Black Widow

Última atualização: 02/11/2021

Capítulo 1

Respirei fundo, sentindo ar puro bater contra meu rosto.
Ah, o cheiro do lar!
Não pude deixar de sorrir sozinha com tal pensamento. Eu não pisava em Londres há dois anos, desde que... Deixa para lá! Não quero pensar em coisas melancólicas agora.
Caminhei por entre as pessoas, carregando o meu carrinho lotado de malas. O aeroporto estava lotado como sempre, mas isso não me incomodava, eu estava feliz por estar novamente no meu país depois de tanto tempo.
Não foi preciso muito tempo para que eu achasse um táxi, e logo eu estava dentro do veículo, rumando para o meu antigo apartamento.

Eu não tinha contado para ninguém que estava de volta, eu queria fazer surpresa para os meus familiares e amigos, apesar de ter perdido contato com alguns deles, eu sei que vou ficar feliz em rever todos depois de tanto tempo.
- Senhorita, já chegamos. - O taxista me chamou, tirando-me do mundo da lua.
- Ah, claro - sorri, e desci do carro em seguida. Após tirar todas as minhas malas de dentro do carro, paguei ao taxista, que logo embarcou no carro e foi embora.
Parei ao lado de minhas malas, apenas para observar o prédio a minha frente. Nada tinha mudado, por fora ele continuava do mesmo jeito que eu me lembrava e ao contrário do que eu pensava, isso me trouxe uma paz enorme.
- Senhorita ? - o porteiro, Jack, apareceu no portão com a expressão de surpresa.
- Jack! Quanto tempo!
- Faz um bom tempo sim, senhorita. Pensei que nunca mais a veria.
- Que isso, Jack. Só precisei dar um tempo daqui, mas estou de volta, agora para ficar!
- É muito bom ouvir isso senhorita.
- , por favor, Jack.
- Claro, me desculpe. - ele ri. - Deixe-me ajudá-la a levar as malas para cima. - ele pegou algumas das minhas malas, e adentramos o prédio em seguida.
- Obrigada. - sorri. - Fico muito feliz que você ainda esteja trabalhando aqui.
- Que bom, fico muito feliz de ouvir isso. - apertei o botão do elevador, e logo as portas foram abertas. Entramos dentro do cubículo, e um silêncio mórbido se seguiu até chegarmos no meu andar. Caminhamos lentamente até a porta do meu apartamento, lembranças invadindo a minha cabeça a cada passo que eu dava. Por mais que tentasse, eu nunca iria esquecer da última vez que estive nesse apartamento.
- Está tudo bem? - Jack perguntou, ao me ver hesitar em abrir a porta.
- Mais ou menos. - suspirei. - Eu preciso perguntar algo...
- Claro, se eu puder ajudar...
- Eu preciso saber se ele... Se ele... - não consegui terminar a frase, mas Jack pareceu entender o que eu quis dizer, porque respondeu:
- Não, senhorita. Ele veio aqui logo depois que você foi embora e depois disso não retornou mais.
Não pude evitar me sentir aliviada ao saber disso, pois não estava preparada para entrar em meu apartamento e ter algum tipo de surpresa desagradável. Girei a chave na fechadura e empurrei a porta, revelando o cômodo tão conhecido por mim. Tudo estava do jeito que eu deixei, o que significa que nem ele e nem ninguém da minha família mexeram nas minhas coisas.
- Você pode deixar minhas malas aí no canto, Jack. - ele colocou minhas malas cuidadosamente no canto da porta. - Obrigada.
- Por nada. Qualquer coisa que precisar, é só chamar. - sorri em agradecimento e ele saiu do apartamento, fechando a porta ao passar.
Completamente sozinha, olhei ao redor todo o apartamento mais uma vez. Lembranças que eu não queria lembrar, invadiram minha mente, sem permissão. Quantos momentos felizes eu tinha passado ali, com ele. Era incrível o quanto eu me lembrava de tudo, nos mínimos detalhes, como se tudo tivesse acontecido ontem, quando na verdade já tinha se passado dois anos.

Flashback

Era fim de tarde de uma sexta-feira, e eu e meu namorado, agora noivo, , estávamos assistindo a um filme. Quer dizer, eu fui forçada a assistir um filme horrendo, que eu odiava.

- Eu não aguento mais assistir esse filme! - já era a terceira vez que eu reclamava e tudo que ele fazia era rir da minha cara.
- Amor, você prometeu que iria assistir o filme que eu quisesse dessa vez.
- Se eu soubesse que era esse, não tinha prometido. - cruzei os braços, emburrada.
- Tudo bem. - ele pegou o controle e desligou a TV. - O que você quer fazer?
- Você finalmente conseguiu um tempo para passar comigo, não quero desperdiçar assistindo filme.
- Hum... Acho que posso dar um jeito nisso. - ele sorriu de lado e me puxou para o seu colo, fazendo com que eu ficasse sentada em seu colo de frente para ele.
- Eu senti sua falta. - murmurei. - Odeio quando você vai gravar fora do país. - ele sorri docemente e me dá um selinho.
- Pense pelo lado positivo, eu não vou precisar ir a lugar algum por um bom tempo.
- É um ótimo ponto positivo. - sorrio e passo os braços ao redor do pescoço dele. - só para mim por tempo indeterminado. - Ele ri, e então me beija apaixonadamente. Suas mãos apertam minha cintura levemente, enquanto nossas línguas brincam uma com a outra de uma forma incrível e que sempre me dá borboletas no estômago. Ah, que sensação maravilhosa.
- Eu te amo. - ele sussurra, quando separamos os lábios.
- Eu também te amo. - sorrimos um para o outro e, logo, nos beijamos novamente.

/Flashback

Lembrar aquilo ainda era doloroso. Eu não arrependo de nenhum dos momentos que vivi com e, apesar dos altos e baixos que o nosso relacionamento teve, devido a fama dele e as viagens para gravações de filmes, eu o amava tanto que achava que não era possível viver sem ele. Porém, nem tudo são flores, e nem tudo dura para sempre; eu aprendi isso da pior maneira possível.

Flashback

- Amiga, essa correspondência estava lá embaixo. - minha melhor amiga, , me entregou um envelope assim que abri a porta para ela no domingo à tarde.
- Obrigada. - peguei o envelope, o analisando. - Que estranho, não tem remetente. - franzi o cenho, confusa.
- Eu vou pegar meu livro e já vou indo, eu já estou atrasada e prometi ajudar minha irmã com a tarefa de casa.
- Claro, fique à vontade. - sentei-me no sofá, com o envelope em mãos. Quem será que me mandou isso?
Sem mais delongas, abri o envelope, a curiosidade praticamente me matando. Porém, no minuto seguinte, eu preferi não ter aberto e, definitivamente, a curiosidade me matou.
Dentro do envelope, havia várias fotos de , com uma mulher desconhecida. Tinha foto deles aos beijos, foto deles dentro do carro, saindo de um motel e, por fim, tinha um recorte de uma revista que dizia: “Estaria traindo a sua esposa com uma mulher misteriosa?”. Como é que eu não vi isso antes?
O choque tomava conta das minhas feições e do meu rosto, e eu me vi paralisada, olhando aquelas fotos fixamente. Ao longe, ouvi a voz de se despedindo e em seguida ouvi a porta se fechando, mas não tive tempo para assimilar nada e nem de lhe responder.
estava me traindo. E ele nem fez esforço para esconder isso.
Com uma repentina raiva crescente dentro de mim, levantei-me do sofá e andei decidida até o quarto, enxugando qualquer resquício de lágrima que estivesse em meu rosto. Adentrei o quarto em um rompante, e estava sentado na cama, mexendo em seu laptop.
- Ei, amor, o que houve? - não lhe respondi, apenas joguei as fotos em cima dele.
- Como que você me explica isso? - ele pegou as fotos e arregalou os olhos ao ver do que se tratava.
- , não é o que você está pensando!
- NÃO É O QUE EU ESTOU PENSANDO? - explodi. - ISSO É TUDO O QUE EU ESTOU PENSANDO, JAMES.
- Calma, por favor. - Ele se levantou e andou até mim.
- Não encosta em mim! - recuei, quando ele tentou tocar no meu braço.
- , não aconteceu nada com essa garota.
- Você acha que eu sou cega? Ou burra? Tem fotos de vocês dois saindo de um motel... DE UM MOTEL! Você não teve nem a decência de esconder.
- , me deixa explicar...
- Não tem nada para ser explicado, . Eu vi as fotos, elas foram mandadas para mim. - sentei-me na cama, sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto. Aquilo não podia estar acontecendo comigo.
- ...
- Vai embora, . Acabou.
- Não, ...
- Eu não quero mais te ver, vai embora. - andei até a porta do quarto e segurei a mesma, apontando para fora.
- ...
- VAI EMBORA, JAMES - gritei. Por que ele não ia embora logo?
Ele abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas pareceu desistir. Vestiu a camisa e, sem falar mais nada, saiu do quarto. Não esperei para ver se ele iria realmente embora, apenas fechei a porta com força e me joguei na cama aos prantos, com o coração dilacerado.

Flashback


Enxuguei a lágrima que descia por meu rosto e peguei as minhas malas, decidindo deixar as memórias daquele relacionamento de lado. Eu não tinha notícias de desde que terminamos e, sinceramente, preferia que continuasse assim. Eu evitava todo tipo de meio de tentar notícias dele, seja em sites, ou revistas e até mesmo através da minha família.
Com um suspiro melancólico, peguei duas malas das quais o porteiro tinha deixado minutos atrás e segui para o quarto. Mais um lugar cheio de memórias. Talvez eu devesse simplesmente me mudar.

Coloquei as malas no closet, e caminhei diretamente para minha cama macia, me sentindo cansada de toda a viagem que fiz da Itália para cá. Ir para a Itália foi uma das melhores coisas que já fiz. Depois do fim do meu relacionamento, eu não tinha mais nada que me prendesse aqui, então acabei por aceitar um papel de personagem principal de um filme na Itália. Era o meu primeiro trabalho como atriz, e como não tinha nada para me prender, acabei decidindo ir. Depois que as gravações acabaram, acabei ficando por lá, fazendo algumas participações em novelas e seriados, até que decidi que hora de voltar para casa.
Acomodei-me em minha cama, sentindo o cansaço tomar conta de todo o meu corpo, e não demorou para que meus olhos se fechassem e eu me entregasse ao mais profundo sono.


A luz da manhã batia em meu rosto, despertando-me do melhor sono da minha vida. Apesar das circunstâncias e de todas as memórias desse lugar me atormentando, eu dormi perfeitamente bem.

Levantei-me e caminhei preguiçosamente para o banheiro. Parei em frente à pia e olhei minha aparência no espelho. É, até que eu não estava tão mal. Lembrando que os meus pertences ainda não estavam ali, voltei para o quarto apenas para pegar a minha bolsa, e logo já estava de volta ao banheiro, onde fiz toda minha higiene matinal e retirei toda a minha roupa para que tomasse um banho quente e relaxante. Entrei dentro do box e liguei o chuveiro, me verificando de que a água estava quente antes de deixar que a água escorresse por meu corpo.
Alguns minutos depois, desliguei o chuveiro e puxei a toalha que havia separado para mim, enrolando-a no meu corpo em seguida. Caminhei de volta para o quarto e coloquei uma das minhas malas em cima da cama, para que eu pudesse procurar uma roupa para vestir. Suspirei ao notar a bagunça ali dentro e comecei a tirar todas as roupas de dentro da mala e jogá-las na cama; eu tinha plena consciência de que teria que arrumar tudo, mas isso iria ter que esperar, agora eu tinha outros planos.
Depois de muitas roupas jogadas em cima da cama, finalmente consegui escolher uma roupa que me agradasse e não estivesse completamente amassada. Vesti minha lingerie vermelha favorita, uma calça jeans rasgada e uma regata branca. De outra bolsa, tirei minha maquiagem e todos os objetos necessários para arrumar minha aparência. Parei em frente a um espelho que estava levemente empoeirado e comecei a fazer minha maquiagem. Por ser de dia, deixei minha aparência a mais básica que consegui, e deixei os cabelos soltos. Por último, calcei meu par de sapatilhas favoritos e passei meu melhor perfume. Em seguida, peguei meu telefone, dinheiro, as chaves e saí do apartamento. Estava na hora de ver a família.

Parei em frente ao prédio, para me decidir se pegaria ou não um táxi para a casa da minha mãe. Por fim, acabei decidindo por ir a pé, já que a casa ficava à apenas alguns quarteirões dali.
Enquanto caminhava, não pude evitar pensar em como minha família estaria e como eles reagiriam quando me vissem depois de dois longos anos. Eu esperava que agissem bem.
Eu não cheguei a falar com eles sobre e o motivo do fim do nosso relacionamento, era muito doloroso, e eu sequer aguentava ouvir o nome dele. Eu ainda não suporto.

Respirei fundo e busquei afastar as memórias da minha cabeça, assim que parei em frente à casa dos meus pais. Sorri, feliz, ao ver que tudo estava do mesmo jeito que eu lembrava. Parecia que nada tinha mudado, desde que eu fui embora, e de certa forma, isso era reconfortante.
Abri o portão, e adentrei o local sorridente, caminhando por entre grama e o jardim de flores. Respirei fundo, sentindo o ar puro e o cheiro de casa. Era isso, eu estava em casa.
Toquei a campainha, e esfreguei as mãos ansiosamente, enquanto esperava que alguém viesse abrir a porta. Pude ouvir passos e vozes do outro lado da porta e meu coração acelerou em expectativa, quando a tranca girou e a porta foi aberta. Meus olhos se encheram de lágrimas, ao ver minha mãe ali, parada e com uma cara incrédula, como se não acreditasse que eu estava ali em sua frente.
- Mãe... - murmurei, emocionada.
- ... - ela balbuciou, alguns segundos depois, incrédula. – AI, MEU DEUS, NÃO ACREDITO! - ela exclamou, e eu não me contive, a puxei para um abraço, as lágrimas de felicidade escorrendo por meu rosto.
- Mãe, que saudade! - murmurei, a abraçando apertado. Ah, como eu senti falta dos abraços da minha mãe, como eu senti falta de casa.
- Minha menininha. - ela se afastou para me olhar. - Você está linda. - ela disse, passando a mão pelo meu rosto. Sorri, e inclinei meu rosto em direção ao seu toque, apreciando o carinho. - Quando foi que você chegou? Por que não avisou que estava vindo?
- Estou de volta, mamãe e, dessa vez, não vou mais embora. - ela sorriu largamente. Eu sabia que ela ia gostar da novidade, pois ela não aprovou quando eu decidi ir embora anos atrás. - Não avisei porque queria fazer surpresa.
- E é a melhor surpresa de todas que você poderia me fazer. - ela passou a mão por meu rosto, enxugando minhas lágrimas. - Vem, vamos entrar! - ela me puxou para dentro, sem ao menos me dar tempo para fechar a porta atrás de mim ao passar. - Olha quem está aqui - ela disse ao chegar na sala, ainda me arrastando.
- NÃO ACREDITO! MILY! - apenas ouvi diversos gritos, mas não tive tempo de ver nenhum rosto em específico. Vários braços me envolveram, gritando meu nome de felicidade e o típico “que saudades!”, e tudo que eu fazia era rir e chorar ao mesmo tempo. Ah, como eu senti saudade de toda a minha família.
- Deixem a minha filha respirar um pouco. - minha mãe interveio e, logo o aperto sufocante, mas que só me fazia bem, foi desfeito.
Olhei ao redor, vendo praticamente toda a minha família ali. Minha irmã, , tinha apenas 16 anos e estava linda da mesma forma que eu me recordava; meu irmão, Josh, e sua esposa estavam lado a lado, sorrindo para mim. Era muito bom saber que eles ainda estavam juntos e, por último, os dois filhos do meu irmão e meus sobrinhos, me olhavam com os olhos brilhando de felicidade. Ao ver aquilo, meu coração se encheu de felicidade, e a única reação que tive foi me ajoelhar no chão e abrir os braços para que eles me abraçassem novamente. E foi o que eles fizeram.
- Tia , trouxe presentes para mim da Itália? - Lauren, a mais nova dos dois, perguntou, ainda com os olhos brilhando.
- Você está linda, tia. - Mike, o mais velho, disse e meu sorriso se alargou ainda mais.
- Você que está lindo. - baguncei o cabelo dele, e depositei um beijo em seu rosto. - E eu trouxe presentes para todo mundo, mas eu deixei no meu apartamento. - fiz uma expressão de desapontamento.
- Tudo bem, depois eu pego. - ela disse, e se afastou, voltando para perto dos seus pais. Levantei-me e olhei para as pessoas ao meu redor.
- É muito bom te ter de volta, pirralha. - meu irmão sorriu, e se aproximou para me abraçar novamente. E assim se seguiu os cumprimentos de saudade.


Eram quase dez horas da noite quando meus pais finalmente me deixaram voltar para casa. Meu irmão e sua família tiveram que voltar para casa depois do almoço, mas prometeram que iriam me visitar no meu apartamento. A tarde com minha mãe e meu pai foi maravilhosa, eu contei quase tudo o que aconteceu comigo durante os dois últimos anos - o que não foi muita coisa -, e eles me contaram tudo o que eu tinha perdido nesse tempo. Eles me contaram que se casou, mas disseram não saber o nome do cara - o que eu achei que era mentira, mas não comentei nada. Me senti mal por ter perdido esse dia tão importante para minha amiga, ou ex-amiga, não sei mais o que somos, já que perdemos o contato, mas tinha certeza de que ela estava bem e, talvez, um dia, eu até a reencontre e conheça o sortudo que teve a sorte de se casar com ela.

Entrei em casa, me sentindo exausta. Eu tinha amado o dia de hoje, mas a realidade parecia praticamente bater em minha porta, já que amanhã seria segunda e eu teria que ir procurar um emprego novo, além de ter que contratar alguém para fazer uma faxina em meu apartamento.
Passei o restante da noite desfazendo as malas e arrumando as roupas no closet. Quando finalmente terminei, tomei um banho rápido, vesti uma roupa confortável, e caí na cama. Ainda tentei planejar todos os meus passos de amanhã, mas minha mente estava tão cansada que acabei adormecendo antes que pensasse em algo útil.

Alguns dias depois...


Pela primeira vez, desde que voltei, minha vida estava organizada. Me livrei de todos os meus pertences antigos - principalmente os que me faziam lembrar de coisas que eu queria esquecer - e comprei tudo novo. Tudo mesmo. Meu apartamento passou por uma “reforma”, e eu estava amando a forma como ele estava agora. Já estava na hora de seguir em frente e fazer novas memórias, eu demorei demais para acordar e perceber que ficar lembrando do passado não me fazia bem e nem iria trazer aqueles momentos de volta. Aliás, eu não queria aqueles momentos, porque o que aconteceu não tem e nem iria ter perdão.

O toque do meu telefone, interrompeu meus pensamentos, trazendo-me de volta para a realidade. Mexi, mais uma vez, o molho na panela e a tampei, antes de pegar o aparelho em cima do balcão. O nome do meu agente piscava na tela e deslizei meus dedos pela tela para atender a chamada.
- Oliver! Já estava me perguntando quando é que você ia me ligar.
- Isso tudo é saudade? - o sarcasmo em sua voz era óbvio.
- Na verdade, eu estava mais esperançosa que sua ligação significasse que você tinha um novo papel para mim.
- Ouch! - exclamou, fazendo-me rir.
- E então? - pedi, esperançosa.
- Eu consegui um teste para você em um filme, se você aceitar, eu te envio o seu texto por e-mail agora mesmo.
- Aceito - respondi, sem hesitar.
- Você não vai querer saber o que se trata primeiro?
- Não.
- Mas, ...
- Eu sei o que você está pensando, mas eu só quero fazer o meu trabalho, Ollie. Não importa o tipo de papel que eu vou fazer, isso é só um detalhe e eu já fiquei tempo demais parada.
- Tudo bem, você que sabe. Eu vou te mandar o script do teste e um anexo com tudo sobre o filme e o personagem que você vai interpretar.
- Claro, pode mandar.
- E... ?
- Sim?
- Esse filme vai ser muito bom para a sua carreira, então, não deixe que sua vida pessoal atrapalhe isso.
- Por que eu faria isso?
- É só um conselho, lembre-se disso. - disse e desligou. Olhei para telefone com o cenho franzido; eu não tinha entendido nada.
Balancei a cabeça, dizendo para mim mesma que não era nada, antes que começasse a ficar paranoica. Deixaria para decifrar o que Oliver quis dizer uma outra hora, por hora, eu iria apenas me concentrar na comida que eu estava fazendo.

Depois do almoço, verifiquei meus e-mails e imprimi tudo o que Oliver havia mandado sobre o meu personagem e as falas que eu usaria para fazer o teste. De acordo com o que estava escrito, era um drama e eu seria a personagem principal, que era uma mulher viúva que se apaixona e se envolve com um homem casado. Tão clichê e típico. Deixei essa parte para olhar depois, e me concentrei em estudar apenas as falas do teste, mais tarde eu daria uma lida em tudo antes de dormir. Peguei as folhas e sentei-me no sofá com as folhas em mãos, decidida a começar a estudar imediatamente.
Horas mais tarde, meu telefone toca, desviando minha atenção das folhas pela primeira vez naquele dia.
- Alô? - atendi, sem ver quem estava me ligando antes.
- , está ocupada? - identifiquei a voz da minha irmã do outro lado da linha.
- Mais ou menos. O que houve?
- Nada. Eu só queria saber se você quer ir à festa de um ano da filha da hoje à noite.
- Clar... Espera! tem uma filha? - perguntei, espantada. Como eu não sabia disso?
- Tem! Você não sabia? Ela é linda...
- Eu não falei com ela desde que cheguei aqui e nem sabia que você tinha contato com ela.
- Ah, ela vem aqui em casa às vezes.
- Então, papai e mamãe estavam mentindo quando disseram que não sabiam quem era o marido da ? - ela ficou em silêncio por um momento. - ?
- Você vai ou não?
- Vou, quero ver minha amiga - e descobrir quem é o marido misterioso.
- Ótimo, tenho que ir, me pega às 19h, tchau! - e desligou, sem esperar resposta.
Que maravilha! Primeiro Oliver e agora minha irmã, o que eles tão escondendo de mim? Pelo menos alguma coisa eu vou descobrir hoje à noite.
Olhei para o relógio, que marcava exatamente 17:30. Eu teria que me apressar. Larguei as folhas em cima do sofá e segui para o banheiro; coloquei a banheira para encher e voltei para o quarto, a fim de escolher uma roupa decente para vestir. Acabei escolhendo um vestido azul que eu tinha comprado há uns dias. Deixei a peça de roupa em cima da cama, e voltei para o banheiro, me despindo no caminho. Joguei a roupa na cesta de roupa suja, desliguei a torneira e entrei na banheira, relaxando quase que imediatamente. Era uma pena que eu não pudesse ficar ali o tempo que quisesse.
Ainda não tinha caído a ficha de que, em algumas horas, eu veria . Como será que ela estava? Será que ela ia gostar de me ver? E quem será o marido misterioso dela? Eram tantas perguntas e nenhuma resposta, mas, pelo menos, eu iria conseguir algumas respostas ainda hoje.
Me estiquei para pegar o roupão que estava ali perto e me levantei da banheira, vestindo o roupão logo em seguida. De volta no quarto, abri minha gaveta de roupas íntimas e tirei a primeira peça decente que encontrei e vesti por debaixo do roupão. Em seguida, parei em frente ao grande espelho, para que pudesse me maquiar. Já que meu vestido era um azul claro, optei por colocar uma sobra clara em meus olhos e destacar meus lábios com o meu batom vermelho favorito. Com a maquiagem terminada, penteei meus cabelos, deixando soltos e vesti o vestido e os meus inseparáveis saltos pretos, voltando a me olhar no espelho, logo em seguida. Sorri satisfeita para o meu reflexo. Eu reconhecia que estava diferente, meus cabelos já não eram mais pretos e, sim, ruivos, e muita coisa em minha aparência havia mudado nesses dois anos. Não me admiraria se não me reconhecesse.
Olhei no relógio e me assustei ao ver que já eram 18:59; eu tinha mesmo levado todo esse tempo para me arrumar? O interfone tocou, o que significava que minha irmã tinha chegado; Hum... Ela é pontual.
Rapidamente, peguei minha bolsa e meu celular e saí correndo, não esquecendo de apagar as luzes e trancar a porta ao sair.
- Ainda não acredito que papai te deu um carro.
- Nem eu! Me pegou totalmente de surpresa. - ela disse, animada. Sorri, feliz por ela; sonhava com esse carro desde os 10 anos. Ela se virou e pegou alguma coisa no banco de trás. - Aqui, pega. É um presente para a filha da , para você não chegar lá de mãos vazias.
- Ai, um presente! - bati a mão na testa. - Eu tinha esquecido. Obrigada.
- Não foi nada. Eu te chamei em cima da hora, não tinha como você ter comprado um presente em cima da hora.
- Tem razão. - concordei e ela deu partida. - Então, a está diferente?
- Não, ela pareceu ser a mesma pessoa. Não muda nada.
- Sei... E esse marido dela? Por que tanto mistério? - perguntei, esperando que ela me dissesse algo.
- Não tem mistério algum. Eu só não conheço o cara. - deu de ombros, com descaso.
- Vocês não foram ao casamento?
- Não. - respondeu, rápido demais. - Quer dizer, nós até fomos convidados, mas não pudemos ir.
- Hum...
Resolvi não perguntar mais nada, não adiantaria, ela não iria me responder. Ela deveria ter os motivos dela e, de qualquer forma, eu iria descobrir mesmo. O resto do caminho foi silencioso, até pensei em ligar o rádio para escutar alguma música, mas quando realmente fui fazê-lo, o carro parou.
- Chegamos. - anunciou, enquanto tirava o cinto. - vai ficar louca quando te ver, talvez, nem te reconheça.
- Foi o que eu pensei, dois anos me mudaram em vários aspectos.
- Pode apostar! Você está mais linda. - ela me olhou, sorrindo.
- Olha quem fala, a irmã mais gata da família. - rimos. - Vamos?
- Com certeza. - saí do carro e a segui até a porta da imensa casa. O local era lindo; tinha muito bom gosto.
Paramos em frente a porta e tocou a campainha duas vezes. Não demorou muito para que a porta fosse aberta e uma totalmente diferente do que eu lembrava e toda sorridente abrisse a porta.
- ! Que bom que veio. - ela abraçou minha irmã.
- Não perderia o aniversário da pequena Dulcie por nada. - disse, sorrindo. Eu, que estava um pouco afastada, me aproximei, sorrindo nervosamente e atraindo a atenção de . Ela me olhou por um momento com uma expressão de confusão, mas, logo, a compreensão e o reconhecimento apareceram em sua face.
- ? - perguntou, com a expressão em completo choque.
- . - respondi ansiosa.
- Eu não sabia que estava na cidade. - murmurou. Ela parecia meio em choque; nunca soube lidar com surpresas.
- está de volta. Isso não é ótimo? - minha irmã se intrometeu, atraindo a atenção de .
- É... Isso é muito bom. - ela disse com um sorriso que me pareceu super forçado. também pareceu perceber, porque falou em seguida:
- Quis trazer ela aqui para te fazer uma surpresa, espero que não seja um problema.
- Não... Er... Não é problema algum. - ela ainda matinha aquele maldito sorriso forçado no rosto e, por um momento, eu me arrependi de ter vindo; estava claro que ela não me queria ali. - Entrem, a festa está acontecendo no quintal.
nos deu passagem e entramos na casa. Como imaginei, a casa era grande e bem decorada. Eu lembrava que eu e ela costumávamos a conversar sobre como queríamos que fosse a nossa casa ao casar e, definitivamente, aquilo ali era do mesmo jeito que ela sempre descrevia. Pelo menos, um de nós duas conseguimos o que desejamos.
- Aqui, o presente para a sua filha. - sorri, amigavelmente, porém, só recebi mais um sorriso falso. O que estava acontecendo?
- Obrigada. - ela pegou o embrulho de minha mão e o colocou junto de outros presentes. - Bem, fiquem à vontade. , você já sabe onde fica o quintal; eu tenho que ir pegar algumas coisas na cozinha e já volto. - minha irmã concordou e ela saiu, sem ao menos me olhar.
- Vem, , estou louca para que você conheça a filha da , ela é tão linda. - disse, me puxando.
- Posso imaginar.
Deixei que me levasse para a parte de trás da casa. Era muito tarde para me arrepender de ter vindo e, sinceramente, eu ainda queria descobrir o motivo para tanta estranheza da parte de . Eu sabia que a nossa amizade não era a mesma que há dois anos e, também, sabia que ela não sabia reagir bem a surpresas, mas, eu esperava que, pelo menos, ela se sentisse feliz ou me desse um abraço.
O quintal estava lotado de crianças. Como toda festa infantil, o local estava muito bem decorado e tinha alguns palhaços fazendo as crianças rirem com piadas e brincadeiras. Quando pus meus pés no local, alguns olhares se voltaram para mim e, por algum motivo, tive a sensação de que conhecia algumas daquelas pessoas, mas não tive tempo de analisar bem, pois minha irmã me puxou mais uma vez, fazendo com que eu desviasse o foco.
- Olha ela ali. - ela apontou para uma criança meiga, nos braços da mãe de . soltou minha mão e correu até as duas e foi logo pegando a menina no braço. Sorri e resolvi observar a cena de longe, pois apesar de que e eu fomos muito amigas, eu nunca gostei de sua mãe e o sentimento era recíproco.
Uma sensação de que estava sendo observada tomou conta do meu corpo, de repente, deixando-me desconfortável. Por reflexo, olhei para o lado rapidamente, mas tive que olhar novamente para ter certeza de que estava vendo direito e não era apenas um fruto da minha imaginação.
Ali, sentado junto com o pai e os avos de , estava nada mais, nada menos que . Meus olhos se arregalaram em choque e confusão e, por um momento, eu achei que não fosse conseguir ficar em pé por muito tempo. Meu coração acelerou e eu não consegui desviar meu olhar; aparentemente, ele também não. A feição dele era tão assustada como a minha, e tenho que certeza de que, assim como eu, ele se perguntava o que eu estava fazendo aqui. Pelo que eu lembrava, ele não conhecia a família de e vice-versa.
De repente, apareceu na mesa, desviou o olhar para ela e falou algo. Ele deve ter perguntado sobre mim, porque ela olhou em minha direção por um momento e depois voltou a falar algo para ele, em seu ouvido. Franzi o cenho, me perguntando de onde surgiu toda essa intimidade, mas logo minha pergunta foi respondida, quando eles simplesmente se beijaram.
era o marido de .
Tive que me segurar para não deixar que meu queixo e minhas feições não demonstrassem tamanho choque. E, de repente, toda a hesitação da minha família e de fizeram todo sentido.
- Ai, você descobriu! - apareceu em minha frente, com a feição hesitante. - Você está bem?
Demorei um pouco para responder. Eu ainda estava tentando processar toda aquela informação.
- Se eu estou bem? - ri, sem acreditar que ela estava me fazendo aquela pergunta. - Como é que você me traz aqui, sabendo de tudo isso e não me conta?
- Eu quis que você descobrisse por si mesma. Você tinha que saber, mas eu não podia te contar.
- Eu quero ir embora. Eu não devia ter vindo aqui, em primeiro lugar e, eu não viria, se você tivesse me contado tudo.
- Eu não posso ir embora agora, acabamos de chegar! - protestou.
- E você acha que eu vou ficar aqui, na festa de aniversário do meu ex que me traiu e da minha ex-amiga?
- Não, mas... - a interrompi.
- Você quer ficar? Então fique, mas eu não fico mais um minuto aqui. - disse e, sem esperar resposta, caminhei em direção à saída daquele lugar. Eu seria idiota se ficasse naquele lugar até o final daquele aniversário; agora estava explicado o motivo de todos aqueles olhares em cima de mim assim que cheguei, ou até os sorrisos forçados de quando me viu. Não era para eu estar aqui.
- ! - escutei, minha ex-melhor amiga me chamar e me virei em sua direção. - Você já está indo?
- Sim, eu não devia ter vindo. - dei um sorriso forçado, ao mesmo tempo em que ia andando de costas em direção a porta.
- Me desculpe... Eu... Eu devia ter te dito antes sobre mim e . Na verdade, eu achei que você já soubesse...
- Não, não sabia. - vi atravessar a porta que dava do quintal para a sala. Droga, eu não aguentaria ficar mais nenhum segundo aqui dentro. - Olha, , eu tenho mesmo que ir... - disse, já abrindo a porta. - Até mais. - e bati a porta sem esperar resposta.
Andei pelas ruas, sem uma direção exata; eu só queria me afastar o máximo que eu pudesse daquela casa. Caminhei por minutos, até minhas pernas pedirem arrego. Sentei-me no banco da praça e, me permiti pensar em tudo o que tinha acabado de acontecer.
e casados e com uma filha.
Se alguém me contasse eu provavelmente não acreditaria, mas não, eu vi com os meus próprios olhos.
Como ela pôde? Como ela teve a capacidade de fazer isso comigo? Tantos homens em Londres e ela teve que ir logo atrás do ? E pela idade da filha deles, eles começaram a se relacionar pouco tempo depois do nosso término.
Será que ela sempre gostou dele e eu nunca percebi? Que burra que eu fui.
Eram tantas perguntas em minha mente e tão poucas respostas. Eu sabia que não devia me sentir mal, ainda mais depois de tanto tempo, mas ela costumava ser minha melhor amiga e, de certa forma, isso me soava como uma traição. Eu me sentia traída... Quer dizer, ela poderia ter me dito, não é? Eu sei que fui embora, mas telefone existe aí para isso, né?
Ok, eu podia estar sendo um pouco estúpida, afinal foi eu que terminei o relacionamento, mas eu demorei tanto tempo para superar - na verdade, nem sei se superei completamente - e parece que foi tão fácil para o seguir em frente e a se relacionar com ele sem ao menos sentir um pingo de consideração por mim ou pela nossa amizade.
Uma buzina de carro, despertou-me de meus pensamentos e eu levantei a cabeça, dando de cara com minha irmã.
- Ai, . Até que fim te achei! - ela saiu do carro e veio em minha direção, com a feição preocupada. - Você é louca por ficar em um lugar desse sozinha a essa hora da noite. Se alguma coisa te acontecesse, eu não sei o que faria.
- Eu estou bem, . - revirei os olhos.
- Não, não está. - ela tocou minha mão. - Me desculpe por ter te levado àquela festa, eu deveria ter te contado.
- Deveria. Mas tudo bem, o que importa é que eu já sei.
- E como você está se sentindo?
- Não sei... Traída? - suspirei. - Está tudo confuso.
- Eu entendo.
- Digo, se eu fizer as contas, não demorou nem tanto tempo para eles ficarem juntos depois do fim do meu noivado.
- Eu sei e, eu juro que tentei não gostar desse relacionamento, mas eu não consegui resistir a Dulcie. - ela disse, se desculpando.
- Tudo bem, irmã. Você pode gostar de quem você quiser. - sorrimos uma para outra.
- Vamos para casa? Esse lugar está me deixando nervosa. - ela olhou ao redor e eu ri.
- Vamos. Se você quiser, pode dormir lá em casa, vai ser ótimo ter uma companhia hoje. - levantamos e seguimos para o carro.
- Você não tem que trabalhar? - perguntou, em dúvida.
- Só tenho que decorar umas falas para um teste, nada que atrapalhe.
- Ok, então liga para a mamãe para avisar. - ela me entregou o telefone dela.
O caminho de volta foi mais tranquilo. Depois que desliguei o telefone, sob mil e uma recomendações de minha mãe, ligou o rádio e me manteve distraída com vários dos seus dilemas com garotos da escola. Em parte, eu fiquei muito agradecida por essa atitude dela, pois evitava que eu pensasse em assuntos que deveriam ser esquecidos, pelo menos por agora.
- Meu Deus, que garoto idiota! - exclamei, rindo junto com , enquanto entrávamos em meu apartamento. - Como você conseguiu gostar desse garoto?
- Eu me pergunto isso até hoje, acredite. - tranquei a porta e coloquei as chaves no porta-chaves ao lado da porta. - Wow, ainda não tinha visto como seu apartamento ficou depois da reforma.
- Gostou?
- Ficou lindo, bem o seu estilo.
- Obrigada. - sorri. - Bem, você pode fazer o que quiser, sinta-se em casa. Eu vou estudar um pouco as falas.
- E eu vou atacar sua geladeira. - disse, rindo.
Balancei a cabeça, rindo e segui para o meu quarto. Me livrei do salto e troquei a roupa por algo mais confortável, retirei toda a maquiagem do rosto, separei uma roupa para emprestar a minha irmã e, em seguida saí do quarto. Entrei em meu escritório e, após pegar todos os papeis necessários, sentei em minha poltrona da maneira mais confortável que consegui.
Folheei as páginas com as informações da personagem que eu iria interpretar, mas não consegui me concentrar muito naquilo, então passei a me focar nas falas que falaria amanhã no teste. Em alguns momentos, sem que eu percebesse, minha mente viajava para os acontecimentos de horas atrás, mas com algum esforço, consegui colocar esses pensamentos de lado e me focar no trabalho.
Depois de ler e reler todas as falas um milhão de vezes e ter certeza de que a minha entonação estava perfeita, coloquei as folhas em cima da mesinha ao lado da poltrona e afundei na mesma, sentindo-me extremante exausta. Fechei os olhos, por um momento e peguei-me pensando novamente em e . Eu não sabia o que tanto me incomodava nessa descoberta, talvez ainda não tivesse caído a ficha completamente, mas também tinha tanta coisa envolvida e tantas perguntas em minha mente, que eu não era surpresa nenhuma que eu estivesse com esse mix de sentimentos, quando minha cabeça está um completo nó. Porém, eu iria ter que arrumar um jeito de seguir em frente, mais uma vez, e esquecer de toda essa história sem ter conseguido todas as respostas que eu necessito, porque eu sei que as únicas pessoas que podem me dar as respostas que eu preciso são e e, definitivamente, eu não iria procurar nenhum dos dois para tirar “satisfações”. Quer dizer, que direito eu tinha de fazer isso depois de dois anos? Isso mesmo, nenhum.
- Knock, Knock. - batidas na porta chamaram minha atenção, levantei a cabeça, vendo minha irmã parada na porta. - Posso entrar?
- Claro. - assenti. Ela entrou, deixando a porta aberta ao passar, puxou uma cadeira e sentou-se de frente a mim.
- Está tudo bem? Você parece pensativa.
- Ah, só estava, você sabe... Pensando sobre mais cedo.
- Você não sabe o quanto me sinto culpada por ter feito isso com você.
- Não, tudo bem, eu iria descobrir, eventualmente.
- Sim, mas não dessa forma... Bruta.
- Não se culpe mais por isso, . Eu já descobri, não tem mais como voltar atrás e mudar isso.
- Isso deve ter te deixado um pouco confusa, não é?
- E muito. - suspirei. - Tenho tantas perguntas sem respostas rondando na minha cabeça... Mas eu tenho que deixar isso para lá.
- Por quê?
- Porque são perguntas que só o ou a podem me responder, e eu não vou atrás deles para perguntar. O melhor é esquecer eles existem ou que um dia fizeram parte da minha vida.
- Isso não é um pouco precipitado?
- E o que você quer que eu faça? Eu não posso simplesmente chegar para ele e perguntar coisas da vida pessoal deles depois de dois anos. Eu sou só a ex-noiva e a ex-melhor amiga para eles.
- Você pode pesquisar na internet. Aposto que o deve ter falado algo nas entrevistas e isso deve esclarecer as coisas um pouquinho para você.
Parei para pensar um pouco. Era uma solução e eu não precisaria ir atrás do casal para perguntar algo... Mas será que eu queria mesmo mexer nessa história e descobrir algo que eu não queria? Não, eu definitivamente não queria.
- Não, é melhor deixar as coisas do jeito que estão. Já se passou tanto tempo, eles já seguiram com a vida deles e eu com a minha, é assim que tem que ser.
- Se é assim que você prefere, quem sou eu para dizer algo, não é? - rimos. - Bem, vamos deixar esse assunto de lado... O que você quer fazer?
- Sinceramente? Quero dormir. - fiz careta e ela riu.
- Ótimo, porque eu também quero. - ela disse, se levantando.
- Então, vamos dormir. - levantei-me também, a abracei de lado e seguimos para o quarto dessa maneira. - Estou morta e amanhã tenho que levantar cedo.
- Estou gostando de saber que você vai começar a trabalhar de novo. Você estava muito sedentária. - comentou, brincando.
- Que? - minha voz saiu meio esganiçada, o que só a fez rir ainda mais.
- Ah, admita!
- Não admito nada, pirralha. - rebati e joguei a almofada em sua cara de brincadeira.
- Depois eu que sou a pirralha, né? - ela tirou a almofada de seu rosto, rindo, dei-lhe língua, mas não aguentei e comecei a rir também.
- Eu separei uma roupa para você. - apontei para o par de roupas que havia deixado em cima da cama.
- Olha só. - ela pegou a roupa, analisando. - Acho que você acabou de perdê-las, .
- Nem ouse em roubar minhas roupas. - ameacei, mas um sorriso de canto permanecia em meu rosto.
- Too late! - cantarolou e correu para o banheiro, rindo.
Sentei-me em minha cama, sentindo-me feliz. Ter a companhia da minha irmã foi a melhor decisão que eu fiz essa noite, enquanto eu estivesse com ela, eu sabia que não ia pensar em outras coisas e que ia sempre ter um motivo para rir. De repente, uma ideia maravilhosa passou por minha cabeça e eu dei um pulo, animada, ao mesmo tempo que minha irmã saiu do banheiro.
- O que aconteceu? - ela me olhou, espantada.
- , o que acha de vir morar aqui comigo? - ela me olhou sem acreditar no que eu tinha acabado de falar.
- Morar com você? Você está falando sério?
- Sim, por que não? Eu estou morando sozinha, não vou mais me casar... Então, quer melhor romie do que minha irmã?
- AAAAH, NÃO ACREDITO! - ela gritou, pulando em cima de mim, me assustando. - Eu quero, eu quero, eu quero! - exclamou, várias vezes, fazendo-me rir.
- Ótimo, só vamos ter que convencer a mamãe.
- Ah, tenho certeza de que você consegue. - ela abanou a mão, com descaso. - Mamãe faz tudo o que você quer.
- Nem tudo, mas você vai me ajudar nessa.
- Claro, claro, faço tudo que você quiser. - disse, me abraçando.
- Está bem, chega de tanto abraço. - empurrei-a, rindo. - Vamos dormir, mas vê se não toma todo o espaço da minha cama, sua espaçosa.
- Sim, senhora. - respondeu, rindo e correu para o outro lado da cama.
Apaguei as luzes, deitei do meu lado da cama e puxei a coberta, cobrindo o meu corpo.
- Boa noite, .
- Boa noite, .
Aconcheguei-me em meu travesseiro e fechei os olhos, deixando que o sono me dominasse e me levasse para um mundo de sonhos... Ou pesadelos.


Capítulo 2

O barulho do celular me despertou na manhã seguinte. Até tentei ignorar as chamadas, mas quando meu telefone tocou pela terceira vez, desisti e peguei o aparelho, atendendo a ligação sem ao menos ver quem era.
- Alô?
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ AINDA ESTÁ DORMINDO, ! - afastei o telefone do ouvido, devido aos gritos.
- Calma, Ollie.
- Calma? CALMA? - ele gritou ainda mais. - VOCÊ ESTÁ ATRASADA, CRIATURA! - abri os olhos, procurando o relógio. 10 da manhã.
- Puta que pariu. - xinguei, dei um pulo da cama e corri para o banheiro, ainda com o telefone na orelha.
- Eu quero você aqui em 15 minutos, . Se passar dos 15 minutos, o teste já era para você e pode dar adeus a esse papel. – esbravejou e desligou. Merda, merda, merda. Eu não podia perder esse papel, não podia.
Não sei como consegui fazer isso, mas em exatos oito minutos, eu já estava pronta e com tudo que precisava em mãos, saindo do apartamento. Apertei o botão do elevador freneticamente, até que a maldita porta se abriu e entrei, selecionando o botão que levava a garagem.
Ao chegar à garagem, corri diretamente para minha moto recém-comprada, sem nem pensar duas vezes. O meu carro não seria muito útil agora e só faria com que eu me atrasasse ainda mais devido ao trânsito. Coloquei o capacete e montei na moto, ligando-a e dando a partida logo em seguida. Enquanto corria o mais rápido que podia, pensei em como fazia tempo em que eu não me atrasava para algo assim e, só então lembrei que minha irmã não estava mais ali quando acordei. Aquela vaca foi embora e sequer me acordou. No mínimo, saiu às pressas para a escola.
- Até que enfim! - Ollie exclamou, quando me viu entrar no local. - Mais um minuto e você ia perder o teste.
- Estou aqui. - ele me entregou um copo d’água. - Podemos começar?
- Imediatamente. - Ele pegou o copo de minha mão e me empurrou para dentro de alguma sala e fechou a porta.
Olhei para os todas as pessoas presentes na sala e dei um sorriso nervoso. Com tanta correria eu não tinha tido tempo de pensar nem em ficar nervosa e agora eu estava sentindo tudo de uma vez.
- Bom dia, desculpe-me pelo atraso. – Sorri nervosamente. O diretor me deu um sorriso contido e eu levei isso como um bom sinal. Era melhor um sorriso contido do que uma cara feia.
- Ok, Srta. , pode começar. - O produtor se pronunciou.
- Ok. - Limpei a garganta, me posicionei no lugar indicado e comecei a recitar as falas decoradas.
Durante todo teste, o diretor, produtor e outras pessoas que estavam lá, permaneceram imparciais e sequer demonstraram algum tipo de reação que indicasse se eu estava ou não indo bem. Vez ou outra o diretor me interrompia, ou me pedia para repetir as falas com outra entonação. Esses foram os únicos momentos em que eu achei que estava indo bem.
- Muito bem, Srta., , - o diretor se pronunciou, quando eu terminei de repetir as minhas falas pela milésima vez - iremos avaliar o seu teste e, se for aprovada, entraremos em contato até o fim do dia.
Agradeci a todos que estavam no local e me despedi da maneira mais simpática possível. Eu sabia que para esses testes teria que causar uma boa impressão, e era isso que eu estava tentando fazer. Saí da sala, me sentindo um pouco confiante. Eu sabia que minha atuação era boa e, além do mais, essa não era a primeira vez que fazia um teste.
- E aí? - Ollie perguntou assim que me viu.
- Acho que fui bem. Ele disse que eu receberia uma resposta até o fim do dia caso fosse aprovada.
- Você foi bem, tenho certeza.
- Espero que sim.
- Você é uma das melhores atrizes que já conheci, sem brincadeira. A única coisa que poderia te prejudicar, foi o seu atraso, mas esse é um dos menores problemas quando se tem talento.
- Desculpa pelo atraso. Tanta coisa aconteceu ontem que eu acabei esquecendo de colocar o meu celular para despertar.
- O que aconteceu? - ele me olhou, preocupado.
- Ollie, além de meu agente, você é meu melhor amigo e você foi o único daqui que eu mantive contato durante esses anos que estive fora, por motivos óbvios. - ri. - E no momento, você é a única pessoa que eu realmente confio...
- Onde você está querendo chegar com isso, ? - perguntou, sem entender.
- A . - disse e a compreensão tomou conta de sua expressão.
- Você descobriu. - disse, simplesmente.
- Sim e não foi nada legal. Digo, ela era minha melhor amiga e...
- Ela nunca foi sua melhor amiga, . - ele me interrompeu.
- Como?
- Ela sempre quis o , só você não viu.
- Como? - repeti, incrédula demais para pronunciar outra coisa.
- Me desculpa, mas é a verdade. Talvez a amizade tenha sido verdadeira no início, mas depois que você começou a namorar o , todo mundo percebeu que mudou, só você que não.
- Ok, acho que eu preciso sentar. - sentei-me em um banco que tinha ali perto e Oliver sentou-se ao meu lado.
- Eu nunca te disse nada, porque sabia que você não acreditaria e brigaria comigo. - continuou. - Mas só bastou o noivado de vocês acabarem, para a ir atrás do .
- Eu não quero mais saber de nada disso. - disse. - Ainda estou tentando assimilar as coisas desde ontem. Isso é muito para mim, eu não aguento.
- Como foi que você descobriu?
- Eu fui à casa dela ontem, para a festa da filha dela.
- Ela te convidou? - perguntou, parecendo chocado.
- Não, que me chamou para ir.
- Sua irmã é louca? Não era para você ter descoberto dessa forma! Não me admira que ainda esteja processando tudo isso.
- Está tudo bem, eu só preciso de um tempo para a ficha cair. Mas eu não devo me importar, não é? Afinal, eu e terminamos há um bom tempo.
- Não tem problema em se importar, . O seu relacionamento com foi longo, então é normal, ainda mais quando a pessoa com quem o seu ex seguiu em frente, foi com sua melhor amiga.
- Ex-melhor amiga. - corrigi.
- Que seja. - deu de ombros. - Só não deixe que isso te afete, ok?
- Acho um pouco difícil, mas eu vou tentar.
- Ótimo. - ele sorriu. - Que tal irmos almoçar no seu restaurante preferido?
- Acho ótimo. - Nos levantamos e seguimos cada um para o seu veículo.
Dez minutos depois, chegamos ao local. Desci da moto e logo Ollie apareceu ao meu lado.
- Você parece uma daquelas fodonas de filmes de ação em cima dessa moto. - comentou, fazendo-me rir.
- Por favor, eu sei. Olha só para mim. - fiz um gesto com as mãos, apontando meu corpo de cima abaixo.
- Estou olhando. Você está muito gostosa.
- Ollie! - dei um tapa em seu braço.
- Que foi? Estou sendo sincero, ué. Você ia querer que eu dissesse que você está feia?
- Não.
- Então...
- Ai, cala a boca e entra logo no restaurante. - ele riu e me puxou pela mão para dentro do local.

Ao entrarmos no local, Ollie e eu seguimos para a mesa perto da janela. Assim que nos sentamos, um garçom surgiu do nada - isso sempre acontecia -, já nos entregando o cardápio para que escolhêssemos o que comer.
- Quer escolher a bebida ou...? - Ollie perguntou, após escolher o seu pedido.
- Pode escolher, eu ainda estou enrolada tentando decidir o que comer. – ele riu e voltou a olhar o cardápio.
- Pode me trazer o seu melhor vinho. - ele disse para o garçom e o mesmo anotou o pedido no bloquinho.
- E a senhorita... O que vai querer? - perguntou-me.
- Hum... Acho que vou querer o fish and chips.
- Acha ou vai querer? - Ollie fez piada.
- Vou querer. - fechei o cardápio e entreguei para o garçom, que se retirou logo em seguida.
O bip do meu celular indicava que uma mensagem tinha chegado. Retirei o aparelho da bolsa e destravei o mesmo, vendo o nome de estampado na tela.
Abri a mensagem.

“Bom dia, maninha! Desculpa por ter saído sem avisar. Saí praticamente correndo para casa ou iria me atrasar para escola. Espero que tenha corrido tudo bem no seu teste! Xx,

Sorri, enquanto respondia a mensagem. Apesar de querer matá-la por não ter me acordado, entendia que ela não fez por querer. Minha irmã conseguia ser mais destrambelhada do que eu.
- Hum... Cheia de sorrisos. - Oliver falou, sua voz cheia de segundas intenções. - Posso saber quem era?
- Não é nada disso que você está pensando. - Revirei os olhos. - Era só a .
- Ah, mas vai me dizer que você não está saindo com ninguém?
- Não estou. - Respondi. - Eu não gosto de falar sobre isso.
- Você não gosta de falar sobre muitas coisas. - Rebateu.
- Ollie, você é meu melhor amigo e sabe praticamente de tudo sobre mim. Então, não deve ser novidade para você que eu não estou saindo com ninguém.
- Não é... Mas eu queria ter certeza.
- Bom, agora você tem. - Conclui.
- Tenho e não entendo.
- Por quê? - franzi o cenho.
- Olha só para você. Você é linda, inteligente e bem-sucedida. Não dá para acreditar que apenas um relacionamento que deu errado destruiu toda a fé que você tinha no amor.
- Amor é para os fracos, Ollie.
- Não é, . - Discordou. - Só porque o seu relacionamento anterior não deu certo, não significa que você não possa achar outra pessoa para compartilhar a sua vida.
- Não é tão fácil assim. Não existe um relacionamento sem confiança e, sinceramente, eu mal estou conseguindo confiar na minha própria sombra.
- Eu entendo, mas eu não quero ver minha amiga se fechando para o mundo por causa de um idiota.
- Eu não estou me fechando para o mundo. Eu só decidi que não vou mais deixar a vida me dar rasteira. - Ele abriu a boca para responder, mas o garçom apareceu com os nossos pedidos. Ele pôs o meu prato à minha frente e serviu vinho em nossas taças. Oliver agradeceu e, logo, o garçom se retirou novamente. - Olha, não vamos mais falar sobre isso. Se um dia eu tiver que sair com alguém, você será o primeiro a saber.
- Tudo bem, não adianta mesmo discutir com você. É mais teimosa que uma pedra!
- Ainda bem que você sabe disso. - Ri e tratei de me concentrar em minha comida. Eu estava faminta.
- Vai com calma, coisinha! - exclamou, ao ver a forma que eu comia.
- Desculpe. - falei com a mão em frente à boca. - Você sabe que não sou a pessoa mais educada do mundo quando estou com fome.
- Eu sei, mas vai com calma... Já pensou se sai fotos de você comendo como uma ogra?
- Aí, credo! - arregalei os olhos e comecei a comer direito. - Às vezes eu esqueço todo esse lance de ser famosa.
- Ainda bem que estou aqui para te lembrar. – disse e piscou para mim.
- Não sei se agradeço por isso, ou se peço ajuda a Deus. - Zombei.
- Olha, eu vou ignorar isso e não vou me ofender, está?
- Acho bom mesmo. - Ele me deu língua, antes de colocar mais uma porção de comida na boca. – Sabe - falei, depois de dar um gole no meu vinho -, estávamos aqui só falando de mim, mas agora eu quero saber de você.
- De mim? - perguntou, surpreso.
- Sim, de você. - Afirmei.
- O que você quer saber?
- Como anda esse coraçãozinho?
- Batendo, ué. - disse, como se fosse óbvio.
- Você sabe o que quero dizer.
- Tenho saído com algumas garotas, mas nada sério.
- Nadinha?
- Nah, não estou em busca de um relacionamento sério.
- Até alguns minutos atrás você estava fazendo um discurso sobre como eu deveria acreditar no amor e agora vem me dizer que não quer relacionamento sério? - arqueei a sobrancelha.
- Mas eu acredito no amor, só não quero relacionamento sério com alguém agora.
- Hum... Está bom. - Cerrei os olhos, sem acreditar.
- É sério. - Riu, envergonhado. - Quero aproveitar minha liberdade.
- Certo, você é jovem, tem que aproveitar mesmo.
- Você também.
- Não vamos voltar a falar sobre isso, ok? - pedi e ele assentiu, voltando a comer em silêncio.
O restante do almoço permaneceu assim, silencioso. Por um lado, fiquei agradecida por ele não tocar no assunto “ter fé no amor”, mas, por outro, fique tensa, porque sabia que ele tinha ficado chateado comigo. Eu sei que ele queria que eu me abrisse e contasse tudo a ele, mas eu simplesmente não conseguia. Não que eu não confiasse nele, pois eu confiava e muito. Talvez Ollie fosse única pessoa que eu realmente confiasse no momento. No entanto, o problema não era com ele, era comigo.
A vida já tinha me dado tantas rasteiras e já tinha me mostrado de tantas maneiras que eu não deveria confiar em todas as pessoas ao meu redor, que acabei me tornando a pessoa que guarda tudo o que sente ou qualquer detalhe da minha vida pessoal para mim mesma. E agora que eu tinha me tornado uma celebridade, isso tinha se tornado ainda mais crucial.
Apesar de saber que Oliver não se encaixava entre as pessoas “não confiáveis”, eu simplesmente não conseguia me abrir. Acho que eu preciso de um psicólogo.
- Ollie... - segurei sua mão por cima da mesa, fazendo com que ele me olhasse. - Não fique bravo comigo... Por favor.
- Não estou bravo com você. Eu só... Não consigo entender o porquê de você não confiar em mim.
- Eu confio... Eu confio! O problema não é você, o problema sou eu. - Suspirei. - Eu passei tanto tempo sozinha na Itália que uma barreira foi criada ao meu redor e eu não sei se quero quebrar.
- Olha, eu te entendo, mas você está entre amigos agora, não precisa mais ser assim.
- Eu sei. É só que... Eu não sei como fazer isso. - Confessei.
- Não se preocupe. Eu estou aqui para te ajudar - ele apertou minha mão, me passando confiança.
- Obrigada. - Sorri, sinceramente. Oliver era realmente a melhor pessoa do mundo.

Xxx


Minutos mais tarde, estava eu novamente entrando em meu apartamento. O almoço tinha sido divertido, apesar de todo aquele interrogatório e conselhos sobre a minha vida amorosa inexistente. Eu gostava de sair com o Oliver e saber que eu podia contar com ele não só na minha vida pessoal, como na minha vida profissional, era reconfortante.
Joguei as chaves em cima da mesa ao lado do sofá e caminhei diretamente para o quarto. Estava precisando de um bom banho. Enquanto separava uma roupa confortável para ficar em casa e preparava o meu maravilhoso banho de banheira, não pude deixar de pensar no resultado do teste que tinha feito mais cedo. Se tudo desse certo, eu seria oficialmente a personagem principal daquele filme que tem tudo para ser um sucesso mundial. Era tudo o que eu precisava para decolar minha carreira profissional de vez.
O barulho da campainha soou abafado dentro do banheiro. Desliguei a torneira da banheira e segui para a sala, me perguntando em quem poderia ser. Deveria ser alguém conhecido, pois o interfone sequer tocou. A campainha tocou mais duas vezes e eu apressei meus passos em direção a porta, seja quem for deveria estar com pressa.
Abri a porta sem olhar pelo “olho mágico” e me deparei com a pessoa menos esperava ver em minha porta naquele momento.
- O que você está fazendo aqui? - balbuciei, ainda afetada pela surpresa.
- Nossa, eu esperava uma recepção calorosa vinda da minha melhor amiga. - disse com um sarcasmo explícito na voz e adentrou o meu apartamento sem ao menos esperar o meu consentimento.
- Eu não sou sua melhor amiga. - Fechei a porta e me virei para ela, que mantinha um sorriso irônico no rosto. - Eu vou perguntar mais uma vez. O que você está fazendo aqui?
- Vim retribuir a visita, fiz mal? - perguntou. - Aliás, estou até um pouco surpresa que você tenha ficado com o apartamento. Eu sei que você adora se livrar das lembranças.
- Nada que uma boa reforma não resolva.
- Posso perceber. - Ela olhou ao redor, mas logo voltou o seu olhar para mim. - Não vai me convidar para sentar?
- Não. - Cruzei os braços. - Só me diga logo o que veio fazer aqui e vá embora.
- Que feio, . Eu não te tratei assim quando você foi à minha casa sem avisar.
- Imagino o porquê. - Respondi, sarcasticamente. - E, me desculpe, não deveria ter ido a sua casa. Só fui por insistência da minha irmã e porque achei que eu ainda tinha uma amiga.
- Ah, não se faça de santa! Não venha me dizer que não sabia de mim e , quando o nosso casamento foi estampa em todas as revistas e noticiários.
- Eu não passei dois anos da minha vida pesquisando sobre a vida do , . Então, sinto muito se toda a sua tentativa de me fazer saber que você estava se casando com o meu ex não deu certo. - o sorriso que ela mantinha no rosto desapareceu.
- Exatamente, seu ex, meu marido! Então, se você voltou, achando que ia pegar ele de volta, você está muito enganada!
- Você acha mesmo que eu o quero de volta? Que eu voltei por causa disso?
- Eu vi o quanto você ficou abalada ao me ver com ele, ou você acha que eu não percebi? - ela se aproximou, apontando o dedo na minha cara.
- Ah, entendi tudo agora. Você veio aqui para marcar território e esfregar na minha cara que o é seu. - Não me contive e soltei uma gargalhada. Pude vê-la cerrar os punhos e se eu a conhecia bem, ela estava doida para pular no meu pescoço. - Pois que faça bom proveito dele. Eu não tenho nenhuma vontade de ter o de volta na minha vida. - Andei até a porta e a abri. - Agora saia e se contente em passar o resto da sua vida com as minhas sobras. Porque se eu não tivesse terminado com ele naquele dia, tenha certeza de que não seria com você que ele estaria agora.
Ela me olhou de uma forma que eu achei que ela voaria no meu pescoço naquele instante, mas ao contrário do que pensei, ela apenas ajeitou a bolsa nos ombros e andou até a porta.
- Sobras ou não, é comigo que ele está casado e é comigo que ele tem uma filha. Sou eu que o faço feliz e não você.
- Sério? Se ele fosse tão feliz como você clama, você não teria vindo aqui marcar território e fazer com que eu me sentisse miserável com isso. Mas adivinha só, fofa: eu estou muito feliz do jeito que estou e estou pouco me fodendo para o que acontece na sua e na vida do . Você só perdeu o seu tempo vindo aqui. - Dei um sorriso vitorioso e fechei a porta na cara dela.
Era muita audácia dela vir aqui na minha casa e falar todas aquelas coisas como se tivesse algum direito sobre minha vida. Em pensar que algum dia ela tinha sido minha amiga. Se é que a amizade tinha sido verdadeira. Segundo Oliver, não tinha. Era difícil acreditar que tinha sido tão burra em não ter percebido em nenhum momento a falsidade de .
Voltei para o banheiro, decidida a esquecer do acontecimento de minutos atrás. Não valia a pena e de forma alguma que eu iria ficar perdendo o meu tempo pensando em algo que não me faria bem. Afinal, quem vive de passado é museu.

Xxx


- Você tem certeza de que não vai se arrepender? - Minha mãe perguntou pela milésima vez.
- Eu não vou me arrepender, mamãe. Vai ser ótimo ter a morando comigo. - Repeti a mesma frase que já tinha repetido pelo menos 10 vezes nos últimos cinco minutos.
- Não sei, ...
Já fazia exatamente meia hora que eu tentava convencer minha mãe a deixar minha irmã morar comigo. No início, ela apresentou um pouco de resistência, mas agora ela estava quase deixando, só precisava de mais um empurrãozinho.
- Por favor, mamãe. Eu estou sozinha nesse apartamento enorme, vai ser ótimo ter alguém morando comigo. - Insisti. Ela ficou em silêncio. Provavelmente estava considerando o meu pedido.
- Ok, ela pode ir, mas primeiro tenho que falar com seu pai.
- Ótimo, deixe-me saber quando estiver pronta para fazer a mudança.
- Eu tenho que desligar agora, o jantar está no fogo e eu vou acabar deixando queimar alguma coisa se continuar no telefone. - Ri, lembrando das várias vezes que minha mãe se descuidou com o telefone e deixou a comida queimar.
- Ok, mãe. Eu te ligo outra hora. - Nos despedimos e desliguei o telefone, jogando-o ao meu lado no sofá. Liguei a televisão e comecei a zapear os canais, em busca de algo decente para assistir. Afundei no sofá, sentindo-me sedentária. Já se passava das 6 da tarde e eu não conseguia pensar em mais nada para fazer. Minha vida social estava um lixo. Eu, definitivamente, precisava fazer novas amizades.
De repente, o toque do meu celular despertou minha atenção e eu dei um pulo, pegando o aparelho e colocando-o no ouvido, sem ao menor verificar quem era.
- Alô?!
- Isso é ansiedade ou desespero? - a voz de Oliver soou em meu ouvido.
- Os dois. - Ri fracamente. - Estou sem nada para fazer e isso está me deixando louca.
- Então se arruma e vamos sair para comemorar porque o papel é seu! - ele disse, gritando no final.
- QUE? - levantei-me em um pulo, sem acreditar.
- Você conseguiu, gata. Você é a mais nova protagonista do Black Widow.
O grito que escapou da minha garganta foi tão alto, que eu tinha certeza de que todos do prédio tinham escutado, mas eu não ligava. Eu estava feliz mesmo.
- OLIVER, EU TE AMO! - continuei gritando, sem me importar se estava deixando meu amigo surdo com os meus gritos.
- Coisinha, eu sei que é uma notícia maravilhosa, mas também não precisa me deixar surdo, né? - reclamou ele.
- Desculpa, mas é que essa é a melhor notícia do meu dia!
- Está tudo bem, você já estava perdoada a partir do momento que disse que me amava. - disse e eu tinha certeza de que ele estava sorrindo do outro lado.
- Besta. - Ri.
- Então, vamos sair para comemorar ou não?
- Para onde vamos?
- Ainda estou decidindo. Se arruma que eu passo para te pegar daqui a meia hora.
- Meia hora? Como é que você pede para uma dama se arrumar em meia hora? - questionei, indignada.
- Pedindo, ué. - Zombou. - Até daqui a pouco. - E desligou, sem ao menos me deixar responder. Que filho da puta. Onde estava o meu direito de protesto?

Joguei o celular em cima do sofá de qualquer maneira e segui para o banheiro da minha suíte. Contrariada, tomei um banho o mais rápido que consegui e, logo, já estava de volta ao quarto, enrolada na toalha e procurando algo para vestir.
Eu odiava Oliver por me fazer tomar banho rápido e consequentemente, me arrumar rápido.
Depois de vestir um vestido vermelho curto e que marcava bem as minhas curvas, porém não no estilo "puta", fui para frente do espelho fazer a minha maquiagem. Procurei ser rápida já que faltavam apenas 10 minutos para que Oliver começasse a buzinar do lado de fora feito um louco.
Outra coisa que eu detestava em Oliver era a sua pontualidade. Mas eu apenas odiava isso quando eu precisava de mais tempo para me arrumar... Tipo agora.
Com a maquiagem feita, segui para o closet em busca de um sapato que combinasse com meu vestido. Acabei por escolher uma sandália preta com algumas tiras e, por fim, peguei uma bolsa, onde coloquei alguns pertences. Me olhei no espelho e sorri para o meu reflexo, aprovando o que via. Para quem se arrumou rápido, até que eu não estava mal.
A buzina soou do lado de fora e do quarto eu pude ouvir o bip de nova mensagem no meu celular. Corri para a sala, peguei o aparelho em cima do sofá e saí de casa, ao mesmo tempo em que tentava responder a mensagem de Oliver, avisando que já estava descendo.
- Wow, wow, wow... Que gata é essa? - Oliver perguntou, quando me aproximei. - Eu disse que meia hora era o suficiente.
- Cala a boca, otário. - Ri, o abraçando. - Olha quem fala de beleza aqui. Se você não fosse meu melhor amigo, eu te pegava.
- Sinta-se à vontade para me pegar, princesa. Não vai ser sacrifício nenhum para mim. - Ele sorriu maliciosamente e piscou para mim.
- Ah, deixa de graça, vai. - Revirei os olhos e entrei no carro. - Vamos logo para... Para onde vamos, afinal?
- Para um motel, pode ser? - ele piscou novamente, antes de colocar a chave na ignição.
- Engraçadinho. - Fiz careta e ele riu.
- Vamos para o seu pub favorito.
- O The Time? - perguntei, me animando. Eu amava aquele lugar.
- Yep! - ele fez um barulho estranho com a boca em confirmação.
- Ai, faz tanto tempo que eu fui lá, mas a fila deve estar enorme... Não vamos conseguir entrar lá. - disse, já me preocupando.
- Pelo amor de Deus, . Você já viu Oliver Carter ficar esperando em fila? - ele me olhou por um instante, parecendo indignado. - Eu tenho tudo sobre controle, então relaxa e só diga que eu sou demais.
- Você se acha, não é? - ri dele. - Seu ego já é enorme o suficiente, não preciso dizer mais nada.
- Chata. - respondeu ele, emburrado. Deu risada de suas gracinhas. Eu me sentia bem, perto do meu melhor amigo, ele me fazia rir pelas mínimas coisas. Na verdade, acho que me fazer rir era uma das prioridades dele, já que eu não via muito motivo para rir há muito tempo. Podia-se dizer que ele estava fazendo o trabalho dele muito bem.

Quando chegamos ao pub, a fila estava enorme como eu já imaginava. Saímos do carro e andamos pela calçada, em direção ao início daquela fila. Enquanto passávamos, algumas pessoas chamaram meu nome, pedindo para tirar foto, o que me surpreendeu, já que eu só havia feito um filme na Itália e algumas participações em novela. Eu nem era tão famosa assim. Tirei as fotos de bom grado e, logo, me juntei a Oliver novamente.
- Aproveita que daqui para a frente, vai ser muito mais gente que isso. - Ele cochichou para mim.
- E você acha que eu não sei? - perguntei, sorrindo. Eu estava totalmente de boa em ter que tirar foto com fãs, não importando se são dois ou vários. A sensação era ótima de qualquer maneira.
Nos aproximamos do portão e Oliver foi diretamente falar com o segurança responsável pela entrada. Não pude ouvir o que eles dois conversavam, mas, logo o segurança nos deixou entrar, após verificar algo em uma lista.
- Te disse. - Ollie se gabou quando passamos pela porta. Ignorei-o e o puxei para o meio daquela loucura. Estava tão lotado que eu duvidava que alguma daquelas pessoas que estavam na fila conseguisse entrar sem que alguém saísse daqui antes. Andamos até o bar lotado e me infiltrei em meio às pessoas, a fim de conseguir falar com o barman, que por sinal era muito gato.
- Ei, me vê uma Sex on The Beach e uma cerveja para o meu amigo aqui - gritei, para que ele me escutasse. Ele, por sua vez, piscou para mim e começou a preparar a minha bebida, após me entregar a cerveja. Virei-me apenas para entregar a bebida a Ollie e voltei minha atenção ao barman gato.
- Aqui sua bebida, gostosa. - falou, me entregando o copo. Dei graças a Deus por estar escuro e ele não poder ver o quanto fiquei vermelha. Eu não sabia lidar com elogios, ainda mais quando eles vinham com várias outras intenções. Me limitei a sorrir para ele e saí dali.
- Uma Sex on The Beach, sério? - questionou Ollie, em tom de deboche.
- Uma cerveja, sério? - o imitei.
- Ei, foi você que escolheu, não eu! - protestou.
- Ah, claro. E o que você escolheria?
- Sei lá, uma tequila... Estamos comemorando! Merecemos uma bebida mais forte que essa!
- Hum, está bom. Vai lá e pede o que quiser que eu tomo! – entreguei meu copo vazio a ele.
- Eu peço, mas estamos aqui não só para comemorar, mas para nos divertir também, então quero te ver se divertindo - advertiu.
- Está dizendo que eu não sei me divertir? - ergui a sobrancelha e cruzei os braços.
- Estou - ele me olhou de forma desafiadora, quase que me convidando a negar.
- Pois, eu vou te mostrar que eu sei me divertir, sim! - berrei e eu mesma, segui para o bar. - Ei, barman gostoso, eu quero uma das bebidas mais fortes que você tem aí.
- É para já! - ele começou a misturar umas bebidas e, logo, me entregou o copo com um líquido de uma cor que não consegui distinguir, mas não perguntei, apenas coloquei o líquido para dentro de uma vez, sentindo o líquido queimar minha garganta a cada gole que dava. Olhei para o lado e vi que Ollie me observava com um sorriso nos lábios, enquanto bebia algo. O sorriso dele era uma mistura de desafio com deboche. Ele estava praticamente me convidando a mostrar que ele estava certo e eu errada. Ah, mas ele ainda não viu nada.
Pedi mais uma dose da tal bebida e, após beber tudo em um só gole, fui até ele e o puxei para a pista de dança. Tocava um remix de uma música da Beyoncé, então, não foi difícil para que eu entrasse no clima e, logo, eu e Ollie estávamos frente a frente dançando no ritmo da música.
- Sabe, beber e dançar é muito fácil para você - ele gritou, para que eu pudesse ouvir. - Quando eu falei diversão, eu quis dizer, diversão por completo, com direito a tudo, inclusive arrumar alguém. - Revirei os olhos.
- Pensei que tínhamos vindo comemorar juntos.
- E viemos, mas isso não te impede de pegar algum cara e comemorar de outra forma. - Ele deu uma risada maliciosa.
- Então vamos nos divertir de outra forma, ué. - Ele me olhou, parecendo surpreso com a minha resposta.
- Você primeiro, arrume um cara e depois eu vou atrás de alguém.
- Acho que já arrumei.
- É? Qu... - puxei-o pela gola da camisa e selei nossos lábios, não deixando que ele terminasse de falar. Oliver pareceu surpreso com a minha atitude em certo momento, mas logo pareceu se recuperar do choque, pois suas mãos foram para minha cintura e o beijo foi aprofundado. A verdade é que eu também estava surpresa com a minha atitude, eu nunca tinha me imaginado beijando meu melhor amigo, mas se ele queria tanto que eu me divertisse e, já que viemos para cá comemorar juntos, por que não ele? Era melhor ficar com alguém que eu já conhecia, do que com alguém que eu nunca tinha visto na vida. - Wow, o que foi isso? - perguntou ele, meio atordoado.
- Um beijo. Você queria que eu comemorasse de outra forma, então, estamos comemorando - respondi, enfiando minha mão por dentro de sua camisa e arranhando sua barriga. Pude vê-lo se contrair.
- Tem certeza?
- Toda. - Mordi o lábio inferior dele e, voltamos a nos beijar.
Quando nos separamos novamente, o puxei para fora da pista de dança e subimos uma escada. Como esperado, a parte de cima estava um pouco mais vazio do que o térreo. Andei por entre as pessoas e, logo, empurrei Ollie para que sentasse na poltrona e me sentei em seu colo, em seguida.
- O que você está fazendo?
- Me divertindo, oras - ri. - Não se preocupe, aqui está escuro o suficiente para que ninguém nos veja.
Beijamo-nos novamente e as mãos de Ollie foram para minhas coxas descobertas, apertando-as. Passei a beijar seu pescoço avidamente, enquanto uma das minhas mãos descia por seu peito, em direção ao caminho da felicidade. Passei meus dedos por seu membro e o apertei levemente, sentindo-o ficar duro dentro da calça. Oliver gemeu perto do meu ouvido, o que fez com que eu ficasse ainda mais molhada. Voltei a subir minhas mãos, desabotoando a calça no processo e, por fim, segurei a barra de sua camisa, puxando-a para cima e a peça foi retirada e jogada ao nosso lado.
Ollie, por sua vez, empurrou seu corpo contra o meu, causando fricção das nossas intimidades e começou a distribuir beijos por meu colo, descendo até o meu seio direito, onde abaixou o meu vestido tomara que caia, e tomou o meu mamilo com os seus lábios, enquanto sua mão massageava o outro. Joguei a cabeça para traz, gemendo e cheia de tesão. Eu já imaginava que Oliver fosse bom, mas ele estava superando minhas expectativas.
Com a mão livre, Ollie levantou meu vestido e, sem pensar duas vezes, rasgou minha calcinha fina de renda. Eu não reclamei, na verdade, eu sequer me importava com isso. Não demorou para que ele começasse passar os dedos por minha intimidade. Estremeci em seu colo, quando ele passou o dedo ao redor de minha entrada.
- Ah, , tão pronta... - ele murmurou, perto de meus lábios. Mexi meu quadril sobre o seu dedo e ele enfiou seu dedo em minha entrada, fazendo-me gemer seu nome. Ele tirou o dedo e deslizou por minha vagina, até chegar ao meu ponto de prazer, onde ele pressionou o dedo delicadamente. Porra! Ele estava me torturando. Por que ele não me fodia logo?
Como se lesse meus pensamentos, ele afastou a mão de minha intimidade e, me suspendeu, para que ele pudesse abaixar a calça e a cueca o suficiente para liberar o seu membro duro. Ele me olhou mais uma vez, como que para confirmar se eu tinha certeza do que estava fazendo. Assenti para ele, louca para senti-lo dentro de mim e, em um único movimento, ele me penetrou, fazendo-me arfar e revirar os olhos de prazer.
Comecei a me movimentar e Ollie colocou as mãos em minha cintura, para me ajudar com os movimentos. O membro dele entrava e saía em um ritmo constante. Ambos gemíamos o nome do outro e, vez ou outra, trocávamos beijos, para abafar os gemidos. Não que alguém fosse escutar a gente, devido a música alta, mas sempre era bom se prevenir.
- ... Se eu soubesse que você era tão gostosa assim, tinha tentado antes. - Ollie sussurrou em meu ouvido, enquanto dava investidas fortes. Gemi em resposta, sem conseguir dizer nenhuma palavra.
Caralho! Eu tinha esquecido o quanto sexo era bom.
As investidas de Ollie ficavam cada vez mais rápidas e frequentes. Meu corpo todo se contraia em sinal de que eu já estava quase lá... E, então, eu explodi. Os espasmos tomaram conta de meu corpo, enquanto eu sentia a maravilhosa sensação do orgasmo. Oliver também chegou ao ápice, após mais duas investidas e relaxou o corpo, jogando os braços ao lado do corpo. Encostei a testa em seu ombro, tentando normalizar a minha respiração.
Eu tinha acabado de fazer sexo com meu melhor amigo praticamente no meio de um pub. Tem noção do quanto isso era louco? Ri do meu pensamento e me afastei de Ollie, mas ele me segurou, me impedindo de me mover.
- Do que está rindo?
- Do quanto essa situação é louca... Você é meu melhor amigo! - ele riu também. - E você ainda disse que eu não sei me divertir.
- Eu estava errado, tenho que admitir. - Ele sorriu. - Mas... Você não acha isso estranho?
- Isso não vai arruinar nossa amizade, se é o que você quer dizer. - Sorri. - Estou até feliz de que tenha sido com você e não com um estranho qualquer.
- Claro, é muito fácil não se envolver com ninguém quando se tem um amigo gostoso à disposição, né? - Debochou.
- Deixa de ser besta! - dei um tapa em seu braço e ele soltou um “ouch”. - Você destruiu minha calcinha! - Reclamei, fingindo estar indignada.
- Você não pareceu se importar minutos atrás... - Ele deu de ombros.
- Eu estava com tesão, a única coisa que eu queria era que você me comesse. - Ele abriu a boca, chocado.
- Que palavreado feio para uma dama. - Disse, com um sorriso zombeteiro.
- Ah, vai se ferrar, Carter. - Ri, e me levantei. Arrumei meu vestido e meus cabelos. Eu teria que ir ao banheiro retocar a maquiagem. Oliver ficou em pé também e, logo se posicionou ao meu lado, todo vestido. - Se alguém notar que eu estou sem calcinha, eu te mato! - ameacei.
- Anda logo, gata. Vamos voltar a nos divertir. – Disse, dando uma tapa em minha bunda. O olhei chocada, mas ele apenas piscou para mim e andou em direção as escadas. Balancei a cabeça, rindo e o segui.

Xxx


Minha cabeça estava quase explodindo quando acordei na manhã seguinte. Ou era tarde? Eu não sabia.
Um bilhete de Ollie estava ao meu lado na cama, pedindo para que eu tomasse os remédios que ele tinha deixado em cima da mesinha de cabeceira. Sorri, pensando no quanto meu amigo era um anjo por cuidar de mim. Eu não cansava de dizer para mim mesma, que eu tinha sorte de tê-lo como amigo e, não tinha como eu não dizer. Era a mais pura verdade.
É claro que eu não lembrava todos os acontecimentos de ontem à noite, mas eu me lembrava perfeitamente do momento de prazer que eu tive com ele. Eu não me arrependia do ocorrido, apesar de nunca ter imaginado que um dia isso aconteceria com ele. Eu sabia que nada disso afetaria nossa amizade. Oliver sabia que nós nunca seriamos algo além disso e, ele estava de bem com isso. Nós estávamos de bem com isso.

Depois de tomar um bom banho gelado e um café quentinho, sentei-me no sofá para assistir alguma coisa na TV. O relógio marcava duas da tarde e eu não teria nada para fazer hoje a não ser ficar em casa vendo TV o dia todo. Com o controle, mudei os canais em busca de algo que prestasse para assistir e, acabei por deixar em um seriado de TV chamado Once Upon A Time. Era a primeira temporada e parecia ser bem interessante. Eu amava contos de fadas e, pela história ser bem diferente, me chamou ainda mais atenção.
Contanto, eu não estava preparada para o que veio a seguir. O personagem do xerife da cidade era, ninguém mais, ninguém menos que . Que droga, até no seriado que eu já estava gostando, ele tinha que aparecer?
Desliguei a televisão, me sentindo frustrada. É claro que alguma hora eu me depararia com a imagem de em algum filme ou série, afinal ele era um ator, mas eu ainda não conseguia olhá-lo, mesmo que fosse na televisão. Já tinha sido bem difícil vê-lo dias atrás, ainda mais na recente situação que ele se encontra: casado com a minha ex melhor amiga.
Eu não sabia o que faria se algum dia eu tivesse que contracenar com para algum filme. Eu só esperava que isso nunca acontecesse.
De repente, meu celular toca e eu pego o aparelho e atendo, após ver que era Oliver que estava me ligando.
- Oi.
- Está melhor? - Perguntou ele, preocupado.
- Estou sim, obrigada por ter deixado aquele comprimido para mim.
- Que isso, os amigos são para isso... Só não abusa. – Ele riu e eu acompanhei. - Tenho novidades para você.
- Diga. - Me ajeitei no sofá, a curiosidade transbordando em minha voz.
- Trevor, o diretor do filme, quer que você vá até o set de gravações no fim da tarde.
- Que horas?
- Você tem que estar lá as cinco. - Respondeu. - Ele quer que você conheça o resto do elenco, incluindo o ator que vai fazer o seu par romântico.
- Certo. - Concordei, já sentindo um nervosismo antecipado.
- Você quer que eu vá com você?
- Quero. – Respondi, sem pensar duas vezes. - Eu preciso de alguém comigo para que eu não faça ou fale besteira.
- Tudo bem, eu passo para te pegar às quatro e meia. Esteja pronta, não podemos nos atrasar.
- Ok, sem atrasos. – Concordei. - Obrigada, Oliver. Você é demais.
- Eu sei. - Ele riu. - Até mais.
- Até. - Desligamos. Voltei a afundar no sofá, me sentindo totalmente ansiosa. Quem seria o ator que iria contracenar comigo? Eu esperava que ele, pelo menos, fosse bonito.

Xxx


- Nervosa? - Ollie perguntou, assim que entrei em seu carro.
- Um pouco.
- Vai dar tudo certo. - Ele pegou minha mão, me passando força. - Eu vou estar lá do seu lado.
Sorri para ele, assentindo e ele voltou a olhar para frente, ligando o carro e dando partida. Liguei o som, para ver se conseguia me distrair com alguma coisa.
- Eu achei que você fosse ficar estranha depois de ontem. - Ollie disse, de repente.
- Que? Por quê? - Franzi o cenho, sem entender.
- Bem... Você sabe por quê.
- Ah... Não, não. - Neguei prontamente. - Claro que não. Nós somos adultos, Ollie. Se eu não soubesse lidar com a situação de... Uh... Ter relações com meu melhor amigo e ainda continuar a amizade, eu não teria dado o primeiro passo.
- Então, você está de boa com o que aconteceu?
- Claro, você não? - Devolvi a pergunta.
- Estou, já tivemos essa conversa antes, lembra? Nada mudou.
- Nada mudou para mim também. - Pisquei para ele.
Há exatamente um ano, Oliver e eu conversamos sobre o que faríamos se, algum dia, tivéssemos qualquer tipo de relação física e ambos chegamos ao consenso de que independente do que acontecesse, não deixaríamos que isso afetasse a nossa amizade. E era isso que estávamos fazendo.
- Chegamos. – Ouvi a voz dele e, olhei para fora, vendo a enorme entrada para o set.
- Vamos logo com isso. - Tirei o cinto e saltei do carro. Oliver, se juntou a mim e, juntos, entramos no local.
- Como se sente?
- Ansiosa. Esse papel é importante e, confesso que estou louca para conhecer o resto do elenco.
- ... - Ele parou, fazendo-me parar também. - Vai com calma, ok?
Ele parecia um pouco receoso, mas não dei muita importância a isso. Ele só estava com medo de que eu estragasse tudo. Bem, isso não ia acontecer.
- Relaxa, está tudo bem. Não vou fazer nenhuma besteira. – Assegurei e ele pareceu se acalmar.
Voltamos a andar pelo set e, não demorou para encontrarmos o diretor. Ele não nos viu logo de cara, pois estava muito entretido em uma conversa com homem que não pude identificar, pois estava de costas, mas, assim que me viu, sorriu para mim, como se estivesse feliz por me ver. Bom sinal.
- Aí está a nossa estrela! – Exclamou e a pessoa que estava de costas, se virou para mim.
Eu preferia que isso não tivesse acontecido.
Parei bruscamente, em choque e surpresa. O sorriso que estava em meu rosto desapareceu instantaneamente. Bem a minha frente, estava .
O destino só podia estar mesmo de brincadeira com a minha cara.


Capítulo 3

Não sei por quanto tempo fiquei ali, estática, sem acreditar no que estava vendo. estava ali e, isso era um sinal de que ele iria fazer parte do mesmo filme que eu. Ele era parte do elenco e eu não sabia se eu conseguiria lidar com isso. Parecia ser demais para mim.
Senti um aperto na minha mão e desviei o olhar, encontrando o de Ollie. Ele sussurrou algo como “controle-se” e apontou para o diretor com a cabeça. Voltei a olhar para frente e sorri um pouco forçado para Trevor, ignorando um visivelmente atordoado.
- Oi, Trevor. Tudo bem? - Perguntei educadamente, depois que ele me abraçou em cumprimento.
- Tudo ótimo! - Ele abriu um sorriso de orelha a orelha. - Vem cá! - Ele me puxou para perto do . - Eu sei que vocês se conhecem. – Ele sorriu para mim, se desculpando. – E sei que isso é uma situação meio constrangedora, mas, vocês serão colegas de trabalho agora. Melhor ainda, ele será o seu par romântico. Então, espero que não seja um problema.
Arregalei os olhos e imitou minha expressão. Acabou de ficar pior do que eu imaginava.
Eu queria poder gritar que, sim, seria um problema, que eu não queria fazer parte de um mesmo filme que o , quanto mais ser par romântico dele, mas, infelizmente, no mundo dos famosos não era assim que funcionava. Eu precisava daquele papel para decolar com a minha carreira e não ia jogar tudo fora por causa dele. Ele já arruinou minha vida uma vez e eu não iria deixar que isso acontecesse novamente.
Então, o que me restou foi colocar um sorriso completamente forçado no rosto e, encarar um diretor que me observava ansiosamente.
- Não, não será nenhum problema.
- Maravilha! - Exclamou Trevor, feliz da vida. - Venham, vou apresentar vocês ao resto do elenco e da produção! - Disse, e sem esperar resposta, começou a arrastar nos dois para algum lugar. Olhei para trás, encontrando Oliver, mas ele apenas fez um gesto me desejando boa sorte.
Voltei a olhar para frente me sentindo a pessoa mais sem sorte do mundo. Eu devia ter feito algo muito ruim para receber um castigo desses. Durante o caminho mantive meu olhar no chão, eu não queria ter que olhar para e lembrar coisas que deixassem essa situação ainda mais desconfortável.
- Achei você! - Trevor exclamou e eu levantei o olhar, dando de cara com uma morena bonita. Espera... Eu a conheço de algum lugar.
- Knowles? - Arregalei os olhos, completamente surpresa.
- Eu mesma. - Ela sorriu para mim e eu tive que controlar os meus nervos de fangirl. - Você é a , né?
- Sou. , prazer. - Estiquei minha mão e ela apertou amigavelmente. - Eu sou muito fã do seu trabalho.
- Ah, obrigada. É muito bom saber disso.
- Ótimo, já vi que vocês vão se dar bem. - Trevor se intrometeu. - Continuem assim, pois vocês vão ser melhores amigas no filme. - O celular dele começou a tocar e fez um sinal de “já volto” e se afastou.
Ok. Agora eu tive que me controlar para não soltar um grito de felicidade. Melhor do que contracenar com Knowles, era, com certeza, fazer o papel de melhor amiga dela. Meu Deus, uma boa coisa acontecendo no meio de tanto azar!
- Vai ser um prazer contracenar com você, . - Disse, sorrindo de orelha a orelha.
- Me sinto da mesma forma em relação a você. – Ela respondeu e eu tive vontade de abraçá-la. - E , vai ser ótimo contracenar com você novamente. – Ela disse, se dirigindo ao ser que estava parado ao meu lado. Até tinha esquecido que ele estava ali. abriu a boca para responder, mas Trevor voltou, interrompendo.
- Desculpem, mas eu tenho que ir resolver uma coisa urgentemente. - Disse e se virou para . - Você pode apresentar eles ao resto do elenco?
- Claro. - Ela respondeu sorrindo.
- Ótimo! Vejo vocês daqui a dois dias para o início das gravações. - Concordamos e, logo, ele deixou o local.
- Bem - pigarreou, chamando minha atenção -, eu vou apresentar vocês ao resto do pessoal.
Ela olhou de mim para por um segundo, mas o suficiente para saber que ela sabia de todo o drama mexicano que nos envolvia. pigarreou, parecendo desconfortável e, eu, por outro lado, fingi que não tinha percebido e tratei de segui-la pelo set.
Ao contrário do que eu esperava, os minutos que se seguiram passaram rápido e, quando dei por mim, já tinha conhecido todo mundo que precisava conhecer e até quem não precisava. tinha sido bastante atenciosa e a todo tempo puxava conversa comigo sobre algo e, apesar de estar diretamente envolvido em tudo, não me senti tão desconfortável como imaginei que iria. Eu teria que me acostumar, eventualmente. Afinal, iria ser meu par romântico e eu teria que o ver todos os dias.
Era algo novo para mim e que eu nunca tinha pensado em fazer, mas não iria deixar que minha vida pessoal atrapalhasse a minha vida profissional.
Porém, toda essa minha confiança foi para o buraco, quando teve que ir embora e me vi sozinha com . Onde Oliver tinha se metido?
Mantive o meu olhar sempre à frente enquanto seguíamos todo o caminho de volta a entrada. O clima tinha ficado tão tenso e pesado que qualquer um ali perceberia na hora. O silêncio entre a gente estava tão incômodo, que eu tinha vontade de sair correndo dali, porém, não iria quebrá-lo. Eu não tinha mais nada para falar com ele.
- Você está diferente. - A voz dele saiu tão baixa, que por um momento achei que estivesse alucinando. Virei minha cabeça lentamente em direção a ele, buscando em minha mente uma resposta.
- Você também está. – Disse simplesmente.
- Eu deveria ter te contado. - Ele disse depois de alguns segundos de silêncio. Olhei para ele sem entender. - Sobre e eu, quero dizer. - Esclareceu.
- Você não me deve explicações, . - Respondi. - Você me traiu, eu terminei com você e fui embora. Você dormiu com minha melhor amiga pouco tempo depois, casou com ela e vocês tiveram uma filha. Não vou te julgar por ter seguido em frente.
- Não é o que está parecendo.
- Eu só queria que ela tivesse me contado, só isso. - Disse. - Mas agora eu sinto como se nunca tivesse a conhecido de verdade. Na verdade, sinto como se todo o meu passado tivesse sido uma mentira.
- Ei, - ele tocou o meu braço, fazendo-me parar de andar e olhá-lo - o que nós vivemos não foi mentira. Eu te amei, , de verdade.
- Me desculpe por não acreditar nisso. - Retruquei friamente. - E me desculpe por ter aparecido na sua casa sem avisar, eu só queria rever a amiga que eu achava que tinha.
- Ver você na minha casa depois de um tempo foi um choque, sim. Tanto para mim, como pra . Afinal, achávamos que você sabia de tudo.
- Não, eu não sabia e eu realmente não quero continuar essa conversa com você. - Revirei os olhos e voltei a andar.
- Olha, eu sei que você provavelmente me odeia. - Ele continuou, me seguindo – Mas não quero que você deixe que isso afete o nosso trabalho. Esse papel é importante para mim.
- É importante para mim também. - Rebati. Felizmente, estávamos chegando à entrada e eu já podia ver Oliver. Olhei para mais uma vez, parando a sua frente. - Não se preocupe, . Não vou deixar que meu ódio por você afete o nosso trabalho. Eu sei ser profissional. - Disse e, sem esperar resposta, virei às costas e andei em direção ao meu melhor amigo.

- O que aconteceu? - Ollie perguntou, assim que me aproximei.
- Eu não vou aguentar conviver com ele todos os dias.
- Calma. Ele disse alguma coisa para você? - Perguntou, preocupado.
- Ele veio dizer que devia ter me falado sobre ele e . - Olhei pra baixo, suspirando, mas logo voltei minha atenção para ele. - É muito para assimilar. Eu só queria um pouco de paz. - Suspirei mais uma vez, me sentindo exausta emocionalmente.
- Ei, não fique assim. Você é forte e já passou por muita coisa, eu sei que vai conseguir passar por mais essa. – Ele colocou as mãos nos meus ombros, me confortando.
- Não estou tão confiante assim.
- Pare com isso. já estragou demais a sua vida. Ele não merece uma lamentação sequer sua!
Parei para pensar nas palavras dele. Ele estava com toda a razão. Essa não era eu. Eu não me lamentava por homem nenhum, não mais. Eu já tinha sofrido demais por nos últimos dois anos, enquanto ele estava aqui, construindo uma vida, uma família com a pessoa que eu considerava minha melhor amiga. Isso tinha que parar. Eu era melhor do que isso.
- Você tem razão. Eu sou melhor do que isso.
- É esse o espírito! - Ele sorriu e eu o acompanhei. - Agora vamos para casa, você tem que descansar.
- Ah, eu estou precisando. Sinto como se não tivesse recuperado todas as minhas energias ainda.
- Nossa, eu já sabia que era bom, mas você falando dessa forma... - Ele abriu a porta do carona e ficou me olhando com um sorriso malicioso. Minhas bochechas coraram e eu olhei para o lado, evitando o seu olhar. De longe, pude ver entrando em seu veículo. Por um momento, nossos olhares se cruzaram, mas logo tratei de desviar o olhar e entrei no carro. Oliver assumiu o seu lugar no banco de motorista e, logo, saímos do local.

- Entregue, senhorita. - Oliver disse, assim que parou o carro em frente ao meu prédio.
- Obrigada por ter ido comigo hoje.
- Você tem que parar de me agradecer por tudo. - Revirou os olhos. - Só faltou me agradecer por ter te dado o melhor orgasmo da sua vida ontem.
- Bem... Eu não diria melhor orgasmo da minha vida. - Retruquei e um sorriso surgiu no canto dos seus lábios.
- Meu ego é enorme o suficiente para eu não me sentir afetado com isso.
- Foi o que eu imaginei. - Ri e abri a porta do carro. - Você quer subir?
- Calma, gata! Pensei que quisesse recuperar as energias.
- Você não tem jeito. - Revirei os olhos. - Retiro o meu convite.
Ele riu e se esticou para me dar um beijo no rosto. Saí do veículo, fechei a porta e me apoiei na janela quando o ouvi falar.
- Até amanhã, tampinha.
- Ah, agora vai ficar me dando apelidos, é? - Cerrei os olhos.
- É mais forte que eu. - Deu de ombros. Revirei os olhos, sorrindo.
- Até amanhã, Oliver. - Me afastei e segui meu caminho para dentro do prédio.
Cumprimentei o porteiro ao passar e, logo, segui para o elevador. Alguns minutos depois, adentrei meu apartamento e segui direto para o meu quarto, tirando os sapatos de salto no caminho. Olhei para minha cama, me sentindo exausta e não pensei duas vezes antes de me jogar na mesma, adormecendo em questão de segundos.

Xxx

- Você tem mesmo certeza sobre isso, ? - Minha mãe perguntou pela milésima vez naquela manhã.
Eu tinha acordado mais cedo do que devia, porque minha irmãzinha não conseguiu esperar até o fim de semana e queria se mudar naquele dia, no meio da semana. Ignorei o fato de que eu teria que ficar em casa e ensaiar o roteiro para o primeiro dia de gravações no dia seguinte e cá estou, na casa da minha mãe, no meio de milhares de caixa de mudança. Sim, eu não estou exagerando. Quer dizer, eu já sabia que uma adolescente normal teria muitas coisas, mas era fora do normal. Sério.
- Tenho, mãe, já disse isso mil vezes.
- Desculpe, eu só quero ter certeza.
- Eu sei que deve ser difícil deixar sair de casa, mas ela vai estar em boas mãos e eu já tenho 22 anos.
- Eu sei que você é responsável, mas você já tem que se preocupar com o novo filme que vai gravar. Não quero te dar mais uma responsabilidade.
- sabe o que está fazendo, mãe. - adentrou a sala carregando mais uma caixa. - Além do mais, eu sei me comportar.
- Eu sei. Acho que ver você ir é mais difícil do que eu pensava. - Minha mãe suspirou, derrotada.
- Não seja tão dramática, mamãe. - revirou os olhos. - Só estou mudando de casa, não de país.
- Tudo bem. - Ela ergueu as mãos, se rendendo. - Só não esqueça que tem mãe.
- Ela não vai esquecer. - Disse. - Além do mais, você pode ir visitar suas filhas sempre que quiser.
Ela assentiu, conformada. Eu entendia minha mãe, não era fácil ver mais uma de suas filhas sair de casa. Ela teve a mesma reação quando decidi morar sozinha anos atrás e ela teve uma reação ainda pior quando decidi mudar pra Itália há dois anos.
- Que tal vocês virem me ajudar ao invés de ficarem de conversa fiada aí? - reclamou, enquanto trazia mais uma caixa de seu quarto. Sério, essas caixas não paravam de vir?
- Sim, senhora. - Minha mãe e eu dissemos ao mesmo tempo e a seguimos, rindo.

- Ok. - Soltei a última caixa em cima do sofá e suspirei, cansada. - Como você planeja levar essa montanha de coisas para minha casa? - Questionei. Já se passava das seis da noite e eu sequer tinha estudado o meu roteiro como qualquer atriz profissional faria.
- Eu chamei uns amigos para me ajudar, eles vão chegar aqui a qualquer minuto.
- Certo. - Concordei. - Eu vou andando e espero você lá.
- Tudo bem, eu sei que você tem que estudar o seu roteiro e você já ajudou muito, não quero atrapalhar.
- Fazer essa mudança toda não atrapalharia? - Minha mãe interveio. - Talvez seja melhor você só ir amanhã.
revirou os olhos e eu não contive o sorriso. Era muito fofo ver a relutância da minha mãe em deixar minha irmã sair de casa, mas também não era para menos, minha irmã só tinha 16 anos.
- Não vai atrapalhar, não se preocupe. - Disse.
- Esse é o problema, ... Ela se preocupa demais. - revirou os olhos, mais uma vez.
- Enfim. - Resolvi falar algo, antes que as duas começasse uma discussão sem fim. - Eu vou indo... Até mais.
Dei um beijo na minha mãe e um abraço rápido em . Minha mãe, por sua vez, fez questão de me levar até a porta, fazendo mil e uma recomendações durante todo o trajeto. Ela conseguia ser mais exagerada que .

Quando eu finalmente, entrei em casa, tudo o que se passava na minha mente era o quanto eu queria dormir e o quanto eu não podia fazer aquilo naquele momento. Eu sabia que tinha que estudar o meu roteiro e eu sequer sabia a história certa do filme, além de que eu seria amante do personagem principal, que por sinal era . Suspirei ao lembrar tal fato e segui para cozinha. Eu não conseguiria me concentrar direito sem uma boa dose de cafeína no sangue.
Enchi minha xícara de café, bebi um gole e imediatamente me senti um pouco melhor. Com a xícara em mãos, saí da cozinha, peguei meu celular na sala e segui em direção ao meu escritório. Assim que me sentei na minha confortável poltrona, meu celular apitou. Peguei o aparelho, identificando uma mensagem do meu melhor amigo na tela.

“E aí, está gostando do roteiro do filme? Xx”

Senti vontade de rir. Ah, se ele soubesse que eu não tinha lido sequer uma folha.

“Não me mate, mas eu ainda não li nada.” – Mordi o lábio e cliquei no botão “enviar”, sabendo que eu receberia uma bronca.
“QUE?”
“Você está louca?” - Dei um riso nervoso. Eu sabia que Oliver não estava aqui e não podia me ver, mas eu o conhecia tão bem, que sabia que ele estava puto comigo.
“Minha irmã inventou de se mudar hoje e eu tive que ajudá-la.” - Respondi rapidamente e não demorou nem cinco segundos para que meu celular vibrasse novamente, mas dessa vez não era mensagem. O nome de Oliver piscando na tela demonstrava claramente que aquilo era uma ligação.
Que merda.
Fechei os olhos com força e atendi a ligação, já preparada para um dos ataques de Oliver. Porém, dessa vez ele tinha razão.
- Oi...
- VOCÊ ESTÁ LOUCA? - Ele gritou e, eu afastei o telefone do ouvido para que não acabasse ficando surda. - COMO VOCÊ VAI AJUDAR SUA IRMÃ AO INVÉS DE ESTUDAR O ROTEIRO?
- Calma. - Pedi. - Eu estou estudando agora.
- EMILLY, ISSO NÃO É UMA DAS NOVELAS ITALIANAS QUE VOCÊ PROTAGONIZOU! ISSO É UM FILME DE FUTURO SUCESSO MUNDIAL! - Esbravejou.
- Eu sei disso e estou dando o meu melhor, ainda mais depois de saber que é...
- Não ouse! - Me interrompeu. - Não coloque no meio disso, você precisa ser profissional.
- Eu sei...
- MAS NÃO PARECE! - Ele suspirou e voltou a falar, agora mais calmo. - Eu falo sério quando digo que esse papel vai ser ótimo para sua carreira, . Você tem que dar muito mais do que o seu melhor para isso, tem que se comprometer.
- Você tem razão, me desculpe.
- A partir de agora você tem que pensar em como o seu parceiro de filme e não como seu ex-noivo canalha. Você pode fazer isso?
- Posso. - Suspirei. É claro que eu podia, não é? não significava mais nada para mim.
- Então me mostre que é mesmo capaz começando a ser mais profissional e se dedicando mais ao papel que você vai protagonizar. - Ele disse e desligou. Olhei para o telefone, atordoada com as palavras duras dele. Eu sabia que Oliver estava puto comigo, mas também sabia que ele estava com a razão.
Respirei fundo, deixei o celular de lado e puxei as folhas do roteiro para minha frente, decidida a me concentrar e não deixar que nada afetasse a minha concentração aquela noite.

Nas próximas horas, permaneci tão concentrada em ler tudo sobre o filme e estudar as primeiras falas, que eu sequer ouvi quando minha irmã e sua enorme mudança chegaram. Ela não veio me procurar, o que foi ótimo, pois eu não poderia perder mais nenhum segundo de distração com algo que não fosse minhas falas.
Lendo o roteiro, descobri que o filme era muito mais do que um affair de uma viúva com um homem casado. Minha personagem, Melissa Summers, era uma espiã designada a espionar a vida do personagem do , Otto Smith, um criminoso perigoso e marido da melhor amiga da personagem principal. É um verdadeiro drama misturado com um pouco de ação. Pelo menos a história do filme era interessante, o que facilitou muito.

Quando dei o décimo bocejo em menos de dez minutos, decidi parar um pouco e me assustei ao verificar as horas e ver que já se passava da meia-noite. Me espreguicei e levantei da cadeira, decidida a ir dormir, pois eu teria que acordar cedo e a essa altura, não conseguiria ler mais nenhuma linha. Eu precisava urgentemente descansar se quisesse estar bem-disposta amanhã.
Larguei os papéis em cima da mesa e saí do local, dando de cara com minha irmã ao abrir a porta.
- Você está acabada.
- Obrigada pela sinceridade. - Sorri com humor.
- É sério, você precisa descansar.
- Eu sei, você também ou você acha que eu esqueci que você tem aula? - Ela revirou os olhos.
- Não planejo faltar amanhã, se é o que te preocupa.
- Então é melhor você ir dormir. - Empurrei-a em direção do quarto de hospedes, que agora seria o quarto dela. - Que bagunça! - Exclamei ao notar o quarto cheio de caixas vazias.
- Tem mais na sua sala, mas amanhã eu arrumo tudo, prometo.
- Acho bom mesmo.
- Está bom, agora vai dormir. - Foi a vez de ela me empurrar para fora de seu quarto.
- Boa noite. - Joguei beijos no ar para ela e entrei no meu quarto em seguida.

XxX

- Bom dia. - Cantarolei ao sair do carro e dar de cara com Oliver me esperando. Ele ergueu a sobrancelha, provavelmente se perguntando de onde vinha todo aquele animo.
- Bom dia. - Ele respondeu. - Nervosa?
- Nem um pouco. - Respondi confiante e ele me olhou como se não acreditasse. - Que? - soltei um riso forçado.
- Você está confiante demais, gosto disso. - Concluiu e um sorriso verdadeiro apareceu em seus lábios.
- Bem, eu tenho que ser depois de todo aquele sermão. - Ele cerrou os olhos, mas o sorriso permaneceu em seus lábios.
- Você mereceu.
- Eu sei.
Ele se aproximou de mim e envolveu meus ombros.
- Vamos? Quero acompanhar o seu primeiro dia de pertinho. - Ele começou a andar, forçando-me a fazer o mesmo e, logo, entramos no set.
- Você sabe que isso não é necessário. - Olhei para ele.
- É mais do que necessário. - Retrucou. - Você está toda confiante, mas não quero ver você confiante só agora, quero que mostre confiança lá dentro também, principalmente na frente do .
- Eu não vou deixar que ele ou qualquer coisa que já tive relacionada a ele me afetar, Oliver. Já tivemos essa conversa.
- Você não deve dizer isso só para mim, . Repita isso para si mesma, várias vezes, até você se sentir confiante o suficiente para enfrentar esse filme sem se abalar.
- Oras, e você acha que eu já não fiz isso? - Revirei os olhos.
- Ótimo, continue assim e arrase no seu primeiro dia. - Disse. Abri a boca para responder, mas fui interrompida pelo meu amado diretor.
- ! Que bom que chegou cedo. - Ele se aproximou sorridente. – Oliver. – Ele acenou para meu amigo, que retribuiu o gesto.
- Olá, Trevor.
- Está ansiosa? - Perguntou curioso.
- Sim, mal posso esperar para começar a gravar.
- Ótimo! Venha comigo, quero te dar algumas instruções.
Olhei para meu melhor amigo, que apenas assentiu e eu segui Trevor para o que parecia ser a sala dele.
- Entre, senhorita. - Ele abriu a porta e deu espaço para que eu passasse primeiro. Sorri em agradecimento e adentrei o local, que era bem simples, por sinal. - Sente-se. – pediu, apontando para a cadeira e eu não pensei duas vezes antes de sentar. Trevor fez o mesmo e se sentou em sua cadeira à minha frente. - Imagino que já deve saber sobre o que o filme se trata, certo?
- Sim, senhor. - Concordei.
- Por favor, não precisa ser formal. - Ele riu.
- Claro. - Sorri nervosamente.
- Bem, , eu vou ser direto. Você sabe que você vai ser o par romântico, se pudermos colocar assim, do seu ex-noivo, e eu pude perceber que você não ficou muito satisfeita com isso. - Ele parou e me analisou por um momento. Ah, não. Isso não era um bom sinal. - E, como o diretor desse filme, eu quero que ele seja um sucesso e que nada dê errado. Então, eu preciso saber se você é capaz de deixar as diferenças pessoais de lado e trabalhar com o normalmente, pois eu não vou tolerar comportamentos que prejudiquem o andamento do meu filme.
Engoli em seco. Levar broncas do meu chefe não era algo que eu estava esperando para o meu primeiro dia, ainda mais sem eu ter feito nada.
- Não se preocupe, Trevor. Eu estou disposta a ser a mais profissional possível e não irei misturar com a minha vida pessoal. - Respondi, tentando passar para ele a mesma confiança que tinha passado para Oliver.
- Assim espero. - Ele sorriu, satisfeito. - Já tive essa mesma conversa com e ele também concordou de que trabalhar com você não será problema.
Claro que ele concordou. Deixar minha vida mais fácil ninguém quer.
Se eu soubesse que voltar para Londres iria me trazer tantos problemas e coisas das quais eu tinha fugido por dois anos, eu teria ficado na Itália.
- Que bom. - Dei um sorriso forçado, mas ele não percebeu.
- Outra coisa que eu quero tratar com você é que, talvez, você tenha que fazer algumas mudanças no seu visual e eu preciso saber se você está de acordo antes de passar as instruções para o pessoal que irá cuidar disso.
- Claro, podem mudar o que quiserem. - Concordei prontamente. Com tanta coisa acontecendo a minha volta, mudar o meu visual é o menor dos meus problemas.
- Ótimo. - Ele sorriu. - Pode ir para o seu trailer. - Ele se levantou e eu fiz o mesmo. - Vai ser um prazer ter você como minha atriz, senhorita . - Disse e estendeu a mão para mim.
- O prazer vai ser meu, Trevor. - Apertei sua mão e, em seguida, ele me guiou até a saída de seu escritório.
Assim que pus os pés fora, olhei para os lados à procura de Oliver, mas não o encontrei em canto nenhum, então, não me restou alternativa a não ser procurar meu trailer sozinha. Felizmente não precisei andar muito e, assim que achei o lugar onde eu faria a troca de roupa e maquiagem, entrei no mesmo, trancando a porta ao passar para evitar surpresas nenhum pouco agradáveis.
Com a porta trancada, olhei ao redor, me sentindo maravilhada com o tamanho daquele lugar. Além de todas as roupas que eu obviamente usaria durante todo o filme, tinha também a penteadeira com inúmeros produtos de maquiagem e cabelo, um sofá que parecia ser bem confortável, uma TV e um frigobar. Vale dizer também que tinha um banheiro e uma cama que parecia ser bem mais confortável que a cama que eu tinha em casa. Dava para morar aqui! E olha que eu não acharia ruim, pelo menos eu não corria o risco de me atrasar. Em cima do sofá tinha uma cópia do script com todas as minhas falas e eu tratei de pegar o papel, agora me sentindo mais ansiosa do que já estava para começar logo a gravar. Tudo bem que eu já tinha gravado um filme antes e algumas novelas, mas algo aqui tornava tudo maior, como se fosse outro nível e, enfim, eu pude entender o que Oliver quis dizer quando ele disse que esse filme ia ser ótimo para minha carreira. Eu sequer tinha começado a gravar, mas toda a seriedade que o ambiente me passava, me mostrava o quanto isso aqui era mesmo importante. Podia até parecer estúpido se falado em voz alta, mas era a verdade.
Batidas na porta me trouxeram de volta a realidade. Joguei os papéis em cima do sofá e andei até a porta, abrindo sem ao menos perguntar quem era. Não era necessário.
- Já veio se esconder aqui depois da bronca do diretor? - Oliver disse, adentrando o trailer sem ao menos esperar permissão.
- Eu não levei bronca! - Exclamei, mas minha voz saiu esganiçada. Primeiro sinal de que eu estava mentindo e Oliver sabia disso.
- O que ele disse?
- Ele só queria saber se eu conseguiria fazer o filme com o sem causar problemas. – Dei de ombros.
- E você consegue? - Ele perguntou com a sobrancelha arqueada.
- Ollie, por favor, já tivemos essa conversa.
- Tudo bem, não falo mais sobre isso - Disse, se rendendo.
- Olha só esse lugar! - Falei, minha empolgação voltando. - Tem até cama!
- Você nunca esteve em um trailer? - Perguntou, achando graça.
- Já, mas esse aqui é diferente. - Disse, como se isso fosse uma grande coisa. Não era, mas eu achava.
- Essa cama é bem confortável. - Ele disse, sentado em meu colchão. Sentei ao seu lado.
- É mesmo. - Concordei. - Eu poderia dormir aqui.
- Ou transar... - Ele disse, com um sorriso sugestivo nos lábios.
- Ollie! - Exclamei, horrorizada. Esse menino não sossegava?
- Que foi? - Ele riu.
- Aqui é ambiente de trabalho, não de safadeza! - Ele explodiu em gargalhada e eu o olhei seria, mas não consegui e logo estava rindo junto com ele.
- Para! - Pedi, tentando parar de rir.
- Desculpe, mas foi engraçado.
- Ha, ha. - Retruquei, debochada.
- Ah, vem cá, vem. - Ele me puxou para um abraço.
- Sai! - O empurrei, rindo fraco. - Às vezes você é grudento demais. - Disse, me arrependendo no momento seguinte. Oliver me olhou de um jeito maníaco e se aproximou de mim, devagar.
- O que você disse?
Eu tentei correr, juro, mas as mãos dele me impediram e, logo, me vi deitada na cama, com ele por cima de mim, segurando meus braços e com o sorriso mais pervertido que eu já tinha visto na vida.
- Ollie... O que você vai fazer? - Disse, tentando ficar séria, sem sucesso. Eu sabia que ele não me machucaria.
- Te mostrar o quão bicha eu sou. - Disse, antes de diminuir a distância entre nossos lábios e me beijar violentamente, mas de um jeito bom. Retribuí o beijo a altura e tentei soltar meus braços para que eu pudesse tocá-lo, mas ele não permitiu. Logo, ele passou a beijar meu pescoço avidamente e eu ergui o corpo, em busca de mais contato.
Não vou mentir, pegar meu melhor amigo era um enorme prazer, até porque ele era um tremendo de um gostoso e eu sabia que nossa amizade iria continuar a mesma, então eu não corria risco de me magoar.
Oliver passou a mão por entre as minhas pernas e encostou em minha intimidade, ainda por cima do jeans, fazendo com que eu parasse de pensar em qualquer outra coisa que não fosse no toque dele. Eu não duvidava que ele conseguisse me fazer gozar sem ao menos encostar diretamente em minha intimidade.
- Oliver, por favor, me solta... - Implorei, mas ele apenas negou com a cabeça e com um sorriso nos lábios, abriu o botão da minha calça e abaixou a peça, juntamente com a minha calcinha, com apenas uma mão, já que a outra estava ocupada, segurando os meus braços.
Me contorci quando ele passou o dedo indicador por minha intimidade e começou a estimular meu clitóris, ao menos tempo em que penetrava um dedo em minha intimidade. Gemi, me contorcendo sobre o seu dedo e tentando me soltar, sem sucesso. Oliver soltou um risinho completamente sujo e continuou me estimulando, enquanto soltava algumas palavras sujas, como “gostosa” ou “geme meu nome, safada”. Eu não me importava com nada daquilo, na verdade, eu obedecia de muito bom grado. Eu sentia que estava perto do maravilhoso orgasmo e Oliver parecia saber disso também, pois ele retirou os dedos de minha intimidade, fazendo com que eu soltasse um muxoxo descontente.
Com um sorriso satisfeito e safado no rosto, ele abaixou sua calça e cueca, revelando o seu maravilhoso pênis e finalmente soltou meus braços. Tirei minha própria blusa e o vi repetir o meu gesto com a sua própria peça e ambos jogamos a peça de lado, sem se importar onde iria parar. Ele se encarregou de se livrar do meu sutiã e, logo, eu o puxei para que pudéssemos trocar mais um beijo quente e cheio de desejo. As mãos deles apertaram minhas coxas e logo ele me penetrou fortemente, fazendo com que eu soltasse um gemido em meio aos beijos. Oliver, por sua vez, separou os nossos lábios e passou a beijar os meus seios, ao mesmo tempo em que entrava e saía de minha intimidade. Os gemidos preencheram o local de forma contida, já que estávamos em um local inapropriado para se fazer sexo e, não demorou muito para que eu chegasse ao ápice, seguida por ele. Oliver se jogou ao meu lado e eu fechei os olhos, aproveitando aquele momento de êxtase e prazer.
- Quem é grudento agora, hum? - Ele murmurou e me puxou para um beijo.
- Ai meu Deus, eu acabei de fazer sexo no meu trailer! – Exclamei, depois que me afastei.
- Eu disse que a cama era boa para transar. - Ele riu, divertido.
- Agora eu nunca mais vou olhar para essa cama de forma diferente. - Retruquei, enquanto me vestia.
- Não posso dizer que vou achar isso ruim. - Respondeu, se vestindo também.
- Safado!
- Com prazer. - Rimos.
Batidas na porta, no entanto, interromperam nossas risadas. Dei um pulo da cama e corri em direção a porta, não esquecendo de me olhar no espelho para ver se estava tudo em ordem. Tudo que eu menos queria era que alguém descobrisse que eu estava fazendo coisas inapropriadas no meu local de trabalho no primeiro dia.
Parei em frente a porta, arrumando a roupa e pelo canto de olho, vi Oliver sentar no sofá e ligar a TV em um canal qualquer, como se ele estivesse fazendo aquilo desde que chegou. Voltei minha atenção para a porta, quando bateram novamente e pigarreei antes de girar a maçaneta.
- Jane! – Exclamei, ao me deparar com a garota que eu tinha conhecido dois dias atrás. Ela seria minha assistente durante as filmagens. - Entre.
- Não será necessário, senhorita, estou aqui porque estão a chamando para discutir os detalhes da mudança do seu visual com o cabeleireiro.
- Ah sim, estou indo. Obrigada por avisar.
- Por nada. - Disse e se retirou.
- Vai ficar aí? - Perguntei a Oliver e, em resposta, ele desligou a TV e me seguiu para fora do trailer.
O cabeleireiro era bem engraçado, o que facilitou muito minha comunicação com ele e não tivemos nenhum problema com a decisão de como minha aparência ficaria. Não demorou muito para que eu estivesse sentada em uma cadeira, deixando que ele cuidasse do meu cabelo sem que eu ao menos olhasse no espelho até que estivesse pronto. Oliver, ao contrário do que eu imaginei, ficou o tempo todo por perto e pelas expressões faciais que ele fazia, eu poderia garantir que eu estava ficando bonita. Apesar de saber qual cor meu cabelo ficaria, eu não tinha muita certeza em relação ao corte.
- Você está ficando linda, honey. - Sam, o cabeleireiro, se pronunciou depois de quase meia hora de silêncio.
- Todo esse suspense está me deixando nervosa. - Mordi os lábios, desejando profundamente que tivesse um espelho no alcance de minha visão.
- Você vai gostar. Seu namorado parece estar gostando. - Ele falou, apontando com a cabeça para Oliver.
- Ah, não. Ele não é meu namorado. - Dei um sorriso envergonhado. - Ele é meu melhor amigo.
- Querida, não existe essa de “melhor amigo” com um gostoso daquele! Não venha me dizer que você não deu nenhuma provadinha?
- Bem... - Mordi o lábio inferior e desviei o olhar, sentindo meu rosto corar. Eu sempre me sentia envergonhada com essas conversas.
- Sabia! Não precisa dizer mais nada. - Ele riu. - Não tem como resistir a um pedaço de mau caminho como aquele! Ah, se ele fosse gay... - Ele disse, se abanando. Ri da situação, mas eu entendia Sam perfeitamente. Oliver era mesmo um pedaço de mau caminho.
Enquanto ele terminava o meu cabelo, permiti que meus olhos pousassem em Oliver, apenas para observá-lo. Por um momento, eu me deixei pensar em como seria caso eu e Oliver fossemos um casal. Digo, ele era divertido, me conhecia bem e, principalmente, me entendia. Ele não me julgava, me dava conselhos, era um tremendo de um gostoso e ótimo de cama. Talvez eu nunca tivesse conhecido , nem nunca tivesse me machucado como fui anos atrás e, talvez, minha vida não fosse essa bagunça que é hoje.
Oh, Deus, por que tudo não podia ser mais simples?
- Pronto, darling. - A voz de Sam me trouxe de volta a realidade e ele girou minha cadeira para o espelho.
No primeiro momento em que vi meu reflexo, eu juro que não me reconheci. Eu pisquei uma, duas, três vezes, para que minha ficha caísse e eu acreditasse que aquela ali era eu mesma e não outra pessoa. Meus cabelos agora não estavam mais ruivos e longos e, sim, loiros e curtos, o que me dava o ar superior e poderoso, exatamente como queria que a minha personagem fosse.
- Ficou lindo, eu amei. – Falei, passando a mão por meus cabelos, admirada.
- Eu sabia que ia gostar, você ficou uma perfeita diva!
- Obrigada. - Me levantei e o abracei.
No momento seguinte, Jane apareceu novamente dizendo que eu teria que voltar para o trailer, fazer a maquiagem e trocar de roupa, pois as gravações começariam em meia hora. Me despedi apressadamente de Sam e corri para o trailer com Oliver em meu encalço.
- Eu vou ter que ir embora. - Oliver disse assim que paramos em frente ao meu trailer.
- Mas eu pensei que você fosse ficar até o fim!
- Eu ia, mas eu acabei de receber uma mensagem importante e eu preciso ir.
- Mensagem importante?
- Sim. Foi uma proposta que recebi, mas eu te falo isso mais tarde, ok? Tenho que ir.
- Certo, te vejo mais tarde. - Ele deu um beijo na minha testa e, em seguida, correu em direção a saída do local. Franzi o cenho, tentando imaginar em qual proposta ele tinha recebido, mas acabei decidindo que deixaria para pensar isso depois e tratei de entrar logo no trailer.
As maquiadoras já estavam lá e, não demorou muito tempo para que eu estivesse com a maquiagem pronta. Elas se retiraram logo em seguida, me deixando sozinha para que eu vestisse as roupas, que por sinal, já estavam devidamente separadas em cima da cama.
Quando Jane retornou para me chamar, eu, pela primeira vez desde que cheguei aqui, parei para lembrar de que eu sequer tinha visto durante toda a manhã e, isso fez com que meu coração se enchesse da esperança de que, talvez, eu não tivesse que gravar com ele hoje. Mas, é claro que toda essa esperança foi para baixo quando eu saí do trailer e dei de cara não só com ele, mas com e a filha deles, conversando e rindo de alguma coisa. Eu até pensei em dar meia volta e me esconder no trailer, mas quando dei o primeiro passo para trás, o olhar de caiu sobre mim e eu percebi que já era tarde demais.
- ! - Ela abriu um sorriso completamente falso. - Você está diferente.
olhou em minha direção e abriu um sorriso que eu não consegui identificar.
- Pois é. - Fechei a porta e desci os degraus. Eu tinha que sair dali o mais rápido possível. Por sorte, Jane apareceu mais uma vez, me chamando. Eu quase a abracei, mas me contive e me limitei em apenas dar um sorriso amarelo para o casal 20 e saí de lá o mais rápido possível.
Lidar com era uma coisa, mas lidar com ele, e a filha era demais para mim. Eu deveria saber que apareceria aqui, ainda mais depois de descobrir que eu contracenaria com o marido dela e principalmente depois da conversa que tivemos. Ela não perderia a oportunidade de esfregar na minha cara o quão felizes eles dois são. Como se eu me importasse.
Quando entrei no set, Trevor estava dando instruções para todos os presentes. Ele parecia bem animado e foi impossível não me animar também. Apesar de todos os pontos negativos, eu estava feliz de participar daquilo tudo. Era o que eu amava fazer.
Alguns minutos depois, entrou no set, acompanhado de , que carregava a filha deles, Dulcie, no colo. Como se soubesse que eu estava olhando, olhou em minha direção e deu um sorriso cheio de malícia, como se quisesse dar a impressão de que ela tinha algo que eu queria muito e isso a fazia superior. Pode ser que isso seja apenas uma dedução louca da minha mente, mas se era a mensagem que ela queria me passar... Bem, mensagem recebida.
Trevor logo começou a falar com e não demorou para que ele nos pedisse para ficar em posição para a primeira cena do filme.
- Vamos, vamos, todos em posição. - Trevor ordenou.
A primeira cena era de um jantar entre a minha personagem, Melissa, Otto e a personagem de , Danielle. Era uma cena bem fácil de se gravar e, eu não tive muitos problemas gravando, pois eu não tinha muita proximidade com , intimamente falando. Se bem que, por um momento, eu desejei que tivesse algo, apenas para ver a cara de ódio de . Ela merecia só por ter sido uma vadia comigo e ter fingido ser minha amiga por todos esses anos.

- CORTA! – Gritou Trevor no final da cena. - Perfeito, perfeito! , você foi incrível, continue assim.
- Obrigada. - Agradeci com um largo sorriso estampado no rosto. Era ótimo saber que eu estava agradando, mesmo sabendo que era só o início das gravações. A primeira impressão é a que fica, certo?
Gravamos mais algumas cenas, mas nada que me envolvesse tão diretamente com o . Quando Trevor deu as gravações por encerradas, já se passava das 10 da noite e, felizmente, já não se encontrava no mesmo ambiente que eu. Ela tinha voltado para o trailer do há algumas horas, bufando de raiva pelo que pude perceber, mas aquilo não era da minha conta. Eu me senti feliz só pelo fato de não respirar o mesmo ar que ela.
- Você foi muito bem. - surgiu ao meu lado, caminhando também em direção ao trailer. tinha ficado para trás, conversando com o diretor.
- Obrigada, estou dando o meu melhor.
- Eu sei como deve ser difícil para você. - Ela murmurou e não foi preciso que ela falasse o nome, para que eu soubesse que ela estava falando de .
- É, um pouco. Mas esse filme é minha prioridade agora e eu não pretendo deixar que minha vida pessoal atrapalhe.
- É isso aí. - Ela sorriu, concordando. - Escuta, eu vou dar uma festa amanhã para comemorar o início das gravações na minha casa. Você está convidada.
Arregalei os olhos ao ouvir aquilo e tive que me controlar muito para não soltar um grito. Uma festa na casa de Knowles, meu ídolo e eu estava convidada!
- S-Sério? - Gaguejei, sem acreditar.
- Sim, sério. - Ela riu, provavelmente achando a minha reação engraçada e tirou um cartão do bolso. - Aqui, meu número. Me liga amanhã e eu te passo meu endereço.
Peguei o cartão da mão dela e assenti debilmente, ainda sem acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Não me julgue, qualquer pessoa reagiria assim diante de um convite daquele vindo do ídolo.
Ok, talvez eu estivesse sendo um pouco patética, mas eu estava pouco ligando para isso.
Depois disso, ela se afastou e eu segui caminho para o meu trailer feliz da vida. Porém, como felicidade de pobre dura pouco, minha felicidade desapareceu e o sorriso que eu mantinha no rosto sumiu quando eu encontrei a última pessoa que eu queria ver, sentada no meu sofá como se fizesse isso sempre.
- Sinceramente, eu estou cansada de ter essas surpresas desagradáveis. O que você quer?
não respondeu de imediato. Ela se levantou com um sorriso prepotente nos lábios e deu alguns passos até parar na minha frente.
- Vim só te dar um aviso.
- Não estou a fim de ouvir seus latidos, .
- Mas você vai ouvir mesmo assim! - Esbravejou. - Eu sei que você quis fazer esse filme para ficar perto do meu marido e achou que eu não iria ficar sabendo, mas fique sabendo que ele me conta tudo, TUDO e agora que eu descobri seu joguinho, eu não vou permitir que você se aproveite dessa situação para se aproximar dele, entendeu? - Finalizou, apontando o dedo para o meu rosto. E, então eu explodi em gargalhada, o que só a deixou ainda mais irritada, porque ela levantou a mão para bater no meu rosto, mas eu a segurei a tempo.
- Não encoste em mim! - A empurrei e ela caiu sentada no sofá. - Você está ficando louca, .
- Não se faça de sonsa, . Eu te conheço.
- Não, você não me conhece. Quem você pensa que é para invadir meu trailer assim e ficar exigindo coisas de mim? Você não é nada, e todo esse show que você está fazendo não significa nada para mim. Então, pare de dar uma de mulher insegura, que isso fica feio para você. Ao invés disso, vá atrás do seu marido e aprenda a segurar ele, já que aparentemente você se acha incapaz.
- Eu não preciso segurar meu marido, ele me ama!
- Ah, é? Acho que se você tivesse certeza disso não estaria aqui, não é? - Andei até ela e a puxei pelo braço, arrastando-a até a porta do trailer. - Agora saia daqui e não apareça na minha frente nunca mais. - Joguei-a para fora e, por força do destino ou não, ia passando naquele mesmo momento.
- O que está acontecendo aqui? - Questionou, olhando de mim para .
- Controle a sua mulher, , e a ensine a não invadir meu trailer apenas para me fazer ofensas. - Disse, e sem esperar resposta, fechei a porta com força.
Porra, eu não tinha um minuto de paz?

Enquanto dirigia de volta para casa naquela noite, não pude deixar de pensar no quanto a minha vida parecia uma novela mexicana. Eu odiava que acontecesse tanto drama a minha volta, ainda mais quando não partia de mim mesma. Digo, eu não vou ser estúpida e dizer que tudo o que fez foi esquecido e eu segui em frente, porque isso claramente não aconteceu. Mas eu também não vou ser ingênua o suficiente para dizer que eu ainda sou apaixonada por ele ou que eu o odeio, porque isso seria mentira. O fato era que eu não sabia o que eu sentia, talvez fosse só mágoa e ressentimento, mas, bem no fundo, tinha algo mais que eu não sabia identificar. Talvez fosse ódio, mas eu me recusava a sentir algo parecido por alguém. Eu não era uma pessoa rancorosa e, mesmo com toda essa situação com , eu não a odiava. Na verdade, eu preferia não sentir nada por ela. Ela não era digna de tamanha importância. Talvez nem fosse. Os dois se mereciam.
Eu queria desesperadamente seguir em frente, só não sabia como eu faria isso. Talvez eu só precisasse de um empurrão. O problema era que eu não tinha a menor ideia de como conseguir isso.

O apartamento estava completamente escuro quando cheguei. Um bilhete da minha irmã estava sobre a mesinha, dizendo que iria dormir na casa de uma amiga. Pelo menos ela tirou todas aquelas caixas do meio da sala. Entrei em meu quarto e fui direto para o banheiro, a fim de tomar um banho relaxante. Eu estava exausta e tudo o que eu queria era deitar e dormir, mas além disso também tinha a fome que me consumia e, então eu me dei conta de que eu não tinha comido nada o dia todo. Enquanto a banheira enchia, voltei para a sala e disquei para o delivery de comida japonesa. Assim que o pedido foi feito, avisei ao porteiro e voltei para o banheiro.

De volta no quarto, agora enrolada na toalha, abri o closet, para que pudesse escolher alguma roupa confortável para dormir. Como o clima estava quente, acabei por vestir apenas uma calcinha e um blusão que ia até as coxas, penteei os cabelos e, logo, já estava de volta na sala.
A campainha tocou no momento em que eu me sentei no sofá. Minha barriga roncou só de pensar na comida que me esperava do outro lado da porta.
Corri até a porta e a abri sem olhar quem era, mas me arrependi disse no segundo seguinte. Arregalei os olhos sem acreditar que ele estava parado em minha porta àquela hora da noite.
- Precisamos conversar.




Continua...



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