi com pesar.

Após terminarmos de atravessar a ponte, nós chegamos à entrada da mansão, que esbanjava luxo com uma mobília de jardim que devia custar mais caro do que a minha casa em Dublin. A cada passo que dou nesse lugar, mas tenho a certeza de que eles realmente não são boas pessoas. No momento em Mike colocou os pés em frente a porta de entrada, a mesma se abriu automaticamente, meu queixo insistiu em cair novamente. Ele abriu espaço para que eu entrasse primeiro na casa e entrou em seguida, coloquei as mãos no bolso do sobretudo e comecei a olhar ao meu redor, o lugar era simplesmente sensacional. O hall de entrada da casa era todo cheio de lustres, esculturas e pinturas nas paredes, eu poderia muito bem ver o meu reflexo no piso do lugar de tão limpo, havia uma grande escada no meio do hall que levava ao outro andar da casa, era tudo muito luxuoso e elegante, eu, com certeza, poderia estar sonhando que estava em um daqueles filmes de princesas da Disney.
Eu estava tão vidrada com todo o luxo ao meu redor, que me assustei quando ouvi o barulho de saltos se aproximando, procurei Mike e vi que estava ao meu lado com as mãos no bolso e cara de poucos amigos, ele simplesmente me ignorou e manteve os olhos fixos na mulher se aproximando de nós.

- Kingston... - ela disse me analisando - Que prazer em finalmente conhecê-la!
- ! - respondi seca enquanto a analisava.

Se eu fiquei boquiaberta com a casa, com a beleza dessa mulher eu nem sei explicar como fiquei. Ela era uma mulher por volta dos seus 40 e poucos anos, mas era estonteante, tinha uma pele negra - tenho certeza que muito hidratada também - era alta, com os cabelos perfeitamente alinhados e ondulados jogados no ombro, usava um vestido assimétrico na cor vinho bem justo ao corpo e que era até o joelho, sem contar o scarpin nude - que eu tinha a certeza de que era um louboutin autêntico - ele estava muito bem maquiada e com poucos acessórios, mas que com certeza eram de ouro e diamantes. Fiquei observando cada detalhe dela descaradamente, até que senti Mike apertar o meu braço de leve.

- , por favor… - disse ele em tom de alerta
- O que foi? - respondi o encarando - É o meu nome e acho que já discutimos isso!
- Não se preocupe, Mike, entendo a situação dela! - a mulher estendeu a mão em minha direção - , é um prazer conhecê-la, meu Nome é Valerie Davies, mas pode me chamar de Val!
- Igualmente… Val!- respondi a cumprimentando - Você é a chefe do Mike? - perguntei curiosa enquanto Mike balançava a cabeça em negação, me ignorando.
- Pode se dizer que sim, mas no final trabalhamos todos juntos… - ela sorriu simpática - Venha, vamos nos sentar enquanto o jantar ainda não está servido, quero conhecer você, querida! - disse enquanto me abraçava pelos ombros e me guiava até uma enorme sala de estar.

Outro lugar perfeito do palácio dela, a sala continha dois sofás brancos e grandes, uma longa mesinha de centro na cor preta, estante de livros cobriam duas das paredes do lugar de tão grandes que eram, havia um big bar no fundo da sala - sim, parecia um bar de verdade - que era tão cheio de luxo e cristais quanto o resto do cômodo. Havia um homem loiro sentado em um dos bancos altos do bar, ele estava tomando o seu drinque quando nos viu chegar, ele nos olhou e levantou as sobrancelhas com curiosidade.

- Essa é quem estou pensando, Mike? - perguntou ele com um tom de humor
- Sim, essa é a ... Minha filha! - Mike respondeu enquanto se aproximava do bar, sem humor.
- Ora ora, finalmente! - o cara se levantou e veio em minha direção com a mão estendida e um olhar curioso - Romeo Davies, seja bem-vinda ao seu legado! - ele disse com um sorriso travesso. O cara também era meio coroa, mas era muito bonito, era alto, ombros largos e estava vestido com uma camisa preta com as mangas dobradas, um jeans escuro e um tênis preto, seu cheiro também era inebriante.
- … - o cumprimentei confusa - Legado?
- Querido... - Val disse em alerta ao homem que provavelmente era o seu marido. Ele riu e fez sinal para que eu me sentasse.
- Fique à vontade ! - ele disse e se virou retornando ao bar onde Mike já estava tomando posse.
- Obrigada... - me sentei e olhei para Val que se sentava ao meu lado - Vocês realmente são uma máfia de criminosos? Porque eu estou confusa com tudo isso! - perguntei apontando o lugar ao meu redor.
- querida... - ela começou a responder e olhou para Mike no bar, que apenas assentiu como resposta para ela - Sim, nós cometemos crimes, é o que gostamos de fazer para viver! - ela respondeu sem rodeios - E acredito que já saiba que vai ter que ser uma de nós agora! - engoli seco e a encarei
- NÃO... NUNCA! - respondi alto
- ! - Mike disse autoritário em minha direção
- NÃO, NÃO E NÃO! - levantei nervosa dando a volta atrás do sofá - EU-SÓ-QUERO-SALVAR-A-MINHA-MÃE! - falei entre os dentes em direção ao Mike. - NÃO QUERO NADA COM ESSE DINHEIRO SUJO DE VOCÊS!
- querida, não entendo o seu surto! - Val disse calmamente ainda sentada elegantemente no sofá e me encarando - Você foi criada com esse dinheiro sujo! - olhei para a mulher com ódio, olhei para o marido dela que me observava com atenção enquanto tomava o seu drinque e voltei o mesmo olhar de ódio para Mike.
- Do que essa mulher está falando? - perguntei com raiva e voltei o meu olhar para Val - A minha mãe sempre deu duro para me criar, ela trabalhou sozinha para dar do bom e do melhor para mim, tenho certeza de que eu nunca precisei desse dinheiro imundo de vocês! - cuspi as palavras sentindo meu sangue ferver. Val apenas olhou para Mike levantando as sobrancelhas.
- , ela está certa! - Mike respondeu firme.
- Seu pai sempre mandou cheques bem gordos para a sua mãe desde que você nasceu! - Romeo disse me analisando - E eu posso garantir que ela usou o dinheiro!
- Não, minha mãe não faria isso... - respondi sentindo meus olhos lacrimejarem,
- Ela fez, querida! - Val disse enquanto batia a mão no sofá como um sinal para eu me voltar a sentar - Ela precisou fazer, para o seu bem!
- Eu não acredito nisso! - senti as lágrimas caírem, fechei os meus olhos e respirei fundo, eu definitivamente estava no inferno e minha mãe me enganou a vida toda, mas eu precisava ser madura, sem contar que todo mundo ali era do mundo do crime, eu estava encurralada. - Olha, eu só quero salvar a minha mãe, não quero ser uma de vocês… - respondi em desespero
- Nós vamos salvar a sua mãe, mas precisamos da sua ajuda! - Romeo se aproximou de mim e me guiou até o sofá em que Val estava - E isso vai fazer com que você saiba muita coisa sobre nós, o que resulta em você se tornar uma de nós!
- MAS EU NÃO QUERO SER UMA DE VOCÊS, EU TENHO PRINCÍPIOS, EU SOU UMA PESSOA DO BEM! - explodi desesperada me jogando no sofá, Mike se irritou e avançou em minha direção sendo empurrado por Romeo que estava entre nós.
- CALA A BOCA, ! EU JÁ ME CANSEI DESSA MERDA! - ele gritou irritado comigo, eu me encolhi para perto de Val assustada com os gritos, a mesma fuzilou Mike com olhar.
- Eu odeio você! - cuspi as palavras para Mike - Se algo acontecer com a minha mãe, eu juro que mato você, nem que eu tenha que congelar o inferno para isso, mas você vai pagar! - finalizei com ódio. Todos me encaravam pasmos.
- Não precisamos de DNA, ela é realmente sua filha, Kingston! - Romeo disse levantando as mãos em rendição e voltando para o bar levando um Mike nervoso consigo.
- , tudo vai ficar bem com a sua mãe, estamos trabalhando para salvá-la! - Val disse baixo enquanto me abraçava de lado no sofá.
- O que estão fazendo para isso? - perguntei sem emoção
- Rick está rastreando alguns membros da Bratva que rondavam a Irlanda e também temos infiltrados na Rússia, que já estão procurando por sua mãe! - ela respondeu sem rodeios
- Tio Rick é criminoso também, né? - perguntei já sabendo a resposta
-- Sim, ele é um Fence*! - ela respondeu direta - Ele é responsável pelo comércio bélico da nossa facção!
- Ele comercializa armas… - falei pensativa enquanto juntava as peças - Espera, a família Kullevicz tem uma indústria bélica militar! - constatei e a encarei - Quer dizer que ele rouba da própria família para comercializar entre as facções? - olhei para os outros dois no bar, que apenas prestavam atenção em nossa conversa.
- Exatamente, você é muito inteligente, ! - respondeu ela em êxtase como se roubar fosse a coisa mais normal do mundo.
- Inclusive, fiquei sabendo do golpe que deu em Nichollas hoje, será muito útil para nós, ! - Romeo enfatizou levantando seu copo de uísque e sorrindo animado. Me sentei apoiando os cotovelos nos joelhos e apertei as minhas mãos contra o meu rosto me arrependendo de ter nascido. Na mesma hora, ouvi passos entrando na sala onde estávamos, levantei o rosto e vi com um vestido azul royal curto e com mangas curtas apoiada no outro sofá que estava em nossa frente.
- , imaginei ter ouvido a sua voz! - disse ela com um sorriso gentil - Espero que tenha gostado das roupas! - olhei para as minhas roupas tentando lembrar no que eu estava vestida
- Ah sim, gostei, muito obrigada! - respondi meio tonta com tudo o que estava acontecendo.
- querida, sabe se o jantar já está servido? - Val perguntou para a jovem
- Sim, eu vim exatamente para avisá-los! - ela respondeu animada
- Ótimo, então vamos! - Val se levantou acompanhada do marido que já estava ao seu lado, Mike estendeu a mão para me ajudar a levantar, eu o encarei irritada e me levantei sozinha, ele me ignorou e saiu na frente, se aproximou de mim e sorriu simpática enquanto caminhávamos juntas para fora da sala.
- Você mora aqui? - perguntei enquanto passávamos pelo hall de entrada
- Temporariamente sim! - ela respondeu - Meu apartamento foi atacado por uma gangue de junks que eu estava rastreando, então tive que me desfazer dele! - explicou ela - E entre dividir apartamento com meu irmão e o e ficar aqui com os Davies, eu prefiro ficar aqui! - finalizou semicerrando os olhos e assentindo com a cabeça.
- Entendo… - concordei enquanto entrávamos na sala de jantar tão chique quanto os outros cômodos - Você é quem está rastreando quem sequestrou a minha mãe? - perguntei curiosa
- Mais ou menos, eu só desenvolvo os códigos de rastreamento de que o Romeo precisa, aí ele redireciona para a equipe responsável! - ela explicou - Mas eu sei rastrear também, só não fui designada para o caso de sua mãe... Eu sinto muito pelo que aconteceu! - ela finalizou com pesar e me indicou a cadeira em que eu deveria me sentar, na frente de Mike.
- Obrigada! - agradeci simpática - O Mike vai ter que dar conta de resolver isso!
- Com certeza, , eu vou mesmo! - ele se intrometeu irônico
- Ele vai sim, , todos vão trabalhar para resgatá-la! - disse se sentando ao meu lado.
- , os meninos vão jantar conosco? - Val perguntou para ela.
- Não, senhora, eles saíram para “espairar”! - ela respondeu fazendo sinal de aspas quando disse a última palavra.
- Espero que sem problemas dessa vez! - Romeo disse dando sinal para os empregados nos servirem.

Os empregados nos serviram direto com o prato principal, que era uma espécie de lasanha, só que acompanhada de alguns grãos e um creme de branco que preferi não perguntar do que era de tanta fome que eu estava sentindo. Havia um empregado para cada pessoa na mesa, e ambos pareciam robôs, não deixavam que nossos copos de águas, vinhos ou sucos se esvaziassem, eu estava achando tudo aquilo muito exagerado, mas eu não poderia reclamar, a comida estava boa, eu estava sendo bem tratada e até a presença desagradável de Mike não estava me incomodando.

- acho que deveria passar a noite aqui conosco! - Val disse se dirigindo a mim e depois a Mike - Teria algum problema Mike?

- Não, isso seria libertador! - ele respondeu sem hesitar.
- Eu mal os conheço, Michael! - falei irritada observando a conversa - Com todo o respeito! - encarei os anfitriões.
- Mal me conhece também, então fique com eles hoje! - ele respondeu concentrado em seu vinho.
- Isso, fique aqui, podemos nos conhecer e quem sabe até fazer algumas compras amanhã cedo! - falou animada olhando com receio para Mike.
- Compras? - encarei Mike com um fio de alegria despertando em meus olhos.
- Não acho que seria seg… - Mike começou a falar quando foi interrompido.
- Ótimo, então, você fica! - Val disse animada e deu sinal para os empregados trazerem as sobremesas – Michael, ela estará segura, confie em mim!
- Eu não tenho dinheiro para compras... - falei baixo encarando Mike
-- Fique tranquila, vou transferir uma quantia do meu dinheiro imundo para a conta de , pode usar e abusar! - ele disse com um sorriso irônico em minha direção, eu apenas revirei os olhos e bufei irritada.
- Perfeito! - bateu palminhas animadas enquanto uma taça grande do que parecia ser suflê de chocolate com chantili e castanhas eram colocadas em nossa frente.
- Realmente, perfeito…- suspirei tendo um orgasmo mental com a imagem daquela sobremesa na minha frente, acho que era o único momento em que eu me senti feliz até agora em Londres.
- Só estejam no bunker no horário e sem atrasos! - Romeo disse autoritário me colocando em alerta.
- Sim senhor! - respondeu sem hesitar.
- Bunker? Que porra é essa? - perguntei para a garota ao meu lado.
- ... - Mike começou e eu o interrompi com mão
- Vai se foder! - disse ríspida em direção a ele
- É onde nos preparamos fisicamente, testamos armas e psicológico… - disse calmamente, mas foi interrompida.
- Torturamos pessoas, separamos o dinheiro sujo de sangue do dinheiro limpo, limpamos ferimentos de balas e fazemos curativos. - disse Mike com sarcasmo - Coisas do tipo, sabe? - olhei para ele pasma e voltei o meu olhar para Val.
- É sério isso? - perguntei preocupada, ela só riu e olhou para o marido que me encarava com humor nos olhos.
- Talvez... - Romeo disse levantando as sobrancelhas e finalizando a sua sobremesa.

É isso, eu estou fodida mesmo. Após terminarmos nossas sobremesas, pediu licença para os Davies que consentiram, deu um aceno com a cabeça para Mike, que apenas retribuiu o gesto, então ela me chamou para acompanhá-la, eu olhei para Mike esperando-o falar alguma coisa, mas o mesmo somente me olhou com desdém e voltou a sua atenção para o homem ao seu lado, então me levantei e segui a garota para qualquer lugar que ela estivesse me levando.
Ao sairmos da sala de jantar, se direcionou para as escadas sem falar nada e eu a segui, observando cada detalhe da decoração daquele lugar, parecia que a rainha da Inglaterra quem tinha decorado de tão luxuoso que era. Quando já estávamos no andar de cima, a garota parou no meio do corredor e se virou para mim.

- Eu preciso abrir os seus olhos sobre onde você está se metendo…- ela apontou para o lugar ao seu redor e eu reparei que ela tinha uma tatuagem no antebraço - Tudo isso aqui é sério, uma vez que você se envolve, só a morte que te liberta!
- Posso ver a sua tatuagem? - perguntei curiosa
- Claro… - ela estendeu o braço em minha direção, observei que eram três cabeças de monstros - Um bode, um dragão e um leão... - toquei a tatuagem analisando os detalhes do desenho
- E uma serpente! - completei soltando o seu braço pensativa.
- Em breve você terá uma também! - ela disse
- Eu não quero ter uma tatuagem… Não dessas! - respondi apontando para o braço dela, ela me observou com pesar.
- Eu acho que você não tem escolha… Sinto muito! - disse em um tom triste.
- É o legado de Michael para mim…- respondi triste desviando o meu olhar para um quadro pendurado na parede.
- Venha, vou te mostrar o quarto em que você vai ficar… - ela me puxou de leve pelo braço - E se quiser, posso responder as suas dúvidas sobre tudo isso aqui!
- Certo, vamos lá... - respondi - Tenho mesmo muitas dúvidas!

Entramos em um quarto todo branco, a cama tinha até mesmo um dossel negro com detalhes dourados em volta, parecia um quarto de realeza mesmo, os lençóis da cama eram de seda, havia muitos detalhes em dourado, algumas telas pequenas nas paredes que provavelmente custavam mais do que a minha vida, o chão era todo acarpetado em um tom vinho, abajures dourados e trabalhados, tudo muito bem detalhado. me mostrou o closet que era do tamanho do meu quarto junto com o do Ky em Dublin, havia até mesmo algumas peças de roupas nos cabides, que ela disse que eram novas, para o caso das visitas precisarem, acho que eu precisaria mesmo. O banheiro do lugar parecia um spa, tinha desde a banheira, o chuveiro triplo com jatos de água saindo das paredes até a privada aquecida, eu queria morar naquele lugar, digo com sinceridade.
Eu não estava feliz naquele lugar, não me sentia segura com aquelas pessoas e meu coração não estava ali, mas eu precisava “dançar com os lobos” se eu quisesse ter a chance de salvar a minha mãe. E tinha os meus amigos, eu não havia tido notícias de nenhum deles, Michael nem sequer se importou em me oferecer um telefone para ligar para eles, e em todos os lugares em que eu passava eu procurava por um, mas sem sucesso, parece que me deixar alheia do mundo era a missão de todos que estavam ao meu redor. Mas eu tinha esperança de que no dia seguinte, eu arranjaria uma forma de me contactar com os meus primos pelo menos, e ainda tem essa do Tio Rick ser bandido, puta merda eu queria tanto aquele homem e agora tudo o que sinto é repulsa, só de imaginar ele falando comigo depois de tudo o que fiquei sabendo, meu estômago embrulha.
tem 25 anos e me pareceu a pessoa mais confiável até o momento, mas ainda não confio nela, ela me ajudou a me acomodar no quarto, separou roupas de dormir para que eu vestisse e ainda me falou muitas coisas sobre os serviços que faziam, cada palavra que ela dizia sobre as coisas que faziam era como se uma faca estivesse sendo enfiada no meu corpo, desde roubar até queimar pessoas vivas, e tudo isso por causa de dinheiro e poder. A menina também disse que está nessa vida desde que tinha 15 anos, ela vivia em um orfanato com o irmão, pois foram dados a adoção, mas nunca tiveram a sorte de serem adotados juntos, até que um dia eles fugiram e começaram a roubar e enganar pessoas para sobreviver, mas foram surpreendidos por uma de suas vítimas que era nada menos que um dos membros dessa máfia em que ela trabalha agora, o cara os acolheu e deu um lar e em troca eles tiveram que aprender a serem bandidos de verdade. Hoje tanto ela quanto o irmão têm dinheiro o suficiente para sobreviver e sustentar os seus luxos e aprenderam até mesmo a gostar do que fazem, um fato que não entendi até agora sobre essas pessoas. Mas enfim, depois de conversarmos e bebermos vinho - que estava no frigobar do quarto onde me hospedei - por mais ou menos três horas, se retirou para os seus aposentos e eu me aconcheguei na cama de princesa e dormi em questão de segundos, afinal amanhã seria um dia longo e cheio de novidades, e eu mal posso esperar pelas próximas decepções.

*Aquele que comercializa bens roubados.


Capítulo 2


(Lifestyle - Belly Squad)
Abri os meus olhos e senti como se eu estivesse deitada nas nuvens, olhei para o lado e vi o fino tecido dourado do dossel da cama balançando com a brisa que entrava pela janela do quarto, fechei os olhos e respirei fundo, eu ainda estava na mansão dos Davies, eu não estava no céu. Passei a mão pelos lençóis de seda que cobriam o meu corpo e senti uma sensação indescritível, se algum dia eu dormi em lençóis normais, eu não lembro. Olhei para o relógio que havia ao lado cama e vi que já eram 08h30, lembrei que havia combinado de sair com a hoje cedo, mas eu realmente preferia ficar ali alimentando o meu relacionamento com aqueles lençóis. Fechei os meus olhos, tentando resistir ao fato de que eu realmente tinha que me levantar, mas foi mais forte do que eu, afinal se tratava de compras e eu precisava disso.
Me levantei da cama com pesar, senti o macio do carpete do quarto sob os meus pés, caminhei até a janela, abri as cortinas e me deparei com a vista mais perfeita que alguém poderia ver, havia colinas verdes ao redor da mansão, o sol estava fraco, mas estava lá dando brilho à paisagem, algumas flores estavam se exibindo em meio as folhas caídas do outono, esse lugar era lindo, eu estava encantada. Mas a realidade bateu à porta, literalmente, ouvi batidas na porta, revirei os olhos e fui ver quem era, abri a porta e me deparei com um Michael com feição mal-humorada.
- Você não está na sua casa, se vista e venha para a sala de jantar! - ele disse ríspido e se virou saindo.
- Acredite, eu queria estar na minha casa neste momento! - respondi no mesmo tom em direção a ele, quando olhei para o outro lado do corredor, vi se aproximando, ela estava com um macacão longo de tecido, ele era soltinho com as mangas curtas e era da cor azul escuro, usava também um ankleboot preto envernizado e seus cabelos estavam soltos e jogados para o lado, eu gostei do que vi.
- Uau, você tem estilo! - a cumprimentei
- Obrigada, você também! - ela respondeu gentil - Precisamos sair logo, vamos, vou te ajudar a se arrumar! - ela passou por mim e entrou no quarto, eu assenti e segui para o banheiro enquanto a garota entrava no closet.
Fiz a minha higiene, penteei os meus cabelos e voltei para o quarto, já havia separado a minha roupa e segurava um estojo de maquiagem nas mãos.
- Trouxe o meu kit, pelo que vi em suas redes sociais, acho que você nunca ficou sem maquiagem na vida! - ela disse solidária e eu coloquei a mão no coração emocionada.
- Só não digo ‘eu te amo’ porque acabamos de nos conhecer! - respondi sincera - Muito obrigada, , por tudo! - ela sorriu e me apressou com as mãos.
- Certo, agora anda logo e termina de se arrumar! - ela disse
- Ok, ok, já vou! - peguei as roupas e o kit e voltei para o banheiro correndo.
Depois de pronta, nós descemos para a sala de jantar e, no meio do caminho, vi o meu reflexo em um dos espelhos da decoração da casa e gostei do que vi. Eu estava vestida com a mesma calça preta e justa que vesti ontem, só que agora acompanhada de uma regata branca e minhas inseparáveis botas pretas, e carregava em meus braços o sobretudo cinza, meus cabelos estavam soltos e ondulados e finalmente eu estava com uma maquiagem básica que fez toda a diferença na minha vida.
Ao adentrarmos na sala de jantar, vi Michael sentado e sério no mesmo lugar de ontem, ao lado dele estava um Romeo com a feição dura encarando os outros dois homens que estavam sentados do outro lado da mesa. Olhei para a direção dos homens e vi que e estavam com a aparência acabada, com machucados ao redor do rosto, cabelos bagunçados e as roupas amassadas, eles estavam com feições irritadas e encaravam os outros homens como se fossem duelar ali mesmo. Olhei com receio para , que me olhou de volta revirando os olhos e se voltou para a mesa quebrando o silêncio que pairava no lugar.
- Nós vamos sair e comeremos fora, podem avisar a Val? - ela pediu, ignorando a tensão
- Eu vou junto. - disse , fazendo menção de se levantar, mas foi interrompido por
- Não, você não vai! - ela falou alto e impaciente.
- Cala a boca e senta aí, ! - Romeo disse autoritário - Podem ir que eu aviso e não se esqueça do horário, ! - finalizou alertando a garota, eu apenas observei e senti toda aquela tensão.
- Sim, senhor, estaremos lá! - respondeu assentindo com a cabeça, olhei para Mike que só assentiu para mim e voltou o seu olhar para os garotos, a garota então me puxou com ela para fora da sala. - Eles fizeram merda na noite passada e agora estão tomando no cu por isso! - ela disse pegando a sua bolsa de mão que estava no aparador ao lado da porta - Seu pai já transferiu o seu dinheiro, vamos logo antes que fique tarde!
- Sim, vamos logo! - respondi preocupada enquanto seguia a garota para fora da casa, nós saímos e eu pude ver toda a perfeição que era aquele jardim, agora sob a luz do sol, o lugar conseguia ficar ainda mais lindo. Nós passamos pela mobília do jardim e notei que logo que a ponte terminava, havia um caminho para carros, eu não havia reparado nisso ontem, também eu estava atordoada, não que eu não esteja agora, mas ontem estava mais complicado.
Nós avistamos um Maserati azul perolizado se aproximando e estacionando na nossa frente, eu simplesmente deixei o meu queixo cair, o carro era muito bonito.
- Uau, é o seu carro? - perguntei curiosa
- Sim, ele é o meu bebê! - respondeu apaixonada
Dois homens saíram de dentro do carro, o que saiu do lado do passageiro era alto, magro e com cabelos penteados para trás, usava roupas escuras por baixo de um longo sobretudo cinza, reparei que o mesmo utilizava um All-Star preto surrado e sua feição era de mau humor. Já o outro, que estava dirigindo, não era tão alto, mas tinha os ombros largos e o cabelo cortado bem baixo, ele estava com roupas escuras também e com uma jaqueta de couro marrom por cima, esse estava mais tranquilo. Ambos se aproximaram de nós, nos analisando, o mais alto semicerrou os olhos ao me notar.
- Essa é a… - ele começou a perguntar para apontando o dedo para mim
- Exatamente, ela mesma! - ela respondeu firme e eu fiquei encarando os caras se aproximando. - estes são Kane... - apontou para o mais alto que me encarava sério. - E este é o Woods... - apontou para o outro homem que esboçava um sorriso para mim enquanto entregava a chave do carro para .
- Seja bem-vinda, , espero que tenha tudo o que precisa! - o tal Woods disse com seu sotaque inglês sendo gentil.
- Obrigada, eu só precisava da minha vida de volta, mas como sou obrigada a estar aqui, então que seja, né... - respondo fingindo ser simpática, o homem abaixou a cabeça e riu baixo.
- Ela é a versão feminina do Michael... - o mais alto disse fazendo cara de insatisfação - Que merda!
- Boa sorte, ! - disse Woods enquanto levantava as sobrancelhas para - Bom te conhecer, ! - finalizou entrando na casa e nos deixando, o outro só me encarou mais uma vez e saiu balançando a cabeça em negação.
- Olha aqui, eu não quero ser peso para ninguém, , se for para todos ficarem me julgando por ser filha do Michael, me deixem em algum lugar que eu me viro para voltar para casa! - falei seca para a garota ao meu lado - Eu nem quero estar aqui! - finalizei bufando irritada.
- , ninguém está dizendo que é um peso, estamos todos responsáveis por te manter em segurança! - ela disse calmamente colocando a mão em meu braço - Mas não podemos negar que a sua semelhança com Michael é enorme, desculpa, mas é verdade! - ela constatou me puxando com ela para o carro e seguindo para o lado do motorista - Vamos, entre! - revirei os olhos e quase explodi com ela, mas me controlei.
- Vamos logo com isso! - entrei irritada no carro - Vem cá, todos os carros de vocês são dessa vibe? - apontei para o carro - Digo chique e estilo “Fast and Furious”... - constatei o óbvio, ela me encarou e riu com vontade. Eu a acompanhei e gargalhei junto sem nem saber o motivo, talvez seja de nervoso.
sabia ser uma boa companhia, sem contar que tinha um bom gosto e tanto para lojas. Nós fomos ao Westfield London, um shopping bem caro da cidade, o que confirmou mais ainda o fato de que eles eram mesmo criminosos, já que ninguém ali tinha realmente um serviço normal, digo com carteira assinada e tals. Mas enfim, nós passamos a nossa manhã entrando e saindo de lojas de roupas, bolsas e calçados, eu estava me sentindo feliz neste momento também, afinal eu amo fazer compras. Mas quando paramos em frente a Apple, eu pedi a ela que entrássemos, tentando miseravelmente conseguir um celular ou um notebook para eu tentar falar com meus amigos, mas a mesma me impediu dizendo que não éramos autorizadas a entrar na loja, foi então que eu surtei.
- Puta que pariu me ajuda, ! - falei em tom de desespero, ela revirou os olhos com irritação.
- NÃO, ! - disse alto - Não posso, eu gosto de preservar a minha vida e, se não fomos autorizadas a comprar eletrônicos, nós não vamos comprar! - ela falou autoritária, eu ri com ironia e me afastei dela entrando na loja, Olívia se aproximou de mim, apertou o meu braço e me puxou para fora.
- ME SOLTA, CARALHO! - gritei sendo puxada - VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO! SOCORRO! - comecei a gritar, as pessoas passavam por nós e pedia desculpas sem me soltar.
- , cala a porra da boca! - ela me empurrou em um canto afastado e soltou o meu braço abruptamente fazendo com que alguns pacotes que estávamos segurando caíssem no chão - Você não é mais criança e, se ainda for, acho melhor parar de ser!
- Você apertou o meu braço, você estava me machucando! - eu respondi passando a mão no lugar onde ela segurava - Eu sabia que era igual a eles!
- Sim, eu sou um deles! - ela disse ríspida - Você precisa aceitar que quando for para entrar em contato com os seus amigos, você vai entrar, mas isso não vai acontecer agora!
- Eu preciso de notícias… - respondo sentindo meus olhos lacrimejarem.
- Engole o choro! - ela disse seca, recolhendo alguns pacotes - Você vai ter notícias, só confia no que estamos fazendo, é para o seu bem! - ela me entregou alguns pacotes e ajeitou o cabelo se recompondo - Eu não queria ser assim com você, me desculpe!
- Tudo bem, eu preciso me acostumar… - respondi pegando os pacotes e limpando o meu rosto.
- Vamos comer algo, precisamos deixar as compras no apartamento de Michael e ir para o bunker! - ela disse apontando com a cabeça em direção aos restaurantes em que estávamos próximas.
- Eu não quero ficar no apartamento... - respondi a seguindo.
- São ordens do Michael, eu só obedeço! - ela disse respirando fundo enquanto caminhávamos juntas para o Mcdonalds.
- Certo, eu não tenho escolha mesmo… - falei sem emoção.
Chegamos ao restaurante em silêncio, nos sentamos e fizemos nossos pedidos, estava sem saber o que fazer já que havia acabado de quase me agredir em público, ela me encarou com os olhos semicerrados e eu a encarei de volta com desdém.
- Eu não queria ter agido dessa forma, , sinto muito! - ela disse constrangida.
- Sem problemas, , isso deve estar sendo um saco para você também… - respondi sem emoção.
- Se eu pudesse, teria dado o meu próprio celular para que ligasse para os seus amigos, mas tenho medo, ! - ela disse nervosa - Eu sei do que todos são capazes, principalmente o seu pai, e não quero colocar em risco o que conquistei nesse meio.
- Ele não precisa saber... - tentei convencê-la.
- Ele sabe de tudo, sempre! - ela disse convicta - Todos eles sabem de tudo, eles têm olhos em todos os lugares, inclusive devem ter pessoas nos vigiando agora mesmo! - ela finalizou baixo e eu comecei a olhar ao meu redor com medo.
- Tudo bem, vamos comer, vou tentar esperar a hora certa… - respondi enquanto recebíamos nossos pedidos.
Nós comemos e conversou comigo tentando me acalmar e me manter no controle das minhas vontades, dizendo ela, eu precisava saber onde era o meu lugar desde cedo para que eu não sofresse. E aí eu vi que teríamos um impasse, pois não sou muito de controlar nada na minha vida e muito menos de ser imposta a fazer as coisas, gosto muito do meu livre-arbítrio. Mas eu não disse nada disso a ela, somente engoli seco e assenti, afinal eu precisava ser madura, era a vida da minha mãe em jogo, não podia me esquecer disso nunca. Ela era a minha prioridade e eu faria de tudo, até mesmo passar por tudo isso.
Ao sairmos do shopping, nós seguimos para o apartamento de Michael, ao chegarmos em frente ao enorme edifício, nós estacionamos e chamamos um dos seguranças do prédio para nos ajudar com as compras, o mesmo veio e nos ajudou a carregar. Quando adentramos o prédio, um senhor alto careca e vestido em um terno muito bem alinhado veio até nós e me entregou um envelope branco com o meu nome escrito, encarou o envelope e assentiu, eu o abri e me deparei com os dizeres:
“Agora você tem o seu próprio quarto e a sua própria chave, não faça merda!”
Olhei no fundo do envelope e encontrei um cartão eletrônico na cor preta com o meu nome escrito em letras finas e douradas. Eu encarei com receio, que somente sorriu admirada e me puxou para subirmos para o apartamento. Ao entrarmos no lugar, estava exatamente do jeito que deixamos na noite passada, exceto que estava mais limpo e sem cacos de vidro espalhados perto da enorme janela.
Segui para o quarto onde acordei no dia anterior e o mesmo estava trancado, notei então que havia outra porta há alguns metros de distância do corredor do quarto - que eu não havia reparado ontem - segui para lá, quando abri a porta, vi um quarto exatamente igual ao de hóspedes em que fiquei na mansão dos Davies, exceto que estava decorado nas cores preto, branco e dourado. Até mesmo o banheiro era semelhante, só que menor, mas aparentava muito um SPA, eu acredito que fiquei feliz com esse momento também, mas ainda não superou a angústia que eu estava sentindo no peito.
trouxe os meus pacotes para o quarto e ficou boquiaberta com a decoração.
- Uau, tenho certeza de que tem dedo de Val aqui! - ela disse admirando o quarto.
- Pensei nisso também! - respondo assentindo com a cabeça.
- Mike também tem bom gosto, vai notar isso quando se conhecerem melhor… - ela disse começando a guardar minhas compras no meu closet novo.
- Ah tá! - respondi com sarcasmo - Que roupa eu preciso vestir para ir ao tal bunker? - perguntei desembrulhando alguns pacotes.
- Ah, pode ir assim mesmo! - ela respondeu apontando para a roupa em que eu estava vestida.
- Então estou pronta! - respondi me sentando na cama e a observando organizar as roupas.
- Vamos, então… - ela disse, vindo em minha direção, contudo parou e me encarou - Esteja preparada para qualquer coisa hoje, , talvez seja um pouco difícil para você!
- Você está me assustando, sabia? - respondi sentindo o meu coração acelerar.
- Só... Esteja preparada! - ela me puxou pela mão e saímos do quarto.

(In da Club - 50 cent)
Já fazia uns 20 minutos que saímos do apartamento, estávamos passando por uma parte mais vazia da cidade, havia muitas construções coloniais nesta região, e eu estava bestificada com o quão lindo esse lugar era, mas nem a beleza de Londres estava conseguindo me acalmar. mal falava comigo, senti que a mesma estava nervosa, e confesso que eu também estava, pois não sabia o que estava me esperando e isso fazia o meu estômago embrulhar.
batia os dedos nervosos ao volante e não tirava os olhos da estrada, percebi que o movimento de pessoas nas ruas só diminuía, foi então que entramos em uma região da cidade que era bem precária em minha opinião, as casas eram de tijolos e bem desgastados, muitas continham cercas de madeira, muitas pichações nas paredes das casas e as poucas pessoas que nos viam, abaixavam a cabeça e saiam do nosso campo de visão. Isso era muito estranho, e só piorava a situação do meu sistema nervoso.
Foi então que entramos em uma rua larga e sem saída, que possuía dois enormes muros de galpões em ambos os lados, todos pichados com palavrões e frases sem sentido. Olhei para , questionando-a com o olhar, mas ela não disse nada, apenas seguiu o caminho. Quando estávamos perto do fim da rua - que a propósito terminava com uma cerca de arame farpado e um penhasco - ela virou a esquerda e diminuiu a velocidade, enquanto avistávamos um portão de ferro todo fechado, eu apenas encarei o portão e depois encarei a garota novamente, pegou o celular e digitou alguns números, o portão se abriu para cima e ela aumentou a velocidade adentrando ao local, enquanto passávamos debaixo no portão, uma luz fina e vermelha nos escaneou da mesma forma que aconteceu na mansão dos Davies, eu novamente não movi um músculo, se já estava difícil da primeira vez, agora ficou pior.
O lugar era muito escuro, mas conforme aumentava a velocidade do carro no túnel, luzes automáticas se acendiam ao nosso redor, eu observava tudo atenta enquanto apertava o banco do meu lado tentando controlar o meu nervosismo. Não demorou muito e nós chegamos em uma espécie de galpão subterrâneo, era um lugar muito grande e com o teto alto em ferro, havia muitos carros tão chiques quanto o de Michael e estacionados no lugar. Após estacionar, pegou uma bolsa que estava no banco de trás e me encarou.
- Vamos lá, seja corajosa! - ela disse tentando me passar confiança, eu apenas apertei os lábios e saí do carro sem falar nada.
Ao descer do carro, minhas mãos estavam suando e isso era nojento, mas o nervosismo não estava me deixando ser fresca no momento. Olhei para fileira de carros estacionados ao nosso lado e senti uma espécie de adrenalina correndo nas minhas veias só de me imaginar dirigindo algum deles bem no estilo “Fast and Furious”, acho que eu morreria na primeira curva, mas enfim, foi bom distrair por alguns segundos.
- Vamos, ! - me chamou quando já estava em frente a um grande portal de aço, e eu posso jurar que tinha acabado de ouvir um grito vindo da mesma direção, mas deve ser coisa da minha cabeça.
- Já estou indo… - respondi enquanto me aproximava dela, eu estava muito nervosa e sentindo minhas mãos começarem a tremer.
Quando atravessamos o portal, eu quase tive uma síncope ali mesmo, o lugar era imenso, havia barras de ferro por todo o teto - que também era muito alto - luzes brancas por todo o local, contudo em alguns cantos a luz estava baixa, puxou o meu braço de leve para que eu continuasse andando, eu estava começando a ter dificuldade para respirar, mas estava tentando com muita dificuldade controlar o meu nervosismo. Nós estávamos caminhando, quando ouvi gritos novamente, apertei o braço da garota que estava ao meu lado, a mesma colocou a mão sobre a minha tentando me acalmar, sem sucesso.
Reparei que havia uma mulher apoiada na grade de uma plataforma que estava no andar superior do lugar, ela estava me encarando friamente com um cigarro na mão, tinha o cabelo preto e curto até os ombros e com os braços cobertos de tatuagens. Eu a encarei também, mas ouvi tiros e acabei me assustando e me abaixando, me segurou e apontou para o lado esquerdo do lugar, havia uma enorme cabine de vidro com fotos de pessoas com alvo no corpo penduradas e um homem atirando contra elas, ele estava de costas, mas pela estatura e roupas, acredito que seja .
Meu coração estava quase saindo pela boca, eu engoli seco e apertei os meus lábios, olhei para o outro lado e vi uma enorme mesa com algumas máquinas, que pareciam aqueles contadores de dinheiro que existem nos bancos, algumas malas de dinheiro estavam sendo organizadas em cima da mesa por um rapaz alto, que no momento somente me encarava tentando conter um sorriso sarcástico.
- Hey, ... - disse sarcástico - Espero que esteja gostando do lugar! - ele riu e eu somente o ignorei e segui sendo puxada por , vi que o homem que me foi apresentado como Kane estava vindo em nossa direção com um macbook nas mãos, ele nos encarou sem emoção.
- Leva a Kingston e venha logo, preciso que desbloqueie uns códigos de acesso, acho que temos uma pista! - ele disse para .
- Sobre a minha mãe? - me intrometi preocupada.
- Talvez, leva-a logo, Hughes! - ele respondeu passando por nós sem nos olhar.
- Sim, senhor! - respondeu rápido e me apressou - Vamos logo! - caminhou depressa e me puxou junto com ela.
- Se é sobre a minha mãe, eu quero ajudar, ! - falei ofegante.
- Você vai ter a sua oportunidade, só não é agora! - ela respondeu enquanto ouvíamos mais gritos, meu coração acelerou, pois agora foram mais altos, parecia que estávamos nos aproximando do lugar de onde vinham.
Nós realmente estávamos próximas dos gritos, chegamos em um dos cantos com luz baixa do local, eu vi as figuras de dois homens de costas para nós, pigarreou com a garganta e um dos homens se virou para nós, era Michael, o seu rosto e roupas estavam cheios de respingos de sangue, a sua feição era dura como sempre. Olhei o que tinha atrás dele e pude ver um homem pendurado de cabeça para baixo, ele estava pendurado por ganchos e correntes presas em suas pernas, suas roupas estavam ensanguentadas e ele gritava por ajuda. O outro homem virou o rosto em minha direção e me olhou de canto com prazer, era o tal Woods, ele tinha um punhal ensanguentado na mão, que ele, sem nem piscar, encostou na barriga a mostra do homem pendurado e enfiou com força rasgando para baixo a pele do homem. Meu coração acelerou e eu tenho certeza de que o sangue do meu corpo sumiu.
- O SOLTEM, SEUS MONSTROS! - gritei com toda a força que consegui - PAREM COM ISSO! - corri em direção ao Woods para impedi-lo, mas fui impedida por Michael que agarrou os meus cabelos pela minha nuca e me empurrou com força no chão, eu caí batendo os meus joelhos no chão e sujando toda a minha roupa com o sangue que estava espalhado.
Tentei me levantar pela força do ódio, mas senti meu pulso doendo por conta do impacto com o chão e não consegui, senti então apertarem os meus braços e me puxarem para cima, era Romeo e , eles estavam cada um de um lado do meu corpo me segurando forte pelo braço.
- ME SOLTEM, EU VOU MATÁ-LO! - falei me debatendo com ódio em direção ao Michael, que me encarava na mesma intensidade.
- Não, você precisa ver isso! - Romeo disse seco enquanto me segurava com força e apenas o acompanhava.
Observei que e Val estavam do outro lado do lugar nos encarando, a mulher tatuada também estava junto, todas sem um pingo de emoção em seus rostos. Meu coração estava disparado, eu não conseguia entender o que estava acontecendo, mas também não conseguia aceitar o que eu estava vendo. Michael pegou um alicate enquanto Woods segurava o homem que estava se contorcendo de dor, ele enfiou na boca do homem que estava sendo torturado e começou a arrancar os dentes do cara e jogar no chão.
Eu via todo aquele sangue saindo da boca do cara, meus olhos queimavam só de imaginar a dor que o homem estava sentindo, eu queria gritar, mas não conseguia, senti as lágrimas caindo no meu rosto, mas eram de ódio, eu sabia, era o que eu estava sentindo, todos eram monstros naquele lugar. O homem começou a agonizar e se debater, acho que estava se afogando no próprio sangue que escorria de sua boca, mas ninguém fazia nada, Michael estava guardando o alicate e Woods observava o homem como se estivesse excitado com aquela cena. Eu queria ajudá-lo, queria protegê-lo daqueles monstros, mas eu estava presa, mal estava conseguindo sentir as minhas pernas.
Michael se virou em minha direção e se aproximou, agarrou o meu braço com força fazendo com que os outros me soltassem, ele me puxou para mais perto do homem agonizando e me empurrou para o chão para que eu ficasse cara a cara com o homem.
- Esse homem que você queria proteger, estuprou e matou oito crianças na última semana, sem contar às mulheres que ele drogou e violentou nos últimos meses... - Michael disse com ódio enquanto me forçava a ver o homem agonizar há poucos centímetros do meu rosto - E sabe o que é mais interessante? Ele era russo e provavelmente faria tudo isso que fizemos com ele com a sua mãe, isso se já não estiverem fazendo, né?! - ele disse sarcástico - Fizemos errado em torturá-lo? - ele perguntou empurrando minha cabeça para mais perto do rosto ensanguentado do homem que acabara de dar o seu último suspiro. – RESPONDE, !
Eu apenas senti as lágrimas queimarem e fechei os meus olhos querendo que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo, Michael me empurrou no chão com força e me soltou, no mesmo tempo Woods soltou as correntes que penduravam o homem morto, que acabou caindo ao meu lado, encarei o corpo sem vida com ódio, meu sangue fervia, mas eu não sabia distinguir se era pelo o que eu havia acabado de saber do homem morto ou se era pelo que fizeram com ele. Abaixei a minha cabeça tentando conseguir força para levantar, forcei o meu pulso no chão e forcei o meu corpo se levantar, mesmo sentindo dores em todos os lugares, me levantei e vi as minhas roupas todas ensanguentadas, até mesmo o meu cabelo estava sujo, olhei para o corpo no chão e senti raiva, era a única coisa que eu estava conseguindo discernir em meio ao turbilhão de coisas que estava sentindo naquele momento.
Olhei para as pessoas que estavam me encarando, queria sair dali, mas não estava sentindo as minhas pernas, vi me olhar com pena da minha situação, , ao lado dela, sem emoção mexendo no celular, vi Woods sair do lugar sem nem olhar para trás, vi Romeo falar algo no ouvido de Val e logo sair também e, por último, vi Michael me encarar com olhar frio, eu queria pedir a ajuda dele para andar, mas eu o odiava, eu o encarei de volta tentando respirar, mas de repente tudo ficou escuro, eu não conseguia mais respirar e nem ver nada, só senti braços fortes me segurando e ouvi alguém chamando pelo meu nome, não lembro mais de nada do que aconteceu depois.

(In my head - Jovic)
Senti como se estivessem perfurando o meu cérebro de tanta dor que eu estava sentindo naquele momento, sem contar a ardência em meus braços e as pontadas no meu joelho. Não estava entendendo que merda estava acontecendo com meu corpo naquele momento. Abri os meus olhos devagar e vi somente uma luz branca na minha frente, tentei manter os olhos abertos, mas não consegui, era isso, essa era a luz, eu estava morrendo.
Tentei abrir os olhos novamente e vi que alguém tirou a luz da minha cara, foi então que eu vi um teto cheio de barras de ferro. Merda, eu ainda estava no bunker, não era um pesadelo, ou era, um bem real. Ouvi vozes ao meu redor.
- Se fosse para alguém parecer tanto com Mike, não iria parecer! - disse uma voz feminina rindo com deboche.
- Realmente, não nega o sangue… - respondeu outra voz calmamente, só que era conhecida, era Romeo.
- Ela já acordou? - Val se aproximou de mim perguntando.
- Sim, mas acho que ainda está desorientada! - Romeo respondeu se aproximando de mim também, eu o encarei.
- Eu não estou desorientada! - falei para ele sem saber o que eu estava falando.
- Ela já está melhor. - Val disse esboçando um sorriso – , você consegue se levantar? - perguntou me encarando, eu fechei os olhos e forcei meu corpo a se levantar mesmo com dores, me sentei na cama onde eu estava, notei que o lugar onde estávamos era tipo uma ala hospitalar, havia macas - inclusive eu estava em uma - equipamentos médicos, prateleiras com remédios, até mesmo monitores cardíacos ao lado das camas, reparei que havia uma agulha enfiada na parte ardente do meu braço que ligava a uma bolsa de soro pendurada ao lado da minha maca, sem contar que meus braços estavam todos marcados entre roxo e vermelho.
Olhar aquelas marcas me fez lembrar o motivo de eu estar ali, fechei os meus olhos controlando a minha respiração e arranquei a agulha do meu braço.
- , por favor... - Romeo correu em minha direção com um curativo nas mãos - Você teve uma queda de pressão por conta da adrenalina, isso era para te ajudar a melhorar! - ele finalizou colocando o curativo em meu braço.
- Então vocês causam o estrago e depois colocam curativo! - falei sarcástica pulando da cama - Engraçado isso, cadê o Michael? - perguntei furiosa.
- Ele foi se desfazer do corpo com Woods! - Val disse enquanto me observava com atenção - E nós vamos conversar agora!
- Eu não quero falar com você! - respondi seca para Val - Ou com qualquer um de vocês... - finalizei observando que a mulher tatuada se aproximava de mim com um copo.
- Tome, vai ajudar com a dor de cabeça!! - a mulher me entregou um copo com uns comprimidos, eu aceitei desconfiada e bebi.
- Quem é você? - perguntei a encarando.
- Kline, Kate Kline, mas todos me chamam de Kline! - ela respondeu me analisando.
- Então foi você quem ajudou Michael a me trazer para Londres! – constatei.
- Exatamente, eu mesma! - ela confirmou com um sorriso irônico.
- Kline, ela pode ir? - Val perguntou para mulher e eu apenas as observei.
- Sim, acredito que esteja melhor! - Kline respondeu – E, qualquer coisa, vocês vão estar aqui e eu estarei aqui também... - ela disse pensativa – Sim, pode levar a cópia do Mike com você! - ela disse se se encostando a uma maca e nos encarando.
- Certo, vamos, ! - Val se aproximou me chamando para acompanhá-la enquanto Romeo saía em nossa frente, eu aceitei e a acompanhei com desconfiança.
Meu corpo doía como se eu tivesse sido atropelada, acredito que parte dessa dor que eu estava sentindo era psicológica também, mas eu não podia dar o luxo de me confortar no colo de alguém, todos ali eram causadores do que eu estava sentindo. Sem contar que eu nunca mais dormiria por conta da cena que havia presenciado aquilo abalou qualquer fio de sanidade que eu tinha. E pensar no fato de que talvez minha mãe esteja sendo submetida a aquele tipo de tortura faz com a minha alma se despedace, eu preciso salvá-la, e se eu tiver que conviver com esses monstros e passar por tudo isso para ter a chance de salvá-la, eu vou ser corajosa e vou enfrentar tudo isso.
Eu ainda estava com a roupa toda ensanguentada do cara morto, e eu teria socado a cara de quem tivesse me visto nua. Nós descemos as escadas e seguimos para uma sala - também de vidro - bem iluminada, nela havia outra mesa grande, daquelas de reunião, um minibar e alguns espelhos ao redor da mesa. Val me entregou uma muda roupas que estava em cima da mesa e me indicou o banheiro, eu entendi o recado e fui me trocar.
Depois de ter me trocado e colocado uma calça e camiseta preta - que eram o dobro do meu tamanho - e feito um rabo de cavalo no meu cabelo imundo e grudento, Val apontou para uma das cadeiras da mesa para eu me sentasse, eu a encarei desconfiada, mas me sentei. Ela foi até o bar, se serviu com uma bebida e trouxe uma lata de refrigerante de cola para mim, normalmente eu recusaria, pois não tomo refrigerante, mas eu aceitei, afinal não iriam me deixar beber uísque por conta dos remédios, então que seja Coca, já estava tudo na merda mesmo.
- , preciso que me conte tudo o que aconteceu na sua vida na última semana que passou em Dublin... - Val disse calmamente enquanto me observava - E também me dê o nome de todas as pessoas que eram próximas da sua família! - ela me entregou um bloco de notas e uma caneta.
- É para ajudar a resgatarem a minha mãe, né? - perguntei curiosa.
- Sim, alguém próximo a vocês estava trabalhando para a Bratva! - ela disse séria.
- Bratva? - perguntei com receio.
- Um dos grupos criminosos da Máfia Russa, comandado pela família Glaskov! - ela respondeu e enfatizou - Eles são muito perigosos, !
- Vocês têm algum nome para isso aqui também? - perguntei apontando o lugar ao meu redor.
- Sim, ninguém comentou com você? - ela perguntou juntando as sobrancelhas bem feitas dela e estranhando o fato.
- Não, ninguém me fala nada! - respondi irritada - Exceto que me tirou algumas dúvidas, mas nada muito profundo!
- Nós somos os Chimera! - ela disse enquanto acenava para alguém atrás de mim, eu olhei e vi entrando acompanhado de na sala.
- Chimera... - falei pensativa enquanto começava a tirar a camiseta na minha frente, eu olhei assustada para Val que o indicava com a cabeça, voltei meu olhar para ele que estava de costas para mim e vi a tatuagem em suas costas, a mesma que tinha no braço, e lá estava o significado de Chimera - O leão, o bode, o dragão e a serpente! - eu continuei analisando o corpo do rapaz e reparei que o mesmo era muito musculoso, o que não aparecia quando ele estava de jaqueta, mas o braço dele era muito torneado, sem contar que ele tinha um tanquinho bem trabalhado, ops, ele havia se virado de frente para mim e eu não havia reparado, olhei para o rosto dele rapidamente e vi que o rapaz havia notado que eu o admirava e sorria de canto para mim, desviei o meu olhar para Val e assenti com a cabeça - Agora eu entendi o significado!
- Ótimo! - ela disse - e vão ficar aqui enquanto conversamos, eles precisam de informações para seguir com as investigações! - ela me informou e eu apenas assenti com a cabeça enquanto os dois rapazes se acomodavam na mesa com a gente. abriu o seu Macbook e deu um sinal de que estava pronto e somente me encarou com malícia, eu tomei um gole do meu refrigerante e comecei a falar tudo sobre as minhas últimas semanas em Dublin.
Depois de eu ter falado sobre minha família, meus amigos, sobre as cheers, eu já estava terminando a minha segunda lata de refrigerante quando comecei a falar sobre Brooklyn, senti o meu coração apertar quando o mencionei, afinal ele estava muito presente na minha vida antes de toda essa merda acontecer e no fundo eu sentia que ele pudesse ter algo a ver com isso ou talvez fosse só coincidência.
- Então esse cara apareceu na sua vida há três semanas? - me perguntou atento.
- Sim, eu fui incumbida de apresentar a escola para ele, por conta da minha detenção, aí acabou que nos envolvemos… - expliquei pensativa - Ele realmente é muito gato, vocês não entendem...
- Não mesmo e nem quero! - disse revirando os olhos - Qual o sobrenome desse indivíduo? - ele perguntou me encarando.
- Ele tinha família com ele na cidade? - perguntou para completar.
- Eu não lembro... Acho que é Walter ou Wander… - respondi forçando minha mente a lembrar - E ele não tinha família junto com ele, disso eu lembro, transamos no apê dele! - sorri de canto me lembrando do acontecido.
- WALKER? - disse alto, arrumando a sua postura na cadeira, levantou as sobrancelhas em minha direção e Val apenas nos observava com atenção.
- ISSO! - exclamei confirmando com a cabeça - Brooklyn Walker! Como adivinhou? - juntei as sobrancelhas com curiosidade.
- Puta que pariu... - jogou a cabeça para trás fechando os olhos e me ignorando.
- É quem estou pensando? - Val perguntou para , sua feição era séria e eu me preocupei.
- , o cara é esse aqui? - virou a tela do Macbook em minha direção e eu vi uma foto de Brooklyn com um cigarro na mão e uma mala na outra mão, ele estava vestido como eu o conheci, mas seu olhar era tão frio que me fez arrepiar.
- Sim, é ele! - assenti com receio.
- Brooklyn Walker Glaskov, legado da Bratva, filho único de Bree e Dimitri Glaskov, o casal mais satânico da máfia russa! - disse convicto e depois respirou fundo com pesar, Val juntou as mãos em frente ao rosto pensativa e começou a rir com sarcasmo.
- Parabéns, , você trepou com o filhote do demônio! - disse irônico em minha direção enquanto batia palmas devagar.
- É sério isso, ? - perguntei sentindo meu coração acelerar ignorando .
- Infelizmente sim, ... - ele respondeu preocupado.
- Bom, já sabemos o infiltrado que orquestrou o sequestro, então... - Val disse séria se levantando - Alguns de vocês levem para casa, precisamos nos reunir e atualizar as novas informações! - ela finalizou me encarando.
- Não, eu não vou a lugar algum! - levantei junto, me impondo - Quero participar dessa reunião também, eu causei isso me envolvendo com o Brooklyn, então quero ajudar a resolver! - finalizei firme.
- , não acho que seria… - disse calmamente enquanto recolhia o seu Macbook e se levantava para me acompanhar, mas foi interrompido.
- Ela vai para a reunião! - Val disse autoritária - Mas saiba que, a partir do momento que participar dessa reunião, você será uma de nós , querendo ou não! - ela disse séria em minha direção, meu estômago embrulhou, meu coração disparou e comecei a suar frio, mas era minha culpa o fato de minha mãe ter sido sequestrada, então eu precisava arcar com as consequências dos meus atos.
- Que seja, eu vou fazer isso! - respondi firme para Val, que apenas assentiu e saiu da sala. encarou que me analisava preocupado, ambos se entreolharam e se aproximaram de mim.
- Acho que era a única opção para você, ..- disse tentando me confortar.
- Só não faz nada estúpido e escandaloso dessa vez, ali nem todo mundo é paciente igual a Val! - disse baixo enquanto se direcionava para a saída da sala, eu apenas encarei ao meu lado e respirei fundo.
- tem razão, ! - o garoto disse com pesar.
- Vou tentar dar o meu melhor... Ou pior! - falei sentindo meu coração apertar e o choro querer sair, mas eu engoli e me recompus - Por minha mãe!
- Você vai se sair bem! - tocou em minhas costas para que eu seguisse os outros, eu apenas assenti e segui em direção ao matadouro.

(We are Venom - Moses)
Estávamos todos reunidos na mesma sala de reunião em que fui interrogada por Val, e quando digo todos, eram literalmente todos. Val se sentava na cabeceira da mesa com Romeo ao seu lado, em seguida estavam Michael e Woods um de frente para o outro como se fossem os herdeiros da máfia - talvez até deviam ser, vai vendo - também estavam lá a Kline, o Kane, , , e eu de intrusa. Definitivamente meu sistema nervoso estava a flor da pele, eu acabara de descobrir que era tão culpada quanto Michael no sequestro de minha mãe e agora por culpa dos meus hormônios eu corria o risco de ficar órfã.
Val começou a falar sobre a minha presença naquela reunião e o porquê de terem de me acolher, e meu único desejo era enfiar a minha cara no primeiro buraco que visse, pois todos me encararam como se eu fosse um alienígena. Mas eu precisava manter a minha postura, tinha que ser madura, então fixei os meus olhos em Val e ignorei todos os olhares direcionados a mim, inclusive de Michael que não havia falado nada comigo desde o episódio que presenciei, melhor assim, provavelmente iríamos brigar.
Notei que Val pediu para fazer alguma coisa, mas eu estava tão concentrada em ignorar os outros que não ouvi o que era. O rapaz pegou um controle que estava em cima da mesa e acionou algo, no mesmo momento uma tela de TV desceu do teto do lugar atrás de onde Val estava sentada, ela somente virou a sua cadeira para ver o que seria mostrado, então digitou algo em seu Macbook e a imagem de Brooklyn apareceu na tela da TV, todos prestavam muita atenção, mas quando Val mencionou que eu havia sido seduzida pelo rapaz para que ele tivesse acesso a minha família, Michael se virou furioso em minha direção.
- VOCÊ SE ENVOLVEU COM ESSE CARA? - ele gritou alto para mim - COM UM GLASKOV?
- Eu não sabia quem ele era... - respondi constrangida, pois todos me encaravam sérios.
- VOCÊ NÃO PROCURA SABER QUEM SÃO AS PESSOAS COM QUEM VOCÊ SE ENVOLVE? - Michael continuou gritando furioso comigo, meu sangue ferveu e decidi agir da mesma forma.
- NÃO, , EU SÓ QUERIA SEXO, NÃO QUERIA ME CASAR COM ELE! - respondi irritada no mesmo tom.
- PORRA, ! - ele bateu na mesa com os punhos fechados - PODERIA AO MENOS PROCURAR SABER QUEM ESSE DESGRAÇADO ERA!
- Por favor, se acalmem... - Romeo tentou apaziguar sem sucesso. Os outros apenas nos observavam curiosos.
- NÃO, EU NÃO SABIA QUEM ELE ERA DA MESMA FORMA QUE EU NÃO SEI QUEM VOCÊ É, ! - explodi com ele.
- POIS AGORA POR SUA CULPA, A TUA MÃE ESTÁ NAS MÃOS DA FAMÍLIA DELE! - ele se levantou exaltado e querendo quebrar algo.
- SOU TÃO CULPADA DISSO QUANTO VOCÊ! - me levantei gritando - AFINAL, FOI VOCÊ QUEM METEU A MÃO NO DINHEIRO DELES!
- CALA A PORRA DA TUA BOCA, GAROTA! - ele disse apontando o dedo em minha direção com os olhos cheios de ódio.
- SILÊNCIO OS DOIS! - Val se levantou e falou alto - CHEGA DESSA PALHAÇADA, SENTEM-SE AGORA! - ordenou séria. Michael respirou fundo e se sentou, eu repeti o gesto, mas continuei o encarando com raiva fervilhando no meu sangue. Olívia me entregou a sua garrafa de água, mas eu ignorei. - Ambos são culpados nisso e ambos vão resolver isso! - ela finalizou calmamente.
- Não adianta vocês insistirem nessa discussão sem nexo... - Romeu disse enquanto nos analisava de olhos semicerrados - Vão ter que aprender a conviver um com o outro!
- Eu gostei de vê-los discutir! - Kline se manifestou nos olhando com excitação - Deu uma animada no clima, foi excitante! - ela sorriu irônica, eu revirei os olhos e bebi um pouco de água.
- Agora não, K! - Woods falou tentando prender a risada com o comentário da mulher.
- Acho que podíamos continuar a falar sobre como vamos agir a partir de agora... - falou tentando recuperar o foco da reunião.
- Seria bom, agora que o show acabou... - disse com desdém.
- Anda logo com isso, Williams, eu tenho mais o que fazer! - Kane se manifestou irritado em seu canto.
- Posso, Val? - pediu autorização.
- Por gentileza, , prossiga! - a mulher assentiu e continuou a relatar tudo o que eu o havia contado sobre Brooklyn e sua estratégia de aproximação.
Depois de quase uma hora de discussão e perguntas direcionadas a mim sobre o meu envolvimento com o “filhote do demônio”, fomos liberados, o que foi ótimo, pois eu estava me sentindo exposta e com muita fome. Val pediu para me deixar em casa, nós já estávamos nos direcionando para o carro quando Romeo se aproximou acompanhado de Woods.
- , comentei com Thomas que você praticava artes marciais, ele se ofereceu para te treinar, caso tenha interesse ainda... - ele disse animado.
- Quem é Thomas? - perguntei confusa.
- Eu sou o Thomas! - Woods falou - Thomas Woods!
- Ah sim... O estripador... - falei pensativa enquanto o analisava.
- , pelo amor de... - me cutucou constrangida, Romeo riu e Woods me encarou sério.
- Estripador? - ele perguntou semicerrando os olhos e meu ânus trancou - Gostei disso! - ele falou assentindo com a cabeça - Mas e aí, vai querer que eu te treine?
- Sim, acho que vou precisar me manter ativa... - concordei com a cabeça e pensativa - Agora mais do que nunca! - sorri simpática para ele.
- Fechou, espero você aqui amanhã às seis da manhã, sem atrasos! - ele falou firme e saiu sem se despedir.
- Calma aí... - pedi confusa sentindo meu estômago roncar - Que horas são afinal? Eu estou faminta e cansada... - perguntei para Romeo.
- Agora são 11 da noite. - Romeo respondeu olhando em seu relógio - Podem ir garotas! - ele nos liberou e se despediu.
- , por favor, vamos comer algo, acho que vou desmaiar... - encostei a cabeça no ombro dela enquanto caminhávamos para o carro fazendo drama.
- Sim, vamos parar em algum fast food, .. - ela respondeu enquanto acenava para Kline que passava por nós em sua Harley Davidson.
- Uau, ela tem estilo... - falei enquanto reparava na moto da mulher, riu e destravou o alarme do carro, mas quando eu estava dando a volta por trás do carro para entrar no banco do passageiro, senti um carro se aproximar, era Michael em sua BMW.
- Entra no carro! - ele disse autoritário.
- Não, eu vou com a ! - respondi ríspida.
- Hughes, ela vai comigo! - ele disse alto em direção a , que nos observava da porta do carro, ela apenas assentiu e entrou. Eu bufei e entrei no carro dele.
- Que saco, estamos nos odiando agora, eu poderia muito bem ir com ela! - falei irritada e batendo a porta do carro.
- Você mora na minha casa, depende do meu dinheiro sujo e saiu do meu saco, então você vai comigo! - ele respondeu irritado enquanto acelerava o carro. - E nunca mais bata a porta do meu carro desse jeito!
- SEU OGRO! - retruquei alto em direção a ele - E eu estou com fome, porra! - falei cruzando os braços e olhando para fora da janela, já era muito tarde, as ruas estavam escuras.
- Eu também estou, então fica quietinha que vamos passar em algum lugar para comprar comida! - ele finalizou, saindo do galpão e acelerando mais o carro fazendo com que o pneu cantasse enquanto fazia a curva para entrar na rodovia.


Capítulo 3



(Made You Look - Nas)


Já havia algum tempo que eu havia acordado e me arrumado, agora eu estava deitada na cama, olhando para o teto e pensando na minha vida desmoronando. Como as coisas eram irônicas, semana passada eu estava feliz, com minha mãe, meus primos e amigos, até mesmo com um relacionamento em ascensão. Hoje estou sem mãe, sem primos, sem amigos e, ainda por cima, descobri que meu pseudo relacionamento era uma farsa, eu havia sido usada como objeto de vingança e isso era horrível.
Já era o terceiro dia que eu acordava em um lugar estranho e não sabia o que dizer sobre isso, pois eu tinha tudo para dormir bem, mas a minha alma não conseguia descansar, tudo estava em conflito, em confusão e com medo. Minha vida agora se resumia em acordar em lugares estranhos, com pessoas estranhas que vivem de forma errada e acham que estão fazendo as coisas certas.
A lei me dá a liberdade de viver como quero, mas eu não estava tendo escolha sobre a forma como eu gostaria de viver, a vida não estava me dando escolhas, eu precisava fazer o que era certo em meio às pessoas erradas com atitudes piores ainda. Sofrimento era o que eu estava sentindo, mas eu não poderia esboçar, preciso ser forte e aparentar estar bem, mesmo que meu ser interior estivesse gritando de agonia.
Olhei para o despertador que Mike havia colocado na mesinha ao lado da cama e vi que o relógio marcava 4h59m da manhã, fechei os meus olhos e ouvi a porta abrir bruscamente. Me assustei e encarei a porta apreensiva, era Michael, ele estava vestido com uma camisa cinza e calça preta e calçava um tênis, me analisava com o semblante fechado.
- Você tem 30 minutos para estar pronta, vou deixar você no bunker! - ele disse e eu me sentei na cama o encarando sem emoção.
- Já estou pronta, só preciso colocar um tênis. - respondi com a voz fraca.
- Você comprou? - ele perguntou curioso.
- Sim, contra a minha vontade, mas comprei! – respondi, mostrando o par de calçados pretos que estava em cima da cama ao meu lado.
- Certo, então coma algo que vou resolver algumas coisas e já saímos! - ele disse enquanto saia do quarto e eu apenas assenti sem ânimo.
Ontem, quando saímos do bunker, Mike passou em um fast-food e comprou lanches para nós, mas parecia que ele havia comprado para um batalhão de tantas coisas que continham nos pacotes. Nós chegamos à casa e sentamos no balcão para comer, isso mesmo, nós comemos juntos, mas não falamos uma palavra sequer com o outro, jantamos em um completo silêncio constrangedor. Foi bom assim, pois provavelmente teríamos brigado de novo se alguém tivesse falado algo.
Calcei os meus tênis novos e fui a o banheiro, penteei o meu cabelo - que estava sem lavar há uns três dias e estava super desidratado - e amarrei em um rabo de cavalo, olhei para o meu reflexo no espelho e vi olheiras, algo que eu nunca deixava aparecer, meu coração apertou, pois eu estava me tornando o que mais temia, uma garota descuidada.
Mas eu não estava no clima de me maquiar para ir treinar muay thai com o estripador, então joguei uma água no rosto, olhei novamente para minhas roupas, acho que eram adequadas, eu havia vestido uma legging preta e uma regata preta, mas acho que ainda faltava algo.
Fui em direção ao closet, dei uma olhada nas roupas novas que havia pendurado e não achei o que estava procurando, me direcionei à porta do quarto e saí, vi Mike encostado no balcão de mármore concentrado em seu celular, segui então para o quarto dele. Entrei e fui direto para o seu closet, observei novamente como tudo era tão organizado, ri internamente, pois o meu closet em breve estaria uma bagunça e acho que ele surtaria, foi então que vi um moletom preto com capuz pendurado em um dos cabides e era isso o que eu estava procurando. Peguei o moletom e vesti, cabiam duas de mim dentro, mas era o que eu precisava no momento, aquela cidade era muito fria até com sol e sem contar que me dava a sensação de aconchego, mesmo sendo de Michael e tendo o cheiro dele.
Saí do quarto com a mão enfiada nos bolsos do moletom e segui em direção a cozinha, Michael desviou os olhos do celular e me encarou com os olhos semicerrados.
- Isso aí é meu! - apontou para o moletom.
- É, eu sei... - passei por ele e peguei uma caneca do café que estava pronto na cafeteira e o encarei - Me processe por isso! - falei irônica enquanto ele seguia os meus passos com os olhos. - Dei dinheiro para que comprasse coisas para você! - ele disse curioso.
- E eu comprei, mas não desse aqui.. - respondi calmamente enquanto pegava um resto de sanduíche dormido que deixei na geladeira e dava uma mordida, minha mãe me mataria se me visse comendo coisas dormidas e calóricas de manhã, mas é a vida, ela não está aqui por minha culpa - Como vai ser hoje? - perguntei para ele terminando de mastigar, ele revirou os olhos para mim e passou a mão na cabeça parecendo preocupado.
- Vou deixar você no bunker e vou me encontrar com uns contatos que podem me dar informações sobre o paradeiro do Walker... - ele disse voltando os olhos para o seu celular - Você vai passar o dia lá, então se controla e, por favor, não me irrita hoje... - disse sério enquanto me observava enfiar o resto do sanduíche tudo de uma vez na boca. - É sério garota, não me passa vergonha! - disse ele com a feição irritada me encarando. - Ai ta bom, Michael, já ouvi… - disse, terminando de mastigar e olhando para ele com cara de desdém enquanto limpava a minha boca e pegava a caneca de café - Podemos ir? - ele fechou os olhos e respirou fundo.
- Vamos, vamos logo, ! - disse impaciente enquanto pegava suas coisas no balcão e saia em direção a porta, eu apenas terminei o café e sorri satisfeita com a reação dele enquanto o seguia com as mãos enfiadas nos bolsos.

As pessoas no prédio do Michael pareciam sempre ser as mesmas, e eu só as via no térreo, nunca encontrei ninguém nos elevadores, ou nos corredores entre os apartamentos, parecia que só ele e a equipe de segurança moravam lá, tenho até medo de descobrir se isso que estou pensando é verdade.
Mike não era uma pessoa muito sociável também, ele mal cumprimentava o porteiro engravatado, o que fazia com que as raras pessoas do prédio nos olhassem cada vez com mais curiosidade, acho que não sabiam quem eu era ainda, ao contrário do povo que estava no bunker, parecia que eu era a nova sensação pop do lugar, chegava a ser irritante o tanto que nos comparavam, digo eu e o “meu pai”.
Nós já havíamos percorrido todo o caminho para o bunker e já eram 5h50m da manhã e estávamos no bairro precário que precedia o lugar, que eu descobri pelas placas no caminho, que se chamava Distrito do Tottenham. Mike estava quieto, parecia preocupado com alguma coisa, eu até tentei perguntar para ver se estava tudo bem, mas ele nada disse, somente assentiu com a cabeça e isso me deixava preocupada também, afinal pode ser algo com minha mãe e ele está escondendo de mim.
- Mike... Você está bem? - perguntei novamente enquanto nos aproximávamos do portão.
- Sim... - ele respondeu seco enquanto digitava os códigos do portão.
- Por favor, se estiver sabendo de algo sobre a minha mãe, não esconde de mim! - perguntei com os olhos lacrimejando e o encarando, ele manteve os olhos fixo no túnel do bunker e nada disse - Por favor, Mike... - pedi com a voz baixa enquanto estacionávamos, ele olhou para o volante, respirou fundo e fechou os olhos, da mesma forma que eu era acostumada a fazer quando estava tentando me controlar.
- Se eu souber de algo, vou te manter informada! - ele disse sem me encarar - Agora vai logo, Woods deve estar te esperando! - assenti e abri a porta do carro, mas antes de sair eu olhei para ele solidária.
- Obrigada por isso, Mike! - agradeci sincera e saí do carro em direção ao portal de entrada do bunker.


(Stronger - Kanye West)


O lugar estava silencioso quando entrei, mas logo de cara vi Woods encostado em uma parede colocando as bandagens em suas mãos, ele me viu e acenou com a cabeça.
- Ótimo, sem atrasos! - ele disse sem emoção - Começou bem, Kingston, mas quero ver o que tu sabes, no tatame agora! - ele encarou as minhas roupas - Esse moletom é um pouco grande, não? - falou enquanto se direcionava para um lado do lugar que estava com a luz um pouco baixa.
- Ah sim, é do Mike! - respondi tirando o moletom - Vamos lá, vou mostrar o que sei.. Mas faz tempo que não treino. - disse séria enquanto o seguia.
- Vou pegar umas bandagens para você... - disse ele abrindo um dos armários que estava encostado na parede lateral do bunker. - Uma vez que você aprender um tipo luta nunca mais você esquece… Toma aqui! - ele me passou as bandagens, eu as peguei e ele me direcionou para o tatame.
O lugar onde o tatame ficava era bem-organizado, havia algumas barras de flexões, armários para guardar equipamentos, sacos de pancadas, sem contar o ringue que havia um pouco mais afastado, pelo visto eles realmente levavam luta corporal a sério. Assim que avistei um banco, me sentei e comecei a tirar os meus tênis, coloquei as bandagens e entrei no tatame, respeitosamente e da forma que eu havia aprendido quando criança, nós nos alongamos um pouco, sem conversa fiada, cada um em seu canto. Depois de terminarmos de nos aquecer, nós fizemos os cumprimentos de adversários e eu me coloquei na minha base. Woods me olhou admirado.
- Achei que era conversa fiada, você realmente conhece a arte... - ele comentou admirado e eu apenas levantei as sobrancelhas e dei o primeiro golpe, que era um jab em seguida de um direto mirando exatamente na cara dele, Woods desviou e se defendeu, mas sorriu como o diabo.
Os pelos da minha nuca se arrepiaram, ele veio para cima com dois cruzados sequenciais e me defendi o atacando na virilha com o meu joelho fazendo com que ele recuasse, ataquei novamente com um soco rotativo e ele se defendeu segurando o meu punho com a base de defesa dele, eu o encarei semicerrando os olhos e ele apenas assentiu com a cabeça.
- Você precisa descarregar a sua raiva, ... - ele disse enquanto abaixava a minha mão, eu respirei ofegante e o encarei querendo chorar, minha raiva realmente estava querendo dar na cara dele - Me usa para isso, pode descarregar tudo em mim! - ele finalizou com a feição dura.
- Está lo-louco? Você vai acabar me matando aqui... - respondi gaguejando de desespero.
- Só vou me defender... E qualquer coisa tem a ala hospitalar aqui, então pode dar o seu melhor, eu aguento! - ele disse e foi até o armário, pegou dois pares de luvas de boxe e me entregou ainda com a feição dura, eu ri de nervoso e olhei para os lados, só estávamos nós naquele lugar e, se eu morresse, pelo menos teria aliviado a raiva que eu estava sentindo.
Estalei o pescoço, coloquei as luvas, alonguei os meus braços e me coloquei na base de apoio novamente. Ele se colocou na base dele e me desafiou com o olhar, eu avancei para cima dele lançando socos na sua cara e na sua barriga, enquanto ele apenas se defendia, lancei chutes nele com toda a força que eu podia, ele ria de prazer enquanto eu o atacava, isso era totalmente insano, mas eu estava gostando.
Já havia alguns minutos que eu o atacava sem parar, ele apenas sorria e suava como um porco, na realidade nós dois estávamos muito suados e ofegantes. Eu decidi então atacar ele com uma sequência meio bruta, avancei com dois cruzados, um jab e uma dupla cotovelada que o distraiu por alguns segundos e eu acabei acertando a sua orelha direita.
- PORRA! - ele gritou de dor ou susto com a mão na orelha, eu apenas me afastei assustada e coloquei as mãos na boca, era isso, eu morreria agora.
- Me perdoa, Woods! Juro que não era minha intenção… - tentei me desculpar com ele que havia se afastado para um canto, mas fui interrompida por gritos que vinha do outro lado do tatame.
- WOW, NÃO ACREDITO NO QUE EU ACABEI DE VER! - gritou fascinado, eu olhei para ele e vi , e Romeo ao seu lado me encarando assustados.
- MEU DEUS, GAROTA, EU SOU MUITO SUA FÃ! - disse alto passando as mãos pelos cabelos.
- Você não é normal.. - disse baixo segurando o seu cigarro e me olhando como se eu fosse um alien e eu apenas o ignorei.
Olhei para Woods que voltava do seu canto com duas garrafas de água, ele me entregou uma e bebeu o líquido da outra me encarando curioso, eu bebi um gole de água e o encarei com receio.
- Descansa uns cinco minutos e vamos repetir essa sequência de novo! - ele disse animado enquanto eu via um pouco de sangue escorrendo de seu ouvido, minhas pernas tremeram.
- Não acha melhor pararmos por aqui? - perguntei com receio - Você está sangrando!
- Isso que você fez foi incrível.. Mas agora vamos lutar de verdade! - ele disse sorrindo diabolicamente, eu engoli a água em seco e assenti. Definitivamente eu morreria agora.
Olhei para os outros, Romeo estava em pé e sorria como uma criança com seu copo de café na mão, acenou para mim saindo com o seu computador em mãos e e nos assistiam animados. Eu respirei fundo, fechei os meus olhos e dei uma rápida alongada no corpo, olhei para Woods que me encarava já em sua base de apoio, me posicionei na minha base e o encarei de volta, era agora ou nunca.
Parti para cima dele com uma sequência de chute lateral, jab, direto e cruzado, ele se defendeu, mas veio para cima de mim com um chute frontal que eu recuei me defendendo - provavelmente eu teria morrido ali - avancei para cima dele com um chute circular alto, ele se esquivou e avançou com o joelho, consegui me defender e o chutei de frente também, ele recuou e veio para cima de mim com um direto e dois cruzados, me defendi dos dois primeiros golpes, mas no terceiro ele conseguiu me acertar.
Coloquei a mão em meu rosto resistindo à dor e avancei para cima dele com socos e cotoveladas, ele se defendeu de alguns e foi abatido com outros, mas se recompôs e me atacou com chutes laterais, eu defendi e o ataquei com mais chutes frontais e laterais seguidos de joelhadas e cotoveladas, ele se defendeu com socos diretos e cruzados em direção ao meu rosto, eu somente me esquivava e atacava.
Mesmo sem treinar por um tempo, a luta estava rendendo e estava boa, ele veio para cima de mim com chutes e acabou por me acertar um frontal, eu tentei me equilibrar atacando, mas me desequilibrei e caí de bunda no chão, ele já estava vindo em minha direção para me atacar com mais golpes, eu já estava me posicionando para me defender quando fomos interrompidos por um grito feminino chamando pelo nome de Woods, ele parou e olhou para a direção do grito e viu Val nos encarando com um conjunto de saia e terninho dourados e seus cabelos impecáveis jogados de lado.
- Sei que estão adorando tudo isso.. - ela apontou para nós dois suados e descabelados no tatame - Mas preciso que me acompanhe, Woods, vários russos desembarcaram no Heathrow agora cedo e acredito que são da Bratva! - ela disse séria – pode descansar e comer alguma coisa, mas depois vai se encontrar com os outros na sala de reunião, mostre a eles suas outras habilidades! - ela finalizou com um sorriso orgulhoso, eu apenas assenti enquanto tirava minhas luvas e me sentava.
- Amanhã no mesmo horário, certo? - Woods disse para mim enquanto recolhia as suas coisas - Você é uma adversária e tanto, quero só ver a cara do Mike quando ver tudo o que você é capaz! - ele finalizou assentindo e eu inflei com o elogio.
- Obrigada, Woods, amanhã no mesmo horário.. - respondi com um sorriso tímido e ele saiu em direção ao banheiro.
Eu bebi o restante da água que havia na minha garrafa e respirei fundo, olhei para o relógio timer na parede e vi que já eram 9h30m da manhã, nós havíamos treinado três horas e meia e eu nem notei o tempo passando. Sem contar que foi o único momento em que me esqueci completamente dos meus problemas, acho que esses treinos vão fazer bem para minha sanidade mental.
Estava distraída em meus pensamentos que nem notei passos se aproximando, olhei para o lado e me assustei quando vi ao meu lado me observando e atrás dela olhando os respingos de sangue no tatame enquanto terminava o seu cigarro.
- Você é um baita de um monstrinho, Sem, e eu amei o que fez no tatame! - disse sorrindo e superanimada.
- São anos de treino, , não foi nada demais... - respondi constrangida.
- , você arrancou sangue do Woods... - ela disse constatando a verdade.
- Ele também me acertou! – retruquei, mostrando meu rosto que estava dando pontadas de dor para ela.
- A única pessoa que consegue arrancar sangue do Woods é o Mike.. - se manifestou pela primeira vez - Acredito que você teve sorte! - ele finalizou com desdém e meu lado orgulhoso emitiu o alerta.
- Pode ser sorte... – respondi, me levantando e parando na frente dele - Ou não... Por que não me enfrenta no ringue? - perguntei afrontosa e ele me encarou com frieza.
- Você não aguentaria… - ele respondeu semicerrando os olhos e me encarando - Não sou acostumado a ser bonzinho no ringue… - mordeu os lábios inferiores e encarou o meu corpo - E nem na cama! - ele finalizou com um sorriso malicioso.
Senti os pelos da minha nuca arrepiarem e me afastei dele pegando minhas coisas no banco em que eu estava sentada, provavelmente eu estava ruborizada, mas ele não precisava ver isso. Olhei para e vi que a mesma encarava o irmão abismada com a cena que havia presenciado, ele simplesmente a encarou de volta e sorriu se afastando de nós, ela piscou algumas vezes e se voltou para mim.
- Me desculpa por isso… Só ignora! - ela disse meio atrapalhada com as mãos e eu assenti sentindo coisas em lugares do meu corpo que eu não iria contar para ela.
Afastei os pensamentos pervertidos que tentavam dominar a minha mente e pedi para que me mostrasse o banheiro, mas me lembrei que não havia trazido roupas de troca comigo, ela foi até o armário de treino do Mike e me entregou uma camiseta preta e um short de treino preto com elástico. Tomei um banho e troquei as minhas roupas, guardei as sujas em uma sacola e prendi os meus cabelos sujos, fiz uma nota mental que eu precisava dar um jeito nele, mas precisava ir ao mercado antes.
Coloquei o moletom de Mike por cima das roupas dele que eu estava vestida e me encontrei com na porta do banheiro, nós seguimos para uma outra parte do Bunker que não conhecia, a cozinha, que ficava em frente as escadas para a ala hospitalar e era tão organizada quanto a do apartamento de Mike.
me mostrou a despensa e a geladeira e disse que eu poderia ficar à vontade para fazer lanches sempre que eu quisesse - ela não faz ideia do erro que cometeu - peguei uma garrafinha de suco e mais um pacote de batatas fritas e fiz um lanche ali na cozinha mesmo, eu estava faminta, treinar me deixava faminta, ansiedade e nervosismo me deixavam faminta, então é isso, eu engordaria muito ali naquele lugar.
Depois de ter feito o meu lanche e de estar “apresentável” com as roupas emprestadas de Mike, nós seguimos para a sala onde fizemos a reunião ontem. Chegando lá, nos deparamos com concentrado em seu computador, estava em pé falando ao telefone com a cara fechada, mas logo saiu quando entrei e Romeo analisando a tela da TV que mostrava vários rostos de homens com cara de bandido, fiquei curiosa para saber quem eram os caras, mas estava com receio de perguntar, se aproximou de mim e me cutucou.
- São todos membros da Bratva… - ela disse baixo - Achamos que desembarcaram hoje em Londres e temos quase certeza que vão entrar em contato conosco para negociar a vida da sua mãe! - ela apertou os lábios em uma linha fina, eu a encarei sentindo meu estômago revirar, era isso, os problemas voltaram para a minha mente, eu respirei fundo e assenti.
- Certo, o que posso fazer para ajudar? - falei alto chamando a atenção dos homens presentes na sala. Romeo me olhou por cima dos óculos de grau e me entregou um macbook.
- Consegue entrar no sistema do Heathrow e puxar a ID dos russos que desembarcaram hoje cedo? - ele perguntou sério - está rastreando a família Glaskov, mas esses que chegaram provavelmente estão com identidade falsa irrastreável, então preciso que consiga a foto de cada um para que possamos identificá-los, consegue fazer isso? - finalizou com as sobrancelhas levantadas.
- Acredito que sim, vou dar o meu melhor! – respondi, pegando o MacBook e me sentando na cadeira de frente ao .
- Se precisar de alguma ajuda, eu estou aqui, ! - disse me observando, eu apenas sorri assentindo para ele com a cabeça, era o meu momento de mostrar do que eu era capaz para aqueles mafiosos.


(All in - Branco, Gilli)


Após ficar uma hora descriptografando os códigos do sistema de segurança do Heathrow Airport, consegui a lista de todos os passageiros do vôo vindo direto da Rússia que desembarcou nesta manhã e, também, dos voos com escalas em outros países que também partiram da Rússia. Copiei todos os dados e mandei imprimir na impressora Bluetooth que havia no canto da sala de reunião, me viu ir buscar as folhas impressas e sorriu.
- Então é sério isso? Você também hackeia sistemas? - ele perguntou enquanto se levantava e pegava as folhas da minha mão, Romeo se aproximou para ver as listas também.
- É, eu meio que aprendi quando tentava encontrar dados sobre o meu... Meu pai! - respondi meio sem jeito.
- Ela e um amigo invadiram o sistema da escola em que estudavam para descobrir coisas sobre o pai dela, Rick descobriu isso e eu tive que apagar tudo o que havia sobre Mike no sistema... - Romeo revelou orgulhoso para - nem nos conhecia e já nos dava trabalho! - ele sorriu orgulhoso e meu coração apertou quando me lembrei de Matt, como eu queria saber se ele estava bem, se todos estavam bem.
- Mal sabia em que merda eu estava me metendo... - falei com pesar em minha voz - Pelo menos agora sei quem foi o responsável pelo bloqueio dos meus códigos... - falei encarando séria os homens na minha frente.
- Sinto muito, , eu precisei! - Romeu disse sarcástico, entrou na sala com dois copos grandes de café na mão, me entregou um e se aproximou dos rapazes que analisavam as listas ainda.
- , aqui estão as suas listas, vamos averiguar e riscar os que temos certeza de que são da Bratva. - Romeu disse, entregando alguns papéis para a moça, ela pegou e começou a sua identificação, eu queria sair dali por uns minutos, mas precisava ajudá-los também.
- Precisam que eu faça mais alguma coisa? – perguntei, fingindo animação enquanto dava goles em meu café.
- Acredito que agora não... - Romeo falou olhando para os papéis - Mas assim que surgir algo, te avisamos, pode descansar um pouco - finalizou sorrindo em minha direção.
- Beleza! - respondi me direcionando para a porta e saindo da sala.
Comecei a andar sem rumo pelo bunker, todos estavam trabalhando em busca da minha mãe, uns aqui e outros lá fora, e eu mais perdida do que gostaria de estar. Esse lugar era muito grande, só Deus sabe o que eles já fizeram aqui, as paredes eram gastas e descascadas, havia muitas salas de vidro fechadas, escadas de ferro que levavam para o andar de cima, era tudo muito bem equipado para um lugar de criminosos.
Me aproximei da ala de aparelhos de ginástica, tudo estava desligado, o ringue ficava um pouco mais afastado, me aproximei e passei pelas cordas de delimitação, havia uma luz forte bem em cima, eu fiquei olhando para ela pedindo que me cegasse, senti os meus olhos lacrimejarem e desviei o meu olhar e percebi que lágrimas ainda insistiam em cair, eu estava chorando de novo, involuntariamente.
Me deixei cair no chão e deitei de barriga para cima, voltei a olhar para a luz e deixar as lágrimas caírem, tudo estava silencioso, fechei os meus olhos e tentei me imaginar em um lugar longe, tentei fazer com que aquele pesadelo acabasse, mas tudo o que eu sentia era dor, medo e solidão.
Eu estava inerte, presa na minha mente, quando ouvi barulho de vozes e alguém gritando, levantei no susto e apavorada, notei que Kline estava sentada na grade da ala hospitalar me observando enquanto fumava o seu cigarro habitual.
- O que aconteceu? Que barulhos são esses? - perguntei para ela enquanto saía do ringue assustada.
- Não sei, talvez sejam mais pessoas para serem estripadas... - ela respondeu com animação em seus olhos - Você está bem? Achei que havia desmaiado... Ou sei lá, morrido ali no ringue! - finalizou debochada apontando para o lugar onde eu estava.
- Quem dera fosse isso… - respondi, saindo em direção aos gritos, a mulher simplesmente pulou da grade e se posicionou ao meu lado me acompanhando.
- Você costumava se vestir assim em Dublin? - ela perguntou enquanto andávamos rápido.
- Pior que não... - respondi ofegante - Acredite, estou me sentindo um lixo nesse estado! - revirei os olhos irritada com a minha situação.
Avistei Kane segurando alguém pelo pescoço perto da sala de reunião onde estávamos fazendo pesquisas, ele estava com uma faca na outra mão e falava duro com a “vítima”, me aproximei deles junto de Kate e vimos que Romeo e estavam tirando coisas de dentro de uma mala preta.
Olhei para o homem que gritava e vi que o mesmo aparentava os caras que Romeo estava vendo na tela da TV mais cedo, meu coração quase parou, procurei o ar para respirar e parei ao lado de .
- Ele é um deles? - perguntei ofegante.
- Sim, estava amarrado em um poste na entrada do bairro com isso na cabeça.. - respondeu sério me mostrando uma máscara de leão, olhei para a máscara, e depois olhei para o cara.
- Tinha mais alguma coisa com ele? - tornei a questionar.
- Estamos procurando, ele é um mensageiro, isso é certeza... - Romeo confirmou o que eu estava pensando.
Me aproximei do cara que sorria para mim com prazer, quanto mais Kane o sufocava, mais ele sorria. Avistei se aproximando com correntes e algemas, puta merda, isso de novo não.
- Vocês vão torturá-lo? - perguntei nervosa.
- Óbvio ou você quer que façamos carinho nele? - respondeu irônico enquanto prendia os braços do cara nas correntes.
- Larga de ser idiota, , quero saber se não existem outras formas de conseguir respostas porra! - retruquei irritada enquanto me colocava na frente do cara amarrado.
- Que funcione? Acho que não! - Kane disse ríspido em minha direção - Alguém tira essa desgraça de guria daqui de perto! - ele disse alto e eu me aproximei mais do cara que parecia que queria dizer algo.
- Ele quer falar alguma coisa... - falei curiosa me aproximando mais para tentar entender.
- EMMA, SAI DE PERTO... - gritou, mas quando olhei para ele fui surpreendida por uma corrente enrolada no meu pescoço e um corpo atrás de mim puxando as correntes, o homem da Bratva, ele havia conseguido driblar Kane e me prender pelo pescoço, tentei me soltar, mas quanto mais eu puxava as correntes, mais ele apertava e esfregava o corpo nojento dele no meu corpo.
- EMMA! - ouvi se aproximando aos gritos. - SOLTA ELA, SEU VERME!
- LARGA ELA AGORA OU VOCÊ MORRE, DESGRAÇADO! - gritou entre os dentes.
- Você provavelmente é a filha do Kingston, não? - o homem dizia no meu ouvido - Você deve ser tão deliciosa quanto a ruiva que está com a gente! - ele disse rindo diabolicamente enquanto me apertava, eu tentava gritar, mas a minha voz não saía, vi apontando arma em nossa direção, Romeo estava com as mãos estendidas, falando algumas coisas, estava chorando e falando alguma coisa, meu ar estava acabando, ele me apertou mais para perto - A mensagem está dentro de mim! - ele disse, sussurrando em meus ouvidos, mas tudo estava ficando borrado, talvez fosse alucinação, pisei no pé do cara, mas ele resistiu, golpeei a sua costela com o cotovelo, mas eu estava ficando sem forças, foi quando eu ouvi um disparo em minha direção e as correntes começar a se afrouxar, o homem caiu e me levou junto para o chão me fazendo cair sobre ele.
O ar voltou fraco, mas voltou, olhei para o homem agonizando no meu cabelo, Kane veio e tirou as correntes que estavam em volta do meu pescoço, eu sentia as lágrimas caindo no meu rosto, senti meu coração disparado, veio em minha direção guardando a arma e me ajudou a sair de cima do cara, mas minhas pernas estavam tremendo muito, me abraçou por um lado para que eu não caísse e Kline se aproximou para me ajudar.
Vi a imagem do homem agonizando e fumaça saindo do buraco feito na testa dele e lembrei o que ele havia me dito, olhei para as pessoas ao meu redor e meus olhos se encontraram com os verdes de Mike que havia surgido do outro lado do corpo do cara.
- Dentro de-dele... - falei para ele em meio a soluços - A me-me-mensa-sagem… Está dentro! - finalizei aos soluços, ele assentiu.
- Vamos abrir ele! - Mike disse autoritário.
- não pode ficar aqui ou ela vai entrar em colapso! - Kline se manifestou preocupada ao mesmo tempo em que Val e Woods entraram às pressas no bunker.
- MAS O QUE… - Val começou, mas viu o corpo no chão e me viu apoiada em toda suja de sangue - TIREM A EMMA DAQUI AGORA! - disse alto e dura vindo em minha direção.
- Hughes, a leve para longe daqui... - Kline disse baixo para me soltando.
- Pode ir K, eu vou abrir ele! - Kane disse animado enquanto se abaixava perto do corpo com a sua faca na mão.
- EU SOU A MÉDICA, EU É QUEM TENHO QUE ABRIR! - Kline gritou duro com o homem que se assustou e abriu caminho para ela.
- ANDEM LOGO COM ESSA PORRA! - Mike gritou irritado - COMO DEIXARAM ESSA MERDA ACONTECER? - perguntou bravo olhando para enquanto Kline e Kane rasgavam o homem morto e eu resistia a ter que sair dali, eu queria ver a mensagem, eu estava em pânico, mas precisava saber, era a minha mãe porra.
- A DOIDA DA SUA FILHA QUE DECIDIU SE APROXIMAR DO CARA ENQUANTO ESTÁVAMOS PRENDENDO-O! - respondeu no mesmo tom irritado se colocando na frente de Mike.
- VOCÊ ESTÁ ME ENFRENTANDO? - Mike perguntou afrontoso - DEIXA MINHA FILHA SER REFÉM DE UM ESTUPRADOR RUSSO E AINDA QUER ESTAR CERTO? - finalizou se aproximando mais de com raiva.
- PAREM COM ESSA MERDA AGORA MESMO OU ATIRO EM VOCÊS DOIS! - Romeo disse alto e nervoso para os homens, que ficaram quietos, mas continuaram se encarando.
- , vamos sair daqui agora! - Val disse enquanto ajudava a me puxar para longe.
- Não, eu não vou antes de ver a mensagem! - falei tentando me soltar das mulheres com toda a força que eu podia que não era muita. - É minha mãe, ele disse que a ruiva estava com eles e a minha mãe é ruiva! - falei alto para quem quisesse ouvir.
- ACHEI! - Kline gritou tirando a mão sangrenta de dentro do corpo do homem - É um pendrive, está amarrado dentro de um pacotinho... - disse ela enquanto analisava o pequeno pacote em suas mãos cheias de sangue.
- O cara engoliu o pendrive? - perguntei atônita olhando para aquela cena.
- Sim, isso é normal... - disse com calma - Mas você não deveria estar vendo isso agora! - ela finalizou preocupada e eu ri com sarcasmo.
- Chega a ser irônico você dizer isso... - revirei os olhos, irritada - Em menos de uma semana, minha mãe foi sequestrada, me apontaram uma arma, presenciei um ato de tortura, me agrediram fisicamente, me vi deitada na poça de sangue duas vezes com cadáveres ao meu lado e meu cabelo ta todo cheio de sangue de homens mortos. - sorri irônica – Acredite... Nada mais me surpreende aqui, !
- Sinto muito por isso, ... - ela respondeu constrangida.
- Não sinta, é minha vida agora! - falei sem emoção enquanto encarava Mike, que abaixou os olhos e seguiu com os outros para dentro da sala de reunião, me forcei a levantar para entrar na sala também, mas Val se colocou em minha frente impedindo a minha passagem.
- Você está preparada para o que você pode ver ali dentro? - ela perguntou preocupada, eu respirei fundo e a encarei.
- Eu não estou preparada para nada disso aqui… - apontei para o sangue ao meu redor - Mas eu não tenho escolha, tenho? - perguntei impaciente.
- Infelizmente não... - ela respondeu e abriu caminho para que eu passasse, se colocando ao meu lado logo em seguida.
Todos já estavam posicionados ao redor da mesa quando entrei e fiquei ali mesmo, em pé ao lado da porta e olhando para a TV. Se antes eu já estava toda arregaçada, agora eu deveria estar três vezes pior, mas não vou ficar pensando nisso.
terminou de limpar o pendrive e o conectou no MacBook, logo a imagem de uma mulher amordaçada e amarrada em uma cadeira apareceu na tela, meu coração disparou e o ar acabou de novo, era ela, era a minha mãe.
Michael me encarou preocupado e começou a vir em minha direção, mas eu o interrompi.
- NÃO! - estendi a mão para ele parar - APERTA O PLAY, ALEX! – pedi, sentindo meu corpo todo tremer e minha respiração falhar - Por favor... - finalizei em meio às lágrimas.
- … - Michael começou a falar em um tom baixo.
- Por favor… Aperta o play! - pedi novamente fechando os meus olhos e tentando encontrar o ar.
questionou Valerie com o olhar e ela apenas assentiu do meu lado, ele apertou o play e o vídeo começou. Alguém arrancou a fita da boca da minha mãe - que chorava muito e estava machucada - e em seguida colocou uma arma engatilhada na cabeça dela obrigando-a a falar.
-- Vocês precisa-sam devo-volver tudo o que roubaram dos Bratva, o prazo é de uma semana, caso contrário, na próxima mensagem, vocês assistirão partes do meu corpo serem arrancadas, e assim será até que eu esteja morta! - ela disse com os olhos fixos e mortos em direção a câmera e o vídeo pausou, minhas pernas falharam e eu caí chorando no chão da sala batendo com minha cabeça na porta.
- M-minha mã-ãe.. - disse em meio a soluços - Sal-salvem a mi-minha mã-ãe! - implorei chorando igual a uma criança.
- , vamos fazer tudo o que pudermos, querida.. - Val se sentou ao meu lado no chão e me abraçou.
- , eu sinto tanto pelo que está sentindo.. - disse chorando ao meu lado e segurando a minha mão.
Olhei para os homens que estavam todos sérios e constrangidos e vi Michael que estava com os olhos fixos na imagem pausada de minha mãe. Seus punhos estavam cerrados e ele encarava a imagem como se fosse toda a sua motivação de vida, ele estava com ódio estampado em seus olhos e eu espero que do fundo do meu coração, ele use isso para salvar a minha mãe.
Val e me levaram para o banheiro e eu não estava sentindo mais nada, estava anestesiada com a dor ou meu sistema nervoso tinha explodido. Tudo estava em câmera lenta, todos me olhavam preocupados e eu só queria morrer ou estar no lugar da minha mãe. começou a passar uma toalha molhada no meu corpo e Val soltava os meus cabelos para poder lavar, vi a minha imagem no espelho e fiquei com medo, meu cabelo estava todo sujo de sangue, meu rosto também, as minhas olheiras estavam três vezes maiores e minhas roupas estavam um lixo de tão imundas, sem contar que eram o dobro do meu tamanho. Notei uma tesoura dentro de um dos vidros de utensílios do banheiro, a peguei e entreguei para Val.
- Corta… - pedi e continuei a observar a minha imagem no espelho - Preciso ser uma pessoa diferente da que eu era semana passada... - falei sem emoção.
- Você tem certeza, querida? - ela perguntou preocupada.
- , nós podemos lavar e hidratar... - tentou me convencer.
- Corta, eu preciso que você corte! - falei séria para Val que apenas assentiu e colocou uma toalha em volta do meu pescoço me virando de costas para o espelho.
Depois de algum tempo dentro do banheiro, Kline entrou com um copo na mão e arregalou os olhos ao me ver.
- Wow, nossa… Isso que é radicalizar! - ela disse me entregando o copo, sem nem saber o que era eu peguei e tomei o líquido. Val tirou a toalha e sacudiu os cabelos cortados, eu me virei para o espelho e admirei a imagem que eu estava vendo.
Meus cabelos estavam cortados um pouco acima do ombro, mas já havia dado uma enorme diferença, apertou um pouco as pontas do meu cabelo e eles ondularam, gostei da imagem que eu estava vendo no espelho.
- Obrigada.. Por tudo! - agradeci às mulheres que estavam comigo com um sorriso fraco e lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
- Por nada, querida... - Val disse enquanto me abraçava de lado - Você vai passar por tudo isso, você é forte! - ela finalizou com um sorriso acolhedor.
- É verdade… Mas não sou de abraços, sorry... - Kline disse se se encostando à parede e nos observando - Mas qualquer coisa estaremos aqui e temos drogas! - finalizou solidária, eu sorri e Val a repreendeu com o olhar.
Ouvimos batidas na porta, Kline abriu e Mike me encarou.
- Podemos ir para casa? - ele perguntou baixo, eu o encarei de volta e assenti.
- Mike, ela poderia ir para minha casa, poderia fazer companhia para ela a noite! - Val sugeriu.
- , você quem sabe... - ele respondeu me encarando.
- Eu vou com o Mike... Mas muito obrigada pelo convite, Val! - agradeci sem jeito indo em direção à porta. Mike assentiu e agradeceu baixo para as mulheres.
A sensação de ser o centro das atenções ainda permanecia comigo, assim que saí do banheiro me deparei com e sentados no ringue, eles me encararam da cabeça aos pés, mas não disseram nada, Mike os encarou amigavelmente e colocou o braço em volta do meu ombro e me guiou para a saída, Woods nos esperava no portal de ferro, apenas nos encarou sério e se aproximou.
- Tudo bem se não quiser vir treinar amanhã, podemos fazer isso depois, .. - ele disse em minha direção.
- Te espero no tatame as 6h da matina, Woods! - respondi determinada.
- Esse é o sangue Kingston que conheço.. - Woods respondeu sorrindo fraco e saiu, Mike esboçou um sorriso orgulhoso e eu revirei os olhos.
Saímos do bunker em silêncio, não saberia explicar o que estava sentindo, só sei que nem comida acalmaria a minha alma, talvez um banho, talvez uma nova vida. É o que teria que ser a partir de amanhã, uma nova .


Capítulo 4


(The Way I Are -Timbaland)
Eram 4:30 da manhã e aqui estava eu admirando novamente a minha imagem no espelho, eu realmente precisava dessa mudança. Depois de ficar 30 minutos debaixo do chuveiro duplo incrível que havia no meu banheiro e deixar a água fria cair sobre minha cabeça, senti o meu corpo revigorar, minhas energias voltarem aos poucos. Mesmo que eu não tenha dormido o suficiente para isso, me sentia viva.
Passei um pouco de hidratante no corpo e no meu rosto, sequei os meus cabelos e vesti uma legging preta com uma regata branca, calcei os meus tênis e fui para a cozinha. Mike ainda não havia levantado, abri a geladeira e respirei fundo, estava completamente vazia, só havia cervejas, alguns pães e água, peguei as poucas fatias de pães que havia e coloquei na torradeira, liguei a cafeteira e enquanto esperava peguei um bloquinho de notas com uma caneta que estava em cima do balcão e comecei a fazer uma lista de tudo o que Mike precisaria comprar para a despensa dessa casa, agora que eu morava com ele, eu odiava mercados, então ele teria que dar um jeito nisso.
Noite passada, quando chegamos ao apartamento, eu estava muito cansada, Mike decidiu pedir uma pizza para nós enquanto eu tomava banho e lavava o meu cabelo. Quando terminei, ele também já havia se banhado e me esperava na sala com a pizza em cima da mesinha de centro, sentei com ele e nós jantamos, ele me serviu uma dose de whisky e começou a falar algumas coisas sobre a vida dele, nós tivemos um momento até agradável, não conversamos sobre nada relacionado a facção ou o que havia acontecido, tivemos em um momento de paz.
Devido a isso, decidi fazer algo agradável para ele também, coloquei as torradas em um prato e, quando me virei para colocá-las no balcão, dei de cara com Michael me observando curioso.
- Bom dia, Mike, eu espero que goste de torradas, foi o que achei para fazer! - falei animada colocando o prato no balcão.
- Nem sabia que você sabia usar uma torradeira... - ele disse se sentando em frente ao balcão, eu sorri e peguei uma caneca de café colocando na frente dele.
- Acredite você ainda vai se surpreender comigo! – falei, dando uma piscada para ele e me voltando para a cafeteira para pegar uma caneca para mim.
- Obrigado pelo café e pelas torradas... - Mike disse meio sem jeito e deu um gole em seu café - Ah, Thomas pediu para avisar que só vai poder estar no bunker às 8h, então pode descansar mais se quiser...
- Ah, que droga... Eu não conseguiria voltar a dormir agora... – respondi pensativa, tomei um gole do café e avistei a lista de compras que havia feito - Pode comprar essas coisas aqui? - entreguei a lista para ele e apertei os lábios com vergonha.
- Ah sim, eu iria lhe perguntar isso, se estava precisando de algo... - ele pegou a lista e analisou - Vou pedir para a Madalena comprar, mais alguma coisa?
- Madalena? - perguntei curiosa.
- Funcionária que limpa o apartamento, só vem quando a casa está vazia e é da equipe de segurança também. - ele disse enquanto guardava a lista no bolso da calça.
- Ah sim e, já que perguntou, eu meio que estou precisando de algumas coisas... - falei pegando o prato vazio e as canecas e colocando na lava-louças.
- , não acho que esteja preparada para ter eletrônicos ainda... - Mike falou preocupado, me virei para ele e sorri sincera.
- Eu entendo, Mike, não se preocupe! - fiz sinal com as mãos em rendição - Preciso manter minha família e amigos longe, pois eles precisam ficar em segurança... - assenti com a cabeça - Preciso de roupas e equipamentos para treinar, Mike! - finalizei sem jeito.
- Ah sim... - ele abaixou a cabeça e sorriu - Podemos resolver isso, vamos sair para comprar o que precisa, então. - ele se levantou, pegou o celular, a carteira, a arma e as chaves do carro e me encarou seguindo em direção a porta.
- Então vamos e de lá podemos ir direto para o bunker, se quiser! - respondi animada o seguindo.
- Pode ser! – Mike finalizou assentindo.
Acho que estávamos começando a nos dar bem. Eu precisava jogar do jeito dele se eu quisesse me dar bem naquele meio em que ele vivia.
Nós fomos a uma loja que ficava no centro da cidade, Mike já conhecia os donos do lugar, então, quando chegamos, ele disse para eu escolher tudo o que eu queria, assenti e comecei a andar pela loja, pegando o que eu estava precisando no momento, peguei luvas de boxe, bandagens e luvas de gel, vários conjuntos de roupas para treinar, protetores bucais e corporais, garrafas de água e uma mochila. Levei meu carrinho de compras até onde Mike estava e ele encarou minhas compras e assentiu achando graça.
- O que foi? - perguntei curiosa.
- Nada! - ele começou a passar as compras no caixa - Só pensei que você fosse mais “menininha” do que estou vendo!
- Pensou errado! - falei o encarando com desdém - Sei ser “menininha”, mas sou muito mais “valentona” do que pensa, daddy - enfatizei a última palavra com sarcasmo
- Estou vendo isso... - ele terminou de passar as coisas e entregou o cartão para a atendente que mordia os lábios e o encarava com segundas intenções. - Você poderia parecer menos comigo, , já está ficando assustador! - ele finalizou e eu fiquei encarando a atendente sem nem prestar atenção no que ele estava falando.
- Moça, por que você não pede o número dele logo? - perguntei para a atendente com ironia.
- O que? Não sei do que está falando senhorita... - ela respondeu constrangida e nervosa com a situação e Mike me fuzilou com o olhar.
- ! - ele pediu alto me encarando - Por favor, não começa... - implorou baixo em seguida.
- O que? - perguntei inocente - Ela está descaradamente dando em cima de você aqui, dá logo o seu número para ela e garante o orgasmo de hoje, daddy... - apontei para a moça com desdém enquanto a mesma embalava a minha compra nervosa e sem nos olhar no rosto.
- Nã-ão senhorita, por favo-vor, não faça isso… - a moça me pediu gaguejando.
- Me desculpa, moça, é minha filha, ela é meio perturbada! - Mike pediu desculpas pegando as minhas sacolas com uma mão e me puxando pelo braço com a outra - Vamos sair daqui logo!
- O que? - perguntei sendo puxada e querendo rir da situação - Eu estava tentando te ajudar a transar, Mike!
- Cala a boca, ! - ele vociferou baixo em minha direção enquanto saiamos da loja e eu desatei a rir da cara que ele fez. - Você é doida? Como faz umas coisas dessas?
- Ela estava dando em cima de você na minha frente, Michael! - falei constatando o óbvio quando paramos em frente ao bagageiro do carro - Não sou obrigada a ver isso e ficar calada! - ele guardou as sacolas e me encarou com os olhos semicerrados.
- Então você estava com ciúmes? - perguntou curioso, eu o encarei atônita e séria.
- SAI FORA, MICHAEL! - respondi alto enquanto virava as costas para ele e entrava no carro, ele entrou no carro em seguida apertando os lábios querendo rir.
- Não pensei que sentiria isso por mim, sinceramente... - ele começou, mas eu o interrompi.
- Cala a boca e vai se foder, Michael… - revirei os olhos e ele riu pela primeira vez na minha frente - Não estou sentindo nada!
- Tudo bem, então... - ele disse ainda rindo e acelerando o carro para fora do estacionamento. - Quer passar em mais algum lugar?
- Não, pode ir direto para o bunker! - respondi olhando para fora da janela e querendo rir. Ciúmes do Mike? Eu? No way!
Ao chegarmos ao bunker, Mike pegou as minhas sacolas e nós seguimos para dentro, ele levou as minhas coisas para o setor dos armários e disse para eu escolher algum para mim, eu escolhi, agradeci e disse que ele poderia ir fazer as coisas dele.
Ainda faltavam algum tempo para Woods chegar, guardei as coisas que eu não iria precisar agora meu armário e segui para o banheiro com as minhas novas roupas de treino, me troquei, coloquei um short largo de muay thai e um top preto por baixo da regata que eu estava usando, prendi parte dos meus cabelos que agora estavam curtos e voltei para os armários, guardei o resto das minhas coisas e subi para o ringue para me aquecer.
Não vi mais ninguém no bunker além de nós dois, talvez houvesse alguém ali, mas tudo estava silencioso. Eu estava tentando manter a minha mente vazia, mas as imagens da minha mãe sendo torturada naquele vídeo insistiam em voltar, eu precisava confiar de que os Chimeras iriam salvá-la, querendo ou não, agora eu era um deles e precisava agir como tal.
Já havia terminado de aquecer e Woods ainda não havia chegado, enchi minha garrafa de água e decidi dar uns socos no saco de areia que ficava pendurado acima do ringue, coloquei as minhas luvas em gel, puxei o saco para baixo e comecei a socá-lo para limpar a minha mente.
Acredito que fiquei uns 20 minutos socando, mas estava tão concentrada que não vi ninguém chegar, quando dei por mim que vi Woods segurando o saco de areia do outro lado.
- Hey, não vi você chegar! - parei de socar toda suada e o encarei - Está tudo bem?
- Comigo sim e com você? - ele perguntou curioso - Chamei você umas três vezes e não respondeu, estava tão focada, aí que fiquei preocupado! - ele disse com os olhos arregalados em minha direção.
- Estou bem, só estava aquecendo… - respondi bebendo um pouco de água - Mas e aí, vamos treinar? - perguntei estralando o pescoço.
- Certo, vamos! - ele começou a se aquecer - Me desculpe o atraso, tive um imprevisto, não costumo me atrasar...
- Já estava me perguntando se você era inglês mesmo... - falei me encostando nas cordas do ringue e rindo.
- Eu sou e me orgulho muito disso! - ele respondeu determinado - Pedi para Mike te avisar do meu atraso, ele avisou?
- Só que chegaria às 8h... - respondi o observando aquecer - Mas não sei que horas são agora, então está perdoado...
- Vou falar para Mike arranjar um smartphone para você.. - ele disse enquanto finalizava seu aquecimento - Acho que já tem dimensão do perigo em que pode colocar as pessoas da sua vida se entrar em contato com elas! - ele me encarou questionando com o olhar, eu o encarei de volta e assenti colocando minha garrafinha em um canto do ringue.
- Estou ciente já… Fica tranquilo! - evitei prolongar o assunto e me aproximei dele - Vamos fazer isso... - me posicionei na base e o chamei com a ponta dos dedos, ele riu e me atacou.
Nós estávamos treinando já fazia umas duas horas, os dois estavam suados e sujos e com alguns hematomas no corpo, mas tudo na paz. Woods era um bom parceiro de treino, sabia os limites de cada um e principalmente, sabia que eu não desistia fácil das coisas. Nós paramos para descansar, pegamos nossas garrafinhas de água e nos sentamos nas cordas do ringue, ele me contou um pouco sobre às vezes em que teve que usar a luta em algumas brigas, disse que era algo que eu deveria normalizar na minha vida.
Nós estávamos nos conhecendo, ele tinha o dobro da minha idade, mas era um homem muito bonito, mas eu não tinha intenções de dar em cima dele ou coisa do tipo, acho que vejo ele mais como um tio, que provavelmente ficará no lugar do Tio Rick, meu coração até apertou quando me lembrei dele, mas respirei fundo e olhei para o lado de onde vinha o barulho de saltos, era que se aproximava com um sorriso malicioso segurando um pacote enorme nas mãos.
- .. - disse ela cantarolando enquanto se aproximava do ringue, ela estava vestida com um macacão curto verde e saltos pretos - Adivinha o que tenho em minhas mãos? - perguntou animada apontando para o pacote.
- Hey, .. Está bem? - perguntei sorrateira - Isso aí é um vestido novo? - perguntei com receio olhando para o pacote, Woods se aproximou da garota e desceu do ringue curioso.
- E aí, Hughes, os meninos já estão aí? - ele perguntou para a garota.
- Sim, lá na SR3 te esperando... - ela respondeu o homem rapidamente e desviou o olhar para mim - E SIM, É UM VESTIDO NOVO... PARA VOCÊ! - ela falou alto e com muita animação enquanto andava em minha direção, semicerrei os olhos para ela e desci do ringue me aproximando da garota enquanto Woods terminava de beber sua água e nos observava atento.
- Certo... E você quer que eu use no treino? - perguntei com sarcasmo - Eu não tenho para onde ir, ...
- , querida deixe eu lhe dizer uma coisa... - ela disse evitando se aproximar por conta da minha situação - Você tem muitos lugares para ir aqui em Londres, só não pode ir sozinha!
- Que porra de facção acha que somos? - Woods me perguntou confuso - Nós comandamos o tráfico de drogas dessa merda de cidade, , e temos muitas boates para fornecer e frequentar! - ele finalizou constatando.
- Exatamente! - concordou sorrindo - E já falei com o Mike, hoje você vai aprender como se diverte na terra da rainha... - ela finalizou mordendo os lábios com uma feição maliciosa.
- Certo... - concordei estranhando a feição da garota ao meu lado - Nós ainda vamos treinar, Woods? - perguntei para o homem na minha frente.
- Não, por hoje estamos bem... - ele disse verificando algo em seu celular - Tenho umas coisas para resolver, nos vemos na segunda, ok?
- Ok... - assenti tirando minhas luvas e me sentando no banco.
- E ah, sem problemas hoje, né, ? - Woods perguntou enquanto saia.
- Não prometo nada, mas farei um esforço! - respondeu o homem com um sorriso inocente, enquanto ele balançou a cabeça em negação e saiu rindo.
- É sério que o Mike não ligou de irmos para a balada hoje? - perguntei curiosa para enquanto massageava as minhas mãos.
- Sim, falei com ele logo que cheguei e ele liberou! - ela disse animada - Ele está diferente hoje, meio que feliz… Aconteceu algo? - ela perguntou curiosa como se algo muito raro tivesse acontecido, eu me lembrei do episódio da atendente e ri baixo.
- Não, nada de diferente, só estamos evitando brigar mesmo! - respondi rápido e me levantei - Preciso de uma toalha de banho, pode me mostrar onde tem?
- Precisa mesmo... Vem, eu te mostro! - ela disse rindo da minha cara e eu apenas concordei, eu estava leve e, saber que eu sairia daquela bolha por uma noite, me deixou mais leve ainda.
me mostrou as toalhas e onde ficavam os secadores e acessórios do banheiro, eu tomei um banho de lavar a alma, vesti uma calça legging preta com uma camiseta preta - um pouco longa - e sem manga do ACDC, calcei as minhas botinhas pretas, sequei o meu cabelo, fiz uma make básica e encarei o meu reflexo no espelho, essa seria a nova , sem olheiras, sem choro e determinada a salvar a mãe dela. Juntei as minhas roupas sujas e coloquei em uma sacola, peguei meus equipamentos e os guardei no armário.

(I love it - Kanye West, Lil Pump)
Depois de já tomada banho e estar parecendo gente, fui para a cozinha e encontrei conversando com um asiático, ambos ficaram em silêncio quando entrei, revirei os meus olhos enquanto pegava uma garrafa de suco na geladeira e me virei para eles curiosa.
- E aí, quem é o Jackie Chan? - perguntei com um sorriso inocente no rosto enquanto abria o meu suco, riu e o outro somente me encarou.
- Sem, esse é o Zeke Yagami... - apontou para o asiático que continuava me encarando - Ele é um dos filhos da Val e do Romeo! - finalizou enquanto eu engasgava com o suco que eu estava bebendo.
- Espera... - pedi enquanto me recuperava - Você é filho dos Davies? Como assim? Por que não tem Davies? - perguntei para o asiático com a feição confusa – , eu estou confusa! - olhei em direção ao outro, que somente ria da minha reação.
- Sim, sou filho dos Davies.. Fui adotado! - Zeke respondeu a minha pergunta me analisando com diversão - E você deve ser Senhorita Kingston, filha do Michael!
- Sim, sou essa daí mesmo... - bebi mais um gole do suco, ainda confusa.
- , o Zeke é um gênio, ele é o responsável por toda a segurança e tecnologia que nós temos. - disse apontando o bunker com o dedo.
- Porra, você deve ser muito inteligente mesmo... - falei atônita e curiosa - Por que não vi você antes?
- Eu estava em Dublin apagando todos os rastros da sua existência... - Zeke respondeu rápido enquanto bebia um gole de sua bebida, eu arregalei os olhos para que entendeu rapidamente o que eu estava pensando.
- Sua família e amigos ainda sabem que você existe, .. - falou com intenção de me acalmar - Só não existem mais registros escolares, de viagem ou quaisquer outros dados seus nos sistemas da Irlanda.
- Ah... Então, eu nunca existi em Dublin? - perguntei pensativa lembrando a vida que eu tinha lá.
- Não, só na memória dos seus conhecidos! - Zeke respondeu me encarando.
- Certo, então.. - observei os dois me encarando preocupados - Preciso digerir alguma coisa depois disso! - falei abrindo a geladeira e pegando um hambúrguer congelado, colocando-o no micro-ondas em seguida e esperando esquentar virada de costas para os garotos.
- Nós somos família agora, Srtª Kingston, vamos cuidar de você, não se preocupe! - Zeke falou preocupado, eu sorri com a atitude do meu mais recente conhecido, mas logo o sorriso desapareceu.
- Falando nesse negócio de família, quando vamos fazer a iniciação da Kingston? - perguntou enquanto entrava na cozinha e abria a geladeira sem cumprimentar ninguém, eu tirei meu hambúrguer pronto do micro-ondas e o encarei sem humor.
- Iniciação? - perguntei curiosa, ele fechou a geladeira e me encarou dos pés à cabeça com malícia.
- Sim, iniciação… Para ser oficialmente uma Chimera você precisa passar por uma! - ele respondeu enquanto encarava a minha boca, eu percebi e mordi o sanduíche saindo da frente dele, não estou precisando de distrações no momento.
- Aí é com Mike, ele precisa autorizar, cara... - respondeu assentindo com a cabeça - Mas quem sabe neste fim de semana...
- Ah ‘tá! - falei me sentando enquanto engolia o sanduíche, ele se sentou do meu lado e tomou um gole do meu suco. - ISSO É MEU, CARALHO!
- E daí? - ele perguntou ainda tomando o suco, eu bufei e voltei à atenção para o meu sanduíche.
- Eles já estão transando? - Zeke perguntou para enquanto nos observava atento, eu engasguei novamente com o hambúrguer enquanto se engasgava com o suco.
riu das nossas reações e veio me ajudar.
- Não que eu saiba, Zeke! - respondeu o rapaz enquanto batia nas minhas costas.
- Não estamos! - disse se recuperando.
- NÃO MESMO! - falei alto me recuperando e largando o sanduíche na mesa - Perdi até a fome agora! - falei respirando fundo, imaginando a hipótese e afastando a ideia tentadora da minha mente.
- Ah sim... Tenho certeza de que isso vai acontecer ainda! - Zeke falou calmo enquanto se levantava e eu o encarei séria e me levantei junto.
- OLHA AQUI, JAPONÊS... - comecei a brigar quando fui interrompida por , que me puxou para a cadeira novamente.
- Sossega, , nós vamos trabalhar, termina o seu lanche e vem nos ajudar! - disse determinado - E se controla, ! - falou sério com o outro ao meu lado e saiu da cozinha acompanhado de Zeke.
Assim que os rapazes saíram da cozinha, peguei o meu sanduíche novamente e voltei a comer, sem me importar com a presença de ao meu lado, ele ainda estava com a minha garrafa de suco nas mãos, estava encarando a garrafa com uma feição preocupada, eu definitivamente não queria perguntar, engoli o pedaço que eu estava mastigando e o encarei.
- Então... Você está bem? - perguntei com receio.
- Na medida do possível... - respondeu voltando ao normal - Mas quer dizer então que você resolveu mudar o visual... - ele me encarou e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha - Eu gostei do seu cabelo assim... - disse baixo sem parar de me encarar, eu percebi o que ele estava fazendo e sorri de canto de boca, ele não tem ideia de onde está se metendo.
- Que bom que gostou... - respondi baixo e encarei a boca dele - É bom que assim você pode virar crítico de moda... As garotas adoram! - finalizei com sarcasmo e tirei a mão dele do meu cabelo enquanto me levantava, ele fechou os olhos e respirou fundo.
- ... ... Não desdenha, não... - ele disse enquanto eu jogava a embalagem do lanche fora e lavava as minhas mãos.
- Não estou desdenhando... Estou constatando realidades! - falei com deboche sem olhar no rosto dele, senti um calor se aproximar do meu corpo por trás e mãos tocarem a minha cintura, senti meus pelos se arrepiarem e algo queimar na minha região íntima - Que porra é essa, ? - falei tentando não gaguejar, ele puxou meu cabelo para trás e beijou o meu pescoço de leve.
- Só estou constatando realidades ... - sussurrou em meu ouvido, e eu já não estava mais raciocinando direito, ele se afastou e meu corpo sentiu falta - Enfim, já consegui o que eu queria... Então, não demora aí, tem coisa para você fazer! - finalizou sério e saiu da cozinha, eu peguei uma garrafa de água gelada na geladeira e bebi por completo, as coisas estavam muito quentes por ali.
Respirei fundo, arrumei a minha postura e fui para a sala onde os meninos estavam. Chegando lá vi Zeke sentado ao lado de Romeo, na ponta da mesa e e do outro lado, adentrei a sala cumprimentando somente Romeo e seguindo para o lado de .
- E aí, o que temos para hoje? - perguntei me sentando ao lado de Olívia.
Romeo sorriu e veio até onde eu estava me entregando uma caixa com um laço em volta.
- Esse é seu, para trabalhar mais à vontade! - o homem disse e voltou para o seu lugar, eu o encarei, depois olhei para a caixa, abri e me deparei com um MacBook novinho e de última geração.
- Ai meu Deus! - coloquei a mão na boca - É sério que é meu? - perguntei para Romeo e depois olhei para .
- Sim, todo seu... - respondeu e sorriu.
- Mike sabe disso? - perguntei com receio.
- Sim, ele sabe e concordou... - Romeo respondeu.
- Eu falei que ele estava estranho hoje, ! - constatou e eu sorri abrindo meu novo MacBook e o liguei.
- Muito obrigada, eu amei! - agradeci simpática para Romeo.
- ‘Tá, mas isso não é para diversão, é para trabalho! - disse sério para mim enquanto juntava algumas pastas na sua frente, eu o encarei e revirei os olhos voltando minha atenção para Romeo.
- O que preciso fazer? - perguntei séria.
- Hoje preciso que você rastreie a origem do vídeo que nos enviaram... - Romeo falou com receio - Mas se acha que não vai dar conta, posso repassar para outro! - ele finalizou rápido enquanto todos me encaravam atentos, eu engoli seco e apertei os lábios.
- Eu posso fazer isso! - respondi rápido, indo contra todas as vontades da minha mente de ver aquele vídeo novamente, mas eu preciso ser forte, mesmo que fosse um gatilho para a nova , eu precisava passar por isso. - Cadê o pen drive? - perguntei séria, me entregou e assentiu.
- Já instalei todos os antivírus e protetores necessários no seu Mac, então manda a ver, ... - falou confiante e eu assenti.
- Obrigada, ... Tem algum fone de ouvido disponível? - perguntei para ele, o mesmo tirou um de dentro da caixa na minha frente e me entregou, eu agradeci com a cabeça.
Iniciei o Mac e notei que realmente já havia feito toda a configuração necessária, então conectei o pen drive, o fone e abri o vídeo, se era para mexer na ferida, então vamos fazer direito. Assisti ao vídeo umas duas vezes seguidas, ver minha mãe naquela situação era muito doloroso, mas dizem que para sarar a ferida é necessário sentir a dor, então eu vou senti-la quantas vezes forem necessárias.
Olhei para as pessoas na mesa, estava mostrando algo no computador dele para , Romeo falava com alguém no celular, Zeke olhava concentrado para a sua tela e estudava algo em sua pasta, até que seu celular tocou, ele atendeu e saiu apressado da sala. Olhei para questionando com o olhar, ela somente encarou o irmão correndo pelas paredes de vidro do lugar e assentiu com a cabeça, tirei um lado do fone com curiosidade.
- Alguma coisa aconteceu... - ela falou baixo - Mas em breve saberemos, notícia ruim vem rápido!
- Merda... - respondi preocupada e voltei a fazer as minhas coisas.
Depois de uma hora concentrada no rastreamento do vídeo, analisando todos os códigos fonte, estiquei os meus braços para alongar, olhei pela parede de vidro e só vi Kline andar pelo seu consultório arrumando caixas, nada de , Mike ou Woods e eu já estava começando a ficar preocupada, estava voltando a minha atenção para a minha tela quando vi Val adentrar a sala com alguns pacotes na mão.
- Olá para quem ainda não vi hoje... - ela colocou os pacotes na mesa e beijou a cabeça de Zeke - Trouxe o almoço de vocês, deem uma pausa e comam! - ela disse com autoridade e sorriu elegante como sempre.
Eu já estava faminta, então tirei os fones e obedeci à mulher, pegando um dos pacotes, me acompanhou e nós nos sentamos mais na ponta da mesa para comermos, e Zeke se juntaram a nós. Val sorriu para nós e foi para perto do marido com uma feição preocupada, eles conversavam baixo, mas era nítido que algo havia acontecido, ela me viu observá-los e indicou o meu pacote com o olhar. Voltei minha atenção para o pacote e vi que era comida italiana, fechei os olhos e inspirei aquele cheiro de molho branco com pepperoni, abençoada seja a Val, comecei a comer e juro que naquele momento eu estava experimentando o gosto do amor.
- Agora ela está apaixonada pela comida... - Zeke disse calmamente me analisando, enfiei uma garfada do meu macarrão na boca e olhei séria para ele, o mesmo reparou o meu olhar e voltou à atenção para a comida, começou a rir para .
- Zeke começou a analisar a agora... - falou rindo.
- Justo a ? - riu, eu terminei de engolir minha comida e olhei curiosa para eles.
- Ele tem costume de fazer isso? – perguntei.
- Só com os novatos... - respondeu e olhou de canto pra - Inclusive, o Zeke tem certeza de que a vai ter rolo com seu irmão! - ele finalizou apertando os lábios para não rir e engasgou.
- Exatamente igual a minha reação… - falei constatando - Esse japonês não sabe o que está falando!
- Eu não diria isso, ... - falou se recuperando.
- Zeke tem a habilidade de acertar nos seus palpites... - completou.
- Na realidade, eu só cálculo as probabilidades... - Zeke falou pensativo enquanto olhava para a sua comida - Existe certa tensão sexual quando vocês estão no mesmo lugar! - ele finalizou me encarando sério, eu o encarei de volta atônita e envergonhada, e somente tentavam prender a risada.
-- ESCUTA AQUI, ALGUÉM PODE CONTROLAR A BOCA DESSE ASIÁTICO? - falei alto querendo enfiar minha cara em algum buraco, Val e Romeo se aproximaram preocupados.
- O que houve? - Val perguntou ao lado de Zeke, que somente me olhava despreocupado.
- Seu filho falando merda... - falei apontando para Zeke.
- O que você falou? - Romeo perguntou olhando para nós e depois para o filho.
- Falei que ela e... - Zeke começou a responder, mas eu o interrompi.
- Fica quieto, garoto... - apontei o garfo para ele o ameaçando com meu olhar - Não repete mais aquilo, por favor!
- Melhor deixar isso para lá... - Zeke falou rindo em negação para os pais, que somente assentiram semicerrando os olhos para os jovens na mesa. e somente nos encaram e continuavam a comer as suas comidas.
- Certo... - Val falou calma – Meninas, vocês vão sair hoje?
- Sim, vamos para a balada! - se adiantou e falou animada.
- Vão? - perguntou curioso.
- Vamos... – falei, terminando de mastigar.
- E não iam nos chamar? - perguntou fingindo indignação.
- Vocês iriam de qualquer forma... - respondeu colocando sua embalagem vazia em dois pacotes. - Vocês sempre vão!
- Isso é verdade... - assentiu.
- Zeke também vai? - perguntei curiosa.
- Não curto essas coisas... E tenho muita coisa para fazer! - Zeke respondeu rápido.
- Certo... - Val falou enquanto checava o seu celular - Então terminem o que estão fazendo e já podem ir para casa!
- Teremos visitas aqui mais tarde... - Romeo completou terminado o seu almoço, e assentiram com as cabeças e voltaram para os seus lugares de antes, Zeke voltou a sua atenção para a tela de seu computador e já estava longe, Eu observei o casal na minha frente e pude ter a certeza de que algo estava errado, voltei para o meu lugar e me concentrei novamente no rastreamento do vídeo.

(Independent Woman - Destiny Child)

Olhei para o relógio na minha tela e vi que já iria dar 4h da tarde, o vídeo era todo criptografado, então fiquei muito tempo descriptografando os códigos de bloqueio, já havia tomado uns dois copos grandes de café e estava bem elétrica, contudo já havia desbloqueado todos os códigos.
já havia saído para algum chamado, só estavam eu, e Zeke na sala, cada um inerte no que estava fazendo. Romeo entrou na sala acompanhado de Woods, ambos estavam sérios, tirei os fones e os encarei preocupada.
- e , por hoje acho que podem parar... - Romeo falou alto - Deixem seus computadores com Zeke, ele finaliza o que estavam fazendo.
- Tudo bem, então... - falou enquanto juntava suas coisas na mesa com pressa.
- Me senti ofendida... - falei baixo me levantando e passando meu computador para Zeke - Já desbloqueei todos os códigos, só precisa identificar as coordenadas e descobrir a região fonte! - finalizei para o rapaz. entregou o computador dela, explicou o que faltava fazer e me acompanhou para a porta.
- Obrigada por hoje, meninas! - Romeo falou e Woods assentiu com a cabeça, nós duas acenamos com a mão e saímos da sala caladas.
estava digitando frenética no celular, quando pegamos minha mochila e meu pacote gigante e nos direcionávamos para a saída.
- Não tive notícias do Mike o dia todo... - falei pensativa.
- Ele está bem... - falou sem me olhar - Pronto! - ela falou animada me tirando dos meus pensamentos - Nós vamos fazer as unhas e arrumar nossos cabelos agora! - finalizou dando pulinhos e eu a olhei para ela com cara de paisagem.
- Você sabe que não tenho dinheiro, né? - falei sem emoção.
- Você tem sim... Mike já mandou o dinheiro do salão! - ela falou me puxando para o carro. - E disse também que em casa te passa o dinheiro para a balada! - finalizou animada destravando o carro dela e abrindo o bagageiro, eu apenas assenti, guardei as minhas coisas e entrei no carro.
- Então vamos nos arrumar! - falei animada, sorriu malandra, colocou uma música da Cardi B para tocar no volume máximo e saiu cantando pneu do estacionamento do bunker.
As coisas estavam ficando boas no rumo em que estavam seguindo, eu estava em mais um daqueles momentos de paz, o que querendo ou não me deixava apreensiva.

(Bootylicious - Destiny's Child)
Eu estava terminando a minha maquiagem quando entrou no banheiro do meu quarto, ela estava deslumbrante com seu vestido preto curto e justo, seus cabelos acobreados estavam lisos e jogados de lado e seu salto era nada mais que um Louboutin na mesma cor do vestido, eu precisei aplaudir, ela sabia ser maravilhosa.
Voltei a olhar a minha imagem no espelho e, também, não me decepcionei - ao contrário de alguns dias atrás - meu vestido também era preto e curto, contudo era frente única com um decote pequeno entre os seios e outro enorme nas costas, calcei um ankle boot preto, curto e de salto fino. E sem contar que minhas unhas e sobrancelhas estavam perfeitas e agora eu tinha algumas luzes no meu novo cabelo também, literalmente uma nova .
Terminei de dar os toques finais na minha make, ajeitei os meus cabelos e admirei o meu reflexo no espelho, constatei que eu estava sensacional, os ingleses que me aguardem. Saímos do banheiro e voltamos para o quarto, organizou as coisas dela e colocou em um canto, pegou uma bolsinha pequena e preta de cetim e guardou o celular e o cartão dentro, eu não tinha nenhum celular ou cartão para guardar, então peguei minha jaqueta preta de couro preta e coloquei no braço.
- Então, vamos? - perguntei animada para .
- Vamos... Comer algo antes, pois hoje vamos beber! - ela respondeu se direcionando para a porta - Não esquece do seu ID! - finalizou me lembrando, voltei para a mesinha ao lado da cama e peguei o ID falso que Mike havia me dado e segui a garota para fora do quarto.
Chegando à sala, Mike estava sentado em frente ao balcão bebendo seu whisky e nos esperando, ele nos encarou dos pés à cabeça.
- Não tinha uns vestidos mais curtos do que esses não? - perguntou irônico para .
- Não, esses eram os mais longos! - ela respondeu sorrindo inocente e ele revirou os olhos.
- Cuidado para não confundirem vocês com prostitutas... - falou irônico novamente e eu bufei.
- Obrigada, daddy, talvez eu faça algum dinheiro e traga para você! - respondi com sarcasmo e ele revirou os olhos.
- Como seu cafetão, aqui está o dinheiro para começar a noite, querida filha! - ele respondeu com sarcasmo me entregando algumas notas de libras, eu semicerrei os olhos, peguei as notas e joguei nele.
- Nem vou falar onde você pode enfiar, Mike...- respondi impaciente e ele riu.
- Ai, Mike, anda logo, entrega a grana ou o cartão para ela... - falou impaciente enquanto olhava seu celular encostada ao balcão - Ou vamos acabar perdendo o nosso ponto! - ela finalizou rindo com a língua entre os dentes, Mike gargalhou e tirou um cartão de sua carteira.
- ‘Tá certo, toma aqui, , leva este cartão de crédito... - ele me entregou um cartão preto com dourado com o nome dele - E mais essas libras caso precise! - ele me entregou mais algumas notas de cem - E, por favor, use camisinha! - finalizou juntando as sobrancelhas.
- MIKE! - falou alto - Não faz isso!
- Pode deixar que sou prevenida, Mike... - falei guardando minhas coisas na bolsinha de - Pois assim como você, não tenho instinto materno, daddy! - finalizei sorrindo irônica.
- Essa é minha garota... - Mike falou bebendo um gole de seu whisky.
- Certo, então vamos logo que já são 9h... - pegou a chave do carro e bateu com a mão no ombro de Mike indo em direção a porta e me puxando com ela.
- Sem problemas dessa vez, ! - ele falou sério - E fiquem de olhos abertos, hein? Se cuida, !
- Vou tentar... - falei baixo enquanto saia e fechava a porta.
Nós colocamos algumas divas do pop para tocar baixo no carro enquanto seguíamos para algum fast food. Por incrível que pareça hoje eu estava muito bem, as coisas estavam se encaixando, mesmo com minha mãe em algum cativeiro sujo na Rússia, eu me sentia útil ajudando nas buscas por ela. Sem contar que Londres tinha uma energia muito boa, me fazia bem.
Paramos em um drive thru do McDonald's, pediu dois combos para nós, estacionamos e comemos nossos lanches fazendo o possível para não nos sujarmos, o que era meio impossível para minha pessoa, mas dei o meu melhor e só sujei o carro de com ketchup mesmo.
- Peço para o Mike mandar limpar, sinto muito mesmo! - falei desesperada olhando para a mancha no tapete.
- Aí relaxa, , quem cuida disso é o Woods! - ela respondeu tranquila jogando as embalagens vazias no banco traseiro. - Agora vamos para a Maddox Club!
- MADDOX? - arregalei os olhos e perguntei com excitação - Tipo, a melhor e mais cara boate de Londres?
- Sim, pelo menos a que mais gosto de ir... - respondeu me olhando curiosa.
- querida, a Paris Hilton costuma frequentar esse Club... Está me entendendo? - falei nervosa com o fato.
- Sim, já vi ela lá algumas vezes... - falou animada e querendo rir - você é tão rica quanto a Hilton agora e a Maddox não chega nem perto dos lugares que vai começar a frequentar! - ela finalizou me encarando séria e meu estômago embrulhou.
- Michael é rico, eu não... - falei baixo tentando controlar a minha respiração olhando para fora da janela do carro.
- Gosto de você, ... - falou pensativa - Está certo que, quando Val me disse para ser próxima de você, eu achei que seria um saco, mas você é muito diferente do que eu imaginava...
- Diferente como? - voltei meu olhar para ela e perguntei curiosa.
- Você é forte, destemida e sem contar que enfrenta tudo... - ela continuou falando – Está bem que você também é meio doida... - constatou o óbvio e eu ri baixo - Mas tem muito do seu pai e ele é muito foda!
- Obrigada, ... Eu acho! - falei pensando no que ela havia falado.
- Eu achava que você era uma garota chata, fresca e mimada... - ela continuou falando e rindo - Aí você enfrenta o Woods no ringue... É doida! - finalizou e começou a rir, eu acompanhei e ri também.
- É, sou meio doida mesmo, mas não gosto de ter medo das coisas... Me sinto fraca! - falei olhando para a vista do Big Ben pela janela.
-- Isso é bom... Acho que é seu ponto mais forte! - disse diminuindo a velocidade em um estacionamento lotado - Mas agora é hora de nos divertirmos um pouco e esquecer os problemas... - ela estacionou o carro em uma vaga reservada, ajeitou os cabelos e me encarou - Let’s go, girl?
- Let's go! - respondi e saí do carro ajeitando a jaqueta e observando o ambiente.

(I like it - Cardi B)
O estacionamento estava cheio de gente, andei até onde estava , a mesma estava me esperando, nós seguimos para a entrada lado a lado, andando como se fôssemos donas do lugar, as pessoas nos encaravam admiradas, talvez porque estávamos muito gatas ou porque sabiam quem era - ou melhor, com quem ela andava - não importa, hoje podíamos ser quem quisermos.
Olhei de canto para as pessoas nos encarando e sorri com malícia, eu até que gostava dessa atenção toda. Chegamos à entrada do lugar, a fila estava enorme, passou por todos comigo em seu encalço, parou em frente ao segurança e deu os nossos nomes, ele abriu caminho para nós duas e pediu que entregassem nossas jaquetas.
Eu já havia ido a várias boates na Irlanda - mesmo sendo menor de idade, eu dava um jeito - mas igual essa daqui eu nunca havia visto, esse lugar é muito diferente, até as pessoas eram diferentes. Guardamos nossas jaquetas e seguimos para uma porta de madeira enorme, do lado de fora ouvíamos uma música baixa, mas quando abrimos, a música estava muito alta e havia muita gente lá, jogo de luzes muito fortes, luzes negras e roxas por todo o lugar, havia até mesmo bolhas e fumaça no ar, o lugar era muito psicodélico e luxuoso. Uma mistura bem peculiar em minha opinião, porém ali deu certo. Era um lugar atraente e tenho certeza que somente 2% da população britânica frequentava aquela boate, era um local feito para pessoas extremamente ricas.
segurou a minha mão e saiu dançando e me puxando em meio à multidão.
- DRINKS RIGHT NOW! - ela gritou sorridente em minha direção.
Seguimos em direção ao bar, havia muita gente dançando e se pegando ao nosso redor, eu passava entre as pessoas e as observava, tinha muita gente bonita naquele lugar, parece que não havia pessoas feias na Inglaterra. Chegamos ao bar e nos enfiamos entre as pessoas até alcançarmos o balcão, estava pedindo nossos drinks para o bartender quando senti um par de mãos segurar na parte nua da minha cintura e encostar a boca no meu pescoço, imediatamente senti tudo se arrepiar no meu corpo, mas como eu não sabia quem era, pisei com força no pé do indivíduo e dei uma cotovelada para trás acertando a barriga de quem quer que fosse.
- CARALHO, ! - ouvi gritar, virei para trás querendo fuzilar ele com o olhar, nos olhou curiosa.
- Eu não sou suas putas, ! - falei ríspida de frente para ele.
- Eu sei, mas bem que gostaria... - ele respondeu no meu ouvido fazendo os pelos da minha nuca se arrepiar, eu mordi o lábio inferior e dei uma joelhada em direção ao saco dele.
- PORRA! - ele urrou de dor.
- Acredite, posso ser pior! - falei no ouvido dele observando se aproximar rindo.
- Imaginei ter ouvido um casal brigando por aqui... E, olha só, eu estava certo! - disse debochando e rindo da nossa cara.
- Vai se foder, Williams! - bufou se recuperando e pegando um dos drinks que pegava no balcão.
- Eu vou te ignorar, ... - falei virando um shot de tequila que me entregou. - Mais um! - pedi para o bartender que estava na nossa frente.
- Isso, , beba outro e vamos para a pista! - disse virando o seu shot e pegando outro em seguida, eu a encarei e nós brindamos nossos shots e viramos juntas.
Colocamos os copos no balcão e saímos para a pista sob o efeito da tequila em nossa mente. Esbarrei propositalmente em , o encarando com malícia e passando minha mão sobre a parte da frente da calça dele, ele me encarou semicerrando os olhos e mordeu os lábios, eu mordi os meus também e voltei minha atenção para que já estava dançando na pista e me puxando, talvez o álcool já estivesse fazendo o efeito que eu queria.

(Do It Again - Pia Mia/Can't Hold Us - Macklemore & Ryan Lewis)

Começou a tocar uma música eletrônica muito boa, nós duas começamos a dançar juntas na pista sem ver nada ao nosso redor, eu limpei a minha mente e deixei a música me possuir, eu precisava muito disso. Naquele momento eu só precisava dançar, não existia mãe sequestrada, nem pai criminoso e nem máfia, só existia a possuída pelo ritmo da música eletrônica.
Ficamos um tempo ali perdidas na nossa bolha dançante, até que um cara alto e de olhos claros se aproximou de , ele era muito bonito, tinha uma barba cerrada e usava uma camisa preta que se ajustava nos músculos de seu corpo, eu investiria.
Olhei para dançando junto com o cara, ela me encarou maliciosa, vi que era a minha deixa e me afastei, deixando-os a sós, saí dançando com as pessoas que estavam no meu caminho em direção ao bar. Consegui alcançar o balcão em meio à multidão e pedi outro drink. Enquanto esperava, me virei em direção à pista e comecei a observar o lugar, olhei para uma das mesas reservadas nos cantos da boate e vi a imagem de Kane sentado em um dos sofás me observando com um cigarro na mão, eu o encarei sério e ele acenou com a cabeça.
O bartender chegou e entregou a minha bebida e eu virei de uma só vez, coloquei o copo no balcão e olhei para a pista de dança, vi em um clima muito íntimo com o bonitão, olhei para o outro lado e vi grudado em uma loira em um dos cantos, isso me surpreendeu, achei que ele fosse a fim da , mas enfim, acho que eu estava enganada.
Segui andando pelos cantos do lugar procurando um banheiro, quando vi a placa sinalizando, segui em direção ao lugar dançando para não perder o ritmo. Estava quase lá quando alguém puxou o meu braço e me pressionou contra a parede em um canto escuro da boate, era , ele segurou a minha cintura com firmeza e colou o corpo dele no meu.
- Que merda você pensa que está fazendo? - falei baixo e ofegante, mas confesso que gostei da pegada, deve ser efeito do álcool também.
- Eu só estou dando o que você quer, Kingston... - ele respondeu enquanto beijava o meu pescoço e descia uma das mãos para a minha bunda, eu já não sabia de mais nada.
- E quem disse que eu quero você se esfregando em mim? Está doido? - tentei empurrá-lo, mas meu tesão estava mais forte do que minhas forças. Impulsivamente coloquei uma das minhas mãos por baixo da camiseta preta dele e comecei a arranhar o seu abdômen definido, ele gemeu e apertou a minha bunda.
- Tem certeza de que não quer? - ele sussurrou no meu ouvido encostando a língua em minha orelha, eu gemi e segurei em seu cabelo com força.
- É a tequila, é a tequila agindo, caralho... - sussurrei para mim mesma enquanto ele beijava e chupava meu pescoço, virei o rosto dele para o meu e o mesmo me encarou com aqueles olhos azuis frios e cheios de desejo, desviei meu olhar para a boca dele e ele enfiou a língua na minha boca, me beijando com lascívia, me fazendo gemer enquanto pressionava meu corpo ao dele e me fazendo esquecer que estávamos em uma boate lotada.
Eu já estava tão anestesiada com toda aquela pegação que até esqueci onde estava, abri os olhos enquanto ele focava a sua atenção no meu pescoço e olhei para a multidão meio zonza e meus olhos encontraram os olhos de quem eu menos esperava ver.
Tudo em mim congelou, todas as lembranças voltaram para a minha mente com a mesma força que fiz para que elas fossem embora. Ele estava ali há alguns metros de distância, Brooklyn estava me encarando com um copo de whisky nas mãos, seu olhar era frio em minha direção, não parecia a pessoa que eu havia conhecido há algumas semanas, tudo paralisou ao meu redor e eu não sabia mais como respirar. Com um surto de adrenalina, tirei forças de algum lugar e empurrei para longe, ele me encarou assustado e rapidamente olhou para onde eu estava olhando, sua feição endureceu e ele me encarou sério.
- É ele, né? - perguntou com ódio.
- Sim... - respondi nervosa voltando meu olhar para onde Brooklyn estava e vendo-o entrar no meio da multidão. - É ele e está fugindo! - respondi aflita.
- Pega a e sai daqui, eu vou pegar desgraçado! - disse ríspido e saiu correndo se enfiando na multidão.
Meu coração disparou, não sei se era nervoso, raiva ou medo, vai ver era tudo junto. Saí correndo, me enfiando no meio das pessoas dançando na pista procurando por , empurrei várias pessoas, caras tentavam se aproximar e eu só os empurrava, avistei ela tentando se soltar do bonitão com quem ela estava dançando, mas ele a puxava com força para perto dele tentando levá-la para algum lugar e ela não conseguia se desvencilhar.
Meu sangue ferveu e corri em direção da minha amiga, eu iria matar aquele filho da puta, quando eu estava prestes a puxar dos braços do idiota, Kane surgiu do nada e acertou um soco no rosto do cara, eu me assustei, mas consegui segurar que estava quase caindo na pista, ela estava drogada.
- Ele fez alguma coisa... - ela disse tentando abrir os olhos e se manter em pé, eu a segurava com força para não cairmos juntas.
- Leva ela daqui, Kingston! - Kane falou enfurecido e saiu correndo no meio da multidão.
Merda, merda e merda. Esse era o resumo da minha vida atual. Se correr de salto já era ruim, agora imagina correr de salto em uma boate lotada, arrastando sua amiga drogada no braço e com o desespero a flor da pele? Pois é, minha situação neste momento, até que tentava se manter em pé, mas não conseguia, ela estava muito dopada. Conseguimos chegar à porta de madeira, sentei em um dos sofás que havia perto da entrada, pedi nossas coisas para a moça da chapelaria, ela me entregou os casacos e a bolsa de , foi então que a ficha caiu.
- PORRA! - olhei para a bolsa de , abri e peguei a chave do Maserati - Eu vou ter que dirigir em Londres… Dirigir um Maserati! - meu coração faltou saltar pela boca, respirei fundo, olhei para desmaiada e fechei os olhos buscando coragem. - Beleza, vamos fazer isso logo!
Coloquei minha jaqueta, peguei pelo braço e comecei a arrastar para a saída, os seguranças e as pessoas na entrada nos encaravam, mas ninguém se ofereceu para ajudar, não que eu fosse aceitar, nessa altura eu não confiava em ninguém ali. Conseguimos chegar até o carro, que felizmente estava bem perto da entrada, destravei o alarme, coloquei no banco do passageiro e afivelei o cinto nela, corri para o lado do motorista e entrei no carro, quando me dei conta de que estava prestes a dirigir um carro daqueles, o ar teimou em querer sumir novamente, mas eu controlei a minha respiração, coloquei o cinto e apertei o botão de partida e senti o motor roncar.
Indescritível o que eu senti, era quase como estar tendo um orgasmo, eu gostava muito de dirigir, gostava mais ainda de carros potentes, mas aquilo ali, aquela experiência eu nunca havia tido, acho que me apaixonei. Coloquei o pé no acelerador e o bichão começou a sair, não havia marchas, era automático, era um sonho. Consegui sair do estacionamento, mas não fazia a mínima ideia de para onde eu iria agora ou por qual caminho eu iria.
Estava seguindo devagar na rua ao lado do estacionamento, quando me lembrei do celular de , abri a bolsa que estava no colo da menina desmaiada, peguei o celular enquanto prestava a atenção no trânsito, tentei destravar, mas estava bloqueado, tentei usar alguns códigos aleatórios e nada, até que o mesmo começou a tocar, era , consegui atender.
- ALEX? Puta que pariu cadê vocês? - falei alto enquanto me desviava de um barbeiro.
- , cadê a ? Onde você está? - ele perguntou aflito.
- Ela está dopada aqui do meu lado e estou dirigindo o carro dela sem rumo... - falei aflita.
- Aperta o botão do speaker no painel e solta o celular, foca no trânsito! - ele falou como se estivesse vendo a minha situação com o celular em uma mão e dirigindo com a outra. Eu fiz o que ele falou e joguei o celular no colo de , voltando às duas mãos no volante - Vou mandar as coordenadas para o GPS do carro, você vai para o seu apartamento, nos encontramos lá! - ele finalizou e desligou o celular.
- PORRA, ALEX, NÃO ME DEIXA SOZINHA CARALHO! - gritei em desespero tentando retornar a chamada, quando parei o carro no sinal vermelho e outro carro parou do nosso lado, era um daqueles carros de racha, o motorista era grande e tinha uma feição suja, ele me encarava acelerando o motor do carro, será que era o que eu estava pensando? - O QUE FOI, FILHO DA PUTA, VAI ENCARAR PORRA? - gritei alto para o cara, ele sorriu de uma forma maldosa, o sinal abriu e ele saiu disparado na minha frente, eu semicerrei os olhos e pisei com força no acelerador, na mesma hora o GPS apitou e começou a traçar uma rota, mas eu ignorei com força e saí cantando pneus para alcançar o desgraçado.

(Bassnectar - Speakerbox)

Estava emparelhando com o carro do cara quando o celular de tocou novamente, olhei para o visor e era novamente, atendi e a voz dele ecoou pelo speaker do carro.
- , QUE PORRA VOCÊ ESTÁ FAZENDO? - ele falou alto e aflito.
- Dirigindo, uai... - falei tentando manter a calma enquanto ultrapassava o carro do meu suposto oponente e outro carro me fechava na pista contrária - CARALHO!
- EU ESTOU ACOMPANHANDO O GPS, VOCÊ NÃO ESTÁ SEGUINDO A ROTA PORRA! - gritou novamente e eu revirei os olhos desligando o speaker e conseguindo enfiar o Maserati na frente do meu oponente.
Eu definitivamente não sabia o que eu estava fazendo, olhei para - que estava com o pescoço encostado na porta do carro e continuava desmaiada - e voltei minha atenção para o caminho em que eu estava seguindo, avistei uma via com várias entradas para a rodovia, havia muitos carros atravessando a pista e nenhum caminho reto, o carro do cara já estava me alcançando novamente, ele não iria me ultrapassar, não mesmo, apertei o acelerador e vi um sinal de alta velocidade alcançada no painel do carro e o celular de tocando novamente, o que ignorei com facilidade.
- NÃO MERDA, NÃO! - bati o punho no volante, olhei o meu oponente pelo retrovisor, ele estava enfiando o carro entre uns retardatários que estavam na outra pista, ele estava despistando alguém - Que porra ele está fazendo? - falei irritada enquanto reduzia a velocidade e o observava, começou a despertar aos poucos.
- , onde nó-ós esta-amos? - ela falou com a língua enrolada tentando abrir os olhos sem sucesso, a encarei e tirei o cabelo que caiu na sua cara.
- Estamos indo para casa , pode dormir que aviso quando cheg… MAS QUE PORRA? - fui interrompida por outro carro batendo na lateral do Maserati, encarei o outro carro e vi que era uma Ferrari vermelha, tentei ver o motorista - ou o doente que estava estragando uma Ferrari - mas não estava conseguindo, reduzi a velocidade, celular da tocou novamente, liguei o speaker enquanto tentava identificar o motorista.
- O que você quer, ? - bufei irritada.
- , você está em um racha? - ele falou com a voz nervosa e preocupada, vi que o carro estava emparelhando comigo, virei o volante em direção ao carro, se era para colidir, então vamos colidir, bati com gosto na Ferrari, no mesmo momento o vidro do carro clareou e eu consegui ver os olhos de Brooklyn me encarando novamente, meu sangue gelou e meu corpo todo se arrepiou.
- Eu estava... - falei engolindo seco, eu estava com medo - Agora estou sendo perseguida pelo Brooklyn! - concluí aflita enquanto pisava firme no acelerador para me distanciar dele, ouvi a respiração pesarosa de no speaker.
- Respira e mantenha o controle da situação, estou mandando novos dados para o GPS... - ele falou enquanto eu ficava lado a lado do carro de Brooklyn, ele dirigia e ao mesmo tempo sorria com maldade empurrando o carro para cima do Maserati fazendo com que eu batesse em outros carros - Segue a rota que mandei, ... por favor! - ele disse nervoso.
- Vou tentar... - falei baixo querendo chorar e desliguei o speaker, eram tantas emoções emergindo no meu sistema agora, não sei se eu aguentaria isso, sem contar que eu estava em uma estrada movimentada, carregando minha amiga dopada e sendo perseguida pelo meu ex. - Tem como ficar pior? - falei sentindo meus olhos lacrimejarem, fechei os olhos reduzindo a velocidade para me manter longe de Brooklyn, ele reduziu também, olhei para o GPS e vi nova rota que havia mandado, tentei enfiar o carro entre carros na outra pista, mas o meu antigo oponente sujo estava me fechando, eu literalmente estava entre a cruz e a espada.
Continuei no meio da pista entre os dois carros me emparelhando, meu coração estava disparado, eu nem sentia mais as minhas pernas, continuava desmaiada. Foi então que lembrei que a maioria dos bandidos possuíam armas em seus porta-luvas nos filmes de ação, olhei para a garota desmaiada ao meu lado, querendo ou não ela também era uma criminosa, abri o porta-luvas e lá estava o que eu queria, uma Calibre 38, meus olhos brilharam, vi que os dois homens ainda estavam me fechando na estrada, não permitiam que eu mudasse de pista para fugir, foi então que eu peguei a arma, destravei com um pouco de dificuldade e mirei em direção ao lado em que Brooklyn estava - que para o meu desespero era o lado do passageiro, em que estava - ele viu que eu estava armada e que iria atirar, bateu no Maserati de novo tentando me desequilibrar, mas ao invés disso acontecer, eu atirei, acertando a janela da porta do passageiro, fazendo com que o vidro quebrasse, a bala transpassasse e, de quebra, acordando no susto.
- ! - ela gritou desesperada olhando para frente e eu vi a bala acertar o painel da Ferrari de Brooklyn e ele desviar para o acostamento, olhei para a garota rapidamente e voltei meus olhos para a estrada, foi quando avistei várias sirenes piscando um pouco mais à frente no caminho que eu estava percorrendo, olhei para o outro lado da pista e o cara sujo havia sumido...
- PUTA QUE PARIU! - coloquei a arma rapidamente no lugar onde estava, meu coração estava batendo em meus ouvidos, adrenalina pulsando forte, olhei para que havia desmaiado novamente. - Tomara que ela não tenha morrido... - falei reduzindo a velocidade quando vi um dos guardas na pista fazer sinal para que eu encostasse, era isso, eu estava fodida com força, olhei para o vidro quebrado da janela, a garota desmaiada, a arma no porta-luvas e eu com bafo de tequila. - Que vida maravilhosa, ... - falei baixo parando o carro no acostamento enquanto o guarda se aproximava.
- Documentos do carro e carteir... - ele começou a falar, mas parou quando viu toda a situação dentro do carro - Por favor, saia do carro e coloque as mãos onde eu possa ver! - assenti sentindo a adrenalina do meu corpo abaixar e o efeito do álcool voltar, timing perfeito.
Saí do carro com as mãos para cima e tentando me manter em pé, não estava sentindo as minhas pernas mais, por isso encostei-me ao carro. O guarda chamou mais dois parceiros e começaram a revistar o carro, acharam a arma, colocaram sentada ao meu lado encostada ao carro também.
- Seu nome e da moça desmaiada? - um dos guardas se aproximou perguntando.
- Kingston... - falei e olhei para desmaiada - Ela se chama Hughes, o carro é dela!
- Suas idades correspondem aos documentos encontrados? - ele perguntou.
- Sim, são verdadeiras! - menti com a cara mais lavada.
- Tem algum responsável para quem devemos ligar? - um guarda perguntou, eu sorri pensando na merda que viria a seguir.
- Sim... Michael Kingston! – falei, sentindo minha língua formigar, o outro guarda que estava revistando o carro me ouviu e se aproximou do que estava me interrogando e falou algo em seu ouvido.
O guarda que estava me interrogando saiu e logo voltou com um outro homem alto, de olhos claros e com uma jaqueta de couro preta e distintivo pendurado no pescoço, ele se aproximou de mim, me encarou e confesso que quase tirei a roupa ali mesmo, depois ele olhou para e se voltou para mim.
- Como é o seu nome mesmo? - ele perguntou sério.
- ... Kingston! - respondi curiosa com aquela reação estranha.
- E seu responsável é? - ele perguntou.
- Já falei... Ele se chama Michael Kingston, é o meu pai! - falei impaciente, o cara me encarou sério, depois se aproximou de e tirou o cabelo do rosto dela, algo clareou na mente dele, ele respirou fundo e me encarou novamente.
- Deixem que eu cuido disso, conheço o responsável! - ele falou sério levantando as sobrancelhas e dispensou os guardas, esperou que se afastassem e chegou mais perto de mim - Então finalmente estou conhecendo a prole do Mike, como a vida é irônica! - ele falou sorrindo de uma forma que minhas intimidades queimaram, mas me contive e fechei a cara para ele.
- E você, quem é? Chimera também? - perguntei audaciosa.
- Com certeza... - ele respondeu sorrindo sarcástico - Nate... Nathan Kline!


Capítulo 5



(911 - Kevin Gates)
Eu realmente queria entender como a minha vida mudou tanto do dia para a noite. Há algumas semanas eu só queria ter um baile decente de boas-vindas, agora eu estou sentada no banco traseiro do carro de um cara que nunca vi na minha vida e com minha mais nova amiga escorada no meu ombro sob efeito de drogas. Será que os deuses me odeiam? Não é possível que eu tenha sido escolhida a dedo para passar por toda essa merda!
Depois que Nathan se apresentou como delegado da Polícia Metropolitana de Londres, eu entendi tudo, era óbvio que os Chimeras tinham que ter alguém dentro da polícia, ou como eles se livrariam de ser presos? Ele disse que cuidaria de nós, nos colocou no carro dele e aqui estamos passando por uma estrada bem conhecida por mim ultimamente. Não conversamos mais nada, ficamos em silêncio em todo o percurso até o bunker, mas vi que ele estava se divertindo com toda essa situação.
Entramos no estacionamento e meu coração acelerou quando vi o carro de Mike parado na entrada, Iríamos brigar de novo e toda a paz entre nós acabaria agora mesmo, olhei para o painel do carro de Nathan e vi que o relógio marcava 2h da manhã. Ótimo, nada de dormir hoje.
Passamos pelo portal do bunker, Nathan carregava nos braços e eu carregava o resto de nossas coisas. Logo na entrada, pude ver e Kate vindo correndo em nossa direção, Mike estava parado um pouco mais atrás com os braços cruzados me fuzilando com o olhar. pegou a irmã no colo e saiu correndo, sem falar nada, em direção a enfermaria com Kate ao seu lado. Meu coração apertou mais, eu provavelmente era a culpada de tudo isso de novo, acho que eu deveria morrer, seria melhor para todos.
Nathan me empurrou de leve para que eu andasse em direção a Mike, eu andei sem coragem nenhuma, não estava a fim de brigar e minha situação estava precária, meus saltos estavam na minha mão e eu estava toda descabelada.
- Acredito que isso aqui te pertence, Michael! - Nathan disse alto com tom de sarcasmo enquanto nos aproximávamos de Mike, o mesmo continuou com a feição endurecida e me puxou pelo braço com força para perto dele, doeu, mas na minha atual situação qualquer dor não faria diferença, eu estava anestesiada.
- Nunca mais toque em um fio de cabelo dela, entendeu? - Mike respondeu com frieza.
- Você deveria me agradecer, ou ela poderia estar presa agora! - Nathan respondeu irônico e no mesmo tom de Mike.
- Você só fez o que deveria ser feito, você é pago para isso! - Mike cuspiu as palavras para Nathan e virou as costas, me puxando com ele para uma das salas de reuniões. Assim que entramos, meu coração fez menção de parar, parecia que essa noite nunca terminaria.
Todos estavam lá, até mesmo alguns rostos que eu não conhecia, mas o que chamou a minha atenção foi o homem sentado no outro lado da mesa, o homem que mentiu para mim a vida toda, o homem que eu tinha como um exemplo masculino, o pai dos meus melhores amigos, era ele, o tio Rick. Senti as lágrimas surgirem, mas ao mesmo tempo o ódio queimou no meu sangue, puxei meu braço das mãos de Mike e o encarei furiosa.
- Eu não vou ficar aqui, não com ele aqui! - falei ríspida para Mike.
- Vai sim e do meu lado! - ele respondeu duro, segurando meu braço novamente e me puxando com ele para a mesa.
- Eu odeio tanto toda essa merda aqui. - falei com ódio sendo puxada e não me importando com quem escutasse.
Fui obrigada a me sentar entre Mike e Woods - do lado oposto do Rick -, todos estavam sérios e com feições preocupadas em volta da mesa. Val esperou que nós nos acomodássemos e começou a falar sobre o acontecido daquela noite. e Kane, que também estavam na boate, contaram suas versões, o que deixou claro que o idiota bonitão injetou algo em , por isso ela estava fora de si. Foi então que Val pediu que eu contasse a minha versão, falei tudo o que havia acontecido exceto sobre o momento que rolou com - não sei se seria um bom momento para isso - falei sobre Brooklyn, sobre o racha, sobre o tiro - o que fez Mike me fuzilar com o olhar – e, por fim, falei como eu estava no momento.
- É isso... - me joguei no encosto da cadeira - Foi isso o que aconteceu... E agora eu estou faminta, cansada e com meu corpo dolorido! - finalizei suspirando e encarando a mesa em minha frente.
- Obrigada ... - Val disse séria - Ainda precisamos ouvir o , então acho que pode ir fazer um lanche rápido enquanto o ouvimos! - ela finalizou, dando permissão para que eu saísse da sala. Eu suspirei aliviada, me levantei sob o olhar assassino de Mike e saí da sala sem olhar para trás.
Quando saí, me deparei com descendo as escadas da enfermaria, eu o encarei e ele se aproximou de mim fazendo com que eu parasse na frente dele.
- Você falou algo sobre... - ele falou baixo olhando para minha boca e eu senti meu corpo arrepiar – Digo... Sobre o que rolou? - ele finalizou a pergunta meio sem jeito.
- Não... Não achei necessário! - respondi seca tentando controlar meus hormônios.
- Ótimo! - ele falou e saiu em direção à sala de reuniões, eu soltei a respiração que eu estava prendendo e segui meu caminho para a cozinha.
Ao entrar, fui direto para a geladeira, encontrei uma caixa de pizza congelada, tirei a embalagem e coloquei para assar no aparelho micro-ondas e, enquanto esperava, peguei uma lata de coca e abri, tomei um gole - é eu não bebo refrigerante, mas precisei abrir uma exceção, suco não daria conta - me encostei a bancada e fechei os olhos por alguns segundos. Ouvi o sinal de que a pizza estava pronta, tirei e coloquei na mesa de jantar, me sentei e comecei a comer tudo e era o que eu precisava, daquele momento sozinha.
As coisas na minha vida estavam tão intensas e loucas que nada me surpreenderia mais, eu já estava no meu terceiro pedaço de pizza quando tio Rick entrou na cozinha, eu o encarei sem humor, ele sorriu de canto e pegou uma garrafa de água na geladeira e se encostou a mesma me encarando.
- Você não vai falar comigo? - ele perguntou sarcástico - Nem para saber dos gêmeos ou sobre os seus primos? - finalizou dando um gole na sua água, meu coração disparou e engoli seco, empurrei o resto da pizza, bebi um gole da coca e encarei a parede em minha frente.
- Eles estão bem? - perguntei séria e preocupada sem olhar para ele.
- Sim, estão... - ele respirou fundo com pesar - Seus primos estão sob minha supervisão e os gêmeos... Bem, eu os mandei para um internato no México! - ele finalizou sorrindo sarcástico e eu o encarei com ódio.
- VOCÊ FEZ O QUÊ? - falei alto, me levantando e sentindo minhas veias queimarem, ele me olhou dos pés à cabeça e jogou a garrafa de água na mesa.
- Meus filhos... Eu os mando para onde eu quiser! - ele falou sério enquanto saía da cozinha - E estão te chamando na sala! - finalizou sem me olhar, eu saí rápida em seu encalço e parei na frente dele o parando.
- Respondendo à sua pergunta... Não, eu não vou falar com você... - falei séria enquanto o encarava com ódio - Eu tenho nojo de você! - cuspi as palavras para ele e saí pisando duro em direção a sala de reunião.
- Agora você tem nojo… - ouvi-o falar baixo, mas ignorei e segui meu caminho.
Entrei na sala com todos os olhos voltados para mim, fiz a melhor cara de cu que consegui, me arrastei até a cadeira ao lado de Mike e me sentei, olhando com cara de paisagem para Val que estava em pé em frente à mesa, a mesma arqueou uma das sobrancelhas quando viu Rick chegar logo atrás e ocupar o lugar em que estava antes, ela sabia que o clima estava pesado.
- Agora que temos todas as versões, podemos concluir que os russos estão em Londres e estão agindo! - Val disse séria para todos - Mas não vamos devolver o dinheiro, nunca fizemos isso e não é agora que vamos começar... - ela falou e me olhou de soslaio, esperando uma reação, eu apenas semicerrei os olhos e continuei prestando atenção - Nós vamos pegar e, se necessário, matar todos eles, é o nosso território e não vamos ceder... Enquanto eles avançam aqui, nós avançamos no território deles também com a Jô e a equipe dela.. - ela falou calmamente encarando cada um dos que estavam ali - Nós resgataremos Sara, não vamos deixá-la pagar pelos nossos atos, mas para isso vou precisar de cada um aqui presente, inclusive da ! - ela finalizou e me encarou, eu continuei com cara de paisagem sem entender a última parte.
- Não acho que ... Ou a impulsividade dela, serão úteis nesse caso, Val! - Mike falou sem humor, Val o encarou surpresa.
- Quem é Jô? - joguei a pergunta no ar para alguém responder, mas fui ignorada com sucesso.
- Nós fazemos uso da sua impulsividade durante todos esses anos, Mike! - um homem loiro que estava sentado ao fundo da sala se manifestou, nunca havia visto ele na minha vida, mas era gato, muito gato.
- Quem é ele? - perguntei baixo para Woods que estava sério ao meu lado.
- Ah, esse aí é o Parker, a elite dos Chimera... - ele respondeu baixo e sem ânimo, ele devia estar podre de cansado, mas também reunião em plena três da madrugada é para acabar mesmo.
- Elite? - perguntei curiosa.
- Ele nunca suja as mãos, só garante que metade dos lucros do Reino Unido caia em nossas contas todo mês. - Woods respondeu baixo e eu fiquei boquiaberta.
- Acredito que Julian tenha razão, Mike, a sua filha pode muito bem se capacitar e ser tão boa quanto você... - Val falou, encarando Mike enquanto se sentava na cadeira que ficava na ponta da mesa - Se ela for bem treinada para isso!
- Você tem certeza, Val? - Rick perguntou atrevido - Pela minha experiência com a garota, não acredito que ela seja capaz de ser disciplinada... – finalizou, sorrindo de canto, eu semicerrei os olhos para ele e olhei para Val.
- Com todo o respeito, Val, mas não quero que esse homem decida nada sobre a minha vida... - falei séria, me impondo e apontando para Rick - Afinal, querendo ou não, eu tenho um pai que pode fazer isso! - finalizei ruborizando e notando com minha visão periférica que Mike mudou a postura após eu ter dito o que eu disse.
- Nem o seu pai quer que você seja treinada, garota... - Rick falou com desdém, eu me virei irritada para ele.
- Não dirija a palavra para mim! - falei ríspida enquanto todos somente nos observavam.
- ... - Val me chamou calmamente e com receio, olhei para ela séria - Rick é a pessoa que mais conviveu com você nesta sala, acho que ele tem um pouco de crédito!
- Não, ele não tem... Ele é um mentiroso! - falei determinada - Por mais que todos aqui sejam mentirosos, foi ele quem me enganou a vida toda e escondeu o fato de eu ter um pai... - terminei a frase um tom mais baixo - Mas agora que eu sei dessa merda toda aqui, tenho o direito de escolher quem dá palpite na minha vida ou não, e este homem não tem esse direito! - finalizei olhando com ódio para Rick, que me encarava da mesma forma.
- Certo... Vamos acabar com isso logo, o que quer que façamos, Davies? - Mike falou e endireitou a sua postura ignorando o assunto na mesa.
- Bom... precisa ser treinada e nesta mesa eu tenho os melhores para fazer isso... - ela cruzou as mãos sobre a mesa e sorriu orgulhosa - Mike e Rick vocês vão treinar ela no quesito luta corporal e preparo físico, tudo bem?
- NÃO! - falei alto - Eu não quero nenhum tipo de vínculo com esse homem, por favor, respeita a minha decisão! O Mike eu até tolero, afinal não tenho escolha, mas ele não! - finalizei redirecionando o meu olhar para Val.
- Tudo bem, , e quem você sugere? - Val perguntou impaciente.
- Woods, uai, ele já está fazendo isso desde que cheguei! – falei, constatando o óbvio, o homem ao meu lado colocou a mão na cabeça e suspirou me olhando.
- Tudo bem para você, Woods? – Romeo, que até agora só havia observado o falatório, se manifestou pela primeira vez.
- Claro, sem problemas, fazia tempo que eu não tinha um oponente à altura... - Woods respondeu, olhando para Mike e sorrindo com sarcasmo, o outro somente balançou a cabeça em negação.
- Certo... Mike e Woods vão te treinar nessa área, então... - ela assentiu e prosseguiu - , quero que você a treine no quesito armas de fogo e direção em fuga, ela precisa aprender tudo, ok? - ela perguntou séria para o rapaz que estava alheio de toda aquela reunião.
- Certo... - ele falou desconfiado e me encarou arqueando as sobrancelhas - Sinto que vai ser a missão mais perigosa da minha vida! - finalizou apertando os lábios e assentindo.
- Pode ter certeza de que sim... - Rick falou baixo e riu com Kane e Nathan, eu tentei ignorá-los, mas não deu.
- Cala a porra da tua boca, Kullevicz! - falei afrontosa em direção ao homem na minha frente que riu irônico e os outros dois prenderam o riso, encarando Mike que só fechava os olhos, tentando ser paciente.
- , não... - falou jogando a cabeça para trás com desânimo.
- Por último e, não menos importante... - ela se levantou aumentando o tom de voz e se posicionou em frente aos homens - Sei que já possui muito conhecimento sobre tecnologias, mas quero que , e Zeke estejam na retaguarda dela e a ajudem no que ela precisar. Entendidos?
- Sim, senhora... - Zeke acatou pensativo - Farei o possível!
- Pode deixar, Val! - assentiu.
- Ótimo, acredito que por hoje seja só isso, fiquem alertas e foquem em capturar esses vermes russos que estão querendo invadir nosso território, vamos mostrar para eles do que os Chimeras são capazes! - ela sorriu de canto com maldade - Estão dispensados! - finalizou liberando os homens, eu olhei para o relógio na parede e já eram quatro da manhã, eu estava podre de cansada.
Levantei, sentindo o meu corpo todo dolorido, os homens estavam todos saindo da sala e seguindo os seus caminhos, Mike me ignorou e foi em direção aos Davies para falar algo em particular, eu revirei os olhos e decidi não interromper, precisava ver . Segui em direção as escadas da enfermaria, me alcançou e tocou no meu ombro.
- Você está bem, ? - perguntou preocupado.
- Estou viva... Isso é um bom sinal, eu acho! – respondi, tentando ter algum humor enquanto subia as escadas em sua companhia.
- Você foi muito foda hoje, conseguiu manter a salvo e não morreu... - ele falou constatando - Isso é um bom sinal! - finalizou rindo.
- E você quase engoliu uma loira na boate... – falei, me lembrando enquanto chegávamos na enfermaria, ele arregalou os olhos, me encarando e colocou o dedo em frente a boca pedindo para eu ficar quieta, eu tive que rir.
Entramos na enfermaria e logo vi deitada em uma das macas tomando soro, Kate estava em pé ao seu lado, verificando algo no tablet e Nathan sentado em outra maca segurando uma garrafinha de água e nos encarando.
- , estava esperando você! - Kate falou animada quando me viu - Senta aqui, deixa eu te examinar... - apontou para a maca ao lado de , segui para o lugar em que ela estava apontando, me sentei e ela começou a procurar machucados ou qualquer coisa errada em mim. - Eita, e essas marcas no pescoço aqui, hein?! A noite foi boa mesmo! - ela falou alto e eu ruborizei, me lembrando do acontecido.
- Então... Vocês dois? São um casal? – perguntei, apontando para ela e Nate tentando desviar o assunto, semicerrou os olhos me encarando desconfiado enquanto se sentava na beirada da maca de , que parecia estar acordando.
- Éramos... - Nate falou sorrindo de canto - Não mais!
- Ex-marido delegado... Ainda preciso do sobrenome, sabe como é, né? - Kate finalizou, me dando alguns comprimidos para dor, que engoli imediatamente.
- Agora entendi... - respondi assentindo para a mulher e a observando examinar .
- Hey, garota, está melhor? Pronta para outra? – finalizou, dando um copo de água para a garota que a encarava arqueando as sobrancelhas.
- Talvez amanhã... - respondeu com humor tentando se sentar com a ajuda de . - , você está bem?
- Melhor do que você... - respondi aliviada.
- Obrigada por hoje! - a garota agradeceu baixo e sorriu.
- Por nada... Tivemos sorte de sermos paradas pela polícia ou estaríamos mortas agora! - falei saindo da maca e fazendo um agradecimento silencioso para Nate, que fez um sinal com a cabeça e voltou a tomar a sua água.
- Isso é verdade... Porque seguir rota, a não sabe... - falou com sarcasmo e eu sorri inocente, na mesma hora Mike e entraram na enfermaria.
- Hey... Você acordou! - falou enquanto se aproximava da irmã, Mike parou na porta e nos encarou.
- Tudo certo, K? - perguntou sério para a médica.
- Sim, elas estão bem! - Kate respondeu rapidamente.
- Ótimo... , conversamos sobre o seu carro depois, ok? - falou para a garota sem se aproximar.
- Tranquilo, Mike... - ela respondeu assentindo - Sua filha me salvou hoje! – finalizou, constatando o fato, ele me encarou sério e arqueou as sobrancelhas, eu apenas o encarei sem ânimo.
- Vamos embora... - falou baixo para mim e eu assenti me direcionando para a porta.
- Nos falamos depois, ... - falou e eu apenas me virei, dando uma piscada, eu estava com sono, não estava a fim de falar.
Nós descemos as escadas lado a lado e em silêncio, ele provavelmente estava lidando com as emoções internamente e eu só queria deitar em algum lugar mesmo e dormir o resto do dia, afinal já estava amanhecendo. Não havia mais ninguém na parte de baixo do bunker, todos já haviam ido embora e aquele lugar vazio era muito estranho, me dava calafrios.
Entramos no carro ainda em silêncio, Mike segurou no volante e ligou o carro sem dar partida, eu o encarei com curiosidade, ele respirou fundo.
- Você poderia ter morrido hoje... - falou sério sem me olhar, encarando o volante - E teria colocado tudo a perder... Não sei se está pronta para isso, ! - finalizou preocupado, eu respirei com pesar.
- Nenhum de nós dois estamos prontos para isso, Mike... - respondi baixo olhando para fora da janela do carro, ele fechou os olhos, respirou fundo novamente e deu partida.
Saímos do bunker com a visão de um sol fraco querendo aparecer sem sucesso, contudo as nuvens estavam mais densas, as ruas estavam vazias e podíamos ver as folhas das árvores balançando e caindo como de costume no outono londrino. Tudo estava cinza, o clima, as ruas, o céu e minha vida.

(Silence - Leyla Blue)
Já era tarde da noite, Romeo havia jogado muitos códigos para eu criptografar, até Zeke já tinha ido para casa e só eu estava na sala de reuniões trabalhando, Mike havia saído da cidade e deixado o carro comigo - isso era um ponto positivo dessa merda toda, eu estava dirigindo uma fucking BMW - olhei para fora da sala, através do vidro da parede e vi Kate acenando para mim enquanto ia embora, acenei de volta, querendo ir junto, mas eu não podia, tinha uma responsabilidade ali e precisava cumprir.
Fiquei mais um tempo ali que nem vi a hora passar, tudo estava escuro, só havia a luz padrão do bunker acesa, eu já havia terminado o que tinha para hoje e finalmente iria para casa. Juntei meus equipamentos e estava colocando na bolsa quando ouvi a porta se abrir, rapidamente coloquei a mão na arma que estava dentro da minha bolsa, mas, quando olhei para a porta, vi parado me encarando, ele estava com uma camiseta preta justa ao corpo, sua habitual jaqueta na mão e um sorriso de canto.
- Achei que já havia ido... está aqui? - perguntei distraída enquanto terminava de fechar a minha bolsa.
- Ela já foi.. - falou baixo e muito próximo de mim, olhei para ele e vi que estava ao meu lado - Só estamos nós no bunker... - disse enquanto jogava sua jaqueta na mesa, eu o encarei sentindo meu coração acelerar. Ele encarou a minha boca e me beijou, eu correspondi na mesma intensidade, grudei meus dedos nos cabelos dele e ele desceu as mãos na minha bunda, me puxando para cima da mesa, tirei a camiseta dele e passei a mão pelo abdômen definido dele, arranhando de leve, ele me colou mais ao corpo dele e tirou a minha regata, beijou e chupou os meus seios enquanto eu gemia e o puxava mais para mim, era isso o que eu queria, que eu precisava, ele enfiou a língua na minha boca e me beijou com urgência enquanto puxava minha calcinha por baixo da saia...
- ... - ouvi alguém me chamar, mas ignorei e mordi o lábio inferior de intensificando o beijo - ... Acorda... - começou a chupar o meu pescoço com intensidade, eu gemia de prazer querendo mais –
EMMA, ACORDA!
Levantei assustada olhando para a porta e vi Mike me olhando como se eu fosse um alien, eu estava suando e meus batimentos estavam acelerados, acho que eu precisava ir ao cardiologista.
- Você está bem? - ele perguntou arqueando as sobrancelhas.
- Sim... Eu estou bem, era só um pesadelo! - falei ofegante tentando me recuperar.
- Ótimo... - ele disse desconfiado - Se arruma, parece que pegaram um russo e estão levando para o bunker... - Mike disse e saiu fechando a porta, coloquei a mão no coração e respirei fundo.
- Puta merda, eu preciso de sexo... Urgente! - falei preocupada para mim mesma.
Olhei para o relógio na parede que marcava seis da tarde, eu dormi o dia todo, do jeito que eu queria.
Levantei da cama toda descabelada e só com uma das camisetas de Mike que eu havia roubado e calcinha, andei descalça até a janela enorme do quarto e olhei pela fresta da cortina, já estava escurecendo novamente. Fui até o banheiro, fiz minhas necessidades e tomei um banho gelado, afinal eu precisava apagar esse fogo que estava tentando me possuir, me enrolei na toalha, sequei o meu cabelo e fui para o closet. Abri e vi que eu estava literalmente precisando fazer uma compra gigante de roupas, pois não conseguiria sobreviver só com aquilo que tinha ali e já que meu pai era um criminoso bilionário e, agora que eu morava com ele, cabia a mim tirar proveito dessa situação. Peguei um short jeans curto e uma regata cinza e vesti, calcei um All-Star preto que havia comprado com , passei um rímel e um hidratante labial e encarei minha imagem no espelho.
- As coisas estão começando a melhorar... - falei baixo para mim mesma.
Peguei meu ID e habilitação e coloquei no bolso do short, olhei para os lados procurando alguma coisa que eu sabia que estava esquecendo, avistei o moletom de Mike pendurado em um cabide dentro do closet aberto, sorri me lembrando que era isso que faltava, vesti e saí do quarto.
Cheguei à sala e vi Mike sentado no sofá terminando de comer seu hambúrguer e olhando atento para o jogo que estava passando na TV, me aproximei do sofá, olhando para a TV, tentando identificar quais times estavam jogando, ele notou a minha aproximação e tomou um gole do líquido que estava em seu copo de drive thru.
- Acho melhor ir comendo no carro... - apontou para um pacote marrom em cima da mesa de centro, assenti ainda sonolenta e peguei o pacote, me encaminhando para a porta.
- Vamos logo, então... - falei abrindo a porta e saindo do apartamento. - Anda logo, Mike! - finalizei com a voz irritada ao ver que ele não me seguia.
- Calma, garota... - ele disse, vindo logo atrás de mim enquanto guardava sua arma na parte de trás de sua calça e trancava a porta.
Seguimos para a garagem em silêncio, Mike parecia inquieto com alguma coisa, mas eu definitivamente estava com preguiça de perguntar o que estava acontecendo, respirei fundo quando as portas do elevador se abriram. O lugar estava vazio como sempre, a única coisa que se ouvia era os nossos passos, Mike seguiu comigo em seu encalço para um lado diferente de onde ele sempre guardava o BMW, enquanto andávamos eu notei o tanto de carros importados que havia naquele lugar, alguns que eu nem sabia pronunciar o nome quanto mais dirigir.
- Porra, quantos mafiosos moram nesse lugar? - perguntei atônita para Mike, eu já havia contado uns 30 carros enquanto estávamos andando na enorme garagem coberta do edifício.
- Eu e Zeke... E agora você! - ele respondeu calmamente enquanto destravava uma Lamborghini Aventador amarela com preto que estava na nossa frente, arregalei os meus olhos pasma enquanto ele abria as portas automáticas para entrarmos.
- FUCKING HELL! - xinguei alto quando vi o carro na minha frente - Esse carro... Mike... - tentei falar e respirar ao mesmo tempo - ESSE CARRO É IGUAL AO DA KYLIE JENNER! - falei alto desesperada enquanto me aproximava do carro e segurava meu pacote.
- Quem é essa? - Mike perguntou me encarando enquanto se sentava no banco do motorista.
- QUEM É ESSA? - gritei e imediatamente coloquei a mão na minha boca tentando me controlar - Quem é essa? Mike é uma das mulheres mais ricas dos EUA e só tem 21 anos de idade! - falei tentando me acalmar enquanto entrava no carro - Ela é uma Kardashian... Já ouviu falar nessa família? - perguntei enquanto me sentava no banco ao lado dele e observava a porta automática se fechar ao meu lado.
- Não, nunca ouvi falar nesse povo! - ele respondeu sem emoção enquanto dava partida no carro.
- Não vai dar para comer aqui dentro! - falei olhando o interior perfeito do carro e depois para o meu pacote de lanche.
- Para de frescura e come logo... Se sujar, mando limpar e pronto! - ele falou me observando sentir o ronco do motor como se eu estivesse tendo um orgasmo ali mesmo.

- Acho que você gostou do carro... Quer um? - ele perguntou, sorrindo de canto enquanto saiamos do prédio.
- Não brinca com os meus sentimentos, Michael Kingston! - o fuzilei com o olhar enquanto mordia o meu hambúrguer, ele sorriu de canto e seguiu caminho para o bunker.
- Não estou fazendo nada... - ele disse, semicerrando os olhos e atento na estrada.
- Espera... - pedi enquanto terminava de engolir o lanche - Então todos aqueles carros são seus? - perguntei juntando uma peça com a outra.
- Sim... E o prédio também! - ele respondeu calmamente observando os carros que ficavam para trás enquanto ele os ultrapassava.
- Porra, você realmente é muito rico.. - falei sem reação olhando para a estrada enquanto imaginava o tanto de dinheiro que esse cara tinha na conta.
- E adivinha só? Você é a única herdeira de tudo isso! - ele disse sorrindo sarcástico em minha direção.
- Isso é interessante... Pena que tem sangue nesse dinheiro! - falei baixo, lembrando a origem de toda essa riqueza que estava me cercando, meu coração apertou novamente, Mike me encarou sério e voltou a sua atenção para a estrada sem dizer nada.

(Position of Power - 50 cent)

Entramos no bunker e logo vimos uma pequena aglomeração em frente à sala de reunião em que estávamos mais cedo e seguimos para lá. Mike andava sério ao meu lado, com a feição dura, definitivamente daria medo em qualquer um que não o conhecesse ou até mesmo em conhecidos. Já eu me mantinha neutra, qualquer merda poderia ter acontecido e eu teria que aceitar como se fosse normal.
Estávamos nos aproximando do grupo que era composto pelos Davies e os Kline quando Kane veio em nossa direção também com a feição dura.
- Preciso que faça confirmação do indivíduo, Kingston! - ele falou sério, nos encarando, Mike assentiu e começou a andar quando foi interrompido pelo outro - Precisamos da confirmação da garota, Mike! - ele completou e me encarou, eu que estava olhando para o teto sem saber o que estava acontecendo o encarei de volta curiosa.
- Como é que é? Confirmação minha? - perguntei para o homem e questionei Mike com o olhar, que estava tão confuso quanto eu.
- Sim, , precisamos que confirme se o cara que pegamos é o mesmo que drogou ! - Val falou séria em minha direção, eu a encarei de volta e assenti, admirando o luxo do vestido preto social que ela estava usando, juntamente com um scarpin da mesma cor, sensacional - Então vamos, Mike, venha junto, acho que Woods e Rick precisam de sua ajuda! - revirei os olhos e segui Val para o lugar onde torturavam pessoas, no meio do caminho vi e se aproximarem de nós, imediatamente corri em direção a garota e a examinei com os olhos.
- , você já está melhor? Deveria estar descansando! - falei preocupada enquanto abraçava a mesma.
- Eu já estive pior, ... - ela respondeu sorrindo. - E você, descansou?
- Sim, já estou pronta para outra! - respondi sarcástica, que até agora só nos observava com cara de sono, arregalou os olhos em minha direção ao me ouvir e eu preferi ignorá-lo. - Vem, vou confirmar se é o desgraçado que te drogou ou não! - falei puxando a garota comigo.
Chegando ao purgatório - sim, descobri que era assim que chamavam o canto da tortura - vi Rick socando um homem sem camisa que estava acorrentado ao teto, Woods estava sentado e observando tudo com prazer, já o cara estava pingando sangue enquanto apanhava e gritava de dor. Quando Woods nos viu chegar, deu sinal para que Rick parasse de bater no cara, apertou meu braço, eu a encarei e a mesma me encarou apreensiva, eu segurei na mão dela e tentei transmitir segurança com o meu olhar. Mike se aproximou do cara e o puxou pelo cabelo o fazendo olhar para cima.
- e , se aproximem e nos digam se é o cara! - Woods nos chamou para perto do cara, olhei para Val que apenas assentiu, respirei fundo e me aproximei com ao meu lado, o cheiro de sangue e álcool estava ficando cada vez mais forte. Quando estávamos próximas o bastante, Woods jogou um balde de água gelada na cara do cara para limpar o sangue espalhado e, quando o mesmo sacudiu o rosto para se livrar da água, senti o meu coração acelerar, apertou a minha mão e nós duas nos entreolhamos. Todos nos observavam atentos, o cara abriu os olhos e nos encarou sorrindo de canto.
- Sentiu saudades, ruiva? - ele falou e, no minuto seguinte, levou um soco na boca, apareceu do nada e começou a socar o rosto do indivíduo com ódio, Mike se afastou e ficou observando a cena com a feição séria juntamente com Rick e Woods, ninguém fazia absolutamente nada, encostou o rosto no meu ombro e eu a abracei, puxando-a para trás, até que surgiu do meu lado e nos puxou para perto dele.
- Meio óbvio que isso aconteceria... - ele falou baixo e nos abraçou.
- CHEGA, NICHOLLAS. - Val falou alto e parou imediatamente o espancamento - Nós precisamos arrancar informações dele antes e depois pode fazer o que quiser com esse lixo.
- Vai ser um prazer acabar com esse verme... - falou ofegante enquanto Woods o afastava do cara com dificuldade.
- Vamos interrogá-lo, Hughes, te avisamos quando conseguirmos algo... Vai para lá! - Mike falou duro com o rapaz que ainda estava bufando e resistindo.
- Vem, , vamos sair daqui, por favor! - disse, se aproximando do irmão, ele assentiu e saiu sendo puxado pela garota, me puxou para ir junto, mas eu resisti.
- Pode ir, encontro vocês agorinha... - falei sem tirar os meus olhos do cara acorrentado, assentiu e saiu atrás dos outros.
Me aproximei de Mike com receio, eu precisava ver como eles arrancariam informações do cara, eu precisava aprender a lidar com essa merda toda.
- , acho melhor você ir para lá... - Mike disse preocupado - As coisas podem ficar feias por aqui! - finalizou pegando um alicate que estava pendurado na parede da tortura.
- Eu vou ficar... - respondi com frieza e o encarando.
- Você tem certeza disso, Little K.? - Woods perguntou com receio.
- Deixem-na ficar... - Val falou atenta - E se ela quiser... Deixem que ela faça! - finalizou me observando com curiosidade.
- Ela não vai aguen... - Rick começou a falar, mas foi interrompido por Romeo.
- Ela aguenta! - o marido de Val falou convicto para os outros homens e saiu com a mulher para longe, Rick bufou e revirou os olhos enquanto Nate se aproximava de mim apreensivo.
- Se você realmente é durona como parece, isso vai ser fichinha para você! - ele falou baixo.
Mike, que até então só observava toda a situação, me encarou com um olhar preocupado e assentiu dando sinal para que eu me aproximasse.
- Temos que arrancar informações desse verme, vou mostrar um pouco do que fazemos e, caso se sinta à vontade para isso, pode continuar ok? - ele falou com uma paciência nunca vista por mim.
- Certo... - falei fingindo determinação, mas na realidade eu estava com medo e eu precisava fazer isso com medo mesmo.
Mike se aproximou do cara, puxou a cabeça dele para cima pelos cabelos com força, o homem gemeu de dor e eu senti os pelos da minha nuca se arrepiar.
- Eu quero saber quantos de vocês estão em Londres... - Mike forçou a cabeça do homem para trás e com a outra mão apertou o alicate no mamilo do cara - E eu quero saber agora! - falou baixo e cerrando os dentes.
- Eu não vou falar nada para você seu... - o homem começou a falar, mas gemeu de dor quando Mike torceu o alicate, eu mordi o lábio sentindo agonia, mas respirei profundamente e mantive a postura, olhei para Rick de soslaio, o mesmo me observava atentamente.
- EU SÓ QUERO OUVIR A PORRA DA SUA VOZ SE FOR PARA FALAR O QUE EU QUERO OUVIR, CARALHO! - Mike falou alto e duro na cara do homem, eu fechei com força o punho para controlar a minha respiração.
- Ela se parece com a ruiva... - o acorrentado falou agoniado enquanto me encarava.
- NÃO OLHA PARA ELA! - Mike gritou duro e me senti como se eu fosse um filhote indefeso de leão, procurei Woods ou Nate com o olhar, mas encontrei o olhar de Rick novamente, ele arqueou as sobrancelhas, me desafiando e deu certo.
- Mike... - chamei baixo e ele olhou para mim, eu assenti e me aproximei, pegando o alicate da mão dele, o mesmo me entregou com receio.
- Tem certeza? - perguntou preocupado e eu assenti encarando o acorrentado com frieza me aproximando mais dele.
- Você vai me falar agora quantos de vocês estão aqui e onde estão mantendo a minha mãe... - falei baixo passando a ponta do alicate devagar pelo rosto do russo - Ou eu vou fazer você se arrepender do dia em que nasceu! - falei isso encarando os olhos azuis do russo friamente, eu mataria aquele desgraçado para saber o paradeiro da minha mãe.
Ele me encarou de volta com malícia e sorriu com a boca cheia de sangue.
- Eu vou fazer com você exatamente o que fiz com a sua mãezinha suka , vou enfiar tão fun... - não vi a hora em que bati o alicate com força na boca dele e o fiz sangrar mais ainda. Agora eu estava com muito ódio, olhei para a parede da tortura e vi um bastão de choque, olhei para Mike que estava em frente a parede, ele abriu caminho, me observando atentamente. Tirei o moletom que eu vestia e joguei em cima dele, ficando apenas com a regata e o short, passei pelo mesmo, peguei o bastão e voltei para frente do cara determinada a matá-lo se necessário, eu não estava conseguindo ver nada além do meu ódio, se tinha mais alguém naquele lugar, eu não estava vendo.
- Vou aproveitar que já está molhado e dar uma esquentada no seu corpo para te ajudar a entender o que eu quero que você fale... - arqueei as sobrancelhas e sorri de canto, encostei a ponta do bastão no peito dele e acionei, o homem começou a sentir o seu corpo eletrocutar e agora eu entendia o que Woods e Mike sentiam quando estavam torturando alguém que merecia morrer, é um prazer indescritível, sentir que está causando dor em um estuprador assassino é a melhor coisa que existe, ou algo está de muito errado está acontecendo comigo. Depois de uns dois minutos, eu afastei o bastão do corpo dele e vi que o mesmo estava procurando ar para respirar e forças para levantar a cabeça e me olhar e eu o encarava com frieza.
- Vai me dizer o que eu quero agora ou preciso dar um incentivo com mais voltagem? - perguntei baixo, aproximando o meu rosto do dele. O homem que estava acorrentado tanto nas mãos como nos pés tentou impulsionar o corpo para me atacar, mas eu me afastei e sorri de canto, no mesmo instante Zeke se aproximou de Mike com um tablet na mão, eu o observei e o mesmo me encarou assustado quando viu o bastão na minha mão.
- O nome dele é Drake Curskin, é herdeiro de uma das principais famílias russas da Bratva, um dos responsáveis por uma das maiores redes de tráfico de mulheres do mundo... - Zeke falou enquanto mostrava o tablet para Mike - Sem contar que ele é aliciador e estuprador de mulheres também! - finalizou juntando as sobrancelhas e olhando para o russo. Mike devolveu o tablet e encarou Woods que estalou o pescoço e veio para o meu lado.
- Vai ficar só na arma de choque ou quer algo mais doloroso, ? - Woods perguntou com o olhar demoníaco que lembro ter visto na primeira vez que o vi. - Te ajudo a usar qualquer coisa da parede, só escolher... - ele finalizou, encarando o russo e sorrindo com maldade, meu sangue ferveu e acho que sei o que ele estava sentindo, esse homem pode ter estuprado a minha mãe ou pior, pode ter traficado e usado ela como prostituta. Eu apertei o maxilar, aumentei a voltagem do bastão no máximo e encostei a ponta no pescoço do russo, acionei e senti meu corpo todo vibrar com a força emitida pelo bastão, o homem começou a se eletrocutar e se contorcer na minha frente, encostei mais o bastão e senti toda aquela força saindo das minhas mãos e encarei Drake com repulsa, afastei o bastão devagar e o desliguei, o homem estava quase desmaiando e babando sangue na minha frente, mas aquilo não me incomodou, muito pelo contrário, me deu satisfação, acho que eu faria isso com todos os estupradores e pedófilos que eu visse pela frente.
- Levanta o rosto dele... - pedi para quem quer que estivesse ouvindo, no momento eu só conseguia ver o desgraçado. Woods puxou a cabeça do cara para trás o puxando pelo cabelo, o russo mal conseguia abrir os olhos, eu o analisei com atenção.
- Vai me falar o que eu quero agora? - perguntei baixo, bem em frente ao rosto de Drake, segurando o bastão desligado com a ponta encostada no rosto dele, o homem abriu os olhos lentamente.
- Piet... Mia... - balbuciou algumas palavras em meio ao sangue escorrendo de sua boca - Leilão... - disse por último e desmaiou. Woods o sacudiu com força e o soltou, o russo não se moveu e ficou pendurado nas correntes sem reação, todo molhado e ensanguentado.
- Ele morreu? - perguntei para Woods curiosa e sem nenhum pingo de arrependimento.
- Não, só está inconsciente... - ele sorriu e pegou o bastão da minha mão - E ah... Se o Mike não te quiser como filha, eu te adoto! - finalizou colocando a arma de volta na parede.
Pisquei algumas vezes depois do que eu havia acabado de ouvir e era como se eu tivesse acordado de um sonho, vi o homem pendurado na minha frente, olhei para o meu lado direito e vi Rick, Nate e Kane me olharem com os olhos arregalados, recuei para trás, sentindo meu coração bater em meus ouvidos, olhei para o meu outro lado e vi Mike, Zeke e Kate me olharem pasmos. Engoli em seco, eu havia feito aquilo com o homem, eu quase tirei a vida do homem, o ar começou a sumir de novo, algo estava queimando nas minhas veias e eu não sabia o que estava acontecendo. Tudo estava borrado, vi o borrão de Kate se aproximando de mim enquanto eu recuava para trás, outros braços me apoiaram por trás.
- Essa menina precisa controlar a adrenalina dela... - ouvi Kate falar longe.
- Ela nunca fez isso na vida, são muitas primeiras vezes para ela... - Rick falou mais perto do que eu queria, tudo estava escurecendo, mas eu ainda sentia as minhas pernas e estavam me levando para algum lugar, tinha pouco ar naquele lugar, alguém sumiu com o ar.
Me sentaram em uma cadeira e começaram a me abanar e várias outras pessoas surgiram embaçadas no meu campo de visão, acompanhada de e um confuso ao lado dela, tudo estava muito confuso no momento.
- Aqui, tome aos goles... - Kate colocou um copo com canudo na minha frente e eu suguei o líquido pelo canudo, era algo forte com gosto amadeirado, se aquilo era remédio eu não sabia, mas tinha álcool, suguei mais um pouco e senti o líquido descer queimando na minha garganta.
- O que você deu para ela? - Nate perguntou, ouvi a voz dele mais próxima.
- Bourbon! - Kate falou animada e o homem arqueou as sobrancelhas - Não existe betabloqueador melhor do que esse!
- Ela é menor de idade, K... - Rick falou baixo.
- Não mais... - Kate falou enquanto mostrava minha ID nova para Rick enquanto eu tomava outro gole do uísque. - De acordo com isso aqui, ela já é de maior... - constatou o fato encostando a ponta da minha ID no rosto dela pensativa - O que me deixou curiosa, quando é o real aniversário dela, Ricks? - finalizou perguntando para o homem e porra eu queria responder essa, mas eu nem lembrava mais quando era, não no momento.
- É em fevereiro... - Rick respondeu sem interesse enquanto saía da sala, chamando e .
- Dia 14 de fevereiro, é a mesma data que está na ID. - Mike falou, entrando no lugar onde eu estava logo em seguida, ele me observava preocupado acompanhado de um Woods sorridente.
- ISSO… Foi nesse dia que eu nasci! - falei alto me lembrando e sugando o resto do líquido do copo.
- Então acho que faremos uma festa daqui cinco meses, então... - disse se sentando ao meu lado - Você está se sentindo bem? - perguntou baixo.
- Agora sim... Não sei muito bem o que aconteceu... - forcei a minha mente para lembrar, mas senti minha cabeça doer ao fazer isso - Mas vou ficar melh... - fui interrompida quando ouvi um grito entrando na sala.
- VOCÊ QUEM FEZ AQUILO COM O CARA? - surgiu ao meu lado com os olhos arregalados e pasmos, eu fiquei tensa e olhei para Mike sem saber o que falar.
- Sim, foi ela, Hughes... - Mike respondeu em meu lugar e respirou fundo e olhou para o rapaz - Preciso que leve ela para o apartamento, aproveite e leva e junto!
- Certo... - respondeu juntando as sobrancelhas.
- Só saiam do apartamento quando eu voltar... Entendeu? - Mike finalizou encarando sério o rapaz e entregando uma chave para que assentiu arqueando as sobrancelhas.
- Vocês vão precisar de alguma ajuda? - perguntou para Woods que estava pensativo encostado na parede.
- Val e Romeo estão em um evento com o Parker e pediram para não serem incomodados... Sabe como é, né? - Woods falou para o jovem.
- Sei... Business Night! - assentiu com a cabeça.
- Então nós vamos trabalhar para descobrir informações sobre o tal Leilão que o russo falou... Qualquer coisa informamos vocês... - Woods finalizou desencostando da parede e alongando o corpo.
- Certo... Então vamos? - perguntou para que somente concordou e saiu da sala, me ajudou a levantar e seguir com ela para fora da sala, agora que eu me sentia normal até o ar havia aparecido novamente.
Nós duas estávamos caminhando para sair do bunker quando vimos Woods correndo para nos alcançar.
- Esqueci de avisar, mas caso eu não esteja aqui amanhã na hora do treino, é para o Hughes começar o seu treinamento, beleza? - ele falou ofegante por conta da corrida, eu assenti e que estava um pouco mais a frente olhou para trás confuso.
- Como é? Treinamento? Amanhã? - perguntou curioso.
- Isso... Quando o Mike liberar vocês para sair, caso eu não esteja, você assume! - Woods reforçou novamente e voltou para a sala onde estávamos. suspirou com pesar e virou as costas para nós indo para o estacionamento sem falar nada.
- Relaxa, ele é bom no que faz, ... - disse, tentando me tranquilizar pelo que ainda viria, mas acabou me fazendo pensar no outro sentido da coisa - Vai dar tudo certo!
- Tudo bem, então... Se você está falando... - respondi com cara de paisagem, tentando não pensar merda enquanto chegávamos ao estacionamento. Avistamos os garotos ao lado de um carro preto nos esperando, mas quando nos aproximamos e vi que carro que era, meu coração disparou de novo, mas agora era de emoção, eu estava na frente de um Chevy Impala 1967 preto, igual ao carro dos Winchesters.
- De quem é esse carro? - perguntei emocionada com a mão no coração.
- Meu... - respondeu orgulhoso - É a Precious... Minha garota!
- Relacionamento mais duradouro dele... - completou com sarcasmo, abrindo a porta e entrando no banco traseiro do carro.
- Ela é igual a Baby... - falei enquanto tocava e admirava o carro.
- Sim, é a réplica original da série, ... - falou rindo da minha reação.
- Comprei diretamente da WB... Mas agora entrem logo! - falou impaciente entrando no carro, eu estava entrando para me sentar com , quando me parou, deu um sinal com a cabeça me fazendo recuar e entrou no meu lugar, achei estranho, mas preferi não comentar, sentei no banco do passageiro ao lado de , me acomodei encantada com a perfeição do carro e o rapaz ao meu lado riu e deu partida, seguindo para a saída do bunker.

(bad guy - Billie Eilish)
Estávamos todos aparentemente muito cansados, mal conversávamos. escorada em um lado de e eu do outro dentro do elevador, apoiado na parede estava vidrado na contagem dos andares que aparecia na telinha acima das portas. Ao chegar ao nosso andar, às portas se abriram e o rapaz foi o primeiro a sair já destrancando o apartamento com a chave que Mike lhe deu, nós entramos e cada um foi para um lado.
se jogou em um dos sofás, se jogou em outro e obviamente foi para o bar, ambos estavam esgotados, na realidade todos estavam. Essa vida que eles - e agora eu – levam, é muito pesada para pessoas tão novas, é tanta merda que deveríamos estar vendo em noticiários da TV e, ao invés disso estamos cometendo, isso literalmente fode com o psicológico e físico de qualquer jovem.
Joguei os meus documentos em cima do balcão, juntamente com a chave de Mike e fui para a cozinha, abri a geladeira e vi que a funcionária de Mike havia comprado tudo e mais um pouco do que havia na minha lista de compras. Peguei uma garrafinha de suco e mais um pacote de cookies e fechei a geladeira. Quando me virei, vi encostado na pia me observando atento, eu arqueei as sobrancelhas com curiosidade.
- Se tiver com fome, fica à vontade, a geladeira por incrível que pareça está cheia! - falei orgulhosa, colocando minha garrafinha em cima da ilha, abrindo o meu pacote de cookies e enfiando um na boca, esboçou um sorriso e se aproximou pegando meu suco, abrindo e tomando um gole, ele me encarou semicerrando os olhos.
- Você eletrocutou um russo... Deixou-o inconsciente... - ele falou apontando a garrafinha para mim - Tem noção do que fez? - eu engoli o biscoito pensativa, peguei o suco e dei um gole tentando absorver o que ele havia falado.
- Na realidade, não... Fiz tudo por impulso! - falei seca sem olhar ele nos olhos.
- Você tem muito potencial, ... - ele falou se aproximando mais de mim.
- ... Pode me chamar assim... - falei sem emoção, notando a aproximação, bebi mais um gole do suco e coloquei a garrafinha em cima da ilha, colocando o pacote de cookies junto, olhei para os outros dois desmaiados de sono na sala, virou no meu rosto e me fez olhar para ele, estávamos muito próximos, os pelos do meu corpo já estava se arrepiando.
- Não sei explicar isso... - ele disse, aproximando o rosto mais do meu, eu encarava a boca dele sem pudor nenhum e ele a minha, até que sua mão tocou na minha cintura e me puxou com urgência para junto do dele, nossas bocas se tocaram, mas era algo sexy e ao mesmo tempo como se fosse necessidade. Eu coloquei a mão no cabelo dele e o puxei para um beijo mais intenso, ele correspondeu e já foi colocando a outra mão na minha nuca, puxando de leve o meu cabelo, enquanto eu passava a minha outra mão no abdômen dele por baixo da camisa, ele gemeu e desceu a mão que estava na minha cintura para minha bunda, a apertando. Eu mordi o lábio inferior dele nos afastando ao poucos, olhei para a boca dele e depois para os olhos azuis e frios, o mesmo me encarava com desejo, peguei a mão dele e o puxei junto comigo para o meu quarto, com cuidado para que os outros na sala não acordassem, ele me acompanhou, nós entramos e ele fechou a porta após entrar.
- E se eles descobrirem... - perguntei me aproximando dele devagar ainda encarando a boca dele.
- Eles já sabem... Ambos me conhecem muito bem... - ele disse, tirando a camisa e se aproximando, eu tirei a minha regata também e fiquei só de sutiã, enquanto ele me puxava e me colava ao corpo dele, beijando o meu pescoço e eu abria o cinto da calça dele gemendo - E também não são estúpidos para não perceber! - ele sussurrou no meu ouvido enquanto me puxava para cima dele e me pressionava contra a porta, trabalhando muito bem com a boca dele em meu corpo e era exatamente disso que eu estava precisando.


Capítulo 6


Abri os olhos devagar e não vi nada mais do que uma pequena claridade entrando por uma fresta da cortina, a cama estava tão macia, tão confortável que eu não queria mover um músculo para não correr o risco de estragar, olhei para o lado e revirei os olhos me lembrando o motivo de não ter ninguém ali comigo.
Eram quase duas da manhã quando já estávamos deitados na cama, estava sobre mim só de boxer preta, sugando os meus seios descobertos enquanto eu gemia e o puxava pelos cabelos, aquilo estava muito bom e eu precisava tanto daquela sensação, mas como tudo que é bom dura pouco, ouvimos batidas na porta.
- HUGHES...? - chamou alto e grosso e eu arregalei os olhos.
- O QUE É PORRA? - gritou de volta enquanto se apoiava na cama ofegante com o corpo em cima do meu.
- Kane está te chamando... - o outro respondeu sem jeito - Situação complicada na Extremus!
- Caralho... - falou baixo e pressionou a testa no colchão ao lado do meu rosto. - JA ESTOU INDO! - gritou de volta para .
- É urgente? - perguntei baixo com receio.
- Na Extremus qualquer chamado é urgente... - ele respondeu frustrado e se levantando da cama - Preciso ir, Kingston!
- Tranquilo... – respondi, me apoiando na cama só de calcinha e mordendo o lábio inferior - Vou ver se o topa terminar o serviço! - finalizei dando uma piscada e me fuzilou com o olhar, me puxou pela cintura, colou meu corpo ao dele, espalmando a mão na minha bunda enquanto dava leves mordidas e chupões no meu pescoço enquanto eu gemia no ouvido dele com aquela pegada.
- não faz o seu tipo... - ele sussurrou enquanto puxava os cabelos da minha nuca de leve - E nem mexe no que é meu! - finalizou me soltando devagar com um sorriso de canto na boca e começou a procurar suas roupas.
- Eu não sou sua... Nem de ninguém! – respondi, arqueando as sobrancelhas e o encarando com desdém enquanto ele vestia a sua calça e eu descia da cama vestindo a minha regata.
- Mas você quer ser minha... - ele disse mordendo o lábio inferior e me encarando enquanto colocava o coturno - Você quer trepar comigo tanto quanto eu quero te foder... É um fato!
- Menos Hughes... Quase nada! - falei encarando-o e prendendo o riso, ele semicerrou os olhos me encarando com a camisa dele na mão, me puxou de novo, apertou a minha bunda e me pressionou contra a porta de novo.
- Você me quer metendo em você agora, né?! - ele sussurrou e eu assenti contra a minha vontade, ele riu de canto, pressionou o membro duro dele em minhas intimidades e enfiou a língua na minha boca de um jeito selvagem, eu confesso que quase gozei ali mesmo, mas precisei ser forte, espalmei a mão no peito dele e o empurrei com força.
- Vaza, Hughes, vai fazer o teu serviço! - falei abrindo a porta e arqueando as sobrancelhas debochada enquanto ele me encarava ofegante e com os lábios vermelhos. - Anda logo!
- Ainda vamos terminar isso, Kingston! - ele disse baixo determinado e saiu porta afora, eu fechei a porta nas costas dele e procurei ar para respirar.
- Estarei no aguardo... - sussurrei e corri para o banheiro, eu precisava de um banho gelado com urgência.

(Am I wrong - Nico and Vinz)
Estava decidida a voltar a dormir depois de ter lembrado dessa situação quando ouvi batidas na porta, de novo.
- EU ESTOU DORMINDO! - gritei de volta.
- , eu vou entrar... - falou alto do outro lado da porta - Por favor, me diga que está vestida!
- DEFINA VESTIDA... - gritei de volta enquanto colocava a coberta no meu rosto.
- Com roupas que ocultem qualquer parte íntima do seu corpo...- ela falou alto prendendo o riso.
- Ah... Então eu estou vestida! - respondi observando a camiseta de Mike que eu fazia de pijama e o par de meias longas que eu havia colocado.
entrou no quarto segurando uma bandeja com café, suco e torradas.
- Bom dia, sunshine! - ela disse toda sorridente e descabelada com as roupas de ontem, colocou a bandeja do meu lado e se sentou me encarando, eu tirei a coberta do meu rosto e me apoiei na cama a encarando de volta.
- , você está horrível... - falei prendendo o riso e observei a bandeja ao meu lado - Mas o café da manhã está bonito!
- Eu sei, preciso de um banho e de roupas... - ela respondeu dengosa se jogando com a cabeça no travesseiro.
- Meu closet é seu closet, , fique à vontade... - falei enquanto comia minhas torradas, se levantou rapidamente e entrou no closet - E tem toalhas no banheiro!
- ... Seu closet precisa de ajuda! - disse preocupada enquanto saía do lugar com algumas peças de roupas na mão.
- Eu sei, pretendo resolver isso o mais breve possível! - falei terminando o meu suco.
- Não sei se vão nos deixar fazer compras... - a ruiva disse enquanto parava em frente ao banheiro e me encarava.
- Estou sabendo... Por isso estava pensando em comprar pelo site das lojas e pedir para entregarem... O que acha? - perguntei enquanto pulava da cama e me alongava - Que horas são? - perguntei curiosa com preguiça de olhar no relógio.
- É uma boa ideia... Mas é melhor falar com Mike antes... - ela respondeu enquanto entrava no banheiro, mas voltou rapidamente - E provavelmente são sete da manhã… Não faz diferença... Não podemos sair!
- Ah, merda... - me joguei de volta na cama me lembrando desse detalhe.
- EMS... - chamou alto do banheiro com o chuveiro ligado - Sabe que temos um assunto para conversar né? - perguntou sem jeito e eu ruborizei puxando o edredom para o meu rosto.
- Não, estou sabendo não... - respondi com a cara coberta pelo edredom.
Eu definitivamente não queria falar sobre o "tal" assunto, se era o que eu estava pensando, não mesmo. Já estava quase pegando no sono de novo quando ouvi o chuveiro desligar, olhei para o relógio na cabeceira da cama e já eram 7h30m, nesse horário provavelmente eu estava enrolando no banheiro para ir para escola igual às garotas normais da minha idade. Minha mãe com certeza estaria gritando comigo para eu não me atrasar - o que era inevitável - e eu provavelmente ignorando todos enquanto escolhia meu look do dia, bons tempos aqueles de semanas atrás. Pensar na minha mãe ainda doía muito, pensar no que ela deve estar sofrendo, se está sendo alimentada ou não, tudo isso enchia a minha mente durante o dia e a única coisa que poderia me distrair era fazer sexo ou treinar e no momento eu não poderia fazer nenhum dos dois.
Literalmente eu estava nas nuvens quando senti algo me cutucar, olhei para o lado e vi vestida de jeans e regata preta ao lado da cama.
- Então... Você e o ? - ela perguntou arqueando as sobrancelhas.
- Somos pseudo-parceiros da mesma facção criminosa! - respondi ainda deitada com cara de paisagem e olhando para o teto.
- Sexo? Desde quando? - perguntou sem rodeios enquanto penteava os seus longos cabelos ruivos e me encarava.
- Sem sexo... Infelizmente! - respondi fazendo beicinho enquanto me sentava na cama e a encarava - E desde a boate!
- EU SABIA! - ela disse alto e rindo. - Vocês estavam se provocando muito aquela noite...
- finalmente estão transando? - disse entrando no quarto com a cara amassada de sono e se jogando na cama.
- ? - olhei para ele com cara de repulsa - Que viadagem é essa, Williams?
- É o ship que criamos para vocês! - disse arqueando as sobrancelhas animadas.
- Que fique claro... criou! - falou levantando o dedo esclarecendo.
- Viadagem... Sem ships! - falei séria pulando da cama e entrando no closet - Eu queria sexo, somente isso... Mas você empatou, ! - falei com ironia enquanto saía do closet com algumas roupas na mão e segui me direcionando ao banheiro, parei na porta e olhei para os dois rindo na cama - Culpa toda sua, Williams! - finalizei e fui tomar banho.
- Eu não... Foi o Kane! - falou alto se defendendo.
- não desobedeceria ao Kane nem por sexo... - completou pensativa enquanto comia uma torrada - Talvez a Kline, mas os outros jamais! - ela finalizou rindo com .
Tomei outro banho gelado, sem molhar o cabelo dessa vez, vesti um top preto por baixo do moletom militar sem capuz que achei no closet do Mike, coloquei uma legging preta e prendi parte do cabelo com um elástico, saí do banheiro e o quarto estava vazio, ouvi vozes vindas da sala, calcei meu tênis de treino e segui para fora do quarto.

(Lose Yourself - Eminem)
Chegando à sala me deparei com um todo descabelado e com alguns hematomas no rosto, sentado no sofá com um pacote de ervilhas congeladas na mão, estava ao seu lado com a feição irritada o encarando.
- Que merda aconteceu com você? - perguntei curiosa me aproximando do sofá.
- Nada demais Kingston... - ele respondeu, revirando os olhos, bufou, pegou o pacote congelado da mão do irmão e colocou no rosto dele com força o fazendo inclinar a cabeça no encosto do sofá – PORRA, ! - resmungou para a irmã e eu prendi o riso.
- Esse idiota não pode ver uma briga que se joga nela! - disse e se levantou do sofá revirando os olhos para o irmão e foi para a cozinha, eu arregalei os olhos querendo rir e a acompanhei.
- Cadê o ? - perguntei curiosa ao perceber que o garoto não estava na sala.
- Ajudando o Zeke na cobertura, acho que conseguiram uma pista sobre os russos que estão aqui comercializando na nossa área... - a ruiva respondeu enquanto se servia de café e se apoiava no balcão da cozinha, me sentei do outro lado e assenti a encarando. – ... - ela disse meu nome me olhando com a feição séria - As coisas vão ficar feias por aqui e eu acho que você não vai ter tempo para se preparar para isso!
- Como assim? - engoli em seco e respirei fundo - O que aconteceu, ?
- Os Yardies foram convocados e quando isso acontece... As coisas ficam violentas... - começou a falar, mas eu a interrompi.
- Que porra é os Yardies? - perguntei preocupada com o rumo da conversa.
- Começa do começo, ... Ela já é meio lerda e você ainda dificulta! - entrou na conversa se levantando e indo para o lado da irmã me encarando. - Cala a porra da sua boca, … Antes que eu faça você engolir esse pacote de ervilhas a força! - a ruiva vociferou para o irmão, ela estava nervosa de uma forma como eu nunca havia presenciado, o garoto respirou fundo e encarou a irmã. - Yardies é a “família” da Val, é uma facção jamaicana que veio para a Inglaterra e conquistou o território inglês como domínio deles... No quesito homicídios em massa e drogas!
- Acontece que os caras fazem parte dos Chimeras… - começou a falar sério - Só que não completamente, eles ficam na área deles com os negócios deles, mas respeitam e servem a Val, afinal… Ela era uma Yardie antes de ser Chimera! - ele finalizou suspirando, eu arregalei os olhos assustada.
- PUTA MERDA! - soltei alto e engoli a seco.
- E isso não é tudo... Esse é só o lado da Val... - apertou sua caneca nas mãos e me encarou - Romeo veio de uma facção também...
- Tão barra pesada quanto a da Val... - constatou mordendo o lábio inferior. - Romeo é da máfia sérvia, ele é um Surcin!
- Que são nada mais do que uma das três principais famílias que comandam o crime organizado na Sérvia! - completou o irmão sorrindo com sarcasmo, eu senti o ar sumindo novamente, comecei a respirar fundo, fechei os meus olhos tentando me manter calma, mas meu coração já estava acelerando, soltei o ar devagar e os vi me encarando com a feição séria.
- Eu quero voltar para a Irlanda! – falei, engolindo o choro, pois era tudo o que eu mais queria no momento.
- Mais fácil você dirigir um dos carros do seu pai! - falou com deboche e riu, foi até a geladeira, pegou uma garrafa de água e me entregou, abri e bebi o líquido como se eu estivesse no deserto.
- Por isso vocês se chamam Chimera? - perguntei enquanto encaixava as peças na minha cabeça - Pois é uma facção criada na junção de outras facções? - apertei meus lábios assentindo para e .
- Exatamente, ... - confirmou orgulhosa.
- É... Ela não é tão lerda! - constatou jogando o pacote de ervilha na ilha da cozinha.
Levantei do banco em que eu estava sentada, controlei a minha respiração e comecei a processar as informações recebidas enquanto eu andava pela sala sem rumo, fui até a enorme janela da sala e observei a cidade do alto da torre em que eu estava presa.

Na semana retrasada eu só queria fazer compras e ter um último ano escolar épico com meus amigos, agora eu estou no meio de uma guerra de facções e minha mãe foi sequestrada por uma delas, minha rotina é ter medo de morrer todos os dias, o cara que praticamente me criou é um bandido nojento, meu pai é um criminoso temido em Londres e eu sou herdeira de um monte de dinheiro sujo de sangue.
Onde eu vim parar? Eu estou com tanto medo, meu coração parece que não cabe mais no meu peito, não sei o que aconteceu com meus amigos, nem com meus primos, a minha mãe pode morrer a qualquer momento, é muito para eu lidar, é muito para aguentar. Senti as lágrimas descendo no meu rosto, toquei o vidro da janela com minhas duas mãos, olhei para baixo e vi os carros na rua como se fossem formigas, eram 18 andares até o chão, seria como e eu estivesse voando.
Fixei o meu olhar nos carros que passavam na rua e reparei que não pareciam tão longe, os carros estavam tão perto de mim quase como se eu pudesse tocá-los, meu coração estava desacelerado, meu ar havia voltado, parecia que algo havia se desligado em mim, como se eu não sentisse mais nada, um interruptor foi acionado no meu sistema emocional.
Eu estava tão presa pelas minhas emoções se esvaindo que não ouvi mais nada, era só eu naquele lugar, naquele vazio. Senti uma mão puxar forte o meu braço, era como se eu tivesse acordado, olhei para o lado e vi segurando o meu braço me encarando sério, olhei para frente e eu estava inclinada no vidro da janela, engoli em seco e respirei fundo.
- Olha, eu sei que essa janela não abre, mas ela pode quebrar... Vem para cá, ! - surgiu atrás de e estendeu à mão, eu pisquei algumas vezes, assenti e andei em direção a me desviando de um preocupado.
- Eu estou bem, só precisava processar tudo isso... - falei me recompondo do meu transe.
- Da próxima vez não se incline tanto no vidro ou a queda vai ser fatal! - falou com a voz fria e andou até a cozinha, e eu seguíamos para o sofá quando a porta se abriu e Val adentrou ao apartamento seguida por Mike, nós os encaramos preocupadas.
- Bom, vamos ao que interessa e sem rodeios! - Val começou a falar séria nos encarando e vindo em nossa direção com seus Louboutins vermelhos sensacionais - Yardies estão nas ruas, então estejam atentos e armados, os russos estão surgindo como vermes no esgoto e, se depender de mim, estarão mortos antes do amanhecer. - ela sorriu com maldade nos olhos - e vocês vão entrar em ação amanhã à tarde... - Val começou a falar com receio - Amanhã haverá um leilão e vocês serão infiltradas!
- Leilão? - perguntei nervosa e encarei Mike que estava encostado na parede, ele estava com a feição dura, mas assentiu - E o que devemos fazer exatamente?
- Tudo será repassado para vocês, então fiquem tranquilas, terão proteção máxima! - a mulher falou tentando nos acalmar e não estava funcionando.
- Leilão de mulheres? - perguntou, saindo da cozinha e se sentando no sofá com uma lata de cerveja nas mãos.
- Sim, e há probabilidades de Sara estar lá! - Mike respondeu encarando a folga do rapaz e depois me encarou – ... É uma chance! - disse baixo me olhando nos olhos como se implorasse para eu fazer a coisa certa e não surtar, eu respirei fundo e assenti, apertei a mão de que estava ao meu lado, ela me encarou assentindo também.
- Nós estamos dentro! - concordei sem nem saber o que teria que fazer, pois se era para salvar a minha mãe, eu faria qualquer coisa.
- Ótimo... Discutiremos o resto do plano e mais tarde nos encontraremos para repassá-lo com vocês, ok? - Val disse para mim e para .
- Por que não podemos elaborar um plano todos juntos? - perguntei audaciosa.
- Pois precisam treinar e se preparar para amanhã… - a mulher respondeu como se já se esperasse a minha pergunta - Woods não vai poder treiná-la hoje, pois está organizando estratégias com os Yardies - ela falou se direcionando a mim - Então o Nicholas vai te ajudar hoje… - ela falou apontando para o rapaz entediado no sofá e depois se voltou para a ruiva ao meu lado – , você vem comigo, preciso que me ajude com alguns tópicos pendentes! - ela finalizou e se virou para a porta do apartamento.
- Valerie? - chamei a mulher e me aproximei dela, ela se virou para mim e me encarou.
- ? - perguntou baixo.
- Obrigada por me deixar ajudar... - agradeci sem jeito.
- É a sua mãe… Eu, com certeza, iria querer fazer algo do tipo pela minha! - ela respondeu e sorriu saindo do apartamento com ao seu lado.
Eu teria essa chance, então eu precisava matar os meus medos e dar o meu melhor nisso. Me virei em direção a sala e vi um atento ao jogo na TV e um Mike se servindo no bar, achei tão irônico aquela cena, pois era tão estranho aquela calmaria.
Parecia até um cenário de série, o cara com quem eu quero transar e meu pai mafioso, pensei nisso e logo prendi o riso, respirei fundo e fui para o meu quarto pegar meu equipamento de treino.
Peguei tudo o que eu precisava, coloquei na mochila e já iria saindo do quarto quando me deparei com Mike na porta.
- Você está bem? - ele perguntou baixo e com a feição preocupada.
- Vou ficar... Só preciso gastar energia! - respondi tentando tranquilizar ele - E você? Está bem?
- Na medida do possível... Mas vou ficar bem! - ele respondeu e riu sem jeito.
- Ótimo, vou ir para o bunker, então... - falei passando por ele e seguindo para a sala - HUGHES! - chamei alto e o rapaz me encarou assustado - Levanta essa bunda do sofá e vamos para o ringue! – falei, me direcionando para a porta sem esperar resposta.
- Você é muito mandona, garota... - ele respondeu juntando as sobrancelhas e me seguindo.
- Tenho a quem puxar... - respondi me virando para ele dando um sorrisinho irônico enquanto abria a porta.
- ! - Mike me chamou e tanto eu quanto o encaramos antes de sair pela porta - Acaba com ele! - ele finalizou apontando seu copo de uísque para e eu assenti.
- Deixa comigo! - respondi e mordi o lábio inferior enquanto me encarava em silêncio com outras intenções.

(The Under - Fight [feat. Panther])
Saímos do apartamento de Mike e seguimos para a estrada que nos levaria ao bunker, ambos estavam aparentemente cansados, dirigia com os olhos vidrados na estrada, parecia que estava hipnotizado, só se ouvia o barulho de nossas respirações.
Olhei para ele de soslaio e o semblante estava fechado, ele era muito bonito e com aquela barba bagunçada dele, ficava mais bonito ainda, pena que era um ogro. Voltei meus olhos para o outro lado e vi que nós entramos em uma avenida um pouco movimentada, eu já passei por ali algumas vezes com o Mike e com , mas senti que tinha algo diferente dessa vez, voltei meus olhos para a estrada na minha frente e notei que também estava notando algo diferente.
- O que foi? - perguntei para ele enquanto o mesmo diminuía a velocidade por conta do trânsito parado na avenida.
- Acho que é blitz... - ele disse sem certeza enquanto observava os carros ao seu redor - Só espero que não seja o que estou pensando... - falou baixo com tensão em sua voz.
- O que você está pensando? - perguntei começando a ficar aflita, olhei para fora da janela e vi algumas pessoas andando a pé na direção oposta a que estávamos indo, elas pareciam estar com pressa - ...? - chamei o nome dele e o mesmo parecia ter avistado algo desagradável, jogou o corpo em minha direção e abriu o porta-luvas, pegou a arma que estava lá e me entregou.
- , suas aulas de tiro provavelmente vão começar... - ele disse engolindo em seco e dando um sorriso sarcástico que me causou coisas - A blitz é dos Yardies!
- O QUÊ? - gritei alto entrando em desespero – , COMO ASSIM? - olhei para os lados procurando alguma resposta e só consegui ver alguns homens com cabelo rastafári andando entre as pessoas e encarando os carros na estrada.
- Só preciso que mantenha a calma, deixe a arma destravada e muda essa cara de medo aí... Só imite a cara do Mike! - ele disse tentando ser engraçado, sem sucesso.
- , eu não vou conseguir fazer isso... - falei com medo e querendo chorar, vi que alguns dois homens estavam armados, muito armados e andavam como se estivessem em uma zona de guerra, apertei a arma na minha mão com o coldre para baixo e fechei os olhos com força, meu coração estava disparado. - Por que eu tenho que passar por isso? Será que não vou ter um dia tranquilo nesse inferno? - perguntei para mim mesmo enquanto tentava controlar a respiração.
- Você queria o que? O inferno não é lugar de paz... - respondeu e me encarou - Se recomponha, ! - falou duro e voltou a encarar o trânsito, eu abri os olhos e vi que o mesmo também estava com a arma em coldre abaixado e segurando firme o volante com a outra mão.
Certo, eu precisava me recompor, pois se estou no inferno, então vou ter que abraçar o capeta, fechei a cara e voltei a encarar as pessoas andando apressadas, parecia que elas estavam fugindo e com medo. O trânsito voltou a andar e estávamos nos aproximando de uma barreira de carros antigos, foi aí que observei outros homens armados na barreira, alguns dentro dos carros impedindo os outros carros da avenida de andar, outros abordando os carros parados e outros dando cobertura nos cantos da avenida.
Um dos homens, que estava dentro de um dos carros, parou os olhos no carro de , ele parecia ser muito alto, tinha uma barba negra e comprida, o cabelo dele era longo e com rastafári também e o olhar dele era frio em nossa direção. Engoli em seco e segurei no braço de , ele mantinha a expressão dura e encarava o homem com a mesma frieza, mas quando sentiu o meu toque, notei que seu corpo se enrijeceu.
- Akanni Masu, um demônio jamaicano que tem adoração pela Valerie! - disse sem tirar os olhos do homem - Mata por pura diversão...
- Ótimo... Estou bem mais calma agora! - falei tentando controlar a respiração e sentindo minhas mãos suarem.
- Eu estou te devendo uma por ter salvado a vida da ... - desviou o olhar do cara e me encarou sério, eu o encarei de volta e quase me perdi naqueles olhos azuis intensos - Nada vai acontecer com você, , confie em mim e faça o que eu mandar! - ele falou duro e eu apenas assenti, sem nem pensar.
acelerou o carro e se adiantou, só havia três carros na nossa frente até chegar à barreira, Akanni saiu do carro em que estava com seu corpo imenso de músculos e foi interceptar o motorista do primeiro carro da fila, abriu a porta do carro e puxou o homem para fora com brutalidade, apertei o braço de e ele manteve os olhos no Yardie.
- Faz o que eu mandei , eles farejam medo... - ele falou baixo sem quase mover os lábios, estávamos sendo observados agora não só por Akanni, mas por vários outros Yardies, arrumei a minha postura e “desliguei as minhas emoções”, fechei a cara, coloquei a arma no colo com movimentos leves, limpei minhas mãos no moletom e voltei a segurar a arma, destravei e coloquei em posição sul – Isso... Agora relaxa... Ou tenta! - ele tornou a falar baixo enquanto mantinha os olhos no homem sendo espancado pela gangue.
- Por que eles fazem isso? - perguntei baixo enquanto ele acelerava o carro e nos aproximávamos dos homens armados.
- Controle de território... Eles estão averiguando todos que entram e saem do domínio deles! - ele respondeu com tensão na voz, olhei para direção em que ele estava olhando e vi Akanni vindo em nossa direção, meu coração disparou e eu respirei fundo, manteve o olhar fixo no homem e abaixou os vidros do carro quando o homem parou ao lado da porta do motorista.
- Akanni? - o cumprimentou sério.
- Hughes... - o homem respondeu com um sotaque diferente e eu apenas o encarei com a feição séria – Quem é a garota? Sua puta? - Akanni perguntou ao me encarando com a feição feia, como se quisesse me comer viva.
- É a filha do Mike Kingston! - respondeu, encarando o volante e rindo de canto, o homem retesou o corpo e deu um passo para trás, olhei para os lados e vi havia outros homens semelhantes ao Akanni e que estavam rodeando o carro de , verifiquei a trava da porta do carro e logo voltei minha atenção para o homem.
- Filha do Demônio Inglês... - o homem falou baixo enquanto me encarava, os outros homens me encaravam também, olhei para que mantinha a expressão fria no rosto.
- Temos que encontrar a Vali, pode liberar a estrada? - falou sério para o homem que apenas nos encarava com curiosidade.
- Vali.. Nós fazemos tudo o que ela quer... - Akanni falou com determinação e assentiu – Podem ir... Liberem a passagem! - gritou para os homens que estavam fechando a barreira, os mesmos abriram espaço para passarmos.
- Slaint Akanni! - falou para o homem, que assentiu de volta enquanto eu o observava atenta.
- Slaint Hughes! - o homem falou de volta e me encarou, eu assenti e sorri.
- Slaint Akanni! - o homem assentiu sem dizer nada e acelerou o carro.
Passamos pela barreira dando sequência para os outros carros que iriam ser revistados, um súbito alívio percorreu as minhas veias e relaxei meus músculos me encostando ao encosto do banco do passageiro.
- Se saiu bem, ... Continue assim, me obedecendo! - falou rindo e eu revirei os olhos - Como sabia sobre a saudação? - ele perguntou curioso, eu o encarei juntando as sobrancelhas.
- Você está me zoando, né? Eu nasci saudando a minha mãe desse jeito… - respondi com impaciência - Não sei se você lembra, , mas eu nasci na Irlanda.. Sou filha da Irlanda! - finalizei com orgulho e ele revirou os olhos rindo.
- Irlandeses e sua devoção pelos leprechauns... Se acalma, garota! - ele falou rindo da minha cara.
- Respeita a minha terra, seu inglês desalmado... - falei em tom de alerta e sorri lembrando do meu país.
Saímos daquela avenida e entramos em outra, uma mais movimentada, que na minha humilde opinião, eu já a conhecia muito bem, mas acredito que de noite ela fica muito mais radical. Me lembrei daquela noite e respirei fundo, não sei como consegui fazer aquilo, até hoje me pergunto se foi real tudo o que aconteceu na minha vida desde que cheguei em Londres.
Olhei para e sorri, acho que ele não era tão ogro quanto eu pensava, mas continuava muito bonito, e os lábios vermelhos dele também estavam me atraindo muito, fiquei hipnotizada pela beleza do homem ao meu lado que não percebi que o mesmo reparou na minha falta de discrição.
- Pode parar de me encarar? Já entendi que você quer trepar comigo, mas eu estou dirigindo agora! - falou sério e eu devo ter virado um pimentão - Por mais que eu não iria me opor se você quisesse chupar o...
- CALA A PORRA DA TUA BOCA, NICHOLLAS! - o interrompi com irritação - Sério, para de falar, você não é tudo isso... - falei virando o rosto com vergonha - Eu super gostaria de conhecer um cara novo nesse inferno que não se resumisse em você e no ! - falei baixo e gargalhou, eu queria enfiar minha cara em um buraco agora.
- Tem uns Yardies aqui por perto, quer que eu te apresente algum? - ele perguntou rindo da minha cara.
- Não, obrigada... Tenho medo deles! - falei séria e o encarei - Por que eles me chamaram de Filha do Demônio Inglês?
- Você ouviu isso? - ele perguntou juntando as sobrancelhas enquanto entrávamos no distrito do Tottenham.
- Sim... Eu ouvi! - falei baixo.
- Vamos dizer que o seu pai não é a pessoa favorita dos Yardies... - ele falou meio constrangido.
- Fala a verdade, por favor... - pedi baixo.
- Seu pai fez um massacre nos Yardies há muito tempo… Então ele meio que é temido pelos jamaicanos. - falou sério enquanto parávamos na entrada do bunker e eu só respirei com pesar.
- Ou seja, meu pai assassino passa medo nos caras que eu tenho medo... - falei sem tom de surpresa e assentiu em silêncio - Ótimo, nada me surpreende mais nessa merda! - sorriu de canto e acelerou o carro para dentro do bunker.

(Blastzone - Bones)
Quando chegamos ao estacionamento do bunker, percebi que estava com muito mais carros que o normal, e havia alguns homens encostados nos carros e para o meu pavor, eu tenho certeza de que eram Yardies. Encostei minha cabeça no banco do carro e pressionei minhas têmporas, eu precisava lidar com isso, eu precisava fingir normalidade, respirei fundo e tentei relaxar, enquanto estacionava o carro.
- , eles não vão fazer nada com você... Só fica perto de mim e fecha a cara! - disse tentando me acalmar, eu assenti e o encarei neutra.
- Vamos logo! - falei pegando minha mochila e abrindo a porta do carro.
Saímos do carro, ambos com a cara fechada e sem humor, os homens nos encararam com seus cigarros na boca, eles também não estavam com cara feliz, se aproximou e começou a caminhar do meu lado acenando de leve para os outros homens, eu apenas olhei para frente sem esboçar nada. Passamos pelo portal do bunker e eu literalmente me senti em um filme de gângsteres, o bunker estava muito cheio, havia pessoas por todos os lados, a mesa de entrada estava ocupada por homens bebendo, fumando e até mesmo se drogando, mulheres seminuas dançando ao lado deles, eu apressei o meu passo e continuei andando ao lado de .
- Que horas são mesmo? - perguntei baixo.
- Acho que umas nove... Por quê? - ele perguntou curioso.
- Porque está bem cedo para eu ver tudo isso que eu estou vendo... - falei observando as pessoas nos encarando e segurando firme a minha mochila nos ombros.
- Finge costume... - falou me direcionando para os armários, eu o acompanhei e logo que viramos em direção ao ringue vi Kate encostada nos armários fumando e conversando com uns homens suados, pelo visto eles estavam usando o ringue. Nós nos aproximamos e meu coração acelerou, os homens apenas nos encararam e assentiram voltando para o ringue, nos deixando a sós com Kate.
- , que bom que chegou, vai entrar no ringue com os Yardies? - Kate falou animada quando nos viu.
- Está doida? Eu estou apavorada com eles aqui! - respondi rápido e baixo enquanto me encostava ao lado dela, riu enquanto acendia o cigarro dele e Kate o acompanhou.
- ... Seja sociável, eles não vão te morder... A não ser que você peça ou provoque! - Kate falou mordendo os lábios enquanto admirava dois caras se esmurrando no ringue - Queria estar no meio deles agora... - ela falou semicerrando os olhos e eu a encarei pasma enquanto tragava o cigarro querendo rir.
- Acho que não vai querer treinar no ringue hoje, né? - ele me perguntou curioso.
- Não, não sem o Woods! - falei sem hesitar.
- Certo, então, guarda suas coisas, tira esse moletom e vamos para o estande de tiros! - eu assenti e hesitei curiosa enquanto Kate arregalava os olhos em nossa direção.
- Tirar meu moletom? – perguntei.
- Sim, muito pano pode te atrapalhar... - ele respondeu desencostando do armário - Você vai colocar um colete a prova de balas! - ele finalizou terminando seu cigarro e amassando com a ponta dos dedos, eu assenti e segui para o meu armário, tirei o moletom e o guardei junto com minha mochila, peguei minha garrafa de água, amarrei meu cabelo em um pequeno rabo de cavalo e tranquei meu armário.
- Pronto, vamos sair daqui! - falei e vi me encarando somente de top e legging sem falar nada.
- WOW... - Kate me encarou e abriu a boca - Tirando esses roxos no seu braço e pescoço... - ela semicerrou os olhos - Você é muito gostosa, !
- Certo, eu estou constrangida... Podemos ir logo? - perguntei para , tentando ignorar aquela situação, ele assentiu e mordeu o lábio inferior.
Eu o empurrei para longe dos armários e sorri inocente para Kate, que mordia a língua fazendo gestos promíscuos com o corpo olhando para nós dois, eu revirei os olhos e saí com pressa dali.
Me coloquei ao lado de que se direcionava para o estande observando tudo e todos ao seu redor, ele era muito observador, eu já havia reparado isso, não deixava passar nada, ficava em silêncio e atento a tudo. As pessoas nos encaravam e apenas assentiam com a cabeça, eu até que comecei a assentir de volta, acho que estavam me cumprimentando, espero que seja isso.
Chegamos ao estande e estava vazio, era óbvio que estaria, todo mundo ali sabe atirar e até andam com bazucas no corpo como se fossem acessórios de moda. entrou e já foi tirando a jaqueta dele a jogando em cima da mesa que havia no canto do lugar, foi até uma pequena sala que havia lá dentro e saiu com um colete à prova de balas, se aproximou e me entregou.
- Toma, põe isso! - ele falou e me entregou.
- Não sei se sei colocar isso... - falei enquanto analisava o colete, o coloquei por cima da minha cabeça, mas fiquei confusa em relação aos fechos, me encarou com tédio e se aproximou para me ajudar, ele ajustou o colete ao meu corpo e prendeu os fechos da frente, depois ficou atrás de mim e começou a fechar os fechos da parte de trás, sem querer - ou querendo - ele tocou na pele nua da minha cintura na hora que foi ajustar o último fecho e esse simples toque fez com que os pelos da minha nuca se arrepiassem, e eu queria muito que ele não reparasse isso.
- ... ... Não faz isso comigo... - ele falou baixo enquanto terminava de fechar meu colete - Tem muita gente aqui agora!
- Cala a boca, Hughes... Já terminou? - falei controlando a respiração e me virando de frente para ele com a minha melhor cara de sínica, ele mordeu o lábio e sorriu de canto se afastando.
- Podemos começar com um 38 ou prefere ir pra Glock? - Ele perguntou enquanto me entregava uns óculos de proteção e um abafador auricular - Você já apontou uma arma para mim e já atirou em um oponente enquanto dirigia, suponho que você tenha alguma experiência... - ele falou analisando as armas penduradas em uma enorme parede do estande.
- Eu não tenho experiência, só aprendi a desarmar na academia de artes marciais... E o tiro foi pura sorte, quase acertei a no percurso! - falei enquanto me posicionava na minha baia.
- Então vamos dizer que você herdou o instinto do Mike, então... - ele falou baixo, mas eu ouvi e concordei com a cabeça sem emoção, ele pegou uma pistola Glock G25 semiautomática e mais uma caixinha pequena e veio em minha direção - Primeiro você precisa aprender a carregar a arma... - ele me entregou a pistola e tirou um cartucho da caixinha me entregando também - Você precisa encaixar o cartucho nessa base inferior da pistola e deslizar para dentro da pistola... - ele me mostrou como fazia e depois descarregou a pistola novamente para que eu fizesse sozinha, eu assenti e consegui fazer exatamente como ele fez – Certo... Com um tempo você vai fazer com mais frequência e pegar o jeito, mas já está se saindo bem! - ele finalizou admiranda a minha habilidade.
- Obrigada... Eu acho... - respondi olhando desconfiada para ele.
- Certo... Agora você precisa mirar e acertar no alvo, mas precisa estar na posição certa pra isso... - ele se posicionou atrás de mim, arrumou a minha postura, tocando propositalmente na pele nua da minha cintura, encostou o corpo dele no meu e falou baixo, quase sussurrando - Agora, você precisa destravar a arma... - eu estava inutilmente tentando controlar minha respiração, fechei os olhos e foquei no alvo do outro lado da sala, destravei a arma e apontei para o alvo, pegou o meu braço esquerdo e o levantou, colocando-o de apoio para arma na mão do braço direito, o hálito de uísque dele exalava no meu pescoço, estávamos muito próximos para qualquer tipo de foco, mas eu precisava me controlar, precisava muito, foquei novamente no alvo e controlei a minha respiração. - Atira quando estiver pronta... - ele falou no meu ouvido e depois ajustou o protetor auricular e foi então que eu me desliguei.
Não senti mais nada, só lembrei tudo, lembrei dos tiros, lembrei das torturas, lembrei da pegação na boate, lembrei do racha, tudo veio à tona, principalmente o rosto da minha mãe sofrendo naquele vídeo, essa última lembrança fez meu sangue ferver e tudo em mim pegou fogo. Eu não enxergava mais nada além do alvo, fechei os meus olhos lentamente, ouvi somente o ar entrando e saindo do meu corpo, mirei e apertei o gatilho rapidamente, tudo que vi foi a bala acertar rapidamente o centro do alvo como se eu fizesse isso todos os dias da minha vida, aquele furo no alvo era como se eu tivesse acertado o peito do desgraçado que torturou minha mãe e é isso o que mais quero fazer, eu sinto isso.
Tudo em mim estava pegando fogo, e não era do tipo sexual, era do tipo raiva, do tipo que me fazia não pensar nas coisas, tudo na minha vida estava desmoronando, e eu não tinha direito de escolha de absolutamente nada e ser controlada era uma coisa que eu não gostava, nunca gostei. Sempre preservei a minha liberdade, mas a minha situação me obrigava a depender desse povo, me obrigava a fazer coisas erradas, me obrigava a ser uma deles e isso me enfurecia, trinquei meu maxilar com força, mirei no alvo novamente e apertei o gatilho com raiva, a pistola disparou e cada furo que eu acertava no meio do alvo era como se eu me satisfizesse, era como se eu sentisse prazer em acertar o alvo, eu conseguia sentir um poder emanando de mim, eu teria poder com aquela arma, poder para ameaçar e se necessário matar.
- ! - tirou o protetor do meu ouvido e me chamou alto, eu saí do meu transe e o encarei assustada. - O que aconteceu com você?
- Nada, eu acho... - olhei para a arma descarregada na minha mão, o alvo destruído do outro lado da sala e um assustado do meu lado. - Eu fiz certo?
- Bom... Você descarregou a arma no alvo e o destruiu... - ele apontou para o alvo tirando a arma da minha mão - Eu tenho é dó da pessoa que você estava imaginando naquele alvo! - ele finalizou preocupado e eu me encostei à baía e encarei o alvo novamente tentando assimilar o que acabou de acontecer comigo.
- Uma coisa é certa, você tem o instinto do Mike e não acho necessário você atirar mais por hoje... - ele me encarou atento - Vou te ensinar a limpar a arma, vem! - ele saiu indo em direção à mesa e eu respirei fundo e fui atrás.
- Não tem ninguém para fazer isso? - perguntei curiosa.
- Não, cada um cuida da sua arma, é a regra! - ele respondeu em tom autoritário enquanto se posicionava ao lado da mesa.
- Mas eu nem tenho arma, então não preciso limpar! - retruquei ficando do outro lado da mesa.
- Mas vai ter um dia e precisa saber cuidar... - ele falou impaciente - Se quiser ter arma, precisa saber cuidar, é a regra e não se fala mais nisso! - ele finalizou me encarando sem humor, eu revirei os olhos e dei de ombros.
Passamos às duas horas seguintes desmontando armas, limpando armas, escovando armas e montando armas novamente. Só o desprazer de fazer limpeza em armas me fez não querer uma, mas o prazer em atirar ganhou, então eu tinha que aprender a cuidar. era bem impaciente, só no tempo em que ficamos no estande ele deve ter perdido a paciência comigo umas dez vezes.
A minha sorte foi que o Kane apareceu pedindo a ajuda do com um descarregamento, eu agradeci aos deuses por isso, eu já estava faminta e quase para atirar no meu adorável instrutor. Peguei meu moletom no meu armário e o vesti, eu estava me sentindo muito exposta na frente daquele povo todo, até agora eu não havia visto nenhum dos meus “amigos” e definitivamente eu queria saber sobre a minha missão do leilão.
Segui para a cozinha sendo acompanhada pelo olhar dos Yardies que estavam tomando posse do meu ringue, apenas os encarei de volta sem humor e segui meu caminho, passei pelas salas de reuniões que estavam vazias e fiquei imaginando onde o pessoal deveria estar, já estava passando da hora do almoço e ninguém havia aparecido ainda.
Cheguei à cozinha e encontrei Zeke e desempacotando um pacote muito cheiroso de comida, cheguei perto deles inalando aquele cheiro maravilhoso, eles me olharam e riram.
- Já estava me perguntando onde vocês estavam... - falei tentando ver o que tinha na caixa que estava abrindo.
- Que fofo... Você já estava com saudades! - falou com deboche.
- Acho que eu estava mesmo... - falei encarando-o e fazendo beicinho, ele riu e me abraçou de lado - Já me acostumei com vocês!
- Nós também nos acostumamos com sua presença, Srtª Kingston! - Zeke falou esboçando um meio sorriso, eu sorri para ele, coisa que eu não fazia há muito tempo.
- para você, asiático! - falei em tom de brincadeira - O que posso comer?
- Tudo, , tem muita comida e daqui a pouco chega mais... - falou separando as caixas que ele queria - Peguem logo o que querem e vamos comer em alguma sala vazia! - ele finalizou juntando as caixas dele nos braços, eu assenti e peguei as minhas também, muito Mac ‘n’ Cheese e frango frito, peguei uma lata de coca, Zeke pegou o que queria e saímos da cozinha, bem na hora que várias pessoas estavam entrando.
Nós entramos em uma sala vazia e cada um foi para um lugar com suas caixas, eu estava morrendo de fome e pelo jeito eles também estavam.
- Então Zeke, quer dizer que você é meu vizinho? - perguntei curiosa.
- Sim, moro na cobertura... - ele respondeu confuso.
- Achei que morasse com seus pais... Posso te visitar? – perguntei.
- Sim, eu acho... - Zeke respondeu meio constrangido enquanto mexia na sua comida.
- Você ganhou uma vizinha, cara, olha que legal! - disse irônico.
- Ainda melhor do que você que mora com o Nicholas... - Zeke respondeu e arqueou as sobrancelhas enquanto colocava uma garfada de macarrão na boca, eu quase engasguei e comecei a rir da cara de cu que o fez para o asiático.
- É tão ruim assim? - perguntei pegando uma coxinha de frango frito e mordendo.
- Não é a melhor coisa do mundo... - respondeu sem ânimo - Mas ele é meu amigo, preciso suportar isso por nossa amizade.
- Aí que lindo isso... - respondi com sinceridade me lembrando dos meus amigos em Dublin e a falta que eles me faziam, dos meus primos, comecei a mexer com a comida sem comer, eu queria tanto saber deles.
- ? - me chamou preocupado - Está tudo bem?
- Sim... - respondi cabisbaixa - Eu só... Sinto falta da minha família às vezes!
- Ai, ... - ele suspirou e veio se sentar do meu lado - Olha, eu sei que tudo isso é complicado para você, mas você precisa ser forte e aguentar isso... - ele sorriu e me ofereceu uma coxinha de frango da minha caixa.
- É... ... - Zeke gaguejou em minha direção - Estamos aqui por você... E seus primos estão bem, estão preocupados com você, mas estão bem!
- Você está rastreando-os, Z? - perguntei curiosa.
- Sim, sempre que posso! - Zeke falou rápido.
- Ótimo... Eu confio no que está me dizendo, Z! - falei rápido me recompondo - Obrigada meninos, de verdade! - peguei a coxinha da mão do e sorri.
- Então é aqui que estão escondidos... - Katie disse alto entrando na sala acompanhada de Val e - Opa, que aproximação é essa aqui? - Ela perguntou apontando para e eu sentados próximos um do outro.
- Não começa, K! - falei para ela com medo de passar vergonha - Por favor... - implorei e ela riu.
- Ok, Kingston, relaxa... - Kate arqueou as sobrancelhas e sentou na ponta da mesa - Essas ladies estavam te procurando, ... - apontou para as outras duas.
- Já terminaram de comer? - Val perguntou e eu a encarei admirando seu terninho branco de corte fino.
- Sim, a sua disposição, Val! - respondeu de imediato.
- Aqui também! - Zeke respondeu juntando suas caixas de comidas vazias.
- Quando eu crescer, você me indica sua estilista? - perguntei a ela enquanto limpava minhas mãos no guardanapo, ela riu e assentiu.
- Então, , sobre isso... - Val começou a responder e sorriu e arqueou as sobrancelhas - Minha estilista está te esperando lá em casa para tirar as suas medidas e montar seu closet! - ela falou orgulhosa e eu arregalei os olhos me levantando com a mão no coração.
- OH MY GOD! - falei alto sem reação, sorriu e veio para o meu lado.
- Você merece, ... E está precisando! - nós nos entreolhamos assentindo juntas - Com urgência! - rimos e ela me puxou pelo braço para fora da sala, eu parei antes de sair e me virei para o e o Zeke.
- Obrigada por hoje, boys... - sorri e apontei para o Zeke - Assim que eu puder te faço uma visita! - ele sorriu e assentiu preocupado, olhei para Val sorrindo e agradeci - Obrigada Val! - ela assentiu e piscou.
Saímos da sala e Val ainda ficou falando algo com os meninos e Kate, eu estava tão animada com aquela notícia, finalmente um dia bom nesse inferno, vou renovar meu closet com a mesma estilista da Valerie Fucking Davies.

(Faded - Alan Walker)
Após sairmos do bunker, me levou para a casa da Val aonde eu iria me encontrar com a estilista, o que não imaginei é que a tal estilista era ninguém menos do que a Stella McCartney, isso mesmo que você leu, era só a filha foda para caralho do fucking Paul McCartney. No momento em que eu a vi, meu coração quase pulou para fora, afinal, quem não conhece o trabalho dessa mulher no Reino Unido é porque ainda não nasceu.
Ela fez várias perguntas sobre meu estilo e do que eu gostava, a equipe dela tirou minhas medidas e a mesma até havia levado alguns modelos para que eu experimentasse, o que eu fiz de bom grado. Após tirarmos todas as medidas e eu ter escolhido vários modelitos para mim, Stella - sim, somos íntimas agora - disse que enviaria tudo para meu apartamento quando meu closet novo estivesse pronto e que o Sr. Kingston já havia acertado tudo com ela, confesso que meu queixo caiu quando ela disse isso, mas enfim, vida que segue.
acompanhou Stella e a equipe dela até a saída enquanto eu ainda olhava bestificada para as minhas roupas novas estendidas no sofá da sala de estar da mansão dos Davies. Foram incontáveis às vezes em que me imaginei tendo uma estilista pessoal ou sendo podre de rica para comprar o que eu quiser, só não imaginei que eu conseguiria isso da forma que estou conseguindo, mas é isso aí, já que estou no inferno vou abraçar o capeta, ou melhor, o meu pai.
- , pelo amor de Deus, vamos comer! - chegou desesperada na sala e me tirou de meus devaneios - Seus looks são maravilhosos e seu bom gosto é sensacional, mas já vai dar cinco da tarde e nós não comemos nada! - ela disse se se encostando ao sofá e fingindo desmaio.
- Nós ficamos mais de três horas aqui? - perguntei abismada procurando um relógio na sala e confirmando o que dizia quando vi o relógio entalhado a ouro na parte superior do bar no fundo da sala. - Nossa, não tive notícias do Mike o dia todo! - coloquei a mão na cabeça puxando os cabelos para trás em sinal de preocupação.
- , ele está bem, na realidade, todos estão nos esperando às seis da tarde para nos passar o plano, então vamos comer! - disse a ruiva me puxando para a sala de jantar.
Depois de comer o lanche - leia-se banquete - que o chef da Val preparou, nós seguimos para o bunker, como estava sem carro por minha culpa, Mike emprestou um dos carros dele para ela usar e, acreditem se quiser, ele emprestou um Bugatti Chiron branco para ela, eu literalmente estava tendo vários orgasmos mentais andando nesses carros, acho que o Toretto me entenderia.
Mas enfim, chegamos ao bunker bem cansadas de tanto escolher roupa e comer, mas estávamos bem-preparadas para o que viria - quer dizer, mais ou menos - eu confesso que estava um pouco apreensiva, ou melhor, dizendo, me cagando de medo mesmo. Semana passada eu ia para a escola e agora vou me infiltrar em uma “missão” criminosa, imaginem como está meu sistema nervoso com isso.
aparentava estar tranquila, ela com certeza já devia ter feito isso várias vezes, mas eu não, mas teria que fingir demência, já que eu não tinha escolha. Adentramos pelo portal do bunker e não estava tão cheio como de manhã, mas ainda havia alguns Yardies lá e ainda estavam me passando medo.
Chegamos a frente à sala de reuniões, nos encaramos e pela primeira vez senti tensão no olhar de , talvez uma fagulha de medo, mas respirei fundo e entrei na sala com ela em meu encalço. Vi que Mike estava encostado na parede oposta à entrada com cara de poucos amigos bem ao lado da mesa em que Val analisava a tela de um notebook, Woods estava encostado perto da porta e, também, estava com a feição dura, a mesa estava cheia, acredito que todos estavam lá, de novo. Olhei para Romeo, que estava encostado na ponta da mesa, ele me encarou de volta e assentiu, foi até a mulher dele e falou algo em seu ouvido, a mesma nos viu nos aproximando da mesa e se levantou.
- Ótimo, vocês chegaram, sentem-se! - ela apontou para as cadeiras disponíveis perto da porta, me empurrou e me sentei na cadeira ao lado de , enquanto ela se sentou do meu outro lado - Bom, agora que as meninas chegaram, podemos começar a passar o plano que elaboramos, Mike, quer fazer as honras? - Mike a encarou duro e recusou com a cabeça, a mulher o ignorou e desviou o olhar para Woods o questionando com o olhar.
- Posso até falar, mas você sabe que sou totalmente contra o plano! - Woods falou duro e a encarou, a mulher o fuzilou com o olhar e arrumou a postura.
- Todos aqui estamos em perigo e todos têm que fazer essa merda acontecer, sei que muitos não concordam com o fato de eu colocar a de infiltrada, mas é o que tem para hoje, queiram vocês ou não! - Val falou com rispidez e frieza.
- Ela não tem experiência nenhuma com essa merda, Val, se estamos tentando proteger ela, qual o sentido de colocar ela em campo? - Rick falou impaciente e me irritei.
- Posso dar minha opinião? - falei determinada.
- Não, , você não pode, não agora! - Woods respondeu impaciente.
- , fica quieta, tem muita coisa em jogo aqui! - Mike falou baixo e irritado. - Não é só sobre você!
- É sobre ela sim, Mike... - Kline falou contestando - Se fosse só a vida da em jogo, tenho certeza de que não teria esse drama todo! - apontou com deboche para as pessoas na mesa.
- já passou por isso outras vezes, ela tem experiência, são 17 anos nessa merda já. - Rick falou e meu ranço por ele apitou.
- Posso me infiltrar sozinha, não vejo necessidade de colocar a nisso, é a minha mãe que está em jogo. - falei irritada.
- Não, , cala a boca, você não vai sozinha, porra! - falou impaciente - Eu já fiz isso outras vezes e eu dou conta... E tendo cobertura de vocês, a também vai dar conta!
- Eu posso ir sozinha! - falei batendo a mão na mesa e fechando meus olhos irritada com aquele blá, blá, blá - Se for para encontrar a minha mãe, eu posso fazer qualquer coisa sozinha!
- Não, você não vai sozinha! - Mike falou, saindo de perto da mesa e vindo para o lado de Woods, me ignorando - Se você tem que ir, então vamos dar a cobertura total, dentro e fora do andar e todos nós vamos! - finalizou determinado.
- Estou dentro! - Woods concordou.
- Eu posso dar cobertura dentro do local... - levantou o dedo se oferecendo.
- Olha só, acho fofo você querer estar perto da sua irmãzinha e da mina que você quer comer, mas alguém precisa dirigir para elas e não vejo ninguém melhor que você para isso! - Kline disse olhando para , que a fuzilou com o olhar enquanto eu fechava os olhos e desejava ser abduzida naquele momento - Alguém discorda que ele deveria ser o motorista que garante a segurança delas? - Kate olhou para os homens na mesa com cara de inocente.
- Concordo plenamente, K! - Nate assentiu prendendo o riso.
- Claro, K! - assentiu de cabeça baixa para não gargalhar e colocou a mão na boca se segurando também. Eu abri os meus olhos fingindo demência e notei que Val e Romeo me observavam atentamente enquanto os homens na mesa continuavam concordando com a Kate, mordi meu lábio inferior e decidi falar algo para sair daquela situação.
- Então, nós vamos entrar lá, nos misturar ou comprar alguma mina? - perguntei tentando desviar o assunto, de forma alguma eu olharia para o Mike, que pelo que senti estava atrás da minha cadeira.
- Ah sim, quanto a isso, vamos decidir ainda... - Romeo disse e olhou para Julian que até o momento estava quieto e observando a conversa - Alguma sugestão, Parker?
- Posso acompanhá-las como comprador, acredito que com os devidos disfarces, ninguém vai me reconhecer lá! - o gato do Parker respondeu com tranquilidade.
- Nem fodendo! - Mike falou alto e se aproximando da minha cadeira.
- Já está querendo ferrar com a vida da garota, Julian? - Rick falou com irritação.
- Estou querendo ajudar na operação, mas não me sentiria ofendido se recusassem! - Julian respondeu com ironia.
- Cara, a questão é que a última que você “ajudou”, engravidou e morreu tentando abortar um filho teu... - Woods falou cínico e debochado - Se isso acontecer com a , eu mesmo arranco os órgãos do seu corpo com as mãos e dou para os meus cachorros comerem!
- Isso se eu não matar ele antes... - Rick falou com frieza e sem olhar na cara do Parker.
- A garota não suporta olhar na sua cara, Rick... - Parker falou com deboche.
- Não estou entendo porra nenhuma, mas isso é verdade... – falei baixo tentando acompanhar a discussão dos homens.
- Eu praticamente criei essa garota, então ela falando comigo ou não, eu mato você se encostar nela, Parker! - Rick respondeu encarando Julian com raiva.
- Ah é, você criou a filha do Mike... - Parker disse em tom provocante - Porque ele não foi homem para isso... E agora pelo que parece, Thomas está continuando com o serviço... - Parker continuou com cinismo encarando os homens na mesa - Você deve ser muito especial, , conseguiu cativar três capos!
- CALA A PORRA DA SUA BOCA, PARKER! - Mike gritou, avançando para o lado de Julian, mas Thomas o segurou e Rick apressadamente se aproximou para ajudar.
- Fala mais merda, Julian, continua para ver se chega em casa hoje, desgraçado! - Woods ameaçou Parker enquanto segurava Mike.
- Thomas... Por favor, não! - Romeo abaixou a cabeça e chamou o outro homem em sinal de advertência.
- Mantenham a postura, por favor! - Val falou duro para os homens e se posicionou em pé na ponta da mesa.
- Alguém mais tem algo a sugerir? - perguntou tentando voltar ao foco da reunião.
Olhei assustada para , que me olhou de volta e falou a palavra "depois" sem emitir som, entendi e voltei a prestar atenção na conversa que estava rolando.
- Não o quero perto da ! - Mike falou novamente, com mais determinação.
- Eu entendo o Mike não querer o Parker perto da prole dele, faria o mesmo... - Kane decidiu dar a opinião dele - Contudo, ninguém nessa sala tem mais paciência do que o Parker para ficar no mesmo lugar do que os vermes sem querer atirar na cabeça deles. - Kane encostou os cotovelos na mesa e encarou a todos - Acho que ele seria ideal para isso!
- Sem contar que as meninas vão estar com escutas... - Nate constatou.
- E o e o Zeke provavelmente já vão ter hackeado as câmeras de lá! - falou.
- E tem outra coisa, o Parker só gosta de atacar dentro do carro, no particular... - Kate falou semicerrando os olhos enquanto encarava o político - Com o no carro, tenho certeza de que ele não vai ter coragem de tentar nada com nenhuma delas! - finalizou e piscou para o mesmo.
- Você me conhece tão bem, Kate... - Parker disse baixo a encarando.
- Ele já tentou te seduzir, K? - perguntou curioso.
- Com certeza, eu sou muito gostosa! - Kate respondeu, colocando os pés na mesa e piscando para o rapaz - Mas eu batizei a bebida dele e o deixei dopado no carro enquanto me divertia na Maddox!
- Essa é minha garota! - Nate falou e riu da cara do Parker enquanto Kate ria junto e o político levantava as mãos em rendição.
Eu sinceramente, estava pasma com a conversa que eles estavam tendo, era uma relação de amor e ódio entre os membros da Chimera. E o mais interessante é que os chefes somente os observavam discutir.
- , você garante a segurança delas? - Mike perguntou e me tirou dos meus devaneios.
- Tenho permissão para atirar no Parker se necessário? - perguntou curioso.
- Sim! - Mike, Thomas e Rick responderam em uníssono e eu revirei os olhos.
- Ótimo, eu garanto que ele não vai fazer nada com elas! - respondeu sorrindo de canto enquanto encarava Parker, que somente assentiu.
- Então vou de comprador com minhas acompanhantes... Certo, Val? - Parker perguntou para a boss.
- Se todos estão de acordo... - Val disse encarando cada rosto em volta da mesa e ninguém contestou a decisão - Então sim, esses serão os disfarces!
- Ai, que bom, já terminou? - perguntei com empolgação - Posso procurar algo para beber?
- ... - Mike colocou a mão no rosto e respirou fundo.
- O quê? Eu estou com sede uai! - olhei para ele e dei de ombros.
- Vamos só repassar o objetivo da infiltração e já liberamos vocês, ok? - Romeo falou enquanto se levantava para explicar o plano.
Depois de quase uma hora explicando o que cada um deveria fazer, Val e Romeo liberaram os "jovens" da facção, pedindo que só os antigos ficassem na sala para cuidarem dos últimos detalhes. Mike queria que eu o esperasse, mas já era nove da noite e eu estava com fome e mal-humorada devido a isso, então ele achou melhor eu ir para casa. Os meninos ficaram de queixo caído quando viram o carro que Mike havia emprestado para , tanto que pediu para o deixar dar umas voltas, ou seja, fiquei sem carona.
- Vamos, vou te deixar em casa! - falou se aproximando de mim.
- Não precisa se incomodar, eu posso esperar o Mike! - respondi sem jeito.
- Entra no carro, Kingston! - ele falou entrando no carro e eu respirei fundo assentindo.
- Certo, vamos então! - respondi entrando no lado do passageiro do Chevy Impala dele.
- Está com medo, Kingston? - ele falou sorrindo malicioso enquanto acelerava o carro em direção a saída.
- De você? Jamais! – respondi, o encarando, ele me encarou de volta e mordeu o lábio inferior, ou seja, sinal de que aquela carona iria dar merda.




Continua...



Nota da autora: Hey, lindezas! Espero que estejam gostando da “nova vida” da “”, estou muito muito muito grata pelos comentários que recebi e fiquei bem animada para continuar a escrever a jornada da nossa menina! As coisas começam a se transformar nesse capítulo novo e eu espero que gostem, então podem continuar comentando que vocês vão fazer uma autora muito feliz e animada, bjux <33

Ei, leitoras, vem cá! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso para você deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.




Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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