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Última atualização: 22/07/2022

Primeiro Marca Página

São coincidências demais para serem meras coincidências.
São muitos acasos para serem por acaso.
Então de quantos acasos coincidentes é feito o destino?
— Dona Geo



, você está ouvindo?
Não era como se sua mente realmente estivesse tão longe, mas com toda certeza ela não estava tão focada, naquele momento, em conversar sobre qualquer outro assunto que não fossem as novas edições que haviam chegado e, principalmente, sobre o rapaz que estava sendo um dos motivos para que seus pensamentos estivessem em outro lugar.
Brevemente balançou sua cabeça, como se aquilo fizesse com que Yoon se convencesse de que ela realmente prestava atenção em sua conversa.
O que não aconteceu.
Ela sabia que naquele instante precisava focar em seu trabalho, bem como no expediente que ainda estava tendo, mesmo o movimento naquele horário não sendo tão grande, mas não conseguia. Não conseguia porque não saía de seus pensamentos e aquele sorriso estampado em seu rosto, tão adorável e atraente que, mesmo raramente, ele mantinha nos lábios. A mulher sabia que desde a primeira vez em que bateu seus olhos no rapaz, sentado tão tranquilamente no metrô, lendo como se não houvesse nenhuma outra preocupação, que não esqueceria sua imagem nem mesmo se quisesse. Também sabia que tudo aquilo não passaria de um amor não correspondido e passageiro, daqueles que você se apaixona à primeira vista, mas que logo depois cai em esquecimento por ser algo tão corriqueiro, mas não imaginava que esbarraria com ele naquele dia em que seus olhos se encontraram longe do metrô, longe da rotina.
Ele não imaginava que ele seria o responsável por seus batimentos acelerados algumas semanas depois.
Deixou que seus olhos baixassem para o pequeno sketchbook, minimalista e delicado em suas mãos, observando de forma nostálgica os traços esboçados na folha branca e em como havia conseguido desenhar de forma simples, mas detalhada, os cabelos ondulados e escuros de e aquilo, de forma involuntária, a fez sorrir. sorriu como uma criança se lembrando do primeiro amor, sorriu boba como estava sendo naquele instante, mas não se importou, já que todo aquele sentimento a fez se lembrar dos pequenos momentos que teve com o rapaz, minutos depois que o encontrou na saída da Kyobo*.

— Achei que você não convidaria. A propósito, me chamo — o rapaz disse, ouvindo a risadinha leve da mulher próxima a ele. Ela se apresentou da mesma forma. Com isso, estendeu seu braço, para que ela o pegasse, ainda hipnotizada por seu olhar profundo direcionado ao de . — Me acompanha?
— Claro, — respondeu, o vendo observá-la uma última vez antes de caminharem em direção à enorme livraria. sentia o corpo arrepiar brevemente, não só por estar tão próxima ao rapaz, mas por também achar surreal toda a situação. Na manhã, apenas o admirava de longe e agora, ao final do dia, o acompanhava como se o conhecesse há algum tempo, o que era mais louco ainda.
Na medida em que o rapaz entrava no local com ela ao seu lado, pôde observar como ele ainda mantinha a mesma postura de antes, quase como se fosse um mistério a ser solucionado. O corpo ereto, a expressão séria e discreta, com o pequeno sorriso contido no canto dos lábios. Ela não sabia que tipo de efeito ou sensação era aquela que sentia, mas tinha plena certeza de queria saber muito mais sobre ele, assim como seus gostos e o motivo de sempre estar lendo algo diferente a cada dia que o via sentado naquele metrô.
a olhou de soslaio, sentindo o olhar da mulher queimar sobre si e achou curiosa a forma como ela lhe olhava, ou pelo menos tentando não deixar tão evidente seu ato. O rapaz conseguia observá-la quando estava distraída, com seus olhos sobre as estantes em que passavam, os livros novos e os antigos, se perdendo naquele mundo em que ele havia percebido que ela nitidamente gostava.
— Há quanto tempo trabalha aqui? — perguntou, chamando sua atenção. o olhou, sentindo as bochechas queimarem levemente pelo olhar do rapaz. Ele sorriu.
— Pouco menos de um ano. Comecei no verão passado, mas sinto que fui escolhida pelo lugar, por mais bobo que pareça ser. — Soltou uma risadinha. assentiu, colocando uma das mãos no bolso da calça caqui. — Sinto como se estivesse em casa.
— Não é bobo. Consigo ver em seus olhos o quão admirada fica o observando.
O rapaz observou como lhe lançava um olhar sonhador, balançando a cabeça consigo mesma, concordando com ele.
— Posso dizer que compartilho da mesma paixão — completou.
— Digamos que também percebi o quão admirado você fica lendo algum livro — soltou, como se aquilo não fosse nada, mas ao notar que havia falado demais, arregalou os olhos gradativamente, olhando rapidamente para o lado. a olhou por alguns segundos e pressionou seus lábios, em um sorriso contido. — Não! Quer dizer… Você sempre estava perto e…
— Não precisa ficar envergonhada, mas é interessante saber que você sempre observava. — Ele passou uma das mãos nos cabelos escuros, o ajeitando brevemente assim que virou o corredor, com ainda ao seu lado. A mulher brincava com seus próprios dedos, como se aquilo a fizesse se acalmar. — Achei ainda mais interessante ter encontrado você depois. Coincidência?
— É, podemos dizer que sim. — Riu fraco, erguendo o olhar. a acompanhou, deixando o olhar cair sobre a estante em sua frente, que continha o gênero e classificação dos livros que ali estavam expostos. Deixou os olhos passearem pelos títulos e aquilo só fez com que o olhasse ainda mais curiosa.
— Você gosta de romance? — indagou.
— Acho intrigante a forma como retratam de variadas formas cada tipo de relacionamento, suas barreiras e objetivos. Gosto de analisar cada tipo de escrita e o sentimento expressado pelo autor — dizia com os olhos focados na parte anterior do livro que segurava em mãos, piscando algumas vezes ao notar que havia falado demais e que ela o olhava com o olhar de quem realmente estava gostando do que ele falava. — Desculpe, acabei falando mais do que deveria.
não sabia explicar o que estava acontecendo, mas vê-lo se explicar, contar sobre a forma com que lia e de como gostava de apreciar a escrita a deixava completamente sem palavras, literalmente. Não era algo comum de se ver, a maioria das pessoas que ela atendia e prestava suporte dentro da livraria queriam algum livro para passar o tempo, apenas para ler algo diferente enquanto tinham algum tempo livre. Aquilo a surpreendeu, porque realmente parecia gostar de saber do que se tratava e muito mais.
— Não tem problema algum, é incrível saber que alguém lê um livro com toda essa atenção. — Sorriu minimamente. — E já que você gosta de romances, tenho um muito bom para te indicar.
— Tenho a impressão de que não vou me arrepender — respondeu, enquanto caminhava com a mulher para o centro da livraria, desviando de algumas pessoas e a observou seguir em direção à enorme mesa central onde alguns livros, os lançados recentemente, eram expostos.
— Não vai mesmo, mas quero saber de sua opinião quanto a ele. — Rodou o móvel, esperando que o rapaz parasse a seu lado e assim pegou o livro em mãos, analisando sua capa cuidadosamente. — Esse é o Tudo e Todas as Coisas. É um young adult, mas vale a pena dar um pouco de atenção. Se não for muito a sua praia, posso te indicar outra coi...
— Eu vou levar esse — a cortou, levando uma das mãos no livro enquanto ainda a olhava. sorriu. — Me parece uma boa obra.
— Realmente espero que goste.
Ele assentiu ainda com um sorriso contido nos lábios e fez questão de levá-lo até o caixa, conversando de forma animada sobre outros livros incríveis que já havia lido e em como era grata de trabalhar em um lugar como aquele, que a fazia ter o privilégio de desfrutar de algum exemplar sempre que chegava para eles. a ouvia com toda a atenção do mundo, achando encantadora a forma como ela falava tão confortável e sonhadora, quase como se tivessem se conhecido há tempos e que aquele era apenas um encontro informal.
Os dois caminhavam pela calçada já distante da Kyobo, conversando e observando o céu estrelado que àquela noite lhes oferecia.
conseguia observar, mesmo nas poucas horas que havia passado ao seu lado, que era inteiramente surpreendente, o que ela sequer imaginava quando o via sentado lendo tranquilo no metrô. O rapaz era encantador, com todo o jeito educado e que transmitia aquele ar romântico que fazia com que ela quisesse saber mais sobre ele.
— E você sempre morou aqui em Seul? — Ela olhou em sua direção, o vendo balançar a cabeça em forma negativa.
— Nascido e criado em Busan, mas, assim que me formei, resolvi vir para o centro de Seul por conta do estágio na Golden. — Colocou uma das mãos no bolso do sobretudo e olhou para o lado, podendo avistar os olhos brilhantes de ainda em sua direção. — Oh, eu disse algo errado?
— Não, só… Você trabalha na Golden? Como a Golden Books? — perguntou, um tanto sem graça e se achando um pouco infantil por estar tão admirada daquele jeito.
soltou uma risadinha fraca e balançou a cabeça, concordando.
— Como a Golden Books.
— Isso é incrível, . Deve ser um trabalho empolgante — afirmou, podendo observar a cafeteria iluminada se aproximando aos poucos dos dois.
— Assim como o seu. Na verdade, não temos empregos tão diferentes — completou, adentrando o local junto da mulher e acenou para a recepcionista do local de forma educada. — Temos acesso à magia da primeira edição antes de ser enviada ao mundo. O quão extraordinário isso poderia ser?
— Eu não posso concordar mais.
o olhou agradecida por sua comparação e desviou o olhar em direção à decoração da cafeteria que lhe acomodava naquele instante. O local era inteiramente aconchegante, começando pelas pequenas lâmpadas amarelas que o decorava, as flores ao redor indiciando o cheirinho que agradava e as mesas separadas em cada cantinho do lugar. Não poderia ser mais gracioso.
Assim que se sentou, fez o mesmo, vendo o garçom se aproximar para que assim pudessem fazer os pedidos. Ao vê-lo se afastar, a olhou curioso, um pouco mais como antes, e abaixou seu olhar em seguida, se sentindo um pouco envergonhado por olhá-la daquela forma, como se estivesse observando alguma pintura. Não podia negar o quão bonita a mulher era, com os cabelos medianos na altura de seus ombros, a forma sonhadora que estampava seu olhar quase todas as vezes em que falava do trabalho e até mesmo do hobby que tinha com os desenhos, o sorriso genuíno que transparecia na maioria das vezes em seus lábios na medida que continuavam a conversar.
Aos pouquinhos, mesmo que nas minuciosas horas que estavam passando juntos naquele fim de tarde, conseguiam descobrir um pouco mais sobre cada um. Ela pôde perceber que , por mais que transparecesse todo o ar misterioso e sério, tinha uma risada completamente gostosa de se ouvir e mostrava um lado charmoso que lhe deixava muito mais atraente do que já era. Descobriu que além de ser um amante de leitura, o rapaz adorava viagens e que até mesmo, em alguns momentos, se pegava procurando saber sobre lugares diferentes, assim como também era curiosa para conhecê-los.
A mulher achava extraordinária a forma como eles tinham gostos tão parecidos, mesmo nunca tendo se conhecido antes e só tendo se visto de relance no metrô de Seul.
se sentia um pouco mais fascinado pela forma como se abria gradativamente para ele, mesmo sem se esforçar para tal. Percebeu que tinha uma risada fácil com sua presença e que não precisava procurar assunto para prosseguir com a conversa, já que era o que não faltava entre os dois.
— E aí, bom, eu não sei nem explicar! Tem todo aquele misto de sentimentos, bem como quando você fica naquele estado de espírito sensível ao terminar um livro se perguntando o que deve fazer após... — dizia inteiramente eufórica para o rapaz, que prestava atenção em cada pequena palavra que ela dizia.
Ele tinha um sorriso ameno nos lábios.
— É como estar anestesiado, eu diria. Você repassa todas as cenas e diálogos lidos e é simplesmente como se não houvesse um rumo a seguir — a complementou, vendo assentir.
— É exatamente isso — a mulher soltou um suspiro vagaroso, se sentindo tão aliviada por poder compartilhar algo com alguém que sentia e entendia tudo. — Parece que vou para outro mundo quando começo a leitura. É fascinante.
— Tenho que concordar. Te digo que essa é a magia das histórias, o poder de te levar para qualquer lugar apenas por imaginar. — bebericou um pouco do restante do café, o depositando em cima da mesa. — Será que vou me sentir assim lendo o livro que me indicou?
Deixou um sorriso estampar seus lábios ao ver a expressão da mulher. parecia estar muito mais confortável e convencida de que a companhia de era uma das melhores, se não a mais agradável que poderia ter tido.
Ela balançou a cabeça, deixando um sorrisinho convencido escapar.
— Eu tenho certeza que sim. Olha, se quiser, claro, o que acha de me contar o que achou depois de ler?
Inclinou a cabeça levemente para o lado, observando o olhar de sobre si, um tanto observador com sua proposta. O rapaz tinha o corpo encostado ao estofado da cadeira, mas um sorriso ladino, quase esperto, transpareceu em seus lábios, fazendo com que sentisse o coração aquecer vagarosamente dentro do peito.
— Acho que então vamos precisar de um próximo encontro para isso. — piscou levemente. — O que me diz?
queria dizer sim e repetir que aceitaria sem pensar duas vezes. Sabia que logo teriam que se despedir e aquele sentimento de vê-lo se distanciando não lhe agradou muito, nem mesmo o fato de que não teria a conversa são acolhedora que havia tido com .
Ela pôde sentir suas bochechas queimarem aos poucos pelo olhar que ele ainda mantinha sobre ela e , ao observar a expressão da mulher, achou adorável a forma como ela havia ficado sem reação com aquilo.
Balançou a cabeça, assentindo minimamente, não antes de sorrir da forma que continuava achando cativante.
— Com toda certeza.


piscou brevemente, por alguns segundos, voltando para sua realidade e sentindo seu coração palpitar mais forte e mais rápido dentro do peito com aquela lembrança, a exata lembrança que lhe deixou encantada pelos dias em que não viu o rapaz. Sentia a plena necessidade de querer encontrá-lo para conversarem como tinham feito e não apenas pelas mensagens trocadas pelo aplicativo.
A mulher se levantou de onde estava, voltando para seu turno e observou algumas pessoas espalhadas pelo local, a procura pelo livro perfeito para que pudessem comprá-lo. Deixou um pequeno sorriso escapar de seus lábios, sabendo o quanto as feições curiosas e suaves lhe deixavam extasiada por saber que se interessavam por aquilo, nem que fosse minimamente.
passeou os dedos delicados pelos livros colocados de forma enfileirada nas enormes prateleiras da livraria, os analisando admirada e nostálgica. A única coisa que lhe passava em mente era o olhar inexpressivo e profundo de e se perguntou se ele se sentia do mesmo jeito que ela, com a mesma vontade e ansiedade que a enlaçavam vagarosamente.
Era o que mais queria saber, só não fazia ideia de que também andava um pouco mais pensativo que o normal em seu pequeno escritório, com a mente longe e, mais especificamente, em alguém particular que trabalhava na Kyobo.




* Kyobo é uma das redes mais famosas de livrarias da Coréia do Sul. Uma de suas sedes fica em Seul e o lugar é completamente enorme, contendo mais de um andar.
*A Golden Books não existe e foi criada apenas para adaptação da história onde o principal trabalha.


Segundo Marca Página

Amar não acaba. É como se o mundo estivesse à minha espera.
E eu vou ao encontro do que me espera.
Clarice Lispector


tinha seus olhos focados no nada além da tela de seu computador que, naquele instante, tinha uma animação vaga de espera. Já havia um tempo que ele não movia um dedo em direção ao mouse claro sem fio que lhe aguardava sobre a enorme escrivaninha de seu escritório, assim como o restante dos esboços que ele deveria estar analisando. Não era como se tal ato acontecesse de costume, o rapaz ao menos se lembrava da última vez que havia ficado tão imerso em seus pensamentos como estava naquela hora, tão longe de seus afazeres na editora. Ele podia jurar por todas as coisas possível que nunca, nem mesmo por um segundo, se imaginaria tão absorto a ponto de deixar algo de tão importante como o que tinha que fazer, em segundo plano.
Mas tinha algo. não sabia explicar muito bem, mas tinha algo que tilintava no fundo de sua mente e até mesmo, de seu coração. Ele sentia aquele aquecer repentino só de pensar em um assunto específico, sentia a boca de seu estômago mergulhar junto de borboletas misteriosas e inquietas, o deixando exatamente da mesma forma. O completo contrário do que costumava aparentar e ser.
Ele tentou conter um sorriso fraco que insistia em escapar no canto de seus lábios ao se sentir tão ingênuo e abobado daquela forma. nunca havia sido o tipo de pessoa que tinha frequência em fazer amizades com facilidade, nem mesmo sentia necessidade de tal coisa, mas havia sido diferente. Tinha algo que ele não sabia explicar, nem mesmo se medisse com todas as palavras que conhecia e que tinha em seu dia a dia por estar na Golden. Não era comum, nem mesmo habitual.
E ele não conseguia descrever em como estava gostando daquilo.
O rapaz podia se lembrar com a maior nitidez possível da primeira vez que bateu seus olhos nos cabelos assanhados pelo pouco vento que adentrava as janelas minuciosas do metrô, de e de como ela segurava seu marca página perdido com vontade, quase como se não quisesse soltá-lo tão cedo. Por um segundo, quase cedeu ao impulso de falar com ela, mas a visão que tinha no momento não poderia ser decifrada, nem mesmo esquecida facilmente. Ele podia vislumbrar quase como se fosse uma pintura e aquilo mexeu com uma parte do rapaz que ele não imaginou que pudesse existir ainda.
Depois de tanto tempo só, apenas cedendo à sua própria companhia, sentiu que precisava falar sobre qualquer coisa com ela. Ou pelo menos tentar.
Foi exatamente quando ela ergueu seu olhar, pousando os olhos brilhantes e sonhadores em sua direção, que soube que não a esqueceria tão facilmente assim. Inevitável foi fazer o pequeno gesto, em cumprimento, só então podendo receber o sorriso acanhado mais adorável que poderia observar, antes de descer em sua estação.
E ainda com seu coração batendo de uma forma minimamente diferente.
deixou um suspiro pesado escapar de suas narinas, olhando o relógio de parede por alguns segundos. Ele sentia que precisava sair dali o mais rápido, pronto para encontrá-la e puxar assunto, mesmo que fosse o mais tolo possível, apenas para poder ouvir a voz de ecoando por seus ouvidos, assim como a risada que ele tinha se acostumado a ouvir na maioria das vezes em que haviam se encontrado.
Nenhum dos dois sabia ao certo no que aquilo estava resultando. Se era em uma amizade ou em algo a mais. Só sabiam que precisavam estar perto um do outro e que esperariam ansiosamente para o próximo encontro, mesmo falando sobre livros, diferentes tipos de café e qualquer outra coisa os levassem a compartilhar uma troca de olhares memorável.
Parecia insano demais como tudo havia acontecido, mas não sentiam como se estivesse coerente ou impreciso. Deveria ser daquela forma.
não esperou muito para que guiasse suas mãos em direção aos papéis empilhados no canto de sua mesa, procurando por um pequeno impresso e sorriu com o pensamento que lhe tomou a mente. Se via tão romântico que quase não se reconhecia mais… Os ajeitou pela última vez antes de tomar a decisão que tanto queria desde que sua mente parou em um ponto específico chamado .
E assim o fez, ajeitando o sobretudo minimamente antes de erguer o corpo da cadeira acolchoada e seguir em direção à porta, decidido a encontrá-la.


📖 🤍


O barulho dos pássaros cantando ao redor parecia ser digno de um filme romântico, quase como se realmente fosse um. tinha os olhos quase fechados pelo sol que resplandecia pelo céu, mesmo o ar estando leve e fresco em seu rosto, o fazendo sorrir um pouquinho mais por se sentir tão vivo como se sentia. Parecia como uma criança pronta para estar em seu lugar preferido, sem qualquer outra preocupação rondando por sua mente. Ele se sentia eufórico e ansioso demais, para que todo aquele sentimento que crescia dentro de si fosse verdade.
Ele ainda não conseguia acreditar.
Os cabelos de caindo sobre seu rosto, mesmo que ela relutasse em segurá-lo por trás da delicada orelha, não saía da mente do rapaz. Ele conseguia se lembrar com todos os detalhes sobre como achou encantadora a forma com que ela se concentrava, deixando bem claro que assim que batia seus olhos no livro que segurava, o mundo ao seu redor parecia desaparecer. Aquilo deixava sem fôlego, só mostrando como a beleza que ela continha era singular.
Ele nunca havia visto algo como aquilo.
Talvez porque estivesse ocupado demais apenas centrado em seu trabalho, revisando livros e os encaminhando, focando apenas no que cogitava ser o melhor para si naqueles últimos meses, mas havia o despertado. Só de olhá-lo daquele jeito, tão admirada e espiritual.
não podia perder uma chance como aquela. Não quando finalmente havia encontrado algo que pudesse lhe segurar.
Quando seus pés se aproximaram da Kyobo, com a movimentação que ele estava acostumado a ver nos últimos dias e semanas, de costume, deixou os olhos percorrerem por toda a extensão do lugar, procurando por ela. Sabia que não a encontraria facilmente por ali, com todas as pessoas que atrapalhavam sua visão e procura. conseguia avistar os livros por todo lugar, assim como os atendentes, mas nenhum deles era . Nenhum tinha o encanto que só ele conseguia captar.
Respirou fundo, sentindo o coração bater um pouco mais descompassado e olhou ao redor mais uma vez, ainda caminhando, agora, por dentro do recinto. Ele podia ouvir uma música tênue ressoando por ali, deixando um clima agradável para qualquer um que estivesse procurando algo para ler, mesmo que as vozes que repercutiam pela loja atrapalhasse um pouco. Não era algo que o irritava, nem mesmo o deixava incomodado. A livraria o fazia se sentir, literalmente, em casa.
O rapaz podia sentir poucos olhares sobre si, já que a procurava com afinco e empenho, o que podia ser notado por qualquer um que passasse perto dele. cumprimentou alguns dos funcionários que via no decorrer do caminho que fazia e com um sorriso aberto, acenava para cada um, desejando uma tarde agradável. Sabia que parte dos que ali estavam compreendia sobre quem ele era e apesar de não ser tão conhecido, ainda tinham pleno conhecimento de que o rapaz era o redator e revisor responsável da editora mais conhecida do local. Os amantes de leitura sabiam bem sobre aquilo.
Deixou que seus olhos passeassem pelo lugar mais uma vez, desviando dos clientes que andavam agitados por ali e em uma pequena fresta, em meio aos livros e as mãos que percorriam as enormes estantes da loja, conseguiu avistar o olhar, absorvido em uma capa do livro que segurava em mãos, de .
Aquilo não o fez hesitar em se aproximar, ainda observando a forma com que ela olhava cada pequeno detalhe do que estava segurando, deixando um sorriso singelo escapar bem no canto de sua boca.
— O que é esse sorriso adorável em seus lábios?
Perguntou, a fazendo piscar algumas vezes antes de entender quem era a pessoa que havia falado com ela certamente. continuou com a mesma expressão anterior e só então quando focou o rosto de há centímetros de si, pôde sentir as bochechas enrubesceren não só pela proximidade, mas por ele estar ali, em surpresa.
— Não sabia que viria. — mencionou, mais para si do que para ele. sorriu abertamente ainda observando a expressão da mulher à sua frente, ainda mais encantadora do que se lembrava. Com isso, inclinou a cabeça vagarosamente, pressionando os lábios.
— Pensei em dar uma passada rápida, porque, bom… — pausou, desviando o olhar propositalmente e voltando a olhá-la por alguns segundos antes de sorrir outra vez com o olhar de queimando sobre si em curiosidade. — Eu queria te ver.
De primeira, ela achou não ter ouvido certamente o que o rapaz havia dito naquele instante. Certo que haviam saído algumas vezes e se encontrava perdidamente deslumbrada com os trejeitos de , a ponto de não conseguir tirá-lo de seus pensamentos, mas não imaginou que ele seria tão direto a ponto de deixá-la sem fala, estatelada, o encarando como se fosse algo estranho.
O que, com toda certeza, não era.
— O que? Foi repentino demais? Eu sei, me desculpe. — iniciou, fechando seus olhos brevemente ao notar a expressão que estampava o rosto da garota. Em questão de segundos, começou a se praguejar. — Posso começar de novo? Se isso for adiantar algo, não queria que parecesse estranh—
— Não parece. Foi do jeito certo. — sentiu as bochechas queimarem outra vez.
pôde sorrir um pouco mais ao vê-la envergonhada daquela forma, tão graciosa. Ele nunca tinha visto algo tão lindo, mesmo que simples e único.
— Eu não tenho a intenção de te atrapalhar, para ser sincero. Sei que não pode sair por agora e que vai estar ocupada por um bom tempo, mas estive pensando… — pressionou os lábios mais uma vez, desta se sentindo mais nervoso do que achou que estaria. piscou novamente, sentindo o corpo tremer levemente. Como ele conseguia ser tão adorável daquela forma? Ela não conseguia prestar atenção muito bem em outra coisa que não fosse seus lábios se curvando em um sorriso embaraçado e em como seus cabelos ondulavam perfeitamente na parte superior de sua testa.
Ele não parecia ser nem um pouco real.
— Você quer sair comigo? Podemos fazer qualquer coisa, se você quis—
— Eu quero, sim. Adoraria, na verdade. — respondeu, sem esperar que terminasse sua fala corretamente. Ela podia sentir a empolgação correr por dentro de cada pequeno pedacinho de si, apenas por saber que iria poder passar um pouco mais de tempo com o rapaz que lhe roubava parte de sua mente nas últimas semanas.
— Isso era exatamente o que eu queria ouvir. — mencionou. se segurava a todo instante para não se aproximar um pouco mais, apenas por sentir o perfume floral da mulher impregnar suas narinas, o fazendo quase impulsionar seu corpo para perto do dela, em um abraço carinhoso. Ele podia sentir nitidamente o quanto queria estar com ela um pouquinho mais.
retirou seu braço antes apoiado sobre uma das prateleiras vazias e deixou seu olhar cair sobre ela uma última vez, antes de sorrir, ainda sentindo o coração se aquecer dentro do peito e se despedir, em um aceno fraco, quase deixando a entender que não queria ir embora naquele instante.
Aquilo só fez com que olhasse o rapaz se distanciar, sentindo seu coração descompassar exatamente da forma que também sentia, contando os segundos para que pudesse encontrá-lo novamente.
A garota só não havia percebido, a ponto de agradecê-lo e sentir suas bochechas queimarem com o gesto inusitado do rapaz, quando bateu seus olhos em cima do livro que observava meticulosamente antes e avistou um marca página similar ao que ela tinha guardado e que havia perdido.
Aquilo a fez sorrir como uma adolescente, voltando a sentir o frio em sua barriga ao ler a minuciosa frase que marcava a parte lisa do mesmo.

“Talvez seja insano demais, mas gostaria de poder olhar seus olhos novamente… E eu espero muito que você também queira o mesmo.”

E isso só a fez ter mais certeza de que queria mesmo encontrá-lo outra vez.


Terceiro Marca Página

O amor é uma bela flor à beira de um precipício. É necessário ter muita coragem para a ir colher.
— Stendhal


abraçou o próprio corpo com a espera.
Mas, ainda assim, um sorriso sincero cresceu em seus lábios com uma lembrança minuciosa invadindo sua mente. De princípio, se recordou do sorriso cativante de quando a viu na livraria e, depois, com o pedido de um encontro.
Claro que ela não esperava aquilo tão cedo. Imaginava que ele havia gostado de ter ido com ela à cafeteria outro dia, mas… Um encontro?
Seu coração batia mais forte dentro do peito e um leve aquecer dava lugar ao nervosismo transparente.
Era impossível não deixar um suspiro escapar. estava demonstrando ser exatamente o personagem de um livro de romance. Atencioso, prestativo, interessado. Como podia ter encontrado alguém como ele? Justo em uma situação tão imprevista, dentro do metrô, imerso em uma leitura que, provavelmente, era muito cativante.
Não imaginava que aquele rapaz, tão centrado e quieto, se camuflava em alguém tão romântico e esperançoso como estava sendo nos últimos dias.
E, para ser sincera, parecia bom demais para ser verdade.
No fundo, bem no fundo, sentia certa insegurança com tudo o que lhe ocorria. Será que se decepcionaria? Será que, ao final, de alguma forma, daria certo?
Não queria se encher de expectativas, até porque, não tinha muita sorte com amores como aquele, leve e sem qualquer resquício de ser um problema.
Mas, da mesma forma que algo dentro de si a fazia ter um pé atrás com o que acontecia, queria não ter que se preocupar.
Na verdade, queria deixar acontecer. Queria se jogar.
E queria ser pega.
Por .
Fechou os olhos brevemente, se sentindo boba com todos os pensamentos. Parecia uma adolescente começando a ter os primeiros relances do que poderia ser um provável primeiro amor.
Era bobo. Ela sabia.
Mas não se importava.
Pressionou os lábios, passando uma das mãos pelos fios soltos de seu cabelo e olhou para baixo, para suas vestimentas, se certificando de que estaria bonita o suficiente. Não só para si, como para ele também.
Outro sorriso bobo lhe invadiu o rosto. Se sentia mais feliz do que nunca naquele dia.
O céu parecia mais azulado, assim como os pássaros cantarolavam mais para todos os lados.
Mas não demorou muito para que ela permanecesse com seus pensamentos. Pôde avistar, a poucos metros de si, atravessando para o parque Hangang, o rapaz que lhe fazia sentir as famosas borboletas no estômago.
Que lhe fazia sentir como criança.
segurou os próprios dedos, se sentindo nervosa com a aproximação dele.
estava mais bonito do que o normal. Por conta do sol fraco que os aquecia e o vento gélido que transitava por ali, ele trajava um sobretudo marrom claro, tonalizando com a calça social caqui. Os cabelos escuros e cheios também estavam bagunçados, mas aquilo era uma coisa a mais que completava seu charme.
O coração da mulher acelerava.
Com um sorriso receptivo, o que ela estava tão acostumada a ver lhe visitando na livraria ou em encontros ao final do expediente, se aproximou por fim, parando em sua frente.
E ele parecia ainda mais ansioso ao estar com ela do que a própria .
— Oi.
— Oi.
Disseram, quase ao mesmo tempo, e as bochechas de ambos começaram a tomar uma nuance mais avermelhada.
deixou uma risadinha fraca escapar. Céus, como ela era encantadora.
— E então, senhorita, preparada para uma tarde inesquecível?
Ela sorriu, pressionando os lábios para conter tamanha emoção.
— Confio em você para isso, .
E ele a olhou por breves segundos, tentando memorizar cada minucioso detalhe da feição de , bem próxima de si, e assentiu, dando o braço para que ela pudesse segurá-lo.
A mulher olhou para seu ato, mas não pensou muito antes de passar seu braço junto ao dele, começando a caminhar por ali.
Os corações de ambos batiam agitados dentro do peito, ansiosos para o que poderia acontecer naquele dia.


📖 🤍


Eles haviam perdido as contas de quantas vezes já haviam conversado sobre coisas aleatórias no decorrer do passeio à beira do rio, de como haviam apreciado a gargalhada um do outro e de como o conforto permanecia presente ao estarem juntos ali.
Na medida em que caminhavam, conseguiam avistar pontos diferentes. O parque parecia mais cheio do que o habitual naquele dia, mas aquilo não era algo que os desanimariam. O verde das árvores e folhas caídas ao chão se misturava com as demais pessoas que passeavam por ali e o frescor que acariciava a pele dos dois só fazia jus ainda mais ao clima aconchegante que ali se encontrava.
tinha muitas expectativas até o cair da noite. E conseguia sentir o mesmo.
— Seul parece diferente hoje — a mulher comentou, com seu olhar sobre a cidade do outro lado do rio. olhou na mesma direção que ela e voltou a observá-la, sorrindo consigo mesmo.
Se sentia bobo ao notar tamanho misto de sentimentos dentro de seu peito, quase como se tivesse voltado a ser um adolescente se dando conta de um primeiro amor.
— Parece, não é? — complementou, suspirando. — E está bem bonita também.
Ele a olhou, assim que disse a última frase. não havia notado que ele havia dito sobre ela, e não a cidade. E aquilo só fez com que achasse mais graça ainda na mulher.
Ela tinha aquele jeito singular. Singela, calma, transparente.
Aquilo o havia cativado.
— Quero te levar a um lugar. E espero que você goste.
olhou em sua direção e sorriu.
— Onde é? Tenho a impressão de que não vai me decepcionar — soltou, rindo fraco.
balançou a cabeça em negação e levou seus dedos em direção aos dela, ainda com o braço entrelaçado ao seu.
— Jamais. Quero lhe proporcionar uma tarde memorável. — Piscou, a fazendo enrubescer. — Vamos?
— Vamos.
E assim continuaram a caminhar, apreciando não só a paisagem, como a presença um do outro naquele momento.
Continuaram a conversar como antes. Sobre seus costumes, trabalho, hobbies e… Livros.
Talvez o tempo fosse curto, infelizmente, para que os dois pudessem partilhar ainda mais desse passatempo juntos.
Era o que pensavam.
Não queriam olhar no relógio de pulso e muito menos, por mais que estivesse excepcionalmente bonito, observar o fim de tarde. Aquele era um indício de que logo o fim daquela tarde estaria se aproximando.
respirou fundo. Observou ao redor, procurando o local que queria e assim que o avistou, sorriu consigo mesmo, como se tivesse alcançado um objetivo enorme.
E, de fato, era. Aquele era só mais um dos objetivos que tinha para fazer com que não se esquecesse daquele dia.
— Achei esse restaurante incrível. A vista para o parque é de tirar o fôlego — comentou, puxando a cadeira levemente para que ela pudesse se sentar. agradeceu e observou ao redor assim que terminou de se ajeitar no assento.
rodou a mesa e se sentou ali também, do outro lado.
Observou com atenção a garota olhando para o parque ao longe enquanto um sorriso de canto surgia em seus lábios e aquilo o fez sorrir também.
— De tirar o fôlego é pouco. A paisagem é… Incrível, — disse, sincera.
Retornou a olhá-lo, com os olhos brilhantes.
— Isso me faz lembrar. Acabei esquecendo de trazer o livro para conversarmos sobre. Acho que vai ter que ficar para a próxima.
— Bom, acho que vamos ter encontros suficientes para isso — respondeu, pressionando os lábios. arqueou a sobrancelha, surpreso.
— Vamos?
— Não! Quer dizer… É, eu espero que sim.
fechou os olhos brevemente, virando o rosto para o lado com tamanha confusão em sua mente. Se praguejou por aquilo e de imediato sentiu as bochechas arderem.
A tempo de ouvir a risadinha fraca de .
— Não precisa ficar envergonhada — respondeu, baixo. — Eu também espero o mesmo.
Com isso, a mulher voltou a olhá-lo, sentindo seu coração batendo acelerado. Pôde perceber que as bochechas do rapaz também estavam levemente coradas.
Como ele conseguia ser tão cativante?
sorriu.
— Vou pedir o seu prato. Você permite?
— Por acaso, está tentando me surpreender, ? — perguntou, fazendo graça.
O rapaz ergueu o corpo, o impulsionando sutilmente para frente, em direção a . Sequer quebrou o contato visual com ela.
Ao se aproximar o suficiente, ele sorriu.
O exato sorriso que a conseguiria deixar bamba.
E está funcionando?
Permaneceu a observando por alguns segundos, até pegar o cardápio que estava à frente da mulher e voltar para seu lugar.
Aquele gesto havia sido o ápice para que prendesse sua respiração.
Não só por tamanha proximidade, mas pelo aroma que o rapaz havia conseguido exalar tão perto daquele jeito.
Ela piscou, sem jeito, e tentou ao máximo não deixar passar percebido suas bochechas tomando cor outra vez. Olhou para qualquer outro lugar que não fosse à sua frente.
E o rapaz não deixou de notar aquilo por cima do menu que segurava em suas mãos.
Ele sorriu, achando graça outra vez.


📖 🤍


Seul agora tinha o tom alaranjado mesclado ao azul escuro pintando o céu naquele fim de tarde.
e caminhavam lado a lado, em silêncio. Ambos estavam apreciando a vista, assim como a calmaria que havia se instalado ali, entre os dois, misturado ao vento fraco que balançava as árvores ao redor.
A tarde havia sido única. Os dois tinham se conhecido melhor do que imaginavam, haviam descoberto coisas um do outro necessárias e surpreendentes, o que só evidenciou um pouco mais o quão interessados eles estavam um no outro.
não conseguia parar de repassar por sua mente a coincidência que havia sido todo aquele encontro. E se questionava como é que não tinha tido coragem para falar com ele antes naquele metrô.
Mas, da mesma forma, não queria se questionar em relação a como o destino funcionava.
Só estavam gratos por terem, finalmente, encontrado um ao outro.
— Então, você…
— Você gostaria…
Soltaram, juntos, mais uma vez. E assim como haviam dito juntos, riram também.
— Pode falar. Desculpe atrapalhar — soltou, a olhando de lado. prontamente se virou, balançando a cabeça.
— Não atrapalhou. O que ia dizer?
permaneceu seu olhar sobre o dela alguns segundos e retornou a olhar para frente, pressionando os lábios. Ele tentava conter outro sorriso.
— Eu ia perguntar se gostou da tarde de hoje. Ou, se te surpreendi como esperava.
Ela piscou algumas vezes, tentando achar uma forma de responder àquilo. Seu coração havia voltado a bater rapidamente. O olhou e desviou o olhar no mesmo instante.
tinha aquele efeito sobre ela. já havia percebido.
O rapaz não precisava dizer nada específico. Só de olhá-la, a mulher sentia o corpo esquentar, as bochechas enrubescerem e o coração quase saltar de dentro do peito.
Não precisava nem se perguntar para já saber a resposta de que estava caidinha por ele.
— Você tem sido incrível, . Eu não poderia ter pedido por uma companhia melhor hoje — respondeu, por fim, mordiscando os lábios. — O dia está sendo muito bom.
— Fico feliz em ouvir isso.
Disse, a olhando de soslaio e voltando a caminhar com a mulher em direção ao centro da cidade.
A noite já começava a cair levemente e o frio ameno já começava a tomar conta de toda Seul, que estava mais do que iluminada naquele anoitecer. Os dois agora conversavam entre si, mais próximos e íntimos.
ofereceu novamente seu braço para que ela pudesse agarrá-lo e conseguia sentir o perfume do rapaz exalar um pouco mais ao estar perto daquela forma.
Sentiu mais uma vez o frio na barriga tomar conta de si.
Dessa forma, seguiram caminhando até que parasse levemente, olhando para os lados, à procura de algo.
— Só um segundo.
E assim, se afastou da mulher. De primeira, não entendeu muito bem o que estava acontecendo e aproveitou para observá-lo se afastar, decorando cada detalhe que pudesse do rapaz.
Ela sorriu. conseguia ser extremamente bonito. Não se cansava de pensar o quão similar ele era a um personagem de livro de romance, daqueles que vendia na livraria.
Observou novamente os cabelos negros, bagunçados pelo vento. Os fios ondulados caindo por seus olhos. A forma com que ele colocava uma das mãos no bolso da calça, despojado. E de como o corpo se mantinha ereto, deixando ainda mais evidente o charme do rapaz.
Sem contar o sorriso… Ah, o sorriso a deixava perdidamente apaixonada.
O coração aqueceu.
Como era possível se sentir daquele jeito apenas de olhá-lo?
balançou a cabeça, quase imperceptível, tentando afastar os pensamentos.
E não percebeu quando estava há pouco metros de si. Segurando algo nas mãos.
Era uma flor, envolvida a um pacotinho desenhado.
— O que é isso?
— Isso? — Ergueu a flor para que ela pudesse ver melhor. Olhou para e sorriu abertamente. — Algo que você merece hoje.

Ela havia ficado sem palavras. Para ser sincera, havia sido pega de surpresa. Não imaginava que ele fosse fazer algo como aquilo.
pegou o pequeno ramo que continha a flor e a cheirou, sorrindo consigo mesma ao notar o quão perfumada aquela flor era.
Havia adorado.
— Obrigada. De verdade. Eu não esperava.
— Não precisa agradecer.
Respondeu, a olhando e desviou o olhar ao ficar um pouco sem graça. Queria observá-la um pouco mais e se entristecia ao saber que logo aquele encontro terminaria.
Suspirou, pressionando os lábios e voltou a olhar ao redor, pensando profundamente como faria para tomar a atitude que tanto queria, desde quando a viu, quando chegou ao Hangang.
queria tanto tê-la em seus braços, fosse em um abraço apertado ou envolvendo sua cintura em um beijo delicado.
— E então, você quer fazer mais alguma coisa?
o olhou por alguns segundos, pensando no que poderiam fazer. A verdade era que a mulher queria muito mais que aquele encontro. Queria passar muito mais tempo com ele, queria poder conhecê-lo mais, queria poder… Tocá-lo.
Ela queria muito experimentar o sabor dos lábios avermelhados de , do toque deles nos seus.
Aquilo só a deixava ainda mais ansiosa. Como poderia não pensar em outra coisa com ele tão próximo daquele jeito?
Os olhos de estavam sobre , da mesma forma que ele também a olhava, tentando adivinhar o que é que se passava em sua mente.
A mulher olhou para o lado e segurou a flor com uma das mãos, enquanto a outra ajeitava os fios de cabelos bagunçados.
No entanto, ela não pôde concluir aquele ato. havia sido mais rápido. Com seus dedos, os colocou para o lado, prendendo atrás da orelha de e terminou o gesto acariciando a bochecha da mulher, que voltou a sentir o coração palpitando rapidamente.
não queria continuar a olhando. Não queria continuar imaginando como seria beijá-la ali mesmo, no meio do parque.
E foi com esse pensamento que a envolveu, puxando o corpo de para perto do seu, sem demorar muito para sentir seus lábios nos dela, em um beijo suave, sem pressa.
arregalou os olhos com seu ato, mas tornou a fechá-los assim que sentiu o corpo confortável e relaxado nos braços de . Parecia certo estar ali, com ele.
Com isso, deixou que seus braços enlaçassem o corpo do rapaz, em um abraço calmo.
Os dois continuaram o beijo por um tempo, sem qualquer resquício de vontade de ir embora e o finalizou com um selinho leve, seguido de um sorriso exultante nos lábios.
agora o olhava, admirada. Como se estivesse sem palavras para descrever o que havia acabado de acontecer.
— Então…
— Então? — perguntou, ainda sorridente. Ela desviou o olhar, piscando algumas vezes e engoliu em seco, pensando em algo para falar.
O olhou mais uma vez.
Algo dentro de si se iluminou.
Ela havia dito que queria se jogar. E ser pega por ele, não era?
Por que não fazia aquilo de uma vez?
Você… Você tem algum vinho bom guardado?
a encarou, desta vez, sentindo o seu coração bater forte dentro do peito.
— Bom, eu… — Limpou a garganta. Desviou o olhar e sorriu. — Vamos. Tenho uma pequena adega à sua escolha.
E assim, segurou a mão de , entrelaçando seus dedos, pronto para sair dali com ela junto de si.


📖 🤍


adentrou o apartamento com logo atrás de si e o silêncio pairou entre os dois assim que ele fechou a porta.
Ela podia sentir seu coração batendo a mil dentro do peito por estar ali, sozinha com ele e um misto de emoções começou a tomar conta de si vagarosamente.
O rapaz retirou seu sobretudo, o deixando pendurado no cabideiro próximo à porta e, com isso, conseguiu ter uma visão melhor dele por completo.
Desviou o olhar, tentando não deixar tão nítido que o observava daquele jeito.
— Pode ficar à vontade, . Se quiser escolher o vinho, a adega fica logo ali. — Apontou para perto da cozinha. — Vou pegar as taças.
— Claro.
saiu de seu campo de visão.
Ela sentia o peito sacudir pelo coração batendo agitado e, na verdade, ela sentia a ansiedade tomar conta de si a cada segundo que se passava. E, da mesma forma, se sentia bem por ter tido um dia como aquele.
Ainda mais com ao seu lado.
Se aproximou da bancada, olhando um pouco para o alto, tentando ter uma visibilidade melhor das garrafas expostas. Até continuaria, não fosse por ouvir uma música começando a tocar baixinho no ambiente e os passos do rapaz atrás de si.
Vem cá.
Disse, tocando em seu ombro. Em seguida, desceu a mão em direção à da mulher, puxando-a levemente para si.
Os olhos de a percorreram. Ele observou cada detalhe da mulher à sua frente, os olhos, a ponta do nariz, os lábios avermelhados pelo frio suave daquela noite.
Céus, como ele queria beijá-la outra vez.
o olhava do mesmo jeito, com o mesmo desejo percorrendo sua mente.
Os olhos brilhantes do rapaz em sua direção evidenciavam o que ele tanto queria. E ela tinha certeza de que os seus conseguiam dizer o mesmo.
fechou os olhos, depositando um beijo sutil nos lábios de . Ela o correspondeu.
Aos poucos ia se intensificando.
Os dedos de percorriam a nuca da mulher, seus ombros, descendo por suas costas, podendo senti-la pela blusa fina e lisa.
tinha suas mãos acariciando o pescoço do rapaz, descendo levemente para seu peitoral, à procura de qualquer forma de tirar aquela blusa que ele vestia.
Os dois estavam ardendo em desejo, excitação.
Queriam se conhecer como tanto ansiavam.
Depois da conversa, dos livros, do romance tênue.
Queriam o calor de seus corpos juntos um do outro.
a olhou, avistando de relance o rosto de em meio à pouca luz que o local apresentava e a beijou mais uma vez, indo para o canto de seus lábios e descendo para sua mandíbula.
— Vou te perguntar algo que disse mais cedo — sussurrou.
— O quê?
perguntou, em meio aos beijos que ele lhe dava, com os olhos fechados.
— Estou te surpreendendo como esperava?
Ela ergueu o olhar para observá-lo melhor e, ainda com a guiando em direção ao quarto, sentiu o impulso dos braços do rapaz, sendo pega pela cintura. Deixou que suas pernas enlaçassem a pélvis do rapaz, voltando a lhe beijar.
— Você me surpreende desde que te conheci, .
Sussurrou contra seus lábios e afastou o rosto para olhá-lo.
Ele fez o mesmo. Mas, não demorou muito para que logo pudessem estar deitados em sua cama, sentindo um pouco mais um do outro.

“O amor é arriscado, mas sempre foi assim. Há milhares de anos as pessoas se buscam e se encontram.”
— Paulo Coelho


Continua...



Nota da autora: Olá! Finalmente mais uma atualização de Bookmarked para vocês! Preciso dizer que fiquei de cara quando vi o tanto de gente que pediu att dessa fic, não imaginava que ela tinha ganhado mesmo o coração de vocês! E isso só me deixa ainda mais feliz e motivada a continuar.
Espero que vocês gostem desse capítulo, esse casal de livros de romance deixa meu coração completamente derretido!

Ah! Caso você queira acompanhar mais histórias minhas, aqui tem o link da minha página de autora.

Agradeço muito a cada leitor(a) dessa história!
Com carinho,
Isy.



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Nota da beta: Gente, olha esse casal! Aff que coisinha mais fofaaaaa. Minha meta pra vida é isso aí hahaha.
Tô amando cada vez mais essa fic. A sua escrita só fica cada vez mais maravilhosa, Isy. Eu tô apaixonada! ♥

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